Última atualização: 04/01/2018

Capítulo 1: The invitation.

Ohio, EUA — 10:00 a.m.

observava o envelope creme com arabescos brancos e uma enorme fita dourada no meio, em cima haviam as inicias do casal. Era o convite de casamento de um de seus melhores amigos, .
O casal estava junto desde o colégio – o que fazia mais de oito anos – e só agora decidirá casar. estava feliz por eles, era muito bom saber que pelo menos o namoro de um de seus amigos tinha dado certo e não se despedaçado como o dele.
A campainha tocou, o garoto deixou o convite em cima da mesinha de centro e levantou do sofá calmamente indo em direção a grande porta de madeira, que ele escancarou.
? — disse surpreso.
! — o rapaz de descendência hispânica disse animado.
— Entra ai. — ele deu passagem para seu amigo e o mesmo entrou.
Eles se sentaram no sofá de couro marrom de três lugares e se encararam.
— Você recebeu o convite. — disse reparando no convite que estava em cima da mesinha de madeira.
— É. — observou o convite — Fiquei muito feliz em saber que vocês dois vão se casar.
— Acho que já estava mais do que na hora, né? — o garoto moreno sorriu — Eu vim aqui pra te fazer outro convite...
— Outro? — ele perguntou confuso.
— Sim, queria que você fosse um dos padrinhos.
— Eu? — apontou para si mesmo.
— É, você acompanhou toda a nossa trajetória e é um dos meus melhores amigos. — explicou .
— Cara, eu não sei nem o que dizer. — era meio patético, mas ele estava quase chorando. — Seria uma honra!
— Ah, me dá um abraço aqui. — o amigo o puxou para um abraço.
estava muito feliz em ser padrinho de seus amigos de colégio, eles definitivamente o faziam acreditar no amor verdadeiro.


Lisboa, Portugal — 12:50 p.m.

