Capítulo Único
— Para, null!
A garota gargalhava enquanto null, de modo insistente, continuava a lhe fazer cócegas. Era uma típica cena entre ambos. Um hotel, um momento, mas sempre havia o amor. Os olhares trocados, os toques eram mensagens mudas. Estavam juntos havia três anos; null e null eram um casal único.
Podemos chamar de acaso, destino, muitas nomenclaturas, mas quando ocorre o encontro de duas pessoas que se completam é como uma explosão. E, bem, null e null eram de fato um incêndio inteiro! Porém eram como um lago, calmo, seguro e lindo. Não havia de fato algo que os separasse até, é claro, haver…
A porta traseira fora aberta silenciosamente, quase que como cúmplice do culpado, null adentrava a bela residência em Stone Hill. Era uma casa que alternava entre majestosa e simples. Dois opostos, porém fora um meio termo do que ambos desejavam.
null era simples, doce, gentil, porém naquele instante aguardava seu marido na sala de estar. Vestia o belo Versace vermelho que null havia lhe comprado de presente. Ela não gostara dos zeros que vinham na etiqueta informando o valor da peça, porém o aceitara devido a fala de seu amado. null havia lhe sussurrado que quando o avistara teve certeza que ele pertencia a apenas uma mulher e que ele mal podia esperar para vê-la dentro dele. Suas palavras carregavam uma duplicidade de sentimentos, mas com eles tudo era assim.
A garrafa de vinho estava vazia, em sua mão estava a última taça do líquido fúcsia. As velas forneciam uma iluminação baixa, mas não o suficiente para esconder a face molhada da mulher. Seus olhos estavam secos, no entanto. Havia findado o tempo de lágrimas e naquele momento a decisão estava tomada. null ouvia o leve e quase inaudível ruído dos sapatos de seu marido no piso de madeira. Ele enfim havia dado as caras!
null adentrava a residência temeroso, porém havia adrenalina em suas veias devido aos fatos anteriores. Estava agraciado com o sucesso de suas composições e músicas recentemente lançadas. Havia passado horas no estúdio cuidando de alguns infortúnios, porém ele sabia que havia esquecido algo importante e implorava em pensamentos para que null estivesse adormecido, mas ele sabia que era em vão! Não havia uma noite que ela não estivesse acordada o esperando com seu olhar afetuoso e sorriso cálido, sempre preparada para lhe fornecer o abrigo, fornecer tudo o que ele mais precisava: ELA. null era a única mulher que o detinha em todos os sentidos: amante, amiga, parceira, cúmplice. Sua esposa fora a única garota que o tomara de uma forma inesperada. Ele não sabia se estava preparado para o amor e, bem, null não estava o procurando, mas é justamente neste momento que ele nos acha!
— null.
A voz de null soou distante, porém carregava uma mensagem importante e naquele instante null não conseguia a desvendar. Logo naquele momento enfim a ficha havia caído.
Eles não eram mais o mesmo, null não era! Não fora a mudança que a incomodava, mas sim como ele estava a tratando, o casamento, a família!
null permaneceu de costas, sentada sobre o sofá azeviche. Seu desejo era findar a discussão que viria pela frente antes de iniciá-la, porém era necessário!
null podia sentir que algo estava errado. Prosseguiu até a sala de estar e desejou ter lembrado da data, se atentado à mensagem que ela enviara na hora do almoço, sido mais atencioso como antes, já que não passava de uma presença ausente. Ele soube ao olhar para a face de sua esposa que decisões haviam sido tomadas e que ele era o culpado pela face molhada de sua mulher. Ela estava bela, null era e sempre seria a mulher mais bela para null. Seus traços, curvas, perfume. Tudo nela era único, assim como o vestido. E ele comprara justamente e exclusivamente para ela. Porque, ao presenteá-la, ele também brindava a chance única de tê-la encontrado. O vestido moldava-se perfeitamente, salientando cada detalhe que ele amava nela, porém null sabia que não poderia tocá-la, enxugar cuidadosamente sua face e amá-la como naquele instante desejava.
null trouxe a taça para seus lábios e sorveu o líquido fúcsia antes de se pronunciar. Havia sobrado apenas uma parte dela. Seus fragmentos estavam perdidos em algum ponto entre a conclusão que null não se lembrava da data ou do seu significado e a decisão que precisava fazer. Deixou a taça sobre a mesinha à sua frente antes de erguer seus olhos novamente em direção às lumes daquele que um dia pensou conhecer tão bem quanto a si mesma.
— null, me deixe lhe... — null pausou sua fala após o gesto de negação que sua esposa lhe lançava. A decepção evidente em seus olhos deixava claro que suas palavras eram vazias e não lhe renderiam nenhuma validez.
— Você sabe tão bem quanto eu, null, que isso... — null apontou para ambos, indicando ao que se referia. — Não existe mais, que acabamos em algum ponto...
— Não acabamos! Ainda estamos aqui! Os dois! Somos eu e você, amor! — null se ajoelhou, tomando as mãos de null.
— Nos perdemos em algum ponto, null. A estrada de um matrimônio é complexa, cheia de obstáculos e em algum ponto perdemos um ao outro! — null retirou suas mãos da dele. — Você sabe disso tão bem quanto eu!
— Não posso desistir! — null tocou a face de sua esposa carinhosamente, a vendo fechar brevemente os olhos em apreço. — Não quando ainda a amo!
— O amor às vezes não é suficiente! — null segurou a mão de null antes de afastá-lo gentilmente. — null ainda vai precisar de nós, porém ele não pode ficar no meio disso... — null tomou uma golfada de ar. — Me mudarei para Sidney. Parto em duas semanas com ele.
— Então é assim que pretende acabar com uma relação de seis anos? — null se levantou de uma vez. Sua voz estava mais firme, porém desmoronava, sua família estava ruindo.
— Você sabe que dia é hoje? — null se aproximou de modo impetuoso. Seus olhos exibiam a intensidade de emoções que a tomava. — Eu o amo! O amo tanto que chega a me sufocar, null null! O amo tanto que lutei para que nesses últimos seis meses nosso casamento fosse reconstruído, porém sua ausência, a mídia, seu trabalho, e todo o resto me aniquilou. — null levou uma de suas mãos à face de null antes de prosseguir. — Esta noite foi minha última jogada, minha última tentativa, mas não se pode lutar por uma relação estando sozinha nela. Seu trabalho virou sua esposa. — E então null o largou, dando-lhe as costas.
