Capítulo Único
31 de outubro de 2018.
Destin, Flórida, Estados Unidos da América.
7h14min.
null acordou naquele dia mais mal humorada que o normal. O sol que brilhava no céu aquela hora não seria motivo o suficiente para agradar a garota, já que a pior data do ano estava bem ali e seu dia tinha um cronograma enorme a ser seguido. Ela só gostaria de arrancar o uniforme da Autumn Falls e deitar novamente, esperando ansiosamente o dia 1º de novembro.
— null! — a voz de Elliot a fez pular de susto, enquanto se olhava no espelho. — Vamos nos atrasar.
— Faltam 46 minutos para o início das aulas, Elliot. — ela respondeu, revirando os olhos e saindo da frente da penteadeira para buscar a mochila. — O que você quer fazer tão cedo lá? — null perguntou, abrindo a porta de má vontade.
— Céus, null, tira essa cara mal humorada. — o mais velho puxou a irmã, abraçando-a sobre os ombros. — Pense nas coisas positivas que estão acontecendo. Vejamos, papai liberou a festa de halloween aqui em casa, só teremos meio período de aulas, uma casa enorme para você e suas amigas decorarem e muita fantasia!
— Eu odeio o halloween, Elliot. — a garota murmurou, descendo as escadas de forma emburrada. — As pessoas se fantasiam, saem por aí assustando os outros ou pedindo doces. Qual o sentido de existir uma comemoração para isso?
— Nenhuma, essa é a graça, maninha.
null apenas revirou os olhos e continuou seguindo o irmão até a garagem, onde entraram no Jeep e, em silêncio, seguiram até a escola Autumn Falls sobre o calor ensolarado de Destin. As ruas estavam todas enfeitadas e as casas tinham as típicas decorações de halloween, os filmes de terror eram os que predominavam e isso só causava calafrios pelo corpo de null.
Ela ainda não conseguia entender porque não gostava daquele dia em especial, mas sabia que muitas coisas estavam relacionadas a suas crises de ansiedade e ataques de pânico durante as noites mal dormidas. Não sabia de onde vinha, nem porque, mas queria que passasse logo, que acabasse aquele clima horripilante e toda Destin voltasse a sorrir, sem precisar de caveiras e fantasias pretas.
Assim que o Jeep foi estacionado, null não esperou o irmão, apenas puxou sua mochila e caminhou apressada na direção dos armários. Jogou a mochila dentro do móvel e pegou seus livros necessários para aquelas primeiras aulas, trancando o cadeado e não olhando para os lados ao sair para o banheiro. Não queria contato, não naquele momento. Na verdade, acreditava que precisava de um café. Cafeína sempre ajudava com sua baixa serotonina.
Após lavar o rosto e respirar fundo algumas vezes, ignorando os tremores do seu celular sobre os livros na pia, null recolheu os mesmos e seguiu até a porta, destravando a mesma e a puxando para abri-la. Assim que o fez, um grito agudo ecoou de sua garganta e seus livros foram parar no chão, enquanto sua mão tremia e voltava a fechar a porta com força. Aquela máscara de Michael Myers, seja quem quer que estivesse utilizando, conseguiu começar a estragar seu dia ainda mais.
— null? — as porradas que a pessoa dava na porta não permitiu com que null reconhecesse a voz, apenas estava sentindo-se assustada e completamente perdida. — null? O que houve? Eu…
— Sai daqui. — ela pediu, de forma raivosa. — Vai embora!
— Sou eu, null. null. — o garoto falou de forma mais baixa, aproximando-se mais da porta. — Eu sinto muito, não sabia que tinha medo.
— Sai daqui! — ela pediu novamente, daquela vez gritando esganiçado.
“Vejamos que situação engraçada, Duds. null null sempre foi uma das depreciadoras mais conhecidas da cidade de Destin pelo dia 31 de outubro, mas me parece que seu atual namorado (ou seja lá como chamam esse relacionamento) não tinha total conhecimento disso e nossa chefe de torcida continua presa no banheiro, amedrontada.
Fiquem seguros nesse dia de tanta travessura, queridos Duds. Pelo que eu entendi, o inimigo mora ao lado ;). E ah, divirtam-se na festa na casa dos null, não sei como a pequena null vai suportar um local lotado de fantasias horrendas.
XOXO DUD DESTIN”
— É sério que você achou que assustar minha irmã com a mascára do Michael Myers era uma pegadinha e tanto, null? — Elliot perguntou grosseiro, largando o celular com força sobre a mesa do refeitório.
— Eu não fazia ideia que ela tinha medo! — o garoto revirou os olhos, cruzando os braços e afundando-se ainda mais na cadeira. — Nunca conversamos sobre isso. Na verdade, sua irmã mal conversa comigo, cara. Como vou adivinhar?
— Perguntando? — Gavin riu de forma irônica ao pronunciar a pergunta, null parecia o ser humano mais ignorante naquele momento. — Agora nosso amiguinho Luke está olhando atravessado para você e saindo adivinha para qual direção?
— Qual é o problema de null com o halloween? — null questionou, ignorando a encarada que Luke Peterson o dava enquanto caminhava para fora do refeitório.
— Não sei explicar. — Lio deu de ombros. — É como se o halloween fosse um gatilho, mas ela não quer procurar ajuda psicológica, então não sei o que fazer, muito menos nossos pais.
— Seus pais não estarem aí também deve ser um grande problema, Elliot. — null murmurou de forma cínica, observando o amigo sorrir de forma fechada e quase que culpada.
Luke sentira raiva da forma com que null utilizou para assustar null, e mesmo que tenha sido um babaca com sua ex, sabia os problemas que aquele dia causariam nela e em toda sua mente confusa, que ele nunca entendera. Em passos rápidos o garoto saiu do refeitório, onde os alunos organizavam os enfeites da escola, e seguiu até o banheiro que null provavelmente estava. Com duas batidas suaves, Luke chamou pela ex, não ouvindo nenhum barulho naqueles poucos segundos.
— null? — ele perguntou, tentando mais uma vez bater na porta.
Silêncio.
O garoto estranhou de início, mas então deixou seus pés o guiarem para o outro lado da escola, onde ele tinha plena noção de que null adorava ir. Luke ignorou o sinal que indicava o início das aulas e precisou se esconder em um dos corredores quando viu o guardinha atravessando o mesmo, para em seguida continuar seu caminho até o ginásio. Sem toda a aglomeração de alunos zanzando pelos corredores foi fácil chegar até as arquibancadas cobertas, onde o sol não conseguia queimar.
— Não sei porque, mas adivinhei que estaria aqui. — o garoto comentou, andando de forma lenta até conseguir sentar-se ao lado da garota.
— E por qual motivo veio me procurar? — null tentou não ser ríspida com o ex, mas seu mau humor era crescente a cada minuto daquele dia e aquela mensagem de Dud Destin só piorou todo seu esforço.
— Porque sei seu horror ao halloween e como todas essas fantasias te fazem mal. — Luke deu de ombros, tornando seu olhar para o campo de futebol todo iluminado pelo sol forte. — Tudo o que aconteceu no passado, ficou lá, null.
— Você estava lá, como consegue agir dessa forma? — os olhos inchados e lacrimejantes de null foram diretamente ao rosto sereno de Peterson. Sua garganta chegava a arder com toda aquela enxurrada de recordações.
— Eu preferi esquecer. Nós não tivemos culpa do que aconteceu, o xerife mesmo disse isso. Fomos imprudentes? Com certeza. Mas a opção de continuar brincando foi de Spencer.
— Ele mal sabia que era uma brincadeira, Luke! Céus… — as lágrimas pesadas escorreram com pressa pela bochecha da garota, fazendo com que um soluço pequeno escapasse de sua boca e o medo lhe tomasse conta novamente.
— null, já fazem dois anos. É hora de seguir em frente. — o quarterback segurou uma das mãos da garota e a acariciou entre seus dedos. — Você precisa vencer isso. Tem noção de que acabou com nosso namoro apenas com um dedo do meio? — Luke tentou brincar e conseguiu arrancar um pequeno sorriso da ex. — É uma garota forte.
— Obrigada. — null murmurou, respirando fundo e engolindo aquela saliva que parecia rasgar sua garganta. — Acho que… Devemos ir para a aula.
— Sim! Só temos meio período e estamos gazeando, quem é você e o que fez com null null?
Ambos gargalharam e ergueram-se dos bancos, saindo do ginásio com certa pressa para que não fossem pegos no caminho. Luke tentava fazer com que null esquecesse todos aqueles acontecimentos de dois anos atrás, mesmo que ainda lembrasse com clareza do dia em que Spencer se fora.
null foi um dos alunos que também não entrou em sala de aula, na verdade ele estava atrás de null. Precisava se desculpar com a garota, não gostava de sair como o babaca da história e, principalmente, não deixaria com que Luke Peterson fosse o herói. E foi quando seus olhos se estreitaram no meio do corredor que ele sentiu o sangue ferver. Sua garota ria de alguma palhaçada que Peterson falava e null não conseguia evitar sentir aquele ciúmes. Estava se deixando envolver com null e não sabia definir se era bom ou ruim.
— null. — null proferiu, chamando a atenção do ex casal quando se aproximaram o suficiente. — Podemos conversar?
A garota o olhou de forma assustada por ter sido pega de surpresa, mas concordou com um meneio de cabeça, sorrindo fraco para o ex que a observava com cautela. Luke apenas devolveu o sorriso e, sem olhar para null, continuou o caminho na direção da própria sala de aula. null revirou os olhos para o garoto e apontou o banco de madeira na parte externa do corredor da escola, acompanhando null até lá.
— Olha, eu sinto muito. — null começou, brincando com os próprios dedos. — Não sabia que você tinha medo das azarações do halloween, foi uma ideia idiota e imatura.
— Eu concordo que a ideia não foi das melhores. — null sorriu fraco na direção do garoto, respirando fundo para continuar. — Mas eu não estou chateada com você… Na verdade eu nunca lhe contei o que aconteceu, então você não tem culpa.
— E você quer conversar sobre isso?
— Não. — ela negou rapidamente, arrependendo-se logo em seguida ao ver o rosto chateado de null.
— Certo… — o garoto coçou a nuca e suspirou. Gostava mais do que esperava de null e não sabia o que pensar ou como agir naquele momento.
— Eu confio em você, null. — a menina virou-se de lado no banco, puxando uma das mãos de null para seu colo. — É só que… É um assunto muito delicado e Luke estava lá… Ele sabe e…
— Tudo bem, null. Você não precisa se explicar.
— O que você acha de sairmos daqui? — ela sugeriu, sorrindo fraco para null. — Nós podemos ir escolher nossas fantasias ou… Sei lá, tomar um café. Mas longe dessa escola.
— null null quer fugir da escola? O que está havendo? — null ignorou a própria carranca e riu da sugestão que a garota dera. — Mas eu topo, desde que a gente compre fantasia de padrinhos mágicos para usar!
— O quê? Nem pensar! — null gargalhou e aceitou a mão de null para levantar-se do banco e acompanhá-lo até os armários. — Só se formos de Sr. e Sra. Smith!
— Isso é tão clichê, null. É como ir de jogador de futebol americano e líder de torcida. — a fala do garoto foi óbvia e null apenas conseguiu rir ainda mais, tendo que soltar a mão dele para segurar a própria barriga.
— Ah mas daí é muito fácil, nós temos essas fantasias em casa. — a garota deu de ombros, puxando a porta do armário e retirando sua mochila dali, após conseguir cessar os risos. — null, acho que o guarda está dando a ronda. — ela avisou, arregalando os olhos ao perceber o homem virar o corredor.
null virou o rosto para trás e confirmou que o homem estava mesmo iniciando a ronda daquele corredor e, provavelmente, os veria em alguns segundos. E em um ágil movimento, típico de jogador de futebol americano, null segurou firmemente a mão de null e empurrou o armário dela com força, pouco se importando se havia trancado realmente. Com a mochila sobre os ombros ele iniciou passadas rápidas, puxando a garota junto consigo na direção do estacionamento.
— EI! Vocês dois voltem já para a sala de aula. — o guarda gritou de forma autoritária, andando em disparada atrás do casal.
null se deixou gargalhar novamente e começou a correr junto com null, segurando firmemente a mochila sobre o ombro enquanto não chegavam a Mercedes. Foram poucos segundos, o estacionamento não estava longe e null destravou o carro antes mesmo de se aproximarem o suficiente, mas assim que fizeram apenas se jogaram dentro do automóvel, jogando suas mochilas para o banco de trás e null saiu acelerando, pouco se importando se seus pneus estavam deixando marcas sobre o asfalto.
— Céus, null! — o coração de null estava tão acelerado que ela mal conseguia respirar com facilidade. — Se meus pais descobrirem isso, eles me matam.
— O que é uma detenção no currículo impecável de null null? — o garoto gargalhou, diminuindo a velocidade do carro ao adentrar nas vias principais da cidade de Destin.
— É maluco dizer que isso me deixou… Excitada? — as bochechas da garota esquentaram automaticamente ao pronunciar a palavra e null se obrigou a rir, adentrando o estacionamento subsolo do shopping.
O garoto nada respondeu, apenas procurou uma vaga mais afastada, sentindo-se na obrigação de dar uns amassos com null, já que seu corpo sentiu um calor absurdo ao observar a forma que ela ficara envergonhada com o próprio tesão. Assim que null parou o carro, ele soltou o cinto de null e impulsionou seu corpo para o lado, ficando com parte em cima dela e parte no próprio banco do motorista.
— O que você quer fazer, null? — a garota murmurou, mordendo o lábio inferior de forma involuntária ao sentir a mão forte do garoto traçar um caminho da sua coxa até sua nádega, obtendo um fácil acesso com a saia plissada do uniforme, e apertando o local.
null deixou com que um suspiro sobressaísse por seus lábios e suas pernas tremessem involuntariamente, sentindo uma excitação maior ainda subir por todos os seus poros.
— Você disse que estava excitada. — ele respondeu da mesma maneira, grudando seus lábios no pescoço já arrepiado de null e deixando leves mordidas por ali.— Achei que talvez pudéssemos aproveitar.
— Aqui? — null riu de forma nervosa. — Estamos no estacionamento do shopping, babe. E eu sou menor de idade.
— Ninguém vai nos ver aqui, o carro tem película. — null garantiu, puxando a alavanca ao lado do banco e fazendo com que null se deitasse, sentindo o corpo dela abafado de uma forma sobrenatural. Ela nem fazia ideia de como o deixava louco de diversas formas. — A não ser que você não queira. — ele voltou a encará-la nos olhos e pôde ver a pura luxúria o encarando de volta.
