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Por Que Você Só Me Liga Quando Está Bêbado?






Prólogo


, 2014.

Se eu tinha algum motivo para estar feliz? Sim, eu tinha. Em casa não se falava outra coisa além do meu novo emprego. Não que aquilo fosse algo tão novo e tão relevante assim, digo, trabalhar não era alguma novidade. Eu estava feliz, mas não sabia se era pelo o que eu iria fazer ou onde/com quem/quando/como iria fazer. Na verdade o momento a qual apareceu foi o mais oportuno, pelo menos para mim.
Estamos no ano de 2014, mas para meu pai parece que ainda nem saimos do século quinze (sim, ele só não é pré-histórico porque já sabe como manear o fogo de forma elétrica e outras técnologias). Digo, para papai o bom e velho machismo é extremamente seguido a risca, mesmo que nós passemos fome ele não deixa minha mãe trabalhar. O que dizer disso eu não sei, é meu pai a cima de tudo, e o que eu devo a ele é o respeito, no mínimo. Entretanto, nós nunca passamos fome, apenas estresse elevado com o patriarca que trabalhava demais. Nós somos em três: eu e duas irmãs que são gêmeas mais novas que eu, mamãe e papai. Demorou para que ele deixasse que eu começasse a trabalhar; isso só aconteceu de fato quando minha tia Appril apareceu em casa dizendo à minha mãe que me deixasse ir trabalhar na sede do jornal onde ela trabalhava. Eu fui, foi a maior briga em casa, meu pai insistia na mesma tecla que eu devia estudar primeiro. E se parado para analisar, ele estava indo contra seus princípios. Por fim, comecei a trabalhar como recepcionista no The Guardian.
Mesmo que eu tenha conseguido que meu pai não me proibisse de trabalhar e viver minha vida, ele ainda prende minhas irmãs e minha mãe. E é disso que vem a alegria das mesmas pelo meu novo emprego.
Enquanto eu estava no período de estágio da faculdade, troquei o The Guardian pela revista People, e isso me ajudou muito. Trabalhei em vários photoshots de famosos como Cheryl Cole e David Backham, e isso me deu certa credibilidade no mercado. Claro que nos photoshots em que trabalhei eu era a estagiária, mas isso não me impedia de dar pitaco em escolha de uma roupa ou outra. O resultado disso, agora que acabei minha faculdade vez e não sou mais só “A estagiária” é que daqui alguns dias começarei a me preparar para trabalhar como personal stylist na nova turnê mundial da boyband One Direction. Por isso há toda essa empolgação aqui em casa. Esse emprego e todo o salário vindo dele irá me ajudar a ajudar minha mãe, ela não quer mais meu pai, mas o que a impede de se divorciar dele é a falta de experiência que ela tem no mercado de trabalho. Assim então o primeiro salário que eu receber irei dar quase inteiro a ela para que saia de casa com minhas irmãs e juntas possamos dar uma vida melhor para elas.
Não me interprete mal, eu amo meu pai, só não concordo com algumas opiniões dele.

Capítulo 1


, 2014.