— Você não pode me tirar null! — A voz de null soou furiosa.
— Você me tirou tudo, null! Eu não quero nada, somente levá-lo comigo, apenas isso! — null o respondeu de modo calmo mas frio.
— Ele não é só seu! — null rebateu.
— Não, e nunca será, porém estarei fazendo o melhor para nós. null está na casa de sua mãe, preparei o jantar, e planejei toda a noite para nós. null, se você não consegue entender o motivo de eu levá-lo está mais cego do que imaginei estar. — null rebateu calmamente, porém firme. Sua decisão estava tomada e null sabia que não iria tirá-la de seu filho. Ele já havia perdido ela e não arriscaria perder seu filho.
— Me perdoe... — A voz de null soou fragmentada enquanto null seguiu em direção ao andar de cima. Ela não se voltou para ele e null acompanhou ela se distanciar. Ele não tinha mais direito.
— Um dia... — null sussurrou após fechar a porta do quarto que ambos compartilhavam.
— Mamãe!
— Mamãe!
Um dueto soa estridente e alto demais para um domingo preguiçoso. Resmungo cobrindo meu rosto com o edredom, porém null e null continuam pulando e me chamando em um tom que gradativamente eleva-se. Resmungo insatisfeita antes de descobrir minha face contrariada. Ambos, null e null, se jogam sobre a cama caindo sobre mim. Evito um xingamento diante das gargalhadas, conter um sorriso é impossível. Meus pequenos se divertiam com o feito.
— Não está cedo demais para agitação? — Pergunto com a voz levemente sonolenta.
— Disney! Disney! Disney! — Ambos gritam em uníssono.
Contenho um palavrão. Eles viajariam para Flórida hoje! Havia esquecido completamente! null os buscaria e os levaria para a famigerada Disney. null era a mais animada, visto que passaria seu aniversário em seu lugar favorito. null estava com sete anos, esperto, perspicaz e cheio de energia. null completaria quatro anos em cinco dias. Minha pequena null fora descoberta após uma semana extenuante. Uma semana longe de null. O divórcio fora executado ao longo de um mês, o qual tentei esconder minha gravidez de null. Idiota? Um pouco! Porém buscava seguir em frente o mais distante do homem que amava. Mas, entre um enjoo e um desmaio, null soube. Resolvemos os trâmites, burocracias sobre a guarda de ambos, até que chegamos à um acordo; null e null passavam todas as férias com o pai, alguns feriados eram-me cedidos, já que ambos frequentavam a escola em Sidney. null estava ocupado com a gravadora, porém todas as férias de ambos ele zerava sua agenda. Ele era somente deles e isso me acalentava. Ele poderia ser presente do seu jeito, muitas noites já havia flagrado null dormindo com a tela do notebook que emprestava a ele para falar com pai e null sempre estava atento ao filho adormecido. Algumas vezes conversávamos; éramos adultos e seguimos nossa vida.
— Escovaram os dentes? — Perguntei, vendo ambas crianças me olhando confusas. — Seus preguiçosos! — Ri antes de fazer cócegas em ambos.
Tê-los todos os dias era uma bênção ao meu espírito. Eles eram minha alegria. Vê-los sorrindo era minha maior felicidade. Não me preocupava se meu dia fosse intragável, contanto que conseguisse vê-los quando chegava do trabalho. Me levantei após ceder aos pedidos de rendição de ambos, peguei null no colo e segurei a mão de null ao sair do quarto, seguindo pelo corredor até a cozinha. Morávamos numa casa de um andar, porém ela era espaçosa, arejada e ficava no topo de uma encosta na qual podíamos ver o oceano.
Sentei null em seu cadeirão e segui até a cafeteira, ligando-a. Me virei para meus filhos, que me olhavam atentamente.
— O que estão pensando? — Perguntei me apoiando no armário.
— Você não vai mesmo com a gente, mãe? — null perguntou num tom de voz que revelava sua insaturação.
— Não, querido. — Me aproximei e toquei sua face com carinho antes de beijar o topo de sua cabeça. — É uma viagem para vocês dois...— Beijei a ponta do nariz de null. — Aproveitarem o papai.
— Mas podemos fazer isso com você lá também! — null resmungou, contrariado.
— Mamãe princesa também! — null sorriu exibindo seu entusiasmo.
— A mamãe tem uma montanha. — Fiz um gesto exagerado. — De trabalho para terminar.
— null podia terminar para você! — null comentou como se tivesse achado a solução. Sorri, tocada, porém ele era novo demais para entender o mundo dos adultos.
— Tia null tem sua própria montanha. — Ri antes de servir o bolo de chocolate que ambos “me ajudaram” a fazer no dia anterior.
— Raina mama e prinxeza null! — Minha filha se enrolou em algumas palavras. Ela estava crescendo tão rápido!
— Você sempre será minha princesinha. — Comentei antes de me servir de uma xícara de café e colocar mais um pedaço de bolo para ambos.
Passamos o desjejum entre mordidas (de bolo) e soluções (por parte deles) em deixar o trabalho e viajar com eles. Ver null se esforçando em seguir a linha de pensamento de null era fofo, tão pequena mas esperta como o irmão! Era divertido ver as respostas criativas sobre os obstáculos. Eles estavam crescendo tão rápido!
null era apenas um ano mais novo que null quando havia me separado de null. Novo demais para entender o porquê do pai não morar mais com ele. Novo demais para compreender que teria de viver em outro continente. Ele era novo demais e eu estava ferida demais para deixá-lo fora da vida de null. Então, mesmo machucada, comecei a ligar via Skype para que null sentisse com menor intensidade a separação. Dessa forma, a minha relação com null passou a ser mais amigável, porém distante.
Exatamente às 14:30 eles estavam perfeitamente arrumados, cheirosos (null fez questão de conferir, tão novo porém tão parecido com o pai!) e ansiosos. null não desgrudava da janela, null tentava se entreter com os jogos de seu tablet, ele sempre o usava quando viajava para ficar com o pai. Era o único momento em que o via com o aparelho em suas mãos.
— Papi chegou! — null saltava alegre balançando seu vestido lilás cheio de babados e seus cachinhos também.
