04 - Walking in the Wind

Finalizada em: 07/01/2018
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Capítulo Único

Quatro anos. Foi esse o tempo que demorou a Niall e trocarem alianças e jurarem amor eterno, depois de se conhecerem em Paris, um primeiro beijo nas florestas de Estocolmo, um pedido de namoro em Barcelona e por fim, um pedido de casamento em pleno 29 de Fevereiro, o conhecido Leap Day, em Dublin.
Eu estive presente em todos esses momentos e acho que sou uma das pessoas que mais apoia os dois. sempre foi apaixonada pelo artista Niall Horan, e depois de conhecê-lo, a paixão virou amor pela pessoa Niall. Ela sempre teve certeza que ele era o amor de sua vida, só faltava mesmo, eles se conhecerem. Já ele, bem… Foi amor à primeira vista. Eu vi que Niall só faltou babar quando colocou os olhos pela primeira vez em O’Brien e desde então a cabeça dele virou pelo avesso. Foram várias tentativas, que a frustraram, até o momento que ele falou para ela o que sentia. Em vez de sorrir e se jogar nos braços do irlandês loiro, ela simplesmente saiu correndo.
Mas felizmente, tudo saiu completamente bem, e nesse momento eu estou em um avião indo para Dublin, acompanhada de , para abençoarmos a união de nossos amados duendes.
Muita coisa além do esperado aconteceu em quatro anos. Nós não sabíamos se iríamos seguir adiante no nosso mochilão até Lisboa. Conhecemos cidades incríveis na Europa, me tornei praticamente uma irmã de Louis Tomlinson, começou a namorar Zayn Malik, eu tive um relacionamento com Liam Payne, me mudei para o Brasil por um ano, fui traída, acompanhei outra turnê, dessa vez pela América do Sul, voltei com meu ex, fui algumas vezes aos Estados Unidos, formei, Zayn saiu da banda, me mudei para Londres, terminei com Liam, o One Direction anunciou hiatus, me tornei madrinha do filho do Louis, me apaixonei de novo.
Eu vivi, amei, chorei, odiei, nas maneiras mais intensas que alguém pode imaginar. Nem eu, ou diríamos que um mês viajando iria mudar tanto assim as nossas vidas. Mas mudou. E Deus sabe como essa foi a melhor decisão que nós tomamos.

xxx

Cheguei à Irlanda alguns dias antes do casamento. Niall já estava quase sem unhas de tanto que a ansiedade estava consumindo-o. Para ele, o noivo, aquela sexta-feira da primavera ficava cada vez mais distante, não importa quantos dias passavam, enquanto a noiva, estava calma como sempre, e para ela o tempo fluiu de maneira correta, sem crise de ansiedade ou surtos psicológicos.
Isso até eu e , suas madrinhas, chegarmos. De repente, ela se tornou a perfeita bridezilla. Entrou em pânico, surtou, chorou, ligou mil vezes nos fornecedores para saber se tudo estava como programado — nenhuma prestadora de serviços em sã consciência deixaria o casamento de Niall Horan na mão — e tanto eu, quando , tivemos que nos segurar e meditar, para manter a calma, e não pirar junto com a noiva. Pelo menos alguém tinha que manter a sanidade.
E então, para nós duas, que tivemos que lidar com surtos de ansiedade e também de estresse dos dois lados, quando aquela sexta-feira amanheceu ensolarada e maravilhosa, perfeita para uma comemoração ao ar livre, as peças começaram a se encaixar para os noivos.
Niall ficou em sua casa para se arrumar para a cerimônia, enquanto eu, , , outras madrinhas e as mulheres de sua família, fomos para o Merrion Hotel, nos arrumar, e onde também teve o seu dia de noiva. Mas por algum motivo, ela estava mais interessada em pegar no meu pé.
— Eu não queria falar nada, mas a aqui pediu um convite extra para trazer um acompanhante ao meu casamento. O famoso +1. — comentou enquanto uma cabeleireira esticava seu cabelo para todos os lados com um secador atrapalhando nossa conversa.
De pálpebras fechadas, pois estava sendo maquiada, apenas rolei os olhos — que elas não viram — e suspirei.
— E por que nós não estamos falando disso, ? — , que estava se vestindo, perguntou.
— Porque hoje é o casamento da , e a única coisa que importa hoje, é ela dizer sim pro Niall e eles viverem felizes para sempre, como eles já são. Apenas. — consegui comentar quando senti a maquiadora se afastar de mim — Meu Deus, vocês implicam tanto comigo.
— Era para você já ter se acostumado. Você sabe, não é comum você mais um acompanhante.
riu do comentário de .
— Ei, meu último relacionamento durou pouco mais de dois anos, por que eu não levo créditos por isso? — perguntei e vi mexer os ombros, como quem diz “tanto faz” — E você, ? Quantos relacionamentos você teve desde o último?
— Desde o Zayn, você quer dizer? Nenhum — a vi dando de ombros, exatamente como — Mas minha amiga, Brighton está maravilhosa, cada noite é uma pontuação. — eu e trocamos olhares boquiabertas, enquanto estava se divertindo rindo das nossas caras de abestadas — De qualquer forma, abre a boca, , quem é o seu +1?
Olhei para as duas com olhar maléfico e encostei novamente na cadeira, vendo a maquiadora impaciente em acompanhar nossa conversa.
— Vocês vão ver.

