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Última atualização: 03/02/2020

Capítulo 1

corria pela casa procurando seu sapato. Olhou no relógio, e percebeu que em mais alguns minutos ela estaria atrasada. , sua melhor amiga, dormia calmamente no sofá. riu baixo ao lembrar da noite anterior: despedida de solteira da amiga.
Não foi exatamente como ela vira nos filmes. Apenas foram à uma boate e depois ficaram conversando e bebendo em sua casa. O que resultou na cena da manhã seguinte: correndo atrás do sapato e atrasada para o trabalho, e praticamente morta no sofá.
Depois que lembrou de procurar na cozinha, finalmente encontrou o sapato. Tirou uma caneta da bolsa e em um pedaço de papel deixou um bilhete para amiga.

“Fui para o consultório, tem comida na geladeira para quando acordar.”

Pegou a chave de seu Audi R8 e fora para o trabalho. O clima de Madrid era tranquilo como sempre, o sol brilhava, contrastando com o vendo cortante que pairava por lá. sempre fora dedicada, por mais que não precisasse. Talvez, por ser filha de Josep Guardiola, achassem que a menina tivesse vantagem sobre coisas, mas não.
Morou por muitos anos com a mãe, no Brasil, até decidir viajar para Madrid e cursar Medicina.
Começou dividindo apartamento com , que já cursava Arquitetura na época. Mas, depois que a amiga conheceu Tom, quase não ficava em casa... O resultado disso foi o pedido de casamento que o rapaz fez na noite de ano novo e agora, quase dois meses depois, tudo já estava sendo organizado.

O pai de sempre foi presente, e por mais que a filha esteja na Espanha e ele na Inglaterra, quando possível ele liga para saber como ela está, ou manda passagem para que ela o visite.
Além de Medicina, futebol e crianças eram suas outras duas grandes paixões. Tanto que cogitou Medicina Esportiva como especialidade, porém pensou duas vezes, não queria que pensassem que estaria em vantagem por ser uma Guardiola – tanto que ela nem usa o sobrenome do pai, apenas quando necessita. -. Então, foi quando percebeu que pediatria era seu lugar, se especializou e com seu esforço abriu um consultório renomado em Madrid.
Ao estacionar o carro e pegar o jaleco, foi caminhando até a porta de entrada, onde avistou Marcine, sua secretária.

- Bom dia, lindeza. – disse mandando um beijo para a loira.
- Bom dia, doutora. – a garota piscou. – Tem café na sua mesa.
- Sempre no tempo certo, Marcine. – sorriu e entrou em seu consultório, tomando um gole do café e ajeitando tudo apenas para esperar suas crianças.

O toque do telefone de ecoou pela sala, até que ela avistou o nome “Bernardo Silva”.
Bernardo Silva era melhor amigo de , o português que joga no time do pai da garota, a conheceu bem antes de ingressar no City, quando os dois acidentalmente trocaram de telefones em uma balada em Lisboa.

- Achei que não fosse me atender. – Bernardo disse rindo, assim que a garota colocou o telefone próximo à orelha.
- Mas você gosta de fazer um drama, em!? – A garota ria junto com o rapaz. – À que devo a honra de sua ligação?
- Agora eu tenho que possuir motivos para ligar para minha melhor amiga, é isso? – ele disse, fingindo estar ofendido, mas logo soltou uma risadinha. – Ok, direto ao ponto. Seu aniversário é daqui duas semanas e eu tenho uma novidade. – ele deu uma pausa, talvez para fazer suspense. – Vamos jogar no Bernabeu bem no dia de sua nova primavera.

Por conta da correria de consultório e hospital, não conseguia mais acompanhar futebol como gostaria, o que a fazia sentir-se mal. Afinal, amava o esporte. Mas graças a Silva, ela nunca estava desatualizada dos campeonatos.

- O que seria de mim se não fosse por você, Bê? – ela riu. – Então nos vemos por lá? – perguntou. – Assisto o jogo e depois saímos para comemorar meu aniversário. O que acha? – sugeriu.
- Ideia incrível. – o rapaz disse em tom animado. – Agora vai trabalhar, presumo que esteja atendendo.
- Para começar.
- Então nos vemos daqui duas semanas, gatinha. – Bernardo mandou um beijo e assim também fez, desligando a ligação.

Duas batidas suaves na porta foram seguidas de Marcine entrando e entregando as fichas dos pacientes que haviam chegado.

- Obrigada. – disse com suavidade e a garota deixou a sala.

A primeira paciente de era uma das antigas, Alba Violet.
Sim, além de pai e amigo futebolistas, a médica tinha uma paciente filha de um. Mas, todos os laços que possuía com Gareth eram estritamente profissionais. A não ser por sua esposa, Emma, que virara grande amiga de .
A garota levantou de sua cadeira, indo até a porta e chamando pelo nome de Alba, que estava acompanhada por seu pai.

- Bom dia, doutora. – Gareth Bale sorriu para que retribuiu o ato.
- E ai, como está essa princesa? – olhou com sorriso terno para Alba, que tinha uma carinha triste.
- Ela está reclamando de dores de garganta desde ontem. – ele pontuou, enquanto anotava no prontuário da menina. – Pensei em leva-la a emergência, mas Emma preferiu que trouxéssemos aqui. E como ela está trabalhando hoje, vim no lugar dela.
- Ok. – assentiu. – Vamos dar uma examinada nessa garganta.

A garota colou Alba sentada em uma maca e pediu para a garota abrir a boca e dizer “A”, como clássico. Depois de checar algumas coisas e fazer mais perguntas, o diagnóstico final foi uma faringite estreptocócica.
- Vamos tratar com amoxicilina, ok? – a médica disse e o pai concordou. – Nada falar muito ou coisas geladas pra você, garotinha. – ela tocou com a ponta da caneta na ponta do nariz de Alba, deu a receita para Gareth e os dispensou.
- Obrigada, dra. – ele disse saindo da sala com a garota em seus braços e maneou a cabeça.
- De nada. Peça para Emma me mandar notícias.

Depois de atender outras seis crianças, o turno de havia acabado, pelo menos no consultório. Ainda teriam mais 12 horas de plantão pela frente.

Capítulo 2

- Tem certeza que vocês acham vermelho ruim? – estava na casa de , discutindo sobre os detalhes de seu casamento junto com Bernardo, via FaceTime.
- Eu acho vermelho mais sexy do que romântico. – Bernardo, que também tinha virado grande amigo de , falava do outro lado da linha.
- Mas são flores, têm de ser vermelhas. Não!? – a noiva coçou a cabeça e se jogou no sofá. – Ai, gente, francamente, casar está sendo mais difícil do que imaginei.
- Acalme-se, mulher. – disse rindo, ainda em frente ao computador, vendo que Bernardo o acompanhava na risada. – Vamos conseguir escolher a melhor cor, o melhor vestido, tudo! – ela sorriu. – E esse vai ser o casamento mais lindo que já presenciou.
- Vou passar esse fim de semana de jogo aí, no sábado vemos mais coisas do casamento. – o rapaz disse do outro lado da linha.
- Bê, você está sendo uma madrinha melhor que a . – levantou do sofá ficando em frente a câmera do MacBook. – E olha que você nem é mulher!
- Mas sou uma pessoa romântica, fazer o que? – ele riu e deu língua para o amigo.
- Chega de você por hoje, Bernardo. – a médica riu enquanto ameaçava fechar o computador. – Vai descansar que depois de amanhã você vem pra Madrid. – sorriu e o garoto maneou a cabeça.
- E você fica mais velha! – Silva estalou os dedos e apontou para amiga.
- Não precisava me lembrar disso. – colocou a mão no peito, fingindo ofensa. – Tchau, príncipe.
- Tchau, Bê. – que no meio da conversa tinha saído para pegar algum quitute na cozinha, gritou. fechou o computador, indo ao encontro de sua amiga na cozinha.
- Você já vai? – perguntou, fazendo cara de desolada.
- Ah, amiga. – correu para envolver a amiga em um abraço.
- Sinto falta de você comigo todos os dias. – as palavras saíram sem força.
- Também sinto. Mas, estou muito feliz, . – ela afastou a amiga de seus braços, olhando em seus olhos. – Eu vou casar com o amor da minha vida, na cidade dos meus sonhos, trabalho com o que amo e tenho amigos fantásticos. – ela sorriu sinceramente. – Eu não poderia pedir mais nada.
não conseguiu fazer nada além de puxar a amiga para outro abraço.

- Eu te amo. – disse. – Estou tão feliz por você.

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Sexta feira,
Manchester City x Real Madrid


, e Tom, seu noivo estavam na arquibancada, a poucos metros do campo. Um presente de Bernardo a eles “para comemorar o noivado e o aniversário”, nas palavras dele.
O estádio estava repleto de torcedores merengues, afinal aquela era a casa deles. vestia uma camisa do Manchester City com o nome “Silva”, assim como e Tom.
Nada melhor do que amigos que se apoiam, né?

- Não é possível, . – dizia indignada. – Seu pai passa alguma coisa na careca em dias de jogo. – ela apontou para Pep que estava próximo do campo. – Nenhuma cabeça brilha desse jeito.

A garota não conseguiu conter a gargalhada com o comentário da amiga, observou o pai e percebeu que não mentiu. Realmente a careca dele estava mais brilhante.
Mesmo sem querer ser relacionada a Pep na mídia, ela amava o pai e o admirava. Diferente dos irmãos, a garota era filha só de Guardiola, a mais velha, fruto de um amor proibido com uma brasileira. Mas isso não a fazia menos filha, pelo contrário, ela era a primeira filha dele.

Pegou o celular tirando uma selfie com e Tom, postando em seu Stories com a seguinte legenda: “A gente veio torcer para o @bernardosilva porque ele nos obrigou.”
Bloqueou o celular e começou a prestar atenção nos jogadores aquecendo e correndo no campo. Sempre que possível, Bernardo passava perto de onde estavam e mandava um “oi”.
Minutos se passaram e a partida iria começar, o hino da Champions ecoava pelo estádio e não conteve a emoção. Sentiu a amiga a abraçando. Todos os jogos de Champions eram assim para a menina, futebol realmente a emocionava.

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A partida terminou em um fatídico 1x1. Bernardo liberou os amigos para irem aos corredores do estádio, onde os jogadores se concentravam antes e após as partidas. não tinha avisado a Pep que estaria no Bernabeu, então decidiu fazer uma surpresa.
Caminhando pelos corredores ultra iluminados, alguns jogadores do Real passaram por eles. Um deles, ela reconheceu de prontidão, era o pai de Alba.

- Dra. ? – Gareth disse surpreso. – Você por aqui? – sorriu. – Digo, por aqui... – ele usou as mãos para se referir a área interna do estádio, que era proibida para torcedores em dias de jogo. Claramente ele não sabia do parentesco de .
- Oi, Gareth. Sim! Longa história. – ela riu. – E como está Alba?
- Melhorando. Obrigado. – ele sorriu e fez um gesto com a cabeça.

Os outros dois rapazes que estavam com ele se olhavam.
Um pouco ao fundo ouviu alguém gritar seu nome.

- Até que enfim te achei. – um Bernardo suado e cansado apareceu. – Vem logo antes que seu pai fuja, . – ele riu e chamou por ela, e Tom.
- Com licença, rapazes. – disse virando-se para os três atletas merengues que ali estavam. Percebendo um grande par de olhos castanhos a encarando. – Preciso ir. – ela sorriu. – Mande um beijo para Alba e Emma, Gareth.
seguia Bernardo junto com seus amigos, enquanto os garotos a observavam ir com um sinal de interrogação estampado em seus rostos.
Os quatro amigos chegaram perto do campo e Guardiola trocava ideia com algum dos jogadores do Real, que viu Sergio Ramos. Assim que o atleta o viu, ela colocou o indicador sobre os lábios, pedindo silencio. E se jogou nas costas do pai, como fazia quando criança.

- ? – Pep virou e abriu um grande sorriso ao ver a filha.
- Em carne, osso e camisa do City. – ela riu. – Oi, pai. – o abraçou. – Oi, Sergio. – acenou para o rapaz que sorriu. – Não quero atrapalhar a conversa de vocês. Só vim dar um oi.
- Ei, que nada. – Sergio disse. – É seu pai, eu posso esperar. – ele sorriu.
- Sabe o que acabei de me lembrar? – Pep coçou o queixo e logo pegou no colo a rodopiando. – Feliz aniversário de 25 anos, passarinha. – encostou na ponta do nariz de , que ficou envergonhada e nostálgica quando o pai usou seu apelido de infância.
- Obrigada, pai.
- Assim que eu terminar aqui com o Ramos, sairemos para comemorar. – ele disse.
- Ok, mas antes vamos tirar uma foto. – ela disse. – Nós três. – pedindo para Sergio entrar no enquadramento.

Deu o celular para Bernardo, que capturou o momento. deu um beijo no rosto do pai e um abraço em Sergio, que não era seu amigo, mas era de seu pai, o que fazia a garota criar uma grande simpatia pelo rapaz. Saiu para reencontrar com seus amigos que a esperavam. No meio tempo, ela publicou a foto tirada, marcou o pai e Sergio, e colocou a legenda:

“Hoje foi dia de prestigiar o time DA casa x o time DE casa.”

Depois de publicada, encontrou os amigos, que seguiram para sua casa, onde se arrumariam para o próximo passo do dia: comemoração do aniversário de .

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Alguns atletas do Real estavam em uma pequena reunião na casa de Asensio, esperando dar a hora para se reunirem em algum restaurante da cidade.

- Cara, aquela garota que você encontrou mais cedo é o que de Alba? – Isco tentou não parecer desesperado para saber o nome da dona dos olhos castanhos mais penetrantes que já vira.
- Quem? A ? – Gareth perguntou e Isco assentiu, lembrando que Bale havia falado o nome dela quando se encontraram. – Ela é pediatra da Alba. – ele disse. – Uma ótima profissional, inclusive se quiser o número do consultório para levar o Isquito.

Isco assentiu com a cabeça e Bale pegou seu telefone para passar o número para o amigo, que achou que seria mais difícil do que isso conseguir o contato dela. Tudo bem que não era o dela, propriamente dito, era o de sua clínica. Mas, ele poderia levar Isco Jr. A qualquer momento para uma consulta de rotina, não!?
Todos já estava devidamente arrumados, só faltava um. O capitão.

- Finalmente apareceu a margarida. – Asensio disse se referindo a Sergio Ramos, que passava pela porta. – Demorou por quê?
- Fiquei batendo papo com o Guardiola e a filha, e esqueci da hora. Perdão rapazes. – ele disse.
- E o Pep tem uma filha desde quando? – Lucas perguntou. – Ele só tem filhos homens, não?
- Desde 25 anos atrás, inclusive faz 25 hoje. – Ramos riu.
- E como que é essa filha do Guardiola? – Karim Benzema perguntou curioso.
- Vejam o Instagram, ela acabou de postar uma foto e me marcou. – ele disse pegando uma toalha com o dono da casa. – Vou tomar um banho rápido e já saímos.

Isco abriu o Instagram rapidamente, indo até o perfil de Sérgio e vendo as marcações.
Abriu a primeira foto e deu de cara com ela. Os olhos castanhos penetrantes, os cabelos longos e, igualmente castanhos, caindo sobre os ombros. A blusa azul clara do City contrastava com seu tom de pele. Ela sorria largamente, com a cabeça encostada no ombro de Guardiola.
Ele rapidamente apertou no perfil garota, onde viu seu nome: G.”.
Na sua biografia estava: “Médica Pediatra, 50% brasileira e 50% espanhola. Atualmente vivendo em Madrid.”
Seu coração acelerou, tudo que queria fazer nesse momento era segui-la e poder ficar vendo suas fotos todos os dias, mas não fez. Seria estranho!
Então apenas virou-se para Bale e mostrou a foto.

- A pediatra da Alba é a filha do Guardiola.

Capítulo 3

- Vamos? – descia as escadas usando seu vestido tubinho salmão e um salto louboutin bege.
- Eu parei contigo, . - falou. - Esses cabelos, esse corpo, essa pele. Maldita genética! - disse dando um tapa em sua própria coxa. - Por que eu não sou sua filha também, hein? - olhou para Pep que estava sentado ao seu lado no sofá, que apenas riu.
- Você está igualzinha a sua mãe. - Guardiola sorriu e a garota retribuiu.

O ex-jogador caminhou até a ponta da escada, estendendo a mão para a menina.

- Obrigada, pai. - ela respondeu.

, , Tom, Bernardo e Pep foram ao restaurante favorito da garota, e tudo seria por conta do Guardiola mais velho, que insistiu em presentear a filha com o jantar. Dividiram-se em dois carros, no de e no de Tom. E assim que chegaram ao local, pediram uma mesa para 5 no melhor lugar do restaurante, afinal era um dia especial.
O garçom chegou para os servir, deixando o cardápio da casa na frente de cada um dos que ali estavam. Foram 15 minutos para decidirem o que comeriam.
Isco estava ao lado de Asensio no carro, eles conversavam sobre um novo jogo que estava sendo lançado. Alarcón olhava pela janela, as vezes perdendo os pensamentos nos olhos da garota que ainda não conhecia, mas o deixou encantado.

- ‘Tá perdido, amigo? - Marco riu.
- Ah, não. - ele disse. - Só não estou muito bem, irmão. – não mentiu por completo, realmente estava cansado por conta do jogo. - Será que no caminho me deixaria em casa?
- Claro. - Asensio disse preocupado. - Só se cuida e descansa.

Passaram algumas quadras e Marco Asensio parou seu carro em frente à casa de Isco, o deixando lá e logo seguiu para o restaurante que iria jantar com os amigos. – os mesmos que estavam em sua casa horas antes.

comia uma espécie de macarrão com queijo, com algumas ervas finas. O restaurante não estava tão movimentado quanto ela lembrava, mas a comida do lugar nunca a decepcionava. Se deliciava com cada garfada do prato, até que seus pensamentos sobre a receita foram interrompidos pela exclamação de seu pai.

