FFOBS - 3:15, por Daisy Berry

Última atualização: 05/10/2019

Prólogo

Quando era mais nova, só conseguia dormir após uma história bem contada e um beijo de boa noite. Toda noite, sua avó a colocava debaixo das cobertas, contava um fato de sua juventude e a cobria de beijos. Nesse dia em especial, após terminar de ajeitar o travesseiro da neta, a mais velha proferiu a frase que a perseguiria para o resto de sua vida.
- O mundo é dos sonhadores, pequena, então sonhe sem medo – disse, ao mesmo tempo que colocou uma mecha do cabelo da mais nova atrás de sua orelha.
Poucos dias depois, a mulher veio a falecer, deixando uma acabada. Ela e sua avó sempre foram muito próximas. Entretanto, a vida continuou e os ensinamentos da mais velha permaneceu no coração da garota, de forma a muitos de seus objetivos terem sido antes sonhos. E viver uma aventura longe de sua terra natal era um dele.
Ao entrar na fila para embarcar no avião, não conseguiu parar de balançar sua perna por conta do nervosismo. Além de ter um medo imenso de andar no pássaro de metal, dali a algumas horas, estaria pousando na cidade de Los Angeles. Mal conseguia acreditar que a cidade dos anjos seria a sua casa nos próximos meses. Só faltavam, agora, mais seis horas de voo do seu maior sonho – após quase doze horas dentro de um avião para os EUA, o percurso New York para Los Angeles era o menor de seus problemas.
Quando adentrou na aeronave, a mulher teve que procurar seu assento o mais rápido possível, já que a aeromoça acabara de avisar que as portas seriam fechadas e que a aeronave estava pronta para decolar. Sem demora, pôs sua mochila no compartimento designado, e pulou as pernas de seu vizinho da cadeira para finalmente se acomodar ao lado da janela. O garoto em questão, dormia tranquilamente no assento do corredor, no entanto, acabou acordando quando, no meio do processo de ultrapassá-lo, caiu em seu colo.
- Desculpe – uma versão vermelha da mulher falou. Meu Deus, tinha como ser mais estabanada?
O homem, com um sotaque carregado e arrastado, pronunciou algumas palavras em resposta, recebendo somente um sorriso amarelo de volta. Tudo isso porque sua cabeça vagava para outro lugar no momento; mais especificamente, na decolagem. Já disse que odiava avião?
Tendo finalmente se acomodado em sua cadeira, a brasileira afivelou seu cinto mais do que depressa e esperou as recomendações padrões dos comissários de bordo terminarem. O avião por fim, começou a se movimentar e em resposta a esse fato, agarrou bem forte os braços da cadeira, até os nódulos de suas mãos ficarem brancos. Fechou os olhos no momento em que a aeronave saiu do solo, permanecendo assim que já estivessem taxiando no céu, rumo ao seu destino.
Ainda anestesiada com a sensação de estar voando, uma risada chegou aos seus ouvidos. Ela abriu os olhos, bufando forte.
- Então você tem medo de avião?
Em um primeiro momento, a garota não entendeu que falavam com ela. Somente quando o rapaz repetiu de forma mais lenta a mesma frase que a menina percebeu que seu vizinho puxava papo com ela. Ele deveria estar achando que não entendera seu inglês ou que era retardada, só podia. Já não bastava ter sentado no colo do homem, agora seria tachada de burra!
– Oh! Desculpe, eu achei que o senhor estivesse falando com outra pessoa - respondeu um tanto afobada - Sim, eu tenho medo de avião.
– Mas por que você tem medo se esse é o meio de transporte mais seguro do mundo?
– Na verdade, o meio de transporte mais seguro do mundo é o elevador. O avião é só o segundo mais seguro – retrucou a brasileira, percebendo tarde demais que sua fala tinha saído ríspida demais – Desculpe.
- Não precisa pedir desculpas. Eu não sabia dessa informação – o rapaz de bem redondo, olhos puxados e uma risada encantadora continuou - Eu me chamo Jacob, inclusive.
- Prazer, Jacob. Eu me chamo – estendeu sua mão para apertar a do rapaz.
E durante o restante da viagem, os dois não pararam mais de falar.


Capítulo 1

It's the Sunrise/ And those brown eyes, yes/ You're the one that I desire/ When we wake up/ And then we make love/ It makes me feel so nice.
Best Part feat. Daniel - HER


