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Última atualização: 08/09/2020

Capítulo Único

estava extremamente exausta. Havia acabado de chegar de uma cansativa aula de Fundamentos da Neuroanatomia e só queria poder se jogar em sua cama, sem a menor preocupação com nada do mundo exterior.
A garota amava o seu curso de Psicologia, mas odiava a faculdade com todas as suas forças. Parecia que aquele lugar, com uma arquitetura bastante trabalhada e exuberante, era, na verdade, um recinto macabro, responsável por sugar toda a sua vitalidade e energia. A instituição era como um grande dementador do mundo mágico de Harry Potter; alimentando-se de felicidade humana e causando depressão e desespero em qualquer um presente naquele local.
não via a hora de poder, finalmente, terminar com aquela tortura. Ela chegou ao ponto de se incomodar até com a felicidade alheia. Nada lhe era mais irritante do que ver jovens calouros com seus sorrisos fáceis e aparente despreocupação, andando por aí como se tudo fosse lindo e maravilhoso.
Ah, pobres iludidos.
Mal sabiam no que estavam se metendo.
Paulo e Douglas constantemente implicavam com a estudante, argumentando que ela virara uma velha rabugenta e sem graça. apenas rebatia, com um bico enfezado e - em partes - indignada, dizendo que era muito fácil subestimar o sufoco da vida acadêmica quando se era pago apenas para correr atrás de uma bola.
Marco, que estava prestes a concluir seu curso de Engenharia Mecatrônica, endossava as reclamações da irmã, adicionando que Dybala e Costa nunca saberiam o desgaste mental e físico de investir seu tempo para desenvolver um bom TCC para, no fim, receber duras críticas de seu orientador por causa de uma birra pessoal do cara com um dos engenheiros utilizados como fonte para a pesquisa.
Sim, isso havia acontecido com Marco e ele não conseguia superar a sua indignação com o ocorrido. Até porquê a implicância do orientador nada tinha a ver com a confiabilidade ou competência do profissional em questão, resumindo-se apenas ao fato do engenheiro ser o ex-namorado da esposa do professor.
Por outro lado, os dois jogadores contra argumentavam, afirmando que os dois jamais sentiriam a enorme pressão de gigantescas torcidas em cima de si, sempre cobrando por desempenhos impecáveis e julgando como pecados mortais seus erros dentro de campo. Sobretudo na função de ambos, que era no ataque.
Além de sofrer com constantes lesões, às vezes graves, em seu corpo.
A discussão entre os quatro já havia chegado ao patamar de ser associada a uma olimpíada do sofrimento. Todos queriam colocar os seus pesares como os mais insuportáveis e indigestos em cima da balança imaginária, resultando, por fim, em um estresse ainda maior para o grupo de amigos, visto o desgaste de momentos que deveriam ser leves e sem preocupações.
Assim, foi estabelecido um acordo mútuo entre eles, que consistia em: jamais querer diminuir o sofrimento do amigo para enaltecer o seu próprio.
Os quatro concordaram em respeitar os obstáculos enfrentados e, quando fosse necessário, apenas ouvir as lamúrias e aconselhar o detentor das frustrações em seguida.
Felizmente, tal alternativa estava dando certo e os encontros do grupo pararam de ser comprometidos por causa de desentendimentos bobos.
Ao abrir a porta do apartamento que dividida com o irmão, logo tratou de jogar seu par de tênis envelhecido da Adidas em algum lugar da sala, juntamente com a sua mochila, soltando um suspiro de alívio em seguida.
