FFOBS - Mollitiam by Mari B.


Mollitiam

Última atualização: 31/07/2018

I.

Futebol. Para algumas pessoas, é apenas um esporte que entretém. Para a família de , é algo muito além disso! Desde muito pequena, ia aos estádios com sua mãe para assistir seu pai jogar. Sua vida sempre foi aquele esporte. Depois de formada em Publicidade, não foi diferente. Seu primeiro e único trabalho, até agora, é como publicitária na revista Kicker, de esportes.
Seu pai, Alaric Evans, foi chamado para ser técnico do . Mesmo sabendo das dificuldades que o time vem passando durante a última temporada, aceitou a proposta, já que seria uma grande oportunidade na sua carreira como treinador, e seu maior objetivo era fazer com que o time vencesse a Champions League daquele ano.
digitou uma mensagem para sua amiga Melanie:

“Estou atrasada. O alarme não despertou! Se perguntarem por mim, já sabe! Te vejo daqui a pouco! Xx .”


pegou sua bolsa e as chaves do carro que ganhou de seu pai no seu último aniversário, e partiu para a sede da Kicker, já imaginando a quantidade de pessoas que viriam falar com ela sobre a contratação do novo técnico do . Ser filha do ex-jogador tinha suas vantagens, mas, muitas vezes, era complicado receber toda a atenção por conta de seu pai.
Após pegar o típico trânsito de Dortmund, conseguiu chegar à revista com dez minutos de atraso. Pegou o elevador e subiu até o décimo segundo andar. Deixou sua bolsa em cima de sua mesa e olhou em volta do grande hall de paredes cinzas, procurando por seu chefe, que não se encontrava ali. Respirou, aliviada, por não ter que justificar o atraso. Aproveitou que o chefe estava ausente e desceu até o nono andar para ver sua amiga e jornalista Melanie Foster.
Assim que Mel viu sair do elevador, Foster caminhou em passos largos até a melhor amiga. As duas haviam se dado bem desde o primeiro dia de trabalho. havia acabado de chegar e estava totalmente perdida e lotada de pastas em mãos, e Melanie fez questão de lhe mostrar todo o espaço que a Kicker fornecia.
, você precisa conseguir uma entrevista com seu pai pra mim, por favor, por favor, por favor! — Mel pediu, desesperada. Ela sabia que, se conseguisse essa entrevista para ela, a conversa com o técnico seria capa da revista de esportes naquele mês.
Sua primeira capa, trabalhando ali.
— Bom dia pra você também, Mel! Dormiu comigo, por acaso? — disse, brincando, pela falta de educação da amiga, enquanto andava em direção à mesa de Mel, sentando-se na cadeira da morena logo em seguida.
— Bom dia! Mas é sério! Eu preciso dessa entrevista! A contratação do seu pai é só o que o mundo inteiro sabe falar desde que o anunciou, ontem à noite! Eu vou crescer aqui nesta revista! Você tem noção disso?
— Eu vou tentar, Mel, mas não prometo nada! Você sabe que esse tipo de entrevista não depende só do meu pai. Ele precisa da autorização do pessoal do time. — Sabia que aquilo era importante para amiga e faria de tudo para que ela conseguisse. — Vou falar com ele, hoje. Como eu já vou fazer uma visitinha pra ele no centro de treinamento do time amanhã, você pode ir junto, se tudo der certo.
— Obrigada, obrigada, obrigada! Você é a melhor amiga do mundo! Estou te devendo essa, viu? Amo você! — a amiga disse, dando pulos de alegria.
— Tá. Agora, eu preciso ir trabalhar! Já sabe como meu chefe fica uma fera quando ele chega ao 12 e eu não estou lá! Beijos! — disse, enquanto caminhava até o elevador. Ainda teria um longo dia pela frente.
chegou à sua sala e resolveu abrir seus e-mails. Sentou-se em sua cadeira e ligou seu computador. Logo recebeu uma notificação de seu chefe, dizendo que não iria ao trabalho, hoje. Menos um problema para , afinal, teria que criar uma nova estratégia de venda para a revista até o dia seguinte, o que já não era tarefa fácil, e não ter que aturar o chefe e seu mau humor matinal já era de grande alívio!
Resolveu mandar uma mensagem para seu pai para saber como estava o primeiro dia dele como novo técnico do time que carregava o como sua cor principal:

“Como vai o primeiro dia? Muito trabalho? Muitos jogadores metidos? Xx

O mais velho não tardou a responder, pois, provavelmente, estava em horário de almoço:

“Vai bem! O primeiro dia é mais apresentação. E temos alguns por aqui. Nada que eu não possa resolver! ;)”

A mulher riu, sozinha. Odiava quando ia assistir jogos com o pai e via alguns jogadores que se achavam o dono do mundo por serem, consideravelmente, bons, e odiava isso, assim como seu pai.

