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Última atualização: 23/10/2020

Capítulo 1



A manhã estava chuvosa e eu não havia levado o guarda-chuva, como sempre. Embora eu e meu irmão morássemos perto da faculdade, caminhar 5 minutos até o campus me renderia roupas encharcadas.
– Hey, gatinha. – Tyler apareceu ao meu lado. – Pedir carona tá fora de cogitação?
– Eu pensei que você tinha treino hoje. – mordi o lábio. – O teve.
– Hoje eu tenho uma prova importante e o treinador me deixou faltar o treino. – ele sorriu pra mim quando entrei no banco do carona. – Você sabe, se eu não passar em farmacologia eu saio do time.
– Se você estudasse… – eu sugeri. – A Hannah participa de grupo de estudo.
– Onde ela está eu estou há 32 milhas de distância.
– Não foi isso que me disseram semana passada, não é, querido? – deu risada.
– Tchau, . – ele abriu a porta do carro quando chegamos ao campus. – Você vai se atrasar pra aula.
– Tchau, baby. – gargalhei. – Prometo estar assistindo o jogo mais tarde. É uma pena que eu não consiga ir.
– Você só deve ir ao jogo contra Harvard. – ele sorriu fraco. – Você é a queridinha do time de hockey.
– Eu sou o amuleto da sorte de vocês, não é mesmo?
Dito isso, Tyler gargalhou e arrancou com o carro em direção ao estacionamento. Como sempre, ele havia me deixado na porta do prédio onde eu teria as próximas aulas.
Desde pequena, meus pais sonhavam que eu e meu irmão estudássemos em faculdades que fizessem parte da Ivy League, e cá estamos nós. teve mais sucesso que eu, já que passou de primeira com ótimas notas, diferentemente de mim, que tive que estudar um ano em uma faculdade comunitária e só depois de muito esforço consegui notas suficientes para pedir transferência para uma faculdade do nível de Brown.
Aos 17 anos, eu desenvolvi depressão e acabei me isolando totalmente. Não tive foco nenhum para estudar e decidir meu caminho na faculdade. Graças a e Tyler eu não desisti de tudo. Os dois caras que mais importavam pra mim sempre estiveram ali. Tyler era meu melhor amigo desde o fundamental e acabou se aproximando de por conta da paixão por hockey. Então, digamos que eu saiba bastante de hockey. E também saiba bastante sobre os garotos do time do meu irmão.
– Senhorita Brinley, já que está atrasada e a aula começou há três minutos, pode me dizer que cor deve apresentar um complexo de coordenação que possua um ligante de campo forte?
– Bom dia, senhor Trunter. – sorri fraco. – Desculpe pelo atraso, a chuva atrapalhou meu caminho até aqui. Aliás, ligantes de campo forte tendem a apresentar cores que absorvem baixas energias, como amarelo ou laranja.
– Muito bem, senhorita Brinley. – pude ouvi-lo falar assim que virei as costas. – Ao menos você estuda em casa.
Meu professor de química geral simplesmente me odiava. E pelo motivo mais imbecil do mundo: Justin Trunter, seu filho, é meu ex-namorado. Isso já diz muito sobre o caráter profissional dele. Conversei diversas vezes com a minha orientadora, Callie, sobre mudar de turma, mas as especificações de engenharia química tinham apenas um professor: John Trunter.
A hora demorou a passar como sempre, mas eu apenas pensava no jogo mais tarde. Se Brown passasse da primeira fase, iríamos para o Frozen Four.
– Bom dia! – Hannah apareceu no corredor.
– Bom dia. – respondi irritada. – Acredita que Trunter deu a entender diante a sala inteira que eu não estudava?
– Logo você? – ela deu risada. – Ainda bem que eu não tenho aula com ele.
– O que veio fazer aqui? – a perguntei. O prédio de psicologia não era aquele. – Farmacologia?
– Sim. A minha professora decidiu que teríamos que ver os princípios ativos dos remédios em laboratório e aqui estamos.
– Isso parece difícil o suficiente pra mim, Han.
– O que você estuda é mais, meu amor. – ela deu risada. – Eu me irrito apenas porque eu faço aula junto com a Courtney que não para de falar do babaca do seu melhor amigo.
Hannah e Tyler tem um caso meio ioiô que é movido a ódio. E sexo. Eles se encontram sempre, são quase exclusivos e vivem reclamando um do outro pra mim. Courtney é apenas mais uma das peças descartadas por Tyler depois que ele beijou Hannah pela primeira vez.
– Ciúme? – brinquei.
– Não. – ela se apressou em dizer. – Ele é um babaca e só de lembrar da existência dele, me irrito.
– Bom, preciso ir. – ela fez biquinho ao ouvir. – Aula de álgebra agora.
– Ew! – ela fez careta. – Boa aula, gata.


Depois da aula de álgebra não tive mais aula. Embora Brown tivesse ativado o modo ‘jogo de hockey’, os professores exigentes não mudaram o horário de algumas provas. Minha orientadora sempre disse que eles recomendam não marcar prova no dia, quem dirá na hora, mas mesmo assim os professores não os escutam.
– Hey. – Hollis apareceu na sala para assistir o jogo junto de mim.
Eu morava numa casa que continha seis homens e uma suíte. Obviamente, eles dividem os dois banheiros sociais da casa enquanto a suíte é minha. Além de homens, são jogadores de hockey. Graças à (inexistente) confiança dos meus pais em mim, morar com havia se tornado meu empata foda. Era extremamente difícil achar alguém que quisesse transar com a irmã do central e melhor amiga do defensor do time de hockey da Universidade de Brown.
Além disso, Peter, Colin, Hollis, Joe e Nick me tratavam como a irmã mais nova. O time de hockey da Brown havia se tornado a minha família.
– Quando você volta? – perguntei para Hollis, um dos grandes defensores do time. – O Tyler sente sua falta e eu também.
– O treinador disse que eu volto no próximo jogo. – ele comentou. – Isso é, se passarmos.
– Cala boca, Hollis. – joguei a almofada nele. – O Jensen é tão bom quanto você.
– Nah… – ele abocanhou um nacho. – Ele é bom, mas é novato.
– Para de azarar o time. Nosso ataque tá igualado com o de Harvard e encabeçamos os menores ataques.
O primeiro período começa e um jogador da Massachusetts fez um offside, obrigando o árbitro a ordenar um face-off. , o central do time, tirou rapidamente o disco de Dean, o ala-esquerdo do outro time, e iniciou o contra-ataque, passando o disco para o Peter. O defensor do time adversário parou Peter com uma rasteira que o custou uma penalidade que foi convertida.
Brown University 1-0 Massachusetts Boston University.
O primeiro período ocorreu sem mais delongas, mas o time adversário continuava a bater no nosso. Quando ele acabou, pude ver o treinador Graham extremamente irritado com a falta de comprometimento dos juízes em relação a marcar as infrações. sempre disse sobre quão incrível e honesto Graham era, então eu meio que o admirava também.
Hannah chegou apenas para o terceiro período, quando já estava 2-1 para nós. Assim que minha amiga pisou em minha casa, Tyler fez um gol.
– Ela é aquele tipo de mulher que faz até defensor fazer gol, huh? – Hollis brincou e ela o deu o dedo do meio.
– Ele faz tudo errado, ele não tem que fazer gol. – ela resmungou.
– Contanto que ganhemos esse jogo, Tyler pode até abaixar as calças. – fui sincera.
Eu estava ansiosa por essa primeira fase e, se passássemos dela, nós estávamos no Frozen Four. Faltavam cinco minutos para o juiz apitar e nós estávamos nervosos. No hockey, um time virar em 2 minutos não era tão difícil. Entretanto, o time adversário percebeu que era muito difícil passar por Tyler e Jensen.
– ACABOU! – Hollis comemorou e me abraçou. – ESTAMOS NO FROZEN FOUR, CARALHO!


Hollis saiu da sala, deixando-me deitada no sofá ao lado de Hannah. Estávamos em silêncio em nossos telefones quando ouvi o nome do meu irmão gêmeo na televisão.
Brinley e Geller serão as atrações do draft nessa temporada. — a comentarista falou. — O’Malley, de Minnesota, também é uma boa opção. Acredito que será difícil draftar todos.
— O’Malley é um grande imbecil. — Hannah resmungou. — Queria que Tyler tivesse batido nele quando pôde.
— Ele não podia, Hannah. — dei risada.
— Você já viu como esse menino é bonito? — ela apontou enquanto o quarto gol de Harvard passava na televisão.
Geller? Não dá pra ver nada, Han.
Uma de minhas melhores amigas riu e abriu o perfil do Instagram de Geller. Moreno de beleza razoável.
— Molhador de calcinhas. Olha essas sardinhas, !
— Nós sabemos que você prefere defensores, Hannah. — comentei baixinho. — Ele não é tudo isso, mas não é de se jogar fora.
— Levando em consideração que será nosso adversário, é de se jogar fora sim! — ela riu.
— Em circunstâncias normais! Acho que nunca trocamos mais de três palavras. Ele é amigo de uma conhecida de Lana.
Conhecida... Amigo? — Hannah franziu a testa.
— Ele é melhor amigo da Angelina. — informei. — E um babaca por completo.

Offside: nenhum jogador do time ofensivo deve ultrapassar a linha azul do campo do adversário antes do puck. O offside paralisa o jogo, que é retomado com um face-off, ou simplesmente disputa do disco, na zona neutra.
Face-off: é quando o árbitro paralisa o jogo, retirando o puck (disco) e o joga no ringue novamente para reiniciar o jogo.


Capítulo 2



Eu estava extremamente nervoso. O horário de saída da prova de psicomotricidade não chegava e o estupido que inventou essa regra certamente estava rindo de mim. Eu precisava saber quem venceu o jogo da primeira rodada para ir para o Frozen Four. A equipe de hockey de Harvard estava na primeira fase pré-Frozen Four porque ganhamos da equipe de Clarkson.
– Todos que acabaram a prova estão liberados para sair. – Jane Tatcher avisou. Um mar de alunos saiu junto comigo.
Enquanto aguardava meu celular encontrar o serviço para que eu pudesse ver minhas mensagens, eu corria para casa.


Jared: irmão, você, o Brinley e o Vaughn... Aposto que os comentaristas vão ficar de pau duro vendo os três jogadores mais especulados do draft no rinque.

Hailey: hey, saco de cocô. Vi que vai enfrentar Brown... Acabe com eles ;) bjs da sua irmã mais linda. x

Bryant: como você é capitão do time, convoque treinos extras... Quero ACABAR com a Brown.

Pai: acabei de ver que Harvard vai enfrentar a Brown no Frozen Four. Tyler Vaughn e Brinley são bons, mas você é infinitamente melhor. Sua mãe e eu estaremos no jogo contra eles. Beijos. Ligue-nos quando puder.

Treinador Greg: fala, filho. Avise aos garotos que teremos reunião hoje. Os vejo em breve.


! – pude ouvir a voz de Fred, nosso goleiro. – Novidades, irmão?
– Só que iremos amassar Brown no próximo jogo. – sorri. — Eles passaram.
– Você vai dar motivo pro Brinley se preocupar de não ter se inscrito pro draft antes. – ele riu.
– Se Brinley está triste, eu estou feliz. – dei risada e Fred entrou na primeira sala que apareceu.
Minha rixa com Brinley começou há dois anos, quando fomos especulados pelo Bruins numa temporada futura. O cara estava numa ótima sequência, três gols por jogo e nenhuma infração, enquanto eu ganhei espaço no time de Harvard assim que um veterano se formou. Com alguns jogos na temporada, consegui colocar meu nome na boca de alguns olheiros. Agora, estávamos os dois com o nome no draft e lá estará o Bruins, time da NHL, que anseia por apenas um central.
, você tem um segundo? – Anna apareceu em minha visão.
– Pra você eu tenho até dois. – sorri.
– Chuck’s. Às 22h. – ela sorriu. – Espero você e o time, para celebrarmos a vitória da Universidade de Brown.


A reunião com o treinador Greg durou cerca de duas horas e já começamos a avaliar as jogadas de Brown. Minha obrigação era com Tyler Vaughn, defensor, enquanto a preocupação de Jared, nosso defensor, era Brinley. Tyler e Jared eram defensores incríveis, a única diferença era que Tyler queria viver de hockey e Jared queria abrir um restaurante. Jared apenas jogava por hobby e porque era isso que o mantia em Harvard.
– Hoje nosso compromisso é com as amigas gostosas da Anna. – comemorei. – Fazia tempo que não nos divertíamos como time e deveríamos comemorar que havíamos ganhado de 4-2 a equipe de Clarkson.
– Obrigado, Deus, por nos dar um capitão tão incrível quanto Geller. – Bryant, nosso ala-esquerda, comentou.


