Última atualização: 23/11/2018

Capítulo 1

Uma nova gota cai à minha frente e o ruído em meu estômago ultrapassa as barreiras do som da chuva. Respiro fundo e engulo em seco. Minha boca tem um gosto ruim e às vezes sinto náuseas por causa dele. Aperto o meu cobertor em minha volta e encaro o estabelecimento do outro lado da rua. Há um homem sentado perto da janela saboreando algo, não sei o que é e nem mesmo o seu cheiro, porém teria de ser daquilo que iria me alimentar pela próxima semana.
O homem está sentado com um moça e eles conversam, às vezes há risadas que não posso ouvir, contudo, isso não me importava. O meu foco era apenas na comida em seu prato, na qual ficará furioso quando eu a pegar, no entanto, estou apostando que ele não sairá atrás de mim devido à chuva. Estava apostando nisso.
Atravesso a rua lentamente, cobrindo-me com o meu cobertor para não receber as gotas de chuva fria. Paro embaixo da janela, analiso as formas de subir e as formas mais rápidas de escapar. Quando me dou por satisfeita, começo a subir e rápida como uma flecha, pego o alimento, dou um salto e início a minha corrida pelos paralelepípedos da cidade. Posso ouvir um homem gritando comigo e passos me seguindo. Não estava esperando por isso. Levo a comida à boca enquanto corro, se ele iria tentar tirá-la de mim, tinha que aproveitar o máximo.
Após duas mordidas, o meu corpo parece mais energizado. Entretanto, creio que acabei diminuindo o passo durante o momento que me alimentava. O homem consegue me alcançar e segura o meu braço, impedindo-me de continuar. Talvez se tivesse terminado de comer teria forças para me desfazer de seu aperto, todavia, a corrida havia drenado o último resquício de força que me restava.
Encolho-me antes mesmo de olhar para o homem.
— Calma, não vou fazer nada com a senhorita — o homem falou, a voz era rouca e não era o que imaginava sair dos lábios de quem acabei de roubar.
Roubar. Odiava essa palavra, porém, não existia nada mais delicado para descrever o que fazia nos últimos anos.
Ergo os olhos para encarar o homem e arquejo quando noto que não é o mesmo que roubei. Este possui os cabelos acinzentados, um bigode da mesma cor, pele branca enrugada e olhos azuis acinzentados.
— Deveria comer, parece com fome — ele afirma ao soltar o meu braço e indicar o pedaço molhado com algum recheio desconhecido. — Mas se desejar, poderia levá-la para minha casa, terá muito mais do que um pão com geleia.
Era pão. Não me incomodei em conferir se o que ele estava falando era correto. No momento, estava mais preocupada com o convite que havia acabado de fazer.
Tinha aprendido muitas coisas nos anos que vivia na rua, uma delas era não confiar nos homens. A única coisa que desejam é usar as mulheres, mamãe disse uma vez. Ela também me informou que havia exceções, mas não para nós mulheres que viviam à deriva.
Não sei como demonstrei, contudo, ele notou o meu olhar assustado e temeroso.
— Não farei nada a senhorita, tenho uma filha que aparenta ser da mesma idade que a sua. — Ele estende a mão e não sei como agir. — Meu nome é Walter . Não precisa ter medo, só quero ajudá-la.
Balanço a cabeça e me afasto andando de costas para que não perca nenhuma reação dele.
— Onde costuma dormir?
Engulo em seco.
Fazia anos que não dormia em algum lugar específico. Quando mamãe teve que sair do último emprego, acabamos na rua. Apesar de sofrer com o frio, pelo menos na época a possuía ao meu lado, era mais fácil ter que lidar com as dificuldades que apareciam para nós.
— Qualquer lugar — murmuro com a voz rouca. Não costumava falar com as pessoas, até porque ninguém falaria com uma mendiga, por isso minha voz acabava se tornando mais rouca e frágil a cada dia. Quando as coisas não estavam muito difíceis ou quando conseguia comida, acabava treinando algumas músicas que mamãe me ensinou, apenas para não perder o hábito de falar.
