Model
Última atualização: 02/11/2017

Prólogo

Como dizia William Shakespeare: “Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser.” Bem, essa frase se aplica a tudo à minha volta. E depois que comecei a modelar mais do que costumava, tudo mudou.
Comecei a ganhar mais dinheiro, a sair, ser convidada para todas as festas possíveis, para premiações, shows, videoclipes. Eu ganhava tudo, porém perdi o mais importante. Quando eu não era reconhecida, meu namorado, , me fotografava e postava minhas fotos em seu blog.
Decidi que era importante trazê-lo comigo para a fama, porque eu não seria nada sem ele. Acontece que as mentes mudaram e a cada mais sucesso que ele tinha, mais idiota ficava. Começou a se tatuar, mudar de cabelo a cada dia, ser um babaca com as outras pessoas. Ele realmente mudou.
Mesmo jurando que jamais mudaria. Tanto que ele mesmo usava sua frase favorita para dizer-me que jamais o faria: A melhor coisa sobre uma fotografia, é que ela não muda mesmo quando as pessoas mudam.
Ele dizia que não, mas todos nós sabíamos que sim. era um garoto normal, gentil, tinha papo pra tudo e nunca era grosso sem necessidade. Já hoje em dia...
E por mais que eu tentasse, ele sempre aparecia a minha volta. Sempre. Irrito-me bastante quando fico trancada naquele estúdio maldito com ele. Principalmente porque ele... Mexia comigo de uma forma que alguém jamais mexeu.





Capítulo Um

- ! – os paparazzis berravam pelo meu nome na esperança que eu fosse parar para falar com eles. Era sempre assim, desde o pequeno início de fama que eu tinha. Mas eu antes não estava sozinha.
Estava indo fotografar para uma revista teen e por incrível coincidência, meu ex era quem tirava as fotos de quase todos os meus shoots. Por quê? Hm, quando eu assinei meu contrato, há dois anos, eu exigia que meu fotógrafo sempre fosse ele. Não o mudei desde então.
Entrei correndo no carro e liguei a rádio. Era um ritual, antes mesmo de ligar o carro, eu ligava o rádio. Assim que o carro ligou, eu acelerei. Estava um trânsito dos infernos – como sempre –, eu já havia recebido mensagens alegando que eu estava atrasada. Duh, eu sei. Parei em um semáforo, e umas das minhas músicas favoritas começou a tocar. Love On Top, da minha musa inspiradora, Beyoncé. Não hesitei em começar a cantar.
- Bring the beat in! Honey, honey I can see the stars all the way from here. Can't you see the glow on the window pane? – respirei um pouco e sem hesitar, continuei. - I can feel the sun whenever you're near every time you touch me I just melt away.
Fiz varias dancinhas e vários tipos de performance até chegar ao estúdio. Meu dia já estava bom até. Saí correndo do carro antes que me matassem por tanto atraso. É muito bom não usar salto por essas coisas.
- Cheguei! – eu entrei com a respiração falhada após ter corrido cinco lances de escada. – Desculpem, o trânsito estava péssimo.
- Se não se atrasar não é você. – fez uma piadinha. O olhei com uma cara de reprovação.
- Esse estúdio está fedendo a cigarro, muita vodka e sexo. Que nojo! – fiz careta. Logo umas mulheres me colocaram sentada na cadeira para que eu fosse maquiada.
- E aí, bro. – ouvi a voz de , um dos melhores amigos de entrar no recinto. – Eu trouxe as bebidas que você pediu. Aqui tá o seu café expresso.
- ! – o chamei. Estava com saudades do magrelo. – Como você tá, magrelo?
- Bem e você, gorducha? Você emagreceu? – ele zombou.
- Hahahaha, eu estou magrela, que nem você. – comentei revirando os olhos. – Eu to com fome, af.
- Por isso mesmo que eu trouxe seu capuccino com chantilly. – ele me entregou o copo.
- É por isso que eu te amo, .
- Falsa! – veio reclamar. – Termina logo isso, eu tenho que sair daqui a pouco.
- Só lamento! Se eu não receber, você também não recebe, não se esqueça.
- Cala boca, . – ele me deu o dedo do meio.
- Que antiético!
ia me responder, mas eu levantei da cadeira pronta, maquiada.
- Você tá a maior gata. – disse.
- Obrigada, .
Começamos a fotografar, diversas poses e eu provavelmente estava cansada daquilo. tinha umas ideias loucas, poses, trocas de roupa toda hora. Uh, esse homem me cansa.
- Garota, cacete! Congela! – ele reclamou comigo e eu dei de rir. Mesmo assim, ele continuou tirando fotos. – Isso não tem graça, .
- Não congelo! Eu hein... – comentei e deu risada.
- Você é chata demais.
- Faz parte. – fiz careta e voltei paras poses que eu fazia no início.
Meia hora depois, eu já não aguentava mais nada. Eu queria socar a cara do , eu queria matá-lo, agredi-lo, esfaqueá-lo qualquer coisa deste tipo. Estava arrumando as coisas para ir a casa.
- , eu e o vamos ao Fleur almoçar, você quer ir? – perguntou-me sorridente e convidativo.
- Eu amo a comida de lá. Seria um sonho? – gargalhei.
- Por isso que você está gorda. – comentou, soltando fumaça de cigarro na minha cara.
- Por isso que ninguém te perguntou, .
- Ouch! – riu novamente. – Vai querer ir comigo no meu carro ou vai dirigindo?
- Vou dirigindo. – falei pegando minhas chaves e minha bolsa.
- Vou com você, . – comentou, pegando um novo cigarro, acendendo-o.
Fiz careta, pois não queria a companhia dele. Nunca mais, não desse atual. No elevador, mexia no celular e ria.
- Que foi? – perguntou curioso.

- dançando Love On Top. – ele chorava de rir. Espera, O QUÊ?
- Como assim, dançando Love On Top? – arregalei os olhos.
- Você está bombando no E!. – ele comentou. – Não deixem esse vídeo morrer.
- Cala boca, . – resmunguei. – Eu nem estava tão estranha assim.
- Você é estranha. – ele disse e como resposta, dei o dedo do meio.
Fiquei calada até o elevador chegar ao térreo. ria da palhaçada de . Eu ficava quietinha, pois observava os dois.
- Nos encontramos no Fleur. – comentei e sai de lá correndo porque eu estava com fome e queria muito jantar Escargots.
Quinze minutos depois eu adentrava o restaurante que estava lotado. Por sorte, já estava lá para guardar nossa mesa. Sorri para ele e ele acenou com a cabeça.
- Hey, yo! – sorri, cumprimentando-o.
- , que saudades de você!
- Digo o mesmo, sweetie. – sentei-me onde tinham duas cadeiras, que era tipo um sofá.
Uns dois minutos depois, vimos e adentrarem o restaurante. Eles conversavam e davam risadas baixinhas. Sentamo-nos em ‘casais’. sentou ao meu lado e ao lado de .
- , eu soube que você vai fazer um ensaio fotográfico para uma revista de Paris. – comentou, animado.
- Sim! Eu estou tão ansiosa. É a primeira vez que vou modelar para fora do país. Estou meio ansiosa. – dei um sorrisinho fraco. – Não estou acostumada a coisas tão grandes, sabe?
- Ah, você está sim... – foi a vez de manifestar seus pensamentos. e gargalharam e só depois fui entender a piadinha. Dei um tapa no braço do idiota, que logo resmungou. – Ouch! Não me bata! Eu sou frágil, .
- Cala boca, ! – disse revirando os olhos.
- Ainda bem que meu negócio é cantar. – zombou. – Deve ser um saco ficar tirando fotos o tempo inteiro.
- Ah, acredite... É pior quando sua modelo é uma chata de galocha e ela não sossega! – comentou, fazendo uma indireta bem direta.
- Nossa, sabe o pior? – questionei, com vontade de provocar também. – Nossa, é quando seu fotógrafo chega a cigarro, sexo e vodka! É uma coisa que desmotiva qualquer um.
e riram e eu tinha percebido que aquela noite tinha acabado de começar.
- Garçom, por favor. – o chamou. O mesmo veio super sorridente, a fim de atender-nos. – Quando vier trazer nossa comida, pode me trazer seu melhor vinho tinto?
- Claro, sir. – o mesmo saiu de lá e foi apressar nosso pedido.
Alguns minutos depois, começaram a aparecer alguns fotógrafos. Insuportáveis, por sinal. Parecem sanguessugas que não têm sua própria vida.
- Como eu odeio isso. – resmungou. – Tenho vontade de ir lá fora e socar todos eles. Você acredita que um deles arranhou meu carro hoje?
- Vá lá fora, faça-me um favor. Soque um cara, vá preso e suma da minha vida! – zombei do menino. – Ah, para né, , você tem dinheiro o suficiente pra ajeitar o carro.
- Mas eles tocaram na Mia! – ele resmungou. Quem é que dá o nome de Mia para um carro? Sim, pessoal. Ele mesmo, .
distraía-se com seu celular, também. Enquanto eu e discutíamos. Como sempre. Era inevitável. Onde eu e ele estivéssemos, teríamos brigas.
- Você tem falado com o e com o , ? – perguntou. – Sinto falta de sair com eles.
- Sim, saíamos juntos enquanto vocês dois, pombinhos, ficavam se engolindo. Ótimos parceiros de balada. – deu uma risada.
- Eles estão trabalhando na Irlanda por uma semana. – fiz um comentário. - Parece que o pai do conseguiu que eles implantassem o projeto deles na empresa de um conhecido dele e a primeira tentativa é na Irlanda.
- Qual projeto? – perguntou.
- É simples. Eles arrecadam fundos através de joguinhos para ajudar nos ataques contra a Síria e países que são frequentemente atacados pelos extremistas. – expliquei. – E ainda acho que esses joguinhos são para pessoas que têm alguma deficiência mental ou coisa parecida.
- Que incrível. – comentou. Ele sempre gostava de ajudar os outros. – Avisa que quando eu mais puder doar, mais ficarei feliz.
- Avisarei! – sorri. Eu achava a ideia deles maravilhosa, não é atoa que eu fiz a divulgação, eu que dei os primeiros fundos para que tudo isso acontecesse. E meus amigos estavam felizes, era isso que importava.
sempre foi meu melhor amigo, desde que eu comecei na escola. A minha mãe e a mãe dele são melhores amigas desde adolescentes também. Já , conheci através da minha melhor amiga, . Eles são um casal tão bonitinho. Pena que são idiotas demais pra assumir.
Nossa comida chegou e estava tudo uma delícia, como sempre. Fleur era definitivamente o melhor restaurante do universo.
Ao final de tudo, estava bêbado demais. Assim como . Só eu e de sóbrios. Como sempre, não é mesmo? Pedimos a conta e rachamos tudo em quatro, para que ninguém pagasse mais que ninguém.
- , você vai pagar no dinheiro ou no cartão?
- Que isso, ? Você está se prostituindo? – ele perguntou, assustado.
- Estou, . – comentei risonha. – Mas enfim, já fiz meu serviço. Vai pagar em dinheiro? Ótimo.
Peguei o dinheiro necessário em sua carteira e juntei o dos quatro, colocamos dentro da cadernetinha e fomos embora.
Decidimos que eu e iríamos juntos, pois morávamos um mais perto do outro. Ele estava muito bêbado. Odeio gente assim.
O coloquei no carro com apenas um grito. Ô garotinho chato!
- , ! – ele disse rindo.
- Oi, . – virei pra ele.
Ele brincava com uma pelúcia que ele havia me dado, que eu tinha pendurado no carro.
- Você ainda tem isso?
- Sim, acho amorzinho demais. – comentei.
- Que bonitinha. – ele deu risada.
- Minha mãe e meus fãs falam isso sempre, honey. – comentei.
Uns quinze minutos depois, estacionei o carro na porta do prédio do . Eu teria que colocá-lo na cama, ele não estava em condições para tal ato.
- Vem, . – chamei ele que veio calmamente em minha direção.
Ele me deu a mão apenas pra não cair subindo a escada e estava cantando a musiquinha da Branca de Neve.
- Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou! – ele ria – Pararatibum, pararatibum, eu vou, eu vou!
Eu dei uma risada e entramos no elevador. morava no décimo segundo andar. Pra que, né? Uns três minutos depois, chegamos ao seu andar.
- Cadê tua chave? – perguntei. Ele me encarou com aqueles olhinhos de criança ingênua quando não sabe de nada. – Pra sua sorte eu sei onde você guarda sua chave reserva.
Estiquei-me um pouquinho para alcançar a brecha que tinha em cima da porta dele, onde a chave ficava escondida. Abri a porta e o puxei pra dentro.
- Tira os sapatos. Vem, vou te levar pro quarto. – esperei o mesmo ter forças pra tirar seus próprios sapatos.
dava risadinhas e cantarolava a música dos sete anões como se fosse sua maior felicidade. Subimos as duas escadinhas que tinham para o quarto dele e ele entrou.
- Vai tirar a calça pra dormir mais confortável? – perguntei.
- Sim, me ajuda aqui. – tentou, mas ele não conseguia desabotoar.
Enquanto desabotoei sua calça ele deu mais risada ainda.
- Tá achando que eu sou palhaça, idiota? Para de rir.
Ele deu uma gargalhada e tropeçou no tapete. Com isso, ele me segurou e eu fui junto. Caímos no chão, eu em cima dele. Olhei naqueles olhos que eu sempre fui apaixonada, aquela boca... Foco, ! Eu não conseguia me mexer, de verdade.
Para minha não surpresa, me beijou. De início eu fiquei meio que sem saber o que fazer, mas logo me rendi. Eu sentia falta daquele beijo, como Meredith Grey sente falta de Derek Shepard, como um urso bebê sente falta da sua mãe. Eu parei o beijo e fiquei olhando pra cara dele.
- ... – eu fiquei meio confusa. – Por que fez isso?
- Porque... Hm, eu, eu sinto falta do seu beijo. – Vrá! Toma na cara, !
Juntei minhas estruturas novamente, levantei-me o mais rápido que pude e o puxei.
- Tira logo a calça e a blusa, tá muito tarde pra eu ir pra casa sozinha. – puxei a barra de sua camisa enquanto ele tirava as calças. Logo ele ficou de cueca e eu já podia ir embora. - Agora deita e dorme.
Ele me obedeceu e ficou quieto na cama. Eu estava saindo do quarto quando ouvi sua voz me chamando.
- ? – ele se virou para o meu lado.
- Oi, .
- Eu estou bêbado demais pra me lembrar do que eu vou te falar agora, mas saiba que é total verdade. – ele disse meio embolado, pelo visto o sono estava chegando – Eu não sinto falta só do seu beijo, sinto sua falta por completo.



