O Safado da Delegacia

Última atualização: 09/06/2019

1

Quarta Feira, 1:19pm

“Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso um grande coração para incluir os espinhos.”

O tempo frio daquela quarta feira, contrariava os amantes do verão. Mas era uma eterna apaixonada pelo inverno. Combinava com uma parte fria que habitava seu ser. Mas ela também sabia florescer e mostrar todo seu calor. Porém como todo bom soldado, ela sabia recuar. Guardar suas armas, suas flores, seu calor. Ela também sabia ser outono.
Acabara de estacionar para atender o celular que já tocava havia um tempo. Quando foi atender, a chamada caiu. Olhou no registro de chamadas e era um número novo, desconhecido. Pensou em ligar de volta, mas um carro de repente, estacionou bem na sua frente, arranhando a lateral de seu carro, bem perto do farol. Irritada desceu do carro, batendo a porta com força. Olhou a lataria de seu Passat branco. E só confirmou o prejuízo.
Escutou a porta do carro da frente bater e encarou uma mulher loira, com roupas vulgares vir em sua direção.
- Ei, você arranhou meu carro! - a mulher, que mais parecia estar vestida para um baile funk, falou, deixando uma incrédula. Respirou fundo e, segurando a arma que estava em seu coldre na cintura, sentiu toda a coragem e confiança para dar os próximos passos.
- Meu carro estava estacionado. - falou na maior calma.
- Você arranhou meu carro. - repetiu com a voz pegajosa.
- Meu anjo, acho que você não está entendendo, mas vou te explicar. - chegou a ficar cara-a-cara com a loira. - Você é uma puta que deu uma puta barbeiragem, estragou meu carro e eu nunca fico no prejuízo, entendeu?!
A loira a olhou um pouco assustada e logo deu lugar a um olhar desafiador.
- Eu vou chamar a polícia. - riu bastante e tirou seu distintivo.
- Me chamou? - ela sorriu, vitoriosa. - Pois não, senhorita!
- Fala sério. - a outra suspirou fundo em derrota. - Eu conserto.
- Quero sua identidade. - a loira a olhou, sem entender. - Para garantir.
E, então, pegou o número da loira e tirou foto da identidade dela, que foi embora fumegando.
olhou em volta e viu um café do outro lado da rua. Atravessou a rua, escutando seus saltos baterem firmes no asfalto. Muitos olhares se voltavam pra ela, mas quando não a olhavam? Escutou passos apressados andarem até ela.
- Você sempre costuma fazer isso? - o homem, de pele bronzeada, alto (muito alto) e forte, andava do seu lado.
- Ser linda e maravilhosa? Claro. - ela disse, sem nem olhá-lo.
- Eu iria dizer do abuso de poder. - ele falou, olhando-a de cima a baixo. - Mas já que você fez uma boa propaganda de você, devo concordar. Muito gostosa.
o olhou pela primeira vez e sorriu confiante. E o homem na mesma hora percebeu, ela era encrenca. E ele adorava uma confusão.

- O café aqui é muito bom. - disse descontraída, enquanto dava mais dois goles da bebida.
- Você precisa experimentar do meu. - o homem disse maliciosamente e piscou pra ela. - É muito gostoso.
O homem deixou a mulher sem graça, coisa muito incomum. Mas logo ela deu lugar ao seu olhar determinado de sempre e varreu o local com os olhos. Nada de estranho, tudo parecia tranquilo.
- Qual seu nome? - perguntou, o homem não conseguiu evitar que seus olhos encarassem os lábios da moça, enquanto sua língua os molhava.
- . - o encarou séria, pensando em qual era a do cara. - E o seu?
- Por que tanta pressa, gata?! - ele falou, rindo. - Um nome não é nada.
Ela passou a língua pelo lábio superior, num movimento sexy, e arqueou a sobrancelha. O homem riu.
- Está querendo me seduzir, ? - ele perguntou, a voz rouca saiu sedutoramente.
- Não quero. - se levantou, e o homem viu o coldre quando sua jaqueta balançou em seu corpo.
- Pra que andar armada assim? - indagou.
- Porque eu posso. - ainda em pé, encarava o homem quando esse se levantou.
- Não falo do que tem em seu coldre. - ele disse por fim, sério. - Eu digo essa armadura que você veste.
Apontou para o peito da mulher, e ela não soube o que responder. Um sorriso fraco foi o que ela deu antes de sair pelo café, deixando a conta para o homem pagar.

