FFOBS - 3:15, por Daisy Berry

Última atualização: 30/03/2020

Prólogo

Quando era mais nova, só conseguia dormir após uma história bem contada e um beijo de boa noite. Toda noite, sua avó a colocava debaixo das cobertas, contava um fato de sua juventude e a cobria de beijos. Nesse dia em especial, após terminar de ajeitar o travesseiro da neta, a mais velha proferiu a frase que a perseguiria para o resto de sua vida.
- O mundo é dos sonhadores, pequena, então sonhe sem medo – disse, ao mesmo tempo que colocou uma mecha do cabelo da mais nova atrás de sua orelha.
Poucos dias depois, a mulher veio a falecer, deixando uma acabada. Ela e sua avó sempre foram muito próximas. Entretanto, a vida continuou e os ensinamentos da mais velha permaneceu no coração da garota, de forma a muitos de seus objetivos terem sido antes sonhos. E viver uma aventura longe de sua terra natal era um dele.
Ao entrar na fila para embarcar no avião, não conseguiu parar de balançar sua perna por conta do nervosismo. Além de ter um medo imenso de andar no pássaro de metal, dali a algumas horas, estaria pousando na cidade de Los Angeles. Mal conseguia acreditar que a cidade dos anjos seria a sua casa nos próximos meses. Só faltavam, agora, mais seis horas de voo do seu maior sonho – após quase doze horas dentro de um avião para os EUA, o percurso New York para Los Angeles era o menor de seus problemas.
Quando adentrou na aeronave, a mulher teve que procurar seu assento o mais rápido possível, já que a aeromoça acabara de avisar que as portas seriam fechadas e que a aeronave estava pronta para decolar. Sem demora, pôs sua mochila no compartimento designado, e pulou as pernas de seu vizinho da cadeira para finalmente se acomodar ao lado da janela. O garoto em questão, dormia tranquilamente no assento do corredor, no entanto, acabou acordando quando, no meio do processo de ultrapassá-lo, caiu em seu colo.
- Desculpe – uma versão vermelha da mulher falou. Meu Deus, tinha como ser mais estabanada?
O homem, com um sotaque carregado e arrastado, pronunciou algumas palavras em resposta, recebendo somente um sorriso amarelo de volta. Tudo isso porque sua cabeça vagava para outro lugar no momento; mais especificamente, na decolagem. Já disse que odiava avião?
Tendo finalmente se acomodado em sua cadeira, a brasileira afivelou seu cinto mais do que depressa e esperou as recomendações padrões dos comissários de bordo terminarem. O avião por fim, começou a se movimentar e em resposta a esse fato, agarrou bem forte os braços da cadeira, até os nódulos de suas mãos ficarem brancos. Fechou os olhos no momento em que a aeronave saiu do solo, permanecendo assim que já estivessem taxiando no céu, rumo ao seu destino.
Ainda anestesiada com a sensação de estar voando, uma risada chegou aos seus ouvidos. Ela abriu os olhos, bufando forte.
- Então você tem medo de avião?
Em um primeiro momento, a garota não entendeu que falavam com ela. Somente quando o rapaz repetiu de forma mais lenta a mesma frase que a menina percebeu que seu vizinho puxava papo com ela. Ele deveria estar achando que não entendera seu inglês ou que era retardada, só podia. Já não bastava ter sentado no colo do homem, agora seria tachada de burra!
– Oh! Desculpe, eu achei que o senhor estivesse falando com outra pessoa - respondeu um tanto afobada - Sim, eu tenho medo de avião.
– Mas por que você tem medo se esse é o meio de transporte mais seguro do mundo?
– Na verdade, o meio de transporte mais seguro do mundo é o elevador. O avião é só o segundo mais seguro – retrucou a brasileira, percebendo tarde demais que sua fala tinha saído ríspida demais – Desculpe.
- Não precisa pedir desculpas. Eu não sabia dessa informação – o rapaz de bem redondo, olhos puxados e uma risada encantadora continuou - Eu me chamo Jacob, inclusive.
- Prazer, Jacob. Eu me chamo – estendeu sua mão para apertar a do rapaz.
E durante o restante da viagem, os dois não pararam mais de falar.


Capítulo 1

It's the Sunrise/ And those brown eyes, yes/ You're the one that I desire/ When we wake up/ And then we make love/ It makes me feel so nice.
Best Part feat. Daniel - HER


Há três meses que Jacob Batalon só falava sobre uma garota que havia conhecido num voo de New York para Los Angeles. O encanto do homem era visível, sempre arrumando um jeito de trazer o nome dela para o meio da conversa. Já tinha escutado tanto falar sobre a menina que até, uma vez, em meio a uma chamada telefônica com sua mãe, sem querer a chamou pelo nome da mulher. Sua sorte foi que Nikki deu uma de suas risadas e o questionou se esse era o seu novo affair.
Thomas sentia como se a conhecesse a séculos de tanto que ouvia suas histórias, mesmo sem nunca ter posto os olhos em sua silhueta. Dessa vez, Jacob contava sobre o que fizera com a menina e as amigas da mesma durante o fim de semana. Algo sobre irem passear em um parque de diversões e uma delas se perder no caminho. Thomas não se importava realmente. Encontrava-se agitado demais para esboçar algo além de indignação.
- Cara, nós vamos nesse prédio? – indagou Jacob no momento em que Tom estacionou o carro alugado na frente de um prédio cinza baixo. Antes mesmo de ouvir uma resposta, o rapaz continuou – A ...
- Jacob, será que podemos por favor esquecer de terceiros agora e focar no nosso objetivo aqui? – com um tom meio estridente, o ator fez o pedido misturado com uma súplica.
Batalon balançou a cabeça concordando e sibilou um pedido de desculpa. Não entendia o porquê de o britânico estar tão agitado naquela manhã específica.
- Calma, Tom! – uma voz ao fundo do carro exclamou - A gente sabe que você está nervoso e tal, mas não precisa mandar o Jacob calar a boca.
- Eu não mandei ninguém calar a boca, Sam.
- Foi um delicado ‘cala a boca’, sim, maninho – comentou uma segunda voz.
Thomas já estava se arrependendo de ter trago Sam e Harry - dois dos três irmãos Holland – para essa viagem. Além de acabarem com o minibar do quarto de hotel e colocarem na conta do mais velho, os dois não paravam de realizar o hobby favorito dos gêmeos: irritá-lo. Apesar disso, Tom procurava se manter focado no objetivo dos meninos.
Desde que começou sua carreira de ator, o homem sempre foi ligado na ideia de empregar seu talento para ajudar quem necessita. Com a ajuda de seus país, o The Brothers Trust, nasceu; uma fundação que visava arrecadar dinheiro para dar uma vida digna a jovens e adolescentes em necessidade. Ademais a programas para ajudar jovens em hospitais, o TBT também tentava distribuir materiais escolares para escolas de países carentes.
Tudo isso era feito em pequenas doações justamente porque a instituição ainda não tinha uma estrutura muito desenvolvida. Porém, depois de conseguir uma quantia alta com uma das franquias que atuava, sua família decidiu expandir a área de exercício. O propósito era continuar ajudando crianças e adolescentes, mas agora, com uma agenda mais voltada para a juventude deslocada para outros países forçadamente – ou seja, pequenos refugiados.
Infelizmente, por mais que tenha uma boa quantia para investir, ainda não era suficiente para dividir entre muitas fundações, logo era necessário encontrar o local perfeito para aplicar seu dinheiro. Desse modo, Tom e seus irmãos viajaram por vários lugares para isso, sendo aquele prédio um dos contemplados para visita.
- Tom, relaxa! Eu sei que já fazem semanas que estamos tentando achar uma instituição perfeita, mas eu sinto que é esse o local que estamos procurando – confessou Harry, enquanto ligava a sua câmera – Vamos, pois, nosso contato já nos espera na entrada.
Os quatro garotos saíram do automóvel e seguiram até um homem de baixa estatura, de pele morena e uma barba branca combinando com o seu cabelo encaracolado que estava parado na calçada à frente do prédio. Meio corpulento, o senhor com rosto sisudo começou a falar com uma pronuncia que misturava inglês e espanhol.
- Bem-vindos ao Centro Vera Cruz de Los Anjos! Eu sou o senhor Rodriguez e irei mostrar todas as nossas instalações e responder a todas as perguntas que fizerem – ele apertou a mão de todos os convidados, antes de prosseguir com a visita guiada.
Os homens seguiram para o interior do prédio, revelando um cômodo todo cor de creme, com cadeiras de madeira, estofados confortáveis e um grande balcão de granito, onde atrás estavam duas senhoras de meia idade sorrindo para os visitantes. Senhor Rodriguez deu um pequeno aceno para elas que sorriram em resposta e passou pela porta dupla de vidro esfumado.
Já dentro da instituição, o homem guiou os visitantes até o refeitório, bibliotecas, sala de estudo, sala de TV, locais de recreação e até aos dormitórios. Em meio ao passeio, contava a história da instituição, seus objetivos e quem eram as crianças que ali estavam. Ele afirmou que a poucos anos, o Centro havia passado por umas reformas, já que o número de crianças que acolhiam crescera exponencialmente. Todavia, ainda era necessário fazer algumas outras alterações nas acomodações; até porque, a meta deles era retirar todas as crianças estrangeiras existentes na cidade, das ruas.
Ao chegarem no terraço do prédio de dois andares, Tom foi apresentado ao local onde as crianças plantavam e colhiam vegetais para o consumo próprio. Em meio ao monólogo do velho, uma música extremamente dançante chegou aos ouvidos dos meninos. Questionando sobre onde vinha a canção, os rapazes foram encaminhados até uma pequena estrutura mais adiante, o único espaço fechado do terraço, onde aconteciam algumas atividades corporais para as crianças, como explicou o guia.
Ao chegarem na porta de madeira, o Senhor Rodriguez abriu sem qualquer pudor, mostrando uma sala coberta de espelhos e lotada de crianças dançando e pulando em volta de uma pessoa que estava de costas para ele. A primeira coisa que notou foram grandes cabelos pretos que lembravam uma noite escura de inverno.
Assim que a mesma começou a virar na direção dos visitantes, mais características foram notadas. A pele bronzeada natural, a cintura fina e as coxas grossas da mulher eram de tirar o fôlego, entretanto, foram os traços angelicais em seu rosto que captaram toda a atenção do rapaz. Suas bochechas salientes encontravam-se vermelhas de tanto pular e girar com as crianças, e sua boca abria em um sorriso assustadoramente belo. Tom nem sentiu, mas segurou o ar o máximo que podia, como se respirar fosse desmantelar a cena a sua frente.
Sem saber que estavam a observando, abaixou em direção a uma pequenina que chorava. Ao levantar com esta no colo, rodopiou algumas vezes, limpando o rosto da menina. As duas trocaram algumas palavras até que o choro se aquietasse e a garota já estava a todo sorriso nos braços da mais velha. Uma voz, quase parecendo um sussurro o retirou do transe.
- Caramba, a ... – Jacob ia novamente com a ladainha do carro, entretanto, Thomas, cansado de escutar sobre o assunto e irritado com o momento inoportuno praguejou entre os dentes até finalmente proferir palavras de repreensão.
- Jacob!
- Tom – começou meio receoso, enquanto o homem virava sua face franzida em direção ao amigo – Essa É a .
Foi como se tivesse levado um soco! Ainda chocado com a revelação do amigo, Thomas não percebeu quando senhor Rodriguez saiu de seu lado, se locomovendo em direção a uma caixinha de som localizada no canto oposto a porta. O guia desligou a música, escutando várias vozes descontentes, inclusive da mais velha.
- Señorita – assim que a menina virou na direção do som, encontrou um senhor Rodriguez a encarando com um olhar repressor, balançando a cabeça em sinal de negação, como se desaprovasse os atos dela.
- Senhor Rodriguez - respondeu a menina ofegante. Tom achou que fosse impossível ela ficar mais bonita, porém percebeu que encontrava-se errado, quando a mesma alargou ainda mais o sorriso entre seus lábios – O que lhe traz aqui?
- Temos visita, venha.
Após se desvencilhar das crianças implorantes, dizendo que daqui a pouco voltaria, começou a se locomover em direção aos meninos. No momento em que se aproximou, ganhou um carinhoso puxão na orelha do mais velho. Pela primeira vez desde que entraram no local, o homem abriu um sorriso.
- Estes são os irmãos Holland, daquele projeto que eu havia comentado mais cedo com você e esse é...
- Jacob! - exclamou a menina, jogando os braços em volta do pescoço do moreno assim que terminou de falar - Eu não sabia que você vinha aqui hoje! Quando me disse que ia conhecer um projeto voluntário, não imaginei que viria justamente aqui.
- Você sabe que se eu soubesse teria te contado. É que meu amigo Tom está buscando uma fundação para investir, porém quer antes conhecer os estabelecimentos.
Jacob moveu a mão em direção ao amigo, indicando quem ele era, fazendo com que, pela primeira vez, o olhasse. Estar tão perto assim da menina, fez suas pernas bambearem e seu coração bater sem ritmo. A mulher, levantou ambos os ombros e estendeu as mãos para ele, dirigindo-lhe a palavra.
- , prazer.
- Prazer – Thomas estendeu sua mão em direção a da menina, apertando-a rapidamente. Apesar disso, algo que se assemelhava a choques elétricos ainda foi percebido pelo ator.
A mulher, para o desprazer do rapaz, virou em direção aos demais Holland afirmando que eles deviam ser os gêmeos, recebendo confirmações em resposta.
O senhor Rodriguez, afirmou que deixaria os visitantes nas mãos de , que posteriormente sugeriu que sentassem num banquinho de madeira que ficava na frente da sala em questão, para que pudessem conversar mais. A garota perguntou a eles sobre o que tinham visto no prédio e se tinham alguma dúvida quanto quais eram os trabalhos realizados pelo Centro. Contudo, seus irmãos estavam mais interessados em saber como uma menina com características tão joviais acabou se tornando uma voluntária no caso dos refugiados.
- Quando você começou a trabalhar com crianças refugiadas? – indagou Sam, assim que pode.
- Antes mesmo de iniciar a faculdade eu já procurava sobre o assunto, o que me fez ter mais certeza de que gostaria de trabalhar com isso. Inclusive, em meu país de origem, trabalhei na área recreativa para uma organização não governamental que abrigava crianças refugiadas. Foi muito bom trabalhar lá, escutando um pouco da história desses jovens e tentando ajuda-los a ser inseridos na sociedade sem muitos problemas.
- Que legal – comentou um dos gêmeos, logo depois fazendo a pergunta que todos queriam fazer - E quantos anos você tem?
- Vinte e dois.
O fato de que Tom e a menina tinham quase a mesma idade, passou despercebido. O foco dos rapazes era em quão nova ela era para saber tanto do assunto. Assim, os gêmeos continuaram fazendo diversas perguntas a ela, que respondia sem qualquer irritação.
Em algum momento, o havaiano questionou do porquê tantas perguntas sobre a vida pessoal e profissional da menina especificamente estavam sendo feitas, e não sobre a instituição em si.
- Isso tá parecendo uma entrevista de emprego – disse, arrancando uma gargalhada de todos.
Mesmo assim, os questionamentos continuaram. Agora, Tom conseguia entender o tom de admiração que JB utilizava toda vez que falava sobre ela.
- E como você descobriu sobre o projeto? – Tom continuou com o interrogatório.
- Bom, assim que eu cheguei no país, eu procurei alguma organização para ser voluntária e quase acabei me inscrevendo para um programa que ajudava a tratar de cachorros abandonados. No dia que eu deveria me apresentar formalmente nessa instituição acabei cruzando com uma criança perdida. Ela tentava pedir ajuda a pessoas mais velhas que passavam pelas ruas, entretanto ninguém conseguia entender o espanhol dela – suspirou, como se aquela fosse uma boa lembrança – Eu resolvi ajudá-la me comunicando com um portunhol bem ruinzinho. No final, a garota me contou que estava em um abrigo para refugiados, no entanto tinha fugido de lá para tentar encontrar sua mãe. Perdida e não tendo sucesso, ela queria voltar de onde tinha saído, mas não conseguia. Eu fui questionando as pessoas pela rua, até achar esse prédio. Depois disso, nunca mais saí.
A brasileira suspirou forte repousando o olhar na direção do ator pela segunda vez naquele dia. Foi algo muito rápido, mas o suficiente para que Tom sentisse uma conexão avassaladora com a mulher.
- Desculpa se soar uma pergunta meio besta, mas quais são os processos para as crianças conseguirem morar aqui? – dessa vez, Harry foi quem fez a pergunta, se mostrado extremamente interessado no assunto. Causas sociais era com ele mesmo.
- Segundo a lei internacional, qualquer criança até a maioridade internacional tem direito a asilo. O que o governo faz é reconhecer essa criança na fronteira e a encaminhar para cá. Em um primeiro momento nós tentamos suprir as necessidades imediatas da criança como - começou a listar com o dedo – Se ela está subnutrida, se tem algum machucado pelo corpo ou se está bem psicologicamente. Depois nós tentamos recapitular com ela os processos pelos quais ela passou até chegar ao território norte-americano, e por fim, nós tentamos contactar algum responsável legal da criança que reside aqui. Muitas delas não tem ninguém, por isso, esse prédio serve de abrigo para aqueles que não têm para onde ir.
- Então, o governo mete a mão na massa junto com vocês?
- Eles ajudam a gente por assim dizer, principalmente depois que os olhos internacionais se voltaram para cá depois da polêmica onde pequenos mexicanos foram separados de seus pais em 2018. Porém, ainda assim nós temos alguns embates. Nossa luta atual é que o governo quer pegar as crianças desacompanhadas e inseri-las dentro do sistema de adoção, o que não é o ideal, já que elas não foram exatamente abandonadas pelos seus responsáveis legais.
- Não?
- Essas crianças vêm de países em guerra em que os pais ou responsáveis tentam cruzar as fronteiras juntas, no entanto as famílias acabam sendo separadas no meio do caminho. O certo seria achar esse responsável, pois muitos desses, quando sabem onde a criança está, preferem migrar para ir de encontro com ela.
As perguntas continuaram e continuou a responder os questionamentos sem qualquer dificuldade. Ela explicou todo o processo de retirada da solicitação de refúgio até o reconhecimento do status de refugiado, deixando mais uma vez os meninos impressionados com a sua inteligência.
Ao decorrer do papo, Thomas teve uma ideia. Algo que iria além de somente apoiar uma instituição de caridade. Algo mais concreto e que necessitava especificamente de alguém qualificado para o trabalho. Antes de qualquer coisa, tinha que conversar com todos dentro do movimento TBT para só assim fazer a proposta para . Era o futuro da fundação dos irmãos que estaria em jogo.
Não iria mentir, ele queria muito que a aceitasse sua ideia, porque assim, ele poderia ficar cada vez mais próximo dela. E isso era o que mais desejava.