Capítulo Dois

Após o acontecido com , não nos vimos durante uma semana. Eu não saberia como olhar pra cara dele, por mais que ele não lembrasse de nada. Tenho adiado o máximo possível.
- ! – me chamava. – Vem, o filme já começou!
Eu estava fazendo a pipoca e minha melhor amiga gritava por mim na minha sala de estar.
- Calma! O já chegou? – perguntei. Hoje eu queria segurar vela. Eles estavam namorando há um mês, após muito doce e muita insistência minha. – ! Me responde, cacete!
Naquele momento em que gritei, a campainha tocou. Já estava respondida.
- Hmmm, ? – entrou na cozinha. – O veio acompanhado, tem algum problema?
No momento em que ia me virar pra respondê-la, deparei-me com um triste e drogado.
- ? – perguntei. O garoto deixava suas lágrimas escorrerem e não me respondia. – , o que foi?
- Hmm, a avó do ... – ele fez uma cara meio tensa. – Ela morreu.
- Ai, meu Deus! – exclamei e puxei o garoto dos cabelos emaranhado pra perto. – Meus pêsames. Eu sinto muito, muito mesmo.
Sem mesmo pedir, o puxei para um abraço. Eu não queria vê-lo assim, nem meu pior inimigo.
- Eu não queria. – ele soluçava. – Eu não queria!
- Ninguém queria isso, meu amor, ninguém... - vê-lo assim me partia o coração, só sabe Deus o quanto. – Ela descansou agora.
- Ela teve três paradas cardíacas em menos de duas horas, ! – ele berrou. – E EU NEM SE QUER ME DESPEDI!
e olhavam pra mim como se eu fosse a solução de todos os problemas dele. Pedi que eles saíssem de lá. Coloquei a pipoca no pote para entregá-los e depois eu subiria com . Seria egoísmo da minha parte deixá-lo assim. Não teríamos clima para segurar vela e eu sabia o quanto sua avó importava pra ele.
- Vem, . – disse subindo as escadas pro segundo andar do apartamento. Chegando ao quarto vimos que Stark dormia em minha cama tranquilamente. Era meu Golden Retriever de seis anos de idade.
sentou-se na cama e ficou fazendo carinho no cachorro que abria os olhos lentamente. Quando percebeu quem era que fazia carinho nele, começou a lambê-lo, pular em cima dele. Não com tanta rapidez e sagacidade que um cachorro tem, pois ele já estava velho.
- Hey, dude. – deu uma risada e continuou fazendo carinho no cachorro.
- Viu, já animei seu dia triste! – sorri.
- É, ! – ele disse deitando na minha cama. Se ele não estivesse triste, eu o chamaria de abusado. Jack saiu e foi lá pra baixo. Deitei-me ao lado de e começamos a conversar.
- Como se sente? – perguntei quebrando o silêncio que pairava no quarto.
- Péssimo. – ele comentou baixinho. – Sinto como se fosse minha culpa.
- Mas não é, você sabe que estava na hora. – comentei. – Eu sei como é se sentir assim, parece que está um vazio dentro de você.
Olhei pra ele que fez sim com a cabeça e olhou pra mim.
- Eu quero que hum... Você vá comigo. – ele meio que “ordenou” sem graça. – Você sabe... Pro enterro. Ela gostava muito de você, .
- Eu vou... – eu virei pra ele. – Essa fase ruim vai passar e você sabe que ela sempre vai cuidar de você. E mandar você parar de beber. Que seus fígados vão parar de funcionar.
Ele deu uma risada. – É, ela sempre dizia isso. Não vou conseguir fazer isso sozinho.
- Vai sim e mesmo se não conseguisse, eu estaria aqui.
Encostei-me na cabeceira da cama e fiquei olhando para o garoto. Quieta. Minutos depois, pegou no sono. Não queria ficar lá, mas também não queria descer. Saí do quarto e fui ver se e ainda estavam com suas roupas no meu sofá.
- Você sabia que o e a se beijaram? – perguntou para que o olhou.
- Sério? – ela perguntou incrédula. Então lembrava? – Como aconteceu?
- Ele não lembra. Ele só sabe que aconteceu e ele jura que não foi um sonho. – comentou. - Acredito nele.
- Não acredito que a não me contou. – ela disse irritada.
- Não te contei o quê? – a questionei, adentrando a sala.
- Q-Que o morava com a avó. – ela comentou.
- Você já foi lá comigo e ela sempre estava lá.
- É? Não lembro. – ela comentou nervosa e riu. Que merda, hein, melhor amiga!
- Você é péssima mentindo. – fiz o comentário. – Não te contei sobre o porque não achei relevante.
arregalou os olhos e se levantou.
- Você ouviu?
- Sim, né. – respondi. – Não esperava que ele fosse lembrar.
- Eu acho que nem ele... – comentou. – Ele tá melhor?
- Não. Só parou de chorar e dormiu. – peguei um copo de água na cozinha e me sentei no braço do sofá. – Não espero que ele vá ficar bem tão cedo.
- Por quê? – perguntou.
- Gente, a avó dele o criou e o sustentou porque a Trisha não tinha com quem deixá-lo. – falei como se fosse meio óbvio.
Ambos ficaram quietos e me olharam.
- Precisamos ir... Se incomoda de ele dormir aqui? – perguntou receoso.
- Não.
Os dois se despediram e foram pra casa. Eu dormiria no sofá, eu acho. Ele tem sono leve, não quero que acorde. Decidi prestar meus sentimentos em minha rede social.

@: Meu mais sinceros sentimentos à toda família , vou sentir sua falta, grandma! <\3

Eu tinha lido mais e-mails de Veronica, minha assessora, que falava da premiação de amanhã. Eu tinha sido escolhida como uma das modelos destaques, porém mandei cancelar tudo. Eu não iria.

@: Ah, mais uma coisa! Não me esperem amanhã no Teen Vogue Award! Não poderei comparecer por problemas pessoais. Xx.

Pouco depois, adormeci no sofá. Por minha sorte, era espaçoso e confortável. De madrugada senti que estava sendo carregada, mas não me importei com isso. Acordei e me deparei com me observando.
- ? – questionei. – Você tá bem?
- Tô sim, . Fica calma. – ele deu um sorriso e eu sabia que ele não estava sendo sincero.
- Não minta pra mim.
- Não estou! – ele me olhou com os olhinhos de quem tinha acabado de acordar.
- Estou com muito sono... – comentei.
- Então vem, vamos dormir. – ele me puxou pra perto e recostei minha cabeça em seu peito. Senti um leve carinho nos meus cabelos, mas logo não me recordo de nada, pois adormeci.

Horas depois, senti que não conseguiria mais dormir. Acordei e me levantei, preparei café, fiz uns waffles e tomei um banho. Eu não estava disposta a nada!

- Pelo que parece, a modelo prestou seus sentimentos à família e também disse que não poderia comparecer ao TVA. – a repórter dizia, eu tinha apenas ligado a TV para saber de notícias e pum! Eu estava nas notícias! – Fontes nos informaram que a modelo não comparecerá ao evento, pois irá ao enterro da avó do ex-namorado, . Não tão ex-namorado, pois o fotógrafo foi visto ontem à noite na portaria do apartamento da modelo, será que eles voltaram?

Não, seus estúpidos! Claro que nós não voltamos! Eu me perguntava se as pessoas que cobriam reportagens como essa, não tinham nem uma louçazinha pra lavar. Eles não poderiam falar sobre a quantidade de pessoas desabrigadas que existem? Ou coisas como dicas que poderiam ajudar o planeta?
- Bom dia. – apareceu na sala de estar com o cabelo todo bagunçado e uma cara muito amassada.
- Bom dia, honey. Tem waffles pra você no forno, a calda de chocolate está ao lado do micro-ondas. Assim como o mel. – o informei.
- Ok, obrigado. – ele foi pra cozinha e comeu silenciosamente. Minutos depois o ouvi entrar na sala de estar. – ?
Me virei e o encarei. – Sim?
- Muito obrigado por ontem/hoje. – ele comentou.
- Não precisa agradecer, .
Ficamos em silêncio por um pequeno período de tempo enquanto ele comia. estava de cueca e meus sentidos sexuais berravam.
- Vou passear com o Stark. – comentei me levantando.
- Quer que eu vá? – ele se ofereceu comendo o último pedaço de seu waffle.
- Não precisa. - comentei sorridente. – Faz tempo que não dou uma caminhada.
- Ok, tudo bem. – ele deu risada. – Well, vou tomar um banho, posso?
- Claro, por que não? – sorri e peguei a coleira de Stark. – Você sabe onde ficam as toalhas e as coisas pra tomar banho, não é?
- Claro que sei, você nunca muda nada de lugar! – ele sorriu fraco.
Ele saiu andando pelo apartamento e tiveram duas coisas que meus olhos seguiam: sua bunda e suas costas musculosas. , foco! Por favor.
Saí correndo pelo apartamento com Stark e fui caminhar. Durante todo o percurso, algumas pessoas paravam pra falar comigo ou com meu cachorro. Presentes de ser famosa. Fiz mais ou menos trinta minutos de caminhada e decidi regressar. Hoje também tinha o funeral da avó de e logo mais iremos buscar a mãe dele no aeroporto.
Eu precisava fazer xixi urgentemente. Saí correndo em direção ao meu quarto, pois usava o banheiro social.
- Mas o que você...? – não terminou a frase e eu me tremi toda. Ele estava pelado, bem ao meu lado. Misericórdia.
Tapei os olhos correndo e comecei a rir, de nervoso claro. Meus olhos estavam tapados, mas eu sentia seus olhos sobre mim.
- Qual, é, ? Até parece que você não viu nada daqui.
Merda!


Capítulo Três

Eu não parava de rir e também não. Estávamos naquela há quase dez minutos rindo, por um simples incidente.
- Do que está rindo? – perguntei rindo também.
- Da sua cara de desespero. – ele soltou mais uma gargalhada. – E você?
- Da sua risada. – ri mais.
Logo depois, cessamos o ataque de riso e saiu do meu banheiro. Aproveitei e fui tomar meu banho, estava quase na hora de buscar minha ex-sogra no aeroporto. Pouco depois, saí do quarto já vestida. O dia seria cansativo.
- . – o chamei e ele estava vendo televisão.
- Você viu como essas pessoas são estúpidas? – ele perguntou referindo-se ao programa que passava, falando sobre a gente. – Quando que eu iria voltar com você? Tsc, foi só um erro adolescente.
Vrá! Toma na cara, sua trouxa. Bem feito! Não era nem pra você ter dado uma mísera brecha. Tossi devagar e o esperei se levantar.

N/a: [Coloquem Stars da Alessia Cara pra tocar]

Durante o percurso até o aeroporto não dei um pio se quer. Fiquei atenta ao meu celular respondendo meus e-mails e escutando música. Uma música muito aleatória começou, e eu cantarolava.

