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Última atualização dessa parte: 27/02/2020

Capítulo 1

07/02/2016
16:23

P.O.V Gianniotti
Viajar de minha cidade até Londres era realmente rápido, nem consegui dormir, com duas horas de voo era realmente impossível. O aeroporto de Londres era muito diferente do de Roma, eu sorri olhando ao redor e me perdendo em meus pensamentos por alguns segundos, eu estava realizando, como poderia dizer, meu "sonho". Finalmente em Londres, finalmente me sentindo livre e leve. Confesso que sair do aeroporto e encontrar um táxi foi meio difícil, eu estava nervosa, iria conhecer minha host family em pouco tempo, estranhos que iriam me acolher e que talvez poderiam ter uma relação boa comigo ou me odiarem. Tirei o papel com o endereço da minha mochila e corri com a mala de rodinhas quando um táxi me avistou, logo ele saiu para me ajudar a colocar a mala no porta-malas e eu sorri simpaticamente. Comecei a falar em inglês com ele.
- Você sabe onde fica esse endereço? – perguntei entrando no carro e estendendo o papel para ele.
- Claro! Kingston-upon-Thames. – disse e então começou a dirigir como todo taxista, tranquilamente. – Primeira vez em Londres?
- Oh sim, meu sotaque entrega? – perguntei com a voz mais baixa envergonhada.
- Você não tem muito sotaque na verdade, passaria despercebida se meu trabalho não aplicasse que eu conhecesse muitos estrangeiros. Mas não consegui identificar o seu, é bonito. – elogiou ainda prestando atenção na rua.
- Eu sou de Roma, Itália. – esclareci juntando as mãos.
- É uma cidade realmente bonita.
- É sim, mas temos que sair às vezes, não?
- Concordo plenamente. – respondeu sincero, era bom conversar logo em sua chegada com alguém tão simpático.
- Você é daqui?
- Sim, nascido e criado em Londres. – sorriu, o homem parecia ter não mais que 25.
- Como é a cidade? – perguntei realmente interessada.
- Eu realmente acho ela mágica, mas você vai ter sua experiência própria.
- Tomara que seja boa, me deseje sorte. – ri fraca mas ainda nervosa.
- Relaxe e aproveite ao máximo. – e depois de alguns minutos, ele estava estacionando em uma casa com tamanho médio. Tudo o que eu sabia sobre a família era o básico. Três filhos, fora o pai e a mãe.
Saí do táxi e peguei minha mala no porta malas, o taxista me deu boa sorte e sorriu, dirigindo para o aeroporto novamente, pelo que pensei. Eu andei em direção a entrada e toquei a campainha, quase tremendo. Alguns segundos depois a porta foi atendida, um homem e uma mulher estavam em frente a porta e sorriam simpaticamente em minha direção, sem nem pensar sorri de volta e levantei a mão para cumprimento me surpreendendo quando a mulher puxou meu corpo e me deu um abraço carinhoso.
- Olá. – falei começando com o inglês novamente, quando saí do abraço e o homem me puxou para um também, menos carinhoso como o da mulher mas ainda sim receptivo.
- Entre! Seu nome é certo? – Nicola pelo nome que soube só de outras pessoas perguntou e eu assenti com a cabeça.
- Sim e o de vocês são Nicola e Dominic certo? – devolvi a pergunta enquanto entrava puxando a mala sem dificuldade. Quando entrei minha visão da casa se ampliou e com isso eu enxerguei os três meninos em pé e sorrindo como os pais sorriam.
- Eu não sei o nome de vocês, me desculpem. – apontei sorrindo envergonhada. O primeiro, mais novo, sorriu animado e me abraçou me deixando feliz com tanta recepção. – Posso perguntar seu nome? – perguntei abaixando um pouco pela altura e abraçando de volta.
- Meu nome é Patrick, mas você pode me chamar de Paddy! – respondeu ainda realmente animado. Então sorri com sua fofura e levantei indo até o do meio que estendeu a mão.
- Meu nome é Sam. – sorriu e eu o cumprimentei. Me levando ao terceiro, o mais bonito dali, droga, eu realmente achava que aqui não teria meninos bonitos para me distrair?
- Meu nome é Harry. – disse sorrindo de lado e me olhando interessadamente, não com malícia, mas como se realmente me analisasse e logo me ofereceu ajuda. – Deixe-me te ajudar com a mala. – depois de me cumprimentar e me dar o prazer de tocar sua pele, ele ofereceu, pegando a mala e virando para os pais.
- Vocês querem mostrar o quarto pra ela ou eu já faço isso? – Harry perguntou logo arrastando a mala.
- Pode mostrar. Espero que se sinta confortável . – Nicola respondeu sorrindo e eu me senti leve. Então segui Harry pela casa que era até maior que a minha, subimos a escada e andamos pelo corredor.
- É aqui. – disse quando chegamos ao quarto, empurrando a porta e colocando a mala do lado da cama. O quarto era realmente bonito, pintado de azul e branco, e a cama era consideravelmente grande pelo fato de ser uma de solteiro e caber mais uma pessoa além de mim.
- Obrigada por me ajudar. – agradeci meio sem graça.
- É realmente um prazer. – colocou as mãos nos bolsos e sorriu de lado olhando para baixo, e diferente de alguns minutos atrás seu tom foi realmente malicioso, abaixei a cabeça e a balancei mexendo no cabelo nervosamente, sentindo-o passar ao meu lado.
Quando levantei a cabeça e suspirei ele já tinha saído do quarto, como prever que meu host brother seria tão bonito? Eu torcia para que ele pudesse me deixar respirar.
Arrumei minhas coisas com a porta fechada e coloquei minhas roupas no armário do quarto que era simples, mas que coube tudo e ainda sobrou um pouquinho de espaço. Então troquei de roupa e desci encontrando toda a família sentada na mesa de jantar.
- ! Sente conosco. – Nicola chamou sorridente me fazendo sorrir também e atender seu pedido. – Agora podemos conversar sobre tudo, sim? Não dissemos nada para os meninos porque queríamos que você se apresentasse e falasse por si.
- Eu irei me apresentar. – falei concordando envergonhada. – Mas antes podemos conversar sobre as regras da casa? Digo, se puder, para mim agora é melhor, Nicola.
- Não, claro! E por favor me chame de Nikki. – pediu amigável. – Dom pode falar tudo pra você enquanto eu faço um chá, aceita?
- Claro. Mas não quero dar trabalho já no primeiro dia.
- Que nada, é só um chá.
- Bom, obrigada. – agradeci. E em seguida olhei para Dominic. – Quais são as regras? Só para eu saber e me adequar a elas.
- Não tem muitas. Lavamos roupa às segundas e sextas. Não queremos que se reprima ou coisa do tipo, realmente esperamos que goste daqui. Almoço e jantar são geralmente 12:00 e 19:00. E esperamos que fique à vontade, temos quatro banheiros, então acho difícil ter problemas com isso, mas podemos acertar horários de quiser. – explicou simpático me fazendo ficar mais confortável.
- Não precisa, eu realmente fico grata por ser recebida assim. – sorri.
- Agora se não se incomodar pode se apresentar? Os meninos também irão dizer algumas coisas sobre eles. – Nikki disse colocando a xícara de chá em minhas mãos.
- Bom, meu nome é Gianniotti, sou italiana, nasci e cresci na Roma, pais italianos também, tenho 18 anos e comecei a aprender inglês com 12.. – fiz uma pausa tentando lembrar de mais coisas. – Vim fazer artes e realmente espero me dar bem com vocês também!
Todos olhavam interessados no assunto e os meninos surpresos, mas Harry tinha um sorriso no rosto me deixando curiosa.
- Uau, você é italiana? – Sam perguntou surpreso e franzindo o cenho, assenti com a cabeça.
- Pode me ensinar como falar algumas palavras ? – Paddy perguntou sorrindo animado e eu quase derreti.
- Claro que posso! – respondi também animada.
- Que dia é seu aniversário? – Harry perguntou do nada e eu olhei para ele.
- 4 de fevereiro. – respondi e ele assentiu com a cabeça. – Agora podem me falar sobre vocês, pode começar por você Paddy.
- Meu nome é Paddy Holland, sou inglês, como meus pais. – apontou pra eles sorrindo, realmente fofo. – Tenho 13 anos, e já gosto de você!
- Eu também já gosto de você. – respondi, logo olhando para Sam, pedindo silenciosamente para que ele começasse.
- O meu nome já sabe, nacionalidade também, tenho 17 e gosto muito de teatro. – disse calmo se arrumando na cadeira.
- Qual o aniversário de cada um? – perguntei tomando meu chá.
- O meu é 6 de dezembro! – Paddy respondeu.
- 14 de fevereiro. – Sam respondeu e eu olhei para Harry.
- Faço no mesmo dia que ele. – respondeu e eu encarei surpresa.
- Vocês são gêmeos? – perguntei meio desacreditada.
- Sim, e eu também gosto de teatro. – disse aleatoriamente para já deixar claro agora e não ter mais que falar.
- Jogam alguma coisa?
- Sim, temos video game. – Sam respondeu.
- E é a primeira vez que são host family?
- Sim. – Nikki respondeu sorridente.
- Eu soube que outra menina vai vir daqui a dois dias, certo? – perguntei fazendo os outros três meninos abrirem as bocas.
- Outra menina?! – Sam perguntou assustado para os pais e eu me arrependi de ter falado.
- Isso é sério? – Harry perguntou surpreso também.
- Legal! Tomara que ela seja bonita como você. – Paddy foi o único que ao invés de perguntar indignado, sorriu. Eu sorri boba com o menino e balancei a cabeça.
- Me acha bonita? – perguntei convencida.
- É claro que você é bonita. – Sam disse virando para Harry que deu de ombros sem falar nada.
- Bom, obrigada, vocês também tem uma genética muito boa. – sorri apontando e Nikki e Dom agradeceram.
- Imagina se ela conhecesse o Tom. – Paddy riu me deixando confusa.
- Quem é Tom? Tio? – perguntei curiosa e Dom tratou de responder.
- O irmão mais velho, ele está fora no momento, por isso você vai conhecê-lo depois.
- Aaah. – disse concordando e imaginando que se os três meninos eram bonitos imagine o mais velho.
- Ele é o mais bonito depois de mim. – Paddy disse suspirando fazendo todos rirem.
- Eu sou o terceiro. – Sam levantou a mão e Harry revirou os olhos gargalhando, eles tinham uma energia realmente contagiante.
- Isso me faz o quarto. – levantou a mão e me olhou, sorrindo.
- Mas voltando a outra menina, ela é de onde? – Sam perguntou interessado se inclinando pra frente, por um momento me questionei se ele e o gêmeo gostavam de intercambistas, mas logo me afastei do pensamento.
- Isso irão descobrir quando ela chegar. – Dom disse com um tom de mistério e até eu imaginei em como ela seria, ela seria legal?
P.O.V Harry Holland
19:47
De repente ter uma pessoa estranha morando em sua casa é realmente um pouco desconfortável quando se sabe pelo seus pais, admito que estava receoso antes da menina chegar. Mas ela era realmente linda, e sua voz era muito gostosa de se ouvir, o único último fator que teríamos que descobrir era a personalidade.
- O que achou da intercambista? – perguntei para Sam quando estávamos sozinhos sem sinal de Paddy, Nikki, Dom ou a menina.
- Ela é realmente bonita, uma pena que vamos ter que agir como irmãos dela. – respondeu suspirando.
- E se não tivermos que fazer isso? – virei para ele e ele sorriu.
- Ela mal chegou e você já quer invadir o espaço dela? – riu.
- Eu só estou brincando. – respondi olhando pra baixo.
- Eu te conheço, sei que tá incomodado por ela estar aqui e ser tão bonita.
- Sim, mas sabe também que não vou violar o espaço dela, tenho respeito.
- Eu sei, mas e a outra garota, como acha que ela é? – Sam perguntou interessado e eu imaginei. Dificilmente seria mais bonita do que e então minha mente foi parar novamente na italiana, loira e com o sorriso inesquecível.
- Não sei, você que tá interessado, pervertido. – bati fraco em seu braço e gargalhei quando ele arqueou as sobrancelhas.
- E se ela for francesa? Ou norueguesa? – ficou aéreo de repente e eu balancei as mãos para tirar ele do devaneio.
- Só vamos saber depois de amanhã. – falei inquietando ele mais ainda.
- O sotaque da é adorável não? – Sam mudou de assunto.
- É. – respondi imaginando ela falando palavras em italiano.
- Ela parece ser legal.
- Ela foi simpática pelo menos.
- Você prestou realmente atenção no que ela disse? Pensei que estivesse só olhando pra boca dela. – zombou e eu dei o dedo do meio.
- E você? Que já tá babando na menina que nem chegou ainda. – apontei vendo-o baixar a bola. – Ela pode ser feia sabia?
- E pode ser legal. Não sabemos. – deu de ombros.
- É, não sabemos. – respondi sossegando.