“Vou passar na casa de vocês para visitar você, a mamãe e o Nolan, e, então, você poderá me contar sobre esses jogadores “especiais” que você tem.”


O pai respondeu com um curto “feito”. Provavelmente, teria que voltar ao trabalho, assim como ela, que teria muito o que fazer até a hora de ir à casa dos pais.

***


Depois de um longo dia de trabalho, pegou sua bolsa e foi até o estacionamento para pegar seu carro e encontrar Mel.
— Não se esquece de falar com o seu pai, por favor! — a morena lembrou a melhor amiga. Definitivamente, não poderia perder essa chance.
— Pode deixar, Mel! Vou conseguir essa para você! — disse, rindo, pois sabia o quanto a amiga estava desesperada por aquilo. — Vou indo... Até amanhã, amiga! — disse, beijando o rosto da amiga.
Entrou no carro e o ligou, dirigindo em direção à casa de seus pais, que ficava perto do Westfalenpark. Estava ansiosa para rever os pais e o irmão. Faz alguns dias que a garota não os via. O trabalho vinha a sobrecarregando e, agora, com o novo trabalho do pai, sua mãe e seu trabalho de enfermeira, e o irmão jogando no sub-19 do Dortmund, acabava dificultando que eles se encontrassem.
Chegou à casa de seus pais rapidamente, já que não havia pegado tanto trânsito. Estacionou o carro na garagem, onde o carro de seu pai e de sua mãe já se encontravam. Nolan, seu irmão, deveria estar no treino ainda.
Entrou na grande casa pela porta que ligava a garagem à cozinha, encontrando sua mãe cozinhando o jantar. Conseguiu sentir o cheiro da típica macarronada da mãe, de longe. Deu um beijo na bochecha dela.
— Que saudade que eu estava de você, minha filha! — Helena disse, abraçando a filha que não via há dias.
— Também estava, mãe! — respondeu ela a mais velha em português.
A mãe adorava que os filhos falassem na língua nativa deles, pois, mesmo que morassem no exterior há anos, se os filhos falassem português, sentia que carregava consigo um pedacinho do Brasil.
— Seu pai está na sala. Nolan ainda não chegou. Os treinos estão sendo pesados esta semana! — ela disse, antes mesmo de perguntar.
— Imagino! Vou falar com o papai. E, aliás, o cheiro está maravilhoso! — disse, elogiando a comida.
Foi até a sala e encontrou o pai sentado no sofá, assistindo a um jogo qualquer de futebol que passava na televisão. Parecia que estava com a cabeça em outro lugar; provavelmente, pensando sobre o novo trabalho. A responsabilidade de fazer com que o voltasse a ser um dos melhores na Champions estava nas mãos de Alaric Evans, ex-jogador de times grandes, como o Real Madrid e o Juventus. O pai de havia sido um ótimo jogador, e as expectativas de todos os torcedores estavam sobre os ombros dele para que seu legado como jogador fosse ainda melhor como treinador.
— Será que eu poderia ter um tempinho com o melhor técnico de futebol que o já teve? — disse, brincando com o pai e tentando fazer com que o mais velho se esquecesse um pouco das preocupações que o perseguiam.
— É claro que sim, meu amor! Como foi o trabalho, hoje? — ele perguntou, levantando-se para abraçar a filha, que aproveitou o abraço do pai.
— Bom, trabalho é trabalho, não é mesmo? Cansativo, mas foi tudo bem — contou ao pai, que a olhava, interessado. — E você? Como é ser técnico do ?
— Fizemos as devidas apresentações e, então, eles fizeram um jogo rápido de titulares contra reservas... Foi aí que eu pude perceber alguns erros que pretendo acertar em breve! — ele disse, realmente animado com tudo o que tinha observado no primeiro dia de trabalho no time.
— Que bom que você gostou, pai! O que importa é isso, né? — ela perguntou, e o pai assentiu positivamente. — Aliás, e os jogadores metidos? Estão te dando muito trabalho? — questionou com interesse, afinal, a partir daquele dia, teria que torcer para o time que o pai treinava. Apoiaria-o, de qualquer forma.
— Bom, o que mais me impressionou foi que a estrela do time, o , vendo que o time não está na sua melhor temporada e nem ele no seu melhor momento da carreira, insiste em jogar sozinho, não passa a bola, não entende que não se joga futebol sozinho... — ele disse, frustrado.
Pai e filha nunca gostaram desse tipo de jogador.
— Já vi que esse tal de será um problema. — disse, compreensiva. Entendia a frustração do pai, afinal, do que adianta o cara jogar “sozinho” e não marcar gols? Se quer ser o melhor sozinho, pelo menos, marcasse os gols. — Tenho um pedido pra te fazer.
— Se eu puder realizar... Sou todo ouvidos! — o pai da garota disse. Faria o possível para ajudá-la.
— Na verdade, o favor é para uma amiga. Ela trabalha comigo na Kicker e, bom, será que você poderia conceder uma entrevista a ela? Definitivamente, a ajudaria a crescer dentro da revista.
— Bom, já que o time permitiu que eu desse entrevistas, acho que posso dar essa à sua amiga, de primeira mão, sem conceder a ninguém antes dela. Ela pode ir com você amanhã até o centro de treinamento? — ele perguntou a filha, que o olhava, animada.
sabia que a amiga ficaria mais que animada com a notícia e que precisava avisá-la o quanto antes, e avisar também ao seu chefe de que ela não poderia ir ao escritório da revista amanhã, assim como Melanie, que trabalharia fora.
— Obrigada, pai! — disse ao mais novo técnico.
Correu até a cozinha para pegar a bolsa que havia deixado em cima da mesa e correu escada acima, indo ao seu antigo quarto na casa. Jogou-se na cama e mandou uma mensagem para Mel:

