Contador:
Última atualização: Fanfic Finalizada

Capítulo 21

(Coloquem para carregar e deem play quando eu avisar: Música 1; Música 2; Música 3)

estava no meio do caminho, mas sua cabeça estava no bairro que acabara de sair. Para falar a verdade, sua cabeça estava em . Sim, nele. Na valentia, na forma que a defendera — porque, obviamente, aquilo fora para defendê-la, ele a colocara para fora se esquecendo totalmente dos microfones que ela usava — e na forma em que ele encarava Crowley, como se já soubesse o que aconteceria a partir de agora.
parou o carro em um dos sinais e, com as mãos trêmulas, pegou o celular. Deixaria Charlie informado do que estava acontecendo, pelo menos.
— Atende, Charlie, atende. — Ela murmurava enquanto encarava as ruas vazias e conferia pela milésima vez se todas as portas estavam trancadas.
Alguns segundos se passaram e Charlie atendeu ao telefone.
O que você quer a essa hora, ? — A voz de Charlie, do outro lado da linha, perguntou. Charlie tinha a respiração acelerada e um tanto quanto falha, parecia... Ocupado, mas, ao mesmo tempo, preocupado com alguma coisa... não sabia explicar como realmente estava a voz de Charlie.
— Estou te atrapalhando em alguma coisa? — perguntou, mordendo o lábio inferior e apertando o volante do carro com a mão livre.
Para falar a verdade, está sim. — Charlie suspirou. — Desembucha, mulher.
— O encontrou com o Crowley .— Ela foi direta. — Mas foi um encontro... Estranho. Não tinha sido programado. Digo, não por nós. — Ela disse e Charlie ficou em silêncio por uns segundos.
Onde está o ? — Charlie perguntou. — Me deixa falar com ele.
— Mas...
Anda, . — Charlie insistiu.
— Ele não está comigo. — engoliu seco. — Ele ficou lá, Charlie.
Silêncio. Silêncio de ambos os lados. apenas sentia o desespero tomar conta de seu corpo. Já Charlie, do outro lado da linha, sentia a preocupação e os piores pensamentos possíveis subir a sua cabeça.
Vá para o prédio, . — Charlie murmurou e desligou o telefone.

***


sentia seu rosto latejar, mas ignorava a dor o máximo que podia. Tinha que continuar andando até encontrar Eric. Havia conseguido escapar de Crowley. Não, ele não fora covarde porque saiu correndo de lá, ele apenas foi esperto. Sabia que se não segurasse Rachel e caminhasse com ela em sua frente — por mais que isso pareça covarde, ele se defender através de uma mulher —, morreria. Teria que dar um jeito de sair dali. E o jeito que conseguira fora este: Caminhar com Rachel até ficar próximo a Crowley, empurrá-la com força em cima do homem e correr o máximo que conseguisse, ignorando os disparos da arma de Crowley que iam a sua direção. Jogou-se no primeiro barranco que ficava atrás de onde estavam e acabou machucando o rosto com a queda, não era um barranco alto, era o suficiente para Crowley não acertá-lo e, quando fosse procurá-lo, não encontraria por causa escuridão.
Uma buzina ecoou do outro lado do lugar e soltou um suspiro pesado. Logo em seguida, subiu o barranco o mais rápido que conseguiu e correu em direção o carro que buzinava sem se importar se Crowley ainda o procurava ou não. Abriu a porta e entrou.
Eric o encarou perplexo. Não acreditava que realmente tinha achado que conseguiria alguma coisa com Nate, sendo que o rapaz sempre fora um pau mandado, estava completamente ao lado de Crowley e faria qualquer coisa para protegê-lo.
— Achei que não fosse vir. — murmurou sem encarar Eric, que arrancou com o carro em silêncio. — Qual é, Eric...
— Cala a boca e escuta. — Eric o interrompeu e pisou no acelerador. — Você está agindo feito um moleque filho da puta! — Eric exclamou alto, fazendo revirar os olhos. — Eu disse para você não vir!
— Eu sei que disse! — admitiu. — Mas quem foi que disse que eu ligo para o que dizem para mim? — Ele diminuiu o tom de voz e encarou Eric de relance. — Quem foi que disse que eu me importo se em uma dessas eu vou morrer ou não?
Eric parou o carro sem se importar com o impacto que aconteceria. soltou um gemido de dor e Eric o encarou sem se importar se ele havia acabado de bater com a cabeça no vidro pelo impacto que acontecera.
— Não é porque seu pai morreu que você tem que agir assim. — Eric disse firme e engoliu seco. Eric começaria sua tortura. — Não é porque você sabe ser bom que tem que agir assim, . Não é porque você cresceu sem uma mãe que você pode agir assim, como se ninguém se importasse com você. — Eric diminuiu o tom de voz. — Não é porque você não sabe engolir o seu orgulho que você pode agir como um adolescente rebelde. Coloca na porcaria da sua cabeça que você já passou da fase de fazer o que quer só por ser inteligente. — O mais velho finalizou e continuou em silêncio. Não brigaria com Eric sabendo que ele estava certo. Aliás, todos estavam certos naquela noite. Menos ele. Justo ele que sempre fora o foda de tudo.
havia falhado. Havia feito cálculos errados. Planos errados.

***


— Você não está nem um pouco preocupado com o ? — perguntou cruzando o prédio junto com Charlie.
— Não. — O mais velho respondeu sério e piscou algumas vezes.
— Charlie, é o . — A mulher arqueou uma das sobrancelhas.
— Estou pouco me fodendo para o . Eu avisei. — Charlie disse e abriu a porta da sala. entrou e o encarou em seguida.
— Charlie...
, escuta. — Charlie deu um passo na direção da mulher e a segurou pelos ombros. — Eu só vim aqui por sua causa, em consideração a você. O sabe se virar. Você está bem, não está? É o que importa. O logo vai chegar aqui.
— Certo. — Ela mordeu o lábio inferior. — Eu... Te atrapalhei em alguma coisa?
— Você ainda pergunta? — Charlie rebateu arqueando uma das sobrancelhas e sentiu seu rosto corar.
— Desculpa. Não foi por mal. — Ela murmurou e prendeu os cabelos em um coque. — Eu só... Não sabia o que fazer. O me mandou sair e vir embora com o carro que estávamos. Ele... Não me deu outra escolha a não ser deixá-lo lá.
— Ele sabe a merda que fez e quis te tirar de lá. — Charlie murmurou cruzando os braços. — O não é burro, . Ele pode te "detestar" — fez aspas com os dedos —, mas ele vai te tirar da merda que ele te colocou sem querer achando que tudo estava sob controle.
— Mas estava tudo sob controle! — Ela rebateu fitando o chão.
— Não estava. — Charlie disse sério. — Pelo o que você me explicou, não estava, . Você pode não ter notado, mas ele notou e deu um jeito de te tirar de lá. O pode não demonstrar para ninguém, mas ele se importa com a pessoa que está acompanhando ele durante as coisas que cumpre.
— Eu sei, mas...
— Não tem "mas", . — Charlie a interrompeu. — Você tem que confiar no que ele faz durante o trabalho e não no que ele diz. Por mais estranho que isso soe. — Charlie deu um sorriso torto — O também erra, mas ele sabe consertar isso durante o trabalho. Ele sabia bem o que estava fazendo quando te mandou sair de lá.

***


Minutos se passaram e Eric estacionou o carro em frente ao prédio.
— Não quero meu nome nos ouvidos de Charlie nem de ninguém agora. — Ele murmurou e não o respondeu, apenas saiu do carro e bateu a porta. Suas pernas doíam, mas ignorou a dor e caminhou o mais rápido que pôde até a entrada do prédio, sabia que estava ali com Charlie. Até porque seu Ford e o carro de Charlie estavam ali em frente.
ignorou os olhares sobre si e foi direto para a sala de Charlie. Ao abrir a porta e entrar por completo, pôde ver os olhos de se arregalar e, logo em seguida, um suspiro escapar de seus lábios.
— Graças a Deus! — Charlie murmurou. — O que você tem na cabeça?
— Talvez tudo menos um cérebro. — Ele respondeu sem tirar os olhos de cima de , que ainda se mostrava preocupada.
— Eu notei. — Charlie disse sério e encarou os dois, segurando uma risada em seguida. — Eu tenho que ir.
— Certo. — murmurou ainda encarando , que já estava começando a se incomodar com isso.
— Você vai ouvir muito amanhã. — Charlie murmurou ao passar por . — Tranquem a porta daqui quando saírem.
— Pode deixar. — respondeu e Charlie deu um sorriso fraco para a mulher.
Assim que Charlie saiu, puxou uma cadeira e deixou seu corpo cair ali sentado.
— O que aconteceu? — perguntou baixo.
— Eu pulei em um barranco porque o Crowley queria acabar comigo. — deu de ombros. — Tive que me defender atrás da Rachel. Aliás, falou sobre ela para o Charlie?
— Falei. — Ela encarou o chão. — Vamos até enfermaria, vou dar um jeito no seu rosto.
— Não precisa. — murmurou. — Eu estou cansado, a Emma deve estar preocupada, eu já te meti em merda sem querer. Eu te deixo em casa e vou para a minha.
, o seu rosto está machucado. — se aproximou e tocou o local, fazendo-o se afastar pela dor que causara o toque. — Isso vai infeccionar.
— E daí? Vai ter que sarar um dia. — Ele murmurou e se levantou.
— Para de ser orgulhoso. — o puxou pelo braço e o encarou nos olhos. — Eu sei que você deve estar se sentindo, sei lá, um nada por ter errado uma vez na vida. Mas, , a vida não é feita de acertos. Está na hora de você se conformar que não pode lidar com o Crowley sozinho. Pelo menos não agora.
— Por que você simplesmente não confessa que estava com medo do Crowley me matar? — perguntou arqueando uma das sobrancelhas enquanto encarava nos olhos.

(N/A: DEEM PLAY NA MÚSICA 1!)

— Eu estava com medo do Crowley te matar. — Ela disse séria e num tom baixo.
— Era tudo o que eu precisava ouvir. — Ele sussurrou antes de dar dois passos largos e apressados até onde estava e puxá-la pela nuca, juntando seus lábios de uma só vez.
não perdera tempo enrolando ou tentando se afastar, apenas agarrou na nuca do homem com toda a vontade que sentia. desceu uma das mãos para a cintura de e a segurou com firmeza, fazendo-a soltar um suspiro baixo.
desceu as mãos pelo próprio corpo, sem parar de beijar e abriu os botões de seu sobretudo, tirando-o em seguida e jogando-o o mais longe possível. Ambos sabiam que passariam dos limites de novo e não pretendiam enrolar para que aquilo acontecesse. fora descendo os beijos para o pescoço descoberto de lentamente e empurrando-a para trás na direção da mesa, enquanto ela abria lentamente os botões da própria blusa. Não demorou muito para ajudá-la e descer mais os beijos até ficar entre os seios ainda cobertos da mulher, fazendo-a jogar a cabeça para trás ao sentir os beijos molhados que distribuía entre seus seios.

You say you need someone, but everybody does. I'm no different than you, I just believe what I do.
(Você diz que precisa de alguém, mas todo mundo precisa. Eu não sou diferente de você, eu só acredito no que faço.)

You point your finger at, everyone but yourself. And blame the ones that you love, who're only trying to help.
(Você aponta seu dedo para todos, menos para si mesmo. E culpa aqueles que você ama, que estão apenas tentando ajudar.)


terminou de abrir sua blusa e jogou-a para trás, puxando pela nuca em seguida e juntando seus lábios. soltou um suspiro com a leve mordida que recebera no lábio e se afastou da mulher por alguns segundos para arrancar sua própria camisa e jogá-la longe. soltou um suspiro pesado ao sentir os lábios de escorregando lentamente por todo o seu pescoço, lhe causando arrepios. Cansada daquele jogo e a fim de inverter a situação, empurrou para o lado, fazendo-o ficar encostado na mesa de Charlie e se aproximou mais dele, ficando cara a cara. tentou beijá-la, porém com um sorriso sapeca nos lábios, se afastou, fazendo-o arquear uma das sobrancelhas.
— O que... — tentou perguntar, mas pousou o dedo levemente sobre seus lábios e não respondeu, apenas se aproximou mais, ainda sem quebrar o contato visual. queria beijá-la novamente, queria tomá-la em seus braços e fazê-la dele o mais rápido possível, mas simplesmente não conseguia reagir enquanto encarava seus olhos brilhantes. Não conseguia reagir em vê-la daquela forma, apenas de sutiã e a maldita saia de cintura alta, com os cabelos levemente despenteados e os lábios vermelhos.
Aquela mulher estava mexendo com ele. De um jeito estranho, mas estava.
abaixou os olhos lentamente e mordeu o lábio inferior com um sorriso sapeca no canto dos lábios, fazendo fazer o mesmo enquanto a encarava como se estivesse hipnotizado. Ela, então, aproximou seus lábios dos de e roçou-os. fechou os olhos com a proximidade e soltou uma risada fraca, passando os lábios pelo rosto e queixo de levemente e, logo depois, desceu os lábios para o pescoço do homem, dando leves beijos e mordidas no local. jogou a cabeça para trás e suspirou, deixando-a se deliciar em seu pescoço enquanto arranhava levemente sua barriga e lhe causava arrepios.

As it's winding down to zero, I am yours like a hero. I'll see this through, there's so much me and you. Take this enemy together, fight these demons off forever, forever, forever, forever.
(E quando vai chegando à zero, eu sou seu como um herói. Eu vou passar por isso, há tanto de mim e de você. Pegue esse inimigo e lute contra esses demônios para sempre, sempre, sempre.)


subiu os lábios novamente para os de , juntou-os num beijo sem pressa, porém extremamente provocante. sentia a excitação começar a tomar seu corpo e seu membro dar sinal de vida enquanto o beijava e mordia seu lábio levemente, deixando seus corpos extremamente colados. Ele, então, apertou-a mais contra seu corpo e acariciou levemente a cintura da mulher, lhe causando um pequeno calafrio. contornou o pescoço de com os dois braços e acelerou mais o beijo, fazendo-o suspirar ao colarem mais seus corpos e retribuir o beijo a altura. Ambos sentiam o calor começar a tomar conta do local, mesmo que do lado de fora estivesse frio e uma fina chuva começava a cair. Isso não importava mais, seus corpos estavam aquecidos. Aquecidos de desejo, prazer e vontade.
desceu uma das mãos lentamente pelo corpo de e passando as unhas levemente, até parar sobre seu membro ainda coberto e o acariciou devagar, dando uma mordida no lábio inferior do rapaz em seguida. sentia seu coração acelerar a cada movimento que fazia com seu corpo colado ao dele, sabia que não aguentaria ficar dentro daquela calça por muito tempo, sabia que não aguentaria apenas beijá-la por tanto tempo. sabia disso também, mas queria provocá-lo. Queria ver até onde ele aguentava.

5,4,3,2,1. I won't stop until it's done, no curtain call, I will not fall. This may be the one we've been waiting for, no curtain call, just take it all.
(5,4,3,2,1. Eu não vou parar até acabar, sem um encerramento, eu não vou cair. Esse pode ser o que estávamos esperando, sem um encerramento, apenas aceite tudo.)


levou uma das mãos até os cabelos de e soltou-os de uma vez. Parou de beijá-la apenas para observá-la mais uma vez, seus cabelos estavam caídos pelos ombros e quase chegavam a seus seios, os lábios mais vermelhos que antes e os olhos transmitiam todo o desejo que sentia, uma parte que mais parecia uma franja já grande caía em seus olhos, estreitou os olhos com aquela visão e ela deu um sorriso fraco, se aproximando mais, porém não fez nada. Apenas desceu as duas mãos para o fecho da calça jeans que usava e abriu devagar, sem quebrar o contato visual com o rapaz que soltou um suspiro fraco assim que a mão da mulher esbarrou em seu membro novamente. o sentia pulsar dentro da cueca já apertada. Mas aquilo não era o suficiente para . O efeito que ela tinha sobre ele não era... O suficiente. Ela queria mais. Queria ver até onde, realmente, ele aguentava.
estreitou os olhos novamente e se aproximou mais, dando-lhe um selinho e, depois, descendo os lábios para o seu queixo, pescoço, peito e barriga fazendo-o fechar os olhos e jogar a cabeça para trás, já sabendo o que viria — não rápido, mas viria — a seguir.
sentiu sua calça jeans escorregar por suas pernas e um risinho baixo e fraco escapou dos lábios de , que fora se abaixando mais devagar, ficando de joelhos na frente de . Ele abriu os olhos por alguns segundos apenas para vê-la naquela posição e ela sorriu fraco, sustentando o olhar do rapaz, que apenas soltou um suspiro fraco quando sentiu as mãos de massagearem seu membro já rígido sob a cueca. continuou acariciando-o lentamente, sem quebrar o contato visual, não sabia mais até onde aguentaria. Não sabia mais nem... Sequer o que fazer a não ser sentir as carícias de enquanto a encarava nos olhos.
finalmente decidiu parar de torturá-lo e fora descendo devagar a cueca preta que usava, fazendo-o encará-la com mais desejo do que antes.
Em poucos segundos, a cueca de já tinha o mesmo destino que sua calça: chão.

I have no time for fear, or people in my ear. Head down and running so fast, try not to dwell on the past.
(Eu não tenho tempo para o medo ou para as pessoas no meu pé. Cabeça para baixo e correndo tão rápido, tente não ficar preso ao passado.)


envolveu o membro de com uma das mãos e começou a fazer movimentos lentos, suspirou ao sentir o toque da mulher e jogou a cabeça levemente para trás, enquanto aumentava e diminuía a velocidade dos movimentos. sentia seus músculos se contraírem de tanto desejo e prazer que sentia, mas ele... Ele queria velocidade! Ele então, envolveu a mão de com a sua e começou a fazer movimentos mais rápidos, encarando-a nos olhos e mostrando o que realmente queria. deu um sorriso fraco e balançou a cabeça negativamente, enquanto mordia o lábio inferior e engoliu seco ao vê-la se aproximar mais de seu membro completamente rígido. Soltou a mão da mulher que envolvia seu membro e fez questão de continuar encarando-a nos olhos, riu fraco e se aproximou mais do membro de , passando levemente a língua pela glande e fazendo-o suspirar em seguida. Sentia pressa. Queria sentir envolver seu membro rígido de outra forma. sorriu e mordeu o lábio inferior antes de segurar o membro de com mais firmeza e envolvê-lo, de uma vez, com os lábios. suspirou mais uma vez e mordeu o lábio, não querendo quebrar o contato visual e continuar assistindo envolvendo seu membro com a boca da forma mais... Sexy e provocante do mundo.

I'm fighting through this pain, and things I cannot change. Running right into the flame, rather than running away.
(Eu estou lutando por essa dor, e as coisas que não posso mudar. Correndo em direção à chama, ao invés de fugir.)


não conseguiu segurar um gemido fraco e rouco em sua garganta e mordeu o lábio com mais força enquanto apoiava uma das mãos na mesa e a outra levava em direção aos cabelos de , puxando-os levemente. aumentou os movimentos com as mãos também, fazendo finalmente fechar os olhos e jogar a cabeça para trás.
segurou os cabelos de com mais firmeza, forçando-a mais contra seu membro, pedindo — ou seria implorando? — por mais velocidade, a qual foi atendida no mesmo momento. não queria que ela parasse nem diminuísse a velocidade, sentia seu coração bater depressa e seus músculos se contraírem mais, sabia que... Não aguentaria muito. era... Maravilhosa e aquilo estava acabando com ele.
mordeu o lábio com mais força, a ponto de sentir o gosto do seu próprio sangue em sua boca, mas não se importou. o deixava louco! A única coisa que conseguia pensar naquele momento era o quão boa ela era em tudo o que fazia, o quão... Gostosa ela ficara naquela posição enquanto o acariciava e... Deus! Ele não conseguia pensar em mais nada! Só no prazer que estava sentindo enquanto seu membro estava completamente na boca daquela mulher! Após um suspiro mais alto, puxou pela nuca, afastando-a de seu membro, ela sorriu levemente para ele enquanto limpava os cantos da boca, ele sentiu seu sangue ferver ao ver aquilo. Era a cena mais... Perturbadora do mundo. Sem se importar com mais nada, puxou-a para cima e juntou seus lábios com força. o envolveu pelo pescoço e, por vontade própria, fez um impulso para sentar-se na mesa e cruzar as pernas em volta da cintura de , para colar mais seus corpos. Eles se beijavam com toda a vontade que sentiam e a forçava mais contra seu corpo, mas... Aquele maldito pano por baixo da saia de o atrapalhava e aquilo fazia seu membro pulsar mais.

As it's winding down to zero, I am yours like a hero. I'll see this through, there's so much me and you. Take this enemy together, fight these demons off forever, forever, forever, forever.
(E quando vai chegando à zero, eu sou seu como um herói. Eu vou passar por isso, há tanto de mim e de você. Pegue esse inimigo, e lute contra esses demônios para sempre, sempre, sempre.)


— Eu... — começou com a voz falha. — Realmente não vou esperar você tirar essa saia e muito menos esse coldre. — Ele murmurou enquanto levava as duas mãos para debaixo da saia de . — Isso é... Sexy. E eu estou com pressa. — Ele finalizou ao alcançar a barra da calcinha de e puxá-la para baixo.
— Como se eu me importasse. — Ela sussurrou de volta, levantando o corpo um bocado para puxar sua calcinha para baixo. Ele deu um sorriso sapeca largando a calcinha da mulher em qualquer lugar daquela maldita sala e se aproximou mais, colando seus lábios na orelha de .
— Mas uma coisa eu faço questão — Ele sussurrou enquanto subia as mãos lentamente pelas costas nuas de . —, eles têm que estar livres. — Ele finalizou a frase assim que conseguiu abrir o sutiã que usava. Ela deu uma risada fraca e o ajudou a se livrar daquela peça.
segurou-a pelas coxas e a puxou mais para a beirada da mesa, deixando seus corpos colados. Com um sorriso quase calmo, ele fora subindo, devagar, a saia de enquanto acariciava suas coxas, ela fechou os olhos com força ao imaginar o que poderia fazer. Fechou os olhos com mais força ainda quando o sentiu tocar sua intimidade com um dos dedos e forçar seu membro na entrada da mesma. movimentou os quadris empurrando seu membro lentamente em , enquanto ainda movimentava um dos dedos nos clitóris da mulher, fazendo-a morder o lábio inferior com força e segurar um gemido. movimentou os quadris devagar, na intenção de penetrá-la de uma vez, mas ele... Ele queria torturá-la antes. Ela gostava daquelas torturas, mas... Ela não aguentava mais! Estava tão... Tão excitada quanto ele. Ela precisava daquilo. Precisava senti-lo dentro dela de uma vez.
abriu os olhos e encarou os de , que brilhavam em excitação, ela arqueou uma das sobrancelhas e suspirou mais uma vez. Ela o queria!

5,4,3,2,1. I won't stop until it's done, no curtain call, I will not fall. This may be the one we've been waiting for, no curtain call, just take it all.
(5,4,3,2,1. Eu não vou parar até acabar, sem um encerramento, eu não vou cair. Esse pode ser o que estávamos esperando, sem um encerramento, apenas aceite tudo.)


— Por favor... — Ela murmurou ao sentir acariciá-la com mais um dedo. Ele deu um sorriso fraco e juntou suas testas. Sem nem sequer avisar ou dar um sinal, puxou-a para baixo, enterrando todo seu membro nela de uma só vez. soltou um gemido mais alto de satisfação e o segurou pelos ombros, jogando a cabeça para trás em seguida.
a puxava contra seu corpo cada vez com mais força, fazendo-a soltar gemidos mais altos e desesperados. Ela gostava da sensação de tê-lo dentro dela, gostava do prazer que ele lhe proporcionava.
apoiou uma das pernas no chão — como da outra vez — para facilitar enquanto com a outra envolvia a cintura de , que a puxava cada vez mais rápido. mordeu o lábio inferior ao encarar se contorcendo de prazer em seus braços e falando seu nome cada vez mais alto.
Após mais alguns gemidos, o empurrou para trás devagar, sentando-o em uma cadeira. sorriu com a ideia e mordeu o lábio inferior em seguida. se aproximou e passou as pernas em volta do corpo de que segurou-a pela cintura com força, puxando-a para baixo em seguida.
deixou seus lábios colados na orelha de e movimentou os quadris lentamente, soltando os gemidos baixos no ouvido do rapaz, fazendo-o puxá-la e penetrá-la com mais força. desistiu da ideia de gemer baixo e ignorou o fato de poder ter alguém passando por ali mesmo que já fosse tarde, soltando gemidos mais alto e jogando a cabeça para trás, enquanto rebolava sobre o colo de .

Sweat drips down from every angle, love your body as it gathers in a pool by your feet. You turn up the heat, tossin and turnin, you cannot sleep. Quietly weep, you're in too deep.
(O suor escorre por todos os ângulos, ame seu corpo enquanto forma uma poça de suor ao seu redor. Você aumenta o calor, virando e revirando, você não consegue dormir. Chore silenciosamente, você está profundo demais.)


jogou a cabeça para trás e deixou um gemido baixo escapar. o puxou para mais perto, fazendo-o encará-la, deixando suas testas coladas. Ela mordeu o lábio inferior e continuou se movimentando em cima de , que tinha os olhos estreitos e o lábio inferior entre os dentes. Ambos sentiam seu corpo queimar. Queimavam tanto que já haviam esquecido o que acontecera naquela noite, já haviam esquecido que pulara em um pequeno barranco e estava machucado. Não lembravam. Não se importavam.
deixou um gemido mais alto escapar do fundo de sua garganta, mas não fechou os olhos ou sequer desviou o olhar do de , queria que ele a olhasse no fundo dos olhos enquanto chegava em seu máximo. Queria que ele visse quanto prazer ele lhe dava. sentiu se contrair em seus braços e acelerou mais os movimentos, puxando-a com mais força pela cintura. Ele também não aguentaria muito tempo.

5,4,3,2,1. I won't stop until it's done, no curtain call, I will not fall. This may be the one we've been waiting for, no curtain call, just take it all.
(5,4,3,2,1. Eu não vou parar até acabar, sem um encerramento, eu não vou cair. Esse pode ser o que estávamos esperando, sem um encerramento, apenas aceite tudo.)


Juntaram seus lábios em um beijo apressado e desajeitado, ainda se encarando nos olhos e entre gemidos, sem pararem de se movimentar. Afastaram os lábios e deixaram gemidos roucos escaparem de suas gargantas ao mesmo tempo. sentia todo seu corpo se contrair e não estava muito diferente. Ambos tinham corações acelerados e respirações falhas. Ambos estavam chegando a seu máximo.
cravou as unhas nos ombros de , fazendo-o suspirar mais alto e, movimentou os quadris com força. envolveu-a pela cintura e a apertou, mostrando, assim, que estava mais próximo do orgasmo. não tentara sequer segurar o gemido alto que escapara de sua garganta assim que chegou a seu máximo e jogou a cabeça para trás ao senti-la se contrair por inteira em seus braços. ajudou-a com os movimentos mais rápido e jogou a cabeça para trás, soltando um urro de prazer ao sentir seu orgasmo chegar também. ainda sentia suas pernas tremerem levemente, mas não se importava. A sensação de satisfação ainda corria por suas veias, deixando-a tonta. ainda a apertava pela cintura, sentindo a adrenalina abandonar seu corpo aos poucos.
Após conseguir puxar o ar normalmente para os pulmões, ameaçou levantar do colo de , mas o rapaz não deixou e segurou-a contra seu corpo novamente, fazendo-a descansar a cabeça em seu ombro. Ele a queria por perto.
— Preciso ir para casa. — sussurrou e soltou um suspiro fraco.
— Eu te levo. — Ele sussurrou de volta, mas não soltou a mulher para que ela pudesse se levantar. — Mas não agora. — Ele finalizou sem olhá-la.
pensou em perguntar o porquê daquilo. Mas... Estava se sentindo tão bem nos braços dele, estava tão confortável que não queria acabar com aquilo.
— O que... — Ela começou, sem jeito. — O que está acontecendo? — Perguntou. — Digo...
— Eu entendi. — a cortou dando uma risada fraca. — Eu... Eu não sei.
— Eu não... Consigo sentir raiva de você. — Ela confessou baixo. — Não como senti no dia que você foi me insultar na Redação.
deu uma risada mais alta e mordeu o lábio inferior em seguida.
— Eu sinto o mesmo, diga-se de passagem. — Ele disse fitando o teto. Não era fácil assumir aquilo para ela. — Para falar a verdade, eu acho que o Charlie sempre esteve certo a seu respeito. — Ele disse mais baixo ainda, quase que para si mesmo. Mas era impossível não escutar.
levantou a cabeça e encarou , com uma sobrancelha arqueada.
— O que Charlie dizia? — Perguntou curiosa enquanto apoiava as mãos no peito de .
— Nada que eu vá te contar agora. — Ele deu de ombros e encarou qualquer outro ponto da sala.
— Está envergonhado? — Ela perguntou puxando o rosto de em sua direção.
— Não! — Ele respondeu revirando os olhos. — Não estou com vergonha. Eu só... Não vou te contar o que ele dizia.
...
— Desiste. — Ele a cortou com um sorriso no canto dos lábios. — Eu não vou falar nada.
— Orgulhoso. — Ela murmurou revirando os olhos e cruzando os braços.
— Eu nunca disse que não era. — Ele murmurou puxando o rosto dela em sua direção. — Vou te levar para casa. — Ele murmurou puxando-a em sua direção e juntando seus lábios por alguns segundos.
— Certo. — Ela murmurou com os lábios colados nos dele. Não queriam se soltar. Ficariam ali até sentirem vontade de sair se não fosse tão tarde e se o dia não amanhecesse de uma vez em algumas horas. E, ah, claro, se aquela não fosse a sala de Charlie.

***


Rachel sentia seus braços latejarem. a apertara com força. Força suficiente para lhe deixar marcas e com dor mesmo depois de uma hora do ocorrido.
Crowley encarou a morena que encarava a janela pensativa.
— Junta suas coisas, Rachel. — Ele murmurou e Rachel manteve-se do mesmo jeito que estava antes.
— Você foi um idiota. — Ela murmurou e se virou para o outro de uma vez. — Agora eles vão acabar comigo.
— Não vão! — Crowley rebateu. — Junta suas coisas e vai para o Brasil com o Bill. A gente dá um jeito de te enfiar num voo agora.
— Você fala como se fosse fácil, Crowley! — Ela gritou. — É a minha carreira indo por água abaixo, só porque você não soube lidar com o como pensou que sabia!
— Você não pode falar nada! Você se meteu nessa, Rachel! — Ele gritou de volta.
Rachel umedeceu os lábios e abaixou os olhos, balançando a cabeça negativamente.
— Eu falhei e assumo isso, Crowley. — Ela o encarou. — Sim, eu me meti nessa. Mas eu tentei sair, você que não deixou. Eu me meti nessa por amor, eu continuei nessa por amor. — Ela engoliu as lágrimas que queriam escapar, mas ela não daria aquele gostinho a Crowley. Não mesmo. — Quer saber a verdade? — Ela deu um passo à frente. — Eu me arrependo. Antes eu não tivesse me encantado por esses seus olhinhos claros de merda, antes eu tivesse escutado meus pais quando eles disseram que você não era homem para mim, antes eu tivesse escutado quando Charlie me disse que você não prestava e seria preso a qualquer momento. — Ela cuspiu as palavras enquanto encarava Crowley nos olhos. — Antes eu tivesse te dado um pé na bunda como qualquer mulher no meu lugar faria. Você não é o dono do mundo. Você sabe que o Charlie vai te derrubar de novo. — Ela finalizou e deu uma olhada pelo quarto onde estavam. — Vou arrumar minhas coisas que eu ganho mais. Se eu tiver duas horas para sair daqui, ainda é muito.
— Você falou, agora vai ouvir. — Crowley murmurou e segurou-a pelo braço quando ela passou por ele.
— Eu não vou ouvir você. Não mais. — Ela se soltou das mãos de Crowley. — Eu cansei de te ouvir. Foi te ouvindo que eu parei aqui, Crowley.
— Rachel...
— Vai para o quinto dos infernos, Crowley. — Ela o cortou calmamente e se afastou de uma vez, indo em direção ao armário e jogando suas roupas em cima da cama de casal que havia ali.
— Vou ligar para o Bill, então. Você vai com ele. — Crowley disse decidido.
Rachel não respondeu. Ela sabia que teria que obedecê-lo. Não porque ainda trabalhava para ele ou porque o amava demais, mas sim por que... Bem, porque ele a tiraria de Londres de uma vez por todas.
— Como eu vou fazer para sair daqui sem ser pega? — Ela perguntou baixo, parando para pensar. provavelmente já teria contado tudo a Charlie e ele já teria colocado gente atrás dela em todos os aeroportos possíveis.
— Você será uma nova pessoa. — Crowley respondeu com o celular na orelha. — Será uma turista no Brasil, uma cidadã qualquer aqui.
— Estamos falando da equipe do Charlie, não da polícia brasileira que te cedia às coisas facilmente. — Rachel rebateu.
Crowley deu uma risada fraca.
— Você anda tão engraçada, Rachel! Nem parece estar correndo risco de vida. — Ele a encarou e desligou o celular, Bill não o atendia.
— Você é realmente um idiota. — Ela murmurou, colocando em uma mala o máximo de roupas que conseguia.
— Não precisa disso tudo, você vai começar do zero, Rachel. — Crowley murmurou e puxou a mão de Rachel. — Eu já disse que vou te dar proteção, que vou te deixar em uma casa segura no Brasil e...
— Por que eu confiaria em você de novo, Crowley? — Ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas. — Por que eu te escutaria de novo? Por que você ainda pensa que eu te amo a ponto de fazer tudo o que você quer?
— Rachel, você é sempre lerda assim e eu nunca notei ou você ficou assim agora? — Crowley perguntou em tom de deboche, encarando-a com as duas sobrancelhas erguidas. Rachel revirou os olhos e engoliu as lágrimas mais uma vez.
Crowley não a levava a sério nunca.
— Se fode, Crowley. Se fode. Sério. — Ela murmurou e passou as mãos pelo rosto, voltando a arrumar sua mala em seguida.
— Eu te amo. — A voz de Crowley ecoou pelo local que estava em completo silêncio após o xingamento de Rachel.
A mulher não respondeu, apenas continuou arrumando suas roupas. Crowley cruzou os braços e esperou a boa vontade de Rachel de virar-se para ele e dar-lhe um beijo de tirar o fôlego.
Mas ela não o fez.
Aquilo o irritava.
— Eu. Te. Amo. — Ele disse lentamente ainda encarando a mulher que insistia em ignorá-lo. — Você é a única mulher que eu amei de verdade, Rachel. Eu sei que você não quer ignorar essas palavras e está com raiva por tudo o que eu te fiz passar.
— Para com isso, Crowley. — Ela disse baixo e sem encará-lo. Ele sabia que ela tinha deixado às lágrimas caírem, sabia que ela estava com medo, sabia que ela estava frágil, sabia que ela... Morreria se continuasse ali. Ele só a queria longe de todo aquele inferno, por mais que nunca demonstrasse isso.
— Não, não paro! — Ele elevou a voz e se aproximou da mulher novamente. — Você vai para o Brasil com o Bill. Agora, Rachel. Leva o que você conseguiu arrumar. Some daqui de uma vez.
— E você? — Ela perguntou encarando-o nos olhos.
Crowley sorriu.
— Você sabe o que eu vou fazer. — Ele respondeu e deu de ombros em seguida, se aproximando mais de Rachel. — Se cuida e me espera.
— Eu não acredito que estou caindo na sua de novo. — Ela murmurou de olhos fechados pela proximidade e Crowley deu uma risada fraca.
— Eu não acredito que eu disse que te amo, mesmo depois de tudo. — Ele murmurou e puxou-a para mais perto. Rachel suspirou e juntou seus lábios de uma vez, iniciando um beijo que talvez fosse de despedida.

***


estacionou o carro em frente ao prédio que morava. A mulher já estava com tudo em mãos e pronta para descer do carro, mas não queria que ela descesse. Não queria que entrasse. Não queria que ficasse longe dele. Não queria ter que ir embora e ficar com todas aquelas sensações guardadas dentro de si mesmo.
— Obrigada. — disse sorrindo fraco. — Quer subir?
arqueou uma das sobrancelhas e mordeu o lábio inferior, como se travasse uma batalha interna. Querer subir ele até queria. O problema é que se ele subisse, sabia que não se controlaria e faria de tudo para... Bem, vocês sabem.
— Eu acho melhor...
— E aí eu poderia fazer um curativo no seu rosto para durar até, pelo menos, você chegar em casa. — Ela disse saindo do carro de uma vez e dando de ombros.
encarou-a, agora, apoiada no carro com a cabeça para dentro, olhando-o e esperando uma resposta. Aquilo era tentador demais e ele não queria um curativo. Seu rosto nem sequer doía mais. Nem seus braços. Nem suas pernas. Nem nada. Pelo menos não como doíam antes.
Pensou por mais alguns segundo e soltou um suspiro pesado, tirando o cinto de segurança em seguida.
Foda-se, era isso o que pairava por sua cabeça. Não se importava mais. Subiria com ela. Deixá-la-ia fazer o que quisesse em seu rosto se conseguisse arrancar pelo menos mais um beijo dela. Não se importava se estava agindo feito um desesperado ou se realmente estava desesperado por aquela mulher, apenas a queria de novo. Sabe-se lá quando ele teria coragem para tentar algo com ela novamente...
atravessou a rua sem se importar se estava junto com ela ou não. Cumprimentou o porteiro do prédio ao passar e, novamente, deixou para trás. O rapaz bufou e continuou caminhando calmamente atrás dela.
— Você podia me esperar, minhas pernas doem. — disse e deu uma risada fraca.
— Ninguém mandou pular daquele barranco... — Ela murmurou dando de ombros e entrando no elevador em seguida.
— Por favor, não começa. — revirou os olhos. — Charlie e Emma falarão isso no meu ouvido o dia inteiro.
— Eu sei. — Ela riu mais uma vez e encostou-se à parede do elevador. Estava cansada.
— Desculpa meter você nessa. — murmurou após uns segundos em silêncio e o encarou com um sorriso torto.
— Está tudo bem. — Ela respondeu baixo e se desencostou da parede, vendo que já estava em seu andar e que a porta do elevador se abriria logo.
Um barulho fora ouvido e mordeu o lábio inferior para segurar um sorriso com lembrança que invadira sua mente. o olhou de relance e fingiu não perceber, saindo do elevador de uma vez.
parou em frente a segunda porta do corredor e a abriu, dando espaço para , que entrou após murmurar um "licença".
fechou a porta e acendeu a luz em seguida, virando-se para trás e dando de cara com um mais próximo que esperava. Soltou um suspiro fraco e quebrou o contato visual, fitando o chão. deu uma risada fraca ao notar o que causara na mulher e deu um passo para trás, levantando as mãos na altura dos ombros, como se dissesse que fora sem querer aquela proximidade toda. Mas, no fundo, ela sabia que não era.
— Onde fica o banheiro? — perguntou, quando passou por ele.
— Segunda porta a esquerda. — Ela respondeu, apontando para o corredor. deu de ombros e caminhou até o local indicado. Fechou a porta e se encarou no espelho.
O que está acontecendo?, perguntou-se. Vontade, desejo, saudade, medo, insegurança e tensão, respondeu-se logo em seguida. Não que tivesse certeza que seria aquilo, mas foram as primeiras palavras que vieram em sua cabeça e fizeram sentido. Nem tudo o que estava acontecendo era relacionado à . Seu trabalho também o atormentava. Crowley, principalmente.
Após um suspiro pesado, ligou a torneira e encheu as mãos d'água, jogando-a no rosto em seguida. Encarou-se novamente. Estava cansado, olheiras grossas — porém claras — eram visíveis embaixo de seus olhos, seus cabelos estavam mais bagunçados que o normal e suas roupas estavam sujas. Deus! Como ele conseguira ficar naquele estado em somente uma noite? Como é que conseguira fazer tudo aquilo com ele mesmo ele estando naquele estado deplorável? Talvez ela se sentisse como ele... Mas não assumia. Assim como ele. Talvez aquilo estivesse passando do estágio “Desejo” sem nem notarem. Ok, não. Aquilo não podia passar do estágio desejo. Não tiveram tempo para aquilo! Certo. Tiveram. Conheciam-se a muito mais tempo do que imaginavam. lembrava vagamente do início da carreira de . Lembrava-se ainda mais de quando ela começou a lhe perturbar perguntando coisas sobre as missões que fazia e quando começou a escrever sobre ele.
Soltou uma risada fraca e balançou a cabeça negativamente ao lembrar-se de quando discutiram no meio da redação e ele ameaçou prendê-la. Lembrava-se também que já discutiram por telefone quando não quis contar o que estava acontecendo e já estava de saco cheio, mas não parava de perturbá-lo e aquilo o estressava profundamente.
Após secar o rosto e as mãos, saiu do banheiro e caminhou até a sala novamente, onde estava sentada mexendo em seus papéis com a caixa de primeiros socorros ao lado.
sorriu de leve e caminhou na direção da mulher, pôde ver através da janela que o céu já estava clareando. Aquilo o assustou, mas não se importou e pulou no sofá, sentando-se ao lado de , que revirou os olhos com sua empolgação.
— Pretendo dormir, . — Ela começou, largando as coisas de lado e pegando a caixa de primeiros socorros. — Então, por favor, colabora.
— Sim, senhora. — Ele respondeu arqueando uma das sobrancelhas e fechando os olhos assim que encostou em seu rosto.
não se importou com a dor nem com a ardência que o produto que usava lhe causara. Apenas focou no toque calmo e cuidadoso da mulher. Apesar de tudo o que acontecera, continuava daquele jeito... Doce. — Por falta de palavra melhor. — com ele. Pelo menos naquelas horas e não nos momentos em que ele estava a xingando de todos os palavrões existentes. Na verdade, ele nunca se importou com aquilo. Sempre estava ocupado e preocupado demais em mostrar que Charlie estava totalmente e completamente errado a respeito do que ele pensava sobre . Ele não queria assumir para Charlie o que realmente achava da mulher. Sempre a achara atraente, mas sempre fizera questão de deixar claro que não sentia nada por ela e a queria longe. Mas... Essa máscara não durou tanto tempo. Não com Charlie — como sempre — o atrapalhando de tal forma e fazendo-os trabalharem juntos. Em nenhum momento passou por sua cabeça trabalhar ao lado de e sentir o que estava sentindo.
o encarou com mais atenção. Mesmo com os cabelos completamente bagunçados e o rosto machucado, não perdera aquele jeito... Atraente. Aquilo a perturbava. Não conseguia se concentrar em cuidar dos machucados do rapaz olhando-o tão de perto e reparando tanto em seus traços. Sentia vontade de beijá-lo e puxá-lo pelos cabelos como faziam quando perdiam o controle. sentia-se no lugar dele, agora. Normalmente se descontrolava primeiro. Mas... As coisas estavam invertidas agora. aparentava estar tão vulnerável que aquilo realmente a perturbava. A perturbava pelo simples fato de se sentir completamente atraída por ele naquele estado. Não que o grosseiro não a atraísse também. Mas... Nada se compara ao vulnerável. Ela se controlou para não consolá-lo pela morte de Kennedy com uns bons beijos. Mas... Ali, cuidando de seu rosto, tão próximos... Ela não estava aguentando mais aquela distância, sentia-se como se fosse enlouquecer a qualquer momento. Estava cansada daquelas sensações paradoxais. Estava cansada de mandá-lo para a casa do caralho, mas ao mesmo tempo sentir vontade de puxá-lo para perto e mostrar a ele todo o desejo que sentia.

(N/A: DEEM PLAY NA MÚSICA 2!)

fora parando de passar o algodão pelo rosto de e soltou-o em qualquer lugar do chão, passando a acariciar o rosto de com os dedos levemente. deixou seus lábios se puxarem para o lado em um sorriso fraco, gostando do carinho. Após um suspiro fraco, se aproximou mais... E mais. Quando notou, já estava mais próxima do que desejara. não se atreveu em abrir os olhos, apenas querendo saber onde aquilo pararia. mordeu o lábio inferior por alguns segundos e, sem soltar o rosto de , se aproximou de uma vez, acabando com a distância entre seus lábios e juntando-os de uma vez. deu espaço para a língua da mulher invadir sua boca e levou uma das mãos para entre os cabelos dela, retribuindo o beijo a altura. O beijo era calmo, diferente de qualquer outro beijo que eles já tenham dado naquelas situações. Mas não sentiam pressa. Só queriam... Aproveitar. puxou-a para mais perto, fazendo-a sentar-se em seu colo, mas ainda assim o beijo continuava calmo. Mas ambos sabiam onde aquilo pararia. Não tinham pressa, mas tinham vontade.

Put your hands all over, put your hands all over me. Put your hands all over, put your hands all over me.
(Coloque suas mãos sobre, coloque suas mãos sobre mim. Coloque suas mãos sobre, coloque suas mãos sobre mim.)


afastou seus lábios devagar, deixando com que seus lábios escorregassem pelo rosto e queixo de , em seguida para seu pescoço e por ali ficou depositando beijos molhados e lentos. sentia seu corpo se arrepiar dos pés à cabeça, mas estava gostando da sensação. Era a primeira vez que beijava daquela forma tão calma. Após um suspiro fraco, a puxou para mais um beijo, deixando-o mais intenso.
Em um impulso, derrubou-a no sofá e deixou seu corpo por cima do da mulher. suspirou, mas não reclamou, apenas o ajudou a abrir sua blusa — já que ela havia tirado o sobretudo assim que chegara — com um pouco mais de pressa agora. Ao conseguir abrir a blusa de , jogou-a o mais longe que pôde e desceu os lábios para o pescoço descoberto de , depois desceu para entre seus seios como fizera horas antes, depois para a barriga e por ali ficou por alguns segundos, até conseguir abaixar a saia de . sorriu ao encarar o coldre ainda preso na coxa da mulher e o tirou devagar, dando leves beijos no local em seguida. suspirou e o puxou novamente, abrindo sua camisa às cegas enquanto o beijava com um pouco mais de intensidade.
jogou a camisa de longe e arranhou as costas nuas do rapaz, fazendo-o suspirar entre o beijo e descer os lábios para seu pescoço novamente. soltou um suspiro pesado e mordeu o lábio inferior ao sentir mordê-la naquela região e descer uma das mãos para sua coxa, apertando-a com força.
subia a mão lentamente pela coxa de , dando leves apertões e passando as unhas curtas no local, deixando-a arrepiada. levou uma das mãos para a calça de e abriu-a de uma vez, sem enrolar mais. Agora nada mais estava calmo como antes. Eles se desejavam. Tinham mais do que pressa agora.
Juntaram seus lábios em mais um beijo ardente e, como se tudo estivesse no automático, inverteu as posições, ficando sentada em cima de , sem separar seus lábios. já podia sentir o membro de dar sinal de vida e aquilo a fez sorrir. mexeu os quadris para senti-lo com mais precisão enquanto segurava o lábio inferior do rapaz entre os dentes, fazendo-o soltar um suspiro fraco.
Aquilo era tortura demais para ele se controlar!

I can't seem to find the pretty little face I left behind, wandered out on the open road. Looking for a better place to call home, gave her a place to stay. But she got up and ran away, and now I've had enough. That pretty little face has torn me up.
(Eu não consigo encontrar o rostinho bonito que deixei para trás, saí na estrada aberta. Procuro um lugar melhor para chamar de lar, dei-lhe um lugar para ficar. Mas ela se levantou e fugiu, e agora eu já me cansei. Aquele rostinho bonito me destruiu.)

Put your hands all over me. Please talk to me, talk to me. Tell me everything is gonna be alright. Put your hands all over me. Please walk with me, walk with me (now). Love is a game, you say, play me and put me away.
Put your hands all over me.
(Coloque suas mãos sobre mim. Por favor, fale comigo, fale comigo. Diga-me que vai ficar tudo bem. Coloque suas mãos sobre mim. Por favor, caminhe comigo, caminhe comigo (agora). O amor é um jogo, você diz, toque-me e afaste-se de mim.)
(Coloque suas mãos sobre mim.)


— Isso não se faz. — Ele murmurou pausadamente e sorriu fraco.
— Ah, é? — Ela perguntou levando os lábios até a orelha de e deixando-os colados ali. — Por quê?
deu uma risada fraca ao ouvi-la perguntar aquilo e inverteu as posições mais uma vez, prendendo os braços de atrás de sua cabeça. Aproximou-se mais da mulher e colou seus lábios na orelha dela.
— Porque você sabe que eu não sei me controlar. — Respondeu em um sussurro altamente provocante e sentiu todo seu corpo se arrepiar.
— Já disse que adoro quando você se descontrola desse jeito? — Ela perguntou o encarando nos olhos e com um sorriso malicioso nos lábios. riu baixo e passou a língua pelos lábios, prendendo o olhar da mulher ali.
— Ah, é? — Ele perguntou e se aproximou mais, roçando seus lábios. não respondeu, apenas tentou iniciar um beijo, mas não deixou e afastou seus lábios.
o encarou nos olhos e, sem tentar se soltar dos braços do homem, levantou o rosto deixando-o de frente para o de , que tinha um sorriso extremamente maldoso no canto dos lábios. Sabia que a mulher queria provocá-lo de todas as formas possíveis. Sabia também que ela estava conseguindo. Por que... Bem, que homem de verdade não se sentiria altamente atraído por uma mulher apenas de roupas íntimas em seus braços e erguida daquela forma para conseguir encarar seu rosto?
mordeu o queixo de de leve, fazendo-o soltar um suspiro fraco.
— Até onde você acha que vai aguentar depois do que aconteceu hoje mais cedo? — Ela perguntou baixo e o encarando. não respondeu, apenas juntou seus lábios em um beijo intenso — talvez o mais intenso de todos os beijos que deram —, sem soltar seus braços. Queria ver o que faria sem poder usar suas mãos.
mordeu o lábio inferior de com força, tentando soltar seus braços para tocá-lo de uma vez. Mas não conseguira. Sabia que fazia de propósito, pois tinha um sorriso nos lábios mesmo que os dentes de prendesse seu inferior com força.
— Dá pra me soltar de uma vez? — Ela perguntou baixo enquanto beijava seu pescoço e dava leves chupões.
— Não. — Ele respondeu no mesmo tom e deixou-lhe um chupão com mais força. mordeu o lábio para segurar um gemido e continuou seu caminho, descendo os lábios até parar nos seios ainda cobertos de . Mordeu a região devagar e distribuiu beijos por ali, provocando-a. Ao sentir a mulher estremecer de excitação em seus braços, fora a soltando devagar e deixando suas mãos correrem por todo seu corpo até parar em sua cintura e apertou o lugar com força. levou as mãos para a nuca de e o arranhou sem dó, enquanto mordia o próprio lábio com força. a deixava completamente louca de excitação!

Now you've lost your mind, pretty little girl I left behind. I'm not yours, getting rub, but everybody knows you're not that tough. Wandered out on the open road, looking for a place to call your own. You're scared to death of the road ahead. You pretty little thing, don't get upset.
(Agora você perdeu a cabeça, linda garotinha que deixei para trás. Eu não sou seu, fica esfregando, mas todo mundo sabe que você não é tão durona assim. Saiu na estrada aberta, procurando um lugar para chamar de seu. Você está morrendo de medo da estrada. Sua coisinha linda, não fique chateada.)

Put your hands all over me. Please talk to me, talk to me. Tell me everything is gonna be alright. Put your hands all over me. Please walk with me, walk with me (now). Love is a game, you say, play me and put me away. Love is a game, you say, play me and put me away.
(Coloque suas mãos sobre mim. Por favor, fale comigo, fale comigo. Diga-me que vai ficar tudo bem. Coloque suas mãos sobre mim. Por favor, caminhe comigo, caminhe comigo (agora). O amor é um jogo, você diz, toque-me e afaste-se de mim. O amor é um jogo, você diz, toque-me e afaste-se de mim.)


soltou a nuca do rapaz e levou as mãos para trás do próprio corpo, abrindo o sutiã que usava, enquanto beijava toda sua barriga e descia mais os lábios a cada segundo que passava.
segurou-a pelas duas coxas com força e depositou um beijo molhado em cada, enquanto encarava com um sorriso no canto dos lábios. A mulher se livrou do sutiã de uma vez por todas e jogou-o o mais longe que pôde. Em seguida, levou uma das mãos em direção a um de seus seios e o massageou enquanto mordia o lábio inferior, atraindo a atenção de .
O rapaz mordeu o lábio inferior e segurou as laterais da calcinha da mulher, fazendo-a morder o lábio com mais força e acariciar mais seus próprios seios. Aquilo estava sendo uma tortura para . Ela sabia o quanto... Bem, o quanto ele adorava seus seios. Vê-la "brincando" com eles em sua frente era... Perturbador, tentador, excitante.
Não resistindo mais, soltou a calcinha de e levou as mãos para cima das dela, massageando mais seus seios. soltou um risinho baixo e suspirou em seguida. simplesmente adorava vê-la naquele estado e ela sabia. Gostava do efeito que tinha sobre ele.
Sem quebrar o contato visual e sem soltar um dos seios da mulher, aproximou os lábios do outro, fazendo morder o lábio inferior sabendo o que viria a seguir. Sem perder mais tempo, o rapaz abocanhou sem pena — e sem quebrar o contato visual — o seio da mulher, dando leves mordidas e passando a língua pelo bico, deixando-a arrepiada.
soltou seu seio e levou a mão, agora livre, em direção a nuca de e arranhou o local mais uma vez. Deixou seus dedos enrolarem-se nos cabelos mais do que bagunçados de e o puxou para mais perto, fazendo-o intensificar os movimentos com a língua em seu seio.
Ainda puxando os cabelos de , levou a outra mão para cima da mão de em seu outro seio, segurou-a com força e tirou — com custo — a mão de script>document.write(Luke) dali, levando-a para baixo e parando próxima a sua intimidade. parou o que estava fazendo e a olhou com um olhar mais sapeca que o normal. mordeu o próprio lábio como se estivesse implorando por aquilo.
Era mais que óbvio que não negaria. Àquela altura do campeonato, ele faria qualquer coisa para vê-la se contorcer em seus braços novamente.
Sem soltar o seio da mulher, fora descendo mais a mão, parando sobre a intimidade de ainda coberta pelo tecido da calcinha. Ele pôde ouvi-la suspirar e notou seus pelos se arrepiarem. soltou o seio da mulher e seguiu seus beijos para sua barriga, fazendo-a contraí-la.

Put your hands all over me (4x)
(Coloque suas mãos sobre mim)

So come down off your cloud, say it now and say it loud. Get up in my face, pretty little girl, come make my day.
(Então venha para baixo, saia de sua nuvem. Diga agora e bem alto, levante-se na minha cara. Garotinha linda, venha fazer o meu dia.)

Put your hands all over me, please talk to me, talk to me. Put your hands all over me, gotta walk with me, walk with me (now).
(Coloque suas mãos sobre mim, por favor, fale comigo, fale comigo. Coloque suas mãos sobre mim, você tem que caminhar comigo, caminhar comigo (agora).)


Voltando para a posição que estava antes, segurou as laterais da calcinha de e fora a abaixando devagar. mordeu o lábio inferior ansiosa. Sabia o que viria a seguir e queria aquilo mais que qualquer coisa.
riu baixo pelo desespero de , mas não enrolou mais, levando seus lábios para a barriga da mulher novamente. Beijou o local por mais alguns segundos e voltou a descer os lábios, sem parar de encarar a mulher, que revirava os olhos em sinal de impaciência. riu mais uma vez e parou de enrolar, pousando seus lábios na intimidade úmida e pulsante de . A mulher suspirou e mordeu o lábio inferior quando começou a distribuir beijos por ali, para provocá-la mais.
não pôde segurar o gemido em sua garganta quando a língua de a invadiu sem aviso prévio. Também não pôde segurar os outros ao senti-lo fazer movimentos rápidos e precisos em sua intimidade.
afastou seus lábios da intimidade de após um bom tempo ali e fora subindo-os para a barriga da mulher, enquanto voltava acariciá-la com seus dedos. se contorceu no sofá e segurou mais um gemido.
movimentou seus dedos com mais velocidade dentro da mulher, fazendo-a gemer mais alto. Deus! Como ele adorava vê-la naquele estado por sua causa!
praticamente implorava por mais enquanto a penetrava com dois dedos. O rapaz sorriu com isso e pousou os lábios no pescoço da mulher, dando beijos e mordidas no local. Queria que ela chegasse ao máximo. Não se importava se seus dedos faziam o trabalho desta vez. Apenas queria que ela chegasse a seu máximo da forma mais torturante que existia.
aumentava e diminuía a velocidade de seus dedos em , fazendo-a gemer mais alto do que deveria e reclamar ao mesmo tempo.
— Por favor... — Ela murmurou enquanto colava seus lábios.
— O quê? — Ele perguntou e encarou-a com desejo.
— Não... — Ela tentou falar, mas a penetrou com mais força, fazendo-a soltar um gemido e cortar sua própria frase. desistiu de falar e puxou pela nuca, juntando seus lábios mais uma vez.
sentia sua calça ficar mais apertada do que o normal, mas não se importava. Só a arrancaria quando sentisse se contorcer em seus braços, o que não demorou muito para acontecer.
começou a acariciá-la também com seu polegar, fazendo-a se contorcer mais e soltar um gemido mais alto.
cravou as unhas nas costas de e deixou seu corpo amolecer de uma vez, soltando um gemido mais alto que os outros, fazendo com que soltasse um sorriso satisfeito com seu próprio trabalho e retirasse os dedos da intimidade da mulher.
Com um sorriso sapeca nos lábios, afastou seus corpos apenas para conseguir encará-la e levou os dedos lentamente em direção à boca, como da outra vez. soltou um suspiro fraco, ainda se recuperando do orgasmo que tivera, mas também sentindo algo dentro de si queimar em ver daquela forma e por sentir seu membro completamente rígido dentro da calça encostar em sua perna.
Ainda a encarando nos olhos, colocou os dedos na boca da mesma forma que fizera da primeira vez, porém, com uma pequena mudança, não passara apenas a língua, os colocara dentro da boca e se deliciou com o gosto da mulher que, a essa altura, mordia o lábio inferior e se aproximava mais dele. segurou a mão de e tirou seus dedos de sua boca, levando-os em direção à boca dela. sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo com aquela visão de abocanhando seus dedos para sentir o próprio gosto. puxou-a para mais perto com a outra mão e juntou seus lábios de uma vez por todas. Agora, mais do que nunca, queria se livrar de suas calças. Queria estar dentro dela. Sem demora. Sem enrolação. Queria ouvi-la gritar seu nome e pedir por velocidade. Queria fazê-la ter o melhor orgasmo de sua vida. Sem separar seus lábios, abriu a própria calça jeans e o ajudou a empurrá-la para baixo. Em seguida, fizeram o mesmo com a cueca.

Put your hands all over me, gotta talk to me, talk to me. Put your hands all over me Gotta walk with me, walk with me (now).
(Coloque as mãos sobre mim, você tem que falar comigo, falar comigo. Coloque suas mãos sobre mim, tem que caminhar comigo, caminhar comigo (agora).)


mordeu o lábio inferior ao ver o membro rígido de tão livre e o empurrou para trás, fazendo-o se encostar no sofá. A mulher passou as duas pernas em volta do corpo de , que a encarava com todo o desejo que sentia. Ele não fazia mais questão de esconder o quanto queria aquela mulher. Não fazia questão de sequer negar que ela era boa em tudo o que fazia e que a desejava mais que qualquer outra mulher.
— Eu quero você. — sussurrou segurando o rosto da mulher e se aproximando mais dela. — Agora.
não respondeu nem quebrou o contato visual. Apenas deixou seu corpo escorrer em cima do de e sentiu o membro dele invadi-la de uma vez.
segurou-a pela cintura com força, fazendo-a subir e descer em seu membro, sem se importar com o que acontecia em volta. Nada mais importava. Só o que importava agora era aquela linda mulher em seu colo. deixava os gemidos saírem sem restrição nenhuma, enquanto segurava os ombros de com força. Deus! Como ele a enlouquecia!
Em um movimento rápido, conseguiu colocá-la deitada no sofá, sem parar de chocar seus corpos com força. a penetrava com toda vontade que sentia. Queria recompensar o tempo que ficava apenas a acariciando. Queria mostrá-la o quanto a desejava, o quanto esperara por aquilo.
não conseguia fazer nada a não ser cravar mais as unhas nas costas nuas — e extremamente vermelhas — do homem e soltar gemidos altos dizendo exatamente tudo o que gostava de ouvir. Não se importavam se as pessoas do lado de fora ouviriam, não se importavam se já estava amanhecendo, não se importavam se Charlie já tinha colocado ou não alguém atrás de Rachel, não se importavam se teriam que trabalhar, não se importavam se teriam que "acordar" dentro de poucas horas. Nada ali importava mais que seus corpos se chocando com força e vontade.
estocava com velocidade, ignorando o fato que poderia causar dor à , por mais que não fosse aquilo que ela aparentasse. Sentiam seus corpos escorregarem, devido ao suor, ao se chocarem com força, sentiam seus corpos queimarem, sentiam o máximo do prazer chegar, mas não queriam parar. Só queriam mais e mais e mais. Sabiam que não demorariam a chegar onde queriam pelo fato de terem segurado — principalmente — por tanto tempo.
levou as mãos para a nuca de e puxou os cabelos dali, fazendo-o urrar de prazer e aumentar a velocidade dos movimentos. fechou os olhos com força e segurou com mais força, sentindo-o estocar mais forte e fundo, fazendo-a delirar. Como ela adorava fora de controle!
notou que não seguraria mais por tanto tempo e acelerou os movimentos o máximo que pôde, ignorando o cansaço que começava o atingir.
Um gemido alto de cortou a sala, fazendo perceber que a mulher chegou em seu orgasmo mais uma vez. não parou. Não podia parar. Não iria parar. Como se estivesse sem controle de seus movimentos, continuou a estocar com força em , que estava gostando daquilo e pouco se importava se havia acabado de chegar em seu orgasmo ou não. não demoraria. Mais alguns movimentos foram feitos e mordeu o lábio inferior com força, fechando os olhos em seguida, porém não parou de se movimentar, não até seu orgasmo vir por completo, fazendo-o perder as forças aos poucos e ir parando os movimentos devagar. continuava apertando-o com força, sem se importar com as marcas do dia seguinte. Apenas queria se controlar para não gemer tão alto ao ouvi-lo murmurar coisas desconexas em seu ouvido.

Love is a game, you say, play me and put me away.
(O amor é um jogo, você diz, toque-me e afaste-se de mim. )

Put your hands all over, put your hands all over me.
( Coloque suas mãos sobre, coloque suas mãos sobre mim. )


deixou seu corpo cansado cair sobre o corpo de e fechou os olhos com força. Ambos tinham respirações desreguladas, ambos sentiam suas pernas tremerem levemente, ambos não se importariam de voltar a fazer o que faziam antes se não estivessem tão cansados. o empurrou de leve pelo peito, jogando-o para o lado e ficando por cima em seguida. Estava cansada, não tinha forças para suportar o peso de . Não depois daquilo tudo.
puxou-a para perto, fazendo-a deitar-se completamente em seu peito e acariciou seus cabelos de leve. estava extremamente cansada e ele sabia disso. Sabia também que era tudo por sua culpa e fazer um carinho na mulher que tanto desejou não o mataria.
Segundos, minutos ou talvez horas se passaram e eles continuavam deitados no sofá abraçados. Um som conhecido por começou a ecoar pelo local e ele ignorou completamente o som de seu celular, puxando o corpo de para si e mantendo os olhos fechados. Estava cansado demais para tirar o corpo quente de de cima do seu e se levantar para atender o celular que estava no bolso da sua calça no meio da sala. se mexeu e abraçou mais a cintura de sem se importar se ele reclamaria ou a xingaria depois. Apenas queria dormir.
Outro toque ecoou pelo local, fazendo murmurar qualquer coisa e voltar a dormir.
Outro toque.
Outro.
Outro.
bufou, esticando o braço para pegar o celular de que era o mais próximo, já que estava em cima da pequena mesa que havia ao lado do sofá. Levou-o até o ouvido às cegas e atendeu.
— Alô? — murmurou sonolento e se mexeu novamente.
? — A voz de Charlie ecoou do outro lado da linha. — Que diabos você está fazendo com o celular da ?
— Celular da ? O que... — parou de falar e encarou o aparelho em sua mão. Droga! Mil vezes droga! Ele pegara o celular de achando que era o seu? Oh...
Espera.Vocês estão juntos? — Charlie perguntou e bufou em seguida. — Por que você não atendeu a droga do celular, retardado? Seja lá onde vocês estão, deem um jeito e venham para o Aeroporto. Agora! — O mais velho disse alto do outro lado da linha e revirou os olhos.
— Charlie...
Anda, ! — Gritou novamente. — Eu preciso pelo menos de você aqui. — Após dizer isso, Charlie desligou o celular.
bufou novamente e mexeu em para acordá-la.

***


Rachel sentia seu coração acelerar mais a cada segundo que passava. Estava ali há mais de duas horas e não conseguira sair de Londres. Como previsto, Charlie já estava lá com boa parte de sua equipe. não estava no meio, o que era um ponto positivo. Mas estava e, assim como todos ali — ou até mais —, ele a queria. Viva. Mas a queria. Não para defendê-la ou entregá-la para Charlie, mas sim para ele acabar com ela com suas próprias mãos. Aquele moleque não sentia medo de Crowley, não sentia medo de Charlie. Não sentia medo de ninguém.
Após respirar fundo pela quinta vez seguida, Rachel ajeitou a peruca e caminhou pelo aeroporto tranquilamente. Sabia que Crowley estava a olhando em algum lugar dali. Mas sabia também que ele não conseguiria fazer nada se tentassem algo contra ela. Porém, depois, ele daria um jeito de acabar com cada um deles que a fizeram mal. Rachel deixou um sorriso tomar seus lábios com esse pensamento e ergueu a cabeça, caminhando do jeito mais calmo que conseguiu. Emma conhecia seu andar. Teria que evitar passar perto daquela mulher tão esperta. Rachel a admirava.
Rachel passou ao lado de Charlie sem que ele notasse. Mas Ryan a notou. Fingiu não reparar isso e continuou a caminhar. O local ainda não estava fechado, não tinham provas o suficiente para mostrar que ela estava ali. O aeroporto teria que continuar funcionando normalmente.
Colocou sua mala no lugar que deveria e preparou-se para passar pelo sensor. Deu um sorriso para o segurança e pegou sua mala do outro lado, indo em direção à sala de embarque. Teria conseguido entrar no local se alguém não gritasse seu nome. Ignorou e continuou a caminhar.
— Droga, não a deixem passar! — Ela pôde ouvir a voz de Charlie gritar para os seguranças e as pessoas.
— Merda! — Rachel exclamou baixo, começando a andar mais rápido. Não queria começar a correr e acabar se entregando. O que não fez muita diferença, já que ela esbarrou em um homem alto e forte, o choque fora forte o suficiente para fazê-la cambalear para trás e cair em seguida, fazendo sua peruca e óculos escuros caírem junto. Seu olhar se encontrou com o de Brian do outro lado do aeroporto, olhou em volta e Ryan vinha em sua direção em passos rápidos com Emma ao seu lado.
Levantou-se ignorando suas coisas que estavam no chão e correu na direção contrária dos três agentes. Não que isso fosse resolver, mas talvez isso desse algum tempo para Crowley fazer alguma coisa.
— Rachel! — Charlie gritou e ela continuou a correr, sem se importar com o que acontecia atrás dela. Sentiu o vento forte cortar seu rosto ao perceber que já estava do lado de fora, onde os aviões ficavam. Dava para se esconder ali e fugir. Mas... Bem, fugir de Charlie não é uma coisa fácil, nem mesmo para ela que fora treinada para pegar marginais e correr de tais. Mas, naquele momento, ela era a marginal.
Correu o máximo que podia e parou atrás de um dos aviões, deixando as lágrimas caírem livremente. Sabia que se não fosse morta, seria presa.
Rachel se livrou dos disfarces e prendeu os cabelos em um coque alto. Teria que correr se quisesse encontrar com Crowley. Sabia que ele estaria esperando-a em algum lugar dali.
Agora, sim, o aeroporto estava cercado pelo pessoal de Charlie. já estava no local com sua arma em punhos. , a mais nova do local, estava junto.
Estou perdida!, era o que ecoava na cabeça de Rachel enquanto ela corria às cegas. Apenas escutava os passos largos de ecoarem do lado oposto onde estava, ouvia as vozes fazendo estratégias que ela já conhecia, mas não conseguiria escapar. Após um suspiro pesado, Rachel atravessou o local sem ser notada. Correu. Correu o máximo que conseguiu até chegar à pista de voo. Não tinha lugar por ali para se esconder. Estava completamente perdida! Sabia que Crowley a observava e não podia fazer nada. Sentiu algo vibrar em seu bolso e puxou o celular, voltando a correr pelo local até então vazio.
Eu te amo. Aconteça o que acontecer, Rachel. — A voz do outro lado da linha, que ela reconheceu rapidamente, murmurou em tom de desespero.
— Eu te amo também, Crowley. Demais. — Ela murmurou de volta, se engasgando com as próprias lágrimas.
Eu vou atrás de você. Só aguente mais um pouco. — Ele disse tentando manter-se tranquilo.
— Eu espero. — Ela respondeu de volta, desligando o celular em seguida.
Olhou para trás e pôde ver a encarando com um sorriso malicioso no canto dos lábios. Engoliu em seco e voltou a caminhar. Eles a pegariam de qualquer jeito. não estava com pressa. Pelo jeito tudo já estava pronto. Charlie a queria viva, esperaria ela se entregar. Mas teria gente em todos os lados daquele maldito aeroporto para pegá-la. Sabia que cansá-los não seria a melhor opção, ela, mais do que ninguém, sabia como agia por impulso. Como ele agia com raiva. O que ele fazia quando se sentia ameaçado ou algo do tipo.
Rachel pode vê-lo bufar quando olhou para trás e, de uma forma provocativa, lançou-lhe um sorriso. O rapaz revirou os olhos e saiu de perto de , que estava ao seu lado, a mulher tentou impedir, mas ninguém impedia quando ele estava cedo de raiva. Rachel sorriu mais uma vez e parou de andar, esperando se aproximar.

(N/A: DEEM PLAY NA MÚSICA 3!)

Rachel parou no meio da pista, mesmo sabendo que um avião decolaria logo. Pararam os voos logo depois que ela se mostrara completamente. Ela sabia que teria coragem de ficar na frente de um avião para pegar um criminoso. não tinha medo de morrer.
Mas ela tinha.
Mas se arriscaria de qualquer forma. Tinha que ganhar tempo.
parou a alguns metros de distância e estava logo atrás.
— Charlie te quer viva e sabe disso, não vou ficar aqui implorando para que você saia da frente desse maldito avião nem para que venha comigo. Mas seria ótimo se você parasse com a cena e voltasse logo com a gente. — disse de uma vez e deu de ombros em seguida. Rachel riu ignorando o vento que soltara seus cabelos.
— Você não manda em nada, . — Ela murmurou e riu mais uma vez. — Vá para o raio que o parta! — Ela gritou, ignorando as lágrimas que se formavam em seus olhos.
— Quer saber? Vai se foder, Rachel. — disse sério e puxou a arma mirando-a na direção da mulher.
! Não! — gritou correndo na direção do rapaz, tentando pará-lo.
Rachel fechou os olhos e deu mais alguns passos para trás. De repente, tudo ficou em câmera lenta.

No one laughs at God in a hospital. No one laughs at God in a war. No one's laughing at God, when they're starving or freezing, or so very poor.
(Ninguém ri de Deus em um hospital. Ninguém ri de Deus em uma guerra. Ninguém ri de Deus quando está faminto ou congelado, ou pobre demais.)

No one laughs at God when the doctor calls, after some routine tests. No one's laughing at God, when it's gotten real late, their kid's not back from that party yet.
(Ninguém ri de Deus quando o doutor chama, após alguns exames de rotina. Ninguém está rindo de Deus quando está ficando tarde demais e as crianças ainda não voltaram da festa.)


arregalou levemente os olhos e soltou mais um de seus gritos. Pessoas tentaram correr na direção da mulher parada no meio da pista de voo.
Um avião vinha na direção de Rachel e ninguém podia fazer nada a não ser tentar avisá-la.
— Saia daí, Rachel! — gritou com toda sua voz.
Rachel olhou para trás. Mas não daria tempo de mais nada. Não tentou fugir, não gritou, apenas deu mais alguns passos na direção do veículo tão grande e bruto.
abaixou a arma e um grito rápido e alto escapou da garganta de Rachel. Tudo voltou à velocidade normal, o avião tentou parar bruscamente e foi em direção oposta a que ia, na intenção de desviar de Rachel por mais que fosse tarde. tinha a boca aberta e os olhos arregalados. Um vento frio cortou o local e sentiu suas pernas fraquejarem. envolveu sua cintura e a fez enterrar o rosto em seu pescoço para ela não a cena.
Rachel havia sido pega.
O avião a havia atingido!

No one laughs at God when their airplane, starts to uncontrollably shake. No one's laughing at God, when they see the one they love, hand in hand with someone else, and they hope that they're mistaken.
(Ninguém ri de Deus quando o avião começa a sacudir sem parar. Ninguém ri de Deus quando eles veem a pessoa que amam de mãos dadas com outra e eles esperam ser um engano.)

No one laughs at God, when the cops knock on their door, and they say "We got some bad news, sir". No one's laughing at God, when there's a famine, fire, or a flood...
(Ninguém ri de Deus quando os tiras batem à sua porta e dizem "senhor, temos más notícias". Ninguém ri de Deus quando há fome, fogo ou uma inundação...)

But God could be funny, at a cocktail party while listening to a good god-themed joke, or when the crazies say he hates us. And they get so red in, the head you'd think they're about to choke.
(Mas Deus poderia ser divertido, em um coquetel enquanto ouve uma boa piada sobre Deus, ou quando os malucos dizem que Ele nos odeia. E ficam com a cara tão vermelha, que você pensa que eles vão sufocar.)


Rachel estava morta. Sem sombra de dúvidas. Estava morta.
Não muito longe dali, Crowley assistia a cena. Seus olhos estavam marejados, mas não iria chorar. Por mais que amasse Rachel, não choraria. Crowley fizera de tudo para tirar sua amada daquele lugar. Achou que, mandando-a para o Brasil, conseguiriam ser felizes assim que terminasse seu trabalho. Achou que... Poderia ser feliz outra vez com aquela mulher. Achou que não o atrapalharia mais. Achou que tudo ficara bem. Mas... Não. Pelo contrário! Tudo estava pior. Sua raiva, seu ódio, seu medo, sua vontade de matar. Fizera de tudo para Rachel se salvar e mesmo assim ela morreu! Todos ao seu redor estavam morrendo! Morriam porque ele matava, morriam porque ele queria que morresse e justo a única pessoa que ele queria viva estava... Brutalmente morta. Com isso, consequentemente, ele estava morto também. Não se importava com mais nada. Cumpriria sua vingança e sumiria em seguida ou simplesmente se mataria logo depois. Mas faria sofrer tudo o que ele está sofrendo agora. Ninguém ali era culpado e isso estava visível, mas já que sua vingança era contra , o faria pagar pela morte de Rachel também.
Crowley limpou a única lágrima que deixara escapar e saiu do local da mesma forma que entrou: discretamente.
Logo pagaria por tudo o que fez a ele e pela morte de Rachel também, mesmo não sendo culpado.

God could be funny, when told he'll give you money. If you just pray the right wa, and when presented like a genie, who does magic like Houdini, or grants wishes like Jiminy Cricket, and Santa Claus. God could be so hilarious, ha-ha, ha-ha.
(Deus poderia ser divertido, quando lhe falassem que ele lhe dará dinheiro. Se você disser a reza certa, ou quando apresentado como um gênio, que faz mágica tal qual Houdini, ou que realiza desejos que nem o Grilo Falante e o Papai Noel. Deus poderia ser tão hilariante, ha-ha, ha-ha)


Capítulo 22


Crowley suspirou e esperou as pessoas se afastarem enquanto o caixão de Rachel era enterrado. O corpo de Rachel ficara ao lado dos corpos dos avós. Ela sempre dissera que quando morresse — pois sabia do emprego arriscado que tinha — queria ser enterrada ao lado dos avós porque sabia que seus pais teriam vidas longas. Eram fortes demais para morrerem antes dela.
Ainda de longe, Crowley suspirou e tentou parar para pensar sobre tudo o que havia acontecido. Rachel, a única mulher que amara, estava morta e, agora, enterrada. Aquilo o deixava... Com raiva ou até mesmo medo e arrependimento. Medo de não conseguir amar outra pessoa ou conseguir e acabar da mesma forma; arrependimento porque ele poderia, sim, ter ajudado Rachel e a tirado do país antes.
Decidiu, então, se aproximar lentamente ao notar que só ficara os pais da mulher. Até mesmo Charlie e seus agentes estiveram por ali. Mas Crowley não podia ser notado por eles. Sabia que se o visse, arruinaria todo o enterro de Rachel e não era isso o que ele queria, queria que sua amada tivesse paz pelo menos em seu enterro.
Poucos minutos depois, os pais de Rachel saíram do local abraçados, um consolando o outro. Crowley soltou mais um de seus suspiros e se aproximou do túmulo da mulher. Sentou-se ao lado e deixou as lágrimas caírem livremente por seu rosto. Estava sozinho naquele cemitério. Ventava. O frio começava a tomar conta de seu corpo, mas não se importava. Só queria fazer companhia para Rachel.
Crowley deixou seu corpo se deitar de uma vez sobre o túmulo de Rachel e fechou os olhos com força, encolhendo mais o corpo. Deus! Como ele queria aquela mulher de volta! Como ele... A amava. Mesmo não querendo assumir, Crowley sabia que já pensara em desistir de tudo por ela. Aquele pensamento não era recente. Era de sete anos atrás. Ele pensara em desistir de absolutamente tudo e voltar para a Inglaterra apenas para encontrá-la e... Poder contá-la o que realmente sentia, implorar por seu perdão, dizer que tudo o que ele fez foi um lapso de ódio e que largaria tudo por ela.
And I remember all those crazy things you said... You left them riding through my head... — Crowley sussurrou e secou a lágrima que escorria lentamente por seu rosto. — You're always there, you're everywhere, but right now I wish you were here... — continuou, sentindo-se um completo idiota por sussurrar uma música da Avril Lavigne para Rachel. Mas aquilo não importava mais, ela não voltaria nem sequer o escutaria em seu momento altamente depressivo. — All those crazy things we did... Didn't think about it, just went with it, you're always there, you're everywhere... But right now I wish you were here. — Crowley sussurrou a última frase e fungou, ficando de barriga para cima e encarando o céu nublado. Apertou mais o casaco contra o corpo e respirou fundo, pensando como tudo teria sido diferente se ele tivesse escutado todas as vezes que Rachel disse que aquilo era errado e um dos dois acabaria morrendo. Neste caso, fora ela. Não que ela tenha morrido propositalmente como ele irá morrer, mas... De qualquer forma, ela estava certa. Alguém teria que morrer para ele cair na real, para notar que a equipe de Charlie não estava de brincadeira, que eles fariam qualquer coisa para pegá-lo e mostrar para todos que ele era sim um criminoso e tinha contato com as pessoas que iniciaram os assassinatos em Londres. Crowley precisava agir. Rápido. Precisava deixar mais claro ainda que também não estava ali para brincadeiras.
Em um estalo, uma ideia invadiu sua cabeça, fazendo-o sorrir e ignorar as lágrimas que ainda tinha nos olhos. Virou-se para a foto de Rachel e suspirou.
— Eu te amo, Rachel. Sua morte não sairá barata — ele murmurou. — Volto amanhã para te ver. Preciso agir agora. Desculpa por tudo — ele finalizou com um sorriso triste nos lábios e se levantou de uma vez. Seu dia seria longo. Não que ele fosse matar alguém ou algo do tipo. Ele apenas... Deixaria claro para uma certa pessoa que não estava ali para brincar.

***

jogou a fumaça do cigarro para o alto e encarou Lucy em seguida. Ele pôde notar que a ruiva tinha os olhos lacrimejantes. Não superara a morte de Rachel. Não que fossem melhores amigas, mas se conheciam há muito tempo.
— Não acredito que ainda está assim por causa da Rachel — ele revirou os olhos.
— Não foi você que precisou examinar todo o corpo dela e descobrir que... — Lucy não conseguiu terminar sua frase. — Eu posso ser qualquer coisa, . Mas nunca desejaria aquilo para ninguém — ela suspirou. — A Rachel tinha muito o que viver.
— Ela era uma vadia. — rebateu, calmamente.
— Desde quando você é tão idiota? — ela perguntou se aproximando mais e puxando o cigarro de sua mão, jogando-o no chão em seguida.
— Já se passaram dois dias, Lucy! — ele disse alto. — Dois malditos dias! A Rachel morreu! Você quer ser a próxima? — ele diminuiu o tom de voz.
— Vai me matar? — ela perguntou e se aproximou mais. — Vai dar uma de Crowley e usar quem você gosta só para a pessoa morrer? , você tem ideia do que a Rachel tinha pela frente? Você sabe o que é ver uma mulher morrer...
— Grávida? — ele a cortou. — Não sei e nem quero saber! — ele exclamou. — Foda-se se ela morreu grávida ou amando o Crowley ou qualquer porra dessa! — ele a encarou nos olhos. — Deixe a dor para a família dela. Você era só uma colega de trabalho.
— O que o Castellamare fez com você? — ela perguntou baixo e o encarando nos olhos.
— Por que você sempre coloca a culpa no Castellamare? — perguntou revirando os olhos.
— Porque ele é sempre o culpado de tudo. Você nunca me tratou assim — ela murmurou e fitou o chão. — Eu não esperava isso de você. Até mesmo do Jesse eu podia esperar algo assim! — ela exclamou revirando os olhos e deu uma risada fraca, empurrando-a para a parede mais próxima.
— Você não me conhece como pensa que conhece, Lucy — ele murmurou bem próximo à ela. — Não tente me entender, não tente me controlar, não tente adivinhar o que penso ou o que quero fazer — ele diminuiu o tom de voz. — É melhor para você.
— Por que está agindo assim? — ela insistiu e juntou seus lábios em um selinho agressivo.
— Não importa — respondeu e se afastou da mulher de uma vez, indo em direção ao prédio. Tinha coisas mais importantes para fazer. Lucy estava em um momento sensível que ele preferia não presenciar. Não queria perder a cabeça com a mulher que amava por mais que às vezes fosse necessário. Lucy é o tipo de mulher que o tira do sério em poucos minutos de conversa.
Após um suspiro pesado, Lucy prendeu os cabelos extremamente vermelhos em um coque frouxo e se preparou para caminhar. Porém, uma voz desconhecida atraiu sua atenção. Virou-se para trás devagar e pôde ver um homem alto a encarando com um sorriso no canto dos lábios.
— Me chamou? — ela perguntou alto pela distância e o homem olhou para os lados.
— Sim — ele respondeu abrindo um pouco mais seu sorriso e caminhando em sua direção.
— Em que posso ajudá-lo? — Lucy perguntou educadamente.
— Você provavelmente conhece , certo? — ele perguntou e Lucy estreitou os olhos, confirmando com a cabeça em seguida. — Pode me fazer um favor e entregá-la isso? — ele estendeu um envelope pequeno e Lucy o segurou, achando aquilo extremamente estranho e arriscado. Se tem uma coisa que ela aprendera muito bem com Charlie, fora isso: nunca aceite entregar algo para um colega se não conhece a pessoa quem pediu o favor. Mas Lucy não estava mais preocupada com aquilo. Quanto mais riscos se meter, melhor. Não que ela gostasse daquela parte, mas era paga para aquilo e não tiraria de algo perigoso.
— Claro. — Respondeu baixo e encarando o papel em suas mãos.
O homem sorriu.
— Obrigado — ele murmurou e encarou Lucy de uma forma estranha.
Lucy retribuiu o sorriso, sabia que aquilo era algo para colocar em mais alguma burrada. Estava na cara! Mas quem seria ela para tirar de uma besteira?
Mordeu o lábio inferior e se preparou para abrir o envelope cuidadosamente quando o homem já estava longe, porém, antes de conseguir, seu celular vibrou em seu bolso fazendo-a levar um pequeno susto. Revirando os olhos, puxou o aparelho para ler a mensagem que chegara.
"Pediram-lhe que entregassem à , não que lesse para ela."
Era o que dizia o bilhete. Lucy olhou em volta e deu uma risada fraca. Guardou o celular no bolso e se preparou para abrir o envelope mais uma vez. E novamente seu celular vribrou.
"Entregue o envelope desta forma ou... Morrerá.
Após reler a mensagem, Lucy engoliu em seco e olhou em volta mais uma vez. Pensou em gritar e perguntar quem estava fazendo aquela brincadeira inútil, mas não podia fazer isso em plena luz do dia. Ainda sentindo um pequeno medo correr por suas veias, caminhou em direção a entrada do prédio. Que se foda!, pensou enquanto encontrava conversando com Emma em frente ao elevador.
! — Lucy disse alto.
— Sim? — se virou para a outra.
— Oi, Emma — Lucy sorriu. — Ah, um homem estranho me pediu para lhe entregar isso. Sei que não se aceita nada de estranhos para entregar as colegas, — ela murmurou revirando os olhos ao sentir o olhar de Emma sobre si. — mas... Sei lá, na situação que estamos tudo é bem vindo, não?
— Um homem? — perguntou, pegando o envelope das mãos de Lucy.
Yep — ela mordeu o lábio inferior. — Ele não disse do que se trata. Apenas pediu para que eu entregasse para você.
— Bem... Obrigada — deu um sorriso fraco para Lucy que apenas sorriu e saiu de perto. — O que deve ter aqui?
— Não sei. Abra, descubra e me conte depois — Emma respondeu piscando um dos olhos e riu. — Preciso trabalhar.
— Certo... — mordeu o lábio. — Bom trabalho.
— Está à toa de novo? — Emma perguntou segurando a porta do elevador.
— Infelizmente, não — respondeu soltando um suspiro. — Tenho que terminar de escrever uma matéria para a redação, tenho que ir lá falar com a Claire porque ela disse que tem algo que irá nos ajudar e... Bem, você sabe, — fez uma pausa para revirar os olhos — Jack me chamou para tomar um café mais tarde e eu aceitei.
— Boa sorte, garota! — Emma exclamou dando uma curta gargalhada e entrando no elevador de vez.
— Obrigada, vou precisar! — exclamou de volta e abriu o envelope enquanto caminhava na direção oposta do elevador.
Segundos depois, já estava sentada em sua mesa encarando o papel em suas mãos. A mensagem era curta e clara: "Ligue para esse número e marque um encontro".
deixou uma risada fraca escapar e releu o bilhete, achando aquilo extremamente estranho. Mas seu instinto jornalista estava falando mais alto, ligaria mais tarde ou qualquer outro dia que tivesse tempo. Mas... Aquilo não deveria ocupar tanto seu tempo assim, não é mesmo?
Encarou o papel e o celular em cima da mesa. Após suspirar e morder o lábio inferior, se preparou para pegar o celular. Teria pego e discado os números o mais rápido que pudesse se não tivesse entrado na sala feito um furacão, assutando-a. escondeu o papel em meio à outros e a encarou arqueando uma das sobrancelhas e a olhando estranho. Claro, óbvio, evidente... Ele havia notado que ela escondera algo. Mas quem se importa? Aquilo ela não podia compartilhar enquanto não tivesse certeza do que era.
— O que é isso que você escondeu de mim? — ele perguntou enquanto ia até sua mesa e procurava algo em meio a sua bagunça.
— Se eu escondi, é por que não te interessa. — Ela respondeu dando de ombros em seguida e revirou os olhos.
— É sério que você vai esconder? — ele perguntou novamente, parando para encará-la. Com um sorriso sapeca no canto dos lábios, respondeu tranquilamente:
— Sim.
— Por que você é tão irritante assim? — perguntou e arqueou uma das sobrancelhas.
— Você quer saber da minha vida e a irritante sou eu? — ela rebateu, fazendo-o dar uma risada fraca. Ambos sabiam que aquela discussão idiota era só para não falarem dos últimos acontecimentos.
— Você está melhor? — perguntou, apoiando-se na mesa e cruzando os braços em seguida. Ele não a encarava desta vez. Não conseguira segurar a vontade de perguntar como ela estava depois da morte de Rachel e aquilo o deixava... Envergonhado, por falta de palavra melhor. Ele não queria se preocupar, até porque não... Não devia. Eles... Se detestavam e... Só se "pegavam" às vezes.
— Estou — ela respondeu baixo com um sorriso tímido nos lábios.
teria dito mais alguma coisa se o celular de não começasse a tocar loucamente.
pegou o celular e o atendeu de uma vez, pedindo, de certa forma, desculpas à através de um olhar.
— Sim, Claire? — ela murmurou indo para o canto da sala.
Preciso que venha aqui, . Estamos com problemas e você não vai gostar de saber disso em outro lugar. — A garota murmurou um tanto quanto desesperada do outro lado da linha.
— Tem que ser agora? — perguntou.
Sim, porque só você vai poder resolver o que está acontecendo. Elizabeth Johnson está de volta, isso é tudo o que posso te adiantar por telefone. — Claire respondeu tentando manter a calma na voz e arregalou levemente os olhos.
— Elizabeth? De volta? Como assim? — perguntou.
Apenas venha, . — Foi tudo o que Claire disse antes de desligar o telefone.
respirou fundo. Sabia que havia algo maior que um problema para Claire ligar naquele estado e falar sobre Elizabeth.
— Algum problema? — perguntou, fazendo-a acordar para a vida novamente.
— Pelo jeito, algo maior que isso — ela respondeu enquanto pegava o papel que escondera de e jogava dentro de sua bolsa. — Avise à Charlie que vou precisar sair antes de vocês? Estou com problemas na redação e não pode ser adiado — ela murmurou puxando as chaves do carro.
— Certo. Boa sorte. — murmurou encarando-a com os olhos estreitos.
— Obrigada, vou precisar. — Ela murmurou e saiu da sala apressada.
soltou um suspiro pesado e bagunçou os cabelos, saindo da sala em seguida. O assunto era de , ele não deveria ficar curioso nem com vontade de segui-la para evitar que ela passasse mal novamente. Deus! O que diabos ele estava pensando?

