Se eles soubessem...

Última atualização: 14/03/2019

Capítulo 1

Sete anos antes…
P.O.V’s

Aquele era sem dúvidas, um dos piores dias da minha vida. As malas estavam por todos os cantos do meu quarto, apenas uma muda de roupa estava separada junto à mochila que levaria comigo no voo. Ao meu lado na cama, notificações de mensagens chegavam sem parar. Meu coração sempre foi daquela pessoa que mandava as mensagens, .
Estava indo à Nova Iorque com um propósito, estudar e treinar para ser modelo. Sim, eu iria afim dos estudos, afinal, com 17 anos ainda faltava um ano para terminar o colegial, e como Nova Iorque tem ótimas agências de modelos, iria começar a vida do zero lá.
Faltava uma hora para irmos ao aeroporto, meu coração doía, amava Miami, mas era hora de partir, meu pai entrou no quarto e me ajudou a levar as malas até o carro, minha mãe vinha logo atrás.
Ao chegar no aeroporto, vi que estava lá me esperando, segurava uma rosa nas mãos, que estavam trêmulas.
- - sorri fraco quando fui até ele
- - me abraçou forte- vou sentir tua falta
- Não me faça chorar...- rimos- eu te amo, não esqueça disso
- Tenho muito orgulho de ti. Você vai arrasar
- Só me promete que não vai desistir da música, mesmo longe eu vou sempre te apoiar - nesse momento, ele não conseguiu mais segurar o choro, muito menos eu
- Última chamada para o voo 3475 com destino à Nova Iorque – ouvimos ecoar no aeroporto
Nos olhamos, ele me entregou a rosa e demos o último beijo.
- Eu te amo, garota – sorriu- agora, vai lá seguir teu sonho.
E essa era a última vez que eu o veria.

Agora…
P.O.V’s

A cidade de Milão esperava fervorosa pelo desfile da nova coleção da Dolce e Gabbana, a noite estava quente, todas as modelos recebiam os últimos toques na maquiagem e no look.
Meu coração acelerou assim que pisei na passarela, e não era de nervosismo. Ali nas cadeiras, percebi uma presença que quase fez meu coração sair pela boca. e sua banda. Era a primeira vez que o via pessoalmente em sete anos...e ele estava lindo.
- O que aconteceu?, Por que ficou com aquela cara de espantada?- Mila, uma das minhas melhores amigas perguntou assim que entrei nos bastidores.
- É ele. Ele está na plateia.
- O Logan? – se referiu ao meu namorado- pensei que ele estaria numa viagem à negócios...
- Não, Mila. É o , ele que está lá.
Mila sabia de toda a história, entramos juntas na mesma agência e ficamos amigas logo de cara, e sabia também que nos dias em que eu ficava em casa, ligava a TV para assisti-lo no reality show, era tão bom ver ele realizando o sonho de ser um cantor famoso, mesmo estando longe de mim. Todas as votações, eu participei, eu torci, e quando finalmente chegou na final, chorei junto ao menino do outro lado da tela, o qual eu amava com todo o meu coração.
O tempo passou, e conheci Logan, meu atual namorado. Mas ele nunca substituiu o amor que sentia por .

P.O.V’s
Era ela. acabava de subir na passarela, tão deslumbrante. Meu coração acelerou assim que a vi. Os cabelos loiros jogados para trás, deixando as ondas dos seus cabelos um pouco frizzadas, o verde dos seus olhos eram destacados por uma sombra vermelha, e aquele modelo de vestido que usava no corpo desenhava perfeitamente cada curva dele.
- É melhor parar de encarar, vai que a Anne perceba. – Erick falou baixo
Anne era minha namorada. Conheci ela durante uma viagem para um show em Madri, ela era linda, claro, e eu a amava, só não sabia que o amor que tinha por era muito maior do que o que sentia por Anne.
Quando o desfile terminou e tiramos algumas fotos com as roupas que Stefano Gabbana havia desenhado especialmente para todos da banda, fomos convidados para ir até os bastidores, para conhecer as modelos, desfrutar de drinks e também, gravar uma promo para os próximos shows na Itália.
Anne, assim que entrou foi logo falar com suas amigas modelos, eu preferi ficar na companhia dos meus amigos, afinal, não estava nem um pouco interessado naqueles assuntos que ela discutia com as amigas.

P.O.V’s
- Garota..., olha quem tá ali- Mila cutucou meu ombro
É claro, a CNCO tinha algo parecido com um patrocínio com a Dolce e Gabbana, óbvio que estariam ali.
- Vou fingir demência, pra não ter que ir lá dar oi
- Que horror, ! – riu
- Vem – segurei sua mão e ri junto- temos que trocar de roupa.
No meio daquela multidão, conseguimos sumir rapidamente. Passados dez minutos, Mila colocou seu vestido e eu o meu, voltamos para aquela espécie de festa. E, por minha felicidade e tristeza, tinha ido embora.
- Oi meu amor – Logan, apareceu do nada na minha frente, e logo deu um selinho em mim
- Logan!, oi- sorri fraco
- Aconteceu alguma coisa?
- Não..., só estou surpresa que esteja aqui..
- Posso ter perdido o desfile, mas estou aqui para passar a noite do teu lado.
Logan era realmente um cara muito bonito. Tinha pele morena, olhos azuis, cabelos escuros e ondulados, fazia jus à sua descendência egípcia.
- Aliás, tenho ótimas notícias!, assim que voltarmos para Nova Iorque, você conhecerá a minha família!.
- Isso é incrível! – estávamos namorando já fazia um ano e meio, e nesse tempo, nunca nem cheguei perto da mãe ou pai dele.- é ótimo, mesmo P.O.V’s
- O que você acha deste vestido aqui?- Anne saiu do provador usando um vestido que tinha a cor de um vinho rosé.
- Está lindo. Mas não sei o porquê de tanta frescura, é só um jantar com seus pais...
- Não, . Não é só isso, vou conhecer minha cunhada!, tenho que estar apresentável, e sugiro que vá bem vestido
- Ok...ok, e quando é esse jantar mesmo?
- Amanhã à noite – sorriu
- Anne, como que você quer que eu vá bem vestido, se me avisa da ocasião um dia antes?
- Estamos no shopping, baby. Aqui, opção é o que não falta.