Capítulo 2

Did you know you're on fire/ Did you know that you're beautiful?/Did you know you got me fucked up?/Did you know that you're gorgeous?
Gorgeous- mansionZ


Thomas entrou pela porta dupla de ferro do prédio, sem preocupar em se identificar na entrada. Já tinha passado por ali tantas vezes nas últimas semanas que as duas senhoras da recepção já o reconheciam ao longe.
O homem cruzou o imenso pátio rapidamente, somente acenando para as pessoas que estavam pelo caminho. Ele estava com pressa, já que seu voo sairia em poucas horas. Checando pela décima quinta vez o relógio em seu pulso, deu uma corridinha para chegar mais rápido ao acesso as escadas, descendo um lance para chegar ao seu destino. Haviam várias portas fechadas em seu caminho, no entanto, ao escutar uma gargalhada alta, soube exatamente onde encontrá-la.
Ao chegar em uma das últimas portas, encontrou com uma garota chorosa agarrada a seus braços. As duas eram muito parecidas que chegavam a poder ser confundidas como irmãs. Possivelmente essa era a razão pela qual as duas eram tão próximas. Ademais a esse fato, Tom descobriu posteriormente que Dulce era a tal garotinha perdida que fez a brasileira encontrar o Centro.
- Dulce, eu vou voltar - falou a mais velha, beijando o topo da cabeça da outra em seguida - Prometo.
- Mas porque você tem que viajar? - perguntou Dulce, com a voz embargada.
Antes que pudesse responder, Tom resolveu pigarreou, chamando atenção das duas. Naquele dia, resolvera prender o cabelo em um rabo de cavalo, deixando-a com um ar ainda mais jovial. Parecendo que já sabia quem estava na porta, sorriu antes mesmo de virar para o garoto. Ele nunca iria cansar de ver aquele sorriso.
- Dulce, a irá viajar comigo para fazer algo muito legal para outras crianças do mundo. Prometo trazê-la de volta rapidinho – o ator recebeu um bufo em resposta e um olhar atravessado. Mal sabia Dulce que aquele biquinho a deixava mais fofa.
- Será só uma semana. Quando você piscar já estarei de volta com presentinhos – a maior deu um beijo estalado em ambas as bochechas da mexicana e continuou – Coma direitinho e não vá dormir muito tarde, okay?
Houve alguns protestos, mais recomendações, abraços e beijos até que, por fim a saísse da sala de recreação, com Holland ao seu encalço. O casal seguiu até o fim do corredor principal até uma porta de vidro escrita staff, onde as coisas pessoais dos voluntários eram guardadas. De imediato, o ator procurou por alguma mala grande com todas as roupas necessárias para a próxima semana, entretanto nada encontrou.
- Cadê suas malas? – quis saber o homem, ainda procurando em meio as outras bolsas.
- Aqui – a pegou uma mochila preta de viagem que parecia estar toda abarrotada e colocou nas costas, simplesmente. Tom a encarava incrédulo.
- Okay, agora cadê o resto da bagagem?
- É só isso, Thomas – respondeu dando ombros.
- Você sabe que iremos passar uma semana em Londres, certo?
- Sim – ela deu um passo na direção do homem que ainda a encarava – O que foi?
- Nada! É só que o Harrison deveria aprender algumas dicas contigo.
Tom pegou a mochila das costas da mulher e colocou em sua própria, virando-se em direção a porta daquela sala e para a saída do prédio. Ao seu lado, uma risadinha captou sua atenção. , então indagou o motivo daquela afirmação.
- Para qualquer lugar que nós vamos, o Haz viaja com uma mala grande lotada de roupas e uma mala de mão que contém o que ele chama de preciosidades; ou seja, seus produtos de cabelo.
- Ele estará em Londres nessa semana?
- Até onde eu sei...
- Você irá me apresentá-lo? De tanto que escuto falar dele parece até que já o conheço, mas quero ser apresentada a ele.
o encarou rapidamente com um olhar fofo pidão que era impossível se negar alguma coisa. O britânico balançou a cabeça, deixando seus lábios se alargarem em um pequeno sorriso.
- Pode deixar que irei apresentar você ao meu melhor amigo.
- O Jacob também vai, né?
- Na verdade ele foi hoje de manhã. Parece que ele tem alguns assuntos a tratar na cidade. Ele irá ficar até a nossa viagem de volta.
Não muito tempo depois, os dois chegaram ao automóvel alugado pelo ator. Antes mesmo de dar partida no carro, Thomas encarou mais uma vez o relógio, constatando que faltavam somente quinze minutos para o embarque começar. Ainda resmungando, o homem ligou o carro se arrependendo amargamente de não ter ido buscar mais cedo. Agora, somente por um milagre, iriam chegar a tempo. Claro, somente se o trânsito de Los Angeles permitisse.
No momento em que parou em um sinal no centro da cidade, escutou um suspiro forte vindo do seu lado seguido por um sussurro:
- Eu não sei como me deixei ser convencida por você a fazer isso.
- Como assim? – o desviou sua atenção para a moça, encontrando a brasileira com o olhar perdido para fora da janela.
- Entrar de cabeça em um projeto que ainda nem foi pensado.
- Sendo sincero, nem eu sei como você aceitou isso.
voltou-se na direção do rapaz, encarando-o. Por um momento, viu-se perdido na imensidão dos olhos pretos da garota.
- Às vezes fazemos algumas loucuras inexplicáveis – disse por fim. Ela tornou seu olhar para frente e avisou ao homem – O sinal abriu.
Por sorte, conseguiram chegar e entrar no portão de embarque a tempo. Depois, já na sala para embarque, descobriu que alguns fotógrafos tinham capturado o momento e chamavam de sua nova namorada. Mal eles sabiam que os dois só tinham uma relação estritamente profissional. Mas ele não ia negar que seria interessante se as coisas avançassem para outra coisa.
Após entrarem no avião, que Tom recordou de uma das histórias que Jacob contou sobre a garota. Além de fobia de balões de festa estourando, também tinha medo de avião. Ou seja, as próximas doze horas seriam uma verdadeira tortura para a garota, de modo que Holland começou a ficar preocupado.
Aproveitou que iam sentar lado a lado nas disposições da cadeira, e emergiu a garota em um assunto que sabia que iria distraí-la. mal notou a decolagem e ficou tranquila até metade do voo.
- Eu amo trabalhar com as crianças, justamente por isso sabe?
- Sim. Eu adoro crianças também. Sempre que consigo dou uma passada em hospitais infantis e faço a minha parte.
- Você gosta de ser um super-herói na vida real né? - questionou a garota, fazendo menção ao papel que o garoto vivia nas telas de cinema: Peter Parker, aka, Homem-Aranha.
Veio então um barulho e o piloto do avião declarou que passariam por uma zona de turbulência, ao mesmo tempo que a luz de aviso para se colocar os cintos acendeu. Tom viu a face de ficar branca e segurou sua mão.
O garoto só notou depois o que fizera, mas antes que pudesse fingir que nada tinha acontecido e retirar sua mão, entrelaçou-as com as suas e apertou.
O avião começou a balançar, de modo que a mulher fechou os olhos bem forte. Tom ficou com o coração na boca, cheio de vontade de proteger a garota de todo o mal do mundo.
- Calma, já vai passar - disse tentando acalmar a mulher - Já vai passar, .
- Eu odeio turbulência.
- Não há quem goste.
- Mas você fica tranquilo.
- Eu já estou acostumado, é isso só.
- Como você consegue se acostumar com essas tremedeiras todas? - questionou a mulher, abrindo seus olhos e se voltando para o homem ao seu lado.
- Bom, eu ando de avião desde muito pequeno e constantemente tenho que viajar por conta das press tours que eu tenho que fazer. Acabei me acostumando de tanto andar mesmo.
- Eu espero um dia ficar tão calma assim – no instante que a menina proferiu a frase, o avião buscou se estabilizar, o que deu a sensação de que estavam descendo. acabou agarrando o braço de Tom mais forte. Os dois ficaram agarrados, dessa forma por um bom tempo. Até que finalmente tudo parou e a viagem prosseguiu tranquilamente. Quando levantou para usar o banheiro, Tom ficou sozinho com seus pensamentos, chegando à conclusão que seu coração estava passando a sentir um apreço pela garota.
Convencê-la de ir nessa viagem não foi fácil! Primeiro, Tom Holland fez uma reunião por Skype reunindo sua família e a administradora responsável pelo The Brothers Trust. Ele comentou sobre quem era a menina e suas ideias para o futuro da organização. Thomas queria tornar os projetos maiores e mais interessantes. Fazer realmente a diferença. Assim, descreveu como uma pessoa jovem, apaixonada e trabalhadora que poderia ajudá-los nessa nova empreitada.
Claro que Holland não descobriu isso tudo em um dia só. Ele colheu as informações que já tinha escutado Jacob descrever juntamente com a indicação dada pelos voluntários do Centro.
Hayley Scott, a administradora do The BT entrou em contato com algumas pessoas conhecidas atrás de recomendações e acabou arrumando algumas. Todos sempre a descreviam como uma jovem cheia de futuro e ideias.
Não tinha erro! era perfeita para o cargo.
Tom então, foi atrás da mulher novamente no prédio do Centro. Ele fez a proposta esperando uma aceitação imediata. Mas, se mostrou ser muito diferente do que o garoto imaginava. A menina pediu um tempo para pensar é só trouxe uma resposta quase uma semana depois, trazendo uma condição: que ela pudesse voltar a Los Angeles sempre que necessário.
E lá estavam os dois. Indo para a cidade que Tom chamava de casa.
Quando o avião chegou ao chão, só conseguiu sentir alívio. Finalmente em terra firme! Até se esqueceu da pergunta que a aeromoça a questionou quando foi ao banheiro. Sim, não ia negar que os dois pareciam bem dois namorados apaixonados. Talvez fosse a turbulência que fizera os dois ficarem assim, ou até um sentimento ainda não compreendido da garota.
Inclusive, fingiu não notar os fotógrafos que se escondiam atrás de umas moitas na frente ao Heathrow Airport quando ambos saíram pela porta da frente. Já até imaginava as notícias que atingiram algumas plataformas de notícias dentro de algumas horas: "Tom Holland leva a nova namorada para conhecer sua família." Antes fosse por isso que eles estavam em Londres.
Harry estava do lado de fora de um carro preto, esperando pelos dois. Os dois irmãos deram um rápido abraço, antes do mais novo abraçar a menina.
- A viagem foi tranquila?
e Tom olharam um para o outro e riram. É, talvez a aeromoça tenha tido bastante razão para achar que os dois eram um casal. O Holland gêmeo encarou os dois com atenção. Pelo visto Sam estava certo e tinha fisgado o mais velho dos Holland, ele só não tinha notado ainda. Droga! Harry tinha perdido dez libras.
- Mamãe está querendo saber se você irá mais tarde.
- Claro que irei. Não é todo dia que um menino faz dezesseis anos.
- Quem está fazendo aniversário? - quis saber , após se acomodar no banco traseiro.
- Meu irmão Paddy - respondeu Tom, olhando pelo retrovisor - Nós iremos mais tarde na casa de meus pais.
- Okay! Só preciso dormir um pouquinho no hotel e estarei pronta para festejar - piscou, brincando, mas logo estranhou a gargalhada dos outros dois - O que foi?
- Você não vai ficar em hotel nenhum.
- Oi? - Do que Tom estava falando? Onde ela iria dormir? A garota tinha ido na viagem acreditada que todos os custos estavam sendo patrocinados pela fundação dos Holland.
- Você irá acampar lá em casa, - respondeu Tom. Ela e Tom sozinhos dentro de uma mesma casa? Talvez isso fizesse aqueles acabarem juntos. Harry tinha que comentar isso com seu irmão e os melhores amigos de Tom.
tentou processar o assunto enquanto os dois discutiam as agendas dos próximos dias. No dia seguinte, todos os membros do setor administrativo da fundação irritam se reunir para discutir a vaga de , e posteriormente a assinatura da "carteira de trabalho" da mulher.
Duas horas depois, surgiu na porta da frente dos Holland logo atrás de Tom. Nikki, uma mulher muito bonita atendeu a campainha.
- Filho! - ela exclamou se jogando nos braços do menino. A mulher encheu o ator de beijos e segurou suas bochechas repetidas vezes, deixando-o sem graça. Somente após um tempo que percebeu a garota que se escondia atrás de seu filho - Você deve ser a - com um imenso sorriso, abraçou a menina, para depois falar - Os meninos me contaram tudo sobre você. Seja bem-vinda à nossa humilde casa!
- Obrigada por tudo, senhora Holland.
- Oh, querida. Eu que agradeço. Nem acredito que estou finalmente conhecendo você. Todos aqui em casa não param de falar seu nome. Parecem até enfeitiçados - piscou a mulher, deixando os dois jovens com bochechas vermelhas e um Tom murmurando "mãe!" - Vamos, entrem, crianças! Está muito frio aí fora. Todos estão na sala esperando por vocês.
foi seguindo Tom até uma ampla sala, onde os familiares do garoto se reuniram. A conversa parou, deixando a menina um tanto acuada com tantos olhos na sua direção. O ator apresentou a menina para seus avós, pai e irmão mais novo rapidamente e foi cumprimentar seus dois melhores amigos, Haz e Jacob. Paddy, o irmão mais novo de Tom congelou no lugar assim que entrara na sala. Seu coração batia tão forte dentro do peito, como nunca tinha acontecido antes. Aos quinze anos, ele estava tendo o seu primeiro crush.
Deu um sorriso amarelo à menina quando a mesma veio falar com ele e saiu correndo logo depois, como se a garota tivesse alguma doença contagiosa. Nikki, mãe dos garotos Holland, que observava a cena de longe sorriu.
- Ele não é muito bom com visitas - O pai dos garotos se aproximou - Eu sou Dominc, mas você pode me chamar de Dom - os dois apertaram as mãos
- É um prazer senhor Holland.
- Senhor, não. Me chame pelo meu primeiro nome, Dominic ou Dom, ainda mais que iremos trabalhar juntos na fundação.
- Pode deixar senhor - colocou a mão tapando a boca quando percebeu seu erro, e tentou se desculpar enquanto Dom balançava a cabeça.
Eles permaneceram conversando sobre a fundação e as ideias que a garota tinha para alavancar o novo projeto deles. Dom escutava com muita atenção e ficou admirado com a inteligência da menina, o que comentou posteriormente com sua esposa.
- Posso roubar ela um pouquinho, Dom? - Jacob estava parado ao lado dos dois há um tempo, porém, eles estavam tão imersos na conversa que nem perceberam o garoto. Mas Batalon precisava urgentemente falar com a garota.
Enquanto se dirigiam para o quintal da casa, onde todos os "mais jovens" estavam, Jacob soltou.
- Anna Julia não está me respondendo. Eu não sei se eu a assustei com a última conversa que tivemos ou se ela simplesmente não quer mais ficar comigo - falou apreensivo
- Você sabe que é complicado. Anna Julia não é muito segura de si. Ela acha que você só está interessado por um momento e que vai abandoná-la assim que perceber que não passa de uma menina gorda sem autoestima, nas palavras dela, o que nós dois sabemos que é mentira... O que você pode fazer é continuar tentando, mostrando para à Anna que você gosta dela pelo que ela tem dentro e não pela imagem.
Quando chegaram ao lado de fora, lá já estavam Harry, Harrison - o melhor amigo de Tom que a menina não tinha conhecido presencialmente - Tom, Sam e sua namorada. Eles jogavam mímica descontraídos e cada um com uma garrafa de cerveja nas mãos. Eles eram tão ingleses!
- Finalmente posso conhecer a famosa ! - exclamou Harrison com um largo sorriso
- Famosa?
- Oh! Sim, famosa. Certas pessoas falam tanto de você que parecem até estarem apaixonadas - com essa fala, Tom começou a ficar roxo de vergonha e todos riam da situação - Jacob não passou um segundo sequer sem falar seu nome.
sentou-se ao lado do ator, após os comentários de Haz, quando a conversa acabou tomando o rumo para o campeonato de futebol inglês. A namorada de Sam, que anteriormente tinha se introduzido como Elysia puxou conversa com a novata, querendo saber o que a menina fazia da vida. Em algum momento, Paddy se juntou a eles. No fim, se sentiu bem acolhida, como se já conhecesse todos a anos.
Em algum momento, a cadela dos Hollands saiu de dentro de casa e se aninhou ao colo da brasileira. De imediato Holland não tinha notado, porém Harrison fez o favor de chamar sua atenção para o ato. Tessa, sua Blue Bull Terrier dormia pesadamente com os carinhos de . E mais uma vez, Thomas sentiu seu coração acelerar.
Quando entrou para pegar mais cerveja, encontrou sua mãe na cozinha, colocando velas no bolo de Paddy.
- Eu gostei dela.- Nikki comentou, mas como Tom mesmo sabia, esse não seria o único comentário que sua mãe faria - O que você acha dela?
- Acho impossível alguém não gostar. Posso rebater a pergunta querendo saber o por quê da mesma?
- Curiosidade - respondeu com um sorriso misterioso - E você gosta dela como amiga ou algo mais?
- Ainda é muito cedo para falar qualquer coisa. Eu posso afirmar que estou encantado é só, por enquanto - respondeu Tom, enquanto se retirava do cômodo, antes que tivesse de responder mais um questionamento de sua mãe.