- Knock on my door, boy come home, you stay in my head. Lay in my arms, why won't you?It's been way too long – cantarolei junto da música. Nem sabia que tinha ela em meu celular...- What you waiting on? Cause I've laying here, learning what the memories won't do.See I need you and baby I need to... Let down my guard and give you my scars, open up my heart.
- Agora ela é cantora! Não é, ? – ele debochou.
- Te interessa? – respondi sendo rude. - Uh, quero que esse dia acabe logo!
- Tem alguém te prendendo aqui, garota estúpida?
- Para o carro. – falei.
- Você está louca? – ele perguntou.
- PARA AGORA! – berrei com ele. No mesmo momento, o carro foi freado com tamanha violência. Se eu não estivesse com cinto de segurança, com total certeza que eu ia parar com a cara no vidro.
Estávamos no meio da avenida que chegava ao aeroporto e eu saí andando pela mesma. acelerou e foi mais adiante com o carro. Procurei por um táxi o mais rápido possível e fui até o cemitério. Quando cheguei, só estava na pequena capelinha, o caixão da avó de . Andei calmamente até o local onde se encontrava e fiquei calada. Eu queria falar, mas eu não conseguia por em palavras.
- Sinto muito, Grandma. Espero que você descanse em paz e que você seja muito feliz, não importa onde esteja. – falei baixinho.
Pouco depois as pessoas começaram a chegar, várias. Alguns fotógrafos, até. Muita gente da família , claro. Depois da missa, houve o enterro e todos foram embora. Eu apenas esperava que todos saíssem para que eu pudesse rezar sozinha, porque como minha mãe sempre diz, a única coisa que se pode fazer por uma alma é rezar por ela.
Rezei e confesso que chorei, até. Ela era uma pessoa muito legal com todos, simpática. Ela era minha avó, a que eu nunca tive.
- Obrigado por ter vindo. – ouvi a voz de e girei-me até ficar de frente com ele.
- Não vim por você, eu vim por ela. – comentei.
- Por que não podemos ter uma conversa amigável?
- Porque você não é amigável. Você não faz com que as coisas sejam amigáveis. – respondi desdenhosa. – E isso, pode ter certeza... É a última coisa que ela esperaria do neto dela. Uma pessoa amarga, estúpida e que principalmente fica feliz quando vê a desgraça de alguém.
Antes de ir embora, passei no local onde o corpo da avó de fora enterrado.
- me disse, anos atrás... – comecei, vendo um vapor de água se formar na frente de meu rosto. – que cada flor tem um significado. Eu não estou muito certa do que elas querem dizer, mas quando pesquisei na internet, disseram-me que as rosas rosadas significam gratidão. Estou trazendo aqui pra você, Grandma – tirei uma rosa de dentro do sobretudo preto. – essa flor para expressar o meu agradecimento. Você merece toda paz possível. Obrigada por me ajudar nos momentos que eu mais precisei. Espero que a senhora seja muito feliz não importa onde esteja e, cuide do seu menino. Ou o que resta dele.
Saí de lá o mais rápido que consegui. Eu odiava ter aquele homem por perto. Aquele tipo de homem por perto. Simplesmente odiava.
Eu quis fazer compras pra aliviar a cabeça naquele dia. Ou pelo menos tentei, porque quando mais se foge das assombrações, mas elas nos aparecem. Nunca tinha comprado tanta roupa quanto tinha comprado naquele dia. É tristeza. Eu estava muito triste pela perda da avó de ... E triste também pela pessoa que ele havia se tornado. Alguns paparazzis encheram meu saco, mas era normal.
- ! A gente pode conversar? – uma mulher me chamou e ela estava tão calma que aceitei. Não parecia estar desesperada ou coisa do tipo.
- Claro, sobre o que quer falar?
- Eu faço parte de uma revista teen e eu gostaria muito de te entrevistar. – ela pediu.
- Desculpe, querida. Essas coisas você pode falar só com a minha assessora. – estava me preparando para pegar meu cartãozinho para entregá-la quando a mesma me interrompeu.
- Por favor! – seus olhos se encheram de lágrimas. – Se eu não conseguir uma entrevista com alguém importante eu vou ser demitida! E eu preciso pagar o tratamento do meu pai.
- O que seu pai tem? – perguntei curiosa.
- Esclerose múltipla. – ela disse e uma lágrima escorreu por seu rosto. – O tratamento é muito caro, os remédios são muito caros e eu não sei mais o que fazer.
Eu abracei a menina instantaneamente porque eu senti que ela precisava muito daquilo.
- Hey, babe. – a chamei e levantei seu rosto. – Você precisa dessa entrevista quando?
- Eu preciso dela hoje. – ela secou as lágrimas.
Minha mente pensava, pensava e pensava.
Eu sei que em muitos lugares seríamos interrompidas, então pensei em um parque qualquer, e o primeiro que veio em minha mente foi o St James’s Park & Green Park. Estes dois parques ficam pertinho da Trafalgar Square, a principal praça de Londres, e do Palácio de Buckingham, numa área que é cheia de conexões com a realeza. É lá que ficam o St James’s Palace e Clarence House, a residência oficial do Príncipe Charles e dos seus filhos, William e Harry. Era um ótimo lugar para uma entrevista.
- Me encontre no St James’s Park em dez minutos, ok?
- Tudo bem.
Sai de lá depois de muito custo e fui ao parque. Eu precisava ajudar aquela menina. É horrível ter alguém na sua família que passa por alguma doença que é bem grave. Eu me sentei na grama e a esperei, pouco depois, vi a menina correndo em minha direção.
- Pronta? – ela chegou ofegante com o tripé, e a câmera pendurada no pescoço.
- Eu nasci pronta, baby! – respondi sorridente. – Qual seu nome?
- Anna. – ela respondeu. – Anna Hastings! Eu nem me apresentei, me desculpa.
- Tudo bem, querida. Está pronta??
- Sim! Deixa só eu apertar o botão pra filmar e a gente começa. – ela respirou fundo e sorriu. – Olá, eu sou a Anna Hastings e hoje farei uma entrevista com ninguém mais que !
- Olá, queridos! – disse sorridente. – Anna, não me chame de . Parece minha mãe brigando comigo quando eu andava de meias pela casa!
Nós demos risada juntas e ela prosseguiu a entrevista por uns cinco minutos falando sobre a minha carreira e sobre como comecei.
- , podemos fazer um pequeno joguinho? – ela perguntou. – Eu particularmente o amo porque faz a gente se conhecer um pouquinho mais.
- Tudo bem! Vamos lá. Eu amo jogar.
- São treze perguntas sobre você. – ela disse. – Apenas responda com sinceridade, ok?
Fiz que sim com a cabeça e prosseguimos.
- No que você é boa em fazer?
- Hmm, acho que sou boa na cozinha. – comentei. – Meu ex namorado adorava quando eu cozinhava pra gente.
Você falou do , . Você pensou no . Que inferno!
- Um dia quero que me chame para comer sua comida, ok? – ela disse risonha. – Próxima pergunta. O que você mais gosta de fazer?
- Uh, eu amo dormir. Eu poderia passar o resto da minha vida dormindo. – comentei. – É estranho! Algumas pessoas gostam de assistir filmes, de sair, beber, fazer quaisquer outras coisas, mas eu simplesmente gosto de dormir.
Ela soltou uma gargalhada e respondeu. – Acho que com a sua carreira você não pode dormir muito.
- Ah, eu durmo sim! Às vezes eu prefiro pegar um táxi para ir a sessão de fotos porque é mais um tempinho dormindo. – comentei. – Ou então vou de avião para dormir mais um tempo. Sempre que posso estou dormindo, Anna!
- Parece que alguém aqui adora dormir. – ela deu risada. – Ok, próxima pergunta. Existem algumas coisas que você ama fazer e se fosse impedida de fazer, você seria muito infeliz. Que coisas são essas?
- Eu acho que fazer compras. Acessar a internet e ver filmes. Eu amo fazer coisas desse tipo! – comentei. – Ou então cozinhar. Eu definitivamente amo cozinhar.
- Hmm, adoro cozinhar. – respondi. – Um dia quero provar dessa sua comida, hein? Ok, próxima pergunta... Uh, essa é pesada!
- Qual é, eu aguento.
Ela ficou vermelha e respirou fundo. – Ok, se você pudesse esquecer alguém que você conhece, quem seria esse alguém?
- Hmmm, é necessário nomes? – fiz careta. É claro que eu esqueceria . Definitivamente. – Por favor, diga que não.
Ela riu. – Não, não é necessário. Pode falar um momento com essa pessoa.
- Hm, eu odeio a pessoa com quem perdi a virgindade. Eu odeio a pessoa que namorei por bastante tempo. Eu apagaria da minha mente que essa pessoa existe, se eu pudesse. – respondi convicta. Doa a quem doesse.
- Ui, eu senti essa. – ela riu. Ela encarou o papel e sorriu. – , pra você, o que é o amor?
- Conheço um casal que namorava há anos e anos e faz uns meses que terminaram. Doeu até em mim essa separação. – respondi, um tanto sincera – Tanto tempo juntos e do nada 'tchau'. Cada um para o seu canto. Estranho, não é? – perguntei e Anna fez que sim com a cabeça. – Mas acontece. De fora da história comecei a refletir que o ser humano é pequeno demais para encarar a eternidade, e grande o bastante para se acostumar com a rotina. Talvez seja por esse motivo que tantos relacionamentos não duram, não sei. Eles precisavam desse adeus, pensei. – respirei fundo e continuei – Um novo ano entrou, novos planos surgiram. Ele continuou no trabalho, fazendo novas viagens e contando histórias incríveis. Ela ficou mais desligada, independente e muito mais bonita. Novas amizades na vida dos dois, novas paixões, novas emoções. Outro ano entrou e quase já não se lembravam mais dos dois juntos. Ele terminou a faculdade, ela foi passar uma temporada em outra cidade.
- Acabou? – ela perguntou desacreditada.
Sorri e fiz que não com a cabeça. – Outro dia fomos todos chamados para uma festa. Ambos estavam. Depois de alguns anos separados, ali foi o primeiro reencontro. Eu não pude deixar de reparar a troca de olhares constante dos dois. Conversaram a noite toda e vi um sorriso no rosto dela, que não existia durante todo esse tempo em que se distanciaram. – sorri – Ele, como era melhor amigo do meu ex, me contou que tinha chamado ela para jantar e, desde então, eles não se desgrudaram mais. Estávamos almoçando juntas há um tempo e com um sorriso no rosto, ela me disse: "Conheci um novo amor, e continua sendo a mesma pessoa." Eles voltaram e continuam firmes até hoje. Então comecei a entender que o amor é um senhor teimoso de braços cruzados, emburrado até conseguir o que quer. – ri da minha metáfora – E eu cheguei em uma conclusão: você pode até cruzar o mundo, virar do avesso, mudar seus gostos, seus planos. Pode até casar, ter filhos e mudar de cidade. Mas o que tiver que ser seu, sempre será. Não adianta brigar com o amor, ele até pode dar um tempo, uma trégua, mas quando ele escolhe duas vidas, ambas viram bússola uma da outra. Não se perdem e muito menos se desconectam.
Anna estava com lágrimas nos olhos, quase me fazendo chorar. Eu adorava essa história, porque era a história de uma das pessoas mais importantes da minha vida, . Minha melhor amiga pro que der e vier e eu era muito grata por tê-la comigo.
- , de verdade... Obrigada por me conceder a honra de entrevistá-la. – Anna disse sorridente. – Você é muito mais bonita pessoalmente e ainda mais... É simpática e uma ótima pessoa.
- Não há de que, meu amor! Foi um prazer estar aqui com você hoje.
Anna se levantou da grama e desligou a câmera.
- Muito obrigada, você vai me ajudar muito com isso. – ela sorriu. – De verdade, . Agora eu preciso ir pra mandar editarem, ok?
- Claro, meu amor. Boa sorte!
Depois daquela entrevista, eu pensei seriamente em desistir da fama. Desistir de ter uma vida cheia de luxos, ter só o que era necessário. Sumir com todos os estorvos possíveis. Eu não merecia tanto aborrecimento.
Pouco depois, recebi uma mensagem de . Ele precisava da minha ajuda para uma surpresa que faria à . Ela não esperaria por isso... Voltaria do trabalho e consequentemente se apaixonaria mais por seu namorado.
‘Hey, mané. Me encontra na minha casa. Eu te ajudo com a surpresa.’ Mandei uma resposta para sua mensagem de texto.
É, meu dia não pararia por ali. Eu teria que mais uma vez, ajudar meu casal favorito.

Londres; 6:45pm.

Estávamos há uma hora decidindo sobre a surpresa de . discordava de algumas coisas, mas me ouvia porque sabia que eu a conhecia de seu pé até sua cabeça.
- , flores são coisas meio sem graça! Pra ela... Pelo menos. Porque as amo. – argumentei. – JÁ SEI! A adora saber das coisas. Acho que você deveria dar algumas flores com seus significados.
- Isso é genial, . – ele sorriu e seus olhos brilharam.
- Eu sei, querido. Então repassando o plano, eu estarei na sua casa às 8:45pm pra checar se tudo está certo pra que eu possa servir o jantar e sair.
- Ok, eu vou comprar as flores e vou pra casa, não se atrase.

Londres; 8:45pm.

- Ela está chegando! – ele sussurrou.
Eu estava escondida atrás da bancada da cozinha. tinha feito a comida favorita de , que era macarronada e fez sua sobremesa favorita, mousse de maracujá.
- ? – entrou na sala e acendeu as luzes.
Segurando uma das rosas do buquê, ele disse:
- Cada flor – começou a dizer. – tem um significado diferente. As tulipas, por exemplo, dizem respeito à independência e à prosperidade. Os girassóis, à alegria e dignidade. Já as rosas... São a virtude e o pecado... São as oscilações do amor. – olhou fixamente nos olhos.
- E o que as vermelhas significam? – ela quis saber.
aproximou-se mais da garota, segurando seu rosto.
- Paixão. – ele respondeu. – Vívida e intensa. E eu te amo muito, ok? Você foi a melhor coisa que me aconteceu, .
Eu estava morrendo de tanto chorar, mas me recuperei e logo depois fui servir o jantar.
- Boa noite, casal. – comentei sorridente. – A janta de vocês será macarronada e sobremesa será mousse de maracujá.
- Você tinha que estar envolvida nisso.
- Qualquer coisa que envolva a felicidade de quem eu amo me envolve. – falei colocando o pires com o macarrão em cima da mesa – Aproveitem, ok?
Saí de lá correndo e eu vi a maior prova de amor que poderia ver. Eles se amam muito e eu não poderia estar mais feliz pelos meus amigos. Ali eu vi que eu não precisava me sentir mal em ter alguma coisa relacionada a e que eu também não precisava me submeter aos sentimentos ruins que ele me causava. Então, antes mesmo de chegar em casa, liguei para Maddox, minha empresária.
- Hey, Mad... – eu deixei um recado de voz, pois ela não me atendera. – É a aqui... Eu quero que você cancele todo tipo de vínculo possível com .



Capítulo Quatro

Duas semanas depois do ocorrido com e não tinha conseguido encontrar um novo fotógrafo. Eu precisava de um milagre para encontrar alguém tão bom como aquele imbecil.
- ? Você vem? – e perguntaram. – Por favor! A gente precisa de alguém com tamanha fama.
- Vocês me acordaram e estão fazendo essas perguntas difíceis. Viajar? Mas o voo é hoje de madrugada? – perguntei meio confusa. – Como vocês me aprontam uma dessas? Eu vou bater nos dois assim que chegar aí.
deu uma risada gostosa. – Isso significa que você vem nos ajudar? Por favor, !
- , seu idiota! Como você diz ao seu pai que eu estava super feliz em cobrir um evento pra vocês?
- Ah, foi impulso. E é por uma boa causa! Nós conseguimos criar aplicativos que ajudam crianças com problemas! – ele sorriu com o brilho nos olhos – Você vai negar ajuda a crianças? Precisamos da verba!
- Vocês são idiotas, mas o coração de vocês é bom, então ajudarei. – sorri. – Só me mandem as informações certas do voo!
- Mandaremos agora! Obrigado, . – falou sorridente. – Você é uma ótima amiga.
Eu sorri e desliguei da chamada no Skype. Aqueles garotos iam receber uns belos tapas pela situação. Eu teria que divulgar todo o evento deles em apenas duas horas? O que eu vestiria? Se eu precisasse dar alguma entrevista, sobre o que vou falar? Ugh, estou muito ferrada! Depois que arrumei a mala, chamei um táxi rumo ao aeroporto. Durante o caminho, fiquei no telefone com me explicando cada passo do projeto e era realmente incrível.
Eram ideias que ajudam crianças com problemas mentais, que desenvolvem o raciocínio e os acalmam. Decidi até baixar o aplicativo que tinha várias coisas interessantes e educacionais. Achei simples, mas de certa forma, para aquelas crianças era tudo.
Em alguns minutos eu já estava no avião, bem atrasada por sinal. Depois de ter implorado pra moça do check-in deixar minha mala entrar, finalmente consegui. Egoísta ou não, usei o argumento que iria à Irlanda em função de um evento que ajuda crianças especiais (o que não era mentira), mas eu não deveria ter me aproveitado da situação.
Antes de decolar, chequei meus e-mails e até respondi alguns, mas logo deparei-me com o e-mail das pestes.

Aproveite sua viagem de vinda! Você vai passar o melhor mês da sua vida com a gente! Xoxo, e .

Decidi começar a divulgar o projeto dos meninos de agora, pois sei que isso precisaria de muita ajuda e valeria muito à pena.

@: Oi! Como vocês estão? Espero que estejam bem. Estão a fim de seguir a linha do “fazer o bem sem olhar a quem”?

@: Eu já ajudei com a doação e estarei presente durante os próximos eventos por um mês. É um projeto interessante e ajuda crianças que têm problemas mentais.

@: Não custa nada fazer o bem. Sei que vocês conseguem. Doem dinheiro pra ajudar no tratamento dessas crianças também. Eu já fiz a minha parte, ajudaria muito se vocês também fizessem.

