O Hóspede 2

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Capítulo 1 – Fora da Lei

Wright’s POV
- , vá devagar, pelo amor de Deus! – minha voz saiu mais trêmula do que o esperado.
Eu estava quase me afundando no banco de couro do carro. A cada segundo em que a velocidade aumentava, eu pressionava meu corpo ainda mais contra o banco e apertava fortemente o suporte da porta. Mesmo com o cinto de segurança, eu ainda sentia que estava correndo risco de vida enquanto estivesse no mesmo carro que .
- Relaxa, . Fica sussa. – sua voz tranquila me fez entortar o nariz. Virei meu rosto e encarei seu sorriso de canto enquanto ele arruma os óculos escuros.
- Sussa?! Por acaso voltamos à década de sessenta? – minha pergunta precedeu sua risada.
Ele freou o carro em frente ao semáforo vermelho e eu suspirei um pouco aliviada. me encarou ainda risonho e o olhei semicerrando meus olhos. Quando o carro deu uma guinada, começando a andar novamente em alta velocidade, e eu voltei a apertar o suporte da porta, arrancando uma risada de junto a um balançar de cabeça. Graças aos céus, não demorou muito para que chegássemos à universidade. , pela terceira vez naquela semana, me levava à faculdade por insistência dele mesmo, já que eu sempre negava.
tirou seus óculos e ficou me observando enquanto eu arrumava meus livros na bolsa.
- Eu fico me perguntando quando vou conhecer a empresa em que você trabalha. – comentei casualmente, tirando o cinto de segurança e arrumando a bolsa em meu ombro.
- Quando você me levar para conhecer o seu consultório, eu te levo para conhecer a empresa. – ele me encarou com a sobrancelha erguida.
- Okay. – suspirei – Se quiser conhecer hoje, pode ir até lá no fim da tarde quando meu expediente estiver chegando ao fim. Assim, eu já terei atendido a todos os pacientes e poderei recebê-lo.
- Ótimo, acho que estou precisando de uma consulta com a doutora Wright mesmo. Você sabe, ser um homem extremamente bonito e sexy como eu, não é uma tarefa muito fácil. – revirei os olhos ao receber um olhar convencido. – E às vezes essa tarefa me deixa sobrecarregado e...
- Okay, okay, ! – o interrompi. – Passe por lá no final da tarde, então.
- Tive uma ideia melhor. – o olhei – Por que eu não passo aqui para te pegar depois da faculdade e te levo até o hospital?
- Eu não sei se... – ele me interrompeu.
- Não precisa responder. Foi uma pergunta retórica. Eu venho aqui para pegá-la e ponto final. Não discutimos mais isso. – rolei os olhos e riu se aproximando, juntando nossos lábios em um selinho demorado. – Boa aula, doutora.
Sorri de canto e abri a porta do carro, saindo em seguida. colocou seus óculos novamente e deu um pequeno sorriso antes de arrancar com o carro. Caminhei até a entrada da universidade e enfim entrei, passando pelo corredor e indo até meu armário. Guardei alguns livros que eu não usaria no primeiro horário e fechei a porta do armário em um baque. O corredor estava calmo, com poucas pessoas distribuídas pelo espaço do mesmo. Olhei para o meu lado direito, procurando por e , mas nenhum sinal dos dois. Ainda deviam estar a caminho da faculdade. Arrumei a alça da bolsa em meu ombro e quando ia começar a andar em direção à sala, algo apareceu em minha frente, fazendo-me parar subitamente.
Subi meus olhos pela camisa da pessoa parada à minha frente, chegando até seu rosto. Engoli em seco ao ver de quem se tratava e instintivamente, apertei a alça de minha bolsa com força. . Seu nome ecoou em minha mente e eu ameacei voltar a andar se ele não tivesse segurado meu braço.
- Me solta. – pedi, tentando controlar o tom de minha voz para que não saísse muito trêmula.
- Nós precisamos conversar. – ele falou com a maior tranquilidade do mundo e eu arregalei meus olhos, incrédula.
- Conversar? – ri sem humor – Nós não temos nada para conversar. Eu não quero nunca mais olhar para a sua cara, !
- , por favor, me escuta. Acho que nós não...
- Não me chame de ! – o interrompi – Eu sinto nojo ao ouvi-lo me chamar assim!
Ele suspirou, mas ainda assim, continuou segurando meu braço. Olhei para sua mão que me segurava e disse com raiva:
- Me solta! Eu não vou pedir de novo, !
- Por favor, vamos conversar. Eu tenho tantas coisas para te dizer. – encarei seus olhos azuis carregados de súplica e quase cedi a seu pedido, mas algo dentro de mim simplesmente não queria ouvi-lo. Eu não queria ouvir nada que ele tivesse para me falar. Eu só queria sair dali. Agora. – Acho que muitas coisas ficaram mal entendidas entre a gente e eu queria te pedir desculpas por tudo que eu causei em sua vida. Eu só queria...
- Pare, ! Eu não quero saber! – quase gritei e com força, consegui soltar meu braço de seu aperto. Consequentemente, a força foi tão grande que acabei batendo meu corpo contra o armário atrás de mim. Fiz uma careta de dor e fechei os olhos.
- Você está bem? – sua voz carregada de preocupação soou e eu segurei minhas lágrimas. Eu não queria chorar em sua frente. – , você... – senti sua tentativa em me tocar, mas estendi minhas mãos em frente ao meu corpo, evitando qualquer aproximação de sua parte.
- Não chega perto de mim! Não quero que você me toque! Você é um nojento. – abri meus olhos, sentindo os mesmos arderem com a tentativa de contenção das lágrimas. Minha visão estava turva, mas eu ainda assim mantinha o meu orgulho e a minha dignidade. – Eu tenho ódio de você! Ódio! – senti minha garganta arder e deu um passo, tentando se aproximar.
- Não diga isso, por favor. Eu... Eu não...
- Cale-se! Eu não quero te ouvir! Quando você vai entender isso?
- , eu não aguento mais essa culpa. Eu não aguento mais deitar a cabeça no travesseiro e me lembrar da idiotice que eu quase fiz com você. Por favor, me dê uma chance para me redimir. Eu errei e admito isso. Eu admito que fui um babaca, que fui um otário em te magoar, em tentar... – ele engoliu em seco, pausando brevemente antes de continuar: - Em tentar abusar de você.
- Ah! – ri debochada – Que bom que sabe disso! Parece que temos um avanço aqui. Mas isso não me faz esquecer do que você fez comigo. Da humilhação a qual me fez passar. – olhei-o com desgosto. – Agora me diga, . Por que eu? Por que justo eu? Por que encolheu a mim para tamanha humilhação? Para tamanha dor? Eu juro que ainda não entendi. Eu sempre fui idiota a ponto de lamber o chão que você pisava! Fui estúpida a ponto de tentar me mudar para atrair a sua atenção! E para quê? Para você simplesmente jogar tudo no lixo! Para você me tratar como uma vadia que não merecia nem um pingo da sua atenção! Para você me tratar como uma qualquer e me levar para a cama na hora que quisesse e depois me descartar como se eu não tivesse nenhum valor! – engoli em seco e consequentemente minhas lágrimas antes de continuar: - Pois saiba que eu tenho muito valor! Eu sou muito mais do que você podia pensar ou querer! Eu não sou como as outras! Eu tenho princípios, eu tenho caráter, e o principal: eu agora aprendi a ter amor próprio! E esse amor próprio é algo que você e nem ninguém nunca vai conseguir tirar de mim. Eu, sim, tenho valor.
- Eu sei. – ele assentiu, fazendo-me olhá-lo surpresa. – Sei de tudo isso que você disse e me arrependo amargamente por tudo que te fiz passar, acredite. E é por isso que eu queria conversar com você... Eu tenho que te dizer que eu estou...
- Não se aproxime de mim! – o interrompi ao vê-lo dando mais alguns passos em minha direção. – ! – gritei seu nome ao senti-lo segurando meus braços novamente. Instintivamente, como uma forma de proteção, eu estiquei minha mão e lancei-a contra sua bochecha, ouvindo o estalo causado pelo impacto em menos de um segundo depois. O rosto de se virou e ele acabou me soltando. Encarei-o com minha respiração desregular e quando ele me olhou de volta, pude ver a vermelhidão se apossando de sua bochecha direita. Seus olhos continuaram me observando em súplica, mas eu abaixei minha cabeça, ignorando seu olhar.
- Nunca mais toque em mim novamente. – falei com uma voz baixa e um tanto ameaçadora antes de me virar e começar a andar, tentando me afastar o mais rápido possível dali. Ouvi sua voz me chamar, mas ignorei, virando o corredor.

’s POV
- ? O que está fazendo aqui? – Vicky perguntou assim que passei pelas portas do elevador da empresa.
- Então vocês já estão sabendo, não é? – ri fraco, balançando a cabeça. Apoiei-me no balcão e a olhei. – Parece que as notícias correm rápido por aqui.
- Ahn, desculpe-me pela falta de discrição...
- Está tudo bem, Victoria. – sorri de canto – Bom, enquanto eu não sei o que faço da minha vida, acho melhor eu continuar a trabalhar aqui, não acha? Afinal, se eu sair daqui, como vou me sustentar? Meu querido pai me deserdaria no minuto em que eu pusesse os pés para fora desse lugar.
- E vai continuar a exercer uma profissão que não gosta? – perguntou. Vicky sabia do meu real desejo. Ela sempre soube que eu não gostava da carreira a qual eu seguia. Era como se ela fosse uma válvula de escape para eu conversar sobre meus problemas naquela empresa quando não tinha ninguém.
- Nem tudo na vida é como a gente quer, não é? – dei de ombros.
Vicky me lançou um olhar triste antes de mudar sua atenção. Seu olhar focava no homem alto e com um cabelo bem penteado que se aproximava de nós. Scott Turner, mais conhecido como irmão mais velho de Victoria Turner. Ela rolou os olhos ao ver que ele trazia alguns papéis consigo e eu ri fraco.
- Hora de voltar ao trabalho. – ela se levantou da cadeira e parou em frente ao irmão assim que ele se aproximou de nós.
Vicky pegou os papéis e logo sumiu de vista, adentrando a tão famosa sala de Xerox. Scott, por sua vez, colocou suas mãos nos bolsos da calça social e se aproximou de mim com um sorriso simpático no rosto, o qual eu não fiz questão nenhuma de retribuir. Depois que eu soube que ele estava de olho na Olivia mesmo quando ela tinha namorado – que no caso era eu –, minha simpatia por ele tinha descido ralo abaixo.
- Bom dia, .
- Bom dia, Turner. – murmurei, arrumando minha gravata.
- E como tem passado? – perguntou como quem não quer nada. Eu sabia que ele também já estava ciente de tudo que havia acontecido, assim como todos ali.
- Estou bem. – dei de ombros, pegando minha maleta sobre o balcão. – Olha, eu adoraria sentar e conversar, mas tenho muito trabalho. Tenha um bom dia. – nem dei tempo para que ele respondesse, comecei a andar e logo adentrei minha sala.
Coloquei minha maleta sobre a mesa e me sentei na cadeira de couro. Afrouxei minha gravata e respirei fundo, abaixando a cabeça, apoiando minhas mãos na mesma. Passei as mãos no cabelo e ouvi uma batida à porta.
- Entra. – murmurei.
Levantei um pouco meu olhar e vi Olivia e Ryan entrando na sala. Eles se sentaram nas poltronas à minha frente e com somente um olhar que eu lancei a eles, meus amigos conseguiram entender o que se passava comigo.
- Como você está se sentindo? – Olivia perguntou com sua voz serena.
- Péssimo. – admiti, recostando-me à minha cadeira.
- Ficamos sabendo sobre seu pai. – Ryan comentou.
- É claro que ficaram. – sorri sarcástico. – O senhor Jeremy parece que tem o prazer de deixar todo mundo sabendo sobre o ocorrido.
- Não ligue para ele, . Todos nós sabemos que ele sempre foi um homem difícil de lidar. – Olivia dizia, tentando transpassar tranquilidade em sua voz, mas não era tão fácil para eu aceitar aquela situação, muito menos me acalmar. – Sabe do que você precisa? – ela lançou um olhar cúmplice para Ryan, que sorriu.
- Beber. – Ryan respondeu sua pergunta e eu ri, negando com a cabeça. – E hoje nós vamos te levar para beber e assim você vai se esquecer de toda essa merda que está te frustrando.

Wright’s POV
Sentei-me na calçada e bufei, apoiando minha cabeça em minhas mãos. Passei a manhã inteira pensando naquela maldita “conversa” com . Quase nem consegui prestar atenção nas aulas e isso já estava me irritando. Meus amigos me perguntaram o que estava acontecendo, mas eu não quis dizer. Já bastava os seus problemas, eu não iria ficar enchendo a cabeça deles com os meus problemas. Um carro parando rente aos meus pés me assustou e eu levantei a cabeça, vendo que se tratava do carro de . Levantei-me e peguei minha bolsa, logo abrindo a porta do carro e entrando.
O caminho até o hospital foi silencioso. parecia estar bem pensativo e eu estava da mesma maneira. Os eventos na faculdade tomaram minha mente. As palavras de , as minhas palavras e o tapa que eu havia lhe dado. Tudo exatamente nessa ordem. A ordem da confusão em minha cabeça. Assim que estacionou o carro, eu saí e comecei a andar com ele ao meu lado.
- Você já almoçou? – ele perguntou repentinamente.
- Não, não estou com fome. – respondi.
- O que aconteceu? Por que está assim?
- Não foi nada. – respondi rapidamente.
Chegamos ao andar em que se encontrava meu consultório e passei por Noemi, fazendo uma rápida apresentação de , o qual ela encarou com as bochechas coradas e sorrindo estupidamente. Rolei os olhos já sabendo do efeito que ele causava nas mulheres e caminhei até meu consultório, logo abrindo a porta. Adentrei o mesmo e coloquei minha bolsa sobre a mesa. Aproximei-me do meu jaleco pendurado e o vesti. Quando entrou no consultório, fechando a porta, ele me encarou sorrindo. Por um momento, percebi que ele havia ficado um tanto estático.
- O que foi? – perguntei, ajeitando meus óculos.
- Caramba... Você fica muito sexy vestida assim. – seu comentário fez minhas bochechas esquentarem e eu balancei a cabeça, fazendo-o rir fraco.
- Certo, , esse é o meu consultório. – apontei em volta. – Fique à vontade para fazer um tour se quiser.
olhou em volta e sorriu de canto enquanto observava tudo. Seus olhos se fixaram no divã no canto da sala e ele sorriu ainda mais.
- Então... Você vai me consultar, doutora? – perguntou enquanto se aproximava como quem não quer nada.
- Se quiser. – dei de ombros. – É só se deitar no divã.
Ao se deitar, ele disse:
- Por um momento, estou me sentindo no sofá do seu apartamento, igual àquela noite em que você decidiu me ‘’consultar’’.
Sorri e me sentei à cadeira próxima ao divã. Peguei minha prancheta e anotei o nome de .
- Certo, , diga-me o que te trouxe até aqui.
- Uma certa doutora com o sobrenome Wright.
Sorri com sua resposta, sentindo seu olhar sobre mim.
- Okay, mas por que está aqui? Deve haver algum motivo.
- Hm, sim... – disse pensativo – Na verdade, eu vim até aqui pelo simplesmente motivo de querer transar com a senhorita. Aqui, nessa sala. E agora.
Arregalei os olhos.
- ! – o repreendi – Eu estou em meu ambiente de trabalho, por favor!
- E...? Não quer dizer que você não possa ter prazer em seu ambiente de trabalho. – mordeu seu lábio inferior e eu engoli em seco.
me puxou pelo pulso e com o tranco, acabei deixando a prancheta cair ao chão. Ele me colocou sobre ele no divã e atacou meus lábios, logo me fazendo sentir sua língua tocando a minha.
- Hm, ... A-A porta... – tentei dizer por entre o beijo.
- Eu tranquei. – ele disse, voltando a me beijar de forma urgente. – Será que tem alguma lei que me proíbe de transar com a minha doutora?
- Acho que não. – respondi ofegante contra seus lábios.
Ele sorriu, mordendo meu lábio inferior.
- Que ótimo, mas se tivesse... Eu a burlaria de qualquer jeito, e teria o maior prazer em ser um fora da lei.
Ri e encarei seus olhos luxuriosos antes de senti-lo selar nossos lábios novamente, começando a abrir os botões de minha camisa branca.


Capítulo 2 – Minha

Batidas à porta fizeram-me separar de , mesmo contra sua vontade. Levantei-me de cima de seu corpo, recebendo uma bufada e um revirar de olhos. Ignorei sua careta de protesto e abotoei minha camisa. Passei as mãos no cabelo, puxando alguns fios soltos do coque e enfim, me dirigi até a porta, abrindo a mesma em seguida.
- , por que a porta estava trancada? E... – Matt se autointerrompeu ao olhar por cima de meu ombro, obviamente avistando que ainda se encontrava deitado no divã, como se estivesse em sua própria cama. – Ah... – ele pigarreou, franzindo a testa – Ahn, acho melhor voltar depois... Vejo que está no meio de uma consulta. – a palavra ‘’consulta’’ saiu carregada de segundas intenções, o que me fez revirar os olhos.
- Matt, esse é . – saí de frente da porta, fazendo com que Matt tivesse uma visão melhor do preguiçoso ainda jogado no divã. – O meu colega de apartamento que te falei. – sim, Matt e Noemi sabiam de todo o rolo que era a minha vida. Eu mesma havia me encarregado de contar a eles. – O só veio me fazer uma breve visita e já está de saída, não é, ? – lancei-lhe um olhar significativo.
arqueou a sobrancelha esquerda e se levantou, vindo até nós.
- Hm, eu acho que não. Ainda temos que terminar a consulta, minha querida doutora.
Bufei e ajeitei meus óculos, cruzando os braços em seguida.
- Sou Matthew Cooper. Amigo da e ginecologista do hospital. – Matt estendeu sua mão para cumprimentar , mas o mesmo apenas franziu a testa.
- Ginecologista? A nunca me disse que tinha um amigo ginecologista. – dando certa ênfase na palavra, me lançou um olhar repreensivo, como se me culpasse por ter ocultado esse pequeno detalhe.
- Oh... – Matthew recolheu seu braço esticado, colocando ambas as mãos nos bolsos do jaleco. Vi que ele segurou um riso assim que me olhou curioso. Ele comprimiu os lábios e em seguida disse: - Bom, acho melhor eu me retirar e deixar vocês terminarem a consulta. – e novamente, a palavra veio carregada de malícia. – Vejo você depois, . – acenou e começou a atravessar o corredor do hospital. – Ah... – deu uma parada, virando em minha direção. – A Noemi quer conversar com você depois. Você sabe... Assuntos femininos. – uma rápida piscadela foi direcionada a mim antes de ele retornar seu caminho, logo me fazendo perdê-lo de vista.
A porta se fechou a minha frente e logo estava parado me encarando. Seus braços estavam cruzados e sua expressão era de seriedade.
- Ginecologista?! É sério isso, ? – sua voz saiu um pouco mais aguda.
Como futura psicóloga, eu diria que estava indignado. Sim, eu estava o analisando.
- E o que tem isso? Matt é meu amigo. – dei de ombros, virando meu corpo e indo até minha cadeira. Sentei-me e comecei a arrumar alguns papéis que estavam sobre minha mesa.
- E se o ‘’Matt’’ – fez careta de nojo – quiser ter uma breve consulta com você? Eu não quero que ele te toque, .
- Por acaso você está com ciúmes, ? – ergui a sobrancelha, apoiando meus cotovelos na mesa.
- É claro que eu estou, Wright. – ele se aproximou, apoiando as mãos perto dos meus cotovelos. – Você é minha.
Ri fraco. – E quem te disse isso? Que eu me lembre, eu não assinei papel nenhum. Não me lembro de nenhum contrato de possessividade.
- Eu mesmo estou dizendo e pronto. O que diz... É lei.
Gargalhei, mas minha gargalhada não durou muito já que no segundo seguinte, seus lábios encontraram os meus. Sua mão foi até meu cabelo, puxando-o levemente, e ele mordeu meu lábio inferior antes de sussurrar em meu ouvido:
- Podemos ter sido interrompidos aqui, mas em casa... Você não escapa.
Engoli em seco com seu olhar malicioso enquanto ele se afastava e ia até a porta. Só percebi que prendia minha respiração quando atravessou a porta, saindo do consultório. Escorreguei na cadeira e escondi meu rosto com as mãos, sentindo meu coração bater fortemente no peito.
(...)
- Okay, Monica... – fiz uma careta ao vê-la devorando mais uma caixa de chocolate à minha frente. Em todas as nossas sessões, ela trazia consigo uma caixa de chocolate, um potinho de sorvete Ben & Jerry’s ou qualquer outro doce que a ajudasse a ‘’aliviar o estresse’’, como ela mesma dizia. – Diga-me quais coisas que o seu namorado fazia que te deixavam mais feliz.
Ela sorriu com a boca cheia de chocolate e disse, logo depois de engolir:
- Theodor era um amor comigo. Ele sempre me presenteava com flores e com chocolate. – ela ergueu a caixinha e eu sorri de lado. – Ele sabia que eu era viciada em chocolate, então... Ele me agradava dessa maneira. Theo sempre me levava para passear também, ir ao cinema, ou até para simplesmente andar pelas ruas para passar mais tempo comigo... Bom, isso era o que eu achava até ele terminar comigo. – Monica voltou a chorar copiosamente, parecendo uma criança quando tem seu brinquedo favorito roubado.
Ela enfiou mais chocolate na boca e eu pigarreei, anotando algumas coisas em sua ficha, como por exemplo, seu vício extremamente perigoso em chocolate, principalmente em trufas. Minha boca salivou ao pensar nas deliciosas trufas, mas ignorei meu pensamento e foquei na mulher depressiva à minha frente.
- Bom... Mais alguma coisa que você gostava? – levei a ponta de minha caneta até a boca, mordendo a tampinha da mesma.
- Oh, sim! – ela pareceu demasiado animada de repente e eu sorri, esperando que ela me contasse. – Theodor era muito bom de cama, sério! Digamos que ele gostava de posições diferentes e de coisas exóticas e isso era muito excitante! Acredita que uma vez ele me prendeu à cabeceira da cama com algemas e me fez implorar para ser fodida por ele?! Ele me fez chegar ao meu limite naquele dia, mas foi algo tão inexplicável que... Wow! – fiquei em silêncio com sua fala, apenas sentindo um certo incômodo me atingir. Entretanto, eu também estava um pouco curiosa. Se a mulher chegou a ficar sem palavras para descrever o momento que teve... Seria algo tão bom assim? – Ah, e teve aquela vez em que ele me chicoteou enquanto transávamos! Theo era um cara dominador e eu era a submissa dele. Ele me apresentou muitas coisas diferentes e...
- Ahn, okay... – a interrompi, um tanto constrangida. – Já percebi que você gostava e sente falta disso.
Ela assentiu, voltando a ficar um pouco triste. Abaixou sua cabeça, colocando outro chocolate na boca. Suspirei e anotei em sua ficha mais algumas coisas relacionadas ao seu relacionamento do passado, não deixando de acrescentar que existia um certo sadomasoquismo no meio disso.
- Certo, e por que você acha que ele terminou o namoro? Existia algum motivo para isso?
- Sim. – ela bufou – Aquela vagabunda da vizinha dele! A vadia dava em cima dele sempre que podia e o filho da puta ainda deixou-se levar! Ele terminou comigo para ficar com ela!
Repentinamente, seu momento depressivo se tornou um momento de ódio. Seus olhos transmitiam a enorme revolta que Monica sentia ao mesmo tempo em que ela amassava a caixa em seu colo.
- Hm, então a vizinha foi o real motivo da separação... – anotei na ficha – Bom, Monica, preciso te ajudar de alguma forma. Você não pode ficar nesse estado para sempre por causa de um homem que não merece o seu amor. Na verdade, nenhum homem merece uma lágrima sequer de uma mulher. Eu aprendi isso e espero que você aprenda também. Então, o que eu proponho para você é que façamos alguns exercícios de raiva. Eu tenho uma foto do seu ex aqui... – abri a gaveta e peguei a foto, colocando-a em frente à Monica – e quero que faça o que quiser com ela. Se quiser rabiscar, rasgar, cuspir ou até colocar fogo... Vá em frente.
- Como... Como você conseguiu essa foto? – ela perguntou um tanto abismada.
- Tenho meus contatos. – dei de ombros – Eu tenho a sua ficha completa aqui com endereço, telefone, tudo. Não foi difícil de encontrar o causador da sua dor. Mas esqueçamos disso... Vá em frente e faça o que tiver que fazer. – fiz um gesto com a mão e ela pegou a foto, encarando-a por alguns segundos. – Acredite, se eu pudesse, traria o próprio Theodor aqui para você descontar nele todas as suas frustrações, mas como isso não se trata dele e sim de você, prefiro não lhe causar mais dor por estar diante a ele. Acho que apenas a fotografia vai ajudá-la bastante.
Monica levantou seu olhar até mim e sorriu antes de pegar uma caneta e começar a rabiscar a foto. Sorri orgulhosa enquanto me recostava à cadeira e observava a moça enquanto descontava sua raiva, rasgando a fotografia. Peguei a tão desejada trufa na caixinha e a mastiguei, sorrindo de lado. Eu estava orgulhosa por estar ajudando mais uma pessoa.
(...)
- Você gosta dessa boneca, Ayumi? – sorri ao ver a menininha acariciando o cabelo da mesma em seu colo.
A menina assentiu ainda envergonhada. Levantei-me e me sentei na cadeira ao seu lado.
- Será que eu posso ver? – ela estendeu a boneca e a peguei – É linda. Eu também tinha uma boneca favorita quando era criança. Ela se chamava Patty. – minha voz saia suave e tranquila, afinal, eu não podia assustar a criança. – Qual é o nome dela? – me referi à linda boneca em mãos. Seu cabelo era loiro e ela usava um vestidinho rosa.
- Tiffy. – respondeu.
- É um nome diferente. – entreguei-lhe a boneca, a qual a menina abraçou. – Você faz o chá da tarde com ela? Quando eu tinha a Patty, nós fazíamos chá da tarde com biscoitos, assistíamos aos desenhos animados e eu fazia trancinha no cabelo dela.
- Nós fazemos a mesma coisa! – ela sorriu pela primeira vez, fazendo-me sorrir com seu entusiasmo. – Tiffy parece não gostar muito de chá. Ela sempre faz careta. – ri com seu comentário. Era tão bom apreciar a inocência de uma criança... – Eu também não gosto de chá, mas a mamãe gosta, então nós fazemos para ela.
- Já que você falou da sua mamãe, o que acha de falarmos sobre ela? – ela assentiu e eu estendi a mão, pegando o pote de cookies na prateleira.
Eu sempre deixava o pote ali para quando tinha consulta com Ayumi. Doces ou biscoitos sempre influenciavam um pouco nas respostas das crianças quando eu perguntava sobre algum momento de tensão em suas vidas. Elas pareciam depositar os sentimentos nos doces e biscoitos, e sempre conseguiam responder às perguntas com mais tranquilidade, sem hesitação ou medo.
- Quer um cookie? – ofereci e ela balançou a cabeça em afirmação, pegando um em seguida. – Então, Ayumi, quer me contar mais sobre a sua relação com a sua mamãe? Vocês se dão bem? São amigas?
- Muito amigas! – respondeu rapidamente com a boca cheia, fazendo com que alguns farelos escapassem de sua boquinha. – Mamãe e eu nos damos super bem. Ela me leva ao parque e me ensina o dever de casa quando eu não consigo fazer sozinha. Eu amo a mamãe.
Sorri e peguei sua ficha, anotando sobre o relacionamento da menina com a mãe.
- Eu só não gosto do amigo da mamãe. – fez careta – Eles se abraçam demais e ficam andando de mãos dadas. Ele até beija a mamãe na boca como o meu papai fazia!
Oh... Parece que temos um ponto importante aqui: sua mãe estava se relacionando com alguém.
- E eles são amigos desde a época em que seus pais estavam juntos? – perguntei.
- Não. O amigo dela veio depois. – assenti. Ufa, pelo menos não temos um caso de traição de nenhuma das partes. – Ele é até legal comigo, mas eu não gosto dele. Prefiro o meu papai. – fez biquinho e eu sorri de canto.
- E como está o seu papai? Vocês são amigos também?
- Sim, somos amigos. Papai parece estar bem também... Ele me leva para passear nos finais de semana e me coloca para dormir quando estou na casa dele. Ele é muito legal! – Ayumi levanta os braços e pega outro cookie em seguida.
- Certo, Ayumi... – passei a mão em seu cabelo preto. – E como você está se sentindo em relação à separação dos seus pais? Sua mãe disse que você está tristinha.
- E estou. Não quero meus pais separados. Eu os quero juntinhos, como eles sempre estiveram.
- Mas você já pensou que isso pode ser melhor para os dois? – ajeitei-me na cadeira, ficando virada em sua direção.
- Como assim? – franziu o cenho, fazendo sua franjinha se mexer levemente.
- Seus pais estavam tristes e com essa separação, eles estão mais felizes. Veja bem, agora você tem duas casas e dois quartos, isso não é legal? – era difícil convencer uma criança de que a separação de seus pais, que obviamente já não sentiam nada um pelo outro, era algo bom e aceitável, mas eu tentava o meu melhor para que ela visse a situação com outros olhos. Os olhos da aceitação. – Você tem mais bonecas e mais brinquedos. Aposto que tem mais do que aquela menina da escola que você não gosta.
- Isso é verdade! Eu tenho muito mais bonecas do que a chata da Jennifer. – ela fez uma carinha convencida e eu ri fraco. Penteei sua franjinha com meus dedos e ela suspirou. – Então meus pais estão mais felizes?
Assenti com seriedade e ela me pareceu pensativa por um momento.
- Então, eu estou feliz também... Mesmo ainda não entendendo muito tudo que está acontecendo.
- Um dia você vai entender, acredite. – afirmei e ela suspirou, sorrindo fraco, antes de estender a mão e pegar mais um biscoito. – Se me permite, eu vou comer um biscoito também. Eles estão com uma cara tão boa! – falei num tom infantil que a fez gargalhar.