Há três meses que Jacob Batalon só falava sobre uma garota que havia conhecido num voo de New York para Los Angeles. O encanto do homem era visível, sempre arrumando um jeito de trazer o nome dela para o meio da conversa. Já tinha escutado tanto falar sobre a menina que até, uma vez, em meio a uma chamada telefônica com sua mãe, sem querer a chamou pelo nome da mulher. Sua sorte foi que Nikki deu uma de suas risadas e o questionou se esse era o seu novo affair.
Thomas sentia como se a conhecesse a séculos de tanto que ouvia suas histórias, mesmo sem nunca ter posto os olhos em sua silhueta. Dessa vez, Jacob contava sobre o que fizera com a menina e as amigas da mesma durante o fim de semana. Algo sobre irem passear em um parque de diversões e uma delas se perder no caminho. Thomas não se importava realmente. Encontrava-se agitado demais para esboçar algo além de indignação.
- Cara, nós vamos nesse prédio? – indagou Jacob no momento em que Tom estacionou o carro alugado na frente de um prédio cinza baixo. Antes mesmo de ouvir uma resposta, o rapaz continuou – A ...
- Jacob, será que podemos por favor esquecer de terceiros agora e focar no nosso objetivo aqui? – com um tom meio estridente, o ator fez o pedido misturado com uma súplica.
Batalon balançou a cabeça concordando e sibilou um pedido de desculpa. Não entendia o porquê de o britânico estar tão agitado naquela manhã específica.
- Calma, Tom! – uma voz ao fundo do carro exclamou - A gente sabe que você está nervoso e tal, mas não precisa mandar o Jacob calar a boca.
- Eu não mandei ninguém calar a boca, Sam.
- Foi um delicado ‘cala a boca’, sim, maninho – comentou uma segunda voz.
Thomas já estava se arrependendo de ter trago Sam e Harry - dois dos três irmãos Holland – para essa viagem. Além de acabarem com o minibar do quarto de hotel e colocarem na conta do mais velho, os dois não paravam de realizar o hobby favorito dos gêmeos: irritá-lo. Apesar disso, Tom procurava se manter focado no objetivo dos meninos.
Desde que começou sua carreira de ator, o homem sempre foi ligado na ideia de empregar seu talento para ajudar quem necessita. Com a ajuda de seus país, o The Brothers Trust, nasceu; uma fundação que visava arrecadar dinheiro para dar uma vida digna a jovens e adolescentes em necessidade. Ademais a programas para ajudar jovens em hospitais, o TBT também tentava distribuir materiais escolares para escolas de países carentes.
Tudo isso era feito em pequenas doações justamente porque a instituição ainda não tinha uma estrutura muito desenvolvida. Porém, depois de conseguir uma quantia alta com uma das franquias que atuava, sua família decidiu expandir a área de exercício. O propósito era continuar ajudando crianças e adolescentes, mas agora, com uma agenda mais voltada para a juventude deslocada para outros países forçadamente – ou seja, pequenos refugiados.
Infelizmente, por mais que tenha uma boa quantia para investir, ainda não era suficiente para dividir entre muitas fundações, logo era necessário encontrar o local perfeito para aplicar seu dinheiro. Desse modo, Tom e seus irmãos viajaram por vários lugares para isso, sendo aquele prédio um dos contemplados para visita.
- Tom, relaxa! Eu sei que já fazem semanas que estamos tentando achar uma instituição perfeita, mas eu sinto que é esse o local que estamos procurando – confessou Harry, enquanto ligava a sua câmera – Vamos, pois, nosso contato já nos espera na entrada.
Os quatro garotos saíram do automóvel e seguiram até um homem de baixa estatura, de pele morena e uma barba branca combinando com o seu cabelo encaracolado que estava parado na calçada à frente do prédio. Meio corpulento, o senhor com rosto sisudo começou a falar com uma pronuncia que misturava inglês e espanhol.
- Bem-vindos ao Centro Vera Cruz de Los Anjos! Eu sou o senhor Rodriguez e irei mostrar todas as nossas instalações e responder a todas as perguntas que fizerem – ele apertou a mão de todos os convidados, antes de prosseguir com a visita guiada.
Os homens seguiram para o interior do prédio, revelando um cômodo todo cor de creme, com cadeiras de madeira, estofados confortáveis e um grande balcão de granito, onde atrás estavam duas senhoras de meia idade sorrindo para os visitantes. Senhor Rodriguez deu um pequeno aceno para elas que sorriram em resposta e passou pela porta dupla de vidro esfumado.
Já dentro da instituição, o homem guiou os visitantes até o refeitório, bibliotecas, sala de estudo, sala de TV, locais de recreação e até aos dormitórios. Em meio ao passeio, contava a história da instituição, seus objetivos e quem eram as crianças que ali estavam. Ele afirmou que a poucos anos, o Centro havia passado por umas reformas, já que o número de crianças que acolhiam crescera exponencialmente. Todavia, ainda era necessário fazer algumas outras alterações nas acomodações; até porque, a meta deles era retirar todas as crianças estrangeiras existentes na cidade, das ruas.
Ao chegarem no terraço do prédio de dois andares, Tom foi apresentado ao local onde as crianças plantavam e colhiam vegetais para o consumo próprio. Em meio ao monólogo do velho, uma música extremamente dançante chegou aos ouvidos dos meninos. Questionando sobre onde vinha a canção, os rapazes foram encaminhados até uma pequena estrutura mais adiante, o único espaço fechado do terraço, onde aconteciam algumas atividades corporais para as crianças, como explicou o guia.
Ao chegarem na porta de madeira, o Senhor Rodriguez abriu sem qualquer pudor, mostrando uma sala coberta de espelhos e lotada de crianças dançando e pulando em volta de uma pessoa que estava de costas para ele. A primeira coisa que notou foram grandes cabelos pretos que lembravam uma noite escura de inverno.
Assim que a mesma começou a virar na direção dos visitantes, mais características foram notadas. A pele bronzeada natural, a cintura fina e as coxas grossas da mulher eram de tirar o fôlego, entretanto, foram os traços angelicais em seu rosto que captaram toda a atenção do rapaz. Suas bochechas salientes encontravam-se vermelhas de tanto pular e girar com as crianças, e sua boca abria em um sorriso assustadoramente belo. Tom nem sentiu, mas segurou o ar o máximo que podia, como se respirar fosse desmantelar a cena a sua frente.
Sem saber que estavam a observando, abaixou em direção a uma pequenina que chorava. Ao levantar com esta no colo, rodopiou algumas vezes, limpando o rosto da menina. As duas trocaram algumas palavras até que o choro se aquietasse e a garota já estava a todo sorriso nos braços da mais velha. Uma voz, quase parecendo um sussurro o retirou do transe.
- Caramba, a ... – Jacob ia novamente com a ladainha do carro, entretanto, Thomas, cansado de escutar sobre o assunto e irritado com o momento inoportuno praguejou entre os dentes até finalmente proferir palavras de repreensão.
- Jacob!
- Tom – começou meio receoso, enquanto o homem virava sua face franzida em direção ao amigo – Essa É a .
Foi como se tivesse levado um soco! Ainda chocado com a revelação do amigo, Thomas não percebeu quando senhor Rodriguez saiu de seu lado, se locomovendo em direção a uma caixinha de som localizada no canto oposto a porta. O guia desligou a música, escutando várias vozes descontentes, inclusive da mais velha.