corria pelos corredores da "pop idols magazine", eles estavam finalizando a revista do próximo mês e ela, como diretora de arte, tinha que gerenciar toda a parte visual da revista.
— Katherin, cadê a sua matéria sobre aquela banda? — ela disse quando entrou na sala de sua melhor amiga.
— Já te mandei por e-mail, chefinha. — a ruiva brincou enquanto se virava para encarar a amiga. — Você não parece nada bem. — disse observando a feição cansada de .
— Estamos finalizando a revista do próximo mês, eu estou desde as sete da manhã correndo feito uma louca, vendo se todo mundo conseguiu fazer seu trabalho. — ela suspirou. — Isso cansa.
— Cansa, mas você ama. — Kate deu um sorrisinho pra amiga. — Dá uma pausa, você precisa relaxar um pouco. — ela olhou em seu relógio rose caríssimo. — Já passou da uma da tarde, acho que precisamos almoçar, certo?
— Sim, por favor. — concordou.
— Tudo bem, vou só pegar minha bolsa. — Kate foi até sua mesa e saiu andando até sua sala, que ficava ao lado.
Ela entrou na sala de paredes cor lavanda – sua cor favorita – e vasculhou as gavetas de sua escrivaninha branca a procura da chave da primeira gaveta onde ela guardava seus pertences.
Ouviu duas batidas na porta e levantou a cabeça para ver quem era.
— Com licença. — uma das estagiarias, que deveria ter uns 18 anos, disse um pouco receosa.
— Pode entrar, Rose. — pelo menos ela achava que era esse seu nome.
A garota de cabelos loiros e longos entrou na sala com um envelope em mãos.
— Chegou isso aqui para a senhora. — Rose lhe entregou um envelope creme com arabescos brancos e uma enorme fita dourada no meio, em cima havia duas inicias.
ficou confusa, ela não fazia ideia de quem era aquele convite.
— Obrigada. — ela sorriu e continuou encarando o convite enquanto a garota saia da sala e fechava a porta.
Ela abriu o convite curiosa e sentiu seus olhos lacrimejarem quando leu os nomes ali. Ela mal podia acreditar que e iriam mesmo se casar. Eles estavam juntos há quantos anos? Oito? Nove? Ela já havia perdido as contas. Sentiu uma lagrima escorrer por seu rosto e riu de si mesma, estava parecendo sua mãe, a qual ela sempre zoava por chorar em casamentos, mas ela não estava nem ai, afinal, era sua melhor amiga de colégio casando, ela tinha direito de chorar sem ser julgada, certo?
, vamos, eu estou morrendo de Fo... — Katherin parou de falar e encarou a amiga preocupada. — Por que você está chorando? Está tudo bem com sua família?
— Está tudo bem com eles, é só que minha melhor amiga do colégio vai casar, e ainda com seu namorado de colégio, você acredita? — explicou enquanto limpava suas lagrimas.
— Que demais! — Kate exclamou animada.
— Ela me disse por mensagem que tinha uma surpresa pra mim, mas nem passou pela minha cabeça que podia ser isso. — ela riu de si mesma.
— Quando é? — a ruiva se aproximou da mesa da amiga.
— No final do próximo mês.
— Então você vai pros Estados Unidos? — perguntou Kate, enquanto fuxicava o convite.
— Sim, eu não tirei férias esse ano, então, vou pedir uns dias para nossa chefe. — falou enquanto observava Kate.
— Será que eu posso ir como seu par? — a amiga sorriu animada e a encarou com um olhar de reprovação. — O que é? Você não tem nenhum namorado pra ir com você.
— E daí? Eu posso muito bem ir sozinha. — deu de ombros — Além do mais, eles precisam de você aqui.
— Qualquer um pode escrever as matérias. — a ruiva deu de ombros e colocou o convite sobre a mesa.
— Kate, você sabe que é a melhor jornalista daqui, eles não são nada sem você. — disse baixo para que ninguém ali acabasse escutando, por mais que fosse a mais pura verdade.
— Obrigada, . — sussurrou Katherin com um sorriso no rosto.
As duas melhores amigas andavam juntas até um restaurante de comida japonesa que ficava perto do escritório, até que o celular de tocou e a mesma o atendeu rapidamente.
— Alô?
? — uma voz familiar disse do outro lado da linha.
? — perguntou confusa.
— Que saudade de ouvir essa voz. — disse e sorriu automaticamente.
— Meu Deus, eu sinto tanto a sua falta, eu não acredito que você vai casar e não me contou nada!
— Eu também sinto sua falta. Claro que não contei, era pra ser surpresa, oras. — revirou os olhos —Vou ser bem rápida porque a ligação é meio cara, sabe? — ela podia imaginar a cara que a amiga estava fazendo.
— Tudo bem...
— Você vem pro casamento, certo?
— Claro!
— Então, eu queria que você fosse minha madrinha e... — foi interrompida por um grito de . — Garota, você vai me deixar surda.
— Você me fala uma coisa dessas e quer que eu fique calada?
— Calma, respira e me diz se aceita ou não.
— Mas é claro que eu aceito.
— Ótimo! Será que você pode vir uma semana antes? Pra experimentar o vestido e tudo mais.
— Tudo bem.
— Te vejo daqui a um mês.
Elas se despediram e desligaram os telefones.
— O que houve? — Katherin a encarava assustada, provavelmente por seu surto.
— Eu serei madrinha, Kate. — disse animada e Kate a abraçou e soltou um gritinho animado.


Ohio, EUA — 2:30 p.m.

You got a look in your eyes
I knew you in a past life
One glance and the avalanche drops
One look and my heartbeat stops...