Rumando diretamente para a cozinha, percebeu com certa estranheza que Marco não estava em casa. O rapaz não era o maior exemplo de pessoa caseira, mas era uma tarde de quarta-feira e ele realmente precisava acertar os detalhes de sua tese de conclusão de curso.
Após tomar um copo de água, voltou para a sala com o intuito de procurar o seu celular em sua bolsa para poder mandar uma mensagem para o mais velho perguntando pelo seu paradeiro. Não havia mexido no aparelho durante o dia todo, visto que estava realmente atarefada com as coisas da faculdade e não queria distrações. Se pegasse no telefone, tinha certeza que ficaria mais interessada em acompanhar o que as subcelebridades argentinas estariam fazendo no momento, invés de simplesmente focar em seus estudos.
Com isso, ao desbloquear o aparelho, depois de encontrá-lo no meio de diversos papéis de resumo e de suas maquiagens espalhadas de qualquer jeito no pequeno espaço em couro sintético, franziu o cenho ao observar uma mensagem não lida de Paulo. Não pelo remetente da mensagem em si, uma vez que ela e o jogador estavam mantendo uma relação bastante próxima nos últimos tempos. A verdade era que a mudança dos irmãos para Itália, deixando a Argentina para construírem suas vidas profissionais, e toda a situação que se desenrolou após o processo de adaptação, foram responsáveis por unir e Paulo de forma inquestionável. Os argentinos já possuíam certo apreço um pelo outro, uma vez que foram vizinhos até o momento em que Dybala tivera que se mudar para Palermo, para jogar no time de mesmo nome. Todavia, agora era totalmente diferente. Anos antes, Paulo era só o melhor amigo de seu irmão mais velho.
O mais bonito dos amigos, indiscutivelmente. Mas, só isso.
Nunca haviam trocado muitas palavras entre si, mas guardavam um respeito mútuo. Por sua vez, a mudança dos para Turim transformou a antiga relação cordial em algo mais intenso.
finalmente havia conhecido Paulo Dybala.
Mais do que isso, ela tinha se permitido sentir algo a mais pelo camisa 10 da Juventus. Não sabia se sua mente infantil, criada a partir de filmes da Disney, estava alucinando, mas poderia dizer que talvez fosse recíproco.
Os beijos na testa e bochechas, mais lentos e carinhosos; os abraços mais demorados, e as constantes visitas em que, por vezes, palavras não eram necessárias, sendo o silêncio bastante confortável; marcavam a relação de Paulo e .
Podia dizer que, se tinha dúvidas acerca do que sentia, elas foram finalmente, dissipadas: ela estava apaixonada por Paulo Dybala.
apenas achava inacreditável como o coração poderia ser extremamente sacana, às vezes.
Tanto homem no mundo e a garota foi logo se apaixonar pela La Joya da Juventus?!
Mesmo sabendo e confiando na índole de Paulo, tinha medo de que, caso os seus sentimentos fossem correspondidos, a trilha sonora que marcasse o seu relacionamento fosse Marília Mendonça, cantora brasileira que não saia da caixa de som de Douglas Costa. Não sabia qual a fixação que o amigo tinha por chifres, mas até ela se pegava cantarolando alguns sucessos da sertaneja em certos momentos. Gostava das músicas, mas não queria se identificar com elas.
Saindo de seus devaneios longínquos, por sua vez, parou para analisar a mensagem enviada por Dybala.
O que, de fato, havia surpreendido a futura psicóloga, foi o horário e o conteúdo do texto que havia recebido.

