Última atualização: 21/02/2018
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Prólogo

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"Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante...
O universo é um lugar vasto e diverso, cheio de mistérios e maravilhas que apenas os corajosos ou audaciosos o suficiente desbravam. Sua imensidão é composta por múltiplos planetas e sistemas das mais variadas naturezas; gelados, desérticos, florestais, urbanos. Estes mundos tão diferentes são habitados por seres humanos, alienígenas e robóticos das mais variadas espécies e tipos, vivendo em harmonia ou não, que possuem costumes e culturas singulares, tornando a Galáxia um lugar ainda mais amplo.
Todos estes seres e lugares eram regidos há anos pela chamada República Galáctica – um governo democrático que abrangia todo o universo, e era exercido pelos líderes de cada um dos planetas, que reuniam-se no Senado onde cada rei, presidente e primeiro ministro falava pelos interesses de seu povo. Juntos, eles legislavam em prol do bem de todo o universo, e assim se mantinha o equilíbrio.
Para manter-se de pé e efetiva, a República contava com poderosos aliados. Os responsáveis por proteger a democracia e zelar por seu bem estar, mantendo a sintonia entre os diferentes planetas, eram os corajosos e honrados Cavaleiros Jedi. Membros de uma prática antiquíssima de religião, estes cavaleiros eram treinados como guerreiros destinados a manter a paz e a justiça na Galáxia.
Através de vários anos de intenso treinamento, os Jedi desenvolviam habilidades como telecinese, controle da mente, aprimoramento dos sentidos e previsão do futuro. Além disso, eram especialistas nas artes do combate com sabre de luz, uma arma muito perigosa, mas que era utilizada apenas em ocasiões extremas, já que os Jedi seguiam um rígido código de conduta que não os permitia uso de violência. Eram pessoas extremamente sábias, justas, pacíficas e corajosas que faziam de suas vidas uma missão de paz e altruísmo.
Para obter tantas habilidades especiais que os tornavam praticamente invencíveis, os Jedi utilizavam algo que chamavam de Força – um campo invisível de energia que cerca todos os seres vivos e os interliga, trazendo a eles equilíbrio e harmonia. A Força é responsável por definir e controlar o destino de todos, e os Jedi eram capazes de ouvi-la e compreender seus caminhos, utilizando-a para proteger os fracos e defender o bem. Segundo eles, a Força escolhe quem será capaz de senti-la e controlá-la, dando a estes escolhidos uma sensibilidade especial e a oportunidade de desenvolver incríveis habilidades a partir dela.
O que determina tal sensitividade em um ser humano ou alienígena são as midi-chlorians; estas são partículas microscópicas que vivem em conjunto com as células de todos os seres vivos, em simbiose com elas, sendo sua conexão com a Força e todo o seu plano de equilíbrio que rege o universo. Quando essas partículas estão presentes em concentração elevada no corpo de um ser, ele é capaz de senti-las e portanto tem uma conexão mais ampla com a Força. Esta conexão pode ser explorada de modo a trazer muitas aptidões especiais, e os seres que a possuem podem ser treinados desde a infância para tornarem-se Cavaleiros Jedi. Quanto maior a quantidade de midi-chlorians que o indivíduo possui, maiores são os seus poderes.
Os Jedi eram regidos por um severo código e doavam suas vidas inteiras à missão que haviam recebido, pois acreditavam que a Força lhes abençoara com seus poderes para que buscassem defender a verdade e a benevolência. No entanto, alguns dos que eram dotados da mesma sensibilidade, acreditavam que seus poderes deveriam ser utilizados apenas em benefício próprio, e utilizavam a Força para fins egoístas e maléficos. Estes seres, chamados Sith, pertenciam ao Lado Negro, que era corrompido pelo ódio, pela ganância e pelo medo. Os Sith tentaram por várias vezes conquistar a Galáxia para transformá-la no reino das sombras, e há milênios eram os principais inimigos dos Jedi.
O Lado Negro e o Lado Claro coexistiam em árdua guerra. Várias batalhas entre os dois foram travadas ao longo dos séculos. Ambos tiveram muitas vitórias e derrotas, porém, há muito tempo o domínio da Galáxia pertencia aos Jedi, que tinham uma aliança com o governo da República. E por muito tempo as coisas permaneceram assim, em paz e sincronia.
Porém, o veio renascer do Lado Negro e de toda a sua maldade. Por meio de um golpe de estado perfeitamente orquestrado, um lorde Sith chamado Darth Sidious, que por anos esteve disfarçado dentro da República como um senador, conseguiu quebrar o ciclo de domínio Jedi. Ele tomou o poder da República com a ajuda de seu aprendiz, Darth Vader – um dos Jedi mais poderosos de todos, que foi seduzido pelo Lado Negro e juntou-se aos Sith, traindo seu próprio povo. Unidos, Sidious e Vader dizimaram e extinguiram os Cavaleiros Jedi, e então instalaram um regime militar ditatorial na Galáxia, do qual Sidious era o Imperador. O chamado Império era um governo antidemocrático e extremamente opressor, que jogou o universo numa desgraça sem por décadas.
Foi durante o domínio deste governo que cresceu um rapaz de nome Luke Skywalker. Órfão, ele vivia com seus tios em um planeta desértico e isolado do resto da Galáxia, e levava uma vida mansa e pacata, sonhando em um dia tornar-se um aventureiro.
Tais aventuras vieram até Luke quando informações cruciais sobre os planos do Império, que estava construindo uma imensa arma destruidora de planetas em segredo, caíram em suas mãos por acaso, na memória um de androide de serviço usado que ele comprara.
O androide que carregava as informações secretas levou Luke Skywalker até Obi-Wan Kenobi, um antigo Cavaleiro Jedi que conseguira sobreviver ao genocídio e estava escondido em seu planeta desde que o Império assumira o poder. Obi-Wan conhecia o falecido pai de Luke, Anakin Skywalker, de quem o menino não sabia nada a respeito. Kenobi lhe contou que Anakin era um Jedi como ele, e havia sido assassinado por Darth Vader – o aprendiz traidor que levou os Jedi a extinção e o Império ao poder.
Luke Skywalker, que passara a vida toda isolado do resto do universo, de repente viu-se diretamente envolvido com o problema. Após a morte de seus tios, o garoto aceitou ajudar Obi-Wan Kenobi em sua missão, e ser treinado por ele para tornar-se um Cavaleiro Jedi como seu pai um dia foi.
As informações sobre a nova arma do Império, a Estrela da Morte, precisavam ser levadas urgentemente à Aliança Rebelde – uma resistência armada que se opunha ao governo e que há anos tentava derrubar o Imperador Darth Sidious do poder. Com a ajuda de um caçador de recompensas pilantra e falastrão, chamado Han Solo, Luke e Obi-Wan conseguiram evitar que os soldados do Império recuperassem os planos, e resgataram a princesa Leia Organa, uma das líderes da Aliança Rebelde, que tinha sido mantida como refém pelo Imperador. Agora, a Aliança precisava encontrar uma forma de destruir a nova arma exterminadora de planetas e derrubar o Império de uma vez por todas.
Durante a missão, mestre Obi-Wan treinou o jovem Skywalker nas antigas e adormecidas artes Jedi, antes de sua morte em combate. Seus ensinamentos foram finalizados por Yoda, um Jedi sábio que vivia há muito tempo em exílio em um planeta distante e pantanoso. Ao concluir seu treinamento e aprender a usar todas as habilidades que seu vasto poder na Força o trazia – predisposição que herdou de seu igualmente poderoso pai – Skywalker estava pronto para enfrentar seu destino e combater o temido e maléfico Darth Vader, vingando seu pai e trazendo a Luz de volta.
Porém, a história que Luke conhecia sobre o passado de seu pai tinha informações obscurecidas. Para ele, Anakin Skywalker era um poderoso Jedi, que fora assassinado por Darth Vader, o homem responsável por extinguir os Cavaleiros. No entanto, tudo aquilo não passava de uma grande metáfora. Darth Vader e Anakin Skywalker eram, surpreendentemente, a mesma pessoa. Um nunca havia assassinado o outro, um dera lugar ao outro no momento em que Anakin voltou-se para o Lado Sombrio, e então tornou-se Darth Vader.
Anakin Skywalker fora um inocente garoto de infância humilde, que vivia como escravo, e foi resgatado de tal vida para ser treinado nas artes Jedi pelo mestre Obi-Wan Kenobi. Skywalker era um talentoso e valente Jedi com um poder enorme e sem precedentes, o que fazia com que os Cavaleiros acreditassem que ele era O Escolhido – um guerreiro aguardado há muito tempo, que segundo uma antiga profecia teria um poder enorme e seria o responsável por trazer equilíbrio para a Força.
No entanto, o rapaz sempre fora assombrado por um enorme orgulho e possuía muita raiva em seu coração, o que o tornava propenso ao Lado Negro da Força. Anakin era apaixonado por Padmé, uma senadora com quem tinha um relacionamento sigiloso, já que os Jedi não tinham permissão para amar. Ele tinha muito medo de perdê-la, e ao prever que ela morreria no parto do bebê que esperava, o rapaz desesperou-se. Darth Sidious aproveitou-se da instabilidade de Skywalker e o converteu para um Sith, com a promessa de que salvaria a vida da mulher que ele amava. Sidious fez dele seu aprendiz e utilizou o grande poder que ele possuía para destruir os Jedi e firmar-se no trono.
Após converter-se para o Lado Negro, Anakin acabou queimando em seu próprio ódio num rio de lava fervente, o que lhe rendeu ferimentos permanentes que o obrigaram a passar o resto da vida dentro de uma armadura metálica, que era a única coisa que o mantinha vivo. Após o acidente, ele assumiu totalmente a identidade de Darth Vader, abandonando sua bondade e intensificando ainda mais seu ódio. O Imperador não cumpriu a promessa que fez a Anakin, e Padmé morreu deixando dois filhos recém-nascidos para trás – um deles era Luke, e a outra era sua irmã gêmea da qual ele até ali não tinha conhecimento. Leia Organa, a princesa que liderava a Aliança Rebelde e a garota por quem Luke quase ousara se apaixonar, era a Skywalker perdida. Os dois foram separados ao nascimento e mantidos a salvo de Vader, que jamais poderia saber da existência deles enquanto fosse aliado do Imperador.
Obi-Wan manteve tudo aquilo em segredo para proteger o jovem Luke. Mas aquela era a verdade sobre suas origens. Anakin Skywalker e Darth Vader eram então a mesma pessoa – e seu arqui-inimigo era na verdade, quem lhe dera a vida. O homem que fez todas as escolhas erradas e levou a Galáxia até a perdição.
No entanto, Luke seria incapaz de assassinar o próprio pai. Por isso, tentou trazê-lo novamente para o Lado da Luz, mostrando que ainda havia bondade Jedi dentro dele. O temível Darth Vader rendeu-se ao reconhecer o amor do filho, e ele e Luke uniram-se para derrotar o Imperador e destruir o Império, jogando-o contra as fuselagens de sua arma destruidora de planetas. Vader morreu após o combate, fraco e debilitado pelos ferimentos, e Luke Skywalker transformou-se no maior herói da Galáxia, tornando-se o último Cavaleiro Jedi e trazendo paz para o universo novamente.”


— Conte outra vez, conte outra vez!
— Não, está na hora de dormir. Além disso, já te contei essa história muitas vezes, pequena.
— Por favor, mestre Keet! Eu adoro ouvi-la!
— Você me pede para contá-la quase todos os dias. Nunca se cansa dela?
— Não mesmo. Luke Skywalker é meu herói favorito!
— Eu sei disso. – Riu-se o homem. – Boa noite, Ameenah.
— Não! Conte outra, então.
— Qual você quer?
— Aquela outra sobre os Jedi. A que fala sobre as guerras, os exércitos, as naves, a Força! – Exclamou a garotinha, jogando-se na cama e abrindo os braços com grandeza.
— Seus pais não gostam que eu lhe conte essas histórias.
— E por que não? Você era um deles, não era?
— Já fui. Mas não como os que lhe conto nas minhas histórias.
— Me conte suas próprias aventuras, então.
— Não fui um Jedi como esses, que lutaram em grandes guerras com naves e sabres de luz. Minha jornada nem foi assim tão longa. Eu afastei-me, pois a Força me disse que eu teria outra grande missão em meu caminho.
— E qual era?
— Treinar você, Ameenah. Pois um dia, você se tornará uma grande Jedi.