“Prepare-se que amanhã você entrevistará o mais novo técnico do e também receberá um tour no centro de treinamento junto comigo de acompanhante! Amo você! Xx


Resolveu tomar um banho rápido, antes de jantar. Talvez fosse mais fácil dormir ali, pensou, porque, assim, poderia pegar carona com seu pai e poderia passar mais tempo com sua família, e poderia esperar Nolan chegar. Terminou seu banho e colocou uma roupa confortável para que pudesse ficar em casa. Ela deixava algumas roupas ali, porque a maioria das visitas que fazia aos pais se estendia por mais que algumas horas. Pegou o celular e viu que havia uma resposta de Mel:

“Você é, definitivamente, a melhor!! Obrigada, ! Estou te devendo essa! Onde eu te encontro amanhã? Mel :)”

Sabia que a amiga ficaria animada. As duas eram tão diferentes que, às vezes, ficava impressionada em como faziam a amizade funcionar. sempre foi mais quieta, nunca gostou de chamar atenção. Em compensação, Mel, desde que a conhecera, sempre foi a mais agitada e o centro das atenções em tudo o que fazia.

“Na casa dos meus pais. Vou ficar por aqui, hoje! Tô muito cansada para dirigir até minha casa. Apareça por aqui às 10am! Xx”


Resolveu descer até a sala. O jantar já deveria estar pronto, e Nolan já deveria ter chegado em casa. estava com muita saudade do irmão. Depois que o caçula dos começou a jogar para o , o tempo para ver a irmã começou a ser escasso, mas sempre que se viam era ótimo, pois a intimidade entre os dois irmãos era a mesma de sempre.
— Cadê a minha irmã mais velha preferida? — Nolan falou mais alto, enquanto andava até a sala, onde a irmã estava, já de braços abertos para poder abraçá-la.
— Favorita e única, não é, meu amor? Que outra irmã você tem, além de mim? — ela disse, brincando com o irmão.
Sentia tanta saudade do garoto que nem podia mensurar o quanto!
Após jantarem, passaram o resto da noite elogiando a comida da mãe e conversando sobre a vida de todos ali presentes. Era raro ver a família toda junta, mas era uma sensação maravilhosa tê-los ali para matarem a saudade. não poderia pedir por pessoas melhores para ter em sua vida!

