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Última atualização: 30/04/2018

CAPÍTULO 01 - ALL WE KNOW IS TOUCH AND GO.


Ok.
Um. Dois. Três.
Acorda. Levanta. Mas levanta de verdade.
Ok. De novo.
Um. Dois. Três.
Acorda. Levanta. Levanta logo antes que…

! Sua filha da puta! — ouvi gritar e esmurrar a porta do meu quarto. — Vamos chegar atrasadas!
Eu bufei e me levantei, e dessa vez foi de verdade. Tive que me trocar correndo e aguentar enchendo meu saco do outro lado da porta, enquanto eu me maquiava. era muito dramática.
Peguei minha bolsa e destranquei a porta, dando de cara com uma extremamente furiosa.
— Bom dia, amor da minha vida. Você está tão linda nesse look à la Taylor Swift. — eu sorri.
— Falsa do caralho. — ela bufou e eu ri.
era a minha melhor amiga desde que me conheço por gente. Nós crescemos juntas, pois sua mãe é a melhor amiga da minha e, desde o primeiro teste de gravidez positivo, nós duas já estávamos predestinadas a sermos melhores amigas para sempre e sem exceção. Nós dividíamos um apartamento no subúrbio de Londres e estudávamos na mesma faculdade, a University of West London, mas cursamos coisas totalmente diferentes, já que é de exatas e eu sou 100% humanas. Minha melhor amiga já estava no segundo ano de Arquitetura, enquanto eu fazia o primeiro ano de Jornalismo.
Mesmo eu e sendo completamente diferentes na maioria dos aspectos, nós conseguíamos nós dar muito bem. É como se nós nos completássemos, sabe? O que falta em mim tem nela, e o que falta nela tem em mim. Poderíamos viver assim, só nós duas, para sempre. Mas nem tudo é do jeito que gostaríamos, não é mesmo? Pois é.
Acontece que tem um namorado por quem eu amo frisar que tenho um enorme desprezo. Seu nome é , e eles não tem nada a ver um com o outro, sinceramente. é toda princesinha, bem estilo Taylor Swift, meiga, romântica, sempre tão dedicada a tudo que faz, e é tão o oposto, ele é tão… Eu.
Talvez essa seja a razão por eu não gostar nem um pouquinho do namorado da minha melhor amiga; ele era tão que talvez eu tenha um medo secreto de que ela me troque por a qualquer momento, e, mesmo eu sendo independente, eu não saberia viver sem no meu pé como eu estou acostumada.
Eu nem consegui comer nada, me jogou uma barrinha integral de banana e me arrastou para seu carro.
— Eu odeio essas suas coisas naturebas. — falei, fazendo careta para a barrinha em minhas mãos.
— Cala a boca e come! — ela respondeu, colocando o cinto de segurança e pronta para dar partida no carro.
O carro de era o melhor carro de todos os tempos, era um Mini Cooper azul-metálico que ela havia ganhado de sua avó quando completou seus 18 anos. Tá, você deve estar pensando: “O que faz desse carro o melhor de todos?”. Pelo simples e hilário fato de que, no teto do carro, havia uma grande e chamativa bandeira do Reino Unido.
Cara, eu amava isso, muito diferente de , que odiava andar com seu carro por aí, e um dos meus passatempos favoritos era fazer piadinhas envolvendo o carro.
, não estamos muito atrasadas. — eu disse, mordendo sem vontade um pedaço da barrinha. — Temos quinze minutos até o primeiro sinal.
, temos apenas quinze minutos! — ela respondeu, irritada. — Até chegarmos na faculdade, acharmos uma vaga no estacionamento, chegar em nossos armários para pegar nossos materiais e correr para a sala já estamos atrasadas. — ela bateu as mãos no volante, brava, e eu dei uma risadinha. brava é engraçado. — E você pare de rir de mim! Eu estou fodida! FODIDA!
— Sem estresse, amiga, vamos chegar a tempo. — eu sorri para ela.
— Minha primeira aula é com o Stevens, e todos sabem o quanto ele me odeia. Se eu der mais um motivo para ele abaixar minha nota em geometria aplicada, eu estarei bem fodida. — eu ri mais uma vez. não era de falar palavrão a não ser que esteja muito irritada. — Para de rir, !
— Vamos ouvir seu ídolo suprema e vamos acalmar os ânimos? — eu propus, já pegando a caixinha do CD da Taylor Swift no porta-luvas.
Eu vejo dar um sorriso enquanto presta atenção nas ruas quase que congestionadas de Londres. State Of Grace começa a tocar e ela se anima.
I’m walking fast through the traffic lights, busy streets and busy lives and all we know is touch and go.
— We are alone with our changing minds, we fall in love till it hurts or bleeds, or fades in time!
— decido me juntar a ela, e começo a cantar e rir.
Ok, eu mais ria do que cantava.
Foi ouvindo Taylor Swift no último volume que tomamos coragem para enfrentar mais uma segunda-feira na faculdade.
Assim que estacionamos o carro, pendurou sua grande bolsa marrom com franjas em seu ombro e saiu correndo para dentro da universidade. Mesmo ela já estando longe, era possível ouvir seus passos apressados. Olhei em meu celular o horário e vi que ainda faltavam cinco minutos. Eu tinha tempo; eu não iria correr pelo campus, igual certas pessoas.
Arrumei a alça da minha mochila cinza em meus ombros e comecei a andar lentamente até a entrada da universidade. Segunda-feira era o pior dia da semana, não só porque você geralmente passa a segunda inteira morrendo por conta da ressaca do final de semana, mas também porque é na segunda feira que eu tenho as piores aulas, como, por exemplo, Fotografia Jornalística e Publicitária. AI, MEU DEUS! A minha sorte é que eu tenho uma dupla de amigos incríveis que vão fazer com que minha segunda-feira não seja tão horrível assim.
Minha primeira aula do dia era História da Comunicação, e só de pensar em ter que ouvir a Sra. Welling falando já me dava preguiça de subir até o quinto piso, onde era a minha sala.

3 Minutos!!!!!
Cadê você? Hoje tem o anúncio do Seminário do trimestre! PRECISAMOS de você!!!
Xxx A.


Era uma mensagem de Alyssa, uma das minhas salvadoras de segundas-feiras.
Merda! Eu esqueci dessa merda de Seminário, eu teria que correr para chegar na sala, merda! Merda! Merda! Merda!
Eu estava tão preocupada xingando tudo e a todos mentalmente que eu me esqueci de olhar para frente e acabei esbarrando em alguém.
— Ei, cuidado por… Ah, olá, . — deu um sorrisinho irônico.
— Me erra, ! — eu mostrei o dedo do meio para ele e continuei andando e tentando controlar a minha vontade de esganá-lo por estar rindo.
Acabei chegando na sala a tempo de me sentar bem lá no fundo junto de Alyssa e , meus melhores amigos da Universidade.
É, eu tenho vários tipos de melhores amigos e eles são separados por seções, como, por exemplo, é a melhor amiga para sempre e sem exceção da vida. Alyssa e eram os melhores amigos da Universidade, com quem eu passava a maior parte do tempo de manhã e às vezes quando marcamos de sair de tarde ou à noite. Também tenho os meus melhores amigos e , os irmãos, meus vizinhos, com quem eu e geralmente saímos para baladas e coisas do tipo.
— Ainda bem que você chegou, coisinha. — disse. — Estou tão nervoso por conta desse seminário, você não tem noção.
— Já eu estou sentindo-me confiante. — Alyssa respondeu, estufando o peito. — Já estou tendo milhares de ideias geniais para que nosso seminário seja o melhor de toda a sala.
— Já sabemos o tema do trabalho? — perguntei, confusa.
— Não. — riu. — Mas você sabe como é a Alyssa, já está preparada para qualquer coisa.
Não pude deixar de rir. estava certo, Alyssa era de longe a minha melhor amiga mais estudiosa e aplicada, é aquele tipo de pessoa que, se tirar 9,9, fica totalmente frustrada. Ela e se dão muito bem, já que são muito parecidas quando se trata de escola e de ser a melhor da sala sempre.
A aula em si foi uma chatice total como eu já havia previsto, mas por algum motivo místico, eu estava sentindo-me ansiosa para a anúncio do tema do seminário. Eu sei lá, eu só estou inquieta para saber logo.
— Bom, alunos, eu deixei o melhor para o final, é claro. — Sra. Welling sorriu. — O tão famoso e assustador seminário. — ela riu sozinha. — Quero que vocês formem trios ou quartetos. — na mesma hora, , Alyssa e eu nos olhamos e sorrimos. Sabíamos que íamos fazer juntos. — E vocês terão um trimestre inteiro para planejá-lo e me apresentar aqui no final do mês de setembro.
— E O TEMA? QUAL É O TEMA? — uma aluna que eu não fazia questão de lembrar o nome gritou, fazendo a professora rir.
— O tema do trabalho, Srta. McAurentt, é muito simples, e garanto que todos vocês vão adorar…
— Xiii...— ouvi sussurrar para Alyssa. — Olha a merda.
— O tema é fanfiction.
A sala se encheu de vozes que falavam ao mesmo tempo e exclamavam indignação, desespero e até mesmo alegria. Olhei para , que olhava para mim com uma cara de desentendido, e eu ri. Mas é claro que ele está com essa cara de , ele é um garoto e certamente nunca leu uma fanfiction na sua adolescência.
— O que diabos é uma fan sei lá o quê? — ele perguntou e eu gargalhei. Esse seria o melhor seminário da minha vida. — Alyssa? Ei, Alyssa! O que você está fazendo?
A minha amiga estava concentrada, tinha uma folha de fichário em sua frente e uma caneta vermelha em suas mãos, ela escrevia velozmente na folha e não olhava para os lados quando a chamava. Cansada de esperar uma resposta que eu sabia que não viria tão cedo, eu acabei por pegar o estojo de e jogar bem na cabeça de Alyssa.
— EI! — ela gritou, brava.
— O que você está fazendo? Compartilhe suas ideias mirabolantes e malucas conosco, o resto do seu grupo. — eu disse.
— É o seguinte…