- Señorita – assim que a menina virou na direção do som, encontrou um senhor Rodriguez a encarando com um olhar repressor, balançando a cabeça em sinal de negação, como se desaprovasse os atos dela.
- Senhor Rodriguez - respondeu a menina ofegante. Tom achou que fosse impossível ela ficar mais bonita, porém percebeu que encontrava-se errado, quando a mesma alargou ainda mais o sorriso entre seus lábios – O que lhe traz aqui?
- Temos visita, venha.
Após se desvencilhar das crianças implorantes, dizendo que daqui a pouco voltaria, começou a se locomover em direção aos meninos. No momento em que se aproximou, ganhou um carinhoso puxão na orelha do mais velho. Pela primeira vez desde que entraram no local, o homem abriu um sorriso.
- Estes são os irmãos Holland, daquele projeto que eu havia comentado mais cedo com você e esse é...
- Jacob! - exclamou a menina, jogando os braços em volta do pescoço do moreno assim que terminou de falar - Eu não sabia que você vinha aqui hoje! Quando me disse que ia conhecer um projeto voluntário, não imaginei que viria justamente aqui.
- Você sabe que se eu soubesse teria te contado. É que meu amigo Tom está buscando uma fundação para investir, porém quer antes conhecer os estabelecimentos.
Jacob moveu a mão em direção ao amigo, indicando quem ele era, fazendo com que, pela primeira vez, o olhasse. Estar tão perto assim da menina, fez suas pernas bambearem e seu coração bater sem ritmo. A mulher, levantou ambos os ombros e estendeu as mãos para ele, dirigindo-lhe a palavra.
- , prazer.
- Prazer – Thomas estendeu sua mão em direção a da menina, apertando-a rapidamente. Apesar disso, algo que se assemelhava a choques elétricos ainda foi percebido pelo ator.
A mulher, para o desprazer do rapaz, virou em direção aos demais Holland afirmando que eles deviam ser os gêmeos, recebendo confirmações em resposta.
O senhor Rodriguez, afirmou que deixaria os visitantes nas mãos de , que posteriormente sugeriu que sentassem num banquinho de madeira que ficava na frente da sala em questão, para que pudessem conversar mais. A garota perguntou a eles sobre o que tinham visto no prédio e se tinham alguma dúvida quanto quais eram os trabalhos realizados pelo Centro. Contudo, seus irmãos estavam mais interessados em saber como uma menina com características tão joviais acabou se tornando uma voluntária no caso dos refugiados.
- Quando você começou a trabalhar com crianças refugiadas? – indagou Sam, assim que pode.
- Antes mesmo de iniciar a faculdade eu já procurava sobre o assunto, o que me fez ter mais certeza de que gostaria de trabalhar com isso. Inclusive, em meu país de origem, trabalhei na área recreativa para uma organização não governamental que abrigava crianças refugiadas. Foi muito bom trabalhar lá, escutando um pouco da história desses jovens e tentando ajuda-los a ser inseridos na sociedade sem muitos problemas.
- Que legal – comentou um dos gêmeos, logo depois fazendo a pergunta que todos queriam fazer - E quantos anos você tem?
- Vinte e dois.
O fato de que Tom e a menina tinham quase a mesma idade, passou despercebido. O foco dos rapazes era em quão nova ela era para saber tanto do assunto. Assim, os gêmeos continuaram fazendo diversas perguntas a ela, que respondia sem qualquer irritação.
Em algum momento, o havaiano questionou do porquê tantas perguntas sobre a vida pessoal e profissional da menina especificamente estavam sendo feitas, e não sobre a instituição em si.
- Isso tá parecendo uma entrevista de emprego – disse, arrancando uma gargalhada de todos.
Mesmo assim, os questionamentos continuaram. Agora, Tom conseguia entender o tom de admiração que JB utilizava toda vez que falava sobre ela.
- E como você descobriu sobre o projeto? – Tom continuou com o interrogatório.
- Bom, assim que eu cheguei no país, eu procurei alguma organização para ser voluntária e quase acabei me inscrevendo para um programa que ajudava a tratar de cachorros abandonados. No dia que eu deveria me apresentar formalmente nessa instituição acabei cruzando com uma criança perdida. Ela tentava pedir ajuda a pessoas mais velhas que passavam pelas ruas, entretanto ninguém conseguia entender o espanhol dela – suspirou, como se aquela fosse uma boa lembrança – Eu resolvi ajudá-la me comunicando com um portunhol bem ruinzinho. No final, a garota me contou que estava em um abrigo para refugiados, no entanto tinha fugido de lá para tentar encontrar sua mãe. Perdida e não tendo sucesso, ela queria voltar de onde tinha saído, mas não conseguia. Eu fui questionando as pessoas pela rua, até achar esse prédio. Depois disso, nunca mais saí.
A brasileira suspirou forte repousando o olhar na direção do ator pela segunda vez naquele dia. Foi algo muito rápido, mas o suficiente para que Tom sentisse uma conexão avassaladora com a mulher.
- Desculpa se soar uma pergunta meio besta, mas quais são os processos para as crianças conseguirem morar aqui? – dessa vez, Harry foi quem fez a pergunta, se mostrado extremamente interessado no assunto. Causas sociais era com ele mesmo.
- Segundo a lei internacional, qualquer criança até a maioridade internacional tem direito a asilo. O que o governo faz é reconhecer essa criança na fronteira e a encaminhar para cá. Em um primeiro momento nós tentamos suprir as necessidades imediatas da criança como - começou a listar com o dedo – Se ela está subnutrida, se tem algum machucado pelo corpo ou se está bem psicologicamente. Depois nós tentamos recapitular com ela os processos pelos quais ela passou até chegar ao território norte-americano, e por fim, nós tentamos contactar algum responsável legal da criança que reside aqui. Muitas delas não tem ninguém, por isso, esse prédio serve de abrigo para aqueles que não têm para onde ir.
- Então, o governo mete a mão na massa junto com vocês?
- Eles ajudam a gente por assim dizer, principalmente depois que os olhos internacionais se voltaram para cá depois da polêmica onde pequenos mexicanos foram separados de seus pais em 2018. Porém, ainda assim nós temos alguns embates. Nossa luta atual é que o governo quer pegar as crianças desacompanhadas e inseri-las dentro do sistema de adoção, o que não é o ideal, já que elas não foram exatamente abandonadas pelos seus responsáveis legais.
- Não?
- Essas crianças vêm de países em guerra em que os pais ou responsáveis tentam cruzar as fronteiras juntas, no entanto as famílias acabam sendo separadas no meio do caminho. O certo seria achar esse responsável, pois muitos desses, quando sabem onde a criança está, preferem migrar para ir de encontro com ela.
As perguntas continuaram e continuou a responder os questionamentos sem qualquer dificuldade. Ela explicou todo o processo de retirada da solicitação de refúgio até o reconhecimento do status de refugiado, deixando mais uma vez os meninos impressionados com a sua inteligência.
Ao decorrer do papo, Thomas teve uma ideia. Algo que iria além de somente apoiar uma instituição de caridade. Algo mais concreto e que necessitava especificamente de alguém qualificado para o trabalho. Antes de qualquer coisa, tinha que conversar com todos dentro do movimento TBT para só assim fazer a proposta para . Era o futuro da fundação dos irmãos que estaria em jogo.
Não iria mentir, ele queria muito que a aceitasse sua ideia, porque assim, ele poderia ficar cada vez mais próximo dela. E isso era o que mais desejava.