***


Às 10 horas em ponto, Melanie Foster estava na porta da casa dos pais de , pronta para ir ao centro de treinamento e poder entrevistar o novo técnico do time. Entraram no carro, enquanto Ric Evans dirigia. Todos conversavam sobre como era o local onde o time treinava. Após um tempo no carro por conta do trânsito, chegaram ao destino final: a segunda casa do , onde eles passavam mais tempo.
O pai de mostrou cada cantinho do local onde o time treinava; desde o refeitório até os quartos que ali mantinham para que os jogadores pudessem ficar concentrados para os jogos. e Melanie olhavam, maravilhadas, para aquele lugar. Tudo era muito tecnológico, o que impressionou muito as duas.
O técnico Evans decidiu, então, que era a hora de Melanie mostrar para o que havia ido até ali: para entrevistar o ex-jogador e, agora, técnico do . Enquanto os dois ficavam numa sala para que fosse realizada a entrevista, decidiu que assistiria ao curto treino que o time estava tendo em um dos campos, já que todas as respostas que o pai responderia ela já sabia cada uma delas de cor.
passava pelos corredores, olhando cada lugar da casa do . Depois de se perder, pelo menos, umas duas vezes, conseguiu chegar à saída que a levaria ao campo. Quando passava, distraída, pela lateral do campo, pronta para se sentar em um dos bancos que havia ali, não percebeu que um dos jogadores chutou a bola com força na direção dela e que acabou a acertando na cabeça, fazendo com que a garota caísse diretamente no gramado.
, onde você está com a cabeça? Concentre-se ou pode ir embora! — um dos assistentes de Ric gritou com o jogador que havia acertado .
O jogador correu até a garota, que, agora, estava sentada no chão com uma das mãos na região em que a bola havia acertado.
— Desculpa! Eu não te vi passando! Estou com a cabeça em outro lugar. Aliás! Prazer! — o jogador disse, sorrindo de lado para a garota.

II.

olhava para o jogador, tentando entender o motivo do sorriso que ele carregava no rosto, depois de tê-la acertado. A garota se irritou, só de pensar que ele poderia estar zombando da cara dela, já que a mesma parecia desnorteada com toda a situação da bolada na cabeça.
— Tá achando graça? Porque eu não estou! Inclusive, estou sentindo dor! Isso, sim! — a garota falou, irritada. Lembrava o quanto doía ser acertada por uma bola durante uma partida de queimada, enquanto ainda estava na escola e, agora, ser acertada por um jogador de futebol era uma situação totalmente diferente que ampliava a dor, no mínimo, mil vezes.
— Não! — o camisa respondeu rapidamente. — Na verdade, foi até engraçado ver você cair! — ele disse, jogando a cabeça para trás, enquanto ria da menina.
O jogador sabia o quão errado estava por ter acertado a garota desconhecida, mas não podia negar que a queda da mulher na grama havia sido motivo das suas risadas, naquele momento.
parou de rir assim que viu a feição de .
— Já terminou de rir da minha cara? — perguntou, levantando-se do campo. Mal havia encontrado o bendito estrelinha do time e já havia o odiado!
Quem ele pensava que era para rir dela? Ridículo, petulante e idiota eram os adjetivos que a mulher pensava sobre o jogador.
— Talvez, se você não estivesse no meio do campo durante um treino do time, isso não teria acontecido, schatzi. Aliás, quem te deu autorização de ficar andando por aqui, agora?
— Não te interessa, idiota! — saiu, bufando. Não ficaria perto daquele cara, nem que a obrigassem!
riu, mais uma vez, ao ver a mulher saindo em direção ao refeitório, pisando fundo. Havia a irritado e nem sabia o nome dela. Uma coisa que o camisa sabia era que ela era bonita e gostosa, e, disso, ele tinha certeza!
decidiu voltar a tentar se concentrar no treino, coisa que não fazia há um bom tempo. Foi em direção ao seu amigo , que se aquecia perto de uma das traves.
— Vejo que conheceu a herdeira -Evans, ... — disse ao amigo.
Sabia que não tinha noção de quem ele havia acertado e ver as feições do melhor amigo passarem de confuso para assustado foi cômico.
— Evans? Evans do tipo Ric Evans? Do tipo filha do técnico? — perguntou, assustado, mas logo rindo da situação. — Claro que ela tinha que ser filha do nosso técnico! Tenho tido uma sorte, ultimamente! — disse, irônico.
O jogador vinha passando por uma má fase, não só na sua vida profissional, mas, também, na sua vida pessoal. Nada dava certo! Nos últimos 9 jogos da temporada anterior, não havia conseguido fazer nenhum gol, e na única assistência que havia conseguido dar, errou o gol. Agora, conseguiu acertar uma bola na cabeça da filha de Ric Evans, o mais novo técnico do . Definitivamente, poderia se considerar azarado.