Quinta feira, 9:24am

A Delegacia nunca seria um lugar acolhedor. Bom, pelo menos para os acusados e injustiçados. Para quem trabalhava ali e amava a profissão, ali era um segundo lar. E foi assim que se sentiu quando saiu da sala do Capitão Andres Truglio. Ele lhe informara que ela teria como parceira a Detetive para um caso de um traficante renomado da região. Deu uma olhada em todos da delegacia e cada um realizava uma função. Estavam entretidos. Pensou em como acharia a . Pensou mais um pouco e viu seu irmão entrar na delegacia rindo com um rapaz que ela nem se deu o trabalho de observar melhor. Como tinha mudado!
Andou apressada até ele e se jogou em seus braços, o apertando muito enquanto ria. O irmão não teve tempo nem de ver quem era e confusão era o que estampava o seu rosto.
- Que saudade. - limpou uma lágrima que teimou em escorrer por sua bochecha.
- Caralho! ? - o irmão, então, a puxou para um outro abraço, rindo. - O que está fazendo aqui?
- Fui transferida. - falou, sorrindo satisfeita, e, então, seu olhar cruzou com o do rapaz que acompanhava o irmão.
- Você?! - riu, não acreditando. O rapaz riu nervoso, coçando a cabeça. Eles eram namorados?
- Acho que me lembro de você, é , não?! - deu uma de esquecido, o que fez ela gargalhar.
- Claro que lembra, te falei meu nome ontem. - ela olhou pro irmão que até então os olhava interrogativo.
- Você conhece a de onde? - perguntou sem rodeios, fazendo o amigo quase (eu disse quase) vacilar.
- Tomamos um café ontem, mas sem segundas intenções, falo sério. - abanou as mãos nos ares como se falasse que não havia nada de segunda intenções. Talvez terceiras e quartas ou até quintas…
- Foi só isso? - perguntou, cerrando os olhos o que fez a moça revirar os olhos e dar um tapa no braço do irmão.
- Pare com isso. Ele é meu irmão. - falou pro rapaz, que mudou drasticamente sua expressão. Se antes ele estava sem graça, agora ele tinha perdido o molejo. Irmã do seu melhor amigo? A olhou descrente. - E se não tivesse sido apenas um café, isso não te diz respeito, .
Falou firme com o irmão, que apenas a olhou meio nervoso. Embora fosse mais nova que ele, ele sempre soube se impor quando queria. Mesmo que para fazê-la mudar de ideia não bastava muito, pois a irmã tinha um coração de manteiga.
- Quem é detetive ? - perguntou para os homens a sua frente. Demoraram um pouco para raciocinar.
- Tá interessada? - perguntou o homem que ela ainda não sabia o nome.
- Sim. - ela riu, desafiando-o.
- A moça de camisa azul. - apontou o irmão. Ela, então, deu um beijo na bochecha do irmão e foi de encontro a sua nova companheira em casos diversos.
e o amigo olharam se afastar rapidamente. Os dois estavam mexidos. por encarar que não tinha mais seus 17 anos e que em 5 anos muita coisa muda. Ela era uma mulher feita.
Já o amigo pensava em como ela era uma mulher muito bem feita.

- Fica tranquila, ele é doido, mas é inofensivo. - falou e apenas confiou.
- Desde que ele não me ofereça mais café coado na cueca dele. - falou e juntou os papéis. a olhou incrédula.
- Você viu ele fazendo isso? - perguntou fazendo cara de nojo.
- Ele me falou. - e enfim tinham pegado intimidade em poucos minutos. Teriam um caso para resolver e elas se sentiam confortáveis na presença uma da outra. Estavam falando de Marlon, um senhor que tinha costumes estranhos e muito incomuns.
- Quem é a mulher mais chata dessa delegacia, quem, quem? - o amigo de se aproximou abrindo os braços na frente de , o que fez a mulher apenas revirar os olhos.
- Você nunca vai crescer, não é ? - a mulher disse fazendo com que percebesse qual era o seu nome. - Essa é , minha parceira agora.
- Nós já nos conhecemos. - ele disse sem a graça de antes.
- Então já que não preciso fazer as honras, vou falar com o capitão. - saiu carregando um punhado de papéis. Tinha dúvidas quanto ao endereço dos traficantes que estava na papelada.
- . - falou o encarando de cima a baixo, divertida.
- . - ele fingiu uma voz sedutora que levou a moça a dar altas risadas. - O homem mais sexy dessa delegacia.
- Sem dúvidas. - ela falou pegando sua bolsa e a jaqueta que estavam numa cadeira. - Tenho que ir antes que eu não resista.
Piscou os olhos para que apenas ficou rindo.
- Ei, Carlos. - chamou um colega. - Vamos ver quem come mais coxinhas?
Gritou de onde estava, fazendo com que todos o olhassem em repreensão.

- Olha só, ela sabe brincar de polícia e ladrão. - se levantou e foi até , que segurava um homem algemado.
- Cai fora, . - falou, séria, o que fez apenas levantar as mãos em sinal de rendição.
- Sorte de principiante. - ele sussurrou perto do pescoço da , o que fez com que ela se arrepiasse.
- Por eu ter chegado aqui hoje, até que você fez uma observação bem tendenciosa. - ela falou, dando um tranco no homem, que ainda estava algemado, pra ele andar. - Mas não é a minha primeira vez.
Ela sorriu e piscou. E ? Ah, esse não sabia mais nem onde estava.

