1, 2, 3, (Você, Ele e Eu)

Última atualização: 26/12/2018

Capítulo 01

não conseguia mais absorver nenhuma palavra que o professor de espanhol dizia ali na frente da sala. Suas palavras pareciam ecoar abafadas dentro de sua cabeça. A jovem tinha os olhos fixos no relógio de parede acima do quadro branco, enquanto batucava irritantemente a caneta sobre o caderno aberto em sua mesa. Quando o sinal finalmente tocou anunciando o final da aula, ela foi a primeira a deixar a sala e marchar direto para a saída do colégio. Entrou em seu carro e jogou suas coisas de qualquer jeito no banco detrás, batendo a porta com uma força desnecessária e manobrando depressa para fora do estacionamento.
Hoje era um grande dia para ela. Depois de um ano fora, seu namorado finalmente estava voltando de um intercâmbio na Inglaterra. Ele havia mandado mensagem no dia anterior dizendo que precisava conversar urgentemente com a garota. Ela não conseguiria tirar da cabeça a ideia de que Patrick iria pedir sua mão. Parecia algo muito precipitado para alguém jovem como ela, mas o relacionamento deles existia a cinco anos e ela não conseguia imaginar outro passo possível para eles.
Ela estacionou o carro na frente do prédio em que o namorado morava e entrou direto com a chave que ele havia lhe dado há algum tempo. Cumprimentou animadamente o porteiro, que acenou com a cabeça e franziu a testa, parecendo estranhamente confuso com alguma coisa. parou na frente do elevador e apertou o botão, cantarolando uma canção que havia escutado mais cedo no rádio. Quando as portas de metal se abriram, uma moça estava lá dentro. Ela tinha um bonito cabelo platinado e olhos azuis bem profundos e bem marcados pela maquiagem. Ela olhou para de cima a baixo e deixou escapar uma risadinha, antes de ajeitar a bolsa no ombro e sair do elevador, rebolando para a saída do prédio. olhou para a mulher se afastando e deu os ombros, entrando no elevador e apertando o botão do andar em que o namorado morava. Deixou o cubículo após algum tempo e parou a frente da porta do namorado, enfiou a chave na fechadura e tentou abrir; mas a chave não virou. Ela tentou novamente e novamente nada aconteceu. Crispou os lábios e suspirou, apertando a campainha ao lado da porta.
Ouviu-se uma movimentação atrás da porta e ela se abriu, revelando Patrick Scholz. Ele havia acabado de sair do banho, tinha uma toalha enrolada na cintura e o cabelo molhado pingava água em seu peito nu, escorrendo pelo seu tronco até desaparecer na linha da toalha. Ele andava malhando, não pôde deixar de notar. Seus músculos estavam bem mais torneados que há um ano. Ele olhou para a garota e por um segundo pareceu assustado com sua presença ali em sua porta. Quando ela deu um passo a frente e fez menção de lhe beijar, ele se afastou e disse:
— Entra, . — ela notou o tom frio em sua voz e sentiu um arrepio na espinha, como se estivesse pressentindo que algo de ruim estava para acontecer. Ela entrou sem questionar e se sentou no sofá, observando ele se afastar para o quarto enquanto anunciava que iria se trocar. sentia o coração apertado e a boca seca. Toda a alegria de antes evaporou após Patrick negar seu beijo. Era algo que nunca havia acontecido antes. Ela se levantou e começou a andar em volta. Tudo parecia no mesmo lugar em que estava antes da viagem do rapaz, tirando algumas sacolas largadas em um canto da sala. Ela notou os pratos sujos e as duas taças de vinho na pia, mas Patrick voltou antes que ela pudesse se aproximar para dar uma olhada melhor.
— Quando você trocou a fechadura da porta? — foi a primeira coisa que perguntou, voltando para o sofá e olhando para o namorado. Patrick caminhou na direção dela e pareceu indeciso sobre onde se sentaria -- na poltrona ou no sofá com . Decidiu pelo sofá, mas negou o contato quando ela tentou segurar sua mão.
— Eu perdi minha chave. Precisei chamar alguém quando cheguei ontem. — explicou calmamente, olhando mais ou menos para a garota. Ele não olhava em seus olhos, e sim para algum ponto ao lado da cabeça dela. — E como você está? Como estão seus pais? Sua vó? Sua formatura do ensino médio está chegando, não é mesmo?
— Qual o problema, Pat? — as palavras escaparam antes que a garota pensasse. Ela não queria trazer nenhum tipo de drama para aquele reencontro, mas era clara a tensão no ar e o desconforto de Scholz. — Você está estranho. Aconteceu algo?
, eu... — ele parecia não saber o que dizer. Murmurava para si mesmo, como se tentasse se lembrar do que deveria dizer. — Eu acho que nós não devemos mais ficar juntos.
As palavras dele foram como um soco no estômago. arregalou os olhos e abriu a boca, mas nenhum som saiu e ela tornou a fechar. Sentiu uma onda de frio invadir seu corpo e se encolheu, olhando desacreditada para Patrick, que lhe chamou baixinho e tocou seu ombro, o primeiro toque depois de um ano fora.   — !
— Por quê? — perguntou baixinho. — Você não me ama mais?
— Não. — sua resposta foi curta e fez arfar. Sentiu os olhos se enchendo de água e nem tentou segurar. Patrick pareceu arrependido do que disse e completou: — Eu não sei. , eu conheci outra pessoa na viagem. Ela veio comigo para cá e eu vou pedir a mão dela em casamento hoje. — lembrou da mulher de mais cedo, de cabelo platinado e risadinhas. Sentiu que era ela. Patrick continuava falando sobre como não queria que fosse assim, que foi inesperado, que ele ainda queria ser amigo dela. Mas ela não queria mais ouvir. Levantou depressa e deu as costas a Scholz, correndo pra fora do apartamento. Patrick não se mexeu.

***


correu para fora do prédio e para seu carro. Entrou e ligou o veículo, após algumas tentativas tentando enfiar a chave na ignição. Suas mãos estavam tremendo bastante e sua visão estava turva pelas lágrimas, mas ela não se importava com nada.
acordou algumas horas depois não sabendo como tinha chegado em casa e nem ao seu quarto. Sua mente parecia ter tido um apagão. Mas ela se lembrava da conversa de mais cedo e sentiu vontade de chorar. Arrastou os pés para fora da cama e caminhou para o banheiro do lado de fora do seu quarto. Precisava de uma aspirina. Sua cabeça parecia que iria explodir.
Ela se olhou no espelho por um minuto e se sentiu mal. Estava lastimável. Seus olhos estavam inchados e a trilha de suas lágrimas havia ficado marcada em suas bochechas por causa da maquiagem. Seu cabelo estava uma bagunça. Ela abriu a torneira e jogou uma água no rosto com o auxílio das mãos. Pegou um comprimido dentro do armário atrás do espelho e tomou com água da torneira mesmo. Prendeu o cabelo de qualquer jeito e saiu do banheiro, mas foi interceptada por sua mãe antes que pudesse entrar novamente em seu quarto.
Jane! — a jovem suspirou e largou a maçaneta, encostando a testa na porta. — Você pode me explicar o que aconteceu com seu carro? Por que você sumiu o dia inteiro?
— O Patrick terminou comigo, mãe. — disse baixinho, virando a cabeça para olhar a mais velha. — Ele está noivo de alguma vadia que ele conheceu na viagem e terminou comigo.
Suzanne relaxou os ombros e tirou a expressão zangada do rosto, dando lugar a uma preocupada. Sabia o quanto a filha amava Patrick. Ela se aproximou e acolheu a adolescente em um abraço apertado, sentindo o corpo dela se sacudir com os soluços causados pelo choro.