se viu entrando no corredor onde ficava a sala em que sua melhor amiga entrevistava seu pai. A porta se abriu, assim que chegou perto dela. Melanie, percebendo a feição de raiva que a amiga carregava, logo franziu o cenho, em dúvida. fez um sinal com as mãos, indicando que contaria depois, e apontou para o pai logo em seguida.
Mesmo odiando , naquele momento, não queria sair falando ao pai o que havia acontecido. Não queria influenciar a opinião de Ric sobre o jogador por conta de um acontecimento que havia ocorrido com ela, então preferiu ficar quieta sobre o assunto.
— Bom, garotas, tenho que voltar ao trabalho! Temos um jogo, daqui a dois dias, e precisamos estar prontos! — o técnico de futebol disse, enquanto beijava a testa de cada uma das garotas e se dirigia para o campo no qual havia levado uma bolada.
Melanie esperou o Evans mais velho virar o corredor para que pudesse se virar para amiga.
— O que aconteceu com você?
— O que não é a pergunta certa. É mais fácil perguntar quem me deixou assim! — disse com raiva, mas controlando a voz para não falar muito alto e metade do CT escutasse de quem estavam falando.
— Vai me contar logo, ou vou precisar implorar? — Melanie perguntou.
Havia poucas coisas que irritavam ou deixavam com raiva. A morena podia contar nos dedos as vezes em que vira a amiga daquele jeito.
— falou, recebendo uma careta confusa da amiga. — O idiota chutou a bola com toda força na minha cabeça e ainda ficou rindo da minha cara!
— Eu não acredito que você está brava por isso, ! — Melanie falou, indignada. — Não é como se ele tivesse chutado a bola em você de propósito.
— Mas isso não lhe dá o direito de ficar rindo da minha cara!
sabia que, talvez, estivesse sendo um pouco infantil por estar brava por uma coisinha tão ridícula, mas a garota odiava que zombassem dela, e aquele sorrisinho de ficava se repetindo em sua mente, como se seu subconsciente quisesse que ela ficasse com mais raiva do jogador.
— Vamos para casa, ! Sabe o que é isso? Fome! — a morena disse, olhando para a tela do celular e procurando ver que horas eram, e se havia alguma mensagem que fosse importante. — Conheço um lugar ótimo para almoçarmos. Que tal comida japonesa?
— Topo! Nem vi o tempo passar... Estou faminta! — falou .
As duas foram em direção à entrada do CT e pegaram um táxi, já que vieram de carona com o pai de . Voltaram até a casa dos -Evans, cada uma pegou seu respectivo carro e foram almoçar, afinal, já se passava de uma da tarde e ainda teriam que passar na Kicker para Mel terminar de preparar os últimos detalhes da entrevista que havia acabado de fazer.

tocava bola com um dos jogadores do time quando viu o técnico observando o time e mantendo o olhar nele por mais tempo que nos outros jogadores. sabia que a garota tinha contado o ocorrido ao pai e, agora, estava ferrado. Decidiu que seria melhor esclarecer tudo ao Ric. Seria melhor ouvir a versão dele, certo? Mas que versão? Ele havia rido da garota por ela ter caído. Ele era o errado na situação toda, mas não admitiria isso a garota.
— Com licença, Ric! Posso conversar com você por um instante? — o jogador perguntou, receoso.
— Claro, ! No que posso te ajudar?
— Queria me desculpar com você pelo o que fiz com a sua filha, hoje. Eu estava distraído e nem a vi passando, e, depois, ri da cara dela. Eu não tinha o direito de fazer isso! Esperava que você pudesse ter ouvido isso da minha boca primeiro que da dela, mas tudo bem. — disse, sem parar, enquanto o técnico o encarava, confuso.
O mais velho não tinha ideia sobre o que estava falando.
— Do que está falando, ?
— Espera! Ela não te contou?
Não dava para saber quem se encontrava mais confuso ali: se era o jogador ou o técnico.
, não importa o que tenha ocorrido entre você e a minha filha. Vocês já têm idade suficiente para resolverem sozinhos. Eu não vou me meter em assuntos da , e ela sabe muito bem disso. Provavelmente, por isso, não me contou o que houve. Não pense que isso afetará o modo como te vejo em campo. — Ric disse, compreensivo, surpreendendo , que, agora, sabia o apelido da garota.
.
“Apelido bonito”, pensou.
— Tudo bem, Ric. Obrigado!
O técnico o abraçou rapidamente. Gostava de manter uma relação boa com todos os seus jogadores.
— Agora, volte ao campo! Preciso de você marcando gols nesta temporada!
‘‘Isso era uma coisa mais difícil de se cumprir”, pensou o camisa .