Capítulo 1

Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante...
O Universo inteiro estava em festa. A felicidade reinava em todos os planetas e sistemas, tomando conta de cada ser vivo humano e alienígena existente. Não havia mais escravidão, medo ou violência. O Império finalmente caíra, e a Luz triunfara sobre as Trevas. Luke Skywalker, o último cavaleiro Jedi, uniu-se aos rebeldes da Aliança e juntos destruíram a Estrela da Morte, acabando com todo e qualquer sinal de escuridão na Galáxia. O terrível e cruel Darth Vader havia morrido, juntamente com seu mestre maligno, Imperador Sidious, que sucumbira aos reflexos do próprio ódio. O antes tão poderoso Lado Negro agora não passava de uma história a se contar para gerações futuras. Não havia mais nada para temer. Finalmente, tudo estava em paz.
Mas não por muito tempo.
A Galáxia se reconstruía aos poucos, a normalidade se recuperava depois do domínio das sombras e as pessoas retomavam suas rotinas simples e felizes. Porém, cerca de um ano depois da queda do inimigo e da vitória triunfante, o jovem herói Luke Skywalker desapareceu.
Ninguém acreditou quando a notícia foi dada. O mais consagrado ídolo de toda a Galáxia desaparecera, sem mais nem menos, e ninguém sabia por que. Será que foi morto? Será que fugiu? Será que enlouqueceu? Nem as pessoas mais próximas a ele tinham essas respostas, pois o rapaz pareceu fazer questão de que ninguém jamais o achasse outra vez. Nenhuma pista ou dica foi deixada pelo grande salvador do Universo.
O sumiço de Luke, além de causar comoção geral ao redor da Galáxia, deixou um grande vazio na vida de alguém. A princesa Leia, que agora não tinha mais nenhum membro da família ao seu lado, estava sozinha. Desde que descobriram a conexão familiar, o irmão Luke passara a representar segurança e estabilidade para ela, e seu desaparecimento a deixou perdida. A jovem estava sem rumo, com saudades de Skywalker, e se perguntava a razão de ele ter ido embora.
Luke lhe fazia falta não só por questões sentimentais, mas também porque vinha exercendo um papel muito importante em sua vida. Durante o ano de paz antecedente à sua fuga, Leia estava aprendendo sobre as artes Jedi com o irmão. Ele decidiu treiná-la, pois sabia que a Força era muito poderosa nela devido ao parentesco. Naquele período, Leia aprimorou suas habilidades e seu grande poder nato, e estava evoluindo, até o desaparecimento repentino de seu mestre.
Apesar de seu treinamento curto e prematuro, Leia possuía vastos poderes na Força e estava apta a usá-los, como a Skywalker genuína que era. Isso fez com que ela, alguns meses depois, detectasse uma presença na Força. Uma presença sombria, de uma forma que ela jamais havia visto igual. Enquanto tentava rastrear o irmão, ela notou o distúrbio do Lado Negro, alguém muito poderoso e cheio de ódio, que procurava ambiciosamente por destruição.
A Galáxia toda comemorava, achando que o mal jamais voltaria a atormentar os planetas novamente. Mas acontece que todos os males causados pelo Império teriam sido apenas o começo, se todo o ódio aprisionado naquela criatura sinistra realmente viesse à tona. Leia descobriu que a criatura sombria que detectara estava recrutando pessoas para o mal, e carregava consigo um enorme desejo pelo poder. Queria comandar a Galáxia, e estava colocando todas as suas energias na elaboração de seu plano perverso para que isso acontecesse.
Leia sabia que aquela criatura precisava ser detida, e sabia que, com a ausência de Luke, ela era a única que poderia fazer algo a respeito. Ninguém mais conhecia os caminhos da Força; só ela sabia como utilizá-la para o bem, portanto era responsável por isso. Então, para tentar impedir o retorno do Lado Sombrio, ela tomou uma decisão para fortalecer e potencializar o Lado da Luz.
Leia iniciou uma nova Academia Jedi, baseada nos ensinamentos de Luke durante seu curto treinamento com ele, e também em um velho caderno que ele deixou para trás com anotações sobre seu treinamento com Yoda e Obi-Wan. Ela desmanchou a Aliança Rebelde e contou com a ajuda de membros confiáveis da resistência, soldados com a presença da Força e estudiosos das artes Jedi para treiná-los e construir o que, em breve, seria a maior concentração de Lado Luminoso na Galáxia inteira.
Leia estabeleceu sua Academia no planeta tropical e praticamente inabitado de Tedros, onde foi construído um grandioso e majestoso palácio numa clareira por entre as florestas densas e altas do planeta. Lá houvera um antigo Templo Jedi uma vez, de onde foi possível resgatar informações e livros que contribuíram para a formação da nova Ordem. Um novo Conselho Jedi foi formado, instalações e templos foram construídos e então a nova geração de Cavaleiros Jedi foi criada, e saiu pela Galáxia em busca de recrutar novos aprendizes para a Luz.
Apesar de ter grande poder com a Força e habilidade com os sabres de luz, a princesa Leia decidiu não se tornar uma mestre Jedi. Ela atuava apenas na parte administrativa da Academia, com a ajuda de seus droids de utilidades R2-D2 e C-3PO, e concentrava-se em manter a ordem. Ainda assim, fazia parte do Conselho Jedi junto com os outros mestres, pois possuía grande sabedoria e poder, e ajudava em todas as decisões tomadas por eles. E era assim que Leia levava sua missão, aguardando pela volta de seu irmão há muito tempo desaparecido, na esperança de que ele um dia retornasse para ajudá-la a combater o inimigo desconhecido.
Logo após a Academia ser construída, a princesa casou-se com o famoso contrabandista Han Solo, e os dois tiveram uma filha. Solo, que por sua vez era um grande piloto, tornou-se, ao lado de seu companheiro Chewbacca, o capitão da frota de naves do novo governo que sucedeu o Império - a chamada Democracia Intergaláctica.
O novo sistema governamental instalado na Galáxia após o Império visava a realização do bem maior para todos os planetas, luas e sistemas, por meio de discussões e debates promovidos entre seus líderes. Todas as federações e organizações governamentais foram abolidas para evitar conflitos, e tudo se resumia ao grupo de diplomatas. Anteriormente, estes foram membros da Aliança Rebelde ou de movimentos de resistência ao Império em seus próprios planetas, e após a queda se reuniram para elaborar uma nova Constituição que regeria a Galáxia. Todo mês os governantes de cada planeta, eleitos pelo povo ou de liderança hereditária, se reuniam na capital de Rasul – uma enorme nave estacionada no espaço que possui uma cidade construída em seu topo, tão grande que passou a ser considerada um planeta - para debater problemas e encontrar soluções, e assim, gerenciar e manter a paz.
Os Democráticos não reconheciam os novos Jedi como aliados do governo, e as instituições política e religiosa não trabalhavam juntas como acontecia durante a República. Os novos líderes temiam quem quer que acreditasse na Força, por medo que o Lado Negro dominasse a Galáxia novamente. Alguns Democratas mais radicais até sugeriram que a religião fosse proibida por temerem o retorno do Império - o que só não foi feito pois o grande herói da batalha contra o Imperador, Luke Skywalker, se denominava um Jedi, e os líderes sabiam da simpatia que o povo criara por ele e sua doutrina. Portanto, os Jedi eram reconhecidos simplesmente como uma religião, para evitar conflitos.
E então cada coisa encontrou o seu devido lugar. A Democracia Intergaláctica ascendeu e a nova Academia Jedi crescia a cada ano com mais e mais aprendizes. Tudo voltou a funcionar e se estabilizou na mais pura ordem. Mas acontece que nem tudo estava perfeito.
Alguns anos depois da construção da nova Academia, algo surgiu para perturbar a paz. A estranha presença sombria na Força, que permanecera estável durante aquele tempo, decidiu revelar-se para toda a Galáxia – e da forma mais cruel possível. O renascido Lado Sombrio realizou um ataque com tropas de soldados ao pacífico planeta Nassor, que nos últimos anos se tornara uma grande referência de comércio, cultura e política. Por meio do caos e da destruição, a presença negra finalmente revelou-se e pôs seu plano em prática. Um novo Lord Sith misterioso intitulado Darth Styg apresentou o seu poder de devastação aos demais sistemas, invadindo e destruindo a capital do planeta com suas tropas. Mostrou que Leia estava certa ao se preocupar com sua existência, pois Darth Styg era mais maligno e poderoso do que jamais foi visto antes, e deixou claro que aquele episódio seria apenas o começo da devastação que estava por vir.
O atentado a Nassor serviu como aviso. Um aviso de que a paz que por anos fora pregada era falsa, e que o Lado Negro ainda existia e não considerava a guerra entre os dois lados da Força como vencida. Tudo que se sabia desde então era que Darth Styg escondera-se em algum lugar perdido pela Galáxia após o atentado, pois apesar de fortes, suas tropas ainda não estavam prontas para o que ele planejava. O maior objetivo do seu ataque foi assustar aos governantes e súditos com um show de demonstração do seu horror. Além de, é claro, alertar a todos os simpatizantes do Lado Negro de sua presença, para que se juntassem a ele e se alistassem para o exército, para tentar tomar o poder e governar o Universo.
Porém, muitos duvidaram disso. Achavam que a história de Darth Styg não passava de charlatanismo, e era uma tentativa de assustar a população ou abalar a Democracia Intergaláctica e seu recém-nascido e prematuro governo. Acreditavam que a ressurreição do Lado Negro era terrorismo barato, comprado por adeptos ao Império e radicalistas violentos. As opiniões eram divididas, mas ninguém estava a salvo. Algo estava errado.
No entanto, em meio às cinzas do ataque, muitas surpresas apareceram e detalhes do passado há muito tempo ocultos se revelaram. Aquele era só o começo de uma jornada que ninguém era capaz de prever. Durante a calmaria, os Jedi se ativeram a combater adversários menos perigosos, como caçadores de recompensas ou contrabandistas. O governo manteve-se em alerta e os Jedi se prepararam, apenas esperando pelo próximo passo, e por muitos anos as coisas continuaram assim.