- Olha só, o Sérgio! - Pep disse, quando viu o rapaz entrar junto com Asensio, Lucas Vázquez, Marcelo e Gareth.

A garota olhou curiosa, ela de alguma forma esperava rever aqueles olhos castanhos de mais cedo, mas não os encontrou no meio dos jogadores.

- Hey. - Ramos se aproximou da mesa, cumprimentando todos. - Parabéns, !
- Poxa, obrigada. - ela sorriu. - Querem se juntar a nós? – foi o mais cordial possível.

Os rapazes concordaram, e pediram para o garçom adicionar uma mesa para eles sentarem-se com a aniversariante e seus convidados. achou superdivertido ter pessoas novas ao seu redor. Normalmente eram só ela, , e quando estava na Espanha; Bernardo. Seu ciclo de amizade era pequeno e, por conta do tempo que tinha, quase não podia sair ou conhecer gente nova. Então, esse momento foi especial pra ela. Trocou o número de telefone com todos os rapazes, os seguiu no Instagram e ainda decidiram postaram uma foto juntos, para registrar o mometo, no perfil de Marcelo - que era o único ali que já conhecia, pelo fato de ser brasileiro.

“O pós jogo não podia ser outro: 25 anos da melhor brasileira que reside em Madrid (porque o melhor brasileiro sou eu hahaha). Feliz aniversário, !”

Alarcón estava deitado em sua cama, enquanto rolava o feed do Instagram e viu uma foto de Marcelo, parou por um segundo para garantir que não estava tendo ilusões e viu que ele e o restante do grupo estavam jantando juntos, comemorando o aniversário de . Um arrependimento súbito tomou conta do espanhol, que decidiu naquele momento que a partir de segunda-feira, seu filho teria um novo pediatra.

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O final de semana tinha sido longo. No sábado, Bernardo, e foram ao shopping ver mais coisas do casamento, entrando em mais discussões. Mas finalmente decidiram que as flores seriam cor de rosa. No outro dia, tentou descansar, mas a cada minuto ligava com uma crise pré-nupcial, o que resultou nela indo para casa de no domingo de manhã, e saindo apenas às onze na noite. Isso significava que a segunda-feira de não estava sendo boa, ela só queria atender os pacientes e ir descansar. Assim que chegou na clínica, Marcine entregou as fichas pra a médica.

- Hoje temos uma primeira vez, ok? - ela disse e assentiu. - Pegaram o último horário da manhã, mas o pai disse que tentaria chegar mais cedo.
- Ok, assim que chegarem, mandem-nos pra mim. - ela disse e Marcine assentiu.

Graças a todas forças divinas, não teve tantos pacientes naquela manhã. E, logo depois de atender o último, Marcine avisou da chegada do paciente de primeira vez. A médica pediu para entrar. Um garotinho totalmente tímido, de cabelos escuros e pele clara, entrou segurando a mão de seu pai.
Os olhos de subiram, analisando as tatuagens que cobriam o braço do homem, e quando chegou ao rosto, não acreditou no que viu, por um momento pediu para suas pernas não falharem e entregarem seu nervosismo: aqueles olhos castanhos, os mesmos do Bernabéu, o mesmo que os encararam curiosos, os mesmos com os quais devaneou, praticamente, toda semana.

- Bom dia. - deu seu melhor sorriso. - Francisco Alarcón, né? - ela disse falando com o pequeno. Que apenas balançou a cabeça concordando. - Eu sou a tia , não precisa ter medo. Senta aqui com seu papai pra gente conversar um pouco.

Eles se sentaram, ficando frente-a-frente com a médica.

- Então, o que fez o senhor trazê-lo aqui? – com a maior profissionalidade do mundo, a garota tentava não encarar o pai de seu paciente por muito tempo.
- Senhor não. – ele negou com a cabeça. – Me chame de ‘você’, ou Isco. – sorriu. – O Isco Jr estava precisando de um novo pediatra. Eu o levava em um, mas ficou muito distante desde que nos mudamos. – enquanto o pai falava, a médica assentia. – E, além disso, ele tem tido umas crises alérgicas, de acordo com a mãe.
- Então, antes de tudo vou passar uns exames rotineiros para você fazer no pequeno Isco. – ela enfatizou o pronome pelo qual ele pediu para ser tratado. – E assim que fizerem todos, voltem aqui. Caso o exame de alergia acuse algo, começaremos um tratamento. – ela dizia enquanto fazia os pedidos e os carimbava. – Nada que deva se preocupar, ok? São tratamentos simples, alguns com remédios via oral, outros por injeção. Mas, tudo isso apenas para fazer esse pequeno príncipe melhorar. – ela disse enquanto se levantava e pegava um pirulito.

Ela achegou-se perto de Isco Jr, que já estava em pé ao lado do pai e agachou-se.

- Toma, isso aqui é pra você. – ela entregou o pirulito de morango para o menino. – Só não conta pro papai, viu? Muito doce as vezes faz mal. – ela piscou e o menino escondeu o pirulito rapidamente.

Isco observava a cena com brilho nos olhos, o amor da garota por crianças, o sorriso que ela dava ao conversar com seu filho, o jeito que ela ficava extremamente atraente naquele jaleco. Tudo era como uma grande ópera, de tão lindo.

- Então. – se levantou e olhou para Isco, o tirando de seus devaneios. – Deixe seu nome, telefone e o da mãe dele também. – ela sorriu. – Sei que terão vezes que ela o trará. Então, será necessário. – ela piscou.
- Obrigado, doutora. – Isco sorriu. – E feliz aniversário atrasado. – ele deu de ombros e a menina deu um sorriso largo.
- Poxa, obrigada. – ela disse. – Creio que viu a foto de Marcelo, uh? – ele assentiu, maneando a cabeça. – Aliás, ótimo jogo na sexta.

O rapaz sorriu, havia mesmo sido um jogo ótimo, apesar do resultado não ter sido o esperado.

- Você deveria ir em mais jogos nossos. – ele disse e olhou pra baixo ao sentir seu filho segurar sua mão. – Vendo o que estou vendo, cheguei a conclusão de que você fica melhor de branco do que azul. – ele sorriu e segurou-se para não corar com o elogio, apenas agradecendo. – Amanhã deixarei ingressos com sua secretária para que você possa ir no nosso próximo jogo. Isquito estará lá. – ele disse. – Seria muito legal poder ver a tia de novo, não é filho? – olhou para o menino que sorria enquanto se lambuzava com o pirulito.
- Tudo bem, não garanto que poderei ir, pois não sei se terei plantão. – ela disse com um semblante de dúvida. – Mas, o convite foi maravilhoso. Obrigada.

Ela sorriu e apertou a mão de Isco, e deu um beijo estalado no rosto de seu novo paciente.

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- Eu não acredito que você deu pra trás. – cortava tomates em cima da bancada de sua cozinha, enquanto estava de pé ao seu lado, comendo castanhas. – Isso tudo não por conta daquilo, né?
- Não dei pra trás, . – ela dizia entre pequenas mastigadas. – Ele é pai do meu paciente, e isso é antiético.
- Essa é a pior desculpa que você pode inventar, . – a garota botou a faca de lado e olhou para a amiga, a encarando. – Amiga, desde que você terminou, tem medo de encontrar alguém.
- Não é encontrar alguém, . – ela disse soltando um longo suspiro. – É encontrar alguém como ele.
- Eu sabia! Eu sabia que tinha a ver com... – cortou sua fala assim que percebeu que falaria o que não podia. – Jogadores de futebol.

há alguns anos, estava noiva de Andre Gomes, jogador português que atua no Everton. Nem tantas pessoas sabiam disso, afinal a garota sempre preferiu a discrição.

O noivado aconteceu durante sua residência, e durante a saída de Andre do Barcelona. Os encontros entre eles eram menores, as conversas iam esfriando e Andre supria isso ficando com outras mulheres. Mas, num fatídico dia durante as férias, enquanto os dois tentavam reanimar o relacionamento, aconteceu algo que foi o ponto principal para o início das brigas antecedentes ao término. Inesperadamente, engravidou. A garota com 23 anos e uma carreira inteira pela frente só pensava que não poderia ter um filho naquele momento. Só que, para ela, Gomes era o amor de sua vida, e uma criança seria o ideal para mantê-los juntos. Mas, para ele, ser pai não era uma cogitação. Foi quando tudo foi por água abaixo.

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Flashback - 25/02/2017

- Não sei porquê você quer ter essa criança. – Andre gritava enquanto dirigia.
- E por que você não quer? – estava com água em seus olhos. – Hein, Andre? – ela já se entregava as lágrimas que caiam. – Se você me pediu para casar com você sem a intenção de ter uma família, por que você não quer?

Gomes, num ato súbito de raiva, encostou o carro perto da casa de .

- Você diz como se fosse difícil tirar, não? – ele riu incrédulo. – Você é médica, . Por Deus, você consegue alguém pra tirar isso fácil. – apontou para a barriga de 2 meses da garota.
- ‘Isso’ não, Andre. – ela chorava. – É uma menina, caso queira saber. – Pegou os papéis do exame de sexagem fetal e literalmente jogou em cima do rapaz.

O garoto olhava os papéis, mesmo em meio a discussão, e por um momento achou que ele iria voltar atrás e querer ter essa criança com ela.

- Pouco me importa. – ele rasgou os papéis e mais lágrimas escorreram no rosto da garota, que sentia sua garganta embrulhar, e dores por todo o corpo. – Isso não é meu, e nem será. – Gomes destravou as portas do carro. – Se puderem, você e essa coisa, se retirarem do meu carro, eu agradeço.

chorava incessantemente, já não sabia mais para onde fugir. Afinal, quando tudo dava errado, era para o colo dele que ela fugia.

- Andre... – ela disse calmamente. – Não faça isso.
- Já estou fazendo. – ele disse e estendeu a mão. – O anel por favor.
- Você está brincando, né? – um riso debochado surgiu entre as lágrimas de .
- Eu não brinco. – o semblante dele era sério. – A partir de hoje não temos mais nada, e eu não quero notícias de você, nem dessa criança. – ele disse, aumentando o tom de voz.

tirou o anel e jogou em Gomes, abriu a porta do carro e saiu, logo em seguida batendo-a com toda raiva do mundo. As dores aumentavam gradativamente, cólicas, enjoo e dores de cabeça. Parecia que estava tendo um pico de pressão. Viu o carro de Andre sumir na esquina e entrou na casa que, até então, dividia com . Ao abrir a porta, a amiga viu chorando e segurando o pé da barriga.

- O que houve? – correu desesperada, amparando a garota.
- Acabou tudo, estou sozinha. – ela disse. – Estamos. – passou a mão na barriga e sentiu uma pontada forte em seu útero, que a fez desfalecer nos braços de .

estava com falta de ar, colocou-a deitada no sofá e foi em busca de água. Ao voltar da cozinha, viu a amiga pálida. estava sentada, com a maior cara de desespero e culpa que alguém poderia fazer, sangue escorria em suas mãos e em seu vestido. Estava atônita, lágrimas escorriam.

- Vamos te levar agora para o hospital, . – segurava para não chorar, ela precisava ser a força da amiga naquele momento. Correu para pegar uma toalha e cobrir a amiga, levando-a até o carro.
- Ela se foi, . – falava, incrédula. – Ele conseguiu o que queria.
- Não, . – apoiava a amiga com seu corpo. – Não até chegarmos lá e o ginecologista nos confirmar. Não!

não chorava, mas também não dizia uma palavra no caminho até o hospital. freou o veículo, avisando que haviam chegado. Ao descerem do carro, a toalha cheia de sangue cobria as pernas de , que fora amparada rapidamente pela equipe da emergência.
Após entrar na sala de paredes brancas, não se lembra mais do que aconteceu, apenas das palavras do plantonista. Que, com certeza, ecoariam em sua mente por muitos anos desde então.

- Será feita a curetagem.

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sentiu uma única lágrima escorrer sobre sua bochecha. Lembrar daquele dia era algo duro para a garota. Todo dia 25 a lembrança voltava mais forte, de alguma forma ela não conseguia superar. Não entendia o porquê de terem arrancado seu maior sonho daquela forma; tão fria e dura. Algumas vezes ainda sonhava com suas mãos cobertas de sangue; em outras, se pegava imaginando como seria o rostinho de sua princesa, ou como ela estaria hoje em dia. Doía pensar.

- Ei, não chora. – abraçou a amiga. – Te garanto que você vai conhecer alguém que te amará tanto, que você nunca vai lembrar desse babaca. – ela segurou os ombros da amiga, a encarando. – Mas, pra isso, você precisa se permitir conhecer pessoas novas.
- Semana que vem fazem dois anos, . – pode ouvir sua voz falhar por um momento, mas não se importou, quem estava ali era sua melhor amiga, aquela que sabia de todas suas fraquezas e não a julgava por isso.
- Não pensa nisso agora, . – disse. – Vamos terminar esse jantar e te levar para um passeio onde poderá esquecer que esse dia existiu. Ou, ao menos, tentar.

Capítulo 4

O consultório estava vazio, apenas e Marcine estavam lá. A médica se apoiava na bancada da recepção, enquanto conversava com a loira. O barulho do elevador anunciou a chegada de alguém ao andar, e por mais que amasse seus pacientes, ela torcia para que não fosse nenhum deles. O dia estava tão pacato que sua maior vontade era ir embora, logo após o almoço.
Os passos foram se aproximando e, por infelicidade da médica, alguém entrou no consultório.

- Isco? – perguntou ao ver o rapaz, parado bem na sua frente, com um sorriso característico. – O Isco Jr está bem?
- Oi doutora. – ele se aproximou, e em cada passo em direção a , ele agradecia mentalmente por estar de mangas, assim ninguém veria seus pelos se arrepiarem sem o mínimo de contato. – Sim, está ótimo. Eu na verdade vim deixar este envelope com você. – um papel pequeno e branco foi entregue nas mãos de . – Creio que você saiba o conteúdo dele. – piscou, fazendo com que sentisse cada parte de seu corpo pedir por forças. – Preciso ir, estou atrasado para o treino. Bom te ver. – sorriu, saindo por onde entrou, deixando uma em choque para trás.

não conseguia pronunciar uma palavra se quer quando viu que ele realmente havia levado ingressos para ela assistir o próximo jogo do Real Madrid. Já estava em casa quando decidiu abrir o envelope e ligar na mesma hora para .

- Diga. – atendeu a ligação.
- Ele foi lá hoje. – suspirou. – E levou três ingressos. – atropelou algumas palavras.
- E quando é o jogo? – a amiga perguntou animada, pois sabia que pelo menos um dos ingressos seria dela.
- Dia 25. – engoliu seco.
- E nós vamos, não é? fez uma pergunta que julgou ser retórica.
- Vou ver se dá. – a médica fez uma cara de confusão.
- Nós vamos, . E você não vai me dizer não! – A ameaça de foi real, ela sabia. Nunca ouvira tom de voz mais sincero partindo da amiga.

Um barulho agudo e irritante tomou conta da casa, a campainha de tocava ao fundo.

- Preciso atender. – a garota disse, enquanto mandava um beijo para amiga e encerrava a ligação.

Caminhou até a porta branca e ao abrir, viu um dos funcionário da FedEx segurando uma caixa de papelão média.

- Mas eu não comprei nada recentemente. – ela disse para o funcionário.
- Estava endereçado para outro local, mas ao chegar lá, uma mulher chamada Marcine indicou que nesse endereço eu poderia encontrar a senhora. – o rapaz disse rapidamente, e com sua mão livre, tirou do bolso o papel que a loira havia o dado com o nome da rua de .

- Sabe o que é? – ela apontou para a caixa, curiosa. Mas, obviamente, ele não saberia. Porém a garota achou que não custava perguntar.

O rapaz negou com a cabeça, como era de se esperar.

- Ok, querido. – ela sorriu e pegou a caixa, dando uma balançadinha próxima a sua orelha, na intenção de descobrir o conteúdo dela, sem muito sucesso. – Muito obrigada, viu? Um bom trabalho.

Voltou para o interior de sua casa, onde colocou a caixa em cima da mesa e pegou uma tesoura para abri-la.
Assim que feito, viu o que estava ali dentro: uma camisa branca do time merengue, e um bilhete.

“Como eu já disse; branco cai muito bem em você. Espero pode contar com seu apoio no jogo. – Isco.”

Instantaneamente, sorriu. Ele estava sendo um amor, e eles nem tinham conversado direito ainda. Ela só se perguntava o que tinha feito para merecer tudo aquilo. Botou o papel em cima da mesa e tirou a blusa da caixa, ao ver que nas costas da mesma estava gravado “ISCO 22”, deu outro sorriso.
Não sabia onde isso ia parar, mas pela primeira vez resolveu seguir o conselho de sua amiga e se permitir conhecer outras pessoas.

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Segunda-feira : 25/02/2019.
Real Madrid x Sevilla


Dois anos do pior dia da vida de , e desde que a garota acordou, não parava de pensar nisso. Sonhou com o sangue em suas mãos, e ouviu claramente a voz de Andre dizendo para que ela e a criança saíssem do carro. Mas, estava fazendo de tudo desde cedo para que a amiga não lembrasse tanto do que ocorreu. Bernardo também ficou horas no telefone com , fazendo de tudo para animar a garota. E diferente dos outros anos, depois do tempo com seus amigos, sentiu que o dia estava mais tranquilo. Não houve choro, nem arrependimento.

Eram duas da tarde e se arrumava na casa de , pois o jogo iria acontecer as três e meia. O calor de segunda-feira em Madrid, fez com que a garota optasse por um short curto, de cor preta. No pé, o fiel all star branco. E vestindo seu colo, a camisa que ganhou de presente na semana que passou. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo alto, colocou os óculos escuros e desceu as escadas, encontrando e Tom já arrumados, sentados no sofá da sala de estar. Tom vestia uma camisa do Real Madrid de cor roxa, a mesma que sua noiva usava. Ambas gravadas com o número 12, o de Marcelo.