Havia se passado 2 dias desde o incidente ocorrido no CT. Hoje, aconteceria o primeiro jogo do time na temporada, com o pai de como técnico, por isso, a mulher, antes de sair de casa para trabalhar naquele dia, conferiu duas vezes a bolsa para ter certeza de que sua camisa do time se encontrava ali. Logo que saísse do trabalho, iria ao estádio para assistir ao jogo do contra o Borussia Mönchengladbach pela Pokal.
— Bom dia, ! Hoje, é a estreia do seu pai, não é? Ele comentou comigo durante a entrevista e até falou para eu ir com você, mas não vai dar. Vou ter que ficar aqui até mais tarde. — Mel falou assim que pisou fora do elevador.
Apesar do tempo trabalhando ali, ela nunca se acostumaria com Melanie aparecendo tão repentinamente em alguns lugares do prédio da revista.
— Tudo bem, Mel. Na próxima, faço questão que você vá! — falou, ajeitando a pulseira de silicone preta que havia ganhado de sua avó anos atrás. Não a tirava por nada!
— Aliás, vi você mexendo nessa pulseira, e você nunca me disse o motivo de tanta importância dela... — a morena disse, vendo a amiga organizando algumas pastas do trabalho em sua mesa.
— Um dia, eu te conto! — disse, piscando um olho para a amiga. — Agora, eu vou trabalhar! Quanto mais cedo eu acabar, melhor! Meu carro está na oficina. Vou precisar pegar um táxi até o estádio.
— Ok, amiga! Vejo você, depois, então! Deseje boa sorte ao seu pai por mim! — falou, entrando no elevador que ela havia chamado enquanto conversava com .
Depois de 15 pastas organizadas e devidamente lidas por duas vezes, ela havia acabado o trabalho por hoje. Quando olhou o relógio em seu pulso, viu que havia acabado bem na hora. Foi ao banheiro, colocou a camisa do time, voltou à sua mesa, pegou a bolsa e o celular, que ali se encontravam, e foi à porta da revista, a fim de pegar um táxi que a levasse até o estádio.
Após esperar 25 minutos por um táxi e nenhum passar, desistiu e decidiu pegar o transporte público. Não sabia se chegaria a tempo de ver os primeiros 45 minutos, mas, pelo menos, conseguiria ver a segunda metade do jogo.
Entrou, sentou-se mais ao fundo e pegou o celular, à procura de uma transmissão ao vivo. Quando carregou, percebeu que havia acabado de perder mais um gol e, segundo o comentarista da partida, ele já havia tido três chances e também as perdeu.
Depois do segundo gol do Mönchengladbach aos 5 minutos do segundo tempo, ela começou a ficar desanimada pelo placar. E, pelo visto, chegaria muito atrasada. O trânsito estava caótico naquele horário, e a chuva, que caía forte, só piorava a situação!
Resolveu que desceria no próximo ponto e faria o resto do caminho a pé. Pegou o guarda-chuva que levava em sua bolsa e desceu. Se corresse um pouquinho, conseguiria chegar na metade do segundo tempo.
nunca pensou que em algum dia de sua vida, pudesse ter se sentido azarada, pelo menos, não como hoje. Depois de 10 minutos correndo cautelosamente para não escorregar, um carro passou rápido, sem cuidado algum, por uma poça d’água que se formara ali e espirrou toda a água suja em .
— Ótimo! Muito obrigada! Era tudo o que eu precisava agora! — ela gritou para o motorista do carro, que já se encontrava muito longe para escutá-la.
Agora, além de atrasada, ela estava molhada e cheirando à água de esgoto. Olhou para frente e percebeu que já conseguia avistar o grande estádio do .
— Olá! Tudo bem? Creio que meu pai deixou uma credencial pra mim. Meu nome é — disse, ofegante, enquanto entregava seu documento numa espécie de portaria do estádio.
A mulher que se encontrava ali olhou para ela, estranhando o estado da garota, e logo entregou a credencial a , que gritou um “obrigada” rápido para a mulher, antes de sair correndo para os vestiários. Lembrava-se do pai falando para ela ficar na entrada do túnel que ligava os vestiários ao campo, pois, assim, teria uma experiência diferente daqueles que assistiam das arquibancadas, ou da área VIP, separada para familiares e amigos do time.
Quando conseguiu chegar ao lugar onde seu pai havia pedido para ela ficar, o juiz acabava de anunciar os acréscimos do jogo: 5 minutos. O perdia de 2 a 0. O placar não havia mudado desde a última vez que ela tinha visto.
No último contra-ataque que o poderia fazer na partida, o goleiro, que a garota ainda não sabia o nome, cobrou o tiro de meta, em que o jogador com a camisa 10 do time de dominou e tocou a bola para , que corria em direção à área, já com a bola nos pés, porém um dos jogadores do Mönchengladbach cometeu uma falta em cima do camisa . Por sorte deles e azar do time para o qual torcia, a falta foi fora da área.
revirou os olhos quando viu quem a cobraria.
.
Aquela falta, se bem cobrada, seria um perfeito gol!