Paulito: “Nena, tá aí?” 02:35 a.m
Paulito : “Eu to muito bêbado” 02:35 a.m
Paulito: “Nem assim você sai da minha cabeça, morena” 02:36 a.m


não saberia dizer com exatidão o que sentiu ao ler aquelas mensagens. Devido à carreira de atleta, não eram muitos os momentos em que Paulo se permitia beber. Mas, com o fim da temporada, provavelmente o argentino quebrara a regra que era imposta a si desde muito novo. Devido a essas restrições, o álcool acabava por ter um efeito muito forte no argentino, sendo sempre cômicas as situações em que ele se encontrava mais alterado. Todavia, nem nos momentos mais despirocados de Dybala, ele havia lhe proferido aquelas palavras.
Como assim ela não saía da cabeça dele?
Sem saber muito bem como reagir, fez a primeira coisa que lhe passou pela cabeça: ligou para Dybala, a fim de esclarecer as mais diversas paranoias que se passavam pela sua cabeça. Contudo, foi só o primeiro bipe da ligação ser completado para o desespero da menina vir à tona.
O que diabos ela iria falar? Ah, então, Paulo, eu li as mensagens que você me mandou e queria entender o porquê disso, para saber se já posso mudar meu status do facebook para em ‘relacionamento sério’.
Antes mesmo que pudesse assimilar o que iria falar para Paulo, contudo, ele atendeu a ligação.
- ?! - perguntou de forma sonolenta, como se estivesse dormindo e fora acordado de repente. - Aconteceu algo?
- Er... - por que inferno foi ligar para o jogador? Maldita impulsividade - Você lembra do que me mandou ontem à noite? – soltou, direta. Já estava no inferno, então iria abraçar o capeta. Que Deus a perdoasse por falar tanto no tinhoso, inclusive.
- Do qu.. AH! - começou, confuso, soltando uma exclamação aparentemente sofrida, ao perceber do que a mais nova estava falando. Não deveria beber, de jeito nenhum. Sempre fazia merda ao tomar qualquer coisa alcoólica. A vez em que saiu correndo, apenas de cueca, pelas ruas de Laguna Larga, dizendo que era uma princesa libélula, deveria servir de exemplo. Mas, não. Ele achava que aquele havia sido o seu ápice de vergonha e que jamais repetiria algo do gênero. Um raio não deveria cair duas vezes no mesmo lugar, não é?! Bem, no caso dele, aparentemente isso não era válido. Maldita física, ou seja lá que ciência tenha definido isso.
- Paulo?
- Ér... - gaguejou, nervoso. - Então... - não sabia o que dizer.
- Quer vir aqui em casa? - perguntou , vendo a hesitação do antigo vizinho. Pelo tom de voz do homem, sabia que aquela conversa não levaria a lugar nenhum, apenas gastaria seus preciosos minutos disponibilizados pelo plano telefônico.
- Dê 20h e eu chego aí. - disse em tom decidido, desligando a ligação. Sua mãe que lhe perdoasse, mas não tinha como ser educado. Não quando tinha que conquistar a mulher da sua vida.

