Redemption

Última atualização: 18/09/2018

Capítulo 1

Em tempos atuais...

– Até que enfim, liberdade! - Lana quase gritou saltando para fora do carro e encarando o enorme prédio a nossa frente. Não consigo conter a empolgação e animados ao seu encontro.
Eu realmente não podia estar mais feliz, depois de vinte e um longos anos, agora eu tenho a minha própria casa, ou no nosso caso apartamento, mas isso não diminui nossa felicidade.
– Depois de tantos anos vivendo sobre as regras dos nossos pais... - faço uma pausa e passo um braço por cima do ombro de Lana, que me olha animada.
– ...agora criamos as nossas próprias regras! - ela completa minha frase e dá ênfase para deixar claro que agora as coisas seriam do nosso jeito.
Dou outra olhada para o enorme prédio antigo à minha frente. Era realmente grande, haviam trinta andares nele, e bom, ficamos com o trigésimo já que Lana ficou choramingando no meu ouvido que queria ficar no ponto mais alto onde poderíamos ter a vista perfeita da cidade de Hazelwood. Para mim o andar não era tão importante, eu só queria mesmo ter o meu espaço, o espaço que eu poderia dizer que era meu e que paguei por ele, por isso ficar no trigésimo andar não seria um problema para mim.
Acabamos achando Hazelwood na internet quando procurávamos alguns apartamentos, Lana e meus pais insistiram especialmente para que nos mudássemos para cá. Foi até engraçado quando começamos a pesquisar sobre a cidade, acho que foi o fato de dizerem que ela era assombrada e que continha um passado escuro, eu gosto desse tipo de coisa.
O barulho de algo metálico sendo arrastado me fez sair dos meus pensamentos. Acabo olhando por cima dos meus ombros e vendo que o caminhão da mudança havia chegado pouco tempo depois de nós, e os encarregados em nos ajudar já haviam começado a descarregar as inúmeras caixas de papelão pela calçada.
– Agora chega de sonhar e vamos ao trabalho. - Lana diz ao meu lado, e a olho, vendo que ainda mantinha a empolgação em seu semblante. Depois desvio meu olhar por um segundo de minha amiga, para aquela montanha de caixas. Se fosse em outra ocasião eu certamente reclamaria, mas não hoje. Hoje eu estaria feliz por apenas carregar caixas.
Fomos até a calçada e pegamos algumas caixas, para em seguida caminharmos para o edifício Hazelhills. Passamos pela portaria, onde havia um simpático porteiro que nos ofereceu ajuda, e acabamos aceitando já que iríamos levar um bom tempo até conseguirmos acabar com tudo isso.

