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Última atualização: 05/05/2018

Capítulo 01

Dezembro de 2011
Parada, de olhos fechados no meio da sala de dança da Internacional School of Minnesota, se encontrava. A música ao fundo era Bingle Bingle do grupo Big Bang, e a garota de cabelo preto liso absorvia cada nota com o coração. Cada fibra de seu corpo vibrava com a batida da música enquanto os giros que teria que fazer naquela tarde no gelo rodava em sua mente. Mas antes que pudesse iniciar o treino em chão firme dos meus movimentos batidas foram ouvidas e seu olhar seguiu em direção a porta. Dois rostos familiares surgiram dentro da sala com sorrisos empolgados.
- A sua presença está sendo requisitada no almoço. - Miguel, melhor amigo de toda a vida de e capitão do time de hockey, informou com um sorriso maroto em seu rosto. Seus olhos cor de mel esverdeados brilhavam excitação por poder tampar em breve o seu buraco negro particular, também conhecido como estômago.
- Mas já? - A arregalou os olhos realmente assustada em como a hora havia corrido.
- Sim, sabíamos que você tinha perdido a noção e viemos te chamar. - Ariana, a melhor amiga mais fofa de todo o mundo, explicou em um tom carinhoso. Miguel caminhou até o banco em frente a parede de espelho e colocou a mochila da melhor amiga em seu ombro.
- Se deixar, você fica aqui até a hora do seu treino sem ter noção do tempo dançando essas músicas doidas. - O rosto rústico do estudante se contorceu numa careta engraçada.
- É música coreana, Miguis, coreana. - rolou os olhos e os seguiu em direção ao refeitório da escola.
- Coreano ou japonês. Tanto faz. Eu não entendo nada mesmo. - Ele deu de ombros e a patinadora lhe deu um tapa no ombro.
- O importante é que ela entende. - Ari piscou brincalhona para Miguel.
- É verdade! - concordou com a melhor amiga.

Ao entrarem no refeitório amplo e abarrotado de adolescentes barulhentos e famintos, as gêmeas Amélia e Amanda, duas estudantes intercambistas da Itália, acenaram para os indicar que já estavam devidamente sentados na mesa tradicional deles. A mesa ao centro do refeitório era composta pela nata da Internacional School of Minnesota. Todos os filhos prodígios e promessas de um futuro de ouro estavam sentados ali. O que incluía e seu seleto grupo de amigos. Amy&Mandy, duas loiras altas e de olhos azuis, eram as pupilas da treinadora do time de vôlei. Miguel, Garry e Nicholas eram os três mosqueteiros do time de hockey no gelo da escola. Ariana, de todos era a única sem aptidão nenhuma para os esportes. Por isso era responsável por ser a promissora capitã do Glee* da escola, e de tirar sempre as melhores notas em competições dos clubes nerds do colégio. E por fim, , uma das representantes olímpica dos Estados Unidos da América de patinação artística no gelo. Juntos eram a parcela popular dos alunos do freshman year*. Os veteranos populares também compartilhavam mesas vizinhas e assim a hierarquia social na escola era mantida.

- Ouvi dizer que esse final de semana o Tyler do sênior year* vai dar uma festa na casa dele. - Nicholas, um loiro de olhos de azuis, com o corpo definido, parecia ter acabado de sair de um comercial da Abercrombie, falou com um sorriso cheio de segundas intenções nos lábios ao ver os amigos recém chegados se acomodarem na mesa após se servirem no buffet do refeitório.
- Eu também! Ouvi dizer que o Jamie perguntou pessoalmente se você iria ser chamada. - Amy levantou as sobrancelhas duas vezes e ofereceu um sorriso travesso para . A garota rolou os olhos impaciente com o comentário da amiga.
- Ele mandou uma mensagem sobre, mas eu ignorei. - A garota de traços asiáticos deu de ombros.
- Você tem que me ensinar a ser como você. - Garry, o ruivo da turma, apontou o dedo na direção da amiga.
- Ai, , ele é tão fofo. E parece estar muito a fim de você. - Mandy piscou os olhos azuis de forma sonhadora.
- Pode ficar com ele pra você. - A patinadora respondeu num tom impaciente e tomou um gole da sua garrafa de água. Miguel passou o braço direito pelo ombro da amiga e com a mão esquerda apertou as bochechas da mais nova.
- O único homem da vida da sou eu. - Os lábios do capitão do time de Hockey depositaram um beijo na bochecha da asiática.
- É verdade. - Os olhos da estudante se exprimiram com o sorriso que tomou seu rosto.
- Vocês vão casar. - Nicholas comentou despretensiosamente e pegou uma batata frita da bandeja de Ariana, porém a garota deu um tapa estalado na mão do amigo - Só uma. - fez um bico infantil, mas em troca só recebeu um olhar repreensor.
- Come sua comida, Nicholas. - Ariana ralhou e apoiou o braço ao lado de sua bandeja, bloqueando o acesso do garoto a suas batatas.
- Então, nós vamos? - Garry perguntou encarando todos por cima da mesa.
- Vamos! - Mandy bateu palminhas empolgada.
- Vamos. - deu de ombros e deixou sua mente viajar nos passos que teria que fazer no treino de hoje.
- E a nossa viagem para a Disney nas férias está de pé, né? - Amy perguntou com a expressão sonhadora.
- Sim, vamos fechar o hotel essa semana.- Miguel lhe ofereceu um sorriso e estalou o dedo na frente do rosto de ao perceber o olhar desatento da mais nova.
- Ahm, é sim. - Ela informou ao tomar um pequeno susto.
- Você vai dividir quarto com o Nick, então? - Miguel brincou e segurou a risada ao ver os olhos da melhor amiga arregalarem e ela começar a negar veemente com a cabeça.
- Não, tá maluco? - a patinadora elevou a voz algumas oitavas. - Ei! Eu sou um ótimo companheiro de quarto, Okay? - O loiro cruzou os braços fingindo estar ofendido.
- Na verdade... - Garry coçou a cabeça e segurou a gargalhada a qual queria escapar - Você ronca e é bagunceiro.
- Nós vamos fechar o hotel da Disney essa semana. - Miguel informou em meio as risadas por conta do soco que Nicholas dava em Garry.
- Vamos sim. - sorriu e observou a hora em seu relógio - Preciso ir. - Informou e levantou rápido, porém, Miguel segurou seu pulso.
- Estou satisfeita. - A mais nova depositou um beijo no rosto do melhor amigo, desprendeu-se de seu toque e caminhou com a mochila nas costas em direção ao ginásio de gelo da escola.

XXX

Apesar da ambientação fria do imponente ginásio da Escola Internacional de Minnesota o corpo miúdo e torneado de escorria suor em consequência da transpiração do treino de duas horas. Há mais de uma hora a garota treinava os giros que precisavam ser aperfeiçoados a tempo do seu próximo campeonato. Ela tinha pouco menos de um mês. E tudo precisava estar em perfeita sincronização. Porém só notou a presença de Daniel quando a música parou de tocar mais uma vez e palmas foram ouvidas. olhou para frente e encontrou o irmão mais velho escorado na barreira que limitava o ringue de gelo. Os dois sorriram cúmplices e olhou em direção a Wen. Sua mãe e treinadora, que por algum acaso era uma ex-campeã olímpica de prestígio, após aposentar-se das competições aceitou o convite para ser a treinadora da escola. Tornando-se a maior mentora de em sua carreira promissora dentro e fora de casa.
- Excelente trabalho por hoje, . Pode descansar. - A mais velha com sua prancheta em mãos informou enquanto anotava ideias para o treino do dia seguinte.
- Obrigada. - A estudante informou e patinou em direção a saída do ringue. Daniel a esperava com o sorriso empolgado, e antes mesmo da irmã dar um passo para fora da arena ele a puxou contra seu corpo e a abraçou.
- A omma* pediu para buscar vocês porque vamos jantar em família hoje. - Ele piscou para a mais nova.
- Só assim pra você fazer gentileza pra mim, né, oppa*? - A mais nova bateu no mais velho com a toalha que usava para secar o rosto.
- Que pirralha mais ingrata. - Danny beliscou o braço de sem muita força. A garota fez uma careta engraçada e sentou no grande banco de madeira para tirar os patins do pé. O alívio ao tirá-lo foi imediato e a americana fechou os olhos por alguns segundos para apreciar a sensação de dever cumprido.
- E onde nós vamos jantar? - A voz de soou grave depois de alguns segundos em silêncio.
- Vamos naquele restaurante tailandês que o Doug é viciado. Aparentemente ele e a May vão fazer um pronunciamento importante. - O mais velho se sentou ao lado da irmã e a observou por alguns segundos.
- Será que o Doug oppa vai finalmente casar? - riu e Danny lhe acompanhou.
- Está na hora mesmo. Quer tomar um café antes de encontrá-los? - Daniel cutucou a coxa da irmã ao perceber o cansaço querendo dominar o corpo da mais nova.
- Às vezes você pensa. - piscou pro mais velho e caminhou em direção ao vestiário para tomar banho e se arrumar pro jantar em família.