***

Uns minutos depois, já estava fora do carro e entrando na Redação às pressas. Claire respirou aliavada ao encontrar a mulher logo na entrada.
— Graças a Deus! — a loira exclamou. — O chefe está pirando com o que saiu na nova revista da Elizabeth.
— O que saiu na revista da Elizabeth? — perguntou e claire estendeu a revista para a chefe.
— Vá para sua sala e leia lá. Não se atreva a ler isso por aqui — Claire murmurou, séria. — Todos já leram, por isso estão te olhando estranho — a garota apontou para as pessoas em volta enquanto caminhava em passos largos junto à . — Página dez. A maior matéria da revista. Preciso avisar o chefe que você já está aqui. Não saia da Redação até eu voltar na sua sala, por favor.
— Tá, tá — murmurou e entrou em sua sala de uma vez, enquanto Claire ia para o corredor do lado.
estava curiosa. Folheou a revista até a página dez o mais rápido que conseguiu e se sentou em sua cadeira confortável. Assustou-se ao ver uma foto sua e, logo ao lado, uma de . Estreitou os olhos e começou a ler, sentindo a raiva tomar conta de si aos poucos. Quem aquela mulher pensava que era?!
se levantou e jogou a revista dentro da bolsa. Saiu de sua sala o mais rápido que conseguiu. Não se importava se Claire iria procurá-la junto ao chefe ou qualquer coisa do tipo. Ela apenas queria chegar em Elizabeth Johnson. As pessoas do local ainda a olhavam estranho. Ela não tinha culpa! Eles não deveriam olhá-la daquela forma! Eram seus colegas de trabalho! Não deveriam ficar julgando daquela forma só porque leram uma palhaçada em uma revista de fofoca qualquer!
entrou no carro e o ligou o mais rápido que conseguiu, arrancando em seguida. Dirigiu em alta velocidade e, em dez minutos, já estava em frente o local de trabalho de Elizabeth.
Com a cabeça erguida e passos rápidos, adentrou a sua redação rival e ignorou todos os olhares assustados que estavam sobre si. Apoiou-se na mesa da provável secretária dali e deu um sorriso fraco.
— Elizabeth Johnson — murmurou para a mulher que a olhou de cima a baixo, reconhecendo-a. Com um sorriso no canto dos lábios, a secretária encarou .
— Tem hora marcada, senhorita ? — ela perguntou num tom de voz extremamente calmo. diria que aquilo era um som angelical se não soubesse o quão diabólica aquela mulher era, assim como a chefe.
— Na verdade, não. Mas ela sabia muito bem que eu viria aqui — respondeu tentando manter-se tão calma quanto a outra.
— Pode deixá-la entrar, Alexia — uma voz extremamente irritante – de acordo com , claro – ecoou pelo local.
— Sim, senhora — a secretária, Alexia, murmurou e voltou ao seu trabalho, ignorando o máximo que pôde. Com uma risada fraca, se virou para Elizabeth que estava parada na porta de sua sala. podia não gostar dela, mas uma coisa deveria assumir: Ela estava muito mais bonita que antes. Seus cabelos extremamente pretos estavam presos em um alto rabo de cavalo, usava uma saia de cintura alta preta extremamente justa, deixando a mostra suas curvas e a blusa branca social com um decote maior do que deveria se usar em um dia comum de trabalho. Mas, de qualquer forma, ela estava linda.
— Em que posso ajudar? — Elizabeth perguntou com um sorriso calmo nos lábios e suspirou, assim que entraram na sala.
— Quero que tire isso das bancas — pegou a revista em sua bolsa e jogou-a na mesa de Elizabeth. — Agora.
— Por que eu faria isso se a revista está indo tão bem? — Elizabeth perguntou ainda sorrindo.
— Você sabe porquê. — murmurou entre os dentes. — Eu nunca disse que você não poderia usar meu nome em suas matérias, Elizabeth. Mas também não disse que você poderia sair por aí inventando essas coisas terríveis.
— Coisas terríveis? — Elizabeth perguntou folheando a revista e parando na página de sua matéria. — Desde quando eu contar para todos que você anda por aí transando com o é terrível?
— Desde o momento que isso não é verdade! — rebateu séria. — Quero que tire isso das bancas ou serei obrigada a...
— Será obrigada a fazer o quê? — A morena perguntou, ficando de pé novamente e parando de frente para .
— Você sabe o que vou ser obrigada a fazer. — respondeu com um sorriso malicioso no canto dos lábios.
— Você não me assusta, — Elizabeth murmurou.
— Não quero meu nome em suas matérias. — disse de uma vez. — É melhor isso acabar por aqui. Tire essa maldita revista das bancas ou terá que aguentar mais um processo nas costas.
Elizabeth deixou uma risada alta escapar.
— Está me ameaçando?
— Não. Estou apenas avisando o que vou fazer se essa palhaçada continuar — respondeu.
— Quem você pensa que é, ? — ela perguntou baixo, apoiando-se na mesa com os braços cruzados.
— Sou a jornalista que você jamais será — respondeu calmamente. Elizabeth engoliu seco discretamente e revirou os olhos em seguida.
— Só por que está tendo um caso com o maior policial de Londres pensa que pode me tratar assim e me dar ordens? — Elizabeth perguntou com um sorriso no canto dos lábios.
— Eu não estou tendo um caso com o ! — rebateu alto.
— Tem certeza? — Elizabeth se aproximou de . — Sei que ele é um homem difícil de lidar, mas vai, ele não deve ser tão ruim de cama para você negá-lo tanto assim.
— Olha aqui, Elizabeth, eu já disse o que tinha para dizer — murmurou entre os dentes. — Seria ótimo se você tirasse logo isso das bancas. Caso contrário...
— Caso contrário o que, ? — Elizabeth a interrompeu. — Vai me ameaçar de novo? Dessa vez vai ser o quê? Vai ameaçar a me jogar na cadeia igual o fez com você várias vezes? — a morena perguntou e estreitou os olhos, se perguntando como diabos ela sabia daquela história.
— Talvez — sorriu. — Já que sabe tanto, deve saber que estou trabalhando com ele agora, certo? Então, provavelmente, sabe também que quando ele fica com raiva todos daquela equipe também ficam e fazem o que ele quer, certo?
— Sei mais do que imagina, — Elizabeth murmurou. — Não venha falar como se fosse superior a mim, porque você não é.
— Não sou? — perguntou e deu um passo a frente. — Tem certeza?
— Absoluta. — Elizabeth respondeu encarando a outra nos olhos.
— Eu não penso assim. Até porque, quem está escrevendo para uma revista de fofocas é você — sorriu mais uma vez. — E eu, bem... Eu estou trabalhando para a melhor equipe policial da Inglaterra e investigando assassinatos. Tem mesmo certeza absoluta de que não sou superior? — alargou seu sorriso ao notar Elizabeth sem resposta. — Eu não vim aqui para discutir carreira. Você sabe da sua situação e da minha, é só compará-las, Elizabeth. Eu só vim aqui para pedir...
— Mandar, ameaçar, obrigar... — Elizabeth a interrompeu, revirando os olhos.
— Que seja — deu de ombros. — Eu apenas quero que você tire essa revista das bancas. Você sabe que se receber mais um processo pode acabar com a sua carreira de uma vez por todas e eu não vou hesitar em fazer isso se essa droga dessa revista não sumir das bancas.
— Terminou, ? — Elizabeth perguntou.
— Terminei, Johnson. — respondeu com um sorriso confiante nos lábios e se virou para sair da sala de Elizabeth.
— Isso não acaba aqui, — Elizabeth murmurou antes dela sair. deu uma risada fraca e se virou para a mulher uma última vez.
— Eu sei que não, Elizabeth. — respondeu e saiu da sala de uma vez por todas. Seu sorriso continuava em seus lábios deixando as pessoas em volta extremamente curiosas.

***

— Eu vou acabar com ela! — exclamou jogando a revista o mais longe que pôde.
— Você não vai acabar com ninguém — Emma murmurou. — Eu avisei para você que ela voltaria!
— Que voltasse, Emma! — ele gritou. — Ela não precisava chegar inventando essas coisas!
— Inventando? — Emma perguntou. — É alguma mentira que você andou se pegando com a por aí?
— Não, não é! Mas a gente não tem um caso! As coisas não são assim, Emma! A Elizabeth não sabe de porra nenhuma! — disse alto e rápido, fazendo Emma dar uma risada fraca.
— Como se a Elizabeth tivesse descoberto isso sozinha — Emma revirou os olhos. — Você sabe que estão tirando informações daqui e dando para alguém.
— Eu sei e vou descobrir quem é para acabar com esse filho da puta — disse sério.
— Pare de agir assim — Emma murmurou encarando o amigo.
— Assim como? — ele perguntou.
— Como se os nomes Elizabeth Johnson e juntos não te assustassem. — Ela respondeu baixo.
— Esses nomes não me assustam, Emma! — ele exclamou soltando uma risada.
— Tem certeza que não? Tem certeza que você não tá desesperado por dentro porque a mulher que mais atentou seu passado tá de volta e que, talvez, neste exato momento, ela pode estar com a mulher que você tem um caso ou quase isso? — Emma rebateu encarando-o nos olhos.
— Eu já saí da fase Elizabeth — murmurou, sério.
— Agora está na fase ? — a mulher perguntou em um tom engraçado, fazendo-o rir alto.
— Não — ele ficou sério novamente. — Não coloca coisa na sua cabeça, Emma. Não acredite nessas revistas.
— Não falo pela revista. Falo pelo que conheço — ela disse, séria. — Eu te conheço mais que qualquer outra pessoa e você sabe disso. Estou dizendo que você está se apegando à da mesma forma que se apegou à Elizabeth. Qual o seu problema com jornalistas?
— Não estou me apegando à ninguém, Emma — ele disse baixo.
— Tem certeza?
— Absoluta.
— Assim espero. Gosto do extremamente grosso e inteligente, não do depressivo porque levou um pé na bunda — Emma disse baixo e se levantou, saindo da sala em seguida sem dar tempo para responder alguma coisa.

***

respirou fundo mais de três vezes e permaneceu dentro do carro. Não voltaria ao prédio para encarar Charlie ou qualquer outra pessoa — principalmente — depois de tudo isso. Sabia que lá todos já tinham lido e que a olhariam estranho também. De tudo o que poderia fazer, apenas uma opção era certa: ligar para o número do bilhete e descobrir quem diabos era.
Discou os números o mais rápido que pôde e esperou alguém atender. Não demorou muito para uma voz masculina ecoar do outro lado da linha.
Sabia que não resistiria, .
— Quem é você? — ela perguntou um tanto quanto assustada pela pessoa já saber que era ela.
Hoje, daqui a dez minutos. No café em frente a Redação onde está. — O homem murmurou e engoliu seco. Estava assustada agora. Como diabos ele sabia onde ela estava? Quem era aquele homem?
— Quem é você? — perguntou novamente.
Você sabe quem eu sou. Mas... Caso não esteja lembrada, irá se lembrar se for ao meu encontro e, já que é uma jornalista investigativa, tenho certeza que aparecerá.
— Não vou aparecer se não me disser quem você é! — exclamou nervosa e o homem do outro lado da linha riu.
Dez minutos. — Fora tudo o que ele disse antes de desligar o telefone na cara da moça, deixando-a completamente confusa.
respirou fundo mais uma vez e jogou o celular no banco do carona com raiva. O que diabos estava acontecendo?! Onde ela estava se metendo? Quem era aquele homem? O que ele queria com ela?
Uma voz em sua cabeça gritava para ela ir embora e contar para Charlie o que estava acontecendo, já, a outra, gritava o contrário; gritava para que ela fosse se encontrar com o tal homem misterioso e descobrir o que ele queria com ela, por que ela, quem ele era... E ela sabia que sempre seguiria a segunda voz. O que ela nunca sabia era o porquê dessas brigas internas se sempre acabaria arriscando.
Abriu a porta do carro e saiu de uma vez, já estava do lado de fora do estacionamento da Redação de Elizabeth, então não haveria problema em deixar o carro estacionado ali. Seguiu em direção à lanchonete indicada pelo homem do celular e sentou-se em uma mesa qualquer. Ele a reconheceria. Ela tinha a leve impressão de já conhecer aquela voz, mas... Não alimentaria algo que sabia que poderia ser fruto de sua imaginação. Mas ela tinha certeza absoluta de que aquele homem a reconheceria.
— Olá. O que deseja? — uma garota que aparentava ter uns dezoito ou dezenove anos perguntou para .
— Olá — respondeu calmamente. — Um Capuccino, por favor — sorriu e a garota balançou a cabeça afirmativamente, indo pegar o pedido logo em seguida.
Não demorou muito e já estava com seu pedido em mãos. Encarou o relógio em seu pulso e pôde notar que faltava menos de dois minutos para o tal homem chegar. Sentia-se mais nervosa a cada segundo que passava. Afinal, aquilo poderia ser uma armadilha... Como também poderia ser alguém querendo lhe dar informações... Eram muitas hipóteses para ela não arriscar e ficar ali. despertou de seus pensamentos assim que um homem alto de boné e óculos escuros parou ao lado de sua mesa e olhou em volta. Logo depois, com um sorriso no canto dos lábios, ele se sentou na cadeira livre, de frente para .
— Não se atreva a levantar e correr quando eu tirar esse boné e esses óculos — ele murmurou e teve mais certeza do que nunca de que conhecia aquela voz. Não demorou muito para seu coração começar a bater mais rápido e o ar lhe faltar assim que o homem tirou seu "disfarce".
engoliu seco várias e várias vezes, sua garganta estava seca e ela não tinha voz para pedir socorro nem coragem para pegar o celular e ligar para ou Charlie ou qualquer outro homem para ir tirá-la dali.
— O que você quer comigo? — ela perguntou baixo, tentando voltar a respirar normalmente.
— Não precisa ficar tão assustada, não vou tentar te matar. Não hoje — Crowley murmurou revirando os olhos.
— Eu vou embora! — exclamou e se levantou, mas Crowley fora rápido o suficiente para segurá-la pelo braço e fazê-la se sentar novamente.
— Você vai ficar aí sentada e me ouvir — ele disse entre os dentes. — Não quero me estressar hoje. Só quero que me escute e que não conte sobre essa conversa para ninguém. Se o souber que procurei a mulher que ele está tendo um caso...
— Não estou tendo um caso com o ! — o interrompeu, tentando não falar alto de raiva.
— Tudo bem — ele levantou as mãos. — Resumindo, se alguém souber dessa conversa... Bem, você sabe, eu vou simplesmente te matar.
— Não tenho nada para falar com você — ela murmurou.
— Mas eu tenho coisas para te contar, então, por favor, fica sentada aí — Crowley disse revirando os olhos. — Você é uma jornalista e tem curiosidades; curiosidades que o nem ninguém está disposto a te esclarecer.
— Por que eu acreditaria em você? — ela perguntou o encarando nos olhos.
— Porque eu sei que o realmente é. Mas... E você, ? Sabe quem realmente é o homem com quem anda dormindo?
— Não ando dormindo com o revirou os olhos. — Não me importa quem ele realmente é.
— Ah, você se importa, sim — Crowley disse sério. — Você sabe que se importa e, a propósito, não precisa mentir para mim sobre o casinho de vocês. Isso estava bem óbvio desde o início.
— Você não sabe de nada! — exclamou, sentindo a raiva voltar a tomar conta de seu corpo.
— Não sei? — Crowley perguntou e se aproximou mais da mulher. — Mas e aquele vídeo de vocês no elevador do prédio do Charlie? Aquilo daria um ótimo pornô se vocês tivessem terminado o trabalho...
— Cala a merda da boca! — praticamente gritou, atraindo alguns olhares. Ignorou-os completamente e encarou Crowley. — Nunca mais repita isso.
— Tudo bem. Mas e agora, vai insistir em dizer que eu não sei de nada? — Crowley perguntou. — Quem não sabe de nada é você, . Tome cuidado.
— Quem tem que tomar cuidado é você que pode ser preso de novo — ela rebateu, séria.
— Qual seria o motivo da minha prisão desta vez? — ele a encarou com um sorriso no canto dos lábios. — Vocês não podem me prender dessa vez, ! — ele alargou seu sorriso. — Cadê a do início do ano? Aquela que discutia com o e não era enganada tão fácil assim? Esqueceu das regras? Das leis? Vocês não podem simplesmente me prender porque acham que eu fiz alguma coisa. Não tem uma confissão, não tem uma prova concreta. Quando você vai acordar e perceber que essa coisa toda de ficarem atrás de mim é só para achar uma prova contra mim para me mandar pra longe definitivamente? — ele a encarou. — Porte ilegal de armas? Não. A arma que eu usei era sua. Ameaça e assassinato? São só hipóteses que vocês têm. Posso passar duas noites na cadeia por causa do pega? Sim, claro. Mas serão só duas noites. — Crowley finalizou e encarou que permanecia em silêncio. Como ela conseguira ser tão idiota a ponto de não perguntar o que tinham sobre o Crowley para tentar prendê-lo? Por que diabos ela não perguntou ao o que ele estava aprontando para querer levá-la até o pega?
— Eu vou embora. — murmurou e se preparou para levantar novamente.
— Espera. Vai me dizer que você caiu na lábia do ? — ele perguntou e deu uma risada em seguida. — Você, ? Logo você?!
— Eu não caí na lábia de ninguém, Crowley — ela respondeu o encarando séria.
— Posso não estar aqui há tanto tempo mas sei bastante coisa sobre você — Crowley continuou. — Você não me parece o tipo de mulher que cai fácil na lábia do . Sério. Não consigo acreditar que você caiu nessa — ele soltou um suspiro. — Mas tudo bem, você não foi a única nem nunca será.
— O que quis dizer com isso? — ela perguntou sentando-se novamente.
— Vai me ajudar? — ele perguntou com um sorriso no canto dos lábios.
— Por que eu te ajudaria? Olha as coisas que você acabou de me dizer! — disse com raiva.
— Por que você me ajudaria? — ele repetiu a pergunta e arqueou uma das sobrancelhas. — Porque você sabe como eu me sinto com a morte da Rachel. Bem... Você sabe como é perder alguém que ama, certo? Você sabe o que é perder um filho, . Por isso você me ajudaria — ele finalizou com um leve sorriso nos lábios e engoliu seco. — Ah, você sabe... A Rachel estava grávida. Dois ou três meses, talvez. Fui saber quando me contaram. E, sim, o informante que está lá dentro é meu. Mas isso não importa agora, senão você vai querer gravar essa conversa e me jogar na cadeia por uma possível confissão. Mas, enfim. Decida-se. Vai me ouvir ou se levantar e ir embora?

***

— Será que dá para ser rápido nisso, ? Eu preciso trabalhar — Lucy disse enquanto tirava o esmalte vermelho das unhas, mostrando-se entediada. — Ela é uma vadia e isso já está provado. Ela não sabe de merda nenhuma, você já pode matá-la.
— Lucy, cala a boca — murmurou e se aproximou da garota loira que estava do outro lado da sala. — Vamos lá, Natasha. Me diga tudo o que sabe.
— Eu não vou viver de qualquer forma... Por que não morrer e foder vocês, então? — a garota rebateu baixo. Estava cansada. Seu corpo inteiro doía.
— Não quero me estressar com você — murmurou devagar. — Diga-me o que sabe sobre Paul Garred e Owen Mangor.
— Você realmente acha que eu me metia com mulheres? — ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas. — Não sou do tipo de prostituta que se mete com outras mulheres, por favor — ela revirou os olhos. — Eu não sei nada sobre o Paul.
— Ele era seu cliente, me diz logo o que sabe. — insistiu e Natasha deu uma risada fraca, jogando a cabeça para trás na intenção de tirar o cabelo dos olhos, já que estava amarrada.
— Eu não sei de nada. — Ela disse firme e riu baixo.
— Você não tem medo de morrer, não é, garota? — ele perguntou bem próximo a ela.
— Não — ela respondeu calmamente com um sorriso angelical nos lábios.
Lucy bufou do outro lado da sala e se levantou.
— Fala logo o que sabe, Natasha. — Lucy disse séria e a loira a encarou.
— Me obrigue. — Natha rebateu e Lucy sentiu seu sangue ferver.
— Como quiser — ela murmurou enquanto pegava um cigarro no bolso e o colocava na boca, acendendo-o em seguida. Tragou algumas vezes e soltou a fumaça no rosto da menina, ignorando completamente. — Você não vai dizer por bem, né?
— Nem por mal — Natasha respondeu encarando-a com um sorriso malicioso nos lábios.
— Tudo bem. — Lucy murmurou e, em um movimento rápido, afundou o cigarro na barriga descoberta de Natasha, fazendo-a soltar um grito de dor e susto. — Nós não temos a porra do dia inteiro, vadia de merda! — Lucy gritou e , com um sorriso nos lábios, se afastou devagar. — FALE LOGO O QUE SABE! — Lucy gritou novamente, afundando o cigarro em outra parte da barriga da garota, fazendo-a soltar outro grito.
— EU NÃO SEI DE NADA, SEUS LOUCOS! — Natasha gritou com lágrimas nos olhos. Não se permitira a chorar com aquilo. Ela era mais forte!
— Você sabe e você vai falar — Lucy murmurou se aproximando mais da garota e soltou uma risada alta. Ambas o ignoraram. — Eu odeio ter que torturar as pessoas para descobrir o que eu quero. Mas vocês nunca me deixam outra opção. Parece que gostam de sofrer.
— Algumas pessoas são tão masoquistas quanto você, Lucy — Natasha murmurou e a encarou.
— O que quis dizer com isso? — se aproximou rapidamente de Natasha, que sorriu.
— Não interessa. Ela sabe do que estou falando — Natasha deu de ombros e suspirou, sentindo sua barriga arder.
— Sai daqui, — Lucy murmurou. — Eu vou acabar com essa vadia. Agora.
— Você não vai acabar com ninguém, se controla — disse baixo e Natasha riu alto.
— Vocês são dois idiotas! — ela disse alto. — Me matem. Andem. Acabem com isso. Comecem outro jogo.
— O que quer dizer com "comece outro jogo"? — Lucy perguntou olhando-a nos olhos.
— Vocês não são os únicos atrás de informações sobre esses dois mortos — Natasha revirou os olhos. — Vocês não são os únicos a quererem o cofre do Paul... Nem o da Owen... — ela sorriu. — Vocês não são os únicos, mas serão os últimos a descobrirem onde está tudo porque são dois idiotas.
— Acaba com ela, Lucy — murmurou ficando de costas para a garota e Lucy deu um sorriso torto.
— Estou te dando uma última chance de dizer alguma coisa — Lucy murmurou enquanto preparava a faca.
— O que quer saber? Quantas vezes transei com Paul? Ou quantas vezes fui até a casa do ex-marido da Mangor? — Natasha perguntou sorrindo maliciosamente e Lucy a encarou. — Ah, não. Vocês querem a informação do cofre, claro. Mas, não. Não irei contar nada disso. Recebi para guardar o segredo, portanto, não contarei nada. Agora me mate logo, mulher — a mais nova finalizou, revirando os olhos.
— Como preferir — Lucy murmurou passando a faca pelo pescoço de Natasha sem muita força. — Quer dizer adeus? — ela sussurrou no ouvido da loira que apenas revirou os olhos.
— Vejo vocês no inferno — Natasha sussurrou e Lucy estreitou os olhos.
Após bufar uma vez, se aproximou das duas mulheres e segurou a mão de Lucy fazendo-a forçar a faca no pescoço de Natasha de uma vez por todas. Um corte grande e profundo fora feito, jorrando o sangue em cima dos outros dois. Lucy virou o rosto para o outro lado e continuou encarando a linda loira se engasgar com o próprio sangue enquanto tremia levemente. Natasha estava sendo diferente de todos os outros; ela não estava implorando por vida, não estava implorando para que o sangue parasse de jorrar ou algo do tipo. Ela apenas... Aceitava a morte. Lucy soltou a faca de uma vez por todas e tentou tirar um pouco do sangue que tinha no rosto. continuava encarando a garota morrer com um leve sorriso nos lábios.
— Vamos, — Lucy murmurou e ele revirou os olhos.
— Espera. — Ele murmurou de volta, segurando a faca com mais firmeza e forçando-a na barriga da garota algumas vezes. — Vamos deixar bem claro que isso é trabalho nosso de novo — sorriu.
, chega! — Lucy exclamou e o rapaz a ignorou, voltando a forçar a faca no corpo já sem forças de Natasha. A garota já estava morta. — Você às vezes age como um maníaco. Pare com isso. Ela já está morta. Não precisa acabar com o corpo. Nós que vamos examiná-lo depois — Lucy continuou, enquanto tirava as luvas das mãos e jogava-as em um canto junto com os outros "materiais" que usaram.
— Você age como se não gostasse desse meu lado — murmurou deixando, finalmente, o corpo da grota de lado. — Vai dizer que eu não fico mais sexy assim? Com uma faca amolada na mão, um pouco sujo de sangue e num estilo meio que... Dexter? — ele perguntou em um tom doentio e Lucy deixou uma gargalhada escapar.
— Você é um idiota. Castellamare te estragou — Lucy murmurou enquanto terminava de limpar o rosto.
— Talvez — murmurou deixando a faca que usara para matar Natasha ao lado de seu corpo e, em seguida, arrancando as luvas e jogando-as junto às de Lucy.
— Vamos arrumar logo isso que já vão sentir nossa falta — Lucy murmurou ignorando o peso que insistia em tomar conta de sua consciência. não respondeu, apenas começou a juntar as coisas cuidadosamente.

***

sentia sua cabeça latejar e o ar começar a lhe faltar. Estava no estacionamento do prédio e tudo o que precisava era de ajuda, mas se ligasse para Emma ou qualquer outra pessoa de lá, perguntariam o porquê de seu mal-estar. Sendo que... Nem mesmo ela sabia o motivo daquilo. Só sabia que se sentia mal desde a conversa com Crowley. Talvez aquilo fosse estresse. Talvez fosse medo. Talvez estivesse ficando doente mais uma vez.
Após um suspiro alto, abriu a porta do carro e pegou suas coisas. Trancou o carro e ativou o alarme, ainda apoiada no carro. Ficou ali até conseguir se manter de pé sem precisar de apoio. Caminhou o mais rápido que pôde até o prédio, indo em direção à sala que dividia com e ignorando todos os olhares e sussurros das pessoas em volta. Estava passando mal demais para se importar e arrumar briga.
Assim que entrou na sala, fechou a porta com força, apoiando-se nela e respirando fundo. O mal estar não tinha passado.
? — a voz de Emma ecoou pelo local. — Tá tudo bem?
— Tá — respondeu baixo tentando manter a respiração calma. Mas... parecia que o que tomara com Crowley na lanchonete estava querendo sair. — Merda, não. — Ela murmurou antes de sair correndo da sala em direção ao banheiro. Não se desculpou com as pessoas em que esbarrou nem nada do tipo, apenas entrou no banheiro e se trancou em uma das cabines. Abaixou-se em direção a privada e apenas deixou que tudo o que comera durante o dia inteiro saísse de uma vez, dando-lhe um leve alívio.
? — Emma chamou alto e ela não respondeu, Emma a encontraria logo. — Abre a cabine, ! — Emma exclamou e, às cegas, destrancou a porta, deixando Emma abri-la de uma vez. — O que houve?
— Eu não sei — murmurou apertando a descarga e deixando seu corpo cair sentado no chão de uma vez.
— Você nos deixou preocupados em sair da sala daquele jeito — Emma murmurou sentando-se ao lado de .
— Eu tô estressada — murmurou encarando o rosto da outra. — Fui resolver o assunto da revista com a Elizabeth. A gente meio que discutiu e... — mordeu o lábio inferior. Não contaria sobre Crowley. — Fui em uma lanchonete para comer algo e me acalmar. Eu acho que isso me fez mal.
— Elizabeth. Claro. — Emma suspirou. — Só isso que te fez mal?
— O que mais me faria mal? — perguntou arqueando uma das sobrancelhas e encarando Emma.
— Não sei, . O que mais te faria mal? — Emma a encarou. — É a primeira vez que acontece?
— Não — respondeu baixo e Emma deu uma risada fraca.
— Aposto também que não se cuidou quando transou com o — Emma foi direta e a encarou de olhos arregalados, não que ela achasse que Emma não soubesse do que acontecera. Mas... Pensar que... Aquele fora o motivo para ela passar mal já era demais, não? Bem... Eles não se cuidaram. Mas isso também não quer dizer que... Bem. Isso não quer dizer que ela possa estar grávida.
— O que quer dizer com isso, Emma? — perguntou cruzando os braços.
— Que você está grávida. Você entendeu. — Emma respondeu dando de ombros.
— Eu não estou grávida! — exclamou. — É só um mal estar!
— Um mal estar que vai sair de você dentro de nove meses? — Emma debochou e suspirou, piscando algumas vezes.
— É impossível eu estar grávida, Emma — ela murmurou.
— Ah, claro. Vocês não se cuidam e é impossível você estar grávida? — Emma perguntou com um sorriso irônico no canto dos lábios.
— Não é por isso! — rebateu. — Eu só...
— Não sabe como contar ao ou algo do tipo? — Emma a interrompeu e revirou os olhos.
— Não, Emma. — Ela suspirou e fitou o chão. — Eu não posso engravidar — ela encarou Emma com um leve sorriso nos lábios. — Digo... Eu não seguro uma criança dentro de mim por mais de quatro meses.
— Você... — Emma a encarou com os olhos estreitos. — Você não pode?
— Não, Emma — respirou fundo e segurou as lágrimas. Falar sobre aquilo nunca fora fácil. — Eu simplesmente não posso. Se eu estiver grávida, o nem você nem ninguém precisa se preocupar. A criança não chegará ao quarto mês — ela se levantou ignorando a leve tonteira que lhe atingiu.
Emma permaneceu sentada no chão em silêncio. Fora um grande choque para ela saber que uma mulher que aparentava ser tão saudável quanto não podia ter um filho.
— Desculpa. Eu...
— Tudo bem — a interrompeu. — Não tinha como você adivinhar. Mas você até que me fez parar para pensar — ela deu um sorriso fraco e se virou para Emma que já estava de pé. — Eu posso sim estar grávida — ela fez uma pausa para suspirar e pousar a mão em cima da barriga.
— Já aconteceu antes, né? — Emma perguntou e sorriu.
— Não foi uma nem duas vezes, Emma — ela respondeu baixinho enquanto fitava o chão.
— Ah, Deus... — Emma murmurou e suspirou novamente.
— Mas, enfim — sorriu. — Tá tudo bem.
— Você precisa contar ao , não acha? — Emma perguntou baixo, procurando as palavras certas.
riu e respondeu:
— Não. Ele não precisa saber, Emma.
— Precisa, sim — Emma rebateu, se aproximando mais de .
— Não precisa! — rebateu e deu uma risada amarga. — Pra ele ficar no mesmo estado que você? Sentir pena de mim e se sentir obrigado a continuar comigo sendo que nós não temos nada sério? Não, obrigada. Já passei por isso antes e sei o que estou fazendo.
— Você não pode esconder algo assim dele, ! — Emma exclamou e revirou os olhos.
— Nós não temos certeza de nada. Eu só me senti mal — disse entre os dentes.
— Se você não tivesse certeza, não estaria agindo desta forma — Emma rebateu. — Não se esqueça que, acima de qualquer coisa, eu trabalho em investigações e sei muito bem quando alguém tem certeza de alguma coisa. Também não esqueça do quão transparente você é, .
— Sai daqui, Emma — pediu baixo.
— E deixar você sozinha nessa situação? Óbvio que não. Vou te levar a um médico e vamos ter certeza absoluta disso — Emma respondeu.
— Eu não quero ter certeza de nada, Emma! — praticamente gritou, com lágrimas nos olhos. — Eu só quero ficar sozinha. Você não percebe que é muito estresse pra uma pessoa só? — ela fez uma pausa para respirar fundo. — Só sai daqui, Emma. Eu me viro. Obrigada por se preocupar, mas não precisa.
— Eu já disse que não vou sair e você não vai conseguir me obrigar. — Emma disse firme e revirou os olhos.
se virou para a pia novamente — tentando ignorar o que Emma disse —, abriu a torneira e enfiou as mãos debaixo da água fria, jogando-a no rosto em seguida. Fez isso algumas vezes até se sentir melhor. Emma continuava parada ali, olhando até quando ela continuaria naquela bobeira de recusar ajuda para uma coisa que a prejudicaria.
encarou seu reflexo no espelho e revirou os olhos com sua aparência de doente.
— Olha...
— Não, Emma. — a cortou. — Não quero falar mais.
— Tudo bem — Emma mordeu o lábio inferior. — Eu sei que a gente não se conhece há tanto tempo, eu sei que não concordei com a sua vinda pra cá, mas... — ela fez uma pausa — Foi bom trabalhar com você, você se mostrou uma ótima pessoa, não que eu não te achasse antes — ela deu uma risada fraca e a encarou. — Mas... Sei lá, eu não gosto de ver ninguém assim e... Se eu consigo fazer o , que é tão complicado e complexo, desabafar e se sentir bem comigo, por que eu não conseguiria você? Eu sei que não comecei bem em falar com você daquele jeito sem saber da sua vida. Mas eu realmente odeio ver as pessoas assim — ela apontou para o reflexo de no espelho. — Então... Sei lá. Se precisar de companhia para ir ao médico, porque eu sei que você vai procurar um... — ela deu de ombros novamente e continuou: — Eu tô aqui, tá?
— Obrigada — foi o que disse antes de dar passos largos e puxar Emma para um abraço.
Emma deu uma risada fraca e acariciou os cabelos de , deixando-a chorar por total medo e desespero em seu ombro. Emma entendia o que estava passando. Já vira um caso parecido de perto.
O de Elizabeth.



Capítulo 23: What The Fuck?!


estava sentada em sua mesa encarando o nada e pensando no que acontecera durante o dia inteiro. Mesmo que não se sentisse bem, convenceu Charlie de deixá-la ficar lá e ajudá-los no que fosse preciso. Não é porque passara mal por uma (provável – pois não tinha certeza do que estava acontecendo) bobagem. Seu dia havia sido cheio, não precisava ir para casa e ficar pensando nisso até conseguir pegar no sono. Poderia ficar ali e fazer as coisas que deveria fazer até dar sua hora de ir embora, por mais que mesmo sendo liberada por Charlie devesse voltar até a Redação e dar uma explicação plausível para seu chefe. Estava ali porque queria; não precisava aguentar seu chefe falar bobagens em sua cabeça só porque ela saíra para arrumar um pequeno barraco com Elizabeth. Bastava inventar uma desculpa esfarrapada para seu chefe largar de seu pé. Ela havia sido liberada para trabalhar com Charlie, portanto, não precisava dar satisfações.
Após soltar um suspiro pesado, encarou o teto. Estava cansada de digitar sobre como estava sendo trabalhar com Charlie e companhia. Precisava pensar sobre o que conversara com Crowley. Aquilo era prioridade. Crowley não era o assassino e aquilo ficou extremamente claro para ela. Mas ele sabia quem era o assassino e, mais que isso, sabia o porquê de tudo aquilo. Sabia o porquê de o assassino armar aquele pequeno efeito dominó — onde a cada morte que acontecia, deixava claro que a pessoa estava metida com alguma coisa e levava à outra pessoa — e, principalmente, o porquê do assassino ficar mais focado em fazer com que descobrisse as coisas antes de todos. Crowley sabia demais; mais do que deveria, até. sabia que ter se encontrado com ele não fora um erro. Fora um risco, um grande risco. Mas ainda assim não foi um erro. As palavras dele ainda ecoavam por sua cabeça.

Flashback.

— Eu quero proteção. — Ele disse firme e sem enrolar mais.
riu e o encarou.
— Por que está vindo pedir isso para mim? — ela perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Porque você é a única que aceitaria me ouvir sem tentar fazer alguma coisa para me prender — ele deu um sorriso fraco e abaixou o tom de voz. — Você sabe que se me der proteção da mesma forma que o está dando ao Zachary O'Donnel... — ele fez uma pausa e encarou a mulher que tinha os olhos levemente arregalados — Conseguirão chegar ao assassino bem mais rápido.
— Prove. — disse tão firme quanto ele.
Crowley abriu um sorriso de mostrar os dentes. estava aprendendo a negociar e ele se sentia honrado dela usar o que aprendera com ele.
— Tudo bem — ele deu de ombros e puxou um papel do bolso. — Isso aqui é um documento encontrado na casa da Mangor. Na verdade, um documento retirado de lá. Justamente para vocês não encontrarem. Leve para Charlie. Diga que te enviaram. Ele ficará orgulhoso de você.
— Com quem conseguiu isso? — perguntou enquanto lia o documento atentamente. Era quase um testamento onde Owen deixava bem claro que tinha algo que pessoas iriam atrás dela até conseguirem matá-la e onde provava que seus filhos tinham direito sobre tudo o que a polícia encontrasse.
— Não importa. Vai dar o que eu preciso ou não?

Fim do flashback.

deu um leve pulo em sua cadeira ao ouvir a voz grave de a gritar.
— O que é? Tá gritando por quê? — ela perguntou o encarando.
— Eu te chamei três vezes e você me ignorou totalmente sendo que temos um assassinato novo para investigar — ele explicou, revirando os olhos.
— Assassinato novo? — ela perguntou baixo e apenas balançou a cabeça afirmativamente.
— Natasha. Prostituta. — Ele deu de ombros. — Por que diabos matariam uma prostituta? — ele perguntou, bufando.
— Talvez para nos dar mais trabalho — murmurmou e se levantou, pegando suas coisas.
— Ei, você não vai — ele disse a encarando e ela deu uma risada fraca.
— Ah, é? Por quê? — perguntou cruzando os braços.
— Porque você passou mal o dia inteiro e disseram que o corpo está uma coisa horrível e o Charlie mandou eu só te informar do que estava acontecendo. Você vai cuidar das coisas por aqui — ele respondeu calmamente.
— E perder toda a diversão da coisa? — ela arqueou uma das sobrancelhas. — Eu não sou uma criança que passou mal e por isso tem que ficar de repouso o resto do dia.
— É sério, você não vai, . — disse firme e segurando um dos braços dela, fazendo-a parar de arrumar as coisas.
— Mas que coisa! — ela exclamou, emburrada. — Eu quero ir. Eu prometo que se eu passar mal de novo quando ver o corpo, não vou perturbar ninguém. Agora pode me soltar?
soltou o braço da mulher e bufou em seguida. Não ficaria ali insistindo para que ela desistisse da ideia de ir com eles analisar o local do crime.
deu de ombros quando saiu da sala e juntou suas coisas, saindo logo em seguida.

***

Claire sorriu e encarou o rapaz que estava deitado na cama e falando bobagens.
— Você está melhor — ela murmurou.
— Sim — ele sorriu. — Obrigado, Claire. Você e Cam foram ótimos comigo. Prometo fazer tudo para ajudar vocês no que precisarem.
— Por nada — ela sorriu de volta. — Quando pretende chamar o ?
— Logo — ele respondeu. — Quando eu melhorar um pouco mais. Eu acho que... O importante, por enquanto, é eu te contar o que realmente aconteceu comigo.
— Não precisa se sentir obrigado — ela se apressou em dizer. — Não precisa me contar nada, só me dizer quando posso chamar a e o para te verem. De verdade, não se sinta obrigado a me explicar sobre a sua vida. Eu sei que ela sempre foi conturbada.
— Eu esqueço do fato que você é formada em jornalismo — ele riu baixo. — Quantos anos você tem, Claire?
— Sou mais velha que você — ela murmurou envergonhada e o rapaz riu novamente.
— Aposto que sabe a minha idade — ele deu de ombros. — Acho justo saber a sua.
Claire riu novamente, sem jeito.
— Vinte e quatro — ela disse baixo e ele a encarou arqueando uma das sobrancelhas.
— Eu jurava que você era mais nova. — Ele riu baixo.
— Completo vinte e cinco em dezembro. No Natal. — Ela murmurou sorrindo.
— Então quer dizer que você ganha presente em dobro? — ele perguntou dando uma risada fraca e Claire o acompanhou.
— Não — respondeu dando de ombros. — Somos só eu e Cam, então... — ela mordeu o lábio inferior. — Acho que só de ter ele e os nossos amigos é de bom tamanho.
— Que bom que pensa assim — ele deu um sorriso torto e desviou o olhar.
— Você tem... Vinte, né? — ela perguntou baixo, vendo o quão tenso e triste o rapaz ficara de repente.
— Só até amanhã — ele sorriu e encarou-a novamente.
Claire abriu a boca em surpresa.
— Sério? — ela perguntou ainda surpresa. Nunca imaginara que o rapaz completaria seus vinte e um no dia seguinte. Nem sequer imaginara isso!
— Aham — ele sorriu.
— O que você quer de aniversário? — Claire perguntou com um sorriso torto nos lábios.
O rapaz de uma risada fraca.
— Não tenho direito de te pedir presentes — ele revirou os olhos. — Mas seria ótimo eu poder ver meu pai. Mas...
— O quê? — Claire o interrompeu. — Eu posso trazer seu pai aqui amanhã.
Ao ouvir as palavras de Claire o coração do jovem acelerou automaticamente e, em seus olhos, um brilho diferente apareceu. Talvez seus olhos brilhavam em esperança, de acordo com a observação de Claire.
— Vai ser difícil para ele — o rapaz encolheu os ombros. — Eu não sei se ele acreditaria. Para todos eu estou morto.
— Mas você não está! — ela exclamou e revirou os olhos. — Você acha que seu pai não vai acreditar em mim? Pelo amor de Deus! — ela deu uma risada. — Você conhece seu pai mais do que ninguém.
— Você faria isso? — ele perguntou baixo e Claire sorriu. — Eu... tenho medo de que seja um risco para você, Claire. Eu não quero colocar nem você nem seu irmão em perigo.
— Você não vai colocar — ela disse firme, enquanto pousava uma das mãos por cima da do rapaz. Ele sorriu e apertou a mão da moça, que sorriu.
— Então me ajuda a sentar direito? — ele perguntou sorrindo e sentindo seu rosto corar levemente. Claire deu uma risada fraca e se levantou. Com apenas um passo, Claire já estava ao lado do rapaz.
Ele apoiou os braços na cama e Claire envolveu sua cintura com um dos braços, ajudando-o a levantar o tronco e sentar-se melhor. Após ajudá-lo a ficar sentado do jeito certo, Claire sentou-se na cama ao seu lado. O rapaz parecia inquieto.
— O que aconteceu? — ela perguntou o encarando nos olhos e ele deu um sorriso fraco.
— Nada — respondeu baixo e desviou os olhos da moça. Sabia que o que passava por sua cabeça não era justo com ela. Ele não tinha o direito de pensar aquelas coisas dela, não tinha o direito de sequer tentar fazer o que realmente pretendia quando pedira ajuda para sentar-se em uma posição mais confortável. Mas... O momento era tão tentador! Estavam sozinhos ali. Cam ficaria de plantão. Claire estava de folga pelo resto do dia. Tudo em sua consciência gritava para ele fazer o que sentia vontade, sua cabeça simplesmente gritava e explodia, informando-o que não se arrependeria de sua atitude. Seu corpo praticamente implorava para mais um toque de Claire. Ele sentia suas forças — não totalmente recuperadas — se renovarem só de pensar no que poderia fazer com aquela linda moça tão perto.
Claire o encarou com um olhar de dúvida, pensou em perguntá-lo novamente, mas talvez ele só estivesse pensando no pai. Ou... Simplesmente não queria contar a ela o que estava acontecendo. Não pretendendo se martelar com aquilo e para deixá-lo sozinho perdido em seus pensamentos, Claire se levantou. Sairia do quarto se o rapaz não a tivesse puxado pelo pulso.
— Espera — ele murmurou, soltando um gemido baixo de dor em seguida pelo movimento feito tão rápido. Não estava aguentando mais, ele precisava daquilo como precisava daqueles aparelhos ligados ao seu corpo. Ele precisava sentir a pele macia de Claire junto à dele, ele precisava... Sentir... Seus lábios sobre os seus. Não hesitaria mais. Não estenderia mais. Deixaria claro suas intenções. Não se importava se ela o jogaria para fora de sua casa após sua atitude. Ele apenas... A queria. Em um movimento brusco e delicado ao mesmo tempo, o rapaz a puxou para mais perto, fazendo-a sentar na cama novamente e inclinou o corpo para frente e, sem dar tempo para Claire se afastar ou se levantar, juntou seus lábios. Naquele momento, Claire estava sem reação. Mas não podia negar que queria aquilo tanto quanto ele, portanto, não tinha nada a fazer se não retribuir aquele beijo. Suas línguas faziam uma dança perfeita enquanto seus lábios se movimentavam lentamente, deixando aquilo ainda mais harmônico. Claire deixou um suspiro fraco escapar entre o beijo e levou sua mão par a nuca do rapaz lentamente, forçando-se mais contra o corpo do rapaz, preocupado-se o tempo inteiro em tomar cuidado para não machucá-lo. O rapaz levou a mão até o rosto de Claire e lhe fez um carinho de leve, deixando-a arrepiada pelo toque dos dedos gelados em seu rosto.
Claire, sentindo seu rosto corar levemente, se afastou do rapaz, separando seus lábios de uma vez.
Ainda em choque com a própria atitude, o rapaz abriu os olhos e a encarou. Ela tinha um sorriso tímido no canto dos lábios e seu rosto corava mais a cada segundo que passava. Achando aquilo engraçado, ele deu uma risada fraca e a puxou para mais perto, dando-lhe um selinho demorado e carinhoso. Só ele sabia quanto tempo esperara por um beijo dela. Só ele sabia o que sentia quando ela aparecia para cuidar dele e ele não podia fazer absolutamente nada.
— Eu acho melhor eu ir dar um jeito de falar com o seu pai — Claire murmurou timidamente enquanto encarava todos os pontos do quarto, menos os olhos do rapaz que brilhavam de felicidade. Aquilo estava explícito!
— Desculpe — ele murmurou dando uma risada fraca. Ele sabia que Claire ficara daquele jeito por causa do beijo surpresa. Mas sabia também que ela havia gostado tanto quanto ele.
— Está tudo bem, James — ela disse baixo e ele sentiu seu corpo se arrepiar por inteiro ao ouvi-la falar seu nome. Soara com tanta ternura! Com tanto... Carinho. Paixão. Ele adorava ouvir seu nome escapar da garganta de Claire. Desde o momento em que ela o encontrara naquele estado deplorável que estava quando tentaram matá-lo e o deixaram no meio do nada para morrer sozinho.
— Fale que está tudo bem olhando nos meus olhos — ele pediu, puxando o rosto da moça em sua direção.
Após soltar um suspiro e fechar os olhos por alguns segundos, ela o encarou. Nenhuma palavra saíra de sua boca.
Para que palavras?, ela se perguntava enquanto encarava os olhos do mais novo. Claire desceu os olhos lentamente para os lábios rosados e carnudos de James. Era chamativo. Atrativo. Tentador. Perturbador. Irresistível.
Claire não fizera questão de falar alguma coisa, apenas se aproximou mais do rapaz e juntou seus lábios novamente em um beijo mais intenso.

***

estava apoiado em um muro qualquer, segurando seu cigarro com um pouco mais de força que o necessário. Olhar o corpo de Natasha não o fizera bem. Vê-la com a cabeça pendurada e aquele grande corte em seu pescoço o deixava completamente enjoado. Ele se lembrava perfeitamente como aquela garota era. Lembrava-se exatamente dos traços delicados de seu rosto, lembrava-se também de seu sorriso completamente infantil... O jeito de brincar com ele e Eric quando estavam juntos. nem sequer imaginara que a Natasha encontrada morta seria a Natasha que o mantivera informado enquanto se encontrava com Eric. Aquilo estava ficando mais complicado do que ele imaginara. Ele precisava pegar quem mandara matar Natasha. Aquilo não era obra de Crowley. Muito menos de Eric, que, além de ser seu amigo, já tivera um caso com aquela garota. Aquilo estava se complicando mais e isso não o agradava nem um pouco.
Após um suspiro pesado, levou o cigarro à boca novamente, sugando-o com vontade e engasgando-se em seguida. Não pela fumaça que ficara presa dentro dele, mas sim pela silhueta que surgira em sua frente. Oras! Não era possível que ela fora atrás dele em um local de trabalho! Após fechar os olhos e abri-los novamente, deixou um outro suspiro — desta vez de cansaço — escapar de seus lábios e encarou os olhos brilhantes e cativantes de Elizabeth que, agora, estava em sua frente com as mãos em sua cintura bem desenhada e um sorriso no canto dos lábios que tirava qualquer homem do sério.
— Elizabeth. — Ele disse baixo, porém, em um tom sério. Não estava gostando nada do que estava sentindo. Era primeira vez que ele se encontrava com Elizabeth depois de tanto tempo.
. — Ela murmurou lentamente, fazendo-o se arrepiar completamente.
— O que faz aqui? — ele perguntou, direto.
— Também estava com saudades de você, meu amor — ela respondeu com um sorriso inocente no canto dos lábios e se aproximou de , brincando com o colarinho de sua camisa.
— Não é mais trabalho seu investigar essas coisas, Elizabeth. — Ele murmurou tentando ignorar o efeito que o perfume da mulher lhe causara.
— Quem disse que vim investigar alguma coisa? — ela rebateu, se afastando dele e revirando os olhos em seguida. — Apenas achei estranho você não ter ido me procurar pelo que escrevi. Você fez isso com a ! — ela exclamou emburrada feito uma criança, fazendo cena. revirou os olhos e jogou o cigarro no chão de uma vez.
— Some daqui. — Ele disse firme e Elizabeth arqueou uma das sobrancelhas.
— Não vai ao menos perguntar por que fiz aquilo? — ela perguntou baixo e se aproximando novamente.
— Você fez aquilo para chamar a minha atenção e voltar com a briguinha incansável sobre carreira com a — ele respondeu sério, encarando-a nos olhos e lutando com todas as poucas forças que tinha para não se perder naqueles olhos perfeitos e brilhantes.
, , ! — ela suspirou. — Por que hoje em dia não posso ter uma conversa normal sem ninguém citar o nome dessa garota? — Elizabeth o encarou com as mãos na cintura e se aproximou mais. — Vai dizer que ela é tão melhor que eu assim? — ela finalizou em um sussurro no ouvido de , fazendo-o se arrepiar novamente e engolir em seco.
Aquela mulher tinha um poder sobre ele que nenhuma jamais tivera.
— Elizabeth, some daqui. — pediu novamente, segurando-a pelos braços e afastando-se dela completamente.
— Fiquei sabendo sobre a Kennedy — Elizabeth disse mais alto quando começava a se afastar. — Sinto muito.
— Não ouse a falar da Kennedy — ele voltou para perto da mulher e empurrou-a na parede. — Não abra a boca para falar o nome dela. Nunca mais.
— Pelo amor de Deus, ! — ela exclamou revirando os olhos. — Desde quando você é tão chato assim? Você não era assim antigamente — ela suspirou.
— Some. — disse entre os dentes. Não gostava de Elizabeth tão próxima assim. Odiava ter que lidar com os sentimentos que ainda nutria por ela. Não que fossem fortes como já foram. Mas... Não gostava da sensação de tê-la por perto. Não era uma sensação boa como já fora.
— Eu sei que você não quer que eu suma, — ela se aproximou mais e tocou o rosto do rapaz, fazendo-o fechar os olhos por alguns segundos.
Elizabeth sorriu com aquilo, sentindo-se satisfeita. Ainda tinha poder sobre , aquilo era uma vantagem.
— Eu já disse para sumir — ele disse mais uma vez, encarando-a nos olhos e se afastando de uma vez.
— Continua o mesmo orgulhoso e durão de sempre — ela disse soltando um suspiro em seguida. — Mas tudo bem, eu posso esperar até você se acostumar com a minha volta. Você sabe onde me encontrar. Eu sei que sabe — ela piscou um dos olhos. — Sua bonitinha ali — ela apontou para trás de —, já deve ter te contado onde conseguiu falar comigo. Até breve, — Elizabeth finalizou e caminhou para o lado oposto onde ainda estava.
Após um suspiro pesado, lembrou-se que Elizabeth apontara para trás dele e virou-se um tanto quanto assustado dando de cara com uma de sobrancelhas arqueadas e expressão extremamente confusa. Mas ela não falara nada, apenas o encarou esperando que ele dissesse algo. Mas ele não o fez. Apenas continuou parado encarando-a e deixando-a mais curiosa. Ela o vira em meio a uma vulnerabilidade novamente. Primeiro, na morte de Kennedy. Depois, ali, na presença de Elizabeth. não precisava saber nem ver o que Elizabeth o causava.
— O que ela queria? — finalmente perguntou e caminhou calmamente até onde estava.
— Nada demais — ele respondeu dando de ombros e puxando o maço de cigarros do bolso.
— Charlie está te chamando — ela disse assim que acendeu o cigarro. — Só vim avisar — ela continuou, mordendo o lábio inferior em seguida. Sabia que o que tinha visto havia mexido com ela. Mas não tinha o direito de perguntar o porquê de Elizabeth ter ficado tão... Próxima dele.
estava sentindo algo corroer seu interior, sentia-se incomodada, sentia a curiosidade e vontade de perguntar tudo à invadir sua cabeça. Ela estava... Sentindo-se... Ameaçada. Enciumada.
— Tá tudo bem? — perguntou ao notar que continuava parada, fitando o nada.
— Sim — ela respondeu automaticamente e, sem levantar os olhos para ele, completou: — Estou indo embora. Até mais, .
— Quer uma carona ou...
— Não. — Ela o interrompeu. — Obrigada.
Sem dar tempo de pensar em falar mais alguma coisa, atravessou a rua e andou calmamente em direção ao seu carro que estava estacionado por ali.
revirou os olhos e bagunçou os cabelos, soltando um suspiro pesado em seguida. Aquelas mulheres estavam acabando com ele!

***

Emma soltou um suspiro pesado e sentou-se ao lado de Charlie.
— Vá para casa, Emma — o mais velho murmurou, virando-se para ela. — Já está tarde e você precisa cuidar do Nicholas.
— Não quero — ela respondeu baixo e apoiou a cabeça no ombro de Charlie. — Fico preocupada com vocês quando não estou aqui... Não que eu não fique preocupada com Nicholas — ela riu baixinho. — Mas sei que ele está em segurança.
— Você é uma louca, sabia? — ele disse com um sorriso amigável nos lábios e Emma deu uma risada fraca.
— Sabia — ela suspirou.
— O que está te preocupando? — Charlie perguntou, depois de uns segundos em silêncio.
— Como é? — ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— O que está preocupando você? — ele se virou para ela. — Você não fica assim à toa, Emma. Vamos, me conte. O que tanto te perturba?
— Eu não sei, Charlie — ela respondeu, soltando um suspiro em seguida. — Está tudo de cabeça para baixo! — ela se virou para ele. — Correram atrás do Nicholas, já invadiram minha casa e eu não quero mais colocar os pés naquele lugar, já mataram pessoas que não tinham nada a ver com a história — ela suspirou novamente. — Eu tô cansada desse assassino de merda. Por que ele não se mostra logo? — ela perguntou revirando os olhos. — Olha o estado do . Ele nem sequer consegue se concentrar totalmente no trabalho. Não consegue encarar os corpos como antes. Ele só sente raiva, Charlie. — Ela encarou o mais velho. — Olha para você. Olha o quanto sofre e continua nisso. Não estou dizendo que devemos acabar com as investigações, pelo contrário. Quero que ela continue e prenda o desgraçado que fez tudo isso conosco. Mas veja os nossos estados. Eu não aguento mais. Eu só quero poder abraçar o meu filho e dizer que tudo vai acabar bem. Quero poder encarar minha mãe nos olhos e dizer que ela está em total segurança e que nada vai acontecer comigo mesmo sabendo que isso não é verdade.
— Eu sei o que você tá sentindo, Emma — Charlie suspirou e encarou-a nos olhos. — Eu já te prometi que não vai acontecer nada com você nem com sua família — ele fez uma pausa para virar o rosto de Emma em sua direção, já que ela insistia em não encarar seus olhos. — Não vai acontecer nada com vocês, Emma. E o já está bem grandinho para nos preocuparmos com ele. Não estou dizendo que devemos largá-lo de mão, porque você sabe que eu o vejo como um filho. Mas ele está nesse estado desde quando o John morreu — Charlie fez uma pausa. — Eu não vou deixar nada acontecer com ninguém. Coloque isso na sua cabeça, Cobain.

***

estava sentada em sua cama rodeada de papéis. Estava separando os que Crowley entregara — já que ele ligara avisando que mandaria mais algumas coisas que ela precisaria — para levar para Charlie na manhã seguinte. Sentia-se um tanto quanto perdida em meio àquilo tudo, não eram os tipos de documentos mais fáceis de analisar e entender. Claro que Crowley havia deixado bem claro para ela quando se falaram pelo telefone que somente Charlie e/ou poderiam entender aquilo e, obviamente, ele avisara também que aqueles documentos deveriam ser entregues nas mãos de Charlie. não seria confiável com aqueles documentos em mãos, de acordo com ele.

Flashback.

— O que você quer, Crowley? — perguntou assim que entrou no carro após deixar falando sozinho do outro lado da rua.
Quero avisar que enviarei mais coisas para você. — Ele respondeu.
— Precisa do endereço? — ela perguntou fechando os olhos e suspirando. Sabia que depois de aceitar o acordo de Crowley não poderia se esconder.
Não. Já sei onde você mora. Não foi difícil encontrar. Não se esqueça de entregar tudo nas mãos de Charlie. O não será confiável com essas coisas em mãos. — Crowley disse direto. Parecia entediado. Seu tom de voz, na verdade, era entediado.
não será confiável? Por quê?
Deixemos as perguntas para depois, . Preciso desligar. Vá para casa e espere as coisas chegar. — Ele finalizou e desligou o telefone, deixando-a com um tanto de raiva. Quem diabos aquele Crowley pensava que era para desligar o telefone em sua cara?

Fim do flashback.

O toque insistente na campainha tirou de seus pensamentos, assustando-a. Totalmente contra sua vontade, juntou as coisas do melhor jeito que pôde e se levantou, indo em direção a sala já que a pessoa não parava de apertar a campainha. Abriu a porta revirando os olhos em irritação e encarou quem estava tocando a campainha de uma forma tão desesperada e irritante. Precisou apoiar-se contra a porta com mais força para não cair para trás. piscou os olhos algumas vezes e arqueou uma das sobrancelhas.
estava parado em sua porta, com as duas mãos apoiadas nas laterais da porta, de cabeça levemente abaixa, apenas com os olhos levantados em sua direção, encarando-a como se... Estivesse fazendo alguma coisa extremamente errada e precisasse dela.
— Oi. — Ele disse baixo e ergueu o corpo de uma vez.
— Oi. — tentou responder calmamente. Não precisava deixar claro os efeitos que ele lhe causava. Não naquela altura do campeonato. — O que tá fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?
— Não — ele deu de ombros. — Eu só... Sei lá — ele fez uma pausa e colocou as mãos nos bolsos da calça. — Queria saber se você tá legal. Você saiu meio abalada do apartamento da Natasha.
— Eu tô legal. Obrigada. — Ela respondeu fitando o chão.
— Eu... Tô atrapalhando? — ele perguntou mordendo o lábio. Nem mesmo o próprio sabia o que estava fazendo ali. Apenas seguira mais um impulso. Apenas... Sentiu vontade de vê-la novamente. Precisava esquecer o que Elizabeth lhe causara e lembrar-se das sensações que lhe causava. Ele gostava de sentir aquelas coisas com por perto. Em certos momentos, aquelas sensações chegavam a ser inocentes. Já as sensações que Elizabeth lhe causara naquele dia, eram dolorosas. Assim como seu passado. , o contrário de Elizabeth, fazia-o sentir-se bem e viver o presente, sem lembrar-se das besteiras que fazia (e faz, em certas vezes).
— Não — ela revirou os olhos com um sorriso no canto dos lábios. — Eu estava escrevendo e não esperava ninguém. Desculpa. — Ela deu um espaço para que ele passasse, porém permaneceu parado.
— Vou deixar você trabalhar — ele murmurou dando uma risada nervosa. — Eu só... Esquece — ele revirou os olhos e se virou para sair dali. Sentia-se o maior idiota do mundo. O que diabos ele estava fazendo ali? Que porra de sentimento era aquele que o fazia perder o controle das próprias pernas e o fazia ir até a casa dela?
! — disse alto ao vê-lo se afastar, fazendo-o parar de andar e virar-se para ela. — Volte aqui! — ela pediu mordendo o lábio inferior. não poderia dizer não para ela, certo?
Com um sorriso tímido e idiota no canto dos lábios, caminhou lentamente até a porta de .
— Diga. — Ele murmurou encarando-a.
— O que você realmente quer? — ela perguntou de uma vez por todas. Sabia que estava procurando-a por algum motivo. Ele não era do tipo que se preocupava com colegas de trabalho — que ele odeia, aliás! — e ia visitá-los para ver como estavam.
— Quer a verdade? — ele perguntou e ela permaneceu em silêncio. Após um suspiro pesado, encarou-a e disse firmemente: — Você.
engoliu em seco, sem quebrar o contato visual. Não que ela não o quisesse também. Ela só... Não esperava que ele fosse atrás dela para dizer aquilo.
mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça negativamente. Sabia que não se seguraria se continuasse encarando-a daquela forma. Sabia que... Precisava do toque dela nem que aquela fosse a última vez. Sem pensar novamente, ele deu dois passos e se aproximou de , pousando uma das mãos em seu rosto. Ambos sabiam aonde aquilo pararia, não era a primeira nem a última vez que deixaria claro suas intenções.
puxou-a para mais perto de seu corpo e roçou seus lábios, fazendo-a fechar os olhos e soltar um suspiro pesado.
— Eu quero você — ele sussurrou. — você — ele arrastou os lábios lentamente por todo o rosto de , parando próximo à sua orelha e sussurrou ali: — Agora.
cansou de resistir e soltou um suspiro pesado antes puxá-lo pela nuca e juntar seus lábios em um beijo intenso. segurou-a pela cintura firmemente e empurrou-a para trás, fazendo-a entrar em sua sala e, assim que ambos já estavam dentro do cômodo, ele chutou a porta com força, fazendo-a se fechar.
o jogou contra a parede mais próxima e intensificou mais — se é que era possível — o beijo, fazendo-o soltar um suspiro ao sentir suas costas contra a parede. Ela não se importou se o suspiro que ele soltara era devido a falta de ar ou a dor que ele sentiu por ela ter sido tão agressiva, não se importou mesmo. Ele deixara bem claro que a queria e não importava como.
deu um sorriso malicioso ao sentir as unhas de atacarem sua nuca com força e puxou-a para mais perto, invertendo as posições e deixando-a completamente colada na parede. Em movimentos lentos e torturantes, ele deixou seus lábios correrem todo o pescoço descoberto de , deixando-a completamente arrepiada. Deus! Como aquele homem conseguia enlouquecê-la tão rápido daquela forma? Ela não queria esperar mais para senti-lo de uma forma mais íntima. Beijinhos para lá e para cá já não a satisfaziam mais. Não quando o homem quem os distribuía era . Sem enrolar mais, levantara a própria blusa e jogou-a o mais longe que pôde, juntando seus lábios aos de logo em seguida. Não demorou muito para as mãos de tomarem os seios fartos de por cima do sutiã, fazendo-a parar o beijo para soltar um gemido baixo. As mãos de ambos estavam livres por seus corpos, não aguentava mais se manter dentro daquelas roupas e sentia-se como se fosse explodir a qualquer momento. Na verdade, ambos se sentiam daquela forma; estavam como dois vulcões em erupção.
Sem aguentar mais a falta de contato — de verdade — entre seus corpos, arrancou o casaco e a própria camisa em seguida, jogando-os o mais longe que conseguiu e juntou seus corpos novamente. Encarou-a nos olhos por alguns segundos e soltou um suspiro pesado ao senti-la subir uma das mãos lentamente por todo seu corpo, deixando-o arrepiado. passou a língua pelos lábios lentamente, umedecendo-os e mordendo-os em seguida ao encarar os olhos faiscantes de em sua direção. Sorriu com aquilo e aproximou seus rostos, roçando seus lábios da forma que ele fizera antes. levou uma das mãos para a nuca de e puxou-a de uma vez por todas, juntando seus lábios novamente. não pensou em recusar, apenas envolveu o pescoço do rapaz com os dois braços, puxando-o para mais perto. Ela o queria mais perto, queria senti-lo mais, muito mais.
podia sentir a excitação aparecer com mais rapidez mesmo sabendo que aquilo não era nem metade do que ele era capaz de fazer.
afastou seus lábios para soltar um suspiro fraco ao sentir as unhas de escorregarem desde seu ombro até sua barriga, deixando-o arrepiado mais uma vez. Sem parar com os movimentos das unhas pela barriga de , levou os lábios lentamente até o pescoço do rapaz, depositando leves beijos pelo local, fazendo-o suspirar mais uma vez e apertar sua cintura com um pouco mais de força enquanto empurrava-a mais de encontro à parede. , sem parar os beijos, empurrou-o para o lado, fazendo-o ficar encostado na parede e fechou os olhos com um pouco mais de força enquanto descia os beijos lentamente por todo seu corpo de uma forma torturante.
sentia-se tonto quando os lábios de corriam todo seu corpo, sentia-se extasiado, como se estivesse injetando heroína em suas veias; o relaxamento rápido, a vontade de ter mais e mais, o medo de aquilo acabar e o efeito sumir. sabia o que causava em , por isso fazia daquela forma lenta e torturante, gostava de vê-lo implorar com o olhar, gostava de vê-lo revirar os olhos de prazer por sua causa. Com um sorriso no canto dos lábios, parou os beijos na barriga de , fazendo-o abrir os olhos e encará-la. Gostava da sensação de tê-la o acariciando enquanto o encarava nos olhos, o fazia bem toda aquela... Adrenalina.
levou uma das mãos para a nuca de e acariciou o local, fazendo-a fechar os olhos e sorrir de uma forma... Paradoxa; uma forma tão angelical e diabólica. abriu o botão da calça jeans que ele usava sem pressa, desceu o zíper com menos pressa ainda, deixando extremamente agoniado. Não que ele estivesse tão... Animado assim, mas... Aquilo era... Era tortura! Não a mataria se ela fosse com um pouco mais de pressa e deixasse que ele desfrutasse do prazer que era tê-la envolvendo seu membro não só com as mãos mas como com a boca tão macia e, de certa forma, aconchegante. podia notar aquilo nos olhos dele que brilhavam em excitação, vontade e saudade daqueles toques e sensações. Mas queria fazê-lo sentir algo mais que da outra vez. Ainda sentia o ciúme de Elizabeth corroer seu interior. Ela sabia que eles já tiveram algo pela forma tão íntima que conversavam. Assumindo ou não, ela queria, sim, de certa forma, mostrar que conseguia ser melhor que Elizabeth não só na carreira de Jornalismo, como naqueles momentos também.
deixou as mãos correrem livremente pelas pernas bem delineadas de enquanto, com os dentes, prendia o elástico da boxer — desta vez preta — que ele usava.
... — ele disse baixo e entre os dentes, fazendo-a dar uma risada fraca em deboche de seu tom desesperado. Oras! Ele queria senti-la de uma vez por todas! Aquela cueca já o incomodava tanto quanto a falta de contato entre eles. As carícias não estavam o satisfazendo mais — se é que já satisfizeram alguma vez.
Com um sorriso no canto dos lábios e uma cara extremamente maliciosa, puxou a boxer de para baixo devagar, fazendo-o fechar os olhos e se encostar na parede novamente. Ele sabia o que faria a partir dali e queria aproveitar ao máximo que pudesse todas as sensações que ela causaria.
deixou um suspiro pesado escapar de sua garganta ao sentir uma das mãos de envolver seu membro não totalmente rígido e depositar um leve beijo no topo do mesmo, fazendo-o estremecer dos pés à cabeça. Não demorou muito para começar movimentos lentos e torturantes de vai-e-vem, fazendo com que envolvesse sua mão na dela, acelerando os movimentos, mostrando que queria mais que aquilo — como sempre.
deu uma risada fraca e se aproximou novamente, passando a língua lentamente por todo o membro de , fazendo-o abrir os olhos e encará-la. Ainda com um sorriso no canto dos lábios, voltou a passar a língua lentamente pela glande antes de envolvê-la também com os lábios, fazendo-o se arrepiar por inteiro e segurar sua nuca novamente, na intenção de fazê-la envolvê-lo por inteiro como da outra vez. Ignorando o pedido de , fez leves movimentos com a mão que ainda envolvia o membro — agora completamente rígido — dele.
não aguentava mais esperar nem implorar com olhares e gestos por movimentos mais rápidos e precisos. sabia bem como torturar alguém. Não que aquilo fosse ruim, pelo contrário. Mas... Deus! Ela não percebia o que fazia com ele? Não notava o quanto ele sofria com aquelas ações extremamente lentas e torturantes?
— Que merda — ele murmurou, segurando-a pela nuca com mais força. — Por favor — ele disse baixo e encarando-a com os olhos estreitos. — Não... — ele fez uma pausa ao senti-la diminuir mais – se é que era possível – os movimentos — Não enrola mais.
deu um sorriso malicioso ao ouvi-lo pedir "por favor" e, sem aviso prévio, abocanhou todo o membro de de uma vez, fazendo-o soltar um (quase) gemido rouco e jogar a cabeça para trás com os lábios entreabertos, ainda segurando-a firmemente pela nuca, forçando-a cada vez mais contra seu membro.
sentia o membro de pulsar dentro de sua boca como se realmente fosse um vulcão em erupção. não sabia até onde aguentaria, o deixava louco! Não sabia como nem por que, mas ela conseguia deixá-lo fora de si de tanto desejo e excitação que o fazia sentir. Ninguém nunca o deixava de uma forma tão... Descontrolada. O suor já escorria por sua nuca quando ele decidiu puxá-la e afastá-la de seu membro de uma vez. Ele pôde vê-la fazer como da outra vez e limpar os cantos da boca sensualmente, fazendo-o suspirar só de encará-la daquela forma. a fez ficar de pé e, ainda segurando-a entre os cabelos, puxou-a para mais perto e juntou seus lábios com voracidade. Nada mais importava naquele momento. Ele a queria e a teria.
Em movimentos rápidos e desesperados de ambas partes, puxou a calça — que mais parecia ser de um pijama — que usava para baixo enquanto ela abria o próprio sutiã e livava-se dele. Não demorou muito para descer os lábios pelo rosto e pescoço de e parar em um de seus seios, abocanhando-o com vontade e fazendo-a soltar um gemido baixo.
simplesmente não aguentava mais esperar e aquilo estava nítido em seus olhos, podia enxergar o desejo em seus olhos que faiscavam como os dele. Ele podia senti-la estremecer em excitação a cada toque dele. Sem querer enrolar mais — por não aguentar também —, empurrou-a para trás, encostando-a na parede e descendo os lábios lentamente por entre os seios fartos de enquanto segurava — com as mãos trêmulas — a barra de sua calcinha. Não demorou muito para a calcinha de tomar o mesmo rumo que o resto de suas roupas. Com o lábio inferior entre os dentes, segurou a vontade de penetrá-la de uma vez por todas e se posicionou entre as pernas da mulher, deixando seu membro bem próximo a intimidade de , fazendo-a soltar um suspiro pesado.
— Vai rolar vingança dessa vez? — sussurrou no ouvido de enquanto levantava uma das pernas lentamente e envolvia a cintura dele com ela.
— Talvez — ele respondeu em um tom tão baixo quanto o dela e fez um movimento lento em seguida, encostando suas intimidades mais uma vez, fazendo-a suspirar e depositar um beijo provocante em seu pescoço.
— Pelo amor de Deus, — ela sussurrou mordendo o lábio ao sentir deixar seu membro estrategicamente posicionado em sua intimidade. — Nem você aguenta mais.
— Não? — ele perguntou com os lábios colados na orelha de e inclinando mais o corpo para frente, fazendo seu membro penetrar devagar.
— Não — ela respondeu tão baixo quanto ele, segurando um gemido.
, agora, segurava uma das coxas de com vontade. Queria fazê-la sentir a pressa e vontade que ele sentiu enquanto ela abocanhava seu membro, mas sabia que não aguentava. Era desejo e excitação demais para ele se controlar.
— Vamos, murmurou novamente, praticamente implorando para que ele parasse com aquela tortura. — Você não aguenta mais. Assim como eu. — Ela finalizou encarando-o nos olhos.
engoliu em seco e a puxou para mais perto, chocando seus corpos e penetrando-a de uma vez por todas. Não aguentava mais, precisava dela, precisava daquele contato direto. Naquele momento, sentiu-se no paraíso, como sempre era quando seu corpo estava junto ao de daquela forma.
forçou seu corpo contra o de , deixando-a completamente encostada na parede e penetrou-a com mais velocidade. segurou-o pelos ombros com força e deixou um gemido alto escapar de sua garganta. Não conseguia — nem precisava — se controlar quando o assunto era .
enterrou o rosto no pescoço de e, em um impulso, cruzou a outra perna na cintura dele, fazendo-o suspirar com o contato que ficara mais fácil. Segurando-a pela cintura com força, aumentou mais os movimentos sem se importar com os gemidos de que aumentava mais a cada segundo que passava.
, sem parar de penetrá-la, segurou-a com apenas uma das mãos e, com a outra, puxou-a pelo rosto, virando-a para ele. juntou suas testas e desistiu de segurar os gemidos enquanto a penetrava com mais força e rapidez, sem parar de acariciar seu rosto.
Deus! Como ela conseguia ser tão linda? Como conseguia ficar com traços tão delicados e inocentes — sim, inocentes — mesmo numa situação daquelas? Como conseguia deixá-lo sem ar com apenas um olhar ou um sussurro? Como ela conseguia fazer seu coração bater tão rápido como nunca batera antes? Perguntas e mais perguntas desse tipo pairavam na mente confusa de . Ignorando-as completamente, ele juntou seus lábios em um beijo intenso e em meio à gemidos.
segurou uma das coxas de e a afastou de seu corpo devagar, fazendo-a apoiar os pés no chão, soltando um suspiro em seguida. Não queria acabar com aquele contato, não queria desgrudar de , não queria ficar longe nem que fosse por segundos.
abriu a boca para protestar, mas não lhe dera tempo e pousara um dos dedos em seus lábios, matendo-a em silêncio. , então, levou os lábios lentamente para os pescoço de , depositando beijos e leves chupões por ali enquanto girava o corpo de lentamente, deixando-a de frente para a parede. mordeu o lábio inferior com força ao sentir segurá-la pela cintura firmemente e puxá-la para trás em encontro ao seu corpo novamente. nem sequer se esforçara para segurar o gemido alto que escapou do fundo de sua garganta ao sentir penetrá-la por trás, como na primeira vez.
a puxava com vontade e rapidez, enquanto com uma das mãos massageava um dos seios de , fazendo-a morder o lábio inferior com mais força para, assim, tentar segurar os gemidos altos que escapavam.
sentia seu corpo queimar a cada toque que lhe dava, a cada investida que fazia, sentia-se em chamas, sentia-se em completo êxtase. Suas pernas tremiam levemente devido aos movimentos bruscos que fazia, mas não se importava. Sua vontade falava mais alto. Apoiou-se melhor com uma das mãos na parede e, com a outra, levou em direção a sua intimidade, pousando dois de seus dedos sobre seus clitóris. Estava próxima de seu ponto máximo. , ao perceber isso, diminuiu os movimentos e se aproximou mais da mulher, distribuindo beijos e mordidas por toda sua nuca e pescoço, fazendo-a soltar um suspiro alto e arrepiar-se por inteira.
... — ela murmurou enquanto insistia em ficar em movimentos lentos e torturantes por mais que nem mesmo ele aguentasse mais aquilo. — Não tortura mais — ela implorou, soltando um suspiro pesado ao sentir uma das mãos de juntar-se a sua e acariciar seus clitóris devagar.
— Por que eu deveria? — ele perguntou baixo no ouvido dela, fazendo-a soltar mais um gemido e morder o lábio inferior em seguida.
— Porque nem você mesmo aguenta. — Ela respondeu sentindo sua respiração falhar e o coração acelerar enquanto ainda a estimulava e continuava com o vai-e-vem devagar. Ele sabia que era verdade. Ele também não aguentava. Mas não daria o braço a torcer, faria ela sentir o que ele sentira, sim.
sentia o membro de pulsar dentro de si, deixando-a ainda mais excitada, fazendo-a desejá-lo mais e mais. soltou um suspiro pesado assim que fez um leve movimento para trás, implorando por velocidade. Ele... Deus! Ele não aguentava mais. Torturas que vão para o quinto dos infernos! Ele faria aquela mulher gritar seu nome!
Perdendo toda a noção que ainda tinha, movimentou-se ainda mais rápido que antes fazendo com que soltasse gemidos ainda mais altos e desesperados. Os cabelos de , assim como os de , já estava grudando em sua testa devido ao suor e sua respiração era falha. Ambos ali tinham o coração acelerado como nunca estivera antes. Ambos sentiam o desejo e excitação queimarem como se realmente estivessem dentro de uma bola de fogo.
deixou a cabeça cair para trás e fechou os olhos com força, soltando um gemido mais alto que o normal. continuou segurando-a pela cintura com uma das mãos e, com a outra, estimulando seus clitóris. sentia suas pernas fraquejarem e sorriu com isso, segurando-a com mais força e sem parar os movimentos. permaneceu apoiada na parede e mexendo os quadris enquanto ainda a penetrava. Não demoraria para ele chegar ao orgasmo também.
tinha a respiração acelerada e cortada, o cansaço atingia seu corpo lentamente, mas a vontade de chegar em seu orgasmo falava mais alto. Os gemidos de o estimulavam. A forma que ela falava seu nome e mexia os quadris implorando para que ele continuasse não o deixava parar. Só o deixava mais cego de excitação. Mordendo o lábio inferior fortemente e enterrando a cabeça no pescoço de , deixou com que um gemido baixo e rouco escapasse do fundo de sua garganta enquanto ainda a puxava para mais perto, havia atingido o orgasmo mas não queria separar seus corpos.
Seu coração, agora, batia tão forte e rápido que ele chegara a pensar que ele sairia pela boca a qualquer momento. sentia-se completa, naquele momento. Sua respiração continuava tão desregulada quanto a de , mas não se importava. Afastou-se de , virou-se para ele e encarou-o nos olhos. não disse nada, apenas a segurou pela cintura com força e a puxou para mais perto colando seus lábios em um beijo não tão desesperado quanto os outros.

***

Com um sorriso no canto dos lábios, o homem que aparentava mais de quarenta anos virou-se para o mais novo que estava ao seu lado no carro.
— Então quer dizer que nosso está tendo mesmo um caso com a ? — ele murmurou alargando o sorriso.
O loiro, que aparentava ser mais novo, sorriu de volta.
— Eu avisei — ele deu de ombros.
— Vou passar a acreditar mais em você, Crowley — o mais velho sorriu. — Como ficou sabendo?
— Tenho informantes — ele respondeu tranquilamente. — Não vou ficar te dando satisfações. Você já pode fazer o que quiser. Não precisa atingir o diretamente. Agora, o contrário de antigamente, você tem muitas opções de como atacá-lo.
— Eu percebi — o mais velho disse ficando sério. — Vai ser mais fácil do que eu imaginava.
Crowley deu uma risada fraca.
— O que pretende fazer agora? — perguntou ele enquanto brincava com uma das pulseiras que usava no pulso esquerdo.
— Não vou ficar te dando satisfações — ele respondeu com um sorriso cínico nos lábios e Crowley revirou os olhos, fazendo-o rir. — Brincadeirinha. Você sabe o que eu vou fazer. Só preciso que você faça a acelerar as coisas.
— Ela vai entregar os documentos ao Charlie amanhã — Crowley apressou-se a argumentar. — Ela está com medo.
— Não é para menos, oras! — o velho exclamou com um sorriso debochado nos lábios. — Como você se sentiria no lugar dela com bandidos atrás de você?
— Meça suas palavras, Castellamare — Crowley pediu encarando-o sério. — Não sou eu quem estou nas mãos de mafiosos desta vez.
— Meça você suas palavras! — Castellamare exclamou arregalando os olhos levemente. — Quem você pensa que é para falar assim?
— Quem você pensa que é?! — Crowley rebateu. — Você está precisando de mim, está precisando participar dos meus planos! Eu quem mando agora, Castellamare! Espero de verdade que seu sobrinho entenda isso — Crowley finalizou abrindo a porta do carro de Castellamare. — Não se atreva a me seguir nem tentar invadir minha casa, tenho seguranças e você pode não sair vivo. — Após dizer isso olhando no fundo dos olhos de Castellamare, que engoliu seco, saiu.
Crowley ficara esperto.
Mais esperto do que ele esperava.

***

Com um sorriso alegre nos lábios, Crowley caminhou calmamente pelo jardim de sua casa. Levara menos de vinte minutos para chegar em casa, as ruas, por incrível que pareça, estavam calmas e tranquilas. Fora fácil andar em alta velocidade para chegar logo em casa.
Ele sentia-se feliz. Tinha Castellamare nas mãos assim como tinha e ou qualquer pessoa daquela maldita equipe policial. Aquilo era bom, muito bom. Tudo estava saindo melhor do que planejara. Claro que só faltava Rachel ali com ele para comemorarem isso. Mas... Rachel estava olhando-o, não importava onde ela estava. Ela estava com ele. Ela prometera estar com ele para sempre. Portanto, deve estar tão feliz quanto ele com os últimos acontecimentos. As coisas estavam mais fáceis que ele imaginara. Com a morte de Rachel, ele pensara que as coisas ficariam muito mais complicadas. Mas, pelo contrário, ficara tudo mais fácil. Ninguém estava prestando muita atenção nos outros acontecimentos que perturbavam Londres. Estavam preocupados em achar o assassino. Tolinhos! Não o encontrariam. Até porque não era necessário, o assassino está ao lado deles desde sempre.
Crowley soltou uma risada alta ao lembrar-se de quem comandava toda aquela babaquice de assassinatos. Deus, como Charlie era idiota. Como era idiota. Como todos eram idiotas naquele lugar!
Ainda rindo, Crowley caminhou em direção ao seu quarto. Bill não estava em casa, aliás, ele não aparecia naquela casa fazia dias. Mas aquilo não importava. Crowley não se importava mais com o irmão mais novo. O tirara daquele inferno que chamavam de casa e era daquela forma que ele agradecia. Idiota.
Revirando os olhos e ignorando os pensamentos sobre o irmão, Crowley deixou seu corpo cair em sua cama. Soltou um suspiro pesado sentindo seu corpo relaxar naquele colchão macio.
Um barulho chamou sua atenção, fazendo-o abrir os olhos rapidamente e levantar-se na mesma velocidade. Deixara bem claro para Castellamare que ele não sairia vivo se tentasse invadir sua casa. Em passos rápidos e largos, caminhou até o outro lado do quarto e abriu o pequeno armário que ficava no canto do quarto, tirando dali uma pistola. Os barulhos soaram mais rápidos e Crowley ajeitou a arma mais rápido. Saiu do quarto em passos silenciosos e lentos, olhando para todos os lados com a arma em punho. Uma sombra passara e ele mirou a arma em sua direção, deu mais dois passos e jogou o corpo na direção da silhueta, empurrando-o contra a parede. Sem dar tempo para sua vítima sequer respirar, Crowley segurou-a pelo pescoço e mirou a arma em sua cabeça.
— Mas que merda você está fazendo, Crowley?! — a voz de Bill soou estressada pelo local, fazendo Crowley revirar os olhos e soltá-lo em seguida.
— Eu quem deveria perguntar isso! — Crowley exclamou irritado. — Você não aparece aqui há dias e quando aparece me dá um susto desses! Você é retardado ou o que, caralho?!
— Primeiro: para de gritar — Bill pediu revirando os olhos. — Não, não sou retardado, caralho! — ele exclamou encarando o irmão nos olhos. — Eu só vim buscar minhas coisas. Estou na casa da Alexia.
— Tanto faz — Crowley deu de ombros e suspirou. — Espera. Você disse Alexia?
— Disse, sim — Bill respondeu e encarou o irmão com os olhos estreitos.
— Onde a conheceu? — Crowley perguntou sério. Aquele nome não era estranho.
— Não interessa. Preciso ir — Bill respondeu rápido e indo em direção ao seu quarto.
— Elizabeth! — Crowley gritou como se estivesse comemorando alguma coisa. — Ela trabalha com a Elizabeth! Sabia que esse nome não me era estranho!
— Deixa a Alexia fora das suas merdas — Bill murmurou entre os dentes e se aproximando do irmão.
— Como eu não pensei nisso antes? — Crowley perguntou sorrindo. — Obrigado, irmãozinho! — Crowley exclamou e correu em direção ao seu quarto, ignorando completamente a ameaça do irmão.
Pouco se importava com o que Bill dizia! O que importava agora era: ele se lembrara de onde aquele maldito nome era.
— Elizabeth. Ah, doce Elizabeth! — Crowley exclamou sorrindo. Deixou o corpo cair na cama novamente e encarou o teto.
Como ele ousara a pensar que nada daria certo mesmo sem Rachel?



Capítulo 24: Memórias.