***

Quase uma hora depois eu praticamente não sentia mais minhas pernas, minha respiração já estava ofegante, meus braços estavam doendo e eu estava completamente suada e grudenta. Acabei prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo para tentar amenizar o calor que eu sentia, e como haviam muitas pessoas ajudando nem sempre deu para pegar o elevador. Subir vários lances de escadas acaba com qualquer pessoa, mas felizmente já estávamos no final. Os encarregados da mudança já haviam ido embora, e porteiro simpático já havia voltado para o seu posto, agora restava apenas duas caixas, uma que estava comigo e a outra com Lana.
– Graças a Deus, nós acabamos! Não aguentava mais! - a loira ao meu lado resmunga, enquanto esperávamos o elevador parar no nosso andar.
– Sim, minhas pernas estão queimando. - falo e dou uma olhada no espelho do elevador, fazendo uma careta ao notar o meu estado. Meu cabelo estava todo bagunçado com alguns fios do meu rabo de cavalo grudando em torno do meu pescoço, minha regata branca estava um pouco suja, e a única coisa que se manteve no lugar foram os meus shorts e minhas botas de cano curto. Lana não estava muito diferente de mim.
Solto um suspiro de alívio assim que vejo a porta do elevador se abrir, olho para o fundo do corredor vendo duas senhoras já de idade espreitando sobre suas portas, elas estavam nos observando desde que começamos a subir as caixas. Só espero que não sejam aquele tipo de senhoras fofoqueiras.
Ignorando os olhares delas continuamos nossa caminhada até a nossa porta, parando em frente ao número 218. Empurro a porta com o pé e finalmente entramos, colocando as últimas duas caixas no chão da sala e nos jogando no sofá logo em seguida.
– Eu estou morta. - Lana suspira ao meu lado – E com fome. - olho para o lado a vendo fazer uma careta.
– Vamos tomar um banho e depois pedimos alguma coisa. - me levanto já pronta para ir ao meu quarto – Amanhã arrumamos essa bagunça. - falo e ela apenas assente.
Quando estávamos quase fazendo o caminho para nossos quartos a campainha toca, me fazendo olhar confusa para Lana que dá os ombros. Caminho até a porta e a abro vendo as duas senhoras que nos vigiavam a pouco, elas tinham em mãos algum tipo bolo e algo que eu julgava ser chá ou café em uma grande garrafa térmica.
– Boa tarde, querida! - a mais baixinha e com os cabelos curtos me saudou.
– Hm, boa tarde. - respondo com meu cenho franzido.
– Nós apenas queremos dar as boas-vindas. - a outra senhora, essa com os cabelos até os ombros, mas igualmente brancos disse - Trouxemos bolo e chá. - ela dá um sorriso simpático, confirmando a minha teoria sobre o chá.
– Oh, claro, entrem! - dou espaço para que elas entrassem. Lana me olhou e franziu o cenho, e eu apenas dei de ombros - Por favor, não reparem na bagunça, ainda não tivemos tempo de arrumar. - falo e continuo encarando Lana sem saber o que fazer, a mesma logo entra em modo automático e dá um sorriso forçado para as senhoras.
– Imagina, querida, está ótimo. - a mais baixinha diz calmamente.
Talvez elas não sejam de todo mal.
– Eu sou e essa é Alana. - aponto para minha amiga que logo se juntou a mim.
– São muito bonitas. - a senhora de cabelo curto nos elogia e sorri - Sou Margaret e essa é minha vizinha Margot. - ela faz um pequeno gesto para a que estava ao seu lado.
– Prazer em conhecê-las. - dou um sorriso um pouco mais relaxado - Vamos até a mesa então? - indico a cozinha.
– Claro. - Margot responde, e por fim caminhamos até a cozinha.
As senhoras ajeitaram as coisas sobre a mesa, e depois disso ficamos uns bons minutos apenas jogando conversa fora, e cheguei à conclusão de que talvez elas poderiam ser boas vizinhas no fim das contas.
Descobrimos que Margaret se mudou para cá dois anos depois da inauguração do edifício, e que Margot veio no ano seguinte, sendo sua vizinha e se tornando uma amiga de longa data. Elas eram umas figuras, com seus cabelos brancos, sorrisos acolhedores e seus doces maravilhosos, já que esse bolo de chocolate que trouxeram estava ótimo. Lana e eu quase o comemos todo, mas as duas senhoras não pareciam se incomodar com isso.
– O que duas jovens moças como vocês vieram fazer aqui em Hazelwood? - Margaret pergunta ajeitando suas mãos enrugas sobre a mesa.
– Estávamos procurando algum apartamento e acabamos gostando desse aqui. – Lana responde, enquanto colocava um último pedaço de bolo na boca.
– São de Londres, certo? - agora foi a vez de Margot perguntar, e apenas assentimos em resposta – Hazelwood não é lugar para duas jovens como vocês. - franzo o cenho com sua fala, e troco um olhar confuso com Lana.