P.O.V’s
A esperada noite do jantar havia chegado. Estava confiante em relação da família do Logan gostar de mim, mas estava apreensiva com o estilo de roupa que deveria usar. Optei por um vestido verde escuro, com decote canoa, e o comprimento ia até os joelhos, e sapatilha bege.
- Você está linda- Logan sorriu após me ver saindo do prédio
- Muito obrigada- beijei sua bochecha- você também está.
O caminho foi ao som de Paris in the rain- Lauv, tanto eu, quanto Logan, amávamos as músicas desse artista.
Assim que desci do carro, percebi o tamanho da casa dos pais dele, era enorme, tinha escadas que levavam até a porta, um quintal de frente muito bem cuidado, e as janelas de vidro gigantes mostravam o interior do lugar. Tocamos a campainha e esperamos, até que a mãe dele abriu a porta.
- Entre, meu filho- sorriu- estou louca para conhecer minha nora
Assim que entrei na casa, minha sogra parou na minha frente e ficou me encarando por alguns segundos.
- Realmente, ela é muito mais linda do que eu imaginava- sorriu e me abraçou – bem vinda à família, querida. Me chamo Leonora, é um prazer finalmente te conhecer!
Leonora era linda, e Logan tinha puxado toda a aparência dela.
- Minha filha logo chega também, aposto que os dois estão morrendo de fome...- disse ao perceber que o filho havia pego um doce para mim, e para ele.- Logan, vá apresentar para seu pai, ele está no jardim.
Assim que passei pela porta que separava a varanda do jardim, avistei meu sogro, que quando me viu, me recebeu com um abraço caloroso.
- É um prazer te conhecer, . Me chamo Augustus.
Ouvimos vozes na sala e concluímos que a irmã de Logan havia chegado com seu namorado. Leonora foi até a varanda nos chamar. Ao me aproximar, ouvi uma voz que era muito familiar, e nesse momento comecei a rezar até em latim para que não fosse a pessoa que eu achava que era.
- Então essa é a sortuda que namora meu irmão – a menina sorriu ao me ver- muito prazer, sou Anne
Ela me abraçou, e na minha frente, estava abraçando Leonora.
- Esse aqui é meu namorado, – puxou ele pela mão- , essa é a minha cunhada, .
- Sim, eu sei, já nos conhecemos – sorriu ao meu ver- como você tá, ?- só ele me chamava assim...e quando queria me provocar.
- Eu tô bem- olhei para minha cunhada e tive vontade de rir, ela estava mais vermelha que um pimentão- Anne, e eu crescemos junto, sempre fomos amigos muito próximos – MUITO próximos mesmo, aliás.

Tentei não focar em durante o jantar, mas era quase impossível, e eu espero que nem Logan e nem Anne tenham percebido.
, pare de pensar nesse cara. Ele é comprometido, e você também. Isso é errado”
Mas como iria lidar com ele sendo meu cunhado?.


Capítulo 2

P.O.V’s
- Como foi o jantar ontem? – Joel perguntou assim que entrei no carro
- Pra minha sogra foi ótimo, já pra mim...
- Eu não acredito que você ficou bêbado e subiu em cima da mesa achando que tava no filme do Magic Mike, de novo.
- O quê? – rimos- não!, lembra que eu te contei que a Anne tinha um irmão, e que iríamos conhecer a namorada dele naquela janta?
- Sim...
- Então, minha cunhada é a minha ex
- Aquela que virou modelo?
- Exatamente
Ele riu alto- Cara..., achava que eu era azarado.- pensou um pouco- Falando em azar, como que tá a víbora?...digo, a Anne?
- Ela não é tão ruim assim, mas ela tá bem. Ainda não sabe dos rolos com a , e espero que fique muito tempo sem saber
- Reze pra que isso aconteça, porque se ela descobrir, você tá morto.
Anne odiava meus amigos, todos eles. Sem exceção. Era um ciúme mortal, parecia que ela não entedia que eu não ia ficar sempre grudado nela, e isso incomodava tanto eu, quanto meus melhores amigos, pra ir para as turnês sempre é um inferno, na cabeça dela certeza que eu vou ficar com alguma menina aleatória, teve uma vez que ela ficou tão paranoica que inventou que eu tinha um caso com o Erick.
Chegamos no estúdio, Zabdiel tocava violão, Richard falava pelo FaceTime com a filha, e Erick comia os salgadinhos que tinham em uma cesta em cima da mesa.