Respirei fundo pela milésima vez dentro do táxi. Sem noção alguma eu apertava meu terninho de pano fino na tentativa de acabar com aquela ansiedade. Eu estava a caminho do local onde iria conhecer os rapazes da banda e toda a equipe que iria seguir para a turnê. Poucas horas atrás eu estava terminando de ver todos os documentos necessários para a finalização do meu passaporte.
Aquilo tudo estava acontecendo, porém minha ficha não tinha caído ainda.
– Está entregue, senhorita. – A voz do taxista me tira de meu momento exclusão total do mundo.
– Obrigada. – Sorrio já abrindo a bolsa em busca de minha carteira. – Quanto deu?
– Deu 30 libras.
Pago o taxista e desço do carro. Quando estou na calçada sentindo a brisa do dia chuvoso em Londres, analiso o prédio em minha frente, totalmente coberto por vidro preto. Caminho com toda a confiança que tenho em meu corpo, ouvindo o ritímo de meus pés que vestem um salto agulha chocarem com o concreto. Subo os degraus que tem até a entrada do prédio e antes de empurrar a porta respiro fundo pela última vez lembrando do meu único propósito naquilo tudo. O ar condicionado está tão forte que sinto como se eu estivesse nua ao adentrar aquele lugar, não deixando de arrepiar os pelos de meu corpo por baixo de todos aquele panos. Há algumas pessoas em minha volta, sinto que me observam conforme vou andando até o balcão de atendimento onde tem duas moças loiras. Sei que aqueles que observam só o fazem por ter conhecimento dos meus trajes, digo, sou pobre, reconheço, não tenho dinheiro para comprar os terninos da Chanel ou bolsas da Vuitton, compro roupas sem marcas mesmo; acredito que todos ali devem saber isso por saberem diferenciar roupas de marcas das roupas de supermercado, uma vez em que o poder aquisitivo deles deve ser grande.
Seres humanos e seus poderes de pré-conceito das coisas.
Assim que chego até as moças, uma delas olha sorrindo com os dentes tão claros para mim que me faz sentir como se os meus tivessem dormido dentro de um copo de café por dias.
– Olá, eu sou Conllins... – e antes mesmo que eu pudesse terminar, ela me responde:
– Ah, sim! , estávamos lhe esperando. – Ela se levanta com alguns papéis em mãos e dá a volta no balcão até chagar em mim. – Me siga, por favor. Eu sou Angie.
Ela dá um aceno com a mão como se me chamasse e eu vou atrás. Passamos por algumas portas até chegar em uma sala de onde exala um barulho enorme. Reconheço que o prédio onde estou é a gravadora da boyband. Pelos corredores que passei há quadros de vários cantores e capas de álbuns, acho que foram gravados aqui.
– Alguns produtores estão aqui, na verdade a equipe inteira. – A tal Angie me para na frente de uma porta e diz com um tom de voz baixo. – Não se preocupe, não foi começado nada.
Assenti com a cabeça e então entramos por aquela porta preta, automáticamente os olhos de todos os presentes na sala se viram para mim. Reconheço os rapazes que são membros da banda logo de início, sinto minhas pernas tremerem, mas assim que o empresário deles se levanta em vem em minha direção eu me recomponho. Logo, todos estão me cumprimentando e eu me sinto mais leve perante a eles.
Tudo o que sei é que isso é um novo módulo de minha vida.

Capítulo 2


, 2014.