Adentrei o apartamento e olhei em volta, vendo que não havia nenhum sinal de . Tranquei a porta e joguei minha bolsa no sofá, jogando-me em seguida. Fechei os olhos, mas os abri imediatamente no instante em que ouvi a voz de se aproximando.
- Não insista, Ryan. Eu não vou sair para beber hoje. – meus olhos correram por seu corpo quase nu, com apenas uma cueca cobrindo suas partes baixas. Senti meu rosto esquentar e virei meu pescoço, focando na janela ao meu lado. – Eu sei que você e a Olivia podem esperar. Não vão morrer por causa disso.
Dei uma olhada de canto de olho, vendo que acabara de notar minha presença. Um sorriso tomou seus lábios e ele umedeceu os mesmos, virando-se de costas para mim. Levantei-me do sofá e me aproximei da janela, apoiando minhas mãos no parapeito da mesma. O pôr do sol era simplesmente esplêndido visto por aquela grande janela. Levantei a mesma e o vento adentrou a sala, levando meus cabelos para trás assim que o coque frouxo foi desfeito. Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo-o tocar meu rosto, passando por meus cabelos. E aquela tão famosa sensação de liberdade havia me atingido, como sempre acontecia quando eu sentia o vento me abraçar.
Suspirei ao sentir o já tão conhecido corpo de encostar-se ao meu por trás. Sua mão envolveu meu cabelo, formando um rabo de cavalo, e ele o puxou, forçando minha cabeça para o lado. Um arrepio transpassou todo o meu corpo quando seus lábios gélidos encontraram meu pescoço. Apoiei-me ainda mais na janela ao sentir minhas pernas bambearem e mordi meu lábio inferior ao senti-lo mordiscando a pele de meu pescoço.
- É, você não estava brincando quando disse que... – pausei por um breve momento ao senti-lo chupar meu pescoço – Quando disse que eu não ia escapar... – acrescentei, sentindo sua risada nasalada contra minha pele.
- Agora eu vou lhe dar a amostra de uma das várias fantasias que eu tenho com a senhorita.
Meu corpo tremeu com suas palavras e sem que eu esperasse, sua mão passou por minha cintura e puxou meu corpo contra o seu com brutalidade. Sua mão espalmada em minha barriga e seu corpo colado ao meu me fizeram tremer com a expectativa. mordeu o lóbulo de minha orelha, voltando ao meu pescoço, começando a distribuir beijos molhados e carregados de luxúria. Eu podia sentir o seu desejo sendo transmitido a mim e isso fazia o sangue ferver em minhas veias. Sua mão, que estava em minha barriga, subiu até o primeiro botão de minha camisa, começando a desabotoá-la lentamente. Quando chegou ao último botão, se pôs a tirá-la, e enquanto tirava, ele distribuía beijos pela pele já descoberta.
Começando pelo meu ombro direito, ele distribuiu beijos e lambidas com sua língua áspera. Sua língua fazia uma pressão gostosa contra minha pele arrepiada, o que só me restava morder o lábio enquanto meus olhos continuavam fechados. Senti minha camisa ir ao chão, tocando meus calcanhares, e os beijos de continuaram. Dessa vez, seus lábios percorriam minhas costas descobertas, causando ainda mais arrepios, já que era um dos meus pontos fracos. Sua língua acariciou minhas costas conforme ele descia seus beijos e eu apertei o parapeito da janela. Quando sua boca chegou perto do fecho do sutiã, ele o abriu e o jogou ao chão, ao lado da minha camisa. Senti que estava apressado, já que partiu direto para a minha calça. Suas mãos a desabotoaram e desceram o zíper, puxando-a rapidamente para baixo.
Suas mãos apertaram minhas coxas e passaram por meus quadris, chegando aos meus seios, os quais ele apertou com possessividade. Joguei minha cabeça para trás, soltando um gemido baixo, e como eu estava com a cabeça apoiada em seu ombro, mordeu levemente minha bochecha. Suas mãos voltaram a apertar meus seios e seus dedos polegares acariciaram as aréolas e em seguida, os bicos. Senti sua ereção crescente contra mim e soltei um gemido baixo, mais parecido com um miado. E ele pressionou seu quadril ainda mais contra minha bunda e soltou um grunhido baixo, consequentemente voltando a apertar meus seios. Suas mãos desceram por minha barriga e ele as enfiou por dentro de minha calcinha, começando a descer a mesma. O que eu não esperava era que no meio das minhas coxas, ele puxasse as laterais da mesma, rasgando o tecido no segundo seguinte.
Eu ia protestar se não tivesse me empurrado com seu corpo ainda mais contra a janela.
- Eu fui carinhoso com você na primeira vez, mas será que dessa vez podemos fazer do meu jeito?
Meu corpo foi virado bruscamente. Abri meus olhos tendo a visão de me encarando com seus olhos quase transbordando luxúria. Seus olhos desceram até meus seios e ele mordeu seu lábio inferior antes de me agarrar pela cintura e me colocar sentada no parapeito da janela. Ele abriu minhas pernas e se encaixou no meio delas, logo envolvendo meu seio com seus lábios macios. Estremeci e agarrei seu cabelo próximo à nuca, puxando alguns fios. rosnou contra minha pele e suas mãos foram até minhas costas, fazendo-me sentir suas unhas curtas arranhando a extensão das mesmas. A pressão de seus dedos em minhas costas estava me levando à loucura, já que ele me segurava como se eu fosse somente dele. Somente dele e de mais ninguém.
Seus lábios voltaram ao meu pescoço, dando-me chupões, e logo descendo até minha clavícula, repetindo os mesmos. Amanhã eu acordaria cheia de marcas, mas quem liga para isso? Eu não. Suas mãos subiram por minhas costas, chegando aos meus cabelos, os quais ele puxou com um pouco de força. Gemi baixo e me encarou malicioso antes de unir nossos lábios em um beijo quente. Sua língua fazia movimentos rápidos contra a minha e isso só me deixava ainda mais quente e úmida por ele. Meu coração palpitava tão rápido que eu pensei que ele podia sair de meu peito a qualquer momento. A expectativa de seu toque, de seu corpo preenchendo o meu... Só fazia com que eu ficasse ainda mais ansiosa. Eu nunca pensei que podia desejar tanto alguém como eu desejava .
Ele mordiscou meu lábio inferior e se afastou para morder meu ombro. Passei minhas mãos por suas costas, chegando ao cós de sua cueca azul, começando a descê-la. Enfiei minhas mãos por dentro, assim como ele havia feito com minha calcinha, e desci a mesma, mas com mais delicadeza e sem rasgá-la. Minhas mãos passaram por sua bunda e eu a apertei antes de continuar a descer o tecido. gemeu rouco contra minha pele e apertou minha bunda de volta. Quando a cueca passou por suas coxas, decidiu tirá-la por si só. Assim que se despiu, ele voltou a pressionar seu corpo contra o meu, mas dessa vez, fazendo-me sentir seu pênis pulsante contra minha intimidade. Quando ele parou de repente, eu fiquei me perguntando se havia algo de errado. O pensamento permaneceu ao vê-lo se afastar, indo em direção ao corredor. Sua bunda branca me fez rir e assim, eu esperei para ver se ele voltava. Um minuto, pelo menos, se passou e nada do voltar.
- Eu guardei tão bem essa merda que nem eu mesmo estava encontrando. – ele apareceu de repente, erguendo o preservativo e eu ri, balançando a cabeça.
- Mas não havia necessidade. Eu...
- Shh... – colocou o dedo indicador em meus lábios – Fica quietinha e só me deixa te foder, huh?
Arregalei meus olhos com sua escolha de palavras e gargalhou. Antes que eu pudesse protestar, ele selou nossos lábios novamente. Tentei me afastar enquanto ouvia o som da embalagem sendo rasgada, mas pressionava com força seus lábios nos meus. Eu não havia gostado nem um pouco de sua maneira de falar comigo e eu queria protestar, sim. Entretanto, ao sentir seu corpo colar-se ao meu transmitindo o seu calor, eu acabei desistindo. Envolvi seu pescoço com meus braços e cedi ao beijo, sentindo sua língua tocar a minha por mais uma vez. Com o seu membro já coberto, senti começar a me penetrar. Gememos juntos até ele adentrar totalmente minha intimidade. Ele parou por um momento e em seguida, começou a se mover lentamente em vai e vem.
Finquei minhas unhas em seus ombros e fechei meus olhos, encostando minha testa em seu ombro direito. Ele apertou fortemente minha cintura com ambas as mãos, continuando com o movimento lento.
- ... Por favor... – falei baixo, com a respiração ofegante por conta do alto nível de excitação em que eu me encontrava. – M-Mais rápido...
- Oh, não, ... Para que a pressa? – ele soprou contra meu pescoço enquanto entrava e saia lentamente. – É a minha fantasia, babe... Eu quem dito as regras, não se lembra?
Choraminguei e apertei seus braços ao senti-lo ir mais fundo em mim. Ele saiu de mim de uma vez e eu choraminguei novamente ao senti-lo tão distante de mim. Puxou-me para o chão e me virou de costas, voltando a entrar em mim de uma vez. Gemi um pouco alto e apoiei as mãos no vidro da janela, sentindo suas mãos apertarem meus quadris firmemente. Meus dedos se curvaram contra o vidro ao sentir suas investidas ficando mais rápidas. Seu peito grudou em minhas costas e eu suspirei. puxou uma de minhas pernas e a levou para trás, envolvendo sua cintura com a mesma. Eu estava praticamente nas pontas dos dedos por conta dos movimentos mais rápidos e um tanto selvagens de seu corpo no meu.
- Oh, , você não sabe como estou me sentindo nesse exato momento. Você desconhece a adrenalina que está correndo por minhas veias agora por eu estar fodendo você por mais uma vez... Ainda mais aqui, nessa janela, onde qualquer um pode passar e observar o prazer que eu estou te dando. Qualquer um pode ver o prazer estampado em seu rosto, correndo por seu corpo... sussurrou com sua voz carregada de malícia. Seu tom rouco me fez arrepiar e eu levei uma de minhas mãos para trás, agarrando sua nuca. – Minha ... Somente minha.
Sorri com suas palavras, ainda sentindo seu quadril se chocando no meu. Repentinamente, me virou novamente, e voltou a entrar em mim. Ele me ergueu e enlaçou sua cintura com minhas pernas, empurrando meu corpo contra a parede ao lado da janela. Suas mãos subiram por meus braços e ele prendeu meus pulsos com uma delas enquanto a outra ia ao meu cabelo e o puxava, fazendo um rabo de cavalo. Ele me encarou com sua expressão sedenta e totalmente diferente da que eu estava acostumada, levando seu rosto ao meu busto e começando a acariciar um dos meus seios com a língua.
- ... – soprei seu nome.
Meus pulsos estavam presos por sua mão enquanto a outra acabara de soltar meu cabelo, descendo por meu corpo e chegando à minha cintura, a qual ele apertou fortemente. Seus movimentos de vai e vem ficaram mais rápidos e a fina camada de suor se formava em minha testa, assim como na de . Em um movimento rápido, ele me pegou no colo e começou a andar pela sala, jogando-me no sofá em seguida. Seu corpo veio sobre o meu e ele ergueu minha perna, colocando-a sobre o encosto do sofá, voltando a me preencher. Arqueei minhas costas com sua investida profunda e agarrei suas costas, fincando minhas unhas em sua pele.
Ergui meu quadril, encontrando com o seu, e o ajudei com os movimentos que ficavam ainda mais rápidos e desesperados. Encarei seu rosto e observei a pura expressão de prazer estampada no mesmo. Aquilo me fez sorrir e eu ergui meu tronco, beijando a pontinha de seu nariz. fechou os olhos e sorriu, logo unindo nossos lábios em um breve selinho. Os sons de nossos corpos se chocando, os meus suspiros e as nossas respirações ofegantes poderiam ser ouvidos a uma certa distância. escondeu o rosto em meu pescoço assim que começou a se mover freneticamente, quase me tirando o fôlego. Ele nunca havia se movimentado tão rápido quanto agora. Nem mesmo na primeira vez.
- Por... Por favor, – ele ronronou próximo à minha orelha – Você sabe o que fazer, baby.
Sorri de canto com seu pedido nas entrelinhas e apertei meu interior em volta de seu pênis, fazendo rosnar contra minha pele do pescoço. Abracei seu corpo, sentindo nossos corpos suando juntos e desci minhas mãos por suas costas, rodeando as covinhas no final das mesmas com meus dedos indicadores. Desci mais minhas mãos e as depositei em sua bunda, sentindo a pele se arrepiar. Apertei-a, fincando minhas unhas, e gemeu rouco próximo ao meu ouvido.
- Porra, assim você me enlouquece, babe. Eu juro que transar com você é a oitava maravilha do mundo. – ri de seu comentário e voltei a apertá-lo com meu interior, fazendo isso consecutivas vezes. – Isso... Hm... Gostosa.
Seus movimentos ficaram enlouquecedoramente rápidos e eu não consegui reprimir um gemido.
- Eu estou quase lá, baby... – ele sussurrou ofegante – Mas eu não quero gozar antes de você.
Dito isso, ele levou sua mão até minha intimidade e pressionou meu clitóris com o polegar, começando a friccioná-lo de forma rápida. Revirei meus olhos e soltei um gemido agudo e sôfrego. Seu dedo ritmado contra meu ponto de prazer estava fazendo minhas pernas tremerem e espasmos se espalharem por meu corpo já sem controle. Senti fortes contrações em meu ventre antes de gemer alto e consequentemente, meu interior apertar o pênis de . O alívio percorreu meu corpo e eu fechei meus olhos enquanto relaxava meu corpo no sofá.
- Caralho! gemeu e eu abri meus olhos, vendo sua expressão de prazer enquanto seu corpo tremia sobre o meu. Ele apertou minha cintura com ambas as mãos e soltou um gemido rouco e longo enquanto gozava. Fiquei encantada ao ver seu cabelo bagunçado, o suor escorrendo por sua testa e seu rosto um pouco corado pelo esforço. Ele umedeceu seus lábios e abriu os olhos, encontrando os meus. Sorriu e eu sorri de volta ao senti-lo deitar sua cabeça em meu peito.
Passados alguns minutos, enquanto eu acariciava os cabelos de , eu sentia meu coração voltando ao seu batimento normal. Repentinamente, ergueu sua cabeça e me encarou, fazendo-me sentir sua respiração bater contra meu rosto.
- Eu pensei que você estivesse dormindo. – comentei, sorrindo de lado enquanto acariciava sua bochecha.
- Eu quero repetir. – falou e eu franzi a testa, confusa.
- O quê? – perguntei.
- Eu quero transar com você de novo.
- Mas, ... Nós acabamos de...
- Eu sei. – ele me interrompeu – Por favor.
Sua carinha de cachorrinho pidão amoleceu meu coração e eu apenas balancei a cabeça afirmativamente. Ele sorriu e se ergueu. Foi nesse momento que eu percebi que ele ainda estava dentro de mim. Eu estava tão exausta que nem havia percebido e já havia me acostumado com ele. gemeu e eu olhei para seu membro que já estava acordado novamente. Ele ficou de pé ao meu lado e me puxou, pegando-me no colo.
- Eu quero que você seja minha no meu quarto agora. – sussurrou antes de selar nossos lábios e começar a andar.
Quando entramos em seu quarto, ele me jogou na sua cama e cobriu meu corpo com o seu. Envolvi seu quadril com minhas pernas e senti sorrir por entre o beijo, passando a mão na lateral do meu corpo.
- Eu estou apaixonado por você. Minha .
Seu sussurro me fez arrepiar e meu coração acelerou quando ele pronunciou meu apelido pela primeira vez e principalmente quando ele disse que está apaixonado por mim.
... Apaixonado por mim? Não podia ser.


Capítulo 3 – Copo Cheio, Coração Vazio

Meu corpo tensionou no exato momento em que ouvi aquelas palavras.
“Apaixonado”
“Apaixonado por você”

Elas se repetiam em minha mente como se eu estivesse ouvindo um eco dentro de uma caverna. Meu estômago embrulhou e meu coração disparou, fazendo-me engolir em seco, e deixando-me totalmente sem reação. Encarei os olhos castanhos de e franzi o cenho, apertando minhas mãos em seus braços, quase enterrando minhas pequenas unhas em sua pele clara. Minha expressão devia ser de tamanho espanto que me olhava confuso, sem conseguir entender a minha reação... Ou melhor, ausência dela. Não, ele não podia estar apaixonado por mim. Isso não era possível. Ou era? Nós nos conhecemos há pouco tempo... Nós... Eu não conseguia nem formular uma maldita frase em minha mente sem que um grande branco aparecesse no meio, impedindo-me de terminar a minha linha de raciocínio.
Peguei-me olhando o quarto de a minha volta com seu corpo ainda por cima do meu. Como se eu tivesse levado um choque, tirei minhas mãos de seus braços e puxei o lençol, cobrindo meu corpo rapidamente. Forcei-o a sair de cima de mim e num pulo, saí de sua cama. Andei de um lado para o outro no quarto, enquanto passava uma mão pelo cabelo e com a outra, ainda segurava o lençol cobrindo meu corpo nu. Minha respiração ficou ofegante de repente e eu já começava a sentir dificuldade em respirar, como se eu tivesse desaprendido tal ato simples.
“Vamos, ! É uma tarefa simples! Apenas inspire e expire. Você pode fazer isso. Vamos lá, garota!” – repetia aquilo em minha mente, como se aquela instrução fosse capaz de me ajudar e me acalmar, mas nada naquele momento parecia funcionar.
Oh, céus!
Virei meu corpo e encarei que estava sentado na cama, quase totalmente vestido. Somente seu tronco estava descoberto. Quando ele havia se vestido? Como ele havia feito aquilo tão rápido? Percebi que eu já estava naquele transe por tempo demais, já que me encarava sério e com a confusão ainda estampada em seu rosto. Repentinamente, minhas mãos começaram a suar e consequentemente, eu as esfreguei uma na outra, com meus braços apertando o lençol fortemente por debaixo de minhas axilas.
- O quê? – juntei coragem não sei de onde e consegui pronunciar aquela simples pergunta com a voz mais falha do mundo.
Eu devia estar o encarando com a expressão mais assustada da face da Terra já que suspirou e se ergueu, ficando há alguns passos de distância de mim.
- Foi isso mesmo que você escutou. Eu estou apaixonado por você. – falou com a maior naturalidade, com as mãos nos bolsos da calça de moletom.
Encarei-o atônita e comecei a gargalhar, ainda não acreditando naquilo.
- Você está brincando comigo. – afirmei, apontando em sua direção – É claro que está! Okay, , já pode parar. Isso é uma brincadeira de muito mau gosto.
- Eu nunca faria brincadeira com algo assim. – deu de ombros, com sua voz calma.
Enquanto ele demonstrava a maior tranquilidade através de suas expressões faciais, eu devia estar parecendo uma louca que fugiu do manicômio. Eu sentia que sim.
Fiz careta e voltei a segurar o lençol com uma das mãos.
- Qual é? – ri novamente. Meu riso era de nervosismo, é claro, com uma pitada de incredulidade. – Isso é uma brincadeira, sim! não se apaixona!
Ele me olhou sério como se eu tivesse dito a maior burrada do mundo e cruzou os braços.
- Repita, por favor.
- não se apaixona. – repeti pausadamente.
- Se eu não me apaixono, que porra de sentimento é esse que eu tenho por você, ?! – ele explodiu, dando-me um susto – Será que você pode me explicar? Porque pelo que eu vejo, você acha que não sou capaz de distinguir meus próprios sentimentos.
Olhei-o desacreditada e ri novamente.
- Foi você quem inventou essa droga de sentimento agora! Diga-me, , desde quando você sente isso? Por que não contou antes? Por que...
- Porque eu não sabia! – ele gritou, interrompendo-me. – Eu estava confuso! Eu descobri que gosto de você mais do que uma simples amiga, mais do que uma mera colega de apartamento há pouco tempo. Eu...
- Eu não acredito nisso. – o interrompi, balançando negativamente a cabeça. – Como é possível? Como...? Você deve estar confundindo as coisas. Às vezes, você está simplesmente...
- Não venha com a sua psicologia para o meu lado, ! Isso não é hora para o caralho da sua análise! – estava muito nervoso. Ele gritava e seu rosto vermelho estava me deixando assustada. Eu só queria ajudá-lo. Eu só queria ajudá-lo a se encontrar, a se entender. Ele riu de repente e eu o encarei com a testa franzida. – Engraçado que quando você estava de quatro por aquele otário do , você tinha certeza de que era paixão, huh?! Por que comigo é diferente? Por que comigo é uma mera confusão da minha cabeça? Como se eu não fosse capaz de gostar verdadeiramente de alguém, como se eu não fosse capaz de...
Quando ele se autointerrompeu, eu disse:
- Continue, .
- Como se eu não fosse capaz de ficar com alguém além do desejo sexual. – sua voz saiu mais baixa e um tanto quanto reflexiva, como se ele estivesse falando consigo mesmo e refletindo sobre os seus relacionamentos até aqui.
Respirei fundo e olhei para meus próprios pés descalços.
- Eu sei que tudo isso é estranho e que eu posso ter me envolvido demais com toda essa situação em que nos encontramos de viver sob o mesmo teto, convivermos juntos e estarmos tão presentes na vida um do outro, mas por favor, não diga que eu não posso me apaixonar. É difícil, talvez até raro, mas é possível. Já aconteceu uma vez, por que não aconteceria de novo? – sua voz soava mais calma e eu sentia seu olhar pesando sobre mim. – Eu só não contava com a ideia de que você seria a escolhida.
Olhei em seus olhos, observando a intensidade com a qual eles brilhavam, e senti meus olhos arderem, anunciando o choro que nascia. Minha garganta ardeu e com os olhos lacrimejados, eu balancei a cabeça lentamente em forma de negação.
- Desculpe. – disse baixo quase num sussurro.
me olhou tristemente e tentou se aproximar de mim, mas eu me afastei e abri a porta do quarto, saindo em seguida, não deixando que ele falasse mais nada. Fui até meu quarto e antes que eu fechasse a porta em um baque e a trancasse, ouvi chamando por meu nome. Com a porta fechada, eu encostei meu corpo a ela e fechei meus olhos, sentindo as lágrimas descerem quentes por minhas bochechas. Eu estava muito confusa. Eu não sabia o que pensar. Aquilo tinha me pegado totalmente desprevenida. Eu nunca iria imaginar dizendo aquelas palavras para mim.
E o que mais me fazia sentir culpada e arrasada... Era que eu não sentia o mesmo por ele.

’s POV

Eu nunca pensei que diria isso, mas meu coração dói. E infelizmente, está doendo por causa de uma mulher. Uma mulher que entrou em minha vida sem nenhum convite e a bagunçou completamente, deixando somente a desordem para trás. É como uma das inúmeras festas em que já fui. O pobre do anfitrião é o que sempre se ferra no final, porque é ele quem tem de limpar a bagunça. Eu era o anfitrião naquele momento. Eu abri a porta do meu coração com o maior sorriso do mundo sem que eu ao menos me desse conta, e agora... Eu é quem teria de limpar os cacos de sua destruição. Depois de toda a festa – que durou pouco –, a bagunça é a única coisa que restou. Passei a mão no cabelo e suspirei, ainda encarando a porta fechada de seu quarto. Eu não me permitiria chorar. Não. Não por uma mulher.
Aquilo já havia acontecido comigo antes. Oh, sim. A rejeição já houvera me feito uma visita há um tempo atrás. E na sua primeira visita, eu tratei de trancar o coração. Eu poderia sim me ferir de novo, mas não choraria. Não me deixaria amargurar ou me magoar daquela forma de novo. Então, eu simplesmente engoli o bolo que se formava em minha garganta e continuei a encarar aquela porta, com a mínima esperança de que a abriria e diria qualquer coisa além daquele “Desculpe”. Entretanto, infelizmente, isso não aconteceu. No pouco tempo em que fiquei ali plantado, a porta não se moveu em nenhum minuto e apenas aceitei aquilo como um fim de conversa. Fim de exposição de sentimentos. Fim da discussão.
Virei meu corpo e voltei ao meu quarto, pegando meu celular que estava sobre o criado-mudo. Disquei o número e depois de alguns toques, ele atendeu.
- Alô, Ryan? Aquele convite ainda está de pé?
(...)

Virei mais um copo de tequila, não conseguindo evitar fazer uma careta quando o líquido desceu por minha garganta. Bati o copinho no balcão e pedi mais uma dose para o barman, que assentiu.
- Wow, vamos com calma aí, irmão. – disse Ryan ao meu lado. Ignorei seu comentário e virei o copo novamente quando o mesmo já estava postado à minha frente. – Ok, cara... O que está acontecendo com você? Você só bebe assim quando a situação está tensa.
- E está. – disse simplesmente, fazendo um gesto e pedindo mais bebida.
- . – ouvi a voz de Olivia me chamar e virei meu rosto, vendo-a me encarar com uma expressão preocupada. – O que aconteceu?
Suspirei e abaixei a cabeça.
- A aconteceu. – levantei o rosto e bebi mais uma dose de tequila.
- Como assim? – Ryan perguntou, logo levando sua bebida à boca, fazendo uma careta em seguida.
Sentindo um calor repentino subir por meu corpo, eu tirei minha jaqueta e a joguei no balcão ao meu lado. Passei minhas mãos no rosto e respirei fundo.
- Eu tive uma conversa com ela que não teve um final muito excitante. – disse sarcástico – Engraçado que minutos antes, eu estava a fodendo no sofá. – soltei uma risada. Droga, o álcool é foda.
- Ahn, okay... Nós não precisávamos saber disso. – Liv fez careta, bebendo um gole de seu refrigerante. Quem vem para um bar e bebe refrigerante?!
- É claro que precisávamos. – interviu Ryan – E aí, cara? Ela é boa de cama? É gostosa?
- Ryan! – Olivia o repreendeu e eu lancei um olhar sério na direção do idiota que eu considerava meu melhor amigo. A que ponto eu fui chegar, huh?
- Ouse perguntar isso de novo e eu quebro os seus dentes. – levantei o punho cerrado em sua direção e Butler apenas levantou as mãos em rendição, dando de ombros em seguida.
- Ok, eu não pergunto mais. Mas que aquela moça que se faz de santinha e ingênua deve ser um estrago na cama, isso deve ser...
Sem conseguir me conter, ergui minha mão e dei-lhe um tapa na parte de trás da cabeça.
- Seu filho da puta, não faça mais isso. – ele quase gritou, devolvendo-me o tapa. Com o efeito do álcool, minha cabeça pareceu quase estourar e eu acabei gemendo com a tontura que senti, levando as mãos à cabeça. – Cara, foi mal... – Ryan começou a dizer num tom preocupado, mas sem que eu lhe desse tempo, ergui novamente a mão e devolvi o tapa. Sempre foi assim, ganhava quem dava o último tapa, soco ou chute.
Quando Ryan ia me bater de novo, Olivia se meteu em nosso meio.
- Será que as duas crianças podem parar com isso?! – falou num tom irritado – Quase trinta anos na cara e ainda agem com tamanha infantilidade.
Bufei sendo acompanhado por Ryan e voltei minha atenção para o barman, pedindo outra bebida. Hoje eu ia beber até não aguentar mais só para esquecer da e daquela carinha linda, daquele sorriso magnífico, daquele corpo que me deixava excitado como eu nunca havia ficado na vida... Daquele jeito intelectual e...
Espera! Era para eu estar a esquecendo, e não pensando nela! Droga, preciso de mais bebida.
Eu estou começando a odiar essa droga de sentimento que acabei alimentando por aquela mulher. Nem sei quando comecei a sentir essa porra, mas só pelas complicações que estou vendo em meu caminho, seria melhor fingir que eu nunca senti e nunca tive a coragem de expressá-lo em palavras para . Tudo teria sido tão mais fácil se eu tivesse ficado de boca fechada. Antes eu tivesse transado com ela em meu quarto e pronto. Sem palavras sentimentais, sem conversa, sem discussão... E sem porta na cara.
- ? – balancei a cabeça ao ouvir a voz de Liv – Eu já estou te chamando há um tempo. No que estava pensando? Oh, não, espera! Eu já sei! ... Estou certa? – sorriu de canto, de forma maliciosa.
Rolei os olhos e assenti.
- Você ainda não nos disse o que aconteceu, cara. – disse Ryan.
- Acontece que eu abri a boca e falei demais. Contei hoje para ela que eu estou apaixonado... Por ela.
- Ahá! Eu sabia! Sabia! – Olivia quase saltitava enquanto apontava para mim. Franzi o cenho e a olhei como se ela fosse louca.
- Quem é a criança agora? – zombei, lançando suas próprias palavras contra ela.
Ela deu língua e sorriu.
- Eu sabia que essa hora ia chegar! Eu te falei que você estava de quatro por ela. Falei!
- De quatro, não. – olhei-a com repreensão. – Mas sim... Eu admito que estou encantado por ela. Parece que tudo nela me chama a atenção e me deixa agindo feito um bobo. Se ela me pedisse a Estátua da Liberdade de presente, eu acho que seria capaz de fazer de tudo para atender a seu pedido. – fiz careta – Isso soa tão estúpido, não?
- Ahn... – Ryan me encarou como se eu fosse de outro planeta. – Sim.
- É claro que não! – Olivia interviu – Isso é fofo! Que bonitinho, . – ela sorriu, abraçando-me de lado.
- Não é bonitinho. Isso é o fundo do poço o qual eu me encontro. Isso é uma vergonha para o sexo masculino. Eu sou uma vergonha para os meus colegas do sexo masculino.
- Okay, machista, eu posso saber por quê? – Liv cruzou os braços.
- Onde já se viu um cara como eu, tendo o passado que tenho, ficar assim por causa de uma mulher que quase acabara de conhecer? Isso é humilhante!
- Mas você já passou por isso antes. – Ryan disse dando de ombros. – Ou se esqueceu da...
- Não diga o nome dela. Já basta eu ter encontrado com ela na viagem ao Canadá. – trinquei os dentes, apertando o copinho de bebida vazio entre meus dedos frios.
- Você encontrou com a Janette?! – Olivia perguntou surpresa, mas quando a encarei sério por ter pronunciado o bendito nome, ela encolheu os ombros. – Ahn, desculpe... Mas como assim encontrou com ela?
- Nós estávamos passeando pelas ruas de Stratford... Na verdade, eu estava sendo usado como um burro de carga pelas ruas de Stratford... – lembrei-me das inúmeras sacolas e caixas que eu segurava para minha mãe. – Quando ela veio em nossa direção e bem... Vocês devem imaginar a cara de merda que eu fiz.
- Wow, cara... Que azar. – Butler comentou e eu bufei.
- Mas enfim, ela veio com aquele papo de que sentia minha falta. – rolei os olhos.
- Ridícula. – Olivia comentou, bufando. – Mas, e a ? Ela sabe sobre a Janette?
- Sim, eu contei. Não tinha por que mentir ou esconder algo dela.
O silêncio se instalou enquanto eu bebia mais e mais. Parecia que minha vontade de beber nunca sanava e quanto mais eu bebia, mais eu queria sentir o álcool descendo por minha garganta seca. Houve um momento em que eu não me dei conta de mais nada que eu fazia. Eu agia por impulso, pela emoção e pelo momento. Eu dava gargalhadas até se um mosquito passasse a minha frente e flertava com as mulheres que passavam por mim ou me encaravam e piscavam. Perdi totalmente o controle quando – ignorando o pedido de Olivia para não ir – eu acompanhei uma mulher até a pista de dança improvisada do bar, onde muitos casais dançavam ao som da música ao vivo.
Ela envolveu meu pescoço com os braços e eu ri ao envolvê-la pela cintura, sentindo seus lábios nos meus no instante seguinte.

Wright’s POV
Arrumei meus óculos e continuei a ler meu livro, sentada no sofá e coberta com o meu cobertor fofo. Depois do ocorrido com , eu liguei para e nós ficamos conversando. Ela me aconselhou de todas as formas possíveis, mas parece que todos os conselhos entravam por um ouvido e saíam por outro. Agora eu só dava ouvido mesmo às confusões que tomavam conta do meu cérebro, e ao turbilhão de sentimentos em meu coração. Eu não sabia o que pensar, o que fazer. Eu não sabia de nada. E esse meu ‘’não saber de nada’’ foi interrompido com fortes batidas à porta. Franzi a testa ao olhar para o relógio na parede e ver que já estava bem tarde da noite. Quem seria a essa hora? havia saído, já que passei por seu quarto mais cedo e vi que não havia ninguém. Será que ele tinha esquecido a chave?
Descobri meu corpo e levantei do sofá, ajeitando meu pijama. Calcei minhas pantufas e fui até a porta, destrancando-a. Eu precisava colocar um olho mágico aqui. Vai que é um assaltante ou até estuprador e eu aqui, abrindo a porta normalmente como se dissesse: “Ah, claro, senhor assaltante/estuprador, pode entrar. Você é muito bem-vindo!”. Balancei a cabeça e abri a porta, franzindo o cenho ao ver Olivia, Ryan e... parados à minha frente. Olivia e Ryan carregavam um braço de em seus ombros, enquanto parecia estar morto no meio deles. Sua cabeça estava baixa e ele parecia desmaiado. Os coitados que o seguravam pareciam fazer a maior força do mundo para aguentar o seu corpo.
Dei espaço para que entrassem e eles colocaram sentado no sofá. Sua cabeça deitou-se no encosto do mesmo e assim vi que seus olhos estavam fechados. Olivia bufou e balançou a cabeça em negação para .
- O que aconteceu? – perguntei receosa, abraçando meu próprio corpo.
- Problemas masculinos. – respondeu Ryan.
- Problemas de um idiota, isso sim! – interviu Olivia com impaciência. – Esse idiota que eu chamo de amigo, bebeu até não aguentar mais. Quase que entra em um coma alcoólico.
- E por quê?
Os dois se entreolharam e Ryan preferiu cruzar os braços e olhar para o chão a me responder. Olivia, por sua vez, sorriu fraco e disse:
- É melhor você e ele conversarem sobre isso amanhã quando ele estiver melhor. Acho que vocês têm uma conversa inacabada.
Engoli em seco. Ela sabia da discussão?
Fiquei em silêncio e ela deu uma rápida olhada para antes de respirar fundo e dizer:
- Acho melhor irmos, Ryan. Esse aí não acorda hoje.
Ryan assentiu e me lançou um mínimo sorriso antes de começar a andar, sendo acompanhado de Olivia. Ela me desejou uma boa noite antes dos dois saírem do apartamento e me deixarem sozinha ali... Com um ser bêbado e desacordado no sofá. Fiz careta ao me aproximar e vê-lo sentado em cima do meu precioso livro. Fiz força e consegui tirá-lo dali, colocando-o sobre a mesinha. Fui para o outro lado da sala e encostei-me à parede, cruzando os braços, e me pondo a encarar . Será que ele havia bebido desse jeito por causa da discussão? Será que eu sou o motivo de sua bebedeira?
Por um momento, fiquei com pena do seu estado deplorável. Ainda o encarando, senti meu corpo tensionar ao vê-lo acordando aos poucos. Fiquei em silêncio, mas ele me notou em meio à luz fraca do abajur da sala. Coçou seus olhos e continuou a me encarar. Não sei por quanto tempo ficamos nos olhando em silêncio, mas acho que foi o suficiente para se levantar e caminhar em minha direção. Seus braços pararam nas laterais do meu corpo, imprensando-me na parede. Seus olhos me encaravam profundamente, transbordando uma espécie de... Raiva?
- Eu espero que esteja feliz por me ver assim, nesse estado deplorável. Porque tudo isso é por sua culpa.
Suas palavras carregadas de raiva e veneno chicotearam meu rosto e eu engoli em seco, ainda sem reação. Suas mãos desceram até minha cintura e ele afundou seus dedos na mesma.
- Se a sua intenção é me fazer sentir culpada, esqueça. Eu não tenho culpa alguma.
Ele riu debochado.
- E me solte, porque está começando a me machucar, !
- Não mais do que você está me machucando com a sua rejeição.
Suas palavras quase me fizeram chorar.
- Meu coração não foi feito para ser pisado, .
- Eu não estou pisando. Você está entendendo tudo errado. Eu só estou confusa.
- Confusa? – franziu o cenho – Você não tem o direito de ficar confusa. Acho que eu deixei a situação bem clara para você!
- , você não está bem. Você bebeu, está alterado... Eu acho melhor você dormir e nós conversamos amanhã.
- Eu só queria que você entendesse o meu lado. Engraçado que você foi atrás daquele cara que só te feriu, que só te humilhou! E eu que estou aqui, te mostrando meus sentimentos... Você rejeita? Você é toda ao avesso, garota! E eu odeio isso!
Quando seu aperto se intensificou em minha cintura, eu me desesperei. Eu sabia que nunca ia me machucar, mas ele estava me assustando de tal forma que eu estiquei meu braço e peguei o telefone, batendo com o mesmo em sua cabeça para que ele me soltasse. Eu sabia que não poderia competir com sua força. Eu perderia, na certa.
O que aconteceu depois me deixou ainda mais assustada. Com o baque em sua cabeça, me soltou, mas também caiu ao chão, totalmente apagado. Olhei-o com os olhos arregalados e larguei o telefone, levando minhas mãos à boca. Oh, céus, será que eu bati com muita força? Mas ele me obrigou a isso! Ele... Meu Deus, eu acho que acabei de matar .
Ok, isso foi dramático, eu sei.