***


não apareceu na escola o resto da semana. Tinha a cabeça cheia por causa de Patrick e pelo seu carro, que havia adquirido um belo amassado naquele mesmo dia (e ela nem se lembrava de ter batido). O término da filha havia feito Gavin engolir a bronca pelo veículo, mas podia sentir que ele estava furioso. Tanto pelo carro, quanto pelo que o Scholz havia feito com a garota. Suzanne precisou tranca-lo em casa para evitar que ele fosse atrás do garoto. Mas não conseguiu evitar que ele pegasse o telefone e ligasse para a família Scholz, para dizer "umas boas verdades sobre aquele moleque traidor".
só saiu de sua casa quando foi forçada. Sua mãe havia ligado para o melhor amigo da garota e informado toda a situação, então a não teve escapatória quando David apareceu na sua porta e praticamente a arrastou para fora do quarto.
— Vamos lá, garota. Você precisa se animar. — ele disse certa hora, após falar por algum tempo e notar que a amiga não havia escutado uma só palavra. — Você é maravilhosa demais pra sofrer por homem.
— David, você sabe melhor do que ninguém que eu pensava em um futuro com esse "homem" — fez aspas com os dedos. Eles se sentaram em um banco vazio do shopping e ela deitou a cabeça no ombro do amigo. Eles estavam rodando o centro comercial já a algum tempo e não havia se animado nem um pouco.
— E você sabe que eu sempre torci por vocês. Mas, honestamente, eu sou grato por ele ter se revelado esse babaca antes que vocês firmassem um compromisso. Vamos só dar tempo ao tempo, ok? Isso vai passar.  — ele depositou um beijo no topo da cabeça da amiga e olhou ao redor. Um grupinho a sua frente atraiu a atenção de David, e um rapaz em particular olhou em sua direção e sorriu. — O que não falta são caras pra te ajudar a superar. — riu e se ajeitou, vendo o rapaz se afastar do grupo e ir na direção dela e de David.


Capítulo 02

estava tendo um dia infernal. Um novo editor chefe estava chegando para ocupar o cargo e a editora estava uma bagunça. O dono da Paperview havia ligado no dia anterior e mandado que tudo fosse reorganizado ao gosto do recém-chegado. Aparentemente ele queria dar uma boa olhada em todos os projetos e analisar o que valia a pena continuar. "Eu não ganho o suficiente para aturar isso", ela pensava enquanto buscava algo em seu computador. A porta da editora se abriu e logo a voz forte de Bob Ville, o dono de tudo, ecoou pelo espaço. Ele começou a apresentar o editor-chefe, mas estava ocupada demais para olhar. Mas quando ela finalmente levantou os olhos, o que viu quase a fez cair para trás. Depois de 10 anos, lá estava Patrick Scholz a sua frente. Ele tinha um grande sorriso no rosto e conversava animado com o homem ao seu lado. Ele não havia mudado muito desde a última vez que haviam se visto, talvez exceto pelo corte de cabelo raspado na lateral e a barba por fazer. achou que ele estava ainda mais bonito do que antes.
não se mexeu até ele estar dentro do escritório com Ville. Ela pegou depressa o celular e digitou com os dedos trêmulos uma mensagem para David:

Patrick MALDITO Scholz
está no meu trabalho nesse momento. Acho que ele é a MERDA DO MEU CHEFE. SOCORRO!!!


reparou o quão rápido estava respirando e tentou se acalmar. Levantou devagar e caminhou até o filtro de água que ficava no canto da sala, próximo aos banheiros. Pegou um copo e encheu de água, tomando tudo em um único gole e se inclinando para pegar mais.
— Hey . — Kaelah Beau, a responsável pelas traduções da editora, chamou de longe. — Estão nos chamando no escritório do chefe. Bob quer nos apresentar ao cara novo.
gemeu desesperada e jogou o copo no lixo. Ela não queria ir. Pensou em inventar uma dor de barriga ou qualquer coisa, mas isso não evitaria o encontro de acontecer. Ela entrou no escritório junto com seus colegas -- todos responsáveis por alguma parte do trabalho -- e tentou se esconder atrás do uisito do designuanto Bob apresentava um a um.
— ... Esse é Dougie Poynter , o responsável pelo setor gráfico e ué, , por que você está se escondendo? — a mulher deu um sorriso amarelo e se endireitou, se colocando ao lado de Ethan. Olhou diretamente para Patrick e fechou a cara. Ela viu o rosto do homem ficar branco e ele arregalar os olhos levemente. — Essa é a Foulkes, a estrela da nossa editora. Vocês vão se dar muito bem.
Eu duvido — a mulher disse entre dentes. Dougie foi o único a ouvir e a olhou de modo engraçado. Eles se retiraram da sala após alguns minutos e foi direto para sua mesa. Jogou suas coisas dentro da bolsa e caminhou para a mesa de Kaelah, onde ela conversava sobre Patrick com a colega que sentava ao lado.
— Kali, eu não estou me sentindo bem. Se perguntarem por mim, diga que fui ao médico, por favor.
— Você quer que eu vá com você? — a outra perguntou, um tom de preocupação em sua voz. gostava de Kaelah, ela era uma menina realmente doce.
— Não é preciso, obrigada. Só me faça esse favor, ok?
se apressou em deixar a sala da editora e ir para o elevador. Ainda conseguiu enxergar Patrick saindo de dentro do local, parecendo procurar por algo ou alguém. Seus olhos se encontraram e ele fez menção de ir em sua direção, mas as portas do elevador se fecharam antes que tivesse a chance de se aproximar.
caminhava depressa pela rua, tentando se afastar o mais rápido possível do local em que trabalhava. Uma melodia conhecida chegou ao seus ouvidos e ela sacou o celular da bolsa, vendo o nome de David piscar no visor do telefone.
— Alô?

"O que diabos o Patrick está  fazendo aí?"

— Ele é meu novo editor-chefe. Dá pra acreditar?

"Eu não quero saber que você está de papinho com esse merda, você tá me ouvindo?" David parecia histérico no telefone. afastou o telefone do ouvido após o amigo praticamente gritar a última frase.

— Eu fugi do trabalho hoje. Quer jantar mais tarde?

***


— Eu não consigo acreditar. Entre todos os lugares que o Patrick poderia aparecer... — a voz de David foi morrendo lentamente e só restaram seus resmungos indignados.
havia acabado de chegar a casa de David e Pierre, e já havia chegado despejando tudo em cima do amigo, o deixando ainda mais nervoso do que já estava. Pierre (que era um grande chef de cozinha) observava tudo de longe, ocupado com suas panelas. Ele havia conhecido e David na mesma semana do término da garota com Patrick, então havia escutado muito sobre o homem durante aqueles anos. Ele havia se tornado um bom amigo de com o passar dos anos, mas preferia evitar opinar quando o assunto era aquele.
— Não tem como você mudar de setor ou sei lá?
— Não iria adiantar, amigo. — ela respondeu chateada. — Ele é o nosso chefe. Tudo passa pela mão dele.
— Como você se sentiu? Quando o viu ali na sua frente. — o tom de voz do mais novo se alterou para um mais delicado ao perguntar aquilo. — Você ainda sente alguma coisa?
— Eu não sei — ela foi sincera, suspirando pesadamente. Levantou da cadeira e foi para a cozinha para encher sua taça de vinho tinto com a garrafa sobre a ilha da cozinha. Provou um pouco de molho que Pierre estava cozinhando e se afastou quando ele a olhou feio. — Eu estava chocada demais para perceber qualquer coisa. — deitou com cuidado sobre a poltrona, deixando as pernas penduradas em um dos braços e a cabeça no outro. A taça repousava cuidadosamente sobre sua barriga, a haste segura entre seus dedos.
— Eu só não quero que você se machuque, amiga. — David soou preocupado, olhando para a amiga com os olhos atentos, parecendo buscar algo em seu jeito. crispou os lábios e respirou fundo, levantando um pouco a cabeça para entornar um pouco de vinho em sua boca. Ela não queria pensar no seu próximo encontro com Patrick.

