Ruin Of Hogwarts

Última atualização: 27/12/2017

Capítulo 1

Novo Mundo

1000 anos atrás.

A primeira coisa que eu escutei assim que saí da nossa casa foram os gritos de Niklaus que trazia nos braços o corpo inerte de nosso irmão Henrik. As vestes rasgadas no abdômen indicavam que aquilo havia sido feito por algum animal. Eu encarava o que acontecia a minha frente sem ter nenhuma reação específica. Todos nós estávamos em choque, mas estava aparente que a nossa dor não se comparava a de Niklaus. Ele gritava junto do corpo, agora mais pálido, de Henrik. Uns minutos depois, nosso pai saiu da floresta e veio correndo em nossa direção e em seguida ele pegou a minha mãe pelo braço e entrou com ela na tenda.

Depois de Elijah e Kol conseguirem tirar Nik de cima de Henrik, Rebekah e eu o levamos para a beira de um rio que havia ali e começamos a limpar as mãos dele, que ainda tremiam. Era de partir o coração ver o modo como Niklaus encarava o nada com o olhar completamente vazio e sussurrando coisas desconexas. Ao tocar no rosto dele para limpar os resquícios de sangue que já haviam secado, Nik segurou meu pulso com um pouco de força e me empurrou para trás, o que fez com que eu caísse sentada aos pés de uma grande árvore.

- Nik! - Rebekah, minha irmã, gritou e rapidamente veio até mim.

- Eu estou bem. - disse assim que ela se ajoelhou à minha frente, pelo canto do olho pude ver Niklaus entrar correndo na floresta atrás de nós.


Quando voltamos para a aldeia depois de passar algumas horas procurando por Nik, já era noite e meu pai estava junto de minha mãe, Kol, Elijah e Finn próximos a uma fogueira. E um pouco afastada estava Tatia Petrova, uma das garotas que vivia a umas três tendas de distância de nós. Ela tinha lágrimas que hora ou outra escorriam de seus olhos, enquanto meu pai gritava para que minha mãe andasse rápido. Assim que a mulher que me criara parou novamente ao seu lado, ela começou a desenhar símbolos e dizer palavras que soavam completamente insanas. Ela nos juntou e começou a dizer coisas que soavam como algum tipo de encantamento. Sol, Carvalho Branco, Imortalidade. O que é que eles estavam fazendo?

No instante seguinte, meu pai foi para perto de Tatia e cortou o pulso dela e em seguida começou a gritar para nós bebermos o sangue que agora caia livremente. Rebekah como estava mais próxima dos dois foi a primeira, e em seguida eu fui puxada até lá e tive o pulso da garota em contato com o meu rosto fazendo com que o sangue dela entrasse na minha boca. O gosto metálico fez com que eu quisesse vomitar, mas o medo que eu sentia de meu pai era maior.

Ao prestar maior atenção em minha mãe eu percebi o que estava acontecendo, ela estava usando sua magia para fazer algo conosco. Provavelmente para nos proteger do que quer que tenha matado Henrik. Depois que todos nós tínhamos tomado o sangue da garota, ela foi brutalmente jogada no chão por meu pai, e segundos depois de ver Kol se levantar, eu senti minha cabeça bater no chão macio coberto de flores. Minha cabeça explodia e eu podia sentir meu estômago se retorcer de fome. Deus eu mataria para comer algo agora. E foi com esse pensamento que eu escutei, não muito distante dali, batimentos cardíacos. Céus, como eles soavam atraentes. Sem que ninguém pudesse perceber eu me levantei e caminhei devagar até a fonte do som que torturava meus ouvidos. Um caçador, sentado e tirando a pele de sua presa estava de costas para mim. Conforme eu impulsionei meu corpo para a frente, o homem que se encontra ao menos à três metros de distância, estava bem na minha frente e ele não pareceu ter notado a minha presença. Então, ao sentir o cheiro do sangue dele e escutá-lo bombeando por todo o corpo, eu agarrei ombros dele e direcionei meus lábios até seu pescoço e no segundo seguinte, duas presas furavam a pele dele e finalmente eu pude começar a sentir aquela fome ser saciada.

Segundos depois eu larguei o corpo dele que caiu com um baque surdo no chão e em seguida passei as costas da mão sobre minha boca para que eu pudesse limpar o que escorrera enquanto eu me alimentava. Céus. Eu acho que nunca me senti tão viva antes, tão poderosa. Novamente ao tentar lidar com as mudanças do meu corpo e mente, eu impulsionei meu corpo para frente e comecei a correr em uma velocidade incrível. Eu mal sentia meus pés tocarem o chão. Meus cabelos eram brutalmente jogados para trás pelo vento que batia no meu rosto.