Capítulo 2

Did you know you're on fire/ Did you know that you're beautiful?/Did you know you got me fucked up?/Did you know that you're gorgeous?
Gorgeous- mansionZ


Thomas entrou pela porta dupla de ferro do prédio, sem preocupar em se identificar na entrada. Já tinha passado por ali tantas vezes nas últimas semanas que as duas senhoras da recepção já o reconheciam ao longe.
O homem cruzou o imenso pátio rapidamente, somente acenando para as pessoas que estavam pelo caminho. Ele estava com pressa, já que seu voo sairia em poucas horas. Checando pela décima quinta vez o relógio em seu pulso, deu uma corridinha para chegar mais rápido ao acesso as escadas, descendo um lance para chegar ao seu destino. Haviam várias portas fechadas em seu caminho, no entanto, ao escutar uma gargalhada alta, soube exatamente onde encontrá-la.
Ao chegar em uma das últimas portas, encontrou com uma garota chorosa agarrada a seus braços. As duas eram muito parecidas que chegavam a poder ser confundidas como irmãs. Possivelmente essa era a razão pela qual as duas eram tão próximas. Ademais a esse fato, Tom descobriu posteriormente que Dulce era a tal garotinha perdida que fez a brasileira encontrar o Centro.
- Dulce, eu vou voltar - falou a mais velha, beijando o topo da cabeça da outra em seguida - Prometo.
- Mas porque você tem que viajar? - perguntou Dulce, com a voz embargada.
Antes que pudesse responder, Tom resolveu pigarreou, chamando atenção das duas. Naquele dia, resolvera prender o cabelo em um rabo de cavalo, deixando-a com um ar ainda mais jovial. Parecendo que já sabia quem estava na porta, sorriu antes mesmo de virar para o garoto. Ele nunca iria cansar de ver aquele sorriso.
- Dulce, a irá viajar comigo para fazer algo muito legal para outras crianças do mundo. Prometo trazê-la de volta rapidinho – o ator recebeu um bufo em resposta e um olhar atravessado. Mal sabia Dulce que aquele biquinho a deixava mais fofa.
- Será só uma semana. Quando você piscar já estarei de volta com presentinhos – a maior deu um beijo estalado em ambas as bochechas da mexicana e continuou – Coma direitinho e não vá dormir muito tarde, okay?
Houve alguns protestos, mais recomendações, abraços e beijos até que, por fim a saísse da sala de recreação, com Holland ao seu encalço. O casal seguiu até o fim do corredor principal até uma porta de vidro escrita staff, onde as coisas pessoais dos voluntários eram guardadas. De imediato, o ator procurou por alguma mala grande com todas as roupas necessárias para a próxima semana, entretanto nada encontrou.
- Cadê suas malas? – quis saber o homem, ainda procurando em meio as outras bolsas.
- Aqui – a pegou uma mochila preta de viagem que parecia estar toda abarrotada e colocou nas costas, simplesmente. Tom a encarava incrédulo.
- Okay, agora cadê o resto da bagagem?
- É só isso, Thomas – respondeu dando ombros.
- Você sabe que iremos passar uma semana em Londres, certo?
- Sim – ela deu um passo na direção do homem que ainda a encarava – O que foi?
- Nada! É só que o Harrison deveria aprender algumas dicas contigo.
Tom pegou a mochila das costas da mulher e colocou em sua própria, virando-se em direção a porta daquela sala e para a saída do prédio. Ao seu lado, uma risadinha captou sua atenção. , então indagou o motivo daquela afirmação.
- Para qualquer lugar que nós vamos, o Haz viaja com uma mala grande lotada de roupas e uma mala de mão que contém o que ele chama de preciosidades; ou seja, seus produtos de cabelo.
- Ele estará em Londres nessa semana?
- Até onde eu sei...
- Você irá me apresentá-lo? De tanto que escuto falar dele parece até que já o conheço, mas quero ser apresentada a ele.
o encarou rapidamente com um olhar fofo pidão que era impossível se negar alguma coisa. O britânico balançou a cabeça, deixando seus lábios se alargarem em um pequeno sorriso.
- Pode deixar que irei apresentar você ao meu melhor amigo.
- O Jacob também vai, né?
- Na verdade ele foi hoje de manhã. Parece que ele tem alguns assuntos a tratar na cidade. Ele irá ficar até a nossa viagem de volta.
Não muito tempo depois, os dois chegaram ao automóvel alugado pelo ator. Antes mesmo de dar partida no carro, Thomas encarou mais uma vez o relógio, constatando que faltavam somente quinze minutos para o embarque começar. Ainda resmungando, o homem ligou o carro se arrependendo amargamente de não ter ido buscar mais cedo. Agora, somente por um milagre, iriam chegar a tempo. Claro, somente se o trânsito de Los Angeles permitisse.
No momento em que parou em um sinal no centro da cidade, escutou um suspiro forte vindo do seu lado seguido por um sussurro:
- Eu não sei como me deixei ser convencida por você a fazer isso.
- Como assim? – o desviou sua atenção para a moça, encontrando a brasileira com o olhar perdido para fora da janela.
- Entrar de cabeça em um projeto que ainda nem foi pensado.
- Sendo sincero, nem eu sei como você aceitou isso.
voltou-se na direção do rapaz, encarando-o. Por um momento, viu-se perdido na imensidão dos olhos pretos da garota.
- Às vezes fazemos algumas loucuras inexplicáveis – disse por fim. Ela tornou seu olhar para frente e avisou ao homem – O sinal abriu.
Por sorte, conseguiram chegar e entrar no portão de embarque a tempo. Depois, já na sala para embarque, descobriu que alguns fotógrafos tinham capturado o momento e chamavam de sua nova namorada. Mal eles sabiam que os dois só tinham uma relação estritamente profissional. Mas ele não ia negar que seria interessante se as coisas avançassem para outra coisa.
Após entrarem no avião, que Tom recordou de uma das histórias que Jacob contou sobre a garota. Além de fobia de balões de festa estourando, também tinha medo de avião. Ou seja, as próximas doze horas seriam uma verdadeira tortura para a garota, de modo que Holland começou a ficar preocupado.
Aproveitou que iam sentar lado a lado nas disposições da cadeira, e emergiu a garota em um assunto que sabia que iria distraí-la. mal notou a decolagem e ficou tranquila até metade do voo.
- Eu amo trabalhar com as crianças, justamente por isso sabe?
- Sim. Eu adoro crianças também. Sempre que consigo dou uma passada em hospitais infantis e faço a minha parte.
- Você gosta de ser um super-herói na vida real né? - questionou a garota, fazendo menção ao papel que o garoto vivia nas telas de cinema: Peter Parker, aka, Homem-Aranha.
Veio então um barulho e o piloto do avião declarou que passariam por uma zona de turbulência, ao mesmo tempo que a luz de aviso para se colocar os cintos acendeu. Tom viu a face de ficar branca e segurou sua mão.
O garoto só notou depois o que fizera, mas antes que pudesse fingir que nada tinha acontecido e retirar sua mão, entrelaçou-as com as suas e apertou.
O avião começou a balançar, de modo que a mulher fechou os olhos bem forte. Tom ficou com o coração na boca, cheio de vontade de proteger a garota de todo o mal do mundo.
- Calma, já vai passar - disse tentando acalmar a mulher - Já vai passar, .
- Eu odeio turbulência.
- Não há quem goste.
- Mas você fica tranquilo.
- Eu já estou acostumado, é isso só.
- Como você consegue se acostumar com essas tremedeiras todas? - questionou a mulher, abrindo seus olhos e se voltando para o homem ao seu lado.
- Bom, eu ando de avião desde muito pequeno e constantemente tenho que viajar por conta das press tours que eu tenho que fazer. Acabei me acostumando de tanto andar mesmo.
- Eu espero um dia ficar tão calma assim – no instante que a menina proferiu a frase, o avião buscou se estabilizar, o que deu a sensação de que estavam descendo. acabou agarrando o braço de Tom mais forte. Os dois ficaram agarrados, dessa forma por um bom tempo. Até que finalmente tudo parou e a viagem prosseguiu tranquilamente. Quando levantou para usar o banheiro, Tom ficou sozinho com seus pensamentos, chegando à conclusão que seu coração estava passando a sentir um apreço pela garota.
Convencê-la de ir nessa viagem não foi fácil! Primeiro, Tom Holland fez uma reunião por Skype reunindo sua família e a administradora responsável pelo The Brothers Trust. Ele comentou sobre quem era a menina e suas ideias para o futuro da organização. Thomas queria tornar os projetos maiores e mais interessantes. Fazer realmente a diferença. Assim, descreveu como uma pessoa jovem, apaixonada e trabalhadora que poderia ajudá-los nessa nova empreitada.
