Última atualização: 10/08/2018

Capítulo 1

Novo Mundo

1000 anos atrás.

A primeira coisa que eu escutei assim que saí da nossa casa foram os gritos de Niklaus que trazia nos braços o corpo inerte de nosso irmão Henrik. As vestes rasgadas no abdômen indicavam que aquilo havia sido feito por algum animal. Eu encarava o que acontecia a minha frente sem ter nenhuma reação específica. Todos nós estávamos em choque, mas estava aparente que a nossa dor não se comparava a de Niklaus. Ele gritava junto do corpo, agora mais pálido, de Henrik. Uns minutos depois, nosso pai saiu da floresta e veio correndo em nossa direção e em seguida ele pegou a minha mãe pelo braço e entrou com ela na tenda.

Depois de Elijah e Kol conseguirem tirar Nik de cima de Henrik, Rebekah e eu o levamos para a beira de um rio que havia ali e começamos a limpar as mãos dele, que ainda tremiam. Era de partir o coração ver o modo como Niklaus encarava o nada com o olhar completamente vazio e sussurrando coisas desconexas. Ao tocar no rosto dele para limpar os resquícios de sangue que já haviam secado, Nik segurou meu pulso com um pouco de força e me empurrou para trás, o que fez com que eu caísse sentada aos pés de uma grande árvore.

— Nik! — Rebekah, minha irmã, gritou e rapidamente veio até mim.

— Eu estou bem. — disse assim que ela se ajoelhou à minha frente, pelo canto do olho pude ver Niklaus entrar correndo na floresta atrás de nós.


Quando voltamos para a aldeia depois de passar algumas horas procurando por Nik, já era noite e meu pai estava junto de minha mãe, Kol, Elijah e Finn próximos a uma fogueira. E um pouco afastada estava Tatia Petrova, uma das garotas que vivia a umas três tendas de distância de nós. Ela tinha lágrimas que hora ou outra escorriam de seus olhos, enquanto meu pai gritava para que minha mãe andasse rápido. Assim que a mulher que me criara parou novamente ao seu lado, ela começou a desenhar símbolos e dizer palavras que soavam completamente insanas. Ela nos juntou e começou a dizer coisas que soavam como algum tipo de encantamento. Sol, Carvalho Branco, Imortalidade. O que é que eles estavam fazendo?

No instante seguinte, meu pai foi para perto de Tatia e cortou o pulso dela e em seguida começou a gritar para nós bebermos o sangue que agora caia livremente. Rebekah como estava mais próxima dos dois foi a primeira, e em seguida eu fui puxada até lá e tive o pulso da garota em contato com o meu rosto fazendo com que o sangue dela entrasse na minha boca. O gosto metálico fez com que eu quisesse vomitar, mas o medo que eu sentia de meu pai era maior.

Ao prestar maior atenção em minha mãe eu percebi o que estava acontecendo, ela estava usando sua magia para fazer algo conosco. Provavelmente para nos proteger do que quer que tenha matado Henrik. Depois que todos nós tínhamos tomado o sangue da garota, ela foi brutalmente jogada no chão por meu pai, e segundos depois de ver Kol se levantar, eu senti minha cabeça bater no chão macio coberto de flores. Minha cabeça explodia e eu podia sentir meu estômago se retorcer de fome. Deus eu mataria para comer algo agora. E foi com esse pensamento que eu escutei, não muito distante dali, batimentos cardíacos. Céus, como eles soavam atraentes. Sem que ninguém pudesse perceber eu me levantei e caminhei devagar até a fonte do som que torturava meus ouvidos. Um caçador, sentado e tirando a pele de sua presa estava de costas para mim. Conforme eu impulsionei meu corpo para a frente, o homem que se encontra ao menos à três metros de distância, estava bem na minha frente e ele não pareceu ter notado a minha presença. Então, ao sentir o cheiro do sangue dele e escutá-lo bombeando por todo o corpo, eu agarrei ombros dele e direcionei meus lábios até seu pescoço e no segundo seguinte, duas presas furavam a pele dele e finalmente eu pude começar a sentir aquela fome ser saciada.

Segundos depois eu larguei o corpo dele que caiu com um baque surdo no chão e em seguida passei as costas da mão sobre minha boca para que eu pudesse limpar o que escorrera enquanto eu me alimentava. Céus. Eu acho que nunca me senti tão viva antes, tão poderosa. Novamente ao tentar lidar com as mudanças do meu corpo e mente, eu impulsionei meu corpo para frente e comecei a correr em uma velocidade incrível. Eu mal sentia meus pés tocarem o chão. Meus cabelos eram brutalmente jogados para trás pelo vento que batia no meu rosto.

Instantes depois eu cheguei à aldeia novamente e pude ver meu pai gritando com Niklaus e o chamando de aberração, o mesmo estava de joelhos no chão e a cada momento podíamos ouvir seus ossos se quebrarem enquanto ele implorava pela ajuda de meu pai. Quando percebi que nem papai nem Elijah, que estava ao seu lado, o ajudariam eu me aproximei e fui em direção ao rapaz no chão, mas ao chegar perto demais dele Mikael puxou-me pelo braço e fez com que eu me afastasse.

— Fique longe dele, criança. Ele é uma abominação. — declarou.

— Ele é seu filho! Você tem de ajudá-lo — respondi-o.



Ele apenas me ignorou e junto de Elijah começou a arrastar Nik de volta onde minha mãe havia feito o feitiço. Ao chegar lá ele começou a gritar com Esther para que ela arrumasse um jeito de bloquear aquela parte de Niklaus que ali eu percebi ser um lobisomem. E então tudo se encaixou, Henrik havia sido assassinado por um deles. Um monstro. E foi por isso que nossos pais nos transformaram nisso. Para que não pudéssemos ter o mesmo fim. Só que apesar de Niklaus ser também um lobisomem, ele ainda era um de nós. Ele ainda era meu irmão. E era injusta a forma com que Mikael estava o tratando.


Ao sair dos meus pensamentos eu pude ver que Elijah agora o ajudava a prender Nik em algum tipo de símbolo confeccionado em madeira e o rapaz o implorava por ajuda, mas Elijah o ignorou e continuou a amarrar seu pulso. Aquilo foi o suficiente. Eles passaram dos limites.
Eu olhei para Rebekah e ela encarava tudo perplexa ao lado de Finn e Kol.
— Pai! Pai, solte-o. Vocês o estão machucando. — disse enquanto me aproximava e puxava o braço de Elijah que agora amarrara um dos tornozelos de Niklaus.
— Afaste-se, . — disse Elijah, ao soltar-se do meu aperto e continuar o que fazia.
— Vocês não podem fazer isso. Está errado. -disse, alterando o meu tom de voz. E comecei a desamarrar a corda que prendia o pulso esquerdo dele, já que Mikael agora voltara para perto de Esther, que começara a recitar palavras que eu não estava interessada em ouvir.

— Garota insolente! Deixe o bastardo aí. Kol, Finn, tirem-na dali. — ordenou ele.


Alguns momentos depois eu senti um par de braços envolver minha cintura e começar a me afastar de meu irmão. Eu jogava meu corpo para frente com a intenção de ficar mais próxima do rapaz de cabelos loiros a minha frente, mas Kol claramente era mais forte que eu e o encantamento que minha mãe havia feito fez com que isso aumentasse. O problema é que a mesma força que ele ganhara do Sol e do Carvalho Branco, eu também ganhara. O que fez com que eu conseguisse me soltar dele rapidamente e o empurrar usando essa força, e ao fazer isso ele foi lançado ao menos uns três metros de distância de nós. Novamente eu voltei minha atenção às amarras em Niklaus e quando estava prestes a desfazer a do tornozelo direto senti algo se chocar com a minha cabeça e tudo ficou escuro e a única coisa que pude sentir antes de ficar inconsciente foi meu corpo sendo levantado por um par de braços. E então a escuridão me abraçou.



Capítulo 2

Horas depois eu acordei dentro da tenda junto de Niklaus, que estava sentado ao meu lado segurando a minha mão. Ao olhar diretamente para seu rosto eu pude ver claramente leves manchas de sangue ao redor de seus lábios. Esbocei um pequeno sorriso assim que seu olhar encontrou o meu.
— Sinto muito, Nik. Eu não pude te ajudar. — lamentei e senti algumas lágrimas se juntarem nos meus olhos.
— Não se preocupe, eu estou bem. — ele afirmou, mas eu ainda pude sentir algum pesar em sua voz.
— Não, Nik. Não está tudo bem. O que eles fizeram com você é errado, desumano.
— Mas você estava lá, você tentou me ajudar. E isso é mais do que qualquer outro dos nossos irmãos tenha feito. Você enxergou que eu não era o monstro que eles diziam. E eu sou grato por isso.
As palavras dele fizeram meu coração doer, nenhum dos outros moveu um músculo para ajudá-lo, ficaram apenas observando. E Finn... ele incentivava nosso pai a fazer aquilo. Ele queria ver Niklaus sofrer. Eu não conseguia sentir outra coisa se não repulsa em relação aquele homem que eu tenho como irmão. Niklaus apenas sorriu levemente e me ajudou a levantar quando eu apoiei meu peso nos meus braços.
Ao sairmos da tenda eu pude ver imediatamente pequenas poças de sangue, o que reconheci devido ao cheiro forte e olhando adiante, Rebekah encontrava-se ajoelhada próxima ao corpo de Esther.
As lágrimas grossas que caiam dos olhos de minha irmã, fizeram aquele aperto no meu coração voltar, mas ao olhar para Esther eu não senti muito. Quer dizer, eu sei que ela me criou e tudo mais, mas ela não era minha mãe verdadeira. Hydra e Orion eram meus pais verdadeiros. Mas segundo Nik, eles me entregaram à Esther doze anos atrás porque a aldeia em que vivíamos estava condenada com uma peste que matara mais da metade das pessoas que viviam por perto. E desde então, essa se tornou a minha família, mas Esther sempre mostrara certa aversão à mim, da mesma forma que Mikael fizera com Niklaus.
Ela passou a evitar maior proximidade quando eu fiz treze anos e já não precisava tanto da assistência dela. Porém eu não posso negar que conforme os anos foram passando e ela ficava cada vez mais próxima de Rebekah, o sentimento que ela me dera todos esses anos se tornou recíproco. Então não, eu não derramei uma lágrima ou encarar seu cadáver. Eu era grata pela sua criação, mas eu não criei nenhum tipo de afeto por ela, e o que eu tive na infância ela foi matando aos poucos.
Eu segurei a mão de Niklaus e ele aperto a minha em resposta.
— O que aconteceu? — perguntei e assim que Rebekah ouviu a minha voz ela veio ao meu encontro com passos rápidos e rapidamente o peito dela se chocava com o meu e as lágrimas dela passaram a molhar minhas vestes.
... Ah, , foi tudo culpa dele. Esse monstro. Como ele pôde?
— Calma, ei, Rebekah, calma. Me explica o que aconteceu. — disse e fiz leves movimentos para cima e para baixo o em suas costas.
— Depois que Finn bateu com aquela madeira na sua cabeça, mamãe terminou o encantamento. Mas quando Niklaus se soltou ele a atacou... Ele se alimentou dela. Como se ela fosse só mais uma. Mikael fugiu e Finn e Kol entraram na floresta. Apenas Elijah e eu permanecemos. ESSE MONSTRO? COMO ELE PÔDE? ELA ERA NOSSA MÃE, NIKLAUS! E VOCÊ A MATOU. — ela agora se dirigia ao rapaz que ainda segurava minha mão.
— Você viu o que eles estavam fazendo com ele Rebekah. Você, Finn, Kol e Elijah ainda ajudaram Mikael. Nenhum de vocês moveu um dedo para sequer tentar ajudá-lo enquanto ele implorava pela misericórdia de vocês. Vocês fingiram que ele não era nada além do que Mikael disse a vocês. Então não aja como se ele fosse o único monstro aqui. Todos nós somos agora. Aquela mulher fez isso.
Ela não disse nada, apenas encarou Niklaus e a mim e no segundo seguinte o abraçou. E novamente voltara a chorar. Niklaus que agora soltara minha mão, retribuía seu abraço. Algum tempo depois de termos limpado o corpo de Esther, Elijah, que havia se juntado à nós pouco tempo depois, ajudava Niklaus a cavar uma cova. Finn e Kol apareceram só depois que ela já havia sido enterrada.
Paramos os cinco em volta do que se tornara o descanso eterno de nossa mãe. E ao encarar a desigualdade que se formara ali, eu dei a mão a Rebekah.
— Nós temos que ficar juntos. — eu disse e pude ver os outros ao meu redor concordarem.
— Sempre. — disse Elijah.
— Para todo o Sempre. — disse Niklaus, que em seguida procurou apoio em cada um de nós.
— Para todo o Sempre. — afirmou Rebekah.
— Para todo o Sempre. — Kol, Elijah, Finn e eu dissemos em uníssono.
E minutos depois começamos a juntas as poucas coisas que tínhamos para podermos deixar esta vila para sempre. Uma parte de nós morreu aqui, e eu tenho certeza que não iremos querer voltar aqui tão cedo. Nós nos tornamos seres imortais, e por mais que ainda não saibamos os limites, nada é tão poderoso para nós matar.

