Última atualização: 05/12/2017

Prólogo

Água.
Água gelada.
Água gelada, descendo pela sua garganta e curando essa sede insaciável da qual ele não sabia da onde tinha vindo. tentou esticar a mão, porém havia um peso sobre a mesma, mexeu um pouco a mesma para perceber que se tratava de uma pessoa. A cabeça de uma pessoa. De repente não tinha mais peso nenhum e ele conseguiu se mexer, a primeira coisa que fez foi esticar o braço para o lado a fim de pegar o copo que sempre deixava ao lado da sua cama, porém ele não estava lá. achou esquisito e decidiu que já não estava em casa, ou muito menos em sua cama, e de alguma maneira ele precisava descobrir o que estava acontecendo. tentou abrir os olhos de uma vez, mas a claridade o incomodou como nunca antes, será que tinha bebido na noite anterior e não lembrava o que tinha acontecido? Será que ele tinha acabado de acordar na cama de algum desconhecido com a pior ressaca do mundo?
Quando conseguiu abrir os olhos, a primeira coisa que ele viu foi uma mulher, vestida de enfermeira, que tinha a mão na boca e os olhos vermelhos. Ela é linda, foi a primeira que ele pensou. Depois olhou ao seu redor e percebeu que estava no quarto que sua família tinha no principal hospital da metrópole que ele morava.
- Água. – ele disse e a enfermeira que estava chorando pegou um copo d'água e o ajudou a beber.
- Você quer mais? – ela perguntou, e olhou para ela dando uma boa olhada naquela garota que mais parecia um anjo. Se de longe ela era linda, de perto ela era mais ainda. Seus olhos estavam vermelhos, como se estivesse chorando por longos períodos de tempo e suas mãos estavam tremendo. só conseguiu assentir, não sabia por que, mas essa garota tinha feito com que ele perdesse a linha de raciocínio, perdesse as palavras. A garota colocou mais água e o ajudou a beber. – Melhor?
- Sim, obrigado, enfermeira. – ele respondeu enquanto ela se afastava da sua cama. Ela o olhou confusa fazendo pensar que tinha feito algo de errado.
- Enfermeira? – ela perguntou, olhando pra ele com lágrimas nos olhos. – Você acha que eu sou sua enfermeira? Só isso?
- E não é? Você é médica? – ela abaixou a cabeça e murmurou algo que ele não pôde escutar. Uma outra enfermeira entrou no quarto e quando virou a cabeça em sua direção, ela quase derrubou o que estava segurando. Ela olhou para a outra enfermeira que já estava no quarto e estava de cabeça baixa.
- Não. – ela levantou a cabeça – Eu não sou ninguém, apenas uma enfermeira. – a garota olhou para outra enfermeira, limpando o seu rosto – Eu vou chamar o médico e os seus familiares, eles vão ficar felizes em saber que você finalmente acordou. – a garota saiu do quarto mais rápido do que uma bala. olhou para a enfermeira que ainda estava no quarto olhando-o confusa, o que foi que ele tinha feito pra aquela garota que a fez chorar? E o que ele podia fazer para parar? Uma mulher linda como aquela não merecia chorar, especialmente se tinha sido por causa dele.
- Como você está, ? – a enfermeira que ficou no quarto perguntou – Está sentindo alguma coisa? Alguma dor?
- Só uma sensação da pior ressaca do mundo.
- Você lembra de alguma coisa que aconteceu? Você lembra por que está aqui no hospital?
- Não.
- Você lembra da sua família?
- Sim.
- Você é casado e tem filhos?
- Não, eu sou solteiro.
- Solteiro?
- É. – ele queria perguntar mais alguma coisa, mas foi logo depois que sua família entrou no quarto. Sofia, sua irmã, foi a primeira que o abraçou, quase o esmagando em um abraço, ela também parecia estar chorando.
- Você me assustou, seu ridículo! – ela se afastou dele dando um soco em seu braço.
- Sofia, pega leve. – seu pai, Camilo, puxou sua irmã para o lado e parou em frente à – Que susto você nos deu, filho! Fico feliz que você tenha acordado, nós sentimos sua falta.
- Há quanto tempo eu fiquei apagado? E por que eu estou no hospital? – Ambos se entreolharam, antes de voltar o olhar para .
- Você não sabe por que está aqui? – apenas balançou a cabeça enquanto seu pai olhava para a enfermeira – Você sofreu um acidente há pouco mais de um ano, teve uma lesão que foi preciso fazer uma cirurgia, houve algumas complicações na cirurgia e você ficou em coma por um ano.
- Um ano?
- É, todos os médicos já tinham perdido a esperança que você fosse acordar, mas você sabe como é sua mãe, ela sempre teve esperança que você fosse acordar.
- Como é que eu não me lembro de nada disso?
- Umas das sequelas seria a perda temporária de memória.
- Bem, eu não esqueci nada, acho que é uma coisa boa, certo?! Minha família está aqui, com exceção da mamãe.
- , espero que pelo amor de Deus você não esteja fazendo nenhuma brincadeira de mau gosto! – Sofia disse, cerrando os punhos – Você acabou de acordar, mas eu te encho de porrada, mesmo que a não deixe.
- Quem é ? – perguntou, confuso. Sofia e Camilo se entreolharam e depois para a enfermeira que olhava para .
- Ele disse que é solteiro e sem filha.
- Meu filho! – Constance entrou no quarto do filho e o abraçou forte. Constance sempre foi apaixonada pelo seu filho, Sofia gostava de dizer que ele era um filhinho da mamãe, sua mãe era super protetora o que parecia mais uma maldição do que benção – Eu estava tão preocupada, eu pensei que você nunca ia acordar. – ele se afastou dele, de sentando na cama – Mas é claro que eu nunca perdi a esperança, o meu filho favorito nunca iria me abandonar. – ela passou a mão pelo rosto de e Sofia rolou os olhos. – Como você está? Está tudo bem? Está sentindo alguma coisa?
- Está tudo bem. – olhou para o seu pai e sua irmã – Por que vocês estão agindo como se eu tivesse esquecido alguma coisa? Tem alguma coisa que eu preciso saber?
- Não, querido, mas é claro que não. Tudo está no seu perfeito lugar. - Constance acariciou o rosto do filho.
- Então, o que aconteceu nesse tempo em que eu fiquei dormindo? Alguma novidade?
- Eu vou me casar. – Sofia disse, o que fez arregalar os olhos.
- O que?