P.O.V’s
Finalmente era sábado, o dia que eu mais esperei durante aquela semana toda, à noite, iria ao desfile da Victoria’s Secret, então passaria o dia inteirinho sendo mimada no salão. Logan teria uma reunião, o trabalho dele na empresa de advocacia dos pais tomava muito do seu tempo, mas por sorte, Mila também estaria lá.
Fui até a cozinha de pés descalços mesmo, abri um dos armários e peguei um saco de macarrão, preparei molho, e comi. Depois disso, voltei para o meu quarto e coloquei uma roupa confortável, peguei a chave do carro e fui até o salão de beleza.
Assim que entrei, dei de cara com Anne fazendo as unhas.
- !- disse animada
- Anne...- respondi não tão animada
- Quem diria que frequentamos o mesmo salão, não é mesmo?, vai ter compromisso hoje?, eu vou com o no desfile da Victoria’s Secret de noite, vou ver minha amiga desfilar
Eu nem sei que cara que fiz, devo ter misturado pavor, desgosto e decepção na mesma expressão – Que legal..., também vou
- É mesmo?, foi convidada por quem?
- Pela própria marca. Sou modelo, então estou sempre indo nesses eventos
Ela fechou a cara de uma forma que se estivéssemos em um desenho animado, iriam surgir nuvens pretas e raios- Legal...- começou a me analisar- vai com o meu irmão?
“Sim linda, não quer meu cronograma diário também?”, pensei.
- Não, Logan vai ter uma reunião, mas minha melhor amiga vai ir comigo.
- Hmmm, legal- respondeu ríspida
Pronto, agora ela provavelmente me odiava. Mila já conheceu Anne pessoalmente antes de mim, por terem amigas em comum, ela me disse que Anne é a típica pessoa que se acha melhor que todo mundo só por ter dinheiro, e que se conhece alguém que tenha pelo menos a vida parecida ou melhor que a dela, é ódio na certa.
Sentei na cadeira que uma das manicures indicou.

P.O.V’s
- Não esquece que vamos passar no pink carpet.- Anne disse assim que me viu sair do closet
- É meio impossível esquecer, você já disse isso umas mil vezes
Ela usava um vestido azul claro tomara-que-caia que destacava a pele morena dela, e os longos cabelos escuros estavam presos em um longo rabo de cavalo, que deve ter levado horas para ser feito. Ela estava realmente muito linda, principalmente por sua maquiagem destacar os seus olhos azuis.
Coloquei calça jeans preta, uma camisa social também preta, e um blazer da mesma cor.
- Como estou?- ela perguntou antes de sairmos do apartamento
- Você tá linda- sorri
Iríamos com meu carro até certo ponto, depois pegaríamos um outro carro por causa das fãs, tudo por insistência de Anne, na verdade se fôssemos com o meu carro, nada iria acontecer.
Chegamos, tiramos as fotos do pink carpet e entramos no local que aconteceria o desfile. Estava me sentindo uma barata tonta por causa dos flashes das câmeras, que quase me deixaram cego.

P.O.V’s
Mila iria até meu apartamento para irmos juntas até o evento. Ela alugou uma limusine para irmos.
-Cheguei- apareceu do nada- subi com seu vizinho do 1102, um gato, aliás. E você já me disse onde guarda a chave reserva
- Você me assusta às vezes- ri- e para de falar alto do cara bonito, que ele mora do meu lado
- Mas é pra escutar mesmo, tenho interesse
- Doida – rimos- espera aí, vou colocar o vestido
Fui para o meu quarto, me vesti, e me olhei no espelho. Me achei linda, o vestido caía super bem em mim, o delineado de gatinho com os cílios postiços, e o batom rosa escuro, foi o combo perfeito para me deixar maravilhosa. Prendi o cabelo, deixando o meu colo completamente exposto.
- Por você eu viraria lésbica – Mila disse chocada e eu ri
- Vamos?
Ela pegou a bolsa e descemos até a portaria do prédio. O carro chegou e fomos até o local.
- O que houve no seu braço? – Mila encostou em um hematoma no meu ombro
- Ah..., nada- coloquei a mão em cima- só bati na porta do box ontem
- Você tem certeza disso, ?
- Mila, tá tudo bem. Sério.
Chegamos, tirei algumas fotos no pink carpet, e com alguns fãs também. A minha cadeira ficava na primeira fila, eu veria todas as modelos bem de pertinho.

P.O.V’s
Anne não parava de reclamar, um momento estava tudo escuro, ou estava muito claro, muito frio ou muito quente. No outro lado da passarela entrou junto à sua amiga.
- Tá olhando o que?- Anne me deu um tapa no ombro
- Aquela lá...não é a tua cunhada?- apontei para
- Pf, claro que é.- revirou os olhos- Roupa mais ridícula que aquela não tem
Foi a minha vez de revirar os olhos- Olha, o desfile vai começar
Não sei nem por que fui. Anne ficava brava se eu olhava para as modelos, mas ela queria que eu fizesse o quê?, estávamos em um desfile de moda!.
- Vamos - ela pegou minha mão- quero ver as meninas
Fomos para os camarins, onde ela achou as amigas e foi papear. não estava tão longe, então decidi puxar assunto.
- , oi! – sorri
-! – sorriu- não tinha te visto aqui...
- É, pois é. Eu vim com a Anne- olhamos pra ela
- Ah, é verdade. Encontrei ela no salão mais cedo, ela me disse que vocês vinham...
- Você tá linda- falei meio envergonhado
- Obrigada..., , posso te perguntar uma coisa?
- Claro, o que é?
- Não fala para a sua namorada sobre nós..., ela já me odeia, e vai me odiar ainda mais
- Fica tranquila, eu sou praticamente um túmulo – rimos- mas falando sério, pode deixar, não vou dizer nada
Anne deve ter visto a gente, porque apareceu do nada do nosso lado, e pra variar, com cara de bunda.
- Atrapalho?- sorriu cínica
- Não, amor, claro que não...
- Eu já tô de saída, vou ver se o Logan quer uma carona...- ficou desajeitada- tchau pra vocês dois, tenham uma ótima noite.