***


acordou mais cedo do que de costume no dia seguinte. Ela estava com uma leve dor de cabeça (resultado do vinho da noite anterior), mas logo engoliu um remédio e torceu para melhorar logo. Ela estava tensa. Havia dormido terrivelmente mal naquela noite, pensando no trabalho e em quem encontraria lá. Ela tomou um banho bem quente para relaxar e escovou os dentes. Saiu do banheiro enrolada na toalha para se vestir, mas parou na frente do espelho de corpo todo que tinha no canto do quarto. Deixou a toalha que a enrolava cair e observou seu corpo no espelho.
O tempo também havia feito muito bem a ela. Ela havia aprendido a amar seu corpo como nunca, então não se incomodava com uma ou outra marca que aparecia e nem com os quilinhos que havia ganhado desde a adolescência. Seus cabelos caiam em uma cascata cheia de cachos as suas costas. Era a sua parte favorita em seu corpo. Ela tinha uma grande tatuagem de sua casa de Hogwarts na coxa e algumas menores espalhadas pelos braços e tronco. Ela era muito bonita. E era amada. E divertida. Não queria deixar ser abalada por um namoradinho da juventude. Ela caminhou para o armário e escolheu uma camiseta branca e uma saia godê preta, acima do joelho,  para vestir. Colocou uma sandália confortável e arrumou o cabelo. Terminou de se aprontar rapidamente e correu para o trabalho.

***


foi uma das primeiras a chegar no escritório. Havia mais umas três pessoas bem sonolentas ajeitando a mesa ou indo atrás de café. A mulher se sentou a mesa e ligou o computador. Havia deixado muita coisa pendente no dia anterior e precisava acabar tudo logo.
Ela havia acabado de abrir seu primeiro projeto quando sentiu uma mão em seu ombro. Sabia quem era antes mesmo de olhar. Seu corpo se contraiu com o toque e ela se virou devagar, encontrando Patrick a fitando de cima. Ele indicou a sala dele com a cabeça e ela o seguiu até lá, respirando fundo. Ele fechou a porta e ela de sentou, mantendo os olhos no tampo da mesa. Reparou nas fotos que haviam ali. Havia Patrick com um casal de gêmeos que aparentavam seus sete anos e havia Patrick, as crianças e a mulher platinada do elevador. se sentiu enjoada e se mexeu incomodada na cadeira, mas não levantou a cabeça nem quando o homem se sentou.
— Em que posso ajudar, senhor? — sua voz estava carregada de ironia. Estava muito desconfortável ali.
. Me olha, por favor. — ele pediu baixinho, mas ela não se moveu. — Nós vamos trabalhar juntos. Eu não quero que fique um clima ruim entre a gente. Será que não podemos tentar ser amigos?
— Você acha mesmo que existe alguma chance de eu querer ser sua amiga, Patrick? — levantou a cabeça pela primeira vez e olhou nos olhos do homem, que desviou o olhar. — Você nem consegue me olhar nos olhos. Você sabe quanto foi baixo comigo naquela época.
— Eu só quero me desculpar e poder conviver de boa com você. Por favor. Nós éramos jovens. Não foi tão grave.
o olhou, desacreditada. Como ele podia dizer aquilo? Ela não se deu o trabalho de responder. Levantou da cadeira e saiu batendo o pé. Foi direto para o fundo do escritório, onde ficava a salinha usada como copa. Ethan estava lá dentro, ocupado com a cafeteira, mas olhou assustado quando a mulher entrou batendo a porta. se desculpou baixinho e foi até o frigobar atrás de algum doce.
— Você está bem? — Dougie perguntou cauteloso, com seu forte sotaque britânico, com medo da mulher lhe bater por falar com ela. parecia transtornada. Ela respirou fundo e sorriu fraquinho, meneando um sim com a cabeça. Ethan não acreditou, mas deu os ombros. Pegou duas xícaras na prateleira a sua frente e encheu de café, entregando uma delas a mulher. agradeceu e deu um grande gole. Sua mente estava longe. Percebeu que Dougie a olhava com o canto dos olhos e riu baixinho, virando a cabeça na direção dele e o vendo disfarçar muito mal. Não conseguiu segurar seu sorriso. Deixou a caneca em cima da pia e se afastou para a saída, parando na frente de Dougie para dar um tapinha em seu ombro em agradecimento. Dougie ficou vendo a mulher se afastar. Nunca tinha notado como ela cheirava bem.