— Se voltar com a minha filha, irá conosco?
Franzo o cenho e continuo encarando-o, em busca de algo que me fale que há uma armação por trás de toda essa conversa. No entanto, ele parece tão sincero que a única resposta que me resta é dar de ombros.
O Sr. acena para mim, me dá as costas e segue até uma carruagem, na qual ele entra. Assim que começa a se locomover, me apercebo do quanto desejo que ele seja um homem bom, que ele volte e me dê um abrigo, porque não sei quanto tempo irei suportar tudo isso. Lágrimas começam a rolar pelos meus olhos e uma dor absurda rasga o meu peito. Sentia falta da minha mãe, especialmente das suas palavras carinhosas e seus abraços, contudo, o que me restava dela era apenas uma manta velha e suja.
— Mamãe, que ele seja um homem bom — sussurro.



Já anoiteceu e ainda não encontrei um bom local para dormir. Detestava ter de ficar andando pela cidade no escuro, tinha medo do que poderia encontrar. Os melhores lugares para se ficar era nos becos de confeitarias, como a maioria das pessoas que frequentavam esses locais eram mulheres, costumava ser seguro para mim. Contudo, quando cheguei na que tinha costume de ficar, já estava ocupado. Talvez precise me aventurar em alguma rua principal, não era tão seguro, porém, melhor que o subúrbio.
Uma carruagem para ao meu lado, mas, ignoro-a e continuo caminhando. O ruído de sapatos de salto em minhas costas me faz unir as sobrancelhas em confusão. Mulheres não caminhavam durante a noite.
— Pare de fugir! — Uma voz meiga exclama, o que me faz estancar no lugar. — Obrigada, não gosto de correr de sapatos.
Giro o meu corpo para encontrar um menina, provavelmente cinco anos mais nova que eu. Apesar da escuridão da noite, posso ver que os cabelos são castanhos, mas não sei definir se claros ou escuros. As suas feições são delicadas e pequenas, tudo parece se encaixar no corpo diminuto, apenas os olhos grandes que se destacam.
Ela para à minha frente e sorri docemente.
— Olá, sou Micaella . — Une as mãos à frente do corpo nervosamente. — Não costumo andar na rua à noite, mas papai disse que apenas eu conseguiria persuadi-la. — Ergo a sobrancelha. — Sei que somos desconhecidas, no entanto, apenas quero garantir comida, roupa limpa e uma cama macia. E não posso esquecer do calor do fogo. Essa noite está muito fria.
Minha barriga ronca com a simples possibilidade de comer. Abaixo minha cabeça e fecho os olhos. O que mamãe faria? Lembro de dormir em um quarto aquecido até os meus doze anos e sentia tanta falta. Era bom comer mais de uma refeição por dia e muito mais durante uma semana. A possibilidade de não dormir no chão frio das ruas parecia me corroer por dentro. Podia confiar nessa menina?
— Por favor, não vou conseguir dormir imaginando você dormindo nesse frio — murmura apertando o casaco contra o corpo.
Aceno e ela sorri. A menina pega a minha mão, não parece se importar com a minha falta de banho e o mau cheiro, me arrasta até uma carruagem e me empurra aos tropeços. O banco macio é bem vindo, assim como o calor no espaço minúsculo. Aperto meu cobertor em volta do corpo e respiro aliviada.
— Qual é o seu nome? — a menina questiona. Observo sua pele limpa e rosto meigo, ela havia dito que seu nome era Micaella. Nunca tinha ouvido esse nome, era diferente. Será que conseguiria pronunciar?
— murmuro roucamente.
Ela bate as mãos uma na outra, fazendo-me piscar assustada.
— Que nome lindo! — Micaella toca o queixo, parece pensativa. — Contudo, é muito longo. Já que vamos viver como irmãs a partir de agora, acho adequado chamá-la de . Você gosta?