Charlie encarou o teto de seu quarto e soltou um suspiro pesado. Os últimos acontecimentos ainda o perturbavam, mesmo que alguns dos acontecimentos tivessem sido bons. Apesar de estar ali, em seu quarto, com um alinda mulher ao seu lado dormindo angelicalmente, ainda sentia-se vazio. Gostaria que David estivesse ali para ouvi-lo falar sobre como era amar outra vez, gostaria também que sua namorada — uma moça tão bonita e inocente — estivesse viva. Gostaria de ver seu filho realizando seus maiores sonhos e, entre eles, pedisse a jovem em casamento. Charlie sentia-se extremamente vazio quando se pegava pensando em seu pequeno David. O rapaz não merecia a morte que teve.
Após soltar um suspiro pesado, Charlie virou-se para o lado com um sorriso bobo brincando no canto dos lábios. Os cabelos loiros e levemente enrolados de Emma espalhavam-se por todo o travesseiro, deixando-a ainda mais bonita. Ela lembrava um anjo, ele arriscaria a dizer. Apenas em olhá-la, ele sentia a calmaria se apossar de seu corpo, assim como em anos atrás.
Charlie aproximou-se de Emma sem se importar se a acordaria ou não e, em um movimento leve e delicado, juntou seus lábios em um selinho rápido. O beijo fora rápido, porém fora o suficiente para ele sentir seus lábios formigarem e implorarem por mais enquanto seu coração batia fortemente dentro de seu peito. Com um sorriso no canto dos lábios, Emma abriu os olhos preguiçosamente e encarou o mais velho que tinha os olhos — extremamente azuis e brilhantes — focados nos seus. Charlie lembrava-se com clareza de como fora encarar os olhos de Emma pela primeira vez com outras intenções, não era fácil se controlar perto dela antigamente. Não que seja agora, porque, pelo contrário, tudo só complicara mais. Não era fácil ter uma loira daquelas ao seu lado e não poder fazer nada. Antes, ele não fazia por ser casado e ela ter um relacionamento estável com um de seus policiais há tempos. Agora, não fazia nada em respeito aos outros. Ninguém ali precisava saber a intimidade deles. Ninguém sequer precisava se lembrar do que havia acontecido há dez anos.
— Por que me olha assim? — Emma sussurrou enquanto, lentamente, se aproximava mais de Charlie e o envolvia pela cintura.
— Porque gosto de te olhar — ele respondeu em um tom tão baixo quanto o dela.
Emma sorriu fraco e fechou os olhos novamente. O sono não havia abandonado seu corpo por mais que tivessem que levantar em menos de uma hora.
Charlie a apertou mais contra seu corpo e encarou o teto novamente, lembrando-se de como fora ter os lábios de Emma sobre os seus pela primeira vez.
Um sorriso bobo se formou automaticamente em seus lábios.
Lembrava-se também como tudo aquilo havia começado, como haviam chego no primeiro beijo de verdade. Lembrava-se de como se provocavam, de como se olhavam. Lembrava-se melhor ainda do desejo que transbordava de seus olhos; o desejo que exalava por onde passavam, o desejo explícito num olhar mesmo que pessoas estivessem em volta, o desejo que dominava seus corpos quando estavam sozinhos mas eram orgulhosos demais para obedecer as vontades de seus corpos — e também queriam se manter fiéis a seus relacionamentos — e acabar com aquilo tudo. Charlie lembrava-se perfeitamente de todos aqueles detalhes.

Flashback.

12 anos antes...

Emma caminhava pelos corredores com um sorriso tímido nos lábios. Sentia-se completamente realizada. Estava trabalhando na parte de sistemas na melhor delegacia da Inglaterra fazia exatos três meses. John estava ao seu lado e a informava sobre o famoso Charlie Raymond. John dizia que ele era "osso duro de roer", era raro sentir-se ameaçado, era raro vê-lo pegar leve com algum funcionário.
— Ele irá te tratar bem, pelo menos — John deu uma risada fraca e Emma o encarou arqueando uma das sobrancelhas. — Você é bonita, Emma. Charlie sabe, pelo menos, como tratar mulheres em geral. Porém — ele levantou um dos dedos quando a moça abriu a boca para rebater —, com mulheres bonitas ele se esforça mais.
— Eu deveria agradecer? — ela perguntou de forma firme, fazendo John sorrir mais uma vez.
Emma tinha personalidade. Aquilo podia notar de longe. Ela não era do tipo que caía na lábia de qualquer um tão fácil.
— Sim. — John respondeu após uns segundos e Emma revirou os olhos.
Ao notar que Emma não respondeu mais, John manteve-se em silêncio até chegar à porta de uma sala que, até então, era desconhecida para a moça que vivia no segundo e terceiro andar apenas decifrando códigos e mandando-os através de qualquer outra pessoa.
— É aqui que ele costuma ficar? — ela finalmente perguntou e John virou-se para ela.
— Sim — ele revirou os olhos. — Tinham salas melhores. Mas, de acordo com ele, aqui existe a paz que nos outros corredores não existe.
Emma deu de ombros e observou John dar leves batidas na porta.
Uma voz grave ecoou do lado de dentro mandando-o abrir a porta e entrar. Emma sentia seu coração bater mais rápido de nervoso, podia não mostrar para ninguém a sua volta, mas sentia-se completamente nervosa. Era a primeira vez que veria Charlie Raymond de perto e, todas as vezes que o viu de longe, ele não parecia tão simpático nem feliz. De acordo com John, Charlie a queria em um trabalho mais arriscado. Todos ali sabiam das habilidades que Emma tinha com outros tipos de trabalhos. Várias e várias vezes ela havia ajudado novatos a segurar uma arma com firmeza e segurança, assim como já cansara de ir até a outra parte de sistema e destravar computadores — ao que tudo indicava — "hackeados" para, assim, conseguir salvar informações que não poderiam sair na mídia. Charlie normalmente mandava agradecimentos e até mesmo pedidos de aumento de salário para as autoridades maiores, mas nunca pediu para vê-la. Ele sabia quem ela era. Ela sabia que ele já a havia visto pelos corredores.
Após respirar fundo e pela primeira vez demonstrar nervosismo para John, Emma entrou logo em seguida e fechou a porta atrás de si. Com um sorriso bobo nos lábios, John a puxou delicadamente pelo pulso e a pôs de frente para a mesa de Charlie.
— Emma Cobain. — A voz grave de Charlie soou pela sala, fazendo-a sentir um arrepio de medo, talvez, percorrer sua nuca.
Recuperando a postura e a forma firme de falar, Emma o encarou.
— Sim. — Ela disse sem deixar a voz falhar. Sabia que estava nervosa, mas teria que segurar seus impulsos para não fazer feio na frente das duas pessoas mais fodas que conhecia e já ouvira falar.
Charlie se levantou, finalmente, e estendeu a mão para ela. Emma apertou a mão do mais velho de uma forma tão firme quanto ele.
— Andou salvando os arquivos daqui mais uma vez? — Charlie perguntou sentando-se novamente e analisando os papéis em suas mãos. — Sentem-se, por favor.
John tinha um leve sorriso no canto dos lábios, mas Emma preferiu ignorá-lo e sentar-se como Charlie pedira.
— Não foi bem salvar os arquivos... — Emma começou timidamente, porém ainda firme — Eu só...
— Fez o seu trabalho? — Charlie a interrompeu e a encarou sério.
— É. — Emma respondeu dando de ombros e fitando qualquer outro ponto daquela sala. Sentia-se incomodada com o olhar invasivo que Charlie lhe lançava. Ninguém nunca a encarara daquela forma, nem mesmo seu namorado!
— Preciso que nos ajude a encontrar um assassino. — Charlie foi direto, fazendo John revirar os olhos.
— Não é bem isso — John começou. — Uma adolescente foi encontrada morta, recolhemos o corpo, retiramos as provas e tudo o mais. Sabemos que aquilo foi um assassinato — John encarou Emma sério. — Precisamos que dê uma olhada no computador da garota. Ela tem recebido e-mails suspeitos, precisamos saber de onde eles vieram e sabemos que isso é possível.
— Entendi — Emma mordeu o lábio. — Tragam o computador e eu resolvo.
— O computador já está aqui. Você vai resolver tudo aqui. — Charlie disse se levantando e pegando o notebook com adesivos de bandas e outras coisas coladas, entregando-o para Emma em seguida.
— Eu não sei se consigo resolver sozinha, posso levá-lo lá para cima? — ela perguntou e John mordeu o lábio inferior.
— Não, você não pode. — Charlie respondeu. — É um caso delicado. Não queremos mais gente envolvida. Digamos que... Você está em uma equipe especial. Se precisar de alguma coisa, fale com um de nós — ele apontou para si mesmo e para John. — Mas eu tenho certeza que consegue isso sozinha, Cobain. Não deve ser tão complicado para alguém tão inteligente.
— Tudo bem. Para quando vocês querem isso? — Ela perguntou alternando o olhar para os dois homens presentes.
— Hoje — John murmurou e ela arqueou uma das sobrancelhas.
— Quanto tempo isso leva? — Charlie perguntou.
— Depende... — ela encolheu os ombros. — Algumas horas, talvez.
— Te dou uma hora — Charlie rebateu e ela arregalou os olhos levemente.
— Duas. — Ela pediu.
— Uma hora e meia. — Charlie a encarou e John suspirou.
Sabia que Charlie queria testar a moça, mas sabia também que ele estava pegando pesado. Não deveria ser fácil fazer aqueles tipos de coisa em tão pouco tempo.
— Certo. — Emma respondeu, deixando John um tanto quanto surpreso. Outra pessoa em seu lugar teria reclamado e chorado para Charlie aumentar as horas até que ele desistisse de tal pessoa e chamasse outra.

***

Alguns dias se passaram e Emma se mostrava cada vez mais competente, atraindo mais a atenção de Charlie. Aquilo deixava-o completamente... Perturbado. Como diabos aquela garota conseguia fazer as coisas que ele mandava tão rápido e de uma forma tão eficiente? Emma chamava atenção de outros lugares que poderiam lhe oferecer salários melhores, porém, ainda assim, ela insistia em recusar. Alegava que aquele lugar era seu sonho desde a época de Ensino Médio. Sempre sonhara em ficar na parte de sistema por ali. Sempre quis trabalhar próximo de John. Ela o admirava. Na verdade, admirava todos daquele lugar. Por que diabos ela iria sair dali por causa de outras pessoas e dinheiro? Dinheiro nunca lhe faltara. Não que ela fosse o tipo de menininha rica que nasceu em berço de ouro, mas ela tinha sua vida e conseguia se manter com o salário que recebia, sua família tinha uma boa condição, tanto que ela se formara em faculdade particular e fizera vários e vários cursos para conseguir chegar onde está. Não desistiria daquilo, nem mesmo com a ótima proposta que lhe ofereceram de lhe pagarem quase o triplo do que ganhava para ela ficar nos Estados Unidos com eles. Seu sonho nunca fora aquele, por que diabos iria para lá, então?
Com um sorriso no canto dos lábios, Emma caminhava ao lado de John, seguindo até a sala de Charlie para mais um de seus trabalhos.
— Nossos filhos estão aqui hoje — John sorriu. — acabou de completar 16 anos.
— Sério?! — Emma perguntou aumentando o sorriso. — E o filho de Charlie?
— David está com 12, eu acho. — John deu de ombros e parou em frente a sala de Charlie.
— Espero que eles não me atrapalhem porque estou sentindo que vou dar uma de babá hoje... — Emma murmurou e John riu, enquanto entravam na sala.
Assim que Emma apareceu na sala, os dois garotos que estavam ao lado de Charlie pararam de falar e a fitaram, curiosos. Ela mordeu o lábio inferior, sentindo-se envergonhada com o olhar que o mais velho lhe lançava. Aquele olhar chegava a ser malicioso. John deu uma risada fraca da cara que o filho fazia e deixou para lá, para não envergonhar mais Emma. Mas... Bem, o rapazinho praticamente engolia as pernas descobertas de Emma com os olhos!
Após pigarrear, Charlie se levantou, parando entre os dois meninos.
— Meninos, essa é a Emma Cobain — ele disse com um sorriso no canto dos lábios. — Estes, Emma, são — ele apontou para o garoto mais alto, o que encarava suas pernas antes —, filho de John e, este — ele apontou para o menor, que tinha os cabelos bem clarinhos, assim como seus olhos —, David. Meu filho. — Charlie alargou mais seu sorriso ao falar do filho e Emma sorriu de volta.
— Prazer em conhecê-los — Emma disse de forma doce. Sentia-se honrada em estar sendo apresentada para parte da família dos homens mais importantes daquele lugar.
— Digo o mesmo. — A voz um tanto quanto rouca de soou pela sala, fazendo John dar uma risada fraca.
Emma encarou o garoto e pôde notar o típico sorrisinho de canto malicioso que derrubaria qualquer garota, ela tinha que admitir. era um garoto bonito, provavelmente pertencia aos populares da escola. Era impossível aquele moleque passar despercebido com aqueles olhos e sorriso.
— Não esquenta com ele — foi a vez de David falar e atrair a atenção de Emma. — Ele é um completo retardado.
— Eu não esquento. — Ela respondeu firme e pôde ouvir soltar uma risada pelo nariz. — Será que podemos voltar ao trabalho? — ela pediu, sentindo-se desconfortável com em sua frente. Ele não passava de um moleque! Mas, claro, filho de John não podia se esperar outra coisa.
— Pai, eu vou indo. — murmurou desviando os olhos de Emma pela primeira vez desde que ela entrara naquela sala. — Até mais, Charlie. Quer que eu deixe o David em casa? — perguntou encarando o mais velho. Ele entendia que os mais velhos tinham que trabalhar e que ele e David só passaram alguns minutos de suas tardes ali para conhecerem Emma e para se acostumarem com o ritmo das coisas pelo local, já que, mesmo sendo novos, David e sonhavam em estar ali dentro trabalhando com os pais.
— Se cuide — John murmurou para o filho lhe entregando as chaves do carro — e não beba, moleque. Deixe o David em casa somente se a mãe dele estiver lá, caso contrário, traga-o de volta — o mais velho disse firme, encarando o filho nos olhos.
— Sim, senhor! — ele exclamou com um sorriso feliz nos lábios. Iria dirigir! Finalmente! Sozinho! — Vamos David! — chamou o menino que se despedia do pai, de Emma e de John. — Até qualquer dia, Charlie — fez uma pausa e encarou Emma com um sorriso malicioso nos lábios. — Foi um prazer conhecê-la, Emma.
— Digo o mesmo, . — A moça respondeu soltando um suspiro em seguida.
Assim que os meninos saíram da sala, Emma sentou-se ao lado de John.
— Desculpe pelo ... — John começou, coçando a nuca timidamente. — Ele não pode ver um rabo de saia...
— Tudo bem. Vamos ignorar a parte que seu filho ficou de olho nas minhas pernas. — Emma o cortou séria e virou-se para Charlie. — O que precisam desta vez? Eu realmente tenho que terminar um trabalho que recebi ontem e...
— Você não vai fazer mais nada. Vai entregar o que recebeu ontem para qualquer um que saiba fazer o que você faz, nem que seja o rapaz que estava em seu lugar antes — Charlie a cortou e ela engoliu seco. — Preciso que dê um jeito de achar uma pessoa para nós.
— Ele é perigoso e pretende fazer algo com nossos filhos — John disse, encarando-a sério. — Não, o não foi sozinho. Apenas o passei segurança dizendo que ele poderia dirigir. Eles correm perigo e eu não pretendo deixar acontecer alguma coisa com eles, por isso mandei alguns homens em carros comuns atrás deles até que ambos estivessem em segurança.
— Onde eu entro nisso? — Emma perguntou baixo.
— Mais tarde nós vamos até um lugar onde este homem provavelmente estará. Você vai conosco. — Charlie respondeu calmamente. — Vimos a forma que você ensinou para os novatos a forma certa de segurar uma arma e vestir um colete.
— Mas... Eu...
— Nunca foi para as ruas, sabemos disso! — John exclamou, interrompendo-a. — Mas tudo tem a sua primeira vez, Emma — o homem lhe lançou um sorriso. — Só precisamos que esteja lá. Queremos ver do que você é capaz, queremos aumentar o seu cargo por aqui, queremos te colocar em mais coisas. Você é ótima em tudo o que faz! — John aumentou seu sorriso. — Só precisamos provar isso para as autoridades maiores.
— Sabemos que você se sairá bem, Cobain — Charlie disse firme com um sorriso no canto dos lábios. — Sabemos que é capaz, garota! — Charlie alargou o sorriso. — Apenas esteja aqui até às sete.

***

As horas se passaram e, como Charlie pedira, Emma estava em sua sala, encarando-o com tédio. Não fora chamada para ficar ali olhando-o enquanto ele mexia em papéis porque John estava atrasado por causa de . Provavelmente o moleque tinha aprontado alguma coisa ou bebido tanto a ponto de não conseguir ficar sozinho em casa. Portanto, eles pagavam pelas coisas idiotas que aquele garoto insolente fazia.
Após bufar impaciente, Charlie se levantou e pegou seu casaco.
— Vamos. — Ele murmurou para Emma que se manteve sentada encarando as unhas.
— E o John? — ela perguntou levantando o olhar devagar.
Charlie abriu a boca para responder, mas não conseguiu proferir uma só palavra; Emma ficava linda naquela posição. Nas outras também. Mas... Ali, daquele jeito; com as pernas bem delineadas cruzadas, encarando-o com aqueles olhos azuis brilhantes e hipnotizantes e os cabelos caindo levemente em seu rosto; era extremamente perturbador.
— Se você quiser posso lhe dar um babador para conversar comigo olhando nos meus olhos e não para minhas pernas ou para meus seios, Charlie. — Emma disse firme após uns segundos de silêncio encarando o mais velho. Sabia que poderia ou até mesmo deveria ser demitida, mas sabia também que Charlie não o faria. Ele precisava dela por ali e, com toda certeza do mundo, sua beleza colaborava. Não era de agora que ela tirava seu belo chefe do sério. Não precisava fazer muito para Charlie se perder em suas pernas ou em qualquer outra parte de seu corpo, bastava ela aparecer e bingo! Charlie ficava extremamente perdido e tonto. Às vezes, a ponto de nem sequer lembrar o próprio nome.
Uma risada escapou da garganta de Charlie.
— Guarde sua insolência para você mesma, Emma — Charlie murmurou dando dois passos até parar próximo de Emma; próximo o suficiente para encará-la somente nos olhos. — Não me provoca, garota.
— Eu não estou provocando ninguém — ela se manteve firme. — Não tenho culpa se você não consegue se controlar perto de mim.
Com um sorriso no canto dos lábios, Charlie se aproximou mais e respondeu em um tom baixo:
— Tem certeza que sou o único que não consegue se controlar aqui? — ele procurou os olhos fugitivos de Emma. — Não é o que parece, bonitinha. Seu autocontrole não é um dos melhores também.
— Não fale do que não sabe, Raymond. — Emma disse tentando manter a voz firme. Mas, Deus! A quem ela estava querendo enganar? Aquela pose de durona não duraria nada! Em algum momento, Charlie ou John acabaria destruindo aquelas barreiras que criara para se manter fiel à seu namorado. Ela sabia daquilo.
— O que falei de errado até agora? — Charlie encurvou-se mais sobre o corpo de Emma, fazendo suas respirações se misturarem. — Olhe para sua pele. Está completamente arrepiada com a proximidade — ele sussurrou passando a ponta do dedo levemente pelo braço descoberto de Emma. — Suas pupilas estão se dilatando a cada segundo que passa — ele disse no mesmo tom. — Seu coração provavelmente está se acelerando agora, daqui a alguns segundos suas batidas poderão ser ouvidas. Basta eu me aproximar mais, talvez num roçar de lábios, talvez num toque mais preciso. A quem você pensa que engana? — ele sussurrou mais uma vez e se aproximou mais, deixando seus lábios praticamente colados. Emma não segurou o suspiro que queria escapar de sua garganta. Seu auto-controle já havia ido para a casa do caralho.
— Então por que continua nisso? — ela perguntou baixo, num sussurro quase inaudível.
Charlie sorriu e deixou seus lábios colados levemente, roçando-os em seguida.
— É bom vê-la vulnerável. — Ele respondeu baixo e se afastou de uma vez por todas, deixando Emma extremamente confusa. — Não terá isso agora, Cobain.

Fim do flashback.

Emma abriu os olhos e esticou os braços, sentindo o peso de Charlie sobre seu corpo. Um sorriso espontâneo surgiu em seus lábios e ela virou-se para o lado, encarando o relógio. Com os olhos arregalados e o coração acelerado, sentou-se na cama e sacudiu o corpo de Charlie.
— Estamos atrasados! — ela exclamou, pulando da cama e catando suas roupas espalhadas pelo chão. — CHARLIE, ESTAMOS UMA HORA ATRASADOS! LEVANTA! — Gritou, fazendo Charlie finalmente abrir os olhos.
— Para de gritar. — Charlie pediu baixo, coçando os olhos.
— Estamos uma hora atrasados e você quer que eu pare de gritar?! — ela perguntou ainda em um tom alto. — Não é você que não terá tempo para ir em casa se trocar!
— Você sabe muito bem que pode ir em casa e...
— Não quero poder fazer coisas que os outros não poderão só porque tenho um caso com você — ela o cortou, aparecendo na porta do banheiro enquanto amarrava os cabelos em um rabo de cavalo alto. — Você sabe disso, então pare de insistir.
— Certo, certo. Já estamos atrasados. Não precisa de desespero — ele deu de ombros e pulou da cama de uma vez por todas, indo em direção ao armário para escolher algo. — Me arrumo em dez minutos! — ele exclamou, deixando claro que o banheiro do quarto ficaria somente para ela.
Emma deu de ombros e não pôde deixar de sorrir. Charlie conseguia aturá-la até mesmo com o mau-humor matinal. Seu sorriso fora sumindo automaticamente ao lembrar-se de que Charlie sempre fora paciente com mulheres, a sua ex-esposa, em especial. Não podia negar nem esconder de ninguém que sentia uma pequena ponta de inveja da mulher quando ela ainda era viva. Charlie sempre fora o marido perfeito, pai perfeito, chefe perfeito... Emma sentia-se mal e bem lembrando-se de tudo o que já passaram juntos. Não era por que a mãe de David estava morta que ela podia tomar posse do quarto que um dia fora dela, não era por que a mulher já havia morrido que Emma podia se vangloriar por ter a paixão de Charlie, não era por que a mulher já estava morta que Emma não se sentia culpada por tudo o que acontecera. Estar ali, acordando ao lado de Charlie não fora a coisa mais fácil do mundo. Não tinham se conhecido depois da morte da mãe de David. Haviam se conhecido quando o pequeno já era nascido, ele já era um rapazinho. Emma não conseguia se desfazer daquela culpa que carregava, não conseguia se desfazer do... Maldito bolo dentro do peito que carregava. Isso não era só por culpa. Era por medo também. Medo de descobrirem o que fizeram anos atrás, medo de descobrirem o resultado de certas coisas que fizeram, o medo de... Lhe darem as costas por ter caído na rede de Charlie e o ajudado a destruir seu casamento no fim da vida de sua esposa. Sentia também o peso de ter que carregar todas essas verdades e lembrar-se que David morreu sem nem saber de nada. Sentia-se... Suja. Sabia que se David descobrisse tudo, seria pior. Sabia que o rapaz a xingaria e brigaria com o pai por tudo o que aprontaram, sabia que ele se revoltaria e, talvez, desistiria de tudo o que Charlie havia construído para ele.
Balançando a cabeça negativamente e soltando um suspiro fraco em seguida, Emma secou as lágrimas que deixara escapar e olhou-se no espelho novamente. Estava pronta.
Suspirou novamente e virou-se para a porta do banheiro. Charlie estava ali, apoiado no batente encarando-a com todo o carinho que sentia.
— Não te quero chorando pelos cantos dessa casa só pelo que aconteceu, Emma — ele disse baixo, enquanto a mulher caminhava devagar em sua direção.
— Não estava chorando — ela respondeu sem encará-lo e saiu do banheiro, sentando-se na cama e calçando as sandálias de salto.
Charlie suspirou e sentou-se ao lado de Emma, puxando seu rosto avermelhado em sua direção.
— Você não me engana — ele afirmou sério, espalmando sua mão no rosto de Emma, fazendo-a fechar os olhos e engolir em seco para segurar outras lágrimas. — O que você realmente tem? Sempre que vem aqui é a mesma coisa.
— Não tenho nada — ela respondeu abrindo os olhos e tentando sorrir em seguida.
— O que tanto te perturba? — ele insistiu e Emma virou-se para o outro lado, terminando de fechar as sandálias. — Emma, por favor. Me diz o que você tem, me conta o porquê de você sempre se sentir mal aqui dentro. Eu... Eu preciso saber! — ele exclamou, puxando-a pelo rosto novamente.
Emma mordeu o lábio inferior e desviou os olhos dos de Charlie, tentando esconder que ainda sentia vontade de chorar.
— Não... Não faz isso, Charlie — ela pediu baixo, encarando o chão.
— É pelo que aconteceu? — ele perguntou baixo e ela engoliu seco.
— Não... Eu só...
— Diz de uma vez, Emma! — ele a interrompeu, fazendo-a encará-lo nos olhos.
Com o coração a mil, Emma sentiu suas mãos começarem a suar e suas pernas tremerem levemente, se estivesse de pé, já teria caído.
Respirou fundo quantas vezes pôde e abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Ela... Não queria contar! Não tinha que contar! Aquilo não... Não era certo e... Deus! Como ela sentia-se mal por ter escondido aquilo, como ela sentia-se mal por ter feito coisas erradas naquela cas quando não deveriam, como ela sentia-se mal com o resultado que tudo aquilo teve.

Flashback.
10 anos antes...

Charlie puxava Emma contra seu corpo o máximo que podia. Deus! Como ele amava senti-la daquela forma íntima, como ele amava ter aquele contato direto com ela... Como... Deus, como eles se encaixavam tão perfeitamente. Naqueles momentos, ambos pensavam que tinham nascido um para o outro, não importava o quão errado aquilo era, só importava que eram um só, que se encaixavam perfeitamente, que haviam nascido para aquilo, que haviam sido feitos para viverem juntos para sempre, como num conto de fadas.
Um gemido mais alto escapou do fundo da garganta de Emma com uma investida mais forte de Charlie, fazendo-o se arrepiar até o último fio de cabelo. Ainda segurando-a pela cintura, Charlie jogou seu peso para cima de Emma, fazendo-a virar e cair na cama em seguida, com ele por cima.
Ambos tinham respirações desreguladas e corações acelerados. Sem se importar ou se lembrar que algo poderia acontecer, que alguém poderia chegar ou algo do tipo, Emma juntou seus lábios em um beijo tão intenso quanto os outros e cruzou as pernas em volta da cintura de Charlie, facilitando a penetração.
Emma sentiu seu corpo estremecer e não conseguiu conter um gemido alto em sua garganta, Charlie sorriu vendo-a chegar em seu ponto máximo e acelerou os movimentos. Emma escondeu o rosto no pescoço de Charlie para abafar os gemidos e deixou-se levar por ele, novamente.
Não demorou muito para Charlie chegar em seu orgasmo também, caindo exausto ao lado de Emma em seguida.
Com os olhos fechados e coração acelerado, Emma aconchegou-se nos braços firmes de Charlie. Estava pronta para deixar o sono atingir seu corpo por completo, se não fosse uma voz rouca e um tanto quanto sem forças ecoar pelo quarto.
A esposa de Charlie estava ali. Na porta. Assistindo seu marido puxar outra mulher em sua direção e colocá-la em seu peito para dormir. Em sua casa. Em sua cama.

Fim do flashback

Emma expulsou as memórias de sua mente e fechou os olhos com força. Não queria lembrar daquilo, não queria contar a Charlie o motivo de sentir-se mal ali dentro, não queria reabrir feridas, não queria reviver aquele momento onde fora, sim, rejeitada e tratada — pela esposa de Charlie, claro — como se fosse uma vadia qualquer.
— Temos que trabalhar. — Ela sussurrou, secando as lágrimas rapidamente.
— Não vamos sair daqui enquanto você não me contar o que está acontecendo. — Charlie segurou-a pelo braço, não deixando-a levantar. — Vamos lá, Emma. Não vai te matar me contar a verdade.
— Lembra de quando Eleonora entrou e nos viu aqui? — ela começou, segurando as lágrimas e apontando para a cama. Charlie concordou, tentando não parecer abalado com aquilo. — Lembra que quatro meses depois... — Ela fez uma pausa para engolir a seco — Surgiu o Nicholas? — ela finalizou em um fio de voz e encarou as mãos.
Charlie engoliu em seco, piscando algumas vezes.
— O que...
— Você não notou, Charlie. Você não fez contas. Você não se lembra do nosso desespero para chegar nos “finalmentes”? Não lembra que esquecemos o mais importante? — ela o encarou e soltou uma risada amarga. — Você estava preocupado demais com o David e com ela para notar nessas coisas. Mas... Depois de tanto tempo — ela encolheu os ombros. — Você não notou nas semelhanças? O jeito de andar, de falar, de rir... — ela mordeu o lábio inferior para segurar mais as lágrimas. — O amor por números desde pequeno...
— Por que não me contou antes? — ele interrompeu, encarando-a nos olhos.
— Porque não importava. — Ela respondeu séria — Tínhamos combinado que nada mais aconteceria desde aquele dia. Eu também tinha um outro relacionamento, Charlie! Claro que eu poderia contar que o filho era do Martin — ela sorriu fraco. — Graças a Deus o Nicholas me puxou na aparência. Ninguém pararia para reparar nas manias que ele e você têm. Só eu reparava, era isso o que importava.
— Eu ainda não acredito que você escondeu isso de mim por tanto tempo. — Ele murmurou fitando o chão.
Emma se levantou e secou os olhos.
— Foi necessário. — Ela disse firme e pegou a bolsa, não esperou por Charlie. Estava de carro.
Ignorando a voz firme e alta de Charlie gritá-la do quarto, desceu as escadas rapidamente, saindo daquela casa em seguida. Sentia-se sufocada, pressionada. Não precisava ter contado aquilo para ele. Por que diabos Charlie tinha que ser tão insistente?!
Não demorou muito para Emma chegar no prédio. Ainda dentro do carro, secou as lágrimas que deixou rolar e soltou os cabelos, tentando disfarçar seu rosto abatido. Ainda não acreditava que tinha contado tudo para Charlie. Justo o que ela negara para todos! Sentia-se uma fraca, agora. Não que Charlie não tivesse o direito de saber a verdade, só que... Ela sofrera tanto com tudo o que acontecera. Por que diabos não poderia tudo continuar do jeito que era quando decidiram acabar com aquele maldito caso? Por que diabos tiveram que voltar? Por que tiveram que ter uma recaída tão grande?
Desceu do carro e andou o mais rápido que pôde até a sala de , ele provavelmente estaria lá. não iria para lá na parte da manhã.
Após dar duas batidas na porta e responder o famoso "entre!", Emma abriu a porta e fechou-a em seguida.
— Achei que não viria hoje — ele murmurou voltando a atenção para o computador. Emma continuou em silêncio e se sentou de frente para , largando a bolsa na outra cadeira. — Tá tudo bem? — perguntou encarando-a e deixando o computador de lado. — O que aconteceu, Emma? — ele se levantou de sua cadeira e se ajoelhou de frente para a mulher.
Emma não respondeu, apenas o puxou para um abraço e deixou as lágrimas rolarem.
não se importou, apenas a puxou com mais força, depositando um beijo em seu rosto em seguida.
— Me conta o que aconteceu. — Ele pediu baixinho e Emma fungou, tentando acalmar as lágrimas.
— Eu... — ela fez uma pausa e se afastou do amigo, se encolhendo na cadeira. — Estava na casa do Charlie — ela finalizou em voz baixa.
— Vocês brigaram? Ele te fez alguma coisa? — perguntou rápido, ficando de pé em dois segundos.
Emma deu um sorriso fraco e o puxou, fazendo-o sentar-se na mesa e encará-la.
— Não. — Ela respondeu dando de ombros. — Quer ouvir uma história?
— Eu adoraria. — respondeu esticando a mão em direção o rosto de Emma e lhe fazendo um carinho devagar ao notar que ela só... Queria desabafar, contar tudo desde o início.
— Bom... — ela se acomodou melhor na cadeira. — Tudo começou quando eu cheguei aqui, há uns 12 anos atrás...

Emma's POV.
Eu tinha uns 24 anos, nunca fui de conversar muito com o Charlie, sabe? Depois de algumas semanas por aqui que ele me fez descer de vez e passou a me colocar em trabalhos melhores. Antes eu só... Fazia tudo, desde desbloquear sistemas bloqueados por bandidos à ir para as ruas (depois de alguns dias, claro) com o John. Depois de alguns meses, eu fiquei muito mais amiga de John que de Charlie mas... Isso não quer dizer que não sentíamos nada, pois sentíamos sim. Era um desejo quase incontrolável. Onde nos víamos, nos provocávamos... Até mesmo sem querer. Não era algo que queríamos, era algo que acontecia. Em uma dessas bobagens, acabamos nos beijando. Depois, em um outro momento em que estávamos sozinhos por aqui, acabou indo além disso. Eu tinha um namorado, o Martin. Ele trabalhava aqui também. Eu passei a me sentir... Suja ou qualquer outra coisa ruim. Mas também não conseguia parar, eu simplesmente não conseguia. Charlie sempre fora... Tão... Tão tudo. Era difícil resistir a ele, era difícil não cair em sua rede. Mas eu, toda vez que botava a cabeça no travesseiro depois de transar ou dar um beijo nele, lembrava de Eleonora e David. Eles não tinham culpa! Eles não mereciam nada do que fazíamos. Só fomos parar com aquilo tudo, depois de eu já estar aqui por dois anos, quando — em um dia comum em que eu estava de folga e Charlie pôde faltar — fomos... Até a casa dele. Eu... Deus! Como eu me arrependo de ter ido para lá aquele dia. Nós... Bem. Nós acabamos passando dos limites de novo. Mas o pior não foi passar dos limites na casa dele, o pior foi o momento em que Eleonora nos encontrou. Ela... Assistiu a tudo calada. Ela não conseguia aceitar — eu também não aceitaria... — aquilo. Não conseguia aceitar que o homem que ela estava casada e tinha um filho pequeno estava a traindo com uma outra policial que também era comprometida. Naquele dia, Charlie deixou claro que não me queria mais. Deixou claro que queria fazer Eleonora acreditar que ele a amava e passar os últimos meses de vida que ela ainda tinha. Eu não tive coragem de contar para Martin o que aconteceu, apenas deixei para sofrer quando estivesse sozinha ou durante o banho ou qualquer coisa assim. John sabia de tudo, ele até mesmo parou para me consolar quando me viu chorando em um dos cantos desse prédio. Não fora justo o que Charlie fizera com Eleonora, mas ele também não fora justo comigo. Tudo bem que eu já havia sido informada que ele não era nenhum tipo de santo, mas ele não precisava agir de uma forma tão... Terrível. No final das contas, Eleonora o perdoou. Sabia que deveria fazer isso para o bem do filho deles, sabia que morreria logo e o amava com todas as forças. Não poderia se separar ou ficar sem falar com ele enquanto lutava contra uma doença fatal. Quatro meses se passaram e eu descobri que estava grávida de Nicholas. Não contei a ninguém até ter certeza do que estava acontecendo. Esperei mais um mês, quando notei ter engordado um pouco mais, contei para John o que estava acontecendo. Ele me entendeu e me ajudou, ficou no lugar de Martin numa noite de quinta-feira e eu pude contá-lo sobre a gravidez. Eu nunca havia visto Martin tão feliz quando naquele dia! Foi ótimo ver que eu o estava fazendo feliz, até fazer as contas da gravidez. Eu sabia, John desconfiava... Mas para que contar a verdade naquela confusão toda? Meu filho não tinha culpa! Martin estava feliz com a gravidez, eu estava feliz por estar com Martin. Ele era o certo para mim. Ele era o pai do meu filho e não teria quem dissesse o contrário. Eu... Menti para todos. Deixei com que Martin morresse sem saber da verdade. Eu me sinto tão fraca, tão suja, tão... Nada. Eu deveria ter contado, Martin me perdoaria e agiria normalmente ao saber da gravidez. Ele tinha um bom coração. Não merecia o que eu havia feito. Talvez eu realmente fosse a vadia que Eleonora disse que eu era. Mais um tempo se passou, Nicholas nasceu, cresceu e... Ficou cada vez mais parecido — no jeito — com o... Verdadeiro... Pai. Eu menti para todos dizendo que ele era filho de Martin, mas não tinha mais volta. O que eu poderia fazer? Nada. Não conheciam as semelhanças que eu e John conhecíamos, era o nosso segredo. Ele me apoiava, me ajudava com o Nicholas já que Martin não estava mais conosco. Eleonora morrera uns meses depois de Martin, David ficou tão arrasado. Ele... Chorava no meu colo e eu me sentia a pior pessoa do mundo. John via nos meus olhos o que eu sentia e sabia que eu estava sofrendo tudo — se não mais! — o que eles sofriam com a morte da mulher. O tempo foi passando e Nicholas crescendo mais. Ele tem manias semelhantes às de Charlie até hoje. Não tinha mais como negar e esconder o que eu sentia ao pisar naquela casa. Eu e Charlie vivíamos tendo recaídas às escondidas, eu não aguentava mais aquilo. Decidimos parar. Mas não conseguíamos. Fora tanto tempo afastados que... Não dava, não conseguíamos ficar longe. Enfim, o tempo passou. Charlie mudou. Eu mudei. Tudo, na realidade, mudou. Hoje, quando acordei na casa de Charlie, uma crise de nostalgia me atingiu quando entrei no banheiro para me arrumar. Charlie notou, como sempre notava... Ele me pressionou também. Insistiu até que eu contasse o que tinha. Não aguentei, não segurei mais, apenas disse o que ele queria ouvir: a verdade. Nicholas não é filho de Martin, sim de Charlie. Eu não podia mais esconder isso de ninguém. Nicholas está crescendo, ficando mais parecido com ele e não é só nas manias. Meu menino está virando uma pequena cópia de Charlie e eu não posso fazer nada a não ser contar a verdade, pelo menos para os mais próximos. Eu...

— Não precisa terminar — a interrompeu, se aproximando mais da amiga e secando as lágrimas que ela deixou escapar. — Eu tô aqui, querida Emma — ele sorriu e puxou-a para abraçá-lo.
— Eu não aguentava mais — ela murmurou apertando-o mais.
— Se acalma, linda. Tá tudo bem, ok? — ele sorriu, tentando tranquilizá-la. — O Charlie já sabe. Já está feito. Não vou te passar sermão, não tenho moral para isso. Mas, sabe, sei lá, conta comigo, Emma. Você sabe que pode contar — ele sorriu novamente. — Não sou bom com palavras. Agora olha para mim — ele a puxou pelo rosto. — Seca essas lágrimas — ele passou a mão pelo rosto dela, tirando as lágrimas dali —, prende esse cabelo — ele juntou os cabelos dela nas mãos e deu um nó desajeitado, fazendo-a rir fraco — e vá mexer nos seus códigos. Não tem nada que te anime mais que isso, certo?!
— Certo — ela respondeu respirando fundo. — Mas eu tô com medo e...
— Shhh — pousou um dos dedos sobre os lábios de Emma. — Não diz nada. Ele não vai contar para o Nicholas se você não quiser. Ainda é cedo, é tudo muito novo para o Charlie. Você sabe que...
— Isso pode ser um consolo para ele. Eu sei. Mas o meu filho não vai ser o que eu fui um dia para ele, — ela suspirou. — Eu sei que hoje não é assim. Eu sei o que sinto por ele e ele por mim, mas... Meu filho, não. Não agora.
— Se acalma — deu um sorriso torto. — Ele não vai fazer nada que você não queira.
— Eu sei, mas... — Emma foi interrompida por duas batidas na porta e, logo em seguida, a figura de apareceu dentro da sala.
— Licença — ela murmurou mordendo o lábio inferior. — Bom dia, Emma — ela sorriu e se virou para em seguida, sem esperar por uma resposta. Parecia apressada. — , você separou o caderno que pedi?
— Separei, sim — ele coçou a nuca e Emma deu um sorriso torto. estava ficando sem jeito na presença de ! Aquilo era épico... E cômico.
— Obrigada — murmurou sorrindo. — Até mais, Emma. — Ela disse enquanto puxava o caderno das mãos de e sumia porta à fora, sem esperar respostas dos presentes naquela sala.
— O que deu nela? — Emma perguntou.
— Como vou saber? — respondeu arqueando uma das sobrancelhas.
— Sei lá, vocês vivem juntos agora... — ela encolheu os ombros e segurou uma risada.
bufou e deu a volta na mesa, voltando a sentar de frente para seu computador.
— Você é louca. — disse firme, fitando o monitor do computador, tentando convencer seu próprio subconsciente de que estava tudo bem com e que ele não deveria se preocupar. Até porque, a última vez que se preocupara com ela, acabaram transando no meio da sala da casa dela.
— A quem está querendo enganar, ? — Emma perguntou se aproximando da mesa do rapaz e apoiando-se nos cotovelos.
— O quê? — perguntou, deixando o computador de lado mais uma vez e passou a fitar Emma com curiosidade.
— Você está tão envolvido — ela suspirou. — Está exatamente da mesma forma que ficara quando o assunto era Elizabeth. Não que a não seja melhor, porque ela é e nós dois sabemos disso. Mas... Eu sinto medo por você.
— Não vamos começar com o assunto Elizabeth e de novo, Emma. Por favor. — revirou os olhos. — Isso já deu o que tinha que dar. Eu só... — ele fez uma pausa e deu uma risada nervosa — Transei com a algumas vezes. Isso não quer dizer que estou perdidamente apaixonado por ela como um dia pensei que estive pela Elizabeth. Não vamos começar a compará-las. Você sabe tão bem quanto eu que elas são extremamente diferentes até mesmo no jeito de trabalhar. Você sabe bem que se uma delas nos ouvisse as comparando dessa forma, surtaria. Elas se detestam.
— Por que está no meio das duas, então? — Emma perguntou cruzando os braços.
— Não estou no meio delas. — Ele respondeu firme.
— Está, sim. Eu sei que você quer que eu esteja errada, , mas... A Elizabeth não voltou pra reconstruir a vida dela. Assim como a não está transando com você pelo seu rostinho bonito ou por você ser bem dotado. — Emma rebateu firme, encarando o amigo nos olhos.
— Que tal voltarmos para o assunto você e Charlie? — ele perguntou encarando-a como se implorasse com os olhos para que ela não voltasse o assunto para aquelas duas mulheres que lhe tiravam o sono.
— Você sabe que estou certa, por isso quer fugir do assunto — Emma insistiu.
— Da mesma forma que você está fugindo! — ele rebateu, bufando em seguida.
— Mas eu já contei tudo o que eu precisava e me sinto bem melhor, obrigada. — Ela revirou os olhos. — Agora, que tal você se abrir comigo, hein? Está estampado na sua testa que está a fim da ! Mais do que deveria, até. Como também está estampado que ainda sente algo pela Elizabeth e que quando ela chega perto de você, você fica tonto. Vamos, , assuma.
— Não enche o saco com isso — revirou os olhos e bufou mais uma vez. — Você não vê que eu não quero saber delas duas? Não vê que quero esquecer que elas existem, mas simplesmente não posso, nem consigo?
— Estamos evoluindo por aqui. — Emma sorriu fraco, fazendo revirar os olhos. — Faço isso pelo seu bem. Aprendi essas táticas com o seu pai...
— Não quero falar delas, Emma. — Ele disse calmamente. — Quero que elas vão para o inferno.
— Ou para sua cama... — Emma murmurou, olhando as unhas e bufou novamente. — Certo, certo, desculpa. Mas te perturbar me diverte. Esqueço dos problemas quando te vejo irratidinho porque está a fim de duas mulheres complicadas e rivais.
— Cala a boca. — disse tentando parecer sério, mas o maldito sorriso brincalhão insistia em invadir seu rosto.
— Você está sorrindo! — Emma exclamou. — Então é verdade!
— Emma, cala a boca — bagunçou os cabelos e riu em seguida. — Sério, cala a boca. Vamos trabalhar. Seus códigos te esperam. Se não me engano, o encontrou alguma coisa na casa da Natasha. Vai lá ajudá-los a entender aquilo, vai. O Ryan não dá conta sozinho.
— Está fugindo de novo — ela bufou. — Só não tento arrancar mais coisa porque, você sabe, tenho que trabalhar.
— Se cuida, Emma — ele disse num tom protetor e preocupado.
Emma apenas deu um sorriso fraco para ele e se levantou.
— Vou me cuidar. — Ela murmurou e saiu logo em seguida.

***

estava parada em frente a porta da sala de Charlie, apertando seus materiais contra o corpo com toda a força que tinha. Não estava acreditando no que faria. Estava prestes a largar nas mãos de Charlie todas as pistas que juntara sozinha e as coisas que Crowley lhe entregara. Estava prestes a... Destroçar mais seu próprio coração. Mas era algo tão necessário! Deus! Como aquilo estava doendo! Nunca pensara que entregar aquelas coisas para Charlie fosse doer tanto. Por mais que agira como se fosse uma perfeita pessoa sem coração, sem sentimentos e tudo o mais, era impossível não sentir-se mal com tudo aquilo nas mãos. Era impossível entregar tudo aquilo para Charlie sem sentir um bolo se formar em sua garganta e sufocá-la a ponto de fazê-la querer chorar.
Respirou fundo mais uma vez e deu duas batidas na porta. Não demorou muito para a voz firme de Charlie mandá-la entrar.
— Bom dia, Charlie — disse baixo e fechou a porta atrás de si. Sentia todo seu corpo tremer levemente, seu estômago embrulhar e a ansiedade tomar conta de cada pequena célula de seu corpo.
— Bom dia — Charlie sorriu. — O que houve? Problemas com o de novo?
— Não! — apressou-se em responder e engoliu seco em seguida, sentando-se em uma das cadeiras de frente para Charlie. — Eu... queria te entregar isso — ela jogou a pasta sobre a mesa de Charlie. — Não sei como nem quem, mas enviaram tudo isso para a minha casa — ela mordeu o lábio inferior.
— O que é isso? — Charlie perguntou desconfiado e apertou mais o caderno sobre o colo.
— São... Documentos... Importantes — ela praticamente sussurrou a resposta. — Se quiser posso deixá-lo ler sozinho e decidir se vai querer recomeçar as investigações, porque isso será necessário quando você ler isso tudo, Charlie. Ou você pode simplesmente encerrar tudo e ir por esses documentos.
— Do que diabos está falando? — Charlie arqueou uma das sobrancelhas.
— Leia, Charlie. Apenas leia. — Ela pediu mais uma vez, soltando um suspiro em seguida.
Estava feito. Ela entregara tudo — ou quase tudo — o que tinha para Charlie, da mesma forma que Crowley pedira. Não acreditava ainda que havia caído na de Crowley, mas também não podia negar que valera a pena passar todo aquele sufoco e encontrar-se com ele às escondidas nos últimos dois dias. Crowley estava fazendo a parte dele como prometera. Estava tudo dando certo. Menos a parte do que... Aquele maldito caderno que — mesmo que sem querer — ela deixara perto demais de e, que agora, estava em seu colo. Seu maior medo era entregar para Charlie aquele maldito caderno. Talvez o medo de entregar o caderno fosse maior que falar sobre a carta que James deixara apenas para mas que ela havia lido. O conteúdo da carta era importante, mas ela não a tinha. a havia guardado muito bem, pelo jeito.
— Tem mais uma coisa — ela disse, de repente, fazendo Charlie engolir a seco e encará-la. — James deixou uma carta para o antes dele morrer. Especialmente para o e para o pai dele. Eu li. Não vou dizer o que tem naquela carta, até porque eu posso ter entendido algo errado. Mas posso consegui-la.
, você sabe que tudo o que tá aqui é algo muito sério e...
— Eu sei, eu pensei nisso por todos esses dias que eu estive com tudo isso. Eu sei que não foi certo esconder — ela se apressou em acrescentar ao sentir o olhar duro de Charlie sobre si. — Mas foi preciso, Charlie. Pela minha segurança, eu tive que esconder. Você... Você sabe, você viu e... — ela suspirou e engoliu seco em seguida. — Você entendeu. Eu... — ela respirou fundo novamente. — Posso ter... Dormindo com...
— Não se atreva a completar essa frase! — Charlie a interrompeu quase gritando. — É muita surpresa para um dia só... — ele murmurou para si mesmo. — Vou recomeçar as investigações. O que você conseguir, a partir de agora, você vai entregar diretamente para mim. Entendeu?
— Entendi — respondeu séria enquanto apertava mais o caderno em seu colo.
— Vou precisar da carta do James. — Charlie disse sério.
— Eu consigo. — Ela deu um sorriso torto.
— Só não o magoe muito com isso. — Charlie pediu.
— Tudo bem. — respondeu e se levantou, jogando a bolsa de volta para seu ombro. — Não sei se vou poder ficar por aqui, tenho alguns problemas na Redação. Tudo bem esperar até amanhã?
— Não sinto pressa. Se for mesmo tudo de acordo com esses papéis, ele não vai fugir — Charlie deu de ombros.

***

Claire encarou o senhor Mangor que a olhava como se fosse a maior retardada do mundo. Ela conseguira arrastar o homem até sua casa e, agora, estavam na porta de entrada.
— Olhe, querida, não quero soar grosso mas...
— Senhor Mangor, apenas entre. — Ela pediu com um sorriso singelo no canto dos lábios. — Não estou inventando nada. Também não estou te trazendo aqui para ser morto. Sou uma jornalista, o senhor me conhece.
— De qualquer forma, brincar com essas coisas...
— Não estou brincando! — Claire o interrompeu novamente e revirou os olhos em seguida. — Venha comigo — ela estendeu a mão para o mais velho que, após soltar um suspiro fraco e segurar as lágrimas, pegou-a e deixou-se ser levado por aquela loira que mais parecia um anjo.
Claire parou em frente ao quarto de James e deu duas batidas, anunciando que já estava ali com seu pai. Não esperou a voz fraca do rapaz ecoar pelo quarto mando-os entrarem, apenas abriu a porta e deixou um grande espaço para o senhor Mangor vê-lo.
Com um sorriso nos lábios, Claire se afastou e encostou-se no batente da porta, apenas encarando um pai extremamente chocado ao ver seu único filho naquele estado. Deus! Quanto tempo se passara desde a última vez que vira James? Há quanto tempo ele estava desaparecido? Há quanto tempo Mangor pensava que seu filho havia tido o mesmo destino de Owen? Há quanto tempo ele se culpava por não ter dado um conselho melhor para seu filho? Há quanto tempo ele se culpava, também, por não ter contado toda a verdade para o filho?
— James. — Mangor murmurou, adentrando o quarto e sentando-se ao lado do filho, que tinha os olhos brilhantes por causa das lágrimas.
— Pai. — James murmurou tentando sorrir. — Eu...
— Não fala nada, filho. — Mangor pediu, puxando-o para um abraço apertado.
James não se importou com a leve dor que lhe atingiu, apenas puxou o mais velho com toda a força que tinha, liberando as lágrimas que segurara por tanto tempo.
Claire, que ainda estava ali, piscou algumas vezes e respirou fundo, tentando não chorar também. Ainda com seu singelo sorriso nos lábios, se afastou devagar e seguiu para a cozinha. Oras! Era aniversário de James. Prepararia algo e depois ligaria para pedindo para ficar em casa, inventaria uma desculpa qualquer e, do jeito que era, a liberaria numa boa já que o clima estava mais calmo na Redação.
Pouco mais de dez minutos haviam se passado e Claire terminou de fazer o que fazia, colocou as coisas numa bandeja qualquer e carregou calmamente até o quarto. Segurou a bandeja com uma das mãos e deu duas batidas na porta, atraindo a atenção dos dois que conversavam.
— Entre, Claire! — James exclamou sorrindo e secando as poucas lágrimas que ainda escorriam.
— Bem... — ela mordeu o lábio inferior — Já que hoje é aniversário do James, decidi trazer algo para comemorarmos — ela sorriu e apoiou a bandeja com as coisas sobre uma pequena mesa que deixava ali para James.
— Não precisava, Claire. Só de ter meu pai aqui está de bom tamanho — James murmurou sorrindo.
— Você é uma boa garota, Claire — Mangor murmurou encarando-a com um sorriso calmo.
— Obrigada, senhor Mangor — ela sorriu sentindo seu rosto corar. — Enfim. Fiquem a vontade. Preciso ligar para minha chefe.
— Claire. — James chamou quando ela já estava na porta. — Quero que o me encontre.
— Não acha que é cedo? — ela perguntou sentindo sua garganta secar.
— Não, já é tarde, minha filha. — Mangor se intrometeu. — Apenas chame-o.
— Tudo bem. Curtam o reencontro, darei um jeito de trazê-lo para cá ainda essa semana, tudo bem? — ela deu um sorriso torto.
— Está ótimo. Obrigado, de verdade, Claire. — James respondeu com um sorriso no rosto.
Claire retribuiu o sorriso e saiu do quarto de uma vez.
— Sente-se bem com ela, não é, James? — Mangor perguntou para o filho enquanto mastigava um dos biscoitos que Claire havia colocado junto às outras coisas.
— Muito bem, pai. — Ele respondeu sorrindo e brincando com um dos fios que ainda estava ligado ao seu corpo. — Ela é... Maravilhosa — ele alargou mais seu sorriso.
— Sinto cheiro de paixão no ar... — Mangor murmurou sorrindo para o filho, que riu baixinho.
— Eu a beijei ontem. — James murmurou timidamente dando de ombros em seguida.
Mangor deu uma risada fraca.
— Por que será que isso não me surpreende, James?

***

Charlie saiu do elevador sentindo seu coração bater com mais força contra seu peito. Eram surpresas demais para um dia só, era peso demais para uma pessoa só, era... Medo demais. Pavor demais. Susto demais. Sentia-se esgotado. Naquela manhã, além de acordar atrasado, descobrira que tem outro filho, descobrira que quem ele considerava um filho poderia ser o maior filho da puta de todos e por coisa... Boba. Após soltar um suspiro pesado, abriu a porta da grande sala onde Emma costumava ficar com Ryan e os outros funcionários. Lá, normalmente, eles ajudavam os novatos, explicavam a situação e como eles deveriam lidar com ela.
Charlie caminhou calmamente até onde Emma estava sentada escrevendo. Provavelmente estava resolvendo algum código que ele não fazia nem ideia do que era.
— Podemos conversar? — ele sussurrou no ouvido de Emma, que não se moveu.
— Pode esperar? — ela perguntou no mesmo tom de voz.
— Vai demorar? — ele perguntou tão baixo quanto da primeira vez.
— Jogos de perguntas? — ela perguntou com o tom de voz mais alto e girou com a cadeira para Charlie.
— Emma, por favor...
— Não temos o que conversar, Charlie — ela tentou sorrir para ele. — Está tudo bem, não está? Eu já expliquei o que tinha para explicar. Eu só...
— Shhh — ele pediu, pousando um dos dedos sobre os lábios da mulher. — Eu entendo o seu lado, só não entendi por que diabos você saiu daquele jeito. Me deixou preocupado.
— Eu precisava de um tempo — ela desviou os olhos dos de Charlie e encarou todos os pontos daquela enorme sala. — Vamos para o corredor?
— Tudo bem — ele cedeu, soltando um suspiro pesado e caminhando até a porta com Emma em seu lado.
— Não parem o trabalho, eu não vou demorar! — Emma exclamou alto e todos apenas confirmaram com um aceno.
Saíram da sala e fecharam a porta.
— Vai ficar tudo bem? — Charlie perguntou baixo, esticando a mão para tocar o rosto de Emma, que apenas fechou os olhos.
— Sempre fica, não é? — ela murmurou abrindo os olhos devagar.
— É. Sempre fica. — Charlie murmurou de volta e a puxou pela nuca, juntando seus lábios num beijo calmo, porém urgente.
Emma apenas deixou-se levar e segurou-o pelos ombros. A sensação de ter os lábios de Charlie sobre os seus nunca mudaria. O contato entre suas línguas, a dança perfeita que faziam, o encaixe maravilhoso e bem feito entre suas bocas, a corrente elétrica que passava de um corpo para o outro, o famoso frio na barriga que os apaixonados apelidam de "borboletas no estômago", o coração acelerado como se fosse escapar de seu peito a qualquer momento... Deus. Aquilo nunca mudaria. Seria a mesma coisa até quando estivessem velhinhos. Somente eles sabiam o que sentiam um pelo outro e há quanto tempo, somente eles sabiam o que sofreram quando tiveram que se afastar, somente eles sabem o quando doeu ter que falar coisas terríveis um para o outro quando discutiam e falavam coisas sem pensar.
Após sentirem seus pulmões queimarem e implorarem por ar, se afastaram lentamente. Emma soltou um suspiro pesado e apoiou a cabeça no peito de Charlie, que subia e descia rápido, um tanto ofegante. Outro efeito que Emma adorava causar nele.
Com um sorriso no canto dos lábios, Emma murmurou:
— Viu? Já está tudo bem.



Capítulo 25

tinha passos apressados enquanto cruzava os corredores da Redação. Tinha uma hora para publicar uma matéria que era um tanto quanto delicada. Tinha a autorização de Charlie para aquilo, o povo londrino esperava explicações. Queriam saber da verdade, queriam entender os assassinatos. Havia parentes revoltados tentando falar com Charlie e o resto da equipe a todo custo. Claro que não deixavam aquilo vazar e tentavam manter o controle, mas estavam ficando numa situação... Crítica.
Após soltar um suspiro leve e desejar um "bom dia" quase inaudível para Claire, adentrou sua sala e fechou a porta atrás de si, sentou-se em sua cadeira confortável e deixou-se afundar nela. Precisava escrever, mas não sabia o que escrever. Charlie não a deixara usar as pistas que tinha entregado para ele antes. Não podiam divulgar aquilo nem mesmo para os outros da equipe, imagine para toda a população inglesa! Desde que começara a trabalhar para Charlie, a coluna de era a mais procurada e pedida em todos os cantos da Inglaterra. Até mesmo propostas de novos empregos recebera! Por que diabos não podia simplesmente escrever com o que tinha? Ela não podia esconder que — mais que machucada e magoada com tudo o que soubera — estava excitada com aquilo tudo. Era uma excitação diferente; precisava compartilhar aquilo! Precisava mostrar a verdade para o povo, precisava que eles opinassem, precisava de... Ação. Pelo menos mais uma vez. Uma confusão não faria diferença para o que estavam vivendo. Mas não tinha autorização para causar tal desordem. Também não tinha o direito de fazer aquilo com Charlie, que era um homem tão bom para ela.
Suspirou mais uma vez e sentou-se numa postura reta, de frente para o computador e pronta para começar a digitar, porém, duas batidas na porta a interromperam, fazendo-a bufar.
— Entre! — exclamou com uma leve irritação, que sumiu logo em seguida ao ver o rosto sereno de Claire aparecer na sala.
— Licença — Claire murmurou mordendo o lábio inferior. — Não quero atrapalhar, sei que tem pouco tempo para escrever. Mas preciso falar com você — a mais nova disse calmamente enquanto fechava a porta atrás de si e caminhava devagar até a mesa de .
— Fale — apoiou os cotovelos na mesa e o rosto nas mãos, enquanto encarava Claire com um sorriso simpático nos lábios.
Claire mexeu as mãos e abriu a boca algumas vezes, deixando claro seu nervosismo.
— Você... — ela fez uma pausa para engolir a seco — Eu não faço ideia de como te perguntar isso, mas preciso. Também gostaria que não me perguntasse o porquê disso. Eu simplesmente não posso contar nada agora, . Só preciso que... — ela fitou o chão e levantou o olhar em puro nervosismo e medo para novamente — Traga o para cá. Tenho uma coisa que é do interesse dele. Você é a única pessoa que tem contato com ele por aqui e eu sei o quanto deve estar difícil pela delegacia. Então, não quero simplesmente chegar lá e pedir para falar com ele.
— Você quer falar com o ? — deu uma risada fraca e revirou os olhos discretamente. — Eu realmente gostaria de saber o porquê.
— Como eu disse, , não posso contar nada agora. Perdoe-me por isso. Mas é assunto dele — Claire murmurou soltando um suspiro pesado em seguida.
— Se não me disser o porquê, não poderei trazê-lo aqui. Você sabe e viu o quanto é difícil lidar com ele, Claire — soltou um suspiro. Odiava fazer aquilo, mas que escolha tinha?! Claire havia aguçado sua curiosidade, ela sabia que não podia fazer aquele tipo de coisa com uma jornalista. Ainda mais uma investigativa!
— Tenho certeza de que se você tentar, você consegue, . — Claire a encarou esperançosa. — Te prometo que se trazê-lo para cá e fazê-lo aceitar a conversar comigo nem que seja por cinco minutos, quando tudo se ajeitar, você será a primeira a saber o motivo disto tudo com os mínimos detalhes. Tenho certeza de que o que tenho para o fará sua carreira decolar ainda mais — Claire finalizou, colocando o cabelo para atrás da orelha.
— Claire...
— Por favor! — a loira exclamou. — É a única coisa que te peço, . Prometo explicar tudo quando conseguir conversar com ele.
— O que você quer conversar com ele, Claire? — perguntou com a voz firme. — Não consigo imaginar o que seja tão importante assim.
— Desculpe, não posso contar! — Claire exclamou, bufando em seguida. Sentia sua paciência ir para os ares com a falta de confiança e curiosidade de . Aquilo a irritava profundamente. Claro que entendia toda aquela coisa de , já que era uma jornalista. Mas ainda assim. Deus! Para que ser tão desconfiada?
— Claire, pelo amor de Deus! — revirou os olhos. — O que diabos...
— Tudo bem, . Já notei que não pode ajudar — Claire a interrompeu, dando um sorriso forçado. — Qualquer fim de semana desses, eu o procuro, por mais que o assunto que preciso tratar com ele tenha pressa. Enfim. Obrigada e desculpe te perturbar com pouca coisa. — Após dizer isso, Claire se levantou e caminhou em passos largos e apressados até a porta, saindo de uma vez por todas.

***


Elizabeth cumprimentou as poucas pessoas que conhecia naquele corredor agitado da delegacia e seguiu, sem parar em alguma atendente, até a sala tão conhecida onde costumava ficar. Ela... Não precisava ser anunciada ou qualquer coisa parecida, seria desnecessário. sempre a deixaria entrar sem nenhum problema. Por mais que ainda sentisse raiva dela, ele a deixaria entrar. Após arrumar o sobretudo no corpo e apertar mais a bolsa contra o corpo, deu duas batidas na porta e esperou a voz firme de mandá-la entrar. O que não demorou muito já que, segundos depois, ela abriu a porta e deixou um sorriso encantador se formar em seus lábios.
— O que faz aqui? — perguntou, soltando um suspiro e largando os papéis que mexia.
— Olá! — ela abriu mais o sorriso e entrou na sala de uma vez por todas, fechando a porta atrás de si. — É muito bom te ver também, — ela revirou os olhos e se sentou na cadeira de frente para o homem, que a encarava demonstrando tédio. Mas, na verdade, de tédio aquilo não tinha nada e ambos ali sabiam. estava... Encantado. Elizabeth estava com os cabelos negros soltos e caídos em camadas grossas e onduladas sobre os ombros, uma calça jeans e um tipo de Oxford de salto não muito alto, um sobretudo preto que combinava e uma blusa — provavelmente —, fina preta por baixo.
— O que você quer? — perguntou, apoiando o rosto nas mãos enquanto encarava a mulher.
— Falar com você — ela respondeu, imitando o gesto dele e apoiando o rosto nas mãos também.
— Sobre?
— Poxa, vai mesmo querer ser direto? Não vai me chamar nem para tomar um café? — ela perguntou fazendo um biquinho de criança emburrada.
— Não — ele revirou os olhos. — Anda, Elizabeth. Você não viria aqui só para tomar um café. Não tenho por que te chamar para tomar um.
— Podemos sair daqui, pelo menos? — ela perguntou e suspirou em seguida. — Não gosto de falar com você aqui.
— Por quê?
— Vamos sair daqui, — ela pediu novamente.
— Não posso — ele deu de ombros e voltou a juntar os papéis que analisava antes.
— Você já pode parar de bancar o difícil e inventar desculpas para não conversar comigo — ela disse firme e ficou de pé, puxando os papéis das mãos de e jogando-os na mesa ao lado que ela deduziu ser de . — Vai conversar comigo agora ou vai esperar que eu morra também?
a encarou perplexo e soltou uma gargalhada em seguida.
— Você é completamente louca — ele disse devagar, enquanto se levantava e ia até a mesa de , pegando seus papéis de volta. — Sai daqui. Sério. Não preciso de ninguém para me atrapalhar.
... — ela suspirou e deu alguns passos, dando a volta na mesa e apoiando-se nela com os braços cruzados em seguida — Só preciso que me escute e, se gostar do que vai ouvir, me responda algumas coisinhas — ela mordeu o lábio inferior e se afastou da mesa. Em dois passos dados, ela já estava próxima de . Próxima o suficiente para tocar nos botões da jaqueta de couro que ele usava.
— Não tenho tempo — ele disse firme, sustentando o olhar carregado de sentimentos que ele não soube distinguir, de Elizabeth.
— Eu sei que você consegue arrumar um para mim e novas informações — ela sussurrou, aproximando-se mais.
engoliu a seco e tentou dar um passo para trás, mas Elizabeth segurou-o pela jaquela e colou seus corpos de uma vez por todas. murmurou alguma coisa desconexa e tentou se afastar novamente, mas Elizabeth não deixou, fazendo-o encará-la nos olhos. odiava ficar vulnerável a ela. Ela sabia disso! Por isso o fazia. Gostava do efeito que tinha sobre ele, gostava de vê-lo daquele jeito tentando resistir a ela, gostava de vê-lo implorar com o olhar para que ela se aproximasse mais. Adorava, com todo seu coração, fazer desenterrar as coisas que viveram em segundos.
— Não tente me comprar com isso — ele se livrou das mãos da mulher de uma vez por todas. — Tem novas coisas sobre os últimos assassinatos? — ele ficou de costas para ela, indo até o pequeno armário de arquivos que havia ali e voltou a falar: — Procure o Charlie.
— Você é o chefe de equipe e responsável por tudo. Charlie não vai querer se preocupar com nada disso e me mandará de volta para você e eu ficarei feito uma bolinha de ping-pong; para lá e para cá — ela fez gestos com os dedos de um lado para o outro e suspirou em seguida. — Por que me evita tanto?
— Preciso responder? — ele perguntou, bufando e se virando para ela. — Pelo amor de Deus, Elizabeth! — ele revirou os olhos. — Pare de ser sonsa e cínica.
— Se for pelo que aconteceu, não fiz por mal e você sabe — ela murmurou. — Era minha carreira...
— Ou eu — ele a interrompeu, dando uma risada amarga. — Eu também escolheria a carreira, só que eu... — ele fez uma pausa e revirou os olhos — Por que diabos estamos falando disso? Que se foda — ele deu de ombros. — Isso já acabou faz tempo e não vale de mais nada.
— Não vale? — ela perguntou baixo, encarando-o nos olhos e cruzando os braços. Sentiu-se incomodada com falando daquela forma. Não porque sentia como se estivesse perdendo o poder sobre , aquilo era até bom para ele, aliás. Mas... Doeu ouvi-lo dizer aquilo tudo. Para ela, ainda valia de alguma coisa! Todo aquele efeito que ela tentava causar em cima dele era para, um dia, quem sabe, melhorar o relacionamento dos dois. Tudo bem que ela não queria essa melhora somente no profissional. Mas... Ela ainda sentia algo por ele. Caso contrário, não faria o que estava prestes a fazer.
— Não — ele respondeu calmamente.
— Engraçado — ela deu uma risada fraca. — Não era o que parecia vinte segundos atrás.
— Você é passado para mim, Elizabeth — ele disse firme. — Assim como eu sou para você. Agora — ele levantou um dos dedos notando que ela começaria a falar —, me diga para que veio aqui.
— Acho que não vale de nada, não é? — ela disse baixo, tentando esconder o quão abatida ficara ao escutar aquilo. De certa forma, aquilo mexeu com . Ele não gostava de... Ser daquele jeito com Elizabeth. Apesar de todas as coisas que passaram e sofreram um pelo outro, ele sentia-se na obrigação de pelo menos tentar ser educado com ela. Só que... Simplesmente não conseguia. Era o que Charlie sempre dizia: quanto mais ele gostasse ou se sentisse atraído por uma mulher, ele implicaria com ela até conseguir o que quer.
— Anda logo, Elizabeth — ele disse sério, perdendo a paciência.
— Podemos sair daqui ou não? — ela perguntou piscando algumas vezes e pegando sua bolsa.
não respondeu, apenas bufou e caminhou até a porta.
— Não me faça me arrepender de aceitar isso. — ele disse firme antes de sair e deixá-la para trás.
Com um sorriso no canto dos lábios, Elizabeth saiu em seguida, fechando a porta com força atrás de si e correndo um bocado para alcançá-lo.
— Sempre tão apressado... — ela murmurou emburrada. — Custa andar mais devagar quando está com uma mulher?!
— Sem drama — ele murmurou revirando os olhos e saindo de uma vez por todas do prédio. Elizabeth sentiu vontade de parar de andar e fazê-lo ir mais devagar. Mas sua ansiedade de abrir o jogo com era tanta que ela nem sequer voltou a pensar naquela ideia, apenas o seguiu em silêncio.
Chegaram a uma pequena lanchonete que havia do outro lado da rua e sentaram-se em uma mesa afastada, pediram dois cafés e esperaram a garçonete — que fitava com interesse o tempo inteiro — trazer os pedidos para começarem a conversar.
— O que você quer, Elizabeth? — perguntou sério e Elizabeth soltou um suspiro em seguida.
— Como andou sua vida esses últimos anos, ? — ela desconversou, encarando-o com um sorriso no canto dos lábios. — Você quer saber como ela desandou, sim? — ele deu uma risada amarga. — Vamos direto ao assunto, por favor. Eu sei que você não me chamou aqui para conversar ou uma entrevista para subir seu cargo na revista.
— Posso ao menos saber o que andou acontecendo? — ela rebateu, mordendo o lábio inferior.
— A minha vida continuou a mesma — murmurou, desistindo de ir direto ao assunto. Não queria... Ter aquela intimidade com Elizabeth de novo. Mas... Não podia negar que sentira falta. — E a sua andou ótima, não é? — ele deu um sorriso torto. — Até Pulitzer você ganhou!
— Furo de reportagem! — ela deu uma risada fraca e o encarou. — Acho que foi um dos melhores dias da minha vida.
— Imagino que sim — ele deu de ombros, sorrindo em seguida. — Parabéns.
— Obrigada — ela sorriu. — Sabe, , antes de qualquer coisa — ela fez uma pausa e suspirou. — Eu gostaria de me desculpar com você.
— Pelo quê? — ele perguntou, fazendo-se de desentendido e Elizabeth revirou os olhos.
— Por tudo, . Por tudo — ela respondeu soltando um suspiro pesado em seguida.
— Tudo o quê? — ele riu, amargo. — Era eu ou o seu trabalho. Qualquer pessoa escolheria o trabalho em vez do namorado. Eu entendo o seu lado.
— Certo. Eu já disse o que tinha que dizer antes de ir ao assunto principal — ela disse, tentando parecer firme e ignorando a dor que aquilo causara. Ela não queria ter de voltar no passado. Não gostava de lembrar-se de quando tivera que deixar e partir para Nova York. Doera nela tanto quanto nele, e ela sabia daquilo! Só que... Não podia simplesmente dar as costas para o seu sonho. Assim como não podia para , claro. Mas... O que diabos ela poderia fazer com toda a pressão dos pais? , mais do que ninguém, sabia que os pais de Elizabeth não o suportavam. Talvez pelo seu gênio ruim e mau humor, talvez por ele ser um policial e colocá-la ainda mais em risco, talvez... Talvez eles simplesmente achassem que não era bom o suficiente para ela. Mas, sim, ele era. E ela sabia que naquele momento não tinha mais espaço em seu coração como tivera antes. Até porque surgira e ela notava de longe quando sentia-se balançado por uma outra mulher. Estava escrito em seus olhos, em sua testa, em qualquer outra parte de seu corpo que ele desejava mais do que qualquer outra mulher e ela não tentaria fazê-lo mudar de ideia. Por isso o estava procurando. Para alertá-lo dos perigos que estava correndo, para mostrá-lo que, se ele realmente quisesse conquistar e ficar com ela, ele teria que ser esperto e prestar mais atenção nas coisas a sua volta do que nos assassinatos. Porque, ali, nos pequenos detalhes do cotidiano, que estava o segredo que levava a tudo aquilo.
— Comece, então. — ele pediu, encarando-a com curiosidade.
— Crowley me procurou esses dias — ela murmurou, olhando em volta e mexendo calmamente em seu café.
— E daí? — perguntou, revirando os olhos.
— E aí que ele procurou a também — ela respondeu firme e , mesmo tendo mostrado indiferença e desinteresse, arregalou levemente os olhos.
— E onde eu entro nisso? — perguntou, dando um longo gole em seu café.
— Onde você entra? — ela repetiu a pergunta e soltou uma risada fraca em seguida. — Não se faça de idiota, . Não comigo — ela balançou a cabeça. — Você se preocupa com e eu sei disso. Por isso estou te procurando. Se Crowley a procurou pelo mesmo motivo que me procurou, corra atrás de sua liberdade agora enquanto há tempo.
— Não entendi — ele murmurou arqueando uma das sobrancelhas.
— Eu sei que não — ela sorriu. — Mas irei te explicar. Alguns dias atrás, Crowley me procurou. Ele tinha uma proposta para me fazer, apenas por isso aceitei recebê-lo. Pensei que fosse algo útil, algo bom. Realmente tinha esperanças de que ele estava completamente mudado, ainda mais depois da morte de Rachel. Mas... Eu estava errada — ela soltou uma risada fraca. — Completamente errada.

Flashback.

Elizabeth's POV.

Encarei Crowley na minha frente e arqueei uma das sobrancelhas, deixando-o entrar em minha sala de uma vez por todas.
— Crowley. — murmurei, caminhando devagar até minha mesa.
— Elizabeth. — ele respondeu sorrindo maliciosamente. Não entendi o porquê daquele sorriso, mas senti um arrepio correr por todo meu corpo; não um arrepio prazeroso ou algo do tipo, mas sim um arrepio de medo, talvez. Era apavorante encarar Crowley depois de tanto tempo, sabendo de tudo sobre sua vida.
— A que lhe devo a honra? — perguntei, tentando sorrir.
— Tenho uma proposta para você — ele respondeu e sentou-se de uma vez por todas na cadeia a minha frente, abrindo um dos botões do sobretudo que usava e esparramando-se na cadeira até ficar em uma posição confortável para ele.
— Estou ouvindo — murmurei e sentei-me em seguida.
— Soube que ganhou um Pulitzer ano passado — ele sorriu. — Furo de reportagem, sim?
— Sim — respondi sem devolver o sorriso. — O que quer, Crowley?
— Lhe dar outro furo de reportagem. Quem sabe você não ganha mais um Pulitzer? — ele voltou a sorrir. — Soube que esse é um dos prêmios mais ansiados por jornalistas.
— Sim, ele é. — Dei um sorriso torto ao concordar. — Mas pode me fazer logo sua proposta? Tenho mais o que fazer.
— Tipo escrever fofocas sobre o ? — ele perguntou e eu engoli a seco. — Brincadeirinha. Eu já disse, Beth — ele frisou meu apelido e eu fiz uma careta ao escutá-lo —, quero lhe dar um furo. Talvez uma notícia maior que te faça sair dessa parte de fofocas. Não é justo uma jornalista investigativa como você estar aqui, neste cargo, nesta Redação ridícula — ele revirou os olhos. — Você merece mais.
— Tipo o quê? — apoiei os cotovelos sobre a mesa e sustentei seu olhar.
Ele sorriu e abriu a pasta que carregava, jogando-a sobre minha mesa.
— Que tal você publicar tudo isso? Aumentará a credibilidade da Redação — ele sorriu e voltou a falar: — Aumentará seu cargo e salário, a fará ser reconhecida novamente.
Mordi o lábio inferior e encarei os papéis a minha frente. Aquilo era o paraíso para qualquer jornalista a fim de foder a vida de algumas pessoas importantes. Quando digo importantes, são importantes mesmo. Eram os segredinhos mais absurdos das pessoas — mortas — mais comentadas de toda a Inglaterra. Porém, dois nomes me surpreenderam por estarem presentes naquilo tudo: Zachary O'Donnel e . Não era segredo para ninguém que o O'Donnel era um canalha de primeira. Mas por que diabos o nome de estava alí? Ele não... Não tinha nenhum segredinho sombrio. Pelo menos não que eu soubesse.
— Onde o entra nisso tudo? — perguntei enquanto começava a ler atentamente os papéis.
— Termine de ler, querida — ele abriu mais seu sorriso de forma maliciosa. — Você irá adorar.
Após terminar a parte onde citava o nome de , soltei uma risada alta e completamente debochada.
— De onde tira essas coisas, Crowley? — perguntei encarando-o curiosa.
— Não importa. Topa ou não topa? — ele foi direto e eu o encarei com um sorriso no canto dos lábios, o que o fez sorrir também.
— Não — respondi firme e ficando séria. — Isso aqui é um absurdo. Você não tem ideia do que está dizendo nesses papéis. O não faria metade das coisas que estão escritas aqui. Aliás — levantei um dos dedos para terminar de falar, já que ele abrira a boca em total indignação e pronto para falar —, por que não entrega tudo isso à polícia?
— O que a polícia faria?
— O prenderia.
— Acha mesmo? — ele riu. — O que fizeram comigo?
— Te prenderam. Lembro-me bem — respondi sorrindo. — E não deveriam ter soltado.
— Você tem noção do que está perdendo? — ele perguntou, ignorando meu comentário.
— Não estou perdendo nada, Crowley. Você só está querendo se vingar do por algo que eu não faço ideia — murmurei firme e o encarei nos olhos. — Mas eu vou descobrir o que é isso e, acredite, o primeiro a saber de todas essas coisas será o para que ele possa se cuidar. Você não é confiável. Você não deveria estar solto.
— Vejo que alguém aqui ainda é apaixonada pelo — ele soltou uma risada alta. — Tão apaixonada que não enxerga quem ele realmente é. O é um assassino sádico, você sabe — ele deu de ombros. — Não vai demorar para ele matar você também.
— Não vai demorar para ele te matar — rebati firme. — Meus sentimentos pelo não precisam fazer parte dessa conversa — sorri friamente para ele. — Já tem minha resposta, Crowley. Já pode ir. — Apontei para a porta ao terminar de falar e ele me encarou ainda sorrindo.
— Tudo bem, Elizabeth. Depois não diga que não avisei — ele me encarou firme e se levantou, juntando suas coisas em seguida. — A propósito... — ele me encarou nos olhos e se aproximou mais, puxando-me pela nuca e deixando-me extremamente próxima a ele — Será ótimo se essa conversa ficar apenas entre nós dois. Ou...
— Ou o quê? — perguntei encarando-o com um olhar desafiador. — Você virará o assassino sádico no lugar do e virá me matar? — soltei uma risada alta e me afastei dele, ficando de pé também. — Não sinto medo de você.
— Seria bom sentir. Você mesma disse que não sou confiável.
— Tenho proteção o suficiente para não me sentir amedrontada por um ex-policial invejoso como você — sorri. — Agora já pode se retirar. Foi um prazer revê-lo.
— O prazer foi todo meu — ele disse ainda com o meio sorriso no canto dos lábios e saiu.
Deixei meu corpo cair lentamente sobre a cadeira e suspirei pesadamente. Crowley não iria desistir até conseguir destruir a vida de . Mas o problema não era este. Isto poderíamos resolver jogando-o na cadeia novamente ou algo assim. O maior problema ali era: por que ele estava fazendo aquilo? Por que, afinal, era tão perseguido? Inteligência? Passado? Contas pendentes de seu pai? Coisas dele? Coisas pessoais? Profissionais?
Soltei mais um suspiro frustrado por não chegar à conclusão nenhuma e decidi não terminar meu trabalho. Não teria cabeça para aquilo. As poucas palavras que li naqueles documentos me deixaram extremamente perturbada, mesmo eu sabendo que nada daquilo era verdade. " mandara matar Owen Mangor e Paul Garred", oras! Aquilo era um completo absurdo. os mataria ou mandaria matá-los por quê?
"O cofre de Owen Mangor — o qual nem mesmo Zachary O'Donnel, seu ex-marido e amante, sabia onde estava — possui mais de dois milhões de libras — em espécie e em jóias — e documentos importantes, onde a mulher guardava todas as contas de todas as suas roubalheiras nas empresas Mangor..." Bufei ao lembrar de tudo isso e não chegar em conclusão nenhuma, mais uma vez, e me levantei. O que mais eu poderia fazer a não ser ir para casa e tentar descansar a mente de tudo aquilo e pensar no que fazer logo depois? precisava ser informado daquilo tudo! Precisava ver o risco que estava correndo caso alguém aceitasse a publicar tudo aquilo e destruir sua carreira.

Fim do Flashback.

encarou a morena em sua frente e soltou uma gargalhada em seguida. Não que o que ouvira fora engraçado, mas sim pelo nervosismo que o tomara. Quem Crowley pensava que era para tentar fodê-lo daquela forma?
— Eu vou acabar com esse desgraçado — disse firme assim que parou de rir.
— Acaba com ele e acabam com você. Porque, melhor do que ninguém, você sabe que ele não está sozinho nessa e que ele irá acabar com você em um piscar de olhos.
— Acabar comigo como? — ele perguntou rudemente. — Entregando aquela porra toda para a para ela dar ao Charlie e me foder profissionalmente?
— Eram documentos verdadeiros, — Elizabeth disse baixo, fazendo-o engolir a seco.
— Por que está aqui, então? — ele perguntou, procurando pelos olhos assustados de Elizabeth.
— Porque... — ela hesitou por um momento e suspirou. — Eu amo você e não poderia deixá-los acabarem com você assim tão fácil e de repente, sem você nem ter tempo de se defender.
manteve-se em silêncio, assimilando o que Elizabeth acabara de dizer e ela mordeu o lábio inferior.
— Olha...
— Não, desculpe — ela o interrompeu. — Eu só queria te dar uma ajuda. Porque se o Crowley realmente procurou a , você já era. Ela não pensa. Ela faz. Ela tem instinto jornalístico. Ela é impulsiva desde sempre. Eu já até perdi as contas de quantas vezes ela me ferrou com boatos idiotas — Elizabeth revirou os olhos. — Tudo bem que ela sempre está certa, mas dessa vez ela está errada... Não está?
— Talvez esteja. — respondeu encarando-a nos olhos.
— Eu sei que está. Corra atrás da liberdade, — ela deu um sorriso fraco. — Corra atrás da . Salve-a antes que o Crowley a descarte.
— O que te leva a pensar que vou atrás da e não de você? — ele perguntou encarando-a com intensidade, mostrando-a o quanto ele sentia falta dela e o quanto a queria... Naquele momento.
— Seus olhos. — Elizabeth respondeu com um sorriso fraco nos lábios. — Não tente me usar como distração, sim? — ela o encarou nos olhos. — Eu já disse o que sinto por você e é por isso que estou fazendo isso tudo e arriscando minha vida com isso. Não estou pedindo para você voltar comigo porque sei que tudo o que escrevi na matéria sobre vocês é a mais pura verdade. Quero que seja feliz, . Mas, para isso — ela fez uma pausa —, você precisa ir atrás dela e fazê-la mudar de ideia. Você sabe que não vai ser completamente feliz se ela te sacanear desse jeito.
— Não vou atrás da .
— Ótimo. Então vá para a cadeia. Ou simplesmente pague de justiceiro e mate todos eles com as próprias mãos — Elizabeth disse firme e se levantou em seguida. — Eu sei que você vai preferir essa última opção. Então, tome cuidado.
Você deve tomar cuidado — ele disse enquanto puxava a carteira do bolso e tirava o dinheiro, colocando sobre a mesa. — Ou acha que o Crowley não botou alguém atrás de você?
— Se eu tiver quer morrer hoje ou amanhã, , morrerei — ela sorriu fracamente. — Morrerei feliz porque consegui te contar tudo o que sabia. Espero ter ajudado. Apenas cuide-se, sim?
— Só se você se cuidar também — ele murmurou, ficando de pé também.
— Eu sempre me cuido, — ela sorriu. — Lembre-se: ganhei um Pulitzer por furo de reportagem e, acredite, não é fácil fazer um furo.
— Eu sei — ele deu um sorriso fraco. — Obrigado.
— Por nada — ela suspirou e, num impulso, deu alguns passos em sua direção e o abraçou com toda a pouca força que tinha. Mesmo um tanto quanto em choque, envolveu-a pela cintura e a puxou para mais perto, afundando o rosto em seus cabelos macios. — Se cuide, .
— Você vai sumir de novo? — ele perguntou baixo, sem querer soltá-la.
— O que você acha? — ela deu uma risada fraca e se afastou o suficiente para encará-lo nos olhos.
— Não quero que vá — ele murmurou. — Eu sei que isso soa estranho, mas... — ele riu fraco. — Eu posso... Sei lá, ajudar.
— Não quero te colocar em mais riscos — ela revirou os olhos e se afastou de de uma vez por todas. — Eu vou ficar bem. Dou um jeito de te avisar onde estou caso precise de um lugar para ir.
— Certo. Se cuide, por favor — ele pediu, encarando-a nos olhos e se aproximando novamente.
— Vou me cuidar — ela disse baixo e respirando fundo para conseguir sentir o cheiro do perfume amadeirado misturado ao cheiro de cigarro que exalava. Apesar de ser totalmente contra o cigarro, Elizabeth gostava de como aquele cheiro ficava em . Era uma mistura que chegava a ser agradável; seu cheiro original, o perfume amadeirado e o cigarro — de menta — que ele não largava por nada.
Vendo-a ali, tão vulnerável e despedindo-se daquela forma, não aguentou e se aproximou mais, colando seus corpos novamente. Não chegava a ser um abraço e ambos sabiam o que viria a seguir. , sem esperar mais, juntou seus lábios levemente, em um selinho fraco. Bastou aquilo para as pernas de Elizabeth fraquejarem um pouco, fazendo-a, por puro impulso, puxá-lo pela nuca e aprofundar o beijo. Aquilo fora algo que ela esperou desde quando voltara para a Inglaterra. Sabia que era errado, sim. Sabia que estavam em um lugar público, sim. Mas o que ela poderia fazer se, assim como muitas outras mulheres inglesas, ela não resistia a ? Suas bocas ainda se encaixavam perfeitamente, como da última vez que se beijaram, anos atrás. Mas ela sabia que aquilo não a pertencia mais. Ela sentia aquilo. Porém, estavam se despedindo e talvez aquilo fosse para sempre.
Elizabeth, então, optou por se afastar de uma vez.
— Até mais, . Não acredite quando disserem que estou morta — ela disse sorrindo fracamente e piscando um dos olhos. sorriu levemente.
— Não acreditarei — ele respondeu. — Esperarei por notícias.
— Cuide-se. Corra atrás do que te falei. Não deve ser difícil chegar aos papéis e muito menos nela, tenho certeza — ela piscou os olhos novamente e, com um último olhar, se despediu de , saindo da lanchonete em seguida e em passos firmes. estava sentindo-se extremamente perdido e atônito, talvez extremamente confuso também. Elizabeth mexia com ele e ele não negaria aquilo para ninguém. Não mais.
Após suspirar uma última vez, saiu da lanchonete também em passos firmes e largos, estava apressado. Precisava tirar aquela história a limpo. Precisava entender. Precisava das explicações de Eric e, com toda certeza do mundo, ele não negaria. Talvez aquela fosse a hora certa para ele descobrir tudo. Ou para se afundar de uma vez por todas.