Depois daquilo, olhei as horas, eram 5h47 da manhã, então guardei meu celular na mochila. Estava quase amanhecendo quando caí no sono. Acordei duas vezes apenas, uma porque a aeromoça disse que era hora do café da manhã e outra porque eu quis ir ao banheiro. Durante a espera na fila, tirei foto com umas quatro pessoas.
Eu amo dormir em voos, é uma sensação tão boa. Dormi por mais alguns minutos e depois fui acordada com a mensagem de voz do piloto, avisando que tínhamos chegado à Irlanda.
Esperei que todos saíssem para que eu pudesse, finalmente, sair sem ser empurrada ou apressada por alguém. Estava muito frio e tratei de colocar uma jaqueta por cima das duas blusas de frio. Passei por toda chatice de esperar a mala na esteira, que nunca chegava, por sinal.
Quando sai no desembarque, dei de cara com , o ser humano mais doce que existe. Saí correndo e pulei em seu colo por impulso.
- Bear! – o abracei fortemente. – Eu tava morrendo de saudades de você!
Ele deu risada e me abraçou. – Também senti sua falta, loirinha. E você, tá mais linda, hein?
Saí de seu colo e me ajeitei, dando um sorriso fraco. – Obrigada, . Cadê o ? Não quis levantar?
Ele deu risada e fez que sim com a cabeça. Pegou minha mala numa mão e passou o braço por meus ombros.
- Fizemos um almoço especial pra você. Ah, uma novidade. A gente alugou por um mês apartamento do lado do nosso pra você.
- Sério, não precisava. Eu ficaria em qualquer hotel.
- Mas qualquer hotel permite você ter seu velho amigo, Stark?
- Tá de sacanagem??? Eu te amo. – eu o abracei. Trazer meu cachorro pra cá? O quão incríveis esses garotos são?
No caminho todo conversamos sobre várias coisas que aconteceram durante o tempo que não nos vemos. disse que estava saindo com uma menina e pelo visto parecia gostar dela. Disse que me apresentaria durante o mês. Comentou que achava que era gay, pois vivia grudado em seu novo amigo, Luke.
Quando chegamos no prédio, pude ver que estavam bem localizados. Era grande, deveria ter uns 15 andares e parecia ser bem estruturado. Não parávamos de falar e assim que chegamos no andar, percebeu que havia esquecido o celular no carro, então entregou-me as chaves e desceu correndo. Assim que adentrei o apartamento, levei uma bolada na cara. Que ótimo jeito de ser recepcionada!
- ! Ah, merda. Me desculpa. – me levantou preocupado. Levantei meio tonta, mas logo passou.
Eu não estava maluca e tive certeza que vi um menino loiro dos olhos verdes correr pra pegar um pano e gelo, presumi ser Luke. Passei a mão onde a bola havia acertado e percebi que estava sangrando. Uh, que delícia, . Você abriu o supercílio.
- Hey, sunshine. Vai ficar tudo bem, calma. – dizia a todo tempo.
- Ela vai ter que levar ponto, cara. – o menino disse. – E tenho certeza que ela vai matar a gente se isso interferir na sobrancelha dela e se ficar marca.
- Mas o que está acontecendo? – nos perguntou assim que saiu do elevador.
- Eu joguei a bola na sem querer. – o garoto disse.
- Porra, Luke! Não acredito. Eu já falei pros dois não jogarem futebol americano aqui. Temos um play e um campo pra exatamente isso. Ninguém ou nada sair quebrado.
- Foi mal, mate... Não era a intenção.
- Alguém me leva pro hospital? Quero acabar com isso logo e tô com muita fome. – eu falei limpando um pouco o sangue que escorria pelo rosto.
Os três deram risada tensos, mas logo trocaram olhares divertidos.
- Essa é a que eu conheço. Faz de tudo por comida.
Dei risada e peguei minha bolsa. Até o hospital fui reclamando de fome e logo me deram um cupcake pra comer. Viu como ser insuportável as vezes é bom?! Fui logo atendida, pois como era no supercílio, sangrava muito.
- Como isso aconteceu, mocinha? – o médico perguntou brincalhão.
- Saí de Londres pra chegar aqui e ser recebida acidentalmente por uma bolada na cara. – dei risada.
Enquanto o médico limpava e dava os pontos, Luke me pedia desculpas a cada 5 minutos, enquanto dava um baita esporro e gargalhava.
- Gente, já deu. Calma, eu tô bem... Em duas semanas isso aqui vai melhorar e depois é só tirar os pontos. – comentei calmamente.
O médico foi buscar um curativo enquanto os três não tiravam os olhos de mim. Qual é, tava tão ruim assim?
- Por que estão me olhando? – perguntei franzindo a sobrancelha, mas ao fazer isso, senti uma dor horrível.
tentou ficar sério, mas caiu na gargalhada. – Você está descabelada e parece que tem uma lacraia na sua sobrancelha, sério.
Revirei os olhos e dei o dedo do meio pros três. Babacas. O médico voltou com um curativo de flores e eu adorei porque era uma graça. Depois, me deu uma caixinha com alguns analgésicos pra aliviar uma possível dor e logo me liberou. Saindo do hospital, estava com uma fome muito, muito grande e me irritei.
- Fala sério, preciso comer! – reclamei.
- A gente já está indo para casa, meu amor. – beijou minha bochecha devagar.
- Vocês sabem como é horrível voar até aqui? – dramatizei. – São 42 minutos de voo e eu fui acordada duas vezes! E olha que ainda nem está na hora do almoço.
- Ok, . A gente pode passar no Starbucks e pedir seu cappuccino, daí vamos pra casa e você dorme até o horário do almoço. Pode ser? – Luke propôs. Olha, gostei desse garoto.
- Achei uma proposta tentadora! – dei risada e entrei no carro.
Durante o caminho todo fui deitada no colo de e ele fazia um cafuné muito bom enquanto eu quase dormia. parou no Starbucks e trouxe todos os cafés e cookies pra gente tomar de café da manhã. Aproveitei e tomei um remédio para aliviar a dor.
- Vocês estão com sono? – perguntei bocejando assim que entramos no apartamento. Todos fizeram que não com a cabeça e eu me joguei no sofá. – Bom dia. Só me acordem na hora do almoço.
Algumas horas depois, percebi que estava no quarto de alguém e estava bem confortável ali. Ok, não quero levantar. Fechei os olhos por mais uns trinta minutos e depois acordei definitivamente. Quando estava saindo do quarto, esbarrei em Luke.
- Boa tarde, dorminhoca. – ele deu um sorriso simpático - Estava vindo te chamar pra vir almoçar.
Eu cocei os olhos e bocejei. – Boa tarde, Luke. Que horas são?
- São exatamente... – ele pegou o celular do bolso e checou as horas. – 14h44.
- Obrigada.
Eu dormi por mais ou menos sete horas e mesmo assim estava morrendo de sono. Talvez fossem os analgésicos. Desci as escadas e dei de cara com colocando a mesa. O cheiro era muito bom e eu reconhecia de algum lugar.
- Que cheiro é esse?? – perguntei curiosa. Não acredito!! – Se vocês fizeram o que eu ‘tô pensando que fizeram, vou chorar de felicidade. – respirei fundo para sentir mais do aroma, então veio com a travessa repleta de bife à parmigiana e colocou em cima da mesa. – Eu amo vocês demais, fala sério.
gargalhou e deu uma piscadela. Sentamos e comemos tranquilamente, enquanto conversávamos e dávamos risadas. Logo depois do almoço, Luke e foram à empresa resolver alguns negócios e me deparei sozinha com jogado no sofá, provavelmente sem mais fôlego de tanto que roncava.
Tirei uma foto daquela cena cômica e fiz um vídeo. Decidi postar no Instagram, só pra implicar mesmo. A legenda, foi a primeira que veio na cabeça: “É, quem precisa de uma companhia sociável quando se tem ?”

Mexi mais um pouco no celular e estava lendo alguns posts da E!News, quando me deparei com a seguinte notícia:

está noivo!
Abri o link e decidi ler sobre a matéria.

Isso mesmo que você está lendo, o gato está algemado. Surgiram rumores que ele estava saindo com uma menina com quem já teve um relacionamento inacabado e agora olha onde os pombinhos estão! Quase no altar. Lindos, não é? O fotógrafo assumiu tudo publicamente em sua conta do Twitter, hoje (27), que estaria de casamento marcado com a menina e que não podia estar mais ansioso. Também concedeu uma entrevista a uma revista americana em que fazia menções a modelo .
“Com ela compartilhei todos os meus sonhos, todos os meus passos. Caminhei ao lado dela, como nunca caminhei ao lado de ninguém. Ainda lembro do primeiro eu te amo, do primeiro toque, do primeiro abraço. Quando acabou, vieram então os piores dias consecutivos da minha vida. Mas agora entendo que não éramos pra acontecer. A é uma menina linda e simpática que tem tudo pela frente, só desejo sorte e sucesso!” Ah, mas além de gato é um amor? Desejamos toda felicidade aos noivos.





Capítulo Cinco

Duas semanas se passaram e a notícia que estava noivo, não saía da boca do povo. Eu sabia quem era a menina, a encontramos uma vez no mercado, inclusive. Leah era o nome dela.
- , você está pronta? – adentrou meu quarto, fez uma cara surpresa e eu vi como estava lindo.
Estávamos indo ao jantar comunitário de algumas empresas que ajudariam no patrocínio pra ajudar todas aquelas crianças. Estaríamos indo para um jantar de negócios, mas também não era algo tão sério que exigisse de mim algo pesado. Coloquei um vestido azul bebê de manga comprida e rendinhas, fiz uma trança de lado e deixei minha franja cair pelo rosto. Não passei muita maquiagem, só um rímel, blush e um gloss.
- , você tá linda! Céus! – ele deu uma risada e bateu palminhas. – Luke que se cuide.
Revirei os olhos, ele e estavam infernizando eu e Luke porque nós tínhamos nos beijado no jantar do pai de , há uma semana.
- Você sabe quem vai estar lá, não é? – fez carinho no meu rosto. – E adicionando um comentário: você está linda.
Eu sorri e fiz que sim com a cabeça. Eu sabia que estaria lá junto de sua noiva. Afinal, iam se casar em janeiro – estávamos no final de novembro –, na Grécia.
- Vocês acham que as empresas vão fechar o negócio? – perguntei nervosa. Neste pequeno tempo que estava lá, acabei descobrindo o quão difícil estava sendo pra eles. Além de desenvolver os aplicativos para crianças com problemas mentais, eles queriam ajudar crianças que sofrem com o extremismo islâmico mundialmente.
- Eu estou com muito medo de não fecharem negócio. Isso é uma causa muito importante, sério. E significa muito pra gente. – disse apertando o volante, demonstrando que estava nervoso.
- Uh, eu prometo que tentarei dar meu máximo pra que isso funcione.
Fiquei quieta durante todo o caminho, pois sei que aquilo seria um desafio. Quando mais precisava falar, eu geralmente travava. Chegamos ao restaurante e eu respirei muito fundo antes de entrar, logo dei meu melhor sorriso. Todos aqueles empresários e empresárias esperavam algo de mim, e eu teria que dar o que queriam.
Cumprimentei a todos e sentei-me ao lado de Luke. Ficamos conversando durante o jantar que foi relativamente agradável. Tirando a parte que eu estava desesperada, pois em alguns minutos eu teria que me levantar para começar a falar. Senti um leve aperto em minha mão direita e olhei para o menino que estava ao meu lado. É, pelo visto à hora é agora. Levantei-me e fui até um tipo de bancada que tinha numa espécie de palco. Fui colocada no meio entre e .
– Hm, boa noite a todos, primeiramente. – eu dei meu melhor sorriso e ajeitei a franja. – Eu gostaria de começar agradecendo a todos pela presença, mas não quero me prolongar muito, pois nós temos um foco maior: as crianças.
Todos me aplaudiram e eu peguei a ideia anotada, que eu mesma havia feito.
- Bem, tudo que a falar aqui, está de acordo com o que nós queremos, inclusive, organizamos as ideias juntos. – disse e depois me lançou um olhar confiante.
- A ideia é: são três grandes empresas que estão aqui hoje e que precisamos do patrocínio. Pra Boiteux, como produtores de roupa, acredito que uma grande ideia para investimento seria arrecadação de roupas, onde quem doa uma roupa usada e que esteja em boas condições, ganhe descontos na compra de novas peças. QualityFood, sugiro que doem, 3% do dinheiro arrecadado na compra de alimentos, para que também possamos dar oportunidade de arrecadar alimentos e água potável. Pra empresa que disponibiliza remédios e materiais hospitalares, MedicineMatters, peço que doem também um pouco dos seus materiais, pois há médicos que precisam muito de materiais que não tem lá.
Fui interrompida com uma tosse e todos os olhares foram direcionados à porta.
- Já estou dando 5% de todas as campanhas que faço e também me ofereci como voluntário pra cobrir todas as campanhas dessa causa. – falou e abraçou sua noiva. Ela sorriu e encostou a cabeça em seu ombro. Eu sorri porque ele estava incrivelmente lindo (como sempre).
- Eu acho incrível a ideia. Sério! – falou. – A ser a representante e o fotógrafo.
- Por que a não faz uma viagem voluntária a um país que precise de ajuda? O também poderia cobrir isso, não poderia?
mexeu na boca e deu um riso.
– Claro que faria. Não me incomodo. Isso também ajuda a divulgar meu trabalho, e as crianças também.
- E aí, ? – me olhou com um sorrisinho no rosto, com feição de quem queria pular de alegria. – Você topa?
- Mas é claro que sim! Eu super amei. Eu amo ajudar as pessoas, vai ser um prazer.
- Então em nome da MedicineMatters, fechamos o contrato com os patrocínios. – um senhor engravatado se levantou.
- Eu também fecho. – disse a representante da Boiteux. O senhorzinho responsável pela QualityFood deu uma risada.
– Não preciso nem dizer que também aceitamos, né?
Eu dei um gritinho animada. Consegui! Eu consegui ajudar meus amigos e as crianças que precisam.
Agradecemos e saímos de lá, levantando para ir embora, eu e os meninos tivemos que falar com os representantes e seus companheiros, isso demorou cerca de 30min. Por fim, tivemos que nos despedir de , pois ele foi quem mais ajudou.
- Oi, eu sou a . Prazer. – falei para a menina.
- Oi, . Sou a Leah, a gente já se falou uma vez no mercado.
- Ah, é verdade. – eu sorri gentil pra ela, mas virei pra – Hey, obrigada por hoje. Você foi incrível. sorriu e me abraçou.
– De nada, , mas não precisa agradecer.
- Claro que precisa! Você vai ajudar todas aquelas crianças.
- Não mais que você. – ele deu uma risada. – Precisamos ir, Leah tem compromisso amanhã de manhã com alguma decoradora. Eu sorri.
– Tudo bem, boa noite, . – sorri levemente para a mulher e fui em direção ao carro. Antes de entrar, decidi agradecer uma vez. – Naveen, muito obrigada.
- Quantas vezes vou ter que dizer que não é necessário agradecer, Tiana? – ele deu uma risada e entrou no carro.
Eu dei risada também e entrei, sentando-me ao lado de . Encostei a cabeça em seu ombro e fechei os olhos.
- Que dia, hein, magrela. – ele sussurrou no meu ouvido e eu sorri.
- Eu ‘tô tão feliz pelas crianças, . Ele riu e sussurrou de novo.
– Sabe que não é das crianças que falo. Ele não tirou os olhos de você por um segundo.
- Ah, . Supera. – dei risada.
Ele bagunçou minha franja e fechei meus olhos. Demoramos uns quinze minutos na volta pra casa, quando estacionou o carro, estava prestes a cair no sono. O bom de ter amigos mais fortes, é que eles podem te carregar quando quiser. me levou até em casa e me deixou em meu quarto.
- Você sabe que se eu tivesse que te dar nota de zero a dez, eu te daria mil, não é? - gargalhou e sorriu.
– Sei, eu também me daria.
Fui direito ao banheiro e tomei banho. Saí correndo porque estava frio e eu queria pôr meu pijama para logo dormir. Estava pronta para me deitar, quando recebi a atualização dos meus e-mails, uma era de , o outro de .