Confirmo apenas com um aceno. Ela não se pronuncia mais, apenas observa a janela da carruagem. Está muito escuro lá fora, não sei se Micaella consegue ver algo ou só está tentando se distrair com o fato de eu nunca falar. Gostaria de dizer a ela que minha voz é frágil e que tenho dificuldades, porém não consigo. Conversar não é algo que costumo fazer.
Assim que a carruagem para descemos dela. A casa a minha frente é enorme, suas paredes são escuras e seguem para os lados e para cima, há um jardim na entrada do lugar, porém, não há flores devido ao início do inverno.
— Você precisará de um banho, em seguida o seu jantar será levado até o quarto em que ficará — Micaella anuncia ao me guiar para dentro da casa. — Mandarei uma criada para cuidar de você, sempre que precisar de algo basta dizer a ela.
Ela vira-se para mim, em busca de uma confirmação de que a escutei, por isso aceno. Micaella para na sala de estar e pega as minhas mãos.
— Ninguém irá importuná-la. Não mais. — Ela sorri. — Aqui terá tudo que quiser.
Aceno mais uma vez. Minha garganta dói por já ter falado tanto. Talvez um pouco de água possa aliviar a sequidão em minha boca.
Espera… Essa menina falou que irei jantar? Não esperava por tamanha bondade. Recordo-me que quando mamãe e eu tínhamos um lugar para viver, sempre estávamos comendo algo em algum momento. Ela chamava de almoço, lanche e jantar. No entanto, quando tivemos que sair, tive que esquecer a existência dessas duas refeições. Estando com a minha mãe era mais fácil lidar com a dor na barriga e os ruídos que ela fazia quando passávamos muito tempo sem comer, contudo, quando ela se foi, tornou-se mais difícil suportar.
Uma moça que foi chamada por Micaella pega minha mão e caminhamos pelos corredores da casa. A menina que me resgatou falou sobre um quarto, será que é onde dormirei? Pela primeira vez na vida me vejo desejando algo.
— Senhorita, meu nome é Jaclyn. Como a Srta. Micaella deve ter lhe informado, estarei a sua disposição — a moça murmura assim que paramos a porta de um cômodo. Reparo que os cabelos dela, preso em um coque apertado, são da cor de aveia, bonitos e luminosos, porém não contrastam em sua pele branca. Quando ergue os olhos em busca de uma confirmação minha, noto que eles são de um tom de castanho tão claros que poderiam ser confundidos com amarelo.
— Obrigada — sussurro.
Entramos em um quarto grande, onde há uma cama larga e macia – não preciso me deitar para saber –, há vários móveis dos quais não me recordo o nome. Um deles serve para guardar as roupas, assim como o baú que fica à frente da cama, o seguinte tem um espelho em cima e uma cadeira acolchoada a sua frente. Não posso esquecer de mencionar a mesa com cadeiras que está disposta próxima a uma janela alta. E há uma lareira acesa que fica ao lado da cama.
É tudo tão grande aqui, penso.
Jaclyn abre uma porta entre a mesa e o móvel com espelho, há uma banheira lá dentro junto com um armário.
— Vou preparar o seu banho, pode remover as roupas e deixá-las sobre o baú.
Só então percebo o que está para acontecer.
Era início do inverno e água fria machucava a pele, demorava horas para o frio passar, mesmo completamente coberta. Sempre odiei banhos no inverno e não queria ter de passar por isso nesse momento, estava contente de ter alguma comida e um lugar confortável para ficar, mas não com um banho gelado.
— Frio — balbucio, enquanto abraço-me.
Jaclyn olha para mim com sua testa franzida, entretanto, algo faz o seu rosto se iluminar e o franzir se vai, dando lugar a um sorriso.
— Não se preocupe, vou esquentar a água. Estará quentinha durante todo o banho.
Pisco confusa.
Quentinha o tempo todo?
