On Your Secrets

Última atualização: 30/01/2020

Prólogo

baixou os vidros da janela do carro e inspirou profundamente a brisa quente de veraneio sentindo seus cabelos esvoaçarem trazendo aromas até então desconhecidos, e que causavam nada além de excitação e expectativa a medida que o veículo ganhava velocidade.
Na rádio, uma música qualquer embalava uma melodia gostosa que contrastava perfeitamente bem com a paisagem pacata e reconfortante da cidadezinha modesta de pouco mais de trinta mil habitantes que agora poderia chamar de seu novo lar. Se flagrou sorrindo minimamente ao observar as casas pela janela, as pessoas andando nas ruas e o rio que cortava toda a cidade dando-lhe um ar de tranquilidade. Ouvindo aquela música, contemplando a cidade, ousou esboçar um sorriso que se alastrou pelo rosto de maneira quase involuntária, estava começando a se sentir tão bem...
Mas seu sorriso esmoreceu no mesmo instante em que o vidro da janela foi erguido com uma velocidade brusca obrigando-a a desviar o rosto.
- Por que você...? - começou indignada voltando sua atenção para a figura feminina que conduzia o carro sem expressar metade da empolgação da menina.
- O ar-condicionado está ligado, , não tem necessidade dessa janela aberta. - respondeu ranzinza fazendo com que o semblante de esmorecesse.
Contendo uma súbita e inesperada vontade de chorar, encostou a cabeça na janela do carro e apenas conteve um suspiro angustiado. Era impressionante como sua mãe tinha a habilidade de mexer com seu humor e suas emoções de maneira tão brusca. Se segundos atrás sentia-se minimamente alegre por contemplar a paisagem da cidade que seria seu novo lar, naquele momento sentia-se nada além de patética.
Era mesmo patético ou no mínimo ingênuo da parte de esperar que aquela mudança fosse ser de todo produtiva e feliz se não importava para onde estava indo ou do que estava fugindo, se sua mãe estaria consigo para lhe atormentar e fazer com que suas frustrações e piores recordações fossem lembranças constantes.
fungou timidamente sentindo-se boba e limpou o rosto discretamente para não ser alvo de chacota por estar chorando mais uma vez. Quando sua mãe trocou impiedosamente a estação da rádio, apertou com força a bolsinha que carregava e respirou fundo tentando emanar energias positivas para aquela mudança. Por mais angustiante que fosse a convivência com sua mãe, pelo menos estava longe dele e isso era mais do que o suficiente para o momento.
Já com as emoções mais contidas, expeliu o ar profundamente e voltou a prestar atenção na paisagem que passava pela janela se perguntando qual seria o capítulo da sua história que escreveria naquela cidade e torceu para ser um mais feliz do que aquele escrito em Londres de onde estava fugindo sem querer olhar para trás. Enquanto fazia o trajeto para sua nova residência, olhou por entre as casas e se perguntou como seriam as pessoas que cruzariam seu caminho, como elas agiriam e se seria capaz de encontrar, enfim, a paz que tanto buscava.
Ela esperava sinceramente que sim, afinal, pessoas costumavam ser melhores companhias do que segredos.



Parte I: Perigosamente perto.

Passava de pouco mais das dez da manhã de um domingo particularmente ensolarado e aparentemente agradável, e os moradores da pacata rua Rochford já praguejavam em suas respectivas casas devido ao barulho quase ensurdecedor que ecoava de dentro da garagem da casa nº4, onde moravam os Fletchers. Vez ou outra, Debbie observava os olhares furtivos que lançavam pela janela e mostrava seu melhor sorriso conciliador tentando desculpar-se pelo filho que mais uma vez se reunia com seus três melhores e inseparáveis amigos no novo projeto da vez: tinham decidido tornar-se rockstars.
Se os vizinhos soubessem que o primogênito dos Fletchers tinha sido incentivado ao ganhar uma guitarra de presente aos três anos de idade, não seriam tão complacentes assim com a situação dos pais, costumavam justificar que aquela era apenas uma fase de rebeldia e que iria passar. Apesar do barulho incômodo de guitarras e do vozerio escandaloso, reclamavam em silêncio, já que, para todos os efeitos, os jovens não estavam desrespeitando nenhuma regra: ficavam a postos ao lado do relógio esperando o ponteiro indicar exatamente dez da manhã para começarem a algazarra.
- E lá vão eles de novo… - Bob Smith, da casa nº10, fechou a janela com força quando o primeiro som de mal contato nos equipamentos fez-se audível.
Era verão no condado inglês, a brisa quente e abafada obrigava as pessoas da cidadezinha a acordarem mais cedo e utilizar mangueiras e ar-condicionados para se ventilar sob o sol escaldante. Até mesmo do lado de fora, nas ruas, fazia calor. Então era de se esperar que dentro daquela garagem fechada a temperatura estivesse elevadíssima, e estava. Só não o suficiente para reprimir o empenho dos quatro rapazes que se posicionavam em seus respectivos equipamentos.
Harry Judd fez as contagens das baquetas no momento em que recebeu o sinal positivo de Tom Fletcher indicando que ele e Danny Jones estavam prontos com as guitarras e Dougie Poynter estava pronto com seu baixo.

- One, two, three, for!

Danny moveu os dedos habilmente pelas cordas da guitarra começando a melodia que estavam testando para a nova demo provisoriamente intitulada por “Five Colours In Her Hair”, a primeira música autoral dos rapazes que basicamente tinha uma letra sobre uma menina estranha com cinco cores no cabelo. Muito original.

- Do do do do do, do!

Danny já estava se posicionando para começar a cantar quando Tom parou de mover os dedos sob a guitarra e voltou-se para Harry pedindo para parar. Revirando os olhos, Dougie soltou o baixo e olhou para o amigo com impaciência.
- O que foi agora, hein?
- Vocês estão tocando errado, de novo! - Tom repreendeu ao mesmo tempo que Dougie e Harry trocavam um olhar cúmplice. - E para de revirar o olho para mim, Dougie Poynter!
Perfeccionista e atento a todos os detalhes, Tom Fletcher, guitarrista e vocalista da banda, era sempre o mais rígido em relação a tudo que envolvia a McFLY, grupo que os amigos tinham formado há alguns meses. No começo, a banda tinha surgido apenas como uma forma de descontração entre Danny e Tom, que dividiam os vocais cantando nos corais da escola e em eventos da igreja. Pouco tempo depois, ao conhecerem Harry e Dougie, resolveram ensaiar sem compromisso em alguns estúdios até perceberem que podiam levar jeito para a coisa.
Assistindo filme na casa de Danny, certa vez surgiram com o nome “McFLY” em homenagem ao filme De Volta Para o Futuro e, desde então, ensaiavam todos os finais de semana, apresentavam-se em pubs pequenos e maltrapilhos com covers de bandas como Beatles e Blink 182 enquanto sonhavam com a possibilidade de um acordo com uma gravadora.
Devido as diferenças de idade e personalidade, nem sempre conseguiam levar os ensaios muito a sério. Por isso, sempre contavam com os ocasionais puxões de orelha de Tom, que de uns tempos havia se tornado realmente obsessivo na ideia de ter uma demo aprovada.
Danny, que até o momento apenas ria descontraído, voltou-se para Tom com um sorrisinho contido.
- E aí, Tom, como vai a Giovana, já voltou de viagem?
Já percebendo do que se tratava, Dougie e Harry reprimiram risadas nasaladas, mas Tom apenas franziu o cenho não entendendo o rumo completamente diferente do assunto.
- Quê? - Perguntou atônito.
- Gio, como vai? - Danny continuou cinicamente.
- Ainda não a encontrei, por quê? E o que isso tem a ver…
Danny interrompeu abraçando o amigo pelos ombros.
- Isso, meu caro, tem tudo a ver. Porque você está estressado desse jeito porque a senhorita Falconi está viajando e o que te falta é se…
- Argh, vai se ferrar, Jones! - Tom se sacudiu saindo do abraço de Danny enquanto Harry e Dougie apenas riam com a cena. Sorrindo impassível da maneira que lhe era característica, Danny voltou a se posicionar com a guitarra enquanto observava Tom ajeitar o cabelo, remexendo no microfone com o rosto completamente ruborizado.
Um dos passatempos favoritos de Danny era irritar Tom, primeiro porque o amigo ficava simplesmente hilário com o semblante fechado e irritadiço e segundo porque ninguém conseguia ficar realmente irritado com Danny por muito tempo. Sempre animado e brincalhão, acabava cativando a todos com sua risada escandalosa.
- Pelo menos eu tenho uma namorada, tá ok? - Tom revidou e o rubor do seu rosto aumentou ao mencionar Giovanna. Não que fosse admitir, mas seu pulso tinha acelerado consideravelmente em expectativa ao recordar que faltava pouco mais de quatro horas para reencontrar a namorada.
- Meus pêsames para você, então. - Danny revidou risonho e dessa vez apenas Dougie gargalhou.
- Eeeei! - Harry Judd jogou uma das baquetas na cabeça do amigo que riu se esquivando.
- Não tenho culpa se você e Dougie são encalhados e mal amados. - Tom respondeu e o sorriso de Dougie esmoreceu.
- Por que sobrou para mim? Eu estou quieto!
Danny, no entanto, continuava rindo.
- Eu estou brincando, credo, calma, mate. Você sabe que eu amo a Gio… - E ao perceber o olhar rabugento de Harry, Danny revirou os olhos - E a Izzy também, é claro.
Embora não tivesse ficado realmente bravo em nenhum instante, Tom respirou fundo e bebeu um gole particularmente grande de água ao voltar a encarar os amigos com uma expressão obstinada no rosto.
- Preciso que vocês vejam a seriedade da situação aqui, ok? Nós fomos rejeitados por uma gravadora!
- Tom, calma, foi nossa primeira música autoral. Nós escrevemos em diversão, foi nosso primeiro “não”, acho que você está cobrando demais de si mesmo… E da gente! - Danny respondeu em tom suave, já não mais sorrindo com a intenção de acalmar o amigo.
- A letra de Five Colours foi apenas uma brincadeira, você sabe, estávamos bêbados, então não dê tanto crédito. Eu sei que você ficou obcecado porque a gravadora disse que “faltava verdade e sentimento” na nossa música, mas não precisamos compor e ensaiar desenfreadamente como se isso fosse agilizar nosso processo criativo, vamos nos divertir, beleza? - Dougie se pronunciou e Tom apenas assentiu, mordendo a própria língua. Todos sabiam que ele queria dizer muitas outras coisas.
- A nossa música é ótima e se uma gravadora não foi capaz de ver isso, então que pena! Nós vamos fazer outras e uma hora nós vamos receber esse sim, você vai ver! - Harry disse com otimismo e Tom finalmente cedeu a um sorriso mínimo deixando uma só covinha aparecer no lado esquerdo do seu rosto.
- Ok, vai, no três…
Mas antes que pudessem voltar aos acordes da música, foram interrompidos pelo toque estridente do celular de Danny que vibrava no meio da bagunça que se encontrava na garagem.
- Celulares no silencioso durante o ensaio! - Tom protestou afetado, mas Danny não lhe deu atenção, apenas ergueu a mão para silenciar o amigo enquanto atendia.
- Sim… Sim… Sei qual é, sim! Aham… Sei. - Danny ia respondendo enquanto os outros três apenas esperavam o encarando com expressões espelhadas de profundo tédio. - Sério?
Quando Danny demonstrou surpresa e empolgação olhando para os amigos com íris brilhosas, os três se entreolharam ansiosos.
- O que foi? - Harry perguntou.
- Aceitaram nossa demo? - Tom chutou sonhadoramente.
- Fala logo! - Dougie pediu nervoso.
Danny tapou o autofalante do celular e virou-se radiante para os companheiros de banda:
- Fomos convidados para tocar no Black Horse sábado à noite!
Demorou alguns segundos até que Danny pudesse escutar qualquer coisa do outro lado da linha devido aos gritos dos amigos provenientes da comemoração exagerada.
Conhecido por ser o pub mais descolado da pequena cidade, o Black Horse raramente tinha uma agenda disponível para bandas desconhecidas de garagem, mas, por algum milagre, estavam precisando preencher a vaga de uma desistência de última hora e resolveram fechar com os “quatro esquisitos” que incessantemente saíam por aí divulgando mais uma banda imitação dos Beatles. Depois de ter o celular afanado por Tom, que se encarregou de fechar todos os trâmites da negociação, Danny juntou-se a Dougie e Harry na algazarra pela comemoração. Essa felicidade durou pouco, no entanto. Nem bem desligou o celular e Tom já tinha se virado para os amigos com uma expressão quase maníaca.
- Nós vamos ensaiar até os dedos sangrarem hoje - Anunciou com obstinação.
Quando os primeiros acordes de Five Colours In Her Hair começaram a ecoar, a rua Rochford pareceu suspirar pesarosamente em um compasso ritmado. Tudo havia começado novamente.

- Do do do do do, do! - Não muito longe dali, na casa nº7, com seus modestos quarenta e cinco anos, Ernest Gold cantarolou de modo quase inconsciente. Seus pés balançavam no ritmo da música e seus dedos tamborilavam inocentemente sob os joelhos. Estava tão distraído que só percebeu o que estava fazendo quando notou o olhar de repreensão da sua esposa.
- Eles ainda vão longe, sabe, esses meninos… - Ernest disse indicando a casa Fletcher com a cabeça.
Molly Gold revirou os olhos e acertou o marido com o jornal.
- Não fale besteiras, Ernest! Eles são só uns desajustados cantando em uma bandinha de garagem. Não vão a lugar algum, você não sabe de nada.