P.O.V’s
Sentia que um peso tinha sido tirado das minhas costas, pelo menos tinha noção da loucura que seria se Anne e Logan descobrissem o nosso passado.
Peguei um táxi, Mila queria ficar mais na festa, e eu não iria ser estraga prazer dela. Dei o endereço do escritório de Logan e o motorista me deixou em frente ao enorme prédio.
A porta da frente estava aberta, dei oi ao Joseph, o porteiro, e ele me deu o cartão para entrar na sala do meu namorado. Peguei o elevador e esperei até que chegasse no décimo quinto andar. Empurrei a porta de vidro e comecei a escutar uns barulhos estranhos vindo da sala dele. Assim que parei na frente da porta que separava o escritório da recepção, vi Logan e a secretaria, completamente nus, em cima da mesa. Ele estava me traindo.
Não sabia como reagir, dei meia volta, sai e peguei o elevador até o térreo, meus olhos já ardiam de tanto que eu segurava o choro, minha garganta estava se fechando e eu achava que ia vomitar.
Estava tão perdida que nem pensei em pedir táxi, as pessoas que estavam na rua me olhavam estranho, não as julgo, não é normal ver uma mulher usando um vestido caríssimo da Berta, com os sapatos na mão, e borrando cada vez mais o rímel por causa do choro, principalmente se essa mulher fosse uma modelo famosa.
Cheguei no meu apartamento, joguei os sapatos em qualquer canto da sala, fui direto para a cozinha, peguei uma garrafa de vinho e uma taça, sentei na bancada e comecei a beber.
Olhei para todos os lados daquele cômodo, as lembranças que tinha com Logan começaram a surgir na minha memória, e o choro só piorou. O que eu tinha feito pra ele?, não fui boa o bastante ao ponto de ser trocada pela secretária de 18 anos dele?. E aí que comecei a perceber o quão fui cega, quantas vezes ele deu pistas e eu não percebi. Mas não era minha culpa, sempre dei o melhor de mim, e era assim que ele retribuía?.
Comecei a ouvir batidas na porta, desci da bancada, e cambaleando fui atender. E por Deus, eu devo ter transado na frente da cruz, porque era JUSTO ELE quem eu NÃO queria ver que estava parado na minha frente.
- Oi meu amor – sorriu, isso fez meu estômago revirar- o que houve?
Ri cínica- pelo amor de Deus, não se faça de burro, porque eu sei que isso você não é. Mas na sua cabeça eu devo ser, e não te culpo
- O que tá acontecendo, ?
- Eu sei que você me trai, Logan. Te vi transando com aquela secretária não faz uma hora...
Ele não gostou do que eu disse, e eu conhecia a cara que ele fez, e sabia o que iria acontecer comigo.


Capítulo 3

P.O.V’s
Ele segurou meu braço com uma força tão grande que ficou vermelho na hora.
- E o quê você esperava!?, você é uma vagabunda bêbada - me empurrou no sofá
- Logan, por favor...
- Cala a boca – aumentou a voz- você sabe o que acontece com vagabundas, não é mesmo?
- Para, por favor.
- Eu já disse pra você calar a porra da boca – deu um beliscão no meu ombro- agora você vai aprender a ficar bem quieta.
Ele tirou nossas roupas, e senti as lágrimas descerem pelo meu rosto. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, não era a primeira vez que ele me machucava, e também não seria a última vez.

P.O.V’s
Mais uma manhã de trabalho terminada, durante a tarde teríamos entrevistas e promos para gravar. Iria almoçar com Anne, tínhamos alguns assuntos para resolver, nada demais. Peguei minha jaqueta, as chaves do carro e dirigi até a casa dela.
- Oi linda- sorri assim que a vi
- Oi- sorriu e beijou minha bochecha- vamos aonde?
- Hmmm, pode ser comida italiana?
- Claro!
Chegamos no restaurante, escolhemos a mesa. Ela pediu fettucine alfredo, e eu lasanha de frango.
- , a mãe disse que é para nós jantarmos lá hoje.
- Pode ser..., mais ou menos que horas?
- Ah, lá pelas oito...
- Logan também vai? – meio que já sabia a resposta, mas era para me preparar psicologicamente
- Vai
Conversamos mais um pouco, até terminarmos o almoço. Depois, levei ela pra casa e fui encontrar os meninos.

P.O.V’s
Tive que ir até a agência para uma reunião, fui praticamente me arrastando, meu corpo doía, meus olhos estavam inchados e meus braços cheios de hematomas. Assim que me viram de casaco no prédio, que estava fervendo, me perguntaram se estava tudo bem, e respondi que estava um pouco resfriada e tinha febre.
Quando saí de lá e fui pra casa, tinha um buquê de flores na porta, quando entrei, Logan estava parado na sala.
-...
Meu coração gelou.
- Olha, me desculpa por ontem, fiquei fora de mim, você sabe que eu te amo
E as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto novamente.
Ele chegou mais perto e me abraçou.
- Me solta, agora- falei em meio ao choro. Ele apertou o abraço- Você tá me machucando. Me solta!- empurrei ele
- Caralho, mulher!-gritou- não tem como ter um momento de paz contigo!, só quero dizer que a gente vai jantar na minha mãe, e você vai. Querendo ou não. E por favor, tira essa cara de morta, ela não merece ver esse zumbi que você é.
E saiu batendo porta.
Quando a noite caiu, passei maquiagem e coloquei um casaco para tampar todos os hematomas. E lá fomos nós.