“Hey, ! Desculpa não te entregar a cópia física, Leah esqueceu os convites em Londres. Sei que é falta de educação, mas realmente foi mal. Bem, aqui vai o endereço da cerimônia e da festa: Igreja Ágios Dimitrius Loubardiaris, Grécia.
É uma igreja do século XVI, não tem erro. Você tem direito a um acompanhante, então leve quem quiser! O traje é esporte fino. Espero que você venha celebrar comigo esse momento tão importante!
Xx .”


Ok, . Não é tão difícil fingir que você não se importa. Ok, é sim... E pra caralho. Decidi ler o e-mail de .

“Hey, ! Bem, cheguei em casa e vi que sua viagem já foi marcada. Achei muito precipitado, mas não quis reclamar, vai que desistem. Você viaja dia 01/12, ou seja, amanhã. Vocês vão à Síria. O horário do voo é 2h30pm, você vai com o (não pude mudar isso, mas juro que tentei). Seria bom se você divulgasse também, não esquece!! Bem, te amo, xoxo.”

Decidi fazer o que mandou.

@: próximo ponto: Síria.

Guardei o celular e tentei dormir. Stark dormia calmamente em minha cama enquanto eu tentava a todo custo tirar nem que fosse uma soneca. Decidi então colocar minhas roupas na mala, já que não tinha nada pra fazer. Arrumei tudo, chequei o que mais precisava, tirei os saltos e as roupas desnecessárias e também separei alguns remedinhos que achei que precisava levar.
No dia seguinte acordei às 11am, tomei banho, dei comida pro Stark e tomei café da manhã. Quando deu 12pm, fui bater no apartamento dos meninos pra me despedir, pois o táxi já estava lá embaixo.

- Hey, . – Luke abriu a porta com cara de sono.
- Hey, Luke! Eu vim me despedir. Só volto depois do Natal. E também quando voltar, volto pra Londres. – eu entrei e ele me abraçou. – Foi um prazer te conhecer, vê se aparece por lá.
- Digo o mesmo, linda. – ele fez carinho em mim e logo e vieram se despedir. Sacudiram-me e me encheram de carinho, e como sempre digo, só preciso de carinho.
Meia hora depois já estava no aeroporto, procurei encontrar a área de embarque, porque o check-in já tinha feito. Praticamente meu segundo empresário.
Fiz toda parte clichê de aeroporto possível, check-in, entrega da mala, free shop, sala de embarque, avião. Não havia encontrado com até o momento em que o vi colocando uma câmera na parte de bagagens de mão. Logo ele veio se sentar ao meu lado. Ficou quieto e mexendo no celular enquanto eu também fazia o mesmo. Os tripulantes pediram que nós desligássemos os telefones para decolar e assim fizemos. Estava quase dormindo quando, minutos depois, senti a mão dele apertar a minha, é, aquilo sempre acontecia em voos. Ele tinha medo.
- Desculpa, é que mesmo depois de trilhões de viagens não consigo me acostumar. – ele apertou minha mão com um pouco de força quando o avião saiu do chão.
- Tudo bem, , tudo bem. – eu falei baixinho e fiquei fazendo carinho em sua mão até que se acalmasse. Ou até onde achasse melhor, porque quando o avião se estabilizou completamente, eu já havia pegado no sono.



Capítulo Seis

Levantei algumas vezes pra fazer xixi durante a viagem e em todas elas ainda dormia segurando minha mão. Nosso costume de quando viajávamos, era levantar o apoio de braço e um escorar no outro, mas acho que não estávamos psicologicamente preparados. Ou eu não estava.
As luzes do avião acenderam para hora do café da manhã e que me acordou. Estava frio e eu não estava com uma roupa quente o suficiente.
– Você quer minha jaqueta? – ele falou, já a retirando.
– Você vai congelar. – respondi, coçando os olhos de sono.
– Minha blusa de baixo é quente o suficiente. Toma. – entregou-me e não hesitei em vesti-la.
Depois que comemos, voltamos a dormir, pois ainda faltavam algumas – bastantes – milhas.
- Hey, , ‘cê ta muito torta. Deixe-me levantar isso aqui. Pronto. Vem, deita. – esses foram os únicos comandos que ouvi. Sinceramente, não senti praticamente nada.
Estava muito frio ainda, então começaram a distribuir os cobertores e graças a Deus conseguimos nos esquentar. Acordei dez horas e ainda não tínhamos chegado.
- É tão longe assim?
- Não sei, . Nunca modelei lá, mas parece ser bem longe. – quando terminei de falar, o piloto havia nos informado que chegamos.
- Preparada? – segurou minha mão novamente e o avião aterrissou.
- Só com um leve medo do que vamos ver.
Passamos por todo processo de pegar mala (que eu, particularmente, odeio) e logo depois um dos representantes da ONG nos encontrou.
- e ? – um senhor de meia idade nos parou, sorridente.
- Oi! – eu sorri simpática. – Prazer e pode me chamar de !
- Oi, . Sou o Joseph. Chame-me de Joe! – o senhor sorriu pra mim e se apresentou também. – Vocês fizeram boa viagem?
- Fizemos sim! – enquanto eu conversava com Joe, estava fissurado pelo aeroporto e tirava inúmeras fotos.
- Isso é mais legal do que eu pensava! – ele dava risadinhas e só ouvíamos mais cliques.
- Eu vou ser o responsável por levar e buscar vocês a todos os lugares aqui. Caso aconteça algo, peço que não se desesperem. A calma ajuda bastante em momentos necessários. – Joe nos explicava calmamente dentro do carro – Às vezes, com bombardeios, crianças chegam em choque, machucadas e vocês precisam ter calma. , você que tira fotos, nesses momentos fotografe, mas também ajude, pois toda ajuda é bem vinda.
- De quanto em quanto tempo acontecem os bombardeios, Joe?
- Não temos uma precisão. Às vezes ficamos uma, duas semanas sem. Às vezes é dia sim, dia não. – quando ouvi aquilo, meu estômago revirou. – Quando vocês chegarem à nossa sede, terão aulas de primeiro socorros, quando virem crianças com leve machucados. Não só crianças, mas adultos também. Nosso foco são as crianças órfãs, mas não negamos ajuda a ninguém.
- Tudo bem, Joe.
- Ah, as crianças entendem árabe. Não sei se vocês sabem, mas não é muito fácil de se comunicar.
- Eu tenho descendência árabe. Acho que consigo me virar. – comentou. – Posso ensinar algumas coisas pra .
Sorri para porque percebi que ele estava disposto a ajudar a todo custo. Ele é um cara com o coração enorme e eu acho isso lindo. Ele sempre está disposto a ajudar todos a sua volta.
- Vocês foram informados que ficarão no mesmo quarto? Devido à demanda e de quartos para as crianças, vocês também ficarão num quarto conjunto, mas com funcionários nossos.
- Tudo bem, eu não ligo.
Chegamos à ONG quase na hora do almoço. Fomos para a divisa de Curcurum e Aleppo, que era distante da capital. Assim que chegamos, fomos recebidos por três crianças que estavam entrando no refeitório para comer.
Em menos de cinco minutos eu já quis desabar de chorar. Aquelas crianças eram novas, muito novas e já tinham sofrido demais. Perderam pais, irmãos, avós. Qualquer coisa ligada à família. Estão sozinhos e precisamos ajudá-los.
Deixei fotografando cada canto da ONG e fui dormir, porque estava cansada e um pouco assustada pro que poderia vir. Dormi por uma hora e depois acordei escutando um violão e a voz dele. Deparei-me com um com o rosto todo pintado tocando músicas para crianças.
- , oi! Eu já ia te acordar. – parou de tocar e se levantou - A gente tem aquela aula de primeiros socorros agora.
- Ah, sim. Você já tirou muita foto?
- É óbvio, mas eu tenho tipo mais uns quinze cartões de memória pra lotar. - eu dei risada ao ouvir aquele comentário porque já era de se imaginar.
Pouco depois, fomos levados à aula de primeiros socorros, que teve que traduzir quase tudo, pois era um médico árabe que mal falava inglês. Treinamos, treinamos, treinamos e depois fomos comer. Tinham muitas crianças em choque pelos acontecidos recentemente, mas outras que já estavam lidando com isso há um tempo.
- , como é que você consegue tirar fotos tão boas?
Sem nem pensar ele jogou na lata. – Fiz faculdade pra isso, né?
Eu dei risada e me ajeitei na cadeira que eu estava. Não tinha nada pra fazer e eu estava vendo fotos na máquina dele.
- Posso escolher quais fotos você vai postar? – perguntei e fiquei passando mais e mais.
- Só passa para o computador primeiro, cria uma pasta e põe as fotos lá. – ele se levantou. – Vou ligar pra Leah, ela não responde minhas mensagens, quero saber se tá tudo bem.

Continuei distraída mexendo no computador e separando as fotos, até que ele voltou sorridente.
- Ela está com a escolhendo o vestido de noiva. – quando ouvi o nome da minha melhor amiga, engoli em seco. O QUE A MINHA MELHOR AMIGA DE INFÂNCIA ESTÁ FAZENDO COM A ATUAL DO MEU EX-NAMORADO ESCOLHENDO VESTIDO DE NOIVA?
Ok, sem ciúmes. Merda, que raiva! É a segunda vez que ela chega e tira as coisas de mim. A primeira vez foi o , porque éramos amigos e nos afastamos. Agora minha melhor amiga? Não.
Por falar em melhor amiga, a própria estava me ligando.

- Alô? ? Você tá bem?
- Ah, oi . Tô sim e você?
- Estou bem. Aí, esse mesmo, com rendas!
- Você não tá falando comigo, né?
- É, não estou. Vim com a prima do fazer compras. – ela respondeu e teve a audácia de mentir pra mim. Ok, . Ok.
- Ah sim. Bem, preciso ir. Tchau. Mande beijos pra Leah também. Não sabia que eram primos.

Desliguei obviamente muito brava e quis socar alguém. Por que ela mentiu? Tudo bem que eu já estaria brava por ela estar com Leah, mas de qualquer forma, POR QUE MENTIU? E ela sabe que odeio mentiras mais que tudo. notou que eu estava brava, mas nem se deu o luxo de perguntar. Ótimo.
De madrugada ouvimos sirenes e acordamos assustados. Pelo visto os outros funcionários já sabiam o que estava por vir, mas eu fiquei igual uma barata tonta tentando entender. Depois de um custo, saquei do que se tratava. Joe entrou exasperado no alojamento e começou a gritar coisas em árabe – que eu não entendi – mas que logo traduziu.
- Mais uma bomba russa caiu em Aleppo esta noite. Feridos já estão chegando e precisamos ir rápido. – enquanto ele falava eu colocava meu tênis e uma blusa de frio, já ele colocava a máquina no pescoço e saíamos correndo em direção à ala hospitalar.
Antes de entrarmos na sala, segurou meu rosto e olhou nos meus olhos. Ele sabia que qualquer cena chocante ia me desabar a qualquer momento.
- , presta atenção. Qualquer coisa, não se desespere. Eu sei que você não está preparada, mas seu foco é ajudar quem precisa de ajuda. Nem que seja com um abraço. Você sabe o que fazer pra ajudar alguém machucado. – ele me abraçou e eu podia sentir seu coração a mil. Entramos correndo para ajudar quem precisasse e ele falou mais alto para que eu pudesse escutar – Eu confio em você.



