Última atualização: 08/02/2018
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Capítulo 1


Flashback
passava as mãos pelo tecido da peça enquanto encarava seu reflexo no espelho e suspirava, sorrindo desacreditada. Ela sabia que não importava quantas vezes passasse a mão feita sob medida, nunca acreditaria que aquilo estava acontecendo. Talvez, até acreditasse. Mas, só dali alguns dias.
Tudo parecia surreal demais, e olha que ela ainda nem tinha visto o resto das coisas. Porém, passar o dia podendo circular apenas no segundo andar da casa de seus pais para a sua preparação, com alguns profissionais atrás de si a cada minuto das horas corridas até ali, já indicava que o sonho estava se tornando realidade.
— Princesa, está na hora. Precisamos ir. — a voz suave de seu pai soou do outro lado da porta, fazendo com que encarasse a madeira e respirasse fundo. Era a hora, então.
A calda não era imensa, tampouco minúscula, e com cuidado para não pisar nela com os saltos altos, puxar algum fio ou encostar em nenhum móvel, caminhou até a porta de seu quarto e girou a maçaneta. Quando viu seu pai ali, na sua frente, lhe encarando de cima abaixo com um sorriso maravilhoso nos lábios, ela soube que estava linda. E que não estava cometendo erro algum. E que mesmo se estivesse, teria o seu velho para ampará-la e segurá-la.
— Oi, pai. — Ela sussurrou e riu baixo de seu tom de voz, que havia saído tão baixo sem que ela quisesse. Talvez fosse o nervosismo misturado com a ansiedade. E com a felicidade.
— Você está linda, meu amor. — O mais velho a respondeu quando segurou as duas mãos de , e passou seus polegares pelo dorso da menina que teve que prender a respiração por alguns segundos. Caso contrário, ela iria começar a chorar e sua maquiagem iria para o precipício.
— Obrigada por estar aqui, pai. Obrigada por me apoiar e não me deixar. — Ela agradeceu e ele riu. Riu daquele jeito que fazia o coração de se encolher e ficar quentinho de tanto amor que recebia.
— Eu não estaria em outro lugar, minha filha. Minha menina. — recebeu um beijo em sua testa enquanto as mãos de seu pai ainda seguravam as suas e acariciavam sua pele. Seus olhos se fecharam automaticamente ao sentir os lábios do homem em sua pele. Ao sentir o amor e companheirismo que eles dois sempre tiveram um pelo outro. Ao sentir que não importa o que acontecesse, ela não estaria sozinha em nenhum momento. — Bom, precisamos ir antes que sua mãe venha aqui nos buscar. Ela está uma pilha de nervos. Parece até que vamos nos casar de novo.
riu de sua mãe junto com o seu pai, antes de saírem do batente da porta de seu quarto e caminharem devagar para a pequena capela que existia no jardim da casa que ela sempre morou desde que nasceu.

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ouvia os barulhos que a câmera fotográfica, de um dos dois fotógrafos contratados para aquele dia, fazia. E ela não poderia estar mais nervosa. Já não bastava estar ali, em frente aquela grande porta de madeira com o pai ao seu lado, segurando no braço dele, ela também tinha que lidar com o fato de estarem tirando fotos de si. Ok, era preciso e ela mesma quem tinha ido atrás dos profissionais que iriam registrar aquele momento em fotos e vídeos, mas nunca se sentiu muito confortável com fotos. Não quando não estava ao seu lado lhe passando aquela calma que só ele era capaz.
Quando o som da marcha soou alto o suficiente para que escutasse, todo o seu sistema esqueceu da equipe de fotos e filmagem, da moça responsável por seu vestido que estava o tempo todo com , e até mesmo que os seguranças precisavam abrir as duas portas para que ela entrasse. O corpo de se focou apenas em reunir forças para que ela conseguisse caminhar em linha reta por alguns metros antes de encontrá-lo.
— Você tem certeza, meu amor? É agora ou nunca. — Seu pai lhe perguntou, olhando para o seu rosto, e o encarou antes de assegurá-lo:
— Sim, pai. Eu tenho certeza. É agora.
— Então, lembre-se de respirar.
Ele deu um beijo na têmpora dela, e olhou para os seguranças os autorizando abrir a porta.

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sabia que estava linda com aquele vestido. Ele tinha um fino tecido transparente com detalhes que pareciam ter sido desenhados a mão em cima do pano branco. Um decote em v nas costas e outro na frente, que deixava seu busto à mostra na medida certa. Uma cauda média, saltos altos, e poucas jóias que contribuiam, junto com o conjunto, para lhe dar segurança. Seu cabelo solto em cima de seus ombros lhe agradava. Mas olhar para naquele momento, sem conseguir tirar os olhos dos olhos dele mesmo caminhando com cuidado até o altar, fazia se perguntar se poderia existir no mundo alguém tão lindo quanto ele.
Ela apertou o buquet que segurava e continuou com seu olhar fixo em . Ele era sua calma naquele momento. Ele sempre a deixou calma e sempre deixaria, tinha certeza disso.
Enquanto andava em direção ao altar, só agradecia aos céus por terem a presenteado com alguém como . Um cara que além de seu namorado, noivo e, ali alguns minutos, esposo, era o seu melhor amigo e a pessoa que mais a conhecia. era o verdadeiro porto seguro de . Desde que se conheceram há mais de quinze anos. Ele era o seu príncipe encantado. já tinha socorrido de diversas situações de medo, ansiedade e crises de choro. Ele sempre foi capaz de acalmá-la apenas com um sorriso, um olhar ou um toque. Ele que tem a melhor risada e as mais engraçadas piadas. O toque mais gentil e as palavras certas nas horas certas. Ele que tirou de a insegurança que ela começou a sentir quando começou sua carreira de ator e ela a sua de jornalista. Carreiras distintas levam a caminhos distintos, certo? Errado. se responsabilizou em mostrar a que mesmo com as carreiras diferentes, agendas corridas e todas as dificuldades que surgissem, eles continuariam juntos. Porque ele a ama. E ela o ama. Eles sempre se amariam. E isso é o suficiente.
Ou, era.
— Cuide dela. — O pai de entregou a mão dela para , que sorriu e passou uma corrente elétrica para o corpo da mulher quando tocou na pele dela. — Seja feliz, meu amor. — Ele deu um beijo na bochecha de , e ela sorriu para seu pai.
A mãe de pegou o buquet da mão da garota, que sorriu quando viu a mais velha chorando e sua prima, que era sua madrinha, também chorando encolhida com a cabeça no ombro de uns dos melhores amigos de e que era o par da garota naquele momento.
— Você está linda. — murmurou enquanto olhava para e segundos antes de roubar um casto beijo dos lábios dela.
— Você também está.
Ela o respondeu.
E juntos, de mãos dadas, corações acelerados e os olhos marejados, e se viraram de frente para o padre e esperarem o início da cerimônia de casamento.

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sempre achou um porre totalmente desnecessário que uma cerimônia de casamento demorasse tanto tempo. Em todos os casamentos que foi ao longo de sua vida, sempre se importava apenas com uma parte. A parte da pergunta principal “você aceita fulano como seu legitimo esposo?”. Mas, naquele dia, ao lado de e de frente para o padre com um semblante sereno, ouviu cada palavra dita pelo representante de Deus e autoridade dentro daquela capela. Ela absorveu cada conselho dado como forma de palavra cristã e fechou seus olhos durante todos os momentos de pequenas orações.
E quando chegou na parte da pergunta. No momento em que ela se virou de frente para e esperou para que a priminha dele de apenas três anos trouxesse as alianças, sentiu o seu estômago embrulhar e suas pernas ficarem ainda mais moles.
- , você aceita como sua legitima esposa? Prometendo ser fiel. Amá-la e respeitá-la. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Por todos os dias de sua vida… Até que a morte os separe?
— Sim.
A resposta rápida de à pergunta do padre fez com que sorrisse em meio as lágrimas que molhavam sua face. Ela tentou segurar as lágrimas o máximo que pôde, mas, ouvir lhe jurar amor e companheirismo eterno diante de todos a fez chorar.
, você aceita como seu legitimo marido? Prometendo ser fiel. Amá-lo e respeitá-lo. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Por todos os dias de sua vida… Até que a morte os separe?
— Sim.
Ela respondeu o senhor e sorriu.
O problema que não reparou naquele momento, é que não sorria como ela.
...end!