Às dez e quarenta, o time entrou no bar e talvez não tenha sido uma boa escolha termos ido. Do outro lado, estava grande parte do time de Brown.
– Olha, se vocês vieram arranjar briga no meu bar, podem ir embora. – Chuck, o dono do bar, veio em nossa direção.
– Na verdade, meu caro Chuck... – Jared sorriu. – Viemos comemorar a vitória deles também. E claro, a nossa também.
– Vocês, jogadores de hockey, são estranhos. – o homem negro colocou o pano que segurava no ombro e virou as costas pra nós.
Anna e suas amigas gostosas estavam do lado oposto e pude ver que especialmente Anna estava com uma cara de muita raiva.
– Hey. – a cumprimentei. – O que aconteceu?
Brinley aconteceu. – ela olhou para menina loira que estava ao lado do central do time de Brown. Brinley foi, literalmente, esculpida por anjos. Ela não era baixa como Anna, mas não era alta como nós. Seu cabelo loiro escuro era longo e seus olhos eram tão claros quanto mel. É claro, idêntica ao seu irmão.
Eu tenho pena dela, inclusive. Nenhum cara no bar tinha coragem de chegar nela porque ela era conhecida como o amuleto da sorte do time deles, então ninguém ousava quebrar o coração do xodó do time de Brown. Sem contar que seu irmão gêmeo era o capitão do time. Quem chegasse perto dela enfrentaria a fúria do time inteiro. Eu achava esse pensamento meio arcaico, afinal, o temperamento dela deixava claro que ela não precisava de homem nenhum para se defender.
– Para de olhar pra ela, . – Anna rosnou.
Antes que eu pudesse prestar atenção em algo, dirigiu-se até o bar, ficando super próxima de nós. Ela conversava descontraíssemos com uma menina — que não era a peguete de Angie —.
– Hey, . – Anna a chamou. – Não precisa encarar essa fila por uma tequila. Um shot de graça pra você.
Quando Anna terminou sua frase, despejou todo líquido na loira que estava em nossa frente. Ao ouvir o grito da irmã, rapidamente se aproximou e segurou Anna.
– VOCÊ TÁ MALUCA? – gritou e tentou pular em Anna, mas a segurei. – Merda, tá ardendo.
– Mande beijinhos pro Trunter por mim. – Anna sorriu e tentou se mover, mas não a largou. pegava Justin Trunter? Que péssimo gosto.
– Vem cá, vamos lá pra fora que eu vou te ajudar a limpar isso aí. – disse e a puxei para entrada do bar. – A água tá um pouco gelada, mas acho que não vai fazer muita diferença. – comentei.
– Ugh. Cadê o ? – ela choramingou. Pude perceber que ela tremia. Não soube se era de frio ou de raiva.
– Ele tá lá segurando a Anna. – comentei. – Foi uma escolha sensata, em defesa do cara.
Enquanto ela lavava os olhos, retirando sua maquiagem por completo, pude ver o quão linda Brinley era. Linda e território inimigo. Ela bufou extremamente irritada e jogou a garrafa de água fora na lixeira certa. Sério, ela realmente se preocupou em que lixeira a garrafa plástica ficaria?
– Ela estragou minha maquiagem, que ódio! – ela gritou. – Eu vou voltar lá e vou dar um belo soco naquela carin...
Eu a segurei. – Você vai ficar aqui até se acalmar, Brinley. Eu tenho uns bons quilos a mais que te segurariam fácil aqui.
– Me larga. – ela se bateu. Ao ver que eu não ia soltá-la, mordeu minha clavícula e talvez não tenha sido o melhor lugar para isso, já que meu pau ficou duro só de sentir os lábios quentes dela em mim.
Eu simplesmente relaxei, e, ela, com um esforço a mais, conseguiu se levantar. Com um sorriso maldoso, me encarou com uma expressão desafiadora. Eu odiava aquela mulher. Com muita força. Mas ela era gostosa.
– Você pode ter uns quilos a mais e ser bem mais forte, Geller. – ela me chamou pelo sobrenome e eu só conseguia prestar atenção na maldita da boca. – Mas você não se controla perto de mulher nenhuma. Fica fácil se eu sei todas as suas fraquezas.
Sim, você sabe. Não resisto a um rabo de saia.”, pensei.
Sem que eu pudesse pensar em uma resposta plausível, Brinley engoliu toda raiva que ainda não havia jogado pra fora e adentrou o bar com toda confiança do mundo possível.
– Mulheres, meu caro... Mulheres. Essa daí é a provação em forma de mulher. Anota o que eu tô te falando. – um garoto que estava fumando lá fora me disse. – Ou elas ganham, ou elas ganham. E, de brinde, acabam com você.
Depois de ouvir tudo aquilo, peguei o carro e fui para outro bar. Manter a noite de comemoração longe do time de Brown era a opção que eu tinha. Brinley e eu no mesmo lugar era sinônimo de problemas. E, aparentemente, com a sua versão feminina também era.
É, Brinley. Tenha bons sonhos, pois eu te imaginarei brincando com seus lábios gostosos pelo meu corpo.


Capítulo 3

Tyler havia arrumado um espaço para nós ficarmos em Boston com uma amiga de infância e quase todo time decidiu que caberia num pequeno apartamento na cidade. , como capitão do time da Brown, decidiu que fariam um treino numa pista próxima e eu sobrei em casa. Patricia, a amiga de Tyler, trabalhava, então o apartamento ficou silencioso e eu aproveitei aquela paz para tomar um banho relaxado para poder sair por aí.
Embora eu estivesse acostumada pois morava com sete jogadores, eu gostava de ter meus momentos sozinha. Às vezes eu os odiava por levarem mulheres para casa porque eu nunca pude levar carinhas. Não porque os meninos não deixavam, mas porque tinham medo de entrar na casa dos melhores jogadores da Brown. Na verdade, eu nunca tive um caso com um cara que não tivesse medo dos meus companheiros de casa.
Eram três e trinta e quatro quando saí de casa. Andava pelas ruas calmamente na intenção de ver algo que me atraísse e foi uma livraria com uma fachada enorme que me chamou atenção.
Logo no primeiro andar, me deparei com uma cena um tanto chocante. Geller, jogador de hockey, babaca, mulherengo e inimigo em potencial, lendo um clássico da literatura para quem quisesse ouvi-lo. Olhei para direita e vi um quadro que avisava da leitura de clássicos da literatura por voluntários.
Sorriu compreensivamente – ou muito mais do que isso. fez uma pausa. – Era um desses raros sorrisos que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a nós talvez nos deparemos quatro ou cinco vezes na vida. – ele lia O Grande Gatsby, meu livro favorito. – Um sorriso que, por um momento, encarava – ou parecia encarar – todo o mundo infindável, e que depois se concentrava em nós com um preconceito irresistível a nosso favor. Um sorriso que nos compreendia só até o ponto em que nós queríamos ser compreendidos, que acreditava em nós como nós gostaríamos de acreditar, assegurando-nos que tinha de nós exatamente a impressão que, na melhor das hipóteses, esperávamos causar.
Minha mãe, como professora de inglês, sempre me influenciou nas leituras e graças a ela quase fiz jornalismo. O Grande Gatsby foi o primeiro livro que roubei de sua bolsa. Eu tinha nove anos quando, por iniciativa própria, peguei o livro de sua bolsa para ler depois do jantar. Levei pra escola no dia seguinte e quando cheguei a casa, mamãe estava reclamando com sobre o livro ter sumido de sua bolsa. Fiquei com a consciência pesada e o devolvi. No mesmo dia ela chegou com um exemplar pra mim. A partir daquele dia, toda vez que ela iniciava um livro, eu acordava com uma cópia do mesmo embaixo do meu travesseiro. Meu irmão gêmeo não gostava de ler nada além de colunas de esporte, até conhecer Clarie, sua namorada, que fazia Inglês.
Geller lia concentrado, tentando expressar as sensações ao se ler aquela cena. Ele estava com uma senhora recostada em seu ombro que atentamente ouvia o que ele falava.
– Bom, acabamos por hoje. – ele encerrou a sessão de leitura e ajudou a senhora a se levantar. – Vamos, vó.
Ok, o quão adorável era aquele cara? Joga no time adversário, é mulherengo, insuportável e com um ego maior que o universo. Lembrei-me da vez em que o conheci.

— Olha, menina Brinley. Como você está linda nesta noite. — o ouvi quando abri a porta. Eu revirei os olhos. — O pequeno está aí também?
— O que você quer? — revirei os olhos. — Eu estou ocupada.
— Acho que não fomos devidamente apresentados, sou Geller. — ele me deu um sorriso convencido. Como se o fato de ele ser quem fosse causasse algo em mim.
— Ótimo, Geller. É um prazer tê-lo aqui, mas, nesta casa, acreditamos na supremacia da Universidade de Brown. Portanto, saia.
— Eu não estou aqui atoa, menina Brinley. Estou aqui por Angie. — ele disse. — E sua mãe não te ensinou a se apresentar para os outros?
— Você sabe quem eu sou, não sabe? — perguntei, massageando as têmporas.
— Sei.
— Então qual a necessidade da apresentação? — dei um sorrisinho.
Antes que ele pudesse replicar, Angie saiu do quarto de Lana. Ela estava uma bagunça. Lana parecia igual.
— Tchau, . Desculpe a inconveniência de . — ela nem sequer me olhou. Encarei minha melhor amiga, que parecia prestes a explodir.
— Eu não fiz nada! — Geller se defendeu e Angelina revirou os olhos.
— Vamos embora agora. — ela ordenou e fechou a porta, deixando-me com uma melhor amiga de coração partido para cuidar.”


Quando afastei a memória da inconveniência de Geller, me perdi em tantas prateleiras e tantos livros para descobrir.
– O poderoso chefão é uma ótima obra para se iniciar na literatura. – ouvi a voz de Geller e me assustei.
– Eu já li O poderoso chefão três vezes. – respondi. Seus olhos arregalaram e eu dei de ombros. – Mãe professora.
– Entendo. – ele sorriu. – Avó professora.
– Legal. – o respondi. – Tenho que ir.
– Por que você me evita? – ele me questionou.
– Você é inimigo, Geller. – disse e massageei minhas têmporas. — E eu realmente não gosto de você.
Nunca odeie seus inimigos, isso afeta seu julgamento. – ele citou O Poderoso Chefão e eu dei risada.
– Tchau, .
– Espera, . – ele me chamou. – Você fica aqui até quando?
– Não interessa? — fiz uma pergunta retórica.
– Toma. – ele me entregou um papelzinho. – Se quiser sair, só ligar.
Peguei o papel para não fazer desfeita e jogaria no primeiro lixo que aparecesse na minha frente. Meu telefone vibrou e eu fui salva pelo gongo.

: Onde você tá?
: Livraria... estava procurando algo para faculdade. Por quê?
: Só achei que seria interessante avisar que Hollis e Tyler estão levando mulheres pra casa.
: Como não temos quartos suficientes, alguém tem que ficar na sala.
: Vocês me surpreendem. Ficarei fora até mais tarde então, verei se resolvo algumas coisas da faculdade. Te amo. X


Chamei um Uber e fui a um diner que achei recomendação na internet. Abri meu computador e comecei a organizar coisas sobre meu trabalho. Enquanto eu digitava, fui surpreendida com a atendente colocando um milkshake de morango na minha mesa.
– Ah, perdão. – sorri. – Eu não pedi milkshake.
– O jogador ali mandou especialmente pra você, senhorita Brinley.
Peguei um guardanapo e escrevi um recado.
– Você pode entregar isso a ele, por favor? Obrigada.

A garçonete pegou o papel e rapidamente entregou para o central que estava sentado na bancada. soltou uma gargalhada que fez com que todos olhassem pra ele. Eu bufei em irritação. Eu odiava aquele cara e todo seu ego.
– “Mario Puzo diz que odiar os inimigos atrapalha no julgamento, mas, aparentemente, te odiar é inevitável.” – ele leu com um tom debochado. – Você é implacável, Brinley.
– E você é insuportável. Eu não posso nem fazer meu trabalho em paz! – resmunguei.
– Ouch, calma. – ele levantou os braços como se estivesse se rendendo. – Jornalismo?
passou a mão no adesivo de Brown que eu tinha colado na parte de trás do computador.
– Engenharia Química. – sorri fraco. – Você faz faculdade de quê?
– Psicologia. – ele respondeu e eu tenho certeza que minha boca formou um “o” perfeito, pois Geller riu de mim.
– Eu jamais acertaria seu curso, de fato. – dei um gole no milkshake. – Eu diria que você faz, sei lá, algum curso de Belas Artes? O seu ego permite que você se interesse pelos outros?
– Aw, querida! Tratar do ego das pessoas é ótimo, assim eu sei o que nunca fazer. — ele sorriu.
– Entendi. – sorri. – Bom, então trate seu ego. Quem sabe assim você deixe de ser menos você.
deu um sorrisinho pra mim e pegou as planilhas que estavam em cima da mesa.
– No que posso ajudar? – ele perguntou com hospitalidade.
– Se não me atrapalhar já é uma boa. Então você pode ir embora. – respondi sem tirar atenção da tela.
– Qual é, Brinley. – ele riu. – Deixa eu te ajudar.
– Ugh. Você é insuportável. – resmunguei. – Toma.
Dei-lhe dois marca-textos. E eu tenho um nome.
– O rosa é pra processos dinâmicos e o amarelo é para os contínuos. – o orientei. – Já vai me ajudar se organizar isso e marcar eles pra mim.
– Claro, comandante. – pegou as canetas e começou a marcar o papel.
Em menos de quinze minutos, ele jogou as canetas em cima da mesa e se espreguiçou.
– Acabei. – ele estalou o pescoço.
– Você analisou tudo? Leu tudo? – o questionei impressionada.
– Querida, eu faço, no mínimo, oito leituras semanais. – ele riu. – Pra treinar, ganhar jogos, foder e ser um bom aluno, eu preciso ler rápido.
– Ew. – fiz careta. – também diz isso.
– Não me compare com ele, gatinha. Eu sou melhor.
Gargalhei em um tom de deboche. – O é a melhor pessoa que eu conheço, . No esporte e fora dele. E não é porque você vai ser contratado por um time de qualidade que ele também não vá.
– Ah, ele não foi chamado porque não é bom o suficiente. – ele deu de ombros e eu me irritei.
tem tudo que um central precisa. E você sabe muito bem disso, Geller. — sorri. — Se não fosse por isso, você não se importaria com o hockey dele. Eu não deveria estar aqui, pra começo de conversa, nem muito menos dar espaço pra você. – disse enquanto guardava as minhas coisas. – E só pra sua informação... não fechou com um time ainda porque está esperando minha cunhada se formar, então ele está focando em pós, mestrado e doutorado. Ele é tão suficiente que o Boston Bruins aguarda pela resposta dele há dois anos. E acredite... Cada vez que eles o sondam, seu salário aumenta.
– Calma, Brinley. Não toma as dores do babaca do seu irmão. – ele riu irônico. Meu Deus, eu vou quebrar esse cara.
– Você é nojento. – disse e dei um soco em seu nariz. – Ah! – peguei dez dólares. – Aqui está o dinheiro da porra do milkshake.
– VOCÊ FICOU MALUCA? – ele gritou quando viu que em seu rosto havia sangue.
– Passar bem, docinho. – saí irritada.
Meu irmão não deixaria ninguém falar assim de mim e eu também não deixaria ninguém falar assim dele em minha presença. Eu odiava quando as pessoas eram prepotentes. Geller era sinônimo de prepotência. Geller era tudo de desprezível que existia em alguém.


