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Última atualização: 11/07/2017

Capítulo 1.


"Senhorita ? Aqui é do hospital Mount Sinai... Precisamos que a senhora venha até aqui o mais rápido possível... ouviu enquanto ainda se ajeitava de súbito na cama, coçando os olhos rapidamente. – Senhorita , seu pai... Seu pai faleceu".


costumava pensar que, quando alguém próximo a você se vai, isso causa um tipo de pressentimento; a mudança do clima, sensações esquisitas no corpo, ou até mesmo um sonho. Mas naquele dia, ela nem por um segundo desconfiou o que viria a seguir, quando atendeu seu celular às cinco da manhã de uma terça feira.
Sem conseguir entender direito (ou não aceitar) o que tinha acontecido, a menina dirigiu para o hospital central de Manhattan, notando o céu azul e o dia incrivelmente ensolarado que estava surgindo pelo caminho que ela fazia; era o primeiro dia ensolarado daquele mês, não havia uma nuvem no céu, embora o tempo ainda estivesse um tanto gelado. Alternando seu olhar para aquilo, e a estrada, foi pensando o tempo todo num detalhe da vida tão óbvio, que só havia ficado claro pra ela naquele momento, que sentia o peito apertado, mas não chorava, que mesmo olhando pra um céu tão bonito, o dia não parecia ser mais dia, só soava como um pesadelo lúcido. Notou que por mais óbvio que seja, e a única certeza que temos na vida, a realidade é que nunca estamos preparados pra perder alguém. Mesmo que isso seja esperado, mesmo que haja probabilidades, um diagnóstico. Pra isso, ninguém nunca vai estar preparado.

mal teve tempo de sofrer a dor de imediato. Com a correria, os tramites, a pior parte, que foi o reconhecimento do corpo, e os preparativos para o funeral, ela só teve tempo pra realmente respirar, quatro horas depois de dada a morte do seu pai.
Foi o momento em que se sentou em um banco de uma praça perto do hospital, respirando todo o ar que conseguiu naquele momento, oxigenando sua mente. Assim que o fez o peso foi instantâneo e ainda maior do que estava, fora como um chute em seu corpo, ela sentiu-se pesada, mas ao mesmo tempo mole. não queria sentir aquela dor, embora aquilo se tratasse do seu pai, se ela perdesse o controle, não teria ninguém pra ajudá-la. Ela estava literalmente sozinha naquele momento. Foi quando sua cabeça girou de leve, a fazendo apoiar os cotovelos no joelho, afundando a cabeça nas mãos. A garota ficou assim por pelo menos um minuto, até decidir finalmente ligar para , seu irmão.
Ela tirou o celular da bolsa discando o número do menino rapidamente, voltando na mesma posição, apoiada nos joelhos. Fechou os olhos forçadamente para tentar reprimir as lagrimas, no entanto sentia os olhos arderem mesmo assim, e deduzia que eles estivessem avermelhados por isso.

- Oito horas da manhã, irmãzinha? – Ouviu uma voz sonolenta, mas ainda sim brincalhona. Não falava com há algumas semanas, desde que ele havia iniciado o processo de divulgação do novo álbum dele; ao lembrar-se daquilo, sentiu ainda mais vontade de chorar. – ? – Ele voltou a chamá-la, agora um pouco mais sério. –
- Eu estou aqui... – Respirou fundo, conseguiu ouvir a respiração trêmula da irmã.
- Você está bêbada? – Brincou. – Porque se estiver, eu não posso te ajudar de tão...
- , o papai morreu. – disse rápida, numa respirada só, travando o ar logo depois de dizer aquilo. –
- O-oquê? – o garoto gaguejou, agora sentando-se na cama. –
- Eu não consigo... – murmurou abanando a cabeça de um lado para o outro, ainda com os olhos fechados. – , eu estou sozinha. Eu não consigo respirar. – Após isso a menina soltou um choro alto, só comprovando o que ele havia acabado de ouvir; e assim como ela, ele petrificou, ficando naquela mesma posição apenas ouvindo-a chorar, com o celular na orelha por dez segundos. –
- Você não está sozinha, . Eu estou aqui... – Disse quase inaudível, num sussurro. – Estou pegando o primeiro voo, só aguente firme. – limpou o rosto com as costas da mão, dando dois soluços em seguida, levantando-se do banco. –
- Eu vou te esperar em casa. – Respondeu trêmula. –
- Eu te amo.

Tudo que foi feito após a ligação ser finalizada foi um imenso borrão para .
Ele não sabia como havia arrumado as malas, se trocado e reservado sua passagem; Só percebeu que estava tudo certo quando viu seus quatro amigos saindo do elevador da garagem com algumas malas. Tudo ficou um pouco mais claro por isso, talvez ele não tivesse feito sozinho. trocou olhares com eles, engolindo seco logo depois, percebendo que ele só precisava desativar o alarme do carro, enquanto os amigos o encaravam. Só o que ele sentia era um peso inimaginável dentro dele, que o consumia. Era como um pesadelo, mas mesmo assim ele não havia chorado em nenhum momento, havia um nó em sua garganta que o sufocava; e, além disso tudo, sua mente ainda girava por estar a doze horas dele sozinha, aguentando tudo aquilo sozinha, sem ter opção.

- Ei, eu faço isso pra você. – Ele viu tirar as chaves do carro de sua mão, e logo depois lhe dar dois apertos em seu ombro. Aquele era o jeito básico de mostrar que estava com ele, sem ser invasivo, que seus amigos tinham. –
Feito isso, entrou no carro na mesma hora respirando fundo assim que fechou a porta do carro, vendo que havia feito o mesmo. Os outros estavam guardando as malas e resolvendo algumas coisas com a segurança que iria acompanhá-los.
O fato era que queria privacidade, e qualquer um naquela situação iria querer; ele não precisava nem dizer, o conhecendo da forma como seus amigos o conheciam, todos estavam fazendo o possível para deixá-lo o mais longe da mídia que podiam. tratou de falar com a produtora, pedindo alguns dias de atraso para realização dos novos shows. e cuidaram da segurança, pedindo a máxima proteção, mas sem invasão. e precisavam ser escoltados já que ficariam mais visíveis, mas não precisavam ver isso.
Todo esse processo foi feito foi feito em dez minutos. Um planejamento de escolta de dez minutos. Enquanto isso fazia companhia para o amigo, apenas ouvindo sua respiração, sem ter necessidade de dizer nada.

- Ela estava... estava desolada, . – O amigo ouviu sussurrar dentre os lábios, virando a cabeça para olhá-lo logo depois. –
- Eu sinto muito, lad. – balbuciou mordendo os lábios logo depois; Seu coração apertou apenas de imaginar como havia sido falar com daquele jeito. – Ela é forte, são apenas doze horas até lá, logo vamos chegar.
- Obrigado por isso. – acenou positivamente, passando mão no rosto logo depois. – Eu nem sei o que dizer, eu não consigo nem pensar direito...
- Somos irmãos, não esquenta. – respondeu dando dois tapas no ombro do amigo. –

Eles ficaram mais um tempo em silêncio.

- O que você vai fazer quanto à ?
- Eu não vou deixá-la sozinha.

Dizendo isso, o menino jogou a cabeça para trás, levou as mãos nas têmporas, passando a massageá-las para tentar se acalmar.
Realmente, desde que sua mãe morreu, decidiu correr atrás da sua própria vida, do seu sonho, não importando totalmente se ou seu pai ficariam pra trás. Para ele, se ele mesmo não corresse atrás disso, ninguém iria fazer por ele.
Mas consequentemente só sobraram e seu pai. Não que ele não ligasse para saber sobre eles, ou houvesse cortado totalmente a relação, ele nunca faria isso, mas de uma hora para outra sua carreira explodiu e nem tempo de dar ‘’uma ligada’’, ele tinha. O baque foi ainda mais forte porque não sabia como seu pai havia morrido, não sabia se ele estava com problemas, porque não teve tempo pra saber disso, e isso era o que mais doía. Ele talvez não soubesse que seu próprio pai estava doente, e ainda mais que estava aguentando o fardo, sozinha, enquanto ele vivia um sonho maravilhoso, com direito a fãs, tapetes vermelhos, gente famosa. era uma estrela, tinha tudo, menos sua família.
Pensando naquilo o menino apertou ainda mais os olhos quando sentiu o coração cochar, como se estivesse sendo apertado dentro do peito. abaixou a cabeça ao perceber a luta que estava tendo para não chorar desesperadamente como queria.

- Ok, tudo resolvido. Podemos ir. – Os outros entraram no carro. acenou positivamente ligando o carro.

- Papai tem turno hoje? – perguntou para a mãe enquanto abria a geladeira para pegar um copo de leite.
- Ele teve um chamado. Você sabe como é a neve, faz os carros derraparem sempre. – A mulher disse, logo desviando o olhar para as escadas, fez o mesmo que ela. – Ei, aonde vocês vão?
- Vamos ao pub da segunda avenida, mãe. – apareceu na porta. A cena foi cômica, pois, após aparecer, os outros quatro garotos apareceram atrás dele, um por um. –
- A segunda avenida e a terceira foram interditadas, garotos. – O pai de abriu a porta, uma rajada forte de vento os atingiu dando eles a previsão do profundo congelador que estava lá fora. –
- Que droga! – O garoto chiou abanando negativamente várias vezes. – Estamos enfurnados em casa o dia todo.
- Bom, venham aqui. – O homem fez um gesto para que eles o seguissem até a sala, enquanto isso, e a mãe apenas acompanhavam com os olhos, até todos sumirem para dentro da sala. –
- O que sugere?
- Poker. Tenho um Wisky no escritório. Se o intuito de vocês era beber, vão beber com o paizão aqui. – Tom disse fazendo os outros rirem, e abanar a cabeça reprimindo o riso. –
- Vamos lá, também estou precisando de algumas doses. – Ele fez um gesto com a cabeça. – ? – A garota apareceu em poucos segundos na porta; todos a encararam. – Pegue meu Wisky e as cartas, por favor.

Alguns minutos depois voltou, pulando os garotos e entregando ao pai. Inesperadamente a menina sentou-se ao lado dele, entortando a cabeça ao ver a cara de desentendimento de todos.

- E aí, com quem vamos acabar hoje? – Ela sorriu. –
- Seja mais humilde, lindinha. – brincou e ela mostrou a língua. –
- É o que vamos ver. – Ela piscou dando um pulo para se sentar dessa vez, ao lado de . – Vamos acabar com eles. – Os dois fizeram um hi-five. –
- Por que vocês dois sempre fazem complô? – perguntou perplexo vendo arquear a sobrancelha para ele. –
- Porque já temos nossos sinais. – respondeu rapidamente trocando olhares com . Apenas continuou olhando para os dois após dar a resposta; ficou encarando-os por pelo menos cinco segundos, até perceber e perguntar de forma silábica ‘’qual era o problema?’’ –
- Exatamente. – Tom começou a embaralhar as cartas. – As duplas devem ter sinais para suas jogadas... , vem comigo. – O homem puxou para ele. – Vamos acabar com eles, filho. – Sussurrou em seu ouvido. –

Se não fosse pelo cansaço de Tom, eles passariam a noite jogando, mas sem ele era sem graça. Como era de se esperar, as jogadas ficaram entre e , e e Tom,o que causava uma injuria total, pois eles já tinham os códigos.
e tinham os olhares. Um olhar, e eles sabiam o que o outro iria fazer. e Tom tinham os gestos quase implícitos. Foi no xeque mate final, na ultima olhada espremida que e deram um para o outro, que Donna chamou Tom para dormir, e o homem foi. Se tinha uma coisa que Tom não fazia, era contrariar Donna .
Aquilo fez todos rirem. Ele deu um ultimo beijo na testa de e , sorriu para todos na sala, e fez um gesto com a mão, como se Donna fosse ‘’cortar sua cabeça’’ se não subisse.

- Continuamos amanhã. Durmam bem, crianças.


Mas não houve amanhã.
Aquela fora a ultima vez que todos estiveram reunidos na casa dos . Dois dias depois todos os outros tiveram que voltar para Londres, três dias depois, Donna descobriu que estava com leucemia aguda. Foi questão de semanas para que ela piorasse. A partir dali a vida de todos mudou.
A partir dali, decidiu ir embora. contou duas vezes as quais viu todos juntos novamente depois da fama; todos felizes demais pelo sucesso na audição, eles ainda não tinham estourado completamente como estavam no momento, mas já participavam de alguns programas; ela ainda conseguia ter noticias deles por paginas de fãs. não os via há um tempo, tirando . Trágico era voltar a vê-los naquelas circunstâncias.
Quando chegaram a Manhattan já era noite, um carro já os esperava numa área isolada, e como o esperado, já havia fãs e paparazzi os esperando, obviamente nem se quer pensou em passar por lá, todos se encaminharam diretamente para a casa.
O garoto ligou inúmeras vezes para não recebendo respostas, portanto apenas entrou, notando que tanto o portão quanto a porta estavam abertos. O jardim ainda estava impecável como seu pai sempre adorou, a casa estava exatamente como era.
Em passos lentos ele entrou na casa que nem por dentro tinha mudado. Suas fotos de criança ainda estavam ali; atrás dele os garotos os seguiam com suas malas, já as depositando na sala. seguiu pelo corredor, passou pelo seu antigo quarto sem encontrar ninguém, olhou para o de , onde havia algumas roupas espalhadas, e por ultimo olhou no quarto dos seus pais.
estava deitada na cama deles, encolhida e enrolada apenas por uma toalha. A garota dormia profundamente, mas embora soubesse disso, ele ficou extremamente tocado pela cena, sentiu seus olhos lacrimejaram violentamente; olhou para trás vendo os outros quatro pararem na porta também olhando a cena, não teve forças para pedir que saíssem, portanto só continuou o trajeto. Sentou-se ao lado da menina, fazendo um carinho mínimo nos seus braços.

- ? – chamou perto de seu rosto. – ? – ela piscou algumas vezes, até achou que fosse um sonho, sentiu seus olhos pesados por dormir chorando; assim que tomou total consciência deu um pulo de susto se afastando de rapidamente. –
- Puta que pariu!
- Sou só eu. – levantou as mãos e viu a irmã botar as dela no coração, fechando os olhos para respirar. –
- Meu Deus, , meu coração... – Ela abriu os olhos de novo, dessa vez alternando seu olhar para os quatro a olhando. – Vocês vieram... – Murmurou sorrindo de leve. –
- Desculpa por... – mordeu os lábios. – Só ficamos preocupados.
- Tudo bem. – fez um gesto com a mão, levantando-se em seguida. – Eu peguei no sono... Vou trocar de roupa. – parou na porta visualizando melhor os quatro. , e lhe deram passagem, foi quando ela teve a visão completa de encostado na parede oposta, assim como os outros ele deu um pequeno sorriso, recebendo apenas um olhar como resposta, a viu seguir em passos rápidos até seu quarto. –
- Vamos. Vou fazer um café. – chamou a atenção dos amigos, de sua irmã para ele, os levando para a cozinha. –

Assim que fechou a porta atrás de si, fechou os olhos no meio do quarto. Sabia que não era hora de sentir qualquer outra coisa que não fosse a dor de perder seu pai, mas seu coração batia forte. Boa parte por ser pega de toalha, dormindo, e com cara de choro, mas outra porque não os via há um tempo.
No fundo, os evitava. Seu coração palpitava porque não fazia ideia do que havia acontecido no tempo em que esteve fora, palpitava porque também não fazia ideia que todos viriam. A garota abanou a cabeça pegando a primeira calça jeans e blusa que estava jogada na cama, vestiu seu tênis mais próximo, ajeitou seu cabelo num coque, e por fim desceu, encontrando-os sentados na mesa da cozinha com um copo de café e mãos.
Deu um sorriso assim que eles a olharam, um sorriso bem pequeno, e também foi atrás de café. Assim que pegou, sentou-se de frente para , ao lado de , respirando fundo. Todos ficaram num silêncio compartilhado por pelo menos meio minuto.

- O que aconteceu? – perguntou numa respirada, só olhando alguns segundos depois. –
- Há algum tempo, ele teve sintomas de depressão... – Começou, dedilhando o copo. Com mais um suspiro ela continuou. – Depois que a mamãe se foi, e você saiu de casa, eu só via as coisas piorarem...
- Ele estava com depressão o tempo todo? – viu o irmão abrir os olhos, perplexo. – E você não me contou nada?
- Ele me fez jurar que não contaria, ! – Murmurou, já sentindo seus olhos quentes. – Eu não achei que isso pudesse matar. – apoiou o cotovelo na mesa, apoiando sua cabeça em uma das mãos. – Eu só tive noção do problema quando ele teve um ataque de pânico e precisou ser internado. – Ela dizia tudo sem olhar o irmão. –
- Há quanto tempo ele estava hospitalizado, ? – perguntou duro, vendo-a hesitar. –
- Uma semana, . – Balançou a cabeça voltando a olhá-lo, dessa vez uma lágrima escorreu por seus olhos, gradativamente, todos abaixaram a cabeça, menos , que a olhava fixamente. –
- Que tipo de promessa é essa? – O garoto perguntou irritado, também sentindo seus olhos pesados. – Meu Deus, eu podia ajudar!
- Ninguém podia ajudá-lo, ! – A menina rebateu. – O papai não suportava viver sem a mamãe! Era como se isso o matasse todos os dias. Eu via, eu o via todos os dias debruçado no quintal, depois de ser afastado do trabalho pela sua condição. Eu via o papai todos os dias sofrer de saudade, . Ele nunca aceitou, não conseguiu seguir em frente. Ele não queria viver. Os últimos dois anos dele, os anos sem a mamãe, foram como uma grande perda de tempo, porque ele não queria viver; sabia que tanto eu como você iríamos ter que seguir nossas vidas, saberíamos nos cuidar, e você até conseguiu isso...
- Eu não... – se debruçou na mesa, denunciando seu choro pelos soluços contínuos que começou a dar. –
- Mas ele te via cantando, e isso era das únicas coisas que o fazia sorrir. – levantou da onde estava, para abaixar-se em frente a , segurando seus antebraços. – Ele me fez prometer não contar, porque ele não queria que você se preocupasse com isso.
- Ele era meu pai, isso não é justo! – disse assim que afastou suas mãos de seu rosto. –
- , ele estava tão feliz por você. – balançou a cabeça, soltando mais uma lágrima. – Não contei porque além de atrapalhar você, eu iria tirar a única coisa que fazia o papai sorrir. Ele amava te ver cantar na TV. – sorriu, vendo sorrir com ela, dentre o choro. – Não se culpa.

Diante daquilo todos viram abraçar sem hesitação, ambos chorando na mesma intensidade de olhos fechados. Eles fecharam os olhos assim como eles.
Eles se lembravam de uma Donna e um Tom, extremamente apaixonados, extremamente dependentes um do outro, e aquilo só se tornava ainda mais surreal, quando Tom não havia conseguido suportar viver sem Donna, os deixando com a duvida insana sobre o que era amar alguém. Era possível amar dessa forma? Sim, era. Pelo menos naquela circunstância.

***


Sinceramente, aquela coisa de funeral era pior coisa que já haviam criado, quer dizer, quem oferece comes e bebes após um corpo ser enterrado? Um corpo de uma pessoa que amamos?
Por sorte não havia precisado resolver isso, porque a funerária se ofereceu; como o bairro era pequeno e só havia uma funerária naquelas redondezas que por sinal, conhecia o general , foi o suficiente. literalmente não teria cabeça pra isso. E era por isso que preferiu ficar o tempo todo na cozinha.
Embora os convidados fossem poucos, no caso, a família por parte de mãe e pai, e alguns amigos próximos do Tom, aquilo a deixava louca. Ela nunca imaginou que passaria por aquilo. Então entendendo-a, mesmo que não tivesse falado nada, enfrentou a barra e a falta de humanidade de algumas tias, que ao invés de somente darem seus pêsames, perguntavam sobre sua carreira e sua fama.

- ? – A menina ouviu bem baixinho e pela força do habito virou-se bruscamente para olhar quem era. Viu parado na porta, hesitante, mordendo os lábios. –
- Oi. – Virou-se novamente para a louça que ainda lavava. –
- Eu não sei o que dizer... – falou dando mais alguns passos bem lentos ate ela, não o encarou, sentiu seus olhos encherem de lágrimas. Por isso travou o ar, terminar de enxaguar o ultimo prato. –
- Não precisa dizer nada, na verdade, eu prefiro assim. – Falou rapidamente. queria na verdade tentar sair daquilo sem ter que encarar por muito tempo, ela queria fugir dele como havia conseguido por dois anos, mas era muito difícil com ele ali, parado. –

O silêncio se instalou pela cozinha por mais vinte segundos contados, tanto que ate imaginou que estivesse saído de lá, mas assim que se virou, ele ainda estava lá,e mais perto do que antes.

- Eu sei que nada que eu disser vai te confortar agora... – tombou a cabeça evitando olhá-lo, as lágrimas estavam ainda mais pesadas em seus olhos. Viu os pés de aparecerem, já sentindo o perfume forte dele, sem ter força nenhuma pra relutar contra a aproximação. –
- Eu to bem... – Murmurou. sabia que não estava nada bem, por isso abraçou-a, puxando seu corpo todo pra ele, mesmo que não houvesse retribuído. –

O choro da garota foi um tanto alto durante o ato. apertou-a mais em seus braços quando a notou soltá-lo. Com uma das mãos segurou os cabelos dela, acariciando-os incessível enquanto ainda estavam abraçados. Fechou os olhos travando a respiração enquanto fazia isso; era de quebrar a alma quando chorava. Quem estava acostumado a vê-la sorrir, ficava desesperado quando isso acontecia.
Tudo bem que, a ultima vez que teve qualquer contato com ela havia sido há dois anos, embora nunca tivesse se esquecido dela, perguntava dela sempre que podia, já que não devolvia nenhuma ligação, mensagem, ou sinal de fumaça que ele mandava.
Aos poucos sentiu que ela foi fazendo força para se afastar dele cada vez mais, até que conseguisse por completo, como se estivesse fraca. a soltou quando percebeu, a olhando confuso.

- Eu estou aqui se você precisar de mim.
- Não vou precisar marcar horário?–Perguntou sarcástica, limpando o rosto rapidamente depois. – Muito obrigada, , mas eu não preciso de você. – Ele fechou os olhos pesarosamente quando ouviu aquilo, o olhou por um segundo já sentindo seu sangue ferver levemente. –
- Eu sei porque você age assim e olha, me desculpa! Eu não sou o mesmo cara de dois anos atrás, eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu! – falou tentando encontrar o olhar de , sem receber resposta alguma. –
- Não, definitivamente você não é o cara de dois anos atrás, e nem o de três ou quatro... Eu não sei quem você é, e sinceramente? Eu não vou falar sobre isso justamente hoje, no funeral do meu pai.

tentou sair, deu um jeito estranho de se esgueirar pelo ladinho de e fugir dali, e embora tivesse pensando que conseguiria, sentiu a mão dele a travar sutilmente, a fazendo virar-se para ele novamente, e só então o olhou; como de praxe, se perdeu por segundos olhando em seus olhos. estava implorando, e não era uma coisa que acontecia sempre. Em anos de convivência com o frio , aquele olhar só era tido quando ele realmente sentia arrependimento, e por saber disso, parou para finalmente o ouvir.

- Me deixa me aproximar, ! Você me afastou por dois anos, eu só estou tentando te ajudar! – Ele disse, viu seus olhos ziguezaguearem a olhando. – Eu sinto muito, mas eu ainda me importo.
- Tarde demais pra se importar. – Respondeu mordendo os lábios, lentamente as mãos dele escorregaram pelo seu braço, a fazendo olhar à ação pelo tempo que ela durou. –
- Eu disse ainda. Eu sempre me importei com você. - Ele botou as mãos na cintura, entortando a cabeça. – Olha, você sabe que eu não sou desse jeito, e não estaria aqui se não me importasse de verdade, sem falar nas minhas investidas de te achar. Só que...
- Você nunca foi ignorado por dois anos por uma garota? – cruzou os braços e também entortou a cabeça. –
- Não é qualquer garota. É você.

tentou balbuciar algo. Sua boca abriu e fechou várias vezes, mas no fim, tudo que saiu dela foi um suspiro grande e sincero, como se tudo sobre estivesse sendo solto gradativamente. Eles eram amigos, eram muito amigos... Muitas vezes, muita mais que SÓ amigos. E ouvindo aquilo, tudo voltou rapidamente na sua cabeça, foi um flash de três segundos que a fez lembrar-se do quanto sentiu falta dele.
Porém, isso não mudava as circunstâncias.
ouviu um barulho de carro desviando totalmente a atenção que estava na conversa para a janela da cozinha, correndo até lá. Como era de se esperar e para seu pânico total, era quem ela imaginava. Sem notar deixou com incógnita na cabeça e falando sozinho, por sinal, quando correu até fora da casa para parar Aidan antes que o visse, e tudo aquilo ficasse ainda pior do que já estava.

- O que você está fazendo aqui? – deu um trote nos três degraus da varanda, parando Aidan pelo peito, o impedindo de se aproximar da casa. –
- Como assim? Eu vim te ver! – Respondeu perplexo, os olhos dele se abriram de leve ao notar o olhar de pânico da menina. – está ai, não é?
- Aidan, por favor, vai embora. – A menina pediu cansada, retirando sua mão dele. –
- Ei... Eu só quis te ver. – Falou baixinho se aproximando ainda mais da menina, Aidan puxou para um abraço que foi retribuído por dez segundos. O cheiro dele era conhecido, Aidan costumava ser sua válvula de escape.

Eles não namoravam, e nunca intitularam o que tinham, mas sempre que algum dos dois tinha problema, eles se procuravam e ficavam juntos. Muitas vezes não diziam nada, só passavam um tempo juntos até que se acalmassem; Naqueles dois anos sem , ou qualquer outra pessoa, Aidan era seu passatempo, mas não sabia disso, porque ele o odiava, e provavelmente iria fazer um escândalo se soubesse que havia se envolvido com ele.
Aidan Kile não só era o rival de , mas também o vigiado por Tom, com suas inúmeras passagens pela policia por porte de drogas; Acusado de bater em um dos policiais e ameaçar o próprio pai deles. A raiva de só aumentara por ele, agora, imagina saber que havia se envolvido com o maior problema do seu pai na época de policial? Bom, ela nunca foi boa em escolher seus companheiros.
No entanto, para , ficar com Aidan não era o fim do mundo. estava ocupado demais com tudo, Tom não precisava saber... Tudo estava correndo como ela queria; não tinha planos para namorá-lo e muito menos ele. Era um lance, então, por que ela iria se preocupar? Ela deveria ter pensado muito mais longe.
Agora suas mãos tremiam de nervoso por medo de descobrir, e ele iria, ela não poderia esconder. Sua cabeça já doía com o sermão. Sua mente falhou segundos porque além da dor que estava sentindo, ainda havia outras coisas que a deixavam atordoada.

