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Última atualização: 15/09/2017

Prólogo


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"Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante...
O universo é um lugar vasto e diverso, cheio de mistérios e maravilhas que apenas os corajosos ou audaciosos o suficiente desbravam. Sua imensidão é composta por múltiplos planetas e sistemas das mais variadas naturezas; gelados, desérticos, florestais, urbanos. Estes mundos tão diferentes são habitados por seres humanos, alienígenas e robóticos das mais variadas espécies e tipos, vivendo em harmonia ou não, que possuem costumes e culturas singulares, tornando a Galáxia um lugar ainda mais amplo.
Todos estes seres e lugares eram regidos há anos pela chamada República Galáctica – um governo democrático que abrangia todo o universo, e era exercido pelos líderes de cada um dos planetas, que reuniam-se no Senado onde cada rei, presidente e primeiro ministro falava pelos interesses de seu povo. Juntos, eles legislavam em prol do bem de todo o universo, e assim se mantinha o equilíbrio.
Para manter-se de pé e efetiva, a República contava com poderosos aliados. Os responsáveis por proteger a democracia e zelar por seu bem estar, mantendo a sintonia entre os diferentes planetas, eram os corajosos e honrados Cavaleiros Jedi. Membros de uma prática antiquíssima de religião, estes cavaleiros eram treinados como guerreiros destinados a manter a paz e a justiça na Galáxia.
Através de vários anos de intenso treinamento, os Jedi desenvolviam habilidades como telecinese, controle da mente, aprimoramento dos sentidos e previsão do futuro. Além disso, eram especialistas nas artes do combate com sabre de luz, uma arma muito perigosa, mas que era utilizada apenas em ocasiões extremas, já que os Jedi seguiam um rígido código de conduta que não os permitia uso de violência. Eram pessoas extremamente sábias, justas, pacíficas e corajosas que faziam de suas vidas uma missão de paz e altruísmo.
Para obter tantas habilidades especiais que os tornavam praticamente invencíveis, os Jedi utilizavam algo que chamavam de Força – um campo invisível de energia que cerca todos os seres vivos e os interliga, trazendo a eles equilíbrio e harmonia. A Força é responsável por definir e controlar o destino de todos, e os Jedi eram capazes de ouvi-la e compreender seus caminhos, utilizando-a para proteger os fracos e defender o bem. Segundo eles, a Força escolhe quem será capaz de senti-la e controlá-la, dando a estes escolhidos uma sensibilidade especial e a oportunidade de desenvolver incríveis habilidades a partir dela.
O que determina tal sensitividade em um ser humano ou alienígena são as midi-chlorians; estas são partículas microscópicas que vivem em conjunto com as células de todos os seres vivos, em simbiose com elas, sendo sua conexão com a Força e todo o seu plano de equilíbrio que rege o universo. Quando essas partículas estão presentes em concentração elevada no corpo de um ser, ele é capaz de senti-las e portanto tem uma conexão mais ampla com a Força. Esta conexão pode ser explorada de modo a trazer muitas aptidões especiais, e os seres que a possuem podem ser treinados desde a infância para tornarem-se Cavaleiros Jedi. Quanto maior a quantidade de midi-chlorians que o indivíduo possui, maiores são os seus poderes.
Os Jedi eram regidos por um severo código e doavam suas vidas inteiras à missão que haviam recebido, pois acreditavam que a Força lhes abençoara com seus poderes para que buscassem defender a verdade e a benevolência. No entanto, alguns dos que eram dotados da mesma sensibilidade, acreditavam que seus poderes deveriam ser utilizados apenas em benefício próprio, e utilizavam a Força para fins egoístas e maléficos. Estes seres, chamados Sith, pertenciam ao Lado Negro, que era corrompido pelo ódio, pela ganância e pelo medo. Os Sith tentaram por várias vezes conquistar a Galáxia para transformá-la no reino das sombras, e há milênios eram os principais inimigos dos Jedi.
O Lado Negro e o Lado Claro coexistiam em árdua guerra. Várias batalhas entre os dois foram travadas ao longo dos séculos. Ambos tiveram muitas vitórias e derrotas, porém, há muito tempo o domínio da Galáxia pertencia aos Jedi, que tinham uma aliança com o governo da República. E por muito tempo as coisas permaneceram assim, em paz e sincronia.
Porém, o veio renascer do Lado Negro e de toda a sua maldade. Por meio de um golpe de estado perfeitamente orquestrado, um lorde Sith chamado Darth Sidious, que por anos esteve disfarçado dentro da República como um senador, conseguiu quebrar o ciclo de domínio Jedi. Ele tomou o poder da República com a ajuda de seu aprendiz, Darth Vader – um dos Jedi mais poderosos de todos, que foi seduzido pelo Lado Negro e juntou-se aos Sith, traindo seu próprio povo. Unidos, Sidious e Vader dizimaram e extinguiram os Cavaleiros Jedi, e então instalaram um regime militar ditatorial na Galáxia, do qual Sidious era o Imperador. O chamado Império era um governo antidemocrático e extremamente opressor, que jogou o universo numa desgraça sem por décadas.
Foi durante o domínio deste governo que cresceu um rapaz de nome Luke Skywalker. Órfão, ele vivia com seus tios em um planeta desértico e isolado do resto da Galáxia, e levava uma vida mansa e pacata, sonhando em um dia tornar-se um aventureiro.
Tais aventuras vieram até Luke quando informações cruciais sobre os planos do Império, que estava construindo uma imensa arma destruidora de planetas em segredo, caíram em suas mãos por acaso, na memória um de androide de serviço usado que ele comprara.
O androide que carregava as informações secretas levou Luke Skywalker até Obi-Wan Kenobi, um antigo Cavaleiro Jedi que conseguira sobreviver ao genocídio e estava escondido em seu planeta desde que o Império assumira o poder. Obi-Wan conhecia o falecido pai de Luke, Anakin Skywalker, de quem o menino não sabia nada a respeito. Kenobi lhe contou que Anakin era um Jedi como ele, e havia sido assassinado por Darth Vader – o aprendiz traidor que levou os Jedi a extinção e o Império ao poder.
Luke Skywalker, que passara a vida toda isolado do resto do universo, de repente viu-se diretamente envolvido com o problema. Após a morte de seus tios, o garoto aceitou ajudar Obi-Wan Kenobi em sua missão, e ser treinado por ele para tornar-se um Cavaleiro Jedi como seu pai um dia foi.
As informações sobre a nova arma do Império, a Estrela da Morte, precisavam ser levadas urgentemente à Aliança Rebelde – uma resistência armada que se opunha ao governo e que há anos tentava derrubar o Imperador Darth Sidious do poder. Com a ajuda de um caçador de recompensas pilantra e falastrão, chamado Han Solo, Luke e Obi-Wan conseguiram evitar que os soldados do Império recuperassem os planos, e resgataram a princesa Leia Organa, uma das líderes da Aliança Rebelde, que tinha sido mantida como refém pelo Imperador. Agora, a Aliança precisava encontrar uma forma de destruir a nova arma exterminadora de planetas e derrubar o Império de uma vez por todas.
Durante a missão, mestre Obi-Wan treinou o jovem Skywalker nas antigas e adormecidas artes Jedi, antes de sua morte em combate. Seus ensinamentos foram finalizados por Yoda, um Jedi sábio que vivia há muito tempo em exílio em um planeta distante e pantanoso. Ao concluir seu treinamento e aprender a usar todas as habilidades que seu vasto poder na Força o trazia – predisposição que herdou de seu igualmente poderoso pai – Skywalker estava pronto para enfrentar seu destino e combater o temido e maléfico Darth Vader, vingando seu pai e trazendo a Luz de volta.
Porém, a história que Luke conhecia sobre o passado de seu pai tinha informações obscurecidas. Para ele, Anakin Skywalker era um poderoso Jedi, que fora assassinado por Darth Vader, o homem responsável por extinguir os Cavaleiros. No entanto, tudo aquilo não passava de uma grande metáfora. Darth Vader e Anakin Skywalker eram, surpreendentemente, a mesma pessoa. Um nunca havia assassinado o outro, um dera lugar ao outro no momento em que Anakin voltou-se para o Lado Sombrio, e então tornou-se Darth Vader.