Morar em NYC com certeza era um teste para saber se estaria preparada para começar a viver em um ambiente diferente, longe da família, dos amigos, lembranças e principalmente da frustração que estava vivendo durante o último ano em Londres. Londres sempre foi a sua cidade natal, maravilhosa, perfeita e em todo o resto do mundo não existia outro lugar mais aconchegante e fascinante do que Londres. A famosa terra da rainha, glamourosa e um lugar dos sonhos para qualquer ser humano construir uma vida estável e perfeita. Por outro lado, sonhos nem sempre se tornam realidade. As vezes sonhos são apenas sonhos e chega em um momento da vida que a realidade se torna totalmente diferente do que você sempre sonhou. E a realidade foi cruel, dura e infeliz para . Hoje, depois de 25 anos ela estava procurando por aventuras, realizações e realidade. Nada mais seria baseado em sonhos, contos de fadas e uma vida perfeita. O foco era adaptar-se em NYC mesmo sentindo-se insegura daquela mudança radical. Ainda não tinha certeza sobre essa transferência, sobre o apartamento novo e muito menos sobre o novo chefe que já estava causando uma bagunça na sua cabeça.
Muito menos tinha certeza como seria essa coletiva de imprensa com o famoso , quem era ele? O que ele cantava? Qual a sua história?
Tudo estava confuso, principalmente o fuso horário e aquele trânsito infernal na 540 Park Avenue, Upper East Side. Ela não entendia porque celebridades ficavam em hotéis luxuosos, caros e chamativos como o Loews Regency New York Hotel. Talvez para impressionar, chamar atenção ou simplesmente gastar o dinheiro por diversão.
, você não precisa ficar preocupada com uma entrevista simples assim, é só uma coletiva de imprensa.
, eu simplesmente detesto quando sou obrigada a ir entrevistar alguém sem ao menos conhecer nada sobre a pessoa. Nem ao menos conheço o rosto dele e faz exatamente o quê? 12 horas que cheguei em Nova York e descobri que tenho uma agenda e que nessa agenda tem uma coletiva de imprensa marcada para às 14:00? Que loucura é essa? — resmungava ao celular enquanto estava parada no congestionamento da Park Avenue. Ela não conseguia entender a complexidade daquele GPS e muito menos compreender o que acontecia com o seu novo chefe em não avisar dessas entrevistas com pelo menos 24 horas de antecedência. Todo editor chefe em sã consciência sabe que existe toda preparação que um repórter precisa antes de encontrar a vítima. E ela nem ao menos teve tempo para essa preparação, o que sabia sobre ? — O que eu sei sobre esse ?
— Bom, o nome pelo menos. — tentou conter a risada para não deixar a colega mais irritada do que já estava. A frustração dela havia atingido o limite máximo e mesmo com aquela distância não deixou de reparar no suspiro, xingamento e todos os outros sons que ela emitia com a boca. — é cantor e no hotel vai acontecer uma sessão de fotos também. Não sei ao certo quanta gente você vai encontrar, mas várias revistas de fofocas vão cobrir também essa coletiva de imprensa.
, cantor, endereço do hotel, sessão de fotos e essa coletiva que eu estou muito ansiosa para fazer, claro. — O tom da sua voz foi irônico e do outro lado apenas riu da situação. — O que o Patty tem na cabeça? Olha o que ele me obriga a fazer.
, ele é o seu novo chefe e vai ser ele que vai pagar o seu salário. Então, querida, você é obrigada a fazer qualquer coisa que ele queira. — foi curta e grossa soltando um suspiro pesado do outro lado da linha. — Não quero ser chata e muito menos entrar em detalhes em como você trabalhava em Londres, mas NYC é um ambiente totalmente diferente. A vida nessa cidade é bem mais complicada do que a vida que você levava em Londres, não quero estragar a sua felicidade e nem assustar, mas NYC é agitada, complexa e uma selva para a nossa área. Sempre uma revista nova, reportagem, fofoca e alguém querendo puxar o seu tapete. — Outro suspiro longo de frustração e sentiu que a adaptação da colega seria conturbada e que isso causaria um tremendo problema para ela.
— O problema não é esse, e sim que eu não gosto de chegar em cima da hora sem estar preparada. Eu gosto de conhecer a história, analisar os detalhes e principalmente ver se eu consigo descobrir alguma fofoca que vai me render uma boa história. — Ela tentava explicar para a sua colega e também produtora executiva as diversas maneiras que sempre trabalhou quando estava na filial da Dispatch News de Londres. — Não vou entrar em detalhes sobre como o meu cabelo ficou ressecado com essa viagem. E a maquiagem? O Patty acha que eu sou obrigada a ir esse trapo humano entrevistar alguém?
— Você quer alguns detalhes? Eu posso procurar no googl…
— Eu já fiz isso, .
— Então você tem a ficha completa dele. — comemorou.
— Não quero saber a ficha completa. Eu preciso de alguma fofoca e explorar essa área, principalmente sobre a vida sentimental e relacionamentos. — voltou a explicar, mostrando para como lidava com a profissão. — Sabe, atualmente eu sei que ele se separou do grupo e que foi o único a seguir carreira solo. — Ela disse, lembrando vagamente da história que leu em algum fansite dele na internet. — Muitos fãs ficaram decepcionados porque parece que um dos principais motivos do grupo se separar foi justamente que esse não conseguia levar a carreira a sério.
— Jura? — ficou surpresa ao receber aquela notícia. — Então é um cara enrolado que pode render uma boa fofoca.
— Exatamente! — concordou, agora batendo levemente uma mão no volante. Se de repente ela pudesse explorar isso como um ponto fraco de . — Eu quero descobrir alguma coisa sobre a vida pessoal dele, algum escândalo, namorada, casamento ou até mesmo se ele tem filhos perdidos.
, você ao menos viu uma foto dele? — perguntou curiosa para saber se em todo aquele tempo que ela correu atrás de uma fofoca parou por alguns segundos para apenas ver como era o rosto dele.
— Ele é gostoso!
— Sério? — Ela pareceu espantada com aquela informação.
— Gostoso e tem uma bunda que só por, Deus! — soltou um som que não conseguiu distinguir direito. — Eu fiz a última sessão de fotos com ele, e que barbaridade é aquele homem em uma calça colada preta?
— Não tenho interesse nenhum em saber desse detalhe.
— Colega, esse detalhe pode mudar a sua vida se você analisar o conteúdo todo. — tentou novamente o incentivo e logo foi cortada com uma respiração funda e sem paciência de . — Olha, se você gosta de garotas não tem problema nenhum. Só me avisa que eu paro de ficar falando sobre homens e podemos falar de bunda de mulheres, pra mim não tem problema nenhum.
— Eu gosto de homens, . Principalmente da bunda deles e de outras coisas também. — Agora ela estava rindo daquele comentário. E esse único gosto tinha nome, sobrenome e uma bunda maravilhosa. — Não me interessa saber do e do corpo dele. Quero saber detalhes sobre a vida conturbada que ele parece ter.
— Boa sorte!
— Vou precisar. Jantar na minha casa depois? — Ela convidou.
— Como você é cretina. — xingou.
— O quê? Isso é um convite, comida em troca de me ajudar a arrumar o apartamento.
soltou apenas um som com a boca, concordando com aquela troca e em segundos parou o carro em frente ao enorme hotel luxuoso. Ajeitou o cabelo, retocou o batom e pegou sua bolsa desejando que aquela coletiva terminasse logo.