Sexta feira, 8:01pm

A cozinha era algo que gostava. Passaria horas ali sem perceber. Porém aquele dia ela estava acabada. Tinha passado o dia na rua, fazendo escolta, o que era algo que ela odiava. Estava esperando chegar, tinham marcado de beber e relaxar assistindo séries, o que descobriram ter em comum.
A campainha tocou.
- E aí? - disse e a colega entrou, trazendo consigo várias sacolas. - O que tem aí?
- Vinho, cerveja e vodka. - piscou e ficou surpresa. Quando combinaram de beber, ela não tinha pensado em se embebedar.
- Você leva esse lance de bebida bem a sério. - disse rindo ao abrir o congelador.
- Álcool é sagrado, . - disse, séria, e abriu uma cerveja no dente. tinha certeza que ela tinha quebrado pelo menos um. - Que comecem os trabalhos.
Virou a garrafa de uma só vez, o que fez a dona do apartamento olhar assustada pra amiga. Ela não parecia ser normal.
A campainha tocou.
- Pediu alguma coisa? - perguntou.
- Não. - ela respondeu, abrindo a porta e dando de cara com e .
- Irmãzinha. - a abraçou, com um braço cheio de sacolas, enquanto o outro segurava uma garrafa de cerveja. - Que saudade!
- A gente se viu a menos de 2 horas, . - deu passagem para os dois homens.
- Policial de folga passando. - entrou e, sem cerimônias, se jogou no sofá, avistou . - Vejam se não é a mulher mais chata da delegacia.
- Se você me encher o saco mais uma vez, , eu te dou um tiro na barriga. - ela disse, séria, se sentando, tirando os pés dele de cima da mesa e colocando os seus.
- Tão linda essa amizade. - comentou com a irmã que apenas riu, se passou bons minutos em silêncio. - Por que não me procurou assim que chegou na cidade?
- Eu estava arrumando minhas coisas, me estabilizando. Eu sabia que iria te encontrar na Delegacia.
- Estava realmente com saudade. - ele falou por fim, e ela se lembrou dos anos em que ficaram sem se ver.
- Eu não acredito. - ela disse, fazendo o irmão ficar estupefato. - Aqui não é tão longe de casa, você poderia ter ido lá quando quisesse, ver a gente.
- Eu… - o irmão se emocionou. - Não estava preparado pra ver a mamãe.
- Ela também não estava preparada pra não ter o único filho homem a evitando. - disse um pouco mais alto e, por fim, falou, baixinho: - Ela não estava preparada para essa doença, .
A bochecha de ficou molhada, mas ela tratou de secá-la na hora.
- Ela está aqui na cidade, veio comigo está se tratando aqui. - o que a irmã falou, fez apavorar. E dentro de si virou um misto de confusões sentimentais, tristeza, ódio, saudade, pesar, arrependimento, ansiedade, e, enfim, se tocou do que fez durante esses 5 anos.
- Eu vou vê-la e acompanhá-la no que ela precisar. - abraçou a irmã. - Me desculpe.
- Peça desculpas a ela. - ela disse, fria. - Você decepcionou foi ela, não eu. Eu meio que já esperava essa atitude de você.
-
- Rapaz, não tá queimando nada não? - apareceu e ficou fingindo cheirar algo.
- A LASANHA. - saiu correndo para pegar panos de prato para retirar a fôrma do forno. A lasanha era apenas pedaços queimados amargos. Ela encarou o irmão com raiva, e ele levantou os ombros como se falasse “não tive culpa”. Ela cerrou os olhos, querendo dizer “teve sim!”.
- Pessoal, quem quer pizza? - gritou, percebendo a tensão na cozinha.
- Pepperoni. - gritou da sala.
- Pepperoni. - concordou.
- Quatro queijos. - falou para como se eles estivessem numa disputa. Coisas de irmãos.
- Quatro queijos, gata. - bateu a bunda na lateral da de , o que a desequilibrou e quase a fez cair. a segurou. - Minha bunda desequilibra qualquer uma.
Disse se fingindo de sexy para , o que fez sair dali rindo e balançando a cabeça, pensando no quanto aquele cara era um maluco. Pegou uma bebida e se jogou ao lado de .
- Problemas na família? - perguntou gentilmente.
- Família nos problemas. - respondeu, ingerindo uma boa quantidade álcool.
- Xiii. - foi o que escutou da amiga.
- 40 minutos. - falou, entrando na sala seguido de .


2

Segunda-feira, 11:59pm

- Poderia ser Bond. Bond. - tagarelava no ouvido de , enquanto essa não tirava os olhos da porta da casa que vigiavam. Estavam apenas esperando a senhora sair. - James nem é um nome forte, é um puta nome forte.
- Prefiro James. - disse sem prestar atenção no que o parceiro falava. - Desisto, essa velha não vai sair pra dar um rolê tão cedo.
- Velhas não dão rolê, . - disse sério. - Elas saem pra zoar. - Falou rindo, o que irritou mais ainda . O parceiro não levava nada a sério.
- E você também não ajuda. - disse desanimada. Já estavam ali a o quê? 2 horas?
- Não seria melhor bater na porta? - perguntou o que pareceu ser o óbvio para .
- Claro, e falamos o quê? Se ela quer comprar produtos Jequiti? - falou sarcástica.
- Produtos o quê? - falou um pouco mais alto, recebendo uma careta de repreensão. - Vamos apenas fazer algumas perguntas, enquanto um a distrai, o outro investiga.
se deu por vencida e caminharam juntos até a porta marrom. Esperaram paciente até uma senhora franzina abrir a porta apenas o suficiente para ver quem era.
- Detetive , polícia de Los Angeles. - mostraram os distintivos e ela logo fechou a porta para tirar as correntes que impediam a porta de se abrir.
- Pois não?! - disse com uma voz que pensou de imediato “típico de velha”. Mas era muito desconfiada e não se deixava levar.
- Precisamos fazer algumas perguntas. - disse. - Você autoriza a nossa entrada?
- É sobre o quê? - ela fez questão de perguntar, deixando a mulher a sua frente impaciente.
- Sobre o seu filho, Mike Hall, você não é a senhora Hall? - perguntou impaciente.
- Ah, claro, entrem! - ela parecia muito frágil, mas nem imaginavam que na cintura da velha havia uma glock. - Sentem-se, filhos.
- Vamos logo ao assunto. - se sentou, enquanto varria o local com os olhos e se mantia em pé. - Qual foi a última vez que a senhora viu seu filho?
- Ah, faz muitos meses. - uma das melhores sensações que existe é quando alguém te conta uma mentira e você sabe a verdade.
- Eu vou no banheiro. - disse e começou a andar como se conhecesse a casa. - Onde é que fica?
A velha ficou em silêncio por um bom tempo, o que chamou atenção dos policiais. tinha todos seus sentidos aguçados no momento.
- Eu o acompanho. - ela disse se levantando, guiando para o corredor. A velha levou a mão a glock em sua cintura, mas não sabia que estava bem atrás de si.
- Parada, senhora Hall. - gritou o que fez sacar sua arma e girar 180º em seus calcanhares. A velha estava encurralada. - Coloque a arma no chão e levante as mãos.
A velha se deitou e logo foi algemando-a.
- Você está presa. Tem o direito de ficar calada ou tudo o que disser pode ser usado contra você.
Terminou a frase e escutaram um baque surdo vindo de um dos quartos. saiu correndo armado, enquanto levantava a senhora sem a menor delicadeza.
- Eu sou uma senhora, seja mais gentil! - a velha exigiu.
- Você quer que eu seja mais gentil? - destravou a viatura e soltou uma risada que fez os pelos da senhora se arrepiarem.