- Uau, . – Tom disse. – Quem ficar com você será um cara de sorte.

sorriu, concordando com o noivo. Sua amiga estava linda. Analisando-a, não conseguia ver os mesmos traços de tristeza de outros 25 de fevereiro, e isso a deixava extremamente feliz. Caminharam até o carro de Tom, esse que impediu de ir no seu, já que seriam apenas eles e “não tinha necessidade de pagar dois estacionamentos”, de acordo com o próprio. Seguiram em direção ao Santiago Bernabeu.
Uma música feliz tocava na rádio e observava a paisagem, o caminho não era longo, mas era um jogo contra o Sevilla, e isso significa que o trânsito estava um pouco lento.

- Está ansiosa? – interrompeu os pensamentos de .
- Hm? – a garota respondeu com outra pergunta.
- Ansiosa pro jogo. – a amiga deu um sorriso de orelha a orelha e olhou para o banco traseiro, onde estava.
- Não é como se eu fosse torcedora do Real Madrid ou algo do tipo. – ela disse sem animação.
– Mas, creio que será um bom jogo. – sorriu sem mostrar os dentes. – Afinal, estaremos bem ao lado do campo.

Ao chegarem no estádio, foram guiados para o setor onde ficariam. foi rapidamente comprar cerveja, segundo ela; era dia de encher a cara e esquecer dos problemas. Tom a acompanhou e ficou esperando os dois enquanto usava o celular. O Instagram era seu maior passatempo, até que seu celular foi tomado pelo nome de Emma brilhando na tela.

- ! – A mulher do outro lado disse em tom feliz. – Soube que está no Bernabeu. Em qual setor está?
-
Emma, mas como as notícias correm por aqui, hein? – ouviu a risada da amiga no outro lado da linha. - Estou no 134. – a garota sorriu.
- Ótimo, o mesmo que o meu. – ela disse. – Estou descendo aí. E estou com as crianças, me ajude. – Ela ria em tom de nervosismo, e a acompanhou em uma gargalhada.
- Venha, Emma. Será um prazer ajudar com os pequenos. – disse, se despediu e desligou o celular.

Ao fundo pôde ver e Tom voltando para seus lugares, e um pouco mais atrás, Emma chegava com Alba, Isco Jr e os filhos de Sergio Ramos. Pelo que a esposa de Bale disse, Pilar não conseguiria chegar a tempo de assistir o jogo, por isso pediu para que ela trouxesse as crianças.
Assim que Isco Jr viu , correu para abraça-la. A garota o pegou no colo e depositou um beijo em sua bochecha.

- Você veio, tia. – ele sorriu largamente e isso fez o coração de derreter, por um segundo pensou como seria se sua filha estivesse ali em seu colo, sorrindo da mesma maneira. Segurou para que a lagrima não escorresse, e abraçou o garoto novamente.
- Sim, eu vim. – ela sorriu. – E olha, estamos iguais. – ela apontou para as camisas que usavam, que tinham os mesmos números gravados. O garotinho sorriu, concordando. – Isso quer dizer que temos de torcer juntos, o que acha?

Isco Jr concordou, e logo antes de começar o jogo se encaixou no colo de . Os jogadores entravam em campo e a torcida merengue fazia uma grande festa. Isquito batia palmas enquanto estava no colo de .

- Olha lá, tia. O papai. – ele apontou para Isco que estava em pé, concentrado diante ao hino da Champions League. A garota assentiu, sorrindo para o menininho.

observava a amiga com a criança no colo e percebia o quão boa mãe seria, mas que um filho de Gomes não faria bem para ela. Talvez tudo que tenha acontecido a dois anos foi exatamente o que precisava acontecer.
Estava 2x0 para o Real Madrid, e sentia Isco Jr aninhar-se cada vez mais em seu colo, até que encostou a cabeça próximo ao peito da garota, fechando os olhos em um sono gostoso. Emma olhou para a garota, em um semblante materno.

- Pode me dar ele se quiser, Ann. – ela sorriu. – Você já ficou com ele os dois tempos inteiros.
- Pode deixar, Emma. – ela retribuiu o sorriso e começou uma sessão de cafunés em Isquito.

O apito anunciava o fim de jogo, 2x0 para o time da casa. Nada melhor que ganhar em família. Hoje seria dia de comemoração. batia palmas e pulava, um pouco alterada pelo álcool.

- Amiga, eu quero ir pra casa transar com o Tom, mas você vai ficar aqui sozinha. Vamos que eu te dou carona. – cuspiu a frase, sem usar muitas pontuações, demonstrando sua pressa.
- Pode ir, garota. Pego um táxi. – segurou o riso.
- Mas hoje é dia 25, e...
- É apenas mais uma segunda-feira, . – interrompeu a amiga. – Confesso que dói muito, mas preciso aprender a conviver com essa dor, né? - surpreendeu com um abraço.
- Eu estou bêbada e orgulhosa. – ela sorriu. – É assim que estou me sentindo.
- Vai ser feliz, . – deu um tapinha no ombro da amiga, que saiu em disparada atrás de Tom.

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estava com Isco Jr no colo e descia as escadas para entrega-lo a seu pai. Caminhava pelas dependências do estádio, até que achou um lugar perfeito para sentar-se com a criança, ainda dorminhoca em braços. Os jogadores passariam por lá, então poderia entregar Isquito à Alarcón, e pedir seu táxi para casa. Gareth e Sergio foram os primeiros a sair.

- Ei, Guardiola. – Ramos disse e a garota torceu os lábios. Não estava acostumada a ser chamada assim. – Emma nos disse que ele dormiu em seus braços. – apontou para o menino, que mais parecia um anjo.
- Pois é, estou esperando o pai dele para entregar a criança e ir para casa. – sorriu.
- Que isso, nós vamos levar as crianças para comer. – Bale disse. – Venha conosco. Parece que Isquito gostou de você.

Ela olhou para o anjinho dormindo em seu colo.

- Talvez eu vá, sim. – ela sorriu, sendo convencida pela criança em seus braços que seria bom ela ir.
- Estamos esperando no estacionamento. Mesmo se não for, avise isso a Isco quando for entregar o pequeno. Por favor! – O rapaz pediu e assentiu com um sorriso, logo ele saiu em direção ao estacionamento, junto a Ramos.

Passaram-se poucos minutos e viu, saindo da grande porta branca e roxa, o par de olhos castanhos que foram os responsáveis por faze-la sair de casa em pleno dia 25.

- Quando me disseram que Isquito estava dormindo em seu colo eu tive que vir comprovar. – ele sorriu, ficando em frente a garota. – Ele não costuma ser tão chegado a novas pessoas assim.
- É, ele se aconchegou e ficou por aqui. – levantou-se com cuidado, e entregou o garoto ao pai, que logo sentiu a diferença dos braços, movimentando-se para se encaixar. – Ramos e Bale disseram que estão te esperando no estacionamento.
- Você não vem? – Isco perguntou, com o tom de voz baixo, e mesmo assim o pequeno acordou.
- Papai? – o garoto olhou confuso. – Cadê a tia ? Isco sorriu para a garota, que olhava incrédula para o pequeno.
- Esse é um bom motivo para você ir, não acha? – ele perguntou e a garota maneou a cabeça, ainda desacreditada.

Seguiram juntos para o estacionamento, onde encontraram Emma, Bale, Sergio e as crianças.

- Parece que alguém convenceu de vir, hein? – Emma disse.
- Créditos totais ao Isquito. – a garota disse sorrindo.

Separaram-se em carros, preferiu ir com Emma e as crianças. Bale, Isco e Sergio foram em outro carro.

- Agora me diz, que negócio é esse com a filha do Pep? – Ramos perguntou.
- Ah, ela é pediatra do Isco Jr. – ele disse dando de ombros enquanto dirigia.
- Ela é pediatra da Alba e eu não a chamo pra vir ao jogo, e muito menos usando meu número e nome na camisa. – Bale disse com tom sarcástico na voz.

Isco deu graças a Deus por estar escuro e eles não o terem visto corar com as perguntas. Os rapazes riam enquanto faziam comentários, mas Isco não prestava atenção, só vinham imagens de como estava linda naquele dia, de como seu sorriso tímido o encantava, e todo mistério que pairava sobre as poucas falas proferidas pela menina, o faziam sentir mais vontade de conhece-la, e como ele queria poder sentar e, finalmente, conversar com ela, dessa vez, de verdade.

Capítulo 5

Isco Jr dormia em sua cadeirinha no banco de trás, enquanto seu pai e estavam nos bancos da frente. A garota se sentia num avião dentro do carro do jogador. Tudo bem que seu carro era igualmente caro e confortável, mas o dele tinha um “quê” a mais. Os bancos pareciam mais reclináveis, as janelas maiores. Ou, ela estaria apenas delirando?

O cheiro do perfume amadeirado do jogador subia pelas narinas de , que automaticamente fechava os olhos e respirava fundo para memorizar aquela fragrância.

O rapaz mantinha os olhos focados na estrada, e os ouvidos às indicações do GPS. Mas, a presença da médica estava o deixando desnorteado, ele precisava olhar para ela mais uma vez, e guardar cada detalhe de seu rosto.

- Você não precisava me trazer em casa, Isco. – ela sorriu, envergonhada, assim que o atleta parou o automóvel em frente a porta de sua residência.
- Não se preocupe com isso, . – ele retribuiu o sorriso, finalmente encontrando o olhar da garota. – Fico feliz que tenha ido ao jogo, e principalmente de ter cuidado tão bem do meu pequeno. – olharam juntos para trás, observando a criança a dormir.
- Eu que agradeço por ter me tirado de casa no dia, que pra mim, é o pior do ano, em todos os anos. – ela segurou as lagrimas que insistiam para sair, Isco percebeu os olhos marejados e sentiu seu peito apertar, a necessidade de abraçar naquele momento era grande.
- Ei, não precisa falar sobre isso. Ok? – colocou a mão sobre o ombro da garota, tendo cuidado para respeitar seu espaço, e sorriu. Um sorriso que fez querer suspirar. – Se quiser companhia, eu e Isquito podemos ficar com você mais um pouco.

Normalmente, esse tipo de proposta seria facilmente recusada, mas ficar sozinha na noite do dia 25 não era o seu objetivo.
Normalmente, ela tinha a companhia de ou Bernardo, mas a amiga estava com o noivo, coisa que não pretendia atrapalhar, e Bernardo, do outro lado da Europa.
Talvez, essa fosse a oportunidade para ela e o jogador começarem uma amizade.

- Então sintam-se à vontade para entrar, por favor. – ela disse, descendo do carro e tirando Jr da cadeirinha.

Pediu, gentilmente, para Isco pegar a chave em sua bolsa, já que estava com o filho do homem nos braços. A respiração pesada do garotinho, que estava visivelmente cansado, era o único som que tomava conta do local. O jogador merengue encontrou o molho de chaves e logo abriu a porta para que entrassem.

- Fique à vontade. Vou leva-lo e trocar de roupa. – em meio a sussurros, o rapaz apenas maneou em concordância. – O controle da TV está na mesa de centro.

A garota subiu as escadas com todo cuidado que tinha, e sem passos bruscos, colocou a criança dormindo em sua cama.
Fechou a porta do quarto com calma, para que nenhuma barulho entrasse no cômodo e acordasse o menino. Passou em seu banheiro, aproveitando para tomar um banho e tirar todo o suor acumulado durante o dia.

A água quente a imergia, a vontade de ficar ali pelo resto da noite era maior que todas as outras, a sensação de relaxamento que aquilo trazia ao seu corpo era um convite para que ficasse mais algumas horas por ali. Fechou os olhos e, por um instante, se viu nesse mesmo dia, há dois anos: o quarto frio do hospital, a dor física e psicológica, as mãos quentes de a apoiando. Tudo aquilo nunca sairia de sua memória, por mais que tentasse.

Sentiu um calafrio correr por sua espinha, destoando do quente da água, e lágrimas rolarem por seu rosto, se camuflando na pele úmida. Decidiu que o banho terminaria por ali, já havia se lembrado demais, e prometeu a que tentaria seguir em frente.
Ao sair do banho e trocar de roupa, foi até a sala acompanhar Isco, que já zapeava pelos cis da grande televisão. Até que, ao ver chegar, parou em um cl no qual ambos decidiram por assistir. Passava algum filme de ação, que tomava a atenção da garota.

- Você será uma ótima mãe, . – uma voz a surpreendeu, vinda de uma das extremidades do sofá.

O olhar de encontrou rapidamente o de Isco, que a encarava com curiosidade, assim como da primeira vez que a viu.
Como poderia imaginar que aquela garota que apareceu do nada em sua frente no Bernabeu, agora estaria ali, em sua frente, num sofá?
Ela apenas sorriu, sem proferir uma palavra, mas era compreensível a gratidão em seu olhar.
Nada daquilo era novo pra ele. Ele já estivera no sofá – e na cama – de muitas mulheres, mas dessa vez, ele não sabia porque não desejava estar com apenas por uma noite.
Quando conversavam no restaurante, ele sentiu que a conhecer mais um pouco era tudo que precisava para confirmar a admiração que sentiu desde a primeira vez que a viu.
Sentada ali, com os cabelos úmidos, apenas um blusão, shorts de lycra e meias, fez Isco ter certeza de que ela era a mulher mais linda que já viu.

Mas, havia um mistério que rondava , e esse o instigava a querer conhece-la cada vez mais. Em todas suas conversas nessa noite, ela não disse nada de sua vida além do que todos já soubessem; brasileira, médica e filha do Guardiola. Ele sentia o desejo de desvendar aquela menina, saber o que a faz o sorriso mais belo que ele já viu, ser apagado.
Sua vontade naquele momento era poder beijá-la, mas ele sabia que não era o certo a se fazer naquela hora.

- Ei, se vocês quiserem passar a noite aqui não há problema. – foi a vez da menina falar, e Isco foi pego de surpresa com o convite. – Isquito não parece que irá acordar tão cedo.
- Não quero ser um incomodo, . – havia sinceridade em suas palavras.
- Que nada. Você tem sido um amor desde que apareceu no consultório, e nem havíamos conversado direito. – a garota pontuou. – Hoje percebi que você é uma ótima pessoa, e um ótimo pai. – ela sorriu, o amor por crianças era uma coisa que encantava a médica. - Pelo pouco que conversamos, percebi que somos bastante parecidos. E, como eu quase não tenho amigos por aqui, por conta da falta de tempo. Seria ótimo ter você e Isquito no ciclo de amizade. - Um sorriso sincero surgiu dos lábios do rapaz. - Realmente gostei muito da companhia de vocês. E é bom que a criança tenha um sono tranquilo. Conselho médico. – ela riu, sendo acompanhada por Isco. – Você pode ficar no quarto de hóspedes aqui embaixo, ou dormir lá na minha cama com Jr, enquanto eu fico aqui. – ela disse e colocou a mão no queixo, lisando a situação. – É até melhor assim, pode ir ficar com ele. Durmo aqui embaixo hoje.

O jogador não estava acreditando na tamanha bondade que havia no coração de , em cada pequeno gesto ela se revelava uma grande mulher. E uma pessoa assim, não se pode deixar escapar. E lisando este fato, Isco percebeu que era isso que ele queria; ter para si e nunca a deixar escapar.

- Muito obrigado por isso, . Uma oferta assim é impossível de se recusar, principalmente sendo pelo bem do Jr. – ele sorriu genuinamente, desencadeando batidas descompassadas do peito da garota ao seu lado.

Levantaram-se do sofá, para seguirem caminhos até os respectivos quartos. indicou como Isco faria para chegar no local certo, sem ter que abrir a porta de todos os cômodos do segundo andar de sua casa.

Estavam parados, frente a frente, e um arrepio tomou conta da garota. Os olhos castanhos do jogador ficaram mais escuros, e ela pôde perceber. As pernas dela quase falharam quando o rapaz sorriu; um sorriso diferente de todos que ele já havia dado. Neste, parecia haver admiração.
Ele queria se aproximar, mas não sabia se devia.
Ela não sabia o porquê, mas Isco a fazia bem, estar em sua presença era algo que a deixava leve, e ela não sabia se conseguiria esconder isso por muito tempo.

- Boa noite, Isco. – a garota fez com que a mínima distância que existia entre os dois fosse cessada, e ficou na ponta dos pés, depositando um longo beijo em sua bochecha, fazendo esse ser o contato mais intimista que tiveram desde o primeiro olhar.

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acordou com movimentos de sobe e desce em sua cama, abriu os olhos, ainda meio preguiçosos, virou para sua direita e foi contemplada pelo largo sorriso de Isco Jr, que pulava alegremente em seu colchão. O menino parou bruscamente, ao ver que conseguiu o que queria.

- Bom dia, tia . – ele a surpreendeu, jogando-se para um abraço.

sorriu feliz. Seu maior sonho era ter um abraço assim durante todos seus amanheceres. Seu estomago embrulhou, e as lágrimas queriam se formar.
Com os olhos fechados, imaginou a filha em seus braços, a contemplando com o abraço mais sincero, do amor mais puro. A tristeza, então foi tomada pela saudade de algo não vivido, fazendo um sorriso fraco se formar nos lábios da garota.
Na porta, Isco encarava a cena e, por um momento, visualizou como seria ter acordando todos os dias ao seu lado, com aquele sorriso.
Ao perceber o que estava fazendo, balançou a cabeça na intenção de expulsar os pensamentos notavelmente impróprios para o momento.