Capítulo 4 – Ignorada

Sábado de manhã e eu acordada desde cedo. Na verdade, acho que eu nem chegara a dormir. Fiquei a madrugada toda naquele estágio do sono em que se está dormindo, mas não completamente. O fato é que não consegui dormir por causa do ser que estava hospedado no quarto em frente ao meu. Depois do desmaio – causado por mim –, consegui carregar até seu quarto, jogando-o sobre a cama. Antes de sair do quarto, verifiquei sua respiração e pulsação para ter certeza de que não o tinha matado, e assim o deixei lá, com a mesma roupa. Virei meu corpo na cama e me espreguicei antes de me levantar. Olhei para o relógio sobre o criado-mudo e suspirei mal-humorada por estar acordada às seis e meia da manhã, sendo que eu podia estar no vigésimo terceiro sono já que não teria aula.
Bufei e calcei minhas pantufas. Coloquei meus óculos e assim, deixei o meu quarto, indo em direção à sala. Peguei a frigideira e alguns ovos na esperança de conseguir cozinhar algo decente para comer, e assim, comecei a fritar os ovos logo após quebrá-los e derramá-los na frigideira. Sorri vitoriosa ao ver que havia conseguido realizar aquela simples tarefa e assim, me servi. Peguei um suco de laranja na geladeira e arrumei o meu prato com o copo sobre a bancada. Sentei-me e comecei a comer em silêncio, observando o dia pela grande janela da sala. Aquela simples janela fez meu estômago revirar diante à lembrança do que havia acontecido entre e eu naquele mesmo lugar. Engoli o pedaço de ovo que eu mastigava e balancei a cabeça negativamente, voltando minha atenção ao meu café da manhã.
Peguei algumas torradas e passei um pouco de pasta de amendoim, dando uma grande e saborosa mordida. Meu corpo tensionou e eu parei de mastigar na mesma hora em que ouvi uma movimentação na casa, mais precisamente, vinda do corredor. O acordou. Repentinamente, um nervosismo tomou-me conta e eu já não sabia se continuava a comer, ou se ligava a televisão e fingia estar assistindo algo, ou se até mesmo eu corria para o meu quarto e me trancava lá, evitando ao máximo encará-lo novamente. O tempo em que ouvi o barulho até o momento em que apareceu na sala foi tão curto que o máximo que consegui fazer foi continuar na mesma posição, sentada de frente para a bancada e com a cabeça baixa enquanto comia. Pelo canto de olho, vi que ele parou de andar subitamente quando me viu ali na cozinha. Porém, alguns segundos depois, ele balançou a cabeça e voltou a andar, indo em direção ao freezer.
Ainda de canto de olho, eu o observei pegar o recipiente de gelo e em seguida, uma sacolinha. Ele jogou três pedrinhas de gelo dentro da sacola e fez um nó, logo erguendo a sacola até a cabeça, justamente no lugar em que o havia acertado com o telefone na noite passada. guardou o gelo novamente no freezer e foi até o armário, pegando a caixa de cereal, e em seguida, o leite. Ele se sentou na ponta da bancada há certa distância de mim e se pôs a comer em silêncio. Segurei um suspiro e voltei a morder a torrada. Meu corpo paralisou novamente quando eu vi sua mão se aproximar da minha que estava sobre a bancada. Engoli em seco e continuei a observar o movimento da mesma, até que ele desviou o caminho e pegou o pacote de torrada que estava ao meu lado, bem próximo à minha mão.
Logo ouvi o som da sua mordida na torrada e suspirei baixo, balançando levemente minha cabeça. O que eu estava pensando? Que ele ia tocar a minha mão? Que ia ser legal e carinhoso comigo depois das coisas que eu falei para ele? Ou pior... Depois da telefonada que eu dei em sua cabeça... Se é que ele se lembra disso. Levantei-me depois de terminar meu café e me aproximei da pia para lavar a louça, quando a campainha tocou. Franzi a testa e fui até a porta, abrindo-a em seguida. A visão do senhor Steve a minha frente só me fez ter uma forte dor de cabeça, já sabendo o porquê de ele estar batendo à minha porta justamente naquele horário.
- Bom dia, senhor Steve. – cumprimentei educadamente, ajeitando meus óculos.
- Bom dia, senhorita Wright. Imagino que a senhorita já saiba o porquê de minha breve visita.
- É claro que sei. O senhor veio cobrar o aluguel.
O velho abriu um sorriso como se dissesse “Exatamente, e espero que tenha o dinheiro, caso o contrário, considere-se despejada”. Forcei um sorriso simpático e lhe dei as costas, indo até a gaveta do móvel da sala onde eu guardava o dinheiro do aluguel. Vi levantar e sumir pelo corredor, mas ignorei esse fato enquanto procurava o dinheiro. Encontrei as notas alguns segundos depois e contei, vendo que a minha parte estava completa. Aproximei-me da porta no exato momento em que apareceu com sua carteira em mãos. Ele ficou ao meu lado e estendeu o dinheiro para o senhor Steve enquanto eu também estendia a minha parte.
- Bom dia, senhor. – ele cumprimentou.
- Bom dia, rapaz.
Steve pegou o dinheiro de ambas as partes e o contou, sorrindo de canto ao ver que estava tudo certo. Bom, pelo menos naquele mês, eu não teria de passar por mais uma humilhação de ameaça de despejo. Em relação a isso, acredito que serei eternamente grata a .
- Tenham um bom dia, meninos. – ele falou antes de acenar com a cabeça e começar a se afastar pelo corredor.
Observei seus passos e vi quando a senhora Wilson abriu sua porta para bisbilhotar o que estava acontecendo. Sorri de sacanagem e gritei:
- Bom dia, senhora Wilson!
Meu tom de voz saiu um tanto quanto alegre demais, mas era exatamente o que eu queria. Ela até ia me responder, mas ao ver ao meu lado, trajando somente uma calça de moletom cinza e com o cabelo bagunçado, ela arregalou os olhos e balançou a cabeça negativamente.
- Que pouca vergonha. – falou num tom baixo antes de fechar a porta.
Franzi a testa e segurei o riso. A senhora Wilson era extremamente católica e ia praticamente todos os dias à igreja. Acho que para ela, me ver morando com um homem que não era meu marido e nem nada do tipo, devia ser um dos maiores pecados da face da Terra.
Balancei a cabeça ainda sorrindo e me virei para fechar a porta, dando de cara com me encarando. O sorriso sumiu de minha face no mesmo instante e eu engoli em seco, olhando-o um tanto sem graça. Ele me encarou de cima a baixo e eu corei intensamente ao lembrar que eu ainda usava meu pijama, que era composto por uma espécie de regata de tecido fino com um short do mesmo tecido. A regata e o short estavam um tanto quanto curtos e eu estava preferindo usá-los já que Nova York havia sido tomada por um calor horrível. O seu olhar intenso me fez arrepiar e repentinamente, um calor passou por minha nuca, fazendo-me suar naquela região.
Levantei meus braços e puxei meus fios de cabelo bagunçados, arrumando-os em um coque frouxo e improvisado, sentindo minha nuca mais fresca com aquele simples ato. Lançando-me uma última olhada, se afastou e pegou o saquinho de gelo, voltando a colocá-lo na cabeça. Minha garganta estava seca e eu engoli um pouco de saliva ao vê-lo se afastar, saindo da sala. Respirei fundo e fui até meu quarto para pegar meu notebook. Voltei à sala e me sentei no sofá com o notebook no colo. Fiquei mexendo no mesmo, procurando algo para fazer, até que a presença de me chama a atenção. Ele voltou à sala com uma outra calça e já com uma camisa e um casaco de capuz por cima. Em suas mãos, ele segurava uma garrafinha. Foi até a cozinha e a encheu de água. Acompanhei-o com o olhar na esperança de que ele me dissesse para onde estava indo, mas foi em vão. Quando ele saiu e fechou a porta num baque, eu fiquei encarando a porta.
Então era isso? Ele ia mesmo me ignorar? Ótimo, se é isso o que ele quer, tudo bem. Eu também sei fazer isso.
(...)

Por volta de umas dez horas, a tranquilidade que me rondava foi brutalmente interrompida quando a porta foi aberta. Arregalei meus olhos e olhei na direção de e que entravam no apartamento, sem nem terem batido.
- Muito educados, huh? Podiam ter batido na porta antes! – exclamei, colocando o notebook na mesinha.
- Nós já somos de casa, querida. – disse sorrindo, indo direto para a cozinha, começando a abrir os armários. – E nós viemos fazer o almoço. Ou se esqueceu de que hoje é sábado?
- É claro que não esqueci. – sorri.
Oh, o nosso querido sábado em que passávamos o dia juntos. Era o que eu mais precisava naquele momento.
Vi a pequena bolinha de pelos chamada Mike se aproximando, cheirando meu pé descalço. Ri e me agachei, pegando-o no colo. Olhei para seus olhinhos azuis e sorri, fazendo um carinho em sua cabeça.
- Hey, Mike. Estava com saudades de você, garoto. – disse recebendo uma lambida na bochecha.
Ri baixo e beijei sua cabeça, colocando-o no chão em seguida.
- Oi, . – se aproximou logo após fechar a porta, abraçando-me.
Retribuí o abraço e sorri.
- Oi, . E como está a sua avó? Você ainda não me contou.
Fui até a cozinha e abracei , recebendo um abraço apertado de volta.
- Ela está bem. Está recuperada da gripe. Ainda bem, porque com a imunidade baixa que ela tem, qualquer gripe é um perigo. – ele se jogou em meu sofá e ligou a televisão, cruzando as pernas sobre a mesinha.
- Que bom. – sorri – Mas, por favor, tire seus pés da minha mesinha. Você sabe muito bem que não gosto disso.
Ele ignorou meu pedido com um sorriso sapeca nos lábios, fazendo-me bufar.
- Você faz isso direto, . – protestou .
- Mas eu posso! Quem comprou a mesinha fui eu. – ela riu e me olhou.
- O que está fazendo ainda de pijama?
- Ainda são dez horas da manhã! Eu não sabia que receberia visitas a essa hora.
- quis chegar o mais cedo possível. Também não entendi, mas assim que ele me explicou o motivo, eu fiquei puta da vida.
- E qual seria o motivo? – franzi o cenho.
- Adivinha. – lançou-me aquele olhar cínico e eu saquei na hora do que se tratava.
- Um jogo de basquete? – deduzi.
- Exatamente! – rolou os olhos e eu ri.
- Homens...
- Exato. Homens. – pegou uma panela e colocou sobre o fogão. – disse que sua televisão é melhor para ver o jogo, mas eu não acredito nessa história fiada. Acredito que seja porque aqui ele tem um companheiro para ver o jogo. – lançou-me aquele olhar cúmplice e eu rapidamente pensei em .
Senti algo em meu pé e olhei para baixo, vendo que Mike voltava a me cheirar. Agachei-me e o peguei no colo. Sentei-me na bancada e o coloquei em meu colo, acariciando a parte de trás de sua orelha. Ele fechou os olhinhos e eu sorri de canto com aquela fofura.
- Falando nisso... Onde ele está? – se referiu a e eu continuei olhando para Mike em meu colo, sentindo o olhar de sobre mim.
- Saiu. – dei de ombros. – Nem me pergunte para onde porque eu não sei.
Ela suspirou e se aproximou, ficando ao meu lado.
- Ele ainda está chateado? – perguntou com a voz suave.
- Parece que sim, mas o que eu posso fazer? Eu estou confusa. Eu não esperava que ele me dissesse aquilo. Fui pega totalmente de surpresa.
se sentou ao meu lado e apoiou as mãos no mármore.
- Você já pensou na possibilidade de sentir o mesmo? Não sei, talvez você só não tenha se dado conta ainda. Talvez com o tempo, você perceba o que realmente sente por ele. Você sabe que ele sempre está lá por você, que ele sempre vai te ajudar e que ele realmente é um verdadeiro amigo. Você deve estar só analisando essas questões e dessa forma, colocou na sua cabeça que só o vê como um amigo. Se você parar para analisar as sensações que ele te proporcionou, os momentos de intimidade que eu sei que tiveram... Você possa entender o que realmente sente a respeito de .
- , eu... – me autointerrompi quando a porta do apartamento foi aberta por mais uma vez, mas quem passava por ela era .
Ele fechou a porta assim que entrou e logo depois percebeu que meus amigos estavam ali. sorriu e foi até , cumprimentando-o com um toque estranho de homens e um abraço.
- Hey, . – disse e ele sorriu vindo até nós. Passou direto por mim e abraçou , dando-lhe um beijo na bochecha.
- Hey, . Como você está?
Olhei-o de forma discreta e o vi tirar o casaco e em seguida, a camisa. Sua testa e seu cabelo estavam molhados e seu rosto se encontrava um pouco corado. Meus olhos, sem que eu pudesse me controlar, desceram por seu corpo e eu vi as gotículas de suor escorrendo por seu peito e abdômen. Oh, sim... Ele tinha ido correr. Ele levou a garrafinha d’água até a boca e deu longos goles, enquanto encarava . Desviei o olhar rapidamente e ouvi responder à sua pergunta.
- Estou muito bem, e você? – sua voz saia alegre.
- Estou de olho, . Sem muita empolgação! – a voz de ecoou e eu olhei para trás, vendo-o encarar e em seguida, . – Você ainda é minha namorada e exijo respeito pelo menos na minha presença.
- Cala a boca, ! – ela revirou os olhos e bufou. Ri nasalado ainda acariciando Mike. – Não tem empolgação nenhuma aqui. Só estou conversando com um simples amigo.
- Acho bom!
riu e a sua risada me fez arrepiar. Era uma risada tão gostosa e contagiante.
- Estou ótimo. – respondeu ainda risonho. – E não se preocupe, , a é toda sua.
- Eu confio no meu taco, colega! – rebateu e eu segurei o riso.
e suas respostas curtas e grossas.
Percebi ficar sem jeito ao meu lado e olhei de canto, vendo-a com as bochechas coradas. Parece que aquela frase causou algum impacto na minha amiga.
- Mike! – soou animado, aproximando-se e pegando Mike, consequentemente tirando-o de meu colo sem que eu conseguisse ao menos protestar.
Eu não sabia o porquê, mas estava difícil desviar o meu olhar de e Mike brincando. A forma como o segurava em um braço e o acariciava quase me deixavam sorrindo feito uma boba. Eu disse quase. Até porque se eu demonstrasse algum sentimento naquele momento, ele podia perceber, e isso era a última coisa que eu queria. Eu havia entrado em seu jogo para valer, e não ia aceitar perder. Perto de , eu seria a garota sem sentimentos. Isso até poderia soar ridículo, mas era necessário, afinal, eu tenho orgulho e agora, amor próprio. Ninguém pisa no meu orgulho ou amassa o meu ego sem o meu consentimento. Então, eu continuei a encará-lo, mas sem qualquer expressão abobada em meu rosto. Era como se eu não estivesse vendo nada demais. Como se eu não visse aquela fofura bem a minha frente, mexendo com o meu interior.
Não, eu não estava sentindo nada.
sorriu para Mike e deixou com que o cachorrinho lambesse o seu rosto em demonstração de carinho enquanto ria.
- Vou tomar um banho e venho ajudar você. – ele se dirigiu a , que assentiu.
Ele colocou Mike no colo dela e se afastou com a camisa e o casaco sobre o ombro. Quando ele sumiu pelo corredor, me olhou.
- É, parece que a situação está tensa mesmo. Ele está te ignorando com tanta vontade que dá para sentir de longe.
Dei de ombros, mesmo sabendo que aquilo me afetava.
- Deixe-o. Também sei jogar com a mesma infantilidade que ele.
(...)

Logo após tomar um banho e trocar de roupa, eu voltei à cozinha, tentando ajudar ao máximo que eu conseguia. também estava presente, mas eu o ignorei completamente. Eu estava do lado esquerdo da área da pia enquanto estava no meio e , de frente para o fogão. Eu estava picando a cenoura quando ouço a voz de dizer:
- , me passa a salsa, por favor.
Olhei para o lado e a salsa estava exatamente há alguns centímetros de distância da minha mão. Ele podia ter pedido para mim, não podia? Mas não, ele prefere continuar a agir como uma criança emburrada.
- Ahn, , desculpe-me, mas agora eu realmente não posso. Esse frango está mexendo com os meus nervos! – eu sabia que o seu tom frustrado era pura encenação. nunca se irritava com uma coisa tão banal quanto um frango. Aquela tinha sido sua jogada para ver se me pediria a salsa, mas obviamente, a sua jogada não funcionou.
- Ah, okay. Eu mesmo pego, não tem problema algum. – ele disse simplesmente e veio em minha direção.
Esticou seu braço e pegou a salsa, afastando-se de mim e voltando ao seu lugar em seguida. Bufei irritada e bati com o facão sobre a pia, chamando a atenção de e consecutivamente de .
- Desculpe, , mas eu não estou me sentindo muito bem. Acho que vou para o meu quarto. A presença de alguém está me fazendo mal. – limpei minhas mãos no pano de prato antes de começar a me afastar.
- Mas, ... – ela começou, mas foi interrompida pela voz de .
- Deixe-a, . A presença dela também não é nem um pouco agradável.
Sua fala me irritou de tal forma que eu cerrei meus punhos e virei em sua direção.
- Ah, é?! Então por que não vai embora? O apartamento é meu e a porta está sempre aberta para você sair quando bem entender. Não tem ninguém te prendendo aqui.
Ainda de costas para mim, ele disse com a voz calma:
- Não se preocupe em relação a isso. Em menos de um mês, você não terá mais o desgosto de estar em minha presença.
Franzi a testa com sua declaração e quase perguntei o motivo, mas escolhi ficar em silêncio. Olhei em volta vendo que nos olhava calado e mantinha a cabeça abaixada, olhando para a pia. Virei meu corpo e voltei a andar em direção ao meu quarto, batendo fortemente a porta atrás de mim. Segurei um grito de raiva em minha garganta e levei minhas mãos à cabeça, fechando os olhos.
Então era isso? ia embora?


Capítulo 5 – Amizade Colorida?

Ri nervosamente enquanto andava de um lado a outro no quarto. ia mesmo embora? Por uma besteira como aquela? Agora é que eu percebia o real tamanho da infantilidade dele, e assim que a ficha me caiu, eu comecei a rir descontroladamente. Eu já não conseguia evitar os risos de escaparem pela minha boca. Eu não estava rindo por achar graça. Não. Eu estava rindo por toda aquela situação ser completamente fora do normal a ponto de uma pessoa querer se afastar da outra só por conta de um sentimento não correspondido. O grau de insensatez e a falta de senso de ridículo da parte de eram demais para eu aguentar. Dessa forma, eu cerrei meus punhos e obriguei meus pés a andarem para fora do quarto. Atravessei o corredor e cheguei ao meio da sala, atraindo os olhares de e .
- Mas você é ridículo mesmo, huh? A sua falta de senso de ridículo é tão grande assim a ponto de você querer se afastar de mim só porque eu não correspondo aos seus sentimentos? – cuspi a pergunta na direção de , que se encontrava de costas para mim.
Vi seus músculos das costas ficarem tensos, mesmo cobertos pela camisa, e observei seu movimento de abaixar o facão e apoiar as mãos sobre o mármore da pia. me lançou um olhar duro, de forma a me repreender, antes de focar em , que estava com a cabeça baixa. Não me deixei abater por seu olhar. Minha paciência já estava no limite com todo aquele teatrinho de parte de . Eu nunca gostei de ser ignorada e nunca vou gostar. Uma das coisas que não admito é ser ignorada... Ainda mais por besteira.
- Por que não enfrenta essa situação como um homem? Precisa agir como um garotinho? – perguntei mais alto, dando alguns passos para perto da bancada. – Oh, sim, talvez agindo como um garotinho consiga chamar a minha atenção, não é? – ri debochada.
- ! – me olhou novamente, pronunciando meu nome com a clara repreensão em seus olhos arregalados.
se levantou e caminhou em minha direção, tocando meu braço.
- Pega leve, . – falou num tom baixo.
Ignorei completamente o seu pedido e me soltei de sua mão. – Não, ! Eu já estou cansada disso! Eu não aguento mais o fato de ele tentar colocar a culpa em mim por não sentir nada. Não quero mais carregar essa aflição e essa culpa por estar o machucando sendo que não tenho culpa! Eu sempre falei que gosto do como amigo, até como um dos meus melhores amigos. E agora vem ele e provoca toda essa confusão na minha cabeça. Eu...
- O que você queria que eu fizesse, caralho?! – explodiu, virando seu corpo para me encarar.
Seu grito me assustou e eu engoli em seco, observando as expressões duras em sua face. Seus olhos demonstravam a raiva que ele sentia e conforme ele dava alguns passos em minha direção, eu podia medir o tamanho da sua raiva, que só aumentava cada vez mais. Quando ele parou em frente a mim, sua testa se franziu e seus olhos se fixaram em meu rosto, como se ele pudesse me prender ali enquanto não terminasse de falar tudo o que provavelmente estava entalado em sua garganta. Através de seu olhar, eu sabia que ele tinha muito a dizer, mas que por algum motivo estava se segurando. E isso de alguma forma me matava por dentro, pois por mais que eu tentasse retribuir aquele sentimento, aquela paixão... Eu sentia que não conseguia. Eu ainda estava muito machucada para abrir o meu coração novamente. Os acontecimentos em minha vida ainda estavam bem vivos em minha memória e de certo modo, eles criavam um bloqueio no meu coração. Por mais que eu tentasse, eu sabia que a minha recuperação ainda tardaria em chegar.
E como se houvesse algum magnetismo entre nós, eu permaneci intacta a sua frente. Encarei seus olhos duros e sua testa franzida em desagrado, em silêncio. umedeceu seus lábios e continuou a me encarar, começando a dizer:
- Eu não escolhi me apaixonar por você, e eu não provoquei toda essa situação. Sendo completamente racional agora eu posso afirmar que nenhum de nós tem culpa nisso. Eu não tenho culpa por realmente ter caído de quatro por você – meu coração doeu ao ouvir aquelas palavras –, e você não tem culpa por não sentir nada por mim. Eu sempre agi como o seu amigo, sempre estive lá quando você precisou. Foi num curto espaço de tempo já que só nos conhecemos há dois meses, mas nesses dois meses, foi inevitável me sentir atraído por você. Na verdade, alguns dias depois em que cheguei aqui, eu já começara a me sentir um tanto quanto incomodado por gostar tanto do seu jeito. Eu juro que tentei ignorar, juro que tentei. Mas não foi fácil. Não foi fácil porque você estava aqui o tempo todo, junto a mim, morando sob o mesmo teto. Não foi fácil porque quanto mais eu te ajudava a conquistar aquele infeliz, mais eu me sentia sendo puxado em direção a você. – ele fez uma pausa para respirar fundo, desviando seu olhar de mim. – Então, eu peço desculpa se causei algum transtorno a senhorita, porque não era minha intenção. Nunca foi. Acho que nenhum de nós é capaz de mandar no coração e justamente por ser incapaz de tal proeza... É que eu me vi perdido por você.
Abaixei meu olhar e fitei meus pés, sentindo-me totalmente acabada com suas palavras. Toda e qualquer coragem que me fez estufar o peito e dizer aquelas coisas a anteriormente, pareceu sumir num piscar de olhos, e tudo que sobrou foi um peso no coração acompanhado da inutilidade. Eu me sentia inútil e totalmente incapaz de sequer fazer algo para amenizar a dor da rejeição que eu sabia que estava sentindo. Afinal, eu já senti o mesmo, e é algo horrível e que faz seu peito doer incessantemente.
- Desculpe-me por ser um covarde e um fraco por me manter longe, mas eu acho que não conseguiria aguentar a dor da rejeição por mais uma vez. Eu não me permito sofrer mais. Por ninguém.
Engoli em seco, sentindo meus olhos marejarem. Ergui meu olhar e encontrei seus olhos, também marejados, me encarando.
- Eu queria ser como você. – confessei, fazendo me lançar um olhar confuso. – Queria não sofrer por ninguém também, mas eu simplesmente não consigo. – suspirei e forcei minha voz chorosa a proferir as seguintes palavras: - E eu estou sofrendo por você. Eu me coloco em seu lugar e sinto a dor. Perdoe-me se a única coisa que eu posso dizer é um simples ‘’desculpe’’.
Ele se manteve calado e antes de abaixar a cabeça, deixou com que um fraco e triste sorriso lhe tomasse os lábios. Balançou a cabeça, assentindo ao que eu havia falado, e colocou as mãos nos bolsos da calça.
- Tudo bem. Sem ressentimentos. Como eu disse... Não se pode mandar no coração.
Meus olhos encheram-se de lágrimas e as mesmas acabaram por escorrer por minhas bochechas.
- Me desculpe, . Eu... Eu estou me sentindo tão mal com tudo isso. Estou me sentindo a pior pessoa do mundo.
- Ei, ei... Não se condene. Eu... Eu vou ficar bem. – sua voz vacilante denunciou a sua mentira. Ele não ia ficar bem.
Mordi meu lábio inferior e me aproximei mais de seu corpo, tocando sua bochecha com as pontas de meus dedos. Olhei no mais profundo de seus olhos enquanto movimentava meus dedos lentamente por sua pele. As lágrimas escaparam de meus olhos ao mesmo tempo em que as lágrimas escapavam dos dele.
- Ahn, nós... Nós vamos lá fora. – ouvi a voz de dizer num tom baixo, mas continuei a focar em que estava calado a minha frente. – Vamos, .
Ouvi a porta se abrir e se fechar alguns segundos depois e me aproximei ainda mais de , podendo sentir o calor de seu corpo sendo transmitido ao meu. Passei minha mão por seu pescoço e envolvi sua nuca enquanto aproximava nossos rostos, encostando nossas testas. Suspirei e fechei meus olhos ao sentir sua respiração bater contra meus lábios. Senti a hesitação de seu corpo sob meus dedos em sua nuca e ele sussurrou contra meus lábios:
- ...
- Shh... Deixe-me te dar carinho... Quero fazê-lo sentir a minha presença... – massageei sua nuca suavemente. – Quero que você tenha a certeza de que eu não vou a lugar nenhum.
Ele suspirou contra minha boca e eu levei minha outra mão ao seu cabelo perto da nuca, acariciando-o lentamente.
- Você sempre vai me ter por perto quando precisar. Sempre vai ter alguém para te dar a mão. Você não vai me perder. – continuei a falar num tom baixo para que somente ele ouvisse.
- Você promete? – sussurrou contra meus lábios.
Eu sabia que precisava de alguém. Eu sabia que toda essa tensão entre nós também era provocada pela ausência de carinho, de atenção... Eu tenho a plena certeza de que ele não teve o suficiente. Com somente a minha ida à sua casa em seu país é que eu pude fazer a real análise de . Eu sei que ele iria me odiar se eu dissesse que estava o analisando, mas isso foi um tanto quanto inevitável para mim. Aquela casa, aquela família, o simples ambiente... Tudo o afetava de alguma maneira. pode ter tido o carinho da mãe, mas infelizmente, não foi o suficiente. Ele pode ter tido uma boa vida, regada a luxo. Pôde viver cercado de mansões, carros, dinheiro, festas... Mas nada é capaz de substituir a falta de atenção, ainda mais quando ela é extremamente necessária.
E eu posso afirmar que a falta de atenção, a cobrança, a pressão de ser perfeito e de não poder errar nunca vieram de seu pai. Parece que Jeremy fora capaz de estragar o próprio filho mais do que ele pudera imaginar.
- Eu acho que ações são melhores do que palavras. – falei logo após acordar de meus breves pensamentos. – Somente me toque, . Sinta que eu estou aqui com você. Sinta como eu sou diferente daqueles que te abandonaram, daqueles que te pressionaram, que cobraram mais do que você podia lhes dar. – com aquelas palavras, eu deixava bem claro para que ele entendesse às quais pessoas de sua vida eu me referia. Primeiramente à Janette, em seguida, ao seu pai. Eu sabia que os reais provocadores de seu estado eram aqueles dois.
Ouvindo atentamente ao que eu dizia, senti as mãos de se erguerem rapidamente, encontrando minha cintura, a qual ele apertou. Suas mãos espalmaram minhas costas e ele puxou meu corpo em direção ao dele, colando-nos em um forte abraço. Encostei meu nariz ao seu e continuei a acariciar sua nuca, sentindo sua pele se arrepiar sob meus dedos.
- Com você, eu sinto que meu coração não vai ser pisado como em outras vezes. Você me faz sentir seguro. – seu sussurro me fez sorrir e eu lhe dei um beijo na bochecha.
- É assim que eu quero que se sinta. Quero me esforçar para preencher o vazio que está em seu coração.
- Você já o preenche.
Diante às suas palavras, acabei por ficar em silêncio.
- ...
- Eu sei, . Eu apenas quis deixar isso claro, não se preocupe.
Assenti e fiz menção de me afastar, mas me segurou ainda em seus braços.
- Ahn, eu tive uma ideia... – ele falou e eu franzi a testa.
- Qual ideia?
- Eu acho que você não vai gostar nem um pouco, mas...
- , fala logo. – o interrompi. – Eu já sei que é mais uma das ideias de maluco que você tem, então, pode continuar.
Ele ergueu uma das sobrancelhas e me encarou incrédulo, rindo em seguida.
- Tem certeza de que sou eu quem tem as ideias malucas aqui?
Afastei-me e cruzei meus braços, encarando-o séria.
- É sério, . Ou não se lembra daquela sua linda ideia de se vestir como homem só para me manter afastado de você? – ele cruzou os braços também e ficou me encarando enquanto eu só ficava em silêncio, engolindo em seco.
- Isso é passado. Não conta.
- Ah, conta, sim! – ele riu e eu bufei, rolando os olhos.
- Esqueça isso e fala logo o que tem para falar!
- Okay, okay... – ele cessou o riso e me encarou sério, colocando as mãos nos bolsos da calça. – Bom, eu sei que você provavelmente não vai gostar da ideia e consequentemente, vai me chamar de louco ou até chutar a minha bunda, mas... – rolei os olhos para a sua enrolação. – A minha ideia é que já que você, infelizmente, não sente nada por mim... Nós poderíamos simplesmente continuar do jeito que estávamos antes, ou até agirmos como um pouco mais do que isso.
Franzi o cenho e perguntei:
- Aonde você quer chegar?
- Podíamos ter uma amizade colorida. – declarou e eu o encarei por alguns segundos em silêncio.
- Mas... Não é isso o que já temos? Digo, nós somos amigos, é claro... – ele revirou os olhos, parecendo não gostar daquele fato. – Mas não somos como os amigos normais, digamos assim. Nós já nos beijamos, já transamos... E isso, com certeza, não se trata de uma amizade normal.
- Sim, mas vai haver uma diferença.
- E qual seria?
- Antes eu não ficava com mais ninguém porque sentia que estava ‘’te traindo’’, ou seja, eu já estava apaixonado por você e agia ilusoriamente como se já fôssemos namorados. Agora, com a amizade colorida, eu posso ficar com qualquer uma que eu quiser. Se eu quiser pegar a velhinha na rua ou até a senhora Wilson, eu vou pegar, sem estar com a consciência pesada, porque afinal, eu já estou ciente de que você não sente absolutamente nada por mim além de amizade, não é? – ergueu a sobrancelha diante ao meu silêncio e eu assenti rapidamente.
- Mas espera! Se você for meu amigo colorido, aí mesmo é que não vou querer você por aí ficando com ninguém! Como eu vou saber que você não vai pegar uma AIDS ou uma sífilis da vida?
Ele me encarou sarcástico com seus braços cruzados.
- É sério mesmo, ?
- É claro! Eu não saio por aí transando com qualquer um! Então, acho justo você fazer o mesmo. Não quero pegar uma doença. – levantei os ombros e riu.
- Eu sempre uso camisinha, não sei se você percebeu esse fato, mas me sinto na obrigação de lhe informar.
- E também não sei se você sabe, mas AIDS não se pega somente com a relação sexual. Até por um beijo você pode pegar e...
Ele rolou os olhos e suspirou cansado.
- Eu sei, , eu sei. – se virou e foi até a cozinha, posicionando-se para continuar a cozinhar.
- Ei, não vire as costas para mim enquanto eu falo! – exclamei indo atrás dele.
Parei ao seu lado e vi um sorriso de canto se formar em seus lábios.
- Eu não lhe dei as costas, só estou um pouco ocupado para discutir sobre doenças sexualmente transmissíveis com você. – bufei e me escorei na bancada da pia. – Mas então, o que vai fazer? Aceita a minha ideia ou não?
- Se você aceitar os meus termos, sim. – falei com desdém.
- Seus termos são ridículos e não os aceito. Já falei que uso proteção com todas. Sem exceções.
- Mas o que vai acontecer? Você vai estar aos amassos com outra na rua e quando chegar em casa, vai vir com a cara de pau de me beijar ou até fazer coisas a mais? Eu não sou mais uma qualquer, !
- Eu sei muito bem disso, ex-virgenzinha.
Fiquei boquiaberta com sua escolha de palavras e arregalei os olhos.
- Você não disse isso!
- É claro que eu disse, e repito: ex-virgenzinha.
Dei-lhe um tapa seguido de outro em seu ombro e ele gargalhou. A porta foi aberta na mesma hora e eu virei meu rosto, vendo e entrando.
- Oh, parece que as coisas se acertaram por aqui, huh? – ela comentou com seu cinismo e eu lhe lancei um olhar duro. – Prevejo que a noite de hoje vai ser quente. Por favor, , não quero saber dos detalhes de seu sexo selvagem depois.
- ! – a repreendi e ela riu, sendo acompanhada de .
foi o único que ficou em silêncio, apenas observando tudo.
- Não gosto que toquem na mulher que considero minha irmã. – ele comentou um minuto depois com um bico.
- Oh, que fofo! – sorri e me aproximei, abraçando-o fortemente. Seus braços fortes me envolveram e ele tirou meu corpo do chão enquanto me abraçava de volta.
- Sugiro que não perca mais a de vista, amor, porque essa daí já não é mais pura há muito tempo.
Eu juro que quase dei um tapa em por conta de sua audácia em falar tal coisa, mas apenas reprimi minha vontade e a ignorei totalmente enquanto ainda estava abraçada a . Vi a mesma me lançar um olhar provocativo e revirei os olhos.
- Vamos continuar aqui agora, porque eu já estou com fome!
Respirei aliviada quando mudou de assunto e voltei para perto dele e de para ajudá-los.
Depois de termos almoçado, nós nos reunimos na sala para jogar um jogo novo que havia aprendido no tempo em que tinha viajado para visitar a avó, e em seguida, começamos a jogar Batalha Naval. Ri muito com as piadas sem graça de e das acusações de e de que eu estava trapaceando, mas como eu poderia trapacear em Batalha Naval? Era apenas questão de sorte mesmo. A sorte estava a meu favor. Simples.
- Certo, agora que já deu sete horas, podemos nos preparar para a última parte do nosso querido sábado juntos! – quase batia palmas de tanta empolgação enquanto pronunciava tais palavras. Ela lançou um olhar cúmplice para e ele retribuiu, deixando-me confusa sobre o que eles haviam planejado.
Olhei para com dúvida no olhar e ele retribuiu, parecendo também não saber de nada.
- Amor, será que você daria as honras para os nossos dois amigos? – apontou para e eu.
- É claro, amor da minha vida. – ele respondeu num tom brincalhão que quase me fez rir, se eu não estivesse preocupada com o que estava por vir. Daqueles dois, eu podia esperar qualquer coisa. – Bom, quero lhes informar que você, , e minha querida amiga de longa data, , irão conosco a uma balada hoje.
- Oh, não! – exclamei com os olhos arregalados.
sabia que a minha última experiência em balada tinha sido catastrófica.
- Oh, sim! – ela exclamou de volta, sorrindo maliciosa.
Engoli em seco e olhei para , que sorria animado com a ideia.
É hoje que essa noite entra para a minha lista dos acontecimentos que me proporcionaram vergonha em público.