— Onde? — null questionou deixando o tablet de lado.
— Ali! — Apontei a porta assim que a campainha soou.
Me levantei, pegando null no colo, e segui em direção à porta, destrancando-a. No mesmo instante, null abriu os braços para null, que a pegou e a encheu de beijos. Seu sorriso evidenciava o quanto estava feliz de ver a filha, empurrei levemente null em direção ao pai, já que o mesmo estava apenas observando. null se agachou em frente a null, ainda segurando null em seus braços.
— Vem cá, meu garoto! — null o puxou, o abraçando, enquanto null depositava um beijo no cabelo de null.
null era a versão mais nova do pai com exceção aos olhos, eles eram o único traço físico que o ligava a mim. Porém éramos parecidos em personalidade, já null era uma mistura de null e eu. Apenas sua personalidade era totalmente dele. Ela era alegre, vibrante, cheia de energia como null.
Entrei, pegando as malas deles, enquanto ouvia as três vozes, altas, vibrantes, empolgadas. Deixei as malas na sala sob a poltrona enquanto observava null sentado com os nossos filhos no divã. Ele ouvia atentamente null falar sobre o time de natação que ele participava. null gostava de passar mais tempo na água do que fora dela. O levava aos treinos semanais, ele havia sido escalado para participar de um Medley ano que vem, porém esse ano ele apenas treinaria com os meninos para se preparar. null não tirava seus olhos de null, que sempre a incluía de algum modo na conversa com null.
— Cuidado para não gastar todo assunto antes de aterrissar na Disney. — Brinquei atraindo a atenção deles.
Senti então um arrepio tomar meu corpo com o olhar de null sobre mim. Seus olhos perscrutaram cada detalhe, fazendo um longo caminho até enfim chegar em meus olhos. Trajava uma jeans e regata branca, uma roupa confortável e comum. Meus cabelos estavam soltos e estava descalça. Um péssimo hábito, porém dentro de casa era quase impossível ficar com algum calçado em meus pés. null estava seguindo o mesmo hábito, embora tentasse veemente podar, já que poderia gerar acidentes, escorregões, etc.
null continha um olhar intrigante em seus olhos e um meio sorriso. Sua boca ainda permanecia tentadora, seu cabelo estava entre bagunçado/arrumado, mas de um jeito que o deixava ainda mais belo, ele usava uma t-shirt preta, jaqueta jeans e uma calça escura com um coturno. Lindo, despojado, tão ele!
— Eles sempre têm algo a dizer. — null me respondeu.
— null dorme a maior parte da viagem. — null comentou.
— Ela é um bebê. — null provocou o filho. — O meu bebê.
— Ela não é… — Interrompi null.
— Ele sabe, querido, porém você sempre vai ser meu bebê. — Me aproximei e beijei suas bochechas, arrancando um resmungo de null e uma risada de null.
— Temos de ir se quisermos chegar a tempo para o nosso voo. — null comentou se levantando, null estendeu os braços para o pai, que prontamente a pegou em seu colo. — Hora de dizer tchau para mamãe.
— Vejo vocês em trinta dias, meu tesouro. — Beijei as mãozinhas de null antes de pegar ela meu colo e rodopiá-la. — Mamãe guardou o seu presente na mala, e terá uma surpresa quando voltar!
— Queio ver, mamã! — null apontou para a mala.
— Agora não, apressadinha! — Belisquei suas bochechas antes de enchê-la de beijos. — Vou sentir saudades, bebê. Mamãe te ama muiiiiitooo. — Fiz um gesto exagerado antes de entregá-la a null após ela me dar um beijo me respondendo a mesma coisa. Me curvei e ergui null, o pegando em meu colo.
— Mãe! — Ele me repreendeu, cai na gargalhada.
— Cuide de null! Lembre-se do protetor solar, de beber água e de sempre cuidar de sua irmã. Você é meu orgulho, null. — Sussurrei beijando sua fronte. — Eu amo vocês dois, qualquer coisa você sabe como me ligar. Estarei esperando ansiosamente por vocês dois. Cuide de sua irmãzinha, meu príncipe! — O soltei no chão, mas então ele agarrou minha cintura abraçando-a.
— Também amo você, mamãe. — null beijou minha face assim que me curvei e seguiu até o pai.
— Pode me ligar se qualquer coisa acontecer. Não importa o horário. — Repassei a fala à null.
— Eu sei, não se preocupe, null, eles voltam em trinta dias. — null comentou brincalhão.
— Faça a viagem memorável. — Pisquei um dos olhos para null antes de seguirmos até o carro de null, que estava estacionado em frente à nossa casa.
null ajudou o pai a colocar a mala de null, a dele, e a pequena mochila com as coisas que null precisaria durante o voo. Me virei para null após colocar null na cadeirinha, enquanto null fechava a porta após ajudar null com o cinto de segurança.
— Não se preocupe, null. — null falou de modo calmo.
— Eu sei que repito as mesmas coisas toda vez, mas é que se tornou um hábito. — Sorriso sem graça.
— Eu entendo, mas confie um pouco mais em mim. Por favor. — null segurou uma de minhas mãos a levando até seu peito, em cima de seu coração. O qual estava acelerado. Rapidamente tirei ela dali.
— Sua mala já está em Orlando? — Desconversei mudando o clima para algo mais banal.
— Sim, vou despachar a mala deles direto para Orlando, o pessoal do hotel está informado e assim só tenho que levá-los diretamente para a Disney, já que ganho um dia saindo de Sidney seguindo para Orlando. — Ele manteve o tom descontraído e arrancou um sorriso tímido de meus lábios.
— Boa viagem. — Desejei antes de ele adentrar o carro e seguir pela longa estrada que descia a encosta. Permaneci ali até que sumissem do meu campo de visão.
Fazia exatamente quatro dias que null e null haviam partido com null para Orlando. Meu celular fora bombardeado por inúmeras fotografias dos meus filhos se divertindo. null as mandava todas as noites, me contava como havia sido o dia, embora só realmente as lesse no dia seguinte, já que chegavam de madrugada pois era um fuso horário de mais de 10 horas de diferença.
null era um pai exemplar, ou era o que eu concluía. Afinal ele não havia dado motivos, ações, ou qualquer indício que demonstrasse o contrário. null tinha o pai como um herói. Algumas vezes o pegava ouvindo velhos CDs que havia deixado guardado numa caixa com tudo o que me lembrava null.