– Por quê? - pergunto curiosa.
– Nunca ouviram as histórias sobre essa cidade e o sanatório Waverly Hills? - eu podia identificar a tensão na fala de Margot.
– Já ouvimos alguns boatos sobre a cidade, mas nada relacionado a esse tal sanatório. - encaro bem as senhoras a minha frente. Eu já podia sentir a curiosidade tomando conta de mim.
– Bom, tudo que vocês já ouviram sobre a cidade provavelmente é verdade. - Margaret começa a dizer, e quase faço uma careta de deboche, mas me controlo.
Até parece que essa cidade era assombrada por criaturas ruins. Eu apenas gostei da história que eles venderam sobre o lugar, mas isso não significa que, de fato, eu acredite nela.
– E sobre o sanatório Waverly Hills... dá para vê-lo daqui, ele fica em cima de uma alta colina dentro da floresta. Foi abandonado há muitos anos atrás, e dizem que coisas horrorosas aconteceram lá antes do sanatório fechar e hoje ninguém se atreve a colocar os pés lá, já que quem vai lá não sai vivo. - minha primeira reação ao ouvir isso seria rir, mas, mais uma vez eu me contive. Essas senhoras já deveriam estar caducando.
Olhei para o lado encontrando uma Lana totalmente estática e com os olhos arregalados. Eu não creio que ela acreditou nessa baboseira toda.
– Chega! Não diga mais nada, Margaret. Você não deveria nem ter contado essas coisas para elas, as duas mal chegaram e já vão querer ir embora. - Margot repreende séria, se levantando em seguida – Temos que ir agora. Meninas, obrigada pela adorável tarde, se precisarem de alguma coisa é só falar conosco. - assinto, vendo as duas saírem apresadas e tensas da cozinha, me deixando sem entender nada. Até pensei em ir levá-las até a porta, mas não me deram oportunidade.
– "Já que quem vai lá não sai vivo." - imito a fala de Margaret, soltando uma gargalhada alta.
– Isso não tem graça, . - Lana me repreende com uma carranca séria.
– Claro que tem Lana, isso não passa de uma história para assustar crianças, e para atrair pessoas para esse lugar. Você sabe, vender uma boa história atrai grandes lucros. - me levanto calmamente – Agora vamos tomar um banho. - falo, me virando e indo até a saída da cozinha, mas paro no meio do caminho e olho sobre meu ombros. – E cuidado para as assombrações não te pegarem no banho. - finalizo minha fala para Lana, saindo da cozinha ainda gargalhando.
Era só o que me faltava. Eu já passei dessa fase de acreditar em monstros e em fantasmas, mas essas duas senhoras ainda pareciam acreditar.
Balanço a cabeça negativamente enquanto entrava no meu quarto, procuro meu pijama e produtos de higiene dentro das inúmeras caixas espalhadas pelo chão do quarto, e quando finalmente acho tudo que preciso, coloco meu pijama sobre a cama e vou até o banheiro.
Começo a tirar minhas roupas deixando-as sobre a tampa do vaso, para em seguida ir até o boxe e ligar o registro, deixando que a água quente escorresse sobre a minha pele e relaxasse meu corpo por um momento. Fecho os olhos apenas aproveitando a maravilhosa sensação da água quente contra o meu corpo; pego o shampoo que trouxe comigo, colocando uma quantidade significativa na mão e levando até a cabeça, lavando meus cabelos enquanto sentia o aroma doce de ervas.
Depois que lavo meu cabelo e corpo, desligo o registro e me enrolando em uma toalha. Saio do banheiro indo para o meu quarto, seco meu corpo e passo algum creme nele e por fim visto meu pijama. Jogo meus cabelos para frente e começo a secá-lo com a toalha, até escutar a porta do meu quarto ser aberta.
– Vou pedir uma pizza, certo?! - Lana perguntou da porta, já com um telefone em mãos. Ela também estava de pijama e com os cabelos molhados.
– Ok, só vou ajeitar meu cabelo. - ela assente, fechando a porta em seguida.
Pego minha escova de cabelo e começo a desembaraçar os fios emaranhados. Depois que termino dou uma rápida ajeitada nas coisas e saio do quarto. Dou uma breve olhada para o corredor, e nele havia quatro portas; uma do meu quarto, a outra do quarto de Lana, a do quarto de hóspedes e a do banheiro extra e ao fundo do corredor havia uma parede totalmente de madeira dando um destaque.
Fecho a porta atrás de mim e vou até a sala, vendo Lana fazendo o nosso pedido, e por isso acabo por me sentar no sofá.
– Daqui dez minutos eles entregam. - ela anuncia e se senta ao meu lado.
– Ok, eu posso esperar dez minutos. - falo pegando o controle e ligando a televisão.
A nossa sorte era que já tínhamos montado as coisas grandes, apenas faltava organizar as roupas, utensílios de cozinha e esse tipo de coisa fácil.
Coloquei em um canal qualquer apenas para deixar o tempo passar até que a pizza chegasse.