XXX

O restaurante preferido de Doug era um simpático e charmoso estabelecimento tailandês. O clima era intimista e extremamente seduzente. amava comer ali, não tanto quanto o irmão mais velho, ainda mais em meio a uma dieta pré-treino, evitava qualquer tipo de tentação gastronômica ao máximo. Ao adentrar o local abraçada com seu irmão do meio, sua barriga roncou com fome e garota começou o seu mantra sobre sentir necessidade de ingerir comida era psicológico. Doug, o filho mais velho do casal , estava acompanhado da namorada, também descendente de asiáticos. Os dois haviam reservado uma mesa central, espaçosa o suficiente para comportar os pais de ambos e os irmãos mais novos do rapaz. Diferente do look casual de um universitário que Daniel usava, Doug estava sempre uniformizado com seus ternos impecáveis. Os irmãos mais novos e Wen se aproximaram da mesa, surpreendentemente, já ocupada por todos os outros familiares. Até mesmo Derek , sempre tão ocupado havia dado a graça de sua presença. Os recém chegados curvaram-se em respeito aos já presentes.
- Ainda bem que chegaram, estávamos ficando preocupados. - Derek lançou um olhar rígido em direção aos filhos. Seus olhos de cirurgião cardíaco analisava cada detalhe da roupa dos filhos mais novos.
- Pegamos um pouco de engarrafamento.- Wen informou os presentes antes que o pai pregasse um sermão no filho do meio.
- É um sinal que o Danny dirigiu com responsabilidade. - Doug deu dois tapinhas orgulhosos no ombro do irmão.
- Eu sempre dirijo com responsabilidade. - O estudante universitário colocou uma mão no peito e afetou a careta como se estivesse se sentindo incompreendido.
- Ah, tá. - riu e recebeu em mãos de um simpático garçom o cardápio do local.
- Como foi o treino, filha? - O pai dos se pronunciou sereno.
- Foi bom, appa. - A garota deu de ombros e abaixou o olhar.
- O que houve? - Wen observou a sua menina com o olhar cheio de preocupação.
- Nada demais. Só estou nervosa com o campeonato que está por vir.- O dedo indicador da mão direita da patinadora iniciou movimentos circulares por cima da mesa.
- Não se preocupe, você é a melhor patinadora do mundo. - Doug fez o sinal de joinha em direção a irmã mais nova. deu um sorriso congelado mas derreteu-se por dentro com a atitude fofa do irmão mais velho.
- É verdade. Você está se esforçando muito, ganhará o primeiro lugar. - Wen deu três tapinhas na mão da filha, a mais nova concordou sendo logo em seguida interrompida pelo garçom.
Com os pedidos feitos e as taças de vinho preenchidas, Doug bateu de forma delicada com o garfo em sua taça e pôs-se de pé. Todos os olhares da mesa encararam o advogado com atenção.
- Gostaria de ter um minuto da atenção de todos… - Um sorriso ansioso delineou os lábios em formato de coração do americano - Eu e a May estamos juntos há alguns anos e eu sou muito grato de tê-la do meu lado. Sempre que eu penso no meu futuro é ela que eu vejo ao meu lado, compartilhando nossas vitórias, dividindo os fardos e me fazendo o homem mais feliz do mundo por simplesmente existir. Por isso na noite de hoje, na frente de nossos pais e irmãos, gostaria de pedir a mão de May Park em casamento. - O moreno tirou uma caixa de veludo do bolso, a abriu e colocou na altura do olhar da sua namorada o anel de noivado.
- Finalmente! - Danny e falaram em coro.
- É claro que autorizamos o casamento. - Sr. Park falou com um sorriso sereno.
Doug colocou o anel na mão da noiva e seus irmãos mais novos puxaram a salva de palmas.
- Eu quero ser a madrinha. - A caçula dos aumentou o tom de voz para o irmão ouvir sua exigência por cima das palmas.
- Claro que vai. - May respondeu com um sorriso doce e a mais nova correspondeu com um satisfeito.
- Eu não sei colocar em palavras a felicidade de ver meu primogênito dar o primeiro passo para iniciar sua familia. - Wen disse orgulhosa.
- Um brinde a família. - Doug puxou o brinde ao levantar sua taça, os demais o seguiram extremamente felizes.

XXX

Miguel estava deitado na cama de , enquanto a garota e Ariana colocavam o closet da para baixo a procura de dois looks marcantes para elas usarem na festa de Tyler Points. O veterano era conhecido por dar festas lendárias, e desde que entraram no High School, e seu grupo de amigos nunca perderam uma. E desta vez não seria diferente. Batidas soaram na porta e um Daniel bem arrumado, sem esperar um comando de autorização da irmã entrou no recinto.
- Grande Miguel! - O músico riu e olhou por todo o quarto para procurar a irmã, a figura de saiu de seu closet em passos rápidos e um olhar repreensivo.
- Nós batemos na porta e esperamos o dono do quarto autorizar sua entrada. - Ela o repreendeu enquanto analisava o look do irmão e chegou à conclusão que o mesmo faria show naquela noite.
- O appa me deixou no comando. - Danny piscou e rolou os olhos. Miguel sentou-se na cama com o sorriso divertido, ele amava observar a pequenas discussões entre sua melhor amiga e o irmão dela - E sob essa premissa gostaria de saber aonde pensam que vão?
- Na festa do Tyler. - Miguel respondeu por cima da garota e apontou para o amigo com um sorriso amarelo.
- Quem é Tyler? - Daniel cruzou os braços, fingindo estar bravo, apenas para irritar a irmã.
- Tyler Points. Ele é veterano. Eu vou com os meninos de sempre. Vamos com o carro do Miguel. - balançou o dedo como se tivesse pontuando de forma imaginária todos os possíveis detalhes que o irmão poderia perguntar.
- Se o Mi vai tá tudo bem, eu deixo vocês irem. - ele deu de ombros - Estou saindo pro meu show, nos vemos amanhã. - informou, dando uma piscadela – Tchau, Ariana! - gritou para a garota dentro do closet ouvir e saiu antes mesmo do estrondo da estudante derrubando os sapatos de closet abaixo ressoar pelo cômodo.
- Seu irmão confia mais em mim do que em você. - Miguel zombou enquanto arremessava uma das almofadas rosas da cama para cima.
- Ele te ama mais mesmo. - Ela riu e entrou no closet a passos largos para ajudar a amiga - Tá tudo bem?
- Tá sim. - Uma Ariana com as bochechas extremamentes vermelhas respondeu sem encarar a mais velha nos olhos.
- Okay… - a voz de foi descendo as oitavas, mas achou melhor não indagar a reação da amiga, focou seu olhar no seu armário de calças. Para várias o clima em Minnesota estava frio e não seria uma boa ideia sair com as pernas de fora. amava o clima de sua cidade, o fato de estarem quase em pleno verão e não ter nem sinal de um calor esturricante era a melhor parte sobre Minneapolis. Uma certeza ela tinha, não havia sido feita para morar em cidades no Estados Unidos como as da Califórnia, por exemplo. Não conseguia se imaginar adaptada ao sol escaldante e o amor pela praia.
- Vão demorar mais quanto tempo? - Miguel reclamou com o tom de voz claramente entediado. Cansado de ficar na cama, levantou-se e foi até o laptop da amiga, verificar sobre os resultados dos times profissionais de hockey.

Após os três estarem prontos, aproveitou a ausência de todos os mais velho da casa, e assaltou o estoque do seu irmão do meio de vodka. Encheu um copo de shot para cada um e entregou na mão dos amigos com um sorriso travesso.