***


apertou o passo para tentar alcançar Charlie.
— Você não vai fazer nada a respeito do ? — perguntou, emburrada.
— Não agora, . Não temos o suficiente para fazer algo tão rápido assim, entenda. Ele é um advogado formado, um policial de alto potencial e uma pessoa admirada pela população, apesar do seu mau humor — Charlie respondeu cansado.
— Tudo bem, eu sei que essa é sua forma de dizer que tem que me enrolar para ter certeza de tudo o que está aí — ela revirou os olhos. — Só não entendo por que não podemos chegar nele e perguntar algumas coisas.
— Porque ele não vai aceitar ser um suspeito! — Charlie exclamou, parando de andar de repente. — Você não entende. Chegou aqui faz pouco tempo. Você está indo com muita sede ao pote. Aprenda a esperar. Eu só preciso de uma coisa para prendê-lo, mesmo contra minha vontade!
— Ele vai ficar com mais raiva se escondermos, não? — perguntou, contradizendo tudo o que havia dito para Charlie. Sentia-se completamente insegura com aquele assunto, mas já havia aberto o jogo com Charlie.
, decida em que lado quer jogar — Charlie disse sério e encarando-a nos olhos. — Não temos tempo para suas indecisões.
— Eu já decidi — disse tão firme quanto o mais velho. — Eu quero jogar no lado certo. Não importa qual ele seja. Por isso entreguei tudo o que tinha.
— Ótimo. Porque é desse lado que todos nós queremos jogar — Charlie finalizou e voltou a caminhar apressadamente.
teria o seguido se não tivesse avistado adentrando o lugar com seu jeito totalmente despojado, mas com a postura totalmente rígida, como se estivesse tenso. Ela pensou por alguns segundos em seguir até onde ele estava e perguntar o que acontecera, mas não tinha coragem para isso. Sentia-se mal cada vez que via , mesmo de longe, depois de tudo o que fizera. Mesmo que ele não soubesse de metade do que estava acontecendo ali, a sua volta.
soltou um suspiro pesado e fechou os olhos por uns segundos. Quando os abriu, já havia atravessado todo o corredor e estava do outro lado, em direção a sala que dividiam. Esquecendo-se totalmente de Charlie e seguindo seu instinto por vê-lo daquela forma tensa, seguiu até a sala em passos rápidos e largos.
Não precisou bater na porta para entrar, aquilo era completamente desnecessário e já se acostumara com sua presença. Não o encarou nos olhos quando ele a fitou, apenas caminhou devagar até sua mesa, pensando numa forma de perguntá-lo o que estava acontecendo.
— Está tudo bem? — foi ele quem a perguntou, estreitando os olhos. engoliu a seco e deu um sorriso fraco, se virando para ele.
— Está — ela respondeu, encolhendo os ombros. — E você? Digo, está tudo bem? Você chegou um tanto quanto... Tenso.
— Está sim — ele balançou a cabeça afirmativamente e suspirou em seguida, virando-se para o outro lado e fitando o nada.
— Mesmo? — ela insistiu, sentindo-se mais a vontade para perguntar.
— Não, mas dá para superar — ele respondeu dando uma risada fraca.
— Quer... Conversar? — ela perguntou enquanto o fitava, procurando por seus olhos.
— Não — ele respondeu simplesmente. Não queria conversar com ela sobre... Elizabeth. Não queria também ter que perguntar se Crowley a procurara, ela iria se sentir... Ameaçada ou amedrontada de contar a verdade. E não contaria. Jornalistas nunca revelam suas fontes e muito menos revelam se tem provas contra certa pessoa para essa tal pessoa. sabia bem, convivera tempo o suficiente com Elizabeth para saber disso tudo. A mulher não contava nem mesmo para ele as coisas. Isso por que ele sempre fora da polícia. Ela só contava tudo quando realmente era necessário ou quando estava sendo jurada de morte.
suspirou e se levantou, indo até a mesa de e sentando-se na mesma para encará-lo.
— O que aconteceu? — ela perguntou deixando a cabeça cair levemente para o lado e a encarou, finalmente, achando-a extremamente encantadora naquela posição. Estava de uma forma tão infantil, tão... Inocente. Como desconfiar dela? Como não pensar que Elizabeth poderia estar mentindo? seria mesmo capaz de fazer todas aquelas coisas? Ele sabia, sim, do instinto jornalístico que ela tinha e ele era altamente aguçado. Aquilo ficava estampado em seus olhos, ela nunca pouparia ninguém se aquilo fosse fazer o bem.
— Elizabeth veio conversar comigo hoje para se despedir. De novo — ele riu amargamente. — Mas antes ela me contou umas coisas sobre algumas pessoas e não quero compartilhar isso.
— Por quê? — perguntou, encarando-o com mais firmeza. — Digo, por que ela foi embora?
— Motivos pessoais — ele deu de ombros e se jogou de qualquer jeito na cadeira, colocando as mãos atrás da nuca e cruzando as pernas. se perdeu por alguns segundos naqueles movimentos de , mas tentou concentrar-se no que ele dizia. Porém, já não era tão necessário assim já que tinha um sorriso malicioso no canto dos lábios e a encarava com uma das sobrancelhas erguidas. — O que foi?
— Nada — ela respondeu piscando algumas vezes e encarando todos os pontos da sala. — Você gostava dela, né? — perguntou, dando um sorriso fraco.
— Gostava — ele a encarou. — Há alguns anos — ele deu uma risada fraca. — Enfim, por que diabos estamos falando da Elizabeth?
— Porque sou uma pessoa curiosa — ela murmurou, sem jeito e desceu da mesa.
balançou a cabeça negativamente e encarou-a mais uma vez. Era... Difícil de acreditar que poderia estar sendo influenciada por Crowley. Seu semblante continuava... Calmo, normal. De qualquer forma, ele tinha que cogitar todas as hipóteses. Elizabeth poderia estar mentindo, sim. Mas também pode estar dizendo a verdade ou apenas ter sido tão vítima quanto ele seria. — Eu preciso sair — murmurou mordendo o lábio inferior. — Diz ao Charlie que... Sei lá, eu não estava me sentindo bem, por favor? — ele a encarou nos olhos. — Ele não vai aceitar que eu saia mais cedo de novo — ele deu uma risada fraca. — Enfim. Pode fazer isso? Não tem muita coisa aqui hoje...
— Tudo bem — o interrompeu com um sorriso no canto dos lábios.
— Obrigado — piscou um dos olhos e saiu apressado.
ficou fitando a porta agora fechada e uma ideia — um tanto louca mas viável — passou por sua cabeça e, com um sorriso no canto dos lábios, pegou sua bolsa e saiu.
Caminhou o mais rápido que pôde, tentando não perder de vista no corredor cheio. Sentiu algo trombar contra seu corpo e, com um equilíbrio que ela desconhecia, conseguiu se manter de pé.
— Aonde vai tão apressada? — A voz de Charlie ecoou em seus ouvidos.
— Furo de reportagem, Charlie. Preciso correr — ela respondeu rápido, tentando voltar sua caminhada enquanto já saía do prédio, mas Charlie segurou-a pelo braço. — Não quero que faça nenhuma besteira.
— Não farei besteiras! — ela disse alto e se soltou. — Não tem nada a ver com vocês. É só um furo que a Claire ligou e avisou, Charlie. Não se preocupe, ok? — ela deu um sorriso nervoso e, sem esperar por uma resposta, saiu apressada. Seguiria sem se importar caso ele notasse ou reconhecesse seu carro. Já que Charlie não fazia nada, ela o faria. Ah, se o faria.
Esperou arrancar com seu carro para desativar o alarme e entrar no seu. Tentando manter a calma e não perder o Dodge de de vista, saiu do estacionamento e se enfiou naquele mar de carros. Por sorte, havia um carro um tanto quanto parecido com o seu em sua frente, não desconfiaria. O que mais havia por toda a Londres eram carros parecidos. Além do mais, deixara claro que não sairia do prédio naquele dia. Só se fosse algo extremamente necessário — como naquele caso, mas ele não precisava saber disso —; se alguém precisasse dela na Redação, algum furo de reportagem de verdade.
continuou seguindo-o por longos minutos até reparar para onde realmente estavam indo. Não era um lugar tão agradável assim e o detestava com todas as forças. Um bairro vizinho ao bairro mais perigoso que já fora. Ao lado do maldito bairro em que precisara sair correndo e deixá-lo para trás ou Crowley faria picadinhos de ambos. O que diabos estava fazendo ali? O que ele tinha em mente? De quem ele estava atrás? Quem era tão importante para ele se arriscar daquela forma entrando naqueles lugares? Perguntas e perguntas bombardeavam a cabeça já confusa de , que estacionou o carro numa esquina mais afastada. Não precisava segui-lo até dentro do bairro, apenas ficaria olhando tudo de longe e anotando o que fosse mais importante, talvez até mesmo filmando algo necessário para ter alguma prova de que ele estava aprontando quando fosse contar a Charlie.

***


adentrou a casa já conhecida e se surpreendeu por Eric já estar na sala e vestido, como se fosse sair.
— Vai sair? — o rapaz perguntou assim que fechou a porta atrás de si.
— Ia — Eric deu de ombros. — Desconfiei que você fosse vir aqui e desmarquei o que tinha em mente. O que quer?
— Elizabeth foi embora porque foi ameaçada pelo Crowley. O que está acontecendo, Eric? — foi direto e encarou o mais velho com firmeza.
— Soube disso — Eric deu de ombros novamente. — Por que eu saberia o que está acontecendo? Não tenho laços com Crowley.
— O que sabe sobre a ? — perguntou ainda encarando-o.
— A outra jornalista que você anda pegando? — Eric perguntou dando uma risada fraca. — Olha, eu sei que você acha que eu sou tipo paparazzi e tudo o mais. Mas eu não sou, — ele revirou os olhos e sentou no sofá de qualquer jeito. — Eu sei o que me informam. Não faço ideia do que a sua garota anda aprontando por aí.
— Ela não é minha garota — disse entre os dentes. — Elizabeth disse que ela pode estar sendo influenciada pelo Crowley também. Eu não a quero metida nessas coisas, Eric. Você sabe que ela vai complicar as coisas. Não só para mim. Não serei o único a me foder caso ela realmente esteja com o Crowley nessa.
— Está insinuando que irei junto com você? — Eric arqueou uma das sobrancelhas e riu em seguida. — Eu já estou morto, .
— Não importa — o rapaz revirou os olhos e puxou um maço de cigarros do bolso. — A me seguiu até aqui. Ela sabe em que casa entrei. É bom que junte suas coisas e dê o fora. Vai para o interior. Provavelmente a Elizabeth estará por lá. Ela me mandará notícias e disse que se eu precisar de um lugar para ficar, terei. Ofereço o lugar para você e fim. A não descobre mais nada e o foco dela volta para cima de mim — finalizou acendendo o cigarro e dando um longo trago. Precisava relaxar. Precisava pensar. Precisava de respostas.
— Não estou a fim de me deslocar — Eric murmurou, revirando os olhos. — Essa sua garota é mais intrometida do que a Elizabeth.
— Já disse que ela não é minha garota! — exclamou alto, fazendo Eric encará-lo com uma das sobrancelhas erguidas.
— Ué, já brigaram de novo? — Eric perguntou dando uma risada fraca e o encarou sério. — Certo, desculpa. Mas o boato da Elizabeth foi muito perfeito para eu não ficar com isso na cabeça.
— Dá o fora daqui o quanto antes, Eric. Preciso de você vivo — deu de ombros. — Preciso de respostas. Nomes. Endereços.
— Você precisa matar, eu sei — Eric disse dando um sorriso torto. — O problema é: você não vai conseguir chegar nessas pessoas sozinho.
— Por que acha que te quero vivo? — perguntou como se fosse óbvio e sugou seu cigarro novamente.
— Eu não estava falando de mim, exatamente.
— Então você não trabalha mesmo sozinho? — perguntou dando uma risada fraca em seguida. — Quem eu tenho que encontrar agora?
— Ninguém — Eric deu de ombros. — Eu irei encontrá-lo quando estiver indo embora. Pode ficar relaxado.
— Eric, por favor...
— Eu vou te contar tudo na hora certa. Só tenha mais paciência e tire sua garota daqui o mais rápido que conseguir. Daqui a pouco é hora dos bichos entrarem nesses dois bairros — Eric apontou para todos os lados e revirou os olhos.
— Já disse que ela não é minha garota — disse firme e Eric soltou uma risada fraca.
— Ela é, mas você não sabe disso ainda — ele deu de ombros. — Enfim. Abra os olhos com ela também. Não saia confiando em qualquer um, sim? Te aviso quando tiver informações importantes. Agora vou dar meu jeito de sumir.
— Procure a Elizabeth — pediu. — Ela pode ajudar.
— Eu sei. Mas não a colocarei em risco. Encontrarei com ela se conseguir achá-la pelo interior.
— Certo. Cuide-se, sim?
— Sempre me cuido, garoto. Você quem deve tomar cuidado agora — Eric suspirou. — Prometi ao seu pai que te deixaria seguro e, olhe só, estou fazendo completamente o contrário e te deixando na mira de tudo.
— Eu sei me cuidar. Não tenho mais dezoito anos — revirou os olhos com um sorriso no canto dos lábios. — Não demore para me dar notícias. Preciso saber algumas coisas.
— Certo. Até mais, . Cuidado.
Após soltar um suspiro pesado e fitar toda a casa, saiu. Tinha outro assunto para resolver. estava lhe dando mais trabalho do que ele pensara. Garota boba, ele pensou com um sorriso no canto dos lábios e caminhou calmamente por uma parte que ela não conseguiria vê-lo. Havia tantos becos por aquele bairro e ela realmente achava que ele não reconheceria seu carro e não conseguiria chegar nela sem que ela o visse? Deus! Como ela era idiota.
Sem que notasse, se aproximou do carro. Ele caminhava devagar e levemente abaixado, mas tinha um sorriso no rosto. levaria um susto e ficaria sem resposta. Ele podia prever e sentir aquilo. Ali, então, ele teve outra certeza: não era a única a desconfiar dele. Ela estava ao telefone e murmurava coisas como "lugar estranho" e "ele está aqui". Após notar que ela desligou o celular, ergueu o corpo em frente a janela de , fazendo-a saltar no banco e soltar um grito de susto e pavor, fazendo-o sorrir abertamente.
— O que diabos você...
— Por que estava me seguindo? — ele a interrompeu, cuspindo as palavras sem se importar se ela ainda estava assustada ou não. De que aquilo importava naquele momento? De nada! De porra nenhuma!
— Eu não...
— Não se atreva a mentir, — ele disse firme e abriu a porta do carro, puxando-a para fora em seguida. — Você tem ideia do quão perigoso isso aqui é?
— Tenho! — ela respondeu e respirou fundo, tentando se soltar das mãos firmes de . — Mas por que diabos você está aqui?
— Não interessa — ele estreitou os olhos. — Por que me seguiu? Quem mandou você me seguir? Não adianta falar que foi o Charlie só porque eu saí mais cedo de novo — ele continuou, firme. — Você precisa ir embora daqui.
— Por quê?
— Porque daqui a pouco vai ter alguma merda nisso aqui — ele disse entre os dentes. — E as coisas que acontecem por aqui não são da nossa conta. Não dá para resolver sem reforços.
— Por isso estava aqui? — ela perguntou baixo. — Para investigar?
— Achou que fosse para quê? — ele perguntou baixo e deu uma risada em seguida ao vê-la desviar os olhos. — Achou que eu estava armando algum plano maligno para pegar o Crowley ou sei lá?
— Não. Eu só... — ela fez uma pausa e mordeu o lábio inferior — Me preocupei.
— Vou fingir que acredito nisso. Agora entra no carro e dá o fora daqui. Isso não é lugar para gente como você. — ele disse sério e a empurrou para o carro.
— O que quer dizer? — ela perguntou, indo para perto dele novamente.
— Que vai ter uma puta troca de tiro aqui e se não formos embora agora, vamos morrer e ninguém vai nos achar — ele respondeu tranquilamente e sorrindo de uma forma irônica.
, engolindo em seco e rolando os olhos, adentrou seu carro e o ligou, arrancando logo em seguida. era um filho da puta mentiroso e ela tinha certeza daquilo. Aquela história não estava colando e ela descobriria o que havia por trás daquilo tudo.


Capítulo 26: The consequence.



(Coloquem para carregar: The Consequence - You Me At Six. Quando eu avisar, deem play!)

Consequências. Era tudo o que pensava desde que botara os pés dentro de casa depois do dia cheio que tivera. Quais seriam suas consequências por agir da forma que estava agindo? Quais seriam as consequências se ela realmente fizesse o que tinha em mente? Ela sabia que tudo o que fazia no jornalismo — tudo bem, não só nele — tinha uma consequência ruim e uma boa; a boa sempre era a que suas matérias rendiam e o povo adorava, já a ruim era sempre um problema, fosse ele pequeno ou não, fácil de resolver ou não. Naquele momento, não era tão diferente. Só que não seria somente uma parte ruim, um só problema ou uma só pessoa magoada ou machucada ou triste ou algo assim. Seriam mais pessoas e ela mesma estava incluída naquele meio. Mas, como sempre gostava de reforçar, se fosse para fazer o bem, abriria mão de sua própria felicidade. Essa sua atitude podia ser descrita com uma frase de algum Iluminista que ela não se recordava no momento: "Posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo"¹. Era exatamente desta forma que ela se sentia. Não concordava com o que estava fazendo, mas precisava fazê-lo pelo povo. Precisava informar toda aquela gente sobre todas as maldades que estavam cercando a grande Londres, precisava mostrar a eles a realidade, a verdade. Sentia-se na obrigação de fazer aquilo tudo. Escolhera o Jornalismo para isso. Não tinha sido à toa seus anos de estudo. A parte investigativa também fora escolhida para ajudar as pessoas que a cercavam. Tudo o que mais desejava desde a morte de seu pai, fora justiça. Aquele povo inglês tinha tudo, tudo, menos justiça. Não eram informados corretamente, não tinham noção do que estava cercando a cidade, não tinham noção de nada. Seu trabalho, como jornalista, era informá-los, contar-lhes a verdade. Portanto, não seria certo ela deixar passar aquela chance que simplesmente batera em sua porta. Deixaria a matéria pronta, contando detalhe por detalhe de tudo o que estava acontecendo, escrevendo um pouquinho mais a cada dia, até o fim de toda a investigação de Charlie. E, em seguida, assim que Charlie desse a autorização necessária, publicaria. Mandaria para todos os jornais possíveis. Faria algo que não estava acostumada a fazer, compartilharia a notícia com qualquer um que a aceitasse. Mas faria as pessoas daquele lugar descobrirem a verdade, faria todos enxergarem que admiravam a pior — ou seriam as piores? — pessoa de toda a Inglaterra.
Uma música conhecida ecoou pelo local tirando de seus devaneios e, com o coração acelerado pelo leve susto que tomara, caminhou calmamente até a mesinha de centro em sua sala, onde seu celular estava. Pegou-o e encarou o visor, revirando os olhos em total impaciência. Crowley não parava de perturbá-la fazia dias. Ela não aguentava mais aquilo tudo! Oras, aceitara seu acordo, estava mantendo-o seguro com as poucas pessoas de segurança que conhecia, já havia pego todos os documentos, já havia deixado tudo com Charlie. Por que diabos ele insistia em ligar para ela tantas vezes por dia?
— O que é, Crowley? — ela atendeu, bufando em seguida. Mas não obteve resposta, desta vez. Revirou os olhos novamente e esperou a boa vontade de Crowley responder, o que não aconteceu. Deixou mais alguns segundos se passarem e suspirou. — Crowley? — chamou mais uma vez. — Se não disser nada irei desligar!
Era tudo o que eu precisava saber — uma voz completamente diferente da de Crowley ecoou do outro lado da linha. Sentiu o coração subir para a garganta e o ar lhe faltar ao reconhecer a voz — o que não era tão difícil já que ouvia aquela voz todos os dias.
— Quem está falando? — ela perguntou com a voz trêmula. Ela sabia quem estava falando. Só... Não queria assumir que fora pega.
Você sabe quem é, — ele respondeu e jurou que pôde vê-lo revirando os olhos. — Aliás, continue confiando nele. O Crowley pode estar falando a verdade, não é mesmo? — ele deu uma risada fraca do outro lado.
fechou os olhos e passou as mãos nervosamente pelos cabelos. Aquilo não podia estar acontecendo!
, por favor... — ela tentou falar, mas já era tarde. O telefone já havia sido desligado. Ainda com o coração a mil, encarou o aparelho em sua mão trêmula e não demorou muito para digitar os números do telefone de Crowley, que ela já havia decorado.
Um, dois — Freddy vai te pegar...² —, três, quatro — é melhor trancar o quarto!² — toques e nada. Ninguém atendeu. Ainda com um pouco de esperança, esperou mais alguns segundos, até o telefone cair em caixa postal. Com uma raiva que ela, até então, desconhecia, jogou o celular em direção à parede com toda a força que tinha e abafou um grito de ódio. Milhares de perguntas bombardeavam sua cabeça, a raiva estava dominando-a de uma forma incrível, deixando seu coração extremamente acelerado. Estava vendo a hora que cairia dura no chão de sua sala por ter um ataque cardíaco. Sentou-se em seu sofá e pensou no que poderia estar acontecendo. poderia ter encontrado Crowley e pego seu celular para ameaçá-la ou apenas mostrá-la que estava com ele. Agora, por quê? Por que faria aquilo? Por que pegaria Crowley tão rapidamente? Por que a ligaria? Para ter uma certeza de que ela estava envolvida com Crowley? Para mostrar que ela não mandava em nada e, comparado a ele, era uma novata naquela coisa de assassinato e investigação?
Naquele momento, a cabeça de trabalhava a mil. O que diabos está acontecendo nesse lugar?, seu cérebro gritava essa pergunta mais que qualquer outra coisa. O que ela... Faria com sabendo do que estava acontecendo? O que ela faria se ele decidisse vir atrás dela? Como ela o encararia na frente de Charlie? Ou melhor, como contaria a Charlie sobre isso? Deus! Estava confusa. Perdida. Desesperada. Tonta. Não podia de estressar, não podia... Fazer esforços. Ela... Droga, ela está carregando uma criança dentro de si! Mais uma vez! Porém, daquela vez, diferentemente das outras, ela estava grávida de um possível... Assassino. Não importava mais se era culpado pelos assassinatos que vêm rondando Londres ou pelo — possível — assassinato de Crowley, porque, oras, se estava com ele, ele não sairia vivo de lá! Como diabos ela assumiria para ele ou para qualquer outra pessoa que estava grávida? Por mais que talvez ela não fosse conseguir segurar a criança dentro de si até o nono mês, como ela encararia as pessoas? E se realmente fosse o culpado? O que seria da vida dela? E seus sonhos? E as investigações? Céus! Ela estava perdida, completamente perdida.

***

encarou Eric em sua frente e suspirou.
— Sua garota está mesmo envolvida, então? — ele perguntou e o fuzilou com o olhar, deixando claro que ela não era sua garota e que não queria falar daquilo. — Certo, desculpe — o mais velho suspirou.
, ignorando o pedido de desculpas, se virou para o outro homem presente que tinha um sorriso fraco no canto dos lábios.
— Se soubesse que você era o amigo do Eric já teria mandado ele te chamar aqui há mais tempo — murmurou dando um sorriso fraco e jogou o celular de Crowley para ele em seguida. — É bom a pensar que estou com o Crowley agora. Até porque, mais tarde, provavelmente, ele realmente esteja comigo... E não voltará para casa — o rapaz deu de ombros, fazendo os outros dois rirem.
— Ajudou muito, Jesse — Eric murmurou sorrindo. — Mas não sente medo de Crowley tentar algo?
— Aquele lugar é fortalecido pela falsidade, Eric — o homem disse calmamente. — Você sabe bem disso — ele deu de ombros. — A propósito, ninguém lá pode fazer nada comigo. Sei o suficiente para me manter intacto — ele sorriu e o encarou com mais firmeza.
— Se sabe de tanto, deve saber algo que Eric não quer me contar — disse firme e encarou os dois homens presentes.
— Sei mais do que Eric não quer te contar, — o homem disse firme, sustentando o olhar ameaçador de . — Mas não é hora de você saber. Quando for, saberá.
— Você estará presente quando eu estiver descobrindo, sim? — perguntou, mordendo o lábio, e Jesse sorriu.
— Eric também estará, garoto. Agora pare de se preocupar com isso. Foque no agora. Você tem toda uma vida para descobrir as coisas que sabemos — ele deu de ombros e guardou o celular de Crowley no bolso. — Falo sério. Não tenha pressa para saber o que temos para contar.
— Eu realmente quero saber — disse firme. — Tenho 28 anos. Tenho direito de saber. Aliás, isso tem a ver com meu pai, não é? Tem a ver com o motivo da morte dele, não é?
— Respostas depois. Preciso ir antes que se deem conta de que sumi — Jesse disse firme e caminhou devagar até a porta. Ninguém o pararia. sabia que não podia insistir, fora o trato que fizera com ele — por telefone — e Eric. Prometera que não faria chuva de perguntas e cumpriria.
Após Jesse sair do local, Eric sentou-se ao lado de .
— Tenha paciência, — Eric disse firme, apoiando uma das mãos no ombro largo de e apertando-o em uma ação de conforto. — Prometo que logo você saberá de tudo. Apenas tenha paciência.

***


Uma hora já havia se passado e a noite estava extremamente fria. O contrário da passada, que estava suportável, deduziu Jesse.
Ao chegar à mansão de Castellamare, Jesse havia guardado o celular de Crowley num lugar fácil para ele encontrar e interpretar sua procura sem sucesso como uma pequena falta de atenção. O contrário de muita coisa que já fez naquele lugar, Jesse não estava se sentindo culpado por fazer seu duplo trabalho. Pelo contrário, estava satisfeito pelo o que fizera. Satisfeito por ter ajudado a descobrir que a garota dele estava envolvida naquela droga toda, satisfeito por tê-lo feito decidir ir atrás de Crowley para lhe dar um fim de uma vez por todas. Estava... Feliz, radiante, satisfeito, alegre, entre outros sentimentos de satisfação. Em nenhum momento o sorriso abandonou o canto de seus lábios, em nenhum momento a felicidade abandonou seus olhos. Estava tão radiante que, ao passar ao lado de Lucy, a mulher notara e perguntara o que havia acontecido e tudo o que recebera como resposta fora: "Nada. Só estou de bom humor!" com um sorriso no final da frase. Aquilo não deixava de ser a mais pura verdade, certo? Ele estava de bom humor. Nada havia acontecido.
Após soltar uma risada por repassar todo o dia em sua cabeça, Jesse puxou o celular do bolso e caminhou calmamente até o portão da grande casa. Digitou os números já conhecidos e levou o celular à orelha. Enquanto chamava, encarou todo o local. Estava sozinho, a não ser por alguns homens — que ele conhecia muito bem, até — que estavam do outro lado da rua e observando-o com cautela e em lugares mais escondidos. Jesse, óbvio, podia vê-los. Mas qualquer pessoa normal olharia para todos aqueles cantos e diria que a rua estava deserta. Para todos os efeitos, ela realmente estava. Ninguém precisava saber da verdade. Da sua verdade. Dividir aquilo com Eric já era o suficiente.
Alô? — Finalmente a voz de ecoou do outro lado da linha e Jesse arqueou uma das sobrancelhas. Havia se esquecido de tirar o celular de número privado novamente? Porque tinha certeza absoluta que deixara aquele número gravado no celular de .
— Sou eu, o Jesse. — ele disse firme e soltou um "Ah" do outro lado. — Ele vai sair daqui dentro de vinte minutos. Ele vai seguir para o centro e, depois, passará pela multidão que fica naquela maldita London Eye toda noite. Mesmo uma fria como a de hoje. Você poderá segui-lo muito bem se seguir de onde está para a London Eye e passar pelo acostamento do Tâmisa. Não é complicado e ele não vai reparar se você seguir tudo o que te disse hoje cedo.
Entendi. Não está sendo arriscado falar tudo do mesmo lugar onde ele está? murmurou e Jesse deduziu que ele estava fumando pelo seu jeito abafado de falar.
— Não tem riscos nenhum. Ele está dentro da casa e eu estou do lado de fora com meus homens por toda parte da rua. Se ele ouvir e tentar algo, desculpe-me, mas ele morrerá por aqui mesmo — Jesse respondeu calmamente e deu uma risada fraca em seguida. — Cuide-se, pequeno . Nos falamos quando o trabalho já estiver feito. Espero, de verdade, que ele seja muito bem efetuado. Sempre ouvi elogios de você. Não quero que falhe.
Não vou falhar. É para isso que está me ajudando, não? Você continuará ouvindo elogios sobre minha humilde pessoa — o rapaz deu uma risada do outro lado da linha. — Já estou pronto e com as chaves do carro em mãos. Quando ele sair, me dê um toque ou uma mensagem, o que você achar mais fácil. Mas me dê um sinal para que eu possa sair.
— Tudo bem. Não vá com o seu carro porque Crowley o conhece.
Não sou idiota a ponto de usar o meu carro nesse tipo de coisa, Jesse. Está tudo certo.
— Ele irá resistir e...
Eu serei obrigado a dar alguns bons socos nele antes de atirar. Eu sei. o interrompeu e Jesse jurou poder vê-lo revirando os olhos — Mas, acredite, eu já tinha a intenção de socá-lo bastante antes de acabar com a vida dele.
— Acredito que sim. Até mais tarde, .
Até mais tarde.
Jesse desligou o celular e suspirou. O pequeno era determinado. Assumindo somente para si mesmo e para Eric, Jesse se preocupava com ele. Porque, assim como o próprio Eric, sentia que deveria cuidar de e informá-lo sobre os perigos que corria, mas... Não podia simplesmente chegar para ele e contar tudo o que sabia. Apenas o deixaria seguir como sempre foi. tinha Eric e Charlie — mesmo sem saber de tanta coisa assim —, era o suficiente. A única coisa que Jesse precisava se preocupar naquele momento era a morte de Crowley, que ficava mais próxima a cada segundo que passava.
Castellamare encarou Jesse com o canto dos olhos, sem parar de informar Lucy sobre alguma outra merda que ela deveria fazer para ele. Jesse o ignorou completamente e jogou-se no sofá, ficando em uma posição confortável e seu sorriso continuava lá. Jesse sabia que estava irritando a todos com seu sorriso. Mas ninguém ali tinha autoridade para fazê-lo contar o que estava acontecendo.
— Espero que esteja tudo fechado, Robert — Crowley disse enquanto acendia um cigarro.
— Está tudo fechado, Crowley — Castellamare revirou os olhos. — Agora pode ir.
— Como quiser — Crowley deu de ombros e seguiu em direção à porta.
Jesse puxou o celular sem se importar se Lucy e Castellamare perguntariam alguma coisa e mandou uma mensagem de apenas uma palavra para : "Agora."
— Acredito que agora finalmente ficaremos livres do Crowley. — Jesse disse firme sem encarar Castellamare ou Lucy, que tinham os olhos levemente arregalados. Mas não demorou muito para ambos colocarem sorrisos nos lábios.

***

Crowley seguia em direção ao centro calmamente, nem mesmo parecia ele dirigindo! O carro estava completamente fechado pelo frio e o único som que era possível ouvir era a música que ele escutava quase no último volume. Nem mesmo sua voz era capaz de ser ouvida — por ele ou até mesmo pelas pessoas do lado de fora.
— BRING SALLY UP, I BRING SALLY DOWN, LIFT AND SQUAT... GOTTA A TEAR ON THE GROUND!³ — Crowley gritou sem se importar com nada e riu alto de si mesmo. Gostava tanto dessa música! Lembrava-se perfeitamente de quando assistia 60 Segundos com Bill e ambos gritavam a música quando começava a tocar. Talvez fosse a música que mais os animava durante o filme. Lembrava-se também de quando assistiu o filme com Rachel e ela ficara tão fascinada quanto ele com os carros, a ação e, óbvio, a música. Até porque lembravam de Lucy em um dos trechos da música. O qual ele estava pronto para gritar:
— ALL MISS LUCY DEAD AND GONE! LEFT ME HERE TO WEEP AND MOAN!³ — Mais uma risada após cantar isso. Com um lapso de inspiração, quando a música voltara para a parte repetitiva, Crowley sentiu-se na obrigação de fazer sua pequena paródia para ela. Andava tão deprimido ultimamente, que fazia paródia com qualquer música que tocasse nas rádios. — BRING CROWLEY UP, I BRING CROWLEY DOWN, LIFT AND SQUAT... GOTTA A TEAR ON THE GROUND! BRING CROWLEY UP, I BRING CROWLEY DOWN, LIFT AND SQUAT... GOTTA A TEAR ON THE GROUND! — engolindo a seco antes de cantar a próxima parte da música, Crowley acelerou o carro e fechou os olhos por uns segundos. Sem diminuir a velocidade, abriu alguns centímetros da janela do carro e jogou o cigarro para o lado de fora. Após trancar-se novamente e respirar fundo o cheiro do cigarro que exalava no carro, gritou: — ALL MISS RACHEL DEAD AND GONE! LEFT ME HERE TO WEEP AND MOAN!
Crowley ignorou as lágrimas que se formaram em seus olhos e estacionou o carro quando já estava próximo de onde todos os casais apaixonados costumavam ficar: a linda London Eye. Lembrava-se de quando convidou Rachel para ir até a roda gigante mais famosa do mundo e ela deixou seus olhos lacrimejarem em pura emoção enquanto um sorriso se formava em seus lábios extremamente atrativos e que o deixava completamente louco e cada vez mais apaixonado. Ela confessou para ele que nunca esperou um convite desses, por isso toda a emoção que estava sentindo a ponto de fazer seus olhos lacrimejarem. Ela disse também que ele não precisava arriscar-se tanto e sair com ela daquela forma. Muitas pessoas ainda estavam atrás de Crowley. O tempo que passara preso no Brasil não apagou as coisas sujas que ele havia feito na Inglaterra antes. As pessoas ainda o perseguiam, ainda o odiavam e aquilo sempre preocupou Rachel. Mas ele prometera que nada iria acontecer, e realmente não aconteceu. Curtiram o passeio como se realmente fossem um casal apaixonado. Isso fora algumas semanas antes de sua morte. Fora logo depois de Crowley contar tudo para ela, abrir o jogo e mostrar-lhe até mesmo o cofre que pegava toda sua parede. Rachel sentiu-se... Radiante pela confiança que Crowley estava dando-a. Mesmo ela sendo uma policial. Talvez o amor realmente pirasse as pessoas de vez. Talvez fora aquilo o que acontecera com eles.
Apertando o casaco contra o corpo e o botão para ativar o alarme do carro, Crowley começou a caminhar calmamente pela lateral do local, observando o rio Tâmisa vez ou outra. Era difícil acreditar que aquele rio já fora um dos mais — senão o mais! — poluído do mundo. Ignorou a vontade que sentiu de sorrir ao lembrar-se de Rachel mais uma vez e mordeu o lábio inferior, apertando mais o passo. Não podia ficar dando sopa por aí. Apenas estava ali porque pretendia se encontrar com uma pessoa.
Enquanto caminhava, Crowley encarava todos os lugares possíveis à procura da pessoa que queria encontrar. Elizabeth o prometera que ficaria por aquela parte, sempre bem próxima ao Tâmisa. Mas onde estava aquela filha de uma puta? O que ela achava, afinal? Que Crowley havia tempo para suas indecisões? Oras! Para o inferno ela e seus sentimentos de merda!

***

soltou a fumaça do cigarro pelo nariz e encarou o local mais uma vez. Crowley estava andando pela lateral do lugar fazia mais de cinco minutos. Ele realmente estava pensando que a ligação de Elizabeth havia sido verdadeira? Ele realmente pensou na hipótese de Elizabeth querer trair a confiança de Eric?
deu risada disso e jogou o cigarro fora. Fechou o casaco e colocou o capuz na cabeça para tentar disfarçar melhor, não que ele quisesse fazer aquilo. Por ele, iria com a cara e a coragem acabar com Crowley, mas deveria seguir as coordenadas de Jesse se quisesse descobrir mais alguma coisa. Caminhou calmamente enquanto Crowley parava. Ele já havia passado da London Eye e estava encarando o Tâmisa com seu famoso olhar perdido. revirou os olhos e seguiu até o local com uma calma que ele desconhecia. Talvez a ansiedade fosse tanta que ele queria ir devagar para prolongar aquele momento. Suas manias soavam tão sádicas às vezes que até ele mesmo pensava que era algum tipo de maníaco disfarçado.
Já próximo suficiente, levantou a cabeça um pouco mais, o suficiente para ficar exatamente na direção de Crowley. Mas aquele maldito não olhava para os lados, parecia perdido demais para isso. revirou os olhos, mostrando impaciência e tédio. Estava ficando nervoso. Queria prolongar para o prazer ser maior e melhor, mas aquilo já estava ficando irritante.
Dois — exatos dois — minutos se passaram e Crowley pareceu bufar e encarar todos os lados do local, deixando seu olhar cair sobre , que tinha um sorriso malicioso nos lábios. Finalmente!, pensou e deu mais alguns passos a frente. Crowley engoliu a seco, como se, naqueles segundos, tivesse calculado rapidamente e notado tudo o que estava acontecendo a sua volta.
Naquele momento, Crowley devia estar se sentindo um idiota. E dos grandes. Mas não queria se preocupar, só queria andar mais rápido. Logo Crowley correria. Ele não estava armado, até porque, oras, quem iria se encontrar com uma mulher que estava precisando — até mesmo mais do que o oxigênio — armado?
Aquilo estava soando tão sádico e doentio que o próprio estava se assustando com seus pensamentos e a sua vontade absurda de acabar com aquele cara. Talvez fosse aquele seu lado que todo mundo tinha analisado para culpá-lo de certas coisas. Aliás, não estavam errados por isso. Ele também se culparia de tudo se estivesse observando tudo de fora. Não confiaria nele mesmo. Nem em sua inteligência e coragem, em nada. Apenas manteria distância para garantir sua própria segurança. Mas, bem, ele não estava observando de fora. Portanto, não tinha com o que se preocupar, a não ser pegar Crowley e acabar com ele de uma vez por todas. Valeria a pena matá-lo, no final. Ah, valeria sim. não se veria somente livre de Crowley. Receberia algo em troca. Estava somente fazendo um favor para Jesse — e para ele mesmo, claro —, para, assim, tentar descobrir suas origens. Saber por que diabos todos estavam com aquela desconfiança absurda. Com certeza toda aquela coisa ia além de seu jeito sádico de agir com bandidos.
Ignorando tais pensamentos, voltou sua atenção para Crowley, que voltava a andar e, vez ou outra, olhava para trás. Ótimo. O primeiro passo já fora dado. Crowley já o vira e agora estava tentando fugir. O problema dele seria: ele não iria conseguir. Fugir não era uma opção que dava para suas presas. Não mesmo. Talvez ele até deixava-as correrem um bocado para se sentirem seguras o suficiente para pararem de correr. Aí, quando elas menos esperavam, lá estava ele; pronto para atacar. Com Crowley não seria diferente. Não mesmo.
apertou os passos o máximo que pôde para não perdê-lo de vista. Não podia simplesmente sair correndo atrás dele, não ali. As pessoas — e guardas e seguranças — notariam que era um tipo de perseguição e, obviamente, ele se ferraria. Após bufar e parar de se importar com as pessoas em volta, tirou o capuz da cabeça e deixou o rosto totalmente à mostra, fazendo com que Crowley, em uma de suas olhadas para trás, parasse deu uma vez por todas e arregalasse os olhos levemente. Não que sentisse medo de , pelo contrário. Ele apenas achara que estava correndo de algum bandido perigoso e não de . No mesmo momento, Crowley parou de correr e abriu os braços, soltando uma gargalhada.
revirou os olhos e andou mais rápido na direção do homem. Agora sim as coisas estavam certas. Crowley sentia-se confiante o suficiente para encará-lo. adoraria dar uma surra nele antes de fazer o serviço completo. Adoraria de verdade.
— Vejam só se não é o ! — Crowley disse alto o suficiente para escutar.
— Vejam só se não é o Crowley — murmurou de volta, sem demonstrar emoção.
— Quanta empolgação por falar em mim — Crowley revirou os olhos. — Por que estava me seguindo?
— Achei engraçado o seu jeito assustado — riu. — Está devendo tanto assim, Crowley?
— Vá para o quinto dos infernos! Tinha um encontro importante marcado e você simplesmente fodeu tudo me assustando daquele jeito.

(DEEM PLAY!)
— Com a Elizabeth? — perguntou ainda sorrindo. — Acho que ela não vem mais, não — ele deu de ombros. — Será que a intenção dela era fazer nós nos encontrarmos para nos matarmos de uma vez?
— O que quer dizer com isso? — Crowley perguntou se aproximando.
— Que é hora de acabarmos com isso.
— Acabarmos por quê? — Crowley perguntou estreitando os olhos. — Porque tirei a de você e faço o que eu quiser com ela agora?

Calm down she said consider this a warning
(Acalme-se ela disse considere isso um aviso)
A souvenir for the morning, a headache that you can't fix
(Uma lembrança para de manhã, uma dor de cabeça que você não consegue curar)
I said I can talk my way out of anything, but I am struggling in this emergency
(Eu disse que consigo livrar-me de qualquer coisa falando, mas estou lutando nessa emergência)
This one’s on your side
(Esta está do seu lado)
I said this one is on your
(Eu disse que essa está do seu)
Ambulance I'm calling you now
(Ambulância estou te chamando agora)
Accidents bring the house down
(Os acidentes desmoronam a casa)

o encarou por alguns segundos e riu em seguida. Riu de nervosismo. Não gostou nada do tom que Crowley usara para falar de . Mesmo com raiva dela, não aceitaria que Crowley enchesse a boca para falar dela daquela forma... Suja. Ela não merecia que ele a defendesse, não merecia mesmo! Mas ele o faria mesmo assim. era uma boa desculpa para começar a estourar a cara de Crowley e parti-la em mil pedacinhos. Porém, seu orgulho gritava para ele negar todos aqueles sentimentos e mandar para a casa do caralho, assim arrumando outro assunto para partir a cara de Crowley. não merecia nem mesmo sua compaixão depois do que fizera.
— A não tem nada a ver com isso — disse calmamente. — Eu nem sequer sabia que ela estava metida com você. Para mim, aliás, você só gostava de policiais corruptas. Não sabia que tava curtindo jornalistas agora. Cuidado para não engravidá-la e matá-la também, Crowley — abriu um sorriso sádico e encarou-o nos olhos. — Soube que você curte fazer esse tipo de coisa.
Crowley engoliu seco e continuou apenas sustentando o olhar que lhe lançava.
— O que você quer? — Crowley perguntou após uns segundos em silêncio.
— Para que eu iria querer algo de você? — rebateu enquanto cruzava os braços.
— O que você quer, ? — Crowley perguntou de novo. — Diz de uma vez.
— Pelo jeito consegui pegar seu ponto fraco — deu de ombros e riu mais uma vez. — Isso está ficando mais divertido agora.
— Diz o que quer ou eu te faço engolir esse seu orgulho maldito e todas essas palavras de merda — Crowley disse entre dentes e abriu mais seu sorriso.
— Estou ansioso para conhecer suas táticas de me calar, Crowley.
Crowley rosnou e, sem esperar mais, avançou na direção de , tentando acertar-lhe um soco no rosto, mas fora rápido o suficiente para desviar e puxar seu braço para trás, imobilizando-o como fizera com Rachel tempos atrás.
— Posso afirmar que porrada não faz parte de suas táticas. — murmurou enquanto puxava cada vez mais o braço de Crowley para trás, torcendo-o com mais força a cada segundo que passava. — Você esquece-se do fato que eu treino praticamente todos os tipos de lutas há mais de dez anos, Crowley.
— É uma pena que ainda cometa falhas — Crowley respondeu e, em movimentos mais rápidos que o normal, com o braço livre acertou na barriga com o cotovelo, fazendo-o soltar um gemido fraco de dor.
Após soltá-lo e dar dois passos para trás, abriu um sorriso maior que o normal. Gostava quando o encaravam, as brigas ficavam mais emocionantes porque ninguém nunca pensava que ele ficava de "guarda baixa" para exatamente dar aquele empurrão e a pessoa ir para cima dele. Ele gostava de sentir a adrenalina de ter uma boa porrada. Não gostava de bater na base da covardia, podia ser sádico o quanto fosse, mas covardia não era sua praia. Tinha tudo para acabar com Crowley naquele momento, inclusive uma arma carregada presa nas calças e uma faca no tênis. Mas queria sentir a maldita adrenalina correr por suas veias e ir devagar também, sentir o prazer de acabar com Crowley aos poucos, lentamente. Não se importava de levar alguns socos para isso. Nada iria diminuir seu prazer em vê-lo acabado e morto.
Crowley encarou com um sorriso tão sádico quanto o dele. não era o único que iria se divertir naquela noite. Não mesmo. sabia daquilo. Até porque, ao encarar Crowley naquele momento, tivera certeza absoluta de que aquilo não seria tão fácil quanto imaginava. Mas sabia que, no final, ele venceria. Crowley nascera para perder, aquele era seu destino. Perder para . Morrer por causa de .

Come on, come on, you don't know me
(Vamos, vamos, você não me conhece)
Come on, come on, you owe me nothing
(Vamos, vamos, você não me deve nada)
Dry your eyes and stick them on ice
(Seque seus olhos e meta-os em gelo)
Give your chest a rest, it's been cold your whole life
(Dê ao seu peito um descanso, tem estado frio sua vida inteira)
I'll have you know, the tables are about to turn
(Quero que saiba, os papéis estão prestes a se inverter)
And you're going to get what, what you deserve
(E você vai ter o que, o que você merece)
Ambulance I'm calling you now
(Ambulância, estou te chamando agora)

O trabalho de , aquela noite, era acabar com Crowley e ele o faria nem que isso o fizesse ficar aleijado. Acabaria com Crowley de qualquer jeito, assim como prometera à Jesse e Eric. Não os decepcionaria sabendo o que ganharia em troca; diferentemente das outras vezes que prestara trabalhos assim, não receberia um aumento de cargo ou salário, ele receberia informações. Informações importantes. Valiosas. Informações que o levaria longe. O levaria ao poder! As pessoas que estavam tentando derrubá-lo simplesmente ficariam sem saber o que fazer assim que ele colocasse as mãos nas informações que Eric e Jesse tinham guardadas, fora que ele descobriria o real assassino de seu pai e, claro, dos outros também. Já havia tido uma pequena prévia das informações, ficara ciente de que o mesmo grupo de pessoas que matara seu pai, matara também Owen e Paul. A única coisa que ainda não tinha conhecimento para juntar os restos dos pontos, era o porquê. O motivo de tudo.
— Você não passa de hoje, Crowley — murmurou. — Já esperei tanto tempo para acabar isso — o rapaz suspirou e fechou os olhos por alguns segundos. — Você não imagina há quanto tempo eu sonho em ficar frente a frente com você; sem covardias, apenas nós dois. Olhos nos olhos.
— Você não me assusta, — Crowley disse firme enquanto mantinha o maldito sorriso no canto dos lábios. — Você é tão merda quanto seu pai — ele riu e sustentou o olhar de . — O que acha que é capaz de fazer? Você é um merda.
sentiu seu sangue ferver ao ouvir as palavras de Crowley. A raiva estava dominando-o mais rápido que esperava; não apenas pelas palavras ofensivas de Crowley, mas também pela sua fraqueza em deixar as lágrimas surgirem no canto de seus olhos. Odiava quando falavam de seu pai daquela forma. Como Crowley ousava?! Seu pai era o melhor homem que já conhecera! O maior herói de todos! O melhor policial do mundo. O mais reconhecido, o mais premiado, o mais adorado! Como Crowley simplesmente ousava em chamá-lo de merda em sua frente? Como ele ousara usar aquelas exatas palavras para descrevê-lo? sentia seus batimentos acelerarem a cada segundo que passava, sentia sua cabeça latejar levemente devido ao nervosismo e suas mãos suavam em pura excitação. Apesar de tudo, ainda sentia vontade de acabar com Crowley. Talvez até mesmo mais que antes, depois de tudo o que ele dissera.
Crowley soltou uma risada debochada enquanto balançava a cabeça negativamente. Após parar de rir, disse seriamente:
— Volte para casa, pequeno .
— Só depois de acabar com você. — respondeu firme e, após dar dois passos largos e apressados, deixou com que sua mão fechada em punho de puro ódio acertasse o rosto de Crowley, fazendo-o cambalear fortemente e arregalar os olhos. Nunca vira daquela forma, tampouco tão forte quanto naquele momento. Já havia levado outros socos de — e de seu pai também, aliás —, mas nenhum tão forte e raivoso quanto aquele. Aquilo seria tão divertido! crescera mais do que ele imaginara.
— Você ainda não aprendeu que não deve falar do meu pai dessa forma? — perguntou com a voz baixa e rouca, de uma forma assustadora, enquanto segurava Crowley pelo colarinho do casaco. — Espero que na sua próxima vida você tenha mais respeito. — cuspiu as palavras com raiva, enquanto Crowley apenas sustentava o olhar, demonstrando tanto ódio quanto o mais novo. — Você não passa de hoje, seu merda.
— Quem vai acabar comigo, ? — Crowley perguntou com a voz tão sombria e rouca quanto . — Você? Espero que esteja ciente que não será tão fácil assim. Tenho quase o dobro da sua idade...

Accidents bring the house down
(Os acidentes desmoronam a casa)
Come on, come on, you don't know me
(Vamos, vamos, você não me conhece)
Come on, come on, you owe me nothing
(Vamos, vamos, você não me deve nada)
Is this is it, my love, turn it up, turn it up, I want to hear you scream
(Será isto, meu amor, aumente o volume, aumente o volume, quero ouvir você gritar)
So sing, I am my own worst enemy, that's what she said to me
(Então cante, eu sou o meu pior inimigo, foi o que ela me disse)
And I am living out your dream
(E eu estou vivendo seu sonho)

— Mas não tem metade da minha força nem do meu ódio — rebateu firme, antes de acertar mais um soco no rosto de Crowley, fazendo-o gemer de dor. — Espero que esteja ciente disso, Crow.
Crowley soltou uma risada amarga e encarou nos olhos, enquanto, sem quebrar o contato visual, cuspia o sangue que escorria de sua boca no chão.
— Vou acabar com você da mesma forma que ajudei a acabar com seu pai e o amiguinho dele. Como era mesmo o nome dele? — Crowley juntou as sobrancelhas e fez cara de pensativo. — Ah! Eric, sim? É, deve ser isso.
— Você não estará vivo depois de hoje para tentar me foder, Crowley — rebateu firme, enquanto empurrava-o para trás.
— Então está enrolando tanto por quê?
— Prazer. Puro prazer em ver seu rosto contorcido em dor. Da mesma forma que você deixou meu pai — engoliu a seco ao lembrar da imagem do pai morto em seus braços.
— Sempre soube que você é daqueles que curte ver uma pessoa morrendo. Não é à toa que é o alvo principal de todos os bandidos da Inglaterra, senão do mundo, aliás! — Crowley exclamou rindo e apertou-o ainda mais entre suas mãos.
— Sou procurado porque sou bom, o contrário de você. — rebateu e deixou um sorriso brotar no canto de seus lábios. — Ou acha que não sei sobre você ter sido expulso da Federal? — o rapaz riu. — Você é o merda daqui, Crowley. Por isso decidiu virar a casaca e ir jogar no time dos bandidos.
— Pelo menos eu tive um pai, uma mãe e um irmão de verdade, não? — Crowley sorriu. — Ops, você não sabe sobre seu irmãozinho perdido... Nem o porquê de sua mãe ter sido jogada fora... Ops, falei demais de novo — Crowley sorriu enquanto sentia as mãos de afrouxarem o aperto em seu casaco.
piscou algumas vezes e sentiu seu estômago se afundar. Não, ele não sabia de nada daquilo. Mas... Como diabos Crowley saberia mais de sua vida do que ele mesmo? Sentindo o coração acelerar mais e suas narinas inflarem quase que automaticamente. rosnou e acertou mais um soco no rosto de Crowley com toda sua força. Sentia-se enganado. Por todos. Sentia-se um otário, um idiota, um... Burro! Como... Como seu pai fizera aquilo? Como... Escondera tantas coisas? Por quê?

So sing, I am my own worst enemy
(Então cante, eu sou o meu pior inimigo)
So we can just breathe a little more safely
(Para que consigamos apenas respirar um pouco mais seguros)
Ambulance I'm calling you now
(Ambulância, estou te chamando agora)
Accidents bring the house down
(Os acidentes desmoronam a casa)
Come on, come on, you don't know me
(Vamos, vamos, você não me conhece)
Come on, come on, you owe me nothing
(Vamos, vamos, você não me deve nada)

— Não adianta inventar merdas do meu passado agora, Crowley — murmurou de forma raivosa, enquanto sentia a raiva dominar-lhe totalmente.
— Não preciso inventar droga nenhuma! — Crowley gritou, aproveitando-se da vulnerabilidade de e empurrando-o para trás.
— Você é um merda! — gritou de volta, enquanto caminhava na direção dele novamente, com a intenção de acertar-lhe mais um soco. Mas Crowley desviou de forma rápida e inteligente, segurando o braço de com firmeza e imobilizando-o. De forma extremamente provocativa, Crowley colou seus lábios na orelha de e murmurou:
— O merda aqui é você, pequeno . Você não sabe de nada, está tão perdido quanto uma barata no meio de uma festa — ele riu de sua comparação e passou o braço livre no pescoço de , engravatando-o, ao notar que ele tentara reagir. — Você não sabe de nada! Nem sequer sabe por que está me caçando! Seja lá quem for que está dizendo que te dá informações em troca da minha cabeça, está mentindo. Tentei te foder usando a jornalista, sim, e, acredite, rapaz, consegui. Consegui de uma maneira que você jamais irá conseguir se vingar. Esqueça isso e lute para conseguir sair da Inglaterra sem levar a culpa das coisas, corra enquanto há tempo, moleque. Aproveite que ainda estou te dando um conselho — Crowley finalizou e empurrou para frente, que tossiu um bocado enquanto encarava o Tâmisa à sua frente. Estava apoiado no 'acostamento', sentindo seu coração a mil. Sentia-se um fraco por ter sido imobilizado por Crowley, mas não estava preocupado com aquilo. Apenas preocupava-se com sua vida, que fora uma completa mentira. Mas, ainda assim, tinha um trabalho a fazer. Precisava voltar ao controle, precisava esquecer-se de tudo aquilo! Quem sabe as informações que iria receber era uma explicação para aquilo tudo? Jesse deixara bem claro que Crowley tentaria algo psicológico contra ele. Crowley o conhecia o suficiente para deixá-lo mentalmente abalado. Ele sabia daquilo. Mas não sabia que era tanto.
Sem pensar e enrolar mais, colocou a mão na cintura por baixo da camisa e puxou dali a arma que carregava, pouco se importava se havia pessoas na rua. Poderia alegrar que — por mais difícil que fosse — estava sendo assaltado e ele era um policial. Não se importava com mais nada. Apenas com a dor que estava sentindo por ter sido enganado por tanto tempo. Seus olhos lacrimejavam, mas ele era um homem. Homem feito! Não podia nem iria chorar, não na frente de Crowley, não naquela noite, não antes de acabar com ele, não antes de estourar seus miolos e jogá-lo no Tâmisa. Foda-se que o Tâmisa poderia voltar a ser o rio mais poluído do mundo. Desde que Crowley estivesse morto, qualquer coisa estaria valendo.
, após suspirar mais uma vez, destravou a arma ainda em sua cintura e, lentamente, virou-se para Crowley.
— Não ligo para o que você diz. Não sinto medo — ele murmurou enquanto levantava a arma. — Trato é trato, trabalho é trabalho. Você me deu informações adiantadas, mas eu não posso nem quero adiar sua morte. Quero que você vá para o inferno e se foda lá.
— Acredite, , eu não vou sozinho — Crowley disse firme enquanto caminhava lentamente na direção do mais novo. — Vou levar você comigo, seja agora ou seja depois.

Is this is it, my love, turn it up, turn it up, I want to hear you scream
(Será isto, meu amor, aumente o volume, aumente o volume, quero ouvir você gritar)
Sing
(Cante)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans
(Eu tenho grandes planos)

— Estarei esperando você aqui, Crowley. Porque, acredite, não é minha hora de morrer e, sim, a sua — disse firme antes de se preparar para apertar o gatilho. Mas, em uma fração de segundos, sentiu algo bater contra sua mão e fazer o tiro ir para o alto e, logo em seguida, uma leve tontura lhe atingiu, fazendo-o não enxergar nada por alguns segundos. Ao assimilar o que acontecera, agiu em forma instintiva e partiu para cima de Crowley, acertando-lhe mais um soco no rosto e fazendo-o cambalear. As poucas pessoas que estavam por aquela parte, passavam rápido, não olhavam, tampouco se metiam. Não tinham nada com aquilo e sabiam que a coisa era feia, era como diziam: briga de cavalo grande. Quem seria o idiota de se meter?
Crowley empurrou para trás, encostando-o no pequeno — pequeno por serem altos o suficiente para sentar ou subir ali a qualquer hora — acostamento, o que os cercava do rio Tâmisa, e segurou-o firmemente pelo pescoço. tentou puxar o ar, mas a tentativa fora falha. Com um urro e um lapso de força, largou a arma no chão de uma vez e, com um impulso que desconhecia, forçou-se para frente acertando sua testa na de Crowley com toda força que tinha, fazendo-o ir para trás. Crowley gemeu de dor e se deixou cambalear para trás, não estava muito diferente, mas não se importou com aquilo, deixaria para sentir dor e respirar depois. Naquele momento, tudo o que ele queria era acabar com Crowley. Mandá-lo para o inferno.
andou em passos largos e apressados até Crowley, acertando-lhe um outro soco no rosto assim que se aproximou o suficiente. Crowley soltou mais um gemido e retribuiu o soco, porém, na barriga de , fazendo-o se curvar para frente e sentir a falta de ar lhe tomar novamente. Mas era forte o suficiente para aguentar aquilo tudo e mais um pouco, fora o que prometera a si mesmo. Acabaria com Crowley nem que aquilo acabasse com ele segundos depois.
Em movimentos rápidos e firmes, puxou Crowley pelo casaco e empurrou-o em direção à beira do Tâmisa. Nem mesmo sabia de onde tirara tanta força para deixar Crowley levemente pendurado ali. Sabia que se Crowley o puxasse, ambos cairiam no rio. Mas quem se importava? Eles não. Só queriam se destruir. Queriam acabar com as diferenças naquele momento, queriam se matar. Esse era o objetivo de ambos, se matarem. Acabarem com aquilo. Quem sobrevivesse, sobreviveu. Quem morresse, morreu. Ambos tinham em mente que iriam vencer. Mas quem realmente venceria? Aquilo mais parecia luta livre. Mas, obviamente, se tivesse juízes ali, a votação seria apertada; ninguém estava vencendo de lavada. Empate, talvez. Vencedor levando o cinturão por diferença de um décimo no final das notas, talvez.

I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans
(Eu tenho grandes planos)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts

— Quando eu disse que se eu fosse, você também iria, eu não estava mentindo — Crowley disse com a voz falha. — Eu acho bom você não se importar com o frio — Crowley finalizou antes de dar impulso para trás e, facilmente, passar por cima do acostamento do Tâmisa, fazendo com que perdesse o equilíbrio e fosse levemente para frente. O impulso de Crowley teria sido inútil se não sentisse uma leve fisgada na costela ao ser puxado em direção ao rio. Crowley fora esperto o suficiente para lhe acertar socos na barriga e, consequentemente, alguns pegarem em suas costelas. Ele sabia que o pressionaria naquele maldito pequeno acostamento que os separava do Tâmisa. Maldito Tâmisa mal protegido!
soltou o corpo e, sentindo dores em todas as partes do mesmo, deixou-se levar junto à Crowley em direção ao Tâmisa.
No momento em que sentiu seu corpo fazer contato com a água, o frio lhe atingiu tão fortemente quanto as dores. O frio era congelante e não havia sangue quente que o faria desaparecer. voltou à superfície e respirou o máximo que pôde, enquanto balançava os pés na tentativa de não congelar ali e a procura daquele maldito Crowley. O animal que inventara de derrubá-los ali. Covarde! Isso o que ele era! Não conseguia brigar do lado de fora e apelou para algo que prejudicasse ambos. sentia seus movimentos ficarem cada vez mais lentos e o frio o dominava cada vez mais, não imaginara que fosse assim. Não imaginara ouvir tudo o que ouviu, descobrir o que descobriu, não imaginara que cairia no Tâmisa junto com Crowley, não imaginara que seria tão... Complicado. Não sabia que ficaria tão vulnerável e mentalmente perturbado. Não pensara em nenhuma daquelas hipóteses.
sentiu algo agarrar-lhe por trás, fazendo-o assustar-se e tentar sair rapidamente, mas sabia que não era tão fácil escapar nos braços de Crowley.
— Quem você disse que iria para o inferno antes mesmo? — Crowley sussurrou no ouvido de , enquanto tremia devido ao frio, mas não se importava, assim como .
trincou os dentes e, juntando todo o resto de sua força, tentou escapar da gravata que Crowley lhe dava, precisava sair dali! Precisava acabar com aquilo! Se ao menos conseguisse alcançar sua faca no tênis... Porque, bem, de fato ela continuava lá. Ele podia senti-la. Fora que seria impossível ela simplesmente desprender-se de sua meia e seu tênis, a faca era apenas para uma emergência. Bom, de fato, aquilo era uma emergência. Ele estava prestes a congelar ou morrer sufocado.
Mesmo sabendo que seus golpes não atingiriam Crowley com tanta pressão e força que deveria, mexeu os braços o mais rápido que pôde, distribuindo cotoveladas na barriga e costelas de Crowley, fazendo-o gemer de dor. No frio, tudo doía mais. Provavelmente Crowley esquecera daquilo.
Com bastante esforço, conseguiu sair dos braços de Crowley e se afastou o quanto pôde. Crowley o encarou com ódio, raiva. podia sentir os olhos de Crowley faiscarem.
— Eu não só disse como farei você ir para o inferno primeiro, Crowley. — disse firme e afundou todo o corpo na água. No mesmo momento, sentiu a maldita dor de cabeça lhe atingir, mas não tinha outro jeito. Estava escuro e, por mais que o Tâmisa tenha ficado limpo e as ruas iluminassem levemente a parte que estavam, Crowley não o veria. levantou o pé sem sair da água e puxou dali a faca. Ela era afiada e fina, seria fácil enfiá-la em Crowley. Depois de afundá-la com força em qualquer lugar fatal nele, poderia deixá-lo jogado por ali mesmo enquanto ele perdia sangue e se sufocava, logo, afundando.

I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)

Crowley sentiu-se perdido por algum momento. decidira, então, fazer o que ele fizera antes? Crowley respirou fundo e afundou-se por completo. Não estava se importando para o frio, se fosse para morrer, morreria. Mas enquanto pudesse lutar, lutaria. Fosse com ou com o Papa. Lutaria até o último segundo de sua vida. Em nome de Rachel. Prendeu a respiração e ignorou a dor de cabeça que lhe atingiu, enquanto abria os olhos embaixo d'água. Precisava encontrar ! Aquele garoto era um idiota e, com certeza, não prestaria atenção nos detalhes para achá-lo.
Crowley sentiu o ar lhe faltar mais uma vez e se preparou para voltar e sair dali antes de voltar, mas, assim que bateu os pés para subir, sentiu algo segurar seu pé com força e firmeza. Juntou as sobrancelhas em dúvida e olhou para trás. Não conseguia enxergar nada, mas sabia que alguém estava segurando-o. Mas... Mas como aquele moleque o encontrou naquela maldita escuridão?! Debatendo-se com toda sua força — ou a falta dela devido ao frio —, Crowley tentou voltar. O nervosismo lhe tirava o ar mais rápido que o normal, sentia-se como se fosse morrer, seus pulmões queimavam e sua cabeça doía. , por fim, soltou seu pé e, em total desespero ao conseguir chegar à superfície, Crowley respirou o máximo que pôde. Não demorou muito para surgir atrás dele e sussurrar:
— Aproveite o pouco tempo que lhe resta para respirar.
— Não sinto medo de você — Crowley disse respirando pesado, ainda sentindo a leve dor de cabeça e nos pulmões. Não se entregaria para tão fácil assim.
— Pois seria ótimo se tivesse ou... — fez uma pausa e se aproximou — Se assumisse que tem.

I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)
I've got real big plans and such bad thoughts
(Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins)

— Você é só um mole... — Crowley não conseguiu terminar sua frase, apenas sentiu algo penetrando sua barriga e a dor lhe tomar por completo. havia enfiado a faca nele com toda sua força. Crowley arregalou os olhos e puxou o ar o máximo que pôde, tentando ignorar a dor e o frio que, agora, parecia estar maior. o encarou nos olhos e, com a mão livre, puxou-o pelos cabelos, deixando os olhos de Crowley exatamente na direção dos seus.
— Quero que olhe nos meus olhos enquanto te mando para o inferno — disse firme, enquanto girava a faca no interior de Crowley. — Olhe nos olhos do seu assassino, Crowley. Olhe nos olhos do moleque merda que está te matando — continuou, sentindo sua respiração falhar e ignorando totalmente o frio que sentia e fazia seus dentes baterem. — Olhe nos olhos do garoto que você tirou o pai em troca de merda — mordeu o lábio inferior com força e girou a faca mais uma vez. — Você é o merda, Crowley. Você. Vá para o inferno e nunca se esqueça disso! Você é um merda! Um completo merda! — gritou e afundou a faca mais uma vez em Crowley, fazendo-o gemer e fechar os olhos. , ainda dominado pela raiva e notando que Crowley estava quase inconsciente, puxou-o pelos cabelos mais uma vez e o encarou nos olhos, dizendo em seguida: — Eu tenho grandes planos e pensamentos ruins.

¹: Essa frase pertence a Voltaire, na época do Iluminismo.
²: Essa é uma música da série "A Hora do Pesadelo", com o nosso famoso Freddy Krueger. Não resisti e tive que colocar, eu tinha acabado de fazer uma maratona dos 7 filmes dessa série com meu irmão e vim escrever, por isso a encaixei (mas é claro que isso tem a ver com a fic também, hahahaha).
³: Música tema do filme 60 Segundos; Flower, do Moby.


Capítulo 27: Save me.

(Coloquem para carregar: Runaway - The Kooks e deem play quando eu avisar!)

sentia todo seu corpo tremer violentamente enquanto tentava, inutilmente, nadar até a beira do Tâmisa. Tinha esperanças de sair vivo de lá mesmo sabendo que tudo estava contra ele naquele momento. Estava ali há vários minutos e não conseguira nadar sequer metade da distância que precisava. Seus pulmões e cabeça doíam como nunca doeram antes, seu queixo batia tão violentamente quanto seu corpo tremia. Deus! Ele iria morrer ali? Depois de tudo o que fizera? Era isso? Matara Crowley para morrer em seguida? Por mais que tivesse pensado em tal hipótese e "aceitado", não era fácil aceitar isso na prática. Na hora do "vamos ver", era completamente diferente. Era... Desesperador. Pelo menos tinha um ponto positivo nisso tudo: morreria em pleno rio Tâmisa, de frente para a London Eye.
Tudo bem, talvez isso não fosse um ponto positivo. Até porque, estava sentindo-se fraco. Não só no sentindo físico da coisa, mas emocional e mentalmente também. Mas era um fraco feliz! Feliz porque acabara com Crowley. Fraco porque não segurara as emoções na frente daquele verme e a última imagem que ele tivera, fora a de com os olhos lacrimejantes de tristeza e ódio. Aí, realmente, tinha um ponto positivo: Crowley sentiu e viu todo o ódio que sentia.
respirou fundo e forçou seu corpo a nadar mais uma vez, sentindo-se mais cansado, a fim de desistir de tudo e afundar de vez naquela água congelante. Jesse e Eric saberiam que o trabalho havia sido feito da forma que fora o acordo. Mas, provavelmente, o que o fazia não desistir de tudo de uma vez por todas era o amor que sentia — e por mais que não demonstrasse às vezes — por Emma, Nicholas e Charlie. Eles faziam falta e, talvez, ele fizesse falta para eles também. Talvez por eles, acima de qualquer outra coisa, que ele ainda estivesse lutando naquela água maldita.
bateu os braços e as pernas em mais uma tentativa de nadar até a borda, o que deu mais certo dessa vez. Sua respiração era pesada e a dor ainda estava presente em cada pedacinho de seu corpo, mas, agora, talvez por estar mais acostumado com a temperatura, estava nadando melhor. Ele podia enxergar a leve movimentação do outro lado da rua, mas não poderia simplesmente começar a gritar. Ninguém pararia e muito menos o ajudaria, achando que ele era algum louco bêbado que pulara no rio. Mas uma silhueta, em especial, chamou sua atenção. A silhueta não estava tão afastada assim de onde ele estava e parecia vê-lo também, já que se aproximou mais da borda e acenou para ele, como se quisesse dizer alguma coisa. estreitou os olhos, tentando enxergar, mas mal conseguia respirar! Imagine reconhecer uma pessoa de longe! Com a curiosidade subindo a cabeça, nadou mais rápido com um único pensamento: teria ajuda, sairia daquele frio e poderia cuidar dos leves ferimentos que tinha. Inclusive o de suas costelas, ele provavelmente fraturara alguma delas. Crowley não era fraco. Como o próprio dissera, tinha quase o dobro de sua idade. Fora que ficara praticamente pendurado na lateral do Tâmisa também.
Dois minutos fora o tempo que precisou para se aproximar mais da borda. Estava tão desesperado que ignorara completamente o frio e as dores para nadar mais rápido. Abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando pronunciar alguma palavra para a pessoa, mas não fora necessário ele conseguir falar. A pessoa saíra da escuridão, mas ele não conseguiu reconhecê-la logo de cara, mas sabia que conhecia aquelas camadas loiras e bem cuidadas que caíam sobre os ombros da mulher. Ele conhecia aquela silhueta. Não se lembrava de onde, nem como conhecera, mas sabia que conhecia.
— Pegue isto — a voz dela soou alta, porém calma, enquanto ela jogava uma corda com um tipo de boia amarrado na ponta, como aquelas que pessoas que viajam de barco usam. não questionou nem nada, apenas segurou na boia e deixou-se levar por aquela mulher. Obviamente, sozinha ela não conseguira puxá-lo tão rápido. Ela, então, virou-se para trás e murmurou alguma coisa. estava quase inconsciente para entender o que e com quem ela estava falando. Estava mais preocupado em sair daquele rio filho da puta.
Logo, outra silhueta surgiu atrás da mulher, mas não teve tempo de se assustar e soltar a corda. Com apenas um puxão, o homem o fizera ir para a borda. A mulher soltou a corda e correu até ele, abaixando-se em sua direção e puxando-o para fora da água de uma vez. tremia dos pés à cabeça. O desespero não tomava mais seu interior, mas o medo sim. Ele não estava reconhecendo aquelas pessoas e sentia dores demais para poder lutar mais. Ele... Não aguentaria brigar, não tinha mais forças para bater ou até mesmo para apanhar!
— Não precisa se assustar, filho — uma voz grossa, porém calma, soou ao seu lado e ele sentiu algo cobrir seu corpo para tentar aquecê-lo. — Vai ficar tudo bem, sim?
— Como... — começou a falar, mas sua voz estava falha. — Como me descobriram aqui? Quem são vocês?
— Sou uma jornalista, — a mulher murmurou e ele abriu os olhos – que haviam se fechado automaticamente –, assustado, encarando-a em seguida. — Você deve lembrar-se de quando fora atrás de . Eu tentei impedir. Claire.
— Ah. — ele murmurou e engoliu a seco.
— Bem... Quanto a mim — o homem voltou a falar e ficou numa parte iluminada —, sou o pai de James Mangor.
deixou seus olhos se arregalaram e encarou os dois.
— O quê? Por quê? — ele perguntou e bagunçou os cabelos, deixando um gemido de dor escapar de seus lábios. — Como sabiam que eu estaria aqui? Por que estão me ajudando e...
— Uma pergunta de cada vez — Claire o interrompeu com um sorriso no canto dos lábios. — Primeiro, vamos te levar para um lugar seguro e te aquecer. Você ainda está pálido e com os lábios roxos, pode ter algum tipo de problema, sei lá... — ela deu de ombros e estendeu a mão para . — Depois, responderemos todas as perguntas. Prometo.
— Tudo bem — deu-se por vencido e segurou a mão quente e macia de Claire, enquanto Mangor o ajudava, segurando-o pelo braço.
— Consegue andar legal? Tá muito machucado? — Claire perguntou.
— Eu acho que fraturei uma das costelas — ele respondeu enquanto apoiava-se em Mangor para se manter de pé. Sabia que Claire não aguentaria seu peso. — O que querem comigo?
— Dar informações e colher algumas — Claire foi direta. — Primeiro, vamos cuidar de você. Depois, conversamos.
— Sobre o quê?
— Você é tão insistente, rapaz — Mangor murmurou, soltando um suspiro pesado. — Já dissemos que somos de confiança. Não queremos te matar como o Crowley tentou naquele rio.
engoliu a seco e não encarou nenhum dos dois, apenas deixou-se levar por eles até o carro de Claire. Pararam em frente a um Elantra branco que estava estacionado próximo dali e deixou seu queixo cair em surpresa.
— É seu? — ele perguntou para Claire, que sorriu e desativou o alarme do carro, abrindo a porta em seguida.
— Sim — ela respondeu dando de ombros. — Agora entre antes que você tenha algum ataque, porque você não parou de tremer um segundo sequer.
deixou um sorriso torto brincar no canto de seus lábios e entrou no banco de trás em seguida, apertando o enorme casaco que o senhor Mangor havia colocado nele.
— Vamos para a casa de Claire. — Mangor disse sério, enquanto colocava o cinto de segurança.
— Devo me preocupar? — perguntou. — Digo, isso não é nenhum tipo de sequestro, né? — ele perguntou e Claire soltou uma risada fraca.
, cale a boca e pegue o cobertor que está aí atrás. Se enrole e se aqueça mais se não quiser ficar doente — ela disse firme, enquanto revirava os olhos ainda com um sorriso no canto dos lábios.
deixou seu corpo relaxar no banco e sentiu-se mais aquecido após alguns minutos. Estava enrolado no cobertor e não se importava com as roupas molhadas. De acordo com Claire, ele poderia se trocar em sua casa e vestir alguma roupa de Cam, seu suposto irmão. ainda estava desconfiado com aquela ajuda repentina, mas não tinha forças para se importar com essas coisas. Desconfianças não resolveriam sua vida. Se tivesse que morrer naquele momento, morreria. Mas morreria feliz por ter acabado com Crowley.
Um suspiro alto escapou de seus lábios e ele pôde sentir o olhar de Mangor sobre ele.
— Não fique preocupado, garoto — o mais velho disse com um sorriso fraco nos lábios. — Não faremos nada com você em troca de dinheiro ou algo do tipo. Só queremos que veja uma coisa e nos ajude, sabemos que é capaz de nos ajudar no que precisamos.
— Se quiséssemos te matar, já teríamos matado — Claire continuou. — Aliás, não temos motivo para isso, . Sou apenas uma jornalista e ele é somente o pai de James, ainda fragilizado com o que aconteceu.
— Não estou preocupado com vocês — murmurou e encolheu-se mais no banco. Ainda sentia frio.
— Certo, chegamos! — Claire exclamou enquanto estacionava o carro do lado de fora mesmo. Não tinham mais tempo para guardarem o carro e fazerem todas aquelas baboseiras de sempre.
Claire desceu no carro e Mangor fez o mesmo. Enquanto Claire destrancava a porta da frente da casa, Mangor ajudava a sair do carro. O sangue não estava mais tão quente e ele já não tinha mais aquela adrenalina no corpo e aquilo o fazia sentir mais dor ainda; dor na costela, no rosto, nos braços, em todas as partes do corpo possíveis.
Caminharam devagar e, antes de entrarem, Mangor olhou em volta, certificando-se de que ninguém estava seguindo-os. Claire trancou a casa assim que todos já estavam seguros lá dentro e sentiu-se aliviado. Não sabia bem o porquê, apenas sentiu-se aliviado, em casa. A casa de Claire o passara uma calmaria esquisita, uma coisa que ele sentia quando era criança enquanto estava com seu pai e Charlie.
— O banheiro é na segunda porta à esquerda — Claire disse devagar, indicando um corredor e entregando uma muda de roupas nas mãos de . — Não demore.
apenas confirmou com a cabeça e caminhou devagar até o banheiro. Trancou-se e suspirou enquanto apoiava-se contra a porta, sentindo todo seu corpo doer mais. Respirar estava machucando-o. Só de pensar no que ainda tinha que enfrentar, sentia ainda mais dores. Não poderia ficar machucado por tanto tempo, não poderia ficar doente, nada poderia acontecer com ele. Estava com medo e preocupado com isso, tinha muita investigação pela frente. Tinha muita informação para vir à tona.
bufou e arrancou o casaco enorme que estava usando. Sentiu o frio passar por seu corpo novamente, mas o ignorou completamente e arrancou o resto das roupas. Vestiu o que Claire o arrumou e parou em frente ao espelho, ainda sem camisa, e encarou a região das costelas. Havia uma enorme marca roxa por ali.
— Filho da puta! — exclamou baixo e bufou em seguida. Crowley era um maldito desgraçado que fodera sua costela e ainda o deixara roxo! Deus, se ele pudesse, o pegaria de porrada mais uma vez e o mataria em seguida. De novo.
Terminou de se vestir e saiu do banheiro de uma vez por todas. Sentia-se melhor com roupas secas e quentes. O irmão de Claire vestia o mesmo tamanho que ele e isso era ainda melhor. Normalmente, quando precisava de roupas de outras pessoas, de , por exemplo, elas ficavam pequenas e isso o incomodava mais que qualquer coisa. Sentia-se uma criança. Ou talvez um adolescente vestindo as roupas de uma criança.
— As roupas serviram bem — Claire disse baixo enquanto colocava chocolate quente na caneca de Mangor.
— É... — murmurou dando de ombros e Claire apontou para uma outra caneca em cima da mesa. pegou e estendeu para ela, que colocou chocolate quente para ele também.
— Certo, chega de enrolação — Mangor disse firme enquanto dava pequenos goles em seu chocolate.
, por ainda estar um tanto quanto fraco, sentou-se no sofá e esperou o velho começar a falar.
— Precisamos da sua ajuda, — Claire começou, sentando-se ao lado dele.
— Isso eu já entendi. — Ele a olhou de relance e bebericou seu chocolate. — Para quê?
— James. — Mangor respondeu e o encarou arqueando uma das sobrancelhas.
— Mas... Ele já não está... Morto? — perguntou com cuidado.
Claire mordeu o lábio inferior e se levantou. Deixou a caneca que segurava com força sobre a mesa e Mangor fez o mesmo em silêncio. , confuso, fez o mesmo. Talvez esperasse que eles tentassem algo de ruim contra ele, não confiava neles completamente. Afinal, Claire trabalhava com , ele havia se lembrado dela enquanto caminhava de volta para a sala, e Mangor era pai de James. James... O drogadinho que estava morto e ele que fora atrás para conseguir informações.
— Venha comigo. — Claire disse firme e caminhou para o corredor da direita. a seguiu, ainda desconfiado, já que Mangor estava logo atrás dele, em seu encalço.
Pararam em frente à última porta do corredor e pôde notar uma troca rápida de olhares entre Mangor e Claire.
— Não saia correndo. — Mangor murmurou em um tom brincalhão, enquanto Claire abria a porta do quarto.
, então, deu mais um passo a frente e pôde ouvir barulhos de aparelhos médicos. Arqueando uma das sobrancelhas, avançou de uma vez por todas. Odiava ficar curioso. Abriu a porta do quarto o máximo que pôde e passou por ela, parando de repente e encarando de olhos extremamente arregalados a pessoa que estava deitada ali. sentia sua cabeça girar em pura confusão e seu coração estava acelerado, estava... Assustado. Que porra era aquela, afinal? Algum tipo de miragem? Alguma coisa tecnológica que ele não conhecia? Seu coração estava bombeando com mais força e rapidez que o normal.
Uma risada fraca ecoou pelo quarto e sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem. Mas que caralho era aquele? Ele não estava morto?
James? — perguntou baixo, enquanto se encostava na parede e sentia o ar lhe faltar.
Ele estava vendo algum tipo de fantasma ou James realmente estava ali, em sua frente, deitado numa cama e encarando-o com um sorriso no canto dos lábios?

***


O dia já estava amanhecendo quando saiu do banheiro pela quinta vez e deitou-se em sua cama. Seus pensamentos estavam bagunçados. Sua cabeça, na verdade, estava uma completa bagunça; não sabia bem o que fazer ou pensar ou falar. Sentia-se extremamente perdida. Porém, acima de tudo, estava preocupada. Preocupada com tudo; com a criança que carregava e sabia que não ficaria ali por muito tempo, com , por incrível que pareça, e com Crowley também. Sentia medo do que poderia acontecer caso eles ficassem frente a frente, sentia medo do que faria com ela depois disso tudo. Deus, o que ela fez com sua vida? No que se meteu? Sentia-se tão arrependida por ter caído no poder de persuasão de Charlie! Da mesma forma que se sentia arrependida de ter deixado o desejo falar mais alto e se envolver com . Talvez, se ela não se envolvesse com ele, não estaria em uma situação tão complicada e com uma criança inocente envolvida nisso tudo também.
Após soltar um suspiro pesado e passar as mãos pelo rosto, levantou mais uma vez e correu para o banheiro. Não por estar enjoada, mas sim porque precisava de um banho para relaxar. Tirou a roupa o mais rápido que conseguiu e ligou o chuveiro, deixando a água cair por todo seu corpo. Fechou os olhos e parou de pensar em , Crowley e a pequena criança que carregava e sabia que não sobreviveria. Parou para pensar nos compromissos do dia: procurar um vestido de festas bonito o suficiente para o evento social que precisaria estar presente no fim de semana, ir até a Redação e escrever algumas matérias atrasadas, além de continuar o projeto de livro — mesmo que secretamente — sobre as missões de Charlie, precisava, também, ir até o prédio e, mesmo que não quisesse nem precisasse, encarar . Seu dia seria cheio. Seria um dia cheio e comum se ela não precisasse encontrar com no final dele. Encarar não era uma coisa que ela desejava, de verdade. Queria manter a distância daquele louco sádico, sabe-se lá o que diabos ele poderia fazer com ela, aliás. Tudo bem que, mesmo ele sendo louco e sádico, ela estava completamente encantada por ele. Ou talvez encantada não fosse a palavra certa. Sabia que... Mesmo não querendo assumir ou deitar a cabeça no travesseiro e pensar sobre isso, sentia algo a mais por ele. Senão, oras, não se entregaria para ele tão facilmente. Mesmo que se conhecessem há tempos. O tempo que se conheciam não dizia nada, já que brigavam o tempo inteiro. Ninguém em sã consciência — além de Charlie, obviamente — os colocava perto. lembrava-se perfeitamente da primeira vez que falou com . Ele a mandou se foder em rede nacional. Ah, claro, ela retribuiu de uma forma mais civilizada e disse que ele era um brutamontes.
O apelido já era antigo, a briga já era antiga. Tudo entre eles já era antigo.
suspirou novamente e fechou o chuveiro após uns minutos. Queria entender por que diabos todos seus pensamentos se direcionavam a automaticamente. Queria saber também por que seu coração se apertava de uma forma tão... Intensa quando se lembrava do que entregara para Charlie. Seria tudo aquilo culpa? Sim, talvez. Ela, querendo ou não assumir, gostava de ... Ou pelo menos sentia algo muito forte por ele. Não chegava a ser amor... Um desejo forte demais, quem sabe? Mas sentia-se extremamente culpada por ter aceitado as condições de Crowley e ido contra todos para acusar daquela forma tão séria. ignorou seus pensamentos que queriam se voltar para mais uma vez e saiu do banheiro, já vestida. Estava tão ligada no automático que nem sequer notara que já estava praticamente arrumada. Fez um rabo de cavalo alto no cabelo e vestiu um sobretudo preto. Estava pronta para começar seu dia de verdade. Daria um pulo na Redação e falaria com Claire, depois iria atrás de um vestido qualquer. Faria tudo, menos pensar em . Caso voltasse a pensar nele daquela forma intensa, se sentiria mais culpada ainda e seria obrigada a abrir a boca quando o encarasse novamente.
Pegou sua bolsa e saiu de uma vez por todas. Ficar ali se remoendo não a levaria a lugar nenhum e ela teria um dia cheio demais para perder tanto assim.

***


sentiu alguém lhe sacudir devagar. Ele ignorou e virou-se para o outro lado, estava cansado e sentia dores demais para acordar. Aliás, estava tendo um sonho bom também. Não queria voltar para a realidade, não naquele momento. Mas a pessoa parecia que não se importava com o que ele pensava, apenas queria acordá-lo. Aquilo o deixava estressado.
— Vamos, , acorde! — A voz calma e melodiosa de Claire se elevou mais um bocado ao pronunciar a frase, fazendo bufar e abrir os olhos para encará-la. Claire mordeu o lábio inferior e desviou o olhar. Sempre ouvira comentários sobre os olhos intensos e brilhantes de , mas nunca havia encarado-os de tão perto quanto naquela hora. Era... Arrepiante. Mas nada que a fizesse esquecer completamente o olhar calmo e amoroso de James.
— O que quer? — ele perguntou baixo.
— Você precisa ir. Ninguém sabe onde está nem com quem está, provavelmente há pessoas preocupadas atrás de você — ela disse calmamente. — Sabemos que não foi apenas por vontade própria atrás de Crowley. É bom que consiga se arrumar logo, irei te deixar onde seu carro ficou.
— Tudo bem — Ele sentou-se na pequena cama do quarto de hóspedes de Claire e a encarou por alguns segundos. — Por que eu? Ela riu baixo e se ergueu de uma vez por todas.
— Porque você é o melhor — ela deu um sorriso fraco, mas o julgou sincero. Sincero até demais, de uma forma que ele jamais vira. Sentiu-se bem com aquele sorriso de Claire, melhor ainda com suas palavras.
— Estou falando sério — ele murmurou revirando os olhos e jogando as cobertas para o alto.
— Eu também estou — ela sorriu mais uma vez. — Olhe, , não tenho tanto conhecimento sobre as coisas que têm acontecido por aqui para te explicar isso. James insiste em ver você desde o dia em que o encontrei todo ensanguentado e baleado naquela estrada deserta. Ele estava morrendo, praticamente inconsciente, mas ainda conseguia murmurar seu nome — ela sentou-se ao lado de . — Confesso que a curiosidade me corroia loucamente quando decidi ajudar James. Mas... Eu nunca o forcei a me explicar nada. Eu não faço ideia do que vocês estão metidos, não sei por que diabos você ficou tão chocado ao vê-lo, mas, acredite, eu quero ajudar e farei o que for necessário. Apenas não fique me perguntando o porquê disto o tempo inteiro. Eu não vou saber explicar — ela riu baixo. — Eu apenas gosto de fazer o certo e alguma coisa que me diz que vocês precisam de ajuda ou serão mortos, presos ou qualquer coisa do tipo.
Naquele momento, percebeu que havia ganhado uma... Amiga, talvez. Por falta de palavra melhor. Claire seria bem prestativa e estava disposta a fazer qualquer coisa para ajudá-los, por mais que o próprio nem sequer fizesse ideia do que estava acontecendo. Mas, seja lá o que fosse, já estavam bem adiantados.
— Obrigado — ele disse baixo e sem encará-la. Não era muito chegado a agradecimentos nem pedidos de desculpa, mas sentia-se no dever de agradecer por tudo o que Claire fez e iria fazer por ele.
— Não precisa agradecer — ela sorriu. — Nem ficar encabulado por me agradecer, já ouvi muito sobre você e sei o quanto deve estar sendo difícil ser educado comigo.
— Você poderia ser menos direta, não?
— Não — ela deu de ombros. — Você é tão direto quanto eu, assuma.
— Talvez eu seja — ele revirou os olhos. — Enfim. Obrigado por salvar minha vida.
— Sinto que irei fazer isso mais vezes — ela murmurou e se levantou de uma vez. — Certo, brincadeira. Agora vamos, ! — ela sorriu para ele. — Seu dia provavelmente será cheio.
Mesmo sem a mínima vontade, pegou suas roupas, que estavam no canto do quarto, e seguiu para o banheiro. Claire sorriu assim que ele passou pela porta e suspirou em seguida. Sentia como se tivesse acabado de fazer a melhor ação do mundo. Sentia-se leve. sabia de pelo menos uma parte da verdade. Não que ela soubesse a tal verdade, pelo contrário! Ela nem fazia ideia de que verdade era aquela, mas era o suficiente saber que sabia parte dela. Talvez fosse algo bem importante para James se comportar daquela forma com .