Anakin Skywalker fora um inocente garoto de infância humilde, que vivia como escravo, e foi resgatado de tal vida para ser treinado nas artes Jedi pelo mestre Obi-Wan Kenobi. Skywalker era um talentoso e valente Jedi com um poder enorme e sem precedentes, o que fazia com que os Cavaleiros acreditassem que ele era O Escolhido – um guerreiro aguardado há muito tempo, que segundo uma antiga profecia teria um poder enorme e seria o responsável por trazer equilíbrio para a Força.
No entanto, o rapaz sempre fora assombrado por um enorme orgulho e possuía muita raiva em seu coração, o que o tornava propenso ao Lado Negro da Força. Anakin era apaixonado por Padmé, uma senadora com quem tinha um relacionamento sigiloso, já que os Jedi não tinham permissão para amar. Ele tinha muito medo de perdê-la, e ao prever que ela morreria no parto do bebê que esperava, o rapaz desesperou-se. Darth Sidious aproveitou-se da instabilidade de Skywalker e o converteu para um Sith, com a promessa de que salvaria a vida da mulher que ele amava. Sidious fez dele seu aprendiz e utilizou o grande poder que ele possuía para destruir os Jedi e firmar-se no trono.
Após converter-se para o Lado Negro, Anakin acabou queimando em seu próprio ódio num rio de lava fervente, o que lhe rendeu ferimentos permanentes que o obrigaram a passar o resto da vida dentro de uma armadura metálica, que era a única coisa que o mantinha vivo. Após o acidente, ele assumiu totalmente a identidade de Darth Vader, abandonando sua bondade e intensificando ainda mais seu ódio. O Imperador não cumpriu a promessa que fez a Anakin, e Padmé morreu deixando dois filhos recém-nascidos para trás – um deles era Luke, e a outra era sua irmã gêmea da qual ele até ali não tinha conhecimento. Leia Organa, a princesa que liderava a Aliança Rebelde e a garota por quem Luke quase ousara se apaixonar, era a Skywalker perdida. Os dois foram separados ao nascimento e mantidos a salvo de Vader, que jamais poderia saber da existência deles enquanto fosse aliado do Imperador.
Obi-Wan manteve tudo aquilo em segredo para proteger o jovem Luke. Mas aquela era a verdade sobre suas origens. Anakin Skywalker e Darth Vader eram então a mesma pessoa – e seu arqui-inimigo era na verdade, quem lhe dera a vida. O homem que fez todas as escolhas erradas e levou a Galáxia até a perdição.
No entanto, Luke seria incapaz de assassinar o próprio pai. Por isso, tentou trazê-lo novamente para o Lado da Luz, mostrando que ainda havia bondade Jedi dentro dele. O temível Darth Vader rendeu-se ao reconhecer o amor do filho, e ele e Luke uniram-se para derrotar o Imperador e destruir o Império, jogando-o contra as fuselagens de sua arma destruidora de planetas. Vader morreu após o combate, fraco e debilitado pelos ferimentos, e Luke Skywalker transformou-se no maior herói da Galáxia, tornando-se o último Cavaleiro Jedi e trazendo paz para o universo novamente.”


— Conte outra vez, conte outra vez!
— Não, está na hora de dormir. Além disso, já te contei essa história muitas vezes, pequena.
— Por favor, mestre Keet! Eu adoro ouvi-la!
— Você me pede para contá-la quase todos os dias. Nunca se cansa dela?
— Não mesmo. Luke Skywalker é meu herói favorito!
— Eu sei disso. – Riu-se o homem. – Boa noite, Ameenah.
— Não! Conte outra, então.
— Qual você quer?
— Aquela outra sobre os Jedi. A que fala sobre as guerras, os exércitos, as naves, a Força! – Exclamou a garotinha, jogando-se na cama e abrindo os braços com grandeza.
— Seus pais não gostam que eu lhe conte essas histórias.
— E por que não? Você era um deles, não era?
— Já fui. Mas não como os que lhe conto nas minhas histórias.
— Me conte suas próprias aventuras, então.
— Não fui um Jedi como esses, que lutaram em grandes guerras com naves e sabres de luz. Minha jornada nem foi assim tão longa. Eu afastei-me, pois a Força me disse que eu teria outra grande missão em meu caminho.
— E qual era?
— Treinar você, Ameenah. Pois um dia, você se tornará uma grande Jedi.


Capítulo 1


Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...
O Universo inteiro estava em festa. A felicidade reinava em todos os planetas e sistemas, tomando conta de cada ser vivo humano e alienígena existente. Não havia mais escravidão, medo ou violência. O Império finalmente caíra, e a Luz triunfara sobre as Trevas. Luke Skywalker, o último cavaleiro Jedi, uniu-se aos rebeldes da Aliança e juntos destruíram a Estrela da Morte, acabando com todo e qualquer sinal de escuridão na Galáxia. O terrível e cruel Darth Vader havia morrido, juntamente com seu mestre maligno, Imperador Sidious, que sucumbira aos reflexos do próprio ódio. O antes tão poderoso Lado Negro agora não passava de uma história a se contar para gerações futuras. Não havia mais nada para temer. Finalmente, tudo estava em paz.
Mas não por muito tempo.
A Galáxia se reconstruía aos poucos, a normalidade se recuperava depois do domínio das sombras e as pessoas retomavam suas rotinas simples e felizes. Porém, cerca de um ano depois da queda do inimigo e da vitória triunfante, o jovem herói Luke Skywalker desapareceu.
Ninguém acreditou quando a notícia foi dada. O mais consagrado ídolo de toda a Galáxia desaparecera, sem mais nem menos, e ninguém sabia por que. Será que foi morto? Será que fugiu? Será que enlouqueceu? Nem as pessoas mais próximas a ele tinham essas respostas, pois o rapaz pareceu fazer questão de que ninguém jamais o achasse outra vez. Nenhuma pista ou dica foi deixada pelo grande salvador do Universo.
O sumiço de Luke, além de causar comoção geral ao redor da Galáxia, deixou um grande vazio na vida de alguém. A princesa Leia, que agora não tinha mais nenhum membro da família ao seu lado, estava sozinha. Desde que descobriram a conexão familiar, o irmão Luke passara a representar segurança e estabilidade para ela, e seu desaparecimento a deixou perdida. A jovem estava sem rumo, com saudades de Skywalker, e se perguntava a razão de ele ter ido embora.
Luke lhe fazia falta não só por questões sentimentais, mas também porque vinha exercendo um papel muito importante em sua vida. Durante o ano de paz antecedente à sua fuga, Leia estava aprendendo sobre as artes Jedi com o irmão. Ele decidiu treiná-la, pois sabia que a Força era muito poderosa nela devido ao parentesco. Naquele período, Leia aprimorou suas habilidades e seu grande poder nato, e estava evoluindo, até o desaparecimento repentino de seu mestre.
Apesar de seu treinamento curto e prematuro, Leia possuía vastos poderes na Força e estava apta a usá-los, como a Skywalker genuína que era. Isso fez com que ela, alguns meses depois, detectasse uma presença na Força. Uma presença sombria, de uma forma que ela jamais havia visto igual. Enquanto tentava rastrear o irmão, ela notou o distúrbio do Lado Negro, alguém muito poderoso e cheio de ódio, que procurava ambiciosamente por destruição.
A Galáxia toda comemorava, achando que o mal jamais voltaria a atormentar os planetas novamente. Mas acontece que todos os males causados pelo Império teriam sido apenas o começo, se todo o ódio aprisionado naquela criatura sinistra realmente viesse à tona. Leia descobriu que a criatura sombria que detectara estava recrutando pessoas para o mal, e carregava consigo um enorme desejo pelo poder. Queria comandar a Galáxia, e estava colocando todas as suas energias na elaboração de seu plano perverso para que isso acontecesse.
