Última atualização: 09/03/2022

Capítulo 1

Eu não sou sentimental, mas...


As pernas de null null estavam enroscadas ao redor da cintura de null null.

Como já era de comum conhecimento e acordo, apenas das duas, que acontecesse todas as semanas; às Sextas-Feiras, mais precisamente após as últimas aulas que null aplicava e um dos únicos dias de folga de null.

O lençol de linho branco do quarto de hotel que decidiram frequentar aquela semana parecia mais macio do que os anteriores: elas pagaram mais caro dessa vez, afinal de contas — e nenhuma delas se importou com aquilo, os encontros tornavam-se cada vez mais valorizados, almejados e priorizados, ainda que não estivessem preparadas para admitir aquilo nem em voz alta e nem para si mesmas.

Ambas as mulheres não sentiam vontade de estar em nenhum outro lugar no mundo que não fosse ali, não queriam pensar em outra coisa que não fossem os lábios doces e macios um contra o outro, os tênis da professora de cabelos iluminados e medianos por sobre o chão, seus dedos entre os fios cacheados da cozinheira. null arfou baixinho, satisfeita, quando sentiu as mãos de null lhe apertarem a cintura e tentar puxá-la para mais perto, se possível fosse.

E o pensamento que a fizera corar mais cedo naquele dia, no provador da loja de roupas íntimas que entrara sorrateiramente, sem pensar, lhe veio à mente outra vez:

Mal posso esperar para ver qual será a sua cara quando me ver nessa lingerie.

null não sabia em que momento começara a se importar tanto com aquilo e sentia vergonha de admitir para si mesma o quanto adorava ser admirada, desejada e devorada pelos olhos escuros da moça mais nova. Era uma sensação nova e viciante, fazia com que tremesse dos pés à cabeça, chacoalhava seu estômago em ondas deliciosas de um inverno sem fim. E ela, geralmente, não se considerava sentimental, não quando se tratava deste sexo casual, mas algo havia mudado o suficiente para que null já não conseguisse mais reprimir.

null alcançou a barra de sua camiseta, com urgência. Estava pronta para começar a se livrar das peças de roupa da professora e beijar cada centímetro de sua pele, coisa pela qual seus lábios ansiavam.

Ok, então é agora, ela vai ver a lingerie.

E, antes que houvesse tempo para as bochechas de null arderem em um vermelho vivo, o celular da cozinheira começou a vibrar irritante e insistentemente ao lado de seus corpos entrelaçados. null quebrou o beijo no mesmo segundo, não dando nem chance para a mais velha segurá-la em seus braços e implorar para que ignorasse o telefone.

Em menos de cinco segundos, null estava apoiada por sobre os cotovelos na cama, após ter sido colocada rapidamente de lado pela garota, que levantou em um salto e atendeu a chamada.

Outch, null pensou, acho que um soco teria sido menos doloroso e humilhante.

— Oi, André.

A professora estremeceu. André trabalhava junto de null. Era só o que faltava.

— Tem certeza? — null questionou, descontente, o cenho franzindo-se. Ela se voltou para a figura solitária da mulher com quem era para estar transando. A cozinheira percebeu que era observada com atenção. — Vocês não conseguem cuidar disso sozinhos? É minha folga.

null suspirou, sabendo que o encontro iria por água abaixo. Mudou de posição, sentando-se ereta por sobre a superfície macia da cama. Lembrou-se do preço daquele quarto e do preço da lingerie que null nem veria. Sentiu o desconforto frustrante da umidade em sua calcinha e quis fazer cara feia, como uma criança birrenta, mas permaneceu imóvel, os olhos na direção da dona dos cabelos cacheados.

— Ok — null suspirou em sinal de derrota, revirando os olhos. Levou a mão livre até a sua própria nuca, coçando o local em sinal de desconforto. Ela também estava frustrada, mas seu trabalho era importante, querendo ou não. — Estarei aí em alguns minutos.

Mas você nem viu minha lingerie. null quis chorar, mas apenas perguntou:

— Você precisa mesmo ir?

— Desculpe, null, eles precisam de mim lá.

null havia acabado de se tornar a chefe de cozinha do restaurante mais caro da cidade. null estava tão orgulhosa que, quando aconteceu, precisou de todo o negativismo de sua amiga null para convencê-la de que não era uma boa ideia comprar algum presente ou sugerir um encontro para a comemoração, que aquilo era cruzar uma linha da qual não deveria e que ela estava começando a ficar muito emocionada.

— Eu sabia que você ia se apaixonar. — null havia lhe dito noite passada, aos risos, fazendo a amiga corar como só uma adolescente poderia.

— Ai, null, cala essa boca! — null exclamara de volta, um pouco insegura, imaginando qual cor de lingerie null iria gostar de vê-la usando.

A professora lembrava-se de pensar que não havia nada demais naquilo. Estava pensando apenas na lingerie, afinal, e aquilo era importante para o sexo, que era a única relação que mantinham, então estava tudo bem, certo?

— Tudo bem, não é? — a cozinheira perguntou, puxando null de seus devaneios, enquanto calçava os sapatos dos quais havia se livrado mais cedo e recolhendo a bolsa com os seus pertences.

A professora chacoalhou a cabeça afirmativamente, devagar. Isso porque não era o que queria responder, queria dizer que não estava tudo bem e implorar para que null ficasse.

Céus, que humilhação.

— Amanhã você estará livre? — Quando notou, já havia perguntado. E era tarde demais para voltar atrás. Quase pôde escutar a risada de null, sua voz lhe dizendo que havia acabado de cruzar a linha.

Entretanto, null apenas abriu um sorrisinho de canto. Seus olhos pareceram tristes, como se estivesse quase com pena.

null quis vomitar de repente.

— Apenas às sextas, null, lembra? — a mais nova lhe disse, suavemente, fazendo o coração de null murchar. Todo o seu corpo precisou lutar para que não corresse e lhe abraçasse. Queria carinho, queria poder vê-la mais tarde, queria estar em seu apartamento para recebê-la. Droga, queria até mesmo dormir ao seu lado.

Porém, não transar em seus respectivos apartamentos era uma das regras que elas haviam imposto para essa relação. Assim como o que ocorria entre as duas acontecera disfarçadamente entre as paredes dos vários quartos de hotéis da cidade e apenas nesses lugares. Elas precisavam chegar até em horários diferentes e apenas null poderia saber sobre as duas.

null estava cansada daquilo, mas nunca reclamava, pois tentava se lembrar, o tempo todo, de que elas não eram namoradas, então nada lhe dava o direito de fazer queixas, aquilo era só sexo e não um relacionamento que precisava de ajustes.

— Claro que lembro, desculpe — a professora soltou uma risada sem graça. — Foi bobeira minha, não precisamos ficar remarcando transas.

null sorri.

— E amanhã eu tenho um compromisso depois do trabalho, então, de toda forma, nos complicaria — ela disse, encarando seu reflexo no espelho do quarto, arrumando cada cachinho de volta em seu devido lugar.

— Você está trabalhando muito.

Cala a boca, cala a boca, cala a boca. Por que você não cala a boca só um segundo, null?

null voltou-se para encará-la, uma de suas sobrancelhas arqueadas. Ela não pareceu zangada, no entanto. Era notável, por seu rosto, que estava achando aquilo engraçado, até... divertido.

DESGRAÇADA.

— Você está bem? — a cozinheira questionou, segurando-se para não rir.

null revirou os olhos, erguendo o dedo mediano e arrancando uma risada da mulher mais nova.

— Você tem razão, estou trabalhando muito. Minha irmã também acha isso, mas estou bem, estou fazendo o que quero e... preciso trabalhar se quero transar bem, não é?

Caçoou, fazendo menção ao quarto caríssimo em que elas se encontravam.

— Você é impossível — a mais velha riu, esquecendo-se rapidamente do incômodo em seu peito, por alguns segundos.

— Te vejo depois, então, ok? Sexta que vem, se a null não quiser marcar nada.

— Ok, até — null abriu um sorriso, despedindo-se.

Era só um beijinho antes de ir, sabe? null pensou, frustrada, ao vê-la fechar a porta e deixar o quarto sem mais nem menos. Ela respirou fundo, abraçando as próprias pernas contra seu corpo.

E ela nem viu a minha lingerie.

— Ughhhh — a professora bufou, irritada com a situação e consigo mesma, jogando-se contra o colchão macio e fechando os olhos, antes que saísse dali para socar alguém.

Estou mesmo ficando sentimental demais.

Capítulo 2

Algumas informações não são para serem compartilhadas.


— Que ejaculação precoce foi essa? — null null perguntou, espantada, assim que null abriu a porta do apartamento.

null a fuzilou com o olhar, sem vontade de responder.

Oh, no. Ela te deu um bolo, amiga?

null suspirou, exaurida, a cabeça dilatando de tão lotada de pensamentos e dúvidas. Jogou a bolsa contra o sofá e pendurou a sua coletânea de chaves — a da casa e a do carro — no porta-chaves estampado por borboletas rosas que repousava sobre a parede, bem ao lado da porta de entrada.

— Ligaram para ela do restaurante — explicou a mulher, aproximando-se da bancadinha que separava a cozinha da sala. O espaço era simples, pequeno e aconchegante, nada demais; o suficiente para as duas. — null precisou ir.

null sorriu levemente ao ouvir o apelido. null fora carinhosamente apelidada assim pelas duas professoras de inglês, agora sentadas frente a frente, ocupando as banquetas pálidas daquele balcão de mármore. Foi logo quando se conheceram, anos atrás. Anos tão distantes, agora, quando null ainda era a professora de null e de null, ambas em níveis avançados de inglês, quase para finalizarem o curso.

Apesar da diferença de idade, tornaram-se grandes amigas, amigas que o tempo não se deixou distanciar.