***


passou o resto do dia olhando por cima do ombro, temendo que Patrick viesse chamá-la para conversar. Ela havia conseguido flagrar ele a olhando da porta de sua sala algumas vezes, mas ele não havia tentado outra aproximação. A mulher torceu para que não precisasse passar por aquela situação novamente.
No fim do expediente ela juntou suas coisas e caminhou em direção ao elevador do lado de fora do escritório. Dougie já estava parado a frente das portas de metal, esperando, com sua jaqueta de couro que usava quase todos os dias e seu capacete pendurado em seu braço. Ela se pôs ao lado dele e sorriu, sendo retribuído pelo rapaz.
— Boa noite. — uma voz soou atrás deles e respirou fundo, cruzando os braços na frente do corpo. Ele se colocou do outro lado da mulher e fixou os olhos nela. — Precisamos conversar.
O elevador chegou no momento em que ele terminou de falar e os três entraram. Dougie havia colocado o fone de ouvido e cantarolava a música que estourava em seus ouvidos.
, por favor, precisamos encerrar aquela nossa conversa. — a mulher rolou os olhos e deu um passo para trás para apoiar as costas no fundo do cubículo. Desviou os olhos castanhos para o homem e então disse:
— Eu não tenho o que conversar com você. Nosso assunto foi encerrado a 10 anos atrás. — Patrick abriu a boca para protestar, mas ela completou. — Nosso relacionamento vai ser estritamente profissional. Pare de querer reviver essas merdas de antigamente.
Patrick continuou falando sobre como ele precisava se explicar e se desculpar. nunca havia reparado como a viagem até o térreo era demorada. Quando o elevador se abriu, ela se apressou em deixar o cubículo e o prédio, mas o chefe a seguiu e a segurou forte pelo braço.
— Por favor, . Me deixe levá-la até em casa. — a mais nova tentou se soltar do aperto do braço, mas Patrick não queria deixar que ela fosse. — Eu só quero trocar algumas palavras com você para nos acertamos.
— Me solta, Patrick. — ela pediu nervosa, ainda tentando se desvencilhar. — Me solta agora!
...
— Pronta pra ir, ? — uma voz soou atrás deles e eles desviaram o olhar. Dougie estava parado a alguns passos deles, observando a discussão já a algum tempo. Ele havia percebido a tensão palpável no elevador e resolveu observar de longe. Pensou em não interferir, mas a garota parecia estar realmente nervosa. Patrick apertou os olhos e abriu a boca para mandar o designer ir embora, mas aproveitou do seu momento de distração para soltar seu braço e caminhar até o colega de trabalho. — Tenha uma boa noite, senhor Scholz. — o rapaz disse e sorriu, antes de passar o braço ao redor dos ombros da mulher e a guiar até onde sua moto estava estacionada, fora da visão do editor.
Quando chegaram até o veículo, ele tirou o braço da garota e pôs as mãos nos bolsos. — Você tá bem? — perguntou preocupado. Ela soltou um uhum tímido e secou com as costas da mão um par de lágrimas que haviam descido pelo seu rosto. — Qual sua situação com o senhor Scholz?
— É complicado. Mas obrigada por me tirar de lá, Dougie. — o rapaz deu os ombros e subiu na sua moto, estendendo o capacete na direção de . A garota pegou o objeto e olhou confusa para o homem. — Eu não vou com você. Eu não gosto de motos.
— Eu prometo ir devagar. Você me parece tensa demais pra sair andando sozinha por ai. Só me fala onde você mora.
ponderou por um minuto e suspirou. Seria bom chegar em casa rápido. Ela subiu atrapalhada na moto -- fazendo Dougie rir quando quase o derrubou -- e o abraçou firmemente pela cintura, depois de colocar o capacete bem preso em sua cabeça. Praguejou por ter ido de saia bem naquele dia. Quando a moto roncou entre suas pernas, resmungou e apertou ainda mais o abraço no colega. Sua mão estava suando e escorregou, indo parar na barriga de Dougie, que tinha a camisa meio levantada após o abraço desajeitado de . Dougie sentiu um arrepio percorrer seu corpo com o toque, mas tentou colocar na cabeça que era frio e saiu com a moto.
Dougie ouvia a garota choramingando de medo e ria. Quando parou no sinal após algum tempo, virou um pouco a cabeça e viu que tinha os olhos bem fechados e uma expressão infeliz em sua face. Ele pediu para a outra abrir os olhos, mas ela balançou a cabeça depressa e escondeu o rosto nas costas do mais novo.
Quando finalmente a moto parou na frente do prédio de , ela precisou de ajuda para descer. Suas pernas estavam tremendo muito para conseguir descer sozinha. Mesmo com a ajuda, ela quase foi ao chão. Ela tirou o capacete e tentou ajeitar o cabelo, que havia ficado todo amassado. Passou a mão no rosto suado e tentou ajeitar a roupa amarrotada. Percebeu que estava morrendo de frio.
— Obrigada pela carona, Dougie. E por mais cedo. — ela falou timidamente, tirando uma mecha de cabelo da frente do rosto. Não queria imaginar qual era o estado dos seus cachos.
— Sem problemas, . É melhor eu ir. Até amanhã.
Andrey esperou Dougie partir com a moto e entrou no prédio, logo chegando em seu apartamento. Largou as chaves sobre a mesa de jantar e se largou no sofá. Pensou em ligar para David, mas estava cansada demais para ir buscar seu telefone na bolsa largada sobre a mesa. Pensou em Dougie e em como ele havia sido gentil em lhe proteger mais cedo. Ele não era tão estranho como ela imaginava.


Capítulo 03

Alguns dias se passaram sem que Patrick tentasse outra investida para falar com a mulher. Ele ainda a observava de longe, mas Dougie sempre estava por perto nos momentos em que começava a se aproximar de . A mesa dele nem era tão próxima assim da mesa da editora, então Scholz acreditava que estava sendo vigiado pelo designer. E isso o estava deixando bastante irritado. Não havia tido uma única chance de estar sozinho com a ex-namorado.
Ele chegou em casa após um longo dia. Havia ficado muito além do expediente. Um grande lançamento estava programado para as próximas semanas, então todos estavam trabalhando feito loucos. Estacionou o carro dentro da garagem e saiu, entrando em casa pela porta que havia ali para conectar a casa e a garagem. O lugar estava silencioso e escuro. Sobre a ilha da cozinha, jazia uma pilha de louça suja. Brittany nunca lavava a louça. Ele abriu o microondas e o forno em busca de comida, mas não tinha nada. Brittany nunca deixava comida para ele. Scholz preparou rapidamente um macarrão instantâneo e comeu na mesma rapidez, queimando a boca no processo. Em seguida subiu para o segundo andar, onde o único ruído vinha do quarto no fim do corredor. Ele entrou no quarto de Mackenzie e viu a garotinha dormindo encolhida em sua bonita cama com docel. Todos os brinquedos estavam espalhados e ele quase caiu duas vezes enquanto tentava chegar na cama para cobrir sua filha. Em seguida foi para o quarto de Henry. Ao contrário da garota, ele quase estava caindo da cama. Patrick o ajeitou, mas sabia que logo ele ficaria todo torto na cama de novo.
Ele saiu do quarto do filho e caminhou para o seu próprio. Respirou fundo e girou a maçaneta, adentrando o recinto. Brittany estava deitada de bruços na cama, usando apenas lingerie. Seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo alto e a luz reduzida do quarto a deixava especialmente sexy. Em outros tempos, isso deixaria Patrick "no ponto", mas a muito tempo a situação não era aquela. A muito tempo ele não sentia desejo por sua esposa. Não por seu corpo, mas por seu jeito. Ela agora era como uma sombra irritante que ele era obrigado a aguentar.
Brittany estava entretida no celular, mas desviou o olhar quando ouviu o clique da porta se fechando. Ela olhou para o marido e deu um meio sorriso, voltando a olhar para suas redes sociais. Patrick rolou os olhos e foi para seu armário pegar uma roupa limpa para vestir. Pegou um pijama confortável e estava para se afastar quando sua atenção foi atraída para uma caixa em uma das prateleiras. Ele a puxou para perto e pegou a chave que ficava grudada no fundo de sua gaveta de meias. Brittany nunca arrumava o armário, então ela nunca acharia seu esconderijo. Abriu a caixinha e de lá tirou algumas fotos especiais para ele. Havia Brittany no dia do casamento, com seu lindo vestido tomara que caia; havia os gêmeos no dia que haviam nascido; havia fotos de seus pais; e bem no final havia uma dúzia de fotos de do tempo em que namoravam. dormindo. comendo. no seu aniversário. no dia dos namorados. Patrick suspirou e bateu a cabeça levemente contra a porta do armário. era perfeita e ele havia jogado tudo fora por alguém que nunca o amou de verdade. Ele se odiava por isso. Ele guardou as fotos novamente e voltou a trancar a caixinha, sentindo um nó na garganta. Odiava relembrar a merda que havia feito. Odiava estar tão perto de e nem poder falar com ela. Odiava que tudo era culpa dele. Ele socou a porta do armário com força, fazendo Brittany perguntar o que estava acontecendo.
Patrick se sentia enjoado e com raiva. Retirou depressa a camisa e a calça, ficando apenas de boxer, e voltou depressa para o quarto. Praticamente pulou sobre Brittany, arrancando o celular de sua mão e jogando longe, enquanto a beijava brutamente e deslizava as mãos pelo seu corpo seminu. Outro dia, outro erro.