***


se remexeu na cama e se esticou, ainda de olhos fechados, para pegar o celular na mesinha ao lado de sua cama. Quem diabos ousava o incomodar àquela hora da manhã?
— Alô — ele murmurou ao colocar o celular na orelha.
Desculpe te acordar a essa hora — A voz de Emma soou preocupada do outro lado da linha. — Queria saber se você passou a noite com , se sabe alguma coisa dele ou sei lá... — Ela continuou falando e pôde jurar que ela mordeu o lábio inferior ao soltar aquelas palavras.
— Não, Emma — ele suspirou e se sentou na cama coçando os olhos. — Não falo com o há dias, ele anda estranho, distante... — ele deu de ombros e revirou os olhos, aproveitando o fato de Emma não poder vê-lo. Por que diabos ela estava ligando para ele àquela hora da manhã para saber de ? Céus! Ele nem sequer se importava com . Não mais.
Ah... Obrigada, . — ela disse e suspirou em seguida.
— Por nada, Emma. Qualquer notícia me avise, tudo bem? — murmurou fingindo preocupação de uma forma tão convincente que ele quase acreditou em suas palavras. — anda me preocupando, sinto falta do meu melhor amigo de antes.
Eu sei que sim, — Emma suspirou novamente. — Assim que encontrá-lo, mandarei ele te procurar para vocês conversarem. anda... Fora de si por algumas coisas.
— Sim, eu sei — ele soltou uma risada fraca e forçada, mas Emma não precisava saber que foi forçada, né? — Mas não tem problema. Logo irei para o prédio, tá? Procure-o e me mantenha informado.
Certo. Desculpe de novo, .
— Está tudo bem, até mais, Emma. — ele respondeu e Emma murmurou qualquer outra coisa que ele não se deu o trabalho de ouvir, apenas jogou o celular em cima da cama.
— Até quando vai levar essa falsidade? — A voz de Castellamare ecoou pelo quarto e riu, fitando-o em seguida. O velho estava parado em frente à porta do quarto, já arrumado.
— Até quando eu aguentar. Não foi isso que me mandou fazer quando eu era mais novo? Não foi para isso que você alimentou todo esse ódio dentro de mim? — rebateu, já se levantando e ignorando o frio que o atingiu por estar sem camisa. — Não venha me dar lição de moral agora, Castellamare. Nem sequer pense em me fazer desistir de tudo mais uma vez. Você sabe que não vai adiantar. Você me criou assim e assim serei até o meu último dia.
— Fico feliz em ouvir essas palavras, mas sinto medo por você — o mais velho foi sincero. — Não quero que desista.
— Por isso faz pressão psicológica — deu de ombros. — Me deixa confuso, curioso, com raiva, faz de tudo sabendo que eu não vou me segurar e continuar com você, não é?
— Você sabe que sim — o velho manteve-se firme e com o nariz empinado.
— Você não presta, Robert — disse baixo e revirou os olhos.
— Não fale como se você fosse honesto, — Castellamare rebateu. — Não fale como se a culpa fosse totalmente minha.
— PARE DE AGIR COMO SE TUDO FOSSE POR MINHA CAUSA! — gritou sem se importar se as outras pessoas ouviriam. — Você me criou. Você colocou todo o ódio que eu tenho dentro de mim. Eu estava vulnerável! — ele respirou fundo para segurar as lágrimas que queriam se formar no canto de seus olhos. — Eu havia perdido minha mãe para uma doença, minha avó preferida para a velhice, não tinha parentes próximos a não ser você, perdi meu pai por uma armação sua. Eu poderia ter uma vida diferente, mas você não me deu o direito de escolha. Simplesmente me pegou e me escondeu quem era meu verdadeiro pai para, no final, me fazer vê-lo morrer e não sentir nada com isso. Você sabe por que eu não senti nada ao ver John morrendo naquela casa — engoliu a seco. — Sabe também o quanto me arrependo disso, não sabe?
— Se arrepende mesmo? — Castellamare cruzou os braços e se aproximou, adentrando o quarto de uma vez por todas. — Se arrepende de ter visto chorar feito um bebê no seu ombro da mesma forma que você chorou sozinho por quase todos da sua família? Vai dizer que não se sentiu bem ao vê-lo sentir a dor que você sentiu tantas vezes? Não jogue toda a culpa para cima de mim. Você — o velho apontou o dedo no peito descoberto de — se tornou tudo isso porque quis. Não foi tudo por minha causa. Você sempre foi uma pessoa má, eu apenas te ajudei a usar isso a seu favor. Se você não acabasse com John, ele acabaria comigo.
— Pois que acabasse! — gritou novamente. — Você... Droga, Robert! Você acabou com a vida da minha mãe e depois ajudou a acabar com a minha! Agora quer o quê? Que eu acabe com a do ? É o que estou fazendo, não? — ele respirou fundo. — Já disse que não vou desistir. Eu já não tenho mais nada para ganhar nem para perder. A Lucy é a única coisa que eu tenho, mas por enquanto. Ela já não me vê mais com os olhos de antes.
— Mulheres — Castellamare bufou. — Não seja idiota. Ela é uma vagabunda.
— Assim como as mulheres que você mais amou na vida. Ou acha que não sei sobre a prostituta italiana? — sorriu. — Agora, se me der licença, não quero mais lavar roupa suja. Preciso me arrumar e ir trabalhar, pelo menos lá eu tenho paz.
— Tem paz enquanto não sabem quem você realmente é — o mais velho rebateu, sentindo as palavras de lhe atingirem com força.
— Eles não vão descobrir — sorriu. — Para eles descobrirem, teriam que descobri sobre Lucy também. Depois, sobre você. Depois, sobre o pobre Jesse, que só é seu empregadinho porque precisa de dinheiro — ele fez uma pausa e encarou o tio. — Aí depois o mataria um por um e sairia vencendo, acho que não é isso o que você quer. Sabe que o pequeno é perigoso.
— Tão perigoso quanto o pai — Castellamare ironizou. — Faça-me o favor, .
tá metido com coisa que a gente desconhece, Robert — disse sério. — Vou descobrir que porra é essa hoje. Mas já aviso: não é coisa boa. Esse filho da puta só se mete em merda.
— Desde que ele não se meta com certas pessoas da Itália, está ótimo para mim.
— Quem são essas pessoas da Itália, Robert? Por que não posso saber mais sobre isso? Por que você vive me escondendo as coisas? É para me fazer ficar aqui por não saber sobre minha verdadeira origem? — perguntou, encarando-o nos olhos. — Sempre achei que só tivesse mistérios para a vida do .
— Vocês são irmãos. Lembra-se disso? — Robert sorriu. — Os mistérios dele são seus também.
— Por isso nos quer vivos — murmurou. — Você é um filho da puta maldito.
— Eu sei. Mas sou a única pessoa que você realmente tem. Então pare de dar show e vá fazer o que tem que fazer — Castellamare finalizou e deu as costas para , saindo do quarto de uma vez.
engoliu toda a raiva que sentia e suspirou em seguida. Precisava se acalmar, precisava... Investigar. Talvez matar para tirar o tédio. Ver sangue normalmente o deixava mais calmo. Oh, céus, isso soava tão sádico.
Talvez ser sádico fosse de família.
Ser mau também, quem sabe?
Afinal, toda família há uma ovelha negra a cada geração, certo?
Essa família, em especial, havia duas.

***


Jesse estava apoiado no carro de enquanto encarava o rio Tâmisa mais a frente. Estava preocupado com o pequeno . Ele não havia dado notícias e Eric não podia sair nas ruas como quem não quer nada para procurá-lo. O carro estava ali, isolado no lugar que tinham indicado. era um rapaz bom para morrer daquela forma. Jesse rezava com todas as forças para que tudo tivesse dado certo e surgisse de repente em seu lado, com um sorriso maior que a cara comemorando a morte de Crowley.
Um carro parou próximo dali, o suficiente para Jesse conseguir enxergar quem estava dentro do veículo. Conhecia aquela loira que dirigia de algum lugar, mas não queria se importar com ela. Estava se importando mais com quem estava descendo do carro.
.
Lá estava ele. Salvo.
Vivo.
Jesse se pegou suspirando profundamente e passou as mãos no rosto, livrando-se de todo aquele mal-estar e culpa que o cercara durante a noite e manhã inteiras. Puxou o celular do bolso e mandou uma mensagem rápida para Eric. estava caminhando devagar em sua direção. Jesse o encarou com um sorriso no canto dos lábios e balançou a cabeça afirmativamente.
— Acabou. — murmurou quando se aproximou e se apoiou no carro também.
— O que aconteceu? — Jesse perguntou.
— Caímos no Tâmisa — suspirou. — Eu quase morri congelado.
Jesse piscou algumas vezes e encarou o mais novo.
— Como vocês conseguiram cair no Tâmisa? — ele perguntou estreitando os olhos. — Não seria mais fácil brigar fora d'água?
— Seria, seria muito mais fácil — revirou os olhos. — Se ele não tivesse socado minhas costelas. Quando eu fui apoiá-lo na beira do Tâmisa para estourar a cara dele, ele me puxou também. A gente desequilibrou. Eu achei que não fosse conseguir, Jesse — ele suspirou e ficou o rosto de Jesse rapidamente. — Eu achei que fosse morrer também depois de enfiar a faca naquele desgraçado.
— Você é mais forte do que eu pensava — Jesse sorriu. — Você tem a força do seu pai, garoto. Aprenda a usar isso para o bem.
— Para o bem? — riu. — Eu acabo com os bandidos da Inglaterra, quer maior bem que esse?
— Eu estava querendo dizer que você podia pegar essa sua força e usar para tirar a do lado ruim dessa história toda — Jesse o encarou. — Ela não tem nada a ver com o que está acontecendo por aqui, você sabe. Ela não deveria estar metida em nada disso.
— Não, eu não sei, Jesse — o encarou. — Eu não vou lutar por uma mulher que quer me foder.
— Ela não quer te foder! — Jesse rebateu. — Escute, , você...
— Olha, Jesse, a única coisa que quero ouvir de você e do Eric agora são as informações que vocês prometeram — o interrompeu. — Um pedaço da minha história também, talvez. Eu não quero saber da . Não depois de tudo isso. Ela é gostosa, beleza. É boa de cama, beija como ninguém, tá. Mas e daí? — ele encarou Jesse nos olhos. — Não me importo com ela. Não quero saber dela. Ela acha que sou eu quem estou matando por aí, sendo que quase fui morto várias vezes. Por que eu lutaria por ela e não por mim?
— Porque você está se apaixonando e só está decepcionado com tudo o que ela fez — Jesse disse calmamente e soltou uma risada, enquanto balançava a cabeça negativamente.
— Entenda, Jesse — ele se virou para o mais velho —, eu nunca vou me apaixonar por alguém da forma que me apaixonei pela Elizabeth. Tudo bem, o amor acabou agora. Mas, acredite, ninguém faz comigo o que aquela mulher fez.
— Nem mesmo a ? — Jesse perguntou. — Nem mesmo ela que se arrisca com você? Nem mesmo ela, que nunca negou o que sente por você, mesmo você agindo feito um filho da puta?
— Jesse, me explique uma coisa: por que estamos discutindo isso se eu já disse que não me importo com a ? — perguntou, engolindo a seco. Não gostava quando jogavam em sua cara aquelas coisas. Não gostava também de falar de sentimentos com outro cara. Não gostava nem um pouco do fato de ter que esconder que sentia alguma coisa forte por , mas seu orgulho falava mais alto. Odiava ser assim, mas também odiava sentir tudo aquilo.
— Você é tão orgulhoso — Jesse murmurou e suspirou em seguida. — Entra no carro. Vamos para o Eric.
— Preciso passar no meu apartamento primeiro para me trocar, ver a Emma, contar a ela o que está acontecendo — respondeu enquanto destrancava o carro. Por um milagre, suas chaves continuaram em seu bolso. Provavelmente o chaveiro que usava ficara agarrado no bolso.
O caminho até o apartamento de fora silencioso. pensava em tudo o que Jesse tinha dito. E se realmente estivesse em um perigo maior do que imaginavam? E se... Ela... Morresse por conta disso? Impulsiva do caralho!, pensou e suspirou disfarçadamente. Lá estava ele se preocupando com ela de novo. A quem ele queria enganar, aliás? O que ele sentia por Elizabeth não chegava nem sequer na metade do que ele estava sentindo com . O desejo, a preocupação, o medo, a vontade de tê-la o tempo inteiro, as lembranças todo fim de noite, a forma que o sorriso e a voz dela surgiram em sua cabeça quando ele tinha quase certeza de que morreria, por mais que tentasse negar, não adiantaria. ocupava grande parte de seus pensamentos o tempo todo.

***


Emma deixou seu corpo cair na cama do filho e suspirou. Não dormira a noite inteira por causa de . Ele sumira de repente, sem dar notícias, sem avisar se voltaria. Emma tinha certeza de que ele não tinha saído para beber. saberia caso fosse isso, por mais distantes que estivessem.
— Mamãe — A voz de Nicholas ecoou por seus ouvidos e ela sorriu automaticamente, virando-se par ao pequeno. — Cadê o ? Ele ainda não chegou? Ele tinha prometido me levar para a vovó hoje...
— Logo ele estará aqui, querido — ela abriu mais seu sorriso sem ter certeza de suas palavras. — Ele cumpre tudo o que te promete, certo?
— Certo — Nicholas se encolheu mais embaixo das cobertas. — Mas já está quase na hora de eu ir...
— O sempre se atrasa, você sabe. Ele tem muita coisa para fazer — Emma murmurou, puxando o pequeno corpo do filho contra si. O garoto aconchegou-se nos braços da mãe e suspirou.
Nicholas não queria que quebrasse a promessa. Queria que ele o levasse até a casa da avó. Queria passar mais tempo com ele, conversar com ele.
Um barulho de porta abrindo fez Nicholas pular dos braços da mãe e sentar-se na cama.
— É ele, mamãe! — Nicholas exclamou e Emma levantou-se tão rápido quanto o filho, correndo para a sala em seguida.
Ao reconhecer a figura — acabada, só para frisar — de , Emma respirou fundo e caminhou em passos firmes na direção do mais novo.
— Onde diabos você se enfiou?! — ela perguntou alto, parando na frente do rapaz com as mãos na cintura. — Você é louco ou o quê?! — ela perguntou mais uma vez e deu-lhe um tapa forte no braço, fazendo-o soltar um gemido de dor. Mas Emma não se importou. — Será que dá para você falar?
— Eu tô legal. Eu tô aqui. Isso basta? — ele disse em um tom de voz calmo e um sorriso no canto dos lábios.
— E quem é você? — A voz baixa de Nicholas perguntou, apontando para Jesse, que encarava tudo aquilo com um sorriso brincalhão nos lábios.
— Sou Jesse. — ele respondeu e se aproximou de Nicholas, estendendo a mão para o garoto.
— Nicholas. — ele respondeu apertando a mão do mais velho.
Jesse se lembrava daquele pequeno garoto. Ele correra muito bem quando Jesse fora atrás dele. Obviamente, Jesse não o pegaria. Apenas fingiria e o deixaria ir. Tinha coisas mais importantes para fazer no prédio naquele dia. Nicholas fora só uma exigência de Castellamare que ele não quis cumprir.
— Emma Cobain. — Emma se apresentou com um sorriso no canto dos lábios.
— Sei quem é você — Jesse disse sorrindo também. — É meio difícil não reconhecer vocês — ele deu de ombros.
— O que houve, ? — Emma perguntou depois de lançar mais um sorriso educado para Jesse.
— Crowley! — ele gritou da cozinha enquanto enfiava qualquer coisa de comer goela abaixo.
Emma arregalou os olhos e andou rapidamente até a cozinha.
— Você foi atrás dele? — ela perguntou apavorada.
— Sim — ele se virou para Emma com um sorriso no canto dos lábios e levantou a camisa que usava. — Ele fez isso comigo.
— Puta merda, ! — exclamou baixo para o filho não reparar o que estavam conversando. Jesse parecia notar essas coisas e estava distraindo muito bem a criança. — O que... O que aconteceu? Me explica!
— Eu não posso — ele suspirou. — Só posso dizer que... Acabou. O Crowley não vai aparecer mais.
— Você não... Você...? — ela gesticulava com as mãos enquanto tentava formular uma pergunta.
riu levemente.
— Sim, Emma. Eu o matei. Acabou. — confessou enquanto soltava um suspiro em seguida. — Me senti obrigado de dizer isso para você, para te tranquilizar. Você sabe. O resto não precisa saber, tudo bem?
— Charlie precisa saber... — ela murmurou cruzando os braços.
— Para quê? Para eu ganhar pontos com ele? — riu. — Não quero. Deixe ele se matar para saber quem foi.
...
— Não vem com essa. Você sabe o que está acontecendo — ele a encarou nos olhos. — Sabe o que anda espalhando por aí. Ela quer me jogar na cadeia.
— Não fale assim, eu não vou deixar! Você sabe disso! — Emma rebateu e se aproximou do mais novo. — Mas as provas dela são fortes. Eu estou proibida de falar sobre esse assunto com você, mas eu não consigo. Não aceito isso, não concordo. Não é certo!
— Crowley criou aquelas coisas — ele fitou o chão. — Ele procurou a .
Emma deixou sua boca se abrir em total surpresa e fitou o rosto decepcionado de . Ela conhecia aquele olhar. Fora o olhar perdido e decepcionado que ele usara quando fora contar sobre o que acontecera entre ele e Elizabeth.
...
— Tá tudo bem — ele sorriu. — Eu já tirei o Crowley do caminho, tô legal. Diga ao Nicholas para ele se arrumar rápido, não posso demorar na sua mãe hoje. Vou me arrumar no quarto.
— Não precisa levá-lo. Precisa cuidar das suas costelas — Emma murmurou preocupada.
— Tenho o resto do dia para fazer isso. Avise o Nicholas. — finalizou firme e foi para seu quarto.
Precisava pensar, precisava de um banho quente — outro, na verdade —, precisava colocar a cabeça no lugar. Voltar a agir sem se importar com ninguém.

***


O dia de passara mais rápido do que ela esperava; fora ao shopping procurar seu vestido e encontrara, almoçara com Claire e conversaram sobre trabalho, escreveu matérias novas e ainda conseguiu dar continuidade ao seu projeto de livro — o qual guardava somente para ela. Agora estava no carro dirigindo em direção ao prédio. Hora de encarar depois de tudo o que acontecera.
Eram quase sete da noite quando ela atravessou o prédio a caminho da sala que dividia com . A falta de pessoas naquele corredor que vivia lotado era notável e estranhamente estranho. não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo ali para aquilo estar vazio daquele jeito. Sentiu seu coração acelerar automaticamente quando chegou em frente a porta da sala e apertou a bolsa contra o corpo. Não queria entrar, mas também não queria ficar ali fora. Era realmente a hora de encarar depois daquele telefonema estranho e das palavras duras.
Com a cara e a coragem, abriu a porta, chamando a atenção de por alguns segundos. Não demorou muito para ele abaixar os olhos para os papéis de novo. podia notar — e sentir — a raiva e desconforto que tentava esconder. Mas ela não pôde deixar de reparar em sua aparência também. Ele parecia cansado e usava um óculos de leitura para analisar os papéis, ele estava... Parecendo o típico nerd do colegial. Mas não tinha tempo para analisar a beleza de . Tinha coisas mais importantes para fazer, tipo parar de babar por ele na porta e entrar de uma vez por todas para começar a trabalhar. E foi o que ela fez.
estava inquieta enquanto mexia em suas coisas e começava seu trabalho, seja lá qual ele fosse, e notou isso. Mas não podia simplesmente desistir de se segurar e perguntar o que estava acontecendo, por que diabos ela estava investigando sua vida, por que ela estava metida com Crowley, se ela sabia onde realmente estava metida... Ele estava tão preocupado com ela! Deus! Mesmo com tudo o que estava acontecendo, ele queria poder chegar para ela e perguntar tudo isso, só que simplesmente não podia! Ela não merecia sua preocupação, não merecia nada daquilo. Só ele sabia a agonia que estava sentindo só de se imaginar atrás das grades por algo que não fez. Não que ele fosse totalmente inocente, porque, bem, não, ele não era. Ele já havia matado muitas pessoas, sim. Mas por ser o seu trabalho ou simplesmente porque estava se defendendo. Ela não podia acusá-lo daquela forma tão... Terrível.
Um suspiro da parte de fora ouvido e levantou o olhar disfarçadamente. Ela estava virada em sua direção e encarava o chão. Parecia estar se decidindo entre falar com ele ou não. Bem, não parecia. Era realmente isso. Com o tempo que ela estava ali, já conseguiu captar suas manias, seus gestos e seu jeito. Ele se pegava a observando de vez em quando, era meio automático.
— Posso te fazer uma pergunta, ? — A voz dela soou trêmula e nervosa.
— Não — ele respondeu simplesmente, sem nem ao menos encará-la. Se ele a encarasse, responderia "sim" automaticamente, aí seria obrigado a responder o porquê de ter ligado para ela do celular de Crowley e aí, automaticamente, seria obrigado a dizer que estava apenas preocupado com ela. Bem, ele não queria isso. Não queria ceder aos desejos mais uma vez. Aquela loucura já o levara para merdas demais.
— Mas farei assim mesmo — A voz dela ecoou por seus ouvidos novamente e ele suspirou, lembrando-se o quão abusada ela era.
tirou os óculos de leitura e jogou sobre a mesa, passando as mãos pelo rosto em seguida.
— Então não enrole. — ele disse firme, fazendo-a se encolher em sua cadeira.
— Como conseguiu pegar o celular do Crowley? — Ela foi rápida e direta, fazendo-o soltar uma risada fraca.
— Posso perguntar antes de responder, ? — Ele se virou para ela e ela encostou-se em sua cadeira, tentando sentir-se mais protegida. — Por que está investigando minha vida e querendo me acusar desses assassinatos?
engoliu a seco e desviou o olhar. Não queria responder aquilo. Não queria assumir que achava, no fundo do seu coração, que havia errado e não podia voltar atrás.
Quando abriu a boca para responder, a luz da sala piscou, fazendo-a arquear uma das sobrancelhas.
— Bem... — ela começou, ignorando a luz que caía pela terceira vez em dez segundos. — Eu... — ela respirou fundo e o encarou. — Não sei, para falar a verdade. Eu só achei que... — Antes que ela pudesse voltar a falar, a luz apagou de uma vez por todas e ela sentiu seu coração bater mais forte contra o peito. O que diabos estava acontecendo? Por que tudo estava escuro de repente? Teria sido somente a lâmpada queimada?
Uma luz forte e branca atingiu seus olhos com força.
— Fique com isso. Não saia daqui, provavelmente alguém desligou as luzes achando que não tem mais ninguém por aqui mesmo sendo tão cedo — murmurou e se levantou, sem se importar de sair no escuro.
— Por que tudo está tão vazio? — ela perguntou alto, antes dele sair.
— Charlie simplesmente deu a louca e liberou boa parte de nós. O resto está pelas ruas ou trabalhando em casa, em outras delegacias ou no último andar — respondeu e bateu a porta em seguida. Não queria ficar ali dando conversa a .
se encolheu mais contra a cadeira, achando tudo aquilo muito estranho, e desligou a lanterna. Não precisava ficar iluminando tudo a toa. Fechou os olhos e apoiou a cabeça sobre a mesa, tentando organizar os pensamentos. Teria caído no sono ali se um barulho no corredor não chamasse sua atenção. Segurando a lanterna com força nas mãos e ligando-a novamente, se levantou e caminhou devagar até a porta, abrindo-a em seguida. O corredor estava tão escuro quanto a sala.
Ela iluminou o final do corredor e não havia nada nem ninguém, o outro lado igualmente. Um suspiro escapou de seus lábios e outro barulho chamou sua atenção. Curiosa, caminhou calmamente pelo corredor, iluminando os pontos que importavam mais. Quando se dera conta, já estava longe de sua sala e pronta para subir as escadas do segundo andar. Seu coração batia forte e ela sentia uma sensação diferente, uma curiosidade diferente. Estava curiosa, mas sentia medo. Queria subir, mas era melhor voltar. Mas... Seu instinto de jornalista estava gritando em seu interior e mandando-a continuar, ver o que estava acontecendo e por que aquele barulho ficava mais alto a cada segundo que passava. revirou os olhos e mandou o medo para o quinto dos infernos. Subiu as escadas o mais rápido que conseguiu e iluminou o primeiro corredor: nada. Continuou caminhando por ali para ver se encontrava ou qualquer outra pessoa para informar sobre o barulho. Passou em frente ao laboratório e ouviu mais alguns barulhos. Ainda ignorando o medo, abriu a porta lentamente.
— Oi? — chamou, baixo e entrou de uma vez por todas no local. — ? Lucy? — chamou enquanto iluminava os cantos do laboratório. Não havia nada por ali.
Estava pronta para sair quando o som de algo caindo chamou sua atenção, fazendo todos os seus pelos se arrepiarem e seu coração parar momentaneamente. Engoliu a seco e se virou devagar, iluminando aos poucos.
Teria sido melhor se ela simplesmente tivesse corrido e saído de lá.
A silhueta de um homem alto e forte estava sendo iluminada, ela não tinha coragem para subir mais a iluminação e ver o rosto da pessoa, até porque sua coragem fora toda embora quando notara que ele estava armado. Com a respiração acelerada e o coração também a mil, tentou correr, mas um tiro fora escutado, fazendo-a gritar e se jogar atrás de qualquer coisa às cegas. Aquele homem não estava de brincadeira e a mataria se ela não se escondesse bem. Em total desespero, desligou a lanterna e encolheu-se contra um armário qualquer e segurou as lágrimas de medo.
Onde diabos estava metido? Ele não estava ouvindo os disparos? Não estava ouvindo-a gritar? Ele estava vivo? Só de pensar nessa última pergunta, um arrepio percorreu todo seu corpo, fazendo-a fechar os olhos e se encolher mais contra o armário. Mas ela não sabia que havia coisas em cima do armário. Derrubando algumas delas e fazendo um estrondo, chamou a atenção do possível assassino para si. Um grito de horror escapou do fundo de sua garganta quando um dos disparos acertou o armário. Correu, novamente às cegas, pelo laboratório e tentou se esconder atrás de uma das mesas próxima à porta. Jogou-se por ali mesmo e se encolheu o máximo que conseguiu, deixando as lágrimas rolarem livremente.
podia ouvir som de passos do corredor e seu coração acelerava mais a cada passo que era escutado. Seriam cúmplices do maldito que estava tentando matá-la? Seria ? Céus, ela estava perdida!
? — A voz de ecoou por todos os cantos fazendo-a sentir-se aliviada, mas ainda com medo de gritar por ajuda. — ?! — gritou novamente.
, então, engolindo todo o medo e ligando o foda-se para tudo, gritou:
— AQUI! NO LABORATÓRIO! ME AJUDA!
Um tiro, dois tiros.
Fora o suficiente para ela ouvir a porta do laboratório abrir às pressas e a luz de uma lanterna iluminar o local. Ela continuava encolhida contra uma parede qualquer, esperando que checasse todo o laboratório. Ao notar que não havia nada por ali, se abaixou na direção de para ver se estava tudo bem.
— O que aconteceu? — ele perguntou baixo, puxando-a em sua direção.
não respondeu, apenas se afundou contra o peito de sem se importar com o que ele pensaria.
— Você checou tudo? — ela perguntou baixo e o apertou mais.
— Seja lá quem for, pulou da janela — ele respondeu enquanto engolia seco e se decidia entre puxar contra seu corpo com mais força ou apenas olhá-la naquele estado e totalmente vulnerável. Porém, ao sentir o corpo da mulher tremer de puro desespero em seus braços, puxou-a para um abraço mais forte e deixou seu corpo cair no chão também. Apesar de ter ido ao médico e ele ter dito que não fora nada grave, suas costelas ainda doíam. Suas pernas também, aliás. Nadar no Tâmisa e quase congelar não era para qualquer um. Ainda mais quando se sobe do primeiro ao segundo andar correndo por ouvir disparos depois de não encontrar na sala que dividiam.
— Quero sair daqui. — ela murmurou.
— Se eu disser que estamos trancados aqui no prédio, você acredita? — ele murmurou de volta, fazendo-a levantar o rosto e o encarar – mesmo naquela escuridão toda – nos olhos. — Estão tentando nos matar — ele riu fraco. — Todos nós que estamos aqui. Cada um foi para um lugar que julga seguro. Sobrou para mim vir atrás de você quando ouvimos todos aqueles disparos. Tudo foi desligado; câmeras, luzes, tudo. E trancado também. Enfim. Fica aqui em cima, procura um canto que você achar mais seguro — ele deu de ombros e se afastou dela. — Fica com a lanterna perto de você, eu vou lá embaixo tentar ajeitar a luz enquanto o Ryan tenta abrir as portas.
— Não quero ficar sozinha, vou com você — ela murmurou, se levantando.
— Você vai ficar aqui e fim de papo, . A gente não sabe quantos ainda têm por aqui e é bom eles pensarem que o que estava aqui em cima com você te matou — ele suspirou. — É o melhor a se fazer agora, fique perto da porta. Sei lá, dá seu jeito. Mas não vai lá pra baixo.
revirou os olhos e bufou, sentando-se novamente.
suspirou e encarou por uma última vez. Não queria deixá-la sozinha, mas precisava descer.
Saiu do laboratório e fechou a porta devagar, olhando em volta antes de descer as escadas o mais rápido que conseguia.
continuava encolhida ali, ainda estava assustada. Mas sabia que, se fosse atrás de , ele daria crise e a mandaria voltar. Ela não queria ficar sozinha. Queria ficar com ele, sentia-se mais segura assim, por incrível que pareça.
— Quer saber? Que se foda. — ela murmurou para si mesma e se levantou, segurando a lanterna com força. não era seu dono! Ela poderia muito bem ir atrás dele, mesmo não conhecendo o prédio tão bem. Ela sabia que ele estava em uma sala embaixo de tudo aquilo mexendo na luz. Ela só tinha que procurar algum lugar que desse para lá, já que não sabia onde Ryan ou qualquer outra pessoa dali estava.
Em passos rápidos e largos, já estava no primeiro andar de novo. O medo de ficar sozinha era tanto que ela não se importava mais com o som que seus sapatos faziam, apenas queria encontrar o lugar onde estava. Ela o queria. Queria estar com ele. Não com outra pessoa. Se quisesse apenas companhia, procuraria Ryan. Mas ela não queria só uma companhia para acalmá-la. Ela queria com ela; para proteger, cuidar, ajudar, abraçar. Ele sendo um assassino ou não, era o que ela queria.
Logo no fim de um dos corredores, pôde ver uma pequena porta e sorriu com aquilo. Era, com certeza, a única entrada para onde fora. Ainda com a lanterna ligada, mirou-a para dentro do local e começou a descer as escadas dali. Assim que pisou no último degrau e ia começar a analisar o local, a lanterna começou a piscar.
— Não, por favor — ela sussurrou para a lanterna e lhe deu uns tapas, mas a coitada apagou de vez, fazendo-a bufar e tentar caminhar às cegas.
A sala estava completamente escura. O único barulho que era possível escutar por ali era a respiração pesada e acelerada de . Seu coração batia tão forte que ela pensou que ele sairia pelo seu peito ou então ela simplesmente enfartaria. O medo estava consumindo-a por inteira, a cada partezinha de seu corpo. Estava começando a se arrepender de não ter obedecido e de ter escutado seu instinto jornalístico — ou simplesmente sua curiosidade, como preferirem. Mas também não queria ficar lá em cima sozinha, no escuro e no frio. Precisava — e queria — ficar ao lado de . Por mais que soubesse que aquilo poderia ser mais um de seus planos — ou talvez ela só estivesse paranoica com isso tudo —, não podiam se separar. Ela sabia que se realmente fosse o assassino, ele estava atraindo-a para aquela sala na intenção de fazê-la entender isso de uma vez por todas. Mas sabia também que eles não eram os únicos ali e, entre ficar com sendo ele o assassino e o outro desconhecido que tentara matá-la, ela preferia permanecer com . Ele não a mataria assim, tão de repente e no local de trabalho dele. Já o desconhecido que desligara todas as luzes do prédio, bem, dele ela não poderia dizer o mesmo. Porque, do jeito que as coisas estavam correndo, ele queria matá-los.
Ainda com um certo receio e o coração acelerado, deu mais alguns passos para frente. Olhou em volta e não enxergou nada mais que a escuridão e, novamente, o medo lhe atingiu em cheio.
? — ela chamou com a voz trêmula e não obteve resposta. Ainda às cegas, deu mais alguns passos. Sempre para frente, reta para não se perder na hora de voltar. Sempre ouvira dizer que se você se perdesse, deveria voltar pelo mesmo caminho. Se isso funcionava no escuro, ela não sabia. Mas tentaria. — Droga, ! — exlcamou, bufando. — Apareça, ande!
Nenhuma resposta. Os únicos sons que ela ouvia eram: sua respiração completamente desregulada por puro medo e sua voz ecoando pela escuridão. parou de andar e suspirou, tentando enxergar alguma coisa. Mas não conseguira ver nada. Permaneceu ali parada por mais alguns segundos, até um barulho chamar sua atenção. Ela não conseguia descobrir de onde aquele maldito som viera e, sem querer descobrir, virou-se para trás e tentou percorrer seu caminho de volta, mas uma voz ecoou baixa e rouca por trás dela no exato momento em que se virou, paralisando-a por completo.
— Você gosta do perigo, não é? — a voz sussurrou ao pé de seu ouvido, arrepiando-a por completo.
sabia que queria assustá-la e estava conseguindo aquilo, mas não podia negar que sua voz naquele tom baixo e rouco mexera com ela, fazendo-a parar e aproveitar o prazer que era ouvir a voz daquele maldito homem adentrar seus ouvidos e respiração quente bater em sua nuca devido a proximidade.
— O que quer, ? Me assustar? — ela perguntou tão baixo quanto ele e continuou parada encarando a escuridão, enquanto implorava mentalmente para ele deixá-la sair daquele maldito lugar.
— Eu disse para você continuar lá em cima — ele murmurou e deu um passo a frente, acabando com o espaço entre seus corpos e, com as pontas dos dedos, acariciou o ombro nu de que usava uma blusa que deixava seu ombro à mostra. Mesmo com o frio que fazia em Londres naquela época, gostava e usava aquela blusa sempre que podia. Naquela manhã, o dia estava claro e o sol aparecia levemente no céu, não faria mal se ela usasse algo daquela forma. Casacos existem para isso, não é?
— Eu já estava voltando. Só fiquei preocupada. — ela murmurou em resposta, fechando os olhos por alguns segundos enquanto sentia sua pele queimar a cada leve toque de . Deus! Ele estava tirando-a do sério com aquela proximidade toda, aquela falta de toques mais precisos...
— Você nunca faz o que eu peço — ele sussurrou novamente e mordeu o lóbulo de sua orelha em seguida, deixando-a arrepiada mais uma vez. — Está com medo, querida? — ele perguntou e soltou uma risada fraca. — Não sinta. Eu não mordo. A não ser que você me peça...
Então me morde, porra!, ela pensou em responder, mas se conteve. Apenas engoliu em seco e soltou um suspiro fraco.
— Você é contraditório — ela riu baixinho. Estava nervosa. — Me mordeu para dizer que não morde?
— Eu sei que você pediu pela mordida na orelha em pensamentos — ele respondeu e ela pôde ouvi-lo sorrir. Ainda estava de costas para ele e, além do mais, a escuridão do local não a deixaria vê-lo sorrir. Aquilo era até bom, aliás. Assim ficaria mais fácil de resistir e sair logo daquele lugar medonho.
— Quero sair daqui. Agora. — ela disse firme enquanto seu coração acelerava mais. Céus, ela estava a ponto de enfartar ali mesmo! Não pelo medo, mas sim pela proximidade de .
— Mas não vai — ele deu de ombros e soltou mais uma risada fraca. — Você gosta de todo esse perigo, . Eu sei que gosta. Você gosta de saber do fato que pode estar se entregando a um assassino. Gosta do fato desse suposto assassino ser eu — Ele aproximou-se mais e levou os lábios novamente para o ouvido da mulher, arrepiando-a dos pés a cabeça mais uma vez. — Você ama todo esse perigo e adrenalina. Seu corpo reage sempre de forma positiva quando estou por perto, mesmo eu sendo o maior suspeito disso tudo — ele finalizou enquanto depositava um beijo atrás da orelha de . Por um momento, achou que fosse desmaiar ou simplesmente perder toda a pouca sanidade que ainda lhe restava. Suas pernas bambearam, mas conseguiu manter-se de pé.
— Eu quero sair, . — ela murmurou fechando os olhos e suspirando em seguida.

(DEEM PLAY!)
— Você não quer, não — ele respondeu enquanto, lentamente, descia as mãos para a cintura bem desenhada de . — Sabe por quê? — ele perguntou, mas não obteve resposta. Então, sorrindo de uma forma extremamente maliciosa, sussurrou: — Porque isso te excita.

Girl I wanna be good to you,
I never wanna do you no harm
I'm caught up in this fascination,
Helping with your alarms
Ignore life if you want to babe,
Do what you've got to do,
I need some time in the countryside,
I wanna feel so brand new
(Garota, eu quero ser bom para você
Eu nunca quero te mal nenhum,
Estou preso nessa fascinação,
Ajudando com seus alarmes,
Ignorando a vida se você quiser baby,
Faça o que você tem que fazer,
Preciso de algum tempo no campo,
Eu quero me sentir tão novo)


não segurou um suspiro — que mais soara como um gemido — que estava preso em sua garganta e se deixou levar. A quem queria enganar? Aquele homem conseguia deixá-la louca em apenas dois minutos de conversa. Conseguia enlouquecê-la — em todos os sentidos possíveis e impossíveis — com aqueles toques leves e sussurros, de certa forma, sujos. Não iria resistir nem tentaria mais. Realmente, ela gostava de todo aquele perigo, não queria sair daquela sala escura, apenas o queria ali e naquele momento. De preferência, nu. Com seu corpo se chocando contra o dela; de uma forma selvagem ou não. Não importava mais. Ela o queria e, da forma que ele estava fazendo, não esconderia mais. Apenas deixaria aquilo mais à mostra que o normal. Para que se enganar quando a verdade era aquela? Ela o queria e o desejava mais que qualquer coisa nesse maldito mundo, ele sendo assassino ou não, era ele quem ela queria. Em todos os sentidos possíveis.
Devido ao silêncio e reações de , a virou de forma rápida e juntou seus corpos, agora, de frente. Juntou o máximo que pôde. Queria que ela sentisse seu coração acelerando de uma forma alucinante, queria mostrá-la que não estava tão diferente dela. Mas, claro, sem deixar seu lado sádico calar-se completamente. Sabia que, agindo daquela forma, se entregaria mais rápido, sabia que tiraria tudo dela; a sanidade, as roupas, a consciência. Tudo, nesse sentido. Com segundas e terceiras intenções.
, de uma forma um tanto quanto desesperada, procurou os olhos de em meio toda àquela escuridão e os encontrou. Não era difícil com toda aquela proximidade. Assim que fitou seu rosto tão próximo ao dele, mordeu o lábio inferior. Céus! Da mesma forma que ele fazia com ela, ela o deixava louco. Enlouquecia-o por completo! Ela, de uma forma extremamente anormal, conseguia despertar nele seus dois lados; o bom e o mau; o sádico e o romântico; o atrevido e o carinhoso. Ela só não sabia disso. Não sabia por que não queria enxergar a verdade.
— Ainda quer ir embora? — ele perguntou baixo enquanto a fitava profundamente nos olhos.
, engolindo em seco e sustentando o olhar de maneira firme, mas não se arrependendo de suas palavras, respondeu:
— A única coisa que eu quero agora é ser sua.

You make me runaway,
You make me runaway,
You make me runaway, angel
You make me runaway,
(Você me faz fugir,
Você me faz fugir,
Você me faz fugir, anjo
Você me faz fugir)


encarou-a por mais alguns segundos e um sorriso surgiu no canto de seus lábios. Gostava quando se entregava para ele. Gostava de saber que, em momentos como aquele, ela era dele e de mais ninguém. Não havia desconfianças ou medo, não importava se havia mais um desconhecido ali dentro, não importava se estavam correndo riscos de vida, não importava mais nada. Nada era mais importante que saberem que pertenciam um ao outro naquele momento.
Sem esperar mais nada, puxou-a pela nuca e juntou seus lábios da forma que somente ele fazia; mãos entre os cabelos e lábios e língua apressados, pressionando-a de uma forma que a fazia ceder no mesmo momento e agarrar-lhe a nuca.
soltou um suspiro pesado ao sentir as mãos de passarem por baixo de sua camisa, arrepiando-a mais uma vez. Sem esperar mais nada, puxou-o para mais perto e aprofundou o beijo o máximo que pôde. Não importava se seus lábios ficariam machucados e inchados depois, não importava a selvageria que tudo estava acontecendo. Ela o queria. Mais que qualquer coisa que já quis na vida.
Em movimentos rápidos com as mãos, segurou a barra da camisa de e a puxou para os lados em vez de puxar para cima, rasgando-a ao meio e puxando pela cintura, chocando seus corpos com mais força. não tivera tempo para parar o beijo e reclamar o que ele fizera com sua blusa. Os pedaços dela já estavam no chão e ele já a puxava para cima, fazendo-a cruzar as pernas em sua cintura.
Às cegas e tropeçando nos próprios pés, , de uma forma desajeitada, caminhou em direção a parede mais próxima que encontrou e chocou o corpo de contra ela, forçando o seu em seguida. puxou-o pelos cabelos e afastou seus lábios, descendo-os em direção ao pescoço de e distribuindo beijos molhados pelo local, enquanto com uma das mãos arranhava sua nuca e a outra puxava seus cabelos. mordeu o lábio inferior e estreitou os olhos, ignorando a leve dor que lhe causava e focando apenas no prazer que era ter os lábios e língua dela passeando livremente por todo seu pescoço. Aquilo resultaria em marcas. Mas ele gostaria de ficar encarando-as e sorrindo para o nada, lembrando-se de como fora.
, de uma forma lenta e provocativa, desceu as mãos pelos ombros e peito de , enquanto subia os lábios e colava-os aos dele para iniciar mais um beijo intenso. Ainda de forma lenta, começou a abrir botão por botão da camisa que usava. Não importava o quão intenso e rápido o beijo estava, ela não arrancaria a camisa de de forma rápida como ele fizera. Gostava de torturá-lo. Pena que ele não gostava de ser torturado. De forma bruta e ignorando o fato de estar em seu colo, puxou a camisa de uma vez por todas, arrebentando alguns botões. Quem se importava com botões, aliás? Ele queria arrancar aquela maldita peça de roupa que o privava de sentir mais o corpo de contra o seu.

I see your name on the walls again,
I painted you on my toes,
Celebrate the resuscitate,
We drink to ourselves,
You collect lovers like gem stones,
You talk of them as your friends,
Dangle me from your wrist chain,
Another one lost to the winds of change
(Eu vi seu nome nas paredes novamente,
Pintei você em meus dedos,
Celebrando o ressuscitar,
Bebemos para nós mesmos,
Você coleciona amantes como pedras preciosas,
Você fala deles como seus amigos,
Balance-me na sua pulseira,
Outro que se perdeu para os ventos da mudança)


subiu as mãos pelas costas de lentamente, deixando-a arrepiada. sentia-se como se fosse explodir, como sempre era com . A cada toque lento e doloroso dele, sentia seu corpo queimar. Cada vez mais. A cada segundo que passava, sua vontade de tê-lo aumentava. Podia sentir o leve volume que se formava entre as pernas dele e aquilo a fazia suspirar e desejá-lo ainda mais. Um suspiro longo e pesado escapou do fundo da garganta de quando movimentou-se para frente, fazendo suas intimidades ainda cobertas se roçarem de uma forma mais ousada, como se houvesse alguma penetração. sentia todas as partes de seu corpo se arrepiarem com tais movimentos de , e aquilo a enlouquecia completamente. Gemidos involuntários escapavam de sua garganta enquanto devorava seu pescoço e apertava suas coxas, forçando-a cada vez mais contra a parede e seu corpo. Não aguentava mais. Precisava tê-lo. Queria tê-lo.
afundou suas unhas nas costas de e puxou-o para mais perto, mostrando o quão excitada estava. , sorrindo maliciosamente, levou os lábios vermelhos e levemente inchados até os da mulher, juntando-os sem delicadeza nenhuma. apenas retribuiu o beijo a altura, não queria delicadeza nem nada do tipo. Ela adorava toda aquela agressividade de , aliás.
— Diz que quer ir embora agora — ele murmurou assim que afastou seus lábios e descia as mãos lentamente para o sutiã de . — Diz que me odeia — ele levantou os olhos enquanto sorria maliciosamente.
— Cala a boca e termina o que começou — ela sussurrou.
riu baixo e tirou o sutiã dela de uma vez por todas, sentindo-se perdido por uns segundos ao encarar os seios fartos — os quais ele notou terem crescido um pouco mais, mesmo no escuro — de . Ele mordeu o lábio inferior por alguns segundos e acariciou a barriga de lentamente, fazendo-a suspirar. segurou-a firmemente por uma das coxas e, com a mão livre, tirou a outra de sua cintura, deixando ficar de pé. Ele sorriu e levou as mãos até a calça jeans que ela usava. Ela sabia o que ele queria e queria aquilo tanto quanto ele, senão mais.
— Gosto do seu corpo — ele sussurrou no ouvido dela, enquanto abaixava a calça dela. — Gosto de tocá-lo e ver o que eu provoco em você... — ele continuou, enquanto a ajudava a descer a calça de uma vez por todas. Àquela altura, já tinha se livrado das sandálias e, agora, encarava nos olhos, sem se importar se estava praticamente nua e ele ainda estava vestido, somente sem a camisa. — Você não vê o quanto me pertence, ? — ele sussurrou, forçando mais seus corpos. — Não percebe que pode fazer qualquer coisa para evitar ou negar isso que não irá adiantar? — Ele aproximou seus lábios e puxou o lábio inferior de entre os dentes, fazendo-a suspirar. — Me diz o nome de um homem que te fez sentir tantas coisas assim — Ele deu uma risada fraca e desceu os lábios para o pescoço e ombro dela, fazendo-a se arrepiar. — Aliás, existiu algum homem que te deu tanto prazer assim? — ele perguntou sorrindo maliciosamente, enquanto se abaixava devagar e levava os lábios por entre os seios e barriga dela, fazendo-a jogar a cabeça para trás. — Me diga, , você já teve alguém melhor que eu? — ele lhe lançou um olhar rápido, antes de prender a calcinha dela entra os dentes e descê-la de uma vez. A essa altura, já estava ajoelhado no chão e segurando-a pelas coxas firmemente.
— Não — ela respondeu, depois de alguns segundos apenas apreciando a respiração pesada de bater contra sua coxa direita.
— Foi o que pensei — ele respondeu depositando um beijo rápido na coxa dela, antes de subir os lábios na direção de sua intimidade.
sorriu ao notar que já levava as mãos trêmulas até sua nuca, ele sabia o quão excitada ela estava e o quanto ela ansiava por seus lábios tocando-a daquela forma íntima. Mas não podia negar que adorava torturá-la daquela forma. Sem enrolar mais, passou a língua por toda a intimidade de , fazendo-a soltar um suspiro alto e arrastado. Céus, como era bom enlouquecê-la! fizera isso mais algumas vezes, até deixar suas pernas vacilarem e implorar por mais entre sussurros. Sorrindo satisfeito e segurando-a pelas coxas, jogou uma das pernas de para seus ombros, fazendo-a ter mais apoio e parou de enrolar, abocanhando toda a intimidade da mulher de uma vez. Os movimentos eram ora rápidos, ora lentos, deixando-a tonta em meio a tanto prazer. gostava de ouvir os gemidos desesperados de , gostava de ver o que causava, era... Excitante.

You make me runaway,
You make me runaway,
You make me runaway, baby
You make me runaway,
(Você me faz fugir,
Você me faz fugir,
Você me faz fugir, baby
Você me faz fugir)


soltou um gemido mais alto ao sentir um dos dedos de penetrá-la devagar, e isso fez sorrir contra sua intimidade. continuou com aquilo por mais um tempo, enquanto se contorcia e gemia apoiada em seus ombros, fazendo-o fechar os olhos e deliciar-se com o prazer que proporcionava a ela.
afastou os lábios da intimidade de e acrescentou mais um dedo no interior da mulher, enquanto distribuía beijos e mordidas em uma das coxas dela enquanto a tirava de seu ombro para erguer o corpo devagar. Sem parar com os movimentos dos dedos no interior de , ficou completamente de pé, com os lábios colados na orelha dela.
— Goza para mim como das outras vezes — ele sussurrou sem se importar se as palavras eram sujas ou não. — Mostra a quem você pertence, — ele mordeu o lóbulo da orelha da mulher e a penetrou com mais rapidez enquanto acariciava seus clitóris com o polegar.
afundou as unhas nas costas de e soltou um gemido mais alto, enquanto seu corpo tremia levemente nos braços dele. movimentou os dedos mais algumas vezes, fazendo-a soltar um gemido baixo em seu ouvido. Sem a mínima vontade e a fim de vê-la enlouquecida, retirou os dedos da intimidade de e ergueu-os em frente ao rosto dela, enquanto a encarava nos olhos.
— E como da outra vez... — ele murmurou antes de levar os dedos até os lábios, fazendo estreitar os olhos e sustentar o olhar. limpou os dedos com a língua, como se aquilo fosse o ato mais prazeroso do mundo. E, bem, talvez fosse. o encarava com tanto desejo que ele não estava reconhecendo a mulher que tinha nos braços, mas gostou daquilo. Gostou de vê-la fora de controle, gostou de senti-la como não sentia há algum tempo, gostou de saber que ela se entregaria para ele a qualquer hora, gostou de saber que é único.
puxou-o pela nuca e juntou seus lábios em um beijo tão intenso quanto o outro, enquanto, com a mão livre, ajudava-o a abrir a calça jeans e abaixá-la de uma vez, levando a boxer — que ela não tentou nem quis tentar reconhecer a cor dessa vez — junto. sentia seu corpo queimar e implorar pelo de , seu membro pulsava em puro desejo. Implorava para penetrá-la de uma vez por todas. E isso era o que ele faria.
pegou impulso, sem separar seus lábios e envolveu a cintura de com as pernas novamente, podendo sentir o membro rígido dele tocar em sua intimidade. afastou seus lábios por uns segundos e respirou fundo, colando suas testas em seguida enquanto segurava-o com força pelos ombros.

Still I try to be good to you,
You'll always be my friend,
I need some time to define my mind,
I wanna be someone new,
(Ainda que eu tento ser bom para você,
Você sempre será minha amiga,
Eu preciso de algum tempo para definir a minha mente,
Eu quero ser alguém novo)


— Me faça sua como das outras vezes — ela pediu baixo. — Sem enrolar, sem torturas. Só me faça sua. Agora.
sentiu seu coração acelerar com aquelas palavras e não pensou em outra coisa senão obedecer. Ao penetrá-la de uma vez e ouvi-la gemer seu nome em seu ouvido, não teve certeza maior: era sua, apesar de tudo. Ela podia xingá-lo, jogá-lo na cadeia, dizer que o odeia; tudo. Mas ela era dele. Total e completamente dele; a hora que ele quisesse, quando ele quisesse, onde ele quisesse. pertencia a ele. De corpo, de alma, de coração. Por mais que negassem, isso já havia passado do estágio desejo ou paixão. Estava indo mais além. sabia disso, ele sentia também. Assumindo ou não, falando para ela enquanto estavam tendo esses momentos ou não, ele a pertencia também.
afundou o rosto no pescoço de e não se deu o trabalho de expulsar esses pensamentos para longe, apenas aumentou os movimentos e tentou mostrar, pelo menos assim, o quanto ela era importante para ele. Mesmo que esse não fosse o melhor jeito para mostrar isso, ele queria tentar. Sabia que ela sentiria e gostaria de tudo isso.
jogou a cabeça para trás e deixou com que os gemidos saíssem sem esforço algum. Céus! Como era bom sentir daquela forma! Como ela amava todas aquelas sensações, como ela adorava-o fora de controle, como ela amava ficar fora de controle! chocava seus corpos com força e o suor já escorria por sua nuca, mas ele não se importava. Apenas queria continuar. Sentir daquela forma íntima era a coisa que nunca enjoaria, talvez fosse o que ele mais gostasse de fazer. Era bom tê-la em seus braços, tocar seu corpo e descobrir seus pontos de prazer e arrepios, beijar seu pescoço e deixar marcas que ele sabia que somente ele deixava. Tudo aquilo o fazia bem, o deixava feliz. Mesmo ele não assumindo isso em voz alta, mas também não era necessário. Ela provavelmente já desconfiava de tudo aquilo. Ele não precisava falar.
apoiou uma das mãos na parede e forçou mais seus corpos, fazendo-a soltar um gemido mais arrastado e descer uma das pernas para o chão. sorriu com a lembrança que invadiu sua mente quando ela fizera isso e ela sorriu junto, mostrando que também lembrava daquilo.
— Você também pertence a mim, só não sabe disso ainda — ela sussurrou e estreitou os olhos, notando que ela jogaria tão sujo quanto ele, mas entre a gemidos. — Você não consegue me odiar, ou talvez odeie por me desejar tanto... — Ela mordeu o lábio inferior quando diminuiu os movimentos, maltratando-a. — Não me importo o quanto me torture, — Ela o encarou nos olhos. — Isso só melhora a situação e mostra o quão vulnerável você fica na minha presença — ela sorriu. — Você não vai conseguir se segurar — Ela se aproximou mais e deu um selinho provocante em , fazendo-o suspirar e penetrá-la com mais força novamente. — Viu só? — Ela fechou os olhos para aproveitar mais. — Mostre o que realmente consegue fazer, — Ela abriu os olhos e pôde jurar que os viu completamente em chamas, mas ele não estava tão diferente. — Mostre o quanto eu te pertenço e o quanto você me pertence. Mostre o que nenhum homem nunca me mostrou, me leve ao paraíso — ela sussurrou. — Eu sei que você consegue.
Aquilo bastou para fechar os olhos e penetrá-la com todo desejo que sentia. fechou os olhos e ignorou as leves dores que sentia enquanto batia na parede, soltando gemidos altos sem se importar se alguém apareceria ou se o assassino apareceria e tentaria matá-los. Se fosse para morrer daquela forma, morreriam. Mas morreriam felizes.

Still I try to be good to you,
You'll always be my friend,
I need some time to define my mind,
I wanna be someone new,
(Ainda que eu tento ser bom para você,
Você sempre será minha amiga,
Eu preciso de algum tempo para definir a minha mente,
Eu quero ser alguém novo)


aumentou mais — se possível — a velocidade das estocadas quando sentiu seu ponto máximo de aproximar, fazendo prender-se mais a ele e soltar mais alguns gemidos contra sua orelha. Céus! Como amavam aquelas sensações! Havia coisa melhor que aquilo? Para eles, não. Nem sequer existia nada em volta deles.
soltou um gemido mais alto e cravou as unhas nos ombros de enquanto fechava os olhos e jogava a cabeça para trás. segurou-a firmemente pela cintura e deixou um gemido rouco escapar do fundo de sua garganta ao sentir contraiu-se em seus braços. Aquilo fora o máximo para ele. Desistiu totalmente da ideia maluca de se segurar mais para continuar ali, não aguentaria. Movimentou-se mais algumas vezes dentro de e afundou o rosto do pescoço dela, atingindo o orgasmo. segurou-o pela nuca e suspirou em seguida, sentindo-o sair de dentro dela.
tinha a respiração tão pesada e acelerada quanto a de , os corações batiam igualmente acelerados. Os corpos estavam cansados, mas poderiam encarar tudo aquilo de novo que não se importariam com o cansaço.
— Eu acho que... — começou a falar, mas o parou, apoiando um dos dedos sobre os lábios dele.
— Não precisamos de palavras agora — ela murmurou, encarando-o nos olhos.
deu um sorriso fraco e segurou o rosto dela entre as mãos.
— Eu sei — ele sussurrou e se aproximou mais, juntando seus lábios novamente. segurou-o pela nuca e aprofundou o beijo, mas nada tão intenso quanto antes. Apenas um beijo calmo, como das outras vezes.


¹: Essa frase pertence a Voltaire, na época do Iluminismo.
²: Essa é uma música da série "A Hora do Pesadelo", com o nosso famoso Freddy Krueger. Não resisti e tive que colocar, eu tinha acabado de fazer uma maratona dos 7 filmes dessa série com meu irmão e vim escrever, por isso a encaixei (mas é claro que isso tem a ver com a fic também, hahahaha).
³: Música tema do filme 60 Segundos; Flower, do Moby.


Capítulo 28: Fracasso.



O pequeno garotinho de cabelos enroladinhos e claros corria pela sala com um grande sorriso no rosto. Era raro quando aquela pequena criança chorava ou sentia-se mal com alguma coisa. Mesmo não tendo um pai, diferente das outras crianças da idade, não se importava, só queria ser feliz. Para ele, sua mãe era algo muito melhor que qualquer pai. Às vezes, seu tio lhe dizia que seu pai o havia abandonado, mas nem por isso sentia-se rejeitado ou com ódio do homem que fizera isso. Tudo o que queria era brincar, se divertir, conhecer amiguinhos novos, rir com sua mãe e ouvir histórias antes de dormir. O ódio, de acordo com sua mãe, não dava em nada e ela sempre disse que seu pai era um homem bom. Ele só não sabia o que estava acontecendo, coisas de adultos que ele não precisava se preocupar no momento. Com um sorriso no rosto e não notando a tristeza da mãe ao falar sobre esse assunto, ele beijava-lhe o rosto e ia embora em seguida. Então, para que se preocupar com outras coisas além de correr e brincar para ser feliz com os amigos?
O garotinho parou de correr e soltou uma gargalhada ao ver a mãe parar e jogar-se no sofá, completamente cansada.
— Mas já se cansou, mamãe? — ele perguntou enquanto pulava no colo da mulher, fazendo-a abrir um sorriso calmo.
— Mamãe não está mais em condição de correr desse jeito! — ela exclamou enquanto prendia os cabelos longos em um coque frouxo. — E o senhor precisa de um banho!
— Mas ainda está cedo! — o menino resmungou. — Quero ir brincar.
— Está cedo, sim, mas está frio também, querido. Chega de brincadeiras — ela sorriu novamente e apertou pequeno. Céus! Como ela queria poder apertá-lo junto com o outro filho que fora obrigada a deixar para trás... — Vá para o banho, . Amanhã será um novo dia e poderá brincar tudo de novo, meu amor.
— Promete? — ele sorriu mostrando os pequenos dentinhos e levemente tortos.
— Prometo! — a mulher respondeu abrindo mais um sorriso para o garoto que logo saiu correndo em direção ao banheiro, como se fosse um super-herói.
A mulher deixou seu corpo descansar no sofá de um jeito mais a vontade e pensou nos últimos anos de sua vida. Poderia estar casada e com dois filhos, mas, graças a algum filho da puta, ela estava ali, sozinha, cuidando do filho e morando junto com seu irmão mais velho. Ela poderia estar com seus dois filhinhos nos braços, brincando, sorrindo e contando histórias à noite. Mas... Já que nem tudo é um conto de fadas, ela estava ali naquela vidinha de merda. Não que ela não gostasse de tudo o que vivia, pelo contrário. Só achava que poderia ser melhor. Aliás, seu pequeno precisava de uma mãe ao seu lado e seu pequeno precisava de um pai. Mesmo ambas as crianças fingindo não se importar por faltar um dos pais, se importavam. Era estranho para eles, com certeza, ver as outras crianças no parque acompanhado de um pai e uma mãe. Mesmo que algum ali não fosse de verdade, só de ser uma figura paterna ou materna fazia a criança mais feliz. Era lei. Crianças gostam de ter um pai e uma mãe, mesmo quando não são de verdade. O que importa é o sentimento, o amor. Mas, infelizmente, aqueles dois menininhos não teriam isso tudo.
Kate levantou-se do sofá ao ouvir o barulho de carro na parte da frente da casa e seguiu para o quarto do filho. Não queria encarar o irmão. Não queria encarar os olhos dele e notar que toda a desconfiança que sentia se confirmava ao fitá-los. Sabia que Robert, seu irmão, estava envolvido na sacanagem que fodera sua vida de uma vez por todas. E isso lhe dava ódio, muito ódio. Por mais que passasse para o filho que o ódio não levava a nada, sentia ódio do irmão. Ele não tinha o direito de acabar com sua vida daquela forma. Ele sabia disso! Havia prometido que a deixaria fazer as próprias escolhas e, quando ela faz a melhor escolha da sua vida, ele se mete. Acaba com tudo, deixando-a ali, naquele inferno, sem o marido que tanto amava, sem o filho mais velho que amava tanto quanto o pequeno . Céus, como doía! Qualquer mãe em sã consciência entenderia sua dor. Queria poder ter os dois filhos e o (ex) marido nos braços, poder sair aos domingos e comer pipoca nos parques, levar as crianças para observar o rio Tâmisa que agora era tão bonito. Queria aproveitar a vida. Mas aproveitar com a família reunida, e isso não incluía Robert. Mas ele não precisava ser convidado para se intrometer em sua vida. Fora isso que ele fizera, mais uma vez. Só que, agora, indo longe demais e fazendo-a separar-se de seu filho, que tinha apenas um aninho na época, mais velho enquanto carregava o mais novo na barriga. John ficaria tão feliz em saber que seria pai de novo. Mas Robert Castellamare não dera essa chance a ele. Nem a ela, sua própria irmã, ele dera a chance de contar para John e vê-lo sorrir e gritar da forma que fizera quando soube da gravidez de . Para que a felicidade deles quando se tem tanto dinheiro em jogo? De acordo com Castellamare, Kate e John não podiam nem iriam ficar juntos. Coisas de trabalho. Coisas que envolviam italianos esquisitos que Kate nem sequer sabia da existência nem por que diabos tinha a ver com o romance deles. Tudo bem, se conheceram na Itália alguns anos atrás, mas... Nada que pudesse fazê-los desistir de tudo. Não era algo daquela forma tão terrível que Castellamare costumava descrever.
Kate soltou um suspiro pesado e deixou seu corpo cair sobre a cama do filho. Queria ir embora, queria gritar e implorar o perdão de John, contar o que aconteceu e dizer que era seu filho. Mas sempre que tentava, Castellamare dizia que se ela tentasse novamente, John iria morrer. Se isso acontecesse, o que seria do pequeno ? O que seria dela? De que valeria a vida sem John ? Talvez, John estivesse a odiando com todas as forças, mas se ele soubesse metade do que ela estava sentindo por fazê-lo passar por tudo aquilo...
— Kate! — A voz de Castellamare berrou, fazendo-a sentar-se rapidamente na cama e secar as lágrimas que deixara cair.
— O que é?! — ela gritou de volta, enquanto levantava de uma vez e caminhava sem pressa até a porta do quarto.
— Foi atrás do John? — ele perguntou, direto.
— Para quê? — ela revirou os olhos. — Para você tentar matá-lo mesmo sabendo que meu filho precisa de cuidados?
— Seu filho está aqui — ele disse entre os dentes. — não é nada seu. Não mais. Ele acha que está morta, está crescendo ouvindo essa versão.
— Por que isso tudo, Robert? — ela perguntou cansada. — Você sabe que não tenho tanto tempo assim. Posso pelo menos morrer sabendo o que ronda meu filho?
— Você sabe o que está acontecendo, só não quer enxergar. — Castellamare encarou-a nos olhos. — Tudo o que faço é para o seu bem.
— Meu bem? — ela riu e revirou os olhos novamente. — Vá se foder! — elevou a voz. — Meu bem é o caralho! — ela gritou novamente, pouco se importando com os palavrões. ouviria os gritos e iria para outro cômodo qualquer. — Se fosse para o meu bem, você deixaria meu casamento em paz, eu estaria com meus dois filhos e o John antes dessa morte maldita que não chega.
— John tem parentesco com certas pessoas que...
— Você não pode contar? — ela o interrompeu e estreitou os olhos. — Deixe-me adivinhar por quê — Ela levantou as mãos, fazendo um sinal para que Castellamare se calasse. — Você não pode me contar porque acha que John tem parentesco com algum inimigo mafioso seu? — ela riu. — John tem parentes italianos, sim, tem. Mas nenhum é mafioso ou mau caráter como você! — Ela encarou o irmão com firmeza. — O John, que é o que realmente importa, pelo menos, não é dessas coisas. Ele é um homem honesto, um homem da lei! Um policial. Eu não poderia estar mais segura, Robert.
— Segura? — Robert riu. — Com aquele maldito? — ele murmurou entre os dentes. — Jamais. Você é minha irmã. Não vou deixá-la com aquele maldito.
— Estou morrendo — ela disse firme. — Acredite, não vou atrás de John pelos meus filhos. Meus meninos não merecem passar por uma coisa dessas por sua culpa. Mas nem pense em transformar algum dos meus filhos no monstro que você é, Robert. Nem pense — Ela aproximou-se. — Infelizmente, mamãe não irá durar para sempre também. Dói ver que estou indo antes dela e mal poderei educar o filho que me restou, mas, acredite, Robert, se você transformá-lo em um monstro quando mamãe também se for, eu volto nem que seja do inferno para me vingar de você e acabar com você — Ela engoliu seco, em puro nervosismo. — Meu filho não merece ficar com você e isso só vai acontecer porque você quer que aconteça. Não é porque Deus quer, ou porque eu quero. É porque você é um filho da puta egoísta que só pensa em si mesmo — Ela piscou algumas vezes para segurar as lágrimas e passou por Robert, sem se importar se seu ombro havia esbarrado no dele ou não.
Ainda naquele corredor, sentia seu coração apertado e acelerado ao mesmo tempo. Como assim morrendo? Sua mãe, sua protetora estava... Morrendo? Por que ela chamara o tio Castellamare de monstro? Por que ela estava falando de um outro menino que ele não conhecia? O que estava acontecendo ali que ele não podia saber?
O pequeno menino secou as finas lágrimas que rolaram pelo seu rosto e se levantou do chão, indo devagar até o quarto para se vestir. Era pequeno, mas já conseguia fazer aquilo sozinho. Sua mãe o chamava de homenzinho quando o via fazendo aquilo, ele dava uma careta para ela e ria em seguida. Quando ela usou o termo "morrendo", queria dizer que tudo isso iria acabar?
acabou de vestir o pijama azul que mais gostava e sentou-se na cama, esperando pela mãe. Ela sempre ia para o quarto do pequeno quando dava uma certa hora, ele tinha a paciência de esperar. Normalmente, ela levava o jantar para ele e depois que ele escovava os dentes, ela lia histórias até ele pegar no sono. Será que aquilo também iria acabar? Ele sentiria falta da mãe se ela realmente morresse.
não esperou por muito tempo. Logo, Kate, sua mãe, adentrou o quarto com um grande sorriso no rosto. O menino não conseguiu deixar de retribuir e se ajeitou na cama, sentando com a postura que ela ensinara.
— Trouxe o jantar — Ela se sentou na ponta da cama enquanto o menino terminava de se preparar.
— Mamãe, posso te fazer uma pergunta? — ele perguntou enquanto mastigava a comida que a mãe dava em sua boca.
— Pode sim, meu amor, claro que pode! — ela sorriu e levou o garfo até a boca do pequeno mais uma vez.
Após alguns segundos, encheu os pulmões de ar e encarou a mãe nos olhos.
— Por que disse ao tio Castellamare que estava morrendo? — ele perguntou de uma vez, fazendo a mulher congelar e engolir a seco. — Por que, mamãe? Você vai morrer? Vai me deixar? Eu não posso ir com você?
— O que eu falei sobre ouvir conversas de adulto? — Kate perguntou baixo, deixando o prato de comida de lado.
O garotinho fitou a cama, em silêncio.
— Desculpe. Mas não deu para não ouvir — ele encarou a mãe mais uma vez e se aproximou da mulher, segurando-a pelo rosto. — O que aconteceu, mamãe? — ele perguntou de forma séria, porém comovente, fazendo os olhos de Kate encherem-se de lágrimas.
— Ah, ... — ela suspirou, puxando o pequeno para um abraço apertado. — Daqui a um tempo a mamãe vai embora para sempre. Me desculpe por isso, meu amor.
— Vai ficar tudo bem, mamãe — ela sorriu. — Não é assim que vocês falam?
— Dessa vez não vai, meu anjo. Você precisa ser forte quando a mamãe se for, tudo bem? — Ela o encarou e deixou as lágrimas caírem aos poucos. — Promete para mamãe que você vai se cuidar e vai obedecer ao seu tio e à sua avó, mas sem deixar de ser o que você realmente é?
— Prometo o que você quiser — ele sorriu e se sentou no colo da mulher, virando-se para ela. — É só você prometer que nunca mais vai chorar.
Alguns anos se passaram desde aquele dia. já tinha seus treze anos completos e ia à escola todos os dias, estudava, era um bom aluno. Tinha amigos, algumas namoradinhas, coisas normais. Mas sua mãe fazia falta, sua avó também. Só quem lhe restara fora Robert Castellamare. não se orgulhava daquilo, mas o que faria? Só tinha o tio e mais ninguém. Por mais que não fosse a vontade de sua mãe, ele era obrigado a obedecer Robert, era obrigado a fazer exatamente tudo o que ele fazia. Mesmo novo, aos treze anos, já fazia coisa de gente grande. Perdera o resto da infância estudando para entrar em uma escola boa e um ano adiantado. Castellamare nunca explicara o porquê, exatamente. Sempre alegava que era o melhor para ele, que ele deveria estudar cada vez mais e seguir seus sonhos. Foi aí que ele conheceu . Seu melhor amigo desde então. Era uma amizade inocente até Castellamare se meter entre os dois e começar a mandar fazer certas coisas. Mas ele, inocentemente, fazia. Coisas pequenas como saber mais sobre a vida de sem contar a sua, arrancar deles certos — tipos — segredos e tudo o mais. nunca se importou e respondia normalmente. Confiava em como nunca confiara em ninguém. Eram amigos. Não, mais que isso! Para ele, eram irmãos. Cresceram moralmente juntos, pegaram as primeiras garotas mais velhas juntos, fumaram o primeiro cigarro juntos, beberam a primeira garrafa de cerveja juntos. Mesmo sabendo que o que fazia era errado, aceitava todas aquelas coisas porque, de acordo com Castellamare, não podia se afastar de e precisava conseguir mais a confiança dele. Para , obviamente, não era sacrifício nenhum manter aquela amizade. A amizade deles era... Natural. Fácil. Feliz. Normal.
Estavam sentados no pátio da escola. Agora, aos dezesseis. , com seu típico cabelo enrolado e pele extremamente branca, com o rosto levemente corado pelo — fraco — sol que fazia naquele início de tarde. , num estilo não muito diferente, tinha os cabelos bagunçados — porém mais claros que os de — e tão enrolados quanto os do outro rapaz. Muitas vezes já ouviram "Céus! Vocês são irmãos!" das pessoas, sempre riam e explicavam que não eram, mas se consideravam.
se virou para sorrindo e disse:
— Tem uma festa para irmos hoje, o que acha de ir lá para casa?
— Temos prova semana que vem, que tal estudarmos? — respondeu sorrindo de canto e revirou os olhos.
— Hoje é sexta, — o rapaz murmurou enquanto jogava a cabeça para trás. Odiava quando dava seus ataques nerd, ele sempre cedia e acabava indo estudar também.
— Vamos começar no domingo. Lembra que você estava com dúvida nas coisas bobas de Biologia? — o mais novo murmurou e o amigo riu. Era verdade.
— Esqueci desse pequeno fato. Começamos no domingo, então — disse firme, enquanto sorria para alguma menina que passava por eles. não era muito de sair pegando todas, pelo menos não em época de prova. Mas eram igualmente disputados pelas garotas, era até divertido. Não que gostassem da popularidade que tinham, porque era irritante. Mas era divertido em certos momentos.
— Seu pai vai me buscar ou é melhor eu ir para sua casa? — perguntou e deu de ombros.
— Tanto faz. Acho que tenho que ir encontrá-lo no prédio hoje. Vejo com ele lá.
— Faça isso e ligue — piscou um dos olhos. — Agora vou para a aula.
— Boa sorte, tenho tempo vago — disse sorrindo e jogando-se na grama novamente.
— Obrigado, vou precisar. Tenho Química — bufou e jogou a mochila sobre o ombro. — Não esquece de falar com seu pai sobre o estágio também.
— Não vou esquecer — fez o típico "joinha" na mão e acenou para o amigo, indo para a aula em seguida.
não fora direto para a sala de química. Fora para o banheiro e trancou-se em uma das cabines, sentindo-se um idiota, um animal, um traidor. No dia anterior, tivera uma briga com Castellamare e o fizera contar tudo o que estava acontecendo desde a morte de sua mãe. E, obviamente, não gostara nem um pouco do que descobrira. Era melhor ter continuado sem saber. Seria... Melhor. Menos agonizante, quem sabe?
era seu irmão de verdade. Mas o pai deles preferiu ficar só com o mais velho, largando sua mãe naquele maldito inferno que era a casa de Castellamare. Bem, não sabia ao certo o que pensar, nem sabia se isso realmente havia acontecido, tinha vagas lembranças de sua mãe dizendo que seu pai era um homem maravilhoso, mas Castellamare insistia no contrário. não sabia nem entendia por quê. Mas... Estava confuso demais para começar a pensar nesse tipo de coisa e decidir em que lado jogar. Gostava de . Eram bons amigos. Seria ótimo contar a ele que eram irmãos e provar isso logo em seguida, também ficaria feliz!
Mais alguns anos se passaram e continuava escondendo aquilo. Guardava o ódio dentro de si. Aprendera a odiar todas aquelas pessoas, inclusive . Por mais que ele não quisesse, estava criando ódio pelo melhor amigo. Por culpa de Castellamare, sim. Tudo culpa daquele maldito velho! Ele podia ter uma família. Ou pelo menos parte dela, já que sua mãe ficara doente. Era revoltante. O que mais revoltava era John fingir que não sabia que tinha mais um filho e não fazer nem ideia daquilo. Bem, não tinha certeza se tudo era fingimento, mas Castellamare afirmava que sim. Com o tempo, fora aprendendo a acreditar em Castellamare, nas pequenas coisas, apenas. Não queria, mas as coisas que ele dizia faziam sentido.
O tempo fora passando. O ódio de apenas cresceu. Bem, o resultado todo mundo sabe: ele se tornou tudo aquilo que sua mãe mais temia. Com tanto ódio dentro de si, tantas mágoas e medos, se tornou o mesmo monstro que Castellamare. Talvez pior. Vingança era tudo o que ele pensava e queria. Por influência do maldito velho Robert Castellamare.
Ah, se Kate pudesse voltar para esse mundo e fazer de seu filho uma pessoa melhor... Ela o faria com o maior carinho, dando-lhe todo o amor de sempre e contando-lhe toda a verdade.
deixou as lembranças de lado e abriu os olhos de uma vez, sentindo a água bater contra seu corpo — já com a pele avermelhada — com força novamente. Por quanto tempo ele ficou desligado? Odiava essas crises. Normalmente, saía do banho com dor de cabeça e completamente arrependido. Às vezes, arrependia-se a ponto de pensar em desistir e contar tudo a , mesmo sabendo que a reação dele não seria boa. Com toda certeza do mundo, eles cairiam na porrada e tentariam se matar até a ficha cair. No final, ririam e se abraçariam em meio a gritos e lágrimas de emoção. Mas, claro, nem tudo é colorido e feliz desse jeito. Se desse um passo para fora de casa com esse pensamento, morreria. Castellamare era capaz de mandar matá-lo se ele desistisse de tudo. Entre morrer e continuar naquilo para poder viver mais, preferia não desistir e continuar. Ainda sentia aquele ódio desgraçado correr por suas veias. Não tinha culpa, oras! Castellamare o tornara aquilo tudo. Infelizmente, ele não conseguia parar de ser assim e o pensamento sobre desistir e contar tudo a sumia após dois segundos junto com o arrependimento.
não desistia nem se arrependia. Aquela era sua máscara, aquela era sua verdade. Ele era um monstro e, assim como Castellamare, não tinha medo de assumir. Não era como , que tentava se esconder. Por mais estranho que isso soasse, Crowley não estava completamente errado quando entregou tudo aquilo à e sabia. Por isso, não mexeu um dedinho sequer para ajudar como Emma fizera ao ficar informada sobre o que estava acontecendo. seria investigado, ótimo. Antes do que o próprio .
Após se vestir, desceu as escadas da casa rapidamente e deu de cara com Lucy e Castellamare.
— O que houve com você, Lucy? — ele perguntou debochadamente e a mulher respirou fundo, tentando ignorá-lo. — Foi baleada? Oras, está aprendendo com a como se foder no meio do trabalho?
— Cale a maldita boca, — ela murmurou enquanto Castellamare voltava a mexer no braço dela.
deu uma risada fraca e fez um sinal para Castellamare sair. O velho, com um sorriso debochado no canto dos lábios, levantou-se e saiu.
— Não me mande calar a boca quando a idiota é você — deu de ombros e puxou Lucy para mais perto dele, fazendo-a soltar um gemido de dor.
— Eu estou baleada — ela murmurou com os olhos marejados. — Eu realmente não sabia onde estava com a cabeça ao topar a invadir aquele maldito prédio com vocês. Eu sou uma mulher, porra! Eu quase perdi para o ! Você tem noção disso? — ela perguntou alto, ignorando se Castellamare iria ouvir ou não. — E o filho da puta do Jack? Ele é um animal, não sabe trabalhar, !
— Pode parar de reclamar por um minuto? Será que você consegue? Só até eu dar um jeito nesse seu machucado, por favor — revirou os olhos e voltou a fazer o que Castellamare fazia antes: o curativo.
— Por que você está assim? — Lucy perguntou baixo tentando ignorar a dor que sentia no braço – e a do coração também, ver naquele estado não era fácil para ela.
— Assim como? — ele perguntou, encarando-a nos olhos por uns segundos.
— Tão idiota — ela respondeu enquanto encolhia levemente os ombros e desviava o olhar.
— Eu sempre fui um idiota — ele riu baixo e voltou a atenção para o braço baleado de Lucy.
... — ela chamou e puxou o braço para trás, enquanto com a mão livre puxava o rosto de em sua direção — O que aconteceu?
— Nada, eu já disse — ele respondeu e tentou puxar o braço dela de volta, mas Lucy fora mais rápida e afastou o braço.
— Você está arrependido, não é? — ela perguntou baixo, enquanto encarava os olhos dele. — Não digo pelo . Mas pelo John. Você quer vingar tudo o que aconteceu, tudo bem. Mas não queria ter visto seu...
— Não termine a frase — ele a cortou calmamente. — Não me arrependo de nada do que fiz. Então, por favor, pare com isso.
— Por que você...
— Eu já mandei parar! — a cortou com um grito, fazendo-a estremecer levemente e engolir a seco. — Esquece tudo o que você sabe e procura um hospital, cansei de você e suas perguntas idiotas!
— Então é assim que você trata quem diz que ama? — ela perguntou baixo, sentindo as lágrimas brotarem em seus olhos. — É assim que você quer que eu continue do seu lado? Agindo como o filho da puta do Crowley que deve estar queimando no quinto dos infernos agora?
— Me compare com o Crowley de novo e você vai queimar junto com ele. — disse firme enquanto encarava a ruiva nos olhos.
Lucy piscou algumas vezes e, com isso, sem querer, deixou algumas lágrimas rolarem. Secou-as rapidamente e se levantou.
— Sai dessa vida porque ela não faz bem para você — ela murmurou, encarando-o nos olhos. — Se você soubesse o quanto dói ver você assim, ... — ela fez uma pausa para respirar fundo enquanto balançava a cabeça negativamente. — Não importa, não é? Você já se tornou uma mistura do Crowley com o Castellamare e mais os seus amiguinhos de merda — ela deu uma risada fraca. — Como é que eu pude me apaixonar por você?
— Vai ver você tem queda por bandidos idiotas. Afinal, você não dava para o Crowley? — ele perguntou com um sorriso debochado nos lábios e Lucy engoliu a seco, sentindo as lágrimas e o ódio virem com mais força.
Em dois passos largos e rápidos, Lucy já estava de frente para novamente. Encarando-o nos olhos, ela ergueu uma das mãos e deixou-a bater com toda sua força no rosto de , fazendo um alto barulho na sala.
— Nunca sequer toquei no Crowley, se quer saber — ela disse firme. — Não sou esse tipo de mulher e você sabe. Mas eu esqueço do fato que você é influenciável a ponto de acreditar no Crowley quando ele disse que eu dormi com ele. Afinal, você não se deixou levar pelo Castellamare a vida inteira? Não é por isso que está aqui? — ela riu fraco. — Pois é, . Continue assim, a criação de Castellamare está de parabéns. Ele conseguiu o monstro que queria.
— Você vai se arrepender do que fez — ele apontou para o rosto, rindo em puro nervosismo. Não queria dizer nem fazer aquelas coisas com Lucy. Oras, ele a amava! Amava demais! Céus, como era idiota! Até na maneira de amar ele parecia os idiotas do e John! — Some daqui.
— Não precisa falar de novo — Ela o encarou nos olhos novamente, ignorando as lágrimas que agora caíam livremente por seu rosto. — Só não venha atrás de mim. Acabou, . Dessa vez é de verdade.
— Isso havia pelo menos começado, Lucy? — ele perguntou baixo, finalmente mostrando o quão afetado estava.
— Para mim, sim — ela respondeu calmamente. — Agora, bom, vou procurar um médico, porque esse meu braço não pode ficar assim e eu preciso de uma desculpa para dar ao Charlie — ela deu de ombros. — Aproveite o seu fracasso.
não respondeu. Apenas encarou a porta sendo fechada após a sua garota passar por ela. O que ele havia feito, afinal? Por que acabara com tudo? Por que sempre acabava com tudo?
Deixou seu corpo cair sobre o sofá e apoiou os braços nos joelhos, apoiando o rosto nas mãos e respirando fundo. O que diabos aconteceu? Por que ficaram tão distantes? Agora, mais do que nunca, sentia vontade de sair atrás dela e gritar para todos ouvirem que ele a amava com todo o coração, que queria passar o resto da vida com ela e que era um idiota. Mas... Mas... Só vontade. Coragem ele não tinha. E o orgulho estava ali, também. Infelizmente.
— Vai atrás dela. — A voz de Jesse preencheu a sala e soltou uma risada fraca, passando as mãos pelo rosto.
— Por que eu iria atrás dela? — ele perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— Porque você a ama, — Jesse disse firme, não que fosse certo dar aquele conselho para , já que ele estava ali para ferrá-lo. — Eu sei como é perder alguém por orgulho e, acredite, não é nada bom.
— Tenho coisas mais importantes para fazer — deu de ombros e se levantou. — Aliás, quem dá as ordens por aqui sou eu, Jesse.
— Sim, eu sei — Ele encarou o mais novo. — Só estou dizendo para você fazer pelo menos uma coisa certa na vida. Sua mãe gostaria de te ver feliz com uma mulher como a Lucy, por mais que ela faça coisas erradas às vezes. Como dessa vez. Ela não teve culpa de ter ido atrás dela.
— Não vou atrás dela — disse firme e se virou em direção as escadas.
— Depois não reclame porque perdeu, .
Ao ouvir aquela frase, parou e respirou fundo. Por mais que amasse Lucy, era até bom que ela se afastasse dele e fosse embora de vez. Não suportaria ver sua garota morrer por sua causa ou morrer na frente dela. Mas só de pensar na hipótese dela estar com outro... Céus, seu sangue fervia!
— Eu não vou perdê-la, tá legal? — ele encarou Jesse. — Lucy é minha. Para sempre, Jesse. Não importa quantas brigas nós temos.
— Talvez isso passe a importar agora...
— Está querendo me botar contra ela? — perguntou estreitando os olhos.
— Por que eu tentaria isso? — Jesse riu. — Só estou tentando abrir seus olhos. Tem homens por aí que não deixariam uma mulher como a Lucy do jeito que você deixou. Por mais que ela te pertença.
— Tipo você?
Jesse riu e respondeu em seguida:
— Já tenho a minha, . Eu, pelo menos, não preciso da Lucy. Já você... — ele deixou a frase no ar e deu de ombros, saindo da sala em seguida.

***


respirou fundo ao se encolher embaixo das cobertas em sua cama quentinha. Estava feliz por estar viva, por estar em casa, por estar com o seu bebê. Sentia-se leve e se pegava sorrindo para o nada de minuto em minuto. Talvez isso fosse culpa de . Talvez fosse culpa dos olhos e das palavras dele, ou talvez culpa do coração acelerado dele batendo contra o dela... Ah, como ela sentia-se bem ao lado daquele homem! Ele sendo o assassino ou o mocinho da história, não importava. Ela sentia-se bem em seus braços, sentia-se bem com seus lábios juntos, sentia-se bem simplesmente por saber que ele estava respirando livremente por aí. estava se tornando mais importante do que ela queria. Mas que culpa ela tinha se ele conseguia ser imperfeitamente perfeito? Um suspiro escapou do fundo de sua garganta ao se lembrar do que vivera com . As sensações e palavras ainda estavam frescas em sua cabeça. Assim como os beijos e os toques, o calor que ele lhe causava, tudo. Gostava daquele . Gostava de vê-lo vulnerável e falando sobre sentimentos, mesmo que timidamente como quando ele falara sobre Elizabeth. Porém, gostava ainda mais quando ele demonstrava tais sentimentos. Não por Elizabeth, mas sim por ela. Gostava de ver o quanto os olhos dele brilhavam, mesmo que tentasse esconder. Às vezes, se sentia culpada também. Não era certo esconder de o fato dela estar grávida e tudo indicar o filho ser dele. Mas... Ela nem sequer tinha certeza de que essa criança fosse nascer, os tratamentos que fizera durante um tempo não deram certo. Nenhum. Isso a deixava ainda mais sem esperanças, não precisava saber nem acompanhar o sofrimento dela. Ou talvez ele simplesmente a largasse, por mais que eles não tenham nada firme. Talvez isso tudo fosse só atração e até fosse melhor que essa criança não viesse.
— Mas o que diabos estou pensando? — murmurou para si mesma enquanto encarava o teto do quarto. — O que tenho na cabeça para pensar assim de você, meu amor? — ela perguntou novamente, dando um sorriso fraco e pousando a mão sobre a barriga, acariciando o local devagar. — Você pode não chegar, mas a mamãe te ama muito, viu? — ela finalizou, sentindo-se idiota por uns segundos. Sendo idiota ou não, isso não impediu seus olhos de marejarem e seu coração de acelerar. Queria o bebê. Queria mais que qualquer coisa. Era sua terceira gravidez e, ao que tudo indicava, não daria certo também. Por mais que soe estranho por ela ser nova, sim, essa era a terceira gravidez. A primeira, quando ela descobriu o problema, veio aos dezenove. Cedo, sim. Mas fora por um descuido e ela ficara completamente desesperada, ainda estava no segundo ano da faculdade e grávida. O que faria? Por fim, procurou um médico e tentou tratar da gravidez. No final de tudo, acabou perdendo o bebê. De repente. Voltara ao médico e ele dissera o seu problema. Três anos depois, novamente por acidente, engravidou. Do mesmo cara. Dessa vez, ele a largou, simplesmente a abandonou, jogou para o alto todas as promessas e juras de amor e foi embora, deixando-a inconsolável. Bem, o resultado disso todos nós sabemos: ela não conseguiu segurar o bebê. Agora... Bem, agora ela estava na mesma situação. Mas com a diferença que, agora, o pai da criança não sabia de nada. Absolutamente nada. Nem dos problemas dela, nem da gravidez, nem do que ela realmente sente por ele.
afastou todos os pensamentos e lembranças quando sentiu algo estranho; e não era um mal-estar dessa vez. Era algo... Estranho, simplesmente estranho. Sentou-se na cama no mesmo momento em que notou o que poderia ser. Deixou sua boca se abrir em total surpresa e seu coração acelerou automaticamente, fazendo lágrimas brotarem no canto de seus olhos. Não... Não podia ser!
Piscando os olhos algumas vezes e sentindo as lágrimas caírem devagar, murmurou:
— Vamos lá, meu amor... Faz de novo para a mamãe — ela mordeu o lábio e fechou os olhos, sentindo o bebê lhe dar mais um chute de leve. Céus, ela estava explodindo em felicidade! Aquilo nunca acontecera antes!
Após alguns segundos tentando acreditar que aquilo realmente aconteceu, se levantou e correu até o telefone e, com as mãos trêmulas, digitou o número já conhecido. Uns segundos depois, uma voz atendeu:
Alô?
— Emma! Sou eu, — ela disse sorrindo e andando de um lado para o outro. — Desculpe ligar agora, mas é que eu preciso contar uma coisa e...
Primeiro se acalme! — Emma deu uma risada do outro lado da linha. — Respire fundo e me diga o que houve. Por que está tão feliz assim?
— O bebê mexeu, Emma — murmurou, jogando-se no sofá e roendo uma das unhas. — Isso nunca aconteceu antes.
O quê?! — Emma perguntou alto e pôde jurar que ela sorriu. — Isso é ótimo, ! Mais um motivo para você contar a ele toda a verdade e...
— Emma! — a cortou. — Por favor, não te contei toda a história para você me lembrar de contar isso ao ... — ela suspirou. — Eu nem sei o que está acontecendo e...
Vamos ao médico, eu te acompanho desta vez! Por favor! Faça uma ultra e a gente vai ter certeza do que está acontecendo. Não desista dessa criança, não desista de você mesma! — Emma suspirou. — Tudo bem, o não precisa saber agora.
— Eu não vou desistir do meu bebê, Emma — mordeu o lábio inferior. — Eu nunca desisti. Eu só... Enfim, não importa. Você vai mesmo comigo dessa vez?
Eu te indiquei o médico, eu te ajudei naquele banheiro, é óbvio que vou, ! — Emma riu baixo. — Você não está mais sozinha, garota. Entenda isso.
— Obrigada, Emma — suspirou e segurou as lágrimas. — Agora eu entendo por que o gosta tanto de você.
Emma soltou uma risada baixa e suspirou em seguida.
Nicholas está me chamando, . Nos falamos amanhã?
— Sim, amanhã — sorriu automaticamente ao sentir algo se movimentar em sua barriga. — Ele mexeu de novo, Emma...
Aw! Espero que ele mexa quando nos encontrarmos...
riu de Emma e balançou a cabeça negativamente.
— Obrigada, Emma. Por tudo.
Por nada! Já sabe quem procurar quando precisar, certo?
— Certo! — deu mais uma risada e se despediu de Emma, desligando o telefone em seguida.
Estava radiante e... Com uma pontinha maior de esperança. Quem sabe não estava tudo começando a ficar bem agora?