***

– Eles estão atrasados. - Lana resmungou pela milésima vez ao meu lado.
– Quanto tempo já se passou? - suspiro, também já cansada pela demora.
– Trinta minutos. - ela diz se levanta indo até a janela.
– Vamos esperar mais um pouco. - falo, me juntando a ela na janela.
Lana realmente fez uma bela escolha, daqui de cima dava para ver quase a cidade toda. Era uma visão muito bonita.
– Olha só aquilo, ! - ela diz enquanto apontando para floresta da cidade.
Abro mais a janela avistando entre as árvores e em cima de uma alta colina, uma enorme e antiga construção, o sanatório Waverly Hills. Até parecia aquelas coisas de filme de terror, ele ficava um pouco afastado da civilização, não havia nada o iluminando e a única coisa que o fazia companhia, eram as inúmeras árvores.
– Esse negócio me assusta. - Lana fala ao meu lado.
– Deixa de ser besta, você não ouviu Margaret dizendo que está abandonado há anos?! - volto para o sofá procurando pelo telefone, pronta para ligar para pizzaria.
, a Margaret não disse que ele estava abandonado há anos? - Lana pergunta com uma voz estranha.
– Sim. Eu acabei de falar isso. - respondo sem interesse enquanto começo a digitar os números da pizzaria, que estava anotado em um pequeno caderninho jogado sobre o sofá.
– Então por que as luzes se acenderam? - sua voz se torna ainda mais estranha, me fazendo parar de digitar os números para olhá-la. A mesma tinha os olhos arregalados, e segurava com força as cortinas.
– O quê? Do que você está falando? - me levanto e vou até a janela de novo.
Procuro pelo sanatório vendo que realmente todas as luzes estavam acessas em questão de segundos, me fazendo pensar que se ele estava abandonado há anos, por que estava com as luzes acessas?
Aquilo só fez uma enorme curiosidade despertar em mim. Eu sempre fui do tipo de garota que prefere um bom terror ao romance. Não que eu não gostasse de romances, eu até gosto, só que prefiro terror. Esse tipo de coisa sempre foi mais atrativo para mim e foram poucas as vezes que essas coisas me deixaram com medo. Eu tenho um pé na realidade, vivo em um mundo onde não existe monstros, fantasmas ou qualquer outro tipo de coisa que desafiasse a lógica humana.
– Eu não sei, quer ir lá investigar? - pergunto, vendo Lana saltar para trás.
– O quê?! Está louca?! Claro que não! - sabia que ela ficaria histérica, eu estava apenas brincando. Não iria lá mesmo que o meu lado curioso morresse de vontade de saber por que as luzes de um antigo sanatório abandonado estavam acesas.
Quando eu penso em provocar mais Lana o interfone toca, era o porteiro avisando que a nossa pizza havia chegado.
– A pizza chegou, vamos! - anunciei, voltando para sala. Lana me olha meio incerta me fazendo revirar os olhos – Vem logo. - falo sem paciência, e enfim saímos, indo até o elevador.
Não demora muito para que chegássemos na portaria. Pagamos pela pizza e o refrigerante, e quando estava pronta para voltar, olho além do portão do edifício, vendo a rua totalmente deserta e coberta por uma camada de neblina. Era sinistro, mas nada que fosse anormal.
Fizemos o mesmo caminho de volta, e quando o elevador abriu no nosso andar, começamos a caminhar pelo corredor novamente.
, você ouviu isso? - Lana pergunta, e paro de andar para olhá-la que mais uma vez estava com medo.
– Ouviu o que, Alana? - reviro os olhos. Eu já estava começando a me irritar com isso.
– Esse barulho de passos atrás da gente. - ela responde e olho em volta não vendo nada.
– Não tem ninguém aqui, Lana, estamos sozinhas. - falo e volto a caminhar.
– Por isso mesmo, estamos sozinhas. Então de quem eram os passos? - ela me olha assustada.
– Deve ser do fantasma da cidade. - respondo sem paciência.
Ela já está ficando paranoica com isso.

***

Comemos quase a pizza toda e agora estávamos mais do que satisfeitas. Amanhã teríamos que ir ao mercado, já que eu não queria comer porcarias todos os dias.
– É melhor irmos dormir agora. Amanhã temos que ir ao mercado e procurar por algum emprego, afinal, as contas não se pagam sozinhas. - falo, pegando os pratos e copos e os levando até a cozinha – Mas se tivermos sorte, talvez o fantasma as pague para nós. - debocho, ouvindo Lana bufar atrás de mim.
– Você devia parar de brincar com essas coisas. - me viro encontrando uma Lana séria e de braços cruzados.
– E você deveria parar de acreditar em historinhas para crianças. Isso não existe, Lana. - também a encaro séria – Vamos dormir logo. - dou as costas para minha amiga e vou caminhando em passos calmos até meu quarto.
Nos despedimos e cada uma foi para o seu quarto. Quando adentro o novo cômodo, vou até o banheiro para poder escovar meus dentes e fazer o resto de minhas higienes. Quando termino volto para o quarto, arrumando minha cama e deitando nela.
– Boa noite, Sr. fantasma. - falo debochadamente, antes de deitar minha cabeça no travesseiro e cair em um sono profundo e tranquilo.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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