Capítulo Especial – O Natal e Algumas Tradições

Eu olhava pela janela e apreciava a paisagem enquanto sentia o vento tocar meu rosto e bagunçar meus cabelos. Sorri e fechei os olhos, respirando aquele ar puro que invadia o carro conforme o mesmo andava pela estrada, passando pelas enormes árvores. Entretanto, minha paz e apreciação foram interrompidas quando alguém aumentou significativamente o volume do rádio. Virei meu pescoço e vi voltar para o seu lugar logo após aumentar o volume, porém, sem deixar de me lançar um sorriso malicioso. Rolei os olhos. sempre foi o tipo de cara que gosta de ouvir música a todo volume, e esse fato era motivo constante de brigas entre ele e , principalmente quando ela precisava estudar para uma prova que aconteceria no dia seguinte.
Olhei para trás a tempo de ver revirando os olhos e cruzando os braços. Ri baixo em meio à música alta. Tocava um rock desconhecido por mim, mas muito conhecido pelos três homens que me acompanhavam no carro. dirigia ao meu lado com um sorriso no canto dos lábios enquanto batucava o volante à sua frente. Ryan estava sentado no banco atrás de e quase tinha uma síncope de tanto se sacudir ao som da música enquanto se imaginava tocando uma bateria imaginária. , por sua vez, estava sentado no banco atrás de mim e se imaginava tocando uma guitarra enquanto fechava os olhos. A pobre da minha amiga estava sentada entre os dois malucos e colocava as mãos sobre as orelhas de maneira constante, evitando ao máximo escutar aquela música que era uma completa gritaria. O pior é que as caixas de som do carro ficavam logo atrás e consequentemente, próximas de seus ouvidos.
Voltei a olhar para frente e continuei a encarar a estrada. Ajeitei meus óculos e puxei meu livro que estava guardado no porta-luvas. Flexionei minhas pernas sobre o estofado do carro e por incrível que pareça, não reclamou. Abri o livro na página em que havia parado e me pus a ler. E o som alto continuava no carro, mas isso era um mero detalhe. Uma nova música começou, mas dessa vez, se tratava de um rap. Os sons, que saíram das bocas dos três homens no carro, me assustaram e eu ergui meus olhos. Os três começaram a cantar o rap e e eu nos encaramos. O bendito rap era recheado de palavrões e obscenidades que fizeram minhas bochechas corarem na mesma hora.
me encarou sorrindo abertamente e eu percebi que ele segurou uma risada ao me ver provavelmente mais vermelha do que um pimentão. Sua mão se aproximou da minha e ele as entrelaçou, depositando um beijo na mesma em seguida. Sorri e me aproximei de seu rosto, dando um rápido beijo em sua bochecha.
- Eita, o que temos aqui? – ouvi a voz de Ryan se sobressair em meio à música. Mas é claro que ele não perderia a oportunidade. Se perdesse, não seria Ryan Butler. – Vocês, por acaso, são o mais novo casalzinho?
- Ei, ei! Não precisa passar por cima de mim, não! – exclamou e eu levei um susto ao ver que Ryan havia se aproximado de nós e ficado entre os bancos. quase teve que se jogar no colo de já que Butler a empurrava para o lado para que assim, ele tivesse uma melhor visão de e eu na frente.
Ryan nos encarou com uma expressão maliciosa, sempre intercalando seu olhar entre e eu. Ele erguia a sobrancelha e dessa forma, esperava por uma resposta. Uma resposta que se dependesse de mim, não viria tão cedo. bufou e colocou os óculos escuros, sem nem ao menos se virar na direção do melhor amigo chato.
- Não se mete, Ryan. – ele declarou somente.
Ryan levantou os ombros. – Ok, certo, eu não me meto. Mas depois não apareça chorando na minha casa, procurando por colinho porque a te deu um chute na bunda.
Franzi o cenho e bufei, lançando-lhe um olhar raivoso. Butler entendeu isso como um ‘’cale a boca e fique na sua’’ e deu de ombros, voltando se sentar em seu lugar. Abaixei o som da música e troquei de estação. Por coincidência, começava a tocar ‘’A Thousand Miles’’ e e eu nos olhamos sorrindo.
- Música de mulherzinha não! – gritou antes de a letra da música começar e nós duas acompanharmos a cantora.
- Making my way downtown, walking fast, faces past and I’m home bound – cantamos e vi Ryan revirar os olhos e bufar lá atrás exatamente como havia feito. estava com uma expressão emburrada e me encarava como se pudesse me fuzilar a qualquer momento. Ri alto e continuei a cantar com . Nós dançávamos da forma que podíamos já que estávamos sentadas e cantávamos a plenos pulmões, quase gritando, admito.
- Cause you know I’d walk a thousand miles if I could just see you... tonight – apontei na direção de e ele riu, balançando a cabeça. era o único que parecia estar se divertido enquanto os amigos ficavam com cara feia. Teve até um momento em que afinou a voz e cantou um trechinho da música, provocando risadas em todos.
- Vire à esquerda, . – disse Ryan assim que chegamos a um caminho onde havia uma placa indicando várias direções para diferentes lugares.
assentiu e virou à esquerda. Pegamos mais uma estrada e eu continuei a ler meu livro enquanto uma música baixa e calma tocava, mais parecida com uma música ambiente. estava com a cabeça deitada no ombro do namorado e o mesmo abraçava a sua cintura enquanto os dois viam algo no celular. Ryan usava fones de ouvido e estava com a cabeça encostada no vidro da janela, apenas observando ao redor para dar as devidas instruções a .
Era fim de ano e todos nós passaríamos o Natal e o ano novo na casa de praia da família de Ryan. optou por não ir para o Canadá e passar as festas conosco, assim como e . Meu pai e minha família aceitaram que eu passasse com meus amigos com a condição de que logo no início do ano, eu faça uma viagem e fique com eles durante as minhas férias. É claro que eu aceitei. Então, por fim, estou aqui; num carro com quatro malucos indo passar duas semanas com os mesmos.
Duas semanas aguentando a encheção de saco do Ryan querendo confirmar ou não a sua suspeita de que e eu estamos namorando; duas semanas aguentando e se agarrando de um lado para o outro ou provavelmente brigando por motivos banais; e duas semanas aguentando as intenções nada inocentes de , que não fazia questão nenhuma de esconder sua vontade de me jogar na cama e não me deixar sair tão cedo. Mas, sinceramente, eu sinto que vou amar essas duas semanas. Amar por simplesmente já estar na companhia de meus amigos.
Enfim chegamos à uma enorme casa que tinha uma magnífica vista para a praia. Saí do carro assim que estacionou o carro na garagem e não pude evitar olhar em volta, sem conseguir tirar a expressão de surpresa do meu rosto. Era tudo muito lindo. A casa parecia ter muitos quartos e vários deles tinham uma vista maravilhosa da paisagem ao nosso redor; e eu tive a plena certeza disso assim que adentramos a casa. Percebi que Ryan também carregava uma expressão de surpresa no rosto e ainda observando a própria casa, ele assentiu com a cabeça.
- É, parece que meus pais honraram o bolso dessa vez.
- Pela sua cara de idiota, imagino que você ainda não havia estado aqui. – comentou, deixando sua mala no chão.
- Na verdade, não. Essa casa é nova e eu nunca me interessei em vir aqui. Sempre preferi a fazenda. – deu de ombros, jogando-se no enorme sofá.
- Espera... Fazenda? – franzi o cenho.
- É, minha família tem uma fazenda. A de também, e as duas ficam ao lado uma da outra. – Ryan falou como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo enquanto ligava a televisão e trocava de canal, procurando algo para ver. – Quando éramos crianças costumávamos passar as férias da escola na fazenda. Era legal brincar de estilingue e jogar pedrinhas nas vidraças das casas dos vizinhos. gostava de assustar as galinhas e os porcos. Ele costumava dizer que os porcos faziam um som engraçado.
Ryan contava suas histórias enquanto eu encarava que dava de ombros e me encarava como se não soubesse de nada. Uma expressão inocente que não o representava em nada. Aproximei-me dele e o encarei.
- Você nunca me falou que tinha uma fazenda.
- Bom, você nunca me perguntou. – ele respondeu risonho.
- O que mais você tem que eu não saiba? – inclinei minha cabeça para o lado.
- Você sabe que meu pai é dono de uma empresa de turismo e consequentemente, ele é maluco por essa coisa de natureza. Então, quando eu era criança, por volta de uns quatro anos, ele comprou a fazenda. Mas é só isso. Não somos donos de um banco ou coisa do tipo. – ele riu, pegando tanto suas malas quanto as minhas. Ele começou a subir as escadas e eu o acompanhei. – Se você quiser, eu posso te levar para conhecer algum dia. Lá é bem legal e é um território imenso. Temos vários animais também e várias coisas podem ser feitas pelos arredores.
- Não sou muito chegada à natureza. – sentei na cama assim que chegamos a um grande quarto com uma linda vista para o mar.
- Deixa de ser fresca. – ele riu jogando as malas na cama.
Dei de ombros e ajeitei meus óculos. se aproximou e me deu um beijo rápido antes de me puxar pela mão. – Vamos dar um passeio pela praia.
Descemos as escadas a tempo de ver Ryan subindo com umas malas. O coitado dava um passo para frente e dois para trás e quase não se via sua cabeça por trás da pilha de malas. Ri alto e ele fechou a cara. Quando passamos por ele, o mesmo virou seu corpo minimamente e perguntou:
- Aonde estão indo?
- Dar um passeio na praia. – respondeu.
- Epa, estou indo também! – ele jogou as malas de qualquer jeito sobre o chão do segundo andar e saiu correndo escadas abaixo como um furacão, quase nos derrubando.
- Nós também! – declarou assim que descemos as escadas. Ele puxou para suas costas e a montou nas mesmas, começando a correr para fora da casa enquanto minha amiga ria e se segurava em seu pescoço.
sorriu malicioso e eu não entendi até vê-lo me pegando em seu colo com pressa. Soltei um gritinho assustado e me agarrei à sua camiseta, segurando-me firme para não cair. Ele correu assim como corria a nossa frente e em questão de segundos, estávamos na praia. me colocou no chão e eu sorri ao tirar os sapatos e sentir a areia morna sob meus pés. Enfiei meus dedos na areia e olhei para o lado vendo com os olhos fechados e sorrindo enquanto o vento batia em seu rosto. Fiz o mesmo e abri meus braços, sentindo o vento tocar todo o meu corpo.
Senti a mão de tocar a minha e ele a entrelaçou. Sorri e continuei a me concentrar naquela paz que me invadia segundo após segundo. Ao fundo, eu ouvia as gargalhadas e gritos de com . Ela parecia estar correndo dele e isso me fez rir. Abri os olhos no momento em que me segurou novamente, mas dessa vez, ele me agarrou contra seu torço e começou a andar comigo em direção ao mar.
- , o que você está fazendo? – tentei me soltar, mas ele me segurava com força contra seu corpo.
- Ryan, rápido! – ele tirou meus óculos e os jogou para Butler, que os agarrou rapidamente enquanto ria.
- , o que... – antes que eu pudesse terminar, ele se jogou na água, levando consigo o meu corpo. Só deu tempo de eu dar um pequeno grito antes de afundar na água.
Meu cabelo ficou encharcado, minha roupa ficou encharcada, eu fiquei encharcada. E eu não gostava de ficar encharcada com a roupa grudada em meu corpo. Assim que emergi, eu fiz a minha pior cara feia com o cabelo ainda grudado no meu rosto. Eu tinha vontade de estrangular até ele erguer a bandeirinha branca da paz. Porém, o que apenas consegui fazer foi ficar parada ainda não acreditando no que havia acontecido enquanto sua risada contagiante ecoava por meus ouvidos. Bufei e senti a água ao meu redor ficar mais agitada. Foi quando se aproximou e tirou o cabelo do meu rosto. Ele sorriu minimamente e tomou meus lábios para si.
Minha raiva desapareceu e meu coração acelerou no minuto em que senti a maciez de seus lábios úmidos contra os meus. Ele envolveu meu rosto com as mãos e eu me aproximei mais dele, segurando um de seus pulsos enquanto sentia sua língua encontrar a minha de forma tímida. mordiscou meu lábio inferior antes de se separar de mim e sorrir. Olhei em seus olhos e por um momento, fiquei hipnotizada por seu estado brilhante. Eu sabia que estava feliz. Eu sentia. Era uma felicidade quase palpável.
Ele soltou uma risadinha sapeca e baixa que me fez franzir a testa. Sem que eu menos esperasse, ele voltou a me derrubar na água.
E lá vamos nós de novo.
(...)
- É impressão minha ou essa árvore está extremamente torta? – inclinou sua cabeça e eu parei de desenrolar os pisca-piscas só para observar aquele fato incontestável.
- Realmente. A árvore está torta. – afirmei.
- Mas já é a terceira vez que montamos isso! Ela é torta de nascença! – Ryan rebateu, bufando.
- Ou vocês não estão fazendo um bom trabalho. – retrucou.
- Qual é, amor? Ryan está certo. Essa árvore veio com defeito.
- Não veio, não. Eu vi que ela estava em pé direitinho na vitrine.
- Na vitrine, todas as árvores são lindas e maravilhosas. Quando chegam em casa é que vemos realmente a bela merda que são. – respondeu, entortando o nariz.
Segurei um riso ao vê-lo se enrolando todo com a decoração da árvore de natal. Alguns pequenos glitters das bolinhas estavam colados em suas bochechas rosadas por conta do pequeno esforço que ele havia feito na montagem da árvore, e ele parecia estar dentro de um labirinto enquanto tentava desenrolar os pisca-piscas assim como eu fazia. O pior é que ao invés de desenrolar, ele mesmo estava se enrolando nas luzinhas. Não sei como, mas ele havia conseguido se embrenhar em meio às luzes e daqui a pouco quem estaria brilhando seria ele.
- Sem papo furado. Arrumem logo essa árvore! – exclamou .
e Ryan bufaram e cada um se posicionou de um lado na tentativa de arrumá-la. Um puxava de um lado e o outro puxava do outro. Enquanto isso, eu continuava a desenrolar as luzinhas. arrumava as bolinhas na árvore e ainda estava embolado na decoração do outro lado da sala.
Ri baixo e balancei negativamente a cabeça.
(...)
- Jingle Bells, Jingle Bells, Jingle all the way! Oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh! Hey! Jingle Bells, Jingle Bells, Jingle all the way! Oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh! – cantamos enquanto estávamos sentados no sofá. Cada um segurava uma taça de vinho e tinha um gorro vermelho na cabeça. A música tocava na sala enquanto acompanhávamos a letra. As luzinhas da árvore piscavam freneticamente e por toda a sala havia decoração de Natal com até meias penduradas e bengalas doce.
- Dashing through the snow in a one-horse open sleigh, over the fields we go laughing all the way. Bells on bobtail ring making spirits bright. What fun it is to ride and sing a sleighing song tonight! Hey! – Ryan cantava fazendo uma voz grossa, causando alguns risos. - Jingle Bells, Jingle Bells, Jingle all the way! Oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh! Hey! Jingle Bells, Jingle Bells, Jingle all the way! Oh what fun it is to ride in a one-horse open sleigh!
- O que você pediu de Natal para o Papai Noel, ? – perguntou antes de bebericar o vinho. Seu olhar era sugestivo e sua sobrancelha estava arqueada.
- Uma amiga que tagarele menos. – ri e ela revirou os olhos. Bebi um gole do vinho e olhei para .
Ouvimos batidas à porta e assim, Ryan foi abri-la. Levei um susto, mas logo soltei uma risada quando vi que se tratava de Olivia. Ela havia se jogado em cima de Ryan, abraçando-o enquanto envolvia sua cintura com as pernas. Ela usava um gorrinho fofo de natal e nos braços carregava uma blusa grande. Ela entrou assim que saiu dos braços de Ryan e cumprimentou cada um de nós com beijos e abraços. Eu sabia que ela passaria as festas de fim de ano conosco. Parece que a tinha convidado já que todo ano os três mosqueteiros passavam as festas juntos. E quando digo os três mosqueteiros, me refiro exatamente a ela, Ryan e .
Ryan encheu uma taça de vinho para ela e ela se sentou conosco no sofá.
- Desculpem a demora. Quase não consigo sair de Nova York por conta da nevasca. – ela bufou e bebeu o vinho.
- Está tudo bem. É véspera de natal. Pior seria se você chegasse só no dia de natal mesmo, aí eu pensaria que você só veio para comer. – disse e Olivia deu dedo para ele, mas acabou rindo, assim como todos nós.
- Quem é que fez a ceia, afinal? Estou mais preocupada com o peru, para falar a verdade. – ela disse nos olhando.
- Fui eu! – ergueu a mão.
- Credo! Nem vou comer, então. Não confio o preparo da comida nas mãos desse aí. – Olivia fez uma careta de desdém.
- Então vai passar fome, porque fui eu quem fez tudo. – ele deu de ombros com um sorriso de canto, logo bebericando seu vinho.
- Mentira. – disse – Nós ajudamos. E ah, as responsáveis pelo peru somos nós duas. – ela apontou para si mesma e para mim. – Também não confiamos no .
revirou os olhos e voltou a beber.
- E essa blusa aí, Liv? – Ryan acenou com a cabeça para a blusa ao lado do sofá.
- É para nós dois! – ela levantou animada ao colocar a taça sobre a mesa. – Lembra dela? – ergueu a blusa e os olhos de Ryan brilharam. A blusa era enorme e tinha duas golas. Logo percebi que a blusa era para gêmeos. Butler se levantou eufórico e os dois colocaram a blusa por cima de suas roupas. Peguei meu celular assim como e e tirei uma foto em que os dois faziam uma pose e careta ao mesmo tempo. A blusa era toda vermelha com as golas brancas e as mangas chegando aos pulsos. Na frente, havia o desenho de duas árvores de natal com duas renas do Papai Noel.
Eu ri achando graça e tirei mais uma foto. O sufoco apareceu depois quando os dois queriam se mexer, mas um não podia ir a algum lugar sem que o outro fosse junto. Para sentar, eles tinham que sentar juntos e para andar também. Resumindo, eles pareciam dois gêmeos siameses, e isso causava risos em todo mundo já que em um momento, os dois quase caíram de cara no chão logo depois de tropeçarem.
(...)
- Feliz Natal! – todos gritaram e se abraçaram, desejando felicidades.
Durante a decoração, eu havia colocado um visco em cima da porta e assim que foi declarado o natal, fez questão de me puxar para debaixo do visco e me beijar, pois acreditando ele, isso traria sorte para nós dois. Em seguida, e fizeram o mesmo. Ryan e Olivia se entreolharam, mas foram para debaixo do visco também, dando um beijo na bochecha.
- Agora é hora do rango! Vamos logo que estou com fome!
E Ryan mais uma vez só pensava em comida.
°°°
e eu passeávamos pela praia enquanto observávamos como a noite estava linda. Eu carregava minhas sandálias em uma mão enquanto a outra estava entrelaçada à de . O vento batia em meus cabelos e os bagunçava e isso me fazia suspirar em vários momentos. e eu conversávamos sobre o nosso ano, sobre as coisas pelas quais nós havíamos passado. Eram momentos engraçados e por vezes, alguns momentos eram um tanto quanto tristes. Porém, os que prevaleciam eram os momentos bons. E um deles, foi quando pisou pela primeira vez no meu apartamento. Ele me contou que o seu primeiro pensamento foi que eu era uma mulher chata e difícil de lidar. Eu concordei com ele, mas ele riu e negou dizendo que havia mudado totalmente de pensamento conforme os dias de convivência se passavam.
disse que eu o havia surpreendido e que valeu muito à pena me conhecer e que se soubesse, teria se mudado para Nova York há mais tempo. Tempo suficiente para que eu nunca tivesse conhecido e que dessa forma, eu nunca me decepcionasse. No momento em que ele falou aquilo, eu inclinei minha cabeça e a deitei sobre seu ombro e suspirei. Paramos em frente ao mar e nos sentamos na areia. Estava um pouco frio e ameaçava chover a qualquer instante, mas ainda assim, ficamos ali. Flexionei minhas pernas e coloquei minhas sandálias ao meu lado. Abracei as pernas assim como e ficamos observando as ondas se quebrando contra algumas pedras.
Senti me olhar e virei meu rosto.
- Você me promete que nesse ano que vai começar, você será uma pessoa completamente diferente da que conheci? – franzi a testa, confusa – Eu quero dizer que espero que você seja diferente em relação à sua autoestima, à confiança em si mesma, à solidão. Quero que você seja feliz e que se ame em primeiro lugar. Seja forte e nunca se esqueça de que eu sempre estarei aqui. – ele segurou minha mão e me olhou novamente. – Ao seu lado.
Sorri e assenti, apertando sua mão. – Eu prometo.
Ele sorriu e levou minha mão aos seus lábios, depositando um leve beijo na mesma. Ficamos observando o mar por um tempo que eu não pude contar ou determinar. A paz era imensa e a companhia de deixava tudo ainda melhor. A sua presença, a sua confiança em mim, o seu amor... Era tudo tão intenso que me fazia sorrir internamente como uma idiota, e às vezes, externamente também.
Os fogos de artifício tomaram o céu escuro e repleto de estrelas e meus olhos brilharam com aquela visão magnífica. e eu nos levantamos e ficamos de frente um para o outro. Ele envolveu minha cintura e eu passei meus braços por seu pescoço, sentindo nossos corpos se abraçarem e se aquecerem juntos.
- Feliz Ano Novo! – ouvi a voz de Ryan gritar pela janela da casa e sorri, assim como .
- Feliz Ano Novo, minha . – disse baixinho contra meus lábios.
- Feliz Ano Novo, meu . – respondi sorrindo.
Ele se aproximou e meu coração pulou no peito quando senti seus perfeitos lábios acariciarem os meus. Ao separar nossos lábios, eu encostei minha testa a dele e continuei com meus olhos fechados, ainda o abraçando. Suas mãos acariciaram minha cintura e sua voz saiu baixa quase como um sussurro:
- Eu te amo.
Suspirei e sorri antes de responder:
- Eu também te amo.


Capítulo 6 – Balada

Suspirei e fiz uma careta enquanto me encarava no espelho. Ajeitei meus óculos e abaixei o meu olhar, focando em meu All Star branco nos pés. Arrumei minha postura, desentortando meus pés e mordi o canto do lábio inferior, enrolando uma mecha de meu cabelo no dedo indicador.
Droga. — murmurei baixo.
Minhas roupas não estavam lá grandes coisas e a insegurança batia à minha porta. Na verdade, eu acho que ela nunca havia me deixado em paz totalmente. Mesmo eu começando a ter um pouquinho de amor próprio e força e determinação para ignorar quaisquer julgamentos a meu respeito, a minha amiga insegurança sempre estaria comigo para dar o ar de sua graça quando eu menos desejava sua presença. Mordi meu lábio inferior por mais uma vez e comecei a andar de um lado a outro pelo quarto, passando as mãos em meus cabelos. Bom, era isso. Eu não vou mais a essa balada. Afinal, eu nunca quis ir mesmo. Só aceitei porque e ficaram enchendo muito a minha paciência, mas agora vejo que isso não dará certo. A confirmação está aqui a minha frente com a minha indecisão em relação à roupa.
Eu definitivamente não nasci para isso.
Fui surpreendida com a porta sendo aberta. Vi a cabeça de aparecer e ela deu um mínimo sorriso, entretanto, quando seu olhar desceu por minhas roupas, ela arregalou os olhos e seu sorriso sumiu imediatamente.
— O que é isso? — quase gritou e eu suspirei, derrotada. — Espero que não esteja pensando em sair assim.
— E não estou... Só me confundi um pouco aqui...
— Se confundiu muito, você quer dizer.
Minha amiga adentrou o quarto e fechou a porta atrás de si, logo vindo em minha direção.
— Vejo que está precisando de ajuda.
— Muita ajuda. — meu tom saiu sofrido junto a minha expressão de piedade, e riu alto. — Mas eu acho que nem vou mais. Você sabe, isso é um sinal de que...
— Ah, mas você vai, sim! Nem venha com essa, mocinha. — olhou-me repreensiva, arrancando-me um gemido baixo. — Vamos procurar algo decente para você vestir.
Rolei os olhos e ela me empurrou em direção ao guarda-roupa.

me olhou com um sorriso de orelha a orelha e cruzou os braços, balançando a cabeça, orgulhosa por seu feito.
— Você só pode estar querendo me matar fazendo vestir essa roupa. Isso só falta mostrar o meu útero! — exclamei, encarando-me no espelho do quarto.
O vestido azul marinho trazia consigo um decote um tanto quanto grande demais e as costas ainda eram nuas, deixando minha pele exposta para o frio que fazia lá fora. Só esse pensamento me fez arrepiar e eu fiz uma nota mental de levar um casaco se eu não quisesse morrer congelada. Sem falar do tamanho do vestido, o qual o tecido chegava ao fim no meio de minhas coxas. Eu estava me sentindo ridiculamente exposta vestindo aquilo, pronta para receber várias passadas de mão que eu nem me daria conta de onde viria.
rolou os olhos quando verbalizei meu pensamento sobre aquele pedaço de pano que não cobria nada.
— Deixa de ser antiquada! Não adianta nada termos comprado aquelas roupas se você não pretende usá-las nunca. Para de caretice, .
— Não é questão de caretice. É da minha reputação que estamos falando aqui. E claro, da exposição a qual você me fará passar. — cruzei os braços.
bufou.
— Okay, okay, chega disso. Agora sacode esse cabelo, empina essa bunda e vai em frente. Não se esquece de rebolar, amiga.
! — a repreendi com os olhos arregalados e ela riu.
Dei uma última olhada no espelho, vendo meus cabelos soltos caindo sobre meus ombros. Meus olhos com as lentes e maquiados, e por fim, meus lábios cobertos por um batom vermelho. Entortei os lábios e inclinei a cabeça, analisando minha imagem sendo refletida. Realmente eu estava muito diferente... Até demais. Ouvi um borrifar atrás de mim e me inclinei um pouco, vendo pelo reflexo que borrifava meu perfume favorito ao meu redor, e em seguida, em meu pescoço e pulsos. Ela sorriu orgulhosa e me olhou da cabeça aos pés antes de se afastar e abrir a porta do quarto.
Encarou-me esperando que eu me manifestasse e assim o fiz. Dei alguns passos, começando a me movimentar sobre os sapatos de salto alto. Virei meu pé ao dar o quarto passo e acabei me desequilibrando, segurando-me em seus ombros. Ela me encarou risonha e perguntou:
— Desaprendeu, ? É isso que dá andar por tanto tempo com tênis por aí.
— Cala a boca, . — falei séria e me soltei de seus ombros, retomando meu caminho, tentando me equilibrar nos saltos. Coloquei a alça da pequena bolsa em meu ombro e respirei fundo, saindo do quarto. Quando finalmente consegui me equilibrar, dei mais alguns passos em direção à sala, passando pelo corredor.
Olhei para meus próprios pés, colocando um atrás do outro, e assim, conseguindo andar sem tropeçar ou acabar virando os mesmos. Senti ao meu lado e assim que chegamos à sala, franzi a testa por não ver e .
— Eles já estão lá embaixo nos esperando na garagem. Eu também estava, mas como você demorava demais, resolvi vir e ver o que estava se passando. — ela disse como se lesse meus pensamentos.
Assenti e vi Mike vir correndo até mim, cheirando meus pés. Sorri e me agachei, fazendo carinho em sua cabeça, dando—lhe um beijo em seguida.
— Será que ele vai ficar bem aqui sozinho? — perguntei a , levantando minha cabeça para olhá-la.
— Sim, ele já está acostumado. e eu sempre o deixamos sozinho quando temos que sair. É só deixar comida, água e algum brinquedo que ele faz a farra e age como se nem existíssemos.
Ri e voltei a acaricia-lo. Ergui meu corpo e pegou Mike no colo, levando-o até o sofá. Ela colocou o filhote sobre o mesmo, rodeado de brinquedos, e ele se pôs a morder um ursinho, provocando um barulho na sala. Saímos do apartamento e eu tranquei a porta, logo começando a andar com em direção ao elevador. Assim que chegamos ao térreo, passei por Ezequiel e o cumprimentei, desejando uma boa noite. Ele respondeu com seu jeito simpático de sempre, mas com um olhar questionador ao me ver vestida com roupas tão diferentes das minhas usuais. E eu não podia o culpar por isso, coitado.
Quando chegamos à garagem, eu avistei o carro prateado de — um dos seus três lindíssimos carros — e logo e eu fomos andando até ele, que estava do lado de fora, apoiado em uma das portas, enquanto estava sentado no banco do motorista, mexendo no volante do carro e falando alguma coisa que fazia rir.
— Chegamos, meninos. — anunciou nossa presença e no mesmo instante os dois pararam de conversar e nos olharam. sorriu em direção à e saiu do carro, dando-lhe um selinho, logo envolvendo sua cintura com um dos braços. , bem... Ele estava somente parado. Parado me encarando, como se eu fosse um ser de outro planeta. Senti meu rosto corar com seu olhar fixo em mim, quase sem piscar, e acabei por abaixar meu rosto, encarando meus próprios pés. — Ahn, há algo errado, ? — minha amiga perguntou como quem não quer nada.
— Ela está... linda. — diante às suas palavras, eu senti a vergonha me ruborizar ainda mais. deu uma risada fraca. — É, eu sei. Fiz um ótimo trabalho, huh?
Ele assentiu rapidamente assim que ergui meu rosto, e um sorriso de canto apareceu em seus lábios rosados.
— Bom, acho melhor irmos, não é? — se pronunciou, olhando—me em seguida. — E você está realmente linda, .
Meu amigo me deu um beijo na testa e se afastou, ainda envolvendo a cintura de , abrindo a porta de trás para a mesma.
— Hm, está a fim de dirigir hoje, brother? — perguntou a , que o olhou surpreso. — Acho que o dia de você dirigir um dos meus carros chegou.
— É sério? — meu amigo o olhava incrédulo e eu sorri de canto.
— Sim, mas só me faça o favor de não bater em nenhum poste. Você sabe, o prejuízo será um pouco alto.
jogou a chave do carro em direção a , que a segurou ainda parecendo não acreditar na responsabilidade que era depositada em suas mãos.
— Eu vou atrás com a . — me encarou um tanto quanto sério e eu desviei o olhar de forma tímida.
assentiu na mesma hora e me olhou, sorrindo maliciosa, enquanto dava a volta no carro e abria a porta da frente do passageiro. Meu amigo se sentou no banco do motorista novamente e se pôs ao meu lado, em frente à porta já aberta da parte de trás.
— As damas primeiro. — ele disse e eu, por um momento, desci meus olhos por sua roupa, vendo o quão bem vestido ele se encontrava. Usava uma camisa com gola em V de cor branca, calças jeans de lavagem escura e um casaco com um tecido similar ao couro. Nos pés, ele calçava um All Star branco. Sorri ligeiramente ao me lembrar do meu tênis favorito semelhante àquele, o qual fui impedida de usar por minha querida amiga.
Balancei a cabeça percebendo que eu ainda o encarava e me aproximei do carro, entrando e me sentando. veio logo atrás, fechando a porta. Assim que ligou o motor do carro, causando aquele barulho, perguntou:
— Brother, você sabe dirigir, não é?
riu e olhou pelo espelho retrovisor.
— É claro que eu sei. Eu só tive que vender o meu carro por motivos financeiros, digamos assim.
— Ah, tudo bem, então. Vá em frente. — deu de ombros, parecendo bem relaxado em entregar seu carro nas mãos de . E assim, nós saímos da garagem. encostou-se ao banco e de canto de olho, pude ver que ele me encarava enquanto sorria fraco, somente repuxando levemente os lábios.
Virei meu rosto e o olhei. Seus olhos passearam por meu corpo e ele mordeu levemente o lábio.
— O quê? — perguntei, puxando um pouco o tecido do vestido, a fim de tentar cobrir minhas coxas, o que foi em vão.
— Nada. — lançou-me um sorriso antes de virar seu rosto, olhando pela janela ao seu lado.
Dei de ombros e fiz o mesmo, olhando para o meu lado direito, vendo os carros sendo ultrapassados por nós. Soltei metade de um suspiro, já que a outra metade foi impedida de ser liberada assim que senti uma mão apertar a minha coxa. Prendi a respiração e abaixei o olhar, vendo a mão grande de depositada em minha pele, distribuindo apertões suaves, mas ao mesmo tempo, firmes. Engoli em seco e olhei para ele, que ainda tinha seu rosto virado para a janela. Sua mão começou a subir por minha coxa, indo em direção à minha virilha. Arregalei um pouco os olhos e rapidamente coloquei minha mão sobre a sua, impedindo-a de subir.
Lancei um olhar repreensivo para e ele riu nasalado, tirando a mão de minha perna. Respirei aliviada e fiquei em silêncio até chegarmos a um lugar movimentado e aparentemente lotado. estacionou o carro no canto da rua e assim eu abri a porta ao meu lado, impulsionando-me para frente, e saindo do carro. Olhei ao redor e franzi a testa em desgosto ao ver tantas pessoas espalhadas, sendo que ainda estávamos do lado de fora da balada. A música alta já podia ser ouvida a metros de distância e só de lembrar que eu entraria naquele lugar e seria obrigada a ouvir aquilo em um volume bem mais alto, meus ouvidos já reclamavam. Assustei-me ao ser acordada de meu transe com me cutucando. Forcei um sorriso e ela sorriu de volta, já me conhecendo o suficiente para identificar o meu pequeno teatro. Ela entrelaçou seu braço ao meu e me puxou, arrastando-me em direção à fila. A fila estava pequena e graças aos céus, não tivemos que esperar muito.
A última coisa que ouvi antes de atravessar a porta e adentrar aquele lugar barulhento foi agradecer a por deixa-lo dirigir seu carro, e em seguida, pedindo permissão para dirigir sua Ferrari da próxima vez. Engoli em seco ao passar por um lugar escuro e logo após por uma cortina, tendo a visão da balada por dentro alguns segundos depois. Meus tímpanos trepidaram com a batida da música eletrônica que ecoava pelo local e eu por instinto, levei minhas mãos aos ouvidos, tentando cobri-los ao máximo que eu podia. Virei meu rosto e vi que encarava tudo com certa admiração na face e em seguida, seus lábios se movimentaram. Fiz uma careta de que não estava ouvindo e ela revirou os olhos, tirando minhas mãos de minhas orelhas.
— Em primeiro lugar, tira as mãos dos ouvidos para me ouvir! — ela exclamou em voz alta por conta da música. — E em segundo lugar, eu quero que você se divirta essa noite. Nada de ficar com cara de bunda pelos cantos, senhorita Wright. — apontou seu dedo indicador para mim e eu bufei.
— Mas eu mal consigo escutar o que você diz! — quase gritei. — Essa música vai acabar queimando os meus neurônios, ou pior, ferrando com a minha audição! Eu quero morrer com meus tímpanos em perfeito estado. Já me imaginou uma velhinha caquética e ainda com problemas de audição? Não mesmo!
rolou os olhos e riu em seguida, voltando a me puxar pelo pulso. Reclamei algumas vezes enquanto ela me puxava e meu corpo trombava com os inúmeros corpos na pista de dança. Finalmente chegamos ao lugar o qual ela queria tanto ir e assim que observei em volta, vi que se tratava do balcão de bebidas.
— É sério isso? Já vai beber, Moore? — encostei—me ao balcão e a encarei com seriedade.
— Deixa de ser chata, Wright. — deu-me língua e virou-se para o barman que fazia alguns movimentos com as garrafas de bebida. Os movimentos até que eram legais e me lembravam uma espécie de malabarismo, o que me fez sorrir minimamente. — Ahn, por favor, uma dose de vodca para mim e para a minha amiga aqui.
O rapaz sorriu — e devo admitir que seu sorriso era muito bonito — e assentiu, largando as garrafas por um momento para pegar a vodca e preparar nos copinhos. Assim que a bebida foi colocada a minha frente, eu encarei aquilo com a sobrancelha arqueada.
— Eu não vou beber isso. — afirmei convicta — Por favor, uma água! — pedi ao barman, que riu enquanto franzia a testa para mim.
— Água?! — me encarou como se eu fosse de outro planeta.
— Uma garrafa d’água, por favor! — especifiquei, ignorando completamente a indignação de minha amiga, fazendo-a bufar ao meu lado. — Obrigada. — agradeci assim que a garrafa me foi estendida. O barman anotou o valor da água num papel em que estava escrito o nome de e o meu, enquanto eu abria a garrafa e tomava longos goles. Eu estava com muita sede. — Então, , quais são os seus planos para... — me interrompi ao olhar para o lado e ver que minha amiga tinha simplesmente sumido. Olhei em volta e não vi nada além de cabeças tampando minha visão. — ! — chamei enquanto a procurava. — Era só o que me faltava mesmo... Ficar sozinha e ainda perdida numa balada totalmente desconhecida. — eu murmurava enquanto me desvencilhava das pessoas dançando a minha volta. — Você devia ter ficado em casa, Wright. Por que não ouviu sua própria consciência te alertando enquanto ainda dava tempo?
Parei em meio à pista de dança e bufei, olhando para os lados. Certo, nada de , ou . Fui simplesmente deixada de escanteio. Abri minha garrafinha e voltei a dar um gole. Gole este que quase me fez morrer engasgada quando um filho da mãe apareceu dos infernos, resolvendo se esfregar em mim. O gole chegou a ficar preso em minha garganta quando senti mãos me segurarem pela cintura, colando meu corpo ao de alguém desconhecido. Virei meu corpo num supetão e dei de cara com um homem alto, com o cabelo escuro perfeitamente penteado para trás. Ele sorria e dançava, ainda colocando as mãos em minha cintura, colando nossos corpos ainda mais. Fiz careta de nojo e o empurrei. Ele gargalhou e me puxou novamente, fazendo-me tropeçar nos meus próprios saltos. Bufei de raiva e tentei empurrá-lo novamente, mas o infeliz me apertou ainda mais, impedindo—me de me afastar.
— Me solta! — esbravejei, espalmando minha mão livre da garrafinha em seu braço, tentando empurrá-lo.
— Qual é, mocinha? Eu sei que você quer dançar comigo. Não se faça de difícil.
— Não estou me fazendo de difícil merda nenhuma! Eu só não quero dançar com você. Me larga!
Ele balançou negativamente a cabeça enquanto me apertava contra si, obrigando-me a mexer o corpo junto ao dele. Quando ele estava perigosamente perto do meu rosto, uma brilhante ideia se passou pela minha cabeça e eu sorri. Abaixei meu rosto e no instante seguinte, levantei meu pé e o abaixei com toda a força que eu conseguia, quase cravando o salto de meu sapato em seu pé coberto pelo tênis. O homem gritou e me soltou rapidamente, levando suas mãos ao pé.
— Você é louca! — ele gritou me olhando com raiva.
— Quem manda não obedecer ao pedido educado de uma simples mulher? — dei de ombros, mexendo em meu cabelo. — Bem feito, seu idiota! Eu devia ter enfiado meu salto em seu pé! — falei com raiva antes de voltar a andar o mais rápido possível por entre as pessoas, indo em direção ao balcão de bebidas, onde estava mais vazio.
Sentei—me em um dos bancos e coloquei minha pequena bolsa e a garrafinha em cima do balcão. As lentes em meus olhos começaram a me incomodar e assim, acabei por tirá-las, pegando meus óculos na bolsinha e em seguida, colocando-os.
— Parece que você não está muito contente por estar aqui, huh? — vi o barman se dirigir a mim com um sorriso de canto enquanto secava um copo.
Soltei um suspiro. — Não muito.
— Aquela sua amiga te obrigou a vir? — perguntou se aproximando mais do balcão, parando a minha frente.
— Praticamente, sim. Ela e o meu melhor amigo, que por acaso, é o namorado dela.
Ele riu e olhou para a garrafa d’água.
— Vai ficar só na água mesmo?
— É, acho que sim. — dei de ombros.
— Não vai nem uma Blue Lagoon?
Franzi a testa. — Uma Blue o quê?
Ele riu e se virou, pegando um copo. Colocou à minha frente e fez um aceno com a cabeça.
— Isso aqui.
— O que tem nisso? — peguei o copo, observando o líquido azul.
— Vodca.
— Eu queria passar longe disso. — referi—me à vodca e ele riu, apoiando as mãos no balcão extremamente limpo.
— Experimenta. Acho que você vai gostar.
Fiz uma careta de desconfiança, mas dei de ombros, assentindo. É, vamos lá. Assim que dei o primeiro gole, apreciando o sabor da bebida descendo por minha garganta, uma música conhecida por mim começou a tocar.
You shout it loud
(Você grita alto)

But I can't hear a word you say
(Mas eu não consigo ouvir uma palavra do que você diz)

I'm talking loud not saying much
(Estou falando alto sem dizer muito)
I'm criticized but all your bullets ricochet
(Eu fui criticada, mas as suas balas ricocheteiam)

You shoot me down, but I get up
(Você atira em mim, mas eu levanto)


Sorri e fechei os olhos, dando outro gole na bebida que havia me agradado bastante enquanto a música ecoava em meus ouvidos e eu cantava mentalmente.