***


deixou seu corpo cair sobre o sofá e tentou ignorar o fato de que escutou Emma dizer seu nome enquanto estava no telefone com . Mas... Era difícil ignorar aquilo. Por que diabos ligara para Emma àquela hora? Por que falara sobre ele? Era estranho. Tenso, talvez.
Emma se jogou no sofá ao lado dele após ver o que Nicholas queria.
— O que houve? — perguntou como quem não quer nada e sem encarar a amiga, mas sabia que ela estava sorrindo. — Você está... Radiante.
— Nada demais — Emma deu de ombros. — Só estou feliz. Mesmo depois do pequeno atentado que sofremos.
— Além da dificuldade que foi também conseguir tirar todo mundo de lá... — murmurou e se virou devagar para Emma. — Você está feliz.
— Você também deveria estar! — Emma disse dando uma risada e arqueou uma das sobrancelhas. — Ou acha que a história de que a caiu e rasgou a roupa colou comigo?
riu e balançou a cabeça negativamente.
— Ela provocou — ele murmurou dando de ombros.
— Espera. — Emma parou e deu um sorriso para . — Você está assumindo que vocês... — Ela fez gestos com as mãos e riu, jogando a cabeça para trás.
— Por que eu esconderia de você? — ele perguntou enquanto encarava Emma. — Sério, você já sabia e desconfiava que isso ia acontecer de novo e...
— Precisava ser desse jeito? — Emma riu. — Vocês são loucos!
— Desse jeito como? — arqueou uma das sobrancelhas de novo.
— Desse jeito — ela deu de ombros. — No meio de um... Atentado.
— Não foi no meio do atentado! — ele riu. — Foi depois. Eu mandei-a ficar no laboratório, ela não me obedeceu e foi atrás de mim quando eu desci pra ajeitar as luzes...
— Por isso você demorou para caralho! — Emma exclamou enquanto dava um tapa no ombro do amigo. — Retardados! Não acredito... Meu Deus, ! Sua criatividade para pegar mulher me comove.
— Sua amiguinha não reclamou de nenhuma delas... — ele murmurou dando um sorriso malicioso e Emma gargalhou.
— Você é um idiota. Um idiota que está gostando de outra jornalista... — Emma suspirou e a encarou.
— Emma, não vamos começar com isso, tudo bem? — ele pediu enquanto procurava os olhos da amiga.
— Tudo bem. Só que... — ela parou de falar ao notar que falaria besteiras e continuou a encarando. — Esquece, eu não tenho nada com isso. Só acho que vocês deveriam se resolver, sabe? Vocês parecem se gostar, sei lá...
— A gente não dá certo juntos — suspirou. — Não vamos falar sobre isso de novo, Emma. A gente só não briga quando... Você sabe — ele encarou o chão. — Na verdade — ele encarou Emma novamente —, até nessas horas a gente discute, se tortura. Não daria certo de qualquer forma, eu não me dou bem com jornalistas.
— Não depois da Elizabeth — Emma foi firme. — Sai dessa, . é outra pessoa e sente o mesmo que você.
— O que eu sinto, Emma? — ele perguntou sério e um pouco mais alto do que queria. — Você fala tanto desse jeito que eu fico confuso. O que diabos eu sinto por essa mulher para você falar desse jeito?
— Me diga você, : o que sente por ela? — Emma rebateu. — Não venha dizer que isso é só desejo antigo porque você sempre teve uma queda por ela. Eu sei que não é isso. Não é mais nada disso, ! Eu só quero que vocês enxerguem. O quanto antes você notar isso, melhor...
— Eu não sinto nada além de atração por ela, Emma — ele disse firme.
— Então olha nos meus olhos e diz que você não sente nada pela , que a Elizabeth é o amor da sua vida e tudo o que você sempre quis e quer — Emma pediu, fitando-o profundamente nos olhos. — Vamos, !
não respondeu, apenas abaixou a cabeça e balançou-a negativamente. A quem ele queria enganar, afinal? O que sentia por estava ultrapassando o que sentia por Elizabeth. Elizabeth era passado agora. Não importava mais. Não tanto quanto importava.
— Isso não vai dar certo, Emma — murmurou engolindo a seco. — Eu posso sentir qualquer coisa por ela. Mas...
— Não seja covarde só por que se magoou com outra pessoa — Emma o interrompeu e suspirou em seguida. Céus, só ela sabia o que estava acontecendo e não podia simplesmente contar a verdade!
— Não vou investir na , se é o que você quer — fitou o chão novamente. — Aliás, você não é a primeira pessoa que me manda ir atrás dela.
— Não sou? — Emma perguntou e deu de ombros. — Tudo bem, não importa. Mas por que não, ?
— Você não quer que eu simplesmente esqueça tudo o que ela já disse de mim, não é? — ele riu baixo. — Emma, ela está me incriminando. Ela quer me jogar na cadeia.
— Você sabe que isso não vai acontecer, . Pare de arrumar desculpas e...
— Não são desculpas, são verdades — ele encarou a amiga e suspirou. — Eu não sei o que tem nas coisas que ela deu a vocês, não faço nem ideia. Mas acredito que há coisas que são verdades. Minha carreira vai acabar assim que Charlie decidir investigar isso de verdade. Você sabe que o Charlie age como ela; por impulso.
— Mas a gente sabe que você não fez nada daquilo — Emma disse convicta. — Não seja idiota. Não use isso como desculpa para jogar fora o que sente por ela.
— Não é jogar fora! — exclamou e bagunçou os cabelos. — Não é esconder, não é jogar fora, não é negar. É ser realista, é entender, é analisar os fatos, Emma. Nós não damos certos juntos, nem sequer temos confiança um no outro. Tudo isso é puro... Tesão — ele cuspiu a palavra revirando os olhos. — Ela quer me prender e, às vezes, transar comigo. Vou agir da mesma forma.
— Ah, nossa, que divertido! Vão ficar brincando disso até quando? — Emma perguntou, se levantando. — Até acontecer alguma merda? Alguém pegar vocês de novo? Até sair nas revistas de novo? Não seja tolo, !
— Não estou sendo tolo! — ele disse alto. — Talvez ela esteja sendo tola! Já parou para pensar nisso?
— Já, já pensei sim. Mas você está sendo ainda mais tolo por acreditar nessa sua teoria maluca! O Charlie jamais iria agir por impulso quando o assunto é você — Emma sentou-se na mesa de centro, de frente para . — Pare de pensar desse jeito.
— Emma... — Ele fechou os olhos e suspirou. — Você não parou para pensar ainda que pode conter verdades naqueles documentos? — Ele abriu os olhos e encarou a amiga. — Eu matei o Crowley. Nunca parou para pensar no real motivo disso?
— Eu não preciso, — ela suspirou. — Você não é um assassino. Tudo o que quer é vingar seu pai, todo mundo que morreu por sua causa eram pessoas más. Pessoas que mereciam morrer e que ninguém tinha coragem de matar.
— Não me orgulho de nada disso — ele engoliu a seco. — Continuo querendo vingança porque não tenho como voltar atrás e apagar todas as mortes.
— Não tenta me fazer acreditar que você é culpado, — Emma pediu baixo, sentindo seus olhos marejarem. Ouvir aquelas coisas de apenas lhe dava ainda mais vontade de contar sobre a gravidez de . Sabia que pararia com a palhaçada e iria atrás dela. Aí eles se encontrariam, gritariam e se beijariam de felicidade. Assim como nos filmes de romance.
deu de ombros e se levantou. Não gostava de ter assuntos tensos com Emma daquela forma. Sentia-se culpado por esconder tantas coisas, culpado por ser um idiota com ela às vezes, culpado por não ser o exemplo certo para Nicholas como sempre quisera e tentara ser, culpado por tudo. Ele não era bom com sentimentos e sabia daquilo. Mas quando parava para pensar e analisá-los, afundava em pura culpa e medo; feito uma criancinha indefesa. Realmente, ele era uma criancinha medrosa! Onde já se viu desistir de tudo o que sente por causa de uma insegurança? Um medo? Céus! Ele sabia o que sentia por , sabia que deveria contar a Emma sobre Jesse e Eric, mas... Simplesmente não conseguia. Ele gritava e morria em silêncio. Era algo que nem mesmo Emma conseguia perceber. Tantas culpas, tantos medos, tantas mágoas, tantos desespero... Ah, como ele adoraria ter coragem e ser forte o suficiente para contar tudo isso! Iria se sentir tão melhor.
suspirou e se sentou no sofá novamente, com um único pensamento pairando por sua cabeça tão confusa e perdida: precisava de um motivo. Um único motivo — mais forte, mais verdadeiro — para desistir de toda essa loucura e correr atrás de provas para provar sua inocência. Um único motivo.
Encarou Emma nos olhos e suspirou novamente. Em seguida, disse:
— Um motivo, Emma. É tudo o que eu peço. Um motivo e eu largo tudo por ela.
Emma deixou seus lábios repuxarem em um sorriso torto. Sustentou o olhar de e, ali, naquele momento, ela sentiu que era a hora certa, o momento certo para contar toda a verdade. precisava e iria saber. Aquele era o motivo certo para ele largar tudo e ir atrás de e sua inocência.
Emma respirou fundo, segurou as mãos de e disse firme:
— Ela está grávida.


Capítulo 29: Pull me in

(Coloquem para carregar: Música 1, música 2, Música 3, música 4 e música 5)

O dia já estava amanhecendo, ainda sentia seu coração na garganta e o estômago afundar. O que diabos faria da vida agora? Prometera a Emma que com apenas um motivo largaria tudo e iria atrás de , mas não esperava como movito uma... Gravidez. Céus! Ele engravidou a mulher que jurou ódio e distância para o resto da vida. Não sabia se ficava feliz, chocado, desesperado, triste... Nem sequer conseguira se acalmar, imagine descobrir o que estava sentindo naquele momento!
Um suspiro alto escapou de seus lábios e ele fechou os olhos novamente, tentando pegar no sono por pelo menos uma hora. Precisava daquele sono, precisava ter um pouco de paz. Só um pouquinho, o suficiente para clarear sua mente e ele conseguir pensar em alguma coisa certa.
— Droga... Droga, droga, droga, droga! — Ele murmurava loucamente, enquanto se sentava na cama e puxava os próprios cabelos. Não conseguia relaxar, não conseguia dormir, não conseguia fazer nada a não ser pensar em e na criança que, agora, estava dentro dela. Queria poder abraçá-la e dizer que ficaria ao seu lado, mas não podia simplesmente bater na porta dela e dizer isso, ou talvez pudesse e não tinha coragem. Mas com que cara chegaria em e diria tais coisas? Oras, ela o queria na cadeia!
jogou as cobertas para o alto e caminhou devagar até a cozinha, afinal, quem sabe um copo d'água ou de café não resolvesse?
Ligou a cafeteira e esperou que o café ficasse pronto sentado na cadeira e com o rosto enterrado entre as mãos. Por que sua vida tinha que ser tão complicada? Estava cansado daquilo tudo, estava cansado de sempre se ferrar por pouca coisa, estava cansado de se envolver com jornalistas (por mais que tivessem sido apenas duas), estava cansado de viver daquele jeito, estava cansado de focar sempre na felicidade dos outros e na sede de vingança contra o assino do pai, aquilo não o levaria a lugar algum e ele sabia disso. Mas ficava ali, sempre batendo na mesma tecla. Quando ele cairia na real e iria desistir de tudo? Quando iria voltar a focar em si mesmo e pensar no orgulho que seu pai sentiria se ele fosse totalmente honesto?
riu ironicamente de si mesmo.
Honestidade.
Quem ele era para falar sobre honestidade?
— Acordado tão cedo? — a voz calma e baixa de Emma ecoou por toda a cozinha, fazendo levantar o rosto devagar e encarar a amiga.
— Nem sequer dormi — ele respondeu suspirando em seguida. — Como vai ser agora, Emma?
Emma fitou o chão e não respondeu, apenas caminhou devagar para a cafeteira ligada. O que ela responderia? Que tem um problema e a criança corria riscos de não viver? Aquilo não era assunto dela. Já fizera muito em dar um motivo bom para desistir de todas as suas loucuras e correr atrás de . Não podia se meter mais, falar mais. Aquilo não era de sua conta.
— Agora não é mais comigo, — ela mordeu o lábio inferior e se virou para ele. — Não posso simplesmente te contar o que está acontecendo. Não é da minha conta, por mais que eu seja sua amiga e te conheça há muito tempo. O assunto é entre vocês. A precisará ir em um evento da Redação hoje, lembra? — ela caminhou devagar e se sentou na cadeira de frente para . — Ela nos deu convites. Eu e Charlie não vamos, posso te dar o meu.
— Eu não vou saber como agir — ele suspirou de novo. — Eu não vou e...
— Você disse que só precisava de um motivo para ir atrás dela, . Não jogue essa chance fora — Emma segurou a mão do rapaz sobre a mesa. — Já está querendo desistir? Cadê o que insiste no que quer? Sinto falta dele.
— Não sei se é isso que eu quero — murmurou encarando a mesa. — Realmente não sei, Emma. Mas... Tem uma criança em jogo agora e...
— Se você a ama, , vá — Emma apertou mais a mão do amigo. — Apenas não desista agora. Faça o que o seu coração mandar.
— Não venha falar de amor comigo agora, Emma — ele riu forçadamente e puxou a mão para trás. — Eu não sei o que é o amor há muito tempo.
— Não vamos começar de novo — ela murmurou. — Tenho uma notícia para você. Só não sei se é boa ou ruim.
— Desde que não diga que mais alguém está grávida de mim... — ele deu de ombros e Emma riu baixo, mesmo naquela situação fazia piadas. Isso sim era uma coisa admirável nele.
— Vou morar com Charlie — ela soltou de repente, dando de ombros e virando-se para o outro lado da cozinha.
— Você o quê? — ele perguntou enquanto se esticava para puxar o rosto de Emma em sua direção. — Como assim? Já vai me largar?
Emma riu fraco e fitou a mesa, suspirando.
— Não quero te atrapalhar mais, você precisa de um tempo — ela o encarou. — Eu... Eu amo o Charlie, . Eu não sinto medo de me arriscar como você sente. Nicholas precisa de uma figura masculina além de você — ela sorriu. — Ele já aceita o meu... Namoro, ou seja lá o que isso for, com o Charlie. Fora que...
— Ele é o pai verdadeiro do Nicholas — completou baixo. — Fico feliz por vocês. De verdade.
— Eu sei que sim. Mas, me diga, , quando eu direi isso para você e ? — ela o encarou nos olhos. — Vê o que eu quero que você faça? Você ao menos imagina a felicidade que eu e Charlie estamos sentindo agora? — ela suspirou. — Por mais que você e finjam se odiar, você acha que não vai ter isso entre vocês?
abaixou o olhar e deu de ombros. Não sabia responder. Não queria responder.
— Emma, eu estou tão confuso que... — ele suspirou e passou as mãos pelo rosto. — Caralho, o que tá acontecendo na minha vida?! — ele piscou algumas vezes. — Eu sinto como se... Sei lá, eu fosse surtar de vez a qualquer momento a ponto de meter uma bala na minha testa.
— Pare com isso! — Emma exclamou balançando a cabeça negativamente. — Sua vida não está tão bagunçada assim, você só precisa assumir para si mesmo o que sente.
— Você não sabe metade do que está acontecendo, Emma — ele disse baixo, decidindo se abriria ou não o jogo com a amiga. — Você não... Não faz ideia do que eu me meti.
— Então me explique — Emma pediu, enquanto puxava a cadeira para mais perto de . — Me diga o que está acontecendo, . Não me afaste de você como fez com o .
— Eu nunca quis me afastar do , foi tudo culpa do trabalho — se defendeu. — Sinto falta dele.
— Isso não importa agora — Emma o cortou. — Me explique o que está acontecendo.
— Antes me prometa que ficará do meu lado de qualquer jeito — ele pediu, ecarando Emma nos olhos. — Você sabe que... Sei lá, você me deixa mais seguro, por mais idiota que isso soe.
— Em algum momento eu saí do seu lado? — ela perguntou com um sorriso no canto dos lábios. — Prometi ao seu pai que nunca faria isso. Assim que ele desconfiou do que estava acontecendo ele me fez prometer isso. Eu e Eric prometemos cuidar de você, . Só que... Bem, você sabe — ela sorriu tristemente para —, Eric não sobreviveu...
— Eric está vivo — a interrompeu firmemente e Emma o encarou, arqueando uma das sobrancelhas e soltou uma risada logo depois. — Ele está vivo, Emma. É com ele que me encontro para conseguir tudo o que tenho nessas investigações. Nomes, segredos, endereços, tudo. Eric que me dá tudo isso. Ele não pode simplesmente se mostrar agora, senão ele morre de verdade.
— Você está se ouvindo, ? — Emma perguntou baixo, dando uma risada nervosa. — Eric morreu. Antes do seu pai. Por causa da mesma pessoa.
— Eric está vivo! — exclamou, bufando em seguida. — Droga, Emma, você disse que está comigo, então pare de duvidar! Posso provar tudo o que estou dizendo.
— Não estou duvidando, só acho que...
— Tudo bem, Emma — se levantou. — Mais tarde a gente conversa. Preciso sair agora.
— Onde você vai? — ela perguntou o encarando. Estava arrependida de duvidar dele, sim, estava, mas... Oras! Eric havia morrido!
— Resolver umas coisas enquanto ainda é cedo. Me procure no prédio mais tarde — ele deu de ombros e correu para o quarto sem se importar se esquecera completamente de seu café.
Emma deixou o corpo relaxar sobre a cadeira e suspirou.
estava tão perdido, tão fora de si, tão sem saber o que fazer. O que diabos aconteceria com o pequeno se continuasse assim? Sinceramente, ela não sabia. Mas temia o que estava por vir.

***


Zachary O'Donnel abriu os olhos preguiçosamente ao ouvir seu celular tocar. Quem ousava acordá-lo àquela hora da manhã?
— Alô? — atendeu tentando não se estressar e voltar a dormir calmamente.
Estou indo até a sua casa. Não precisa se desesperar e desligar o celular por reconhecer minha voz. — O homem do outro lado disse e Zachary se sentou, assustado. — Demorei para perceber que você tem alguma coisa a ver comigo mas percebi, O'Donnel. É bom não tentar fugir. Lembre-se, posso prender você.
— Não sinto medo de suas ameaças. Pode vir, estarei esperando — O'Donnel foi firme e desligou o celular em seguida. Pouco se importava se o rapaz já havia falado tudo o que queria ou não. Apenas queria passar segurança, mostrar que estava firme por mais que estivesse morrendo de medo.
Zachary se levantou e caminhou até o quarto da filha o mais rápido que pôde e abriu a porta devagar. A cama estava vazia, como ele já desconfiava. Um suspiro de alívio escapou do fundo de sua garganta e ele deixou o corpo relaxar um pouco, indo para o banheiro em seguida.
Alguns minutos se passaram e Zachary já estava devidamente arrumado, sentado no sofá enquanto observava a porta da sala um pouco mais a frente. Estava ansioso e com medo ao mesmo tempo, queria acabar com aquilo tudo mas não queria receber aquele moleque em sua casa. Sabia que teria que abrir o jogo com ele uma hora, mas também sabia que não deveria se arriscar tanto aceitando tê-lo dentro de sua casa.
Zachary se levantou para ir até a cozinha, mas o som da campainha atrapalhou seus planos de tomar uma xícara de café bem forte e quente. Confuso e assustado pela rapidez de sua visita chegar, caminhou até a sala em passos largos e rápidos. Abriu a porta e segurou-se o máximo para não deixar seu queixo cair em total surpresa, mas não pôde evitar que seu coração acelerasse e sua garganta secasse.
— O que faz aqui? — Zachary perguntou tentando se manter firme.
— Rever um velho amigo de meu tio, não posso? — o rapaz perguntou sorrindo. — Ou estava esperando outra pessoa?
— Esperava outra pessoa. Volte mais tarde, — Zachary respondeu, ignorando o sorriso do rapaz e mantendo-se tenso.
— Tomara que não esteja esperando o deu de ombros e ignorou o que Zachary disse, entrando na casa do homem em seguida. — Não seria legal dar de cara com meu irmãozinho na casa do cara que também queria acabar com ele um tempo atrás.
deu uma risada e Zachary manteve-se em silêncio. A expressão de fechou-se na mesma hora e ele se virou para O'Donnel.
— Acho melhor ir embora, . — Zachary murmurou.
— Estava disposto a abrir o jogo com o ? — o mais novo fora direto, parando de frente para O'Donnel e fitando-o no fundo dos olhos.
— Por que fala assim dele? — Zachary perguntou dando de ombros. — São irmãos, você deveria ficar feliz com isso já que sempre foi um idiota solitário que só o aguentava.
— Ele não é meu irmão — disse entre os dentes. — John não era meu pai. Pare de falar do que não sabe, O'Donnel.
— Para que veio aqui? — Zachary perguntou sério.
— Para te propor algo — respondeu. — Mas vejo que estava realmente com vontade de mudar de time.
— Não ia mudar de time. Apenas aceitei que o viesse até minha casa. Não dá para ficar correndo da polícia por muito tempo, — ele fitou o mais novo. — A Jornalista veio atrás de mim uma vez e eu consegui deixá-la irritada, ela até tentou pegar alguma coisa oficial para me fazer ir a delegacia. Sei que não conseguiram nada porque você mexeu seus pauzinhos, mas não dá para fazer isso para sempre.
— Até que dá sim, O'Donnel. Mas você sempre foi um frouxo. Enfim, vamos aos negócios — deixou seu corpo cair sobre o sofá sem se importar se Zachary estava prestes a surtar por saber que poderia aparecer a qualquer momento.
— Podemos resolver nossos negócios mais tarde. Preciso tirar o do meu pé — Zachary rebateu firme, tentando deixar claro que continuava com .
Como se ele fosse engolir aquilo.
— Olha aqui, O'Donnel — ele se levantou rapidamente e se aproximou do mais velho —, não tente me enrolar. Você não vai abrir a boca pro . A única coisa que você vai fazer é aceitar o que vou te propor agora.
— Então ande logo com isso — o mais velho disse baixo, mas com raiva.
— Você dá seu jeito para abrir o cofre do Crowley ou morre — disse firme.
Zachary riu alto.
— Quero abrir aquele cofre tanto quanto você, quero o que tem nele também, principalmente a parte da Owen — O'Donnel o encarou nos olhos mais uma vez. — Não tenho senha do Crowley. Não posso fazer nada. Nem ao menos sei onde está o cofre.
— Então prepare-se para encontrar com sua Owen novamente — disse friamente enquanto puxava a arma da cintura.
Zachary sorriu.
— Me mate, vai lá — ele balançou a cabeça negativamente ainda sorrindo. — Vocês ainda precisam de mim.
— Para quê? — peruntou mordendo a ponta da língua e segurando um sorriso. — Você não serve para mais nada, O'Donnel. Acha mesmo que eu não iria descobrir que você queria abrir o jogo com o ? Acha que não segui seus passos? Acha mesmo que eu seria idiota a ponto de te deixar tão livre assim? O que te faz pensar dessa forma?
— Está confessando que colocou escutas na minha casa e grampeou os telefones? — Zachary riu. — Inclusive meu celular? Acha que sou otário assim, moleque? — ele perguntou trincando os dentes e se aproximando mais de . — Você não passa de um moleque criado pelo Castellamare. Então por favor, pare de tirar marra comigo porque sabe que não vai arrumar nada. Pode me matar, não sinto medo da morte, nunca senti. Mas saiba que será só mais uma culpa para você carregar. Ou acha que ninguém nota a escuridão nos seus olhos, rapaz? — ele balançou a cabeça negativamente. — Basta chegar perto de você para sentir que você se arrepende de tudo o que fez e faz. Você não tem vontade nem opinião própria, . Está na hora de virar homem de verdade e parar de matar as pessoas só por que não fazem o que você quer — Zachary deu um passo a frente e encarou nos olhos com firmeza. — Não vou abrir o cofre do Crowley para vocês. Tudo o que está lá dentro é meu e da Owen, coisas que seu tio pensou que conseguiria roubar. O que tem de vocês lá? Um milhão de libras? Talvez dois? — ele riu baixo. — O resto é meu e da Owen. Se eu morrer hoje, será tudo dos nossos filhos. Não importa o que vocês tentem, vocês nunca vão conseguir abrir aquele cofre. Estavam achando o quê? Que Crowley trabalhou sozinho esse tempo todo? Que ele queria estar com vocês? Tudo o que ele sempre quis foi vingança, assim como você e o querem. Vocês são duas cópias perfeitas do Crowley. Talvez ele seja um terceiro irmão, não? — Zachary gargalhou. — Tudo bem, eu sei que não. Mas entenda, , o cofre do Crowley vai permanecer fechado, eu estando vivo ou morto.
— Então pode dar adeus a vida — ignorou todas as palavras duras de Zachary e erguei a arma já carregada e destravada em direção a cabeça de O'Donnel que apenas o encarou, sem medo algum em seu rosto.
— Adeus, . Serei só mais um para sua coleção. Eu sei o que pretende fazer com minha morte. Acredite, irá se livrar disso aqui também — O'Donnel murmurou firme e continuou encarando o mais novo nos olhos, apenas esperando a bala penetrar sua cabeça.
entendeu o que ele quis dizer, mas tentou não se intimidar com aquilo. Engolindo a seco e sentindo as mãos suarem, apertou o gatilho de uma vez. Tentou não se importar com o olhar firme de Zachary em sua direção antes de seu corpo ir para trás e cair no chão, criando uma poça de sangue logo em seguida.
O que ele havia feito? Céus, onde estava se enfiando?! Por que acabara de matar O'Donnel? O maldito velho sabia a porra da senha do cofre! Acabara de confessar que estava com Crowley o tempo todo! Por que não simplesmete o levou para Castellamare? Droga, droga, droga! Tinha que sair dali antes de aparecer, antes de todos aparecerem... Céus! Estava perdido. Por mais que soubesse o que aconteceria quando chegasse, estava perdido. Mas, por outro lado, estava feliz. A culpa cairia para , não para ele. Mas obviamente, muitas pessoas saberiam que fora ele atacando mais uma vez.
suspirou e observou o corpo de O'Donnel mais uma vez. Pobre homem.
Deu de ombros e saiu pela porta dos fundos, sem se preocupar em deixar digitais pois tinha luvas pretas cobrindo-lhe as mãos.
Assim que pisou na rua, respirou fundo e olhou em volta, com cuidado. Um sorriso surgiu automaticamente no canto de seus lábios. Bem, por que não comemorar quando o carro de acabara de estacionar em frente a casa de O'Donnel?

****


desceu do carro e jogou o cigarro — já pequeno — que segurava entre os dedos em um canto qualquer. Escondeu o nervosismo dentro de si e parou em frente a casa de O'Donnel, tocando a campainha em seguida. Estava ansioso e louco para ter aquela conversa com Zachary de uma vez, seria bom descobrir algumas coisas sobre seu passado e achar mais pistas para Charlie. Não que Charlie fosse tão importante naquele momento, porque, bem, não era. só precisava ganhar mais pontos com ele, como Emma já havia falado.
Uns segundos se passaram e nada de O'Donnel. revirou os olhos e apertou a campainha por mais algumas vezes. Soltou um suspiro pesado e olhou em volta, procurando alguma pista de alguma coisa. Será que O'Donnel fugira? Será que aquele filho da puta havia desistido?
Pensando em todas as possibilidades e sentindo o nervosismo aparecer novamente, caminhou em volta da casa, procurando por janelas. Ao encontrar uma, forçou-se contra a mesma para tentar enxergar alguma coisa pela pequena brecha da cortina. Não dava para ver tanta coisa, mas fora o suficiente para ele ver metade do corpo de O'Donnel no chão, fazendo-o engolir a seco. Se O'Donnel estava jogado no chão... Estava, no mínimo, desmaiado. Porém, para ele estar desmaiado, ele estaria no mínimo doente e bem fraco. Ou então simplesmente estava morto pois alguém descobrira que eles iriam conversar lá. Naquela hora, naqueel dia.
passou as mãos pelos cabelos e voltou para a frente da casa, olhando em volta com mais atenção em busca de algum detalhe, alguma pista. Puxou o celular do bolso e discou os números de Eric o mais rápido que conseguiu. Ao escutar a voz do mais velho ecoar do outro lado do aparelho, disse firme:
— Venha para a casa do O'Donnel. Preciso de você. O cara tá apagado no meio da sala dele, Eric. Não faço ideia do que está acontecendo.
Eric não precisou responder ou ouvir mais alguma coisa do que tinha para dizer. Bastou aquelas palavras do rapaz para ele desligar o telefone e voar para o local informado. sabia que ele chegaria logo. Por mais que não pudesse sair nas ruas e estivesse em um local afastado, logo ele chegaria. Eric era esperto, conhecia atalhos e o "afastado" dele nunca era um lugar realmente longe. Apenas dizia isso para não ir atrás dele o tempo inteiro e tentar arrancar-lhe algumas verdades. Não era hora do moleque saber tantas coisas assim.
bagunçou os cabelos mais uma vez e se aproximou de seu carro, chutando o pneu em seguida. Estava com medo, agora. Seu coração estava acelerado e suas mãos suavam mesmo naquele frio maldito que estava naquela manhã. Estava vendo a hora que teria um ataque cardíaco ou algo do tipo. O que diabos ele havia feito para sua vida virar de cabeça para baixo tão rápido? Estava numa situação tão crítica que nem ao menos sabia dizer quem ou o que ele era; de repente pai, de repente moleque, de repente o único homem da família vivo, de repente era um retardado contraditório, de repente era um apaixonado. O que diabos estava acontecendo? Por que tudo decidiu se complicar justo quando ele estava prestes a descobrir alguma coisa que poderia ajudá-lo? Já não bastava o fato dele ter engravidado uma mulher nessa situação toda?
Alguns minutos se passaram e Eric chegou.
— O que houve? — ele perguntou e suspirou, dando de ombros.
— Não faço ideia — murmurou não fazendo questão de esconder o nervosismo. — Eu dei uma olhada em volta, não tem absolutamente nada de suspeito — ele suspirou. — Zachary tá apagado no meio da sala, dá para ver claramente daquela janela — ele apontou para o outro lado e Eric piscou algumas vezes, também nervoso. — Por que veio sozinho, aliás?
— Não sou um bebê, . Agora cale a boca e vamos entrar — ele disse firme e se afastou do mais novo, que permaneceu parado com uma das sobrancelhas erguidas. — Vai ficar aí até quando?
Como vamos entrar? — perguntou revirando os olhos. — Alguém pode nos ver.
— Assim como alguém pode não nos ver. Ande, , temos que entrar, ver se O'Donnel ainda tem salvação. Precisamos dele.
— Por quê? — perguntou dando passos rápidos até Eric.
— Podemos entrar antes de eu te explicar qualquer coisa? Ele deve guardar alguma chave reserva aqui fora...
— Acredito que não. Se ninguém atendeu, não tem ninguém em casa. Ele não seria burro de deixar uma chave do lado de fora sabendo os riscos que corre — suspirou. — Os filhos não devem estar aí, então ele não deve ter se importado tanto...
— Daremos um jeito. — Eric disse firme e olhou em volta. Após soltar um suspiro pesado, Eric atravessou o jardim de O'Donnel e parou na porta, enquanto olhava em volta.
Alguns segundos se passaram e ouviu a voz de Eric gritá-lo. Virou-se e, ao encarar a porta aberta e Eric com um sorriso estampado na cara, mordeu o lábio inferior. Ali estava ele fazendo besteiras de novo.
Talvez aquela fosse por uma boa causa, não?
Suspirou e, em passos rápido, correu para dentro da casa do homem no encalço de Eric.
— Mas que porra...? — Eric murmurou ao encarar o corpo de O'Donnel jogado no chão.
deixou seus olhos se arregalarem em total surpresa e engoliu a seco.
— Diz que você sabe por que ele morreu, Eric — pediu baixo, enquanto, lentamente, caminhava em direção ao corpo de O'Donnel para observar melhor.
— Você o mataria se ele não dissesse o que queria saber? — Eric perguntou e o encarou por alguns segundos.
— De modo algum — respondeu, abaixando-se ao lado de O'Donnel em seguida.
— Por isso ele morreu — Eric engoliu a seco. — Você queria informações, nunca o mataria enquanto não tirasse todas elas. Alguém não quer que você saiba de certas coisas.
levantou os olhos para Eric e perguntou:
— Quem?
— Isso é o que eu quero saber, meu caro — Eric respondeu e suspirou em seguida. — Vamos sair daqui. Você já tá com a vida complicada demais.
— Vamos simplesmente largar o corpo aqui? — perguntou.
— Você quer sumir com ele e levar a culpa? Ou prefere ligar para a Emma ou o Charlie dizendo que o O'Donnel está morto para eles desconfiarem de você e te jogarem na cadeia de uma vez por todas? — Eric o encarou nos olhos. — Você não pode fazer mais nada, . Tudo cairá contra você.
— Eles vão me prender? — perguntou num fio de voz.
— Charlie está te investigando — Eric mordeu o lábio inferior. — Eles não vão te pegar sem nada concreto. Ele não encontrarão nada. Agora vamos embora, . Não pense nisso.
está grávida — disse fitando o chão e dando uma risada fraca. — De mim. Eu provavelmente serei pai, Eric.
Eric parou de andar em direção a porta de O'Donnel e se virou lentamente para , com a boca aberta em total suspresa. Não acreditava no que estava ouvindo. O pequeno seria pai. Aquilo seria uma ótima notícia e ele morreria de orgulho do rapaz se não fossem as circunstâncias.
— Você... — Eric fez uma pausa e respirou fundo — Que droga, , porra, moleque... — ele riu nervoso e encarou o mais novo em seguida — Puta que pariu, você vai ser pai!
— Isso não é um motivo para comemorarmos, Eric — suspirou. — Não nessas circunstâncias. Não sabendo que eu posso ser...
— Não termine a frase! — Eric o cortou. — Eu disse que a era sua garota e você não sabia ainda, não disse? — Eric sorriu. — Escute, , não a deixe escapar só porque está com medo.
— Não estou com medo! — exclamou e revirou os olhos. — Eu só...
— Não quer perder isso porque a ama? — Eric o interrompeu de novo e suspirou em seguida. — Tudo bem, vamos embora. Podemos conversar sobre isso depois.
suspirou e, sem dizer nada, saiu da casa de O'Donnel, sendo seguido por Eric logo depois.
— Te encontro mais tarde? — perguntou.
— Sim — Eric sorriu levemente e se aproximou de . — Não deixe a escapar, . Não seja um idiota como seu pai foi.
abaixou os olhos para o chão e suspirou. Nem ao menos sabia o que seu pai havia feito! — Olhe, Eric, eu nem sequer sei o que meu pai fez — ele riu fracamente. — Eu... Eu... Não sei, tá legal? Prometi a Emma que conversaria com a hoje. Cumprirei minha promessa.
— Sente medo dela agir como a Elizabeth? — Eric perguntou e sentiu seu estômago afundar. Odiava lembrar daquilo.
— Não quero falar sobre a Elizabeth... — murmurou revirando os olhos — O filho que ela perdeu não era meu, Eric. Aliás, a não parece ser do tipo que vai surtar como a Elizabeth surtou. Não quero compará-las, Eric! — bagunçou os cabelos e revirou os olhos em seguida. — Pare de colocar dúvidas na minha cabeça. Me deixe focar na minha vida, me deixe tentar me livrar dessas investigações erradas. Já parou para pensar nas coisas que eles irão descobrir se forem a fundo? Não quero me preocupar com mulher sendo que tenho esse problema para resolver!
— Tudo bem. Nos vemos mais tarde — Eric murmurou e deu dois tapinhas de leve em um dos ombros de .
apenas balançou a cabeça de qualquer forma e entrou no carro em seguida.
Eric soltou um suspiro e balançou a cabeça negativamente. ainda encararia tanta coisa. Pobre rapaz.

***


(
)


Bill caminhava pelo cemitério segurando as lágrimas o máximo que podia. Lá estava ele enterrando mais um parente. Onde aquilo tudo acabaria? Com todos enterrados a sete palmos do chão? Com todos no inferno? Não era aquilo que ele queria para si mesmo, pelo menos. Por que diabos aquela gente se metia em merdas daquele jeito? Por que diabos Crowley, seu irmão mais velho e exemplo, se meteu naquilo tudo? Não fora à toa que o encontraram morto no meio de uma noite qualquer no rio Tâmisa. Céus, que ódio Bill estava sentindo! Talvez sentia mais ódio que dor ou tristeza. Oras, seu irmão está morto! Por mais que Crowley o tratasse mal algumas vezes, era seu irmão e melhor amigo. Apenas estava em crise; Rachel morrera grávida, voltou a parar em seu caminho, Elizabeth o recusara, o acolhera por apenas interesses, tudo isso contava. Mas talvez tudo isso fosse planos de Crowley. Planos que Bill não entendia, mas passaria a entender para dar continuidade no dinheiro que o irmão deixara. Não se importava mais se eram planos sujos ou não, dentro da lei ou não. Para que se importar? Estava sozinho agora!
Mr. Crowley, what went on in your head
(Sr. Crowley, o que se passava pela sua cabeça?)
Oh, Mr. Crowley, did you talk to the dead
(Sr. Crowley, você falava com os mortos?)
Your life style to me seemed so tragic
(Seu estilo de vida me parecia tão trágico)
With the thrill of it all
(Com toda aquela emoção)
You fooled all the people with magic
(Você enganou todas as pessoas com magia)
You waited on Satan's call
(Você esperou o chamado do Satã)
— Ei, amor, não fique assim. — A voz suave de Alexia invadiu os ouvidos de Bill, acordando-o de seu transe. – Crowley não gostaria de te ver tão triste assim — a mulher sorriu docemente, na intenção de fazer o namorado se acalmar um pouco. Amenizar a tristeza dele, talvez.
— Mas ele não está mais aqui, Alexia — Bill se virou para a mulher, fitando-a profundamente nos olhos. — Ele não vê, não sente nem diz mais nada. Meu irmão está morto — ele riu amargamente. — Morto! Quantas vezes eu disse para ele que isso aconteceria? — o rapaz balançou a cabeça negativamente. — Tudo por um vingança cega contra todas essas pessoas. Mas ninguém, repito, Alexia: Ninguém tinha coragem de matá-lo. Só uma pessoa pode ter feito isso. Por um motivo não muito bom, aliás.
Alexia engoliu a seco e colocou o cabelo para atrás da orelha. Não gostava de se meter naqueles assuntos, não gostava de ouvir, não gostava de falar. Trabalha para Elizabeth e sabia como era a vida de quem se metia com aquele tipo de coisa. Todo mundo acaba onde Crowley estava agora: a sete palmos abaixo do chão.
— Não deixe com que a morte de Crowley te transforme — ela pediu baixinho e, após fitar os olhos do amado mais uma vez, suspirou e saiu. Apenas deixou-o sozinho. Ele precisava pensar, precisava se despedir do irmão por mais que doesse. Afinal, Bill precisava se decidir. Decidir se continuaria ao lado da lei ou se assumiria o lugar de Crowley para vingar-se de um certo alguém. Agora a disputa era mais pessoal com essa pessoa, aliás. Antes o assunto era apenas de Crowley. Bem, como o próprio dizia: Agora a porra ficou séria. Seja o que Deus quiser.
Bill riu com seu próprio pensamento e observou o túmulo do irmão uma última vez.
— Você prometeu cuidar de mim, Crowley. Agora é a minha vez, você estando ou não aqui. Isso não sairá barato — Bill secou a única lágirma que deixou escorrer. — Por você, pela Rachel e o bebê, pelo papai e pela mamãe: O não vai continuar respirando.
Após dizer isso, Bill saiu do cemitério e foi ao encontro de Alexia que o esperava encostada no carro.
Mr. Charming, did you think you were pure
(Sr. Encantador, você achava que era puro?)
Mr. Alarming, in nocturnal rapport
(Sr. Alarmante, em harmonia noturna)
Uncovering things that were sacred
(Descobrindo coisas que eram manifestos sagrados)
And manifest on this Earth
(E manifestos nesse planeta)
Conceived in the eye of a secret
(Concebido no olho de um segredo)
And they scattered afterbirth
(E espalharam os recém-nascidos)
— Vamos? — ela perguntou baixo e Bill apenas confirmou com a cabeça, adentrando o carro.
O caminho até a casa de Alexia foi silencioso. Não tinha muita coisas para falar. Crowley estava morto e, por mais que aquilo significasse paz, Bill estava triste. Gostava de conversar, mas na hora certa.
Bill estacionou o carro e não desceu como fizera nas últimas semanas.
— Não vai entrar? — perguntou a morena, acariciando o rosto do namorado que apenas sorriu.
— Hoje não. Vou para casa — Bill respondeu calmamente. — Arrumar as coisas de Crowley...
— Vai entregar o que ele estava planejando para a polícia?
— Não — o rapaz suspirou. — As coisas dele vão desaparecer... Puff! — Bill abriu os braços e sorriu de lado. — Meu irmão está morto. Mas eles também não vão desvendar nada.
— Mas é necessário, Bill! — a mulher exclamou. — Não...
— Não me diga o que fazer, Alexia — ele encarou a mulher. — matou meu irmão! Tenho certeza! Não vou ajudá-los, pode ter certeza que não vou!
— Como quiser — ela suspirou. — Você quem sabe. Só não se torne o que seu irmão era. Te amo — ela finalizou e juntou seus lábios em um beijo rápido, saindo do carro em seguida.
"Só não se torne o que seu irmão era", Bill riu e balançou a cabeça negativamente com as palavras da namorada ainda ecoando em seus ouvidos. Era meio tarde para ela dizer aquilo. Ele já era como Crowley há muito tempo. Apenas não demonstrava. Não precisava, aliás. Agora as coisas já não eram bem assim. Era necessário ser como Crowley fora. Talvez Bill pudesse se segurar e não fazer tanto mal às mulheres que cercavam . Isso o tornaria pouco melhor que Crowley, certo? Talvez.
Bill arrancou com o carro em direção à casa de Crowley — sim, apenas de Crowley, Bill tinha seu próprio canto, só ficava lá na casa do irmão quando não queria ficar sozinho.

****


Flashback.

Crowley deixou um enorme sorriso brincar em seus lábios ao sentir o vento bater contra seu rosto novamente. Liberdade!, era isso o que seu cérebro e coração gritavam. Liberdade! Ele estava livre, livre! Nunca mais precisaria voltar para aquela maldita cadeia. Não precisaria ficar preso ali pelo tempo que ficara se não fosse John . Oras, fofoqueiro dos infernos! Intrometido! Por que diabos ele tivera que abrir a boca? Se ele não o fizesse, Crowley poderia ter saído da cadeia mais rápido! John se metera mesmo estando na Inglaterra. Agora, a pergunta que nunca se calou: por quê? Por que se metera sendo que Crowley já estava no Brasil? Não era o suficiente?
Ignorando o ódio que sentia de John, Crowley caminhou em direção ao irmão que estava do outro lado da rua com os braços abertos. Crowley agarrou o mais novo com força e lhe deu dois tapas nas costas. — E aí, para onde vamos? — ele perguntou para Bill que ainda sorria.
— Inglaterra, irmãozinho. Já resolvi as coisas, um dinheiro daqui e um dali, agora você está totalmente livre. Já podemos sair daqui porque ninguém lembra mais de você. Para todos os efeitos, você vai morrer aqui fora — Bill piscou um dos olhos. — Mas isso é só para o caso de você estar saindo do país dê merda. Alguém de dentro da Federal está ciente da sua saída do Brasil, então não teremos tantos problemas assim. A dificuldade será chegar no .
— Por que seria dificuldade chegar nele? — Crrowley perguntou enquanto entrava no carro do irmão — Ele está morto — Bill deu de ombros e arrancou com o carro. — E o filho dele está lá agora. O moleque é... Estressadinho. Inteligente. Advogado, aliás.
— John... — Crowley não segurou a gargalhada. — JOHN ESTÁ MORTO! Céus. Que diverdito. Mas pegarei o filho dele, de qualquer forma.
Mr. Crowley, won't you ride my white horse
(Sr. Crowley, você não irá cavalgar no meu cavalo branco?)
Mr. Crowley, it's symbolic of course
(Sr. Crowley, isso é simbólico, é claro)
Approaching a time that is classic
(Aproximando-se de um tempo clássico)
I hear maidens call
(Ouço chamado de donzelas)
— Não sei por que insiste nisso se em quem quer chegar é em outra pessoa — Bill suspirou. — Aliás, falei com Rachel. Ela continuou juntando informações para você.
Um sorriso bobo surgiu nos lábios de Crowley.
Rachel. Sua Rachel.
Alguns dias se passaram e Crowley já estava de volta a Inglaterra. No início era uma coisa sigilosa, ninguém sabia de seu retorno.
Mais dias, meses e anos se passaram. Crowley continuava lá. Às escondidas. Apenas ele, Rachel e Bill.
Rachel jogou a pasta sobre a mesa de Crowley e disse firme:
— São as últimas informações que irá receber de mim. A não ser que decida me contar o que tem neste maldito cofre que vive prendendo sua atenção.
— Não é da sua conta, Rachel — ele disse firme.
— O conteúdo dessa pasta também não é da sua conta. Mas olhe só! Ela está em suas mãos e você está pronto para pegar esses documentos e ler frase por frase lentamente — ela rebateu. — Confie em mim, Crowley.
— Você ainda é uma policial, Rachel — ele disse sério. — Nem tudo você tem que ficar sabendo.
— Oras, Crowley! — exclamou indignada. — Não seja idiota! Se eu quisesse acabar com você já teria acabado.
— Prove — ele sorriu galanteador, fazendo-a revirar os olhos.
— Não posso te dar provas maiores que essas. Aliás, se pudesse não te daria. Se não confia no que eu sinto e na forma que me arrisco todos os dias por você, por que eu tentaria provar mais alguma coisa? — ela engoliu o bolo que se formava em sua garganta. — Não sei mais o que fazer com você, sinceramente. Essa maldita vingança está te deixando louco. Completamente louco!
Crowley suspirou e se levantou. Retirou o grande quadro que ficava atrás de sua mesa no escritório e digitou alguns números tão rapidamente que Rachel sequer conseguia distingui-los. Alguns segundos se passaram e a grande porta metálica se abriu, fazendo um barulho rápido.
— Olhe — Crowley pediu, puxando a mulher pelo braço. — Vê tudo isso? Todo esse dinheito, jóias e tudo o mais? — ele sorriu. — Eu roubei, Rachel. Roubei na cara dura. Tenho tantas pessoas nas minhas mãos por causa disso...
Rachel engoliu a seco ao encarar todas aquelas coisas.
— Quem? — ela perguntou, virando-se para ele. — De quem era tudo isso?
— Boa parte pertence à Owen Mangor e Zachary O'Donnel. Mas tem coisas do Paul Garred, aquele jornalista intrometido — ele deu de ombros. — Eles têm uma sociedade. Roubam juntos e colocam num banco. Consegui os dados facilmente com o conhecimento de Bill com essas coisas. Eles estão querendo se matar neste exato momento. Estão desconfiando um dos outros. Daqui a pouco pessoas começarão a morrer, Rachel.
— Por quê? — ela perguntou arquendo uma das sobrancelhas. — Eles vão realmente se matar por isso sendo que podem ter muito mais? — ela riu fraco. — Por favor, Crowley!
— Não, meu amor — ele sorriu. — Vão começar a morrer pelo simples fato de estarem metidas com Robert Castellamare. Aquele mesmo bandidinho metido a meio italiano e meio inglês que descobrimos que matou nosso velho amigo John .
— Você está se metendo com o Castellamare agora? — ela perguntou baixo. — Você quer morrer?! — ela perguntou mais alto, agora. — Está louco, porra?! Mas que inferno!
Crowley riu.
— Não se irrite, linda. Negócios são negócios. Tem hora que devemos arriscar — ele aumentou seu sorriso. — Ele quer o mesmo que nós, gata — ele segurou o rosto de Rachel entre as mãos. — Deveríamos comemorar, não brigar. O último vivo irá morrer em breve.
— Temos dois da família vivos — Rachel corrigiu.
— Sim, mas já mandei cuidar da garota — ele piscou um dos olhos. — Ah, e você sabe. Tem o bastardo do John, mas o sobrenome dele ficou só como e se o chamarmos de , ele surta.
— Você mandou matar a Kennedy? — Rachel perguntou. — E quer que eu comemore isso com você?
— Sim — ele sorriu e colou seus corpos. — Pare de se fazer de boazinha, Rachel. Sei a vontade que tem de acabar com o e nada melhor que começar pela família dele.
— Odiá-lo é uma coisa, matar a garota inocente é outra completamente diferente — ela rebateu. — Vou embora.
Approaching a time that is drastic
(Aproximando-se de um tempo drástico)
Standing with their backs to the wall
(De pé com as costas contra a parede)
Was it polemically sent
(Isso foi enviado polemicamente?)
— Não vai, não — Crowley revirou os olhos e a apertou mais em seus braços. — Se entregue de uma vez, Rachel. Bill chegará daqui duas horas. Não quero ter que te conquistar sempre. Facilita para mim dessa vez, vamos.
— Vá se foder! — ela exclamou fechando os olhos com força enquanto Crowley beijava seu pescoço. — Vou... Ah, se eu vou! — ele exclamou e soltou uma risada fraca, puxando-a para mais perto e juntando seus lábios em seguida.
I wanna know what you meant
(Quero saber o que você quis dizer)
I wanna know, I wanna know what you meant, yeah
(Quero saber, Eu quero saber o que você quis dizer)
Fim do Flashback.

***


Emma encarou e sorriu. A noite estava caindo e o rapaz estava praticamente arrumado para o evento onde estaria.
— Fico feliz por ter decidido ir até ela — Emma murmurou.
— Não me lembre que eu decidi isso — ele suspirou. — Eu nunca fiz isso por ninguém! — ele revirou os olhos. — E estou indo fazer justo pela mulher que eu nunca suportei, Emma. Não está sendo fácil.
— Eu não disse que seria. Agora ande, termine de se arrumar e vá. A estará linda — Emma sorriu. — Ela me mostrou o vestido... — ela riu fraco. — Você vai querer agarrá-la em público.
— Quando ela não está linda, Emma? — ele perguntou se virando para o espelho e terminando de ajeitar o smoking que usava e a camisa preta social que estava por baixo. Quem o olhasse acharia que ele estava indo para um enterro e não para um evento social.
— Olhe só o que ela fez com você! — Emma exclamou sorrindo e parou atrás do melhor amigo. — Você está lindo. Só não precisa ir com esse cabelo bagunçado. Nem parece que você o cortou um bocado hoje!
— Deixe meu cabelo, Emma — ele revirou os olhos e passou as mãos rapidamente por eles.
— Qual a parte do "você vai a um evento social" ainda não entendeu? — ela colocou as mãos na cintura e o fitou séria.
bufou e cruzou os braços na frente do peito, perguntando para Emma em seguida:
— O que você sugere, mulher?
— Penteá-los um pouco? — Emma sorriu e se aproximou.
— Por Deus, Emma! — exclamou. — Já não basta eu estar dentro desse troço? Você ainda quer lamber meu cabelo? Por favor!
— Não vou lamber seu cabelo! — ela rebateu. — Só vou abaixá-los. É diferente! Vou te deixar arrumado, . Por Deus digo eu! Você quer conseguir a e fazê-la desistir da ideia de te jogar na cadeia, não apenas transar com ela. Isso vocês deixam para depois!
Depois de muito insistir, Emma conseguiu pentear pelo menos um pouco do cabelo de , deixando-o impecavelmente arrumado e mais bonito. Por mais que estivesse todo de preto, a elegância que ele exalava era incrível; os cabelos levemente penteados para trás e não tão bagunçados como antes lhe dava um ar mais sério, mais adulto. Mesmo não querendo assumir, estava satisfeito com o resultado. com toda certeza do mundo gostaria de vê-lo daquela forma e até mesmo ficaria feliz em vê-lo em seu evento.
— Tome cuidado — a voz de Emma soou protetora. — Charlie está de olho em você. O que andou aprontando, ? Por que estão desconfiando tanto de você?
— Não aprontei nada — ele se aproximou e beijou a testa de Emma rapidamente. — Diga ao Nicholas que irei levá-lo ao jogo esse fim de semana.
... Por favor. Não deixe eles te prenderem — ela pediu com lágrimas nos olhos. — Não agora que você está tomando juízo.
— Se o Charlie for atrás de mim e me pegar, por qualquer motivo, eu não vou resistir Emma. Ele é tipo um pai, você sabe — ele deu de ombros com um meio sorriso nos lábios. — Se ele me prender, ele saberá o que está fazendo e perdendo. O que diabos eu vou poder fazer? Nada. Talvez ele só vai acabar descobrindo as besteiras que andei fazendo por aí. Não sou um santo, Emma. Talvez eu esteja perdidamente apaixonado novamente, mas não sou um santo. Já fiz muita merda por aí. Eu matei o Crowley. Podem me prender por isso também. Eu não estava trabalhando no dia.
— Não! Eles não podem! — Emma exclamou. — Eu não vou deixar, tá? Por mais que você faça besteiras... Nunca te vi fazer mal nem a uma formiga, .
— Isso não importa. Não se meta, não se arrisque com Charlie novamente. Se ele quiser ir atrás de mim, deixe-o ir! — a encarou nos olhos. — Com o Charlie eu me viro. Agora eu preciso ir. Passarei em um lugar antes de ir até onde está.
— Tudo bem — a mulher suspirou e se aproximou de , dando-lhe um abraço apertado. — Se cuide e boa sorte.
— Obrigado — ele sorriu. — Se cuide também. Amo você.
— Amo você também. Nicholas ficará ansioso pelo jogo — ela sorriu e caminhou com ele até a porta. — Pode ser que eu não esteja mais aqui quando chegar. Já acabei de arrumar as coisas...
apenas sorriu e balançou a cabeça afirmativamente. Se despediram mais uma vez e saiu, sentindo seu coração parar na garganta ao rever tudo o que teria que fazer naquela noite.
Céus, ele gostava de um perigo!
Dirigiu até o local que marcara com Jesse e Eric o mais rápido que pôde. Estacionou o carro e olhou em volta, logo avistando os dois mais velhos. Desceu do carro e caminhou em passos largos e rápidos até eles.
— Ora, ora, quem diria que se vestiria assim por uma mulher! — Eric exclamou fazendo com que revirasse os olhos e tentasse esconder o rubor em suas bochechas.
— Eu disse que era amor, rapaz, eu disse... — Jesse continuou e riu baixo em seguida.
— Por que me chamaram aqui? — perguntou, tentando fugir do assunto.
— Charlie já sabe da morte de O'Donnel e a perícia dele encontrou digitais suas, . Sinto muito — Jesse foi direto e suspirou em seguida. — Isso quer dizer que se você não for rápido com sua garota não terá tempo de sequer dar um beijo de despedida nela.
— Ela não... — suspirou antes de finalizar a pergunta: — Ela não retirou nada do que entregou ao Charlie?
Eric fitou o chão e Jesse continuou em silêncio.
— Não tinha mais como, sabe como Charlie é — Eric murmurou e sentiu seus olhos arderem.
simplesmente jogara tudo para o alto sendo que ele estava engolindo o orgulho para ir atrás dela?
— Não desista da garota. Mostre-a a verdade, — Jesse segurou-o pelos ombros e o fitou nos olhos. — Não desista agora. Ela está grávida, ! — o homem revirou os olhos. — Não estou dizendo para correr e pedi-la em casamento. Estou dizendo para continuar o que tinha em mente, ela não tem culpa de Charlie ser um idiota às vezes!
— Qual foi o momento que eu disse que desistiria dela? — perguntou com um fio de voz. — Eu só acho que... Isso não vai dar certo. Mas não vou andar para trás agora.
— É assim que se fala — Eric murmurou sorrindo de canto. — Olhe, , tente não brigar com ela dessa vez.
— Difícil, Eric, difícil — fitou o chão e colocou as mãos nos bolsos da calça. — E se ela não acreditar em mim?
— Ela vai acreditar em você — Jesse disse firme. — Olhe para você, ! É orgulhoso demais para fazer tudo isso apenas para enganá-la. Ela irá notar isso. Apenas tome cuidado. Jack está com Charlie por aí... Pode ser que ele tente algo com você.
— O que sabe sobre o Jack? Sou louco para acertar uns socos na cara dele de novo. Mas preciso de um bom movito — falou enquanto arqueava uma das sobrancelhas e puxava os cigarros do bolso, colocando um na boca e acendendo-o em seguida.
— Sério que você está fumando depois de estar arrumado desse jeito? — Eric perguntou revirando os olhos. — Jack é amiguinho do tal Castellamare que já falei para você.
— Você não falou, exatamente. Apenas disse que tinha um nome e disse esse. Até hoje não sei quem é o filho da puta — revirou os olhos e sugou o cigarro novamente. — não se importa com o cigarro. Pelo contrário, ela gosta. É de menta.
Jesse riu e encarou balançando a cabeça negativamente.
— Castellamare matou seu pai. — Jesse disse parando de rir aos poucos e o encarou sentindo seu coração acelerar.
— Ele o quê? — estreitou os olhos e apertou o cigarro contra os dedos, partindo-o ao meio.
— Matou seu pai — Jesse repetiu. — Ele pegou o Eric e foi atrás do seu pai em seguida. Soltei o Eric para tentar ajudar seu pai, o que não deu muito certo.
respirou fundo e fechou os olhos para segurar as lágrimas de ódio que inundavam seus olhos.
— E você me diz isso assim, do nada? — perguntou enquanto mordia o lábio inferior com força. Estava a ponto de explodir ou simplesmente matar o primeiro que visse.
Dor, raiva, medo, saudade... Era uma mistura de sentimentos que ele não sabia descrever.
— Desculpe. Eu tinha que contar — Jesse deu de ombros.
— Precisava ser justo hoje, Jesse? Justo agora? — perguntou com a voz falha. — Onde esse cara fica?
— Vai atrás da , tira ela dessa confusão e nós vamos atrás do Castellamare — Eric disse e riu alto.
— Atrás da porra nenhuma! — ele gritou, sentindo as lágrimas brotarem em seus olhos novamente e passou as mãos pelo rosto, com a intenção de não bagunçar os cabelos tão bem arrumados. — Puta que pariu, Eric! Há quanto tempo você sabe disso, caralho?! Era o meu pai! MEU PAI!
— Sei desde o início. Você é impulsivo, por isso não te falei nada. Não até você ter noção de onde estava se metendo — Eric disse devagar. — Você precisa tirar a disso tudo, . Nós pegamos o Castellamare depois e...
— E se eu for preso? — o interrompeu e largou os restos de cigarro no chão de uma vez. — Vocês pensaram nisso? Ah, querem saber? Vão se foder! Os dois! — gritou com força, deixando uma lágrima rolar, secando-a em seguida.
... O Castellamare não queria só o seu pai. Ele quer você. Para te atingir vai usar a . Vocês precisam ficar bem para que ela confie em você a ponto de sumir daqui... Não desiste agora. Você foi forte o suficiente todos esses anos — Jesse disse calmamente. — Você só correu em círculos no início. Agora que tem uma reta para seguir quer agir dessa forma? Não nos culpe por termos escondido isso. Era necessário. Você encontraria Castellamare em questão de segundos e morreria em questão de milésimos. Só contamos agora porque foi necessário. A está em perigo e sabemos que a ama demais para deixar algo acontecer a ela. Ainda mais agora que está grávida.
não respondeu, apenas correu em direção ao carro, andentrou o mesmo e fechou a porta com força. Ficou ali parado alguns minutos, tentando não chorar mais uma vez. Pensou em e no sorriso dela. Pensou no bebê que estava dentro dela e, então, tomou sua decisão. Ligou o carro e arrancou com ele o mais rápido que conseguiu.

****


Emma abriu a porta do apartamento e sorriu ao dar de cara com Charlie.
— Cadê o ? — Charlie perguntou e adentrou o lugar ignorando completamente o sorriso de Emma, fazendo-a arquear uma das sobrancelhas.
Alguns segundos depois Emma notou que Charlie não estava sozinho, já que Jack ameaçou a entrar no apartamento também.
— Ei, ei! — a mulher exclamou. — Onde pensam que vão?! Charlie, mandato. Cadê? — ela perguntou para o namorado, sabendo muito bem o porquê dele estar ali justo com o cara que mais detestada na delegacia.
— E eu preciso disso para entrar na casa do ? — ele perguntou para a mulher.
— Precisa, precisa sim. Porque você está aqui com o Jack e tenho certeza que estão fazendo uma busca e não o procurando casualmente — Emma rebateu. — E pare de me tratar assim!
— Como quer ser tratada por estar protegendo um assassino, Emma? — Jack perguntou enquanto encostava-se no batente da porta.
— Cale a boca porque ninguém falou com você, Jack — Emma murmurou e correu atrás de Charlie que, agora, entrava no quarto de . — Charlie!
— Onde ele está? — Charlie perguntou firme enquanto puxava um papel do bolso do casaco e mostrava-o para Emma.
— Não sei — ela respondeu encarando-o nos olhos. — A última vez que o vi foi hoje de manhã.
— Não minta! — Charlie praticamente gritou e Emma fechou os olhos.
— Não grite. Nicholas está no quarto dormindo ou jogando alguma coisa no computador de fones para não ter vindo aqui até agora — Emma disse calmamente. — Não sei do . Já tentou o celular dele?
— Emma... — Charlie murmurou e a mulher arqueou uma das sobrancelhas. — Não proteja o . Não agora.
— Mas que diabos! — Emma exclamou irritada. — Não sei dele! O que posso fazer?
— Zachary O'Donnel está morto. Encontrei digitais do dentro da casa. Me diga: onde ele está? — Charlie disse tudo de uma vez, fazendo com que Emma piscasse os olhos rapidamente, tentando processar as informações.
— Eu reamlente não sei, Charlie — ela murmurou sentindo seu coração apertar. — Eu já disse. Agora pare de me tratar feito uma estranha.
— Você sabe onde ele está e não quer me contar — foi o que Charlie disse antes de passar em passos rápidos pela porta.
Emma engoliu a seco e foi até a sala, onde Jack a encarou com um sorriso irônico nos lábios. — Está protegendo a pessoa errada, Cobain — foi o que ele disse antes de fechar a porta e sair. Emma o ignorou e correu até o quarto de Nicholas. O menino dormia tranquilamente embaixo das cobertas.
Emma soltou um suspiro pesado e pegou o celular em seguida, digitando uma mensagem para :
"Estão atrás de você por causa da morte do O'Donnel. Não fique à vista, . Fuja se for necessário, darei um jeito de limpar sua barra. Charlie está com o maldito Jack. Cuidado.

****


estacionou o carro em um lugar reservado e puxou o celular do bolso, lendo a mensagem de Emma em seguida. Revirou os olhos e apagou a mensagem, se fosse pego não saberiam que Emma o informara daquilo. Saiu do carro e tentou passar despercebido pela multidão que estava na entrada; fotógrafos, pessoas que iam apenas ver, convidados que não queriam entrar para serem fotografados, etc.
entrou o convite para a mulher que estava na porta e ela sorriu em seguida. Ele não tinha forças para sorrir ou para fingir ser simpático. Só queria encontrar e sumir dali o mais rápido possível. Andou calmamente para o outro lado do salão, onde ficava o bar — e tinha vista para a entrada, aliás — e encostou-se no balcão. Pediu qualquer bebida e, quando o barman a trouxe, deu um gole e continuou encarando a entrada. Pelo jeito ainda não estava ali.
— Ei, cara — chamou o rapaz do bar. — Sabe dizer que a já chegou por aí?
— Olha, rapaz, estou aqui desde às quatro e ainda não a vi — o homem respondeu dando de ombros e voltando a fazer seu trabalho enquanto virava-se para frente novamente.
pôde ouvir alguns gritos de fotógrafos e fitou a entrada do local com mais atenção, juntando as sobrancelhas e dando mais um gole em sua bebida. Uma aglomeração maior surgiu logo na entrada e ele pôde finalmente ver o motivo daquilo tudo. Seu coração acelerou automaticamente e ele mordeu o lábio inferior ao ver atravessar a entrada com um grande sorriso no rosto.
— Parece que ela está aí agora — o barman murmurou e deu de ombros, tentando mostrar indiferença. Mas simplesmente não conseguia. Ela estava impecável. Ela usava um vestido longo vermelho tomara-que-caia que tinha um corte que ia do pé até sua coxa direita, deixando o local totalmente à mostra — como ela não sentia frio, ele não sabia —, uma sandália de saltos finos qualquer que ele não se deu o trabalho de observar. A maquiagem não era leve mas também não era pesada, um batom vermelho e alguma coisa que chamava a anteção para os olhos, ele não conhecia nada daquilo mas estava observando todos os detalhes. Os cabelos não estavam totalmente presos, mas também não estavam totalmente soltos, um brinco qualquer que ele não se deu o trabalho nem teve tempo de observar. Logo ela o encarava de volta, com um sorriso no canto dos lábios. cumprimentou algumas pessoas e entrou de uma vez por todas no salão. a acompanhou com o olhar e, quando ela o olhou mais uma vez, ergueu o copo para ela, cumprimentando-a. Ela apenas sorriu e acenou discretamente.
suspirou e largou o copo sobre o balcão, arrancando uma risada disfarçada do barman e saiu em direção a em seguida. Quando já estava próximo e pronto para gritá-la, ela se afastou mais, indo para um lugar mais reservado, provavelmente indo organizar alguma coisa. Isso o fez sorrir e ter uma ideia, talvez louca porque ele não poderia entrar onde estava indo já que haviam dois seguranças. Mas ele foi.
Um dos enormes caras parou em sua frente e o encarou com uma das sobrancelhas erguidas. revirou os olhos discretamente e disse:
— Tenho um assunto importante para tratar com . Posso? — ele apontou para o interior do local e o cara continuou em sua frente, observando-o por mais alguns segundos. já estava ficando impaciente quando o cara saiu da frente e lhe deu espaço para passar. sorriu forçadamente para os seguranças e entrou de uma vez por todas. estava organizando as últimas coisas do evento que não fazia ideia do que era, nem queria saber. Nem ao menos sabia do que se tratava o evento.
— Ei. — murmurou, fazendo se virar assustada e levar uma das mãos ao peito.
— Quer me matar do coração? — ela perguntou engolindo a seco e encarando dos pés à cabeça.
Lindo. Essa fora a primeira palavra que viera a sua cabeça. estava lindo.
— Não — ele respondeu dando uma risada fraca.
— O que faz aqui? — ela perguntou. — Não lembro de ter dado convite para você.
— Peguei o da Emma — ele deu de ombros e se aproximou mais. — E, nossa, você não me queria no seu evento?
— Aposto que ela quem te ofereceu o convite — revirou os olhos. — Não é isso, . É que... — ela mordeu o lábio inferior e ele a encarou com as sobrancelhas erguidas. — Esquece! Preciso ir. Tenho que apresentar um projeto daqui a alguns minutos — ela finalizou e passou por , indo em direção a saída. a segurou pelo braço com força, puxando-a em sua direção e colando seus corpos.
— Eu já sei de tudo — murmurou calmamente no ouvido da mulher, fazendo-a se arrepiar e fachar os olhos por alguns segundos.
— Tudo o quê? — ela perguntou enquanto ficava de frente para novamente, que não perdeu tempo em puxá-la mais um pouco.
não respondeu, apenas suspirou e pousou, lentamente, uma das mãos sobre a barriga de , fazendo-a arregalar os olhos.
— Até quando esconderia isso de mim, ? — ele perguntou baixo enquanto procurava pelos olhos assustados da mulher.
— Eu... — ela não conseguiu terminar a frase e engoliu a seco mais uma vez. — , sério, preciso ir. Depois a gente conversa.
— Depois não! — ele exclamou e soltou o braço dela, revirando os olhos. — Droga, ! Você está grávida de mim e não me diz nada?! — bufou e se aproximou dele, pousando uma das mãos sobre a boca dele.
— Não grite! — ela pediu e suspirou, largando-o. — ... Por favor, não quero estragar essa noite. É importante pra mim. Me procure no fim do evento, amanhã, sei lá! Mas agora não, tudo bem?
— Quando ia me contar? — ele perguntou ignorando tudo o que ela disse.
— Eu não ia te contar — ela murmurou, sincera. — Não dá para explicar agora, . Por favor.
— Como quiser — ele fitou o chão e suspirou. — Como você quiser, é sempre assim, né? — ele sorriu fracamante e passou a mão pelos cabelos, sem se importar se os bagunçaria ou não. — Até mais tarde. — Ele finalizou e saiu de uma vez por todas.
soltou um suspiro pesado e saiu logo em seguida.
Uma hora se passara desde a conversa e continuava lá, sempre observando-a de longe. Tentando ignorar isso, parou para conversar com um casal de jornalistas que ela não lembrava o nome muito bem. Mas não conseguia se prender na conversa, seus pensamentos voavam para e para seu bebê a cada dez segundos. Era difícil conversar daquele jeito, tão "alienada", fora de tudo. Nem sequer estava conseguindo mais explicar seu próprio projeto para a Redação.
Sorriu para o casal a sua frente e deixou seus olhos passearem pelo salão bem arrumado mais uma vez. Não demorou muito para seus olhos pousarem sobre novamente, fazendo-a desviá-los quase que desesperadamente para não se perder novamente. Mas o sorriso continuava ali. Como desfazer o sorriso depois de encará-lo daquela forma? Estava tudo dando tão certo agora. Bastava uma conversa. Uma única conversa e tudo ficaria bem.
sentiu um toque gelado em seu ombro e um arrepio percorreu seu corpo no mesmo instante, fazendo-a virar-se para o lado e dar de cara com os olhos profundos e brilhantes de , fazendo com que seu coração desse cambalhotas dentro do peito de tão acelerado.
– Com licença – ele murmurou com a voz rouca e, por alguns segundos, virou-se para um garçom que passava e entregou-lhe sua taça já vazia. — Posso roubar a senhorita de vocês por um minuto? — terminou de falar, sorrindo para o casal. A mulher, maravilhada com o cavalheirismo até então desconhecido do policial, sorriu e apenas concordou com a cabeça, sabendo que se abrisse a boca para falar algo, acabaria perguntando sobre o relacionamento dos dois. Aquela fofoca de Elizabeth não fora totalmente apagada. Nem deveria ser, aliás.
sentiu seu rosto esquentar levemente e se virou para com uma das sobrancelhas erguidas. O que realmente estava acontecendo ali?

(DEEM PLAY NA MÚSICA 2!)


— Faça bom proveito, — o homem de cabelhos grisalhos disse sorrindo maliciosamente e erguendo a taça de champanhe que segurava em forma de cumprimento. deixou uma risada fraca espacar e coçou a nuca enquanto ficava o chão por uns segundos. Virou-se para novamente, esperando apenas uma confirmação dela, que apenas sorriu. , então, segurou-a pela cintura e a guiou para o meio do salão, enfiando-os no meio de todos aqueles casais que dançavam como se nada mais ao redor importasse. E talvez realmente não importasse.
puxou para mais perto e colou seus corpos, sem se importar com o semblante confuso estampado no rosto dela.
Just like a star across my sky, Just like an angel off the page, You have appeared to my life
(Como uma estrela pelo meu céu, Como um anjo fora da página, Você apareceu na minha vida)
Feel like I'll never be the same, Just like a song in my heart
(Parece que eu nunca vou ser a mesma, Como uma canção em meu coração)
Just like oil on my hands, Honor to love you
(Como óleo em minhas mãos, é uma honra amar você!)
Still i wonder why it is, I don't argue like this, With anyone but you
(Ainda me pergunto o porque, Eu não discuto desse jeito, Com ninguém a não ser você)
We do it all the time, Blowing out my mind
(E nós fazemos isso o tempo todo, Isso esta me deixando louca)
Ela suspirou e contornou os ombros dele com os braços enquanto fitava qualquer ponto por ali para não empolgar-se com a dança e puxá-lo para dançarem encarando-se nos olhos como fora todas as vezes que fizeram sexo — ou teria sido amor? —, encará-lo nos olhos estava virando um vício. Talvez um dos melhores vícios que já tivera...
apertou mais a cintura de , fazendo-a morder o lábio inferior e colar seus corpos. soltou uma risada fraca e curvou-se o suficiente para passar o nariz livremente pelo pescoço e ombro descobertos de , deixando-a completamente arrepiada. Naquele momento, chegara a pensar que desmaiaria de puro prazer em sentir o cheiro que exalava mais uma vez; era uma misutura de algum perfume não muito doce porém extremamente delicioso e seu cheiro de verdade, que o encantava e deixava-o ainda mais... Apaixonado, vidrado, fascinado ou qualquer coisa assim. Ele apenas sentia seu coração bombardeá-lo por dentro, como se quisesse ou como se realmente fosse sair a qualquer momento, rasgando-o por completo e pulando diretamente nas mãos de . Bom, talvez fosse realmente isso que ele queria: entregar seu coração. Mas o medo estava presente ali, fazendo-o segurar-se e recuar mais uma vez.
You've got this look i can't describe, You make me feel like I'm alive
(Você tem isso que não posso descrever, você me faz sentir viva)
When everything else is a fade, Without a doubt you're on my side
(Quando tudo está dando errado, sem dúvidas você está ao meu lado)
Heaven has been away too long, Can't find the words to write this song
(O Paraíso estava tão longe, não consigo achar palavras para escrever esta song)
Oh, your love...
(Oh, seu amor...)
ergueu o rosto e procurou pelo de , que tentava não encará-lo nos olhos. Balançando a cabeça nevatigamente e segurando-a pelo rosto, a puxou para mais perto e colou suas testas, encarando-a nos olhos o máximo que pôde.
— Não faz isso — pediu baixinho, fechando os olhos em seguida.
Aí a culpa a atingiu. Simplesmente atingiu. Não havia retirado a queixa, não havia pego os documentos de volta com Charlie, não dissera que poderia estar errada. Apenas deixou tudo rolar.
Agora estava ali. Engolindo o orgulho e o ego, procurando-a, dançando com ela, encarando-a nos olhos, beijando-lhe o ombro e pescoço, deixando claro que não a largaria só por estar grávida. Pelo contrário, estava deixando claro que queria tentar e só não sabia como.
, ao vê-la de olhos fechados mas tão entregue, abriu a boca mas não conseguira dizer nada. Pelo menos não o que queria. Estava nervoso, suas mãos suavam levemente e ele estava totalmente ciente dos riscos que estava correndo caso dissesse o que passara automaticamente por sua mente. Segurou-se o máximo que pôde e suspirou, puxando para mais perto em seguida. Curvou-se novamente e depositou um beijo leve no ombro descoberto da mulher. Ao erguer o corpo novamente, encarou os olhos firmes e cruéis de Jack que se encontrava do outro lado do salão encarando-os com ódio e um sorriso falso no canto dos lábios. Autometicamente, apertou em seus braços e deu-lhe um beijo rápido no rosto, fazendo-a juntar as sobrancelhas e encará-lo.
I have come to understand, The way it is, It's not a secret anymore
(Eu já entendi como tudo acontece, Já não é mais segredo)
'cause we've been through that before, From tonight I know that you're the only one
(Porque nós já passamos por isso antes, A partir desta noite eu sei que você é o único)
I've been confused and in the dark, Now I Understand.
(Eu estava confusa, no escuro, Mas agora eu entendo)
— Eu... Preciso ir — ele disse baixo, enquanto a puxava para o meio da multidão de verdade.
— O quê?! — perguntou, piscando os olhos algumas vezes, tentando entender. — Nós... — ela suspirou — Precisamos conversar, .
— Volto no fim do evento. Me espere. — Ele pediu baixo enquanto aproximava seus rostos — Não fuja de mim, .
— Não vou fugir, — ela fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro de adentrar suas narinas com força. — Não quero fugir.
— Diz que quer ser minha de novo, só preciso disso para te garantir que volto — ele a puxou pelo rosto novamente, encarando-a nos olhos. — Não importa o tempo que demore.
— Eu não quero ser sua, disse entre os dentes e sentiu seu estômago afundar. — Eu sou sua. Estarei esperando por você no meu apartamento. Não faça besteiras.
deu um sorriso fraco e juntou seus lábios de uma vez.
Ela sabia que ele demoraria e talvez nem sequer voltaria.
Ela havia visto Charlie e os outros por lá. Apenas não dissera nada para aproveitar o momento com . O amava, o que podia fazer a não ser aproveitar? Contar tudo estava fora de cogitação, a odiaria. Talvez deixá-lo fugir fosse a melhor opção.
I wonder why it is, I don't argue like this, With anyone but you, I wonder why it is
(Eu me pergunto o porque, Eu não discuto desse jeito, Com ninguém a não ser você, Ainda me pergunto o porque)
I wont let my guard down, For anyone but you, We do it all the time
(Eu não baixo minha guarda para ninguém a não ser você, E nós fazemos isso o tempo todo
Blowing out my mind
(Acabando com minha mente)
****

Charlie deu passos largos e rápidos na direção de e puxou-a pelo braço para um lugar mais reservado.
— Para onde o foi? — ele perguntou firme e soltou um suspiro.
— Eu não sei Charlie. Ele veio conversar comigo e depois simplesmente foi embora — ela respondeu e se soltou do mais velho.
— Não minta, — ele disse firme. — Você não queria isso? Pronto, está tudo do jeito que você sempre quis. Estou aqui vindo fazer meu trabalho, eu só quero pegar ele moleque e o levar daqui.
abaixou a cabeça e suspirou. Sim, era o que ela queria quando achava que era culpado. Agora... Agora ele não era culpado. Era só o cara por quem ela estava — ou sempre esteve — apaixonada e pai do filho que carregava. Não queria entregá-lo, enrolar Charlie era a melhor opção. Mas ele era esperto demais para cair na dela. Ela estava desesperada demais, aliás, para fazê-lo cair em qualquer coisa.
— Eu realmente não sei para onde ele foi, Charlie — ela suspirou e encarou o mais velho. — Ele estava aqui, sim. Não estou mentindo. Conversei com ele por um tempo e depois ele foi embora. Não disse para onde, não disse se voltaria, apenas foi.
— Não faça como a Emma e tente protegê-lo — Charlie pediu cansado. — Zachary O'Donnel está morto. Encontrei digitais do pela casa, . Não minta, não dessita. Você disse que queria jogar no time da verdade. Aqui está ele, aqui está a verdade. Eu não queria acreditar, mas estou sendo obrigado a acreditar. Não minta, não me enrole mais.
engoliu a seco e segurou as lágrimas. A noite que queria que saísse perfeita estava indo por água abaixo.
Bem, pelo menos suas ideias foram aceitas pelos chefes da Redação.
— Eu não sei onde ele está, Charlie. Mas, por favor, quando encontrá-lo não o faça mal. Não... Não faça besteiras, Charlie. Faça-o ficar bem... Por favor — ela murmurou com a voz trêmula devido as lágrimas que já ameaçavam a cair.
— Não diga que você... Oh, céus, ! — Charlie exclamou. — Sempre deixamos claro que não era o tipo de cara por quem deve se apaixonar!
— O problema não é o que eu sinto por ele, mas sim o que carrego dele disse baixo enquanto fitava o chão, sem jeito. — Apenas não o machuque, Charlie. Por favor.
— O que carrega dele? — Charlie perguntou arqueando uma das sobrancelhas e ela suspirou antes de responder encarando-o nos olhos:
— Um filho.

****


respirou fundo e parou de correr. Estava numa parte mais vazia e calma, porém, ainda dentro daquele maldito salão. Mas que porra de lugar enorme era aquele?! estava totalmente perdido, não fazia ideia de como sair dali!
— Ora, ora, se não é interpretando o bandido da história e fugindo feito um desesperado! — A voz rouca ecoou pelo local, seguida por uma risada alta e debochada. fechou os olhos por uns segundos e se virou para trás, dando de cara com Jack.
— Vai se foder, Jack — murmurou.
— Não, não vou, — o homem se aproximou. — Mas talvez você vá. Sabe, lá na cadeia e tudo o mais... — ele deu de ombros. — Porque é para lá que você vai.
— E quem vai me levar? Você? — arqueou uma das sobrancelhas e soltou uma risada em seguida. — Você não pega nem moleques de rua e quer me pegar, Jack? Está pensando o quê? Que você é o maioral? — riu novamente. — Sai dessa, rapaz. Você é um merda.
— Sou tão merda que Charlie quer me colocar em seu lugar, né? — Jack sorriu e fecho a cara no mesmo segundo. — Sou tão merda que já sabia que sua garota, a , estava armando para te foder. Oras, , não tente me ofender. Não agora, não hoje. Você não é de nada. Sua moral está lá embaixo — Jack apontou para o chão e soltou uma risada fraca. — Confesso que a dança com a foi comovente. Mas nada que a fizesse mudar de ideia sobre você.
— Quem te garante isso, Jack? — perguntou, tentando se manter firme e não partir para a porrada. Estava carregado demais, com ódio demais, com medo demais para ficar de conversinhas.
— Ela — Jack respondeu dando de ombros. — Mas não quero falar sobre . Apenas quero te prender, então vamos colaborar, . Está na hora de para sua verdadeira casinha. Hora do mundo ver quem você realmente é. Não resista, ficará menos feio — o homem sorriu e deu um passo a frente. balançou a cabeça negativamente com um sorriso no canto dos lábios.
Cadeia? Verdadeira casinha? Oras, ele era . Não seria pego mesmo que fosse culpado.
— Você é tão inocente às vezes, Jack, que me comove — abriu mais seu sorriso e o encarou. — Você é um idiota que pensa que sabe de tudo. Acha que já não estava desconfiado sobre você estar nessa coisa de me acusar para me jogar na cadeia e tomar o meu lugar? Tudo isso por causa da surra que eu te dei há sei lá quantos anos atrás? Vire homem de verdade antes de vir tentar me prender.
(DEEM PLAY NA MÚSICA 3!)
Jack engoliu a seco, sentindo o ódio se espalhar com mais força por suas veias.
— Eu? Te acusando? — Jack riu frcamente. — Você não precisa de acusação. Basta olhar para você e te investigar por uns dois dias, . Ninguém precisa chegar e implantar coisas. Aliás, o que é ser homem de verdade para você? — Jack se aproximou mais de , encarando-o nos olhos. — Ser homem é comer todas as jornalistas investigativas com quem trabalha? Acredite, , isso não é difícil. Ainda mais com as jornalistas que você se meteu — ele riu baixo e fechou as mãos em punho.
Quem diabos Jack pensava que era para falar daquela forma de Elizabeth e ?
— Você não devia ter falado assim... — murmurou antes de dar dois passos rápidos e largos na direção de Jack, dando-lhe um soco com toda a força que tinha, fazendo-o camabelar para trás. No mesmo momento sentiu-se leve. Céus! Há quanto tempo ele esperava para poder socar aquele filho da puta?!
Even though I'm on my own, I know I'm not alone
(Mesmo que eu estou sozinho, eu sei que não estou sozinho)
Because I know there's someone, somewhere praying that I make it home
(Porque eu sei que há alguém, em algum lugar orando para que eu chegar em casa)
So here's one from the heart, my life right from the start
(Então aqui vai uma do fundo do coração, a minha direita da vida desde o início)
I need a home sweet home to call my own
(Preciso de um lar doce lar para chamar de meu)
Não demorou muito para Jack se recompor e voar na direção de , tentando acertá-lo. Mas o ódio de era tão cego e tão grande que ele nem sequer sentia a dor que deveria, apenas dava um jeito de atingir Jack novamente.
— O que é, Jack? Já quer desistir? — perguntou enquanto ficava por cima dele e lhe dava mais um soco no rosto, fazendo-o soltar um gemido baixo de dor. — Quem você pensa que é para me encarar desse jeito? — riu e o atingiu novamente. — O último que pensou que poderia me vencer acabou morto no Tâmisa. Não ligo de acabar com você por aqui mesmo — ele murmurou entre os dentes, sentindo o ódio voltar com mais força.
Não demorou muito para o rosto de Jack ficar completamente machucado. Mas o homem não queria desistir, não queria parar. Não contra . Ele precisava reagir!
It was you that told me I could do this
(Foi você que me disse que eu poderia fazer isso)
You put the music in my heart
(Você colocou essa música em meu coração)
And how you sang with the band in memphis
(E como você cantou com a banda em Memphis)
It's hard just to be strong not knowing if I've done you proud
(É difícil apenas para ser forte sem saber se eu fiz você se sentir orgulhosa)
I like to imagine you smile when you hear my songs
(Gosto de imaginar você sorrir quando você ouvir minhas músicas)
Even though I'm on my own, I know I'm not alone
(Mesmo que eu estou sozinho, eu sei que não estou sozinho)
Because I know there's someone, somewhere praying that I make it home
(Porque eu sei que há alguém, em algum lugar orando para que eu chegar em casa)
So here's one from the heart, my life right from the start
(Então aqui vai uma do fundo do coração, a minha direita da vida desde o início)
I need a home sweet home to call my own
(Preciso de um lar doce lar para chamar de meu)
Um grito baixo escapou da gargante de Jack quando ele empurrou para trás, fazendo-o cair sentado com um sorriso no canto dos lábios.
— Desista, Jack — disse, ficando de pé e arrancando o smoking que usava, jogando-o em um canto qualquer. — Você é um merda.
— Um merda que vai te jogar na cadeia — Jack disse firme e avançou na direção de , acertando-lhe um soco com todo o resto de força que ainda tinha. Fora treinado para aquilo também. Aprendera a bater assim como aprendera a apanhar. deveria saber disso.
Em movimentos rápidos e fortes, empurrou Jack para o chão novamente, imbolizando e perguntando em seguida:
— Quem vai me prender mesmo, Jack?
A letter home and I know we don't speak much
(Uma carta para casa e eu sei que nós não conversamos muito)
And we both know I'm not keen to but I think there's things I've left unsaid
(E ambos sabemos que eu não estou interessado, mas eu acho que há coisas que eu deixei de dizer)
I'm okay don't worry, I wish I'd been a better kid, I'm trying to slow down
(Eu estou bem, não se preocupe, Eu gostaria de ter sido um garoto melhor, Estou tentando abrandar)
I'm sorry for letting you down
(Sinto muito por deixar você para baixo)
Even though I'm on my own, I know I'm not alone
(Mesmo que eu estou sozinho, eu sei que não estou sozinho)
Because I know there's someone, somewhere praying that I make it home
(Porque eu sei que há alguém, em algum lugar orando para que eu chegar em casa)
So here's one from the heart, my life right from the start
(Então aqui vai uma do fundo do coração, a minha direita da vida desde o início)
I need a home sweet home to call my own
(Preciso de um lar doce lar para chamar de meu)
— Eu. — Uma vo grossa ecoou pelo local e a reconheceu logo de cara, mas não largou o corpo já fraco de Jack. — Solte-o, . Agora!
, ainda contra sua vontade, largou Jack e se levantou em seguida.
— Esse desgraçado me atacou, Charlie! — Jack explicou e foi para perto do mais velho enquanto tentava, inutilmente, limpar o rosto.
— Não duvido nada — Charlie continuava fitando com a decepção estampada nos olhos. — Não tente resistir mais, . Acabou. Game over para você. Venha comigo.
— Charlie, olha o que está fazendo... — murmurou bagunçando os cabelos e balançando a cabeça negativamente. — Que provas vocês têm contra mim? — perguntou e Charlie respirou fundo.
— Não posso te falar nada aqui, você precisa vir comigo e sabe disso, — Charlie disse firme e se aproximou do mais novo, puxando as algemas do bolso da calça.
— Não preciso de algemas, Charlie. Não sou um bandido! — exclamou revirando os olhos. Mas Charlie não respondeu, a única coisa que ele fez, fora empurrar para frente e deixá-lo de costas, puxando seus braços e prendendo-os em seguida.
— A partir do momento que você pensou ser esperto você se tornou um bandido, . — Charlie disse e o puxou em seguida.
You know it's just rock and roll, I know you're by my side through it all
(Você sabe que é apenas rock and roll, Eu sei que você está ao meu lado por tudo isso)
My terror twin and I, Let's take over the world
(Meus gêmeos terror e eu, Vamos dominar o mundo)
Even though I'm on my own, I know I'm not alone
(Mesmo que eu estou sozinho, eu sei que não estou sozinho)
Because I know there's someone, somewhere praying that I make it home
(Porque eu sei que há alguém, em algum lugar orando para que eu chegar em casa)
So here's one from the heart, my life right from the start
(Então aqui vai uma do fundo do coração, a minha direita da vida desde o início)
I need a home sweet home to call my own
(Preciso de um lar doce lar para chamar de meu)
fechou os olhos por uns segundos e se deixou ser guiado por Charlie. Não escondeu o rosto, não abaixou a cabeça, não fez nada. Apenas se deixou levar. O momento mais difícil não seria passar pela multidão de jornalistas que estava do lado de fora devido ao evento de e, agora, sua possível prisão. A dificuldade seria encarar os olhos de , mesmo que de longe, e saber que ela não fizera nada para impedir aquilo; não disse para Charlie que não tinha mais certeza, não confessou que o amava, não deve sequer ter falado sobre o filho que carregava. E aquilo o machucava. O machucava demais. Era pior que a humilhação mundial que estava passando por ser preso como se fosse um bandido qualquer.
Charlie soltou um suspiro enquanto passava pela multidão de jornalistas que nem sequer se dera conta que já estavam perto. apertou os passos para acompanhar Charlie e, ao encontrar no meio de todas aquelas pessoas, com os olhos lacrimejantes como se implorasse por perdão, ele parou. Parou para observá-la uma última vez antes de ser trancafiado numa cela sem nem ao menos saber exatamente o porquê.
engoliu o bolo em sua garganta ao sentir Charlie puxando-o com mais força e deixou-se levar novamente. Quando se dera conta, já estava dentro do carro a caminho do prédio. Mas dessa vez, com os papéis invertidos; não estava levando nenhum bandido, estava sendo levado feito um bandido.