- Vai embora. – Sussurrou enquanto abria os olhos vagarosamente. Fora à primeira vez que viu Aidan hesitar em ir embora quando ela pediu. –
- Eu não vou causar problemas... Eu juro que vou ficar na minha, eu só quero...
- Você não entende? – se afastou um passo o olhando pesarosa. – Meu pai não gostava de você! te odeia, você é...
- Eu sou o quê? – Aidan mudou o timbre cerrando suas sobrancelhas. –
- Você sabe exatamente o que eu ia dizer. – Rebateu. –
- Então agora, é assim que você me vê? – Perguntou irritado, chegando perto dela com brutalidade; assustada se afastou um passo. Sabia o que acontecia quando Aidan se irritava, e isso não era bom. –
- Ei! O que está acontecendo aqui? – Ambos viraram-se rapidamente para trás vendo caminhar em direção a eles com passadas largas, jogando a bituca de cigarro que fumava o chão. –
- Ah! – e transferiram seus olhares para Aidan rindo ironicamente. – As celebridades do momento vieram também! – Ele bateu palmas, fazendo-a fechar os olhos com força, aquilo certamente iria chamar a atenção, o que ela não queria. –
- Aidan, vai embora! – A menina aumentou o tom apontando para o carro do garoto parado do outro lado da rua. –
- Ah! Você é o famoso ‘’zé droguinha’’ – imitou o rapaz, sorrindo sarcasticamente durante o ato. –
- O que você disse?
- Pelo amor de Deus, vai embora! – Entrou no meio dos dois, dando um tapa no peito de Aidan o que fez se afastar mais dois passos. –
- Se manda, cara, ninguém te quer aqui! – Foi a vez de falar alto enquanto Aidan andava lentamente de costas até o carro. –
- Não era isso que eu ouvia quando eu tirava a roupa dela. – Aidan apontou com a cabeça para , cerrou os olhos ao ouvir aquilo, respirando todo o ar que pode para aceitar a informação.– Na verdade, ela só queria mais de mim. Até mais!

No mesmo momento em que Aidan arrancou com o carro, virou-se para , botando suas mãos na cintura sem saber o que dizer. Viu-a de cabeça baixa abraçando o próprio corpo. Ele conseguia sentir sua respiração pesada.

- Você... O Kile? Sério? – Perguntou perplexo; lentamente ela levantou o rosto encarando o nada, sem conseguir encarar . – Esse cara não é o drogado que odiava?
- É... É ele.
- Você sabe que se seu...
- Não conte pro . – O cortou rapidamente, segurando nos dois antebraços do menino, sentiu-a apertar aquela parte. –
- Eu não vou contar. Mas você não pode esconder isso, vai descobrir, e se descobrir por outra pessoa, vai ser muito pior. – disse calmo; Girou os antebraços para agarrar as duas mãos de que ainda estavam lá, apertando-as em seguida. –
- Vocês têm uma turnê. Logo vão embora e eu me resolvo com o Aidan. Eu só preciso que guarde segredo.

ficou em silêncio enquanto ela falava, um silêncio que sabia que não era comum, era como se soubesse de algo sobre o assunto. Ela levantou os olhos para olhá-lo. Os dois estavam de frente um pro outro, bem próximos, com as mãos entrelaçadas. tinha o olhar perdido em suas mãos entrelaçadas, conseguiu vê-lo morder os lábios, aquilo a deixou confusa.

- ? – Ela o viu engolir seco e a olhar sério. –
- Acho melhor entrarmos. – Falou soltando uma das mãos dela, para a guiar pela cintura até a entrada da casa. –
- , porque eu sinto que você sabe de algo e...
- vai falar com você. – O garoto disse antes que finalmente entrassem na casa. –

Não muito tempo depois a casa foi esvaziando. e ficaram sentados no sofá em silêncio, apenas respondendo com um aceno aqueles que iam embora. A casa foi ficando vazia novamente, a loucura começou a passar, e a dor começou a voltar com mais intensidade pra eles.
Assim que o ultimo convidado saiu, fechou a porta principal com um longo suspiro, indo sentar-se junto a todos na sala. tornou os olhos para tudo, engoliu seco vendo a foto do seu pai, sua mãe. Outra de e ele. Outra com a família toda, e por fim, de todos os meninos juntos, e no meio revirando os olhos, sorriu ao ver que aquela foto ainda existia, e ele não se lembrava. Com o ato, todos se viraram pra olhá-la também.

- Ok, vocês só precisam se juntar. – Donna gritou para todos os garotos. –
- Por que estamos fazendo isso mesmo? – perguntou confuso, já abraçando os amigos de lado. –
- Pra recordar o momento! – Ela o repreendeu. Todos sorriram, mas antes que ela batesse realmente a foto, apareceu lá atrás, descendo as escadas com sua mini saia branca jeans, e sua regata de listras vermelhas colada ao corpo, instintivamente todos se viraram para olhar, e a foto ficou borrada, fora o suficiente para olhar feio e Donna urrar.–
- Eu disse pra ficarem quietos! – A mulher disse bufando. –
- Foi impossível... – Ouviram dizer baixo, o mesmo recebeu um tapa forte de na nuca. –
parou na porta para observar o que estavam fazendo, novamente atraindo a atenção de todos pra ela. Donna rolou os voltando seu olhar para a filha que sorriu para eles como um cumprimento.

- O que vocês estão fazendo? – A menina perguntou entortando a cabeça. –
- Vai, se junta na foto. – Donna puxou-a para frente dos meninos. –
- Foto? Foto pra quê? – Perguntou sem entender.–
- De recordação!
- E a mamãe ataca novamente. – Eles ouviram Tom debochar enquanto passava, o que foi suficiente para rolar os olhos.


- , nós vamos embora amanhã. – cortou o silêncio virando-se para encarar a irmã. –
- Tudo bem, . Eu vou ficar bem. – Ela sorriu triste, deslizando suas mãos para encontrarem as dele. apertou sua mão na mesma intensidade que seu peito apertou, e percebeu isso, sentindo mais uma onda de lagrimas se formar. –
- Você vai comigo. – o garoto tirou os olhos das suas mãos para olhá-la, um olho dela estava maior que o outro; -
- Oi?
- Não tem mais nada pra nós aqui. Acabou... – Ele tombou a cabeça pesaroso, ainda segurando a mão dela. –
- Pra você talvez não, mas eu tenho um trabalho aqui, uma vida... Eu moro aqui desde que eu nasci, , eu não posso ir com você. Me desculpa.
-, você vai comigo querendo ou não. Já está tudo ajeitado.Sem discussão. – repetiu um pouco mais severo sentindo-a soltar-se dele. –
- Você só pode estar brincando. – Sorriu nervosa botando as duas mãos na cabeça. –
-As nossas passagens já estão compradas e partimos amanhã bem cedo. Arruma suas coisas. – acompanhou o irmão levantar-se do sofá sem olhá-la direito, seus passos foram lentos até a porta da sala. –
- Desde quando isso se tornou uma escolha sua? – Perguntou exasperada, soltando as mãos bruscamente ao lado corpo. –
- Desde que meu pai morreu e eu se quer, estava aqui para me despedir dele!– O garoto urrou virando-se bruscamente. sentiu uma lagrima escorrer por seu rosto sem ter a necessidade de limpá-la. Os outros garotos apenas abaixaram a cabeça fechando os olhos. também tinha os olhos violentamente encharcados. –
- ...
- Eu não vou te deixar aqui, . Você não entende que só temos um ao outro agora? Você vai comigo. – passou a mão no rosto cansado. – Não vou fazer isso de novo... Não vou te deixar também. – O garoto acenou várias vezes com a cabeça, tapou a boca sentindo mais algumas lágrimas rolarem, fechando os olhos por alguns segundos, e quando os abriu, já não estava mais lá. –

Com mais alguns segundos a menina se levantou sem dizer nada e, pois se a arrumar mais três colchões para os garotos no quarto de hóspedes. Eles, porém, continuaram lá embaixo. Ela conseguia ouvir alguns ruídos no andar de baixo da casa, como se estivessem arrumando, mas não desceu pra ter certeza, queria ficar alguns minutos sozinha.
se perdeu dentro da sua mente como se estivesse em um transe. Fazia tudo em automático, mas de fato, não sabia o que estava fazendo ou como fazia. Dos seus olhos ainda saiam lágrimas continuas, ela podia senti-las escorrer, podia sentir que cada vez mais seu rosto parecia quente e inchado. No entanto, ela não soluçava ou chorava compulsivamente, as lágrimas só saiam por vontade própria.
Ela só percebeu que havia terminado de arrumar tudo quando alguém a tocou no braço, chamando sua atenção, fora como se naquele momento ele tivesse voltado a respirar, foi só então que percebeu estar perdida.

- Você quer ajuda? – perguntou carinhoso, ainda sem tirar a mão dela. acenou negativamente sorrindo de leve, teimosa, uma lágrima ainda rolou depois daquilo. levantou o olhar para que tinha os lábios franzidos olhando-a. – Nunca fomos MUITO próximos, mas eu sentia falta da nossa mascote. – Ele disse, fazendo-a sorrir. –
- Eu senti falta das suas piadas sem graça. – riu sem humor, tapando o rosto quando percebeu que queria chorar mais um pouco e não aguentaria segurar. –
- E do sanduíche. – Os dois disseram juntos rindo em seguida. –
- Vem cá. – a puxou para um abraço, beijando sua testa com lentidão. –

entrou no quarto com uma das suas mochilas sem notar a cena de primeira, porém assim que o fez, se comoveu instantaneamente, não se importando em ir até eles; abraçou junto com . Um abraço triplo. Afundando seu rosto nos ombros dela. não disse nada, apenas continuou derramando lágrimas. Lentamente sua mão deslizou para perto de em resposta ao abraço. Ela queria passar que de alguma forma, estava sentindo-se extremamente confortável naquele abraço.
Ambos sempre tiveram essa mania. Sempre que abraçavam , era um abraço triplo, e talvez por isso, não sentiu resquício algum de fazer aquilo. Todos os abraços deles era o famoso ‘’sanduiche’’. Eles costumavam a apertar entre e si e fazer cosquinha, coisa que fazia os reprovar sempre, claro, sem nunca transparecer que estava com ciúme, e por incrível que pareça, . Ele sempre a tirava do meio dos ‘’sanduiches’’ que e faziam com ela, dizendo para ter mais respeito com a irmã do parceiro. Tudo bem, chamou a atenção de todos desde o primeiro instante em que eles a conheceram, embora houvesse feito mais amizade com , então, que tipo de respeito ele falava? Comparando com os outros meninos, quem costumava conversar com por horas no quintal, sem perceber que estava ali na verdade por , era . E foi aí que eles começaram a desconfiar...
As viagens dele para Manhattan já não eram apenas para ver , eram pra ver ela também, e isso tornava as coisas mais estranhas, porque não era amigo de nenhuma garota, ele sempre fora muito cético nesse sentido. Mas com ele parecia realmente gostar da amizade, até porque se descobrisse de algo, sua reação seria indecifrável. Não era preferível testar.
No fundinho, a relação de amizade entre e sempre fora assunto de discussão. Nada nunca saiu da boca deles, mas era engraçado como ambos tinham sorrisos secretos, e ações estranhas que deixavam todos com a pulga atrás da orelha. Só que, ninguém ia tão longe com a dúvida porque nunca acharam uma solução ou fatos que sustentassem.
Donna morreu, se afastou de todos... E fim. Não houve mais especulações. continuava o mesmo, a carreira explodindo, as modelos, a fama, e de repente, toda essa história foi se apagando. Todos só se lembraram disso quando á viram de novo, e entraram naquela casa. Era como se tudo fosse esquecido, mas estava lá, e isso os deixava mal, porque nunca desejaram fazer isso.

***


estava q quase duas horas empacotando suas coisas mais importantes pra levar, seu quarto estava literalmente todo revirado. não tinha saído do seu antigo quarto desde que subira, e ao lado, os outros garotos pareciam estar tendo uma noite no paraíso, já que estavam acostumados a dormir em aviões ou ônibus no ultimo mês, por causa da turnê.
realmente cochilou por vinte minutos, e por mais que tivesse tentando, não conseguia pegar no sono novamente. Olhou para cima vendo o braço de caído do seu lado, com uma respirada ele levantou tendo a visão de ao lado de , e no outro colchão do outro lado da cama, dormia . Todos completamente apagados.
Saiu do quarto no intuito de tomar um copo de água e voltar a se deitar, mas assim que abriu a porta, deu de cara com no quarto da frente, só que ela nem percebeu. Ele deu passos quase inconscientes até o quarto da garota totalmente compenetrada, fazendo movimentos robóticos e precisos com suas roupas. observou-a encostado no batente da porta por um longo tempo.

- Ei! – Ele riu de leve com o gritinho histérico dela ao se assustar. –
- Desculpa.
- te mandou me vigiar?
- Ele nunca faria isso e você sabe.
- Eu pensei que ele não faria muitas coisas, desde beijar a Tracy a se acostumar viajar de avião... – riu lembrando-se do pânico que costumava sentir ao viajar de avião. – Não poderia ter certeza de nada.
- Tenha certeza disso então. – O garoto caminhou para dentro do quarto dela, sentando-se em sua cama. – Eu só estou sem sono e você é a única alma acordada.
- Não me estranha ser sua ultima opção. – Falou baixo, suficiente para ouvir, voltou a colocar as roupas na segunda grande mala sem parar; observava aquilo tentando pensar algo, porque até então, havia ficado em silêncio. –
- Eu não quis te magoar, . – continuou seus movimentos. –
- Tudo bem. Eu não me importo.
- Se não se importasse não estaríamos tendo essa conversa. – Ela deu um suspiro longo, finalmente parando o que estava fazendo para olhá-lo. –

pela primeira vez em dois anos olhou-a por inteiro. Olhou suas pernas de fora pelo pijama curto, passou pela camiseta colada em seu corpo, e suas mãos na cintura, reparou nos cabelos jogados em seus ombros. Por ele estar sentado na cama dela, e as malas que arrumava estarem no chão, quando ela se levantou, estava praticamente entre suas pernas. precisou lutar muito contra os mais de mil pensamentos que teve com aquela cena, e o que poderia fazer com ela.

- Primeiramente, para de me olhar assim. – Ela chamou sua atenção o fazendo arquear as sobrancelhas e voltar a olhá-la nos olhos. –Em segundo lugar: Eu não quero ter essa conversa. Já te pedi isso.
- Isso explica o fato das mensagens e ligações não respondidas por dois anos. – ironizou a vendo apertar ainda mais as mãos na cintura. Ele sabia o que isso significava. –
- Boa noite, . – respirou fundo dando a entender que voltaria a mexer na mala, chegou a abaixar-se novamente, no entanto, segurou um de seus braços, a puxando para ele.
Dessa vez ele também estava de pé, de modo que ambos ficaram próximos demais; não conseguiu se mexer, só o olhou. Daquela forma reparou em todo ele, como ele havia feito com ela. não tinha mudado, só parecia ter amadurecido um pouco mais. Seu rosto já não era de um adolescente, era de um homem, assim como o pouco do corpo dele que transparecia; um pouco maior, mais forte. Mas seu olhar era exatamente o mesmo, o mesmo que a fazia se perder. Ela odiava isso.

- Eu sei o que aconteceu da ultima vez que nos vimos. – sussurrou procurando seus olhos; ele continuava segurando seu antebraço, só que com um pouco menos de força. –
- Você já disse isso hoje.
- E estou falando novamente.
- Então sabe o motivo de tudo isso. Já pode parar de se fazer de idiota.– Ela trincou os dentes, sentiu a respiração dele ainda mais pesada. –
- Eu não estou me fazendo de idiota.
- Ah, e fingir que eu parei de dar noticias por nada, é o quê? – riu sarcasticamente, mordeu os lábios ao ver aquilo. –
- Não era motivo suficiente, . – Sua voz ainda era a mesma: Calma e sussurrada, aquilo deixava desconcertada porque ela não sabia o que ele estava pensando e porque ele também não havia se alterado. –
- Sinceramente? Eu não me importo, eu te disse isso mais de duas vezes, e vou dizer de novo: Eu não estou com cabeça pra falar sobre!
- Seria conveniente se eu dissesse que senti sua falta?
- Você não ouviu o que eu disse? – Dessa vez fora quem sentiu a respiração pesada e quente dela. –
- Eu não acredito que você não se importe.
- E eu não ligo pro que você acredita! – chegou um pouco mais perto, quase roçando seus narizes, só então percebeu que a distancia havia ficado perigosa, e que olhava para seus lábios, o que prenunciava perigo. –
- É exatamente disso que eu senti falta. - sorriu voltando a olhar nos olhos; vendo que no fim ele não faria nada, ela ficou desnorteada e confusa, totalmente perdida nos olhos sorridentes dele. – Eu sempre estive aqui pra você, e se você não sabia disso, sabe agora. Eu cometi um erro e eu estou tentando me acertar, não é o momento certo, mas é o primeiro que consegui em dois anos. Então releva isso também.
- Você não é exatamente o cara mais amoroso de todos, o que esta acontecendo? – murmurou estranhando aquele manso. Ele definitivamente não era assim, geralmente suas conversas mais fofas envolviam xingamentos após algumas brigas. –
- Você prefere que eu te xingue? – Ele soltou o riso; sentiu uma mão dele se arrastar pela sua cintura, e depois a outra seguir o mesmo movimento, e então ele a segurou com firmeza, seus olhos se fecharam instintivamente porque ela sabia o que ele iria fazer. –
- Não faça isso. – pediu de olhos fechados já sorrindo de leve.–
- Isso o quê? – O garoto forçou mais um pouco, rindo. –
- Você sabe que eu sou escandalosa e já é de madrugada. – Disse em reprovação; só sorriu ainda mais. –
- Então me implora. – Provocou; segundos depois os dois soltaram o riso. –





Capítulo 2.


O coração dela estava batendo rápido e pior que isso, ela sentiu seus olhos quentes, porém, pela primeira vez naquele dia, não era de tristeza. Era de saudade. sentiu falta, dele, sentiu falta de todos eles perto dela. Aquele choro que queria soltar, era de alivio por tê-los ali, porque sabia que sozinha não aguentaria.
Ao pensar isso e sem conseguir controlar sua respiração e muito menos o que viria a seguir, agarrou . Fora inesperado. Pelos primeiros segundos o garoto ficou sem reação; aos poucos suas mãos que estavam na cintura dela, prontas pra atacar, se arrastaram para suas costas, contornando totalmente o corpo dela, tomando conta dela. agarrou os cabelos dele com o ato como se houvesse se tornado seu refugio. Assim como ela, ele afundou seu rosto no pescoço de , deslizando suas mãos por toda a costa dela enquanto a ouvia chorar novamente em seus braços, apertada em si.
Com os passar de dois minutos o abraço foi se afrouxando, o choro diminuiu e com isso, ela voltou à postura de antes, o olhando com os olhos avermelhados e inchados. não disse nada, só ficou a olhando por um tempo; levou suas mãos até o rosto dela, limpando suas lágrimas, e depois lhe deu um beijo longo na testa enquanto ainda segurava seu rosto.

Por mais algum tempo os dois ficaram juntos no quarto, sem sono, ficou satisfeito em ajudar a terminar de fazer a mala, ou melhor, mais atrapalhar do que ajudar. Embora , sem querer ser muito explicita, tivesse adorado que ele ficou, porque a distraiu, e no fim, dormiu com ela.
Não havia acontecido nada demais, já passava das três quando ambos terminaram tudo e se sentaram na cama pra conversar, se empolgaram tanto que nem notaram e caíram no sono ali mesmo, na cama dela. até sentiu no meio da “noite” um calor humano perto, coisa que sabia que não era natural, olhou por cima dos ombros pra ter certeza e viu se era aquilo mesmo; estava apagado, quase colado no seu corpo, seus corpos estavam se roçando, era como se estivessem dormindo de conchinha, mas ele não a tocava.
Mas ainda preferia fingir que não havia notado nada, e que dormira a noite toda sem perceber que ele estava ali, porque lá no fundinho, o queria ali mesmo onde estava, a fazendo companhia. Só não queria admitir isso.

***


Já fazia dois meses que tudo havia acontecido, e só depois daqueles dois meses, as coisas começaram a se acalmar. Tanto ela e , como os holofotes. As coisas finalmente estavam esfriando e voltando ao normal. Finalmente estava aprendendo a lidar melhor com a perda e a saudade, com o fato de estar vivendo em outra cidade totalmente diferente, e o melhor, finalmente poderia sair de casa sem ter medo de ser esmagada.
Da janela a menina observava cada vez mais, que dia após dia aquela pilha de pessoas ia embora, porque sem por lá ou qualquer um dos meninos, e ela não saindo de casa, eles desistiram.
Mas por fim, esse era o x. e os outros estavam voltando pra casa naquele dia, e junto a isso, sua carta de admissão para uma faculdade podia chegar a qualquer momento. E sim, havia feito uma prova para entrar em Midlesex, uma das faculdades que oferecia os melhores cursos de jornalismo de Londres.
Por ela não precisaria ao menos fazer um vestibular para entrar, pois ele tinha dinheiro para pagar e certamente esse seria seu discurso, ou até mesmo, poderia viajar com eles em turnê sem precisar ficar tão sozinha, ele já havia tocado no assunto; Mas não queria isso. Não que pretendesse esconder de que pagaria sua faculdade trabalhando, sem necessitar dele, mas para evitar mais alguns conflitos, ele só iria ficar sabendo quando o resultado chegasse, mesmo que ela já soubesse que ouviria alguns pequenos “sermões” do irmão.

Com mais algumas horas sozinha, fez o rumo diário. Acordou tarde, foi até a cozinha cozinhar algo, se encaminhou pra sala e ficou assistindo uma de suas series; voltou para a cozinha dando uma ajeitada por lá; andou pelo quintal escutando suas músicas, sorriu para o vizinho que a observava, e depois voltou para o lugar de origem: Seu quarto.
Com dois meses ela já havia customizado o cantinho do jeito dela. Onde costumava ser o quarto de hóspedes, agora era seu refugio. A casa de não era literalmente grande, mas era maior e mais luxuosa do que ela estava acostumada. A cozinha era grande e tudo nela era escuro, dos mármores a geladeira, o único contraste branco era o das persianas de madeira. Os quartos eram basicamente no mesmo formato: Grandes, com closets, banheiro próprio, mas apenas o de e agora, o de , que costumava ser o de hóspede, tinha uma sacada bem pequena diga-se de passagem, com pufs, adorava aquele lugar para escutar músicas. A sala era grande e bem distribuída, a televisão era gigante, a lareira ficava abaixo dela, e plugados havia todos os videogames possíveis de dos quais não havia nem tocado.
E por fim o jardim lembrava seu pai. Era como se houvesse feito para parecer o da sua antiga casa, um pequeno canteiro se encontrava numa área isolada do quintal, no meio, uma piscina não muito grande com algumas cadeiras de sol almofadadas em volta. A cor da água era esverdeada, como um rio; O lugar ficava ainda mais encantador quando anoitecia e as meia-luzes se acendiam por todo ele. tinha toda essa visão da sacada de seu quarto, assim como , mas ela não tinha certeza se ele sabia o quão lindo era aquela vista a noite.

- Queijo. – ouviu um sussurro no ouvido e instantaneamente passou a rir, tendo a cadeira da qual estava sentada virada; deu de cara com . –
- Queijo?
- Eu tinha que dizer alguma coisa. – Ele deu os ombros. Ainda estava apoiado nos braços da cadeira, encurralando no ato, por um segundo os dois se olharam sorrindo de lado. –
- Todos estão aí?
- Sim... pediu pra te chamar, e perguntou se você tomou banho nesses dois meses... – fez uma careta fazendo lhe acertar um tapa no rosto. –
- Ei, foi seu irmão, e não eu!
- Ah, cala a boca.
- Vem...
- Não.
- Eu não terminei... – se aproximou brutalmente para perto de , que como instinto tapou a boca dele enquanto seus narizes se roçavam; Ele travou seu olhar no dela, sorrindo por trás de sua mão. estava brincando com ele. -
- Não precisava terminar. – tirou a mão de sua boca lentamente com a sobrancelha arqueada. –
- Você se acha demais. – o viu fazer uma careta em desaprovação. – Talvez eu só quisesse girar sua cadeira, pra mostrar isso. – E assim ele o fez, girando a cadeira da menina rapidamente, de modo que ela mal teve reação.

Seu único foco foi direcionado a página da inscrição de Midlesex que tinha acessado um pouquinho antes de chegar, e tirar sua concentração. paralisou por segundos, vendo os escritos “Aprovada” em verde na tela, com vários pontos de exclamação.

- Talvez eu não quisesse te beijar, gatinha. – Ouviu ao pé do ouvido, fechando os olhos involuntariamente. viu de soslaio a garota morder levemente os lábios, e em dois segundos, estar pendurada em seu pescoço. –

A risada dele ficou alta assim como os gritos que ela dava, certamente para quem estivesse ouvindo, os ruídos que ambos estavam fazendo não causaria uma boa impressão, mas a verdade era que, sabe-se lá como voou em , pulando em seu colo, entrelaçou suas pernas na cintura dele, gritando por ser aprovada, e ele estava rindo por isso.

- EU CONSEGUI! – segurou o rosto dele, viu todos os dela naquele sorriso. –
- Mas isso é um milagre! Eu não sabia que você era tão inteligente!
- Idiota! – Ela gargalhou rolando os olhos e aos poucos fora descendo de seu colo. –
- Gostosa.
- Você não disse isso. – Acenou negativamente já saindo de seu quarto. –
- Pois eu pensei que estivesse acostumada a ser tratada como objeto já que você namorava o Kile. – parou subitamente no corredor, vendo a ultrapassar. –
- Objeto?
- Escapou. – sorriu de lado de maneira sarcástica, descendo as escadas num trote. –

Com uma respirada funda a garota continuou andando. De fato, Aidan não era o melhor cara do mundo, mas isso não a fazia um objeto dele. Ou era o que ela pensava. Enfim, Aidan já não era mais assunto de discussão, afinal, há dois meses não tinha noticias dele ou o procurava, o que provavelmente denunciava que ele havia arrumado outra.

- Tomou banho? – Foi a primeira coisa que ouviu ao entrar na cozinha. Viu todos os garotos sentados na mesa redonda de vidro preto a olhando, já com cervejas em mãos. –
- Há, isso foi engraçado. – fingiu rir enquanto via o irmão vir ao seu encontro lhe dar um abraço de urso. –
- E aí, foi muito assediada nesses dois meses? - perguntou. –
- É, aos poucos eles foram indo embora... É muito doido tudo isso.
- Da próxima à gente te leva, e falando nisso... – virou-se para os garotos e instintivamente trocou olhares com e . – Não temos um show marcado semana que vem em Amsterdam?

Primeiramente porque: sabia que havia sido aprovada pra faculdade.E em segundo lugar: fora o encarregado de levá-la até o local da prova e também de passar despercebida. Obviamente eles estavam em turnê na época, no entanto, em uma das folgas de final de semana, voltara para a cidade resolver algumas coisas pessoais, e essa fora a deixa.