***


estava bem satisfeita por finalmente poder ter um dia de folga. Havia sido uma semana terrivelmente estressante em muitos níveis, com o grande lançamento que estavam programando e toda a situação com Patrick. Ela havia conseguido escapar de outras investidas com o auxílio de Dougie, que estava sempre ao lado dela quando sentia que o chefe poderia se aproximar. E era muito grata por aquilo.
Era sábado e a mulher estava sentada na praça de alimentação de um shopping perto de casa. Kaelah estava sentada a sua frente e não parava de falar sobre um casinho que estava tendo com um colega da editora. ouvia a tudo atentamente, achando fofo todo o ânimo da amiga ao falar sobre o rapaz.
— Mas e você e o Dougie? — ela questionou após algum tempo, antes de enfiar uma batatinha na boca. olhou confusa para ela, sem entender a pergunta. — Quer dizer, vocês têm passado bastante tempo juntos. — justificou, sacudindo os ombros. — E vocês até que formam um casal fofo, mesmo ele sendo todo doido e você toda certinha. Tá rolando?
— Querida, você está louca. Nós apenas somos amigos. — Kaelah não pareceu comprar a resposta da amiga, mas apenas sacudiu a cabeça e continuou a comer. bufou, mas não quis estender sua resposta. Era um absurdo, é claro. Mal conhecia Dougie. E tampouco queria um relacionamento naquele momento doido de sua vida.
Ela saiu do shopping após algumas horas na companhia da amiga, carregando um par de bolsas. Pegou um táxi na porta do local e seguiu para casa. Tomou um banho demorado quando chegou em casa e saiu do banheiro enrolada em um roupão fofinho. Sentou na frente de seu computador e abriu uma pasta de fotos do trabalho. Eram fotos de eventos e confraternizações dos cinco anos em que estava na empresa. Não lembrava do nome da maioria daquelas pessoas. Tentou encontrar Dougie em algumas daquelas imagens. Haviam pouquíssimas; e geralmente ele parecia bem desconfortável e sendo segurado pelos colegas de setor. Dougie era muito bonito, isso era visível. Seu cabelo loiro havia dobrado de tamanho com o passar dos anos e seus olhos azuis eram um destaque em seu rosto. E lá estava sua jaqueta de couro. Isso não havia mudado. “Não seria tão ruim assim estar com Dougie”, pensou e riu em seguida, achando bobagem o que havia dito. Dougie era só um amigo.

***


O final de semana passou voando. Dougie acordou com o despertador berrando em seu ouvido e não achou prudente desativar pela quinta vez. Não precisava olhar o relógio para saber que estava quase atrasado. Se arrastou para fora da cama e caminhou com os olhos quase fechados para o banheiro. Ele já dormia sem roupas, então só abriu o chuveiro e se jogou embaixo da água gelada. Arregalou os olhos e arfou quando a água gelada bateu em sua pele. Não demorou mais do que cinco minutos. Se enxugou rapidamente, enrolou a toalha na cintura e voltou para o quarto para escolher uma roupa. Colocou uma calça escura que ficava bem justa no corpo e uma camisa branca. Era no meio de julho, então estava fazendo bastante calor naquele dia para usar sua querida jaqueta, mas resolveu levar mesmo assim. Prendeu o cabelo grande de qualquer jeito e foi para a cozinha. Encheu um copo com o café que havia feito na noite anterior. Ignorou o relógio e se sentou no sofá para tomar seu café com calma, enquanto checava algo no celular. Dougie morava em um apartamento bem pequeno próximo ao centro, seu primeiro e único apartamento desde que deixara a Inglaterra e ido morar sozinho em outro país. Ele já havia ido a outros países, mas sempre acabava em repúblicas e pensões.
Levantou após algum tempo, pegou suas chaves e seu capacete, deixando o apartamento. Subiu em sua moto e acelerou em direção ao trabalho. Não morava tão longe da editora, então não demorou para chegar até lá. Estacionou a moto na lateral do prédio e caminhou apressado para dentro, para o elevador. Deu de cara com Patrick quando abriu a porta da editora.
— Você está atrasado! — o editor-chefe falou, com uma expressão severa no rosto.
— Bom dia — Dougie sorriu e olhou para o relógio em seu pulso. — Só estou literalmente um minuto atrasado. Não precisamos fazer disso uma grande coisa, não é? — ele deu um tapinha no ombro do mais velho e tentou ir para a sua mesa, mas Scholz se colocou na sua frente para bloquear seu caminho.
— Venha comigo.
Dougie suspirou e seguiu o homem através do escritório até sua sala. Viu sentada a sua mesa e a moça moveu os lábios para perguntar: “O que aconteceu?”, ele deu os ombros e entrou no escritório de Patrick, fechando a porta em seguida. Sentou em uma das cadeiras e esperou Scholz começar a falar.
— Sabe, Poynter, sua situação está ficando cada dia mais complicada. — o mais novo ergueu uma sobrancelha, confuso. Trabalhava naquela editora já a algum tempo e nunca havia tido reclamações quanto ao seu trabalho e nem mesmo sobre o seu comportamento. — Trabalhos bem abaixo da média esperada. Atrasos. Comportamento. Não estou feliz.
— Acho que o senhor está equivocado. — começou devagar, ainda tentando assimilar. — Meu trabalho sempre recebeu elogios. Meu comportamento é ótimo. Sou extremamente profissional aqui. E eu nunca me atraso.
— Hoje você atrasou. E ainda nem bateu seu ponto, o que só piora a sua situação hoje.
— Mas eu não bati porque você me chamou aqui.— tentou se defender, indignado. — Isso não é justo.
— Eu não me importo! Eu não quero mais ter problemas. E você sabe bem do que estou falando. — Dougie abriu a boca para rebater, se sentindo nervoso e injustiçado. — Fora da minha sala. Ou vai ficar muito pior pra você.
Poynter se levantou e deixou a sala, batendo a porta com um estrondo e fazendo todos do lado de fora pularem com o susto. Ele caminhou apressado em direção a copa (parando antes para bater o ponto). A sala caiu em um silêncio sepulcral e todos se entreolharam. foi a única que teve coragem de se levantar e ir atrás de Dougie. Ele estava sentado a mesa, a cabeça baixa e uma caneca de café entre as mãos. Ele batia o pé embaixo da mesa e seu rosto era pura raiva. fechou a porta devagar e se aproximou, colocando a mão levemente no ombro do colega e chamando seu nome baixinho. O rapaz virou a cabeça e sua expressão suavizou. Ele empurrou a cadeira ao seu lado com o pé e a mulher se sentou, esticando um pouco o braço para tocar o braço do rapaz com a ponta dos dedos.
— Você tá bem? — ela perguntou cuidadosa. Ele claramente não estava bem, mas o que ela diria?
— Esse Scholz é um filho da puta! — esbravejou, socando a mesa com a mão livre. concordou imediatamente. Não era como se ela não achasse aquilo. Dougie passou a mão rudemente pelo rosto e levou até os cabelos, tirando o elástico que havia colocado mais cedo. — Você quer sair pra beber depois? Eu preciso extravasar um pouco. — a mulher pensou em negar. Era segunda-feira, afinal. Mas acabou concordando para apoiar o rapaz chateado a frente.