- Ei, você está aí! – a garota sentou-se na cama, enquanto tentava desviar seus olhos do abdome totalmente nu do rapaz. – Como foi a noite?
- Eu que pergunto, já que um pirralhinho não deixou a senhorita continuar dormindo. Não é, rapaz? – ele se aproximou de Jr. Fazendo cócegas no menino, que começou uma gargalhada contagiante. – Vai lá tomar banho, . – Isco disse enquanto tirava seu filho da cama. – Fui abusado o suficiente para pegar suas coisas e fazer um café da manhã. – ele riu. – Te esperamos na cozinha. – saiu pela porta com Isquito nos braços.

ainda estava desacreditada com o que acabara de acontecer.
Saiu da cama e decidiu que seu banho seria um daqueles bem gelados, para acordar de uma só vez, sem muita cerimônia. Ficou uns minutos embaixo d’água, ainda refletindo sobre tudo. Assim que saiu, vestiu um short jeans de cós alto e lavagem clara, um cropped branco, uma jaqueta bomber em estampa militar, e nos pés seu tênis branco da Nike. Sua intenção era sair para uma volta no shopping ou ir até a casa de , assim que suas visitas fossem embora.
Caminhou até a cozinha, em passos lentos e viu que Isco guardava as panelas no armário do qual as tinha tirado.

Assim que a garota passou pela criança, sentada na mesa de jantar, fez um sinal de silêncio com o dedo indicador, e o garoto entendeu o recado, lançando um olhar cúmplice para a médica.
Foi se aproximando de Isco, e por trás cutucou sua cintura, fazendo o rapaz assustar-se com o toque repentino, indo automaticamente para trás, esbarrando em e fazendo-a cair, enquanto gargalhava. Ele se virou rapidamente, estendendo a mão para a garota, que não conseguia conter a risada.

- Devo pedir desculpas ou te culpar? – ele sorriu, fazendo um sinal para que ela usasse sua mão de apoio para ficar de pé novamente. – Você mesma se derrubou. – a garota segurou a mão de Isco, que a puxou para cima. Mas, o movimento foi falho e se desequilibrou, fazendo-os ficarem ainda mais perto que o desejado.

Encararam-se por um tempo, os arrepios voltaram e a vontade de mais proximidade também.

- Tem cabelo no seu rosto. – o garoto tirou uns fios rebeldes que insistiam em permanecer próximos a boca de .

Estavam tão vidrados um no outro, que naquele momento puderam sentir o mundo parar ao redor dos dois.
Ela podia ver os desejos de Isco através de seus olhos, e agradecia por serem os mesmo que os dela. Não sabia como o rapaz fazia aquilo, ou qual o poder que tinha naquele olhar, mas pela primeira vez, por espontânea vontade, pensou em dar uma chance ao jogador.

- Papai. – Isco foi obrigado a desviar o olhar, ao sentir o filho agarrando sua perna direita. , em contrapartida, sentiu que precisaria de alguns segundos para acordar de tudo aquilo. – Podemos comer e ir na casa do tio Sergio? Quero brincar com Marco.
- Claro. – ele sorriu para o filho, que batia palmas alegremente. – Senta lá que já vou levar seu café da manhã.

, finalmente consciente, pegou as panquecas em cima do balcão, dispondo-as num prato.

- Deixa que eu levo pra ele. – ela sorriu. – Avise a Sergio que está indo.

A garota passou pela porta da cozinha, enquanto Isco a acompanhava com os olhos e imaginava coisas, que talvez, não fossem aceitas para o horário. E quando ela saiu de seu campo de visão, finalmente ligou para Ramos.

Capítulo 6


A garota estava sentada em um grande sofá branco, envolta de espelhos. Era dia da prova do vestido de . Ela usava o telefone enquanto a amiga estava no trocador, sorriu para a tela do celular e sabia o motivo: Isco havia mandado mensagem.
Depois que Isco e seu filho dormiram na casa de , a mesma achou prudente passar seu número pessoal para o jogador, e desde então, eles não paravam de trocar mensagens. A maioria delas eram áudios de Isco Jr pedindo para a tia ir visita-lo, ou ideias mirabolantes; como na vez que ele disse que deveria adotar um cachorro, para eles o levarem para passear junto com o de seu pai. Mas o garoto deixou bem claro que queria um cachorro de pequeno porte, porque ele era quem iria segurar a guia. A garota ria toda vez que parava para pensar que essa talvez fosse uma boa ideia, com um amigo canino ela não se sentiria tão só.

Isco: “Deixei Isquito com a Mãe.”
: “Creio que ele e ela estavam com saudades.”
Isco: “Isso quer dizer que estarei sozinho nessas próximas semanas.”
: “Bom ou ruim?”
Isco: “Boa oportunidade para perguntar se quer sair comigo. Só nós dois dessa vez.”

não teve tempo de pensar em responder, porque na mesma hora uma totalmente vestida de branco entrou na sala, fazendo a amiga quase chorar.

- Você está tão linda! – abaixou o celular, parando para admirar a beleza de Lay. Seus cabelos ruivos caiam de forma suave sobre o vestido, realçando sua cor devido ao contraste. E, se naquele momento, pudesse dar uma opinião, seria para que ela casasse de cabelos soltos, ou com um penteado mais despojado.

olhava-se no espelho e gostava do que via, ela podia sentir o vento bater em suas costas nuas, e seus pés descalços tocarem o chão.

- Acredita que já estamos em Março e só faltam duas semanas? – desviou seu olhar para . – Acredita que tudo aquilo que sempre conversávamos quando ainda estávamos no Brasil está se concretizando? – desceu da pequena plataforma na qual estava e sentou-se ao lado de , que a repreendeu por conta do vestido, mas não se importou muito. – Caramba, . Eu me formei na faculdade dos sonhos, conheci o cara dos meus sonhos, e agora vou casar, o que também era um sonho. – ela riu ainda não acreditando que aquilo tudo era real. – Eu só te agradeço por estar ao meu lado no dia mais importante da minha vida.

e se abraçaram e ficaram ali por um tempo, desfrutando da proteção que sentiam naquele gesto.
Ao saírem do abraço, sentiu uma lágrima cair em sua bochecha, essa que foi secada rapidamente pela noiva.

- Você não faz ideia do quanto me inspiro em você, . – a ruiva segurou as mãos da amiga. – Você passou por tanta coisa, e olha onde está agora. – a garota elogiada sorriu. – Fico feliz que esteja se permitindo viver, pelo menos que um pouco. Sei que você ama seu trabalho, mas desde que Andre foi embora, você só vive dele e não tem tempo para se cuidar ou aproveitar sua vida. – dizia as mesmas palavras que provavelmente a mãe de diria se estivesse com ela naquele momento. – Seu sorriso e ternura segurando o filho de Isco nos braços, o jeito que você sente esse carinho por crianças. Você vai ser uma ótima mãe, e eu sei que esse – ela tocou a ponta do nariz da amiga, que sorriu fraco. - é um dos seus sonhos. – não pôde evitar outra lagrima de cair. – Só permita seu coração apaixonar-se, seja observadora. Dê uma chance a paixão. Porque, se ela virar amor, você será a mulher mais sortuda do mundo, e seu sonho, com toda certeza, irá se realizar.

A garota, ao terminar de dizer, se levantou para retirar o vestido. E depois de todo aquele discurso, não pensou duas vezes e pegou o celular.

: “Então me encontre na frente da minha casa hoje as 1p.m, vamos almoçar.”

Bloqueou o celular antes de sentir-se arrependida por enviar aquela mensagem. Sentiu-o vibrar, mas não quis ver a resposta agora. Avistou voltando, já com suas roupas rotineiras e a capa com o vestido dentro.

- Vamos? – ela disse. – Vamos almoçar juntas?
- Vou te deixar em casa e ir pra minha. – disse e olhou confusa. – Almoçarei com Isco hoje.

não pode conter o sorriso ao receber essa notícia.

- Puta que pariu, . – ela gritou em português. – É disso que eu estava falando! – bateu palmas como uma foca bastante animada, arrancando uma risada de . - Vamos, me deixe em casa logo. Você precisa ir se arrumar.

E foi o que fez após entrarem em seu Audi R8. Seguiu para casa de e Tom, deixando-a em frente sua porta. A garota nem fez cerimônia para que descesse ou ficasse mais um pouco, pelo contrário, praticamente expulsou a amiga dali.
pisou no acelerador, agora a caminho de sua casa e ao chegar, correu para o quarto.
O dia estava quente, então dispôs sobre sua cama todos os sundresses que tinha. lisou-os por alguns minutos, até que escolheu um de alça fina, num fundo azul caneta e alguns detalhes florais em tons marrons. Para calçar optou por uma rasteirinha com uma tira de pedras e fechamento de fivela na lateral. Olhou para o relógio, que marcava 12h, correu para um banho não tão demorado.
Assim que saiu, já se vestiu e fez uma maquiagem simples. Os cabelos caiam em ondas sobre os ombros da garota e ela gostava do que via. Colocou pequenos brincos e uma única pulseira, e assim que terminou ouviu sua companhia tocar, o relógio marcava cinco minutos para 1h.
Correu para a porta, e assim que a abriu, deu de cara com Isco em uma camisa da seleção brasileira, shorts pretos e um tênis baixo.

- Quem te viu, quem te vê, em! – ela sorriu. – Brasil. – apontou para a camisa azul que o rapaz usava.
- Maneira singela de te fazer sentir em casa estando comigo. – ele deu de ombros e ela pode sentir as bochechas queimarem. – Vamos?
- Deixe-me pegar a bolsa. – correu até a mesa de jantar, onde estavam seu celular e sua bolsa com documentos, pegou os objetos e seguiu Isco até o carro. – Onde iremos?
- Você é sempre curiosa assim? – ele sorriu para , fazendo a garota derreter por alguns segundos, aquele sorriso tinha algum efeito sobre ela, que ela ainda não sabia qual era, mas estava disposta a descobrir.
- As vezes. – ela disse, mordendo o lábio inferior em sinal de timidez.
- Você verá. – piscou para a garota e deu partida no carro.

O caminho estava livre e o sol brilhava como nunca em Madrid, talvez aquele fosse o dia mais quente que já presenciou na cidade.
O caminho que Isco fazia era desconhecido pela garota, ele entrava por ruas que a garota nem sabia que existiam, até que carro parou em uma dessas, bem em frente a um restaurante chamado The Redeemer Bistro, que logo percebeu se tratar de um local com culinária brasileira. Ela retirou o sinto de segurança e Isco abriu a porta do carro para que ela descesse.

- Não precisava me trazer aqui, você sabe, né? – ela sorriu largamente.
- Claro que precisava. – ele disse. – Estão rolando as eliminatórias para a Copa América e aqui estão passando o jogo do Brasil. Nada mais justo que assistirmos, não acha?
- Você não existe, Isco Alarcón. – ela ficou de frente para o rapaz, enquanto sorria.
- Vamos! – ele segurou a mão de , fazendo-a se assustar com o contato inesperado. Mas, rapidamente seus dedos se entrelaçaram, e a garota esqueceu de tudo ao seu redor.

Pegaram uma mesa, envolta de poltronas, na qual tinham uma visão boa da TV que transmitiria o jogo.
Acontecia um rodízio de churrasco, com cervejas tipicamente brasileiras e alguns drinks, como a Caipirinha. bebia um copo da bebida de limão, e Isco tomava um suco, já que estaria dirigindo logo depois que saíssem dali.
Faltavam cinco minutos para o jogo começar. O rapaz chegou mais perto de .

- Qual seu palpite, senhora? – ele sorriu e passou um dos seus braços em volta do ombro de .
A garota já não se assustou com o toque e se aproximou mais, aninhando-se no rapaz.
- Eu acho que ganharemos de 2x0. – ela sorriu, confiante.
- Então estou contigo. 2x0 é o palpite.

Ele começou um cafuné em , que cantava o Hino Nacional do Brasil enquanto aproveitava o momento nos braços de Isco.
O jogo começou, e com ele a tensão de . Não era uma copa do mundo, mas era sua seleção que estava em campo. Por um momento esqueceu que Isco estava ao lado dela e começou a xingar os jogadores em português.
Olhou rapidamente para o rapaz, que ria de forma graciosa.

- Desculpa. – ela fez uma feição de timidez.
- Não esquenta com isso, . – ele sorriu. – Quero que você se divirta. – levou a mão a testa rapidamente, enquanto encarava a TV. Fazendo a garota virar seu olhar novamente para o jogo. – Pênalti!

chegava mais perto de Isco a cada passo que Firmino dava em direção a bola. Com um tapa cheio, a garota viu a bola fazer uma curva perfeita no ar e entrar no ângulo. Bola pro lado, goleiro pro outro.

- GOL! – ela gritou e abraçou o rapaz que estava ao seu lado.

Ao saírem do abraço, encararam-se como na vez em que estavam na cozinha de , mas hoje não tinha Isco Jr para os afastar. Os gritos foram sendo silenciados a sua volta e tudo que existia naquele momento eram eles dois. Isco ainda estava com as mãos em volta da cintura de , quando seu dedão começo a acariciar a barriga da garota.

- Eu ainda não disse o quão linda você está hoje, não é? – ele sussurrava, mas a garota ouvia com clareza cada palavra proferida por Alarcón. Ela sorriu e colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, coisa que fazia quando estava com vergonha e não sabia onde se esconder. – E eu também ainda não disse o quão grande foi minha vontade de te beijar desde o primeiro momento que te vi naquele corredor, com aquela camisa do City e sorriso bobo, não é? – ela levantou o olhar. - Quando te vi trabalhar, atendendo meu filho no seu consultório. Quando te vi com meu pequeno nos braços, me esperando depois do jogo. Tudo que eu mais quis fazer nesses momentos, era te beijar. – ele tirou uma das mãos da cintura de , colocando-a em sua bochecha. – Você é um mistério ambulante, . – a garota sorriu, ainda tímida. – Eu sei que algo te machuca, mas não pretendo que me conte até se sentir à vontade para isso. – ele se aproximou um pouco mais, colando a testa dos dois. – A única coisa que eu quero, nesse momento, é que você esteja sentindo o mesmo que eu senti ao te ver nessas vezes.

A distancia que ainda havia entre eles tornou-se nula quando Isco selou seus lábios em um beijo, esse que veio acompanhado de muita curiosidade até que deu espaço para a língua do rapaz, fazendo-os imergir em um beijo mais profundo.
A calma que Isco tinha ao beijá-la; era como se o relógio estivesse parado e eles pudessem ficar ali o quanto quisessem. E isso fez com que borboletas festejassem no estômago de , que acariciava a nuca do rapaz, enquanto pausava o beijo, procurando o ar que faltava em seus pulmões.

- Parece que nosso palpite foi falho. – ele disse e a garota acordou do transe. – 1x0, fim de jogo.

Ele sorriu de lado, e a garota retribuiu. Um silêncio foi instaurado entre eles, que apenas se encaravam, em meio aos sorrisos.

- Acho que já podemos ir. – ela disse.
- Sim. Ainda tenho que ir a Valdebebas. Como nos classificamos para a final da Champions, estamos treinando bastante esses dias. – ele disse, olhando o relógio. – Você vai, né? – a garota olhou com semblante confuso. – Na final.
- Acho que você vai ter que me convencer a ir. – ela sorriu e o rapaz a deu um selinho.
- Acho que isso não será problema.
- Você não existe, Isco Alarcón!

Capítulo 7

Domingo;
Final de Champions League (e seis dias para o casamento de .)

estava morta após 12h horas de plantão intenso no Hospital Pediátrico da Cidade, mas já estava a caminho do Bernabéu para a final. Uma de suas mãos estava no volante, a outra segurando o maior copo de café que ela conseguiu em uma dessas cafeterias da cidade.
Seus olhos já estavam mais abertos e ela já se sentia mais disposta, mas depois da partida ela iria para casa dormir. Isco poderia esperar para comemorar na terça-feira, dia de folga conjunta.

Estacionou seu carro, pegou os ingressos deixados por Isco e foi até a entrada. Dentro do estádio, foi guiada por um dos seguranças ao setor mais próximo do campo que havia ali.
estava se sentindo privilegiada por estar em uma final de Champions, não era sua primeira, já havia acompanhado seu pai em algumas, mas era sempre a mesma emoção.
Usava um casaco do Real Madrid, que ela fez questão de comprar depois que Isco insistiu que ela decidisse para qual time torceria enquanto estivesse na Espanha, uma blusa branca totalmente lisa, uma calça jeans azul e uma bota preta de salto grosso, estilo coturno.

Nos assentos, estava acompanhada de Emma, Pilar e as crianças. Isco Jr não pudera vir, pois estava em viagem com a mãe, o que fazia com que ela fosse a única pessoa “próxima” a Isco o apoiando no estádio. Afinal, ela e o rapaz estavam “se conhecendo” faz um mês, não era nada sério, saiam algumas vezes e só. Não tinham transado, nem dormido juntos – com exceção da vez que ele e o filho passaram a noite em sua casa, mas isso não significava dormir junto, afinal, estavam em quartos separados. -. Tentaram ao máximo esconder que estavam ficando, alguns desconfiavam, como Sergio, Bale, e suas esposas que quase sempre estavam juntos de por conta das consultas. Outros já sabiam, como Vazquez, e Bernardo, que eram melhores amigos de Isco e , respectivamente.

Mas, sentiam-se vitoriosos por conseguirem manter longe dos holofotes algo que eles não sabiam onde iria parar, ou como ia acabar. Por pedido de , eles evitavam lugares muito públicos, tanto que o local mais publico que foram, foi o The Redeemer, no primeiro encontro deles.
queria evitar ficar falada, ou noticiada. Os jornais esportivos sabiam que ela era filha de Guardiola, mas a vida dela não era interessante para que falassem sobre. Só, que sendo vista com Isco, eles teriam motivo.


Os jogadores entraram em campo e se concentrava no jogo, que fluía lindamente, como se os times pintassem uma obra de arte com seus pés.
Logo no primeiro tempo, uma falta cometida dentro de área marcou um pênalti a favor do time merengue. estava receosa, mas Bale bateu na bola com maestria, fazendo-a ir direto para a rede.

- 3x0, vai ser 3x0. – ela dizia para si.