- , , na minha sala. - Capitão Truglio apareceu muito sério, chamando-os. Os dois se olharam e estranharam.
- Não acredito que você já fez minha irmã fazer algo. - falou para , que apenas fez cara de injustiçado.
- Não fizemos nada. - falou cínico.
Bateram duas vezes na porta e entraram.
- , a senhora Hall em seu depoimento disse que antes de vocês descerem eles da viatura, você teve uma ideia.
Depois que colocaram a velha na viatura, apareceu com o tal Mike Hall algemado. O maldito traficante estava escondido na casa da mãe.
- Devo ressaltar que foi uma ideia genial. - disse rindo.
- Eu começo a pensar que a senhorita é o de saia. - fez cara de ofendida. - Enfim, só quero ouvir você confirmar que teve a ideia do peidar no camburão e deixá-los fechados enquanto tomavam um cafézinho. É verdade?
- Sim, senhor.
- , me surpreende que essa ideia não tenha saído da sua boca. - o capitão disse como um pai.
- Prometo que vou ser mais rápido na próxima vez, Capitão. - Truglio se levantou muito sério.
- Isso não é brincadeira. - os detetives concordaram. - Terão que se redimir com os Hall.
- Sim, capitão. - falaram juntos e saíram.
- Fala sério. - disse e ria muito. Aquela parceria daria muito certo.

- Cara, odeio ter que admitir, mas você é muito parecida com o . - disse com a boca cheia de rosca. fazia um relatório de uma prisão que tinham efetuado naquela tarde.
- Não queria te dizer isso, mas a verdade é que… - fez um grande drama e falou baixinho: - Somos irmãos.
- De alma. - falou se sentando em cima da mesa da .
- Não é muito difícil de acreditar nisso. - lambia os dedos sujos de açúcar.
- Aí, , vai fazer o que hoje a noite? - perguntou fingindo desinteresse.
- Hmmm. - caçoou.
- O quê? Pergunto isso como amigo.
- O quê? Eu só estava saboreando meu doce. - disse rindo e logo se aproximou.
- O que estão falando? - abraçou a irmã meio de lado, ela ainda estava preenchendo as folhas.
- Sobre como o não perde uma chamando sua irmã pra sair. - encarava divertida. Esse já não sabia mais onde colocar a cara.
- É mentira, não a chamei para sair. - levantou os olhos rapidamente das folhas e encarou que também a olhou, e então ela voltou seus olhos ao relatório. - Só perguntei o que ela ia fazer hoje a noite.
- E respondendo sua pergunta, - encarou . - não vou fazer nada.
- Legal. - tinha os olhos inquietos.
- Vamos sair pra beber. - disse por fim. - O que acham?
- Bebida por conta do ? Opa. - foi a primeira a se pronunciar. - Sempre soube que era uma boa pessoa.
Ela deu dois tapinhas nas costas de e saiu sem esperar resposta.
- Vocês pagam os de vocês. - ele falou rapidamente e riu. às vezes era meio pirada.
- Vamos no Paul’s. - disse e os dois presentes apenas assentiram. Então ele se foi, deixando e sozinhos.
ficou encarando de cima a baixo. Ela ergueu seu corpo, juntando os papéis. Encarou .
- Tem algo pra me falar, ? - perguntou sorrindo.
- Ér, não. - falou coçando a cabeça e rindo. Olhou para os lados. - Por que eu teria? Que loucura! Samuel seu danadinho, eu vi você pegando meu salgado na geladeira.
Saiu gritando pela delegacia, deixando pensativa. era um moleque.