85 Anos depois
Em algum lugar da Europa


As risadas vindas de Kol eram contagiantes e faziam com que fosse quase impossível segurar o riso perto dele. Ele contava a história de uma moça que ele havia compilado a se deitar com ele, mas quando eles estavam no ato e ele a mordeu, ela tinha verbena no sangue, e o mais engraçado foi que pouco antes dele se vestir o esposo dela, adentrou a cabana em que eles estavam. E mesmo quando já havia deixado os aposentos dela, ele ainda pode escutar ela gritando e dizendo que ele não a satisfazia na cama.
Rebekah ao meu lado tinha as presas cravadas no pescoço de um pobre infeliz que se deixou levar pela beleza dela. Tolos. Elijah estava sentado mais afastado com uma jovem dama em seu colo, que ria sobre as coisas que ele sussurrava ao seu ouvido. Já Niklaus e Finn eu não fazia ideia de onde poderiam estar. E pra ser sincera, eu não me importava.
Uma das coisas que eu descobri durante esses anos é que nós podemos desligar a nossa parte humana, ou seja, nós desligamos a nossa capacidade de sentir. O que é maravilhoso, por sinal. Você simplesmente não sentir nada, apesar de que de nós seis eu fui a única que já havia desligado a minha.
— Você deveria ser mais sutil, irmão. — disse Elijah, o que me deu a chance de perceber que a moça que o acompanhava agora estava deitada no chão, com o corpo sem vida.
— Todos nós deveríamos. — afirmei, depois de terminar de beber o líquido vermelho em minha taça.
— E eu ainda não sei por que você, minha irmã, ainda usa essa taça estúpida. Não há nada como o sangue vindo direto da jugular. Quente e doce. — Rebekah disse ao notar meu ato.
Eu apenas a encarei e levei o objeto metálico aos meus lábios novamente.
— Quem sabe um dia.

Um século depois
Há três semanas Klaus havia transformado o primeiro de sua linhagem, Lucien. Que se tornara um simples cachorro atrás de nós. Mas o tempo que permanecemos no castelo a chamou a atenção de Mikael, que agora nos caçava. E jurava que nos mataria um dia. Pobre coitado.
Minutos depois em nossa descontração, homens armados com espadas e lanças entraram no aposento em que nos hospedamos e começaram a dar ordens entre si. Após um breve desentendimento, eles avançaram e começaram a investir contra nós. Kol foi gravemente ferido no peito, enquanto Elijah arrancara o coração de um deles que caíra com o corpo desanimado aos seus pés. Ao olhar meus irmãos, eu não percebi um deles vindo em minha direção e rapidamente enfiar a ponta de sua lança através de meu coração. A dor era lancinante como sempre seria, e essa mesma dor fez com que eu desmaiasse, o que não durou muito tempo e segundos depois eu segurava o mesmo homem que me ferira pelo pescoço, que com um leve movimento de minha mão se quebrou e eu vi a vida deixar seus olhos.
O conflito ao nosso redor continuava, mas era patético ver a tentativa desses mortais indulgentes de nos enfrentar.
Quando apenas um deles restava, ele se jogou de joelhos no chão e começou a rezar. Patético.
— Levante-se, homem. — disse Elijah, que o puxara pelo cotovelo e o forçara a se equilibrar.
— O-o quê são vocês? Filhos do diabo.
— Ele não está totalmente errado, por um lado. — afirmei.
— O poder de Deus é maior que essa maldição.
— Bla, bla, bla... — cantarolou Kol, que agora estava ao lado do homem.
— O que são vocês? — tornou a perguntar.

Risadas voltaram a encher o local e só pararam quando Rebekah, que até então se manteve em silêncio disse.
— Nós somos os Mikaelson. Os Vampiros Originais. Os primeiros de nossa raça, os únicos realmente imortais. Nós somos a ruína deste mundo. Você pode nos chamar de Morte.


Capítulo 3. The Originals

Pouco mais de uma década atrás

Eu acabara de voltar de uma das boates de Nova York, e tinha em minhas mãos uma garrafa de Jack Daniels, a qual metade do líquido âmbar eu já consumira. Ao entrar na sala de meu apartamento pude sentir a presença de uma outra pessoa. Ao poder reconhecer o cheiro, eu sorri para mim mesma e me virei.
— Boa noite, . — disse, com a voz terna e serena de sempre.
— Boa noite, Alvozinho. — disse e pude o ver sair do canto do cômodo.
— Vejo que você anda muito bem ultimamente. — ele disse e sorriu terno ao se aproximar.
— Melhor que nunca. — Afirmei.
— E seus irmãos?
— Bom, pelo que eu fiquei sabendo, Niklaus estava em algum lugar da Eslováquia.
— Lugar interessante a Eslováquia.
— Não duvido que seja.

Caminhei em direção ao pequeno frigobar e peguei uma bolsa de sangue, o qual eu rapidamente despejei na taça brilhante em minhas mãos. Ao sentir o líquido escarlate descer pela minha garganta, uma leve onda de calor passou pelo meu corpo.
— Pelo visto, você ainda tem a mania de usar essa taça. Por mais que eu não aprove a forma com que você obtém o líquido que está aí.
— Com o tempo você se acostuma. É apenas uma questão de tempo. — disse e pude ver os olhos dele por baixo dos oclinhos de meia-lua tentarem me examinar. Mas, além de ser muito mais complexa que a mente humana poderia imaginar, eu sei muito bem esconder meus pensamentos sem usar Oclumência. — Bom, o que o traz aqui? — perguntei e ele pareceu brevemente satisfeito com isso.
— Sobre isso, bom, eu vou precisar da sua ajuda mais uma vez.
— Interessante. Vai ser como da última vez? Aquele tal de Gerald, Grant...
— Gellert Grindewald. — ele me corrigiu. — Eu duvido muito que seja como da última vez, a coisa parece ser bem mais séria desta vez.
— E o que é? — perguntei me sentando e o convidando a fazer o mesmo.
— Um bruxo, poderia dizer, o maior bruxo das Trevas. Ele atacou uma família, matou os pais e deixou apenas o menino. Mas não porque quis, na verdade, a intenção dele era justamente a criança. Há uma profecia sobre os dois, aquele que nascesse no final do sétimo mês, seria o único que poderia matá-lo. Então, ele foi atrás dos Potter. Lilian e Tiago. Lilian ficou com a criança enquanto Tiago o enfrentava, mas não houve tempo para ela fugir, ele rapidamente chegou ao quarto e ela se colocou entre ele e a criança. Ele atacaria o pequeno Harry, mas Lilian se colocou entre os dois, o que impediu que o menino saísse com mais que apenas uma cicatriz na testa, mesmo que tenha lhe custado a própria vida. O feitiço ricocheteou e ele foi atingido, e sua forma corpórea se destruíra.
— Então ele morreu? — perguntei o encarando.
— Creio que não. Ele era esperto, arrumaria uma forma de permanecer vivo se algo do tipo acontecesse.
— Entendi, mas em que você precisa da minha ajuda?
— Como eu disse, Harry sobreviveu e agora mora com os tios maternos. E vai ficar lá até completar 11 anos, quando finalmente puder ingressar em Hogwarts. E eu queria que você o observasse de longe, pelo menos uma vez por ano. Não precisa falar com ele, apenas observar como ele está crescendo e tudo mais, quando os sinais de magia vão começar a se fazer presentes.
— Okay. — disse, apesar de estar achando aquilo um exagero. O cara morreu. Não tem sentido toda essa preocupação. — E onde ele mora?
— Little Whinging, Rua dos Alfeneiros n° 4.
— Londres? — ele apenas confirmou com a cabeça.
— E tem mais uma coisa. Durante o quinto ano do rapaz, eu gostaria que você ingressasse em Hogwarts juntamente.

Eu o encarei atônita. Ele estava falando sério? Me colocar no meio de centenas de crianças? Para ajudar um menino a derrotar um bruxo que poderia nunca voltar.