Capítulo 3

Getting lost late at night, under stars/Finding love standing right where we are, your lips/They pull me in the moment/You and I alone and/People may be watching, I don't mind ‘cause/Anywhere with you feels right/(…)/Paris in the rain
Paris in the rain - LAUV


Quando Tom acordou, já estava na cozinha esquentando um pouco de água.
- O que você está fazendo?
- O café da manhã - respondeu a menina, ao mesmo tempo que pegava um pó de cor marrom. O britânico estranhou um pouco, mas sentou em uma das cadeiras que ficavam ao lado balcão que separava a cozinha da sala.
Ainda encarando Tom, a garota acabou deixando uma panela cair no chão, assustando um Haz adormecido no sofá. Na noite anterior, os rapazes haviam ficado até a madrugada jogando videogame, o que levou um Harrison muito cansado a implorar para dormir na casa de seu melhor amigo. Sem o quarto de hóspedes vago e com um Thomas extremamente espaçoso, o único local que tinha sobrado era o sofá.
O homem levantou de sobressalto, assustado com o barulho, amaldiçoando até a terceira geração da garota por ter feito o barulho.
- Desculpe - pediu com um sorriso amarelo, e finalmente voltou-se para Tom - Você gosta de café, certo?
- Gosto mais de chá do que de café - parou para encará-lo, como se tivesse escutado a coisa mais absurda do mundo - Mas tomo café sim.
- Café é a coisa mais divina do mundo! Se você não gosta é porque não experimentou direito. Vou preparar uma caneca para você e depois você irá me dizer se gostou ou não, okay?
- Só experimento se for um cappuccino - Haz, interveio.
virou-se e encarou com um semblante zangado seu melhor amigo. Ela suspirou, decepcionada e respondeu, não muito entusiasmada:
- Café de máquina nem pode ser considerado café. Para mim, café bom é aquele que você passa no filtro.
Assim, a menina pegou a água que tinha acabado de esquentar e derramou num outro reservatório, resultando em um líquido marrom com um cheiro incrivelmente bom.
- Vocês brasileiros são muito ligados em café né? - quis saber Haz.
- Não posso afirmar por todos os brasileiros, mas a maioria sim. Eu, por exemplo, não funciono até tomar pelo menos uma caneca de café com leite - a garota separou três cabeças que tinha na dispensa do armário e questionou suas preferências - Café puro ou com leite?
Tom deixou a cargo de , enquanto Harrison escolheu tomar café puro. Ela entregou um para cada e posteriormente pegou a sua caneca.
Haz olhou um tanto quanto ressabiado para seu copo, já fazendo uma cara não muito contente. O garoto loiro nunca fora muito fã de café, isso era fato. Ele só tinha aceitado a caneca pois era muito educado para dizer não.
Tom, então, preferiu ser o primeiro. Encontrou seus lábios na boca do copo e virou. A princípio, não notou nada diferente, no entanto, na medida em que o líquido atingia sua garganta, o gosto ia ficando mais aguçado. Aquilo era realmente muito bom.
O garoto ia comentar o quanto tinha gostado do café, quando Haz fez um som de reprovação.
- Eu definitivamente não gosto de café.
deu uma risadinha.
- Por que não me disse antes? O café brasileiro é conhecido por ser mais forte que o normal - a garota balançou a cabeça incrédula - E você ainda preferiu o café puro.
- Eu achei que fosse ser fraquinho.
A menina pegou a caneca das mãos de Harrison.
- Inclusive, como você disse que gostava de cappuccino?
- A questão é: eu nunca disse que gostava - levantou uma de suas sobrancelhas, como se ainda tentasse entender a fala de Harrison quando o mesmo continuou - Mas e o resto do café da manhã? Teremos panquecas ou omeletes?
- Bom, eu só fiz café mesmo. Lá no Brasil, nós normalmente comemos o que chamamos de pão francês como acompanhamento do café, mas isso é algo típico brasileiro. O que você comer no café da manhã?
- , eu vou fazer para você o verdadeiro café britânico. Sente-se ali e aprenda - Harrison arregaçou as mangas de seu casaco.
Enquanto o loiro fazia o café, Tom aproveitou para checar algumas de suas mensagens no telefone. Assim que ligou o aparelho, ele começou a vibrar incessantemente. Normalmente o garoto checava as mensagens no WhatsApp. Logo, assim o fez. Uma mensagem de Jacob foi a primeira a aparecer, mandando o ator clicar em um link de uma matéria de uma das revistas de fofoca mais famosas do Reino Unido.
O ator respirou fundo já imaginando qual seria a notícia e logo notou que não ia gostar, pelo título da matéria: "Tom Holland traz garota misteriosa para conhecer sua família". Haviam fotos anexadas, dele e entrando no aeroporto de Los Angeles, deles encontrando seu irmão no aeroporto de Londres, dos dois andando nas ruas do seu bairro e outras.
- O que você está vendo? - quis saber a garota, que tinha acabado de sentar ao lado de Thomas. O menino até tentou esconder, mas já era tarde demais, a garota já tinha lido o título da matéria - Que?
Tom voltou a desbloquear seu telefone sob o olhar céptico da garota. Ele deu seu celular nas mãos da menina para que a mesma visse as fotos.
- Segundo os tabloides, você é a minha mais nova namorada.
Era assustador ter seu nome e algumas das suas informações espalhada na rede. A notícia revelava tudo sobre a menina. Idade, onde tinha estudado, o que estava fazendo em Los Angeles, além de conter um link com fotos de seu Instagram privado.
- Como conseguiram isso? - questionou-se a menina, genuinamente preocupada.
- Eles sempre arrumam um jeito de conseguir o que querem.
Neste exato momento, alguém bateu na porta do apartamento do ator e o mesmo foi atender, ainda processando os ataques da mídia.
O menino pensou o quanto era importante sentar com Dias o mais cedo possível e explicar como as coisas iriam proceder depois daquele rumor. Principalmente porque seus fãs possivelmente não iriam aceitar aquele fato muito bem. A menina poderia sofrer ataques diversos e críticas constantes, até que um comunicado oficial fosse feito, desmentindo a matéria.
- Harry! Sam! - exclamou quando abriu a porta e descobriu seus irmãos mais novos na porta.
- Vocês viram a notícia no The Sun? - questionou um dos gêmeos assim que passou pela entrada do apartamento. Harry olhou para na bancada da cozinha, ainda olhando para o celular - Vocês souberam como o fandom do Tom reagiu a essa história?
Harry já sabia a resposta disso tudo. Assim que vira a notícia sobre o irmão e a nova amiga da família, correu para acordar Sam no quarto ao lado do seu e investigar como os fãs de seu irmão mais velho estavam lidando com a ideia no Twitter.
Algumas pessoas não enfrentaram a notícia de melhor maneira, como era de se esperar. No entanto, muitas outras estão tentando entender ainda a situação, o que deu uma ideia bem interessante ao garoto. Por que não explorar isso é aproveitar a atenção sob Tom e para uma boa causa?
- Eu tive uma ideia.
Haz, parou o que estava fazendo para prestar atenção no garoto.
- Como assim? - Tom perguntou, não muito feliz com a entonação de seu irmão mais novo e assustado com o sorriso que surgiu do rosto de seu irmão.
Harry Holland contou o plano que tinha bolado com seu irmão gêmeo para transformar aquela atenção sobre a sua família em benefício para o The Brothers Trust indicando que precisava da colaboração de todos. Aquela semana seria bem atribulada.
Desse modo, nos dias subsequentes, Tom e agiram como se fosse um casal toda vez que Harry mandava, incitando os fãs e os sites de fofoca.
Harrison, inclusive, postou algumas fotos no seu story ao longo da semana dos dois juntos, agindo como um casal. Jacob, planejadamente postou um vídeo cantando com o casal em clima de suposto romance atrás. Até a namorada de Sam publicou uma foto junto em seu feed com a brasileira chamando-a de "irmã".
O twitter estava uma loucura. Cada dia que passava, mais e mais teorias sobre como eles tinham se conhecido surgiam. Os amigos vez ou outra aproveitavam para ver algumas e dar boas gargalhadas.
Claro que sofreu alguns ataques de fãs. Por isso, ela mesma decidiu se manter longe de qualquer rede social que não fosse o WhatsApp, por onde trocava mensagens com sua afilhada. Isso tudo perdurou até o dia em que Tom postou um vídeo com no Instagram, em que a menina estava com a cabeça apoiada nos ombros do rapaz enquanto o mesmo solicitava que seus seguidores entrassem em um link anexado ao story.
- Nossa, eles ficam tão confortáveis um com o outro - Nikki, que assistiu toda à preparação até aquele vídeo sussurrou para Dominic.
A mulher com um sorriso estonteante e o britânico a olhando com uma cara de apaixonado. Assim que o anúncio saiu, Tom recebeu inúmeras mensagens de pessoas comentando sobre a trolagem, já que, ao puxar para cima, um vídeo dos irmãos Holland abria, anunciando como a nova "ajudante" do projeto de caridade da família, emendando com a menina falando um pouco sobre si e os projetos que iriam abordar.
A garota explicava a situação das crianças refugiadas no mundo e terminava expondo os próximos projetos do The BT, avisando que seu rostinho deveria se tornar comum aos olhos dos fãs do ator pois além de comandar alguns projetos de proteção de criança, a menina ainda iria divulgar em conjunto com as divulgações de filmes de Thomas, as ideias da fundação Holland.
Com o fim das filmagens, Tom a chamou em um canto e perguntou se a menina não gostaria de comemorar sua entrada para a família TBT. A menina logo aceitou, sem imaginar que na verdade o britânico planejava um encontro com ela.
Durante toda a semana, o apreço e carinho que sentia pela brasileira foi se transformando a ponto de se tornar em algo mais.
Após muitas conversas com Jacob, melhor amigo de ambos, a ideia de chamá-la para um encontro surgiu. Jacob aconselhou- o a perguntar diretamente se gostaria de sair com ele, entretanto, com medo da negação, Tom acabou deixando subentendido que mais pessoas iriam.
Tom tinha medo de machucá-la. Não por culpa própria, mas por causa de seus fãs. Ele os amava demais e era extremamente grato por tudo que seus admiradores já tinham feito por ele. Mas, o que aquela semana tinha comprovado ao rapaz era quanto algumas pessoas poderiam ser maldosas quando desejavam.

***


- Jacob, você vem mais tarde né? O jantar é muito formal a ponto de eu ter que comprar um vestido ou calça jeans e regata servem? - quis saber a garota quando os dois desciam o elevador para a entrada do estúdio de gravações alugado pelos Holland para as gravações dos vídeos, no centro de Londres.
- Aonde que eu vou?
- Ao restaurante. - respondeu confusa.
- - começou o moreno, virando-se para a sua amiga. De vez em quando, era um pouquinho tapada, principalmente com coisas que estavam logo a sua frente - Não sei se você notou, mas o Tom está nutrindo certos sentimentos por você. Ele inventou esse troço de "comemorar sua assinatura" - o garoto fez o sinal de aspas com a mão e continuou - Para vocês saírem juntos.
encarou seu melhor amigo embasbacada. Como assim o Tom estava afim dela? Sim, o menino era extremamente carinhoso e prestava atenção em tudo que a menina falava, especialmente nas suas ideias mirabolantes de como mobilizar pessoas para uma passeata a favor da proteção das crianças refugiadas.
até achava engraçado quando pegava o rapaz a secando. O menino ficava vermelho igual um pimentão e tentava olhar para o lado contrário.
Essa era uma das inúmeras coisas fofas que Tom fez.
Outro dia, ele a levou para conhecer cada cantinho de sua cidade natal. Os dois e Jacob foram na London Eye, ao Madame Thousand e foram andar pelas ruas ao redor do Palácio de Buckingham.
Eles ficaram conversando o tempo todo. Sobre a vida e seus sonhos, muitas vezes excluindo Batalon da conversa.
percebera que na medida em que os dias iam passando, Tom ia entrando em seu coração e se instalando lá dentro. A afeição que já tinha foi rapidamente se transformando em algo mais. Ainda mais porque o menino era extremamente centrado, com os pés no chão e simpático.
- Nada de se auto-sabotar, . Você vai nesse encontro, vai conversar com o Tom, vai ter uma ótima noite e quem sabe dá uns beijinhos naquela boca! - Jacob falou assim que as portas do elevador abriram. O garoto sabia que Dias precisava de uma forcinha para ir ao encontro. A garota tinha mania de pensar as coisas demais e desnecessariamente.
- Isso foi um ultimato?
- Exatamente - falou enquanto a menina sorria. Pelo visto, não tinha muita opção a não ser ir a esse tal encontro.
- Então, vai ser algo formal ou dá para ir de jeans? - questionou a menina.
À noite, Tom e foram andando em silêncio até um restaurante recomendado por Sam. Era estranho a quietude da ambos para quem os conhecia. A verdade era que estavam nervosos com aquele encontro. Ele, porque tinha medo de como ia repercutir aquela história e ela porque pensava em como as coisas entre os dois se desenrolariam depois dali.
Ao entrarem no estabelecimento, uma senhora os acompanhou até uma das cadeiras ao fundo do restaurante. Lá eles pediram hambúrgueres e batatas fritas.
- Você está linda - tentou quebrar o gelo.
- Obrigada.
estava estonteante com um sobretudo cinza e lábios vermelhos, o que deixava Tom mais nervoso para o desenrolar da noite.
- Bom... Me diga o que está achando da viagem?
Com o tempo, uma conversa descontraída e fluida foi se estabelecendo.
- ... aí eu tentei apagar o fogo com a toalha, o que não foi muito inteligente - gargalhava com a história contada por Tom. A menina já estava toda vermelha, o que a deixava mais fofa ainda - Acabou que o alarme de fumaça do hotel começou a tocar e todo mundo teve que sair de seus quartos, porque eu coloquei fogo na toalha.
- Meu Deus! - falou, enquanto enxugava seus olhos. Tom tinha contado história de uma vez que sem querer acabou colocando fogo em uma toalha de hotel e fez todos os hóspedes saírem de seus quartos - Descobriram que foi você?
- Sim! E eu tive que pedir inúmeras desculpas ao gerente, dizendo que tinha sido sem querer.
Uma hora depois de entrarem no estabelecimento, os dois estavam contando histórias engraçadas sobre si. Tudo começou com contado sobre a vez que uma mulher jogou água benta nela no meio de uma turbulência enquanto a mesma chorava achando que ia morrer.
, limpou algumas lágrimas que se aglomeraram no canto de seus olhos e deu a última mordida em seu hambúrguer recheado de ketchup (do jeito que gostava). Acabou espirrando o líquido por todo seu rosto. Thomas, se aproximou, tentando limpar a sujeira. Ergueu o guardanapo até o canto da boca da mulher e calmamente retirou o excesso de ketchup. No entanto, acabou ficando hipnotizado pela boca avermelhada da menina, nem notando que já tinha retirado tudo que tinha para retirar.
sorriu.
- Deixei alguma sujeira permanente? - questionou.
- Hãn? - Thomas que ainda encarava a boca da menina, voltou seu olhar para os da garota, percebendo a feição travessa da garota.
- É que você está dando tanta atenção a minha boca que até achei que tinha acontecido alguma coisa grave.
O ator britânico baixou o guardanapo e colocou-o dentro de seu prato vazio, levando, posteriormente sua mão esquerda à nuca, num movimento que revelava o quão sem-graça o rapaz estava. Ele detestava ser pego no flagra.
- Desculpe.
pegou a mão direita do rapaz e apertou como se dissesse que estava tudo bem. E estava. Ela fez a piada mais porque notara certas pessoas encarando do que pelo ato do rapaz. A verdade era que se Tom Holland a beijasse ali mesmo naquele restaurante, não iria negar. Muito pelo contrário. A garota desejava muito esse beijo, porém não era prudente deixar que ele acontecesse nesse momento em questão.
- Você conhece a história do Jacob e da Anna Júlia? - questionou a garota, tentando desvirtuar seus pensamentos da boca de Holland.
- Um pouco. Jacob só me contou que havia conhecido uma amiga sua e que eles estavam se conhecendo, mas que a história é muito complicada.
- Infelizmente - percebendo o olhar de confusão do garoto, a menina achou melhor explicar - A Anna é uma pessoa maravilhosa, engraçada, fofa e carinhosa, porém ela tem um problema muito sério de se auto degradar. Ela acredita que o fato dela ter quilinhos a mais faz dela menos digna das coisas. O Jacob, eu e outra amiga sempre tentamos colocá-la para cima. Mas amor próprio é impossível de ser construído se a pessoa não quer.
- Vocês já tentaram a levar num psicólogo?
- Estamos tentando convencê-la de ir em um, mas ela acredita que não tem um problema.
Dali pra frente os dois continuaram conversando sobre a vida, de forma que o assunto continuou durante toda a volta para casa. Eles conversaram sobre a vida, sobre a carreira de cada um, sobre seus sonhos e objetivos. A conexão entre os dois era imensa e inegável.
Quando entraram no apartamento, nenhum dos dois queria se despedir, mesmo sabendo que deveriam acordar cedo pela manhã para pegar o voo de volta para casa. rumou até seu quarto para retirar seus sapatos que machucavam enquanto Tom esperava ao lado de fora no arco da porta.
- Vocês britânicos são tão cheios de manias esquisitas.
- Por que você diz isso?
- Ah, sei lá! Se fosse uma das minhas amigas brasileiras aqui, elas já teriam entrado no quarto. Não temos essa de espaço respeitoso - terminou de tirar sua bota e se aproximou do garoto, ficando do outro lado do arco da porta e não tão perto de Tom, mas o suficiente para que, se quisesse, tocá-lo.
- Tipo o Paddy - continuou a garota - O menino não conseguiu nem falar comigo durante a festa toda. Questionei o Sam e ele me disse que o seu irmão é muito fechado com visitas novas. Isso me lembrou de como são as coisas lá em casa: se algum convidado aparecer, independente se a gente acabou de conhecer, a gente dá um beijo é um abraço na pessoa. Enfim. Vocês são muito parecidos quanto a isso.
- Então você me acha bichinho do mato? Foi essa a primeira impressão que eu passei a você?
sorriu.
- Infelizmente sim. Naquele dia você meio que dirigiu duas frases a mim. Eu cheguei a pensar que você tinha me odiado!
- Não, claro que não. É que eu sou tímido - essa afirmação arrancou uma certa gargalhada da brasileira.
- Você mente muito mal, Stanley.
- Já disse para não me chamar assim - Tom fingiu estar emburrado.
- Mas o Harrison te chama assim.
- E eu o odeio por isso.
Os dois ficaram em silêncio durante um tempo, só encarando um ao outro. Tom gostaria muito de tomar o primeiro passo e finalmente fazer o que tanto desejava com a garota. No entanto, tinha medo de assustá-la ou de ter pego os sinais errados.
- E você gostou exatamente do que em mim quando você me viu pela primeira vez? - finalmente quebrou o silêncio. A menina pensou que Tom fosse responder algo como "a sua inteligência" ou "o seu jeito com crianças". Mas Tom sempre gostou de surpreender,
- Eu fiquei apaixonado pelo seu sorriso assim que o vi. Eu não consegui parar de encarar seu sorriso. Porque ele é lindo, único e me faz ter vontade de sorrir também, independente do que tenha gerado o seu. Depois, eu notei seus cabelos, em como eles eram bonitos e sedosos. Eu logo quis poder sentir o cheiro dele e quando descobri que tinham cheiro de morango, eu me apaixonei mais um pouco. Por fim, notei seus olhos avelã. Você não tem noção de como eu me perco nos seus olhos.
encarou Thomas um tanto quanto incrédula. Era como se o garoto estivesse se declarando para ela. A menina Dias nunca foi de receber declarações - na verdade ela nunca recebeu uma - então, não sabia como agir.
Primeiro, pensou em responder com uma piada, mas nada surgia em sua mente.
Então, achou que seria legal replicar a resposta é apontar todas as pequenas coisas que amava em Tom, como por exemplo seu bom humor eterno, seu carinho com todos ou seu rosto angelical. Eram inúmeras coisas! Por fim, achou que seria mais interessante agir.
se aproximou do rapaz com um passo, que foi suficiente para suas respirações se misturarem. O garoto Holland se ajeitou, como se esperasse o que vinha.
- Eu tenho outra pergunta.
- Mande - o britânico respondeu, já encarando pela quarta vez a boca da menina, só naquela noite.
- Como você gostaria que essa noite terminasse?
- Da melhor maneira possível - assim que terminou de falar, já tomava os lábios do rapaz com os seus. O beijo começou rápido, como se estivessem famintos, porém, na medida em que suas bocas suas línguas se juntaram, o beijo foi desacelerando, de modo a se tornar mais profundo, como se os dois desejam gravar aquele momento em suas cabeças para sempre.
Tom, em algum momento, deixou sua mão encaixar no quadril da garota ao mesmo tempo que outra se posicionava em suas costas. A garota por sua vez, deixava os dois braços entrelaçados no pescoço do rapaz. Estavam tão encaixados que quando quebrou o beijo uns bons minutos depois, Tom exclamou em reprovação.
A garota sorriu, gostando do efeito que tinha sobre o garoto.
- Boa noite, Thomas.
- Boa noite, - respondeu o garoto um tanto atordoado e saiu do batente da porta, entrando em seu próprio quarto.
A brasileira fechou a porta e encarou a madeira, ainda processando o que acabara de acontecer. Nem em um milhão de anos a garota iria pensar que aos 22 anos teria beijado um ator de cinema que fazia parte do filme de maior bilheteria mundial. Além disso, ainda demorava a acreditar que Tom tinha gostado do beijo tanto quanto ela.
respirou fundo e mordeu os lábios, tentando inutilmente segurar o sorriso que formava em seus lábios. A voluntária só poderia estar sonhando acordada! Ela botou as mãos sob a boca, tentando se controlar. Balançou a cabeça e guiou-se até sua mochila para pegar seu pijama.
Duas horas depois, ainda girava na cama, repassando o beijo em sua cabeça.
- Maldito Holland! Agora eu não consigo dormir. - murmurou a garota.
resolveu tentar contar carneirinhos, para ver se o sono vinha, porém, se assustou com o barulho da porta se abrindo. A menina nem ousou se mexer, preocupada que indicasse ao que ela pensou ser um ladrão, seu refúgio. No entanto, quando um dos lados da cama afundou, um cheiro inconfundível de sabonete de lavanda se apossou de suas narinas.
A menina permaneceu quieta, só sentindo Tom arrastar seu corpo para debaixo da coberta. Assim os dois dormiram de conchinha o resto da noite.