Era o primeiro show da nossa nova turnê, eu e os outros estávamos nervosos. Muito nervosos, diga-se de passagem. O primeiro show da turnê era em Bogotá na Colômbia e era nossa primeira vez no país, no continente Sul-Americano. Estávamos em êxtase total. Nossa terceira turnê e primeira vez no continente, parecia até que havíamos regredido alguns anos para nossa primeira turnê, quando fomos para a América do Norte, assim que fomos lançados no mundo da música. Porém, o diferencial não estava apenas nos anos de experiência, mas sim no fato de ser uma turnê mundial onde faríamos shows em grandes estádios de diversos países. Estádios de futebol. FU-TE-BOL. Normalmente a capacidade de estádios ultrapassam trinta mil pessoas. É muita loucura.
A passagem de som já havia sido feita naquele dia. Eu estava terminando meu banho e o resto da banda já estáva no camarim de banhos devidamente tomados, apenas esperando nossa querida Lou e a nova stylist – a qual eu ainda não lembrava o nome, por ser nova na equipe – para nos arrumarmos. Assim que terminei e desliguei o chuveiro, me sequei com a toalha macia que era minha favorita e coloquei minha cueca para então me vestir com o roupão preto estampado com meu nome nas costas. Segui para o camarim onde estavam as roupas e encontrei com o resto do pessoal. Lou já começava o processo de arrumação em e pelo o que eu percebi só faltava eu para que então a nossa stylist nos mostrasse nossas roupas. Pessoalmente, acho perda de tempo ter uma personal stylist na equipe, acredito que eu e os meninos saibamos nos vestir devidamente. É até meio estranho ter alguém formado em moda dizendo que sua cueca não combina com seu tênis da nike. Até dá para aceitar o lance da base e pó na cara, é meio que necessário; e verdade seja dita: até homem fica mais bonito sem algumas manchinhas na cara, não é só mulher.
Quando dou conta do tempo que perdi mechendo em meu celular, vejo que Lou está a me chamar e que a stylist-a-qual-não-me-lembro-do-nome-e-acho-que-exerce-um-papel-desnecessário está já ajudando os outros rapazes a se vestirem. Me sento na cadeira de frente para o espelho e Lou começa a arrumar meu cabelo daquele jeito que ela sabe que eu gosto. Minutos depois estou tirando meu roupão para colocar a roupa que a senhorita não-sei-quem arrumou para mim.
, eu deixei esse nike supra branco, a calça jeans preta, camiseta branca e jaqueta preta no mesmo tecido da calça, para você iniciar o show. – Ela diz para mim com toda uma concentração, me sinto um pouco culpado por pensar que ela é desnecessária aqui. Sinto que ela não me olha por eu estar apenas de cueca. Rio internamente. Qual é? Já estou acostumado com todas as mulheres daqui. – As roupas das trocas estarão em ordem por aqui... – ela me mostra a arara de roupas atrás de si, cada peça de arara tem o nome de cada um de nós. – Mas eu estarei aqui com a Lou para ajudar vocês nas trocas, então... Tanto faz. – Ela diz meio nervosa, ainda evitando o contato visual.
Digo um ‘ok’ simples e pego a roupa dos cabides para colocar. Quando termino de colocar a camiseta branca, os meninos, assim como toda a equipe técnica da turnê, se aproximam e nos fechamos uma roda para os votos antes do show; vejo que a menina da roupa fica arrumando as araras onde eu e os meninos fizemos bagunça, então antes de começar o nosso momento antes do show saio da roda e vou até ela.
– Junte-se a nós, por favor. – Digo em um tom neutro de voz, tento não transparecer que estou lendo seu nome na sua credencial.
Sinto que todos os outros ali presentes estão olhando para nós. Ouço a voz de próximo de mim, e sei que ele está ao meu lado quando diz:
, você é da nossa equipe agora. Eu e os outros quatro também precisamos do seu apoio.
Ela sorri e diz um ‘ok’ tão baixo que chego a questionar se também ouviu. Estendo minha mão para a garota, que agora sei o nome, e ela toca em meus dedos levemente com sua mão macia. A guio até o circulo no meio do camarim e ela fica entre eu e , e antes de passar a mão pelo seu ombro – assim como todos estão fazendo um com os outros – meu amigo pede permissão, e eu também, mas por ser um pouco mais baixa que nós e estar calçando sandálias baixas, passa os braços em nossas cinturas, um de cada lado. Então, começa a falar:
– Eu quero agradecer a todos aqui. Todos que colocam suas vidas para fazer isso funcionar. – Eu e os outros três assentimos freneticamente com a cabeça, concordamos com ele. – Mais um show vai começar, mais uma turnê está se iniciando, muitos de vocês sabem que isso é longo e cansativo, mas vamos fazer valer a pena, como sempre valeu. – olha diretamente para , que está em sua direção no circulo, e diz sorrindo: – Seja bem-vinda, , esperamos que você goste e aproveite assim como nós. O show não é só do One Direction, pois One Direction não é só , , , e eu. One Direction é todos de dentro e fora desta sala, cidade, estado, país, continente. É todos aqueles que nos apoiam e nos levam. – olho de lado para o rosto da menina que tem um braço em minha cintura e a vejo sorrir e corar, todos dizemos juntos “Bem-vinda, ” e então prossegue no lugar de .
– Esperamos que dê tudo certo esta noite e que quando sairmos daquele palco nossos corações estejam cheios de orgulhos e com o sentimento de dever cumprido. – Todo mundo murmura um “isso aí”, “é, vão lá e arrasem”, e por aí vai. – E quero reforçar que somos um por todos, todos por um.
Finalizamos com um abraço em grupo e então colocamos os nossos pontos devidamente no ouvido, assim seguindo para nossa entrada no palco. No meio do caminho eu me lembro de que esqueci a jaqueta preta, volto correndo para o camarim e me encontro com ajeitando as coisas.
– Ué, vocês deveriam estar entrando no palco. – Ela diz e antes que eu diga alguma coisa ela percebe para o que estou olhando. – Ah, eu devia saber... – ela ri, segura em suas mãos justamente a minha jaqueta. – Como sou lesada. Ando até ela rindo e no meio do curto caminho entre nós acabo tropeçando em uma mala vazia e quem me segura é ela. Nosso olhos se cruzam e em questão de segundos ela ruboriza com nossa aproximação. Eu não digo nada, olhar seus olhos de perto é hipnotizante. Porém, os segundos que parecem milênios é cortado por sua voz baixa quando ela abre os lábios e diz próxima de mim:
– Vira, eu te ajudo, você pode acabar tirando o ponto, vi como é um saco de colocar isso.
me ajuda a colocar a jaqueta e quando estou saindo do camarim me lembro de fazer um convite a ela.
– Sim? – Responde quando chamo por seu nome.
– Quando sairmos daqui nós vamos direto para um pub da cidade, você quer ir?
– Tudo bem. – Ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha.
!!!! – Vejo no início do corredor me chamando loucamente, lembro-me de que eu os deixei para vir atrás da jaqueta.
– Até daqui a pouco. – Digo para ela e saio correndo em direção a ele.