— Se você não começar isso logo, tenho certeza que o meu corpo vai pegar fogo. — null respondeu de forma falha, sentindo o corpo queimar e a respiração ficar descompassada, enquanto null sorria excitado e se colocava entre as pernas da garota.
null espalhou beijos pelo pescoço de null e os desceu pelo colo arrepiado dela, sentindo-se ainda mais excitado ao ouvir os suspiros fracos dela e suas delicadas mãos puxarem seus fios de cabelo com força. null utilizou uma de suas mãos para puxar outra alavanca do banco, levando todo o assento para trás e lhe dando um amplo espaço para ajoelhar-se sobre o tapete de carpete, recebendo uma clara visão do corpo arrepiado e excitado de null.
Sem delongas, null levou suas mãos até embaixo da saia plissada de null, puxando o tecido fino da calcinha rendada dela para baixo. Ele afastou as coxas malhadas da garota e mordeu o próprio lábio ao encarar sua vagina totalmente molhada e entregue. null subiu o tecido da saia do uniforme de null e sentiu a própria calça social incomodar seu pau completamente duro. Com o dedo polegar da mão direita, null apertou levemente o clitóris de null, ouvindo um gemido baixo escapar pelos lábios dela e um sorriso satisfeito sair pelos seus.
— O que você quer, null? — o garoto perguntou, levando seu dedo indicador até a entrada encharcada dela e o penetrando lentamente.
null mordeu fortemente o lábio inferior, abafando um gemido alto e apertando o banco com as mãos ao lado do próprio corpo. Suas pernas se contraíram quando o dedo quente de null saiu de dentro de si. Ela fechou os olhos fortemente e um arrepio percorreu sua pele, fazendo com que um aperto no peito a preenchesse quando o garoto tentou novamente a penetrar. Um soluço involuntário escapou da garganta da garota, fazendo seu corpo tremer de uma forma completamente estranha.
— null? Tudo bem? — null questionou, franzindo o cenho ao reparar uma lágrima escorrendo pelo olho fechado de null.
null retirou seus dedo da intimidade de null e arrumou a saia da mesma, levantando um pouco seu corpo para ficar sobre a garota, sem a tocá-la.
— Hey, babe, o que houve? Eu te machuquei? — ele voltou a perguntar, sentindo-se extremamente preocupado.
— Não. — null negou veementemente, mas contraiu seu corpo ao sentir a mão de null tocando seu braço. — Eu só… Não consigo. — mais algumas lágrimas escorreram e null poderia sentir seu coração despedaçar.
— Shh, tudo bem. — null aproveitou que o pequeno corpo de null estava encolhido e deitou-se no mesmo banco, puxando a garota para o seu colo e acariciando seus cabelos.
— Desculpa. — a garota pediu, soluçando baixinho. Sabia que sua crise de ansiedade estava atacando e sentir-se insegura com aquelas preliminares foi um sinal claro, principalmente naquele dia.
— null, não fale besteiras. — null respondeu baixinho, depositando um beijo no topo da cabeça dela. — Está tudo bem. Tente se acalmar um pouco.
null concordou com a cabeça e puxou o ar fortemente, inalando o perfume cítrico de null e deixando com que aquele cheiro acalentasse seu coração, enquanto uma carícia em seu cabelo era capaz de a manter focada em qualquer outra coisa que não fosse o maldito halloween.
— Já sei. — null alertou de forma alta, sorrindo abertamente.
null franziu o cenho e levantou seu tronco, encarando os olhos brilhantes de null.
— Sharkboy e Lavagirl!
— O quê? — null não conseguiu prender a gargalhada e achou ainda mais hilário a cara de paisagem que o garoto fazia, como se fosse a ideia mais genial.
— Vamos ser as pessoas mais criativas, null. Ninguém vai ter essa ideia. — null gesticulou com as mãos, completamente animado.
— Certo, certo. — ainda rindo, null se ajeitou sobre as pernas de null, ficando de frente para ele. — E você acha que vamos encontrar essas fantasias? Assim fácil?
— Se não encontrarmos, podemos fazer. Qual é, são dez horas, temos o dia inteirinho!
— Eu ainda preciso comprar as decorações e copos e mais um monte de coisa. — ela enumerou nos dedos, rindo das feições que null fazia.
— Nós conseguimos fazer tudo isso com todo o tempo que temos. A não ser que você não queira minha companhia. — null deu de ombros, formando um bico entre seus lábios.
null jogou a cabeça para trás e gargalhou, achando null adorável naquele momento. Em seguida, ela voltou em sua posição, e juntou seus lábios rapidamente, deixando aquela sensação gostosa de estar no lugar certo a inundar.
— Tudo bem, então podemos procurar essa fantasia de Sharkboy e Lavagirl e comprar a lista de decoração que Elliot me enviou. Você terá o prazer da minha companhia o dia inteirinho. — com uma das mãos ela jogou o cabelo para trás e sorriu satisfeito.
null sorriu junto, involuntariamente. Não sabia o que tinha acontecido alguns minutos atrás, mas faria o que fosse possível para ver null com aquele sorriso o resto do dia.
— O que fazem em casa esse horário? — Tereza questionou os dois adolescentes assim que adentrou a cozinha, observando ambos atacando as panelas sobre o fogão.
— Não vamos ter o segundo período hoje, Tereza. Por causa do halloween. — null alertou, sentando-se e apoiando o prato feito na bancada de mármore.
— Mas não está muito cedo? — uma das sobrancelhas da mulher ergueu-se e Brandon prendeu o riso ao ver null encolhendo os ombros. — E são muitas sacolas na sala.
— Talvez… Mas só talvez, Tereza! Nós tenhamos saído mais cedo. — null deu um sorrisinho amarelo na direção da governanta e a mesma negou com a cabeça
— Vou fingir que vocês não cabularam todas as aulas para irem ao shopping. — Tereza piscou e seguiu até o fogão.
null não conseguiu aguentar e caiu na gargalhada, sendo repreendido logo em seguida por null e um tapa generoso no braço.
— Estou preparando tortinhas de abóbora, gelatinas e alguns docinhos. Querem mais alguma coisa específica, null? — Tereza perguntou, sorrindo na direção do casal, enquanto os mesmos almoçavam.
— Não, acho que está ótimo, Tereza, muito obrigada. null vai me ajudar a decorar a casa e depois vamos fazer nossa fantasia. — null bebericou um gole do suco e afastou o prato de comida quase cheio da sua frente.
null franziu o cenho.
— Certo. Tem pudim na geladeira se quiserem sobremesa, tudo bem? Preciso ir ao mercado. — Tereza se aproximou de null e depositou um beijo atrás da cabeça dela, onde alcançou. — Se precisarem de ajuda podem chamar a Daphne.
— Sim, Senhora. — null concordou sorridente e null apenas coçou a nuca, ocupado demais com sua mente para prestar atenção em Tereza.
— Você não vai comer, null? — ele perguntou assim que a mais velha saiu da cozinha, apontando para o prato mal remexido dela.
— Nah. — a garota estalou a língua. — Não estou com fome.
— Você nem ao menos tomou café, babe. Apenas um gole de frappuccino. — null procurou pela mão de null e a segurou entre a sua, apertando de forma leve. — Não vai passar mal?
— Se eu sentir fome, prometo que como, tudo bem?
null soltou sua mão e levou seu prato até a pia, não ouvindo null bufar. O garoto estava se preocupando de verdade com o que poderia estar passando pela cabeça de null. Não entendia, não conseguia conversar com ela sobre e isso o incomodava de uma forma sobrenatural, mesmo sabendo que precisava dar um espaço para ela sentir-se confortável.
— O que acha de começarmos pela área externa? Aproveitar o sol. — null perguntou, abraçando null pelas costas e deitando a cabeça em seu ombro.
— Pode ser. — null concordou, segurando as duas mãos da garota e virando o corpo na banqueta para ficar de frente à ela. — Mas se você passar mal eu vou ficar extremamente chateado. — ele alertou de forma branda, rodeando a cintura dela e a puxando para mais perto, no meio de suas pernas.
— Eu não vou. — null negou com a cabeça, sorrindo fraco. — Não se preocupe.
null concordou e levou uma de suas mãos até o cabelo da garota, colocando uma parte dele para atrás da orelha e, em seguida, encaixando-a na nuca dela, aproximando seus rostos para juntar seus lábios em um selinho demorado.
— Chega de putaria na minha cozinha. — a voz de Elliot fez com que ambos se separassem, rindo. — Pouca vergonha.
— Boa tarde, Elliot. — null ignorou a fala do irmão e deu mais um selinho em null, sorrindo contra os lábios dele quando percebeu certo desconforto por parte do garoto. — Meu irmão não vai te arrancar os olhos por me beijar.
— Eu nunca disse que não. — Lio deu de ombros, servindo-se da comida de Tereza.
— Eu prefiro me manter intacto, por gentileza. — null afastou null, segurando sua cintura, e a colocou ao seu lado.
A garota revirou os olhos e bufou, cruzando os braços sobre o peito.
— E qual é as sacolas na sala? Já compraram as fantasias? — Elliot perguntou, sentando-se no lugar que antes null ocupava.
— Sim, e as decorações. — null respondeu, dando a volta na bancada. — Você pode começar aqui dentro, enquanto eu e null organizamos a parte de fora.
— Tudo bem. — o garoto concordou e observou a irmã sair da cozinha, sem chamar null. — Acho que ela ficou brava. — Lio riu.
— Você tem que parar de ser babaca quando estamos juntos. — null revirou os olhos e se levantou, dando um peteleco na cabeça do melhor amigo e saindo atrás de null.
null encontrou a garota na sala, sentada no chão, separando as decorações da área externa em específicas sacolas. Observando tudo aquilo espalhado o garoto começava a acreditar que compraram itens demais, incluindo abóboras falsas, mas null parecia uma criança em uma loja de brinquedos, fora os momentos em que teve que se afastar de alguns corredores com pressa ao ver as máscaras dos típicos filmes de terror.
Ele ajudou null com as sacolas e a seguiu até a área externa, onde continha algumas espreguiçadeiras, a enorme piscina da mansão e algumas poucas mesas redondas com guarda-sol fincado ao meio. O casal espalhou mini abóboras com velas falsas pela piscina e aranhas de brinquedo no estilo de bóias. Algumas teias falsas foram jogadas sobre as espreguiçadeiras, assim como aranhas um pouco maiores de brinquedo, abóboras em cima das mesas também com velas falsas dentro, porém o tamanho era mais real. Uma vassoura foi apoiada em uma cadeira e um chapéu de bruxa foi posto no cabo, não era nada exagerado, mas null adorava caprichar em coisas como aquelas.
Nos cantos da porta dupla, pela parte de fora, eles colocaram gatos pretos de pelúcia e colaram alguns morcegos no vidro. No chão, null jogou algumas folhas secas e algumas caveiras pequenas, finalizando com os piscas piscas com forma de fantasmas sobre a porta com a ajuda de null.
— Agora, vem aqui. — null pediu, assim que acabaram a simples decoração da parte da piscina, puxando a garota pela cintura. — Não fica chateada comigo.
— Eu não gosto da forma que age comigo quando meu irmão está perto. — null contou, apoiando as duas mãos sobre o peitoral do garoto.
— Eu… É meio que uma questão de respeito. — ele encolheu os ombros e logo precisou consertar ao ver o cenho franzido da garota. — Eu tenho a necessidade de que ele nos aprove. Ele é o meu melhor amigo e o seu irmão.
— Não precisamos da aprovação dele pra ficarmos juntos. — null falou de forma óbvia, erguendo uma das sobrancelhas.
— Eu sei que não, pumpkin. — o garoto riu da careta que null fez ao ouvir o apelido. — Mas é importante pra mim que ele sinta-se confortável em nos ver juntos.
— Tudo bem. — ela se deu por vencida, tocando a ponta do nariz do garoto. — Vamos arrumar nossas fantasias, vem.
Antes de subirem até o segundo andar, null e null pararam para ajudar Elliot a prender algumas teias e piscas piscas no teto do espaço em que ocorreria a festa. Todo o restante da casa permaneceria trancado e os convidados só teriam acesso ao hall de entrada e a cozinha, assim como um banheiro interno e o externo na área da piscina, era uma grande precaução que os irmãos null precisavam ter por especificações do próprio pai, que só liberou a festa se nada fosse destruído.
Em seguida, null e null passaram o resto da tarde no quarto da garota, arrumando a fantasia para que ficasse ao menos parecida com os verdadeiros Sharkboy e Lavagirl, já que no local em que foram comprar apenas aqueles collant horríveis existiam e null se negou a comprar aquela roupa. Eles também utilizaram de duas horas para um cochilo saudável, na verdade a primeira intenção foi ver alguns episódios de uma série, mas nenhum dos dois conseguiu acompanhar nem os primeiros 20 minutos.
— null. — null foi o primeiro a acordar e reparou que o céu iluminado de Destin agora só possuía estrelas brilhantes e uma enorme lua, a qual possuía luz o suficiente para adentrar a janela aberta do quarto da garota. — null?
— Hm. — ela murmurou, virando o corpo na direção de null e afundando seu rosto na curvatura do pescoço dele.
— Já está escuro, a festa vai começar em breve. — ele alertou, usando seu braço para puxá-la para mais perto. — Não quer se arrumar?
— Não. — null negou de forma manhosa. — Não podemos ficar aqui e esquecer que essa festa existe?
— Até podemos tentar, mas vai ser praticamente impossível. — null riu, beijando o topo da cabeça de null demoradamente. — Por que você não toma um banho e tenta tirar essa preguiça do corpo?
— Só se você for comigo. — ela rapidamente levantou a cabeça e encarou null nos olhos, mordendo o lábio inferior ao ouvi-lo rir.
null levantou da cama e puxou o corpo de null, pegando-a no colo em questão de segundos, achando adorável a forma que ela ria da situação. Ele seguiu até o banheiro da suíte e a deixou tocar os pés no chão depois de trancar a porta para não serem incomodados. null virou-se de frente para o garoto e rodeou os ombros dele, erguendo seus pés e juntando seus lábios, deixando ele aprofundar o beijo de forma lenta e completamente excitante.
Com suas mãos, null desabotoou cada botão da camisa social do colégio, arranhando o peitoral do garoto vez ou outra e sentindo ele arfar contra seus lábios. Com extrema facilidade a peça foi parar ao chão. Em seguida, a garota dedilhou a extensão do cós da calça e chupou o lábio inferior de null, aproveitando daquele momento de distração para abrir o botão e o zíper e empurrar o tecido para baixo, satisfeita demais com o volume que a esperava dentro da cueca.