•••


O dia na faculdade não poderia ter sido mais exaustivo. Passei o intervalo na mesma mesa de sempre, aquela que era do lado de fora, ao ar livre e era afastada de todas as outras, junto de meus amigos: Alyssa, , e, é claro, seu irritante namorado, .
Tive que aguentar Alyssa falando do nosso seminário em praticamente todas as aulas seguintes, e tudo o que eu mais queria era a minha cama.
Quando o sinal da última aula soou, eu senti um alívio enorme. Eu voltaria para casa, comeria alguma coisa gostosa, pesquisaria alguma coisa sobre fanfictions para deixar Alyssa contente e iria dormir o resto do dia. Essa era uma ótima programação, mas não concordava comigo.
— Nós vamos sair. — isso não era uma pergunta e nem uma proposta, isso era uma ordem.
— Vamos ouvir um pouquinho mais de Tay? — eu sorri falsa e bufou, dando um tapa na minha mão que estava prestes a ligar o rádio do carro.
— Não seja cínica, ! — ela respondeu. — Por que sair hoje está parecendo tão errado?
— Porque, minha cara amiga, hoje é uma segunda-feira e eu estou programando dormir a tarde inteira.
— Nada disso. Um amigo de infância de Sydney de acabou de se mudar para o apartamento dele. — ela dizia enquanto dirigia. — quer sair hoje à noite para comemorar, e acredite se quiser, mas ele pediu para te chamar.
convidando-me para sair com vocês? Mas que milagre é esse? — eu debochei.
— Ele está feliz pelo amigo de infância estar aqui com ele, não seja chata.
Não seja chata. — eu imitei a voz dela de um jeito bem patricinha.
bufou e eu gargalhei. Já mencionei que irritar era um dos meus passatempos preferidos?
Assim que chegamos no apartamento, corri para meu quarto me trocar e fiz questão de colocar meu pijama de unicórnios e minhas pantufas brancas. Às vezes eu parecia uma criança gigante.
Sai correndo pelo apartamento e encontrei jogada no sofá, assistindo a uma de suas séries favoritas: Orange Is The New Black.
— Vou nos . — eu falei, já indo em direção à porta.
— Manda beijos. — ela gritou sem tirar os olhos da TV.
— ‘Pó deixar! — eu gritei antes de bater a porta de meu apartamento e correr pelo corredor até chegar na porta do apartamento dos .
Ir ao apartamento dos para ficar de bobeira depois de chegar exausta da faculdade era a parte que eu menos odiava de uma segunda-feira.
Dei uma de e comecei a esmurrar a porta de entrada e gritar para que algum dos dois abrisse para mim. Não demorou muito e um praticamente sonâmbulo abriu a porta.
— Bom dia, amor. — eu ri, dando um beijo estalado em sua bochecha. Ele murmurou alguma coisa que eu entendi como um “bom dia”. — Por que acordou agora? — eu perguntei, jogando-me no sofá preto estofado da sala de estar.
— Uhum aham eer ahm uhm.
, na minha língua. — eu brinquei, vendo-o se jogar ao meu lado no sofá. Devagarinho, ele foi encostando sua cabeça em meu ombro e, quando eu me dei conta, a criatura já havia voltado a dormir. — LUKE!
— Hm, oi, quê? — eu ri de leve.
, como já mencionado antes, era meu melhor amigo e vizinho. Ele era, na maior parte do tempo, uma pessoa extremamente fofa e divertida, era sempre muito bom estar ao seu lado. Ele tem aquela carinha fofinha que deixa qualquer garota apaixonada, a barba clara e rala e os cabelos bagunçados o deixavam ainda mais bonito.
Ok, confesso que tinha um certo crush por , e que já ficamos algumas vezes em baladas por motivos de embriaguez total, mas isso não nos fazia amigos com benefícios, nós só éramos… Amigos-vizinhos.
— Ei amorzão, pode ir acordando! — eu disse, mexendo o ombro e fazendo com que sua cabeça se mexesse. — Não vim aqui para você dormir em cima de mim.
— Veio aqui para quê? — deu uma risada gostosa. — Me dar umas bitocas? — eu rolei os olhos e peguei o controle da TV de tela plana que havia no meio da sala.
— Cadê sua irmã? — perguntei, mudando o assunto “quero te beijar mesmo eu estando com meu típico bafo matinal” de .
— Teve um trabalho da faculdade, eu sei lá. — ele deu de ombros e, mais uma vez, eu ri.
era apenas um ano mais velho que eu e não fazia faculdade ainda, porque ele ainda não tinha descoberto o que queria ser quando crescer. Mesmo já tendo vinte e três anos nas costas, ele achava que não havia crescido ainda. Já , sua irmã mais nova, já havia saído do colegial e ido direto para uma faculdade, porque desde que criança, já sabia o que queria ser: atriz, e por isso estudava Artes Cênicas na faculdade de Oxford.
— Vai fazer o que de bom hoje à noite? — eu perguntei, já pensando na possibilidade de ir comigo hoje junto com , e o seu amigo de Sydney.
— Rever todas as temporadas de Breaking Bad é uma coisa boa para se fazer? — eu ri, negando com a cabeça. — Então, não. — sorriu sem mostrar os dentes.
— Topa sair comigo hoje mais tarde? — perguntei, deitando minha cabeça em seu ombro como ele tinha feito comigo há minutos atrás.
— Sair de noite para algum lugar misterioso com você? — sorriu, malicioso. — Mas é claro que sim, !
Eu comecei a rir.
— Idiota! — dei um tapa em seu peito. — vai sair com e me chamou, e como ficar de vela não está nos meus planos…
— Claro que eu vou, aproveito para matar saudades de .
Revirei os olhos e ouvi a risada gostosa de ecoar pela casa. Meu amigo, esse ridículo, sabe muito bem que eu e não nos dávamos bem e gostava de esfregar na minha cara a amizade que ele tinha com o namorado de .
— Deixa de ser otário. — eu joguei uma almofada em sua cara e levantei do sofá emburrada, caminhando com passos firmes até a porta.
— Vejo-te à noite, amor. — gritou.

•••


Eu havia acabado de sair do banho, tinha-me convencido a ir nesse bar com seu namorado otário e o amigo de infância, no final das contas, mas tive que contar a ela que chamei para ir conosco. Ela não aceitou no começo, pois não queria sendo na frente do amigo de seu namorado, mas acho que agora ela já se conformou.
Tinha acabado de sair do banheiro que era acoplado ao meu quarto, a toalha estava enrolada no meu corpo. Eu penteava meus cabelos molhados quando ouvi vozes conhecidas ecoando pelo apartamento e, como quem não quer nada, aproximei-me da porta a fim de ouvir o que eles estavam conversando.
— Não vou participar disso, , de jeito nenhum.
— Por favor, , ele é lindo e vai se dar superbem com ela. — ela falou e eu revirei os olhos de trás da porta.
— Não me agrada ver a com alguém. — falou grosso e ouvi a porta da sala bater.
Ele foi embora.
Resolvi voltar aos meus afazeres. Deixei a escova de cabelos em cima da cômoda e fui em direção a minha cama quando bateu em minha porta e entrou emburrada.
— O que foi dessa vez? — e então ela se jogou na cama.
— Hmm… — ela disse com a cara no travesseiro, e sua voz saiu abafada. — Só vim confirmar, você ainda vai conosco, certo?
— Sim, eu e vamos. — dei um sorrisinho esperto quando a ouvi bufar.
se levantou da cama em um pulo e correu para seu quarto.
Quando estava prestes a começar a arrumar-me, ela entra de novo, jogando milhares de mudas de roupa em cima de minha cama.
— O que pensa que está fazendo, Christinna ? — perguntei, arqueando as sobrancelhas.
— Vamos escolher uma roupa bem linda para você usar hoje à noite. — eu ri, irônica. — , é sério.
— Não.
— ARGH! , não seja chata! — grunhiu. — O amigo de , que a propósito se chama , vai estar lá, e você tem que estar bem linda para ele.
Foi aí que eu comecei a gargalhar de verdade e entendi tudo. estava tentando me empurrar para cima do amigo babaca de seu namorado estúpido? É, com certeza não vai rolar.
— Você está mesmo tentando me empurrar para cima desse tal de ? Sério ? — eu perguntei. — Melhore.
— Mas, , veja, você vai sair com um casal, e eu sei o quanto você não suporta ser vela, principalmente de mim e de ... — ela argumentou.
— Foi pensando nisso que chamei para ir comigo, querida. — respondi, sorrindo o mais cínica possível.
— Você sabe que a primeira coisa que vai fazer é achar uma boa bunda e sumir, não é? — ela me olhou como se não fosse óbvio.
— Ele não é assim quando está comigo.
— Parece que você não conhece o amigo que tem. é um galinha. — ela revirou os olhos, eu dei de ombros e mandei um beijinho em sua direção. Voltei para dentro do meu banheiro e liguei o secador a fim de dar um jeito em meu cabelo, que estava metade seco, metade molhado. — Mas, , tenta falar com ele, tenho certeza que você vai amar o . — ela disse, claramente frustrada. — Era para você não ficar de vela com , até porque não vai nem ligar para nós, tenho certeza de que ele vai atrás de uma loira siliconada. — eu revirei os olhos.
Por mais que fizesse isso quando íamos juntos em baladas, hoje eu tenho a certeza de que, se eu pedir, ele vai ficar ao meu lado o tempo todo sem pestanejar, afinal ele é meu melhor amigo.
— Eu não vou ficar com esse tal de , se é o que você está pensando em me convencer a fazer. Ele é amigo do seu namorado, amore, deve ser tão babaca quanto . — dei meu melhor sorriso.
— Pare de falar mal do meu namorado, pelo amor de Deus! — ela se jogou de novo na cama.
— E você pare de falar mal do nosso amigo supostamente galinha.
— Ai, , pelo menos me ajuda a escolher meu vestido?
Eu olhei para , que fazia a famosa cara de pidão do gato de botas, e rolei os olhos. Como eu odeio ser amiga de .
— Claro.