- Passando essa semana, na outra. – respondeu tomando um gole de sua cerveja. –
- Então... Você pode começar a viajar com a gente.

Fora um segundo de olhar, ela viu os dois acenarem com os olhos para que contasse.

- , eu fui aprovada numa faculdade. – Comprimiu os lábios observando o irmão entortar a cabeça, confuso. –
- Então você conseguiu mesmo? – falou alto, tirando a concentração de todos para ele, em dois segundos o menino já havia se levantado, instantaneamente abraçando pela cintura, estalando um beijo no rosto dela. Fora tão demorado que, além de tudo, entortou ainda mais a cabeça pela intimidade de com ela, e por ser o único que não sabia daquilo. –
- Tudo bem... – Fez um gesto com a mão. – O sabia?
- Desculpa, cara. – abriu os braços se encostando ao lado dela. – Eu não podia contar.
- Ah, ótimo. Meus amigos fazendo complô com a minha irmã.
- Que complô, , para de viajar. Escuta – respirou fundo. - sabia porque me passou as instruções da Midlesex, e porque ele me levou para fazer a prova sem ser vista, e olha, isso realmente não importa porque, EU PASSEI! Vou fazer jornalismo! – Disse animada, mordendo os lábios ansiosa pela reação de . -

O garoto apenas ficou a olhando por intermináveis segundos. Entortou a boca, fechou os olhos, respirou fundo.

- Se você queria fazer uma faculdade, era só me pedir. – Fora à vez dela de fechar os olhos, cansada. –
- , não me leva a mal... Eu só quero ser um pouco normal, trabalhar e pagar isso. Essa vida que você leva é maravilhosa, mas...
- Aceita que você não é mais... Normal. – Ele disse abrindo de leve os braços. –
- Eu serei normal se eu quiser ser. – Respondeu; -

Era isso.
abaixou os olhos e sorriu torcendo pra que ninguém percebesse que era disso que ele sentia falta o tempo todo. De uma pessoa que tinha as melhores respostas na ponta da língua. Ela sempre fazia alguém ficar sem ter o que dizer, e na maioria das vezes, esse alguém era ele. Vulgo, essa pessoa era desde que ele a conhecera.

- Você puxou o lado chato da família. – bufou indo se sentar novamente. – Mas ok, se quiser sofrer pra pagar, é uma escolha sua.
- , eu não estava te pedindo permissão, mas fico feliz em saber que você me apóia.
- Definitivamente eu não irei pagar sua faculdade.

soltou um riso alto se desencostando da bancada para agarrar o irmão. Seu corpo caiu pelo dele todo molenga; nunca conseguia se desprender dela daquela forma por mais que fizesse força. Dessa forma ela o beijou várias vez no rosto sem receber resposta nenhuma, e no fim, foi empurrada pra longe. É, essa era a forma normal de demonstrar seu carinho, ou seja, isso queria dizer que tudo estava parcialmente bem.

***


Por volta das duas da manhã, quando a conversa e a cerveja acabaram e finalmente todos estavam realmente esgotados, voltou para seu quarto vendo as costas de a sua frente. O conforto vinha de que ela não estava mais sozinha naquela enorme casa, embora o seu “boa noite” fosse sido um arroto alto de assim que entrara no seu quarto, o bom era que o único ser que ela tinha na vida estava ali com ela, e isso já era demais.
só percebeu que estava realmente mudando ao deitar-se pra dormir. Tudo bem, dois meses já haviam se passado, mas em nenhum corrido ela tinha se esquecido da sua antiga vida, do que costumava fazer naquele horário em Manhattan, e o melhor, do seu anonimato. Agora entrar em qualquer rede social já não era mais “normal”; as páginas de eram agora compostas por fotos suas e até mesmo, páginas próprias; essas eram pouquíssimas, mas existiam. Eram fotos dela que ela mal imaginava que alguém pudesse ter acesso.
A garota só dormiu depois de uma hora deitada na cama, sem perceber. Sem fazer esforço e com o celular nas mãos, ato que só percebeu quando o mesmo vibrou em cima do seu peito no dia seguinte, às 13:00 da tarde, a fazendo acordar irritada.

- Boa tarde? – ouviu um tom duvidoso, já sentando-se na sua cama. Tirou a coberta do corpo e coçou os olhos; da janela podia sentir o clima quente e ver o céu estonteantemente azul do lado de fora. –
- Como você tem meu número novo? – Perguntou de volta para ; Há dois anos ela havia trocado seu número, e dois anos atrás ela já tinha perdido o contato com ele. –
- Gatinha, qualquer garota amaria que eu tivesse o número no meu celular, e não faria uma pergunta dessa. - A garota rolou os olhos, se levantando da cama. –
- Que pena, , eu não sou “qualquer garota”, e alias, te conheço muito antes de você ter criado esse ego inflado e idiota.
- Ouch, parece que alguém acordou de mau humor! Nem parece que pulou no meu colo ontem e gritou no meu ouvido rindo. – ironizou soltando um risinho. Sem saber porque, sentiu um calafrio no estômago apenas por imaginar a ambiguidade da situação. Ela sabia que ele não estava falando no sentido sexual porque eles se quer tiveram um momento sexual, mas por imaginar por esse lado; Seu corpo hiperventilou. –
- O que você quer? – Respondeu alguns segundos depois já encarando seu reflexo no espelho do banheiro. –
- Eu só queria ouvir sua voz. – Era normal sentir o coração dar um tranco? fechou os olhos com raiva. –
- Para de palhaçada!
- Seguinte, eu estou indo ai, chego em quinze minutos e ai a gente vai pro shopping.
- E por que necessariamente eu preciso ir? Que merda aconteceu? – ouviu o bufo do outro lado da linha. –
- Gatinha, eu preciso de uma personal Stylist. Temos um photoshoot na segunda e a Teddie viajou, sem falar que você precisa sair de casa.
- E você acha que sair pela primeira vez de casa com você, vai ser uma boa coisa? – Ele riu gostoso. –
- Você não sabe o quanto eu gosto quando você despreza a minha companhia.
- Não respondeu minha pergunta.
- Te pego em quinze minutos, estou saindo de casa, gatinha.
- Para de me chamar de gatinha. – disse entredentes. –
- Gatinha. – Ouviu um sussurro. –

Sem esperar confirmar, desligou a chamada já dando partida no carro, girando o botão do som.
Com cinco minutos a mais o garoto chegou à casa dos , estacionando o carro bem atrás do de , como a rua da casa do amigo não era muito movimentada e o bairro era bem protegido pelo número de “celebridades” na região, não havia nenhuma fã doida por ela, porém, apertando os olhos, o garoto conseguiu achar entre os arbustos a duas casas dali um paparazzi. Realmente, havia pegado o jeito de achar um deles o espionando, e era por esse motivo que todos diziam que era praticamente impossível tirar alguma foto dele sem que o mesmo percebesse.
Ele desviou a atenção daquilo já botando seus óculos e saindo da casa. Obviamente em quinze minutos provavelmente não estaria pronta, porque simplesmente era mulher, então foi preparado para esperar algum tempo a mais; e foi por isso que ao abrir a porta da casa e ver , parou surpreso.
havia acabado de sair da cozinha, dando de encontro com ele no Hall de entrada, por precaução só empurrou a porta com o pé, fechando-a, mas tal ação foi automática porque ele não estava prestando atenção nisso.
começou nos pés onde ela vestia uma sandália de salto na cor nude. Usava uma saia justa com estampa do exercito e uma blusinha básica branca regata, e por fim, seus cabelos estavam jogados pelos ombros, embora a cada mexida de cabeça ele se colocasse em uma posição diferente. E mais uma vez, ele olhou de uma maneira diferente. Notou que seu corpo estava mais avantajado na roupa, que ela havia mudado sem parecer mais àquela garotinha que estava acostumado. Seus seios estavam maiores e suas coxas também. estava completamente confuso e fixado no fato de que sua inocente amiga, agora havia virado um perigo porque, ele sabia que com tão mulher daquele jeito, ele perto daquilo era uma bomba de testosterona.

- Ei! – Pela segunda vez ele voltou à atenção a ela pelo estalo de dedos na sua cara. – Tudo certo? – Observou-a sorrir de lado. quis se bater por deixar tão explicito que estava babando. –
- Com toda certeza, e com você, gatinha?
- Babaca. – A garota bufou passando por ele e pegando sua bolsa preta do cabideiro ao lado da porta. – Estou pronta.
- Você me surpreendeu com a rapidez. – Ele coçou o queixo. – Garanto que não tomou banho.
- Mais uma e você vai sozinho.
- Qual é, gatinha...
- Eu vou dar na sua cara. – disse virando rapidamente, sentiu dar um tranco a centímetros dela pela parada súbita. –
- A gente sempre teve esse momento dramático perto um do outro de quase beijo, ou eu estou fantasiando? – O garoto entortou a cabeça olhando diretamente nos olhos de .

Os dela ziguezaguearam olhando nos seus, e por um segundo teve a certeza que ela tinha a resposta. O fato de que sempre parecia o olhar com algo a mais o fazia sentir que estava faltando um pedaço da história dos dois que ele definitivamente tinha esquecido, ou seja, não era só o que ele imaginava ser. não podia ter parado de falar com ele só porque ele fora embora como pensava. Seus olhos diziam que havia algo mais, ela carregava algo mais que estava enlouquecido pra saber. Talvez só por esse motivo, ele estivesse cada vez mais disposto a estar perto dela. Ele já tinha pensado, e pensava o tempo todo nisso: Sentia falta daquela garota só pelo que ela era. Pelo enigma que era obrigado a descobrir porque ela não contaria. A curiosidade fazia qualquer um mergulhar nela pra saber mais. Estar próximo de era perigoso por isso. Ele não sabia até onde poderia obter autocontrole sobre ela; e a coisa só ficava ainda pior quando ele a olhava de cima abaixo.

- Acho que você esta fantasiando. – A garota mordeu os lábios abaixando o olhar, seguidamente já foi saindo da casa deixando-o pra trás. –

a seguiu um pouco mais devagar sem conseguir responder e nem raciocinar direito por um tempo. Foi a observando botar os óculos escuros; destravou o carro antes que ela entrasse e percebeu a rapidez que entrou no seu banco passageiro. Com uma olhada desaprovadora ele olhou diretamente para o paparazzi que agora tinha notado que havia o visto, se escondendo novamente e só então, entrou no carro completamente.
- Sério que ele se escondeu? – Tornou o olhar a ela; olhava diretamente para o homem no arbusto. –
- São uns babacas, embora só estejam fazendo o deles.
- Isso foi gentil saindo de você. – tentou controlar os olhos ao ver a garota enfiar a mão no meio das coxas torneadas e bronzeadas. Mordeu seu lábio forte, arrancando com o carro de supetão, o barulho do engate foi alto. –
- Eu posso ser muito mais gentil que isso. – Sentiu-a o olhar, pela arrancada nada “gentil” que ele dera com o carro, a frase fora contraditória. –
- O que você quer dizer?

Ele alternou o olhar da rua para ela. viu o sorriso do menino se alargar gradativamente, fora hipnótico, questão de míseros segundos que pareceram grandes demais, então ele voltou a olhar pra frente sem fazer menção de que iria responder. Voltando a morder os lábios, ainda com o sorriso diferente. sentiu novamente o calafrio na boca do estômago. Torceu para que ele não tivesse percebido a suspirada longa que dera para aliviar a tensão no corpo que aquele sorriso lhe causara. Só aquele sorriso sem significado, ou que ao menos ela não sabia. Apertando suas próprias coxas novamente. Só que aquilo com toda certeza ele tinha percebido.

- Quando você começa? – perguntou aleatoriamente. –

Depois de quase duas horas no shopping finalmente havia escolhido um conjunto para a nova gravação; Embora ele soubesse que podia escolher sozinho como na maioria das vezes ele fazia, parecia ter caído na desculpa de que Teddie havia faltado até o momento. estava torcendo para que ela não descobrisse que não havia Teddie nenhuma.
Naquele atual momento ele e estavam andando em passos lentos em uma área isolada, perto do estacionamento, tomando seus sorvetes.

- Quarta.
- Nossa sua animação me contagia. – Falou sarcástico enfiando uma colherada na boca vendo-a revirar os olhos. – Qual é o problema, ? – Indagou logo depois. Há tempos não a chamava pelo apelido. –
- É que só faz dois meses e parece que... – parou de andar, desviando o olhar de . Ele pode ver os olhos da menina marejados. – Cada passo a mais é como se eu tivesse deixando meu pai, sabe? Ele está lá em Manhattan e eu aqui começando uma faculdade e...
- , seguir em frente não significa que você está deixando seu pai ou muito menos o esquecendo. – Entortou a cabeça, deixando o sorvete de lado. sentiu-o dar um passo a mais até ela. –
- Foi rápido demais. . Eu já estou aqui, e já estou vivendo, e é como se o tempo voasse. Eu tenho medo disso.
- Você sempre foi medrosa. – Brincou a fazendo soltar um riso mal humorado. –
- Na sua época.
- Não. Você sempre teve medo de viver. - Dessa vez a voz dele se tornou seria; ergueu a cabeça para olhá-lo diretamente. tinha os olhos compenetrados nela, em seu rosto. –
- Bom, o verbo “viver”, é subjetivo. Cada um faz isso de um jeito.
- , eu te conheço, vamos lá. – O menino riu de leve. – Dentro de você têm outra pessoa animada e doida que se for chamada às três da manhã pra correr no meio de uma pista, aceita! E agora, o que você fez esse tempo todo?
- Eu vivi do meu jeito junto com o Aidan e acho que...
- Viveu com o Aidan? – Ele a cortou. engoliu seco vendo os olhos severos de a repreenderem; por um segundo seu corpo todo estremeceu. – , seu pai odiava esse cara e com razão! Sem falar no , e no quanto ele é um idiota. Você sabia o quanto ele era babaca e como tratava as meninas, que merda você tem na cabeça pra se envolver com ele? – As veias do pescoço dele saltaram, mal respirou pra falar enquanto fazia gestos com os braços. –
- Eu estava sozinha. Vocês sumiram, meu pai estava mal.
- Você podia ter falado com o , comigo...
- Com você? Você esqueceu tudo, ! Você sumiu! Você deixou tudo pra trás! Você nem deve se lembrar direito...– Aumentou a voz, mas ao olhar para ele parou de falar. estava a olhando mais sério do que antes, com um biquinho que ele só fazia quando estava irritadamente confuso.
- Eu não lembro de quê?
- Do dia que você foi embora. - Ela arqueou as sobrancelhas. –
- É claro que eu me lembro! Eu não consegui me despedir! Acordei atrasado pro voo. Mas já disse, não foi motivo suficiente.
- , você não... – Então realmente, não se lembrava de nada! Seu rosto sumiu no mesmo segundo ao constatar aquilo. -
- O que foi? – Ele chegou um pouco mais perto percebendo que o semblante dela estava horrivelmente estranho. –
- Eu quero ir embora. Isso foi uma péssima ideia. – murmurou, mesmo assim o menino escutara. –
- Uma péssima ideia? Eu quis passar um tempo com você!
- Sorte você não estar bêbado.
- Quê?
- Só me leva embora.
- Você está me irritando! – O garoto disse enquanto a seguia para o carro. Mesmo apertando os passos, fora alcançada por ele logo que chegou. –
- Esse não é motivo suficiente pra ficar chateada, não é?
- Obviamente que ir embora não! – fez um gesto óbvio. – Éramos amigos e... Eu ia te ligar, . Eu ia te ligar e eu tentei a cada semana te contatar...
- Isso não importa mais, entende? Passou. Foi há três anos. – Mentiu. –
- Então por que você age como se tivesse uma peça faltando?

Ela ficou em silêncio, obrigando a cortar aquilo.

- Se fosse tão importante, eu lembraria. – Aquilo fora um soco em seu estômago. sentiu os olhos arderem. – Eu não me despedi e já pedi desculpa...

Ela entrou no carro no meio de sua fala.
Então era verdade, havia algo que ele não se lembrava, porém, como não se lembrava? se recusava a aceitar a ideia de que esqueceria algo que parecia ser crucial sobre .
Com uma respirada ele a seguiu entrando no carro logo depois. estava quieta olhando para o lado oposto dele. O menino passou o olhar por ela sem disfarçar, esperava que ela soubesse que ele a olhava mesmo, notou que seu corpo estava ouriçado, naquele horário realmente, Londres esfriava. só desviou o olhar para o movimento brusco do menino pegando algo no banco de trás; colocou uma blusa de moletom cinza em suas pernas, fora só então que ela o olhou diretamente.

- Você pode não falar, mas seu corpo fala. – Fez um gesto com a cabeça, passando os olhos pelos braços dela, fez o mesmo. – Para de marra que comigo não tem essa.
- Marra?
- Você também pode ter se esquecido de que comigo você não consegue ficar brava, gatinha.

Ela apenas fez o que ele havia pedido.

***


Depois de deixá-la em casa, voltou para o seu apartamento que também não era muito longe dali. Embora a tensão da pseudo briga tivesse passado, ele ainda estava irritado com a falta de memória.
Por horas ficou deitado em sua cama pensando; queimando neurônios pra entender o que tinha acontecido, ou que no fundo ele deveria saber, mas era como se tivesse apagado tudo da sua mente.
Ele somente se lembrava direito do dia anterior a que fora embora. Naquela semana ele e tinham se beijado num bar, essa era a única coisa que se lembrava. Ambos saiam muito juntos para todos os lugares possíveis e quase todas às vezes junto com , mas naquela semana especifica, tinha pegado um resfriado e a pedido do próprio, para que não perdesse os dias lá, e ele foram sem um integrante da trupe, e foi então que aconteceu.
Nem por um segundo ele culpava as bebidas que tinham tomado, por mais que estivessem um pouco bêbados com o que tomaram naquela noite, se lembrava perfeitamente do beijo dela. De como ela havia segurado seus cabelos com sutileza. Toda vez que pensava nisso era como se pudesse sentir de novo, de fato, ele nunca imaginou que teria tanta química. Pelos dias que continuou por lá eles continuaram se beijando, obviamente sem saber. Não era nada selvagem demais, como fugitivos, era até cauteloso demais. Só que ai foi aquela; uma hora ambos sabiam que teria que acabar. não aceitaria de forma alguma que sua irmã de 17 anos se pegasse com seu melhor amigo de 19. Não, a diferença não era grande e nem era esse o problema. o entendia porque, realmente, perto do amigo só falava de mulheres, sem falar que nunca fora bom demais para as meninas que pegava em Manhattan, afinal, ele não morava lá. Muitas vezes era apenas uma noite de transa e, fim.
jamais aceitaria que fizesse isso com , não que esse fosse o intuito dele, mas, explicar a situação para era cansativo demais, e pesando na balança todo esse fato apenas para poder beijá-la na frente; eles podiam fazer escondido, e era mais gostoso assim.
No entanto ninguém deles previa o que viria depois disso. fora embora um dia antes do diagnóstico de Donna, de ressaca sem mal ter tempo de se despedir dos amigos por quase perder a hora, e desde então, perdera totalmente o contato com . Mesmo no enterro da mulher, não recebeu um olhar ou algo a mais da menina. Ele fora completamente retirado da vida dela sem saber por quê.
Não era como se ele tivesse a deixado, como dito. Ele tentou ligar, mesmo sem parar sua vida, não era como se não se importasse. Muito pelo contrario, ele pensava nela toda santa semana. Sentia falta de contar as novidades pra ela, sentia falta dela. Por pior que parecesse, por muito tempo sentiu desejo do beijo dela; mas fora uma coisa que foi passando, que adormecera dentro dele, um desejo que ele nem sabia que ainda existia, até vê-la de novo, e muito melhor do que estava antes. já era bonita e cativante enquanto novinha, inocente, sempre protegida por e Tom. O tempo e as circunstâncias haviam a feito crescer, e melhor, se tornar uma mulher ainda mais encantadora do que já era.

por sua vez havia feito o mesmo que ele. Chegou a casa, passou pela sala observando compenetrado em seu jogo junto com , eles acenaram pra ela antes que a menina subisse, e por fim ela chegou no quarto se jogando por lá.
Mesmo que não quisesse e há anos tivesse posto na mente que nunca mais iria pensar no assunto envolvendo ela e , com ele por perto era inevitável. não sabia, mas assim como ele, sentia o ar faltar por vezes quando estava perto, e achava estranho porque achou que essa sensação já tivesse passado. Que não fosse mais afetá-la, até vê-lo de novo. Talvez fosse por esse motivo que o evitou. Pensou.
Num pulo só, a menina levantou da cama direto para o banheiro. Não soube quanto demorou, mas ficou por lá, cantando, passando o tempo na banheira. Não que sempre tomasse banho na banheira, geralmente só era uma ducha, no entanto naquele dia sentiu que seu corpo precisava de mais relaxamento.
Já havia se passado horas desde que havia deixado-a em casa, era por volta das dez da noite, algumas horas que ficara pensando e mais outras no banho. Desviou o olhar do celular, se enrolou na toalha e abriu a porta do banheiro, dando um grito ao ver parado em frente a sua porta da varanda. Sentiu os olhos dele percorrem todo o seu corpo quase exposto e ainda molhado já percebendo que aquilo não era mais um devaneio seu sobre ele.

- Você.Tá.Querendo.Me.Matar? – Gritou pausadamente, botando uma das mãos no rosto. –
- Não, eu to querendo te roubar. – o viu sorrir abertamente quando tirou a mão do rosto; -
- Leva o que você quiser, só não faz mais isso comigo. – Disse já caminhando para a cama onde estava seu pijama; estranhou tudo quando afasto-o de si, jogando para o lado oposto da cama, viu-a engolir seco. –
- Eu quero roubar você. – O menino chegou um pouco mais perto, virando-a rapidamente pela cintura, sua mão apertou ali, levando em consideração que a toalha era fina, sentiu seu corpo; era como se já tivesse sentido aquilo, como se o corpo dela não fosse estranho. Dessa forma foi a guiando para o closet. –
- O que você está fazendo exatamente?
- Estou te raptando pra sair. Escolhe uma roupa melhor, e vem comigo. – O menino soltou-a dentro do closet, encostando-se no batente da porta com os braços cruzados. virou-se para ele segurando a toalha com uma mão só. Por um segundo ela fantasiou na mente que poderia correr até ele e beijá-lo. –
- Você quer a doida e animada que topa sair correr pela pista às três da manhã? – Sorriu sem mostrar os dentes. –
- É. Mas ainda não vamos correr na pista, não são três da manhã. – riu e ficou o olhando por algum tempo, sendo retribuída. –
- ?
- Sim?
- Já pode sair.
- Sair?
- Eu preciso me trocar.
- Está frio. Só pra avisar. – O menino falou indo até a cama e se sentando lá. –

foi rápida. Pegou uma calça jeans rasgada clara, um cropped na cor preta que ia até um pouco acima do seu umbigo, não muito estampado, tinha algumas linhas em X, deixando seus seios um pouco expostos; por cima jogou uma jaqueta de couro preta, e por fim, nos pés, calçou uma sandália preta. Bagunçou os cabelos, passou um gloss e uma base nada forte, o rimel que não poderia faltar, e por fim saiu do closet.
se levantou lentamente a olhando. Não era normal num só dia tê-la visto quase nua, e agora estupidamente gata. Ele não sabia por que, mas olhar pra ela daquele jeito chegava a lhe dar arrepios. Odiava que ela tivesse passado pela puberdade, porque, que homem normal não a olharia da maneira que provavelmente ele estava a olhando, diante daquela puta mulher?
Seu subconsciente tinha traçado . Dentro dele rolava um tipo de ligação, desde que ela chegara. não era coisa nova no pedaço, mas era como se fosse. queria ficar o tempo todo perto, queria acabar com o tempo perdido, e melhor, queria descobrir o que era aquilo que tinha entre os dois.
- , sabe que você ta aqui? – Ele ouviu ao longe. – !
- Não, não ele não sabe. – o viu gaguejar, passando as mãos nos cabelos. O sentiu perdido alguns milésimos. –
- Oi?
- Ele não sabe que eu estou aqui. Muito menos no seu quarto. – O garoto entrou em um pseudo desespero. – Já terminou?
- É melhor você se esconder então.
- Como assim? Vamos logo. – grudou em uma das mãos dela, mas, mais rápida que ele, abriu o closet e o jogou lá dentro junto com ela, fechando a porta logo em seguida. –
- !

Ouviram um pouco distante. trocou olhares com , grudada junto a ele perto da porta do closet. Não era necessário já que o lugar era grande e eles poderiam transitar a vontade, só que estavam ali grudados como se estivessem num armário de vassouras.

- !
Dessa vez ele já estava dentro do quarto. Bem perto do closet. e fecharam os olhos.

- Oi? – Ela respondeu recebendo um olhar reprovador de . –
- O que você está fazendo?
- Como assim? Eu to me trocando. – Respondeu. De desaprovador, o semblante de mudou como se estivesse segurando o riso. –
- É que eu ouvi umas vozes...
- Deve ser a TV.
- Mas ela esta desligada.
- Porque eu acabei de fazer isso. – arqueou a sobrancelha, pensativo. –
- Tudo bem. Comprei comida italiana... vai passar a noite aqui.
- Ok.

soltou-se de passando as mãos nos cabelos.

- Porra, como você entrou aqui? – Ela esbravejou. –
- Pela varanda, e outra, não iria deixar você sair.
- Eu aposto que tem um motivo pra isso.
- Tem. – abriu a porta do closet, já indo direção a varanda, seguiu-o com um bufo. –
- Será que você é capaz de me dizer? – Ela cruzou os braços vendo-o parar no meio do caminho. –
- Porque sou eu, . – virou-se bruscamente em direção a ela, chegando perigosamente perto. –
- Isso devia me fazer desistir? – Murmurou. Sentiu seu coração ir a mil só pelo brilho que os olhos dele deram, junto com o sorriso de lado. –
- Você quer?

Ela ficou em silêncio por uns instantes. ficou lá a observando apreensivo até que a viu sair antes dele pela varanda, já pulando o batente para a escada ao lado.

- Era o que eu imaginava. – entortou a cabeça a seguindo. –

O carro estava do outro lado da rua, na parte de trás da casa. tinha a certeza que alguém os pegaria isso era óbvio. Durante o caminho poucas palavras foram trocadas, e se concentraram na música de final de verão. Sim, era verão, mas de vez em quando a noite esfriava.
Apenas quando o garoto estacionou numa rua sem saída, antes de sair do carro, sentiu o parar, segurando seu antebraço.

