Not A Bad Thing
Última atualização: 02/11/2017

Prólogo

“Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu acaso, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia. – Martha Medeiros.”


Bibury, Londres; 05 de janeiro de 2011.

– Amelie, vamos! – a mulher vociferava do corredor – Todos estão lhe esperando lá embaixo! Coloque as asas de anjo e desça!
– Eu não quero ser um anjo! Você disse que eu poderia ser a Maze!

A mãe adentrou o quarto com a face calma, apesar do estresse e vontade de matar a filha.

– Minha filha, você não pode querer um nome de demônio. – tentava, a todo custo, convencer a criança que simpatizar com demônios não era a melhor coisa a se fazer.

Depois de muita luta, conseguiu que Amelie descesse, que por sinal, teve uma festa bastante agradável, principalmente na parte em que tirava aquelas asas chatas que faziam suas costas doer.
Todos estavam à volta da mesa do bolo. Batendo palmas e sorrindo. Vovó tirava algumas fotos que sabíamos que sairiam tremidas. O tio Ben assobiava insuportavelmente enquanto tia Beth a cutucava pra sorrir pra todos. Amy odiava aniversários.

- Vamos, Amy! Faça seu pedido. – o pai falou em seu ouvido, baixinho.

Fechou os olhos e cruzou os dedos. Conversou consigo mesma e com qualquer outra pessoa que a pudesse ouvir.

– Eu quero ser a Mazikeen. – pediu com os olhos fechados, pondo toda esperança que cabia em seu pequeno corpinho, naquele pedido. – Eu quero ser a Maze.

Bibury, Londres. 05 de janeiro de 2011.

– Mamãe, mamãe, mamãe! – o menino berrava aos prantos.

Carregava consigo uma imensidão de dor. Havia caído do balanço e quebrado o braço. A mãe, para convencê-lo a tomar o remédio da dor, ofereceu todo sorvete da cidade.

– Luke, por favor, meu amor... toma esse remedinho! – a mulher o olhava com os olhos pedantes – Vai fazer a dor passar.
– Mamãe, remédio é ruim. – a criança disse, com uma careta estampada no rosto.

De todas as alegrias, Luke pôde ver seu desenho favorito enquanto sua irmã mais velha, Lauren, perdia um episódio novo de sua série favorita.

– Laur! Por favor, desenha um anjo no meu gesso? – o menino pediu.
– Por que um anjo, Lucas? – só Lauren o chamava assim, e toda vez que o fazia.
– Porque eles são bons, e vão me ajudar a sarar rápido.

A mais velha gargalhou da inocência do irmão, que logo trouxe o pacote das canetinhas a ela. Satisfeito, o menino voltava sua atenção ao desenho sem graça que passava na televisão.

Ao mesmo horário, naquela noite, dois pedidos diferentes. Vindo de todos os cantos, aos anjos e demônios.

- Por favor, papai do céu. – ambas iniciaram o pedido.

- Eu quero ser a Mazikeen! – Amelie Kings pediu.

- Deixe os anjos me sararem logo, pra eu poder ir ao parquinho brincar com os meus amigos. – Luke Reed, em seu mais puro ato de fé, pediu.





Capítulo 1

Desde pequena, todo meu tempo livre era dedicado aos meus estudos. Pelo menos nessa parte eu não decepcionava meus pais, huh?
Tudo começou, precisamente, às 08h47min daquela manhã de quinta-feira.

– Kings, estão te chamando na coordenação. – de certo modo, agradeci por estar indo pra lá e não pra aula do Sr. Coleman, um senhor gordinho que tem muitos anos. Sim, ele com certeza é mais velho que todos os anjos.

Dirigi-me ao caminho oposto pelo que seguia, e assim que adentrei o local, dei de cara com o garoto mais insuportável daquela escola, quiçá da cidade inteira.
Laurel, diretora dirigiu à palavra a nós.