CAPÍTULO 02 - IT WAS ENCHANTING TO MEET YOU.

estava emburrada e de braços cruzados e bufava de cinco em cinco segundos enquanto esperávamos terminar de se arrumar sentadas na sala de estar dos junto de .
e moravam sozinhos no apartamento desde que saiu do colégio e ganhou uma bolsa na faculdade de Oxford, e como os pais de não o queriam mais enchendo o saco em casa e não queriam que fosse morar em Londres sozinha, eles juntaram o útil com o agradável ao mandar os dois morarem neste apartamento.
, você está me irritando sendo impaciente desse jeito. — disse assistindo TV. — O que deu em você?
, isso é que deu em mim. — agora fui eu que bufei.
— Se você está tão irritada comigo, eu e podemos muito bem ir para qualquer balada enquanto você, seu namorado perfeito e o amigo maravilhoso dele vão fazer seja lá o que vocês planejaram para hoje. — eu respondi séria.
— Se vai ter briga deixa eu ir pegar um pouco de pipoca? — disse rindo.
Ela não me respondeu, ficou mexendo no celular o tempo todo e isso me irritou profundamente.
— Gatinhas, vamos? — apareceu sorridente e extremamente gostoso.
Ele usava uma calça jeans preta, um coturno preto, uma camisa xadrez vermelha fechada até o último botão e por cima uma jaqueta preta jeans preta que combinava com sua calça preta. Sorri travessa para ele que correspondeu o sorriso.
— Não quero nenhuma piranha aqui em casa sem ser a , obrigada. — disse voltando da cozinha com a pipoca e apontando para o irmão.
Mostrei o dedo do meio para ela e riu.
— Vamos. — disse grossa e se levantou do sofá.
— O que deu nela? — sussurrou para mim que fiz questão de balançar a cabeça como dizendo deixe para lá.
Descobri minutos antes de entrar no Audi de que iríamos a um bar no centro da cidade. Eu fiz questão de ir no banco da frente junto de e não teve outra escolha a não ser ir no banco de trás. Às vezes eu dava uma olhada para trás e dava risada de sua cara emburrada. Mesmo estando irritadinha comigo, não podia negar que eu fiz uma boa escolha quando decidi que iria vestir o seu vestido branco rodado e seus salto altos verde água, ela estava linda! O cabelo na altura dos ombros estavam levemente encaracolados nas pontas e ela usava uma tiara da mesma cor que o sapatos para combinar. Eu também tinha feito um ótimo trabalho na maquiagem, era uma coisa leve, uma sombra clara, delineador, bastante rímel, um blush para dar cor e pra completar um batom rosa claro.
Se estava uma princesinha é claro que eu estaria totalmente diferente. Eu usava um short preto cintura alta, salto alto preto e uma blusa branca caída nos ombros. Meu cabelo que era bem grandinho, estava solto e liso, também não abusei na maquiagem, apenas lápis de olho, rímel e o meu indispensável batom roxo.
— Tá tudo okay, ? — perguntou e respondeu um murmuro em resposta, eu bufei. Além de ser dramática ela era a pessoa mais teimosa que eu já conheci na minha vida.
Quando finalmente o carro parou avisou que e o tal já estavam lá dentro. Dei uma boa olhada na fachada do estabelecimento, suas paredes eram pretas, tinha uma enorme porta de entrada que era feita de vidro e bem em cima havia as seguintes palavras Black Rabbit. Eu ri sozinha, coelho preto é um nome bem estranho para se dar a um bar. já havia entrado e eu estava pronta para seguir seus passos quando sinto a mão gélida de me impedir de prosseguir.
. — ela chamou baixinho. — Desculpa por isso. — eu dei um sorriso doce. — É que eu estava tão animada com a possibilidade de você gostar de e finalmente poder sair comigo e com em um encontro duplo. — nós rimos. — Sério, me desculpa.
— Tá tudo bem, fofinha do meu coração. — eu disse a puxando para mais perto de mim e bagunçando seus cabelos.
— MEU CABELO! SUA CRETINA! — ela gritou furiosa e eu corri para dentro do bar gargalhando.
Assim que entrei no bar vi o quanto ele era grande. Havia um bar enorme ao lado esquerdo, com vários bancos onde se via pessoas enchendo o pobre coitado do barman de pedidos. Também haviam milhares e milhares de mesas espalhadas. Tinha um palco, bem mais ao fundo, onde um homem qualquer tocava uma música que eu não conhecia em seu violão preto.
Eu estava perdida olhando para todos os lados até que vi o mão de para cima me chamando. Eu puxei meu short um pouco para baixo e olhei para trás para ver se já vinha atrás de mim.
?
— Pronto. — ela suspirou cansada. — Você ainda me paga, . — ela sorriu assim que encontrou o namorado sorrindo para ela. — Vamos. — ela puxou meu pulso e fomos em direção a mesa.
A mesa que escolheu cabiam seis pessoas e era ao lado da janela. Vi que ele já havia se acomodado na cadeira mais próxima a ela e que estava em sua frente. chegou dando um beijo em seu namorado e se sentando ao lado de . Olhei para a cadeira vaga ao lado de e comecei a pensar se deveria ou não me sentar. percebeu e me encarou e mesmo sem abrir a boca, ele me deu a resposta do que eu deveria fazer. Caminhei até o outro lado da mesa e me sentei na última cadeira vaga ao lado de . Ela me olhou com cara feia e decidiu se sentar ao lado do namorado, e eu muito das espertas, acabei indo para a cadeira ao lado, ficando mais próxima de .
— Amor, cadê o ? — Bingo!
— Ele, hm, volta logo. — respondeu.
— Ele está bem? — perguntou ao perceber a incerteza na voz de .
— Está, é só que… é meio atrapalhado. — riu e concordou com a cabeça.
— É verdade, quando eu fui a Sydney no ano passado, passar o Natal com a família de , eu conheci o e ele é uma figura. — riu. — Parecidíssimo com a .
Eu dei o sorriso mais falso que pude para minha amiga. E aquela conversa de que ela não ia tentar me empurrar para cima de ?
— Ele chegou. — disse olhando para seu celular. — Vou buscá-lo.
Assim que saiu da mesa eu chutei a canela de com a maior força que pude.
— AI!
— Sua idiota. — rosnei. — Eu te falei pra não ficar forçando a barra!
— Foi só um comentário. — respondeu ela. — Ai, esse chute doeu de verdade, , sua chata.
— Vocês duas são uma comédia. — riu dando um gole em sua cerveja. Olhamos para ele com uma cara de . — Por favor, continuem.
E iríamos mesmo continuar com aquela conversa idiota se não tivesse voltado com um sorriso enorme no rosto, parecendo uma criança quando ganha o que realmente pediu ao Papai Noel no Natal. Atrás dele vinha um outro cara.
Mordi meu lábio com força para que meu queixo não despencasse. WOW!
Ele usava um Converse inteiramente preto, uma calça skinny preta muito parecida com aquelas que sempre usava e uma camiseta branca da banda Metallica.
tinha olhos lindos e e um sorriso de lado muito encantador. Seus cabelos eram lisos e estavam bagunçados propositalmente, fato que o deixava mais bonito ainda.
me lançou um olhar do tipo não te disse?.
— Oi, gente, me desculpa pelo atraso. — disse rindo e puxando a cadeira ao lado de para se sentar.
Deus, eu não conseguia tirar meus olhos dele.
percebeu e começou a me olhar feio, começou a rir também e pouco tempo depois a mesa inteira estava dando gargalhadas, menos eu, e estranhamente, . Às vezes eu tenho vontade de esfolar a cara de no asfalto quente por ser tão boa amiga.
— Por que estamos rindo? — perguntou. e trocaram um olhar cúmplice e voltaram a gargalhar. Eu bufei. — ?
— Porque são idiotas. — respondi impaciente. riu.
— Já nos conhecemos? — ele perguntou para mim e eu o encarei confusa. — É que você parece muito com a deusa que eu vejo em meus sonhos loucos. — olhou furioso para ele. Desde quando , meu melhor amigo, sente ciúmes de mim?
— Como disse? — eu perguntei claramente ofendida.
— Dude, quando você disse que a melhor amiga da sua namorada era linda mas totalmente marrenta, você não estava errado. — ele disse com um sorriso no rosto. Ouvi rir envergonhado ao fundo, mas eu estava muito ocupada para pensar o porquê havia me chamado de linda, eu estava intrigada com esse cara sentando a minha frente. Ele não podia ser real. — Eu nem me apresentei direito, não é? Eu sou , mas se quiser me chamar de tudo bem. — ele puxou minha mão que estava repousada em cima da mesa e a levou até seus lábios, depositando ali um beijo.
... — eu disso quase que em um sussurro. — Quer dizer, . — ele sorriu de lado enquanto eu recolhia minha mão, ela formigava onde ele tinha beijado.
— Estou encantado em te conhecer. — deu um sorriso malicioso para mim. — E você deve ser o namorado dela. — disse para . — Porra, , você me trouxe aqui para ficar de vela? — ele riu. — Prazer, cara.
— O prazer não é meu. — agarrou sua mão que estava esticada para cumprimentá-lo. — Para sua sorte, eu não sou o namorado de . Mas, para o seu azar, eu serei no futuro. — sorriu malicioso.
Eu bati a cabeça na mesa. Meus amigos são as pessoas mais inconvenientes deste mundo.
— Hum, ? — perguntou de uma maneira divertida. — Tá tudo bem?
Eu decidi levantar minha cabeça e confirmar que sim, estava tudo uma maravilha! Parecia que meus dois melhores amigos estavam em uma guerra para me fazer passar vergonha. De um lado estava me jogando em cima do gatinho, e do outro estava sendo um que eu nunca havia presenciado. É claro que eu não disse isso, mas vontade não me faltou, então apenas balancei a cabeça em um sinal de “nada muito importante”.

•••

A comida já havia sido servida, não era nada demais, cada um pediu um lanche diferente e duas porções de fritas para dividirmos em cinco, sem contar os copos de cerveja que já havíamos tomado. Durante todo esse tempo, se mostrou uma pessoa muito legal. Ele nos contou que tinha acabado de completar 22 anos e que cursava o segundo ano de Letras, seu sonho era ser professor de Inglês para adolescentes. Ele também disse que se mudou para Londres depois de muita insistência de , que pedia isso há mais ou menos três anos. tem dois irmãos mais novos, Hunter de 14 anos e Claire de 9, eu achei muito fofo o modo como ele nos contava sobre seus irmãos, era uma pessoa fofa.
, eu adorei te conhecer, cara. — disse. — Sério. Você me lembra muito alguém.
— Quem?
— A , é claro. — respondeu. Essa aí já tinha tomado todos os tipos de drinks alcoólicos que o bar oferecia e já estava mais pra lá do que pra cá, se é que me entende…
— Queria dizer meu primo Andy, aquele que ninguém suporta. — meu amigo sorriu debochado.
— Vocês são tão parecidos, deveriam virar melhores amigos. — disse, deixando ainda mais furioso.
Você é minha melhor amiga, esqueceu? — eu respondi rindo meio constrangida.
— Ah, é. — e então começou a gargalhar histericamente.
nunca foi forte para bebidas, qualquer coisinha com álcool a deixava bêbada, e ter uma completamente bêbada ao seu lado enquanto você tenta não passar vergonha na frente de um maior gato não era muito bom.
me encarou com um sorriso no rosto e eu encarei de volta. Esse cara não pode ser real, certo? Ele era tão lindo, tão engraçado, tão gentil… Ele era o projeto de namorado perfeito e qualquer garota gostaria de chamá-lo de seu.
— Se você continuar me encarando assim vou achar que você está apaixonada por mim. — sussurrou para mim rindo. Eu o encarei sem entender, já que eu estava tão absorta em meus pensamentos malucos que nem ouvi o que ele dizia. Ele riu mais ainda. — , você é uma figura.
— Vocês são tão lindos juntos. — Uma bêbada disse rindo. Senti minhas bochechas esquentarem e sorriu sem graça para que ria, estava tão interessado em sua caneca de cerveja que nem se pronunciou.
E então o pior aconteceu:

There I was again tonight
Forcing laughter, faking smiles
Same old tired, lonely place

deu um berro chamando a atenção de todos nas mesas a nossa volta e correu, quase que tropeçando em seus próprios pés, para frente do palco que ficava bem no fundo do bar. suspirou e correu atrás da namorada.
— O que é isso? — perguntou e riu.
— Isso se chama tendo ataque histérico por conta da música da Taylor Swift. — explicou.
— Hã?
é fã de Taylor, essa música que está tocando é da Taylor. — eu respondi. — Vamos lá.
Levantei da mesa e puxei pelo braço e vi que nos seguia. estava parada em frente ao palco gritando a letra da música Enchanted enquanto estava segurando seus ombros. Nós três paramos um pouco atrás do casal e continuamos a ouvir a música. Senti o braço de roçar no meu e foi como se eu tomasse um choque elétrico, meu corpo inteiro se contraiu com seu toque. Merda!