Os três amigos já estavam no Paul’s, havia se atrasado um pouco mais do que o esperado. Ela entra no bar e logo vê os três em uma mesa mais afastada. Ao passar, escuta algumas cantadas de homens que estão sentados bebendo algo.
- Casa comigo, delícia. - quando estava quase chegando em sua mesa, um homem ali gritou alto. Ela parou e se virou para ele. Andou até o cara.
- Claro. - ela sorriu e jogou os cabelos. e assistiam a tudo sem entender nada, enquanto se divertia.
- Ãn, sério? - o cara ficou desconcertado.
- Por que não? Nos casamos amanhã e então você banca toda a viagem de lua de mel. Eu deixo minha profissão, cuidarei da casa, você sustenta meus 4 dias de spa por semana. E no segundo ano teremos gêmeos. Podemos passar as férias no Rio de Janeiro, vou logo avisando que meu custo de vida é alto, gato. - ela falava cínica, enquanto gargalhava em seu interior. O rapaz tinha os olhos arregalados. - Venha cá, vou te apresentar meu irmão.
Ela apontou para e o cara ficou mudo por 10 segundos.
- Me desculpe. - ele levantou as mãos.
- Oh! Você não aguenta o tranco? - os caras da mesa dele gritaram ato zombando o colega. - É, parece que não, olha que lixo você é. - O olhou com desprezo e logo chegou à sua mesa.
- Boa noite, amores. - ela disse pegando um cardápio que estava jogado na mesa.
- Coitado do cara. - falou.
- Ai cara, quero ser como você quando eu crescer. - fez um coração para a amiga.
- E se ele tivesse aceitado tudo aquilo, iria se casar com ele? - perguntou incrédulo.
- Ai, ! Desencana, eu sou bem grandinha. - ela fez um sinal para que ele parasse. - E aí, pediram algo pra comer?
- Por enquanto só bebidas mesmo. - falou.
- Quero batatas fritas. - falou e todos concordaram.

- Rapaz, essa foi da boa. - virou seu terceiro shot de tequila.
- Puta merda. - virou o segundo e sentiu sua boca pegando fogo. Os olhos dela se encheram d’agua.
- Parece que alguém aqui é fraca pra bebida. - caçoou.
- Aposto que você não consegue tomar mais que 4. - desafiou e eles começaram uma discussão de quem era o mais forte para bebida.
, que estava sentado em frente à , se levantou e se sentou ao seu lado.
- E eu aposto que você não passa da terceira. - falou no ouvido dela, causando arrepios na mulher.
- E se eu passar da terceira, eu ganho o que? - , que não estava tão sóbria e por conta disso não deixou de dar uma lambida da orelha de .
- Você que escolhe. - sussurrou no ouvido dela, não deixando passar a oportunidade de dar uma longa fungada no pescoço da .
Ela o olhou maliciosa, passando a língua no canto dos lábios. Então os dois voltaram ao mundo real, as vozes que estavam distantes, voltaram a se fazer presente.
- Eu ganhei! Chupaaaaa. - gritava para que apenas revirava os olhos.
- Um brinde a vitória do meu irmão! - gritou, virando o shot. Sua boca estava começando a se acostumar com a bebida forte. Seu corpo relaxou e a visão ficou levemente turva.
- Ele pediu um shot que era uma mistura de algum suco em pó com mais alguma coisa lá. - falava séria. - Não valeu. Tem que ser shot raiz, caralho!
Deu um pedala Robinho em .
- está tão calado. - falou e então percebeu que o amigo tinha mudado de lugar. - Por que está tão longe de mim?
- Vocês estavam gritando muito e eu não conseguia conversar com . - sua mão por baixo da mesa deslizou até as coxas de e ele deu uma apertadinha marota.
- Um brinde ao silêncio do . - virou mais um shot.
- Wow, alguém realmente gosta de brindes. - disse rindo.
- Um brinde ao meu brinde. - virou mais um e , que também não estava sóbrio, nem se importou de ser chato com a irmã.
- Um brinde à dos shots. - gritou, enchendo os copos dos amigos e todos viraram o shot. olhou de cara feia.
- Eu acho que chega de shots por hoje. - , o mais sóbrio de todos falou, era resistente à bebida.
- Ah, eu não quero ir embora. - fez bico e apoiou o cotovelo na mesa e o queixo nas mãos.
- Eu acho melhor você levar ele e eu levo a . - disse e logo pensou em algo.
- Acho melhor eu levar a porque tenho que passar em um lugar perto da casa dela. - ele disse tranquilo e desconfiou levemente, mas ele não parecia estar mentindo.
- Tudo bem. - Ela puxou consigo e os dois saíram pelo bar.
- Eu acho que ganhei uma aposta. - cantarolou .
- É, eu também acho. - pegou ela pela cintura e passou o braço dela por seu pescoço. Andaram assim até o carro.
- E o meu carro? - ela perguntou quando abriu a porta e a colocou sentada no banco. Puxou o cinto e, quando foi travá-lo, ela deu vários beijos molhados no pescoço dele.
- Amanhã a gente arruma um jeito. - respondeu a pergunta dela.
Ele deu a volta no carro. Durante todo o caminho, ficaram calados. ora ou outra ria de algo e apontava para alguma coisa que estava fora do carro. Então parou em frente ao prédio dela.
ajudou ela a descer do carro e passaram pela portaria do prédio. O porteiro apenas assentiu e quando entraram no elevador, soltou todo seu peso. a segurou firme e a trouxe para mais perto. Com os corpos colados, a mantinha firme pela cintura. Seus olhares estavam conectados. riu.
pegou a chave que estava dentro de uma bolsa de mão que estava com a .
- , . - ela cantarolou e ele a olhou. Ela sorriu e entrou no apartamento com a ajuda dele. Ele a colocou no sofá e ela o puxou pela camisa.
- Venha cá. - ela disse e ele se aproximou, encurvando-se por cima dela, se mantendo em pé.
O que foi ? - ele perguntou não se sentindo tão confortável com a situação, pois ele tinha certeza que ela não estava nem um pouco sóbria.
- Eu já sei o que quero sobre a aposta.