A garota segurou as duas mãos de null e o guiou até o granito ao redor da banheira, fazendo-o sentar. Com a luxúria carregada em seus olhos, null observou null se afastar um pouco e retirar todas as peças de roupa lentamente, começando pela camisa social da Autumn Falls, deixando a mostra seus seios sendo apertados pelo sutiã de renda preta, não eram avantajados, mas eram perfeitos para serem rodeados por sua mão. A única peça de roupa no corpo do garoto já estava incomodando seu membro completamente duro e ele não via a hora de poder acabar com aquilo.
— Você vai me torturar? — null perguntou em tom baixo e grave, sentindo sua excitação começar a ultrapassar seus poros.
null nada respondeu, apenas sorriu maliciosamente e abriu o zíper lateral da saia plissada, deixando ela escorregar sobre suas pernas. null precisou morder o lábio fortemente ao encarar o conjunto completo de lingerie preta no corpo da garota. A calcinha ele já tinha visto mais cedo, mas agora com todo seu tesão se acumulando ele poderia jurar que teria uma síncope. Ainda como forma de provocá-lo, null foi até uma das gavetas da pia e puxou um preservativo dali, voltando de forma lenta para perto do garoto.
null segurou ao lado dos quadris dela e a posicionou em seu colo, arfando ao senti-la rebolando sobre seu pau duro. null procurou pelos seus lábios e os grudou, iniciando um beijo inteiramente molhado e extasiado, enquanto sua intimidade encharcada roçava em null e a deixava cada vez mais com vontade. A garota tentava focar seus pensamentos naquele momento, para que não o deixasse na mão mais uma vez e pudesse saciar suas vontades.
— Não posso esperar mais, null. — null grunhiu contra os lábios dela, levando suas duas mãos até o fecho do sutiã e o soltando sem maiores dificuldades. — Você está me deixando louco.
null tirou a peça e jogou a cabeça para trás quando a mão de null segurou fortemente um de seus seios, massageando-o lentamente. Ele sabia que null odiava quando sua boca ia de encontro aos seus mamilos, por isso aprendera diversas outras formas de excitá-la naquela região, mas somente ele parecia sofrer com tanta demora para penetrá-la. A garota arfou quando o membro duro de null tocou com força em sua intimidade e o garoto pressionou sua cintura, tornando a beijá-la com vontade, agarrando seus cabelos e a guiando naquele pequeno processo.
Afastando-se em poucos centímetros, null deu um jeito de retirar sua única peça faltante e auxiliou null a fazer o mesmo, deixando suas intimidades se tocarem superficialmente antes de colocarem a proteção. null precisava logo fazer aquilo, mas antes de abrir o pacote de camisinha, ele chupou o próprio dedo e o levou até o clitóris de null, pressionando de forma leve o local que parecia inchado e prontinho para recebê-lo. Percebendo o quão ansiosa ela parecia para ser penetrada, null levou seu dedo para dentro da vagina dela e a penetrou de forma lenta, ouvindo um gemido abafado sair de sua boca e ela encostar sua cabeça em seu ombro, puxando parte da pele do garoto com os dentes, mas não o machucando. Ela precisava daquilo, precisava extravasar as emoções daquele dia e tudo o que teria que enfrentar durante a noite naquela festa e null sabia exatamente como satisfazê-la, sabia onde tocá-la e como, e a cada leve estocada de seu dedo era como se a alma de null desfalecesse para em seguida voltar ao corpo.
— Eu preciso de você. — ela sussurrou contra o ouvido do garoto e mordeu o lóbulo da orelha do mesmo, gemendo um pouco mais alto ao sentir um segundo dedo adentrando sua intimidade. — Céus, eu preciso de você, null. — sua voz saiu alguns tons mais altos.
O corpo dela já arrepiava involuntariamente e suas pernas começavam a amolecer, enquanto o garoto continuava a masturbá-la de forma lenta e completamente gostosa. Seu quadril já o ajudava de forma automática, subindo e descendo entre os dedos de null e o garoto mesmo achava que gozaria apenas de aparência-la daquela forma, completamente entregue.
— Me fala o que você quer, exatamente. — as palavras do garoto saíram de forma lenta e baixa, a voz rouca de tamanho tesão que exalava de seu corpo. — Você quer que eu te foda?
— Oh, sim. — null concordou, gemendo um pouco mais alto e fechando fortemente os olhos quando o polegar de null voltou a pressionar seu clitóris, mesmo com outros dois dedos dentro de si. — Se você não fizer isso logo eu vou gozar na sua mão, null.
A fala da garota foi como uma ordem. null abriu o pacote de camisinha, após tirar seus dedos de null, e desenrolou o objeto sobre seu pênis, auxiliando a garota pelo quadril a encaixar-se perfeitamente. null escorregou sobre o membro dele com leveza, aproveitando a forma como seu corpo reagia ao ter ele, finalmente, dentro de si. Cada vez que transava com null eram diversas sensações que ela sentia, e naquele dia null conseguia perceber seu corpo completamente entregue para aquele momento, cada poro da sua pele estava pronto para receber aquela inundação de vontades.
null deixou com que um gemido seco saísse de sua garganta, deixando null comandar aqueles movimentos de vai e vem enquanto palavras desconexas saiam de sua boca. A cada vez que suas pelves se tocavam uma eletricidade fora do comum atravessava seus corpos, os deixando mais e mais necessitados daquele contato íntimo. null fincou suas unhas curtas nos ombros do garoto e aumentou sua velocidade no movimento, fazendo questão de rebolar toda vez que chegava ao fim, para sentir todo o membro de null dentro de si.
A garota não aguentaria muito mais, seu corpo era fraco quando se tratava de sexo com null null e ainda não tinha decidido se aquilo era um ponto negativo ou positivo, mas assim que continuasse a roçar seu clitóris nele, ela gozaria sem delongas. E dito e feito, seu corpo estremeceu e suas pernas se contraíram quando sua vagina apertou o pênis duro de null dentro de si, eliminando aquele líquido de prazer e deixando seu corpo amolecer involuntariamente sobre o do garoto.
— Quer que eu pare? — ele perguntou, afastando os cabelos dela do rosto da mesma, em seguida descendo sua mão até a cintura de null e a apertando levemente.
— Não. — null respondeu baixinho, puxando um pouco de ar antes de continuar. — Quero que você chegue lá, também.
null concordou e depositou um beijo na curvatura do pescoço da garota, segurando seu quadril dos dois lados e a auxiliando a continuar nos mesmos movimentos de antes. Não estava mais se importando tanto com o seu ápice, conseguir fazer null gozar e relaxar com aquele sexo foi o que mais lhe encheu de prazer, já que na parte da manhã ela ficara amedrontada em poucos segundos e um certo desespero lhe invadiu o corpo. Ver a garota tão entregue daquela forma, mesmo que lhe causasse um pouco de medo, o deixava com grandes certezas sobre o que estava sentindo. Queria poder namorar com null, queria cuidar dela da forma que ela cuidava tão bem de todos. E, por mais que fosse cedo, nada lhe era tão importante quanto aquilo no momento.
Foi da forma mais sentimental possível que null chegou ao seu limite, deixando seu gozo preencher a camisinha e seu corpo relaxar. Por alguns segundos sentiu-se um idiota por agir daquela maneira, tão apaixonado. Mas quando constatou o sorriso leve e satisfeito que os lábios de null repuxavam, ele sentiu-se completo novamente, como nunca antes conseguiu sentir.
Ao ouvirem uma música alta começar a tocar na parte debaixo da casa, null desgrudou seus corpos e puxou null até o chuveiro, ligando a água sobre eles e deixando com que o suor anterior descesse pelo ralo junto com aquela água morna. null, com o auxílio de uma esponja, ensaboou as costas da garota ao mesmo tempo que fazia uma leve massagem ali, sabendo que em alguns minutos ela poderia receber uma nova crise sem aviso com todas as fantasias que estariam no andar debaixo.
— O que você me diria se eu te pedisse em namoro hoje, agora? — a pergunta saiu de forma automática da boca de null e ele se amaldiçoou por ser tão impulsivo.
null franziu o cenho e virou de frente para o garoto.
— Como assim? Você quer me pedir em namoro agora?
— Talvez. — null riu, passando a mão pelo rosto para retirar a água que escorria em seus olhos.
— Eu… não sei. — a garota optou por ser sincera, mesmo que com medo de magoar null. — Eu gosto da forma como nos damos bem e… você tem se tornado muito especial, mas talvez namoro…
— Você acha muito cedo?
— Um pouco. — null concordou com a cabeça e mordeu o lábio inferior, temendo a reação que ele poderia ter. — Mas eu quero continuar com você.
— Tudo bem, nós continuaremos juntos. — null respondeu, juntando seus lábios rapidamente, sentindo-se levemente frustrado, mas nada que não superasse logo.
Eles finalizaram o banho sem interrupções, null preferiu não tocar mais no assunto e deixou com que null se arrumasse no banheiro enquanto ele utilizava o quarto da mesma. Sua fantasia não era elaborada demais, mas possuía um tipo de proteção ao peito que formava uma barbatana nas costas, imitando um tubarão. Seus cabelos eram impossíveis de arrepiar como o do Taylor Lautner no filme, então deixou ele da forma que gostava e prendeu as duas proteções nos pulsos. Debaixo da proteção que cobria seu peito, ele utilizava uma camiseta da mesma cor e uma calça jeans comum. Poderiam confundir ele com um tubarão qualquer? Com certeza, mas ele era Sharkboy.
null, por sua vez, utilizava um collant rosa forte, com os detalhes parecidos com a roupa da Lavagirl em tons alaranjados. Uma pequena saia que fora improvisada era sua parte debaixo, ela era parte de uma das roupas de líder de torcida da Autumn Falls e tinha caído perfeitamente bem para a fantasia. Em seus cabelos ela prendeu alguns fios falsos na mesma cor, já que o spray não dera muito certo como ela imaginava. Não exagerou na maquiagem, Lavagirl era uma criança, não existiam motivos para sair parecendo uma boneca, então apenas calçou botinhas que alcançavam sua canela com a mesma cor rosa que todo o restante da roupa tinha.
Ao se visualizar pronta em frente ao espelho do banheiro, null sentiu um frio na barriga nada agradável lhe invadir e um arrepio percorrer por toda sua pele. Torcia para que as pessoas não fossem completas idiotas e utilizassem aquelas máscaras horríveis para se fantasiar, mas toda sua mente tentava se preparar para aquele acontecimento.
null já havia descido quando a garota saiu do banheiro e, após prender o celular na parte interna do collant, null trancou a porta do quarto e escondeu a chave no mesmo lugar do celular, respirando fundo diversas vezes enquanto descia as escadas e ouvia o som cada vez mais alto assim que ela se aproximava. O corredor que dava acesso à área externa estava cercado de pessoas fantasiadas e no caminho de null até a cozinha, por algum milagre ou intervenção divina, nenhuma fantasia parecia terrivelmente assustadora.
— null, oi! — a voz animada de Luke a fez sair de um transe que ela nem havia percebido ter entrado.
null virou o rosto para o ex e percebeu que o mesmo estava vestido de policial, nada mais clichê para o garoto.
— Hey, Luke. Como vai? — a garota sorriu, cumprimentando Peterson com dois beijos na bochecha.
— Estou bem, mas e você? Tudo certo? — o tom de preocupação entornou a voz de Luke e null apenas conseguiu baixar o olhar, concordando levemente com a cabeça. — Vem, vamos pegar uma bebida.
Luke segurou em uma das mãos da garota e a guiou em direção a cozinha, prestando atenção no caminho que faziam para não darem de cara com nenhuma máscara indesejada. Ao chegarem no ambiente, Luke seguiu até o balcão e preparou dois copos de bebida para ele e null. A garota, por sua vez, foi até a mesa onde diversos aperitivos estavam e comeu uma tortinha de abóbora, seu estômago permanecia vazio desde o almoço e se não comesse qualquer coisa ficaria bêbada em questão de segundos. E era impossível negar um doce feito por Tereza.
Luke voltou para perto da ex e a entregou o copo com um líquido vermelho sangue, bebendo do próprio enquanto null experimentava mais um dos doces feito por Tereza, para em seguida experimentar aquela bebida esquisita.
— Garota, aí está você! — a voz de Violet sobressaiu qualquer coisa que Peterson tentou falar com null e logo a imagem pequena da garota surgiu em meio aos dois. — Você não tem dedinhos para responder as mensagens que sua melhor amiga manda, não?
— Desculpa, Vi, dormi a tarde inteira. — null respondeu de forma culpada, abraçando a amiga que estava fantasiada de chapeuzinho vermelho, perfeito para ela.
— Sei. — Violet a olhou desconfiada e bebericou um gole da bebida que estava em seu copo. — Você vai comer mais? Quero dançar!
— E está me intimando para isso? — null riu e observou Luke um pouco desconfortável. — Por quê você não vai e eu te encontro lá em alguns minutos?
— ‘Tá bom. — Violet respondeu contrariada, fazendo uma careta na direção de Luke e saindo de forma devagar, apenas para provocar ambos.
— Sua amiga já não é mais tão minha fã assim. — o garoto brincou, encostando o corpo na parede próxima a ele. — Na verdade acho que ninguém é mais a favor de nós como casal.
— E você sabe bem o motivo, Luke. — null riu, cruzando os braços em frente ao corpo e olhando diretamente nos olhos do garoto. — Mas agradeço por se preocupar comigo nesse dia.
— É o mínimo que posso fazer. — o quarterback deu de ombros e se aproximou apenas para depositar um beijo singelo sobre a testa de null. — Tenta se divertir e qualquer coisa pode gritar por mim, Lavagirl.
— Sim, Senhor policial. — ela concordou, rindo e se afastou sem delongas, segurando seu copo praticamente cheio.
Seria fácil encontrar Violet, levando em consideração sua fantasia curta e chamativa e a forma que ela dançava desengonçada quando começava a ficar bêbada. Entretanto, mesmo fazendo sua mente divagar pela música eletrônica que tocava, null não conseguia desviar o olhar das diversas fantasias que tinham ali, temendo encontrar uma em especial, mesmo que as chances fossem mínimas. Ela ficou na ponta dos pés alguns segundos, tentando enxergar sua melhor amiga no meio daquele amontoado de gente que lotava sua casa a cada minuto que passava.
— Lavagirl. — null chamou a garota e parou bem em frente da mesma, depositando um selinho sobre seus lábios.
— Oi, olha você aí. — null sorriu, selando seus lábios mais uma vez. — Por acaso, chegou a ver Violet perdida em algum lugar?
— Sim, ela estava se preparando para ser a dupla de Gavin no beer pong. Quer fazer dupla comigo e destruir o futuro casal? — Sharkboy lhe ofereceu um dos braços e sorriu maliciosamente para a garota.
— Ninguém será páreo para nós, Sharkboy. — null respondeu, enganchando seu braço no de null e o seguindo até a área externa da casa.