***

A luz baixa em conjunto com os olhares curiosos lançados em direção ao palco estremecia o interior dos quatro rapazes que, nervosos e animados, finalizavam os preparativos para a tão esperada apresentação no reputado pub, o qual encontrava-se cheio naquela noite quente de sábado. O garoto de profundas covinhas enterradas em ambos os lados da bochecha espiou o público mais uma vez antes de virar-se para os companheiros quase em estado de pânico, ajustando a guitarra nos ombros de modo agitado em seguida.
– Está tudo certo? Todo mundo pronto? Lembrem-se do que nós ensaiamos! – Tom alertou ansioso, atraindo as expressões cômicas dos amigos para si.
– Mate, é humanamente impossível esquecer o que nós ensaiamos, nós só fizemos isso a semana inteira. – Danny satirizou, fazendo Harry e Dougie prenderem o riso.
– Relaxe, Fletcher. Vamos nos divertir e tocar música boa para essa galera. – O baterista acrescentou, dando leves tapinhas encorajadores nos ombros de um Tom nitidamente mais tenso do que os demais ali presentes.
– Ele está nervoso porque a Gio está lá fora. Fique calmo, Tom. Ela gostará do que você fizer mesmo que isso implique aturar seus chiliques emocionais. – Jones provocou novamente. Ainda que Fletcher quisesse responder-lhe à altura, foi interrompido pela presença repentina de mais alguém no local.
– Ei, vocês quatro. Já está na hora. – Robert, um dos gerentes do pub, brotou no pequeno espaço atrás do palco, chamando a atenção dos músicos que assentiram eufóricos. Ele deu uma última encarada nos integrantes da banda e saiu, clamando aos céus para que os esquisitos da casa n° 4 realmente fossem bons a ponto de entreter os clientes da sempre cheia Black Horse.
– É agora, caras. Hora de sacudir esse lugar! – Tom exclamou entusiasmado.
E lá foram eles. Os corações a milhão experienciaram a incrível sensação de fazer o que amavam, e o torpor propiciado por saberem que todas aquelas pessoas os ouviriam imediatamente dissipou todo o nervosismo, dando espaço única e exclusivamente à empolgação.
– Boa noite, galera! Nós somos a McFLY e vamos agitar essa noite! – Danny Jones saudou vibrante, bem como a plateia de indivíduos tomados pelo ânimo de sábado à noite. – C’mon!
As baquetas de Harry Judd encarregaram-se de iniciar a contagem. Tom, Danny e Dougie se entreolharam em comum acordo, deixando explícitos que estavam prontos para começar.

– Oh I'll tell you something, I think you'll understand. When I say that something, I wanna hold your hand....

Os primeiros acordes de I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles, reverberaram sonoramente através do recinto juntamente com a voz de Danny, transformando o ambiente em um verdadeiro furor de instrumentos perfeitamente manuseados, logo levando o público a compartilhar da vibe dos garotos no instante em que Tom se juntou ao amigo, cantando o segundo verso da canção enquanto partilhavam do microfone dinamicamente. Fletcher sorriu largo ao avistar a namorada posta em meio àquela imensidão de pessoas.

– Oh please say to me, you'll let me be your man. And please say to me, you'll let me hold your hand…

Dougie Poynter tocava o seu baixo atento aos próprios movimentos, vez ou outra dando rápidas olhadelas para verificar a reação das pessoas, vibrando internamente ao reparar que elas não somente estavam gostando, como também estavam cantando junto com a banda.

(...)

– And when I touch you I feel happy inside, It's such a feeling that my love, I can't hide, I can't hide, I can't hide…

O loiro ergueu a cabeça novamente, varrendo as íris despretensiosas através dos rostos satisfeitos diante do que viam e ouviam, até que se obrigou a parar em um em especial. Um pouco mais ao fundo do pub, encontrava-se uma garota sentada no bar. Com um copo de bebida nas mãos e o rosto sereno, ela balançava moderadamente a cabeça de um lado para o outro no ritmo da música, e os olhos que antes passeavam despropositados ao redor do palco, naquele instante, fixaram-se nos do baixista cujo coração deu um solavanco inesperado. Notando que ele a encarava, ela sorriu sem graça, embora não houvesse desfeito o contato visual durante o ato. Dougie deixou-se analisá-la por mais alguns segundos antes de voltar seu foco à canção. A garota, no entanto, passou a acompanhar todos os movimentos daquele que lhe despertara uma curiosidade interessante, quase instigante.
Após fecharem a apresentação com “Five Colours In Her Hair”, a banda foi terminantemente aplaudida por um público agraciado pela ótima apresentação dos quatro, que sentiam-se realizados em razão da resposta positiva da qual receberam por meio de aplausos enérgicos.
– Valeu, Black Horse! Vocês foram incríveis! – Tom agradeceu exultante, sonhando com o dia em que falaria isso para o seu próprio público. Os seus fãs.
A melodia de alguma banda indie deu lugar ao som que anteriormente era realizado pelos quatro rapazes enérgicos, os quais abraçaram-se desajeitadamente em consequência ao êxito da noite.
– Puta merda, isso foi muito bom! – Um Danny Jones saltitante exclamou eufórico.
– Eu sabia que daria certo, nós nos esforçamos para que tudo saísse perfeito! – Tom completou radiante. Seu jeito metódico havia surtido efeito, afinal. – Já disse para parar de revirar os olhos para mim, Poynter! – Ralhou ele, apesar de haver um certo divertimento em sua voz e na fisionomia de Dougie.
– Parabéns, mates. Nós realmente agitamos isso aqui! – Harry comemorou, batendo sutilmente com a baqueta na cabeça de Danny, que fazia mímicas para imitar Tom. Jones queixou-se baixo, sendo observado por um Tom desconfiado e um Dougie risonho. Este, terminava de guardar o seu baixo com certa pressa, tendo algo bem mais interessante para fazer do que presenciar seus companheiros de banda e amigos implicarem uns com os outros.
– Hey, meninos! – Giovanna Falcone surgiu sorridente, imediatamente iluminando a face de Tom. – Parabéns pelo show, foi brilhante!
– Valeu, Gio! Como foi a viagem? – Harry questionou após receber um abraço da namorada do amigo, a qual fez o mesmo com o restante dos rapazes, enfim caindo nos braços de Tom.
– Foi ótima! Estava morrendo de saudades. – Disse, bicando um selinho nos lábios de um Fletcher ruborizado. Danny e Dougie tiraram sarro do casal, que apenas reviraram os olhos e riram. – Harry, onde está a Izzy? – Perguntou dando falta da amiga.
– Ela teve uma apresentação e não pôde vir para o show, mas já deve estar chegando. – O baterista esclareceu ansiante para ver a namorada.
– Eu não sei vocês, mas eu vou celebrar essa apresentação foda no bar. – Jones proferiu pomposo. – Como o Harry e o Tom são seres comprometidos, acho que apenas o meu little Poynter me acompanhará nessa. – Brincou, puxando Dougie pelos ombros.
– Nem pensar, querido Jones. Garanto que eu tomo mais cervejas do que você. – Giovanna desafiou.
– Uhhhhhhh. – Dougie, Tom e Harry zombaram do amigo.
– É isso que nós vamos ver, minha cara Gio. – Danny riu e contornou os ombros dela, seguindo com Giovanna e os rapazes para o movimentado bar.
Aproveitando a distração dos amigos, Dougie dispersou do grupo, costurando por entre o interior do pub à medida que se esforçava a procurar a garota da qual lhe chamara a atenção de maneira tão particular.
– Licença… Licença… – O loiro falava ao passo que verificava cada canto do bar, por fim distinguindo a face que tanto desejava encontrar.
Ainda sentada no mesmo banco onde Poynter a avistara, a garota parecia um tanto quanto curiosa sobre o ambiente, observando-o de forma concentrada ao mesmo tempo que degustava da bebida em suas mãos. Dougie respirou fundo e ajeitou os cabelos, caminhando até a bancada e parando ao lado da figura alheia à sua presença.
Aguardando um bom momento para se anunciar, o baixista se limitou a disfarçadamente olhá-la de soslaio, captando a deixa perfeita ao ver que a bebida no copo da garota havia acabado, divertindo-se com a expressão de desolamento dela ao torcer o nariz e contemplar o objeto vazio.
– Você está com cara de quem quer mais cerveja. – Dougie comentou despojado, induzindo-a a virar o rosto em sua direção.
A figura ligeiramente surpresa piscou atônita, sentindo o seu interior revirar por dar de cara com o baixista ali, bem na sua frente. Mesmo tendo trocado olhares com o loiro, ela não esperava que aquilo fosse evoluir para algo além de um intenso contato visual.
Ledo engano.
Percebendo que a situação exigia uma reação sua, a garota tratou de recuperar o prumo, puxando os lábios em um sorriso gentil.
– E você tem um bom discernimento sobre as coisas. – Rebateu espirituosa, encantando-se com o fato de os olhos do garoto se fecharem quando ele ria.
– Também sou bom para resolver problemas de damas em apuros, quer ver?
– Damas em apuros que precisam ser salvas por alguém não me contemplam muito, mas essa eu quero ver. – Retrucou ela, cruzando os braços de modo divertido.
Dougie desejou fervorosamente conseguir esconder a provável cara de tapado que decerto estampava, entretanto, não podia negar que, por ora, a garota parecia agradável de todas as formas.
– Hey! Duas cervejas, por favor. – Poynter pediu ao barman, o qual tratou de servi-lo sem demora. – Aqui está. Seus problemas acabaram. – O garoto pendeu os lábios para o lado e entregou uma longneck para sua atual acompanhante portando uma postura solene, fazendo-a rir.
– Ora, ora, obrigada, nobre cavalheiro. Gostei do seu jeito de resolver problemas. – Ela ergueu a garrafa em um “cheers” velado, sorvendo o líquido gelado assim como o baixista.
– Gostei de resolver esse problema em particular. – O loiro rebateu mantendo a curva nos lábios, vendo-a exprimir um sorriso adoravelmente encabulado. – Posso saber o nome da bela dama?
A garota colocou uma mecha de cabelo atrás das orelhas e assentiu.
, mas pode me chamar de . E você, como se chama, cavalheiro?
– Dougie. Muito prazer, . – Ele fez uma reverência desajeitada. gargalhou brevemente.
– O prazer é meu, Dougie. – se permitiu estudar o baixista que se encontrava efetivamente ao seu lado.
Analisou desde os cabelos dourados até os olhos azuis os quais diminuíam de tamanho sempre que o garoto sorria, averiguando rapidamente as vestes largadas que evidenciavam o fato de ele participar de uma banda. Poynter reproduzia o gesto de , perpassando as íris por entre os traços da face da garota com atenção desmedida antes de despertar daquele estado avaliativo.
– E então, o que te levou até aqui essa noite? Não me lembro de ver você antes. – Falou na tentativa de puxar assunto.
– Ah, eu sou nova na cidade. – A garota expôs, praguejando mentalmente por obra do frio que lhe correu a espinha. – Soube que uma banda boa com um baixista bacana tocaria nesse pub e resolvi vir. – Gracejou dando de ombros. Dougie gargalhou.
– É mesmo? Fale mais a respeito das suas impressões sobre essa banda e esse baixista. – Poynter se ajeitou no banco e empertigou a postura, mostrando-se inteiramente interessado no assunto.
E em .
Os dois seguiram papeando, bebendo e falando amenidades como se fossem velhos conhecidos que se encontraram por acaso. De repente, sentiu-se grata por ter resolvido sair da hostilidade impregnada em sua residência, a qual provavelmente nunca seria capaz de chamar de lar. O baixista, por sua vez, havia esquecido que deixara os amigos em alguma parte do pub. Naquela última hora, seu foco concentrou-se inteiramente na adorável garota à sua frente, e ele não se arrependeu em ter tomado a decisão de procurá-la. Muito pelo contrário.
– Nossa, a hora passou rápido! Preciso ir. – anunciou alarmada.
– Quer uma carona para casa? – Dougie ofereceu solícito.
– Ahn… Não precisa, obrigada. Não moro longe daqui.
– Ah, relaxa! Eu faço questão. Posso te fazer companhia para que você não volte sozinha.
– Não é necessário, mesmo! Até porque os seus amigos devem estar de procurando. – A garota negou mais uma vez. – Eu vou pegar um táxi.
Embora levemente decepcionado, Poynter decidiu não insistir.
– Você pode ao menos me dizer o seu telefone? – Tentou novamente. A última coisa que o baixista queria era perder o contato com . Ele queria vê-la outra vez.
– Eu… Ainda não tenho. Nova na cidade, sabe como é… Bom, mas é um lugar pequeno, não é mesmo? A gente se vê. – ofereceu um sorriso terno ao garoto, que mal teve tempo para se lamentar. Os lábios dela tocaram-lhe a bochecha enviando um frenesi diretamente para o seu estômago e coração, como um garotinho da primeira série que ganhara um beijo da garotinha da qual possuía sua afeição. As mãos dela efetuaram um leve carinho na região onde jazia apoiada, e precisou de forças para não mudar a rota de sua boca. O baixista realmente a tinha afeiçoado. – Até mais, Dougie.
deu-lhe as costas e se enfiou na multidão, sumindo do campo de visão de um Poynter remexido da cabeça aos pés. O baixista mal se importou com as inúmeras perguntas dos amigos assim que retornou ao grupo, ignorando veemente as brincadeirinhas e piadas referidas a ele.
Dougie somente ansiava por uma coisa: Topar por aí com a garota nova na cidade.