xxx

Quando o comboio da noiva chegou, a igreja já estava cheia, os convidados em seus lugares, alguns padrinhos para fora e também Niall, que andava de um lado para o outro impaciente. Desci do primeiro carro erguendo o vestido azul marinho que tinha escolhido para nós e tratando de organizar a fila para a entrada do noivo. Niall quase chorou de felicidade ao me ver.
— Vocês finalmente chegaram. — ele suspirou aliviado, dando uma espiadela no carro de .
— Shh, sem estragar a surpresa de ver a noiva antes do casamento.
— Mas está na hora do casamento! — ele tentou desviar o olhar novamente e eu virei seu rosto — Alguém já te falou que você é chata, ?
Sorri para o noivo no momento que percebi que não importa em que fase da vida nós estivermos, nossa amizade vai ser baseada nas brincadeiras, frescuras, picuinhas, mini brigas, mas muito, muito carinho um pelo outro.
— Você está muito bonito fantasiado de noivo — comentei, passando a mão pelo cabelo, ajeitando o topete dele — Eu torço muito por você e pela .
— Pois deve mesmo. Afinal, você é madrinha, pra alguma coisa você tem que prestar. — novamente, Niall não deixa passar uma — E é, até que você está ajeitada nesse vestido. Até parece que é bonita.
Rolei os olhos, se não fosse dia do casamento dele, provavelmente beliscaria Niall até ele me pedir desculpas.
— Eu sei que essa é a sua forma em dizer que me ama.
— Mas você está bem maluca, . — ele piscou para mim.
— Estou. Agora você dê os braços à sua mãe e entre nessa igreja, que aposto que a já está ficando ansiosa demais, e não quero uma noiva surtando aos 45 minutos do segundo tempo.
Niall finalmente entrou na igreja de braços dados à sua mãe, e então, eu fechei a porta que dava acesso à cúpula principal, impedindo que qualquer convidado que estivesse ali dentro, pudesse ver o que estava acontecendo lá fora. Ao me certificar disso, fui até o carro e abri a porta, onde ajudei minha amiga a sair do carro.
estava estonteante, mesmo com um vestido simples. Branco, tomara que caia, com o corpo bordado. Na cintura, um discreto e fino cinto rosa bebê, seguido de uma saia com algumas camadas, que deslizava por onde ela passava. Apenas maravilhosa e incrível.
— Seu noivo estava uma pilha de nervos. — comentei enquanto ajeitava a saia de seu vestido — A gente até discutiu!
— Então ele está bem. — suspirou — Como estou?
— A noiva mais linda que eu vi em toda a minha vida. — dei um abraço nela — Vai ser feliz com o seu duende.
— O que seria quase impossível sem você. — ao ouvir aquilo, uma lágrima teimosa escorreu pela bochecha, e tratei de limpar antes de borrar minha maquiagem — Obrigada.
! — ouvi uma voz masculina me chamar e virei para trás.
Abotoando os botões do terno enquanto caminhava em minha direção, vinha ele, de óculos escuros, maxilar definido, barba rala, o meu convite extra, o meu +1.
— Phillip! — chamei levantando a mão.
— Phillip?! — se juntou a nós e ouvi ela e exclamando ao mesmo tempo.
Os olhos das duas estavam arregalados e ficavam cada vez mais, à medida que Phillip se aproximava. Meu ex-namorado, aquele com quem eu terminei quando fui aprovada no intercâmbio no Brasil, passou a mão pela minha cintura, e depositou um beijo breve em meus lábios.
— Você conseguiu vir! — animei.
Por ser madrinha, voei antes para a Irlanda, e mesmo com um convite extra, Phillip não tinha certeza se iria conseguir uma folga na residência para me acompanhar ao casamento. Estava feliz que ele tinha conseguido.
Olhei para minhas duas melhores amigas, o queixo delas estavam praticamente no joelho, de tão abismadas que estavam.
— Oi, ! — Phillip cumprimentou minha amiga, que ainda estava um pouco abobada com aquilo — Ei, ! Parabéns pelo casamento! — ele falou para a noiva, que piscou ainda tentando entender o que estava acontecendo.
— O… Obrigada. — ela respondeu e virou para mim.
— Nos falamos no fim da cerimônia — Phillip piscou para mim e caminhou até a igreja, entrando por uma das portas laterais.
Foi ele sumir da vista, para eu saber que seria bombardeada com dezenas de perguntas.
— Como isso foi acontecer? ! Quando? Onde? Conta tudo!
— Conto! — respondi por fim — Primeiro você vai casar e depois eu respondo qualquer dúvida que vocês tiverem.
— Qualquer? — perguntou, com um sorriso malicioso.
— Vocês não tem jeito mesmo.
Organizamos a fila para o cortejo nupcial, entreguei ao seu pai e corri para a fila das madrinhas e dei o braço a Louis, que seria meu par naquela tarde. Então a porta da igreja foi aberta, e a marcha nupcial começou.
— Eu posso saber quem é aquele almofadinha que chegou te abraçando e beijando?
— Pode. — sussurrei para Louis — Meu namorado. — senti que Louis iria fazer qualquer comentário de irmão ciumento, tratei de continuar — Médico residente em Londres. Também conhecido como meu ex-namorado.
— Phillip? — Louis aumentou o tom de voz, e senti , madrinha com Harry, atrás de nós, nos chutando em forma de sermão — Uau. Você, seu namorado que foi seu ex, e seu ex mais recente em um casamento. Eu estou pagando para ver isso.
Por um momento eu esqueci que meu ex mais recente, Liam, estava entre os convidados. Afinal, ele era um dos grandes amigos do noivo, cresceram e fizeram sucesso juntos. Aquilo não tinha como ser mais estranho. Seria a primeira vez que eu o veria desde que nós terminamos.