No alto de um dos terraços da Academia, um jovem Jedi observava o horizonte, contemplando a paisagem tropical do planeta Tedros. O vento agitava as copas das árvores e o sol refletia nas águas transparentes do lago, que serviam de espelho às nuvens e ao céu azul. Khali respirou fundo, sentindo o ar fresco invadir suas narinas e a tranquilidade tomar conta de si. Encostou-se na beirada da sacada, sentindo a brisa leve e agradável bater em seu rosto enquanto pensava.
O aprendiz havia acabado de retornar de uma missão com outros Jedi em Naboo, onde passou duas semanas combatendo contrabandistas e foras da lei – apenas uma operação de rotina. Todo o seu treinamento Jedi até ali tinha sido uma aventura, e ele adorava ser levado nas missões para aprender e descobrir cada vez mais coisas. Khali era um excelente aprendiz e sempre se destacara em seus treinamentos, pois era muito habilidoso e poderoso desde o primeiro dia. Esperava que seu desempenho em Naboo só tivesse somado para que o Conselho finalmente o promovesse a tão sonhada posição de mestre.
Até ali, a trajetória do garoto como Jedi havia sido excelente. Sempre tivera muito exigido de si, pois a expectativa que existia em cima de seu poder era grande. Khali sabia que suas habilidades e principalmente sua identidade sempre lhe trariam muitas responsabilidades a onde quer que fosse, pois o sangue que corria por suas veias era poderoso. Tudo graças ao seu pai, de quem herdou toda a grandeza: Luke Skywalker.
O garoto deveria honrar aquela descendência, e apesar de ser uma grande responsabilidade, ele se orgulhava de carregá-la. Tudo que queria era trazer glória ao sobrenome de seu pai pela própria trajetória como Jedi, mesmo que ele pudesse jamais voltar. Khali nascera para ser um cavaleiro, o poder e a busca pela Força estavam em seu DNA. E até agora, isso tudo tinha sido de grande serventia para a Ordem Jedi, que o tinha como uma das maiores promessas para o futuro por ser um de seus aprendizes favoritos.
Apesar de apreciar a aventura, aqueles breves momentos de paz e tranquilidade eram valiosos para Khali. O jovem padawan fechou os olhos, sentindo a Força correr por tudo que estava a sua volta. Adorava fazer aquilo. Sentia as plantas, o vento, a água do lago e as folhas das árvores sendo agitadas pela brisa, tudo em sua mente. Parecia que, por um momento, ele tinha o controle sobre tudo. Era uma sensação maravilhosa de sintonia com o Universo, e com tudo que pertencia a ele.
Então, uma presença poderosa e conhecida apareceu em seus sentidos, e ele abriu os olhos para encontrá-lo. Era Yerodin, seu mestre, que retornara após fazer o relatório da missão para o Conselho Jedi. Ele se aproximara de Khali para conversar.
— Meditando sobre a missão, meu jovem aprendiz? – Disse ele, e o rapaz sorriu.
— Estou apenas relaxando um pouco. Os últimos dias foram agitados, apesar da lerdeza daqueles contrabandistas. – Disse Khali, virando-se para o homem.
— Sua performance em Naboo foi realmente ótima, Khali. Estou orgulhoso de você. – O mestre disse, fazendo o coração do aprendiz encher-se de felicidade.
— Obrigado, mestre Yerodin. Fico satisfeito em ouvir isso.
— Pois tem todo direito de ficar. – Falou o Jedi. – Seus poderes estão se tornando mais fortes a cada missão em que é enviado, e seu treinamento tem dado ótimos resultados. O Conselho está analisando meu pedido para finalizar sua jornada como aprendiz. Logo você deve se tornar um Jedi completo.
— Isso é ótimo, mestre. – Khali sorriu.
— Sua tia está orgulhosa de você. Pediu para que passe para vê-la mais tarde.
— Pode deixar, verei tia Leia assim que sair daqui. – Respondeu, sorrindo ao lembrar-se dela. Sentiu saudades durante a missão. – E então, houve alguma evolução nas investigações sobre o paradeiro de Darth Styg enquanto estivemos longe?
— Ainda não tive tempo de conversar mais a fundo com o Conselho depois da nossa volta, mas acredito que não. Tudo que sabemos é que a sua presença fica mais forte e mais sombria a cada dia. – O mestre disse preocupado, franzindo a testa e olhando para longe.
— É curioso, sabe... – Falou o padawan. – Há anos que ele nem sequer demonstra que está por aí. Será que faz tudo parte de algum plano?
— Ouça sua intuição, jovem aprendiz. A Força está desequilibrada e instável, o mal continua a crescer. Styg está tramando alguma coisa, eu posso sentir.
— E o que a Democracia Intergaláctica diz sobre isso?
— Nada, como de costume. Preferem fingir que o problema não existe e continuar a ignorar os pedidos do Conselho para ajudar e sair em busca dele. – Disse o homem, frustrado. – Eu entendo que os Democráticos queiram manter a calmaria na Galáxia, mas a paz criada por eles é falsa. Cedo ou tarde ela irá desmoronar.
— Arrisco em dizer que acontecerá mais cedo do que eles imaginam. – Disse Khali, encarando o horizonte mais uma vez.
— A Ordem Jedi precisa estar preparada para isso. Quando este dia chegar, nossos cavaleiros serão mais necessários do que nunca. São os únicos capazes de lutar com um adversário conhecedor da Força como Styg, e para isso precisam estar devidamente treinados. O Conselho vem fazendo várias reuniões para discutir este assunto. É por isso que voltei da missão de Naboo alguns dias antes que você e os demais. – Explicou o Jedi. – Estamos recrutando cada vez mais aprendizes, o que é bom. Mas o número de mestres graduados e aptos a treiná-los não cresce na mesma proporção, pois nossa Academia ainda é jovem. Por esta razão, o Conselho está tomando algumas decisões de emergência. – Disse Yerodin. – Vamos começar a aumentar o número de padawans instruídos por cada mestre Jedi, para que todos sejam treinados.
Então, uma voz feminina interrompeu a conversa dos dois cavaleiros.
— Mestre Yerodin Zuma? – Disse a garota, e os dois viraram-se para encará-la. – Desculpe, estou atrapalhando alguma coisa?
Uma jovem simpática em vestes de Jedi postava-se atrás deles, do lado de dentro da sacada, carregando um sabre de luz na cintura. Khali nunca tinha a visto por ali antes. Assim que a notou, Yerodin sorriu e foi cumprimentá-la.
— Olá, minha jovem. Que bom que está aqui. – Disse o Jedi, indo até a garota e a conduzindo para o terraço. – Meu caro aprendiz, está é Ameenah. Como eu disse, alguns mestres Jedi vão aumentar seu número de padawans. Eu serei responsável por treiná-la nas artes Jedi a partir de agora, simultaneamente com o seu treinamento. – Disse mestre Zuma, indicando a garota para Khali. – Ameenah, este é meu outro aprendiz, Khali Skywalker.
— É um prazer conhecê-lo. – Disse a garota, com um simples gesto simpático.
— Igualmente. – Disse Khali, um tanto desconfiado daquilo.
— Mesmo estando aqui há pouco tempo, já ouvi muito sobre o Skywalker. – Ela sorriu, e então se voltou novamente para Yerodin. – Espero não estar interrompendo nenhuma conversa importante entre vocês. Estava indo para o jardim, quando ouvi sua voz conhecida vindo da sacada.
— Não se preocupe, estávamos só confabulando sobre assuntos da Ordem. – Yerodin tranquilizou-a. Khali, que ficou pensativo por alguns segundos, falou em seguida.
— Não entendi muito bem essa decisão do Conselho, mestre. As regras da Ordem não dizem que cada mestre Jedi só pode treinar um aprendiz por vez?
— Bom, esta é uma situação peculiar. Precisamos treinar nossos cavaleiros, e como muitos mestres estão ocupados com as buscas por Darth Styg, o Conselho Jedi decidiu abrir algumas exceções e dar aos mestres mais experientes dois aprendizes ao invés de um. – Explicou Yerodin. – E além do mais, você já está quase finalizando seu treinamento, e logo não será mais meu aprendiz. Eu não terei dois padawans por muito tempo.
Khali analisou a garota cuidadosamente. Parecia tímida, mas determinada. Uma pequena trança Jedi típica de aprendizes pendia por entre seus cabelos loiros, e escondia-se entre as ondas. A menina era claramente muito mais velha do que um padawan no início do treinamento deve ser, pois deveria estar próxima dos dezoito anos, e a aquilo era estranho. Quem era ela, afinal?
— Ameenah é um caso especial de aprendiz. – Continuou mestre Zuma, explicando ao garoto como se soubesse de suas dúvidas. – Ela já tem conhecimento inicial, e foi primeiramente treinada por um antigo Jedi muito poderoso, chamado Horus Keet. Já lhe contei muitas histórias sobre ele, meu aprendiz, pois foi um grande cavaleiro – e também um grande amigo meu. O mestre Keet está aposentado, e durante seu afastamento da Ordem Jedi resolveu tornar Ameenah sua aprendiz e veio treinando-a. Ela chegou à Academia há mais ou menos uma semana, enquanto estávamos em missão. Ela tinha uma carta escrita por ele pedindo para que a aceitássemos como nossa aprendiz e a treinássemos para ser uma cavaleira. Voltei mais cedo de Naboo pois o Conselho queria que eu a conhecesse. Foi pedido que eu a treinasse.
Algo naquela história fez com que o rapaz tivesse um arrepio repentino. De uma coisa Khali não poderia discordar: a Força estava presente na menina, e ele sentia. Horus Keet era um grande Jedi, e não treinaria ninguém que não valesse a pena. Havia um mistério envolvendo aquela garota, e o rapaz estava intrigado por ele.
— Acredito que vocês dois se darão bem. Será uma honra...
Yerodin não foi capaz de terminar a frase. Naquele exato momento, um choque atingiu os três Jedis simultaneamente, causando um vazio repentino no peito e uma inquietação na mente. Haviam sentido um distúrbio na Força.
Não aconteceu apenas com eles. Subitamente, todos na Academia calaram-se ao mesmo tempo, captando a mudança brusca na energia. O impacto da oscilação veio como uma onda e alcançou a cada um, fazendo o palácio ficar imerso em calmaria absoluta por um instante, enquanto todos tentavam entender o que houve.
Então, de repente, um som ensurdecedor veio de cima quebrando a quietude, e todos olharam para o céu. De dentro das nuvens, surgiram enormes naves de modelo e origem desconhecidas, voando como lâminas negras que rasgavam a imensidão azul.
O mestre e os dois aprendizes desceram rapidamente as escadas para ver o que estava acontecendo. Ao chegarem ao andar de baixo, viram uma grande aglomeração de pessoas ao lado de fora, e correram para lá. As naves estranhas pousavam por todos os lados do gramado do jardim, e delas saíram centenas de soldados armados, que miravam na direção deles.
Aqueles soldados eram estranhos, ninguém tinha os visto antes. Eram inteiramente cinzentos, e seus uniformes se pareciam muito com roupas de gladiadores. Ostentavam armas grandes e carregadas com um laser brilhante e vermelho, as quais portavam na lateral dos corpos. Encaravam os Jedi com absoluta impassibilidade, parecendo altamente treinados e obedientes.
Todos estavam surpresos e assustados. Ninguém fazia ideia do que era aquilo, e a cada instante mais e mais pessoas se aglomeravam nas portas e janelas da Academia para ver o que estava acontecendo. Foi então que uma última nave aterrissou, esta com uma aerodinâmica diferente das demais. De repente, tudo ficou mais sombrio, e o ar se tornou gélido. Todos sentiram a que estava há muito tempo ausente, mas que ao mesmo tempo era inconfundível, presença do Lado Negro.
A porta principal da nave se abriu numa rampa, e por ela saiu uma criatura obscura; tinha boa parte do corpo mecanizado, envolto em uma armadura firme e robótica. Usava um aparato de respiração que cobria metade do seu rosto, e a única parte a mostra eram seus olhos, vermelhos e vibrantes de ódio. A pequena parcela de pele exibida próxima a eles era cheia de queimaduras e cicatrizes profundas; possuía uma capa comprida e negra presa às costas, e assemelhava-se a um sinistro e sombrio ciborgue. A criatura que trouxe junto a ela tudo aquilo que havia de ruim, e seu enorme desejo de destruição mais forte do que nunca.
— Styg – Disse mestre Yerodin, sem tirar seu olhar vidrado da figura à frente. Os dois aprendizes o encararam. – Aquele é Darth Styg. Ele voltou.
A cena era como um pesadelo horrível tomando forma. Toda a podridão da Força que há anos atrás havia assombrado a Galáxia retornara, para lembrar a todos o quanto foram privilegiados durante as décadas de paz. Pois agora, aquele tempo calmo tinha se esgotado. Acabou-se por completo no instante em que o primeiro tiro foi disparado, do blaster de algum dos soldados daquele exército da escuridão. E então, uma batalha começou.
Os tiros de laser começaram a vir na direção dos Jedi como uma nuvem brilhante. Logo, num ato de proteção, todos os mestres ali presentes se postaram a frente dos demais para defender os menos experientes. Usando as lâminas de seus sabres como escudos, eles defendiam os lasers desviando-os com movimentos circulares e rápidos, mas não era possível barrar todos. Já na primeira leva, alguns cavaleiros foram atingidos e caíram no chão.
O líder sombrio apontou para frente, bradando palavras em alguma língua desconhecida, e os soldados inimigos começaram a avançar, marchando ordenadamente em filas e portando suas armas laser. Os Jedi aprontaram seus sabres, e então começaram a descer as escadarias da Academia para ir de encontro com eles, e proteger o santuário de Força Luminosa.
Lutas corporais começaram. Os Jedi tentavam impedir uma possível invasão, bolando estratégias para barrar o inimigo desconhecido. Golpeavam os soldados sem parar, e se defendiam para evitar serem acertados pelos lasers.
O jovem Skywalker encontrava-se ao lado de seu mestre, batalhando com os soldados e dando golpes ágeis com seu sabre. Um tentava proteger a retaguarda do outro, e nova garota Ameenah estava logo a alguns metros deles. O rapaz nunca vira nenhum confronto como aquele. A iminência do retorno do mal lhe deu arrepios, mas ele precisava reagir. Atravessou um dos soldados cinzentos com seu sabre de luz, e então era menos um para a contagem das centenas que ali estavam.
O som dos sabres de luz, dos tiros de blaster e dos gritos de sofrimento tomaram o jardim antes tão pacífico da Academia. Muitos caíram, tanto de um lado quanto do outro. Quem olhasse de fora pensaria que aquela era uma cena da guerra civil de muitos anos atrás, mas era diferente. Era atual, outra vez. Exceto pelo medo, a dor e principalmente a competição entre o bem e o mal; aquilo era, e sempre seria igual.
Durante a batalha, os tiros pareciam vencer as espadas, e pouco a pouco os cavaleiros Jedi iam ao chão. Porém, estranhamente, os atingidos pelos tiros não estavam mortos. Sentiam uma dor agonizante, forte demais até para ficarem conscientes, mas continuavam vivos. As balas dos blasters dos soldados que os atingiam pareciam não surtir efeito. Aquilo tudo era muito estranho. Se o objetivo daquele ataque não era dizimar os Jedi, então qual era?
O grande vilão permanecera imóvel durante toda a batalha. Ficou postado com suas grandes pernas mecânicas na saída de sua nave, com um soldado armado de cada lado, apenas assistindo a tudo acontecer. Darth Styg sorria, o que era perceptível mesmo com um enorme pano cobrindo sua boca. Um sorriso cheio de malícia e crueldade, esbanjando o triunfo de seu retorno que prometia muito sangue e sofrimento, principalmente por parte dos inimigos Jedi.
A luta continuou durante algum tempo, com Jedis e soldados caindo no chão, e tiros e golpes rolando. Até que, sem mais nem menos, Darth Styg ordenou algo para seu exército na mesma língua estranha de antes, e todos começaram a recuar. Pouco a pouco, os soldados cinzentos se retiravam enfileirados, com os Jedis restantes ainda em seu encalço, enquanto adentraram novamente as naves em que vieram. E então, mantendo o mesmo sorriso diabólico no rosto, Styg lançou um último olhar ao estrago da batalha e em seguida entrou em sua grande nave, andando triunfante.
Sem dizer nada a respeito daquilo tudo, as tropas cinzentas, lideradas pelo recém-renascido lorde Sith decolaram em suas estranhas naves, desaparecendo da atmosfera tropical de Tedros antes mesmo que os Jedi pudessem tentar derrubá-las. Partiam sem razão aparente, deixando para trás uma porção de cavaleiros feridos e um monte de perguntas.
Poucos eram os estragos causados ao palácio da Academia, e inexistentes eram os números de mortos. Aquela batalha parecia totalmente sem sentido e sem propósito, e era isso que assustava ainda mais os Jedi. Jamais teriam sido poupados por pura clemência. Pouco a pouco, as coisas foram se acalmando e os feridos foram sendo levados para dentro do prédio para receberem atendimento.
— Mestre, o que foi tudo isso? – Disse Khali confuso, aproximando-se de Yerodin, que estava sujo e desgastado. – O que significa esse ataque?
— Eu não sei, caro aprendiz. – O Jedi respondeu, ofegante. – Mas Darth Styg está de volta. E o que acabou de acontecer aqui foi o retorno poderoso e definitivo, não só dele, mas do Lado Negro também, prontos para assombrar a Galáxia novamente.