***


Só Harrison já havia ligado pelo menos quatro vezes para seu melhor amigo sem obter nenhuma resposta. Ele e Jacob já estavam preocupados, acreditando que o rapaz e a brasileira haviam perdido o horário do voo.
Com a chave reserva, o loiro abriu a porta da frente e seguiu Jacob para o interior do apartamento. Batalon foi quem notou primeiro.
O suposto casal estava dormindo agarradinho na cama do quarto de hóspedes. O moreno cutucou Haz e fez uma gestos esquisitos, que Harrison não entendeu, mas captou a mensagem.
Sorrateiramente, cada um foi para um lado da cama tentando não acordar os dois (o que era uma tarefa um tanto quanto difícil para Batalon). Jacob contou até três com os dedos, portando um sorriso diabólico nos lábios e no final da contagem os dois se jogaram na cama.
Thomas acordou de sobressalto, olhando para um lado e para o outro ainda tentando distinguir o que estava acontecendo, ao mesmo tempo que empurrava Jacob para fora da cama.
- Que bonito vocês dois hein!
- Cala a boca Harrison! - Tom respondeu com uma voz arrastada.
- Cala a boca nada. Vocês quase iam perder o voo porque estavam ocupados demais dormindo de conchinha para atender seus respectivos telefones.
- Que horas são? - questionou , evidentemente preocupada.
- Nove e quarenta.
se levantou de supetão, quase pisando num Jacob que ainda estava no chão, saindo do quarto quase correndo, gritando que estava atrasada.
Thomas, por sua vez, voltou a se deitar, olhando para o teto branco de seu apartamento. Pelo visto, à noite anterior não tinha sido um sonho.
- Uhummm! Preciso perguntar como foi o encontro - Tom terminou de coçar seus olhos e encarou Jacob.
- O encontro foi ótimo.
- Nota-se - respondeu com um sorriso - Felicidades ao casal.


Capítulo 4 - Pt. 1

I've been watching you for some time/Can't stop staring at those ocean eyes/Burning cities and napalm skies/Fifteen flares inside those ocean eyes/ Your ocean eyes/No fair/ You really know how to make me cry/ When you give me those ocean eyes/I'm scared/ I've never fallen from quite this high/ Falling into your ocean eyes/Those ocean eye

ocean eyes -Billie Eilish

- Não, Jacob. Você escolhendo de novo a música não. Caramba, vai ser a terceira música havaiana que você coloca só hoje, pelo amor de Deus! Ninguém conhece a letra
- ! Modos menina.
- Ué! Eu só estou falando a verdade.
começou a balançar a cabeça em negação. era assim, uma menina cheia de opiniões e razão que não sabia manter a língua dentro da boca. e se conectaram assim que foram apresentadas pela caseira do apartamento que alugavam. Dali para frente, não existia um local onde ia que não estava e vice versa.
- Olha quem está reclamando... A menina que já colocou umas trinta músicas em português até agora.
- Jacob, querido, é diferente. Você está em minoria aqui - interveio, já que ela estava adorando cantar "Olha a onda", "Ragatanga" e "A lua me traiu" - Temos duas brasileiras no recinto. Mas para acabar com a disputa, acho que nenhum dos dois deve escolher a próxima música então.
- Mas é o meu aniversário! - reclamou Jacob.
- Eu sei... eu sei... Mas que tal a gente dá a oportunidade para outras pessoas? Por exemplo, a Anna até agora não escolheu uma música.
Jacob rolou os olhos, insatisfeito, enquanto fazia um biquinho.
- Coloca Abba, por favor! - pediu Anna Julia que estava sentada ao lado de Jacob em uma das mesas em volta do palco
- Anna, não. Pelo amor de Deus, Abba de novo não. - implorou - Se a colocar pela milésima vez Mamma Mia para tocar, eu juro que vou embora.
- Deixe de ser ranzinza ! Karaokê que não tem Abba, não é karaokê.
- Não sei em que locais você ia para cantar no Brasil, mais Abba já saiu de moda a uns treze anos. - a rolou os olhos.
foi até o caderno das músicas exposto ao canto do palco e começou a folhear, pensando em qual sucesso dos anos 2000 faria ficar quieta.
- Pronto! Achei um perfeita. É um dos sucessos da Rihanna e você vai amar.
- Se for Umbrella, eu me nego a cantar. só existe um pessoa no mundo apta para cantar essa música e você sabe quem é.
A garota de cabelos pretos revirou os olhos pela décima vez pela naquele minuto, ignorando a brincadeira idiota de sua amiga. Desde que a brasileira voltou de viagem e contou as duas melhores amigas tudo que aconteceu em Londres, as piadas sobre o ator se tornaram presente. Foi quando 'Only Girl in The World' começou a tocar, arregalou seus olhos e gritou:
- Agora sim! - a jogou seus cabelos sedosos para o lado, levou o microfone à boca e começou a cantar a música que ela dizia ser feita para ela.
Duas músicas depois, Jacob e brigavam novamente por conta das músicas. Um queria colocar clássicos do Michael Jackson, enquanto o outro gostaria de colocar clássicos da Disney. os dois monopolizaram o microfone de tal maneira que desistiu de tentar cantar alguma outra música naquela noite. Por isso, achou mais conveniente sentar com Anna Julia em uma das cadeiras de madeira, perto do palco, que os amigos tinha posto seus pertences.
Anna estava mordendo seus lábios rosados como se estivesse preocupada com alguma coisa. Além disso, já tinha notado que sua amiga não parava de mexer em seus cabelos ruivos, da forma que sempre fazia quando estava preocupada com alguma coisa.
encostou suas mãos frias no antebraço da ruiva, fazendo a menina se assustar. A garota estava com os olhos fixos no palco, mas com a cabeça em outro mundo. Por conta da falta de iluminação do local junto com a face preocupada da garota, os olhos verdes esmeralda de Anna estavam beirando uma tonalidade mel.
- Eles dois parecem duas crianças - comentou a ruiva. Pelo visto, Anna iria fingir que não estava preocupada com alguma coisa e posteriormente revelar e compartilhar seus medos. não iria forçar nada também. A sabia que pressionar Anna não daria em nada. Era melhor esperar. Assim, a brasileira se limitou a balançar a cabeça em concordância.
O silêncio se instaurou entre as duas por alguns minutos. Não foi um silêncio ruim ou estranho. Era somente uma quietude de ambas as partes. Anna ainda parecia remoer alguma coisa, o que deixou inquieta. Talvez fosse melhor mudar o rumo da conversa para que Anna se soltasse mais.
- Você não vai acreditar no que a me contou hoje sobre o Gary - viu a cara de confusão de Anna, já que a trocava de crush como se troca de roupas, e achou melhor explicar - O personal trainner da academia nova dela, lembra? Ele iria levá-la para jantar ontem, mas deu o bolo na última hora, dizendo que sua avó tinha dado entrada no hospital e pediu para remarcarem o encontro. Ela foi nesse tal restaurante consultar para quando poderia fazer a reserva e o encontrou lá, com a esposa e seus três filhos.
- Meu Deus! Que pilantra.
- Ele ainda fez o favor de apresentar a para a esposa dele, afirmando que ela era uma de suas alunas.
- Cara de pau! Ela ficou chateada?
- No início, sim. claro. Ninguém gosta de ser enganado né... Mas, ela já está de papinho com outro agora.
- Essa garota não para - afirmou Anna rindo.
- Você conhece a , mais homens do que roupas no armário - respondeu simplesmente.
- Eu te digo, ainda vai conhecer um cara que irá virar a ida dela de ponta cabeça. E quando ele finalmente aparecer, não vai ter quem segure os dois.
- Espero que isso não demore a acontecer. Eu sinto que por mais que ela fique nessa de pegar vários caras diferentes, ela busca alguma coisa. Um pouco mais de sentimento, amor... Sei lá. Algo que falte em sua vida.
Anna se voltou as duas crianças que ainda brigavam pelo microfone, mais especificamente para Jacob. Ela suspirou tristemente e finalmente revelou:
- O Jacob está tão triste hoje. Eu me sinto uma namorada inútil nesses momento - por mais que estivesse chocada com o fato de Anna se denominar "namorada" do havaiano, preferiu deixar sua amiga desabafar e só depois enchê-la de questionamentos - Ele esperava que os amigos deles estariam aqui para comemorar o aniversário dele ou que pelo menos tivessem mandado uma mensagem de parabéns.
- O Tom não mandou nenhuma mensagem?
- Não. Nem ele, nem o Harrison, nem nenhum dos garotos que fizeram Spider-man com ele.
- Não acredito. Mas esses garotos são um grude...
- Por algum acaso o Tom comentou algo com você?
- Da última vez que nós nos falamos, ele me disse que as gravações do filme estavam acabando e que ele teria uma semana de descanso até uma presstour. Inclusive ele quer que eu vá junto, mas que os detalhes da viagem estariam a cargo da Hayley, a administradora do The Brothers Trust.
- E como é trabalhar com ela?
- Ela é maravilhosa! Sempre solicita e tira todas as dúvidas que eu tenho. Atualmente estou escrevendo um relatório sobre o Centro Vera Cruz mostrando o porquê ele deve ser investido e tal. Por questões burocráticas eles precisam de um relatório formal descrevendo o espaço, o cotidiano das crianças, a relação que o projeto tem com governo norte-america e etc.
Anna fez mais algumas perguntas sobre o cotidiano de na instituição mas, a brasileira sabia qual era a principal intenção da ruiva: perguntar sobre Tom e ela. A verdade é que, depois de Londres, cada um seguiu seu rumo. Os dois ainda conversaram muitas vezes por video chamada, mas não era a mesma coisa. Além disso, sentia que os dois tinham assuntos inacabados. Por mais que tivessem ficado na última noite da viagem, a garota ainda tinha dúvidas sobre qual era o relacionamento dos dois.
Não que Tom não tivesse mostrado mais interesse. Muito pelo contrário! Ele sempre mostrava um carinho muito grande pela menina, mandando mensagens às vezes um tanto quanto apaixonadas. Eram mensagens de "bom dia", "boa noite", "sinto sua falta", outras um tanto saidinhas, e coisas do tipo. Porém, estava tendo dificuldade em manter o lado profissional e pessoal separados. Até porque, ela estava dando uns pegas no chefe.
Aliás, os ataques nas redes sociais continuavam, mesmo depois dos dois terem despistado o fandom do garoto. Constantemente a menina recebia alguma mensagem inapropriada em sua rede social. Ela ainda estava tentando entender como as mensagens chegavam, até porque seu instagram era trancado.
Agora, o que mais atordoava o coração da brasileira era o possível reencontro entre os dois.
- No que você está pensando? - , finalmente tinha desistido de brigar pelo microfone com Batalon e resolveu voltar para a mesa e comer alguma coisa - Me diga que ela está pensando em macho, Anna. está precisando urgentemente dá uns pegas em alguém para desestressar.
- ! - falou a brasileira com uma voz estridente meio incrédula enquanto suas duas melhores amigas gargalhavam - Bom... Eu estava pesnado no fato de que a Anna Julia cabou de se denomenar namorada do Jacob.
fingiu choque e virou para a ruiva, que sorria meio timida. Ela achava que não tinha percebido.
- Então você e Batalon finalmente se assumiram? - disse, logo depois se virando para a outra brasileira, com um sorriso no rosto - Estou em choque, .
A conversa das amigas acabou se voltando para Anna, o que agradou muito a garota. As três meninas eram tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Irwin era uma menina de olhos castanhos claros que cursava moda na universidade de Los Angeles. Ela e se identificaram logo, especialmente porque a mãe de Irwin era brasileira e a mesma tinha mudado para os EUA muito novinha. foi a primeira amizade que a fez fora do seu país de origem. O engraçado na relação das duas era que tudo que, mesmo tendo muitas semelhanças, e também eram muito diferentes. Por exemplo, enquanto a era cheia de dúvidas quanto a garotos, Irwin se jogava de cabeça e sem medo.
Já Anna Julia integrou o grupo depois, quando foi a uma festa arrastada por . Desastrada do jeito que só ela, deixou cair suco de uva no tapete branco da dona da festa, Anna viu a cena e se compadeceu das duas garotas ajoelhadas sob o chão, tentando inutilmente tirar a mancha e foi ajudar. Anna era uma menina fofa, cheia de inseguranças e medos, mas com o coração cheio de amor para dá. Ela e Jacob haviam se conhecido por intermédio da brasileira. Assim que viu os olhinhos de Anna e Jacob brilharem um para o outro, a menina soube que eles dois teriam uma história linda.
Dito e feito! Claro que muitas vezes as inseguranças da ruiva não ajudavam muito, no entanto, Batalon sempre se esforçava para ajudar e entender sua garota.
, estranhamente se sentia em casa perto das duas, como se fosse destino conhecê-las, da mesma forma que sentiu-se quando conheceu Jacob e até mesmo quando conheceu Tom. A menina reconheceu, pela primeira vez que o que sua avó falava era real. Além disso, sabia que estava onde deveria estar e que era destinada a estar com aquelas pessoas.
***
Quando desembarcou no Lax de Los Angeles, o garoto só pensava em uma coisa: iria finalmente rever . Thomas mal acreditava que estava de "férias" ia poder curtir um tempinho ao lado da menina. O homem não sabia explicar. Só tinha a certeza de que vê-la por vídeo chamada não era o suficiente para o ator. Ele precisava de mais.
Talvez estivesse realmente apaixonado, como Harrison afirmou outro dia. Tom não se importava com as piadas constantes quanto a isso de seus irmãos e de seu melhor amigo. Atualmente ele só queria vê-la.
- Você já mandou mensagem para o Batalon avisando que chegamos?
- Já mandei sim, Harry. Mas ele não me responde. É provável que esteja curtindo à noite dele.
- Ele não sabia que nós vínhamos hoje? - quis saber Sam
- Nós fizemos um FaceTime com ele ontem e nós contamos que só havia passagem para cá à noite. Ele nos contou que e as meninas tinham preparado uma surpresa de aniversário. Então é bem provável que ele esteja nessa tal surpresa.
- Mande uma mensagem para a sua namorada, Thomas. - o ator jogou um olhar atravessado na direção do menino de cabelos cacheados, enquanto o mesmo dava um sorriso falso.
Desde de que tinha entrado em sua vida, seus irmãos não paravam de o zoar. O Holland mais velho perdeu completamente a autoridade frente aos gêmeos.
Tom tomou coragem e enviou uma mensagem a garota, cruzando os dedos para que ela visualizasse e respondesse rápido. E, para a sua surpresa, foi o que aconteceu. Junto com a localização, Stanley recebeu um puxão de orelha da brasileira sobre não ter mandado uma mensagem para Jacob.
- JB seguiu com o plano. Ela não sabe que estamos chegando - Tom comentou, ao mesmo tempo que empurrava seu carrinho das malas para a entrada do aeroporto.
- Repete para mim o porque que nós estamos omitindo esse fato?
- Sam, seu irmão está querendo fazer uma surpresa para a nova namoradinha dele.
Tom levantou o dedo do meio para Haz, para o maior divertimento dos rapazes e depois bufou, meio irritado. Porém, o garoto estava mais interessado em finalmenre reencontrar sua brasileira do que responder as provocações de seus irmãos.
Assim que chegaram a um pequeno pub na National Boulevard, os rapazes já escutavam alguém desafinado cantando uma música da Disney O local não estava muito cheio, só tinha algumas pessoas que estavam mais imersas em suas conversas do que querendo cantar. Ao centro, um palco improvisado, cheio de luzes e uma televisão, onde a letra das musicas passava.
Logo identificaram e Batalon, já que eles estavam bem no meio do recinto. A gargalhava de alguma coisa que uma menina ruiva falava. A outra mulher, com uma mão livre fazia pequenos carinhos no pescoço de Jacob. Thomas chegou a conclusão que aquela deveria ser Anna Julia, a nova namorada de Batalon e uma das melhores amigas de .
- Tom, aquela é a sua blusa do Chelsea? - questionou Sam.
- Sim.
- A sua blusa do Chelsea favorita?
- Sim...
- Uau! Essa garota realmente deve ter te pegado de jeito, meu irmão.
Sam estava impressionado porque, mesmo que Tom dividisse tranquilamente o seu guarda-roupa com os gêmeos, aquela camisa em específico era intocável. O Holland mais velho surtava só de ver alguém tocando na blusa.Além de ser a favorita de Stanley, o uniforme laranja havia sido assinado pelo camisa dez da seleção inglesa. Era o pequeno tesouro de Thomas.
- Quando foi que você deu a blusa para ela.
- Harrison, eu não dei. Ela pegou quando estava fazendo as malas naquele dia...
- O dia em que eu e o Jacob pegamos vocês dois abraçadinhas no quarto de hóspedes? - Haz forçou a voz e começou a fingir que estava de pegação consigo mesmo.
Tom nem se esforçou para concordar ou discordar do amigo. Ele estava tão hipnotizado pela forma que a garota jogava a cabeça para trás ao mesmo tempo que a risada da mesma invadia todo o recinto.
- E você não pegou de volta? - Harry sabia que seu irmão era bastante ciumento com aquela blusa específica, pois era sua favorita.
- Quando eu pedi, ela me disse que não ia devolver porque ficava melhor nela. E realmente fica...
- Ihhhh, olha isso, Harry - Sam deu um cutucão em seu irmão, ouvindo um 'outch' em resposta - Ele tá apaixonado mesmo...
Tom deu um sorriso meio bobo, sem desviar uma única vez do rosto da menina, mais uma vez ignorando os comentários a seu respeito. Ele observou levantar e ir em direção ao microfone assim que uma outra garota terminou de cantar. Ela tinha acabado de responder o próprio Holland, reclamando que o garoto deveria mandar pelo menos um parabéns ao seu melhor amigo, que o garoto nem se limitou a responder, desviando a conversa para o que a menina estava fazendo.
- Onde está o caderninho de música? - questionou ela, perto o suficiente do microfone para que o recinto todo escutasse. Ela olhou para um lado e para o outro do palco, sem notar Tom e seus amigos no canto do bar.
Ao sentir seu telefone vibrando, avisando que uma mensagem havia chegado, parou de procurar para responder a tal mensagem. Ela informou a Tom que estava ocupada procurando o caderno de músicas, porém antes mesmo de guardar o telefone, o menino já tinha encaminhado uma resposta.
"Procura ao lado da TV"
Assim ela o fez.
- E não é que está aqui... - comentou a menina, sem perceber que novamente falava perto demais do microfone. levantou o rosto um pouco confusa, tentando entender como Thomas poderia saber exatamente onde estava o livro.
A garota somou dois mais dois e percebeu que Tom só podia estar ali. Então, a menina começou a procurar com seu olhar pelo bar onde o garoto poderia estar, até que finalmente o viu.
O menino estava no canto do bar, trajando uma blusa branca e calça de moletom, junto com um óculos marrom escuros. Vestido daquela forma, o homem até parecia um garoto normal de 23 anos que estudava direito na Universidade da região. Naquele momento, a menina só conseguia pensar em quanto Tom Holland parecia ainda mais gato sob a luz negra do bar.
- Tom! - a menina exclamou. É, talvez todo aquele pensa e repensa sobre os dois da menina não tivesse servido de muita coisa. estava caidinha por um certo britânico e isso era um fato.