3

Eu quero muito saber o que você quer, mas não hoje. - se afastou, mas logo sentiu um toque suave em suas costas, o que o fez parar e virar seu corpo. pegou na gola da camisa preta de e a puxou de leve. E ele foi. Ela o puxava sem muito esforço e ele ia sem esforço algum. Ela entrou em um corredor e passou por duas portas antes de abrir a de seu quarto.
- … - sussurrou.
- Venha cá. - ela se deitou e bateu com uma mão ao seu lado.
“Não tem nada de errado em deitar ali”, ele pensou. E ele se sentou, não muito a vontade mas ela logo o empurrou, fazendo com que ele se deitasse. Ele assim o fez.
- Vamos dormir. - ela se deitou em seu peito e ele respirou fundo sentindo o cheiro de seu cabelo. Era bom. “Muito bom”.
Terça Feira, 02:13pm

- , aconteceu um assassinato nesse endereço aqui. - Truglio entregou um papel para o rapaz que ficou lendo as letras em garranchadas do Capitão. - Amanheceu só agora na sua casa, ?
sentiu o coração bater um pouco mais forte. E se irritou por isso. O que poucos dias de convivência com alguém não faz? Encarou a mulher que andava devagar e séria, usava uns óculos escuros. Respondeu o Capitão com uma continência. , por dentro, sorriu com aquilo.
- Vá com o . - disse sério. Mas ele sempre estava. - Pegue uma aspirina na minha sala antes de sair.
E saiu sem esperar resposta. tirou os óculos e se sentou na cadeira de frente para a mesa de .
- Me sinto um lixo. - ela disse.
- É um lixo cheirosinho. -ele se levantou e vestiu sua jaqueta. Conferiu se sua arma estava no coldre e fez um sinal para que a mulher te acompanhasse. - E ronca um pouco.
- Ah é? E como sabe disso? - forçou a mente em busca de lembranças enquanto eles saiam da delegacia. iSeu carro havia ficado no bar. As mãos de em sua coxa por debaixo da mesa. Ele abrindo a porta de seu apartamento. Muitos brindes de tequila. As lembranças vieram sem ordem. E ela estava confusa.
- Não se lembra da noite anterior? - ele perguntou rindo enquanto acenava pro senhor da banca de jornal do outro lado da rua.
- Você dormiu lá em casa? - ela perguntou enquanto sua mente trazia uma cena em que ela puxava ele pela camisa.
- Dormi. - entraram no carro e a mulher no passageiro sentiu uma pontada em sua cabeça.
- Dormiu onde?
- Quer saber se dormimos juntos? - manobrava o carro quando a encarou. Ela confirmou. - Não se lembra mesmo?
- Se eu lembrasse, não estaria perguntando, . - falou irritada e o homem caiu na risada.
- Você gemeu meu nome a noite inteira. - mentiu pra ela. Sentiu um calor subir seu ventre. Seu rosto ficara vermelho com o comentário de . Como que não se lembrava?
- É mesmo? - a mulher num movimento rápido, apertou as partes íntimas no homem que se assustou e jogou o carro para o acostamento. Ainda segurando com força aquela parte tão sensível do homem, se aproximou dele, ficando alhada no banco. gemeu. De dor.
- Eu tô brincando, porra. - falou sussurrando. Os olhos estavam apertados. Ela então o soltou.
- Eu que te faria gemer a tarde inteira agora, .
- Não seja por isso, tem um motel aqui pertinho. - ele disse com a cabeça deitada no volante do carro.
- Como se eu quisesse. - mantinha a voz firme. Mas era firme só por fora. Por dentro, aquela mulher era um turbilhão de emoções.
- Ontem a noite você implorou. - disse sarcástico, rindo dela. O que só fazia ela ficar cada vez mais irritada.

Quarta feira, 08:51am

- Eu gosto com recheio de doce de leite. - disse para .
- Eca. . - fingiu ânsia de vômito. - Odeio sonhos.
- Parece que não é só os de padaria, não é mesmo? - cutucou. A atendente da padaria esperava pacientemente.
- Sou bem pé no chão, gatinha.
- E aí, meninas. - disse chegando com .
- Você está vendo alguma menina aqui? - disse perguntando para a que fez beicinho e negou.
- Só dois mulherão da porra. - respondeu.
- Tem mulher de porra nenhuma aqui. - o irmão de disse perdendo todo seu bom humor.
Enquanto eles conversavam, pediu com café bem forte. Pegou seu copo e afastou dos amigos.
- Não vai comer nada, ? - disse alto para que o homem que estava cada vez mais longe escutasse.
- Não. - foi tudo que ele respondeu.
- Ele é assim. - explicou a colega. - Altos e baixos.
- Podemos dizer uns bem altos. - brincou.
- O que acontece? - a irmã perguntou curiosa.
- Ninguém sabe.
E aquilo foi o suficiente para passar a tarde curiosa e pensativa.