Capítulo 2

O ar que circulava pela Academia era de dúvida e medo. A maior ameaça iminente da Galáxia acabara de realizar um ataque ao melhor grupo de guerreiros que existia, e seu exército os tinha derrotado com uma arma que não matou ninguém.
Após o ataque surpresa das tropas de Darth Styg ao palácio, os atingidos pelos estranhos tiros de laser foram recolhidos para serem atendidos. Um dos salões de reunião da Ordem Jedi teve de ser transformado em hospital, pois só a enfermaria convencional não comportou todos os feridos.
Ninguém sabia o que eram aqueles blasters das tropas cinzentas. O ferimento causado por eles era mínimo, mas a dor que os atingidos sentiam era imensa. Parecia uma simples queimadura leve na superfície da pele, porém o incômodo ia até bem mais fundo, deixando os Jedi incapazes de sequer levantar.
Pessoas corriam para lá e para cá o tempo todo. Os cavaleiros que não estavam debilitados ajudavam nos reparos do jardim que fora o campo de batalha do lado de fora, enquanto outros se preocupavam com o atendimento dos enfermos. Mas a dúvida sobre o que tinha acontecido e o porquê, eram comuns a todos eles.
Tudo estava muito estranho e confuso, especialmente para a mais nova pupila da Academia, que mal conhecia o lugar ou as pessoas dele. Ameenah estava perdida no meio daquela confusão, tentando entender o que tinha acontecido, e o que era tudo aquilo que acabara de presenciar. A garota tentou se inteirar, ajudou como pôde cuidando de alguns feridos. Depois, se afastou do caos para tomar um pouco de ar fresco.
Era muita coisa acontecendo de uma vez, um desespero generalizado difícil de acompanhar. Aquilo tudo a deixou assustada, mas ao mesmo tempo muito curiosa. Ameenah foi até o lado de fora do salão principal, para refrescar um pouco os pensamentos de sua curta e conturbada estadia na Academia. Chegando lá, viu Khali, o outro aprendiz de seu mestre, conversando com alguns Jedi. Ele era um rosto conhecido, e talvez soubesse lhe explicar alguma coisa. Assim que os outros se afastaram, ela caminhou até ele.
— Você tem alguma ideia do que aconteceu? – Perguntou ela, usando suas últimas esperanças de conseguir uma resposta.
— Acho que ninguém tem – Respondeu o rapaz virando-se para ela, frustrado. – Só o que sabemos é que Styg retornou de seu esconderijo e aparentemente não gosta muito dos Jedi. Mas o que ele quer e por que não nos matou, eu não sei. – Khali terminou a fala, e suspirou para relaxar em seguida.
— Acha que desta vez ele voltou pra valer? – Ela perguntou.
— Bom, por enquanto não adianta ficarmos desesperados. Cedo ou tarde Styg voltaria, sabíamos disso. Só precisamos entender exatamente o que isso significa, e reerguer a Ordem o mais rápido possível. Mas paz e serenidade da Galáxia acabaram, devemos nos preparar. O Conselho tem que se reunir pra discutir, estudar o que aconteceu e decidir o que fazer, e então, seguiremos o que eles mandarem.
— É o melhor a fazer. – Respondeu Ameenah. Ela não pôde deixar de reparar no quanto o garoto soava como um mestre ou cavaleiro experiente enquanto falava. – Você parece conhecer muito bem as coisas aqui. — Comentou.
Normalmente, Khali não seria tão simpático com um forasteiro misterioso como aquela garota. Mas ela parecia querer alguém pra conversar, e estava um tanto perdida por ser nova no lugar. É o que Yerodin iria me mandar fazer, ele pensou.
— Bom, eu moro aqui desde bem pequeno – Khali contou. – É meio inevitável. Sabe, está tudo meio caótico por aqui, mas a Academia é um bom lugar para se estar. – Disse, tentando abafar o clima de tensão. – Você vai ver, logo você vai se adaptar.
— É o que eu espero. Treinar aqui é muito importante pra mim.
— É como um lar, sabe? Por isso o ataque ao palácio mexeu tanto com todos aqui. Sentimos como se fosse nossa casa sendo invadida. – Khali continuou. – Especialmente eu. Não sei o que seria de mim se não estivesse aqui, com todos os mestres e também com minha tia Leia.
Ameenah se impressionou com o fato de o garoto se referir à grande e poderosa Leia Organa como “tia Leia”, fazendo soar tão natural.
Tia Leia... – Ameenah deu uma risadinha e fez uma pausa. – Então você é de fato o famoso Skywalker, não é mesmo?
O rapaz sorriu de lábios fechados.
— Sou sim. Mas só Khali está bom.
— Não gosta de rótulos? – Ele concordou, e Ameenah sorriu. – Entendo. É difícil estar na sombra dos pais em todo lugar por causa do seu nome. É como se você fosse obrigado a ser igual a eles.
— É mesmo. – Khali respondeu, e em seguida franziu a testa. – Como você sabe?
A garota pareceu processar a pergunta.
— Ah – Ela sorriu sem graça. – Eu também sou reconhecida por causa dos meus pais. Acontece o tempo todo.
— E quem são seus pais? – Khali perguntou, curioso. Embora, agora que ela mencionara, seu rosto lhe parecia familiar.
— São os Governantes-Reais de Nassor. – Ela respondeu. – Muito prazer, pode me chamar de sua alteza real, princesa Ameenah Zulai. – Ela disse, curvando-se para fazer uma reverência nobre em tom de brincadeira.
Agora sim Khali ligara os pontos. Nassor era um dos planetas mais fortes e influentes da Galáxia, e era reconhecido por sua grande inteligência política, seu poder econômico e sua rica cultura. Ele já tinha o visitado em missões da Ordem Jedi, e era um dos planetas mais bonitos que já vira, bem desenvolvido e com uma natureza muito exuberante. Além disso, foi neste planeta que ocorreu o primeiro atentado realizado pelas tropas de Darth Styg, o qual revelou sua existência para toda a Galáxia e chamou simpatizantes. Seus Líderes-Reais eram muito poderosos, altamente influentes na Democracia Intergaláctica, e Khali sabia que eles tinham uma filha.
— Oh, sim – Khali disse, após seu momento de clareza. – Nassor é um planeta realmente bonito, eu gosto de lá.
Aquela informação chamou a atenção do rapaz. Ameenah pertencia à realeza, era filha de alguns dos governantes mais importantes da Galáxia. Não era comum que pessoas atreladas à política, e ainda mais princesas, treinassem para se tornar Jedis. A maior parte dos Democratas nem sequer acreditava na Força e sua doutrina, e era raríssimo que gente desse tipo se envolvesse com assuntos Jedi. Por que será que a princesa de Nassor o fez?
— Isso é curioso, sabe... – Disse Khali. – O que uma princesa da Democracia Intergaláctica faz treinando para tornar-se uma Jedi?
— Sua pergunta não me impressiona. – Ameenah riu. – Naturalmente, eu deveria estar em algum congresso Intergaláctico tratando de assuntos políticos, ou então em casa no palácio aprendendo sobre regras de etiqueta. É onde todos esperam que uma princesa esteja. – Disse ela. – Mas eu nunca gostei muito dessa coisa toda.
— E por que não? Sempre achei que assuntos políticos fossem muito interessantes. — Falou Khali, tentando ter mais informações.
— Não pra mim. Ao contrário dos meus pais, os honoráveis Karasi e Rashid Zulai. – Ameenah disse com certa ironia. – Eles sempre me criaram para ser uma dama diplomática, me ensinando tudo sobre a burocracia e cordialidade. Eu passava a maior parte do tempo no palácio tendo lições ou os acompanhando em viagens da Democracia Intergaláctica, e eles pretendiam que, futuramente, eu fosse a sucessora do trono deles em Nassor. Mas eu nuca quis isso. A vida de princesa nunca me interessou, eu sempre achei que deveria fazer algo diferente. Não queria ser governante, queria ajudar as pessoas. Como os Jedi fazem.
— Mas os Democratas também fazem isso. Eles criam leis e discutem medidas para tornar a Galáxia um lugar melhor para todos, não é?
— Isso em teoria. Quando participava das reuniões do Parlamento, tudo que eu via eram homens e mulheres velhos e ultrapassados, que no fundo eram medrosos demais para enfrentar problemas e não estavam muito interessados no bem da Galáxia. – Ameenah explicou. – Os Jedi não. São cavaleiros honrados e corajosos, que doam seu destino para proteger as outras pessoas, e que abrem mão da própria vida para proteger a dos outros. Eu queria ser assim. Queria poder viver aventuras, participar de missões, salvar pessoas, lutar contra o mal, defender a paz e toda a Galáxia. É um significado muito mais nobre para dar a sua vida, e é muito mais válido do que sentar atrás de uma mesa e discutir planos sem efetividade.
— É um belo ponto de vista. – Disse Khali, surpreso. – Mas e seus pais, o que acharam disso? Quer dizer, eles aceitaram que você deixasse de lado a vida política para se tornar uma Jedi?
— Eles nunca gostaram, mas não foi uma decisão deles. – Ameenah disse, e Khali pode sentir um pouco de tensão naquela frase. – Eu sempre gostei dos Jedi, desde criança. Costumava ouvir histórias sobre eles e vivia sonhando em me tornar uma. No fundo, eu sempre senti que deveria fazer algo a mais, e que a vida que eu levava em Nassor não era pra mim. Tudo que eu queria era sair dali e treinar. Mas os meus pais nunca aprovaram. Diziam que era perigoso demais, que eu teria que abrir mão de muitas coisas e que a vida de um Jedi era muito difícil, além de, é claro, não acreditarem na Força. Eles sempre tentaram me convencer a desistir, principalmente a minha mãe. Ela tinha horror a essa ideia, achava que eu ia acabar morta ou então que algo de muito ruim iria me acontecer.
— É, a vida de um Jedi não é exatamente calma e pacífica... – Khali brincou. – É muito difícil ir contra aquilo que todos esperam de você e fazer algo diferente. Mas... então como você acabou aqui, afinal? Qual é a sua história?
— Bem, como você notou meus pais tem mania de superproteção. Devido à vida política deles em Nassor, e ainda mais depois do ataque de Darth Styg ao nosso planeta, eles temiam que alguém que quisesse atingi-los ou chantageá-los pudesse tentar me usar para isso e fazer-me mal. Por isso, assim que eu aprendi a andar eles contrataram um guarda costas pra mim, que era um Jedi aposentado. Eles achavam que seria melhor do que um guarda convencional, pois, por ter habilidades sensitivas, um Jedi conseguiria sentir qualquer problema antes mesmo de acontecer, e isso impediria que eu fosse exposta a qualquer situação. – Ela explicou. – O Jedi que meus pais procuraram era Horus Keet, que como você sabe, foi meu primeiro mestre. Ele tinha se ferido gravemente em uma batalha Jedi e perdido uma das pernas, e portanto decidiu se afastar da Ordem. Por isso meus pais o procuraram. Ele aceitou a oferta, colocou uma prótese mecânica e então se tornou meu vigia durante vinte e quatro horas por dia. Horus era como se fosse minha babá, estava sempre cuidando de mim e ia pra onde quer que eu fosse... e também foi responsável por me contar grande parte das histórias de Jedi que me fizeram querer ser uma. Ele me falava sobre as grandes batalhas, sobre os tempos sombrios do domínio do Império, sobre a vitória da Aliança Rebelde ao derrubá-lo, sobre os grandes heróis, sobre as missões e expedições das quais ele participou, sobre como é estar em sintonia com o Universo através da Força e sobre o compromisso dos Jedi com a paz e a justiça. Aquilo me deixava encantada. Horus via isso e sabia o quanto eu desejava fazer parte desse universo, e também sabia da importância dos Jedi depois do ataque a Nassor. Então, apesar da proibição dos meus pais, ele decidiu me treinar. Eu tinha seis anos quando comecei. Praticávamos em segredo, de madrugada ou então bem cedinho de manhã. Eu adorava aprender, ficava ansiosa o dia todo esperando as próximas lições, e evolui muito durante os anos, sem ninguém nunca descobrir. As coisas ficaram assim por um bom tempo, até que neste ano eu completei dezoito. Horus me contou que a Academia Jedi localizada em Tedros, comandada pela Ordem da qual ele fez parte, estava buscando novos aprendizes para reconstruir a Ordem. Ele disse que eu deveria finalizar meu treinamento perto de outros Jedi, e que eu poderia ajudá-los. Então eu decidi ir. No entanto, mas meus pais jamais poderiam descobrir, porque não sabiam sobre o meu treinamento. Eles tentariam impedir de qualquer jeito, e acabaríamos brigando. Portanto, eu peguei minha nave e fugi de Nassor durante a madrugada, sem que ninguém soubesse. Horus escreveu uma carta para seus antigos companheiros do Conselho, pedindo pra que finalizassem meu treinamento de modo a me integrar na Ordem, para que eu pudesse participar e ajudar, que é o que eu sempre quis. Eu vim até aqui e entreguei esta carta ao Conselho, e eles me designaram ao mestre Yerodin, pois você já está finalizando seu treinamento. — Ela fez uma pausa e suspirou. — Não sei como meus pais reagiram a minha fuga ou se estão me procurando, e sinceramente nem quero saber. Estou vivendo minha própria vida agora.
— Você tem uma jornada e tanto. – Khali disse e ela sorriu de canto. Por dentro, estava impressionado com a garota, pois não esperava que ela fosse quem era e tivesse feito o que fez. – É muito corajosa.
— Quando sentimos que uma coisa é certa, devemos persegui-la até o fim. – Ameenah sorriu. – E é isso que um Jedi faz, a final de contas.
— Tem razão.
— Mas e você, Khali Skywalker? – Disse a garota, arqueando uma sobrancelha. – Qual é a sua história?
— Sobre o que quer saber, exatamente? — Ele perguntou. Não gostava de falar de si mesmo.
— Ah, não sei... Você é filho de um dos maiores Jedis que já existiu, e hoje em dia ele é uma lenda desaparecida e misteriosa. Deve haver uma história e tanto por trás disso tudo.
— Não muito, na verdade. Passo longe de qualquer história emocionante de herói nobre e destemido como meu pai. — Disse Khali. — Nem sempre eu soube quem eu era. Eu tive uma infância pobre, morava em uma casa simples com meus pais na periferia de uma grande cidade. Na verdade, só com a minha mãe, pois hoje em dia eu sei que aquele homem não era meu pai de verdade... – Ele riu. – Nunca fui ninguém especial, vivia uma vida igual a de todo mundo.
— E como foi que você se tornou um Jedi?
— Um dia, quando eu tinha cinco anos, a região da favela em que eu morava foi atacada, e meus pais morreram em uma explosão de bomba. Eu estava em casa junto com eles, mas sobrevivi pois minha mãe me protegeu. Eu fui o único da minha família que restou graças a ela, pois ela estava abraçada comigo o tempo todo, então o corpo dela serviu como uma espécie de escudo. – Khali contou, e Ameenah se sensibilizou. – Eu fiquei ileso, mas desmaiei por causa do impacto da explosão. Os Jedi vieram até meu planeta em missão para ajudar os feridos e procurar os culpados, e eles me encontraram no meio dos escombros da minha casa. Um dos mestres me tirou de lá, e então sentiu algo em mim. Ele viu que a Força em mim era poderosa, e pensou que eu poderia ser um bom cavaleiro Jedi. Ele queria que eu fosse treinado, então como eu não tinha mais família nem ninguém para ficar comigo no meu planeta, eu me recuperei dos ferimentos e vim com os Jedi para a Academia. Eu comecei meu treinamento e moro aqui desde então.
— Caramba... e como foi que você descobriu que era filho de Luke Skywalker?
— Perto da época em que aconteceram as explosões, o Supremo Mestre da Ordem previu por meio de uma visão que Luke havia tido um filho em segredo, antes de partir. Eles sabiam que, naquela época, a criança já tinha mais ou menos a minha idade, e sua verdadeira descendência estava sendo escondida para protegê-la, por meio de outra família e um falso pai. A mãe havia tido um breve romance com Luke, e guardava isso em segredo de todos, pois se fosse descoberto traria sérias consequências, tanto para a vida dela e como a do filho. Também sabiam que a criança Skywalker era muito poderosa, e que quando chegasse a hora certa – o que não ia demorar –, os Jedi iriam encontrá-la ao acaso, no meio de uma situação de conflito e tensão, e seu grande poder seria descoberto para que fosse treinada para ajudar a todos. – Khali explicou. – Eu me encaixava perfeitamente nessa descrição. Fui encontrado por acaso no meio do entulho de uma explosão trágica. Logo depois de me salvarem, os Jedi acharam dentro do meu bolso uma carta da minha mãe, que ela colocou lá enquanto me protegia. A carta contava que o casamento dela com o meu “pai” era apenas para encobrir o seu filho, e que o pai da criança não era quem todos achavam. Dizem também que eu tinha uma semelhança física muito grande com Luke.
— Ainda tem, na verdade. – Disse Ameenah, encarando o rapaz loiro de grandes olhos azuis à sua frente. Ela sabia muito sobre Luke Skywalker graças às histórias de Horus, e viu que Khali era mesmo muito parecido com ele. Sem dúvidas eles eram pai e filho.
— Pois é. – Disse o rapaz. — Para confirmar o parentesco, o Conselho analisou uma amostra do meu sangue e constatou que o número de midi-chlorians no meu sangue era idêntico ao do sangue dele. – Khali explicou. – A partir daí, tiveram certeza de que eu era o filho de Skywalker.
— E como foi que você lidou com o fato de o seu "pai" não ser seu pai de verdade? Você ficou bravo ou algo assim?
— Acho que bravo não seria bem a palavra. Eu fiquei apenas bem surpreso. – Respondeu Skywalker. – Mas isso não foi lá um grande impacto na minha vida. Meu pai de infância não era muito presente, estava sempre fora e eu não era incrivelmente próximo dele como normalmente um garoto de cinco anos é do pai. Então eu encarei bem. O que mais me surpreendeu na época foi o fato de a minha mãe ter escondido isso de mim o tempo todo.
— Deve ter sido muito duro pra ela, afinal de contas Luke desapareceu sem deixar pistas pra ninguém. – Ameenah falou. – Você chegou a conhecê-lo?
— Não que eu me lembre. Talvez quando era bem novo tenhamos convivido, mas eu não sei dizer. Minha mãe é a única que saberia explicar.
A conversa dos dois aprendizes foi interrompida por um aviso vindo de dentro do palácio.
— O Supremo Mestre está chamando a todos no salão principal! – Disse o Jedi que estava passando por ali. – Andem logo, ou vão perder o pronunciamento sobre o ataque de hoje!
A menção do ataque despertou interesse tanto de Khali quanto de Ameenah. Os dois aprendizes logo se encaminharam para o salão principal, em busca de um esclarecimento sobre toda aquela loucura de horas atrás. Juntaram-se aos outros Jedi, aguardando o pronunciamento.
Enquanto o tumulto e os burburinhos dominavam o salão do palácio, um Jedi mais velho, com barba e cabelos grisalhos usando roupas claras se aproximou, e atraiu os olhares de todos. Aquele era o Supremo Mestre Idowu, líder do Conselho Jedi. Ele parecia preocupado, olhou em volta com a testa franzida, e gentilmente pediu silêncio geral.
— Meus caros Jedis – Disse o homem, projetando sua voz grave no salão. – Sei que estão todos assustados e confusos com o que aconteceu, mas peço que fiquem calmos e escutem. – O silêncio tomou conta do grande salão, e o homem continuou a falar. – Darth Styg está de volta, e seus planos ainda são um mistério. Seu exército cinzento é poderoso, e suas armas são de uma alta tecnologia que até agora era desconhecida por nós. – Disse o homem, fazendo uma pausa. – Ao prestar socorro para os feridos, nossos médicos constataram que aqueles que foram atingidos pelos tiros não se feriram gravemente, mas em compensação ficaram doentes: eles não estão mais sensíveis à Força. Os cavaleiros atingidos não conseguem mais mover objetos com telecinese, comunicar-se por pensamento nem se conectar com outros cavaleiros, e tiveram todas as suas habilidades Jedi neutralizadas. – Ao ouvir isso, todos no salão ficaram surpresos e começaram a falar novamente. Idowu esperou até que todos se calassem novamente. – Ainda não sabemos o porquê disso, e nem sabemos se existem outros efeitos colaterais do contato com o que chamamos de “tiros anti-Luz”. Estamos trabalhando duro para obter a resposta, e colocamos todos os nossos cientistas e pesquisadores para estudar o acontecido. Iremos investigar os novos blasters de batalha e os tiros de laser de Styg para sabermos o que exatamente atingiu nossos cavaleiros, e iremos curá-los o mais rápido possível. Então, quando soubermos com que estamos lidando, poderemos combater e assim derrotar o mal. – Idowu explicou. –Por ora, todos vocês continuarão ajudando no atendimento dos feridos e nos reparos do palácio, para que possamos voltar o mais rápido possível a nossas atividades normais. Qualquer um que tiver informações relevantes sobre Styg, sobre os tiros anti-Luz ou qualquer outro tópico relacionado ao assunto, procure o Conselho imediatamente. – O homem suspirou, encarando a todos os presentes ali com aflição. – Fiquem alertas, e que a Força esteja com vocês.
Assim que terminou de falar, o homem grisalho se retirou, dando lugar para um rumor generalizado com palpites e preocupações vindos de todos os Jedi ali reunidos. Ninguém sabia o que estava acontecendo, e estavam todos preocupados com o que viria a seguir. Será que seriam atacados outra vez? Será que os tiros possuíam mais consequências? Será que o Lado Negro estava realmente de volta para ameaçar a paz da Galáxia novamente?
Estes pensamentos cruzavam a cabeça de todos, principalmente da jovem aprendiz Ameenah. Era tudo muito novo pra ela, especialmente porque chegou num momento de tanto alvoroço na Academia. Se nem os grandes especialistas da Força entendiam o que estava acontecendo, ela entendia menos ainda. No entanto, estar ali e finalmente fazer parte daquele universo era incrível para ela, e todos os detalhes e acontecimentos atiçavam sua curiosidade.
No entanto, devia confessar que a menção do Lado Negro a assustava. Só ouvira sobre ele em livros de história, assim como boa parte dos Jedi que ali estavam. Ela nasceu logo depois que os tempos sombrios acabaram, e nunca conviveu de perto com nenhuma guerra ou batalha pelo poder. Darth Styg era uma figura assustadora, assim como seu Exército Cinzento e seus blasters com tiros anti-Luz. Aquilo tudo era apavorante, mas ainda assim, a empolgava.
Não era tão fácil assim assustar a jovem Ameenah. Ser uma Jedi era tudo que ela sempre quis. Ao escolher esta vida, ela sabia que teria que conviver com aquele tipo de coisa. Combater o mal era seu único objetivo, e ao menos agora com tudo isso acontecendo, ela teria esta oportunidade. Em breve, se tornaria uma heroína assim como Leia era.
Os pensamentos da garota estavam a mil, mas ela precisava descansar. No dia seguinte a ação começaria de fato. A Academia retornaria à suas atividades normais, e Ameenah teria seu primeiro dia de treinamento com seu novo mestre Yerodin. Um pequeno passo para iniciar uma grande jornada de aventuras e histórias inesquecíveis. Era tudo que ela queria.