****


Jesse suspirou e desligou o celular.
— Pegaram o — ele murmurou enquanto bagunçava os cabelos.
— Que inferno! — Eric exclamou. — Por quê? Não podiam pegá-lo assim!
— Podiam, podiam sim — Jesse suspirou novamente. — nunca foi um exemplo e nós dois sabemos disso.
— Então o jeito vai ser...
— Falar com a Emma, explicar tudo. Ela nunca fica contra o mesmo — Jesse interrompeu, dando de ombros em seguida. — Nossa semana será longa, Eric. Mãos a obra.
Pegaram suas coisas necessárias e seguiram para a garagem, entrando no carro e arrancando em seguida.
Não demorou muito para chegarem no apartamento de , onde Emma provavelmente estaria.
Jesse tocou a campainha e esperou alguns segundos.
— Sim? — Emma perguntou coçando os olhos enquanto abria a porta.
foi preso e nós precisamos fazer alguma coisa — Jesse foi direto, já adentrando o local e Emma arqueou uma das sobrancelhas.
— O quê? — Ela perguntou enquanto seguia Jesse.
foi preso, Emma. Charlie o pegou, acabaram de levá-lo — Jesse suspirou. — Vim até aqui porque sei que é a única que irá ajudá-lo o máximo que puder. E aproveitando o momento, irei explicar algumas coisas. Mas preciso que não me olhe feito um louco enquanto eu estiver falando.
Emma não disse nada, apenas deixou seu corpo sair sobre o sofá em completo choque. — Eu disse para o Charlie não fazer isso, eu disse! — Emma exclamou revirando os olhos. Estava visivelmente nervosa.
— Emma, preste atenção, ele não ficará lá muito tempo. Nós vamos tirá-lo de lá, não vamos? — Jesse a encarou e ela suspirou.
— O que temos que fazer para provar a inocência dele? — Ela perguntou e Jesse sorriu.
— Pegar algumas pessoas.
— Vamos precisar matar? — ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas. — Não faço esse tipo de trabalho.
— Não! — Jesse riu. — Pegar mesmo, nós não vamos matar quem está do nosso lado. Só preciso que não me olhe como se eu fosse louco com o que vou contar agora... — o homem mordeu o lábio inferior e Emma o fitou curiosa — Olhe, Emma, é estranho, eu sei. Mas... Bem, o Eric está vivo. Creio que se lembre muito bem dele.
Emma soltou uma risada fraca.
me disse isso hoje cedo e eu não acreditei... Vocês estão completamente malucos ou o quê? — ela perguntou enquanto se levantava.
— Abra a porta e veja com seus próprios olhos — Jesse disse enquanto esticava as pernas na mesinha de centro da sala.
Emma, contra sua vontade e revirando os olhos, abriu a porta. Uma de suas sobrancelhas se ergueu automaticamente e, segundos depois, seu queixo caiu em total surpresa.
Estava ficando tão louca quanto Jesse e ou Eric realmente estava parado naquela porta?
— Olá! — Eric exclamou e passou por Emma de uma vez por todas.
— Você morre, revive e simplesmente diz "olá!"? — ela perguntou baixo, coçando os olhos. — Vocês estão me deixando louca! O que está acontecendo, caralho?!
— Vamos explicar tudo, apenas se acalme, Cobain! — Eric disse sorrindo. — Senti sua falta, aliás.
— Você é um idiota! Como fica sumido esse tempo todo, Eric? Porra! — Emma disse alto enquanto mexia nos cabelos, com o coração acelerado em puro choque.
— Certo, se acalme. Creio que o Nicholas está dormindo e você não quer acordá-lo — Jesse murmurou, se aproximando de Emma. — Vamos explicar tudo, Emma. Pelo , se acalme.

****


não se importou de estar com a maquiagem levemente borrada e ainda vestida elegantemente, apenas atravessou o prédio e seguiu para onde normalmente faziam interrogatórios.
Não demorou muito para chegar onde estava. Observou-o pelo vidro e suspirou quando o viu olhá-la e virar o rosto em seguida. Podia ver a raiva no olhar de ; raiva porque ele não podia fazer nada e estava sendo acusado de coisas que não fizera, raiva porque não podia simplesmente levantar e socar a cara de Jack novamente, raiva porque estavam perguntando-lhe coisas que não sabia responder. Raiva de tudo.
Charlie saiu da sala bufando e se aproximou.
— Posso falar com ele? — ela perguntou baixo.
— Do jeito que ele está, ele vai tentar te bater também — Charlie respondeu com uma falsa calma.
— Por favor — ela murmurou, sentindo as lágrimas inundarem seus olhos novamente. — Droga, Charlie! Ele está ali por minha causa, será que tem como eu entrar para pelo menos tentar amenizar as coisas? Nem que seja para tentar arrancar alguma coisa dele. Por favor!
— Tudo bem, tudo bem. Depois não diga que eu não avisei — Charlie suspirou e mandou, com o olhar, que Jack saísse do local e deixasse sozinha com . O homem obedeceu e entrou, sentindo o coração dar cambalhotas dentro do peito.
Era hora de encarar finalmente.
— Vai me interrogar também, ? — ele perguntou assim que ela entrou. Do lado de fora não poderiam escutar o que falavam... Bem, poder até poderia, mas Charlie preferia não ligar as coisas e ouvir a conversa dos dois.
(DEEM PLAY NA MÚSICA 4!)
— Por favor, , não fala assim... — ela pediu e se aproximou dele. se levantou da cadeira no mesmo momento e se afastou, ficando no lado oposto.
— Você... — ele riu fraco e balançou a cabeça. — Porra, , você poderia ter tentado evitar, não é? Por que teve que acreditar no Crowley?
— Eu... — ela tentou falar, mas não conseguiu. Não saía absolutamente nada.
Could you love somebody like that, Could you attract someone like that?
(Você amaria alguém assim?, Você atrairia alguém assim?)
Could you go where people can see someone like me, Could you do that
(Você iria onde as pessoas podem ver alguém como eu?, Você faria isto?)
— Eu estava disposto a largar tudo por você, sabe? — ele a encarou. — Pedi a Emma um motivo. E ela me deu. Um ótimo motivo, aliás. A sua gravidez — ele sorriu fracamente. — E o que você faz? Espera eu engolir a porra do orgulho pra me jogar na cadeia. Sinceramente, , você pode contar a verdade pelo menos uma vez?
— Eu amo você, — ela disse baixo, deixando algumas lágrimas escaparem. — Eu não queria que você veisse para cá. Eu tentei segurar o Charlie, mas ele estava falando sobre coisas que eu nem sequer sabia! Desculpa, eu não queria te ver aqui. Aliás, você não é o único engolindo orgulho por aqui. Você não é a única vítima, droga!
Would you face me, make me, Listen to the truth even if it breaks me
(Você me encararia? Faria eu ouvir a verdade mesmo que me machucasse?)
You can judge me ,love me, If you are hating me, Do it honestly
(Você pode me julgar, me amar, Se você me odiar, Faça isso honestamente)
— Mas sou o que mais se ferrou! — ele gritou. — Minha carreira foi para o caralho! Eu já sei quem matou meu pai e ele está solto por aí podendo matar mais gente enquanto eu fico preso nessa droga de lugar! Sabe o quanto isso dói, ? — ele perguntou entre os dentes. — Você tem noção do que eu venho aguentando todos esses anos? Tem noção do que é se apaixonar por uma mulher que odeia pelo simpels fato dela ser tudo o que você sonhou? Sabe aquela mistura de sentimentos? Aquela porra chata pra caralho que enche o saco? Pois é, é o que eu sinto por você e o que tô sentindo por estar sendo acusado dessas merdas todas!
All I see are stepford like lives, Needles and knives
(Tudo que estou vendo são vidas perfeitas, Jantares e talheres)
Beautifull lies, Bringing out the green in your eyes
(Belas mentiras, Traga-me agora o verde de seus olhos)
A perfect disguise for envy and pride
(Um disfarce perfeito para a inveja e o orgulho)
Face me, make me listen to the truth, even if it breaks me
(Me encare, me faça ouvir a verdade mesmo que me machuque)
Jugde me, love me,If you are hating me do it honestly
(Você pode me julgar, me amar, Se você me odiar)
não disse nada, apenas deixou com que as lágrimas rolassem livremente.
engoliu o bolo que se formava em sua garganta e se levantou, se aproximando do vidro onde Charlie os observava e bateu com os dedos ali. Charlie arqueou uma das sobrancelhas e , com a cabeça, indicou a porta, como se pedisse para ele abrir.
respirou fundo mais uma vez e segurou as lágrimas.
, por favor — ela murmurou. — E se fosse você? — ela perguntou de repente, fazendo-o encará-la por alguns segundos. — O que faria no meu lugar?
Would you face me, make me, Listen to the truth even if it breaks me
(Você me encararia? Faria eu ouvir a verdade mesmo que me machucasse?)
You can judge me ,love me, If you are hating me, Do it honestly
(Você pode me julgar, me amar, Se você me odiar, Faça isso honestamente)
— Eu juntaria tudo, claro — ele respondeu e se virou para ela por completo. — Eu faria o meu trabalho, mas eu lutaria para retirar todas as queixas e provar sua inocência, — ele suspirou, cansado. — Eu lutaria até o fim para que você não parasse aqui onde estou agora — ele fitou o chão e deu as costas para ela novamente, indo até a porta. Parou enquanto esperava Charlie destrancar a porta e murmurou:
— Porque isso é o que se faz por quem a gente ama.
deixou seu corpo congelar totalmente e a porta se abriu segundos depois. não a encarou, não falou nada, apenas passou por Charlie que acabara de abrir a porta.
You can tell me (x4)
(Você pode me dizer)
If you're hating me, do it honestly
(Se você me odiar, faça isso honestamente)
You can tell me (x4)
(você pode me dizer)

*****


deixou seu corpo escorregar pela parede da cela onde estava sendo obrigado a ficar. Tinha ensino superior, portanto, ganhava um tratamento melhor. Mas de que adiantava? Era melhor ficar entre os bandidos e cair na porrada o tempo inteiro para ter onde descontar a raiva que estava sentindo. Raiva, dor, medo, amor... Tudo ao mesmo tempo. Por que diabos ele tivera que gostar de alguém de novo? Como se já não bastasse o que sofreu com Elizabeth! Céus! Ele era algum tipo de masoquista? Às vezes chegava a pensar que sim. Masoquista, assassino, idiota, apaixonado.
E ainda existe gente que diz que ter amor é bom.
Onde? Cadê a felicidade e as coisas coloridas com corações que ele não enxergava?
Amor, para ele, sempre fora sinônimo de dor. Bem, talvez realmente fosse. Ou talvez essas coisas só acontecessem com ele.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 5!)


finalmente sentiu uma lágrima escorrer de seus olhos e deu uma risada fraca com isso, não se dando o trabalho de secá-la. Sabia que muitas outras viriam. Estava doendo tanto, tanto! Ele nem sequer sabia explicar. O que diabos estava acontecendo? Por que ele se sentia tão mal assim com tudo o que fizera sendo que nunca se arrependera de nada? Por que tudo estava vindo à tona agora? Por que fizera aquilo com ele? Por que ela se deixara levar por Crowley? Por que diabos ela tinha que dizer que o amava? Por que eles se envolveram, afinal?! Não que tenha sido algo ruim, pelo contrário! Mas... Bem, o final está aí. Ambos sofrendo, machucados.
I am done, smoking gun, We've lost it all, the love is gone
(Está feito, a arma ainda está quente, Nós perdemos isso tudo, o amor se foi)
She has won, now it's no fun, We've lost it all, the love is gone
(Ela ganhou, agora não é mais divertido, Nós perdemos isso tudo, o amor se foi)
And we had magic
(Tínhamos mágica)
And this is tragic
(E isso é trágico)
You couldn't keep your hands to yourself (Você não conseguiu segurar suas próprias mãos)
I feel like our world's been infected, And somehow you left me neglected
(Eu sinto que os nossos mundos foram infectados, E de alguma forma você me deixou negligenciada)
We've found our lives been changed, Baby, you lost me
(Descobrimos que as nossas vidas foram alteradas, Baby, você me perdeu)
Só de pensar na possibilidade de estar no mesmo estado que ele, sentia seu coração apertar e o peso das palavras que usara caía sobre si com mais força. O que diabos estava pensando quando decidira falar com ela daquela forma? Logo ela, sua garota! Depois daquela dança e beijo maravilhosos, depois das trocas intensas de olhares, depois dos bons momentos quando estavam sozinhos... Céus! Como aquilo doía! Tudo o que ele queria era: poder abraçá-la com força e dizer que estava sentindo-se a pessoa mais feliz e boba do mundo por descobrir a gravidez dela, gritar com toda sua voz que a amava e se arrependia amargamente de ter escondido isso por tanto tempo, beijá-la após as declarações para acabarem nus novamente mostrando o quanto a desejava.
And we tried, oh, how we cry, We lost ourselves, the love has died
(E nós tentamos, oh, como nós choramos, Nós perdemos a nós mesmos, o amor morreu)
And though we tried, you can't deny, We're left as shells, we lost the fight
(E embora nós tenhamos tentado, você não pode negar, Fomos deixados de lado como conchas, perdemos a luta)
And we had magic
(Tínhamos mágica)
And this is tragic
(E isso é trágico)
You couldn't keep your hands to yourself (Você não conseguiu segurar suas próprias mãos)
respirou fundo e fechou os olhos, ainda com as lágrimas escorrendo pelo rosto. Deus! Ele estava chorando feito um bebê! Estava chorando tudo o que segurara por tanto tempo, colocando todas as suas dores para fora para, assim, talvez, amenizar tudo. As saudades do pai e de Kennedy, a frustração por não ter conhecido a mãe, por perder por uma besteira que ele poderia ter consertado, chorava também por medo; medo do que aconteceria depois, medo do que seria dele quando — na verdade, se — saísse da cadeia, medo de não conseguir provas de que é inocente, medo de Emma lhe dar as costas, medo de Nicholas sentir-se decepcionado e parar de tê-lo como exemplo, medo de sumir com a criança que carregava que também era dele. Medo de tudo. Naquele momento, até medo de respirar ele sentia.
I feel like our world's been infected, And somehow you left me neglected
(Eu sinto que os nossos mundos foram infectados, E de alguma forma você me deixou negligenciada)
We've found our lives been changed, Baby, you lost me
(Descobrimos que as nossas vidas foram alteradas, Baby, você me perdeu)
Now I know you're sorry, and we were sweet, But you chose lust when, you deceived me
(Agora eu sei que está arrependido, e nós estávamos bem, Mas você escolheu a luxúria quando você me enganou)
And you'll regret it, but it's too late, How can I ever trust you again?
(E você se arrependerá, mas é tarde demais, Como eu posso confiar em você novamente?)
não estava numa situação diferente. Estava indo em direção ao estacionamento, sem se importar se a maquiagem estava completamente borrada e se ainda estava chorando. Algumas poucas pessoas que estavam dentro do prédio tentaram perguntar o que acontecera e ofereceram ajuda. Mas não queria ajuda! Queria bem e feliz. Queria poder estar nos braços dele e ver aquele sorriso alegre de novo, queria poder contar a verdade a ele e pedir forças para lutar em um tratamento para ter o bebê... Céus, a dor era tão imensa, tão forte!
largou as sandálias de salto que carregava na mão e deixou seu corpo cair no chão, encostando-se em seu carro em seguida. Com uma das mãos acariciando a barriga, deixou com que as lágrimas caíssem com mais força. Sentia-se uma idiota, uma tola! Sabia que Crowley não prestava mas deixou-se levar. Impulsiva, como sempre fora. Sempre falaram que ela deveri pensar antes de dizer ou fazer qualquer coisa, ela nunca ouvira. Simplesmente não conseguia deixar de ser impulsiva desse jeito. Bem, agora está vendo e sentindo o que ser assim pode realmente fazer. Crowley era um idiota que apenas queria destruir e ela sabia disso! Mas não conseguia segurar a curiosidade ao encarar toda aquela papelada e observar o jeito que agia. Uma coisa juntou-se a outra, tornando esse desastre. secou as lágrimas pouco se importando com a maquiagem e se levantou, abrindo o carro em seguida. Precisava ir para casa e dormir.
I feel like our world's been infected, And somehow you left me neglected
(Eu sinto que os nossos mundos foram infectados, E de alguma forma você me deixou negligenciada)
We've found our lives been changed
(Descobrimos que as nossas vidas foram alteradas)
Jogou as coisas dentro do carro e se preparou para entrar, mas duas mãos grossas a seguraram pelos braços e a puxaram para o lado, virando-a de frente e empurrando-a contra o carro. arregalou os olhos e se preparou para gritar, mas o homem forte fora mais rápido e tapou-lhe a boca com uma das mãos, calando-a de imediato. tentou lutar, mas fora impossível. Um outro homem chegou e jogou algum líquido em um pano branco e aproximou aquilo de seu rosto. se debateu e tentou gritar quando soltaram seu rosto, mas fora impossível. Era tarde demais. Ela já havia respirado profundamente seja lá o que aquilo fosse e, então, tudo ficou escuro. A última coisa que conseguira ver fora o rosto de um dos homens que ela conhecia muiro bem. Ele já havia tentado coisas contra sua família. Matara seu pai e ela se lembrava bem. Pesquisara sobre ele por dois anos, até conseguir ser uma jornalista investigativa. E agora ali estava ele, pegando-a para fazer sabe-se lá o que.
Castellamare.
Baby, you lost me. (Baby, você me perdeu.)


Capítulo 30: End... Or not.

(Coloquem para carregar: Música 1, Música 2, Música 3, Música 4, Música 5, Música 6, Música 7 e Música 8. Perdão a quantidade de músicas, mas foram necessárias)

sentiu seu corpo doer após se mexer naquela pequena cama onde estava deitado. Então fora tudo verdade? Prisão, flashes, evento, briga com , porradaria com Jack, decepção de Charlie...? Fora tudo verdade? Ah, como ele desejava que aquilo tivesse sido só um sonho e que as dores que sentia pelo corpo fossem por causa de uma má posição enquanto dormia e tudo não passara de um maldito pesadelo...
soltou um suspiro e, por fim, abriu os olhos. Continuou ali, deitado, ignorando as dores que sentia — interna e externamente — e fitando a parede suja da cela onde estava. O que fizera com sua vida, afinal?
Ficara totalmente mudado desde que perdera o pai. Não sabia ao certo o porquê, mas mudara. Talvez fosse uma forma de esconder-se do mundo e manter-se em sua pose de durão de sempre, talvez fosse por simplesmente sentir dor demais e não saber como agir, por não ter ninguém ao sei lado de verdade. Talvez se tivesse uma mãe... O carinho de Kennedy substituiu o de uma irmã, na época. O de Emma fora aquele típico carinho de amigo que todo mundo sempre precisa, mesmo que carregado de dor assim como ele. Mas... Ele precisava de uma coisa... Maternal. Sempre se questionara por que não tivera uma mãe, por que seu pai nunca contara nada sobre ela... Sentia-se mal por isso, assim como sentia-se mal por não ter um pai. Esse, talvez, fora o maior motivo para aquela amizade deles crescer tanto. E, oras, agora estavam completamente afastados porque mudara totalmente.
tivera os pensamentos cortados ao ouvir uma voz já conhecida chamá-lo. Contra sua vontade, virou o corpo para o outro lado e encarou Charlie que estava do outro lado das grades.
— Preciso que venha comigo — Charlie tentou ser firme, mas a verdade estava explícita em sua voz; não queria fazer nada daquilo com , mas se não fizesse perderia o emprego.
soltou uma risada fraca e se levantou de uma vez, esticando o corpo para ver se, assim, a dor passava. — Até quando vou ficar aqui? — perguntou baixo, enquanto caminhava até Charlie que já destrancara a cela.
— Você conhece as leis tanto quanto eu, — Charlie respondeu calmamente enquanto o puxava pelo braço devagar.
— Realmente acredita que eu quem fiz isso tudo? — perguntou baixo e fitou o chão.
Charlie não respondeu, apenas soltou um suspiro pesado e o guiou até a maldita sala de interrogatório novamente. Um arrepio passou por sua espinha ao adentrar o local novamente. Não abrira a boca para nada na noite passada... Será que... Não! Charlie não seria louco de autorizar que usassem o mesmo métodos que usavam com bandidos para ele falar!
— O que... O que vocês vão fazer, Charlie? — perguntou baixo, enquanto engolia a seco.
Charlie soltou uma risada fraca e o encarou por alguns segundos.
— Agora sabe como os bandidos que torturou se sentiam, né? Não vamos fazer nada. Emma quer conversar com você — Charlie deu de ombros. — Ela não está olhando na minha cara por sua causa, então trate de explicar a ela que não estou fazendo mais que o meu trabalho e...
— Cale a boca, Charlie. Você não sabe o que está dizendo. Agora nos dê licença — Emma adentrou o local com o nariz empinado e tentando não olhar para Charlie.
soltou uma risada e mordeu o lábio inferior.
— Não ria — Charlie arqueou uma das sobrancelhas e se virou para Emma, que fitava as unhas longas pintadas de preto. — E você deveria parar com isso. Agora.
— Não fale grosso comigo quando não tem moral — Emma rebateu e encarou Charlie nos olhos. — Sabe mais do que ninguém que isso é errado.
— Se estivesse no meu lugar faria pior se estivesse recebendo as ordens que recebo — Charlie rebateu firme. — Conversem logo. Preciso que faça algumas coisas e o não tem que ficar recebendo visitinhas o tempo inteiro.
— Ficarei o tempo que eu achar necessário — Emma deu de ombros e não segurou mais uma risada, fazendo com que Charlie bufasse e saísse da sala em seguida.
— Não faça isso com ele, Emma — murmurou dando um sorriso de canto e abrindo os braços para Emma, que logo se jogou neles.
— Ele merece, não tem que te manter aqui — ela suspirou, enquanto apertava mais seus braços em volta de . — Está tudo bem?
— Tirando o fato de eu estar com o corpo dolorido por causa da cama e o rosto provavelmente bem fodido por causa das porradas do Jack, está sim — soltou mais uma risada e Emma se afastou, puxando-o pela mão até a mesa que ficava no centro da sala.
— Fiquei sabendo da briga de vocês. Isso te fez perder totalmente a razão, . Ele contou as coisas que você disse — a mulher suspirou e se jogou em uma das cadeiras. — Por que você não se ajuda?
— O Jack merecia ouvir tudo o que ouviu. Ele precisava saber com quem estava lidando, Emma. Não ligo se eu ficar aqui a vida inteira e ele se foder daqui a pouco — tricou os dentes e suspirou em seguida, sentando-se de frente para Emma. — Como a está?
— Não falei com ela ainda. Deixei para falar aqui — Emma sorriu e olhou para o lado, observando o vidro e não encontrando ninguém do outro lado.
— Não se arrisque assim, Emma — pediu. — Não quero falar com ela. Só queria saber se ela e o bebê estavam bem.
— Pare com isso, — Emma suspirou. — Você sabe que a ama!
— Ela me jogou aqui, Emma — ele suspirou e fitou a mesa. — Ontem... Droga, Emma — mordeu o lábio inferior ao sentir seus olhos arderem. — Eu engoli meu orgulho e me arrisquei para ir atrás dela... Chegamos até dançar naquela porra! — revirou os olhos. — E ela não fez nada para me ajudar a não chegar aqui. Dói, entende?
— Jesse e Eric me procuraram — Emma murmurou e arqueou uma das sobrancelhas. — Desculpe não acreditar em você sobre Eric. Vamos te tirar daqui e você irá se resolver com a . Ela é inocente nisso tudo, já me explicaram.
— Inocente... — riu fracamente — Por favor, Emma.
— Você é um idiota! — a mulher exclamou revirando os olhos. — Mas tudo bem, não importa. Só saiba que irá sair daqui logo.
— Charlie está voltando — apontou para o vidro e Emma se calou automaticamente. — Não se arrisque, Emma. Deixe que eles façam tudo.
— Nem pensar — Emma respondeu firme e suspirou, mas não falou nada.
Charlie adentrou a sala tenso.
— Preciso de você, Emma — ele disse tentando mostrar calma.
— O que aconteceu? — perguntou automaticamente e se arrependeu logo em seguida.
— Diga, Charlie. Meu tempo com o ainda não acabou — ela pediu, encarando o mais velho.
— Pode vir aqui fora um instante? — Charlie insistiu e Emma bufou, levantando-se em seguida.
Encarou por alguns segundos e saiu da sala junto à Charlie.
— O que houve? — Emma perguntou, cruzando os braços.
— A sumiu, simplesmente sumiu — Charlie foi direto. — Mas deixaram isso na minha sala — ele entregou o papel para Emma. — Não sei quem nem como, apenas deixaram. Estão com a , Emma.
Emma sentiu seu estômago afundar e sua cabeça latejar.
— O precisa saber — Emma disse tentando passar por Charlie que a segurou pelo braço com força.
— Está louca?! — peruntou tentando não gritar. — Se ele souber irá surtar!
— Foda-se! — Emma rebateu e se soltou. — está grávida, Charlie! Grávida!
— Isso não vai fazer com que ele saia daqui para trabalhar nisso conosco — Charlie foi firme e Emma sentiu seus olhos marejarem automaticamente.
— Por que está fazendo isso? — perguntou baixo e Charlie suspirou.
— Porque disseram que se eu não fizesse eu sairia daqui — ele respondeu no mesmo tom de voz. — Eu não posso fazer nada se tudo está contra ele, Emma.
Você não podia ficar contra ele, Charlie — Emma suspirou. — Ele te vê como um pai!
— Se ele realmente me vê dessa forma, não será com isso que deixará de ver — Charlie suspirou. — O que posso fazer? Arriscar meu emprego quando o assume para um dos policiais que matou o Crowley?
Emma não respondeu, apenas piscou os olhos para não chorar e deu as costas para Charlie, adentrando a sala onde a esperava em seguida.
não perguntou nada, apenas a olhou. Sabia que havia algo errado, sabia que Emma e Charlie não estavam bem e sabia que ela continuava em seu apartamento depois que fora preso.
— Certo, tudo bem — Emma murmurou e suspirou. — Assume pra mim que ama a e eu te tiro daqui em no máximo dois dias.
arregalou os olhos e soltou uma risada depois.
— Está louca? — ele perguntou. — Tenho certeza que Jesse e Eric não falaram nada disso para você. Agora me conte o que está acontecendo por aqui. Estou preso mas não quero ficar por fora.
— Eu já tenho certeza que se aceitar minha proposta eles me ajudam a te tirar daqui essa noite. — Ela rebateu firme e engoliu a seco.
Era verdade. Bastava ele dizer que queria sair de lá que Jesse, Eric e Emma mexeriam seus pauzinhos e o colocava fora daquele maldito lugar.
— Sei que Charlie pensa em me transferir para ficar com outros presos, Emma. Como vocês me tirariam daqui? — murmurou, pensando nas possibilidades.
— Daremos um jeito. Charlie te jogará no meio de todos os outros bandidos, brigue com um e eu faço ele tirar você de lá — Emma deu de ombros e sorriu fracamente, lembrando-se da influência que Emma tinha por ali. Ela faria o que quisesse e quando quisesse naquele naquele prédio e ninguém falaria ou faria nada... Pelo simples fato dela ser Emma Cobain.
suspirou novamente e encarou a amiga.
— Certo, você vai ouvir o que quer — ele mordeu o lábio inferior e soltou uma risada fraca, fitando a mesa em seguida. — Eu... Eu a amo tanto que chega doer, Emma — ele levantou os olhos para a amiga novamente. — Eu não sei o que faria se acontecesse algo a ela por minha causa, de verdade. E eu sei que Crowley só foi atrás dela por ela estar envolvida comigo, eu sei que ela só está metida nisso tudo por minha culpa — ele suspirou novamente. — Não precisa me tirar daqui, Emma. Apenas tire-a dessa confusão toda antes que seja tarde.
— Talvez já seja tarde — Emma murmurou e estreitou os olhos. — Estão com a , .
— Como é? — perguntou arqueando uma das sobrancelhas e soltando uma risada nervosa. — Não vem com essa só para eu aceitar a fugir, Emma! Pelo amor de Deus!
— Não é isso. Olhe — ela estendeu o papel que Charlie lhe dera e nem sequer lera para —, deixaram isso para o Charlie e ele disse que estão com ela. Não li o bilhete, apenas o trouxe.
Sentindo a raiva lhe dominar, pegou o papel com rapidez e o abriu, quase rasgando-o.
"Olá! Sentiram minha falta? Espero que sim. Me digam, já deram falta da senhorita ? Sim, aquela mesma, a jornalista intrometida que jogou o na cadeia — e isso foi um ótimo trabalho, aliás — sendo que estava tendo um caso com ele! Vocês sabem quem é, não é mesmo? Então, saibam que ela está aqui e não irá durar muito. Tiraram a vida do Crowley, tiraremos a dela. Não que eu gostasse dele, pelo contrário, me fizeram um favor. Mas, bem, a bonitinha aqui estava metida com ele. E não adianta colocarem o atrás de mim, vocês não irão me encontrar..."

E então parou de ler. Jogou o papel para cima de Emma novamente e respirou o mais fundo que conseguiu. Mas a raiva não ia embora, ela continuava ali, atentando-o, possuindo-o. se levantou e caminhou até a parede mais próxima em passos rápidos, socando-a com força em seguida.
Emma não se mexeu, apenas deixou ele se expressar. nunca se importou com a dor física. Nunca ligara de ir para as ruas e brigar com bandidos, levar tiros ou dar tiros, nunca se importou de ter que pular de um lugar alto só para não perder o maldito de vista, nunca se importou de jogar o carro contra outro para pegar quem fosse necessário, nunca se importou com nada daquilo. Naquele momento, ele também não se importava e socar a parede era a única coisa que podia fazer para expressar a raiva que sentia.
— Avisa ao Eric e o Jesse que eu saio daqui hoje — disse entre os dentes. — Não importa como, Emma. Nem que seja pela porta da frente, na cara de pau e com toda essa gente atrás de mim.
— Eu já tenho tudo pronto — Emma sorriu e se levantou, parando ao lado do rapaz. — Ou achou que eu viria aqui para falar com você e te deixar informado de tudo o que está acontecendo a toa? O certo era você nem sequer passar a noite aqui. Charlie vai mesmo te mandar ficar junto com os outros bandidos, então trate de arrumar briga assim que pisar na cela nova.
riu fracamente.
— Perderá seu emprego.
— Melhor perder o emprego que perder o amigo, .
sorriu e puxou Emma para um abraço rápido.
— Me tire daqui essa noite e eu vou salvá-la, Emma. Não importa onde ela esteja — ele sussurou e Emma sorriu, afastando-se dele em seguida.
— Eu sei que sim. Falarei com Richard assim que você arrumar briga, porntanto, não demore.
— Richard é apaixonado por você... — sorriu de lado e massageou a mão que começara a doer.
— Ele sabe que nunca teremos nada, ele é só o chefe dos chefes — ela deu de ombros. — Daqui a uma hora mais ou menos, Charlie tomará a decisão definitiva, eu acho.
— Tudo bem, Emma. Seguirei suas ordens — deu de ombros e Emma sorriu abertamente.
— Até mais tarde — Emma murmurou piscando um dos olhos e apenas sorriu.

****


Jesse suspirou e encarou Castellamare em seguida.
— Você quer que eu invada o prédio para matar o ? — perguntou, arqueando uma das sobrancelhas.
— Quero ele fora daqui, Jesse. Essa jornalista — ele apontou para que tinha os olhos estreitos e lágrimas rolando deles como cachoeira — é a maior paixão dele. Eu sei que ele dará um jeito de vir buscá-la, portanto, quero me divertir antes de acabar com ela.
sentiu o desespero invadir seu corpo mais uma vez. Estava ali desde a noite anterior, sentada em uma cadeira desconfortável, com o vestido rasgado até os joelhos — já que Castellamare dissera que aquilo atrapalharia sua caminhada — e com as mãos e pés amarrados com força. Ouvir aquelas coisas a desesperava mais ainda. E seu bebê, como ficaria? Sabia que poderia perdê-lo a qualquer momento. Ficar ali apenas piorava a situação. Jesse passou os olhos por ela por alguns segundos e tentou demonstrar algo no olhar, mas não entenderia. Não com o medo que estava sentindo.
— Entendi — Jesse deu de ombros, mostrando indiferença. — Irei atrás dele mais tarde, no horário que não tem tanta gente.
Castellamare apenas sorriu antes de caminhar lentamente na direção de , que apenas se encolheu contra a cadeira, tentando não fitá-lo nos olhos.
— Lembra-se de quando me enfrentou, garota? — ele perguntou baixo, se proximando mais dela. — Matei seu pai no dia seguinte — ele sorriu e deixou as lágrimas, agora de ódio, caírem com mais força. — Não precisa chorar, . Seu pai mereceu. Ele andou procurando o que não devia, assim como você — ele segurou o rosto de com uma das mãos, forçando-a a encará-lo nos olhos. — Saiba que você e já tinham o destino traçado, bonita. Seu pai tornou-se amigo do pai dele assim que descobriram coisas sobre mim. Ou não se lembra que seu pai fazia serviços para a equipe de Charlie às vezes? Assim como você — Castellamare sorriu. — Incrível como você e seguiram exatamente os passos dos pais! — exclamou, dando uma risada fraca e soltando o rosto dela violentamente. — Isso até que foi divertido. Acabei com eles e agora posso acabar com vocês, sim?
não respondeu, apenas engoliu a seco, tentando não deixar lembranças invadirem sua mente. Tudo o que menos precisava era de lembranças. Precisava manter-se firme. Lembrar de seu pai e da forma que fora morto não era algo que a fazia bem.
— Vá para o inferno, Castellamare — ela sussurrou, ignorando totalmente o medo que tentava lhe dominar.
— Vou. Um dia, quem sabe? — ele sorriu. — Hoje, infelizmente, é o seu dia de ir conhecer o diabo.
não deixará você me matar — ela sussurrou tentando se mostrar firme, mas nem sequer tinha certeza daquilo.
Castellamare riu.
— Com a raiva que ele está sentindo de você? Acho difícil...
— Vá se foder, velho maldito! — disse alto e Jesse, que ainda estava do outro lado, virou-se de costas para rir.
No segundo seguinte, um barulho ecoou por todo o local e sentiu seu rosto queimar enquanto alguns fios de cabelos grudavam no mesmo.
— Não sou como o que você manda ir se foder e apenas faz ameaças idiotas — Castellamare disse sério, enquanto a puxava pelos cabelos, fazendo-a olhá-lo nos olhos. — Você não manda em nada aqui, . É bom que se comporte.
Jesse encarou a mulher por alguns segundos e sentiu-se a pior pessoa do mundo por não poder fazer nada. Na verdade, ele até poderia. Mas caso fizesse, a colocaria em uma situação pior.
engoliu as lágrimas tentando ignorar a dor que sentira pelo tapa de Castellamare e, automaticamente, por tê-lo tão perto, juntou sua coragem e cuspiu no rosto do mais velho, fazendo-o fechar os olhos com raiva. sabia que algo pior viria, mas não se importava.
— Você vai se arrepender disso, — Castellamare murmurou enquanto puxava um lenço qualquer do bolso do casaco e limpava o rosto. — É bom que tenha assistido tudo o que fez com os prisioneiros que não abriam a boca para ele.
deixou seus olhos se arregalarem automaticamente e Jesse teve a mesma reação, virando-se para Castellamare o mais rápido que conseguira.
— Não faça nada que vá se...
— Não se meta, Jesse — Castellamare o interrompeu e se virou para novamente.
O que diabos aquele velho faria?
— Vai me torturar, Castellamare? — perguntou num fio de voz, mas com um sorriso debochado no canto dos lábios. — Em troca do quê? Não sei de nada que vá te ajudar... — ela deu de ombros — Isso só vai piorar sua situação quando me encontrarem... Eu estando morta ou não, você sabe o que irá te acontecer. Ainda mais se aparecer aqui... — ela riu baixinho — Ele já sabe quem é você, já sabe o que fez para o pai dele... Ele pode estar preso, mas irá te pegar nem que seja necessário fugir ou entregar tudo o que sabe para Charlie — ela encarou Castellamare nos olhos. — Me torture, me mate, faça o que quiser. Mas não esqueça: Se te pegar, ele te mata. Quer os motivos? — ela arqueou uma das sobrancelhas, desafiando-o. — Primeiro: você matou o pai dele. Segundo: está prestes a me torturar até a morte. Terceiro: estou grávida — ela sorriu fraco. — Você sabe quem é o pai do meu bebê e sabe que já fez muito mal para ele. Sabe também do ódio que ele guarda por você por vários e vários outros motivos que não tenho conhecimento. Agora cabe a você, Castellamare: vai acabar logo com isso como um bom velho mafioso e psicopata ou ficará enrolando sabendo que, se demorar demais, não terá como fugir?
Castellamare não respondeu, apenas deu as costas para a mulher e andou até Jesse, murmurando em seguida:
— Fique de olho nela. Volto em dez minutos.
Jesse apenas afirmou com a cabeça.
Logo Castellamare sumiu das vistas de , fazendo-a suspirar aliviada.
— Como está seu rosto? — Jesse perguntou e permaneceu em silêncio. — Vamos, , pode conversar comigo.
— Quem é você? — ela perguntou fitando-o por alguns segundos.
Jesse olhou em volta para confirma se Castellamare havia saído e se aproximou da mulher em seguida.
— Sou Jesse — ele murmurou enquanto se abaixava na frente de . — Sei que é meio difícil de entender, mas sou amigo do e estou fazendo de tudo com a Emma para tirá-lo da cadeia — ele encarou a mulher que tinha uma das sobrancelhas erguidas. — Sim, irei te ajudar aqui.
— Por que eu acreditaria em você? — ela perguntou baixo, se encolhendo mais na cadeira.
— Porque sou a sua última esperança para que fique viva até conseguirmos tirar o da cadeia — ele respondeu calmamente. sentiu seu coração disparar e fitou o homem a sua frente.
— Explique melhor — ela pediu baixo e Jesse sorriu.
— Estou com Castellamare porque é necessário — ele começou enquanto sentava-se no chão e afrouxava os nós da corda nos pés de . — Descobri coisas e posso jogá-lo na cadeia, mas recebi uma proposta melhor de um amigo de . Suponho que já tenha ouvido falar de Eric — ele encarou por uns segundos que apenas afirmou com a cabeça. — Ele está vivo. Mas isso não vem ao caso, você não precisa saber de tudo. Ele me ofereceu algo melhor na época em que eu o ajudei a sair daqui. A única coisa que preciso agora é jogar Castellamare nas mãos de .
— Por isso vai tirá-lo da cadeia? — ela perguntou baixo enquanto suspirava aliviada por sentir seus pés mais soltos. — Vai trazê-lo para cá e...
— Sim. Você fugirá e tentará salvar essa criança — Jesse apontou para a barriga de . — Sei de muitas coisas, inclusive seu problema. Para estar aqui precisei trabalhar muito, . O que realmente importa, afinal, é: você sairá daqui viva. O resto será tudo comigo e com o . Só acredite em mim. Não sou como o Crowley, falo sério. respirou fundo e encarouo Jesse mais uma vez.
— Vai acabar tudo bem? — ela perguntou. — Digo... Vocês vão trazer aqui a força. Acredito que Charlie está convencido demais sobre tudo o que ouviu a respeito dele. Acha que vai acabar tudo bem? Acha que isso dará certo?
— A única coisa que acho e tenho certeza, , é que você irá aceitar essa oferta e tentará ajudar o cara que ama — Jesse respondeu firme, fazendo-a engolir a seco e desvilar o olhar.
riu fracamente, fitou Jesse por mais alguns segundos e murmurou:
— Ainda bem que sabe.

****


bufou e fitou Charlie por mais alguns segundos.
— É injusto! — exclamou. — Porra, Charlie! Sou formado em Direito, eu não vou ficar com aqueles desgraçados!
— Está com medo de todos descontarem o que você já fez a eles? — Charlie arqueou uma das sobrancelhas. — Não é escolha minha, .
— Pelo amor de Deus! Já é errado me manterem preso com as provas que têm... — murmurou revirando os olhos. — Vai quebrar mais uma lei e me jogar numa cela com mais outros dez caras? Todos que eu joguei naquele inferno?
— Não estamos quebrando leis! — Charlie rebateu. — Você tem que me agradecer que não estou simplesmente te pegando e jogando lá. Ainda tive a consideração de vir avisar e você quer reclamar?
— Vou reclamar até você notar a merda que está fazendo! — segurou-se para não gritar. — Você sabe que está errado, Charlie...
— Chega! — Charlie disse alto. — Podem levá-lo.
Após dizer isso, Charlie saiu da sala onde estavam e os outros dois policiais que estavam presentes na sala puxaram pelo braço com pressa, fazendo-o dar uma risada debochada.
Não sentia pressa, nem necessidade de fazer o show que havia acabado de fazer. Sairia dali em algumas poucas horas, que mal faria poder arrebentar a cara de certos caras que ele jogara na cadeia? Seria divertido. Sabia que Richard, o tal apaixonado por Emma e que tinha um cargo maior que Charlie, queria castigá-lo. Por isso estava quebrando quase todas as regras existentes na Inglaterra para jogá-lo junto com os marginais que ele já havia jogado na cadeia. Richard sempre tivera uma pequena raiva de já que John vivia encarando-o e fazendo o que queria por ali. seguiu os passos do pai e acabou ganhando a raiva de Richard.
tinha um sorriso debochado nos lábios quando os seus antigos compnheiros de trabalho o jogaram em uma cela que tinham, no mínimo, três homens que ele prendera. Mas não se importava. Mataria os três com as próprias mãos se fosse necessário. Ah, mataria Richard logo depois também por jogá-lo naquela merda.
— Vejam só se não é o culpado por estarmos aqui... — Um dos caras disse alto o suficiente para ouvir e soltar uma risadinha debochada. — O que traz o melhor policial — o rapaz estufou o peito ao falar — até aqui?
— Nada que seja da sua conta — respondeu calmamente, dando de ombros em seguida e apoiando-se na parede.
— Não venha tirar marra aqui, . Você...
— Para você é e sabe disso — o interrompeu sorrindo. — Não venha você tirar marra comigo, meu caro. Quem você pensa que é? — arqueou uma das sobrancelhas, ainda sorrindo. — Olhe, rapaz, me deixe quieto se não quiser conhecer o inferno.
— Quem vai me levar para conhecê-lo, ? — O rapaz perguntou se levantando e manteve-se encostado na parede. — Você? Não, não, — ele sorriu debochadamente. — Você está na merda agora, meu amigo. Está lá embaixo — ele apontou para o chão e permaneceu sério. — Você está acabado, queridinho da Inglaterra — o rapaz sorriu mais abertamente ao notar desviar os olhos por uns segundos ao escutar seu primeiro apelido quando começou a trabalhar com Charlie.
Queridinho da Inglaterra, Pequeno , Mascote, El Matador... Tantos apelidos, tantas lembranças...
— Então você é dessa época? — perguntou enquando seu sorriso debochado surgia no canto de seus lábios novamente. — Veja só, você não esqueceu meu apelido favorito. Pelo jeito não parou de ler sobre mim, não é mesmo? Então você é um dos que estavam na minha cola, sim? Suponho também que colocou vários amiguinhos seus atrás de mim... Está lembrado que todos morreram, sim? E foi justamente nessa época — desencostou da parede e se aproximou do outro —, que todos os meus apelidos foram para o espaço e surgiu o El Matador. Lembra-se desse? — sorriu. — Na época ele foi o meu preferido. Hoje em dia eu prefiro o queridinho da Inglaterra. Mas era muito bom ser conhecido como O Matador em qualquer lugar do mundo porque bandidos não têm vez comigo. Portanto, amigo, surgiro que fique longe de mim se não quiser ter o mesmo destino que seus amiguinhos.
O silêncio se instalou pela cela e sorriu debochadamente mais uma vez, balançando a cabeça negativamente. Encostou-se na parede novamente e observou todo o local pela primeira vez. Onde diabos Charlie pensou que ele dormiria? Por sorte, a essa hora, Emma já estava conversando com Richard e tentando tirá-lo dali.
Uma hora se passara e alguns policiais surgiram ali, abrindo as celas e levando os presos para alguma espécie de pátio que não conhecia bem e nem sabia o porquê de irem até lá se nem sol estava.
Ao chegar sua vez, não se moveu, apenas continuou parado e encostado na parede. O rapaz com quem discura antes soltou uma risada fraca ao passar por ele.
— Você também vem — um dos policiais falou, fazendo-o revirar os olhos e caminhar calmamente até o local indicado.
— Ei, Robin, tem cigarro aí? — perguntou antes de sair de uma vez por todas.
O tal Robin revirou os olhos e jogou um maço de cigarros e um isqueiro para , que sorriu agradecido.
— Você sempre quebra meu galho, rapaz. Obrigado! — piscou um dos olhos e correu para o lado de fora. Robin era um cara legal e merecia algo maior que ficar levando presos para lá e para cá.
, cansado de toda aquela palhaçada já que Emma disse que não demoraria mais que algumas horinhas para tirá-lo de lá, jogou-se em um dos bancos e acendeu o cigarro. Tragou-o com vontade e segurou a fumaça por alguns segundos, soltando-a devagar e sentindo todo seu corpo relaxar. Era incrível como aquela porra de nicotina o acalmava.
Uma risada fraca escapou atrás de e ele arqueou uma das sobrancelhas, virando-se para o local, sem tirar o cigarro da boca. Revirou os olhos em total deboche e voltou a apareciar seu cigarro calmamente.
— Diga-me, , o que acha de acertarmos as contas agora? — o rapaz de mais cedo disse firme e riu fracamente, ignorando-o completamente e voltando a atenção para o cigarro. — Está com medo, ?
— Medo de quê, amigo? — se virou para ele de uma vez, ainda com o cigarro entre os lábios. — De te matar de tanta porrada? Não sinto medo disso, não — ele deu de ombros. — Nem de suas ameaças, elas não assustam.
— Então por que não vem? — ele desafiou e estreitou os olhos. Aquele seria seu primeiro, então? — Vamos acabar com isso, . Vamos ver se sua fama de Matador era de verdade.
sorriu ainda de uma forma debochada e respondeu calmamente:
— Não vou porque aqui tem aquele esquema de solitária, né? Não estou a fim de dormir com ratos e em meio a vômitos de outras pessoas por acabar com sua raça.
— Frescura! — o outro exclamou balançando a cabeça negativamente. Não demorou muito para mais dois presos se aproximarem, conhecia aqueles rostos. Não lembrava de onde, mas conhecia. E sabia o que aconteceria ali também.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 1!)


— Quanto tempo temos? — perguntou baixo, sentindo-se um tanto quanto ameaçado pela primeira vez no dia.
O rapaz sorriu com a pergunta de e respondeu:
— Quanto quisermos.
— Então o que estamos esperando? — perguntou arqueando uuma das sobrancelhas e largando o cigarro no chão. Levantou-se em seguida e encarou o preso a sua frente. Céus, como seria bom estourá-lo na porrada! Ainda com uma tranquilidade desconhecida, arrancou a camisa e jogou-a em qualquer outro lugar. Não ligava para o frio, até porque seu sangue esquentaria logo.
— Cuidar de um é fácil, talvez de dois também seja... — o rapaz murmurou e mordeu o lábio inferior. — Mas o que acha de tentar cuidar de três?
— Enquanto dois me seguram e você me soca? — riu. — Não, não. Um de cada vez. Cada um acerta suas contas. Vocês não eram quadrilha — apontou para os três que o cercavam. — Só têm uma coisa em comum que é: quem jogou vocês aqui. Vamos lá, quem será o primeiro a conhecer o capeta? Que tal em ordem de prisão? — debochou mais uma vez e o rapaz a sua frente fechou as mãos em punho. Com apenas um olhar que lançou para os outros, eles se afastaram de , fazendo-o sorrir com isso.
— Agora é a hora que você se arrepende por ter nascido e virado um policial para me jogar aqui, — ele murmurou entre os dentes e caminhou na direção de .
riu debochadamente com a infantilidade que aquele homem exalava e manteve-se parado até ele estar próximo o suficiente. Ao notar a proximidade boa, deixou a cabeça cair levemente para o lado e, como se tudo ficasse em câmera lenta, deu um passo a frente, acertando um soco rápido na boca do estômago do outro, fazendo-o urrar de dor.

I get this feeling sometimes
Like theres nothing in the world that isn't mine
And I could have it all
Maybe I should have it all
(Eu tenho esse sentimento às vezes
Como se não houvesse nada no mundo que não fosse meu
E eu poderia ter tudo
Talvez eu devesse ter tudo)

— É bom que saiba lutar alguma coisa — sussurou enquanto o empurrava para longe e mexia o pescoço, como se estivesse se alongando para algum exercício de academia. — Porque eu luto de tudo um pouco desde pequeno, meu caro. Agroa vamos lá, me mostre o que realmente sabe — finalizou enquanto o chamava com um dedo, deixando-o ainda mais raivoso.
sorriu com aquilo e assistiu ele se aproximar para acertar-lhe um soco no rosto, que passou apenas de raspão. Ainda com um sorriso debochado nos lábios, acertou-o em seguida, fazendo-o cambalear sem soltá-lo, fazendo com que os dois caíssem no chão.
Socos, chutes, gritos...
E os policiais assistiam do outro lado. Se tinha uma coisa que todos dali sempre gostaram de assistir, essa coisa era: brigando. Era inspirador! Eles se sentiam em Vegas assistindo alguma luta da UFC.
saiu de cima do rapaz finalmente e deu alguns passos para trás, balançando a cabeça negativamente.
— Eu disse, amigo, eu disse... — ele murmurou enquanto fitava o rapaz levantando-se devagar. — Desista enquanto há tempo.

I'll take you out of your life
Just the one sweet night
And you could take it all
Oh maybe I could rip it off
(Eu vou levar você para fora da sua vida
Só uma noite encantadora
E eu poderia levar tudo
Oh talvez eu possa enganar)
It's easy to pick and choose
With you and me we can only lose
Just don't fight me off
And I won't write you off
(É fácil escolher e pegar
Com você e eu nós podemos só perder
Só não me esnobe
E não vou te eliminar)

— Desistir... — ele riu fracamente — Diga-me, , você desistiu de me prender?
não respondeu mas gostou do que ouviu. O rapaz tinha atitude, era forte, brigava bem. Mas não era o suficiente para ele ainda. balançou a cabeça negativamente e passou a mão pelo canto da boca que escorria um pouco de sangue. Mordera o lábio com força no meio da briga enquanto tentava desviar dos socos do rapaz.
— Me diga uma coisa — começou e todos no local encararam a cena sem entender nada. Quem diabos parava de brigar para conversar? — Qual o seu nome?
O rapaz riu fracamente mais uma vez.
— Já se esqueceu, ? — ele se ergueu completamente. — Christopher. Christopher Adams, . Lembra-se de quando matou meu pai? Lembra-se por que parei aqui?
engoliu a seco ao ouvir aquele nome.
Se lembrava muito bem o que fizera com o pai daquele rapaz. Mas não se arrependia, nem um pouco. Oras! Eles mereceram o sofrimento que tiveram.
— Seu pai não prestava — disse entre os dentes, sentindo a raiva correr por suas veias agora, de verdade. — Você também. Não me arrependo do que fiz e faria de novo.
— Eu sei que faria — Christopher encarou-o com ódio. — Assim como eu faria de novo o atentado sobre você.
sentiu o coração falhar e estreitou os olhos.
— Então foi você?

Take me in and then you push me out
Fall all over yourself tonight
And just don't let it go, without a fight
Take me in and then you push me out
Fall all over yourself tonight
And just don't let it go, let it go
(Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora
Caia em si mesma hoje à noite
E só não deixe-o ir, sem uma briga
Leve-me para dentro e depois empurre-me para fora
Caia em si mesma hoje à noite
E só não deixe-o ir, deixe-o ir)

— Achou que James e Gabe teriam capacidade para criar algo daquele tipo? — o rapaz riu. — Você matou meu pai, . E assim como você queria vingança pelo teu, eu queria pelo meu.
— Pra isso tentou me matar... — riu — E está confessando isso agora na frente de todos? É bom ver que está aceitando o fato de que não passará de hoje.
— Não sinto medo de você, . Nunca senti — Christopher rebateu firme.
Os policiais que observavam, agora estavam tensos. Teriam que interferir, porque não era mais diversão. Aquilo estava ficando sério, pessoal.
rosnou e deu dois passos rápidos na direção de Christopher, acertando-lhe mais um soco. Os outros presos que observavam a cena, tinham os olhos arregalados e queixos caídos. Não mexeriam com , não depois de ver aquilo. Foda-se que ele quem os jogou na cadeia!
Christopher riu debochadamente e acertou um soco no rosto de , fazendo-o ir para trás. Não era tão fraco quanto aparentava. Não estava cansado como mostrara. Lembrar-se do que fizera o atiçava, deixava-o mais forte, com mais vontade. Não sairia da cadeia e tinha consciência disso, mas também não sairia dali sem ter um bom prejuízo.
Uma voz grossa e alta ecoou pelo local, reconheceu-a logo em seguida, mas nem por isso soltou-se de Christopher, acabaria com aquele desgraçado da mesma forma que acabou com seu pai.
— O QUE ESTÃO OLHANDO? ESTÃO SE DIVERTINDO COM ISSO? — Charlie gritou novamente enquanto atravessava os portões com pressa. — ANDEM! ME AJUDEM! E VOCÊS VOLTEM PARA SUAS CELAS!
riu fracamente depois de acertar mais um soco no rosto de Christopher. Antes de Charlie se aproximar o suficiente para seperá-los, segurou o outro pela nuca com força e o puxou para baixo, levando o rosto do rapaz em direção ao seu joelho, levantou-o o pouco e deixou o rosto de Christopher se chocar contra ele com força, fazendo-o soltar um gemido alto de dor.

So here I am again
Singing songs about the summer
Cause that's when you and me
When we came to be
(Então aqui estou eu de novo
Cantando canções sobre o verão
Porque foi quando você e eu
Quando nós nos tornamos)
I brought you home to my guitar
And told you how sweet you really are
Cause you know what's on my mind
Is you getting all this time
(Eu trouxe você para casa para minha guitarra
E te falei o quão encantadora você realmente é
Porque voce sabe o que está em minha mente
É você conseguindo todo esse tempo)
It's easy to pick and choose
With you and me we can only lose
Just don't find me out
And I won't fight you off
(É fácil escolher e pegar
Com você e eu nós podemos só perder
Só nao me descubra
E eu não vou te enfrentar)

Christopher, completamente tonto pela força do golpe, deixou-se cair no chão com as mãos no rosto, sentindo sua cabeça latejar.
sorriu com isso e esticou os braços, ignorando as leves dores que sentia, como se estivesse se alongando para outro exercício.
— E aí, quem é o próximo? — perguntou de uma forma debochada, já que Charlie se aproximava em passos rápidos e largos.
— Não terá próximo — Charlie disse sério. — Vista a camisa e venha comigo. Agora!
Ainda rindo e ignorando a dor que sentia do rosto, foi ao encontro de sua camisa e o maço de cigarros que largara no chão. Pegou-os e vestiu a camisa, caminhando em passos largos e rápidos até Charlie em seguida. Ao passar por Robin, o policial o qual lhe cedeu os cigarros, jogou o maço e o isqueiro para ele e agradeceu antes de seguir Charlie com mais rapidez.
Charlie estrava estressado.
Muito estressado.
— Qual é, Charlie...
— Cala a boca! — Charlie cortou-o com raiva e se virou bruscamente, dando de cara com e empurrou o rapaz na parede mais próxima. — Eu acho bom você abrir a boca agora, . Eu realmente acho. Ou juro que te jogo em um lugar com mais bandidos que esses e que vão te juntar para acabar com você de verdade.
— Não vou simplesmente abrir a boca para dizer que sou culpado por uma coisa que não fiz — rebateu. — Pare de se iludir com isso!
— Então prove que é inocente — Charlie pediu baixo. — Não quero me decepcionar com você, . Não mesmo. Então cresce. Seja homem e encare a situação de frente.
— Por que está acreditando nos outros, Charlie? — perguntou baixo e Charlie riu fracamente.
— Não estou acreditando em ninguém, . Apenas estou indo para onde as evidências me levam. Ou eu te prendia ou eu perdia o emprego — Charlie suspirou. — Chega uma hora que eu não posso simplesmente te proteger.
engoliu a seco e não respondeu. Apenas voltou a seguir Charlie que já voltara a andar. Charlie acreditava nele, no fim das contas?
— Se eu fizer uma última merda, você...
— Não! — Charlie o cortou. — Pare com isso, . Apenas pare. Não tente fazer mais nada, não vou te apoiar, assim como também não irei te afundar. Richard está aqui e você sabe que ele manda mais do que eu.
— Richard que vá para o inferno! — exclamou, bufando em seguida.
— Seu pai disse a mesma coisa sobre Richard e foi fazer justiça com as próprias mãos — Charlie parou e se virou para novamente. — Agora me diga, , onde está o seu pai?
não respondeu e ignorou as lágrimas de raiva — ou talvez fosse tristeza também — que surgiram no canto de seus olhos enquanto enrava Charlie com firmeza. Não desistiria de sua ideia, não faria Emma desfazer tudo o que provavelmente já programara com Eric e Jesse. Não desistiria de . Não de novo.
Charlie passou as mãos pelo rosto e não disse mais nada, apenas voltou a fazer seu caminho com em seu encalço.
estava, mais uma vez naquele dia, sentado de qualquer jeito naquela cadeira desconfortável daquela maldita sala onde eram os interrogatórios eram feitos. Richard o encarava com curiosidade, perguntando-se vez ou outra como diabos o garoto conseguira puxar tantas semelhanças de John. Charlie estava encostado na parede do outro lado da sala, pensativo.
— Vamos ficar aqui brincando de quem fica mais tempo em silêncio ou vão me falar o que decidiram para mim? — perguntou sem paciência.
Richard arqueou uma das sobrancelhas e soltou uma risada fraca.
— Você não manda aqui, . Ficaremos em silêncio até quando eu quiser — o mais velho disse firme, enquanto sorria fracamente. revirou os olhos e soltou uma risadinha debochada.
— Então fale por você e pelo Charlie — rebateu firmemente e Charlie segurou uma risada.
Charlie e Richard não se davam tão bem e aquilo não era segredo para ninguém. Mas assumiam que eram bons profissionais e precisavam trabalhar juntos. Charlie não iria esconder que adorara ver , seu garoto, falar com Richard daquela forma.
— Olhe o respeito, garoto. Seu pai não te deu educação enquanto estava vivo? — Richard perguntou arqueando uma das sobrancelhas e coçando o nariz em seguida.
— Nunca gostei muito dessa coisa de ser muito educado, sabe? — deu de ombros de um jeito debochado. — Só sou educado com quem eu vou com a cara e não é segredo para ninguém que não vou com a sua.
Richard riu do atrevimento de e, quando pensou em resposder, a porta de abriu e Emma passou por ela.
— Mas é bom passar a ir agora, — ela sorriu para o amigo e jogou os papéis sobre a mesa. — Muito obrigada por vir, Richard.
— Então você o chamou? — Charlie se meteu. — Tudo estava sob controle, Emma.
— Claro que estava — ela se virou para Charlie e revirou os olhos. — Vocês — ela apontou para Richard e Charlie — queriam jogar o no meio de vários outros bandidos, que ele prendeu, aliás, para darem uma lição a ele. Mas isso é contra lei. A papelada explica. Portanto, acho bom que o volte para a cela privada dele, Richard — ela se virou para o outro que a encarava maravilhado. Nunca escondera seu interesse por Emma e aquilo simplesmente acabava com Charlie.
— Já que é você pedindo, Emma, posso pensar no caso — ele murmurou mordendo o lábio inferior e soltou uma gargalhada.
— Por favor, Richard, pare com as cantadas idiotas para a Emma. Ela não é mulher para você — disse ainda soltando risadinhas e pegou os papéis para analisar. — Cara, você só precisa dizer que só estava a fim de ferrar comigo e acabou. Volto para minha cela e serei feliz para sempre com as baratinhas que encontrei por lá.
— Você anda tão mal educado, — Richard balançou a cabeça negativamente. — Na próxima vez escolherei um castigo melhor e que não tenha como a senhorita Cobain interferir.
Emma revirou os olhos mais uma vez e fitou rapidamente.
— Podem me deixar a sós com o ? — ela perguntou arqueando uma das sobrancelhas.
— Eu não deveria deixar, mas irei. — Richard murmurou sorrindo maliciosamente — Tenho coisas para fazer e só vim aqui dar um oi para o pequeno . Mas que fique claro — Richard se virou para e se aproximou do rapaz rapidamente —, mais uma coisinha, , e você está fora. Quando eu digo fora, é totalmente fora.
— Aposto que disse isso para o meu pai também — piscou um dos olhos. — Ameaças não me dão medo, Richard. Quer me tirar, me tire. Coloque o idiota do Jack no meu lugar e perca o posto de melhor equipe, melhor delegacia, melhores policiais — enumerava nos dedos enquanto falava e Richard sentiu seu sangue ferver. O rapazinho o tirava do sério assim como o pai.
— Não se ache tanto, — Richard murmurou. — Dê um jeito nele, Emma. Por favor.
Charlie não disse nada, apenas saiu da sala logo depois de Richard. Oras, estava enciumado demais para continuar ali observando aquela cena.
— Está tudo pronto, tudo bem? — Emma murmurou e balançou a cabeça. — Eu pedi para que brigasse com apenas uma pessoa, .
— E foi com apenas um — ele deu de ombros. — Christopher Adams, Emma.
— Oh — Emma murmurou estreitando os olhos. — E você deixou ele fazer isso tudo com você?
— Eu fiz pior — ele deu de ombros. — Emma, foi o Christopher que mandou me matarem.
— Como é? — ela perguntou estreitando os olhos.
— Foi ele, não foi o James, Crowley ou qualquer outra pessoa. Isso está mais complicado do que eu imaginava! — ele exclamou bufando e Emma mordeu o lábio inferior. — O começo foi só uma vingancinha idiota, assim como deve ter sido quando fui atrás do James com a , assim como deve ter sido a invasão da sua casa... — bagunçou os cabelos. — Eu não sei mais o que pensar!
— Então não pense, faça. — Emma disse firme — Falei com Jesse e Eric um tempo atrás. Jesse sabe exatamente onde está — ela mordeu o lábio inferior. — Consequentemente, sabe onde outras certas pessoas estão e não quis me contar nada. Te tirarei daqui o mais rápido possível e já tenho um esquema formado com o Eric. Só preciso de uma pessoa para te ajudar e, meu amigo, vamos precisar arriscar. Não é qualquer um que topa sair da lei e te ajudar a fugir daqui.
— Ryan — murmurou. — Fale com o Ryan. Ele provavelmente topará. Conhece o histórico dele, não conhece?
— Sim. Pensei nele também. Ele ficará no seu lugar por umas horas, só até o Charlie notar tudo e você já estiver longe — Emma murmurou suspirando em seguida. — Apenas se cuide, . Enquanto isso, tentarei olhar com mais calma as coisas sobre a morte do O'Donnel.
— Eu estou aqui por isso, não é, Emma? Por uma suspeita idiota, sim? — ele perguntou. — Por Deus! Não faz sentido eu estar preso!
— Eu sei que não faz, mas vai entender a cabeça de Charlie e Richard? — ela bufou. — Você realmente não deveria estar aqui, mas tudo conspira. Me diga a verdade, — ela o encarou nos olhos. — Você esteve na casa do O'Donnel.
— Esitve — ele suspirou. — Mas foi depois! Eu cheguei ele já estava morto. Eu e Eric fomos resolver uma coisa com ele, nada demais, eu juro! E ele simplesmente estava morto, não tocamos em nada.
— Disseram que encontraram digitais suas, a bala alojada na testa dele era do mesmo calibre que sua arma... — Emma suspirou. — E uma marca de sapato. Se for a mesma marca que a sua, eu não posso fazer absolutamente nada, .
— Eu juro que não fizemos nada com o O'Donnel... — disse enquanto passava as mãos pelo rosto.
— Acredito em você. Enfim, volte a cela e aguarde. Tentarei te tirar daqui antes da noite cair para ter tempo de sair da cidade — Emma deu de ombros e a encarou. — Jesse disse que o lugar onde está, é fora de Londres.

****


fechou os olhos com força ao sentir uma das mãos de Castellamare contornarem seu corpo.
— Está com medo, ? — Castellamare perguntou e ela se segurou para não agir por impulso e soltar as mãos e os pés – que estavam mais frouxos graças a Jesse – para tentar sair correndo.
Seu coração batia forte e seus lábios tremiam levemente; tremiam de frio, de medo, de pavor, de terror, de tudo. A única coisa que queria era aconchegar-se nos braços de ouvindo-o sussurrar besteiras em seu ouvido.
abriu os olhos carregados de lágrimas e fitou Jesse do outro lado do local, fazendo-o o suspirar. Ela via claramente nos olhos de Jesse que ele queria largar todo o plano que criara para ajudá-la naquele momento. Mas simplesmente não podia. Ela entendia aquilo, mesmo que implorasse por socorro em silêncio.
— Não encosta em mim — ela murmurou enquanto Castellamare ainda acariciava sua cintura.
O mais velho riu.
— Não tente se fazer de forte, . Não tem forças para mais nada — ele a encarou nos olhos. — Se eu quiser tocar você, arrancar suas roupas, ou qualquer coisa do tipo, eu faço.
— Prefiro a morte — ela murmurou, fitando o chão.
— Logo, logo, minha cara, você está de frente para ela. Fique tranquila — Castellamare sorriu. — Pelo jeito já desistiu do vir atrás de você... — ele riu — De qualquer forma, ele só viria por um milagre.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 2!)


soltou uma risada fraca em total deboche. Talvez aquilo fosse verdade, talvez não fosse. Preferia pensar que ainda viria. Jesse estava convicto de que viria. O que lhe custaria esperar mais algumas horas? Enrolar Castellamare não podia ser tão difícil.

Louder, louder
(Alto, mais alto)
The voices in my head
(As vozes em minha cabeça)
Whispers taunting
(Suspiros provocando)
All the things you said
(Tudo o que você disse)
Faster the days go by and I'm still
(Os dias passam mais rápido e ainda estou)
Stuck in this moment of wanting you here
(Presa ao momento em que quero você aqui)
Time
(Tempo)

Fechou os olhos por mais alguns segundos e deixou a cabeça cair para trás enquanto um filme passava por sua cabeça. Não estava morrendo ainda, mas já podia ver sua vida passar em sua frente. A primeira vez que vira , a primeira vez que se falaram, a época em que seu pai morreu, a época que perdera a mãe, a época que perdera o primeiro filho e namorado... Tudo estava passando em sua mente e aqiulo a fazia sorrir ainda mais debochada para Castellamare que a fitava. Ela sabia que ele a fitava. Podia sentir o olhar curioso e raivoso do velho sobre si.
— Você se acha tão esperto, Castellamare — ela disse de repente, abrindo os olhos devagar e pôde ver que Jesse sorria ao vê-la reagir novamente. — Não sabe que está por vir, meu velho — ela balançou a cabeça negativamente. — E eu estarei viva para te ver cair, senão te ver morrer! — ela abriu mais seu sorriso. — Não adianta, Castellamare, pode jogar quantas pragas quiser, falar o que quiser, me bater o quanto quiser... Seus planos não darão certo dessa vez. Acredite, homem, eu nunca me engano.
Castellamare riu alto das palavras de e ela manteve o sorriso debochado brincando no canto dos lábios.
— Por que vocês sempre ficam engraçadinhos antes da morte? — Castellamare perguntou encarando-a com uma das sobrancelhas arqueadas.
— Porque a vida é isso, Castellamare, uma piada. — o encarou — A vida não passa de uma simples piada boba, não é? Quando estamos perto da morte costumamos brincar ainda mais. No meu caso, por exemplo, não é uma brincadeira. Mas já que quer levar assim, quem sou eu para mudar sua forma de enxergar minhas palavras? A única coisa que eu posso dizer que você deve acreditar é: ele está vindo e você irá cair. Apenas aguarde. Se quiser, me mate. Mas pode esperar o pior. Não sinto medo da morte. Todos morremos um dia, não é? — ela sorriu de uma forma tão doce que Castellamare chegou a pensar que ela havia ficado completamente louca em sorrir daquela forma enquanto estava ali, sentada há horas, com um vestido agora curto além de tomara-que-caia naquele maldito frio.

In the blink of an eye
(Num piscar de olhos)
You held my hand, you held me tight
(Você segurou minha mão, me segurou firme)
Now you're gone
(Agora você se foi)
And I'm still crying
(E eu continuo chorando)
Shocked, broken
(Abalada, quebrada)
I'm dying inside
(Estou morrendo por dentro)

— Acho que alguém aqui está ficando louca... — Castellamare murmurou em tom de deboche, fazendo-a balançar a cabeça de um lado par o outro.
— Talvez, Castellamare, talvez... — ela suspirou. — Nunca se sabe, né? Todo mundo tem um pouco de loucura, apenas precisam de um momento para deixá-la aflorar. Não acha que o momento em que me encontro não é o suficiente para minha loucura explodir?
Jesse do outro lado do local, sorria discretamente. era esperta. Mais do que ele imaginara, aliás. Puxou o celular no bolso e digitou alguma coisa para Emma.
Aquela era a hora certa. Sem que Castellamare notasse, Jesse saiu do lugar.
sorriu de uma forma sádica e discreta enquanto encarava Castellamare. — Diga-me, , qual a sensação de saber que morrerá daqui uns minutinhos? — ele perguntou enquanto a encarava sorrindo.

Where are you?
(Onde você está?)
I need you
(Eu preciso de ti)
Don't leave me here on my own
(Não me deixe sozinha)
Speak to me
(Fale pra mim)
Be near me
(Esteja perto de mim)
I can't survive unless I know you're with me
(Eu não consigo sobreviver ao menos que eu saiba que você está comigo)

— Diga-me, Castellamare, qual a sensação de saber e não querer assumir que eu não irei morrer? — ela rebateu firmemente.
— Quando eu disse que você estava ficando louca, eu não estava errado — ele murmurou e soltou uma risada fraca, equando puxava outra cadeira e sentava-se de frente para . — Quer deixar uma pequena despedida? — ele perguntou enquanto puxava um bloquinho de papel e uma caneta do bolso do casaco. — vai gostar se você deixar um "adeus" para ele.
— Anote o que eu disse, Castellamare — ela pediu. — Anote que não irei morrer. Faça a sua dedicatória, querido.

Shadows linger
(Sombras permanecem)
Only to my eye
(Somente ao meu ver)
I see you, I feel you
(Eu te vejo, te sinto)
Don't leave my side
(Não saia de meu lado)
It's not fair
(Não é justo)
Just when I found my world
(Justo quando achei meu mundo)
They took you, they broke you, they tore out your heart (Te levaram, te quebraram, tiraram teu coração)
I miss you, you hurt me
(Sinto sua falta, você me machucou)
You left with a smile
(Você deixou com um sorriso)
Mistaken, your sadness (Mal entendida, sua tristeza)
Was hiding inside
(Estava escondida por dentro)
Now all that's left
(Agora tudo ficou pra trás)
Are the pieces to find
(São peças a serem encontradas)
The mystery you kept
(O mistério que você guardava)
The soul behind a guise
(A alma por trás da capa)
Where are you?
(Onde você está?)
I need you
(Eu preciso de ti)
Don't leave me here on my own
(Não me deixe sozinha)
Speak to me
(Fale pra mim)
Be near me
(Esteja perto de mim)
I can't survive unless I know you're with me
(Eu não consigo sobreviver ao menos que eu saiba que você está comigo)

— Olhe aqui — Castellamare começou a falar, se aproximando dela e segurando-a pelo rosto com força —, pare com esses enigmas ou eu não espero a sua boa vontade de me contar sobre o que está falando.
— Não estou pedindo para que espere eu confessar alguma coisa, Castellamare — ela murmurou sentindo seu rosto doer, mas ignorou. — Porque você sabe que eu não vou.
Castellamare a encarou por mais alguns segundos e voltou para seu lugar. Pelo que entendera, ele iria escrever os famosos bilhetinhos para . Esticou o pescoço disfarçadamente para obser a caligrafia de Castellamare e um pequeno choque passou por seu corpo ao notar que era completamente diferente da caligrafia das outras cartas. Ou ele tinha aquela capacidade de mudar sua letra ou... Era a primeira vez que escrevia um bilhete direcionado a .

Why did you go?
(Porque você se foi?)
All these questions run through my mind
(Todas essas perguntas correm em minha mente)
I wish I couldn't feel at all
(Eu gostaria de não sentir tudo isso)
Let me be numb
(Deixe-me ficar dormente)
I'm starting to fall
(Estou começando a cair)
Where are you?
(Onde você está?)
I need you
(Eu preciso de ti)
Don't leave me here on my own
(Não me deixe sozinha)
Speak to me
(Fale pra mim)
Be near me
(Esteja perto de mim)

arregalou os olhos e engoliu a seco disfarçadamente, voltando a posição inicial. Procurou Jesse com os olhos mas não encontrou. A cada segundo que passava o desespero tomava conta de seu corpo com uma velocidade maior. Onde diabos Jesse estaria? E ? Como estaria? Onde e fazendo o que? Céus! Ela estava ficando desesperada. Demorara, mas a ficha finalmente caiu.
Castellamare não estava sozinho.

I can't survive unless I know you're with me
(Eu não consigo sobreviver ao menos que eu saiba que você está comigo)
Where are you? (x2)
(Onde você está?)
You were smiling...
(Você estava sorrindo)

****


— Então... Você topa? — Emma perguntou, sentindo-se aliviada por alguns segundos.
Ryan sorriu.
é um bom homem — ele começou. — Eu topo. Qual é! Não venha agir como se não conhecesse meu histórico — ele riu fracamente. — Me diga o que fazer. Começamos agora mesmo.
Emma sorriu abertamente e olhou em volta.
— É simples. Vamos subir até onde o pessoal monitora as câmeras e você terá apenas cinco minutos para trocar de lugar com o , que o máximo de tempo que eu posso enrolar dizendo que estou ajeitando algum defeito que eles não notaram — Emma explicou calmamente. — Você como trabalha comigo e é um cara muito esperto, já sabe quais as câmeras que vão ficar paradas e quais vão funcionar nesses cinco minutos.
— Cinco minutos para tudo? — ele perguntou. — Para eu te mandar o já disfarçado, sim?
— Exatamente! — Emma sorriu. — Acredito que tenha condição física para isso.
— E tenho — ele deu de ombros. — Mas e o ?
— Ele está bem. Talvez um pouco quebrado, mas ele conhece isso aqui tanto quanto a gente, senão mais — ela sorriu de uma forma preocupada. — Só quero tirá-lo daqui para ir salvar a . Charlie e Richard estão trancados na sala há tempos e não chegaram a uma conclusão. Já tenho o endereço do local. Mas... — ela fez uma pausa para suspirar — Se eu entregá-los o endereço, a pessoa que está me ajudando acabará preso ou algo do tipo.
— Não precisa me dar satisfações, Emma — Ryan disse firme enquanto a encarava nos olhos. — Não é a primeira vez que trabalhamos juntos e eu tenho certeza que, se você está colocando a mão no fogo assim pelo , valerá a pena correr o risco.
— Ótimo — ela sorriu e o puxou para um abraço rápido. — Pode conseguir as coisas agora?
— Claro que sim — ele sorriu de volta. — Tenho um amigo que mora logo aqui na rua de trás. Me dê cinco minutos e eu volto com roupas diferentes e bonés.
— Perfeito.
Emma checou o relógio antes de Ryan sair da sala onde estavam e voltou a prestar atenção na papelada sobre a morte de Zachary O'Donnel. Tinha pouco tempo para reparar o erro naquilo tudo. Quem sabe se encontrasse o maldito erro daquilo, pudesse fazer sair sem ser em uma fuga?
Mas não tive tempo o suficiente. Exatamente cinco minutos se passara e Ryan já estava de volta com uma mochila média nas costas. Emma sorriu em agradecimento e largou os papéis sobre a mesa.
— O que temos aqui? — ela perguntou, enquanto abria a mochila.
— O suficiente para nos trocarmos. Agora, se quisermos fazê-lo sair daqui, vamos logo — Ryan respondeu firme e Emma gostou do que ouviu.
Ryan era um homem de atitude, além de extremamente inteligente.
Pegaram a mochila e saíram da sala de uma vez. Não tinham tanto tempo assim.
— Certo. Vamos repassar tudo — Emma começou e Ryan a encarou enquanto caminhavam. — Estamos fazendo um favor para Richard, instalando uma câmera a mais e tirando algum erro idiota das outras. Digamos que a câmera sete esteja com problemas.
— Eles irão conferir — Ryan murmurou e Emma alargou seu sorriso.
— Exatamente — ela o encarou de relance. — Digamos que a câmera sete foi escolhida de propósito e já está parando de funcionar. Acabaram de trocar o pessoal de lá...
— Espera. Você mandou trocar o pessoal, então? — Ryan a interrompeu sorrindo.
— Sim. A galera que estava cuidando das câmeras hoje cedo estavam aí desde ontem a noite — ela piscou um dos olhos. — Mandei eles saírem alguns minutinhos mais cedo, pois os que cuidariam agora, durante a tarde, já estavam aqui.
— Ainda acho que você é algum tipo de robô que veio do futuro — Ryan murmurou admirado com a esperteza de Emma.
— Talvez eu seja — ela deu de ombros. — Enfim. Entraremos e eles sairão para tomar um café. Ficarei mexendo nas câmeras por cinco minutos, que é o tempo necessário para fazer a câmera sete voltar a funcionar.
— Nesse tempo eu corro feito um filho da puta e paro na parte das celas para quem tem ensino superior completo — Ryan disse enquanto analisava todos os corredores enquanto caminhavam, procurando por um lugar mais fácil de fazê-lo chegar até . — Troco com o , que está na cela 3, e ele volta correndo? Acha que dará tempo?
— Posso tentar dar um minuto extra, talvez um minuto e meio. Nada que ajude demais, vocês terão que correr bastante. — Emma respondeu. — As celas ficam em andares diferentes, sabemos que a mistura total é lá embaixo, no primeiro, no corredor 3. Aqui não é tão diferente, Ryan. Pense, estamos no 3º andar — ela se virou para ele. — Aqui é o mais vazio. Quem fica sozinho fica onde?
— Corredor 4? — Ryan arriscou, arqueando uma das sobrancelhas e Emma sorriu.
— Exatamente — ela piscou os olhos. — Vocês não vão precisar subir nem descer escadas. Apenas correr como se estivesse numa maratona.
— Pensando bem, eu acho que estamos. Porque, querida Emma, estamos no corredor 1 — ele sorriu debochadamente. — Não estou reclamando. Só que vou querer qualquer trinta segundos a mais nessa sua conta louca.
— Ok, tudo bem. Agora chega de enrolações. Vamos botar isso em prática — ela disse assim que pararam em frente a porta. Emma deu duas batidas e esperou que alguém a mandasse entrar.
Emma botou um sorriso inocente nos lábios e se virou para os três homens que estavam comandando as câmeras naquela hora.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 3!)


— Olá, rapazes. Richard nos mandou aqui para ver o que tem de errado com a câmera sete que vocês não conseguem identificar — ela murmurou arqueando uma das sobrancelhas, como se achasse aquilo estranho.
— Oh, sim — um dos homens murmurou, passando a mão pela testa. — Fiquem a vontade. Vamos tomar um café para vocês fazerem o trabalho sem nenhuma interrupção.
— Muito obrigada — Emma sorriu. — Voltem em sete minutos e tudo estará pronto.
— Fez as contas para isso? — o outro homem perguntou juntando as sobrancelhas e Emma riu de maneira graciosa.
— É o que costumamos demorar para resolver esse tipo de problema. Fiquem tranquilos — ela piscou um dos olhos e os homens deram de ombros, saindo dali em seguida.

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação


Ryan soltou uma risada fraca e se preparou para sair da sala também, porém, antes, virou-se para Emma e disse: — Você é uma ótima atriz.
— Minha mãe sempre disse que se eu não desse certo aqui, poderia ir para Hollywood que eu me daria muito bem — ela respondeu sorrindo enquanto observava todas as câmeras. — Pronto?
— Pronto! — Ryan respondeu elétrico. Adorava adrenalina. Não é que tinha escolhido a pessoa certa para ajudá-lo?
— Certo. Você tem exatamente... — ela encarou os monitores e o relógio — Cinco minutos e dez segundos para trocar com o . Contando de agora.
Ryan não respondeu, apenas saiu da sala e correu o máximo que pôde até o outro lado do andar, onde ficava o tal corredor 4.

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema


Ryan agradeceu mentalmente quando já estava próximo do corredor. Bastava encontrar a cela 3 e correr sem chamar a atenção dos outros presos. Checou o relógio e notou que levara um minuto para chegar no local, sorriu orgulhoso e observou o grande corredor. As celas eram uma de frente para a outra, por sorte, a cela de estava de frente para uma vazia. Céus, Emma pensara até naquilo antes de mandá-lo para lá?
Ryan parou em frente a cela de , que se levantou da cama rapidamente e tentou olhar em volta.
— Vamos correr, , vamos — ele murmurou enquanto destrancava a cela e já arrancava a camisa e a calça, sem a mínima vergonha. Oras! Para que vergonha? Ele tinha que fugir e Ryan estava ajudando-o.
Ao conseguir destrancar a cela de uma vez por todas, Ryan adentrou o local e arrancou as roupas que usava.
— Tenho quanto tempo? — perguntou enquanto vestia a calça e fechava a camisa que Ryan lhe passara ao mesmo tempo.

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor (2x)


Ryan checou o relógio.
— Dois minutos e meio — ele respondeu. — Consegui atravessar os corredores em um minuto. Acredito que você faça em menos. Agora voa, , ande! — Ryan tentava exclamar baixo, enquanto enfiava os tênis nos pés de qualquer jeito.
— Obrigado, Ryan. De verdade — murmurouo enquanto dava um abraço rápido no outro rapaz e colocava o boné na cabeça.
— Por nada, cara. Agora voa. Você deve ter um minuto — Ryan disse sorrindo enquanto terminava de vestir as roupas e se sentava na cama. Se alguém viesse, bastava ele virar-se para a parede e fingir dormir.
sorriu e pegou a mochila que antes estava com Ryan, trancou a cela desajeitadamente e correu o mais rápido que conseguiu. Tinha menos tempo agora e ainda estava na metade do caminho. Sentia-se extremamente cansado pelas brigas que se metera nos dois últimos dias e seus pulmões queimavam pela velocidade que ele corria e o pouco ar que lhes era enviado.
se apoiou em uma parede qualquer e respirou o mais fundo que conseguiu. Olhou em volta e reparou que faltava pouco para chegar onde Emma estava. Mas tinha pouco tempo, talvez ele não fosse conseguir. Talvez as câmeras o pegasse e ele teria que roubar as fitas e... Céus! Ele estava perdendo tempo ali pensando!
Balançou a cabeça negativamente e voltou correr praticamente às cegas. Se não estivesse contando errado, tinha exatos trinta segundos para chegar onde Emma estava.

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluído em lugar de articulação


29. Apertou os passos e correu, parando bruscamente ao ver que tinha gente naquela parte do corredor. Xingou baixinho e abaixou a cabeça, andando em passos largos e rápidos. 28, 27, 26, 25...
Ao sumir totalmente das vistas daquelas pessoas, observou o corredor que ainda estava. Céus! Ele mal tinha saído do 3! Estava no fim do 2, teria que correr com ainda mais velocidade se quisesse chegar sem ser pego e sem ter que ouvir esporro de Emma.
24, 23, 22, 21, 20...

Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema


respirou fundo mais uma vez, sentindo seu corpo cada vez mais cansado. Não estava pronto para correr daquela maneira! Ryan fizera todo aquele percurso em um minuto pois não apanhara, não caíra no Tâmisa há poucos dias, não tinha uma das costelas machucada, nem porra nenhuma daquilo! Onde estava com a cabeça ao topar a fazer aquela loucura?! 19, 18, 17, 16, 15...
repirou mais aliviado ao perceber que já estava no corredor 1, onde Emma estava enfiada em uma das salas. Não seria difícil achar a sala e, por isso, diminuiu os passos e andou rápido enquanto observava as portas. 14, 13, 12...
Vozes foram ouvidas no local e arregalou os olhos, engolindo a seco. Teria que continuar. Seja lá o que Deus quiser, pensou e abaixou a cabeça, passando pelos homens que riam por ali. Sentia os olhares sobre ele e estava rezando com todas as forças para que estivesse parecido com Ryan pelo menos um pouco. 11, 10, 9, 8...
— Ryan? — um dos caras chamou e fingiu não ouvir, apenas apertou os passos e encostou na maçaneta da porta, girando-a num desespero que ele não sabia que um dia sentiria.
7, 6, 5, 4...

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor


— Graças a Deus! — Emma exclamou, soltando o ar com força. chegara no exato momento em que ela deveria ligar todas as câmeras normalmente, antes que alguém notasse.
sorriu e tirou o boné por uns segundos.
— Uns caras ali no corredor me chamaram de Ryan e eu simplesmente ignorei. O que você inventou, Emma? — ele disparou antes mesmo de pensar em normalizar a respiração.
Mas lá vem eles novamente
E eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema.