Mas quando a fila do cortejo andou, eu agarrei no braço de Louis e caminhamos pela igreja, eu esqueci de Phillip, Liam, e de todos os acontecidos anos antes. Era o momento de e Niall, e meu coração estava quase explodindo de felicidade pelos dois.
Não importa quem eram as madrinhas e os padrinhos, todos ficamos invisíveis quando começou a caminhar pelo corredor daquela bela igreja em Dublin. Puxando a fila das madrinhas, pude ver como Niall estava bobo, boquiaberto, e sem piscar, olhando para aquela que finalmente seria sua para o resto da vida. E para ficar guardado pela eternidade, um fotógrafo registrava os passos de , enquanto outro, as reações do noivo, que não resistiu, e precisou limpar sua bochecha por conta das lágrimas de emoção.
Pisquei para o noivo, que sorriu de volta para mim, e me posicionei no altar, ao lado de Louis, assistindo o fim do desfile de pelo local, vendo seu pai beijar sua testa, em seguida, apertar e abraçar Niall, e o noivo por fim, beijando a bochecha da noiva, enquanto eles paravam em frente a um padre e a marcha nupcial finalizava.
Lá de cima pude ter uma visão geral dos convidados. Eram muitas pessoas, e eu tinha certeza que todas elas amavam aquele casal incondicionalmente. Eram duas pessoas adoráveis, de fácil convivência e que transbordam amor por onde passam.
Vi Phillip, que gesticulava o quanto eu estava linda e me mandava beijos. Greg, o segurança tão amado dos meninos que nos adotou e protegeu em cada uma das tours, shows, eventos que nós decidíamos acompanhá-los. Os meninos da banda, os responsáveis pela crew, familiares e amigos que acabei por conhecer nesse tempo convivendo com os noivos. Também vi Liam, ao lado de sua nova namorada, ambos estavam compenetrados na cerimônia que estava acontecendo. também estava ali, linda, abanando a mão para mim e . Apesar da vida ter nos distanciado, ela esteve conosco em momentos importantes da viagem, e também, desse relacionamento. A única pessoa que não vi, foi Zayn. Tinha quase certeza que os noivos não deixariam de convidá-lo, principalmente Niall, mas talvez ele não apareceu por educação, devido à maneira que ele tinha deixado a banda.
Voltei novamente atenção ao casal na minha frente, enquanto o padre falava seu discurso pré-programado, sobre como os dois eram amados por todos, e que Deus abençoava aquela linda união.
Na hora dos votos, meu cérebro viajou, e foi parar em Oberhausen, uma pequena cidade da Alemanha, próxima a Düsseldorf. Por não ter muito o que fazer, levei as meninas para dentro de um aquário e perguntei a um polvo, que tinha acertado alguns placares em uma Copa do Mundo, qual de nós iríamos encontrar nosso amor primeiro. Claro que Paul não nos ouvia ou sequer entendia, mas ele nadou para o lado que estava, indicando que ela seria a primeira. Coincidência ou não, o polvo acertou. Naquele mesmo dia, Niall convidou para assistir ao show do backstage — quando na verdade ele queria falar para ela o que sentia, mas não teve coragem — o que a frustrou, e consequentemente, fez com que todas nós bebêssemos além da conta após o show, e resultou em um voo perdido para a Dinamarca. Mas na Noruega, a coragem veio. O medo de saber que o sentimento era recíproco fez com que ela fugisse. Depois disso, eles viveram um conto de fadas.
Niall era um príncipe, no corpo de um homem irlandês. Ele nunca esqueceu uma data comemorativa dos dois. Seja primeiro beijo, ou aniversário de namoro. Quando em turnê, ele enviava buquês de flores e presentes para mostrar a que ele nunca esquecia dela. Niall era discreto, mas de vez em quando ele publicava uma foto dos dois com pequenas mensagens de afeto, palavras que às vezes, só eles entendiam, mas era o suficiente, eles não precisavam mostrar a mais ninguém o quanto se amavam.
Não demorou muito para que Theo, sobrinho de Niall, entrasse na igreja carregando o par de alianças. O menino é a cara do tio, e eu tenho certeza que um dia que esse casal me der sobrinhos, eles vão ser como Theo.
O padre então abençoou as alianças, eles trocaram enquanto juravam amor eterno, e não demorou muito para que o padre anunciasse que a noiva podia ser beijada. Quatro anos. Foi esse o tempo que demorou para que virasse O’Brien-Horan, esposa do amor de sua vida, mulher do homem que mais a amou.
. — ouvi alguém me chamar. Olhei para o meu lado e Louis estava com aquele par de olhos azuis focado em mim, passando a mão pela minha bochecha — Vai estragar a maquiagem, e você está tão linda.
Eu fiquei a cerimônia inteira focada nas memórias, em como eles se transformaram em um casal, que não havia percebido que estive esse tempo todo, em lágrimas. Lágrimas de felicidade, de alegria, de saber que nesse mundo tão horrível em que vivemos hoje, o amor ainda existe, e ele é a arma mais poderosa que alguém pode ter em suas mãos.
Antes de caminharem de volta pelo corredor, para sair da igreja como Sr. e Sra. Horan, encontrei o olhar de em mim, e ela me deu uma piscadela. Naquele momento, Louis tirou do bolso de seu paletó um lenço e entregou a mim. Suavemente, tocava no meu rosto, tentando disfarçar, mas tinha certeza que não seria o suficiente para disfarçar a feição inchada.
Quando finalmente saí da igreja com Louis me segurando e afagando, consegui assistir o banho de chuva de arroz que o casal estava levando. Não demorou para que juntos entrassem em um carro e sumissem pela rua. Felizes e casados.