Capítulo 1

olhava o salão estonteada com a beleza da decoração, seu amigo e decorador Raul realmente tinha se superado, não que ela duvidasse da sua capacidade de transformar um dos dias mais felizes de uma mulher em realidade, mas ele e Sofia juntos era porque Deus tinha inventado a palavra indecisão. E o que falar da noiva mais linda e feliz que ela já tinha visto na vida? Sofia parecia que tinha saído de um livro de princesa, Maria concordaria com isso, e andava pelo salão com o maior sorriso que ela já tinha visto em seu rosto nos anos que a conhecia, um sorriso que ela tinha quando se casou. Para com isso , essa vida não mais te pertence, você tem uma filha pra cuidar!
Foi nesse momento que levantou a cabeça e olhou diretamente para a razão pela qual ela não conseguia dormir. Deliciosamente em um terno, sorrindo largamente enquanto conversava com seu pai, estava do jeito que ela lembrava e gostava: seu cabelo estava maior, mas já não tinha mais sua barba. tinha quase certeza que Sofia o tinha obrigado a tirá-la para o casamento, ela sabia que ele tinha voltado a treinar por isso ficava desleixado em relação à sua aparência, Sofia fazia questão de mantê-la atualizada da sua condição enquanto insistia que ela contasse a verdade. Mas ela sabia que se ao menos chegasse a um metro de , ela perderia não só ele, perderia sua filha também, e ela não poderia arriscar perder mais alguém na vida. Quando jogou a cabeça pra trás, gargalhando alto, sentiu uma pontada no coração e foi que ela teve a certeza que ainda o amava, não que algum momento do ano que eles passaram separados ela tenha parado. queria andar para o outro lado do salão, e beijar mesmo que ele achasse que ela fosse uma louca, ela precisava senti-lo nem que fosse uma última vez, ela morreria em paz se o fizesse, porém não o fez, ela poderia encontrar paz em casa enquanto contava uma história para sua filha ante de dormir.
se levantou, indo em direção aos noivos, Sofia tinha pedido que ela viesse ao casamento e ela o fez, não precisava passar mais nenhum tempo a mais lembrando da vida que ela levava até dois anos atrás. Quando estava perto dos noivos, algo bloqueou sua passagem, ou melhor dizendo, alguém. não precisou levantar o olhar pra saber quem era, ela sabia muito bem quem era o dono daquele terno, ela estava o encarando descaradamente durante a noite inteira.
- Sinto lhe informar que os noivos não podem ser incomodados. – Ele disse, tomando o seu champanhe e apontando um dedo pra ela. levantou o olhar, o encarando perplexa, ele ainda era o mesmo brincalhão de sempre.
- Eu só vou me despedir. – Ela respondeu, tentando desviar dele, mas ele ficou em sua frente de novo.
- Se despedir? Mas a festa acabou de começar, aposto que ninguém te chamou pra dançar ainda.
- Eu não gosto de dançar, agora se você me dá licença.
- Mas isso é uma mentira, eu vi você dançando da sua mesa. – olhou pra ele surpresa – Mexendo os ombros ao som da música. – Ele mexeu os ombros de um lado pro outro.
- Andou me observando, ? – cruzou os braços e o encarou. Era muito fácil cair nos encantos de , pior ainda quando ela sentia tanta falta dele. Foco, ! – Se você me der licença! – Ela conseguiu passar dele, e andar até onde os noivos estavam. Sofia virou o rosto pro lado e quando a viu, acenou para ela pedindo para ela esperar.
- Você estava no hospital, não estava? – ele disse ao seu lado fazendo com que ela ficasse tensa – Quando eu acordei do coma. Você era uma das enfermeiras.
- Sim.
- E você é amiga da minha irmã?
- Sou.
- Nós nos conhecemos então? Eu conheço todos as amigas da minha irmã.
- Você lembra de mim? – As palavras tinham saído da boca de antes mesmo dela processar o que estava falando. Ela se virou para , esperando uma resposta que ela sabia que não vinha.
- Infelizmente, não.
- Então você não me conhece.
- Mas se eu não te conheço, por que você estava chorando quando eu acordei no hospital? – O poder observador de era uma das coisas que mais gostava e também a que mais odiava, era quase impossível escapar dele.
- Eu tinha acabado de perder alguém. – abaixou a cabeça. Droga, mesmo depois de um ano ela ainda podia sentir a dor do dia em que acordou e não lembrava dela.
- Eu sinto muito.
- Não precisa, aparentemente, ele está bem melhor sem mim.
- Eu duvido. – estava prestes a responder quando Sofia chamou sua atenção, quase a esmagando em um abraço.
- Eu estou casada! – Sofia se separou da amiga a segurando pelos ombros. – Dá pra acreditar nisso, ? – Sofia olhou para o irmão e depois voltou seu olhar para .
- E eu fico muito feliz por você, Sofia, você merece toda a felicidade do mundo. - segurou suas mãos. - Eu vim me despedir.
- Mas já?
- Já é tarde, eu preciso voltar pra casa, você sabe. – Sofia bufou alto com a resposta da amiga e se virou para .
- , o que você está fazendo aqui?
- Tentando convencer sua amiga a dançar comigo. – Sofia se surpreendeu com a resposta do irmão, mas isso não a impossibilitou de sorrir sugestivamente para .
- Eu acho isso uma ideia maravilhosa.
- Sofia...
- Por mim, , por favor. - Sofia fez cara de cachorrinho sem dono e sabia que não tinha pra onde escapar.
- Tudo bem. – ela se deu por vencida. Uma dança, nada iria mudar com uma dança, certo? estendeu a mão para ela, que relutantemente a pegou, deixando-se levar para a pista de dança. passou o braço pela cintura de , que não resistiu em se aproximar dele, o que fez sorrir. I'll be do Edwin McCain começou a tocar, olhou por cima do ombro vendo Sofia sorrir de lado. Claro que tinha tocado música que tocou no casamento deles, claro que Sofia tinha que armar toda a atmosfera romântica, aquela bruxinha!
- Você dança bem pra quem diz que não gosta de dançar.
- Eu tenho meus momentos. – continuou com o olhar para todos os cantos exceto nos olhos de que a encarava sem nem ao menos piscar os olhos. não queria olhar nos olhos de , porque sabia que se apenas olhasse em seus olhos, ela se perderia por completo. Capaz até de deixar a sua razão de lado e fazer alguma besteira da qual ela não se arrependeria, mas provavelmente afastaria pra mais longe do que ele já estava. – Já conseguiu sua dança, satisfeito?
- Ainda não. – Ele se afastou dela, tirando seu celular do bolso e estendo. – Seu celular. Eu quero o número do seu celular.
- Pra que?
- Pra te levar pra jantar. Ou assistir um filme, qualquer programa, contanto que seja com você.
sentiu seu corpo borbulhar, mas não pelo fato que a atração que sentia por ela ainda era real, mas sim pelo fato dele esquecer tudo que eles já viveram juntos. tinha duas opções: ou ela se deixava cair nas graças de outra vez e machucava mais seu coração ou ela protegia o que mais tinha de sagrado.
deu um tapa no celular de fazendo com que o mesmo caísse no chão e disse:
- Nos seus sonhos, . Passar bem! – se virou pra saída, praticamente correndo pra fora da tenda onde ocorria a recepção. escutou que alguém estava a seguindo, fazendo com a garota apressasse o passo, mas logo que escutou a voz da sua melhor amiga e parou no mesmo instante.
- Você sabe o quão difícil é correr nesse vestido? – Sofia colocou as mãos na cintura, encarnado a amiga – O que foi aquilo, ?
- Ele estava dando em cima de mim! Seu irmão é um atrevido! Teve a cara de pau de me mostrar aquele sorriso de lado que eu mais gosto! Argh, eu odeio seu irmão!
- Você ficou com raiva porque ele está dando em cima de você, esposa dele e amor da sua vida?
- Ela não lembra de mim, Sofia, eu sou nada pra ele.
- ...
- Eu prefiro não falar sobre isso.
- Oh, eu entendo tudo agora. , você odeia o por ele não se lembrar de você? – apenas abaixou a cabeça, não querendo encarar a amiga. – Eu acho que você deveria contar a verdade pra ele, dá pra ver que está te matando por dentro.
- Sofia...
- Não é justo com nenhum de vocês dois, vocês viverem uma vida separados, vocês se amam, pelo amor de Deus!
- Eu o amo, Sofia, mas ele não. – levantou a cabeça, deixando que sua amiga ver as lágrimas que formavam em seus olhos – Ele nem ao menos sabe que eu existo, ainda mais que nós somos casados e temos uma filha.
- Eu ainda acho que você deveria contar pra ele.
- Eu não posso fazer isso com , eu não posso insistir que ele tenha uma vida que ele não se lembra, não seria justo com ele.
- Você sabe que ele está voltando pra corrida não sabe? Daqui duas semanas vai ser a volta dele, você não vai impedi-lo?
- Correr sempre foi a paixão dele, e eu o amo demais pra exigir que ele viva uma vida que já não lhe pertence mais.
- , minha mãe não teve nada a ver com isso não né? Nessa sua relutância a contar a verdade pra ?
- Eu preciso ir, Sofia, parabéns outra vez.
- ...
- Me ligue quando terminar a lua de mel, Maria vive perguntando quando a tia dela vai visitar.

assistiu quando a amiga de Sofia saiu do salão praticamente correndo, alguma coisa dentro dele queria correr atrás dela, porém ele não o fez. Ele passou a noite inteira a observando de longe, desde a igreja até a festa, foi impossível não a encarar quando ela passou em sua frente naquele vestido vermelho que parecia ter sido feito especialmente para ela e iria atormenta-lo em seus sonhos. Ele rapidamente a reconheceu, para falar a verdade, ele não conseguiu tirar a expressar triste dela quando ela o viu acordando no hospital. Ele a viu sorrir, é claro, mas pelo resto da noite ele viu a expressão triste cravada em seu rosto. Ele não sabia o porquê mas teve a sensação que deveria colocar um sorriso naquele rosto, melhor ainda, tinha que conhecê-la.
- Pensando em que, meu filho? – Seu pai apareceu ao seu lado segurando duas bebidas. Ele estendeu uma para , que pegou e a bebeu de uma vez.
- O que você sabe sobre , amiga da Sofia? – O pai de quase engasgou na própria bebida. Camilo sempre soube desde o momento que falou sobre pela primeira vez que ela era o amor da vida do seu filho, Camilo quis contar a verdade para , mas Constance nunca o permitiu, tentou conversar com sobre o assunto, mas a mesma apenas disse que se a amasse do jeito que ele dizia que a amava, ele lembraria dela. Camilo sabia que estava na defensiva, conhecia a garota desde que era uma criança, por ser filha de um dos seus grandes amigos do colégio, algo o dizia que não estava contado toda a verdade e ele sabia que tinha dedo da sua ex-mulher no meio.
- Você lembra do Rick, meu amigo do colégio? – Seu pai perguntou e assentiu – Ela é filha dele, passou a maior parte da vida morando do outro lado do oceano até voltar pra perto da família pra trabalhar como...
- Enfermeira. – completou – Eu lembro dela. Quando eu acordei no hospital, ela foi a primeira pessoa que eu vi. – Camilo sorriu de lado deixando continuar – Ela tem namorado?
- Por que, ? Está interessado?
- Só curiosidade.
- , por favor, eu já fui jovem.
- Às vezes eu esqueço disso, quando eu nasci você já tinha cabelo branco. – tomou um pouco da sua bebida. – Tudo bem, eu estou interessado, satisfeito?
- Mais do que você imagina. – Camilo riu mais uma vez – Ela vai estar na sua corrida daqui duas semanas.
- Como é que você pode ter tanta certeza disso?
- Acredite, filho, vai estar na sua corrida. Melhor ainda, ela vai estar na primeira fila.