Capítulo 2

09/02/2016
9:43

P.O.V Gianniotti
Era realmente frustrante esperar a menina nova chegar, o nervosismo chegava a doer até, todos estavam sentados no sofá e Dom e Nikki estavam na cozinha, preparando um lanche para todos comerem quando a garota chegasse.
Sam e Harry jogavam vídeo game e Paddy esperava sua vez.
- Quer jogar comigo? – Paddy perguntou enquanto olhava a partida dos irmãos acabar.
- Hummm, eu sou muito ruim nessas coisas, Paddy. – menti contorcendo o rosto, eu era boa na maioria dos jogos, mas estava muito nervosa para jogar.
- Está com medo de perder pro Paddy? – Harry colocou o controle de lado e olhou para mim rindo.
- É ele que tem o vídeo game. Eu não jogava vídeo game em Roma. – respondi justificando e dando de ombros.
- Quer que eu te ensine? – perguntou sorrindo e por um momento minha mente travou.
- Não, obrigado. – falei rápido e desviei o olhar, mas não antes de ouvir um risinho de Sam.
- Meninos, vocês querem suco de quê? – Nikki perguntou gritando da cozinha.
- Laranja!
- Uva!
- Morango!
- Laranja! – todos falaram ao mesmo tempo e então nos olhamos.
- O de laranja ganhou! – Harry gritou e Nikki não disse mais nada.
- , por que não deixa o Harry te ensinar? Daí a gente pode jogar junto. – Paddy pediu segurando meu braço e eu olhei para ele hesitante.
- Porque.. – ia responder mas antes de terminar a frase, a campainha tocou, fazendo todos menos o Paddy levantarem de imediato.
- Droga.. – Sam disse enquanto pegava o controle que havia caído no chão pela pressa de levantar. Dom e Nikki colocaram os lanches e suco na mesa e foram atender.
Eles abriram a porta e eu juntei as mãos nervosa, como seria a menina?
Quando eu vi a garota quase abri a boca surpresa, ela era muito bonita e sorria mostrando leveza. Seus cabelos eram escuros e lisos, seus olhos eram escuros também e sua boca era vermelha. Ela carregava dois instrumentos, um nas costas e outro em mãos. Tinha traços angelicais, e o corpo com várias curvas, olhei para o lado e analisei a reação dos meninos, o mais engraçado foi Sam que estava praticamente babando na menina.
- Oi! – a menina se pronunciou animada e Dom e Nikki a cumprimentaram, pedindo para ela entrar, e pegando os instrumentos para ajudar, como eu era a que estava na ponta ela veio até mim primeiro.
- Você é a outra intercambista né? – apontou já perto de mim e sorriu.
- Sim... – respondi enquanto estendia a mão. A garota fez a mesma coisa que Nicola fez quando cheguei e me abraçou forte.
- Nós vamos bagunçar isso daqui. – sussurrou em meu ouvido me fazendo rir verdadeiramente. – Qual seu nome?
- . – respondi enquanto assistia a mesma se abaixar para cumprimentar Paddy.
- Ei, ela é mesmo bonita como você. – ele se virou para mim dizendo e eu sorri envergonhada.
- Awn, você é um doce. – ela abraçou Paddy e riu logo olhando pra mim e voltando seu olhar para o garoto. – é realmente bonita, foi o melhor elogio que recebi em bastante tempo.
Ela tocou o nariz de Paddy carinhosamente e levantou logo indo cumprimentar Harry. Ele estendeu a mão como eu, mas a garota não se importou e abraçou ele, ela parecia ser bem extrovertida, mas não violou o espaço de ninguém.
- Meu nome é Harry. – disse enquanto os dois saíam do abraço, o próximo a ser abraçado era Sam, que agora ao invés de babar sorria simpático.
- E o seu, príncipe? – ela perguntou para Sam antes de o abraçar e ele riu meio sem graça.
- Sam. – respondeu e aí sim ela o puxou para um abraço leve, sem apertos nem nada, olhei para cara de Sam e ele estava quase viajando, eu quase ri.
- É ótimo conhecer vocês... – ela se pronunciou virando para Nikki e Dom. – Me desculpem se fui meio invasiva com os abraços, eu só estou animada.
Juntou as mãos olhando para baixo e Nikki a tranquilizou dizendo que não tinha nada de mal nos abraços.
- Posso te ajudar com as malas? – Sam perguntou estendendo a mão e eu olhei divertida para Harry que revirava os olhos.
- Não precisa, não quero dar trabalho. – respondeu envergonhada e Sam sorriu, enquanto a menina pegava os instrumentos novamente com Dom e Nikki.
- Não é nada, relaxa. – pegou a única mala de rodinha em uma mão e virou para os pais. – Vou mostrar o quarto para ela.
E então os dois subiram e eu olhei para Harry que ria sem se segurar.
- Que foi? – Paddy perguntou e Dom e Nikki repreenderam Harry com o olhar. Aqueles irmãos realmente flertavam com as intercambistas, então?
- Você é idiota Harry. – com um lapso de coragem joguei a almofada no garoto que ainda ria e gargalhei quando ele me olhou surpreso.
- Você realmente fez isso? – perguntou pegando a almofada e vindo pra perto.
- Nãooo... – falei me distanciando.
- ! – jogou a almofada que pegou em minha barriga e no mesmo momento Sam desceu.
- O que os dois patetas estão fazendo? – Sam perguntou descendo o último degrau da escada sorrindo.
- Falando sobre como você babou na garota. – Harry respondeu e Nikki o olhou indignada.
- Harry! – repreendeu e eu sem me segurar ri.
- Desculpe, mas é verdade. – Harry respondeu dando de ombros e Nicola olhou para Dom.
- Não olhe para mim. – Dominic disse rindo.
- Você pode parar de babar na intercambista. – Nikki avisou séria, apontando para Sam.
- Mas o Harry também fica babando na e você não diz nada! – Sam falou indignado.
- Sam! – Harry gritou e eu fiquei em choque.
- Ei, vocês dois! Parem. – Nicola gritou e eu só olhei para os lados.
- Okay, sem clima... – Dom disse acalmando todos.
- Não é como se elas fossem nossas irmãs de verdade. – Sam respondeu baixinho e Nikki olhou ainda brava.
- Isso não quer dizer que vocês podem violar o espaço delas! Eu criei vocês para respeitarem as mulheres. – respondeu indignada.
- Mãe, você conhece a gente. Sabe que nunca faríamos isso. – Harry se pronunciou.
- Sim, eu sei. – Nicola suspirou e colocou a mão no rosto. – Tudo bem acharem elas bonitas, só não forcem a barra e nem deixem elas desconfortáveis okay?
- Nós não vamos fazer isso. Me desculpe. – Sam disse para mim e Harry também pediu desculpas.
- Tudo bem meninos, eu sinto muito por causar problemas. – falei coçando a nuca nervosa.
- Você não causou nenhum problema . – Nikki disse sorrindo junto ao Dom e eu me senti realmente feliz por minha host family ser compreensiva.
Depois de algum tempo, a garota apareceu na sala e veio ao nosso encontro.