Claro que Holland não descobriu isso tudo em um dia só. Ele colheu as informações que já tinha escutado Jacob descrever juntamente com a indicação dada pelos voluntários do Centro.
Hayley Scott, a administradora do The BT entrou em contato com algumas pessoas conhecidas atrás de recomendações e acabou arrumando algumas. Todos sempre a descreviam como uma jovem cheia de futuro e ideias.
Não tinha erro! era perfeita para o cargo.
Tom então, foi atrás da mulher novamente no prédio do Centro. Ele fez a proposta esperando uma aceitação imediata. Mas, se mostrou ser muito diferente do que o garoto imaginava. A menina pediu um tempo para pensar é só trouxe uma resposta quase uma semana depois, trazendo uma condição: que ela pudesse voltar a Los Angeles sempre que necessário.
E lá estavam os dois. Indo para a cidade que Tom chamava de casa.
Quando o avião chegou ao chão, só conseguiu sentir alívio. Finalmente em terra firme! Até se esqueceu da pergunta que a aeromoça a questionou quando foi ao banheiro. Sim, não ia negar que os dois pareciam bem dois namorados apaixonados. Talvez fosse a turbulência que fizera os dois ficarem assim, ou até um sentimento ainda não compreendido da garota.
Inclusive, fingiu não notar os fotógrafos que se escondiam atrás de umas moitas na frente ao Heathrow Airport quando ambos saíram pela porta da frente. Já até imaginava as notícias que atingiram algumas plataformas de notícias dentro de algumas horas: "Tom Holland leva a nova namorada para conhecer sua família." Antes fosse por isso que eles estavam em Londres.
Harry estava do lado de fora de um carro preto, esperando pelos dois. Os dois irmãos deram um rápido abraço, antes do mais novo abraçar a menina.
- A viagem foi tranquila?
e Tom olharam um para o outro e riram. É, talvez a aeromoça tenha tido bastante razão para achar que os dois eram um casal. O Holland gêmeo encarou os dois com atenção. Pelo visto Sam estava certo e tinha fisgado o mais velho dos Holland, ele só não tinha notado ainda. Droga! Harry tinha perdido dez libras.
- Mamãe está querendo saber se você irá mais tarde.
- Claro que irei. Não é todo dia que um menino faz dezesseis anos.
- Quem está fazendo aniversário? - quis saber , após se acomodar no banco traseiro.
- Meu irmão Paddy - respondeu Tom, olhando pelo retrovisor - Nós iremos mais tarde na casa de meus pais.
- Okay! Só preciso dormir um pouquinho no hotel e estarei pronta para festejar - piscou, brincando, mas logo estranhou a gargalhada dos outros dois - O que foi?
- Você não vai ficar em hotel nenhum.
- Oi? - Do que Tom estava falando? Onde ela iria dormir? A garota tinha ido na viagem acreditada que todos os custos estavam sendo patrocinados pela fundação dos Holland.
- Você irá acampar lá em casa, - respondeu Tom. Ela e Tom sozinhos dentro de uma mesma casa? Talvez isso fizesse aqueles acabarem juntos. Harry tinha que comentar isso com seu irmão e os melhores amigos de Tom.
tentou processar o assunto enquanto os dois discutiam as agendas dos próximos dias. No dia seguinte, todos os membros do setor administrativo da fundação irritam se reunir para discutir a vaga de , e posteriormente a assinatura da "carteira de trabalho" da mulher.
Duas horas depois, surgiu na porta da frente dos Holland logo atrás de Tom. Nikki, uma mulher muito bonita atendeu a campainha.
- Filho! - ela exclamou se jogando nos braços do menino. A mulher encheu o ator de beijos e segurou suas bochechas repetidas vezes, deixando-o sem graça. Somente após um tempo que percebeu a garota que se escondia atrás de seu filho - Você deve ser a - com um imenso sorriso, abraçou a menina, para depois falar - Os meninos me contaram tudo sobre você. Seja bem-vinda à nossa humilde casa!
- Obrigada por tudo, senhora Holland.
- Oh, querida. Eu que agradeço. Nem acredito que estou finalmente conhecendo você. Todos aqui em casa não param de falar seu nome. Parecem até enfeitiçados - piscou a mulher, deixando os dois jovens com bochechas vermelhas e um Tom murmurando "mãe!" - Vamos, entrem, crianças! Está muito frio aí fora. Todos estão na sala esperando por vocês.
foi seguindo Tom até uma ampla sala, onde os familiares do garoto se reuniram. A conversa parou, deixando a menina um tanto acuada com tantos olhos na sua direção. O ator apresentou a menina para seus avós, pai e irmão mais novo rapidamente e foi cumprimentar seus dois melhores amigos, Haz e Jacob. Paddy, o irmão mais novo de Tom congelou no lugar assim que entrara na sala. Seu coração batia tão forte dentro do peito, como nunca tinha acontecido antes. Aos quinze anos, ele estava tendo o seu primeiro crush.
Deu um sorriso amarelo à menina quando a mesma veio falar com ele e saiu correndo logo depois, como se a garota tivesse alguma doença contagiosa. Nikki, mãe dos garotos Holland, que observava a cena de longe sorriu.
- Ele não é muito bom com visitas - O pai dos garotos se aproximou - Eu sou Dominc, mas você pode me chamar de Dom - os dois apertaram as mãos
- É um prazer senhor Holland.
- Senhor, não. Me chame pelo meu primeiro nome, Dominic ou Dom, ainda mais que iremos trabalhar juntos na fundação.
- Pode deixar senhor - colocou a mão tapando a boca quando percebeu seu erro, e tentou se desculpar enquanto Dom balançava a cabeça.
Eles permaneceram conversando sobre a fundação e as ideias que a garota tinha para alavancar o novo projeto deles. Dom escutava com muita atenção e ficou admirado com a inteligência da menina, o que comentou posteriormente com sua esposa.
- Posso roubar ela um pouquinho, Dom? - Jacob estava parado ao lado dos dois há um tempo, porém, eles estavam tão imersos na conversa que nem perceberam o garoto. Mas Batalon precisava urgentemente falar com a garota.
Enquanto se dirigiam para o quintal da casa, onde todos os "mais jovens" estavam, Jacob soltou.
- Anna Julia não está me respondendo. Eu não sei se eu a assustei com a última conversa que tivemos ou se ela simplesmente não quer mais ficar comigo - falou apreensivo
- Você sabe que é complicado. Anna Julia não é muito segura de si. Ela acha que você só está interessado por um momento e que vai abandoná-la assim que perceber que não passa de uma menina gorda sem autoestima, nas palavras dela, o que nós dois sabemos que é mentira... O que você pode fazer é continuar tentando, mostrando para à Anna que você gosta dela pelo que ela tem dentro e não pela imagem.
Quando chegaram ao lado de fora, lá já estavam Harry, Harrison - o melhor amigo de Tom que a menina não tinha conhecido presencialmente - Tom, Sam e sua namorada. Eles jogavam mímica descontraídos e cada um com uma garrafa de cerveja nas mãos. Eles eram tão ingleses!
- Finalmente posso conhecer a famosa ! - exclamou Harrison com um largo sorriso
- Famosa?
- Oh! Sim, famosa. Certas pessoas falam tanto de você que parecem até estarem apaixonadas - com essa fala, Tom começou a ficar roxo de vergonha e todos riam da situação - Jacob não passou um segundo sequer sem falar seu nome.
sentou-se ao lado do ator, após os comentários de Haz, quando a conversa acabou tomando o rumo para o campeonato de futebol inglês. A namorada de Sam, que anteriormente tinha se introduzido como Elysia puxou conversa com a novata, querendo saber o que a menina fazia da vida. Em algum momento, Paddy se juntou a eles. No fim, se sentiu bem acolhida, como se já conhecesse todos a anos.
Em algum momento, a cadela dos Hollands saiu de dentro de casa e se aninhou ao colo da brasileira. De imediato Holland não tinha notado, porém Harrison fez o favor de chamar sua atenção para o ato. Tessa, sua Blue Bull Terrier dormia pesadamente com os carinhos de . E mais uma vez, Thomas sentiu seu coração acelerar.
Quando entrou para pegar mais cerveja, encontrou sua mãe na cozinha, colocando velas no bolo de Paddy.
- Eu gostei dela.- Nikki comentou, mas como Tom mesmo sabia, esse não seria o único comentário que sua mãe faria - O que você acha dela?
- Acho impossível alguém não gostar. Posso rebater a pergunta querendo saber o por quê da mesma?
- Curiosidade - respondeu com um sorriso misterioso - E você gosta dela como amiga ou algo mais?
- Ainda é muito cedo para falar qualquer coisa. Eu posso afirmar que estou encantado é só, por enquanto - respondeu Tom, enquanto se retirava do cômodo, antes que tivesse de responder mais um questionamento de sua mãe.