– Agora sim podemos começar. Bem, Sr. Reed, de modo que está com praticamente quase todas as notas baixas e que você assustou todos os seus tutores, eu encontrei alguém a sua altura. – ela avaliava minhas expressões calmamente. Eu gostava de Laurel, a conheço desde que entrei nessa escola e a fiz de amiga. – A Maze vai te ajudar em todas elas em seus tempos livres e os professores já estão cientes de que em qualquer trabalho, farão juntos.
– Tudo bem. – Reed, o imbecil que tem algo, dentro das calças, que agrada muitas menininhas inocentes concordou.

Após isso, Laurel sorriu pra mim como se estivesse me pedindo um favor.

– Por mim tudo bem, contanto que ele me ajude e não estrague nada que estejamos fazendo. – disse desdenhosa – Minha nota ele não vai diminuir.

O loiro mexia no telefone distraidamente, como se não estivesse na frente da diretora que poderia suspendê-lo, ou até expulsá-lo por todos seus ataques rebeldes. A mais velha tirou o aparelho das mãos do menino numa facilidade incrível, e chegou mais perto pra tornar o que queria dizer mais significativo.

– Se eu souber, Sr Reed, que você não está colaborando para realização desses trabalhos e todo esse estudo... – ela deu uma pausa. – Eu te tiro do time da escola, ou melhor, ligo pro seu pai, o faço vir aqui para termos... Bem, uma conversinha.

Aquele olhar descontraído que sempre caracterizava seu jeito paspalho de ser, sumiu numa questão de segundos. Huh, alguém tem medo do papai?

– Laurel, licença. Eu tenho aula de física agora é se eu não chegar a tempo vou perder o trabalho do Sr. Coleman.

Ela fez uma careta e me liberou, e pelo que me contaram, – não que eu me importe –, permaneceu lá por mais uma hora.
Já estávamos na saída quando me encontrei com minha melhor amiga e exchange sister, Laura.

– Hey, Maze. – ela saía da aula de inglês se juntou a mim no corredor. – Um passarinho me contou que você vai ser a tutora do idiotinha do 2ºB.
Eu dei risada. – Sim, e pelo que Laurel disse, não vai ser fácil.
– Você está disposta a ajudá-lo assim? Com essa boa vontade toda?
– Faço isso mais por ela do que por mim.

Depois de toda manhã conturbada, voltei ao normal. Estudo nesta escola desde que comecei. Parei, quando fiz intercâmbio pros Estados Unidos (onde conheci minha host/exchange sister e melhor amiga), mas logo voltei, e a trouxe comigo. Ninguém sabia meu nome. E eu não gostava que soubessem, a diretora saber já é muito. Sempre deixei muito clara que se fossem referir a mim, seria como Mazikeen, Maze ou nada. Eu odeio meu nome.
Estava almoçando sozinha, pois hoje tinha aula de fotografia a tarde e Laura foi-se a casa pra hibernar.

– Quando vão rolar os trabalhos? – um menino se jogou ao meu lado.
– Você por acaso tem algum trabalho pra fazer? – perguntei, remexendo em meu prato. Ele logo fez que não com a cabeça. – Então não temos trabalho nenhum a fazer, .
– Ah, qual é, Mazezinha. – ele deu um sorriso malandro. – Você já tem todos os seus trabalhos feitos, e eu não. Que tal me passar logo às respostas dos deveres de casa?
– Primeiro, a próxima vez que você me chamar assim eu te arrebento. – disse com os dentes trincados. – Segundo, sabe uma coisa, Reed? Você vai ser um Zé ninguém. E não vai ter nada conquistado merecidamente, só vai ter as coisas feitas e entregues na tua mão. Aprende a fazer as coisas, você é o melhor jogador desse time horrível de futebol que nós temos, e eu amo futebol o suficiente pra reconhecer que você é bom. Você pode muito bem conseguir uma ótima bolsa na faculdade. – via ódio nos seus olhos, pelo visto ele não gostava de ser desafiado e nem de ouvir algumas verdades – Você não vai ser ninguém. Só vão lembrar de você como um cara sem conteúdo e sem conhecimento nenhum. Acorda pra vida, otário!