- Por que... Tudo isso? – Mordeu os lábios, tirando as mãos dele lentamente. –
- É sua comemoração, gatinha, você é uma universitária agora. – Ele sorriu abertamente, parecendo estar mais animado que ela. Aquilo de apoiá-la cem por cento fazia seu coração esquentar cada vez mais. Sim, estava adormecido. Mas ele estava acordando de novo, era um perigo. –
- Eu não sei se isso é uma boa ideia. – Murmurou nervosa, mordendo mais forte os lábios. se endireitou melhor no banco. –
- Já estamos aqui. Solta a sem medo nenhum ai dentro e vem comigo, vivíamos fazendo isso. – Novamente ela fez aquela feição de que sabia de alguma coisa. engoliu seco. Precisava saber. – Vamos.

sentiu-o agarrar suas mãos cautelosamente e guiá-la para um beco escuro, primeiramente achou estranho, mas só foi deixando ser levada até pararem em frente a uma porta de ferro ao lado de uma lixeira. De primeira sacou: Era a porta dos fundos de algum lugar. Que por sinal fora aberta instantaneamente por um pouquinho antes de eles realmente chegarem até lá. arregalou os olhos trocando olhares com e com ele, ambos sorriam abertamente.

- Não achou que ia curtir sua primeira balada em Londres sem mim, achou? – Indagou divertido já a puxando com uma das mãos. Por fim sentiu largar as suas.
- Até você? – Ela parou de andar para cumprimentar , ainda na parte de dentro da cortina, uma cortina que daria provavelmente para o salão da festa. O lugar que eles estavam parecia ser um tipo de depósito de copos de plástico e coisas de festa. –
- Fiz parte do plano. – Fora inevitável não observar a mordida no lábio que ele dera enquanto a olhava sem desviar os olhos. Não sabia direito se sempre fora o jeito dele de conversar, porém se fosse, tinha algo muito errado com ela ali. –
- Ele despistou lá na frente só pra podermos entrar aqui por trás sem sermos vistos. – explicou enquanto a empurrava para porta. –

Para uma balada, aquele lugar era incrivelmente arrumado. estava acostumada apenas com pessoas pulando ao som da música, no entanto, mesinhas de todos os tipos estavam distribuídas nas extremidades daquele salão. Em um pedaço havia um palco com os escritos “Karaokê night” embora uma música de balada rolasse alta enquanto ninguém cantava. E todas as pessoas que estavam lá, lotando o lugar, por hora estavam completamente comportadas; algumas delas dançavam, mas não era nada exposto demais.

- É uma “balada Karaokê”. – disse em seu ouvido em conjunto com uma mão um pouco acima do seu cóccix enquanto andavam para a mesa reservada. -
- É aqui. – Os três se sentaram, vulgo, se jogou lá, já pedindo shots. –
- Bom, vai saber que eu não estou lá.
- Isso é algo que você pode explicar amanhã. – falou entregando a dose que havia acabado de chegar a mesa deles. –
- É sua comemoração, só curte e o resto deixa por nossa conta. – levantou o copo, seguido por e por ultimo . Brindando e tomando num só gole. –

Sinceramente, nenhum dos três viu o tempo passar ou o que aconteceu direito depois do quarto shoot de tequila.
só estava lá no meio em um determinado momento da noite dançando uma música intensamente agitada com ao seu lado, que por sinal se esforçava para dançar, mas no fim caia na gargalhada. Só por aquele segundo, notou que não estava perto deles ou na mesa, o que seria de se esperar já que ele, assim como ela, tinha bebido bastante e estava atordoado. Mas não. Ele não estava em nenhum lugar que sua vista alcançasse.
girou o corpo ainda dançando sentindo em seu cangote, logo deslizar as mãos por sua cintura, dos dois lados dela. Um arrepio gostoso a tomou, no entanto, nada comparado com fogo. Ela não sabia se estava capaz de sentir qualquer coisa naquele estado.
Só que mesmo assim, ela queria achar . Talvez ele estivesse passando mal, ou qualquer coisa do tipo. só parou de dançar, virando-se pra . Percebeu que estava perto demais quando sentiu seus narizes se roçarem ao fazer aquilo, sendo segurada por ele na cintura.

- Tudo bem? – Perguntou em seu ouvido. Pode sentir melhor o perfume dele, lutando para não fechar os olhos. Estava bêbada. Estava bêbada. Estava bêbada. –
- Você viu o ?
- Ele saiu daqui faz uns minutos... – olhou em volta ainda segurando . –
- Eu vou... – Mal deu tempo do garoto responder algo, foi se esgueirando pelas pessoas até a saída de trás. Queria respirar. –

Foi andando tão rápido que em segundos chegara do lado de fora, na parte de trás, a mesma pela qual tinha entrado. Abriu a porta de supetão na esperança de se sentar em um dos degraus, porem parou instantaneamente, como se tivesse dado de cara em uma parede, e realmente, era como se tivesse feito isso.
estava parado ao meio daquele beco, que não era muito grande, junto a uma morena, segurando sua cintura, mas não era como se estivesse a instigando para algo. Pelos minutos que não foi notada, conseguia o ver afastar o rosto das investidas de beijo que a garota dava.

- Nossa, me desculpa... – Acenou rapidamente indo atrás da porta que tinha escancarado quando por fim eles a notaram. De fato, não era pra se sentir tão irritada como ficou. Mas tinha por si que se saísse dali rápido iria conseguir se controlar. –
- Não, a gente só estava... Melissa, essa é a . – afastou a garota que estava agarrando, visivelmente desconcertado, diferente da mesma que ria como se tivesse ganhado o prêmio Nobel só por que estava passando a mão nela.-
- Eu sei. Irmã do .
- Conhece meu irmão?
- Mais do que você pode imaginar. – Ela sorriu. viu travar os olhos nele em reprovação. Então eles trocavam de meninas também? –
- Uau. – Cambaleou sorrindo de lado. Não conseguiu evitar. –
- Acho que o tesão acabou por aqui. Nos vemos. – Melissa passou por rapidamente. Por segundos a menina ficou ali tentando neutralizar suas emoções. –
- Não é tão horrível assim quanto você pensa. – Abriu os olhos vendo andar lentamente até ela; o garoto coçava a nuca enquanto fazia isso. –
- O quê? Fazer troca-troca? – Ironizou passando a língua nos lábios. – Vocês sempre foram nojentos, mas não pensei que fosse a esse ponto.
- Ela me agarrou!
- É, você não quis fazer nada num beco escuro...– Ela riu mais uma vez. – Foda-se. A noite acabou, eu vou embora. – Disse, fazendo caminho para voltar. percebeu que ‘’ir embora’’, não o incluía, o que denunciava que pediria para levá-la. Seu sangue esquentou por isso. Não que tivesse ciúmes do amigo. Ou melhor, que tivesse ciúmes de ? Só achava que estava responsável por ela. –
- Para de me deixar falando sozinho. – Ela sentiu seu braço ser segurado sutilmente por ele, ficando ainda mais perto. Muito perto. –
- , você vai se esquecer de tudo isso em vinte e quatro horas. Desencana. – falou cansada. Não era nenhum tipo de provocação. Só saiu provavelmente do seu subconsciente. Só percebeu que tinha o irritado quando abriu os olhos. estava vermelho. –
- Mas que caralho! – Urrou. – Do que você ta falando, ? Eu esqueci alguma coisa. ÓTIMO. O que é? – Ele esbravejou botando as mãos na cintura. –
- Você não se lembra mesmo? – Murmurou entortando a cabeça. acompanhou a cabeça da menina cair pelos ombros e seus lábios se comprimirem. –
- Eu to com cara de quem lembra? – Esbravejou, apontando para si mesmo. A grosseria dele fez se afastar um passo, engolindo seco. –
- Não é muito importante. Como eu disse, você vai...
- Se você não me disser agora, eu vou dar meia volta e vou embora.
- Então vai! – Em dois segundos a feição dela mudou. viu as veias de seu pescoço aparecerem. – Faz o que você sempre fez, ! Some!
- Mas que droga! – Gritou de volta. – EU NÃO TE DEIXEI! VOCÊ ME AFASTOU!
- Tem certeza? – perguntou entredentes. viu seus olhos levemente avermelhados. – Porque quem acordou sozinha naquela cama no dia seguinte fui eu!
- Que cama, garota? Você ta maluca? – Riu de lado. –
- Ai, meu Deus, eu te odeio. – Tapou a boca exasperada. Seus olhos borbulhavam injuria. –
- É isso que você tem pra me dizer? – Abriu os braços, irritado. –
- O que você esperava? Que eu te agradecesse por tirar minha virgindade e ter ido embora? E melhor, não se lembrar disso?
Eu o quê? – Sua voz falhou. Por um segundo sentiu o coração parar. –
- É isso aí. Satisfeito?
- Para de brincar. – A voz dele ficou séria. –
- Vai a merda, . – Esbravejou irritada, comprovando para que era verdade. –
- Isso não tem graça, . – Respondeu no mesmo tom. –
- E por acaso eu estou rindo?

Os dois ficaram em silêncio por pelo menos dez segundos.

- Então é por isso que...– Fora vez dele de passar a mão no rosto. – Eu não quis fazer isso.
- É isso melhorou muito as coisas. – riu visivelmente chateada. –
- Não quer dizer. Não que eu não quisesse... Puta que pariu.
- Dane-se. Você não vai se lembrar disso amanhã mesmo.
- Para de falar assim! – a olhou. –
- É só a verdade.
- Olha, não é porque eu esqueci que você foi como... Qualquer uma... – Viu-a sorrir, passando a língua nos lábios. –
- Você não podia ser mais sarcástico que isso. Olha, pra mim deu. Vou chamar o .
- Não.

Novamente foi parada por ele a puxando, dessa vez além de puxá-la para perto, juntou ainda mais seus corpos segurando sua cintura; naquela altura seus corpos estavam totalmente colados.
trocou olhares com ela por cinco segundos até começar a fazer caminho em direção para seus lábios. só notou que o efeito da bebida estava passando quando sentiu o estômago na boca, como uma pedra de gelo. Quem dera estivesse bêbada. E pior que isso, não estava com pressa alguma. Sua ação estava lenta, e não era só por causa da sua imaginação. O movimento que estava fazendo era em câmera lenta propositalmente.
Ele queria se lembrar.
apertou mais sua cintura pra tentar se lembrar da sua pele. Deslizou uma de suas mãos da cintura dela lá para cima, até o pescoço da menina, afastando o cabelo que tapava o seu pescoço, olhando diretamente naquela parte imaginando que poderia ter se deliciado ali; Finalmente segurou-o com uma das mãos, enquanto a outra continuava apertando a cintura da menina, se voltando para os lábios. Foi indo cada vez mais perto, até sentir completamente que poderia efetuar o ato, na arfada que soltou quente em seus lábios, e por fim a beijou.
Ela podia ter evitado. Podia ter o afastado porque não fora nada rápido, no entanto, estava completamente no controle. Quando seus lábios se encostaram primeiramente com um selinho, ainda estava hesitante, se quer havia se mexido; Apenas após dois segundos continuou a ação com seu movimento lento; estava hiper ventilando até um momento que não conseguira mais se conter. Num movimento brusco sentiu a garota agarrar seus cabelos da nuca, emaranhar suas mãos lá, apertando mais seu corpo contra o dele. Sentiu mais liberdade para beijá-la de língua, o que foi concedido de prontidão.
Aquela sintonia dos dois os levava ao delírio porque, incrivelmente, ambos seguiam o movimento do outro. O beijo parecia que nunca iria acabar, assim como o fôlego, embora sentissem o pulmão pedir por ar, as pequenas arfadas não estavam dando conta. Os estalos que suas bocas faziam trocando de posição faziam eco naquele beco, e a cada segundo aquele beijo se tornava mais urgente. Os corpos pareciam querer se colar, e eles pareciam estar entorpecidos. Sem contar a forma como os dedos dele deslizavam pela parte exposta do pescoço dela, e as mãos dela acariciavam sua nuca.
Fora então que se lembrou de tudo. Fora um lapso de tempo. Uma pensada, um segundo. Seus corpos se afastaram brutalmente assim como suas bocas inchadas e avermelhadas. se viu perdido por um segundo ainda sentindo seu corpo formigar assim como ela, seus olhos estavam perdidos e ele jurava que poderia continuar agarrando-a porque era isso que queria, mas não tinha reação. estava da mesma forma que ele, parada o olhando com os olhos assustados.

- Você vai se esquecer disso. – Ele ouviu-a dizer baixinho, como se fosse pra si mesma, tentando arrumar o cabelo que o mesmo tinha bagunçado. sentia todas as suas extremidades ouriçadas. –
- O quê?
- Ele vai se esquecer disso.Ele vai se esquecer disso. – Disse mais algumas vezes como um mantra. entortou a cabeça dando um passo ate a garota que o olhou seria. –
- Eu não vou. Eu não vou me...
- Por favor, eu não quero voltar a três anos atrás. Deus, por favor. – se afastou um passo o deixando mais confuso. –
- Ei, eu não...
- Você disse a mesma coisa naquela noite... – Ela fechou os olhos, pesarosa. – , esquece isso. Esquece, porque eu vou esquecer. – O coração do garoto deu um solavanco. –
- O quê? Por quê? , eu não vou... Me desculpa por tudo o que – o olhava atentamente até o mesmo perder-se nas palavras. Seus olhos estavam estranhos. Talvez com medo. relutou em pensar que estavam arrependidos. –
- Ei! O que vocês estão fazendo? – gritou tirando a concentração dos dois. Fora à deixa para correr até ele. – Fiquei procurando vocês por todo o lugar...
- , eu quero ir embora. – pediu vendo comprimir os lábios. –
- Certo. Eu sabia e trouxe sua bolsa. – O menino levantou a mesma, dando a ela que sorriu forçado. – Vou sair pela frente. você consegue dirigir?
- Sim. – Respondeu breve, o olhou de soslaio morder os lábios. Seu semblante estava indecifrável naquele momento. –
- Ótimo. Não se esquece do estúdio amanhã.
- Não irei. – Acenou positivamente. –
- Boa noite. – Beijou com gosto no rosto. –

O resto do caminho os dois foram em silêncio apenas ouvindo a seleção da madrugada de uma radio qualquer.
olhou no relógio o vendo marcar quase quatro horas. Ela poderia correr naquela pista. Teve vontade. Embora tivesse mexido de novo com seu lado controlado, e ela odiasse perder o autocontrole, sabia que se sentia mais viva ao lado dele e esse era o problema. Demorara um tempo enorme pra retomar os sentimentos, pra esquecer, pra tentar não pensar na noite que tinham passado. E agora a sensação estava ali de novo. Viva nela, incandescente. Queimava em todas as extremidades do seu corpo de uma forma que poderia fazê-lo parar o carro e definitivamente se descabelar.
Até podia fazer isso. Ela sentia a tensão sexual pairando mais forte que antes. Mas se quisesse continuar no controle precisava se acalmar, coisa que não estava naquele momento.





Capítulo 3.


“Noite Agitada, e um segredo?”
Não é segredo pra ninguém que , do One Direction, nos concedeu inúmeras fotos atualizadas no último domingo, após fazer uma aparição em uma boate no sul de Londres, porém o que não sabíamos é que neste mesmo dia, e também compartilhavam a noite com o pop.
Como provam as fotos vazadas na tarde dessa quinta feira por uma página anônima. serviu de distração enquanto e entravam pelos fundos da boate (por onde também saíram pelo que tudo indica.)
Há mais de dois meses, mudou-se para casa do irmão após a morte de Tom , pai dos dois; e agora parece estar finalmente saindo do luto! E em ótimas companhias, não é não? (Reparem no momento íntimo na penúltima foto de e no beco.) Alguém está tentando a sorte?


sentiu o estômago revirar ao ler mais uma das milésimas notícias que tinha visto no estilo daquela naquele dia. Até se espantou com fotos vazarem apenas duas semanas após a loucura que fora aquela noite.
Duas semanas haviam se passado, e em duas semanas nem ela e muito menos se falaram. Não que ela esperasse que ele corresse atrás dela, embora no fundo pensasse que pelo menos uma mensagem poderia ter enviado já que por fim ele havia “descoberto” o que fizera.
E o x era exatamente esse.
parecia estar completamente avoado com tudo naquelas duas semanas. Seu eu não conseguia aceitar, acreditar, ou seja lá o que fosse nesse sentido, que havia tirado a virgindade da irmã do seu melhor amigo e simplesmente esquecido, como fazia com todas.
O menino só caiu por si que havia se passado tempo demais em silêncio, quando por fim as fotos caíram na rede, e ele viu a imagem de e seu rosto indecifrável naquele beco novamente. iria vê-la. Primeiramente porque: Ele sabia que ela não estava acostumada com noticias tão insensíveis e indutoras como aquelas nas fotos vazadas, e segundamente porque provavelmente, bem no fundinho, a conhecendo bem, sabia que esperava algo dele, embora nunca fosse admitir que esperava. E nem era por isso. queria falar direito com ela.
- Ok. Reunião terminada. – Selly levantou da mesa redonda num baque, tirando dos pensamentos avoados. – Por enquanto vamos deixar vocês em lugares locais, vamos gravar o novo álbum com calma, e depois planejamos a nova turnê.
- Oficialmente a temporada de dormir no ônibus acabou? – perguntou animado vendo-a assentir. – Obrigado, Deus! – Relaxou na cadeira fazendo os amigos rirem. –
- O último é em Amsterdam e depois vocês estão livres! Exceto nos dias de gravação no estúdio. – Observaram-na juntar os papéis. – , sua irmã vai fazer parte da equipe?
- Minha irmã é normal demais pra fazer parte disso, Selly. Eu tentei.
- Pelo menos alguém sensato! – Selly brincou já saindo da sala.
- Quem não quer ser uma estrela? – murmurou confuso logo depois se levantando com o resto dos garotos.
- Sua irmã. – respondeu sarcástico.
acompanhou os amigos em silêncio. Um silêncio psicopata, diga-se de passagem, e continuou assim até a saída, assustando todos com sua parada repentina antes de sair e ser abordado por um grupo de fãs, o que era normal sempre que eles saiam do estúdio. Eles ainda não conseguiam entender como elas descobriam quando iriam estar lá ou não, mas enfim. Com um tapa no braço, parou o fazendo virar intrigado para ele.
- está em casa?
- Ah, o estranho resolveu falar agora? – virou para o amigo; os outros continuaram o caminho já indo cumprimentar as fãs, deixando e sozinhos.
- Desculpa, mate.
- O que você quer com a ? Além de tirá-la de casa de madrugada sem me avisar, fato que só soube hoje, por sinal? – ironizou fazendo fechar os olhos pesarosamente. –
- Qual é, dude – Bufou. – Primeiro: Não foi de madrugada e, só foi uma escapadinha, você nunca ligou pra isso, vai ligar agora? – Murmurou cansado vendo passar a língua nos lábios ainda visivelmente mordido. –
- Eu não confio em você, .
- Uau, , eu esperava algo mais sensível com seu melhor amigo.
- E eu esperava que você agisse como um.
- Cara...
- Ela é a minha irmã! – aumentou o tom vendo suspirar pesado. – E não é nem por isso. Vocês esconderam de mim como se...
- Você tá agindo como o amigo sensível do grupo, não faça isso. Não seja isso. Só responde minha pergunta. – Falou um pouco mais duro.
- Se quer saber, pergunta pra ela. Não foi tão esperto na hora de fugir?
- Porra, ! Você pode colaborar? – Indagou irritado. – Não haja como se eu... – pensou em dizer “como se eu tivesse tirado a virgindade dela”, sentindo o estômago gelar ao perceber que aquela era a real verdade e não uma brincadeira que costumeiramente faria. –
- Como se você...?
- Como se eu fosse o Kile. – Retomou, engolindo seco. Viu o amigo o olhar desconfiado por três segundos constantes. –
- Por que o Kile? – Só então se lembrou que não fazia ideia do que tinha com Aidan, se xingando de todos os nomes possíveis na cabeça.
- Porque você o odeia. – Tentou parecer óbvio e notou ainda mais desconfiado.
- Eu não o odeio, eu só... – Parou por segundos.
- , nós sempre fomos amigos, ela e eu... Você sabe, nunca teve nada demais, eu só quero conversar com ela direito, provavelmente ela não deve estar acostumada com isso.
- E por que você não liga? – Ok. estava oficialmente o irritando. Sendo assim respirou novamente por longos segundos revirando os olhos.
- Porque nós brigamos naquele dia, , e ela não me atende. Quero acertar as coisas.
Outros segundos se prolongaram enquanto o olhava sério.
- Ela está fazendo o que uma pessoa normal faz, . Está na faculdade.
Sem ao menos dar tchau, deu passadas largas até a porta, dando um tapa na mesma para que ela abrisse. De imediato uma onda de gritinhos surgiu, e observando tudo aquilo, viu o sorriso de novamente aparecer. Obviamente, ele sabia que ele descobriria, mas ficar realmente irritado como parecia fora uma reação extra.
Com mais duas respiradas longas ele se juntou aos amigos indo cumprimentar as garotas; dar abraços, beijos, autógrafos, e abraços, e beijos, e a coisa toda de novo por pelo menos meia hora, e só então cada um se dirigiu para o próprio carro, exceto e , que foram com o mesmo.

Duas horas antes...

Naquele em dia em si, saiu cedo de casa, antes de acordar. Preferiu tomar café em uma padaria afastada, perto da faculdade e quase invisível. Ela precisava de ar porque mesmo que não estivesse acostumada, tinha um pouco de ideia do que viria a seguir.
Mesmo que com apenas duas semanas, seus estudos já estavam sérios e pesados o suficiente para deixar sua mente cansada, agora com o vazamento das fotos, outro fato pesaria em seu cérebro. O problema real é que ela não conseguia parar de pensar. Não conseguia parar de olhar no celular e ler aqueles tabloides. Mesmo que soubesse que era tóxico e que estava fazendo totalmente ao contrário do que havia a alertado, seus dedos só deslizavam pelo feed olhando foto por foto daquele dia, trazendo a tona novamente a sensação do beco. A sensação do beijo, e o fato de que não havia feito absolutamente nada sobre o assunto.
admitia que pensara demais sobre o que poderia ter pensado, o que ele poderia ter cogitado em fazer, porque desculpas já havia pedido. Mas no fim de tudo, o que ele realmente poderia fazer? O que esperava tanto dele? Nem ela mesma sabia.
- Ei, você não é a irmã do ? – levantou o olhar instintivamente se deparando com uma garota ruiva. O efeito do sol nos olhos verdes da mesma, que parecia mais uma modelo da Calvin Klein, fez se sentir humilhada por instantes.
- Am...
- Qual é, todo mundo já sabe agora. Prazer, eu sou a Sara.– voltou a falar vendo a hesitação dela em afirmar. – Você estuda na Midlesex, não estuda?
- Sara, eu estou atrasada. Foi bom conhecer você, mas eu realmente...
- Ei, eu não vou te morder. – Sara acompanhou-a com os olhos, fazer caminho até a porta, já notando que não estava muito interessada na conversa. –
- Tenha um bom dia, Sara.
- Eu só quero saber como é ter dormido com e ao mesmo tempo.
parou de andar no mesmo segundo, deixando sua mão escorregar pela maçaneta da porta de vidro do estabelecimento; Voltou a olhar o semblante pretensioso de Sara, que agora estava de braços cruzados e uma feição que não conseguira entender.
- Sério? – Riu, adotando a mesma posição que Sara; por segundos a mesma ficou confusa. – Onde você acha que está? Num episodio de Gossip Girl? Por favor, Sara? – abanou a cabeça sarcasticamente. – Você é grandinha o suficiente, não estamos no ensino médio.
- Você realmente não vai querer começar isso, vai? – O tom da ruiva se tornou nocivo o suficiente para rir um pouco mais da situação. –
- Isso é ridículo.
voltou a empurrar a porta com brutalidade deixando a ruiva lá, e sem qualquer paciência. Entre passadas largas e suspiros incrédulos pela cena, a menina só parou quando já estava dentro da sala de aula.
Com todo o esforço do mundo tentou não se abater com os olhares. Não eram todos, mas os poucos que tinham a deixavam sem graça, levando em conta que naturalmente ninguém a notava. Transitar entre secretária invisível de um escritório de advocacia em Manhattan para a irmã de estudante de jornalismo era um passo maior do que a perna pra ela. Algo que estava sendo ridiculamente difícil de acostumar. Embora todos pensassem ser o máximo, o transtorno mesmo só sabia quem estava vivendo. Ainda mais porque quase ninguém sabia da real verdade e ia pela especulação, e qual era a do momento?

saiu com e e se esfregou a noite inteira nos dois.”