P.O.V’s
Fomos recebidos pela minha sogra com muita alegria, não passou muito tempo, e Logan chegou com .
Quando estávamos na mesa e eu pude analisar bem ela, percebi que ela não estava bem, ficava se esquivando de Logan e nunca queria ficar sozinha com ele. Os olhos estavam caídos, e em um momento, a manga do casaco dela caiu um pouco, e vi seu ombro roxo.
Quando todos terminaram de jantar, fomos convidados a ir até o jardim, esperei todos saírem da mesa, para ficar perto de . Ela levantou antes de mim, e eu fui atrás.
- - encostei no seu braço, e ela me olhou assustada- calma
- O que foi, ?
- Você tá bem?, digo, bem mesmo?
- Sim, tá tudo certo. Só peguei um resfriado...- eu conhecia ela melhor do que ninguém. E sabia quando ela mentia.
- Bom, se precisar conversar, pode falar comigo, tá bom?
Ela assentiu com a cabeça.

P.O.V’s
Logan iria dormir no meu apartamento, fui até a cozinha para preparar um chá.
- Por que você ficou de graça com o namorado da minha irmã?
- O quê?
- Eu vi você toda caidinha por ele, é uma vadia mesmo.
- Somos amigos!, eu nunca trairia você, ainda mais com o teu cunhado.
- Conta outra. Certeza que se estivesse sozinha com ele, você já teria pulado nele. Se bem que ele não ia te querer, nem eu te acho bonita, e isso que eu sou teu namorado, imagina ele.
- Você era meu namorado- bati a xícara na pia- não te suporto mais
- Como é que é?
- Vai embora
- Ah –riu- vai começar as ceninhas. Você me ama- me prensou na bancada
- Sai daqui- dei socos nos seus braços, e ele ria sadicamente- sai da minha casa!- gritei e dei um tapa na cara dele.
Eu não devia ter feito isso.

P.O.V’s
Depois de deixar Anne na casa dela, fui a um pub com os meninos, tínhamos ganhado mais um disco de platina por causa do nosso último single. Todos do lugar já conheciam a banda, sempre íamos lá.
Naquela noite cantamos, bebemos e comemoramos mais uma conquista.


Capítulo 4

P.O.V’s
Logan segurou meus pulsos, e, de novo, me machucou. Nunca tinha visto ele com tanta raiva. Nunca mesmo.
- Me solta!
- Não vou te soltar. Você é minha namorada.
- Me deixa em paz, eu não te amo mais
- E ama quem?, O ?-riu
- Sim.
Ele ergueu a mão, e deu um tapa no meu rosto. Foi tão forte que o anel que ele usava cortou minha têmpora. Ele pegou meu cabelo e começou a me puxar pelo apartamento, me empurrou quando estávamos na sala, e eu bati a cabeça na mesinha de centro.
-Você sabe que não vale nada, e que não é nada sem mim – ele chutou minha costela- sabe que se falar alguma coisa, ninguém vai acreditar em ti!
Ele me chutava cada vez mais forte, e em um momento, senti minha costela estralar, e uma dor enorme surgir. Mas ele não parou. Ele nunca parava. A partir daí, não lembro mais de nada além de ver meu nariz sangrar, e por não suportar a dor, acabei desmaiando.
E só Deus sabe o que ele fez comigo durante esse tempo.

P.O.V’s
Já passava das duas da manhã, era o último drink da noite. O vento estava frio lá fora, os carros iam e vinham, as pessoas saiam dos clubes bêbadas e rindo, casais ainda namoravam nos bancos abaixo das luzes da rua, o movimento era constante. Mas naquela momento em que olhei pela janela do pub, tive uma sensação estranha.
- , você tá bem? – Zabdiel encostou no meu ombro
- Hã?, ah sim, tô bem, é a bebida mesmo – sorri fraco
- Você precisa tomar água, é sério.
- Obrigado...
- Gente- Joel subiu na mesa- antes de irmos embora, só queria agradecer por todo o trabalho, e dedicação de cada um, ganhamos mais um disco de platina! – todos bateram palma.

P.O.V’s
Abri meus olhos, minha visão estava turva, mas mesmo assim consegui perceber que ainda estava em casa, e que agora todo meu corpo sangrava, meu peito ainda doía, pior do que antes.
Pelo codificador da TV a cabo, olhei a hora, eram duas e quinze da madrugada, com muita dificuldade levantei, me olhei no espelho e estava horrível. Os dois olhos roxos, meu nariz ainda sangrando, minha clavícula torta, minha pele não estava branca, estava amarela. Eu era feita de hematomas.
As lágrimas caiam descontroladamente. Me sentia fraca. Culpada. Como pude deixar aquilo acontecer?, O vazio tomava conta de mim, cada segundo mais e mais, a dor já não era mais física.
E eu não aguentava mais sentir isso, não aguentava mais saber que estava sozinha, e que se tentasse denunciar ele, eu seria silenciada.
Praticamente me arrastando, fui até o hall do prédio, assim que abri a porta, um vento gelado bateu no meu rosto e penetrou nos meus machucados, fazendo meu corpo estremecer.
Fiquei no meio-fio, fechei os olhos.
Estava decidida.
Já estava na hora de acabar com tudo aquilo.