***


terminou todo o seu serviço daquele dia e arrumou suas coisas, indo chamar Dougie na mesa dele. O rapaz ainda parecia bem incomodado, porém mais tranquilo. Desceram juntos com Kaelah pelo elevador (a americana deu uma cotovelada na amiga e sorriu sugestiva, mas apenas rolou os olhos) e foram até a moto. ainda não havia se acostumado com o veículo e agarrou Dougie com ainda mais força do que a última vez. O mais novo a levou até um bar que havia perto do trabalho e agradeceu pela viagem curta. Era um lugar bem aconchegante, com quadros de artistas famosos, instrumentos musicais na parede e uma canção do Queen tocando baixinho. Estava surpreendente cheio para uma segunda, mas eles conseguiram um lugar logo. Ela se sentou em uma mesa e ele saiu para buscar duas grandes canecas de cerveja, antes de se sentar à frente da amiga. Ele não demorou para começar a falar do acontecido daquela manhã. ouviu tudo em silêncio, sentindo-se culpada. Sabia que Patrick havia agido daquela forma por Dougie a defender anteriormente.
— Eu sinto muito por isso, Doug.
— Tudo bem. Não é sua culpa.
— Talvez seja. — Poynter a fitou, confuso. suspirou. Se o mais novo estava sendo perseguido, ele merecia saber o motivo. — O Patrick e eu já namoramos.
E então contou toda a sua história com o editor-chefe. Sobre como eles haviam começado um namorico quando eram adolescentes e como a relação havia se fortalecido com o tempo. Contou que havia sonhado em se casar com o homem e que já havia até pensado em nomes para os filhos; ou o que fariam quando terminassem a faculdade. Falou sobre como havia dado o maior apoio para Patrick passar um ano estudando fora e como eles não haviam passado um único dia sem se falar por Skype, e que até cartas haviam mandado naquele período. Falou sobre como tudo estava normal até um dia antes de ele pegar o avião para casa. Contou como havia tido o coração destroçado quando ele disse que não a amava mais e que se casaria com alguém que havia conhecido na viagem. Contou como havia sido avisada que eles haviam se casado depois de três meses do fim. Contou sobre como nunca mais havia tido uma relação significativa depois daquilo, tamanho o medo de ser passada para trás novamente. E ela estava sentindo vontade de chorar quando acabou de falar.
Dougie não sabia o que falar. Não estava esperando por aquilo. Podia ver que a garota havia ficado abalada. Ele se levantou de seu lugar e foi se sentar ao lado dela, a puxando para um abraço. fungou e escondeu o rosto no ombro do amigo, fazendo força para não se acabar de chorar ali. Eles se afastaram após um minuto ou dois, e seus olhos se encontraram. parecia hipnotizada pelo olhar do amigo. Dougie levantou a mão e encostou no queixo da garota, passando o dedo levemente por sua bochecha. Seus olhos baixaram dos olhos dela para seus lábios. Ele queria um beijo. Umedeceu os lábios com a língua e voltou a olhá-la nos olhos. Sua respiração estava acelerada e ele tentava colocar a cabeça no lugar. Ele queria um beijo, mas não queria que a mais velha achasse que ele estava se aproveitando. Antes que pudesse se afastar, ela se curvou e grudou seus lábios. não sabia de onde havia tirado a coragem para fazer aquilo. Só soube que não podia esperar. Entreabriu os lábios e sua língua encontrou a de Dougie, envolvendo uma a outra de modo lento. Sentiu o gosto de cerveja e de cigarro, mas não se importou. Sentiu o toque quente da mão de Poynter na pele exposta da sua cintura e se arrepiou inteira. Seus dedos se perderam nos cabelos do mais novo e ela puxou a cabeça dele para mais perto. Não tinha percebido que queria aquilo tanto assim. O beijo se partiu após um minuto. Dougie deu um selinho e prendeu o lábio inferior dela levemente com os dentes, antes de encostar na boca dela de novo e se afastar de verdade dessa vez.
Ninguém falou. tinha abaixado a cabeça para a sua caneca com cerveja pela metade, sentindo o rosto arder de vergonha. Sentia o olhar de Dougie sobre ela, mas não queria levantar o rosto para olhar. Torcia para ele não falar nada. Seu coração batia acelerado dentro de seu peito e ela esfregou as mãos suadas na sua calça jeans.
— Quer que eu te leve pra casa? — Dougie perguntou após o que pareceu ser uma eternidade em silêncio. concordou e se levantou depressa, catando sua bolsa e caminhando para fora. Dougie chegou após alguns minutos e juntos subiram na moto, o rapaz pilotando para o endereço dela.
desceu desajeitada da moto após chegar na frente de seu prédio e Dougie a acompanhou.
— Obrigada por sair comigo. Foi muito legal da sua parte.
— Era o mínimo que eu podia fazer — ela esticou os lábios em um sorriso sem dentes e olhou para trás, para seu prédio. — É melhor eu entrar. Temos que acordar cedo.
Dougie meneou com a cabeça e se curvou na direção dela. Grudou os lábios em sua bochecha em um beijo demorado e sussurrou um boa noite com sua voz grossa no ouvido dela, antes de se afastar e subir novamente em sua moto. Ele esperou a mulher entrar no prédio e foi embora, com um sorriso enorme no rosto.


Capítulo 04

Nenhum dos dois mencionou o beijo no dia seguinte e nem no resto da semana. Mas era nítida a tensão que existia entre os dois, até para quem olhava de fora. Kaelah não perdeu a chance de comentar, mas só sorriu amarelo em resposta.
Patrick olhava toda a situação de longe, com inveja e raiva. Sua vontade era dar um soco na cara de Dougie e o colocar no olho da rua, mas sabia que Bob Ville não permitiria. Poynter era um funcionário exemplar. O dono da editora nunca aceitaria sua demissão. Então ele ficava em silêncio, esperando uma chance que estivesse “sem aquele abutre” por perto para poder se aproximar dela. Ele sabia que ainda existia algum sentimento ali e ele iria se aproveitar.
O dia estava muito agitado para todos. Estava próximo da época em que teriam mais lançamentos literários e ainda havia o tal livro do autor famoso que precisava estar perfeito. Todo mundo estava atolado de trabalho até o pescoço e fazendo hora extra para conseguir terminar todos os projetos dentro do prazo. Bob odiava quando algo era atrasado. Mesmo não ficando ali na empresa, ele recebia sempre relatórios sobre como estava tudo.
estava fazendo hora extra pela terceira vez naquela semana. Estava trabalhando em muitas coisas ao mesmo tempo e seu cronograma era muito apertado. Havia dispensado Kaelah e Dougie, que haviam se oferecido para esperar ela acabar. Haviam pouquíssimas pessoas no escritório até aquela hora. Quando ela acabou tudo o que precisava fazer naquele dia, ajeitou as coisas sobre a mesa e na própria bolsa, desligou o computador e já estava pronta para sair quando ouviu Patrick a chamando de sua sala. Ela franziu a sobrancelha e crispou os lábios, irritada. Só queria ir para casa. Ela largou suas coisas sobre sua mesa e caminhou para a sala do editor-chefe. Abriu a porta e a fechou, antes de se virar na direção.
— O que você quer, Patri- — parou de falar quando viu que ele não estava em sua mesa. Quando virou a cabeça para olhar ao redor, foi surpreendida com um beijo. Arregalou os olhos com o susto, enquanto Patrick forçava sua língua para dentro de sua boca e a empurrava em direção a mesa. Ele a fez se sentar e se colocou no meio de suas pernas, espalmando a mão em seu joelho e subindo devagar para sua coxa, apertando. Sua outra mão estava enrolada em seu cabelo. Ele puxou a cabeça dela para trás e desceu seus lábios para seu pescoço, mordiscando e sugando. sentiu a mão do homem subindo em sua perna, chegando perigosamente perto de sua calcinha. Foi quando algo pareceu dar um click em sua cabeça e ela o empurrou com força. Reuniu toda a sua força e deu um tapa no rosto de Scholz, antes de sair correndo para fora da sala. Pegou suas coisas e foi para o elevador. Encostou as costas na parede do cubículo e levou as mãos aos lábios. Sua cabeça estava em chamas. Suas pernas tremiam tanto que parecia que ela iria cair. Sentia o estômago se revirando e não sabia se eram borboletas ou vontade de vomitar.
O que diabos tinha acontecido?