Quando sai do palco com os rapazes, o sentimento de satisfação e dever cumprido – o qual havia comentado mais cedo – ocupava todo o espaço entre nós. Foi um ótimo começo de turnê, em um ótimo lugar.
– Se eu soubesse que era realmente bem louco fazer shows na América do Sul, teríamos vindo antes. – Ouço comentar.
Não preciso dizer que concordo com ele, é óbvio.
Caminhamos entre o extenso corredor até o camarim, lá encontrando nossas roupas e toalhas separadas com nossos roupões, apenas esperando para que usássemos; assim como eu, os outros quatro tiraram a roupa por ali mesmo e seguimos para o vestiário que tinha e tomamos banho, cada um em uma cabine – claro –, vestindo nossos respectivos roupões. Voltando para o camarim nós colocamos as roupas, o tempo todo fazendo algazarra e se divertindo. Não dava para ouvir mais o barulho da multidão para quem fizemos o show, o estádio estava sendo esvaziado já. Antes de terminar de calçar meu tênis, Lou entra com a sua filha Lux no camarim e então a animação com a garotinha só aumenta. Ela é como um mascote nosso. Enquanto alguns caras vem até o camarim e levam as nossas malas de roupas e acessórios – enfim, das nossas coisas – fechadas para os carro, Lux fica passando de colo em colo até terminar de se arrumar e nossa saída ser liberada. No caminho até as vans eu me lembro de , procuro ela pelo meio da equipe, mas não encontro.
– Cadê a ? – pergunto quando entramos na van, onde ia apenas eu e os meninos com alguns seguranças.
– Acho que ela está na van com a Lou e o resto da equipe, oras. – responde.
– Não, eu não vi ela aqui fora. – disse meio preocupado. – Na verdade eu não a vi desde que saimos do palco.
– Vocês estão falando da menina nova? – Ouço um dos seguranças falar, concordo com a cabeça. – Ela estava no backstage do lado oposto do qual vocês saíram, enquanto tomavam banho ela arrumava as malas de vocês e foi levando as de mão para a van e ficou por lá.
– Ahhh... – eu e dissemos juntos.

, 2014.

