Muse

Última atualização: 16/09/2018

Prólogo

O barulho da chuva e dos relâmpagos não parecia mais assustar a menininha de suéter rosa que coloria um livro de receitas da avó, fazia apenas alguns minutos que ela havia parado de chorar pelo barulho. Os pais de trabalhavam durante o dia e ela revezava suas atividades em ir para a escola e assistir televisão na casa da avó, mas, durante os dias de chuva, nada conseguia distraí-la, e os barulhos e clarões causado por relâmpagos e trovões chamavam sua atenção, porém a enchiam de lágrimas enormes que rolavam em seu rostinho infantil durante muito tempo.
Entretanto, naquela tarde, a avó de precisava fazer docinhos para a reunião do livro que teria mais tarde em sua casa, e a menina estava comprometida em ajudá-la com os bolinhos coloridos que eram uma receita de família que a avó guardava.
Grand-mère, será que podemos fazer mais uma fornada de macarons para eu levar na escola amanhã? — disse a garotinha enquanto balançava os pés na cadeira que estava sentada terminando seu crepe.
— Claro que sim, , podemos fazê-los vermelhinhos e com morango no recheio, o que acha? — respondeu a avó da menina, que retirava uma forma cheia de macarons verdes.
— Grand-mère, por que não fazemos eles amarelinhos? Aí, se chover de novo, eu posso contar para os meus amiguinhos que peguei o Sol emprestado um pouquinho e coloquei ele nos macarons! — a menininha estava eufórica com a história que havia acabado de criar sobre a cor dos macarons e a chuva. — Vovó, como os macarons ficam coloridos?
— Bom, quando as pessoas vão fazer os macarons, elas precisam achar algo bem bonito, colorido e gostoso, aí elas colocam na receita e fica tudo colorido. — respondeu a avó. — Todos os doces do mundo têm a cor de algo bem gostoso que escolheram para colocar lá.
— Puxa, vovó, será que as comidas também são coloridas por causa disso? — questionou, olhando para a avó, que apenas assentiu. — Deve ser por isso que o meu prato sempre tem um rostinho feliz!
A avó de riu com a dedução que a garotinha havia tirado sobre os sorrisos que a mãe desenhava em suas refeições para induzir a garota a se alimentar bem e lembrou-se das histórias que o marido contava à neta sobre as cores e as frutas quando queria que a neta experimentasse uma fruta diferente.
— Grand-marè? — chamou a avó, que havia se perdido em pensamentos enquanto olhava a neta.
— Sim?
— Será que um dia eu vou poder fazer muitos doces e comidas coloridas sozinha? — perguntou.
— Claro que sim, querida! E com que cor você vai colorir eles? — a avó perguntou para a menina, que parou um pouco pra pensar e olhou para os lápis coloridos que estavam em cima da mesa.
— Acho que vou fazer eles todos coloridos e vermelho! — exclamou e pegou um lápis vermelho para voltar a pintar.
— E por que você vai pintar de colorido e vermelho?
— Porque tem muitas coisas coloridas que eu acho gostoso, e eu quero dar um pouquinho do meu coração para todo mundo!

Com aquela idade, ainda não sabia, mas conseguiu prever que, anos mais tarde, ela entregaria seus pratos a seus sentimentos e assim deixaria um pouco de seu coração em cada prato que cozinharia.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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