Capítulo 3

Getting lost late at night, under stars/Finding love standing right where we are, your lips/They pull me in the moment/You and I alone and/People may be watching, I don't mind ‘cause/Anywhere with you feels right/(…)/Paris in the rain
Paris in the rain - LAUV


Quando Tom acordou, já estava na cozinha esquentando um pouco de água.
- O que você está fazendo?
- O café da manhã - respondeu a menina, ao mesmo tempo que pegava um pó de cor marrom. O britânico estranhou um pouco, mas sentou em uma das cadeiras que ficavam ao lado balcão que separava a cozinha da sala.
Ainda encarando Tom, a garota acabou deixando uma panela cair no chão, assustando um Haz adormecido no sofá. Na noite anterior, os rapazes haviam ficado até a madrugada jogando videogame, o que levou um Harrison muito cansado a implorar para dormir na casa de seu melhor amigo. Sem o quarto de hóspedes vago e com um Thomas extremamente espaçoso, o único local que tinha sobrado era o sofá.
O homem levantou de sobressalto, assustado com o barulho, amaldiçoando até a terceira geração da garota por ter feito o barulho.
- Desculpe - pediu com um sorriso amarelo, e finalmente voltou-se para Tom - Você gosta de café, certo?
- Gosto mais de chá do que de café - parou para encará-lo, como se tivesse escutado a coisa mais absurda do mundo - Mas tomo café sim.
- Café é a coisa mais divina do mundo! Se você não gosta é porque não experimentou direito. Vou preparar uma caneca para você e depois você irá me dizer se gostou ou não, okay?
- Só experimento se for um cappuccino - Haz, interveio.
virou-se e encarou com um semblante zangado seu melhor amigo. Ela suspirou, decepcionada e respondeu, não muito entusiasmada:
- Café de máquina nem pode ser considerado café. Para mim, café bom é aquele que você passa no filtro.
Assim, a menina pegou a água que tinha acabado de esquentar e derramou num outro reservatório, resultando em um líquido marrom com um cheiro incrivelmente bom.
- Vocês brasileiros são muito ligados em café né? - quis saber Haz.
- Não posso afirmar por todos os brasileiros, mas a maioria sim. Eu, por exemplo, não funciono até tomar pelo menos uma caneca de café com leite - a garota separou três cabeças que tinha na dispensa do armário e questionou suas preferências - Café puro ou com leite?
Tom deixou a cargo de , enquanto Harrison escolheu tomar café puro. Ela entregou um para cada e posteriormente pegou a sua caneca.
Haz olhou um tanto quanto ressabiado para seu copo, já fazendo uma cara não muito contente. O garoto loiro nunca fora muito fã de café, isso era fato. Ele só tinha aceitado a caneca pois era muito educado para dizer não.
Tom, então, preferiu ser o primeiro. Encontrou seus lábios na boca do copo e virou. A princípio, não notou nada diferente, no entanto, na medida em que o líquido atingia sua garganta, o gosto ia ficando mais aguçado. Aquilo era realmente muito bom.
O garoto ia comentar o quanto tinha gostado do café, quando Haz fez um som de reprovação.
- Eu definitivamente não gosto de café.
deu uma risadinha.
- Por que não me disse antes? O café brasileiro é conhecido por ser mais forte que o normal - a garota balançou a cabeça incrédula - E você ainda preferiu o café puro.
- Eu achei que fosse ser fraquinho.
A menina pegou a caneca das mãos de Harrison.
- Inclusive, como você disse que gostava de cappuccino?
- A questão é: eu nunca disse que gostava - levantou uma de suas sobrancelhas, como se ainda tentasse entender a fala de Harrison quando o mesmo continuou - Mas e o resto do café da manhã? Teremos panquecas ou omeletes?
- Bom, eu só fiz café mesmo. Lá no Brasil, nós normalmente comemos o que chamamos de pão francês como acompanhamento do café, mas isso é algo típico brasileiro. O que você comer no café da manhã?
- , eu vou fazer para você o verdadeiro café britânico. Sente-se ali e aprenda - Harrison arregaçou as mangas de seu casaco.
Enquanto o loiro fazia o café, Tom aproveitou para checar algumas de suas mensagens no telefone. Assim que ligou o aparelho, ele começou a vibrar incessantemente. Normalmente o garoto checava as mensagens no WhatsApp. Logo, assim o fez. Uma mensagem de Jacob foi a primeira a aparecer, mandando o ator clicar em um link de uma matéria de uma das revistas de fofoca mais famosas do Reino Unido.
O ator respirou fundo já imaginando qual seria a notícia e logo notou que não ia gostar, pelo título da matéria: "Tom Holland traz garota misteriosa para conhecer sua família". Haviam fotos anexadas, dele e entrando no aeroporto de Los Angeles, deles encontrando seu irmão no aeroporto de Londres, dos dois andando nas ruas do seu bairro e outras.
- O que você está vendo? - quis saber a garota, que tinha acabado de sentar ao lado de Thomas. O menino até tentou esconder, mas já era tarde demais, a garota já tinha lido o título da matéria - Que?
Tom voltou a desbloquear seu telefone sob o olhar céptico da garota. Ele deu seu celular nas mãos da menina para que a mesma visse as fotos.
- Segundo os tabloides, você é a minha mais nova namorada.
Era assustador ter seu nome e algumas das suas informações espalhada na rede. A notícia revelava tudo sobre a menina. Idade, onde tinha estudado, o que estava fazendo em Los Angeles, além de conter um link com fotos de seu Instagram privado.
- Como conseguiram isso? - questionou-se a menina, genuinamente preocupada.
- Eles sempre arrumam um jeito de conseguir o que querem.
Neste exato momento, alguém bateu na porta do apartamento do ator e o mesmo foi atender, ainda processando os ataques da mídia.
O menino pensou o quanto era importante sentar com Dias o mais cedo possível e explicar como as coisas iriam proceder depois daquele rumor. Principalmente porque seus fãs possivelmente não iriam aceitar aquele fato muito bem. A menina poderia sofrer ataques diversos e críticas constantes, até que um comunicado oficial fosse feito, desmentindo a matéria.
- Harry! Sam! - exclamou quando abriu a porta e descobriu seus irmãos mais novos na porta.
- Vocês viram a notícia no The Sun? - questionou um dos gêmeos assim que passou pela entrada do apartamento. Harry olhou para na bancada da cozinha, ainda olhando para o celular - Vocês souberam como o fandom do Tom reagiu a essa história?
Harry já sabia a resposta disso tudo. Assim que vira a notícia sobre o irmão e a nova amiga da família, correu para acordar Sam no quarto ao lado do seu e investigar como os fãs de seu irmão mais velho estavam lidando com a ideia no Twitter.
Algumas pessoas não enfrentaram a notícia de melhor maneira, como era de se esperar. No entanto, muitas outras estão tentando entender ainda a situação, o que deu uma ideia bem interessante ao garoto. Por que não explorar isso é aproveitar a atenção sob Tom e para uma boa causa?
- Eu tive uma ideia.
Haz, parou o que estava fazendo para prestar atenção no garoto.
- Como assim? - Tom perguntou, não muito feliz com a entonação de seu irmão mais novo e assustado com o sorriso que surgiu do rosto de seu irmão.
Harry Holland contou o plano que tinha bolado com seu irmão gêmeo para transformar aquela atenção sobre a sua família em benefício para o The Brothers Trust indicando que precisava da colaboração de todos. Aquela semana seria bem atribulada.
Desse modo, nos dias subsequentes, Tom e agiram como se fosse um casal toda vez que Harry mandava, incitando os fãs e os sites de fofoca.
Harrison, inclusive, postou algumas fotos no seu story ao longo da semana dos dois juntos, agindo como um casal. Jacob, planejadamente postou um vídeo cantando com o casal em clima de suposto romance atrás. Até a namorada de Sam publicou uma foto junto em seu feed com a brasileira chamando-a de "irmã".
O twitter estava uma loucura. Cada dia que passava, mais e mais teorias sobre como eles tinham se conhecido surgiam. Os amigos vez ou outra aproveitavam para ver algumas e dar boas gargalhadas.
Claro que sofreu alguns ataques de fãs. Por isso, ela mesma decidiu se manter longe de qualquer rede social que não fosse o WhatsApp, por onde trocava mensagens com sua afilhada. Isso tudo perdurou até o dia em que Tom postou um vídeo com no Instagram, em que a menina estava com a cabeça apoiada nos ombros do rapaz enquanto o mesmo solicitava que seus seguidores entrassem em um link anexado ao story.
- Nossa, eles ficam tão confortáveis um com o outro - Nikki, que assistiu toda à preparação até aquele vídeo sussurrou para Dominic.
A mulher com um sorriso estonteante e o britânico a olhando com uma cara de apaixonado. Assim que o anúncio saiu, Tom recebeu inúmeras mensagens de pessoas comentando sobre a trolagem, já que, ao puxar para cima, um vídeo dos irmãos Holland abria, anunciando como a nova "ajudante" do projeto de caridade da família, emendando com a menina falando um pouco sobre si e os projetos que iriam abordar.
A garota explicava a situação das crianças refugiadas no mundo e terminava expondo os próximos projetos do The BT, avisando que seu rostinho deveria se tornar comum aos olhos dos fãs do ator pois além de comandar alguns projetos de proteção de criança, a menina ainda iria divulgar em conjunto com as divulgações de filmes de Thomas, as ideias da fundação Holland.
Com o fim das filmagens, Tom a chamou em um canto e perguntou se a menina não gostaria de comemorar sua entrada para a família TBT. A menina logo aceitou, sem imaginar que na verdade o britânico planejava um encontro com ela.
Durante toda a semana, o apreço e carinho que sentia pela brasileira foi se transformando a ponto de se tornar em algo mais.
Após muitas conversas com Jacob, melhor amigo de ambos, a ideia de chamá-la para um encontro surgiu. Jacob aconselhou- o a perguntar diretamente se gostaria de sair com ele, entretanto, com medo da negação, Tom acabou deixando subentendido que mais pessoas iriam.
Tom tinha medo de machucá-la. Não por culpa própria, mas por causa de seus fãs. Ele os amava demais e era extremamente grato por tudo que seus admiradores já tinham feito por ele. Mas, o que aquela semana tinha comprovado ao rapaz era quanto algumas pessoas poderiam ser maldosas quando desejavam.