Possuía, vergonhosamente, todos os CDs de null. Desde a época dele como integrante do null. Era triste a separação dos garotos, havia os encontrado algumas vezes, e eles sempre me trataram com respeito e como parte deles, mas eu não ficava tempo o suficiente para acompanhar o desgaste. null pouco falara sobre o que levou à separação da banda, mas, como era algo que o machucava, nunca realmente o confrontei. Não era certo cutucar a ferida. Era errado!
Ainda hoje esbarrava com Zayn, null, Niall e algumas raras vezes Louis. Como trabalhava com propagandas, recrutava estrelas para comerciais de marcas, roupas, etc. Quando eles estavam na cidade ou uma marca queria um deles em específico, acabava tendo de entrar em contato. Tratava-os como velhos conhecidos, amigável porém não muito. Eu os conhecia mas superficialmente. null também era chamado, porém eu deixava para null, minha melhor amiga. Eu não ficava confortável em tratar disso tendo uma relação tão pessoal com null.
A verdade era que não havia deixado de o amar, nunca o deixaria! Terminar o casamento fora necessário. Na época fora realmente um inferno. A mídia parecia ter triplicado sua atenção sobre a minha pessoa e meu filho. Queriam saber o motivo, o grande PORQUÊ!
Estava farta, cansada, exausta.... Havia sido longos anos felizes, mas que se perderam em seis meses regados a frieza, ausência; me sentia desprezada, ignorada. Havia usado todos os métodos para salvar o casamento e havia até sugerido uma terapia de casal, mas null a havia rejeitado. Ele estava em outra sintonia, ele estava popularizando seu nome fora da banda, desvinculando-se do seu eu anterior. Porém, ao fazer isso, null perdera a essência do nosso relacionamento. Esquecera de quem éramos!
Enxuguei as malditas lágrimas que caíam sobre a papelada. Eram inúmeros contratos. Todos tratavam sobre algum astro para ser garoto propaganda de uma marca/cosmético/produto. Não estava conseguindo me concentrar. A burocracia era tão essencial quanto o contato com agentes, empresários, a parte humana era extremamente fácil para mim. Os papéis eram a pior parte!
Deixei os contratos e saí rapidamente do prédio, deixando o local e seguindo para uma das tantas praias de Sidney. Porém busquei abrigo na que eu sabia que estaria deserta. Já era próximo das cinco e meia. Logo o sol iria se pôr e ali, sob a areia morna, eu poderia ser reconfortada pela vista espetacular.
Estava entretida na leitura de um contrato quando um buquê de gardênias é colocado sobre minha mesa, levanto os olhos e encontro a figura esguia de null.
— null? O que faz aqui? — Indago curiosa.
— Visitando uma amiga. — Ele comenta dando de ombros.
— Sente-se. — Indico a cadeira após pegar o buquê. — Me diga o que você está fazendo por aqui? Agora sem mentiras. — Fui categórica.
— Férias. — Ele se espreguiçou esticando seu corpo como um gato. — Estou hospedado no hotel ao centro e, como seu trabalho fica próximo, resolvi te fazer uma visita.
— Okay! — Ri antes de deixar o contrato de lado. — Vou comprar sua versão fajuta. Está quase na hora do almoço. Quer dar uma volta antes de pararmos em um restaurante? — Indago.
— Adoraria. — Ele se levanta e me acompanha abrindo a porta do meu escritório como se fosse um cavalheiro. Tive de conter o riso já que null sempre fora o mais “teatral” dentre os meninos do null.
Deixei as flores com null antes de seguir com null até o elevador. Tive, é claro, de dar um sinal para null que em breve lhe ligaria e explicaria tudo. Seus olhos exigiam respostas que naquele instante não poderia dar.
— Como estão null e a pequena null? — null comentou após um instante de silêncio.
— Eles estão se divertindo em Orlando. null sempre pede a null para levá-los na Disney em seu aniversário, o que coincide com suas férias sempre. — O respondo o observando.
— null é um homem de sorte. — null comentou com um fraco sorriso em seus lábios.
— null, tem algo que gostaria de me contar? — Pergunto confusa porém intrigada.
— Hoje está um belo dia, não acha? — null desconversou e saiu na garagem assim que o elevador abriu. — Amo minha amada Inglaterra, porém sempre está cinza por lá. Sidney parece estar sempre ensolarada.
— Aqui não é a Califórnia. — Rolo os olhos arrancando uma risada de null, o guio até meu carro conversando amenidades.
Durante o percurso até o restaurante o levo por algumas praias mais desconhecidas, já que, como figura pública, null atraía muita atenção e eu detestava os abutres que eram os paparazzi.
Estacionei o carro em frente ao meu restaurante favorito. The Gryanze. Eles serviam todos os tipos de pratos, desde frutos do mar à massas, e, como era um restaurante mais afastado, fornecia privacidade.
— The Gryanze. — null quebra o silêncio.
— Um restaurante diversificado. — Dou de ombros enquanto me decidia sobre o que iria pedir.
— Vou experimentar a sugestão do chefe. Confio em você. — null chama o garçom, que anota o pedido.
— O de sempre, Josh. Pede a Liz para não acrescentar tanto açúcar na minha limonada! — Digo ao garçom, um amigo.
— Ela daqui a pouco vai lhe mandar pedir água com limão e não limonada. — Josh pisca antes de sair em direção à cozinha.
— Conhece todos por aqui? — null perguntou curioso.
— É um restaurante que leva muito a sério o seu legado. — O respondo.
— Interessante. Algum motivo em especial? — Ele indaga.
— Especial? Seja mais preciso. — O questiono.
— De eles levarem a sério todo o legado. — Ele se explica, mas com bom humor. Seus olhos varriam o ambiente em uma espécie de curiosidade quase infantil. Me lembrava muito null observando cada novo lugar que íamos.
— Gertra e Benício foram imigrantes, legalizaram-se e iniciaram um pequeno negócio juntos como amigos, porém, conforme o restaurante crescia, o afeto entre eles também cresceu. E desde então os filhos, sobrinhos, e até netos trabalham nos The Gryanze. Eles já possuem cinco restaurantes espalhados pela Austrália. Aqui em Sidney tem dois, este que fora o primeiro a abrir e o que fica perto dos centros turísticos. — Informo parte da história enquanto esperamos nossas refeições.