— Não importa, coloque o boné, abaixe a cabeça e vamos logo! — Emma respondeu enquanto digitava alguma coisa no computador do local e observava os monitores para ter certeza que estava tudo certo.
colocou o boné de volta e obedeceu as dicas de Emma. A dificuldade seria agora. Descer e esbarrar em Charlie ou Richard. Ou qualquer outra pessoa que o conhecesse bem.
— E se encontrarmos com Richard ou Charlie? — perguntou baixo.
— Não vamos. Eles estão trancados numa sala há horas tentando resolver o problema da que você irá resolver agora — ela sorriu e piscou um dos olhos. Saíram da sala de uma vez por todas e Emma gritou para os homens do outro lado: — Terminamos, rapazes! Podem voltar ao trabalho e até mais!
Enquanto Emma informava, já estava na parte das escadas. Emma apertou os passos e seguiu até onde ele estava, antes que alguém perguntasse por que diabos estavam indo de escadas se o elevador acabara de chegar.
— Jesse te passou as coisas, eu suponho — começou, enquanto desciam as escadas e olhavam para trás para checar.
— Sim, ele me deu um endereço, como eu disse — Emma murmurou puxando um papel do bolso. — Aí tem um endereço e um nome. Isso foi tudo. Eric disse que irá logo atrás de você para lá. Assim que eu convencer Charlie de que estou falando a verdade, iremos também. Tentarei fazer isso o mais rápido possível.
— Certo. Emma — parou de descer as escadas e a encarou —, procure por Claire e o senhor Mangor. Eles têm informações também.
— Como é? — Emma perguntou confusa.
— O pai do James e a Claire, revisora, secretária ou sei lá o que da — ele explicou rápido. — Eles me ajudaram quando eu fui atrás do Crowley. Quando eu estava quase morrendo congelado no Tâmisa, eles tinham me seguido porque precisavam de mim para ver uma coisa. Vi e me choquei. Não posso entrar em detalhes, vá atrás deles e dê esse endereço também. Acredito que você já o tenha copiado em algum lugar — Emma assentiu e sorriu, voltando a falar: — Diga a eles que está em perigo e precisa da Claire. James pode reconhecer os caras e, finalmente, poderemos prendê-los e...
— Você disse que o James pode reconhecê-los? — Emma perguntou ficando mais confusa.
suspirou.
— James está vivo. Ficou doente demais, Claire o encontrou numa estrada totalmente ferido e o levou para casa, já que o irmão dela é estudante de Medicina ou já é formado, sei lá, Emma! — respirou fundo. — Apenas procure-os e leve-os junto. Eles sabem o que fazer, como fazer e quem está por trás disso tudo.
— Certo, certo — Emma suspirou. — Vá atrás da agora, . Com o carro do Ryan. A chave está dentro da mochila, Charlie guardou seu carro não sei onde e não me deixou vir com ele com medo de que eu fizesse o que estou fazendo agora — ela revirou os olhos. — Seja rápido. Só tire esse boné da cabeça quando estiver no carro, não que ele seja grandes coisa, mas... — ela deu de ombros e voltou a descer as escadas na frente dele.
Ao chegarem no primeiro andar, Emma observou em volta e fez um sinal rápido para , que apenas saiu andando em direção a saída. Com a pouca sorte que tinha, ninguém o reconheceu e algumas pessoas até murmuraram um "Tchau, Ryan!". apenas balançou a mão sem nem sequer encarar quem era e correu para o estacionamento.
Procurou pelo carro de Ryan com os olhos e logo o encontrou, era um RX350 cinza. sorriu ao observar o carro de perto e o abriu logo em seguida, não tinha tempo para admirar a beleza do carro. Precisava ir logo. Jogou a mochila de Ryan no banco de trás e entrou no carro de uma vez por todas, ligando-o em seguida. Não demorou muito para ele já estar fora daquele estacionamento, com o endereço que Emma lhe dera em mãos e o coração acelerado.
pisou fundo no acelerador e ignorou os sinais vermelhos, entrando na contramão quando necessário... Ryan o perdoaria pelas multas depois, não é mesmo? Bem, esperava que sim. Sem se importar se poderia sofrer um acidente ou não, pegou o celular e discou os números de Jesse rapidamente.
— Em menos de uma hora eu chego aí — foi o que disse ao ouvir a voz de Jesse murmurar alguma coisa do outro lado da linha.
— Como? — foi a única pergunta que Jesse conseguiu formular.
riu fraco.
— Já fizemos o plano e eu testou quase saindo de Londres — ele respondeu enquanto fazia uma curva ainda em alta velocidade.
Quantas multas? — Jesse perguntou e riu mais uma vez.
— Não importa. Cuide da até eu chegar — pediu e desligou o celular sem esperar por uma resposta.

****


sentia o medo lhe atingir com mais intensidade a cada segundo que passava. Rezava de todas as formas possíveis para não perder o controle e se levantar dali, rezava para chegar logo, rezava para Castellamare ter mais alguma coisa para fazer e atrasar sua possível morte.
Jesse adentrou o local e parou ao lado de Castellamare, sussurrando alguma coisa para ele em seguida. O velho sorriu e se levantou, levando seu bloquinho de papel e sua caneta juntos.
Quando Castellamare saiu, Jesse se aproximou de com pressa.
já está a caminho — ele sorriu de uma forma nervosa. — Só preciso que você seja um pouco mais forte. Apenas se solte quando o Castellamare se virar, eu e estaremos ali — ele apontou para um tipo de pequeno corredor, atrás de algumas coisas. — É uma saída, Castellamare não vai te encontrar. Você falará com por mais ou menos um minuto e nós viremos para cá encarar o Castellamare.
— E eu vou sozinha nessa estrada? — ela perguntou baixo, sentindo seu corpo estremecer.
— Sim. Só até encontrar Eric. Ele vai estar a caminho, então você só precisa andar um pouco. Ele irá reconhecer você — Jesse segurou-a pelos ombros, como se tentasse confortá-la. — Emma dará um jeito de Charlie acreditar nessas coisas e com certeza virão para cá para checar. Você estando com Eric já em segurança será o suficiente, é só contar o que sabe.
— Tudo bem — ela suspirou. — Você me dará um sinal, sim?
— Sim — Jesse respondeu com um sorriso fraco nos lábios. — Apenas preste atenção em mim, ignore o Castellamare ou simplesmente dê uma de louca de novo.
Eles riram fraco.
— Estou com medo, Jesse — ela fitou o chão e suspirou. — E se eu perder o meu bebê? — ela o encarou. — Isso quer dizer que perderei o dez vez...
Jesse riu e balançou a cabeça.
— Você não perderá mais o , — ele a fitou nos olhos. — Aquele cara te ama. Ele fugiu da cadeia quando Emma já estava procurando provas para tirá-lo de lá, ele só precisava esperar algumas horas que ela encontraria... Tudo isso por você. Não foi pelo bebê, acredite. Ele está colocando você em primeiro lugar, não pense que o é aquele brutamontes que não sabe amar. Porque... Pelo contrário, ele se apega muito fácil — Jesse sorriu fraco. — Não convivo com ele há tanto tempo assim, mas pude notar. Eric também já tinha dito que ele é assim para esconder o que sente. Com você ele não conseguiu fazer isso.
deixou um sorriso brotar no canto de seus lábios ao ouvir aquelas palavras e ficou o chão novamente. Seu coração parecia querer saltar de seu peito!
— Certo. Vá vigiar o , eu quero sair daqui — ela murmurou, a fim de mudar de assunto. Jesse riu mais uma vez e não respondeu, apenas checou se as cordas estavam estrategicamente frouxas e saiu em seguida.

****


Emma encarou os papéis a sua frente e sentiu sua garganta se fechar. Céus! Por que tinha que ser tão apressado quando se tratava de ?
Emma juntou os papéis o mais rápido possível e se levantou, virou-se para a porta e engoliu um grito de susto, apoiando-se na mesa em seguida.
— Droga, Jack! — ela disse alto. — Para que chegar desse jeito? Não podia simplesmente bater na porta ou fazer um barulho?
— Onde está o ? — Jack perguntou firme, ignorando as palavras de Emma.
A mulher arqueou uma das sobrancelhas, tentando se acalmar do susto.
— Na cela dele, talvez? — respondeu dando de ombros.
— Vou perguntar apenas mais uma vez, Emma: onde está o ? — Jack se aproximou de Emma e ela engoliu a seco, não que sentisse medo de Jack. Poderia brigar com ele tranquilamente. Mas... Ainda era uma mulher e perderia para ele por cansaço, além de ter em mãos algumas coisinhas que livrariam da prisão. Não podia arriscar.
— E eu irei te responder apenas mais uma vez: na cela dele! — Emma exclamou, revirando os olhos e tentou passar por Jack, que a segurou pelo braço com força e empurrou-a na parede mais próxima.
— Está protegendo a pessoa errada, Emma — ele murmurou. — Vai se arrepender por isso, mulher. Você tem um filho pequeno, deveria se preocupar mais com ele do que fazer o fugir daqui.
— Está me ameaçando? — Emma sustentou o olhar sem se deixar abater. — Não sinto medo de você. Encoste no meu filho e verá o que é bom para a tosse. Irei proteger o até onde eu puder, foi a promessa que fiz ao pai dele, Jack. Se o fiz fugir daqui ou não, não importa. Estou me arriscando ao ficar do lado dele? Talvez eu esteja. O vale a pena, o contrário de você. Não colocaria a mão no fogo por você nem que estivesse bêbada e não adianta ficar apertando meu braço e falar do meu filho, isso não me fará sentir medo de você. Você não passa de um merda — Emma cuspiu as palavras e Jack estreitou os olhos, com raiva. — Agora, se puder me soltar eu agradeço.
Jack não disse nada apenas soltou o braço de Emma e deixou-a sair em passos rápido e largos.
Emma respirou o mais fundo que conseguiu ao parar em frente a sala de Charlie e bateu duas vezes, tentando parecer calma. Mas de calma não tinha absolutamente nada, sua conversa com Jack não foi uma das mais agradáveis. Sabia que ele estava metido naquilo tudo, já que sentia ódio por desde quando começara a trabalhar ali. Emma tinha quase certeza de que Jack estava ali infiltrado, entretanto, não tinha provas. Não tinha nada além de meras palavras para usar contra o rapaz.
Charlie abriu a porta e Emma entrou na sala, sem enrolações. Jogou os papéis que segurava sobre a mesa de Charlie e encarou os dois homens.
— Sua perícia anda errando muito, Charlie — ela disse firme. — As pegadas não são do . Pelo menos, não todas.
— Como pode ter tanta certeza, Cobain? — Richard perguntou cruzando os braços.
— A primeira pegada encontrada, que foi até a porta de trás — Emma apontou para as imagens —, é um tênis da Nike. não usa Nike.
Richard riu.
— Uh, isso é tudo? — perguntou de forma debochada e Emma sorriu.
— Digitais e calibre da arma — ela apontou para os outros papéis. — Pode analisar as digitais encontradas. Não são do , não batem. Mas batem com de uma pessoa daqui. não saiu armado no dia que o corpo foi encontrando — Emma se sentou na cadeira de frente para Richard enquanto sentia o olhar admirado de Charlie sobre si. — A arma dele ficou em casa. Mas, de qualquer forma, o calibre é diferente das que ele costuma usar.
— Como pode ter tanta certeza, Cobain? — Richard perguntou arqueando uma das sobrancelhas, ainda debochado.
— Porque moro com ele — ela sorriu vitoriosa. — Vocês não podem mantê-lo presto. Não por isso aqui, pelo menos. E também — ela aumentou o tom de voz e levantou a mão ao notar que Richard iria começar a falar — não podem prendê-lo pelo que se encontra nos papéis que entregou. Não tem provas! Por isso ele era apenas um suspeito. Diga-me, Richard, por que insiste tanto em manter em suas vistas? Por que deixá-lo preso? — Emma disparou, encarando-o nos olhos enquanto se levantava e apoiava na mesa.
Não importava mais se já havia fugido e ela já o tinha colocado como inocente na história toda, ela apenas queria saber o porquê daquilo tudo. Queria entender, participar e ajudar. Por mais que já estivesse encrencada o suficiente para acabar fora dali e talvez presa. Não se arrependia de nada. Mas precisava entender.
— Proteção — Charlie murmurou e Emma se virou para ele, sem entender. — Entenda, Emma, pessoas perigosas estão aqui de novo. A cadeia era o lugar mais seguro para ele. Ser filho de John não é fácil. Apenas entenda isso.
— Quem está de volta? — ela encarou os dois homens ao mesmo tempo. — Robert Castellamare?
Charlie arregalou levemente os olhos e Richard não ficou tão diferente.
— Como sabe do Castellamare? — Richard perguntou, se levantando e Emma riu balançando a cabeça negativamente.
também sabe do Castellamare, sabe quem ele é e o que ele fez — Emma suspirou. — Não venham com essa de proteção e me expliquem essa história direito.
— Isso não é para você, Emma, não é do seu setor...
— Foda-se o meu setor! — Emma interrompeu Charlie com um grito. — Parem de agir como se eu já não estivesse metida nisso até o último fio de cabelo! Entendam, preciso saber pois tenho um endereço. Um possível endereço do Castellamare — ela disse de uma vez por todas e Charlie a fitou com curiosidade. — Ele está com a .
— Como tem tanta certeza se esse endereço é válido? — Richard perguntou.
Emma pensou em responder a verdade e contar sobre Jesse, pensou em abrir a boca e contar que fugira, pensou em fazer tudo.
Richard soltou uma risada fraca e balançou a cabeça.
— Está tão cega em ajudar o que não sbe o que está falando, Emma — Charlie murmurou e ela riu fracamente, fitando o chão.
— Lembra-se de Eric, Charlie? — ela perguntou e Charlie balançou a cabeça. — Ele também era assim com o John. — Sim, era. Agora diga-me, Emma: onde eles estão agora? — Charlie rebateu e Emma abriu um sorriso irônico, que deixou Richard e Charlie confusos.
— Bem — ela deu de ombros —, Eric está indo se encontrar com Castellamare nesse momento.

*****


Quase uma hora se passara e já estava na estrada que daria para a maldita fábrica abandonada ou qualquer coisa que aquele lugar era. Estacionou o carro de qualquer jeito na beira da estrada e, antes de sair, checou todos os bancos a procura de uma arma, que logo encontrou. Ryan era um cara esperto.
saiu do carro e o fechou com a chave dentro. Ele não voltaria tão cedo e Eric passaria por ali. Sem se importar com mais nada, colocou a arma na cintura e correu, olhando para todos os cantos a procura do maldito lugar. Correu, correu e, ao encontrar o local — extremamente medonho, aliás —, enviou uma mensagem qualquer para Eric, Jesse e Emma. Escondeu-se em um dos muros do local e esperou Jesse aparecer, o que não demorou muito. Jesse fez um gesto com a cabeça e andou até ele, devagar. Jesse não disse nada, apenas apontou para o outro lado do local e suspirou.
— O que tem lá? — sussurrou curioso, enquanto seu coração dava camabalhotas dentro do peito.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 4!)
— A — Jesse respondeu no mesmo tom e sentiu sua respiração falhar. — Você vai entrar por ali, ficar ali até a aparecer. Já está tudo pronto para ela fugir. Vocês terão um minuto, que é o tempo que Castellamare levará para notar que ela fugiu. Ele irá gritar por mim, porque ela correrá para onde estaremos, você apontará a arma na minha cara e acabamos com isso logo.
— Certo — respirou fundo e caminhou, olhando para os lados, junto com Jesse até o local indicado.
Jesse voltou para dentro e continuou ali, naquele minúsculo corredor. Estava ansioso para ver sua garota de novo. Queria abraçá-la, beijá-la e dizer que a amava.
Jesse encarou de longe e fez um gesto com a cabeça. Pôde notar que ela se segurou para não sorrir e respirar aliviada.
— Castellamare! — Jesse chamou e o mais velho o encarou. — Está na hora. Mas seu sobrinho me enviou uma mensagem e pediu para que ligasse para ele.
O velho sorriu e se levantou mais uma vez da frente de , caminhou até o outro lado do local e ficou de costas.
Aquilo fora tudo para .

How can you see into my eyes like open doors?
(Como pode olhar dentro dos meus olhos como portas abertas?)
Leading you down into my core
(Guiando você até o meu interior)
Where I've become so numb?
(Onde me tornei tão insensível?)
Without a soul, my spirit's sleeping somewhere cold
(Sem uma alma, meu espírito está dormindo em algum lugar frio)
Until you find it there and lead it back home
(Até você encontrá-lo ali e guiá-lo de volta pra casa)

Ela, então, puxou os braços e tirou as cordas dos pés e, às cegas, correu o mais rápido que pôde para o lugar que Jesse a indicara. Com lágrimas nos olhos, parou e apoiou-se na parede de uma forma que Castellamare não a veria. Ao parar e observar o local, assustou-se com os olhos de sobre si e soltou o ar dos pulmões. Sem enrolar mais, correu em sua direção e jogou-se em seus braços, apertando-o com toda a pouca força que tinha.
suspirou e a apertou mais.
— Temos um minuto — foi o que ele disse antes de puxá-la para um beijo rápido e desajeitado. — Desculpe falar com você daquela forma, por favor, desculpa.
— Não diz nada, — ela sussurou antes de juntar seus lábios em mais um beijo rápido.
— O que ele fez com você? — perguntou enquanto tirava o casaco que usava e o colocava em , que tremia levemente.
— Não importa, tá tudo bem — ela sussurrou de volta e Jesse apareceu na entrada do tal corredor, segurando-se para não sorrir.
— Sejam rápidos, por favor — ele pediu baixinho ao notar que Castellamare estava acabando de falar com o sobrinho.

Wake me up, Wake me up inside
(Acorde-me por dentro)
I can't wake up, Wake me up inside
(Não consigo acordar, acorde-me por dentro)
Save me, Call my name and save me from the dark
(Salve-me, chame meu nome e me salve da escuridão)
(Wake me up), Bid my blood to run
(Acorde-me, faça meu sangue correr)
(I can't wake up), Before I come undone
(Não consigo acordar, antes que eu me desfaça)
(Save me), Save me from the nothing I've become
(Salve-me do nada que eu me tornei)

— Eu te amo — disse de repente, sem enrolações, sem medo, sem se importar se Jesse ouviria ou não.
sentiu sua garganta fechar e o coração acelerar mais.
— Mesmo depois de tudo? — ela perguntou baixinho, segurando-o pela nuca.
— Mesmo depois de tudo — ele respondeu firme, enquanto a segurava pela cintura. — Agora corre. Meu celular está no bolso do casaco. Eric está a caminho, tente andar até onde tem um RX 350 cinza parado. Provavelmente Eric estará te esperando lá para te levar até Emma, que também deve estar dando um jeito de vir. Seja forte, por favor — ele juntou suas testas e engoliu as lágrimas que queriam descer. — Salve o nosso filho.
deixou uma lágrima rolar e secou-a rapidamente, antes de juntar seus lábios aos de por uma última vez.
— Se cuida — ela murmurou e fechou os olhos por uns segundos.
— Só corre, — ele sussurrou. — Tenta não esquentar comigo agora.
, por favor...

Now that I know what I'm without
(Agora que eu sei o que me falta)
You can't just leave me
(Você não pode simplesmente me deixar)
Breathe into me and make me real
(Dê-me fôlego e me faça real)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)
Wake me up, Wake me up inside
(Acorde-me por dentro)
I can't wake up, Wake me up inside
(Não consigo acordar, acorde-me por dentro)
Save me, Call my name and save me from the dark
(Salve-me, chame meu nome e me salve da escuridão)
(Wake me up), Bid my blood to run
(Acorde-me, faça meu sangue correr)
(I can't wake up), Before I come undone
(Não consigo acordar, antes que eu me desfaça)
(Save me), Save me from the nothing I've become
(Salve-me do nada que eu me tornei)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)
I've been living a lie
(Eu tenho vivido uma mentira)
There's nothing inside
(Não há nada dentro)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)

— Vai, , vai — ele pediu de novo, soltando-a de uma vez por todas. — Você não tem muito tempo para correr.
não disse nada, apenas encarou Jesse como se agradecesse e se afastou de de uma vez, indo em direção a saída. De acordo com Jesse, Castellamare não a encontraria. Não se ela saísse e fosse sempre pela lateral do local.

Frozen inside without your touch
(Congelada por dentro sem seu toque)
Without your love, darling
(Sem seu amor, querido)
Only you are the life among the dead
(Só você é a vida entre os mortos)
All of this time
(Todo esse tempo)
I can't believe I couldn't see
(Eu não acredito que eu não conseguia ver)
Kept in the dark, but you were there in front of me
(Mantida na escuridão, mas você estava lá na minha frente)
I've been sleeping a thousand years, it seems
(Estive dormindo por milhares de anos, ao que parece)
Got to open my eyes to everything
(Tenho que abrir meus olhos para tudo)
Without a thought, without a voice, without a soul
(Sem um pensamento, sem uma voz, sem uma alma)
Don't let me die here
(Não me deixe morrer aqui)
There must be something more
(Tem que ser algo a mais)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)

— É agora ou nunca, — foi o que Jesse sussurrou enquanto estendia outra arma para , que balançou a cabeça afirmativamente, tirou a arma da cintura e pegou a de Jesse. Mirou-a na cabeça de Jesse no exato momento em que Castellamare gritou dizendo que fugira.
Jesse fora dando passos para trás com os braços atrás da cabeça, enquanto caminhava com ele. Ao saírem, Castellamare deixou seus olhos se arregalarem e sorriu debochadamente, levantando a outra arma em sua direção.
— É bom que fique parado aí, Castellamare — murmurou enquanto encara o velho, ainda sorrindo. — Lembra-se de mim? — perguntou e Castellamare engoliu a seco. — Lembra-se do garoto que você tirou o pai por uma coisa que ninguém nunca entendeu? Que tal conhecer o inferno hoje, Castellamare?

(Wake me up), Bid my blood to run
(Acorde-me, faça meu sangue correr)
(I can't wake up), Before I come undone
(Não consigo acordar, antes que eu me desfaça)
(Save me), Save me from the nothing I've become
(Salve-me do nada que eu me tornei)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)
I've been living a lie
(Eu tenho vivido uma mentira)
There's nothing inside
(Não há nada dentro)
Bring me to life
(Traga-me para a vida)

Castellamare sorriu e balançou a cabeça negativamente.
— O que te leva a pensar isso, rapaz? — ele perguntou debochado e o encarou com ódio.
Jesse engoliu a seco e implorou mentalmente para que o encarasse, o que não aconteceu.
sentiu algo gélido tocar sua nuca e engoliu a seco. Encarou Jesse por alguns segundos e ele também parecia não esperar por aquilo. não se virou apenas manteve-se parado enquanto ainda mirava a arma na direção de Jesse e Castellamare.
— Acho que não é hoje que sua vingança dá certo, — a voz atrás dele disse firme e ele deixou seus olhos se arregalarem.
Conhecia aquela voz.
Crescera ouvindo aquela voz.
.

****


secou as lágrimas e apertou o casaco de contra o corpo, tentando andar rápido, mas seus pés doíam e o cansaço estava presente. Não estava sendo nada fácil mas precisava ser forte. Por , pelo bebê.
Pelos três.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 5!)


Suspirou mais uma vez e apertou os passos. O ar lhe faltou por alguns segundos, fazendo-a ser obrigada a parar de andar e tentar puxá-lo de volta a seus pulmões. fechou os olhos com força e tentou ignorar a dor que estava começando a sentir, voltando a andar com passos mais rápidos e desesperados agora.

You’re just a small bump unborn
(Você era apenas um pequeno inchaço, ainda não nascido)
In four months you’re brought to life
(Em quatro meses você virá à vida)
You might be left with my hair
(Você poderá vir com meu cabelo)
But you’ll have your mother’s eyes
(Mas você tem os olhos da sua mãe)
I’ll hold your body in my hands, be as gentle as I can
(Segurarei seu corpo em minhas mãos, o mais gentil que eu puder)

— Não, não, não! — exclamou para si mesma sem parar de andar. Aquela dor era tão conhecida... — Por favor, meu amor, seja forte também — ela pediu deixando algumas lágrimas caírem enquanto acariciava a própria barriga. Sabia que fizera muito esforço e se estressara demais. Sabia que uma hora aquilo aconteceria, apenas não queria aceitar.
Não sabia se estava perto ou longe do carro que mandara encontrar, não sabia nem o que pensar! Sentia-se perdida, fraca. Sentia medo, frio, sono e cansaço. Mas... Nada, nada era maior que as dores que sentia; física e emocional. Deixou seu corpo cair no canto daquela rua deserta e abraçou os joelhos com força tentando amenizar a dor que sentia e, tentando assim, talvez, segurar o bebê que ela sabia que estava perdendo... Mais uma vez.

But for now you’re a scan of my unmade plans
(Agora você é uma cópia de meus planos não feitos)
A small bump in four months you brought to life
(Um pequeno inchaço, em 4 meses você virá à vida)
And I’ll whisper quietly and give you nothing but truth
(Sussurrarei quietamente, não te darei nada além da verdade)
If you’re not inside me, I’ll put my future in you
(Se você não está dentro de mim, colocarei meu futuro em você)

deixou as lágrimas rolarem livremente ao sentir algo escorrer por suas pernas. Não se deu o trabalho de olhar, apenas pertou mais o próprio corpo e chorou. Chorou pelo que estava acontecendo, chorou por não poder ser mãe, chorou por não ter certeza se voltaria, chorou por estar ali sozinha, chorou pelas dores que sentia, chorou por correr riscos de desmaiar de dor ou algo do tipo, chorou por medo, por desespero. Apenas chorou até sentir como se suas lágrimas estivessem secado. Levantou-se ainda fraca e caminhou lentamente, de uma forma automática, ignorando a dor que ainda sentia na barriga. De longe pôde ver o carro que indicara, acelerou os passos e limpou o rosto com a manga do casaco ao ver um homem parado de frente para o carro. Tentou esticar o vestido rasgado para tampar as pernas, mas não adiantou muita coisa.

You are my one and only
(Você é meu, e único)
And you can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(E me segurar forte)
You are my one and only
(Você é meu, e único)
You can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(Me segurar firme)
And you’ll be alright
(E você ficará bem)
You’re just a small bump, I know you’ll grow into your skin
(Um pequeno inchaço, eu sei que você crescerá em sua pele)
With a smile like hers and a dimple beneath your chin
(Um sorriso como o dela, e uma covinha em seu queixo)
Fingernails the size of a half grain of rice
(Unhas do tamanho de um meio grão de arroz)
And eyelids closed to be soon open wide
(Palpebras fechadas que se abrirão logo)
A small bump, in four months you’ll open your eyes
(Pequeno inchaço, em quatro meses você abrirá seus olhos)
And I’ll hold you tightly and tell you nothing but truth
(E eu te segurarei forte, não direi nada além da verdade)
If you’re not inside me, I’ll put my future in you
(Se você não está dentro de mim, colocarei meu futuro em você)
You are my one and only
(Você é meu, e único)
And you can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(E me segurar forte)
You are my one and only
(Você é meu, e único)
You can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(Me segurar firme)

— Você é o tal Eric? — ela perguntou com a voz baixa e falha.
— Sim — ele respondeu baixo e suspirou ao encará-la. — Você é a , sim? me falou sobre você — ele sorriu fracamente.
— Pode me levar para longe daqui? — ela perguntou baixo, enquanto abraçava o próprio corpo.
— Emma está vindo para cá. Você aguenta esperar ou... — Eric parou de falar ao fitar as pernas de e pôde notar que ela... Sangrava. Arregalou os olhos assustado e deu uma risada debochada.
— Não fique assutado. Todos sabiam que isso poderia acontecer — ela sussurrou, enquanto apoiava o corpo no carro e escorregava até o chão novamente. — Se encontrar com o antes de mim, não fale sobre o bebê — ela finalizou a frase e as lágrimas voltaram com mais força. — Eu quero sair daqui.

And you’ll be alright
(E você ficará bem)
Then you can lie with me, with your tiny feet
(Depois você poderá deitar comigo, com seus pezinhos)
When you’re half asleep I’ll leave you be
(Quando você estiver quase dormindo, deixarei você)
Right in front of me, for a couple weeks
(Em frente a mim, em algumas semanas)
So I can keep you safe
(Assim poderei te manter a salvo)
You are my one and only
(Você é meu, e único)
And you can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(E me segurar forte)
You are my one and only
(Você é meu, e único)
You can wrap your fingers round my thumb
(Você pode colocar seus dedos ao redor de meu dedão)
And hold me tight
(Me segurar firme)
And you’ll be alright
(E você ficará bem)

Eric suspirou e se abaixou na frente de .
— Está sentindo muitas dores? — ele perguntou baixo e balançou a cabeça afirmativamente. — Vai dar tudo certo, . Apenas tente se acalmar.
— Não é fácil... — ela murmurou dando uma risada irônica e fechando os olhos com força.
— Você consegue. — Foi o que Eric disse antes de se levantar e puxar o celular. Discou os números de Emma e aguardou. — Mande uma ambulância também, Emma. já está aqui e...
Não diga o que estou pensando, Eric! — Emma exclamou do outro lado da linha e Eric suspirou.
— Desculpe. Mas... — Eric suspirou novamente e encarou que ainda estava encolhida no chão — Eu acho que o bebê não resistiu... Apenas ande logo, Emma, as coisas podem ficar mais sérias.
Mas que droga! O bebê dela mexeu esses dias, Eric! Isso não é justo! — Emma exclamava desesperada e ele pôde ouvir barulhos de carros e ela gritando para enviarem uma ambulância para o local. — Cuide dela até chegarmos, Eric, por favor.
— Farei o possível — ele respondeu e desligou o celular em seguida. — Ei, , por favor, seja forte.

‘Cos you were just a small bump unborn
(Porque você só era um pequeno inchaço não nascido)
For four months, then torn from life
(Em quatro meses, desprovido de vida)
Maybe you were needed up there
(Talvez precisaram de você lá em cima)
But we’re still unaware as why.
(Só que até agora não sabemos o porquê)


****


largou uma das armas em total choque e se virou para trás, sentindo o cano da arma encostar em sua testa. Não acreditava no que estava vendo.
, seu melhor amigo, estava apontando-lhe uma arma no meio da testa e mostrando-se totalmente ao lado de Castellamare.
— Seu filho da... — murmurou e deu um passo a frente. revirou os olhos e encostou a arma na testa de novamente.
— Eu ainda tenho uma arma apontada para você e não vou hesitar em apertar o gatilho. Então é bom que você se controle, disse calmamente.
— Por que tá fazendo isso? — perguntou em um tom de voz baixo, mas sem esconder a raiva que estava sentindo.
— Explique tudo a ele, — Castellamare murmurou e Jesse sentiu seu coração apertar. Sabia de tudo o que estava acontecendo e não explicou nada para .
— Por onde eu devo começar? — ele perguntou ainda encarando o rosto contorcido em raiva de . — Antes de começar a explicar, eu acho que deveria fazer uma coisa que sinto vontade há muito tempo... Já que não pude fazer no seu pai, faço em você — disse entre os dentes e, com um movimento rápido, acertou a arma no rosto de , fazendo-o soltar um gemido de susto e dor. — Me sinto mais leve.
— Seu desgraçado! — gritou e foi para cima de , que apenas ergueu a arma novamente, fazendo-o parar automaticamente. — Seja homem e me encare sem uma arma, .
— Eu adoraria, mas não tenho tanto tempo para isso, caro disse balançando a cabeça de um lado para o outro. — Gostaria de ouvir uma história, ?
— Gostaria de quebrar sua cara — ele respondeu firme.
riu.
— Eu sei — ele deu de ombros. — Mas contarei uma história antes de começarmos a lavar nossas roupas sujas. Sabe, há um tempo atrás, , seu pai fazia uma outra criança além de você — se aproximou e abaixou a arma para encará-lo os nos olhos. — Mas só que, depois de deixar essa criança dentro de uma mulher linda e maravilhosa chamada Kate, ele a largou usando a desculpa de que ela o traíra. Ele ficou com o filho mais velho, já que tinha poderes o suficiente para ganhar qualquer causa judiciária, e deixou o mais novo com ela. O mais novo nasceu, cresceu e viu a mãe, Kate, morrer. O outro nem sequer sabia da existência, John o criou contando a mentira de que a mãe estava morta porque acahava que seria ruim para o filho mais velho se soubesse da existência da mãe — fez uma pausa para encarar o rosto assustado de . — Mas me diga, , você teria gostado de ter uma mãe, sim? — encarou-o por mais alguns segundos e permaneceu em silêncio. — Pois é, eu também gostaria de ter tido um pai.
O coração de parou no mesmo momento e sua cabeça girava.
— Não acredito em você — disse com a voz falha e Castellamare riu fracamente.
— Pois acredite, rapaz — ele disse se aproximando. — Nunca notou as semelhanças?
— Vocês são loucos! — exclamou firme. — Estão querendo me enlouquecer junto. Por que simplesmente não me matam? Não seria mais fácil?
— PARE DE AGIR COMO UMA CRIANÇA! — gritou. — O irmão mais velho dessa porra é você!
— EU NÃO SOU SEU IRMÃO! — gritou com toda sua voz. — Irmãos não fazem o que você fez, . Por mais que sintam ódio um pelo outro.
— Você não viveu o que eu vivi, . Não viu o que eu vi, não sentiu o que eu senti... — riu ironicamente. — Você sempre foi o filhinho do papai. Não podia ter uma ameça de alguma porcaria e seu pai já colocava gente atrás de você para te vigiar.
— Você é um idiota — murmurou balançando a cabeça negativamente. — Por que fez escondeu isso? Não seria mais fácil chegar e contar e...
— Não era fácil assim — encarou Castellamare por alguns segundos. — Quando seu pai soube de mim ele já estava quase morto.
— Não me diga que... — parou a frase e não segurou o impulso de ir para cima de e acertar-lhe um soco na cara. — SEU FILHO DA PUTA!
Jesse puxou para trás, seprando-o de .
— Se acalme, por favor. — Jesse sussurrou para , que se debatia e inflava as narinas tamanha era sua raiva.
— Me bater não vai te aliviar, disse firme. — Me bater não vai tirar a culpa que você carrega, não vai desfazer também o fato de eu ter visto nosso pai morrer, não mudar o fato do Castellamare ser nosso tio!
— Não fale no plural porque eu não sou nada de vocês. NADA! — rebateu firme.
— Você só não quer assumir, , pare de ser orgulhoso — riu fracamente. — Você sabe o quão parecidos somos. Isso não só fisicamente. Pense bem, . Procure por memórias... — se aproximou — Ou não se lembra do que têm acontecido? Não lembra que foi você quem começou com isso?
— Cala a boca — pediu entre dentes e Jesse o soltou devagar, desconfiado. — Você sabe que eu não quis fazer nada daquilo e...

(DEEM PLAY NA MÚSICA 6!)


— Só fez por que o Charlie disse que seria necessário? — riu. — Querido , aquilo foi ideia minha. Ideia do Richard, porque não! Ele não presta! Você é tão inocente... — se aproximou — Diga-me, não foi o Richard que disse todas aquelas coisas para o Charlie e o fez acreditar? , ... Todos queriam te destruir. Richard me deu o empurrão que precisava. Charlie caiu na dele, e veja só... Você acabou aceitando o serviço sujo. Basta falar do seu pai e você fica cego... — riu mais uma vez. — Céus, ! Conte-nos, como foi matar uma pessoa inocente?
engoliu a seco e Jesse deixou a respiração falhar.
— Ela não era inocente — disse baixo, fitando o chão.
Lembrava-se claramente daquela noite.
— Claro que não — se aproximou para encará-lo nos olhos. — Owen era uma vagabunda. Mas não merecia a morte que teve.
sentiu seu coração falhar e as memórias o atingiram com força.


I've been left out alone
(Eu tenho vivido desconhecido)
Like a damn criminal
(Como um criminoso)
I've been praying for help
(Tenho rezado por ajuda)
'Cause I can't take it all
(Porque não posso aguentar tudo isso)
I'm not done? It's not over?
(Não estou acabado? Não acabou?)


Flashback

encarou Charlie sem entender.
— Está me mandando matar Owen Mangor? — ele perguntou engolindo a seco. — Olhe, Charlie, como chegarei aqui no dia seguinte? Terei que fingir que não sei de nada? Pelo amor de Deus! Estamos falando de Owen Mangor!
— Não quero que a mate, mas sim que arranque algumas coisas dela — Charlie explicou. — Não venha se fazer de honesto, . Quantas pessoas já matou ou prendeu porque eu simplesmente quis? Neste caso, quem a quer morta é Richard.
— Por quê? — perguntou. — Olhe, Charlie...

Now I'm fighting this war
(Agora estou lutando nessa guerra)
Since the day of the fall
(Desde o dia da queda)
And I'm desperately holding on to it all
(Estou desesperadamente aguentando tudo)
But I'm lost, I'm so damn lost
(Mas estou perdido, tão perdido)

— Ela está metida com o que queremos. Chega de perguntas, . Faça o que tem que fazer e como quiser fazer. Daremos um jeito nela e acabou — Charlie disse firme.
não acreditava no que estava ouvindo.
Então Owen Mangor também estava metida naquela maldita merda? Tudo por dinheiro?
— Sabe onde o cofre está agora? — perguntou.
— Não. Mas Owen sim. Tente tirar alguma coisa dela, — Charlie pediu mais uma vez.
— Vai dar merda pra mim... — murmurou.
— Não vai! Foi Richard quem mandou procurá-la. É a reputação desse lugar em jogo, .
bufou e revirou os olhos. Não tinha escolha.
Não respondeu Charlie, apenas saiu da sala em passos rápidos. Foi para o estacionamento, adentrou seu Impala e deu partida.
Tinha apenas um caminho em mente: a casa de Owen.
Estacionou o carro no fim da rua e foi caminhando calmamente até a casa da mulher.
Tocou a campainha e esperou.
Owen abriu a porta e, ao reconhecê-lo, riu ironicamente.
— Não vou falar nada, vá embora, — ela disse firme. — Se preferir, volte mais tarde e me mate. Mas não tirará nada de mim.

Oh I wish it was over
(Oh, como eu queria que acabasse)
And I wish you were here
(Queria você aqui comigo)
Still I'm hoping that somehow
(Continuo acreditando, de alguma maneira)
'Cause your soul is on fire
(Porque sua alma está em chamas)
A shot in the dark
(Um tiro no escuro)

— Colabore, Owen. Você sabe o que está em jogo — disse tentando não se estressar e Owen sorriu.
— Sei exatamente o que está em jogo... E é tudo dos meus filhos, por favor, vá embora. Desista dessa loucura — ela o encarou nos olhos. — Desista enquanto há tempo, . Daqui a pouco ele volta e boom! — ela imitou uma bomba e voltou a sorrir, dizendo em seguida: — Acabou para todos nós. Você é um bom rapaz, é novo. Não faça tudo o que te mandam. Você não sabe por que está aqui. Desista, rapaz.
— Owen, por favor... — insistiu, mas a única coisa que viu e ouviu, foi a porta batendo.
Respirou fundo e voltou para seu carro em passos rápidos.
Pegou o celular e discou os números de . Ao ouvir a voz do amigo, explicou a situação o mais rápido que pôde. Alguns minutos depois, já estava lá com ele. Ambos estavam nervosos, ansiosos. Mas queriam acabar logo com aquela agonia.

What did they aim for when they missed your heart?
(No que eles miraram quando erraram seu coração?)
I breathe underwater
(Respiro dentro d'agua)
It's all in my hands
(Tudo em minhas mãos)
What can I do?
Dont let it fall apart
(Não deixei despedaçar)
A shot in the dark?
(Um tiro na escuridão?)

— Amanhã é só fingir que nada aconteceu. — Foi o que disse antes de descer do carro com .
Esperaram mais algums horas e foram.

****


Owen Mangor, grande empresária, se preparava para dormir. O cansaço do dia inteiro em meio à papéis começava a bater de verdade. Seus trinta e poucos anos — beirando nos quarenta — não a ajudavam muito, fazendo as malditas dores aparecerem; dores de horas em pé em cima de saltos finos e enfiada naquelas roupas sociais apertadas - as quais valorizavam seu corpo, deixando suas curvas à mostra... Dando-lhe alguns anos a menos.
Juntou todos os seus papéis e preparou-se para deitar-se em sua cama; estava sozinha.
Seus filhos estavam com o ex-marido, seu gato... Bem, seu gato estava enfiado em uma outra gata pela rua.
Deu ombros e aconchegou-se debaixo de seus cobertores quentinhos e macios, fechou os olhos com força tentando fazer seu corpo relaxar.

In the blink of an eye
(Num piscar de olhos)
I can see through your eyes
(Posso ver através de seus olhos)
As I'm lying awake I'm still hearing the cries
(Estive deitado enquanto ouvia o choro)
And it hurts, hurts me so bad
(Isso me machucava, machucava tanto)
And Im wondering why I still fight in this life
(E continuo me perguntando o porquê de eu continuar lutando nesta vida)

Owen estava quase pegando no sono quando sentiu algo gélido tocar seu rosto.
Abriu os olhos assustada, dando de cara com a figura de um homem - que não dera para ver muito bem seu rosto por causa da escuridão e por estar sem óculos - extremamente assustadora segurando uma faca e tocando-a em seu rosto.

'Cause Ive lost all my faith in this damn bitter strife
(Porque eu perdi toda minha fé nessa amarga contenda)
And its sad... Its so damn sad
(E isso é triste... Muito triste)
Oh I wish it was over
(Oh, como eu queria que acabasse)
And I wish you were here
(Queria você aqui comigo)
Still I'm hoping that somehow
(Continuo acreditando, de alguma maneira)

Sentou-se na cama desesperada, na intenção de se levantar e correr na esperança de encontrar ajuda. Mas o homem fora mais rápido e segurou-a com a mão livre, jogando-a sobre a cama novamente.
Owen tinha o rosto pálido de medo, seu corpo tremia por inteiro; cada partezinha, sem exceções.
— Hora de dar tchau, senhora Mangor — sussurrou dando um sorriso malicioso.
Um grito de pavor escapou dos lábios de Owen.
E, então, toda a cama fora preenchida por sangue.
Sangue de Owen Mangor.
Ela fora assassinada em sua própria casa, às 23h45min.
encarou a cena com um sorriso nos lábios.
O jogo havia começado. , finalmente, tinha dado start.

In the blink of an eye
(Num piscar de olhos)
I can see through your eyes
(Posso ver através de seus olhos)
As I'm lying awake I'm still hearing the cries
(Estive deitado enquanto ouvia o choro)
And it hurts, hurts me so bad
(Isso me machucava, machucava tanto)
I feel you fading away
(Sinto você desvanecendo)
A shot in the dark?
(Um tiro na escuridão?)

Fim do flashback.

balançou a cabeça negativamente.
— Não fale como se eu tivesse feito aquilo sozinho, sorriu de uma forma sádica. — Não empurre a culpa para mim.
— Empurro, empurro sim! — rebateu. — Não venha você querer dividir a culpa disso tudo comigo! Você fez o que precisávamos, !
— Eu não queria matar a Owen — disse devagar, engolindo a seco. — Mas...
— Eram coisas sobre nossa família, sim, claro — sorriu. — E adivinhe só? Foi tanto esforço para nada! Crowley está morto, graças a você, e com ele foi-se a senha do cofre. Estaca zero para ambos lados, .
— Você não sabe o que está dizendo, riu, nervoso. — Vamos acabar logo com isso. Você sabe tanto quanto eu que Charlie chegará daqui a pouco.
— Gosto de público, disse sorrindo de uma forma sapeca. — Aceite o fato de que foi enganado!
Jesse sentia sua cabeça girar em meio todas aquelas informações. e mataram Owen... Juntos.
— Quem fez o trabalho sujo? — Jesse perguntou.
riu amargamente e Jesse entendeu o que aquilo quis dizer.
— Talvez ser filho da puta e assassino esteja no sangue — disse fitando o chão. — Vamos logo, . Acabe com essa droga. Vai me matar, me mate logo.
Jesse não acreditava no que estava ouvindo. Não acreditava que não estava ligando para o fato de que eram irmãos. Não acreditava que eles ainda pensavam em se matar ali!
— E os outros? — quis saber.
riu maliciosamente antes de responder.
— Eu e Castellamare. Todos eles — deu um passo a frente. — Matar a Kennedy foi doloroso, confesso. Mas foi ótimo ver a cara de pavor dela ao me encarar... — mordeu o lábio inferior e fechou os olhos. respirou fundo e ameaçou a dar um passo a frente para socar a cara daquele que ele chamou de melhor amigo, mas algo gélido tocou sua cabeça novamente. — Você precisava ter visto, . Coitadinha. Foi uma morte sofrida, costurei o bilhete direcionado à você enquanto ela ainda estava viva. Foi realmente uma pena. David também foi uma coisa divertida. Mas ele ficou por conta do Castellamare. Jesse não gostava de participar de nossas brincadeiras — deu de ombros. — Foi uma pena, porque realmente foi tudo muito divertido.

****


— Vocês vão precisar invadir assim que chegarem. Castellamare não costuma esperar, ainda mais quando está com o sobrinho dele — James disse enquanto caminhava ao lado de Emma e Charlie, em direção ao local. Já haviam colocado na ambulância, mas ela insitira em ficar. Não se importava de saber que seu bebê realmente estava morto. Apenas queria . Claire ficou cuidando dela, enquanto Eric vinha com Charlie, Emma, Richard e os outros homens — incluindo Brian e Ryan.
— Não podemos simplesmente invadir — Richard disse nervoso. — Não é o certo!
— Cale a boca porque você começou com isso! — Emma gritou. — Nós vamos invadir aquela droga e acabou!
Charlie sorriu levemente da determinação de Emma. Ela atuaria tão bem no lugar de ou ao lado dele.
e são irmãos — James disse de uma hora para outra, fazendo Emma parar de andar bruscamente com o coração acelerado. — Castellamare armou para que John e Kate se separassem na época que ela estava grávida. Quando John fora morto, a última visão que teve, fora a de . Castellamare o contou sobre o filho e o matou em seguida.
— Eu sabia — Emma murmurou e passou as mãos pelos cabelos. — A semelhança nas digitais e o número do sapato — ela suspirou. — A essa altura já sabe de tudo... Isso se não estiver sofrendo o que John sofreu...
— Jesse está com ele, fique tranquila — James murmurou.
— Jesse não vai deixar nada acontecer com . Relaxem. — Eric se pronunciou e apertou o passo. — Vamos rápido, gente. Vamos chegar lá e vai ser uma grande confusão.
Apertaram o passo o máximo que puderam e logo puderam ver o local. A noite começava a cair e o frio aumentava. Mas, naquele momento, eles sentiam tudo, menos frio.
Todos estavam armados e prontos para entrar.
Charlie fez alguns sinais para Brian e Ryan — que estava ali apenas porque Emma queria —, que correram para o outro lado. Se prepararam e Charlie, então, após respirar fundo algumas vezes, deu o sinal para que começassem.

****


engoliu a seco enquanto Castellamare segurava a arma contra sua cabeça e observava do outro lado. estava perto de uma janela que nem sequer sabia que existia e um sorriso no rosto. Jesse estava tenso em um outro canto.
— Eles chegaram — foi o que disse enquanto encarava a arma brilhante em sua mão. Levantou-a e mirou-a para sorrindo. — Vão invadir daqui uns segundos. Suponho que o maldito do James esteja com eles. Aquele filho da puta deveria estar morto. E tire essa arma da cabeça do , Castellamare — deu de ombros. — Vamos, nosso rapazinho não vai fugir. Não mais.
Castellamare abaixou a arma e comemorou por dentro. Jesse fitou os homens presente no local e engoliu a seco, pensando em um jeito de pegar uma das armas do chão e mirá-la para Castellamare. Tudo o que queria e precisava era acertar Castellamare. Apenas isso.
— Antes deles invadirem aqui — começou, encarando com um sorriso debochado. — Saiba que ainda temos parentes vivos, . Na Itália. Papai ironizou a palavra — nunca te contou, né? Pois é, temos parentes em Palermo. Por isso esse traste desse Castellamare vive no meu pé — revirou os olhos e Castellamare o olhou torto. Desde quando aquele garoto era tão abusado? — Isso é tudo o que precisa saber antes de morrer, . Assim que abrirem aquela porta, você vai morrer. É bom que esteja ciente disso.
Jesse tomou coragem e respirou fundo disfarçadamente. Só precisava calcular. Ele era bom naquilo. Cálculos sempre foram fáceis para ele. Agora não seria diferente.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 7!)


— Mas ele não irá sozinho, — a voz de Jesse ecoou pelo local, fazendo com que sorrisse. Antes de Castellamare pensar em erguer a arma para , ele já estava com uma das mãos fechadas em punho e forçando-a contra o rosto do mais velho, fazendo-o cambalear e deixar a arma cair. Jesse, também em movimentos rápidos e bem calculados, pegou uma das armas do chão e correu para o outro lado, tentando escapar dos tiros que disparava. Mesmo tropeçando nos próprios pés, pegou a arma que antes estava com Castellamare e correu na direção oposta de Jesse, para deixar confuso.
E raivoso.
Extremamente raivoso.
Não demorou muito para um estrondo ser ouvido na parte da frente do local. Charlie e Brian passaram pela porta como se fossem duas muralhas. Mas isso não fez parar de atirar, fazendo com que todos que acabaram de entrar, se espalhar pelo local. Aquilo fora o suficiente para Castellamare se levantar e pegar uma arma qualquer que estava jogada pelo local.
Uma pena ele ser mais velho que todos dali.

What if I wanted to break?
(E se eu quisesse terminar?)
Laugh it all off in your face
(Rir de tudo na sua cara)
What would you do?
(O que você faria?)
What if I fell to the floor?
(E se eu caísse no chão?)
Couldn't take this anymore
(Não pudesse mais aguentar isso)
What would you do, do, do?
(O que você faria?)
Come break me down
(Venha me destruir)
Bury me, bury me
(Me enterre!)
I am finished with you
(Eu terminei com você)

Emma sorriu com a imagem de Castellamare tentando fugir e apertou o gatilho da arma que tinha em mãos, acertando-o em uma das pernas.
— Hora de continuar quietindo aí, Castellamare! — Ela exclamou enquanto procurava ou com os olhos.
Mais alguns tiros foram ouvidos e Emma sentiu seu braço queimar, jogando-se atrás de qualquer coisa e olhando em volta, atenta. Mais um tiro de raspão para a coleção dela.
Só quem estava ali dentro era a equipe formada por Charlie. James ficara do lado de fora com alguns outros para caso alguém tentasse correr ou ajudá-los.
, que estava do outro lado, respirou fundo e ficou ali por alguns segundos. Era a hora dele. Estava na mesma direção que . Se esticou completamente e olhou em volta. podia ouvir a voz de Charlie e Emma gritando com os outros, mas não estava se importando. Sabia que era agora. Sabia que já o tinha visto. Não tinha escapatória. Um deles teria que sair vivo dali.
— Foda-se. — murmurou para si mesmo e saiu de onde estava. fez o mesmo do outro lado e caminhou em passos rápidos e largos para frente, com a arma apontada na direção de .

What if I wanted to fight?
(E se eu quissesse brigar?)
Beg for the rest of my life
(Implorar pelo resto da minha vida?)
What would you do?
(O que você faria?)
You say you wanted more
(Você disse que queria mais)
What are you waiting for?
(O que você está esperando?)
I'm not running from you
(Não estou correndo de você)

— É hora de dizer adeus, ! — gritou e todos do local, sem reação, viraram-se para onde a voz vinha.
— Não direi isso sozinho, . — respondeu firme enquanto levantava a arma na direção de .
Um grito desesperado escapou da garganta de Emma quando ela observou a cena.
De repente, tudo ficou em câmera lenta. Emma tentou passar por Charlie, mas ele a segurou com força. Não poderiam fazer nada, aquilo era entre eles. Castellamare se levantou devagar, mesmo com a perna doendo. Jesse saiu de onde estava com os olhos arregalados, pronto para entrar na frente de .
Mas não dera tempo.
A arma de já havia disparado dois tiros na direção dele.
Emma gritou mais uma vez e se soltou dos braços de Charlie. Antes que pudesse erguer sua arma e mirá-la em , ela pôde ver que chegara a apertar o gatilho também.

Come break me down
(Venha me destruir)
Bury me, bury me
(Me enterre!)
I am finished with you
(Eu terminei com você)
Look in my eyes
(Olhe em meus olhos)
You're killing me, killing me
(Você está me matando)
All I wanted was you
(E tudo o que eu queria era você)

tinha os olhos levemente arregalados e a mão sobre a barriga. Dois passos fora o suficiente para deixar o corpo cair pela janela que antes estava apoiado.
De repente, tudo voltou a velocidade normal novamente. Emma correu até onde estava caído e respirando com dificuldade. Ajoelhou-se ali e encarou o amigo.
Mais um tiro fora ouvido e Emma fechou os olhos, temendo que fosse em cima dela ou de . Quando olhou para trás, Castellamare estava jogado no chão com os braços abertos e Jesse tinha uma arma apontada para ele.
— Fica comigo, , fica comigo! — Emma disse alto enquanto sentia as lágrimas brotarem em seus olhos. deu um sorriso fraco para ela e fechou os olhos por uns segundos.

I tried to be someone else
(Eu tentei ser outra pessoa)
But nothing seemed to change, I know now
(Mas nada pareceu mudar, eu sei agora)
This is who I really am inside
(Esse é quem eu realmente sou)
Finally found myself
(Finalmente me encontrei)
Fighting for a chance, I know now
(Lutando por uma chance, agora eu sei)
This is who I really am
(Esse é quem eu realmente sou)

— Acabou — ele sussurrou. — Cuide da . Diga para ela que a amo.
— Cala a boca, ! — Emma gritou. — RYAN, A AMBULÂNCIA! MANDE-A ANDAR ATÉ AQUI O MAIS RÁPIDO QUE PUDER!
— Desista, Emma — sussurrou novamente, levando a mão até o ferimento. — Vi meu pai morrer assim...
— Já mandei calar a boca! — Emma gritou novamente, afzendo-o rir e tossir um bocado em seguida.
Charlie e Richard estavam parados apenas encarando a cena. Não sabiam o que fazer.
— Fica com a gente, — Jesse disse se aproximando e se ajoelhando ao lado de Emma, que agora tinha a cabeça de em seu colo. — Por favor. Vamos lá, você é forte.

Come break me down
(Venha me destruir)
Bury me, bury me
(Me enterre!)
I am finished with you
(Eu terminei com você)
Look in my eyes
(Olhe em meus olhos)
You're killing me, killing me
(Você está me matando)
All I wanted was you
(E tudo o que eu queria era você)
Come break me down (bury me, bury me), Break me down (bury me, bury me), Break me down (bury me, bury me)
(Venha me destruir! Enterre-me! Destrua-me, me enterre. Me destrua, venha me enterrar!)

— A ambulância está chegando — Ryan se aproximou. — Mantenha-o acordado. E quem é você? — Ryan perguntou virando-se para Jesse e todos os presentes fizeram o mesmo.
— Jesse Pender. Policial federal. Estava infiltrado na quadrilha de Castellamare para prendê-lo. Ainda não tínhamos provas o suficiente para jogá-lo na cadeia, o maldito sabia fazer os trabalhos direito — Jesse respondeu rápido. — Desculpe não contar antes — Jesse encarou Emma que tinha algumas lágrimas nos olhos e um semblante assustado, assim como . — Foi necessário.
Richard, ainda abalado com tudo o que vira, caminhou calmamente até a janela onde o corpo de caíra. Talvez morto, talvez ainda vivo... Mas, ao cair dali, não tinha como sobreviver. Richard fitou o local com atenção, não havia nem sinal de . Talvez o pobre homem tivesse caído no barranco que tinha logo ali atrás. Sobrevivência, para , sem chances.

(Say you wanted more)
(Diga que você queria mais)
What if I wanted to break?
(E se eu quissesse terminar?)
(What are you waiting for?) (bury me, bury me)
(Pelo o que você está esperando? Me enterre!)

— Algum sinal? — Ryan gritou para Richard, que balançou a cabeça negativamente. — Procuraremos lá embaixo — foi o que Ryan disse enquanto saía com Brian para encontrar os outros homens do lado de fora.
Charlie deu de ombros e caminhou até onde estava praticamente sem forças.
— Continue com a gente, — pediu baixo e Emma deixou as lágrimas caírem de uma vez. — Por favor. A ambulância já está aí. Vamos te levar para o carro agora, tudo bem?
— Desista. Siga o Richard. — sussurrou novamente e fechou os olhos. Não tinha forças para continuar de olhos abertos, não tinha força para mais nada. A escuridão estava perto demais. A morte estava perto demais.

(I'm not running from you)
(Não estou correndo de você)
What if I (x4)
(E se...)
Bury me.
(Me enterre.)

Emma e Charlie se afastaram do corpo fraco de para os paramédicos pegá-lo e colocá-lo na maca. Emma sentia seu coração apertar a cada segundo que passava. Era arriscado demais voltarem para Londres com naquele estado. A não ser que fizessem milagre para conseguirem chegar lá em menos de cinquenta minutos.
Uma chuva fina começou a cair assim que saíram com o corpo de . estava enrolada em um cobertor ao lado de Claire dentro da ambulância que levaria , havia saído escondida para a outra e entrara mesmo sem a permissão dos responsáveis, Claire, como ficara tomando conta dela, fora obrigada a ir junto.
Assim que viu o corpo de esticado naquela maca, o desespero tomou conta de seu corpo, fazendo-a soltar-se do abraço de Claire e descer da ambulância, como se não tivesse sofrido nada e não estivesse com dores. Seu coração batia forte dentro do peito e lágrimas automaticamente surgiram em seus olhos ao encará-lo um pouco mais de perto tão abatido, com sangue manchando sua roupa e... Inconsciente.

(DEEM PLAY NA MÚSICA 8!)


Claire segurou-a pelo braço e a puxou para trás.
— ME SOLTA, CLAIRE! — gritou. — Por favor, me solta!
Emma que vinha de longe, com lágrimas escorrendo pelo rosto, secou-as imediatamente e se aproximou de em passos fortes.

I'm not a perfect person
(Não sou uma pessoa perfeita)
There's many things I wish I didn't do
(Tem tantas coisas que eu queria não ter feito)
But I continue learning
(Mas eu continuo aprendendo)
I never meant to do those things to you
(Eu nunca quis fazer essas coisas a você)
And so, I have to say before I go
(E então, eu tenho de dizer antes de ir)
That I just want you to know
(Eu quero que você saiba)
I've found out a reason for me
(Achei uma razão pra mim)
To change who I used to be
(Pra mudar quem eu era)
A reason to start over new
(Uma razão pra recomeçar)
And the reason is you
(E essa razão é você)

— Volta para dentro, , vá embora com a Claire. — Ela disse firme e deixou uma lágrima rolar.
— Por favor, Emma — ela pediu baixinho, enquanto a chuva aumentava aos poucos e os paramédicos colocavam dentro da ambulância. — Me diz que ele está bem, pelo menos.
— Não vou mentir para você — Emma disse de uma vez e saiu em direção a ambulância, já que seu braço estava machucado.

I'm sorry that I hurt you
(Desculpe-me se te machuquei)
It's something I must live with everyday
(É algo que devo conviver todos os dias)
And all the pain I put you through
(E toda essa dor que te fiz passar)
I wish that I could take it all away
(Gostaria de poder tirá-la)
And be the one who catches all your tears
(E ser o único a recolher suas lágrimas)
That's why I need you to hear
(E é por isso que eu preciso que você ouça)
I've found out a reason for me
(Achei uma razão pra mim)
To change who I used to be
(Mudar o que eu era)

sentiu seu coração bater mais rápido e o ar lhe faltar.
— Ele vai ficar bem — a voz de James adentrou seus ouvidos e ele passou um dos braços pela cintura dela, dando-lhe apoio. — Respire, !

A reason to start over new
(Uma razão pra recomeçar)
And the reason is you (x4)
(E essa razão é você)
I'm not a perfect person
(Não sou uma pessoa perfeita)
There's many things I wish I didn't do
(Tem tantas coisas que eu queria não ter feito)
But I continue learning
(Mas eu continuo aprendendo)
I never meant to do those things to you
(Eu nunca quis fazer essas coisas a você)
And so, I have to say before I go
(E então, eu tenho de dizer antes de ir)
That I just want you to know
(Eu quero que você saiba)

não respondeu apenas escondeu o rosto no peito de James, que não soube muito bem o que fazer. Claire se aproximou e abraçou-a também.
— Vai acabar tudo bem, . Confie em mim — ela murmurou no ouvido da chefe. — Vamos para o hospital. Você precisa se cuidar. Vamos, o é forte. Ele caiu no Tâmisa em um dia de frio — Claire sorriu fracamente. — Vamos logo, mulher! Irei te levar para o hospital para você não precisar ir de ambulância, que tal?

I've found out a reason for me
(Achei uma razão pra mim)
To change who I used to be
(Pra mudar quem eu era)
A reason to start over new
(Uma razão pra recomeçar)
And the reason is you
(E essa razão é você)

— Claire tem razão — James murmurou afastando de seu corpo. — Vamos, .
não disse mais nada, apenas deixou que a guiassem. De que adiantaria ela continuar ali parada na chuva e aos prantos? Isso não faria ficar bem.
Fechou os olhos com força e se deixou levar por Claire.
— Obrigada. — Foi a única coisa que conseguiu pronunciar enquanto entrava no carro.

I've found out a reason to show
(Encontrei uma razão pra mostrar)
A side of me you didn't know
(Um lado de mim que você desconhecia)
A reason for all that I do
(Uma razão pra tudo o que eu faço)
And the reason is you
(E a razão é você)

****


Algumas horas se passaram. estava deitada na cama desconfortável do hospital com Emma ao seu lado.
— Logo poderemos ir vê-lo, — Emma começou. — Ele só está retirando as balas. Vai dar tudo certo.
— Estou com medo — disse baixando, virando o rosto na direção de Emma.
— Vai acabar tudo bem — Emma tentou sorrir.
— Ainda tem tanta coisa a ser esclarecida, Emma — suspirou. — Ouvi Charlie falando com alguém que matou a Owen.
Emma engoliu a seco.
— Não se preocupe com isso agora — Emma suspirou. — Você só tem que se preocupar com sua saúde. A missão acabou, você não faz mais parte da equipe. Já sabemos quem matou todo mundo, já temos as evidências certas dessa vez. Não se preocupe mais.
não respondeu, apenas lembrou-se das palavras de : Você gosta do fato de estar se entregando a um assassino.
Fechou os olhos com força e balançou a cabeça negativamente.
A porta do quarto se abriu e Emma virou-se para ela.
— A operção acabou. Vamos? — Charlie murmurou e abriu os olhos.
— Vamos — Emma respondeu e ajudou a sair da cama. — Você não pode andar muito. Não quer a cadeira de rodas?
— Emma, por favor, vamos logo! — respondeu firme, enquanto calçava os chinelos e caminhava até a porta, apoiando-se em Charlie, que deu uma risada fraca.
Pegaram o elevador tentando ignorar a tensão que se instalara no ambiente. Assim que as portas se abriram, saíram juntos. Alguns segundos e já estavam em frente a porta do quarto de , onde o médico os esperava.
— E então? — foi a primeira a perguntar.
O médico sorriu fracamente com a ansiedade da mulher e respondeu:
— Espero que esteja se sentindo melhor, senhorita . Agora acalme-se. Tudo ocorreu muito bem, como eu já tinha dito ao Charlie. Apenas uma bala não foi retirada, poderia aumentar os riscos dele e tudo o mais. Isso também já havia sido explicado ao Charlie — o médico o encarou e Charlie apenas balançou a cabeça.
— Como ele está? — Emma perguntou.
O médico suspirou e fitou o chão por alguns segundos.
— Diz, doutor, como ele está? — reforçou a pergunta, engolindo a seco.
O médico suspirou mais uma vez e Charlie fitou o chão. Já sabia o que tinha acontecido, apenas fora buscar e Emma depois.
já tinha os olhos lacrimejando e Emma apertava a mão de Charlie com força.
Após alguns segundos naquele silênico assustador, o médico disse firmemente:
— Ele está em coma.


Epílogo: Come back to me.

caminhava calmamente pelos corredores daquele hospital. O cheiro já não a incomodava mais, as pessoas doentes espalhadas por todas as partes também não.
Sorriu para uma criança que passava por ali e parou em frente ao quarto de número 323. Um suspiro pesado e cansado escapou do fundo de sua garganta e abriu a porta logo em seguida, dando de cara com o corpo de completamente ligado a aparelhos. Segurou as lágrimas ao lembrar-se que ele estava naquele estado — há meses — por sua causa e entrou de uma vez por todas no quarto, fechando a porta em seguida.
Mais de três meses havia se passado desde aquele dia infernal. O dia em que fora gravemente baleado... Por sua causa, porque ela o deixara lá. Mas toda aquela culpa servira de algo: seu trabalho para Charlie estava feito, sua carreira ficara melhor, trabalhos melhores e maiores apareceram. Mas, entre todos eles, o que mais gostara fora escrever um livro. Contara tudo — com a permissão de todos que participaram daquilo, claro — o que acontecera naqueles meses de trabalho ao lado de Charlie e sua equipe, claro que modificando os nomes e alguns fatos para parecer uma história fictícia. Mas todos daquele país sabiam que aquilo tinha mais realidade que ficção. O livro era um sucesso! O que ela mais queria e precisava era de acordado para apreciar aquele trabalho, claro que o queria acordado também para se desculpar; se desculpar por ter deixado ele levar aqueles tiros, se desculpar por não ter conseguido segurar o filho que ele deixara claro que queria que ela tivesse, se desculpar por ter sido uma burra e idiota a ponto de acreditar em Crowley e colocá-lo em perigo, se desculpar por ter sido besta o suficiente de entregar os documentos para Charlie e dizer olhando-o nos olhos que não o amava. Enfim, gostaria de se desculpar por tudo, gostaria que ele estivesse consciente o suficiente para acompanhar seu crescimento não só como jornalista, gostaria dele consciente o suficiente para discutir com ela ou para simplesmente beijá-la de surpresa e acabarem sem nenhuma peça de roupa.
secou as lágrimas que deixou cair e jogou as coisas no sofá de qualquer jeito, poderia escrever depois. Contaria para como estava sendo aquilo tudo sem ele, contaria que Charlie e Emma sentiam falta, contaria que Nicholas arrumara uma amiguinha colorida e queria que ele a conhecesse, contaria tudo o que estava acontecendo nos mínimos detalhes.
— Ei, — ela começou com um sorriso no canto dos lábios e segurando-o pela mão. — Não acha que já está na hora de acordar? Não aguento mais ficar me desculpando com você assim, desse jeito — ela mordeu o lábio inferior e deu de ombros. — Acredita que os idiotas dos médicos vieram dizer para Emma e Charlie que deveríamos desligar os aparelhos e te deixar... Morrer? — ela riu fraco. — Eles acham que é assim... Uma pessoa entra em coma, não levanta dentro de uns meses e devemos desligar os aparelhos. Mas não é assim, certo? — ela o encarou, sentindo-se uma louca por alguns segundos. — Não é assim quando se trata de um dos melhores policiais de Londres. A propósito, você está fazendo falta lá no prédio. Todos os dias perguntam para a Emma ou para o Charlie se você teve alguma melhora ou algo do tipo. Você pode ser esse brutamontes que sempre foi, mas faz falta. Não sei até hoje como Charlie consegue se virar sem você. Enfim — ela soltou um suspiro pesado. — Vamos tentar de novo o que eu tentei todos os dias desde que você veio parar aqui... — ela deu uma risada fraca, sentindo-se boba. — Se estiver me ouvindo, aperte minha mão, . — Ela fechou os olhos e suspirou ao não sentir nada. — Vamos, ! — exclamou com a voz abafada pelas lágrimas e encarou suas mãos entrelaçadas. — Dê um sinal de que está aí, ! — ela insistiu, sentindo seu estômago embrulhar de ansiedade e medo. — , por favor... — ela murmurou uma última vez, não segurando as lágrimas que queriam escapar seus olhos. — Por favor, por favor... — ela pediu de novo, secando as lágrimas com as costas da outra mão. Preparou-se para falar de novo, mas sua boca apenas se abriu, não emitindo som algum. Um choque se apossou de seu corpo e ela engoliu em seco.
Estava ficando louca de vez ou havia mexido os dedos devagar?
? Está me ouvindo? — ela perguntou baixo, sentindo-se uma louca. Mas estava pouco ligando para o que parecia ou deixava de parecer. Vira os dedos de se mexerem e não desistiria de provar aquilo. — Por favor, se sim, tente mexer os dedos de novo, aperte minha mão, sei lá! — ela exclamou, mostrando-se mais desesperada agora.
Aos poucos, fora sentindo os dedos de envolverem sua mão. Seu coração acelerou automaticamente e ela fitou suas mãos entrelaçadas, agora, por iniciativa dele. Ela podia ver que ele ainda estava sem força, mas aquilo fora um avanço. Oras! Ele segurou sua mão, finalmente! Ele estava escutando-a o tempo inteiro! Deus, como ela estava feliz! Como sentia-se melhor agora, sabendo que estava bem e podia escutá-la e apertar sua mão.
— Tente abrir os olhos, . — Ela murmurou, segurando-o pela mão com mais força. não se moveu mais. — Vamos, ! — ela insistiu e nada aconteceu. Nenhum movimento. Mas não importava, as lágrimas já caíam desesperadas de seus olhos, estava ali, consciente, escutando-a. — Se não tem forças o suficiente para abrir os olhos, aperte minha mão, . — Ela pediu baixo e, novamente, moveu a mão lentamente, apertando a de . — Se eu fechar as cortinas e não deixar muita luz por aqui para não machucar você quando abrir os olhos, você tenta de novo? — perguntou com um sorriso no canto dos lábios, esperando respondê-la com mais um aperto de mão, o que não demorou muito. — Um minuto, então. — Ela murmurou e, sem esperar segurar sua mão de novo, soltou-o de uma vez e caminhou até a janela, fechando as cortinas do quarto.
Numa velocidade que nem mesmo ela sabia que tinha, sentou-se novamente ao lado de e segurou sua mão. — Já está tudo fechado, tem pouca luz. Vamos, tente. — Ela pediu e encarou seu rosto com ansiedade. — Vamos, . Você consegue, vai. — Ela pediu novamente, enquanto, com a mão livre, acariciava o rosto de .
Uns segundos depois, pôde notar as feições de mudarem devagar, como se estivesse tentando abrir os olhos e não conseguisse. apertou-a pela mão novamente, mostrando que não conseguia.
— Vamos, ! Você consegue, sim — ela sorriu fraco, segurando-o pela mão com firmeza. — Eu... Eu sinto tanta falta de encarar seus olhos... — Ela murmurou, sentindo seu rosto corar em seguida. teria sorrido de uma forma debochada e fofa ao mesmo tempo se já estivesse bom. — Vamos, . — Ela murmurou novamente, notando que ele se esforçava mais.
Aos poucos, fora conseguindo abrir os olhos. Nos primeiros segundos, ele não enxergou mais que um borrão colorido. Porém, logo depois, conseguira ver claramente a imagem de em sua frente. — Ah, meu Deus! — Ela murmurou sentindo as lágrimas inundarem seus olhos novamente. Não demorou tanto assim para elas escorrerem e se esforçar para esticar a mão até o rosto de para secá-las. — Eu senti sua falta, — ela murmurou, segurando a mão dele contra seu rosto e fechando os olhos em seguida. não conseguia falar, mas não se importava. Ele estava ali, com os olhos levemente abertos, com uma das mãos espalmada em seu rosto e acariciando-a devagar, mostrando que também sentia falta daquilo tudo. Ela sabia que ele sentira falta! Antes de tudo acontecer ele havia dito que a amava! Com todas as letras necessárias, e ainda fizera questão de repetir que mesmo depois de tudo o que ela fizera, ele a amava. Ela via saudades em seus olhos, via a felicidade de poder estar acordado de novo.
abriu os olhos e piscou mais algumas vezes, tentando parar as lágrimas. , ao perceber o que raios estava acontecendo, tentou mexer os lábios para formar um sorriso fraco. Estava... Feliz por conseguir ver o rosto de novamente e não só escuridão como antes. Estava feliz por estar acordado novamente. Mesmo confuso, conseguia perceber que estava em coma por algum tempo. Porém, naquele momento, tempo era uma coisa que ele não tinha noção nenhuma. Não fazia ideia de que horas eram, não fazia ideia de quanto tempo ficara dormindo, não fazia ideia de quanto tempo estava ali com ele, não fazia ideia de quanto tempo se passara desde quando levara os tiros e ficara naquele estado. De fato, tempo era uma coisa que ele não fazia a mínima ideia naquele momento.
— Preciso chamar o médico — disse de repente, dando um sorriso fraco e secando as lágrimas que deixara cair com as costas da mão. — Não demoro — ela finalizou e se levantou, mas não soltou sua mão, fazendo-a parar de andar.
arqueou uma das sobrancelhas e encarou o homem deitado, como se esperasse algum tipo de explicação. deixou um suspiro fraco escapar e fechou os olhos por alguns segundos, abrindo-os em seguida.
— O que... — ele começou a falar, mas uma tosse fraca o atingiu, fazendo-o cortar a própria frase.
— Não diz nada agora — pediu, se aproximando novamente e acariciando levemente o rosto ainda pálido de .
— O que aconteceu? — ele perguntou tão baixo que precisou estreitar os olhos e se aproximar mais dele para entender a pergunta, já que os aparelhos ligados também não ajudavam.
— Vou chamar o médico primeiro, . Você terá tempo para falar disso, tudo bem? — ela sorriu e se afastou de uma vez, saindo do quarto em seguida.
, ainda confuso, deixou seu corpo relaxar sobre a cama e fechou os olhos, deixando com que um sorriso fraco brincasse no canto de seus lábios.
Havia coisa melhor que acordar e dar de cara com murmurando coisas e segurando sua mão como se você pudesse sumir a qualquer momento? Para ele, não.
Alguns segundos ou minutos se passaram e a porta do quarto se abriu, não se deu o trabalho de tentar abrir os olhos novamente. Sabia que Emma estaria ali também, mas não pôde evitar que seu coração acelerasse de pura ansiedade, fazendo os aparelhos apitarem mais altos.
Uma risada fraca ecoou pelo quarto e abriu os olhos devagar, fitando Emma e que estava logo atrás dela falando no celular e com um enorme sorriso no rosto.
deixou um sorriso sincero brincar no canto dos lábios e Emma não evitou que algumas lágrimas teimosas escorressem pelo rosto.
— Finalmente, rapaz — o médico murmurou enquanto pegava as coisas necessárias para examinar . — Sabe há quanto tempo está aqui?
não respondeu, apenas encarou o médico com uma das sobrancelhas arqueadas.
— A única coisa que ele conseguiu pronunciar foi "O que aconteceu?", doutor — a voz de ecoou pelo quarto, fazendo com que a fitasse de uma forma agradecida, deixando claro que não se daria o trabalho de falar. Pelo menos não com o médico.
O mais velho suspirou e encarou por alguns segundos.
— Farei o procedimento padrão e prometo liberá-lo para vocês contarem as coisas. Aos poucos. Ele não pode sofrer tantas emoções, tudo bem? — o médico se virou para Emma e , que apenas confirmaram com a cabeça.
Não era certo nem autorizado, mas ambas ficaram ali assistindo a série de exames que passava. Emma ainda estava em choque e não largara a mão de nem por um segundo. Estava feliz, só não sabia como demonstrar ainda.
Uma hora se passara e o médico finalmente acabou todos os exames. estava visivelmente cansado, mas não queria que Emma e saíssem, queria saber o que acontecera naquele tempo, queria, pelo menos, ter certeza de quanto tempo dormira.
deixou um suspiro escapar e se virou, lentamente, para Emma.
— Emma... — ele murmurou fracamante e, finalmente, chamando a atenção da amiga. sorriu levemente e se levantou, eles precisavam daquele tempo. Emma assistira tudo de perto, ficara com ele no pior momento.
— Ei, — ela caminhou devagar, até a beira da cama dele. — Senti sua falta.
— Eu também — ele respondeu baixinho. — Quanto tempo estou aqui?
— Pouco mais de três meses — ela respondeu baixo e devagar para ele entender bem.
piscou os olhos e juntou as sobrancelhas, claramente assustado pela resposta.
— Como? — ele perguntou, tentando se sentar e Emma o segurou pelos ombros, fazendo-o continuar deitado.
— Você ouviu, — ela suspirou. — Ah, que merda, estou tão feliz por te ter de volta! — ela finalmente sorriu. — Você quase nos matou de susto, mas eu sabia que você seria forte de novo, .
— Como está o Nicholas? — perguntou sorrindo e brincando com os dedos da mão de Emma.
— Ótimo e louco para te ver. Ele veio aqui uma vez, aliás — ela sorriu e segurou a mão de com firmeza. — Ele estava com medo de te perder, . Muito medo. Assim como eu, o Charlie e a ... — ela mordeu o lábio e fitou o chão. — Charlie está arrependido e disse que virá te visitar logo. Hoje não tem como ele sair do prédio, ele ficou aqui esse tempo todo junto com a .
— O Charlie é como um pai, Emma — praticamente sussurrou e levantou os olhos para a amiga. — E a ... Bem — ele deu uma risada fraca e deixou a frase morrer por ali.
— Você a ama, não é? — Emma perguntou sorrindo e permaneceu em silêncio, apenas fitando o teto. — Certo, não vou perturbar você hoje. Mas só por que não posso ficar aqui por tanto tempo. Tenho sistemas para invadir, códigos para quebrar, preciso ajudar Ryan em algumas coisas. Aliás, ele conseguiu mesmo ficar aqui. Charlie, por gostar do trabalho dele, o deixou. Mas, bem, você sabe, né? Ele me ajudou a tirar você da cadeia. Charlie ficou bem bravo com isso e vem nos enchendo de trabalhos esse tempo todo. — ela suspirou e riu fraco. — Ah! Graças a você o Richard está fora. Mas isso eu te explico quando você sair daqui. Agora... Como já quebramos leis demais, vou deixar entrar para vocês conversarem melhor mesmo não sendo horário de visitas. Eu e Charlie conseguimos um esquema nada honesto para conseguirmos ver você todos esses dias por mais tempo que o normal. Foi difícil, mas conseguimos.
— Vocês realmente me amam — murmurou dando uma risada fraca em seguida. Sentia-se cansado, mas não tinha coisa melhor que ouvir aquelas coisas. Não existia coisa melhor que saber que estava consciente de novo, simplesmente não existia. Era bom voltar a sentir as coisas normalmente, era bom ouvir a voz de Emma claramente, era bom conseguir falar — mesmo que pouco.
— Volto amanhã — Emma murmurou e depositou um beijo na testa de , fazendo-o soltar uma risada fraca já que ele que sempre dava beijos assim nela.
— Obrigado, Emma — ele murmurou com um sorriso no canto dos lábios. — Por tudo, você sabe.
— Não agradeça — ela piscou um dos olhos. — Eu te amo e sempre irei cuidar de você.
— Eu sei — ele abriu mais o sorriso. — Aliás, te amo também.
— Eu sei — ela piscou um dos olhos e caminhou calmamente até a porta, parando apenas para acenar para e saiu logo em seguida.
suspirou e fechou os olhos. Não para dormir, apenas para esperar por . Sentia-se na obrigação de esperá-la acordado. Ela já o vira dormir demais. Era hora de finalmente acordar e encará-la depois de tudo o que passaram. Seu coração acelerou automaticamente ao escutar o barulho da porta se abrir e ele tinha certeza que estava sorrindo por causa dos malditos aparelhos que apitavam sem parar, fazendo seu rosto corar levemente.
— Não vou te morder, — a voz dela soou de uma forma calma que ele nunca tinha escutado. — Não precisa ficar nervoso.
— Não estou nervoso — ele murmurou e abriu os olhos, fitando-a de uma vez e sentindo seu coração acelerar mais. — Não tenho culpa se você causa isso em mim, antes dava pra esconder. Agora, bem... — ele deu um sorriso fraco e apontou para os aparelhos, fazendo-a rir e balançar a cabeça negativamente.
— Senti sua falta — praticamente sussurrou assim que se sentou ao lado de . — No início eu pensei que... — ela fez uma pausa para suspirar e continuou em seguida: — Você morreria. Eu acho que nunca senti tanto desespero na vida quanto eu senti quando te vi passando carregado naquele dia.
— Esquece isso — pediu baixo.
— Não dá, — ela o encarou nos olhos. — Não dá para esquecer. Não sabendo que a culpa foi minha.
— Sua? — ele arqueou uma das sobrancelhas. — Eu fui lá, . Eu quis. Agora será que dá para calar a boca e me beijar?
riu baixo do jeito de e ali teve a certeza que tinha seu de volta. Balançou a cabeça negativamente e desistiu de enrolar, curvou-se com cuidado e juntou seus lábios por alguns segundos, fazendo-o suspirar com o contato. levou uma das mãos para a nuca de e aprofundou o beijo. Céus! Como diabos ela aguentou ficar mais de três meses sem beijar aqueles lábios?
Afastaram-se após alguns segundos e suspirou pesadamente.
— Não quer me contar o que realmente aconteceu? — ele perguntou baixo, enquanto brincava com uma das mãos de , que permaneceu em silêncio. — Estou dormindo há três meses, certo?
— Pouco mais que isso — ela respondeu dando de ombros e a fitou.
— E o nosso bebê? — ele perguntou receoso. Não sabia quais palavras usar, talvez aquelas tivessem sido as certas. prendeu a respiração e sentiu seu estômago afundar. Não encarou nos olhos, apenas fitou suas mãos entrelaçadas.
— Eu... — ela tentou falar, mas não conseguiu e suspirou. Tentou novamente, mas sua voz saiu trêmula: — Eu não consegui, . Simplesmente... Não consegui — ela fechou os olhos para evitar que as lágrimas viessem. — Foi o mais longe que eu fui, sabia? — ela abriu os olhos e fitou que tinha o semblante abatido pela notícia. — Ele chegou a mexer — ela sorriu fracamente. — Enfim. Está tudo bem agora. Você está acordado e eu já me conformei com isso. Podemos seguir normalmente.
— Teremos tempo para tentar de novo, ... — ele murmurou enquanto encarava o teto. Quando levara os tiros, já tinha se acostumado com a ideia de ser pai. Apagara nos braços de Emma com esse único pensamento: seria pai caso acordasse. E, bem, ele acordara. Mas não conseguira segurar a criança, e ele não a culpava. Jamais culparia, aliás! Depois de tudo o que ela passara, o sofrimento, a tortura de ter que caminhar por vários minutos enquanto tentava salvar o bebê... Não era culpa dela, talvez tudo tivesse dado certo se ela tivesse tido a proteção que merecia.
o encarou enquanto aquelas palavras ecoavam por sua cabeça. Ele estava pensando em continuar naquilo?
Apenas em pensar isso, sorriu.
— O que quis dizer com isso? — ela perguntou baixinho, apenas para confirmar seus pensamentos.
— Podemos tentar, . Você sabe sobre o que estou falando — ele riu fraco e apertou os dedos em volta da mão fria de . — Não me faça falar em voz alta, por favor.
Ela riu mais uma vez e balançou a cabeça negativamente.
— Não tem que fazer as coisas por se sentir obrigado, — ela murmurou encarando-o nos olhos.
— Se ainda me lembro bem, três meses atrás, antes de entrar naquele saguão... — ele fez uma pausa e se sentou devagar, com a ajuda de , continuando em seguida: — Eu te disse três palavras, . O sentimento não mudou só por que fiquei em coma.
sentiu seu coração parar e piscou os olhos algumas vezes, enquanto não desviava os olhos dos dela, fazendo-a corar levemente e abaixar a cabeça. estava... Assumindo mais uma vez que a... Amava? Era isso, então? Aquelas malditas três palavras que ficaram ecoando em sua cabeça por todos aqueles meses... Ele estava... Repetindo-as interamente?
Automaticamente, sorriu e balançou a cabeça negativamente.
— Diga, . É tudo o que peço — ela pediu sorrindo fracamente e deu uma risada fraca, fazendo os aparelhos apitarem mais uma vez. Revirou os olhos sem jeito e supirou em seguida, rendendo-se de uma vez por todas.
— Eu amo você — ele soltou baixo, fazendo-a abrir mais o sorriso. — Vamos tentar fazer isso dar certo? — ele perguntou, suspirando mais uma vez. — Eu acho que preciso disso, sabe? Um tempo. Uma tentativa. Um pouco de felicidade. Paz... — ele fez uma pausa para brincar com os dedos dela novamente — Você me traz isso — levantou os olhos novamente. — Paz, felicidade, vontade de tentar ser alguém novo... Eu só... Preciso de um tempo longe disso tudo. Mas com você.
— Charlie está te devendo férias — ela murmurou e suspirou, fitando-o nos olhos em seguida.
— Eu tenho um apartamento livre em Bournemouth — ele sorriu fracamente. — Não vou lá desde que meu pai morreu.
— Isso é um convite? — ela perguntou mordendo o lábio inferior.
— Talvez seja — ele deu de ombros. — Você aceitaria?
o fitou por alguns segundos com um sorriso bobo nos lábios. Após soltar um suspiro — talvez aliviado, talvez por nervosismo, talvez por medo... — pesado, respondeu firmemente:
— Sim.
Não se importavam com o que viria depois. Os corações de ambos gritavam implorando por aquilo, não negariam mais. Ambos queriam a felicidade — o amor, o carinho e, acima de tudo, a verdade — e aquela talvez fosse a última chance que teriam de recomeçar, de correr atrás, de tentar.

"No fundo acho que a amor ainda vale a pena.
O masoquista espera se sentir melhor se torturando,
E o apaixonado se sente melhor quando a tortura acaba.
E enquanto não encontramos cura para essa dor não física,
Prefiro acreditar que em um tempo não tão distante,
Essas minhas lágrimas vão se secar e a dor logo vai passar."
Masoquismo por Bianca Geisler (Leitora que se inspirou no capítulo 29 para criar esse poema, quem quiser lê-lo inteiro, aqui: http://www.asimplelifes2.blogspot.com.br)


***


Bill sorriu ao ouvir o momento ternurinha de e através de seus aparelhos e virou-se para seu mais novo companheiro que o havia ajudado a colocar as escutas espalhadas pelo quarto de .
— Parece que Bournemouth é nossa próxima parada — ele disse enquanto acendia um cigarro e tragava-o com vontade, sentindo, então, o gosto da vitória e não o leve gosto de menta que o cigarro tinha.
Sua próxima parada é Bournemouth — o outro rapaz respondeu sorrindo. — Minha próxima parada é Palermo. Itália, meu caro.
— O que faço com eles, então? — Bill perguntou tirando o cigarro da boca por uns segundos e esticando as pernas sobre a mesa do escritório em que estavam.
— Deixe-os vivos — o outro respondeu calmamente.
— Por quê? — Bill estreitou os olhos. — Não era sua maior vontade matá-los?
— Porque assim eles sofrerão mais, doerá mais, pequeno Bill — ele sorriu. — Tortura prolongada é sempre a melhor.
— Tudo será de acordo com o plano que o Crowley queria usar — Bill relembrou ao mais novo companheiro. — Sem tirar nem pôr.
— Temos tempo, Bill — o rapaz sorriu. — Eu disse que seria tudo de acordo com seu irmão, então será. Apenas continue observando os pombinhos e espere a poeira abaixar.
— Como quiser — Bill deu de ombros e sugou seu cigarro novamente. — Até daqui a três anos, meu caro.
— Até daqui a três anos, se estiver vivo, Bill. Foi bom fazer negócio com você.
Após dizer isso, o rapaz saiu em passos rápidos. Atravessou o portão da grande casa abandonada que usavam só para aquelas coisas e suspirou.
Hora de dar tchau!
Balançando a cabeça negativamente de uma forma debochada, puxou o pequeno controle do bolso e atravessou a rua vazia. Olhou em volta e esperou alguns segundos, ajeitou o chapéu preto que usava e apertou o botão de uma vez por todas. Pobre Bill.
Boom!
Uma grande explosão fora ouvida e logo gritos desesperados ecoaram das casas vizinhas. Sem se importar com o que aconteceria a seguir, o rapaz guardou o controle de volta ao bolso e sorriu.
Ainda com um grande sorriso alegre nos lábios, voltou a caminhar calmamente. Parou em frente ao seu carro e adentrou o mesmo, jogou o chapéu para longe e ligou o carro em seguida, como se nada tivesse acabado de acontecer. Aliás, nada realmente aconteceu. Oras, ele não tinha nada a ver com aquela gente! Era outra pessoa.


Fim... Ou não?



Nota da autora: Oi amorecos! Depois de anos luz tô aqui pra finalizar a PMI no ffobs. Peço perdão pela demora, aliás. Mesmo que só isso não adiante, sei o quanto algumas leitoras esperaram e/ou demoraram pra encontrar o link do tumblr (mesmo que eu já tenha colocado aqui pra vocês xD) pra ler o final. Enfim. Uau, última n/a aqui no ffobs com a pmi e eu pensei que seria mais fácil escrevê-la. Não sei como agradecer cada dia que vocês passaram comigo aqui, cada momento, cada comentário, cada "prêmio" que vocês me deram, tudo. Realmente não sei como agradecer. Quero que saibam que a pmi foi a coisa mais foda que já aconteceu na minha vida, porque ela me trouxe cada um de vocês. Obrigada por terem me aguentado tanto, obrigada por amarem a fic, por acompanharem, por conversarem comigo, por tudo mesmo! Cês são incríveis. Espero que continuem comigo até minhas próximas fics aqui no ffobs, porque não pretendo mesmo parar de postar coisas aqui. O ffobs é praticamente minha casa <3 hahaha então é isso, galera. Obrigada. De verdade. Amo vocês! xx
Qualquer coisa me gritem no twitter ou facebook, por lá eu passo os links das outras fics caso queiram. É isso aí. Obrigada mais uma vez! <3





Outras Fanfics:
» Pull Me In 2 - Fire
» 02. Fire (Spin-Off de Pull me In)
» Sombras do Passado
» Supernova

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


comments powered by Disqus