— Entendi. Você parece chateada.

— Talvez. Eu só...

— Queria transar? — null sugeriu, com malícia, naquele tom irônico de quem está caçoando. Soltou uma breve risada, observando enquanto null revirava os olhos. Aproveitou para acrescentar, antes que a amiga lhe mandasse à merda: — Olha, se você está sentindo alguma coisa por ela, precisa ser sincera.

As bochechas da professora de cabelos castanhos avermelharam-se instantaneamente.

— Eu não sinto nada por ela — rebateu quase que no mesmo instante, rápido demais, o tom de sua voz um pouco acima do normal. — Não sinto nada, ok? É só sexo e nossa amizade de sempre. — E, no fundo, temia estar tentando convencer mais a si mesma do que a mulher mais velha.

null arqueou uma sobrancelha. Ela sabia quando null estava em estado de negação. Também sabia que, em breve, a amiga cairia do cavalo sem que houvesse muito esforço. Estava sendo cada vez mais difícil para null esconder que vinha se apaixonando por null.

— Você está com medo — null concluiu. — Está com medo de que ela não sinta o mesmo, não é?

— Eu não sei do que você está falando — null desconversou, levantando-se. — Preciso de um banho.

— Precisa mesmo — null fez careta de nojo, segurando o nariz entre o polegar e o indicador. — Está fedendo a amor platônico.

— Vai para a...

— BALADA! — a professora mais velha exclamou, saltando da banqueta em um pulo enérgico.

null a encarou como se estivesse prestes a pegar as chaves do carro outra vez e levá-la até um hospital psiquiátrico. Pontos infinitos de interrogação estariam estampados acima de sua cabeça, se ela fosse um desenho animado.

— Não me olhe assim! Acabei de lembrar que amanhã a Dani vai dar um puta festão naquela balada nova que abriu e ela nos convidou para comemorarmos o aniversário dela.

— A gente não pode fingir um desmaio e... não ir? — a professora mais nova logo pensou na pilha de provas que ainda precisava corrigir, todas repousadas sobre a escrivaninha de seu quarto.

— Não. Você está precisando beijar outras boquinhas e não ficar enfiada aqui o fim de semana todo, trabalhando.

— E quem disse que eu quero beijar outras boquinhas?

— Está vendo? É disso que estou falando — null riu. — Te peguei no pulo.

null revirou os olhos.

— Se você não quer beijar ninguém, eu não me importo, mas eu quero ir, dançar, flertar com os barmans e ver se tenho sorte com algum cara gato. E você sabe que isso é raro, então não deveria perder a oportunidade de me ver assim, pois eu sugiro que me acompanhe. — E finalizou com uma piscadinha. — Além disso, você sabe como a Dani é dramática, se não formos, ela...

— ‘Tá, ‘tá, ‘tá — null cedeu, sabendo que a amiga não desistiria. null abriu um sorriso vitorioso. — Que horas amanhã?

— A noite é uma criança, amiga, Dani disse que podemos chegar às dez.

— Céus! Acho que vou dormir agora mesmo para repor todas as energias que preciso.

— Deixe de ser idosa, pelo amor de Deus.

— Imagine quando eu for.

— Pelo menos, tome um banho antes de ir dormir, senhorinha.

— Claro, claro.

null sorriu levemente para a amiga quando ela lhe deu as costas, caminhando em direção ao banheiro. Estava com tanta vontade de ir à essa festa quanto null, mas não poderia deixá-la se afundar em outra decepção amorosa; e ficar trancafiada em casa o final de semana inteiro não era a melhor maneira de trabalhar aquilo.

No banho, a professora pensou em tudo que null havia lhe dito. Será que estava mesmo sentindo algo por null? Deveria falar com a garota sobre isso ou deveria esperar que desaparecesse o sentimento? Mas e se não desaparecesse? Deveria deixá-la tomar a iniciativa, então? Mas e se null nunca o fizesse, com medo de que null não a correspondesse? Mas e se null estivesse esperando que ela tomasse a iniciativa? Ou pior: talvez a cozinheira não sentisse nada, talvez não passasse nada por sua cabeça em relação a isso, talvez não estivesse confusa. Talvez, talvez, talvez. null não tinha como saber se não conversasse com ela, mas de onde tiraria coragem para fazê-lo? Era null quem sempre tomava as decisões e iniciativas mais difíceis, foi ela quem lhe puxou para o primeiro beijo, foi ela quem lhe disse sobre a atração física que sentia, foi ela quem a guiou a primeira vez que dividiram uma cama para transar. Mas e se, dessa vez, a cacheada esperasse que null reagisse àquilo de alguma forma? E se null quisesse que partisse dela? E se ela estivesse com tanto medo quanto?

Eu não estou com medo! null gritou contra seus próprios pensamentos, mas não havia outra saída. Talvez estivesse mesmo se enganando e não quisesse admitir. Tanta dúvida a fez cambalear zonza e desanimada para o seu quarto, após o banho. Não sabia o que fazer, mas não poderia deixar as coisas continuarem como estavam, precisaria abrir a boca e ser honesta com null ou sofreria as consequências mais tarde.

Talvez, se para null fosse apenas sexo e não houvesse outra maneira, seria até melhor que não se vissem mais: essa era a saída mais madura. Porém, null tremeu com o pensamento, tentada a não ser racional, caso aquilo se tornasse uma realidade. Mas talvez. Talvez. O seu medo e sua ansiedade amplificavam os níveis de dificuldade da situação, fazendo tudo parecer muito pior do que realmente era.

Em meio ao nervosismo, null alcançou o celular, pronta para enviar uma mensagem à null. Qualquer coisa. E se falasse que precisavam conversar? Será que null sairia correndo do restaurante após o expediente e viria até ali? Por um breve momento, null se pegou sonhando acordada, imaginando como seria escutá-la dizer que a amava. Ela chacoalhou a cabeça, fugindo de seu conto de fadas. Ignorou as borboletas dançantes em seu estômago. Parecia que, a qualquer momento, sua cabeça e seu peito explodiriam juntos, incapazes de saber o que fazer.

Os dedos da professora tremiam. Ela digitou e apagou o conteúdo da mensagem diversas vezes, digitou e apagou, digitou e apagou. Quando viu a palavra online escrita abaixo do contato de null, deu um gritinho e bloqueou o celular, quase como se a garota estivesse lhe vendo fazer aquilo ou quase como se tivesse lido a mensagem que ela nem chegou a mandar.

Imagine só se tivesse lido.

null riu da própria tolice. Parecia uma adolescente. Estava ferrada. Estava mesmo apaixonadinha.

— Por Deus, isso é ridículo — murmurou, nervosa, chacoalhando a cabeça em sinal de indignação, incrédula consigo mesma.

null perdeu um tempo navegando pelo Instagram. Queria que aquilo lhe desse coragem de alguma forma. Por fim, se rendeu ao perfil de null na rede social. Se ela, enquanto analisava as fotos da cozinheira, fosse um emoji, com certeza seria aquele com dois corações no lugar dos olhos. Sorria como uma boba. De repente, sentiu uma falta inexplicável de null. Queria poder dormir em seus braços. E se pedisse por aquilo, ela negaria? Será que null nunca quis que elas fossem uma ao apartamento da outra por isso? Tinha medo de se apegar e de se apaixonar? Ou será que isso era a cabeça de null lhe pregando peças ilusórias, tentando fazê-la ter esperanças de algo?

Por fim, apenas encaminhou uma foto à null, em que elas apareciam juntas, sorridentes:

Sinto falta desse dia. 23:30hr

null escrevera na mensagem. Fora uma maneira de extravasar o sentimento de saudades, de manter algum contato e de ser carinhosa de alguma forma. Se assustou, no entanto, com a velocidade da resposta:

Eu também! Foi incrível, poderíamos repetir, né?. 23:31hr.

A foto em questão fora tirada na praia, em uma viagem que fizeram junto de null e Beatriz, irmã de null.

Sem dúvidas!. 23:31hr.

null mordeu os lábios, incerta. Deveria mandar alguma outra coisa? Nunca ficara nervosa para conversar com null, até aquele momento. Nunca ficara nervosa assim para conversar com qualquer outra pessoa. E ela já estivera apaixonada antes.

Ei, você está bem? Parece sentimental hoje hahaha. Chegou em casa bem?. 23:35hr

null engoliu em seco.

Estou bem, devo estar de TPM hahaha. Cheguei sim. Está tudo bem por aí?. 23:36hr.

Sim. Ainda bem que cheguei aqui a tempo. Só mais algumas horinhas e logo estarei em casa. 23:36hr.

Posso esperar por você lá? Você nunca me deu a chave... O porteiro me deixaria entrar? Acho que sim. Ele me conhece, não é? Poderíamos dormir agarradas e fazer panquecas pela manhã. Era o que null queria ter escrito. Pensou nisso por um tempo, até outra mensagem fazer seu celular tremer:

null, preciso voltar ao trabalho. Pode me chamar, se precisar, pra qualquer coisa, ok? Descansa. Dorme bem. Se cuida. Boa noite!. 23:40hr.

Ela suspirou e apenas enviou:

Boa noite, null. Se cuida. ♡ . 23:40hr.

E dormiu pouco tempo depois. O celular ao seu lado aberto na mesma foto que enviara à null.

Do outro lado da cidade, André colocou-se ao lado da colega de trabalho na cozinha e olhou por cima de seu ombro, curioso para saber o que a fez sorrir como uma idiota para a tela do celular. Abriu, então, um sorriso malicioso, não perdendo a oportunidade de zombar de sua chefe:

— Quem é a gatinha da foto?

null pulou de susto, voltando-se rapidamente para o rapaz. Ela bloqueou o telefone no mesmo instante e o guardou no bolso de sua calça. Ele ficou surpreso ao notar que o rosto da mulher estava levemente avermelhado.