***

A brisa abafada daquela tarde movimentava as ruas da nem tão pacata cidadezinha, que enchia-se com os moradores mobilizados pelo tempo quente para desfrutarem o dia fora de suas casas. Exaustos após horas a fio enclausurados dentro da garagem dos Fletchers, os quatro garotos procuravam se refrescar e descansar do intenso período de ensaio comandado por um Tom ainda mais motivado depois da ótima apresentação na Black Horse. Não muito longe da rua Rochford, os quatro garotos perambulavam pelas ruas em busca de uma distração que não fosse repetir, pela milésima vez, os acordes de Five Colours In Her Hair.
– Qual é, Jones! Não acredito que você acabou com todo o salgadinho! – Harry exclamou inconformado ao retirar as mãos da embalagem recheada com um monte de nada.
– Ninguém mandou vocês não calarem a boca e esquecerem que a comida está comigo. Vacilou, perdeu. – Danny respondeu enfiando o último punhado das batatas chips na boca de maneira exagerada. Judd revirou os olhos e depositou um peteleco na cabeça do amigo, que o repreendeu com o olhar.
– Beleza, e quem vai comprar mais? Porque eu que não vou. – Tom tratou de tirar o corpo fora, arrancando o pacote das mãos de Danny e bufando ao ver que realmente não havia mais nada ali dentro.
– Tome, Poynter. Entre ali e compre mais chips para nós. – Jones estendeu algumas cédulas para o McFLY mais novo, o qual o fitou ultrajado.
– Ei! Por que eu? O buraco sem fundo que comeu tudo foi você!
– Mas foi você quem mais errou no ensaio de hoje, nanico. – Danny rebateu esperto.
– É verdade, mate. Perdi as contas de quantas vezes eu fiz a contagem com as baquetas. – Harry completou recordando-se da dificuldade do amigo em se concentrar no ensaio do dia.
– Eu apoio. Sua cabeça de vento me rendeu muito estresse, Poynter. São três contra um, portanto, você perdeu. – Tom juntou-se aos companheiros, vendo Dougie bufar e apanhar o dinheiro das mãos de um Jones satisfeito. – Aproveite e traga uns refrigerantes!
O garoto saiu pisando fundo e adentrou a modesta lojinha de conveniência, virando os olhos ao ouvir a risada afetada de Danny soar do lado de fora do estabelecimento. Transpassou o corredor repleto de produtos industrializados e pegou o maior embrulho de salgadinho que havia na estante, decidindo por escolher o sabor de sua preferência apenas para irritar os três idiotas dos quais chamava de amigos. Atravessou a outra extremidade da prateleira em busca das bebidas, varrendo os globos azulados através do local até sentir o mesmo solavanco que lhe atingira na noite em que a banda tocara no pub.
Absorta na pequena caixa em suas mãos, distraidamente inseria mercadorias na cesta pendurada em seu antebraço ao passo que caminhava de encontro ao baixista sem dar-se conta de que ele se encontrava ali. Resvalou as íris por uma barra de chocolates e a jogou dentro do recipiente de plástico, enfim direcionando sua atenção para frente. A garota deu um pequeno pulinho surpreso e se recriminou no mesmo instante diante do gesto.” – Droga, . Aja normalmente!” – Reclamou em pensamento, abrindo um sorriso discreto para o loiro responsável pelo agito em seu estômago.
– Garoto da banda… – Brincou ela, admirando os olhos dele tornarem-se pequenos devido aos lábios curvados em um sorriso radiante.
– Garota nova… – Ele entrou na brincadeira, realmente contente por vê-la. A folga dos quatro manés servira para algo, afinal.
– Que coincidência, não? – falou a primeira coisa que veio à cabeça, odiando-se por se sentir tão embaraçada na presença do baixista.
– Soube que uma nova habitante andava por aí, pelas ruas da cidade, e resolvi verificar. – Dougie fez alusão à fala da garota na noite em que se conheceram, arrancando-lhe um riso divertido.
– Eu disse que nós nos veríamos. – Ela deu de ombros, ligeiramente feliz por ter estado certa.
– Geralmente o fato desse lugar ser um ovo me incomoda, mas agora até que eu estou gostando. – Dougie soltou despretensioso, levando-na a ruborizar. – Você mora por aqui?
– Sim… Àlgumas quadras daqui, na verdade. Acho que encontrei alguém com hábitos alimentares piores do que os meus. – mudou de assunto, indicando o enorme pacote de salgadinhos nos braços do garoto. – Esse é o meu sabor preferido.
– É o meu também! – Poynter exclamou admirado. – Os meus amigos detestam, por isso peguei o maior deles.
simplesmente não conseguia desconectar a atenção dos traços da face do baixista, e naquele momento, decidiu que a característica que mais gostava nele eram os olhos os quais fechavam-se a mínima intenção de exibir um sorriso.
– Parece que acabamos de descobrir outra coincidência. – alegou astuta. Dougie arqueou uma sobrancelha, gostando muito do tom da conversa.
– Sabe, nós podemos descobrir muitas outras caso você aceite assistir um ensaio do McFLY. – O loiro avaliou como quem não quer nada enquanto ambos passavam as compras no caixa.
A postura de vacilou, muito embora algo em seu íntimo tenha se exaltado em entusiasmo diante do convite. Ela piscou aturdida e fitou o baixista em dúvida.
– Como é? – Questionou com o intuito de ganhar tempo para pensar em uma resposta.
– Estou te convidando para assistir um ensaio da banda. E aí, topa? – Poynter voltou a perguntar esperançoso, acompanhando-a apanhar a sacola e agradecer a funcionária antes dos dois encaminharem-se rumo à saída do mercado.
– Eu.... – Porra, Poynter! Foi fabricar o salgadinho? – A voz estridente de Danny interrompeu a fala de , que direcionou a atenção para os garotos parados na frente da loja.
Tom, Harry e Danny encararam um Dougie sem jeito e uma igualmente sem graça em razão da avaliação dos três pares de olhos curiosos e divertidos à vista do que presenciavam.
– Aí está a sua preciosidade, esfomeado. – O baixista jogou a embalagem para o amigo, o qual fez uma careta ao ler o sabor do alimento no pacote. Ergueu o olhar e resolveu que reclamaria depois, abrindo um sorriso largo para a garota que o observava com a expressão risível.
, estes são Tom, Harry e Danny, meus amigos folgados. Mates, esta é a . – Dougie apresentou, ainda que soubesse que a garota já os havia visto na noite do show.
O loiro lançou uma olhadela sugestiva aos rapazes em um pedido mudo para que eles não o envergonhasse, apesar de conhecer os três e ter noção de que os amigos fariam exatamente o contrário.
– Olá. Vi a apresentação de vocês na Black Horse, foi muito boa. – A garota elogiou, gerando sorrisos simpáticos dos membros da banda.
– Ahhh, claro! – Danny devolveu o olhar sugestivo de Dougie, lembrando-se da face da garota que conversara a noite inteira com o amigo. O baixista cerrou os olhos, seguindo os movimentos de Jones, que pegou as mãos de e depositou um beijo como se eles estivessem no século passado. – Danny Jones, muito prazer.
Tom e Harry prenderam o riso ao contemplarem a expressão cômica do McFLY mais novo, o qual se remexeu incomodado portando uma nítida cara de nada diante da cena. riu, achando-o um tanto quanto engraçado.
– Muito prazer, . Ficamos felizes em saber que você curtiu o show. – Harry se pronunciou, cutucando sutilmente a costela de Danny num sinal implícito para que ele pegasse leve, apesar de estar se divertindo com a face amarrada de Dougie.
Jones chiou um “ouch” e encarou o amigo sem entender.
– Sim, valeu por ter assistido e por não ter tacado nenhum tomate na gente. – Tom brincou, fazendo-a gargalhar.
– Eu não teria motivos para isso. – Afirmou ela, carregando os resquícios da gargalhada recém emitida no tom de voz sereno. Deu uma rápida checada no seu relógio de pulso e reprimiu um suspiro. – Bem… Foi muito legal conhecer vocês. Tenho algumas coisas para fazer, então… – indicou a rua com a cabeça em um ato autoexplicativo. – Até mais, meninos. Parabéns novamente pela banda. – Findou, ouvindo outra remessa de agradecimentos e palavras simpáticas dos rapazes.
A garota deu uma rápida mirada em Dougie antes de virar-se e iniciar sua caminhada, da qual não durara mais do que alguns passos. O loiro a tratou de alcançá-la rapidamente.
– Ei, ! – Poynter chamou, atraindo os olhos dela para si. – O convite para ver o nosso ensaio está de pé.
travou uma batalha interna entre o seu desejo de aceitar o convite e entre as inúmeras questões que levariam-na a recusar, sentindo este lado perder de lavada ao fitar o rosto bonito e esperançoso do baixista.
– Ah, claro. É que eu ainda estou um pouco ocupada com a mudança... – Respondeu, notando o semblante de Dougie murchar. Odiou-se imediatamente. – Mas… Eu posso ver um dia para ir. – Falou de uma só vez, mordendo os lábios sem querer pensar nas consequências daquela atitude impulsiva.
Ela queria ir. Mais do que querer, sentia-se vinculada a uma sensação muito boa ao conversar com o baixista, e levando em conta os últimos episódios de sua vida, não podia dispensar um pouco de felicidade, independente de estar arriscando os seus planos de permanecer sem vínculos com ninguém. Dougie abriu o sorriso adorável o qual fazia os seus olhos apertarem-se. não conseguiu não sorrir também.
– Jura?! Tudo bem se você não puder, não quero atrapalhar…
– Não! Eu acho que seria legal, sabe? Ir ver vocês tocando e tudo mais… – Expôs decidida. – Me passe o seu número. Eu te ligo. – Pediu, retirando um bloquinho e uma caneta de dentro da pequena bolsinha lateral que carregava para todos os cantos.
Dougie o fez sem demora, entregando o papel à garota, que o guardou como se a sua vida dependesse disso.
– Vou esperar a sua ligação, senhorita . – Poynter comunicou, experienciando o seu estômago se revirar ao admirar o sorriso da garota. “Oh, porra.” Foi tudo o que ele pensou.
– Pode deixar comigo, senhor Dougie. Eu cumpro o que falo. – Lançou-lhe uma piscadela e acenou para os três garotos mais atrás que, de acordo com ela, eram péssimos para disfarçar que prestavam atenção no que ela e o baixista conversaram.
Eles retribuíram o aceno totalmente desconcertados, aguardando-na virar a esquina para começarem a onda de zoação ao membro mais novo da banda.
– Hmmmm, Don Juan. Não acredito que você está me traindo! – Harry zombou.
– Ora, ora, será que o Danny vai ser o único encalhado da banda? – Tom satirizou, ouvindo um Jones resmungão lhe xingar.
– Ou o Poynter, né? Eu estou na pista. Espero que você a tenha convidado para nos ver tocar na ilustre garagem dos Fletchers. – Danny debochou, recebendo um dedo do meio do loiro em resposta.
– Calem a boca, mas que caralho. – Dougie ralhou resmungão. Estava tão empolgado que mal conseguia ligar para os três idiotas que insistiam em lhe tirar a paciência.
Dali em diante, o seu telefone seria um bem mais do que precioso.

***

Do contrário de muitas pessoas de sua faixa etária, não tinha se tornado irredutível com a perspectiva de mudar de cidade. Não era uma das pessoas mais sociáveis e podia contar nos dedos os amigos verdadeiros que fizera em Londres, as festas que tinha comparecido na escola e os garotos com quem tinha ocasionalmente se envolvido. Também não fazia muito o perfil de baladeira de cidade grande e, por isso, o conforto e calmaria do condado foram aceitos de bom grado quando o tópico mudança foi trazido à tona.
Dentre milhares de prós e contras sobre o assunto, a razão primordial pela qual agradecia a mudança dava-se pela chance de poder recomeçar. Estar em um ambiente totalmente novo com pessoas que não faziam ideia de quem ela era e de qual fama carregava era algo que trazia uma perspectiva carregada de esperança de dias mais felizes, e só por isso estava ansiosa e empolgada para viver momentos de paz.
Não que sua mãe fosse deixar.
- O dono da casa vai vir fazer alguns reparos de última hora, então faça o favor de não atrapalhar o serviço dele. - Foi com essa frase que foi recepcionada no segundo em que entrou na cozinha naquela tarde.
- Boa tarde para você também. - Respondeu com escárnio e revirou os olhos já abrindo a geladeira. Com um suspiro desanimado, contemplou o compartimento que estava vazio com exceção de garrafas de água e embalagens com restos de comida. - Não tem nada para comer?
ergueu uma sobrancelha e soltou um risinho debochado.
- Está com fome? Faça sua própria comida. Não é você que é super independente?
- Eu faria minha comida, mas você não comprou os mantimentos. Não tem nem um ovo que eu possa fritar. - reclamou e sua mãe resumiu-se a dar de ombros com um semblante que transparecia a satisfação em ver a filha chateada.
- Você é independente para tantas coisas, . Por que não pode ser independente para comprar sua própria comida?
- Por que eu não tenho dinheiro, caso você tenha esquecido! Eu não trabalho! - rebateu já começando a sentir seu estômago revirar de raiva e de fome.
- Você não vive dizendo que gostaria de se ver livre de mim? Talvez seja sua hora de começar… Isso só prova o quanto você ainda precisa de mim, não sabe nem se alimentar sozinha…
sentiu dificuldade em focalizar a figura da sua progenitora devido ao acúmulo de lágrimas preenchendo seus olhos. O nariz já começava apresentar sinais de ardência e por dentro seu sangue fervia ferozmente.
- E eu queria mesmo me ver livre de você! Assim eu não teria que passar por esse tipo de coisa! - bradou, cedendo a provocação.
- Ah, agora você vai chorar como a grande vítima que você é… Pobre .
Mas não ficou para ouvir qualquer outra coisa. Com toda sua mágoa, deu as costas a figura escarnecedora da mãe e voltou para o quarto jogando-se na cama sem conseguir conter um urro choroso de frustração.
Fazia pouco mais de duas semanas que estava estabelecida na casa nova e apesar de todos os pontos positivos da mudança, sentia que jamais poderia realmente seguir em frente enquanto estivesse presa sob a responsabilidade da mãe, que parecia fazer tudo em sua capacidade para tornar a vida da filha o mais miserável possível. Por breves segundos de ilusão, acreditou (ou quis acreditar) que aquela mudança poderia ser uma chance para melhorar o relacionamento mãe e filha, mas a julgar pelo comportamento irredutível de sabia que tinha sido leviana demais nas esperanças vãs.
Cansada de chorar e de autopiedar-se, cessou o choro e sentou-se na cama contemplando com desânimo as diversas caixas de papelão preenchendo todo o quarto empoeirado. Sabia que deveria passar o sábado em função de arrumar seus pertences, mas só a perspectiva de ficar trancafiada naquele cômodo durante toda a tarde ensolarada tendo que dividir o ambiente com a mesma energia carregada da mãe a deixava arrepiada. Precisava de uma distração.
Essa era uma das desvantagens da mudança: não tinha amigos. Não tinha alguém para ligar e ir correndo em seu socorro e não tinha alguém com quem passar o tempo e tirá-la do tédio tremendo…
O estalo foi tão imediato que até deu um salto da cama, ficando de pé em um ímpeto.
Subitamente, veio a memória os olhos azuis de um certo baixista que tinha conhecido na apresentação do bar em sua primeira noite na cidade. Veio a memória a enorme coincidência de tê-lo encontrado no mercado e do sorriso claramente interessado que ele tinha ao puxar assunto com ela.