Capítulo 4 - Pt. 2

I want you to ruin my life/ You to ruin my life, you to ruin my life, yeah/ I want you to fuck up my nights, yeah/ Fuck up my nights, yeah, all of my nights, yeah/ I want you to bring it all on/ If you make it all wrong, then I'll make it all right, yeah/ I want you to ruin my life/ You to ruin my life, you to ruin my life/ I want you to ruin my life

Ruin My Life - Zara Larsson

A menina largou o microfone no local indicado e desceu do palco, tentando parecer calma, mesmo que sua vontade fosse de sair correndo e se jogar no pescoço de Thomas. Mesmo tendo passado uma boa parte do tempo que passou separada de Tom pensando em como o relacionamento dos dois se desenrolava dali para frente, agora que ele estava ao vivo e a cores ali, só conseguia pensar em como estava feliz por ele estar por perto. Assim, a menina foi ao encontro dos meninos, com um sorriso estonteante no rosto.
- Não acredito que vocês estão aqui! - foi o que falou, no mesmo momento que ia ao encontro dos rapazes. Harrison abriu um sorriso imenso, dando um grande abraço de urso na garota. Naquela uma semana, os dois tinham ficado muito amigos, a ponto de algumas pessoas afirmarem que eles eram irmãos e de Tom ficar um tanto enciumado da atenção que a menina dava à Haz.
- Você achou mesmo que nós íamos perder o aniversário do nosso melhor amigo? - questionou Haz, com uma voz abafada por conta do abraço.
O garoto de olhos azuis, começou a apertar mais ainda a menina, a ponto dela pedir para que ele a soltasse.
- Pelo amor de Deus, Haz, me solta - pediu entre risos.
- Olha o aniversariante! - o rapaz soltou assim que viu seu amigo e saiu ao encontro de Jacob, dando alguns tapas generosos nas costas do havaiano, desejando felicidades e outras felicitações. Os gêmeos seguiram o loiro, depois de dar um abraço na brasileira, deixando finalmente, Thomas e sozinhos.
- Oi - Tom levou sua mão esquerda até sua nuca, massageando a região em um sinal claro de nervosismo. Era estranho finalmente falar cara a cara com a menina, depois de tantas mensagens e chamadas de vídeo.
É que querendo ou não, nenhum deles tinha conversado sobre o que acontecera na ultima noite em Londres, deixando o relacionamento dos dois um tanto quanto tenso. Até mesmo nas ligações e mensagens que trocava com a , Tom sentia como se estivesse andando por um terreno cheio de cacos de vidro, com medo de ultrapassar alguma linha invisível.
O que mais passava pela cabeça do ator era de que deveria ter outra conversa com a menina sobre a sua fama. Quando não tinham nada, a conversa foi simples: nós não estamos namorando ou ficando, mas as pessoas vão achar que estamos e vão te atacar, infelizmente. Agora, era tudo diferente. Eles dois TINHAM alguma coisa (por mais que não fosse algo verbalmente acordado). Holland sentia que eles deveriam conversar sobre aquilo e sobre a fama dele, revelando os pontos negativos de estar com alguém de Hollywood.
Ele nem sabia se estava na mesma página que ele. A menina poderia ter ficado com ele só por ficar e não querer nada sério. Thomas não sabia dizer. No entanto, pretendia descobrir.
- Oi - para a surpresa do ator, a voluntária jogou seus dois braços sobre o pescoço do rapaz, dando um abraço apertado nele, enquanto sussurrava em seu ouvido- Eu senti sua falta.
- Eu também - ele se limitou a responder, correspondendo o abraço. Tom nunca se importou muito com os perfumes das outras pessoas, ou a maciez do cabelo ou qualquer coisa do gênero. Não até conhecer . Agora, quando sentia cheiro de canela, ele só conseguia lembrar da menina.
- Seu cabelo cresceu - a garota comentou, logo após quebrar o amplexo. Sem querer dar muita bandeira para os demais no recinto, mas falhando miseravelmente, colocou uma de suas mãos nos cabelos de Tom, deixando seus dedos deslizarem pelo topete recém penteado do rapaz.
O ator sorriu meio envergonhado com o ato carinhoso de . Porventura o menino não precisaria se preocupar com o 'estar na mesma página' que .
- Você disse que gostava do meu cabelo maior, então deixei ele crescer - respondeu, pegando a mão da garota, num reflexo, o que acabou saindo como uma tentativa de entrelaçar suas mãos nas dela.
- Eu gostei. De verdade.
Tom alargou seu sorriso, a encarando com extremo carinho. estava linda com a sua camisa laranja do Chelsea e uma calça jeans rasgada. E que se ferrem os outros que estavam olhando! Como se pedisse autorização à brasileira, o ator encarou a boca pintada de vermelha da garota. passou sua língua sob os lábios e deixou Thomas se aproximar, ao mesmo tempo que sentia uma das mãos do rapaz dar um leve puxão em sua nuca a trazendo mais para perto.
Assim que suas bocas se conectaram, o beijo foi capaz de traduzir a saudade que sentiam um do outro, incrivelmente bem. mal podia acreditar que estava o beijando de novo e na frente de seus amigos! Ela seria eternamente zoada por isso, especialmente por . Inclusive, assim que Holland quebrou o beijo, a voz da menina foi ouvida ao fundo:
- Jacob, você não vai nos apresentar aos seus amigos?
O casal se virou, finalmente saindo de sua bolha particular, encontrando seus amigos de volta da mesa onde e suas amigas haviam deixado seus pertences. Jacob apresentou cada um dos recém chegados e em seguida a apertava as mãos dos rapazes, se demorando um pouco mais do que o usual com Harrison, que por mais incrível que parecesse retribuia.
- Acho que eu estou vendo faíscas saído dos olhares daqueles dois? - indicou os dois loiros com a cabeça.
- Isso têm chance de dar certo? - indagou o ator, um pouco desconfiado. Querendo ou não, ele tinha escutado uma coisa ou outra sobre a mulher sendo que, pelo que tinha ouvido, não queria se amarrar a alguém, enquanto Harrison estava a procura de alguém.
- É mais fácil você me perguntar quantos porcentos têm de dar errado. - retrucou - Lá em Londres, o Harrison tinha me dito que estava procurando alguém especial e, sinto em te dizer, mas a definitivamente não é essa pessoa.
- Mas por quê? - quis saber o ator.
- Porque ela não quer se prender a ninguém no momento. O lema dela é curtir por curtir.
- Talvez Harrison te surpreenda com o poder de persuasão que ele têm - os dois começaram a caminhar em direção aos amigos, ainda conversando.
Holland pensou na época em que os dois eram somente dois meninos normais de Londres que desejavam trabalhar no cinema. Harrison sempre conseguia uma legião de meninas aos seus pés por onde passava. Uma vez, Nikki, sua mãe, lhe disse que o encantava as meninas eram os olhos azuis como água cristalina do loiro. Tom não sabia o que era ao certo, só tinha certeza de que, seu amigo NUNCA teria problema com garotas. O que vinha se comprovando por enquanto.
- Você superestima esse poder dele... Ainda mais sem conhecer a . Digamos que quando ela coloca algo na cabeça, não há quem tire, sendo que no momento ela quer pegar mais garotos do que possa se lembrar.
- Você sabe o motivo para ser assim?
- Digamos que essa é uma conversa para outra hora - disse simplesmente.
O casal finalmente chegou perto o suficiente dos amigos, ainda de mãos dadas. Fato que não passou despercebido por nenhum deles.
- Nem acredito que o meu casal está reunido novamente - Haz simulou que estava enxugando lágrimas que caiam em seu rosto, o que levou a risadas. abaixou a cabeça um tanto envergonhada. a menina não tinha se esquecido que na manhã do pós encontro, Jacob e Harrison tinham encontrado os dois deitados juntinhos na cama dela.
Percebendo o desconforto de sua amiga, Anna tentou desviar a conversa daquele rumo. A poucas horas atrás, quando discutiam sobre Holland e ela, Anna sentiu que precisava pensar bastante sobre o assunto. Querendo ou não, ter um relacionamento com alguém que não tem uma vida privada era bem difícil. A ruiva podia falar por si mesma. Mesmo que Jacob não fosse tão famoso quanto Thomas - pois o rapaz era simplesmente a nova cara da MCU e os olhares do mundo inteiro estavam sob o garoto -, a mulher teve algumas dificuldades em se acostumar, imagina ! Para adicionar mais a bolota de problemas da garota, ainda trabalhava para Tom e sua família, o que não devia ser nada fácil.
Assim que chegou a Los Angeles, compartilhou as histórias que vivera na cidade de Tom. Por fim, quando estava comentando sobre o relacionamento entre eles, ela afirmou que tudo aconteceu muito rápido. Até o próprio Jacob concordou com a menina. O fato era: os dois precisavam conversar sobre o que sentiam e se estariam dispostos a enfrentar todo a enxurrada de ódio e perguntas que um relacionamento entre uma estrela do cinema e uma pessoa normal traziam.
Como Anna Julia conhecia muito bem a brasileira, a mulher esteve por dentro do que ocorreu nas semanas seguintes ao tal vídeo bombástico do The Brothers Trust, onde admitia não ser namorada de Tom. Mesmo sendo lançado antes do primeiro encontro real dos dois, a ainda era perseguida pelo fandom do ator, o que a deixava bem triste.
- Então... Vocês vieram cantar ou não? - questionou Anna, em uma tentativa de desviar um pouco o centro daquela conversa.
- Bora! Quem quer cantar High School Musical comigo? - Harrison questionou, e mesmo que Harry tenha murmurado um 'eu', Haz já estava puxando para o tablado de madeira.
Jacob, vendo os dois loiros tão íntimos em tão pouco tempo logo comentou:
- Isso vai dar problema...
- Deixe que eles se entendam, amor - Anna Julia falou, dando um beijinho na bochecha do aniversariante, como um gesto de carinho.
- Deixar eu deixo, querida. Só não quero estar por perto quando tudo acabar. Você sabe como é a e eu sei como é o Haz. Esse dois tem tudo para dar certo, entretanto também tem tudo para dar errado.
- Vocês falam como se os dois fossem o próprio Chernobyl - criticou Sam, que aproveitou o momento para se jogar em uma das cadeiras de madeira que tinham ao redor da mesa.
- É só que... A tem um temperamento forte e não sei se o Haz terá paciencia para "domar a fera" - simulou aspas com as mãos.
- Eu confio no nosso amigo, . Tenho certeza que ele irá jogar o seu charminho na e ela rapidinho vai cair aos pés dele.
- Se você acha - respondeu a menina, dandos os ombros, à medida que também sentava.
Harry então, questionou se alguém gostaria de algo para beber, recebendo algumas afirmações em resposta. Ele então se dirigiu ao bar, sendo seguido pelo seu irmão gêmeo que não queria ficar de vela em meio a tantos casais. Eram nessas horas que ele sentia falta de sua namorada.
- Então, como foram as gravações? - colocou as duas mãos sobre a mesa, levantando uma a ponto de encontrar sua face na palma da mão, deixando-a em uma posição extremamente fofa na visão de Stanley. questionou somente para Thomas.
- Foi legal... Terminei fazer as regravações necessárias e agora nós vamos fazer um presstour pelo mundo. Primeiro vamos para Nova Iorque, depois Boston, México, Londres, Berlim, China e outros países orientais - a garota concordou, esperando mais detalhes sobre o assunto - Como eu lhe falei, você irá conosco nessa viagem, pois em algumas localidades, nós iremos visitar hospitais e centros infantis de refugiados, o que será bem interessante para fazer contatos e divulgar os nossos projetos.
- Legal. E quando viajamos?
- Segunda - revelou com um sorriso amarelado.
- Já? - indagou a menina - Mas isso é daqui a dois dias.
- Eu sei, eu sei... Eu fui informado disso também só hoje de manhã antes de ser liberado. Me desculpe.
- Desculpa nada! Você não tinha como saber.
- Mas pense pelo lado positivo: nós ficaremos juntos por quase dois meses inteiros - respondeu o rapaz piscando, levando a gargalhar.
O rapaz colocou uma de suas mãos no rosto da , de forma carinhosa que suspirou com o ato. Tinha tanta coisa para falar com ela, tantas angustias para compartilhar, tantas perguntas para fazer. O principal para ele era descobrir se a menina ainda queria ter alguma coisa com ele, ainda mais depois de continuar recebendo tanto ódio gratuito de algumas pessoas.
Tom abaixou as mãos e quase num sussuro revelou:
- Nós temos que conversar.
A levou a mão até um dos fios revoltos de seu cabelo e o prendeu atrás da orelha, concordando em seguida. Ela queria mesmo falar com Tom sobre o relacionamneto dos dois. Não que tivesse algo em mente para falar. A brasileira só queria discutir sobre a relação que estava se estabelecendo sobre os dois.
- Que tal irmos ao cinema amanhã para conversarmos sobre isso?
- No cinema? Conversar no cinema, Stanley? Quem vai ao cinema para conversar?- a menina abriu um imenso sorriso, já imaginando que não haveria conversa nenhuma e sim muita pegação (o que ela não se opositaria, também).
- A gente assiste a um filme e depois senta para conversar. Que tal?
- Ou seja, um encontro?
- Quem falou de encontro? - Tom sorriu cinicamente.
- Thomas! - deu um leve tapa no ombro do garoto, em sinal de reprovação, por mais que seus lábios tivessem se alargado com a proposta do ator. Eles definitivamente não conversariam.
- Nós vamos conversar, eu prometo - piscou - E o que eu disse sobre me chamar de Stanley?
Sem escutar a resposta, o ator começou a fazer cosquinha na menina. A risada dela invadiu seus ouvidos ao mesmo tempo que um pensamento tão avassalador se apossou de sua mente: se os dois continuassem daquela maneira, era bem provável que quem teria o coração partido no final de tudo, não seria Harrison e sim ele mesmo.