— Não te interessa, volte a trabalhar.

— Uau, como você é mandona.

— Eu sou sua chefe: é o meu trabalho.

— Ok, chefinha — caçoou, sabendo que tinha liberdade para aquilo, levantando os braços e rendendo-se como um criminoso em frente a um policial. — Mas eu quero o número dela — completou, apenas para testá-la, o sorriso sacana ainda em seus lábios.

— Nos seus sonhos, talvez.

André riu, afastando-se, para, de fato, voltar ao trabalho. null suspirou ao ser deixada sozinha. Não sabia mais dizer o que estava sentindo. Queria sair correndo dali e ir direto para o apartamento de null, enfiar-se em sua cama, mas havia prometido a si mesma que não se deixaria levar.

Agora, talvez, fosse tarde demais para isso.

Capítulo 3

Há algo sobre como você se parece essa noite...


null sentiu falta do silêncio de seu quarto assim que pisou os pés na balada. Suspirou, examinando os arredores: alguns casais estavam espalhados pelos cantos, trocando saliva, uns até de forma exagerada — alguém iria precisar pedir para que procurassem um quarto —, outras pessoas aproveitavam a pista de dança. Havia, também, os que se reuniam ao redor do bar e os que preferiam os assentos confortáveis das mesas. null, talvez, se encaixasse nesse grupo. Gargalhadas, odores fortes de diversas bebidas alcoólicas, variados perfumes e cigarros. Conversa alta que tentava ultrapassar o som estridente de uma música pop genérica qualquer.

Aquela seria uma longa noite.

— Que cara de desânimo é essa? — null perguntou, arqueando a sobrancelha. — Não te ajudei a se arrumar à toa, não. Se anima, gatinha, vem para o bar comigo! Temos que achar a Dani ainda.

O local seria uma escuridão sem fim, se não fossem por todas as luzes que piscavam incansáveis, coloridas, acompanhando o ritmo das canções.

— Amiga, cadê você? — null questionou, em áudio, para Daniela. — Estamos indo para o bar — ela completou.

As amigas sentaram-se sobre as duas primeiras banquetas que encontraram disponíveis no bar e null não perdeu tempo:

— Psiu — ela fez para chamar a atenção do barman. — Dois sex on the beach, por favor.

null riu. null jamais se cansaria de iniciar a noite com aquela bebida.

— O quê? — a mulher sorriu. — Você sabe que é minha preferida!

— Não disse nada — a professora mais nova levantou os braços em sinal de redenção, um sorriso divertido, restos de sua breve risada ainda permanente em seus lábios. — Você nem me perguntou se eu queria mesmo um sex on the beach. Rude.

null abriu a boca para respondê-la, mas foi brutalmente interrompida por uma voz amigável e familiar:

null! null! Vocês vieram!

null voltou-se para encarar a figura sorridente de Daniela, levantando-se de seu assento em um salto. A aniversariante estava estonteante e seu rosto parecia iluminado de felicidade por vê-las ali.

Dani fora colega de trabalho das garotas a tempos atrás, atuaram juntas por anos na mesma escola. Mesmo após a mudança de empregos, a amizade continuara.

— Não perderíamos por nada nesse mundo, amiga. Feliz aniversário! — Foi o que null respondeu, após abrir um sorriso largo. Ela recebeu Dani com um abraço caloroso. — Seu presente está no carro, prometo entregar ainda hoje.

— Ah, não se preocupe — Daniela dispensou a gentileza com educação, afastando-se cuidadosamente dos braços da amiga. — Teremos a noite toda.

— Parabéns, amiga! — null exclamou, sorridente. Seus braços envolveram a aniversariante. — Obrigada pelo convite. Você está podendo muito mesmo, fechando uma boate para você! — brincou, ao soltá-la.

Dani riu.

— Tenho que aproveitar, não é todo dia que se faz quarenta anos!

O quão velha estou, meu Deus? null pensou, após o trio rir do comentário. Como se precisasse mesmo se preocupar com idade no auge de seus vinte e cinco anos. Depois, lembrou-se que null era ainda mais jovem, seis anos mais jovem, para ser mais exata. E já era chefe de cozinha de um restaurante.

O barman pousou os drinks em frente às garotas no instante em que esse pensamento lhe ocorreu e null precisou conter a vontade de beber o conteúdo de sua bebida em um só gole. Ela nunca seria o suficiente. null era jovem, fantástica, inteligente, divertida, linda e talentosa, havia tantas outras mulheres de sua idade por aí, tão mais interessantes. null era só mais uma professora de inglês.

— E para onde a senhorita acha que vai com esse vestido? — Daniela comentou, interrompendo seus devaneios. Entre assovios, a aniversariante percorreu os olhos por todo o corpo de null, o que a fez corar e querer se esconder, tudo ao mesmo tempo. — Que mulher!

— Você gostou, amiga? Eu que escolhi! — null exclamou, orgulhosa de si mesma. — A maquiagem também foi trabalho meu. Avise a ela que sou uma ótima amiga, Dani, por favor!

— Acho que ela já sabe disso — Daniela abriu um sorriso. — Aproveitem a noite, meninas! Qualquer coisa, estarei na pista de dança. — E lhes deu as costas, após assoprar um beijo a elas, os cabelos louros balançando enquanto se movia em direção à pista, acompanhando o ritmo da música.

— Te disse! — null disse, referindo-se ao vestido. Isso porque, mais cedo, null reclamara, achando a peça de roupa muito exagerada.

null revirou os olhos, sorrindo. Ela recolheu o copo do balcão e, sem se atentar às suas próprias ações, virou-o rápido demais em sua boca.

— Devagar, amiga louca! — null advertiu. — Não vou levar ninguém bêbada para casa, hein.

— Eu quero ir para a pista de dança. — Eu quero ir para casa, era o que null queria, de fato, dizer, mas encontrava-se presa em uma situação de se-não-pode-com-eles-junte-se-a-eles.

— Mas calma, a pista de dança não vai sumir.

null escorou a lateral de seu corpo contra o balcão do bar. Apoiou um de seus cotovelos na superfície sólida, o braço aproveitando para descansar no local. A outra mão levou o copo à boca; dessa vez, bebeu apenas um gole.

A mulher percorreu os olhos pela festa novamente, sentindo-se deslocada. Ela definitivamente não fazia parte daquilo. Escutou a música pop ser substituída por uma batida eletrônica e notou quando null começou a falar alto demais, mas não para se dirigir a ela, e sim ao barman. null levou seus olhos até os dois. O rapaz era certamente atraente e eles estavam, obviamente, flertando. A professora de cabelos castanhos sabia daquilo, pois a amiga sentara-se outra vez, uma das mãos por sobre a sua bochecha, sustentando a sua face pálida e maquiada, a outra ocupando-se em segurar o copo, seu corpo inclinado em direção ao homem de aparência jovem e atlética. Ela queria se mostrar interessada na conversa dele. Quando ambos riram juntos, null suspirou, sabendo que estava sozinha pelo resto da noite.

— Não sabia que você estaria aqui.

null sentiu um arrepio lhe percorrer toda a extensão do corpo ao ouvir aquela voz, próxima o suficiente de seu ouvido para vencer a música alta da balada. Precisou de toda a força que havia em seus um e sessenta e quatro metros de altura para não arfar de surpresa ou arregalar os olhos.

Segurou o copo com mais força e voltou-se para a bela figura de null.

E estava mesmo bela. Preto sempre lhe caíra bem, desde que a professora se lembrava. A mulher trajava uma blusa colada, sem mangas, que lhe cobria todo o colo e finalizava pouco acima de seu umbigo, não que isso deixasse muito espaço de pele para ser observada até a cintura, já que a saia de cós alto que complementava o figurino iniciava um centímetro abaixo da barra de sua blusa. Havia apenas um fino traço de pele que poderia ser visto antes da saia, presa por incontáveis botões enfileirados na vertical. Os botões terminavam abruptamente, no entanto; quando a peça de roupa se dividia em dois lados, deixando apenas uma pequena brecha para que as pernas da garota respirassem. Em seus pés, coturnos responsáveis por deixá-la mais alta que a mulher em sua frente — e não havia surpresa alguma nisso, null sempre fora a mais alta.

null pegou-se imaginando como seria poder arrancar aquela saia, desabotoando botão por botão.

Quando null pigarreou, null sentiu suas bochechas esquentarem. Sabia que passara um tempo demasiado analisando-a.

— Aqui que era seu compromisso, então — null comentou, abrindo um sorriso e tomando mais um gole — um pouco maior dessa vez — do drink.

— Me pegou, desculpe — null riu, observando o movimento que a garganta da professora fez ao engolir a bebida. Queria beijá-la ali e escutá-la suspirar, satisfeita.

null piscou e balançou minimamente a cabeça para afastar os pensamentos. Deve ser só porque não transamos essa semana. Calma. Não é nada demais. Pensou, tentando se convencer.

— Sex on the beach, hein? — null desviou o foco para outro tópico com rapidez, típico de quando queria fugir de algum assunto ou pensamento, coisa na qual ela era muito boa.

— Ah, você sabe, null ama.

— E você também.

— Um pouquinho — null rebateu, rindo.

Era tão fácil estar com ela que, por um momento, esqueceu-se da confusão em seu peito. Notou que null usava um colar com uma pedra vermelha e que os seus lábios estavam tingidos pela mesma coloração.

Céus, como queria puxá-la por aquele cordão e beijá-la até seu batom sumir.

— Oi, null! — Logo atrás dela, null escutou null exclamar.

— Oi, null! — null reproduziu o cumprimento com a mesma energia, fazendo null rir.