Ele posicionou a bola onde o juiz demarcou e olhou em volta, observando toda a torcida, os companheiros no banco, o técnico, e ficou surpreso ao ver a garota com quem havia se desentendido dias atrás. Ela estava toda molhada e suja, mas o olhava com expectativa. se sentiu mais pressionado que o normal. Então olhou para a barreira que o time de camisa preta e detalhes verdes formaram. Fechou os olhos e logo os abriu, respirando fundo, mirou o gol e chutou.
GOL!
Depois de 9 jogos sem marcar, havia marcado um lindo gol de falta!
comemorou sozinha no canto onde se encontrava. Só precisavam de mais um gol e empat... Os pensamentos da garota foram interrompidos pelo juiz, que apontou para o centro do campo e apitou.
O jogo havia terminado, com uma vitória do Mönchengladbach.
Apesar do jogo ter terminado com um placar que favorecia o time visitante, comemorava como uma vitória. A sensação de marcar gols era maravilhosa, e tinha sentido falta daquilo.
Os jogadores foram em direção aos vestiários.
— Belo gol, ! — a garota, ainda ensopada, disse ao jogador, que passava perto.
— Obrigado, Evans! — respondeu e sorriu ao perceber a surpresa da garota por ele saber seu nome. — Aliás, eu, que estava correndo por 90 minutos, estou menos molhado e sujo que você. O que aconteceu? — disse, rindo.
— Primeiro, meu nome é . Não te conheço para você me chamar pelo meu apelido! Segundo, não te interessa o que aconteceu! E vou falar mais uma vez: não te conheço! — disse.
— Tudo bem. Tudo bem, Evans! — o jogador disse, provocando a publicitária.
Ela virou-se e foi em direção ao pai, que já havia entrado nos vestiários. Provavelmente, havia passado e não tinha visto a filha ali.
— Oi, pai! Tudo bem? — a garota perguntou, receosa.
É claro que não estava nada bem! Ele havia perdido em seu jogo de estreia como técnico.
— Bem não está, filha, mas vamos recuperar! Foi apenas o primeiro jogo, e conseguimos fazer com que fizesse um gol, o que já é um ótimo começo! — o mais velho disse, esperançoso, afinal, não podia deixar de pensar que treinava um ótimo time. — Mudando de assunto, ... O que aconteceu com você? Está toda ensopada e... Suja.
— Longa história, pai! Há algum lugar em que eu possa tomar banho? — perguntou, enojada de si, pois estava fedendo e toda molhada.
— Há, sim. Vá até o final desse corredor. Lá tem um banheiro que raramente os jogadores usam, mas tranque a porta, caso algum deles resolva aparecer por lá, ok? Vou ver se a fisioterapeuta do time tem alguma roupa para te emprestar. Vocês duas têm, praticamente, o mesmo corpo.
— Ok. Obrigada, pai!
esperou o pai voltar com as roupas para poder ir em direção ao banheiro do vestiário que ele havia indicado. Ligou o chuveiro e esperou que a água esquentasse, e, enquanto isso, olhou as roupas que o pai havia conseguido: uma legging preta; um tênis da Puma que, provavelmente, era da fisioterapeuta que o pai tinha citado e uma camisa do time. Tirou sua pulseira preta pela primeira vez desde que havia ganhado, pois a mesma estava suja, lavou-a com cuidado e a deixou na pia do banheiro, enquanto tomava banho.
Após um banho quente, se trocou e foi em busca do pai novamente. Iria embora com ele, já que a chuva não havia passado ainda e ela não queria passar por toda a experiência de mais cedo novamente.
Bateu na porta do vestiário para ter certeza de que todos os jogadores que se encontrassem ali dentro ainda estivessem vestidos.
— Pode entrar! — alguém disse lá dentro.
— O técnico está por aí? — ela perguntou, antes de ver a quem se direcionava.
— Não, na última vez em que vi seu pai, ele estava na sala dele, Evans. — respondeu.
Depois do jogo, havia procurado o técnico para conversar com ele sobre o jogo e, então, só restou ele no vestiário, agora.
— Eu já disse que é , para você. E obrigada! Agora, vou atrás dele. — Ela virou-se, pronta para ir encontrar Ric, mas o jogador a interrompeu.
— Ei! Bela camisa! O nome e o número atrás dela também! — ele disse, rindo e vendo a garota ficar confusa, e, depois, sair do vestiário.
foi até a sala do pai, procurá-lo, para ver se ele já estava pronto para ir embora e se poderia dar uma carona até sua casa.
— Pronto para ir para casa? — o mais velho perguntou quando viu a publicitária passar pela porta.
— Sim! Pode me dar uma carona até meu apartamento? — perguntou.
— Claro que sim! E, então, você já aproveita e me conta o que aconteceu para você ficar naquele estado que ficou quando eu te vi. — Ric disse, pegando a chave do carro, seu casaco e seu celular. — Vamos?!
— Sim. Pai, outra coisa, que nome e que número estão escritos nesta camisa? — ela perguntou, retirando o cabelo que restava nas costas para que o pai pudesse ler o que estava escrito.
— Deixe-me ver... e — ele respondeu.
— Ótimo! Faz sentido, agora! — disse.
— O quê? — o pai perguntou, fingindo confusão. Sabia o que havia ocorrido entre os dois naquele dia no CT.
— Nada, não — respondeu, desconversando.