Leia sabia que aquela criatura precisava ser detida, e sabia que, com a ausência de Luke, ela era a única que poderia fazer algo a respeito. Ninguém mais conhecia os caminhos da Força; só ela sabia como utilizá-la para o bem, portanto era responsável por isso. Então, para tentar impedir o retorno do Lado Sombrio, ela tomou uma decisão para fortalecer e potencializar o Lado da Luz.
Leia iniciou uma nova Academia Jedi, baseada nos ensinamentos de Luke durante seu curto treinamento com ele, e também em um velho caderno que ele deixou para trás com anotações sobre seu treinamento com Yoda e Obi-Wan. Ela desmanchou a Aliança Rebelde e contou com a ajuda de membros confiáveis da resistência, soldados com a presença da Força e estudiosos das artes Jedi para treiná-los e construir o que, em breve, seria a maior concentração de Lado Luminoso na Galáxia inteira.
Leia estabeleceu sua Academia no planeta tropical e praticamente inabitado de Tedros, onde foi construído um grandioso e majestoso palácio numa clareira por entre as florestas densas e altas do planeta. Lá houvera um antigo Templo Jedi uma vez, de onde foi possível resgatar informações e livros que contribuíram para a formação da nova Ordem. Um novo Conselho Jedi foi formado, instalações e templos foram construídos e então a nova geração de Cavaleiros Jedi foi criada, e saiu pela Galáxia em busca de recrutar novos aprendizes para a Luz.
Apesar de ter grande poder com a Força e habilidade com os sabres de luz, a princesa Leia decidiu não se tornar uma mestre Jedi. Ela atuava apenas na parte administrativa da Academia, com a ajuda de seus droids de utilidades R2-D2 e C-3PO, e concentrava-se em manter a ordem. Ainda assim, fazia parte do Conselho Jedi junto com os outros mestres, pois possuía grande sabedoria e poder, e ajudava em todas as decisões tomadas por eles. E era assim que Leia levava sua missão, aguardando pela volta de seu irmão há muito tempo desaparecido, na esperança de que ele um dia retornasse para ajudá-la a combater o inimigo desconhecido.
Logo após a Academia ser construída, a princesa casou-se com o famoso contrabandista Han Solo, e os dois tiveram uma filha. Solo, que por sua vez era um grande piloto, tornou-se, ao lado de seu companheiro Chewbacca, o capitão da frota de naves do novo governo que sucedeu o Império - a chamada Democracia Intergaláctica.
O novo sistema governamental instalado na Galáxia após o Império visava a realização do bem maior para todos os planetas, luas e sistemas, por meio de discussões e debates promovidos entre seus líderes. Todas as federações e organizações governamentais foram abolidas para evitar conflitos, e tudo se resumia ao grupo de diplomatas. Anteriormente, estes foram membros da Aliança Rebelde ou de movimentos de resistência ao Império em seus próprios planetas, e após a queda se reuniram para elaborar uma nova Constituição que regeria a Galáxia. Todo mês os governantes de cada planeta, eleitos pelo povo ou de liderança hereditária, se reuniam na capital de Rasul – uma enorme nave estacionada no espaço que possui uma cidade construída em seu topo, tão grande que passou a ser considerada um planeta - para debater problemas e encontrar soluções, e assim, gerenciar e manter a paz.
Os Democráticos não reconheciam os novos Jedi como aliados do governo, e as instituições política e religiosa não trabalhavam juntas como acontecia durante a República. Os novos líderes temiam quem quer que acreditasse na Força, por medo que o Lado Negro dominasse a Galáxia novamente. Alguns Democratas mais radicais até sugeriram que a religião fosse proibida por temerem o retorno do Império - o que só não foi feito pois o grande herói da batalha contra o Imperador, Luke Skywalker, se denominava um Jedi, e os líderes sabiam da simpatia que o povo criara por ele e sua doutrina. Portanto, os Jedi eram reconhecidos simplesmente como uma religião, para evitar conflitos.
E então cada coisa encontrou o seu devido lugar. A Democracia Intergaláctica ascendeu e a nova Academia Jedi crescia a cada ano com mais e mais aprendizes. Tudo voltou a funcionar e se estabilizou na mais pura ordem. Mas acontece que nem tudo estava perfeito.
Alguns anos depois da construção da nova Academia, algo surgiu para perturbar a paz. A estranha presença sombria na Força, que permanecera estável durante aquele tempo, decidiu revelar-se para toda a Galáxia – e da forma mais cruel possível. O renascido Lado Sombrio realizou um ataque com tropas de soldados ao pacífico planeta Nassor, que nos últimos anos se tornara uma grande referência de comércio, cultura e política. Por meio do caos e da destruição, a presença negra finalmente revelou-se e pôs seu plano em prática. Um novo Lord Sith misterioso intitulado Darth Styg apresentou o seu poder de devastação aos demais sistemas, invadindo e destruindo a capital do planeta com suas tropas. Mostrou que Leia estava certa ao se preocupar com sua existência, pois Darth Styg era mais maligno e poderoso do que jamais foi visto antes, e deixou claro que aquele episódio seria apenas o começo da devastação que estava por vir.
O atentado a Nassor serviu como aviso. Um aviso de que a paz que por anos fora pregada era falsa, e que o Lado Negro ainda existia e não considerava a guerra entre os dois lados da Força como vencida. Tudo que se sabia desde então era que Darth Styg escondera-se em algum lugar perdido pela Galáxia após o atentado, pois apesar de fortes, suas tropas ainda não estavam prontas para o que ele planejava. O maior objetivo do seu ataque foi assustar aos governantes e súditos com um show de demonstração do seu horror. Além de, é claro, alertar a todos os simpatizantes do Lado Negro de sua presença, para que se juntassem a ele e se alistassem para o exército, para tentar tomar o poder e governar o Universo.
Porém, muitos duvidaram disso. Achavam que a história de Darth Styg não passava de charlatanismo, e era uma tentativa de assustar a população ou abalar a Democracia Intergaláctica e seu recém-nascido e prematuro governo. Acreditavam que a ressurreição do Lado Negro era terrorismo barato, comprado por adeptos ao Império e radicalistas violentos. As opiniões eram divididas, mas ninguém estava a salvo. Algo estava errado.
No entanto, em meio às cinzas do ataque, muitas surpresas apareceram e detalhes do passado há muito tempo ocultos se revelaram. Aquele era só o começo de uma jornada que ninguém era capaz de prever. Durante a calmaria, os Jedi se ativeram a combater adversários menos perigosos, como caçadores de recompensas ou contrabandistas. O governo manteve-se em alerta e os Jedi se prepararam, apenas esperando pelo próximo passo, e por muitos anos as coisas continuaram assim.

No alto de um dos terraços da Academia, um jovem Jedi observava o horizonte, contemplando a paisagem tropical do planeta Tedros. O vento agitava as copas das árvores e o sol refletia nas águas transparentes do lago, que serviam de espelho às nuvens e ao céu azul. Khali respirou fundo, sentindo o ar fresco invadir suas narinas e a tranquilidade tomar conta de si. Encostou-se na beirada da sacada, sentindo a brisa leve e agradável bater em seu rosto enquanto pensava.
O aprendiz havia acabado de retornar de uma missão com outros Jedi em Naboo, onde passou duas semanas combatendo contrabandistas e foras da lei – apenas uma operação de rotina. Todo o seu treinamento Jedi até ali tinha sido uma aventura, e ele adorava ser levado nas missões para aprender e descobrir cada vez mais coisas. Khali era um excelente aprendiz e sempre se destacara em seus treinamentos, pois era muito habilidoso e poderoso desde o primeiro dia. Esperava que seu desempenho em Naboo só tivesse somado para que o Conselho finalmente o promovesse a tão sonhada posição de mestre.
Até ali, a trajetória do garoto como Jedi havia sido excelente. Sempre tivera muito exigido de si, pois a expectativa que existia em cima de seu poder era grande. Khali sabia que suas habilidades e principalmente sua identidade sempre lhe trariam muitas responsabilidades a onde quer que fosse, pois o sangue que corria por suas veias era poderoso. Tudo graças ao seu pai, de quem herdou toda a grandeza: Luke Skywalker.