— Esse barman é muito chato — null comentou, fazendo careta e aproximando-se. — Vou levar null para a pista de dança e ver se encontro um cara mais gato e mais interessante. Um momento, null.

null riu, acenando, enquanto as duas se afastavam. Estranhamente, estava decepcionada. Não queria null longe. A professora sentia-se da mesma forma, pois seus olhos voltaram-se para trás enquanto era arrastada por sua amiga até a pista de dança. Havia neles incontáveis coisas que adoraria dizer para a cozinheira, quando a olhou por mais alguns segundos. De alguma forma, sentiu que o mesmo se passava pela cabeça de null, antes que a dona dos curtos cabelos cacheados desviasse o olhar.

Sempre a primeira a tomar a iniciativa. Sempre a mais corajosa. null pensou. Ela não me quer da mesma forma.

— Por que diabos você fez isso? — null questionou enquanto null ocupava-se em mover o corpo no ritmo da música eletrônica.

— Ué, eu te disse o motivo antes de te arrastar para cá.

— Bem, eu estava conversando com null — a mulher cruzou os braços.

null revirou os olhos.

null, olhe para null agora.

null desejou não o ter feito, no entanto. O problema não era null; esta continuava perfeitamente linda, os cotovelos e as costas apoiadas contra o balcão do bar, a postura relaxada. O problema era a garota em frente a ela, próxima demais, linda demais, com um vestido colado demais. A professora não a conhecia, não podia dizer se era uma amiga ou algo a mais. E a cozinheira estava rindo de algo que a outra lhe dizia. E um sorriso enorme lhe estampava o rosto. E não era por minha causa. null pensou. Um bolo se formou em sua garganta e seu estômago se revirou no momento em que se deu conta de que não havia lhe passado pela cabeça que null poderia estar ficando ou transando com outras pessoas.

— Se eu soubesse que ela estaria aqui, não teria te trazido, não sabia que a Dani iria convidar null também — null se justificou, como um pedido de desculpas. null não conseguiu deixar de olhar para as duas mulheres conversando no bar, a alguns metros de distância. Não se beijem, não se beijem, por favor, não se beijem. Ela pensava, quase que em súplica. Tudo menos um beijo em minha frente. — Acho que a Dani a convidou porque sabe que ela é nossa amiga próxima. Há tanta gente aqui, que a Daniela deve ter tido todo o tipo de desculpa do mundo para convidar qualquer um, nem sei como ela está pagando por tudo isso... Ei, é feio encarar as pessoas!

null piscou diversas vezes para sair de seu transe e no intuito de afastar as lágrimas. Não iria chorar e não iria arruinar a maquiagem que a amiga havia feito. Seus olhos castanhos voltaram-se para null, sua cabeça trabalhando para esquecer a cena anterior.

— Sinto muito, null — null disse. Seus olhos claros eram uma mistura de pena e preocupação. — Não é que eu não a apoie com null, se fosse para isso dar certo. Só não quero vê-la magoada outra vez, você já teve relacionamentos péssimos o suficiente para uma vida só. Podemos dançar agora?

null queria voltar para casa mais do que nunca agora, mas sabia que a amiga apenas estava tentando ajudar. Por isso, a mulher aceitou o convite com um breve aceno de cabeça e começou a copiar os movimentos divertidos de null. Queria poder esquecer null, pelo menos por algum tempo, e, talvez, ocupar-se com outra coisa, como tentar dançar (mesmo que com aqueles saltos), fosse ajudá-la.

Capítulo 4

... Me faz querer tirar uma foto.


Eu deveria beijá-la. null pensou, recolhendo o copo que null havia deixado para trás. Tomou um gole, fingindo escutar o que a garota em sua frente estava dizendo. A bebida já começara a esquentar, o que acabou por arrancar uma careta de null.

— Está tudo bem? — a menina perguntou. null nem sequer se lembrava do nome dela. Ela acabara de dizer, minutos atrás, e era bonita o suficiente para que a cozinheira não se deixasse esquecer em uma situação comum. Mas por que essa não é uma situação comum? Ponderou ela. Sabia a resposta. O rosto de null não lhe saía da cabeça.

Por isso deveria beijar a desconhecida. Talvez, isso lhe ajudasse a esquecer essa baboseira.

— Tudo ótimo — null respondeu, abrindo um sorrisinho sem graça.

— Certo... — a outra arqueou uma sobrancelha e soltou uma breve risada, desconfiada. — Eu vou estar sempre perto daqui, do bar, se mudar de ideia. — E deu de ombros, retirando-se.

null bufou, querendo bater a cabeça na parede mais próxima. Virou o líquido contra a sua boca de uma vez e devolveu o copo vazio rapidamente ao balcão, a testa enrugada ao sentir o amargo da bebida quente e nada saborosa, não mais.

— Precisa de outro? — escutou o barman lhe perguntar.

— Não, obrigada.

A cozinheira retirou-se, caminhando em direção à mesa em que sua prima, Flávia null, estava sentada. null ocupou o assento estofado ao lado dela.

— Que cara é essa? — a mais velha questionou, franzindo o cenho. — Acabei de pegar uma cerveja para você. — E lhe empurrou a garrafinha cheia, a mesma se arrastando pela madeira da mesa até parar em frente à cacheada.

null pousou seus olhos escuros na bebida, feliz, pois esta parecia bem gelada. E estava calor ali dentro. E ela estava incomodada, sendo perturbada por seus pensamentos.

— Obrigada, estou precisando — disse a garota, recolhendo a garrafa e abrindo-a sem dificuldades. Preciso de um murro também. Pensou.

— Se você diz — Flávia sorriu.

Sua prima também era professora de inglês. Parecia que o universo queria que ela fosse rodeada por professoras de inglês.

null deu o primeiro gole, longo, após pensar sobre aquilo. Suspirou, satisfeita. Levantou os seus olhos em direção à pista de dança, ao mesmo tempo em que foi levando a cerveja aos lábios novamente, e quase prendeu a respiração. A garrafa paralisou no ar, em sua mão, meio caminho em direção à boca, agora semiaberta, enquanto observava null rir e dançar ao lado de null, a alguns metros de distância. Todo seu corpo se tensionou ao notar, pela primeira vez, o quão lindo era o vestido lilás brilhante que ela estava usando, agora totalmente iluminado pelo jogo de cores das luzes responsáveis por cobrir a pista. O traje finalizava ao alcance de seus pés, mas era suficientemente colado ao seu corpo para que todas as suas curvas ficassem em evidência. Além disso, o vestido deixava uma abertura bem convidativa na lateral da perna direita, desde a cintura. E era estilo tomara-que-caia.

null teria se enfurecido consigo mesma por deixar que uma mulher tivesse tanta influência sobre ela assim, como nunca antes, se não estivesse tão ocupada ficando hipnotizada pelos movimentos do corpo de null. Seus cabelos pareciam mais claros agora. Seus olhos castanhos, também. Os lábios carregavam um batom de cor neutra e um salto escuro lhe calçava os pés. Ela estava tão linda, que null teve vontade de tirar uma foto, gravá-la, agarrá-la pelo pulso, colocá-la sem explicações em seu carro e levá-la de volta ao hotel de onde saíram ontem, arrancar aquele vestido e fazer um filme com ela, que as duas precisariam esconder, assim como escondiam tudo o que lhes envolvesse sexualmente.

— Fecha a boca, princesa, senão a mosca entra — Flávia disse, rindo da cara da prima.

null piscou diversas vezes, voltando à realidade. Chacoalhou a cabeça e riu de si mesma, as bochechas avermelhando-se:

— Cala a boca. — E finalizou o caminho da bebida até a boca.

— Você sabe que eu sei sobre você e a null, não é?

null arregalou os olhos, retirando a garrafa da boca rapidamente. Tossiu, engasgando-se. Depois, levou a mão até à boca, cobrindo-a e respirando fundo para se recuperar.

— Ai, null! — Flávia riu mais uma vez. — Você não tem nem se esforçado para esconder.

— Como assim? — A cozinheira pousou a cerveja por sobre a mesa e voltou toda a sua atenção à parente.

— O jeito como você olha para null ou como fica quando está perto dela ou seus sorrisos idiotas para o celular quando está trocando mensagens com ela. Sua empolgação para sair na sexta-feira à noite, achando que eu não sei para onde você vai. E null também não está sendo muito esperta — sorriu, vitoriosa, orgulhando-se de sua perspicácia, tomando um gole de sua própria cerveja. — E quer um conselho? Eu acho que a null vale a pena, é óbvio que ela gosta de você também. Não fuja disso.

null refletiu, levando seus olhos até null outra vez, apenas para encontrá-la sendo surpreendida por um rapaz que a cumprimentou, ao aproximar-se de sua figura na pista de dança. null segurou com mais força a garrafa, estreitando os olhos quando null voltou-se simpática e sorridente para ele. Os dois passaram a manter uma conversa aparentemente harmoniosa. A professora riu de algo que ele disse. null se afastou para outro canto da pista, no intuito de lhes dar privacidade. null nem notou, queria prender sua atenção em qualquer coisa que não fosse a lembrança de null flertando com outra mulher.