Walls of insincerity,
Shifting eyes and vacancy
Vanished when I saw
Your face

All I can say is it was
Enchanting to meet you

Ele percebeu e deu uma risadinha. Seu olhar estava cravado nos meus e em minha cabeça eu só me perguntava Por que tão estupidamente lindo?
! — me chamou. — Eu tenho que ir! Merda!
— O que houve, amor? — eu perguntei preocupada.
acabou de me ligar. — explicou ele. — Parece que meus pais disseram que vão vir para Londres amanhã e pretendem passar a semana na minha casa. — eu ri da cara de desespero do meu melhor amigo e concordei com a cabeça.
— Tudo bem, , vai lá arrumar sua casa e fingir que você é responsável. Vejo você amanhã de manhã.
— Com certeza. — ele riu, me abraçou e me deu um beijo na bochecha. — . — ele sussurrou em meu ouvido. — Não faça besteira, ok? Não acho que isso seja legal. — ele olhou para mim e depois para e coçou a cabeça fazendo careta.
— O que está acontecendo com você? — ele estava realmente muito estranho.
— Nada, , eu só não… — e saiu andando sem completar sua frase, me deixando sozinha.
! — eu gritei quando vi ele ir se afastando de mim.
Bufei e fiquei parada apenas ouvindo a música que estava sendo tocada.
And it was enchanting to meet you, all I can say is I was enchanted to meet you. — cantei quase que em um sussurro junto da música e ouvi a risada de ao fundo. — O que foi?
— É a . — respondeu. — Parece que ela corrompe as pessoas com Taylor Swift, olhe só .
Vi que estava abraçado com e cantando junto dela. Eu sorri. poderia ser um babaca desmiolado para mim, mas eu não podia negar que ele era um ótimo namorado e fazia minha melhor amiga muito feliz.

This night is sparkling, don't you let it go
I'm wonderstruck, blushing all the way home
I'll spend forever wondering if you knew

I was enchanted to meet you. — cantou para mim.
— Parece que ela já corrompeu você também. — eu comentei e ele riu.
E mais uma vez, eu fiquei encantada com a forma meiga que me olhava, seus olhos sempre brilhantes e o seu sorriso de lado… Eu sorri para ele também.
— Hum, ei, . — chegou até a mim. — Acho que eu vou levar para meu apartamento.
Antes de respondê-lo, eu dei uma boa olhada em minha melhor amiga que estava muito bêbada e berrava desesperadamente a música da Taylor Swift que o cantor da noite ainda tocava. É, precisa urgentemente de um banho frio se não quisesse faltar amanhã de manhã na faculdade.
Faculdade amanhã de manhã.
Ah, mas é claro que iria ter alguma coisa para estragar a noite. Peguei meu celular que estava no bolso traseiro do meu short e olhei as horas 22h15.
— É, tá. — eu respondi. — Eu acho que já tenho que ir também, sabe como é, amanhã de manhã tenho faculdade.
— Certo. — respondeu. — Não tem problema a faltar amanhã, né?
— Eu não sei se ela vai ter algo de importante amanhã, mas… Faça o que quiser. — eu dei de ombros.
— Até mais, . — sorriu com seus típico sorrisinho sarcástico e idiota que eu odeio e correu até que já estava pronta para subir no pequeno palco do bar.
não disse nada durante toda a conversa e ficava revezando seu olhar entre que tentava a todo custo tirar do bar e eu. Quando me dei conta que teria que voltar para casa, mas não estava mais aqui para me levar eu choraminguei e decidi ligar para um táxi.
— O que pensa que está fazendo, ? — perguntou divertido.
— Indo pra casa, faculdade amanhã cedo.
— Eu te levo.
Sorri sem graça para e coloquei uma mecha de meu cabelo atrás da orelha e fiquei me lembrando mentalmente de matar assim que eu chegasse em casa.
— Você, hum, não vai avisar ? — perguntei.
— Eu vou encontrar com ele depois no prédio. Vem! — ele me puxou pelo pulso para fora do bar.
Ok, eu estava de mãos dadas com o melhor amigo do namorado babaca da minha melhor amiga, o mesmo cara que minha melhor amiga para sempre e sem exceção tentou me empurrar a noite toda, e o mesmo cara o qual fui proibida pelo meu melhor amigo vizinho de ficar perto. O quão insano é isso? Mas quem era eu para reclamar? Quer dizer, mesmo com isso tudo não deixava de ser um dos caras mais gatos que já tive o prazer de conhecer e se ele quisesse alguma coisa comigo, por que não?
Alerta vermelho de ilusão nível 14! Tá, acho que viajei legal aqui. Não é pra tanto, eu sei. Acho que nada vai acontecer entre nós mesmo, porque é sempre assim: acha um cara X por aí, bonito e inteligente e que tem um bom papo já tenta empurrá-lo para cima de mim, e a desculpa é sempre a mesma “Você é uma encalhada, ! Qual foi a última vez que você namorou sério?” Ok, admito que faz algum tempo mas eu não ligo para namoro como liga, mas se um dia eu realmente gostar de alguém como eu sei que gosta de … Quem sabe eu e essa pessoa não possamos começar um namoro? Ah, quem sabe…
Paramos em frente a uma moto preta. Espera, moto preta?
— Você anda de moto. — eu conclui o óbvio e ele riu enquanto tirava seu capacete do compartimento traseiro da moto.
— Carros são muito grandes e lentos. Prefiro motos, eu gosto de sentir o vento no rosto enquanto corro pelas avenidas a 90 km por hora, parece que eu estou voando. — ele sorriu feito uma criança. — Seu capacete!
Um capacete vermelho foi jogada em minha direção e por pouco não o deixo cair no chão. Observei atentamente subir em sua moto e ligar a ignição e então ele me encarou.
— O que foi, ? Eu fico sexy em cima da moto, eu sei.
— Eu nunca subi em uma moto em toda a minha vida. — confessei.
— Tem sempre uma primeira vez para tudo, não é? — ele riu. — Não é tão aterrorizante assim! Suba aqui, ponha seu capacete e me abrace o mais forte que puder, ok? Não é difícil.
E foi isso que eu fiz, mesmo estando ainda um pouco receosa, subi na moto já com o capacete vermelho na cabeça, o que para ser sincera, era um incômodo total, não enxergava nada e o ar ficava pesado ali dentro. Fiquei alguns minutos decidindo como eu iria abraçar o mais forte que eu pudesse, mas quando ele acelerou sua moto eu acabei o apertando pela cintura com uma força que eu nem sabia que tinha.
Eu nunca tinha andado de moto em toda a minha vida mas como disse antes, era uma sensação boa, o vento batia em meu rosto e eu me sentia livre e com uma vontade gigantesca de gritar e bem… Assim eu fiz. Eu gritei. Gritei como se estivesse em um show de rock ou como se a Inglaterra tivesse acabado de ganhar a Copa do Mundo. Vi pelo canto do olho me encarando pelo pequeno retrovisor e rindo. Oh meu Deus, ele acha que eu sou louca!
Não demoramos a chegar em meu prédio, estava certo quando disse que motos são mais ágeis que os carros.
— Esse foi o ponto alto do meu dia! — eu disse sorridente descendo da moto com uma pequena ajuda de . — Sério, eu amei andar de moto.
— Quem sabe não te levo mais vezes para andar de moto? Aí você pode gritar o quanto quiser. — ele riu e instantaneamente senti meu rosto queimar. — Relaxa, , não há por que ter vergonha.
— Hum, você… quer entrar? Eu posso fazer um chá, eu…
— Claro.
Passamos pelo porteiro, chegamos no hall e pegamos o elevador. Meu pequeno mas aconchegante apartamento ficava no sétimo andar, um fato que eu amava sobre ele, pois meu número da sorte é sete.
Peguei a chave que eu tinha guardado no bolso traseiro de meus short e abri a porta.
— Fique à vontade, . — eu disse assim que entramos. — Pode ficar aqui na sala ou ir pra cozinha, eu vou me trocar rapidinho.
Corri para meu quarto antes mesmo de ouvir uma resposta vinda dele. A roupa que antes estava em meu corpo agora se encontrava espalhada por todos os cantos do meu quarto. Decidi voltar a vestir meu pijama de unicórnios e minhas pantufas brancas, o mesmo traje que estava usando hoje à tarde. Voltei para a cozinha e arregalei os olhos surpresa quando vi em frente ao fogão.
— Vol... O que está fazendo?
— Esquentando a água para seu chá de Camomila. — ele sorriu. — De nada.
— Obrigada. — respondi. — Como sabia que eu só tomo chá de Camomila?
— Você é uma pessoa bem elétrica, , e julgar pelo seu comportamento enquanto andava de moto comigo e de como está vestida agora eu percebo o quanto você me fez lembrar minha irmã mais nova, Claire, hoje. — eu corei mais uma vez. Que maravilha! Eu o lembro sua irmã de nove anos. — Eu fazia chá de Camomila para ela todas as noites porque sem seu chá ela não conseguia pegar no sono, quando tocou no assunto chá lá embaixo, eu, bem…
— Obrigada. — eu o cortei. — Mas não quero minhas visitas cozinhando para mim.
— É apenas um chá. — fui até o fogão e dei um tapa na mão de . — Ok, eu já tô indo.
Ele acabou se sentando em um dos bancos que tínhamos junto da bancada da cozinha onde geralmente eu e tomamos café, enquanto eu estava sentada na pia da cozinha esperando a água ferver.
disse que você o odeia. — disse de repente, chamando minha atenção.
— Verdade. — respondi.
— Não entendo, vocês são tão parecidos, não deveriam viver nesse clima de ódio e guerra.
— Como você consegue ser melhor amigo de ? — eu perguntei.
— Engraçado você perguntar isso — ele riu. —, é uma história bem cômica apesar dos pesares. Você quer ouvir?
— Cômica, uh? Prossiga.