chegou em casa, ou melhor dizendo, na casa dos seus pais, mais de meia noite e todas as luzes já estavam desligadas. O motorista foi o caminho inteiro lhe entregando lenços enquanto chorava, ela sabia que comparecer ao casamento de Sofia ia ser a sua recaída, mas ela não podia resistir, fazia mais de um ano que não via seu marido, o amor da sua vida, algo dentro dela esperava que assim que ele a visse, ele correria em sua direção e declararia seu amor por ela da mesma forma que ele fazia quando passava tanto tempo longe dela. Só que todos os cenários que imaginou não aconteceram e ela voltou pra casa pior do que antes e querendo chorar até dormir.
Depois que chegou em casa, foi direto para o quarto a fim de tomar um banho e tirar o cheiro de da sua roupa. As memórias que tinham dos momentos que já tinham vividos juntos já a atormentavam diariamente, o cheiro dele só faria mal a sua sanidade. Ela precisava ficar mais sã o suficiente a fim de não deixar o seu inconsciente falar mais alto porque senão ela podia fazer uma loucura e a última coisa que sua filha precisava era uma mãe desequilibrada.
- Mamãe? – virou-se assustada para a porta avistando sua filha na mesma, segurando o urso que o pai dela tinha comprado antes da perda de memória.
- Maria, o que você está fazendo acordada, minha filha? – andou em direção a filha, se abaixando na altura da mesma.
- Posso dormir com você?
- Você teve outro pesadelo? – Maria assentiu devagar fazendo o coração de apertar dentro do peito. – A rainha má conseguia te levar embora outra vez? – Maria abraçou a mãe pelo pescoço. se levantou, andando em direção a cama. – Que tal você dormir aqui e me contar o seu pesadelo?
- Mas eu não quero. – Maria se agarrou mais ao urso em seus braços, fazendo com que a abraçasse mais forte.
- A rainha má aparecia de novo? – perguntou e Maria assentiu. – E ela conseguia te levar embora outra vez? – Ela assentiu de novo.
- Só que dessa vez o príncipe me salvava junto com o Sid. – Maria olhou para a mãe e apontou para o urso em seus braços. – Quando é que eu vou poder conhecer o príncipe, mamãe?
- Ainda vai demorar um pouquinho, minha filha. – Maria abaixou a cabeça e respirou fundo. – Mas eu posso te dizer que ele já está mais perto do que você imagina. – Maria abriu o maior sorriso.
- Então eu vou poder conhecer o príncipe, mamãe?
- Calma, filha, ele ainda tem que descobrir quem ele é. Depois ele vai voltar pra gente, vestido de príncipe e no cavalo branco
- Espero que ele descubra logo, eu quero conhecer o príncipe.
- Eu também, minha filha, eu também.


Capítulo 2

- Maria, sua pequena bruxinha, você pensa que vai escapar do banho? – gritou, andando pela casa, tentando pegar sua filha. Maria estava na beira de fazer quatro anos e a sua última travessura era não querer tomar banho. Aparentemente, ela achava que os banhos no chuveiro não eram tão divertidos quanto os banhos na banheira e se recusava a tomar banho a não ser que fosse na mesma. quase morria por dentro quando a filha falava isso, era a mesma coisa que fazia quando o pegava com os dedos enrugados e um patinho de borracha na banheira da casa deles. Casa da qual se recusava até a chegar perto. – Maria, onde você está? – escutou a risada da filha, mas como a casa dos seus pais era grande e produzia ecos quase em todos os cômodos, era difícil saber da onde vinha. – Tudo bem, Maria, você venceu! – jogou as mão pro alto, se tomando por vencida. – Você pode tomar banho na banheira, agora pode sair da onde você está. – escutou a risada da sua filha vindo do lado de fora da casa. Ela andou em direção ao quintal quando viu sua filha saindo de dentro da casa de Sansão, o golden retriever que era braço direito de Maria nas suas traquinagens.
- Seu traidor! – disse, logo quando o cachorro se aproximou dela fazendo carinho nele. – Escondendo Maria atrás de você outra vez, eu já deveria saber a essa altura do campeonato. - Maria gargalhou alto e correu em direção à mãe, a abraçando pelas pernas.
- Eu posso mesmo tomar banho na banheira, mamãe? – Ela disse, olhando pra mãe. Todas as vezes que Maria olhava pra , pedindo alguma coisa, com aqueles olhos que lembravam tanto os de , a garota se derretia toda.
- Claro que sim. – olhou para filha, a abraçando forte. - Só porque é o mês do seu aniversário, mocinha, depois desse mês você vai começa a tomar banho no chuveiro.
- Palavra de escoteiro. – Maria respondeu, levantando a mão.
- Você não sabe nem o que é ser escoteiro, Maria. - riu da sua filha, segurando sua mão e a guiando em direção ao banheiro.
- Mas o vovô era, então eu também sou.
- Então tá certo, se você diz. – Maria começou a tirar todas as suas roupas enquanto enchia a banheira, a menina andou em direção a pequena caixa que deixava perto da banheira e pegou o seu brinquedo favorito: o patinho de borracha de . deveria já ter se acostumado com a ideia, mas a cada dia que passava, ela ficava ainda mais surpresa pelo fato de que Maria ficava mais parecida com o pai.
ajudou Maria tomar banho e como de costume deixou a filha um pouco na banheira para que ela brincasse até os seus dedos ficarem enrugados.
- ? – As duas viraram a cabeça pra porta, dando de cara com Rick, o pai de , e Camilo, o pai de .
- Oi, vovôs. – Maria disse, acenando pros dois.
- Olá, querida. – Os dois responderam ao mesmo tempo o que fez o seu coração dar um pulo. Desde o primeiro dia que Maria conheceu Camilo, ela insistia em chama-lo de vovô, as vezes a garota achava que sua filha tinha um sexto sentido e sabia de tudo que ela tentava lhe esconder.
- Você pode vir aqui pra nós conversamos, ? – A garota sabia muito bem do que essa conversa se tratava, mas preferiu ignorar e disse:
- Não posso deixar Maria sozinha na banheira.
- Por isso que Mia está aqui. – A babá de Maria, que tinha dado folga, entrou no banheiro. Fudeu! Agora não tem como eu fingir que não posso ir pra corrida de . pensou, se levantando. – Vamos, , você sabe do que isso se trata. Estamos te esperando lá fora.
se deu por vencida, deu um beijo no topo da cabeça da filha, e começou a seguir os dois. O plano que ela tinha armado de dispensar a babá e passar o resto do dia com sua filha ignorando o fato de hoje seria a primeira corrida de desde que ele voltou a treinar, tinha afundando mais rápido do que o Titanic.
- Eu não vou. – Foi a primeira coisa que a garota disse quando parou na frente dos dois no corredor.
- , gostaria que você estivesse na primeira corrida dele de volta. – Camilo disse, cruzando os braços.
- Mas ai é que está, Camilo, não faz ideia de que eu existo.
- Isso não é completamente verdade e você sabe disso. Você é o amor da vida dele, , dentro daquela cabeça dura dele, ele sabe que ama você.
- Só porque ele deu em cima de mim no casamento da Sofia, não quer dizer que ele saiba que eu sou esposa dele, muito menos que ele me ama.
- Por que você está sendo tão resistente a contar a verdade pro ? – Seu pai perguntou. – Primeiro, você se recusa a contar a verdade pra ele, se privando de ver o cara que você ama, seu próprio marido, até sua filha e agora deu pra ignorar que até existe. Você não ama mais ele, é isso?
Se estivesse em um desenho animado, você poderia ver que sua cara estava vermelha de ódio e fumaça saindo dos seus ouvidos. Como é que seu pai tinha a audácia de dizer que ela não amava , quando ele é a primeira coisa que ela pensa quando acorda e a última quando ela vai dormir?
- Como você se atreve, ou melhor, vocês dois se atrevem a questionar o amor que eu sinto por ?! Eu amo aquele homem mais do que é permitido pra um ser humano e passar um ano longe dele foi uma das piores torturas da minha vida, muito mais do que qualquer tortura que a cobra da sua mulher me fez passar. – Ela apontou pra Camilo e continuou: - E é por esse amor que eu não conto a verdade pra ele, porque eu o amo demais pra exigir que ele viva uma vida da qual ele não mais se lembra que teve, sem falar na nossa filha, o maior presente que eu já tive na minha vida, vocês já pararam pra pensar na Maria nessa história toda? Você sabe o quanto iria machuca-la o fato do pai dela nem ao menos lembrar que ela existe? Vai machuca-la e eu prefiro mil vezes sofrer do que machucar qualquer um deles.
estava ofegante quando terminou, mas o que ela mais achou estranho foi que tanto o seu pai quanto o seu sogro estavam sorrindo, eles estavam armando pra saber o que ela estava sentindo, já que ela recusava a dizer qualquer coisa, e ela tinha caído com um patinho.
- Vocês dois armaram pra mim. – Ela disse, chocada. – Vocês armaram pra eu dizer o que eu sinto e eu caí como um patinho.
- Você não nos deu escolha, minha filha, uma das coisas que você conseguiu herdar da sua mãe foi o poder de esconder o que sente.
- Existe uma razão pra isso, sabia?!
- Autopreservação, eu sei disso. – Rick andou em direção a sua filha, e a abraçou de lado. – Nós vimos como você estava no casamento de Sofia depois do seu encontro com e, francamente, você estava acabada. Ainda está. Eu sei que você não quer contar a verdade pra ele, mas acha que esse plano de ficar o mais longe possível, está dando certo?
- É a melhor solução. – resmungou.
- Pra quem? – Camilo perguntou fazendo com que ela olhasse pra ele. – Pra Constance, que finalmente conseguiu separar vocês dois? Você acha mesmo que ia querer que você não lutasse por ele e cedesse às chantagens da mãe dele?
- Ficar perto ou longe de vai me machucar do mesmo jeito, pra falar verdade, ficar perto machuca mais porque eu não posso ficar com ele. – limpou as lágrimas, olhando pros dois. – Vocês sabem o quanto dói saber que eu não posso toca-lo? Que eu não posso confessar todo o meu amor por ele? Que eu não posso ter a minha família reunida e feliz?
- Nós só queríamos ajudar, filha, nós somos os maiores torcedores pra que e você fiquem juntos. Achar amor nos filmes e livros é fácil, na vida real as coisas são diferentes, até mais difíceis, então quando a gente acha alguém que nos ama do mesmo jeito que nós sabemos que vocês se amam, vale a pena lutar por isso.
- Então vocês esperam que eu faça o que? Me jogue nos braços de e declare todo o meu amor por ele?
- Não, , só não deixe Constance ganhar.
- Por que você insiste em dizer que sua ex-mulher tem alguma coisa a ver com isso?
- Porque eu sei que ela tem, mesmo você fingindo que não então a gente finge que acredita.
- Você sempre foi apaixonada por corridas, , lembra quando você costumava se vestir de piloto e acordava às oito da manhã pra que a gente pudesse ir pro autódromo?
- Mamãe ficava louca toda vez que eu dizia que iria ser piloto de corrida. – A garota riu, se afastando de seu pai. – Vocês dois podem esperar enquanto eu me arrumo?
- Nós estaremos lá embaixo.
deu um beijo na bochecha de cada um e correu de volta para o seu quarto. Talvez essa tática de ficar longe de não estivesse dando certo, ou melhor, nunca deu certo pra falar a verdade. Ficar longe dele foi uma tortura durante um ano, se não fosse por Maria, teria perdido a cabeça. Vê-lo no casamento de Sofia fez com que todos os sentimentos que ela insistia em fingir que não existiam voltassem a superfície mais forte do que nunca. Talvez tivesse na hora de mudar de tática, e isso significava que ela conquistaria o seu marido de volta e ela sabia exatamente o que fazer e que roupas usar.