— Uau, ele é um gato — Flávia comentou, igualmente hipnotizada pela cena. — Você não deveria perder tempo, viu? Faça esse favor para mim, porque é muito mais fácil a null ceder a você do que a ele e... Eu adoraria poder levá-lo para conhecer meu apartamento — sua prima completou, mirando seus olhos em null outra vez. Ela reparou que a cozinheira estava tensa, os dedos firmemente fechados contra a garrafa. — Sem violência, por favor. Eu o quero inteiro.

null riu, sem graça, afrouxando o aperto contra o vidro e respirando fundo, tentando relaxar. No mesmo instante, null desviou o olhar do garoto, apenas por um momento. Ela não estava achando a conversa interessante e, mesmo se estivesse, apenas uma pessoa lhe ocupava os pensamentos naquele dia. E, sem querer, foi justamente com ela que seu olhar se cruzou. null abriu-lhe um sorriso de canto e deixou as costas repousarem contra o estofado do assento da mesa, se aconchegando. Bebeu mais um pouco da cerveja, querendo demonstrar estar totalmente descontraída e em paz com a situação. null a conhecia o suficiente para saber que estava sendo provocada e aquele era um jogo do qual ela não desejava fazer parte; não era de seu estilo se esfregar em um desconhecido no intuito de fazer ciúmes ou chamar atenção. Por isso, apenas sorriu para o rapaz em sua frente e lhe disse da forma mais delicada que encontrou:

— Preciso de um pouco de ar. Te vejo por aí.

null olhou para o lado, em busca de null, mas a amiga havia sumido. Ótimo. Pensou, revirando os olhos. A mulher se distanciou da pista, não dando nem chance para que o homem lhe dissesse algo.

De repente, dançar já não era mais tão divertido.

null parou no bar, pediu uma caipirinha de morango com muito leite condensado: bastaram segundos para que a bebida estivesse pronta. Agradeceu o barman e recolheu um dos canudos disponíveis à beira do balcão, antes de se encaminhar para uma mesa livre. Estava cansada. Drama demais para uma noite só. Queria sua cama.

— Um olhar seu e ela se afastou do cara? — Flávia questionou, espantada. — null null, ela está muito na sua. Você tem essa garota na palma da tua mão e ela é uma das pessoas mais maravilhosas que já conheci. Deixe de ser idiota.

— Isso não quer dizer nada — diminuiu ela. Porém, seu coração estava agitado. Será, então, que null se sentia da mesma forma?

— Claro, claro — sua prima revirou os olhos. — Fique aí sendo idiota, então, eu vou lá consolar aquele nenénzinho que parece decepcionadíssimo. — E levantou-se, caminhando em direção ao rapaz inofensivo que null deixara sozinho na pista de dança.

A algumas mesas de distância, null sugava a caipirinha de seu copo quase como se fosse água, esquecendo-se de que deveria ir devagar. Estava frustrada e magoada. Ambos os seus cotovelos se apoiavam contra a estrutura sólida da mesa e as mãos seguravam as bochechas. Ela tinha certeza de que parecia a mulher mais miserável daquela festa.

— Está sozinha?

Aquela voz outra vez. A professora sentiu o familiar friozinho no pé do estômago e seu coração acelerou. Queria dar um soco na própria cara; segurou-se para não revirar os olhos e bufar.

— Obviamente, não. Não está vendo que estou na companhia de todos os meus amigos fantasmas? — respondeu, completamente sarcástica. — Estávamos todos em uma conversa interessantíssima sobre os direitos dos fantasmas e você acaba de atrapalhar. Desculpe, eles são invisíveis. Em que podemos ajudar? — finalizou, levando seus olhos até a cozinheira: a expressão dura e fria, como se levasse muito a sério o que acabara de dizer.

null riu do senso de humor ácido da mulher. Era normal que traçasse comentários irônicos quando estava zangada. null só não sabia com o que ela se irritara tanto assim.

— Posso ver que os fantasmas têm uma ótima amiga — a dona dos cabelos cacheados deu continuidade à fantasia. — Eu conheço uma ótima advogada fantasmagórica, posso me juntar a vocês?

null ponderou por um instante, fingindo escutar algo que um possível ser invisível ao seu lado lhe dizia:

— Billy disse que você está sendo preconceituosa, qualquer advogada estaria ótima.

null prendeu os lábios um contra o outro para não soltar uma gargalhada.

— Mas eles estão desesperados, aceitam a ajuda, então você é bem-vinda.

null sorriu, sabendo que ela havia acabado de ceder.

— Você está irritada — null comentou, assim que se sentou ao lado de null, mantendo uma distância segura de alguns centímetros. — Está tudo bem?

null bufou. Queria poder, de fato, estar brava, mas seu coração estava murcho e, ela, desarmada, frágil e mansa diante da voz e da presença de null.

— Você está ficando com outra pessoa? Quero dizer, sei que não é da minha conta e tudo, é mais por curiosidade, porque eu não sabia se estava ou não. — Faltou eu falar que era para o meu TCC. null pensou, querendo se estapear, após a série de gaguejos que se tornaram uma breve tagarelice desnecessária, tão nervosa que estava para fazer a pergunta. Ela nem teve coragem de olhar em direção à mulher enquanto falava: o foco da mulher mantivera-se em brincar com seu canudo cor de rosa, o olhar centrado apenas no objeto de plástico.

A cozinheira arqueou uma sobrancelha, achando graça na pergunta. Um sorriso sacana se formou em seus lábios, quando ligou a dúvida da professora à garota com quem ela falara mais cedo no bar. null deve tê-las visto juntas. null começou a pensar que sua prima tinha razão.

— Por que a pergunta? Está com ciúmes?

null ficou vermelha feito um morango. null suavizou o sorriso, porque achou a cena adorável. Teve vontade de enchê-la de beijos. Mas que porra...

— Nãoooo! — null exclamou prontamente, um pouco alto e rápido demais. — Por que eu teria? Era só curiosidade. — E sugou metade da bebida alcoólica com a ajuda de seu canudinho, ainda sem coragem de encarar null, que continuava sorrindo, pensando no quanto a linguagem corporal da professora denunciava o completo oposto do que ela estava afirmando.

— Se ainda estiver curiosa, a resposta é não, não estou ficando com outras pessoas. Com ninguém. Só com você.

Pela primeira vez, null fora corajosa para encará-la. Ambos os olhares se encontraram, os corações aceleraram-se e, de repente, ficara difícil respirar. Os corpos lutaram para não se aproximarem, quase como ímãs que tentavam fugir de sua natureza e de seu destino final. null pensou em ceder, dizer a ela o quão linda estava aquela noite, mas null tinha medo, ainda precisava continuar testando o terreno antes de saber se deveria ser cuidadosa ou se corria o risco de ser alimentada por falsas esperanças:

— Entendi, mas é por que sou a única digna de estar com você no momento? Quando surgir alguém mais interessante você também vai levá-la a diferentes hotéis na cidade, proibi-la de transar com você em seu apartamento e tentar esconder o caso de vocês de todos que conhece? — null sabia que não seria corajosa o suficiente para fazer todas essas perguntas se o álcool não estivesse subindo depressa. — E aí, depois disso, vai decidir que não quer mais ficar comigo?

null tinha certeza de que estava sendo irracional e que, provavelmente, estragava todas as chances que poderia ter com null. Deveria estar assustando a cozinheira, mas, talvez, fosse melhor assim.

A expressão de null se suavizou, no entanto. Ela se aproximou. null prendeu a respiração. A mulher de cabelos cacheados entreabriu os lábios para respondê-la, mas foi brutalmente cortada:

— O que eu perdi?! — null questionou, sentando-se ao lado da colega de quarto com outro copo de sex on the beach em sua mão direita.

null a fuzilou com o olhar. Estava cansada de ser tratada como um cristal que poderia ser partido ao meio, se não fosse vigiado. Sabia que null queria só ajudá-la, mas puta merda.

— Uma reunião de fantasmas! — null disse, para descontrair o clima, que ela notou ter ficado estranho devido à cara de null.

null já não estava mais para brincadeiras, no entanto.

— Preciso de mais caipirinha, com licença. — E levantou-se, passando por null.

— Eu disse algo de errado? — a professora mais velha questionou, o cenho franzido em confusão, a boca ocupando-se em sugar mais da bebida em seu copo.

null deu de ombros e levantou-se, no intuito de seguir a mulher até o bar. null estava lá, paralisada, esperando que o barman lhe entregasse a bebida.

— Posso te levar para casa? — null questionou, ao se aproximar.

O coração da professora acelerou. Não tinha nada a perder. E, mesmo se não houvesse nenhuma segunda intenção por trás daquilo, ela queria mesmo voltar para casa fazia um tempo.

— Claro.

E partiram em direção à saída, lado a lado, deixando um barman muito confuso para trás, ao retornar e notar a banqueta vazia da garota que estivera ali um segundo atrás.

Em silêncio, as duas adentraram o carro de null. null já havia entrado ali várias vezes antes dessa, lembrava-se até de já ter dirigido o veículo, mas não fora nada que envolvesse um programa apenas entre as duas. Elas sempre iam até os hotéis separadamente. Todas as vezes que null estivera ali dentro fora na companhia de suas outras amigas. Aquilo era novidade e lhe formigou as palmas das mãos em ansiedade. Seu peito parecia estar prestes a explodir. A tensão era quase palpável.

Nenhuma das duas disse nada, no entanto. Permaneceram em silêncio, os ouvidos zunindo devido ao barulho alto a que estiveram expostos minutos atrás, desde que passaram os devidos cintos de segurança, desde que null manobrou o carro para fora do estacionamento e adentrou a avenida que as levou para longe do local. Nenhuma única palavra foi trocada, não até null perceber que null havia mudado a rota e desviado do caminho de sua casa. null a olhou, confusa, e decidiu, por fim, quebrar o silêncio:

— Você passou o meu prédio, null.

A mais velha pôde ver que a cozinheira abriu um sorrisinho de canto, quando um feixe de luz lhe atingiu rapidamente o rosto:

— Eu sei. Nós não estamos indo para o seu apartamento, estamos indo para o meu.