A festa no tal bar onde estávamos era coisa de outro mundo. Havia perdido a conta de quantos shots de tequila eu já tinha recusado. Queria sair dali sã, talvez eu seria a única, mas os seguranças dos garotos também não bebiam nada além de água, eu ficaria só no mesmo, talvez. Em algum canto daquele salão ouvia-se um coro de “Vira, vira, vira, vira” e eu podia jurar que via o tal virar uma caneca cheia de cerveja. Sem brincadeira ou exageros, aquilo deveria ser uma caneca de uns 350ml. Tenho certeza de que sou fraca, só de olhar eles bebendo dessa maneira eu me sinto zonza, outra coisa seria se eu bebesse de verdade.
Estou apoiada de costas no balcão do bar, em minha mão direita tem apenas um copo de suco de laranja. Observo tudo completamente alheia, mas sinto a presença de alguém ao meu lado.
– Você não viu nada, ainda. – Ouço a voz de Josh, o baterista da banda e meu mais novo colega (afinal, além de Lou, ele era o único que conversou de verdade comigo mais cedo), ele segue o meu olhar e sei que seu comentário se dirige ao que eu vejo.
– Tem tendência a piorar conforme vai passando os países? – pergunto deixando o copo em cima da madeira do balcão.
– Mais ou menos isso. – ele diz dando uma golada de sua bebida não identificada por mim, logo em seguida. – Você não bebe.
– Isso não foi uma pergunta. – Digo rindo.
– Não foi mesmo. – Ele responde. – Pretende ser a única sóbria esta noite ou por todas as noites?
– Pretende estar sóbria para o resto da minha vida. – levanto meu copo de suco em sua direção. – Cheers. – sorrio.
– Cheers. – Josh responde e brindamos nossas bebidas. – Vem comigo.
Sem eu ter tempo algum para pensar, Josh pega minha mão e me guia pelo salão até chegarmos na mesa onde há uma aglomeração do pessoal da equipe e também dos próprios “One Direction”. Quando nos aproximamos vejo virando um shot de tequila, exala no ar o tanto de bebida que foi ingerido ali.
– Olha só quem eu encontrei perdida por aí. – Josh anuncia e todos viram para mim.
– É impressão minha ou ela está com um copo de suco na mão, ? – diz com um sorriso brincalhão nos lábios.
se levanta e caminha até mim. Quando ele se aproxima eu sinto meu estômago borbulhar, em êxtase, assim como quando eu o segurei no camarim do estádio quando ele ia cair e nossos olhos se encontraram. O perfume dele petrifica qualquer mulher, e os olhos são a perdição para tudo. é o convite do pecado.
– Deixa eu checar, gente. – ele diz e antes de pegar o copo de minha mão pede permissão. – Posso, senhorita?
Sem pensar muito bem, faço que sim com a cabeça. O que aconteceu comigo? Estou parecendo uma lesada.
– Mmm... – ele murmura depois de beber meu suco. – Temos uma pessoa sóbria entre nós! – diz escandaloso.
Quando dou por mim, dali por diante, já bebi mais tequila e vodka do que eu planejei beber em toda minha vida. Tive a presença de ao meu lado o tempo todo durante a noite, ele cuidava para que eu não fosse sacaneada. Como ele fazia isso eu não sei, todos ali estavam bêbados, inclusive eu encontrava-me fora do meu estado de controle. Na hora de ir embora do bar eu sai acompanhada de , ele tinha o braço em meu ombro e eu abraçava sua cintura de lado. me deu sua jaqueta da addidas para que eu cobrisse meu rosto, para não causar muito tumulto nos jornais e revistas. Tinha muito paparazzi na saída do bar e isso prejudicou um pouco na hora da divisão das vans, por fim eu acabei entrando na van dos meninos. Houve uma confusão no caminho até o carro, alguns paparazzis foram invasivos demais e ficavam perguntando coisas como “Ela é sua nova namorada, ?”, “Está saindo com uma dançarina de boate, ?”, “Por que não podemos ver o rosto dela?” e etc. Ele ficou bravo e foi me guiando até o carro.
Foi assustador.
Ao que Edward, um dos seguranças, fecha a porta da van, , que ainda segura minha mão, diz:
– Você tá bem?
– Sim, só estou ficando com dor de cabeça. Acho que por causa dos flashes. – digo.
O que acontece a seguir é extremamente animador para uma garota romântica como eu, me puxa e faz com que eu deite a cabeça em seu peito. Ouvindo seu coração bater eu sinto minhas pálpebras pesarem, a última coisa que vejo antes de adormecer é arrumando a sua jaqueta da addidas em mim. Talvez eu tremia de frio.
No outro dia, acordei em minha cama com Lou me chamando, estava na hora de arrumar as coisas e ir embora, segundo ela. Minha cabeça latejava – e para não ajudar, o grito histérico que vinha da rua embaixo da minha janela, por causa do One Direction, fazia latejar mais – e eu sentia meu corpo inteiro pesado, sem mencionar a secura de minha boca. Sequer lembrava de como havia ido parar em minha cama até, na mesa de café da manhã do hotel, Josh me dizer que havia me posto para dormir. Ao que fiz uma carranca Lou me disse que quem havia tirado minha calça jeans e me deixado apenas com a camiseta branca que usava noite passada – e me deixado no modo que acordei –, havia sido ela. Concordei com a cabeça quando fui questionada se estava tudo bem comigo. As únicas coisas que lembrava era de um monte de paparazzis, bebidas alcoólicas que eu nunca sonhei em beber, jaqueta da addidas, os braços de ao meu redor e o rítimo que seu coração batia. Mas era tudo em flashes curtos. Quando havíamos terminado de carregar os carros na garagem para seguirmos para o aeroporto, eu me lembrei de ter esquecido uma mala de mão no quarto que dividia com Lou. Subi correndo e consegui encontrar o quarto ainda da meneira que havia deixado. Peguei minha mala e fui esperar o elevador que não estava mais em meu andar. Assim que as portas do mesmo se abriram eu vi e ali dentro; usava um óculos de sol tão escuro que era impossível enxergar seus olhos, usava um óculos de grau mesmo, mas seu rosto não escondia a ressaca. Entrei no elevador quieta, eu era assim, quieta demais. Sempre evitei dar a primeira palavra.
– Você tá bem? – Me surpreendo ao ouvir perguntar com a mão em meu ombro.
– Estou sim, acho que para uma segunda ressaca em 22 anos, tô bem. – Sorrio, ele ri um pouco. – Mas tenho certeza que estou melhor que vocês dois juntos. – Resolvo descontrair um pouco.
– E você não encontrou e ainda. – diz com uma cara de dor. Rimos juntos e eu resolvo ficar quieta, rir dói a cabeça.
Depois que os cinco tomam o café da manhã, todos vamos para o aeroporto. Eu tive que ir no carro com os cinco de novo, assim como Lou e Lux. Reparei bem em como eles tratavam a criança, com tanto carinho e atenção. O que me surpreendeu foi ir conversando comigo o caminho todo, ele queria saber um pouco mais de mim.
E realmente, e pareciam ter sido atropelados por tratores.
Enquanto estavámos esperando para embarcar veio até mim.
– Desculpa. Pela noite passada. Os paparazzis. – ele disse pausadamente.
– Tudo bem, . Não foi sua culpa. – sorri sincera para ele. – Eu tenho é que te agradecer, por cuidar de mim e tal.
– É o que todo cara deveria fazer com uma mulher. Principalmente quando ela é como você.
Eu não respondi, fiquei parada sorrindo enquanto via seu corpo sumir entre os outros. havia flertado comigo? Eu estava é boba em acreditar nisso.
No avião deu para tirar um bom sono e tomar alguns analgésicos. Mas o meu pensamento não saía de uma lembrança que tive da noite passada, quando me deixou em meu quarto, antes de sair para que Lou tirasse minhas roupas, ele me deu um beijo na testa e sussurrou “Eu gostei de você.”
Aquilo não era sonho, eu me lembro bem.