Dez minutos depois, mais um gol se concretiza, dessa vez pelos pés de Luka Modric. O croata correu, o que pelos cálculos de eram quase 50 metros, ficando de cara com o goleiro e colocando a bola no gol.
O primeiro tempo acaba, com uma sensação de alívio, estavam com o jogo em mãos, precisavam apenas manter o ritmo. O intervalo começou e e Pilar ficaram com as crianças para Emma comprar coisas para comerem e beberem.
Assim que ela voltou, os jogadores também voltaram para o campo, e posicionaram-se, foi aí que o arbitro autorizou o início do segundo tempo no Santiago Bernabéu.

O jogo começou a ficar mais duro, a Juventus, time que jogava como adversário do Real Madrid, firmou o contra-ataque. Mas, isso não foi impedimento para que Marcelo roubasse a bola de um dos jogadores do time italiano, dando um passe perfeito para que, nos últimos minutos de jogo, Isco marcasse o terceiro gol do Real.
A torcida foi a loucura, o apito anunciou o final da partida. E mais uma vez Real Madrid era campeão da Champions.
Os jogadores que antes estavam no banco de reservas, corriam para abraçar os titulares.

Todos abraçavam Isco, quando o mesmo pediu licença e foi correndo em direção aos torcedores, fazendo-os gritar mais. Até que viu batendo palma e sorrindo. Ao chegar perto de onde ela estava, subiu em um dos apoios próximos aos seguranças, permitindo-se ficar centímetros de . Não esperou a garota abrir a boca para tentar proferir algo, apenas a puxou para um beijo, que fez não só , mas boa parte do time e da torcida ficarem surpresos.
O beijo tinha um ritmo variado, Isco estava ofegante depois da longa partida e logo afastou seus lábios.

- Eu não sabia como iria fazer isso, mas não vejo momento melhor que esse. – ele deu um selinho demorado na garota, que estava num misto de confusão e ansiedade. – Namora comigo, ! Eu não aguento mais te ter e ninguém poder saber disso. – ele disse e a garota sorriu, desacreditada. – Divida das suas felicidades e dores comigo. Não aguento mais esconder do mundo a mulher incrível que está ao meu lado. – ele sorriu. – Você aceita?
- Você não existe, Isco Alarcón. – ela sorriu largamente e colocou as mãos no rosto do rapaz. – Sim. Mil vezes sim!

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E que prometeu a si mesma voltar para casa e dormir, não cumpriu a promessa.
Quando menos percebeu já estava na casa de Asensio, com todos perguntando sobre seu mais novo relacionamento. Inclusive mensagens de seu pai e sua mãe, querendo saber como isso aconteceu.
A garota estava no sofá, respondendo as mensagens de seus amigos do Brasil, enquanto os rapazes tiravam fotos juntos comemorando mais um título. Até que um Isco já de banho tomado, mas ainda assim com uma blusa do Real – dessa vez uma preta, que costumavam usar nos treinos. – se achegou.

- Por que todo mundo tem uma foto comigo e você não, em moça? – ele sorriu, sentando ao lado da namorada e depositando um selinho em seus lábios.
- Porque sou reservada? – ela perguntou, mas parecia que perguntava mais para si do que para ele, o que o fez rir.
- Vem cá. – ele puxou para um abraço de lado e sacou o celular do bolso, abrindo a câmera do mesmo. A garota apoiou a cabeça em seu ombro e sorriu, assim como ele fez. A primeira foto foi tirada.

Na outra, dava um beijo no rosto de Isco, que sorria com os olhos fechados.
Isco selecionou a primeira foto e postou em seu Instagram.

“O começo de algo novo.”

selecionou a segunda foto para postar no seu.

“Cariño <3”

Bastou apenas isso para que milhares de pessoas começassem a seguir , que preferiu entrar na onda do que surtar. Afinal, não adiantaria se esconder embaixo de um pano para sempre.
Foi até seu perfil, apertou o botão de editar e sem medo mudou seu nome de apresentação.

Guardiola”

Capítulo 8

Os acontecimentos do último domingo fizeram conseguir muito mais pacientes. Estranhamente, os pais gostavam de saber que a filha do ídolo deles era responsável por cuidar da vida de seus pequenos.
atendeu o último paciente da manhã de sábado, deixando Marcine com a chave do consultório e correndo para o carro. Afinal, hoje era o grande dia: o casamento de . Ela ainda precisaria buscar Bernardo e seu pai no aeroporto, e correr para se arrumar.
Pisou no acelerador, alcançando a maior velocidade permitida, chegando no aeroporto de Madrid em apenas alguns minutos.

: “Portão 5, venham rápido.”
Bernardo: “Estamos chegando.”

Assim que guardou o celular em um dos compartimentos do carro, olhou pela janela, vendo seu pai e seu melhor amigo saírem pelo portão do aeroporto.
Abriram as portas, Bernardo no banco dos passageiros, atrás, junto com as malas. Josep, por sua vez, foi no banco do carona. E logo quando entrou, depositou um beijo no rosto da filha.

- Oi, fizeram boa viagem? Espero que sim, vamos porque estou atrasada. – cuspiu as palavras de uma só vez, dando partida no carro.

O caminho de volta foi mais rápido do que ela imaginara. Deixou seu pai e Bernardo no hotel que ficariam. Por mais que oferecesse sua casa, Pep sempre dizia que não queria “atrapalhar sua privacidade”. Coisa que ele enfatizou, principalmente, por ela estar namorando Isco agora.
Bernardo, por sua vez sempre fora preguiçoso. Então, preferiu ficar em um hotel, porque não dava moleza, e todos tinham que ajudar com as coisas de casa.
Assim que saíram, correu para o salão onde estava tendo seu “dia de noiva”, para acompanha-la e, também, se arrumar.

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usava um vestido na cor salmão; ele tinha um decote até o inicio do umbigo e uma pequena fenda na perna direita. Usava um salto bege envernizado. Seu cabelo estava preso apenas de um lado, deixando pequenas ondulações em seu ombro direito. Usava joias de prata e uma maquiagem com olhos bem delineados em tons pastéis, contrastando com a boca, que usava apenas um gloss.

Não teve tempo de ver totalmente arrumada, pois já tinha que estar na catedral onde seria a cerimônia.
Ao chegar lá, os convidados já estavam sentados em seus devidos lugares. Recebeu um aviso de que estava a caminho, e deu um “ok” para que a cerimonialista desse início.

Primeiro, entrou Tom, com seu terno preto e gravata borboleta, ao lado de sua mãe.
Atrás deles, o pai de Tom e Erika, mãe de . Posicionaram-se em seus locais e a mulher com a qual tinha falado mais cedo, avisou que era a hora dos padrinhos.
encarou Bernardo por alguns segundos, olhando para sua gravata, que combinava com o vestido dela, ajeitou a mesma e sorriu.
O garoto esticou o braço para que se juntasse a ele naquele momento especial.

- Vem, vamos casar a nossa melhor amiga. – ele disse, e a cerimonialista deu o sinal para a entrada do casal de padrinhos.

percebeu os olhares sobre eles, mas o único olhar que a interessava era o de Isco, que estava na terceira fileira ao lado de Asensio, que obrigou a convidar para que Isco não se sentisse sozinho durante a cerimônia.
O rapaz usava um terno azul escuro, com uma gravata preta, sua barba estava cerrada, o cabelo bem penteado – e com um pouco de gel. -, e um sorriso lindo no rosto.
sorriu involuntariamente.
Ela e Bernardo se puseram em seus locais, avistando a entrada das alianças, trazidas pela irmã mais nova de Tom.
E então, depois de um minuto de espera, começaram a marcha nupcial. Todos da igreja levantaram-se para entrada da Noiva.

estava linda. O vestido no estilo sereia marcava cada detalhe de sua silhueta, as poucas pedras que haviam nele realçavam o branco de sua cor. Seus cabelos presos em uma trança lateral, com pequenas flores, em seus pés um salto branco, não tão extravagante. Aquela era ; nada que chamasse atenção, nada que pudesse atrapalha-la a se movimentar ou dançar depois. A simplicidade da ruiva encantava a todos.

Ao seu lado, o pai de ; Pep Guardiola, a acompanhava. O pai de faleceu em um acidente de trabalho, quando ela tinha apenas 8 anos, fazendo com que ela adotasse o pai de sua melhor amiga como o seu.
achou incrível o pai ter aceitado aquilo, ela sabia o quanto de carinho sentia por Pep, e o quanto ela era grata por ele sempre ter a ajudado quando precisou. Como se realmente fosse sua filha.
Uma lágrima solitária escorreu pela bochecha da madrinha.

- Ela está tão linda. – virou-se para Bernardo, dizendo.
- Sim. Morro de orgulho dessa garota. – ele sorriu e segurou pelo braço.

Pep entregou à Tom, dando prosseguimento ao casamento.

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Estavam a caminho do jantar, seguido por festa, após o casamento. ainda não tivera a oportunidade de falar pessoalmente com Isco, os compromissos de madrinha a impediam. Apenas algumas mensagens eram trocadas, mas a garota queria mesmo era poder sentir o perfume dele e beija-lo como se o mundo terminasse agora.
O local do jantar estava todo coberto pelas flores de cor rosa escolhidas pelo trio de amigos. Luzes quentes faziam do local ainda mais aconchegantes.
recebeu o microfone da cerimonialista; entendendo que aquela era a hora de fazer o discurso.

- Peço a atenção de todos nesse momento. – a garota disse ao microfone, enquanto se levantava. – Eu quero dar uma palavrinha sobre o casal. – ela sorriu.

Flashes eram disparados de vários locais, e não sabia exatamente de onde vinham.

- e Thomas, ou simplesmente Tom para os íntimos, são o casal mais improvável que já vi. – ela riu. – Pelo menos, conhecendo como eu conheço, sei que ela não é nem um pouco fácil de lidar. Então um brinde a Tom por isso. – ela levantou a taça de vinho, em tom de brincadeira. – Brincadeiras a parte, me lembro até hoje do dia que estávamos na varanda da fazenda de sua família. – olhou para , que tentava conter as lágrimas. – Eu tinha aproximadamente 8 anos e você por volta dos 10. – mantinha o foco no olhar da amiga. – E você me dizia que seu maior sonho era conhecer o amor de sua vida. Não me esqueço disso, nunca esquecerei. Porque você olhava para o céu dizendo que seu amor estava fora do Brasil, que você seria destinada a ele. Assim como seus pais foram destinados um ao outro. – engoliu seco ao citar o pai de . – O amor deles pra você era exemplo, e mesmo fisicamente separados por uma fatalidade, você sabia que esse sentimento não tinha acabado. E era esse tipo de amor que você dizia querer, aquele pra toda vida, e para além dela. – deu um gole no copo d’água que estava ao seu lado. – Quando veio para Madrid, eu sabia que era aqui que encontraria a pessoa da qual tanto falava. Então, quando cheguei aqui para dividir apartamento com você, eu já era bombardeada de informações sobre o ‘loirinho da aula de Cálculo’, e eu sempre soube que esse loirinho era o cara para você. Tanto que não foram nem quatro meses para você me deixar sozinha naquele apartamento. – ela encarou fingindo estar chateada. – Sério, você vai ter que se redimir por isso. – riu. – Vi o amor de vocês nascer, crescer, e agora se concretizar. Eu sou a pessoa mais feliz do mundo por ver que seu maior sonho se realizou. – encarou , que já chorava. – Estou orgulhosa da mulher que se tornou. – desviou o olhar para o noivo. – E Tom; cuide bem dessa joia que está ao seu lado. – disse em tom de falsa ameaça. – Agora sim, peço para que brindemos aos noivos. – todos levantaram suas taças. – Que a felicidade e o amor possam sempre permanecer ao redor de vocês.

Movimentou a taça no ar, e bebeu o líquido que havia nela.Foi até o casal para um abraço apertado. E logo que foi liberada dali o que ela fez foi procurar Isco pelo grande salão.
O viu sentado mexendo em seu celular, ao lado de Asensio, numa distração absurda e quando Marco viu a garota, logo se levantou para fazer algo mais conveniente que atrapalhar o casal. Puxou a cadeira ao lado de Alarcón, e aproximou seus lábios de sua orelha.

- Agora sou só sua. – ela sussurrou, fazendo Isco levantar seus olhos em sua direção.

O garoto lisou cada parte do corpo de , o colo e a perna descobertos o faziam querer ter contato com a pele da garota. Seu pescoço ali, totalmente vulnerável, de um dos lados, apenas esperando para que ele o enchesse de beijos.

- Você não pode falar uma coisa dessas num local público, . – ele disse fingindo seriedade. – Não me responsabilizo se eu te agarrar agora.
A garota riu do comentário do rapaz.
- Sabe, Isco... – ela se ajeitou na cadeira. – Eu sempre sonhei com isso. – ela observava a sua volta.
- Com um casamento? – ele perguntou.
- Sim. – ela olhou para o rapaz. – Não quero te assustar, por favor. – ela riu, sem graça.
- Não me assusta, . fico feliz de estar se abrindo comigo. Continue...
- Ah, não sei. – ela riu fraco. – Namorei por anos com alguém que simplesmente me abandonou no meio de um momento muito delicado. – seus olhos encontraram o chão rapidamente. – E eu sonhava com isso. Sonhava em casar, ter minha família. Mas, depois que ele foi embora, eu esfriei, e até jurei que não me apaixonaria de novo. – ela ria, enquanto mexia nos seus próprios dedos. – Mas aí, você me aparece no último mês e revira minha mente. Me beija na frente de milhares de pessoas em uma final de Champions League, e principalmente, me faz voltar a ter esses sonhos. – ela olhou para Isco, e seus olhos brilhavam. – Quem é você, Isco Alarcón. E como você conseguiu isso?
- Quem sabe eu não seja o mesmo que o pai de era para Erika, ou o mesmo que Tom é para . – ele deu de ombros, e segurou o queixo da garota com delicadeza. – Nós vamos descobrir.

Ele depositou um beijo calmo nos lábios da garota, que retribuiu da melhor forma.
As mãos de Isco passeavam pela fenda do vestido de , acariciando sua perna.
Saíram do beijo e se encararam por alguns segundos, até a garota interromper o silêncio.

- Estou morta. Vamos para minha casa!

Capítulo 9

Assim que passaram pela porta de entrada da casa de , Isco – sem pensar duas vezes – puxou a garota para um beijo. Esse, que era diferente de todos os outros que tiveram, tinha desejo, era carnal.
envolvia o pescoço do namorado, enquanto o rapaz desenhava sua silhueta com as mãos, explorando cada parte ainda não conhecida do corpo da garota. O corpo que ele tanto desejava ter naquele momento.
O beijo aumentou, e um pouco atrapalhados, chegaram ao sofá, onde Isco deitou a moça, ainda a beijando. Uma mão estava em sua cintura, e a outra em seu rosto.

- Você está linda. – ele sorriu e a garota mordeu o lábio inferior em resposta.

Mas eles não estavam ali para conversar, e ela sabia disso. Puxou Isco para perto novamente, havia curiosidade no beijo de e ele podia sentir.
A mão que estava em sua cintura, agora descia calmamente para a fenda do vestido, lugar que já tinha sido explorado por ele antes. Mas agora, com muito mais intimidade.
tinha as mãos em baixo da camisa de Isco, alisando levemente suas costas com as unhas.
Ao apertar a coxa da garota, o movimento de resposta foi seu corpo esticar levemente, e sua cabeça ir para trás. Foi quando os beijos mudaram de direção, e da boca de , passaram para seu pescoço.
O tempo estava frio lá fora, eles sabiam, mas ali na sala da casa de , parecia estar pegando fogo.

- Vamos subir. – a garota disse ofegante, em meio aos beijos de Isco em seu pescoço.

O atleta saiu de cima da garota, mas não os deixou distantes por muito tempo. Em um só movimento a pegou em seu colo, automaticamente fazendo envolver as pernas em sua cintura. Subia a escada com a garota no colo, enquanto aproveitava a mão próxima a sua bunda para acaricia-la. No segundo andar, a rapidez para abrir a porta do quarto era incrível. Sem desgrudar do beijo, tateou a parede para acender a luz mais fraca de seu quarto. Não queria tudo aceso, mas queria vê-lo, queria saber que era ele ali.
Deitou a garota na grande cama.
Sem pressa, abaixou uma das alças do vestido, deixando parte de seu busto a mostra. E diferente da garota, o rapaz tomou-o por beijos rapidamente. Ela estava provocando-o, e gostava de fazer isso.
Abaixou a outra alça, se movimentando um pouco para retirar completamente o seu vestido, revelando seu corpo totalmente desnudo.

- Você vai me deixar louco, . – ele disse encarando a mulher que estava a sua frente.
- Vou te contar um segredo. – ela aproximou seus lábios da orelha de Isco. Fazendo-o sentir cada parte de seu corpo arrepiar. – Esse é o objetivo.

Com apenas um movimento ficou por cima de Isco, anunciando assim, que agora a brincadeira poderia começar.

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Um feixe de luz passava pela janela, o que fez se arrepender de não fechar a cortina na noite anterior. Ah, a noite anterior...
A garota virou para sua direita, vendo o namorado dormir como um anjo. Ainda era estranho para ela assumir que Isco Alarcón era seu namorado, quem dirá acreditar que haviam transado na noite anterior.
O garoto pareceu sentir os olhares de sobre ele, mexendo-se na cama, ficando frente a .

- Bom dia, cariño. – ele disse, sorrindo fraco, com os olhos semicerrados. E , por um momento jurou que aquela era a visão mais bonita que já tivera na vida.
- Bom dia. – ela sorriu, um pouco mais acordada que ele. – Vamos sair para tomar café? Não estou com forças para preparar algo. – ela riu.
- Então quer dizer que eu te deixei fraca, uh? – ele ria se gabando.
- Levanta e vai tomar um banho. – ela bateu nele com um dos vários travesseiros que havia na cama. – Vou tomar no outro banheiro para que a gente não se distraia. – riu fraco, depositando um beijo no canto dos lábios de Isco. – Te espero lá em baixo.