— Você sabe o que eu sou, não? — ele apenas ergueu uma das sobrancelhas. — Vai realmente me colocar no meio dos seus alunos?
— Eu não vejo motivos para não fazer isso. — ele continuava com o mesmo olhar sereno.

Rapidamente eu fiz meus olhos ficarem vermelhos e pequenas veias aparecerem em baixo deles.
— Isso deveria ser uma grande razão para me manter afastada da sua escola. — fiz meus olhos voltarem ao normal.
— Na verdade, esse é um dos motivos pelo que eu preciso de você lá. Além do fato de você ser a bruxa mais poderosa que ainda vive.
— É loucura. — afirmei.
— Eu confio em você. — ele constatou.
— Eu sei que sim. Mas, Alvo, eu sou perigosa. E como eu vou me alimentar? Porque eu irei. Você acha que vai dar certo eu ficar igual ao Stefan? Alimentando-me de coelhos? Você não sabe qual é a sensação. A fome que vai se apossar de mim. É incontrolável.
— Eu ainda confio em você. Você não vai machucar nenhum dos meus alunos.
— Ah, e por que eu não faria isso?
— Porque assim que você entrar em Hogwarts a sua parte vampira vai ser reduzida. Você não vai ter sede de sangue e vai se alimentar de comida humana.

Eu o observei por alguns segundos, mas eu já tinha tomado a minha decisão. Dumbledore já me ajudara outras vezes, e eu não poderia deixar de fazer o mesmo. Então, eu simplesmente terminei de beber e decidi falar logo e acabar com aquele suspense.
— Tudo bem. Assim que você quiser que eu vá ver o garoto, você manda uma carta.
— Certo. Você está fazendo a diferença, . — ele se levantou. — Obrigada.

Ele sorriu brevemente e aparatou.
Ótimo, agora eu teria que olhar um garoto o qual eu não fazia ideia de como é.

5 anos depois

Eu estava sentada em uma praça próxima à escola central de Little Whinging e observava crianças correndo até seus pais e conhecidos na hora da saída. Minutos após a maioria das crianças já terem sido levadas embora, apenas seis ficaram e entre elas, ele. Harry Tiago Potter. O menino que sobreviveu. Ainda o observando, fui me aproximando até que parei uns dois metros perto dele e pude notar o semblante triste que ele carregava. Pode reconhecer à dor da rejeição que ele tinha nos olhos, era a mesma que eu tinha séculos atrás.
— Olá. — eu disse, e ele virou a cabeça procurando quem estava ao seu redor. — Oi. — chamei sua atenção novamente e ele pareceu surpreso pelo fato de eu ter dirigido a palavra a ele.
— Oi. — disse ele, tímido.
— Qual seu nome? — perguntei e me sentei ao seu lado.
— Harry. — disse, desta vez ele olhava para mim.
— Eu me chamo .
— Muito prazer. — ele declarou e eu apenas sorri.

E com um timing perfeito, um caminhão de sorvete parava na beira da calçada. E eu pude ver os olhos do menino brilharem ao ver o sorveteiro aparecer e começar a atender as crianças que rapidamente iam para lá.
— Você quer um, Harry?
— Quero. — disse tão baixo que se não fosse pela minha audição sobrenatural eu creio que não teria escutado. — Mas eu não tenho dinheiro. — revelou e eu vi um leve rubor tomar conta de suas bochechas.
— Bom, eu te ofereci, não? E além do mais, está bem calor, acho que vou comprar um para mim até. Vamos.

Ver o sorriso do garoto, fez com que eu também sorrisse. Quando chegamos perto do pequeno caminhão, o sorveteiro que atendia uma criança logo chamou Harry e eu. Harry escolheu um sorvete de chocolate com calda, eu optei por um de baunilha mesmo. Depois de pegarmos nossos sorvetes e eu pagar, nós voltamos para onde estávamos antes.

— Obrigado, moça. — ele disse com a boca um pouco suja.
— De nada, Harry.

Minutos depois de Harry terminar, um carro veio até nós e uma senhora alta e magra veio rapidamente ao nosso encontro. Ela pegou o menino brutalmente pelo braço e o levantou.
— Quem é essa mulher, garoto? — ele disse e eu pude sentir os olhos dela queimarem sob meu corpo.
— É-é minha amiga. — sussurrou.
— Sua amiga? Você não tem amigos.
— Bom, acho que agora ele tem.

Eu sorri para ela, afaguei os cabelos rebeldes de Harry e me afastei dos dois ainda podendo ouvi-la bravejar com ele, e por mais que eu quisesse voltar lá e mostrar à ela que não era assim que se tratava uma criança, eu me segurei e continuei meu caminho até meu apartamento que não ficava muito longe dali. Coincidência? Eu acho que não.


Capítulo 4

Dias Atuais

Como eu havia prometido a Dumbledore, eu fiquei de olho no garoto até que ele completasse dez anos e no nosso último encontro eu compilei ele para ele não se lembrar de mim.
Ano passado com todo o ocorrido do Torneio Tribruxo, eu acabei me arrependendo de ter cogitado várias vezes desligar a minha humanidade e deixar Londres, mas ao ver que Dumbledore realmente tinha razão em pensar que o tal bruxo das Trevas não havia morrido, eu desisti na hora.
Agora eu estava na Plataforma 9¾, prestes a embarcar no trem rumo à famosa Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Elijah, que estava ao meu lado, ficou sabendo do pedido de Dumbledore meses depois, quando ele foi me procurar em Los Angeles, mas descobriu que eu havia me mudado para Bristol, em Londres. E assim que ficou sabendo dos riscos que aquilo traria não apenas para o mundo bruxo, mas para o mundo sobrenatural também, se dispôs a nos ajudar no que pudesse.
E agora, ele me encarava com um leve sorriso brincalhão nos lábios.

— Conte-nos, irmã, qual é a sensação de estar indo ao seu primeiro dia de aula na ilustre Hogwarts?
— Não começa, Elijah. — disse, mas acabei rindo junto com ele.
— Veja bem, agora você vai realmente aprender como as pessoas da sua idade. — constatou.
— O que você quer dizer com isso, Elijah Mikaelson? — o encarei séria desta vez.
— Bom, você tem 17 anos na sua idade mortal. E sempre vai ser a nossa querida irmãzinha indefesa. — ele disse em um tom mais descontraído.
— Indefesa é a sua rola. — disse e ele soltou uma gargalhada gostosa, que novamente arrancou risos meus.
— Ah, vai. Imagina só, a lendária Mikaelson fazendo provas e lidando com adolescentes com hormônios à flor da pele. Eu daria tudo para ver isso.
— É, mas você não vai.

Depois de uns três minutos na nossa breve discussão, as portas dos compartimentos abriram e os alunos começaram a entrar. E aquela era a minha deixa para um ano completamente imerso em Hogwarts novamente, desta vez como aluna. Apesar de ter mais de mil anos, eu nunca havia frequentado uma escola de magia antes. Não desta forma.
Me despedi de Elijah e ele novamente me disse que eu teria que tomar cuidado com tudo ao meu redor e que qualquer coisa que eu precise, eu deveria entrar em contato com ele imediatamente. O motivo de não termos contado nada na época ao Klaus é que, ultimamente, ele estava fissurado em criar mais híbridos como ele. Mas as tentativas acabaram sendo falhas, e eu e Elijah decidimos manter tudo entre nós mesmo. E, provavelmente, ele iria querer resolver tudo sozinho e, com certeza, evitar que eu me envolvesse.
A viagem até Hogwarts seria longa, e eu realmente esperava encontrar uma cabine não tão cheia, já vazia seria impossível. Fui andando entre os compartimentos das casas e passei direto pelo da Lufa-Lufa, não me levem a mal, mas eu não tenho paciência para alguns Lufanos, toda aquela calma. Simplesmente, não me desce.
O da Corvinal estava relativamente cheio, o único que estava habitável, tinha duas pessoas que estavam bem juntas em meu ponto de vista. Provavelmente eu iria interromper algo que eu não queria presenciar. Andando mais adiante, eu entrei no compartimento da Sonserina, sinceramente eu entendia os Sonserinos em certos pontos. Tem coisas que você precisa fazer e não dá pra evitar.
A cabine que eu achei estava ocupada por uma garota de cabelos curtos na altura do ombro e um rapaz de pele escura e bem bonito por sinal.
Entrei nesta mesma cabine e me sentei próximo à janela no banco vazio. A conversa que eles mantinham era bem banal, se está me perguntando. Até sobre a cor do cabelo da garota que passou eles falaram. Eu só espero que eu não tenha sido tão insuportável assim quando tive a idade deles.
A paisagem que corria pela janela tornara tudo mais agradável. De certa forma fizera com que eu pensasse sobre todas as coisas que poderiam acontecer esse ano. Pela primeira vez, eu estava duvidando de que as coisas correriam normalmente bem. Não seria como normalmente é quando eu tenho que enfrentar alguém, eu não poderia me envolver diretamente, Harry Potter era o escolhido para essa tarefa, e se ele não a cumprisse, ninguém mais o faria. Uma coisa chata sobre profecias é que elas não se concretizam se não forem reproduzidas exatamente como descritas. Ou seja, se outra pessoa decidisse tomar o lugar de Harry nesta batalha, algo daria completamente errado.
E dentre todos os meus pensamentos naquele momento, os quais eram muitos, eles foram parar nele. Silas. O homem o qual eu me casei séculos atrás, mas abandonei quando percebi que Mikael vinha atrás de mim. Eu não poderia ficar, não na situação em que eu me encontrava. Não mesmo. Damon e Stefan Salvatore foram outras pessoas importantes para mim, além de minha família, que eu tive que me afastar. Eles são vampiros, mas Mikael com certeza os machucaria para me atingir. Ele não mediria esforços para acabar conosco.
Já era noite, ou provavelmente o início dela, quando chegamos ao povoado de Hogsmeade e começamos a andar em direção ao castelo, o que demorou um pouco. Ao chegarmos à margem de um rio, eu pude ver as carruagens que eram carregadas pelos Testrálios, um tipo de cavalo, mas completamente diferente, é como se ele fosse algum tipo de réptil também. Nunca soube explicar essas criaturas. Newt Scamander saberia muito bem, e me daria cento e uma razões para adorá-los.
Após um bruxo o qual eu nunca havia visto, vir até nós e dizer para os alunos que não fossem do primeiro ano subirem nas carruagens, as coisas foram mais rápidas. Eu acabei indo em uma com uma garota asiática e outra de cabelos ruivos e poucas sardas no rosto. Elas conversavam sobre um rapaz chamado Cedrico, que eu percebi ser o que morreu no final do Torneio Tribuxo ano passado. Depois da asiática decidir que não queria mais falar sobre isso, a ruiva abaixou a cabeça e só então pareceu notar a minha presença, mas quando ela ia dizer alguma coisa, a carruagem em que estávamos parou e eu rapidamente desci.
Eu andava junto com a massa de alunos que se dirigia aos portões, e ao ver que Argo Filch junto do Professor Flitwick fazia a checagem e conferia quem estava ou não, eu rapidamente tirei meu celular, que eu havia enfeitiçado para que ele funcionasse nos terrenos de Hogwarts, e fiquei com ele em mãos.
Conforme os alunos foram entrando e eu já tendo passado pelo zelador e professor, o que foi um pouco dificuldade pelo Filch ao ver o aparelho em minhas mãos e as duas malas pretas que tinham meu nome, eu estava quase na entrada do castelo quando eu sinto puxarem meu braço e me levarem para a escuridão.

