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Última atualização: 17/11/2020

Capítulo Único

Ele era problemático.
A mídia internacional e, por vezes, a nacional, categorizavam-no como mimado, inconsequente e sem limites.
As constantes quedas e simulações marcavam sua carreira de forma significativa. Somado a isso, os escândalos fiscais e as desavenças com os clubes por quais passou serviam para alimentar sua impopularidade.
era uma figura bastante controversa.
E ela sabia disso.
tinha conhecimento da imagem de imaturidade do homem, antes mesmo de se conhecerem pessoalmente.
A mídia, alguns amigos próximos, e parte de sua família também fizeram questão de reafirmar isso.
Mas, para ela, isso nunca fora um obstáculo.
Seu nunca demonstrou tais sinais fora de campo.
Bom, pelo menos não em sua presença ou com tanta intensidade.
sempre apresentou preocupação e respeito para com ela, antes mesmo de firmarem o relacionamento que tinham.
Quando não estavam juntos, o rapaz fazia questão de fazer ligações durante o dia apenas para ouvir de sua boca como estava. Mesmo em véspera de jogos importantes, quando era ele quem deveria ser acalentado.
Além disso, todo o cuidado e atenção que o moreno destinava a Davi Lucca mostravam que não, ele não era só aquilo.
tinha seus defeitos, é claro. Afinal, ninguém é perfeito.
Porém, era injusto que o taxassem apenas como um moleque mimado e irresponsável, quando ele era tão maior que essa simples adjetivação.
era carinhoso e, certas vezes, até tímido.
Era insistente e não desistia de seus objetivos e anseios, sendo essa a característica responsável por fazer sair com o mesmo, depois de um receio demasiado por parte da menina.
Tentava abraçar todas as adversidades como forma de evitar que as pessoas que se importavam fossem minimamente prejudicadas, independentemente do motivo.
O homem também adorava mandar mensagens inspiradoras. Às vezes recheadas apenas com um "eu te amo", em busca de demonstrar que ele se importava e estava ali, sempre.
Por isso, para , não era justo o que faziam com o rapaz.
Era chocante para a moça vislumbrar que o sonho do hexacampeonato havia acabado desta maneira.
Em uma eliminação, nas quartas de final, com seu amor sendo alvo de chacota.
Não meramente entre os brasileiros, que eram amplamente conhecidos pela irreverência e por serem os "reis" dos memes, mas em todo o mundo.
reconhecia que o camisa 10 não havia feito um bom torneio.
Pela capacidade que tinha, todos esperavam que ele conseguisse puxar a responsabilidade para si e, por consequência, converter as partidas em um resultado positivo.
Todavia, não era assim que funcionava uma partida de futebol.
Eram 11 jogadores dentro de campo, ambos lutando por um sonho.
Não era sensato colocarem toda a incumbência em cima do homem de 26 anos.
Contudo, não era apenas isso.
fora para o mundial com a esperança de desbancar Cristiano Ronaldo na busca pela Bola de Ouro.
A temporada previamente interrompida na Ligue 1 devido a uma fissura no quinto metatarso do pé direito, em uma das partidas disputadas pelo Paris Saint-Germain, dificultaria o processo, mas ainda era possível.
Era.
Em uma realidade em que o camisa 10 brasileiro não fosse lembrado pelas lágrimas cenográficas (como a imprensa buscou frisar); pelas quedas espalhafatosas e pelas provocações para com o árbitro e jogadores adversários, era possível.
Mas, enquanto abraçava uma chorosa, em uma Arena Kazan marcada pela dor do torcedor da seleção canarinho, a menina sentia pelo namorado.
Sentia porque sabia o quanto havia se esforçado para estar ali.
Não era fácil passar meses estagnado, esforçando-se na fisioterapia, incessantemente, a fim de tentar recuperar-se para o principal torneio de sua carreira e ver tudo terminar assim.
2x1 para o time adversário e com grande possibilidade do brasileiro ser barrado na lista dos 10 melhores jogadores da FIFA; situação que não ocorria desde 2011, quando ainda defendia a camisa santista.
A Bélgica era uma boa adversária.
Havia jogadores ali, como Eden Hazard e Kevin De Bruyne, que considerava grande admiradora do futebol jogado.
Porém, era notável que esta seleção carregava pouca história perto da única, até o momento, pentacampeã mundial.
Era como seu pai dizia, afinal: camisa sozinha não ganha jogo.

[...]