P.O.V’s
Erick foi o primeiro a sair do pub, e ficou esperando todos nós vestirmos os casacos no lado de fora. Virei para pegar as chaves, e quando saí, só vi ele correndo pro lado.
Saí correndo de lá, e vi ele puxando uma menina que estava indo na frente de um ônibus que ia passar na rua. Fui me aproximando, e percebi que era . Senti um aperto no peito quando a vi. O corpo machucado, o rosto roxo e inchado...
Só aí caiu a ficha do que estava para acontecer. Ela ia tirar a própria vida. Ela estava sofrendo. Nunca foi só um resfriado.
- – segurei ela assim que vi seu corpo cambalear- olha pra mim – engoli o choro quando vi seus olhos assustados e cheios de água- calma, vai ficar tudo bem, eu vou te tirar daqui.
Envolvi aquele corpo frágil com meu casaco, ela tremia demais. Coloquei ela no banco do carro.
- Ele...- falou baixinho- foi ele...
- Ele quem?- tirei o cabelo do seu rosto
- Logan.
Paramos no semáforo. Por que ele tinha feito aquilo com ela?
- Por que você não pediu ajuda, ?
- Porque ninguém ia me ouvir...eu pedi, nada aconteceu
- Você falou com quem?
- Anne.
E aquilo só piorava.
- Eu sempre estive sozinha, - olhou para a rua
- Você podia ter falado comigo...
- Podia?, eu falei com a minha cunhada, naquela primeira janta que teve na casa dos pais deles, e ela disse que ele era assim. Eu nunca tive uma ajuda pelo simples fato de ele ter status nessa cidade. Ninguém acreditaria em mim. E por que você acreditaria em mim então?
- Porque eu vi que você não tava bem....
Chegamos na emergência, segurei ela nos meus braços e pedi que atendessem ela o mais rápido, ela estava muito machucada.
E ela tinha desmaiado nos meus braços.
Algumas horas depois, quase cinco da manhã, o médico me avisou que ela ia ter que descansar, assim que ela foi atendida ela convulsionou, e eles tiveram que dopá-la para que não sentisse mais dor. Ela tinha três costelas quebradas, a clavícula deslocada, e também tinha sinais de abuso.
Eu ia pegar algumas roupas em casa, mas antes, tinha que fazer uma coisa muito mais importante.
Naquela madrugada, Logan e Anne estavam dormindo na casa dela. Fui até lá, e comecei socar a porta até que alguém abrisse.
Anne abriu meio sem entender o que estava acontecendo e eu entrei na casa, cego de ódio. Dos dois, mas principalmente dele.
- Você é um desgraçado – soquei o rosto dele assim que o vi sair do quarto- ela tá no hospital, por tua causa – comecei a gritar- Você nunca amou ela. Você nunca protegeu ou cuidou dela. Se você amasse, nunca teria erguido um dedo pra ela. Agora ela tá lá, naquela porra de maca dopada de tanto remédio que tomou pra resistir a dor.
- O que tá acontecendo?- Anne gritou
- É mesmo que você não sabe?, até onde eu sei a pediu ajuda e você não fez porra nenhuma, só disse que esse filho da puta era assim!. Vocês dois são doentes. E você – apontei pra ele- vai pra cadeia. E Anne, parabéns, agora você já pode ir nos chás da tarde e fazer compras com suas amigas irritantes sozinha, porque nosso namoro acabou.
Saí batendo a porta. Eu ia fazer justiça à ela. Nem que fosse a última coisa que eu fizesse em vida.


Capítulo 5

P.O.V’s
Despertei com uma luz forte ao meu redor, demorei para perceber que estava num quarto de hospital. Olhei para os lados e vi que tinham feito curativo nos lugares onde os machucados eram mais visíveis e em meu peito tinha uma faixa dando suporte às minhas costelas.
Ouvi o estalo da porta e entrou no quarto com um copo de café e comendo sucrilhos com iogurte, o que me fez soltar um riso fraco.
- , você acordou! – sorriu- meu deus eu gostaria tanto de te dar um abraço agora, mas tenho medo de que você se machuque...
- Ah, para de graça – minha voz ainda estava baixa por causa da dor que eu sentia quando falava um pouco mais alto- vem cá
Ele se aproximou e me abraçou.
- Fico feliz em te ver bem...quer dizer, viva.
- Obrigada por me trazer aqui, se não me trouxesse aqui, talvez eu nem estivesse me recuperando...
- O médico disse que daqui uns três dias você pode ir pra casa
- , você falou com a Mila?
- Não..., quer dizer, eu falei que você estava em observação, mas não o motivo..., ela ia ter um surto... e não tiro a razão dela
- Podemos não falar sobre isso, ?
- Claro – segurou minha mão- sobre o que quer falar?
- Me conta das turnês

P.O.V’s
Os três dias que fiquei com no hospital se resumiram em: assistir o filme da Mulan todos os dias pelo celular, já que não tinha Netflix na TV do quarto, comíamos lanches que eu levava escondido pra lá, e no meio daquele riso, pude perceber que a alegria dela estava voltando, aos poucos.
- Olha, olha!, essa é a parte que o Mushu chama o cavalo de mimosa!- falou em meio ao riso
- Você nunca cansa desse filme?
- Não. A Mulan é foda!, ela salvou a China inteira
- É, tenho que concordar...
E ela voltou sua atenção ao celular, o que me fez lembrar de quando ainda morávamos em Miami, e íamos ao cinema, namorávamos escondidos porque os pais dela achavam que ainda era muito nova pra ter um compromisso.
Algumas horas depois, a enfermeira avisou que ela já poderia ir para casa, passou as orientações de como tinha que se cuidar porque as costelas ainda não estavam cem por cento recuperadas.
Senti um alívio assim que pisamos fora de lá. Mesmo insistindo, ela não quis ficar comigo no meu apartamento, então, para que não ficasse sozinha, ela ia ficar na casa da Mila.
-Obrigada por tudo, mesmo- disse assim que parei na frente da casa da sua melhor amiga- eu te ligo depois- sorriu fraco
- Não precisa agradecer...., ? – ela me olhou- qualquer coisa, sabe que pode me chamar
- Sim , obrigada
Mila abriu a porta, acenou de longe e foi pegar a mala da amiga no porta malas do carro, eu me ofereci para ajudar, mas Mila não quis.
Só dei partida quando vi as duas entrarem em casa.