***


não apareceu no trabalho naquela sexta-feira, sem dar nenhuma satisfação nem mesmo aos colegas de trabalho. Nem no final de semana. Ela se escondeu na casa de David pelos três dias. David que estava realmente furioso após a amiga contar o acontecido com o ex-namorado dela. O amigo geralmente era uma pessoa super gentil, delicado e paciente. nunca havia o visto tão zangado.
— E esse cara novo? Dougie? — Pierre perguntou uma hora, após ouvir o noivo reclamar sem parar sobre Scholz e falar como queria dar uma surra no homem.
— Ele é legal. Não o conheço tão bem. — deu os ombros. — Ele me salvou de uma boa com, bem, você sabe quem.
— E como vocês acabaram se beijando? — David questionou, mostrando interesse no assunto. Estava bem mais calmo. deu um sorrisinho sem graça.
— Só aconteceu. Saímos para beber um dia e rolou.
— Hum. E quando vou poder conhecer esse pretendente em potencial? Eu sou seu melhor amigo, preciso ver se ele é ok.
— E o que você quer que eu faça, Dave? Mande uma mensagem ao cara que beijei uma única vez e pergunte se ele quer sair para comer uma pizza comigo, meu melhor amigo e o noivo dele? — David balançou a cabeça afirmativamente. rolou os olhos. — Você é doido. David? EI!
David havia pego o smartphone da amiga e corrido para o banheiro com ele. foi atrás e tentou abrir a porta, mas ele já a havia trancado. socou a porta e cruzou os braços. Sabia perfeitamente bem o que o amigo estava fazendo lá dentro e já sentia seu rosto arder de vergonha.

Duas horas depois, ela estava com o casal na porta de uma pizzaria do bairro, esperando Dougie chegar. ainda não conseguia acreditar que David havia se passado por ela é convidado o colega de trabalho para sair. E tampouco acreditava que o garoto tinha aceitado tão fácil. Mas tinha. E alguns minutos depois de eles chegarem, a moto de Poynter parou na frente deles. Ele desligou o veículo e tirou o capacete, libertando seus cabelos loiros e os jogando para trás com um balançar de cabeça que fez David arfar e Pierre lhe beliscar discretamente. Dougie se aproximou e parou na frente de . Ele estava muito bonito, como sempre, com uma calça jeans clara, uma camisa preta estampada com a marca de alguma banda e - para a surpresa de - uma jaqueta jeans vermelha.
— Olá! — ele a cumprimentou, antes de se virar para os outros dois e se apresentar com um aperto de mão. — Sou Dougie. É um prazer conhecer vocês.
— Sou David e esse é Pierre, meu noivo. O prazer é todo meu. — respondeu David, com um grande sorriso em seu rosto. — Ouvi falar muito bem de você.
— Oh! É verdade? — Dougie deu um sorrisinho de lado e olhou para , que rolou os olhos e balançou a cabeça como se dissesse para ele deixar para lá.
— Vamos entrar para procurar um lugar para sentar. — Pierre falou, abrindo a porta ao seu lado para David passar primeiro. Quando se mexeu para entrar no estabelecimento, Dougie se colocou à sua frente e falou.
— Obrigado por me convidar. Eu achei que você estivesse fugindo de mim — ele deu os ombros, tentando parecer que não se importava. achou fofo. — Fiquei bem surpreso.
sorriu, não sabendo o que responder. Não podia dizer que havia sido coisa de David, sem qualquer dedo de iniciativa dela. Pela primeira vez, ela reparou que o rapaz trazia consigo dois capacetes. Olhou para ele, erguendo uma sobrancelha e uma expressão confusa. Dougie riu baixinho e coçou atrás da cabeça, encabulado.
— Pro caso de você querer que eu te leve até em casa. — ele explicou, se apressando em acrescentar. — Você não precisa ir, mas se você quiser vai ser um prazer.
— Vai ser um prazer ir com você.
Dougie sorriu e acenou com a cabeça, abrindo a porta da pizzaria e dando espaço para a garota entrar. David e Pierre já estavam acomodados um ao lado do outro, fazendo o pedido das bebidas para o garçom que estava em pé ao lado. David deu um sorriso bem sugestivo quando viu os outros dois se aproximando e piscou um olho para a amiga, fazendo ela ruborizar e balançar a cabeça em desaprovação, enquanto sentava na cadeira ao lado de Dougie.

***


— Então, Dougie, por que você decidiu deixar a Inglaterra? — Pierre perguntou certa hora. Já estavam no restaurante a mais de uma hora e duas grandes pizzas estavam na mesa, já parcialmente comidas pelos amigos.
— Eu sempre tive interesse em conhecer o mundo — respondeu, antes de bebericar seu refrigerante. — Eu tive um término complicado antes de vir para cá e achei que era a melhor hora de partir. Fui em alguns países e decidi me estabelecer aqui, no Canadá.
— E onde você esteve?
— Bem, assim que deixei Londres, estive na França por alguns dias. Mas isso foi como uma viagem de despedida. Fui com meus companheiros de banda.
— Banda? — questionou, bastante curiosa.
— Eu tenho uma banda, lá em casa. Fizemos um relativo sucesso, mas entramos em hiato quando decidi sair pelo mundo. — respondeu e suspirou. Seus amigos e sua banda eram do que ele mais sentia saudade. Ele tossiu para limpar a garganta e continuou. — Depois fui para o Japão. Fiz trabalho voluntário em um vilarejo na África. Passei uns seis meses na Austrália. Tive bons amigos no Brasil e Argentina. Fiquei um tempo nos Estados Unidos. E quando o dinheiro começou a acabar, consegui o emprego na editora e aqui estou eu.
— Isso é realmente impressionante. — David disse, admirado. — E você pensa em voltar?
— Talvez um dia. Eu estou gostando cada vez mais daqui.
David não pode evitar um sorriso e olhou para a amiga. estava de cabeça baixa, fingindo estar cortando a pizza em seu prato para fugir do olhar do amigo. Um sorrisinho de canto surgiu em seus lábios.

***


Eles saíram da pizzaria após duas horas. Pierre e Dougie haviam descoberto algumas coisas em comum, então pararam em frente a moto do mais novo para conversar sobre o show de alguma banda que teria no próximo mês. David aproveitou que os outros estavam distraídos e arrastou a amiga para longe para que pudessem conversar sem serem interrompidos.
— Ele. É. Incrível. — falou pausadamente, fazendo a amiga dar uma risadinha.
— É sério, . Ele parece ser tão gentil e sem toda aquela frescura que você sabe que o Patrick tinha.
— Nós só somos amigos, Dave. Não tenha esperanças de que vai rolar alguma coisa.
— Mas você quer? — olhou por cima do ombro do amigo, para onde Dougie e Pierre ainda conversavam. O britânico desviou o olhar para a amiga e percebeu que estava sendo observado. Ele sorriu de canto e piscou um dos olhos, antes de voltar sua atenção a Pierre. olhou para David e apenas deu os ombros. O rapaz não conteu um gritinho empolgado e puxou a amiga para um abraço. Ele sabia que algo iria acontecer entre aqueles dois.