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saiu do quarto que estava hospedado no hotel, totalmente despreocupado. Ele assobiava de tranquilidade e felicidade pelas horas de sono tão bem dormidas. E nem mesmo o olhar furioso de seu assessor foi capaz de fazê-lo ficar acuado ou, quem sabe, pedir desculpas pelos minutos de atraso.
— Você está atrasado, . — O homem, Rick, que era dez anos mais velho que , o avisou.
— Eu sei. Vinte minutos, certo? — Ele questionou, apertando o botão que chamava o elevador e depois colocando suas duas mãos nos bolsos de sua calça. — Você precisa desapegar um pouco desse negócio de horários.
— Ou, será que é você quem precisa se apegar a horários? — Rick sugeriu e não poderia se importar menos.
Se apegar a horários, compromissos cronometrados e ter hora para ir ou vir não era do tipo de . Ele não gostava quando tentavam controlar sua vida e suas coisas. E muito menos, quando tentavam controlar sua horas de sono, descanso, alimentação ou produtividade. O que era bem irônico já que no mundo do entretenimento, tudo e qualquer coisa precisa ser feito na hora certa. Afinal, compromissos são marcados em determinadas horas. Tudo tem o começo, meio e fim. E como cantor há anos, ele deveria saber disso. Deveria saber que ter responsabilidade com horários é fundamental. Deveria. Mas, não sabia. Se soubesse, o grupo que fazia parte com outros garotos não teria chegado ao fim graças aos seus atrasos constantes. Na verdade, os garotos não teriam expulsado do grupo por conta dos seus atrasos que estragavam a harmonia do grupo. Não dá pra ser sempre o atrasado em um grupo onde todos chegam na hora marcada. E isso sempre causava brigas.
— Nah, horários certinhos é coisa de gente chata. Gosto da expectativa. Diz se não é muito melhor deixar todos pensando se vou chegar ou não? Se vou ou não? Expectativa, meu caro Rick. Todos gostam da sensação que a expectativa causa. — Ele deu um tapinha no ombro de seu assessor, que cuidava de sua carreira desde o surgimento do grupo há sete anos e que continuou consigo quando deixou o grupo.
— Vamos ver se o pessoal vai estar com uma cara feliz de expectativa daqui a pouco.
— Se não for pela expectativa, será por me encontrar. — garantiu, adentrando o elevador que chegou ao seu andar e indo se admirar no espelho do pequeno lugar.
Ele sorriu para o seu reflexo e viu que tinha feito um bom trabalho em seu cabelo naquela tarde. tinha dispensado sua cabeleireira para que pudesse dormir mais alguns minutos já que caiu no sono quase seis horas da manhã. E não era como se ele não soubesse pentear o seu próprio cabelo sem a ajuda de alguém
— Claro, todos te amam. - Rick afirmou, e soltou um “até você” antes que as portas do elevador se abrissem e três seguranças da equipe de segurança do cantor os acompanhasse até a sala onde seria a coletiva de imprensa que ele daria.

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— Falei, expectativa.
— Tá mais pra raiva.
riu com a resposta de Rick, o que chamou a atenção de todos os quinze jornalistas e fotógrafos que estavam na sala.
— Olá! — se mostrou para todos. Os braços abertos, o sorriso largo nos lábios e, sempre, com o semblante de descontração. — Boa tarde para todos. — Os comprimentou quando sentou-se na cadeira que ficava de frente para todas aquelas pessoas que estavam curiosas para saberem sobre sua vida, carreira e afins. — Tudo bem com vocês?
— Sim. — Todos responderam em uníssono segundo antes de Rick liberar as perguntas.
Perguntas. Acusações. Insinuações. E, principalmente, críticas disfarçadas de perguntas que “todo mundo quer saber”. detestava essa parte de sua carreira. Em coletivas de imprensa todo mundo se acha no direito de julgá-lo ou condená-lo por algo que fez ou um momento que para si foi de felicidade. Mas para o mundo um ato impensado, de um cara imaturo e que não merecia tudo o que tinha.
E ele odiava ainda mais aquela situação em que ficava diante de tanta gente curiosa, quando alguém tinha a ousadia de lhe fazer a pergunta que a menina que estava sentada quase na última cadeira lhe fez.
— É verdade que o grupo terminou porque você é irresponsável? - A garota perguntou com segurança enquanto segurava um caderno de anotações e uma caneta. Ela tinha as pernas cruzadas e o cabelo preso em um rabo de cavalo.
detestava pernas cruzadas e rabo de cavalo. Mulheres assim lembravam a uma professora que teve no colegial. A mulher era o diabo em forma de gente.
É verdade? Porque isso soou como se você tivesse buscado por essa informação em um site de fofocas, de última hora, e agora só quer um sim ou não como resposta? — Ele a perguntou sorrindo e fazendo com que todos rissem. Todos sempre riam das piadas e do bom humor dele. Era um dom.
— Não posso fazer muita coisa se é o que dizem por aí. Antes de colocar em alguma matéria, prefiro confirmar com você. Então?
riu quando o tom de voz da garota que, com certeza, não era mais velha que ele se tornou um pouco mais severo.
— E a senhorita trabalha com “o que dizem por aí”? Tsc, decepcionado estou. — Ele dramatizou toda a cena ao colocar sua mão sobre seu peito e fazer uma expressão de verdadeira decepção. E mais uma vez, todos riram. Menos a curiosa do fundo da sala.
— Bom, se não foi por irresponsabilidade, com certeza foi por imaturidade. — Ela afirmou, fazendo com que erguesse uma sobrancelha enquanto a encarava anotar algo em seu caderno. — Sem responsabilidade com horários, se acha comediante e pensa que é ator… É, não é bem o perfil ideal para um cantor.
— Estou na profissão errada, então? - a perguntou, sentindo uma pontada de irritação incomodar seu peito. E, principalmente, seu ego.
— Sim. - A mulher assegurou quando soltou seu olhar a ele. E sorriu. Ela sorriu. Com direito a um cantinho dos lábios mais erguido do que o outro. Sorriso presunçoso.
odiava sorrisos presunçosos.
— E eu deveria ser o que, então? Ilumine minha mente, senhorita… - Gesticulou, pedindo que ela dissesse o seu nome.
.
. Diga-me o que eu devo fazer então, já que não sirvo para ser cantor. E, não curto atuação? Isso está mais para o . Você conhece o , certo? — Questionou, mencionando seu ex-companheiro de carreira. Enquanto tinha sido expulso do grupo e continuou nos palcos, se voltou para a atuação quando o grupo se desfez por completo menos de três meses após a saída de . — Espera, você não conhece o ?
se divertiu quando viu a garota se calar e em engolir em seco. Ele gostou da expressão de surpresa e até de desespero que viu na face dela. E assim como as outras pessoas que estavam naquela sala, continuou encarando a espera de uma resposta.
— Ele é o seu ex-companheiro de grupo e seguiu carreira de ator depois que o grupo se desfez. Eu o conheço. — Ela o respondeu e revirou os olhos. riu porque ele sabia que ela não conhecia tanto assim. E ele sabia que aquela garota tinha feito uma rápida pesquisa sobre si antes da entrevista. O semblante e a falta de confiança e firmeza que ela transmitia, deixava isso bem claro. — Mas, acho que não estamos aqui hoje para saber sobre o . E sim, para saber sobre você.
— Uh, saber sobre mim. Gostei que voltamos ao foco principal. — Ele fingiu um suspiro de alívio, todos riram e revirou os olhos. Mais uma vez. — Alguém quer saber alguma coisa sobre mim? - perguntou a todos e alguns braços foram erguidos implorando por chances de perguntas.
Ele respondeu a cada uma das perguntas feitas, claro que em algumas as respostas tiveram que ser pensadas bem antes de serem ditas. Não seria legal admitir que foi expulso do grupo ou tentar convencer a todos o seu pensamento sobre horário. já havia tentado em outras situações e todos os taxaram como criança birrenta, então, ele cansou de tentar se defender.
Falou sobre seu álbum, que seria lançado em breve, do ensaio fotográfico que faria dali poucas horas e quando todos pareciam satisfeitos com as perguntas, suspirou de alívio por estar, finalmente, ficando livre daqueles fofoqueiros e dos flashes de suas câmeras. Mas, o alívio durou pouco tempo. Já que ergueu sua mão novamente e teve o direito da pergunta.
— Você tem namorada? — Ela perguntou e viu quando seu assessor deu alguns passos para frente pronto para interrompê-la.
— Interessada? — a perguntou de volta após ter parado Rick com um aceno de mão.
Falar sobre relacionamentos era proibido e todos que entraram naquela sala receberam um papel com este aviso. odiava ter que dar satisfações com quem saia ou deixava de sair, se namorava, casava ou era viúvo. Sua vida pessoal não interessava a ninguém, e todos deveriam saber disso. Por isso, essa é a única exigência dele sobre qualquer entrevista ou coletiva.
Mas, aparentemente, nem todos que estavam naquela sala tinham recebido o aviso. Ou lido. Ou levado em consideração.
— Nah, nenhum pouco. — deu de ombros enquanto voltava a ouvir os barulhos das câmeras fotográficas e alguns cochichos. — Só… Curiosidade.
— Me parece que é além de curiosidade. Talvez, você esteja querendo que eu dê em cima de você?
— E por que eu iria querer isso? — Ela o perguntou com as sobrancelhas franzidas.
— Não sei. Todos receberam o aviso de que minha vida pessoal é minha vida pessoal, e ninguém perguntou sobre isso. Mas, aparentemente, ou você não leu o papel ou leu e se interessou o suficiente para fazer essa pergunta e...
— Eu sou jornalista. Trabalho com informações. E se você não tem nada a esconder como transparece, porque não falar sobre alguns pontos de sua vida? — Ela o interrompeu e deu um sorriso quando o viu fechar uma de suas mãos em punho e respirar fundo. odiava ser interrompido. — E não é como se eu estivesse te perguntando quantos filhos você tem espalhado pelo mundo. Só perguntei se você tem ou não uma namorada.
— Só perguntamos se alguém está namorando ou não quando sentimos interesse na pessoa. Pelo menos, comigo é assim. — Ele afirmou. E foi sua vez de sorrir quando observou a garota suspirar.
— Não é porque você é bonito, tem um corpo que faz as garotas gritarem ou uma voz que faz elas desejarem o seu sussurro, que todas estejam afim de você. Não é porque sua calça preta cai bem em você ou sua dança seja incrível, que todas queiram ter você.
— Espera, você acabou de me chamar de gostoso? — a perguntou rindo e sentindo seu ego mandar um beijo para . — Obrigado pelos elogios.
— Não me agradeça, suas fãs quem dizem isso em todos os comentários de suas entrevistas, vídeos ou redes sociais. O que eu acabei de fazer, foi te pedir para abaixar a bola e parar de se sentir o último homem do mundo. Seu corpo, sua voz, sua beleza ou sua fama não vão durar para sempre e nem devem ser a melhor coisa que você tem a oferecer para o mundo. — Ela suspirou ao dar uma pequena pausa antes de continuar: — Então, quando eu te perguntei se você tem namorada ou não, não foi querendo saber para sonhar em ter uma chance com você. Foi para escrever na matéria que tenho que fazer sobre você. Ter um relacionamento com alguém que só olha para o próprio umbigo não é o meu sonho de consumo, desculpa.
concluiu com um sorriso falso nos lábios, dez segundos antes de Rick avisar que a coletiva havia chegado ao fim.
continuou sentado onde estava, encarando e a observando se levantar para acompanhar os outros e sair dali. Ele respirou fundo com as palavras dela rondando sua mente, e sentindo sua pele ferver. Não de um jeito bom.
Depois daquela coletiva de imprensa, a raiva de por rabo de cavalo, pernas cruzadas, perguntas sobre sua vida amorosa, sorrisos presunçosos e pessoas que pensam que o conhecem, só aumentou.