Ao verem o campo esvaziando-se gradativamente, e começaram a caminhar em direção à área destinada aos parentes dos jogadores, local em que esperariam por .
As duas mulheres eram as únicas representantes da família Santos, uma vez que os pais do rapaz haviam tido problemas para desembarcar de Sochi e, por terem plena certeza de que o Brasil iria seguir para São Petersburgo enfrentar a seleção francesa, não tinham feito tanta questão assim de se fazerem presentes.
Todavia, não haveria outro jogo.
Davi Lucca também não se encontrava em solo russo. Dois dias antes, havia voltado para o Brasil para comemorar as bodas de seus avós maternos.
Eram só as duas ali.
, eu estou preocupada com o . — começou , com a voz ainda embargada do choro recente. — Depois do que aconteceu em 2014, ele tinha muita fé de que iria levar a taça para casa dessa vez...
A Copa do Mundo da Rússia não havia sido a única na carreira de .
Disputando o torneio em casa, quatro anos antes, o (na época) menino havia tido o sonho do título em solo brasileiro interrompido após uma entrada maldosa em suas costas.
O colombiano Zúñiga, com uma joelhada, provocou uma fratura na terceira vértebra lombar de ; lesão essa que não apenas o retirou precocemente da competição, mas também quase o impossibilitou de sentir as pernas novamente.
Tal situação antecedeu o fatídico 7x1 para os alemães em pleno Mineirão.
Assim, ainda rondava no inconsciente de alguns torcedores canarinhos: e se não tivesse se lesionado? E se ele tivesse jogado contra a Alemanha? E se...?
Dessa vez, fora titular absoluto nos cinco jogos disputados, porém não havia sido o suficiente.
— Seu irmão vai estar consternado. — disse, suspirando. — Nós só podemos apoiá-lo e mostrarmos que estamos aqui por ele. — concluiu, apertando levemente a mão da cunhada.
A irmã do jogador assentiu e ambas ficaram ali, em silêncio, esperando o rapaz aparecer.
, enquanto aguardava a chegada do amado, refletia acerca de sua trajetória para chegar àquele momento.
A moça conheceu em uma campanha publicitária para a Nike, sendo a modelo contratada para contracenar com a estrela do, na época, Barcelona.
amava modelar, mas o fazia mais para poder conseguir pagar as mensalidades de sua faculdade de Jornalismo.
Então, quando recebeu a notícia de sua agência acerca do interesse da marca esportiva em seu trabalho, ela não pensou duas vezes em assinar o contrato; precisava do dinheiro do cachê.
Não era fácil viver em outro país.
Inserir-se em um contexto totalmente divergente de seu habitual, longe de sua família e amigos, não era para qualquer um, mas era o sonho de .
Sempre achou que era grande demais para viver enclausurada em uma cidade pacata do interior do Paraná.
Desse modo, munida de sua cidadania europeia, cortesia de seus avós italianos, a menina embarcou para o Velho Continente em busca de realizar seus objetivos.
Matriculou-se na Universidad Ramón Llull, após conseguir uma bolsa parcial de estudos devido ao seu excelente desempenho na avaliação de ingresso da instituição catalã, e iniciou a jornada para tornar-se uma jornalista do ramo esportivo.
Esportes eram a sua paixão
Vôlei, natação, basquete... E, claro, futebol.
Torcedora fanática do Paraná Clube, a moça ansiava pelo momento em que trabalharia ao redor de seus jogadores favoritos.
Sendo esse um dos motivos, então, para estabelecer para si mesma a regra de nunca se envolver com um jogador de futebol.
Lamentavelmente, o meio esportivo ainda era dominado por homens e, as poucas mulheres que ali trabalhavam, eram submetidas ao machismo diário.
não queria ser reconhecida por ser namorada de fulano ou cicrano; ela queria que o seu trabalho determinasse a forma que o mundo a via.
Ansiava que a sua competência a definisse no meio.
Assim, dividindo o seu entre a Teoria da Comunicação e os pequenos bicos de modelo, estabeleceu-se na Europa.
Até entrar como uma avalanche em sua vida e provocar um grande estardalhaço.
Quando havia entrado em contato com a Nike, tinha conhecimento de que faria um ensaio com um jogador famoso, mas não imaginava que seria ele.
O principal jogador brasileiro da atualidade.
Era um prazer para ter a oportunidade de modelar com o camisa 10 brasileiro, principalmente por ter noção de que não era modelo profissional.
A moça não sabia quando e se haveria outra oportunidade daquelas.
também pareceu bastante satisfeito ao vislumbrar a sua companheira de takes.
Havia saído, recentemente, de um namoro turbulento com uma atriz brasileira, marcado pelas constantes idas e vindas e, naquele momento, procurava curtir sua vida de solteiro.
Ser jogador de futebol trazia seus benefícios, afinal. A facilidade em conhecer os mais variados tipos de mulheres era um deles.
E era uma mulher que fazia muito o seu tipo, sendo uma candidata perfeita para um one night stand com o rapaz.
Observando-a conversar com os figurinistas e maquiadores, conseguira inferir que, além de bela, a modelo também parecia ser muito simpática e divertida.
As suas gesticulações exageradas, enquanto parecia contar alguma anedota cômica para os funcionários responsáveis pela campanha publicitária, ilustravam a personalidade extrovertida da morena, sendo algo muito apreciado pelo brasileiro.
Por isso, após fotografarem o que lhes era pedido, chamou a menina para sair, ficando bastante surpreso ao deparar-se com uma negativa vinda da outra.
"Não, obrigada", foi tudo o que ouviu da boca que tanto ansiava beijar.
"Por Deus! Quem dispensava ?", era o pensamento que perturbava o grandessíssimo ego do homem.
Assim, insatisfeito e um pouco confuso com a resposta de , o jogador logo questionou uma das mulheres que antes conversava com a moça sobre o porquê disso. A menina já era comprometida, então?
"A não namora, não", respondeu-lhe Dora, o que ele descobriu mais tarde ser a responsável por arrumar os trabalhos de dentro da agência. Observando o permanente semblante de desconcerto de , a mulher completou: "Ela apenas não se envolve com jogadores de futebol", saindo logo em seguida e não dando tempo para mais um questionamento do camisa 10.
A resposta da mais velha fora a responsável por deixá-lo ainda mais intrigado e interessado na modelo. Por que diabos esse preconceito com sua profissão? Matutava já em seu carro, a caminho de casa.
Assim, no momento que chegou em seu apartamento, logo tratou de jogar no search do Instagram, clicando no primeiro perfil indicado pelo aplicativo.
Após esperar alguns minutos, que pareceram horas para o atleta, havia recebido a notificação de que aceitou seu pedido para segui-la, sendo o suficiente para fazê-lo mandar uma direct para a modelo.