***


Dougie saiu de casa mais cedo que o habitual naquela segunda-feira e tomou um caminho contrário ao trabalho. Havia combinado com que iria buscá-la em casa e dar-lhe carona, mesmo sendo completamente fora da rota dele. Quando chegou em frente ao prédio dela, já estava esperando por ele, encostada na parede do lugar. Quando ela viu a moto do colega de trabalho se aproximando, ela caminhou saltitante até o colega, seus cachos voando para trás com o vento. Ela parou ao lado do amigo, que já havia retirado o capacete, e se curvou para dar um beijo em sua bochecha. Ela já havia andando de moto com Dougie algumas vezes agora, então subiu na moto sem se atrapalhar tanto como o usual.
Entraram na editora cinco minutos antes do horário e foram tomar café na copa. Kaelah havia trago uma cesta de muffins e ambos se serviram de um. Dougie estava falando sobre como tinha se divertido na noite anterior, quando Patrick entrou na sala. sentiu seu corpo ficar tenso e se mexeu desconfortável em sua cadeira, abaixando a cabeça para mirar a caneca entre suas mãos. Ao seu lado, Dougie bufou. Patrick olhou para o par com uma sobrancelha arqueada e caminhou até o armário, pegando uma xícara estampada com o logo da empresa e se servindo de café. Puxou uma cadeira e sentou ao lado de , que tentou arrastar a cadeira para longe do editor-chefe.
— Então… — ele começou a falar, antes de beber um gole do café. — Sobre o que estavam falando?
— Nosso final de semana. — Dougie respondeu, fitando Patrick com os olhos semicerrados. Scholz quase engasgou com seu café. Tossiu e limpou um pouco de café que havia escorrido pelo canto da boca.
— Vocês passaram o final de semana juntos? — ele perguntou, olhando de um para o outro, com medo da resposta. levantou um pouco o rosto para olhar Dougie e ver sua resposta. O mais novo deu os ombros e se levantou, largando sua caneca na pia e chamando a amiga para sair da sala com ele, que foi sem pestanejar. Patrick sentia o rosto queimar e se controlou para não tacar sua caneca na parede. Ele não iria aceitar perder novamente. Ele iria lutar por ela.

***


Depois de passar três dias sem tocar no trabalho, estava muito atrasada. Não parou nem mesmo para almoçar, se contentando com os muffins de Kaelah que haviam sobrado na cesta daquela manhã. Dougie havia passado algumas vezes em sua mesa só para bater papo e havia lhe trago até chocolates. gostou ainda mais dele depois disso. Um pouco antes do fim do expediente, um entregador entrou na editora com um grande buquê de rosas e atraiu a atenção de todos. Ele parou para perguntar algo a Dougie e o rapaz fez uma careta estranha, antes de apontar na direção de . O entregador foi até a mesa da mulher, sendo escoltado por Dougie, e entregou o buquê.
— Bonitas flores — o designer falou depois que o entregador havia ido. — É alguma data especial?
— Sendo bem honesta, eu não sei — respondeu enquanto vasculhava as flores atrás de algum cartão. Não que precisasse. Ela sabia perfeitamente bem quem havia lhe mandado aquilo. Olhou disfarçadamente para a sala de Scholz e o viu conversando com Bob Ville na porta de sua sala. Sua vontade era ir até lá e tacar o buquê em sua cara, mas não podia fazer aquilo; pelo menos não com a presença de Bob ali. Se virou para falar com Dougie, mas ele já havia voltado a sua mesa.
— Atenção todos! — Bob falou alto, após algum tempo, na frente do escritório onde todos podiam vê-lo. — Como todos sabem, o grande lançamento do senhor Frank Jones já é nesse sábado e teremos um grande evento de lançamento, com muitas personalidades e jornalistas. Vocês todos estão convidados e eu exijo que todos estejam muito bem arrumados e preparados para qualquer contratempo. Vocês são o rosto da empresa, entenderam?
gemeu baixinho em desgosto. Ela sabia como eram esses eventos. Tudo muito chique e com autores de nariz em pé. Faria tudo para ficar em casa, mas não podia se dar ao luxo de contrariar Bob. Principalmente tendo ela trabalhado um pouco no livro. Precisava de um vestido novo.
Bob foi embora pouco depois de seu pronunciamento e lentamente o escritório começou a se esvaziar. precisou dispensar a carona de Dougie, afinal não conseguiria se manter na moto com um braço com aquele buquê enorme. Mas tampouco poderia dar mole de ser encurralada novamente por Patrick. Resolveu dividir um carro com Kaelah, que estava saindo ao mesmo tempo que ela.

***


O horário do almoço do dia seguinte foi dedicado a buscas por roupas. e Kaelah saíram juntas do escritório e foram até uma galeria de lojas que havia perto do trabalho. Kaelah lhe atualizava sobre o cara do escritório que estava vendo já a algumas semanas.
— E quem é esse príncipe encantado, afinal? — perguntou distraída, enquanto olhava os vestidos pendurados em uma arara da loja em que estavam. — Você nunca me disse o nome.
— Eu ainda não posso contar. — Kaelah pareceu chateada, e completou. — Ele é casado.
— Kaelah…
— Ele está se separando. Mas ele não quer que nenhuma história errada chegue aos ouvidos dela antes que esteja tudo pronto. Parece que ela é maluca.
crispou os lábios e balançou a cabeça, mas decidiu não estender o assunto. Só torcia para ninguém se machucar naquela história.
Elas voltaram ao escritório ao fim do almoço e foi interceptada por Poynter assim que pisou no escritório. Ele não havia falado muito com ela desde que ela recebera o buquê de flores no dia anterior. Kaelah havia dito que ele tinha ficado enciumado, possibilidade está que havia feito rir como uma adolescente.
— Ei . — o rapaz chamou, acenando com a cabeça para a copa. Kaelah se despediu da amiga e caminhou com a cabeça, olhando por cima do ombro para os dois. Eles entraram no cômodo e o rapaz encostou a porta, virando para a garota. Ele parecia desconfortável. Tinha as duas mãos nos bolsos da calça jeans e no rosto uma expressão engraçada.
— Você bem sabe que temos essa estúpida festa nesse final de semana e eu gostaria de saber se você gostaria de ir comigo? — As palavras saíram de sua boca bem rápido e achou fofo seu nervosismo. — Não é como se fosse um encontro e nem nada disso, mas essas festas são tão chatas e eu achei que seria mais suportável se fossemos juntos… Se você quiser. Pode dizer “não”. Eu não vou ficar chateado e nem nada disso.
— Eu vou adorar ir com você, Doug.
Dougie tentou se controlar, mas um grande sorriso tomou seus lábios após a fala da mulher. Eles trocaram mais algumas palavras e ela deixou o recinto, deixando um beijo na bochecha de um Dougie visivelmente animado.


Continua...



Nota da autora: Ooooi oi! Como vocês passaram essas loucuras de fim de ano? Espero que tenha sido espetacular!
Eu estou amando escrever essa história. Não lembrava o quanto tava com saudade de fanfic hahaha Espero que estejam gostando. <3 Logo volto com mais!
Beijos @ancmag



Qualquer erro no layout dessa fanfic, favor avisar no meu e-mail.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


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