Capítulo 5

É melhor você trancar a sua porta.


null e null ficaram aliviadas quando adentraram o apartamento, ambas felizes com o silêncio e a calmaria. O ruído do trânsito lá embaixo era o único som que lhes fazia companhia agora, quase que inaudivelmente. null havia parado próxima ao centro da sala, observando as luzes da cidade pela sacada em sua frente. Atrás dela, null acabara de fechar a porta; pendurara as chaves, jogara sua bolsa no chão e livrara-se de seus coturnos pesados — se seus pés falassem, eles a agradeceriam, aliviados. Ela passou um tempo encostada ao portal de madeira da entrada, observando a professora, agora de costas para ela, perdida em seus próprios pensamentos.

null estava com medo, na verdade. Esperava que null começasse a falar ou a fazer alguma coisa. A insegurança lhe crescia por sobre o peito em ondas intermináveis de adrenalina. Queria que houvesse uma forma de conter os batimentos acelerados de seu coração. Queria que seu corpo não estivesse tensionado e que, dentro dela, nesse momento, fosse tão pacífico quanto o ambiente em que se encontrava.

null se sentia da mesma maneira.

— No que... no que você está pensando? — Estranhamente, foi null quem decidiu pôr um fim ao silêncio. Não que estivesse constrangedor ou desconfortável; elas nunca se sentiram assim na presença uma da outra, mesmo que não houvesse nada para falar, mas, naquele momento, a falta de troca de palavras estava matando a mulher mais velha de tanta ansiedade. Ela sentiu que deveria dizer algo.

— No quão linda fica a sua bunda nesse vestido — null respondeu, brincalhona, apenas para descontrair a situação. Não que seja mentira, ela pensou, abrindo um sorriso travesso, ao descer os olhos pela silhueta da professora.

null voltou-se a ela no mesmo instante, seu rosto corado. null acompanhou o movimento com a mesma rapidez, subindo os olhos depressa para a face da mulher. null geralmente iria sorrir maliciosamente e tecer outro comentário sacana, mas as coisas estavam diferentes do dia em que elas começaram a se envolver sexualmente até esse momento. E null deixou-se envolver por completo. Não que a cozinheira não houvesse feito o mesmo, seu estado de negação só era maior.

— Estou brincando! — null apressou-se em dizer, ao notar a expressão de seriedade de null. Ficou com medo de tê-la deixado ainda mais zangada ou de ter passado do ponto. — Não que seja mentira — precisou ressaltar. null cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas, os lábios grudados um contra o outro, lutando para não rir. Dificilmente conseguia ver null sem graça, perdida nas palavras, esse geralmente era seu papel, por isso não poderia estragar a oportunidade de deixá-la continuar. — Mas é brincadeira, você está linda, muito linda nesse vestido.

Como ela sempre sabia o que dizer? Inferno de mulher.

null suspirou, abrindo um sorriso sem graça. null conteve um suspiro de alívio.

— Mas o que eu estava realmente pensando era que eu não tive a chance de responder a sua pergunta àquela hora, na balada — null continuou, aproximando-se devagar, com cautela, como um predador que trabalha para cercar sua presa.

O coração de null parecia se acelerar mais a cada passo que a cacheada dava em sua direção; seu estômago era um verdadeiro borboletário. Queria não estar tremendo, mas tinha certeza de que se encontrava assim. Desejou afastar-se, como se devesse se proteger de algo, mas obrigou-se a ficar ali, estática, as írises castanhas acompanhando a cozinheira com atenção, sua respiração mais pesada do que ela gostaria que estivesse.

— A verdade é que... — null hesitou antes de continuar. Seus olhos prenderam-se aos olhos de null. Estava tão próxima agora, que as suas narinas foram invadidas pelo odor deliciosamente forte do perfume da professora. null desviou o olhar para a boca dela, apenas por alguns segundos, e se sentiu tentada a beijá-la. Seu coração disparou e algo dentro dela efervesceu em desejo ao sentir o cheiro doce do batom, junto à respiração de null e à visão de seus lábios entreabertos. Rapidamente, voltou suas írises às dela. — Muita coisa mudou, muita coisa mudou já faz um tempo e, por mais que eu tente negar, eu já não consigo mais fugir do fato de que quero você muito mais do que já quis antes. Eu não estou ficando com ninguém não porque não tenho tempo, mas porque eu não quero. Tudo o que quero é você, só você. É tudo muito novo pra mim, desculpe não ter dito antes.

null levou suas mãos até a cintura da mulher e a puxou para mais perto, cautelosamente. Pôde ver em sua postura que ela já estava desarmada e não iria lutar contra.

— Eu estou... — null suspirou, fechando os olhos. — Eu estou sonhando?

— Nem um pouco — null riu. — Eu posso provar.

E a beijou, colando os seus corpos. O beijo começou lento, como uma sinfonia tranquila. Era diferente de todas as outras vezes em que se beijaram: ambas as bocas desejaram se redescobrir, sem medo, sem cautelas exageradas, sem dúvidas, pois sabiam que, agora, havia um sentimento e um sentimento que pôde ser extravasado. Em um segundo, seus suspiros satisfeitos cobriram a sala, as línguas eram quentes uma contra a outra e se saborearam como se aquele fosse o gosto mais delicioso do mundo. E para elas era.

Seus corpos ansiavam por mais. Lá fora não estava calor, mas, ali dentro, naquele momento, com a proximidade que experimentavam, absolutamente tudo parecia pegar fogo, como se mil labaredas em chamas as tivessem tocando. As camadas de roupas que ainda lhes cobriam a pele começaram a se tornar quase insuportáveis. null desejava rasgar aquele vestido ao meio e fazer com null tudo o que lhe passava pela cabeça ali mesmo, no sofá de sua sala. Mas não. Foi o que pensou nos segundos em que partiu os seus lábios dos da mulher e a olhou diretamente nos olhos. Não. Ambas as respirações ofegantes. null podia notar o desejo ardente em seus olhos. null sentia o coração acelerado prestes a lhe explodir o peito, uma fervura deliciosa lhe perturbando o pé do estômago, e tinha certeza de que estava molhada a ponto de lhe escorrer pelas pernas.

null inclinou-se em direção à cacheada, os dedos presos em seus cabelos escuros, desesperada pelo contato dos lábios macios contra os seus, mas null lhe apertou a cintura e a impediu de avançar. O aperto, forte e rígido, fez com que a professora arfasse baixinho e mordesse os lábios. Deveria pará-la, mas só a deixara mais excitada.

null... — null sussurrou, manhosa, quase que em súplica. null precisou de toda a coragem para se conter.

— Eu quero devagar — a mais nova respondeu, seus olhos famintos ainda mais escuros de desejo. Ela se aproximou da orelha de null, beijou-lhe o lóbulo, fazendo-a suspirar. null revirou os olhos em puro prazer e apertou as pernas uma contra a outra; sentia que ia derreter. Feliz com o efeito que teve sobre a professora, null aproveitou para sussurrar em seu ouvido. — Eu quero saborear cada pedacinho seu, entendeu?

null acenou com a cabeça, fraca, incapaz de formar frases que fizessem sentido. Sentia-se manipulada. Queria continuar sendo. Entretanto, seu corpo sabia exatamente o que ela desejava e null também; por isso, ambas se prepararam para o impulso que null deu com o corpo até que as suas pernas estivessem enlaçadas ao redor da cintura da cozinheira, que segurou com firmeza em seu quadril. Seus lábios se encontraram novamente; o beijo era urgente dessa vez. Os saltos da professora desabaram por sobre o chão em um barulho insignificante que não as tirou do transe que o beijo as colocara. null apertou a bunda de null, fazendo-a gemer, e começou a caminhar, mesmo que de costas, em direção ao seu quarto.

null estava muito perdida no gosto da boca de null e na maneira como suas respirações se entrelaçaram e em como o toque dos corpos um contra o outro causara nela ondas de um calor delicioso, para notar quando o ambiente começou a se tornar outro. Ela se deu conta dos movimentos, mas não se importou, não queria saber para onde a cozinheira a estava levando; null se deixaria ser fodida até no chão do apartamento naquele momento. A única certeza e a única coisa pela qual seu cérebro, seu coração, sua razão e sua alma ansiavam era pela mulher que a carregava nos braços aquela noite. Nada mais importava. Se lhe perguntassem qual era seu nome, ela não saberia dizer. Saberia contar, no entanto, sobre o cheiro dos cabelos cacheados de null, sobre o sabor de seus lábios macios, a maneira como as mãos da menina se moviam por seu corpo, a suavidade de sua pele ao toque e o jeito como mordeu seu lábio ao partir o beijo, apenas para descer a boca em direção ao seu pescoço exposto, a língua ajudando-a a traçar beijos molhados que iniciaram em seu queixo e finalizaram onde o vestido começava a cobri-la, bem próximo aos seus seios.

null remexeu-se, inquieta, rebolando devagar por sobre o colo de null; desejava senti-la continuando, desejava que lhe arrancasse aquele vestido e beijasse o resto de seu corpo. Só, então, foi notar onde elas haviam parado: por sobre a cama da cozinheira, suas pernas ainda enroscadas a ela.

Alheia à confusão da professora, null continuou distribuindo beijos quentes pelo colo desta, seus olhos fechados, aproveitando a sensação prazerosa da maciez de sua pele, farejando levemente o doce do perfume de null. E não era só o seu coração que pulsava depressa. Queria se livrar de toda e qualquer barreira de tecido entre elas, desejava descer os beijos pelo resto do corpo da mulher; por isso, levantou os seus olhos aos olhos de null, buscando apoio. E, quase como se estivesse lendo a sua mente, a professora segurou, com delicadeza, as mãos de null e as conduziu até o fecho de seu vestido: um zíper de pequeno comprimento, pálido e quase invisível, às suas costas. Os olhares não se desviaram, continuaram hipnotizados um pelo outro, escurecidos pelo desejo.