Fazendo seu caminho diário daquele dia, quis mudar de rota ao almoçar. Não queria ficar no refeitório, portanto deu meia volta, fazendo caminho para a porta da frente. Foi quando a abriu que sentiu o coração gelar no peito, gelar tanto que pensou passar realmente mal.
Parado ali em frente estava Aidan encostado no carro, assim que a viu o menino abriu o sorriso a chamando com as mãos, mas o corpo dela estava paralisado porque, e se alguém tirasse foto? ainda não sabia de nada.
Pela demora, Aidan se desencostou e veio vindo, fora o tempo máximo para que começasse a agir naturalmente.
- Faculdade han? – Sorriu de lado; A menina ficou ainda calada por segundos. – Não vai falar nada?
- Eu achei quê... Como você me achou? – Entortou a cabeça.
- Eu sei que você vai achar... Psicopata demais, mas... Olha, , você não se despediu e eu senti tanto sua falta, eu precisava te ver de novo e... Aqui estamos. – A segurou pelos braços.
- Aidan...
- . – A imitou. O silêncio voltou por segundos outra vez. –
- Vem aqui.
Aidan a seguiu até um pequeno Jardim do lado de fora da universidade. deu uma boa olhada vendo que estavam sozinhos ali.
- É impressão minha ou você não quer ser vista comigo? – Aidan sorriu desconcertado.
- Eu não contei pro . Eu achei que não íamos mais nos ver, então... – O garoto riu irônico. –
- Pensou que ia se livrar do “zé droguinha”, não foi? – ela rolou os olhos dando um suspiro.
- Não foi isso que eu disse.
- Então qual é o problema? Qual é o problema estar comigo?
- Aidan, nós nunca estivemos juntos realmente, não é? – Falou cautelosa, sua voz vacilou de leve ao ver o semblante dele mudar.
- Ah, agora nós nunca estivemos juntos?
- Ora, não foi isso que combinamos? Sem laço afetivo?
- Só sexo. Coisa que você não me deu por dois meses. – A boca dela entreabriu.
- Eu não sou sua prostituta. – Disse dura, travando os maxilares.
- É o que está parecendo.
Seu estômago se retorceu.
Por segundos ficou o fitando horrivelmente afetada com a frase. Aidan pode ver de leve os olhos dela se avermelharem, mas bem de leve, algo que só poderia ser notado por alguém que a conhecia bem.
- Você pode pensar o que quiser sobre mim, ou sobre o que tivemos, Kile. – Engoliu seco, passando a língua nos lábios. – Acho difícil alguém sentir falta de uma prostituta, mas de qualquer forma, isso não importa mais pra nenhum de nós, porque qualquer coisa que você acha que tínhamos, acabou agora.
- Ei ei, você acha que é assim? – sentiu o braço ser segurado, impossibilitando-a de andar; a virada brusca novamente para Aidan fez sua cabeça doer de leve assim como a parte que Aidan apertava.
- É assim. – Tentou se soltar, só sentindo mais dor no ato já que Aidan apertou um pouco mais.
- Eu estou aqui por você. Não importa o que você seja pra mim. – Novamente seu coração apertou. Aidan realmente estava dizendo aquilo?
- Ridículo.
- Eu gosto de você.
- Eu realmente não me importo.
- Pois deveria, porque você é minha.
riu alto fazendo Aidan morder os lábios, dessa vez, visivelmente ainda mais irritado.
- Eu não sou de ninguém, muito menos de você. Agora me solta, você ta me machucando. – Fez outro movimento para se soltar em vão, sentindo o braço dolorido naquela região. –
- Não é assim que as coisas rolam, . Eu espero que você realmente entenda isso, porque daqui uma semana a gente vai se ver de novo, e ai sim vamos ter uma conversa direito.
Num impulso Aidan a soltou, e em conjunto com o peso da bolsa, caiu num baque nos tijolinhos que enfeitavam aquele jardim, sentindo seu joelho instantaneamente.
Quando voltou a olhar pra cima, Aidan já não estava mais lá. A garota acompanhou as costas do mesmo caminharem feito pedra até o carro, e então o mesmo arrancar fazendo um barulho agudo. Só quando ele realmente se foi que fez um movimento pra levantar. Gradativamente seus olhos se encheram de lágrimas involuntárias. estava chorando de raiva.
- Ei... – Sentiu uma mão gelada a segurar pelos braços a ajudando a se levantar. – Você está bem?
Só assim observou de onde vinha a voz ligeiramente cautelosa. Uma garota de cabelos longos e ondulados, alta, encorpada, nada comparada a Sara. Olhos ridiculamente escuros e um rosto desenhado, a olhava com preocupação; nitidamente sem saber o que fazer. Por incrível que pareça não se sentiu humilhada por provavelmente ser sido assistida por aquela garota. Seus olhos de alguma maneira acalmaram-na.
- Sim... Quer dizer... Eu não sei. – Gaguejou olhando para o joelho ralado, percebeu que a menina tinha feito o mesmo.
- Eu conheço um café perto daqui. Podemos ir até lá e você se limpa. - Propôs, vendo assentir de imediato.
- . – Estendeu uma das mãos para a garota quando iniciaram a caminhada.
- . – Devolveu sorrindo de lado.
O resto do caminho as duas foram em silêncio, o que demorou menos de dez minutos, pois o café era realmente perto e parecia ser muito mais privado do que havia ido na manhã daquele dia.
pegou uma mesa enquanto correu para o banheiro dar um jeito de limpar aquele sangramento. Seu corpo ainda formigava de raiva. acompanhou seu reflexo no espelho até o braço direito. Aquela parte ainda latejava, em especial porque estava vermelha.
O que ela estava fazendo? Após jogar o último papel higiênico que havia usado para limpar o joelho no lixo, tombou a cabeça se apoiando no mármore da pia.
Onde ela havia se metido?
Naquele momento a raiva por Aidan pulsava tanto na marca como dentro dela. Mas, embora soubesse que aquele tipo de atitude era totalmente inaceitável, no fundo acreditava que Aidan tinha uma pequena parte boa e não era de todo ruim. Afinal, ele havia viajado de Manhattan com seu carro velho até lá, provavelmente, para vê-la. E excluindo toda a parte psicótica de tê-la achado do nada; queria se bater por pensar numa pequena bondade vinda dele.
Ela podia alegar que foi pelo período de tempo que ficaram juntos do qual Aidan foi totalmente um companheiro pra ela e nunca fez nada parecido como aquilo, embora ela sempre soubesse que ele tinha uma tendência violenta, nunca pensou que fosse partir para ela. E agora estava lá, machucada porque Aidan Kile havia a empurrado para o chão, e a machucado.
A garota deu um suspiro ao ouvir seu celular tocar sem nem se quer dar-se o trabalho de olhar, fechou os olhos e atendeu a chamada:
- falando.
- Que voz, . – brincou, fazendo sorrir de leve. – Mau dia?
- Péssimo.
- É, eu percebi. – O garoto suspirou por três segundos. – Bom, você viu o quê...
- As fotos? Os tabloides? As insinuações? É, , eu vi tudo. – respondeu sarcástica, rindo depois.
- E como você está?
- Bem. Quer dizer, eu sei o que aconteceu.
- Ótimo... – Suspirou novamente. – Seguinte, vou passar na faculdade e aí a gente sai para comprar algumas coisas no mercado. Hoje tem jogo e combinamos todos na sua casa. Você podia me ajudar, só pra espairecer.
- Eu não estou na faculdade, mas a ideia é ótima.
- Matando aula?
- Mudança de planos. – Sorriu de leve. – Mas pode vir me buscar no... Deutush Coffe.
- O que você está fazendo aí? – perguntou perplexo.
- Vai vir?
- Uma hora e meia... Está acompanhada?
- Consigo passar o tempo.
- Uau.
- Tchau, .
Finalizou a chamada, indo até a mesa que estava sentada, onde por sinal, estava completamente compenetrada no celular. Assim que chegou, a garota desviou o olhar animada para ela, se debruçando na mesa.
- Tudo certo agora?
- Bom, acho que sim. – Deu de ombros. –
- Eu pedi duas panquecas acompanhadas de coca e batata frita, tudo bem pra você?
- Acho que vamos nos dar bem. – riu erguendo a mão para que fizesse um Hi-five com ela.

Por uma hora e meia as duas iniciaram uma conversa incessante sobre todos os tipos de assuntos, sem em um segundo se quer tocarem sobre o ocorrido ou sobre o fato de ser irmã de , o que esperava que perguntasse; Mas nada.
A conversa voou de papos sobre faculdade, até Sara, e todos os cursos da Middlsex, a um patamar onde e conversavam como se fossem intimas há anos. Aquele foi o primeiro momento do qual sentiu-se normal novamente. Fora o momento em que se sentiu ela, e não a irmã de . Seu corpo e sua alma estavam nitidamente aliviados.
- Uh, olha o filé mignon que acabou de entrar aqui.
virou-se para trás para observar o tal “filé” reparando que o “tal”, era . De imediato começou a rir, vendo retorcer a expressão em sua direção.
- Em menos de duas horas de amizade e você já ta rindo de mim? Acha que tem essa intimidade?
- Oi, meninas.
- Oi, .
cumprimentou-o ainda rindo e só então voltou a olhar , tombando a cabeça nos ombros de uma forma fofa. estava vermelha e com o olhar cerrado para ela.
- E então?
- Essa é a , e , esse é o . – Apontou com o dedo.
- A responsável por te atrasar no encontro comigo? – O garoto tornou seu olhar para sorrindo de lado; Novamente a mesma olhou para com a sobrancelha arqueada.
- Assim ela vai achar que você está compromissado. – Murmurou entre o pequeno riso, acompanhando o ato de de puxar uma cadeira até a mesa delas.
- Olha bem pra minha cara de quem é capaz de ser compromissado. – respondeu sarcástico tombando o olhar em que por sinal, não havia tirado os olhos dele. – Eu estou na flor da idade, novo demais pra se apaixonar. – Sorriu galanteador.
assistiu tudo de fora. Com o sorriso espremido pela cena, viu os olhares incandescentes que ambos trocavam, e a segunda intenção atrás daqueles pequenos sorrisos no canto da boca de e de sua nova amiga. Que por sinal, só conseguia adotar como sua nova conquista.

***


- Não é possível que ela não nos conheça. – sussurrou no ouvido de enquanto olhava conversando com os outros garotos numa rodinha.
simplesmente não conseguiu não convidá-la para ir pra casa com ela, levando em conta de que era basicamente a noite dos homens e ela mal conseguia imaginar o tédio que seria ficar sozinha. Embora a companhia dos garotos fosse ótima e a única que ela vinha tendo nos últimos meses, ter agora uma amiga da qual ela confiava, pelo menos por hora, a confortava.
Por não fazer ideia do que eles tinham passado ou de quem eram, ou pelo menos soube fingir muito bem, era nítida a humildade nela. A simplicidade. Era isso que todos ali procuravam e em meio onde estavam era algo difícil de encontrar, talvez só por isso tivesse ficado fissurado naquela garota.
- , acho que preciso ir. – chegou perto dos dois brindando sua garrafinha de cerveja com a mesma.
- Posso te levar. – se ofereceu sorrindo de lado como quem não queria nada; abanou a cabeça negativamente arqueando a sobrancelha para a amiga.
- Aceito.
- Ok. – Suspirou. – Te vejo amanhã, e obrigada por tudo. – trocou olhares com a menina, a mesma viu os olhos dela brilharem de alívio. - Não conta nada pra eles...
- Você não deveria guardar esse segredo, , é bem sério. – Entortou a boca. – Tchau. – Estalou um beijo no ar sendo acompanhada por . –
Assim que se virou para o balcão deu de cara com parado do outro lado a observando. Ele virou seu último gole e botou a garrafinha na bancada novamente desviando o olhar dela nesse ato; por sua vez o acompanhava fixamente com a respiração presa.
- Precisamos conversar. – Ele murmurou baixo girando a garrafa de um lado para o outro.
- Conversar sobre o quê? – Perguntou. levantou apenas os olhos para ela, aquilo estava a assustando.
- Sobre nós termos...
- Ok. Vamos lá fora.
acompanhou os passos rápidos da menina até o jardim da casa, parando-a pelo braço assim que saíram lá, sentiu a garota gemer baixinho se virando para ele, seu rosto estava comprimido numa feição de dor. No mesmo momento ele entortou a cabeça.
- O que aconteceu? – Deu um passo até ela, se afastou outro ainda segurando o braço. –
- , eu acho que não temos nada pra falar sobre aquilo que aconteceu. Já se passou muito tempo e...
- , o que aconteceu? – Ele continuava olhando para a menina, deu outro passo a vendo se esquivar.
- Nada, . Era só isso? – Finalmente o garoto olhou-a desistindo de chegar perto; botou as mãos na cintura dando uma respirada longa antes de começar.
- Eu fiquei pensando naqueles dias a semana toda e em como eu deixei isso acontecer. Quer dizer, como eu pude...
- Como pode transar comigo? – sorriu desconcertada engolindo seco. – Bom, , talvez naquela noite, bêbado, você não fosse tão intolerante a mim.
- O quê? Não, não, eu não quis dizer isso.
- Foi exatamente o que você quis dizer, , e tudo bem pra mim. – continuou sorrindo embora seu coração estivesse batendo mais do que o normal;
- , eu não quis dizer que foi horrível...
- Você nem se lembra! – A menina exclamou o fazendo parar de falar para observá-la, viu novamente aquela expressão indecifrável no rosto dela. – E eu esqueci isso.
- Eu não acho que você se esqueceu.
- Ah, você me conhece tão bem, né? – Ironizou entortando a cabeça; fez o mesmo. –
- Conheço o suficiente pra saber que você está me odiando por isso.
- Eu não estou.
- , me desculpa. Tem alguma chance de eu me redimir? – O garoto chegou um passo finalmente vendo-a ceder; ainda segurava o braço, mas ao menos não se afastou, apenas ficou o olhando com a boca numa linha fina.
- , eu não me arrependo daquela noite. – Falou lentamente, passou os olhos por todo o rosto do menino querendo horrivelmente tocá-lo, mas se segurou. – Você não tem que se redimir por algo quê...
- Então por que me evitou todo esse tempo se não se arrependeu?
- Porque eu me apaixonei. .
Houve um silêncio de quinze segundos depois daquela frase, mas mesmo assim ambos continuaram se olhando. acompanhava a respiração alterada dele assim como ele a ela. A resposta para estarem em equilíbrio naquele momento seria porque, talvez, ambos estivessem naquela vontade estranha de se grudarem ali mesmo, o que estava sendo estranho para .
Sempre notou que tinha algo faltando desde que voltará da cidade no dia seguinte. Acordou sem ao menos saber onde estava; sua cabeça ainda girava; como não viu do seu lado? Como não imaginou quê... Abanou a cabeça, fechou os olhos e engoliu seco, tudo isso em um único segundo, no segundo seguinte seu corpo todo estremeceu. Será que ele também tinha se apaixonado sem saber que havia?
Lembrava-se perfeitamente do seu pequeno desespero por notícias dela na semana seguinte e do quanto ser ignorado o deixou fodido ao extremo, como se ela devesse-lhe algo. Lembrava-se de que estar com as outras garotas após aquela noite no bar não fazia mais sentido para ele, nem ao menos lhe dava prazer.
Na época procurava pensar que era porque havia criado um laço afetivo enorme com naqueles dias por não terem se largado um minuto, mas negou até o último minuto que gostasse dela até aquele momento. Até olhar para ela naquele segundo olhando nos seus olhos e se odiar por não lembrar, não porque era o certo, mas porque sabia no fundo que talvez aquela tivesse sido a melhor noite da sua vida e ele nem se lembrava disso.
- E era um problema se apaixonar por mim? – Falou quase num sussurro chegando mais perto, viu sorrir tão de leve que só ele que estava ali perto poderia notar.
- Ainda é, . Agora vamos parar com isso, porque eu superei e pode ficar despreocupado.
- Por que eu ficaria? – Juntou a sobrancelhas.
- Aonde você quer chegar? – apertou os olhos. – , se apaixonar por você foi um erro. Um erro enorme porque jamais daríamos certo, e o que aconteceu só comprovou quê... Não era pra ser. – Deu de ombros. –
- É.
o viu passar a língua nos lábios desviando os olhos dela; Sendo assim virou-se para entrar novamente na casa, sendo parada por ele pelo braço da mesma forma que fizera antes, seu corpo estremeceu novamente a fazendo segurar novamente e só então, não sabendo como ele tivera tanta agilidade, sentiu sua manga ser levantada rapidamente.
A marca roxa dos dedos de Aidan estava ali viva e verde. No mesmo momento olhou para sem saber explicar qual era sua expressão. Os olhos dele estavam fixados naquela parte, ela podia notar seus olhos correndo por ali sem cessar, sua boca formava um bico irritado, aquele que ela só dava em casos extremos, e só depois ele a olhou, jurou sentir seu cérebro derreter com aquele olhar, assim como seu coração parar.
- O que é isso? – Perguntou baixo, mas firme.
- Eu escorreguei na escada, a pra me segurar apertou e...
- Não mente pra mim, . – falou nervoso largando a manga da menina, cruzou os braços logo depois. – Alguém te machucou lá?
- Foi o que eu disse... Eu escorreguei. – Murmurou.
- Por que eu não acredito em você? – Semicerrou os olhos.
Porque ele a conhecia bem demais pra saber que ela estava exalando medo de Aidan.
- Não tem nada pra acreditar. É o que aconteceu. – Falou mordendo os lábios.
- Você sabe que não consegue mentir pra mim por muito tempo.
- Acredite se quiser, .
entrou deixando lá sozinho na varanda com cara de nada.
Só depois de alguns minutos, cinco pra ser exata, ele entrou. acompanhou com os olhos o menino pegar suas chaves do balcão e correr para a porta sem ao menos se despedir. Todos se entreolharam ao ouvir a porta bater, logo percebendo que iria embora.
Entre as milhares de especulações entre os amigos que surgiram, só apoiou-se no balcão dando um longo suspiro tentando ficar avulsa daquilo. Não sabia o que estava querendo ou o que quis dizer, mas preferiu acreditar que estaria mais segura se ele não soubesse, que ele estaria mais seguro se não soubesse das milhares de confusões que Aidan envolveria.

***


Uma semana depois e nenhuma noticia de Aidan ou .
Embora a turnê deles tivesse acabado desde o dia em que e tiveram aquela conversa ninguém teve qualquer notícia dele a não ser por mensagens. Ele não apareceu na casa de nenhum dos meninos, só disse que estava bem e resolvendo algumas coisas na cidade dele. Acontece que isso era muito estranho.
Naquele dia em especial, porque faltava menos de três horas para o embarque deles para Amsterdam, iria com , não faria parte da equipe, mas entraria dentro junto com a amiga.
imaginou que surtaria quando soubesse deles, mas o máximo que fez foi uma expressão de confusão, coçando o queixo, seguida da frase “Eu bem que pensei que os conhecia de algum lugar”; sim, dos milhares de pôsteres espalhados pela cidade, mas isso não vinha ao caso. O surto do momento era: não dava notícias e faltavam poucas horas para o embarque.
Meia hora antes de irem para o aeroporto e nada... Todos já estavam se dirigindo para lá, todos os agentes ligando para ele, até mesmo ligou para ele, provavelmente não sabia que ela iria, fora decidido de última hora.
- Ok. Eu vou matar o . – urrou batendo no balcão.
- Calma, ele já vai chegar. – tentou tranquilizar o amigo. – Eu falei com ele hoje de manhã e ele disse que chegaria a tempo.
- Que merda ele foi fazer? – perguntou juntando as sobrancelhas.
- Ele tá sumido a semana inteira desde aquele dia... – falou; No mesmo momento todos encararam , todos viram os dois saindo pra conversar. – ?
- O quê? Eu não sei! Ele não falou comigo!
- O que vocês conversaram aquele dia? – se manifestou semicerrando os olhos.
- Nada demais, ele só queria falar sobre... O cansaço da viagem. – Respondeu; a resposta fora tão ridícula que até mesmo a encarou confusa.
- Cansaço de viagem?
- Cheguei! – Salva pelo gongo! suspirou aliviada olhando para , mas nem mesmo sabia do que tinha acontecido...
- Onde você estava, cara? – Todos perguntaram exasperados e misturados; deu uma respirada longa. –
- Eu já falei, estava resolvendo algumas coisas pessoais... – Murmurou. – Vou fazer o check-in.
observou o garoto que ficou lá por pelo menos cinco minutos, viu a agente quase morrer de infarto, brigar com ele, viu-o praticamente seduzir a mulher, e convenhamos, quem não seria seduzida por aquele sorriso? Até mesmo havia sido, mesmo sabendo que ele fazia aquilo o tempo todo...
O garoto voltou parando de imediato do seu lado, colocou a bolsa no chão e passou os braços por trás do assento de se inclinando até seu ouvido.
- Eu sei que o Aidan esteve em Midlesex naquele dia.
estremeceu tanto pelo sussurro, hálito e perfume misturados, quanto por saber de Aidan. Seu corpo travou na hora, seu coração fez o mesmo. Ela ainda conseguia sentir o hálito de perto de seu pescoço, não tendo a chance de nem mesmo olhar para reprovar aquele assunto ali. Estava imobilizada.
- Eu não sei do que você está falando. – Sussurrou de volta.
- Acho que sabe muito bem. Eu disse que você não consegue mentir por muito tempo pra mim. – Outro sussurro no ouvido dela? Era a sua falência.
- Como você sabe?
- Eu vou mandar o contratar mais seguranças, .
- Não foi nada e não se mete nisso. – trincou os dentes finalmente se virando para ele, foi possível sentir dessa vez a respiração do menino nos seus lábios, ele não tinha se movido nem um pouco, nem pra disfarçar, parecia brincar com ela.
- Vai dizer que eu não tenho a moral, não é? Mas seu irmão tem...
- Qual é a sua, ? – A menina semicerrou os olhos, trocou olhares com os olhos faiscando dela e suas mãos fechadas num punho; sorriu de lado logo depois. sentiu o mundo sair de órbita quando viu aquele sorriso, tinha tanta raiva que chegava a querer beijá-lo.
- A minha é você. E a sua? Apanhar do Kile? – arqueou uma sobrancelha. Ao mesmo tempo em que sentiu borboletas no estômago na primeira frase, as matou na segunda; seu estômago chegou a doer.
- Foi a primeira vez que ele fez isso.
- E quando vai ser a segunda? E terceira? Você acha que eu vou assistir isso acontecer? – Perguntou perplexo. Seus olhos percorreram pelo rosto dolorido da menina, finalmente deixando o medo transparecer, sentiu vontade de se emaranhar em , como um porto seguro.
- , você não tem nada a ver com isso. – Falou num sussurro oscilado, seus olhos se avermelharam. – Eu cuido disso.
- Eu não me importo se tenho a ver com isso ou não. Ele não vai tocar em você de novo. – só o olhou por segundos, passou a língua nos lábios tentando conter a irritação. – Se o Kile acha que está na área dele, ele tá muito enganado.
- Eu não sou uma propriedade, .
- Devia ter pensado nisso antes de se envolver com um cara que vê cada partícula da vida dele como um negócio.
- Por que você está fazendo isso?
- Porque se você não quer que seu irmão saiba, é melhor me deixar por dentro disso.

“ Tripulantes do voo 322, destino Amsterdam, última chamada. ”

observou levantar-se bruscamente pegando sua mala e a dele. Uma foi nos ombros e outra na mão, embora nem tivesse olhado para trás. Ela só foi observando o garoto andar. Eles ouviram alguns gritos, fotos, dois seguranças os cercaram mesmo não sendo muito necessário naquela circunstância, e assim eles foram. de cara fechada, e ela com o coração na mão.





Capítulo 4.


Horas depois, após o show, após a comemoração do mesmo num bar perto do local da apresentação, e após muita conversa jogada fora, todos foram embora pro hotel. ainda conseguia ouvir a gritaria quando entrou; era realmente insano ser cercada por seguranças, por flashes. Só então ela resolveu ir atrás de .
Naquele momento todo em que os dois dividiram o mesmo ambiente o garoto não trocou olhares com ela ou se quer fez menção de chegar perto. Nada. não fez nada. Seu semblante era o mais normal possível com todos, mas, estava agindo como se ela não estivesse ali, e aquilo estava a deixando irritada ao ápice.

- Isso foi realmente doido. – comentou assim que saiu do banho, ainda estava sentada na varanda em uma das cadeiras estofadas olhando para área da piscina. – , tem algo acontecendo?
- Você não percebeu? – Rebateu lentamente, tirando os olhos da piscina para . A garota entortou a cabeça enquanto vestia a camisola florida, logo se sentando na cama, de frente para a varanda e para ; a diferença é que esta estava fora e dentro do quarto.
- O quê?
- me evitou o dia todo. – disse como se fosse óbvio. –
- E você se importa com isso?

Pelo jeito que tombou a cabeça, deixando todo o seu cabelo cair dos ombros para a parte da frente do corpo, remexendo nas mãos, constatou que se ela não se importava, passara a se importar naquele momento.

- Bom, eu não vi nada de diferente, e eu posso estar sei lá... Conheço esses garotos há uma semana ou menos... – se arrumou na cama, cruzando as pernas. – Mas ele falou com você hoje no aeroporto, não falou?
- É, falou. – Engoliu seco, logo olhando para a amiga. – Falou sobre Aidan. – arregalou os olhos.
- Aidan o...
- É, do dia que nos conhecemos. – Murmurou voltando a mexer nas mãos.
- Como é que ele sabe? – Perguntou para si e para .
- Só você sabia do Aidan.
- Ei, eu não contei nada pra ele. Eu juro. Eu disse que não contaria . – disse rápida dando um suspiro depois. – Já passou pela sua cabeça que... Foi melhor assim?
- Ah, com sabendo que o Aidan me machucou? Não. Isso é pior do que você pode imaginar. – ironizou levantando-se da cadeira.

acompanhou a garota transitar de um lado para o outro no quarto jogando os cabelos na mesma ordem; tinha se esquecido do quanto aquilo era complicado e do quanto odiava ter que explicar coisas complicadas, principalmente para . Justo para ele.

- O que rola entre você e o ? – Perguntou confusa, quando a olhou viu suas sobrancelhas juntas com aquela expressão...
- Hoje em dia, nada. – Respondeu dessa vez sentando-se ao lado de .
- Conta outra... – Bufou rolando os olhos. – Eu posso conhecer vocês há pouco tempo, mas eu sei quando...
- Quando?
- Quando alguém quer esconder sentimentos.
- Eu fiz isso por um longo tempo, . –engoliu seco. – Três anos atrás, antes de toda essa coisa. – fez um gesto enorme se referindo a fama e ao mundo que era o seu atualmente.
- O que aconteceu? – sentiu sentida. Olhou nos olhos dela antes de começar a falar.
Nunca tinha dito em voz alta pra qualquer outra pessoa o que tinha acontecido entre ela e , ou sobre os sentimentos que sentiu o tempo todo sobre ele. Seu coração apertava como se quisesse cuspir e fosse sua saída.

- Bom, duas semanas antes de a minha mãe receber o diagnóstico de leucemia, os garotos foram passar a semana em casa, como sempre faziam. – Começou passando a língua nos lábios. – ficou mais dias que os outros. Foi embora um dia antes de você sabe... estava muito gripado e, basicamente o só vinha por ele, embora sempre saíssemos como um trio todas as vezes que ele vinha.
- Essa história de trio nunca dá certo, ainda mais com irmão por perto. – murmurou fazendo sorrir de leve. Concordou com a cabeça antes de continuar.
- Nesses dias o pediu pra que eu fizesse a vez e saísse com o pra não “perder o tempo de viagem”, e logo no primeiro dia...
- Se pegaram.
- Exato.
- Previsível. – Falou arrancando outra risada de .
- E ficamos nessa pelos outros dias que ele ficou... Sempre escondido do . – Continuou. – No ultimo dia, eu e o fizemos à famosa “saideira”. Bebemos mais do que podíamos, mas ainda estávamos “bem”, foi o que eu achei. – O coração da garota apertou naquele momento obrigando-a a dar outra suspirada. – disse que tinha esquecido uma camisa dele no meu quarto e realmente tinha, de um dia anterior, mas ate então não tínhamos feito nada, e...
- Oh my god

só levantou os olhos naquele momento para encarar a amiga com a boca tapada, embora denunciasse um sorriso enorme surgindo dali. Pela primeira vez desde que pensou e repensou sobre o assunto, sentiu vontade de rir. Rir porque foi bom e se lembrando dos detalhes ficara melhor ainda, em conjunto com a reação de ela percebeu que não havia sido uma aberração... O que ela estava pensando?
- Eu era virgem.
- Ele foi seu primeiro? – ainda sorria com todos os dentes, totalmente animada com a notícia.
- Sim.
- E o que você está esperando? – A garota levantou. – Se eu fosse você agora, estaria contando os gominhos da barriga dele!
- Bom, diferente de mim, , não se lembra de nada. – finalizou a história. De animada, o semblante de foi decaindo, assim ela voltou pro mesmo lugar parecendo estar desolada.
- Como assim ele...
- No dia seguinte ele já estava em Londres com outra garota. – Falou. – E eu constatei que ele não se lembra de nada porque tivemos uma discussão e...
- Como pode? – Indagou perplexa; sorriu de lado. –
- Eu me perguntei isso o tempo todo por dois anos.
- Ei... – alisou as mãos da amiga.
- O que importa é que agora ele quer se “redimir” e já pediu desculpas ao máximo. Talvez essa proteção com o Aidan seja dada por isso, entende? Acho que o sente mais culpa do que, eu não sei...
- , não faz isso com você. pode estar querendo realmente ajudar. Vocês foram amigos por anos até que isso acontecesse, sem falar que você o afastou.
- Como você sabe disso? – entortou a cabeça.
- Digamos que o contou como foi sua fase emo/gótica antes de voltar pra cá.
- ?
- É, não tudo, só que você passou um tempo enorme sem responder ou dar notícias para eles.
- Então você e o ...
- Passamos um tempo juntos, e não, não vou contar detalhes agora. – se jogou na cama fazendo gargalhar.
- Como quiser.