@: e ai, ? td beleza cntg?
@: ué, eu to bem, mas um pouco confusa hahaha. pq vc me seguiu?
@: fiquei curioso sobre o pq de vc recusar minha pessoa. já viu como eu sou lindo? :P
@: meu Deus, que convencido!!!! hahaha então, eu busco não me envolver com jogadores de futebol :( Não é nada pessoal contigo não, menino .
@: ainda to meio confuso, foi mal! seria mta ousadia de minha parte perguntar pq tamanho preconceito com minha profissão?
🤔
@: uai, não é vc mesmo a personificação da ousadia e alegria? só ta sendo vc mesmo. hahaha enfim, eu quero ser jornalista esportiva, entende? esse meio é complicado para as mulheres, imagina para uma WAG? 😣
@: hahah bem lembrado, o ousado chegou e está começando a entender seu ponto de vista. deve ser barra para ti isso, mas será que pelo menos vc me daria a honra de sua amizade? nós seríamos uma dupla e tanto, eein 😄
@: é complicado mesmo, mas aos poucos o mundo vai evoluindo... amigos, huh? ainda não entendi essa sua insistência em minha pessoa, mas n vou questionar mt pq preciso de mais amigos aqui em Barcelona hahaha
@: garanto que eu vou ser o melhor amigo que vc vai ter aqui hahahaha só me acompanha,
@: é isso o que vamos ver, camisa 10.


[...]