•••

era um cara muito engraçado e divertido, era legal estar ao seu lado. Depois de me contar a história catastrófica de como conheceu quando ambos tinham 8 anos de idade no Halloween e que brigaram a noite inteira por estarem vestindo a mesma fantasia de Skywalker, eu resolvi contar mais sobre mim e minha amizade com , o que puxou outro assunto, que puxou outro e aí desse um outro assunto surgiu e quando me dei conta já eram mais de meia-noite, o chá já havia quase acabado, mas a minha vontade de continuar ali, sentada na pia da cozinha dando risada de qualquer besteira que falasse. Esse cara era uma pessoa estranha, eu passei apenas uma noite com ele, mas já temos intimidade e conversamos como se nos conhecêssemos a vida inteira.
— Está tarde. — ele constatou. — Eu tenho coisas da minha transferência de faculdade para resolver e você tem aula, certo? — eu fiz uma careta e ele riu fraco. — Acho que vou indo.
— Você vai ir para a mesma faculdade que ? — perguntei e ele confirmou com a cabeça. — A mesma que a minha.
— Fiquei sabendo disso. Apesar de não parecer, é um stalker e contou a vida de sua amiga e a sua enquanto ia me buscar no aeroporto. — ele olhou seu celular e fez uma careta. — Meia-noite e dez, tenho que ir.
— É, tem. — me dei por vencida. Por mais que eu quisesse que ficasse e que continuássemos batendo papo como se fossemos velhos amigos e tomando litros e mais litros de chá, ele estava certo, amanhã eu tinha aula cedo e não poderia faltar. Droga!
Ri comigo mesma. Quem me visse agora, chateada por ter que ir embora nem imaginaria que no começo da noite eu estava decidida a odiá-lo assim como eu odeio seu melhor amigo. Parece que o jogo virou, não é mesmo?
Levei as duas canecas que usamos para tomar chá rapidamente para a pia enquanto ele se dirigia a porta.
— Então, bem… — eu comecei mas não soube terminar a frase.
— A gente se vê, certo? Da próxima vez te levo para andar de moto sem capacete, para você sentir os cabelos ao vento. — meus olhos brilharam com essa ideia fabulosa.
— Eu adoraria. — ele riu do meu entusiasmo.
— Tchau, .
— Tchau, .
E a porta foi fechada.
Passei alguns minutos escorada na mesma pensando o quanto eu estava sendo ridiculamente idiota de pensar na hipótese de andar de moto novamente quando duas batidas na porta me fizeram voltar à realidade.
— Sim? — perguntei assim que abri a porta novamente.
E o vi ali, escorado no batente da porta com o sorrisinho de lado.
— Eu esqueci de dizer uma coisa. — ele respondeu.
— Oh, diga então!
All I can say is it was enchanting to meet you. — ele deu um beijo em minha bochecha. — Agora sim, até mais.


CAPÍTULO 03 - SO WHY CAN’T YOU SEE?

Acordei com minha campainha, estava com uma dor insuportável no pescoço e percebi que havia desmaiado no sofá da sala. Minha campainha não parava de tocar de jeito nenhum, bufei irritada e abri a porta. Era .
— Cruzes, o que aconteceu com seu cabelo? — ela entrou em meu apartamento e se jogou no sofá.
— Eu dormi aí. — ela olhou para onde estava sentada e deu um grito.
— Ai que nojo, porra! Você transou no seu sofá e nem me avisou? Cadê o ?
? Como você sabe dele?
— Meu irmão é esquisito, você bem sabe, e quando ele está puto ele sonha e fala à noite. Eu já deveria saber que era por sua causa, e agora, você apenas confirmou.
— Ele estava bem bravo ontem, só não entendo o porquê. — olhou para o lado e ficou pensando. — Bom, vim aqui para te chamar pra conhecer suas… Ahm, err… Minha mãe. — ela sorriu sem graça.
Esses irmãos a cada dia que passa ficam mais estranhos.
Ela me puxou e ignorou meus gritos dizendo que eu tinha que me arrumar e adentramos em seu apartamento.
Estava impecável.
Nunca havia presenciado aquele lugar tão arrumado. Senti três pares de olhos em mim, olhei para o sofá e lá estava , sua mãe e a amiga dela, eu supus, os três me encaravam e eu sorri fraco, meio envergonhada. Onde estava o Sr. , afinal?
— Mãe, essa é a . — me apresentou, sua mãe levantou do sofá e me deu um grande abraço.
Ela era baixinha, tinha cabelos loiros volumosos na altura dos ombros, olhos lindos e um sorriso encantador, como o de .
— É um prazer te conhecer, . — ela era linda para uma senhora de aproximadamente cinquenta anos, deu para ver da onde os irmãos puxaram tanta beleza. — Meu nome é Mary Louise, mas pode me chamar de Mary Lou. E essa, — apontou para a outra mulher que estava no sofá. — É minha linda esposa, Nora.
Agora tudo faz sentido, não existe Sr. , e sim duas Sra. . Acho que meu choque foi tão grande que fiquei paralisada por alguns segundos.
— Olá. — a segunda mãe disse.
Ela era um senhora linda também, tinha os cabelos ruivos e bem curtos, era mais alta que a esposa e inacreditavelmente tinha o mesmo nariz e olhos de .
— Olá. — dei meu maior sorriso. — Vocês duas são lindas, é difícil saber de quem veio a beleza. — elas riram. — Com todo o respeito, Sras. , vocês são o casal de lésbicas mais lindo e badass de todos. Devem ter tido muita coragem para serem quem são hoje, acho que tenho que lhe dar os parabéns.
— Oh, querida, obrigada. — Mary Louise disse sorrindo e pude ver suas covinhas. Que senhora adorável.
— E sobre a beleza… Ela veio das duas. — Nora disse abraçando Mary Lou de lado. — Tivemos muita coragem, é verdade. Quando fizemos dezenove anos nos assumimos para os nossos pais como namoradas porque antes, para eles, éramos apenas melhores amigas, e isso foi um choque. Como sabíamos que isso iria acontecer, nós já tínhamos nos precavido, até porque, naquela época ser gay ou lésbica não era nada normal, era considerado errado até. Alugamos um apartamento pequeno no subúrbio de Bradford e fomos vivendo felizes até termos dinheiro suficiente para construir nossa tão sonhada casa em Londres. Quando completamos vinte e quatro, resolvemos que estava na hora de termos uma família, foi uma inseminação artificial gerado em Mary Lou, e feita em mim. — ela sorriu e eu sorri para eles.
Me sentei ao lado de e lhe abracei, era tão linda a história delas, nunca havia me contado essa parte de sua vida, e olha que somos vizinhos há mais de três anos, fiquei meio decepcionada com isso.
— Agora que já se conhecem, irei roubar porque eu realmente preciso conversar com ela. — ele deu um beijo em suas mães, acho que é assim que se fala, e me puxou para seu quarto, fechou a porta e me encarou.
— Como você veio embora ontem?
Eu poderia ter mentido para não criar confusão, poderia ter falado qualquer outra coisa, mas é meu amigo, esse ciúmes infantil de uma pessoa que eu nem conheço direito e nem nunca tive nada era insano.
me trouxe.
E então ele apenas concordou, sentou na cadeira em frente a sua escrivaninha e ficou mexendo em seus dedos.
— Me desculpe por nunca ter te contado essa parte da minha vida, é que a maioria das pessoas reagem tão mal a isso, sabe? E você sempre foi a parte mais… Alegre de tudo, se eu estivesse triste o dia inteiro a parte alegre sempre era quando você voltava da faculdade e ia me ver, tudo com você é alegria e curtição então nunca tivemos um momento sério para falar sobre um assunto tão sério como esse.
— Não acho que isso seja motivo de vergonha ou de tristeza, suas mães são maravilhosas, elas tiveram garra e coragem e aposto que criaram você e sua irmã com muito amor, como qualquer outro pai. Eu nunca vou te menosprezar por isso, meu amor.
Ele sorriu sem mostrar os dentes e sentou ao meu lado na cama.
— Por que você me chama de amor?
— Não posso?
— Só namorados se chamam de amor. — ele sorriu malicioso. — Só porque a gente já deu umas bitoquinhas já acha que esse corpinho aqui te pertence? Vai ter que lutar muito para isso, viu querida? — ele deu risada e me deitou na cama.
— Em minha defesa, eu não estou falando nada. — comecei a rir. — Te chamo de amor porque é meu jeito.
— Não vejo você chamando de amor.
— Mas eu o conheci ontem!
— Então quer dizer que futuramente vai chamar ele de amor? — ele me encarou bravo, e até bravo continua sendo lindo.
— Quem sabe o futuro, não é mesmo? — dei risada e ele me bateu com o travesseiro.
— Nunca chame de amor.
— Por quê? — indaguei.
— Porque ele nunca vai merecer esse apelido de você. É muito para ele.
— E para você não, né, ? — dei uma risada irônica.
— Eu sou diferente, sou o único que te conquista apenas com uma mordida no lábio inferior.
Fiquei calada pois sabia que ele estava certo, ele riu com o silêncio e olhou para o teto. E ficamos assim, lado a lado, ninguém falava nada, o olhava e ele parecia pensar, mas não imagino no quê.
falou que você é um galinha. — ele riu.
— É só meu jeito de lidar com a solidão.
— Para a solidão existe chocolate e Netflix, não rabo de saia.
— Na verdade, para a solidão existe pessoas para se apaixonar e namorar, mas quem eu me apaixono não me namora, sempre escolhe outros, então eu tenho que recorrer a um rabo de saia qualquer para me satisfazer por uma noite. — explicou.
— E quem era? Sua paixão? — perguntei curiosa.
! — ouvi gritar meu nome. — Venha ver Gossip Girl comigo, traga o imbecil do meu irmão com você.
— Salvo pelo gongo. — dei risada. — Vamos, antes que nos mate.
Ele concordou e levantou da cama, pegando na minha mão, e por um momento, comparei como era dar a mão para e como era dar a mão para . E quem eu mais gostei preferi guardar só para mim.