Instantes depois eu cheguei à aldeia novamente e pude ver meu pai gritando com Niklaus e o chamando de aberração, o mesmo estava de joelhos no chão e a cada momento podíamos ouvir seus ossos se quebrarem enquanto ele implorava pela ajuda de meu pai. Quando percebi que nem papai nem Elijah, que estava ao seu lado, o ajudariam eu me aproximei e fui em direção ao rapaz no chão, mas ao chegar perto demais dele Mikael puxou-me pelo braço e fez com que eu me afastasse.

- Fique longe dele, criança. Ele é uma abominação. - declarou.

- Ele é seu filho! Você tem de ajudá-lo - respondi-o.



Ele apenas me ignorou e junto de Elijah começou a arrastar Nik de volta onde minha mãe havia feito o feitiço. Ao chegar lá ele começou a gritar com Esther para que ela arrumasse um jeito de bloquear aquela parte de Niklaus que ali eu percebi ser um lobisomem. E então tudo se encaixou, Henrik havia sido assassinado por um deles. Um monstro. E foi por isso que nossos pais nos transformaram nisso. Para que não pudéssemos ter o mesmo fim. Só que apesar de Niklaus ser também um lobisomem, ele ainda era um de nós. Ele ainda era meu irmão. E era injusta a forma com que Mikael estava o tratando.


Ao sair dos meus pensamentos eu pude ver que Elijah agora o ajudava a prender Nik em algum tipo de símbolo confeccionado em madeira e o rapaz o implorava por ajuda, mas Elijah o ignorou e continuou a amarrar seu pulso. Aquilo foi o suficiente. Eles passaram dos limites.
Eu olhei para Rebekah e ela encarava tudo perplexa ao lado de Finn e Kol.
- Pai! Pai, solte-o. Vocês o estão machucando. - disse enquanto me aproximava e puxava o braço de Elijah que agora amarrara um dos tornozelos de Niklaus.
- Afaste-se, . - disse Elijah, ao soltar-se do meu aperto e continuar o que fazia.
- Vocês não podem fazer isso. Está errado. -disse, alterando o meu tom de voz. E comecei a desamarrar a corda que prendia o pulso esquerdo dele, já que Mikael agora voltara para perto de Esther, que começara a recitar palavras que eu não estava interessada em ouvir.

- Garota insolente! Deixe o bastardo aí. Kol, Finn, tirem-na dali. - ordenou ele.


Alguns momentos depois eu senti um par de braços envolver minha cintura e começar a me afastar de meu irmão. Eu jogava meu corpo para frente com a intenção de ficar mais próxima do rapaz de cabelos loiros a minha frente, mas Kol claramente era mais forte que eu e o encantamento que minha mãe havia feito fez com que isso aumentasse. O problema é que a mesma força que ele ganhara do Sol e do Carvalho Branco, eu também ganhara. O que fez com que eu conseguisse me soltar dele rapidamente e o empurrar usando essa força, e ao fazer isso ele foi lançado ao menos uns três metros de distância de nós. Novamente eu voltei minha atenção às amarras em Niklaus e quando estava prestes a desfazer a do tornozelo direto senti algo se chocar com a minha cabeça e tudo ficou escuro e a única coisa que pude sentir antes de ficar inconsciente foi meu corpo sendo levantado por um par de braços. E então a escuridão me abraçou.