Ambas ficaram mais horas de conversa afiada, outras horas assistindo a TV acabo do hotel até que finalmente pegassem no sono.
Por volta das quatro da manhã acordou de súbito com o clarão da TV em seu rosto, sua boca estava completamente seca. A garota precisou piscar várias vezes para se acostumar. Desligou a TV e caminhou para o frigobar.
Não tinha água.
Onde ela encontraria água ás quatro da manhã num hotel?
ficou lá parada no meio do quarto por pelo menos cinco minutos até decidir sair do quarto para ir para a recepção, cozinha ou até mesmo rezando pra achar um bebedouro em meio ao corredor.
Encostou a porta e foi descalça mesmo. Passou por todos os três andares – Porque todos eles estavam hospedados no terceiro andar. – Desceu até o térreo sem achar uma alma viva se quer, ou melhor, ouviu uns barulhos no quarto de e , mas preferiu ignorar aquilo conhecendo os amigos que tinha.
No hall, ao lado do bar havia uma geladeira transparente cheia de garrafas de água e por Deus quis ajoelhar e agradecer, sua garganta pedia. Após pegar a água, na volta, passando pela área da piscina, viu alguém sentado. Normalmente ela não pararia, obviamente, às quatro da manhã para ver um cara; parou por reconhecer que aquela pessoa era com uma garrafinha em mãos debruçado sobre a espreguiçadeira olhando fixamente para a piscina.
Inconsciente ela caminhou até lá percebendo que incrivelmente a noite não estava gelada; o ar ameno permitiu que ela ficasse com seu short de pijama e blusinha sem se sentir desconfortável. Foi tão cautelosa que só percebeu que ela estava ali quando se sentou na cadeira ao lado, de frente para ele.
Os olhos dele cintilaram por conta das luzes da piscina de tal maneira que seu corpo todo estremeceu numa onda elétrica gelada, capaz de petrificar qualquer coisa que ela tocasse. Precisou de alguns segundos respirando para conseguir voltar ao normal, depois que ele parou de olhá-la, voltando à posição de antes.

- ... Posso te perguntar uma coisa? – Sua voz saiu baixinha; Viu-o acenar com a cabeça. – Como você soube que era o... Aidan?

Ele voltou a olhá-la por longos segundos, sua boca formou um bico irritado. não conseguiu deixar de notar o quanto aqueles lábios pareciam a chamar mesmo fechados.

- Quer saber como eu descobri sua mentira?
- Eu não queria piorar as coisas.
- Eu não vejo como.
- E eu não entendo porque você está tão irritado com isso!
- Porque você prefere acreditar que o Kile seja bonzinho a eu querer seu bem!
- , isso é muito diferente. – sorriu desconcertada vendo o garoto agora se virar pra ela, ficando mais perto. Agora suas pernas se entrelaçavam uma na outra por estarem sentados de frente um pro outro, por estarem perto.
- Diferente por quê? – Ele entortou a cabeça, nitidamente irritado. – Não me lembrar de UMA noite com você não pode apagar todo o resto. Você não pode simplesmente esquecer de todo o tempo que passamos juntos dos quais eu me lembro COMPLETAMENTE.
- Você se esqueceu da noite mais importante, .
- PORQUE EU BEBI! – Grunhiu irritado emaranhando as mãos nos cabelos. – Por que merda eu bebi aquele dia? – Parecia falar consigo mesmo. – , eu juro que gostava mesmo de você, mas preferia não ter feito nada se fossemos pra acabar assim.
- Por que você fala de nós em um conjunto? – perguntou; lentamente sentiu as mãos dele escorregarem até suas coxas, as duas, uma em cada coxa. mordeu os lábios se inclinando até a garota vendo-a fechar os olhos.
- Porque um “nós”’ já existiu, e eu me recuso a esquecer disso mesmo que você queira.
- Quem dera você tivesse falado isso há dois anos. – sussurrou trêmula colocando suas mãos em cima das dele. Suspirou pesado ao sentir seus narizes roçarem.
- Eu estou dizendo agora.

Lentamente beijou o canto da boca de descendo ainda mais suas mãos que antes estavam perto dos joelhos, para a metade de suas coxas, e foi indo, beirando a entrada do short da menina. Entre isso observou cada movimento de , que continuou de olhos fechados e a boca entreaberta, arfando enquanto o garoto fazia isso.
sorriu sem ao menos ver, puxando-a para mais perto dele pelas pernas, beijou seu pescoço, passou o nariz pela clavícula e então parou.
A ação havia deixado seu corpo todo formigando, tanto que só após segundos ela percebeu que ele havia parado, abriu minimamente os olhos dando de cara com o mesmo ali a observando com um meio sorriso. Precisou segurar o corpo para não cair pela moleza que estava sentindo.
- Eu gosto mesmo de você. – disse passando a língua nos lábios. – Ver alguém te machucar me deixa fodido. – observou os punhos dele fecharem com força.
- Não vai acontecer de novo. – gaguejou ainda um pouco ofegante.
- Me promete uma coisa? – O garoto pediu sem a olhar, embora tivesse sentido a menina assentir. – Se ele voltar a...
- .
- , eu estou te pedindo.
- Tudo bem.
- Ótimo.

levantou num ato só pegando sua garrafinha, beijou a testa de antes de sair, se voltando para o ouvido. Quando ela achou que tinha acabado...
- Podemos continuar de onde paramos outro dia...
- Era sua chance. – Ela sorriu quando se distanciou. –
- Eu crio outras.

E assim ela ficou lá, às quatro e meia da manhã sorrindo para o nada com aquela vontade ridícula de gargalhar.

***


No dia seguinte, antes de irem embora, todos decidiram andar por Amsterdam para conhecer a cidade. Eles já tinham passado por lá, os garotos, mas nunca pararam para conhecer a cidade então, como um presente para eles e para as duas acompanhantes, todos acordaram bem cedo.
Acontece que mal conseguiu dormir. Continuou acordada até às seis da manhã, cochilou até às oito, quando bateu na porta dizendo que iriam tomar café, e então ela viu de novo. Aquilo estava realmente acontecendo entre eles ou era coisa da mente dela?
não queria disfarçar os seus olhares para ele. Ficou o olhando o café da manhã todo, e o via retribuir com um sorriso que talvez só ela percebesse; Seu estômago se retorcia toda vez que isso acontecia e bom, mais uma vez ele a fazia se sentir ridícula demais naquela situação.

- Então, vai me dizer por que sumiu no meio da noite? – sussurrou no ouvido da garota enquanto esperavam a van que os buscaria. espremeu os olhos, estava avulsa de tudo.
- Como sabe disso?
- Eu te espiono. – brincou a fazendo rir.
- Eu já desconfiava... mandou?
- Não. Eu quis.
- Ok. O que você quer de mim, ? – virou-se para ele totalmente, cruzando os braços em seguida.
- Ei, a van chegou. – acenou para os dois. –

Por mais cinco segundos e ficaram trocando olhares. Ela ansiosa pela resposta dele, e ele hesitando para responder, foi um saco. Cansada a menina abanou a cabeça com um meio sorriso e saiu andando como todos os que estavam com eles, se juntando a ; iniciou uma conversa assim que chegou perto da mesma e bom, a única opção dele foi seguir o mesmo rumo.
Durante o trajeto todo a van parecia um feirão. Eram vozes pra todos os lados, risos, brincadeiras, o motorista pedindo que se comportassem como se todos ali fossem crianças de cinco anos. Até mesmo , a toda comportada e recatada deles havia entrado na onda e agora ria com , se esquivava das brincadeiras toscas; enquanto isso permanecia quieta observando. A sensação de finalmente estar se encaixando em sua nova vida a fazia sentir-se menos desesperada. Era comum nela que de vez em quando, em algumas partes do dia, desde a morte do pai e a mudança para com fizesse seu coração palpitar. tinha ataque de pânico as vezes, obviamente não desconfiava, mas bom, ela sabia controlar. O importante é que naquele momento, ou melhor, naquela ultima semana, seu corpo todo estava melhorando e talvez só por medo, ela não tivesse coragem de dizer nada ali. Não queria estragar o momento.

- Onde vamos almoçar? – perguntou pensativo, olhando uma das vitrines enquanto andava. – Daqui a pouco, se não tomarmos cuidado, vocês já sabem o que vai acontecer.
- , faz só uma hora que estamos na rua. – o olhou indignado.
- É incrível que não tenham nos percebido você não acha?
- Temos iscas de qualquer forma. – deu de ombros esbarrando em que revirou os olhos pra ele.
- Bom, vocês escolhem... – E a conversa continuou enquanto eles andavam em um dos becos, embora escondido, era lindo e tinham realmente lojinhas adoráveis de decoração.

observou de longe, um pouco afastada, observando uma delas. Parecia concentrada no que via; alisava o queixo como se tivesse imaginando a origem da coisa – e certamente estaria pelo que ele conhecia dela –, Mas o que ele mais adorava era a forma como o cabelo dela caia pelos ombros, parecia uma obra de arte e, ele admitia que era estranho pensar daquela forma enquanto a olhava, embora não fosse um pensamento apenas daquele momento. sempre teve mania de observar os detalhes de , desde sempre. Ele sempre achou fascinante.

- Conseguiu dormir ontem?

sentiu um ventinho quente nos ombros, seu corpo se arrepiou todo. Odiava quando fazia aquilo. Aos poucos se virou para encará-lo; Se ele queria a deixar desconsertada, não ia conseguir tão fácil.

- Como um bebê. – Que patética.
- Eu não consegui dormir.
- Foi perceptível... – continuou andando, foi apressando os passos para acompanhá-la. – Aliás, o que você estava fazendo lá?
- Pensando.
- Eu acho que não tenho moral pra perguntar...
- Sobre você. – Ela parou por um minuto para olhá-lo, por segundos seus olhos se conectaram até que ela desviasse o olhar novamente.
- , esquece toda essa história. Faz tanto tempo, eu já te disse...
- Eu só queria me lembrar.
- Eu juro que está tudo bem. – parou bruscamente, se aproximando do garoto. Agarrou seus braços, parando por um segundo. Sinceramente? Odiava fingir tudo aquilo. Ela queria que ele a agarrasse e sabia disso, mas relutava. – Podemos só... Seguir em frente?
- Ótimo. – movimentou os braços de maneira que conseguiu retribuir o aperto nas mãos dela, segurando as mesmas. – Se você me prometer que assim que chegar em Londres, nós vamos naquele Karaokê.

Ela riu de leve, abanando a cabeça.

- Como quiser, .
- Eu e você. Só eu e você e umas doses.
- Fizemos isso aquele dia.
- Mas não tínhamos recomeçado.
- Como quiser. – Ela soltou sutilmente suas mãos, retrocedente os passos que dera.

e ela seguiram para o restaurante um pouco atrás dos outros, agora lado a lado e o caminho todo em silêncio.
realmente não se importava com tudo que tinha acontecido no passado, levando em conta do patamar que estavam naquele momento, tinha chegado a conclusão de que estar com ele era muito melhor do que guardar todo aquele sentimento ruim que cultivou por três anos. entendeu que parou de sentir todo aquele peso e sentiu a vida começar a andar porque se despiu do passado. Porque começara a enxergar a verdadeira face de Aidan, porque viu que sua vida lá tinha acabado, e que mesmo que seu pai e sua mãe estivessem enterrados naquela cidade turbulenta de Manhattan, ela conseguia senti-los perto dela do mesmo jeito.
Nunca imaginou que conseguiria passar por uma situação do tipo, até aquele momento. Antes de sua mãe ser diagnosticada, tinha em mente o plano perfeito, aquele genérico de: Crescer com os pais, ter um para levá-la no ultima dia de aula e no primeiro de faculdade, ouvir conselhos da sua mãe com o primeiro namorado, ter um irmão que por mais doido que fosse, era o orgulho da família; haveria jantares em família e um dia ela ia estar sentada no colo de seu marido observando seus pais brincando com seus filhos. E sim, era desse tipo que imaginava tudo. Seu chão cedeu quando viu tudo escorrer por suas mãos, ela odiava não ter controle das coisas, e só o que obteve naqueles anos fora um descontrole maluco em todos o sentidos e infelizmente, o que tinha a mantido sã por segundos era Aidan. Por mais errado que fosse.

***


As primeiras duas semanas para fora de total preguiça.
Todos os dias de manhã quando acordava ele estava lá jogado no sofá, ou no próprio quarto, apenas com um shorts de moletom, algumas garrafas de cerveja, as vezes estas eram substituídas por latas de coca cola, mas mesmo assim, era perceptível que estava consumido pelo cansaço.
só observava. Por vezes o cobria, deixava as panquecas, torradas, o que fosse comer de manhã, sempre fazia em dobro também para o irmão e então ia para a faculdade.
Essa era a sua rotina.

- Seu curso também vai emendar? – perguntou assim que ela e se encontraram no intervalo de aulas.
- Ah, quem dera. – Murmurou botando a bolsa em cima do banco de madeira.
- Ah, qual é! É Spring Holiday, todos os cursos vão emendar!
- Não o meu.

ficou em silêncio por um segundo parecendo pensar em uma solução. Ela sempre tinha esses surtos e se divertia com aquilo. Não havia um problema que não conseguisse resolver, era potencialmente inspirador.

- Não é nesse final de semana que os meninos têm uma premiação pra ir? – Perguntou pensativa. entortou a boca.
- Falando com o ?
- Se for, não vou poder viajar com ele...
- Ei, ei, ei... – arregalou os olhos se debruçando a mesa em direção a amiga. A mesma continuava na mesma posição, encarando-a inabalada. – Viajar? Vocês vão viajar? Desde quando vocês...
- Calma aí, vamos todos nós. Por isso estou te dizendo minha adorável amiga.
- E se não fosse você não me diria?

rolou os olhos.

- Você não tem escolha, não pode vir na sexta, ou sábado e muito menos na segunda.
- ...
- , eu estou falando sério. Você não vai ficar sozinha.
- Ok, , então você está dizendo pra eu faltar três dias sem tomar bomba. Arrume-me uma solução pra isso.
- Eu vou arrumar. – levantou-se do banco. Piscando em seguida. – Arrume suas malas.

Levando em conta que já era quarta feira daquela semana, riu da sagacidade de ao sempre lutar por uma solução, como sempre fazia. Como já tinha explicado. Continuou sentada no banco em frente à faculdade lendo algum dos livros filosóficos que seu professor havia lhe indicado. Perdeu a noção de quanto tempo ficou lá, só percebeu que tinham se passado horas e que realmente havia se perdido quando ouviu um estralo, como um galho de arvore sendo quebrado ao meio – O que era comum sempre que a primavera chegava –; Olhou primeiramente no relógio notando que àquela hora ela já deveria estar em casa. Não era noite, mas já estava entardecendo e ficando frio...

- Eu disse que voltaria. – Antes mesmo de se virar, sentiu um arrepio na espinha. A voz de Aidan não era alta, estava baixa, porém firme. Seu corpo todo paralisou, de imediato a garota procurou qualquer alma viva pra fora do campus. Mas não, eram só ela e Aidan. – Não vai me olhar?
- Aidan, eu pensei que tivéssemos... – Virou-se lentamente, gaguejando a frase.
- Terminado? Eu não quis fazer aquilo. – Ele murmurou dando passos singelos até ela. – Foi um acidente, você sabe. – O rapaz chegou mais perto na intenção de tocá-la, desviou do ato em seguida o que o fez entortar a cabeça.
- Certo. Que seja. – Levantou-se, se afastando um pouco mais. – Pra mim deu Aidan. Eu estou bem aqui, e eu espero que você volte pra onde quer que você queira ir, eu sei que não é aqui.
- Como você sabe? Eu... – Aidan passou as mãos nos cabelos. engoliu seco em seguida. – , eu sei que pode ser difícil pra você acreditar, ainda mais depois do que aconteceu... Eu só perdi a cabeça.
- Você me empurrou, Aidan.
- Eu me descontrolei, tudo bem? – Disse um pouco mais irritado. – Você aqui, com outra vida... Passamos muito tempo juntos, . Eu achei que era só um lance, mas eu realmente estou apaixonado por você.
- Eu sinto muito mesmo. – A menina murmurou dando um suspiro. Seu coração estava a mil. – Eu não posso fazer nada.

Ela queria correr. Correr o mais longe possível de Aidan, mas o fato de que suas pernas mal correspondiam seus comandos deixava tudo ainda mais complicado. Nunca pensou em todo aquele tempo que fosse sentir tanto medo com Aidan por perto. Era como se aquelas marcas que o mesmo havia deixado duas semanas antes pulsassem perto dele, lembrando-a agora do que ele era capaz. Porém, por mais que sentisse tudo isso, olhar dentro dos olhos dele a fazia ponderar, talvez tentar entender qual era a de Aidan, extrair o que vinha, e se vinha do fundo de seu coração, ou se ele estava só com medo de a perder porque nunca tinha perdido nada na vida.
Mesmo com passadas longas, ao passar por ele sentiu-o segurar seu braço com força. Não o suficiente para deixar marcas, mas para fazê-la parar no mesmo segundo. Não conseguiu dizer nada por aqueles míseros segundos que pareceram uma eternidade.

- Posso te pagar um café? – Ele se virou, encarando seus olhos. Os dele brilhavam, aqueles olhos azuis escuros encararam-na com profundidade. Aidan não aceitaria um não e ela sabia disso.
- Um só.
- Ótimo.

Ambos foram em silêncio no carro dele. Nenhuma se quer palavra trocada ou som emanando deles a não ser o do rádio avisando sobre uma tempestade de primavera que possivelmente chegaria na madrugada daquele dia em Londres. Típico de primavera de lá, dizia o radialista, também informava que era o que deixava as ruas tão brilhantes, e os jardins da cidade tão radiantes. foi se perdendo na vista imaginando como seus pais ficariam maravilhados, eles adoravam flores, tudo relacionado a jardim.

- Como está minha casa? – Perguntou de prontidão assim que se sentaram a mesa dos fundos de um pequeno café que parecia escondido do mundo. Ficava em uma viela. tentou entender porque ele a levará até ali e como sabia que havia um café ali se era, assim como ela, nascido em Manhattan e pelo que soube nunca viveu em Londres.
- Ainda considera lá a sua casa?
- Claro.
- Bom, eu vi que eles têm feito algumas mudanças... Pelo que entendi tudo está indo pra um depósito...
- E o jardim? – Perguntou num tom exasperado. Aidan ergueu os olhos e a encarou por longos segundos.
- Seu irmão não te contou, contou?
- Sobre o quê, Kile? – Estava ainda mais apreensiva que antes.
- Ele vai vender a casa. A casa esta a venda, .
- Não. não faria isso antes de me falar... Ele sabe que...
- Vamos ver o que o próximo morador vai fazer com o jardim do papai... – O rapaz debochou. quis arrebentá-lo. Aquele jardim era realmente o tesouro do seu pai, não carregava só flores, mas todos os sentimentos que ele semeava sobre sua mãe no tempo em que fora vivo.
- O que você quer, Aidan? Por que me trouxe aqui? – Cortou o papo engolindo em seco. Aidan observou-a se ajeitar na poltrona e afastar o café que mal havia tomado.
- Não quer ficar aqui comigo? Costumávamos passar horas tomando café e conversando.
- As coisas mudam.
- Não imaginei que você seria uma delas.
- Nem eu, Aidan. – Ele soltou um riso estranho que a fez cerrar os olhos por segundos.
- Eu gosto de você. Vem comigo... Você não queria ir embora, eu sei que não.
- Aidan, minha vida é aqui agora, quer você queira ou não. Eu tenho o e os garotos e eles são...
- Joga a real, . – A cortou, a menina viu o maxilar do rapaz travar, novamente sua espinha gelou. – Qual deles?
- Do que você está falando?
- Qual deles você está saindo? Ou é um por noite? – riu irônica.
- Me poupe, Kile.
- Eu? Estou mentindo por acaso?
- Sabe, Aidan. – , que já havia se levantando para ir embora voltou dois passos, batendo sua bolsa contra a mesa, o ato fez o rapaz se afastar com um sorriso ridículo nos lábios. – Eu não sei se alguém já te disse isso antes, mas se não, eu vou dizer agora: Eu sei que você pensa que diminuir os outros vai te fazer melhor, ou se sentir menos lixo, mas não, Kile, você vai continuar sendo você, fazendo outras pessoas se sentirem inferiores ou não, e enquanto você não entender que algumas coisas não andam do jeito que você quer, você vai continuar sendo sozinho.

não esperou ser segurada, olhar a reação dele ou qualquer coisa que ele pudesse fazer, jogou uma nota de 5 libras a mesa e saiu em disparada, chutando a porta assim que saiu. Olhou para os lados na esperança de achar algum mapa, ou alma que pudesse lhe indicar pelo menos um metrô àquela hora, eram por volta das 19h30min e o beco onde se encontrava lhe causava calafrios tanto quanto Aidan, o local condizia com ele.
Menos de três minutos depois ele saiu tirando seu cigarro do bolso e parou ao lado dela. sentia seu corpo tremer por dentro, não sabendo como aquilo era possível, mas sentiu. Engoliu em seco pelos minutos que ele continuou fumando ao seu lado, sentindo a fumaça correr por suas narinas. Ela odiava que ele fumasse perto dela.

- Sabe, ... Eu entendo sua irritação agora. – tragou mais um pouco. – Eu não estou chateado... Eu sei que você deve estar confusa agora, eu achei que ficaria. – Soltou a fumaça, virando-se para ela. – E eu sei que uma hora você vai voltar pra mim... Eu te dou seu tempo.

Kile continuou por alguns segundos perto dela ainda fumando, o suficiente para que seu cigarro acabasse. Assim que aconteceu, jogou-o no chão, pisou na bituca e correu para o carro.
o viu arrancar com o mesmo de lá e sair voando, o pneu chegara a cantar. Instantaneamente sentiu o corpo todo arrepiar, mas não tinha nada a ver com frio. Era medo. Medo de Aidan, que estava piorando ainda mais a cada vez que ela o via. Medo de saber. Medo de tudo.
Com uma respirada a garota checou o celular novamente: 19h50min. Logo depois olhou ao redor não vendo ninguém além dela ali para se quer perguntar como retornar para o lado aonde viera. Ou seja, ela estava perdida.
ousou dar mais alguns passos. Andou duas quadras ainda sem conseguir ver ninguém na rua. Sua cabeça girava de leve; Ela abraçava o próprio corpo, até um momento em que cansou de andar em falso e finalmente cedeu a ideia de ligar para alguém. Sim, ela poderia ter ligado. O difícil seria ter que explicar o que estava fazendo tão longe de casa naquele horário, e por que. Sabia que o porquê seria motivo de rebelião, e fora por isso que hesitou até o ultimo momento.
Alguns minutos depois de batucar o celular entre ligar e não ligar, escolheu a alternativa mais fácil, ou melhor, o que mais lhe chamava. .
Foram necessários cinco toques ate que ele atendesse.

- Manhttan Girl... – Ouviu, sorriu de leve sem notar. A voz conhecida a acalmou do pânico. –
- British boy... – Devolveu, e por conhecê-la tão bem, percebeu na hora que havia um problema, em conjunto com o silêncio de segundos que seguiu e sua respiração.
- Qual é a ocorrência?
- Você está muito ocupado? Porque se estiver...
- Diga logo . – O garoto forçou um pouco mais sério, já endireitando a coluna.
- Não é nada grave, na verdade, isso pode acontecer...
- !
- Ok! Eu não sei onde eu estou, , e minha bateria está acabando. – disse rápida, mordendo os lábios; trocou olhares com a rua vazia outra vez.
- Você o quê?
- É totalmente possível eu me perder numa cidade que acabei de chegar, então não encare como se isso fosse a pior coisa do mundo. - Rolou os olhos. Naquele exato segundo, já havia levantado e por sinal, já estava descendo até a garagem.
- Liga seu GPS. - entortou a cabeça. –
- Vocês estão me monitorando?
- , o iOS consegue achar sua localização. – Falou entrando no carro. ficou algum tempo em silêncio, o que fora os segundos para ligar o GPS; No mesmo segundo a mesma ficara ativa para ele.
- Saber que o iOS sabe onde estou não muda o fato de que vocês estão me monitorando e eu não sei.
- Primeiro: Essa merda estava desativada.
- Ok. Você está irritado.
- , o que você está fazendo aí? Meu Deus!
- Preciso explicar agora?
- Chego em vinte minutos, ok?

Vinte minutos que pareceram uma eternidade. não entendia como em vinte minutos havia chegado lá. O caminho que Aidan fizera pareceu tão mais longo do que isso. No entanto, em realmente vinte minutos contados estava lá, e em menos de milésimos ela já havia entrando no carro, fisicamente aliviada. soltou um suspiro enorme assim que botou o cinto, estava tão avulsa que só percebeu que a olhava diretamente e nada amistoso um tempo depois.

- Eu sei o que você deve estar pensando.
- Então explica. – Ela o viu passar a língua nos lábios.
- Eu estava explorando a cidade e...
- Não minta pra mim, . – fechou os olhos pesarosa. a viu engolir seco. – Foi o Kile, não foi?
- Ele só queria conversar.
- É. Queria conversar num ponto de compra e venda de drogas. Um belo lugar pra conversar. – Falou sarcástico, em conjunto com um sorriso que fez se irritar de leve.
- Que seja, , ele quis conversar.
- E te deixou aqui! – Aumentou tom. – Você sabe que isso é perigoso, não sabe? É claro que sabe, você não é tão idiota! Sabe também que aquele filho de uma égua é um Zé droguinha que só te empurra pra lama cada vez que se aproxima dele! E mesmo sabendo de toda essa merda, você ainda quer arrumar algum argumento pra defendê-lo.

A garota ficou calada o observando. Suas veias pulsaram no pescoço, seu rosto ficou quase vermelho. não estava brincando ou sem razão. Ele estava certo, e ela não sabia por que ainda caia nessa.
Por pior, ele sabia; o mal dela era acreditar na bondade das pessoas sem perceber que em algumas esse lado não existia. Pelo menos para .
O fato de ser desse jeito o deixava doido. O deixava fora de si, porque se ele sabia daquilo, Aidan também sabia, e estava se aproveitando; E se aproveitar dessa forma de era algo que não suportava.