Depois dali, dirigi-me à sala de fotografia em que, infelizmente, ele também estava. Tudo passou rápido, como sempre. Era apenas mais uma matéria extracurricular que me passava de ano mais rápido.
Ao chegar em casa cansada – lê-se devastada –, tomei banho e fui ler meus e-mails. O ano terminava e eu estava repleta de bolsas pra várias faculdades e não sabia qual escolher. Com notas excelentes, todos me queriam. E eu não queria nenhuma delas, pelo menos por enquanto.
Meu telefone vibrou e eu recebi uma mensagem de um número desconhecido.

“Onde foi que nós aprendemos equação de terceiro grau?”
“Eu não sei fazer nada disso! Não faço ideia nem de como começar.”
“Quem é?”
. Decidi fazer o dever de casa, mas eu não sei. Preciso de ajuda!”

Respirei fundo. Eu pensei que teria descanso. Merda.

“Amanhã, 13h30 na escola. Se você se atrasar um segundo eu vou embora.”
“P.S.: não estou brincando!!”
“Entendido, capitã. Até lá, Mazezinha.”
“Aula cancelada.”
AH NÃO!!! Me desculpa, eu quis dizer Mazikeen. Por favor, eu preciso de ajuda. Eu não quero ser um ninguém na vida.”
“Maze, por favor, me desculpa”
“Não foi minha intenção”
“Quer dizer, foi sim, mas eu sou estúpido, lembra?”
“Merda! Maze, por favor!”
“Pode continuar, to adorando você implorar.”
“Eu te ajudo. Agora, tchau.”

- Maze, vem comer! Mamãe fez macarronada pra gente. – Laura chamou e eu desci correndo, macarronada é uma das minhas comidas favoritas. Desde que meu pai morreu, mamãe tentava acertar a receita, mas nunca conseguiu.
– Oi, mãe. – a cumprimentei e sentei. – Como foi o trabalho hoje?
– Mais um dia normal. E vocês, como foi a escola?
– A Laurel pediu que eu fosse tutora de um menino playboy. – comentei. – Até vou ajudá-lo com matemática amanhã.
– É, mãe. É aquele riquinho da cidade, Reed.
Mamãe quase se engasgou com a comida. – Você diz, Reed, o herdeiro da empresa onde trabalho? O filho do Sr. Reed?
– Ele mesmo! Parece que as notas dele estão de mal a pior. Laurel pediu ajuda.
, pelo amor de Deus, aquele velho já abusa de mim. Não faça nada com aquele garoto, eu preciso desse emprego.
– Mãe, eu não vou espancá-lo. – comentei. Mas, repensei. – Ao menos vou tentar não fazer isso.
Laura gargalhou e comentou. – Vocês dariam um bom casal, né? Você o colocaria nos trilhos e ele te ajudaria com esse seu jeito todo ogro.
– Bom casal é você e o Harry. E eu não quero namorar, Laur. – comentei, devorando todo conteúdo do meu prato. – Ainda mais um namorado como ele.
– Ele é bonito, filha. – mamãe soltou e eu revirei os olhos. Qual parte do não quero falar sobre esse garoto mesquinho ficou subentendida nesta conversa?
Depois de ver The X Factor com a família, escovei os dentes e subi pra dormir. Amanhã o dia seria longo. Beeeeeeeeem longo.

***


Eu não costumava me abalar com pouco e naquela madrugada tive um sonho bastante abalador. Não era rotineiro, mas sonhei com meu pai. É, meu pai. Definitivamente o dia não estava bom e eu não queria sair de lá. Decidi faltar, as aulas do dia não eram tão importantes.
Tentava dormir a todo custo, mas todas as cenas vieram em minha cabeça com uma enorme nitidez. Caminhão, curva, boom.
Eu lembrava direitinho como vi meu pai voar do carro naquela noite. Lembrava de tentar sair do carro e não conseguir. Tentei, tentei e não consegui. Meu pai se distraiu com a paisagem que eu mostrei e não viu o caminhão que estava na pista errada. Quando conseguiram me tirar do carro, lembro de ter corrido até meu pai e visto um sorriso vindo dele, pra mim. Eu gritava e chorava mais que tudo, mas a ajuda nunca chegou. Tudo aquilo era culpa minha e eu nunca ia me desculpar por isso. Meu melhor amigo foi embora e não havia ninguém mais culpado que eu.