Capítulo 2

Horas depois eu acordei dentro da tenda junto de Niklaus, que estava sentado ao meu lado segurando a minha mão. Ao olhar diretamente para seu rosto eu pude ver claramente leves manchas de sangue ao redor de seus lábios. Esbocei um pequeno sorriso assim que seu olhar encontrou o meu.
- Sinto muito, Nik. Eu não pude te ajudar. - lamentei e senti algumas lágrimas se juntarem nos meus olhos.
- Não se preocupe, eu estou bem. - ele afirmou, mas eu ainda pude sentir algum pesar em sua voz.
- Não, Nik. Não está tudo bem. O que eles fizeram com você é errado, desumano.
- Mas você estava lá, você tentou me ajudar. E isso é mais do que qualquer outro dos nossos irmãos tenha feito. Você enxergou que eu não era o monstro que eles diziam. E eu sou grato por isso.
As palavras dele fizeram meu coração doer, nenhum dos outros moveu um músculo para ajudá-lo, ficaram apenas observando. E Finn... ele incentivava nosso pai a fazer aquilo. Ele queria ver Niklaus sofrer. Eu não conseguia sentir outra coisa se não repulsa em relação aquele homem que eu tenho como irmão. Niklaus apenas sorriu levemente e me ajudou a levantar quando eu apoiei meu peso nos meus braços.
Ao sairmos da tenda eu pude ver imediatamente pequenas poças de sangue, o que reconheci devido ao cheiro forte e olhando adiante, Rebekah encontrava-se ajoelhada próxima ao corpo de Esther.
As lágrimas grossas que caiam dos olhos de minha irmã, fizeram aquele aperto no meu coração voltar, mas ao olhar para Esther eu não senti muito. Quer dizer, eu sei que ela me criou e tudo mais, mas ela não era minha mãe verdadeira. Hydra e Orion Villegas eram meus pais verdadeiros. Mas segundo Nik, eles me entregaram à Esther doze anos atrás porque a aldeia em que vivíamos estava condenada com uma peste que matara mais da metade das pessoas que viviam por perto. E desde então, essa se tornou a minha família, mas Esther sempre mostrara certa aversão à mim, da mesma forma que Mikael fizera com Niklaus.
Ela passou a evitar maior proximidade quando eu fiz treze anos e já não precisava tanto da assistência dela. Porém eu não posso negar que conforme os anos foram passando e ela ficava cada vez mais próxima de Rebekah, o sentimento que ela me dera todos esses anos se tornou recíproco. Então não, eu não derramei uma lágrima ou encarar seu cadáver. Eu era grata pela sua criação, mas eu não criei nenhum tipo de afeto por ela, e o que eu tive na infância ela foi matando aos poucos.
Eu segurei a mão de Niklaus e ele aperto a minha em resposta.
- O que aconteceu? - perguntei e assim que Rebekah ouviu a minha voz ela veio ao meu encontro com passos rápidos e rapidamente o peito dela se chocava com o meu e as lágrimas dela passaram a molhar minhas vestes.
- ... Ah, , foi tudo culpa dele. Esse monstro. Como ele pôde?
- Calma, ei, Rebekah, calma. Me explica o que aconteceu. - disse e fiz leves movimentos para cima e para baixo o em suas costas.
- Depois que Finn bateu com aquela madeira na sua cabeça, mamãe terminou o encantamento. Mas quando Niklaus se soltou ele a atacou... Ele se alimentou dela. Como se ela fosse só mais uma. Mikael fugiu e Finn e Kol entraram na floresta. Apenas Elijah e eu permanecemos. ESSE MONSTRO? COMO ELE PÔDE? ELA ERA NOSSA MÃE, NIKLAUS! E VOCÊ A MATOU. - ela agora se dirigia ao rapaz que ainda segurava minha mão.
- Você viu o que eles estavam fazendo com ele Rebekah. Você, Finn, Kol e Elijah ainda ajudaram Mikael. Nenhum de vocês moveu um dedo para sequer tentar ajudá-lo enquanto ele implorava pela misericórdia de vocês. Vocês fingiram que ele não era nada além do que Mikael disse a vocês. Então não aja como se ele fosse o único monstro aqui. Todos nós somos agora. Aquela mulher fez isso.
Ela não disse nada, apenas encarou Niklaus e a mim e no segundo seguinte o abraçou. E novamente voltara a chorar. Niklaus que agora soltara minha mão, retribuía seu abraço. Algum tempo depois de termos limpado o corpo de Esther, Elijah, que havia se juntado à nós pouco tempo depois, ajudava Niklaus a cavar uma cova. Finn e Kol apareceram só depois que ela já havia sido enterrada.
Paramos os cinco em volta do que se tornara o descanso eterno de nossa mãe. E ao encarar a desigualdade que se formara ali, eu dei a mão a Rebekah.
- Nós temos que ficar juntos. - eu disse e pude ver os outros ao meu redor concordarem.
- Sempre. - disse Elijah.
- Para todo o Sempre. - disse Niklaus, que em seguida procurou apoio em cada um de nós.
- Para todo o Sempre. - afirmou Rebekah.
- Para todo o Sempre. - Kol, Elijah, Finn e eu dissemos em uníssono.
E minutos depois começamos a juntas as poucas coisas que tínhamos para podermos deixar esta vila para sempre. Uma parte de nós morreu aqui, e eu tenho certeza que não iremos querer voltar aqui tão cedo. Nós nos tornamos seres imortais, e por mais que ainda não saibamos os limites, nada é tão poderoso para nós matar.