A movimentação de adolescentes parecia ainda maior próximo a piscina e null conseguiu enxergar sua melhor amiga ditando algumas regras para poderem começar o jogo. Ela só conseguia rir da expressão que Violet exibia, a garota não era capaz nem de matar uma mosca, quem dirá mandar naqueles grandalhões do time de futebol da escola.
— Pode parar por aí, bonitinha, null e eu vamos jogar contra vocês. — a garota declarou, parando em uma das pontas da mesa, a qual já estava pronta para o jogo com copos cheios de cervejas.
— Pequena null? Vou adorar acabar com vocês. — Gavin respondeu de forma arteira, como uma criança prestes a roubar seu pirulito.
null foi a primeira a pegar a bolinha de ping pong e atirar contra um dos copos de Violet e Gavin. Sua primeira mira não foi das melhores e a bolinha apenas bateu na borda de um copo, saindo para fora da mesa. Violet foi a próxima e acertou em cheio o primeiro copo da pilha. Os jogadores do time e os outros convidados que estavam ao redor uivaram de felicidade quando null precisou virar o copo de cerveja.
null foi o próximo, e assim como Violet, acertou um dos copos da dupla, fazendo Gavin entornar o seu primeiro. E o jogo seguiu daquela forma por vários minutos, diversas bolinhas acabaram parando na piscina e um dos garotos do time, o qual já estava bêbado o suficiente, era o responsável por buscá-las, aproveitando para se molhar e chamar a atenção das garotas. Os últimos dois copos ficaram sob a responsabilidade de Violet e null, sendo esta última a primeira a precisar jogar a bolinha.
— Amor, você precisa mirar bem e acabar com eles. — null sussurrou contra o ouvido da garota, depositando um beijo próximo ao lóbulo dela, sorrindo quando a pele exposta se arrepiou inteiramente.
null preferiu não comentar sobre a primeira vez que null a chamava de amor, mas uma enorme onda de excitação ultrapassou seu corpo e ela acreditava que era culpa de todos os copos de cerveja que tomara naquela brincadeira. Com os olhos cerrados, null mirou ao centro da mesa, fazendo um cálculo totalmente desnecessário na sua cabeça, mas que em seu interior parecia fazer total sentido, atirando o objeto com precisão.
A cena pareceu seguir em câmera lenta para todos os espectadores apreensivos para o final daquela partida. A bolinha quicou no centro da mesa e seguiu na direção perfeita da boca do copo vermelho, acertando o líquido amarelo em cheio. null segurou a garota no colo e a girou, enquanto comemoravam a vitória daquele jogo nada produtivo. Os convidados urravam e batiam na mesa para que Violet virasse o último copo de uma vez só e a garota assim o fez, deixando com que aquela leveza do álcool a preenchesse completamente.
null grudou seus lábios nos de null e aprofundou o beijo sem demoras, aproveitando que seu corpo ainda era segurado por ele. Mais gritos ainda foram ouvidos dos convidados e null chegou a conclusão de que todos já estavam incrivelmente bêbados àquela altura. Quando null colocou o corpo da garota no chão, null sorriu e desviou o olhar para a porta dupla que dava acesso a entrada da casa. Seu coração pareceu travar dentro do peito e sua pressão baixou de forma brusca, tonteando sua mente e a fazendo pressionar o braço de null fortemente.
— O que houve? — ele questionou, percebendo como o corpo dela adquirira uma fraqueza rapidamente e suas pernas pareciam tremer. — null?
Gavin percebeu a forma que a garota reagia e olhou exatamente no ponto em que ela vacilara. A porta dupla de acesso ao lado externo. Um garoto magro utilizava uma máscara do Jason de Sexta-feira 13 e o álcool fez o efeito reverso em seu corpo, deixando a raiva extravasar por seus poros.
— Qual o seu problema, cara? — ele perguntou, andando em passos largos até o garoto, deixando com que null ficasse ao lado de null. — Se você foi oficialmente convidado para essa festa, conhece bem as especificações. Nada de máscaras.
Violet seguiu Gavin e segurou em seu braço, chamando atenção do garoto para que ele não agisse de maneira descontrolada. A música parecia até mais baixa naquele momento. Gavin tinha os braços cruzados sobre o peito, o qual permanecia estufado, e sua fantasia de lobo mau parecia realmente assustadora naquele momento.
— Anda, tira essa porcaria antes que eu arranque. — Tanner ordenou, levando seu corpo para mais perto do garoto.
null foi obrigada a sentar-se sobre a espreguiçadeira e, com a ajuda de null, desviou sua atenção do pequeno caos que Gavin criava com o recém chegado. Recebeu um copo lotado de água com açúcar, mas aquilo só a preencheu de enjoo, afinal toda vez que levantava os olhos aquele garoto ainda permanecia impassível e com a máscara sobre o rosto, como se provocasse null pessoalmente.
— Você ouviu o Tanner, garoto, tira essa máscara. — Luke ao ouvir a movimentação foi conferir o que estava havendo e, mesmo que seu coração estivesse acelerado ao extremo por reconhecer aquele garoto, ele parou de frente para ele da mesma forma que Gavin.
— Para você eu tiro, Peterson. — a voz esganiçada do garoto fez com que Luke desse alguns passos para trás, reconhecendo a pessoa antes mesmo daquela máscara sair do seu rosto.
— Você não é bem vindo aqui, Spencer. — Gavin foi duro, sentindo todas as suas veias saltarem ao reparar na cara doentia que aquele garoto possuía.
— Spencer? — null perguntou baixinho para null, engolindo em seco e tentando controlar todo seu corpo a parar de tremer daquela forma absurda.
— Ele alguma vez te machucou, null? — null perguntou de forma preocupada, assustando-se como ela reagia ao olhar para o garoto. — Foi por isso que Spencer saiu da escola?
— ATENÇÃO a descrição a seguir pode conter gatilho.
null olhou diretamente nos olhos de null e deixou que sua mente divagasse até o dia 31 de outubro de 2016. Ela estava atrasada para o seu primeiro treino no grupo de líderes de torcida da escola e foi quando Spencer a parou no corredor, puxando uma conversa estranha sobre como ela era uma das garotas mais bonitas que já tinha entrado na Autumn Falls e a encurralou e uma forma esquisita na parede. null tentou ser gentil, pedir para que ele saísse, mas Spencer tentou beijá-la a força de diversas formas.
Luke também estava atrasado no dia e foi quem acompanhou a cena horrorosa que Spencer tentava protagonizar com a garota. Ele apenas puxou o garoto magrelo da frente de null e mandou-o sair. Nada mais. Porém naquela noite, Luke organizou uma travessura típica de halloween para o garoto, com a ajuda de alguns amigos e a própria null. Eles prepararam o chalé da família de Luke na estrada principal que dava acesso a Destin e anunciaram uma festa falsa. Todos deveriam ir fantasiados. Quando Spencer chegou ao local, a casa estava vazia e nenhum barulho era capaz de ser ouvido. Um dos amigos de Luke saiu do meio de algumas árvores usando uma máscara assustadora e correu atrás do garoto pela mata, levando-o até uma clareira onde todos os outros o esperavam com máscaras parecidas.
Spencer estava com muito medo, suas pernas tremiam e null conseguia sentir que aquilo já estava indo longe demais, mas deixou com que Luke o assustasse mais um pouco, já que toda vez que se lembrava da manhã daquele dia seu corpo inteiro se arrepiava de asco. A brincadeira passou um pouco do limite quando os amigos de Luke se empolgaram e bateram de verdade em Spencer, o deixando desacordado no meio da mata. Acreditaram que o garoto estava morto, então foram embora, desesperados, prometendo que aquela história permaneceria entre eles até que alguém encontrasse Spencer.
No dia seguinte, o garoto reportou às autoridades que algo acontecera com ele na noite de halloween e os adolescentes permaneceram em silêncio. Ninguém falou nada, ninguém ligou para o outro e muito menos avisou aos policiais. Mas null não aguentou ir para Autumn Falls e dar de cara com Spencer todos os dias. Ela foi a primeira a contatar o xerife e explicar o que acontecera, detalhe por detalhe, temendo as consequências que aquilo traria para sua vida. Não sabia explicar se felizmente ou infelizmente seu sobrenome era de grande importância dentro de Destin e o xerife nada fez para a garota, apenas passou algumas atividades comunitárias e prometeu que ficaria de olho em Spencer caso ele tentasse abusá-la de novo.
Ele não tentou, saiu da escola sobre ameaças horríveis de Luke e até então nunca mais tinha aparecido para atormentar. null adquirira uma forte crise de ansiedade com aquela data, com tudo o que ela representava e a forma que agiram com o garoto. Sabia que ele merecia uma punição por tentar abusá-la, mas não conseguia sentir ódio no coração para fazer qualquer outra coisa contra ele, apenas queria não vê-lo mais. E, naquele momento, encarar aqueles olhos escuros de Spencer parecia revirar seu estômago em um nível sobrenatural, como se ela pudesse sentir as mãos magras dele lhe agarrando os braços e a empurrando contra a parede gelada. null nunca processou o que aconteceu de verdade naquele dia, nunca entendeu porque seu corpo pareceu tão fraco em um momento de desespero e nem um chute no saco dele ela conseguiu dar.
— Ele tentou me beijar a força no corredor do ginásio. — a garota respondeu depois de longos segundos em silêncio, fitando Spencer fixamente. — No halloween de 2016.
null sentiu um choque tocar seu peito e precisou fechar os olhos fortemente, puxando a respiração de maneira controlada, para não sair correndo dali e acabar com a vida daquele garoto. Ele sabia que parte das reações de null naquele dia tinham um motivo fundado, que o desespero que a garota sentiu ao ver a máscara e ao ser encurralada no banco no estacionamento do shopping não era drama. Só não sabia que a verdade o machucaria tanto.
— O que está acontecendo aqui? — Elliot, que até então estava sumido, perguntou para null, voltando a ligar a música e deixando com que Luke e Gavin conversassem com aquele garoto.
null arregalou os olhos na direção de null e o mesmo entendeu depressa.
— Nada demais, Gavin só foi pedir para ele tirar a máscara, sabe, especificações da festa. — null respondeu, sentando-se ao lado de null na espreguiçadeira. — Você quer ir para outro lugar? — ele perguntou baixinho, ignorando Elliot.
— Por favor. — a garota concordou, aceitando de bom grado a mão que ele lhe oferecia e se levantando rapidamente.
null não ousou caminhar para dentro da casa, aproveitou que sua chave do carro estava em seu bolso e deu a volta pelo jardim para chegar até a garagem que sua Mercedes estava. E assim que o carro já estava na rua, o garoto dirigiu sem rumo. Deixou com que null sentisse conforto em falar mais alguma coisa ou então pudesse alinhar seus pensamentos sem ter que encarar Spencer e sua belíssima cara de pau em aparecer naquela festa, justamente na casa dos null.
— Podemos ir até a praia? — null perguntou, constatando a iluminação do calçadão bem próxima a eles.
— Com certeza. — null concordou, adentrando a rua que dava acesso a via principal da cidade de Destin, um dos lugares mais movimentados que possuía no local.
null estacionou o carro na primeira vaga que encontrou, tendo certeza que a quantidade de pais que ali estavam para recolher doces logo aumentaria. A noite ainda estava no começo, mas para ele poderia acabar sem delongas.
— Sinto muito por não ter contado antes. — null pronunciou, deixando uma lágrima escapar de seus olhos. — Eu… nada nunca aconteceu com a gente por termos pregado uma peça em Spencer.
— Vocês pregaram uma peça nele? — null questionou, virando-se no banco para poder encarar melhor a garota.
— Sim. No mesmo dia. — ela fungou baixinho e respirou fundo antes de continuar. — Luke viu ele tentando me beijar e o tirou de cima de mim. Durante a noite inventamos uma festa no chalé dos pais dele e convidamos Spencer. Fizemos ele correr desesperado pela mata para encontrar-nos com máscaras horríveis. Luke e os garotos bateram nele, mas ele desmaiou. — fechando os olhos e mordendo os lábios, null tentou novamente puxar o ar para seu pulmão. — Deixamos ele desacordado no meio da mata.
— Pumpkin, eu sei que, muito provavelmente, você se culpa por terem feito isso com ele. — null puxou uma das mãos dela para o seu colo e acariciou a pele da mesma. — Mas ele está vivo. E aprendeu a lição. Assim como vocês. E, bom… quanto ao fato de ter feito aquilo com você, foi algo horrível. Não se culpe por uma coisa que não estava no seu controle.
— Não precisamos ter brincado de forma tão séria. — ela respondeu chateada, pressionando seus dedos na mão de null.
— Não, realmente. Mas ele também não deveria ter tentando abusar de você. Luke agiu de modo protetivo. Olha, vamos fazer um trato. — a voz dele saiu um pouco mais animada do que deveria ser, mas precisava que null aceitasse ajuda. — A escola possui uma ótima terapeuta e…
— Eu já tentei ir a psicóloga, null.
— Me deixa terminar de falar, apressada. — o garoto cutucou a cintura de null e recebeu um risinho baixo de volta. — Nós podemos procurar uma terapeuta que combine com seu modo de falar ou que te ajude a falar. E eu prometo que vou tentar me dar bem com o Luke e fazer você gostar de filmes de terror.
— Não achei uma proposta muito produtiva para mim. — ela novamente riu, tendo certeza que seu corpo já reagia à null e seu coração estava mais tranquilo.
— Podemos pensar em algo que satisfaça você então. Alguma sugestão? — o modo que ele falava a deixava cada vez mais confortável em conversar. null parecia capaz de curar aquela ferida antiga.
— Posso pensar em algo legal. — null garantiu, levando seus olhos até o de null. — Obrigada por me trazer aqui.
— Se você soubesse, pumpkin. — null suspirou de forma exagerada e a garota o olhou, curiosa. — Você pode me pedir para buscar uma estrela no céu agora mesmo que vou me esforçar o máximo para trazê-la.
null sentiu seu coração palpitar bruscamente contra sua caixa torácica e sua respiração falhou por poucos segundos. A única reação possível que ela poderia ter fez ela agir e sentar-se sobre o colo do garoto, o beijando apaixonadamente. Saber que ele reagia tão bem com todos os seus problemas só lhe dava mais certeza de que estava no caminho certo, seja qual for a estrada escolhida.
Estar ao lado de uma pessoa ansiosa é quase como viver num filme de suspense. Você nunca sabe o que está por vir e nem qual vai ser o próximo passo. Porém null era um cinéfilo assíduo de suspenses e null já era sua musa principal, com todos os defeitos e todas as qualidades. Se null pudesse, mudaria os halloween’s dela para todo o sempre. E tentaria fazer isso.