cantava enquanto tocava seu violão, até ser interrompido pela campainha, revirou os olhos e colocou o instrumento em cima da cama, a campainha tocou mais uma vez e ele bufou enquanto descia correndo as escadas, ele podia até adivinhar quem era...
Destrancou a porta rapidamente e a escancarou com força. Viu mencionar tocar novamente a campainha, mas segurou seu braço.
— Será que você pode não tocar mil vezes a droga da campainha toda vez que vem aqui?
— Oi pra você também, . — disse irônico e foi entrando na casa de seu amigo.
— E ai? — cumprimentou o amigo, antes do mesmo fechar a porta.
se esparramou no sofá de couro e ligou a TV.
— Tava fazendo o que? — o melhor amigo e companheiro de banda perguntou enquanto andavam até o sofá.
— Ensaiando para a nossa turnê. — respondeu animado. Ele e estariam abrindo a turnê de uma banda famosa de rock por alguns países da Europa.
, tem algo pra beber? — levantou do sofá.
— Tem cerveja na geladeira.
— Beleza! — ele se dirigiu até a cozinha.
Enquanto vasculhava a geladeira, e se sentavam na bancada da cozinha.
— Vocês vão ao casamento? — o garoto perguntou enquanto entregava cerveja para os amigos.
— Do ? — perguntou confuso.
— Não, no meu...Claro que é o do . — lhe deu um tapinha na nuca e ele soltou um "ai".
— Vou sim. — falou antes de dar um gole na cerveja.
— Você sabe que a vai, né? — perguntou um pouco receoso e gelou ao ouvir o nome dela.
e começaram a namorar no colégio, talvez por influência de e ? Talvez, mas eles se apaixonaram pra valer, acabaram virando não só namorados, mas melhores amigos, porém acabou conseguindo uma bolsa para estudar Design Gráfico em Portugal. Ela recusou no começo, mas era uma das melhores universidades, ela tinha que ir, era uma oportunidade única. Ela acabou indo pra lá e eles decidiram que era melhor terminar. Não foi fácil para ambos, porém eles acabaram superando.
— Não, eu não sabia... — ele fitou o nada enquanto se lembrava de tudo que havia acontecido entre eles.
— Não tem nenhum problema ela ir, não é? — perguntou analisando a expressão do amigo
— Claro que não, ela é a melhor amiga da e além do mais, faz nove anos, eu já superei isso. — deu de ombros enquanto dava um gole em sua cerveja.
— Que bom, porque o estava pensando em te pôr como par dela....
— Por mim tudo bem. — tentou fazer a cara mais convincente que podia. Ele não tinha nenhuma magoa de sua ex, bem pelo contrário, ele tinha um pouco de medo de cair em seus encantos novamente.
— Vai ser divertido, todo mundo reunido novamente. — disse sorridente.
— É ...


Lisboa, Portugal — 15:10 (15 dias até o casamento)

Era uma tarde fria de sábado, estava enrolada em uma manta azul bebê vendo uma comédia romântica qualquer. Ela havia recebido um convite de Katherin para ir ao cinema junto com ela e seu namorado, mas mentiu dizendo que tinha algo para fazer, mas a verdade era que ela não estava a fim de ficar de vela para sua amiga, não dessa vez.
Ela tateou o sofá em busca de seu celular, assim que o achou abriu sua conversa com e observou o contato que a amiga havia compartilhado com ela. Depois de alguns segundos observando a tela do celular, suspirou e finalmente clicou no contato, assim ligando para o mesmo.
Depois de três chamadas, alguém atendeu:
— Alô? — ela ouviu aquela voz tão familiar do outro lado da linha e estremeceu. Fazia tanto tempo que ela não a escutava.
— Hm, ? — perguntou só por precaução.
— Sim, quem é? — bom, parecia que ele havia se esquecido de sua voz.
— É a ... . — disse seu sobrenome, caso ele estivesse esquecido seu nome também.
! — ele parecia animado — Como você está?
— Estou bem, e você?
— Ótimo...
— Eu não sei se a te disse, mas ela me passou seu número...
— Ela me disse sim. — ele riu. — Ela disse pra gente conversar sobre o casamento e tudo mais.
— É...
— Você vem pra cá quando?
— Semana que vem... hum eu queria te pedir um favor, claro, se não for te incomodar, porque se não der, tudo be... — foi falando sem parar até ser interrompida por .
— Shh, só me fala o que é. — ele riu.
— Meus pais estão viajando e eu não faço ideia de como ir do aeroporto até o hotel, então eu... — foi interrompida novamente.
— Sim, eu te busco. — disse depressa e riu. É, parecia que ele continuava lendo seus pensamentos, como nos velhos tempos.
— Obrigada, de verdade.
Eles conversaram um bom tempo, mas acabaram desligando depois que perceberam o preço que viria a conta de telefone.
ficou um tempo imaginando como ele deveria estar depois de nove anos. Será que ele continuava encantador como sempre? Será que ele havia engordado ou até virado um daqueles caras que vive na academia e só vive de suplemento? Na verdade, ela queria muito que ele não fosse mais encantador, porque se ele continuasse do mesmo jeito que era, ela teria um problema...


Capítulo 2: Back to Ohio.