- Todos venham comer. – Dom chamou e todos foram para a mesa se sentar.
- Então, , quando chegou deixamos que ela falasse um pouco sobre ela, se não se incomodar gostaríamos que fizesse o mesmo. – Nicola pediu sentando na mesa, revelando o nome da garota.
- Humm, tudo bem. – respondeu mordendo o lábio e olhando para todos. – Meu nome é Hoffman, tenho 19 anos, vim de Frankfurt, Alemanha. – parou a frase como se pensasse o que mais poderia dizer e com a pausa Harry aproveitou para falar.
- Você é alemã?! – perguntou surpreso e sorriu, olhando para ele.
- Sim, por quê? – perguntou de volta.
- Você não tem sotaque. – respondeu baixinho.
- Minha mãe é americana. – explicou colocando as mãos na mesa. – Comecei a aprender inglês com 9.
- Que legal. – Dom disse sorrindo e sorriu de volta.
- O que veio cursar? – Sam perguntou cruzando os braços.
- Música. – respondeu e ele olhou surpreso.
- Você canta ou toca algum instrumento? – Paddy perguntou. Provavelmente sem lembrar de ter visto ela com os instrumentos.
- Eu canto e toco guitarra e baixo. – sorriu radiante quando Paddy abriu a boca surpreso.
- Eu sei tocar piano também. – falei quando o silêncio se fez presente e Harry virou para mim sorrindo.
- Sério? Temos um piano aqui. – disse animado.
- Vocês podem tocar algum dia para gente. – Nikki propôs sorrindo e nós concordamos com a cabeça.
- Quando é seu aniversário? – Harry perguntou.
- 23 de maio. – respondeu e então todos começaram a conversar sobre tudo.
Regras, a convivência na casa... e quando vimos já estávamos conversando há 2 horas.
- Precisamos sair, vocês podem continuar conversando. – Nikki disse levantando e Dom concordou com a cabeça.
- Sabe o que podemos fazer? – disse animada.
- O quê? – perguntei, curiosa.
- Um jogo de perguntas. Para nos conhecermos melhor.
- Quem começa? – Paddy perguntou animado.
- Eu vou primeiro, daí a , Harry, Sam e daí você. – falou raciocinando pela ordem em que estávamos sentados.
- Então comece. – Harry disse colocando as mãos na mesa.
- Acreditam em amor à primeira vista? – perguntou olhando para todos e Sam foi o primeiro a responder.
- Pode ter certeza que sim. – Harry e eu olhamos para ele e rimos.
- Não. – eu e Harry respondemos ao mesmo tempo e Paddy ficou quieto.
- Nome da primeira paixão? – perguntei sem pensar em mais nada e foi a primeira a responder.
- Mia. – falou suspirando e todos ficaram surpresos menos Paddy que nem entendeu.
- Você é lésbica? – Sam perguntou meio hesitante talvez pensando se soaria ofensivo.
- Sou bi. – respondeu sorrindo parecendo ter lidado bem com a pergunta e de lado eu vi Sam sorrir.
- E vocês, não vão responder não? – olhei para os meninos e eles riram.
- Isso tá muito chato, eu vou subir pro quarto. – Paddy se pronunciou suspirando e todo mundo gargalhou, antes de ir deu um beijo em mim e em .
- Emily. – Harry respondeu a pergunta depois que Paddy subiu e olhou para Sam.
- Liz. – finalmente disse.
- Fobia?
- Aranhas. – eu respondi estremecendo.
- Altura. – disse mexendo no cabelo, então Harry deu um tapa no braço de Sam.
- Tenho claustrofobia, você sabe. – Sam disse olhando para o gêmeo e Harry bateu a mão em sua testa.
- Eu sei, mas elas não, né idiota. – resmungou.
- Se pudesse se converter em qualquer personagem de livro ou filme, quem seria? – Sam perguntou e eu olhei surpresa, a pergunta tinha sido realmente boa.
- Feiticeira Escarlate. – disse rapidamente e olhou para baixo.
- Capitã Marvel. – eu respondi olhando para Harry que estava pensativo.
- Buzz Lightyear ou Tony Stark.
- Se pudesse ser um animal, qual seria?
- Lobo. – respondi.
- Golfinho. – Harry respondeu.
- Eu seria o Harry. – Sam disse sério e Harry o deu um soco nos fazendo rir.
- Se só restasse um dia de vida, o que faria primeiro? – fiz minha pergunta cruzando os braços.
- Passaria o tempo com a minha família. – Harry respondeu.
- Ficaria bêbado.
- Faria um ménage. – disse rápido e todos olharam com os olhos arregalados para ela que só percebeu depois o que havia dito, então colocou a mão na boca. – Quer... quer dizer...
- Não, tudo bem. Paddy e nem os nossos pais estão aqui, podemos apimentar o jogo. – Sam esclareceu sorrindo e suspirou.
- Eu disse sem pensar, me desculpem. – pediu mais uma vez ficando corada.
- Okay... gatos ou cães?
- Gatos.
- Cães.
- Cães.
- Fantasia erótica? – Sam perguntou sem graça e eu ri nervosa.
- Dominar. – respondeu e mordeu o lábio, Sam olhou para baixo e suspirou me fazendo questionar a tensão sexual ali.
- Filmar o que acontecer. – Harry respondeu e todos olharam para mim.
- Tenho mesmo que responder? – perguntei e Harry tratou de me tranquilizar.
- Se sentir desconfortável não, mas se for porque somos estranhos, vamos conviver por 6 meses, então pode dizer outra hora.
- Transar amordaçada. – respondi fechando os olhos e logo ouvi Sam dizer também.
- Ser dominado. – foi o que ele disse e ainda olhando para que sorriu e pareceu não ter mais vergonha.
- Okay, vamos subir Sam? – Harry chamou pigarreando e ele olhou para ele resmungando, mas o garoto o repreendeu com o olhar.
- Ok. – e então os dois subiram e eu olhei para suspirando.
- Você realmente sabe como bagunçar, hein? – brinquei arqueando as sobrancelhas.
- Essa foi um dos dias mais estranhos da minha vida. – respondeu rindo comigo.
- É bom ter alguém alto astral como host sister. – falei de repente e ela sorriu pra mim.
- Digo o mesmo. – balançou a cabeça.

P.O.V Harry Holland
- O que foi isso lá embaixo Sam?! – perguntei fechando a porta do quarto com os olhos arregalados.
- Impulso, relaxa. Nada demais. – respondeu fazendo pouco caso e sorrindo bobo.
- Nada demais?! Você acabou de assediar a garota, e não faz nem um dia que ela está morando aqui! – repreendi sussurrando.
- Você viu como ela é linda Harry? – perguntou olhando pro teto e eu dei um tapa em sua cabeça.
- Você jura que está falando do rosto dela? – joguei irônico.
- Ei, ela tem o corpo bonito, mas é linda okay?
- Ainda prefiro a . – cruzei os braços.
- Isso é bom. – respondeu suspirando e eu estreitei os olhos para ele.
- Para com isso.
- O que?! Você também pensa na !
- É, mas eu não fiquei assediando ela hoje!
- Então você admite que pensa nela? – Sam apontou sorrindo todo zombeteiro e eu revirei os olhos.
- Você é um idiota.
- Você também é. – deu de ombros.