Capítulo Sete

Vários feridos chegaram a um período de tempo. Eu, sinceramente, estava pronta para ajudar quem precisasse, mas na hora em que vi uma menininha chorando ao lado do corpo de um garoto mais velho, me perdi completamente. o ajudava e eu não sabia como fazê-la parar de chorar, então corri e a abracei.
Eu estava respirando muito fundo para não chorar, pois aquela cena era torturante. A bomba tinha caído em uma escola e cerca de 80% das crianças estavam mortas. Crianças que tinham uma vida inteira pela frente, que estudavam e tentariam, ao menos, ter condições para sair daquele país que foi dominado pela guerra.
Estava na frente daquela menina para que ela não visse qualquer cena ruim. Eles não tinham culpa do terrorismo, eles só estavam estudando. Eles não eram responsáveis por tudo aquilo que estava acontecendo.
- ? – ouvi me chamar e olhei pra trás – Ele não está respondendo às massagens cardíacas.
- Tenta de novo! Você consegue, eu acredito em você.
Fechei meus olhos e desatei a chorar junto com a criança, pois aquilo era muito pra digerir e entender. Eu sabia que a menininha não entendia uma palavra que eu falava, então eu tive que me acalmar para mantê-la calma.
- Vamos, , você consegue se controlar! – eu dizia pra mim mesma – Você é capaz de segurar o choro e ajudar essa menina.
Consegui me acalmar e aos poucos fui acalmando a menininha também. Esperava que conseguisse salvar o menino, mas ele tinha muitos ferimentos e os batimentos tinham parado há dez minutos. A morte do menino parecia não ter abalado , pois o mesmo saiu correndo pelos cantos e ajudando os outros.
Uma senhora veio levar a menina que estava comigo para outras acomodações e eu comecei a ajudar feridos. Eu estava louca pra desatar no choro, mas eu respirei fundo e ajudei todos os envolvidos. Eu conseguia fazer aquilo.
Todos os medicamentos, alimentos e roupas que trouxemos, estão sendo utilizados e isso me deixa acomodada. Estava terminando de ajudar a última menina que sobrou quando ouvimos mais sirenes cada vez mais próximas. veio em minha direção para informar-me mais sobre o que estava acontecendo.
- Caíram mais duas. Virão mais pessoas. Você acha que consegue? – só de ouvir sua voz, quis chorar novamente, mas mantive-me forte e joguei as luvas no lixo.
- Hm. Sim, eu consigo. – falei num fio de voz.
- Você tem certeza? – eu não consegui responder com palavras, mas fiz que sim com a cabeça.
Corri ao banheiro para molhar o rosto e me acalmar antes de tudo começar. Se foram mais duas bombas, há mais feridos. Quando ouvi a movimentação no corredor, saí de lá e voltei pra sala onde estávamos.
Ajudei vários homens e mulheres, mas alguns tiveram que ser encaminhados ao hospital o mais rápido possível, porque não nos cabia tal conhecimento. Passamos aproximadamente mais umas cinco horas ali dentro. Eram quase oito da manhã do dia seguinte e eu estava terminando o último ferido em minhas mãos.
O cansaço dominava meu corpo e eu só queria me deitar. Mas precisava de um ar primeiro. Estava começando a digerir tudo aquilo que havia acontecido. Fui em direção à saída e fiquei sentada no cantinho e olhando pro céu. Algumas crianças brincavam lá fora e eu estava apenas observando.
Cerca de seiscentas crianças morreram noite passada. Vários adultos e idosos. Não conseguia dormir. Nem comer. Só estava me perguntando o porquê de tanto ódio, tanto preconceito e tanta burrice pra querer acabar com uma guerra começando outra. Abaixei a cabeça e controlei-me totalmente. Senti que alguém havia sentado ao meu lado e levantei, dando de cara com .
- O pessoal comentou que você não foi tomar café da manhã, nem tomar banho e nem dormir. – ele me entregou um prato com umas frutas e depois um copo que parecia que tinha suco de limão – Pra sua sorte, o suco de hoje é seu favorito.
Sorri pelo seu gesto e coloquei o copo ao meu lado, junto do prato de frutas. – Obrigada, mas não estou com fome.
- Você tem certeza? Os morangos estão docinhos e deliciosos. – em resposta fiz que sim com a cabeça e ele abriu um sorriso. – Não acredito que vai ter que comer de aviãozinho, .
Ri baixinho e fechei os olhos. – Hmm, acho que nem assim quero comer... – ele deu uma garfada no morango e fez (numa falha tentativa) o barulho de um avião.
- Vamos, magrela! Abre a boca. – eu fiquei quietinha quase chorando. Ele percebeu na hora. – Ei, não chora. Ah, ! Vem cá.
Cheguei perto e o abracei. Estava cansada de segurar o choro durante todo aquele tempo. Eu odiava violência. Ainda mais contra quem não tinha nada a ver com isso.
- Ao mesmo tempo em que quero ficar aqui e ajudar os outros, quero ir pra casa e me isolar da maldade do mundo.
- Você quer que eu ligue pro e peça pra você ir embora? Você não é obrigada a ficar. – ele fez carinho no meu rosto e secou minhas lágrimas. – Isso é pesado demais.
- Não vou deixar de ajudar porque eu não tenho peito. Nós vamos conseguir.
não falou mais nada, mas também não saiu do meu lado. Algumas vezes minhas lágrimas escaparam, e então ele dizia que tudo ia ficar bem. De verdade, será?
- , você sabia que eles passam filmes pra crianças aqui? – disse sugestivo. E eu claramente não havia captado a mensagem. – Você vai tomar banho e comer os morangos que te trouxe. Te encontro em trinta minutos.
levantou-se e eu sabia que se não o obedecesse, ele vinha aqui e faria por mim. Levantei rápido e fui tomar banho, mesmo que fosse minha fruta favorita, não tive apetite. Meia hora depois, ele entrou em nosso alojamento e sorriu.
- Você comeu, né? – seu olhar foi desviado ao prato em cima das minhas coisas. – Come só um pouquinho, por favor!
Comi cinco moranguinhos só para que ele saísse do meu pé. Coloquei mais um casaco, pois eu estava congelando, logo, arrastou-me para o salão de filmes.
- As crianças já chegarão. Eu que escolhi o filme desta noite. – ele comentou e se abaixou pra pôr o DVD. – Acho que você vai gostar.
Conheci de primeira, era A Princesa e o Sapo. Não tinha erro. Eu conhecia aquela abertura há anos. tinha um sorriso no rosto e levantou as sobrancelhas em tom de animação.
- Não acredito que você não vai dar nem um sorrisinho. – eu acabei dando risada, porque ele estava tentando fazer a pior época da minha vida, ao menos, suportável.
- Obrigada. De verdade. – disse e comecei a prestar atenção no filme, visto que eu não gostava de perder nenhuma cena.
Algumas crianças chegaram para ver, mas não muitas, pois a maioria que estava lá, estava machucada. Deitado no meu colo, dormia calmamente e eu fazia carinho em seu cabelo, como ele sempre fazia comigo. Eu estava com o cheiro dele e por Deus, que cheiro maravilhoso, .
Ele usava o mesmo perfume desde que nos conhecemos e talvez, seja este um dos grandes motivos pelos quais não resisto a ele. Sem contar o sorriso, risada, cabelo, nariz, olhos. Ok, estou parecendo uma boba apaixonada. Mas ele vai casar, né?
Quando o filme acabou, o cutuquei devagarinho.
- , ei. – ele acordou assustado. – Vamos deitar, todas as crianças já foram embora e até agora nada aconteceu. Não dormimos a noite toda, precisamos descansar.
Ele não falou nada coeso, de modo que sobraram apenas resmungos até o quarto. Dito e feito, não teve vontade nem de tirar os sapatos (os tirei pela minha conduta maníaca de limpeza). O cobri e me levantei a fim de me deitar.
- ? – por mais surda que fosse, eu sempre ouviria sua voz.
- Hm? – falei tirando o tênis rapidamente.
- Pode dormir comigo hoje? – e naquele momento eu gelei. Não sabia o que falar, o que pensar ou muito menos o que fazer. – ? Você está aí ou já dormiu?
- Estou aqui. Você quer mesmo que eu durma com você?
- Sim. Tivemos um dia difícil. Não gosto de dormir sozinho em dias difíceis. Vem, não vou te fazer nenhum mal, pelo contrário. Sempre vou te proteger.
Engoli em seco e eu não estava preparada. Merda! Não demorei muito pra deitar ao lado dele com o meu cobertor favorito.
- Você não larga essa joça. – ele comentou rindo, se referindo ao meu melhor amigo e fiel escudeiro, cobertor.
- Mais respeito com ele.
- Qual é, você tem ele desde sei lá, seus 13 anos? Ele já tem vários buracos em todos os cantos.
- Ele é confortável. Você sabe que ele é. E quentinho. – disse olhando em seus olhos, que estavam sendo iluminados pelo pequeno abajur que ali tinha.
- Mas você não pode encontrar um mais novo, sem buracos, rosa e quentinho? – ele deu um sorrisinho.
- Posso, mas eu não quero. Ele está de bom tamanho pra mim.
- Você é muito teimosa. Acho que você concentra cerca de 75% da teimosia da população mundial.
- E você é muito abusado! Critica os outros, mas não larga desse casaco que eu te dei há anos atrás.
- Mas o casaco eu uso! E ele não está rasgado.
- , eu tô fazendo o que com o cobertor, senão usando-o?
- Está fazendo drama! – ele riu e eu não tinha mais o que argumentar. Seus olhos eram lindos, cheios de vida. Brilhavam como se fossem o sol daquele universo paralelo que só existia nós.
colocou uma mecha loira dos meus cabelos pra trás, com um sorriso estampado no rosto. Como eu sentia falta daquele sorriso. Daquele toque. Sem muitas delongas, ele me beijou. Foi um beijo com saudade, que gritava um pelo outro. Como se, finalmente, tivessem entrado na sintonia que tanto precisavam.
- ... – eu tentei falar, mas fui impedida.
- Por favor, não deixa eu perder a chance que eu tô querendo há semanas.
Eu não tive reação senão beijá-lo com todo resquício de saudade que eu mantive esse tempo todo. E mesmo com todos os motivos para estarmos separados e o destino que tomaremos depois da viagem, não me impede que eu o tenha mais uma vez, só por mais uma noite.



Capítulo Oito

Estava tudo uma bagunça. Era tão grande que ia das minhas roupas aos meus pensamentos. Não estava falando com a minha melhor amiga por ela ter mentido pra mim. , e conversavam comigo o tempo todo em que eu estava livre. Estávamos dois dias sem bombas e eu não poderia estar mais grata. Na verdade poderia, se isso tudo acabasse.
Tenho visto crianças passarem por coisas que não deveriam passar, na verdade, nem crianças, adolescentes, jovens e idosos deveriam passar por isso. tem estado cada vez mais envolvido nesta causa, e eu também. Estávamos satisfeitos por ajudar todos que precisam.
Cada vez mais aumentava a divulgação do trabalho e consequentemente, doações. Era incrível a tamanha solidariedade. Sem contar nas entrevistas que teremos quando sairmos daqui, que aumentará o investimento nessa causa.
Era hora do almoço e eu estava faminta, pois estava brincando com as crianças desde cedo. Conversei com a coordenadora da ONG e decidiram que as crianças vão começar a ter aulas de inglês. A comunicação entre médicos, recriadores e ajudantes era muito difícil.
- Boa tarde, . Onde você estava? – Bárbara sentou ao meu lado na lanchonete – O fotógrafo está te procurando por toda parte. Parece que alguém engravidou, algo do gênero.
Leah estava grávida. Ótimo. Deal with it, !
- Daqui a pouco ele vem almoçar e a gente conversa. – comentei. Bárbara era uma das ajudantes e tem sido bastante amigável comigo. Conversávamos o tempo todo quase. Comíamos batendo papo distraidamente quando adentrou o refeitório sorridente.
- Você não vai acreditar, ! – ele começou a falar. – Recebi uma ligação que você vai morrer de felicidade.
Hum, você ser pai não está na minha lista de coisas que me deixariam feliz. Dei o meu melhor sorriso e dei um gole no suco de maracujá.
- Parabéns pelo filho, ! É o que você sempre quis, certo? – podia ver claramente a interrogação em sua testa.
- Você tá usando drogas? Quem vai ser pai é o ! – foi impossível não controlar o suspiro de alívio. Pouco depois me liguei. Minha amiga estava grávida. – Eles estão tentando falar com você há mais de duas horas. Ei? Você tá bem?
- Sim, eu tô. Só passei por um leve susto agora. Meu Deus. A . Vai. Ser. Mãe. – falei pausadamente pra ver se essa ideia se encaixava em minha mente. – Cacete! , eles vão construir uma família. Eles conseguiram!
- Sim, . Eles conseguiram. Sempre te disse que conseguiriam. – ele sorriu. – O amor sempre consegue dar suas voltas e chegar aonde quer.
- Verdade. Estou tão feliz por eles, pode me emprestar seu telefone pra eu falar com a ?
não hesitou e me entregou o telefone. Tentei duas vezes ligar, mas chamava, chamava e ninguém atendia. Decidi ligar só mais uma vez, e dessa vez alguém atendeu.
- Alô? – falei animada, mas a animação sumiu no momento em que ouvi quem tinha atendido.
- Oi, . É a Leah.
- Oi, Leah. A está aí? – perguntei tentando diminuir o contato com a mesma.
- Ah, sim. Um segundo. – pouco depois ouvi a voz da menina que sempre me acalmava quando eu precisava. Era ela quem cantava pra eu dormir, que fazia piada e ria das minhas piadas sem graça só pra não me deixar na mão.
- Oi?
- Oi, mané. Soube das notícias. – comentei. – Parabéns. Não desejo nada mais que o melhor pra vocês. Eu sempre soube que vocês iam conseguir formar a família mais linda e mais cacheada do planeta.
- , você vai estar aqui quando for a hora, não vai?
Eu dei risada. Eu sentia falta dela. – Claro que vou estar, acha mesmo que eu ia deixar uma pobre criança na mão de dois irresponsáveis?
Dessa vez, ela quem riu. – Não sei se estou preparada. Queria que estivesse aqui. Você seria a primeira pessoa que nós queríamos contar, mas você não atendia a droga do telefone.
- Tudo bem não ser a primeira. O que importa é que estou ciente. Eu tô muito feliz por vocês, de verdade. – senti que ela queria falar alguma coisa, mas não saía. – Desembucha.
- Você se incomoda se o for padrinho da criança?
- Não. Por que eu me incomodaria? – pensei, pensei, pensei... – Ah, a Leah quer ser madrinha?
- É. Mas eu tinha prometido a você que você seria a única.
- Vou me incomodar sim se ela for à madrinha, sendo que a conhece há menos de cinco meses!
- Colocarei a culpa no . Pode deixar. Agora vou precisar desligar, meus pais estão chegando junto dos pais do . Eu amo você, se cuida.
- Tudo bem. Também amo você. Demais. Cuidem-se.
Desliguei e eu não poderia estar mais radiante. Minha melhor amiga em alguns meses terá um pitoco dentro de casa.
- , obrigada. Terminei a ligação. – devolvi o telefone a ele e quando olhei pro meu prato, a comida magicamente tinha sumido. – Não acredito que você é o maior ladrão que existe.
Ele deu risada e se levantou. – Vou pegar mais comida pra você, . Senta aí.
Fiquei sentada e olhei a hora em seu telefone. A foto era da equipe da ONG. Estávamos lá. Um do lado do outro. Abraçados. Não focava em todos, mas sim em nós dois. Sorri e coloquei o telefone no lugar.
- Sua comida quentinha, madame. – ele colocou o prato na minha frente.
- Merci, monsieur. – sorri.
- Odeio seu francês, mas isso ao menos sei responder. – ele sorriu – De rien!
Eu responderia em francês de novo, mas estava ciente que ele me mataria. sempre implicou com o fato de eu ser poliglota, pois ele dizia que mal sabia se virar no inglês. Mas entendia árabe. E francês que é difícil.
Comi e depois fiquei no dormitório o dia inteiro. Estava cansada demais, e sempre vivia em alerta para qualquer coisa que acontecesse. Era desesperador.
- ? – me chamou e eu me assustei e perdida em meus pensamentos.
- Hm?
- A Vogue quer uma entrevista contigo. Mas querem minhas fotos. Tudo bem pra você?
- Ah, tudo sim, .
- Tá tudo bem, ? – às vezes eu só queria ficar ouvindo a voz dele falando meu nome.
- Tá sim, por quê?
- Você está pálida. Tá passando mal?
- Não. Só tô cansada. Veio descansar?
- Vim ver como estava. – ele disse deitando-se ao meu lado.
Fiquei quieta e senti sua presença. Assim que nossas peles se encontraram, estranhou.
- Você tá com febre. Levanta, . – ele me apressou pra levantar e eu estava mole.
- Eu tô cansada. Só quero dormir.
- Você precisa de um banho gelado, .
Eu estava cansada demais pra me opor. me levou direto ao banheiro e me colocou debaixo de água fria. Eu praticamente congelei. Depois, fez questão de me levar à enfermaria para ver se estava tudo bem, e o maior motivo do cansaço foi descoberto. Desidratação. Ele não saiu um segundo do meu lado e não parava de falar.
- Sabia que você não consegue ficar quieto quando se preocupa? – indaguei de olhos fechados.
- Sabia que nem doente você consegue ficar legal e simpática?
- Desiste. Não sou simpática.
- Nem nascendo de novo.
Dei risada e abri os olhos. Ele estava deitado na poltrona ao meu lado editando umas fotos. – Não posso discordar de nenhuma palavra.
- Você é mais legal quando discorda de mim, . O que há de errado com você?
- Desidratação.
- Você não come direito desde que chegou aqui. Você tem certeza que não quer ir embora? Posso ir com você.
Eu não queria ir embora. Mas também queria fugir daquele pesadelo. Se era assim pra mim, imagina pra quem perde familiares todos os anos por causa dessas malditas guerras?
Fiz que não com a cabeça e me olhava com certo receio. Eu sabia que ele valorizava minha saúde. Mas no momento, escolhi a vida de muitos.
- Quando vou poder voltar pro quarto? Tô cansada de ficar aqui.
- Você vai dormir aqui hoje e vai continuar no soro. Amanhã acho que já tá liberada.
- Tudo bem... – eu disse e senti um pouco de sono. – Tô pensando em dormir, você deveria ir pro quarto e fazer o mesmo, hum?
- , eu só saio daqui quando você sair.
- Ah, então não vou te deixar aqui sozinho. Vamos conversar?
- Sim, por mim...
- Tá animado pro casamento? Já viu a roupa?
Ele riu e coçou a barba que já estava pra fazer, depois mexeu um pouco na boca. – Menos do que devia, mas ela é a mulher da minha vida.
Uma facada doeria menos.
- Ah, isso é ótimo. Fico muito feliz que se sinta assim. Finalmente achou alguém pra dar certo.
- É, isso é verdade. – ele não tirava os olhos do computador, acho que evitando olhar pra mim.
- Acho que vou deixar você trabalhar e editar suas fotos com sua costumeira perfeição. – eu virei pro outro lado com um sentimento de nó na garganta. – Boa noite, .
- Boa noite, . Qualquer coisa eu tô aqui. – dito isso, forcei-me a pregar os olhos nem que eu os colasse. Pouco depois senti seu olhar fixo em mim, ele começou a fazer carinho em meus cabelos e, acreditando que não estava totalmente consciente, largou a bomba de vez. – Eu amo você, .