Capítulo 4

A semana estava extremamente corrida e conciliar os treinos com a faculdade não estava fácil. Nosso time estava ansioso para o próximo jogo mas ainda faltava muito. Pegaríamos a faculdade de Brown em um mês, o que dava bastante tempo para nos prepararmos para os jogos.
Enquanto isso, eu atualizava minhas leituras acadêmicas quando Jared, meu melhor amigo, apareceu na sala.
– Qual foi, cara? – Jared me cumprimentou. – Teu nariz ainda tá torto.
– Eu não tenho culpa se Brinley é uma surtada, J. – comentei. – Nem Freud explica.
Jared gargalhou e foi em direção a cozinha. Morar com ele era extremamente agradável porque além de ser um cozinheiro que mal cabia em nossa cozinha devido sua altura, ele era extremamente limpo e educado. Ele nunca falava demais, mas também não deixava de falar e eu valorizava ele. O conheci quando entrei em Harvard há um tempo atrás e ele quem me ajudou a decidir se eu queria psicologia ou psiquiatria.
– Mas você não para de pensar nela, . – ele riu e abriu algo na geladeira. – Ela te tirou dos eixos.
– Ela tirou meu nariz, literalmente, dos eixos. – respondi. – A garota é irmã do babaca mór.
– Você é o babaca mór.
– Você tem razão. – dei risada. – Mas eu consigo claramente não pensar nela. Aliás, como eu sou um ótimo amigo, Anna e uma amiga dela vêm aqui mais tarde.
– Dispenso, vou sair com a Nat. – ele sorriu.
– Ótimo, sobram duas pra mim.
Dude, tá na hora de refazer o exame.
— Fiz semana passada, tô limpo. — comentei.
Jared colocou um prato de macarronada em minha frente e eu sorri.
— Por favor, larga a Natalie e fica comigo. — coloquei o prato de lado e até me ajoelhei. — Eu te chupo, se precisar! QUE HOMEM.
— Sai pra lá, porra! — Jared tentou se encolher no sofá, distanciando-se de mim. — Boiola!
— Vai a merda, que horas você vai sair?
— Daqui a pouco. Vamos ao cinema.
— Fechado. — concordei com a cabeça. Jared e Natalie, os namorados que não namoravam e ficavam com outras pessoas, mas se gostavam, sempre assistiam filmes com quase três horas de duração, e isso era suficiente para um ménage.


Fazia meia hora que o casal havia saído e eu aguardava por Anna e sua amiga. Estava começando a ficar animado com a ideia de ter duas gostosas só pra mim. A campainha tocou e eu levantei em um súbito. A noite estava prestes a começar, baby.
Assim que abri a porta, deparei-me com uma mulher bêbada com lágrimas no rosto.
— Estou apaixonada. — Winscott disse com a voz embargada.
— Meu Deus, Angie. Você foi engolida por uma baleia e depois ela te vomitou? — estendi a mão para minha melhor amiga de infância.
— Ela é tão linda, . — Angie disse com os olhos brilhando pelas lágrimas.
— Deixa eu adivinhar… — ajudei-a para que ela se sentasse no sofá. — Preston?
— Sim! Eu encontrei com ela e a amiga dela no bar… Ela ficou com outra garota. — ela chorava copiosamente em meu colo. — Eu me odeio e amo aquela mulher.
Peguei o telefone da minha melhor amiga e abri seu Instagram, disposto a filma-la e mandar para Preston, acabar com esse lenga-lenga de vez, quando, deparei-me com uma foto de Brinley. Claro.
— Angie… Que péssimo gosto. — comentei, fazendo careta.
Angelina acabou dormindo em meu colo e eu a deixei assim por um tempo enquanto cancelava meus planos com as garotas e assistia o jogo dos Oilers contra o Calgary Flames. Como se esperava, o Boston Bruins estava em primeiro lugar do seu grupo da NHL e o mesmo acontecia com o Edmonton Oilers.
Me distraí assistindo ao meu programa favorito até o telefone de Angie tocar e na tela aparecer o nome de Lana.
Alô? Lana? — atendi.
Quem fala? — ouvi claramente a voz de Brinley. Céus, que perseguição.
Geller, senhorita Brinley. No que posso ajudar?
— Lana, por que Geller está atendendo ao telefone da sua namorada?
— ouvi gritar.
Elas não namoram. — disse firme.
Elas se gostam.
— E sua melhor amiga fez questão de ficar com outra, . Não meta essa.
Pude ouvir a loira urrar via telefone, aposto que ela me bateria se estivesse presente.
Às vezes, eu juro que eu daria o mundo pra ser um cara de três metros pra te sentar a porrada, . — ela disse raivosa. Bingo!
Se sentar com carinho eu posso pensar, hein? — provoquei.
Vai à merda, babaca! — ela gritou e desligou na minha cara.
Angie estava dormindo pesadamente em meu colo quando Jared e Nat chegaram aos beijos no apartamento.
— Parece que alguém se deu mal. — Nat riu.
— Eu perdi um ménage pra consolar melhor amiga bêbada, mas tudo bem. — ele deu de ombros. Angelina era mais importante que Anna e sua amiga.
Jared e Natalie se retiraram e eu coloquei Angie sobre meus ombros para irmos para o quarto dormir. O dia seguinte seria ruim, pois Angelina de ressaca era o inferno.


Na manhã seguinte, quando acordei, Angelina não estava mais na cama comigo, o que era estranho. Pude ouvir vozes na sala de estar e estranhei. Jared, Nat e Angie fariam tanto barulho assim? Ignorei-os e tomei uma ducha gelada para despertar e fui tomar café da manhã. Chegando à sala, Brinley, Natalie, Lana e Angelina conversavam animadamente. Que capítulo dessa novela eu perdi?
— Bom dia, boiola. — Jared acordou-me do transe.
— Vai se foder. — resmunguei e fui até a cozinha.
— Acabou o leite. — Nat gritou. — tomou o que restava.
Desgraçada. — Você tomou o meu leite?
— Não. — ela sorriu fraco. — Tomei o leite da vaca. Eu vou embora agora, gente. Eu tenho que voltar pra Providence. — ela pegou o celular. — Vou chamar o Uber.
— O vai tomar café na padaria perto da estação, ele te deixa lá.
— Não quero incomodar. — ela sorriu fraco.
— Dois carros que vão para lugares semelhantes incomodam o meio ambiente, . — Lana comentou. A ignorei. Fui ao quarto buscar minhas coisas e quando voltei, ela me esperava na porta de casa.
Não trocamos uma palavra até chegarmos ao carro e eu ligar o rádio. Liguei o bluetooth e conectei meu celular. Entreguei a ela.
Assim que liguei o Jeep, o rádio do carro conectou automaticamente com o celular e tocou Drag Me Down da One Direction. Quando engatei a ré para sair da garagem, gritou.
— VOCÊ OUVE ONE DIRECTION! — disse animada. — Meu Deus… Geller, você é uma caixinha de surpresas.
— Caralho, garota. Eu quase morri. — respirei fundo. Para o inferno aquela garota.
A próxima era No Control, minha música favorita da banda britânica e eu sorri.
— É minha música favorita. — dissemos juntos e depois rimos.
— Algo em comum. — ri.
— A gente também torce pro mesmo time… — ela olhou sugestiva para o meu moletom do Bruins.
Sorri fraco e prestei atenção no trânsito, cantava a maioria das músicas que tocavam e eu também. Decidi passar na padaria antes e ela concordou porque queria comprar algo pra viagem.
Quando estacionei perto da loja, rapidamente saiu do carro e me esperava impacientemente. Antes que ela pudesse reclamar, um garoto acabou tropeçando e derrubou todo seu suco em sua blusa.
— Meu Deus, me desculpa! — a mãe do menino apareceu. — O Garrett é muito atrapalhado.
— Tudo bem. — ela sorriu fraco.
observou sua blusa branca manchada pelo suco de uva e soltou um resmungo.
— Duas horas até chegar em Rhode Island com isso grudado em mim. Grande dia! — ela reclamou. Sem nem mesmo ela pedir, tirei meu moletom do Boston Bruins e entreguei a ela.
— Tira a blusa e coloca o moletom, Brinley. — entreguei meu casaco a ela.
— Você vai ficar só com essa sua camisa horrível de Harvard? — ela questionou e o insulto a minha faculdade saiu quase que naturalmente.
— Eu tô há quinze minutos de casa, você tá há duas horas. — explicitei. — Vai trocar antes que isso escorra pra sua calça.
rapidamente foi até o banheiro e eu me dirigi até a fila para fazer meu pedido. Em menos de cinco minutos ela voltou com sua blusa branca, agora roxa, em mãos.
— Obrigada. — ela sorriu fraco. — De verdade.
— Não precisa agradecer.
— Sabe, as vezes você é até agradável. — ela disse num sorriso. — Embora você xingando meu irmão seja irritante e mesmo eu defendendo a honra dele…
— Você defendeu a honra do seu irmão entortando meu nariz? — a questionei.
— Uh, é verdade. — ela tocou no meu nariz. — Eu fiz um bom trabalho.
— É claro que fez, Brinley. É claro que fez.
Ela riu baixinho como se gostasse de ver o estrago que fez em meu nariz, num sentimento quase que… Orgulhoso. Entretanto, quando ela não me xingava — ou agredia —, Brinley era uma garota legal. E adoravelmente linda. Sua calça jeans era justa e combinou perfeitamente com meu moletom largo.
Ela esperou ansiosamente que eu tomasse meu capuccino e comesse meu muffin para levá-la até a estação. Era engraçado observá-la. Ela batia com as unhas na mesa enquanto estava ansiosa e mordia o lábio inferior.
— Por que você tá nervosa? — indaguei e ela levantou o olhar.
— Eu não tô nervosa. — ela mexeu a perna ainda mais.
— Unhas na mesa, mordida no lábio inferior e a perna tremendo. — afirmei. — O mínimo que eu poderia fazer com alguns anos de faculdade de psicologia era isso, não acha?
— Eu fiz uma entrevista de estágio. — ela comentou. — É numa filial de uma empresa que trata elementos químicos.
— Você vai passar. — respondi. — Certamente é qualificada.
— Obrigada. Eu realmente espero que eu consiga esse estágio, ainda que seja a uma hora de Rhode Island. — deu um sorriso e sacudiu os braços. — É, meu Deus, eu estou nervosa demais. Você é bom nisso.
— E em muitas outras coisas, Brinley. — sorri, dando uma última mordida no meu muffin.
— Vai à merda, Geller. — ela me deu o dedo do meio.
— Sou bom no rinque, sou um cara legal, minhas notas são boas… — dei um sorrisinho. — Se você imaginou alguma besteira é porque você também quer.
manteve-se sentada na cadeira oposta a minha, como se tivesse sido congelada. Dois minutos depois, recobrou a consciência e levantou-se rapidamente. Sem falar nada, a deixei na estação e ela saiu sem dar nem tchau.
Geller 1 x 1 Brinley.


Capítulo 5



Se tinha uma coisa que eu odiava mais do que perder, era a semana de provas. Sim, definitivamente. Apesar de saber que eu estava prestes a me livrar de ter aula com o pai de Justin Trunter, o anticristo em pessoa, eu odiava me sentir ansiosa. Eu já tinha uma seleção de estágio para me preocupar e agora eu também lidaria com as diversas matérias que eu havia puxado naquele semestre.
— Fala, gostosa. — Tyler apareceu em meu quarto e se deitou na minha cama. — Vamos beber?
— Não dá… — disse irritada. — Tenho prova amanhã.
— Que merda, pai do Trunter?
— O próprio anticristo. — comentei.
Meu melhor amigo gargalhou e veio até mim para me dar um beijo na cabeça. Tyler se despediu em silêncio e me deixou estudar. Eu amava química e não era atoa que era uma das matrizes do meu curso, mas o Sr. Trunter fazia tudo ruim. Tudo que ele tocava estragava, apenas porque eu e Justin não tínhamos dado certo. Antes, ele até me incentivara a fazer o curso que faço.