-- X --


Chegando perto do horário combinado com o amigo, se viu sentada em frente ao espelho, de calcinha e sutiã, perguntando-se o que aconteceria depois da conversa com Paulo.
Tinha medo.
Já havia aceitado os seus sentimentos pelo jogador, mas sempre teria o receio de sair machucada.
Não tinha uma boa experiência com relacionamentos.
Seu antigo namoro durou exatos dois anos, com o até então namorado, dizendo que não sentia mais nada por ela no dia do aniversário deles.
Poético, não?!
Mais poético ainda quando, horas depois, Marco e Paulo encontraram a menor dormindo, jogada no tapete da sala, com os olhos inchados e dois potes de sorvete de chocolate com menta ao seu redor.
A garota odiava o sabor.
Então, para se submeter a tomar aquilo, a situação deveria ser séria. E, de fato, era. Não lembrava muito bem daquele dia, só de ter acordado em sua cama, no meio da noite, vestida de um moletom três tamanhos maiores que o seu.
não queria viver isso novamente.
A menina não se sentia completamente apaixonada por Martin, mas eles tinham uma relação legal. Ambos faziam psicologia, eram librianos, e gostavam de The Office. Na cabeça da morena, já era o suficiente. Mesmo que seus pais, Marco e todos que a conheciam dissessem que os dois não tinham nada a ver.
Até que ponto duas pessoas necessitam ser parecidas para darem certo? Sempre retrucava quando alguém questionava o seu relacionamento, achando que estava com a razão.
Descobriu depois, no entanto, que um casal não precisava ser igual, mas ter o mínimo de afinidade, coisa que ela não tinha com o loiro. Nem sabia como eles haviam começado a namorar. Enfim, para ela, aquilo não importava mais. Só que, ao mesmo tempo, ainda tinha o receio de que Paulo enjoasse dela.
Enjoasse de algo que ela nem sabia se viria a existir, pensou, resignada, finalmente se levantando e começando a se arrumar.
Enquanto procurava um shorts preto e uma blusinha azul em seu closet, escutou vozes vindo do corredor que dava para os quartos. Com toda a questão Dybala rondando a sua mente, a garota havia esquecido totalmente de falar com o irmão, só percebendo isso quando o mesmo deu sinal de vida.
- Querida, cheguei! – disse, em uma exclamação animada, batendo a porta de forma espalhafatosa, fazendo com que a irmã quase tropeçasse ao se vestir. Estranhando aquele bom humor do irmão, juntamente com o horário em que ele havia chegado, a garota, devidamente arrumada, tratou de sair do quarto para ver o que estava acontecendo.
Quem era feliz antes de entregar o trabalho mais importante do curso? Alguma coisa tinha aí.
- Marco? - chamou, indo em direção ao mais velho, que estava deitado despreocupadamente no sofá da sala. Folgado. - Por que está tão animado? – inquiriu, desconfiada, empurrando as pernas do argentino de cima do móvel para poder sentar-se ali.
- , . - acomodou-se melhor para poder encarar os olhos da irmã. - Por que eu não estaria feliz?
- Vamos ver... - respondeu, começando a elencar os motivos com os dedos. - TCC; fome na África; cancelamento de Anne With an E... - concluiu, vendo o irmão gargalhar em sua frente. tinha uma lista muito estranha de prioridades.
- E quem ficou triste com o cancelamento da série da pirralha ruiva? – provocou, vendo as bochechas da mais nova começarem a se avermelhar. Nunca, nunca falem mal de sua série favorita. Nunca. - Eu conheci uma garota, maninha. A mulher mais linda do mundo. - decidiu por acabar com o mistério logo, já que sabia que irritar não a faria o deixar em paz antes, de fato, saber o que se passava na cabeça do irmão sim. - Acho que estou apaixonado. - terminou, sonhador, acomodando suas pernas no colo da menor.
- Até tu, Brutus? - de todas as respostas possíveis e inimagináveis, a cara surpresa de mostrava que ela não esperava por aquilo. - Você prometeu que não ia namorar enquanto eu não arrumasse alguém! - cruzou os braços em um bico emburrado, lembrando de uma promessa que Marco havia feito quando a garota tinha 10 anos e havia ficado enciumada ao ver o primogênito dos de conversinha com uma menina. Era um juramento tosco e sem sentido.
Para os bons entendedores, associava o trato ao contrato de concepção feito entre Ângela e Dwight, em The Office.
Certamente não teria validade jurídica, mas ela queria cumprir com aquelas palavras. Não por não querer o irmão feliz, longe disso. Amava Marco mais do que a si mesma e não tinha nada no mundo que não fizesse para vê-lo bem. Mas, os dois moravam juntos, com não tão perto de terminar sua faculdade e de arranjar um emprego bem remunerado, tendo, ainda por cima, o complicador de estar em outro país. A tinha medo de que o rapaz namorasse, casasse, construísse sua própria família e ela tivesse que morar na rua da amargura. Ou voltar pra Argentina, para casa dos pais. Não sabia qual opção era pior. Claro que esse era um pensamento sem fundamento, visto que Marco não a deixaria desamparada. Mas tinha que pensar em todas as possibilidades.