Capítulo 3


, 2014.

Brasil. Nós estávamos no Brasil! Um país tropical, um país sensacional. Sem exageros. Na verdade, em ponto de vista turístico apenas. Morar, eu não moraria aqui por algumas razões políticas e sociais.
O show no Rio de Janeiro havia sido maravilhoso. Estávamos no bar do hotel, tinha algumas celebridades brasileiras das quais eu nunca havia ouvido falar. Uma cantora de funk brasileiro não desgrudava da gente, ela era bem simpática, mas meu ciúmes havia crescido desde que saimos de San Tiago no Chile. e eu tínhamos criado uma certa afinidade, nós passávamos bastante parte do nosso tempo juntos, principalmente bebendo. E no momento atual eu me encontrava sentada numa mesa qualquer ouvindo aquela risada escandalosa dele vindo de outra mesa a cada palavra que a brasileira – extremamente bonita, claro, me deixando no chinelo com aquele corpo malhado – dizia. Eu sei que não é meu, mas eu me acostumei com tua presença perto de mim, me enturmando, me ajudando. E agora parece que sem ele eu estou esquecida.
Péssimo, totalmente péssimo.
Resolvi sair do bar e ir até a área da piscina com minha garrafinha de Heineken. Eu estava usando uma saia jeans e uma camisetinha básica, calçando as famosas havaianas – que havia me obrigado a comprar –, então ficou fácil para que eu sentasse na borda e colocasse apenas meus pés na água. Mechendo no twitter, eu via os tweets das fãs dizendo sobre tudo, extremamente tudo mesmo. Até sobre mim elas comentavam, e era incrível o tamanho do carinho que elas tinham por mim. Claro que algumas odiavam o fato de que eu estava sempre com o “queridinho” delas, e isso era um saco. Bando de crianças mal amadas. Entretanto, tinha as que achavam que e eu eramos um exemplo de amizade a ser seguida. Também podera né, as nossas fotos estavam nas estampas de jornais, revistas e sites. Isso que ainda não estavámos nem perto da metade da turnê.
Rolando a página do meu instagram para atualizar, aparece uma nova publicação de , e é um vídeo dele com a brasileira bonitona. Rolo os olhos e largo o celular de lado e dou uma golada da minha cerveja. Pondero ir até a mesa onde está com o povo e num estalo rápido levanto e caminho até lá. Chegando no bar desisto de ir até a mesa e sigo para o balcão do bar mesmo. Sinto meu celular vibrar no meu bolso e quando vejo é uma mensagem no whatsapp do próprio .
“Por que não estou te vendo?”
Rio comigo mesma, será que ele está cego de vez e não vê que estou no bar ao lado de sua mesa cheia de pessoas bonitas?
“Você só pode estar brincando comigo, né?”, respondo com um emoji bravo.
Levanto do meu banco e deixo pago no bar as bebidas que havia consumido até então. Saio a passos largos até o hall do interior do hotel. Encontro com Josh, mas passo reto por ele, sem ouvir o que me pergunta. Dentro do elevador algumas meninas que dizem ser fãs do One Direction me pedem para tirar uma foto com elas, hesito ao pedido, mas tiro. Tiro a foto com meu celular também e aproveito para postar no twitter com a seguinte frase:

“Pelo menos alguém me notou esta noite, obrigada pelo papo rápido do elevador, vocês fizeram minha noite melhor, queridas @SarahEstein e @Monickitt_”.

Assim que entro no meu quarto eu bato a porta e decido trocar de roupa e deitar na cama. Quando estou com minha camisola e deito no colchão macio por cima do lençol de fios egípcios, mando mensagem para minha irmã Kelsey. Se conheço bem as gêmeas, ela é a única que irá me responder. A Kimberly é mais chatinha e odeia conversar comigo sobre assuntos de questão amorosa.
“Tá fazendo o quê por aí?”, mando.
Enquanto a resposta não chega eu vou até o frigobar e pego uma garrafa d’água, assim que deito na cama de novo, a resposta chega, mas é de .
“Você pode abrir essa porta?”, penso por um momento e respondo:
“Que porta?”, e nas entrelinhas digo tanta coisa.
“A única que tem que me impede de te ver.” ele responde rápido. “E como você tem certeza de que eu estou onde você acha que estou?”, penso rápido para responder.
Ele me manda uma imagem em print de dela do meu tweet, o qual mencionei as meninas que encontrei no elevador, e diz: “Ainda dá tempo de te notar?”, eu não respondo e logo vem outra mensagem.
“Abre a porta, eu sei você está aí...”
“Achei que você iria abrir uma outra porta e algumas coisas a mais hoje...” respondi segurando o riso, audáciosa.
“Abre. Por. Favor.” ele pede.
Levanto rápidinho e vou até a porta, me esqueço de colocar o roupão, mas não ligo. Há algo estranho dentro de mim e esse algo pede por ele. Abro a porta e não preciso dizer nada, me analisa rápidamente, sinto meu corpo ferver sobre seu olhar – minha camisola é completamente transparente –, e me puxa pela cintura, cola sua testa na minha e eu digo:
– Só essa noite?
– Só essa noite... – diz por fim tomando meus lábios com os seus.