Não penso duas vezes, começo a remover minhas roupas, no momento que Jaclyn volta ao trabalho.



A água permaneceu quente por tempo suficiente para Jaclyn esfregar a minha pele, não demorou muito para que a água ficasse escura. Havia um bom tempo que não conseguia tomar um banho, era agradável tê-lo em meio ao inverno. Após ser esfregada, saí da água e o frio me arrebatou, no entanto, Jaclyn pegou um robe grosso, no qual me aqueceu no mesmo instante. Assim que retornamos para o quarto, encontramos roupas de baixo limpas sobre a cama e a moça que me ajudou, Micaella, sentada em uma das cadeiras que estão postas junto a mesa. — Trouxe apenas as roupas de dormir, pela manhã Jaclyn trará um vestido de mamãe ajustado para você. — Ela me observa de cima a baixo. — Já que é claro que os meus ficariam curtos. Também pedi que preparassem algo para comer, em breve alguém virá entregar.
Aceno em resposta.
Micaella levanta-se da cadeira e se aproxima de mim, pega minhas e sorri docemente.
— Quis vir para ter certeza que está bem acomodada. Gostaria de fazer muitas perguntas, no entanto, creio de demorará um tempo para que sua voz volte ao normal. Então, não quero desgastá-la. — Ela faz uma pausa e solta minhas mãos. Começa caminhar para porta e observo seu andar delicado e lento. Antes de chegar a entrada do cômoda, Micaella para e vira-se para me encarar. — Assim que acordar, mandarei um criado chamar o médico para que possa dar um proceder sobre sua voz. Boa noite, .
Em seguida, abre a porta e se vai. Fico encarando o lugar que ela desapareceu e me permito perguntar o motivo de tanto cuidado comigo. Mamãe havia partido há tanto tempo que tinha perdido o jeito com os cuidados de outra pessoa. Parecia algo irreal.
Jaclyn ajuda-me a vestir a camisola. O seu tecido delicado desliza pelo meu corpo e sinto como se estivesse sendo coberta por nuvens fofas e macias. Fico tentada a me deitar na cama, experimentar para ter certeza de que é tão macia quanto espero. Contudo, Jaclyn pega uma toalha e começa a secar os meus cabelos úmidos. Ela ficou em um impasse na hora do banho, se deveria ou não lavar os cabelos, entretanto, não tinha como escapar, pois a sujeira era tamanha que não havia alternativas. Agora, cheirava a ervas dos pés a cabeça. Não era correto dormir com os cabelos úmidos, no entanto, não houve opção.
Queria lhe dizer que não teria problema dormir com a cabeça molhada, até porque passei muitas noites debaixo da chuva, quando não encontrava um abrigo decente.
Quando passamos a morar na rua, mamãe e eu, fiquei doente muitas vezes até me acostumar com a nova vida. Hoje em dia, era difícil que fosse acometida por uma enfermidade. Não seria agora que ficaria doente.
Uma batida na porta me desperta. Jaclyn se afasta para abrir e uma moça roliça entra carregando uma bandeja enorme, cheia de comida. Ela se encaminha para a mesa, coloca a bandeja e sai do quarto. Assim que a porta se fecha, corro até a mesa e começo a experimentar tudo que há nela. Pães, chá, bolo de melaço, geleia de morango, dentre outras coisas que não sabia como nomear. Era um verdadeiro banquete.
— Srta. , deixarei que faça sua refeição e lhe vejo amanhã no café. Estarei aqui para ajudá-la.
Aceno para Jaclyn, que faz um cumprimento e sai do quarto.
Volto-me para a comida e não perco tempo. Quando percebo, estou a ponto de explodir. Consegui comer quase tudo, no entanto, ainda há sobras. Sem espaço para mais nada, levanto-me da mesa e sigo para a cama macia. Ela parece tão convidativa que nem ao tenho tempo de me embrulhar com o cobertor. Desvaneço em um sonhos.