— Você e null ainda se amam? — null questiona de forma inesperada.
— Não entendi. Por que está fazendo essa pergunta? — Rebati a pergunta alterada.
— Estive recentemente com uma mulher. Ela me encantou, porém ela não desejava ter filhos, adotado, biológico, ou de qualquer outra forma. Ela não quer. — null comenta enquanto pega a taça de água sobre a mesa antes de ingerir um longo gole.
— Você a ama, mas não sabe se consegue lidar com esse fato? Ou deseja ter filhos? — Indago buscando entender a natureza da questão.
— Ambos. null tinha você, null, o trabalho, mas conseguiu ferrar tudo! Agora ele tem null também! — null pragueja irritado.
— Ninguém soube, mas fui eu que pedi o divórcio. null apenas omitiu isso para a mídia porque sabia o quanto detesto toda essa atenção exagerada. — Confesso e antes que null possa falar algo a respeito nossos pratos chegam.
A refeição é feita em silêncio e eu agradeço mentalmente por null respeitar isso. Almoçamos sem pressa. Vejo ele se surpreender com o que havia escolhido. Sorriso. Martin sabia surpreender seus clientes nos sabores! Era por isso que dirigia por horas até aquele Gryanze. Era próximo da praia. Porém em uma boa margem que dava segurança aos clientes. Assim que terminamos, peço uma fatia de bolo que null sempre pede quando vem ao restaurante e uma vela em cima. Já havia mandado mensagens para a minha pequena quando acordei, porém ainda não havia recebido notícias dela, estava quase cogitando a ideia de ligar quando null aparece em minha tela segurando null vestida de Bela, de A Bela e a Fera; null usava a roupa de fera. Ao fundo, conseguia ver null trajando algo que parecia uma fantasia de pirata. Estava tarde! null estava jogado na cama de modo torto.
— Oie, princesa. — Digo para a tela vendo null sorrir de modo mole. Sono. — Parabéns, meu amor. Que amanhã seja o dia mais incrível da sua vida, meu amor. Meu amor é como o número de estrelas: infinito. — Digo sorrindo a vendo esticar sua mãozinha tentando me alcançar.
— Amo mamã idem. — Ela diz com a voz sonolenta.
— Ela passou o dia todo me pedindo para falar com você. — null riu de algo que lembrou e em seguida beijou a mãozinha de null. — null a convenceu de se fantasiar de princesa e me fez entrar na brincadeira.
— Imagino. Deve ter sido um dia divertido. — Enquanto falava meus olhos não desgrudavam de minha pequena, que lutava para manter os olhos abertos. — Meu amor, a mamãe tá no restaurante do Titio Martin, pedi o seu bolo favorito! — Mostrei o bolo para ela.
— Mamã, sono, mamã. — null esticou novamente a mão em minha direção.
— O papai vai te colocar na cama, meu amor. Mas antes… — Mandei um beijo e comecei a cantar baixinho parabéns, porém Josh me ouviu e fez todos presentes no restaurante cantar parabéns, Martin até saiu da cozinha com o bolo que null ama e pediu para ela assoprar as velas que ele acendeu. Ela caiu no truque, porém em seguida foi dormir e eu agradeci a todos com os olhos brilhando.
— Ela é muito popular por aqui. — null comentou após todos se afastarem.
— Todo mundo a adora. Martin dá a null qualquer comida que ela pedir, assim como para null. — Comento sorrindo ainda boba pelo que fizeram para minha filha.
— Eles se tornaram uma família para vocês. — null concluiu. — Por isso sabe tanto.
— null, a mulher com quem deixei as flores, é irmã caçula de Josh, foi ela que me apresentou o restaurante e sua família. — Digo antes de sinalizar para Josh se aproximar.
— Agora tudo faz sentido. — null brinca enquanto Josh se aproxima.
— Obrigada pelo que fizeram por ela. Foi incrível. — O abraço assim que ele para a nossa frente.
— Tudo pela nossa null. — Josh diz com gracejo.
— Bobão! Josh, esse é meu amigo null. null, esse é Josh, minha família. — Apresento os dois, tardio? Um pouco, mas antes tarde do que nunca.
— O que achou do lugar? — Josh indaga null, curioso.
— Algo surpreendente. Visitarei mais vezes o The Gryanze quando estiver na Austrália. — null diz apertando a mão de Josh. — Me deixe pagar a conta.
— Hoje é um dia especial, a refeição fica por conta da casa. — Josh diz de modo sério mas ainda com humor, seu sorriso evidenciava isso.
— Aniversário da null. — null diz com um sorriso brincalhão.
— Aniversário da null. — Josh reafirma.
— Diga a Martin e a todos o quanto eu adorei o que fizeram! — Abraço mais uma vez Josh antes de seguir até a saída, me despedindo de algumas pessoas pelo caminho.
— Surpreendente. — null solta após lhe contar toda a história sobre o que me levara até o divórcio.
Estávamos sentados no meio de uma praia deserta. Após sairmos do The Gryanze, o levei para conversarmos. null parecia estar atrás de alguém que o escutasse e com quem pudesse conversar sem ter todo aquele drama de ir parar na mídia.
— Imaginava que ele havia pedido o divórcio. — null falou ainda surpreso. — Mas após tudo o que me contou faz sentido porque dele deixar que falassem que ele havia pedido o divórcio.
— Nem tudo é como imaginamos ser. É por isso, null, que eu lhe dou um conselho: se você ama a mulher com quem se envolveu, lute por ela. — Me viro de frente para ele. — Porque sua mente lhe dará a paz que precisa se você fizer tudo pelo relacionamento. Eu saí de consciência tranquila e sei que talvez null e eu não voltaremos a ser um casal, mas sei que fiz o meu melhor. — Seguro as mãos de null o olhando diretamente em suas lumes claras.
— Falarei com ela a respeito. Obrigada, null. Eu não imaginava que era muito mais do que eu esperava. — null me abraçou, me deixando surpresa.
— Em Sidney sempre terá uma amiga.— Sorri enquanto lançava meu olhar ao mar.
— Você sente falta dele. — null afirma, sem precisar citar o nome.
— Todos os dias. — Suspiro apoiando minha cabeça em seu ombro, ele me abraçou enquanto observávamos o mar.