Just tonight I will stay
(Apenas essa noite eu vou ficar)
And we'll throw it all away
(E nós vamos jogar tudo fora)
When the light hits your eyes
(Quando a luz atingir seus olhos)
It's telling me I'm right
(Está me dizendo estou bem)

vai me empurrando contra a cama enquanto me beija fervorosamente. Em um movimento rápido eu tiro sua camiseta e ele, com certa agilidade, se livra de seus sapatos, ao longo do caminho nós não soltamos os lábios. Antes de chegar no colchão eu envolvo seu corpo com minhas pernas e ele me segura em seu colo pela cintura. Sua pegada é tão forte que eu sinto meu corpo todo vibrar e pedir por mais. Minhas mãos bagunçam seu cabelo de uma fora incontrolável, sem dó e nem piedade ele me beija, alternando entre meus lábios e o pescoço. Quando ele me solta na cama e se afasta só para tirar sua calça, sinto como se ele fosse embora para sempre e meu corpo se contrai em forma de negação. Não o quero longe. Passo minha unha pelo seu peitoral, sinto o áspero de alguns pelos do seu peito e minha vontade de beijar aquele corpo inteiro só aumenta. O vejo tirar uma camisinha do bolso da calça que tirara e colocar sobre a cama antes de voltar a me beijar. Continuo passando a mão pela sua pele, sei que isso o deixará marcado.< f> Em um movimento rápido eu troco as posições, ele hesita, mas não o deixo voltar. Rebolo meu quadril por cima dele e sinto toda a sua excitação por baixo de mim. passa a mão pela silhueta do meu corpo e então eu tiro minha camisola. Beijo seu rosto, seus lábios, seu pescoço, seu peito... E tudo o que vem a seguir é o caminho para o nosso ápice. Sou guiada por um ser dentro de mim que pede e aclama por mais e mais a cada toque, a cada beijo. Pode não ser amor, acredito que esteja longe, mas esse desejo carnal que tenho por este homem faz qualquer hormônio no meu sistema ser pouco.

And if I
(E se eu)
I am through
(Eu me acabar)
Then it's all because of you
(Então é por causa de você)
Just tonight
(Apenas essa noite)

, 2014.

Abri meus olhos devagar, minha cabeça doía. Ressaca, já sei. Senti que estava em um lugar diferente, minha mão estava sobre a pele de alguém, e uma pele bem macia. Ao levantar minha cabeça eu me lembrei. Eu e havíamos transado. De verdade. E foi bom, pelo o que me lembro. E depois eu deitei com minha cabeça em sua barriga enquanto ela fazia carinho em meus cabelos, até que dormi. Olhando agora para seu rosto eu vejo seus lábios fechados num sorriso e uma feição serena. Me lembro então como foi caminho que fiz para parar ali.