… — Justin apareceu na porta de casa quando eu estava chegando da escola. — Por favor. Eu não tenho nada a ver com isso, eu juro. Os garotos me chamaram e eu fui, eu bebi e fiz besteira. Mas eu jamais pensei que iam chegar stripers. Alissa apareceu logo depois. Eu estava bêbado.
— Por Deus, Justin! — gritei. — Sai! Eu não quero saber de você mais, vai pra lá com seus amigos, as drogas que vocês usam e tudo que é ruim pra longe de mim. Você já me quebrou o bastante.
apareceu na porta assim que ouviu meu grito e isso fez com que Justin fosse embora. Eu me sentia suja por algo que nem mesmo tinha feito. Justin havia se juntado com os garotos do time de futebol americano e eles reservaram stripers, drogas e depois ele ficou com uma garota aleatória de outra escola. E eu descobri isso tudo por um vídeo na internet. Grande dia.
Se eu pudesse mudar alguma coisa em minha vida, seria de longe a parte em que aceitei namorar com o cara mais babaca que existia no universo e eu jamais cometerei esse erro novamente.


Na manhã seguinte, eu cheguei na sala de aula faltando quinze minutos para prova. Embora o senhor Trunter estivesse na sala, ele só a destrancaria às oito da manhã. Metódico, eu diria.
havia passado no meu prédio para me desejar bom sorte antes do treino, junto com Tyler. Eu ia me livrar de Trunter naquela manhã. E eu estava ansiosa. Podia ouvir a batida das minhas unhas no banco de madeira e também sentia o quanto minha perna tremia. Exatamente como havia dito. Para o inferno, Geller, Brinley! Você está prestes a fazer uma prova. Tenha piedade de si mesma.

Hannah: E VAMOS NOS LIVRAR DESSA PRAGA DE HOMEM! Não aceito menos que dez. Te amo!


: só uma palavra e o time de hóquei dá um sustinho no velhote. Arrasa. Clarie deseja boa sorte.


Tyler: eu vim aqui desejar que você quebre uma perna (que nem fazem no teatro), mas eu adaptei: QUEBRE UM ERLENMEYER! Te amo.


Minhas melhores amigas, meu melhor amigo e meu irmão tinham me desejado boa sorte e eu estava pronta. Eles sempre me apoiaram. Eu ia me dar bem nessa prova sim. John Trunter não faria mais parte da minha vida.
Às oito em ponto, o Sr. Trunter abriu a sala e me dei o privilégio de sentar na primeira fileira, assim, eu poderia fazer a prova calmamente sem ter alguém me enchendo o saco pedindo cola.
Como sempre, em sua arrogância máxima, John Trunter leu a prova em voz alta e explicitou exatamente o que queria e eu dei graças a Deus, pois sabia cada pedaço daquela prova. Por Deus, depois dali eu nunca mais veria aquele homem dentro de sala. Em uma hora e meia de prova, coloquei todo meu conhecimento em três folhas de papel almaço e entreguei a ele. Lana já havia saído e eu presumi que fosse se encontrar com Angelina, já que era sexta-feira. Assim que saí, decidi andar pelo campus e ir até o rinque.
Quando cheguei lá, o treinador Graham gritava raivosamente com Fred, nosso goleiro. É, ele estava com os nervos bem alterados. me viu e aproveitou a parada para vir falar comigo.
— Dez? — ele sorriu.
— Tomara! Estava tranquila até. Eu sabia fazer tudo, agora, se acertei, são outros quinhentos. — dei risada. — A Lana saiu cedo também.
— Preston está aqui? — ele procurou na arquibancada.
— Claro que não. Ela deve estar indo ver Angelina em Cambridge. — comentei. — Então eu vim assistir o treino de vocês com a esperança que, no fim, Steve Graham me deixe patinar.
— A resposta é não se em dez segundos seu irmão não estiver na posição dele. — Steve sorriu e me abraçou pela cintura. Ele apitou e deu o face-off. — Eu vou matar esses garotos, .
— Eu permito! Assim a casa fica toda pra mim e eu viro filha única. — sorri.
— Quando me falaram que treinar um bando de marmanjo universitário ia ser ruim, eu não imaginava que ia ser tão ruim.
— Olha como você é exagerado. — dei um risinho baixo. — Peter, pro banco. Você tá atrasando o jogo do Kyle. Dois minutos.
Peter olhou para o treinador como se ele fosse se opor, mas Graham sorriu e deu de ombros. Eu tinha conhecimento suficiente no hóquei para reconhecer uma penalidade. Afinal, eu cresci no hóquei por causa de .
— Ela quem manda. — ele riu. — Se você fizer isso no jogo contra Harvard, eu juro por Deus que eu acabo com a sua raça. Jared Whittier é muito ágil pra te arrancar o puck facilmente.
Delay of game, baby. — dei uma risadinha e Peter me deu o dedo do meio. Meus amigos eram incríveis, não é mesmo? — Treinador, o senhor viu o jogo de Harvard? O goleiro deles é incrível. Não é melhor que o Fred, é claro.
— O terceiro power play para eles foi muito bem aproveitado. — ele comentou. — Joguei com Greg Lodge, já te contaram?
— Sim, me contou. — sorri. — Embora você seja um deles, eu gosto muito de você.
Fiz careta e o treinador riu.
— POWER PLAY PARA O TIME DE AZUL. , cinco minutos no banco pelo hooking. — gritei e resmungou.
— Se você não quer um power play, Brinley, não cometa penalidades!
, se a engenharia não der certo, te indicarei como treinadora de hockey. Você é muito perceptiva.
— Eu jamais poderia ser treinadora, eu ia cometer várias penalidades contra meus próprios jogadores. — sorri.
— Já consigo até imaginar. Brinley deixa equipe de hockey após agredir central do time universitário, Brinley, várias vezes com o taco. — Steve gargalhou. — Uma ótima manchete.
— Desculpe te decepcionar, poderoso chefão, mas eu prefiro lidar com o meio ambiente.
O auxiliar técnico de Steve apareceu e eu fui deixada liderando o rinque por um tempo. Faltando poucos segundos para acabar o jogo, adentrei o rinque e patinei até chegar em Tyler.
— Corrida de gol em gol? — sorri. — Eu te pago uma rodada de cerveja. Se eu ganhar, você me paga.
— Pode apostar. — ele sorriu e foi até o gol mais próximo de nós.
— Um, dois, três e já! — deu a partida e em menos de um minuto eu já estava encostada na outra beira do rinque, com Tyler emburrado.
— Eu acho uma graça quando você faz esse biquinho. — sorri. — Te pago a cerveja mais tarde.
Os meninos foram se dispersando do rinque e eu patinei por um tempo mais enquanto podia. Sempre gostei de estar no rinque e quando era pequena havia feito patinação no gelo. Depois de uma hora relembrando a infância, o pessoal da equipe de limpeza do rinque veio tratar o espaço e eu tive que me retirar, em um bom tempo para atender ao telefone que tinha cinco ligações perdidas.
Alô? — atendi.
Boa tarde, é Brinley quem fala? — a mulher na linha perguntou.
Sim, ela mesma. Quem deseja?
— Sou a secretária da Bayer. Estamos ligando porque precisamos que você compareça em nosso escritório até às 17h para fazer a entrevista final.
— Ai, meu Deus, ai, meu Deus! — disse animada. — Estarei aí o mais rápido possível.
— A Bayer agradece seu compromisso.
— MEU DEUS, MEU DEUS, MEU DEUS! — gritei animada. Era minha vaga.

Meio dia e meia eu já estava em Cambridge para minha entrevista final. Havia ligado para secretária e marcado minha reunião com a chefe de processos inorgânicos às 14h. Dava bastante tempo para almoçar. Decidi ir a um restaurante próximo que Justin já havia me levado. Era bom e barato. Assim que entrei, me deparei com Anna e sua melhor amiga, por Deus, eu não podia encontrar aquela garota em outro dia? Coloquei o moletom que havia trazido e me encolhi no canto do local, tentando não ser vista. Assim que terminei de comer, Caitlin e Anna vieram até mim para me infernizar.
— Olha só, parece que Cambridge está ficando mal frequentado. — Caitlin deu uma risadinha. Anna segurava um copo longo que eu torcia que ela mantivesse longe de mim.
— Sempre esteve, não é? — indaguei. — Afinal, as duas maiores marias patins residem na região.
— Você é muito engraçadinha, Brinley. — Anna riu. — Você já tomou banho hoje?
Para o inferno essas garotas. Rapidamente, dei um tapa no copo de Anna e gargalhei ao ver quem atingi: Geller.
— Meu Deus, me desculpa. — dei um sorrisinho sem graça. — Preciso ir, entrevista na Bayer.
Anna rapidamente se juntou ao time de hockey e eu me dirigi à saída do local.
— Ei, você quer carona?
— Vai se secar, . Tá frio e eu tô atrasada.
— Água seca rápido. — ele comentou.
— Qual é, tá fazendo treze graus. — chamei sua atenção. — Se bem que, né, faltam duas semanas pro jogo. Se eu jogar mais água você fica fora do jogo? — brinquei.
Ha ha ha. — ele deu uma risada forçada. — Só assim pra vocês ganharem.
— Acho que não, hein. Meu Deus, esse é o pior lugar do mundo pra pedir um Uber! — resmunguei.
— Vamos logo, eu te levo. Eu nem ia ficar aqui mesmo. — ele me puxou pelo braço. — A Bayer é quase que do lado de casa.
No caminho, me deu acesso a sua playlist e em quinze minutos estávamos na porta da empresa. Meu Deus, 15 minutos pra entrevista final. Eu vou surtar.
— Não surta, . — ele apertou minha mão num ato gentil. — Você já chegou até aqui. Vai conseguir.
Como diabos aquele homem conseguia decifrar tão bem o que meu corpo dizia? Ok, aquele não era o momento para pensar nisso. Eu precisava focar em tudo que eu queria naquele exato momento.
— Eu tô com medo, meu Deus. — disse exasperada. — Eu não quero ir. Me leve pra estação, eu vou pra casa.
— Para o inferno que você vai pra casa, . — ele me deu um sorriso encorajador. — Você vai entrar por aquela porta, vai recitar toda tabela periódica pra seja quem for e vai conseguir esse estágio.
Dei risada com a ingenuidade de .
— Obrigada, . — disse e abri a porta. — Mil vezes.
— Achei meloso esse apelido, mas vou deixar porque você tá nervosa.
— Vá à merda, Geller. — falei baixinho e ele riu.
— Boa sorte. — ele sorriu.

Charlotte Fletcher era a mulher mais encantadora que eu havia conhecido. Delicada e gentil, Charlie, como havia me mandado chamá-la, me mostrou o que eles desejavam de um candidato e como eu me encaixava nos requisitos. Sim, eu definitivamente amava aquela mulher. Ela me apresentou os laboratórios da ala inorgânica e eu estava apaixonada.
A parte em que eu me perdi, de fato, continha todo maquinário químico e eu certamente adoraria ficar lá por horas.
— Bom, senhorita Brinley, isso foi apenas uma formalidade. — Charlotte disse.
— Pode me chamar de . — sorri fraco. — Eu estou encantada com esse lugar. Sempre quis estagiar numa empresa com tamanha referência quanto essa aqui.
— Então se considere contratada, . — ela sorriu e eu arregalei os olhos.
— Você não vai pedir nem mesmo uma análise laboratorial?
— Antes de a senhorita entrar na minha sala, eu estava checando seu boletim online. — ela comentou e deu um risinho. — Sou ex-aluna de Brown e tenho certeza que alguém que consegue tirar A na matéria de John Trunter consegue fazer uma análise laboratorial muito bem.
— Meu Deus! Eu tirei A no Trunter?! — exclamei. — Hoje é o melhor dia da minha vida, eu nem sei o que dizer.
— Brincadeiras a parte… Preciso que você me mande seu horário da faculdade para eu ajustar a sua grade. — ela sorriu. — Seja bem vinda a Bayer, Brinley.
— Muito, muito obrigada! — disse animada.
Em quinze minutos o meu crachá de funcionária da Bayer estava pronto e meus documentos já estavam no RH, tornando minha vida imensamente melhor. Certamente, dois coelhos numa cajadada só: John Trunter e emprego novo.
Rapidamente liguei para os meus pais, meu irmão e meus amigos para contar a novidade. Quando saí da empresa, deparei-me com uma grande espessura de neve do lado de fora e decidi mandar uma mensagem para Lana e Angie pedindo abrigo. Rapidamente, me avisaram que estavam fora da cidade e que resolveriam meu problema.

Lana: A estação está fechada. Angie falou com o . Ele prometeu não encher seu saco e nós prometemos que seria nosso segredinho.
Lana: E se o perguntar… Você está conosco.
Lana: Angelina disse que se ele fizer alguma besteira com você, é só você ligar que ela acaba com a raça dele.
Lana: Ah! Ele está a caminho.
: VOCÊS O QUÊ????
: Pior. Casal. Do. Mundo. Todo.