Capítulo 3

17/02/2016
Quarta-feira

14:32
P.O.V Hoffmann
- Você não sabe dar combo não? – brinquei com Harry ainda olhando pra tela e apertando os botões do controle.
- Eu sei dar combo, mas você não me deixa atacar! – resmungou batendo nos botões desesperadamente.
- E era pra deixar? – zombei rindo e quando ganhei a luta pausei o jogo e levantei fazendo uma dancinha.
- Você roubou! – deixou o controle de lado emburrado e eu mexi as mãos ouvindo uma risadinha de Sam.
- Eu ganhei, ganhei, uhuu. – balancei os braços e Harry revirou os olhos. – Toma essa!
- Só ganhou porque insistiu em jogar Mortal Kombat, só é boa nesse jogo. – justificou juntando as mãos e eu ri.
- Não vou nem te responder viu, nervosinho. – toquei seu nariz com o dedo.
- Agora eu vou jogar contra você. – Sam apontou pra mim pulando no sofá ao lado de Harry e pegando o controle.
- Se prepare para.. – apontei de volta, mas antes de terminar a sentença, meu celular tocou e eu pedi um tempo para atender sentando no sofá, ao lado de Sam.
- Hallo Tochter, wie geht es dir?! – meu pai perguntou animado quando atendi e eu sorri. "Olá filha, como vai?"
- Mir geht es gut, Papa. – respondi sem conseguir me conter ao olhar para a feição dos meninos, que ao ouvirem minha língua nativa arregalaram os olhos. "Está tudo bem, pai". – Aber was ist mit dir? Geht es dir gut? – "Mas e você? Está bem?".
- Ich vermisse dich, aber zu Hause ist alles gut. – explicou com o tom calmo e eu fiquei mais tranquila. "Eu sinto sua falta, mas está tudo bem em casa".
- Und wie geht es meinem Bruder? – perguntei mordendo a ponta do dedo. "E como está meu irmão?"
- Er sieht gut aus, hat eine Diät begonnen! – exclamou alegre e eu ri desacreditada. "Ele está ótimo, até começou uma dieta".
- Wirklich? Hat Charles eine Diät begonnen?! – aumentei o tom e os garotos me olharam novamente me deixando envergonhada. "Sério? Charles começou uma dieta?!". estava no curso, e Paddy na escola, então eu estava sozinha com os dois. Os dois e Tessa, a cachorra da casa.
- Ich schwöre! Muss Datierung in der Mitte haben. – explicou e eu concordei. "Eu juro. Deve ter namoro no meio".
- Schicken Sie ihm einen Kuss und sagen Sie ihm, ich würde die Diät fördern. – falei um pouco baixo já sem coragem e levantei do sofá. "Mande um beijo para ele e diga que eu incentivo a dieta".
- Vou subir pro quarto, depois jogamos okay Sam? – perguntei em inglês vendo ele assentir e passar o controle para Harry.
- Dad, erzähl mir von deinem Tag. – voltei ao alemão já andando em direção a escada e voltando a conversar. "Pai, conte-me sobre o seu dia".
P.O.V Harry Holland
- Ei... você vai parar de babar no controle e jogar comigo ou não? – perguntei para Sam balançando as mãos.
- Não zoa, não tô babando também né. – respondeu passando os dedos nos lábios.
- Você tá maluco, se recomponha homem! – zombei apontando e o mesmo bateu em minha mão.
- Foi só... melhor do que eu imaginava. – tentou se explicar olhando para cima.
- Você nem conhece a menina direito, até eu tô mais próximo dela do que você. – resmunguei sincero, desde que ela havia chegado, tinha me tornado amigo dela e Sam de .
- Não preciso conhecer, o físico dela já é muito legal.
- Mas isso só se ela fosse tão assim né, não sei por que tá tão vidrado. – falei confuso e o mesmo revirou os olhos.
- Deixa seu gosto em um quadrado e o meu em outro, não interfira nas coisas que eu gosto não. – avisou mexendo as mãos.
- Tá bom, nervosinho. – levantei os braços dando de ombros.
- Mas e a , hein?
- Eu já coloquei no quadrado e fechei senhor, muito obrigada. – virei para ele sorrindo e ele fez uma careta.
- Você é chato, já te disseram isso?
- Você é retardado, já te disseram isso? – devolvi mal humorado.
- Nossa... – respondeu afetado e colocou a mão no peito em drama. – Você não tem um coração?
- Não. – respondi entediado.
- Eu vou contar pra isso daí viu. – avisou com um tom infantil e eu considerei rir por um momento.
- Falando na ... as duas ainda não tocaram pra gente né? – perguntei mais pra mim mesmo e Sam franziu o cenho.
- O que tem a ver com o assunto anterior? – perguntou de volta confuso. – Como ligou as coisas?
- Você me fez lembrar da , que tá no curso e daí eu lembrei do curso dela e do curso da que é música, e isso me lembrou de quando ela contou que curso fazia e também de quando prometeu tocar pra gente com a . – expliquei meu raciocínio e Sam fez uma feição indignada.
- Você é estranho, Harry.
- Eu sou seu gêmeo, Sam. – devolvi batendo em sua nuca e o mesmo resmungou.
A porta fez um barulho me assustando e quase me fazendo pular, mas logo entrou e pareceu que meu coração acelerou, mas meu corpo se acalmou.
- Cheguei. – disse animada fechando a porta e trancando a mesma. – O que estão fazendo?
- Eu tô tentando jogar e o Sam tá sendo idiota.
- Ei! – reclamou e riu.
- O que ele fez dessa vez? – perguntou como se já fosse familiarizada e eu sorri automaticamente.
- . – fiz uma feição apaixonada colocando as mãos nas bochechas e olhei pro teto suspirando.
- É mais assim. – corrigiu fingindo babar e nós dois gargalhamos enquanto ela vinha em nossa direção para fazer um high five.
- Dois bobos, se comam logo. – Sam aumentou o tom irritado e eu e rimos outra vez.
- Olha o vocabulário. – apontou.
- Desculpa, mãe. – pediu juntando as mãos em pedido e a menina revirou os olhos e jogou a cabeça lentamente para trás. Um movimento que meu cérebro maliciou por não gostar de mim mesmo.
- Vaffanculo! Non mi rompere le palle. – a mulher falou em italiano me fazendo suspirar.
- Você e tiraram o dia pra falar na língua nativa e zoar com a nossa cara? – Sam perguntou cruzando os braços e eu ri.
- Não vou te contar, ela está lá em cima? – perguntou de volta arrumando a bolsa no ombro.
- Aham, falando com alguém da Alemanha. – respondi sem dar muita importância.
- Vou subir então, vou contar pra ela de você Sam. – apontou já indo em direção as escadas.
- Vocês me amam! APOSTO QUE SOU O ASSUNTO PRINCIPAL DE TODAS AS CONVERSAS. – Sam gritou enquanto a mesma se distanciava e tudo o que ouvimos em resposta foi uma gargalhada forçada.
- Depois fala de mim. – se virou pra mim dizendo e eu franzi o cenho.
- Que?
- Nada. – se fez de indiferente e pegou o controle. – Vai querer jogar?
- Sim. – respondi encerrando os outros assuntos.
P.O.V Gianniotti
Cansada era a palavra que me descrevia, eu não sabia nem o porquê, mas estava.
Fui até o espelho do quarto e suspirei passando as mãos em meus cabelos e os prendendo em um rabo de cavalo, minha aparência estava normal, mas minha postura mostrava o quão animada eu não estava, meus ombros estavam caídos e eu estava analisando meu reflexo e bufando.
Blusa de lã vermelha e calça jeans azul claro, era com o que eu estava vestida. Fora as botinhas que eu já tinha tirado ficando só de meia.
Então depois de alguns segundos olhando pro espelho, meu celular me assustou, tocando estridentemente, ele estava em cima da cama, e eu me joguei pegando o mesmo em mãos.
"Giovanni" a tela mostrava me deixando meio confusa e nervosa, depois de 2 meses ele tinha a audácia de me ligar?
- Ooo de casa. – entrou em meu quarto sem nem bater me fazendo soltar o celular, deixando ele cair na minha cara.
- Outch! – reclamei da dor e o tirei de cima do meu rosto, olhando para o aparelho que já não tocava mais.