Capítulo Nove

E tudo tem sido muito corrido. A viagem estava no fim e outros famosos viriam ajudar, pois se interessaram pela causa. Isso é ótimo, na verdade. Bem, teríamos que voltar. E eu não estava preparada.
- , você vai comer? – Bárbara me chamou.
- Já vou, estou só terminando de arrumar a mala.
Pensava em todos que estavam lá. Todos que deixaria para trás. Principalmente às crianças que me apeguei. e . Eu amava crianças e ver aqueles dois indefesos me destruiu. Os gêmeos tinham cinco meses de vida e já não tinham nada, perderam tudo com as bombas.
adorava ficar no colo de quando podia. Já adorava dormir enquanto eu fazia carinho em seu cabelo.
A melhor parte de entrar em contato com toda essa realidade chocante, além dos laços criados, vemos também que há muita coisa que precisa ser dita e mostrada.
Depois de arrumar a mala, fui ao refeitório e BOOM!
- SURPRESA!
Todos estavam lá. Sorridentes. Diante de uma guerra, eles mantêm o sorriso. Pouco depois, adentrou o recinto com uma interrogação na testa.
- O que é..? – porém ficou surpreso quando quase todas as crianças capazes vieram nos abraçar.
- Vocês vão embora hoje, não podíamos deixar de dar uma festa de despedida surpresa! Vocês dois ajudaram muito a ONG.
Meus olhos estavam cheios de lágrimas que insistiam em cair. Eu queria abraçá-los. Um por um e agradecer todo aquele ensinamento que arrecadei.
Eu amei estar ali na presença de todos, eram pessoas incríveis que disponibilizavam todo seu tempo pra ajudar pessoas inocentes.
- , sua passagem está no meu e-mail. – dirigiu-se a mim, fazendo o primeiro contato do dia – não conseguiu reencaminhá-la pra você.
- Tudo bem!
Ele vestia uma camisa branca que me permitia ver todas suas tatuagens (aquelas que tanto amo) e uma calça preta. Seu cabelo estava molhado e presumi que tinha acabado de sair do banho. Até em seu mais simplório visual, ele parecia um deus grego.
Passamos um tempo com todos e depois liberaram-nos para que pudéssemos descansar um pouco e partir. Eu estava preparada pra partir, mas como uma nova . Mais simples, que valoriza sentimentos, agradece cada segundo pela vida e oportunidade que tem.
Em pouco tempo, estávamos na cidade, prontos pra voltarmos pra casa. Mas tudo não seria como um mar de rosas, né? Ouvimos um estrondo e pouco depois, outro. Aquele barulho vinha tornando-se constante e conhecido. Bombas. Mas nós estávamos no centro da cidade. Depois disso, a única lembrança que me vem, era acordar no hospital.
Eu sentia uma imensa dor na cabeça e tudo girava.
- ! – minha mãe levantou rapidamente e veio à beira de minha cama. – Minha filha, eu quase morri do coração.
Eu tentei a todo custo juntar as palavras e perguntar o que é que tinha acontecido e porquê estava lá. De certa forma, já sabia a resposta.
Após ter percebido minha expressão confusa e incapaz, ela começou a falar.
- Uma bomba atingiu uma loja próxima ao carro de vocês, com tamanha força o carro capotou. – eu não estava sozinha naquele carro. Merda. E o ? – Você ficou desacordada por um dia, bateu a cabeça bem forte. Eu to tão feliz que você tá bem, meu amor.
Eu tentava falar; gritar. Queria saber do , já que eu estava bem e nada mais importava do que ele. Juntei todas as minhas forças e células, eu falaria.
- Za-yn. – falei com uma notória dificuldade. Quando minha mãe ia começar a falar, a porta do quarto abriu-se e eu o vi entrando no quarto com uma tala no pulso.
- Me falaram que uma modelo muito chata já acordou... alguém sabe me informar se ela tá bem? – dei um sorrisinho breve e quis chorar por vê-lo bem.
- Ela não consegue falar muito ainda, .
Ele, sem dizer uma sequer palavra, me olhava com um sorriso lindo e olhos inchados, de quem não dorme há dias. Conseguia ver a serenidade que ele expressava. Depois de todos terem me visto viva e respirando, consegui descansar graças à enfermeira. Obrigada, moça.
Depois de cinco dias internada, consegui digerir tudo que havia acontecido. Bombas, hemorragia cerebral devido a uma grande pancada, cirurgia e muito remédio pra evitar dor. Eu poderia ter morrido.
Passado tempo em casa, e não saiam do meu pé, meus pais estavam morando comigo e os meninos e Leah não saiam mais do meu apartamento.
Às vezes, única coisa que eu queria ver era meu cachorro e olhe lá. Era bom passar um tempo com meus pais, porém eu gosto de espaço. Sei que estavam preocupados, mas eu não conseguia respirar por dois segundos. E toda vez que adormecia, minha mãe checava meus batimentos e respiração pra ter certeza que não morri.
Naquela tarde, só tinha ido me ver e eu não vou mentir que não tinha gostado. Vimos filmes a tarde toda e acabamos dormindo. Pouco depois, fui acordada pra tomar o remédio e ela também, pra se alimentar junto.
- , você já sabe como vai pro casamento do ?
- Não sei você, mas a única opção que tenho é ir de avião.
- Não, sua idiota! Com que roupa? Eu não sei o que escolher e tudo que provo fica ruim em mim. Eu estou gorda e inchada, até lá estarei mais ainda!
Eu dei risada e a encarei. – Podemos contratar um estilista. O que acha? Até o dia ele pode ajustar por causa do ser humano que habita dentro de você!
- É uma boa ideia, mas eu não tenho grana pra isso. Eu sei que faço design gráfico, mas o dinheiro que eu recebo é totalmente pra casa e agora pra coisas dessa criança.
- Não sei se você sabe mas o dinheiro que eu recebo da pra fazer isso por você e por nós pra uns vinte casamentos mensais.
Ela deu risada e me encarou. – Me desculpa se eu não sou modelo de todas as revistas e campanhas existentes!
Eu dei risada e fiquei olhando pra ela. Que saudade que eu tinha, era incrível estar de volta.
- Você acredita que estaríamos aqui? Eu sendo mãe e designer, você modelo e uma mega influência mundial. Foi o que sempre quisemos.
Era bizarro mesmo, totalmente bizarro.
- É estranho acreditar que estávamos neste caminho. Não acreditaria se me dissessem que seria pai tão cedo, ou que eu teria sido vítima de uma bomba. Que vai casar com a Leah, e que , e teriam grandes sucessos em suas empresas.
- Definitivamente sim. E , eu tenho uma coisa pra te contar. – ela disse e me olhou nos olhos – Vai ser Laura.
- O quê? O que vai ser Laura? – quando entendi a mensagem, tudo fez sentido – Ah… MEU DEUS! É uma menina! Eu vou ser dinda de uma menina.
Eu chorava junto dela e não sabia descrever a felicidade que eu sentia. Minha afilhada estava por vir e tudo que eu queria era que ela viesse sabendo que já é mais amada que tudo.
- O deve ter contado pro ainda pouco também. Nós descobrimos ontem.
- Vamos tirar uma foto! Eu preciso compartilhar isso. Eu sinto que vou explodir de felicidade.
Tiramos uma foto e eu postei no Instagram.
: It’s a girl! Mais esperada que a apresentação da Bey no Super Bowl…”
Segundos depois, comentou a foto.

: Sickkkk! Uma pena que ela vai preferir o padrinho à madrinha! Chora, ! Vem, Laura!”

E tudo estava bem, como deveria ser. Eu estava feliz, meus amigos estavam felizes e meu pai estava com sua doença cada vez mais controlada. Eu não podia estar mais agradecida.
Bem, eu poderia, porque só faltava uma coisa pra tudo estar certo.
Tudo na vida era questão de prioridade, e entre me ver feliz e ver meus amigos felizes, vocês já devem saber a resposta. Estava tudo certo pra dar errado. Definitivamente.
Uma semana depois de ter descansado o suficiente, voltei aos trabalhos e tinha cerca de vinte entrevistas pra fazer, sendo elas em revistas ou em programas de TV. Estava cansada e eu só queria voltar a modelar, sem ter que explicar todo pesadelo que vivi. Repetidamente. Adentrei o único lugar em que eu tinha paz, onde eu podia ficar sozinha sem ninguém pra me estressar. O estúdio de .
Naquele dia não estava desocupado e deparei-me com a pior cena de todas. Sim. A pior de todas.
- Ai… meu Deus! – eu tapei meus olhos imediatamente e quis eclodir.
e Leah estavam tão concentrados que nem me viram entrar ou partir. E, merda! O sinal de que havia gente estava lá. Tapete virado de cabeça pra baixo. Merda, ! Você podia ter ficado sem ver essa.
Eu estava tão desnorteada que quando me deparei, estava no primeiro Coffee Shop que vi. Eu precisava respirar. De verdade.
Como de costume, pedi um Frappuccino e dois cookies. Enquanto estava na espera, tudo vinha a minha cabeça. Acidente. . Sexo. Leah. Beijo. Viagem. Tudo me atingia como uma pedrada na cabeça e cada vez mais eu me irritava.
- Com licença, a senhorita está sozinha? – uma voz masculina reconhecida me tirou de meus devaneios. Luke.
- Oh, meu Deus! Você está na cidade! E não me avisou? – dei um leve tapa em seu ombro.
Dele só saíram gargalhadas e um sorriso absurdamente lindo.
- Posso me sentar?
- Mas é claro! – tirei minha bolsa da cadeira ao lado e o olhei – Será que pode me contar por que veio à cidade e não me avisou?
- Eu vim a trabalho, . E sabe, vou embora em dois dias, presumi que estava ocupada demais, visto que você é capa de todas as revistas americanas e está em todos os TV shows possíveis.
- Mas não custava ligar! – eu estava levemente chateada. – Depois do acidente eu fui tão sufocada, precisava de novos ares, Luke! Você poderia ter sido a companhia para eles.
Ele riu e eu me perdi um pouco naquelas íris claras.
- Pois estou aqui, o que nos impede de ir agora respirar novos ares?
Eu dei risada, sentia falta dele.
- Hmm, o horário? São onze horas da noite e tenho um check-up no medico às nove. Tem problema se formos almoçar ou fazer qualquer coisa amanhã?
- Adoro essa ideia, sério! Você sabe o quanto amo comida.
Papo vai e papo vem, marcamos de sair futuramente, e quando digo sair, é encher a cara e trocar uns beijos.
Na saída, Luke me abraçava e afagava meus cabelos. Era confortável e eu gostava daquela sensação. Fizemos uma troca de olhares intensa, que acabou em um demorado e lento beijo.
Todo trajeto feito por suas mãos já era conhecido, tanto que ele o fez com uma enorme facilidade. Luke era uma boa pessoa. Era novo em minha vida, não custava dar uma chance. Recomeçar uma vida que jurei parar.
E, às vezes, tudo que precisamos é recomeçar.