Antes que pudesse xingá-las, ouvi um carro buzinar e vi estacionado perto da calçada. Hesitei em entrar, mas o frio fez com que eu mudasse de opinião rapidamente. E lá estava o salvador da pátria, de novo…
— Parabéns pelo estágio. — ele sorriu.
— Muito obrigada, . Por tudo. As caronas e o abrigo.
— Só estou fazendo um favor para uma amiga.
— Sim, claro! Nossa relação de ódio segue intacta. — brinquei (ou não).
— Sim, certamente. Só temos um problema. — ele deu um sorriso murcho. — Só temos uma cama e você não pode dormir na sala por causa do Jared.
— O Whittier não tem um quarto pra ele? — o questionei.
— Sim, mas ele e a Natalie não ligam muito de fazer sexo na sala, na cozinha, na mesa
— Céus… Eu durmo no chão do seu quarto então.
— Eu durmo, não tem problema. — ele comentou e aumentou o aquecedor só ver que eu batia o queixo de tão frio que estava.
Assim que chegamos a casa, me ofereceu uma calça e uma blusa.
— Não vou te oferecer um moletom porque você já tá com o meu. — ele riu.
— Verdade, prometo devolver. — sorri.
— Já vi essa história antes, . — ele comentou — E eu terminei sem minhas roupas.
— Eu não sou ladra. — disse num esganiço.
— Acredito em você. — ele me deu uma piscadela e fez sinal para que eu o seguisse. — Você pode se trocar no meu banheiro, o social tá com a trinca quebrada.
Quando fui me trocar, me deparei com o erro que eu havia cometido. Ficar numa casa com um inimigo-gostoso em potencial? Sério! Eu era uma piada. O banheiro de Geller era meticulosamente arrumado. Por morar com homens, eu esperava o pior sempre. Mas ele era organizado e limpo — para os padrões que estabeleci com os homens com que morava. E pensando em Geller, eu tive uma epifania. Ele foi o primeiro garoto que deu em cima de mim tendo consciência de quem eu era e de todo jeito arcaico com o qual eu era tratada. Ser a joia do time de hockey fez com que os meninos me tratassem como propriedade. E homens protegiam suas coisas. Eu era uma coisa?
— Tudo bem aí? — deu duas batidinhas na porta e saí de meus devaneios. Assim que abri a porta, ele estava lá como um soldado, como se estivesse pronto para arrombar a porta.
— Sim. — sorri fraco. — Posso te fazer uma pergunta?
— Sim. — ele voltou para cama e eu me sentei ao seu lado.
— Você tem medo do meu irmão? — enrolei meus pés na coberta.
— Quê? — ele perguntou confuso. — Que tipo de pergunta é essa?
— Ok, ignore o cenário “jogadores inimigos de hockey”. — disse angustiada. sentou-se, então estávamos bastante próximos. — Você teria interesse em mim se soubesse que eu sou irmã de um jogador de hockey famoso e sou considerada o amuleto da sorte do time inteiro?
— Não, de jeito nenhum. — ele foi sincero. — Não por causa do time, mas eu não vacilaria com você. Afinal, apanhar de seis contra um é muito injusto, tirando isso… Você é uma garota que merece um cara legal. Eu nunca namoraria com você.
— Você é um cara legal.
— Está insinuando que eu deveria namorar você? — disse num tom brincalhão e eu corei.
— Não. — dei uma risadinha. — Mas se você não odiasse meu irmão, eu certamente me atrairia por você.
— Você teria um gosto melhor, . — ele sorriu. — Eu aposto.
— Justin Trunter é meu ex namorado. — disparei e apertei os olhos, como se aquilo fosse motivo de vergonha. E eu até diria que era.
Ele gargalhou. Ótimo, agora ele ia fazer piada.
— Você namorou aquele cara? — perguntou e parecia desacreditado.
— Um desperdício de tempo, né? — soltei uma lufada de ar. — Ele foi um babaca, afinal de contas.
Babe, ele é um babaca. Essência natural. — ele riu. — Mas, vamos. Assistir algum filme seria bom.
— Eu esperava mais piadinhas sobre meu relacionamento, Geller.
deu uma risada rouca e eu me arrepiei por completo. Céus! Eu conseguia sentir seu hálito quente no meu rosto e podia ouvir seus batimentos de tão próximos que estávamos. O central do time de Harvard encarava minha boca como se quisesse me beijar. sorriu para mim, colocou sua mão em meu pescoço e se aproximou. Ele ia me beijar? Como se lesse meu pensamento, Geller me respondeu.
— Eu poderia. — falou baixinho. Era quase um sussurro. — Mas eu seria tão babaca quanto seu ex.

Delay of game:uma maneira de atrasar o jogo. Implica numa penalidade minor, que é bem leve (geralmente o jogador fica dois minutos fora de jogo).
Hooking:tentar segurar o adversário com o taco. Pode gerar uma minor OU uma major. Depende da gravidade e da má intenção do jogador.
Power play:a equipe adversária recebe a oportunidade de um homem de vantagem por um determinado período. Este dura o tempo que durar a penalidade.


Capítulo 6



Brinley era alguém que acabava com as minhas faculdades mentais. O jeito em que ela se movia me chamava atenção, o modo com o qual ela encarava alguém era malicioso e a maneira que ela sorria era linda. Beijar aquela mulher era quase que um teste de sanidade e ansiedade.
não precisava de muito para conquistar alguém. Embora eu não a tivesse beijado, aquilo era demais pra mim. Eu não faria mal àquela menina e, ainda mais, não arranjaria sarna para me coçar. Ela era irmã de Brinley.
ficou em silêncio grande parte do caminho, até que estremeceu quando um trovão soou. Para quem estava há quase um metro de distância de mim, seu pulo poderia ser de alguém que concorria nas Olimpíadas.
A chuva forte garantiu que a luz caísse no momento em que ela se colocasse ao meu lado. Sem meu celular, não tive a chance de ligar a lanterna, mas ela já tinha o feito, segundos depois da luz acabar.
… — a chamei. — Você tem medo de chuva?
— N-não. Só de trovão. — ela sussurrou. — Desde pequena.
A sala foi iluminada por, além da lanterna de seu celular, um raio. se encolheu e ela tremia como se estivessem encarando uma das coisas que mais temia.
— Vou ver se temos velas. — tentei me levantar, mas a loira se agarrou em meus braços.
— A gente pode ficar aqui com a minha lanterna. — sua voz era trêmula.
— O que aconteceu pra você ter tanto medo assim? — perguntei baixinho. — Apesar de ser um medo normal.
— Choveu muito na noite que meu avô faleceu. — ela respondeu. — Eu sei que foi o câncer que o matou e não os trovões, mas…
— Você associa os fatos e eles te lembram essas coisas. — acariciei seu braço. — Tá tudo bem.
ficou em silêncio por um tempo e eu a respeitei. Quando a luz voltou, a televisão voltou a passar o programa da ESPN que estávamos assistindo. A loira não saiu do meu lado, assim como o mundo acabando de chuva lá fora continuava.
— Esse foi um gol bonito. — ela comentava sobre o gol do ala esquerdo do Calgary Flames.
— Sim, é verdade. Mas o gol mais bonito dessa rodada foi o primeiro gol do Blackhawks contra o Minnesota Wild.
— Foi 7 a 1 pra eles, né?
— Sim, eu e o J estávamos vendo. Foi um massacre total.
— Estava ocupada estudando. — ela ficou quieta. Pouco tempo depois, ainda em silêncio, senti o corpo de relaxar sobre o meu. Esperei o programa da ESPN terminar para levá-la até minha cama.

Dias depois da prova de psicologia da educação, os resultados saíram e eu tive que voltar para Harvard para buscar a prova. O dia estava nublado, como sempre, mas o frio havia sumido. Quando saí do meu prédio, pude ver Justin Trunter estava importunando uma garota. Eu ia ignorá-los, mas pude ouvir ela dizer "pare" e "me largue".
— Me deixa em paz, pelo amor de Deus, Justin. — ela rosnou. Reconheci aquela voz de longe. Brinley.
— Qual é, gata. Sabemos que somos mais legais juntos.
— Somos mais legais com você há um milhão de milhas de distância de mim. — ela disse irritada. — Me deixa em paz! Eu só tô esperando minhas amigas e não quero companhia.
Justin a segurou e foi minha vez de intervir.
! A Lana mandou eu vir te buscar. — menti. — Aconteceu alguma coisa?
— É só o babaca do meu ex-namorado.
— Vocês são amigos agora? — Trunter indagou risonho. — E o sabe disso?
— Não somos nada. — ela respondeu irritada. — E o que você tem a ver com isso, merda? SAI.
Quando gritou, Trunter se assustou e foi embora.
— Uau. — foi tudo que consegui dizer.
— O que você quer comigo também? — ela rosnou. — Eu já te disse que não é pra chegar perto de mim, inferno. Você é um babaca e acha que está me usando para vencer o jogo contra Brown, o que não é o que vai acontecer.
Ela não precisava de mais para me magoar, porque já havia o feito. Brinley era, de longe, uma pessoa inteligente e burra.
— Eu quero tanto desestabilizar o seu irmão que ele já sabe que você tem convivido bastante na minha casa, não é? — perguntei. — Se eu quisesse que ele soubesse de alguma coisa, eu mesmo me certificaria que recebesse essa informação de mim.
Ela ficou em silêncio por um tempo.
— Você tem razão, . — ela abaixou a guarda. Tarde demais. — Me desc…
— Tô indo embora. Espero que suas merdas se resolvam.

Os treinos estavam a mil e eu estava morto. Desde meus seis anos de idade eu estou acostumado a treinar intensamente, mas enfrentar a Universidade de Brown era uma briga maior que o hockey. Na temporada passada nós não fomos para o Frozen Four junto deles e Brinley foi responsável por grande parte da vitória que os fez chegar lá. Enquanto isso, eu, junto de todos do time, lutei para fazer o time de hockey decolar. Era uma obrigação chegarmos ao Frozen Four e, consequentemente, ganharmos.
— Quero todos concentrados. — o treinador Lodge disse. — Geller, ótimos lances hoje. Espero que você assuste Tyler Vaughn da mesma maneira que assustou nossos defensores. Bom trabalho, time. Treinem mais algumas passadas de disco, quero essa troca de passe perfeita para o jogo.
Não precisamos de nada mais. O time inteiro se dividiu em duplas e diversos pucks foram jogados no rinque. Jared, como sempre, era minha dupla e me encarava com o semblante preocupado.
— O assunto Brinley ainda existe? — ele me questionou.
— Claro que sim. Eu vou acabar com o no jogo.
— Me refiro ao Brinley mais legal… No caso, a Brinley. — ele abaixou o olhar. — Ontem ela estava no Chuck's. Beijou três.
— J, adorei o fato de você se preocupar com a minha integridade, mas não temos nada. — afirmei.
— E o que explica você não estar mais com as mulheres na sua cama desde que Brinley esteve lá?
— Hockey. Eu vou me concentrar nisso nas próximas duas semanas. Só nisso. — disse com o tom tenro. — Ela é legal mas me tira das minhas faculdades mentais.
— Yup, você sente algo por ela.
— Você tá maluco.
— Maluco está você. Olha o problema que você me arranja. Você vai apanhar de um time de hockey inteiro. — ele disse preocupado e eu ri.
— Não se preocupe comigo, J. — sorri. — Mas obrigado.
Apesar de ter 1,90m, braços musculosos demais e um físico de assustar, Jared odiava brigas. Entretanto, eu sabia que se precisasse do meu melhor amigo para quebrar alguns caras, ele estaria lá. Ainda que fôssemos contra violência, brigaríamos um pelo outro.
— Kappa Beta Nu hoje, hein. — Bryant apareceu entre nós logo após o treino.
J e eu trocamos um olhar cúmplice e sorrimos. Lana era daquela fraternidade — apesar de não morar com elas. Por volta das dez, Jared e eu saímos de casa e fomos até a cada das Kappas. Lana já havia me mandado mensagem avisando que estava lá. Quando entramos na rua, o som já estava alto o suficiente para incomodar os vizinhos.
Sem beber. Amanhã temos treino. — Jared mandou áudio no grupo do time e eu ri. Ele era realmente um pai.
A casa estava lotada de gente. E quando eu digo lotada, era lotada mesmo. Não era normal termos festas de fraternidades em dias de semana que não sejam sextas. Pude ver Angie e Lana conversando num canto, enquanto Anna e Caitlin me encaravam do lado oposto da sala. Minha melhor veio saltitante até mim.
— Você veio! — ela sorriu.
— Yup! — a beijei na cabeça. Lana me encarava feio de onde estava, e logo uma loira se juntou a ela. Angie murmurou algo que eu não pude ouvir e me puxou até a aniversariante.
— Oi, Lana. Feliz aniversário. — fui educado.
— Obrigada, Geller. — a mulher negra fechou a cara pra mim. Não que em algum momento Lana Preston fizesse questão de ser legal comigo. Acho que era um problema em geral que os alunos de Brown tinham. — Bom, vou ficar com o pessoal. É isso, boa noite. Aproveite seu dia.
O olhar de não cruzou o meu em momento algum e eu me senti grato. Odiava ser tratado com grosseria, ainda quando eu tentei ajudá-la. Sim, não era meu assunto, mas ninguém merece Justin Trunter no seu pé.
J e Nat estavam conversando animadamente e Bryant veio me arrastar para um beerpong de cerveja sem álcool.
— Que besteira é fazer um beer pong sem álcool? — pude ouvir uma menina resmungar.
— É a terceira notificação da reitoria que recebemos sobre o teor alcoólico das nossas festas. — Lisa, uma das meninas da Kappa Beta Nu, replicou.
— Abram alas para o campeão de beer pong. — Bryant sorriu e vi Justin torcer a cara do outro lado da mesa.
— É o seguinte, garotos. — ela sorriu. — Quem perder escolhe um desafio ou uma prenda pro adversário. Mas é preciso fazer seus desafios antes.
— Se eu ganhar eu quero que o bonitão do hockey vire um galão de cerveja de cabeça pra baixo. Mas cerveja de verdade.
— Amanhã tenho treino. Tô fora. — dei de ombros. Angie, Lana e se aproximaram da roda e Trunter sorriu.
— Beija ela, então. — ele sorriu.
— Ela quem? Já viu quantas mulheres têm ao redor da mesa?
— Você sabe de quem estou falando. Cabelos loiros, bunda gostosa e peitos maravilhosos.
— Nojento! — gritou.
— Se você falar dela assim de novo eu juro que eu ignoro minha personalidade que é contra violência. — J resmungou. — E você sabe, jogador de hockey. Cheio de ódio. Nunca bati em ninguém no rinque nem fora. Você quer ser o primeiro?
encarava Justin com ódio em seus olhos. Logo depois ela me encarou. Como se concordasse com a aposta.
— Se eu ganhar, você não se aproxima mais dela. — sugeri e todos que estavam ao nosso redor soltaram murmúrios. — E você sabe... O que acontece aqui, fica aqui.
— Eu não vou fazer isso! — ele gritou.
— Por que, Justin? — ela falou pela primeira vez. — Você não se garante?
Justin resmungou algo e Lisa interviu.
— Bom, o desafio é uma lei no campus. Se vocês decidirem isso, você terá que beija-la se perder. — apontou pra mim e depois para Justin. — E você não falará com ela.
— Fala sério! Por que uma menina que nem estuda aqui virou pauta dos nossos jogos? — Anna reclamou.
— Porque ela é relevante. Diferente de alguém. — Lana revirou os olhos e alguns soltaram risadinhas. Esperavam que alguns de nós colidissem. E explodíssemos. Tinham doze copos para cada um.
Trunter acertou a primeira bolinha logo na frente. Bebi um copo. Tática de idiota. Não se começa pela frente. Comecei mirando nos copos de trás, e acertei. Trunter bebeu tudo. Ele errou a próxima. E eu também. A próxima, ele também errou. Para sua desvantagem, ele já estava bêbado — ou chapado — com algo que usufruiu antes da festa. Vantagem para mim. Das próximas rodadas, as que ele errava, eu também errava. As que eu acertava, ele também acertava. Entretanto, no meu penúltimo copo, Trunter errou. 2x1 para mim. A tensão era grande. Não que eu não quisesse beijar . Mas queria que ela quisesse me beijar livremente. Mirei a bolinha no copo e respirei fundo. Estava levando aquilo muito a sério, afinal, eu era competitivo. Assim que eu a joguei, a bolinha girou várias vezes antes de, definitivamente, cair no líquido amarelado.
ganhou. — Lisa gritou animada. — Isso significa que se você quebrar o desafio, Geller vai poder fazer o que quiser — sem violência, é claro — contra você.
— Se eu souber que você se aproximou dela, o time de hockey da Brown vai lidar com você. E nem vou precisar de muito esforço, Trunter. — sorri.
ainda me encarava. Quando a brincadeira idiota acabou, fui até o jardim.
— O que foi aquilo? — ela resmungou.
— Ah, oi, . — bufei. — Veio me agradecer? Ao menos, aprendeu como se faz isso?
— Eu não sou sua propriedade pra ser protegida.
— Em momento nenhum eu disse isso. — resmunguei.
— Então não me trate como uma. — ela disse e eu assenti.
— Quer que eu fale com ele, então? Desisto dessa brincadeira toda.
— Céus! Pare de brigar comigo como se isso fosse culpa minha! — ela gritou. — Você me irrita.
— Eu te irrito? Tudo que eu fiz agora foi te ajudar.
— E NINGUÉM TE PEDIU. — ela gritou.
— Já entendi! Desculpa! Você me deixa louco e, definitivamente, não é do jeito bom, maldito inferno. — passei a mão pelos cabelos.
— Eu te odeio, . Com todas as forças do meu corpo. — ela gritou e eu me irritei novamente. Para o inferno toda essa situação. A segurei pelo braço e, graças ao seu impulso, veio para cima de mim.
— Para de gritar. — respirei fundo e a soltei.  — Você está irritada. Fui um idiota e te tratei como objeto. Você não é um. Se você quiser que eu acabe com essa brincadeira, é só pedir.
— Eu te odeio! — ela resmungou e começou a bater em meu peitoral. — Não quero estar perto de você, não gosto de você!
Sem que eu pudesse dizer algo, me deu um beijo. Diferentemente de como eu pensava o nosso primeiro beijo — espera, eu pensava em primeiro beijo? —, esse foi agressivo. Era como se ela quisesse depositar em mim toda raiva que estava sentindo. Ainda assim, era o beijo que eu mais gostei em toda minha vida. É, eu definitivamente estava afim daquela garota. Nunca desejei alguém como desejava . Antes que eu pudesse dizer algo, ela entrou na casa e me deixou sozinho no jardim. E aquela foi a última vez que interagi com ela.