Capítulo 3

— Concentre-se, padawan. Feche os olhos. Se conseguir entrar em sintonia com a Força, não precisará ver. Tudo que acontecer ao seu redor poderá ser sentido através da energia que envolve você.
Naquele momento, tudo parecia se encaixar em perfeita forma; a vida fluía em seu curso, a mente fazia sentido, o Universo todo estava em sintonia. A Força corria pelas suas veias, tomando conta de todo o seu corpo como uma sinapse nervosa. Era possível notar o vento balançando as copas das árvores, a água do rio fluindo e os pássaros voando no céu, como se fizessem parte dela. Era como se o tempo ficasse mais lento, andando tão devagar que tudo pudesse ser apreciado sem pressa alguma. Aquela sempre foi a sensação preferida da garota.
A paz e harmonia de Ameenah foram interrompidas por uma pequena perturbação estranha. Sentiu uma aproximação suspeita à sua direita, e rapidamente desferiu um golpe com seu sabre de luz naquela direção.
Acertou em cheio em alguma coisa. Porém, mal teve tempo de raciocinar, pois logo em seguida sentiu outra aproximação às suas costas. Pegou o sabre com as duas mãos e golpeou algo logo atrás de sua cabeça, fazendo o laser tilintar ao cortar alguma coisa. Logo após veio outra ondulação, dessa vez bem à sua frente. Refez o mesmo movimento ao contrário com sua espada, e em seguida golpeou à direita, partindo no meio o último obstáculo.
Logo depois, abriu os olhos.
— Muito bem, jovem aprendiz. Vejo que suas habilidades já são bem treinadas. – Disse a voz calma de mestre Yerodin, que estava parado à sua frente. Ele segurava quatro mini droids remotos de treinamento partidos ao meio, os quais ela havia destruído há pouco. – Horus Keet fez um ótimo trabalho com você durante esse tempo.
— Obrigada, mestre. – Agradeceu Ameenah, sentindo uma mistura de alívio e satisfação. Aquele era seu primeiro dia de treinamento na Academia. Ela reconheceu aqueles robozinhos que havia partido ao meio, pois mestre Keet também os utilizava para treinar sua percepção. – Eu tive um ótimo mentor.
— Seu mestre sem dúvidas foi excelente, mas muito do seu aprendizado se deve a você. – Disse Yerodin sentando-se na grama. A garota logo sentou-se ao lado dele. – Sabe, conectar-se com a Força não é uma tarefa fácil. Requer muito foco, habilidade e serenidade, talentos que levam tempo para se desenvolver. É preciso ter sensibilidade para perceber a energia que flui tímida e silenciosa pelas coisas que nos cercam – e também por nós mesmos. Uma vez que se nota a tênue linha que nos conecta a todos os outros seres vivos do planeta, uma infinidade de possibilidades se abre diante de nossos olhos. O treinamento Jedi serve para ajudar você a enxergar todas estas possibilidades, e também fazer o melhor uso delas.
— Aplicar suas habilidades para fazer o bem e proteger a Galáxia de quem quer que tente usá-las para fazer o contrário. – Disse Ameenah, trazendo à tona um dos mantras que sempre aprendera em seus ensinamentos.
— Isso mesmo. – O mestre sorriu. – Mas, também, fazer o bem a si própria. Encontrar o equilíbrio para sua mente, corpo e alma através da meditação e do desenvolvimento da sua sensibilidade. Além disso, para proteção. Como guardiões da paz e da justiça, os Jedi são um grande alvo para qualquer um que queira destruir aquilo que protegemos. Para que possamos executar nosso dever com sucesso, é necessário saber se defender. Levante-se.
A garota obedeceu. Yerodin também colocou-se de pé, e ativou seu sabre de luz azul dando alguns passos para trás em seguida.
— A sensibilidade dos Jedi e a sua conexão com a Força também pode ser utilizada para aprimorar suas habilidades de batalha. Utilizando sua sabedoria e treinamento, você pode sentir o seu inimigo, saber seu próximo passo antes mesmo que ele saiba, e escolher quando é o melhor momento para atacar. Vamos, saque seu sabre.
Ameenah o fez. Logo em seguida, Yerodin apontou-lhe sua arma, colocando um pé atrás do outro e ficando em posição de batalha.
— A precisão e agilidade nos movimentos são fundamentais para uma luta – Explicou o mestre, dando um pequeno golpe no sabre de Ameenah. – Manter o foco no oponente e em seus passos é muito importante, pois é o único modo de encontrar o seu ponto fraco, e assim explorá-lo. – Yerodin dizia, enquanto ele e sua aprendiz andavam pelo gramado iniciando uma batalha. – Além disso, é importante ficar atento a tudo que acontece ao seu redor, pois os Jedi lutam nos mais diversos ambientes, com um grande número de variáveis. É preciso manter-se alerta para qualquer adversidade, pois um único descuido pode levar à sua derrota. – Disse o mestre intencionalmente, e segundos depois Ameenah desequilibrou-se ao dar um passo para trás no início de um barranco. Yerodin sorriu. – Entende?
Após Ameenah recuperar o equilíbrio, ela e mestre Zuma caminharam até o centro do gramado novamente.
— Você luta bem, padawan. Procure utilizar sua percepção para desenhar o ambiente ao seu redor. Ela será o seu guia durante as batalhas, funcionará com uma segunda visão, um anjo da guarda. – Explicou o homem. – O que difere um Jedi dos demais guerreiros não é sua exatidão de golpes ou sua maestria nos movimentos, mas sim a capacidade de enxergar o confronto de uma forma que o oponente jamais conseguirá. Use isso e se tornará uma grande guerreira.
— Sim, mestre. – Disse Ameenah ao final, tomando notas mentais do ensinamento.
— Deixe-me mostrar esta habilidade aplicada em uma batalha – Yerodin dirigiu o olhar para o outro lado do jardim. – Khali, venha até aqui, por favor – O mestre chamou alto pelo outro pupilo, e o rapaz que passava distraído rapidamente se apresentou.
— Pois não, mestre Zuma? – Falou Khali com formalidade, de prontidão.
— Pegue seu sabre, vai lutar comigo para fazer uma demonstração à senhorita Zulai. – Yerodin disse, e o rapaz obedeceu. Rapidamente, os dois Jedi ficaram de frente um para o outro e sacaram suas armas.
—Devo te deixar ganhar? — Khali provocou o mestre com um sorriso malandro, e o mais velho riu.
—Vá se exibindo.
Ameenah estava curiosa para ver Khali em batalha. Ela lutara ao seu lado no dia da invasão à Academia, mas não conseguira reparar no combate dele; sabia apenas de sua fama como grande guerreiro, que agora assistiria propriamente. Nos instantes seguintes, o jovem Skywalker e seu mentor começaram uma batalha. O primeiro a atacar foi Yerodin, que avançava sobre o mais jovem enquanto seu sabre rodopiava de um lado para o outro na tentativa de furar sua defesa. Skywalker esquivou-se e reagiu com um golpe direto que por pouco não acertou o mestre.
Os dois Jedi tinham movimentos ágeis e precisos, rodavam os sabres com total domínio, e davam pulos e giros pelo gramado verde. A luta mais parecia uma coreografia ensaiada, o que era impressionante. Foram quase cinco minutos de batalha incessante, e Ameenah assistia a tudo atentamente. Conseguia observar os ensinamentos que Yerodin lhe dera há pouco na prática, com ambos os guerreiros sabendo exatamente o que havia nas proximidades enquanto caminhavam pelo jardim.
Alguns minutos de combate se passaram, e Yerodin acertou Khali passando-lhe uma rasteira, o que faria com que o garoto caísse de costas numa grande árvore logo atrás dele. Porém, antes que pudesse atingi-la em cheio, Khali apoiou um dos pés no tronco e tomou impulso, para fazer uma cambalhota no ar e cair de pé de frente para seu mestre, num reflexo impressionante. Durante a queda, com um rápido golpe, o garoto desarmou o adversário.
— É assim, jovem aprendiz, que a sensibilidade ao ambiente de batalha pode ajudar você a vencer. – Explicou Yerodin com um sorriso orgulhoso, pegando de volta o sabre que Khali o esticava. Os dois fizeram uma reverência em sinal de respeito após o combate. – Muito obrigado, rapaz. Ameenah, agora é sua vez. Saque sua arma e lute com ele, sentindo o ambiente ao redor.
A garota aproximou-se de Khali com certo receio, e ativou seu sabre de luz. Ele não seria um oponente fácil. O rapaz chegou mais perto e ativou novamente sua arma, e os dois posicionaram-se preparados. Ameenah tentou não se deixar intimidar e foi quem desferiu o primeiro golpe da batalha entre os dois aprendizes. Cruzaram os sabres, e logo os dois saíram lutando pelo jardim.
Khali era um guerreiro habilidoso. Mantinha um semblante sério durante toda a luta, concentrado em seus movimentos. Ameenah tentava acompanhar seu ritmo, e com o tempo foi ganhando algum espaço. Após recuar alguns passos, o garoto subiu em um dos bancos do jardim tornando-se mais alto, e logo pulou por cima da adversária, pronto para golpeá-la por trás. Rapidamente, Ameenah cruzou seu sabre às próprias costas, parando a lâmina do rapaz a centímetros de aparar a trança de padawan que pendia de seu cabelo. Num giro rápido a garota voltou-se para Khali, e a luta continuou.
Khali era bom guerreiro, mas Ameenah não era fácil de assustar. Pensando na lição que seu mestre há pouco passara, a garota procurou sentir o jardim e seus elementos que encontravam-se próximos. Sua percepção aguçada disse-lhe que estava próxima de uma das fontes do jardim, e rapidamente ela desviou o caminho.
A batalha entre os aprendizes continuou por vários minutos, até que Ameenah teve uma ideia. Ela estava andando de costas, e usou sua sensibilidade para constatar que há poucos metros estava um grande pilar cilíndrico que fazia parte da estrutura do castelo. Ela estava aproximando-se cada vez mais, e resolveu utilizá-lo para encurralar Khali e tentar vencê-lo.
Quando sentiu que estava a poucos centímetros de chocar-se com a construção, a garota girou para a direita dando a volta no grande pilar, esperando encontrar o garoto de costas do outro lado para poder rendê-lo. Ameenah esticou seu sabre ansiosa para surpreendê-lo, porém deu de cara com o rapaz virado para ela na mesma posição. Rapidamente, o rapaz chocou seus sabres e girou o punho em cento e oitenta graus forçando as lâminas e fazendo com que Ameenah derrubasse sua arma, encerrando o combate.
Logo em seguida, mestre Zuma apareceu para declarar a luta encerrada.
— Excelente, jovens aprendizes.
— Meus parabéns, princesa – Disse Khali guardando seu sabre de luz no cinto preso à cintura. – Você sabe lutar.
— Obrigada. Você também tem talento. – A garota respondeu.
Enquanto os dois cavaleiros recuperavam-se do combate, alguém se aproximou e caminhou até eles pela trilha de pedras no gramado. Este alguém já estava os observando a algum tempo, mas pela distância antes não era possível dizer de quem se tratava. Agora estava claro: era uma mulher, de cabelos e olhos castanhos inconfundíveis.
Leia Organa.
— Olá, meu sobrinho. — Disse ela dirigindo-se a Khali, que sorriu e a cumprimentou afetuosamente.
— Boa tarde, tia. Dando um passeio? — Perguntou o rapaz.
— Estava observando como estão as coisas por aqui depois do ocorrido ontem. Fiquei assistindo vocês dois treinarem. — Leia disse e isso fez com que Ameenah sentisse um gelo instantâneo na espinha. — Boa tarde, mestre Yerodin. Ótimo trabalho com seus padawans. — Disse Organa, e mestre Zuma agradeceu. — Princesa Ameenah? Estou feliz em finalmente conhecê-la.
— O prazer é todo meu, mestre Organa. – Respondeu Ameenah, ainda surpresa com a presença da mulher. As duas deram um aperto de mão.
— Gostaria de ter falado com você antes. Queria conversar sobre seu treinamento, seus pais e também sobre seu antigo mestre Horus Keet, que não vemos há tanto tempo. Sinto muito que tenha chego à Academia em um momento tão tumultuado.
— Não há porque. – A garota sorriu. – Espero que tudo seja resolvido em breve.
— É o que todos queremos, sem dúvida. – Disse Organa. – Mas não se preocupe. Recebemos você com muita alegria, em especial por ter sido treinada por um dos nossos melhores mestres. Se tiver qualquer problema ou precisar de ajuda, procure-me. Sou responsável pela administração da Academia. Sinta-se em casa, jovem aprendiz. – Disse Leia, com um sorriso receptivo.
—Obrigada, mestre.
— Perdoem-me a pressa, mas se me derem licença, tenho uma reunião com o Conselho agora. Foi um prazer, princesa.
— Eu a acompanho – Disse Khali. — Preciso conversar com Supremo Mestre Idowu sobre uma missão.
Khali fez uma reverência ao seu mestre e a garota, e em seguida ele e Leia despediram-se dos dois para adentrar o palácio.
Leia Organa era muito simpática e gentil, e Ameenah sempre a admirou muito. Era a principal heroína das histórias que mestre Horus lhe contava quando criança. Talvez por se identificar com o título de princesa que ela também possuía, ou simplesmente por considerá-la uma mulher forte e corajosa, a garota sempre a viu como uma inspiração.
— Seu mestre deve ter lhe contado muitas histórias sobre Leia. — Disse Yerodin, e Ameenah virou-se para ele. — Os dois eram muito amigos. Horus foi um de seus maiores parceiros durante a fundação da Academia.
— Ele contava, sim. — Ameenah sorriu, lembrando-se das aventuras sobre as quais ouvia.
— Horus era um Jedi incrível, e adorava boas histórias. Nós éramos muito próximos antes de ele se aposentar. Ele lhe contava essa?
— Ele mencionava você com frequência. — Respondeu Ameenah, recordando-se das histórias sobre Yerodin.
— Fomos amigos de infância. Se não fosse pela família Keet, não sei o que seria de mim.
—Vocês moravam juntos, não é?
—Mais que isso. Os pais de Horus me adotaram como um filho. — Disse Yerodin, e em seguida sentou-se em um banco do jardim próximo ao grande pilar. Fez sinal para que a garota o acompanhasse, e ela o fez. — Sabe, meus pais eram políticos. Estavam no cargo de senadores do planeta Mansur na época da República, e foram mortos durante o golpe político que deu origem ao Império, quando eu era apenas um garoto. Os pais de Horus eram velhos amigos dos meus, e me levaram para morar com eles, pois eu não tinha mais ninguém. Horus e eu tínhamos quase a mesma idade, e logo viramos amigos. Fomos criados juntos como irmãos, e crescemos muito próximos um do outro. Sempre tivemos interesses em comum: assim como eu, Horus admirava os Jedi e tinha aversão ao Império. Quando garotos costumávamos brincar juntos de Guerras Clônicas, um era o Jedi e o outro o Stormtrooper. Sempre brigávamos para ver quem seria o primeiro – Yerodin riu. — Quando completamos idade, nós dois nos alistamos juntos para a Aliança Rebelde, eu como comissário e ele como espião. Combatemos o Império lado a lado, como sempre quisemos.
— Não sabia disso – Disse Ameenah. — Digo, sabia sobre terem lutado juntos, mas não sabia sobre seus pais. Horus não havia me contado essa parte.
— Foi bem triste, mas a família Keet cuidou muito bem de mim. — Explicou mestre Zuma. — Senti muito a falta de Horus quando ele se aposentou da Ordem. Mas vejo que ele se manteve bem ocupado com você durante esse tempo, e fez um ótimo trabalho. Ao chegar aqui com a carta dele, você deixou todos nós surpresos; não fazíamos ideia de que ele estava treinando alguém fora daqui. Quando soube que ele pedira para que eu a treinasse, fiquei muito feliz. Ver você lutar me lembra muito dele. Acho que faremos um ótimo trabalho juntos, jovem Ameenah. — O mestre sorriu.
A garota sorriu de volta. Também achava aquilo. Acreditava do fundo do coração que era verdade, pois acreditava na decisão de seu mestre em confiar o restante de seu treinamento a um de seus melhores amigos, de quem tanto lhe falara. Após a conversa, mestre e padawan se despediram com uma reverência, e Ameenah dirigiu-se ao seu dormitório.
Aquele havia sido um intenso primeiro dia de treinamento. Apesar de confiar em seus poderes, Ameenah ficou pressionada pelo desejo de agradar seu novo mestre. Esperava que seu desempenho tivesse sido suficiente.
Estar com outros Jedi e terminar sua jornada de aprendiz era tudo que a garota mais queria. Fugiu de casa para isso, afinal. Nem queria imaginar a confusão que gerara em Nassor após seu sumiço. Mestre Horus deu-lhe sua confiança e teve fé nela, e Ameenah não planejava desapontá-lo. Ia realizar seu grande sonho, e em breve se tornaria uma Cavaleira Jedi para proteger as pessoas e livrar a Galáxia do mal.
Ah sim, o mal. Ele estava de volta agora, mais forte do que nunca, depois de um longo tempo sem dar as caras. Darth Styg – era um nome de arrepiar, pra um ser ainda mais assustador. Quem diria que mesmo depois de Luke Skywalker varrer a ameaça dos Sith da Galáxia eles arrumariam um caminho de volta?
As dúvidas relacionadas ao recém-renascido Lado Negro eram muitas, e ninguém tinha as respostas. Mas aquilo não amedrontava tanto Ameenah quanto a alguns outros Jedi. Ela estava chocada, é claro, mas ao mesmo tempo sentia-se ainda mais encorajada a treinar. Cedo ou tarde os Jedi iriam ter que enfrentar Styg e suas Tropas Cinzentas, e ela queria ter certeza de que estaria bem preparada para lutar pelo bem-estar da Galáxia. Alguém tinha que fazer isso, e esse alguém seriam os cavaleiros da paz e da justiça.
Ameenah foi deitar-se com pensamentos como aqueles em mente. Pouco antes de cair no sono, ela pensou ter ouvido passos no corredor. A madeira do piso rangeu, assustando-a, mas ela pensou ser apenas fruto da sua imaginação, já que pensava em coisas assustadoras. Talvez justamente por esses pensamentos sombrios, a garota não teve um sonho muito agradável para se ter numa noite calma.
— Escondam-se, rápido!
— As bombas e tiros estão vindo de todas as direções, precisamos ir!
— Por aqui!
O castelo estava em chamas, as árvores e casas do outro lado dos muros caíam, e o garotinho deixado para trás sumira junto com tudo que um dia foi tão calmo.
— É uma guerra, papai? – Perguntou a menininha assustada.
— Não há mais guerras nesses tempos, filha. Apenas cubra seus ouvidos e tudo irá passar num instante.
E os instantes se tornaram minutos, horas...