— Meu plano era tirar férias, mas terei de voltar ao estúdio para encontrar a mulher de quem lhe contei. — null ri descontraindo o clima.
— É melhor enfrentar o problema do que fugir dele! — Digo de modo alegre.
— Vamos? — null se levanta e em seguida me ajuda a me levantar.
— Vamos!
O levo de volta para o hotel dele, me despedindo de um amigo que julgava ser improvável. Sigo para casa cansada, havia sido um longo dia, porém agradável. Partilhar com null um assunto que anteriormente era doloroso fora libertador. Compartilhar as verdades que por anos sufoquei com ele me pareceu correto.
Enquanto dirigia tinha como companhia a longa paisagem urbana, arranha-céus, bairros comuns com suas casas com grandes gramados e então o condomínio que me levaria até minha casa, no alto da encosta.
Ao adentrar meu lar, senti o vazio. Era sempre a mesma sensação quando as crianças viajavam com o pai. Até a ausência de null me incomodava. Mesmo após quatro anos longe dele, ainda sentia sua falta. Havia me acostumado a não tê-lo, mas isso não me impedia de pensar nele e em todos os momentos em que passamos juntos. Foram seis anos, brigas, reconciliações, surpresas, tristezas, felicidade. Fora repleto de emoções intensas.
Suspiro e me jogo no sofá, fechando os olhos deixando-me envolver por lembranças.
Na manhã seguinte despertei confusa, havia adormecido sobre o acolchoado do sofá. Meu telefone tocava de modo incessante. Me espreguicei antes de pegá-lo de dentro de minha bolsa, que até aquele instante estava sob a mesinha de centro. O número era de null. Estranhei, hoje não teria reunião ou qualquer coisa importante. O atendi, colocando no viva voz enquanto seguia até a cozinha atrás de uma boa xícara de café.
— null, você verificou suas redes sociais hoje? — null soou preocupada.
— Acabei de ser acordada por você, null. — Comentei distraída enquanto ligava a cafeteira após colocar a quantidade de café necessária.
— Não saia de casa. Vou falar com Hector para te liberar hoje. — null soou mandona.
— O que aconteceu de tão grave, null? — Perguntei preocupada.
— Você e null são a manchete. — null soltou a informação, me fazendo sentir um arrepio desagradável tomar meu corpo. — Fotos de vocês dois na areia, rindo, abraçados, eles fizeram uma coletânea de imagens de vocês dois.
— Mas que droga! — Gritei. Era tudo o que eu precisava! — Aqueles malditos abutres! Até consigo imaginar as manchetes! — Resmungo furiosa.
— null já se pronunciou, ele foi bem categórico em afirmar que vocês são amigos, apenas isso. — Enquanto null prosseguia falando sobre os fatos, só conseguia imaginar como null deve ter recebido a notícia.
— null... — Sussurrei com a preocupação evidente em minha voz.
— Pode falar, querida. — null falou docemente, atenta.
— Eu odeio isso, null. — Passei minha mão pelos cabelos enquanto levava meu olhar para a janela, a qual exibia o oceano. — Consegue falar com Pietro para tirar as fotos da internet? Não quero vê-las. Não quero passar pela mesma merda de assédio novamente.
— Já liguei para ele. Pietro sugeriu que você saia da cidade para dar uma abafada na notícia. — null comentou calmamente.
— Quero ver meus filhos. Quero minhas crianças. — Soltei com voz fraquejando.
— Vou falar para Pietro lhe arranjar o visto e passagem para Orlando. — null tentou me confortar.
— null só queria alguém para conversar. Uma amiga. Somente isso. — Sussurrei inconformada. — Por que esses abutres não o deixam respirar?!
— É o preço da fama, null. — null respondeu. — Tenho que desligar, vou falar com nosso chefe para dispensá-la por uns dias. Assim que tiver notícias de Pietro lhe informo. Até lá não saia de casa.
— Não vou. Obrigada, null. — A respondi antes dela desligar.
Assim que null desligou, soltei uma enxurrada de palavrões, estava furiosa. E lá estava a minha cara estampando as capas de revistas de fofocas. Eu odiava a exposição, era desgastante. Arrumei minhas malas após Pietro ligar me informando que me entregaria os documentos em algumas horas, assim como a passagem. Desejava apenas ver meus filhos. Somente isso. Ouvir sobre o que fizeram, o que mais estavam gostando de fazer... Com toda certeza era uma mãe babona.
— null?
— null? Está em casa?
— null, abra a porta!
Havia adormecido após a longa espera por notícias de Pietro, já havia limpado a casa, organizado meu escritório, checado minha mala, verificado se estava levando o que precisaria, conversado com meu chefe e com null. Abri a porta, encontrando Pietro com um envelope pardo em suas mãos, o deixei entrar.
— Aqui está o que vai precisar. Me custou alguns favores, mas aí está tudo o que me pediu. — Pietro me entregou o envelope.
— Você é demais! — O abracei forte.
— Não consegui impedir as edições impressas sobre você e null, porém qualquer coisa relacionado ao seu nome nas plataforma online foi retirada. — Pietro comentou após eu soltá-lo. — Sugiro que evite suas redes sociais até um novo escândalo surgir. Artistas sempre estão envolvidos com eles. — Pietro gracejou tentando me animar.
— Obrigada, você não existe! — Sorri mais calma. — Quando sai o voo?
— Sobre isso, temos de nos apressar. Ele saí daqui algumas horas. Já fiz check in online da sua passagem, agora temos de ir, você só tem que embarcar. — Pietro arrastou minha mala até a porta enquanto eu pegava meu celular e a bolsa que levaria dentro do avião.
— Você vai me levar em seu carro? — Perguntei curiosa.
— Ele é mais veloz e não vão reconhecer seu automóvel. — Ele apenas deu de ombros antes de me fazer entrar no lado do passageiro.
Enquanto dirigia, Pietro ia me falando sobre sua esposa, os feitos de seus filhos (os gêmeos que eu era madrinha), sobre como conseguiu toda a papelada em algumas horas. Ao fim, chegamos rapidamente ao aeroporto, no qual ele mesmo despachou minha mala enquanto me orientava a correr para embarcar, já que chegamos em cima da hora.