- Eu hein, distraída. – falou com um tom engraçado fechando a porta e vindo até a cama, sentando na mesma. Reparei na menina que usava uma calça jeans e uma camiseta baby look, ambas peças pretas, igual seu cabelo que estava liso como todos os dias.
- E aí, Hoffman. – cumprimentei sem animação e a mesma franziu o cenho.
- Quem morreu? – perguntou se aproximando mais e eu suspirei.
- Quem ressuscitou né? – esclareci colocando a mão na testa.
- Ex-namorado? Mãe não presente? – chutou e eu quase sorri.
- Ex-namorado. – apontei e a mesma ao invés de comemorar por ter acertado fez uma feição compreensiva.
- E o que levou ao término? – perguntou indiferente como já tivesse lidado com muitos acontecimentos desse tipo.
- O meu intercâmbio e outra menina. – falei sem hesitar e fez uma careta.
- Ele te traiu ou terminou com você pra ficar com a outra?
- Ele se envolveu com a menina e depois de 1 mês escondendo, tentou explicar e pedir desculpas.
- Ele te ligou ou mandou mensagem? – perguntou depois de assentir para minha explicação.
- Me ligou. – passei o celular pra ela e a mesma deslizou o dedo e analisou.
- Giovanni?
- Esse mesmo.
- Ele é bonito? – perguntou.
- Mais ou menos. – peguei o celular e procurei uma foto nossa juntos e quando achei, devolvi.
- Ele é bonito. – afirmou, dando zoom na foto, onde ele me abraçava por trás e nós dois sorriamos.
- Meu primeiro e único namorado. – revelei suspirando e a mesma arregalou os olhos.
- Único? – perguntou desacreditada e eu afirmei com a cabeça. – Quanto tempo de namoro?
- 3 anos. – arredondei e afirmou com a cabeça.
- Eu tive 3 namorados em toda minha vida. – esclareceu aérea e logo balançou a cabeça. – Uma foi menina e foi meu melhor relacionamento.
- Mia?
- Sim.
- Durou quanto?
- 1 ano e 5 meses. – respondeu passando as mãos na calça jeans.
- E os outros dois? – perguntei realmente interessada.
- Jacob durou 6 meses e Hans durou 9 meses. – disse mostrando as mãos.
- E Mia foi o melhor relacionamento por que?
- Não sei, ela simplesmente me proporcionou momentos melhores. – deu de ombros.
- O sexo era melhor? – perguntei mesmo sem saber muito do assunto, por ainda ser virgem.
- O sexo era ótimo, mas Hans se superava nesse quesito e ele também me ensinou a lutar. – revelou sorrindo provavelmente se lembrando.
- Sério? Eu lutava boxe, dos 14 aos 15. – respondi e a mesma sorriu.
- Hans me ensinou a lutar taekwondo.
- Agora ninguém mexe mais com ninguém. – brinquei.
- Bom, você fez por 1 ano e eu fiz só por 9 meses. – respondeu dando de ombros.
- Quando começaram a namorar ele já começou a te ensinar?
- Bom, nós fomos amigos por um tempo antes de namorarmos, eu amava o fato dele lutar e daí insisti. – explicou passando as mãos no cabelo.
- O quanto aprendeu?
- Não sou ótima, mas sei me defender. – esclareceu sincera e eu concordei. – Como foi no curso?
- Ah, legal. – me limitei a dizer apenas aquilo e ela me olhou como se não tivesse nada para dizer. – E o seu de manhã?
- Foi incrível, eu conheci um menino super simpático. – respondeu animada.
- E vocês conversaram?
- Sim, ele me chamou pra fazer um teste com ele pra cantar em um bar.
- Sério?
- Sim, se eles nos escolherem a gente vai ganhar um cachê. Não é nada muito grandioso mas ajuda né? – disse mexendo no anel que tinha no dedo anelar.
- Isso é ótimo, quando é o teste?
- Vai ser sexta, ele vem me buscar aqui.
- Ele é bonito? – perguntei interessada e a mesma sorriu.
- Aham, mas não vai acontecer nada. Vim pra cá estudar e não vou deixar nada me atrapalhar. – disse firme e eu levantei às mãos como se não a contrariasse. – E você e o Harry?
- O que tem nós dois?
- Não se faça de inocente, como estão?
- A mesma coisa que você e Sam. – respondi sem dizer mais nada e arregalou os olhos.
- Então vocês flertam?! – sussurrou animada e eu franzi o cenho.
- Você flerta com o Sam? – perguntei desentendida, ela não estava dizendo que estava aqui para estudar?
- Não, mas ele flerta comigo e não consigo ficar sem responder algumas vezes. – deu de ombros. – Então Harry flerta com você?
- Não. – respondi meio incerta, eu não sabia o que ele fazia ou mesmo o que eu fazia.
- Então okay... – prolongou a palavra como se não acreditasse.
- Eu não sei de nada. – me fiz de indiferente.
- A santa do pau oco. – sussurrou olhando para o lado e eu dei um tapa fraco em seu braço, dando a brecha para nós duas rirmos.
- Ei... se você passar no teste, vai cantar no bar, né? – perguntei para chegar em uma proposta e a mesma fez uma feição óbvia.
- Era o que eu pretendia para ganhar o dinheiro né. – respondeu irônica e eu ignorei o tom.
- Sam e Harry fizeram 18 a pouco tempo e ainda não foram em um bar, e se nós fossemos todos juntos? – propus e mesma pareceu gostar da ideia.
- Mas será que Dom e Nikki vão deixar? – perguntou se desanimando. – Tipo, Paddy não ia se sentir excluído?
- Falamos com eles depois. – suspirei olhando para baixo.
- Mas seria legal. Vocês me veriam tocar e cantar. – se pronunciou dando de ombros.
- Bom, de qualquer jeito eu vou ir te ver, mesmo se Harry e Sam não forem.
- Obrigada. – sorriu.
- Vamos descer? – perguntei levantando da cama e resmungou, mas logo se pôs em pé também.
Saímos do quarto e descemos a escada, só para encontrar Sam e Harry jogando concentrados.
- Hey.. – se jogou no sofá ao lado de Harry e eu sentei ao lado de Sam.
- Tá assim por que? – Harry perguntou pra , pausando o jogo.
- Temos uma proposta para os dois. – eu disse atraindo o olhar de Harry para mim.
- Oi? – Sam perguntou interessado.
- Eu, talvez vá cantar em um bar e se eu for queria que vocês fossem, daí poderiam sair para beber pela primeira vez e me ouvir tocar. – completou cansada e os dois nos olharam.
- Querem nos encaminhar para o nosso primeiro porre? – Harry perguntou acusadoramente e riu.
- Eu gostaria de ver isso hein, mas também é para vocês me verem tocar. – respondeu, apoiando os braços no ombro de Harry e chegando mais perto. Por um momento meu cérebro estranhou.
- Eu topo, depois vemos tudo direitinho. – Sam disse animado e eu olhei para o outro gêmeo.
- Pode ser. – deu de ombros.
- Ok então. – tirou os braços de Harry e voltou a posição que estava. – Podem voltar a jogar.
- Que bom que você nos permite. – Harry disse sarcástico e deu um tapa em seu braço.
- Não quero mais jogar. – Sam deixou o controle de lado parecendo entediado.
- Então o que quer fazer? – perguntei na mesma situação que ele, eu tinha um trabalho de artes mas o faria depois.
- Eu tenho uma ideia! – gritou de repente me assustando.
- Qual?
- Música, vocês tem alguma caixinha de som? – perguntou apontando e até parecendo mais animada.
- Sim. – Sam respondeu levantando pra ir pegar, e chegou com ela em mãos.
- Me dá, vou conectar no meu celular. – estendeu a mão e Sam deu o aparelho.
- O que você quer fazer? – perguntei franzindo o cenho e ela me devolveu um sorriso largo, levantando do sofá e estendendo a mão para me ajudar a levantar também.
- Vamos dançar. – deu de ombros pegando o celular e deslizando os dedos sobre ele, logo o deixando no sofá e sorrindo pra mim. A música já começava.
- Você é louca. – falei sorrindo e a mesma juntou nossas mãos me incentivando a começar a dançar.
[N/A: Recomendo agora colocar para tocar Girlfriend, da Avril Lavigne.]
- Avril Lavigne? – Harry perguntou identificando a música rindo e assentiu com a cabeça.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I don't like your girlfriend/ Eu não gosto da sua namorada.
No way no way/ Sem chance.
I think you need a new one/ Acho que você precisa de uma nova.