Capítulo 2


esticou os braços para cima, girando a cabeça para um lado e para o outro perdendo a conta de quantas caixas havia levado da sala para o quarto. Mudança sempre foi uma dor de cabeça, trabalho e muitas noites em claro para colocar tudo no lugar. O que seria um bom trabalho, já vendo que aquele apartamento na cobertura era grande e luxuoso. Até mesmo mais luxuoso que o seu salário seria capaz de pagar e o único detalhe importante nessa mudança era que ele fazia parte do pacote completo da Dispatch News. Às vezes, muitas vezes, sentia raiva de Patty, mas a escolha do apartamento fez com que ele ganhasse muitos pontos a favor. Principalmente por morar no mesmo quarteirão que e dali para a revista eram apenas outros dois quarteirões. Nada de trânsito, nada de carro ou congestionamento.
O que ela queria da vida? Nada! Somente isso.
— Quero saber por que o seu apartamento é todo de vidro assim. O meu parece que é dentro de uma caixa. — resmungava, observando o quarto principal com uma parede totalmente de vidro por onde dava para enxergar os prédios vizinhos e o pôr do sol ao longe. Era um quarto maravilhoso, aconchegante. As enormes cortinas brancas conseguiam deixar o ambiente bem clean, a enorme cama Queen size tomava a maior parte do espaço e a pequena porta do lado esquerdo dava para o closet e o banheiro. — Ainda bem que no meu também tem banheira, olha o escândalo que eu ia fazer se não tivesse a diversão dos bofes quando eles fossem me visitar. — Ela continuou falando, voltando para a sala onde estava parada olhando para uma caixa. — O que aconteceu, amiga? Parece que você viu um fantasma. — analisou a expressão séria e perdida de quando ela puxou a tampa de uma caixa azul e olhou para dentro sem tirar a atenção sequer um minuto do conteúdo da caixa. Ela pareceu receber um choque, uma mistura de tristeza com surpresa e sua respiração começou a ficar mais acelerada ao vê-la colocar uma mão contra o peito e a outra dentro da caixa.
— Nada, apenas lembranças. — virou-se para ela sorrindo e fechando a caixa novamente. Sua última recordação foi deixá-la na porta do apartamento de , não tinha nenhuma outra recordação a respeito dela e muito menos sobre o porta-retratos com a foto do casamento. Não existia nada mais do que lembrasse daquele momento, a não ser o sorriso e o grande sim de . Seu coração começou a acelerar e de repente ela se viu perdida em recordações da festa, padrinhos, presentes e tudo o que aquele dia tinha de especial.
? ?
— Oi? — Ela despertou ao escutar chamando por seu nome. Rolou os olhos pelo apartamento bagunçado e em seguida para a garota que estava sentada em um dos sofás. — Desculpa, fiquei presa em algumas lembranças.
— Tristes? A sua expressão ficou pesada e triste, de repente.
— Não quero falar sobre isso. — desconversou, não querendo trazer a tona essa recordação que machucava. — O que vamos comer? Eu estou com fome e necessito também de algum álcool, hoje o dia foi um teste com meu psicológico.
— Fala isso por causa do ?
— Ele é um imbecil, como consegue fazer sucesso com toda aquela infantilidade? Prepotência e arrogância? — agora atirou uma almofada para longe, lembrando de como ele tinha sido ridículo na coletiva de imprensa. — , você não tem base do tanto que esse ser humano é um babaca.
— Pelo jeito rolou uma tensão sexual violenta entre vocês dois. — ficou boquiaberta com toda aquela descrição de pelos olhos de . — Amiga, isso tudo é falta de sexo. Você usou prepotência, infantil e ainda babaca como elogio. Sexo!
— Como sexo, ? — cruzou os braços, agora parecendo não entender qual tinha sido a ligação entre , babaca, infantil, prepotente e sexo. — Como posso pensar em sexo com uma criatura daquelas?
— Amiga, certeza que você não gosta de mulher? — Ela voltou a perguntar, estranhando a resistência de sempre quando surgia assuntos envolvendo homens. Qualquer ser humano no mundo pensa em sexo quando o nome é colocado em pauta.
— Já te disse que eu gosto de homens. — já não sabia mais o que falar para que acreditasse em sua preferência. — O que acontece é que eu sou muito seletiva e não é qualquer um que consegue me impressionar. é um deles que não me impressionou em nada.
— Qual o problema com o ? Ele é homem e maravilhoso. — iniciou a discussão. — Não, não vem me falar que você não foi capaz de reparar nenhum pouco naquele homem. Ah! Você precisa de um tratamento.
, você é o tipo de garota que dá muito certo com o . Fácil, simples e que toparia ir para a cama com ele só com um aceno de cabeça. — , sem humor, jogou na roda sem receio. Não tinha porque esconder dela o que achava, principalmente o fato de saber que era uma das garotas que mais vivia trocando de namorado de três em três meses. Homens para ela pareciam ter prazo de validade.
— Se ele acenar com a cabeça eu só vou pra cima dele. Não dou nem tempo de ele fazer outro gestos. — Ela gargalhou alto.
— Outros gestos é o que você vai fazer, amiga. — Ela disse o óbvio, imaginando o tipo de resposta que daria com aquele comentário. — Gestos com a boca, com a cabeça, com a língua, com o corpo e qualquer coisa que ele quiser, não é?
— Como somos amigas há tão pouco tempo e você me conhece tão bem?
— Sinto cheiro de piranha de longe. — falou marotamente, agora começando a rir da expressão perplexa da amiga. — Você é uma piranha do bem, isso é bom. Foi um elogio.
— Claro, como não levar isso como um elogio? — Ela balançou a cabeça, agora armando um ataque de almofada contra o rosto de . — Sabe o que eu gosto também?
— Sexo?
— Sexo…
— Falei que você era fácil.
— Espera… — , com a almofada em uma das mãos, parou no meio do caminho e olhou para assustada. — Não vem falar que você não curte sexo?
— Claro que eu curto. — A garota abriu os braços assustada com aquela pergunta. Não gostar de não tem relação com ela não gostar de sexo, homens e alguns gestos também. Com as mãos e principalmente com a boca. — Aliás, eu sou da turma que adora alguns gestos com a boca.
— Nossa, fiquei preocupada por alguns segundos. — Ela soltou um suspiro aliviado, atirando a almofada em direção à ela. — Não entendo o seu problema com os homens, e estou tentando me adaptar nisso. Mas, você não gostar de sexo é coisa demais para a minha cabeça.
— Mas você sabe que o mundo…
— Ah, cala a boca! — interrompeu, colocando o dedo na boca pedindo para fazer silêncio. — Não começa com o sermão que tudo na vida é amor, cumplicidade, contos de fadas e coisas dessas princesas da disney. O tal do príncipe em um cavalo branco, casamentos reais e todo aquele glamour.
— Quem te disse essa atrocidade? — sentiu um amargo na garganta quando lembrou de anos atrás ter essa mesma visão. Acreditava em casamento, príncipe encantado e espera viver o seu conto de fadas. Hoje em dia depois de anos aprendeu que nada disso era verdade e que na vida real tudo era diferente, principalmente o príncipe encantado e o casamento glamuroso. — Não existe conto de fadas, príncipe encantado, cavalo branco e nem uma vida perfeita. O que existe são pessoas falsas, hipócritas, mentirosas e egoístas.