A cada minuto que tinha que ficar na fila de embarque, sentia-me cada vez mais exposta. Várias pessoas cochichavam à minha volta. Eu só queria ficar longe delas!
Quando enfim chegou minha vez, consegui respirar mais tranquilamente e segui com passos tranquilos até a minha poltrona.
— A mamãe está chegando meus amores.
Sussurrei antes do avião decolar.
Assim que saí do aeroporto de Orlando, senti que algo estava errado. Estava aflita e com um aperto em meu coração. Olhei de um lado para o outro antes de seguir até um táxi, dando o endereço do hotel em que meus filhos estavam.
Durante todo o caminho permaneci presa na sensação angustiante. Quanto mais pensava em meus filhos mais ela parecia aumentar. Quando o motorista parou em frente ao portão do resort, o paguei e lidei com os seguranças dando meu nome e identidade para confirmar quem era, já que naquele momento ainda não tinha feito uma reserva e sim estava apenas visitando a instalação. Ainda era o aniversário de meu bebê, e tentava afastar meus pensamentos focando nela, null. Mas então meu celular tocou e um número desconhecido era exibido na tela. O atendi, receosa.
— Mamãe! Venha nos buscar.
Era null, a voz soava baixa mas urgente. null estava fungando, ele estava chorando!
— Em que local vocês estão? — Perguntei preocupada deixando minha mala de lado, sobre o balcão da recepção.
— Estamos no lote Happiness, próximo às piscinas. — null balbuciou, ao fundo conseguia ouvir null pedindo para falar comigo. Afastei um pouco o telefone enquanto perguntava à recepção onde ficava o local que null havia informado.
— Mamãe está indo meu amor. Não saia daí! Cuide de null. Mamãe já tá chegando. — Falei antes de desligar.
Discuti com alguns funcionários antes de enfim conseguir localizar o local. Era uma casa próxima às piscinas. É, null havia planejado deixar as crianças confortáveis, mas havia feito algo para que null me ligasse.
Segui a passos firmes, invadindo a casa e encontrando uma cena deprimente. null estava aos beijos com uma mulher vulgar. Ele estava apenas com uma bermuda e ela com apenas a parte de baixo de seu biquíni. Aquela cena fora como um soco em meus estômago, mas busquei meu autocontrole, null e null eram mais importantes no momento.
— Onde estão meus filhos? — Anunciei minha presença. Minha voz estava repleta de nojo, porém a irritação também se sobressaía.
— Quem pensa que você é, docinho? Essas residências são privadas! — A mulher que estava no colo de null rebateu com escárnio.
— Onde estão meus filhos, null? — Aumentei meu tom de voz, não me dando trabalho de respondê-la.
— O que está fazendo aqui, null? — Ele perguntou confuso.
Quando ia o responder, null surgiu no topo da escada. Segui correndo até ele, o pegando em meu colo.
— Mamãe! Você veio! — null apertou seus braços em meu pescoço.
— Eu disse que estava chegando, meu amor. — Sussurrei passando minha mão em seus cabelos. — Onde está sua irmã?
— Ela está ali. — null apontou para a porta no fim do corredor.
— Vamos até ela, então. — O carreguei em meu colo até onde null havia indicado.
— Mamãe! Mamãe! — null correu até mim assim que abri a porta.
— Estou aqui, meu amor. Mamãe está aqui! — A peguei em meu colo, me sentando sobre o colchão com meus filhos em meu colo.
— Vamos para casa! — null falou enquanto encostava sua cabeça em meu ombro, me implorando com seus olhos chocolates, idênticos aos meus.
— Casa, mamã, casa. — null concordou.
— Vocês não vão embora. — null surgiu, fazendo com que ambos se agarrassem mais firme em mim.
— Você e eu teremos uma longa conversa, null! Por agora nos deixe sozinhos! — Minha voz carregava uma raiva descomunal. Ele não tinha o direito de fazer null e null chorarem de modo desesperador.
— Você nem devia estar aqui, null! — null rebateu no mesmo tom.
— Mamã… — A voz baixa de null fez com que eu segurasse o que diria a null.
— Mamãe não vai embora sem vocês, meus amores. — Beijei o topo da cabeça de ambos. — Eu não vou discutir com você na frente deles.
— Pai, deixe a mamãe aqui! — null disse sem olhar para null.
— Eu tenho que falar com a mãe de vocês. — null soou resignado.
— Já teremos nossa conversa, mas por agora nos deixe. — Rebati a resposta de null olhando-o de modo firme.
— Estarei te esperando na sala. — null falou antes de sair.
Observei null partir antes de abraçar meus filhos, eu não entendia o que ele poderia ter feito para ambos quererem voltar para Sidney. Os coloquei sobre o colchão, me sentando de frente para ambos, segurando suas mãos.
— Conte para mamãe o que aconteceu. — Falei suavemente mantendo meus olhos sobre eles.
— Papai gritou com null, papai esqueceu do anisario (aniversário) de neném. null ficou com null e muie estana (estranha) . — null começou chateada.
— O pai de vocês os deixou com uma babá? — Perguntei tentando entender a situação.
— Sim. Ele deixou a gente e passou o dia fora. Só voltou alguns minutos atrás com aquela mulher da sala. Nos mandou ficar no quarto e quando null disse que queria brincar e comer bolo ele brigou com ela. — null falou receoso.
— Vocês foram a algum lugar juntos para comemorar o aniversário da sua irmã, null? — Perguntei buscando montar em minha mente o que havia levado null a agir assim.
— Não, papai só voltou alguns minutos atrás. — null reafirmou.
— Então vocês passaram o dia com uma babá e quando seu pai voltou ele mandou ficarem no quarto? — Tentei entender.
— Sim! — null respondeu subindo em meu colo.
— Mamãe vai ficar com vocês, meus amores. Vamos deitar, vou contar histórias, já que alguém tá de aniversário. — Comecei a fazer cócegas em ambos, tentando distraí-los e me reprimir, já que queria sair daquele recinto e socar a cara de null.
Passei as próximas horas distraindo ambos, já era quase madrugada enquanto contava histórias, fazia cócegas. null e null já exibiam sorrisos moles, cansados. Havíamos brincado até que ambos cansaram. Os aninhei em meus braços deitando-os sobre o colchão. E então, enquanto fazia cafuné, comecei a narrar histórias sobre aventuras até que ambos caíssem no sono. null fora a primeira a cair no sono, a ajeitei sobre a cama de solteiro do outro lado da porta antes de continuar a história para null, que alguns minutos depois de null caiu no sono também. Beijei a fronte de ambos antes de deixar o quarto. Olhei para o relógio em meu pulso, marcava duas e meia da manhã.