dançava animadamente dublando a música fazendo todos rirem e me olhava como se quisesse que eu dançasse, então timidamente eu entrei na onda rindo.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I could be your girlfriend/ Eu poderia ser sua namorada.


Encenou uma guitarra logo apontando pra Sam que jogou a cabeça pra trás gargalhando.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I know that you like me/ Eu sei que você gosta de mim.
No way no way/ Sem chance.
You know it's not a secret/ Você sabe que isso não é um segredo.


Colocou um dedo na boca e balançou a cabeça, dançando comigo.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I want to be your girlfriend/ Eu quero ser sua namorada.


Outro acorde de guitarra.

You're so fine/ Você é tão legal.
I want you mine/ Eu quero que você seja meu.
You're so delicious/ Você é tão gostoso.
I think about you all the time/ Eu penso em você o tempo todo.
You're so addictive/ Você é tão viciante.
Don't you know what I can do to make you feel all right?/ Você não sabe o que eu posso fazer pra você se sentir bem?


Foi até os gêmeos e os puxou pela mão, enquanto os mesmos riam e resmungavam.

Don't pretend I think you know I'm damn precious/ Não finja, eu acho que você sabe que sou muito preciosa.
And how, yeah/ E como, sim.
I'm the motherfucking princess/ Eu sou a maldita princesa.
I can tell you like me too/ Eu sinto que você gosta de mim também.
And you know/ E você sabe que...
I'm right/ Estou certa.


Puxou Sam pela camiseta fazendo o mesmo sorrir e eu estranhar, era muito bipolar. Harry veio até mim e começamos a dançar sem se tocar, mas rindo a todo segundo.

She's like so whatever/ Ela é tão comum.
You can do so much better/ Você pode conseguir algo tão melhor.
I think we should get together now/ Eu acho que nós deveríamos ficar juntos agora.
And that's what everyone's talking about/ E isso é o que todos estão falando.


veio até mim e pegou minhas mãos pulando.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I don't like your girlfriend/ Eu não gosto da sua namorada.
No way no way/ Sem chance.
I think you need a new one/ Acho que você precisa de uma nova.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I could be your girlfriend/ Eu poderia ser sua namorada.


e eu balançavamos os ombros sincronizadamente.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I know that you like me/ Eu sei que você gosta de mim.
No way no way/ Sem chance.
You know it's not a secret/ Você sabe que isso não é um segredo.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I want to be your girlfriend/ Eu quero ser sua namorada.


Apontou pra mim e mandou um beijo no ar brincando.

I can see the way/ Eu posso ver o jeito.
I see the way you look at me/ Eu vejo o jeito que você olha para mim.
And even when you look away/ E mesmo quando desvia o olhar.
I know you think of me/ Eu sei que está pensando em mim.
I know you talk about me all the time/ Eu sei que você fala de mim o tempo todo.
Again and again/ De novo e de novo.


Olhei para Harry e o mesmo estava meio sem graça, então voltei meu olhar para .

So come over here/ Então venha até aqui.
Tell me what I wanna hear/ Diga-me o que eu quero ouvir.
Better yet, make your girlfriend disappear/ Melhor ainda, faça sua namorada desaparecer.
I don't wanna hear you say her name ever again/ Eu não quero ouvir você dizer o nome dela nunca mais.
And again and again and again cause/ Muitas vezes, porque..
She's like so whatever/ Ela é tão comum.
You can do so much better/ Você pode conseguir algo tão melhor.
I think we should get together now/ Eu acho que nós deveríamos ficar juntos agora.
And that's what everyone's talking about/ E isso é o que todos estão falando.


Todos balançaram a cabeça e eu só encenei a guitarra, vendo apontar pra mim como se estivesse orgulhosa.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I don't like your girlfriend/ Eu não gosto da sua namorada.
No way no way/ Sem chance.
I think you need a new one/ Acho que você precisa de uma nova.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I could be your girlfriend/ Eu poderia ser sua namorada.


Agora todos fizeram a guitarra rindo e se curvando.

Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I know that you like me/ Eu sei que você gosta de mim.
No way no way/ Sem chance.
You know it's not a secret/ Você sabe que isso não é um segredo.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I want to be your girlfriend/ Eu quero ser sua namorada.


Nessa parte, nós quatro batemos palmas de acordo com o ritmo e mexemos os quadris.

Oh in a second/ Em um segundo.
I'll have you wrapped around my finger/ Você estará enrolado em meu dedo.


rodou o dedo indicador, dublando.

Cause I can/ Porque eu posso.
Cause I can do it better/ Porque eu posso fazer melhor.
There's no other/ Não há outra.
So when it's gonna sink in?/ Então quando você vai entender?
She's so stupid what the hell were you thinking?/ Ela é tão estúpida, que diabos você estava pensando?


Eu e sem querer apontamos ao mesmo tempo para os gêmeos desencadeando uma crise de risos nas duas então, eu comecei a dublar também.

Oh in a second/ Em um segundo.
I'll have you wrapped around my finger/ Você estará enrolado em meu dedo.
Cause I can/ Porque eu posso.
Cause I can do it better/ Porque eu posso fazer melhor.
There's no other/ Não há outra.
So when it's gonna sink in?/ Então quando você vai entender?
She's so stupid what the hell were you thinking?/ Ela é tão estúpida, que diabos você estava pensando?
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I don't like your girlfriend/ Eu não gosto da sua namorada.


olhou pra mim negando com a cabeça.

No way no way/ Sem chance.
I think you need a new one/ Acho que você precisa de uma nova.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I could be your girlfriend/ Eu poderia ser sua namorada.
No way, no way/ Sem chance, sem chance.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I know that you like me/ Eu sei que você gosta de mim.
No way no way/ Sem chance.
You know it's not a secret/ Você sabe que isso não é um segredo.
Hey hey you you/ Ei, ei, você, você.
I want to be your girlfriend/ Eu quero ser sua namorada.
No way no way/ Sem chance, sem chance.


Então depois de mais algumas repetições a música acabou e todos suspiraram fazendo silêncio, mas logo voltando a rir.
- Você é louca. – Sam apontou para repetindo o que eu disse e sorrindo.
- Nós todos somos! – gritou abrindo os braços, rindo logo em seguida.
- Eu acho que nunca vi vocês dessa forma como agora. – me pronunciei sem pensar muito, recebendo toda a atenção.
- Como? – Harry perguntou também sorrindo e eu o olhei.
- Soltos... como se pela primeira vez estivéssemos tendo um momento e estivéssemos abertos para que os outros entrassem. – respondi e sorriu ainda mais largo.
- Eu estou, espero que me deixem entrar. – respondeu calmamente e Harry abriu os braços chamando para perto.
- Somos amigos, certo? – Harry perguntou enquanto abraçava seu corpo.
- Sim. – respondeu chamando Sam e eu para um abraço coletivo.
- Vamos fazer um acordo? – Sam propôs, enquanto entrava no abraço e eu também.
- O quê? – perguntei.
- Vamos aproveitar o máximo de tudo aqui e nunca vamos nos fechar para nós quatro. – Sam respondeu levantando a mão e dando o dedinho, para selar a promessa.
- Pinky promise? – perguntou rindo e entrelaçando o dedinho no do de Sam. Fazendo o mesmo com todos.
- Pinky promise. – concordei sorrindo boba.


Capítulo 4

19/02/2016
Sexta-feira
15:54
P.O.V Hoffman

- Hoje eu faria o teste para tocar no bar e não estava nervosa, mas não estava muito confiante também. Depois de chegar do curso tive a ideia de treinar no baixo e era isso o que eu estava fazendo até agora.
- Droga. – resmunguei quando errei a nota.
- Ei... – Sam entrou no quarto repentinamente e eu me assustei.
- Porra. – falei me recuperando do susto assistindo o menino rir.
- Calma. – disse ainda rindo e eu dei o dedo do meio.
- Você já ouviu falar na formalidade de bater na porta e não já ir entrando no quarto das outras pessoas? – perguntei colocando o baixo na cama e levantando.
- Esse quarto não é seu, é do Tom. – deu de ombros e eu franzi o cenho.
- E quem seria esse? – perguntei confusa e Sam riu.
- Você nunca prestou atenção no nome dele nas conversas? – quando ele disse eu me forcei a lembrar e então chutei.
- O irmão mais velho? – apontei estreitando os olhos e Sam concordou com a cabeça.
- Bom, o quarto não é mais dele né? – exclamei indiferente, indo em direção ao menino. – O que veio fazer aqui?
- Você tem visita. – respondeu logo desaparecendo da minha vista, então eu peguei meu celular e coloquei o tênis, descendo pro andar de baixo com um pouco de vergonha, eu havia colocado roupas menos usais do que eu estava usando na casa dos Holland.
- Oi... – Simon me cumprimentou levantando do sofá e sorrindo, mas antes de qualquer coisa virei para Nikki e Dom.
- Me desculpem por ter chamado ele sem avisar, é o negócio do bar. – me pronunciei sem graça e eles sorriram.
- Tudo bem... só procure conhecer mais a pessoa ok? – Nikki me alertou e eu abracei os dois antes de me voltar a Simon novamente.
- Vamos? – perguntei andando em direção a ele e o mesmo concordou indo comigo até a porta. – Tchau! – mandei um beijo e saí.
- Você está bonita. – se pronunciou enquanto andávamos até seu carro.
- Obrigada. – sorri largo, olhando para baixo e dando uma analisada rápida em minhas roupas. Saia, cropped com blusa por baixo e meia calça, todas as peças escuras. – Você também está muito bonito.
- Obrigado. – disse mexendo nos óculos, ele estava de jeans e camiseta, mas mesmo simples estava lindo.
- Onde é esse bar? – perguntei entrando no carro.
- É no centro da cidade. – respondeu calmo, começando a dirigir.
- Oh... como conheceu?
- Eu fui com uns amigos meus no meu aniversário de 18 anos. – explicou contorcendo o rosto me fazendo rir.
- Más lembranças? – perguntei lembrando do meu primeiro porre.
- Nunca é bom né? – disse me fazendo concordar. – Mas... hum... não sei o que perguntar.
- Quantos anos você tem? – perguntei rindo.
- 20 e você? – virou o rosto pra mim por um momento enquanto dirigia e logo voltou seu olhar para rua.
- 19. – respondi procurando algum outro assunto para puxar. – É de Londres?
- Sou de Birmingham. E você, é de onde? – perguntou e eu dei uma risadinha.
- Sou da Alemanha. – respondi deixando Simon surpreso.
- Que?! Você cresceu lá?! Ou só nasceu? – questionou quando paramos em um sinal vermelho, se virando para mim absorto.
- Na verdade faz só alguns dias que estou na Inglaterra... – esclareci meio sem graça e Simon teve que voltar sua atenção a rua.
- Tá brincando com a minha cara. – sorriu me fazendo rir.
- Eu juro. – coloquei as mãos pra cima.
- Mas então, o que te levou a começar o curso? – perguntou nos levando a um assunto longo até chegarmos ao bar.
P.O.V Sam Holland
17:58