***


- Jacob, você vem mais tarde né? O jantar é muito formal a ponto de eu ter que comprar um vestido ou calça jeans e regata servem? - quis saber a garota quando os dois desciam o elevador para a entrada do estúdio de gravações alugado pelos Holland para as gravações dos vídeos, no centro de Londres.
- Aonde que eu vou?
- Ao restaurante. - respondeu confusa.
- - começou o moreno, virando-se para a sua amiga. De vez em quando, era um pouquinho tapada, principalmente com coisas que estavam logo a sua frente - Não sei se você notou, mas o Tom está nutrindo certos sentimentos por você. Ele inventou esse troço de "comemorar sua assinatura" - o garoto fez o sinal de aspas com a mão e continuou - Para vocês saírem juntos.
encarou seu melhor amigo embasbacada. Como assim o Tom estava afim dela? Sim, o menino era extremamente carinhoso e prestava atenção em tudo que a menina falava, especialmente nas suas ideias mirabolantes de como mobilizar pessoas para uma passeata a favor da proteção das crianças refugiadas.
até achava engraçado quando pegava o rapaz a secando. O menino ficava vermelho igual um pimentão e tentava olhar para o lado contrário.
Essa era uma das inúmeras coisas fofas que Tom fez.
Outro dia, ele a levou para conhecer cada cantinho de sua cidade natal. Os dois e Jacob foram na London Eye, ao Madame Thousand e foram andar pelas ruas ao redor do Palácio de Buckingham.
Eles ficaram conversando o tempo todo. Sobre a vida e seus sonhos, muitas vezes excluindo Batalon da conversa.
percebera que na medida em que os dias iam passando, Tom ia entrando em seu coração e se instalando lá dentro. A afeição que já tinha foi rapidamente se transformando em algo mais. Ainda mais porque o menino era extremamente centrado, com os pés no chão e simpático.
- Nada de se auto-sabotar, . Você vai nesse encontro, vai conversar com o Tom, vai ter uma ótima noite e quem sabe dá uns beijinhos naquela boca! - Jacob falou assim que as portas do elevador abriram. O garoto sabia que Dias precisava de uma forcinha para ir ao encontro. A garota tinha mania de pensar as coisas demais e desnecessariamente.
- Isso foi um ultimato?
- Exatamente - falou enquanto a menina sorria. Pelo visto, não tinha muita opção a não ser ir a esse tal encontro.
- Então, vai ser algo formal ou dá para ir de jeans? - questionou a menina.
À noite, Tom e foram andando em silêncio até um restaurante recomendado por Sam. Era estranho a quietude da ambos para quem os conhecia. A verdade era que estavam nervosos com aquele encontro. Ele, porque tinha medo de como ia repercutir aquela história e ela porque pensava em como as coisas entre os dois se desenrolariam depois dali.
Ao entrarem no estabelecimento, uma senhora os acompanhou até uma das cadeiras ao fundo do restaurante. Lá eles pediram hambúrgueres e batatas fritas.
- Você está linda - tentou quebrar o gelo.
- Obrigada.
estava estonteante com um sobretudo cinza e lábios vermelhos, o que deixava Tom mais nervoso para o desenrolar da noite.
- Bom... Me diga o que está achando da viagem?
Com o tempo, uma conversa descontraída e fluida foi se estabelecendo.
- ... aí eu tentei apagar o fogo com a toalha, o que não foi muito inteligente - gargalhava com a história contada por Tom. A menina já estava toda vermelha, o que a deixava mais fofa ainda - Acabou que o alarme de fumaça do hotel começou a tocar e todo mundo teve que sair de seus quartos, porque eu coloquei fogo na toalha.
- Meu Deus! - falou, enquanto enxugava seus olhos. Tom tinha contado história de uma vez que sem querer acabou colocando fogo em uma toalha de hotel e fez todos os hóspedes saírem de seus quartos - Descobriram que foi você?
- Sim! E eu tive que pedir inúmeras desculpas ao gerente, dizendo que tinha sido sem querer.
Uma hora depois de entrarem no estabelecimento, os dois estavam contando histórias engraçadas sobre si. Tudo começou com contado sobre a vez que uma mulher jogou água benta nela no meio de uma turbulência enquanto a mesma chorava achando que ia morrer.
, limpou algumas lágrimas que se aglomeraram no canto de seus olhos e deu a última mordida em seu hambúrguer recheado de ketchup (do jeito que gostava). Acabou espirrando o líquido por todo seu rosto. Thomas, se aproximou, tentando limpar a sujeira. Ergueu o guardanapo até o canto da boca da mulher e calmamente retirou o excesso de ketchup. No entanto, acabou ficando hipnotizado pela boca avermelhada da menina, nem notando que já tinha retirado tudo que tinha para retirar.
sorriu.
- Deixei alguma sujeira permanente? - questionou.
- Hãn? - Thomas que ainda encarava a boca da menina, voltou seu olhar para os da garota, percebendo a feição travessa da garota.
- É que você está dando tanta atenção a minha boca que até achei que tinha acontecido alguma coisa grave.
O ator britânico baixou o guardanapo e colocou-o dentro de seu prato vazio, levando, posteriormente sua mão esquerda à nuca, num movimento que revelava o quão sem-graça o rapaz estava. Ele detestava ser pego no flagra.
- Desculpe.
pegou a mão direita do rapaz e apertou como se dissesse que estava tudo bem. E estava. Ela fez a piada mais porque notara certas pessoas encarando do que pelo ato do rapaz. A verdade era que se Tom Holland a beijasse ali mesmo naquele restaurante, não iria negar. Muito pelo contrário. A garota desejava muito esse beijo, porém não era prudente deixar que ele acontecesse nesse momento em questão.
- Você conhece a história do Jacob e da Anna Júlia? - questionou a garota, tentando desvirtuar seus pensamentos da boca de Holland.
- Um pouco. Jacob só me contou que havia conhecido uma amiga sua e que eles estavam se conhecendo, mas que a história é muito complicada.
- Infelizmente - percebendo o olhar de confusão do garoto, a menina achou melhor explicar - A Anna é uma pessoa maravilhosa, engraçada, fofa e carinhosa, porém ela tem um problema muito sério de se auto degradar. Ela acredita que o fato dela ter quilinhos a mais faz dela menos digna das coisas. O Jacob, eu e outra amiga sempre tentamos colocá-la para cima. Mas amor próprio é impossível de ser construído se a pessoa não quer.
- Vocês já tentaram a levar num psicólogo?
- Estamos tentando convencê-la de ir em um, mas ela acredita que não tem um problema.
Dali pra frente os dois continuaram conversando sobre a vida, de forma que o assunto continuou durante toda a volta para casa. Eles conversaram sobre a vida, sobre a carreira de cada um, sobre seus sonhos e objetivos. A conexão entre os dois era imensa e inegável.
Quando entraram no apartamento, nenhum dos dois queria se despedir, mesmo sabendo que deveriam acordar cedo pela manhã para pegar o voo de volta para casa. rumou até seu quarto para retirar seus sapatos que machucavam enquanto Tom esperava ao lado de fora no arco da porta.
- Vocês britânicos são tão cheios de manias esquisitas.
- Por que você diz isso?
- Ah, sei lá! Se fosse uma das minhas amigas brasileiras aqui, elas já teriam entrado no quarto. Não temos essa de espaço respeitoso - terminou de tirar sua bota e se aproximou do garoto, ficando do outro lado do arco da porta e não tão perto de Tom, mas o suficiente para que, se quisesse, tocá-lo.
- Tipo o Paddy - continuou a garota - O menino não conseguiu nem falar comigo durante a festa toda. Questionei o Sam e ele me disse que o seu irmão é muito fechado com visitas novas. Isso me lembrou de como são as coisas lá em casa: se algum convidado aparecer, independente se a gente acabou de conhecer, a gente dá um beijo é um abraço na pessoa. Enfim. Vocês são muito parecidos quanto a isso.
- Então você me acha bichinho do mato? Foi essa a primeira impressão que eu passei a você?
sorriu.
- Infelizmente sim. Naquele dia você meio que dirigiu duas frases a mim. Eu cheguei a pensar que você tinha me odiado!
- Não, claro que não. É que eu sou tímido - essa afirmação arrancou uma certa gargalhada da brasileira.
- Você mente muito mal, Stanley.
- Já disse para não me chamar assim - Tom fingiu estar emburrado.
- Mas o Harrison te chama assim.
- E eu o odeio por isso.
Os dois ficaram em silêncio durante um tempo, só encarando um ao outro. Tom gostaria muito de tomar o primeiro passo e finalmente fazer o que tanto desejava com a garota. No entanto, tinha medo de assustá-la ou de ter pego os sinais errados.
- E você gostou exatamente do que em mim quando você me viu pela primeira vez? - finalmente quebrou o silêncio. A menina pensou que Tom fosse responder algo como "a sua inteligência" ou "o seu jeito com crianças". Mas Tom sempre gostou de surpreender,
- Eu fiquei apaixonado pelo seu sorriso assim que o vi. Eu não consegui parar de encarar seu sorriso. Porque ele é lindo, único e me faz ter vontade de sorrir também, independente do que tenha gerado o seu. Depois, eu notei seus cabelos, em como eles eram bonitos e sedosos. Eu logo quis poder sentir o cheiro dele e quando descobri que tinham cheiro de morango, eu me apaixonei mais um pouco. Por fim, notei seus olhos avelã. Você não tem noção de como eu me perco nos seus olhos.
encarou Thomas um tanto quanto incrédula. Era como se o garoto estivesse se declarando para ela. A menina Dias nunca foi de receber declarações - na verdade ela nunca recebeu uma - então, não sabia como agir.
Primeiro, pensou em responder com uma piada, mas nada surgia em sua mente.
Então, achou que seria legal replicar a resposta é apontar todas as pequenas coisas que amava em Tom, como por exemplo seu bom humor eterno, seu carinho com todos ou seu rosto angelical. Eram inúmeras coisas! Por fim, achou que seria mais interessante agir.
se aproximou do rapaz com um passo, que foi suficiente para suas respirações se misturarem. O garoto Holland se ajeitou, como se esperasse o que vinha.
- Eu tenho outra pergunta.
- Mande - o britânico respondeu, já encarando pela quarta vez a boca da menina, só naquela noite.
- Como você gostaria que essa noite terminasse?
- Da melhor maneira possível - assim que terminou de falar, já tomava os lábios do rapaz com os seus. O beijo começou rápido, como se estivessem famintos, porém, na medida em que suas bocas suas línguas se juntaram, o beijo foi desacelerando, de modo a se tornar mais profundo, como se os dois desejam gravar aquele momento em suas cabeças para sempre.
Tom, em algum momento, deixou sua mão encaixar no quadril da garota ao mesmo tempo que outra se posicionava em suas costas. A garota por sua vez, deixava os dois braços entrelaçados no pescoço do rapaz. Estavam tão encaixados que quando quebrou o beijo uns bons minutos depois, Tom exclamou em reprovação.
A garota sorriu, gostando do efeito que tinha sobre o garoto.
- Boa noite, Thomas.
- Boa noite, - respondeu o garoto um tanto atordoado e saiu do batente da porta, entrando em seu próprio quarto.
A brasileira fechou a porta e encarou a madeira, ainda processando o que acabara de acontecer. Nem em um milhão de anos a garota iria pensar que aos 22 anos teria beijado um ator de cinema que fazia parte do filme de maior bilheteria mundial. Além disso, ainda demorava a acreditar que Tom tinha gostado do beijo tanto quanto ela.
respirou fundo e mordeu os lábios, tentando inutilmente segurar o sorriso que formava em seus lábios. A voluntária só poderia estar sonhando acordada! Ela botou as mãos sob a boca, tentando se controlar. Balançou a cabeça e guiou-se até sua mochila para pegar seu pijama.
Duas horas depois, ainda girava na cama, repassando o beijo em sua cabeça.
- Maldito Holland! Agora eu não consigo dormir. - murmurou a garota.
resolveu tentar contar carneirinhos, para ver se o sono vinha, porém, se assustou com o barulho da porta se abrindo. A menina nem ousou se mexer, preocupada que indicasse ao que ela pensou ser um ladrão, seu refúgio. No entanto, quando um dos lados da cama afundou, um cheiro inconfundível de sabonete de lavanda se apossou de suas narinas.
A menina permaneceu quieta, só sentindo Tom arrastar seu corpo para debaixo da coberta. Assim os dois dormiram de conchinha o resto da noite.