I'm bulletproof, nothing to lose
(Eu sou à prova de balas, não tenho nada a perder)

Fire away, fire away
(Atire, atire)

Ricochets, you take your aim
(Ricocheteia, mire)

Fire away, fire away
(Atire, atire)

You shoot me down but I won't fall
(Você atira em mim, mas eu não vou cair)

I am titanium
(Eu sou titânio)

You shoot me down but I won't fall
(Você atira em mim, mas eu não vou cair)

I am titanium
(Eu sou titânio)


Sem conseguir me conter, acabei me levantando e me pus a caminhar até a bordinha da pista de dança, começando a dar uns passinhos um pouco desajeitados. Eu não estava acostumada a dançar, ainda mais usando saltos altos, mas aquela música tinha tanto significado para mim que eu simplesmente não podia ignorá-la. Dei mais um gole na bebida e em seguida, pus-me a cantar a música junto à Sia.

Cut me down
(Pode acabar comigo)

But it's you who'll have further to fall
(Mas é você quem terá mais a sofrer)

Ghost town, haunted love
(Cidade fantasma, amor mal—assombrado)

Raise your voice, sticks and stones may break my bones
(Erga sua voz, paus e pedras podem quebrar meus ossos)

I'm talking loud not saying much
(Estou falando alto sem dizer muito)


Ao chegar novamente ao refrão, eu abri meus olhos e sorri cantando junto. Meu sorriso, entretanto, durou pouco, pois no segundo seguinte eu finalmente encontrei e ele não estava sozinho. Parei de dançar no mesmo instante e continuei a encará-lo, observando o sorriso que se formava em seus lábios conforme uma mulher estava quase colada ao seu corpo, sussurrando algo em seu ouvido. Ele balançou a cabeça afirmativamente assim que ela se afastou um pouco e logo se aproximou dela, sussurrando em seu ouvido uma resposta, provavelmente. Levei meu olhar ao corpo da mulher, vendo que ela usava um vestido um tanto curto, talvez até mais curto do que o meu. O decote era maior e seu corpo estava bem mais à mostra. Estreitei meus olhos ao ver passar sua mão por sua cintura, segurando-a contra seu corpo.

Minha mão acabou por se fechar ainda mais ao redor do copo de bebida e eu o levei à boca, dando mais um gole longo. Quando abaixei minha cabeça e voltei a olhar aquela cena, meu estômago se revirou, já que dessa vez, tinha seu olhar em minha direção. Eu ainda não sabia ao certo como ele havia me visto em meio a tantas pessoas distribuídas pela pista, mas sim, ele conseguiu tal proeza. Ergui o copo em sua direção e lhe lancei um sorriso debochado, voltando a dar mais um gole, deixando a bebida tomar minhas bochechas antes de finalmente engoli-la, deliciando-me com seu gosto. Direcionei um olhar significativo a e voltei a dar pequenos passos de um lado a outro, conforme a batida da música.

Stone hard, machine gun
(Dura como pedra, metralhadora)

Firing at the ones who rise
(Atirando naqueles que se erguem)

Stone hard, as bulletproof glass
(Dura como pedra, como vidro à prova de balas)


Cantei o trecho da música com certa convicção e intensidade enquanto sustentava meu olhar em direção a . Percebi que ele fazia o mesmo, embora a mulher ainda sussurrasse em seu ouvido. Ele sorriu de canto e abaixou a cabeça por um momento, colocando uma das mãos no bolso da calça, logo erguendo o olhar até mim novamente. Fechei os olhos e suspirei antes de ouvir os últimos versos da música.

You shoot me down but I won't fall
(Você atira em mim, mas eu não vou cair)

I am titanium
(Eu sou titânio)

You shoot me down but I won't fall
(Você atira em mim, mas eu não vou cair)

I am titanium
(Eu sou titânio)


Abri os olhos e vi que ainda me encarava, mas ao perceber que eu o olhava de volta, ele voltou sua atenção para a morena que estava ao seu lado e não parava de tagarelar. Ele me lançou um olhar provocativo conforme se aproximava da mulher e apertava sua cintura com possessividade. Estreitei os olhos ao ver o sorriso malicioso se apossar de seus lábios e em seguida, o inevitável e talvez esperado por mim, aconteceu. beijou a mulher.

As mãos dela foram parar em seu pescoço e ele envolveu sua cintura com ambos os braços, colando seus corpos. Ajeitei meus óculos e suspirei, abaixando a cabeça. Dei meia volta e fui até o balcão, colocando o copo de bebida já vazio sobre o mesmo.

— Mais uma, por favor. — pedi ao barman, que sorriu animado.

— Vejo que gostou da Blue Lagoon. — comentou enquanto preparava outro copo.

— É, pode ser que sim. — dei de ombros, indiferente.

Pelo andar da carruagem, a Blue Lagoon vai ser a minha melhor amiga por essa noite.


Capítulo 7 – Saudades


Passei o dedo indicador pela borda do copo e suspirei, ainda ouvindo a batida estrondosa da música. O barman, que já havia virado uma espécie de amigo para mim, me encarou com a testa franzida e se aproximou, pondo-se a minha frente. Vi seu corpo se inclinar em minha direção e ele apoiou seus cotovelos no balcão.
— Aconteceu algo? Seu desânimo está me contagiando e isso não é muito legal, sabe?
Soltei uma fraca risada e balancei a cabeça negativamente. — Está tudo certo.
— Tem certeza? — perguntou.
Apenas balancei a cabeça afirmativamente e virei o resto do líquido azul em minha boca.
— Acho que por hoje já está bom. — soltei uma risada fraca, referindo—me à bebida. — Não quero ficar bêbada nem nada. Não faz o meu feitio.
— Entendo. Você também não tem uma cara de que sai enchendo a cara por aí.
Um sorriso de canto forçou-se a aparecer em meus lábios e eu ergui minha cabeça momentaneamente, percebendo que seu rosto estava muito próximo do meu. Senti minhas bochechas ruborizarem, denunciando o meu constrangimento, e consequentemente, arrancando um sorriso maroto do meu colega barman.
— Ah, você ainda está aí, graças a Deus! — virei meu rosto e vi se aproximando de mim, com uma expressão um tanto quanto preocupada no rosto. Sua testa se franziu e ela segurou meu braço assim que parou ao meu lado. — Você está bem, ? — seu olhar pousou sobre o copo vazio de bebida a minha frente e logo depois voltou para mim.
— Estou, sim. — afirmei prontamente. — Aonde você foi? Sabe há quanto tempo eu estou te procurando feito uma louca? Como você teve o descaramento de me deixar para trás, Moore?! — cuspi as perguntas, sem tempo para pausas, e isso a fez rir fracamente. — Não, não ria, eu estou falando sério. E também estou extremamente puta com você.
— Ui, Wright falou palavrão! — a surpresa se estampou em sua face. — Você ouviu isso?! Ela falou a palavra ‘’puta’’! — ela olhou para o barman, ainda desacreditada, e ele riu antes de se afastar para atender um homem que acabara de se aproximar do balcão.
Apenas fiquei a encarando com a expressão fechada até que ela se mancasse e resolvesse responder às minhas perguntas de uma vez.
— Ok, ok, desculpe-me por ter te deixado sozinha, mas você já ouviu falar sobre necessidades fisiológicas alguma vez? A natureza simplesmente resolveu me chamar e eu tive de atender ao seu chamado com a maior urgência do mundo, querida. — jogou seu cabelo para trás dos ombros e eu balancei a cabeça, rindo de suas palavras carregadas de desespero e obviedade.
— Mas por que demorou tanto? — virei em sua direção, ainda sentada no banquinho.
— É... Bom... — ela entrelaçou os dedos e olhou para baixo. — É que... Bem... Eu...
...? — a incentivei a continuar chamando por seu nome.
— É que eu acabei encontrando com o e bem, ele me levou de volta para o banheiro e nós... Hm... Nós...
Uma expressão de horror tomou meu rosto sendo seguida por uma careta de nojo.
— Não acredito que vocês fizeram isso no banheiro de uma balada! Que nojo, ! — exclamei.
— Por que não? Isso é a coisa mais normal do mundo nos dias de hoje. — deu de ombros.
— Para mim, não.
— Ok, esqueçamos isso. Por que você ainda está sentada aqui, exatamente da forma que te deixei? Não saiu daqui em momento algum?
Suspirei.
— Ahn, na verdade, eu saí, mas voltei para cá depois. Eu estava conversando um pouco com o meu novo amigo.
— Amigo? — lançou—me um olhar malicioso.
— É, o barman. — apontei para ele, que sorria enquanto fazia malabarismo com algumas garrafas.
— Barman? — minha amiga me lançou um olhar entediado. — É sério que você vem para a balada para ficar conversando com barman, ? Conte-me outra, pelo amor de Dios!
Dei de ombros.
— Ele é bem legal, se quer saber. E ele me fez companhia enquanto a minha querida amiga estava transando com o namorado num banheiro de balada.
— Já falei para esquecermos isso. Mas que pessoa rancorosa, huh? Cruz credo!
Ri de sua careta de indignação.
— Vamos, , vamos dançar um pouco. Agora que eu voltei para você, vamos requebrar as cadeiras, menina! — ela me puxou pelo braço, nem me dando tempo de protesto.
me puxou até a pista de dança e começou a mexer os quadris, segurando nos meus e tentando me fazer dançar exatamente igual a ela, mas convenhamos que eu era um pouco desgovernada e não tinha nenhum jeito para aquilo. só havia me ensinado a dançar música lenta, não aquele tipo de música que quase estourava os tímpanos com a batida. Ainda parada no meio da pista de dança, eu observei as pessoas dançando ao meu redor. Alguns casais dançavam de uma forma tão sensual, que só faltavam tirar suas roupas e partirem para o lado sexual da coisa; um casal de mulheres estava dançando do meu lado esquerdo, e eu fiquei encarando a cena com o cenho franzido ao ver a maneira como elas se esfregavam uma na outra sem nenhum pudor. Era passada de mão para todos os lados até que elas aproximaram seus rostos e se beijaram. Só o que se passou na minha mente foi a palavra ‘’Ok’’ e eu virei meu rosto, observando duas mulheres dançando com um homem. E aquela cena me chamou a atenção porque o homem dançava no meio e uma mulher ficava em sua frente enquanto a outra ficava atrás, de alguma forma obrigando o cara a dançar no mesmo ritmo que elas. As mulheres guiavam os seus movimentos e ele parecia gostar muito daquilo, já que estampava um sorriso cafajeste nos lábios e se aproveitava quando alguma delas se aproximava mais de seu corpo, passando a mão pelas coxas da mesma.
A música acabou e começou uma outra totalmente diferente. Eu reconheci o som do instrumento como trompete, ou era um saxofone? O que importava é que eu acabei levando um susto quando começou a pular feito uma maluca a minha frente.
— Ah, minha música! Porra, minha música! — ela gritou e eu arregalei meus olhos, vendo que ela se virou de costas para mim, começando a sacolejar os quadris de um jeito exagerado e engraçado.
Give it to me, I'm worth it
(Me dê isso, eu valho à pena)

Baby, I'm worth it
(Baby, eu valho à pena)

Uh huh I'm worth it
(Uh huh, eu valho à pena)

Gimme, gimme, I'm worth it
(Me dê, me dê, eu valho à pena)

Give it to me, I'm worth it
(Me dê isso, eu valho à pena)

Baby I'm worth it

Uh huh I'm worth it

Gimme gimme I'm worth it


— Ahn, , eu não sei... — ela me interrompeu.
— Dança, , dança! — puxou-me em direção ao seu corpo e eu tropecei nos meus próprios pés, quase caindo de cara na pista. Segurei meus óculos para não voarem longe enquanto ela agarrava meus quadris novamente, sacolejando—os semelhantemente aos seus.
Juro que fiquei constrangida com aquela situação toda, afinal, um monte de gente direcionava o olhar até nós, por conta de todo o alarde de . Aliás, esta, não parecia se importava com os olhares que eram depositados sobre ela. Apenas fechou os olhos e levantou os braços, continuando a dançar.
Just gimme you, just gimme you
(Apenas me dê você, apenas me dê você)

Just gimme you, that's all I wanna do
(Apenas me dê você, isso é tudo o que eu quero)

And if what they say is true
(E se o que eles dizem for verdade)

If it's true, I won't get mad at you
(Se for verdade, não ficarei brava com você)

I may talk a lot of stuff
(Eu posso falar um monte de coisa)

Guaranteed, I can back it up
(Garantido, eu posso te alucinar)

I think I'mma call your bluff
(Eu acho que vou pagar para ver)

Hurry up, I'm walkin' out front
(Apresse-se, estou andando na frente)


Seus lábios se mexiam conforme a letra da música e eu acabei por me lembrar de mim mesma enquanto cantava Titanium. Sorri e de forma tímida, comecei a movimentar meus pés, indo de um lado a outro na pista. Olhei para os mesmos, que estavam cobertos pelos saltos altos, e em seguida, ergui meu olhar até , que me encarava sorrindo e assentindo com a cabeça, dando-me coragem para continuar o que eu havia começado. Observando seus movimentos com a cintura, tentei fazer o mesmo, movendo-a de um lado a outro. Ela sorriu e balançou a cabeça, continuando a dançar para que eu a imitasse. Sorri fraco e ergui os braços, assim como . Por um momento fechei os olhos e continuei a mover os quadris, aumentando a velocidade gradativamente, conforme a batida envolvente da música.
No instante seguinte foi como se eu tivesse sido teletransportada para outro mundo. Um mundo em que só eu existia e dançava de forma suave, libertando-me talvez de mim mesma. Libertando-me da minha casca de timidez e constrangimento. Eu me sentia livre enquanto ouvia a música e a batida me envolvia, fazendo-me sentir quente. A temperatura do meu corpo parece subir repentinamente, assim como qualquer controle sobre mim pareceu ter evaporado. Eu já conseguia dançar sem qualquer coisa para me impedir. Era como se eu não tivesse ninguém a minha volta, como se eu estivesse sozinha em meu quarto, com o som ligado tocando a minha música favorita, e dançando da forma mais espontânea e sem restrições que eu conseguia. Lembrei-me de quando morava com o meu pai e ele saia para trabalhar e me deixava sozinha em casa, eu saia correndo para ligar o som e começava a dançar pela casa, usando a minha escova de cabelos como microfone. Eu nunca havia deixado com que alguém me visse daquele jeito; eu somente fazia aquilo nos meus momentos de solidão, e agora, aqui, numa balada, eu me sentia livre o suficiente para dançar da forma que eu quisesse, talvez até da forma mais louca a qual eu podia deixar o meu corpo ser levado.
Sorri ao ver um flashback ser passado a minha frente, comigo em meus dezesseis anos, dançando de um lado a outro pela casa, vestindo o meu pijama favorito. Aquele era um dos poucos momentos de diversão que eu tinha, e ainda assim, sozinha... Como a maioria das situações em minha vida. Eu sempre tive a companhia de meu pai, mas ainda assim, sentia—me recentemente sozinha.
Quando o refrão da música voltou a tocar, eu acabei sendo puxada novamente para o presente. Abri meus olhos e olhei sorrindo para , vendo que agora dançava conosco. Ele ficou por trás de e segurou sua cintura, acompanhando o movimento que seu corpo fazia. Franzi a testa ao sentir um par de mãos envolvendo minha cintura por trás, assim como fazia com . Virei meu rosto e encarei o rapaz por cima do ombro. Seus olhos escuros faiscaram em minha direção e ele sorriu de forma safada, colando seu corpo no meu, fazendo-me sentir seu membro encostando-se a minha bunda. Ele começou a dançar enquanto se esfregava em mim e aquilo me deu tanto nojo que a Blue Lagoon que eu havia bebido quase voltou por minha garganta.
Agarrei seus pulsos e o obriguei a me soltar, mas ele apertou ainda mais minha cintura, fazendo pressão com seu corpo contra o meu, que eu tentava inutilmente afastar. Bufei inconformada com isso. Já era a segunda vez naquela noite que algum infeliz tentava me agarrar à força e isso já estava mexendo com os meus nervos.
— Hm, com licença? — uma voz rouca pigarreou ao meu lado e eu encarei e que haviam parado de dançar e agora nos encaravam com a testa franzida. — Estou atrapalhando algo? — ao ouvir a voz novamente, eu virei o rosto, dando de cara com um sério, intercalando seu olhar entre mim e o cara.
— Só estamos dançando, cara. Vai procurar uma gatinha para você e nos deixe em paz. — o cara falou normalmente e continuou a me agarrar pela cintura, praticamente obrigando-me a acompanhar seu corpo em uma dança um tanto quanto atrapalhada.
— Sério? Pois não é o que parece. A senhorita parece não estar muito confortável. — fez uma breve observação, erguendo uma das sobrancelhas. Rolei os olhos ao ouvi-lo me chamar de ‘’senhorita’’, como se não me conhecesse.
O homem ignorou a carranca de e continuou a me agarrar. Quase soltei um grito de surpresa ao ser puxada rudemente contra seu corpo. Bufei de raiva e ergui meu pé, fazendo a mesma coisa que fiz com o outro abusado. Pisei em seu pé com o salto de meu sapato e suas mãos me soltaram na mesma hora. me afastou delicadamente para o lado, longe do homem, e ergueu seu punho. Foi questão de menos de um segundo para eu ver a sua mão ir de encontro ao rosto do cara, dando-lhe um soco, provocando o desequilíbrio do mesmo. O homem foi parar no chão e apontou para ele, encarando-o de cima com um olhar de superioridade, enquanto o rapaz massageava o maxilar.
— Não volte a tocá-la novamente, ou sairá daqui com uma costela quebrada. Entendeu?
O rapaz apenas balançou freneticamente a cabeça em afirmação e se arrastou pelo chão, erguendo—se rapidamente para em seguida, sumir pelo meio da multidão. Multidão esta, que nos encarava com surpresa. Assim que a música foi trocada, as pessoas pareceram não dar mais importância ao acontecimento, logo voltando a dançar como anteriormente. Assim que se virou em minha direção, eu cruzei meus braços e o encarei seriamente, totalmente indignada com o que ele havia feito.
— Eu não precisava da sua ajuda! Eu podia ter me livrado dele sozinha.
Ele me encarou surpreso, começando a rir em seguida.
— Como pode afirmar algo com tanta convicção? Era óbvio que você não ia dar conta, ! O máximo que ia conseguir era dar aquela pisadinha de nada no pé dele e deixa-lo com raiva. Você sabe o que um homem faz quando está com raiva? — continuei em silêncio, olhando-o com raiva. — Não queira nem saber. E, aliás, você devia estar agradecida por eu ter te ajudado. Eu não entendo o porquê de você estar com raiva.
— Eu já disse que não precisava de ajuda. Você estava pouco se importando quando o primeiro cara me agarrou, por que se importou agora? Eu podia muito bem ter cuidado de tudo sozinha.
— Ah! — ele riu novamente. Sua risada estava provocando ainda mais raiva por minhas veias. — Então achamos a raiz do problema aqui.
— Não existe raiz de problema nenhum. O problema em si está bem a minha frente, dando uma de preocupado. — sorri raivosa. — Olha, por que não volta para aquela morena com a qual você estava agarrado agora pouco e não me esquece? Você parecia estar bastante entretido com ela. Aposto que ela está te esperando em algum lugar. — olhei em volta, procurando pela mulher.
— Agora sim encontramos a real raiz do problema. — ele sorriu presunçoso — Você está com ciúmes, ?
Arregalei levemente os olhos em surpresa e gargalhei alto.
— Eu com ciúmes? Por favor, inventa outra. Só não quero que se meta mais onde não é chamado, por favor.
— Eu me meto onde eu quiser. — ele se aproximou de mim, quase colando nossos corpos. Sua boca foi até minha orelha e sussurrou: — Inclusive, no meio de suas pernas.
Senti um arrepio percorrer todo o meu corpo ligeiramente trêmulo, mas tratei de espantar a expressão de surpresa em meu rosto, substituindo—a por uma careta, e me afastei minimamente de seu corpo que transmitia aquele típico calor e cheiro já conhecido por mim.
— Você é ridículo.
Ele riu de forma amarga, como eu nunca havia visto antes, e balançou a cabeça em afirmação. — Certo. — começou a se afastar, encarando-me nos olhos. — Tenha uma ótima noite, .
se virou e continuou a se afastar, até sumir novamente por entre as pessoas. Encarei o caminho por onde ele havia passado e suspirei, abaixando a cabeça, sentindo-me ligeiramente culpada. Culpada por tê-lo xingado quando, na verdade, a sua intenção era somente me ajudar. E mais uma vez, havia se mostrado um ótimo amigo, e eu simplesmente o rejeitei, exatamente quando ele me disse que estava apaixonado por mim. Rejeitei a sua preocupação para comigo. E tudo isso por causa do ciúme idiota que eu senti.
Parabéns, . Você acaba de ganhar o prêmio de idiota do ano.
(...)

A noite se passou e eu fiquei somente sentada em um dos pequenos sofás que havia espalhados pelo local. Fiquei num canto, sozinha, e observando tudo em volta em silêncio. Encarei a minha garrafinha d’água que eu havia pedido e suspirei, passando a mão pela mesma. Observei, de longe, um um tanto quanto animado dançando com outra mulher. Já não se tratava mais da morena, e sim, de uma ruiva. Ruiva falsificada, porque aquele cabelo não era natural nem na China. Meu olhar se prendeu nele de tal forma que eu não conseguia desviar. Nada chamava mais a minha atenção do que ele e a maneira como ele estava deslumbrante naquela noite. Tive de admitir internamente que era o homem mais bonito que eu já havia visto na minha vida, assim como tive de aceitar o fato de que ele era livre e podia ficar com quem ele quisesse, mesmo isso não me agradando em nada.
Eu não quis nada com ele quando ele abriu o seu coração para mim. Agora, eu não tinha o direito de ficar com ciúmes.
Eu não queria estar com ciúmes.
Entretanto, a visão que meus olhos me proporcionavam me deixava com raiva, ciúmes e tantos outros sentimentos ruins. Aquilo despertava o pior de mim, o lado o qual eu não sabia que existia. O lado em que se encontrava a minha possessividade. De alguma forma, eu me achava dona — e eu sei que isso é ridículo — de . Lá no fundo de minha mentezinha maligna, eu achava que ninguém tinha o direito de tocá-lo, de beijá-lo e muito menos de estar com ele. Somente eu tinha esse direito. Fora quem tirara a minha virgindade, fora ele quem me ensinara algumas das coisas mais maravilhosas da vida.
Fora ele quem havia despertado o desejo dentro de mim. Fora ele quem mexeu completamente com o meu interior. E ele não tinha esse direito de arrancar tudo isso de mim, como se nada tivesse acontecido entre a gente. não podia me obrigar a esquecer tudo pelo qual já passamos em tão pouco tempo.
Ele não podia me substituir como se eu tivesse sido mais uma em sua vida.
Ele não pode.
Amizade colorida uma ova. Eu não quero dividi-lo com ninguém.
Minha mão apertou a garrafa d’água quando vi a ruiva abraça-lo pelo pescoço e em questão de segundos, beijá-lo avidamente. E ele simplesmente correspondeu. Ele correspondeu como se nada mais importasse, como se eu não estivesse no mesmo local que ele.
Engoli o gosto amargo que subiu por minha garganta e me levantei, agarrando minha bolsa. Passei por todas aquelas pessoas que ainda dançavam como se não houvesse amanhã e parei ao lado de que estava com perto do balcão de bebida.
— Eu quero ir embora. — declarei um pouco rude. — Não aguento mais ficar aqui.
— O quê? Como assim, ? — perguntou confusa. — O que... — ela se interrompeu quando seus olhos pousaram na pista de dança e ela viu a mesma cena que eu havia visto há alguns segundos atrás. — Ah, entendi... — passei minha mão pelo cabelo, demonstrando a minha impaciência. — Certo. Amor, você pode levar a para casa? Acho que ela precisa descansar.
assentiu rapidamente.
— É claro.
Ele me abraçou de lado e eu me despedi de antes de acompanhar meu amigo para fora da balada.
Fiquei em silêncio durante todo o caminho e assim que chegamos em frente ao meu prédio, eu me despedi de com um beijo na bochecha. Ele, me conhecendo como ninguém, perguntou se estava tudo bem, e eu apenas disse que sim, e saí do carro de . Eu não queria falar para ninguém sobre os meus sentimentos, sobre a confusão a qual minha cabeça se encontrava. disse para ligar para ele se eu precisasse de alguma coisa, já que ele voltaria para a balada. Apenas assenti e assim, adentrei o prédio. Passei pelo porteiro que já não era Ezequiel por conta do horário e lhe desejei uma boa noite; o homem agradeceu e me desejou o mesmo, e eu me dirigi ao elevador. Adentrei o mesmo e apertei o botão do meu andar. Encostei-me à parede e fechei os olhos, até para acalmar um pouco o meu nervosismo por estar dentro de um elevador, sendo que eu tinha claustrofobia.
Concentrei-me em outra coisa, como eu sempre fazia, e assim que a porta se abriu, eu saí. Andei por todo o corredor e parei em frente à minha porta, pegando a chave em minha bolsa, e logo abrindo aquele pedaço de madeira que me afastava do conforto do meu apartamento. Assim que entrei, vi que Mike se levantou do sofá e veio correndo em minha direção. Sorri minimamente logo depois de fechar a porta e me agachei, fazendo uma pequena carícia em sua orelha. Ergui meu corpo e passei pelo balcão da cozinha, jogando a chave em cima do mesmo, e tendo como objetivo o meu quarto. Mike me seguiu e eu coloquei minha bolsa sobre a cama e tirei os sapatos antes de me deitar na cama, encarando o teto branco acima de minha cabeça. Soltei um suspiro alto e minha garganta ardeu, dando-me a certeza de que um choro se aproximava. Assim que fechei os olhos, uma pequena lágrima correu por minha têmpora e parou na colcha de minha cama.
Então era isso. Eu me encontrava sozinha novamente.
Eu já devia estar acostumada.
Levantei-me e fiz o meu caminho até o banheiro, jogando minhas roupas pelo caminho. Eu não me importava com mais nada. Só queria tomar um banho para ver se todo aquele mar de sentimentos e confusão deixava minha mente em paz. Entrei no banheiro e passei pelo espelho, dando uma rápida olhada na minha imagem refletida antes de entrar no box e ligar o chuveiro, enfiando meu corpo debaixo da água quente que logo embaçaria todo o banheiro. Fechei meus olhos enquanto a água molhava meu couro cabeludo e escorregava por meu corpo posteriormente, trazendo-me um momento de paz momentâneo. Passei o sabonete por meu corpo e lavei meus cabelos e meu rosto de qualquer maquiagem que ainda restava. Não sei por quanto tempo eu fiquei debaixo daquele chuveiro, mas sei que foi tempo suficiente para me deixar relaxada e esvaziar a minha mente.
Entretanto, assim que saí do banheiro, os pensamentos voltaram. As cenas de com outras mulheres voltaram. Enrolada na toalha, eu passei pelo corredor, molhando o piso por conta das gotículas de água que escorregavam de meus cabelos, e parei em frente ao quarto de . A porta estava aberta e eu fiquei o encarando por um momento, imaginando que provavelmente ele não voltaria para casa hoje, e estaria acompanhado pelo resto da noite. Respirei fundo antes de adentrar o mesmo e acender a luz. Segurei o nó da toalha com uma das mãos enquanto andava pelo seu quarto, observando tudo em volta. Aquele quarto, que antes só havia os móveis, e era exclusivamente para hóspedes... Agora era dele. Suas coisas estavam ali. Suas roupas estavam no armário, seu violão estava encostado à parede ao lado da cama arrumada, a sua pasta de trabalho estava sobre a escrivaninha e o seu perfume estava espalhado por cada canto daquele lugar. Seu cheiro impregnava as mínimas coisas, desde sua cama, travesseiro e colcha até o tapete ao lado da cama. O ar que adentrava o meu nariz tinha o cheiro dele.
E esse simples pensamento me fez arrepiar.
Em passos calmos, eu fui até o seu guarda-roupa e o abri, observando a fileira de roupas penduradas. Calças, camisas de todos os modelos e alguns sapatos na parte de baixo do guarda-roupa. Estendi minha mão lentamente e toquei a manga de uma camisa social branca que estava em meu campo de visão. O perfume da camisa invadiu minhas narinas e eu suspirei por um momento antes de puxá-la lentamente do cabide e trazê-la em direção ao meu nariz, sentindo ainda mais o cheiro ali impregnado. Suspirei novamente e fechei os olhos, sentindo o tecido fino da camisa correr por meus dedos enquanto eu o acariciava. Levei sua camisa até o meu colo e a abracei, sentindo ainda mais o perfume me envolver, começando a adentrar minha pele.
Eu sentia falta dele.
Sentia falta de me tocando, me beijando, me dizendo coisas obscenas e mais ainda, sentia saudades de fazer amor com ele, de sentir seus dedos percorrerem minha pele desnuda, de seu nariz percorrendo meu pescoço enquanto guarda o meu cheiro para si. Sentia falta de beijando minha pele e meus lábios. Sentia falta do prazer o qual ele me proporcionava, e isso esmagava o meu coração. Meu peito se apertou e eu suspirei com sua camisa ainda em minhas mãos. As lembranças de nossos momentos juntos fizeram meu corpo se acender incontrolavelmente. Eu podia sentir tudo novamente. Podia sentir suas mãos, seus lábios, seus cabelos sendo acariciados por meus dedos, a suavidade a qual ele me beijava e me tocava. Podia ouvir sua voz sussurrando em meu ouvido, podia ouvi-lo dizendo que estava apaixonado, e podia ouvi-lo me chamando de de uma forma tão única. A forma a qual somente ele conseguia me chamar e no mesmo instante, incendiar todo o meu corpo.
Dei alguns passos para trás e me sentei em sua cama. Foi ali que eu cometi o maior erro quando ele me confessou seus sentimentos. Foi dali que eu simplesmente fugi ao ouvir suas palavras carregadas de sentimentos os quais eu não saberia identificar. E era exatamente ali que eu sentia a excitação a qual eu nunca havia sentido antes. Passei minhas mãos pela colcha da cama e fui me deitando lentamente sobre a mesma, sem ao menos me preocupar em molha-la com meus cabelos ou toalha. Assim que minha cabeça descansou sobre o seu travesseiro, eu mordi o meu lábio inferior ao sentir o seu cheiro me arrebatar de uma forma sobrenatural. Com sua camisa ainda em mãos, eu apertei o tecido entre meus dedos e virei o rosto, encontrando a fronha de seu travesseiro e o cheirando. Puxei todo o ar que conseguia e o liberei em um suspiro, com as lembranças me dominando novamente. Desde sua chegada ao meu apartamento até o dia em que fizemos amor pela primeira vez. As provocações de sua parte, as carícias, os limites ultrapassados, as palavras sussurradas em meu ouvido, a intensidade com a qual ele me tocava e me possuía naquela cabana. Suas mãos me massageando lentamente... A intensidade dos orgasmos que ele me proporcionou. E um deles foi justamente nessa cama, quando sua boca macia e quente beijou minha intimidade pela primeira vez, fazendo uma corrente elétrica poderosa passar por todo o meu corpo.
Eu podia sentir sua boca em mim, sua língua acariciando a minha entrada e o meu clitóris, que, aliás, pulsava descontroladamente. Mordi o lábio inferior ao fechar os olhos e ver ajoelhado na cama a minha frente. Minhas pernas foram abertas e em questão de segundos, eu desatei o nó de minha toalha, abrindo-a. Um arrepio tomou meu corpo quando o mesmo se encontrou nu sobre aquela cama, e meus dedos ainda apertando firmemente a camisa. Eu sentia o olhar fixo de sobre mim, suas palmas quentes acariciando minhas coxas ainda úmidas. me lançou aquele sorriso malicioso enquanto se aproximava ainda mais de mim, fazendo-me prender a respiração momentaneamente. Coloquei sua camisa sobre meu colo, em cima de meus seios, e mordi o lábio inferior ao sentir minha intimidade pulsar por mais uma vez. Ainda de joelhos e parado em frente a mim, levou suas mãos até a barra de sua camisa e a ergueu, tirando-a completamente e dando-me a visão de seu peitoral e abdômen definidos, juntamente às tatuagens.
Ofeguei baixo e reprimi um gemido ao vê-lo morder o lábio inferior, ainda sorrindo de forma maliciosa. Ele se aproximou de mim e ficou sobre o meu corpo, sussurrando uma voz sedutora e que foi capaz de me deixar totalmente trêmula:
Se toque, ... Por mim...
Gemi baixo com sua voz e senti quando sua mão envolveu a minha e lentamente, levou-a até a minha intimidade que pulsava intensamente. Quando passei o dedo indicador por minha entrada, senti a excitação escorrendo pela mesma, provocando-me um arrepio na região do ventre. Sua mão levou a minha até o topo de minha intimidade e o choque que percorreu meu corpo ao tocar o meu clitóris me deixou bamba. Minhas pernas estremeceram e um gemido sôfrego escapou por meus lábios.
Vamos, amor, toque-se... Você quer isso tanto quanto eu. — ele sussurrou e mordeu o lóbulo de minha orelha.
Aquilo foi o auge para que eu pressionasse meu clitóris com o dedo indicador e começasse a movimentá-lo em círculos, ainda como havia feito comigo na minha primeira vez em que me masturbou no sofá. Eu podia sentir tudo aquilo de novo. A forma como seus dedos me tocavam e se movimentavam com maestria, levando-me ao paraíso. Gemi alto e levei a minha outra mão ao meu seio esquerdo, acariciando-o suavemente enquanto continuava com os movimentos circulares em meu ponto de prazer. Apertei o bico rígido de meu seio com os dedos polegar e indicador, fazendo a corrente elétrica se aglomerar naquela região e posteriormente, descer por minha barriga e ventre, chegando à minha intimidade que estava extremamente molhada. O cheiro da camisa de sobre meu corpo, assim como os movimentos de minhas mãos fizeram-me gemer mais alto. O gemido que eu me controlava para não segurar, mas que até então, chegava a cortar minha garganta para ser liberado.
Parei de massagear meu seio e lentamente, desci minha mão para minha intimidade, sentindo o arrepio de expectativa se apossar de minha barriga. Acariciei suavemente os meus grandes lábios e em seguida, os pequenos lábios, abrindo ainda mais minha intimidade para que o prazer incendiasse todo o meu corpo. Passei a ponta do dedo indicador em minha entrada encharcada, rodeando-a, antes de começar a inseri-lo em mim. Gemi alto e revirei os olhos, mordendo o lábio inferior, assim que senti meu dedo tocar as minhas paredes vaginais escorregadias. Aumentei o movimento do dedo da outra mão em meu clitóris e minhas pernas tremeram. Instintivamente, meus quadris começaram a se mover para criar mais fricção entre meu dedo e meu clitóris inchado. Comecei um movimento de vai e vem com o dedo da outra mão e apertei os olhos fortemente com aquela sensação maravilhosa. Assim que eu ia inserir um segundo dedo, aumentando ainda mais o meu prazer, ansiando pela minha libertação em um orgasmo, uma voz muito próxima fez-se presente no quarto.
?
Repentinamente, o de minha mente — que ainda me encarava parado e com um enorme sorriso de satisfação em seus lábios — sumiu como se evaporasse e eu parei os movimentos com meus dedos, obrigando-me a abrir os olhos. Meu rosto esquentou no exato momento em que meus olhos pairaram sobre um de carne e osso, parado em frente à cama, exatamente no meio das minhas pernas que ainda se encontravam abertas. Ele olhou fixamente para a minha intimidade molhada e pulsante totalmente aberta para ele. não tinha reação, ele apenas me encarava em silêncio, entretanto, seus olhos pareciam estar nebulosos. Suas íris castanhas estavam fixas em mim, e a vergonha só aumentou.
No que eu estava pensando? Como eu pude chegar a esse ponto de me tocar em sua cama? Eu só queria cavar um buraco e me enterrar.
Seus olhos passaram por meu corpo nu e chegaram ao meu colo, que era coberto por sua camisa social, antes de pararem em meus olhos. Ele se aproximou da cama um pouco mais e sua boca ficou entreaberta por um momento antes de ele perguntar em voz baixa:
O que... O que você estava fazendo? — sério que ele me perguntou isso? Como se ele já não soubesse da resposta!
— E—eu... É... — eu gaguejava, simplesmente não conseguia formular uma frase concreta. Que vergonha.
O meu corpo, que antes se encontrava quente de excitação, agora se encontrava quente de vergonha.
Encarei seus olhos, que brilhavam intensamente, sem conseguir me explicar. E eu também acho que nem precisava de explicação... Ele sabia o que eu estava fazendo. Eu via pela forma que ele umedecia seus lábios e mordia o inferior dos mesmos. pôs suas mãos nos bolsos da calça e mordeu o canto dos lábios, antes de dizer num tom baixo:
Continue.
Neguei com a cabeça e fechei as pernas, ameaçando me levantar de sua cama. Porém, ele quebrou o resto da distância que nos separava e ficou de joelhos na cama, exatamente onde eu o havia imaginado anteriormente. Ele segurou firmemente em minhas pernas e as abriu lentamente, voltando a descer seu olhar para minha intimidade ainda molhada. Acompanhei seus movimentos com o olhar enquanto ele se inclinava em direção ao meu clitóris. Seu olhar se voltou para o meu rosto e ele depositou um leve beijo sobre meu ponto de prazer antes de soprar sua respiração sobre o mesmo, dizendo:
Continue, amor. Por favor.