estava nervoso e não sabia o porquê, já tinha corrido mais corridas do que podia se lembrar – literalmente –, correr sempre foi sua paixão e ele não se via fazendo mais nada no mundo. Se correr era tudo pra ele, por que sentia um extremo vazio dentro do peito como se algo estivesse faltando? Ele tinha brigado com sua mãe e irmã que estavam convencidas que ele não precisava mais correr, tinha treinado durante um ano pra sua volta, até o seu médico disse que ele poderia correr então por que tudo parecia diferente? Por que, de alguma forma, tudo ainda parecia sem sentido? Talvez seja pelo fato de você ter esquecido uma boa parte da sua vida, idiota. Claro, os anos que ele esqueceu por conta de complicações em uma cirurgia que ele teve que fazer na cabeça por causa de uma batida, os anos dos quais ninguém queria comentar e fingiam que não aconteceram. Sua mãe apenas dizia que ele tinha continuado o que sempre fez: correr; Sofia ficava tensa e disse que não cabia a ela a contar nada, seu pai então, era bem pior, apenas sorria e dizia que um dia ele iria lembrar e não via a hora disso acontecer. Resumindo: tinha acontecido alguma coisa, mas ninguém tinha coragem de dizer o que.
- , meu camarada. – levantou o olhar avistando o amigo de seu pai, Rick, entrando na sua estação. se levantou do sofá e andou até ele, o cumprimentando. Rick era um amante de corrida, sabia disso, tanto que ele tinha uma cabine exclusiva no autódromo onde ele e a sua filha ficavam. E o que falar da garota que não saiu de sua cabeça desde o casamento de sua irmã?! estava convencido que era alguma espécie de tormento que tinha sido feito especialmente para ele, um tormento que ele aceitava de braços abertos e, se possível, queria até o telefone.
- Rick, que bom que você veio. – Ele disse, olhando por cima do ombro do amigo de seu pai a fim de descobrir se o seu tormento tinha vindo também. – Veio sozinho? – não queria parecer desesperado pra saber se tinha vindo, mas, aparentemente, era mais forte do que ele, precisava vê-la outra vez. – Meu pai veio com você? Digo, ele disse que ia passar na sua casa antes de vir pra cá.
Rick riu e balançou.
- Ele veio comigo sim, foi apenas comprar pipoca, mas já está voltando.
- Que tal nós irmos lá pra fora e esperar por ele? Eu preciso falar com ele sobre algumas coisas do meu novo apartamento.
- Saindo da casa da sua mãe de vez dessa vez?
- É, eu preciso me mudar pra minha cobertura, já adiei por tempo demais. – Os dois começaram a andar em direção pista lateral do autódromo onde os corredores e seus carros ficavam. – Eu já tenho 33 anos, sei me cuidar sozinho, e por mais que eu adore o fato de minha mãe querer cuidar de mim, eu já não sou nenhuma criança e eu preciso do meu espaço.
- Imagino que ficar com ela sozinha naquela casa não seja uma tarefa fácil.
- Parece que eu voltei a ter nove anos, até café na cama ela trouxe pra mim, acredita?! – Rick riu enquanto apenas olhou pra ele parando de andar logo em seguida. Seu pai estava sim na pista, mas não estava sozinho, do seu lado, com um sorriso de orelha a orelha e um refrigerante enorme em suas mãos estava a garota dos seus sonhos.
- Ah, e eu quase me esqueci de dizer: veio com a gente. – Rick bateu nas costa de vendo que o mesmo ficou parado encarando sua filha. – Você lembra da , minha filha?
sentiu como se já tivesse vivido aquela cena, uma espécie de déjà vu com andando em sua direção, em câmera lenta, chamando a atenção de todos os marmanjos que estavam ao seu redor. achava que era impossível que ela ficasse mais linda, aliás, o que ganhava de um vestido longo vermelho, não é verdade?! Porém, com seu tênis detonado, jeans de lavagem escura e camisa que dizia “Boy Bye.” estava ainda mais linda do que ele se recordava.
Quando ela desviou o olhar do seu pai e olhou diretamente para ele, sentiu seu coração começar a bater mais forte. não sabia ao certo o que estava acontecendo com ele, ou porque ele sentia essa necessidade de ficar perto de e se pegava pensando nela uma boa parte do seu dia, mas o que ele sabia era que uma sensação boa. Tão boa que ele não queria que parasse nunca.
- , meu filho. – Camillo, o cumprimentou, porém os olhos de estava focados em . – Lembra da ?
- Claro que sim. – abaixou a cabeça, balançando a mesma. – Do casamento de Sofia. Olá, .
- E você lembra do , ?! – olhou para o seu pai, sorrindo sem os dentes.
- Como é que eu poderia esquecer?! – disse, se virando para . – Olá, . Pronto pra voltar para as pistas? – De repente uma ideia apareceu na cabeça de e ela o olhou confusa e continuou: - Seu médico sabe que você está voltando a correr, ? Você pode correr, ?
- Meu médico me liberou há alguns meses e eu estou treinando há mais ou menos um ano, desde que eu acordei. – , cruzou os braços, a olhando de lado. – , você está preocupada comigo?
- Claro que não! – Ela disse rápido demais, fazendo com que sorrisse largamente. – A gente não tem que ir pra cabine não?! A corrida estar prestes a começar. – Ela olhou para o seu pai e o seu sogro. – E você, , não tem que fazer um ritual estranho antes da corrida? – falava rápido, mexendo com as mãos, quase derrubando o refrigerante que segurava.
- Tenho. – Ele deu um passo, ficando em frente a ela. – E esse ritual requer um beijo da mulher mais linda do autódromo. – olhou em volta e depois voltou seu olhar pra . – E pelo o que eu percebi, você é a mulher mais linda que eu vi hoje, .
- Vai sonhando, ! – rolou os olhos e começou a se afastar dele.
- E o meu beijo? – gritou, fazendo com que ela parasse e virasse pra ele. – Como é que eu vou ganhar a corrida sem o meu beijo da sorte?
- Você arruma um jeito! – gritou, voltando a andar, sem nem ao menos olhar pra trás. apenas sorriu de lado, segurando a vontade de correr atrás dela.
- Nós vamos com ela, . – Camillo começou, chamando a atenção do filho. – não consegue assistir nada sem pipoca. Boa sorte, filho. – Camillo o abraçou e Rick fez o mesmo.
- O que eu tenho que fazer pra conquistar sua filha, Rick? – falou, em um impulso, e quase no mesmo momento se arrependeu de ter aberto a boca. Porém, de alguma maneira, aquela parecia uma cena que ele já tinha vivido. Rick, olhou para com um sorriso no rosto.
- Você sabe que aquela é minha filha que nós estamos falando, não sabe? Você não pode brincar com os sentimentos dela como você fazia com as outras garotas.
- Que outras garotas, Rick? – sentiu seu sangue ferver. – Desde que eu acordei eu não me interessei por nenhuma mulher, claro que minha mãe me fez ir a alguns encontros e comparecer a algumas festas, mas nenhuma mulher é interessante o suficiente pra ter alguma coisa, eu simplesmente me vejo em uma mesa de jantar contando os minutos pra ir embora. Bem, até eu ver a sua filha no casamento de Sofia com aquele vestido vermelho. Tem alguma coisa sobre que não me faz parar de pensar nela. - Ele olhou pra Rick, que o olhava com o sorriso de lado. – Mas parece que ela me odeia, pra eu conseguir dançar com ela foi preciso Sofia intervir, sem falar do meu celular que ela trincou a tela.
- passou por alguns maus bocados nos últimos anos, , ela ainda está com o coração machucado por conta disso. Então pra deixar alguém entrar logo quando ela está começando a sarar, principalmente alguém que pode machuca-la, é difícil. – Rick colocou a mão no ombro do seu genro e continuou: – Mas, alguma coisa, me diz que você vai fazer bem pra ela. Então, quando seu pai for me visitar sexta que vem, por que que você não vai com ele? Finge que não sabia que era minha casa ou que estará lá. – olhou sorrindo para Rick. – Bom levar roupa de banho, sextas são o dia que tem o dia da piscina.
- Rick, você está me ajudando a conquistar sua filha mesmo sabendo que ela me odeia e provavelmente me jogará na piscina quando me ver?
- Ah, , ódio é a última coisa que sente por você. – Rick se afastou dele, começando a andar de costas, ainda encarando . – Te vejo na sexta, genro querido.
E de alguma forma, saber que estava o assistindo fez com que quisesse fazer o seu melhor pra ganhar essa corrida. Parecia que ele tinha achado algum sentido em sua vida pela primeira vez desde que acordou.