xxx

A recepção do casamento estava sendo no Royal Dublin Golf Club, em um dos campos, com vista para a Dublin Bay. Após o fim da cerimônia, Phillip se aproximou de mim e Louis, e juntos fomos no mesmo carro até o local. Eu conhecia muito bem meu melhor amigo, e sabia que no fundo, ele estava louco para questionar Phillip sobre suas intenções comigo.
Louis se afastou de nós quando chegamos ao local e tanto eu quanto Phillip nos servimos com uma taça de champagne. Ele olhava abismado para o local e para as pessoas, enquanto eu o analisava. Lá estávamos nós, mais de quatro anos após terminarmos um relacionamento, no casamento de meus melhores amigos, juntos novamente como um casal. Realmente, quando duas pessoas são destinadas a ficarem juntas, elas vão achar um jeito de se encontrarem novamente.
— Eu estou em Dublin, com a madrinha mais linda que o mundo já viu, no casamento de um dos caras do One Direction com muitos artistas da música e do futebol aqui. Isso é o que chamo de vencer na vida.
Dei uma risada nasalada enquanto tomava um gole da minha bebida, e corei pelo elogio que recebi. Se fosse alguns anos antes, eu também estaria abismada de estar em um lugar desses. Mas o One Direction eram meus amigos mais queridos, e as estrelas da música e futebol eram algumas pessoas que eu tive a oportunidade de conhecer durante essa jornada.
— E eu estou com o residente mais lindo e incrível de todo o mundo, no casamento dos meus melhores amigos. Melhor que ganhar na loteria. — Phillip, com um dos braços passados pela minha cintura, me puxou para mais perto e beijou minha testa — Fico feliz que você conseguiu vir.
— Eu não iria permitir que os solteiros dessa festa pensassem que você também era uma mulher solteira.
— Não iria ter chances, porque eu só tenho olhos para você. — pisquei para ele.
Desvencilhei de meu namorado a tempo de assistir o casal de noivos vindo em nossa direção. Caminhei até os dois e dei um abraço apertado em e logo em seguida, em Niall.
— Oi, quem é você que está no meu casamento? — Niall perguntou cumprimentando Phillip. Olhei para , que parecia estar querendo enfiar sua cabeça em um buraco.
— Erm, Niall… Esse é o Phillip, meu namorado. — comentei acariciando as costas de Phillip, enquanto ele cumprimentava Niall.
— Namorado? Seu? — pelo tom de voz, já sabia o que viria a seguir — Tanta mulher em Londres, e você vai namorar logo a , cara? Man, tu podia ter conseguido algo melhor.
— Niall! — gritei levantando os braços — Poxa, ofende, mas não humilha!
— Você sabe que é brincadeira, ! — Niall piscou para mim e respirei fundo — Bom saber que alguém está fazendo a feliz novamente — o noivo deu dois tapinhas nas costas do meu namorado — Se é namorado da , já é bro, pelo menos meu é. Vem, vamos procurar alguma coisa decente para você beber. Você gosta de cerveja, não gosta?
E trocando olhares com , vimos o marido dela sequestrar meu namorado para o bar. Ela virou a cabeça para mim, e logo após, se juntou a nós.
— Meu Deus, achei que você e o Phillip iriam ficar grudados a festa inteira — comentou — Ainda bem que o Niall tirou ele de perto. Anda, conta tudo. Você e o Phillip? Desde quando vocês são um casal de novo?
Respirei fundo e apoiei minha taça de champagne em uma mesa que estava próxima de nós. Quando percebi, e já estavam acomodadas nas cadeiras, esperando que eu começasse meu discurso.
— Não é a versão resumida que vocês querem, né?
As duas balançaram a cabeça em negação, e eu puxei uma cadeira, sentando próxima delas.
— Certo, vamos lá.

FLASHBACK

No começo do ano uma colega de trabalho havia entrado em trabalho de parto durante o fim de semana, enquanto estávamos em nosso descanso. Na segunda, observando as redes sociais enquanto estava no metrô indo para o escritório, que descobri que seu bebê havia nascido. No mesmo dia, após o fim do expediente, passei em uma floricultura e fui até Westminster, no St. Thomas’ Hospital visitá-la.