Finalmente tinha chegado o dia em que iria para os Estados Unidos. Nicholas - seu melhor amigo - carregava as malas da amiga até o porta-malas de seu carro.
– Tchau, Jake. – ela disse ao amigo que estava parado em frente a seu apartamento com as mãos nos bolsos.
– Hm, tchau, . – ele lhe deu um abraço apertado. – Se divirta!
– Obrigada. – sorriu, logo após ele solta-la.
andou até o carro onde Nicholas já estava no volante e Katherin no banco do carona, lhe encarando com uma cara estranha.
– O que foi? – perguntou quando se acomodou no banco de trás do carro.
– Você e o Jake fariam um casal tão lindo...
– Não começa... – revirou os olhos.
– Quando vocês se afastaram, eu pude até sentir a tensão e ouvir a música romântica de fundo. – Nick disse de um jeito engraçado.
– Não é? Eu jurei que ele ia te beijar. – disse Katherin.
– Ninguém merece vocês – resmungou no banco de trás, fazendo com que os amigos gargalhassem.
Jake era um dos fotógrafos que trabalhavam para a revista. Ele tinha por volta de 1,80, olhos verdes, cabelo castanho levemente enrolado, barba por fazer e um sorriso lindo. e ele se davam muito bem, Jake era um cara extremamente brincalhão e a fazia rir o tempo todo.
Eles acabaram saindo juntos uma vez, – depois de muita pressão de seus amigos – foram para uma balada, lá encheram a cara de tequila e resolveram que tinham que ir para um lugar mais "reservado". Foram então até o apartamento dele, mas após se beijarem por um longo tempo, Jake começou a chorar incontrolavelmente no colo de , dizendo que sentia falta de sua ex noiva – que o havia traído – Desde então ambos decidiram que seriam apenas bons amigos.
virou o rosto para a janela.
Todos esses anos ela só tinha mantido contato com , como será que estavam os outros? Será que continuava a garota festeira e carismática? Será que ainda era o garoto esquisitão, mas de bom coração? Será que ...
Nicholas e Katherin começaram a cantar alto ao som de Ariana Grande, fazendo com que despertasse de seus pensamentos.
– Mas e aí, , você vai de taxi do aeroporto até o seu hotel? – Nick perguntou logo após abaixar o volume do radio.
– Não. – negou, mas não disse quem iria lhe buscar, seus amigos provavelmente pirariam se ela contasse.
Eles não sabiam muita coisa sobre , na verdade, não sabiam nem seu nome, já que nunca entrou muito em detalhes sobre.
– Sua amiga vai te buscar então? – Katherin virou o pescoço para olhar a amiga no banco de trás.
– Não, um amigo meu vai. – desviou o olhar para a janela, fingindo estar muito interessada na paisagem, na tentativa - falha - de evitar mais perguntas. "Não estou mentindo, só omitindo algumas informações", pensou.
– E esse amigo é gato? – Nicholas olhou para a amiga através do retrovisor, ela podia ver seu sorrisinho malicioso.
– Não sei, faz nove anos que não o vejo... – disse séria, voltando sua atenção à janela.
Depois de quase uma hora de viajem eles finalmente chegaram ao aeroporto. Nick e Katherin ajudaram a amiga com as malas até a entrada do aeroporto.
– Não se envolve com nenhum americano estranho, hein? – Kate disse no ouvido de enquanto a abraçava. – Se cuida!
– Pode deixar. – riu.
Nicholas veio até ela e a abraçou forte.
– Não faça nada que eu não faria. – ele colocou sua boca perto da orelha de sua melhor amiga e sussurrou. – Pega vários gatos lá, mas com proteção, por favor!
– Nicholas! – ela lhe chamou a atenção.o – Eu estou indo pra um casamento e não pra arrumar um namorado.
– Ué, nunca se sabe. – ele deu um sorrisinho e revirou os olhos.
pegou suas malas e caminhou para dentro do aeroporto, enquanto seus amigos gritavam "te amo" e "se cuida".
Após muitas horas de viagem ela finalmente havia chegado ao aeroporto de Ohio. Depois de pegar sua mala de rodinhas e colocar sua mochila nas costas, vagou pelo aeroporto em busca de . "Tudo bem, é só procurar por caras com as mesmas características dele" pensou. Porém, não era tão fácil assim, nenhum dos caras ali se pareciam sequer com ele. Decidiu então parar em um canto e mandar uma mensagem para ele. Pegou seu celular dentro do bolso do jeans skinny e digitou uma mensagem.