– Ei, ! O convite para ver o nosso ensaio está de pé.

Sem raciocinar muito, correu até sua bolsa e depois de muito vasculhar, encontrou o que tanto estivera procurando: o papel amassado em que o baixista havia anotado o número de seu celular. Embora não soubesse muito bem o motivo para isso, sentiu o coração acelerar um pouco ao contemplar aquela combinação de números inofensivos que não significariam nada em especial se ela não soubesse que eram a chave para escutar uma certa voz novamente.
Tomada por um novo sentimento de ansiedade, dessa vez um que causava formigamentos gostosos por todo o corpo, ela recolheu seu celular recém comprado em cima da mesa de cabeceira e digitou os números com os dedos trêmulos e as entranhas reviradas. A chamada tocou por três vezes em espera fazendo com que ela fechasse os olhos sentindo uma intensa vontade de desligar e desistir completamente da ideia. Estava quase fazendo isso quando uma voz risonha atendeu fazendo com que momentaneamente esquecesse de respirar.
- Alô?
A voz de Dougie ecoou tão despreocupada que desejou por um segundo ser teletransportada para o lugar em que ele estava, tamanha energia positiva que transmitia por um simples timbre de voz. Porém, antes que pudesse verbalizar as intenções por trás da ligação, foi acometida por um medo de incomodá-lo, de ser um fardo, de não querer envolvê-lo nas suas questões… E isso levou tanto tempo que emudeceu.
- Alô?
respirou fundo e estava prestes a desligar quando algo a surpreendeu genuinamente.
- ?
A voz de Dougie ecoou baixinho dessa vez, quase num sussurro esperançoso e isso fez com que arregalasse os olhos, assustada.
- C-c-como você s-s-sabe que sou eu? - Gaguejou bobamente. Do outro lado da linha, ela não tinha como saber que Dougie corria pela casa em um estado de completa euforia.
- Ah… Eu… Ah… - Dougie pareceu um pouco ofegante, mas sua voz estava claramente animada - Eu supus, não sei.
Ele desconversou com uma risadinha desconcertada que fez com que instantaneamente aquele sentimento de ansiedade fosse dissipado em , dando lugar a uma sensação quente e confortável de felicidade. Dougie estivera esperando por aquela ligação, era perceptível como ele desejava falar com ela. Não estaria incomodando, afinal de contas.
- Eu liguei porque…. Er… E então, como você está? - Patética, , você é patética!
- Eu estou bem…
- Ah…
mordeu o lábio inferior sentindo-se quase desesperada por perder o contato com o rapaz unicamente por não saber o que dizer. Ao mesmo tempo que queria estar perto dele, também sentia-se nervosa sob a mera perspectiva de dizer qualquer coisa. Do outro lado da linha, ouviu barulho de algo se partindo no chão seguido de algumas risadas.
- Eu não quero te atrapalhar… - começou.
- Não, não, na verdade não atrapalha em nada! - Dougie se apressou a falar. - Você ligou em um ótimo horário… Nós vamos fazer um ensaio agora… Quer vir?
mordia o lábio inferior com tanta força que não se surpreenderia se começasse a sangrar. Sem realmente pensar muito a respeito, apenas fez aquilo que seu coração pedia desesperadamente para fazer:
- Quero.

****

- Meu Deus, será que você poderia PARAR de andar de um lado para outro? Eu estou ficando tonto só de olhar - Harry, que já estava posicionado em sua bateria, finalmente se pronunciou direcionando sua crítica ao baixista que ziguezagueava pela garagem apertada.
- Então feche os olhos - Dougie resmungou emburrado fazendo com que Tom e Danny trocassem um olhar risonho.
Passava de pouco mais das duas da tarde e os quatro estavam mais uma vez na garagem dos Fletchers para um ensaio da banda. Seria uma tarde como outra qualquer, regada a músicas, divagações, referências, composições e boa dose de palhaçadas e junk food, exceto por um detalhe que tornava tudo muito mais especial e era a razão pela qual Dougie andava de um lado a outro, torcendo os nós embranquecidos dos dedos nervosos: estava indo assistir o ensaio.
Depois do encontro inesperado no mercado, Dougie recebeu a sonhada ligação e fazia exatos vinte e dois minutos que tinha desligado o telefone e, desde então, perambulava ansioso em expectativa.
- Deixe ele em paz, Harry - Izzy repreendeu o namorado com um ar de riso ao entrar na garagem abafada. Voltando-se com o olhar empolgado na direção de Dougie, continuou - Estou ansiosa para conhecê-la, Dougie! É a primeira menina que vai ver o ensaio da banda!
- Claro que não é! Você e a Giovanna assistem os ensaios quase todos os dias - Danny respondeu com uma risada e, por trás dele, Tom revirava os olhos contendo um riso.
- Ela quis dizer que é a primeira menina que o Dougie convida para assistir o ensaio, idiota - Tom retificou e Danny fez um “ah” sonoro, seguido de uma risada.
- E que menina, hein, Dougie? Uma graça essa - Danny movimentou as sobrancelhas sugestivamente e Dougie parou de perambular pela garagem lançando um olhar penetrante na direção do amigo.
- Não - Dougie disse em tom taxativo. Harry, Tom e Izzy trocaram olhares sugestivos e indecisos entre caretas e risos. Já Danny, continuava impassível rindo do mesmo jeito de sempre.
- Eu só estou dizendo…
- Nem se atreva - Dougie foi incisivo. Conhecia muito bem a fama de pegador do amigo que podia até enganar com aquele jeito brincalhão, lerdo e risonho, mas que sempre acabava conquistando todas as meninas.
Dougie e Danny não deram continuidade ao que poderia ser uma conversa muito atrativa para divertimento de Tom e Harry porque foram interrompidos pela chegada de Giovanna que não estava sozinha.
- Oi, gente - A namorada de Tom Fletcher anunciou sua chegada e todos os olhares se voltaram para ela. Assim que Dougie virou o rosto, sentiu suas bochechas ruborizarem violentamente ao mesmo tempo que seu estômago parecia dar cambalhotas. Sorrindo timidamente trajando um vestido solto e estampado, ao lado de Giovanna, estava simplesmente encantadora.
- Amor! - Tom abriu os braços para que a namorada fosse em sua direção, enchendo-a de selinhos quando ela assim o fez. Dougie continuava absorto em , que torcia os nós dos dedos parecendo nervosa e um tanto deslocada.
- Hm, mates… Essa é a , vocês a conheceram no outro dia… - Dougie disse sem jeito e acenou com um sorriso.
- Oi, rapazes.
- que prazer revê-la, você está linda - Danny disse galanteador tomando a mão da moça para aplicar um beijo sendo observado por Dougie que não disfarçava a careta desgostosa.
- Obrigada - agradeceu mordendo um sorriso.
- , essas são Izzy e Giovanna, respectivamente namoradas do Harry e do Tom - Dougie reivindicou a atenção de para si, apresentando as amigas.
- Nos conhecemos na porta da casa - Giovanna comentou com um sorriso - Ela estava super envergonhada.
- Ela estava se escondendo dos vizinhos, com certeza. Vergonha de estar vindo assistir o ensaio da banda dos perdedores - Harry gracejou e soltou um risinho, já sentindo-se um pouco mais à vontade na presença deles.
- Não precisa ficar com vergonha, . Todos somos bem limpinhos… Bom, quer dizer, menos o Dougie… Ele não gosta muito de tomar banho - Tom brincou só para perturbar o amigo que ficou da tonalidade de pimentão o repreendendo com os lábios crispados, o que arrancou uma sonora gargalhada de Danny.
De repente, flagrou-se sentindo dificuldade para parar de sorrir.
- , pode sentar aqui - Izzy convidou batendo em um puff largado no chão ao lado do que estava. Giovanna levantou-se do colo de Tom para fazer o mesmo, juntando-se as meninas.
e Dougie trocaram um meio sorriso e ela ajeitou o vestido para sentar-se ao lado de Izzy e Giovanna, que logo começaram a tagarelar.
- Então, como foi a surpresa para o Tom? - Izzy perguntou aos cochichos de modo que apenas e Giovanna pudessem ouvir.
- Foi ótima… - Gio respondeu seguindo de um suspiro dramático que levou as duas as risadinhas. Ao perceberem que estava com cara de paisagem, logo resolveram integrar a mais nova do assunto.
- Gio passou quase um mês longe do Tom, fez uma surpresa para ele daquele jeito… Se é que você entende - Izzy explicou e soltou uma risadinha nasalada.
- Há quanto tempo vocês estão juntos? - perguntou interessada.
- Oficialmente, há dois anos. Mas nos conhecemos desde os treze, estudamos juntos. - Gio explicou e olhou para o namorado que afinava a guitarra sem tirar os olhos dela.
- Vocês parecem realmente fofos juntos… Dá para ver que ele te ama só pelo jeito que te olha - comentou sinceramente e Giovanna desviou o olhar do namorado para olhá-la com um sorriso satisfeito e apaixonado.
- É recíproco… Também sou doidinha por ele.
- Fofos! - Izzy comentou e elas riram.
- E você e o Harry? - perguntou voltando-se para a mulher de olhos repuxados.
- Há alguns meses, na verdade. Frequentamos o mesmo estúdio, em uma das minhas práticas de violino ele estava praticando bateria, conversamos no corredor e… cá estou - Izzy deu de ombros e sorriu.
- Você toca violino? Que demais! Acho tão lindo, mas não tenho vocação para nada que envolva música - comentou e Izzy riu.
- Qualquer dia desses te chamo para assistir um ensaio meu!
- Eu iria adorar! - respondeu sincera, sentindo-se muito mais confortável em estar ao lado das meninas.
Enquanto os rapazes se posicionavam nos instrumentos e checavam os últimos detalhes, , Izzy e Gio tagarelavam sobre diversas coisas, muitas delas envolvendo inclusive perguntas para a novata: de onde era, porque tinha se mudado, o que fazia e etc. Com muitos melindres e respostas evasivas, explicou a versão genérica dos acontecimentos: mãe conseguiu um novo emprego, mudou-se e fim de papo.
Talvez tivessem percebido, talvez não, mas o fato é que Izzy e Giovanna não insistiram em respostas mais aprofundadas a respeito do passado e do presente de e logo engataram em um assunto que muito mais as interessava: como Dougie e tinham se conhecido.
Sentindo suas maçãs ruborizarem, contou para as meninas sobre o show no bar e no encontro inesperado no mercado.
- É tão fofo e também tão inesperado… O Dougie não costuma trazer meninas para o ensaio da banda - Gio comentou e Izzy concordou com a cabeça.
- Eu disse exatamente isso mais cedo.
sentiu suas entranhas revirarem e evitou olhar para o baixista que afinava o instrumento.
- Não é grande coisa… - disse sem graça.
- Garota, claro que é! Essa banda é tudo de mais importante na vida desses meninos! Estou te dizendo, se ele te chamou para assistir um ensaio é porque gostou muito de você - Izzy disse com firmeza.
- E outra coisa, … - Gio começou.
- O quê?
- Dougie não consegue parar de olhar para você.
sorriu sentindo-se a pessoa mais boba do mundo e arriscou um olhar na direção do baixista que imediatamente ruborizou e sorriu ao ser flagrado encarando-a tão abertamente. retribuiu o sorriso e ergueu as duas mãos em um sinal positivo desejando boa sorte no ensaio ao mesmo tempo que Harry começava com as contagens das baquetas.
A medida que eles tocavam as músicas - em sua maioria covers dos Beatles - constatava que eram realmente talentosos e, não apenas isso, como também eram unidos. Em sua análise silenciosa enquanto contemplava o ensaio, conseguiu traçar um pouco sobre a personalidade de cada um dos quatro rapazes.
Tom era o mais concentrado e perfeccionista. Era o que sempre pausava o ensaio para ajustar alguma coisa nos instrumentos ou o que alertava quando Danny ou Dougie desafinavam ou Harry errava o ritmo. Apesar de ser o mais rigoroso, não perdia o bom humor e estava sempre rindo das piadas e juntando-se as palhaçadas dos amigos com suas referências nerds. Vez ou outra, entre as músicas, seu olhar recaía sobre a namorada comprovando a teoria de de que ele era apaixonado pela moça.
Danny era o brincalhão. Sua gargalhada era tão marcante que logo notou que era impossível manter-se séria ao som da risada dele. Além de ser brincalhão, era também o mais distraído e por desatenção soltava algumas pérolas de lerdeza que divertia os amigos que pareciam acostumados com o jeito do rapaz. Por vê-lo assim tão risonho, surpreendeu-se genuinamente no momento em que ele começou a cantar: até aquele instante, não tinha percebido quão bonita era a voz do cantor que tinha um timbre rouco e marcante capaz de causar arrepios involuntários só pelo ato de contemplá-lo.
Harry era o mais velho, mas quando se tratava das palhaçadas, parecia ter a mesma idade ou menos do que o resto dos rapazes. O fato de ser mais velho só era perceptível quando começavam a entrar em algum conflito no meio do ensaio e ele se mostrava o mais apaziguador e conciliador. Danny e Tom divergiam muito musicalmente e pareciam quase sempre querer um direcionamento diferente, o que deixava Harry sempre em posição de mediador.
Dougie era o mais novo e sob muitos aspectos o mais encantador na visão de . Diferente de todos os outros, não se envolvia tanto nas questões técnicas da banda e apenas cantava e tocava conforme os direcionamentos de Tom, mas era sempre o mais esforçado em fazer um bom trabalho e dedicava-se quase visceralmente ao baixo em suas mãos. Engraçado, divertido e até um pouco estranho, Dougie estava sempre rindo das palhaçadas dos demais, mesmo que parecesse um pouco aleatório e distraído, vez ou outra deixando seu olhar recair na direção da recém chegada.
- Essa música é autoral - Gio cochichou para , super orgulhosa.