- Um brinde ao nosso futuro. - Miguel propôs, os três murmuraram "cheers" ao mesmo tempo ao chocar um copo no outro e tomaram um longo gole.
- Agora vamos porque a Amy não para de me mandar mensagem falando que só falta nós três. - Ari comentou ao ver o celular vibrar mais uma vez.
- Então, vamos, mi ladies! - Miguel rodou a chave do Jeep de seu pai no dedo indicador e os três seguiram extremamente animados para a festa.

- A-MIIII-GAS!!!!!!! - a voz já arrastada de Mandy ressoou no ouvido dos recém chegados na casa estilo gregoriano dos Points. e Ari foram até a garota e lhe deram um abraço apertado em conjunto - Até que enfim vocês chegaram!
- Elas demoraram duas horas para decidir qual seria a maquiagem da Ari. - Miguel informou com um bico rabugento nos lábios, Mandy franziu os olhos e percebeu a diferença no rosto da amiga mais geek do grupo.
- Você está usando lente de contato! - Apontou pro rosto da mais baixa e Ariana deu de ombros extremamente envergonhada.
- Sim! Finalmente ela cedeu! - bateu palminhas empolgadas e analisou as pessoas a sua volta.
- O Jamie já perguntou por você… - Mandy informou com um sorriso malicioso, a patinadora respirou fundo e apontou em direção ao bar.
- Preciso beber paciência. - informou antes de puxar os amigos e Miguel as seguiu.
- Uns beijinhos não vão te matar. - Mandy riu e Ariana deu um tapa em sua testa.
- , não faça nada se você não tiver a fim. - Ari deu um sorriso fofo para amiga, os dedos da patinadora não exitaram em apertar a bochecha da mais nova ao ver sua careta fofa.
- E lembre-se que eu posso bater no cara que for por você. - Miguel disse num tom brincalhão, apenas levantou o polegar direito sem virar-se para o amigo.
- Tá bom, você não bate nem em barata. - retrucou risonha. Ao chegar no bar que havia sido instalado no canto da sala de jantar dos Points, debruçou na banca e com um sorriso extremamente simpático apontou para uma cerveja.
- Três, por favor. - Miguel colocou os braços no ombro da amiga e o barman apenas assentiu, trazendo poucos segundos depois o pedido do casal.
- Eu amo Minneapolis! - riu e brindou seu copo vermelho com cerveja com os amigos. Os três caminharam até a mesa de Ping Pong no salão de jogos do porão, onde Amy, Garry e Nicholas participavam de um campeonato acirrado de beer pong.
- Piaaa! - o ruivo do grupo levantou os braços, os balançou no ar e abraçou a amiga tirando-a do chão.
- Larry! - replicou a brincadeira dando tapinhas fortes nas costas do amigo. Ao colocar a garota de volta, o ruivo cumprimentou Ariana com um beijo no rosto e Miguel com um abraço caloroso.
- Vocês chegaram! - Amy bateu palminhas empolgadas. Nicholas, o mais sóbrio do grupo, deu um beijo nas garotas e em Miguel um toque com as mãos.
- Agora a diversão vai começar… - A voz de Jamie Huang, sobressaltou pela multidão e congelou o sorriso no rosto. Em seguida a garota virou de uma vez o líquido do seu copo e encarou o mais velho a sua frente com uma sobrancelha levantada. Jamie era bem alto, com 1,91 de altura e corpo definido, era o capitão do time de basquete da escola. Era um dos solteiros mais cobiçados do High School e desde pequeno tinha olhos para . A mãe do atleta era melhor amiga de Wen , e juntas planejavam o casamento de seus filhos desde quando a patinadora era muito nova. E como um filhinho da mãe obediente e extremamente intolerante a nãos, Jamie havia se apegado a ideia de ter a caçula dos para si. O que tirava a garota totalmente do sério. Primeiro: Jamie era um babaca. Achava que tinha tudo e todos do mundo aos seus pés. Segundo: ele era problema na certa. Toda a sua áurea gritava: saia correndo, eu sou problema puro. Terceiro: ele era mimado e extremamente convencido. odiava o tipo de garoto que tinha a necessidade de ser o centro das atenções. Necessidade de excesso de atenção para ela era insegurança, e por essas e tantas outras razões a garota sentia o corpo estremecer de nervoso ao ver o garoto por perto.
- Vai mesmo! - Mandy, uma romântica incorrigível e decoradora de conto de fadas da Disney, empurrou a amiga para frente, fazendo-a trombar contra o corpo de Jamie. O atleta agora estava parado a apenas alguns passos do grupo de amigos, o braço esquerdo estava apoiado sobre a mesa e seu sorriso convencido estampava seus lábios - Eu desafio vocês dois a vencer eu e a Amy no Beer Pong. - a loira piscou maliciosa. Ela sabia atingir o calcanhar de Aquiles da amiga: sua competitividade.
- Eu te odeio! - rosnou entredentes ao virar de frente pra amiga, semicerrou os olhos e puxou o mais velho pelo pulso até o outro lado da mesa de Ping Pong. Os adolescentes bêbados se agitaram ao ver os participantes se ajeitando e começaram a gritar por uma das duas equipes.
- Dois japoneses contra italianas não é justo. - Garry brincou e tomou um tapa na cabeça de Miguel.
- Eu sou coreana. - deu o dedo do meio para o amigo, ao mesmo tempo em que Jamie também levantou o seu e reclamou com o garoto.
- Eu sou chinês, imbecil. - retrucou e encarou a com um olhar encantado. balançou a cabeça e apontou o dedo em riste no rosto do mais velho.
- Eu te mato se perdermos. - Informou, Jamie piscou e lhe roubou um selinho.
- Pode deixar pequena, depois que ganharmos quero um prêmio. - a patinadora encheu o braço do jogador com tapas ardidos, fazendo dar um passo pro lado para fugir da agressão.
- Não encosta estes lábios sujos nos meus! - informou com o rosto vermelho e virou o olhar fulminante para Mandy, culpando-a em silêncio. Ela fechou o punho esquerdo e fingiu cortar o pescoço com o dedo, mostrando às amigas que estavam perdidas. Amy deu Start no jogo ao tentar arremessar a primeira bola de Ping Pong em um dos copos de cerveja do lado adversário. A garota enfeitou os lábios com um bico infantil ao errar o objetivo. Jamie arremessou a primeira bola da sua equipe e acertou de primeira um copo das gêmeas. comemorou o primeiro ponto num movimento de braço enquanto o jogador se gabava para ela com um sorriso ladino e piscada.
- Eu sou seu melhor parceiro. - piscou para , a americana rolou os olhos e deu outro tapa no braço do garoto ao ver Mandy acertando um copo deles.
- Por favor, primeiro as damas. - o estudante do senior year informou com um olhar maroto, a patinadora nem exitou ao levar um copo até a boca e o virar.
- Vai com calma, . - a voz de Miguel soou ao fundo.
- Estou bem. - Informou sem olhar para o amigo, pegou uma bola de Ping Pong na caixa de estoque na mão de uma veterana e jogou a sua primeira bola, acertando um dos copos das gêmeas.
- Ela está bem. - Jamie mostrou os dois dedões em formato de positivo para seu calouro.
- E é melhor continuar assim. - Miguel resmungou e cruzou os braços.

Após meia hora, a última bolinha, jogada por , atingiu o único copo ainda sobrevivente das gêmeas. Jamie não exitou em passar as mãos pela cintura da mais nova, que por sua vez tinha o corpo e a mente embalados pelo efeito dos dez copos de cerveja que havia tomado, por isso, a patinadora entrelaçou os dedos pelo cabelo liso do jogador e deu início ao primeiro beijo da sua vida. Por conta do álcool em seu sistema, a jovem não ficou nervosa em momento algum. Deixou seu corpo seguir o ritmo que Jamie ditava e apenas se entregou. As pessoas em volta olhavam num misto de surpresa e empolgação. Os amigos de Jamie urraram em euforia e Miguel ameaçou ir na direção do casal para poupar da ressaca moral no dia seguinte, mas Amy colocou a mão em seu peito e o impediu de separar um dos casais mais esperados da Internacional School of Minnesota. Após alguns minutos o casal finalizou o beijo com um selinho demorado e Jamie colocou a patinadora no chão de novo. Num movimento rápido o veterano entrelaçou as mãos e observou a garota a sua frente admirado.
- Você é um vício, . - Passou o dedo indicador pelos lábios avermelhados da mais nova, fazendo-a piscar para ele.
- Acontece. - Ela respondeu com o sorriso maroto e puxou o garoto em direção ao sofá de couro ocupado por dois casais. Ao sentarem no único espaço ainda disponível a garota não perdeu tempo em avançar contra os lábios de Jamie. Sentiu dentro de si como se uma fome descomunal pela boca do atleta tivesse despertado dentro da estudante. O cheiro de cigarro, misturado com o perfume Calvin Klein, entorpeceu qualquer resto de sanidade no corpo da jovem. A caçula dos deixou seu corpo responder por ela, e aquela noite, pela primeira vez, não reprimiu seus instintos e se deixou ser levada pela impulsividade.