A garota levantou da cama, completamente nua, e andou em direção a porta, fazendo Isco acompanhar todo o percurso com o olhar, sorrindo.
Depois que ambos tomaram banho, esperava o rapaz colocar uma blusa para irem a cafeteria mais próxima dali.

- Devo te agradecer pela noite? – ela riu marota, se deslocando até o lado de Isco, que riu da menina.
- Por que agradecer? – virou-se em direção a garota, a puxando para ele. – Se teremos muitas como essa... Ou até melhores. – disse a última parte de sua fala próximo ao ouvido de , que sentiu sua espinha arrepiando.
- Acho que temos que tomar café! – ela disse arfando. – Precisamos. - O garoto riu enquanto assentia.

Estar ao lado de era algo novo. Aquele sentimento era único e ele gostava disso.

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A mãe de sempre foi presente em sua vida, tanto em brigas, quanto em conselhos. Alguns desses que a garota fingia não ouvir e simplesmente acabava tendo que ‘pagar o pato’ depois.
Tal como quando tinha 5 anos e Samantha avisou que ela não deveria descer as escadas correndo. A garota, com toda sua desobediência, se viu em um hospital tendo seu tornozelo engessado horas mais tarde. O que a mãe da garota diria sobre tudo que tem acontecido em sua vida desde então?
A caminho do consultório, a garota observava o céu límpido de Madrid a agraciando com o início de mais uma semana.
Tudo ocorrera tão bem até ali. Seu relacionamento com Isco estava ótimo, sua carreira estava intacta e cada vez evoluindo mais. Porém, ela sentia-se tão distante de sua família, era o segundo ano seguido que não via sua mãe, ou seu irmão mais velho por parte dela. Seu pai era muito mais presente fisicamente, afinal, estava a poucos quilômetros de . Já Samantha estava do outro lado do mundo, e a garota não se contentava em apenas vê-la por FaceTime. Pensou por um momento que já estava na hora de planejar uma viagem ao Brasil.
Marcine, que sempre chegava mais cedo para abrir o consultório, já havia deixado as fichas enumeradas para agilizar o atendimento da médica que acabara de chegar.

- Bom dia. – a loira disse sorrindo. – Em ordem de urgência. – entregou o bolo de papéis na mão da menina.
- Obrigada, Mar. – ela sorriu.

Entrou em sua sala, vestindo seu jaleco de forma rápida, sentou-se a sua mesa, ligando seu MacBook para começar os atendimentos.
Sentiu o celular vibrando.

- Não consegue viver sem mim nem em lua de mel, ? – A garota riu, ao atender uma chamada de vídeo da amiga que estava em Roma com Tom.
- Você sabe que não, . – levou a mão ao peito, fazendo uma feição afetada, o riso das duas foi instantâneo.
- O que deseja de mim? – a garota disse. – Seja rápida, pois estou trabalhando.
- Eu vi. Aliás, você fica uma gata de jaleco. Isco é um cara de sorte, em? – a única reação de com o comentário foi uma revirada de olhos seguido de uma língua para a amiga. – Seguinte; eu leio seus pensamentos. mudou para um tom mais sério. – E sei que está com saudades da família. fez uma cara de assustada. – Percebi isso pelo jeito que olhava para a minha, no dia do casamento. – Ela gesticulava usando as mãos. – Por isso, estou te dando outro presente de aniversário, com dois meses de atraso por sinal; vamos para o Brasil daqui duas semanas. É isto! Bom dia. Arrume as malas.

desligou deixando a amiga sem mais respostas.
mexeu a cabeça algumas vezes para assimilar a notícia. Precisava falar com a mãe, o irmão e com Isco, ela ficaria um tempo sem vê-lo.
Deixou para pensar em tudo depois de atender os pacientes daquela manhã e avisar rapidamente a Marcine que ficaria uns dias fora.

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Bernardo e comiam fondue na sala de , enquanto a garota tomava uma taça de vinho.
Os amigos discutiam sobre as roupas que levariam para viagem. havia esquecido de citar, na ligação das últimas semanas, que Silva também iria.

- Eu acho incrível que vocês atualmente planejam as coisa sem mim, e ainda por cima, me incluem sem ao menos perguntar se eu quero. – a médica bebericou o vinho, enquanto encarava a tela do celular, perdida em alguns Stories sem som eminente, no seu Instagram.
- , é o Brasil. – Bernardo disse em meio algumas mastigadas. – Seu berço. Obviamente você aceitaria ir. – ele disse, soando óbvio. – Não estamos te levando para o Cazaquistão, e sim para ver sua família. – ele riu quando a garota o olhou de soslaio. – Pare de ser implicante.
- Ah, vocês são chatos viu? – não conseguiu manter-se séria, caindo em uma risada alta.
- Francamente, não sei como o Alarcón te aguenta. – o amigo disse.
- É amor, Bê, é o amor. – deu duas batidinhas no ombro do amigo, fazendo-o rir.

Desde que conheceu Bernardo e o apresentou à , os três não se desgrudam, e o fato de Silva estar em Manchester nunca foi um problema para eles.
Mas, momentos como esses, apenas os três, sem muitas preocupações, comendo e falando besteiras, eram raros. Por isso, sempre que terminava o período de campeonatos na Europa, eles faziam questão de se encontrar para ter um ‘tempo de qualidade’, como fora batizado por .
sentia falta da casa cheia.
Todos dormiam, as malas estavam arrumadas e encostadas em uma das paredes do quarto de , em qual parede, para ser exata, ela não sabia. Talvez tivesse tomado muito vinho essa noite.
Seu telefone vibrava em algum canto da cama, mas ela não conseguia encontrar. Começou a tatear o colchão numa tentativa falha de alcançar o aparelho. Deu-se por vencida quando a pessoa que ligava desistiu e o telefone parou de zumbir.
Encostou a cabeça no travesseiro, sentia o mundo girando lentamente a sua volta. E todas as vezes que ela parava por alguns segundos, seus pensamentos a remetiam aos olhos castanhos de Isco na primeira vez que se esbarraram, no túnel do Bernabeu. Foi aí que se deu conta de que ficaria quase três semanas longe do motivo dos seus melhores sorrisos e suspiros. Tateando a cama novamente, sentiu seu celular por baixo dos lençóis. O agarrou com rapidez, observando que a chamada perdida era dele.
Com apenas um toque, retornou. Ela precisava ouvir sua voz.

- Oi, ,cariño. – ele disse, e sabia que um sorriso se formava em seu rosto.
- Oi. – respondeu num tom animado.
- Preparada para viajar? – sua voz era sonolenta.
- Sim. – ela disse. – Mas não estou preparada para ficar semanas sem você. – completou rapidamente.
- Estarei indo para Málaga essa semana também, . – a garota sentiu um peso sair de seus ombros, não queria que Isco passasse parte de suas férias sozinho enquanto ela estivesse no Brasil. – Aproveitei essas suas semanas com a família, para visitar a minha também. Isco Jr está com a mãe nessas férias, então não terei muitas companhias até você voltar. – ele riu.
- Visite-os mesmo, cariño. – a garota sorriu verdadeiramente. – Mas, da próxima, me leve para conhece-los também.
- Tudo que a senhorita quiser, Guardiola. – ele sorria, ela sabia disso. Ele sorria toda vez que pronunciava seu nome.
- Tchau, Francisco Alarcón. – disse, em meio a sorrisos.
- Estarei amanhã no aeroporto.

Capítulo 10

Bernardo fez questão de acordar todos que estavam hospedados na casa com batidas nas portas dos quartos. desejou mata-lo por alguns segundos, mas ela sabia que ele estava fazendo isso para que todos começassem a se organizar para a viagem.
A garota rolou na cama por alguns segundos até sentir coragem de levantar e descer com suas malas. Ela implorava por alguns minutos de sono a mais.
Desceu as escadas carregando o peso das bagagens, e sentia o calor de Madrid tomar conta de si. Porque mesmo depois de um banho revigorante, ela suava.
Viu que , Tom e Bernardo estavam apenas a sua espera.

- Se você atrasasse mais dois minutos eu ia visitar sua mãe sem você. – Silva disse enquanto tentava manter o semblante sério.

riu da feição do amigo, que tinha uma mão repousada na cintura, e a outra segurando uma de suas malas.

- Vamos logo. – disse levantando do sofá, enquanto comia uma maça. – Vocês cansam minha beleza.

Guardiola apenas soltou uma risada e maneou a cabeça, em concordância.
Depois de trancarem toda a casa, decidiram por chamar um automóvel em um desses aplicativos de táxi. Afinal, seria mais barato do que deixar seus próprios carros no estacionamento do aeroporto.
A paisagem nunca era cansativa para a garota, que estava com a cabeça encostada no vidro, enquanto a voz de algum cantor pop ecoava na rádio. Rapidamente estavam no aeroporto.
Faltavam apenas uma hora para saída do voo, correram para realizarem os check-ins, coisa que disse que poderiam ter feito pelo celular, mas ninguém a deu ouvidos, e depois despachar as malas.
estava sentada ao lado de Tom, enquanto discutiam sobre algum documentário que o garoto assistiu na noite passada. A menina ria dos comentários do “cunhado” sobre a película, às vezes, Tom sentia-se um verdadeiro critico de cinema, o apoiava no hobbie, mas reprimia. Para um crítico, ele era um ótimo Arquiteto.
As bochechas da menina doíam por conta das muitas risadas, ela pedia mentalmente para livrarem ela daquela situação, se não, a mesma morreria de tanto rir.

- Check-ins feitos, da próxima vez me escutem e façam antes. – uma um tanto enfurecida apareceu em frente ao marido e a amiga.
- Cadê o Bernardo? – perguntou.
- Foi comprar comida para que nós não passemos fome até sairmos. – a ruiva disse com exagero, arrancado mais risos da amiga e, também, de Tom.

Depois de alguns minutos sentada naquela cadeira, achou que fosse ficar com a bunda quadrada. Mas, foi salva por um Português com vários McDonald’s em mãos.

- E mais uma vez, Bernardo Silva nos salva. – Tom disse, brincalhão.
- E eu trouxe outra coisa também. – disse, tentando manter mistério em sua voz e deu um sorriso malicioso.

não entendeu o que o amigo queria dizer, até sentir uma mão tocando em seu ombro direito. Aquele toque que, por mais que recente, era como um velho conhecido. Por um momento sentiu o tempo parar, apenas para apreciar as mãos de Isco em si.
Virou-se de maneira lenta, mas ansiosa, ela precisava ter aqueles olhos por mais alguns minutos antes de passar umas semanas longe.
Eram eles, como ela se lembrava, desde a primeira vez que o viu. As grandes esferas castanhas do jogador a encaravam com carinho.
correu ao redor da cadeira, se jogando para um abraço.
Isco que tinha uma mão na cintura da menina, levou a outra para seu rosto, fazendo seus lábios se encontrarem com pressa. Com a urgência encontrada no beijo, parecia que estavam anos sem se encontrar. O espanhol pressionava seu corpo contra o da garota.
Definitivamente, naquele momento só havia os dois e mais ninguém.

- Oi. – ele disse em tom baixo, em meio a um sorriso, assim que separou o beijo.
- Oi. – a garota sorria fortemente. – Pensei que não viria.
- Acha mesmo que ficaria em paz comigo, sabendo que você está do outro lado do mundo e eu nem te dei um beijo de boa viagem? – ele ergueu uma das sobrancelhas.
- Prepotente. – a garota gargalhou e depositou um selinho no lábio do namorado.
- E você gosta. – ele deu uma piscadinha.

“Voo 1080 com destino ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Por favor, dirijam-se a sala de embarque.”

encarou Isco por um momento, desejando poder parar o tempo para ficar um pouco mais dentro de seu abraço. Ele acariciou as costas da garota, que sorria, terna.
Um beijo longo foi instalado em sua mão, assim que o jogador partiu o abraço. Isco olhava a namorada, com a intenção de guardar aquele momento para sempre em sua memória, o que não seria difícil, já que o sorriso de era figurinha repetida em seus pensamentos.

- Odeio ser estraga prazeres, mas o Rio nos espera! – disse, extremamente animada. – Não acredito que, finalmente, vou pegar uma cor. – fingiu um choro de emoção, que arrancou risada de todos os amigos.

Os três se afastaram, deixando o casal para trás.

- Fica bem, ok? – ele disse. – Aproveite o Brasil, e mande um beijo para sua mãe. - A garota concordou, com um sorriso sincero. Queria ficar, mas precisava ir.
- Eu te aviso quando chegar. – ela disse, recebendo um sorriso.
- Boa viagem. – ele deu o ultimo beijo em , antes que avisassem novamente sobre o voo.
- Preciso ir. – pegou as bagagens de mão, que não haviam sido despachadas, e correu em direção a Bernardo, e Tom, que a esperavam no salão de embarque.
- Graças a Deus, achei que ia precisar ir até lá para acabar com a novela. – Bernardo falava, enquanto tomava um milk-shake. – Vocês são nojentos.

gargalhou, fazendo com que os amigos não entendessem o que ela estava querendo expressar.

- Bê, é por isso que você é solteiro! – depois que explicado o motivo das risadas, todos a acompanharam, inclusive o próprio Silva.

“Voo 1080, com destino ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Embarque Imediato!”

E lá estavam eles, os quatro melhores amigos em seu caminho para o Brasil.

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- Eu achei que a Espanha era quente, mas eu estava visivelmente enganado. – Bernardo largava sua mala no chão da casa, que antes era de .

O voo tinha sido tranquilo, com uma pequena parada em Recife para a troca de avião. Em todo o trajeto, assistia filmes que não sabia se realmente a interessavam, ou se o tédio que a consumia, os tornavam melhores. Silva roncava ao seu lado, só acordou com o aviso de Jantar dado pelas aeromoças. Se não fosse atleta, iria ser obeso, isso era o que sempre dizia.
, por outro lado, conseguiu se manter apagada durante toda a viagem, nem mesmo as inúmeras vezes que Tom levantou para ir ao banheiro a acordaram. Assim que o avião pousou no Rio, a mãe de , Samantha já esperava por eles, em seu carro.
As malas foram jogadas no bagageiro do automóvel, que logo estava em frente à residência dos . Que era exatamente onde Bernardo estava ao reclamar do clima.

- Silva, você consegue passar dois segundos sem reclamar de alguma coisa? – falou, extremamente confortável por poder usar sua língua materna com o amigo português. – Bota uma sunguinha e vai a praia, larga de ser chato. - O garoto apenas mostrou o dedo médio para a amiga, que deu língua em resposta.
- Vocês exalam maturidade. – disse. – Venham, vamos nos instalar nos quartos. Mamãe está fazendo o jantar.

A garota foi seguida pelos amigos. , que já conhecia a casa como a palma de sua mão, sabia em qual quarto ficaria. Entrou na porta a direita do corredor, jogando suas malas de qualquer forma, apenas para marcar o território que seria dela e do marido nas próximas semanas.
O quarto ao lado desse, foi cedido a Bernardo. Esse costumava ser um escritório, mas era tão grande que Samantha decidiu passar o escritório para o térreo, onde era o quarto de Matheus, irmão mais velho de , e fazer outro dormitório na casa. Mas depois que o filho se mudou, nunca esperou que fosse ser usado, por isso o quarto aparentava e cheirava a novo.
ficou com seu antigo quarto, que não mudou nada. Seus pôsteres continuavam no mesmo lugar, seus livros e DVDs também. Sorriu ao ver uma grande foto de sua família ao lado da cabeceira. Nessa, a garota estava entre Samantha e Pep, que sorriam largamente, no zoológico de Barcelona. Lugar onde o Guardiola morava na época.
Ela parecia, por um momento, ter voltado para 2006 quando viu as fotos da copa do mundo espalhadas pelo quadro metálico pendurado na parede branca. Aquela tinha sido a primeira viagem das amigas juntas. jura que se ela não tivesse 12 e , 14, a Alemanha teria ficado pequena para as duas. Um riso fraco saiu da garota, ao lembrar das histórias.

- Lembro que a gente fugiu de seu pai no meio de um jogo do Brasil, só porque você queria uma foto com o mascote da copa. – estava apoiada na porta do quarto, quando se virou, um pouco assustada com a aparição repentina. – Foi muito engraçado ver Pep Guardiola desesperado pois havia “perdido sua filha da Alemanha”. - ria genuinamente ao lembrar da cena.
- Vamos, passarinha, o jantar está na mesa. – sorriu, indicando que estava descendo. – Mas antes, tome um banho e avise a um certo espanhol que você já chegou. Ele deve estar preocupado.

A amiga de saiu de cena, dando espaço para que mandasse uma mensagem para Isco, que pelos seus cálculos de fuso, deveria estar treinando. E logo em seguida, ir tomar um banho. Aquelas semanas no Brasil a fariam bem.

Capítulo 11

Eram oito da manhã e a única coisa que queria era ir à praia, por isso fez questão de mandar todos estarem de pé a esta hora. O que para fora um sacrifício, porque a única coisa que desejava nas férias era dormir até começar a sentir dor nas costas por conta do colchão.
Mas, como nada são flores e seus amigos são insistentes, ela se levantou as sete, para conseguir se arrumar e comer algo antes de saírem. Usava um biquíni preto, um short jeans e chinelos. A praia não era tão distante da casa de Samantha e em menos de dez minutos estariam lá, indo a pé. Tom e Bernardo estavam animados, pois por mais que existam praias em seus países, não há nada que se compare as praias brasileiras.

- Vamos logo, pois quanto mais tempo eu ficar no sol, mais morena chegarei em Madrid. – dizia totalmente animada, enquanto colocava seus óculos escuros. – Vamos pa’ la playa. – cantarolou, arrancando risada dos amigos.

Escolheram andar, para que Silva e Thomas conhecessem mais do bairro onde estavam hospedados. O espanhol queria tirar foto com tudo que via pela frente, inclusive estranhos que passavam por ele; um verdadeiro turista. Já o português, era quem, normalmente, era parado para fotos, todas as vezes por fãs de futebol que o reconheceram.