Everybody wants to know her name
I threw a house party and she came
Everyone asked me
Who the hell is she?
That weirdo with five colours in her hair

Havia algo diferente na forma como eles cantavam aquela música, podia perceber. Tinha um pouco mais de energia envolvida, um pouco mais de vontade, um pouco mais de esmero. Eles tocavam e pareciam se divertir verdadeiramente com a música que tinha uma batida super envolvente e que logo grudou na mente de . Enquanto performavam, até faziam caras e bocas para divertir as meninas que batiam palmas e assobiavam em aprovação.
Continuaram tocando por mais algum tempo até que estivessem cansados, suados e plenamente satisfeitos.
- Lindos!
- Arrasaram!
- Perfeitos!
, Gio e Izzy gritaram empolgadas batendo palmas ao que os rapazes responderam fazendo uma reverência com sorrisos satisfeitos nos rostos.
- Estou exausto, mas acho que foi um bom ensaio - Harry disse largando as baquetas se inclinando para dar um selinho na namorada, logo sentando no colo dela sob o puff.
- Foi… É uma pena que nenhuma gravadora queira assinar a nossa demo - Tom resmungou desgostoso.
- Não fique assim, Tom, uma hora vai acontecer, você vai ver - Danny comentou otimista abraçando o amigo pelos ombros.
estava tão distraída observando a cena que se desconcentrou quando Dougie tocou seu ombro, parado de pé ao seu lado do puff.
- Gostou do ensaio? - Ele perguntou baixinho.
- Foi ótimo! Vocês são incríveis - respondeu sincera fazendo com que o sorriso do baixista se alargasse.
- Quer fazer alguma coisa depois daqui? - Dougie perguntou, mas sua voz foi abafada pela sugestão de Danny que veio em alto e bom tom.
- … Eu sei de uma coisa que podemos fazer para te animar, Fletcher! Vamos no paintball!
A proposta de Danny foi seguida por várias exclamações de aprovação.
- Finalmente uma ideia boa dessa sua cabeça, Jones - Harry elogiou e Danny sorriu exultante e orgulhoso de si mesmo.
- Eu topo! - Izzy falou imediatamente.
- Eu sou péssima nisso, mas sei que o Tom ama - Giovanna respondeu e levantou-se para beijar a bochecha do namorado - E ele precisa se distrair um pouco de tanto ensaio.
Logo todos os olhares se voltaram para e Dougie que naquele momento amaldiçoava até a última geração Jones.
- Na verdade… - Dougie começou.
- Acho que seria uma ótima ideia - respondeu ao mesmo tempo e eles se entreolharam desconcertados. - Mas se você quiser a gente pode…
- Não, tudo bem…. - Dougie consertou e eles ficaram envergonhados por um momento.
- Ótimo, vamos jogar paintball! - Danny disse batendo palmas animadamente.
Apesar de a cidade ser pequena, a arena de paintball ficava relativamente distante da casa de Tom, distante o suficiente para que os sete se amontoassem no carro de terceira geração de Harry.
- Vocês vão ter que se apertar um pouco aí atrás - Harry disse abrindo a porta do fundo ao que Tom imediatamente entrou com Giovanna em seguida colocando-se confortavelmente sob seu colo. Izzy já estava sentada no banco do carona o que sobrou para Danny, Dougie e a disposição dos lugares no fundo. Se entreolharam um tanto quanto envergonhados quando Danny, sem o menor constrangimento se pronunciou.
- , se quiser pode ir no meu colo!
Dougie fez uma careta ultrajada e bateu na nuca do amigo que se encolheu em risadas.
- Não seja desrespeitoso com ela, Danny! - O loiro protestou. Voltando-se para , continuou - , eu posso ir no colo do Danny sem problemas.
- Ei, eu não ofereci para você! - Danny rebateu.
mordia os cantos internos na boca prendendo uma risada divertida. Lançou um olhar avaliativo para Dougie e alargou um sorriso depois de dar de ombros.
- Você é pequeno e leve, pode ir no meu colo sem problemas.
Danny riu do seu jeito zombeteiro e característico ao entrar no carro, mas Dougie pareceu não se importar nem um pouco. Na verdade, parecia bastante satisfeito com a disposição de lugares. Quando todos se apertaram no banco traseiro do carro, Harry deu partida fazendo o motor protestar e ranger até engatar velocidade. Enquanto uma música qualquer tocava na rádio, os sete conversavam entre risadas e as costumeiras zoações.
Era muito fácil estar na presença deles, logo notou. Não apenas porque eram pessoas extremamente bem humoradas e receptivas, mas também - e principalmente - porque com aquelas conversas leves e espontâneas, faziam com que se sentisse uma jovem como outra qualquer, sem preocupações, sem segredos e sem problemas. Com eles, sentia como se pudesse ser ela mesma de verdade.
A arena paintball ficava quase na divisa da cidade e, portanto, o pátio reservado para o jogo era tão vasto que acreditou que poderia facilmente se perder por ele. Tom e Danny foram negociar os times, Giovanna foi fazer companhia para o namorado e, a fim de dar um pouco mais de privacidade para Dougie e , Izzy arrastou Harry para que apressassem o passo deixando os dois para trás.
- Então… - Dougie começou quando os amigos já não estavam mais próximos - Arrependida de ter ido assistir o ensaio desse bando de esquisitos?
riu com gosto e negou com a cabeça, não intencionalmente sua mão encostou na de Dougie e sua pele formigou gostosamente com o contato.
- Não me arrependi! Vocês são muito divertidos e talentosos… E as meninas foram super gentis comigo.
- Não está me achando um babaca por te chamar para assistir o ensaio da banda e nosso primeiro encontro ser em um paintball com meus amigos idiotas? - Dougie perguntou divertido, mas seu coração palpitava de ansiedade pela resposta do que o estava atormentando há algum tempo.
- Claro que não! - negou com tanta sinceridade que Dougie pôde, enfim, respirar aliviado - Não é todo dia que posso ter a chance de ser convidada para assistir o ensaio de uma banda pelo próprio baixista… E nem que jogo paintball com todos os integrantes…. Na verdade, essa parte confesso que vou ser um fiasco.
- Nunca jogou paintball antes? - Dougie pareceu genuinamente surpreso quando negou com a cabeça - Que tipo de lugar você morava hein?
sorriu, mas não atingiu seus olhos e Dougie percebeu, embora não tivesse dito nada, que o tópico da mudança ainda era algo delicado para a garota.
- Um em que as coisas eram bem diferentes daqui, certamente - respondeu incapaz de conter certo amargor em sua voz.
Antes que Dougie pudesse dizer mais alguma coisa, o grito de Harry ecoou chamando atenção dos dois:
- Ei, casal!
Dougie e sorriram envergonhados, mas se aproximaram do baterista que já estava devidamente trajado.
- As meninas contra os meninos, esses são os times - Harry anunciou.
- Ei, mas isso é injusto! Somos três contra… quatro! - protestou amistosamente.
- Sim, seu time tem quatro. - Harry respondeu e quando viu o semblante confuso de , apressou-se a continuar: - Tom joga no time de vocês.
estava acompanhando Dougie nas gargalhadas quando Tom apareceu vestido e muito indignado.
- Isso é injusto!
- Mas eu achei que ele gostasse de paintball… - murmurou confusa, ainda sem conseguir conter o riso.
- Gostar ele gosta, só não significa que é bom nisso - Dougie explicou rindo ainda mais ao receber o dedo do meio do amigo.
- E Izzy e Gio? - perguntou voltando-se para as meninas.
- Uma negação. - Izzy respondeu sem o menor constrangimento e Giovanna apenas fez uma careta que indicava que estava ali apenas por causa de Tom.
- Você vai se sair bem - Dougie disse encorajador quando entraram na arena, repassando o capacete e o colete para vestir . - Vou pegar leve com você.
arqueou uma sobrancelha e aceitou a vestimenta em sinal de desafio. Ficaram com essas provocações por alguns minutos até que o pátio fosse liberado para eles. Quando já estava prestes a se posicionar do lado das meninas, ouviu Dougie sussurrar em seu ouvido:
- Nosso primeiro encontro não acaba aqui, espero que saiba disso.
Sentindo a pele arrepiar devido a vibração gostosa que a respiração dele fazia em seu pescoço, virou-se para responder no mesmo tom:
- Eu estou contando com isso.
Estavam com sorrisinhos idênticos quando entraram na arena. Parecendo dar-se conta do que estava prestes a fazer pela primeira vez, sentiu suas entranhas revirarem ao notar o pátio de feno repleto de obstáculos.
- O que eu preciso fazer? - Perguntou incerta.
- Atirar neles e esquivar quando eles quiserem atirar em você - Tom respondeu taxativo.
- Mas isso parece simples…
- Na teoria é simples, mas na prática… - Giovanna quem respondeu já colocando a viseira sob os olhos. só teve o tempo de fazer o mesmo e recolher sua arma carregada de tinta quando o sinal tocou indicando que o tempo da partida já estava contando.
Foi um completo caos.
Harry era incrivelmente rápido e nem bem tinham se passado dois minutos e já tinha sido bombardeada de tinta pelo baterista que se escondeu por trás de uma barreira no momento que ela se preparou para revidar. Estava mirando em Harry quando uma pressão molhada em sua nuca indicou que tinha sido atingida por Danny que havia aparecido do completo nada. Quando voltou a mira na direção do rapaz, ele já tinha saído do seu campo de visão deixando-a apenas ouvir sua risada escandalosa.
Não muito longe dali, Giovanna gritava histericamente com um Tom que parecia não ter a menor ideia do que estava fazendo.
- Tom, ele foi por ali, POR ALI! NÃO POR AÍ, POR ALI!
- Por ali onde, Giovanna?
- ALI!
- ALI ONDE? DIREITA OU ESQUERDA?
- EU NÃO SEI, EU ESTOU NERVOSA, NÃO GRITA COMIGO!
- EU NÃO ESTOU GRITANDO!
O casal foi bombardeado por Dougie que contou com reforço de Danny que estava roxo de tanto rir. Finalmente conseguindo fazer uma mira, Violet atirou na direção de Dougie fazendo com que a viseira dele fosse totalmente atingida de amarelo impossibilitando-o de enxergar qualquer coisa com ela.
- ISSO!!!!! - berrou vitoriosa e logo deu um grito quando Danny e Dougie voltaram-se contra ela. Correu como se sua vida dependesse disso, enfiando-se nos obstáculos de modo que fosse relativamente fácil sumir do campo de visão dos rapazes.
- Ela é rápida! - Ouviu Danny comentar e mordeu um sorrisinho sentindo-se nervosa pelo jogo.
- ! Você me paga! Eu não vou mais pegar leve com você! - Dougie gritou enquanto procurava pela garota que sentia o coração bater na boca devido a adrenalina do momento. Em surto de coragem, saiu do seu esconderijo acertando Dougie pelas costas. Ele virou-se tão rapidamente que ela soltou outro berro exasperada, começando a correr sabendo que o baixista corria em seu encalço.
Dougie poderia ter parado de correr e simplesmente ter atingido pelas costas com sua arma de tinta, mas não o fez. Continuou correndo até que a alcançasse puxando-a pela cintura fazendo com que os dois caíssem no chão cheio de feno deixando-os sujos e empapados de grama e tinta.
- Parece que você não é tão rápida assim, não é? - Dougie cantarolou ficando por cima de mantendo-a presa no chão.
- Foi você quem disse que pegaria leve comigo, Poynter - Ela revidou dando de ombros com uma expressão vitoriosa no rosto.
A proximidade entre eles era tanta que pela primeira vez puderam enxergar com precisão detalhes do rosto um do outro. Apesar de estar encoberto de tinta e feno, não podia negar quão bonito Dougie era. Com seus olhos azuis, os lábios finos e os cabelos loiros que caíam em uma franja sob os olhos…
Sua divagação a respeito da aparência do baixista foi interrompida por uma metralhadora de tinta que fez com que Dougie se levantasse num pulo e rolasse no chão para se esquivar.
- Você é do meu time! - Dougie protestava gritando com Danny que ria exultante do seu feitio.
- E você estava confraternizando com o inimigo! - Danny rebateu e aproveitou aquele momento para atirar nos dois, deixando Dougie com uma expressão exasperada.
Aos risos, voltou a correr pelo pátio passando por esconderijos para recarregar a munição. Assim que chegou no posto, freou seus passos ao ver que Harry e Izzy se beijavam com paixão e efusividade encostados na parede, as armas esquecidas em algum canto do chão. Sorrindo, se afastou sem recarregar a munição, o que fez com que fosse atingida em cheio por um bombardeio de Danny e Dougie, já que Tom e Gio falharam miseravelmente na tentativa de defendê-la.
- Então, nós ganhamos, certo? - Danny disse minutos mais tarde quando os sete se jogaram no chão repleto de feno, exaustos e totalmente encobertos de tinta.
- Como se houvessem dúvidas… - Dougie deu de ombros com prepotência fazendo Tom revirar os olhos desgostoso.
- Nós arrasamos mesmo - Harry disse relaxado e arqueou uma sobrancelha virando a cabeça para encarar o rapaz.
- Não por você, claro. Que ficou se agarrando com a Izzy no meio do jogo.
- Me desculpa, - Izzy disse sob as risadas dos amigos.
- Eu realmente odeio esse jogo… - Giovanna se lamentou fazendo com que rissem ainda mais.
Deitada sob o chão da arena, sentiu-se verdadeiramente leve e satisfeita pelo tempo de qualidade que estava passando ao lado daquelas pessoas. O céu alaranjado já começava a dar indícios do pôr do sol rendendo um momento gostoso sob a brisa suave do fim de tarde e aquela sensação deliciosa de estar em paz era algo que ela apreciava mais do que qualquer outra coisa que já tinha lhe acontecido nos últimos meses.