Quarta feira, 20:13pm

- Aí, eu e o pessoal vamos lá no Paul’s, quer ir? - andava até que estava mexendo em seu celular na porta da delegacia. Ele nem se quer olhou na cara de .
- Hoje não vai rolar. - continuou mexendo em seu celular.
- Você tá be… - foi interrompida.
- , to meio ocupado, depois a gente se fala. - deu uma piscadinha e atendeu o celular que tava tocando. - Fala gata, agorinha chego aí.
demorou alguns segundos para entender o que tinha acabado de acontecer. Quem era aquele babaca? Respirou fundo e seguiu até o seu carro que estava estacionado bem atrás do carro de que estava parado conversando no telefone em frente a porta do motorista dele. Entrou no carro e acelerou, tirando fino de .

Quinta feira, 10:59am

- E ai, qual é a nova? - chega na mesa de que estava conversando com .
- tirou o atraso. - caçoa o amigo.
- Posso garantir que a única parte da minha vida que não tem atraso, é no sexo, minha filha.
- Nós acreditamos. - fala rindo. - Alguém viu minha irmã?
- Chegou cedo e logo saiu. - respondeu.
- Falando no diabo… - gritou para que escutasse enquanto atravessava o saguão da delegacia.
A mulher seguiu reto, com um homem algemado e todos ali se perguntaram se ela não tinha escutado realmente.
- Quero que todos vejam isso e tomem como exemplo. Parabéns ! - o Capitão fala chamando a atenção de todos. - conseguiu prender Ethan Hunter. Sei que todos vocês tentaram, mas não conseguiram. Busquem melhorar.

se aproxima dos amigos e seu irmão a abraça de lado.
- Como conseguiu? - ele pergunta e ela dá de ombros.
- Era só um cara.
- Um cara pica, podemos dizer né?! - bate palmas, contente pela amiga.
- Chega a ser engraçado uma mulher prender o Ethan. - é infeliz em suas palavras.
- Obrigado e . - abre os braços e sorri. Se vira para . - Uma mulher que faz o serviço melhor que um homem? Ah, desculpa, você não chega nem a ser um homem de verdade.
- Apelou? - ele pergunta cínico.
- Você não me viu apelar ainda. - ela se aproxima dele, séria. - Não basta ter um pinto no meio das pernas, . Tem que ter culhões. Você tem?
Ela se afasta e o clima ali fica tenso. Todos olham que em suas raras vezes, se encontra estressado.


4

Quinta feira, 8:59pm

A delegacia estava sem movimento. Apenas as pessoas que trabalhavam ali, se encontravam no ambiente. Os funcionários conversavam, alguns estavam chegando para o novo turno. Outros estavam saindo, assim como . O dia tinha sido longo, após aquela prisão que havia feito de um dos criminosos mais difíceis de se prender.
Se aproximou de uma mesa afastada que tinha ali, onde colocou sua bolsa. Estava estressada o dia inteiro. Bebeu água e procurou seu celular. Sentiu um corpo - quente, rígido e vale dizer, cheiroso - se aproximar de si por trás. Seu coração acelerou um pouco pela aproximação que nem esperava. Mesmo sem ver, sabia quem estava ali. A pessoa cheirou seu pescoço suavemente o que a fez suspirar.
- Preciso dessa caneta. - disse baixinho. Um dos braços do homem se esticou por cima de seu ombro e pegou uma caneta. Por mais que estavam muito próximos, não se encostavam. Se fosse qualquer homem ali, com certeza teria deixado o homem com muita dor, no chão. Mas ela estava gostando daquilo. Queria que estivessem se tocando. Quando pensou em se inclinar um pouco para trás, se afastou. Mas ficou desnorteado. Ver naquela posição, apoiada na mesa, inclinada para ele, mexeu muito com algumas partes de seu corpo. Suspirou e balançou a cabeça, tentando se livrar daquelas sensações. ao sentir que ele tinha se afastado, apenas abaixou a cabeça frustrada. Escutou o homem saindo dali. O que diabos ele quer de mim?!

Sexta feira, 9:50am

- Acho que hoje vou almoçar um caldo. - falou.
- Quem almoça sopa? - perguntou.
- Sopa é bem diferente de caldo. - disse já irritada.
- Eu me contentaria com um caldo. - deu de ombros. Estavam reunidos na mesa de .
- É super diferente. - ironizou.
- O que não é diferente? - se aproximou dos amigos.
- Sopa e caldo. - respondeu.
- Eu tenho um caso agora cedo, mas onde você vai tomar esse caldo? - perguntou à amiga.
- Vou no Altacorine, aqui pertinho.
- Ouvi dizer que lá os cozinheiros vão no banheiro e não lavam a mão. - falou balançando a cabeça.
- Igual você? - perguntou.
- Eu lavo a mão sim. - respondeu, com uma falsa voz ofendida.
- Eu vou lá. - se afastou do grupo e logo escutou uma voz bem próxima de seu ouvido.
- Se quiser ver o que sei fazer no banheiro. - Ele logo se afastou, andando em sua frente. Ao se virar viu a mulher meio perdida e sorriu de lado, bem safado.
- Não , não quero ver você cagando. - gritou alto o suficiente para a delegacia escutar. Ao ver a cara de confuso que o homem lhe lançou, sorriu. Ela levantou as sobrancelhas em divertimento. Saiu da delegacia enquanto os colegas brincavam com a cara de .