——


— Caros Jedi, vim até aqui para trazer-lhes as atualizações.
A voz de Yerodin era projetada em alto e bom som no grande salão, e todos os grandes mestres presentes prestavam atenção. O Conselho Jedi se reunira como de costume em uma conferência para discutir as situações e acontecimentos da Academia – como era o caso no momento.
— Fui apresentado à nova aprendiz que veio até nossa Academia procurando por treinamento. Creio que conseguiremos bons resultados com ela.
— Que detalhes você nos traz? – Disse mestre Daren, um dos Jedi que constituía a bancada dos grandes mestres do Conselho.
— A Força é presente nela. A garota já possui habilidades adquiridas anteriormente, que eu acredito que poderão ser aprimoradas com meu treinamento posterior. Eu ficaria satisfeito em poder treiná-la.
— Tem certeza que é capaz de administrar dois padawans de uma só vez, mestre Yerodin? – Indagou Daren. – Khali Skywalker ainda não passou pelos testes de Cavaleiro, e tampouco concluiu seu treinamento.
— Acredito que Khali está em um estágio avançado de seu treinamento, e não me incomodaria treiná-lo junto com Ameenah.
— Com licença, mestre Yerodin – O Jedi foi interrompido por outro membro do Conselho, mestre Gahiji. – Está se referindo à princesa de Nassor?
— Sim, mestre Gahiji.
— Com todo respeito, mestre, não acredito que o Conselho deveria permitir o treinamento da garota.
—Mas já permitiu, não? — Perguntou Yerodin. — Mediante a apresentação da carta de Horus Keet.
— Permitimos apenas uma avaliação da garota, realizada pelo senhor. — Esclareceu Gahiji. — Porém não acredito que o treinamento deva prosseguir.
— E por que não?
— Ameenah não passou por todas as etapas do treinamento em nossa Academia. Não foi treinada sob nossa supervisão e com nossos métodos assim como todos os outros. Ela não participou dos testes para Iniciados e não seguiu todos os protocolos. Além do mais, tem idade muito avançada para tornar-se uma padawan.
— Mas ela apresenta todas as habilidades exigidas para tornar-se aprendiz de um mestre. Foi o que constatei. – Yerodin discordou. – E, pois mais que seu treinamento não tenha sido orquestrado em nossa Academia, Ameenah foi ensinada por um de nossos mestres mais antigos e respeitados.
— Com todo respeito, Yerodin, a menina é um nome da política, nascida em berço real. Não está destinada a se tornar uma Jedi.
— O que te leva a tal palpite, Gahiji? – Mestre Daren perguntou.
— Ora, todos nós sabemos que os Democratas tem certo temor aos Jedi. Por que um deles viria nos procurar para treinamento? E justo a herdeira do trono de um dos principais sistemas da Galáxia? É do conhecimento de todos que Jedis não assumem cargos políticos de nenhuma espécie. Será que os Governantes-Reais estão cientes da indireta renúncia da princesa ao trono?
— Não sei se recorda-se, mestre Gahiji, mas o Conselho prometeu não se envolver com os assuntos familiares da princesa, a pedido dela. Foi sua única exigência ao ingressar na Academia. E independente de concordarmos ou não, decisões políticas não cabem a nós, de qualquer forma. — Rebateu Yerodin. — Quem sabe o fato de Ameenah ser uma democrata não seja ruim. Ela pode representar a nossa tão esperada união com a Democracia Intergaláctica.
— Devo concordar que isso é no mínimo incomum – Interferiu mestre Mothusi. – Os Democratas não gostam dos Jedi, pensaram até em nos extinguir. Quem sabe não enviaram a garota para nos espionar? Além do mais, Gahiji tem razão, não deveríamos aceitar aprendizes que não foram treinados por nós.
— Desculpem-me, mas não acho que o Conselho esteja na posição de negar instrução a ninguém no momento. – Leia se pronunciou. – Com o retorno de Darth Styg, a Ordem precisa do maior número de guerreiros treinados que puder recrutar. Supor que ela seja uma espiã me parece um exagero. Segundo a princesa, seus pais sequer aprovam a estadia dela na Academia.
— Sem dúvidas o treinamento da garota é um impasse. – Um pronunciamento interrompeu a discussão, vindo do Supremo Mestre Idowu, que até agora não tinha esboçado opiniões. – Façamos o seguinte, então. Já que não temos total conhecimento de seus ensinamentos e capacidade de aprendizagem, testaremos a garota para decidir se está apta a prosseguir conosco.
— Mas Yerodin já fez isso. – Gahiji disse.
— Mas não foi assistido pelo Conselho. Podemos avaliá-la da mesma forma como avaliaríamos outro padawan qualquer. O Torneio de Iniciados seria uma boa opção para tal, não acham? – Sugeriu Mothusi.
— Leu meus pensamentos, mestre Akia. – Idowu prosseguiu. – Eis o que eu acho: a princesa Ameenah deverá participar do próximo Torneio de Iniciados em algumas semanas e enfrentar outros padawans para conquistar o direito de ser treinada, assim como todos aqui fazem. Se sua performance for satisfatória, ela poderá dar continuidade ao seu aprendizado conosco. Após o Torneio, o Conselho se reunirá novamente para deliberar.
Todos os mestres do Conselho pareceram concordar com a sugestão.
—Decisão aprovada? — Perguntou Idowu, e não houve objeções.
— Assim será, então. – Disse Yerodin, finalizando seu discurso com uma reverência cortês e afastando-se do centro do salão.