Assim, em meio a mensagens trocadas constantemente pelo Instagram e WhatsApp, além dos encontros em um barzinho próximo à casa da modelo e visitas pontuais ao Camp Nou, a relação de ambos floresceu.
Havia certa insegurança por parte de , inicialmente, mas esta acabou dissipando-se quando começou a perceber que, sim, eles eram uma boa dupla.
era o melhor amigo que conseguiu em território europeu, de fato.
Talvez a melhor pessoa que a vida havia apresentado a ela.
A conexão que ambos sentiam era percebida facilmente por quem os observava.
Os olhares cheios de significados, os gestos carinhosos e toda a devoção que compartilhavam mutuamente transbordava nos jovens.
Eles eram o típico caso de um casal que não era... Bem, um casal.
Para , era difícil sufocar os seus sentimentos pela amiga, uma vez que havia o risco de estragarem a relação de ambos.
havia se apaixonado por .
Totalmente, completamente e irremediavelmente.
Não sabia explicar quando isso havia acontecido, todavia.
Acreditava ter sido durante alguma noite de bebedeira no apartamento do jogador, que terminara com ambos cantando Pixote ou Raça Negra aos berros. Ou, ainda, após alguma maratona de séries como Gossip Girl ou Pretty Little Liars, estas que faziam revirar os olhos para o conteúdo, mas ainda assim se divertir assistindo.
O homem até arriscava algumas críticas ao enredo das mesmas.
"Como a Serena conseguiu se apaixonar pelo Dan?" ou "A Spencer é a melhor personagem e quem discordar está errado" eram alguns dos comentários proferidos pelo moreno, causando gargalhadas em .
Ou, talvez, o sentimento houvesse surgido enquanto ambos faziam alguma atividade com Davi Lucca, filho do jogador que demonstrava tanta devoção para com a menina quanto o seu pai.
Era um tal de "tia para cá e tia para lá" sempre que a criança ia para Barcelona passar uns dias com .
Isso era o que ele chamava de efeito . Era impossível não se encantar pela menina e por todos os seus trejeitos fascinantes. "Poder", este, que o fazia realizar ações que, normalmente e com qualquer outra pessoa, evitaria com veemência, mas que, com a modelo, era simples e fácil.
Não era fácil olhar para os lábios da menina, sempre vermelhos devido à sua mania de mordê-los a todo instante, e não puxá-la para um beijo.
Mas, o mais complicado de tudo, era ver com outros caras.
Ele tinha conhecimento de que a menina era linda, engraçada e inteligente, mas doía saber que outros homens também tinham.
Acompanhar saindo com caras que não fossem ele machucava. Muito.
Mas machucava ainda mais a mera possibilidade de não estar mais presente em sua vida.
sabia o quão categórica a modelo era acerca de sua regra de não se relacionar com jogadores de futebol, e temia sua reação caso lhe contasse como sentia.
Quando decidiu desabafar com sobre suas desilusões amorosas, a caçula da família tratou de impulsionar o irmão para se declarar para , uma vez que acreditava que o sentimento era recíproco.
— Ela também gosta de você, . Você nunca reparou os olhares e suspiros apaixonados que ela te dá?
— Você está viajando, mana. — soltou o ar sofregamente. — Ela não arriscaria todo o seu sonho para ficar com um jogador de futebol como eu.
— Você não é apenas um jogador de futebol, maninho. — a mais nova disse, colocando a mão no ombro do moreno como forma de apoio. — Você é o cara que a fez mudar muita coisa que jurava acreditar. Lembra daquela vez ela falou que preferia o Cristiano Ronaldo ao Messi? Agora ela não comete mais essa blasfêmia! — completou, fazendo graça.
— Besta. — falou, dando um breve sorriso para a irmã mais nova. — Eu não posso e nem quero fazê-la priorizar uma suposta relação nossa acima de sua carreira, . Ela merece o mundo.
— Não é para fazê-la te colocar como prioridade absoluta na vida, meu bem. Você apenas tem que fazê-la perceber que dar uma chance para o que vocês sentem não irá prejudicar a carreira dela, nem outro aspecto de sua vida.
— E como você sugere que eu faça isso? — indagou, confuso.
— Dá seus pulos, cabeção.
E ele deu.
Depois de escrever e imprimir um documento no Word, com 4 páginas repletas de motivos para acreditar que os dois era algo possível, dirigiu para a casa da menina. No caminho, pensava tudo que poderia dar errado no processo, mas, no máximo do possível, estava confiante.
Vai dar tudo certo, pensava já na porta de .
, que surpresa! — falou, jogando-se em cima do amigo. — Eu estava mesmo querendo falar com você!
— Oi, . — disse, saindo do aperto da jovem. — Eu preciso dizer algo importante, mas quero que você me conte o que tanto quer primeiro.
— Eu, ein. — arqueou a sobrancelha, estranhando a seriedade incomum no jogador. — Lembra daquela oferta de emprego para ser correspondente de um canal brasileiro esportivo aqui em Barcelona? — indagou, esperando o amigo assentir para continuar. — Eu consegui, ! — completou, dando pulinhos animados e gritinhos histéricos no processo.
havia se formado há pouco mais de dois meses, então, receber uma proposta de emprego tão boa quanto a que havia recebido era motivo para muita comemoração.
— Eu disse que você iria conseguir, minha linda! — o rapaz falou, antes de abrigar a jovem em seus braços. — Você merece isso e muito mais. — finalizou, dando um beijo carinhoso em sua testa.
— E o que você queria tanto me dizer, hein? — questionou, cruzando os braços e encarando o outro.
— Eu? — apontou para si mesmo. — É, bem... É que... Eu...
— O que está acontecendo, ? — interrompeu a confusão do amigo.
— Eu quero que você leia esse papel, . — disse, após tomar coragem, tirando um papel levemente amassado de dentro de um dos bolsos de sua calça.
— O que é isso, bem? — perguntou, preocupada, pegando o papel das mãos do jogador. — Você está doente?
— Não, não é nada disso. — respondeu, passando as mãos no cabelo em sinal de nervosismo. — Só lê com carinho, por favor. Quando terminar, me liga.
— Okay... — respondeu, ainda sem entender o que estava acontecendo, vendo dar um sorriso baixinho e sair pela porta.
Minutos depois, quando o atleta contou para o que e como fez, a irmã ficou indignada com a situação.