O ruído de passos e ordens sussurradas me desperta. No entanto, o colchão confortável e os lençóis macios me fazem navegar entre a volta aos sonhos e a realidade.
Ouvi o som da porta se abrir e o cheiro de comida se alastrar pelo ambiente. Apesar de ter me alimentado muito bem na noite anterior, meu estômago não estava acostumado a ter comida sempre à disposição. Por esse motivo, não me surpreendi quando minha barriga soltou um lamento.
? Está acordada ou é só o seu estômago?
Uma risada meiga e doce preenche o quarto e não preciso abrir os olhos para constatar que a Srta. está espreitando meu falso sono.
— Quase — murmuro fracamente.
— Ora! Levante-se! Temos muito o que fazer hoje. — Os lençóis feitos de nuvens são tirados de mim, fazendo-me grunhir. — Nem adianta me ameaçar com grunhidos. Cresci com dois irmãos, sei lidar muito bem com mal humor.
Abro os olhos e encaro círculos azuis acinzentados. Micaella me observa com a cabeça inclinada e um sorriso de orelha a orelha. Se não estivesse ouvindo o barulho da chuva, acreditaria que um lindo dia havia se formado lá fora. Seus olhos brilham com tamanha intensidade que me dão forças para sair do meu mais novo paraíso.
— Ótimo! — Ela bate palmas animada e logo em seguida pega um vestido rosa, estendendo-o sobre a cama. — O doutor virá vê-la para entender sua dificuldade em falar, em seguida teremos aulas de etiqueta e leitura. Você sabe ler?
Balanço a cabeça.
Mamãe tentou me ensinar algumas vezes, porém, como nunca tínhamos aulas contínuas, devido à sua falta de tempo, acabei esquecendo o pouco que aprendi.
— Tudo bem. Lhe ensinarei tudo. — Ela vira-se para a bandeja que foi disposta na mesa. — Agora saia da cama! Precisa comer para fazer tudo que temos para hoje.



Como Micaella afirmou, tínhamos muitas tarefas durante todo o dia. O médico chegou assim que terminei de me arrumar e ele atestou que a falha em minha voz foi ocasionada pela falta de exercício vocal. Passei tanto tempo sem falar que minha voz ficou frágil, perdendo a prática de algo tão normal. Ele me ensinou alguns ruídos que deveria fazer, nos quais ele chamava de exercícios vocais, pelo menos duas vezes ao dia. Além disso, beber água era fundamental para hidratar a garganta.
Após a consulta, fui levada para a biblioteca, onde minha benfeitora começou a me ensinar sobre a arte das letras. Consegui me lembrar de algumas regras que mamãe havia me explicado quando era menor, isso me ajudou bastante a progredir logo na primeira aula.
Quando chegou a hora do almoço, fomos para o meu quarto e Micaella começou a explicar como deveria comer a mesa. Essa era a parte que mais me desagradava.
— Hoje treinaremos como se portar à mesa, no entanto, amanhã vamos nos concentrar em como agir em sociedade — afirmou, cortando a carne e os legumes.
— Para quê isso? — murmuro.
— Porque quando estiver pronta, papai irá apresentá-la como uma parente distante que perdeu os pais recentemente. E para acreditarem, você precisa saber o mínimo de etiqueta social. — Ela leva uma garfada à boca, mastiga e logo continua. — Sei como essas regras podem ser chatas no início, mas elas podem nos salvar algum dia.
— Por exemplo?
Ela pega uma taça com água e bebe um gole.
— Não me vem nada à mente no momento.
Dou uma risadinha.
— Esse é o tipo de risada que devemos dar, porém, você pode colocar a mão na frente da boca para parecer mais gracioso.
Micaella tinha razão. Apesar de haver muitas regras chatas, ela tornava tudo mais divertido e leve. E isso me ajudava. A solidão que vivi nos últimos anos parecia cada vez mais distante, trazendo alegria para cada simples gesto.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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