O barulho do zíper sendo aberto fora como música aos ouvidos de null. Ela sorriu ao notar o afrouxar da peça de roupa por sobre o corpo da mulher. E que corpo, foi o que a mais nova pensou, assim que o leve decair da fronte do vestido até a cintura lhe revelou os peitos redondos e excitados de null. null já os havia visto incontáveis vezes, mas jamais se acostumaria.

Entretanto, o tempo que teria perdido lhes admirando anteriormente, ela decidiu usar para subir seus olhos ao rosto de null. E nunca havia reparado no quão corada ficavam as suas bochechas ao estar despida ou a maneira como os olhos da mulher pareciam famintos de desejo, quase como se apenas com o olhar estivesse implorando por aquilo. E aqueles olhos manipulariam null com uma facilidade tão grande, da qual null nem fazia ideia.

— Por que você parou? — null questionou. null percebeu o traço de insegurança em seu murmúrio enrouquecido.

— Porque eu queria te olhar hoje — ela disse, colocando mechas soltas dos cabelos iluminados da mulher atrás da orelha desta, suas írises analisando o rosto angelical em sua frente, a mão o acariciando. null aproveitou o carinho: procurou colocar sua própria mão por sobre a da cozinheira, mantendo-a em sua face. null pensou no quão linda ela era. Não tinha se dado conta daquilo ainda, do brilho em seu olhar, dos traços de seu rosto. null sorriu para null, concluindo que amava até o mesmo o tom da voz da professora, tão adorável. Tinha certeza que escutá-la gemendo hoje seria muito melhor do que já fora nas outras vezes. — E te admirar — ela completou.

null a beijou outra vez, suavemente; as mãos ocupando-se em se encaixar no pescoço da mulher. Queria mais do que a possuir na cama essa noite, queria amá-la e queria fazer com ela se sentisse assim.

null suspirou entre o beijo. Não poderia explicar em palavras a sensação de acalento, carinho, desejo e amor que lhe passavam pelo peito naquele momento, nem se tentasse muito. Se ela pudesse, fundiria sua alma a da mulher abaixo dela. Queria senti-la e queria sentir sua pele, por isso, o que fez foi levar suas mãos até a barra da blusa de null. Compreendendo o que null desejava, null quebrou o beijo e levantou os braços para que a mulher pudesse se livrar da peça de roupa, que foi parar em algum lugar no chão do cômodo. null não calculou onde, apenas se preocupou em distribuir beijos por sobre o pescoço da mais nova, fazendo-a morder os lábios para não soltar um gemido. As mãos ágeis da professora alcançaram o fecho do sutiã escuro e rendado da mais nova. Ela o abriu sem dificuldades e null não a impediu, completamente entregue aos beijos da mulher, seus olhos fechados e os dedos entrelaçados aos fios castanhos dela. null ainda usava o colar, mas null não se incomodou em tirá-lo.

Quando o sutiã despencou suavemente por sobre a cama, null desceu os beijos até os seios da garota, finalmente nus. null não conteve os gemidos, não no momento em que sentiu a língua de null por sobre a sua auréola, circulando levemente o local. Ela segurou com mais força nos cabelos da mais velha, remexendo-se por baixo dela, querendo mais. A professora sentiu-se tentada a deitá-la por sobre a cama e satisfazer todos os seus desejos, mas null a impediu no minuto em que ela fez menção de retirar-se de seu colo, puxando-a pela cintura e a mantendo ali.

null, eu... — null ia dizendo, sua voz era um sussurro fraco, que fora substituído por gemidos ao sentir a boca de null em seu seio direito, a língua brincando por ali como só ela sabia fazer.

A mão de null escorregou cuidadosamente pela lateral do corpo de null. Quando chegou à cintura, a mais nova a apertou ali. Os dedos da professora estavam cravados em seus ombros, o quadril movendo-se insistentemente, seu rebolado tornando-se mais intenso por sobre o colo de null, sua cabeça pendendo para trás, os olhos fechados. Ela estava aproveitando a sensação.

Foi nesse momento que null subiu seus lábios até os da mulher outra vez, puxando-a pela nuca. Elas se beijaram ferozmente, seus corpos quentes e suados um contra o outro. Suspiraram juntas ao sentir ambos os seios se tocarem. As mãos da professora agarraram os cabelos cacheados e as da cozinheira lhe espalmaram a bunda, fazendo-a quebrar o beijo parar arfar; não sem antes morder-lhe os lábios suavemente.

— Fique de pé — null murmurou, a voz enrouquecida, os lábios a um centímetro dos de null. — E termine de tirar o seu vestido. Eu quero te ver. — E lhe apertou ambas as coxas por baixo do tecido que as cobriam.

Ainda com as pernas trêmulas, null esquivou-se de seu colo, contra a sua vontade. Afastou-se alguns centímetros da figura de null, ao já estar de pé, e acompanhou o seu olhar vidrado, que não quis perder um segundo dos movimentos da professora, enquanto ela deixava o vestido lilás escorregar de seu quadril até o chão e revelar a calcinha vermelha e rendada que estava usando.

— Linda — null sussurrou, fitando-a de cima a baixo, demorando os olhos em cada detalhe. — Tão linda.

null voltou a se aproximar. null deixou que a mais velha a deitasse por sobre a cama, com as pernas uma de cada lado de seu corpo. null admirou os cabelos escuros e cacheados da cozinheira espalhados por seu travesseiro e abriu um sorriso, notando também as bochechas levemente rosadas da garota.

— Eu quero te ver também — null sussurrou e, no segundo seguinte, deixou seus dedos se ocuparem em desabotoar cada um dos botões da saia que null estava usando. Quando alcançou o último, null deixou que a peça de roupa escorregasse de encontro ao colchão, revelando-lhe as pernas tentadoras da mais nova. A professora abriu um sorriso de lado ao notar a calcinha preta da garota e subiu os olhos por todo o seu corpo: a barriga chapada, os seios redondinhos e excitados, o colar com a pedra vermelha entre eles, até chegar ao seu rosto novamente.

null deitou seu corpo contra o dela e a beijou. O beijo era lento, de início, ela queria provar todo o gosto da boca de null outra vez, com calma, e queria fazer isso sentindo seus corpos nus unidos, suados, as mãos de null por sobre a bunda de null, instigando-a a rebolar em seu colo; e as mãos da professora ocupadas em lhe segurar o pescoço.

null inclinou-se para cima, sem partir o beijo, ficando sentada novamente por sobre a cama, a professora ainda em seu colo. Ela levou sua mão até a calcinha de null, apenas para descobri-la molhada, muito molhada. A mais velha arfou em seus lábios, sentindo quando null decidiu brincar com os dedos por sobre a sua peça íntima em um movimento suave e delicioso de vai e vem.

— Por favor... — null implorou em um sussurro. Rebolou vagarosamente, os braços ao redor do pescoço da mulher. — Por favor, me fode.

— Mas a sua calcinha é tão linda para eu tirá-la de você — null sussurrou de volta, abrindo-lhe um sorriso malicioso.

— Não tire, então — null rebateu, selando os lábios nos da cozinheira. — Só me fode, como quiser, mas me fode.

null sorriu. Empurrou a calcinha de null delicadamente para o lado e seus dedos escorregaram por sobre a intimidade encharcada da mulher, que não conteve os primeiros gemidos, inclinando o quadril para cima.

— Parece que alguém está muito molhada — null murmurou.

— Você está me torturando — null conseguiu dizer, mesmo que entre gemidos. Sua respiração ofegante deixou null ainda mais excitada. — Por favor, null, por favor me...

E o fim de sua frase foi interrompido por um gemido mais alto que lhe escapou quando os dedos de null encontraram facilmente o caminho até sua entrada. null sentiu que poderia gozar só escutando-a gemer e vendo-a revirar os olhos. null moveu sua cintura para cima e para baixo, buscando mais contato, enlouquecida pela sensação deliciosa que era a de ser penetrada por null.

— Puta merda — null sussurrou, os gemidos cada vez mais altos.

null levou sua boca aos seios em movimento da mais velha, sua língua contornando as auréolas endurecidas, a mão livre por sobre a coxa da mulher, onde a apertou para extravasar o seu desejo. null sentiu quando null passou a penetrá-la mais rapidamente e com mais força, e foi tão gostoso que ela precisou levar uma das mãos até a boca para cobri-la e não deixar que os gemidos passassem do limite. Estava perdida em sensações, o corpo quente e suado, o coração palpitante, seu sexo encharcado, a pele igualmente molhada do ombro de null — que ela agarrava com a mão livre. null mal estava se aguentando, chegaria ao ápice em breve, se continuasse daquela forma.

— Eu vou... — começou a dizer, surpresa ao ouvir sua própria voz ofegante, lutando para se tornar audível.

— Não vai mesmo — null parou de fodê-la no mesmo instante. — Não assim.

Antes que null tivesse tempo para protestar, null a deitou por sobre a cama e a beijou mais uma vez. Seus dedos encontraram o caminho até a intimidade da mulher novamente, com a qual brincava.

— Sua desgraçada — null murmurou de olhos cerrados, lutando contra os próprios gemidos, no momento em que null partiu os seus lábios dos dela para traçar beijos por toda a extensão de seu corpo, saboreando cada centímetro. Retirou a calcinha da mulher, por fim, que levantou o quadril para ajudá-la. null escorregou a peça íntima pelas pernas da mais velha, aproveitando para admirá-la.