estava comendo seus sentimentos. Não só pelo fato de que ela queria ter dado o beijo mais demorado e gostoso possível em antes da corrida, mas também pelo fato de que essa era a primeira corrida que ele iria participar sem ela dar um beijo de boa sorte nele desde o dia em que eles se conheceram. Ela queria, sim, dar um beijo de boa sorte nele, e como queria, porém esquecer o pequeno detalhe que eles são casados e têm uma filha meio que a atrapalhou e seu plano de beija-lo como se não houvesse amanhã. estava agarrada ao balde de pipoca enorme, comendo tudo como um homem das cavernas que tinha acabado de descobrir comida, sem tirar os olhos da pista. estava em terceiro lugar, o que não era nada mal já que fazia anos que ele não competia, porém sabia que não queria que sua volta fosse em vão, ela sabia que faria de tudo pra ganhar. O cara adorava uma plateia louca gritando o seu nome, secretamente, ela sabia que não tinha descendência de gregos à toa, o cara adorava ser vangloriado.
- Eu não acredito que você veio. – pulou da cadeira, derrubando um pouco da sua pipoca no chão. olhou para cima, dando de cara com a Mulher Dragão, ou melhor dizendo, sua sogra, Constance.
- Que susto, assombração! – disse, se levantando e ficando em frente Constance. – Olá, sogrinha.
- Se eu não me engano, meu filho esqueceu totalmente da sua existência.
- Pode até ter esquecido, mas eu tenho um anel de noivado, uma aliança e certidão de casamento pra provar que ele ainda é meu marido, então você ainda é minha sogrinha . – se virou de volta pra pista vendo que faltavam apenas duas voltas para a corrida terminar e estava em segundo lugar.
- Eu pensei que você tinha prometido que não ia chegar perto do meu filho.
- Correção: você me encurralou em um momento de fraqueza e de uma maneira bizarra me convenceu que a vida de era melhor sem mim, que eu não deveria me meter no processo de recuperação dele, e eu aceitei. – riu sem humor. - Mas não se preocupe, sogrinha, eu já voltei aos meus sentidos e vou conquistar meu marido de volta.
- , eu juro por Deus, se você chegar ao menos perto de , eu vou transformar sua vida em um inferno.
- O que você vai fazer, Constance? – colocou o balde em cima da cadeira e se virou para a sogra. Já estava mais do que na hora de parar de ceder as chantagens da sogra, ela já era mulher, pelo amor de Deus, dona da sua própria vida, com um emprego incrível que ela amava, uma filha linda e saudável e um marido que pode ter esquecido dela, mas que ela sabia que em algum lugar dentro dele ainda a amava. Constance poderia ir para o inferno com as suas ameaças e seu ódio gratuito por ela! – Vai ameaçar anular o meu casamento com ? Porque essa já está velha e eu já fiz minha pesquisa, você não pode fazer nada em relação a isso, então aceita que dói menos. – podia ver Constance fulminando.
- Eu tiro Maria de você! – Ela apontou o dedo na cara de , fazendo com que a mesma desse um passo pra trás. – Eu arrumo um juiz e tiro a guarda sua filha de você se não ficar longe do meu filho.
viu sua visão ficar vermelha de tanto ódio que sentia. Ela podia aceitar muitas coisas de Constance, porém ameaças em relação a sua filha não era uma delas. deu um passo pra frente, ficando a um palmo da sua sogra e disse:
- Não se atreva a falar no nome da minha filha, não se atreva nem a pensar nela, você não tem o direito de ao menos cogitar ela como sua neta quando você a renegou antes mesmo dela nascer. Arrume um juiz, arrume o melhor advogado, arrume até o Diabo, mas a minha filha você não tira de mim, Constance. Você pode vencido a batalha quando algo na cirurgia de deu errado e ele se esqueceu da vida que teve comigo, mas você pode apostar uma coisa, sogrinha, eu vou conquistar meu marido de volta e pode apostar que dessa vez ele vai lembrar de mim.
estava ofegante quando terminou, porém a gratificação que sentia por ter falado tudo o que pensa valeu a pena, especialmente a cara de assustada que Constance. De repente, as pessoas dentro da cabine começaram a comemorar e olhou para o telão vendo no primeiro lugar do pódio jogando champanhe em todo mundo. Foi impossível não sorrir, sabia que a corrida era a maior paixão de , sabia o quão difícil foi pra ele ter que dar uma pausa na carreira antes do acidente, ela só poderia imaginar o quanto foi difícil pra ele acordar, sem memória, com apenas um aviso de que a vida que ele conhecia não lhe pertencia mais. só podia imaginar a felicidade que sentia agora e também o quanto ela queria correr e pular nos seus braços.
Porém, a felicidade durou pouco, um dos oponentes de o acertou em cheio na mandíbula fazendo com que ele caísse e batesse a cabeça. viu um monte de gente ao redor de , impossibilitando que ela visse o que estava acontecendo, o corredor que tinha batido em estava sendo arrastando pra longe do pódio enquanto estava sendo levado inconsciente em direção ao ambulatórios.
- ! – Seu pai apareceu em sua frente, chamando sua atenção. – , você está bem? Você está pálida!
- ... Ele bateu em .
- Eu sei, Camillo correu para o ambulatório. – Rick segurou os ombros da filha, a sacudindo um pouco. – Vamos, eu vou te levar até lá.
Rick passou o braço por cima dos ombros da filha, a levando em direção ao ambulatório, ainda estava um pouco zonza pelo o que tinha acontecido, ela não sabia ao certo como tinha chegado a porta do ambulatório, mas quando viu estava parada ao lado de Constance e Camillo.
- Ele vai ficar bem. – O médico disse, fazendo com que acordasse do transe. – Ele vai precisar descansar pelos próximos dias e também fazer uma visita ao médico que cuidou do trauma que ele teve na cabeça.
- Eu posso ir com ele. – Camillo começou. – O médico é meu amigo, eu posso falar com ele essa semana pra fazer todas os exames pra ver se tudo está bem.
- Isso é bom. – O médico respirou fundo. – Creio que vocês querem vê-lo, mas eu só posso permitir uma pessoa de cada vez.
- vai primeiro! – Camillo e Rick falaram ao mesmo tempo.
- Mas eu sou a mãe dele! – Constance retrucou fazendo com que seu ex-marido rolasse os olhos.
- E é a mulher dele, mesmo que você esqueça esse pequeno detalhe mais vezes do que deveria. – Camillo disse, fazendo com que Constance cruzasse os braços. – Vai, , a gente vai depois.
apenas assentiu e seguiu o médico para dentro de um dos ambulatórios, estava deitando em uma das macas com um bolsa térmica em sua testa. O médico fechou a porta, fazendo com que soltasse um suspiro.
- Mãe, não precisa se preocupar, eu estou bem. – falou, sem nem ao menos olhar pra frente.
- Eu não sou sua mãe. – disse, fazendo com que olhasse pra ela e depois se sentasse na maca. - Como é que você está se sentindo? Sua cabeça está doendo? Foi um belo de um soco que você levou.
- Pra falar a verdade, ela está doendo um pouco. – Ele disse, fazendo uma careta.
- Sério? Onde que está doendo? – praticamente correu para frente de , colocando as mãos em seu rosto. – Você quer que eu chame o médico? – sorriu largamente com a preocupação de com ele enquanto o olhava confuso. – Você é um idiota, ! – deu um soco no braço dele e de um passo pra trás.
- Ei, você não pode bater no seu paciente! Eu estou machucado. – fez cara de cachorro pidão o que fez rolar os olhos. - Você sempre se preocupa assim com todos os seus ex pacientes, ou eu ocupo um lugar especial no seu coração?
- Até parece, . – cruzou os braços. – Como você está se sentindo? O que o médico disse?
- Alguma coisa sobre exames, eu não estava prestando a atenção.
- Você tem que levar isso a sério, , da última vez você deixou uma pancada na cabeça pra lá e olha o que aconteceu? Eu quase...
- E se eles disserem que eu não posso mais correr? – disse e abaixou a cabeça fazendo com que o coração de apertasse dentro do peito. andou em direção a maca, parando em frente a e segurando seu rosto entre suas mãos fazendo com que ele olhasse pra ela.
- Ei, não precisa se preocupar, eu tenho quase certeza que você vai poder continuar correndo. E se eles não permitirem você correr, eu tenho certeza que você arruma outa coisa pra quase matar as pessoas que você ama do coração. – sorriu fazendo com que sorrisse também.
- Sabe o que me faria sentir melhor?
- Outra bolsa térmica?
- Não, o seu número.
- Eu posso fazer melhor do que isso. – sorriu e antes que pudesse falar qualquer coisa, ela colocou seus lábios nos deles em um selinho demorado.
- Isso é, definitivamente, muito melhor. – respondeu, passando os braços ao redor da cintura de e a puxando pra perto. jurava que estava no céu, quase um ano sem nem ao menos ver e agora ele estava em sua frente e ela tinha tomado coragem pra dar um selinho nele. Tudo bem que era só um selinho, mas era muito coisa comparado ao fato que os únicos beijos que ela recebia de eram aqueles dos seus sonhos. – Então, você vai me dar seu número, ou eu vou ter que lutar por ele? – sorriu de lado. – Você vai fazer eu lutar por ele.
- Você me conhece melhor do que você imagina. – se afastou dele e começou a andar em direção a porta. – A gente se vê por ai, .
- Mais cedo que você imagina, . – sorriu a vendo sair do ambulatório. E foi naquele momento que ele percebeu que tinha entrado na sua vida e tinha entrado pra ficar e ele não estava reclamando nem um pouco disso.