XXX

Na tarde seguinte, o celular de apitou em cima do criado-mudo enquanto era carregado. A garota resmungou ao despertar sem abrir os olhos, protestou alguns segundos ao manter os olhos fechados e sentiu seu mundo rodar por alguns minutos. Ressaca... ela definitivamente estava de ressaca. A garota esticou apenas o braço para fora de sua coberta vermelha e pegou o celular em mãos. Abriu os olhos e verificou que era extremamente tarde. O visor a informava ser três horas da tarde, ele também mostrava notificações no iMessage. Assustou-se ao ver a quantidade de notificações, mas achou melhor lê-las depois de tomar um banho e comer alguma coisa. Jogou o celular sobre a cama e espreguiçou-se, antes mesmo de calçar seus chinelos, Seoul latiu do lado de fora da porta para chamar atenção da dona. , vestida com seu onese de Squirtle, andou de forma preguiçosa e liberou a entrada do Golden Retriever. O cachorro invadiu o quarto de forma eufórica e latiu empolgado, fazendo a cabeça de sua dona reclamar com pontadas agudas. amaldiçoou todo o álcool ingerido na noite anterior e sentou-se no chão para Seoul lhe dar lambidas empolgadas. Após alguns minutos ao lado do cão, caminhou com o bicho em seu encalço até a cozinha. Ao passar pela sala encontrou Miguel sentado no sofá com uma tigela de cereal em seu colo e com os olhos vidrados em um jogo qualquer na televisão.
- Anyohaseyo, sunshine! - O garoto espremeu os olhos num eye smile e deu um sorriso amarelo pro amigo, fazendo rir do estado zumbi da mais nova - Acordou de ressaca, foi?
- Não conheço esta palavra. - Respondeu sarcástica e deu de ombros.
- Quer que eu faça panquecas pra você e lhe arrume uma aspirina? - O atleta ergueu as sobrancelhas de forma marota e concordou com a cabeça da forma mais efusiva que sua dor de cabeça e enjoo permitiam no momento.
- Às vezes eu acho que você lê meu pensamento. - murmurou com a voz grave por ter acabado de acordar e seguiu na frente do melhor amigo para a cozinha.
- Eu leio mesmo. E inclusive sei do fato de você estar ignorando seu celular por enquanto por medo de descobrir o que aprontou ontem.
- Eu aprontei algo muito sério? - sentou na primeira cadeira vazia da mesa e fez uma careta preocupada para Miguel.
- Depende do que você chama de aprontar… - Ele riu e arfou sôfrega.
- Eu não falei baleiês com as pessoas não, né? - Mordeu o canto dos lábios e um arrepio subiu pela espinha apenas de imaginar o mico se tivesse tentado se comunicar com as pessoas “na língua das baleias” da personagem Dory do filme Procurando Nemo.
- Não, você só tentou aplicar uns feitiços do Harry Potter com um canudo. Você jurou que era sua varinha. - Miguel segurou o riso e colocou a mão na testa, extremamente envergonhada com seu comportamento da noite anterior - Ah, e claro, você falou coreano por uma boa parte da noite.
- Eu não vou beber nunca mais. - Ela resmungou e negou com a cabeça.
- Não vai mais beber até a festa da Barker, né? - Vidal riu debochado e ligou o fogão para aquecer a frigideira.
- Devo saber de mais alguma coisa? - resmungou com o olhar cheio de vergonha sobre as costas do melhor amigo. O atleta virou com uma careta preocupada e confirmou com a cabeça.
- Sim… mas é melhor se alimentar antes. - Avisou e deixou a cabeça despencar até seus braços.
- Aigoo! - Grunhiu e fechou os olhos. Sua cabeça rodava como se tivesse dentro de algum brinquedo extremamente radical de um parque de diversões, sua boca estava extremamente seca, seu estômago sensível, a sensação de frustração só aumentava dentro de si ao tentar lembrar dos acontecimentos da noite anterior e falhar. Mas seu HD interno havia gravado apenas até a parte a qual Jamie Huang lhe convidou para ser sua dupla no Beer Poing. JAMIE HUANG, o nome do veterano brilhou em sua mente e levantou o corpo num arranque brusco - Não diz que eu dei meu primeiro beijo em…
- Jamie Huang. - Miguel deu vida às palavras e a jovem forçou um choramingo desesperado.
- Eu não dei na cara sobre ser meu primeiro beijo, né? - Ela franziu o rosto numa careta preocupada e o amigo caiu numa gargalhada alta.
- Olha, pelo menos de onde eu estava assistindo não me pareceu cometer nenhuma gafe. As horas de treino com o gelo deram certo. - O tom do mais velho era extremamente debochado.
- Aigoo! - Grunhiu mais uma vez, levantou da cadeira exasperada e correu em direção ao seu quarto acompanhada de um Seoul eufórico em seu encalço. Parou em frente a cama e tateou em desespero até encontrar o aparelho no meio das cobertas. Ao observar suas mensagens, arregalou os olhos ao ver cinco mensagens de Jamie. Destravou o celular e leu todas de forma ligeira. Ao contrário das suas expectativas sobre o garoto sumir assim que ficassem, nas mensagens ele a chamava para irem ao cinema juntos. Em automático caminhou de volta para a cozinha com sua mente um pouco confusa. Primeiro, ela havia beijado pela primeira vez e tinha apenas flashes borrados do acontecimento. Segundo, ela havia beijado seu amigo de infância e um dos caras mais populares da escola. Sua mente parou por alguns segundos e por algum motivo desconhecido um frio se agitou em sua barriga. chacoalhou a cabeça e sentou de novo na cadeira, agora Miguel já havia terminado sua panqueca e só por aquele dia a garota resolveu jogar a dieta pré-treino para o saco e deliciou-se com o alimento a sua frente, com direito a cobertura de chocolate para completar o pacote.
- Você não lembra de nada? - Miguel perguntou ao sentar de frente a melhor amiga com seu prato cheio de panquecas também.
- Eu lembro até o início da partida. Depois disso as memórias são uns borrões. - deu de ombros e respirou fundo - O Jamie me convidou para ir ao cinema. - Soltou as palavras com o olhar aflito e Miguel a encarou com atenção.
- E você vai? - O garoto levantou as sobrancelhas e analisou a amiga dar de ombros com o olhar extremamente confuso - Uau! está pensando mesmo em dar uma chance para Jamie Huang?
- Sei lá… talvez… - Sibilou quase para si e abaixou os olhos para as panquecas.
- O mundo vai acabar! - Miguel riu e segurou as mãos da mais nova, fazendo os olhos puxados e curiosos subirem até suas pupilas mel esverdeadas - Só não se joga de cabeça, okay? Não confio nele.
- Ele grita confusão, mas se aventurar sem compromisso não faz mal, né? - mordeu o canto dos lábios e Vidal concordou com a cabeça. Voltaram a devorar as panquecas em meio a lembranças da festa.