— Como assim você só entregou um papel e foi embora?! — exclamou, transtornada com a situação. — Cadê a sua ousadia, ?
Mas era isso. Estava feito.
havia expressado, finalmente, seus sentimentos para . Não da maneira que imaginou, obviamente, mas o havia feito.
Não sabia o que esperar quanto a isso, contudo. Apenas rezava, em seu inconsciente, para que a menina não se assustasse e saísse de sua vida.
Ser somente um amigo de não era o que o rapaz queria, mas ainda assim era extraordinariamente melhor do que ter a modelo fora de sua vida.
não sabia mais o que era uma vida sem .
Sem os seus conselhos que sempre pareciam certos, sem as suas risadas escandalosas e o seu gosto questionável por séries. era uma parte muito importante do atleta, parte essa que não estava preparado para deixar para trás.
Talvez nunca estivesse, de fato.
Pensando nisso, acabou por se assustar ao ouvir o barulho da campainha de seu apartamento. Porém, devido à ausência de notificação vinda do porteiro, já imaginava quem lhe chamava.
— Hey...— disseram em uníssono, logo após o rapaz abrir a porta.
— Pode falar. — Incentivou o jogador.
— Eu li tudo o que você escreveu. Aliás, parabéns por seguir as regras da ABNT. — fez graça, fazendo o homem rolar os olhos e expressar um sorriso de lado. — Nós precisamos conversar, bem.
, eu estou apaixonado por você e realmente acredito que isso... — apontou de si para ela. — Possa dar certo. Calma, deixa eu terminar, por favor. — logo completou, ao ver que a menina tentava interrompê-lo. — Eu sei que o mundo é uma merda e que o machismo está aí tentando rebaixar as mulheres por qualquer motivo imbecil que seja, mas acho que podemos passar por cima disso juntos. Podemos manter a nossa relação em segredo. — respirou fundo para recuperar o fôlego, já que estava falando tudo muito rápido. — Afinal, já conhecem você como minha melhor amiga. Depois, quando você se firmar na emissora, podemos assumir o que temos. É possível dar certo, bem. — finalizou, encarando os agora marejados olhos da jovem.
— Sabia que, quando eu entrei na Universidade, eu não acreditava que alguém pudesse duvidar de minha capacidade por ser mulher? — começou a menina, com a voz um pouco embargada, respirando fundo para continuar. — Até que eu ouvi de um de meus professores que a Maria Fernanda, uma das professoras/reitora de Sociologia da Comunicação e pós-doutora na área, só havia chegado aonde chegou por "dar" para algum superior. — olhou para cima, tentando evitar que as lágrimas descessem. apenas ouvia calado. — Porra, a mulher, com 20 anos a menos que esse cara, conseguiu ter um currículo invejável para qualquer acadêmico que se preze e ele creditava isso ao fato de ela abrir as pernas para algum homem? — encarou os olhos do jogador, que em nenhum momento parou de encará-la. — Nossa, eu me senti péssima. Não só pela professora em questão, mas por todas as mulheres que são rebaixadas diariamente no ambiente de trabalho apenas por serem isso: Mulheres. Claro, o idiota do professor não fazia ideia de que havia mais alguém, além de alguns discentes homens, ouvindo as asneiras que ele falou. Duvido que tivesse coragem o suficiente para falar isso na cara da Maria Fernanda. — riu com escárnio para a observação feita. — Isso aqui é a desgraça da Europa. As pessoas aqui não deveriam ser mais desconstruídas? — perguntou retoricamente. — Por isso eu prometi a mim que jamais deixaria alguém me diminuir, independentemente do motivo. Eu preciso falar tudo, por favor. — falou com tom suplicante ao ver a menção de fala do moreno. — E isso incluía não dar munição para eles. Assim, eu estabeleci para mim mesma que não me envolveria com jogadores de futebol, ou qualquer atleta, uma vez que queria seguir a área do jornalismo esportivo. Até que você apareceu na minha vida, . — revelou, deixando algumas lágrimas descerem e vendo o rapaz aproximar-se para limpá-las. — Você e esse seu jeito único acabaram por me conquistar de um jeito irreparável. — encarou o jogador. — Eu sabia que estava me arriscando ao deixar você entrar em minha vida, mesmo que como amigo, mas acreditava que não iria passar disso. Eu entendia a sua atração por mim por um primeiro momento, afinal, você até levou um fora meu, né? — zombou, fazendo ambos rirem fraco. — Contudo, acreditei que isso iria passar com o tempo. — continuou, rindo, agora sem humor algum. — Talvez tenha sido muita ingenuidade de minha parte, mas, para mim, nunca passaríamos dessa linha. Você só seria mais algum amigo pontual para encher a cara quando a universidade estivesse me enlouquecendo. Mas claro que ocorreria o exato oposto, não é? — disse, pegando uma das mãos de e começando a brincar com os seus dedos. — Eu também sou apaixonada por você, . — declarou, finalmente. — Achava que estava confundindo os sentimentos, mas depois de conversar com a minha mãe, comecei a entender que, talvez, o meu ciúme e toda a vontade de te ver 24 horas por dia, não fossem coisa de amigo.
— O que vamos fazer, ? — o jogador finalmente se manifestou, puxando a menina para um abraço, mostrando-se impactado com as palavras dela.
— Nós vamos tentar, bem. — falou, soltando-se do aperto do homem. — Eu ainda me sinto receosa pelo que os outros vão falar, mas não vou dar esse gostinho a eles. — continuou: — Não vou abdicar da minha felicidade por causa de preconceitos imbecis de pessoas imbecis.
— Nós vamos conseguir superar tudo isso, meu amor. — falou, puxando a menina para um beijo. O primeiro beijo deles. Um contato que, aderindo ao clichê, parecia ser o encaixe perfeito para ambos. — Nós vamos ser uma dupla melhor do que já somos. — disse, quebrando o contato e sorrindo bobamente.
— Podemos manter isso longe da mídia por enquanto? — questionou , dando um selinho no homem. — Por pouco tempo, juro.
— Claro que sim, minha linda. — respondeu, acariciando as maçãs do rosto da modelo. — Pelo tempo que você quiser.
— Obrigada.
— Então... — começou o jogador.
— Então o quê?
— Posso te considerar minha namorada agora, bem? — fez a pergunta com os olhos brilhando em expectativa.
— Nós somos maravilhosos demais para sermos menos que isso, menino .