Estávamos conversando, enquanto eu me apaixonava cada vez mais pela sua pequena filha, quando ouvi batidas na porta do quarto, e logo em seguida, um médico sênior entrando, e outro mais novo, em seu encalço. Afastei da cama, quando vi os dois se aproximando, e fiquei um pouco reclusa perto da janela.
Mas meus olhos estavam interessados no médico mais jovem atrás do sênior, e eu reparei que ele também olhava para mim. Sem intenção de atrapalhar as orientações que o senhor estava dando para minha colega, apenas sorri para o médico e não demorou muito para que os dois saíssem do quarto.
Minha amiga teria alta no dia seguinte, e ela e sua bebê poderiam ir para casa. Eu também sabia que estava dando minha hora. Estava na rua desde cedo, queria chegar em casa, tomar um banho e me aquecer embaixo das cobertas tomando um chocolate quente, enquanto continuava a maratona de mais uma série disponível no Netflix.
Despedi-me das duas, e seu marido, e saí do quarto, fechando a porta com cuidado, para não fazer barulho. Quando virei para o corredor, lá estava o médico mais jovem, esperando por mim.
— Até parece que você não sabe que eu tomo susto com facilidade, Phillip? — brinquei com ele que sorriu para mim — O que você faz em Londres?
— Acabei a faculdade, estou fazendo residência aqui no St. Thomas’. Obstetrícia e Ginecologia. — ele respondeu. O tempo havia voado, meu ex namorado já era residente — E você? Nunca mais nos vimos, como foi no Brasil?
— Uma experiência e um lugar maravilhoso — encostei-me à parede, sonhando acordada, naquele lugar incrível onde morei por um ano — Quando voltei de lá, terminei a faculdade e vim embora para Londres. Consegui um bom emprego, a Diana — apontei para a porta que eu havia saído — Trabalha comigo.
— E você está… — percebi Phillip procurar as palavras adequadas para me fazer à pergunta que queria — Como está tudo? E as meninas?
— Tudo incrível. voltou para Brighton, e está morando em Dublin novamente. Inclusive, ela está noiva, do Niall, do One Direction. Vão se casar esse ano.
— Uau, parabéns para ela. E pensar que eu dei muito apoio para vocês irem atrás dessa banda. Fico muito feliz, de verdade. — um silêncio instalou entre nós dois, até que o Big Ben cortou aquele barulho apavorante — E você? Existe algum sortudo na sua vida?
Deu um sorriso tímido e mordi meu lábio inferior. Seria meu ex-namorado, interessado em saber se eu estava ou não em um relacionamento?
— Eu estou solteira há dois anos, Phillip. — confessei e posso estar louca, mas juro que vi um pequeno sorriso se formar nos lábios dele — Então, não, não existe alguém na minha vida — suspirei por fim — Eu preciso ir embora, mas eu fiquei muito feliz em te ver novamente.
— Eu também, . — Phillip se aproximou e me deu um abraço — Se cuida.
— Você também. — comentei, e meio sem jeito, afastei nossos corpos e dei as costas, pelo longo corredor do hospital.
Estava quase saindo da Maternidade, quando o ouvi chamar pelo nome, e virei de costas, vendo-o dar uma breve corrida em minha direção.
— Me dá seu telefone. — ele pediu, e eu devo ter feito um olhar confuso — Vamos sair, combinar de fazer algo. Eu gosto muito de você, , não quero perder contato agora que nós nos reencontramos. — ele tirou o celular do bolso do jaleco e esticou para mim — Por favor.
Eu não tinha muita certeza de quais eram as intenções de Phillip, mas tinha uma ideia depois que ele perguntou se eu tinha alguém. E eu estava feliz, solteira. Não ia me fazer mal nenhum fazer um upgrade na vida.
Peguei o telefone da mão dele e anotei meu número de celular. E então devolvi, e antes de dar as costas novamente, dei um beijo em sua bochecha. E finalmente deixei o St. Thomas’s Hospital para trás.