Capítulo 02

Os dias correram como num piscar de olhos até o dia da última qualificatória de patinação no gelo do estado de Minnesota. estava sentada com a cabeça baixa no vestiário apoiada em suas mãos, repassando seus movimentos em silêncio quando uma voz grossa e conhecida chamou sua atenção. A patinadora levantou a cabeça de imediato e encontrou seu melhor amigo, Miguel, com um sorriso enorme e as mãos fechadas em punho, chacoalhando-as.
- Fighting, ! - O garoto de olhos mel esverdeados sentou ao lado da mais nova e segurou suas mãos - Você treinou todos os dias, deu seu melhor. É só ter calma e concentração.
- Obrigada, Mi. - A estudante de traços asiáticos agradeceu com um sorriso fofo sem mostrar os dentes e encostou a cabeça no ombro do amigo - Você é meu melhor calmante.
- Eu sei. - Miguel piscou maroto para fazer a amiga rir - Mas tome cuidado, em poucas doses diárias posso causar abstinência.
- Esse risco eu não corro. Nós nunca iremos nos afastar. - entrelaçou sua mão com a do amigo.
- Isso é verdade. Eu vou atrás de você nem que seja do outro lado do mundo, tampinha. - O jogador envolveu o ombro da amiga e deu um apertão no mesmo. riu e respirou fundo ao ver sua mãe e treinadora entrar no vestiário para lhe passar as últimas instruções. - Hora do beijo da sorte. - Miguel deu um beijo rápido na bochecha da amiga e saiu afobado porta a fora do vestiário em direção ao seu lugar marcado, ao lado dos irmãos de sangue de .
Wen acompanhou a sua filha até a ponta do ringue, inspirou fundo antes de colocar as lâminas dos seus patins contra o gelo e desligou-se de qualquer nervosismo. Fechou-se em sua bolha e pelos próximos minutos toda sua mente estaria focada na sua música e nos seus passos.
Bingle Bingle do Big Bang em versão instrumental deu início e o patins da estudante deslizou para trás, combinados com movimentos graciosos de seus braços em automático. sentia seu coração acompanhar cada batida e passo de sua coreografia. Não permitiu-se apavorar em nenhum salto ou pirueta. Ao finalizar, seu sorriso era o reflexo do sentimento de dever cumprido. Havia performando de forma graciosa e sabia que havia prendido a atenção de todos os presentes. Seus olhos procuraram de forma minuciosa por rostos conhecidos na multidão. Não demorou muito para encontrar os amigos com pompons chacoalhando de forma empolgada. Ao lado seus irmãos e cunhada batiam palmas com os rostos extremamente orgulhosos. Porém não pôde deixar de ficar um pouco decepcionada ao não encontrar seu pai. Mesmo com o aperto no peito, manteve o sorriso e foi para o banco ao qual ela e as outras atletas deveriam assistir a performance que estava por vir.

Daniel foi o primeiro a abrir os braços para receber após confirmarem o primeiro lugar nas qualificatórias nacionais de patinação no gelo.
- Senhoras e senhores, rufem os tambores porque lá vem a Elsa asiática. - O músico fingiu usar a mão direita como um megafone e engrossou a voz. A patinadora, encontrava-se agora vestida com uma calça moletom da Adidas, um casaco confortável e quente, riu da piada do irmão e o abraçou forte.
- Cadê o appa, oppa? - A voz da garota saiu baixo apenas para o irmão entender.
- O appa foi chamado para uma cirurgia de emergência. Mas falou que amanhã teremos um churrasco para comemorar sua classificação nas nacionais. - O mais velho balançou os ombros da irmã e lhe deu um sorriso forçado. Ela amava seu pai, com todo seu ser, mas odiava o fato dele estar sempre trabalhando. Amava sua vida, não podia reclamar, tinha tudo que queria e muito conforto. Tinha plena noção de seus privilégios, porém ela sentia falta de ter um pai mais presente em seu dia a dia. Para encontrá-lo era quase necessário marcar um horário em sua agenda concorrida.
- Milkshake pra todo mundo, eu pago! - May gritou empolgada com a vitória da cunhada. desprendeu-se dos braços do irmão do meio e abraçou a cunhada - Você é demais, unnie! - A patinadora encarou a mais velha com os olhos cheios de admiração. Dougie e May namoravam desde que tinha doze anos. E por ser a caçula de dois homens, a estudante encontrou na cunhada a figura da irmã que não tinha. As duas nutriram um carinho especial uma pela outra desde o primeiro encontro entre elas. May havia se esforçado para ser presente na vida da mais nova tanto quanto Dougie. Momentos como aquele de conquista para era de pura emoção para ela.
Miguel abraçou a campeã para caminharem até o carro de Dougie, quando um senhor de traços asiáticos, cabelo chanel grisalho e um sorriso contagiante parou na frente do casal de amigos, fazendo todos a volta ficarem em silêncio e observar a figura estranha.
- Desculpa interrompe-los, mas eu preciso parabenizá-la por sua apresentação? Foi incrível. Você é muito talentosa. - O senhor comentou com a voz doce e um olhar intenso sobre . As bochechas da garota ruborizaram de vergonha e ela retribuiu o elogio com um sorriso tímido.
- Obrigada. - Respondeu sincera.
- Pelo seu talento posso sentir que ainda vai longe. Boa sorte nas Olimpíadas. - O senhor curvou-se e o seguiu no movimento.
- É, meninos… - Dougie colocou a mão no ombro da irmã com o peito estufado - Vamos? - Encarou o desconhecido com o olhar desconfiado.
- Sim… - A patinadora acenou positivamente com a cabeça e sorriu mais uma vez para o senhor. - Obrigada mais uma vez. - E seguiu com a escolta de seu melhor amigo e irmão mais velho até o estacionamento.

XXX


Na manhã seguinte quando o relógio marcou um pouco mais de 9h30, Miguel Vidal entrou sem cerimônias no quarto de sua melhor amiga e encontrou dormindo serenamente coberta por um lençol branco. Sem pensar duas vezes o atleta se jogou sobre a cama, afundando o espaço ao lado da amiga na sua cama de casal.
- Bom dia, flor do dia! Vamos acordar e descobrir onde está sua tia! - Vidal usou um tom extrovertido e murmurou algo indecifrável, cobrindo sua cabeça com seu lençol - Não adianta fugir de mim.
- Te odeio. - A voz rouca de sono da garota soou, fazendo o atleta soltar uma gargalhada divertida.
- Me odeia nada, não vive sem mim. - riu e jogou parte do corpo por cima da amiga.
- Ai, Miguel! - empurrou o jovem para o lado e sentou-se na cama de forma lenta, Vidal tampou a boca com a mão esquerda e soltou uma risada marota, a patinadora por sua vez semicerrou os olhos, virou de costas pro amigo para calçar seu chinelo da Adidas e rumou em direção ao banheiro.
- Te amo! - Gritou antes da garota fechar a porta. Levantou rapidamente para pegar o controle da televisão com o da Apple TV sobre o organizador na escrivaninha metodicamente organizada de , voltou a deitar na cama e continuou a assistir Naruto na Netflix. Ele conhecia sua melhor amiga e sabia que seu ritual de beleza e higiene da manhã duraria no mínimo meia hora. Por isso não hesitou em arrumar algo para se entreter e passar o tempo.