No dia seguinte ao jogo, os jogadores tiveram folga e só voltaram ao treino no dia após a folga. Todo o elenco do esperava o técnico no vestiário do centro de treinamento para que pudessem retomar os treinos.
— Bom dia, garotos! — o técnico disse, entrando no vestiário masculino. — Antes de começarmos a falar sobre o próximo jogo e sobre como vamos melhorar alguns erros, o Bernardo tem um recado para vocês.
— Bom dia, gente! Nesta caixa aqui tem alguns pertences que foram esquecidos nos vestiários do estádio no último jogo. Vou deixar por aqui para vocês olharem se tem alguma coisa de vocês — o assistente de Ric disse.
— Tudo bem. Vamos começar e, antes de irem ao campo treinar, vocês dão uma olhada nessa caixa! — Evans disse.
O técnico e seus assistentes comentaram os erros que o time havia cometido no jogo contra o Mönchengladbach e como iriam corrigir alguns erros de posicionamento e erros na defesa. Depois de toda a conversa, os jogadores foram olhar os pertences esquecidos. Todos pegaram o que pertencia a cada um, e no final da caixa, só um objeto havia sido esquecido.
— Ei, gente! De quem é esta pulseia preta aqui? Não é de ninguém? — perguntou e esperou que alguém se pronunciasse.
E ninguém o fez.
— Ué! De quem é, então? — perguntou a .
— Não tenho ideia! Mas até que é uma pulseira bonita! — respondeu ao amigo.
— E é de silicone! Dá até para usar nos jogos! — pegou a pulseira, olhando-a. — Tem alguma coisa escrita nela. Pesquisa o que significa.
pegou o celular dentro da mala de treino que estava no banco ao lado dele e abriu o Google, jogando a palavra no campo de pesquisa e logo achando o significado.
— A palavra está em latim, . De quem é isso? — disse o camisa .
pegou o celular para ver o que aquela palavra significava.
— Cara, isso é destino, só pode ser! Olha o significado e olha pelo que você está passando agora! — disse, mesmo sabendo que o amigo não acreditava nessas coisas.
leu o significado da palavra:
Mollitiam.
Resiliência – re.si.li.ên.ci.a.
Capacidade de rápida adaptação ou recuperação.



Continua...




Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic e reclamações somente no e-mail.




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