Capítulo 8 – Minha Perdição - Parte I

Olhei para seus olhos ainda sentindo minhas bochechas quentes como nunca antes. O olhar de era intenso e em nenhum momento ele desviava do meu olhar envergonhado e apreensivo. Suspirei e olhei para a porta aberta de seu quarto, voltando a fechar minhas pernas lentamente.
— E-eu... Eu não posso, . Desculpe-me por isso. – declarei, apoiando os cotovelos na cama, preparando-me para levantar de sua cama e sair correndo de seu quarto, totalmente constrangida com aquela cena.
Quando eu ia imaginar que voltaria para casa hoje? Eu pensei que ele ficaria pela balada e iria para a casa de alguém, sem nem ao menos pensar na possibilidade de colocar os pés dentro do apartamento naquela noite. Porém, agora vendo por outro ângulo, eu estava redondamente enganada. Mas onde eu estava com a cabeça quando decidi adentrar o seu quarto? Ou pior... Quando decidi pegar sua camisa e deitar em sua cama, começando a imaginar coisas que deviam estar bem longe de minha mente.
Eu estava com tanta vergonha que só pensava em sair correndo, ficar longe de sua presença e ainda me trancar no quarto para nunca mais sair. Entretanto, ao tentar colocar em prática a minha fuga, segurou meu braço com firmeza e eu senti o seu olhar queimar sobre meu corpo por mais uma vez. Quando seu corpo se aproximou do meu, eu gelei. Eu queria me soltar e correr dali, mas ao mesmo tempo, um forte sentimento de expectativa se apoderou de mim, pensando no que faria conforme se aproximava ainda mais de mim. Senti sua respiração um pouco acelerada ir de encontro à pele de meu pescoço e em seguida, seus lábios encostaram-se ao lóbulo de minha orelha.
Eu não vou pedir mais uma vez, . Você vai deitar nessa cama e vai continuar se tocando exatamente da mesma forma em que estava antes de eu entrar nesse quarto. – sua voz sussurrada saiu num tom de ordem e eu estremeci. – E eu vou assistir ao seu show com muita atenção até você gozar, entendeu?
Engoli em seco e virei o rosto lentamente, encarando seus olhos que brilhavam intensamente.
— Mas, ... – comecei com receio, mas ele levou sua outra mão até minha boca, impedindo-me de falar. Com a mão sobre meus lábios, ele continuou a me encarar com sua testa se franzindo aos poucos.
— Não quero ouvir mais nada. Faça o que eu digo, .
A convicção em sua voz me fez estremecer ainda mais. Quem ele pensava que era? O meu pai? E por que, de repente, ele acha que pode mandar em mim? Eu estava indignada com suas palavras, mas ao mesmo tempo, elas surtiram um efeito tão avassalador em mim que eu me vi bamba de excitação novamente. Suas palavras pareciam adentrar meus ouvidos fazendo conexão direta com o meu sexo úmido e pulsante, que precisava urgentemente de alívio.
Meus pensamentos de indignação e excitação foram interrompidos com me puxando brutalmente pelo braço, jogando-me em sua cama. Arregalei os olhos com o susto e no instante seguinte, suas mãos abriram minhas pernas com a brutalidade ainda presente. Seus olhos passearam por meu corpo, desde meu rosto até o final de minhas pernas, observando-me atentamente, contemplando o fato de eu estar totalmente aberta para ele. Tentei empurrá-lo por conta da vergonha e incômodo com a situação, mas me olhou com repreensão, segurando meus pulsos com força acima de minha cabeça.
— Você parecia estar se divertindo muito. Por que decidir parar logo agora que eu cheguei? – sua voz saiu num tom baixo e levemente rouco, fazendo-me sentir uma corrente elétrica ser direcionada ao meu sexo. Tentei fechar as pernas novamente, para conter aquele pulsar incessante, mas se colocou no meio das mesmas, impedindo-me. – Nem tente fazer isso, querida. Acho melhor eu deixar bem claro que a diversão está apenas começando. – se inclinou sobre mim, fazendo-me sentir seu hálito contra meus lábios conforme suas palavras me envolviam, deixando-me totalmente balançada por conta da intensidade a qual era usada. Ele sorriu cafajeste, de uma forma tão diferente a qual ele costumava usar que eu ofeguei, ainda sentindo seu aperto em meus pulsos.
Franzi a testa ao sentir sua respiração acelerar ainda mais contra meu rosto. Ele aproximou seu rosto do meu e mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si de forma leve e sensual. Seus olhos nunca deixando os meus. parecia gostar de observar as minhas expressões, sejam de surpresa, receio ou até excitação. Ele parecia se deliciar com as sensações que causava em meu corpo, o qual eu já não possuía controle nenhum. Ele segurou meus pulsos com uma das mãos enquanto a outra descia lentamente por meu rosto e pescoço, chegando ao meu busto. sorriu com malícia e abaixou seu olhar diretamente para os meus seios expostos. Sua língua acariciou preguiçosamente seus lábios rosados e os umedeceu de uma forma que me deixou hipnotizada. Eu não conseguia desviar meus olhos de seus lindos lábios molhados e tão tentadores. sorriu novamente e mordeu seu lábio inferior, antes de abaixar seu rosto em direção ao meu seio esquerdo, fazendo-me ofegar com a expectativa de sua aproximação tão perigosa daquela área tão sensível de meu corpo. Ele ergueu seus olhos até mim com a malícia ainda dominando suas íris e por fim, acariciou meu mamilo com a língua de forma suave.
Arfei e senti sua língua tocando o bico de meu seio que começava a endurecer. Quanto mais sua língua me tocava, mais o meu bico se erguia em direção à sua boca e consequentemente, à carícia carregada de desejo. Quando seus lábios envolveram o bico, fechando-se em volta dele, eu acabei soltando um gemido baixo. Seus lábios começaram a chupá-lo de forma lenta e sua língua voltava a acariciá-lo como se beijasse meus lábios daquela maneira tão única e que me fazia quase subir pelas paredes de tanto desejo reprimido. Não aguentei e deixei as sensações se apossarem de meu corpo, obrigando-me a fechar os olhos. Ao fechá-los, era como se tudo duplicasse. Todo o calor aumentava, o tesão, tudo. Os meus outros sentidos ficavam ainda mais aguçados quando eu não tinha a visão dos acontecimentos.
— Abra os olhos, . – sua voz ordenou, fazendo-me arquear as costas com meus pulsos ainda presos. – Quero que olhe para mim enquanto eu estiver te beijando.
Gemi em protesto e fazendo muito esforço, obriguei-me a abrir os olhos, só para ter a visão de ainda se deliciando em meu seio, aumentando ainda mais sua carícia. Seus olhos ainda estavam presos em meu rosto, como um felino. Como um predador que observa atentamente a sua presa antes de atacar. Era assim que eu me sentia, literalmente sendo atacada por e seus lábios magníficos. Ele sorriu de canto com a boca ainda em meu seio, aprovando minha atitude em obedecê-lo, e em seguida, voltou a sugar avidamente minha pele, conforme franzia o cenho, parecendo apreciar o gosto de minha pele em sua boca. fechou os olhos por alguns segundos, soltando um suspiro contra mim que me fez arrepiar. Ele levou sua outra mão até o meu seio direito, envolvendo-o de uma maneira tão quente que eu acabei por morder meu lábio inferior, obrigando-me a manter meus olhos abertos.
O bico do meu seio eriçou contra sua palma quente e um som de satisfação escapou dos lábios de . Suas carícias ficaram ainda mais ousadas e logo senti seus dentes mordiscando o bico com aquela já tão conhecida maestria. Seus dentes o arranharam levemente enquanto seus olhos ainda se mantinham me observando, deliciando-se com as minhas reações. E as minhas reações se resumiam a morder os lábios, me contorcer abaixo de seu corpo e tentar inutilmente me soltar de seu aperto em meu pulso ao mesmo tempo em que eu me forçava a deixar meus olhos bem abertos e atentos a tudo. Eu nunca havia sentido algo tão gostoso em minha vida e isso estava me deixando quase louca; eu estava quase me jogando de um precipício, não literalmente, é claro, mas mentalmente... Eu estava bem próxima disso. Um precipício que me arrastava somente em direção a . O furacão . Eu estava já bastante excitada e agora ainda mais com aquele homem por cima de mim, provando de meu corpo daquela maneira tão deliciosa. Os suspiros já escapavam de meus lábios sem que eu percebesse, e os gemidos lhes faziam companhia. Gemidos baixos e contidos, mas que demonstravam exatamente como eu me sentia quando sua boca estava em mim.
Senti seu aperto firme em meu seio direito, fazendo-me arquear as costas e me contorcer, quase tendo um orgasmo com aquele simples toque. Minha intimidade pulsava descontroladamente e eu estava à beira da loucura. Eu precisava me aliviar de uma vez e acabar com aquele sofrimento, aquela tortura. Entretanto, não parecia querer me ajudar. Ele me tocava e beijava com a maior tranquilidade do mundo, apreciando o momento e o aproveitando sem a mínima pressa. Porém, eu estava afobada, eu estava apressada. Não queria mais esperar. Eu já tinha esperado demais.
, por favor, eu preciso... – falei com a voz baixa e carregada de necessidade. Ergui meus quadris demonstrando que eu precisava de alívio, mas isso só fez com que sorrisse de canto, parecendo se divertir com a tortura que fazia comigo. Ele afastou seus lábios de meu seio por um momento, dando-me a visão do mesmo totalmente molhado e brilhante por conta de sua saliva. Os simples rastros de saliva me fizeram incendiar ainda mais.
— Por que a pressa, querida? Temos todo o tempo do mundo. – comentou casualmente antes de voltar com seus lábios para a minha pele arrepiada.
— O-ok, mas você poderia me soltar, por favor? – quase implorei. Eu não aguentava ficar presa por muito tempo. Isso me incomodava de certa forma.
Ele arqueou a sobrancelha.
– Vai ficar quietinha? Só solto se você me prometer que não vai tentar me afastar.
Balancei a cabeça em afirmação rapidamente. Eu estava elétrica demais, como se fosse ocorrer um curto circuito dentro de mim a qualquer minuto, fazendo-me ver estrelas.
— Certo. – soltou meus pulsos lentamente e assim, eu respirei mais aliviada, olhando-o nos olhos, dando-lhe a certeza de que eu não tentaria fugir novamente. Afinal, eu estava entregue a ele. Eu não queria mais estar longe dele e de seus lábios maravilhosos que naquele momento formavam um lindo sorriso. – Quietinha. – olhou-me de forma firme e intimidadora enquanto voltava a abaixar seu rosto em direção ao meu seio. Ele deu uma rápida lambida no mesmo antes de se voltar para o direito que era envolvido por sua mão grande e quente.
Logo sua língua voltou a trabalhar com firmeza e precisão em meu seio direito exatamente como havia feito com o outro, levando-me a quase ver estrelas sobre nossas cabeças. Não consegui controlar meu impulso e levei minhas mãos descontroladas até seu cabelo sedoso, puxando alguns fios. O ato inesperado fez com que gemesse baixo, logo voltando a envolver o bico de meu seio com os lábios, chupando-o da mais maravilhosa forma existente na face da Terra. Sua língua ia de encontro ao bico duro, acariciando-o de um lado a outro e com movimentos circulares e firmes. Suspirei e mordi o lábio, reprimindo um gemido um tanto quanto estrangulado. Desci minhas mãos até a sua nuca, puxando os fios de cabelo próximos a mesma, logo sentindo o suspiro de contra minha pele, e suas mãos subiram por meu corpo, agarrando com força meus quadris. estava literalmente me mamando e aquele simples conhecimento dos fatos me fazia ficar ainda mais molhada, com minha excitação já escorrendo pela parte interna de minhas coxas.
Gemi alto quando ele envolveu os dois seios com as mãos e os apertou fortemente, como nunca havia feito antes. Seus polegares começaram a acariciar os bicos com movimentos circulares e firmes que me faziam arrepiar por inteira, desce o fio de cabelo até o dedinho do pé. Meu ventre se contorceu e eu me vi perdida por , perdida nas sensações que ele me provocava em meu corpo totalmente exposto e entregue a ele. Ele os massageou da forma mais lenta e sensual possível, e eu era obrigada a encarar seu rosto enquanto ele fazia isso. me olhava e tocava como se eu fosse uma boneca em suas mãos, a qual ele podia fazer o que quisesse comigo. E realmente, ele podia. Tinha a minha total permissão.
— Oh, ! – gemi seu nome sem controle algum sobre meu corpo enquanto ele ainda apertava meus seios com suas mãos grandes e controladoras.
Ele se inclinou ainda mais sobre mim e sugou meu lábio inferior, deixando-o molhado com sua saliva. Sua língua estirou-se para fora de sua boca e ele lambeu meus lábios de baixo a cima da mesma forma a qual ele usou quando me deu o primeiro beijo. Eu mal sabia que aquele beijo ia trazer consigo tantas consequências. Consequências estas, maravilhosas.
Entreabri os lábios e encarei seus olhos, vendo que ele me encarava de volta. Suas íris escuras e brilhantes deixavam claro o desejo que se apoderava de seu corpo, assim como o prazer que ele estava sentindo em me tocar e beijar daquele jeito tão livre e malicioso. Suas mãos se afastaram de meus seios, deixando-me com uma breve sensação de vazio, mas que logo foi preenchida com seu corpo sobre o meu e sua língua adentrando minha boca sem ao menos encostar seus lábios aos meus. Suas mãos foram até os dois lados de meu pescoço e ele o acariciou com as pontas dos dedos quentes enquanto sua língua buscava a minha. Entendendo a sua vontade, eu estirei minha língua para fora também e fui ao encontro da sua, logo sentindo a sua textura macia e molhada, que fez minhas pernas bambearem. Suas mãos desceram por meu corpo, passando por meus braços e seios e chegando à minha cintura, a qual ele segurou com possessividade.
Nossas línguas se tocaram enquanto ainda olhávamos um nos olhos do outro. Sua língua acariciou a minha e eu retribuí sua carícia com firmeza, fazendo um gemido rouco e baixo ecoar por sua garganta. Nossas línguas se enrolaram uma na outra de forma tão gostosa que eu senti que foi o limite para . Ele ergueu uma das mãos e a levou até minha nuca, agarrando alguns fios de cabelo, enquanto sua mão a envolvia e o polegar tocava minha mandíbula. A outra mão agarrou a minha cintura com mais força e ele acabou com a distância que existia entre nós. Seus lábios se colaram aos meus sem a mínima tranquilidade ou paciência que ele demonstrava anteriormente. Ele tomou meus lábios com selvageria e possessividade, beijando-me da forma mais profunda possível. Com nossos lábios se movimentando, eu pude finalmente fechar os meus olhos, agarrando seus cabelos com mais força, puxando seu rosto para mim. Nossas línguas se tocaram, dessa vez dentro de nossas bocas, e se pôs a acariciar a minha com destreza.
Eu sentia seu nariz roçar ao meu quando nossas cabeças se movimentam, exigindo ainda mais dos lábios do outro, e isso me deixava tonta de excitação. sugava meus lábios e língua como se aquela fosse a sua única oportunidade e ele não poderia desperdiçá-la. Eu não o culpo, eu também me sentia assim. Quanto mais eu provava de seus lábios quentes e macios, mais eu queria me perder neles. Mordi seu lábio inferior, puxando-o para mim, e em seguida, fez o mesmo com toda a sua sensualidade costumeira. Arfei contra seus lábios e me separei momentaneamente, só para que voltasse com tudo novamente, como se meus lábios fossem o doce mais saboroso do mundo e ele queria aproveitá-lo até o último instante. Sua língua quente percorreu meus lábios e ele voltou a tomá-los para si, sempre os chupando e mordiscando de uma maneira deliciosa e única.
O fôlego me faltou, tamanha foi a intensidade daquele beijo. Eu me sentia como um copo d’água dando de beber a um sedento que estava há dias no deserto. Afastei-me de seus lábios e respirei ofegante, tentando controlar minha respiração, deixando-a de forma mais regular, mas estava sendo difícil. sugou tudo de mim naquele beijo, deixando-me até um pouco tonta. Abri os olhos lentamente e o encarei. Seu rosto estava bem próximo do meu e ele acariciava minha bochecha com o polegar da mão que ainda se encontrava em minha nuca. Aproximou seu nariz de meus cabelos e os cheirou, fechando os olhos, e parecendo apreciar o cheio do shampoo que eu acabara de usar no banho. Seu rosto se abaixou um pouco mais e se escondeu na curvatura de meu pescoço, fazendo-me sentir nos segundos depois, seus lábios molhados em minha pele, beijando-a avidamente e em seguida, chupando-a com ardor. Sua língua me acariciou, dando-me leves lambidas, e logo seus dentes a fizeram companhia. puxou uma porção de minha pele com seus dentes e a mordiscou, causando-me pequenos espasmos e leves choques em meu ventre e chegando ao meu sexo.
Ele chupou meu pescoço novamente com tanta intensidade que eu sabia que ficariam marcas, mas aquilo não me importava. Eu simplesmente estava me desmanchando em seus lábios, e esse fato me fez ficar ainda mais molhada. ergueu seu corpo e se apoiou em seus braços que estavam ao lado de minha cabeça. Seu corpo até se distanciou de mim, aliviando um pouco o peso, mas ainda assim, seus lábios estavam em meu pescoço, saboreando-me da forma mais intensa a qual eu nunca havia experimentado na vida. Nem mesmo , que fora o único em tudo para mim, havia me saboreado daquela forma. O seu jeito estava diferente; sua maneira de agir estava um pouco mais selvagem e ele parecia querer arrancar o melhor de mim. Queria literalmente me deixar louca de tesão por ele.
Agora você vai receber o tão almejado alívio, . – sussurrou em meu ouvido, dando uma rápida lambida em meu pescoço antes de se afastar. Com os olhos felinos ainda sobre mim, ele começou a recuar seu corpo, deixando-me extremamente confusa. O quê? Ele vai embora? Vai me deixar assim? A excitação já molhava minhas coxas. Eu não aguentava mais. Precisava dele. Então, por que ele estava indo embora?
! – o tom desesperado tomou minha voz – O que...
— Pode continuar de onde parou, . Estarei aqui, observando.
Ele voltou ao local onde estava antes: ajoelhado de frente para as minhas pernas abertas. Entretanto, inclinou seu rosto em direção ao meio das mesmas e apertou minhas coxas fortemente, abrindo-as ainda mais. Umedeceu seus lábios sensualmente e me lançou um sorriso de canto totalmente cafajeste antes de estirar sua língua e passá-la por todo o meu sexo, chegando ao meu clitóris e lhe sugando intensamente por somente uma vez.
— Oh, ! – gemi alto, arqueando as costas.
Porém, ele se afastou tão rápido que me fez choramingar. Senti falta de seus lábios e mãos em mim, e o observei com uma expressão sofrida. soltou uma risada um tanto quanto maldosa e divertida e cruzou os braços.
— Você é a única capaz de aliviar a sua tensão aqui, . – ele disse com tanta normalidade que eu o olhei com raiva por um momento. Como se ele não fosse capaz de me ajudar e fazer isso por mim! Cretino! – E acho bom começar agora, já que não temos a noite toda, e meu pau está latejando de expectativa para estar dentro de você.
Olhei-o ainda raivosa por ele deixar aquele imenso vazio me preencher. Quase o agarrei pela camisa e o obriguei a se deitar sobre mim para terminar aquilo que ele havia começado, mas como eu já não aguentava mais e eu sabia que não daria o braço a torcer tão fácil, eu apenas bufei e o encarei com indignação. Ele arqueou as sobrancelhas para a minha expressão um tanto quanto infantil e acenou com a cabeça, olhando rapidamente para minha intimidade molhada e com o clitóris inchado. Com a vergonha voltando a me dominar, eu me endireitei em sua cama e respirei fundo, puxando todo o ar para os meus pulmões e o soltando lentamente, querendo acalmar minhas veias ardentes de excitação misturada à raiva. Meu sangue fervilhava. Tentando ignorar a presença de junto ao fato de que eu precisava me aliviar urgentemente, eu abri ainda mais as pernas e comecei a descer minha mão por minha barriga lentamente, sentindo minha pele arrepiar e meu ventre tremer em expectativa.
— Não adianta nem fingir que não estou aqui. Sou espectador e exijo que olhe para mim enquanto se toca. – sua voz soou firme e eu bufei contrariada, mas fazendo o que ele queria.
Obedeci à sua voz mandona e ergui o olhar, vendo que ele acompanhava atentamente o movimento de minha mão indo em direção à minha intimidade. Assim que toquei os grandes lábios, eu gemi baixo, mordendo o lábio inferior. Finalmente a minha parte baixa estava recebendo a atenção que tanto almejava. Fiz uma pequena carícia com meu dedo indicador por sobre os lábios úmidos e assim, adentrei um pouco mais, já tocando os pequenos lábios. Meu dedo tocou em cheio meu clitóris e eu gemi mais alto, arqueando as costas. Revirei os olhos e eu comecei a dedilhá-lo, acariciando-o de forma circular, sempre depositando uma leve pressão que me fazia ver estrelas. Intensifiquei ainda mais os movimentos e deixei com meu dedo do meio forçasse um pouco a minha entrada encharcada, logo a adentrando. Um gemido ficou preso em minha garganta e eu fiquei boquiaberta, arqueando novamente as costas.
A sensação era maravilhosa demais.
Enquanto o dedo do meio começava o movimento de vai e vem, o indicador continuava a pressionar meu clitóris. Espasmos tomaram meu corpo e eu levei minha mão esquerda ao meu seio, apertando-o e puxando o bico com os dedos indicador e polegar. Envolvi-o com a palma e o massageei firmemente enquanto continuava a me tocar. Meu olhar caiu sobre novamente e ele encarava minha intimidade com sede. Seus olhos brilhavam e em uma hora ele umedecia o lábio e em outra, o mordia. Seus olhos encontraram os meus e eu gemi alto, sem conseguir me conter. Assim que meus quadris começaram a se mover para cima, buscando mais fricção de meu clitóris com meu dedo, eu soube que estava à beira do precipício. Meu orgasmo estava próximo. O interior de meu ventre quente se contorcia, fazendo meu corpo se contorcer junto, e minhas pernas tremiam conforme os movimentos de meus quadris.
mordeu o lábio inferior pela última vez e num movimento rápido, retirou seu casaco, jogando-o no chão. Sua camisa foi arrancada de seu corpo logo depois, dando-me a visão maravilhosa de seu peitoral, abdômen e tatuagens. Arfei com a visão e gemi, voltando a revirar os olhos. Vi quando retirou seus sapatos, ficando somente de meias e calça jeans. Ele levou sua mão ao cabelo e o puxou firmemente, parecendo descontar nos fios, a sua frustração de não poder me tocar. Frustração esta, que estava estampada em seu olhar de excitação. Mas quem provocou aquela frustração fora ele mesmo. Eu não tinha culpa no cartório. Abaixei meu olhar e vi seu membro excitado, marcado pela calça. Aquilo foi o meu auge. soltou um gemido rouco ao me ver contorcer sobre sua cama, com o calor dominando meu corpo por completo.
Gemi prestes a ter um orgasmo quando senti se mover. Ele se aproximou e tirou meu dedo do meio que entrava e saía freneticamente de mim. Minha entrada logo foi preenchida pelo seu dedo e eu acabei por dizer palavras desconexas quando ele aumentou os movimentos de vai e vem ao máximo. Seu dedo era ainda melhor do que o meu.
— Oh, ! – gemi seu nome ao chegar ao meu ápice.
Meu corpo se contorceu e eu apertei fortemente meu seio enquanto sentia meu interior apertar o dedo de que ainda se movia freneticamente em mim. Logo senti o líquido quente escorrer por minha intimidade, encontrando o dedo de , que me olhava com uma expressão abobalhada e um sorriso lindo. Eu não conseguia parar de gozar. Meu corpo não conseguia se dar por satisfeito, com meu prazer ainda esvaindo-se no dedo de . Eu gemia sem parar enquanto ainda sentia o meu gozo escorrer em abundância. Apertei os olhos e não sei por quanto tempo ainda senti o dedo de se mover dentro em mim. Quando o meu prazer se tornou completo, eu respirei fundo e deixei minhas costas arqueadas encontrarem o colchão. Eu estava muito trêmula e suando muito. Meu corpo devia estar vermelho por conta de sua alta temperatura; e eu suspirei, recuperando-me aos poucos daquele prazer intenso, o qual eu nunca havia sentido antes.
Senti o dedo de sair de dentro de mim e com esse fato, acabei abrindo os olhos lentamente, sem muita força ainda, para ver sorrir satisfeito como nunca antes. Ele levou seu dedo molhado até seus lábios e o chupou com vontade e os olhos fechados, deliciando-se com o momento. Observei-o ainda sem reação, sem conseguir pronunciar uma única palavra. Ele soltou um gemido rouco, parecendo com um grunhido, e abriu os olhos ao terminar de chupar seu dedo.
— Gostosa. – sua voz saiu carregada de tesão. – Preparada para me sentir dentro de você novamente, amor?
Gemi baixo em resposta enquanto ele subia por meu corpo, deitando-se sobre mim sem deixar com que seu peso me machucasse. Ele forçou seu quadril contra o meu e eu senti seu membro pressionar minha intimidade com destreza, mesmo a sua excitação ainda estando coberta por sua calça jeans grossa. Ele grunhiu contra meus lábios com a fricção entre nossos sexos e tomou meus lábios para si.
No fundo eu sabia que aquilo era apenas o começo, e os seus olhos castanhos cheios de promessas me deixavam a par de seus planos maliciosos.