P.O.V’s
E lá estávamos nós. Mila e eu, frente a frente. Contei tudo desde o começo, falei sobre a traição...tudo o que ele tinha feito contra mim. Acabou quando as duas estavam abraçadas e chorando.
- Sinto muito, ... – disse em meio as lágrimas – você não merecia isso, na verdade ninguém merece...mas você...
Não respondi. E iria responder o quê?, ainda me sentia culpada, mesmo sabendo que a vítima da história, era eu...., mas foi tanto tempo sendo manipulada por ele, que era difícil ouvir o meu lado que ainda não tinha sido estragado psicologicamente.
Mila me mostrou o quarto onde ficaria, me ajudou a guardar as roupas, e pedi à ela para me deixar um tempo sozinha para que pudesse tomar banho, pelo menos uma coisa eu tinha que fazer sozinha. Ela assentiu, disse que caso precisasse era só chamar, e lógica saiu, fechando a porta.
Assim que entrei debaixo daquela água quente, senti meus músculos relaxarem, sentia uma pequena dor quando passava o sabonete em cima das casquinhas dos machucados, mas não me importava pois sabia que estavam cicatrizando. Passei o shampoo nos meus cabelos, em seguida o condicionador, e depois, desliguei o chuveiro.
Coloquei pijama, e sentia como se fosse uma pessoa completamente diferente. Era bom tirar o cheiro de hospital que estava impregnado no meu corpo, sentir uma textura de um tecido que não fosse daquela roupa que tive que usar durante os três dias, era a melhor sensação no momento.
Encostei meu corpo na cabeceira da cama, observei bem aonde estava. Mesmo sabendo que minha melhor amiga estava ali, e que agora estava segura, o medo ainda percorria meu corpo. Olhei para a janela e observei a cidade. Nova Iorque já não era a mesma, não era segura, a atmosfera agora era pesada.
Levantei, abri a porta do cômodo, respirei fundo antes de falar a minha decisão para Mila, mas estava disposta a seguir em frente.
- Mila?, podemos conversar?.

P.O.V’s
Fiquei até tarde da noite acordado com a esperança de me mandar alguma mensagem, mas foi em vão. Sabia que ela estava bem e que Mila cuidaria bem dela.
Olhei o Twitter e o Instagram por um tempo, até o momento em que o sono já tomava conta de mim.
O sol iluminava meu quarto e também queimava um pouco do meu rosto. Olhei meu celular e nada dela, apenas mensagens dos meninos avisando que hoje estaríamos finalizando as gravações do novo álbum.
Levantei, troquei de roupa, tentei cozinhar algo para comer, o que não deu muito certo já que eu queimei o pão na torradeira, decidi parar em algum lugar no caminho, escovei os dentes, coloquei meu celular e minha carteira no bolso, peguei a chave do carro e fui.
Parei em uma padaria no meio do caminho, observei bem o balcão antes de fazer o pedido, e acabei escolhendo um bolinho de cenoura com cobertura de chocolate, e um café expresso longo.
Enquanto esperava que a atendente levasse meu pedido até a mesa, meu celular tocou, atendi, não foquei muito no assunto, até que em um momento meu olhos arregalaram.
- COMO ASSIM A FOI EMBORA!?
E todos naquele lugar me encararam.


Capítulo 6

P.O.V’s
Despachei as malas, dei um último abraço em Mila, não sabia quando voltaria a vê-la já que pedi afastamento do trabalho por um tempo. Fui para a sala de embarque e esperei até que pudesse embarcar. Quando ouvi a chamada, entrei no avião e sentei no meu assento. Coloquei os fones e depois que todos os passageiros estavam nas suas cadeiras, olhei para o lado e vi Nova Iorque ficar cada vez menor, até desaparecer por completo no meio das nuvens. Acabei adormecendo.
Acordei com a aeromoça balançando meu ombro de leve, já tínhamos chegado. Sorri envergonhada, e desembarquei. Peguei minhas malas e quando saí da sala de desembarque, vi meus pais me esperando.
Era tão bom vê-los, tinha uma saudade que já não cabia em mim, e agora poderia ficar um bom tempo com eles.
- Mãe, pai!- abracei os dois calorosamente
- É tão bom te ter em casa, filha- minha mãe disse beijando minha bochecha
Estava em casa, de verdade. Finalmente me sentia segura, estava longe da pessoa que tinha me feito mal..., mas também estava longe de quem tinha me feito bem...
Afastei esses pensamentos assim que eles tentaram ficar na minha cabeça.
Meus pais me ajudaram a levar a bagagem para meu antigo quarto, o qual não tinha mudado nada. Nesses sete anos que morei em Nova Iorque, eles que iam passar os feriados comigo, então, consequentemente, fazia sete anos que eu estive no meu quarto. As paredes brancas, o papel de parede creme com florezinhas claras, as fotos com..., continuavam intactas.
Sorte que nenhum deles tinha perguntado sobre ou Logan. Bom, eles sabiam que eu namorava, mas nunca chegaram a conhecer Logan, mas agora não sabiam que eu estava solteira.
Estava terminando de guardar as roupas quando meu pai chegou no meu quarto para avisar que o jantar estava pronto. Antes de sair, olhei para o mural e para as fotos com ele. Apaguei as luzes, fechei a porta, depois da janta eu iria guardar aquelas fotos.