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O flash, por incrível que pareça, não incomodava mais os seus olhos. Nem todas as luzes que estavam espalhadas pelo set da sessão de fotos era diferente do habitual. Nada ali o impressionava ou tinha um ar estranho do que ele já tinha em mente, os movimentos eram os mesmos, flashes sendo disparados nas mesmas direções, equipe de iluminação, fotógrafos, maquiagem e pessoas desnecessárias e curiosas apenas observando a maneira que ele girava o corpo de um lado para o outro e trocava de expressão depois de cada dez cliques que ouvia a câmera disparar. Novidade? Nenhuma!
— Você é ótimo. — O fotógrafo elogiou, tirando a câmera da frente do rosto. — Parece que faz isso tão naturalmente que não tem como a foto ficar ruim.
— Ter nascido assim com esse rosto maravilhoso é algo que ajuda 99%, meu querido. — Ele respondeu um pouco sem humor ao escutar alguns risinhos e burburinhos de outra parte da equipe que apenas ficava observando toda a conversa, tentando tirar dali uma fofoca ou uma foto para vender para algumas revistas de fofocas.
Ah! Como a vida de cantor era igual a sua vida sentimental.
Complexa.
Exposta.
Escandalosa.
Depois de anos fazendo sessões de fotos, coletivas de imprensa, apresentações e programas de televisão ele tinha uma certa resistência e uma familiaridade em saber o que cada situação exigia. Por exemplo, como essa agora que todo mundo estava interessado em saber sobre a sua saída do grupo e a festa de lançamento do seu novo álbum no fim de semana. Nas palavras de Rick, nesse momento a sua atenção exigia que ele fosse cuidado com qualquer comentário em público, sua imagem profissional estava desgastada e não era um bom momento para outro escândalo.
— Só mais algumas fotos,
— Tudo bem. — Ele concordou, mostrando-se cansado.
, o que aconteceu com você e aquela jornalista? — Rick tentou não rir, só que era impossível ao olhar para e não lembrar da vergonha que sentiu com o fora que ele havia tomado no meio daquela multidão de jornalistas. Principalmente a cara de desespero quando ela o deixou falando sozinho daquela maneira. — Nós podemos simplesmente entregar o prêmio de melhor jornalista do mundo para a garota que conseguiu quebrar o famoso em rede internacional?
— Rick, por que você não cala a boca? — Ele estava seguindo o roteiro de ser educado, simpático e maravilhoso que Rick tanto insistiu que fosse nas próximas 24 horas. E lembrar sobre aquela jornalista era algo que não tinha necessidade no momento. Ele ainda não conseguia aceitar e acreditar o quão arrogante e metida que era. — Ela não é nem jornalista de verdade. A garota não sabia nada e ficou com toda aquela arrogância.
— Jornalista é por causa da credencial.
— Ela pode ser muito bem uma fã maluca. — Parte do seu corpo ficou tenso só de lembrar nos olhos e nas pernas daquela garota, daquela distância ele não foi capaz de reparar em todos os detalhes, mas a voz dela não conseguia sair da sua cabeça. Doce, suave e arrastada no sotaque britânico.
— Uh!
— Ela é uma jornalista que nem sabe sobre a minha vida ou o que eu faço, só de olhar para aquela garota você nota a despreparação. — Ele debochou, agora jogando o cabelo para trás. — Principalmente quando eu notei que ela não conseguia tirar os olhos da minha boca, acredite, ela ficou apaixonada.
— Apaixonada? — Rick riu.
— TO-TAL-MEN-TE! — soletrou, fazendo o gesto com as mãos.
— Como você consegue sonhar acordado dessa maneira? — Outra gargalhada surgiu e algumas pessoas que estavam no local começaram a rir também com o assunto do momento. — Desculpa, . Não consigo controlar a emoção de ter visto a sua melhor cara sem graça, e ainda o combo foi uma garota, minha vida ficou completa.
— Eu pago você pra ficar rindo? — entortou um pouco o rosto, agora encarando Rick nos olhos. Olhou em sua volta, esperando que o restante da equipe de fotógrafos fizesse algum comentário e tudo ficou em total silêncio no decorrer dos segundos. — Muito bem, você é pago para cuidar da minha carreira. E no momento o que eu quero é que você consiga o telefone daquela garota, não sei com quem ou como você vai conseguir.
— Como eu vou conseguir? Nem ao menos sei o nome dela?
— Eu só quero, não me importa os meios que você vai usar para conseguir. — ordenou, agora abrindo parte da camisa preta. Ele estava há duas horas trocando de roupas, mudando de maquiagem, cabelo e tudo estava sendo finalizado para a sua última photoshoot antes do lançamento oficial do álbum. Pegou um blazer que estava apoiado em uma das cadeiras e deixou a parte da frente aberta para mostrar parte do seu peito e abdômen.
— Eu sou seu empresário e não a sua secretária, . — Rick tentou fazer recordar que ele estava ali para cuidar da carreira profissional dele e não da agenda pessoal de garotas que ele sente vontade de encontrar. — Mesmo que eu descubra o número dela, capaz que ela te jogue uma rajada de fogo pelo telefone mesmo quando escutar sua voz.
— Quando ela escutar minha voz não vai ter nem condições de responder. O tanto que ela vai ficar abalada e molhada. — Ele sorriu mandando uma piscadinha para ele. — Mulheres, meu querido. Um dia você vai entender o poder que eu tenho sobre elas.
— Notei na coletiva de imprensa. — Rick provocou.
— Rick, eu vou fazer aquela garota saber quem é . — Ele lançou um olhar para Rick mostrando o seu melhor sorriso. — Quero ver ela implorar por uma foto, por uma exclusiva e ainda quero ver essa garota implorando para que eu a leve para casa.
— AH! — Rick bocejou não ficando impressionado com aquele alarde todo. — Tudo bem, .
— Que deboche é esse? — irritado tirou o blazer, mostrando o abdômen, e olhou para a câmera mordendo o lábio inferior. Com aquela rapidez em mudar para a próxima foto ele causou um pequeno furor no estúdio fazendo maquiadores e toda a equipe soltar comentários obscenos toda vez que ele virava o corpo de um lado para o outro.
— Como ele consegue ser tão maravilhoso? — Uma delas cochichou e não deixou de rir. Ele sabia do poder de mostrar o abdômen e morder o lábio daquela maneira. Não existia qualquer mulher que conseguisse controlar o instinto de querer explorar cada parte daquele corpo e beijar cada milímetro daqueles lábios.
— Ok. — Rick colocou a mão no queixo, agora olhando diretamente para ele. — Primeiro, você precisa pegar um sol porque esse abdômen não anda com uma cor legal. E outra, larga a pizza porque essas dobrinhas não são nem aqui e nem na Coréia um abdômen definido.
— Meu amigo, isso aqui é o playground de toda mulher. — levou a cabeça para trás em uma gargalhada e na sequência passou a mão deslizando do peito até o abdômen. — Qualquer ser humano um dia quer vim brincar com tudo isso. Seja com a boca, com a mão ou com qualquer outra parte do corpo.
— Como você é iludido . — Rick comentou, perdendo a noção do que falar ao reparar nos comentários desnecessários que começou a percorrer o lugar da mulherada sobre brincar naquele playground. — Ela não parece ser uma garota comum.
— Nem quero que ela seja comum, com ela vai ser diferente. Essa garota só precisa conhecer o meu outro lado...
— Esse outro lado você pode colocar virado para a esquerda? Eu ainda não terminei de tirar as fotos. — O fotógrafo pediu cortando o assunto entre e Rick. — E por favor, abaixe um pouco a calça mostrando as duas entradas que leva em direção a virilha.
— Elas gostam disso também. O lindo caminho da felicidade…
, eu não quero saber de todos os seus caminhos, playground ou o nome que você dá para cada parte do seu corpo. — Rick foi direto, cortando o assunto e jogando para ele um roupão. — Chega de fotos. Você precisa ir em um jantar importante e o ligou querendo falar algo importante com você.
— Ainda nem disse que eu adoro o Gingin. — debochado chamou a atenção de Rick, apontando para o volume das suas calças. — Rick, você quer conhecer o GinGin?
— Não curto o GinGin, acho ele pouco atrativo. Principalmente sendo um apelido assim, não tento imaginar o quanto ele deve ser sofrido, curto e pequeno. — Rick rolou os olhos pelo ambiente notando que essa era a deixa que ele precisava para ir embora. tentou argumentar sobre a extensão, precisão e a felicidade que toda mulher sente ao conhecer o GinGin, mas Rick apenas achou melhor ignorar e caminhou com ele para a suíte presidencial do Loews Regency Hotel.