Capítulo 5

Oh I think I'm in love/ With your body and your mind/ And your soul and your eyes/ But I don't know/ Oh my God
I Don’t Know - Jack & Jack


Nem precisou ver o identificador de chamada para saber de quem se tratava.
- Oi. Já estou descendo - respondeu rapidamente.
Antes de sair de seu quarto, a mulher conferiu pela última vez se a roupa que escolhera estava amassada e tentou inutilmente colocar algumas mechas que pulavam para fora da trança, que acabara de fazer, no lugar.
Finalmente, saiu de seus aposentos e foi correndo até a porta de entrada para finalmente rumar até o seu encontro com um certo ator de Hollywood. No entanto, antes que pudesse colocar a mão na maçaneta, a mesma abriu sozinha de supetão, quase batendo no rosto da .
- ! - a mulher gritou. Sua amiga, que acabara de fechar o objeto de madeira, pulou de susto. A esperava chegar que ao chegar em casa, já tivesse ido ao seu encontro com Thomas.
- Onde você vai? - talvez se fingir de desentendida fosse a melhor das opções.
- A questão é onde você estava, dona ?
- Ah - pelo visto, se fazer de desentendida não iria ajudar em nada. A moça começou a enrolar alguns fios loiros que pendiam sob a sua cabeça - Eu dormi fora.
- Isso é evidente! Só não me diga que você dormiu com o Harrison, por favor.
levou seu indicador até o queixo e começou a bater na região, simulando alguém pensando.
- Defina "dormir" - respondeu a garota com um sorriso safado, recebendo um olhar de reprova da amiga - Okay, eu não dormi com ele desse jeito que você está pensando. A gente ficou conversando até tarde no quarto de hotel dele e acabamos adormecendo. Foi só isso que aconteceu.
- Só isso, mesmo?
- Só! - respondeu meio cínica. A começou a caminhar em direção a sala, tentando nitidamente fugir da conversa. Entretanto, a brasileira não tinha se dado como vencida.
- Não rolou nenhum beijinho?
- Não, amiga. Claro que não - , então, continuou andando, indo para os seus aposentos, porém mantendo a porta aberta para escutar sua amiga saindo pela porta da frente. Todavia, a voluntária a seguiu, ficando parada ao lado de fora do quarto de braços cruzados como se tivesse pego uma criança fazendo bagunça.
- Dona , você sempre foi uma péssima mentirosa. Seu batom ainda está todo borrado da sua festinha de ontem à noite. Ao menos que você tenha se atracado com alguém no caminho de volta, você andou dando uns pegas no Osterfield - a que estava só de sutiã na frente da amiga, vagarosamente virou em direção a , revelando alguns chupões na região da clavícula, o que confirmava ainda mais as suspeitas de .
deu um sorriso amarelo muito parecido com o que Lucas, o irmão menor de , dava quando o mesmo era pego fazendo besteira.
- Ok, ok. A gente não ficou só conversando. Mas poxa, o cara era gato, estava dando em cima de mim e ainda tinha champanhe no quarto. Eu não sou de ferro ...
- Eu sei, amiga. Eu só peço para você se lembrar que ele é o melhor amigo...
- Do seu namorado, eu sei - respondeu a mulher com um sorrisinho meio sacana, enquanto as bochechas de ficavam vermelhas.
- Do meu chefe, ! - deu a língua para sua amiga, desconfortável com o novo rumo da conversa.
- Aquele chefe que está te esperando em um carro majestoso lá em baixo?
A , que já havia até esquecido sobre o fato, levou sua mão até a testa falando um 'oh meu Deus!', correu até a porta de entrada, saindo de casa. Quando pegou na massagear pela segunda vez naquela tarde, gritou um 'mais tarde conversamos sobre isso' para sua colega de casa. , por sua vez, suspirou fortemente, agradecendo que por hora, havia conseguido fugir daquela conversa, mas a tinha noção de que assim que voltasse, as duas iriam ter uma conversa seríssima sobre aquele assunto.
Ao chegar na calçada em frente ao seu prédio, notou um carro preto de vidros fechados estacionado à frente. A mulher andou até a porta do carona do carro, abrindo em seguida.
Thomas revelara no dia anterior que alugou o possante só para aquele encontro, para a surpresa de . A moça entrou no carro, suspirando forte, ainda repassando a conversa que tinha tido com sua melhor amiga na cabeça.
- Olá - Tom saldou no momento a porta foi aberta. Com um sorriso fraco entre os lábios, virou-se em direção a Thomas - O que houve?
- Eu só estou preocupada com o relacionamento da e do Haz.
- Por que? - indagou o rapaz.
- Você sabe... Ele é seu melhor amigo e ela é a minha melhor amiga... E se algo der errado, eu tenho medo de que isso nos afete.
- Oh, sim! - exclamou Stanley. Ele pegou uma das mãos da moça que repousavam nas coxas da mesma e apertou, sorrindo, tentando acalmá-la - você tem medo de dar errado e que nossa relação fique complicada?
- Sim. Nós trabalhamos juntos agora e por isso fico com receio. Vamos torcer para que dê certo ou que isso não altere o que nós temos okay?
- Tom, então colocou ambas suas mãos no volante e começou a dirigir até um restaurante que havia escolhido anteriormente.
Logo que parou no primeiro sinal da avenida, o homem virou seu rosto para uma calada.
- Ela te contou o que aconteceu ontem a noite? Os dois não perceberam, mas eu vi eles entrando no quarto do Haz logo depois de voltar da sua casa.
- De acordo com a , os dois só conversaram, dormiram e se agarraram a noite toda - respondeu a .
Após se revezam cantando até de madrugada, revelou que estava querendo ir para casa. Isso porque, dali a pouco teria que para ir no Centro Vera Cruz dar uma aula de inglês para as crianças que ali eram abrigadas.
Dessa forma, o casal se despediu de seus amigos, indo para a casa da mulher. Antes de sair do bar, aconselhou sua melhor amiga sobre Harrison, afirmando que a outra deveria "se comportar". Claro que riu da e ignorou o pedido da mesma. Holland a levou para seu apartamento e posteriormente a alguns amassos no sofá, rumou para o quarto de hotel que nos próximos dias chamaria de seu.
Já passavam das quatro da manhã quando chegou em seu andar, porém, algumas risadas histéricas o fizeram diminuir o passo. No momento que virou o corredor para a sua porta, conseguiu identificar os donos do barulho. Uma e um Haz cambaleantes tentavam inserir o cartão chave no local indicado, ao mesmo tempo que o menino distribuía vários beijos no pescoço da .
Os dois entraram no quarto do loiro e Tom já imaginava como decorreria aquela noite. Algumas horas depois, o ator bateu na porta do melhor amigo para avisar que iria sair. Um Harrison com uma cara de sono e de samba canção abriu a porta, tentando inutilmente parecer sóbrio. Ao perguntar como tinha sido a noite, o loiro deu um pequeno sorriso seguido por um "muito boa" e mais nada precisava ser dito para ele ter certeza do que acontecera. Claro que os chupões pelo pescoço do homem revelavam bem mais do que os lábios do britânico.
Mesmo sabendo disso tudo, Tom preferiu não revelar que os dois tinham com a maior certeza ido muito além de beijinhos e conversas até pegar no sono.
- Uhum. E como foi seu dia com as crianças?
- Legal. Tentei ensiná-las a pedir informações em inglês hoje, mas como sempre tudo terminou em música - a menina riu e continuou - O sinal abriu.
Assim, os dois seguiram viagem até a Beverly Center, um shopping próximo a universidade da região, UCLA. Após estacionar, o ator pediu para que a esperasse dentro do carro para que o ator conseguisse dar uma de cavalheiro e abrisse a porta do carona para a mulher.
Esse ato fez dar gargalhadas, o que também fez com que Thomas sorrisse pois o som da risada da brasileira era contagiante. Tom, estendeu seu braço para que encaixasse o seu. Assim, o casal começou a caminhar na direção do restaurante escolhido pelo ator.
- Sabe... - começou o rapaz - Eu andei reparando que você tem oito tipos de sorrisos.
- Como assim? - já imaginava onde isso ia dar mas mesmo assim deixou o homem concluir.
- Um quando uma coisa te faz rir de verdade, um quando está rindo apenas por educação, um quando faz planos, um quando está debochando de si mesma, um quando você está nervosa, um quando fala de seus amigos, um quando você está desconcertada e não sabe como agir, um que você usa quando me olha- o ator fez uma pausa, espiando qual sorriso tomava os lábios da menina - Esse é o número sete.
- Stanley! - a deu um puxão no braço de Tom num sinal de falsa repreensão - Assim está me fazendo apaixonar por você mais rápido do que deveria.
- Mas é esse o meu objetivo, já que eu estou apaixonado por você.
não sabia o que responder. Holland a tinha deixado sem palavras. Como assim ele tinha verbalizado que estava apaixonada por ela? Oh, o que ela iria fazer? Seu cérebro não conseguiu formar nenhuma frase suficientemente boa para responder a altura a confissão do ator.
Para a sorte da mulher, o casal chegou ao tal restaurante e Tom deu atenção ao garçom. Os dois foram encaminhados para uma das mesas no interior do local sem muita dificuldade. Conforme sentaram, observou com mais atenção o restaurante escolhido. O local era rústico, pouco iluminado e com mesas afastadas uma das outras, dando um ar de privacidade aos clientes que ali estavam.
Na mesa que dois se encontravam, somente um girassol e uma vela estavam dispostos. Além disso, algumas plantas e flores foram penduradas no local que deu como pressuposto ser o balcão de pedidos. Quando terminou de inspecionar seu ao redor, o mesmo garçom de antes apareceu de volta com os cardápios.
A garota encarou timidamente Tom, por detrás do menu. O homem trajava uma blusa branca, que destacava seus braços torneados, uma calça jeans um pouco justa em suas coxas e um óculos arredondado de armação vermelha, que o deixava extremamente sensual.
Ele era perfeito da cabeça aos pés! Simpático, fofo, engraçado e humilde... impossível seria não se apaixonar pelo garoto. A brasileira já sentia suas pernas bambearem quando via o homem e isso a assustava.
suspirou forte, notando o quanto estava encrencada. Por fim voltou sua atenção às letras a sua frente. A se espantou com os preços exorbitantes dos pratos porque tudo era incrivelmente caro para a pequena voluntária. Ademais, talvez aquele não fosse o momento de revelar ao garoto que não gostava de frutos do mar. Se Thomas a tivesse levado no Mc Donalds ou no Burger King ela não teria reclamado.
- Eu não sei o que pedir - revelou a mulher - Eu não entendo nem metade do que está descrito nesses pratos e nunca comi em um restaurante tipo esse.
Tom abaixou o seu próprio cardápio. O rapaz colocou a mão na testa e com uma feição preocupada, comentou:
- Oh! Me desculpe, eu deveria ter lhe questionado sobre suas preferências.
- Tom, não tem problema - a garota alcançou a outra mão do rapaz que descansava sobre a mesa - Eu como o que você comer.
Meio sem jeito, o homem chamou o garçom que apresentou-se como Guilherme, e fez o pedido:
- Dois spaghettis com molho branco e camarão mais uma garrafa de vinho tinto para acompanhar.
Por incrível que pareça, o ator havia pedido o prato mais agradável a mulher já que mesmo que não gostasse de frutos do mar, camarão era um alimento que gostava.
No momento que o Guilherme retirou-se em direção à cozinha, a brasileira decidiu que deveria dizer alguma coisa. Pigarreou, chamando atenção do moreno.
- Nós não íamos ao cinema?
- Íamos, sim, mas achei melhor te levar para jantar primeiro e depois pegar um cineminha - Holland piscou em direção a .
- E que filme nós vamos assistir?
- Eu não pensei sobre isso... Achei que seria interessante deixá-la escolher.
- Vou escolher então o filme mais água com açúcar que tiver no cinema - a voluntária esperou por alguma exclamação contrária do homem, entretanto ele só levantou seis ombros.
- Se é o que você quer assistir.
Ali estava. Bem ali. A razão pela qual o coração de Dis palpitava mais forte. esperava uma reação de Tom e ele agia de forma totalmente diferente, a surpreendendo por completo.
Aquela frase poderia ser totalmente normal para quem assistia aos dois ao lado de fora, no entanto, para ela, após ter escutado o ator revelar que estava se apaixonando por ela, qualquer frase do homem queria dizer mais alguma coisa.
Engolindo o seco, achou melhor trocar finalmente abordar o assunto.
- E-eu gostaria de te dizer uma coisa - Tom balançou a cabeça em concordância, numa forma tácita de afirmação, querendo que a mulher continuasse - Sobre n-nós dois...
- Ai meu Deus, é o Tom Holland ali dentro?! - alguém gritou do lado de fora.
deu um sobressaltou, encolhendo sua mão que ainda segurava a de Thomas. Por sua vez, o britânico voltou sua atenção ao aglomerado de pessoas do lado de fora.
Enquanto uma mulher que ajudava na organização dos clientes na entrada, tentava controlar a gritaria do lado de fora, o nome de Harry Holland começou a brilhar no celular de Thomas. Parecia até que o gêmeo tinha pressentido o desastre.
- Alô. Sim, Harry, eu estou no shopping com a - a afirmação foi seguida por uma longa pausa até que o mesmo continuasse - Okay, obrigado.
- O que houve? - quis saber.
- Parece que alguém viu nós dois entrando no shopping e divulgou. Agora, alguns fãs estão lá fora esperando que a gente saia. Você se importaria se eu fosse tirar algumas fotos com eles lá fora enquanto os nossos pratos estão na cozinha? Prometo que será rápido.
- Claro que não Tom. Vai lá! - exclamou, fazendo uns gestos nervosos como a mão.
Assim, Thomas se levantou e foi até ao lado com um sorriso imenso. Todo educado, o homem tirou foto com todos que o pediam, além de responder as perguntas que as pessoas faziam.
Após algum tempo, quando o telefone ficou desinteressante, resolveu ir ao banheiro. A menina rumou em direção ao toalete do local que por consciência ficava próximo a entrada do restaurante. Tentando não chamar muita atenção para si, entrou no toalete rapidamente. Após sair do banheiro, a mulher acabou escutando uma pequena parte da conversa do ator com seus fãs.
- Quem é aquela moça com você no restaurante? - uma voz masculina questionou.
- Somente uma amiga - Tom pigarreou meio desconfortável com a pergunta.
- Vocês pareciam próximos demais para serem somente amigos - contestou outra.
- também trabalha para a minha fundação e você sabem disso. Isso é somente um encontro de trabalho, pessoal. Hoje nós iremos discutir sobre os novos planos do The BT e só. Por favor, nada de distorcerem o que está acontecendo aqui no twitter mais tarde, okay?
Já tendo escutado o suficiente, a brasileira retornou para o lugar com mil pensamentos rondando a sua cabeça. Ela sabia que Thomas só tinha feito aquilo para protegê-la de comentários maldosos, entretanto, ainda tinha se magoado com as afirmações do menino.
Tom tinha medo do que os seus fãs iriam pensar se confirmasse que estava saindo com a menina. A mulher não o julgava. Desde a viagem a Londres, sua vida social tinha mudado completamente. Agora, constantemente ela recebia mensagens pelo seu instagram de pessoas que acompanhavam a carreira do ator. Muitas vezes os comentários eram extremamente ofensivos, outros até construtivos.
Porém, a ainda tinha medo. Medo de como o relacionamento dos dois iria se desenrolar e se ela teria forças o suficiente para aguentar todos os problemas que namorar um astro de cinema tinham, como por exemplo, não ter privacidade.
Guilherme, o garçom, retornou um tempo depois com os pratos no mesmo momento que Tom se despediu de seus fãs. O homem sentou a frente de e começou a falar sobre o que acabara de ocorrer, entretanto, a mente da voluntária voava para bem longe. Quando terminaram de comer, a mulher pediu para que Thomas a levasse de volta para casa, inventando a desculpa de que Anna acabara de enviar uma mensagem misteriosa e estranha e que precisava se inteirar sobre o assunto.
Sem suspeitar de nada, o rapaz assim o fez. Tom durante todo o caminho reclamou do fato de que o encontro que tinha planejado não tinha saído nada como gostaria.
Os dois rapidamente chegaram no apartamento da menina e Tom cismou que tinha que levá-la até a porta. Os dois subiram em um silêncio um tanto constrangedor, até que o rapaz revelou:
- Prometo que irei compensar você pelo fiasco de hoje - falou quando a porta do elevador abriu.
- Sem problemas, Thomas - respondeu a menina enquanto os dois caminhavam pelo pequeno corredor. Assim que pararam em frente a porta da garota, tão logo enfiou sua chave no cadeado. Tom, percebendo finalmente que havia algo errado com a amada, encostou levemente sua mão no ombro descoberto da menina.
- O que houve? - quis saber ele.
Vagarosamente, virou em direção ao rapaz, ainda em dúvida se deveria ou não revelar o motivo de sua angústia.
- É que... eu tenho medo Tom.
- Medo do que? - o homem se aproximou da menina, o suficiente para a mesma ficar escorada na porta de seu apartamento. Era como se ele não quisesse que a garota fugisse daquela conversa.
- Do que nós temos. De como as coisas irão desenrolar daqui para frente - por conta da proximidade entre os dois, a mulher, meio sem jeito, passou a encarar o chão numa tentativa de pelo menos desviar o olhar do ator - Eu tenho medo de isso não passar de um sonho ou um momento e quando você se cansar de mim, tudo, incluindo o trabalho no Brothers Trust irão sumir - ela pausou, respirou fundo, enquanto Holland observava o peito da menina fazer o movimento de subir e descer - É que, eu realmente gosto de você Thomas, como eu nunca gostei de ninguém. Mas querendo ou não, você tem compromissos com os seus fãs e patrocinadores, tão diferentes dos meus. Eu não sei se estou preparada para entrar de cabeça nessa história de ter um relacionamento com uma estrela de cinema e receber ódio gratuito por isso.
Somente depois de ter terminado de desabafar que conseguiu levantar seu olhar e encarar o rapaz. Tom apareceu um poço magoado com a fala da menina. O mesmo, passou uma de suas mãos no cabelo ao mesmo tempo que balançava a cabeça em negação.
- Por favor, não faça isso. Não arrume desculpas para terminar isso.
Com muita delicadeza, Tom acariciou a face da menina, tentando mais se controlar do que acalmar a mulher.
- Dê uma chance a nós dois. Eu sei que muitas vezes pode ser difícil já que, querendo ou não, por trabalhar comigo, você já irá chamar atenção da mídia, mas eu prometo sempre ficar do seu lado. Sempre!
Thomas finalmente deu um passo para trás e suspirou. Aquele era um tipo de conversa que preferia ter em outro lugar, em um outro momento, entretanto, era de se esperar que pirasse mais cedo ou mais tarde com aquilo.
Da última vez, foi tranquilo conversar com a voluntária sobre a atenção que ganharia após chegarem em Londres; no entanto, daquela vez, mesmo que já interessado na mulher, Tom não podia imaginar que tão rapidamente os dois se transformariam em algo mais.
Depois do primeiro encontro que tiveram, tudo se transformou. não era somente uma amiga ou uma empregada da organização. Eles se beijaram, ora bolas! E, como o rapaz já tinha confirmado, estava se apaixonando pela mulher, com seus sorrisos, jeito doce, honesto, fofo e único.
Assim que chegou em seu quarto na noite anterior, Tom demorou para pegar no sono. Isso porque sua mente não parava de pensar na . O ator chegou à conclusão que queria muito mais do que somente algumas mensagens e uns beijinhos aqui e ali. O rapaz queria poder sair com a mulher sem medo de ser reconhecido ou andar de mãos dadas com ela por aí sem se preocupar com como o ato se repercutiria posteriormente.
Tom Holland suspirou fortemente e abaixou seus ombros.
- As vezes até eu que escolhi essa vida fico de saco cheio,pois as pessoas passam dos limites, não respeitam minha vontade de privacidade e expõem coisas que não deveriam e mentiras infundadas que acabam viralizando. Eu tento manter a minha sanidade como posso. É difícil e não vou dizer que um dia você irá se acostumar; muito pelo contrário! Só tende a ficar pior. Mas eu não quero que isso te desestimular a ficar comigo. Isso é algo que podemos enfrentar juntos.
Holland pegou uma das mãos da menina e deu um beijo singelo. A mesma estava com os olhos marejados. Engoliu o seco, balançando a cabeça para cima e para baixo, como se dissesse ao rapaz que iria tentar.
O ator, então, instalou uma de suas mãos na nuca da garota e a puxou para um beijo, enquanto o outra repousou na cintura de . Naquele momento, não havia uma parte do corpo deles que não estivesse colado, porém não parecia suficiente. Não para o ator.
Desse modo, Tom a empurrou em direção a porta de seu apartamento, colocando suas pernas entre as da menina. O beijo começou lento, entretanto, rapidamente mudou de velocidade.
Thomas atreveu-se a deixar sua língua explorar a boca da brasileira, o que tornou todo o gesto ainda mais profundo.
A medida em que o beijo foi se desenrolando, Tom acreditou que era impossível somente deixar sua mão na nuca da menina, então, o homem começou a explorar outras regiões do corpo da mulher.
, se arrepiou toda quando a mão do rapaz desceu e começou a explorar outras regiões de seu corpo.
Primeiro, a mão dele encontrou os braços da menina, mas ele continuou descendo passado pela região da cintura até chegar a coxa. Ainda não satisfeito, o ator puxou a perna da mulher para cima, fazendo com que a as belas pernas da moça acabasse por abraçar a cintura do ator.
Num ato sem vergonha, Thomas aproveitou a situação para apertar a bunda da brasileira, ao perceber o gesto, tentou interromper o beijo para reclamar; no entanto, Tom não tinha a intenção de parar tão cedo. Antes mesmo que conseguisse desgrudar da boca já vermelha da mulher, o rapaz mordiscou o lábio inferior de .
Naquele momento, a menina até esqueceu o que iria fazer. Só colocou enterrou seus dedos entre os cabelos do menino e puxou, fazendo o britânico dar um sorriso entre os lábios.
Thomas desceu seus lábios até a região descoberta do pescoço da mulher e deu várias mordiscadas na região, enquanto a mesma tentava segurar um gemido que tentava escapar de sua garganta.
Ao mesmo tempo, a sua mãozinha boba começou a fazer o caminho de volta para o pescoço de . Claro que, antes de chegar ao seu destino final, o homem fez questão de roçar seus dedos na região saliente do peito da garota.
Entretanto, antes que conseguisse juntar os lábios novamente, o som do elevador abrindo conseguiu ser ouvido no início do corredor. Rapidamente, o casal se separou.
A vizinha de , dona Lauren emergiu, olhando para o casal com uma cara feia.
- Esses jovens de hoje em dia... - e continuou falando várias coisas inaudíveis.
A brasileira tentou inutilmente se ajustar, ao som da porta de sua vizinha abrindo, inutilmente. Quando Tom tinha desfeito sua trança? Ou quando fora que a alça de seu sutiã tinha caído em seu ombro?
Thomas, também tentava se arrumar, passando os dedos sobre seus cabelos desgrenhados. O homem deu uma pequena gargalhada, captando a atenção da .
Tinha deixado a boca do rapaz em um tom levemente avermelhado de seu batom e algumas marcas de unha pelo pescoço do menino.
O ator levantou o olhar, como se sentisse que estava sendo observado, alargando mais ainda o sorriso entre seus lábios.
- É... acho melhor você entrar.
Tentando ainda recuperar seu fôlego perdido durante o beijo, a voluntária franziu a sobrancelha sem entender a pressa.
- Por que?
- Eu estou tendo um probleminha - Tom indicou sua região inferior e continuou - e talvez não consiga me conter.
acompanhou a indicação do rapaz e quando viu uma certa saliência entre as pernas de Thomas, compreendeu a situação. Logo, suas bochechas ganharam uma cor rosada enquanto sua face assumia uma feição assustada.
- Oh! Okay. E-é, eu vou entrar, então - disse a mulher desconcertada.
Assim, virou-se na direção da porta e terminou de virar sua chave. Após abrir o acesso a sua casa, pela última vez retornou sua cabeça na direção de Holland. Com um sorriso sacana em seu rosto falou:
- Boa noite, Stanley. Pense muito em mim antes de dormir - e fechou a porta.