Poucas fases da minha vida exigiram que eu jogasse hockey com raiva. Cinco dias se passaram desde que o furacão passou por mim. E eu não falava nada com ninguém.
— Cara, vai com calma. — J apareceu em meu campo de visão. — Você vai acabar com a nossa raça!
— Foco, Jared. Foco. — resmunguei.
— Você está tudo, menos focado. Você só bate. — Fred, do gol, interviu.
— O que houve com você, ? — o treinador se meteu em nossa conversa. — Tire o resto da tarde de folga. Esfrie a cabeça e volte amanhã, filho.
Sem dizer mais nada, saí do rinque. A única pessoa que sabia o que havia acontecido era Jared e eu sabia que meu segredo estava a salvo. No vestiário, Hailey me mandou mensagem.

Hails: Oi
Hails: Aconteceu alguma coisa pra você me ligar?
: O que você faz pra relaxar quando tá estressada demais?
: A ponto de surtar, mesmo sem saber o motivo
Hails: Sexo
: É demais pra mim pensar em você fazendo essas coisas, Hails
Hails: Mas eu faço… Inclusive com pessoas do seu time, cap.
: O QUE
Hails: Lide com a realidade… Não é como se eu estivesse afim de alguém de Brown.


E como o bastardo que eu sou, não a respondi e entrei no perfil da menina que havia despertado meu interesse. Brinley.
— Você é um merda, Geller.


Capítulo 7


Acordei da minha soneca da tarde com os gritos na casa de Angie. Era estranho acordar e ter a sensação de ressaca, sem mesmo ter bebido uma gota de álcool. Quer dizer, eu bebi aquela cerveja sem álcool horrorosa, então não havia motivo para ressaca.
— O que houve? — eu perguntei e minha voz saiu rouca.
— Vocês se beijaram? — Lana perguntou. — Ele te forçou?
— O quê? Eu já disse que ele não forçaria. — Angie resmungou irritada.
— Vocês estão brigando por que mesmo? — cocei os olhos.
— Ele me contou. — Angie disse sem olhar nos meus olhos. Como se ela tivesse medo de que aquilo fosse confidencial. — E eu contei pra Lana. E ela disse que ele te forçou e, por Deus, eu cresci com ele. Não pode ter feito isso.
— Claro que poderia! — Lana interviu. — Ele é homem. Eu não acredito que isso tá acontecendo.
— Eu o beijei. — disse, por fim. — Se alguém tem que se sentir violado, esse alguém é ele.
— Você o beijou? — Lana falou baixinho, como se aquilo fosse uma surpresa.
— Qual é! Você não é a única que pode se apaixonar por alguém de Harvard. — Angie me defendeu. Mas ainda assim estava errada.
— Eu não estou apaixonada, por Deus. — falei. — Foi uma coisa do momento.
— Então não vai ser um problema pra vocês fingirem que tá tudo bem, né? Hoje é aniversário da Miranda, Lana vai comigo. Você deveria vir.
— Quem é Miranda?
— Mãe do . — Lana falou. — Ela praticamente criou a Angie também.
— Eu posso ficar em casa. — disse baixinho. — Além disso, eu tenho que ir pra Rhode Island amanhã bem cedo.
— Vamos, . — ela pediu baixinho. — Você é melhor amiga da mulher que eu pretendo me casar! Eu preciso que você também seja aprovada.
— Eu ser aprovada?
— Você é como se fosse namorada dela também!
— Ew! — Lana e eu gritamos juntas.
— Vamos! Miranda vai te adorar. — Angie disse animada.
— Tudo bem. Vou só porque não tenho aula hoje.
— Vai se arrumar! 
Meia hora depois, eu estava pronta esperando por Lana e Angie. Elas sempre demoravam a se arrumar e eu ficava na espera.
— Eu amo a sua calça branca, . Queria vestir seu tamanho para roubá-la às vezes. — Angie riu.
— Vou me lembrar disso no seu aniversário e comprar uma pra você. — dei risada.
— Vamos, vamos! — ela disse animada e puxou eu e Lana para fora do apartamento.
Devido suas experiências anteriores, Lana não estava tão animada com esse encontro de família. A pouca família que tinha — sua tia —, a abandonou assim que a viu beijando uma mulher. Para sua sorte, estávamos prestes a vir para Brown quando isso aconteceu. E, desde então, o mais próximo de família que ela tinha era eu, meus pais e .
O caminho foi rápido e eu tinha certeza que eu não deveria estar lá. Ainda mais quando quem abriu a porta foi Geller.
— Mãe, elas chegaram. — ele gritou e nos deu passagem.
— Sejam bem vindas, meninas. — o Sr. Geller disse sorridente. — Venham, o jantar vai ser servido em minutos. Mamãe, ela está aqui.
Uma senhorinha veio correndo e abraçou Angie. Ela sorriu para mim e para Lana, que ainda estava desconfortável. Hailey Geller, a irmã mais velha de , me encarava feio. Será que ele também havia contado que tínhamos nos beijado?
— Oi, meus amores! Sintam-se em casa. Venham jantar. — Miranda nos levou até a mesa, que estava cheia de comida. — Eu não sabia o quanto vocês comiam, então fiz comida extra.
— Bom, pode lidar com o extra se não quisermos. — Lana brincou e eu fiquei envergonhada.
— Eu nem como tanto assim. — resmunguei e minha melhor amiga e Angie me encararam.
— Mas você é tão magrinha... — o mais velho dos Geller comentou.
— E come por dois jogadores de hockey, Joe. — Angie falou e eu queria ir embora ali mesmo.
— Ela nem deve comer tanto assim, você é exagerada. — comentou. 
— Por que ela está na nossa casa, afinal? — Hailey perguntou.
— Porque eu a permiti. — Miranda interviu.
— Acho melhor eu ir embora... — peguei minha bolsa. — Feliz aniversário, Miranda. Foi um prazer conhecer a todos.
Dirigi-me até a saída da casa e peguei meu celular pra chamar um carro pra ir para estação de trem. Eu voltaria pra casa hoje, nem que eu pedisse para vir me buscar.
... — Lana veio atrás de mim. — Aquela garota sabe fazer uma cena.
— Eu vou embora, Lana. — sorri fraquinho.
— Você quer que eu vá com você? Eu não me incomodo.
— Isso é importante para Angie. — a abracei. — Fique. Mostre pra eles o quão maravilhosa você é, um dia você vai ser parte da família.
— Não quero fazer parte da família se os irmãos vierem juntos. — ela disse e eu ri.
— Não tem problema, meus sobrinhos vão sempre ter a tia favorita e serei eu. — brinquei. — Eu vou pedir um carro para me levar pra casa.
— Eu te levo. — apareceu na varanda da casa. — Ordens da matriarca.
— Insuportável. Vou voltar pra dentro, tá frio e eu tô sem casaco. — Lana disse e fez uma careta para . — Me avise quando chegar a casa, .
— Eu vou. — apertei sua mão e ela entrou. — Você não precisa me levar pra compensar a falta de educação da sua irmã.
— Preciso. Além disso, aposto com seu irmão faria o mesmo se fosse eu.
— Certo... Exceto pela parte de que eu nunca te levaria pra minha casa. — dei um sorrisinho.
— Implacável, Brinley. — ele deu um sorriso tão bonito que minha coluna inteira se arrepiou. — Entre no carro, estou te levando pra estação.
— Não estamos fazendo isso, . — bati os cílios como uma criança pidona faria e peguei o telefone.
— Ops! — ele o pegou de mim e guardou no bolso. — Você não vai me querer fazer te colocar no carro, não é?
— Não vou entrar. — ele bufou e depois sorriu.
— Ok, nós estamos fazendo isso. — ele se aproximou e me pegou pelos joelhos, colocando-me em seus ombros.
— Você vai me deixar cair! Tá maluco? — ela deu um gritinho e começou a se debater.
, eu malho com o triplo do seu peso seis dias na semana. Posso garantir que você está segura. — ele abriu a porta do carro e me colocou no banco do carona. Antes de ir, puxou o cinto de segurança e o afivelou. — Fique aí.
— Idiota insuportável. — resmunguei e cruzei os braços.
— Obrigado, você é sempre tão carinhosa. — ele sorriu para mim. — O que você acha de jantarmos em algum lugar?
— Eu como em casa, obrigada.
— Eu escolho, então. Comida japonesa pra você está bom?
Eu queria dizer não, mas meu estômago roncou.
— Vou levar isso como um sim, Brinley.
A prepotência dele me tirava do sério. Eu queria bater naquela cara e enfiar meus dedos naquelas íris tão brilhantes quanto o sol.
— Pergunta. — anunciei. Ele aproveitou que o sinal tinha fechado para virar para mim. — Você já ficou triste na sua vida? Eu sempre te vejo sorrindo.
— Resposta. — ele sorriu sapeca. — Tenho uma família incrível que me apoia, sendo jogador ou psicólogo... Se a carreira de hockey der certo, estarei jogando na NHL em breve, então eu não tenho motivos para estar triste.
— Você nunca fez nada para agradar os outros? Sempre foi sobre você? — questionei.
— Sempre foi sobre a minha família. Angie e Jared inclusos. — ele disse. — Quero que meus pais envelheçam felizes e do jeito que quiserem. Quero que minha irmã encontre alguém que a faça feliz, quero que minha avó aproveite o resto da vida dela muito bem, mesmo que isso me custe boas horas lendo livros que já li trinta vezes pra ela. Quero que meus melhores amigos sejam felizes também. É sempre sobre eles.
E, mulher molenga que sou, me derreti com as palavras dele. Entendia perfeitamente o que ele dizia. Sempre era sobre minha família também. Minha carreira, meus estudos e tudo que faço na vida. Nunca foi pra mim.
— Te entendo. — sorri fraco. — Também penso assim. Quer dizer, só tenho meus pais e . Tirando meus amigos, é claro. Mas meus avós não aprovavam o relacionamento dos meus pais. E quando minha mãe engravidou nova, céus... A expulsaram.
— Sinto muito, linda. De verdade.
— Tudo bem. Eu gosto dessa história, mostra como meus pais são fortes e aguentaram as pontas. Meus avós paternos cuidaram da gente. — contei. — Até meus pais terminarem a faculdade. Minha mãe trabalhava para pagar a faculdade e meu pai para pagar nossas coisas.
— Fico feliz que vocês tenham conseguido passar por essa fase difícil. — ele sorriu e apertou minha mão.
A verdade, a que eu não queria admitir, é que eu gostava muito de Geller quando ele não estava me tirando do sério. Ele era um cara legal demais e sabia analisar bem as pessoas. É, eu simpatizava com ele. Simples assim. Quem sabe, quando toda essa loucura acabasse, poderíamos ser amigos.
— Obrigada. Nem sei porque falei disso. — sorri.
— Tudo bem, eu prefiro conversar com você a gritar com você. — ele riu e estacionou o carro no estacionamento do restaurante.
— Engraçadinho.
— Vamos, Brinley. — ele abriu a porta do carro. — Suspeito que se seu estômago roncar mais uma vez, um monstro vai sair daí e me comer.
— Você é um idiota! É assim que você trata as garotas? — perguntei.
Só as que eu quero conquistar, Brinley.