- Mas você fez isso mesmo? – perguntou para Harry rindo e eu me segurei para não revirar os olhos, eles tinham que deixar toda a casa de vela?
- Fiz, você lembra mãe? – perguntou pra nossa mãe e a mesma assentiu com a cabeça sorrindo, provavelmente feliz por nós termos nos enturmado com tanto assim.
- Você é louco Harry. – respondeu balançando a cabeça e eu abaixei meu olhar, entediado.
- Bom... vou tomar um banho. – me pronunciei levantando do sofá e Harry e só olharam logo voltando para o diálogo empolgante.
Subi as escadas e andei pelo corredor chegando em meu quarto e abrindo a porta. Me joguei na cama com preguiça, mas logo levantei e peguei uma muda de roupa saindo do quarto e indo até o banheiro que era no final do corredor.
- SAM! – antes de entrar no banheiro Harry gritou, me assustando. Virei para trás e ele já andava em minha direção. – Preciso de ajuda.
- Eu vou tomar banho agora, conversa com a sua namorada. – brinquei voltando meu corpo ao banheiro. Mas logo Harry chamou minha atenção novamente.
- É algo sério, você pode depois me chamar no meu quarto pra gente conversar? – pediu desesperado e eu só concordei com a cabeça, confuso.
Fechei a porta do banheiro quando já estava dentro e tirei minhas roupas entrando no chuveiro.
Depois de algum tempo no banho saí e me vesti, colocando a roupa anterior no cesto, nem passando no meu quarto, já indo pro quarto de Harry.
- Oi. – sem nem bater abri a porta e vi o mesmo deitado olhando pro teto.
- Oi. – sentou e olhou pra mim.
- Sobre o que quer conversar? – perguntei entrando e fechando a porta.
- Sobre a . – quando ele disse isso seu rosto se contorceu e eu quase sorri.
- Sou todo ouvidos. – me aproximei e sentei na beirada da cama.
- Acho que estou gostando dela. – disse batendo a mão na testa.
- Tipo gostando sério? – questionei e o mesmo fez um gesto como se não soubesse.
- Meu coração acelera quando ela aparece e eu não consigo ficar sem suspirar, mas nossa mãe disse pra não forçarmos a barra e eu estou respeitando o espaço dela. – atropelou as palavras e eu virei pra ele.
- Quer que eu te diga o que eu acho que você tem que fazer? – perguntei já sabendo como as coisas funcionavam.
- Sim, mas não me fale para chegar nela, porque eu não vou fazer. – negou com a cabeça e eu assenti.
- Tente se aproximar dela e entender melhor tudo isso, se for de verdade e continuar, você conversa com ela sobre, e se ela também gostar de você, o que eu acho bem provável, vocês conversam com nossos pais. – dei minha sugestão e o mesmo sorriu.
- Você acha que ela gosta de mim? – perguntou tentando soar firme e eu revirei os olhos e ri.
- Só... faça o que eu digo, ok? – propus e o mesmo concordou com a cabeça.
- Obrigada. – agradeceu, caindo deitado de novo suspirando. – Ela é super engraçada e legal né?
- É sim. – respondi com um diferente tom e o mesmo me olhou.
- Não se sente assim sobre a ? – perguntou me fazendo pensar no assunto.
- É complicado, acho ela legal, mas não do jeito que você acha a , eu sinto mais desejo por ela e grande afeição como amigo. – dei de ombros.
- Ok. – concordou ficando quieto por alguns segundos. – Mas e o desejo, como tá?
- Aprendi a controlar né, não tá mais tanto assim. – respondi sem dar muita importância.
- Mas se ela pedisse pra ficar com você?...
- Eu cairia aos pés dela. – brinquei rindo.
- Ou aos peitos dela né? – Harry zoou e eu gargalhei.
- Respeito.
- Respeito. – repetiu.
- MENINOS! – nossa mãe gritou provavelmente lá de baixo, fazendo nós dois olharmos pra porta automaticamente.
- Vamos. – bati em sua perna levantando e o mesmo me seguiu. Quando chegamos na sala e nossos pais riam.
- Que foi? – fui eu quem se pronunciou primeiro.
- Eu vou tocar agora pra vocês. – disse sorrindo e Harry arqueou as sobrancelhas.
- Tipo, agora? – perguntou ainda sem entender e nossa mãe respondeu.
- Sim, vamos? – nós fomos até a área da casa em que ficava o piano e o analisou maravilhada, abrindo a proteção.
- Que música vai tocar? – perguntei e ela sentou no banquinho e pegou o celular.
- Vocês vão ver. – arregaçou as mangas colocando uma música no celular e fechando os olhos por segundos, colocando as mãos sobre o piano.
Quando começou a tocar, vi o rosto de Harry iluminar, e eu apostava que era por descobrir qual era a música.
[Recomendo que coloquem para tocar, When I Was Your Man do Bruno Mars.]

Same bed, but it feels just/ A mesma cama, mas parece,
A little bit bigger now/ Um pouco maior agora.
Our song on the radio/ Nossa canção no rádio,
But it don't sound the same/ Mas ela não soa como antes.
When our friends talk about you/ Quando nossos amigos falam sobre você,
All that it does is just tear me down/ Tudo o que isso faz é me deixar pra baixo...
Cause my heart breaks a little/ Porque meu coração se parte um pouco...
When I hear your name/ quando eu ouço seu nome.
And all just sounds like/ E tudo soa como...
Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh/ uuh, uuh, uuh, uuh


Bruno Mars era quem cantava, mas quem tocava era a , ela parecia tão leve fazendo isso que até nós ficávamos mais calmos. Como ela ficava concentrada e as vezes até fechava os olhos apreciando o piano era realmente uma coisa bonita.

Too young, too dumb to realize/ Jovem demais, tolo demais para perceber
That I should've bought you flowers/ Que eu deveria ter lhe comprado flores
And held your hand/ E segurado sua mão.
Should've gave you all my hours/ Deveria ter te dado as minhas horas.
When I had the chance/ Quando tive a chance.
Take you to every party/ Te levar a todas as festas.
Cause all you wanted to do was dance/ Porque tudo o que você queria era dançar.
Now my baby's is dancing/ Agora meu amor está dançando,
But she's dancing/ Mas ela está dançando
With another man/ Com outro homem
.

Todos prestavam atenção na performance, mas não parecia nem lembrar de que estávamos lá, não tinha errado nenhuma nota até agora e eu tinha quase certeza de que continuaria assim.

My pride, my ego/ Meu orgulho, meu ego,
My needs and my selfish ways/ Minhas necessidades e meu jeito egoísta.
Caused a good strong woman like you/ Fizeram uma mulher boa e forte como você,
To walk out my life/ Sair da minha vida...
Now I never, never get to clean up/ Agora nunca, nunca conseguirei limpar,
The mess I made/ A bagunça que fiz.
And it haunts me/ E isso me caça,
Every time I close my eyes/ Toda vez que eu fecho meus olhos.
It all just sounds like/ E tudo soa como...
Ooh, ooh, ooh, ooh, ooh/ uuh, uuh, uuh, uhh...

mexia as pernas no ritmo e mordia o lábio nervosa e eu não sabia se olhava para ela ou para Harry que estava babando.

Mm, too young, too dumb to realize/ Jovem demais, tolo demais para perceber
That I should've bought you flowers/ Que eu deveria ter lhe comprado flores
And held your hand/ E segurado sua mão.
Should've gave you all my hours/ Deveria ter te dado as minhas horas.
When I had the chance/ Quando tive a chance.
Take you to every party/ Te levar a todas as festas.
Cause all you wanted to do was dance/ Porque tudo o que você queria era dançar.
Now my baby's is dancing/ Agora meu amor está dançando,
But she's dancing/ Mas ela está dançando
With another man/ Com outro homem.