XX


Eles, de fato, conseguiram se manter longe da mídia pelo tempo que construía sua carreira como correspondente brasileira na Catalunha.
O carisma e a excelente capacidade de comunicação da mulher eram bastante elogiados, tanto pela equipe que constituía o canal televisivo, quanto pelo público do mesmo. Este último sendo muito ativo nas redes sociais.
Ela era talentosa e dedicada, isso era perceptível para todos.
Contudo, mesmo sendo uma profissional extraordinária, após assumir o relacionamento com , a menina teve que se deparar com comentários depreciativos em suas redes sociais. Muitos questionando se ela era tão competente assim.
Mas, depois de algumas sessões com a sua nova psicóloga e muitas conversas com sua mãe e com , ela resolveu simplesmente ignorar.
Possuía um namorado incrível, uma família e amigos maravilhosos e colegas de trabalho que a respeitavam por quem ela era e não por quem ela dormia. Isso bastava.
O relacionamento de ambos, em linhas gerais, andava muito bem, obrigada.
As brigas aconteciam, obviamente. e eram birrentos e pareciam ter uma idade inferior a Davi Lucca quando eram contrariados, porém eles conseguiam se entender.
Realmente, eles eram uma dupla e tanto.
Todavia, o que era análogo a um oceano demasiado calmo, acabou por sofrer certa turbulência ao se depararem com a mudança de para a França.
O jogador já havia demonstrado certo interesse em deixar o clube catalão, mas não era nada certo e nada tão alarmante para a modelo.
"Eu quero ser o melhor do mundo", era o que respondia quando alguém questionava, confusamente, o porquê dele querer sair.
Afinal, fazia parte do ataque mais potente do futebol mundial, junto a Lionel Messi e Luís Suárez, o que tornava compreensível a incredulidade das pessoas quanto a esse anseio. Mas entendia as intenções do amado.
Não era fácil ser o principal destaque do time quando se jogava com o cinco vezes melhor do mundo. Porém, mesmo entendendo, não foi fácil digerir, inicialmente, a ida do namorado para outro país e, principalmente, para o Paris Saint-Germain.
"Time sem história" , era o que ela defendia com veemência, de forma implicante. A menina realmente não simpatizava com o clube francês.
— PSG, ? Sério? — disse, tentando conter em seu tom a insatisfação com a notícia.
— Eu sei, não é um clube com tanta camisa quanto o Barcelona, mas eu recebi uma proposta e realmente gostei do planejamento que eles fizeram para mim. — começou a explicar. — É uma troca, . Eu os ajudo a mostrar trabalho na UEFA Champions League e eles retribuem me impulsionando para ser o melhor da FIFA.
— E como vai ser isso, bem? Quando você vai? — falou em um suspiro, começando a absorver a situação que fora jogada inesperadamente em suas costas.
— Eu vou seguir com o Barça para os Estados Unidos e jogar a pré-temporada lá, mas, quando terminar, já irei me mudar para Paris e começar a treinar com o PSG.
— Olha, se é o que você quer, irei te apoiar. — ela deu de ombros, por fim, aceitando. — Você vai ser o melhor do mundo, . O mundo é pequeno demais para o seu talento, meu amor. — finalizou, dando um sorriso lateral.
— Eu sei que vai ser um pouco difícil no começo. — falou, segurando as mãos da namorada. — Vamos precisar abusar da conexão Paris - Barcelona, mas eu te amo e quero fazer isso dar certo, linda.
— Eu também o amo, nego. — sem conter o sorriso que escapava, disse. — Vamos fazer isso dar certo. Juntos. — finalizou, puxando o moreno para um beijo repleto de sentimentos.
Mesmo esforçando-se ao extremo para se adaptar ao novo status de relacionamento, a saudade acabou por virar um sentimento constante.