FLASHBACK

— Qual o papo? — Louis chegou à mesa puxando uma cadeira, e se sentindo convidado.
Apenas Louis, sendo Louis, normalmente se metendo onde não havia sido chamado.
está contando pra gente como foi que ela reencontrou o Phillip e de repente eles voltaram a ser um casal — comentou — Fica quieto e senta logo sua bunda aí.
— Ah! Também quero saber — Louis se interessou mais do que depressa — Volta do começo que eu quero saber todos os detalhes, para decidir se eu gosto ou não dele.
— Shh! Volta nada, eu preciso saber disso logo, pra voltar a cumprimentar meus convidados, depois ela te conta o começo. — reclamou com ele, que mandou um olhar perigoso para ela.
— Como eu estava dizendo, — continuei a contar — Eu não tinha chegado no metrô para ir pra casa, Phillip já tinha mandado uma mensagem dizendo que estava feliz em me ver e se nós podíamos combinar de tomar um café juntos qualquer dia naquela semana. Como ele teve folga no hospital no sábado, nos encontramos para tomar café perto de St. Paul, onde nós nos divertimos muito, rimos. Então fomos até o Tate, pois havia uma nova exposição que ele estava interessado em ver.
— Eu pago pra ver você em um museu, . — comentou e eu dei risada.
— Vocês sabem que eu não sou muito fã. Ainda mais arte moderna, que eu não consigo entender muito bem aqueles traços e tinta jogados, e as pessoas dizerem que é arte. Então para variar, eu fiz algo que eu fazia muito quando estávamos namorando da primeira vez, que era dar a minha opinião tosca sobre os quadros. Phillip me explicava o que o artista estava querendo dizer com aquilo, e eu dava a minha versão, falando que parecia um jogo da velha desenhado por alguém que não sabia fazer uma linha reta.
— E então…?
— Ele me beijou… Dentro do Tate.
Levei a mão ao rosto de vergonha enquanto ouvia os ‘awwwwwn’ feito pelas minhas amigas. Olhei de canto de olho, e Louis estava com a mão no queixo e pensativo.
— Então… Você está feliz?
— Sabe quando você percebe que a sua vida começou a andar novamente? E que tudo que tinha desmoronado de repente volta a se encaixar, como sempre tinha que ser? — tanto Louis quanto e concordaram — A minha vida está assim, e eu estou feliz. Niall era o destino da . Talvez o Phillip seja o meu, nós só achamos nosso caminho de volta um para o outro.
— Você merece ser feliz, ! — pegou uma de minhas mãos, e pegou na outra — Talvez o Liam na sua vida, foi só para mostrar que no fundo, você e o Phillip foram feitos um para o outro. Eu apoio.
— Eu não preciso nem comentar, não é? — falou de sorriso aberto — Vai viver tudo aquilo que um dia você sonhou.
— E aqui nós temos mais três tias e um tio, Bear. — Harry se aproximou de nós com um bebê em seus braços — Tio Louis, o tio mais chato que você vai ter, tia Linda , tia , e tia .
Desviamos a nossa atenção e quando vi uma criança adorável nos braços de Harry, me levantei para observar.
— Meu Deus, quem é esse nenê adorável? — perguntei, tirando dos braços de meu amigo — Você é muito lindo, meu Deus — a criança sorria para mim — Como é o seu nome?
— O nome dele é Bear, . Bear Grey — Harry respondeu, e percebi olhares aflitos sobre mim.
— Quem é o seu pai? Algum tipo de sadomasoquista fã de Cinquenta Tons de Cinza? — brinquei, mas não tive resposta.
Levantei o olhar novamente, e dessa vez, percebi que meus amigos olhavam por cima do meu ombro. Virei para enxergar o mesmo que eles e encontrei Liam, de terno à minha frente. Ele continuava muito bonito, mas pela primeira vez eu não senti nada ao vê-lo. Nem amor, nem tristeza, meu coração manteve o ritmo. Ele já não sentia mais falta de Payne.
— Eu sou o pai do Bear, . — Liam falou e estendeu os braços, pedindo o filho.
Sorri pela última vez para Bear, que parecia ter gostado de mim, e entreguei o bebê ao pai. Percebi que as mãos de Liam estava tatuadas, e imaginei que os braços também estavam, mas não consegui saber direito por causa da roupa social que estava vestindo.
— Vamos beber, Harry! — ouvi Louis dizer e os dois saíram da área de tensão.
Não demorou muito para falar algo sobre fotógrafo e puxar com ela e ficarmos apenas eu e Liam, em silêncio, desviando os olhares um do outro. Não consigo dizer porque fiz isso, meu coração já havia deixado claro que não sentia mais falta dele. Fomos namorados, nos amamos, brigamos, mas antes disso fomos amigos.
— Seu filho é muito lindo, Liam, parabéns.
— Obrigado.
Silêncio novamente. Eu também não queria ficar ali, era estranho, e eu podia ver a namorada de Liam incomodada em ver nós dois próximos, pois não estávamos juntos, muito menos conversando, mas eu não podia simplesmente sair e deixá-lo sozinho.
— Ouvi sua nova música. — não era mentira, quando se mora em Londres e ouve BBC no trabalho todo dia, você escuta todos os lançamentos — Gostei bastante.
— Ah, sério? — ele pareceu não acreditar muito — Poxa, obrigado.
Ler Liam Payne estava complicado para mim, algo que sempre foi extremamente fácil em saber o que estava passando com ele, no momento, parecia que eu estava sendo bloqueada.