, meu amor. Você não vai à aula? – mamãe adentrou o quarto e viu lágrimas escorrendo por meu rosto. – O que houve, meu amor?
– Eu sinto falta do meu pai, mãe. – comentei e desabei, a falta que eu sentia me rasgava. O vazio no peito que eu tinha, rasgava.
Mamãe queria chorar mas não chorou por mim. – Eu também sinto, meu amor. Mas faz anos, precisamos superar essa dor e lembrar só dos momentos bons, não é?
– Eu sou a culpada disso tudo, mãe. É minha culpa que papai não está mais aqui conosco.
Kings! Você não é culpada disso. – ela respondeu com o tom de voz rígido. – Você é quem menos tem culpa da morte do seu pai.

Eu sempre achei a morte algo comum, porque ela é. Mas a do meu pai era algo que me consumia aos poucos todos os dias. Fazia sete anos desde o acontecido e tudo que eu sentia era igual ao que senti no dia, de fato. Era ele quem cozinhava pra mim, assistia desenho e penteava meu cabelo enquanto mamãe estava na faculdade.
Era ele quem fazia minhas fantasias de Halloween, quem me levava pra passear, me ajudava a fazer dever da escola. Meu pai vai ser sempre o primeiro e único homem da minha vida.

– Eu preciso ir trabalhar agora, mas de noite a gente pode pedir pizza e assistir todos os filmes que você quiser. Eu também posso fazer mousse de limão, se você quiser. – mamãe disse acariciando meus cabelos. – Eu to aqui, Maze. Você não está sozinha nessa, ok?

Eu fiz que sim com a cabeça e ela se levantou. Meu dia continuou horrível porque meu pai não estava de volta. Mas eu precisava seguir com ele.
Almocei a macarronada de ontem e subi pra me arrumar. Tomei banho, escovei os dentes, escolhi uma roupa confortável e peguei meu caderno. Enviei uma mensagem a , avisando-o que estava chegando e ele disse que já estava me esperando.
Chegando lá, fui direto à biblioteca. Cumprimentei a bibliotecária, Alice e fui direto ao encontro com Reed.

– Boa tarde, Maze. – ele respondeu com um sorrisinho no rosto.
– Oi, . – meu dia estava ruim demais pra retornar seu boa tarde. – Não sabe nada, nada, nada da matéria?

Ele fez que não com a cabeça e eu abri o caderno. A tarde seria longa. Primeiro expliquei os detalhes passo a passo, para que ele soubesse fazer quando não estivesse comigo.

– Tenta fazer esse exemplo aqui, Reed. É bem fácil. – enquanto ele fazia, eu anotava em uma folha todos os passos para que ele não enchesse meu saco nos meus horários de descanso, que no caso, são todos quando saio da escola.

Passados sete minutos, ele terminou. Estava tudo correto, tirando a parte dos cálculos.

– Então quer dizer que oito ao cubo é quatrocentos e oitenta e dois? – perguntei. – Você não sabe fazer conta?
– Ops. – ele apagou e colocou a resposta correta – Foi mal, é quinhentos e doze.

Tudo estava certo, visto que tudo que eu fazia era o mandar refazer as questões da prova passada e fazer alguns exercícios do livro. Não era difícil já que não era burro, apenas errava algumas contas bestas e só precisava saber a matéria.

– Qual o seu nome, afinal? – ele indagou, fazendo o exercício. – Estudo com você há anos e só te conheço por Maze ou Mazikeen.
– É o máximo que você tem que saber sobre minha vida, Reed. – comentei folheando o livro de matemática. – Foque-se.
– Você não gosta que saibam seu nome? – ele me olhou, pela primeira vez em poucas horas. – É um nome tão ruim tipo Mijardênia?
– Mijardênia? De onde você tirou isso?
– Não sei, foi o primeiro nome ruim que me veio na cabeça. – dei risada.
– A única coisa que tem que vir na sua cabeça é a quantidade de trabalhos que vamos fazer mais pra frente.
– É, você está certa, Mijardênia.
– Meu nome é Mazikeen.
– Parece mais com Mijardênia do que Maze.
– É Mazikeen, . Não me estressa.
– Já vi que o meu maior hobby, a partir de hoje, vai ser te estressar. E olha que é bem fácil.
– Por que você não se contenta em ficar calado, Reed? Vamos fazer assim, a gente só troca palavras com fins acadêmicos, ok?
Ele ficou calado. – Você quem manda.