- Me desculpa. – Murmurou um tempo depois. fechou os olhos por alguns segundos.
- , uma hora o pior pode acontecer por causa desse cara e eu não vou estar aqui. – Disse tornando a olhá-la. Ela tinha os olhos presos nele. – E eu juro que não vou responder por mim se algo acontecer com você por causa de um...
- Não vai acontecer nada.
- Você não pode ter tanta certeza disso. – Ele voltou a olhá-la um pouco mais preocupado.
- E você não pode assumir a responsabilidade por mim desse jeito. – rebateu no mesmo tom. Ela viu o olhar do menino abaixar, e depois se voltar para frente como se o mesmo tivesse algo pra dizer, mas tivesse desistido.
- Eu não tenho muita escolha. – Murmurou, arrancando com o carro em seguida.

não tinha nada a dizer. Não achou nada que pudesse falar porque no fundo o fato de , mesmo daquele jeito estranho dele, se importar com ela de uma forma da qual ele mesmo dissera que não tinha escolha, a deixava feliz.
Silenciosamente ela esgueirou uma de suas mãos até as dele, que estava apoiada na coxa do mesmo. Abertamente abriu a mesma, deixando que emaranhasse sua mão ali, e assim que o fez apertou-a. A garota virou-se um segundo sorrindo, notando que sorria de leve da mesma maneira que ela ainda olhando para frente; ele não mostrava os dentes, mas a pequena volta que seus lábios faziam dizia.

***


Assim que chegou em casa, deixou a bomba para que englobou em respostas esfarrapadas para de que o tempo todo ele e ela estavam no estúdio, logo depois que ela saiu da faculdade. A sua sorte é que não estava lá, de qualquer forma, sabia que odiava ser seu álibi somente pela forma como ele olhava pra ela, pedindo mais explicações, pedindo mesmo com os olhos que ela atendesse as suas exigências e contasse para que Aidan estava a perseguindo, porque era isso que ele estava fazendo.
Ele ficou por mais um tempo na casa, passou pelo quarto dela, estava no banho quando isso aconteceu. até quis esperá-la, queria tentar entender o que se passava na mente da menina. Ele ainda não conseguia entender porque se colocava em risco junto com Aidan e porque tinha, de repente, ficado com ele. Por minutos sentia-se completamente irritado consigo mesmo. Se ele não tivesse ido embora ou talvez voltado para conversar com ela, nada disso teria acontecido. a tinha como sua amiga, sempre sentiu necessidade de protegê-la, mesmo que não precisasse de proteção, ela era toda autossuficiente, sempre foi. O fato de que, no momento em que ela realmente precisou, ele não esteve lá, o deixava irritado. No fim das contas a pior pessoa agiu por ele. Aidan Kile.
- Eu disse que tinha uma solução e achei. – No dia seguinte, exatamente as 20h27min da noite, ligou.
- Diga.
- Você pode ir no sábado. Eu fiquei sabendo que você pode repor essas aulas.
- Isso é algo que eu deveria saber. – disse perplexa mais para si do que para . –
- Enfim...
- , eu não sei se é uma boa ideia.
- Não é uma boa ideia, é uma ótima ideia.
- Eu sinto muito, .
- , qual é! Não dá pra você ficar sozinha em pleno feriado.
- Quando vocês vão?
- Amanhã de manhã. – murmurou cansada. – Pelo menos vou dormir na sua casa essa noite.
- também?
- Eu ouvi meu nome?

De imediato sorriu sem dar-se trabalho de se virar, reparou que assim que o garoto entrou no quarto, depositou uma pequena mala com algumas figuras bordadas em símbolos de rock. Sentiu o peso do mesmo em cima de suas costas, o que a fez rir por segundos.

- ? Tudo bem? – perguntara pela segunda vez na linha. –
- Sim! Estou te esperando. – olhou para que fazia gestos indicando que iria buscá-la. – vai te buscar em quinze minutos, esteja pronta!
- Oi?
- Beijos. – Desligou, empurrando-o de cima de si. – O que vocês estão aprontando?
- Do que você está falando?
- Viagem pro feriado do Spring Holiday? Eu nem sabia que o comemorava isso!
- Na verdade ele comemora desde que se mudou pra cá, docinho, ele é o único não-inglês. – rolou os olhos. – Na verdade é um inglês naturalizado agora, como você.
- Ah, eu sou americana. Sem chance.
- Ninguém consegue se conter aos encantos dos ingleses. – Ele piscou. cerrou os olhos o olhando por cinco segundos. –
- O que você quer me dizer?
- Bom, eu acho que você deveria ir conosco. Não é algo que, bom, ah , três aulas? – praguejou. – Enfim...
- Três aulas das quais eu preciso pra estudar.
- Seu irmão é milionário e seu marido também pode ser, se você me escolher.
- Tenho essa opção?
- Sempre teve. – gargalhou.
- Vai, está te esperando.

se levantou lentamente, aconchegando a almofada que antes estava em seu colo. Antes de sair totalmente, recostou no batente da porta. viu os ombros dele subirem e descerem lentamente antes que o mesmo se virasse.

- O que você acha... De mim e da ?
- Como assim?
- O que você acha?
- Do tipo, ficar juntos? – sorriu animada.
- Do tipo, você acha que ela ficaria magoada se não ficássemos? – O semblante da menina se desmanchou.
- Porra, , o que você fez?
- Nada. Eu não fiz nada. – Ele murmurou. – Eu a acho incrível e...
- Mesmo blá, blá, blá de sempre. – Rolou os olhos. – Se acha, por que esta pensando em acabar com seja lá o que existe entre vocês?
- Eu não disse isso, . – O garoto juntou as sobrancelhas em negação. – Eu apenas fiz uma pergunta.
- Você não faz uma pergunta por nada. Mas, , seja lá o que for... – deu um suspiro. – Seja gentil sempre. Se não quer nada sério, eu acho bom você deixar isso claro.

viu o garoto apertar os lábios a olhando. Ele ainda queria dizer algo, e ela ainda estava esperando ansiosamente pelo que ele diria, mas só o que recebeu foi novamente um olhar e as costas dele se virando para então ir atrás de .





Capítulo 5.


***


Já era de madrugada, por volta das três da manhã, quando todos desistiram de conversar na mesa de vidro da sala de jantar e foram dormir. Muito embora fossem sair de lá as 09h00min em ponto – Pois costumava ser extremamente pontual. – Ninguém realmente ligou em ficar jogando conversa fora, comendo pizza e se embebedando de refrigerante naquela mesa.
A real era que, nem e muito menos cogitaram a hipótese de pensar em Manhattan e não enxergarem um motivo pra ir pra lá. Essa era a realidade naquele momento. Pensando naquilo enquanto ainda cessava o riso, lembrou-se do assunto em que Aidan havia tocada no dito dia que haviam conversado, sua mente voou até também , que não havia dado as caras desde aquele dia.
Aquele era um enigma que queria resolver.
Era a segunda vez que sumia sem dar o ar da vida, e nas duas vezes fora depois de descobrir algo sobre Aidan. Não queria associar a atitude do rapaz a Aidan, mas era algo a se considerar bem de leve caso ela não tivesse nada do que pensar.
E ai tinham e . Ambos pareciam íntimos naquela noite. O conjunto de sorrisos, piadas internas, os olhares, até mesmo os toques... só observava novamente deixando sua mente imaginar o que estava planejando para aquilo. não era sua melhor amiga de anos, mas tinha um enorme carinho por ela. Conhecendo o , ou ao menos o de três anos, seu coração apertava por já se imaginar recebendo mensagens de .
era cavalheiro ao extremo e sempre fora, isso era fato. Seu caso não era tratar mal as garotas das quais se relacionava ou fingir que elas não existiam no dia seguinte. Na verdade, chegara a conclusão de que ele era o pior cafajeste que existia, pois, pior que isso, tratava todas como especiais, todas conheciam seus amigos, frequentavam sua casa e eram tratadas como propriamente namoradas, até que ele desistia e da mesma forma, dizia que o problema era ele, e esse era o dilema de em apresentar suas amigas ou conhecidas a turma e a ele. Mas, como o próprio costumava dizerO relacionamento era a única aventura ao alcance dos covardes.
gargalhava. Sabia que não fazia ideia do que estava dizendo.

- Ainda dá tempo de fazer as malas e vir com a gente. – murmurou já botando os óculos de sol no rosto. –
- Divirtam-se. Eu vou estar bem aqui na volta. – piscou. – Alias, não sei por que eu levantei esse horário se nem vou.
- A minha sorte é que eu vou dormindo. – apareceu carregando suas malas. Praticamente as jogou em . – Eu te odeio.
- Aposto que sim. – rolou os olhos.
- É sua ultima chance. – Ela negou com a cabeça.
- Você não acha um tanto estranho não ir também? – apareceu do nada com as mãos no queixo. Naquele momento todos pararam de fazer o que estavam fazendo para olhar com as sobrancelhas juntas.
- Ele vai, , só não vai agora. – murmurou.

Com mais alguns resmungos, arrumações e tentativas de convencimento, todos finalmente entraram no carro e foram, deixando mais uma vez sozinha na casa. Sua aula ocorreria somente naquela tarde, portando a garota preferiu voltar a dormir até que desse o horário de ir.
Foi pensando enquanto não pegava no sono novamente: Onde havia se enfiado? Porque ela o sentia tão misterioso às vezes... Talvez ele fosse mesmo. Bufou. Talvez ela não fosse íntima o suficiente ou como pensava que era. Talvez fosse tudo coisa da sua imaginação e toda aquela tensão gostosa que existia entre eles fosse fruto da sua imaginação. não era mais o . Não o seu .
não dormiu mais que três horas após cair no sono, e pra ajudar ainda acordou atrasada. Pegou a primeira peça de roupa que viu e saiu correndo. Ela não entendia direito porque seu professor custava em dar aula naquela sexta antecedente a um feriado, era como se todos tivessem emendado, e lá estava ela e mais três sozinhos na sala fazendo um rascunho de um trabalho, porque era claro, ele não iria dispensar quatro alunos.
Ás quatro e meia da tarde, quando finalmente foram liberados, sua mente parecia pulsar, mas pulsar de alívio, se é que isso existia. Não tinha nem dado cinco passos para fora da sala quando ouviu seu celular vibrar nas mãos. Assim que observou a foto de tomar a tela, se perdeu um tempo nela. Demorando alguns toques ainda para atender. Aquele cara era o pecado.
- . – Disse tentando esconder a pequena animação.
- . – Respondeu no mesmo tom. – A única que me atendeu.
- Deve ser porque eu não estou na estrada. – Murmurou.
- Você ficou sozinha aqui em Londres? – Perguntou perplexo. Mesmo assim, sentia um tom diferente em sua voz.
- E você ainda está aqui?
- Sim. Estou esperando alguém. – Contou aleatoriamente. – E pra falar a verdade estou esperando desde as duas horas da tarde dentro do carro. – arqueou a sobrancelha, começando a andar novamente para o lado de fora do local. Não sabia por que, mas seu corpo tremeu de leve ao imaginar esperando outra garota. Certo que ele não tinha contado se era realmente uma garota, mas era quase óbvio.
- Uau. Ela deve ser importante, huh? – Riu sem graça. fez o mesmo sem dizer nada. Mais uma vez suas mãos gelaram.
- Então... Já saiu?
- Quase fora da faculdade.
- Ótimo. Seguinte, tenho que ir, gatinha. Beijos.

Não deu tempo nem mesmo de resposta. parou no meio do corredor, quase perto da porta e ficou olhando para a tela do celular por mais cinco segundos com uma feição de nada. Sentiu seu rosto formigar de leve. Que merda estava pensando?
Num súbito guardou o celular novamente na bolsa e praticamente chutou a porta, andando em passos rápidos para o ponto mais próximo de metrô – era a melhor escolha para aquele dia que havia acordado atrasada. – Foi preciso um minuto. Sentiu um pigarro alto cedendo o olhar por um minuto para onde o barulho havia vindo. Foi como se tivesse batido o corpo em uma parede invisível.
Engoliu em seco ao ver encostado em seu carro, de terno, braços cruzados, assim como suas pernas, e as mãos no bolso. Por que merda ele usava gravata borboleta? Fechou os olhos por longos segundos tentando entender, ou digerir.
Ela era a garota especial que pensava. pensava em si mesma.
Pensar que pensava em si mesma a fazia sentir-se idiota, ou melhor, fazia aquilo com ela porquê?

- Demorou, hein? – Sorriu. continuou parada no mesmo local o olhando, o ato o fez rir um pouco mais, porém agora de maneira duvidosa. – Que foi? Vem aqui logo! Não temos tempo pra demora.
- , você...
- Você costuma ficar sem palavras assim na frente de todo cara, ou é só comigo? – Torceu o nariz. Foi o suficiente para vê-la revirar os olhos e ai sim caminhar até ele. –
- Então me dá uma carona até em casa. – Antes de abrir a porta do carro, foi parada por ele com uma das mãos, sentindo seu rosto quase colar com o dele. Era magnético, os olhos dela se prendiam aos dele por um segundo, embora parecesse uma eternidade. –
- Hã Hã. – Apertou os lábios, entortou a cabeça. – Vamos pra casa de lago do .
- Mesmo que eu fosse, eu teria que tomar banho e arrumar as coisas...
- arrumou pra você.
- Oi?
- A mala extra dela é sua.
- Ah e vocês resolveram fazer surpresa por quê? – cruzou os braços. Seu tom era tão nocivo e sem motivo que riu de lado. Se aproximando do ouvido dela em seguida. –
- Porque eu quis.

Não precisou mais nada. Ele abriu a porta do carro e ela entrou sem dizer nada.
sumia, e as vezes a deixava no seu ápice da irritação, porém quando aparecia com boas intenções e disposto a conseguir o que queria era uma vez só, e isso era o que a levava ao abismo, como sempre.
Um pouco depois voltou a raciocinar. de terno, uma bolsa de mulher...

- Onde você estava? – Cortou o silêncio. Foi o suficiente para vê-lo botar as mãos na cabeça por um momento.
- Não é onde eu estava, é aonde iremos. – Olhou-a – Pula pro banco de trás e veste aquele vestido. Eu não acho que você precisa de maquiagem, mas de qualquer forma...
- Ok, , você está passando dos limites hoje. – A menina riu brincalhona, notando que agora não envolvia nenhuma brincadeira dele. parou no farol vermelho em seguida.
- Eu fiquei por que tenho que comparecer pelo menos no painel de apresentação de um lance de marketing que nossa agência está fazendo. Um de nós tinha que ir, e eu fiquei aqui pra isso, mas, você vai junto. – Explicou. Ela riu novamente.
- Mas nem sonhando!
- Como você está teimosa hoje, ! – resmungou.
- Você me avisa quinze minutos antes, num carro, pra me arrumar pra um evento de vocês, e eu estou teimosa, ? – Ela devolveu um pouco mais aguda.
- Porque eu acredito que você é linda até de pijama. – Fez uma pausa de um segundo. – Se quiser descer assim, tudo bem. Eu só achei que você não iria querer.
- Fuck

observou-a pular para o banco de trás, tentando conter o olhar em todo sinal vermelho que podia tirar a concentração da rua, para ela lá atrás se trocando. não parecia ter vergonha nenhuma do seu corpo com ele, e nem tinha porquê. Porém era um fato engraçado, e só provava ainda mais que realmente ambos tinham tido algo. Conhecendo-a como conhecia, no mínimo iria tirar a roupa que estava com mais cautela e prudência do que como estava tirando naquele carro.
Com mais vinte minutos ela terminou o que tinha que vestir, admitindo mentalmente que tinha um bom gosto enorme para roupas, o vestido azul marinho básico e um scarpin preto fosco não era algo que um homem saberia escolher, tudo bem que era o mais básico, mas para um homem... Passou o mínimo de maquiagem, o suficiente para um carro, e assim que o mesmo estacionou em frente ao local já cheio de pessoas e câmeras, guardou o pó de volta na bolsa.

- Como você conseguiu sair de uma superprodução de horas, em dez minutos?
- O que você quer?
Ele entortou a cabeça.
- Como assim?
- ...
- Prefere que eu te xingue? – Apertou os olhos. Ah, ela seria capaz de beijá-lo.
- Prefiro que seja sincero.
- Eu nunca menti que te achava uma... – Fez pausa, embora ela tivesse entendido. O dia dos shoots... – Eu me lembro disso.
- Uau. Bato palmas?

rolou os olhos saindo do carro em seguida indo a porta da menina. Assim que abriu e ficou de pé, agarrou-a pela cintura, guiando a garota por um tapete azul, da mesma cor de seu vestido, e ajudando-a a desviar de todas aquelas mãos, flashes. não se deu ao trabalho de dizer “sorria e acene” para ela, porque ela era fotogênica e isso era uma merda e um dos problemas para ele. Sempre que queria zoá-la tentava tirar fotos da garota cozinhando, de surpresa, deitada, ou quando tinha acabado de acordar, e lá estava com seu rosto que, mesmo com a cara a amassada ficava ridiculamente fotogênico.

Eles andaram até o painel, ambos tiraram fotos juntos e como o esperado, soube fingir perfeitamente bem que estava confortável com o fato de estar em meio a todo aqueles flashes. Obviamente qualquer garota adoraria, porém estar ali, ali com segurando sua cintura firme, sem tirar o sorriso do rosto, por vezes ela o sentia olhá-la, por vezes ela o olhava de relance também sorrindo. Tudo aquilo era tão doido que nem parecia real, só se deu conta de que precisavam sair de lá quando sentiu emaranhar suas mãos nas dela e a puxar para dentro do local ainda acenando. Se perdeu no ato, pois ficou pensando no que viria após aquilo.
Primeiro o beco, e depois a aparição dos dois ali e o que provavelmente escutaria de .

- , pela primeira vez trouxe companhia. – Um homem grisalho cumprimentou com um toque, logo depois apertando a mão de .
- Eu sempre venho acompanhado, Madie. – Ele olhou para a menina de relance e depois para o homem, sabia que ela pensava. “Madie não era um nome de mulher?”
- Você entendeu. Resolveu assumir?
- Ah, não. Essa é a irmã do . . – Sorriu. –
- E supostamente faria de vocês dois...
- Eu até tentei conquistá-la, mas acho que é muito tarde pra isso... – brincou, muito embora a fala houvesse chamado a atenção de de forma que a mesma passou a olhá-lo fixamente por alguns segundos.
- Nunca é tarde pra nada se estamos vivos, . Não se dá jeito unicamente para a morte, mas vejo que vocês estão super vivos, não é mesmo? – Madie gargalhou, foi acompanhado dos dois, e depois chamou para dançar.

Não demorou muito para que todos se dispersassem e então eles pudessem ir embora. Não ficaram mais que uma hora por lá. Acontece que depois do dialógo os dois estavam quietos até demais. mais uma vez estava instigado a saber o que se passava na mente de depois de tudo que havia se passado entre eles, e ela queria saber o que ele queria dizer com a frase, ou melhor, talvez só quisesse conversar sobre aquilo. O fato de adiar aquela coisa os deixava tensos, e a ultima coisa que queriam naquele momento era isso. Gostavam um do outro, gostava de , por que diabos então somente o afastava? Às vezes sentia-se cansada de si mesma por isso.
Após uma parada a casa apenas para que trocasse de roupas, ambos partiram para a casa do lago. Já eram por volta das 19h00min quando saíram da cidade e pegaram a estradinha, puderam desfrutar do pôr do sol londrino juntos, ao som de uma das músicas da rádio, que por obra do destino era James Bay. Ah, James Bay. chegou a fechar os olhos ao passar por aquilo.
A viagem não era demorada, porém era hiperativo demais para ficar duas horas sem parar dentro de um carro, e foi por esse motivo que pararam em dois postos da estrada, aquelas super lanchonetes que contem McDonalds e Burger King vinte e quatro horas, além de salgados em geral. tinha pegado no sono, e por aquele segundo, quando o carro parou, o rapaz ficou olhando-a dormir.
Ela estava encolhida com as mãos enfiadas no meio das coxas, deixou-se imaginar que ela estava sonhando. Correu os olhos pelos cabelos, pescoço, e parou no braço. A parte onde Aidan havia deixado a marca, agora estava um tanto mais amarelada, o suficiente para que conseguisse esconder, o suficiente para que ficasse ainda mais com raiva. Aquilo provava que Aidan não tinha apertado sem querer. Sem querer ninguém deixaria uma marca tão persistente como aquela.
Desviou o olhar, apertando a mão com força no volante e depois saiu do carro num ato só, caminhando até o lugar, não podia fazer nada, não estava a sua alçada, mas era quase incontrolável a vontade que sentia de esganar Aidan ao vê-la. podia não parecer, mas era vulnerável, e que merda aquele cara tinha pra levantar a mão para uma mulher?
Quando voltou já estava acordada, agora com a blusa dele, uma que estava jogada no banco de trás.

- Me empresta por agora. – Ela deu de ombros se ajeitando no banco quando o viu entrar. – O que você tem aí?
- Hambúrgueres, coca-cola e... Um sorvete. – Entregou-a. A garota riu um tanto, voltando a olhá-lo. –
- Vai conseguir comer tudo isso dirigindo?
- É por isso que eu tenho uma copilota.

E deu partida no carro novamente. não tinha a intenção de parar permanente pra comer, e sim, a intenção dele era comer dirigindo, não era a primeira vez que fazia aquilo. Aquela era só uma desculpa para que desse comida na sua boca, o que colou. Ela realmente oferecia, ou melhor, mais comia do que oferecia, mas ele se divertia com aquilo.
Para metade das pessoas que provavelmente veriam aquela cena por fora, pensariam que estava naquela sucessão de detalhezinhos de fazê-la rir, com direito a surpresas, porque ele estava querendo beijá-la, e certamente ele não descartaria essa possibilidade, mas a razão em si não era essa.
Ele queria que ela sorrisse. Não forçado. Não porque tinha que sorrir, ou porque tinha achado graça de uma coisa por um segundo. queria no fundo do seu coração senti-la feliz novamente, coisa que sabia que não estava. Ele sentia isso e conhecia o suficiente para saber quando, primeiramente, sua amiga, estava apenas levando uma coisa, e essa coisa era sua nova vida. não a culpava; era tudo tão recente e ele não conseguia imaginar o quanto isso era complicado, e por isso queria deixar o mais leve possível para ela. Porque merecia.
Por toda a sua autossuficiência durante aqueles dois anos, segurando a barra sozinha, tendo que recorrer a Aidan... Ele sabia que era o pior, e que ela realmente tinha aguentado as pontas. Era o mínimo que ele podia fazer por tudo que tinha feito e mais, por tudo que ela era.
- Por que você adora me enganar? – Ouviram assim que abriu a porta do chalé, estava bem atrás com um sorriso no rosto, enquanto o resto dos outros estavam jogados por toda a sala assistindo TV.
- Você disse no singular.
- Claramente para aquela ali que me chama de amiga. – rolou os olhos. – Você podia ter acabado com meu sofrimento de ficar sozinha.
- Você nunca vai ficar sozinha, . Você tem a nós. – disse em seu ouvido. Sem querer a garota sentiu os pelos se arrepiarem, assim como vira, sorrindo em seguida.
- Sobrou um quarto onde você e o podem dividir... Ou – Trocaram olhares entre e . –
- Ahá.
- Vocês viram os botes no lago. , você nunca me disse sobre os botes. – chegou cortando, passou por e depois abriu a porta.
- Está de noite, , tá doido? – De fato, já eram 21h30min da noite.
- Nós não saímos de férias pra não aproveitarmos. – Pausa. – Traz o isopor de cervejas. Espero vocês lá fora.
- Ele sabe que temos mais dois meses, certo? – cerrou os olhos.
- O quão esgotado está?
- Deixa o papai da turma enlouquecer uma vez na vida. – bufou.

Quando se tocaram o mesmo já havia ido até a cozinha e agora estava seguindo em direção a , que já estava sem camisa, sentado em uma das espreguiçadeiras em frente ao lago. O tempo estava quente daquele lado do Estado. Na realidade a casa não se afastava muito de Londres, ficava aos arredores, mesmo assim, estava mais quente que a capital e bom, tempo pra ficar sem camisa era surpreendentemente inovador pros ingleses.
Com mais alguns minutos todos foram se juntando. ligou o som do carro, e começaram a jogar cartas enquanto e estavam também sentadas em um dos bancos de pedra espalhados pelo gramado que sucedia. custou a olhar para as estrelas, vendo o quanto era gostoso poder sentir o calorzinho da noite, o barulho da mata, dos gafanhotos. A ultima vez que sentira aquela sensação relaxante fora a mais de cinco anos quando viajaram para o Arizona, na casa de sua tia Georgia. Fora a primeira e única vez que a viu, uma flor fora a ultima coisa que receberam da mulher e isso uma semana após a morte de seu pai.

- Às vezes eu acho que vou ouvir algo do , sabe? Mas nunca ouço. – cortou o silêncio. – Não sei o que esperar dele.
- Ele nunca foi bom com sentimentos. – respondeu num murmúrio, seguindo o ato de : Se curvar para trás apoiando-se em seus braços, olhando para o céu.
- Quem é?
- Ele é mais do que você imagina. – Suspirou. – Desde que eu o conheço, ele teve grandes problemas para dizer o que sentia, e às vezes pra distinguir... Mas acredite, é a melhor pessoa pra passar o tempo.
- Está dizendo que é pra passar o tempo? – se endireitou com um sorriso perplexo no rosto. –
- Estou dizendo pra deixar rolar. – respondeu permanecendo na mesma posição.
- É isso que você está fazendo com o ? Deixando rolar?
- Deixando rolar exatamente o quê?
- Bom, o simples fato de o ter se oferecido pra ir ao evento...
- , não...
- , qual é! – fechou os olhos ao ver a amiga se virar num súbito. – Eu entendo que faz o quê? Duas ou três semanas que eu conheço vocês... Mas é tão explicito. – Murmurou o final, quase que pra si mesma. – Você me diz pra pegar leve, e eu sei o que você deve pensar.
- O que eu devo pensar, ó tão sábia ? – Ironizou soltando um riso. era persistente.
- Que faz pouco tempo que eu e o nos... Sei lá o que está acontecendo entre nós, mas de qualquer forma parece intenso, e é isso que é, a diferença é que nós não fingimos, e se por acaso isso acabar amanhã, ou daqui um minuto, saberemos disso, porque assumimos isso, sem desculpas, ... – Falou.
entortou a cabeça desviando o olhar da amiga, voltou a olhar para jogando e rindo, aquilo era clichê demais pra ela, odiava toda aquela coisinha, mas parece que tudo com era um misto de romance com...
- Já houve muita desculpa pra nós, . – Respondeu pesarosa. – É por isso que não... Eu não posso ser tão intensa desse jeito.
- Não, , é por isso que você tem que ser. Houve desculpas porque vocês deixaram isso acontecer. E se acabar amanhã, pelo menos vocês vão ter certeza disso.

Com um suspiro cansado daquele papo, permaneceu quieta apenas abstraindo todas as palavras de . De certa forma ela não estava errada, lá no fundo de seu coração ela sabia que ela não estava. No entanto, havia o medo. tinha sim o pé atrás e era isso que admitia, e não que se sentia ridiculamente intensa com ele. Era tão difícil.
Do outro lado apenas observava os amigos conversando com a cabeça perdida. Agora todos eles estavam sentados nas espreguiçadeiras, lado a lado, virando suas cervejas quase que em sincronia. Ficaram lá perdendo tempo e conversa por sabe-se lá quanto tempo até resolverem entrar.
Sua bateria tinha acabado, a casa estava toda escura; seguiu o fluxo dos outros caras subirem cada um pros seus quartos, ou melhor, seguindo , até levar uma portada na cara.
até fechou os olhos com o impacto, sentiu a porta relar seu nariz. Ok. Ele estava prestes a urrar com quando ouviu a voz baixinha de .