De:
Para:

Hey, eu já cheguei, onde você está?


Ela esperou um tempo enquanto mordia o lábio nervosa e observava as pessoas que estavam a sua volta. Seu celular finalmente vibrou, ela abriu a mensagem rapidamente.

De:
Para:

Estou no aeroporto, em que lugar você está?


começou a suar frio e sentiu seu coração começar a bater mais depressa, ela estava nervosa, mas ansiosa para reencontrá-lo. Olhou a sua volta a procura de um ponto de referência e acabou achando uma loja de cosméticos famosa bem em frente à parede onde estava encostada.

De:
Para:

Estou em frente a Mac.

Depois de mais de cinco minutos ali esperando, sentiu alguém tocar seu ombro e por instinto virou. Era ele, . Ele estava mais velho, ela podia até ver as ruguinhas que se formaram ao lado dos olhos de seu ex quando ele abriu um enorme sorriso. Tinha também uma barba por fazer – ele mal tinha bigode quando ela deixou os Estados Unidos – e seu cabelo – antes em um corte “tijelinha” – estava em um topete mal feito. Mas, de certa forma, ele continuava o mesmo garoto que havia namorado há anos atrás. O sorriso simpático e aquelas covinhas que se formavam toda vez que ele mencionava abrir um sorriso continuavam ali, intactos.
– Hey. – ele disse sorridente indo abraçar .
– Hey. – sorriu enquanto o abraçava forte. O abraço acolhedor de continuava o mesmo também – Como sabia que era eu?
– Confesso que reconheci pela mala. – apontou para a mala de rodinhas vermelha que segurava. Era a mesma que ela havia levado há quase dez anos atrás.
– Muito esperto. – admitiu. – Mas me diz, o que é isso na sua cara? – perguntou enquanto fazia uma careta.
– O que? – perguntou confuso, passando a mão pelo rosto.
– Meu Deus, são pelos! – arregalou os olhos teatralmente, fingindo surpresa. – Você tem uma barba agora, uau!
– Muito engraçado. – ele deu um sorrisinho e ficou sério logo em seguida. – Você não cresce mesmo, né? Literalmente. – ele deu uma risadinha.
– Sempre com a piadinha da minha altura, né? Não perde a graça não? – ela fez uma careta.
– Não. – ele gargalhou – Você não mudou muito. – disse analisando-a.
– Você acha, é? Eu acho que mudei bastante. – analisou seu próprio corpo.
– Quer dizer, fisicamente sim, você está mais... – ele parou por um momento, procurando a palavra certa, enquanto media a ex-namorada da cabeça aos pés – elegante.
– Elegante? Quem usa esse termo hoje em dia, ? – fez uma careta.
– Eu. – deu de ombros. – Deixa eu te ajudar com isso. – ele pegou a mala vermelha da mão de .
Eles foram caminhando juntos em direção à saída do aeroporto.
– Mas então, – ela segurou no braço de seu ex e ele gelou por um momento. Era estranho ter ela ali de novo – Me conta, como está todo mundo?
– Bem. – lhe deu um sorrisinho.
– Que ótimo!
Os dois amigos cantavam e dançavam dentro da BMW de ao som de Shut Up and Dance da banda Walk The Moon, que tocava no rádio. Por um momento, era como se ela nunca tivesse ido embora, como se eles não tivessem ficado nove anos longe um do outro. A relação deles continuava a mesma, de certa forma.
– Meu Deus, ! – ele baixou o volume do rádio. – Eu senti falta dos nossos duetos no carro.
sentiu suas bochechas queimarem ao ouvir que ele sentiu sua falta, mas riu para disfarçar.
– Eu também, senti falta dos seus falsetes. – brincou.
– Meus falsetes estão muito melhores. – se gabou.
– Quero só ver hein...
Eles ficaram em silêncio depois que a música acabou e começou a tocar uma lenta na rádio. Após uns dez minutos, resolveu falar:
– Minha mãe quer te ver, então, será que podemos ir pra minha casa primeiro e depois vamos até o seu hotel? – ele tirou os olhos do caminho e olhou para a garota pequena e morena sentada ao seu lado.
– Tudo bem. – ela concordou sorridente. Era muito bom saber que a Sra. estava ansiosa para vê-la. A mãe de sempre foi como uma segunda mãe.