***


Só Harrison já havia ligado pelo menos quatro vezes para seu melhor amigo sem obter nenhuma resposta. Ele e Jacob já estavam preocupados, acreditando que o rapaz e a brasileira haviam perdido o horário do voo.
Com a chave reserva, o loiro abriu a porta da frente e seguiu Jacob para o interior do apartamento. Batalon foi quem notou primeiro.
O suposto casal estava dormindo agarradinho na cama do quarto de hóspedes. O moreno cutucou Haz e fez uma gestos esquisitos, que Harrison não entendeu, mas captou a mensagem.
Sorrateiramente, cada um foi para um lado da cama tentando não acordar os dois (o que era uma tarefa um tanto quanto difícil para Batalon). Jacob contou até três com os dedos, portando um sorriso diabólico nos lábios e no final da contagem os dois se jogaram na cama.
Thomas acordou de sobressalto, olhando para um lado e para o outro ainda tentando distinguir o que estava acontecendo, ao mesmo tempo que empurrava Jacob para fora da cama.
- Que bonito vocês dois hein!
- Cala a boca Harrison! - Tom respondeu com uma voz arrastada.
- Cala a boca nada. Vocês quase iam perder o voo porque estavam ocupados demais dormindo de conchinha para atender seus respectivos telefones.
- Que horas são? - questionou , evidentemente preocupada.
- Nove e quarenta.
se levantou de supetão, quase pisando num Jacob que ainda estava no chão, saindo do quarto quase correndo, gritando que estava atrasada.
Thomas, por sua vez, voltou a se deitar, olhando para o teto branco de seu apartamento. Pelo visto, à noite anterior não tinha sido um sonho.
- Uhummm! Preciso perguntar como foi o encontro - Tom terminou de coçar seus olhos e encarou Jacob.
- O encontro foi ótimo.
- Nota-se - respondeu com um sorriso - Felicidades ao casal.


Continua...



Nota da autora: Olá, pessoal!! Espero que todos estejam gostando da história. Só eu que me derreti todinha nesse capitulo? Aiai, nosso casal tá andando beeeem rapidinho. O que será que o futuro reserva para eles? Vejo vocês na proxima atualização 🙂





Que casal mais fofinho, Daisy! Estou apaixonada pela PP e pelo Tom! ♥ Parabéns!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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