— O que é que você está fazendo aqui? — a voz fria e monótona perguntou.
— Severo, querido, eu achei que sentiria saudades. — disse com o tom de voz calmo. — Faz tanto tempo.
— Eu não irei repetir a minha pergunta, Mikaelson. Diga logo. — disse ainda segurando meu braço.
— Nossa, é tão difícil acreditar que eu vim ajudar desta vez? — perguntei o encarando.
— E o que você esperava? Você não traz nada de bom junto. Deveria ter "destruição" como sobrenome.
— Bom, se você conhece a minha história, sabe que de uma forma ou de outra é exatamente isso o que ele significa. Afinal, eu ainda sou filha de Mikael.

Soltei meu braço do aperto dele e voltei a me juntar com a massa, agora pequena, de alunos que se preparavam pra entrar no castelo novamente ou pela primeira vez.


Capítulo 5

As portas do castelo se abriram e todos nós começamos a caminhar em direção ao Salão Principal onde acontece a Cerimônia de Seleção. E eu realmente queria ver o que Dumbledore faria em relação à minha seleção, já que obviamente eu não irei para o primeiro ano, eu quero ver a desculpa que ele dará aos alunos e demais professores, exceto Professora McGonagall, Snape, Flitchwick e Binns, e eu tenho sérias dúvidas de que o último se lembraria de algum dia ter me visto.
Conforme os alunos que já haviam passado pela cerimônia entraram, a Professora McGonagall parou a minha frente e pediu que eu esperasse que os alunos do primeiro ano fossem selecionados e que assim que terminasse, eu poderia entrar.
Passados uns vinte minutos, com meu celular ainda em mãos, eu não consegui escutar mais nenhum som vindo do Chapéu Seletor que, além de separar os alunos do primeiro ano por casas, cantara uma nova música falando sobre como uma guerra estava por vir e tudo mais, e nem da própria McGonagall indicando os alunos onde deveriam sentar, então me aproximei das grandes portas e com um uso mínimo de força as empurrei fazendo com que elas se abrissem. E de repente toda a atenção se voltara para mim. Era hora de começar o show. Dumbledore se levantou e parou diante de um pequeno pedestal com uma coruja e esperou até que eu estivesse perto o suficiente.
O barulho que o impacto do meu salto fazia com o chão tornava tudo mais excitante. Eu já disse o quanto eu gosto de ser o centro das atenções? Ao caminhar entre as mesas de cada casa, eu podia ver algumas pessoas cochicharem com quem estivesse mais próximo, mas sem ainda tirar os olhos de mim. Segundos depois, eu me encontrava parada degraus abaixo de Dumbledore e do banco que os alunos normalmente sentavam para serem selecionados.
— Senhorita , creio que ocorreu tudo bem com a transferência de Ilvermorny para cá. —ele disse assim que eu estava próxima o suficiente. Ilvermorny, huh? É errado eu apenas saber que é a Escola de Magia dos Estados Unidos?
— Sim, diretor. Tudo perfeitamente nos trilhos. — sorri docemente, e ele retribuiu.
— Certo, certo. — disse e piscou levemente para mim. — Bom, essa é . Nossa nova aluna e ela estará se juntando a Hogwarts do quinto ano em diante. —disse em alto e claro tom. — Queira se sentar, senhorita .
Assim que ele apontara para o pequeno banco de madeira, eu me dirigira até o mesmo e segundos depois de sentar, pude sentir o Chapéu ser colocado na minha cabeça.
— Oh, curioso. Muito curioso. — disse o Chapéu. — Uma grande vontade de mostrar que é capaz, mas também grande força e determinação. Você se daria muito bem na Grifinória, sabia? — eu dei de ombros quando ele disse isso, eu realmente não me importava onde seria colocada. — Mas além disso a ambição, orgulho e passado se sobrepõe lhe garantindo um ótimo lugar na Sonserina. — constatou o objeto, mas no mesmo momento em que dissera pareceu se questionar e ficou quieto novamente. — Difícil, realmente difícil. Vejo que possui uma mente sábia, muito sábia, e muito complexa também. Além de criativa e prática. Sabe exatamente como lidar com certas situações. Eu já sei onde te colocar. — disse e pareceu satisfeito consigo mesmo. — CORVINAL.
Aplausos irromperam da mesa à minha esquerda, onde eu pude ver o brasão azul e prata com um corvo no centro. Sorri levemente e me direcionei a tal mesa, me sentando na ponta.
Depois que o silêncio se sobrepora novamente, Dumbledore se levantou e começou novamente seu discurso sobre como a Floresta era restritamente proibida para qualquer aluno, deu avisos de Argo Filch e no meio de tudo o que ele falara, eu me perdi em uma figura rosa que sentava na outra extremidade da mesa, ela tinha uma expressão arrogante. A mulher tivera a audácia de interromper Dumbledore enquanto ele falava, e com apenas um leve movimento de cabeça fez com que ele a apresentasse. Dolores Jean Umbridge. Sub-secretária sênior do Ministro da Magia e, agora, intitulada professora de Defesa Contra As Artes Das Trevas.
E não fora apenas uma vez que ela fizera um "un-um". Três vezes bastaram para que ela conseguisse arruinar todas as tentativas de Dumbledore para dar os recados da noite.
E as palavras dela soaram bem idiotas em meu ponto de vista, mas resumindo tudo ela disse que o ensino em Hogwarts deveria começar a ser monitorado pelo Ministério da Magia e que a escola agora deveria ter professores indicados pelo Ministro e mais um monte de baboseiras, ou seja, como disse a garota na mesa próxima, o Ministério vai interferir em Hogwarts.
Assim que ela finalmente terminou o discurso ensaiado, Dumbledore disse que o jantar poderia ser servido e imediatamente os recipientes à nossa frente se encheram de vários tipos de comida. Depois da terceira garfada no meu prato, eu poderia admitir que estava até bem apetitosa a comida, no geral. Mas mesmo com os sabores maravilhosos que cada prato em especial, eu ainda sentia falta de alguma coisa. Como Dumbledore deixou claro anos atrás, a minha parte vampira fora sim reduzida assim que eu atravessei os portões de Hogwarts. Mas o que ele não esclareceu foi que apenas parte foi reduzida, quer dizer, eu ainda sentia a minha força vibrar por todo meu corpo, ainda poderia escutar claramente o que acontecia fora do Salão Principal e o sangue pulsando de cada pessoa presente. Ou seja, apenas a minha sede foi minimizada. Repetindo, minimizada, não erradicada. E se esses feitiços não fossem checados regularmente, eu tenho certeza que em breve estaria me alimentando normalmente novamente.
Após o jantar, cada casa teve que seguir seu monitor respectivo e se direcionar para seus dormitórios e se preparar para a aula no dia seguinte. Ao chegar à torre em que ficava o dormitório da Corvinal, o monitor rapidamente respondeu ao enigma que o quadro fizera e assim que ele se abriu, nós entramos.
A mesma menina asiática estava parada alguns passos de distância de mim e eu pude escutar ela cochichando sorrateiramente com a mesma colega sobre Harry. Pelo visto o menino Harry anda arrasando corações.
Ao ir para o dormitório feminino que fora indicado pelos monitores, eu rapidamente entrei no quarto que tinha meu nome manuscrito em uma caligrafia caprichosa na porta, e entrei no mesmo e ao olhar para a cama perto da janela, pude ver minhas malas. Você deve estar se perguntando por que eu não usei um malão, certo? Bom, primeiro, eu acho aquelas coisas antiquadas demais. Dois, não colaria bem eu colocar as bolsas de sangue que eu trouxe por precaução no meio de tudo e três, eu não trouxe tudo o que a lista pedira. Apenas o básico, livros que eu tinha certeza que usaria, penas, tinteiros, e outras coisas que Minerva exigiu estritamente que eu trouxesse.
Depois de me livrar da roupa que vestia e colocar apenas uma blusa que eu peguei de Damon na última vez que nos vimos, eu pude escutar passos vindo em direção ao quarto em que me encontrava e rapidamente fechei as minhas malas e coloquei meu celular embaixo do meu travesseiro com o alarme já acionado para tocar às 06:00 da manhã.
Amanhã será um longo dia.