“– , cara, eu vi a sozinha lá na piscina, agora a pouco. Será que ela não tá precisando de algo? – ouvi dizendo para mim.
Eu estava conversando com algumas pessoas no bar do hotel, a noite toda não tinha visto , ela havia sumido quando descemos para jantar e encontrei com uma cantora brasileira, que desde então alugara meu ouvido. , eu e estávamos nos divertindo, conversando com algumas celebridades brasileiras que estavam no mesmo hotel que a gente. Eu já havia bebido o suficiente para acordar de ressaca. Porém, não estava sendo tão legal quanto havia sido nos outros países que passamos antes de chegar no Rio de Janeiro. não estava comigo e só agora eu tinha notado que aquele incômodo era a falta dela.
Mandei uma mensagem para ela. “Por que não estou te vendo?”
Logo sua resposta chegou, “Você só pode estar brincando comigo, né?”
Não entendi o que ela quis dizer e então logo Josh passou por mim com uma cara séria e, quando o perguntou se havia visto por algum lugar, ele falou algo sobre a ver no elevador e que ela parecia cansada. Deixei isso de lado, talvez ela só quisesse descansar um pouco.
Minutos depois meu celular não parava com notificações do twitter, então resolvi dar atenção um pouco à aquilo. O motivo era uma foto que tinha postado no twitter com duas garotas do hotel e com uma legenda um tanto sugestiva. Eu não teria entendido bulhufas se não tivesse me dado o toque correto.
– Ela estava no bar o tempo todo, só você não viu. Ela estava sozinha, tentou chegar na mesa para ficar com vocês, mas desistiu por causa da muvuca. – ele deu de ombros, e se bem conheço ele queria dizer que a culpa era minha. E venhamos, eu também acho que a culpa era minha, desde o primeiro show da turnê, eu e não nos desgrudávamos. – Sobe lá, mulheres, não importam o grau de relação que tenham com um homem, sempre merecem que nós vamos atrás.
saiu dali e eu fiquei pensando um pouco no que fazer. Então tomei a decisão que achava mais justa, me despedi de todos e subi. Claro que eu estava um pouco sobre efeito de alcoól, talvez o de verdade nunca faria isso e nem sentiria isso. Digo, esse desejo de ter ela.
Agora.
Ao chegar na porta do quarto dela lhe mandei uma mensagem e foi daí que a coisa desandou. tem um poder de despertar um ser em mim que não sabia existir, ela desabrocha o meu lado cafageste. Eu gosto disso, gosto dela. Só não sei se isso é saudável.”

Vi que ela abria os olhos de vagar e então resolvi subir meu corpo para deitar ao seu lado. Ela sorriu quando me viu e eu sorri de volta, dando um beijo em sua bochecha, dizendo em seguida:
– Eu vou ir tomar um banho.
Não precisei pensar ou falar, ela foi comigo. Tomamos um banho calmo e com alguns amassos, nada muito explicíto. Cheguei a pensar que parecíamos um casal, um casal de namorados. Mas aboli isso da minha mente. Não posso namorar, não agora, não seria saudável e muito menos favorável, para a minha parceira, claro. A mídia e o assédio das fãs fariam do nosso relacionamento um inferno, e digamos que eu sou do tipo carinhoso-romântico, aquele que gosta de tratar sua parceira com todo o amor e carinho possível. Mas minha vida não permite isso agora. E nem se eu quisesse, não era o amor da minha vida. Naquele momento éramos duas pessoas de sexo oposto que nutriam um desejo carnal um pelo outro, o sexo que tivemos não me deixa mentir, não foi algo com sentimentos profundos, foi carnal. E bom, extremamente bom.
Depois do banho eu coloquei minhas roupas e vestiu apenas seu roupão, voltando para a cama, pensando em descer tomar o café da manhã ou pedir ele no seu quarto. A noite iríamos seguir viagem para São Paulo, para mais dois shows.
Antes de eu sair do quarto, dei um beijo na testa de , e quando alcancei a porta ouço-a me chamar:
?
– Sim? – viro-me para dizer.
– Só esta noite...
Concordo com a cabeça e vou embora. Algo me dizia que não era só aquela noite.

Do you understand who I am?
(Você entende quem eu sou?)

Do you wanna know?
(Você quer saber?)
Can you really see through me?
(Você pode realmente ver através de mim?)
Now I have got to go
(Agora eu tenho que ir)


Continua...



Nota da autora: (29/01/2016) OLÁAAAAA!!! Bom, não vou falar muito. Quero agradecer a quem está lendo e dizer o essencial. A shortfic será em 10 capítulos + 1 prólogo (que já foi postado) e + 1 epílogo. Eu resolvi dividir ela para atualização, não vou postar finalizada de uma vez só. Então serão mais duas atualizações apenas. A ideia dessa shortfic surgiu quando eu estava indo para o cursinho ano passado e ouvia Artic Monkeys no Spotify. Desde então eu fiquei louca de vontade de fazer uma fanfic com a musica Why’d You Only Call Me When You’re High? que eu simplesmente amo (e acho que foi escrita para mim! Haha). E eu perdi o ficstape do Artic Monkeys com o AM, #sad. Agora está ai, decidi tirar a shortfic do rascunho e fazer acontecer, já que tenho tempo.
Bom, então é isso. Espero que gostem!!!!!!! Por favor, comentem!
Tenho mais duas shortfics no site que são finalizadas. Eu tenho muito essa coisa de ouvir música e querer escrever shortfic com ela (haha).
As shorts fão:
I Remeber It All Too Well
But I Wonder Where Were U
E tenho uma fanfic ainda em andamento, também! Dêem uma olhada se quiserem, por favor:
Down The Line
É isso, até a próxima! POR FAVOR COMENTEM, isso é muito importante.




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