- Não sei se vou aguentar ficar cercada de gente famosa. – debochou, fazendo Bernardo rir.
- Você me ama, . – o garoto deu de ombros. – Não conseguiria viver sem mim.
- Touché, meu amigo. – ela piscou.

O trajeto foi tão rápido, que assim que tirou seus olhos do chão, viu o grande horizonte tocando o mar. Finalmente haviam chegado.
Sentiu a brisa tocar seu rosto, e o cheiro de maresia penetrar suas narinas. Era tão bom estar em casa, mas não parava de pensar em como Isco estava em Málaga, com a família. Sentia vontade de ligar para ele a todo segundo, mas não queria parecer desesperada para ouvir sua voz – por mais que estivesse.
Esticou a canga no chão, e deitou-se ao lado de , enquanto os garotos iam para o mar, feito duas crianças.
Quase dormia sob o sol, quando sentiu uma sombra fixa parar sobre ela, cobrindo-a de todos os raios solares que tocavam em sua pele. Abriu os olhos com um pouco de dificuldade, para adaptar-se a claridade.

- Não acredito! – exclamou, quase em um grito. Levantou-se em um pulo para abraçar o rapaz que estava ali. – Matheus, que saudade. Como sabia que eu estaria aqui? – não tirou os braços do irmão.
- Ah, bobinha. – ele olhou para a garota, segurando em seus ombros. – Perguntei a mamãe. – uma piscadinha foi direcionada a irmã.

, que cochilava, percebeu o furdunço e abaixou os óculos para ver quem conversava com a amiga. Revirou os olhos ao ver que era a pessoa, que em sua infância, ela mais odiava.

- Ah, é você. – disse com peso na voz.
- Não acredito que ainda me odeia, . – ele riu, incrédulo. – Somos adultos bem resolvidos, venha aqui. – ele estendeu a mão para garota, que mesmo relutante, cedeu. – Passado é passado, espero que possamos ser amigos dessa vez. – ele sorriu, e ela deu de ombros. – Aliás, parabéns pelo casamento.
- Obrigada. – se deitou novamente, dessa vez virando de costas para o sol.

ria da cena, enquanto lembrava de momentos de ódio entre e Matheus. No colégio, eles eram da mesma turma, mas nunca conseguiu gostar do outro . Ela não tinha motivos, mas sempre jurou que era uma paixão reprimida por parte dos dois, que olhando atualmente, a garota agradecia por não ter acontecido, pois nunca dariam certo juntos. São muito diferentes um do outro.
O sol já se punha sobre o mar, as pessoas iam se deslocando até seus carros, e tudo pelo qual suplicava, era um prato grande de comida. Chamou por , que conseguiu dormir a tarde toda, apenas acordando para comer uns petiscos que compraram na hora do almoço. Mas a garota grunhiu em resposta ao toque de em seu braço, se mexendo um pouco e logo se acomodando novamente. Bernardo e Tom, que já estavam ao lado das garotas, arrumavam as coisas dentro das bolsas que levaram. Pela falta de paciência, desistiu de acordar e passou a tarefa para seu marido, que conseguiu com perfeição.
A preguiça era tanta que chamaram um Uber para voltarem até a casa. E assim que chegaram, agradeceu mentalmente, pois logo sentiu o cheiro forte de tempero saindo da cozinha. Correu tão rápido em direção ao banho, que nem viu que seu irmão estava no sofá, os esperando para o jantar. Matheus tinha ido embora da praia mais cedo, para resolver umas pendencias, que pelo visto conseguiu.
Quando saiu do banheiro, viu que seu celular apitava, notificando-a de que alguma mensagem chegou. Correu até a cama, pegando o aparelho. Quando viu o nome dele brilhar na tela, seu coração acelerou.

Isco: “Assim que voltar do Brasil, prepare as malas para Londres. Fomos convidados para o FIFA The Best. 😊”
: “Sério? OMG, estou me segurando para não surtar. Vou pesquisar os indicados.”
Isco: “Infelizmente esse ano fui só convidado mesmo. Jajaja. Mas, seu pai foi indicado!”
: “Ah, cariño, você em breve será. Tenho certeza!”

Antes de bloquear o celular, encaminhou uma mensagem a Marcine, para avisar que estenderia as férias por mais uns dias, e outra a seu pai, o parabenizando pela indicação, e pedindo para que ele a esperasse na Inglaterra. Depois de dar os recados, jogou o celular em sua cama novamente, e desceu para o jantar.

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Voo 297, Rio x Madrid

- , troca de assento comigo. A fica acordada o voo todo, e por algum poder divino, você dorme até se alguém ligar uma britadeira no seu ouvido. – Silva praticamente suplicava enquanto subiam as escadas do avião.
- Pelo amor de Deus, Bernardo. Você deve ter sido enviado a terra com o único propósito de me irritar. Só pode. – dizia, fingindo irritação, mas , que estava a sua frente, conseguiu ver que a garota prendia um riso. – Ok, eu troco. – ela se deu por vencida, e Silva sorriu vitorioso. – Mas, cuide do meu marido durante o voo. Ou eu quebro suas pernas e você nunca mais jogará futebol na vida. – lançou um olhar matador para o amigo, que logo entendeu o recado.

A aeromoça dava as instruções devidamente ensaiadas, e pela primeira vez, sentiu sono. Esse que logo passou, assim que o avião começou a andar pela pista, preparando-se para decolagem.
Ela desejava ter ficado por mais tempo no Brasil, duas semanas não foram o suficiente para matar toda saudade. Mas, pelo menos conseguiu dar um abraço em quem queria, e aproveitar um pouco de seu país depois de tanto tempo.
dormia profundamente, e olhava para a amiga, tentando entender de onde a mesma conseguia tirar tanto sono. Talvez passasse uns exames para checar se não estava com algum tipo de anemia; ninguém dorme tanto assim.
Seu pescoço era envolvido por um daqueles travesseiros próprios para viagem, mas, mesmo assim ela o sentia doer. Por algum motivo, não se sentia confortável em aviões, tudo bem que em classe econômica, ninguém se sente, mas, de toda forma, ela não gostava. E só de pensar que pousando em Madrid, ela teria que deixar suas malas com e já partir para Londres, afinal o The Best aconteceria em dois dias.
Encostou a cabeça no assento, observando as nuvens pela janela, nunca imaginou que sua agenda seria tão corrida como está sendo. Porém, ela não reclamava. Afinal, a semana passava mais rápido, e as companhias eram sempre boas.
Por ironia do destino, conseguiu dormir por pelo menos meia hora, até sentir o impacto do avião ao pousar. Não precisou acordar a amiga, já que a mesma também fora acordada pelo pouso.
Saíram da aeronave, dirigindo-se a esteira para pegarem suas malas e partirem para casa. Todos, menos e Bernardo, que seguiriam seu caminho direto para Inglaterra.

- Por favor, deixe minha mala maior lá em casa. A pequena eu vou levar, já que ficarei apenas dois dias por lá. – disse para , que assentiu e lhe deu um beijo no rosto.
- Boa viagem para vocês. – ela disse. – Mas se o avião cair, eu espero que não achem seu corpo, Bernardo. – virou para o garoto, que fingiu indignação. – Brincadeira, amo vocês. – puxou os dois para um abraço em grupo, que foi registrado em uma foto pelo quarto integrante que ali estava.
- Ei, me manda isso. – apontou para Tom, e logo ele fez. – Até daqui uns dias, casal.
- Mande um beijo para Alarcón e seu pai. – ela disse, e Guardiola sorriu, maneando a cabeça em concordância.

Viu os amigos virarem-se e irem embora, sentou ao lado de Silva, apenas aguardando a chamada do próximo voo. Sentiu o celular vibrar no bolso da calça, a foto que Tom tirou acabou de ser enviada para , que sem pensar duas vezes, publicou em suas redes socias, para deixa-las um pouco mais movimentadas.

“Depois de semanas juntos no Brasil, estamos nos separando por alguns dias. Fica bem em Madrid, . Que venha o FIFA The Best. Inglaterra, estamos chegando.”

Capítulo 12

Isco andava inquieto pelo quarto do Hotel no qual ele e outros jogadores do Real estavam hospedados.

- Daqui a pouco você faz um buraco no chão. – Lucas disse para o amigo, que não prestou muita atenção, seu nervosismo tinha nome, idade, endereço, altura e todo o resto. – Você sabe que não é a primeira vez que vai vê-la, né? Porque está parecendo.

Alarcón mandou um olhar cerrado para o amigo, que estava sentado na grande cama King Size, ao lado de Marco Asensio, na esperança de Isco parar de quase furar o carpete, e descer para o jantar.
Ouviu passos pelo corredor, e sentiu seu coração pulsar cada vez mais rápido, junto com as borboletas que faziam festa em seu estômago. Os passos pararam e foram seguidos pelo toque da campainha. Era , e era por ela que ele esperava ansiosamente.
Correu para a porta, e assim que a abriu, junto com o ato veio o sorriso. Ela estava ali, totalmente linda, com cara de cansada e os cabelos um pouco bagunçados, mas estava linda. E antes que pudesse dizer qualquer coisa, Isco a puxou para um beijo saudoso. A garota largou sua única mala no chão, e o abraçou, aumentando a intensidade, e a aproximação dos dois. Depois que o pulmão de ambos suplicou por fôlego, eles afastaram os lábios, mas não os corpos.

- Estava com saudades. – ele disse, ofegando entre palavras.
- Eu também. – ela sorriu.

Mesmo sem querer, pegou a bagagem do chão.

- Vou deixa-la aí, e vamos descer para jantar. Ok? – ele maneou a cabeça, e a garota entrou no quarto dando de cara com os outros jogadores que ali estavam. – Olha, vocês vieram de brinde junto com o quarto? Adorei. – ela riu e os garotos rapidamente se levantaram para abraçar a médica. – Também senti saudade de vocês, mas eu quero mesmo comida. Vamos jantar? Porque depois, vou subir tomar um banho e dormir todas as horas que fiquei acordada naquele maldito avião. – Vázquez riu da expressão da garota. – Sério, eu acho que voltarei de trem.

Em meio a risadas, desceram para o restaurante do hotel, onde praticamente todo elenco titular do Real Madrid estava. Bernardo ficou em outro hotel, junto com alguns jogadores do City, e Pep. Mas, os veria no próximo dia, então não se importou muito.
Sentou-se em uma mesa ao lado de Vázquez e Isco, nos outros lugares estavam Marcelo, Kroos, Benzema e Asensio.

- É muito bom ter você por aqui, porque Alarcón estava quase surtando nessas semanas. – Kroos disse, arrancando risadas dos amigos e de .
- Então quer dizer que já estou sendo essencial para sanidade de Isco? – ela olhou para o garoto, brincalhona.
- Prepotente. – ele sussurrou em seu ouvido.
- E você gosta. – ela olhou por cima do ombro, dando um sorriso, enquanto levantava a sobrancelha.

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Dia do FIFA The Best
Manhã

ligava para todos os estilistas que as esposas de outros jogadores, por sorte, tinham o contato e passaram para ela. Tudo isso para conseguir, de ultima hora, um vestido para ir à premiação. Ninguém a atendia, e ela estava a ponto de ter um surto.
Deitou novamente na cama vazia, já que Isco precisou sair para coletiva de imprensa, e se pôs a pensar em como conseguiria uma roupa para a ocasião.
Algum ser divino deve ter visitado a mente de naquele momento, porque logo ela se lembrou de uma colega de Universidade, que na época fazia pós graduação em moda, e sabia que uma de suas lojas era em Londres, a qual era sua cidade natal. Pesquisou pelo nome da garota no Google, e não foi muito difícil achar seu Ateliê.
Colocou uma roupa simples, e pegou um taxi para tentar ser salva pelo anjo chamado Kiara Ferrer.
O automóvel parou em frente a faixada da loja, e desceu logo após pagar o motorista. Entrou no estabelecimento e deu de cara com um enorme lustre, que deixava todo o ambiente bem iluminado. Varias araras com peças divinas e clientes sendo cordialmente atendidas por vendedoras da loja.

- Guardiola? – ouviu a voz fina característica de Kiara, quando olhou para trás e viu a loira se aproximando. – A que devo a honra? – as garotas trocaram sorrisos, que foi seguido por um abraço.
- Preciso que me salve. – a garota disse. – Hoje à noite vai acontecer o The Best da FIFA, e eu preciso muito de um vestido.
- Veio ao lugar certo. – a estilista sorriu e puxou a colega pelo pulso. – Venha, vou lhe mostrar minhas melhores peças.

Levou até uma arara com vestidos longos, que pareciam bem caros. avistou três que lhe chamaram bastante atenção. O primeiro, era uma peça de cor preta, era simples, sem muitos cortes, a garota o achou bonito, mas não perfeito para ocasião. O segundo era um vestido mid, de lavagem vermelha, com um cinto ao redor da cintura, outro que achou incrível, mas que não usaria para uma premiação importante. O terceiro, era um longo, com um tecido aveludado num azul marinho, ele tinha um corte sereia, com uma fenda até metade da coxa, e um decote com algumas pedras, que Kiara disse serem Swarovski. Pela informação da estilista, este modelo já vinha acompanhado dos brincos, também da marca de joias responsável pela pedraria. Sem pensar duas vezes, sabia que era aquele que levaria.

- Quanto fica? – a garota perguntou para Ferrer, enquanto segurava o vestido, já dentro da capa, em uma das mãos.
- O total de zero libras. – a loira sorriu. – Um presente para você, querida. Apenas fale meu nome no tapete, obviamente vão querer saber a estilista que a deixou cada vez mais linda.

ficou chocada por alguns instantes. Ela estava oferecendo permuta? A garota riu fraco, jamais se imaginara como alguém que ganha as coisas para falar delas em troca.

- Então eu tenho que te agradecer, Ki. – sorriu para a inglesa, depositando um beijo em sua bochecha. – Espalharei seu nome em todos os lugares, se possível. Obrigada de novo.

Agora sim estava relaxada, e poderia voltar ao hotel para almoçar e começar a preparação para a noite.

Capítulo 13

FIFA The Best
Noite

Mariana, esposa de Casemiro e , estavam fazendo suas maquiagens em frente ao grande espelho do quarto de Marcelo e sua esposa, Clarisse. As três estavam sozinhas no local, enquanto os rapazes se organizavam em outro cômodo. As brasileiras conversavam sobre tudo que vinha em mente, de roupas até a situação política de seu país natal. O clima entre elas era puro e agradável, talvez uma nova amizade estivesse surgindo ali.
Mari usava um longo de cor rosa, que cobria seus pés, não mostrando o sapato que usava. Clarisse usava uma saia preta com alguns brilho, e um cropped de manga longa, com a mesma estampa da saia, nos pés uma bota transparente. , colocou o vestido com o qual foi presenteada por Kiara, e nos pés uma sandália de tiras preta.
As mulheres se uniram na frente do grande espelho, fazendo poses que, certamente, meninas adolescentes fariam, e registraram o momento.
Pegaram suas bolsas e, enfim, estavam prontas para encontrar seus companheiros e seguirem para o local onde aconteceria o evento.
Após sair do quarto, já deu de cara com Isco, que usava um terno preto, com uma gravata da mesma cor. Ele estava absurdamente lindo.

- Uau. – eles disseram em uníssono.

O jogador admirava a mulher; suas curvas totalmente delineadas pelo corte do vestido, seus cabelos soltos em leves ondas, uma maquiagem leve, pois ela gostava do natural, e ele sabia disso. Sentiu-se sortudo por ter ao seu lado naquela noite. Nada, nem ninguém, poderia estragar aquele momento.
O Porsche preto estacionou em frente ao local, fotógrafos esperavam do lado de fora, para conseguirem uma imagem exclusiva dos convidados. respirou forte para não ter um desmaio em rede internacional, e com toda coragem que conseguiu juntar naquele momento, juntou suas mãos a de Isco, que desceu do carro antes dela, a ajudando a sair, logo em seguida.

- Estou aqui. Não precisa se preocupar. – ele sussurrou contra seu ouvido, fazendo um grande relaxamento tomar conta do corpo de . Ela não tinha o que temer.

A garota então pôs em seu rosto o melhor sorriso que conseguiu, sendo simpática com os fotógrafos e fãs que estavam presentes. Uma das produtoras do evento, os chamou para passar pelo tapete verde, os explicou que primeiro Isco entraria sozinho, e depois iria para umas fotos do casal.
O jogador caminhou, se posicionando em frente a grade repleta de jornalistas e fotógrafos disparando perguntas e flashes a todo momento. Após alguns segundos, a produtora disse para se movimentar até o lado de Isco, e assim ela fez. O rapaz passou colocou uma das mãos na cintura da namorada, e a encarou com um olhar apaixonado, enquanto a garota olhava para frente com seu melhor sorriso. De longe, a produtora fez um sinal com as mãos para que Isco saísse do tapete e continuasse, e quando o jogador saiu, a brasileira não soube exatamente o que fazer, então voltou a sorrir para as fotos. Logo percebeu porque a mulher havia pedido para que continuasse ali ao ver seu pai chegando, e logo atrás dele, Bernardo.

- Uau, você está linda, passarinha. – Pep beijou a testa de sua filha, e logo depois a abraçou.Tudo era registrado pelas câmeras. – Eu amo você.

A garota sorriu. Normalmente o pai não demonstrava seu amor usando palavras, e ela não sabia o real motivo dele fazer isso exatamente naquele momento, mas ele o fez, e ela gostou.

- Eu também amo você, Pai. – ela o abraçou novamente. – Vou sair agora, espero vocês ali no canto para uma conversa mais elaborada. – eles riram e ela saiu do tapete, acenando para os repórteres.

Bernardo passou rapidamente pela confusão fotográfica que era o tapete verde, e logo encontrou a amiga, Pep e Isco, batendo um papo.