Capítulo 6

Acordar na manhã seguinte fora quase instantâneo. E, levando em conta que eu peguei no sono de forma tão rápida, pareceu com que eu apenas tivesse fechado os olhos por uns minutos.
O som conhecido, porém irritante do meu despertador, ainda soava abafado por baixo de meu travesseiro e ao notar que ele ainda não parou, eu o desliguei.
Levantei minutos depois e, fazendo o maior silêncio que eu poderia, peguei meu uniforme em minha mala maior.
A mala menor ao meu lado continha os produtos de higiene que eu trouxe, além de maquiagem e tudo mais. Depois de ter tudo o que eu precisava em mãos, eu fui para o banheiro e comecei a me preparar para o resto do dia.
Ao terminar de me vestir, eu voltei para o meu quarto e ao olhar novamente na mala recém aberta, eu percebi que eu havia esquecido de comprar os sapatos padrão. Merda! Eu teria que pedir a Elijah para comprar e enviar para mim, pelo Correio Coruja. Como eu vi que não teria jeito, peguei a bota preta e a calcinha rapidamente.
Talvez o único problema fosse o salto eu teria que usar durante o dia todo. Tudo bem. Nada que seja muito difícil de suportar, espero.
Quando deu sete e vinte, eu saí do quarto e fui acompanhada por uma das meninas que também estava no meu quarto. O nome dela era Kathrine, ela era bem legal por sinal.
— Então, como era Ilvermorny? – ela perguntou assim que saímos da torre da Corvinal.
— Bom, é normal, sabe? Nada de tão diferente de Hogwarts. Talvez só as matérias e os dormitórios. Ah, e quem dirige a escola lá é uma mulher.
— Mas você estudou lá por quanto tempo? – ela voltara a perguntar.
— Por pouco mais de um ano. – disse, apesar de não ser verdade.
— Entendi. – ela disse, e quando entramos no Salão Principal, algumas pessoas de cada casa já ocupava um lugar em sua respectiva mesa.
Nos sentamos no banco que nos deixou de frente para a mesa da Sonserina, e ao olhar pude notar imediatamente, um rapaz de pele pálida e rosto fino, com cabelos quase tão claros quanto sua pele.
Ele também tinha seus olhos em minha mesa, mas quando eu o olhei a expressão calma e curiosa, ganhou certo tom de arrogância e superioridade e, em seguida, ele desviou o olhar para o garoto que parecia mais um brutamontes que um rapaz de quinze ou catorze anos.
E o que eu fiz foi apenas sorrir em sua direção e voltar a minha atenção para a garota sentada ao meu lado que agora falava sobre as aulas que tinhas se inscrito.
Minutos depois, Minerva passou entregando os horários dos alunos e quando ela veio entregar o meu, seu olhar se demorou em mim mais que o normal, mas ela rapidamente disfarçou e continuou sua tarefa.
Dumbledore fizera meu horário provavelmente encaixando com os alunos da Grifinória e, principalmente, de Harry. As minhas aulas hoje seriam duplas: História da Magia com Prof° Binns, Poções com Snape, Adivinhação com Sibila Trelawney e Defesa Contra As Artes Das Trevas com Dolores Umbridge.
As aulas de História da Magia passaram bem devagar o que fez com que eu me obrigasse a continuar prestando atenção no que o fantasmagórico professor dizia e quando as aulas finalmente acabaram, eu fui a primeira a sair da sala. Sério, se vocês assistissem a uma aula dele vocês me entenderiam.
Depois que eu saí da sala de aula, comecei a caminhar em direção às masmorras onde ficava a sala de Snape e assim que entrei, procurei logo um lugar para me sentar que não me deixasse tão exposta, mas também não tão escondida.
Ao olhar ao redor, e ver que os alunos começaram a entrar, eu peguei novamente meus pergaminhos, penas e tinteiro e coloquei-os sobre a mesa e, de relance, encarei o anel de prata em meu dedo anelar direito, e a pequena pedra de lápis-lazúli que me permitia andar na luz do dia sem que me o sol me ferisse.
— Sentem-se. – disse Snape friamente ao fechar a porta atrás de si.
Imediatamente ao passar os olhos pela classe, ele prendeu seu olhar em mim. Um leve sorriso de escárnio apareceu em seus lábios.
— Vejo que temos uma nova aluna. – ele disse. – — ele cuspiu o sobrenome que eu adotara. – Será uma honra lecionar para uma intercambista.
Sabe aquelas pessoas que você sente que precisa matar a qualquer momento? Severo Snape era uma dessas neste momento. Homenzinho abusado.
— Antes de começarmos a aula de hoje – disse Snape voltando sua atenção para o resto da classe -, eu acredito que seja importante lembrá-los que em junho vocês estarão prestando um exame importante, durante o qual cada um vai estar provando o quanto aprendeu sobre as composições e uso das Poções mágicas. Sendo alguns dessa classe claramente estúpidos, eu espero de vocês um sofrível “Aceitável “ em seus N. O. M.s, ou sofrerão meu... Descontentamento.
Seu olhar se pousou em um garoto de rosto arredondado e cabelos escuros.
— Depois deste ano, é claro, muitos de vocês não estudarão mais comigo. – Snape continuou – Eu apenas aceito os melhores em minhas aulas para os N. I. E. M.s, o que significa que alguns de vocês estarão se despedindo.
Ele começou a andar pela sala e olhar para cada aluno.
— Mas ainda temos um ano antes deste momento alegre de despedida – constatou. – Então, estando ou não vocês dispostos a tentar os N. I. E. M. s eu aconselho todos a concentrarem seus esforços em manter os níveis mais altos, como espero de meus alunos de N. O. M. s. Hoje nós vamos misturar uma poção que costuma ser dada nos Níveis Ordinários de Magia: a Poção da Paz, poção para acalmar a ansiedade e suavizar a agitação. Mas tenham cuidado: se pesarem a mão nos ingredientes, irão colocar quem tomar a poção em um sono profundo quase irreversível. Então prestem muita atenção no que estão fazendo – disse e seus olhos pararam em Harry, pela terceira vez desde que deixara a minha mesa. – Os ingredientes e o método estão no quadro negro – ele balançou a varinha e o que ele indicara apareceu na superfície escura. – Vocês vão encontrar tudo o que precisam no armário de estoque. – ele apontara a varinha e o armário se abriu. – Vocês tem uma hora e meia... Comecem.
Apesar de eu ter achado a poção bem simples, reproduzir ela foi uma tarefa complicada. Os ingredientes tinham realmente que ser colocados em porções exatas, ela deveria ser mexida em sentido horário, anti-horário e horário novamente e depois de uns quarenta minutos e um Snape encarando minha mesa com uma expressão de diversão, eu terminei a poção, mas tenho certeza que a aparência dela deveria ser diferente do azul púrpura que a minha ficara.
Snape agora andava entre as mesas checando os caldeirões dos alunos da Sonserina e vez ou outra deixando um elogio, e sorriu levemente ao observar o caldeirão daquele mesmo rapaz de mais cedo.
— Muito bem, sr. Malfoy. – o professor disse, deixando o rapaz com um sorriso convencido nos lábios.
Ao se aproximar da mesa dos alunos da Corvinal, ele foi analisando a maioria das poções e quando parou na mesa que ficava atrás da minha passou direto, ao ver a nuvem prateada que ele disse que deveria ter sair de um dos caldeirões. Ao encarar a minha poção, um sorriso zombeteiro estampou seu rosto.
— Bom, vejo que os alunos de Ilvermorny não são tão bons em coisas básicas como uma simples poção. — seu olhar prendia o meu e eu pude sentir meu sangue subir para as minhas bochechas. Mas eu não deixaria ele sair por cima de forma alguma.
— Na verdade, os alunos de Ilvermorny são muito bons em poções. Nós aprendemos lá que para um aluno ser bom em poções, ele precisa de um bom instrutor. E um instrutor que se disponibilize a fazer com que seus alunos melhorem, melhorando os próprios métodos de ensino, em grande maioria, não conseguem se sair bem. É causa e efeito, um bom professor resulta em um bom aluno.
Um rapaz de cabelos vermelhos sentado ao lado de Harry, soltara gargalhada alta quando eu terminei de falar. O rosto normalmente sem cor de Severo, agora tinha um tom quase roxo e ele simplesmente poderia explodir a qualquer momento.
— Como se atr... – sua fala foi interrompida por um estalo vindo de um dos caldeirões da mesa da Grifinória, e ele parecendo muitíssimo contrariado, se dirigiu até lá.
Ao chegar no caldeirão de Harry, após ter passado pelo de uma menina de cabelos cheios e castanhos sem dizer nada, ele novamente colocou aquele sorriso forçado no rosto.
— Potter, o que isso deveria ser? – perguntou.
Os alunos, em sua maioria da Sonserina, se viraram para observar, pelo visto era algo que eles gostavam de presenciar.
— A Poção da Paz. – respondeu o menino de cabelos rebeldes tenso.
— Diga-me, Potter. – disse Snape suavemente - Você sabe ler?
O rapaz, que agora eu sabia ser Draco Malfoy, gargalhou.
— Sim, eu sei. – disse Harry.

— Leia a terceira linha da instrução para mim, Potter.
O menino apertou os olhos ao encarar o quadro negro.
— Adicionar pó de pedra-de-lua, mexer três vezes no sentido horário, deixar cozinhar por sete minutos e adicione duas gotas de xarope de helebóro.
Eu encarava os dois, atenta a qualquer coisa que pudesse passar despercebida.
— Você fez tudo que mandava a terceira linha, Potter?
— Não... – disse Harry baixinho.
— Perdão...? – tornara Snape a perguntar.
— Não – disse o menino mais alto. – Esqueci o helebóro.
— Eu sei que você esqueceu, Potter, o que quer dizer que essa mistura não vale nada. Evanesce.
O caldeirão de Harry agora se encontrara vazio.
— Aqueles que conseguiram ler corretamente as instruções encham um frasco com uma amostra de sua poção, etiquetem-na com seus nomes e coloquem sobre minha mesa. Dever de casa. Trinta centímetros e meio de pergaminho sobre as propriedades da pedra-da-lua e seus usos para o preparo de poções. Para ser entregue quinta-feira.
Levantando com calma desta vez, eu coloquei um pouco de minha poção no frasco e depois de guardar todo o meu material, eu finalmente deixei aquela sala e fui em direção a sala de Sibila Trelawney que ficava na Torre Norte.


Capítulo 7 - Theory Of Defense

Após a aula de Poções com o insuportável Severo Snape, a aula de Adivinhação foi bem tranquila, apesar da professora Trelawney dizer a Harry que algo ruim aconteceria com ele nos próximos dias. Sibila Trelawney era uma mulher magra e alta, que usava pesados chalés e brilhantes correntes de contas, e sua sala tinha um cheiro enjoativo e muito forte.
Ao entrarmos na sala de Defesa Contra As Artes Das Trevas, a mesma mulher que interrompeu Dumbledore na noite anterior estava sentada na cadeira atrás da mesa e observava cada um de nós entrar e sentar nas fileiras designadas para cada casa presente. Novamente eu me sentei ao lado de Katherine e coloquei minha varinha sobre a mesa. Depois que todos entraram e se sentaram, ela se levantou.
— Bem, boa tarde — ela disse e todos os alunos responderam em um baixo uníssono. — Tsc, tsc. Não poderia ser assim, agora, poderia? Eu gostaria que vocês respondessem “boa tarde, professora Umbridge.” Agora repitam, por favor. Boa tarde, turma.
— Boa tarde, professora Umbridge — ecoou pela sala.
Eu a encarei incrédula. Quem essa mulher pensava que era? Pelo visto eu teria um longo, longo processo para lidar com essa aula em especial.
— Agora sim — disse docemente. — Não foi tão difícil, foi? Agora varinhas guardadas e penas na mão, por favor.
Varinhas guardadas? Sério? Ela estava achando que os alunos fariam feitiços como? Com o poder da mente? Que eu saiba, eu sou a única aqui capaz disso. Ela sorriu brevemente e se virou para pegar a pequena bolsa, também de cor rosa, da qual retirou sua própria varinha. Ao ter a varinha em mãos, ela caminhou até o quadro negro e com um leve toque do objeto mágico as seguintes palavras apareceram:

“Defesa Contra As Artes Das Trevas, Um Retorno aos Princípios Básicos”.