Após a troca de alguns looks e o ultimato de Miguel para desceram, o casal de amigos rumou em direção a área de lazer da casa dos . Estavam todos presentes, menos Wen. A treinadora ainda estava tendo seu sono revigorante. Até mesmo Derek portava vestes casuais e era o encarregado por cuidar da churrasqueira. Dougie e May terminavam de colocar a mesa enquanto Daniel e sua banda arrumavam os instrumentos para um pocket show acústico. Seoul, até então rondava Derek na esperança de ganhar um pedaço de carne, correu em direção a sua dona, anunciando a chegada do casal de amigos. Todos os presentes, incluindo os amigos de banda do do meio, pousaram os olhos sobre os dois estudantes presentes. iniciou um afago na orelha do cachorro e Derek abriu um sorriso extasiado de felicidade.
- Olha só quem acordou! A campeã da família! - O empresário colocou a espátula sobre a mesa e caminhou de braços abertos até a sua caçula.
- Bom dia, appa! - retribuiu o abraço de forma firme, rindo da forma quase robótica que o empresário lhe envolvia. Ela amava quando seu pai era carinhoso, não era algo corriqueiro no comportamento do Sr. , mas era extremamente especial e genuíno quando acontecia.
- Tive de resgatá-la, tio Derek. - Miguel apertou sem força o ombro da amiga, e Derek riu do garoto.
- Obrigado, Mi. Não sei o que seria dessa menina sem você. Como vai essa temporada para o time de hockey? - rolou os olhos ao ver seu pai iniciar um longo e entusiasmado papo de hockey. Caminhou até Daniel, Simon e Leo. Seu irmão do meio e os amigos estavam organizando os cabos e instrumentos para o show acústico com copos de cerveja em mãos. delineou os lábios com um sorriso maroto na hora em que os olhos de Simon Gazzoni pousaram sobre si e lhe ofereceram uma piscada fofa. O garoto de cabelo cacheado era o baixista da banda Paradise 101 e um crush da garota há alguns anos.
- Os nutricionistas estão orgulhosos desse shake nutritivo do café da manhã de vocês. - cruzou os braços e deu um ar descontraído ao seu semblante sonolento.
- É um segredo milenar para viver pela eternidade. - Simon aproximou tão risonho quanto a mais nova e a abraçou forte, tirando os pés de do chão. Daniel bateu com o fio do amplificador de sua guitarra nas costas do amigo, avisando-o para se afastar de sua irmã.
- Estamos bebendo em comemoração à sua classificação. - Leo, o dono de uma pele dourada e o mais baixo dos três, informou com um sorriso travesso. Puxou Simon para o lado, apertou os braços em volta da mais nova e a chacoalhou com força.
- Parabéns, pirralha! - Os dedos calejados do guitarrista solo da Paradise 101 apertou o nariz minúsculo da patinadora. empurrou o amigo para longe e deu um tapa em seu braço.
- Vocês precisam de limites! - A mais nova apontou com seu dedo indicador na direção dos membros da banda de seu irmão e, sem aviso algum, virou em seus calcanhares e seguiu até a mesa a qual Dougie e May organizavam a fim de beliscar algo com Seoul sempre em seu encalço.
- Bom dia, -ah! - May abriu um sorriso doce e ofereceu para a garota um copo de seu chá preferido de baunilha e mel.
- Bom dia, unnie. - A espreguiçou-se e encarou a mesa com atenção. Seu estômago roncou exigindo ser alimentado o mais rápido possível.
- Vou fazer panqueca para você. - Dougie informou antes de andar em direção à cozinha da casa. maneou a cabeça de forma positiva e deixou seu olhar pousar sobre Simon. Observou a figura do loiro extremamente concentrado em afinar seu baixo. Um sorriso maroto surgiu em seus lábios ao observar com extrema atenção os braços torneados do mais velho. Gazonni terminou de afinar o instrumento e levantou seu olhar em direção a irmã mais nova de seu melhor amigo e companheiro de banda. O sorriso em seus lábios aumentou e de forma charmosa os dedos calejados do baixista passearam pelos fios loiros bagunçados. As mãos foram de imediato para os bolsos do short e o casal trocou um olhar faiscante entre si.
- Ele é muito fofo. - May informou ao observar a visão da cunhada. arregalou os olhos, jogou a cabeça para o lado e soltou uma gargalhada alta ao ser pega em flagrante.
- É, não é? Mas só serve para dar uns beijinhos, mais do que isso é dor de cabeça na certa.
- Você é nova, tem mais de se meter em problemas mesmo. - Ela piscou - Douglas que não me escute. - balançou a cabeça com um sorriso bobo.
- É, mas com o Dougie por perto é impossível tentar desenrolar algo. - Riu e o som da campainha soou ao fundo.
- , você pode atender? - Derek interrompeu sua conversa com Miguel para indagar a filha. A garota concordou e seguiu até a porta de casa com Seoul em seu encalço.
Ao abrir a porta da casa dos , um casal se revelou em sua frente. Como um clique reconheceu o senhor de cabelo grisalho chanel do dia anterior em seu campeonato e franziu o cenho em confusão.
- Pois não? - Perguntou confusa e Seoul latiu enfusivo.
- Precisamos conversar com e seus pais. - A senhora informou com o tom de voz extremamente encantado e os olhos marejados.
- É, sou eu. - A garota respondeu confusa e olhou em direção a área de lazer - Vou chamar meu pai, só um instante. - informou cordial. O casal observou a silhueta da menina com extrema atenção. Raymond segurou a mão de Dorine, tinha medo que a mulher pudesse sucumbir de nervoso a qualquer momento. Afinal, aquele momento era esperado por eles há 14 anos.
XXX


observou na direção da porta de casa de forma ansiosa. Quem poderia ser aquele casal parado na sua frente? Será que eram olheiros de alguma faculdade? Se fossem, não estariam eles adiantados 3 anos para lhe ofereceram uma bolsa? informou para o casal esperar e foi até seu pai. Derek deixou Miguel encarregado de cuidar da grelha, e Dougie resolveu também prestar atenção a distância na conversa do pai. Depois de alguns minutos de conversa entre o proprietário e os visitantes, Derek encaminhou o casal até seu escritório, após acomodá-los seguiu até o segundo andar da casa para acordar Wen. Ao ver a mãe descer junto com o pai minutos depois, abriu a boca surpresa. Um frio nervoso se manifestou dentro da sua barriga e a jovem parou em pé ao lado do melhor amigo. May e Dougie também se juntaram aos dois, e formaram um semicírculo em volta da churrasqueira.
- O que vocês acham que pode ser? - a mais nova indagou.
- Talvez seja um patrocinador. - Dougie cruzou os braços e respirou fundo. A mão direita passou pela barba enquanto sua mente trabalhava em várias suposições.
- Podia mesmo ser! - as pupilas de brilharam em excitação.
- Mas você deveria estar presente nessa conversa, não? - Miguel indagou curioso e sinalizou com os braços que não sabia de nada.
- Meus pais vão se certificar primeiro se vale a pena. Depois vão comunicar . - Dougie respondeu pensativo, e May puxou uma risada para descontrair o ambiente.
- Parece até que não os conhece, Mi. - a mais velha deu alguns tapinhas no ombro do garoto, que alguns centímetros mais alto que ela.
- Hum… - murmurou e espremeu os olhos enquanto processava alguma ideias - Vou tentar ouvir alguma coisa. - informou.
- -ah! - Dougie a repreendeu com o olhar - Quando for a hora vão lhe chamar.
- Aigoo! - a garota bateu o pé e resolveu caminhar até a banda do irmão do meio. Iria pedir para começarem a tocar logo, pelo menos assim poderia se distrair com seu hobbie preferido: cantar e ouvir música.

XXX


Wen surgiu na área de lazer sem fazer muito alarde, ao perceber que sua chegada não foi percebida a treinadora permitiu-se observar a cena a sua frente. Seus pulmões inflaram cheios de medo e um aperto dolorido se instalou em seu peito. A sua frente havia uma cena bem comum para ela, seus três filhos estavam reunidos com alguns amigos, divertindo-se juntos. Todos os presentes estavam sentados em um círculo com Seoul entre eles, estirado na grama e curtindo uma soneca. Dougie, tinha em mãos seu celular e filmava o dueto dos irmãos. segurava um microfone, e Danny tocava violão. Leo era o responsável pela percussão, e Simon completava o número com um baixolão. A voz grave de cantarolava Try da P!nk. May e Miguel acompanhavam em coro, todos estavam entretidos com o pocket show dos jovens. A patinadora permitiu-se curtir a paz por mais alguns segundos, o furacão que estava por vir iria devastá-los em graus imensuráveis. E como uma bola de neve de culpa, ela começou a recriminar todas as mentiras e omissões contadas à . Seria a sua menina capaz de perdoá-la algum dia? Será que ela iria se mudar para o outro lado do país? Tantas perguntas, tantos temores… A cirurgiã respirou fundo e se aproximou dos jovens. Dougie foi o primeiro a perceber a presença da mãe, o advogado levantou com um sorriso caloroso e deu um beijo na bochecha da médica.
- Anasaheyo, Omma! - o garoto curvou o corpo em respeito e Wen o surpreendeu dando um beijo em sua testa. Miguel deu um tchau efusivo para a mais velha, na qual ela retribuiu com um sorriso esforçado.
- Bom dia, meninos. - a matriarca dos deu um cumprimento geral e dirigiu seu olhar para a filha - , você pode vir comigo por alguns minutos, por favor?
- Claro, Omma. - a estudante levantou com o sorriso ansioso, entregou o microfone para Dougie e seguiu a mãe até a sala de estar dos . Wen parou de forma brusca, fazendo frear repentinamente também, quase atropelando a mãe. As mãos, extremamente frias da técnica, envolveram a mais nova num abraço inesperado. demorou alguns segundos para processar, mas logo correspondeu ao afeto da mãe.
- Não se esqueça o quanto eu te amo. - a senhora soprou no ouvido da caçula em coreano. A estudante concordou com a cabeça.
- Eu também te amo, Omma. - respondeu na mesma língua. Os olhos da médica encheram de lágrimas, e antes que ela despencasse num pranto desesperado, entrelaçou a mão com a da mais nova e seguiram para o escritório de Derek.