Capítulo 9 – Mike

Envolvi suas costas com minhas mãos, tocando levemente suas omoplatas com as pontas dos dedos, e em seguida, substituindo-os pelas unhas. Arranhei suas costas de cima a baixo com minhas unhas curtas até alcançar o cós de sua calça jeans, adentrando a parte de trás da mesma com os dedos. Seus lábios encostarem-se ao meu pescoço e eu suspirei arqueando um pouco as costas, levando minhas mãos para a parte da frente de sua calça, começando a desabotoá-la e em seguida, descendo o zíper, porém, um som baixo de choro me fez parar.
Abri os olhos e franzi a testa. ia tomar novamente meus lábios para si quando eu o impedi, colocando a mão no espaço entre nossos lábios. Ele me olhou confuso com sua expressão me perguntando o que havia de errado e eu virei meu pescoço, tendo a visão da pequena coisinha que choramingava enquanto nos encarava com os olhinhos suplicantes. Mike.
— Ahn, , o que o Mike ainda está fazendo aqui? – perguntei.
— Ah, isso... – ele rolou os olhos quando ergui meu corpo, sentando-me na cama. Puxei a toalha e a enrolei em meu corpo. bufou baixo e me olhou contrariado por eu ter interrompido o nosso momento. – Depois da balada, eu deixei Debbie e em casa e, consequentemente, Mike teve de ficar conosco. Ele vai passar a noite com a gente e amanhã passa aqui para buscá-lo.
— Que ótima notícia! – sorri animada e me inclinei, pegando o filhote em meus braços. Coloquei-o sobre o meu colo na cama e ficou me olhando com uma expressão indignada. – O quê?
— Isso é sério? – apontou para mim e Mike – Você vai mesmo interromper o que estávamos fazendo para ficar com um cachorro? E ainda por cima na minha cama?
Rolei os olhos e me deitei em meio aos seus travesseiros, acomodando Mike em meu colo. O cachorrinho abanou o rabo e parou de choramingar, logo me fazendo sorrir de canto.
— O bichinho estava se sentindo sozinho. O que queria que eu fizesse?
— O óbvio?
— E o que seria o óbvio? – perguntei, acariciando o pelo de Mike.
— Empurrava o cachorro para fora do quarto e trancava a porta. Ele ia parar de chorar a qualquer hora.
Encarei-o boquiaberta.
– Não seja insensível, ! Aposto que você não ia gostar se fosse um cachorro e fizessem isso com você.
Ele bufou com raiva e se levantou, pegando sua camisa que estava sobre a cama com certa brutalidade. Chutou seus sapatos para o canto do quarto e murmurou antes de sair do quarto:
— Eu vou tomar banho.
Encarei seus movimentos um pouco perdida. Era sério mesmo que ele estava com raiva porque não terminamos o que começamos? Na verdade, ele começou... Porque eu estava muito bem aqui sozinha até ele me surpreender e me envolver com sua nuvem de sedução. Balancei a cabeça e voltei minha atenção para o pequeno Mike. Fiquei brincando com o mesmo e em seguida, levei-o até meu quarto para que eu pudesse me vestir. Coloquei-o sobre minha cama e fui até o armário, pegando o meu pijama. Vesti-me e penteei meus cabelos; pus meus óculos e calcei minhas pantufas. Quando terminei tudo, eu virei meu corpo à procura do filhote, mas não o encontrei. Franzi a testa em confusão, mas ao ouvir o grito irritado de , eu tive a certeza do paradeiro do cachorro.
— Mike! Eu não acredito que você fez isso, porra!
Mordi o lábio inferior e andei em passos lentos até o quarto de , sentindo certo receio me invadir. Eu devia entrar e ver o que tinha acontecido ou era melhor ficar por meu quarto? Eu sabia o quanto era impulsivo quando ficava com raiva... Vai que ele resolve gritar comigo também? Eu não vou me controlar e vou respondê-lo à altura e a última coisa que quero são objetos sendo arremessados pela casa. Entretanto, a curiosidade foi maior e quando eu me dei conta, já estava parada em frente à porta do quarto de .
A primeira visão que tive foi de andando nervoso de um lado a outro, passando as mãos nos cabelos. Ele já estava de banho tomado e devidamente vestido com uma calça de moletom cinza e uma regata branca. Passei meus olhos pelo quarto e a minha segunda visão foi a de Mike sentadinho no chão próximo à cama. Ele abanava o rabinho em resposta aos palavrões baixos que soltava e parecia sentir medo da expressão raivosa do homem. Foi então que eu percebi que ao lado dele havia uma poça numa coloração amarelada. Mike havia feito xixi no chão do quarto de e isso o havia emputecido até o limite. podia ser um pouco bagunceiro, mas era uma bagunça controlada. O piso de madeira de seu quarto – assim como todo o piso do apartamento – estava sempre limpo desde que ele viera morar comigo. era bem limpo nesse quesito, isso eu tinha que admitir.
— O que eu faço com você, Mike? Parece que eu estava adivinhando que você ia fazer alguma merda. Por que eu aceitei ficar contigo, afinal? Você só faz bagunça, cachorro! – falava de maneira severa com o filhote que apenas abanava o rabo e o olhava tristonho, choramingando baixinho. Eu até achei a cena engraçada porque brigava com o animal como se estivesse repreendendo um filho pequeno que só faz peraltice. – Parece que vou ter que te colocar de castigo, huh?
Segurei o riso e me aproximei mais, adentrando o quarto.
— É... ? Posso saber por que você está brigando com ele?
— Será que você não vê, ?! Ele mijou em meu quarto! Olha isso! – apontou para a pequena poça. – E eu sei que quem vai ter de limpar essa porcaria sou eu, porque, pelo jeito, você está muito ocupada achando essa situação bem divertida, huh? Ria muito enquanto é tempo, querida, porque amanhã pode ser o chão do seu quarto.
— Eu ouvi mesmo um tom de sarcasmo no seu ‘’querida’’, querido? – ergui a sobrancelha.
— Está imaginando coisas. – deu de ombros. bufou e olhou para a poça novamente. – Porra, esse cachorro só me dá trabalho. Puta que pariu mesmo. – resmungou enquanto saía do quarto, quase batendo em meu ombro.
Segurei minha risada e me aproximei de Mike, pegando-o no colo. – Mas você é impossível mesmo, pequeno. – cochichei para ele e o mesmo se mexeu em meu braço, dando-me uma lambida na bochecha. Acarinhei sua orelha bem na hora em que adentrava o quarto novamente com um pano molhado em mãos e um rodo.
— E o pior é que isso é madeira, por mais que eu esfregue ainda vai ficar um pouco da catinga de mijo. – ele murmurava enquanto arrumava o pano no rodo e se punha a limpar. Ri baixo, mas me obriguei a espremer os lábios um no outro quando ele me olhou sério, quase me ameaçando. Era melhor eu ficar quieta ou seria a próxima a levar uma bronca. – Espero que o desinfetante ajude. – comentou enquanto esfregava.
Ah, então o pano estava molhado com desinfetante? Uma ótima escolha, , parabéns! Acho que vou te contratar como faxineiro.
— Deve ajudar. – dei de ombros.
Assim que terminou a limpeza, ele respirou fundo e lançou um último olhar em direção a Mike antes de balançar a cabeça negativamente e sair do quarto. Sentei-me em sua cama e pus Mike no chão, já que ele se mexia sem parar. Ele correu para fora do quarto e alguns segundos depois, eu ouvi dizer:
— Não adianta nem abanar esse rabo para mim. Eu não vou te desculpar, seu bagunceiro.
Em seguida, ele apareceu novamente no quarto e fechou a porta antes que Mike pudesse segui-lo. bufou alto e tirou a regata, logo se deitando na cama. Ele encarou o teto e eu fiquei em silêncio, acomodando-me nos travesseiros. Encostei minhas costas à cabeceira da cama e encarei meus dedos entrelaçados.
— O que está fazendo aqui? – sua voz rouca soou e eu o olhei.
— Eu... Moro aqui.
— No meu quarto, . O que está fazendo aqui no meu quarto?
— Ahn... Eu... Eu não posso ficar aqui? – senti a confusão me invadir. Ele não me queria ali?
— Só pensei que talvez você quisesse ficar com o seu amigo Mike. Sabe, você me largou duro para ficar com um cachorro, então...
Suspirei.
, ele estava chorando.
— Isso não é justificativa para me largar necessitado. – fez bico ainda encarando o teto.
— É sério mesmo que você vai agir feito criança por causa disso? – bufei – Vê se cresce, pirralho.
Ele virou sua cabeça em minha direção e me encarou surpreso.
— Você me chamou de quê?
— Pirralho, porque é isso que você é. E afinal, o seu problema poderia muito bem ser resolvido de outra forma. E essa outra forma se chama mão. – dei de ombros.
— Ah, claro! Porque eu vou mesmo preferir a minha mão a sua boceta. – seu tom saiu rude e eu arregalei os olhos.
— Eu não acredito que você usou essa palavra comigo! Que falta de educação! – exclamei.
se sentou na cama e me encarou, parecendo analisar a minha reação diante às suas palavras. Fechei a expressão e desviei o olhar. Eu queria olhar para qualquer canto daquele quarto que não fosse seu rosto que adquiria uma expressão pensativa.
— Desculpe-me por ser sincero até demais e expressar meus sentimentos e pensamentos. Sinto muito se isso ofende a Vossa Senhoria.
Bufei e cruzei os braços e as pernas. Ouvi o som de Mike arranhando a porta querendo entrar e me preparei para levantar na intenção de abri-la, mas meus passos foram interrompidos pela voz de .
— Eu só queria te chupar, será que isso é pedir demais? Será que é pedir demais ter um momento de prazer com a mulher pela qual eu estou apaixonado?
Virei em sua direção, boquiaberta novamente. – Eu não acredito que você disse essa palavra!
— O quê? Chupar? – ele sorriu malicioso e eu me aproximei pegando um travesseiro. Joguei o mesmo em seu rosto e me preparei para pegar o outro travesseiro e bater nele até que o idiota pedisse desculpas pela falta de respeito para comigo, mas ele segurou meus pulsos me impedindo. – Vai me bater só por causa disso? – gargalhou próximo ao meu rosto. – Qual é, ? Acho que nós dois já somos bem grandinhos e podemos escolher e usar as palavras que bem entendemos. Então sim, eu escolho a palavra chupar porque sim, eu queria te chupar. Eu queria te chupar, te fazer tremer e gozar na minha boca, mas enfim... – ele soltou meus pulsos, voltando a se deitar na cama como se não tivesse acabado de falar aquelas coisas para mim; como se não tivesse mexido totalmente com o meu interior. Deitou sua cabeça nos braços que estavam por trás da mesma e arqueou a sobrancelha para mim – Você já fez a sua escolha, huh? – e fechou seus olhos.
Cerrei meus punhos e suspirei forte antes de andar até a porta e abri-la. Mike colocou a língua para fora e abanou o rabo ao me ver e eu sorri, pegando-o no colo. Aproximei-me da cama e o coloquei no meio entre mim e . Assim que me deitei, abriu seus olhos e me encarou antes de encarar o meio entre nós. Seus olhos se arregalaram ao ver Mike deitadinho ali e ele se afastou como se tivesse levado um choque.
— O que ele está fazendo aqui? Não quero esse pulguento aqui.
, pare com isso. Ele já fez o xixi e você já limpou, pronto. Sem ressentimentos.
— Nada disso, , esse cachorro não vai dormir aqui com a gente. E se ele mijar de madrugada? E o pior, na minha cama?
— Deixa de ser fresco, está parecendo um gay falando desse jeito.
arqueou a sobrancelha com minhas palavras e disse:
— Quer que eu te mostre quem é gay? Não tenho problema nenhum com isso.
Rolei os olhos e peguei Mike aproximando-o do rosto de , que fez uma careta e foi mais para trás, quase caindo da cama.
— Olha que coisinha fofa, , como você pode ficar com raivinha de uma coisinha dessas?
Mike olhou com seus olhinhos azuis e brilhantes para e colocou a língua para fora, demonstrando animação, antes de lamber o nariz de . Ri baixo e fez uma leve carranca antes de suspirar e começar a ceder para o lado de Mike.
— Ok, ok, ele pode dormir com a gente. Mas se ele ao menos peidar aqui, eu não pensarei duas vezes antes de jogá-lo para fora desse quarto e trancar a porta. E não me importa se ele vai arranhar ou até mesmo bater na porta, eu não vou abrir.
— Certo, senhor ranzinza. Fica sussa aí. – ajeitei-me na cama e me cobri, vendo se levantar para apagar a luz. Mike se ajeitou entre nós e eu me pus a acariciar sua orelha.
Ficamos em silêncio e se deitou, ficando virado de frente para mim. Deitei minha cabeça em meu braço esquerdo que estava dobrado sobre o travesseiro e olhei para que também me olhava. Nossos rostos estavam próximos e eu podia sentir sua respiração chocando-se contra meus lábios.
... – o chamei em uma voz sussurrada.
— Hm?
Você não vai embora, não é? – meu coração se apertava com a possibilidade de tê-lo distante de mim. Eu já tinha me acostumado demais com a sua presença para deixá-lo ir assim de uma hora para outra. – Digo, o que você disse sobre ir embora em menos de um mês... Não era verdade, era?
Ele suspirou e sussurrou:
Você quer que eu vá embora?
Engoli o nó em minha garganta.
Não, eu não quero que você vá. Afinal, o que eu faria sem o meu hóspede favorito?
Pela luz da lua que adentrava o quarto, pude ver um sorriso pequeno aparecer em seus lábios rosados.
Então eu não vou. Ficarei aqui até você se cansar da minha presença, pequena.
— Isso nunca vai acontecer.
– afirmei com convicção.
Que bom, porque eu sinto o mesmo. Acho que eu nunca vou me cansar de você. O mais provável de acontecer é que eu me apaixone ainda mais por você.
Suas palavras me pegaram desprevenida e eu fiquei sem reação. O silêncio tomou o quarto novamente e eu senti a mão de tocar a minha a qual eu usava para acariciar Mike. Ele segurou minha mão e entrelaçou nossos dedos levemente.
— Não precisa dizer nada. Não quero te obrigar a dizer nada que não queira, certo? – assenti – E também, eu sou muito paciente. Sei esperar por algo que vai valer à pena. – sorriu de canto e eu o acompanhei, encostando nossos narizes em um beijo de esquimó.
(...)

Levantei-me da cama após me espreguiçar e colocar os óculos, e observei a cena de dormindo de forma suave com um Mike deitado em cima dele. Ri baixo e passei as mãos no cabelo, amarrando-o em um coque. Puxei o cobertor de cima de e assim que ele se mexeu um pouco, eu disse:
— Vamos, hora de acordar. Temos que levar o Mike para passear.
— Passear nada, eu quero é dorm... Epa! – exclamou ao abrir os olhos. – O que esse cachorro está fazendo com a bunda na minha cara? , tire-o daqui antes que eu o jogue pela janela.
— Fresco. – bufei e peguei Mike, colocando-o do meu lado da cama.
— Pode me chamar de fresco e quaisquer outros nomes que quiser, mas eu não me levanto daqui hoje, ainda mais nesse horário. Domingo de manhã é hora de se estar dormindo e não acordando cedo para passear com cachorro que nem é meu.
— Se você quer que ele faça xixi no seu quarto novamente, ok... Vá em frente. Só não reclame depois. – dei de ombros, saindo do quarto e batendo a porta.
Encostei a orelha na porta e ouvi murmurar.
— Mas que droga, as mulheres são um chute no saco, mas o que faríamos sem elas, huh? Bom, garoto, vamos logo antes que você resolva fazer a segunda necessidade fisiológica aqui também.
Sorri e me afastei, indo até meu quarto.
(...)

— Segura essa coleira direito, , senão ele vai fugir. – chamei sua atenção por mais uma vez enquanto andávamos lado a lado pela calçada, indo em direção ao Central Park.
— Você quer segurar? Já que está achando que estou fazendo errado, faça você, então. – resmungou – E, aliás, seria ótimo se ele resolvesse fugir. Seria algo a menos para me encher a paciência.
— Mas como você está insuportável, huh? Parece até parente da senhora Wilson com o mesmo grau de chatice. Depois reclama que eu que sou séria demais.
— Estou assim porque fui interrompido bem na hora da minha foda, e como se não fosse suficiente, ainda mijaram no meu quarto.
— Você costumava gostar do Mike. O que deu em você? – franzi o cenho.
Ele deu de ombros, colocando a mão esquerda no bolso da calça enquanto a direita segurava a coleira de um Mike que andava todo serelepe pelas ruas de Nova York.
— E quem disse que eu não gosto mais? Eu só não estou nos meus melhores dias.
— Certo.
Fomos andando até o parque e assim que Mike fez suas necessidades, nós voltamos para casa e o deixamos lá para irmos até o supermercado. Precisávamos estocar os armários e geladeira já que fazia quase um mês que não fazíamos compras. Saí de casa com um na minha cola perguntando se não havia problema em deixar Mike sozinho, já que ele podia fazer mais alguma bagunça. Eu o tranquilizei dizendo que havia deixado comida, água e alguns brinquedos para distraí-lo e que não demoraríamos em voltar. Entramos em um dos seus três carros e assim fomos até o supermercado. Quando chegamos ao estacionamento, o lugar estava bem cheio e quase sem vaga alguma, até que eu avistei uma.
— Ali, ! Estacione ali! – admito que eu estava um pouquinho afobada para não perdermos a vaga, mas fazer o quê? Eu sou assim.
— Calma, , parece que vai ter um treco. – me encarou risonho.
— É porque você pode perder a vaga andando nessa velocidade. Até me admira você andando assim, já que está sempre a cento e vinte quilômetros por hora.
— Nem é exagerada. – bufou, virando o volante e se preparando para estacionar até um carro aparecer do nada e entrar na frente, roubando a vaga.
— Eu falei. – cruzei os braços encarando a expressão desacreditada de que ainda encarava o carro estacionado.
— Aquele filho da puta roubou minha vaga! – exclamou. – Meu dia já está uma maravilha mesmo para um imbecil aparecer e o piorar ainda mais. Isso só pode ser karma.
— Bom, eu vou indo e quando você se resolver aí, nos encontramos lá. – tirei o cinto de segurança e saí do carro, batendo a porta em seguida.
Deixei um irritado para trás e entrei no supermercado. Peguei um carrinho e fui até a área dos legumes e verduras, começando a encher algumas sacolas de plástico. Não demorou muito para aparecer ao meu lado com as mãos nos bolsos. Ele franziu o cenho ao ver os alimentos saudáveis que eu estava pegando.
— Isso é sério? Para que isso se nunca vi você cozinhando legumes ou algo parecido?
Bufei sem encará-lo, ainda colocando as batatas na sacola.
— Geralmente, Debbie e eu fazemos salada de batatas ou com outros legumes. Gostamos disso, você que nunca percebeu.
— Isso é bem raro de acontecer, porque eu já estou morando contigo há três meses e acho que vi vocês cozinhando salada de batatas apenas uma vez e já era muito.
— Cala a boca e ajuda, .
Ele pegou uma sacola e colocou algumas cenouras na mesma enquanto eu enchia outra sacola com cebolas.
Fomos até outra área do supermercado e eu depositei minha atenção nos temperos nas prateleiras à minha frente, procurando pelos que geralmente eu usava. Entretanto, minha atenção foi desviada até o carrinho de compras que fazia um barulho de alimentos sendo depositados dentro do mesmo. Coloquei as mãos na cintura ao ver que se tratava de que enchia o carrinho com batatas fritas, refrigerantes, balas, chocolates e outros doces. Até as gominhas em formato de urso estavam dentro do carrinho. Bufei e me aproximei, observando mais atentamente a cena.
— Você pretende mesmo sobreviver à base de besteiras e alimentos gordurosos?
— Hm, faltou o hambúrguer. Vou buscar. – falou consigo mesmo, ignorando-me completamente.
! – o chamei alto. – Você não pode levar todas essas comidas que só farão mal à sua saúde.
— Eu conserto a minha saúde na academia depois. Sem problemas em relação a isso.
Ele se afastou após dizer isso e eu bufei, pegando as balas e refrigerantes do carrinho na intenção de devolver tudo aos seus devidos lugares, e assim o fiz, voltando ao meu carrinho em seguida e encontrando novamente com que colocava pacotes de hambúrgueres dentro do mesmo. franziu a testa ao perceber que o carrinho estava mais vazio e perguntou:
— Cadê o resto das coisas? – arqueou a sobrancelha para mim.
— Não vou deixar você se destruir desse jeito. – respondi.
— Hm, okay. Bom, vamos tirar isso daqui, então. – ele pegou a sacola com as batatas e ameaçou levá-la ao seu lugar, mas eu o interrompi.
— Não faça isso, . Eu estou tirando essas besteiras daqui para o seu bem. Não me contrarie.
— Então vamos fazer um acordo. Eu pego de volta as coisas que você tirou e ponho as batatas no lugar, e não falamos mais nisso. Cada um com seus alimentos e ponto final.
— É claro que não. Não vou deixá-lo pegar aquilo de novo, e além do mais, isso aqui – apontei para os chocolates e batatas fritas – ainda não está me agradando. Peguei o pacote de Ruffles e ia colocar na prateleira ao meu lado quando a tirou de minha mão com rapidez.
— Nem pensar, , minhas Ruffles, não.
Puxei a sacola de batatas de sua mão e respondi:
— Minhas batatas, não.
Empinei o nariz e arqueou a sobrancelha enquanto nos encarávamos. Desafiávamos um ao outro para ver quem se atrevia a tirar as coisas de dentro do carrinho. Estiquei minha mão na direção da barra de chocolate, mas me impediu, pegando-a de mim. No segundo seguinte, eu peguei a sacola com as cenouras que eram alvo dos olhares ameaçadores de . E com o passar do tempo e troca de olhares intensos, ficamos nessa. Meus braços estavam cheios de alimentos saudáveis enquanto os de só tinham porcarias que davam dor de barriga.
— Vamos ficar mesmo nessa, ? Quem está sendo a criança agora? – ele debochou com um sorriso torto.
— A resposta não é óbvia? É claro que é você!
— Acho que não, hein?
— Você e essa sua mania de me irritar, . Quando vai desistir com suas provocações idiotas? Já está ficando um tanto quanto desgastante, sabia?
— Nunca vou desistir. Você não sabe a satisfação que eu sinto quando te vejo irritada, Wright.
— Então vamos ver quem aguenta mais, .
Coloquei as sacolas no carrinho novamente e fez o mesmo com suas porcarias. Nós nunca desviando os olhares desafiadores. Oh, céus, até fazendo umas míseras compras éramos competitivos.
Virei meu corpo em direção à prateleira e voltei a procurar pelos alimentos que havia na minha lista mental de coisas a comprar. Coloquei alguns potes de ervilha e milho no carrinho a tempo de ver com o canto do olho, colocando um pacote de salgadinho desconhecido por mim. Quando ele virou seu corpo para pegar outra coisa, eu aproveitei a deixa e estiquei a mão, pegando o salgadinho e o colocando de volta na prateleira. Voltei ao meu lugar como se nada tivesse acontecido e continuei com minhas compras. Porém, quando fui colocar um pote de feijão no carrinho, percebi que minhas ervilhas haviam sumido. Lancei um olhar flamejante em direção a e ele me encarou de volta, dizendo de forma simples:
— Meus salgadinhos.
Bufei e balancei a cabeça negativamente.
Ficamos assim, nesse círculo vicioso de põe no carrinho, tira do carrinho, até uma voz conhecida interromper nossa briga silenciosa e um tanto infantil, admito. Voz esta, capaz de fazer um arrepio perpassar por todo o meu corpo e um calafrio passear por toda a minha espinha até a minha nuca, quase fazendo meus pelos se eriçarem.
?
Meu corpo paralisou no mesmo instante enquanto lançava um olhar raivoso por cima do meu ombro. Oh, droga.


Capítulo 10 – Elevador

Meu coração acelerou na mesma hora em que a voz ecoou em meus ouvidos e eu acabei por fechar meus olhos. Larguei a lata de leite em pó dentro do carrinho e abracei meu corpo, engolindo em seco. Aquela simples voz me fazia estremecer como nada igual no mundo e eu sabia o real motivo disso: repulsa e medo. Eu, infelizmente, ainda alimentava um medo dentro de mim em relação àquela pessoa e acho que nem tão cedo esse sentimento ia me abandonar. Percebendo a minha reação, se aproximou mais de mim e envolveu minha cintura com seu braço, puxando-me de encontro a ele, provocando o contato entre as laterais de nossos corpos. Eu sabia que aquela era a sua maneira de expressar que eu não estava sozinha e que ele estava ali para me proteger do que quer que fosse. Agradeci internamente e mentalmente por seu apoio, que tinha uma importância imensurável para mim.
Virei meu corpo em direção à voz e continuava a me abraçar e a força com a qual me segurava ia aumentando gradativamente, fazendo-me sentir o calor da sua mão transpassar o tecido fino da minha camisa, indo de encontro à minha pele um tanto arrepiada de receio por encontrar com aquela pessoa a qual pensei que somente veria pelos corredores da universidade.
- . – pronunciei seu nome com a voz quase sussurrada.
Ele sorriu abertamente e seus olhos azuis cintilaram em minha direção antes de ele perguntar:
- Tudo bem com você?
- Por que não estaria? – perguntei num tom um tanto quanto rude e de forma apressada.
- Eu... Eu não sei. Já faz um tempo que não nos vemos e da última vez em que tentei conversar, você saiu correndo.
- Última vez em que tentou conversar? – a voz de interrompeu a de . Uma voz áspera e ligeiramente confusa. Senti seu olhar sobre mim como se perguntasse de maneira muda o que aquilo significava. Eu sabia que mentalmente, me questionava sobre tudo. Sobre o que queria comigo, quando ele tentou conversar, onde e por quê. – Você não me disse nada sobre isso, . – e mais uma vez sua voz soou áspera me repreendendo.
ergueu seus olhos até de maneira inquisitiva e franziu a testa.
- E por que ela te contaria algo? Você não manda na vida dela, cara. A é capaz de fazer o que bem entender.
Em silêncio, eu virei a cabeça e encarei , sentindo-o apertar ainda mais minha cintura, como uma maneira de controlar seus próprios impulsos. Seus lábios se apertaram em uma linha fina de desgosto e seus olhos brilharam em provocação.
- Você prefere que eu conte ou você conta para esse babaca, ? – ele perguntou e eu confusa, acabei por franzir o cenho. Diante ao meu silêncio de confusão, ele continuou: - Ok, então eu conto. O simples motivo de a me contar o que acontece na vida dela é que eu sou o seu namorado. Acho que namorados podem saber o que se passa na vida das namoradas, não? Corrija-me se eu estiver errado, por favor. – sua voz debochada tomou conta e eu abri a boca em surpresa.
Namorado? O quê?
Olhei para e ele nos encarava em confusão, intercalando seu olhar entre mim e , parecendo querer digerir as palavras do rapaz que ainda me segurava pela cintura, juntando nossos corpos firmemente. Seu olhar acabou por cair na mão de e querendo provocar ainda mais, adentrou a minha camisa e tocou diretamente a pele arrepiada de minha cintura, começando a formar pequenos círculos com o polegar em demonstração de carinho. O olhar de endureceu e ele cerrou os punhos, voltando a me encarar com seriedade.
- Vocês estão juntos, então? – perguntou com frieza na voz. Como eu não sabia o que responder, e eu não ia desmentir , acabei ficando em silêncio. levou isso como uma afirmação e soltou uma risada debochada, aproximando-se mais de nós, parando à nossa frente com as mãos nos bolsos da calça jeans. – Me admira você, , uma mulher tímida e totalmente introvertida que fazia de tudo para chamar a minha atenção, namorando um cara que já deve ter passado o rodo em inúmeras mulheres, tratando-as como objetos. Nunca pensei que você ia se rebaixar tanto a esse nível.
apertou a minha cintura com força antes de falar, interrompendo as ofensas de que me eram lançadas, como facas bem afiadas e extremamente cortantes:
- E quem você pensa que é para falar sobre esse tipo de coisa? Ah, sim, você é o cara que aposta com seus amiguinhos de faculdade qual mulher vai parar na sua cama antes da semana acabar, você é o filhinho de papai que faz uma lista das mulheres que são tratadas como meros objetos sexuais para não cometer o erro de transar com a mesma novamente e repetir figurinha. – a voz de saía ainda mais cortante de sua garganta, como uma faca de dois gumes. – E por fim, você é o babaca que teve a ousadia de tentar cometer o mesmo erro com a minha namorada, mas adivinha quem acabou com a sua brincadeira de casinha? Isso mesmo, fui eu. – soltou minha cintura e deu mais um passo, ficando cara a cara com que o olhava com fúria. – Então não venha bancar o cara respeitador e correto que sabe valorizar uma mulher sendo que não passa de um otário aproveitador que gosta de manipular as pessoas como marionetes quando não tem mais nada para fazer na sua vidinha entediante e miserável. O que foi? O papaizinho não tem te dado atenção suficiente, princesa?
Com isso, os olhos de faiscaram e ele partiu para cima de , agarrando-o pela gola da camisa. não se deixou enfraquecer e fez o mesmo, logo dando-lhe um soco. cambaleou e acabou batendo em uma das prateleiras, e algumas latas de alimentos foram ao chão fazendo um barulho alto. Soltei um grito de susto e quando se voltou para cima de novamente, eu tentei apartar a briga, infelizmente sem sucesso, já que recebi um empurrão de e quase fui ao chão.
- Filho da puta! – vociferou e foi para cima de novamente, socando-o repetidas vezes não lhe dando oportunidade de revidar.
- Pare com isso, ! – quase gritei indo em direção a ele.
Tentei puxar seu braço que continuava indo de encontro ao rosto de , dando-lhe socos e mais socos. Entretanto, ele me afastou com dureza quando parou de socar. levou a mão ao nariz e pareceu ficar com ainda mais raiva ao ver que o sangue não parava de escorrer. Soltei um grito assustado quando ele foi para cima de que estava de costas, tentando me afastar daquele meio de briga. puxou pela camisa e o empurrou com força contra uma prateleira. Mais alimentos foram ao chão e a prateleira estremeceu, ameaçando cair a qualquer momento. resmungou com raiva ao cair ao chão depois do empurrão e foi para cima dele, pronto para começar a socá-lo. Quando o primeiro soco foi dado, eu arregalei meus olhos e tremi enquanto cobria minha boca com as mãos.
- Por favor, alguém ajuda aqui! – eu gritei vendo socar .
Algumas pessoas se aproximaram e encararam a cena de forma abismada.
- Eu vou chamar os seguranças! – alguém disse no meio daquele tumulto.
Aproximei-me dos dois que continuavam a brigar no chão do supermercado e coloquei as mãos no braço de tentando afastá-lo do rosto de , mas novamente, ele me empurrou e minhas costas acabaram por se chocar contra a prateleira, provocando-me uma forte dor.
- Não empurra a , seu filho da puta! – a voz de soou como um rosnado e ele agarrou a camisa de , logo o jogando no chão. Desferiu mais alguns socos em seu rosto que já estava bastante ensanguentado e se levantou, começando a distribuir chutes fortes nas costelas de , que tentava a todo custo se defender. – Eu devia ter feito tudo isso quando tive a chance. Eu devia ter acabado com a sua raça, seu desgraçado! Isso é por tentar abusar dela – chutou sua costela e gemeu alto de dor. – Isso é por tudo que ela passou por sua causa – agarrou-o pela gola da camisa e o socou novamente. – Isso é por... – sua voz foi interrompida pela voz grossa de um homem que eu identifiquei como sendo o gerente do supermercado.
- Que merda é essa no meu supermercado?!
Levei minha mão à cabeça por conta da forte dor de cabeça que começava a me dominar e estreitei os olhos na direção em que era puxado por um dos seguranças para um lado enquanto o outro levantava do chão e o segurava também para que não fosse para cima de .
- Vou logo avisando que vocês vão pagar por cada estrago feito aqui com os alimentos e por quase destruírem o meu supermercado!
Sua voz gritando de forma histérica fez minha cabeça latejar e eu fechei os olhos com força, implorando mentalmente que aquele homem calasse a boca. Abri os olhos quando o homem começou a falar mais baixo, mas com dureza, referindo-se a e que se olhavam com ódio quase como se fossem acabar com a vida um do outro a qualquer instante. Peguei meu carrinho com as compras e saí do corredor por entre as pessoas que ainda olhavam tudo com curiosidade e susto. Deixei com que e se resolvessem sozinhos com o gerente. Eu já estava cansada de toda aquela confusão. Toda vez em que eles se encontravam, tudo acabava em briga ou uma quase briga e eu já estava farta disso. Eu queria que simplesmente sumisse da minha vida para sempre, pelo menos assim, não teria ninguém com quem brigar.
Paguei as compras no caixa e saí do supermercado carregando as sacolas. Balancei a cabeça negativamente e soltei um suspiro, ainda contrariada com toda aquela situação constrangedora, e procurei pelo carro de . Assim que o achei, fui até o mesmo e fiquei parada esperando pelo dono. Ele apareceu em menos de um minuto e em passos rápidos se aproximou, passando as mãos pelo cabelo, arrumando alguns fios despenteados. Seu andar era rápido, mas demonstrava total despreocupação, como se ele não se importasse com nada que acontecera e mais, parecia estar aliviado por quase ter mandado alguém direto para o hospital. Eu podia até estar agradecida por sua demonstração de preocupação e zelo, mas eu ainda odiava violência. E essa troca de socos e chutes não me agradou em nada. ouviria poucas e boas quando chegássemos em casa.
Ele desligou o alarme do carro e eu abri a porta, jogando as compras de qualquer jeito no banco de trás. Entrei no carro e coloquei o cinto, cruzando os braços em seguida e olhando para a janela. Senti o olhar de queimar sobre meu corpo assim que ele adentrou o carro e o ligou; um suspiro alto escapou de seus lábios um tanto machucados e assim, ele deu partida. Durante todo o caminho, nós ficamos em silêncio. Parecia que nenhum dos dois queria tocar no assunto, já que era um tanto quanto delicado para ambos. E eu agradeci mentalmente por saber ficar quieto quando é necessário, por ele saber respeitar a gravidade da situação. Eu observava tudo ao meu redor pela janela enquanto dirigia e tentava acalmar meus nervos durante o processo. O que era para ser uma simples ida ao supermercado acabou se tornando uma baita dor de cabeça, literalmente. Minha cabeça ainda latejava e eu não sabia se era por conta do empurrão de ; talvez eu tenha batido a cabeça na prateleira e no calor do momento, acabei não sentindo o impacto na hora.
Não consegui reprimir um gemido e uma careta de dor ao me mexer no banco do carro. Minhas costas também doíam por conta do empurrão. Senti o olhar de queimar sobre mim novamente ao ouvir o meu gemido baixo, mas o ignorei completamente, continuando a encarar a janela. A paisagem era a minha melhor distração agora. Dentro de alguns minutos, chegamos ao prédio e estacionou o carro na garagem. Assim que o carro parou, eu tirei o cinto com pressa e abri a porta, logo saindo. Peguei as compras e comecei a andar em direção à entrada. Passei por Ezequiel e sorri, ele acenou sorrindo de volta e assim, eu fui até o elevador, sempre sentindo vindo atrás de mim. Apertei o botão e assim que o cubículo chegou, eu entrei. veio atrás e ficamos a sós dentro daquele espaço.
Pressionei o botão do meu andar e assim esperei, sempre com meu olhar direcionado à somente um lugar: a porta fechada do elevador. Eu não queria encarar . Não agora. Repentinamente, o elevador deu um sacolejo e parou; as luzes se apagaram e eu larguei as sacolas no chão ao sentir meu coração dar um solavanco no peito pelo susto. Encarando somente a escuridão que tomou aquele espaço, minhas mãos começaram a suar e minha voz soou falha.
- ? – o chamei.
Silêncio. Ele não me respondeu.
- , por favor, responda.
- Eu estou aqui, . – ele disse com a voz demonstrando tédio. – Parece que o elevador deu algum problema.
Rolei os olhos. – Não me diga!
Senti algo tocando meu braço ao passar por mim e dei um pequeno salto de susto.
- Calma, sou eu. – ele disse, parecendo segurar uma risada. – Vou acionar o alarme para ver se Ezequiel ainda está na portaria. – assenti e me encostei à parede ao lado do painel. – Ezequiel? e eu ficamos presos no elevador. O que aconteceu? – ele falou assim que a voz de Ezequiel se fez presente no cubículo.
- Peço desculpas pelo transtorno, senhor , mas o computador detectou algum problema nos cabos e fui obrigado a parar o elevador. Eu só não sabia que o senhor e a senhorita Wright ainda não haviam saído dele. Eu já contatei o rapaz que é encarregado dos consertos daqui do prédio e ele já estava vindo. Não se preocupem que eu os manterei informados do tempo estimado para que tudo esteja resolvido e vocês saíam daí.
Suspirei e assentiu, falando um ‘’Ok’’ e assim, a voz de Ezequiel sumiu. Escorreguei pela parede e me sentei no chão do elevador, flexionando minhas pernas. Só o pensamento de passar mais um tempo trancada lá dentro me fez suar frio e quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu ficava nervosa. Quando percebi, o suor já descia pela minha testa, minhas mãos suavam e tremiam acompanhando o tremor de meu corpo encolhido no canto da parede. O mundo pareceu dar uma volta de trezentos e sessenta graus em minha cabeça e eu me vi tonta, quase tombando para o lado.
- Droga, isso não pode estar acontecendo comigo. – praguejei com a voz baixa.
- ? O que houve? – a voz de soou em meio à escuridão e eu engoli minha saliva sentindo a garganta seca.
- Eu... Eu tenho claustrofobia, . Não estou me sentindo muito bem. – declarei, vendo novamente o mundo rodar. Eu sentia que ia desmaiar a qualquer instante. A agonia de ficar presa sem conseguir sair me deixava afoita por dentro, eu sentia meu coração palpitar rápido demais em meu peito e minha respiração estava ofegante como se eu tivesse corrido uma maratona, mas não, eu estava apenas dentro de um elevador parado e escuro. O sangue corria mais rápido em minhas veias e o calor tomava meu corpo, fazendo-me suar mais e mais de nervoso. Repentinamente, senti como se as paredes se comprimissem mais ao meu redor, quase espremendo meu corpo. Se o espaço já era pequeno, para mim ficava ainda menor.
- Calma, calma, eu estou aqui. – senti suas mãos me tocarem e seu corpo se sentou ao lado do meu. Meus braços e pernas tremiam muito sem que eu tivesse controle algum sobre eles e eu simplesmente odiava estar nessa situação, sentir esses sintomas.
Lembro-me de quando eu tive a minha primeira crise. Eu não sabia que tinha claustrofobia até uma colega minha de escola me deixar presa na despensa de sua casa durante uma brincadeira de pique esconde. Aos sete anos, eu me vi presa naquele espaço pequeno e tive um ataque de histeria. Tive os mesmos sintomas de agora enquanto gritava desesperadamente para que abrissem a porta e me deixassem sair, mas até que ela percebesse que não se tratava de uma brincadeira de minha parte ou fingimento, eu continuava gritando e chorando, sentindo a agonia possuir cada centímetro do meu corpo e fio de cabelo. Ao ver que eu estava realmente passando mal, ela abriu a porta, e quando viu o estado em que eu me encontrava, branca como uma folha de papel, ela gritou por sua mãe e a mesma me levou ao hospital às pressas. Meus pais correram para o hospital assim que souberam da notícia e assim recebemos juntos, o diagnóstico do médico: claustrofobia.
Desde então, eu venho sempre me mantendo longe de multidões, lugares fechados, portas trancadas e coisas do gênero. E sempre que fecho a porta, seja do meu quarto ou de qualquer outro lugar, ou entro num elevador, são por um tempo curto. Eu podia lidar com esse tempo; mas não agora. Não estando presa.
Eu estava mergulhada nas lembranças quando ouvi a voz de me puxar de volta.
- Eu também sou claustrofóbico, mas vamos fingir que não, ok? Sei que é difícil, mas vamos tentar controlar os sintomas enquanto estamos aqui. Assim, apoiamos um ao outro. – assenti freneticamente e seus braços envolveram minha cintura. Deitei minha cabeça em seu ombro e tentei controlar minha respiração acelerada, ainda sem sucesso. – Sabe, eu também descobri que tinha claustrofobia numa situação parecida à sua. – eu sabia que ele estava tentando puxar assunto para me fazer relaxar e esquecer que estávamos presos por não sei quantos minutos mais. E eu agradecia a ele por isso. era realmente um amigo fantástico. – Tudo aconteceu por causa do idiota do meu primo. Estávamos brincando e como ele era mais velho do que eu, me pôs dentro de uma caixa e me deixou preso lá dentro enquanto ficava sentado sobre ela do lado de fora e ria da minha agonia em querer sair. Digamos que aquele bastardo fez um estrago e tanto, e hoje em dia estou aqui, um homem de vinte e três anos na cara com medinho de ficar preso nos lugares ou com uma multidão ao seu redor. – seu tom brincalhão me fez rir fraco e por um momento eu senti que eu podia enfrentar aquela situação, eu podia ignorar o meu problema. – Parece que, pelo menos nisso, nós somos iguais. Ponto para a gente!
Ele riu e eu o acompanhei; minha cabeça ainda recostada ao seu ombro.
- O meu medo completa o seu. – deixei escapar em voz baixa, com os olhos fechados.
Ele suspirou e me envolveu ainda mais com seus braços fortes.
- Completamente.