[...]


Uma rotina que, antes, consistia em encontros diários do casal, com ambos quase que dividindo um teto, acabou resumindo-se a visitas apenas nos finais de semana. Isso quando não possuía algum jogo fora de casa ou precisava resolver alguma pendência do trabalho.
Era complicado.
Por isso, quando recebeu um convite para cobrir a Ligue 1 para a emissora, uma vez que o correspondente anterior teve que se afastar por problemas de saúde, ela não pensou duas vezes em aceitar.
Nada a prendia, realmente, em Barcelona.
A menina possuía seus amigos de faculdade e trabalho, além dos conhecidos de sua antiga agência que acabou por deixar após o fim do curso de Jornalismo, mas esse problema era resolvido com idas mensais à cidade e algumas chamadas no FaceTime.
Então, apenas correu para avisar e arrumar as suas malas logo em seguida.
O jogador ficou eufórico.
Achava solitária, de certa forma, a vida em Paris, mesmo mantendo relações muito próximas com alguns companheiros de equipe, como Thiago Silva e Dani Alves. Para ele, nada se comparava a ter sua namorada em constante presença novamente.
Assim, com a mudança da jornalista para a capital francesa, o passo que deram para avançar no relacionamento foi inevitável.
e passaram a dividir um mesmo teto.
A bagunça constante do jogador e a mania exagerada de limpeza e organização da moça acabaram por se chocar algumas vezes.
O rapaz tinha a mania de largar a mochila de treino pela casa, o que fazia a menina tropeçar constantemente, além de deixar a toalha molhada em cima da cama e suas roupas sempre fora do local adequado.
Todavia, após longas conversas "de travesseiro" eles passaram a administrar tais diferenças de logística.
Ele seria menos bagunceiro e ela diminuiria sua psicose com limpeza.
Era uma promessa.
E, assim, mesmo com alguns percalços no caminho, ambos prosseguiram o relacionamento com muito amor, confiança, algumas brigas e demasiada cumplicidade.
Até chegarem ali, dia 6 de julho de 2018. Dia que um dos sonhos de ambos fora, no mínimo, adiado.

[...]


Depois de mais quinze minutos, as duas mulheres observaram chegando, cabisbaixo, com o capuz de seu moletom sobre a sua cabeça e óculos com lentes escuras no rosto, mesmo já tendo anoitecido há algumas horas em Kazan.
, vendo o estado do irmão, buscou logo jogar-se em seus braços, tentando acalentá-lo de forma semelhante ao que o homem fazia quando eram apenas crianças.
Os irmãos ficaram alguns minutos abraçados, com a menina segurando suas lágrimas ao mesmo tempo que sussurrava mensagens positivas para o jogador.
Após soltarem-se do aperto, deu um beijo na testa da irmã caçula e logo seguiu em direção à amada.
— Ei... — disse, desanimado, posicionando-se em frente à .
— Vem cá. — ela disse, puxando-o para um abraço, apertando-se ainda mais nos braços do namorado ao sentir algumas lágrimas quentes em seu ombro, tentando segurar as suas próprias. — Shiiiu, meu amor. Calma. Não chora, por favor. — adicionou, acariciando os cabelos do rapaz.
— Eu fracassei, . — declarou, retirando os óculos do rosto e mostrando para a mulher os seus lindos olhos marejados com novas lágrimas que queriam descer. — Eu não consegui fazer direito a única coisa que eu vim fazer na Rússia. — finalizou, com o tom estremecido pela tristeza incontida.
— Olha para mim, meu nego. — disse, segurando o rosto do namorado para encará-la, aproveitando para limpar as lágrimas que ali estavam. — Você não é o único jogador, bem. É um jogo coletivo. Vocês, infelizmente, não conseguiram superar os belgas, mas não é o fim do mundo. Dói? Dói para caralho. — continuou, fazendo rir baixinho. — Mas isso não os faz menos jogadores do que realmente são, amor. Cabeça erguida que o sonho ainda não acabou. — finalizou, dando um breve beijo nos lábios do homem.
— Vem para o hotel comigo, . Por favor. — suplicou, com o rosto enterrado nos cabelos da mulher.
— Você tem certeza de que não vai ter problema, ? — indagou, após o rapaz afrouxar o aperto ao seu redor.
— E por que teria, ? — riu com escárnio. — Eles fizeram essa regra para nos manter "concentrados". — fez o sinal de aspas com os dedos. — E agora estamos fora! Foda-se essa merda. Eu só quero poder ficar com a minha mulher para ver se melhora um pouco dessa raiva fodida que eu estou sentindo de mim mesmo. — extravasou, deixando cair duas lágrimas de seus olhos, limpando-as com raiva logo em seguida.
A menina apenas assentiu, sem saber o que responder, exatamente. Entendia, ou tentava entender, a frustração que o namorado estava sentindo e isso acabava por machucá-la também.
— E a sua irmã? — apontou para a cunhada, após alguns segundos em silêncio.
estava encostada de olhos fechados em uma parede, ao lado do casal, apenas esperando ambos para poder finalmente ir embora. Fora um longo e cansativo dia, o que fazia a menina desejar, desesperadamente, um banho quente e sua cama.
— Eu falei com o pai há pouco e ele já está indo com a mãe para o hotel da seleção, aqui em Kazan também. — explicou. — A vai ficar em um dos quartos que eles reservaram.
Finalmente convencida pelo jogador, apenas aceitou a mão que lhe era estendida e acenou para a cunhada segui-los em direção ao estacionamento.
Chegando lá, acabou por se separar das duas mulheres, dirigindo-se ao ônibus da seleção junto com os outros jogadores que ali se encontravam, todos com a mesma cara de amargor. Era palpável a decepção que ali pairava. Obrigatoriamente, os rapazes ainda precisavam se apresentar para a equipe da CBF para, só depois, poderem seguir os rumos que bem entendessem.
Do outro lado, e começaram a caminhar em direção ao Uber que havia pedido com antecedência, embarcando em direção ao hotel reservado para a seleção canarinho se hospedar durante as quartas de final.