Quando ela se aproximou do sexo de null, escorregou os lábios pelo interior de suas coxas, até aproximá-los novamente do local delicado que fez a mulher abaixo dela tremer. null não perdeu tempo, deslizando sua língua por toda a intimidade encharcada de null, fazendo-a soltar um gemido alto, daqueles que pareciam música aos seus ouvidos. null sugou-lhe levemente o clitóris, fazendo o movimento repetidas vezes, e a penetrou ao mesmo tempo.

null sentiu que poderia explodir a qualquer momento; sabia que dessa vez não iria conseguir aguentar por muito tempo. Ela imaginou ter desferido alguns palavrões em seus instantes de prazer, novamente sendo levada por todas as sensações que aquilo lhe provocava, o macio dos cabelos cacheados da garota por entre seus dedos, a maneira como uma das mãos lhe agarrava o seio, os movimentos de sua língua e a penetração cada vez mais intensa. Ela poderia ser fodida a noite toda.

Uma sensação efervescente lhe tomou o ventre, crescendo em ondas intermináveis. Era a chegada de seu ápice. Deixou que um gemido alto lhe escapasse e inclinou seu corpo para cima, gozando deliciosamente, puxando, em um aperto firme, os cabelos de null, no processo.

null deitou-se por sobre o corpo de null, sentindo-se vitoriosa. A mais nova a puxou pelo colar, beijando-lhe.

— Minha vez — null murmurou e inverteu as posições, rolando para cima da cacheada.

null... — null ia dizendo, porém, sua voz perdeu a força, ela arfou quando sentiu os dedos da mulher prestes a lhe invadir a calcinha, próximos demais de uma área muito delicada.

— Oi? — null sussurrou de volta. Ela abriu um sorrisinho e tombou a cabeça para o lado, suas bochechas rosadas e os traços de suor por sua pele lhe configurando um ar de inocência que faria null rir em uma situação comum. A professora sabia que agora tinha a mulher abaixo dela na palma de sua mão. — O que você ia dizer? — E escorregou levemente a ponta de um de seus dedos por sobre a intimidade molhada de null.

null soltou um gemido.

— Parece que mais alguém aqui está muito molhada — null continuou a sussurrar, para provocá-la.

Filha da puta. null pensou, porém, gostou, aquilo só a deixou mais excitada. Até entreabriu os lábios para responder a provocação, mas foi pega de surpresa ao sentir os dedos da mulher começando a penetrá-la, devagar. A garota arfou e gemeu ainda mais alto. Suas mãos agarraram a cintura de null.

— Mais rápido — null conseguiu pedir, entre gemidos de prazer.

A visão de sua testa enrugada, os olhos fechados, fez null gemer junto, a umidade em seu sexo crescendo outra vez. null atendeu-lhe o pedido, fodendo-a com mais força.

— Gostosa — a professora sussurrou ao pé de seu ouvido e, no segundo seguinte, a puxou para cima, fazendo-a ajoelhar-se por sobre a cama.

null parou de penetrá-la por um momento, as mulheres se beijaram ferozmente, seus corpos colados, as mãos perdendo-se entre ambos os cabelos, cinturas e pescoços. null aproveitou para apertar a bunda da mais nova enquanto a beijava. Depois, desceu os beijos molhados em direção aos seus seios e usou sua língua para circulá-los. Ela perdeu um tempo ali, alternando entre um peito e outro, sempre segurando com uma das mãos o que não estava em sua boca, apertando-o e o excitando com os dedos por vezes, deixando-os passear levemente pelos mamilos da garota. Seus olhos desviaram-se para os de null no processo, o tempo todo, apenas para descobri-la gemendo, as írises prestes a incendiarem de desejo, o cenho franzido tamanho o prazer. null jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, no entanto, quando a mão livre de null desceu até a sua calcinha, onde a invadiu outra vez e estimulou seu clitóris com delicadeza.

null desceu os beijos para a barriga da mulher, seu quadril inclinando-se no processo. null deliciou-se com a visão, tentada a fodê-la outra vez, mas o que fez foi agarrar os cabelos de null quando sentiu-a descer a sua calcinha até metade das coxas e deixou que a língua quente alcançasse a sua intimidade, lambendo-a de cima a baixo. null lhe puxou os fios castanhos, segurando-se com toda força que ainda havia em seu corpo para continuar mantendo-se ajoelhada por sobre o colchão. Gemidos altos lhes escapavam e ela nem se importava. null lhe apertava a cintura com força e, quando faz menção de continuar abaixando a sua calcinha para retirá-la de vez, null ajudou-a, erguendo os joelhos em um movimento rápido e livrando-se da peça íntima.

A professora aproveitou-se dos momentos de fraqueza da mais nova para virá-la de costas, antes que null pudesse pousar as pernas novamente contra o colchão.

— O que você... — null tentou questionar, mas sua voz transformou-se em novos gemidos quando null a penetrou e espalmou sua bunda.

Aproveitando a sensação deliciosa que era ser fodida daquele jeito, null subiu cada vez mais seu quadril para cima e deixou que a fronte de seu corpo repousasse na cama. Por sobre o ombro, ela conseguiu ter a visão deliciosa dos movimentos de null ao penetrá-la, a maneira como seus seios se moviam e o jeito como usou a outra mão para lhe estimular o clitóris. Quando sentiu que estava próxima de atingir o seu ápice, null inclinou o tronco para cima e agarrou a nuca da mulher, movimentando-se por baixo dela. No momento em que começou a gozar, já estava praticamente sentada, seu quadril subindo e descendo, as mãos agarrando os lençóis e os gemidos mais altos.

null a deitou por sobre o colchão novamente, no momento em que ela atingiu o fim. Suas pernas enroscadas uma na outra e os peitos procurando se acalmar, as respirações ofegantes, as testas coladas e os olhos cerrados. null foi a primeira a abri-los, aproveitando para distribuir beijos suaves por sobre o rosto da mulher, que sorriu e usou seus braços para envolvê-la.

— Eu te amo — null disse, simplesmente, como se fosse usual, seus olhos fechados, o corpo relaxado.

null foi pega de surpresa e fez uma expressão de incredulidade.

— O que você disse? — Ela quase não acreditava.

— Eu disse — null abriu os olhos e focou suas írises escuras nas perplexas dela. A cozinheira rolou por sobre null, entrelaçando seus dedos aos dela, os olhares não se desgrudaram — que eu te amo.

— Você me ama mesmo? — null sussurrou, seus olhos movendo-se por todo o rosto da mulher, capturando cada fragmento daquele instante.

— Eu te amo — null repetiu. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo e quero estar com você.

— Me prova de novo que eu não estou sonhando — a mais velha pediu em murmúrios, fechando os olhos.

null sorriu e levou seus lábios aos dela, beijando-a suavemente. Seus dedos apertaram-se um contra o outro sobre os lençóis já bagunçados e null encaixou-se entre as pernas de null quando o beijo, antes delicado, tornou-se quente, suas intimidades agora unidas, seus seios grudados um no outro. Aquilo era demais. Era a sensação mais deliciosa do mundo, em todos os sentidos.

Por sobre o corpo de null, null passou a se mover vagarosamente e os sons de seus gemidos se entrelaçaram. Os sexos encharcados que se encontraram e se tocaram em movimento as fez revirarem os olhos, sem controle por sobre os grunhidos. Elas estavam febris de prazer; o desejo lambendo-lhes a alma, embebedando-as em fervor, em chamas, a sensação em seus corpos era semelhante à de um vulcão prestes a entrar em erupção, principalmente quando os movimentos passaram a se tornar mais urgentes, mais velozes, mais ferozes. null tinha certeza de que a escutara dizer outra vez, em seu ouvido, por sobre a névoa de prazer, o quanto a amava. Sabia que seus lábios haviam se encontrado em diversos momentos.

Juntas, as mulheres atingiram o segundo ápice da noite: o rosto de null enterrado no pescoço de null e as mãos desta por sobre a cintura dela, enquanto a instigava.

— Eu te amo — null sentiu-se segura em dizer, levando as mãos aos cachos de null para acariciá-los. — Eu te amo tanto.

null rolou para o lado e a puxou para seus braços outra vez. Seus olhos se encontraram. Havia uma suavidade nos olhos de null naquele momento que null ainda não havia visto. Amor. Todo o corpo, por vezes tensionado, da mulher, com medo de admitir-lhe o que já era óbvio, naquele momento estava tranquilo, relaxado. Não tinha pressa alguma de ir embora, não desejava se levantar e correr para longe, procurar fazer o sentimento desaparecer. Só queria estar ali e nunca mais ir a lugar algum, perder-se-ia para sempre dentro dos mesmos olhos e no gosto dos mesmos lábios e no suor do mesmo corpo, todas as noites. E nunca pensou que se sentiria assim.

— Dorme aqui — null pegou-se sussurrando, observando e decorando cada traço do rosto da mais velha. — Não precisa ir embora. Não precisa ir embora nunca mais, se não quiser.

null abriu-lhe um sorriso encantador, que fez o coração da garota pular apressado, querendo se derreter em paixão. Seu estômago nunca esteve tão infestado por borboletas como estava agora.

— Eu não vou a lugar algum — a mulher disse, por fim, selando os lábios aos dela.

Elas sorriram, roçando os narizes um no outro. null puxou o lençol com o pé e depois usou a mão para auxiliá-lo a cobri-las. Em seguida, seus braços a envolveram novamente. Ambos os corpos nus relaxaram. null fechou os olhos, null a observou até que ela pegasse no sono. Era a primeira vez que a via dormindo e sentiu-se sortuda por saber que a veria assim incontáveis vezes a partir daquele momento. O vento frio da noite invadiu o quarto pela janela, que as mulheres nem se lembraram de fechar, mas null não se incomodou, o refrescar da brisa a ajudava a relaxar tanto quanto sua amada.

E, quando fechou os olhos e adormeceu, apenas sonhos bons lhe ocuparam o subconsciente.


FIM



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: Que fanfic preciosa! Eu amei a conexão das meninas e a forma tão natural que o relacionamento delas foi desenvolvido, super queria uma continuação para aproveitá-las mais como casal hahahaha parabéns pela história ❤️

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

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