— A vida escolheu caminhos diferentes para nós, Liam. Caminhos separados. E mesmo você tendo me feito chorar muito, eu não vou desligar o rádio quando sua música tocar. Eu não vou deixar de dançá-la em uma festa, só porque é sua. Eu e você aconteceu, foi lindo, eu só vivi várias coisas incríveis, porque a pessoa ao meu lado era você. Nós sempre fomos melhores como amigos do que como casal. Sabe por que eu terminei com você?
— Porque enquanto seu namorado, eu errei muito.
Não consegui controlar a risada nasalada.
— Também, mas a minha vida não estava mais andando. Eu vivia para estudar, e para esperar você voltar de turnê. Era a sua vida, o seu sonho acontecendo, mas eu percebi que era egoísta, você viver, você sonhar, enquanto eu era traída, e esperava você. Eu fiquei muito triste quando eu terminei com você, mas eu voltei a caminhar com minhas próprias pernas. E com muita dificuldade, eu voltei a ser a que embarcou em uma viagem atrás da banda preferida dela. Acima de qualquer coisa, feliz.
— Eu não sei se pedir desculpas é o suficiente.
— Pedir desculpas não vai mudar em nada, daqui pra frente, nós vamos seguir as nossas vidas, só com lembranças boas um do outro dentro de nós. Você tem um filho, Liam. Conte a ele seus erros, e ensine-o a não cometer os mesmos. O ame. Esteja lá para ele. Seja um pai presente. Tenha seu pai como espelho, que você vai ser o melhor pai que esse menino podia pensar em ter. E ame sua namorada. Esteja presente mesmo na ausência. Não cometa com ela os mesmos erros que você cometeu comigo. Eu estou feliz, Liam, e eu espero que você também esteja.
Vi então, finalmente, meu ex-namorado abrir um sorriso, enquanto concordava com cada palavra que eu falava. Dois anos sem nos ver, e apenas no momento que eu estava tendo aquela conversa, percebi o quanto ela era necessária para finalmente caminharmos sozinhos.
— Eu vi que você está com alguém aqui hoje — Liam comentou, e já entendi que ele estava falando de Phillip. Não importava a ele quem era a pessoa com quem eu estava — E meu Deus, você e a estão disputando quem está mais feliz, você brilha ao lado dele, . Se eu não fui um bom namorado, eu espero que ele seja excelente e incrível. Eu espero que ele seja o homem da sua vida. E que você tenha toda a felicidade do mundo. Você merece!
— Você também merece, Liam. Nós só não éramos felizes juntos. Eu vou torcer pela sua carreira. Você sempre foi um músico excelente.
E naquele momento, Bear, nos braços do pai, começou a murmurar, prestes a chorar. Olhei para ele, e então para Liam.
— Alguém está com fome — e então com cuidado para não machucar Bear, dei um último abraço em Liam — Toda felicidade do mundo para você, Payne.
— Para você também, — por conta do filho nos braços, ele não pôde retribuir o abraço — Eu também vou torcer muito pelo seu sucesso.
Liam então saiu em direção à sua namorada e eu, sozinha, fui atrás de Phillip. Não é que eu não confiava em Niall, mas se meu namorado e o noivo estivessem juntos até aquele momento, talvez eu deveria chamar uma ambulância e levá-lo para o hospital mais próximo e tomar uma dose cavalar de glicose.
Eu então o encontrei. Novamente com uma taça de champanhe em mãos, apoiado no bar. O abracei quando cheguei e apoiei o queixo em seu ombro. Eu sentia que meu peito poderia explodir a qualquer momento. Em partes era felicidade pelos meus amigos, mas eu estava plena e feliz. Estava realizada. Estava trabalhando naquilo que sempre sonhei, com um namorado dedicado e que estava a todo momento ao meu lado. Eu tinha amigos com quem eu sei que poderia contar para sempre. Se isso é o que eles chamam de vencer na vida, eu finalmente venci.
A música ambiente foi substituída por uma introdução no piano, e vi e Niall caminhando em direção um ao outro, na pista de dança. De repente a voz de Elton John invadiu o campo de golfe onde estava sendo realizada aquela recepção. Your Song, era a primeira dança de Niall e O’Brien-Horan. Ainda abraçada a Phillip, eu assistia meu casal de duendes dançando, e percebi que Niall estava cantando a música no ouvido de . Ela estava entre sorrir e chorar, mas afundou o rosto no ombro do marido. Ela estava chorando.
A pista foi então liberada para os demais convidados, e Phillip colocou sua taça de champanhe em cima do balcão e me guiou para a pista de dança. Apoiei meus braços em seu ombro, enquanto ele abraçava minha cintura. De olhos fechados, eu acompanhava cada frase dita por Elton John naquela, que para mim, era uma das músicas mais belas do mundo.
Quatro anos. Foi esse o tempo que eu tive sentimentos extremamente intensos. Amei, viajei, conheci lugares maravilhosos e eu finalmente encontrei meu lugar no mundo. Não é em um apartamento minúsculo em Earls Court, ou em um alojamento em Manchester. Também não era Europa afora, ou nos melhores hotéis da América do Sul. Era ao lado daquelas pessoas, caminhando no vento, só esperando ele mudar de direção, e me levar a um destino diferente.
Enquanto eu estiver bem acompanhada, qualquer lugar no mundo, é o meu lugar.