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olhou a tela de seu celular mais uma vez antes de guardar o aparelho em um dos bolsos de sua calça, suspirar e ver que o carro tinha sido estacionado. Havia chegado o momento de sair do veículo e encarar a multidão. Mas, antes que descesse do veículo, ele precisou esperar que os outros dois atores e as três atrizes, que foram até ali com ele na limousine, saíssem. E mesmo depois de ter saído do carro, precisou esperar pelos outros companheiros de elenco que foram na outra limousine que estacionou atrás da que ele estava.
Ele ajudou as atrizes com seus longos vestidos e saltos altos e as comprimentou com um sorriso, afinal, eles tinham se visto há poucos minutos no hotel onde todos ficaram hospedados desde que chegaram em Los Angeles no dia anterior. apertou as mãos dos homens, e esperou até que os diretores e roteiristas do filme saíssem da terceira limousine e estivessem seguros o suficiente para andarem pelo tapete vermelho, que começava do meio-fio da calçada seguindo até a porta de entrada do Microsoft Theater, que foi o local escolhido para a grande premiação da noite.
Enquanto caminhava lado a lado com as pessoas que construiu uma amizade nos últimos meses, desde que começaram as filmagens e até mesmo os testes para o filme que o estava levando àquela apresentação, acenava para os fotógrafos que não sabiam qual nome deveria gritar primeiro, sorria para os fãs que estavam atrás das grades que isolavam a calçada e procurava por um rosto bastante conhecido por si.
Quando e seus companheiros de filme chegaram próximos ao mural que tinha o nome da premiação, Emmy Awards, em dourado contrastando com o fundo marrom e o nome da emissora que estava exibindo a premiação, ele sentiu seu celular vibrar em seu bolso. Mas, o olhar que o seu assessor lhe deu no momento em que o encontrou, e com o fato de ter que se arrumar diante dos fotógrafos, que tinham lugares privilegiados de frente para o mural, junto com os companheiros de elenco, ignorou o aparelho e a curiosidade de saber se sua última mensagem enviada tinha sido respondida.

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Talvez pelo fato de sempre estar acompanhado quando posava em um tapete vermelho, nunca gostava ou se sentia verdadeiramente confortável quando era deixado sozinho diante dos fotógrafos. Não eram os flashes ou seu nome sendo gritado diversas vezes que o incomodava, era o fato de se sentir envergonhado e sem saber que pose deveria fazer. Ele não sabia se deveria sorrir, para qual câmera olhar, onde colocar sua mão ou se deveria ficar em uma posição que favorecesse o smoking de uma marca famosa ele ganhou. Ele não sabia em que posição ficar.
Quando fazia parte do grupo com os garotos, que eram os melhores caras que havia conhecido em sua vida mesmo com algumas diferenças, nunca ficava sozinho nos tapetes vermelhos porque eles estavam consigo. Por isso, ele nunca se sentia envergonhado mesmo que um dos garotos fizesse alguma palhaçada que fazia com que todos fossem fotografados rindo. E nem mesmo quando posavam sérios, ficava constrangido porque de qualquer jeito, ele não estava sozinho diante dos fotógrafos.
Depois que o grupo acabou e focou em sua carreira de ator, a maioria das vezes que passou por um tapete vermelho o deixou nervoso. Mas, depois de alguns tapetes vermelhos sozinhos e após ter conhecido no segundo filme que fez, ele sempre se acalmava quando via sua namorada chegando ao seu lado e posando para os fotógrafos ao lado dele.
Namorada que não estava ao seu lado porque assim como , precisou ir para a premiação com a equipe do filme que fez.
Quando chegou ao final do mural, ele acenou em despedida para os fotógrafos e suspirou de alívio quando encontrou Henry, seu assessor, lhe esperando atrás do mural.
.
— Você a encontrou? – Foi a primeira coisa que perguntou ao homem que tinha um crachá de identificação e, assim como ele, estava tomando cuidado para não ocupar o caminho das tantas pessoas que caminhavam por ali. O lugar estava uma loucura com tantos famosos, fotógrafos, seguranças e o pessoal da organização do evento.
— Ainda não. Ela deve estar chegando, ou já está na sala de espera. - O homem respondeu a que suspirou. O cantor e ator colocou suas mãos em seus quadris e respirou fundo. – Vamos, você precisa acompanhar o pessoal do filme. Daqui a pouco encontramos a .

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Entre tantos comprimentos, fotos, cuidado com em não cair ou não deixar que uma das atrizes caísse, e seus companheiros e companheiras de elenco chegaram a grande sala de espera do Emmy Awards. O lugar estava tão cheio quanto o tapete vermelho. E isso não tinha nada haver com o segundo tapete vermelho ou mural que existia ali, mas, sim com os repórteres de diversos programas de televisão, internet, revistas e todo o meio de comunicação possível.
E então, não demorou muito para que tivesse posando de frente para os fotógrafos, mais uma vez, com o resto do elenco principal e alguns membros da direção do filme. E demorou muito menos, para que ele estivesse posando sozinho e logo depois, dando entrevistas para repórteres. Alguns ele conhecia de outras entrevistas e outros não. Mas, as perguntas eram sempre as mesmas.
“Quais as suas expectativas para a noite de hoje?”, “Ansioso por estar concorrendo com grandes atores?”, “Como foi o seu preparo para esse papel?”, “Como foi contracenar com esse ator?”, “Como sua namorada reagiu ao saber que você beijaria essa linda mulher ao seu lado?”, “Esse seu smoking é de onde? Qual a marca?”, “Como você lidou com o fim do grupo?”, “Você ainda fala com seus ex-companheiros de palcos? Algum deles te mandou mensagem desejando boa sorte?”
E apesar de ter respondido a última pergunta feita pelo último entrevistador com um sorriso e um singelo “eu não sei”, viu que todos os seus ex-companheiros de grupo haviam lhe mandado mensagem assim que ele pegou o celular e abriu o grupo de mensagens que ainda tinha com os garotos. E, quando abriu sua conversa com , riu sozinho, como sempre fazia todas as vezes que via que não estava no grupo de mensagens que ele tinha com os outros garotos do grupo.
Porém, quando começou a responder a mensagem de , que não era nada além de “Traz todos os prêmios pra casa porque seus porta-retratos são bem feios!”, teve sua atenção roubada pelos gritos dos fotógrafos.
Eles gritavam o nome de .
— Ela chegou. — Henry avisou a que não fez outra coisa a não ser assentir com um movimento de cabeça enquanto observava, abobado, a garota caminhar junto com seus companheiros de elenco para frente do mural para as fotos.
Ela estava linda.
E se sentiu sortudo por poder vê-la tão perfeitamente de onde estava. E por tê-la em sua vida.
usava um vestido com a parte de cima tomara que caia em com um leve decote que realçava seu busto, em um tom preto. Um fino cinto separava a parte debaixo e de cima. A parte debaixo do vestido era uma mistura de cores. Lilás, roxo, rosa e preto formavam um degradê ao longo do tecido que tinha a pequena cauda no tom branco. A garota com certeza usava saltos. O cabelo estava bem penteado com algumas ondulações, na pele do rosto uma leve maquiagem deixando em destaque o batom roxo.
Observando o máximo de detalhes possíveis de onde estava, foi incapaz de não pegar seu celular e colocar na câmera para tirar ao menos uma foto da garota.

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Quando terminou de tirar fotos com o elenco do filme, pensou que talvez pudesse ir falar com a garota. Mas, percebeu que era precisaria tirar suas fotos sozinhas. Então, ele esperou.
Esperou até o momento que precisou andar, e a cauda do vestido não ficou do jeito que sabia que deveria ficar para as fotos. Por isso, ele não esperou que a assessora da garota, consertasse a peça. correu e arrumou a cauda para a menina que o olhou surpresa. riu quando ele roubou um beijo de seus lábios e saiu correndo dali a deixando sozinha e a disposição dos fotógrafos.
Talvez fosse um bobo-apaixonado. Talvez.
E talvez, ele não se importasse com as matérias que poderiam escrever sobre isso.