85 Anos depois
Em algum lugar da Europa


As risadas vindas de Kol eram contagiantes e faziam com que fosse quase impossível segurar o riso perto dele. Ele contava a história de uma moça que ele havia compilado a se deitar com ele, mas quando eles estavam no ato e ele a mordeu, ela tinha verbena no sangue, e o mais engraçado foi que pouco antes dele se vestir o esposo dela, adentrou a cabana em que eles estavam. E mesmo quando já havia deixado os aposentos dela, ele ainda pode escutar ela gritando e dizendo que ele não a satisfazia na cama.
Rebekah ao meu lado tinha as presas cravadas no pescoço de um pobre infeliz que se deixou levar pela beleza dela. Tolos. Elijah estava sentado mais afastado com uma jovem dama em seu colo, que ria sobre as coisas que ele sussurrava ao seu ouvido. Já Niklaus e Finn eu não fazia ideia de onde poderiam estar. E pra ser sincera, eu não me importava.
Uma das coisas que eu descobri durante esses anos é que nós podemos desligar a nossa parte humana, ou seja, nós desligamos a nossa capacidade de sentir. O que é maravilhoso, por sinal. Você simplesmente não sentir nada, apesar de que de nós seis eu fui a única que já havia desligado a minha.
- Você deveria ser mais sutil, irmão. - disse Elijah, o que me deu a chance de perceber que a moça que o acompanhava agora estava deitada no chão, com o corpo sem vida.
- Todos nós deveríamos. - afirmei, depois de terminar de beber o líquido vermelho em minha taça.
- E eu ainda não sei por que você, minha irmã, ainda usa essa taça estúpida. Não há nada como o sangue vindo direto da jugular. Quente e doce. - Rebekah disse ao notar meu ato.
Eu apenas a encarei e levei o objeto metálico aos meus lábios novamente.
- Quem sabe um dia.

Um século depois
Há três semanas Klaus havia transformado o primeiro de sua linhagem, Lucien. Que se tornara um simples cachorro atrás de nós. Mas o tempo que permanecemos no castelo a chamou a atenção de Mikael, que agora nos caçava. E jurava que nos mataria um dia. Pobre coitado.
Minutos depois em nossa descontração, homens armados com espadas e lanças entraram no aposento em que nos hospedamos e começaram a dar ordens entre si. Após um breve desentendimento, eles avançaram e começaram a investir contra nós. Kol foi gravemente ferido no peito, enquanto Elijah arrancara o coração de um deles que caíra com o corpo desanimado aos seus pés. Ao olhar meus irmãos, eu não percebi um deles vindo em minha direção e rapidamente enfiar a ponta de sua lança através de meu coração. A dor era lancinante como sempre seria, e essa mesma dor fez com que eu desmaiasse, o que não durou muito tempo e segundos depois eu segurava o mesmo homem que me ferira pelo pescoço, que com um leve movimento de minha mão se quebrou e eu vi a vida deixar seus olhos.
O conflito ao nosso redor continuava, mas era patético ver a tentativa desses mortais indulgentes de nos enfrentar.
Quando apenas um deles restava, ele se jogou de joelhos no chão e começou a rezar. Patético.
- Levante-se, homem. - disse Elijah, que o puxara pelo cotovelo e o forçara a se equilibrar.
- O-o quê são vocês? Filhos do diabo.
- Ele não está totalmente errado, por um lado. - afirmei.
- O poder de Deus é maior que essa maldição.
- Bla, bla, bla... - cantarolou Kol, que agora estava ao lado do homem.
- O que são vocês? - tornou a perguntar.

Risadas voltaram a encher o local e só pararam quando Rebekah, que até então se manteve em silêncio disse.
- Nós somos os Mikaelson. Os Vampiros Originais. Os primeiros de nossa raça, os únicos realmente imortais. Nós somos a ruína deste mundo. Você pode nos chamar de Morte.




Continua...



Nota da autora: E aí, beninas. Tudo bom? Então, aqui está o segundo capítulo dessa bagaça de fanfic — que eu espero muito que vocês estejam gostando! — Bom, comentem aqui embaixo para eu saber o que vocês acharam e até a próxima <3

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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