O garoto deveria honrar aquela descendência, e apesar de ser uma grande responsabilidade, ele se orgulhava de carregá-la. Tudo que queria era trazer glória ao sobrenome de seu pai pela própria trajetória como Jedi, mesmo que ele pudesse jamais voltar. Khali nascera para ser um cavaleiro, o poder e a busca pela Força estavam em seu DNA. E até agora, isso tudo tinha sido de grande serventia para a Ordem Jedi, que o tinha como uma das maiores promessas para o futuro por ser um de seus aprendizes favoritos.
Apesar de apreciar a aventura, aqueles breves momentos de paz e tranquilidade eram valiosos para Khali. O jovem padawan fechou os olhos, sentindo a Força correr por tudo que estava a sua volta. Adorava fazer aquilo. Sentia as plantas, o vento, a água do lago e as folhas das árvores sendo agitadas pela brisa, tudo em sua mente. Parecia que, por um momento, ele tinha o controle sobre tudo. Era uma sensação maravilhosa de sintonia com o Universo, e com tudo que pertencia a ele.
Então, uma presença poderosa e conhecida apareceu em seus sentidos, e ele abriu os olhos para encontrá-lo. Era Yerodin, seu mestre, que retornara após fazer o relatório da missão para o Conselho Jedi. Ele se aproximara de Khali para conversar.
— Meditando sobre a missão, meu jovem aprendiz? – Disse ele, e o rapaz sorriu.
— Estou apenas relaxando um pouco. Os últimos dias foram agitados, apesar da lerdeza daqueles contrabandistas. – Disse Khali, virando-se para o homem.
— Sua performance em Naboo foi realmente ótima, Khali. Estou orgulhoso de você. – O mestre disse, fazendo o coração do aprendiz encher-se de felicidade.
— Obrigado, mestre Yerodin. Fico satisfeito em ouvir isso.
— Pois tem todo direito de ficar. – Falou o Jedi. – Seus poderes estão se tornando mais fortes a cada missão em que é enviado, e seu treinamento tem dado ótimos resultados. O Conselho está analisando meu pedido para finalizar sua jornada como aprendiz. Logo você deve se tornar um Jedi completo.
— Isso é ótimo, mestre. – Khali sorriu.
— Sua tia está orgulhosa de você. Pediu para que passe para vê-la mais tarde.
— Pode deixar, verei tia Leia assim que sair daqui. – Respondeu, sorrindo ao lembrar-se dela. Sentiu saudades durante a missão. – E então, houve alguma evolução nas investigações sobre o paradeiro de Darth Styg enquanto estivemos longe?
— Ainda não tive tempo de conversar mais a fundo com o Conselho depois da nossa volta, mas acredito que não. Tudo que sabemos é que a sua presença fica mais forte e mais sombria a cada dia. – O mestre disse preocupado, franzindo a testa e olhando para longe.
— É curioso, sabe... – Falou o padawan. – Há anos que ele nem sequer demonstra que está por aí. Será que faz tudo parte de algum plano?
— Ouça sua intuição, jovem aprendiz. A Força está desequilibrada e instável, o mal continua a crescer. Styg está tramando alguma coisa, eu posso sentir.
— E o que a Democracia Intergaláctica diz sobre isso?
— Nada, como de costume. Preferem fingir que o problema não existe e continuar a ignorar os pedidos do Conselho para ajudar e sair em busca dele. – Disse o homem, frustrado. – Eu entendo que os Democráticos queiram manter a calmaria na Galáxia, mas a paz criada por eles é falsa. Cedo ou tarde ela irá desmoronar.
— Arrisco em dizer que acontecerá mais cedo do que eles imaginam. – Disse Khali, encarando o horizonte mais uma vez.
— A Ordem Jedi precisa estar preparada para isso. Quando este dia chegar, nossos cavaleiros serão mais necessários do que nunca. São os únicos capazes de lutar com um adversário conhecedor da Força como Styg, e para isso precisam estar devidamente treinados. O Conselho vem fazendo várias reuniões para discutir este assunto. É por isso que voltei da missão de Naboo alguns dias antes que você e os demais. – Explicou o Jedi. – Estamos recrutando cada vez mais aprendizes, o que é bom. Mas o número de mestres graduados e aptos a treiná-los não cresce na mesma proporção, pois nossa Academia ainda é jovem. Por esta razão, o Conselho está tomando algumas decisões de emergência. – Disse Yerodin. – Vamos começar a aumentar o número de padawans instruídos por cada mestre Jedi, para que todos sejam treinados.
Então, uma voz feminina interrompeu a conversa dos dois cavaleiros.
— Mestre Yerodin Zuma? – Disse a garota, e os dois viraram-se para encará-la. – Desculpe, estou atrapalhando alguma coisa?
Uma jovem simpática em vestes de Jedi postava-se atrás deles, do lado de dentro da sacada, carregando um sabre de luz na cintura. Khali nunca tinha a visto por ali antes. Assim que a notou, Yerodin sorriu e foi cumprimentá-la.
— Olá, minha jovem. Que bom que está aqui. – Disse o Jedi, indo até a garota e a conduzindo para o terraço. – Meu caro aprendiz, está é Ameenah. Como eu disse, alguns mestres Jedi vão aumentar seu número de padawans. Eu serei responsável por treiná-la nas artes Jedi a partir de agora, simultaneamente com o seu treinamento. – Disse mestre Zuma, indicando a garota para Khali. – Ameenah, este é meu outro aprendiz, Khali Skywalker.
— É um prazer conhecê-lo. – Disse a garota, com um simples gesto simpático.
— Igualmente. – Disse Khali, um tanto desconfiado daquilo.
— Mesmo estando aqui há pouco tempo, já ouvi muito sobre o Skywalker. – Ela sorriu, e então se voltou novamente para Yerodin. – Espero não estar interrompendo nenhuma conversa importante entre vocês. Estava indo para o jardim, quando ouvi sua voz conhecida vindo da sacada.
— Não se preocupe, estávamos só confabulando sobre assuntos da Ordem. – Yerodin tranquilizou-a. Khali, que ficou pensativo por alguns segundos, falou em seguida.
— Não entendi muito bem essa decisão do Conselho, mestre. As regras da Ordem não dizem que cada mestre Jedi só pode treinar um aprendiz por vez?
— Bom, esta é uma situação peculiar. Precisamos treinar nossos cavaleiros, e como muitos mestres estão ocupados com as buscas por Darth Styg, o Conselho Jedi decidiu abrir algumas exceções e dar aos mestres mais experientes dois aprendizes ao invés de um. – Explicou Yerodin. – E além do mais, você já está quase finalizando seu treinamento, e logo não será mais meu aprendiz. Eu não terei dois padawans por muito tempo.
Khali analisou a garota cuidadosamente. Parecia tímida, mas determinada. Uma pequena trança Jedi típica de aprendizes pendia por entre seus cabelos loiros, e escondia-se entre as ondas. A menina era claramente muito mais velha do que um padawan no início do treinamento deve ser, pois deveria estar próxima dos dezoito anos, e a aquilo era estranho. Quem era ela, afinal?
— Ameenah é um caso especial de aprendiz. – Continuou mestre Zuma, explicando ao garoto como se soubesse de suas dúvidas. – Ela já tem conhecimento inicial, e foi primeiramente treinada por um antigo Jedi muito poderoso, chamado Horus Keet. Já lhe contei muitas histórias sobre ele, meu aprendiz, pois foi um grande cavaleiro – e também um grande amigo meu. O mestre Keet está aposentado, e durante seu afastamento da Ordem Jedi resolveu tornar Ameenah sua aprendiz e veio treinando-a. Ela chegou à Academia há mais ou menos uma semana, enquanto estávamos em missão. Ela tinha uma carta escrita por ele pedindo para que a aceitássemos como nossa aprendiz e a treinássemos para ser uma cavaleira. Voltei mais cedo de Naboo pois o Conselho queria que eu a conhecesse. Foi pedido que eu a treinasse.