***

– Você e a Gio foram companheiros de equipe tão úteis quanto uma dupla de nada. , da próxima vez, venha para o meu time. – Danny sorriu galanteador para a garota, tirando sarro do casal que apenas revirou os olhos diante do deboche direcionado a eles.
Dougie lançou um olhar ultrajado ao amigo, tanto por sua gracinha para com , quanto pelo atrevimento em nomear a equipe como sua.
– Ei! Por que você tem que ser o líder? — O loiro questionou cerrando os olhos azuis, recebendo um olhar sugestivo carregado de obviedade em resposta.
– Porque vocês dois gostam de confabular com os integrantes do time adversário! Eu sou o único fiel ao jogo por aqui. — Danny vangloriou-se estufando o peito.
Harry revirou os olhos e Dougie repetiu o gesto do amigo enquanto os demais riam do pequeno embate entre os garotos.
— Acho que tem tinta até na minha bund…
— Okay, amor. Todo mundo entendeu que você não sabe jogar paintball, ninguém precisa dos detalhes sobre os vestígios da nossa derrota vergonhosa. — Giovanna virou-se para o namorado em tom condescendente, descendo do carro junto aos demais presentes ali ao som de gargalhadas.
Danny não tardou a levantar um questionamento a respeito do local onde o grupo comeria, inserindo-os em uma discussão calorosa com relação à preferência de todos entre hambúrguer e pizza.
Todos, exceto e Dougie.
Um pouco mais afastados do conflito alimentar, os dois pareciam não saber ao certo qual atitude tomar após aquela tarde tão agradável para ambos. O baixista esboçou um meio sorriso e girou o tronco apenas para dar uma breve espiadela nos amigos, tornando a encarar a garota à sua frente como se nela estivesse canalizado todo magnetismo responsável por atraí-lo até ela.
— Mais cedo eu disse que o nosso primeiro encontro não acabaria no paintball. Que tal darmos um perdido naqueles patetas e irmos comer algo só nós dois? — O loiro perguntou, sentindo o seu interior se agitar em antecipação.
quis abrir o maior sorriso que já dera em tempos.
Seu peito se aqueceu diante do convite de Dougie, levando-a a experienciar um nervosismo gostoso que fazia o seu estômago borboletar.
Olhou para o sol se ocultando no horizonte e contemplou o céu ser preenchido pelo crepúsculo do cair da noite, remexendo-se inquieta ao imaginar o humor de sua mãe caso aceitasse o convite e demorasse a chegar em casa.
Retomou o contato visual com o baixista e lhe ofereceu um repuxar de lábios lastimoso, lamentando internamente por sua vida não ser exatamente como ela queria.
— Eu adoraria, Dougie. De verdade…
— Mas… — O loiro adicionou, antevendo que uma recusa viria a seguir.
encolheu os ombros e permitiu com que o seu semblante exibisse as desculpas as quais gostaria de verbalizar.
— É que está anoitecendo, eu não avisei que demoraria…
— Você pode ligar do meu celular e avisar, não tem problema. — Sugeriu ele, achando uma solução para a situação.
transpassou as mãos através dos fios com resquícios de tinta, trocando o peso de um pé para o outro à medida que buscava uma desculpa cabível em sua mente nada criativa.
— Acho que a minha mãe não está em casa e ela não tem celular, então… É melhor eu ir. Não quero preocupá-la. Além do mais, deixei uma bagunça de caixas no meu quarto. — Disse soltando um riso frouxo.
Tudo o que a garota mais desejava era que a mãe se preocupasse desse modo. Do modo como mães que amam seus filhos se preocupam.
O coração de deu um solavanco incômodo assim que ela percebeu uma leve decepção perpassar pelos olhos azuis do baixista, que se limitou a assentir desanimado.
— Certo. Tudo bem. Ser vela de casal junto com o Danny não chega perto do que eu planejava para hoje, mas já aceitei essa condição. — Poynter deu de ombros, fazendo rir brevemente perante a fala do garoto.
— Prometo te recompensar por esse sacrifício. Talvez eu possa te dar o privilégio de ser a pessoa que vai me levar naquela lanchonete super descolada ao lado da Black Horse. — soltou despretensiosa, escondendo as mãos nos bolsos da calça a fim de não demonstrar seu nervosismo diante daquela proposta arriscada.
O loiro notou seu ânimo ir de zero a cem em questão de segundos, adorando a sugestão dada por .
— Vou te confessar uma coisa… — Dougie se aproximou, alcançando o ouvido da garota a ponto de deixar a boca rente ao local. Uma onda de arrepios percorreu o corpo de , amolecendo-lhe as pernas que àquela altura mais se assemelhavam com gelatinas. — Eu sou um ótimo guia. Você deu muita sorte, senhorita .
Ela engoliu a seco, mal tendo tempo de se recuperar da sensação confortante propiciada pelo hálito quente do baixista em contato com a pele sensível de sua orelha.
Em um movimento rápido demais para os seus sentidos atordoados captarem, Dougie conduziu uma mão até o seu rosto, arrastando o polegar da extensão das bochechas à mandíbula, tão calmamente que a garota precisou se controlar para não fechar os olhos.
— Tinta. — O loiro completou, exibindo o dedo cuja pele encontrava-se marcada por uma pequena mancha azulada.
piscou aturdida, esforçando-se a despertar do torpor o qual a atingiu por obra do toque do baixista.
— Ah… Hm, bom, sorte a minha, não é? Além de um ótimo guia, também tem uma ótima visão. — Gracejou ainda desconcertada, odiando-se por proferir tamanha besteira. Dougie riu com vontade, encantado por notar o rubor expresso na face da menina.
— Ei, Romeu e Julieta! É a vez de vocês votarem: pizza ou hambúrguer? — Harry gritou, provocando sorrisos encabulados de Dougie e . Esta, fitou os pares de olhos atentos aos dois, vendo Izzy repreender o namorado enquanto falava algo sobre Shakespeare, morte e veneno.
— Eu infelizmente não vou poder acompanhá-los, pessoal. Preciso ir para casa. — Informou descontente, ouvindo uma série de lamentações em seguida.
— Como assim? Nós te levamos depois de comermos! — Giovanna declarou, tendo apoio do grupo que assentiu em suporte.
— É, . Ou eu posso te levar também. — Danny se voluntariou, divertindo-se com a expressão censuradora de Dougie.
— Obrigada mesmo, mas eu realmente tenho que ir agora. Amei a tarde, foi muito divertida.
— Na próxima vez faremos revanche contra esses dois. — Tom informou. Giovanna negou com a cabeça e sibilou um “nem pensar” para , a qual não pôde conter o riso que lhe escapou frente a cena.
— Até mais! Bom lanche para vocês. E, Harry… Eu voto na pizza. — A garota disse, assistindo Danny e Tom comemorarem antes de outro embate se iniciar.
— Quer companhia? — Dougie perguntou, buscando adiar a partida de o máximo que lhe fosse possível.
— Não precisa. Vá comer com o pessoal, acho que eles vão precisar do seu voto. — Ela brincou, apontando com a cabeça na direção dos amigos do baixista. — Muito obrigada por hoje. Eu adorei.
— Fico feliz que você goste de andar aglomerada em um carro junto com alguns esquisitos que jogam paintball. — Poynter brincou descontraído e se pegou rindo pela milésima vez no dia.
A sensação era boa.
— Eu gosto de coisas peculiares. — Ela entrou na brincadeira, levando o loiro a rir.
— Que bom, porque eu sou uma pessoa bem peculiar. O Harry vive dizendo isso, pode confirmar com ele. — Dougie zombou divertido, encolhendo moderadamente os ombros em um misto de timidez e esperteza que o deixava adorável.
A garota gargalhou e parou para estudar o baixista durante aqueles instantes em que protelava sua decisão de partir. Os olhos azuis que se tornavam diminutos ao sorrir, os lábios finos e convidativos, a fisionomia afável ao contemplá-la, tudo. Tudo nele parecia instigá-la a mandar a racionalidade para o raio que o parta e simplesmente aceitar o convite que lhe fora feito.
— Hey, Dougs! Estamos indo. Tem certeza de que não vai nos acompanhar, ? Se o problema for o Danny, podemos prendê-lo no porão, não se preocupe. — Tom satirizou, sendo observado por um Jones confuso, o qual demonstrava não ter entendido a gozação do amigo.
mordeu a parte interna da bochecha e foi atingida pela súbita impulsividade jovial, impulsividade essa que foi intensificada no minuto em que fitou o loiro esperançoso à sua frente.
Rapidamente transcorreu os olhos através do animado grupo e os voltou a Poynter, enfim entrando em um consenso consigo mesma.
— Quer saber? Estou morrendo de fome. Acho que posso arrumar as caixas da mudança em outra hora. — Disse ela, despertando em Dougie uma expressão reluzente e um sorriso que alcançou as pálpebras pequenas, espontaneamente fazendo-a sorrir ainda mais, como se o gesto do loiro fosse contagiante.
— É sério? Você não ficará encrencada por ir conosco? — O McFLY mais novo questionou, apesar de temer que a garota repensasse sua decisão diante da pergunta.
— Encrencada eu vou ficar se não der ao meu estômago uma refeição decente. — brincou espirituosa, desconsiderando o seu lado sensato que lhe alertava sobre quão arriscada era sua aproximação com o baixista.
Resolveu, no entanto, simplesmente ignorar e desfrutar o momento. Ela reconhecia que merecia, ao menos por alguns instantes, sentir-se bem. Sentir-se parte de algo que não fosse o elemento do centro de um furacão.
Ouvindo a risada melodiosa de Dougie e Tom, a figura receosa juntou-se aos demais, feliz por ver que todos aprovaram sua escolha em acompanhá-los à lanchonete.
— Nós vamos comer pizza, seus perdedores! — Danny comemorou empolgado, efetuando um “high five” com Tom.
— Quer avisar a sua mãe que vai chegar mais tarde? Posso te emprestar o meu celular. — O loiro indagou à medida que ele e caminhavam moderadamente distantes de seus amigos barulhentos.
A garota negou veemente, repreendendo uma careta ao imaginar as barbaridades que sua mãe falaria caso soubesse de seu paradeiro.
— Ah… Não, realmente não é necessário. Não é como se fôssemos passar a noite fora, é bem provável que eu chegue antes dela. — Mentiu, esforçando-se para transmitir uma serenidade da qual não possuía.
O garoto ao seu lado assentiu.
— E aí, está curtindo a cidade? — Questionou ele, puxando o primeiro assunto que lhe veio à cabeça.
— Ainda não tive oportunidade de conhecê-la a fundo, mas o pouco que vi me agradou bastante. — Respondeu curvando os lábios para o baixista, admirando-o reproduzir o gesto.
— Você irá gostar bem mais quando eu for o seu guia. — Dougie afirmou convencido, gostando de ver que sempre ria de suas gracinhas.
— Eu tenho certeza que sim. — Concordou mais encantada do que gostaria, experimentando um solavanco gostoso no estômago no segundo em que suas mãos esbarraram-se com as mãos do loiro.
“Oh, porra. Estou fodido.” — Pensou ele, notando um calor se alastrar através de seu rosto.

Aquele certamente era o lugar mais legal que ela já havia visto.
Sentada entre um Jones tagarela e um Poynter um tanto quanto emburrado pela presença do amigo que resolvera se enfiar ao lado de , a garota intercalava gargalhadas e olhares ao redor do recinto bem decorado e aconchegante, onde muitos outros grupos de jovens ocupavam as mesas do agradável estabelecimento.
— Uma vez, estávamos em uma festa, e eu vi o Harry saindo do banheiro com a mão cheia de sangue, então perguntei o que tinha acontecido. Ele disse: “Apertei o copo na mão…” e continuou andando… — Danny falou em meio a risos.
Uma explosão de gargalhadas ecoou pelo ambiente.
— Amor, por que a sua mão estava sangrando?! — Izzy indagou assustada.
— Não faça perguntas difíceis de serem respondidas, baby. — O baterista negou com a cabeça e deu de ombros, sem ter como se defender.
— Harry, lembra quando o Dougie socou você? — Tom mencionou com as bochechas vermelhas de tanto rir.
— Sim! — Judd exclamou eufórico. — Dougie me deu um soco realmente forte porque eu disse que ele estava com mau hálito. Depois disso, me chamou mais tarde chorando e pedindo desculpas porque estava se sentindo mal.
E mais gargalhadas. O baixista quase cuspiu seu refrigerante, arregalando os orbes azulados e matadores em direção a Harry, que se jogava para trás enquanto ria com vontade.
prendeu o riso e fitou o loiro de esguelha, compadecendo-se com a fisionomia constrangida do garoto.
— Certo, rapazes… Vocês estão assustando a . — Izzy intercedeu, apaziguando a situação ao mesmo tempo que se empenhava para não rir.
— Desse jeito ela não vai mais querer sair com a gente! — Gio acrescentou, apoiando a amiga.
— E nem beijar o Poynter. — Danny expôs sem filtro algum. Foi a vez da garota engasgar com a sua bebida, notando sua bochecha queimar feito brasa.
O loiro escorregou ligeiramente o corpo no banco, desejando enfiar a latinha de refrigerante na boca dos amigos falastrões.
Um tremor vindo de dentro da bolsa de a arremessou de volta à realidade, levando-a a retirar o aparelho dali somente para averiguar o remetente da chamada, muito embora ela já soubesse de quem se tratava.
— Com licença, tenho que atender. — Avisou repentinamente, saindo da mesa como um raio.
Os seis pares de olhos surpresos e confusos encararam-se sem entender.
— Será que aconteceu alguma coisa? — A voz de Tom soou hesitante.
— Não sei. — Dougie rebateu, cismado. Vincou as sobrancelhas e fixou as íris na garota situada do lado de fora da lanchonete.
Focou, mais precisamente, no aparelho telefônico em suas mãos, tendo uma mera recordação da noite em que se conheceram.