Capítulo 4


Duas semanas se passaram e a Academia estava agitada. Era dia do Torneio de Iniciados, e os Jedi mais jovens estavam alvoroçados e tagarelando por todo o palácio, ansiosos pela data que chegara.
Aquele era um evento muito esperado. Todos os anos os Jedi Iniciados que finalizaram seu primeiro estágio de treinamento como younglings participavam do Torneio, que consiste em batalhas promovidas entre os jovens para que tenham a chance de mostrar todo o conhecimento que adquiriram em seus primeiros anos como Cavaleiros. O intuito das lutas é fazer uma espécie de apresentação, para que os mestres Jedi possam observá-los e assim escolher quais guerreiros tomarão como seus aprendizes dali para frente.
O que na verdade trazia tamanha ansiedade e curiosidade aos jovens era o fato de que nem todos os Iniciados eram escolhidos para continuar seus treinamentos como aprendizes de um Jedi. Os que não se destacam nas lutas ou perdem muitas batalhas seguidas não são escolhidos pelos mestres, salvo raríssimas exceções. Estes costumam encerrar suas carreiras como guerreiros, e são designados para trabalhar nas áreas administrativas ou de pesquisa da Academia. Embora os Jedi mais velhos sempre digam aos pequenos que receber tais funções não é sinônimo de fracasso, o sentimento de derrota e a vergonha sempre prevalecia nos rejeitados, assim como os olhares tortos dos outros colegas.
Havia uma pessoa em particular que estava demasiadamente apreensiva com a chegada do Torneio. Há poucos dias, Yerodin havia contado à Ameenah sobre a decisão do Conselho a respeito de seu treinamento, e do fato de que ela precisaria competir com outros Iniciados para conquistar seu direito de se tornar uma aprendiz. Ela não entendera ao certo o que aquilo significava; será que não tinha se mostrado boa o suficiente para ser aprovada logo de cara? Será que os mestres tinham algum problema com o fato de ela estar conectada à Democracia Intergaláctica?
Fosse o motivo que fosse, a insegurança atingiu a garota. Confiava em seu treinamento, mas não tinha ideia se suas habilidades estavam à altura das que as crianças da Academia possuíam. Suas instruções foram dadas de uma maneira completamente diferente da deles e embora todos os oponentes fossem mais novos, as divergências a deixaram nervosa. E se tudo desse errado?
Ameenah não viera até lá para nada. Ser recusada num teste como aquele depois de tudo que ela passou seria decepcionante. No entanto, a decisão não era dela – se queria fazer parte da Ordem, precisava acatar as decisões do Conselho. Preparou-se durante a semana que se seguiu, e apenas rezou para que aquilo que tinha fosse o suficiente para agradar aos mestres.
Todas as centenas de Jedis da Academia dirigiam-se em procissão para fora do palácio para assistir à cerimônia. Desceram um enorme barranco depois do jardim frontal e andando por alguns minutos chegaram a uma enorme cachoeira à beirada da floresta tropical. A enorme queda d’água surgia de um grande rochedo suspenso e formava uma lagoa rasa e cristalina, que fluía ligando-se ao lago que cortava o palácio. Aquela seria a arena de batalha. Todos os Jedi espectadores juntaram-se à beira d’água para poder ver, sentando-se na grama e nas pedras. Todos os mestres colocaram-se junto com os membros do Conselho na parte de trás da cachoeira, para observar tudo.
Todo ano o Torneio acontecia em um local diferente. E a cada ano o campo de batalha era mais peculiar e inusitado. A ideia era proporcionar aos aprendizes os mais diversos ambientes como cenário de luta, também para testar a sua capacidade de se adaptar ao meio durante as batalhas que eventualmente encarariam na vida real como Jedis de verdade. Este ano, o ambiente aquático e rochoso traria um panorama interessante aos mestres avaliadores à procura de novos aprendizes.
O Supremo Mestre Idowu deu alguns passos à frente na direção da grande queda d'água e abriu os braços pedindo para que todos se calassem. Usando a Força, o homem projetou sua voz em alto e bom som na ribanceira, fazendo seu discurso inicial.
— Caros Jedi, sejam bem-vindos ao nosso décimo quinto Torneio de Iniciados. – Todos aplaudiram alegremente. – Como sabem, o intuito desta competição é permitir que os Jedi mais jovens mostrem suas habilidades aos seus possíveis mestres, que escolherão seus aprendizes baseando-se no que virem durante os duelos. O laço entre padawan e mestre é muito significativo e importante para que o treinamento de um novo cavaleiro Jedi tenha sucesso. Por isso, caros Iniciados, não se desesperem caso sua performance não seja completamente satisfatória no dia de hoje; a Força sabe o que faz. Nem sempre um mestre escolherá você por sua agilidade com o sabre de luz ou sua destreza com os saltos, mas porque sentiu em você uma conexão. Sentiu que a Força reserva para você um caminho como cavaleiro, que deverá ser guiado por ele. Por isso, não tentem parecer habilidosos ou poderosos, mas sim concentrados e comprometidos acima de tudo. Se for o seu destino, um padawan você será. Boa sorte à todos.
Todos os cavaleiros presentes concordaram e aplaudiram a fala. Mestre Idowu agradeceu com uma reverência, e logo depois esticou sua mão direita para frente como um gesto de solenidade. Todos os outros Jedi copiaram o ato imediatamente, e a uma só potente voz começaram a entoar:
Não há emoção, há paz.
Não há ignorância, há conhecimento.
Não há paixão, há serenidade.
Não há caos, há harmonia.
Não há morte, há a Força.
O forte e poderoso som das vozes unidas proferindo o mantra Jedi ecoou por toda a ribanceira, seguido por uma reverência conjunta e uma salva de palmas. Então, a cerimônia estava oficialmente aberta.
Antes de iniciar as batalhas entre os novos padawans, era típico da Academia promover um tipo de luta modelo ou teste, em que dois dos aprendizes mais velhos e de mais destaque demonstrariam aos mais novos e também a toda a Ordem sua evolução no treinamento. Era uma forma de mostrar aos younglings tudo que o treinamento ministrado por um Mestre Jedi poderia proporcionar aos seus poderes, e também servia para inspirá-los.
Este ano, os escolhidos para realizar a luta de abertura eram Khali Skywalker e Talib Mashaba. Ambos eram aprendizes conceituados, muito habilidosos e estavam quase concluindo seu treinamento, próximos de se tornarem mestres Jedi. Os dois eram amigos de longa data, o que só tornava tudo mais interessante. Para os aprendizes escolhidos para a luta de abertura, ser designado era um sinal de reconhecimento tanto da parte de seu mestre como do Conselho, por apontá-lo como um de seus favoritos e mais habilidosos candidatos a Jedi.
Os dois rapazes posicionaram-se ao centro da arena de batalha. As águas rasas do pequeno lago serviriam como palco para sua demonstração de habilidade e poder. Os dois companheiros de treinamento e amigos dirigiram-se ao centro e ativaram seus sabres de luz, prontos para começar. Mestre Daren, que iria arbitrar as batalhas, colocou-se no meio dos dois e em seguida os liberou com um sinal para que iniciassem o combate.
Ambos preparavam-se. Rodeavam a pequena lagoa a passos lentos, estudando os movimentos do adversário para enfim poder atacar. A água batia na altura de seus tornozelos, cristalina e calma. Khali foi o primeiro a desferir um golpe, após uma cambalhota que o aproximou de seu oponente. O gesto deu origem a uma série de movimentos rápidos e precisos pela parte dos dois Jedi, que agitavam e chocavam seus sabres de luz com destreza.
Talib recuou a fim de ganhar espaço. Com um giro rápido, livrou-se da posição desfavorável, dominando o centro da lagoa e golpeando abertamente com seu sabre de luz. Os dois Jedi rodopiavam, saltavam e atacavam com precisão. Percorreram todo o campo de batalha, correndo a passos largos e espirrando água nos espectadores sentados mais próximos. Os younglings e Jedi mais novos maravilhavam-se, assistindo a luta com admiração.
Ataques e defesas depois, com os dois combatentes um pouco afastados, Talib utilizou telecinese para desequilibrar e derrubar Khali, e este caiu sentado e acabou derrubando seu sabre dentro d´água. Talib pensou ter a vitória, e correu até a arma desligada do oponente para apanhá-la. Mas Skywalker, num movimento ligeiro, usou a Força para afastá-lo alguns metros, e em seguida trouxe seu sabre de luz de volta às suas mãos, ligando-o rapidamente e colocando-se em posição de combate outra vez.
Sem demora, Talib levantou-se em um movimento rápido e a batalha continuou com gestos ligeiros e o som das lâminas zunindo no ar e se chocando. Os dois aprendizes rapidamente voltaram a correr pelo campo de batalha, trocando golpes. Khali recuou e sentiu a queda d'água atingir suas costas, e enquanto lutavam ambos atravessaram a cachoeira e em seguida continuaram a lutar.
Mais alguns golpes depois, e Khali preparou-se para finalizar a luta desarmando Talib com um golpe por trás. Porém, tentar concretizar seu plano, Mashaba agiu com destreza impedindo a finalização, apontando seu sabre para Skywalker. Não havia mais possibilidade de ataque ou defesa de nenhum dos lados, o que selou um empate.
A luta terminou com um estrondoso aplauso vindo de todos os presentes. Yerodin tinha a satisfação estampada no rosto, orgulhoso do desempenho de seu aprendiz. Os dois padawans voltaram ao centro, fizeram a típica reverência pós-batalha e cumprimentaram-se calorosamente, e logo em seguida abriram caminho para que as lutas entre Iniciados começassem efetivamente.
Sem demora, mestre Daren anunciou a primeira dupla sorteada para lutar. Ao ouvir seus nomes, dois garotos de aproximadamente doze anos apresentaram-se no centro da lagoa, e apreensivos cumprimentaram-se e ativaram seus sabres de luz.
Agora era possível compreender porque todos da Academia ficavam tão animados para o Torneio. Além de instrutivo, era um evento divertido e que saía da rotina séria de treinamentos e obrigações que todos tinham. Mas não era assim tão legal para os que iam competir: o nervosismo era imenso. O medo de errar e estragar tudo na frente de todos era gritante. Ameenah que o diga.
A cada luta que se passava, o nervosismo da princesa aumentava. Todos que haviam lutado até agora eram muito talentosos, e até o pior deles era habilidoso. Os iniciados eram todos mais novos que Ameenah, e tinham entre doze e quatorze anos – o que não os fazia parecer menos ameaçadores diante da jovem. E se perdesse para aquela garotada? Jamais seria escolhida para treinamento algum se passasse por tal humilhação.
Mas não, aquilo não seria possível. Todo o seu treinamento com mestre Keet não poderia ter sido em vão a ponto de não ser suficiente nem para derrotar uma criança. Ameenah sabia que todo o seu esforço ao longo daqueles anos servia para muito mais do que isso. E ela queria provar para todos que era boa, tão boa quanto ela queria acreditar ser. Faria isso, e ganharia a chance de ser treinada na Academia como sempre quis.
As lutas foram passando, até que cerca de uma hora depois o nome de Ameenah foi chamado. Era a sua hora. Restava apenas descobrir com quem iria lutar.
— Próximo combate: Ameenah Zulai contra Ayana Solo.
Do outro lado da lagoa, uma garota com idade próxima da de Ameenah levantou-se entre a plateia e caminhou pela multidão até chegar ao campo de batalha. Aquilo era curioso, pois Ameenah pensou ser a única que destoava da idade dos demais aprendizes. A oponente aproximou-se. A princesa sabia quem era a garota: a filha de Leia Organa e Han Solo.
Ao constatar que lutaria com ela, Ameenah engoliu seco – afinal, Ayana pertencia à família Skywalker, e todos sabem que o poder da Força é muito grande com os que fazem parte dela. Carregar esse título intimida a qualquer adversário. Por que colocaram Ameenah para lutar justamente com ela?
Ao observar as duas jovens se aproximarem do centro do campo de batalha, todos os espectadores estranharam por um minuto. Colocar a filha de uma Skywalker para lutar com a Jedi novata? Era curioso. Uma dessas pessoas reflexivas era Khali, que após sua luta observava tudo de longe, sentado próximo aos mestres.
Aquilo foi interessante especialmente para ele, afinal a garota lutaria com sua prima. Sabia dos níveis de habilidade de ambas, e perguntava-se quem havia tido a ideia. Alguém do Conselho devia estar tentando desafiar a caloura, para ver como reagiria sob pressão. Ou escolheram a dupla simplesmente pela idade próxima.
Khali observou a princesa com atenção. Apesar dos olhares curiosos de todos, ela não parecia com medo. Será que ela sabia do risco que estava correndo, ou só era boa em ocultar sentimentos?
Aquela princesa despertava a curiosidade dele. Desde o dia em que chegou, muitas perguntas sobre ela se formaram em sua mente. O que ela fazia ali? Por que chegara justo agora? O que mais ela esconde? Ele se perguntava. Era sem dúvidas uma garota misteriosa, mas não parecia estar ali para brincar.
Quando conversaram algumas semanas atrás, Khali pôde sentir a Força nela. Era poderosa, e, se recebesse o devido treinamento, se tornaria uma ótima cavaleira. Uma besteira o que o Conselho fez, na sua opinião, fazendo-a competir no Torneio para ter o direito de ser treinada. A garota possuía as habilidades e o pré-treinamento necessário, e a Ordem não estava em posição de negar guerreiros poderosos como ela na atual situação. Mas ele compreendia em partes, pois era uma dos que achava a presença de um Democrata na Ordem um tanto curiosa, e até suspeita.
A batalha estava prestes a começar. Independente de quais fossem suas dúvidas sobre a garota, era hora de vê-la lutar.
Ameenah respirou fundo. Ayana não parecia nada nervosa, mas não era muito ameaçadora. Era uma jovem morena muito semelhante a mãe, que aparentava até mesmo delicadeza. No entanto, isso não podia enganar: ela era poderosa. Ao parar em posição de combate, ela lançou um sorriso breve para a adversária Ameenah. As duas moças dirigiram-se ao centro do lago e ativaram seus sabres de luz, prontas para iniciar a demonstração.
Ayana foi a primeira a desferir um golpe. A princesa simplesmente defendeu-se, tentando afastar de si qualquer insegurança e medo que a situação lhe passava naquele momento. Respondeu o ato da adversária com um movimento rápido, e logo uma série de golpes ágeis começou a ser trocada pelas garotas.
Ayana golpeava muito bem. Era sólida e precisa em seus movimentos, e aquilo era visível e um pouco intimidador. Ameenah estava concentrada em defender-se do sabre ligeiro de Ayana, e mal percebeu que estava andando para trás. Recuou vários metros involuntariamente. Só notou quando trombou em um dos rochedos, e logo em seguida notou os olhares apreensivos de todos sobre ela.
Eles estavam duvidando, ela sabia.
Aquele combate era sobre impressões. Ameenah não podia deixar uma visão ruim cair sobre si, pois jamais seria treinada naquela Academia se fosse assim. Respirou fundo e contou até três mentalmente, tentando imaginar-se em um dos seus treinamentos secretos no palácio com Horus Keet. Pensou na voz de seu mestre lhe passando os ensinamentos, e sentiu-se calma.
Numa rápida inversão da situação, Ameenah começou a rodar seu sabre de um lado para o outro com destreza e agilidade, ganhando espaço e levando a luta para o centro da arena novamente. Com uma cambalhota, Ameenah defendeu-se de um golpe direto da adversária, e logo após atacou-a com um rodopio rápido, o que fez todos que assistiam vibrarem. Mais uma série de golpes ágeis vindos dos dois lados se iniciou.
A confiança da garota começava a se recompor. Não sabia se poderia ganhar, mas pelo menos não pareceria fraca na frente de todos. Continuou golpeando e usando seu sabre da melhor maneira que podia, pulando e girando sempre que necessário para desviar dos ataques habilidosos de Ayana.
A luta já tinha aproximadamente dez minutos, e as duas Jedi percorriam toda a circunferência da rasa lagoa trocando golpes e tilintando os sabres com vigor. Todos os espectadores assistiam ao combate concentrados, vibrando a cada choque das armas.
Em um ataque rápido, as duas adversárias rodopiaram e pararam frente a frente, agarrando o punho uma da outra, na tentativa de parar o sabre adversário. Seguraram-se forte por alguns segundos, até que Ayana girou para fora e em um movimento ligeiro, arrancou o sabre das mãos de Ameenah.
Todos os presentes aplaudiram. Logo em seguida, a Skywalker-Solo estendeu a arma de volta para Ameenah, com um sorriso sutil. Esta por sua vez ofegava, e retribuiu o gesto com cortesia. Pegou sua arma novamente e colocou-a no cinto de utilidades de seu uniforme, e as duas adversárias se reverenciaram para finalizar o combate.
Ameenah tinha perdido, mas não estava sentindo-se triste ou humilhada. Sabia que a luta não havia sido tão ruim. Todos aplaudiam, e alguns a olhavam com sorrisos no rosto. Pelo menos ela não passou vergonha. No entanto, o que realmente importava era a opinião dos membros do Conselho, afinal de contas ela tinha sido derrotada. Era preciso saber se sua performance tinha sido satisfatória para que decidissem a seu favor, no que dizia respeito ao seu destino na Academia.
Os espectadores aplaudiram o combate final do Torneio, inclusive os que estavam sentados na área do Conselho. Tinha sido uma boa luta.
A novata vinda da Democracia Intergaláctica surpreendeu a todos, inclusive a gestora da Academia, Leia Organa. A princesa de Nassor era habilidosa, e a Força era presente nela. A garota demonstrou coragem e disciplina ao lutar com sua filha, e seu estilo de combate lhe era muito agradável. Em sua opinião, Ameenah levava jeito para ser guerreira, e com o treinamento adequado o faria muito bem.
Aquele tinha sido o desfecho do Torneio de Iniciados daquele ano. Após o breve discurso de encerramento do Supremo Mestre Idowu, os Jedi começaram a se dirigir de volta para o palácio, para retornar às suas atividades normais. Agora, os mestres Jedi fariam suas escolhas entre os Iniciados apresentados e o Conselho se reuniria para deliberar e traçar o destino de seus Jedis.
Ameenah estava caminhando em meio ao aglomerado de pessoas de volta para o castelo, pensando sobre a luta, quando alguém tocou seu ombro e interrompeu seus pensamentos.
— Ei, princesa Ameenah – Disse-lhe uma voz, e ela virou-se para ver quem era. Era Ayana Solo, sua adversária há pouco. – Queria te dar os parabéns pela batalha. Você luta bem.
— Obrigada – Ameenah sorriu. – Você também.
— Obrigada. Eu estava um pouco nervosa, para ser honesta. – A garota riu e continuou puxando assunto. – Você é nova por aqui. Está se dando bem?
— Está meio confuso por enquanto, mas estou me adaptando.
— Se precisar de qualquer coisa, pode me procurar. Moro aqui desde criança, posso te ajudar.
— É muito gentil da sua parte, obrigada. – Ameenah agradeceu, surpresa com a simpatia da garota. – Posso te fazer uma pergunta? – Ayana assentiu. A princesa se questionava isso desde o início do combate, e já que a menina parecia tão simpática, resolveu falar. – Por que você participou do Torneio de Iniciados? Pensei que eu fosse a mais velha dos participantes, e que todos os younglings fossem crianças. Quer dizer, você é uma Skywalker...
— Na verdade eu sou uma youngling também. É uma história complicada – Ayana riu, e Ameenah atentou-se para ouvir, pois estava curiosa pra saber. Ayana resolveu contar. – Apesar de a minha família ser muito ligada aos Jedi e a Força, eu particularmente não gosto muito de lutar. Nunca gostei dessa história de guerreiros e missões, e nunca quis treinar para ser uma Jedi. Quando eu era criança costumava fugir das aulas e me esconder para não lutar, e os mestres sempre me achavam e me levavam para minha mãe dizendo que eu não queria participar. — Ela riu. — Essa sempre foi uma briga que tive com meus pais: eles não aceitavam a ideia de eu não querer ser ensinada nas artes Jedi. Até que um dia, quando fiquei mais velha, cansei de ouvi-los reclamar e concordei em ser treinada. Fiz um acordo de que terminaria minha formação, e depois do treinamento poderia atuar apenas na área administrativa da Academia. Por isso comecei só perto dos onze anos como uma youngling treinando com as outras crianças, e só agora vou me tornar uma aprendiz, mesmo que com a minha idade o certo seja estar perto de virar um mestre.
— Jura? – Ameenah surpreendeu-se. — Mas você tem tudo para ser uma Jedi muito poderosa, por que não queria ser treinada?
— É o que todos dizem. — Ayana riu. — Você tem um minuto? — Ela indicou um banco vazio próximo a uma árvore para que pudessem sentar e conversar.
— Claro. — Disse Ameenah, e as duas garotas sentaram-se dando continuidade ao assunto.
— Apesar de não me dedicar muito ao treinamento, sempre fui boa; lutava bem e aprendia rápido, graças à minha predisposição. Ninguém nunca entendeu o porquê de eu não querer ser Jedi, e muitos até hoje me julgam por isso. Não sei, nunca quis me envolver com guerras. Toda essa história de Jedis e Siths, eu nunca quis fazer uma escolha entre nada disso. Eu só queria ser alguém normal, entende?
— Entendo. — Disse Ameenah. — Bom, sua situação é totalmente a oposta da minha em relação a família. Eu sempre fui louca para treinar, e meus pais é que nunca quiseram deixar. Sempre sonharam que eu seria da política assim como eles, e eu nunca quis. Adoraria estar no seu lugar.
— Jura? Eu também adoraria trocar de lugar com você – Riu a garota. — Eu amo política e qualquer coisa que envolva a área administrativa.
— Acho que nascemos nas famílias erradas. — Ameenah riu.
— Acho que sim. — Ayana concordou brincando. — Bom, minha mãe me ama e eu sempre soube disso, mas ela é incapaz de entender o fato de eu não querer me envolver com a Força. Ela tem essa ideia de missão do destino tão fixa nela que pensa que deveria ser a mesma coisa comigo, e isso a deixa frustrada.
— E Han Solo? Ele te apoia como pai ou concorda com ela?
— Ele também nunca quis se envolver com a Força, tanto que não ficou na Academia quando minha mãe a fundou e se tornou um piloto, que é o que ele gosta de fazer. No entanto ele também acha que eu tenho que treinar, pois ele quer que eu fique com a minha mãe, embora eu secretamente prefira estar com ele na Democracia.
— Deve ser difícil para Leia ficar longe dele... Vocês se veem bastante?
— Muito pouco. Ele vem até a Academia me visitar as vezes, mas ele está sempre muito ocupado. — Contou Ayana. — Bom, eu não sei direito o que há entre ele e minha mãe... eles mal se veem. Sei que eles dois se amam e se querem muito bem, mas ambos tem vidas muito ocupadas com suas próprias missões e afazeres, e como são muito comprometidos com seus serviços, colocam isso sempre na frente. — Ela suspirou. — Mas eu entendo. Não há espaço na vida da minha mãe para um casamento. Ela e meu pai me tiveram antes de ela abrir a Academia e tornar-se uma Jedi. Antes não havia problema em ela ter uma família, mas depois da Ordem ficou mais difícil, pois uma das regras principais é que Jedis não podem ter envolvimentos afetivos. Mas, sabe, até acho que meus pais estarem separados é bom por um lado. Os dois brigavam muito e estavam sempre discutindo. No fim das contas, acho que a falta de convivência faz com que eles gostem mais um do outro. — Ela riu.
— Coisas de casal. – Ameenah riu também.
— Sabe, as vezes sinto que sou uma decepção para a minha família. Todos sempre estiveram envolvidos com a Força e fizeram coisas incríveis por meio dela, mas eu nunca me vi assim. Nunca quis ser uma guerreira. A Força trouxe muito sofrimento pra minha família; meu avô fez as escolhas erradas e passou a vida amputado dentro de uma armadura robótica como Vader, meu tio Luke sumiu e se isolou de todos que amava, e minha mãe carrega o fardo sem ele e administra essa Academia sozinha, se sacrificando muito por isso. Ao contrário de todos, não vejo isso como glória. É por isso que queria me manter longe de tudo.
— Nunca tinha pensado dessa forma, faz sentido. — Disse Ameenah, surpresa com a história da garota. — Mas e agora, o que acontece com seus planos depois de hoje?
— Eu estou torcendo pra não ser escolhida por ninguém no Torneio. Espero que nenhum mestre vá querer me treinar, pois todos sabem que sou um caso difícil. Apesar de querer me boicotar, tive que lutar pra valer com você, pois se minha mãe percebesse que estava indo mal de propósito iria ficar furiosa comigo.— Ela contou. — Mas meus planos seguem os mesmos. Vou treinar até o fim se alguém tiver me escolhido e então poderei usar a Força e os meus poderes aguçados para outras coisas, e fazer o que eu realmente gosto.
— Como o que?
— Propriedades de cura, estudo... Eu sempre fui muito ligada à natureza. Adoro estudar animais e plantas, sempre ajudo os seres feridos que vem parar na Academia usando a Força. Eu também gosto de cuidar do jardim, normalmente uso meus poderes para fazer as plantas crescerem mais rápido ou reavivo as que estão fracas usando a Força.
— Que incrível! – Disse a princesa, achando aquilo muito curioso. Usar a Força para jardinagem? Ela nunca tinha visto isso. – Interessante usar as habilidades pra esse tipo de coisa.
— Obrigada. – Ayana sorriu. – Os legumes e vegetais das refeições da Academia só são suculentos assim porque eu aprendi a fazê-los crescer. Posso te mostrar um dia, se você quiser.
— Eu iria adorar. – Ameenah sorriu de volta. No meio da conversa, mestre Gahiji apareceu no meio da multidão que caminhava de volta para a Academia, e chamou Ayana com um gesto.
— Eu preciso ir, princesa. Foi um prazer te conhecer. – Ayana disse vendo o sinal. – Se precisar de ajuda, procure-me.
— O prazer foi meu, você é muito simpática. – Disse Ameenah. – Obrigada.
As duas se despediram e Ayana saiu andando na direção de Gahiji. A garota era muito receptiva, e Ameenah ficou feliz por tê-la conhecido. Jamais poderia imaginar uma Skywalker que não quisesse se envolver com assuntos Jedi, ainda mais porque se interessava por medicina e jardinagem. Aquilo era curioso, mas muito interessante. E agora ela tinha uma amiga.