[...]


— Fala comigo, amor. — pediu a menina. — Não guarda isso que você está sentindo para si, vai ser pior.
Após chegarem no hotel, e acabaram se separando para irem aos seus respectivos quartos.
A irmã caçula de havia ficado alguns andares abaixo em relação aos quartos reservados pela CBF para os jogadores e comissão técnica, descobrindo após ser informada brevemente pela recepcionista do local, esta que também fez questão de anunciar que os pais do jogador ainda não se encontravam no local.
Ambos, mesmo separados, decidiram por resolverem as questões perante hospedagem juntos, durante o período de Copa, para facilitar a logística da situação.
Enquanto isso, deslocou-se para o quarto que dividira, anteriormente, com Marcelo. Aparentemente, o moreno já havia ligado e acertado a situação com os responsáveis do hotel, explicando sobre a mudança de roommate e autorizando a entrada da jovem no estabelecimento.
Passados alguns minutos, o veículo com a equipe que constituíra a seleção canarinho chegara em seu destino, fazendo os jogadores dispersarem-se rapidamente pelas dependências do local.
, com seus costumeiros headphones, passara de cabeça baixa, parando apenas para avisar que iria querer o serviço de quarto para servirem o jantar.
Não queria ver ninguém que não fosse a namorada, nem mesmo os seus pais.
Não queria ter que enfrentar os olhares julgadores em sua direção.
Não queria precisar ver e ouvir pessoas apontando para ele e ressaltando que ele falhara.
Simplesmente não queria.
O jogador tinha noção de que, nesse momento, seu nome já havia virado piada mundo afora. O cai-cai, imaturo e altamente mimado não conseguira levar o título para casa, afinal.
"Será que ele era realmente um bom jogador?", era a pergunta que rodeava sua mente naquele momento.
Ele sabia que não tinha ido nas suas condições ideais de jogo para o campeonato, mas parecia até piada o que havia apresentado durante o torneio.
sempre acreditara que era um jogador diferenciado, alguém que poderia fazer a diferença mesmo em jogos complicados.
Todavia, se era tudo isso, de fato, por que não conseguira marcar em um dos jogos mais importantes de sua carreira e fazer sua seleção prosseguir no sonho do hexa? Por que não mostrara serviço quando precisara?
Seus pensamentos eram uma confusão desnorteante.
Já havia se sentido incapaz assim em 2014, mas o sentimento agora era mais agonizante.
Durante o torneio passado, ele havia sido impedido de continuar devido à maldade de um dos jogadores adversários.
Agora era diferente. Ele estava ali o tempo todo.
Martirizando-se em pensamento, o jogador colocara a chave magnética na fechadura, abrindo, enfim, a porta e deparando-se com a namorada.
A mulher estava de costas para ele, apoiada no parapeito da janela admirando a vista que essa proporcionava.
Era incrível como , apenas com sua presença, conseguia ter um efeito calmante nele, um mais potente do que o que qualquer medicamento poderia proporcionar.
O homem não possuía dúvidas de que ela era o amor de sua vida e de que queria passar o resto desta ao seu lado.
Ele já havia comprado o anel.
Passando em uma das avenidas de Paris em direção ao Camp des Loges, deparou-se com um lindo anel graduado em ouro rosa 18k e metade cravejado com diamantes brilhantes, fazendo-o lembrar de sua menina no exato momento.
Foi aí que teve uma epifania e pensou: por que não?
Ele amava e sabia que era para sempre. Além de que ambos já possuíam um tempo considerável de relacionamento, além de estarem debaixo do mesmo teto há alguns meses. Eles faziam aquilo funcionar.
Com esse pensamento, entrou na loja e imediatamente comprou a joia.
Com a aproximação da Copa do Mundo, arquitetar o pedido fora inevitável.
Em meio à comemoração do hexa, o camisa 10 puxaria para o campo e ali declararia todo o amor que sentia pela jornalista, pedindo a sua mão no que seria um dos dias mais importantes de suas vidas.
Era perfeito.
Ele apenas havia esquecido de considerar o que faria caso fossem eliminados precocemente.
Não era uma possibilidade, afinal.
Um dos vários pensamentos que teve após deixar o campo foi o de que havia arruinado a sua chance de propor o amor de sua vida devidamente.
Mas ali, deitado em meio à uma cama bagunçada e com, talvez, algumas migalhas do jantar anteriormente comido, ele percebera que não precisava de um cenário extraordinário para pedir em casamento.
Tudo era potencialmente incrível quando estava com ela; não precisava das firulas que tanto acusavam-no de abusar dentro de campo.
, lembra de quando a gente se conheceu? — perguntou, enfim.
— Claro que eu lembro. — riu levemente. — Você parecia uma criancinha empolgada posando para as lentes do pessoal da Nike. — zombou do namorado.
— Eu ainda consigo sentir tudo aquilo que eu senti no dia que te vi pela primeira vez, amor. — encarou a namorada, ignorando a provocação. — Nossa, acho que era a coisa mais bonita que já tinha colocado os meus olhos. O corpo, o rosto, a voz... Porra, era um conjunto perfeito demais para ser real. — continuou, percebendo os olhos da namorada começarem a marejar. Ela já sabia o porquê da declaração. — Eu tinha saído há pouco tempo de um relacionamento e queria curtir a vida, mas te juro que naquele momento repensei nessa ideia.
— Até parece, . — deu um soquinho de leve no peito do namorado, no qual apoiava a sua cabeça.
— Estou te dizendo, bem. — garantiu. — A real era que eu queria ter uma chance contigo. Afinal, que homem não iria querer? — perguntou retoricamente, secando uma das lágrimas do rosto da menina. — Por isso, fiquei pasmo quando você me negou.
— Eu lembro da sua cara abobalhada. — disse, rindo. — Nunca imaginou levar um não, né, bonitinho?
— Não imaginava mesmo. — concordou. — Quem dispensa Jr, mulher? — falou com um tom convencido, recebendo uma mordida de em resposta. — Ai, amor! — reclamou, recebendo apenas um biquinho fofo em resposta. Biquinho este que ele fez questão de desmanchar com um beijo.
— Posso continuar agora, minha senhora? — falou após separar os seus lábios, continuando ao ver a mulher assentir com um sorriso debochado. — Eu achei meio estranho você me dispensar, até porque eu percebi os olhares que você me direcionava também. Nem tente negar! — exclamou ao ver a namorada abrir a boca para retrucar, recebendo um dar de ombros em resposta. Ela realmente havia encarado o rapaz um pouco mais do que era necessário. — Então, fui falar com uma das mulheres que você papeava anteriormente para saber se você namorava ou, sei lá, jogava para o outro time. — disse, ajeitando-se na cama para conseguir encarar a namorada mais facilmente. — E qual foi a minha surpresa ao descobrir que você "não se envolvia com jogadores de futebol"? — fez o sinal de aspas com as mãos. — Eu não entendi o que isso significava e, antes mesmo de conseguir pedir uma explicação, a senhora já havia me dispensado, falando algo sobre "não poder perder o desfile do Fox Terrier''.
— A Dora é viciada em desfiles de cachorros de raça! — gargalhou , lembrando de uma das muitas excentricidades da antiga agente.
— Enfim, eu ainda estava confuso com tudo aquilo e decidi te procurar no Instagram. — continuou a explicação. — E qual foi a minha decepção ao ver que o perfil era trancado?! — exasperou. — Já dizia minha avó: "quem tranca a conta do Instagram não vai para o céu."
— Sua avó nem sabe o que é Instagram, ! — gargalhou com o exagero do namorado.
— Não subestime a modernidade da vovó, ! — protestou com um sorriso debochado. — Eu fiquei com medo de você simplesmente negar meu pedido para te seguir e acabar com o que eu queria.
— E o que você queria, nego? — entrelaçou as pernas com as do rapaz, juntando ainda mais os seus corpos. A jornalista ainda possuía alguns vestígios de lágrimas no rosto, mas o seu sorriso iluminado já era presente.
— Queria uma rapidinha com você, linda. — riu ao ver a namorada estreitando os olhos, em um misto de indignação e surpresa. — Eu realmente queria só sair contigo no começo, mas quando a gente começou a conversar, eu vi que você merecia muito mais do que ser mais uma na minha cama. Até porque você não me queria nem comigo usando a minha cueca da sorte, né? — o jogador provocou.
A cueca em questão era uma samba-canção surrada do Rei Leão, ilustrada com Timão e Pumba cantando "Hakuna Matata" na região das nádegas. Era ridícula, de acordo com .
— Eu não sei como consigo me excitar com você usando aquela coisa horrorosa! — exclamou.
— É o meu dom. — gabou-se. — Ser gostoso mesmo em meio às adversidades.
— Ridículo. — estirou a língua, logo sendo puxada para um beijo por .
— Linda. — devolveu. — , eu não sou muito bom com palavras, você sabe disso, mas eu te amo. Eu amo a sua gargalhada, o seu gosto questionável por séries e seu amor incompreendido por boybands adolescentes. Amo a pintinha que você tem no ombro, o jeito que você morde os lábios quando está nervosa e a sua mania de dançar músicas de pagode antigas quando pensa que não tem ninguém em casa. Amo o fato de ser a pessoa mais bonita por dentro e por fora que eu já conheci, o seu altruísmo e o fato do meu filho ser apaixonado por você. Eu amo todo o conjunto que faz você ser você, amor. De verdade, esse não era o pedido que eu idealizei. — fez uma pausa para pegar a caixinha que havia depositado no móvel posicionado ao lado da cama. — Mas eu percebi que eu não preciso enrolar e inventar demais quando o assunto é nós dois. Tudo com você é incrível, . Por isso... — enrolou-se para pegar a cueca jogada em um canto do quarto durante a movimentação da noite, ajoelhando-se em seguida. — , você aceita se casar comigo? - finalmente perguntou, encarando os olhos emocionados da menina à sua frente. Ele a amava. Amava demais. E o que mais queria era poder construir uma família com ela.
— Claro que sim, meu amor! — exclamou, emocionada, após ter certeza de que conseguia falar claramente, jogando-se em cima do namorado e iniciando um beijo repleto de carinho. — Eu aceito me casar com você!



Fim!



Nota da autora: Sem nota.



Nota da beta: Olha, que fofura esses dois, pqp! Eu amei demais essa relação, o fora dela, e o jeito que os dois são um com o outro. Senti até uma pena desse menino, meu Deus hahahah amei demais <3

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