“— Você pode ao menos me dizer o seu telefone?
— Eu… Ainda não tenho. Nova na cidade, sabe como é…”

Bom, ela podia tê-lo comprado há pouco tempo.
Não teria motivos para que mentisse… Teria?
— Eita… Acho que aconteceu, sim. — Danny avaliou, observando através da parede de vidro. A garota gesticulava fervorosamente, parecendo travar uma discussão com quem quer que fosse do outro lado da linha.
— Gente, parem de olhar! — Izzy repreendeu, sendo admirada de maneira irônica por todos.
— Pare de olhar primeiro, senhorita eu-também-estou-bisbilhotando. — Harry advertiu a namorada, vendo-a cerrar as pálpebras para ele.
— Shhh, ela está voltando! — Tom sobreavisou. O grupo imediatamente arrumou a postura, disfarçando a bisbilhotice recém realizada.
Dougie cravou os orbes azuis na figura desorientada e completamente ruborizada que tornava a adentrar o snack-bar.
— É verdade, Danny. Os pedidos estão demorando, você deveria checar se está tudo ok. — Gio emendou um assunto aleatório, dissimulando o clima estranho que havia se instalado ali. Jones a contemplou injuriado, segurando a reclamação ao ser encarado por uma Giovanna cujo semblante sugestivo foi o bastante para obrigá-lo a se calar.
— Desculpe, pessoal. Preciso ir embora. — A voz de ecoou vacilante.
Os indivíduos presentes voltaram a se entreolhar, desentendidos. O baixista piscou perplexo, procurando explicação para a atitude da garota.
— Como assim, ? A pizza ainda nem chegou! — Dougie informou abismado.
— É, eu estava prestes a ir buscar o pedido, inclusive. — Danny acrescentou, já se levantando.
— Eu sei, fica para próxima. Desculpem mesmo. — O loiro tentou alcançá-la, contudo, os passos demasiados rápidos de impediram-no de concluir suas pretensões.
Partindo tal qual um furacão, ela deixou a lanchonete sem se estender nas desculpas.
Não desejava fazê-lo, de qualquer modo.
— Wow… O que será que houve? — Harry disse, preocupado.
— Certamente algo não muito bom. — Jones respondeu, levando um cutucão de Tom, o qual discretamente indicou Dougie com a cabeça. Este, manteve-se de pé, fitando a porta do local onde a garota passara minutos atrás.
— Não deve ter sido nada demais. Ligue para ela mais tarde, Dougs. — Izzy aconselhou.
— É, mate. A pizza está chegando, vamos comer! — Tom celebrou.
O baixista sentou-se, derrotado e intrigado.
Esperava imensamente que não houvesse causado problemas à garota.

***

Suas pernas queimavam em virtude da pressa aplicada em seus passos ágeis.
Com o coração na boca, caminhava pelas ruas sentindo-se estúpida. Raivosa. Um leque de emoções danosas lhe rasgavam o peito que subia e descia em um ritmo frenético e dolorido conforme se aproximava do lugar que deveria ser chamado de lar.
Suas bochechas ainda encontravam-se doendo em virtude dos risos irradiados durante o dia inteiro. Ela gostaria, do fundo de seu coração, que eles tivessem durado mais. Gostaria que a leveza experimentada naquela tarde não tivesse sido arruinada pela última pessoa no mundo que deveria lhe machucar.
Tal felicidade desvaneceu-se assim que a garota colocou os pés na sala e fechou a porta atrás de si. A figura severa de materializou-se num rompante nervoso, atingindo como um balde de água congelante.
— O que pensa que está fazendo?! Posso saber onde você se enfiou?! — A mulher irritada interrogou num tom tempestuoso, fazendo a filha engolir a seco e respirar fundo.
— Não importa. Eu estou aqui, não estou? Chega de reclamação, basta o show que você deu pelo telefone. — Retrucou cortante, abrindo a geladeira com a esperança de magicamente encontrar algo para forrar o estômago vazio.
Vazio como o interior do refrigerador.
— Se não está satisfeita, sinta-se à vontade para sumir daqui e se virar. Enquanto isso, você me deve explicações, sim! Já está vadiando por aí como uma arruaceira?
girou o tronco e cravejou os olhos marejados na mãe. Milhões de pensamentos inundaram sua mente, milhões de respostas subiram até sua garganta apertada, entretanto, resolveu se calar.
Não permitiria com que sua centelha de felicidade fosse ainda mais destruída.
Com muito custo, engoliu uma resposta malcriada. Lançou um olhar gélido a e subiu as escadas apressadamente, notando o rosto se molhar com as lágrimas que escorriam fáceis através de suas bochechas.
Jogou o corpo na cama e chorou.
Chorou por não conseguir passar um dia sem sentir-se miserável.
Chorou por saber que, embora estivesse em uma cidade nova, seus problemas eram velhos.
Chorou por incontáveis minutos, optando por misturar o pranto com a água do chuveiro.
Finalizou o banho e, já mais calma, colocou-se dentro de um moletom confortável, sentando-se no assento abaixo da janela de seu quarto.
Suspirou e esfregou a face, envergonhada pelo modo como se despediu de Dougie e seus amigos.
Checou o horário no relógio situado sobre a mesa de cabeceira e se remexeu, inquieta e indecisa.
“Dez horas da noite não é tarde, é?”
Pensou ela, tirando o celular da bolsa, junto ao bloquinho no qual possuía o telefone do baixista. Fitou ambos e, por fim, resolveu fazer o que pretendia.
Discou o número de Poynter, sentindo as mãos transpirarem e os batimentos cardíacos acelerados.
“Pare de besteira, . É só uma ligação.”
Um toque, dois. O terceiro foi interrompido e logo a voz do garoto soou do outro lado da linha.
— Alô?
— Oi. — Ela saudou, limpando a garganta antes de prosseguir. — É a .
— Hey, oi! Eu ia te ligar. — O loiro falou, desajeitadamente largando o console do vídeo-game em qualquer canto do quarto.
sorriu.
— Fui mais rápida.
— Sua rapidez me deixou feliz. — Dougie revelou um tanto quanto sem jeito, ainda que ela não pudesse vê-lo cutucando o pano de sua bermuda.
Bem como ele não podia vê-la intensificando o sorriso bobo.
— Queria pedir desculpas por ter saído daquele jeito… — A garota iniciou constrangida.
— Ah, relaxe. Está tudo bem?
— Sim. Minha mãe estava sem a chave de casa, sabe como é… Não queria deixá-la esperando. — esclareceu, soltando mais uma mentira. — Diga aos seus amigos que sinto muito. Foi mal educado da minha parte.
— Quer mais mal educado do que o Danny, que arrotou refrigerante umas duzentas vezes em menos de meia hora? — O baixista brincou, esperando que a garota se sentisse melhor. Pôde sentir-se satisfeito ao ouvi-la rir. — Desencane, . Imprevistos acontecem.
— Obrigada.
Ela não soube por qual motivo o havia agradecido. .
Talvez fosse por lhe arrancar mais risos e sorrisos do que já dera em meses. Talvez por tê-la tirado do marasmo onde sua vida se situava. Talvez por todas as razões citadas.
— Não agradeça. Estou me sentindo mal por você ter saído sem comer.
A menção do loiro a respeito daquele detalhe despertou no estômago da garota um ruído audível. Ela fez uma careta, encostando a cabeça no vidro da janela.
— Nem me fale. Estou faminta. — Admitiu num muxoxo.
De repente, uma ideia absurda pairou na mente de um Dougie engenhoso.
— Lembra quando eu te contei que sou um ótimo solucionador de problemas?
— Ahn… sim? — respondeu, não compreendendo a fala do garoto.
— Eu posso resolver o seu, mas você vai precisar colaborar comigo.
A garota franziu o cenho, porém, a curiosidade combinada com o agito em seu corpo a levou a um estado de ânimo, no mínimo, engraçado.
— Explique-se, senhor Poynter.
— Ainda está a fim de comer pizza?
— O quê?! Como assim?! — Questionou entre risos.
— Está ou não? Lembre-se que a sua colaboração é essencial, senhorita .
— Ok, ok… Eu definitivamente estou a fim de comer pizza.
— Perfeito. Me passe o seu endereço e o seu pedido chegará em alguns minutos.
soltou um riso descrente, achando o baixista inteiramente maluco.
— Como é? Dougie, ficou doido? Já viu que horas são?
— Sim, e não me importo nem um pouco. E você, se importa?
Uma batalha interna foi travada na cabeça da garota. Seu bom-senso lutava contra sua vontade e impulsividade, as quais insistiam em lhe dizer para aproveitar as boas oportunidades surgidas.
“Quer saber? Dane-se. Não vou me privar de alimentar a minha centelha de felicidade. Tampouco vou me privar de me alimentar.”
— Não, eu não me importo. Seja lá o que você estiver aprontando, estou dentro. Anote o meu endereço.
ditou as coordenadas para Dougie, ignorando veemente seu sinal de alerta que piscava sem parar.
Os dois encerraram a ligação, nervosos.
“Você ficou louca, . Perdeu o juízo! Oh, meu Deus. Eu não acredito que fiz isso. Estou jogando minha discrição no lixo!”
A garota repetia mentalmente a si mesma, andando de um lado para o outro à medida que ajeitava o quarto.
Abriu a porta e deu uma espiadela para fora, certificando-se de que a casa jazia no mais puro silêncio. Agradeceu pelo aposento de sua mãe localizar-se no início do corredor, e o seu, no final.
Olhou-se no espelho e ajeitou as madeixas, bufando de agonia por encarar seus olhos moderadamente inchados do choro de horas atrás.
“Doida. Você é, de fato, doida.”
Pensou novamente, observando sua aparência no espelho. Negou com a cabeça e riu. A sensação de fazer algo escondido era perigosamente boa. A adrenalina lhe alvoroçava os nervos, e ela gostava.
Ajeitou-se sob a janela e aguardou.
Após momentos de espera, uma figura loira trajada de um moletom da Hurley fez-se presente sorrateiramente no seu quintal.
mordeu os lábios e prendeu o riso. Abriu a janela e fez sinal para que o garoto esperasse.
Desceu as escadas como se estivesse pisando em nuvens, utilizando de todo sigilo possível. Abriu a porta devagar, posicionando o dedo sobre a boca a fim de que Dougie fizesse silêncio. Ele assentiu, também querendo rir.
Ambos seguiram para o segundo andar tal qual dois impostores, quase comemorando de alívio ao alcançarem o dormitório de , que trancou a porta atrás de si antes de gargalhar um pouco mais à vontade, apesar de comedida.
— Meu Deus, você é pirado, Poynter! Não acredito! — Exclamou sem acreditar que ele realmente trazia consigo uma caixa de pizza e duas latinhas de coca-cola.
— Dougie Poynter, seu cavaleiro e salvador, a seu dispor. — O garoto fez reverência e colocou as embalagens sobre o carpete. — Você é ainda mais pirada por ter concordado.
emitiu outro riso e maneou a cabeça em aprovação. Se sentou ali e o garoto a acompanhou.
— Minha nossa, eu nunca fiquei tão feliz em ver uma pizza! — disse ao abrir a caixa.
— Que bom que a minha presença também importa. — Dougie a observou falsamente ofendido, erguendo uma sobrancelha no ato. A garota exibiu um biquinho e juntou as bochechas do baixista, levando-o a replicar o seu gesto.
Seu coração estava prestes a explodir.
— Prometo bajular você depois de comer, ok? Preciso repor minhas energias.
O loiro sorriu, assistindo-a abocanhar a massa com queijo. Apesar de não estar verdadeiramente com fome, ele fez o mesmo, empenhado em aproveitar a companhia de .

(...)

— E aí eu caí e quebrei o dente. Ainda bem que era de leite! — narrou, rindo junto a Dougie.
Ambos encontravam-se jogados no carpete do quarto, cheios como nunca. A iluminação fraca do abajur unida à meia luz vinda do luar encarregava-se de dar ao cômodo um ar acolhedor, tranquilizando o peito carregado da garota que contava suas aventuras infantis. Pela primeira vez em anos, ela não se incomodou em abrir sua caixa de memórias felizes e dividi-las com alguém.
— Puta merda, você era terrível! — O baixista comentou, gargalhando da história relatada pela figura deitada ao seu lado.
— Shhhh… — Ela alertou, pousando o indicador sobre os lábios de Poynter.
O riso dele cessou gradativamente.
deveria recolher a mão, mas não o fez. Foi pega de surpresa ao virar o rosto e se deparar com aqueles olhos azuis tão próximos de si. As respirações se confundiram, arrebatando-os e inserindo-os em uma bolha de calidez e bem-estar.
Sem se importar com seu lado racional, a garota resvalou a ponta do polegar no lábio inferior de Dougie, que expirou pesadamente enquanto mantinha as íris fixas na boca de . Ela sentia-se deliciosamente zonza, imersa naquele clima relaxante e ao mesmo eletrizante.
Surpreendeu-se no segundo em que o baixista a trouxe ainda mais para perto, colando os corpos num puxão suave. Seu coração saltou, deu cambalhotas. Os nervos eram puro choque.
Com os narizes se tocando levemente, os dois se entreolharam, concentrados. Os dedos da garota fizeram um caminho calmo através do rosto de Poynter, o qual fechou os olhos momentaneamente. mergulhou a mão nos fios loiros da nuca dele, efetuando um afago responsável por ativar sensações indescritíveis em Poynter, que a apertou contra seu dorso, fazendo-a resfolegar.
Ele roçou seu nariz com o dela carinhosamente, direcionando seus lábios até os lábios de num toque remansado, colando-os pacificamente. Ambos suspiraram antes de o contato ser aprofundado com as línguas, as quais se tocaram intimamente ao passo que exploravam os sentimentos propiciados pelos movimentos. As pernas se entrelaçaram, os corações bateram em uníssono, as bocas se conheciam com ímpeto.
O sorriso entre o beijo evidenciou o que Dougie e já sabiam: o encontro deles não havia sido por acaso.

***

Assim como era de se esperar, e Dougie se tornaram praticamente inseparáveis no mês que se seguiu ao primeiro beijo. Os primeiros encontros foram regados a flertes com segundas e terceiras intenções sempre camuflados por sorrisos tímidos e os toques incertos de quem está se conhecendo e criando intimidade. Dougie era um cavalheiro que ficava enrubescido cada vez que mordia o lábio inferior entre uma conversa e outra. era a menina divertida e confiante que se tornava completamente boba aos encantos do baixista desastrado e carinhoso. Não demoraram para perceber que queriam estender os encontros para aproveitarem cada segundo sempre mais da presença um do outro… E antes que pudessem perceber, andavam de mãos dadas na rua e completavam frases um do outro.
Dougie apresentou a cidade para e ela falou sobre seus livros e filmes favoritos. Dougie abriu as portas de casa e apresentou a mãe e a irmã para a garota que sempre inventava as piores desculpas possíveis para manter o rapaz longe de sua progenitora e de todo clima hostil que encontrava quando estava em casa. Embora não insistisse, Dougie não demorou a perceber que havia algo estranho com aquela relação e tirou essa conclusão quando começou a se tornar obsessiva na busca por um emprego de meio período que a ocupasse e a deixasse o mais distante possível de casa. Durante as tardes cuidava de idosos e durante a noite era garçonete do Black Horse onde a banda de Dougie passou a tocar com frequência. Ainda que fosse acostumada a vê-los tocar, sempre ficava encantada e ansiosa quando Dougie aparecia no bar que se conheceram.
- Boa noite, Black Horse! Nós somos McFLY e vamos agitar vocês hoje! - Tom disse no microfone e sorriu servindo as bebidas na mesa ao passo que os quatro rapazes se posicionavam em seus respectivos instrumentos.