- Vamos num restaurante. - falava pelo telefone, na porta da delegacia. - Depois? Depois podemos ir lá pra casa. - já era quase noite e era sexta. Conhecera um homem pelo facebook e estava conversando com ele durante aquela semana, Por que não um encontro? - Você que sabe. Okay, beijos.
Entrou no whatsapp para responder algumas mensagens e ficou distraída.
- Só avisando, hoje vou pra sua casa. - falou, assustando a mulher que não percebera sua aproximação.
- Não vai não.
- Eu vou. - ele disse rindo. - É melhor desmarcar qualquer encontro.
- Aparece lá, que eu te queimo. - entrou na delegacia, acompanhada do homem.
- Aí , , bora beber na casa da . - gritou para eles, que logo riram e deram um joinha. se virou para .
- Porque acha tão bom me irritar? - perguntou irritada. - Tá na hora de crescer, . Isso aqui não é maternal.
Se afastou a passos firmes. não estava tão animado quanto antes.

Sexta, 9:01pm

- Você acha que coloca no freezer? - segurava duas garrafas de cerveja.
- Ta muito quente? - perguntou pegando mais duas garrafas que se encontravam no balcão. - Coloca só um pouco no turbo, só não esquece.
Começou a mexer numa frigideira, onde fritava o bacon enquanto a amiga cortava alguns aperitivos.
A campainha toca.
- , vai lá? - a mulher pergunta e logo a amiga destranca a porta.
- Wow, que cheiro. - grita da sala. Carrega duas sacolas com bebidas. - Onde eu coloco?
- Na minha cabeça. - responde irritada com o homem.
- O que acham de assistir um filme? - o irmão pergunta. Todos parecem gostar da ideia.
- Desde que seja ação. - fala.
- Mercenários? - o irmão pergunta.
- Mas é tão passado já, todo mundo aqui já assistiu, certeza. - fala enquanto abre um cerveja.
- Mas eu gosto. - responde o óbvio.
- Eu também. - fala e então vai para a TV, colocar o filme. - Mas não vai esperar a gente mesmo?

O filme já estava na metade. Mas havia aparecido com uma garrafa de vodka a muitos minutos atrás. Todos beberam, menos , que só ficou na cerveja. havia dormido no tapete da sala, o irmão e a amiga estavam cochilando já.
terminou o filme sozinha. Resolveu tomar um banho.

acordou, queria ir ao banheiro. Tinha bebido demais. Foi em direção ao corredor. Viu a porta do quarto de aberta. A luz do banheiro estava acesa, o que facilitava ver o corpo da mulher na cama. Estava deitada de lado, descoberta. Vestida um conjuntinho para dormir. Um shorts curto. A posição que a mulher se encontrava, modelava seu corpo perfeitamente. Entrou no quarto e foi ao banheiro ali mesmo.
Ao sair, ficou parado uns minutos observando , que exalava um cheiro bom de sabonete e hidratante. Se sentia tão atraído por ela, o que o irritava. Já havia sentido atração antes. Mas como aquela, nunca. Alguma coisa nela, o puxava. Ele queria estar perto. Queria a conhecer melhor. Ele queria ser alguém melhor. Mas como tudo isso, se eles nem chegaram a ter nada?
- To sentindo minhas costas queimar, para com isso. - A mulher falou baixo, assustando .
- Pensei que estava dormindo. - ele respondeu no mesmo tom de voz.
- Acabei de deitar. - ela se vira para ele. As pernas dobradas em um V de cabeça para baixo. Os olhos de viajam por seu corpo. Ele suspira. Queria ter tudo aquilo. Mas não podia. - Venha cá.
- A última vez que pediu isso, estava bêbada. - ele observou. - Hoje parece estar sóbria.
Ela apenas respirou fundo. Seu coração batia descompassado. Aquele homem sabia mexer com ela. Ela voltou a ficar de costas para ele. Então resolveu se aproximar. Se deitou ali ao seu lado, o que a fez se virar para ele.
Ficaram se encarando por longos minutos. não sabia ler o rosto de . E ele por sua vez, estava perdido no rosto dela. Em pensamentos. Em barreiras emocionais.
Ela levou as costas de seu dedo indicador até o queixo do homem, subindo por sua bochecha. O mínimo toque nele, para ela, era bom. se aproximou um pouco mais. Sempre suspirando. Sempre tentando se livrar de sentimentos.
Ela se aproximou um pouco mais. a beijou. De início, os lábios só se tocaram, mas logo se abriram. As mãos de foram para sua cintura, a puxando para ele. O corpo da mulher estava quente. Diferente do dele.
As mãos dela passeavam por seu tronco e sua nuca. O cabelo dele era tão macio. Seus corpos estavam colados. deu uma mordida nos lábios de , o que fez a mulher soltar um grunhido.
- … - sussurrou. E ele gostou tanto do seu nome na boca dela, daquela forma. A mão de segurava com força o braço de agora. Ela o queria.
- O que você quer de mim? - ele pergunta. Ela o abraça. Aquele contato só fazia bem aos dois.
- Eu que pergunto, o que você quer de mim, ? - ela se afasta o suficiente para olhar em seus olhos.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Outras Fanfics:
Russian Mafia (Restritas/Originais - Em Andamento)


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