Capítulo 8


"Baby I know places we won't be found and they'll be
Chasing their tails tryin' to track us down
'Cause I, I know places we can hide, I know places"
(I Know Places, Taylor Swift)

No restaurante de comida japonesa, escolheu uma mesa a qual o assento era em formato de U. Ela se sentou e relaxou, enquanto eu a observava. Esse era o pouco momento de paz que tínhamos, e eu iria aproveitá-lo.
— O que posso trazer para o casal? — ela sorriu.
— Ah, nós não somos um casal. — ela se apressou em dizer.
— Podem não ser ainda. — ela sorriu. — No que posso ajudar?
— Eu vou querer uma porção de sushi e um temaki. — pedi. — E você?
— Sushi e yakisoba. — ela anunciou. — Você pode trazer um garfo pra mim?
— Claro, menina. — a senhora sorriu.
— Traga hashi. Vou ensiná-la. — avisei.
revirou os olhos e mexeu em seu cabelo, puxando ele todo pra trás, dando me perfeita visão de seu rosto e colo. Ela estava perfeita. Vestia uma calça branca, acompanhada de uma blusa de manga comprida e gola alta preta e seus coturnos. O cabelo claro reluzia com a luz que estava em cima de nós e ela apoiou o rosto em suas mãos. Aproveitei e tirei uma foto rápida. Ela era perfeitamente linda.
— Ei! Direitos de imagem, babaca. — ela riu.
— Você ficou ótima. Bem melhor que aquelas fotos com o uniforme de Brown no seu Instagram. — disse.
— Então você checou meu Instagram? — ela provocou.
— Yup. — fui sincero.
— Deixa eu ver a foto. — ela ordenou. — Anda.
Entreguei meu telefone a ela e a vi mexendo.
— O que você está fazendo? — inqueri.
— Postando no Instagram. Tá bonita mesmo. — ela deu de ombros. — Obrigada, fotógrafo.
— Será que hoje você aprecia a minha companhia, Brinley?
— Eu me sinto mal por fazer você ficar longe da sua mãe no aniversário dela. — ela diz.
— Minha mãe me chutaria na bunda se eu não o fizesse. — dei risada. — Miranda Geller abriga a fúria de cachorros pequenos quando quer. Ela só não brigou feio com a idiota da minha irmã porque Lana estava lá.
— Sua irmã tinha razão, eu não deveria estar lá.
— Minha mãe deixou que você fosse, então você deveria. — ele sorriu. — Aliás, a lasanha dela deve estar ótima.
— Jesus, . — ela revirou os olhos. — Volte pra lá agora.
Antes que eu pudesse responder, a senhorinha voltou com o nosso pedido. Sem garfos, pude notar. resmungou ao ver que a garçonete atendeu aos meus pedidos.
— Não sei usar isso. — disse derrotada. — já tentou, mas nunca conseguiu.
— Ele desiste fácil! Anda, separe-os. — pedi e me aproximei dela.
mexeu nos palitinhos atentamente e tentou posicioná-los em seu dedo. Pude ver que ela realmente não tinha jeito.
— O controle você faz pelo dedão. — segurei sua mão e dei um leve aperto. — E aí, pra você ajeitar o tamanho, você usa o indicador, .
— Meu Deus, muita informação. — ela riu. Tentou, mas não conseguiu segurar o macarrão. Peguei um pouco e levei até a boca dela.
— Aqui. — ofereci. — Não quero que seu estômago acabe comendo seus órgãos.
— Palhaço! — ela riu e mastigou.
— Tente de novo. Qualquer coisa pegue um sushi. — falei e comecei a comer meu temaki.
encarou para os palitos em sua mão com certa concentração. Eu poderia dizer até, que sua dedicação era demasiada, mas era aquilo. Em pouco tempo de convívio, percebi que Brinley era ou não era. Não havia um meio termo. Aos poucos, ela conseguiu pegar um pedaço de carne e seu rosto com uma expressão clara de felicidade me encantou.
— Estou orgulhoso, ! — sorri. — Agora pegue o macarrão.
— Acho que eu vou adicionar isso no meu currículo. — ela disse animada e eu dei risada. Era isso, eu estava muito afim dessa garota.
Antes de tentar novamente, ela prendeu o cabelo num rabo de cavalo e ficou mais bonita do que eu imaginei que pudesse ficar. Numa tentativa falha, seu macarrão escorregou prato abaixo.
— Ugh. Sou ruim nisso, quero um garfo.
— Tente de novo. — pedi. — Eu não vou te dar comida na boca, .
Uh, é claro que eu daria se ela pedisse.
— Ha. Ha. Ha. — ela me deu uma risada sarcástica. — Eu como nem que tenha que ser com a mão, Geller.
— Bem que disseram que você come que nem jogadores de hockey. — sorri.
— Nascida e criada como uma. — ela sorriu orgulhosa. — Patino tão bem quanto você.
— Eu arriscaria dizer que você é mais rápida. — dei de ombros. — Você é o que, trinta quilos mais leve que eu?
— Quase. — ela riu. — Gostaria de te detonar numa corrida, Geller.
— Termine de comer e seu pedido é uma ordem, princesa. — sorri.

Quando e eu terminamos de comer, ou melhor — com palavras que saíram da boca dela — depois que ela terminou a guerra com seu hashi, voltamos para perto de casa. Ela não iria embora hoje, e isso havia sido decidido inconscientemente, já que o último trem partiu às 22h. Agora, estava dirigindo para Bright-Landry Hockey Center. Com a carteirinha, eu conseguia nos colocar pra dentro.
— Para onde estamos indo, capitão? — ela inquiriu. — Estamos indo para o lugar onde a mágica acontece, senhorita Brinley. — sorri.
— Eu não diria que Bright-Landry é o lugar onde a mágica acontece, Geller. — ela disse risonha.
— No Meehan Auditorium que não é, querida. — afirmei.
— Vou te mostrar como um brown bear joga, Geller.
— E eu te mostro o que eu costumo chamar de Crimson Effect.
Buuuuuu. — ela me vaiou.
— Não me vaie, Brinley. Não é esse o som que eu quero ouvir saindo da sua boca. — sorri e estacionei o carro. — Vamos lá.

Depois de trocarmos os sapatos por patins, lembrei-me de agradecer ao time feminino de Harvard. Os pés de eram incrivelmente pequenos, assim como ela. E isso me fez pensar no quão rápida ela seria no gelo.
Let's go, brown bears! disse e deslizou rinque adentro. Gargalhei com sua provocação infantil, ainda mais no Bright-Landry.
pegou seu taco e o puck e começou a se familiarizar com o equipamento. Obviamente, criada com um jogador, eu tinha certeza que ela saberia o básico de hockey. Só não esperava que muito.
— Você deveria saber do passado das pessoas antes de convidar ex-jogadores para patinar. — ela me deu um sorriso vitorioso. E eu caí mais ainda por ela. era atleta. Isso explicava seu físico e sua paixão.
— Por favor, não comece a jogar ainda. Fui atingido. — pedi e ela franziu a testa em confusão. — Você é uma atleta.
— Ex-atleta. — ela corrigiu.
— Nunca se deixa de ser um atleta, linda.
Já posicionados, ela acenou para que começássemos. era boa com o puck, mas eu também não me surpreendi.
— Ei! Isso é hooking! — ela reclamou quando a prendi com o meu taco. — Penalidade!
— São minhas regras, Brinley. — disse perto dela o suficiente para que só ela ouvisse minha voz. virou pra mim e jogou o puck pelas minhas pernas.
— Quem disse? — ela perguntou, encarando minha boca. Sem nem mesmo me deixar pensar, escapou e fez uma jogada que foi diretamente para o gol.
— Ganhei, . — ela sorriu. Estupefato com o que tinha acontecido deslizei até ela e a fiz soltar seu taco. A peguei pela cintura e fiz impulso para chegarmos até a parte lateral do rinque.
— Esse é um jogo de ganhar e ganhar. — disse e apertei sua cintura.
— Aw, , você é competitivo! — ela colocou a mão em minha cintura, o que fez com que eu sentisse cosquinha e desse um pulo. Por causa disso, perdi o equilíbrio e tombei para trás, trazendo comigo.
— Cair no rinque sem proteção é horrível. — resmunguei, tentando me ajeitar mesmo com ela em cima de mim.
— Te machuquei? — ela se ajeitou, mas não saiu do meu colo.
— Não. — eu a puxei para mais perto. sorriu e eu a beijei, da forma calma e deliciosa que eu imaginava. Mas, dessa vez, sem um de nós fugindo.
— Eu vou chutar a bunda dos dois se vocês estiverem fazendo sexo no meu rinque. — o treinador Greg apareceu. — Arranjem outro lugar!
Eu e nos separamos rapidamente. O treinador tinha a feição irritada de sempre, o que não me assustou. Assim que levantamos e certificamos que Greg já tinha saído, gargalhamos da situação.
— Eu acho que isso foi demais pra mim. — ela sussurrou.
— Geller! Brinley! — ouvimos o grito do treinador. — Para fora do meu rinque.
— Acho melhor irmos, ou ele vai tirar a gente pela orelha. — a puxei para fora do gelo.
Quando estávamos saindo, Greg Lodge nos esperava na saída. Estava pronto para o sermão.
— Hm… Treinador? — o chamei ainda receoso. — Pode manter isso em segredo, por favor?
— Claro, filho. A gente não escolhe por quem se apaixona. — ele comentou.
— A gente não tá apaixonado, treinador Lodge. — Brinley o respondeu e eu concordei. A gente não estava apaixonado um pelo outro, certo?
— Senhorita Brinley… — ele lhe deu um sorriso. — Eu escolhi você naquele draft.
— Obrigada, treinador. — ela sorriu. — Mas não era meu sonho.
— Você foi draftada? — perguntei surpreso. Céus!
— Vamos? — ela perguntou e eu percebi que não queria falar do assunto.
— Claro.
— Boa noite, treinador. — dissemos em uníssono.
— Geller, o quero amanhã as nove no rinque. Nem um segundo a mais. Ou...
— Você vai cortar minhas bolas, eu sei, eu sei... — respondi e riu.
O treinador me deu um sorriso orgulhoso e nos deixou sozinhos, saindo do estacionamento rapidamente.
? — a chamei. Ela levantou o rosto e me encarou. — Eu estou totalmente te beijando agora.
A puxei e, mais uma vez, tive aqueles lábios macios nos meus.