- One, two, three, for!

Não foi surpresa para nenhum deles quando Dougie apareceu de mãos dadas com , e com a exceção do fim das brincadeiras sobre a solteirice do mais novo e das investidas de Danny na garota, nada realmente mudou com a aproximação de , não de uma forma negativa. Por ser sociável e divertida, se entrosou bem com as piadas dos meninos e criou um vínculo particularmente forte com as meninas em tão pouco tempo.
- Querem alguma coisa? - perguntou se dirigindo a mesa onde Giovanna e Izzy estavam sentadas.
- Que você largasse essa bandeja e ficasse com a gente um pouco - Izzy comentou e Gio apenas concordou com a cabeça.
- Infelizmente não posso, Robert está particularmente chato hoje, terei que cumprir o turno até o fim - respondeu com certo desgosto e Izzy soltou um muxoxo.
- Então nem vai poder ver o Dougie tentando chamar sua atenção lá do palco - Izzy disse acenando para o amigo que sorriu exultante ao perceber que olhava em sua direção.
- Ele já tem toda minha atenção - comentou risonha. - Vai ter depois daqui pelo menos.
- Safada, poupe-nos dos detalhes - Giovanna comentou e as três gargalharam quando acertou Gio com o pano que tinha apoiado nos ombros.
- Não é isso, ok? Estou tão esgotada que vou simplesmente dormir.
- A sua mãe já tá deixando você dormir na casa do Dougie? - Izzy perguntou com curiosidade.
- Não, para todos os efeitos ela acha que eu estou dormindo na sua casa - respondeu com uma piscadela e as amigas riram.
A fim de preservar a relação em estágios iniciais, resolveu não expor para sua mãe o fato de que estava conhecendo melhor e saindo com certa frequência com um baixista da banda local. Era da opinião de que o que não soubessem não eram capazes de destruir, então quanto mais reservada fosse sobre o que quer que estivesse acontecendo entre ela e Dougie, melhor para os dois. Como criou uma afeição muito rápida por Gio e Izzy, que eram as únicas que frequentavam sua casa, pedia liberdade para a mãe para passar um tempo na companhia das amigas quando na verdade fugia para a casa de Dougie, cuja mãe era um verdadeiro doce que a mimava com comidas gostosas e bastante carinho que era desprovida em seu próprio lar. Muitas vezes parecia a que aquele último mês era apenas um sonho e não sua vida real, nunca imaginou que em tão pouco tempo poderia se sentir tão em casa naquela cidade nova.
- E hoje nós vamos cantar uma música nova e autoral para vocês! - Danny disse no microfone já na metade do repertório. perambulava pelo bar servindo mesas sendo observada milimetricamente pelos olhos de águia de Dougie que se estreitavam toda vez que percebia a garota sendo cantada por algum marmanjo.

Well I met this girl
Just the other day
Hope I don't regret
The things I said now
When we’re laughin’ and jokin’ with each other now

mordeu um sorriso e sentiu o coração acelerar quando os primeiros acordes da música ecoaram pelo Black Horse apinhado de gente. A música tinha uma batida dançante e animada característica do estilo ainda em construção dos meninos e tinha tudo para grudar na mente de todos como Five Colours in Her Hair, mas não era exatamente por isso que gostava tanto daquela música.

Glad I met this girl
She didn’t walk away
I think she was impressed
Was havin’ a good time
When we’re laugin’, jokin’ with each other
Spending all our time together

De cima do palco, Dougie captou o olhar de em sua direção e dançou desengonçadamente ao tocar o baixo só por saber que isso arrancaria uma gargalhada dela e sorriu ao atingir seu objetivo. Fazia tão pouco tempo, mas ele já tinha certeza que faria qualquer coisa por aquele sorriso… Nem que fosse em forma de uma música.

When she walks in the room my heart goes boom
When she walks in the room my heart goes boom
I tried to take her home but she said “you’re no good for me”

sentiu seu coração bater num compasso infrene ao contemplar seu baixista favorito fazendo peripécias no palco para distraí-la ao tocar a música que havia criado ao conhecê-la. Ainda recordava-se da primeira vez que ouvira “Met This Girl” em um dos ensaios da banda e de como Dougie ficara vermelho por ter seus sentimentos expostos na frente da sua musa inspiradora e também recordava das gargalhadas que deram das partes que claramente demonstravam os ciúmes que Dougie sentia das investidas de Danny em “sua garota”.

She got a pretty face
Such a lovely name
I don't want my friends to see
They might take her a way from me
She’s one I won't forget
For a long, long, long time
Now I really want the world to see
That she is the one for me

- Vai ficar namorando ou vai servir as mesas, ? - Robert resmungou ao notar dançar no ritmo da música fazendo com que imediatamente ela recobrasse a postura.
- Sabe, Robert, você está precisando de um pouco de amor nesse seu coração - zombou e começou a dançar só para irritar o patrão que revirou os olhos espalmando o ar na direção dela.
- Quando eles terminarem de tocar você pode ir - Robert respondeu rabugento e comemorou alegremente abraçando o corpulento dono do bar que apenas bufou indiferente embora estivesse mordendo um sorriso. Não que fosse admitir, mas Robert gostava muito dos dias que a banda tocava no bar porque deixava todo o ambiente agradável além de gostar particularmente do humor de nesses dias.

First time that I saw her she stole my heart
And if we were together nothing would tear us apart


estava tirando o avental quando foi surpreendida por uma voz baixinha que ecoou em seu ouvido arrepiando-a dos pés a cabeça ao mesmo tempo que Dougie apoiava o queixo em seu ombro e segurava sua cintura colando os corpos.
- Você está com cara de quem está precisando de uma cerveja - Dougie disse com uma voz mansa a mesma frase que usara para dar uma cantada em quando se conheceram - … E uma massagem - Completou em uma voz rouca que fez com que a menina se arrepiasse subitamente.
- E aí, baixista. - cumprimentou com um risinho sentindo Dougie aplicar um beijo delicado na curva do seu pescoço. - Dispenso a cerveja, mas aceito a massagem, estou exausta.
Dougie afastou-se de com um sorriso observando-a retirar o avental e colocar a prancheta em cima do balcão, soltando os cabelos presos num coque com um aceno de cabeça. Fazia pouco mais de um mês que estavam saindo com frequência e Dougie ainda ficava embasbacado em quão bonita era até mesmo nos momentos mais singelos do cotidiano. Ela estava exausta de tanto trabalhar, seu semblante estava visivelmente abatido, mas, ainda assim, parecia mais bonita do que nunca… Tão bonita, que o coração do baixista acelerava cada vez mais ao vê-la.
- Vai dormir lá em casa hoje? - Dougie perguntou casualmente.
- Se você ainda não tiver enjoado de mim, vou sim - gracejou flexionando a coluna num suspiro cansado.
- Enjoar jamais, mas acho que poderíamos começar a dormir mais na sua casa também… - Dougie começou esperançoso - A única vez que fui lá foi para te entregar pizza e naquele dia não conta, né?
sentiu uma pontada no coração e quando recobrou a postura, seu sorriso já não era mais o mesmo.
- Por que não conta? Nós nos beijamos naquele dia - O tom sarcástico poderia facilmente soar como brincadeira e foi assim que Dougie entendeu.
- Porque naquele dia eu entrei fugido da sua mãe… - Dougie riu de um jeito inocente ainda sem perceber que já não estava mais despojada - E eu ainda não a conheço…
- Para que você faz tanta questão de conhecer minha mãe? - perguntou num tom cortante e Dougie franziu a sobrancelha desconcertado.
O questionamento de parecia tão óbvio na visão de Dougie que ele nem sequer conseguiu tartamudear uma resposta.
- Sua casa é muito mais legal, sua mãe faz comida, eu adoro sua irmã… Mas se eu estiver começando a encher o saco, tudo bem - disse num tom endurecido e Dougie arregalou os olhos com a súbita mudança de humor da menina.
- , não tem nada a ver com isso! - Dougie interpelou ansioso - Eu só gostaria de poder conhecer melhor a sua família também! Você conhece os meus amigos, conhece a minha família e as vezes eu sinto que não sei nada sobre voc…
Mas ao notar o olhar de , Dougie soube que aquela tinha sido a pior escolha de palavras.
- Você não sabe nada sobre mim?
- … - O baixista parecia mais ansioso do que nunca. Respirou fundo algumas vezes, abriu e fechou a boca ao pensar no que dizer e simplesmente continuou - Você não fala muito sobre sua mudança, não comenta sobre seus antigos amigos ou sobre namorados…
- Não sabia que você fazia o tipo ciumento, Dougie…
- Eu não faço… Eu não… - E ao ver o semblante duro de , Dougie respirou fundo mais uma vez - Você está me deixando confuso, não é isso que eu quero dizer.
- Não, o que você quer dizer é que eu tô frequentando demais sua casa, devo estar incomodando. - colocou o avental sobre a bancada com um pouco mais de força que o necessário e voltou-se para recolher sua bolsa do mancebo já preparando-se para sair do bar.
- Ei, ei, ei… Volta aqui - Dougie tocou no braço de e ela se virou imediatamente como se tivesse sido eletrocutada fazendo com que o loiro erguesse os dois braços indicando que não estava numa posição ofensiva - , o que houve?
- Nada, Dougie, eu só quero ir para casa, ok? - respondeu com a voz trêmula.
- Você não vai dormir lá em casa hoje? - Ele perguntou parecendo decepcionado.
- Não, hoje quero ficar sozinha, não quero incomodar ninguém.
- Mas você não incomoda…
- Até mais, Dougie. - disse virando-se de costas dessa vez não recebendo nenhuma restrição por parte do baixista que ainda parecia atordoado demais com o rumo do que parecia ser a primeira briga entre eles.

***

Confuso. Perdido. Talvez culpado.
Dougie não sabia ao certo como definir seu estado de espírito naquele momento, mas a julgar pelo aperto no peito e a sensação constante de desconsolo, era possível afirmar que ele não estava nada satisfeito.
Desde o pequeno desentendimento protagonizado pelo baixista e por , um leque de questionamentos inundaram a mente do garoto que procurava compreender o que raios havia feito para dar início àquele embate tão repentino e despropositado.
“O que eu disse de errado para que ela explodisse daquele jeito?”
Pensou Poynter, pela milésima vez no dia.
“Querer conhecer a família e a vida da namorada deveria ser considerado algo bom, então por qual razão simplesmente surtou quando levantei o assunto?”
Namorada.
Apesar de o pedido não ter sido realizado, Dougie tinha plena certeza de seu desejo por oficializar a relação. A garota frequentava sua casa, criou vínculo com os seus amigos e foi inspiração para a criação de uma nova canção. A seu ver, tais eventos caracterizavam um namoro, por este motivo, relembrar dos gestos esquivos de só intensificava a sucessão de dúvidas acerca do abismo criado entre os dois sempre que ela demonstrava sua impenetrabilidade enigmática.
Dougie tentava ignorar a irritante pulga atrás de sua orelha, a qual insistia em lhe alertar que existia algo de errado em . Seu lado sensato o mandava parar de ser um panaca e simplesmente respeitar a personalidade contida da garota. O seu lado ressabiado, contudo, o importunava com as diversas vezes em que notara os olhos de tornarem-se subitamente nebulosos, como se algo sério a estorvasse. Como se ela escondesse uma parte de si que não podia ser revelada, e isso o magoava.
“Então estar apaixonado é isso, afinal. Importar-se com alguém a ponto de passar a porcaria do tempo inteiro pensando em um modo de fazer a pessoa feliz, sentir-se preso a uma sensação contínua da pior ressaca do mundo e agir como um tonto vinte e quatro horas por dia. Legal.”
Dougie virou-se de barriga para cima e fitou os pôsteres espalhados pela parede de seu quarto. O aroma adocicado do shampoo de encontrava-se impregnado ali, levando-o a meio-que-suspirar, meio-que-bufar.
Apaixonado.
“Porra, eu estou apaixonado. Merda.”
O McFLY mais novo ajeitou a postura e se sentou na cama, transpassando os dedos por entre os fios loiros.
“Converse com ela, Dougs. Brigas acontecem e são normais.”
E foi com o sábio conselho de Giovanna que o baixista ficou de pé em um pulo, passando pelos olhos inquisitivos de Jazzie que mal teve tempo de formalizar uma frase para dizer ao irmão apressado.
“Peça desculpas. Não seja estúpido e não estrague tudo, só para variar.”
Poynter repetiu para si mesmo enquanto percorria as ruas rapidamente, sentindo-se nervoso.
“Ela devia estar cansada, só isso. Posso introduzir o assunto com mais calma agora.”
Virou a esquina e seguiu o trajeto com atenção, refazendo o caminho que fizera na noite em que tomou os lábios da garota para si pela primeira vez.
Contornou a praça localizada próxima à residência da garota, dobrou a loja de conveniência e, por fim, avistou a casa de fachada branca revestida por tijolos.
Respirou fundo e, com o coração saltitando, apertou a campainha.
A figura surgida no instante em que a porta se abriu não foi exatamente o que ele esperava encontrar.
O baixista arqueou uma sobrancelha e fitou o rapaz à sua frente, perguntando-se mentalmente se estava no lugar certo. A gargalhada familiar ressoada de longe confirmou sua dúvida.
— Oi. A está? — Dougie indagou receoso.
— Oi, está sim. Eu sou o namorado dela. E você, quem é?
Poynter notou seus batimentos pararem por milésimos de segundos. O estômago se embrulhou e a cabeça deu um nó.
— Ei, o que pensa que está fazend… — Ouviu a frase da garota morrer no ar, bem como os risos, os quais cessaram de imediato.
Com os ombros baixos e a expressão tomada por desgosto, ele cravejou as íris azuladas em , que o encarava boquiaberta e espantada.

“What was I just about to discover
When I got too close for comfort?”





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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