Uma batida no vidro da Mercedes chamou a atenção do jovem casal e assim que ambos olharam, null fincou as unhas nos ombros largos de null, deixando um grito agudo ecoar de sua garganta.
Destin, Flórida, Estados Unidos da América.
7h14min.
null acordou naquele dia mais mal humorada que o normal. O sol que brilhava no céu aquela hora não seria motivo o suficiente para agradar a garota, já que a pior data do ano estava bem ali e seu dia tinha um cronograma enorme a ser seguido. Ela só gostaria de arrancar o uniforme da Autumn Falls e deitar novamente, esperando ansiosamente o dia 1º de novembro.
— null! — a voz de Elliot a fez pular de susto, enquanto se olhava no espelho. — Vamos nos atrasar.
— Faltam 46 minutos para o início das aulas, Elliot. — ela respondeu, revirando os olhos e saindo da frente da penteadeira para buscar a mochila. — O que você quer fazer tão cedo lá? — null perguntou, abrindo a porta de má vontade.
— Céus, null, tira essa cara mal humorada. — o mais velho puxou a irmã, abraçando-a sobre os ombros. — Pense nas coisas positivas que estão acontecendo. Vejamos, papai liberou a festa de halloween aqui em casa, só teremos meio período de aulas, uma casa enorme para você e suas amigas decorarem e muita fantasia!
— Eu odeio o halloween, Elliot. — a garota murmurou, descendo as escadas de forma emburrada. — As pessoas se fantasiam, saem por aí assustando os outros ou pedindo doces. Qual o sentido de existir uma comemoração para isso?
— Nenhuma, essa é a graça, maninha.
null apenas revirou os olhos e continuou seguindo o irmão até a garagem, onde entraram no Jeep e, em silêncio, seguiram até a escola Autumn Falls sobre o calor ensolarado de Destin. As ruas estavam todas enfeitadas e as casas tinham as típicas decorações de halloween, os filmes de terror eram os que predominavam e isso só causava calafrios pelo corpo de null.
Ela ainda não conseguia entender porque não gostava daquele dia em especial, mas sabia que muitas coisas estavam relacionadas a suas crises de ansiedade e ataques de pânico durante as noites mal dormidas. Não sabia de onde vinha, nem porque, mas queria que passasse logo, que acabasse aquele clima horripilante e toda Destin voltasse a sorrir, sem precisar de caveiras e fantasias pretas.
Assim que o Jeep foi estacionado, null não esperou o irmão, apenas puxou sua mochila e caminhou apressada na direção dos armários. Jogou a mochila dentro do móvel e pegou seus livros necessários para aquelas primeiras aulas, trancando o cadeado e não olhando para os lados ao sair para o banheiro. Não queria contato, não naquele momento. Na verdade, acreditava que precisava de um café. Cafeína sempre ajudava com sua baixa serotonina.
Após lavar o rosto e respirar fundo algumas vezes, ignorando os tremores do seu celular sobre os livros na pia, null recolheu os mesmos e seguiu até a porta, destravando a mesma e a puxando para abri-la. Assim que o fez, um grito agudo ecoou de sua garganta e seus livros foram parar no chão, enquanto sua mão tremia e voltava a fechar a porta com força. Aquela máscara de Michael Myers, seja quem quer que estivesse utilizando, conseguiu começar a estragar seu dia ainda mais.
— null? — as porradas que a pessoa dava na porta não permitiu com que null reconhecesse a voz, apenas estava sentindo-se assustada e completamente perdida. — null? O que houve? Eu…
— Sai daqui. — ela pediu, de forma raivosa. — Vai embora!
— Sou eu, null. null. — o garoto falou de forma mais baixa, aproximando-se mais da porta. — Eu sinto muito, não sabia que tinha medo.
— Sai daqui! — ela pediu novamente, daquela vez gritando esganiçado.
Fiquem seguros nesse dia de tanta travessura, queridos Duds. Pelo que eu entendi, o inimigo mora ao lado ;). E ah, divirtam-se na festa na casa dos null, não sei como a pequena null vai suportar um local lotado de fantasias horrendas.
XOXO DUD DESTIN”
— É sério que você achou que assustar minha irmã com a mascára do Michael Myers era uma pegadinha e tanto, null? — Elliot perguntou grosseiro, largando o celular com força sobre a mesa do refeitório.
— Eu não fazia ideia que ela tinha medo! — o garoto revirou os olhos, cruzando os braços e afundando-se ainda mais na cadeira. — Nunca conversamos sobre isso. Na verdade, sua irmã mal conversa comigo, cara. Como vou adivinhar?
— Perguntando? — Gavin riu de forma irônica ao pronunciar a pergunta, null parecia o ser humano mais ignorante naquele momento. — Agora nosso amiguinho Luke está olhando atravessado para você e saindo adivinha para qual direção?
— Qual é o problema de null com o halloween? — null questionou, ignorando a encarada que Luke Peterson o dava enquanto caminhava para fora do refeitório.
— Não sei explicar. — Lio deu de ombros. — É como se o halloween fosse um gatilho, mas ela não quer procurar ajuda psicológica, então não sei o que fazer, muito menos nossos pais.
— Seus pais não estarem aí também deve ser um grande problema, Elliot. — null murmurou de forma cínica, observando o amigo sorrir de forma fechada e quase que culpada.
Luke sentira raiva da forma com que null utilizou para assustar null, e mesmo que tenha sido um babaca com sua ex, sabia os problemas que aquele dia causariam nela e em toda sua mente confusa, que ele nunca entendera. Em passos rápidos o garoto saiu do refeitório, onde os alunos organizavam os enfeites da escola, e seguiu até o banheiro que null provavelmente estava. Com duas batidas suaves, Luke chamou pela ex, não ouvindo nenhum barulho naqueles poucos segundos.
— null? — ele perguntou, tentando mais uma vez bater na porta.
Silêncio.
O garoto estranhou de início, mas então deixou seus pés o guiarem para o outro lado da escola, onde ele tinha plena noção de que null adorava ir. Luke ignorou o sinal que indicava o início das aulas e precisou se esconder em um dos corredores quando viu o guardinha atravessando o mesmo, para em seguida continuar seu caminho até o ginásio. Sem toda a aglomeração de alunos zanzando pelos corredores foi fácil chegar até as arquibancadas cobertas, onde o sol não conseguia queimar.
— Não sei porque, mas adivinhei que estaria aqui. — o garoto comentou, andando de forma lenta até conseguir sentar-se ao lado da garota.
— E por qual motivo veio me procurar? — null tentou não ser ríspida com o ex, mas seu mau humor era crescente a cada minuto daquele dia e aquela mensagem de Dud Destin só piorou todo seu esforço.
— Porque sei seu horror ao halloween e como todas essas fantasias te fazem mal. — Luke deu de ombros, tornando seu olhar para o campo de futebol todo iluminado pelo sol forte. — Tudo o que aconteceu no passado, ficou lá, null.
— Você estava lá, como consegue agir dessa forma? — os olhos inchados e lacrimejantes de null foram diretamente ao rosto sereno de Peterson. Sua garganta chegava a arder com toda aquela enxurrada de recordações.
— Eu preferi esquecer. Nós não tivemos culpa do que aconteceu, o xerife mesmo disse isso. Fomos imprudentes? Com certeza. Mas a opção de continuar brincando foi de Spencer.
— Ele mal sabia que era uma brincadeira, Luke! Céus… — as lágrimas pesadas escorreram com pressa pela bochecha da garota, fazendo com que um soluço pequeno escapasse de sua boca e o medo lhe tomasse conta novamente.
— null, já fazem dois anos. É hora de seguir em frente. — o quarterback segurou uma das mãos da garota e a acariciou entre seus dedos. — Você precisa vencer isso. Tem noção de que acabou com nosso namoro apenas com um dedo do meio? — Luke tentou brincar e conseguiu arrancar um pequeno sorriso da ex. — É uma garota forte.
— Obrigada. — null murmurou, respirando fundo e engolindo aquela saliva que parecia rasgar sua garganta. — Acho que… Devemos ir para a aula.
— Sim! Só temos meio período e estamos gazeando, quem é você e o que fez com null null?
Ambos gargalharam e ergueram-se dos bancos, saindo do ginásio com certa pressa para que não fossem pegos no caminho. Luke tentava fazer com que null esquecesse todos aqueles acontecimentos de dois anos atrás, mesmo que ainda lembrasse com clareza do dia em que Spencer se fora.
null foi um dos alunos que também não entrou em sala de aula, na verdade ele estava atrás de null. Precisava se desculpar com a garota, não gostava de sair como o babaca da história e, principalmente, não deixaria com que Luke Peterson fosse o herói. E foi quando seus olhos se estreitaram no meio do corredor que ele sentiu o sangue ferver. Sua garota ria de alguma palhaçada que Peterson falava e null não conseguia evitar sentir aquele ciúmes. Estava se deixando envolver com null e não sabia definir se era bom ou ruim.
— null. — null proferiu, chamando a atenção do ex casal quando se aproximaram o suficiente. — Podemos conversar?
A garota o olhou de forma assustada por ter sido pega de surpresa, mas concordou com um meneio de cabeça, sorrindo fraco para o ex que a observava com cautela. Luke apenas devolveu o sorriso e, sem olhar para null, continuou o caminho na direção da própria sala de aula. null revirou os olhos para o garoto e apontou o banco de madeira na parte externa do corredor da escola, acompanhando null até lá.
— Olha, eu sinto muito. — null começou, brincando com os próprios dedos. — Não sabia que você tinha medo das azarações do halloween, foi uma ideia idiota e imatura.
— Eu concordo que a ideia não foi das melhores. — null sorriu fraco na direção do garoto, respirando fundo para continuar. — Mas eu não estou chateada com você… Na verdade eu nunca lhe contei o que aconteceu, então você não tem culpa.
— E você quer conversar sobre isso?
— Não. — ela negou rapidamente, arrependendo-se logo em seguida ao ver o rosto chateado de null.
— Certo… — o garoto coçou a nuca e suspirou. Gostava mais do que esperava de null e não sabia o que pensar ou como agir naquele momento.
— Eu confio em você, null. — a menina virou-se de lado no banco, puxando uma das mãos de null para seu colo. — É só que… É um assunto muito delicado e Luke estava lá… Ele sabe e…
— Tudo bem, null. Você não precisa se explicar.
— O que você acha de sairmos daqui? — ela sugeriu, sorrindo fraco para null. — Nós podemos ir escolher nossas fantasias ou… Sei lá, tomar um café. Mas longe dessa escola.
— null null quer fugir da escola? O que está havendo? — null ignorou a própria carranca e riu da sugestão que a garota dera. — Mas eu topo, desde que a gente compre fantasia de padrinhos mágicos para usar!
— O quê? Nem pensar! — null gargalhou e aceitou a mão de null para levantar-se do banco e acompanhá-lo até os armários. — Só se formos de Sr. e Sra. Smith!
— Isso é tão clichê, null. É como ir de jogador de futebol americano e líder de torcida. — a fala do garoto foi óbvia e null apenas conseguiu rir ainda mais, tendo que soltar a mão dele para segurar a própria barriga.
— Ah mas daí é muito fácil, nós temos essas fantasias em casa. — a garota deu de ombros, puxando a porta do armário e retirando sua mochila dali, após conseguir cessar os risos. — null, acho que o guarda está dando a ronda. — ela avisou, arregalando os olhos ao perceber o homem virar o corredor.
null virou o rosto para trás e confirmou que o homem estava mesmo iniciando a ronda daquele corredor e, provavelmente, os veria em alguns segundos. E em um ágil movimento, típico de jogador de futebol americano, null segurou firmemente a mão de null e empurrou o armário dela com força, pouco se importando se havia trancado realmente. Com a mochila sobre os ombros ele iniciou passadas rápidas, puxando a garota junto consigo na direção do estacionamento.
— EI! Vocês dois voltem já para a sala de aula. — o guarda gritou de forma autoritária, andando em disparada atrás do casal.
null se deixou gargalhar novamente e começou a correr junto com null, segurando firmemente a mochila sobre o ombro enquanto não chegavam a Mercedes. Foram poucos segundos, o estacionamento não estava longe e null destravou o carro antes mesmo de se aproximarem o suficiente, mas assim que fizeram apenas se jogaram dentro do automóvel, jogando suas mochilas para o banco de trás e null saiu acelerando, pouco se importando se seus pneus estavam deixando marcas sobre o asfalto.
— Céus, null! — o coração de null estava tão acelerado que ela mal conseguia respirar com facilidade. — Se meus pais descobrirem isso, eles me matam.
— O que é uma detenção no currículo impecável de null null? — o garoto gargalhou, diminuindo a velocidade do carro ao adentrar nas vias principais da cidade de Destin.
— É maluco dizer que isso me deixou… Excitada? — as bochechas da garota esquentaram automaticamente ao pronunciar a palavra e null se obrigou a rir, adentrando o estacionamento subsolo do shopping.
O garoto nada respondeu, apenas procurou uma vaga mais afastada, sentindo-se na obrigação de dar uns amassos com null, já que seu corpo sentiu um calor absurdo ao observar a forma que ela ficara envergonhada com o próprio tesão. Assim que null parou o carro, ele soltou o cinto de null e impulsionou seu corpo para o lado, ficando com parte em cima dela e parte no próprio banco do motorista.
— O que você quer fazer, null? — a garota murmurou, mordendo o lábio inferior de forma involuntária ao sentir a mão forte do garoto traçar um caminho da sua coxa até sua nádega, obtendo um fácil acesso com a saia plissada do uniforme, e apertando o local.
null deixou com que um suspiro sobressaísse por seus lábios e suas pernas tremessem involuntariamente, sentindo uma excitação maior ainda subir por todos os seus poros.
— Você disse que estava excitada. — ele respondeu da mesma maneira, grudando seus lábios no pescoço já arrepiado de null e deixando leves mordidas por ali.— Achei que talvez pudéssemos aproveitar.
— Aqui? — null riu de forma nervosa. — Estamos no estacionamento do shopping, babe. E eu sou menor de idade.
— Ninguém vai nos ver aqui, o carro tem película. — null garantiu, puxando a alavanca ao lado do banco e fazendo com que null se deitasse, sentindo o corpo dela abafado de uma forma sobrenatural. Ela nem fazia ideia de como o deixava louco de diversas formas. — A não ser que você não queira. — ele voltou a encará-la nos olhos e pôde ver a pura luxúria o encarando de volta.