•••


Já que havia perdido o horário da faculdade e por algum milagre estava em casa, eu decidi passar a tarde no apartamento dos assistindo Gossip Girl.
Nós três estávamos jogados no grande sofá da sala, a coberta da Pucca nos cobria e segurava um grande balde de pipoca. Mas, em alguns momentos, eu sentia a mão de deslizar por minhas coxas e a retirava dali rapidinho. Ah, qual é? As mães dele estão logo ali, no cômodo ao lado, isso, no mínimo, era desconfortável.
— Para já com isso! — sussurrei para meu amigo que apenas mordeu o lábio inferior para me provocar.
— Parem de tentar se comer se eu ver e prestem atenção aqui! Chuck Bass não é o namorado dos sonhos? — a mais nova comentou.
— Por que você sempre acha que estamos flertando e querendo nos comer? — perguntou em um tom divertido.
— Porque é sempre o que vocês estão tentando fazer, ué. — disse como se fosse óbvio. — Mesmo vocês negando, em qualquer dia desses aí, em algum momento dessa vida mansa que você leva, maninho, você vai se apaixonar pela , e aí meu querido, você está ferrado. Porque, convenhamos, ela é muita areia pro seu caminhãozinho.
Eu estava meio em choque com a fala de , mas ri fraco para não demonstrar isso. Esse negócio todo é muito estranho, eu acho que nunca pensei na possibilidade de eu e sermos um casal, ele é muito meu amigo para fazer uma coisa dessas, certo?
— Hm, acho que já vou indo para casa. — disse me levantando.
— NÃO! — eles disseram juntos e seguraram meus braços para que eu ficasse.
— SIM! Eu tenho que ir.
Mary Lou saiu da pequena cozinha e apareceu na sala, ela tinha um pano de prato em mãos e um grande sorriso no rosto. O mesmo sorriso maravilhoso que eu amava em .
— Onde pensa que vai, dona ? — perguntou.
— Eu realmente tenho que ir para casa, Mary Lou. — respondi.
— Almoce conosco. — pediu.
— Nora fez o macarrão imperial, o favorito dos meninos, fique conosco. — ela insistiu.
Nora apareceu na sala, ela tinha um avental branco amarrado na cintura e a longa franja ruiva presa por uma tiara preta.
— Só a deixo ir embora se prometer vir jantar conosco hoje à noite. — Nora disse.
— Posso trazer a ?
? — Mary Lou perguntou confusa.
— Minha macaquinha de estimação. — respondi brincando e rolou os olhos.
— Nossa outra amiga que mora com aqui em frente. — explicou. — Se chamar a tem que chamar o namorado dela, o .
— Eu não vejo problemas em ter mais convidados! Adoro cozinhar para várias pessoas. — Nora responde animada. — Quanto mais, melhor!
— Então guarde meu lugar na mesa! — eu brinquei.
— Já está reservado, minha querida. — Mary Louise gargalhou.
— Vou levá-la até a porta. — se ofereceu e me guiou até a porta.
Demos uma pequena caminhada da sala até a porta de entrada, o mais velho a abriu para mim.
— Que cavalheiro. — brinquei e ele deu uma risada nasalada.
A porta se fechou atrás de nós e ele se escorou na parede do corredor.
— Você vem mesmo hoje à noite?
— Claro que venho! Eu, e o traste do seu namorado. — fiz uma careta.
— Já desisto de tentar entender por que vocês dois se odeiam. — comentou e apenas dei de ombros. — Então…

Oh I’m a mess right now
Inside out

Era meu celular. O visor brilhava número desconhecido.
Eu e nos olhamos curiosos antes de eu finalmente atender.
— Hm, alô?
Olá, .
? Oi? Como conseguiu meu telefone? — indaguei.
cruzou os braços e revirou os olhos ao ouvir o nome do outro rapaz. Juro que não estou entendendo da onde vem esse ciúmes todo.
— Digamos que eu passei a tarde com e sua melhor amiga e digamos que o assunto dessa tarde foi você.
— Mas o quê… — sussurrei mais para mim do que para ele.
quer mesmo que eu e você sejamos... Bem… — eu ouvi sua risadinha abafada. mais íntimos.
— Era o que me faltava! — eu bufei. — Mas por que você me ligou mesmo, ?
— Que tal tomarmos um sorvete? — ele sugeriu. Eu estava pronta para responder “não, obrigada”, quando ele completou. — Mas isso não é considerado um encontro já que você somos só amigos.
— Somos amigos? — perguntei surpresa.
Eu achava que sim. — ele riu. — Mas já que você diz que não somos... — foi minha vez de rir. — , escute, é apenas um sorvete. Não é como se eu fosse tentar te agarrar como certamente quer que eu faça.
— Hm, sei.
É sério! — ele gargalhou, o que me fez rir. — Você é uma pessoa legal, uma pessoa com quem eu quero ter amizade e eu juro que é apenas isso que eu quero, amizade.
Dei um sorriso de lado e ri.
— Você me busca em vinte minutos.
Desliguei meu telefone e comecei a rir sozinha. é um cara legal, um cara muito lindo e charmoso com quem eu certamente ficaria se já não tivesse enchido tanto o meu saco com esse assunto, mas por alguma razão eu queria ser amiga dele também.
— Aonde você vai com ele?
— Ele me chamou para ir na sorveteria, e você sabe muito bem que eu nunca recuso um sorvete. — ele bufou. — Ah, qual é, , por que está tão bravinho assim? é um cara bem legal e não é como se eu fosse te trocar ou algo do tipo. — eu caminhei até ele e o abracei. — Você é insubstituível, amor.
— Hm, sei. — ele fez um biquinho e ficou com a cara amarrada.
— Você sabe que é o meu único amor, eu te amo. Agora beijinhos no seu coração e tchau, porque tenho que ir me trocar.
não disse mais nada e eu saí saltitante até meu apartamento no final do corredor.
Entrei e fui correndo para meu quarto, estaria aqui em vinte minutos e eu precisava escolher uma roupa bonita mas não muito glamourosa, uma coisa despojada mas não tão relaxada… Argh! Por que estou tendo dificuldades em me vestir justo agora?

Acho que demorei mais do que o necessário para escolher a roupa que eu usaria neste encontro, digo, nessa saída entre amigos (?) Urgh, eu só estou me complicando cada vez mais.
Optei por usar uma blusa preta onde se lia “I PREFER THE DRUMMER” e um macacão jeans vermelho, e claro, meus inseparáveis tênis All Star preto de cano alto. Decidi deixar meu cabelo solto e coloquei uma tiara preta para prender minha franja, não abusei da maquiagem, só uma base, máscara de cílios e nos lábios só passei minha lip balm de menta. Um fato curioso sobre mim e é que somos completamente viciadas em lip balm e adoramos comprar essas bolinhas coloridas, temos quase de todas as cores já.
Meu celular vibrou e pude ler em sua tela que era uma mensagem de “Desce logo xx”. Dei uma última arrumada no cabelo e desci.
A moto preta de estava parada rente a calçada e ele se encontrava parado ao lado, o celular na mão e um sorrisinho de lado. Bonito. Mas apenas meu amigo, eu pensava.
usava uma calça skinny preta e uma camisa xadrez bastante larga, mas que mesmo assim ficava bonita em seu corpo, os cabelos bagunçados propositalmente e seus tênis pretos. É, dessa vez haviam acertado no pretendente, mas infelizmente eu não quero um relacionamento, eu ainda acho que não estou pronta para amar de novo. O meu último namoro foi um completo desastre, éramos dois adolescentes inconsequentes, que tinham hormônios a flor da pele e se amavam intensamente e isso é a receita perfeita para um relacionamento caótico. Esse foi o meu primeiro e último relacionamento “sério”, eu ainda não estou pronta para me envolver com alguém novamente.
— Boa tarde, .
— Boa tarde, .
— Outch! — ele disse fazendo careta e colocando a mão no coração como se estivesse ferido.
— O quê? O que houve? — perguntei.
I prefer the drummer? Acho que perdi pontos com você. — ele brincou.
— Mas… Hã? — perguntei totalmente confusa.
— Eu toco guitarra, mas você prefere o baterista.
Comecei a gargalhar.
— Está flertando comigo, amigo? — arqueei as sobrancelhas.
— Longe disso, minha amiga. — ele piscou em minha direção. — Pronta para dar uns gritos?
Eu revirei os olhos e subi em sua moto, apertando sua cintura com força.
— Se formos parados pela polícia por não usar o capacete a culpa será sua. — eu alertei e ele riu dando partida no motor.
O vento batia com força em meus cabelos e eu mal podia abrir os olhos, eu ria descontroladamente e conseguia ouvir a risada de também.
— TÁ GOSTANDO? — gritou para mim.
— ISSO É MUITO BOM.
E realmente era. A adrenalina, o vento balançando o meu cabelo, até o fato de eu não conseguir abrir os olhos era bom. A única coisa ruim era que toda coisa boa chegava ao fim muito rápido, eu nem vi o tempo passar, mas quando percebi, já estava estacionando sua moto em frente à sorveteria.
Tentei descer da moto sem cair, mas meus pés mal chegavam ao chão, então estendeu sua mão para que eu me apoiasse.
— Acho melhor arrumar seu cabelo.
Peguei meu celular e vi pelo aplicativo da câmera que meu cabelo parecia mais uma juba de leão, completamente desgrenhado e cheios de nó. Maldito vento!
— Isso é tudo culpa do vento. — falei emburrada e ele riu, colocando seu braço ao redor de minha cintura e me guiando para dentro do estabelecimento.
Eu nem prestei atenção no nome da sorveteria, mas percebi que por dentro ela era totalmente colorida. Tinha as paredes amarelas gemas, mesas e cadeiras espalhadas por toda a parte e de todas as cores, o grande balcão era roxo e a tabela de preços era verde. Ali era tudo muito colorido e animado, eu gostei disso.
Decidimos nos sentar em uma mesa mais afastada e sentamos um de frente para o outro.
— Obrigada por me levar para tomar sorvete.
— Obrigado por aceitar meu convite. — ele sorriu sem mostrar os dentes. — Mas então, o que vai querer tomar?
— Hmmm… Você me chamaria de gorda se eu pedisse uma banana split com cobertura de caramelo e muito chantilly? — perguntei, mordendo o lábio inferior.
— Claro que não, aliás, acho que vou pedir o mesmo. — ele se levantou. — Espera aqui que eu vou lá pedir.
Eu concordei e enquanto esperava, decidi mexer no celular. Estava jogando candy crush, sim, é um jogo muito ruim, mas completamente viciante. O celular vibra e eu vejo que é mais uma mensagem de Alyssa.

Estou indo pra aí agora! Quem mandou você faltar?? Me espere com chocolate quente e pipoca!
XxxA.

Ah, não! Alyssa estava indo para minha casa, mas não tem ninguém lá. Digitei rapidamente a mensagem.

Desculpa, amiga, mas agora não vai dar! Não estou em casa. Eu acordei atrasada, desculpa!! Marcamos outra hora?
xoxo, .

NÃO ACREDITO QUE VOCÊ NÃO ESTÁ EM CASA, TÁ NA RUA VAGABUNDANDO, NÉ? Aff, ! Te ligando em 3,2…
XxxA.