- Cachorra. – girou a menina no ar. – Senti tanta saudade que nem parece que fiquei duas semanas vendo sua cara todos os dias. – ele disse e a brasileira riu.
- Se não quisesse me ver, não aparecia hoje. – ela deu de ombros, fingindo não se importar.
- Brincadeira. – ele falou, movimentando as mãos. – Aliás, está linda. – assobiou, pegando a mão da amiga para fazê-la dar uma volta. – Sorte do espanhol aí. – apontou para Isco, que conversava com o pai da garota, um pouco mais ao lado.

A premiação acontecia, e o prêmio mais esperado por ainda não tinha sido anunciado. Seu corpo tremia mais que vara verde, como sua mãe dizia. Suas mãos suavam, e Isco ria fraco por ver a garota tão entretida com aquilo tudo.
Dois atores que não reconheceu, subiram ao palco para anunciar o prêmio de Melhor Técnico de um Clube Masculino. Rapidamente fez figas em seus dedos, e utilizou toda sua crença. Os indicados foram anunciados no telão, e quando o ultimo nome foi falado, aquele era o momento da revelação.

- E o vencedor é... – um deles fez o típico suspense, estava quase correndo até o palco e tirando aquele envelope de sua mão para ver, de uma vez por todas, quem era o vencedor. – Pep Guardiola, Manchester City.

A mesa onde os jogadores do City e seu pai estavam foi ao delírio, aplaudiam e gritavam o nome do ex-jogador, ele era um orgulho e fazia daqueles garotos uma ótima equipe. saiu da mesa onde estava e foi rapidamente abraçar o pai.

- Parabéns. Você merece todos os prêmios do mundo. – ela disse, o beijou no rosto e voltou para seu lugar, já que ele precisaria fazer um discurso.

Subiu ao palco e pegou a pequena estatueta, logo se posicionando em frente ao microfone.

- Bom, eu devo começar dizendo que o motor de um trabalho é a paixão que você possui por ele. E todos que convivem comigo, tanto no ambiente familiar ou profissional, sabem que eu respiro futebol. – ele sorriu. – E estar no comando de um time tão talentoso, como o City, tem sido uma honra. – respirou, dando uma pequena pausa. – Por isso, meu agradecimento é para vocês, meninos. Jogadores brilhantes e ultra responsáveis. Esse prêmio é de vocês. – ele apontou para a mesa repleta de atletas do time inglês, e abriu seu melhor sorriso. – E claro, não posso deixar de agradecer a minha família, que me apoia sempre. E representando essa parte especial do meu coração, temos a bem ali. – apontou para a filha, que estava sentada ao lado de Isco, com mãos unidas as do rapaz, sorrindo largamente. – Obrigado por ser a filha maravilhosa que é. Tome conta dela, jogador. – apontou para Alarcón, que assentiu e riu, assim como o resto das pessoas no local. – Obrigado. – levantou o prêmio, e as luzes foram se apagando.

Depois que Luka Modric recebeu o prêmio de melhor do mundo, os garotos do Real Madrid fizeram a maior festa que conseguiram na mesa do local. Pareciam crianças da sexta série depois de vencer o Inter-classe. E como aquele foi o ultimo prêmio da noite, seguiriam dali para o after-party, era o que pensava, isso se ele não estivesse caminhando em sua direção naquele momento. A garota apertou forte a mão de Isco, que não entendeu o motivo. De longe, Silva viu a cena e tentou se aproximar para impedir, mas foi em vão, pois ele já falava com a garota.
Ela sentiu sua nuca arrepiar e uma raiva súbita tomar conta de seu corpo, parecendo que toda felicidade contida no dia tinha ido por água abaixo.

- Guardiola. – o rapaz disse em tom irônico. – Quem diria, hein!? Você por aqui, e ainda por cima acompanhada. – ele riu. – Achei que depois de tudo que aconteceu, nunca mais fosse sair com alguém. Sabe como é. – ele olhou para Alarcón, que não entendia o que ele dizia, mas sabia que aquele cara não era flor que se cheire. – Andre Gomes, e você?
- Isco. – ele disse, curto e grosso.
- Então, . – Gomes voltou seu olhar para , dessa vez falando em espanhol, ele queria provocar Isco. – Como ela está? – ele colocou a mão sobre o queixo como se estivesse se esforçando para lembrar. – Como você queria chama-la? – tirou as mãos do lugar rapidamente, se lembrando. – Aurora, não é? – a garota sentiu seus olhos lacrimejarem, e se Isco não a abraçasse, ela tem certeza de que cairia, devido a fraqueza repentina. – Ela deve ter dois ou três anos, não? Por que não a trouxe? – ele perguntava, ainda em tom irônico, e a garota não conseguiu manter a pose. Apenas se desenrolou dos braços de Isco, e foi correndo em direção ao melhor amigo, que via a cena de longe. O namorado se recusou a continuar a conversa com Gomes, preferiu ouvir tudo da boca de .

Foi em direção a dupla que estava abraçada num dos cantos do grande salão, escondidos de todos.
Abaixou-se em frente a namorada, que ainda chorava no peito do melhor amigo.

- Acho que essa é a hora que conta pra ele, passarinha. – Bernardo disse baixo, e sentiu as mãos de Isco tocando seus joelhos.
- Acho que essa é a hora de me contar, cariño.
Silva cedeu seu lugar para Isco, que agradeceu e se sentou. Logo o português decidiu por deixá-los sozinhos.
- Comece por onde quiser. – Alarcón disse, acariciando os cabelos da namorada.
- Andre e eu. - ela fungava. – Nós éramos noivos, ficamos alguns anos juntos. Mas quando ele saiu do Barcelona e foi para o Everton, começou a me trair. Bernardo sempre tentava me avisar, já que jogam pela mesma seleção, mas eu nunca acreditava. – Isco assentiu, secando a lagrima que caia no rosto da garota. – Mas, não estou assim por isso. Estou assim porque ele a citou... – entrou em um estado onde chorava ainda mais.
- Aurora, não é? – ele perguntou terno e a garota maneou em concordância. – Quem é essa?

não respondeu, não abriu a boca para proferir uma palavra. Mas o ato de ter colocado sua mão direita sobre o ventre, fez com que Isco entendesse o porquê das lágrimas da namorada. Tudo que ele queria era poder tirar toda a dor que ela sentia, mas ele não podia. Ele não poderia simplesmente pedir para que esquecesse a filha que perdeu, não podia, simplesmente, fazê-la parar de chorar. Ela precisava chorar.

- E isso que aconteceu dia 25 de fevereiro, não é? – ele perguntou, e ela apenas respondeu com um murmúrio.
- Eu sinto tanta falta dela, e nem pude tê-la em meus braços. Não pude sentir seus pezinhos chutando aqui. – apontou para o pé da barriga. – Ela tinha apenas dois meses, Isco. E no dia que descobri que ela seria Aurora, ela se foi.

Ele segurava-se para não chorar, não queria saber a dor de perder um filho, nunca. A lei da vida era essa, pais se vão antes, e já estamos acostumados com isso. A dor vem, mas pela naturalidade, acabamos por aceitar mais rápido. Mas, perder um filho, essa é uma dor eterna.
Abraçou a garota e beijou sua testa.

- Estamos juntos nessa, . – sussurrou. – Conte comigo. Nunca vou te deixar.

Capítulo 14

Alguns meses depois

O corpo de pesava sobre a cama depois da noite que tivera com Isco. Essa não se resumiu em sexo ou festa. Eles, simplesmente, tiveram que acordar durante toda madrugada por conta de um resfriado forte que pegou o Junior durante a louca mudança de tempo do Agosto espanhol. O instinto pediátrico da garota não a deixava pregar os olhos, sua preocupação com o filho de Isco era tanta, que só conseguiu descansar um pouco quando o pai teve a ideia de colocar o menino para dormir entre eles. Assim, ficou mais confortável por não precisar levantar a cada cinco minutos, como estava fazendo.
Esfregou os olhos com as costas das mãos, numa tentativa falha de espantar o sono. Sua barriga roncava, implorando por alimento. Isco Jr ainda estava deitado ao seu lado, mas o pai do garoto não. A garota presumiu, ao ver o horário em seu celular, que Alarcón já havia saído para o treino.
Durante as férias do rapaz, eles aproveitaram para viajar à Málaga e apresentar a família de Isco, que amou a garota e tudo que se ligava a ela. Amaram o fato de ser médica, principalmente pediatra, o que mostrava para a mãe de Isco que ela estava preparada para ter um filho, mas garoto sempre desconversava, pois não sabia como a namorada reagiria, principalmente depois de descobrir sobre Aurora.
levantou-se devagar, de uma maneira que impedisse Junior de acordar. Sentiu o quarto girar ao seu redor, e uma fraqueza repentina a fez sentar na cama novamente. Talvez fosse fome, já que não comera um prato sequer na noite anterior.
Desceu calmamente até a cozinha da casa do namorado e preparou um café da manha simples, pois não queria dar besteiras para um criança que passou mal durante toda a noite. Depois que colocou as torradas, geleias, frutas e suco na mesa, deixou o café passando e foi tomar um banho rápido.
Dentro do box, sentiu seu corpo fraquejar mais uma vez e um bolo estranho subir por sua garganta. Terminou o banho e se encarou no espelho, observando a palidez que tomava conta de seu rosto. Após vestir uma roupa simples que havia deixado na casa de Isco, subiu para o quarto, e viu que Junior se movimentava na cama, dando indícios de que logo acordaria. A garota sentou ao lado do menino, que abriu seus grandes olhos e a encarou com curiosidade.

- Tia . Cadê o papá? – o garoto perguntou, com a voz xoxa.
- Está no treino, mas logo volta. – sorriu, tentando passar confiança para o menino, que apenas abriu os braços, pedindo o colo da médica. Ela pegou o garoto. – Vamos tomar café, ligaremos para o papai e assistiremos algum filme até ele chegar, ok?
- Ok. – o menino disse, encostando a cabeça sobre o ombro da mulher. – Quero só suquinho, tia.
- Tudo bem, meu amor. Pode beber só o suquinho. – afagou os cabelos da criança e o segurou com mais força, para descer as escadas. O colocou sentado na mesa e serviu o suco em seu copo personalizado com seu desenho favorito.

Isco Jr bebia o liquido com certa dificuldade, mas se esforçava para tal. seguiu até a cozinha, pegou uma xícara de café e decidiu ligar para Isco, mas o telefone caia sempre na caixa postal. Lembrou que Sergio e Marcelo ainda estavam de férias, então de nada adiantaria ligar para eles. Então tentou ligar para Vazquez, que era sua ultima opção de contato.

- ? A que devo a ligação? – o garoto disse e ela suspirou aliviada.
- Oi Lucas, bom, tentei ligar para Isco e não consegui. Será que poderia avisar a ele que Isquito não melhorou, e que estarei levando-o para o hospital onde eu dou plantão, apenas para fazermos os exames necessários e descartarmos possibilidade de Pneumonia ou algo relacionado? – disse com um tom de voz calmo, para não assustar o garoto.
- Claro. Isco estava no banho, por isso você não conseguiu. Mas estou o vendo chegar aqui no vestiário agora. Eu passo o recado, melhoras pro pequeno. – Lucas disse e agradeceu, mandando beijos para o colega.
Voltou para a sala, onde Junior ainda sentava a mesa, e dessa vez brincava com o canudo do seu copo.
- Ei, vamos colocar um agasalho e ir no médico, ok? – a garota disse para a criança, que torceu o lábio. – Não fique com medo, a tia estará ao seu lado durante todos os exames, e o papai já está indo pra lá.

O menino concordou, ela o colocou no sofá e foi até o quarto pegar um casaco para o garoto e vestir uma calça. Depois de tudo feito, agasalhou o garoto e pegou a chave do seu carro na bancada da cozinha, para então, irem até o hospital.

👩🏻‍⚕💞⚽

Isco desceu do carro e foi correndo em direção ao prédio pintado em cores claras, assim que entrou uma das recepcionistas sorriu largamente para o rapaz.

- Doutora Guardiola. – ele soltou as palavras e a mulher entendeu, logo bipando a garota, que saiu de uma porta, usando um jaleco e estetoscópio.
- Cariño. – ela deu um selinho no garoto. – Acalme-se, Junior está bem, mas estava com muita febre, por isso iniciamos um medicamento intravenoso para que a temperatura abaixasse mais rápido. – o rapaz abriu a boca para responder, mas não havia terminado. – É apenas um resfriado, mesmo. Antes que pergunte. Os medicamentos para uso diário estão dentro do meu carro. – tirou as chaves do bolso do jaleco e as deu para Isco. – Pode ir lá pegar. Precisarei ficar por aqui, porque um dos pacientes internados terá que passar por uma cirurgia de emergência e eu precisarei participar. Amanhã estarei na minha casa, organizando umas coisas do consultório e preparando as malas para o aniversário de Bernardo.
- Então o que sugere que eu faça, mi amor? – ele perguntou, enquanto encarava a namorada com dúvida.
- Sugiro que leve Isco Jr para ficar com a mãe durante esse período de pré-temporada. – ela disse, séria. – Acredito que será bom para ele e para Victoria, que provavelmente está com saudades.
O jogador assentiu, e puxou a garota para um abraço, que a surpreendeu.
- Vem, vamos ver seu pequeno. – ela disse, depositando um beijo na curva do pescoço do rapaz.

Caminhavam lado a lado nos corredores da emergência, logo entrando na sala de medicação, onde Junior e outras crianças estavam sendo devidamente atendidas. O atleta foi em direção ao filho, o enchendo de beijos e sussurrando coisas que não conseguiu ouvir. Em contrapartida, a médica conversava com uma paciente e sua mãe. A menina tinha olhos azuis penetrantes e cabelos loiros, assim como a mãe. Concentrou-se um pouco para prestar atenção em sua namorada.

- Então você já quer comprar uma peruca, Katlyn? – ele ouvia a médica dizer, em meio a risadas para a menininha. – A quimio nem começou. Está um pouco precipitada, não? – apertou o nariz da criança, que fechou os olhinhos em resposta.
- Eu quero ser tipo a Hannah Mont. – a garotinha dizia.
- Só que mil vezes mais bonita, né? apertou as bochechas da garota e logo se levantou para falar com a mãe, mudando o seu semblante para um mais sério.

Isco nunca tinha visto a namorada trabalhando fora do consultório, por isso a encarava com admiração. Não sabia se era possível ficar ainda mais linda ou sexy, mas ela estava, e isso o deixava cada vez mais louco pela garota. Ele estava completamente apaixonado por ela, e gostava de se sentir assim.
Uma enfermeira se aproximou de seu filho, que assistia um vídeo no celular, e começou a retirar o soro e os medicamentos. O rapaz sorriu para a moça, e continuou a encarar a namorada.

- Ela é incrível, não? – a enfermeira disse e Isco virou seu olhar para a mulher, que colocava um band-aid no braço de seu filho. – A Dra. . – ela disse e o jogador assentiu. – Ela é uma das melhores médicas desse hospital. A maneira como trata os pacientes, não só as crianças, mas todos. Às vezes, durante os plantões, ela não consegue descansar durante as horas vagas. Então ela simplesmente vai até a geriatria e fica conversando com os idosos, algumas vezes lê para eles. Uma alma maravilhosa habita aquele corpo pequenino. – a mulher dizia com um tom de admiração, e Isco sorria, ele não sabia que a garota fazia aquelas coisas. Por um momento sentiu-se mal por não perguntar mais detalhes de seus dias. Mas, a partir de hoje ele faria isso. – Você precisa ver o sorriso que ela dá ao salvar uma vida, é inigualável. – sorriu fraco para o atleta. – Prontinho, já podem ir. – finalizou o curativo no braço de Isquito, e o ajudou a descer da grande cadeira azul onde estava sentado.
- Obrigado. – olhou para o crachá devidamente preso no bolso de seu pijama. – Enfermeira Pamela. – eles sorriram. – Você foi muito gentil. Principalmente nas palavras direcionadas a , eu sabia que ela era incrível, mas não dessa forma. – ela o fitou com um semblante duvidoso. – Namoramos há alguns meses. – ele sorriu e pode ver a mulher envergonhar-se. – Obrigado mais uma vez.

Pegou o filho no colo e se direcionou até a namorada, que anotava algumas coisa num papel, apoiada à uma bancada.

- Já estamos indo. Vou pegar os remédios no carro e deixar a chave na recepção. – ele disse, e a garota levantou o rosto, encontrando seu olhar. Ela guardou a caneta no bolso do jaleco e sorriu.
- Ok, cariño. – deu um beijo rápido em seus lábios. – E você, garotinho? – como de praxe, tocou na ponta do nariz de Junior. – Beba bastante água e não desobedeça a sua mãe. – a criança deu uma risada e concordou com a cabeça. – Boa viagem. – virou-se para o namorado e dessa vez permitiu que o beijo durasse um pouco mais.
- O mesmo para você. – ele disse. – Nos vemos quando voltar de Manchester, não é?
- Creio que sim, mi amor. Viajo depois de amanhã. – disse, enquanto pegava o pager, que apitava em seu bolso. – Preciso ir. – depositou um selinho demorado em seus lábios. – Por que não aproveita para ficar o fim de semana com Isquito e a mãe? Vai ser bom para ele, creio que o ajudará a melhorar, inclusive.
- Tudo bem para você? – perguntou meio receoso, ao escuta-la dizendo para passar o fim de semana com Victoria.
- Francisco Alarcón, eu confio em você de olhos fechados. – deu mais um beijo no namorado e um beijo na testa de Junior. – Nos vemos daqui quatro dias.

Então saiu correndo para ver o que acontecia com o paciente que apareceu na tela do pager, deixando Isco e o filho para trás.




Continua...



Nota da autora: Não esqueçam de comentar o que estão achando até o momento. <3
Espero vocês no próximo capítulo.
Para spoilers: entre em nosso grupo no WhatsApp. <3

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Nota da Scripter:
Essa fanfic é de total responsabilidade da autora, apenas faço o script. Qualquer erro, somente no e-mail.


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