Capítulo 9

Them
O dia seguinte ao beijo começou cedo para . O central do time de Harvard tinha diversos trabalhos da faculdade para fazer. Em seu campo de visão, sua mesa de estudos estava cheia de marca textos emprestados de Natalie e diversos textos de antropologia para ler. Lembrou-se do dia que ajudou a fazer seja lá o que estava fazendo para seu curso de gente doida.
Algumas horas se passaram desde o beijo dos dois e ele já não a tirava da cabeça.
— Ei. — Nat apareceu na porta de . — Eu e o J vamos sair pra almoçar, você quer alguma coisa?
— Não, Nat. Eu me viro. — ele sorriu. — Ou então eu como só na casa dos meus pais.
— E vai acabar com a comida deles? Pobres coitados, Geller.
— Eu nem como tanto assim. — ele se defendeu,
— É… Pra um hipopótamo. — ela deu uma risadinha e saiu, deixando-o se afundar nos textos que tinha pra ler.
Depois de quase duas horas lendo e analisando os artigos sobre demonstração de sentimentos, sentia que seu cérebro não conseguia escrever nenhuma palavra. Deixou para se preocupar com aquele assunto no dia seguinte.
Automaticamente digitou Brinley na busca do Facebook e encontrou um perfil antigo da menina, o qual estava repleto de posts sobre Taylor Swift, meio ambiente e gatos. gargalhava dos comentários da loira na internet. Procurou depois seu Twitter e encontrou, mais uma vez, uma ávida fã da Taylor Swift e do Boston Bruins.
Às sete da noite, estava na casa de seus pais e sua irmã para comemorarem o aniversário de Miranda Geller, sua mãe. O garoto sabia que Lana Preston era a convidada de Angelina, mas não sabia que a convidada também tinha uma convidada. Quando viu os cabelos loiros de quase se engasgou com a água que bebia. O dia com o qual não parava de pensar nela, simplesmente apareceu em sua casa.
— O que houve, querido? — sua avó lhe perguntou.
— Nada, vó. — ele engoliu o líquido gelado.
— O que ela faz aqui? — Hailey resmungou.
— Ela é amiga da minha namorada, Hailey. — Angelina se posicionou.
— Querida, você tem comido direito? — a mais velha dos Geller foi até . — Você é tão magrinha.
— Tenho sim, não se preocupe, sra. Geller. — ela sorriu. — Eu só tenho um metabolismo muito rápido.
— Miranda, prepare um prato bem cheio pra essa menina.
— Não precisa, sra. Geller. — se adiantou. A avó dos Geller lhe encarou feio. — Só ponha um pouquinho a mais, nem vai doer.
Lana deu risada. Vovó Geller era avó de todos. Pouco antes de se sentarem a mesa para jantar, Hailey decidiu intervir. não deveria estar ali.
— Por que ela está na nossa casa, afinal? — Hailey perguntou.
— Porque eu a permiti. — Miranda interviu.
— Acho melhor eu ir embora... — pegou sua bolsa. — Feliz aniversário, Miranda. Foi um prazer conhecer a todos.
Em passos largos, a quase engenheira química saiu daquele lugar. Os pais de e sua avó eram adoráveis, mas sua irmã, é claro, não simpatizava com . Apesar de sentir raiva da menina, acreditava que faria o mesmo se estivesse passando a mesma situação com o irmão.
... — Lana foi atrás dela. — Aquela garota sabe fazer uma cena.
— Eu vou embora, Lana. — sorriu fraco.
— Você quer que eu vá com você? Eu não me incomodo.
— Isso é importante para Angie. — elas se abraçaram. — Fique. Mostre pra eles o quão maravilhosa você é, um dia você vai ser parte da família.
— Não quero fazer parte da família se os irmãos vierem juntos. — ela disse e arrancou uma risada de .
— Não tem problema, meus sobrinhos vão sempre ter a tia favorita e serei eu. — a loira brincou. — Eu vou pedir um carro para me levar pra casa.
— Eu te levo. — apareceu na varanda da casa. — Ordens da matriarca.
— Insuportável. Vou voltar pra dentro, tá frio e eu tô sem casaco. — Lana disse e fez uma careta para . — Me avise quando chegar a casa, .
— Eu vou. — apertou sua mão para demonstrar que estava tudo bem e ela entrou. — Você não precisa me levar pra compensar a falta de educação da sua irmã.
— Preciso. Além disso, aposto com seu irmão faria o mesmo se fosse eu.
— Certo... Exceto pela parte de que eu nunca te levaria pra minha casa. — deu um sorrisinho.
— Implacável, Brinley. — ele deu um sorriso tão bonito que sua coluna inteira se arrepiou. — Entre no carro, estou te levando pra estação.
— Não estamos fazendo isso, . — ela bateu os cílios como uma criança pidona faria e desbloqueou o telefone para pedir um carro.
— Ops! — ele o pegou e guardou no bolso. — Você não vai me querer fazer te colocar no carro, não é?
— Não vou entrar. — ele bufou e depois sorriu.
— Ok, nós estamos fazendo isso. — ele se aproximou e a pegou pelos joelhos, colocando-a em seus ombros.
— Você vai me deixar cair! Tá maluco? — ela deu um gritinho e começou a se debater.
, eu malho com o triplo do seu peso seis dias na semana. Posso garantir que você está segura. — ele abriu a porta do carro e a colocou no banco do carona. Antes de ir, puxou o cinto de segurança e o afivelou. — Fique aí.
— Idiota insuportável. — resmungou e cruzou os braços.
— Obrigado, você é sempre tão carinhosa. — ele sorriu. — O que você acha de jantarmos em algum lugar?
— Eu como em casa, obrigada.
— Eu escolho, então. Comida japonesa pra você está bom?
queria negar, mas seu estômago roncou.
— Vou levar isso como um sim, Brinley.
Os dois foram até um restaurante que tinha ali por perto e jantaram juntos. Depois, a levou para o Bright-Landry, rinque de Harvard. Para o azar deles — ou nem tanto —, o treinador Greg apareceu para tirá-los dali. Entretanto, no fim daquela noite, Geller descobriu que Brinley era ex-jogadora de hóquei. Quando chegaram em casa, encontraram Nat e J dormindo pelados no sofá.
— É sempre assim? — ela riu baixinho.
— Não… Às vezes eles estão pelados. — declarou.
O casal entrou no quarto do central do time de Harvard e colocou suas coisas em cima da escrivaninha de . O garoto separou uma blusa e uma cueca para usar e decidiu trocar sua calça jeans por uma de moletom.
— Se incomoda de eu tomar uma ducha rápido? — ela pediu e ele riu.
— Me incomodaria dormir com uma fedida, então, jamais! — ele sorriu debochado e revirou os olhos.
É óbvio que o cheiro dela era um dos mais viciantes que ele poderia já ter sentido na vida. era, além de território proibido, viciante. E isso fazia tudo piorar. Geller ligou o computador e começou a resolver algumas coisas da faculdade que não tinha terminado à tarde. No entanto, a cada cinco palavras que escrevia, o fato de Brinley ter sido draftada lhe vinha à cabeça. E como fizera mais cedo, digitou seu nome na busca de pesquisa do YouTube. Os primeiros cinco vídeos foram upados por uma conta de uma escola, que pressupôs ser a qual ela estudava. No vídeo, a escola de uniforme vermelho estava empatando com a escola amarela e tinha um power play a seu favor. O central do time reconheceu o corpo pequeno de entre as meninas e observou a mágica acontecer. Faltando quinze segundos para a penalidade acabar, a menina conseguiu desviar de todas as jogadoras adversárias e marcou um dos gols mais bonitos que Geller poderia ter visto. E entendeu. O talento de Brinley não era sorte, mas sim genética.
Assim que a menina saiu do banheiro, com as roupas de , ela percebeu o brilho nos olhos dele ao vê-la.
— Você viu, não viu? — ela revirou os olhos. O sorriso de se estendeu. — É, você viu.
— É um assunto muito pessoal perguntar o motivo de você não ter ido jogar em seja qual time você tenha sido draftada? — ele perguntou. Se ela não contasse nada, ele iria criar mil cenários em sua cabeça.
— Foi o Buffalo Beauts, de Nova York. — ela disse baixinho, soltando um bufo. — E sim, é muito pessoal.
— Tudo bem. — murchou. Apesar de estar curioso, jamais a forçaria entrar num assunto que ela não se sentia confortável. Ele ofereceu seu computador a ela. — Quer ver alguma coisa?
, no entanto, percebeu que o interesse do garoto no assunto era apenas encantamento. Apesar de estar relutante em se abrir com aquele garoto, sabia que ele era bom. E por Deus, exatamente tudo que ela queria em alguém, exceto pela parte em que jogava no time rival ao seu da faculdade.
— Meu avô teve uma carreira mínima no hóquei. — ela disse baixinho e virou-se instantaneamente para ouvir a história. — Ele foi contratado pelo Oilers e em seu primeiro jogo se lesionou por conta de uma entrada muito bruta de um defensor. A previsão era que ele ficasse fora seis meses, e então o Edmonton não respeitou muito bem, parece que aceleraram o processo de cura e em três meses meu avô estava de volta no rinque.
— Ele se machucou de novo… — concluiu.
— Sim, e foi bem pior. O Edmonton Oilers acabou com o contrato dele. — ela fez careta. — O sonho dele era ver um de nós num time profissional. Papai não leva jeito. Mas eu e … Nós temos isso em nós.
— E não é seu sonho?
— Por muitos anos foi. — ela disse baixinho. — E então, a última vez que eu o vi, ele me disse que eu deveria parar de viver o sonho dos outros e viver o meu.
— Você quer ser cientista. — sorriu.
— Naquela época eu já tinha feito as fases necessárias do draft e recebi a resposta uma semana depois da morte dele. — ela comentou. — O treinador Greg estava lá e ele quem me deu a notícia, mas eu decidi viver meu sonho.
— E sua família ficou bem com isso?
— Apoiar um ao outro, não importa o que aconteça. — ela disse baixinho e sorriu. — Minha avó que nos ensinou isso.
— Eu sinto muito pelo seu avô, sei que ele está orgulhoso de você, linda. — acariciou as bochechas de e ela não lutou contra o carinho.
Na verdade, por que ela resistiria? Já haviam se beijado, dormido juntos, falado de coisas pessoais e aproveitado nosso tempo junto, apesar de Geller ser um pé no saco. E, também, apesar de ser ranzinza para idade dela.
— Quando eu era mais novo, meus pais não tinham condições de pagar meus equipamentos. — ele contou. entendeu, era um quid pro quo, ou seja, uma coisa pessoal por outra. — Minha irmã deixou de fazer ballet três vezes por causa dos meus equipamentos. Quando eu fiz doze anos, comecei a trabalhar para pagar o ballet dela.
… — apertou a mão dele. — E você vai fazer de tudo pra retribuir seus pais, né?
— Sim. — seus olhos brilhavam com as lágrimas que ele não queria soltar. — E também quero ajudar mais crianças que não têm condições. Não é justo que um tenha e outro não.
sorriu. — No fim das contas, você tem um coração lindo.
— Qual é… Tudo em mim é. — ele sorriu e limpou os olhos. Não choraria na frente daquela menina.
— Espero que você consiga ajudar as criancinhas. — ela sorriu.
— Eu também espero. — ele disse mais pra ele do que pra ela. — O hóquei é minha vida. Não abro mão de nada por isso.
engoliu em seco. Ela não se sentiria incomodada por aquilo, não é? Errado. Sentiu.
— Concordo. — ela se levantou. — Posso pegar água na cozinha?
— Claro. — ele sorriu. — Mi casa, su casa.
Passaram-se cinco minutos e ela não havia voltado. Quando foi até o cômodo, encontrou de olhos fechados conversando com J e Natalie. O garoto deu risada ao ver a cena. Ao contrário de , ela não estava acostumada a vê-los pelados.
— Vai ser sempre assim. — Natalie riu. — Se conforme e aprenda a ver a gente como viemos ao mundo.
— Isso é demais pra mim, os prefiro vestidos.
— Você não viu nada. — o central se juntou a eles no sofá, colocando em seu colo.
Os quatro ficaram conversando por um tempo, até que Jared e Natalie foram dormir em seu quarto, deixando-os a sós novamente. Os dois estavam em um silêncio gostoso, daqueles que não era preciso dizer nada para que conversassem. estava aninhada no colo de Geller e ele fazia carinho na parte exposta de sua pele.
— Você acredita em destino, ?
— Sim. — ele disse seguro. Se aquilo que eles passavam não era por conta do destino, o que seria? — Quais as chances de você estar no meu colo agora, se não fosse ele?
— É, você tem razão.
recebeu um beijo na mandíbula e seu corpo se arrepiou. Se tinha uma coisa que sabia fazer, era usar sua boca e todos os jeitos que ela havia provado funcionaram. Ela se colocou de frente para ele e, ao vê-la com sua camisa, Geller sentiu que aquilo era certo, apesar de todas as indicações dizerem ser erradas.
— Eu vou fazer uma coisa muito ruim agora. — ela disse como se estivesse num confessionário com um padre.
— O quê?
— Eu vou beijar o cara mais gato de Harvard. — ela sussurrou. abriu um sorriso e se levantou. — Acha que Natalie vai se importar?
Assim que a menina fingiu andar até o quarto do defensor de Harvard, Geller a puxou e os dois deram um encontrão.
— Se estivéssemos em um rinque, eu diria que era boarding. — ela sorriu.
— Como não estamos, eu digo que você é um belo boarding. — ele sussurrou pertinho de sua orelha. Sentiu o choque de calor que atingiu os dois e a puxou pela cintura, colando seus lábios. Existem coisas no mundo que não podem ser explicadas. e eram uma dessas. Ele era o oposto dela. preferia frio, ele preferia calor. Se ela estava na esquerda, escolheria a direita. Usando termos que ela entenderia tranquilamente: eles eram elétrons e prótons. Atraíam-se. Usando termos que ele entenderia: ela era a defensora do time adversário, enquanto ele exercia seu papel de central. E parecia certo. Era certo.
Boarding: penalidade marcada quando um jogador infrator empurra, tropeça ou dá um choque violento em um jogador adversário nas tábuas do rinque de hóquei.

Continua...

Nota da autora: Oiii, meninas! Vocês devem estar se perguntando o que aconteceu, né? Mas então, eu pequei em algumas partes e não demonstrei como Lukey e Jas se aproximaram, então, vamos de reescrita! 😋
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