Mal consegui ler sua mensagem, meu celular começou a tocar e o nome Alyssa SZ brilhava no visor.
— Oi, amiga.
Oi nada, onde você está? — perguntou em um tom autoritário.
— Eu saí, estou na sorveteria com . — lhe respondi quase que em um sussurro.
? Hã? , quem é ? — ela perguntou animada. — Não acredito que você está de peguete novo e não me falou NADA! Super chateada! — eu dei risada. — Me conta tudo, como ele é? Me manda uma foto, qual a cor dos olhos dele?
— Alyssa, Alyssa, Alyssa! — quase gritei pelo telefone. — Se acalma mulher! não é meu novo peguete, longe disso! É só um amigo, não tem o porquê de ficar toda animada. Somos só amigos.
Nossa, até broxei agora. Enfim, quando você irá voltar? A gente tem que marcar de discutir sobre o trabalho e eu aproveito para conhecer esse seu amigo .
— Você não existe, Alyssa! — ri. — Quando eu voltar te mando uma mensagem.
Ok, ficarei esperando. Beijinhos.
Desliguei bem na hora que voltava para a mesa carregando duas bananas splits com cobertura de caramelo e muito chantilly e um sorriso no rosto. Parece que ele sempre estava sorrindo. Eu não me importava, eu gosto de seu sorriso.
— Aqui está!
— Obrigada.
— Então, com quem estava falando esse tempo todo no telefone? ? — me perguntou.
— Ah, não. Era só com a Alyssa, uma amiga minha da faculdade.
— Legal. Quando eu vou conhecê-la?
— Na faculdade, eu espero.
Comecei a comer meu sorvete e sorri involuntariamente, estava muito bom. Um outro fato sobre mim é que sou completamente viciada em sorvete, eu tomo sempre que posso, de todos os sabores e cores, seja no calor escaldante ou num frio congelante, se eu puder comer sorvete eu vou estar comendo.
— Hm, que tal fazermos um jogo? — ele propôs de boca cheia.
Eu arqueei a sobrancelha intrigada.
— Jogo? Que tipo de jogo?
— Você me faz perguntas e eu respondo, eu te faço perguntas e você responde. E não podemos deixar de respondê-las não importa qual seja. — explicou.
— Hmmm, interessante. — respondi. — Ok, vamos lá, você começa.
— Tá, mas deixe-me pensar… Qual sua cor favorita?
— Fácil! Verde. — respondi colocando na boca uma colherada de sorvete. — Que time você torce?
— Chelsea. — eu ria nasalado. — O que foi? Qual o motivo da risada?
— Seu time.
— O que tem de tão engraçado no meu time? — dei de ombros. — Qual é o seu time?
— O melhor do mundo, Barcelona, é claro.
— Inglesa que torce para time espanhol, que inusitado! — ele observa.
— Inglesa com descendência espanhola que ama futebol por conta de seu pai, um torcedor espanhol fanático pelo Barcelona. — expliquei.
— Não sabia que seu pai era espanhol.
, você não sabe quase nada sobre mim. — eu ri.
— Mas eu quero descobrir, por isso estamos jogando esse jogo, entendeu? — eu assenti. — E onde ele está agora? Digo, seu pai?
Meu sorriso se fechou e eu pousei minha colher no prato.
— Morto. Acidente de avião. — fui seca na resposta.
… Me desculpa, sério. Eu não…
— Sabia. — completei sua frase. — Tudo bem, , de verdade.
— Ah, , estou me sentindo mal agora. — eu sorri para ele. era fofo.
— Come sorvete que passa. Minha vez de perguntar, certo? — ele assentiu. — Qual sua banda favorita?
— Provavelmente Pearl Jam. E a sua?
— McFLY. — ele começou a rir. — EI! O que tem de errado com a minha banda?
— McFLY é banda de menininha.
— Eu sou uma menininha, tá? — cruzei os braços.
— Sei que é. — ele riu e me deu um beijo estalado na bochecha, me pegando de surpresa.
— Você já namorou antes? Quantas vezes? Há quanto tempo foi seu último relacionamento, quanto tempo eles duraram? — foram várias perguntas, uma atrás da outra.
— WOW! Tão interessada assim nas minhas exs? — perguntou e eu revirei os olhos. — Sim, eu já namorei antes, foram duas vezes, foi a cerca de seis meses, eles nunca passaram de um ano.
Eu fiquei em silêncio.
— E os seus?
O que eu temia aconteceu. Ele perguntou sobre meus relacionamentos passados, quer dizer, meu único relacionamento passado.
— Eer… Eu… Só tive um. Foi há muito tempo atrás. Durou cerca de dois anos e acabou já faz mais de três anos. — respondi desconfortável, percebeu isso.
— Desculpe pelas perguntas inoportunas.
, relaxa. — eu sorri sem mostrar os dentes. — Minha vez de novo. Comida favorita?
— Pizza, mas é claro. A sua?
— A minha também.
— Olha só, nossas comidas preferidas são a mesma, acho que isso é o destino querendo nos dizer algo. — ele arqueia a sobrancelha se insinuando e eu dou risada.
— Claro que é, isso é o destino querendo dizer que pizza é a melhor comida do mundo. — nós rimos e ele deu um soco de leve no meu ombro.
A cada minuto que passávamos conversando e rindo eu sentia que fazia cada vez mais parte do meu ciclo de amigos. Se queria que eu e ele fossemos mais íntimos, acho que ela realmente está conseguindo porque acho que achei o meu mais novo melhor amigo, mesmo que eu não saiba em qual categoria de BFF devo colocá-lo.

•••


Nós já havíamos terminado de tomar nossos sorvetes, mas continuamos conversando por mais algum tempo, por conta desse jogo maluco que inventou eu realmente pude conhecer mais sobre ele, o que me deixou contente, ele era uma pessoa tão legal e divertida, com quem eu gostaria de passar meu tempo mais vezes. Sei que pode parecer um pouco precipitado, mas enquanto ele pagava a conta eu fiquei pensando em qual categoria de melhor amigo eu vou encaixá-lo.
Meu celular vibrou no bolso do meu macacão. A mensagem de Alyssa brilhava na tela.

Pizza na casa dos seus vizinhos? e chamaram a mim e . Te encontramos lá. Não deixe de chamar ;)
Te vejo em 20min.
XxxA.

Bloqueei meu celular e o enfiei no bolso novamente. caminhava em minha direção de novo quando eu decidi levantar da mesa.
— Vamos? — ele perguntou e eu concordei com a cabeça.
Andamos lado a lado na calçada até chegar onde a moto estava estacionada.
— Espero que amanhã eu te encontre na faculdade. — ele disse. — Espero que conheça sua amiga Alyssa também.
— Acho que você vai conhecê-la bem antes do que espera. — eu ri da sua cara de confuso. — Vem, me ajude a subir nessa joça e eu te explico enquanto estivermos indo para meu apartamento.
— Ei, não chame minha motocicleta de joça. — exclamou .
Em menos de 72 horas, já tinha se tornado meu amigo, um amigo com quem eu podia ser íntima.
estacionou sua moto em frente ao meu prédio e tive que pedir sua ajuda para descer da motocicleta.
— Para de rir da minha cara! — falei em um tom sério.
— A despedida é um doce sofrimento. — falou ele dramaticamente me fazendo gargalhar. — Ei, não ria. Isso é romântico, sabia? William Shakespeare escreveu isso em Romeu e Julieta.
— Não, isso foi dito no filme Gnomeu e Julieta, uma animação para crianças, pelo amor de Deus, ! — rimos.
— Minha irmã gostava muito desse filme quando era mais nova. — defendeu-se. — Agora sério, tchau.
— Hm, acho que não tão cedo, queridinho.
— Oi?
Ele fez cara de confuso, eu não lhe disse nada, apenas o puxei pelo pulso para dentro do meu prédio.
Até chegarmos no sétimo andar, ficou me enchendo de perguntas e eu resolvi que não responderia nenhuma até chegarmos em meu apartamento primeiro, pois antes de ir nos eu precisava me trocar.
— Venha, entra logo!
— O que estamos fazendo aqui? — perguntou ele me seguindo pelo apartamento.
— Nós vamos comer nos .
— Nós?
— No caso, eu, você, , , e Alyssa vamos ir jantar com , e suas mães que estão aqui essa semana. — gritei para ele enquanto revirava minha gaveta atrás de uma roupa decente.
— Ah, tá… , aquele que não vai com a minha cara. — ouvi ele resmungar.
— Não leve para o pessoal , só está com aquele estúpido ciúmes de amigo, acha que vou o trocar por você. — respondi.
— E, me desculpe, mas você disse… Mães?
— Isso mesmo que você ouviu. Meus amigos têm duas mães e eu, do fundo do meu coração, espero que você não tenha nenhum problema com isso. — disse séria.
riu.
— Não vou ter problema nenhum. Aliás, já tive o prazer de mencionar que tenho dois pais? — eu sorri ao ver seus olhos brilhantes me encarando.
Abri um grande sorriso. Esse garoto era uma caixinha de surpresas, e eu gostava disso.
— Não me diga!
— Agora vamos, você não precisa se trocar, já está maravilhosa do jeitinho que está. — ele disse me puxando pelo braço assim como eu tinha feito com ele a alguns minutos atrás. — Qual o número do apartamento deles?
— 73.
tocou a campainha dos , ele ainda segurava minha mão quando Mary Louise abriu a porta com um sorriso de orelha a orelha.
— Finalmente, dona !
— Desculpe o atraso, Mary. — disse lhe dando um grande abraço.
— Olá, namorado da , eu sou Mary Lou, mãe do . — a senhora disse dando um beijo nas bochechas rosadas de .
— Prazer, eu sou o e... — dizia meio acanhado.
— Não é o namorado dela. — ouvi a voz de ao fundo.
— É, somos só amigos.
Eu fui para a sala e puxei comigo. , e estavam sentados no sofá conversando, Nora estava da cozinha com , eles devem estar se divertindo muito pois dava para ouvir suas gargalhadas do corredor do prédio.
— Onde está Alyssa? — cochichou para mim.
— No banheiro, quem sabe. — sussurrei de volta. — Vem, vamos até a cozinha! Quero que você conheça o .
Adentramos na pequena cozinha do apartamento e lá estava Nora e rindo e se divertindo enquanto as pizzas douravam no forno.
— Uh, olá. — disse quando percebeu nossa presença.
. — sorri abertamente enquanto o abraçava e sentia seu delicioso perfume, era sem sombra de dúvidas o meu amigo mais cheiroso.
. E de namorado novo? — ele perguntou em um tom brincalhão enquanto encarava , que tinha as mãos nos bolsos e um sorriso sem graça no rosto.
. Somos amigos.
— Tudo começa na amizade. — riu da cara de repreensão que eu lhe lancei.
Nora gargalhou no mesmo instante, ela tinha luvas de cozinha nas mãos e sustentava um sorriso simpático nos lábios.
! Já estava achando que não iria vir.
— Mas é claro que iria vir, Nora. — eu sorri em sua direção. — Não iria perder por nada.
— E você trouxe mais convidados. — ela bateu palminhas, animada. — Adoro cozinhar para um bando de adolescentes famintos.
Não tinha ironia em seu tom de voz, e eu, e rimos.
— Sei que gosta. — ouvi a voz de e virei-me para encará-lo. — Alyssa está te chamando, .
Assenti e lhe dei um beijo na bochecha quando passei por ele na cozinha.
Alyssa estava sentada na poltrona de frente com a TV e teclava no celular rapidamente.
Sorri de lado quando me aproximei dela.
! — ela exclamou vindo me dar um abraço. — Sua desgraçada! Não podia faltar na faculdade hoje. Eu e tivemos que avançar no seminário da fanfic sem você. — ela deu a língua. — Aliás, onde está o bonitão?
— Bonitão? — eu dei uma gargalhada. — Está se referindo ao ?
— Eu também atendo por bonitão, se quiser.
Olhei para trás surpresa quando ouvi a voz de . Ele tinha aquele sorriso encantador nos lábios e eu sorri instantaneamente com isso.
Passou o braço por cima de meus ombros e me trouxe para mais perto dele enquanto ria e Alyssa nos olhava com aquele típico olhar malicioso que só Alyssa McCurdy tem.
— Será que pode atender por cunhado favorito da Alyssa também?
— EI! — foi a vez de se intrometer na conversa. — Achei que seu cunhado favorito fosse eu.
— Mudanças de planos, bebê. — Alyssa deu de ombros.
— Por que a surpresa, ? — eu disse. — Você só era o favorito antes porque não tinha concorrência. Mas te garanto, assim que eu e começarmos a namorar, você cai pra último lugar.
Ele bufou irritado e eu sorri vitoriosa.
— Você é um saco, . — ele resmungou. — Não sei como e te aguentam.
— Eles me amam.
— Tá vendo, ? Olha só com o que você vai ter que lidar. , além de chata e irritante, é convencida. — comentou e fez gargalhar.
— Não estou gostando dessa conversa. — chegou na sala de braços cruzados e com um bico de emburrado.
Eu ri e fui para perto, mordendo sua bochecha esquerda.
nunca foi de ter ciúmes, mas desde a chegada de , as coisas pareciam ter mudado drasticamente e eu só não conseguia entender por quê.
Sentei no sofá de três lugares junto de e , enquanto Alyssa estava na poltrona com .
Foquei em sozinha no sofá de dois lugares e também vi seu sorriso aberto quando ela viu se aproximando e sentando-se ao seu lado. Ela se assustou quando viu que eu a encarava com um sorriso travesso.
e ? Tá aí algo que eu nunca imaginei, mas pelo sorriso de , vi que era algo que ela já imaginava.
— Crianças? — Nora apareceu na sala. — Vamos comer?