- E desde quando você está sozinha, irmã? – questionou, verdadeiramente confuso. – Eu falei com o Paulo antes de chegar em casa e ele já começou a me chamar de cunhado. – rebateu, não percebendo a incredulidade no rosto da menina. - Eu, inclusive, ia te perguntar que história é essa de namorar com o Dybala. Não tinha coisinha melhor, não?! – cutucou a irmã, que estava em extremo choque com as palavras de Marco.
Do que ele tava falando? Cunhado? Namorar o Paulo? Oi?
Antes mesmo que ela pudesse perguntar para Marco qual a erva estragada que ele estava usando, o som da campainha ressoou pelo pequeno apartamento. Levando em consideração que o porteiro não havia interfonado, só poderiam ser duas pessoas: Douglas Costa ou Paulo Dybala. Assumindo que não tinham motivos para o brasileiro fazer uma visita surpresa aos amigos argentinos, a única opção restante foi a do jogador da Juventus.
- Quem que é? – Marco, como sempre, obtuso, já foi gritando para a visita não tão inesperada que estava em sua porta. , saindo do estupor que havia se enfiado desde que começara a conversa com o outro , empurrou o mais velho que já estava no caminho da porta e assumiu a dianteira.
- É para mim. Vaza. – disse simplesmente, sem se importar se estava sendo rude ou não. Estava muito nervosa e não tinha sobrado tato para se preocupar com algo que não fosse a escola de samba tocando dentro de seu pequeno corpo. Qual era o número de emergência da Itália mesmo? Quais as chances dela cair dura e enfartada ali mesmo?
Ouvindo o irmão xingá-la baixinho, respirou profundamente antes de abrir a porta, encontrando um inquieto Paulo em sua frente. O argentino não parecia estar muito diferente dela. Embora continuasse com seus cabelos costumeiramente alinhados, e vestido lindamente com uma calça de moletom preta da adidas e uma camiseta da mesma cor, um observador mais atento poderia perceber suas mãos trêmulas. Dybala, inclusive, acreditava que era possível ouvir os seus batimentos acelerados à distância. Vendo que o jogador não fazia menção alguma de entrar no apartamento, logo saiu da frente da entrada, fazendo um convite mudo para o mais velho segui-la.
Assim, ambos os argentinos sentaram-se no sofá que fora palco de uma das conversas mais confusas da vida de . Após se encararem por alguns segundos, em um silêncio que se nada parecia com os confortáveis trocados usualmente entre os dois, Paulo decidiu tomar a voz.
- Então... – começou, nervoso, com o tom de voz, que era usualmente rouco, trêmulo. – Você deve estar se perguntando o porquê de eu ter mandado aquelas mensagens para você de madrugada. – encarou pela primeira vez os olhos de , que refletiam toda a insegurança e nervosismo que ela sentia. Pareciam, por sua vez, um reflexo dos olhos do próprio Paulo.
- Na verdade, eu estou me perguntando muitas coisas no momento. – respondeu, lembrando-se do que Marco tinha lhe confidenciado minutos atrás. – Que história é essa de você dizer ao meu irmão que estamos namorando? – questionou, em um tom mais agudo do que lhe era de costume, fazendo com que o rapaz arregalasse os olhos, assustado. Marco era muito fofoqueiro mesmo. Vendo o desconserto do camisa 10, continuou. – Paulo?
- Em minha defesa, você não deveria saber disso. – rebateu o argentino, olhando para todos os lados que não tivessem a sua menina. – O seu irmão é um desgraçado de um fofoqueiro. – xingou o melhor amigo, amaldiçoando o seu sangue latino e o seu natural instinto de divulgar informações que não deveria.
- O fato de Marco ser fofoqueiro não muda o que você falou, Paulito. – disse em tom manso, tomando coragem e segurando as mãos geladas da La Joya, muito parecidas com as suas, que anteriormente estavam na cabeça do rapaz. – Fala comigo, vai. – pediu em seu costumeiro tom manhoso, tom este que utilizava quando queria muito que alguém fizesse o que pedia. não sabia de onde tinha vindo aquela bravura repentina, mas estava aproveitando-a. Não fazia ideia de quanto tempo ela iria durar.
- Eu tô apaixonado por você, nena. – disse tão rápido que quase o pediu para repetir. – Eu tô tão apaixonado por você que parece que todo lugar que eu olho, eu vejo o teu sorriso. – suspirou sofregamente, vendo de soslaio a menina endurecer toda a sua postura. – Eu tô tão fodidamente louco por você, , que estou até colocando a sua playlist das mais românticas da One Direction para tocar no meu carro. – desabafou, sem ter coragem de olhar nos olhos da antiga, atual melhor amiga e esperava, sinceramente, que futura namorada.