Os olhos dos senhores sentados nas cadeiras em frente ao Sr. foram como imã sobre . A adolescente lhes ofereceu um sorriso educado e subiu o olhar para o pai. Derek, geralmente um homem centrado e carismático, tinha os lábios encostados nas mãos entrelaçadas e o olhar perdido. Ao ver o clima tenso instalado no escritório do pai a estudante soube na hora: algo estava errado. Wen indicou a única cadeira ainda vaga do local para ela sentar. Acatou a ordem da mãe e a sensação de olhares queimando em suas costas lhe incomodou um pouco. Ao acomodar-se na cadeira de couro a adolescente procurou encarar seus pais a fim de obter respostas e evitar os olhares intensos dos desconhecidos.
- … - a voz de Derek saiu trêmula pela primeira vez ao referir-se à sua caçula - venha conhecer Raymond e Dorine Tuan. - Sr. informou em coreano. A adolescente levantou incerta como proceder. Mas no fim curvou-se de forma educada e voltou a sentar de novo. A mulher desconhecida caiu em prantos, assustando a patinadora um pouco mais. Um arrepio esquisito subiu sobre sua espinha e seus olhos confusos encararam seus pais atordoados, exigentes por explicação.
- Filha… - Wen encarou a caçula com os olhos cheios de lágrimas e segurou suas mãos, causando um pequeno choque na mais nova com o seu toque frio.
- Está tudo bem? - a mais nova piscou os olhos algumas vezes, observou em silêncio e rapidamente o casal a sua frente, tentava entender o que estava acontecendo. Mas nenhum insight lhe vinha à cabeça, deixando-a ainda mais nervosa.
- Sim… - Derek levantou de forma repentina, deu alguns passos até a mais nova, passou o braço pelo ombro da filha e depositou um beijo no topo de sua cabeça - como dissemos antes, esses são Raymond e Dorine. Eles são taiwaneses, mas moram há muitos anos na Califórnia. Eles vieram de lá pra cá pra te conhecer. - Derek concluiu e inspirou sôfrego.
- Olá! - a adolescente proferiu num tom cordial, abriu um sorriso educado e curvou-se conforme as tradições da educação coreana que seus pais tinham lhe dado.
- Oi! - o senhor taiwanês acenou de volta com um sorriso enorme. - De onde vocês são? - a jovem observou os senhores a sua frente atentamente. Dorine ainda soluçava de emoção, mas respirava fundo para conseguir responder a pergunta da mais nova.
- Los Angeles. - mama Tuan respondeu com a voz embargada. concordou com a cabeça e seu olhar foi em direção ao de sua Omma. Ela queria entender o que estava acontecendo. A cada segundo que passava o clima ficava ainda mais estranho.
- … - Wen segurou as mãos da filha, a adolescente lhe deu um apertão sem muita força de incentivo e logo depois fez a mesma coisa com o pai.
- Seja lá o que for, vocês são os melhores pais do mundo! - a caçula dos disse para incentivar os pais, e os donos da casa sentiram seu coração quebrar em mil pedaços ao ouvir a frase carinhosa de .
- Princesa, - Derek franziu o cenho e iniciou um carinho circular com o dedão na mão da patinadora - preste atenção no que eu e sua Omma temos pra te falar, está bem? Escute até o final, okay? - seu tom saiu como uma súplica e engoliu em seco. Derek era um pai extremamente protetor. Principalmente com , a sua única filha mulher e a caçula. Por isso, a jovem ficou tensa internamente. A ansiedade lhe atacou e de um segundo para o outro ela teve vontade de levantar e andar em círculos pela sala, mas não o fez. Obrigou-se a continuar sentada até ouvir o assunto tão importante de seus pais.
- Okay, Sr. Derek! - concordou e pousou o olhar com extrema atenção sobre o rosto da mãe.
- Filha, os Tuan são pais de cinco filhos. Três deles moram em Los Angeles, um deles na Coréia e bem... uma, infelizmente, foi sequestrada logo que nasceu. - o coração da jovem se apertou e ela encarou o casal a sua frente com extrema compaixão - E há muitos anos eles buscam pelo paradeiro dessa criança. Os anos foram passando e as pistas ficando cada vez mais difíceis. Até que há alguns meses eles foram surpreendidos com uma pista certeira e eles finalmente encontraram a filha biológica deles.
- Uau! - exclamou com a boca aberta em surpresa - E nós conhecemos ela?
- Sim. - Derek apertou o ombro da caçula.
- E quem é? - os olhos de miraram a mãe extremamente curiosa. Uma vontade surgiu dentro de si de poder ajudar os Tuan a reencontrarem a filha perdida, ainda mais se fosse alguma amiga sua, faria questão de dar todo o apoio para ela.
- Você, . - Wen falou tão baixo que por alguns segundos a mais nova pensou ter ouvido errado, mas logo uma risada inesperada soou por sua garganta.
- Para de brincadeira, Omma! - a patinadora deu um tapa na perna da mãe, divertindo-se com a piada dos pais.
- Não é brincadeira, filha. - as mãos da treinadora passearam pelo cabelo liso da menina e aos poucos a expressão da caçula dos foi mudando de divertida para uma expressão extremamente fechada.
- Como é que é? - a garota levantou rápido e encarou os até então pais de uma distância que podia encarar os dois.
- Princesa, agora você precisa entender o outro lado da história. - Derek pediu com os olhos marejados, e se assustou por alguns segundos, mas logo a raiva começou a dominar seu corpo conforme a ficha ia caindo pra si. Seus pais haviam mentido para ela a vida toda, toda a sua vida havia sido baseada em mentiras e omissões das pessoas as quais mais confiava no mundo. Sem contar o fato de os dois estranhos à sua frente serem seus pais verdadeiros. Ela não era e nunca havia sido .
- Que lado da história? Qual vai ser a mentira que vocês vão me contar? - a jovem cuspiu as palavras sem medir o teor da agressividade delas. Wen tampou o rosto com as mãos extremamente envergonhada e Derek tentou segurar o pulso da mais nova, mas a jovem se livrou da mão do "pai" em seguida. O casal Tuan encarava a jovem a sua frente com extrema admiração, loucos para poderem dar o abraço que esperaram toda a sua vida. Mas antes que alguém pudesse falar qualquer coisa, num rompante, correu como um raio para fora do escritório, e como um trovão passou pela porta de entrada da casa, surpreendendo não só os ocupantes do escritório, mas como também o pessoal da área de lazer. Nem mesmo Seoul foi capaz de acompanhar os passos apressados da atleta. A única coisa a qual se passava na mente da garota era se afastar o máximo possível de tudo dos . Ela não sabia para onde iria, apenas que qualquer lugar era melhor do que ali.

XXX


Os pés de a levaram por conta própria pra fora da casa dos por horas. Nem ela mesmo conseguia calcular a quantas horas sua mente a fazia caminhar para o mais longe possível de sua casa. Seu peito ardia em brasa mesmo com a temperatura quase negativa da cidade, cada inspiração e expiração eram dados com dificuldade, se não fosse pela fumaça por conta do frio, a garota podia jurar que não estava respirando. Em sua cabeça as palavras de seus até então pais rondavam sua mente, as lágrimas desciam espessas por suas bochechas vermelhas e tudo o que mais queria era fechar os olhos e descobrir-se dentro de um pesadelo. Num ato desesperado fechou os olhos por alguns segundos, mas ao focar as luzes do entardecer, o grito de choro rompeu mais forte por sua garganta. colocou a mão sobre o peito e tentou arrancar de forma ilusória seu coração por cima do casaco grosso. E sem rumo algum, a estudante caminhou até encontrar a trilha que a levaria para o seu mirante preferido para observar a cidade. A sua até então cidade natal. Seu corpo fazia o caminho tão conhecido em automático, já sua visão estava tão turva por conta das lágrimas que mal enxergava um palmo à sua frente. Os soluços romperam junto com as memórias da infância, aumentando seu desespero.