The fact that we can sit right here and say goodbye, means we've already won
A necessity for apologies between you and me, baby, there is none.





Fim.



Nota da autora: Confesso que eu não reli esse conto para mandar para a Naty, porque toda vez que eu pego para ler, eu me afogo em lágrimas. Isso é um fim de uma história linda, e acho que eu soube fechar bem. Desculpem os meninos não serem fixos, não faria o menor nexo o Harry não ir ao casamento, porque saiu da banda, ou o casamento ser em Dublin porque o Louis é irlandês. Espero que entendam.
Para quem não gostou do desfecho da personagem principal, da antiga Payne, eu sinto muito. Eu amei. Para quem quiser saber o que aconteceu nesse meio tempo da história, entrem no meu grupo do Facebook que tem um arquivo onde conto a história da PP pela América do Sul, vai fazer mais sentido.
Esse é meu fim definitivo a Eurotour, mas espero de verdade, que do mesmo jeito que foi bom para mim, tenha sido a vocês!
Um beijo, Lih.





Nota da beta: Triste, muito triste mesmo finalizar uma história, confesso que queria eles juntos, mas eu gostei sim do desfecho dado por você, não tinha sentido eles terminarem juntos após o Liam ter a traido. Enfim, meus parabéns, viu? Nunca pare de escrever, gatinha!

Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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