Capítulo 3

se sentou no sofá da sala de espera do hospital com seu pai ao seu lado, esperando que alguma enfermeira ou enfermeiro entrasse para lhe explicar o procedimento que ele estava ponto de fazer. compareceu ao escritório do seu médico um dia depois do ocorrido da corrida, ele disse que tudo estava aparentemente bem, mas por conta do seu histórico com pancadas na cabeça era bom que ele fizesse alguns testes apenas por preocupação. Hoje era o segundo dia de testes, o único que ele não conseguiu fazer no dia anterior, e não via a hora de tudo isso acabar e ele puder provar pra todo mundo que ele está melhor e mais saudável do que nunca, especialmente para continuar correndo. E se tivesse lá, seria mais um bônus.
não conseguiu tirar da sua cabeça, pra falar a verdade, todos os dias ele sonhava com ela e em cenários completamente diferentes. Noite passada ele tinha sonhado que a levava para um imenso parque de diversão que ficava há algumas horas da cidade em que eles moravam, no sonho sorria de orelha a orelha e saia do parque carregando a maior quantidade de ursos de pelúcia que ele poderia imaginar, errado estava quem achou que ele ganhou todos os ursos para ela. Antes fosse! tinha surpreendido não só a , quanto ao dono da barraca quando acertou o menor alvo ganhando assim o maior prêmio. Pra não dizer que não tinha feito nada, ele ganhou dois prêmios: uma caixa de mentos e o menor urso de pelúcia que tinha na barraca.
Por que estava sonhando com , ele não sabia o porquê, mas ele tinha certeza que não queria que os sonhos acabassem já que parecia aparecer e desaparecer em sua vida como um passe de mágica. O que ele não daria pra vê-la outra vez e dessa vez conseguir o seu número.
- Bom tarde, senhor Lancaster! – levantou o olhar e logo sorriu largamente, parecia que qualquer que fosse a pessoa que estava lá em cima, estava do seu lado. – Lancaster? – olhou para a prancheta com uma cara confusa e depois pra . – ? O que você está fazendo aqui?
- Eu vim te ver. – se encostou atrás no sofá e sorriu para . Ela estava vestida de enfermeira, com o cabelo preso em um coque e nenhuma maquiagem no rosto, tinha acabado de perceber que não importava o que vestia, ela ficava linda de qualquer jeito.
- Ele veio fazer um exame pra ver se estar tudo bem.
- Ressonância Magnética, certo?! – perguntou e Camillo assentiu. – Okay. Eu preciso que você tire tudo, incluindo roupas e acessórios, e coloque dentro daquele armário.
- Tudo? Você ainda nem me levou a um encontro, , e já quer me ver pelado?
- Acredite, não tem nada ai que eu já não vi. – andou até o armário, tirando a chave e estendeu uma bata junto com a chave pra ele. – Você pode se trocar dentro do banheiro.
- Ou eu posso me trocar aqui. – tirou a camisa fazendo com que respirasse fundo, ele sorriu vendo que ela o encarava e quando ele começou a tirar as calças, ele esperava que ela se virasse, mas ela apenas continuou olhando em seus olhos.
- Quando você terminar, eu vou estar esperando aqui fora. Camillo, você lembra onde fica a sala de espera? – Ela olhou para ele que assentiu. – Você pode ficar lá e quando o exame tiver terminado, eu levo até lá. – Ela se virou e saiu da sala sem dizer mais nada.
- Você deveria parar de provocar a garota, .
- Como? – Ele colocou a bata e logo depois começou a dobrar suas roupas. – Como eu vou fazer isso se ela não sai da minha cabeça?! Eu juro que vai me pôr a louco algum dia.
- Acredite, você faz o mesmo com ela. – Camillo bateu nas costas do seu filho. – Agora vamos, nós ainda temos que passar na casa do Rick, eu tenho alguns negócios pra tratar com ele.
e Camillo saíram da sala e logo avistaram conversando com outra enfermeira, ela a abraçou e andou em direção a . Camillo abraçou e depois seu filho antes de desaparecer pelo corredor.
- Vamos? – assentiu e começou a segui-la. Eles não andaram muito até entrarem em uma sala com alguns computadores, olhou pro lado e viu o enorme vidro que separava a outra onde tinham uma máquina gigante que ele supôs que seria usada pra fazer o exame. entregou a prancheta para o médico sentado em frente ao computador e ele se levantou para cumprimenta-lo.
- Eu sou o doutor Borges, senhor Lancaster, eu vou ser responsável pelo seu exame hoje. Seu médico, Sam, não pode estar aqui hoje, mas ele me falou tudo sobre o seu caso.
- É um prazer lhe conhecer.
- Se você seguir , ela vai te levar pra outra sala. – assentiu com a cabeça e abriu a porta para ele. parou ao lado da máquina, perto da parte que parecia uma maca, enquanto pegava alguns degraus.
- Primeiro, eu preciso que você se deite. – subiu nos degraus e fez como disse, ele olhou pra ela que colocou a mão em seu braço. – Segundo, tente ficar parado ao máximo quando entrar na máquina e não precisa se assustar com o barulho, é normal. – Ela começou a colocar fios por todos o seu corpo, primeiro na testa e depois em seu peitoral e braços. – Você tem alguma pergunta?
- Você pode segurar sua mão durante o procedimento? – Ele perguntou fazendo com que ela sorrisse.
- Não, mas eu vou estar do outro lado do vidro, tudo bem?! – acariciou seu rosto antes de sair da sala sem olhar pra trás.
estava com o coração na boca, era a segunda vez que fazia esse exame e da última vez as coisas saíram pior do que ela imaginava, a prova disso era o fato dela não poder ficar com seu próprio marido.
- Você ainda não contou pra ele? – Doutor Borges perguntou, fazendo com que se virasse pra ele. – Você não contou que vocês são casados?
- Como é que o senhor sabe disso?
- Sam me contou tudo.
- Será que ninguém nesse hospital consegue ficar com a boca fechada?
- Você tem muita sorte, , eu não sei como é que você conseguiu ficar tanto tempo sem descobrir a verdade.
- Pode ter certeza, doutor, existe alguém muito poderosa por trás disso. – desviou seu olhar para o monitor. – Está tudo bem com ele? Ele não tem nenhuma lesão? Nenhuma sequela? Ele realmente pode voltar a correr?
- Sim, ele está muito melhor do que antes, pra falar a verdade, tirando a falta de memória, é claro. – Doutor Borges, se levantou e continuou: - Você não precisa cuidar dos exames, deixa que eu levo e peço para as outras enfermeiras cuidarem disso.
- Mas eu sou a enfermeira encarregada.
- Você acha que eu não sei o que acontece no meu próprio hospital, Lancaster? Seu turno acabou faz horas, eu sei que você está cobrindo alguma das enfermeiras, provavelmente, Diana que ainda não apareceu do encontro que ela teve ontem.
- Como o senhor...
- Como você mesma disse, ninguém nesse hospital consegue ficar com a boca fechada. Vá pra casa, , você está aqui há mais de 18 horas. Descanse, você está com uma cara péssima. – Doutor Borges saiu da sala deixando uma incrédula pra trás.
- Olá? Será que eu já posso sair? – olhou para que continuava parado com uma estátua. Ela andou em direção a ele e tirou todos os fios. – O exame saí por dentro de 5 dias á uma semana, dependendo do que seu médico pediu. – Ela o guiou de volta para a sala onde ele trocou de roupa. – Você pode colocar a bata dentro do cesto no banheiro e colocar sua roupa enquanto eu preparo sua via pro dia em que você vier pegar os exames, tudo bem? – assentiu e saiu da sala direito para a bancada a fim de fazer a solicitação de entrega dos exames de . Quando ela estava prestes a acabar, saiu da sala, olhando pros lados até que seus olhos pairaram em e na enfermeira ao seu lado, a mesma que estava em seu quarto depois que ele acordou.
- Ei, eu me lembro de você! – se apoiou na bancada apontando pra enfermeira ao lado de . – Você é a outra enfermeira que estava no quarto quando eu acordei.
- Olá, . – Ela sorriu, colocando a mão no ombro de . – Eu sou Rose, é um prazer revê-lo e, pelo visto, mais saudável do que nunca.
- Na verdade, minha garganta dói um pouco. – Ele tossiu e colocou a mão no peito logo em seguida. – Talvez eu precise de alguém pra cuidar de mim. – Rose olhou pra que balançou a cabeça e estendeu um papel para .
- Aqui está sua via. Você pode vir buscar daqui uma semana.
- Muito obrigado, .
- De nada, . – sorriu, se apoiando na bancada ao seu lado. – Você precisa que eu te leve até seu pai?
- Não precisa, eu sei onde fica a sala de espera.
- Então eu acho que isso é um adeus.
- Nunca diga adeus, sempre diga até logo. – Rose disse, fazendo com que os dois rissem. balançou a cabeça e se virou para o corredor, mais uma vez ele tinha encontrado e não tinha ideia de como agir, de como conquista-la, ele não sabia nem como tinha conseguido conversar com ela sem gaguejar. Essa mulher vai ser a minha morte!, pensou olhando por cima do ombro vendo que andava há alguns passos atrás dele concentrada com a pasta em suas mãos.
- Eu sabia que você não conseguia ficar muito tempo longe de mim, ! – disse virando-se para ela e andando para trás. levantou o olhar apenas pra rolar os olhos para ele.
- Você está completamente certo, , eu não consigo viver sem você. – colocou a mão no coração. – E se eu fosse você, olharia pra onde anda. – virou a cabeça para o lado, a olhando confuso, porém logo soube do que ela estava falando quando suas pernas bateram em alguma coisa e ele se desequilibrou e caiu de bunda no chão. A gargalhada de ecoou pelo corredor o que fez com que , se sentasse no chão e olhasse pra ela de cima pra baixo.
- Você está adorando isso.
- Cada minuto. – cruzou os braços, sorrindo largamente.
- Você não vai me ajudar a levantar?
- Você já é bem grandinho, pode levantar sozinho.
- Devo perguntar o que aconteceu aqui? – Os dois se viraram, dando de cara com Camillo que os olhava confuso.
- só estava sendo o mesmo desastrado de sempre. – disse quando se levantou, ficando ao seu lado.
- Você está indo pra casa, ? A gente pode te dar uma carona, eu preciso pegar uns papeis com seu pai.
- Claro que quero, se vocês me esperarem na entrada do hospital, eu só preciso trocar de roupa e encontro vocês lá. – Camillo acenou com a cabeça e desapareceu pelo corredor.
- Essa mulher vai me deixar louco, pai! Louco! – disse, jogando os braços para o alto o que fez Camillo soltar uma gargalhada.
- Não seria primeira vez. – olhou para o seu pai confuso, que apenas deu de ombros. – Vamos, , você não vai querer deixar sua amada esperando.