•••


Todos nós nos sentamos na grande mesa de vidro que os tinham, as pizzas que Nora fez estavam simplesmente maravilhosas e deliciosas.
Mary Lou contou um pouco mais sobre como foi emocionante o parto de e como se casaram há quatro anos quando o casamento homossexual foi finalmente liberado nos Estados Unidos, que é onde as duas moram. E contou também que adorava fazer visitas surpresas aos seus dois filhos, como essa.
também foi o assunto, contou como estava animado para começar o curso de Letras e também contou com orgulho a história dos pais, falando que nasceu sim de uma barriga de aluguel, os outros dois irmãos, Hunter e Claire vieram da adoção alguns anos depois.
estava sentado na minha frente e a cada palavra que dizia, ele revirava os olhos, ou bufava, ou me lançava olhares de tédio. E isso estava me deixando irritada.
Porra, era difícil tentar manter o lugar agradável?
— Que lindo, . — ironizou. — Podemos mudar de assunto ou você ainda quer ser o centro das atenções?
! — Nora ralhou.
— Nah, eu passo a vez pra você agora, . Desculpe roubar seus holofotes. — respondeu na maior calma do mundo antes de virar para o lado e lançar uma piscadela para mim. Eu sorri sem mostrar os dentes em resposta. bufou.
— Estava tudo delicioso, Nora. — quebrou o clima tenso. — Pode me chamar sempre! Eu estou disposto a comer tudo o que a senhora fizer.
Olhei para e e começamos a rir na mesma hora, tínhamos entendido o duplo sentido da frase. Olhei pra que brincava com a borda da pizza em seu prato tentando disfarçar, muito mal por sinal, a vermelhidão de seu rosto.
— O que eu perdi? — Nora perguntou, fazendo com que começasse a tomar uma cor mais rosada também.
Deixamos o assunto morrer ali, mas lancei um olhar de vamos conversar depois para .
— Mary Louise, Nora. — disse se levantando. — Estava tudo maravilhoso, mas temos que ir pra casa.
— Mas já? — Mary Lou disse com uma voz triste.
— Amanhã temos faculdade. — eu disse me levantando também.
Tinha esquecido dessa parte. A faculdade. Já tinha faltado hoje e não podia faltar novamente, senão Alyssa iria me matar.
e ela se levantaram junto de concordando com a ideia de ir embora.
— Ai, vocês todos fazem faculdade. — Nora disse. — Tá vendo, senhor ? Se espelhe em seus amigos e faça uma faculdade, pelo amor de Deus!
— Mamãe…
— É verdade. Você é um vagabundo. — cutucou.
— Cala a boca, !
— Bom, estamos indo. — falou. — Obrigada por tudo Nora, Mary Lou. Nos vemos em breve.
— Até logo, meus queridos, nos vemos em breve. — elas sorriram em nossa direção.
— E-eu… Eu levo vocês até a porta. — disse meio envergonhada, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e caminhou conosco até a porta, bem ao lado de .
soltou mais uma risadinha ao ver os dois juntos.
abriu a porta e todos nós nos despedimos.
demorou mais no beijo que deu na bochecha dela do que deveria, causando mais risos.
— Querem parar de rir toda vez que eu chego perto da garota? — virou com cara de bravo para nós cinco.
— Quando sai o beijo? — perguntou.
, fica na sua. — resmungou.
Ela fechou a porta em um baque e continuamos a rir.
— Vocês são um bando de filhas da puta.— murmurou.
— Então quer dizer que você realmente gosta da garota? — perguntou arqueando as sobrancelhas.
, posso mandar seu futuro namorado se foder?
— Cala a boca, ! — eu disse já sentindo minhas bochechas ficarem vermelhas.
— Bom, temos que ir. — Alyssa disse já apertando o botão do elevador. — Até mais , , . E , vejo você amanhã nas aulas, hein?
— Pode deixar. — bati continência.
Eles se foram e abriu a porta do nosso apartamento.
Nós entramos e estreitei os olhos quando vi se jogando no sofá da minha sala.
vai dormir aqui hoje. — ela falou simplesmente enquanto tirava as pernas do namorado de cima do sofá para se sentar.
— Pelo visto, minha noite vai ser um inferno. — eu resmunguei. — Tenta gemer baixo dessa vez, !
Marie Coslow ! — usou meu nome completo para me repreender. riu. — Quer dormir aqui também, ?
A pergunta da minha melhor amiga pegou tanto , quanto eu de surpresa. só podia ter ficado louca. Ele dormir aqui? Mas já? Não! Ela não estava fazendo isso. Ugh! Quando encasqueta com alguma coisa ela não desiste tão facilmente. E acho que fazer de mim e um casal era a coisa com qual ela havia encasquetado o momento.
— Não seria má ideia. — ele riu fraco. — Mas não tenho roupas aqui, e realmente tenho que voltar pro meu apartamento novo, acabar de arrumar as coisas e tal…
Suspirei aliviada quando ele negou.
— Uma pena. — ela respondeu. — Bom, da próxima vez que vier aqui, não se esqueça de trazer algumas roupas… Vai que…
— Obrigada pelo convite, . — agradeceu rindo e se virou para mim. — Abre a porta pra mim, ?
Concordei com a cabeça e fomos até o corredor.
— Até amanhã na faculdade, então.
— Até. Obrigada por hoje, do sorvete até as pizzas. — ele disse. — Me diverti demais com você.
— Eu que agradeço, .
Ficamos alguns segundos em silêncio apenas encarando o olhar um do outro, e por um momento, achei que poderia ficar nessa posição por mais mil anos se eu pudesse continuar analisando seus belos olhos .
— Tchau, .
— Tchau, .
Ele me deu um beijo demorado na bochecha, assim como havia feito com há pouco tempo.
E assim que as portas do elevador fecharam, coloquei os dedos sobre minha pele, onde seus lábios estavam, e ela formigava.
Antes de abrir a porta do meu apartamento novamente, ouvi um barulho e vi parado no final do corredor.
.
Bufei de braços cruzados enquanto ele caminhava em minha direção.
— O que é?
— Vai me tratar assim agora, é? Só porque achou alguém supostamente melhor que eu? — ele indagou.
— Do que você está falando, ? Você não precisa tratar desse jeito infantil. Ele não é meu melhor amigo, você é.
, às vezes acho que você é burra. Por que você não consegue ver? — ele resmungou e eu me senti ofendida. Burra? Ele só pode estar de brincadeira comigo.
— Quer saber, ? Vai se foder! Você trata meu amigo desse jeito durante a noite inteira e ainda vem aqui me xingar? Dá um tempo! Vê se cresce. — eu disparei.
— Eu não quero você perto de desse jeito. — ele estava chegando cada vez mais perto e usando um tom muito sério para ser . Eu nunca tinha o visto assim antes.
— Quê? — eu ri sarcástica. — Quem é você pra mandar em mim desse jeito, uh? Quem você pensa que é pra me dizer com quem ou não devo estar?
— O cara que te proporciona as melhores transas e os melhores beijos. — sussurrou.
E o que aconteceu depois eu nem tive chance de raciocinar direito.
agarrou meus cabelos em um bolo antes de puxar minha nuca para mais perto e colar nossos lábios em um ato de total desespero. Sua outra mão enlaçou minha cintura enquanto eu espalmava as minhas duas em seu peitoral.
Merda! Eu não podia estar fazendo isso. Eu nem ao menos estava bêbada.
Arregalei os olhos em seguida, finalmente percebendo a burrada que estava fazendo, e empurrei-o para longe.
Com a boca vermelha e ofegante, olhava para mim com aquele olhar cafajeste que eu odiava, e em um movimento sem pensar, lhe dei um tapa no rosto.
— MAS O QUÊ?
— Nunca mais faça isso! — eu disse quase que sem ar.
Virei-me e tranquei a porta com tudo atrás de mim. Encostei nela e suspirei, arrumando meus cabelos.
Que merda foi essa?




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Ai, nossa, que att foi essa?! Amei! Apesar do segundo pp estar se mostrando bem idiota nesse capítulo, ainda torço por ele. 😍 #TeamPP2


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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