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Assim como , precisou dar algumas entrevistas. Responder a perguntas bobas e repetidas. Precisou sorrir para as câmeras, responder de qual marca era o seu vestido e saltos. Falar da sua expectativa sobre a premiação e como foi gravar o filme.
E, assim como o esperado, o casal teve que posar juntos para os fotógrafos.
E não é como se se importasse em ficar com a mão na cintura de , a segurando. Ou, sorrindo enquanto mostrava ao mundo que a garota mais bela daquela premiação era sua namorada. Ele realmente não dava a mínima se ou qualquer um de seus amigos iriam implicar com o fato dele ter olhado para o perfil do rosto da garota em determinado momento. Ou, se o sorriso dele saiu mais largo ao vê-la sorrir e sentir a mão dela em sua barriga por cima dos tecidos de sua roupa.
Se estar diante dos fotografos com seus companheiros de grupo lhe causava segurança, e estar sozinho lhe deixava nervoso. Com , se sentia em paz. Calmo. Relaxado. Sem pressa ou receio. Ele tinha dentro de si, que não importava quantas fotos tirassem deles dois ou os ângulos, estava tudo bem. Ele estava ao lado de .
Ela que tinha a mão dentro do bolso traseiro da calça dele enquanto sorria para as câmeras.

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sabia que ficaria em uma mesa diferente a de , por isso ele não fez birra ou tentou arrastar a garota para a cadeira ao seu lado quando entraram no imenso Microsoft Theater. Porém, dizer que ele não a olhou por diversas vezes, e a perguntou com gestos labiais se ela estava bem, é mentira. E dizer também que ele não saiu de seu lugar durante alguns intervalos para ir até ela e comentar alguma coisa que percebeu ao longo da premiação, era outra mentira.
Mesmo distante, ele dava um jeito de torná-los juntos e fazer parecer que estavam assistindo a premiação lado a lado.
Porém, ter indo até ele durante o terceiro intervalo para lhe desejar boa sorte e lhe dar um beijo, porque a próxima categoria seria a que ele estava concorrendo, foi melhor do que a ouvir rir quando ele a contou uma piada em um dos intervalos anteriores.

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Parecia não ser surpresa para ninguém ali quando o nome de foi anunciado como o ganhador da categoria Melhor Ator Coadjuvante, mas, foi para ele. E por esse motivo, ele não sabia o que falar em seu discurso de agradecimento além de agradecer aos seus companheiros de elenco, direção do filme, sua família e sua namorada que o olhava orgulhosa de onde estava.
A pequena estatueta era mais pesada que o esperado por . A peça brilhava mais e tirar fotos com ela assim que saiu do palco foi ainda melhor. Mas, sentir orgulho do trabalho feito e do reconhecimento que acabara de receber, era demais!

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Se ficou sem saber o que falar quando teve seu nome anunciado como vencedor da única categoria que concorria naquela noite, quando foi anunciada como ganhadora da categoria Melhor Atriz Coadjuvante, ele sentiu como se uma espécie de buraco tivesse sido colocado abaixo de seus pés.
E em meio ao barulho dos aplausos que recebia, se levantou e caminhou apressado para ir até que havia perdido para sua amiga de profissão e da vida. e eram amigas há cinco anos, pelo o que soube através de sua namorada.
Mesmo que estivesse feliz pela garota que agradecia ao prêmio em cima no palco, diante do microfone, com um sorriso nos lábios e os olhos marejados, não poderia ser hipócrita em dizer que sua torcida era para .
que o fez parar de andar para a mesa dela quando o olhou e sorriu. Ela sorriu do mesmo jeito que fazia sempre que queria dizer a ele que estava tudo bem. Que ela estava bem.
Então, ele riu sozinho e baixo enquanto a observava. E viu que era realmente um cara de sorte quando mencionou o nome de , e a namorada de mandou beijos para a amiga.
não precisava se preocupar. estava orgulhosa dele e da amiga. E ele sabia, que ela jamais ficaria triste por não ter ganhado algo que foi dado, por direito, a uma pessoa que ela gosta e admira.
era realmente um cara de sorte.


Capítulo 3


No fim de semana.
ainda estava com sono enquanto caminhava do quarto de hóspedes da casa de em direção a sala. Mesmo que tenha visto o relógio da cabeceira de cama marcando mais de uma hora da tarde, ela ainda estava sonolenta e colocava toda a culpa em e . Afinal, eles foram os responsáveis por ela ter ficado acordada a noite toda. “Eu preciso que alguém seja testemunha da minha vitória em cima desse idiota”, protestou quando ela tentou ir dormir a meia noite na madrugada anterior, e “Eu preciso que você fique, amor. Você precisa assistir a minha vitória e filmar a cara de perdedor do !” quase a implorou. E ficou. Mesmo que estivesse extremamente exausta depois do dia cansativo que teve com dois ensaios fotográficos e uma entrevista para uma revista de adolescentes.
Em meio a bebidas, comidas que na verdade eram besteiras, gritos dos dois homens, derrotas e vitórias no vídeo game, e muitas fotos e vídeos, os três foram dormir quando os raios do sol começaram a adentrar pelo grande vidro da janela que tinha na sala.
— Vocês transaram na minha cama?
deu um tapa na nuca de ao passar por ele, que estava sentado em uma das pontas do grande sofá que havia na sala de estar da mansão dele.
— Não dormi no seu quarto, pelo o que eu sei. — Ela o respondeu, colocando sobre a almofada em seu colo o computador que estava consigo desde que o encontrou no closet do quarto. O mesmo em que dormiu com .
— Eu não acredito que vocês transaram no quarto ao lado do meu. Bem que eu ouvi uns sons… Mas, pensei que fosse meu sono junto com a cerveja e minha mente. — passou a mão por seu queixo, como se estivesse alisando uma barba que não existia.
— O que te faz pensar que nós transamos? — o encarou enquanto esperava o notebook ligar. - As pessoas dormem, sabia? Nem todo mundo é como você que só pensa em sexo e sexo e sexo. E, mais sexo.
— Você está usando a camisa dele, está como cabelo amarrado de qualquer jeito e não chegou gritando. Você está calma demais. Transou, não foi bom, e está arrependida de ter ficado com o e não comigo quando te dei uma chance, ou transou.
riu quando terminou de falar. Ela riu alto com direito a cabeça para trás e umas palminhas.
— As vezes me esqueço do seu senso de humor, . Ele é realmente maravilhoso. — O encarou com o sorriso nos lábios e o assistiu piscar para si. — Você é convencido demais.
— Eu sou realista. E você, uma arrependida por não ter escolhido do GinGin.
— Oh, com certeza.
encarou por mais alguns segundos antes que ela jogasse uma almofada nele por ter feito aquela piadinha com seu membro, mais uma vez. Eles riram e sussurrou um “eu te amo” em puro deboche para a menina, mas não demorou muito para que ele voltasse sua atenção para o celular que tinha em mãos e ela para o computador.
Diferente do que diz sempre que tem oportunidade, nunca deu em cima de . Até porque eles se conheceram em uma noite durante um jantar que marcou com os dois para apresentar sua namorada ao seu melhor amigo e o seu melhor amigo a sua namorada. e nunca pensaram e sequer tiveram chances de tentar alguma coisa. E eles sabiam que mesmo se tentassem nunca iria acontecer. não se via com outro cara a não ser , e não via e com outras pessoas senão eles mesmos.
Não precisou de muita coisa ou encontros para que e criassem uma amizade. Na verdade, a amizade de ambos começou ali mesmo no jantar de apresentação quando decidiu ser solidário e compartilhou com a menina todas os vídeos, as fotos e as histórias vergonhosas de . E tudo só foi ficando mais forte ao longo dos outros encontros que surgiram entre os três, e depois de um tempo, entre e que saíram juntos por diversas vezes enquanto estava ocupado demais gravando alguma coisa ou participando de algum teste ou algo do tipo.
não via menos do que seu irmão e segundo melhor amigo. além de namorado era o primeiro melhor amigo da garota. E, não enxergava a garota menos do que sua primeira e melhor amiga. Ter amizade com mulher sempre pareceu impossível para ele que, na maioria das vezes, acabava com a mulher na sua cama após uma noite de sexo. Mas além de melhor amigo de não era do tipo que fazia o tipo de .
— Bom dia. - falou enquanto bocejava e recebia os olhares de seu melhor amigo e sua namorada.
— Oi, amor.
— Vocês transaram mesmo! — gritou, e revirou os olhos. — Eu não acredito que vocês fizeram sexo enquanto eu dormia no quarto ao lado!
— O que aconteceu? — questionou enquanto passava a mão em seu cabelo e admirava o peitoral dele, que não era nada muito definido, mas que para ela era o bastante. Ele estava sem camisa e usava apenas uma calça de moletom com o elástico da cueca CK aparecendo. Peças de roupas que ficaram na casa de devido as tantas noites dormidas ali, mas continuou com seu drama.
— Vocês sabem que eu sou uma criança pura, não sabem? Meu Deus! Como vocês transam...
— Criança pura? Você? — interrompeu o drama de . — Você estava há menos de cinco minutos falando que ouviu uns sons de sexo, mas que não sabia se era coisa da sua mente ou meus e do . E, ah, amor! Ele falou do GinGin de novo pra mim.
O tapa que recebeu de fora algumas vezes mais forte que o que recebeu de . não gostava quando falava de sua parte íntima para , e não tinha nada haver com ciumes. Ele achava um pouco de falta de respeito ou liberdade demais, e o bico que formava nos lábios sempre que dedurava essa ação de fazia ter alguma ação que “punisse” seu amigo.
— O que vocês estavam fazendo? Além de falar da minha vida sexual? — completou antes que falasse o que quer que seja, e que todos sabiam que seria sobre a vida amorosa de e .
— Na verdade, eu estava só existindo mesmo. O mundo já me agradece por isso.
, você vai nos deixar sem ar daqui a pouco. - comentou quando o encarou e viu sorrir antes de sentar-se ao seu lado. — Eu preciso abrir o meu e-mail. Angel disse que saíram algumas matérias do Emmy.
— Porque você vai ler essas matérias, se sabemos que em alguma delas vai ter alguma merda? — perguntou a namorada que deu de ombros e continuou sua tarefa em abrir seu e-mail. Clicou no primeiro link de matéria que Angel, sua assessora, lhe mandou.