Capítulo 6 - Parte 1

Location drop, now/ Pedal to the floor like you're running from the cops now/ Oh, what a cop out/ You think you danced with the devil and you love him now/ The water's getting colder/ Let me in your ocean, swim
Swim – Chase Atlantic


Depois de ficar mais de seis horas sentada na mesma cadeira de plástico vermelha, estava entediada. Com esperanças de que aquele inferno estava chegando ao fim, confirmou o relógio pela trigésima vez e teve a desagradável surpresa de descobrir que ainda faltavam muitas horas para que aquele purgatório chegasse ao fim. Se tivesse sido avisada sobre a lentidão em que as entrevistas se desenvolviam, teria com certeza baixado algum joguinho idiota para passar o tempo ou até mesmo trazido um livro.
A brasileira soltou alguns palavrões baixinho para não atrapalhar a entrevista que desenrolava, remexendo-se desconfortavelmente na cadeira. Ao finalmente encontrar uma outra posição confortável, levantou a cabeça, encontrando um Tom Holland a encarando com uma certa curiosidade. Na verdade, o homem mantinha seus olhos castanhos sobre ela desde que a mulher começou a balançar a perna no início daquela entrevista.
Naquele dia em questão, a escolha de roupas da estilista do ator tinha sido certeira. Trajava uma blusa básica preta, calça social verde musgo e mocassim caramelo. Além da roupa, parecia que os sorrisos e as risadas complementavam o traje. ficou impressionada com a destreza, precisão e a habilidade em que Thomas respondia as questões. Somente quem o conhecia bem poderia sentir a irritabilidade de sua voz em retrucar certos questionamentos.
Enfim a perguntas se cessaram e o jornalista saiu da cadeira designada a mídia. Escutando o aviso de que haveria um tempo de descanso até que a outra leva de entrevistas começasse.
Quase gritando um aleluia, a se levantou suspirando, observando o britânico se deslocar em sua direção. Assim que se aproximou, Tom logo indagou:
- Entediada?
- Um pouco. Não imaginei que fosse ser assim tão chato essas coisas de entrevistas e que não poderia ter uma conversinha para não atrapalhar a entrevista. Deveria ter ido explorar a cidade com o Harrison e o Harry.
Ele deu uma risadinha gostosa que fez a menina sorrir também. Tom a puxou para o canto da sala, mais especificamente para perto de uma mesa cheia de frios. Depois de passar o olho pelas opções oferecidas, o homem encarou o queijo, franzindo a boca em resposta. Para o rapaz, queijo era muito nojento e sem gosto, sendo que em sua opinião, que deveria ser abolido da humanidade. Pelo menos foi nisso que pensou até a brasileira pegar uma fatia e colocá-la na boca.
- O que foi? – questionou a mulher quando viu a cara incrédula de Tom. Pelo menos, agora ele sabia um defeito de .
Ele balançou a cabeça em negação e continuou sua procura por algo que aguçasse seu paladar. No fim, acabou ficando com uma maçã mesmo.
- Então você não gostou de ficar aqui comigo?
A garota fez um biquinho e balançou a cabeça em sinal de reprovação, sabendo exatamente quais eram os planos do ator ao falar isso.
- Thomas, deixe de ser sonso. Você sabe que eu gostei de vir sim, mas ficar o tempo todo parada dentro de uma sala, sem fazer barulho ou qualquer outra coisa é meio chato né. Eu estou pensando em subir rapidinho para o meu quarto para buscar meu celular. Até porque, tenho que resolver alguns assuntos.
O ator concordou e sugeriu que os dois fossem juntos. A realidade era que, desde que começaram aquela turnê, o semi-casal tinha tido muito pouco tempo junto. Tom estava tendo que sobreviver com uns beijinhos aqui e outros ali desde o início da viajem e, o homem, desde a última noite dos dois em Los Angeles estava muito necessitado de uma coisa da e algumas caricias aqui e ali não eram suficientes. Só de lembrar daquela noite, o britânico bufou em frustração.
Depois de avisar ao seu agente que o acompanhava aonde ia, os dois seguiram pelo imenso corredor bege até o lobby do hotel. Passando rapidamente pela entrada, eles foram até o acesso do elevador e selecionaram o número do respectivo andar. Por sorte, não encontraram nenhum fã solicitando tirar fotos – o que normalmente acontecia.
Já com a porta fechada, um silencio sufocante instaurou-se entre os dois. Tom suspirou frustrado. Tanto tempo que não ficavam somente os dois, sozinhos, sem ninguém por perto que era irritante que quando finalmente conseguiam, ficavam tão quietos. Como se compreendesse a inquietude do rapaz, colocou as duas mãos para trás do corpo e se virou para o britânico. Ela deixou a cabeça pender para o lado, ficando numa posição extremamente fofa.
- Sabe, eu andei procurando alguns hospitais ou instituições de caridade para você visitar. Encontrei um hospital infantil que fica aqui peto do hotel que dá para fazer uma visitinha rápida e voltar para cá. Você acha que sua agenda consegue ser liberada um pouquinho para isso?
- Acho que amanhã de manhã a gente consegue dar um pulinho lá sim. Vou conversar com o Harry e o pessoal para ver se a gente consegue.
- Depois me avisa para que possa fazer as ligações necessárias e marcar a nossa ida.
- Okay – respondeu o homem enquanto as postas de aço abriam.
Eles saíram de lá e se encaminharam até o leitor magnético da porta da menina. Ao entrarem no recinto, Holland percebeu um quarto exatamente igual ao seu. O comodo tinha uma cama queen ao centro, duas mesas de cabeceira, tendo uma delas um telefone e um abajur e a outra o controle remoto da televisão, que estava localizada bem de frente para cama. Além disso, tinha o frigobar, uma mesa com uma jarra de água e copos, além de alguns salgadinhos que provavelmente haviam sido comprados pela voluntária no dia anterior.
Após pegar um dos pacotes e abrir, Tom se jogou em cima do edredom branco fofo que forrava as camas do hotel, assustando uma meio aérea. A garota que estava concentrada respondendo uma mensagem em seu celular. O garoto riu do pulinho que ela, ao mesmo tempo que enfiava um pedaço de Doritos na boca, recebendo um olhar atravessado da mesma.
- Você sabe que não deveria estar comendo porcarias – a garota pegou o pacote da mão dele e o garoto exclamou um ei surpreso em resposta – inclusive, levante-se daí. Nós temos que descer.
- Shiuuu! Vamos só aproveitar o momento. Venha cá - Holland bateu no material fofo ao seu lado, dando um sorriso sapeca na direção da brasileira.
Ainda balançando a cabeça em reprovação, ela engatinhou sobre a cama até estar de quatro sobre o corpo do menino. De início, ficou petrificado. Quando a conhecera, não imaginava que fosse daquelas soltinhas que virava o mundo de cabeça para baixo quando dentro de quatro paredes. Na verdade, ele acreditava que a trama do desenrolo ficaria a cargo dele, porém, das últimas vezes, a mulher tinha se mostrado ser totalmente diferente do que Stanley tinha idealizado. Era ela quem o tinha beijado primeiro, era ela quem tinham o provocado da última vez e dessa vez era ela quem estava em cima dele pronta para beijá-lo.
Suas mãos estavam espalmadas ao lado da cabeça de Tom da mesma forma que suas pernas estavam prendendo as coxas dele. Tendo toda a atenção dele em si, a menina primeiro, mordiscou o lábio, encarando os do rapaz e captando o olhar do homem para aquela região específica. Assim que os olhos do britânico desceram, umedeceu seus lábios e deixou sua mão encontrar o cabelo do rapaz. Ela puxou o cabelo dele para trás, arrancando um grunhido de aprovação da garganta de Tom. Com o som, seus lábios molhados alargaram formando um sorriso nada inocente, como se ele estivesse fazendo exatamente o que queria.
A garota se remexeu, ajeitando o corpo em uma nova posição tão pior quanto a última. Agora, encontrava-se sentada na final na região pélvica do homem, levando a imaginação do homem para bem longe. Para uma silhueta desnuda dela, somente com trajes íntimos da cor preta. Com o pensamento, a respiração de Tom começou a ficar descompassada, quase sem ritmo algum. Antes que sua mente se desvirtuasse muito, deu outra puxada no cabelo do rapaz.
Ele observou o umedecer de lábios da garota, enquanto a mesma descia sua cabeça em direção aos lábios de Tom, olhando fixamente para o local com desejo. A respiração começou a ficar descompassada, sem ritmo algum; esperando somente o momento que seus lábios se tocariam. A mão dele deslizou até encontrar a cintura da brasileira e apertou a região como se concordasse com cada movimento dela.
O ator não ousou se mexer, esperando para quando finalmente iria realizar ao que tanto provocava fazer. Quando somente um pequeno fio separava suas bocas, a menina desceu seus lábios até a região do pescoço dele, dando uma pequena mordiscada. Thomas achou melhor reinstalar ambas as mãos sob as coxas da menina, enquanto a mesma começava a distribuir beijinho no caminho em direção a boca do homem. Ela se levantou só um pouco, jogando o cabelo para o lado, fazendo com que um cheiro de baunilha chegasse até as narinas dele.
Novamente, começou a descer até os lábios já entreabertos do britânico. Quando ela iria acabar com aquela tortura? Ele não iria conseguir se segurar por muito tempo, ainda mais quando se encontrava tão desapontado pela falta de contato físico que vinha tendo. Precisava sentir o gosto dela o mais rápido possível!
Porém, no momento que a respiração dos dois começaram a se embolar, novamente se levantou, com um sorriso inocente entre os lábios. De início, o cérebro de Holland ainda tentava processar o que estava acontecendo. Abruptamente, retirou-se do colo do homem, se posicionando ao lado dele, deitando no local, ao mesmo tempo que Tom seguia seus movimentos somente com o olhar. Ele bufou decepcionado; principalmente porque nunca iria imaginar que era uma provocadora.
Um som esquisito escapou de sua garganta, em sinal de reprovação. Ele, da mesma forma que a mulher tinha feito minutos antes, rolou para cima da garota e segurou ambos os braços dela em cima de sua cabeça, recebendo um grunhido surpreso em resposta.
- Ah, mas você não vai só me provocar e ficar por isso só.
Nem dando tempo para a mulher responder, Tom colocou seus lábios nos dela. Logo que sua boca encostou na da brasileira, a mulher sentiu arrepios subirem a sua espinha. Sem ao menos pedir licença, a língua de Thomas invadiu a boca da moça, fazendo a mesma gemer em resposta. Ele só conseguia pensar em como queria deixa-la com a mesma vontade que ela o tinha deixado na outra noite.
A mão do homem começou a passear pelo corpo da garota entregue ao beijo. Ele aproveitou e apalpou todas as regiões que podia. Em resposta, sugou o lábio inferior do homem e impulsionou seu corpo para frente, até que Tom se sentasse na cama e ela cruzasse sua perna sobre o colo dele. Tom deixou a boca da mulher, abaixando seus lábios em direção a parte da clavícula descoberta pela roupa. Antes de fazer qualquer coisa, ele olhou para cima, esperando confirmação da mulher. Não sabia se ela iria permitir que ele deixasse algumas marcas sobre seu corpo. Thomas retirou algumas mechas pretas espalhadas na região, enquanto a menina deixou sua cabeça pender para trás, numa confirmação silenciosa de que ele poderia proceder. Então, o homem voltou sua atenção para aquela área, dando pequenos chupões que deixariam marcas um pouco visíveis.
O ator levantou a cabeça depois de dar-se por satisfeito com seu trabalho, no mesmo momento que grudava suas bocas novamente. O beijo ficou mais violento, mais cheio de vontade. A mulher suas mãos até o cós da calça de Tom e subiu em direção a barriga definida dele, provocando arrepios ao rapaz por conta do contraste entre a sua pele quente e as mãos geladas da garota.
Em determinado momento, a blusa bem passada (não tão mais bem passada agora), começou a incomodar a garota. Mas, ela queria mais. Muito mais. Logo, segurou a barra da mesma, a puxando para cima. Assim que terminou de passar a última parte da vestimenta pela cabeça, já colava novamente seus lábios. Ela jogou um dos seus braços pelo pescoço do homem, enquanto sua outra mão ainda passeava pelo peitoral de Thomas.
Pensando em como aquele jogo não estava sendo justo, o britânico agarrou a nuca da garota e juntamente, com a mão livre, desabotoou a calça jeans da menina. Entretanto, antes de terminar de descer a braguilha, algumas batidas fortes na porta foram escutadas.
- Stanley! Você está aí dentro? – mais três socos fortes foram escutados e a voz continuou – Tá todo mundo louco atrás de você.
- Harrison, assim você vai derrubar a porta! – Harry afirmou – E ele pode até não está aí. Então você pode estar fazendo esse estardalhaço à toa.
- Esse garoto é maluco! Quem foge no meio das entrevistas? Ele vai levar um esporro daquele produtor ranzinza lá embaixo que eu já estou até vendo – novamente o amigo bateu na porta - Tom você está aí dentro, cara? Tu tá sozinho né?
, que já tinha pulado para bem longe do homem, tentava controlar sua respiração ainda ofegante. Ela engoliu o seco e colocou ambas as mãos sob a boca, como se qualquer mínimo barulho que fizesse denunciasse sua localização e até o que estavam fazendo a segundos atrás.
- Tô aqui Harrison e sim, estou sozinho - Tom esbravejou algumas outras coisas mais e só então se levantou da cama - Agora será que dá para você parar de esmurrar a porta?
- Pelo visto tá estressadinho! Vamos, cara! Tá todo mundo lá embaixo atrás de você.
Para irritar ainda mais o ator, Harrison bateu mais algumas vezes na porta provocando uma crise de risos em Harry.
- Já vou caramba!
O britânico calmamente caminho até a sua blusa que havia sido jogada por em um dos cantos do quarto. Ele tentou, inutilmente, ajustar alguns amassados antes de vesti-la e parou na frente do espelho, para arrumar o cabelo que fora despenteado durante o ato pecaminoso de minutos atrás. Somente quando se deu por satisfeito que Tom virou para a , ainda parada no mesmo lugar.
Thomas balançou a cabeça e respirou fundo. Como ele teria cabeça para ficar mais uma hora sentado perto da garota sem poder tocá-la da mesma forma que tinha tocado antes? Como iria conseguir se controlar sabendo que ela estava a poucos metros dele? O moreno definitivamente estava encrencado.
Ele andou até a porta, colocou a mão na maçaneta e parou. Ele retornou seu tronco para a voluntária e a encarou de cima a baixo, da mesma forma que ela havia feito alguns dias atrás. Um dos cantos de seu lábio subiu, fazendo as pernas da garota bambearem e seu coração perder o ritmo.
- Isso não acabou por aqui – ele indicou com a cabeça a cama e continuou – Isso definitivamente não acabou por aqui.
Finalmente, ele abriu a porta e a fechou o mais rápido que pôde, deixando uma brasileira com os pés grudados no chão, repassando tudo que tinham vivenciado ali dentro. Ela tentou recobrar as forças em suas pernas para não ficar parecendo uma idiota plantada num canto do quarto, mas a voz de Harrison invadiu seus ouvidos, o que a fez segurar a respiração.
- Porra, Stanley, eu não acredito que tu tava dormindo!