Algo naquela história fez com que o rapaz tivesse um arrepio repentino. De uma coisa Khali não poderia discordar: a Força estava presente na menina, e ele sentia. Horus Keet era um grande Jedi, e não treinaria ninguém que não valesse a pena. Havia um mistério envolvendo aquela garota, e o rapaz estava intrigado por ele.
— Acredito que vocês dois se darão bem. Será uma honra...
Yerodin não foi capaz de terminar a frase. Naquele exato momento, um choque atingiu os três Jedis simultaneamente, causando um vazio repentino no peito e uma inquietação na mente. Haviam sentido um distúrbio na Força.
Não aconteceu apenas com eles. Subitamente, todos na Academia calaram-se ao mesmo tempo, captando a mudança brusca na energia. O impacto da oscilação veio como uma onda e alcançou a cada um, fazendo o palácio ficar imerso em calmaria absoluta por um instante, enquanto todos tentavam entender o que houve.
Então, de repente, um som ensurdecedor veio de cima quebrando a quietude, e todos olharam para o céu. De dentro das nuvens, surgiram enormes naves de modelo e origem desconhecidas, voando como lâminas negras que rasgavam a imensidão azul.
O mestre e os dois aprendizes desceram rapidamente as escadas para ver o que estava acontecendo. Ao chegarem ao andar de baixo, viram uma grande aglomeração de pessoas ao lado de fora, e correram para lá. As naves estranhas pousavam por todos os lados do gramado do jardim, e delas saíram centenas de soldados armados, que miravam na direção deles.
Aqueles soldados eram estranhos, ninguém tinha os visto antes. Eram inteiramente cinzentos, e seus uniformes se pareciam muito com roupas de gladiadores. Ostentavam armas grandes e carregadas com um laser brilhante e vermelho, as quais portavam na lateral dos corpos. Encaravam os Jedi com absoluta impassibilidade, parecendo altamente treinados e obedientes.
Todos estavam surpresos e assustados. Ninguém fazia ideia do que era aquilo, e a cada instante mais e mais pessoas se aglomeravam nas portas e janelas da Academia para ver o que estava acontecendo. Foi então que uma última nave aterrissou, esta com uma aerodinâmica diferente das demais. De repente, tudo ficou mais sombrio, e o ar se tornou gélido. Todos sentiram a que estava há muito tempo ausente, mas que ao mesmo tempo era inconfundível, presença do Lado Negro.
A porta principal da nave se abriu numa rampa, e por ela saiu uma criatura obscura; tinha boa parte do corpo mecanizado, envolto em uma armadura firme e robótica. Usava um aparato de respiração que cobria metade do seu rosto, e a única parte a mostra eram seus olhos, vermelhos e vibrantes de ódio. A pequena parcela de pele exibida próxima a eles era cheia de queimaduras e cicatrizes profundas; possuía uma capa comprida e negra presa às costas, e assemelhava-se a um sinistro e sombrio ciborgue. A criatura que trouxe junto a ela tudo aquilo que havia de ruim, e seu enorme desejo de destruição mais forte do que nunca.
— Styg – Disse mestre Yerodin, sem tirar seu olhar vidrado da figura à frente. Os dois aprendizes o encararam. – Aquele é Darth Styg. Ele voltou.
A cena era como um pesadelo horrível tomando forma. Toda a podridão da Força que há anos atrás havia assombrado a Galáxia retornara, para lembrar a todos o quanto foram privilegiados durante as décadas de paz. Pois agora, aquele tempo calmo tinha se esgotado. Acabou-se por completo no instante em que o primeiro tiro foi disparado, do blaster de algum dos soldados daquele exército da escuridão. E então, uma batalha começou.
Os tiros de laser começaram a vir na direção dos Jedi como uma nuvem brilhante. Logo, num ato de proteção, todos os mestres ali presentes se postaram a frente dos demais para defender os menos experientes. Usando as lâminas de seus sabres como escudos, eles defendiam os lasers desviando-os com movimentos circulares e rápidos, mas não era possível barrar todos. Já na primeira leva, alguns cavaleiros foram atingidos e caíram no chão.
O líder sombrio apontou para frente, bradando palavras em alguma língua desconhecida, e os soldados inimigos começaram a avançar, marchando ordenadamente em filas e portando suas armas laser. Os Jedi aprontaram seus sabres, e então começaram a descer as escadarias da Academia para ir de encontro com eles, e proteger o santuário de Força Luminosa.
Lutas corporais começaram. Os Jedi tentavam impedir uma possível invasão, bolando estratégias para barrar o inimigo desconhecido. Golpeavam os soldados sem parar, e se defendiam para evitar serem acertados pelos lasers.
O jovem Skywalker encontrava-se ao lado de seu mestre, batalhando com os soldados e dando golpes ágeis com seu sabre. Um tentava proteger a retaguarda do outro, e nova garota Ameenah estava logo a alguns metros deles. O rapaz nunca vira nenhum confronto como aquele. A iminência do retorno do mal lhe deu arrepios, mas ele precisava reagir. Atravessou um dos soldados cinzentos com seu sabre de luz, e então era menos um para a contagem das centenas que ali estavam.
O som dos sabres de luz, dos tiros de blaster e dos gritos de sofrimento tomaram o jardim antes tão pacífico da Academia. Muitos caíram, tanto de um lado quanto do outro. Quem olhasse de fora pensaria que aquela era uma cena da guerra civil de muitos anos atrás, mas era diferente. Era atual, outra vez. Exceto pelo medo, a dor e principalmente a competição entre o bem e o mal; aquilo era, e sempre seria igual.
Durante a batalha, os tiros pareciam vencer as espadas, e pouco a pouco os cavaleiros Jedi iam ao chão. Porém, estranhamente, os atingidos pelos tiros não estavam mortos. Sentiam uma dor agonizante, forte demais até para ficarem conscientes, mas continuavam vivos. As balas dos blasters dos soldados que os atingiam pareciam não surtir efeito. Aquilo tudo era muito estranho. Se o objetivo daquele ataque não era dizimar os Jedi, então qual era?
O grande vilão permanecera imóvel durante toda a batalha. Ficou postado com suas grandes pernas mecânicas na saída de sua nave, com um soldado armado de cada lado, apenas assistindo a tudo acontecer. Darth Styg sorria, o que era perceptível mesmo com um enorme pano cobrindo sua boca. Um sorriso cheio de malícia e crueldade, esbanjando o triunfo de seu retorno que prometia muito sangue e sofrimento, principalmente por parte dos inimigos Jedi.
A luta continuou durante algum tempo, com Jedis e soldados caindo no chão, e tiros e golpes rolando. Até que, sem mais nem menos, Darth Styg ordenou algo para seu exército na mesma língua estranha de antes, e todos começaram a recuar. Pouco a pouco, os soldados cinzentos se retiravam enfileirados, com os Jedis restantes ainda em seu encalço, enquanto adentraram novamente as naves em que vieram. E então, mantendo o mesmo sorriso diabólico no rosto, Styg lançou um último olhar ao estrago da batalha e em seguida entrou em sua grande nave, andando triunfante.
Sem dizer nada a respeito daquilo tudo, as tropas cinzentas, lideradas pelo recém-renascido lorde Sith decolaram em suas estranhas naves, desaparecendo da atmosfera tropical de Tedros antes mesmo que os Jedi pudessem tentar derrubá-las. Partiam sem razão aparente, deixando para trás uma porção de cavaleiros feridos e um monte de perguntas.
Poucos eram os estragos causados ao palácio da Academia, e inexistentes eram os números de mortos. Aquela batalha parecia totalmente sem sentido e sem propósito, e era isso que assustava ainda mais os Jedi. Jamais teriam sido poupados por pura clemência. Pouco a pouco, as coisas foram se acalmando e os feridos foram sendo levados para dentro do prédio para receberem atendimento.
— Mestre, o que foi tudo isso? – Disse Khali confuso, aproximando-se de Yerodin, que estava sujo e desgastado. – O que significa esse ataque?