apareceu um pouco tempo depois que eles estacionaram o carro em frente ao hospital, percebeu que mesmo cansada, ela não tirava o sorriso do rosto e fez questão de cumprimentar todos antes de sair. A cada pedacinho que descobria sobre fazia com que ele adicionasse mais uma peça no quebra cabeça que era , porém, parecia que ele sempre sentia que não ficaria satisfeito até que ele descobrisse tudo que ele podia saber sobre ela. De alguma maneira muito louca, ele sentia que era uma grande peça no quebra cabeça que era sua própria vida. Como se ela fosse a peça que faltava pra tudo voltar a ser completo outra vez.
Camillo passou o caminho inteiro tentando puxar assunto tanto com seu filho quanto com , mas parecia que estava perdido em seus pensamentos enquanto ela estava muita cansada pra responder. Quando eles chegaram na casa dos , olhou para o relógio e finalmente percebeu o que estava prestes a acontecer. Ela olhou pelo retrovisor apavorada, porém Camillo sabia que estava mais do que na hora de dar mais uma ajudinha para que seu filho e sua nora finalmente vivessem o “felizes para sempre ” que eles merecem, mas não tiveram oportunidade de viver.
- Obrigada pela carona. – disse rápido, quando eles pararam em frente à casa dos seus pais. Ela desceu do carro como uma bala e se virou para eles continuando: - Se vocês fizerem a volta, Percy vai abrir o portão pra vocês saírem.
- Quem disse alguma coisa sobre carona? Nós vamos entrar com você. – e Camillo desceram do carro fazendo com que ela os olhasse assustados.
- O que? O que vocês estão fazendo? - Ela disse, se afastando do carro.
- Eu preciso tratar de uns assuntos com o seu pai.
- Mas meu pai não está em casa. – A essa altura já estava entrando em completo estado de pânico, a única coisa que separava de descobrir sobre Maria era uma porta.
- Camillo! ! – Uma porta que tinha acabado de ser aberta pelo seu pai. – Finalmente vocês chegaram.
- Você sabia que eles vinham? – se virou para o seu pai que andou em direção a eles. – Por que não me avisou?
- Ops! – Rick riu seu graça e deu de ombros. sabia exatamente o que estava acontecendo e o que seu pai e seu sogro estavam fazendo, a única coisa que ela esperava era que Maria ainda estivesse na escola.
- Mamãe! – Maria saiu pela porta com Sansão logo atrás dela e correu para os braços da mãe, se abaixou e abraçou a filha forte, a colocando no colo logo em seguida. Sansão, porém, nem se importou com e passou direto pulando em cima de que caiu no chão e deixou o cachorro lamber seu rosto. tinha um sorriso no rosto enquanto fazia carinho em Sansão, parecia que não tinha sido a única que tinha sentido falta dele.
- Ele é sempre assim com os visitantes? – perguntou, quando Sansão se deitou no chão para que ele fizesse carinho na sua barriga. Ele olhou pra , que riu de lado e disse:
- Só com os que ele gosta, e aparentemente, ele gostou muito de você.
- Será que o mesmo se aplica pra dona? – sorriu de lado e depois seu olhar pairou sobre Maria. – E quem é essa, princesinha?
- Mamãe, ele me chamou de princesa! – Maria disse, batendo as mãos. – Ele é o príncipe!
- Ou ele é um sapo! – respondeu rápido. – Isso a gente ainda tem que descobrir.
- Ai eu não acredito! E como a gente descobre isso?
- No meus contos de fadas, pra saber se um sapo é um príncipe, a rainha tem que beija o sapo. – deu uma piscadela pra que balançou a cabeça. – Ou nos dia de hoje tudo que é preciso é dar seu número pra ele.
- O que são números, mamãe? – Maria perguntou, olhando pra .
- Você ainda vai aprender, meu amor. – sorriu para a filha.
- Que tal nós entrarmos hein?! – Rick sugeriu fazendo com que olhasse para ele. – Maria estava dizendo o quanto queria que você fizesse o seu sanduiche favorito.
- Com muito queijo, mamãe. – se virou para entrar em casa enquanto Maria continuava falando sobre o seu sanduiche favorito.
- Você pode ficar com ela enquanto eu preparo o sanduiche? – Ela perguntou a Mia que esperava no corredor.
- Claro! Ela passou a manhã inteiro falando de como você não fez o sanduiche dela hoje de manhã. – entregou Maria para ela e foi direto para cozinha sem nem ao menos olhar para trás. No automático ela foi tirando as coisas e montando o sanduiche de Maria, quando ela terminou, ela se apoiou na bancada e sentiu as lagrimas começarem a rolar por seu rosto. Claro, mas é claro que iria encontrar Maria! Claro que ela iria descobrir logo de primeira que ele é o príncipe da história! Claro que seria na pior das circunstâncias! Mas é claro que esse segredo, agora mais do que nunca iria me matar aos poucos. , pensou começando a limpar suas lagrimas.
- Então é por isso que você não quer sair comigo? – disse, fazendo com que ficasse tensa. – Por que você tem uma filha? – viu as mãos de pararem de cada lado do balcão e sentiu o calor do corpo dele logo atrás dela. Ela queria tanto apenas jogar os braços ao redor dos ombros dele e se deixar perder neles.
- Maria é muito importante pra mim, . – se virou, se encostando no balcão atrás dela. – Ela sempre virá primeiro, não importa a situação.
- E eu não estou pedindo pra isso mudar, , eu só estou pedindo um encontro. Só isso. – abaixou e balançou a cabeça. – Você ainda ama o pai da Maria, é isso?
- É complicado, , é tudo muito complicado. – o encarou e ela pode ver que o quanto ele estava sendo sincero. Fazia meses que não olhava pra tão de perto a ponto de ver tudo que ele estava sentindo em seus olhos e encara-lo depois de tanto tempo fez com que ela se perguntasse mais uma vez o por que dela não ter contado toda a verdade no dia em que ele acordou. – Mas quem sabe está na hora de descomplicar. – disse, sorrindo largamente. – Me chama pra sair de novo, .
- , você quer sair comigo? – disse, sorrindo de volta.
- Pensei que você nunca ia perguntar. – jogou as mãos para o alto e soltou um “Gloria a Deus!” o que fez com que soltasse uma gargalhada. – Você é um idiota!
- Cuidado, , você vai em um encontro com esse idiota.
- Sim, eu vou.
- Senhora . – Mia disse da porta da cozinha fazendo com que os dois olhassem pra ela.
- Olá, Mia. – olhou em seu relógio e viu que já passava das dez da manhã. – Deixa só eu pegar o seu dinheiro.
- Não precisa, o senhor Rick já me deu antes de ir para o escrito com o senhor Camillo. Se a senhora quiser eu posso ficar mais um pouco cuidando de Maria.
- Não, Mia, nós vamos resolver algumas coisas do aniversário dela então eu vou passar o resto do dia com ela. Muito obrigada pela sua ajuda.
- Até amanhã, senhora. – Mia desapareceu de onde veio e se virou pra .
- , será que você pode olhar Maria enquanto eu tomo banho? – perguntou e viu com que olhasse pra ela assustado. – Não precisa se preocupar, eu prometo não demorar muito, eu só preciso tirar o cheiro de hospital de mim. Maria não vai te dar trabalho, provavelmente vai perguntar várias perguntas sobre você ser um príncipe e como é seu reino, cavalo e afins.
- Então tudo bem. – se afastou, começando a andar em direção a porta da cozinha. o observou com um sorriso no rosto, o que ela não daria pra só abraça-lo mais uma vez.
- . – Ela disse fazendo com que ele parasse e se virasse. – Me dá um abraço? – , sorriu sem os dentes e andou em direção a , a abraçando forte pelo pescoço. Pela primeira vez em quase dois anos depois que acordou, sentiu que estava segura. Ela não queria sair desse abraço nem que ela fosse forçada.
- ...
- Só mais um pouquinho, . Eu só preciso de mais um pouco de você. – disse e a abraçou mais forte.
- Mamãe. – escutou a voz da filha fazendo com que ela se separasse dele. Maria estava com uma boneca no braço e com Sansão ao seu lado, ambos olhando para com a adoração nos olhos. – Será que eu posso brincar com o príncipe um pouco?
- Eu não estou vendo nenhum príncipe. – respondeu, olhando ao redor da cozinha fazendo com que Maria risse e Sansão latisse. a cutucou fazendo com que ela se afastasse um pouco dele. – Ué, mas eu estou falando a verdade, você não chegou aqui em um cavalo branco.
- Príncipes modernos tem carros brancos, para sua informação.
- Você tem um carro branco? – Maria perguntou, com os olhos brilhando. – Acho que ele está certo, mamãe, um carro é bem melhor do que um cavalo.
- E você está certíssima, Maria. – a pegou nos braços fazendo com que ela gargalhasse. – Agora vamos, eu tenho muito pra falar sobre príncipes modernos enquanto sua mãe toma banho. – Ele começou a andar em direção a sala, com Sansão logo atrás. – E cá pra nós, nós dois sabemos que ela está precisando. – gritou da sala fazendo com que Maria gargalhasse alto.
E foi a primeira vez que sentiu uma real esperança de que poderia ter sua família completa novamente.