— Se você não começar isso logo, tenho certeza que o meu corpo vai pegar fogo. — null respondeu de forma falha, sentindo o corpo queimar e a respiração ficar descompassada, enquanto null sorria excitado e se colocava entre as pernas da garota.
null espalhou beijos pelo pescoço de null e os desceu pelo colo arrepiado dela, sentindo-se ainda mais excitado ao ouvir os suspiros fracos dela e suas delicadas mãos puxarem seus fios de cabelo com força. null utilizou uma de suas mãos para puxar outra alavanca do banco, levando todo o assento para trás e lhe dando um amplo espaço para ajoelhar-se sobre o tapete de carpete, recebendo uma clara visão do corpo arrepiado e excitado de null.
Sem delongas, null levou suas mãos até embaixo da saia plissada de null, puxando o tecido fino da calcinha rendada dela para baixo. Ele afastou as coxas malhadas da garota e mordeu o próprio lábio ao encarar sua vagina totalmente molhada e entregue. null subiu o tecido da saia do uniforme de null e sentiu a própria calça social incomodar seu pau completamente duro. Com o dedo polegar da mão direita, null apertou levemente o clitóris de null, ouvindo um gemido baixo escapar pelos lábios dela e um sorriso satisfeito sair pelos seus.
— O que você quer, null? — o garoto perguntou, levando seu dedo indicador até a entrada encharcada dela e o penetrando lentamente.
null mordeu fortemente o lábio inferior, abafando um gemido alto e apertando o banco com as mãos ao lado do próprio corpo. Suas pernas se contraíram quando o dedo quente de null saiu de dentro de si. Ela fechou os olhos fortemente e um arrepio percorreu sua pele, fazendo com que um aperto no peito a preenchesse quando o garoto tentou novamente a penetrar. Um soluço involuntário escapou da garganta da garota, fazendo seu corpo tremer de uma forma completamente estranha.
— null? Tudo bem? — null questionou, franzindo o cenho ao reparar uma lágrima escorrendo pelo olho fechado de null.
null retirou seus dedo da intimidade de null e arrumou a saia da mesma, levantando um pouco seu corpo para ficar sobre a garota, sem a tocá-la.
— Hey, babe, o que houve? Eu te machuquei? — ele voltou a perguntar, sentindo-se extremamente preocupado.
— Não. — null negou veementemente, mas contraiu seu corpo ao sentir a mão de null tocando seu braço. — Eu só… Não consigo. — mais algumas lágrimas escorreram e null poderia sentir seu coração despedaçar.
— Shh, tudo bem. — null aproveitou que o pequeno corpo de null estava encolhido e deitou-se no mesmo banco, puxando a garota para o seu colo e acariciando seus cabelos.
— Desculpa. — a garota pediu, soluçando baixinho. Sabia que sua crise de ansiedade estava atacando e sentir-se insegura com aquelas preliminares foi um sinal claro, principalmente naquele dia.
— null, não fale besteiras. — null respondeu baixinho, depositando um beijo no topo da cabeça dela. — Está tudo bem. Tente se acalmar um pouco.
null concordou com a cabeça e puxou o ar fortemente, inalando o perfume cítrico de null e deixando com que aquele cheiro acalentasse seu coração, enquanto uma carícia em seu cabelo era capaz de a manter focada em qualquer outra coisa que não fosse o maldito halloween.
— Já sei. — null alertou de forma alta, sorrindo abertamente.
null franziu o cenho e levantou seu tronco, encarando os olhos brilhantes de null.
— Sharkboy e Lavagirl!
— O quê? — null não conseguiu prender a gargalhada e achou ainda mais hilário a cara de paisagem que o garoto fazia, como se fosse a ideia mais genial.
— Vamos ser as pessoas mais criativas, null. Ninguém vai ter essa ideia. — null gesticulou com as mãos, completamente animado.
— Certo, certo. — ainda rindo, null se ajeitou sobre as pernas de null, ficando de frente para ele. — E você acha que vamos encontrar essas fantasias? Assim fácil?
— Se não encontrarmos, podemos fazer. Qual é, são dez horas, temos o dia inteirinho!
— Eu ainda preciso comprar as decorações e copos e mais um monte de coisa. — ela enumerou nos dedos, rindo das feições que null fazia.
— Nós conseguimos fazer tudo isso com todo o tempo que temos. A não ser que você não queira minha companhia. — null deu de ombros, formando um bico entre seus lábios.
null jogou a cabeça para trás e gargalhou, achando null adorável naquele momento. Em seguida, ela voltou em sua posição, e juntou seus lábios rapidamente, deixando aquela sensação gostosa de estar no lugar certo a inundar.
— Tudo bem, então podemos procurar essa fantasia de Sharkboy e Lavagirl e comprar a lista de decoração que Elliot me enviou. Você terá o prazer da minha companhia o dia inteirinho. — com uma das mãos ela jogou o cabelo para trás e sorriu satisfeito.
null sorriu junto, involuntariamente. Não sabia o que tinha acontecido alguns minutos atrás, mas faria o que fosse possível para ver null com aquele sorriso o resto do dia.
— O que fazem em casa esse horário? — Tereza questionou os dois adolescentes assim que adentrou a cozinha, observando ambos atacando as panelas sobre o fogão.
— Não vamos ter o segundo período hoje, Tereza. Por causa do halloween. — null alertou, sentando-se e apoiando o prato feito na bancada de mármore.
— Mas não está muito cedo? — uma das sobrancelhas da mulher ergueu-se e Brandon prendeu o riso ao ver null encolhendo os ombros. — E são muitas sacolas na sala.
— Talvez… Mas só talvez, Tereza! Nós tenhamos saído mais cedo. — null deu um sorrisinho amarelo na direção da governanta e a mesma negou com a cabeça
— Vou fingir que vocês não cabularam todas as aulas para irem ao shopping. — Tereza piscou e seguiu até o fogão.
null não conseguiu aguentar e caiu na gargalhada, sendo repreendido logo em seguida por null e um tapa generoso no braço.
— Estou preparando tortinhas de abóbora, gelatinas e alguns docinhos. Querem mais alguma coisa específica, null? — Tereza perguntou, sorrindo na direção do casal, enquanto os mesmos almoçavam.
— Não, acho que está ótimo, Tereza, muito obrigada. null vai me ajudar a decorar a casa e depois vamos fazer nossa fantasia. — null bebericou um gole do suco e afastou o prato de comida quase cheio da sua frente.
null franziu o cenho.
— Certo. Tem pudim na geladeira se quiserem sobremesa, tudo bem? Preciso ir ao mercado. — Tereza se aproximou de null e depositou um beijo atrás da cabeça dela, onde alcançou. — Se precisarem de ajuda podem chamar a Daphne.
— Sim, Senhora. — null concordou sorridente e null apenas coçou a nuca, ocupado demais com sua mente para prestar atenção em Tereza.
— Você não vai comer, null? — ele perguntou assim que a mais velha saiu da cozinha, apontando para o prato mal remexido dela.
— Nah. — a garota estalou a língua. — Não estou com fome.
— Você nem ao menos tomou café, babe. Apenas um gole de frappuccino. — null procurou pela mão de null e a segurou entre a sua, apertando de forma leve. — Não vai passar mal?
— Se eu sentir fome, prometo que como, tudo bem?
null soltou sua mão e levou seu prato até a pia, não ouvindo null bufar. O garoto estava se preocupando de verdade com o que poderia estar passando pela cabeça de null. Não entendia, não conseguia conversar com ela sobre e isso o incomodava de uma forma sobrenatural, mesmo sabendo que precisava dar um espaço para ela sentir-se confortável.
— O que acha de começarmos pela área externa? Aproveitar o sol. — null perguntou, abraçando null pelas costas e deitando a cabeça em seu ombro.
— Pode ser. — null concordou, segurando as duas mãos da garota e virando o corpo na banqueta para ficar de frente à ela. — Mas se você passar mal eu vou ficar extremamente chateado. — ele alertou de forma branda, rodeando a cintura dela e a puxando para mais perto, no meio de suas pernas.
— Eu não vou. — null negou com a cabeça, sorrindo fraco. — Não se preocupe.
null concordou e levou uma de suas mãos até o cabelo da garota, colocando uma parte dele para atrás da orelha e, em seguida, encaixando-a na nuca dela, aproximando seus rostos para juntar seus lábios em um selinho demorado.
— Chega de putaria na minha cozinha. — a voz de Elliot fez com que ambos se separassem, rindo. — Pouca vergonha.
— Boa tarde, Elliot. — null ignorou a fala do irmão e deu mais um selinho em null, sorrindo contra os lábios dele quando percebeu certo desconforto por parte do garoto. — Meu irmão não vai te arrancar os olhos por me beijar.
— Eu nunca disse que não. — Lio deu de ombros, servindo-se da comida de Tereza.
— Eu prefiro me manter intacto, por gentileza. — null afastou null, segurando sua cintura, e a colocou ao seu lado.
A garota revirou os olhos e bufou, cruzando os braços sobre o peito.
— E qual é as sacolas na sala? Já compraram as fantasias? — Elliot perguntou, sentando-se no lugar que antes null ocupava.
— Sim, e as decorações. — null respondeu, dando a volta na bancada. — Você pode começar aqui dentro, enquanto eu e null organizamos a parte de fora.
— Tudo bem. — o garoto concordou e observou a irmã sair da cozinha, sem chamar null. — Acho que ela ficou brava. — Lio riu.
— Você tem que parar de ser babaca quando estamos juntos. — null revirou os olhos e se levantou, dando um peteleco na cabeça do melhor amigo e saindo atrás de null.
null encontrou a garota na sala, sentada no chão, separando as decorações da área externa em específicas sacolas. Observando tudo aquilo espalhado o garoto começava a acreditar que compraram itens demais, incluindo abóboras falsas, mas null parecia uma criança em uma loja de brinquedos, fora os momentos em que teve que se afastar de alguns corredores com pressa ao ver as máscaras dos típicos filmes de terror.
Ele ajudou null com as sacolas e a seguiu até a área externa, onde continha algumas espreguiçadeiras, a enorme piscina da mansão e algumas poucas mesas redondas com guarda-sol fincado ao meio. O casal espalhou mini abóboras com velas falsas pela piscina e aranhas de brinquedo no estilo de bóias. Algumas teias falsas foram jogadas sobre as espreguiçadeiras, assim como aranhas um pouco maiores de brinquedo, abóboras em cima das mesas também com velas falsas dentro, porém o tamanho era mais real. Uma vassoura foi apoiada em uma cadeira e um chapéu de bruxa foi posto no cabo, não era nada exagerado, mas null adorava caprichar em coisas como aquelas.
Nos cantos da porta dupla, pela parte de fora, eles colocaram gatos pretos de pelúcia e colaram alguns morcegos no vidro. No chão, null jogou algumas folhas secas e algumas caveiras pequenas, finalizando com os piscas piscas com forma de fantasmas sobre a porta com a ajuda de null.
— Agora, vem aqui. — null pediu, assim que acabaram a simples decoração da parte da piscina, puxando a garota pela cintura. — Não fica chateada comigo.
— Eu não gosto da forma que age comigo quando meu irmão está perto. — null contou, apoiando as duas mãos sobre o peitoral do garoto.
— Eu… É meio que uma questão de respeito. — ele encolheu os ombros e logo precisou consertar ao ver o cenho franzido da garota. — Eu tenho a necessidade de que ele nos aprove. Ele é o meu melhor amigo e o seu irmão.
— Não precisamos da aprovação dele pra ficarmos juntos. — null falou de forma óbvia, erguendo uma das sobrancelhas.
— Eu sei que não, pumpkin. — o garoto riu da careta que null fez ao ouvir o apelido. — Mas é importante pra mim que ele sinta-se confortável em nos ver juntos.
— Tudo bem. — ela se deu por vencida, tocando a ponta do nariz do garoto. — Vamos arrumar nossas fantasias, vem.
Antes de subirem até o segundo andar, null e null pararam para ajudar Elliot a prender algumas teias e piscas piscas no teto do espaço em que ocorreria a festa. Todo o restante da casa permaneceria trancado e os convidados só teriam acesso ao hall de entrada e a cozinha, assim como um banheiro interno e o externo na área da piscina, era uma grande precaução que os irmãos null precisavam ter por especificações do próprio pai, que só liberou a festa se nada fosse destruído.
Em seguida, null e null passaram o resto da tarde no quarto da garota, arrumando a fantasia para que ficasse ao menos parecida com os verdadeiros Sharkboy e Lavagirl, já que no local em que foram comprar apenas aqueles collant horríveis existiam e null se negou a comprar aquela roupa. Eles também utilizaram de duas horas para um cochilo saudável, na verdade a primeira intenção foi ver alguns episódios de uma série, mas nenhum dos dois conseguiu acompanhar nem os primeiros 20 minutos.
— null. — null foi o primeiro a acordar e reparou que o céu iluminado de Destin agora só possuía estrelas brilhantes e uma enorme lua, a qual possuía luz o suficiente para adentrar a janela aberta do quarto da garota. — null?
— Hm. — ela murmurou, virando o corpo na direção de null e afundando seu rosto na curvatura do pescoço dele.
— Já está escuro, a festa vai começar em breve. — ele alertou, usando seu braço para puxá-la para mais perto. — Não quer se arrumar?
— Não. — null negou de forma manhosa. — Não podemos ficar aqui e esquecer que essa festa existe?
— Até podemos tentar, mas vai ser praticamente impossível. — null riu, beijando o topo da cabeça de null demoradamente. — Por que você não toma um banho e tenta tirar essa preguiça do corpo?
— Só se você for comigo. — ela rapidamente levantou a cabeça e encarou null nos olhos, mordendo o lábio inferior ao ouvi-lo rir.
null levantou da cama e puxou o corpo de null, pegando-a no colo em questão de segundos, achando adorável a forma que ela ria da situação. Ele seguiu até o banheiro da suíte e a deixou tocar os pés no chão depois de trancar a porta para não serem incomodados. null virou-se de frente para o garoto e rodeou os ombros dele, erguendo seus pés e juntando seus lábios, deixando ele aprofundar o beijo de forma lenta e completamente excitante.
Com suas mãos, null desabotoou cada botão da camisa social do colégio, arranhando o peitoral do garoto vez ou outra e sentindo ele arfar contra seus lábios. Com extrema facilidade a peça foi parar ao chão. Em seguida, a garota dedilhou a extensão do cós da calça e chupou o lábio inferior de null, aproveitando daquele momento de distração para abrir o botão e o zíper e empurrar o tecido para baixo, satisfeita demais com o volume que a esperava dentro da cueca.
A garota segurou as duas mãos de null e o guiou até o granito ao redor da banheira, fazendo-o sentar. Com a luxúria carregada em seus olhos, null observou null se afastar um pouco e retirar todas as peças de roupa lentamente, começando pela camisa social da Autumn Falls, deixando a mostra seus seios sendo apertados pelo sutiã de renda preta, não eram avantajados, mas eram perfeitos para serem rodeados por sua mão. A única peça de roupa no corpo do garoto já estava incomodando seu membro completamente duro e ele não via a hora de poder acabar com aquilo.