— Agora, seus ensinamentos nesta matéria têm sido constantemente interrompidos, não é? — disse ela se virando para a classe. — A constante mudança de professores, muitos dos quais parecem não ter seguido nada do currículo aprovado pelo Ministério, fez vocês estarem infelizmente muito abaixo do nível que esperamos de vocês esse ano de N. O. M. s. Vocês ficarão felizes em saber, entretanto, que esses problemas agora serão retificados. Nós vamos, esse ano, estar seguindo um curso de defesa mágica bem estruturado, teoricamente centrado e aprovado pelo Ministério. Copiem isso que segue, por favor.
Quando ela tocou o quadro negro novamente, a primeira mensagem foi substituída.

“Propósito do curso
— Entendimento dos princípios básicos da Magia defensiva;
— Aprender a reconhecer situações onde a magia defensiva pode ser legalmente utilizada;
— Colocando o uso da magia defensiva em um contexto para uso prático.”


— Todos tem uma cópia de Teoria da Defesa Mágica, de Wilbert Slinkhard? — ela perguntou após perceber que todos já haviam copiado.
A classe murmurou em consentimento, mas sem muita emoção.
— Acho que teremos que tentar novamente — disse. — Quando eu fizer uma pergunta, gostaria que respondessem “Sim, professora Umbridge”. Então, todos tem uma cópia? — tornou a perguntar.
— Sim, professora Umbridge.
A classe disse, mas eu me mantive em silêncio. Desde que ela perguntara do livro a minha mente vagou para uma cidade nos Estados Unidos, onde o melhor “professor” que eu tive se encontrava agora. Johan Pittsburgh, era professor de Biologia na Mystic Falls High, e, em minha opinião, o melhor professor da escola. Mesmo com o antigo professor de História sendo o Alaric, e um dos melhores, Johan ganhava de lavada. Sem falar que ele é extremamente lindo e mais outras coisas que eu prefiro não comentar.
Após alguns segundos e passos secos e pesados se tornarem mais altos, eu pude sair de meu breve transe e notei que ela se encontrava parada em minha frente.
— Algum problema, querida? — perguntou a mulher, que de perto lembrava um sapo.
Eu a encarei por alguns segundos, mas decidi que era melhor recuar e agir como Dumbledore esperava que eu agisse. Eu não poderia quebrar o pescoço dela no primeiro dia de aula na frente de toda uma turma de alunos com quinze anos.
— Não, senhora professora. Eu só me distrai.
Ela assentiu levemente e retornou a sua mesa.
— Ótimo. Gostaria que vocês abrissem e lessem a página cinco, capítulo um, Básico Para Iniciantes. Não será preciso falar.
Dito isso, ela se sentou e começou a fazer as próprias anotações. Eu abri a porcaria do livro de capa vermelha em minha frente e comecei a ler, ou fingir que lia. Eu não acredito que uma das melhores aulas de Hogwarts se tornou isso. Parece que eu estava tendo outra aula de História da Magia, mas três vezes mais insuportável. Por mais que eu me esforçasse, eu percebi que não estava com vontade nenhuma de ler aquele livro, e pra ser sincera, eu não estava com vontade de estar nem aqui. Lembre-me novamente, por que eu preciso fazer aulas contra as Trevas, se meus irmãos e eu fomos e somos grandes causadores do mal? O quão irônico isso soa? Eu já podia imaginar a cara de Kol se um dia soubesse. Ele tiraria sarro de mim por anos.
Desisti de tentar ler as palavras, que eu tinha certeza que já havia lido mais de três vezes nos últimos dois minutos, e abaixei a minha cabeça. Eu me arrependi imensamente de ter deixado meu celular no quarto. Seria um salva-vidas agora. Eu colocaria os fones e me perderia escutando a maravilhosa voz de Alex Turner cantando as músicas do Arctic Monkeys.
— Você deseja saber algo sobre o capítulo, querida? — a voz forçadamente melodiosa me trouxe de volta.
Ao olhar pela sala eu vi que uma garota de cabelos castanhos bem cheios tinha a mão erguida.
— Não sobre o capítulo, não — respondeu a garota.
— Bom, agora nós estamos lendo — disse Umbridge. — Se você tem outras dúvidas nós podemos lidar com isso no final da aula.
— Eu tenho uma dúvida sobre os propósitos do curso.
A professora pareceu se questionar se realmente responderia a garota.
— E seu nome é?
— Hermione Granger — disse a garota.
— Bom, srta. Granger, eu acho que os propósitos do curso estão bem claros se você os ler cautelosamente — declarou a mulher vestida de rosa.
— Bem, eu não acho isso — retrucou a garota asperamente. — Não há nada ali escrito sobre feitiços defensivos.
E de repente a aula pareceu ficar mais interessante. A sala de repente ficará mais quieta que antes e vários alunos, inclusive eu, encaramos o quadro novamente lendo os três tópicos que estavam ali.
— Usar feitiços defensivos? — indagou a professora. A garota assentiu vigorosamente. —Porque não vejo nenhuma situação que seja necessário usar feitiços em minha aula. Você certamente não estaria esperando ser atacada durante a aula, srta. Granger.
— Nós não vamos usar magia? — perguntou em um tom elevado de voz, o mesmo garoto que rira do que eu disse a Snape.
— Estudantes levantam suas mãos quando desejam falar em minha aula, Sr...? — ele ignorou completamente a pergunta do rapaz.
— Weasley — disse ele ao levantar a mão.
Dolores virou de costas com um sorriso estampado no rosto, ela não pode ver que Harry e Hermione levantaram as mãos.
— Alguma outra coisa que queria saber, srta. Granger? — disse ao se virar.
— Sim. Claramente todo o objetivo de Defesa Contra As Artes Das Trevas é praticar feitiços defensivos — constatou a garota em tom óbvio.
— Você é uma expert educacional treinada do Ministério, srta. Granger? — disse a professora com o tom agora mais defensivo.
— Não, mas... — as palavras da garota foram interrompidas.
— Então temo que você não esteja capacitada para discutir “todo objetivo” de qualquer curso. Bruxos mais velhos e espertos que você aconselharam nosso novo programa de estudos. Vocês estarão aprendendo sobre feitiços defensivos de uma maneira livre de riscos — disse a professora satisfeita com a expressão de desistência da mais jovem.
— Que uso tem isso? — a voz de Harry se sobressaltara. — Se formos atacados, não vai ser em...
— Mão, senhor Potter — a voz de Umbridge atingira um tom mais agudo.
Ao levantar a mão Harry foi claramente ignorado pela professora.
— E o senhor é? — ela perguntou à um rapaz de pele escura que levantara a mão.
— Dino Thomas —disse.
— Bem, sr. Thomas?
— Bom, é como Harry disse, não é? Se formos atacados não vai ser em um ambiente livre de riscos — ao terminar a frase, o rosto dela agora começou a alcançar um tom mais rosado.
— Bom, sr. Thomas, eu devo repetir. O senhor espera ser atacado em minha aula? — disse a mulher por quem a minha antipatia crescia a cada segundo.
— Não, mas...
— Eu não desejo questionar a forma com que as coisas estão correndo nesta escola, mas vocês têm sido expostos a bruxos muito irresponsáveis nesta matéria. Para não mencionar — começou e um sorriso de escárnio rasgou-lhe os lábios —, raças extremamente perigosas.
— Se você está falando do professor Lupin — retrucou o rapaz, com raiva. — ele foi o melhor que nós...
— Não, sr. Thomas. Como eu ia dizendo, vocês foram introduzidos a feitiços que foram complexos, inapropriados para a sua idade e potencialmente letais. Vocês foram levados por meio a acreditar que poderiam ser atacados a cada dia...
— Mas é para isso que essas aulas servem, não? Para que possamos aprender a lidar e saber revidar caso aconteça — eu disse e ela me ignorou. Idiota.
A mesma garota tornou a falar, mas Umbridge que andava imponentemente pela sala repreendeu a garota por não ter levantado a mão.
E nisso ela começou a falar de um outro professor, creio que o anterior, sobre como ele apresentou à turma Maldições Imperdoáveis. E o rapaz de pele escura continuará a falar com a professora de forma um pouco mais autoritária agora. Eu decidi me desligar do que acontecia.
A mulher era uma vadia arrogante que se acha a dona da verdade. O que me trouxe de volta ao ambiente e a discussão foi a voz de Harry.
— E que bem a teoria pode fazer no mundo real? — O rapaz tinha o punho erguido.
— Isso é a escola, sr. Potter, não o mundo real — disse a professora andando cada vez com mais imponência dentro da sala.
— Então não devemos estar preparados para o que está nos esperando lá fora? — retrucou Harry.
— Não há nada lá fora — impaciente, a professora disse.
— Ah, é? — Harry a questionou sem hesitar.
— O que poderia atacar criancinhas, sr. Potter? — o sorriso de escárnio agora tomava grande parte de sua face.
— Não sei, talvez Lorde Voldemort.
A menção do nome do bruxo teve diversas reações ao redor da classe, e todas pareciam transpassar a mesma coisa: medo.
— Ele não está errado. Se nós temos uma aula onde o intuito é que aprendamos a nos defender, qual é o sentido de ficarmos sentados lendo sem usar a porcaria de uma varinha? — disse atraindo a atenção dela toda para mim quando notei que ela estava próxima demais do rapaz.
— Eu já disse que para falar em minha aula é necessário que sua mão esteja levantada — disse.
— Eu acho que você está com medo, não porque é regida pelo Ministério, mas sim porque você sabe que se cada um de nós soubermos o suficiente para nos defendermos, pode acontecer muitas coisas contra seu amado Ministério em um futuro próximo — ela se aproximou de minha mesa.
— Eu não me lembro de ter lhe dado permissão para falar — ela disse e se abaixou presunçosamente diante de mim.
— Que bom, porque eu também não me lembro de ter pedido — sorri cinicamente e ela num romper inesperado bateu as pequenas mãos gordas na madeira maciça da mesa.
— E você quem seria? — Dolores perguntou, e ao ver pelo tom de sua pele, aquilo não sairia barato.
— disse.
— Bom, Srta. , você pode fazer companhia ao Sr. Potter na detenção.
— Detenção por estarmos dizendo a verdade? — disse Harry tendo novamente a atenção da mais velha sobre si.
— Não é verdade, sr. Potter. Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado não retornou. Você está mentindo.
— Não é mentira — tentou o rapaz novamente. — Eu o vi. Eu lutei com ele.
— Você é hipócrita, Dolores. Defende um Ministro e Ministério que vai ser a primeira coisa a cair quando ele realmente se mostrar — a minha voz saiu um quarto mais alta do que eu esperava.
— DETENÇÃO! PARA OS DOIS.
— Então de acordo com você, Cedrico Diggory caiu morto no chão sem mais nem menos — disse Harry ao notar que a mulher ainda continuava a tentar argumentar.
— Cedrico Diggory foi assassinado, e você ainda quer contra-argumentar — respondi a ignorando.
— A morte do sr. Diggory foi um trágico acidente — disse a professora tentando se acalmar.
— Trágico acidente é a sua ignorância e incompetência — rebati e ela veio até a minha mesa com a varinha apontada para meu rosto.