Capítulo 6 - Parte 2

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Tonight, she's satisfied (satisfied)/ Rolling back her eyes/ But then she starts to cry (to cry)/ Everything is turning to black/ All in one night (one night)/ She just went to heaven and back (back)
Haven and Back – Chase Atlantic


Alguns minutos depois, finalmente desceu de seu quarto para as salas de entrevista. Quando entrou no recinto, sentiu alguns olhares sobre si. Será que não tinha conseguido cobrir as manchas arroxeadas em seu pescoço direito? A menina, então, tratou de andar o mais rápido que podia para a sua cadeira de plástico.
Ao sentar, resolveu levantar a cabeça e encontrar seu observador. Claro que tinha que ser ele mesmo, a pessoa que tinha deixado aquelas marcas sobre sua pele.
Tom fingiu concordar com uma fala engraçada da pessoa a sua frente quando na verdade dirigia-lhe um sorriso bem safado. Ele não estava brincando quando implicitamente disse que o assunto discutido no quarto da voluntária antes seria retomado em breve.
Ela ficava com calor só de lembrar de como seu corpo se acendeu com o toque do ator e como desejava muito que Harrison não tivesse batido na porta para que tivessem concluído o ato. Suas bochechas começaram a despontar um tom vermelho só com os pensamentos que estava tendo.
Estava tão imersa em seus pensamentos que nem sentiu quando alguém afundou na cadeira ao lado.
- Então você estava no quarto com o Stanley, brasileirinha?
Harrison sorria para ela, como se tivesse descoberto o maior segredo da menina. O amigo de Tom estava com seus cabelos loiros jogados para cima, de proposto, dando-o um ar mais despojado. A camisa social rosa desabotoada nós dois primeiros botões e calças jeans denim azul, completavam o papel. O que achava engraçado Haz era que mesmo à paisana, ele ainda conseguia parecer um modelo internacional.
- Quem disse que eu estava com ele?
- Fingir de desentendida não vai dar em nada, . Você acha que depois de mais de dez anos de amizade o Tom consegue mentir pra mim? Ele só finge que consegue.
A mulher bufou em resposta.
- Se, hipoteticamente eu estivesse lá sim, o que você tem a ver?
Harrison deu uma risadinha fraca e voltou seus olhos para frente. Mais especificamente na direção de Tom, que os encarava fixamente.
- Nada. Ele está realmente apaixonado por você, sabe? Eu nunca o vi desse jeito. Não o machuque okay?
concordou com a cabeça, voltando também seu olhar para frente. Aquela conversa tomou outro rumo, diferente daquele que tinha imaginado.
- Eu te peço a mesma coisa quanto a .
Haz fez um barulho com a boca, concordando. Ele não conseguia entender o porque todos se preocupavam com ele e com . Na noite do karaokê os dois se divertiram muito, não ia negar. Durante a madrugada, a mesma coisa. Mas fora isso, não havia mais nada. Pelo menos não para a .
A mulher foi muito enfática depois de sair às pressas do quero de hotel na tarde seguinte. Haz tinha escutado as histórias que Jacob contará sobre a garota e em como ela era beija mas não se apega. No entanto, quando viu a menina pela primeira vez, esqueceu de tudo isso. Só conseguia pensar em como a desejava.
Depois de vários beijos quentes, os dois foram parar no quarto do loiro e ele pode explorar cada cantinho do corpo da mulher. Ele não ia negar, nunca tinha tido uma noite igual àquela com nenhuma outra garota. Mesmo assim, Osterfield queria mais da , além daquele pequeno pedaço de si que ela estava lhe dando. Até de manhã cedo, eles ficaram conversando, ela deitada em seu peito nu, com suas mãos entrelaçadas nas dele, o cabelo dela espalhado pelo lençol branco e seu perfume impregnado cada pedacinho do local.
e Harrison adormeceram assim, juntos, agarrados, como se aquilo fosse um sonho e que quando acordasse tudo iria mudar. Quando finalmente a menina decidiu que já passara da hora de ir embora, Haz ficou sem ação, pois sabia que assim que ela colocasse os pés para fora, tudo iria estar acabado. Ou foi assim que ele pensou até uma noite atrás, quando mandou uma mensagem para ele perguntando quando voltaria para a cidade.
Desde então, os dois não pararam de trocar mensagens. Ela sempre tinha uma resposta certa para tudo e dava esperanças a ele, aumentando as expectativas do britânico.
Harrison ainda vagava quando Tom se levantou e caminhou na direção dos dois, quando a entrevista chegou ao final. Só faltavam mais três para terminarem tudo e ele finalmente poder ir para o quarto descansar - ou para o quarto de , mas aí não seria para descansar.
- Pensando em putaria a essa hora da tarde Harrison?
O loiro sorriu, retornando sua atenção para o amigo a sua frente. O homem retorceu a boca e depois deixou seus lábios se esticaram em um sorriso sem lábios.
- Estou pensando em como você estava com o cabelo e a camisa todos bagunçados depois de sair do quarto da . Será que eu atrapalhei alguma coisa?
A brasileira ao seu lado ficou ainda mais vermelha. Tom ainda não conseguia se acostumar com essas duas pessoas que existiam dentro de : a tímida que não conseguia-o encarar quando era provocada e a nada inocente quando estavam sozinhos. Sinceramente, ele gostava muito das duas.
- Por que você é Harry voltaram para o hotel mesmo? Achei que vocês iam passar o dia todo juntinhos fazendo altos passeios de casalzinho por aí.
- Só porque você está frustrado sexualmente, isso não te dá o direito de me atacar, Stanley. Vai no banheiro dar uma aliviada e depois nós podemos voltar a conversar.
Ele revirou os olhos com o comentário do loiro e dirigiu-se a voluntária.
- Eu conversei com meu agente e ele me disse que podemos sim marcar uma visita ao hospital que você falou, mas tem que ser a tarde.
A garota levantou-se prontamente, contando os segundos para fugir daquela conversa constrangedora. Ela balançou a cabeça em afirmação e disse que iria realizar as ligações necessárias, saindo dali o mais rápido que podia.
- Você já contou para qual país está na nossa lista da presstour?
- Ainda não. Nada foi confirmado e não quero elevar as expectativas dela.
- E sobre a proposta que a Marvel está fazendo a você?
A alguns dias atrás, um dos agentes de relações públicas da área cinematográfica da empresa tinha chegado até Tom fazendo uma proposta que o ator não gostou nem um pouco. Se pudesse, com certeza iria negar; entretanto, independente de pedirem a opinião dele antes de dar prosseguimento, a proposta estava mais para um decreto do que para uma pergunta. Além do mais, aquilo já estava no contrato assinado pelo mesmo. O fato era: Thomas teria que aceitar qualquer coisa que a Marvel decretar desde que não afetasse a sua integridade moral ou física.
- Também ainda não falei nada. Eu não sei se a proposta irá vingar.
- Eu se fosse você, contava o quanto antes pois isso irá magoá-la bem mais se ela descobrir de outra forma.
Holland só concordo com a cabeça. Ele sabia disso mas tinha muito medo de perder o que tinha acabado de começar com a garota.
Alguns minutos depois, o garoto foi chamado para retomar as entrevistas e tentou voltar sua atenção para as questões que eram lhe indagadas. Não muito tempo depois, observou a retornar do lado de fora com um sorriso estonteante que capturou a atenção de Tom por alguns segundos.
Assim, rapidamente, a vez da última pessoa que lhe faria questionamentos chegou. O ator tinha sido avisado que uma youtuber com alguns milhões de seguidores iria lhe fazer algumas perguntas sobre o filme, tentando promover o filme para um público mais jovem e feminino.
Após um dos assessores chamarem a tal influencer, uma mulher de pele extremamente branca, longos cabelos pintados de ruivo, unhas enormes e olhos verdes esmeraldas passou pela porta. Ademais a esses atributos, a mulher tinha longas pernas torneadas é um corpo esbelto de dar inveja. Holland não iria negar; a mulher era muito bonita.
Com o canto do olho, ele observou remexer na cadeira em desconforto. Mas não com a entrada da outra, mas sim com sua posição mesmo. Será que ela era do estilo ciumenta?
A ruiva, ao invés de se sentar na cadeira designada para os entrevistadores a frente de Holland, sentou-se ao lado do ator. Ela jogou os braços no pescoço do rapaz, dando um abraço, o que o deixo muito desconfortável.
- Olá! Eu sou a Sierra Hood do canal SevenHeaven. Tudo bem?
O britânico concordou com a cabeça e aceitou o aperto de Sierra. A mulher mostrou seus dentes assustadoramente brancos e continuou:
- Então a sua beleza não vem de Photoshop? É natural mesmo. Quem diria - Tom corou levemente com o comentário enquanto a youtuber dava uma risadinha meio estética, chamando atenção de todos no cômodo. O ator só conseguiu franzir a sobrancelha tentando entender o que estava acontecendo.
Sierra retirou seu casaco vinho, mostrando uma blusa cropped branca, reveladora demais, por debaixo. Holland arregalou os olhos e tentou desviar a atenção do que a roupa marcava. Aquele traje era um tanto indevido de acordo com as normas de vestimentas tratadas com os entrevistadores anteriormente, porém, como Tom já suspeitava, ele teria que proceder com a entrevista da mesma forma, fingindo que não conseguia ver o fato de que a mulher estava sem sutiã e com uma blusa quase transparente.
Ela entregou sua filmadora para um técnico responsável e começou a fazer umas perguntas bem inapropriadas.
- Como você se sente sendo o novo rostinho bonito da indústria cinematográfica? - ele deu um risinho sem dar alguma resposta para a ruiva, que jogou seus grandes cabelos para o lado - Existem várias garotas aos seus pés desde que você fez o papel do Homem-Aranha. Como é ser mundialmente desejado e poder escolher qualquer mulher para fazer o que quiser?
Mesmo não demonstrando, ele estava ficando irritado com as perguntas de Sierra. O objetivo era divulgar um filme e não o deixar envergonhado. A mulher continuou perguntando coisas sobre a vida pessoal de Tom, inclusive se ele estava solteiro ou se gostava do novo batom dela, que foram respondidas da maneira mais profissional possível.
Quando finalmente aquela tortura acabou, o britânico constatou que não estava mais na sala. Um pânico se apossou do rapaz. Será que ela tinha se irritado com a youtuber? A menina, em cinco em cinco minutos, arrumava uma forma de tocar em Tom, de passar a mão sobre o seu bíceps e lhe lançava um olhar desejoso.
Sem ao menos se despedir direito da ruiva, o ator saiu avoado para o lado de fora. Atravessou a porta, olhou para ambos os lados e encontrou a garota com a cabeça apoiada na porta de vidro que separava o corredor de uma pequena varanda que possibilitava a visão da rua de trás ao hotel.
O sol já tinha sumido, contudo o céu com poucas nuvens, ainda encontrava-se desbotando em um tom roseado. Holland foi se aproximando vagarosamente, com medo de assusta-la e ao chegar ao seu lado, notou que seus cabelos pretos se moviam com o movimento do vento. Ela estava com uma feição pensativa, longe e nem chegou a notar a chegada do ator.
- No que está pensando? – a garota deu um pequeno pulo, se assustando e virou-se para o rapaz.
- Só vim aqui fora atender um telefonema.
Mesmo que tenha afirmado isso, ele conseguia sentir que omitia alguma coisa. Tocou no maxilar da brasileira, pressionando um pouco a região, querendo que ela levantasse seu olhar em sua direção.
- Eu quero pedir desculpas pelo que aconteceu ali dentro.
- Thomas, você não tem nada que pedir desculpas. Eu entendo, juro. Você é um ator e provavelmente lida com isso todos os dias. Sempre terá alguém dando em cima de você – a menina suspirou forte – O que me preocupa na verdade é o estado de saúde de meu irmão.
- O que aconteceu com ele?
- Minha mãe acabou de ligar informando que ele está no hospital e eu não posso fazer nada, ajudar em nada já que estou tão longe de casa – seus olhos começaram a marejar e Tom só conseguiu envolve-la em um abraço.
- Vai ficar tudo bem, eu lhe prometo - Ela balançou a cabeça em concordância, deixando ser acalentada por Thomas.
Ficaram dessa forma uns minutos, deixando suas lágrimas correrem por saudades de casa, enquanto o homem acariciava sua cabeça. Os dois se separaram, trocando sorrisos. Só depois que a brasileira conseguiu se acalmar que os dois começaram a conversar sobre a visita que fariam no dia seguinte.
Imersos demais na conversa não perceberam uma certa ruiva se aproximando. Pelo menos até um pigarro se tornar audível. Ambos viraram na direção do barulho para constatar Sierra Hood e seus longos cabelos vermelhos. Ela finalmente tinha recolocado seu casaco, no entanto, ainda o mantinha aberto, fazendo com Tom se sentisse constrangido.
- Tomzinho querido, podemos conversar?


Continua...



Nota da autora: ÓLAAAAAA! Mil perdoes pela demora a atualizar. Sei que fazem séculos que eu não posto nada. Enfim! Estou curiosa para saber o que o futuro reserva para esses pombinhos. E vcs? O que estão achando da história até agora? Beijos quentinhos no coração.





Que casal mais fofinho, Daisy! Estou apaixonada pela PP e pelo Tom! ♥ Parabéns!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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