— Você vai me torturar? — null perguntou em tom baixo e grave, sentindo sua excitação começar a ultrapassar seus poros.
null nada respondeu, apenas sorriu maliciosamente e abriu o zíper lateral da saia plissada, deixando ela escorregar sobre suas pernas. null precisou morder o lábio fortemente ao encarar o conjunto completo de lingerie preta no corpo da garota. A calcinha ele já tinha visto mais cedo, mas agora com todo seu tesão se acumulando ele poderia jurar que teria uma síncope. Ainda como forma de provocá-lo, null foi até uma das gavetas da pia e puxou um preservativo dali, voltando de forma lenta para perto do garoto.
null segurou ao lado dos quadris dela e a posicionou em seu colo, arfando ao senti-la rebolando sobre seu pau duro. null procurou pelos seus lábios e os grudou, iniciando um beijo inteiramente molhado e extasiado, enquanto sua intimidade encharcada roçava em null e a deixava cada vez mais com vontade. A garota tentava focar seus pensamentos naquele momento, para que não o deixasse na mão mais uma vez e pudesse saciar suas vontades.
— Não posso esperar mais, null. — null grunhiu contra os lábios dela, levando suas duas mãos até o fecho do sutiã e o soltando sem maiores dificuldades. — Você está me deixando louco.
null tirou a peça e jogou a cabeça para trás quando a mão de null segurou fortemente um de seus seios, massageando-o lentamente. Ele sabia que null odiava quando sua boca ia de encontro aos seus mamilos, por isso aprendera diversas outras formas de excitá-la naquela região, mas somente ele parecia sofrer com tanta demora para penetrá-la. A garota arfou quando o membro duro de null tocou com força em sua intimidade e o garoto pressionou sua cintura, tornando a beijá-la com vontade, agarrando seus cabelos e a guiando naquele pequeno processo.
Afastando-se em poucos centímetros, null deu um jeito de retirar sua única peça faltante e auxiliou null a fazer o mesmo, deixando suas intimidades se tocarem superficialmente antes de colocarem a proteção. null precisava logo fazer aquilo, mas antes de abrir o pacote de camisinha, ele chupou o próprio dedo e o levou até o clitóris de null, pressionando de forma leve o local que parecia inchado e prontinho para recebê-lo. Percebendo o quão ansiosa ela parecia para ser penetrada, null levou seu dedo para dentro da vagina dela e a penetrou de forma lenta, ouvindo um gemido abafado sair de sua boca e ela encostar sua cabeça em seu ombro, puxando parte da pele do garoto com os dentes, mas não o machucando. Ela precisava daquilo, precisava extravasar as emoções daquele dia e tudo o que teria que enfrentar durante a noite naquela festa e null sabia exatamente como satisfazê-la, sabia onde tocá-la e como, e a cada leve estocada de seu dedo era como se a alma de null desfalecesse para em seguida voltar ao corpo.
— Eu preciso de você. — ela sussurrou contra o ouvido do garoto e mordeu o lóbulo da orelha do mesmo, gemendo um pouco mais alto ao sentir um segundo dedo adentrando sua intimidade. — Céus, eu preciso de você, null. — sua voz saiu alguns tons mais altos.
O corpo dela já arrepiava involuntariamente e suas pernas começavam a amolecer, enquanto o garoto continuava a masturbá-la de forma lenta e completamente gostosa. Seu quadril já o ajudava de forma automática, subindo e descendo entre os dedos de null e o garoto mesmo achava que gozaria apenas de aparência-la daquela forma, completamente entregue.
— Me fala o que você quer, exatamente. — as palavras do garoto saíram de forma lenta e baixa, a voz rouca de tamanho tesão que exalava de seu corpo. — Você quer que eu te foda?
— Oh, sim. — null concordou, gemendo um pouco mais alto e fechando fortemente os olhos quando o polegar de null voltou a pressionar seu clitóris, mesmo com outros dois dedos dentro de si. — Se você não fizer isso logo eu vou gozar na sua mão, null.
A fala da garota foi como uma ordem. null abriu o pacote de camisinha, após tirar seus dedos de null, e desenrolou o objeto sobre seu pênis, auxiliando a garota pelo quadril a encaixar-se perfeitamente. null escorregou sobre o membro dele com leveza, aproveitando a forma como seu corpo reagia ao ter ele, finalmente, dentro de si. Cada vez que transava com null eram diversas sensações que ela sentia, e naquele dia null conseguia perceber seu corpo completamente entregue para aquele momento, cada poro da sua pele estava pronto para receber aquela inundação de vontades.
null deixou com que um gemido seco saísse de sua garganta, deixando null comandar aqueles movimentos de vai e vem enquanto palavras desconexas saiam de sua boca. A cada vez que suas pelves se tocavam uma eletricidade fora do comum atravessava seus corpos, os deixando mais e mais necessitados daquele contato íntimo. null fincou suas unhas curtas nos ombros do garoto e aumentou sua velocidade no movimento, fazendo questão de rebolar toda vez que chegava ao fim, para sentir todo o membro de null dentro de si.
A garota não aguentaria muito mais, seu corpo era fraco quando se tratava de sexo com null null e ainda não tinha decidido se aquilo era um ponto negativo ou positivo, mas assim que continuasse a roçar seu clitóris nele, ela gozaria sem delongas. E dito e feito, seu corpo estremeceu e suas pernas se contraíram quando sua vagina apertou o pênis duro de null dentro de si, eliminando aquele líquido de prazer e deixando seu corpo amolecer involuntariamente sobre o do garoto.
— Quer que eu pare? — ele perguntou, afastando os cabelos dela do rosto da mesma, em seguida descendo sua mão até a cintura de null e a apertando levemente.
— Não. — null respondeu baixinho, puxando um pouco de ar antes de continuar. — Quero que você chegue lá, também.
null concordou e depositou um beijo na curvatura do pescoço da garota, segurando seu quadril dos dois lados e a auxiliando a continuar nos mesmos movimentos de antes. Não estava mais se importando tanto com o seu ápice, conseguir fazer null gozar e relaxar com aquele sexo foi o que mais lhe encheu de prazer, já que na parte da manhã ela ficara amedrontada em poucos segundos e um certo desespero lhe invadiu o corpo. Ver a garota tão entregue daquela forma, mesmo que lhe causasse um pouco de medo, o deixava com grandes certezas sobre o que estava sentindo. Queria poder namorar com null, queria cuidar dela da forma que ela cuidava tão bem de todos. E, por mais que fosse cedo, nada lhe era tão importante quanto aquilo no momento.
Foi da forma mais sentimental possível que null chegou ao seu limite, deixando seu gozo preencher a camisinha e seu corpo relaxar. Por alguns segundos sentiu-se um idiota por agir daquela maneira, tão apaixonado. Mas quando constatou o sorriso leve e satisfeito que os lábios de null repuxavam, ele sentiu-se completo novamente, como nunca antes conseguiu sentir.
Ao ouvirem uma música alta começar a tocar na parte debaixo da casa, null desgrudou seus corpos e puxou null até o chuveiro, ligando a água sobre eles e deixando com que o suor anterior descesse pelo ralo junto com aquela água morna. null, com o auxílio de uma esponja, ensaboou as costas da garota ao mesmo tempo que fazia uma leve massagem ali, sabendo que em alguns minutos ela poderia receber uma nova crise sem aviso com todas as fantasias que estariam no andar debaixo.
— O que você me diria se eu te pedisse em namoro hoje, agora? — a pergunta saiu de forma automática da boca de null e ele se amaldiçoou por ser tão impulsivo.
null franziu o cenho e virou de frente para o garoto.
— Como assim? Você quer me pedir em namoro agora?
— Talvez. — null riu, passando a mão pelo rosto para retirar a água que escorria em seus olhos.
— Eu… não sei. — a garota optou por ser sincera, mesmo que com medo de magoar null. — Eu gosto da forma como nos damos bem e… você tem se tornado muito especial, mas talvez namoro…
— Você acha muito cedo?
— Um pouco. — null concordou com a cabeça e mordeu o lábio inferior, temendo a reação que ele poderia ter. — Mas eu quero continuar com você.
— Tudo bem, nós continuaremos juntos. — null respondeu, juntando seus lábios rapidamente, sentindo-se levemente frustrado, mas nada que não superasse logo.
Eles finalizaram o banho sem interrupções, null preferiu não tocar mais no assunto e deixou com que null se arrumasse no banheiro enquanto ele utilizava o quarto da mesma. Sua fantasia não era elaborada demais, mas possuía um tipo de proteção ao peito que formava uma barbatana nas costas, imitando um tubarão. Seus cabelos eram impossíveis de arrepiar como o do Taylor Lautner no filme, então deixou ele da forma que gostava e prendeu as duas proteções nos pulsos. Debaixo da proteção que cobria seu peito, ele utilizava uma camiseta da mesma cor e uma calça jeans comum. Poderiam confundir ele com um tubarão qualquer? Com certeza, mas ele era Sharkboy.
null, por sua vez, utilizava um collant rosa forte, com os detalhes parecidos com a roupa da Lavagirl em tons alaranjados. Uma pequena saia que fora improvisada era sua parte debaixo, ela era parte de uma das roupas de líder de torcida da Autumn Falls e tinha caído perfeitamente bem para a fantasia. Em seus cabelos ela prendeu alguns fios falsos na mesma cor, já que o spray não dera muito certo como ela imaginava. Não exagerou na maquiagem, Lavagirl era uma criança, não existiam motivos para sair parecendo uma boneca, então apenas calçou botinhas que alcançavam sua canela com a mesma cor rosa que todo o restante da roupa tinha.
Ao se visualizar pronta em frente ao espelho do banheiro, null sentiu um frio na barriga nada agradável lhe invadir e um arrepio percorrer por toda sua pele. Torcia para que as pessoas não fossem completas idiotas e utilizassem aquelas máscaras horríveis para se fantasiar, mas toda sua mente tentava se preparar para aquele acontecimento.
null já havia descido quando a garota saiu do banheiro e, após prender o celular na parte interna do collant, null trancou a porta do quarto e escondeu a chave no mesmo lugar do celular, respirando fundo diversas vezes enquanto descia as escadas e ouvia o som cada vez mais alto assim que ela se aproximava. O corredor que dava acesso à área externa estava cercado de pessoas fantasiadas e no caminho de null até a cozinha, por algum milagre ou intervenção divina, nenhuma fantasia parecia terrivelmente assustadora.
— null, oi! — a voz animada de Luke a fez sair de um transe que ela nem havia percebido ter entrado.
null virou o rosto para o ex e percebeu que o mesmo estava vestido de policial, nada mais clichê para o garoto.
— Hey, Luke. Como vai? — a garota sorriu, cumprimentando Peterson com dois beijos na bochecha.
— Estou bem, mas e você? Tudo certo? — o tom de preocupação entornou a voz de Luke e null apenas conseguiu baixar o olhar, concordando levemente com a cabeça. — Vem, vamos pegar uma bebida.
Luke segurou em uma das mãos da garota e a guiou em direção a cozinha, prestando atenção no caminho que faziam para não darem de cara com nenhuma máscara indesejada. Ao chegarem no ambiente, Luke seguiu até o balcão e preparou dois copos de bebida para ele e null. A garota, por sua vez, foi até a mesa onde diversos aperitivos estavam e comeu uma tortinha de abóbora, seu estômago permanecia vazio desde o almoço e se não comesse qualquer coisa ficaria bêbada em questão de segundos. E era impossível negar um doce feito por Tereza.
Luke voltou para perto da ex e a entregou o copo com um líquido vermelho sangue, bebendo do próprio enquanto null experimentava mais um dos doces feito por Tereza, para em seguida experimentar aquela bebida esquisita.
— Garota, aí está você! — a voz de Violet sobressaiu qualquer coisa que Peterson tentou falar com null e logo a imagem pequena da garota surgiu em meio aos dois. — Você não tem dedinhos para responder as mensagens que sua melhor amiga manda, não?
— Desculpa, Vi, dormi a tarde inteira. — null respondeu de forma culpada, abraçando a amiga que estava fantasiada de chapeuzinho vermelho, perfeito para ela.
— Sei. — Violet a olhou desconfiada e bebericou um gole da bebida que estava em seu copo. — Você vai comer mais? Quero dançar!
— E está me intimando para isso? — null riu e observou Luke um pouco desconfortável. — Por quê você não vai e eu te encontro lá em alguns minutos?
— ‘Tá bom. — Violet respondeu contrariada, fazendo uma careta na direção de Luke e saindo de forma devagar, apenas para provocar ambos.
— Sua amiga já não é mais tão minha fã assim. — o garoto brincou, encostando o corpo na parede próxima a ele. — Na verdade acho que ninguém é mais a favor de nós como casal.
— E você sabe bem o motivo, Luke. — null riu, cruzando os braços em frente ao corpo e olhando diretamente nos olhos do garoto. — Mas agradeço por se preocupar comigo nesse dia.
— É o mínimo que posso fazer. — o quarterback deu de ombros e se aproximou apenas para depositar um beijo singelo sobre a testa de null. — Tenta se divertir e qualquer coisa pode gritar por mim, Lavagirl.
— Sim, Senhor policial. — ela concordou, rindo e se afastou sem delongas, segurando seu copo praticamente cheio.
Seria fácil encontrar Violet, levando em consideração sua fantasia curta e chamativa e a forma que ela dançava desengonçada quando começava a ficar bêbada. Entretanto, mesmo fazendo sua mente divagar pela música eletrônica que tocava, null não conseguia desviar o olhar das diversas fantasias que tinham ali, temendo encontrar uma em especial, mesmo que as chances fossem mínimas. Ela ficou na ponta dos pés alguns segundos, tentando enxergar sua melhor amiga no meio daquele amontoado de gente que lotava sua casa a cada minuto que passava.
— Lavagirl. — null chamou a garota e parou bem em frente da mesma, depositando um selinho sobre seus lábios.
— Oi, olha você aí. — null sorriu, selando seus lábios mais uma vez. — Por acaso, chegou a ver Violet perdida em algum lugar?
— Sim, ela estava se preparando para ser a dupla de Gavin no beer pong. Quer fazer dupla comigo e destruir o futuro casal? — Sharkboy lhe ofereceu um dos braços e sorriu maliciosamente para a garota.
— Ninguém será páreo para nós, Sharkboy. — null respondeu, enganchando seu braço no de null e o seguindo até a área externa da casa.