Desta vez nem uma mosca que voasse por ali ousaria fazer barulho. A ponta da varinha curta tocava a minha bochecha direita e ela tinha os olhos fixos nos meus. Eu não me movi, mas também não desviei o olhar. Ela começou a forçar a ponta do objeto contra a minha pele e quando ela tentou fazer mais uma vez, eu fiz um leve tremor de vermelho cruzar os meus olhos e pequenas veias escuras apareceram embaixo dos mesmos. Não foi possível todos verem, mas eu tenho certeza absoluta de que Dolores vira o suficiente e se assustou, porque no segundo seguinte ela rapidamente tirou a varinha de perto de mim e se afastou.
— Srta. e sr. Potter, detenção. Na minha sala às cinco da tarde. Sem atrasos — disse a mulher. — Menos dez pontos para Corvinal e Grifinória.
Depois das últimas aulas que eu tive, eu juntei as minhas coisas e fui para a sala da coisa que eu chamo de professora. Ao entrar na mesma, Harry já se encontrava sentado.
— Você não me deu tinta — disse o rapaz de cabelos rebeldes.
— Você não vai precisar — ela disse e se virou para mim. — Srta. , sente-se ao lado do senhor Potter, por favor, e pode pegar uma das penas e um pedaço de pergaminho. Eu não desejo ouvir a voz de nenhum dos dois.
Depois de me ajeitar de forma “confortável”, eu percebi que ela ainda não tinha me dito o que escrever.
— Desculpe, professora, mas o que eu devo escrever? — perguntei e ela se virou para a janela.
— Escreva a frase: “eu não devo apoiar mentirosos” — e com isso o silêncio se fez presente novamente.


Capítulo 8 - Draco Malfoy

Harry e eu ficamos quase duas horas sentados escrevendo com aquela maldita pena que escrevia as palavras em nossa pele, até ela decidir se já estava bom.
Isso é completamente errado e arcaico para uma escola como Hogwarts. Ela tortura alunos por pura diversão e para inflar seu maldito ego.
Eu ainda podia ver as marcas da frase estúpida que ficaria na minha cabeça por um longo tempo, nas costas da minha mão direita.
Outra coisa que me incomodava era o fato de eu saber que ela não ignoraria a pequena revelação que eu fiz a ela mais cedo. Ela com toda certeza arrumaria uma forma de me afetar.
Depois de tanto ficar sentada perto das estufas de Herbologia, eu voltei para a Torre da Corvinal e fui para o quarto.
Logo eu voltaria para o meio da sociedade, mas por enquanto eu queria me afastar e lidar com o fato de que eu teria que conviver com aquela porca rosa por todo um ano.

[...]


Decidi que iria falar com Dumbledore sobre Dolores. Não era aceitável o que ela estava fazendo.
O que ela pensa que sabe pra agir desta maneira? Eu ainda não consigo acreditar que Dumbledore, com quem eu tentava falar no momento, havia colocado aquela coisa aqui.
Ao passar pela grande gárgula que protegia sei escritório, eu subi as escadas em espiral até chegar a porta e bater esperando sua resposta. Um "entre" abafado atravessou meus ouvidos e eu rapidamente empurrei mesma.
— Oh, , é bom te ver — disse me encarando.
— Digo o mesmo, Alvo — sorri brevemente. — Apesar de não poder dizer o mesmo em relação à aula de Defesa Contra As Artes Das Trevas — me sentei na cadeira a sua frente.
— E por que isso? — ele voltou a olhar ao redor da sala.
— Bom, você quer que eu diga em ordem alfabética, numérica, crescente ou decrescente? — um sorriso irônico agora pintava meus lábios.
— Você poderia começar com o motivo que a fez achar isso — o homem a minha frente agora tinha os olhos presos no meu rosto.
— Certo. Bom, ela fez com que usássemos um livro e ignorar completamente as varinhas; ela deu detenção para Harry e eu por dizermos a verdade; ela acha que o ensino em Hogwarts deveria ser mais regularizado; ela acha que os professores antigos ensinaram coisas que elas não deveriam aprender; e ela acha que está dando aula para um bando de robôs. Mais alguma coisa? — perguntei ao me levantar e começar a caminhar pela sala.
Ele não respondeu de imediato, mas fez leves acenos com a cabeça.
— Certamente, cada professor tem um modo diferente de agir. Eu mesmo quando lecionava era diferente de outros profess... — ele começou, mas eu o interrompi.
— Não tente agir como se você estivesse feliz com isso, Dumbledore. Você mais que todos nós está desapontado com essa decisão, e eu tenho certeza de que você já tinha em mente outra pessoa para o cargo.
A minha voz saiu dura e de certa forma eu esperava que isso mexesse com o homem a minha frente, o que não aconteceu. Ele apenas correu os olhos por mim, no momento seguinte ele se aproximava de onde normalmente ficava sua Penseira ao meu lado.
— Eu não estou feliz com a decisão de Cornélio, mas eu não posso passar por cima da autoridade do Ministro — ele disse.
— Eu posso fazer muito mais que apenas passar por cima da autoridade dele — argumentei.
— Eu não duvido disso, mas quando você concordou em me ajudar, você deixou de ter esse poder. Não que você seja incapaz, mas sim porque isso te exporia e atrapalharia todo o nosso plano. E eu garanto que seu irmão não concordaria com essa decisão — Alvo disse e agora tinha uma das mãos apoiadas no meu ombro.
Eu não tinha como dizer algo contra isso, ele estava certo. Eu não poderia me envolver em muita coisa fora do combinado Mundo Bruxo, o que seria um problema, levando em conta o meu temperamento.
Decidi mudar de assunto, talvez outra hora seria ideal para voltarmos a falar daquela coisa.
— Você sabe que esse feitiço não é forte o suficiente, não? — perguntei sabendo que ele sabia do que eu me referia.
— Eu temia que não, mas por enquanto vamos deixar desta forma. Você está sentindo vontade de se alimentar? — perguntou voltando a se sentar.
— Não, mas não nego que uma bolsa ou duas cairia bem — me sentei novamente.
— Devo dizer que, por ter durado menos de vinte e quatro horas, talvez nos vamos precisar de algumas bolsas aqui. Seria ideal que você as tivesse aqui, eu não quero colocar nenhum deles em risco — disse Dumbledore, que agora fazia anotações em um pergaminho.
— Por mim, eu já teria uma presa certa — disse.
— Não toque na Dolores, . Isso seria um problema — disse ainda concentrado no que escrevia. — Vá falar com Severo ainda hoje, tenho certeza que ele poderá te ajudar.
— Snape? Sério? Não, acho que prefiro dissecar ao receber ajuda daquele homem — Dumbledore me encarava sério.
, você irá falar com Severo Snape assim que sair de meu escritório — as palavras autoritárias dele em minha direção fizeram com que eu perdesse qualquer tipo de humor no momento.
— Cuidado, Alvo — disse ao me sentar direto. — Não é porque eu concordei com isso que eu vou agir como um de seus alunos quando estivermos à sós. Talvez eu fale com Ranhoso, mas não espere que seja no tempo que quer. Quem sabe eu fale com ele em algumas semanas? Meses talvez.
A primeira coisa que veio a minha cabeça após deixar para trás um Dumbledore inexpressivo, foi ir até o Lago Negro, onde muitas pessoas dizem que vive uma Lula Gigante.
Me sentei ao pé de um sabugueiro, por ter passado no dormitório da Corvinal, eu estava com meu celular em mãos e acabava de responder a mensagem de Stefan perguntando se tudo estava indo bem, enquanto digitava a resposta pude ver a notificação de que Rebekah me enviara uma foto, que ao abrir vi que era de minha sobrinha, Hope, vestida em um vestido vermelho que eu lhe dera pouco antes de partir.
Após mais algumas mensagens trocadas com meu amigo e minha irmã, o nome de Klaus apareceu na tela, e rapidamente eu atendi a chamada.
— Olá, little sister — a voz de meu irmão soara e eu sorri com o apelido.
— Hello, brother. Como estão as coisas aí? — perguntei.
— Indo bem na medida do possível e do impossível — afirmou e eu pude notar o tom risonho em sua voz. — E a Alemanha, como está?
— Oh, maravilhosa como sempre. Você sabe que eu sempre tive uma queda por Amsterdam e pela Holanda. Sem falar que os homens aqui... — disse, mas fui instantaneamente cortada.
— Eu realmente não quero saber os detalhes da sua vida sexual — Niklaus disse e eu ri.
— Certo. Creio que as coisas com Marcel foram resolvidas?
— Ah, sim. Não é como se ele tivesse uma escolha. Você sabe, né? Híbrido original e tudo mais.
— Até parece que você mataria o Marcel, Nik. Nós dois sabemos que você não encostaria em uma estaca que fosse para ele. Você me deixaria morrer, mas protegeria seu cachorro — Niklaus gargalhou diante da minha resposta, e eu fiz o mesmo.
— Vamos lá, sis, você sabe que se tem algo que eu morreria para proteger neste mundo além de Hope, é você — ele disse.
— Mesmo que isso significasse que você não teria mais seu primeiro "filho"? — atenuei a última palavra.
— Marcel seria a primeira coisa que deixaria de viver se tocasse em você novamente — ao ouvir Klaus dizer isso, eu sorri levemente.
— Bom, após todas essas declarações feitas acho que é hora de desligar — disse, apesar de não estar querendo isso. O problema é que eu escutei alguém se aproximar sorrateiramente.
— Sim, infelizmente. Apesar de sentir que você está me trocando por algum holandês — a risada que escapou dos meus lábios foi realmente impossível de segurar.
— Acredite, não é isso. Eu realmente preciso desligar agora, Nik — disse novamente.
— Certo, até outro dia, little sister — disse meu irmão.
— Bye, brother — e com isso finalizei a ligação.
Ao olhar ao redor, percebi que quem quer que fosse a pessoa que usava um perfume amadeirado forte, ela ainda não quis se identificar.
Ele ainda vestia as roupas de mais cedo. Blusa social branca e uma gravata que deixava claro a sua casa, calça preta social.
Eu sabia que ele estava atrás da árvore que eu usava como apoio. Eu podia escutar a sua respiração e os seus batimentos cardíacos bem altos.
— Você pode aparecer, sabe? Eu não mordo — disse e tive que segurar a risada desta vez.
— Com quem você estava falando? — perguntou o rapaz de cabelos quase brancos.
— Com meu irmão — disse e o vi se aproximar.
— Como? Não tem ninguém e eu não vi ninguém aqui — constatou como se fosse óbvio.
Ao examinar a expressão em seu rosto, eu apenas ergui minha mão esquerda fazendo ele notar o aparelho cinza que eu segurava. A confusão que se espalhara sobre sua feição foi hilária.
— Ele me fez uma ligação.
— Ligação? — ele agora se sentou próximo a outra árvore.
— Sim, é basicamente como se ele fosse a lareira da minha casa me dar um recado, sabe?
— Bem diferente, tipo, quase não faz sentido. Mas entendi, o que não faz sentido é como você conseguiu falar com ele por aí.
— Bom, nem eu sei exatamente como explicar, o que eu posso te dizer é que isso é um aparelho trouxa, o que você já deve ter percebido — disse e ele acenou levemente.
— Então você é uma Sangue-Ruim?
— Com "Sangue-Ruim" você quer dizer nascida trouxa? — perguntei e ele apenas confirmou. — Não, eu não sou nascida trouxa.
— Ah, que bom. Porque se você fosse eu teria que me obliviar umas três vezes para esquecer que estamos conversando — ele disse e eu ri.
— Certo, sr. Não-Se-Aproximem-Sangues-Ruins — uma risada leve deixara seus lábios.
— Eu sou Draco Malfoy — ele se aproximou e estendeu a mão.
— sorri e apertei a mão dele.
— Foi bem legal o que você disse a Umbridge hoje cedo e ao professor Snape também — ele disse e agora se sentou ao meu lado, voltando a prestar atenção no aparelho em minhas mãos.
— Por que você tem um desses? — Draco perguntou e apontou levemente em direção ao objeto.
— É bem útil para falar a verdade e bem mais prático — eu disse ao rapaz.
— E só faz ligação?
— Ah, não. Tem várias utilidades — desbloqueei a tela e comecei a mostrar algumas coisas para o rapaz.
Quando chegou na ferramenta "fotos" ele perguntou se poderia ver, e eu apenas afirmei.
Abri a pasta com as minhas fotos favoritas e entreguei meu celular nas mãos dele e dei instrução para ele deslizar o dedo sobre a tela para passar para a próxima.
Enquanto Draco tinha meu celular em suas mãos, eu comecei a pensar em como eu poderia ajudar Harry se, até então, nada havia acontecido e não havia indícios de Voldemort desde a final do Torneio Tribruxo.