não viu as horas passar enquanto brincava com Maria. A menina parecia uma força da natureza e não parava e fazer perguntas sobre como ser um príncipe moderno, como era seu castelo e seus carros. fez o seu melhor pra contar a melhor história de príncipe moderno, lembrando-se de todos os contos de fadas que assistiu com Sofia. Como isso não era suficiente, Maria queria ver fotos e como um bom príncipe mostrou fotos do seu novo apartamento, dos seus carros e até do seu carro de corrida onde ele prometeu pedir permissão de para poder levar Maria algum dia. Claro, que uma corrida não era algo que uma criança deveria estar, algo de ruim poderia acontecer e não queria que Maria soubesse que existiam coisas ruins no mundo, porém, como é que ele resistia a aqueles olhinhos de cachorro pidão que ele sabia que eram os mesmos que ele usava quando queria pedir alguma coisa? Nem que quisesse ele poderia resistir, agora ele só tinha que pedir permissão pra pra fazer um grande tour sobre a vida de um príncipe moderno com Maria.
- Então esse desenho parece o seu carro? – Maria estendeu o desenho na frente de . Ela tinha decidido que precisava de um lembrete de como são príncipes modernos então começou a fazer desenhos parecidos com as fotos que tinha mostrado pra ela.
- Maria, você é quase uma pintora! – pegou o desenho, o inspecionando. – Nós provavelmente deveríamos colocá-lo em algum museu.
- Bem que mamãe disse que o príncipe seria exagerado. – Maria disse, se sentando no colo de . – Você pode ficar com esse desenho, eu já tenho vários.
- Muito obrigada, Vossa Majestade. – tirou sua carteira do bolso e colocou o desenho dobrado dentro da mesma. – Falando em sua mãe, você não acha que ela está demorando muito. – abraçou Maria.
- Ela dormiu! – Maria disse, começando a rir. – Mamãe fica muito cansada e dorme depois que chegam em casa.
- Que tal a gente ir lá conferir? – Maria balançou a cabeça e se levantou rápido a levando junto.
- Você tem boas intenções com minha mãe? – Maria perguntou seria, fazendo com que a olhasse assustado.
- O que?
- É que a mamãe disse que existem muitas pessoas com más intenções no mundo. – Maria disse, enquanto eles subiam a escada.
- Eu tenho a melhor das intenções com sua mãe, Maria.
- Bom! Mamãe precisa ser feliz.
- E você não acha que ela é feliz?
- Acho, mas falta alguma coisa. Você vai cuidar da minha mãe, príncipe?
- Não só dela, de você também. – fez cocegas em Maria que o abraçou pelo pescoço.
- Mamãe estava errada, você não é um sapo, é o príncipe mesmo.
- Esse é o quarto da sua mãe? – parou em frente a uma porta que ele nem ao menos sabia como tinha chegado lá. Maria assentiu e tomou a liberdade de bater na porta antes de abri-la. Como se era esperado, estava deitada na cama toda encolhida e agarrada em um travesseiro. – Você acha que a gente deve acorda-la? – Maria balançou a cabeça e pediu pra que a colocasse no chão. Ela correu em direção a cama e se aninhou nos braços da mãe, viu sorrir e abrir os olhos um pouco. Ela olhou pra Maria, depois para e disse:
- Deita aqui, .
- , eu não acho...
- Cala a boca e vem logo. – respirou fundo, fechando a porta atrás de si e depois andou em direção à cama se deitando do outro lado. estendeu a mão e disse: - Mais perto. – foi pra mais perto assim a mão de podia tocar seu ombro. sorriu de lado antes de voltar a dormir, olhou pra Maria que também parecia tinha caído no sono.
E de alguma maneira, olhando para essa mulher e essa menina, ele sentiu como se estivesse completo outra vez.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.





Outras Fanfics:
Flawless Curse[Mcfly/Finalizadas]
Come Away With Me [Outros/Finalizadas]
03. 03. Hands To Myself [Ficstape Revival]
Time Heals Wounds [Restritas/Finalizada]
14. Easy Way Out [Ficstape Mcfly]
09. Young Volcanoes [Ficstape Fall Out Boy]
06. The Mighty Fall [Ficstape Fall Out Boy]


Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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