Depois disso, fiquei na biblioteca até a escola fechar. Gostaria de me perder ali todos os dias, se pudesse. Astronomia, geografia, história, contos de fadas... ficção. De tudinho pouco. Restando apenas eu e a bibliotecária, estava largada num canto relendo páginas do meu favorito, com o meu segundo favorito no colo. Harry Potter.

– Ô, Corvinal... quer carona?

Eu nunca me senti tão ofendida.

– Não ofenda minha casa. – reclamei – Eu sou Sonserina. E sim, eu aceito uma carona, tá chovendo.
– Então vamos, já acabei o treino. – guardei o livro em sua costumeira prateleira. Saindo de lá, éramos apenas nós dois no corredor. Ele estava mais atrás, enquanto eu apressava o passo.
– Você está fedendo, deveria ter tomado um banho antes.
– Isso não se fala pra quem vai te dar uma super carona nesta chuva horrenda, Mazikeen. – era a primeira vez que eu o ouvia pronunciar meu nome. E combinou com sua voz.

Dei uma risadinha e saímos; assim que o fizemos, a chuva começou a ficar violenta e com o susto deixei o que tinha em mãos cair numa poça ao lado do carro, meu livro da Jane Austen estava encharcado.

– Droga! Meu Orgulho e Preconceito virou lixo. Ensopou tudo.
– Joga fora, você acha um desses em qualquer livraria próxima, Maze.
– É que esse é especial.
– Então guarde, compre um novo pra quando quiser ler.
Era um livro velho que eu amava de verdade. Ninguém nunca me dava livros, nunca desde a morte de papai. Ele era quem me dava todos os livros, quem lia as palavras difíceis e as explicava com tamanha eficiência.
– É, vou fazer isso. – suspirei, triste – É que esse livro quem me deu foi meu pai.
– E ele não pode te dar outro?

Ele não sabia. Na verdade, ninguém sabia. Ele não sabia que eu havia perdido meu pai anos atrás. Desta vez sua fala não foi intencional. Lágrimas surgiram em meus olhos.

– Não, ele não pode. – respirei fundo e liberei a lágrima. – É que ele morreu anos atrás em um acidente de carro.

A pouca cor que tinha em seu rosto, sumiu. Ele ficou sem jeito.

– Me desculpa por isso. Eu não sabia. – ele gaguejava. – Eu realmente não sabia.
– Tá tudo bem, ok? – Respire fundo. Respire fundo, Kings.

O caminho todo foi feito em silêncio depois da coação sentida por Reed. Pouco depois, chegamos a casa e eu agradeci pela carona. Cheguei em casa, deitei no sofá e mofei sozinha vendo TV até umas oito horas. Meu celular vibrou pela primeira vez em um longo período de tempo.

“Onde é sua campainha?”
“Pra que quer saber isso?”
“Ah, só abre a porta!”

Levantei-me presunçosamente e abri a porta. Lá estava Reed, com um embrulho branco cheio de bolinhas brancas como estampa.
– Pra você. – ele estendeu-me o embrulho e deu um sorriso torto. – Não é tão especial, mas é de coração.

Rasguei o embrulho e encontrei um Orgulho e Preconceito intacto, antiga edição, igual a minha, só que de capa dura. Colado no livro havia um recado.

“Não é tão especial como um presente do seu pai, mas é pra você não ficar sem ler um livro tão bom quando desejar. Até porque, já dizia Jane Austen, confesso que a mim nada me encanta, prefiro infinitamente um livro.





Continua...




Nota da autora: A escrita é diferente, acreditem. Espero que apreciem esta ideia assim como eu aprecio. Um beijo, Tris. Xx



Nota da beta: Achei bem fofinho ele comprando o livro pra ela <3 <3

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.




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