Eles não demoraram muito para chegar. entrou em uma rua e parou em frente a maior casa. Os muros eram cobertos por plantas e havia um portão de metal pintado de marrom.
saiu do carro e o seguiu para dentro da casa. Havia um gramado e no meio dele, um caminho de pedras que dava até a entrada da casa. A casa era pintada de branco e as portas e janelas eram de uma madeira bem escura.
O homem abriu a porta – que estava destrancada – e entrou. limpou o pé em um tapete que estava perto da porta e entrou com cautela na casa.
– Surpresa! – todas as pessoas que estavam ali reunidas na sala de estar gritaram juntas.
– Meu Deus! – colocou a mão no peito, por conta do susto que tomou. estava ao seu lado e apenas ria da expressão dela. – , eu vou te matar. – deu um soco de leve no braço de seu ex-namorado. Como ele podia tê-la enganado desse jeito?
Virou-se para o outro lado, em direção a sala de estar, e viu todos seus amigos ali, rindo de sua cara.
, não fica brava com o , foi minha ideia. – levantou da poltrona de couro marrom e foi até a amiga.
– Só podia ser sua ideia mesmo. – fingiu estar irritada.
– Cala a boca e me abraça. – a morena de cabelos enrolados abraçou forte . – Você está incrível, garota! – ela observou a amiga quando a soltou.
– Obrigada! – sorriu sem graça.
– Sai daí, , todos nós queremos falar com a também. – disse em um tom brincalhão, dando um leve empurrão em .
continuava a mesma, estava mais bonita - se é que isso era possível - e seu cabelo, antes longo, estava curto.
Elas se abraçaram por um tempo, até que deu espaço para que se aproximasse.
? – perguntou boquiaberta desacreditada. Ele era a pessoa que mais havia mudado. Quando ela deixou os EUA, era um garoto magrelo, esquisito, com um cabelo estranho e com carinha de bebê.
– Eu sei, eu fiquei ainda mais lindo com o passar do tempo, pois é, coisas da vida... – brincou.
– Mas a modéstia nunca muda. – ela riu e o abraçou forte. – Achei incrível que vocês todos entraram na puberdade e finalmente tem uma barba.
– Pois é, você viu? O tem uma barba e quase não tem mais cabelo, incrível, não é? – brincou.
apenas lhe mostrou o dedo do meio, enquanto todos riam.
– Cadê o ? – a garota perguntou confusa.
– Ele está a caminho. – disse .
Todos estavam sentados na mesa cozinha bebendo cerveja e conversando sobre a vida até que se virou para e perguntou:
– E aí, conta tudo, como é a sua vida lá? O que você faz?
– Hm, bom... – ela passou os olhos por todos seus amigos que a olhavam atentamente, provavelmente curiosos. – Eu comecei como estagiária lá e hoje sou diretora de arte da Pop Idols Magazine.
– Que legal! – disse .
– É... mas me falem de vocês, o que vocês fazem atualmente?
– Eu cursei cinema, e hoje trabalho em uma agência, dirijo curtas metragens, propagandas, etc... – explicou .
– E vídeo clipes... – acrescentou com um sorrisinho.
– Como você mesma já sabe, sou formada em odontologia e tenho meu próprio consultório aqui em Ohio. – deu um sorrisinho para a amiga – E o é ator.
– Eu sou musico, mas acho que isso você já previa. – disse .
– É, eu acho que sim. – riu.
sempre foi apaixonado por música e seu grande sonho era poder trabalhar com isso um dia. sempre achou que ele tinha talento e determinação de sobra para conseguir isso no futuro, e ela estava certa, ele conseguiu.
– Eu sou ator, acho que você lembra que eu fazia pequenos papéis em filmes independentes, né? – assentiu e continuou. – Mas atualmente eu e o estamos trabalhando na .
? Não brinca!
– Sim, e eles têm fãs, você acredita? – disse.
– É, você viu a nossa banda crescer. – deu um sorrisinho para .
– Isso é incrível. – ela sorriu. – Depois quero escutar as músicas novas. – ela deu uma piscadela para os dois amigos.
– Pode deixar. – disse .




Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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