Capítulo Dez

Desde que Luke se mudou pra mesma cidade que eu, tudo ficou mais fácil. Nossos encontros, principalmente.
- ! ! ! ! – ele tentava a todo custo me acordar. – Céus, nunca vi tanto sono numa pessoa assim. Levanta, !
Eu me revirava, mas a todo custo não queria levantar. Definitivamente, a pior parte do meu dia era acordar de um sono tão agradável que eu tinha na maioria dos dias.
- Se a te ligar gritando, a culpa vai ser completamente sua! Hoje é a última prova de vestido de vocês, vai, levanta!
Depois de tanta luta, levantei-me com um sono que transbordava meu ser. Eram onze horas da manhã de uma quinta-feira. Viajaríamos amanhã para o casamento de com Leah.
Depois de um bom banho e um bom café da manhã, repleto de minhas frutas favoritas – esse é um dos pontos bons de se ter um namorado que adora acordar cedo, viu, meninas? –, fui buscar minha melhor amiga em casa e durante todo percurso não trocamos uma palavra. Sério, é muito bom ter uma amiga que entende que você não funciona antes das dez. Ela era até pior que eu porque mesmo se estivéssemos conversando, ela não entenderia uma palavra sequer.
Mesmo com um trânsito lento e diga-se de passagem, insuportável, chegamos ao ateliê de uma das maiores estilistas da atualidade, Nina Jacobs.
Meu vestido era rosa bebê, aberto no busto, com pequenos brilhinhos. Na saia, flores azuis claras eram detalhes que davam a sutileza de todo processo feito por Nina. Era incrivelmente lindo.
usava um vestido lilás que combinava com sua brancura. Ele tinha uma fenda linda e destacava sua linda barriga. Não era tomara que caia e as alças tinham pequenas pedrinhas brilhantes.
- Vocês estão lindas! – Nina comentou. – Nada que eu faço é ruim mesmo.
Rimos e nos encaramos, o sorriso que tínhamos no rosto era de se notar a beleza em cada uma.

***


Depois de retirar os vestidos, a deixei em casa e voltei pro meu conforto num dia frio.
- Eu fiz o almoço! – Luke.
- Eu já disse que eu te amo hoje? – dei risada e joguei a bolsa na poltrona. – Podemos ficar juntinhos sem fazer nada? Tipo, só vendo televisão?
- O que acha de depois do casamento viajarmos pra você conhecer minha família? – a ideia de viajar de novo pareceu-me cansativa, mas conhecer meus sogros e minha cunhada já estava mais do que na hora.
- Claro, luv. A gente pode ir quando você quiser.
- Então vou reservar nossas passagens pra uma semana depois, ok?
- Tudo bem.
Passamos o dia inteiro largados no sofá com Stark, que não se sentia confortável de jeito nenhum, a não ser que estivesse entre Luke e eu.
- Daqui a pouco temos que ir pro aeroporto, . – ele disse, acariciando meu cabelo.
- Então eu vou tomar banho, você vem? – perguntei, levantando-me. Luke sorriu como se fosse uma proposta tentadora e levantou também, me acompanhando.
Depois do banho, tratei de vestir uma roupa confortável, pus uma legging, um tênis e uma blusa do Real Madrid com uma blusa de manga por baixo. Também separei uma jaqueta jeans, caso eu sentisse mais frio.
- Você demora demais pra se arrumar, Luke. – reclamei, deitada na cama – Que demora!
- Acha que eu fico lindo desse jeito me arrumando rápido? – ele sacaneou e eu dei risada.
- Larga de ser besta e vamos logo! Todos já estão no aeroporto.
Ter um namorado que leva meia hora pra decidir que camisa colocar é difícil, admito. Luke demorou quase uma hora pra se arrumar, enquanto eu já estava pronta e quase dormindo.

Faltando duas horas para o embarque, chegamos ao aeroporto e todos já estavam na salinha de espera.
Assim que passamos pelo check-in, fomos direto à sala em que todos estavam. A primeira pessoa a me ver foi a irmã mais nova de , Safaa.
- ! – ela correu e me abraçou. Ela estava com 14, quase 15 anos. A última vez que a havia visto, ela tinha acabado de chegar aos 13.
- Oi, meu amor! Quanto tempo, você está linda. – a abracei e fui andando em direção a todos. – Desculpem o atraso, alguém levou uma hora se arrumando.
Todos riram e, como tenho notado, Leah vem me ignorando bastante ultimamente. Dava sorrisos cínicos e não me incluía em nada quando conversávamos.
era quem estava comigo sempre, até porque ele nunca gostou dela. Dizia que ela era sonsa e não prestava, mas eu a ignorava, visto que ela não faz diferença na minha vida.
Enquanto Luke ia comprar doces pra viagem, encarei . O olhar dele era de quem precisava conversar seriamente comigo.
- Eu vou procurar alguma coisa pra comer... – ele comentou. – , vem comigo?
Fiz que sim com a cabeça e levantei, pegando minha bolsa. me olhou e deu um sorrisinho, pela primeira vez desde que cheguei.
- Traz doughnuts pra mim? Toma o dinheiro.
- Sim, pode deixar. – ignorei a parte em que ele deu-me duas notas de vinte e segui com .
Depois de andar bastante até encontrar os malditos doughnuts, o encarei.
- Desembucha.
- Você sabe que eu sou seu melhor amigo sempre, e que se você não tá feliz você pode contar comigo, certo? – ele me encarou.
- Claro que sei, mas por que isso agora?
- Quando ia me contar que você ficou com o enquanto estavam viajando? – ele perguntou, sério.
- Como você sabe? – perguntei. – Eu não contei pra ninguém, sério. Foi coisa do momento.
- ! Coisa do momento? Vocês se amam!
- , como você sabe?
- Ele me contou. – ele fazia os pedidos enquanto eu o encarava, tensa. – Ele bebeu, disse que te ama e que está prestes a fazer a maior burrice da vida dele.
- Agora está feito, . E eu namoro!
- Vai dizer que o Luke faz você se sentir como o fez? – ele deu um gole na Coca-Cola e pegou as coisas, indo em direção a uma mesinha.
- Ele me faz feliz. Ele me completa. – afirmei.
- E o te transborda. – ele disse e pegou minha mão. – Eu amo você, pensa no que vai fazer, criatura.
- Se você amasse o Luke tanto como ama o , não estaria sempre com essa cara de tédio quando está com ele. E vocês brigam muito.
- Nós somos diferentes, é claro que nós vamos brigar!
Ficamos em silêncio por um tempo. Algo me dizia que estava certo.
- Você tem muita sorte que o nunca fica bêbado perto dela porque ele fala fácil. – ele disse. – E nem precisamos tocar no assunto pra você se tornar um.
Era tarde demais pra tudo. Nós não íamos fazer isso. Não ia dar certo.
- Deixa esse assunto pra lá, ok? Nada vai acontecer, você vai ver. Ele vai casar e ser feliz.
- Então me diz que você ama o Luke mais do que você ama o . Diz que é com o Luke que você quer passar o resto dos teus dias, é com ele que você quer construir uma família.
- Não vou fazer isso. - respondi. Levantei-me e fui andando com a caixa com o pedido do meu ex-namorado em mãos. Meu melhor amigo me seguiu, mas em silêncio.

***


Durante o voo, mal consegui dormir. Virava de um lado pro outro, com muito cuidado pra não encostar no senhor que estava entre meu namorado e eu. Diferentemente de mim, todos que eu conhecia, naquele avião, dormiam.
dormia com Safaa deitada em seu colo, Leah dormia encolhida na janela, assim como Luke. e dormiam agarrados na última fileira, tendo bastante espaço. Levantei para ir ao banheiro no mínimo seis vezes, sem brincadeira. A comissária de bordo até perguntou se eu estava com algum enjoo ou coisa parecida.
Eu pensava, escrevia, assistia um filme qualquer que passava. Eu acredito muito na ideia que muito antes de nascermos, temos uma vida totalmente já premeditada. É assustador como tudo já vem planejado. E na vida, temos que aceitar, que quando é pra acontecer, o amor não acaba e nem falha.
Decidi escutar música no celular, já que não tinha ninguém pra conversar. Coloquei o fone e fechei os olhos, depois de muito Bon Jovi, a única coisa que eu lembro de ter ouvido, foi ‘Too Little, Too Late’ da Jojo (podem dar play na música, fica mais emocionante). Então adormeci. E eu tive um sonho estranho demais.

- Amor, amor, amor! Acorda! – me sacudia e eu tentava a todo custo dormir.
- Você é muito chato, sabia? – resmunguei e virei pra ele. – O que foi?
- A está em trabalho de parto, vamos! – ele me cutucava. Ouvir aquilo me despertou imediatamente. – Nossa afilhada está chegando, .
Levantei às pressas, escovei os dentes, lavei o rosto e fui procurar uma roupa rápida pra irmos ao hospital. Arrumei-me correndo e fomos de moto, para chegarmos mais rápido. Encontramos todo bobo na sala de espera.
- Venham vê-la! – dito isso, nos levou até a parte onde ficavam os bebês. – É aquela cabeludinha ali. Aquela loirinha.
Laura era linda demais. Seus cabelos eram iguais aos da mãe, e assim que chegamos, ela abriu os olhos. Os olhos, ah, esses eram do pai, definitivamente.
Eu queria chorar. Minha afilhada era linda e saudável, o que mais eu poderia pedir? Uma lágrima escorreu e me abraçou por trás. Deu-me um beijo na bochecha e sorriu.
- Daqui a pouco somos nós, com o nosso Zack ou a nossa Lexi. – dito aquilo, em minha cabeça, tudo que eu ouvia era uma música. Não reconhecia, mas eu sabia que eu já tinha escutado.
(It's just too little too late)
Está um pouco tarde demais
(A little too wrong)
Um pouco errado demais
(And I can't wait)
E eu não posso esperar
(Boy you know all the right things to say)
Garoto, você sabe todas as coisas certas a dizer
(You know it's just too little too late)
Você sabe que está tarde demais

Acordei com a comissária oferecendo a janta. Eu me senti enjoada na hora ao sentir todos aqueles cheiros juntos. Eram diversas pessoas comendo comidas totalmente diferentes. O aroma que isso expelia não era nem um pouco agradável.
- Eu só quero um suco de uva. – ela colocou no copo e me entregou. Depois disso, voltei a dormir enquanto jantavam e desta vez, sem sonhos.
Eu odiava o fato de que todos os meus sonhos acabavam interligados a ele. Minha vida estava interligada a ele e eu tinha que cortar essa conexão se quisesse acabar com tudo. Por um ponto final nisso tudo. Definitivamente.
Acordei só quando estávamos em Thessaloniki. Estava quieta no meu canto deitada em Luke. Ninguém se atrevia a perguntar o que estava acontecido, meu mau humor era bem perceptível.
Chegando ao hotel, tomei um banho e também dormi. Luke sempre respeitou meu espaço e eu agradecia por isso. Entendia que se eu quisesse conversar, eu ia começar a falar e não parar mais. Mas não era o caso.
Mais tarde, Waliyha veio nos chamar pra ir caminhar pela cidadela, mas meu namorado não quis ir. Pus um vestidinho e uma sandália, já que o sol estava de rachar. Peguei minha jaqueta jeans porque eu me conhecia o suficiente a ponto de saber que qualquer ventinho me faria congelar.
- Você está ansiosa pro casamento do seu irmão? – perguntei, puxando qualquer assunto.
- Mais ou menos. – ela respondeu. – Meu irmão não tá 100% feliz, .
- Como assim, Wali? – perguntei.
- , tá na cara que ele ama você.
- Que isso, meu amor. Ele deve só estar estressado com toda essa situação.
- Se você diz...
Acho que se ouvisse mais uma vez naquela viagem que eu e nos amávamos, eu de fato acreditaria. Encontramos com o resto da família no saguão. O passeio foi feito por Yaser, Trisha, Waliyha, e eu. Enquanto as duas outras meninas olhavam as lojinhas da rua, eu e meu ex-sogro conversávamos sobre futebol.
- O Cristiano é definitivamente ridículo de tão bom, mas o Messi é melhor. – comentei.
- Sim! – tio Yaser deu uma golada em seu suco e eu sorri. – O Messi tem um dom, já o Cristiano treina bastante.
- Exato. Eu sou muito criticada neste quesito, por ser madridista e escolher o Messi.
- Te entendo, criança. – Yaser olhava de vez em quando pra Trisha e era possível ver seus olhos brilhando. Ele a amava mais que tudo.
- Vocês são lindos juntos. – sorri. – Incrivelmente lindos e têm uma família linda.
- Obrigada, . Você faz parte dela.
- Nah, tio. Já fiz. Agora meu lugar é de outra.
- Desculpe a intromissão, mas... ouvi sua conversa com o maluquinho no aeroporto. – ele se referia a . – Sei que sabe a coisa certa a se fazer. Confio em você. E você vai ser sempre da família. É como mais uma filha pra mim.
Dito isso, ele se levantou e foi até sua esposa e sua filha. A consideração que toda família dele tinha por mim era enorme, e eu os considerava da mesma forma.
Eu podia não ser mais da família como queriam, mas eles me adotaram como filha de coração e só isso já vale. Como eu tinha dito, o amor não acaba e nem falha.





Continua...



Nota da autora: Na vida todos somos o ! Ninguém aguenta com e Luke, nem e Leah. Mas, CALMA. Bom, é o seguinte: não pretendo fazer Model uma fanfic extensa e cansativa, pretendo encerrá-la no vigésimo capítulo. Eu já tenho tudo planejado e espero que vocês me acompanhem em toda essa aventura. Eu amo muito todas que comentam e anseiam por cada capítulo.
Como tinha dito, vem por aí uma coisa nova. Meu amor pela escrita ultrapassa essa fanfic, então estou escrevendo outra. Não é com a One Direction, e também não é com ninguém especial. É uma escrita totalmente diferente desta, mas é escrita de coração, assim como Model. Estou pensando em fazer um grupo no Facebook com quem lê, então, quem se interessa me adiciona lá. (facebook.com/beatrizmdavid). Quando essa atualização entrar, Not A Bad Thing (é a nova fanfic) já deve ter entrado, deem uma procuradinha, no 11 eu coloco o link aqui. Espero que vocês leiam e me acompanhem nesse mundo incrível da Maze e do pp. Um beijo! Tris, xx





Nota da beta: , eu te amooo! Sério, obrigada pela tentativa de colocar um pouquinho de juízo na cabecinha da , só ela não enxerga que nasceram para ficarem juntos <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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