Estava cansada, com jet lag, porém era necessário confrontar null. Algo estava errado com ele, era um comportamento anormal dele e gostaria de entender o que o levara a agir de tal maneira.
Desci as escadas em silêncio, a sala estava escura, porém era parcialmente iluminada pelos raios lunares que entravam pela janela. null estava sentado de costas para a escada. A mulher que encontrara mais cedo não estava mais ali. Parei no último degrau, tomando uma longa golfada de ar antes de seguir até ele, me sentando sobre uma poltrona de frente para sua face límpida.
— O que houve com você? — Quebrei o silêncio.
— Como, quando chegou aqui? — Ele rebateu minha pergunta com outra.
— null, você não é assim! — Soltei resignada, cansada. — null me ligou em prantos!
— Ele pediu para você vir? — null soltou, surpreso.
— O que aconteceu, null? Você não age assim com eles! — Soltei a pergunta, estava atrás da verdade. null me contara a sua versão, já que como era muito novo podia não entender muita coisa.
— Foi um dia atípico. — null me respondeu sem muito detalhe.
— null. — Falei, o repreendendo. Havia algo que ele não estava me contando.
— null. — Ele usou o mesmo tom.
— O que você quer que eu diga? Você assustou os nossos filhos! Você deixou null magoada! Ontem foi o aniversário dela! Não interessa se algo não anda bem em sua vida, null! Ela não tem culpa de nada! Era sua responsabilidade fazer da data um dia incrível e não foder com uma vadia enquanto seus filhos estão no andar de cima. — Me levantei furiosa.
— É claro! Enquanto isso você pode foder com null e eu não posso ter um dia ruim. — null se levantou refletindo meu humor.
— null. — Soltei o nome que o havia levado a agir feito um babaca. Tudo havia ocorrido por causa daquelas malditas fotos! Me aproximei de null e lhe dei um tapa. — Eu jamais iria para cama com ele. Eu entendo que as coisas entre vocês podem não ter terminado da melhor forma, mas não me acuse e não use isso como desculpa para estragar o dia de nossa filha.
— Eu não posso foder, mas você pode sair de mãos dadas com aquele cara! — null retrucou sem se dar o trabalho de prestar atenção ao que havia dito.
— Você desconhece a palavra amigo, não é mesmo?! — Dei as costas para null, tentando acalmar minha raiva. Não queria acordar os nossos filhos.
— null nunca quis ser seu amigo antes e por que justamente agora ele deseja isso? — null usou um tom acusatório.
— Pessoas mudam, null! Não interessa a você os motivos! A questão é por que justamente agora você se importa? — Rebati.
— Não é agora, sempre me importei, null null! Você sempre foi a única mulher em minha vida. — null respondeu, me surpreendendo com sua sinceridade.
— Agora é tarde demais, null! — Me afastei, encostando ao lado da escada.
— null não teve culpa por hoje. Eu sei! Você me tira a razão de tal forma que machuquei a nossa princesinha. — null abaixou a voz encarando as escadas.
— Ela vai perdoá-lo. Eles vão. — Completei, desviando meu olhar do dele, que exibia a sua essência.
— Eles pareciam decididos em partir com você. — null quebrou o silêncio após digerir minhas palavras.
— Decisões tomadas no momento. Amanhã é um outro dia e você pode convencê-los. — Dei de ombros.
— E quanto a você? — null indagou, me lançando um olhar que me dizia para ficar.
— Ainda é cedo para dizer. — O respondi de modo evasivo.
— Eu odeio isso. — null se aproximou parando a poucos centímetros. — Odeio não poder tocá-la, odeio não poder acordar todos os dias ao seu lado. Odeio como nos tornamos apenas desconhecidos. Estranhos. Eu a vejo poucas vezes e ainda assim meu coração dispara, eu ainda a amo, null, ainda quero você. Sei que a decepcionei incontáveis vezes, mas... — Ele pausou sua fala para fazer com que eu fixasse meu olhar no dele. — Me dê mais uma chance. Apenas uma.
— null, por favor não faça isso. — Toquei seu tronco desnudo como forma de o afastar, mas acabei vencida pelo calor de sua pele.
— Mais uma chance, null. — Ele sussurrou, tocando minha face com delicadeza. Meus olhos fecharam com o carinho.
— Me dê um bom motivo. — Sussurrei, sentido ele envolver minha cintura com seus braços.
— Passamos tempo demais longe um do outro. Você me ama e eu te amo. Isso não mudou. Ainda a quero tanto como queria há 10 anos atrás. Somos duas pessoas diferentes, porém você me conhece como ninguém e eu sei que vai ser difícil no início, mas juntos podemos enfrentar qualquer coisa. — null sussurrou antes de me beijar.
Sua boca macia e aveludada moldava-se à minha num furor intenso, saudoso mas familiar. Suas mãos percorriam meu corpo, desejosas e tocando meus pontos fracos, os quais me deixavam arrepiada, mas de um jeito bom. Então null segurou minhas coxas, dando impulso para que eu envolvesse minhas pernas em seu quadril, e, quando o fiz, pude o sentir. Ele estava tão sedento quanto eu!
Sem mais palavras mas toques, ele me colocou deitada sobre o sofá enquanto seus lábios desciam pelo meu pescoço e seguiam em direção ao meu colo.
Restrições foram revogadas, peças de roupas arrancadas e desejos saciados. A necessidade um do outro fora enfim sanada, porque quando você está com a pessoa certa nada mais importa!
— Você terá a sua chance, null null.
— Eu não poderia estar mais feliz!
— Eu te amo.
— Eu sempre a amarei.
Fim.
Nota da autora: Obrigado a todos que chegaram até aqui. Escrever esse especial foi um desafio e tanto!
Espero que tenham gostado!
Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.
Caixinha de comentários: O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.
Espero que tenham gostado!
Caixinha de comentários: O Disqus está um pouco instável ultimamente e, às vezes, a caixinha de comentários pode não aparecer. Então, caso você queira deixar a autora feliz com um comentário, é só clicar AQUI.