— Eu não sei, caro aprendiz. – O Jedi respondeu, ofegante. – Mas Darth Styg está de volta. E o que acabou de acontecer aqui foi o retorno poderoso e definitivo, não só dele, mas do Lado Negro também, prontos para assombrar a Galáxia novamente.

Capítulo 2


O ar que circulava pela Academia era de dúvida e medo. A maior ameaça iminente da Galáxia acabara de realizar um ataque ao melhor grupo de guerreiros que existia, e seu exército os tinha derrotado com uma arma que não matou ninguém.
Após o ataque surpresa das tropas de Darth Styg ao palácio, os atingidos pelos estranhos tiros de laser foram recolhidos para serem atendidos. Um dos salões de reunião da Ordem Jedi teve de ser transformado em hospital, pois só a enfermaria convencional não comportou todos os feridos.
Ninguém sabia o que eram aqueles blasters das tropas cinzentas. O ferimento causado por eles era mínimo, mas a dor que os atingidos sentiam era imensa. Parecia uma simples queimadura leve na superfície da pele, porém o incômodo ia até bem mais fundo, deixando os Jedi incapazes de sequer levantar.
Pessoas corriam para lá e para cá o tempo todo. Os cavaleiros que não estavam debilitados ajudavam nos reparos do jardim que fora o campo de batalha do lado de fora, enquanto outros se preocupavam com o atendimento dos enfermos. Mas a dúvida sobre o que tinha acontecido e o porquê, eram comuns a todos eles.
Tudo estava muito estranho e confuso, especialmente para a mais nova pupila da Academia, que mal conhecia o lugar ou as pessoas dele. Ameenah estava perdida no meio daquela confusão, tentando entender o que tinha acontecido, e o que era tudo aquilo que acabara de presenciar. A garota tentou se inteirar, ajudou como pôde cuidando de alguns feridos. Depois, se afastou do caos para tomar um pouco de ar fresco.
Era muita coisa acontecendo de uma vez, um desespero generalizado difícil de acompanhar. Aquilo tudo a deixou assustada, mas ao mesmo tempo muito curiosa. Ameenah foi até o lado de fora do salão principal, para refrescar um pouco os pensamentos de sua curta e conturbada estadia na Academia. Chegando lá, viu Khali, o outro aprendiz de seu mestre, conversando com alguns Jedi. Ele era um rosto conhecido, e talvez soubesse lhe explicar alguma coisa. Assim que os outros se afastaram, ela caminhou até ele.
— Você tem alguma ideia do que aconteceu? – Perguntou ela, usando suas últimas esperanças de conseguir uma resposta.
— Acho que ninguém tem – Respondeu o rapaz virando-se para ela, frustrado. – Só o que sabemos é que Styg retornou de seu esconderijo e aparentemente não gosta muito dos Jedi. Mas o que ele quer e por que não nos matou, eu não sei. – Khali terminou a fala, e suspirou para relaxar em seguida.
— Acha que desta vez ele voltou pra valer? – Ela perguntou.
— Bom, por enquanto não adianta ficarmos desesperados. Cedo ou tarde Styg voltaria, sabíamos disso. Só precisamos entender exatamente o que isso significa, e reerguer a Ordem o mais rápido possível. Mas paz e serenidade da Galáxia acabaram, devemos nos preparar. O Conselho tem que se reunir pra discutir, estudar o que aconteceu e decidir o que fazer, e então, seguiremos o que eles mandarem.
— É o melhor a fazer. – Respondeu Ameenah. Ela não pôde deixar de reparar no quanto o garoto soava como um mestre ou cavaleiro experiente enquanto falava. – Você parece conhecer muito bem as coisas aqui. — Comentou.
Normalmente, Khali não seria tão simpático com um forasteiro misterioso como aquela garota. Mas ela parecia querer alguém pra conversar, e estava um tanto perdida por ser nova no lugar. É o que Yerodin iria me mandar fazer, ele pensou.
— Bom, eu moro aqui desde bem pequeno – Khali contou. – É meio inevitável. Sabe, está tudo meio caótico por aqui, mas a Academia é um bom lugar para se estar. – Disse, tentando abafar o clima de tensão. – Você vai ver, logo você vai se adaptar.
— É o que eu espero. Treinar aqui é muito importante pra mim.
— É como um lar, sabe? Por isso o ataque ao palácio mexeu tanto com todos aqui. Sentimos como se fosse nossa casa sendo invadida. – Khali continuou. – Especialmente eu. Não sei o que seria de mim se não estivesse aqui, com todos os mestres e também com minha tia Leia.
Ameenah se impressionou com o fato de o garoto se referir à grande e poderosa Leia Organa como “tia Leia”, fazendo soar tão natural.
Tia Leia... – Ameenah deu uma risadinha e fez uma pausa. – Então você é de fato o famoso Skywalker, não é mesmo?
O rapaz sorriu de lábios fechados.
— Sou sim. Mas só Khali está bom.
— Não gosta de rótulos? – Ele concordou, e Ameenah sorriu. – Entendo. É difícil estar na sombra dos pais em todo lugar por causa do seu nome. É como se você fosse obrigado a ser igual a eles.
— É mesmo. – Khali respondeu, e em seguida franziu a testa. – Como você sabe?
A garota pareceu processar a pergunta.
— Ah – Ela sorriu sem graça. – Eu também sou reconhecida por causa dos meus pais. Acontece o tempo todo.
— E quem são seus pais? – Khali perguntou, curioso. Embora, agora que ela mencionara, seu rosto lhe parecia familiar.
— São os Governantes-Reais de Nassor. – Ela respondeu. – Muito prazer, pode me chamar de sua alteza real, princesa Ameenah Zulai. – Ela disse, curvando-se para fazer uma reverência nobre em tom de brincadeira.
Agora sim Khali ligara os pontos. Nassor era um dos planetas mais fortes e influentes da Galáxia, e era reconhecido por sua grande inteligência política, seu poder econômico e sua rica cultura. Ele já tinha o visitado em missões da Ordem Jedi, e era um dos planetas mais bonitos que já vira, bem desenvolvido e com uma natureza muito exuberante. Além disso, foi neste planeta que ocorreu o primeiro atentado realizado pelas tropas de Darth Styg, o qual revelou sua existência para toda a Galáxia e chamou simpatizantes. Seus Líderes-Reais eram muito poderosos, altamente influentes na Democracia Intergaláctica, e Khali sabia que eles tinham uma filha.
— Oh, sim – Khali disse, após seu momento de clareza. – Nassor é um planeta realmente bonito, eu gosto de lá.
Aquela informação chamou a atenção do rapaz. Ameenah pertencia à realeza, era filha de alguns dos governantes mais importantes da Galáxia. Não era comum que pessoas atreladas à política, e ainda mais princesas, treinassem para se tornar Jedis. A maior parte dos Democratas nem sequer acreditava na Força e sua doutrina, e era raríssimo que gente desse tipo se envolvesse com assuntos Jedi. Por que será que a princesa de Nassor o fez?
— Isso é curioso, sabe... – Disse Khali. – O que uma princesa da Democracia Intergaláctica faz treinando para tornar-se uma Jedi?
— Sua pergunta não me impressiona. – Ameenah riu. – Naturalmente, eu deveria estar em algum congresso Intergaláctico tratando de assuntos políticos, ou então em casa no palácio aprendendo sobre regras de etiqueta. É onde todos esperam que uma princesa esteja. – Disse ela. – Mas eu nunca gostei muito dessa coisa toda.
— E por que não? Sempre achei que assuntos políticos fossem muito interessantes. — Falou Khali, tentando ter mais informações.
— Não pra mim. Ao contrário dos meus pais, os honoráveis Karasi e Rashid Zulai. – Ameenah disse com certa ironia. – Eles sempre me criaram para ser uma dama diplomática, me ensinando tudo sobre a burocracia e cordialidade. Eu passava a maior parte do tempo no palácio tendo lições ou os acompanhando em viagens da Democracia Intergaláctica, e eles pretendiam que, futuramente, eu fosse a sucessora do trono deles em Nassor. Mas eu nuca quis isso. A vida de princesa nunca me interessou, eu sempre achei que deveria fazer algo diferente. Não queria ser governante, queria ajudar as pessoas. Como os Jedi fazem.