“O ex-cantor pop e atual ator do momento e a sua namorada compareceram ao Emmy Awards, que aconteceu no magnífico Microsoft Theater.
estava elegante em um terno que parecia, e com certeza, fora feito sob medida para o ganhador do prêmio de Melhor Ator Coadjuvante. Troféu que ele levou para casa e nos presenteou com belas fotos sorrindo com a estatueta em mãos. Sem falar do lindo discurso de agradecimento. Não precisa agradecer, ! Você foi incrível neste filme! <3
Enquanto isso, , que também estava bela em um vestido que tinha um degradê ao longo da peça, e com uma maquiagem muito bem feita assim como seu penteado, não levou o prêmio que concorria para casa. A estatueta e título de Melhor Atriz Coadjuvante ficou para Bruna! Que assim como , foi muito bem no papel que lhe deram no filme que trabalhou!
Este é o primeiro de muito prêmios que conquista em sua carreira de ator. E é o terceiro que perde desde que começou a namorar o ex-cantor.
Há quem diga por aí, que o namoro de ambos não tem alavancado a carreira de como o esperado. Fotos de casal apaixonado no tapete vermelho, declarações em redes sociais ou em entrevistas, não garantem prêmios. E as assessorias dos dois já estão ficando cientes disso. Fontes seguras afirmam que logo teremos um rompimento por aí… Será?
De qualquer forma, desejamos boa sorte para os dois. Especialmente, para a atriz que apesar de ter mais tempo de carreira que o namorado, não tem levado tantos prêmios para casa.”


— Eita, só não falaram pra você desistir da carreira de atriz porque deve ter faltado tempo.
! — repreendeu o amigo que não conseguiu segurar o comentário para si.
— Eles quase me mandaram voltar para as aulas de teatro, isso sim! — assegurou enquanto fechava o notebook e encarava os dois garotos. — O que me deixa mais revoltada não é o fato deles falarem que eu não ganhei o prêmio. Porque isso é verdade; eu não ganhei o prêmio. Porém, eles falam isso como se eu não tivesse ganhado o prêmio e por isso não merecesse o ou só estivesse com ele por isso. E eu detesto essas coisas. Como se eu fosse ficar com alguém só pela fama da pessoa ou o que ela “pode me dar”. — A garota fez aspas no ar e bufou. - E daí que deixei de ganhar alguns prêmios desde que começamos a namorar? Eu não me cobro isso, faço meu trabalho porque amo fazer e não porque quero prêmios. Troféus servem para acariciar o ego e não a alma. E, aparentemente, o pessoal da Dispatch News cria essas matérias ridículas pra amaciar o ego deles. Porque são felizes só quando criticam alguém.
— Eu te amo, sabia disso? — perguntou assim que terminou de falar algo que ele já sabia e admirava nele. amava o jeito com que a menina não se importava com troféus que poderia ganhar por seu trabalho. Porém, se preocupava com o jeito que ela ficava sempre que lia as críticas descabidas que escreviam sobre si.
— E eu também te amo. — afirmou e fez um coração com as mãos para quando ela o fitou. — Eu concordo com o quando ele diz que você não deveria ficar lendo essas coisas. Daqui a pouco você vai querer provar coisas para eles e isso não vai te fazer bem, .
— Deixa eles escreverem o que quiser. Nós te conhecemos. Seus fãs, sua família e seus outros amigos também. — roubou um beijo dos lábios da garota e tirou o notebook do colo dela. — Chega de matérias por hoje e me lembra de ligar para a Angel mais tarde. Que tipo de assessora é essa que te manda esse tipo de coisa?
— Os assessores de hoje em dia não são mais como os de antigamente. — negou com a cabeça e colocou uma mão em cima de peitoral, em cima de seu coração. - Angel mandando matérias pra , Rick rindo de mim e me chamando de sonhador na frente de todo mundo… Agora só falta o Henry levar o para o bordel.
— Porque o Henry levaria o meu namorado para o bordel? — perguntou a que deu de ombros.
— Pelo mesmo motivo que Angel te mandou as matérias e Rick riu de mim.
— Vamos trocar o seu assessor.
— Amor… — riu quando sentiu e viu a garota segurar seu rosto com ambas as mãos e olha-lo.
— Vamos trocar os nossos também, . Deve ter classificado de assessores na internet, não é? Tem de carros, deve ter de assessores também. Todo mundo quer trabalhar com famosos hoje em dia.
quis ter segurado o notebook de e impedido que o pegasse, mas ele não conseguiu segurá-lo. Tudo o que pôde fazer foi ficar ao lado de seu melhor amigo e de sua namorada enquanto ambos fazem uma pesquisa sobre novos assessores. Pesquisa que os três, no fundo, sabiam que não daria em nada. Mas estava fazendo rir e esquecer da matéria que leu, então tudo bem. Eles podiam fazer diversas pesquisas se quisessem.




Continua...



Nota da Jozy: Depois de algum tempo sem att, resolvemos deixar pra vocês essa cena que mostra essa amizade, que em alguns momentos será o ponto de equilibrio e força dos nossos personagens. Ultimamente temos organizado bastante coisa e pensando em outra milhares, e tudo indica que: semana que vem voltamos com as atualizações semanais! Ahá! Bom, sou péssima em fazer n/a, então... É só isso! Beijos e até a próxima! x





SHORTFICS VIVI:
01. Call Me Baby [Ficstape #062: EXO – Exodus]
03. Best Of Me [Ficstape #070: BTS – Love Yourself: Her]
03. This Is How I Disappear [Ficstape #068: My Chemical Romance – The Black Parade]
04. Permanent Vacation [Ficstape #067: 5SOS -Sounds Good Feels Good]
07. Let’s Dance [FICSTAPE #065: Super Junior – Mamacita]
Hug Me [Doramas – Shortfics]

EM ANDAMENTO VIVI:
Love Is Not Over [KPOP – Restritas – Em Andamento]
Let Me Know [KPOP – Restritas – Em Andamento]
I NEED U [KPOP – Restritas – Em Andamento]


FANFICS DA JOZIANE BARBOSA:
Cause You’re the Only One – One Direction/Em andamento
Meeting – Cause You’re the Only One – One Direction/Finalizada
03. Evanesce – Super Junior – Ficstape/Finalizada
12. The End – Little Mix – Ficstape/Finalizada
02. Sign of the Times – Harry Styles – Ficstape/Finalizada
She Was Pretty – Dorama/Finalizada
01. Pray You Cath Me - Beyoncé - Ficstape/Finalizada
06. I Don't Love You - My Chemical Romance - Ficstape/Finalizada
04. Dimple - BTS - Love Yourself: HER - Ficstape/Finalizada
10. Skit: Hesitation and Fear - BTS - Love Yourself: HER - Ficstape/Finalizada

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