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Todos os membros da Ordem estavam reunidos no grande salão de reuniões para discutir os resultados do Torneio de Iniciados. O Conselho Jedi aprovaria as decisões dos mestres que escolheram seus aprendizes, e designaria aqueles que não foram escolhidos para funções da área administrativa da Academia.
— Senhores, acredito que este seja o momento de tomarmos o que arrisco chamar de a decisão mais importante da noite. – Disse mestre Daren, para todos os presentes, após longas horas de discussão. – A nossa recém-chegada aprendiz Ameenah Zulai, que demonstrou suas habilidades em combate com Ayana Solo, deve ter seu destino escolhido. Foi solicitado pelo seu possível mestre, Yerodin Zuma, que o Conselho deliberasse sobre a autorização para que ela seja treinada em nossa Academia.
— As habilidades da princesa são inegáveis – Disse mestre Mothusi. – O treinamento que a garota obteve com nosso antigo mestre Horus Keet foi satisfatório, e acredito que seja o suficiente para que ela possa dar continuidade à sua jornada Jedi em nossa Academia.
Assim que o mestre terminou sua fala, alguns Jedi se manifestaram favoráveis ao seu parecer.
— Se me permitem, companheiros, eu mantenho minhas dúvidas a respeito da capacidade da garota em se tornar uma Jedi. – Disse mestre Gahiji, defendendo seu posicionamento já demonstrado anteriormente. – Ameenah Zulai é uma princesa, descendente de grandes líderes da Democracia Intergaláctica. A Força escolhe seus agentes logo no nascimento, e assim também funciona a política. A garota tem, por nascença, o destino de herdar o trono de Nassor e governá-lo após seus pais, e eu acredito que assim deve ser.
— Não acho que essa decisão política caiba a nós, mestre Gahiji. – Disse Yerodin, saindo em defesa de sua possível aprendiz. – Sim, a Força escolhe seus futuros agentes ao nascer, mas nem todos que nascem com a sua sensibilidade a utilizarão no futuro. Veja os younglings que rejeitamos hoje. Todos possuem um destino, mas também possuem o direito de escolher que caminho seguir. Ameenah escolheu seguir o caminho da Força, e estamos aqui para ajudá-la a trilhá-lo.
— Mestre Yerodin, creio que não tenha entendido meu ponto de vista. Com todo o respeito, eu não acredito que uma princesa tenha capacidade para se tornar uma Jedi.
— Perdoe-me, mestre Gahiji - Leia imediatamente o interrompeu, falando pela primeira vez durante toda a reunião. – Mas um título político não é suficiente para determinar a capacidade de alguém, ou a falta dela. Do mesmo modo, ter sensibilidade à Força não quer dizer saber usá-la. Como sabe, mestre Gahiji, eu mesma fui criada em uma família de políticos durante toda a minha juventude, carreguei este título por muito tempo e mesmo assim fui capaz de erguer esta Academia, graças ao meu poder e à presença da Força em mim. A senhorita Zulai não é diferente. – Disse Leia, olhando diretamente para mestre Gahiji enquanto proferia as palavras. Aquele era um ponto delicado. – Um dos princípios dos Jedi é não julgar ninguém pela sua origem ou antecedência, e ajudar a quem quer que peça para ser guiado pelos caminhos da Força. Não vejo porque o fato de Ameenah ser uma princesa deva ser empecilho para que seja treinada como Jedi. Nós não somos capazes de compreender completamente as escolhas feitas pela Força. Mas ela escolheu esta garota, e isso é evidente pela demonstração de poder e coragem que ela nos deu hoje, mesmo após ter sido desafiada injustamente por este Conselho a provar seu valor para que pudesse ser treinada por nós. Para mim, não há prova maior de que ela seria uma grande guerreira, pois é habilidosa e destemida. Durante o seu combate, pude sentir a presença da Força nela, e duvido muito que tenha sido a única. Todos aqui sabem que, em tempos como estes, Jedis poderosos não podem ser desperdiçados pela Ordem. Independente de quem ela seja, Ameenah Zulai tem um grande potencial para tornar-se uma Jedi. Inclusive – Neste momento, Leia levantou-se de sua cadeira para encarar a todos os mestres presentes. – Quero fazer um pedido a este Conselho. Eu gostaria de ter a princesa Ameenah como minha aprendiz. Enquanto eu a observava lutar, pude sentir algo que me dizia que deveria ensiná-la o que sei. Embora eu nunca tenha desejado o título de mestre, a Força me disse para treiná-la. Tive uma conexão com ela.
Assim que Leia terminou sua fala, um burburinho começou entre os mestres do Conselho. Uns concordavam com Organa, outros com Gahiji, alguns com nenhum dos dois. Segundos depois, o Supremo Mestre interrompeu os debates com um pedido de silêncio.
— Caros mestres, todos sabemos que esta é uma situação delicada. – Disse Idowu. – Contudo, segundo as regras estabelecidas por nós mesmos a respeito do Torneio de Iniciados, o potencial de um aprendiz deve ser analisado de acordo com seu desempenho na luta de demonstração, e não a fatores externos, como sua origem. Dito isso, todos devemos concordar que a princesa Ameenah teve uma performance bastante satisfatória no combate a nós imposto para ela, e com isso, ela conquista seu direito de ser treinada em nossa Academia. – O buchicho começou novamente, com Jedis comemorando e outros discordando. Mestre Idowu abafou o barulho e continuou a falar. – A respeito de quem deve treiná-la, as regras dizem que o mestre que sentir uma conexão com o aprendiz pode solicitar proceder seus ensinamentos, e a vontade da Força deve ser sempre respeitada. Embora Leia Organa não seja oficialmente uma mestra disponível para treinar padawans, todos aqui concordam que ela possui conhecimento suficiente, por óbvio, para fazê-lo se achar necessário. Inicialmente, a senhorita Zulai seria treinada pelo mestre Yerodin. A troca pode ser feita, se os dois mestres estiverem de acordo.
— Eu concordo com a troca, Supremo Mestre. – Disse Yerodin, manifestando-se. – Acredito que a senhorita Zulai estará em ótimas mãos sendo treinada pela mestre Organa. Eu dedicarei meu tempo apenas a finalizar o treinamento de meu então padawan Khali Skywalker.
— Muito bem. Algum dos mestres ainda se opõe à decisão? – Perguntou Idowu, e todos permaneceram em silêncio. – Pois bem, Ameenah Zulai é oficialmente uma aprendiz Jedi, a ser treinada pela agora mestre Jedi, Leia Organa.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



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