A movimentação de adolescentes parecia ainda maior próximo a piscina e null conseguiu enxergar sua melhor amiga ditando algumas regras para poderem começar o jogo. Ela só conseguia rir da expressão que Violet exibia, a garota não era capaz nem de matar uma mosca, quem dirá mandar naqueles grandalhões do time de futebol da escola.
— Pode parar por aí, bonitinha, null e eu vamos jogar contra vocês. — a garota declarou, parando em uma das pontas da mesa, a qual já estava pronta para o jogo com copos cheios de cervejas.
— Pequena null? Vou adorar acabar com vocês. — Gavin respondeu de forma arteira, como uma criança prestes a roubar seu pirulito.
null foi a primeira a pegar a bolinha de ping pong e atirar contra um dos copos de Violet e Gavin. Sua primeira mira não foi das melhores e a bolinha apenas bateu na borda de um copo, saindo para fora da mesa. Violet foi a próxima e acertou em cheio o primeiro copo da pilha. Os jogadores do time e os outros convidados que estavam ao redor uivaram de felicidade quando null precisou virar o copo de cerveja.
null foi o próximo, e assim como Violet, acertou um dos copos da dupla, fazendo Gavin entornar o seu primeiro. E o jogo seguiu daquela forma por vários minutos, diversas bolinhas acabaram parando na piscina e um dos garotos do time, o qual já estava bêbado o suficiente, era o responsável por buscá-las, aproveitando para se molhar e chamar a atenção das garotas. Os últimos dois copos ficaram sob a responsabilidade de Violet e null, sendo esta última a primeira a precisar jogar a bolinha.
— Amor, você precisa mirar bem e acabar com eles. — null sussurrou contra o ouvido da garota, depositando um beijo próximo ao lóbulo dela, sorrindo quando a pele exposta se arrepiou inteiramente.
null preferiu não comentar sobre a primeira vez que null a chamava de amor, mas uma enorme onda de excitação ultrapassou seu corpo e ela acreditava que era culpa de todos os copos de cerveja que tomara naquela brincadeira. Com os olhos cerrados, null mirou ao centro da mesa, fazendo um cálculo totalmente desnecessário na sua cabeça, mas que em seu interior parecia fazer total sentido, atirando o objeto com precisão.
A cena pareceu seguir em câmera lenta para todos os espectadores apreensivos para o final daquela partida. A bolinha quicou no centro da mesa e seguiu na direção perfeita da boca do copo vermelho, acertando o líquido amarelo em cheio. null segurou a garota no colo e a girou, enquanto comemoravam a vitória daquele jogo nada produtivo. Os convidados urravam e batiam na mesa para que Violet virasse o último copo de uma vez só e a garota assim o fez, deixando com que aquela leveza do álcool a preenchesse completamente.
null grudou seus lábios nos de null e aprofundou o beijo sem demoras, aproveitando que seu corpo ainda era segurado por ele. Mais gritos ainda foram ouvidos dos convidados e null chegou a conclusão de que todos já estavam incrivelmente bêbados àquela altura. Quando null colocou o corpo da garota no chão, null sorriu e desviou o olhar para a porta dupla que dava acesso a entrada da casa. Seu coração pareceu travar dentro do peito e sua pressão baixou de forma brusca, tonteando sua mente e a fazendo pressionar o braço de null fortemente.
— O que houve? — ele questionou, percebendo como o corpo dela adquirira uma fraqueza rapidamente e suas pernas pareciam tremer. — null?
Gavin percebeu a forma que a garota reagia e olhou exatamente no ponto em que ela vacilara. A porta dupla de acesso ao lado externo. Um garoto magro utilizava uma máscara do Jason de Sexta-feira 13 e o álcool fez o efeito reverso em seu corpo, deixando a raiva extravasar por seus poros.
— Qual o seu problema, cara? — ele perguntou, andando em passos largos até o garoto, deixando com que null ficasse ao lado de null. — Se você foi oficialmente convidado para essa festa, conhece bem as especificações. Nada de máscaras.
Violet seguiu Gavin e segurou em seu braço, chamando atenção do garoto para que ele não agisse de maneira descontrolada. A música parecia até mais baixa naquele momento. Gavin tinha os braços cruzados sobre o peito, o qual permanecia estufado, e sua fantasia de lobo mau parecia realmente assustadora naquele momento.
— Anda, tira essa porcaria antes que eu arranque. — Tanner ordenou, levando seu corpo para mais perto do garoto.
null foi obrigada a sentar-se sobre a espreguiçadeira e, com a ajuda de null, desviou sua atenção do pequeno caos que Gavin criava com o recém chegado. Recebeu um copo lotado de água com açúcar, mas aquilo só a preencheu de enjoo, afinal toda vez que levantava os olhos aquele garoto ainda permanecia impassível e com a máscara sobre o rosto, como se provocasse null pessoalmente.
— Você ouviu o Tanner, garoto, tira essa máscara. — Luke ao ouvir a movimentação foi conferir o que estava havendo e, mesmo que seu coração estivesse acelerado ao extremo por reconhecer aquele garoto, ele parou de frente para ele da mesma forma que Gavin.
— Para você eu tiro, Peterson. — a voz esganiçada do garoto fez com que Luke desse alguns passos para trás, reconhecendo a pessoa antes mesmo daquela máscara sair do seu rosto.
— Você não é bem vindo aqui, Spencer. — Gavin foi duro, sentindo todas as suas veias saltarem ao reparar na cara doentia que aquele garoto possuía.
— Spencer? — null perguntou baixinho para null, engolindo em seco e tentando controlar todo seu corpo a parar de tremer daquela forma absurda.
— Ele alguma vez te machucou, null? — null perguntou de forma preocupada, assustando-se como ela reagia ao olhar para o garoto. — Foi por isso que Spencer saiu da escola?
— ATENÇÃO a descrição a seguir pode conter gatilho.
null olhou diretamente nos olhos de null e deixou que sua mente divagasse até o dia 31 de outubro de 2016. Ela estava atrasada para o seu primeiro treino no grupo de líderes de torcida da escola e foi quando Spencer a parou no corredor, puxando uma conversa estranha sobre como ela era uma das garotas mais bonitas que já tinha entrado na Autumn Falls e a encurralou e uma forma esquisita na parede. null tentou ser gentil, pedir para que ele saísse, mas Spencer tentou beijá-la a força de diversas formas.
Luke também estava atrasado no dia e foi quem acompanhou a cena horrorosa que Spencer tentava protagonizar com a garota. Ele apenas puxou o garoto magrelo da frente de null e mandou-o sair. Nada mais. Porém naquela noite, Luke organizou uma travessura típica de halloween para o garoto, com a ajuda de alguns amigos e a própria null. Eles prepararam o chalé da família de Luke na estrada principal que dava acesso a Destin e anunciaram uma festa falsa. Todos deveriam ir fantasiados. Quando Spencer chegou ao local, a casa estava vazia e nenhum barulho era capaz de ser ouvido. Um dos amigos de Luke saiu do meio de algumas árvores usando uma máscara assustadora e correu atrás do garoto pela mata, levando-o até uma clareira onde todos os outros o esperavam com máscaras parecidas.
Spencer estava com muito medo, suas pernas tremiam e null conseguia sentir que aquilo já estava indo longe demais, mas deixou com que Luke o assustasse mais um pouco, já que toda vez que se lembrava da manhã daquele dia seu corpo inteiro se arrepiava de asco. A brincadeira passou um pouco do limite quando os amigos de Luke se empolgaram e bateram de verdade em Spencer, o deixando desacordado no meio da mata. Acreditaram que o garoto estava morto, então foram embora, desesperados, prometendo que aquela história permaneceria entre eles até que alguém encontrasse Spencer.
No dia seguinte, o garoto reportou às autoridades que algo acontecera com ele na noite de halloween e os adolescentes permaneceram em silêncio. Ninguém falou nada, ninguém ligou para o outro e muito menos avisou aos policiais. Mas null não aguentou ir para Autumn Falls e dar de cara com Spencer todos os dias. Ela foi a primeira a contatar o xerife e explicar o que acontecera, detalhe por detalhe, temendo as consequências que aquilo traria para sua vida. Não sabia explicar se felizmente ou infelizmente seu sobrenome era de grande importância dentro de Destin e o xerife nada fez para a garota, apenas passou algumas atividades comunitárias e prometeu que ficaria de olho em Spencer caso ele tentasse abusá-la de novo.
Ele não tentou, saiu da escola sobre ameaças horríveis de Luke e até então nunca mais tinha aparecido para atormentar. null adquirira uma forte crise de ansiedade com aquela data, com tudo o que ela representava e a forma que agiram com o garoto. Sabia que ele merecia uma punição por tentar abusá-la, mas não conseguia sentir ódio no coração para fazer qualquer outra coisa contra ele, apenas queria não vê-lo mais. E, naquele momento, encarar aqueles olhos escuros de Spencer parecia revirar seu estômago em um nível sobrenatural, como se ela pudesse sentir as mãos magras dele lhe agarrando os braços e a empurrando contra a parede gelada. null nunca processou o que aconteceu de verdade naquele dia, nunca entendeu porque seu corpo pareceu tão fraco em um momento de desespero e nem um chute no saco dele ela conseguiu dar.
— Ele tentou me beijar a força no corredor do ginásio. — a garota respondeu depois de longos segundos em silêncio, fitando Spencer fixamente. — No halloween de 2016.
null sentiu um choque tocar seu peito e precisou fechar os olhos fortemente, puxando a respiração de maneira controlada, para não sair correndo dali e acabar com a vida daquele garoto. Ele sabia que parte das reações de null naquele dia tinham um motivo fundado, que o desespero que a garota sentiu ao ver a máscara e ao ser encurralada no banco no estacionamento do shopping não era drama. Só não sabia que a verdade o machucaria tanto.
— O que está acontecendo aqui? — Elliot, que até então estava sumido, perguntou para null, voltando a ligar a música e deixando com que Luke e Gavin conversassem com aquele garoto.
null arregalou os olhos na direção de null e o mesmo entendeu depressa.
— Nada demais, Gavin só foi pedir para ele tirar a máscara, sabe, especificações da festa. — null respondeu, sentando-se ao lado de null na espreguiçadeira. — Você quer ir para outro lugar? — ele perguntou baixinho, ignorando Elliot.
— Por favor. — a garota concordou, aceitando de bom grado a mão que ele lhe oferecia e se levantando rapidamente.
null não ousou caminhar para dentro da casa, aproveitou que sua chave do carro estava em seu bolso e deu a volta pelo jardim para chegar até a garagem que sua Mercedes estava. E assim que o carro já estava na rua, o garoto dirigiu sem rumo. Deixou com que null sentisse conforto em falar mais alguma coisa ou então pudesse alinhar seus pensamentos sem ter que encarar Spencer e sua belíssima cara de pau em aparecer naquela festa, justamente na casa dos null.
— Podemos ir até a praia? — null perguntou, constatando a iluminação do calçadão bem próxima a eles.
— Com certeza. — null concordou, adentrando a rua que dava acesso a via principal da cidade de Destin, um dos lugares mais movimentados que possuía no local.
null estacionou o carro na primeira vaga que encontrou, tendo certeza que a quantidade de pais que ali estavam para recolher doces logo aumentaria. A noite ainda estava no começo, mas para ele poderia acabar sem delongas.
— Sinto muito por não ter contado antes. — null pronunciou, deixando uma lágrima escapar de seus olhos. — Eu… nada nunca aconteceu com a gente por termos pregado uma peça em Spencer.
— Vocês pregaram uma peça nele? — null questionou, virando-se no banco para poder encarar melhor a garota.
— Sim. No mesmo dia. — ela fungou baixinho e respirou fundo antes de continuar. — Luke viu ele tentando me beijar e o tirou de cima de mim. Durante a noite inventamos uma festa no chalé dos pais dele e convidamos Spencer. Fizemos ele correr desesperado pela mata para encontrar-nos com máscaras horríveis. Luke e os garotos bateram nele, mas ele desmaiou. — fechando os olhos e mordendo os lábios, null tentou novamente puxar o ar para seu pulmão. — Deixamos ele desacordado no meio da mata.
— Pumpkin, eu sei que, muito provavelmente, você se culpa por terem feito isso com ele. — null puxou uma das mãos dela para o seu colo e acariciou a pele da mesma. — Mas ele está vivo. E aprendeu a lição. Assim como vocês. E, bom… quanto ao fato de ter feito aquilo com você, foi algo horrível. Não se culpe por uma coisa que não estava no seu controle.
— Não precisamos ter brincado de forma tão séria. — ela respondeu chateada, pressionando seus dedos na mão de null.
— Não, realmente. Mas ele também não deveria ter tentando abusar de você. Luke agiu de modo protetivo. Olha, vamos fazer um trato. — a voz dele saiu um pouco mais animada do que deveria ser, mas precisava que null aceitasse ajuda. — A escola possui uma ótima terapeuta e…
— Eu já tentei ir a psicóloga, null.
— Me deixa terminar de falar, apressada. — o garoto cutucou a cintura de null e recebeu um risinho baixo de volta. — Nós podemos procurar uma terapeuta que combine com seu modo de falar ou que te ajude a falar. E eu prometo que vou tentar me dar bem com o Luke e fazer você gostar de filmes de terror.
— Não achei uma proposta muito produtiva para mim. — ela novamente riu, tendo certeza que seu corpo já reagia à null e seu coração estava mais tranquilo.
— Podemos pensar em algo que satisfaça você então. Alguma sugestão? — o modo que ele falava a deixava cada vez mais confortável em conversar. null parecia capaz de curar aquela ferida antiga.
— Posso pensar em algo legal. — null garantiu, levando seus olhos até o de null. — Obrigada por me trazer aqui.
— Se você soubesse, pumpkin. — null suspirou de forma exagerada e a garota o olhou, curiosa. — Você pode me pedir para buscar uma estrela no céu agora mesmo que vou me esforçar o máximo para trazê-la.
null sentiu seu coração palpitar bruscamente contra sua caixa torácica e sua respiração falhou por poucos segundos. A única reação possível que ela poderia ter fez ela agir e sentar-se sobre o colo do garoto, o beijando apaixonadamente. Saber que ele reagia tão bem com todos os seus problemas só lhe dava mais certeza de que estava no caminho certo, seja qual for a estrada escolhida.
Estar ao lado de uma pessoa ansiosa é quase como viver num filme de suspense. Você nunca sabe o que está por vir e nem qual vai ser o próximo passo. Porém null era um cinéfilo assíduo de suspenses e null já era sua musa principal, com todos os defeitos e todas as qualidades. Se null pudesse, mudaria os halloween’s dela para todo o sempre. E tentaria fazer isso.
Uma batida no vidro da Mercedes chamou a atenção do jovem casal e assim que ambos olharam, null fincou as unhas nos ombros largos de null, deixando um grito agudo ecoar de sua garganta.