— Mas os Democratas também fazem isso. Eles criam leis e discutem medidas para tornar a Galáxia um lugar melhor para todos, não é?
— Isso em teoria. Quando participava das reuniões do Parlamento, tudo que eu via eram homens e mulheres velhos e ultrapassados, que no fundo eram medrosos demais para enfrentar problemas e não estavam muito interessados no bem da Galáxia. – Ameenah explicou. – Os Jedi não. São cavaleiros honrados e corajosos, que doam seu destino para proteger as outras pessoas, e que abrem mão da própria vida para proteger a dos outros. Eu queria ser assim. Queria poder viver aventuras, participar de missões, salvar pessoas, lutar contra o mal, defender a paz e toda a Galáxia. É um significado muito mais nobre para dar a sua vida, e é muito mais válido do que sentar atrás de uma mesa e discutir planos sem efetividade.
— É um belo ponto de vista. – Disse Khali, surpreso. – Mas e seus pais, o que acharam disso? Quer dizer, eles aceitaram que você deixasse de lado a vida política para se tornar uma Jedi?
— Eles nunca gostaram, mas não foi uma decisão deles. – Ameenah disse, e Khali pode sentir um pouco de tensão naquela frase. – Eu sempre gostei dos Jedi, desde criança. Costumava ouvir histórias sobre eles e vivia sonhando em me tornar uma. No fundo, eu sempre senti que deveria fazer algo a mais, e que a vida que eu levava em Nassor não era pra mim. Tudo que eu queria era sair dali e treinar. Mas os meus pais nunca aprovaram. Diziam que era perigoso demais, que eu teria que abrir mão de muitas coisas e que a vida de um Jedi era muito difícil, além de, é claro, não acreditarem na Força. Eles sempre tentaram me convencer a desistir, principalmente a minha mãe. Ela tinha horror a essa ideia, achava que eu ia acabar morta ou então que algo de muito ruim iria me acontecer.
— É, a vida de um Jedi não é exatamente calma e pacífica... – Khali brincou. – É muito difícil ir contra aquilo que todos esperam de você e fazer algo diferente. Mas... então como você acabou aqui, afinal? Qual é a sua história?
— Bem, como você notou meus pais tem mania de superproteção. Devido à vida política deles em Nassor, e ainda mais depois do ataque de Darth Styg ao nosso planeta, eles temiam que alguém que quisesse atingi-los ou chantageá-los pudesse tentar me usar para isso e fazer-me mal. Por isso, assim que eu aprendi a andar eles contrataram um guarda costas pra mim, que era um Jedi aposentado. Eles achavam que seria melhor do que um guarda convencional, pois, por ter habilidades sensitivas, um Jedi conseguiria sentir qualquer problema antes mesmo de acontecer, e isso impediria que eu fosse exposta a qualquer situação. – Ela explicou. – O Jedi que meus pais procuraram era Horus Keet, que como você sabe, foi meu primeiro mestre. Ele tinha se ferido gravemente em uma batalha Jedi e perdido uma das pernas, e portanto decidiu se afastar da Ordem. Por isso meus pais o procuraram. Ele aceitou a oferta, colocou uma prótese mecânica e então se tornou meu vigia durante vinte e quatro horas por dia. Horus era como se fosse minha babá, estava sempre cuidando de mim e ia pra onde quer que eu fosse... e também foi responsável por me contar grande parte das histórias de Jedi que me fizeram querer ser uma. Ele me falava sobre as grandes batalhas, sobre os tempos sombrios do domínio do Império, sobre a vitória da Aliança Rebelde ao derrubá-lo, sobre os grandes heróis, sobre as missões e expedições das quais ele participou, sobre como é estar em sintonia com o Universo através da Força e sobre o compromisso dos Jedi com a paz e a justiça. Aquilo me deixava encantada. Horus via isso e sabia o quanto eu desejava fazer parte desse universo, e também sabia da importância dos Jedi depois do ataque a Nassor. Então, apesar da proibição dos meus pais, ele decidiu me treinar. Eu tinha seis anos quando comecei. Praticávamos em segredo, de madrugada ou então bem cedinho de manhã. Eu adorava aprender, ficava ansiosa o dia todo esperando as próximas lições, e evolui muito durante os anos, sem ninguém nunca descobrir. As coisas ficaram assim por um bom tempo, até que neste ano eu completei dezoito. Horus me contou que a Academia Jedi localizada em Tedros, comandada pela Ordem da qual ele fez parte, estava buscando novos aprendizes para reconstruir a Ordem. Ele disse que eu deveria finalizar meu treinamento perto de outros Jedi, e que eu poderia ajudá-los. Então eu decidi ir. No entanto, mas meus pais jamais poderiam descobrir, porque não sabiam sobre o meu treinamento. Eles tentariam impedir de qualquer jeito, e acabaríamos brigando. Portanto, eu peguei minha nave e fugi de Nassor durante a madrugada, sem que ninguém soubesse. Horus escreveu uma carta para seus antigos companheiros do Conselho, pedindo pra que finalizassem meu treinamento de modo a me integrar na Ordem, para que eu pudesse participar e ajudar, que é o que eu sempre quis. Eu vim até aqui e entreguei esta carta ao Conselho, e eles me designaram ao mestre Yerodin, pois você já está finalizando seu treinamento. — Ela fez uma pausa e suspirou. — Não sei como meus pais reagiram a minha fuga ou se estão me procurando, e sinceramente nem quero saber. Estou vivendo minha própria vida agora.
— Você tem uma jornada e tanto. – Khali disse e ela sorriu de canto. Por dentro, estava impressionado com a garota, pois não esperava que ela fosse quem era e tivesse feito o que fez. – É muito corajosa.
— Quando sentimos que uma coisa é certa, devemos persegui-la até o fim. – Ameenah sorriu. – E é isso que um Jedi faz, a final de contas.
— Tem razão.
— Mas e você, Khali Skywalker? – Disse a garota, arqueando uma sobrancelha. – Qual é a sua história?
— Sobre o que quer saber, exatamente? — Ele perguntou. Não gostava de falar de si mesmo.
— Ah, não sei... Você é filho de um dos maiores Jedis que já existiu, e hoje em dia ele é uma lenda desaparecida e misteriosa. Deve haver uma história e tanto por trás disso tudo.
— Não muito, na verdade. Passo longe de qualquer história emocionante de herói nobre e destemido como meu pai. — Disse Khali. — Nem sempre eu soube quem eu era. Eu tive uma infância pobre, morava em uma casa simples com meus pais na periferia de uma grande cidade. Na verdade, só com a minha mãe, pois hoje em dia eu sei que aquele homem não era meu pai de verdade... – Ele riu. – Nunca fui ninguém especial, vivia uma vida igual a de todo mundo.
— E como foi que você se tornou um Jedi?
— Um dia, quando eu tinha cinco anos, a região da favela em que eu morava foi atacada, e meus pais morreram em uma explosão de bomba. Eu estava em casa junto com eles, mas sobrevivi pois minha mãe me protegeu. Eu fui o único da minha família que restou graças a ela, pois ela estava abraçada comigo o tempo todo, então o corpo dela serviu como uma espécie de escudo. – Khali contou, e Ameenah se sensibilizou. – Eu fiquei ileso, mas desmaiei por causa do impacto da explosão. Os Jedi vieram até meu planeta em missão para ajudar os feridos e procurar os culpados, e eles me encontraram no meio dos escombros da minha casa. Um dos mestres me tirou de lá, e então sentiu algo em mim. Ele viu que a Força em mim era poderosa, e pensou que eu poderia ser um bom cavaleiro Jedi. Ele queria que eu fosse treinado, então como eu não tinha mais família nem ninguém para ficar comigo no meu planeta, eu me recuperei dos ferimentos e vim com os Jedi para a Academia. Eu comecei meu treinamento e moro aqui desde então.