- Não vai conseguir tirá-los daí tão cedo. – O garoto virou em 360 graus, tendo a visão da porta do quarto, oposta a de , entreaberta, estava de pé no meio dele já de pijamas o olhando, mordia os lábios parecendo ser num modo involuntário.
- Eu, supostamente, deveria arrancá-los dali, não?
- Ou, você pode ficar aqui. – Respondeu sorrindo sem mostrar os dentes. fechou os olhos agora, também mordendo os lábios.
- Não vai dar certo.
- É claro que vai dar certo. Por que não daria? – A garota cruzou os braços, por um segundo ele pensou que fosse inocência, mas era óbvio que estava tirando uma com a sua cara.
- Eu vou pro sofá. – Ele sorriu já dando meia volta.
- , eu não estou brincando. Entra. – Ele tornou a olhá-la. Sua cabeça fazia gestos para que ele entrasse.

O rapaz apenas seguiu as ordens. Caminhou para dentro do quarto balançando negativamente a cabeça. Suas malas estavam ali, o que já era um ponto positivo, e não que não fosse um ponto positivo, na verdade, era mais que um ponto positivo, ele só não queria problemas, mais problemas.
Sabe aquela de não forçar a barra? Não que ele tivesse a intenção, mas sentia que de alguma forma ainda mantinha um muro entre eles. Sabia que era a convite dela, mas... Sua mente parecia borbulhar quando se tratava dela. Queria fazer tudo tão certo que...
- Ei, tudo bem? Não vai vomitar, né? – estalou os dedos ao percebê-lo avulso. coçou os olhos e depois deu uma respirada enorme antes de olhá-la.
- Não bebi tanto.
- Então qual é o problema?
- Você é o problema, . O tempo todo. – Viu o rosto dela entortar imediatamente após a frase e logo, ela famosamente cruzar os braços. –
- Eu?
- Por que você finge que nada aconteceu?
- O queaconteceu, ? Quem esqueceu foi você. – Disse quase num tom debochado. Ele bufou novamente, tapando o rosto.
- Por quanto tempo vai continuar guardando isso?
- Não estou guardando.
- Quanto rancor, mister .
- Não estou guardando, . Já disse. – Falou um pouco mais forte. não aguentou, aproximou-se dela subitamente, analisando a feição da menina. viu os olhos dele ziguezaguearem por seu rosto.
- Mentindo pra mim de novo?
- Você está sendo tão patético que eu estou me arrependendo de ter te convidado pra entrar.
- Mentindo de novo. – comprimiu os lábios chegando mais perto, sentiu o estômago revirar, embora não tivesse se movido um centímetro.
- Talvez metade da frase. – Disse baixo.
- Eu admito que sou patético.
- Eu admito que...

Não houve tempo de a resposta ser finalizada, encostou seus lábios num beijo só por longos segundos, o suficiente para senti-la amolecer, só então agarrou a cintura da garota, deslizando seus braços para dentro da blusa do pijama dela, restringindo seus toques para a cintura da garota. Encaixou suas mãos perfeitamente ali antes de mudar a intensidade do beijo. Quando segurou seu rosto foi que ele afastou suas bocas por milímetros, sorrindo em seguida, pela fresta dos olhos olhou-a fazendo o mesmo, sorrindo tão de leve que só ele mesmo perceberia, e só então voltou a beijá-la.
arqueou por conta da intensidade, porém retribuía a todos os toques. Seu corpo estava todo entregue a , sem desculpa nenhuma, partindo pelo ponto de vista de ... Ele continuou apertou sua cintura enquanto a beijava, fato que durou pelo menos cinco minutos, entre respiradas ofegantes, suas cabeças trocaram de lado pelo menos cinco vezes durante aquele processo. estava prestes a descer suas mãos para a camisa do garoto quando se afastou dela com um único selinho, dando uma respirada profunda. A garota precisou chacoalhar a cabeça para conseguir se conter.

- Eu disse. – botou as mãos na cintura, mordendo fortemente os lábios.
- Já foi. – Respondeu um tempo depois, também botando as mãos na cintura. – O que vamos fazer agora?

pensou alguns segundos exatamente naquela posição. Não mudou. Ficou estático. Por um minuto ambos ficaram em silêncio apenas pensando naquela sensação de suas bocas se tocando e... Todo aquele clima.

- Bom, - o garoto cortou o silêncio. – Vamos nos encaminhar para aquela cama juntos...
- ...
- E...
- .
- Vamos conversar, . – a repreendeu com o olhar. – O que você pensou que fosse?

ficou um tempo segurando o riso, odiando e amando após aquela. Queria lhe dar um tapa e terminar o beijo da mesma forma que começaram, e só por aquele impasse antagônico entre os desejos que tinha sobre , ficou parada. Saiu do transe quando o viu retirar a camisa e os jeans, e caminhar para a cama.

- Precisa ficar pelado? – Perguntou arqueando a sobrancelha.
- Um problema pra você? Você se lembra de mim sem nada então não seria a primeira vez...
- Você está fazendo piada disso?
- Não. Eu não estou fingindo que “isso” não existe. – Fez aspas com as mãos. – Não é nada além da verdade.
- Ok. Mas isso não muda o fato de que...
- Eu estou aqui agora. – sentou-se na cama. – Podemos mudar tudo se você disser que quer mudar tudo, . Eu estou tentando desde o momento em que eu soube, então...
- Mudar tudo? – chegou mais perto. – Como você pode mudar tudo? Algumas coisas são irredutíveis, . E quando eu digo irredutíveis é porque realmente...
- Você não se sentiu mal por eu não me lembrar do sexo, , porque provavelmente no momento eu fui bem convincente em parecer ridiculamente são. Você se sente mal por pensar que eu não sentia nada e que não senti no momento em que fizemos isso, porque se trata de sentimentos. Porque sexo com quem gostamos é totalmente tratado por uma bomba de sentimentos.
- Eu deveria me sentir melhor por isso? – A menina riu sarcástica. – Não estou vendo a diferença em nada do que você disse, que eu já não saiba.
- Não está vendo porque não consegue imaginar que, não é porque eu não me lembro, que eu não senti nada, que eu não tive desejo, e eu, por Deus, , não quero tirar minha culpa disso. Foi horrível o que eu fiz, e sim, eu me... – Ele fez uma pausa. O estômago da menina voltara a retorcer. – Mas eu tenho certeza, sabendo quem eu sou e o que eu sentia por você na época, que se hoje fôssemos além do beijo, eu me sentiria completamente doido por você, como provavelmente me senti naquela noite.
- Por que não me disse isso na época?
- Por que você não admitiu isso pra mim na época?
- Faria alguma diferença?
- Faria toda a diferença.
- Como? Você se lembraria só porque eu diria que estava apaixonada? – exclamou não alto, andando um pouco mais a frente de . Ele pode ver o peito da garota subir e descer, como se lembrasse da sensação. – Vê? Não faz sentido algum! Nunca fez.
- Faz sentido porque no momento em que você soubesse que eu sentia o mesmo, tudo mudaria, e essa é a verdade, você sabe disso, mas continua arrumando motivos pra me afastar de você, e eu aceito, ok, vamos ser amigos porque além de tudo somos isso, mas você não pode continuar mentindo sobre nós, pra si mesma.
- Eu não estou.
- Ótimo.

Estaca zero.
talvez nunca conseguisse fazer entender, e não, isso não tirava a culpa dele, ele nunca tiraria sua culpa, ou jogando a culpa nela, ou qualquer coisa que uma mente provavelmente perturbada estaria maquinando. Ele só queria que entendesse que de todas as formas ele ficaria enlouquecido por ela na época. Ele também estava apaixonado, mas não tinha bola de cristal. Veja bem, botando em pratica: Eles eram novos, namoravam escondido, era um carrasco e seu melhor amigo, estava completamente apaixonado por ela, e por mais que hoje ela dissesse que também era, era completamente imperceptível notar em , ninguém consegue saber sem que o outro fale, e mesmo que ele tivesse o mínimo de desconfiança sobre isso – O que não tinha –, com plus de não se lembrar de nada, como poderia suspeitar no outro dia do que tinha feito, do que ela tinha sentido, ou ao menos deixar um bilhete dizendo que estava apaixonado... Como poderia declarar seus sentimentos sem saber se seria retribuído?
É o drama de toda pessoa normal. Ninguém dá um tiro no escuro esperando que seja retribuído, em quesito sentimental, ninguém é tão corajoso, e essa é a real verdade.
Porém veja, ele jamaisse perdoaria pelo que havia feito com . Por ter sido um babaca com sua melhor amiga da qual estava inclusive apaixonado.

***


- Você chamou quem?
- Jocelyn.
- Isso é um nome? – rolou os olhos.
- Eu convidei algumas pessoas, é nosso “último” dia aqui. Nos divertimos bastante juntos, agora está na hora de...
- Ah, eu nem quero ouvir o fim dessa frase. – fechou os olhos virando-se para sair da cozinha.

Seus olhos fechados durante o ato impossibilitaram com que a garota visse o “obstáculo” em sua direção. Bateu em algo potencialmente duro, porém macio, seus olhos não demoraram a abrir, mas foi o suficiente para que ela sentisse a necessidade de se apoiar na pessoa a sua frente, ou melhor, no abdômen desnudo e sarado a sua frente, que pertencia a nem mais nem menos que:
- .
- .

E ela continuou na mesma posição, dessa vez olhando diretamente nos olhos do rapaz. Ele por sua vez, quando viu que continuou ali, sorriu de lado, deixando aparente a covinha que se formava ao lado de seu rosto. O sorriso não mostrava os dentes, apenas fazia uma curvinha do lado direito dos lábios do rapaz, o coração dela chegou a falhar por um milésimo de segundo.

- Calor lá fora? – A pergunta fez até mesmo arquear a sobrancelha.
- Por que você acha isso? – entortou a cabeça segurando o riso.
- Uma dedução... – Respondeu se afastando lentamente. Levantou as mãos na altura dos ombros caminhando para o outro lado da casa, a fim de checar se tudo estava nos conformes, embora soubesse que provavelmente seu coração não deixaria por pelo menos aqueles segundos a sensação de tocar naquele abdômen novamente.
- O que foi isso? – cortou o riso fechado de , para si mesmo da situação, era tão pé no saco as vezes.
- O que foi o quê? – arqueou a sobrancelha indo atrás dos últimos cachos de luzes que estavam pendurando por todo o gramado, por dentro queria dizer que estava doido pra beijar a irmã dele, mas...

ficou calado observando-o, não disse nada ou se moveu. Sua boca estava entornada em diagonal e aquilo fez rir de leve novamente. Era engraçado como gostava de se fingir de sonso as vezes, ou, em como ele era tão inocente.

A noite foi chegando e com isso, as pessoas também. Já fazia um tempo de festa quando decidiu se juntar a todos do lado de fora, e não ficar na solitária com na cozinha, apenas servindo os petiscos ou enchendo os potes. A real verdade é que havia mais mulheres do que homens naquela festa. Ela podia contar nos dedos quantos homens havia convidado – Do tipo 5 – E todos amigos muito próximos dele, fora isso, a maioria quem fazia era as mulheres.
Convenhamos que não pensava no tédio por conta da falta de homens ou coisas do tipo, não tinha a intenção de se enrolar com ninguém naquela noite, no entanto, ouvir e ver todas aquelas garotas penduradas em todos eles era sim entediante.
Enfim, quando decidiu dar uma volta pelo lado de fora junto com , ou melhor, um minuto com , porque no outro segundo ela fora atrás de e não queria imaginar o porquê; Continuou sua caminhada singela pelo gramado junto a seu copinho vermelho.
Foi nessa que logo de longe, perto de uma das arvores ao redor do lago, viu conversando com uma garota. não tirou os olhos daquilo; a menina parecia sutil, seus gestos eram suaves, o modo como ela sorria e mexia nos cabelos davam a entender o clima de paquera dos dois, muito embora ela não parecesse se jogar muito em cima.
O clássico.
involuntariamente soltou um bufo dando meia volta, indo até a outra parte do lago da qual estava vazia, ficou por lá por um minuto apenas ouvindo a música ao longe, prestes a dedilhar a água do mesmo, quando sentiu seu braço ser tocado não tão sutilmente. Não se assustou e nem se virou de imediato, já estava pronta para dar uma resposta divertida para quem quer que fosse – O que provavelmente seria algum dos garotos, ou era o que ela pensava – Até finalmente olhar para ver quem era.

- Kile? – Seu coração parecia ter ido à boca quando botou os olhos nele.

Aidan estava diferente. Um pouco pela meia luz, mas também estava vestido diferente. Sua camisa social azul escura abotoada até a gola, calça jeans na cor escura, um tênis branco. Escondia as tatuagens que não eram muitas, nos braços. Seu cabelo estava diferentemente arrumado. Aidan parecia ter ido até lá com algum intuito diferente do que ele estava acostumado a procurá-la nos últimos encontros.

- Eu queria pedir desculpa. – Ouviu assim que sua mente voltou a raciocinar que ele estava ali.
- Primeiramente: Como você está aqui? E como você me achou? – Levantou o dedo indicador, parando-o pelo peito com a outra mão, impedindo-o de chegar mais perto.
- Eu fiz um esforço pra isso. Eu sei que vai me socar quando me ver, e eu não me importo, só quero me desculpar. – Disse retirando a mão da garota com sutileza de seu peito. – Não vou chegar perto de você se não quiser, , eu realmente sinto muito pelo que eu fiz.
- Isso inclui me deixar num ponto de venda de drogas, sozinha? – Ela havia cruzado os braços. Mais uma vez o viu fechar os olhos, cansado.
- Eu não estou mentindo quando digo que me apaixonei, e sei que isso não fazia parte do nosso trato. – Começou firme. – Eu só perco o controle quando você está com esses caras. Eles não te entendem como eu te entendo.
- O que você quer dizer quando você diz “como eu te entendo”? – entortou a cabeça, sentia no mínimo raiva. O único que poderia dizer aquilo era , não podia aceitar Aidan a manipulando daquele jeito, ele usava aquela desculpa desde que se conheceram, talvez só por isso tivesse caído na dele por aqueles anos.
- Você sabe, sobre o te deixar, sobre seu pai e sua mãe...
- Não, Aidan... – O parou. – Vai embora, eu não quero falar com você agora. Eu te desculpo, mas quero que você me deixe em paz.
- Pelo menos me escuta, vamos conversar.
- Conversar o quê? – soltou os braços cansada. – Eu não imagino que você vá entender minha situação aqui. Talvez lá... Mas não aqui, é outra vida...
- Eu não imaginei que você se tornaria tão mesquinha quanto eles, como... – fez pausa. – Vamos conversar em outro lugar. – Grudou nos braços da menina com a mesma força de antes; não conseguia entender por qual motivo ele mudava o jeito de uma hora pra outra.
- Aidan, você tá me machucando de novo... – Grunhiu entre dentes enquanto ele a puxava. – Eu disse que não quero!
- Solta ela agora, Kile.

A voz fez até mesmo estremecer. Viera pelas costas deles e por isso Aidan girou no segundo depois brutalmente para ver de quem era levando consigo, o ato a fez gemer um tanto alto.
Era . Quem ela menos queria ver naquela situação.
Sentia-se envergonhada por vê-la naquele estado, parecendo domada por Aidan. Mais ainda por sentir que outros precisam interferir para controlar a situação. podia muito bem lidar sozinha, tinha feito isso aquele tempo todo. Tudo bem que Aidan estava ultrapassando os limites, mas estar entre ela e a fazia sentir-se tão vulnerável, como um bichinho acuado que precisava de ajuda, como se não conseguisse se cuidar. Tinha que conseguir lidar porque aquele problema não era de ninguém mais de ninguém menos que dela mesma.

- Cara, fica longe disso. É nosso assunto. – Aidan falou educadamente. quis socá-lo naquele momento. Queria ser educado apertando-a daquela maneira? Era revoltante para , um puta de um hipócrita.
- Eu consigo lidar, , é só deixar...
- Não, , ele está te machucando! – chegou mais perto. – Se não quiser que seu irmão saiba dessa merda, então me deixa cuidar disso!
- E você vai fazer exatamente o quê, mauricinho? – Aidan soltou-a com força, cambaleou um tanto até se recompor e notar que ambos estavam perigosamente próximos.
- Por favor, vocês dois não façam isso... – A menina murmurou dando passos rápidos até eles.
- Eu posso fazer muitas coisas.
- Ah, dude, isso soou tão...
- Vocêé tão patético, Kile. Nem o maior bandido de Londres trataria uma mulher desse jeito. Você é tão patético porque não sabe nem fingir ser um traficante digno.

Foi o suficiente para fazer Kile avançar, e o suficiente para entrar no meio, se colocando na frente de , no mesmo impulso e percebendo a ação rápida da garota, a puxou para longe pela cintura, abraçando-a por trás. Foi por um fio que a mesma não foi acertada. Ela pode sentir o vento que o soco que Aidan havia desferido contra fizera, passando de raspão a parte ossuda de sua mão por sua bochecha.
Tanto Aidan como ao perceberem que ela poderia ter sido atingida, ficaram estáticos. A pior parte talvez para fora sentir e ver as mãos e todo o corpo de , trêmulos. Quando a garota o olhou nos olhos tentando mostrar que estava bem, foi que ele notou o pânico em seu olhar. Seu corpo estremeceu todo de raiva, um misto de coisas em seu estômago. Prometeu naquele momento que não deixaria ninguém arrancá-lo um olhar daquele novamente.

- ... – Aidan se aproximou cauteloso. – Eu não quis... Você entrou na frente, você sabe que...

Foi um segundo, um soco, Aidan foi parar no chão no mesmo segundo. Em seguida o mesmo levantou sorrindo, com a boca sangrando. sentia-se cada vez mais trêmula. conseguira se desvencilhar dela em um segundo e socar o rosto de Aidan logo em seguida. Nunca havia presenciado cena parecida.
Foi nesse meio tempo em que apareceu aos gritos, afastando todos que estavam próximos e encarando os três ali, logo vieram os outros garotos de onde estavam.

- Mas que porra tá acontecendo aqui? – Gritou, primeiramente olhando para . Ao virar-se e encarar Aidan, cerrou os olhos, parecendo inacreditado ao vê-lo. –
- , deixa que eu resolvo tudo isso.
- O que você está fazendo aqui? – O tom de foi monstruoso. – Você... – Fez uma pausa, virando-se para . – O que você disse?
- Que eu resolvo isso...
- O que você tem a ver com esse cara? – apontou para o rapaz do outro lado, agora este parecia se divertir com a situação em que tinha colocado . gostaria de socá-lo mais uma vez.
- , podemos conversar depois, é uma longa historia.... – Murmurou se aproximando do irmão. O mesmo se afastou à medida que ela se aproximou. O coração da menina apertou. Queria bater na própria cabeça por isso.
- Você se envolveu com esse cara, não é? – Afirmou irritado, colocando as mãos na cabeça. – Porra, , quantas vezes eu te disse...
- Isso não faz diferença agora, e não é algo que eu quero conversar...
- Conta pro seu irmão quanto tempo à gente passou juntos quando ele foi embora... – Foi o suficiente para virar-se com raiva para o cara, seu rosto enrubesceu de imediato.
- Fica quieto, Aidan.
- O Zé droguinha foi o primeiro a quem ela foi pedir ajuda.

Não havia situação mais humilhante que aquela. Aidan não escapou do outro soco, e não escapou do olhar decepcionado do irmão. Um que ela nunca na sua vida tinha recebido dele na vida.
era a pessoa que mais acreditava em em toda sua história de vida. A protegia talvez por isso, por achar tão forte e decidida que por isso, estava pronto pra barrar qualquer um que estivesse nos pés para a derrubar. Nunca desconfiou, nunca desacreditou, nem mesmo quando ela mesma achava irredutível certas coisas; sempre sorria no final de maneira doce e dizia que tudo poderia ser resolvido, e ela queria ouvir isso naquele momento. Queria ver o sorriso compreensivo de , mas acho que o fim do poço era Aidan, e, por Deus, era tão triste para ele mesmo, mas era pior para . Isso só mostrava o quanto ela estava desesperada, estava completamente nua na frente daquelas pessoas com uma enorme vontade de chorar.

- Some daqui, Kile. – disse enquanto o mesmo estava caído. – Eu não me importo com quem ela escolhe, mas aqui, dentro de uma propriedade privada que eu estou presente, eu não aceito sua presença, então some.
- Como quiser, patrão. – Aidan levantou cambaleando. Cuspiu sangue, em seguida fazendo reverencia a . – Quer ir comigo, princesa?

A menina fechou os olhos, pesarosa, os mesmos arderam no ato, foi suficiente uma engolida de saliva enorme para segurar o nó na garganta que estava sentindo. Quando abriu os olhos percebeu que havia dado a resposta que Aidan precisava pra ir embora: O silêncio.
O mesmo foi caminhando um tanto manco para onde tinha surgido, lugar do qual eles não faziam a mínima ideia, mas não queriam saber. Aos poucos, com a ajuda dos outros garotos, a festa foi se dispersando novamente, a música começou a soar um pouco mais alto, e ela ficou lá na mesma posição.
via os lábios dela brancos de tanto que a mesma mordia com força.

- Ei... Eu juro que eu...
- Você tem noção do que eu fiz? – Murmurou chorosa. – está claramente fodido comigo. Eu não sei nem se ele é capaz de falar comigo de novo...
- É no momento... – segurou os braços dela, alisando-os. – Deixa ele beber, deixa o tempo passar, quando chegarem em Londres vocês conversam melhor.
- Eu fiz... – Ela mal conseguia terminar uma frase.
- Você não fez nada. Ele fez, . A culpa não é sua.

A garota não respondeu nada.
Continuou com por mais meia hora e depois inventou a desculpa de que iria no banheiro, mudando seu rumo no meio do caminho para o quarto, que era o destino principal desde o principio. Não estava com vibe nenhuma para continuar olhando pra todos, estava completamente vulnerável, envergonhada, todas as palavras possíveis de desconforto poderiam descrevê-la naquele momento.
Aidan era abusivo e ela sabia disso, pior que tudo era pensar que podia lidar com a situação e confirmar que estava fora de controle. Aidan estava fora de controle o tempo todo, era completamente frustrante pra ela pensar nisso, no ponto em que haviam chegado, pensar que tinham visto...
Foi aí que começou a chorar. começou a chorar desesperadamente, apoiada na pia do banheiro do quarto em que estava dormindo, dividindo com , com raiva. Ela chorava mais por raiva de tudo, de seus pais terem morrido, de terem-na deixado naquela situação de desespero, solitária, perdida. Por ter a deixado, por , por tudo que tinha acontecido e os levado até aquele momento. Até por ter aceitado vir com pro chalé. Ela odiava tudo naquele momento.
Socou o mármore do banheiro sentindo a dor se alastrar por seus ossos da mão; repetiu a ação novamente e novamente, variadas vezes, chorando dentre o ato. Não parou um segundo enquanto chorava, foi quando de súbito sentiu alguém segurar sua mão, engoliu em seco ao encarar nos olhos, estavam enormes, mas normais, o banheiro estava escuro, a música parecia ter acabado do lado de fora.
Aquele momento foi o destarte para que ela voltasse a enxergar tudo ao redor. Não sabia por quanto tempo tinha chorado e repetido aquela ação, suas mãos doíam, latejavam, ela mal conseguia senti-las, pensou que já estivessem na fase anestésica.
Foi quando sentiu o corpo ser carregado por . Primeiramente ele a colocou de pé, jogando seus cabelos para trás, e só então a carregou. Foi quando sentiu a sonolência, o cansaço... notou a moleza da menina nos braços o que causou certa preocupação nele, porém ele não parou o trajeto, colocou-a na cama, agachando ao lado dela em seguida.

- Quase acertou, . – Murmurou chorosa, fechando seus olhos molhados. – Ele quase acertou o soco. – prendeu a respiração ao ouvir aquilo. – Imagina se tivesse acertado? Imagina o que meu pai faria... O que minha mãe...

tapou o rosto voltando a chorar com a mesma intensidade de antes, porém com um pouco mais de dor. abraçou-a de imediato, tomando o corpo da menina junto ao dele, se afagou no mesmo. Sua vontade de chorar ainda estava ali, mas aos poucos ela sentiu o coração se acalmar, não sabia como, mas seguia o ritmo da respiração de enquanto estava abraçado com ela.

- Eles estariam orgulhosos de você. – sussurrou, beijando a testa da menina.

A garota deu-se ao trabalho de desvencilhar-se dele para conseguir olhar em seus olhos. Com um carinho incomum ficou analisando cada linha de expressão, e como ele parecia um anjo enquanto falava com ela. Calmo, firme... Segurou o rosto do mesmo, entre o maxilar e o pescoço, acariciando com os dedos em circular, observando-o fechar os olhos por dois segundos, e logo depois o viu sorrir, daquele mesmo jeito que o viu sorrir no começo do dia: Apenas com uma curvinha do lado direito dos lábios.
se aproximou da menina roçando seus narizes, acompanhou o ato sentindo o coração aquecer e ir finalmente normalizando, em seguida sentiu os lábios dele roçarem os seus, alguns selinhos vieram, por volta de três, e só então ele voltou a beijá-la. Nada comparado a nenhum beijo de antes, sentia algo diferente nesse, tanto quanto .
Beijou-a com um sentimento incomum. Queria tirar toda a preocupação e dor de anos de naquele beijo, queria mesmo. Por isso a beijá-la lentamente, sua língua mal tocava na dela, fazia apenas o trabalho do carinho sutil, assim como agora suas mãos acariciavam os braços da menina.
Após longos minutos ambos se desvencilharam ainda em selinhos, encostando suas testas.

- Tudo se ajeita, . Você sabe que se ajeita... – Sussurrou. – E se não se ajeitar, eu vou lá e arrumo com as minhas próprias mãos.





Continua...



Nota da autora: (27.06.2017) A atualização veio! E veio com dois capítulos!!! Espero que gostem, que se esbaldem, Aidan não está sendo nada fácil, e essa nossa PP rancorosa mais ainda, mas vamos ver no que dá! Para aquelas que continuam acompanhando ( só vem me dizer o que acharam!!!) Para as novinhas, (mesmo recado, porém entrem no grupo aqui embaixo pra fazerem isso) E é isso! S2
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Nota da Beta: Cara, eu amei essa atualização dupla! Que amor esses dois, dá vontade de apertar! Ai, essa reação do irmão da pp foi pior do que palavras... Coitada, não será fácil! Continue assim que possível! <3




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Para saber quando essa fanfic maravilhosa vai atualizar, acompanhe aqui.



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