- Paulinho, ei. – chamou, com o resto de coragem que ainda tinha dentro de si. – Olha para mim, vai. – pediu, desmanchando a espécie de refúgio que o jogador havia feito com os próprios braços. Vendo que seu pedido havia tido resultado, e tentando não se perder nas brilhosas pedras verdes que lhe encaravam, prosseguiu. – Eu... – hesitou, em um primeiro momento, vendo todos os seus medos criarem forma novamente. Todavia, não deixou com que eles a consumissem. Não poderia abdicar de sua felicidade por causa de suposições e de temores mirabolantes. – Eu sou apaixonada por você, Paulinho. – disse de uma vez, fechando os olhos com força ao ver que suas palavras haviam tido um grande efeito no amigo. – Eu sou tão apaixonada por você que estou aprendendo todos aqueles funks brasileiros estranhos que você canta com o Douglas, para fazer duetos em frente ao espelho. – completou, abrindo os olhos e vendo o sorriso gigantesco que lhe encarava de volta. Não tinha mais volta. finalmente havia assumido seus sentimentos para alguém que não fosse o seu próprio reflexo.
- Eu sabia que você não ia ter como resistir a esse rostinho, . – falou pretensiosamente, vendo uma careta despontar no rosto da outra. Paulo, no entanto, continuou a provocação, aproximando-se mais ainda da menor e colocando seus braços ao redor de seu pequeno corpo. Meio surpresa com o contato repentino, repetiu os atos do camisa 10 e enlaçou seu pescoço com os braços. – Mas, olha que coisa boa! – exclamou, abrindo a boca de forma performática. – Eu também não resisto a esse seu rostinho lindo. – e tendo dito isso, a beijou. não queria ser clichê ao definir como havia sido seu primeiro beijo com Dybala, mas não tinha muito como fugir disso. Seus lábios finos e macios, com sua língua quente e atrevida, imputaram mais efeitos do que ela gostaria de admitir. Beijar Paulo Dybala parecia uma droga, e ela queria se afundar nesse vício cada vez mais.
Quebrando o beijo com alguns selinhos, Paulo colou a testa de ambos, com um sorriso maior, que era refletido em seus olhos. Acariciando o rosto macio da menina, começou:
- Foi o melhor beijo da minha vida, nena. – declarou, dando mais um selinho gostoso na menina. – Você é incrível. – declarou, vendo as bochechas de ficarem vermelhinhas e extremamente adoráveis. Deixando mais um beijo ali, permitiu-se afastar da menina apenas para perguntar o que estava meio óbvio para os dois. – Depois de tudo isso, você quer ser a minha namorada? – indagou, segurando a pequena e delicada mão de entre as suas, deixando um beijo ali, em seguida.
- Já que você já assumiu o relacionamento para a minha família, né?! – provocou, vendo o argentino revirar os olhos. – Que outra escolha eu tenho? – disse, divertidamente, verdadeiramente feliz por esclarecer os seus sentimentos e receber a notícia de que eles eram recíprocos.
A Disney não acabou com seu senso de realidade, afinal de contas.
- Que bom que você sabe que não tem outra escolha a não ser aceitar que é minha. – brincou em tom leve, puxando sua namorada para o seu colo.
- Idiota. – deu a língua de forma zombeteira, fazendo com que Paulo se inclinasse e a puxasse para mais um beijo. Quem dá língua pede beijo, é o que dizem.
Sendo bem sinceros, eles nunca cansariam daquilo.
Enquanto o mais novo casal se distraia, descobrindo novas sensações, acabaram não percebendo a presença do outro no cômodo, só descobrindo ao ouvirem uma salva de palmas.
- Lindos! – Marco gritava, animado. – Eles crescem tão rápido! – fingiu limpar uma lágrima, logo correndo para se jogar em cima do casal.
- Sai daqui, Marco Antônio! – tentava inutilmente empurrar o irmão de cima de si, vendo em sua visão periférica que Paulo tentava o mesmo. – SAAAAI! – berrou, usando de toda a sua força para derrubar o irmão em cima do tapete felpudo.
- Ui, grossa! – reclamou o outro , colocando a mão nas costas de forma dramática. – Só queria parabenizar meus pombinhos queridos. – completou, dramaticamente, jogando-se em cima do argentino, mais uma vez. , vendo dois dos seus homens favoritos do mundo começarem uma lutinha infantil entre si, concluiu que não havia lugar no mundo melhor para estar.
Estava em casa.



Fim!



Nota da autora: Olhando meu email hoje, eu achei umas coisas que eu tinha escrito em 2018 para uma long com o Hummels. Daí, tentando arranjar desculpas para não estudar física, comecei a reescrever alguns desses capítulos transformando em shorts, e aqui estamos! Não faço ideia se ficou bom, mas estamos aqui hahahaha.
Comentem o que acharam, meninas! Beijo e até a próxima.


Nota da beta: Alguém me dá um Dybala fofinho desse? Que coisa mais linda esses dois! Pode parar de estudar física e me mandar mais fics que eu vou adorar, viu? hahahahah <3

Qualquer erro nessa atualização ou reclamações somente no e-mail.


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