— Caramba... e como foi que você descobriu que era filho de Luke Skywalker?
— Perto da época em que aconteceram as explosões, o Supremo Mestre da Ordem previu por meio de uma visão que Luke havia tido um filho em segredo, antes de partir. Eles sabiam que, naquela época, a criança já tinha mais ou menos a minha idade, e sua verdadeira descendência estava sendo escondida para protegê-la, por meio de outra família e um falso pai. A mãe havia tido um breve romance com Luke, e guardava isso em segredo de todos, pois se fosse descoberto traria sérias consequências, tanto para a vida dela e como a do filho. Também sabiam que a criança Skywalker era muito poderosa, e que quando chegasse a hora certa – o que não ia demorar –, os Jedi iriam encontrá-la ao acaso, no meio de uma situação de conflito e tensão, e seu grande poder seria descoberto para que fosse treinada para ajudar a todos. – Khali explicou. – Eu me encaixava perfeitamente nessa descrição. Fui encontrado por acaso no meio do entulho de uma explosão trágica. Logo depois de me salvarem, os Jedi acharam dentro do meu bolso uma carta da minha mãe, que ela colocou lá enquanto me protegia. A carta contava que o casamento dela com o meu “pai” era apenas para encobrir o seu filho, e que o pai da criança não era quem todos achavam. Dizem também que eu tinha uma semelhança física muito grande com Luke.
— Ainda tem, na verdade. – Disse Ameenah, encarando o rapaz loiro de grandes olhos azuis à sua frente. Ela sabia muito sobre Luke Skywalker graças às histórias de Horus, e viu que Khali era mesmo muito parecido com ele. Sem dúvidas eles eram pai e filho.
— Pois é. – Disse o rapaz. — Para confirmar o parentesco, o Conselho analisou uma amostra do meu sangue e constatou que o número de midi-chlorians no meu sangue era idêntico ao do sangue dele. – Khali explicou. – A partir daí, tiveram certeza de que eu era o filho de Skywalker.
— E como foi que você lidou com o fato de o seu "pai" não ser seu pai de verdade? Você ficou bravo ou algo assim?
— Acho que bravo não seria bem a palavra. Eu fiquei apenas bem surpreso. – Respondeu Skywalker. – Mas isso não foi lá um grande impacto na minha vida. Meu pai de infância não era muito presente, estava sempre fora e eu não era incrivelmente próximo dele como normalmente um garoto de cinco anos é do pai. Então eu encarei bem. O que mais me surpreendeu na época foi o fato de a minha mãe ter escondido isso de mim o tempo todo.
— Deve ter sido muito duro pra ela, afinal de contas Luke desapareceu sem deixar pistas pra ninguém. – Ameenah falou. – Você chegou a conhecê-lo?
— Não que eu me lembre. Talvez quando era bem novo tenhamos convivido, mas eu não sei dizer. Minha mãe é a única que saberia explicar.
A conversa dos dois aprendizes foi interrompida por um aviso vindo de dentro do palácio.
— O Supremo Mestre está chamando a todos no salão principal! – Disse o Jedi que estava passando por ali. – Andem logo, ou vão perder o pronunciamento sobre o ataque de hoje!
A menção do ataque despertou interesse tanto de Khali quanto de Ameenah. Os dois aprendizes logo se encaminharam para o salão principal, em busca de um esclarecimento sobre toda aquela loucura de horas atrás. Juntaram-se aos outros Jedi, aguardando o pronunciamento.
Enquanto o tumulto e os burburinhos dominavam o salão do palácio, um Jedi mais velho, com barba e cabelos grisalhos usando roupas claras se aproximou, e atraiu os olhares de todos. Aquele era o Supremo Mestre Idowu, líder do Conselho Jedi. Ele parecia preocupado, olhou em volta com a testa franzida, e gentilmente pediu silêncio geral.
— Meus caros Jedis – Disse o homem, projetando sua voz grave no salão. – Sei que estão todos assustados e confusos com o que aconteceu, mas peço que fiquem calmos e escutem. – O silêncio tomou conta do grande salão, e o homem continuou a falar. – Darth Styg está de volta, e seus planos ainda são um mistério. Seu exército cinzento é poderoso, e suas armas são de uma alta tecnologia que até agora era desconhecida por nós. – Disse o homem, fazendo uma pausa. – Ao prestar socorro para os feridos, nossos médicos constataram que aqueles que foram atingidos pelos tiros não se feriram gravemente, mas em compensação ficaram doentes: eles não estão mais sensíveis à Força. Os cavaleiros atingidos não conseguem mais mover objetos com telecinese, comunicar-se por pensamento nem se conectar com outros cavaleiros, e tiveram todas as suas habilidades Jedi neutralizadas. – Ao ouvir isso, todos no salão ficaram surpresos e começaram a falar novamente. Idowu esperou até que todos se calassem novamente. – Ainda não sabemos o porquê disso, e nem sabemos se existem outros efeitos colaterais do contato com o que chamamos de “tiros anti-Luz”. Estamos trabalhando duro para obter a resposta, e colocamos todos os nossos cientistas e pesquisadores para estudar o acontecido. Iremos investigar os novos blasters de batalha e os tiros de laser de Styg para sabermos o que exatamente atingiu nossos cavaleiros, e iremos curá-los o mais rápido possível. Então, quando soubermos com que estamos lidando, poderemos combater e assim derrotar o mal. – Idowu explicou. –Por ora, todos vocês continuarão ajudando no atendimento dos feridos e nos reparos do palácio, para que possamos voltar o mais rápido possível a nossas atividades normais. Qualquer um que tiver informações relevantes sobre Styg, sobre os tiros anti-Luz ou qualquer outro tópico relacionado ao assunto, procure o Conselho imediatamente. – O homem suspirou, encarando a todos os presentes ali com aflição. – Fiquem alertas, e que a Força esteja com vocês.
Assim que terminou de falar, o homem grisalho se retirou, dando lugar para um rumor generalizado com palpites e preocupações vindos de todos os Jedi ali reunidos. Ninguém sabia o que estava acontecendo, e estavam todos preocupados com o que viria a seguir. Será que seriam atacados outra vez? Será que os tiros possuíam mais consequências? Será que o Lado Negro estava realmente de volta para ameaçar a paz da Galáxia novamente?
Estes pensamentos cruzavam a cabeça de todos, principalmente da jovem aprendiz Ameenah. Era tudo muito novo pra ela, especialmente porque chegou num momento de tanto alvoroço na Academia. Se nem os grandes especialistas da Força entendiam o que estava acontecendo, ela entendia menos ainda. No entanto, estar ali e finalmente fazer parte daquele universo era incrível para ela, e todos os detalhes e acontecimentos atiçavam sua curiosidade.
No entanto, devia confessar que a menção do Lado Negro a assustava. Só ouvira sobre ele em livros de história, assim como boa parte dos Jedi que ali estavam. Ela nasceu logo depois que os tempos sombrios acabaram, e nunca conviveu de perto com nenhuma guerra ou batalha pelo poder. Darth Styg era uma figura assustadora, assim como seu Exército Cinzento e seus blasters com tiros anti-Luz. Aquilo tudo era apavorante, mas ainda assim, a empolgava.
Não era tão fácil assim assustar a jovem Ameenah. Ser uma Jedi era tudo que ela sempre quis. Ao escolher esta vida, ela sabia que teria que conviver com aquele tipo de coisa. Combater o mal era seu único objetivo, e ao menos agora com tudo isso acontecendo, ela teria esta oportunidade. Em breve, se tornaria uma heroína assim como Leia era.
Os pensamentos da garota estavam a mil, mas ela precisava descansar. No dia seguinte a ação começaria de fato. A Academia retornaria à suas atividades normais, e Ameenah teria seu primeiro dia de treinamento com seu novo mestre Yerodin. Um pequeno passo para iniciar uma grande jornada de aventuras e histórias inesquecíveis. Era tudo que ela queria.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.




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