FLASHBACK ON

Janeiro de 2004
Derek era um dos cirurgiões cardíacos mais renomados do Estados Unidos, o que lhe classificava como um homem extremamente ocupado e cheio de compromissos. Porém, algumas raras vezes ao ano tirava um dia inteiro para passar com os seus filhos. Derek era completamente apaixonado por seus três herdeiros e se esforçava única e exclusivamente em nome do bem-estar e conforto deles. De todos os três, desde muito nova, era a mais apegada e mimada pelo pai. Por isso quando os dias de folga do mais velho aconteciam, ela fazia questão de aproveitar o máximo. Naquela tarde de sábado congelante, a pequena de 6 anos de idade sentia-se radiante. Derek havia arrumado finalmente tempo para levar e seu melhor amigo, Miguel, para patinar no lago congelado da vizinhança deles. O pequeno Vidal terminava de contar o último capítulo de Digimon para a amiga enquanto Derek colocava os equipamentos de segurança na sua filha caçula. Wen e ele haviam comprado todas as peças que impedissem a garota de fraturar alguma parte de seu corpo. Ela era não só a caçula, mas a única menina deles. O cuidado com sua segurança devia ser redobrado. Ao terminar de colocar o capacete numa de bico, Derek deu dois toquinhos no capacete roxo da garota e começou a colocar os equipamentos em um Miguel tagarela.
- Appa… - a voz da menina protestou - nós estamos perdendo tempo colocando esses equipamentos inúteis. - a garotinha com o cabelo preso numa trança do lado direito, vestida com calça jeans e casaco preto parecido com os de esquimós, cruzou os braços e piscou o olhar com entusiasmo ao observar os movimentos das pessoas patinando.
- , os equipamentos são ganho de vida. - o mais velho ralhou mais uma vez - Você e o Mi precisam patinar em segurança.
- É para não batermos a cabeça, né, tio? - o loiro ofereceu o sorriso banguela ao mais velho, Derek concordou com a cabeça e levantou a mão para Miguel lhe dar um high five - Isso mesmo, campeão.
- Mas não tem ninguém de equipamento aqui. - protestou em coreano e as mãos gordinhas de um Miguel rechonchudo de 7 anos atingiram a pele alva da garota com um beliscão. A menina deu um grito contido e bateu na mão do amigo.
- Eu não gosto quando você fala coreano com seus pais e irmãos. Eu não entendo nada. - Miguel deu de ombros, e rolou seus olhos.
- Foi sem querer, eu nem percebi que não estava falando em inglês. - a garota deu de ombros e aumentou o bico em seus lábios.
- Aigoo… - Derek resmungou risonho com um sorriso travesso delineado nos lábios. As mãos do homem bagunçaram as franjas lisas amassadas pelo capacete das duas crianças - Não tem negociação do equipamento de segurança. Parem de implicar um com o outro e vamos patinar!
- Appa! - abriu um sorriso enorme, deixando a mostra as janelas dos dentes de leite que haviam caído. Sem titubear, a pequena americana deu um passo enorme e finalmente colocou seus patins sobre o gelo pela primeira vez. Seu corpo curvou de forma torta para frente e seu coração acelerou com a excitação de estar patinando sobre o gelo. A garota asiática fechou os olhos e abriu os braços a fim de não cair.
- Tenham cuidado, crianças. Estou atrás de vocês. - com o dedo em riste e o olhar atento, Derek observou a desenvoltura inicial de cada um sobre gelo.
- . - um grito trêmulo escapou pela garganta do menino enquanto lutava com seu corpo para se equilibrar no gelo. Seus braços balançavam desengonçados pendendo seu corpo a cada segundo pro lado, enquanto as pernas escorregavam pelo chão congelado.
- Miguel… - a pequena futura patinadora abriu os olhos e levou as mãos até a boca para rir da cena cômica do melhor amigo patinando, o riso se agravou no segundo o qual Vidal caiu de bunda contra o piso natural.
- Para de rir de mim! - o garoto cruzou os braços e protestou com um bico nos lábios, fazendo rir mais alto. A até colocou os braços sobre a barriga para rir com mais intensidade.
- ! - Derek franziu o cenho e repreendeu a mais nova com o olhar - Quando um amigo cair ajude-o a levantar em vez de rir da cara dele. - estendeu as mãos para um Miguel de semblante fechado.
- Mas foi engraçado. - a garota deu de ombros e limpou as lágrimas de tanto rir.
- Quero ver ser engraçado… - Vidal marchou com os patins sobre o gelo com o rosto numa careta determinada até a melhor amiga e a empurrou pelo gelo a fim de fazê-la chorar. Derek negou com a cabeça ao ver o casal de amigos implicando um com o outro, mas para decepção de Miguel, como se tivesse o manual de instruções, deslizou com facilidade pelo chão do lago congelado. Sr. observou a filha dar seus primeiros passos no gelo com um sorriso admirado nos lábios.
FLASHBACK OFF

A adolescente urrou de dor com as lembranças da primeira vez que seu até então pai havia lhe levado para patinar pela primeira vez. Nunca havia se esquecido como havia se sentido tão feliz com a adrenalina de deslizar pelo gelo pela primeira vez. Seus olhos piscaram e em meio a fungadas ela tentou limpar as lágrimas de seu rosto. Seu pulmão ardia e sem rumo algum a adolescente subia colina acima. Ela não era mais , sua vida toda havia sido baseada em uma mentira. Até mesmo seus irmãos não fizeram questão alguma de lhe contar que era adotada. De alguma forma ela estava dentro de uma vida que não lhe pertencia. Quem ela devia ter sido e não foi? Ainda havia tempo para recuperar os anos roubados?
Tantos pensamentos lhe atormentava que a jovem nem percebeu quando se aproximou para perto da borda do precipício e deu um passo em falso. O grito desesperado escapou pela garganta e como um milagre, braços fortes lhe prenderam pelo quadril. As mãos masculinas a seguraram com força, trazendo-a contra seu corpo. virou-se num tranco só ao reconhecer o perfume de Miguel, encaixou a cabeça contra o corpo do garoto e chorou de forma ainda mais desesperada. O mais velho ficou em silêncio e iniciou um carinho sem pressa com a mão direita pelos fios pretos e lisos da melhor amiga.
- Você quer ir pra casa? - Miguel perguntou com cautela depois de uma hora em silêncio, seus olhos analisaram o rosto da amiga com precisão.
- Eu não tenho mais casa. - a garota respondeu e Miguel inspirou fundo.
- Eu sempre vou ser sua casa. - ofereceu um sorriso doce para . A garota concordou com a cabeça e sem falar palavra alguma o jogador entrelaçou a mão dos dois e começou a caminhada até seu carro.




Continua...



Nota da autora: AI MEU DEUS!!! NEM ACREDITO QUE ESTAMOS NO SEGUNDO CAPÍTULO!!!!
Primeiro de tudo eu queria agradecer todo mundo que comentou no primeiro capítulo. Vocês não sabem o quanto é importante saber o que vocês acharam. Apenas ri muito com vocês preocupados com as besteiras que essa principal enquanto estava bêbada, mas… quem nunca, não é mesmo? Quem nunca fez coisas que nos deixaram com ressaca moral no dia seguinte, né?
E bom… queria dizer que agora começou a parte densa dessa história, é um tema que é muito complicado de mexer e que talvez tenha me feito reescrever durante anos o desenrolar dele hahahaha. Eu estou muito ansiosa pra saber o que acharam e me falem o que vocês fariam se vocês descobrissem que sua vida toda foi uma mentira, huh? Queria dizer que estamos nos aproximando da chegada do nosso reizinho na fanfic e pergunta se vocês morrem de amores a amizade da principal e Miguel como eu?
Queria também dizer que eu tenho uma comunidade no facebook onde eu posto spoiler das histórias, aviso de atualização, vídeos, etc. Iria amar ter vocês lá! Só clicar nos símbolos das redes sociais a seguir. Vem, vamos nos amar sem limites!
Por hoje é só senão vocês vão ficar entediados!
Até a próxima seus lindos!






Nota da beta: Senhooooor, que tensa essa situação... Espero que ela dê uma chance para os poderem se explicar por não terem dito a verdade para ela. Sério, vou colocar esse Miguel em um potinho de tão amorzinho que ele é <3.


Lembrando que qualquer erro nessa atualização e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa fic vai atualizar, acompanhe aqui.


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