Mais minutos se passaram e minha agonia ainda estava lá corroendo meu corpo, mas eu conseguia controlá-la, felizmente. Minha atenção foi direcionada ao pé de que batia freneticamente contra o chão; e eu sabia muito bem que ele também estava agoniado e tentando se controlar. Suas mãos tremiam um pouco em volta de mim e ele mudava de posição a cada um minuto, sem conseguir parar de se mexer.
- Quanto tempo mais vamos ter de ficar aqui? – ele vociferou, mesmo sabendo que poucos minutos atrás, Ezequiel havia nos dito que em breve o problema seria solucionado.
Ele ameaçou se levantar, mas eu o segurei pelo braço, obrigando-o a continuar ao meu lado. Eu não queria ficar ali sozinha, ainda mais no escuro. Eu não queria que ele se afastasse de mim nem por um segundo. Naquele momento, era meu porto seguro. As paredes do elevador e o teto ainda pareciam querer me espremer, comprimindo-se ainda mais em volta de mim. Agarrei a camisa de com força e me lancei contra seu peito, encolhendo-me nele.
- Eu estou agoniado, , não consigo ficar parado. Estou começando a suar frio. – ele respirou fundo e eu instintivamente o acompanhei. Meu coração faltava saltar pela boca.
Oh, céus.
- Eu sei, ... – suspirei.
Agarrei-me ainda mais à sua camisa e apertei os olhos.
- Alguma coisa tem que nos distrair, então... Me beija, . – seu tom era desesperado.
Ergui o rosto e engoli em seco. – Eu não acho que... Eu ainda estou brava com você por causa daquela cena no supermercado, . Não quero te beijar.
Eu encarava seu rosto mesmo em meio à escuridão, e sentia sua respiração se chocar contra meu rosto.
- Por Deus, isso não é hora para ressentimentos, ! Eu estou aqui tentando fazer com que não tenhamos um colapso nervoso e você fica aí de frescura. – seu tom saiu raivoso. – Você é tão complicada que eu ainda não entendo como me apaixonei por você.
Eu estava me preparando para dizer tudo que estava entalado em minha garganta depois de toda a briga no supermercado quando quebrou a total distância entre nossos lábios. Seus lábios macios e quentes cobriram os meus que tremiam levemente por conta do nervoso. Sua língua afoita adentrou minha boca e eu acabei cedendo por ter sido pega de surpresa; puxei sua camisa em minha direção, aprofundando ainda mais aquele beijo desesperado de tirar o fôlego. Sua respiração ofegante se chocou contra a minha igualmente ofegante e sua mão foi até o meu cabelo, embrenhando-se pelos fios próximos à minha nuca, causando-me arrepios que perpassaram o corpo inteiro ao senti-lo puxando meu cabelo. Sua língua encostava-se à minha de forma constante, provocando-me suspiros. Adentrei sua camisa com meus dedos trêmulos e suados e arrastei minhas unhas por seu abdômen também molhado por seu suor.
soltou um grunhido baixo assim que suguei sua língua com desespero, buscando de alguma forma o ar que me faltava através de sua respiração. Levei uma de minhas mãos ao seu cabelo, percebendo que alguns fios também se encontravam molhados pelo suor. Ri mentalmente ao perceber a gravidade da situação; dois claustrofóbicos agoniados e suados presos em um elevador enquanto se beijavam tentando roubar o pouco fôlego do outro. O nosso nível de desespero estava no limite, era óbvio. Queríamos nos distrair de qualquer jeito nem que para isso tivéssemos que arrancar o máximo que podíamos um do outro. me puxou pela cintura e com força e brutalidade, me colocou sentada em seu colo. Levei minhas mãos ao seu cabelo, puxando alguns fios, e ele mordeu meu lábio inferior, puxando-o para si.
Voltei a beijá-lo antes mesmo que ele se recuperasse, numa tentativa de ter sua respiração contra mim de volta, dando-me o fôlego que eu tanto necessitava. Gemidos baixos escapavam de seus lábios enquanto ele retribuía o beijo com a mesma intensidade, como se estivéssemos sentindo raiva um do outro. E digamos que eu estava com um pouquinho de raiva, sim. Ainda não havia me esquecido da dor de cabeça a qual ele me provocara. Entretanto, ao sentir suas mãos adentrando minha camisa com rapidez, toda a raiva pareceu se dissipar. O que eu senti foram arrepios percorrendo todo o meu corpo enquanto suas unhas curtas arranhavam a pele sensível da minha cintura. Movi-me em seu colo, chocando ainda mais nossos quadris, e respirou pesado contra meus lábios. Sua excitação nos acompanhava, fazendo questão que nós a sentíssemos entre nós a cada vez que nossos corpos suados se encontravam.
As mãos de ergueram minha camisa na altura dos meus seios cobertos pelo sutiã e elas logo os envolveram, apertando-os com força. Gemi baixo e ouvi a risada maliciosa de ; seus lábios se separaram dos meus e foram até meu pescoço, distribuindo beijos molhados e chupões. Sua língua quente passeou por minha pele, fazendo uma trilha de saliva desde minha clavícula até a região atrás de minha orelha, dando uma mordida no lóbulo da mesma. Mordi o lábio inferior e apertei seus ombros, praticamente me derretendo em seus braços. Ergui seu rosto com meu dedo indicador e voltei a selar nossos lábios, amando a maciez e temperatura dos mesmos. As mãos de apertaram minha cintura, forçando-me a me mover em seu colo, roçando seu membro excitado em mim. Suas mãos guiavam meus quadris, movimentando-os lentamente, fazendo-me rebolar como se eu estivesse tentando equilibrar um bambolê em volta de mim.
Quanto mais ele roçava meu corpo no seu, mais eu sentia seu membro crescer contra mim, consequentemente encostando-se ao meu ponto de prazer coberto pela calcinha e calça jeans. A pressão feita ali me fez revirar os olhos, apertando os braços de . Ele rosnou baixinho em meu ouvido ao separarmos os lábios e continuou a me mover sobre si, massageando seu membro com meu corpo.
De repente, o elevador voltou a sacolejar novamente, causando-me um susto. As luzes se acenderam e a voz de Ezequiel soou.
- Problema resolvido, pessoal. Peço desculpas novamente pelo transtorno.
De forma desesperada, eu me levantei do colo de e assim que a porta se abriu, eu saí praticamente correndo. veio atrás, mas com mais calma, enquanto carregava as sacolas das compras as quais eu nem dei importância. Era tão bom respirar o ar fora daquele cubículo; eu podia até ouvir meus pulmões me agradecendo. Parei em frente à porta do meu apartamento e respirei fundo quando parou ao meu lado. Ele deu uma risadinha nasalada e eu abri a porta, sendo recebida por um Mike alegre abanando o rabinho.
- Ei, garoto. – fiz carinho em sua cabeça assim que e eu entramos e fechamos a porta.
Enquanto acarinhava Mike, vi que já havia deixado as compras sobre a bancada da cozinha e me encarava com os braços cruzados. Sua expressão era leve, ele não estava sério e nem com raiva, pelo contrário, um sorrisinho acompanhava o canto de seus lábios. Curiosa, eu perguntei:
- O que foi?
- Nada, é só que você me deixou na mão de novo, literalmente.
Abaixei o olhar ao entender do que se tratava – o que demorou um pouco, admito – e aquele volume já conhecido estava ali por baixo de sua calça e no mesmo instante, senti minha bochecha ruborizar. Ele riu fraco e balançou a cabeça negativamente antes de tirar os tênis e atravessar a sala, sumindo pelo corredor.
Olhei para Mike, que estava parado à minha frente me encarando com a língua de fora, e dei de ombros.
- Fazer o quê, não é?
Mike latiu em resposta e eu sorri, passando meus dedos por seu pelo.


Capítulo 11 – Psicologia Clínica

Terminei de me vestir e arrumei minha bolsa com meus documentos, celular e alguns objetos os quais eu usaria nas sessões de hoje com meus pacientes. Era segunda-feira, início de tarde, e eu não poderia me atrasar. Passei as mãos em meus cabelos presos num rabo de cavalo, arrumando alguns fios que estavam fora do lugar, e em seguida, passei minhas mãos por minha roupa branca. Certo, ela estava alinhada, sem nenhuma demonstração de tecido amassado. Sorri em frente ao espelho e ajeitei os óculos em meu rosto. Respirei fundo tentando controlar a ansiedade que se apoderava de mim. Eu estava animada para o que aconteceria hoje no consultório; tinha muitas atividades planejadas para ajudar meus pacientes.
Peguei a bolsa sobre a cama e a coloquei em meu ombro. Pisando firme sobre o piso de madeira, eu andei para fora do quarto. Olhei tudo ao redor ao pisar na sala, observando para ver se não havia nada fora do lugar. tinha saído para uma reunião de emergência na empresa, acompanhado de Ryan e Olivia, logo após o almoço. havia levado o pequeno Mike para casa ontem, alguns minutos depois em que desapareceu pelo corredor. Assim, pude dar uma arrumada na parte da casa onde Mike havia ficado por mais tempo: a sala. O apartamento, agora, estava um brinco. Cheirando à limpeza, e esse fato me fez sorrir de canto. Mesmo sendo um bagunceiro em relação ao seu quarto, ao menos nos outros cômodos do apartamento, sabia ser bem colaborador.
Peguei as chaves penduradas ao lado da porta e assim, saí de casa. Atravessei o corredor e esperei o elevador. As portas do mesmo se abriram alguns instantes depois e assim, eu entrei. Chegando ao térreo, acabei por encontrar com a senhora Wilson. A mulher me olhou de cima a baixo, parecendo analisar minhas roupas: saia e camisa social branca. Arqueei a sobrancelha esquerda diante à sua análise nada discreta e continuei a encará-la. Quando ela parou de me encarar, eu balancei a cabeça em negação e voltei a andar, passando pela senhora. Cumprimentei Ezequiel e quando estava prestes a sair do prédio, ouço uma voz se dirigir a mim.
- Está muito bonita, senhorita. – juro que dei um solavanco e parei de andar na mesma hora, um pouco incerta se ela realmente estava falando comigo. Porém, não havia mais ninguém além de nós e Ezequiel por ali, o que me levou a acreditar que sim, a senhora Wilson estava me elogiando.
Franzi o cenho e virei somente minha cabeça, olhando-a por cima do ombro.
- Desculpa, mas, a senhora está falando comigo?
- A menos que você esteja vendo outra mulher aqui além de mim, sim, eu estou falando com a senhorita.
Ok, a sua resposta foi um tanto quanto rude, sendo acompanhada de sua postura superior, mas convenhamos que eu já estivesse acostumada com isso. A senhora Wilson sempre foi assim desde quando me mudei para esse prédio, aliás, ela já morava aqui antes mesmo de eu pensar em sair de Charlotte. E é por esse fato de ela me elogiar pela primeira vez me deixar tão surpresa, que eu ao menos liguei para seu jeito rude. Pelo contrário, isso fez com que um sorriso grande estampasse meus lábios.
- Muito obrigada, senhora Wilson. – agradeci educadamente, vendo a senhora esboçar um fraco sorriso, quase imperceptível. Entretanto, até mesmo uma sombra de sorriso era perceptível aos meus olhos.
Ela apenas acenou com a cabeça e assim eu me virei, voltando a andar.
Depois de alguns minutos, cheguei ao hospital. Paguei a corrida ao taxista e saí do táxi. Em meio às pessoas na parte de dentro do hospital e em meio à toda confusão de pacientes chegando de ambulância, consegui cumprimentar Martha, que sorriu e me cumprimentou de volta. Subi até o andar onde ficava o consultório e passei por uma Noemi que sempre prestava o máximo de atenção possível na tela de seu computador, afinal, eficiência era o seu sobrenome.
Bati com a mão na bancada, causando-lhe um imenso susto. Ri de seus olhos arregalados por trás dos óculos e de sua mão espalmada em seu peito.
- Você me assustou, sua idiota! – exclamou.
- Não diga! – debochei – Sabe que eu nem notei? Afinal, nem era minha intenção te assustar. Longe de mim!
- Muito engraçadinha. – fingiu uma risada e eu sorri, inclinando-me sobre a bancada. Roubei uma rosquinha da caixa aberta e dei uma farta mordida. – Ei, minha rosquinha, sua ladra!
Dei de ombros, ainda mastigando, recebendo um olhar raivoso de Noemi.
O cheiro de um perfume conhecido tomou o ar e eu ri baixo ao ver que Noemi havia se endireitado na cadeira ao também inalar o famoso perfume. Acho que o hospital todo sabia identificar o dono daquele cheiro tão bom. Não demorou muito para que ele parasse ao meu lado, forçando seus lábios contra minha bochecha em um beijo demorado e molhado.
- Boa tarde, minha querida doutora Wright! – sua voz soou animada e eu rolei os olhos.
- Por que vocês me chamam de doutora? – eu até gostava da forma com a qual me chamavam, mas eu não era doutora ainda.
Noemi ergueu seus olhos até mim e respondeu:
- Porque mesmo você sendo uma estagiária, nós costumamos tratar os estagiários aqui da mesma forma como trataríamos um doutor. Sabemos que você não é formada ainda, mas estás prestes a isso. E além do mais, você pretende fazer doutorado, não é? – assenti – Então, futura doutora! Nós só a tratamos assim como uma forma de treinamento para o seu futuro. Não nos leve a mal, mas é uma maneira de ajudá-la. Queremos que se sinta à vontade aqui e quem sabe venha trabalhar conosco futuramente. – sorri – E além do mais, são ordens do diretor do hospital a forma com a qual te tratamos. Se não está satisfeita, vá reclamar com ele. – Noemi e seu jeito peculiar e espontâneo de ser.
Ri de sua expressão pomposa. – Eu não estou reclamando, só estava fazendo uma simples pergunta antropológica.
- Isso é rosquinha? – Matt mudou totalmente de assunto. Aliás, quando o assunto era comida, ele sempre preferiria falar sobre tal. – Onde tem? – apontou.
Apontei para Noemi, que acabara de voltar sua atenção para o computador e digitava sem parar, e o corpo de Matt pareceu tencionar. Ele pigarreou e colocou as mãos por dentro dos bolsos da calça social branca.
- Deixa para lá. – respondeu rouco, dando de ombros.
Lancei um olhar curioso na direção dele para vê-lo encarando os próximos pés. Em seguida, olhei para Noemi e a mesma continuava a olhar para a tela do computador, sem desviar dela em nenhum momento. Os dois não haviam se olhado e nem trocado palavras até agora e isso me levou a questionar mentalmente sobre qual era o motivo.
- Hm, aconteceu algo por aqui? – apontei para os dois.
- Pergunte à sua amiga. – Matt respondeu num tom seco e se afastou, atravessando o corredor. Acompanhei o movimento de seus ombros com o olhar até ele adentrar o elevador e sumir pelo mesmo. Virei novamente para Noemi e lhe questionei com o olhar. Ela soltou um suspiro nervoso e se levantou. – Pergunte ao seu amigo cretino.
Dito isso, ela foi até o bebedouro do outro lado da ala e puxou um copo, enchendo-o d’água. Andei até ela e cruzei os braços, esperando uma resposta mais esclarecedora. Não demorou muito até seus ombros cederem em derrota e ela me olhar com uma expressão magoada.
- Aquele idiota do Matt me ligou na sexta-feira à noite pedindo para conversar. De acordo com ele, ele precisava urgentemente desabafar. – ela pausou por um instante e eu a pedi para prosseguir com o olhar. – Então, nós marcamos de nos encontrar num restaurante no sábado à noite e eu fui. Chegando lá, ele me contou que havia terminado com a namorada e os motivos do término. Ele disse que não dava mais porque os dois estavam muito ocupados com seus empregos e com o tempo, o sentimento foi se esfriando e eles quase não se viam mais. Até aí, tudo bem, eu ouvi tudo e até o aconselhei. O que eu não sabia é o que o idiota ia fazer depois. – seu olhar de transformou em raiva e sua mão amassou o copo vazio de plástico. Ela o jogou na lixeira e saiu marchando de volta à sua cadeira, e eu fui atrás.
- Noemi, o que ele fez? – perguntei cautelosa.
Ela suspirou e ergueu seus olhos até mim novamente. Os mesmos estavam lacrimejados e sua expressão ainda era de raiva misturada à mágoa.
- Ele me beijou, . – ela declarou com uma voz de derrota, escondendo o rosto com as mãos. – E eu lhe dei um tapa.
Franzi a testa e me aproximei mais, apoiando meus cotovelos na bancada. – Mas... Você não gosta dele?
- Eu sou apaixonada por ele, mas isso não quer dizer que eu queira ser a sua válvula de escape. Não quero ser a substituta, o meio dele de esquecer a ex-namorada. Eu quero ser mais do que isso.
As palavras de Noemi me fizeram refletir sobre a minha situação com . Eu podia nos comparar à Noemi e Matt. E se também estivesse me usando como uma válvula de escape para esquecer a Olivia e o seu recente término de namoro? Os pensamentos em minha mente foram interrompidos pela voz chorosa de Noemi.
- O que eu faço, ? Porque, agora, ele nem me olha. Está me ignorando completamente, e você sabe que sou orgulhosa. Se ele me ignora, eu também o ignoro. Não vou abaixar a minha cabeça para a atitude errada dele. – sorri fraco com seu jeito de falar e sua expressão se tornando superior como sempre.
- Eu acho que talvez você deva dar tempo ao tempo. Deixe-o se acostumar e se conformar com o término por alguns dias ou até por uma semana. Tenha a certeza de que quando for a hora, ele virá até você. Matt vai perceber o erro que cometeu e vai te pedir desculpas, acredite. Se ele não o fizer, eu o arrasto até aqui e o obrigo a fazer.
Noemi sorriu fraco em meio às lágrimas e eu me inclinei mais, enxugando seu rosto. – Agora, ponha um sorriso nesses lábios, ergue a cabeça e segue em frente. Isso é apenas algo da vida, afinal, ela tem essa de pregar peças. Mas, acredite que tudo vai se resolver. – disse com firmeza. – E ah, não se esqueça de me convidar para o casamento depois. – apontei em sua direção enquanto me punha a andar pelo corredor.
- ! – ela arregalou os olhos e ficou boquiaberta, arrancando-me um riso. – Você não tem jeito mesmo, é a melhor amiga que alguém poderia ter. – suas palavras me emocionaram e eu sorri, soprando-lhe um beijo.
Direcionei-me ao meu consultório e entrei, logo vestindo o jaleco e me sentando à cadeira. Noemi apareceu e anunciou que o primeiro paciente havia chegado. Não demorou muito até que a porta fosse aberta e por ela, passasse um Edward um tanto quanto tenso. Sua inquietação podia ser notada há quilômetros de distância e assim que a porta foi fechada e ele se sentou à minha frente, eu ajeitei meus óculos e perguntei:
- Está tudo bem, Edward?
Ele desviou o olhar de suas mãos entrelaçadas sobre o colo e me olhou, dizendo com uma voz séria e pesarosa:
- Eu traí a minha esposa novamente. O que eu faço, doutora?
Suspirei e apoiei meus antebraços na mesa de vidro, encarando-o seriamente.
- Parece que terei que trabalhar muito com você a respeito de seus impulsos. – declarei firme.
’s POV
Saí da sala de reuniões o mais depressa que meus pés conseguiam andar. Eu odiava reuniões, ainda mais como aquelas para ver como está a situação financeira da empresa, se está indo muito bem ou muito mal. E com ‘muito mal’ quero dizer quase no fundo do poço. Afrouxei a gravata ao redor de meu pescoço e inspirei uma boa quantidade de oxigênio para meus pulmões necessitados. Andei até o bebedouro e enchi um copo com água, bebendo tudo em quase um gole. Ryan e Olivia pararam ao meu lado, risonhos. Liv abraçava a pasta com as informações sobre o balanceamento e Ryan estava com as mãos nos bolsos da calça social.
- Você tinha que ter visto a sua cara de desespero! – Liv exclamou com aquele sorrisinho irritante nos lábios cobertos por batom vermelho. – Estava explícito para qualquer um ver a sua intolerância a reuniões.
- É, cara... – Ryan apertou meu ombro – Você é muito ruim em disfarçar. Então eu aconselho que não tente isso de novo.
Revirei os olhos e bufei. Opa, alerta de mania da . Parece que isso é contagioso.
- Eu não aguentava mais. – baguncei o cabelo, demonstrando minha inquietação – O cara não parava de falar e falar. Estava contando os minutos para aquela tortura chegar ao fim.
- Nós reparamos que você não parava de olhar para o relógio de minuto em minuto. – comentou Liv e Ry concordou, enchendo um copo d’água.
- Senhor ! – ouvi uma voz me chamar e olhei em volta. Vicky se aproximava carregando uma pilha de pastas, e por ela ser baixinha, a mesma quase a escondia por completo. Segurei uma risada da cena. – O que eu faço com esses documentos? – parou à minha frente.
- Pode guardá-los no arquivo, Vicky. – instruí e ela assentiu, preparando-se para andar até ser interrompida por Ryan.
- Precisa de ajuda? – perguntou com uma gentileza que eu sabia que era falsa. Estreitei meus olhos para meu amigo e o mesmo me ignorou completamente. As bochechas de Vicky adquiriram um tom rosado e ela respondeu, sem graça: - N-Não precisa. Sério. Eu consigo.
- Eu insisto. – Ryan sorriu fraco e Vicky acabou assentindo. Ela voltou a andar e Ryan se pôs atrás, lançando-me um sorriso malicioso antes de virar a cabeça e direcionar o olhar para o traseiro de Victoria. Ri baixo e neguei com a cabeça. Ryan e as mulheres. Fiquei até com pena da moça já que a mesma tentava equilibrar as pastas a todo custo em seus braços enquanto o marmanjo ia por trás apenas apreciando a visão que tinha. Eu sabia que ele ia fazer tudo, menos ajudá-la realmente.
Olivia chamou minha atenção para si ao estalar a língua no céu da boca, provocando aquele famoso som de reprovação. Encarei-a risonho e ela me olhou.
- Pobre Vicky, tenho pena de ter sido escolhida para entrar na lista de vítimas de Ryan Butler.
- Você fala como se ele fosse um serial killer ou algo do tipo. – arqueei a sobrancelha.
- E não deixa de ser. – abraçou ainda mais a pasta contra seu peito – O serial killer do sexo.
Gargalhei de sua frase, chamando a atenção de alguns funcionários da empresa para nós. – Isso não faz sentido algum!
- É claro que faz, – ergueu seu pescoço, lançando-me um olhar superior. – para mim.
Sorri e neguei com a cabeça, finalmente já me sentindo mais relaxado depois daquela droga de reunião. Olivia ria fraco comigo quando Scott Turner apareceu em nosso campo de visão, claramente querendo chamar a atenção para si. Revirei os olhos e vendo que ele vinha até nós, tentei puxar Liv pelo braço para outro lugar. Eu sabia bem sobre as intenções daquele cara com ela e aquilo não era nem um pouco agradável e aceitável para mim. Porém, Olivia percebeu minha intenção e se soltou de minha mão, olhando-me incrédula.
- O que você pensa que está fazendo, ?
- Eu... Ahn... – cocei a nuca. Ok, admito que fiquei sem jeito, mas qual é? Eu não sabia que ela ia perceber!
- Você, por um acaso, não estava tentando evitar com que Scott viesse até mim, estava? – espremeu seus olhos castanhos em minha direção. Fiz uma careta de desentendimento e neguei prontamente. – Ótimo, porque você não ia conseguir de qualquer jeito. Scott e eu temos conversado bastante ultimamente e como não sou burra nem nada, percebi o leve interesse que ele tem sobre mim, e não é que isso me agrada? – sua voz sarcástica me deixou boquiaberto. O quê?
- Te agrada? Que história é essa, Olivia Hastings? – engrossei a voz, totalmente descontente com a nova informação. – Você não pode estar falando sério. O cara é um tremendo babaca, ele... – ela me interrompeu. – Querido melhor amigo, não sei se você está lembrado, mas se não, eu terei a imensa alegria em te relembrar que nós não estamos mais namorando, ok? A partir do momento em que coloquei os pés para fora daquele apartamento o qual você divide com a adorável e meiga , eu estava livre para conhecer outros rapazes e me relacionar com quem eu bem quisesse. Então, por favor, seja o melhor amigo compreensível que eu sei que você é e dê o fora daqui para que Scott e eu possamos conversar a sós, huh? – ela apertou minhas bochechas, forçando meus lábios a formarem um bico e eu estreitei os olhos, olhando-a com raiva. – Ah, e sem ciúmes, por favor, só vai encher o seu coraçãozinho de sentimentos ruins.
No minuto em que Olivia parou de falar, o idiota chegou até nós, deixando-me sem tempo de revidar. É claro que eu ia revidar e responder às palavras de Olivia à altura, entretanto, não tive tempo. Só consegui segurar de forma firme suas mãos e retirá-las de minhas bochechas.
- Scott! – ela pronunciou aquele nome com animação. Animação esta, que quase me fez vomitar.
- Olivia. – ele a cumprimentou num tom mais rouco, e eu sabia que aquele era o tom da sedução. Eu fazia aquilo. E o idiota estava claramente tentando seduzir a minha melhor amiga. O sangue já borbulhava em minhas veias e minhas mãos coçavam para dar um soco no rosto do babaca. Seu olhar debochado parou em mim e eu o encarei de volta, seriamente. – . – meu sobrenome saiu também de forma debochada por seus lábios e eu cerrei meus punhos, controlando-me para não fazer o que eu realmente queria fazer: socá-lo até ele cair inconsciente no chão encerado da empresa.
- Turner. – soprei seu sobrenome com desgosto. Sentindo Olivia me tocar levemente como num pedido mudo para que eu me controlasse, eu soltei um suspiro de raiva misturado à derrota e disse: - Com licença. Tenho algumas coisas a resolver. – não esperei nem por uma palavra de ambos que me olhavam em silêncio.
Comecei a andar indo em direção à minha sala. No meio do caminho, passei pela sala do arquivo e mesmo com a porta fechada, escutei alguns barulhos provenientes da mesma. Encostei minha orelha na porta e segurei o riso ao ouvir um gemido que obviamente tinha vindo de Victoria. Contei até três mentalmente e num solavanco, abri a porta com tudo. Não aguentei e acabei gargalhando ao ver um Ryan sem paletó e com os botões da camisa abertos. Vicky estava sentada sobre uma pequena mesa e com as pernas abertas enquanto Butler ficava no meio. Os dois se beijavam avidamente, mas quando ouviram a porta se abrir e consecutivamente, a minha gargalhada, pararam imediatamente tudo o que faziam e agora me encaravam assustados e ofegantes. O batom de Vicky estava borrado e boa parte dele agora estava na boca de Ryan, que estava com seus olhos azuis arregalados. Pensei até que os mesmos fossem saltar de suas órbitas.
Forcei-me a parar de rir e endireitei minha postura, assumindo minha autoridade naquela empresa. Meu rosto adquiriu uma expressão de seriedade e eu arquei uma das sobrancelhas.
- Eu posso saber o que está acontecendo aqui, senhores?
Cruzei os braços e Ryan me olhou por um tempo até se recuperar do susto e se afastar minimamente de Vicky que se encontrava mais vermelha do que um tomate.
- Qual é, irmão? Como você ousa me atrapalhar agora? – seu tom saiu indignado e eu segurei o riso.
Ignorei-o e olhei para Vicky. – Olhe para mim, Victoria. – soei sério, chamando sua atenção, já que ela estava com a cabeça baixa. Ela já havia descido da mesa e agora se encontrava parada a minha frente, com as mãos entrelaçadas. A moça ergueu seu olhar e suas bochechas coraram ainda mais quando seus olhos encontraram os meus.
- Senhor , e-eu... – tentou se justificar, mas a interrompi. – Como você consegue ficar com um cara desses? – apontei para meu amigo que arqueou a sobrancelha – Digo, com tantos caras bacanas no mundo e você decide cair na rede desse aí? Sinceramente, eu pensei que você era mais inteligente, Vicky.
- Ok, ok, acho que já chega de falar, . Penso que todo mundo aqui já entendeu que você não acredita muito no potencial do seu melhor amigo, mas tudo bem, eu aguento. O que ia ser da vida sem umas decepções, não é? – a voz de Butler soava dramática acompanhando as feições magoadas em seu rosto e aquilo foi o meu limite. Deixei com que a gargalhada que estava presa em minha garganta, saísse sem restrições.
- Mas você é um burro mesmo, não é Ryan? – falei ao parar de rir – Se quer pegar a garota, tudo bem, pode pegar... Mas por favor, seja mais discreto, sim? Podia ser outra pessoa pegando vocês no flagra e não seria nem um pouco legal ou engraçado. A sorte é que eu sou um amigo fiel e sei guardar segredo, senão cabeças iam rolar, meu rapaz. – o repreendi – Da próxima vez, vão para um lugar mais reservado e sem risco de qualquer um ouvir os gemidos da Victoria, por favor. – alertei e assim, saí da sala, deixando os dois com cara de surpresos.
Neguei com a cabeça ao fechar a porta e coloquei as mãos nos bolsos da calça, voltando a percorrer o caminho para a minha sala.
Wright’s POV
Eu apenas assenti com a cabeça enquanto Edward desabafava. O homem me contava sobre suas fraquezas, seus impulsos e as traições. Ele tinha um sério problema; tinha sintomas de ninfomania. Eram mínimos, mas ainda estavam presentes em si. Ele era casado há três anos, mas o amor que sentia pela esposa parecia não ser suficiente. Edward pulava a cerca com frequência e a sorte, de acordo com ele, é que a esposa não suspeitava de nada. Eu admito que por vários momentos durante aquela sessão, eu fiquei com pena da esposa. Já é horrível ser traída e estar ciente disso, acho que pior ainda é ser traída e não saber de nada. É como se ela usasse uma venda a qual a impedia de enxergar o que estava à sua volta. E isso era um tanto quanto digno de pena, infelizmente. Porém, pude perceber que Edward não fazia aquilo por mal. Era por puro impulso. Sua natureza do sexo masculino falava mais alto e o levava àquilo. Fora o fato de que ele tinha realmente sérios problemas psicológicos. Eu gostaria de fazer as sessões com a esposa ao seu lado, talvez para auxiliá-lo e quem sabe fazer uma terapia de casal, mas Edward me pediu várias vezes para não executar minha ideia.
De acordo com ele, era melhor esperar o resultado de suas sessões e consequentemente, sua melhora, para depois ele resolver as outras questões e assuntos inacabados com a esposa. De certa forma, eu concordava com ele. Primeiro tínhamos que trabalhar em sua mudança para depois, colocarmos as outras coisas em seus devidos lugares. Quando Edward terminou de falar, eu me encostei à cadeira e disse:
- Certo, e o que você sente logo depois de colocar seus desejos em prática? Logo ao chegar em casa depois de uma traição?
Ele suspirou e me encarou nos olhos. – Eu me sinto mal, eu não sei. Quando eu estou prestes a realizar minhas vontades e até durante as mesmas, eu me sinto bem. Me sinto cheio de satisfação e testosterona para dar e vender, mas depois bate aquele sentimento de culpa e de que há algo extremamente errado comigo. Porém, ao mesmo tempo em que sinto tudo isso e quero mudar, eu também não quero. É como um ciclo vicioso em que eu estou preso e não consigo sair. E ainda tem o fato de mesmo não chegando a ficar com a mulher que me despertou desejo, eu sinto aquela perseverança dentro de mim. Eu penso que se eu não consegui tê-la naquela hora, é só eu insistir mais que em algum momento, ela vai cair nos meus ‘encantos’.
Assenti e anotei algumas informações em sua ficha. ‘Persistência’, ‘Egocentrismo’, ‘Sentimento de vitória’, ‘Gosta de ser desafiado e da arte da conquista’.
- Tipo agora, nesse momento, eu estou observando a doutora e uma forte vontade de conquistá-la está me dominando. Ainda mais com a roupa que estás usando hoje, que está te deixando ainda mais bonita. Esses cabelos presos e esses óculos que me fazem lembrar das minhas mais antigas fantasias. Sabia que eu sempre fantasiei uma mulher assim como você? Com essa postura de profissional e decidida que sabe bem o que está fazendo, essas roupas justas e óculos. Faz-me lembrar das lindas secretárias as quais eu já vi em vários filmes por aí.
Engoli em seco e voltei meu olhar até sua ficha como uma maneira de desviar sua atenção de mim, entretanto, eu ainda conseguia sentir o peso de seus olhos sobre meu rosto. E posso afirmar que eram encaradas nada discretas, e que só faziam com que meu sangue se direcionasse às minhas bochechas, deixando-me extremamente envergonhada. Pigarreei e rodei a caneta entre meus dedos, voltando a encará-lo, mas dessa vez, com mais firmeza e profissionalismo.
- Edward, por favor, peço que pare imediatamente com suas insinuações. Lembrando que eu ainda sou sua psicóloga.
Ele fez uma careta como se sentisse dor e me encarou com seus olhos claros quase soltando faíscas. Um sorriso malicioso estava estampado em seus lábios de forma discreta, mas ainda evidente.
- Por favor, não diga que é minha psicóloga. Isso desperta em mim os pensamentos mais obscuros, doutora.
Engoli em seco novamente e abri a gaveta da mesa. Peguei um elástico dentro da mesma e o estendi em sua direção. – Aqui, Edward.
Ele pegou o objeto com a confusão estampada em seus olhos e me encarou.
- Você vai colocar esse elástico em seu pulso e não vai tirá-lo. Toda vez que você tiver pensamentos errados e vontades descabidas, vai puxar o elástico e soltá-lo em seu pulso, mas na parte superior dele, por favor. Não queremos ninguém machucado aqui. – ele assentiu com um olhar assustado, agora. – Pode doer um pouco, mas é uma atividade que estou passando para você, e acredite, é muito eficaz. Então, me garanta que quando pensar em coisas erradas, vai puxar o elástico. A justificativa é que o ser humano não gosta de sentir dor e busca sempre pelo prazer. Puxando o elástico, você vai estar ensinando o seu cérebro de que tais pensamentos e vontades são erradas. Você vai estar associando traição à dor e assim, começará a primeira etapa da sua mudança. Mas, por favor, me prometa que vai fazer. Vai servir de grande ajuda a você. – lhe assegurei.
Edward ouviu tudo com atenção e respirou fundo antes de envolver o pulso com o elástico. Ele sorriu de canto e me olhou, antes de dizer com seriedade:
- Eu prometo.
Sorri feliz com a resposta e balancei a cabeça afirmativamente.





Continua...



Nota da autora: sem nota

Qualquer erro nessa fanfic são apenas meus, portanto para avisos e reclamações somente no e-mail.





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