Capítulo 9 - Shall We Keep It Between Us

Depois de um tempo conversando com Draco, ele teve que voltar para as masmorras para se preparar para o jantar e eu decidi passar na enfermaria e pedi à Madame Pomfrey um remédio para cólica apesar de não estar sentindo nada e depois que ela me entregou um pequeno frasco de vidro, eu fui para o Salão Comunal da Corvinal, onde fui parada pela pequena águia na porta que me dissera um enigma.
Há dez pessoas em uma casa. Todo mundo quer apertar a mão das pessoas mais baixas que eles. Suponha que ninguém tenha a mesma estatura. Quantos apertos de mão serão dados? — A voz arrastada, porém firme, disse.
Um dos únicos problemas da Corvinal é esse. Para evitar que outros alunos entrem aqui, nós temos que responder esses enigmas. Só que eu nunca fui muito fã deles, então ter que pensar nisso sempre que queria entrar me irritava muito. As respostas para essa pergunta, que apesar de simples, não vinham a cabeça e sempre que vinham não eram boas o suficiente.
Droga. Pensa, quantos apertos serão dados de todos tem alturas diferentes.
— Nenhum. Porque a pessoa mais alta quer apertar a mão de uma pessoa mais baixa e uma pessoa mais baixa não quer apertar a mão de uma pessoa mais alta — disse quando consegui uma resposta plausível.
A porta rangeu e em seguida eu adentrava a sala circular com estrelas pintadas no teto que representava o céu durante a noite. Fui rapidamente até a janela e pude ver que algum time praticava Quadribol, sorri ao passar meus olhos pelos terrenos de Hogwarts e pude admirar a beleza do lugar em que residia ultimamente. Parecia coisa de outro mundo. Era lindo, era como se estivesse em uma cláusula exclusa do resto do mundo.
Mesmo depois de uns minutos na janela, eu fui para o dormitório e me deitei. Eu não voltaria a assistir nenhuma aula hoje. Não depois de todos esses acontecimentos matinais. Eu só esperava que amanhã fosse um dia melhor.
Ao entrar no dormitório, eu tirei o uniforme e deitei na minha cama, acho que pela forma com que essa manhã correu eu fiquei bem cansada e rapidamente peguei no sono.

Eu caminhava por um corredor escuro e que aparentava estar molhado, o que resultava em uma temperatura mais baixa. A cada passo que eu dava o som dos meus sapatos contra o chão ficavam mais baixos, até que se dissiparam.
De repente um leve zumbido começou a encher meus ouvidos me guiando até sua fonte. A caminhada ficava cada vez mais longa e o corredor mais estreito. Eu sentia as paredes encostando nos meus ombros e às vezes me virava para conseguir passar.
Mais a frente eu pude ver que tinham coisas no chão que faziam o mesmo ter um saliência, eram várias coisas. E ao chegar mais perto dos obstáculos, eu consegui distinguir silhuetas de cada um deles. Eram corpos. Me abaixei para ver quem eram aquelas pessoas e o primeiro rosto que apareceu foi o do caçador que eu matei na noite que fui transformada. Imediatamente levei a minha mão até minha boca e reprimi um grito. Não, não podia ser.
Ao continuar checando os rostos eu me sinto a cada vez pior. Tatia, Aurora, Rickard, Saul, Stefan, Damon, Katherine, meus irmãos e Silas.
Eu comecei a correr mais à frente no corredor e no final dele eu percebi que havia alguém parado sob uma pequena iluminação vermelha. As roupas brancas e touca vermelha acompanhados das mãos sujas se algo escuro fizeram meu coração gelar. A última vez que eu o vira, Mikael quase matou Rebekah.
— Vejo que você tem se colocado em guerras que não são suas novamente —a voz irregular e grave disse.
— Sinto que isso não tenha nada a ver com você e o que você causa — disse e me aproximei conseguindo ver seus olhos vermelhos.
— Realmente não tem, até a parte de você que me alimenta ser controlada. Você se lembra do que aconteceu da última vez que tentou me controlar? Lembra como eu fiz seu pai encontrar a sua irmã bem rápido? Por que você acha que eu não faria isso com a sua sobrinha? Hope não é? Seria uma pena se algo acontecer a ela, tão indefesa — a risada de escárnio deixou os lábios dele e ele se aproximou ficando a centímetros de distância de mim. — É melhor você arrumar um jeito de continuar com as coisas como elas eram ou o que eu vou fazer desta vez vai ser três vezes pior.
— Você não pode fazer isso, você não sabe como lidar com certas coisas. Você precisa de mim para continuar existindo — a minha voz saiu trêmula.
— Deixa eu te contar uma coisa, eu sei tudo sobre você. Eu estive aqui desde que você se transformou nisso e você acha que pode me ameaçar de alguma forma? Eu conheço você e sua família como uma rua antiga a qual eu já andei várias e várias vezes sem parar — ele disse e colocou uma mecha de meu cabelo atrás da minha orelha. — Você não pode se esquecer de mim, mesmo duvidando você não é nada sem mim, . Três dias. Esse feitiço tem que ser quebrado em três dias e ninguém pode saber que tivemos essa conversa, certo, querida?


Eu acordei com um pulo sentindo a minha garganta fechar e lágrimas inundarem meus olhos. Não, não podia ser. Isso não pode acontecer, eu estaria colocando tudo em risco. Era injusto que ele quisesse aparecer logo agora, depois de todos esses anos.
A última vez em que ele conseguiu se libertar a minha humanidade ficou desligada por cinco anos. E se ele fizer algo parecido novamente tudo pode ir por água abaixo. Maldita maldição de família.
Eu não fazia ideia de como quebrar o feitiço que Dumbledore colocara. Eu não sei qual feitiço ele usou. Como eu faria isso? Eu precisaria de ajuda, mas eu não poderia contar a ninguém.
Céus, eu realmente estava em problemas desta vez. E esse problema não seria resolvido com intimidação e força bruta.
Essa coisa sabia demais sobre mim para esperar exatamente isso. Eu estava em um barco no meio do oceano, com uma pedra enorme amarrada no meu tornozelo prestes a ser jogada no meio da imensidão azul.
Ao olhar pela janela que ficava próxima da minha cama, eu pude ver que o crepúsculo já acontecia e com isso, me levantei e fui até o banheiro. Eu não estava com a mínima vontade de comer nada esta noite, então após deixar o banheiro, voltei para o meu quarto e me deitei.
A bateria externa de meu celular enfeitiçada para não descarregar durante uns meses, estava no criado mudo do meu lado direito e ao lembrar que a minha bateria do celular já não estava tão cheia, eu peguei os dois ditos objetos conectei um no outro e voltei a me deitar tendo certeza de que não conseguiria dormir novamente.
Apesar de não fazer ideia de como quebrar o feitiço que foi colocado aqui por minha causa, eu comecei a pensar no Grimório de minha mãe, com certeza deveria ter algo sobre isso lá. Ou ao menos algo parecido. Eu precisava de alguma coisa. Qualquer coisa.
Eu levantei e peguei o grande livro antigo que estava em minha mala e comecei a procurar algo que eu pudesse usar. Tinha que ter alguma coisa aqui, não é possível que mesmo depois de todos esses anos ninguém tenha experimentado algo parecido.
E então finalmente eu vi um. Reversão de Feitiço de Barreira de Grande Poder. Isso precisava funcionar. Eu li o encantamento várias vezes repetidas e então peguei o meu celular e tirei uma foto da folha em que estava descrito. Eu tentaria amanhã depois do jantar quando as casas estiverem indo para seus Salões Comunais.
Iria funcionar, eu tenho certeza disso.
Eu só não sei como eu vou lidar com o fato de ter que me alimentar novamente se eu não contaria a Dumbledore que quebrei o feitiço.




Continua...



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