P.O.V’s
Desliguei o telefone e pedi desculpas à todos. Mas não consegui prestar atenção em mais nada que falaram.
foi embora...” eram as únicas palavras que soavam na minha cabeça.
Após me despedir de todo mundo, peguei meu casaco e minha carteira, passei em uma cafeteria e comprei um copo de 700ml de café. Fui até o Central Park, sentei em um banco, e só conseguia pensar nela. Em como ela estava, se estava se cuidando...e principalmente, onde estava.
Era estranho não ter que ir pro hospital assim que terminasse as gravações..., sentia falta de discutir por causa do filme da Mulan..., e sentia falta de quando ela adormecia segurando minha mão tão forte, que doía. Isso porque ela tinha medo que eu fosse embora e deixasse ela sozinha naquele quarto.
Meu coração acelerava gole após gole. Sentia a bebida quente descer pela minha garganta, fiquei alguns segundos olhando pro nada, simplesmente desligado de tudo e de todos, até que comecei a lembrar de todas as antigas memórias..., balancei minha cabeça, tentando evitar os pensamentos, mas tudo era em vão. Todos meus pensamentos iam à uma só pessoa, e era ela.
O que diabos estava acontecendo?
Olhei para o copo em minhas mãos, agora já vazio e sem café para tentar me distrair. Joguei o copo no lixo, peguei a chave do carro no bolso e dirigi até minha casa. Assim que entrei, joguei meu casaco no sofá...ou sei lá onde ele caiu, tirei os tênis e fui tomar um banho quente para relaxar o corpo. E foi aí, que o percebi o que já era óbvio. Mila sabia onde estava.
Me sequei, coloquei roupa, comi alguma coisa e liguei para Mila, que demorou um tempo para atender....mas atendeu.
- Demorou pra ligar...né, ?- disse no outro lado da linha.

P.O.V.’s
Era um novo dia. E hoje, iria passar a tarde no porto de Miami, local onde eu cresci, conhecia todos os funcionários, todos os cantos daquele lugar com a palma da minha mão.
- Bom dia pai – beijei sua bochecha
- Bom dia, filha – sorriu- sua mãe já saiu para o trabalho, mas deixou panquecas prontas pra você
Depois que comi, voltei para o quarto, olhei a caixinha aberta onde eu tinha colocado as fotos na noite anterior, fechei ela e coloquei em uma das gavetas da escrivaninha, fui para o banheiro e escovei os dentes.
Chegamos no porto, meu pai foi logo colocando o uniforme “Phillip : chefe de segurança”, e não importava quantas vezes eu o veria colocando aquela roupa, sempre lembraria de quando tinha cinco anos e ele me prometeu um uniforme igual aquele. O motivo pelo qual eu vivi naquele porto grande parte da minha vida era bem simples, meus pais me tiveram muito cedo, meu pai teve que arrumar um emprego que fosse bom o suficiente para ajudar sua namorada Josie, a cuidar do bebê que estavam esperando. E foi aí que ele começou a trabalhar lá.
Minha mãe fez faculdade após meu nascimento, então meu pai me levava junto com ele no trabalho sempre. E foi assim também que eu me apaixonei por navios. Antes de querer ser modelo, meu sonho era ser comandante de um grande navio, cruzar os oceanos e fazer travessias o ano todo. Até que, quando tinha uns onze anos, uma mulher muito linda desembarcou de um cruzeiro, meu pai explicou que ela era uma modelo, que ganhava tanto dinheiro que podia ficar viajando de navio o ano inteiro, se não tivesse tanto trabalho. Depois disso, comecei a me interessar mais pelo mundo da moda, e acabei me encontrando.
O vento salgado batia no meu cabelo, as gaivotas tentavam pegar qualquer peixinho que passasse embaixo dos barcos, as pessoas se movimentavam aceleradamente para subir em seus respectivos cruzeiros, e eu estava lá, observando tudo enquanto chutava uma pedrinha de um lado para o outro.
Ainda tinha dificuldade para respirar por causa das três costelas quebradas, mas era tão bom sentir o cheiro da água salgada, e ter a sensação de que cada inspirada meu pulmão se enchia de vida aos poucos.
A tarde passou rápido, quando me dei por conta já estava em casa de novo. Deitada na minha cama, olhando o teto, comecei a pensar em tudo que tinha deixado em Nova Iorque, minha amiga, meu emprego ..., mas tive sorte de ter uma “chefe” compreensível, e que se preocupou comigo.
Levantei para tomar banho, me olhando no espelho percebi uma leve melhora nos hematomas, minha clavícula já estava endireitando. Sentia a água quente relaxar meus músculos, senti meus dedos massagearem minha cabeça quando passei shampoo, e depois quando passava condicionador também. Me enrolei em uma toalha, e comecei a passar corretivo em quase todo meu rosto, sempre gostei de usar maquiagem, mas estava passando tanta nos últimos dias, para disfarçar tudo e não dar satisfações, que a minha pele já não respirava direito.
Coloquei um pijama azul claro com dinossaurinhos verdes, calcei uma pantufa peluda rosa que tinha ganhado de uma tia quando fiz dezessete anos, incrivelmente meus pés não cresceram durante esse tempo. Meus cabelos estavam escovados para trás, e realmente parecia que eu tinha sete anos.
- Filha?- minha mãe entrou no quarto sorridente- temos visita lá na sala..., acho que você vai gostar.
Levantei da cama e segui minha mãe que ia na minha frente, descemos as escadas e lá estava ele.
- !? O que tá fazendo aqui?
- Oi ...., precisamos conversar.


Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro no layout dessa fanfic, notifique-me somente por e-mail.


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