Então o ritmo do piano ficou menos calmo e ficou ainda mais concentrada no que fazia.

Although it hurts/ Apesar de doer.
I'll be the first to say/ Serei o primeiro a dizer.
That I was wrong/ Que eu estava errado.
Oh, I know I'm probably/ Oh, sei que provavelmente.
Much too late/ Estou muito atrasado.
To try and apologize for my mistakes/ Para tentar me desculpar pelos meus erros.
But I just want you to know/ Mas eu só quero que você saiba..
I hope he buys you flowers/ Eu espero que ele te compre flores.
I hope he holds your hand/ Espero que ele segure sua mão.
Give you all his hours/ Dê a você todas as horas dele.
When he has the chance/ Quando ele tem a chance.

Depois de poucos segundos de música, levantou o rosto e olhou para gente sorrindo um pouco envergonhada e nosso pai começou a bater palmas nos levando a fazer o mesmo.
- Você é boa! – mamãe disse e Harry não falou nada, provavelmente travado.
- É mesmo. – concordei falando e ela agradeceu saindo do banquinho.
- Sei que a música é meio nada a ver, mas é uma das que eu sei tocar, então... – explicou e Harry se pronunciou falando que não tinha nenhum problema.
- Ei... – entrou na sala do nada me assustando e rindo.
- Que susto. – falei e ela revirou os olhos.
- Deve ter se olhado no espelho. – brincou tentando ficar séria e eu devolvi.
- Não, foi justamente porque você chegou e eu tive que olhar pra sua cara sem preparação.
- Meninos... – meu pai repreendeu e antes de virar pra ele dei a língua pra recebendo o dedo do meio.
- Desculpa... – pediu fazendo uma careta.
- Tudo bem, tô só brincando, podem zoar a vontade. – respondeu me fazendo rir.
- Como foi ?! – foi em sua direção animada e eu só olhei quieto.
- Foi ótimo! Nós vamos tocar lá! – respondeu animada e pegou a mão de apertando.
- Parabéns, que dia vai ser? – abraçou e perguntou.
- Segunda. – disse olhando para nós. – Vocês vão né? – questionou mordendo o lábio nervosa e eu e Harry olhamos para nossos pais.
- Que horas você vai tocar? – Nikki perguntou cruzando os braços.
- 16:00. – esclareceu receosa juntando as mãos com as da em pedido.
- Quero vocês aqui no máximo às 22:00 okay? – sentenciou soando preocupada e correu para abraçá-la.
- Voltamos até antes Nikki, obrigada. – agradeceu ainda abraçada a nossa mãe.
- Não precisa me agradecer . – sorriu com ternura.
- Desculpa interromper o momento mas... agora, vamos comer? Já são 19:02. – Dom chamou nossa atenção e nós saímos da sala indo até a cozinha para nos servirmos.


Capítulo 5

22/02/2016
Segunda-feira

15:20
P.O.V Gianniotti

- ! VAMOS? – gritei no corredor, impaciente.
- JÁ VOU, TÔ SÓ COLOCANDO A CAMISETA! – gritou de volta e eu bati o pé no chão entediada, olhando o horário no celular.
Depois de alguns segundos, saiu do quarto apressada e veio até mim, estava com um conjunto todo escuro, mas não conseguia nem descrever o que ela estava usando, saia e cropped preto por baixo de outra camiseta de manga comprida que era praticamente transparente por causa do modelo, e meia calça.
- Finalmente! Os meninos já estão lá na sala esperando. – quando a julguei pelo atraso, a mesma revirou os olhos e sorriu.
- Estou nervosa... E também, não é tão fácil ficar bonitinha para uma apresentação. – apontou para mim justificando e eu passei meu braço por seu ombro, puxando-a para as escadas.
- Você já é bonitinha, docinho. – toquei seu nariz com o dedo indicador.
- Você é estranha, já te disseram? – olhou pra mim com uma careta e eu ri.
- E você paga de gótica, já te falaram? – brinquei e ela olhou pra própria roupa quando chegamos na sala e me olhou com os olhos arregalados.
- Sério? Eu estou parecendo gótica?? Vou trocar. – disse, já se virando para subir as escadas, mas antes, eu segurei seu pulso.
- Eu estou só brincando, para de ser paranoica. – reclamei e puxei seu braço, indo até os meninos que mexiam no celular. – Vamos? – Dom nos deixou lá e já eram 15:45.
Então entramos e se encontrou com Simon e mais duas pessoas, uma menina e um menino.
- Meninos, essa é a Katherine e esse é o Liam. – apresentou e eles deram um aceno com a mão. – O Simon vocês já conhecem.
- Na verdade, eu ainda não conhecia, mas tudo bem. – falei baixo e olhou para mim.
- Agora conhece. – Simon estendeu a mão e sorriu simpático.
- Bom, temos que arrumar os instrumentos... – disse e deu um beijo em minha bochecha dando um tchau pros meninos, indo em direção ao palco com os outros três garotos.
- Vamos sentar ali? – Harry perguntou, apontando para a segunda mesa mais perto do palco e nós fomos até lá.
- Quais são suas expectativas para isso aqui ao vivo, jovens senhores? – Sam, do nada, colocou a mão fechada como um microfone na nossa frente e mudou a voz, me fazendo rir.
- Eu acho que vai ser ótimo. – Harry disse e eu dei de ombros sem pensar em nada.
- Nossa, , vou contar pra que não tem fé nela. – Sam apontou acusadoramente e eu arregalei os olhos.
- Não faz isso não, mano! – brinquei dando um soco fraco em seu braço.
- Então, me dá o dinheiro pra comprar bebida, porque eu estou sem. – estendeu a mão como se fosse pra eu dar e eu ri.
- Até parece! – aumentei o tom de voz e Harry revirou os olhos.
- Eu tenho o dinheiro aqui. Se quiser, vamos comprar agora. – falou com Sam e eles foram lá comprar bebida.
- Oi... Tá sozinha aqui? – um menino perguntou e eu apontei para meu peito como se perguntasse se era comigo mesmo. – É, estou falando com você...
- Não, não estou sozinha. – esclareci, soando normal.
- Com quem?
- Com meu pai e minha mãe. – brinquei. – Não vê que eu tenho 12 anos? Só esperando eles comprarem o whisky logo.
- Você é agressiva assim mesmo?
- Só com quem não conheço. E não fui agressiva. – franzi o cenho. – É verdade.
- Posso... – começou a frase mas antes de terminar Harry e Sam chegaram com três cervejas long neck, já se sentando na mesa.
- Pode o quê? – Harry perguntou grosseiro e o menino riu colocando as mãos para cima.
- Eu não sabia que ela tinha namorado, desculpa incomodar. – disse, andando para o lado contrário sem nem me deixar contestar o que ele disse, então eu e Harry nos olhamos sem dizer nada, e eu senti que o clima ficou superestranho.
- Olha, eles vão começar. – Sam disse atraindo, minha atenção e apontando pro palco.
- Oh... Hey. – tentava arrumar o pedestal e, quando finalmente conseguiu, olhou para frente. – Hoje vamos tocar algumas músicas para vocês. Esperamos que gostem. – sorriu simpática e olhou pro lado como se pedisse para que começassem.
Liam estava com um baixo, com uma guitarra, Simon na bateria e Katherine no teclado.
Katherine começou a tocar e pouco depois começou a cantar olhando para nossa mesa.
[N/A: Recomendo colocarem para tocar, Our Own House dos MisterWives.]
Came in like the breeze/ Veio como a brisa.
I felt it in my knees/ Eu senti em meus joelhos.
Never will it leave/ Nunca isso irá deixar.
Each day it is retrieved/ E todo dia é recuperado.

A voz de era suave, mas mesmo assim uma voz diferente, marcante. Ela parecia apreciar muito sua performance e tinha seu jeito de cantar, mesmo com a guitarra pendurada em seu pescoço, segurava o microfone que estava no pedestal com confiança. Agora Liam tinha começado a tocar.
Seems like yesterday/ Parece que foi ontem.
Your eyes crept this way/ Os seus olhos se arrastaram dessa maneira.
Into my soul you stared/ Dentro da minha alma você começou.
And broke down every fear/ E quebrou cada medo.

Então, nessa parte, todos pararam e colocaram as mãos pro alto batendo palmas de acordo com o ritmo.
We built our own house, own house/ Nós construímos nossa própria casa.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
And we swore on that day/ E nós juramos naquele dia.
That it will never fall apart/ Que isso nunca quebrará.
Então pararam de bater as mãos e as abaixaram, cada um tocando um instrumento.
We built our own house, own house/ Nós construímos nossa própria casa.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
And we swore on that day/ E nós juramos naquele dia.
That it will never fall apart/ Que isso nunca quebrará.

A voz de já era mais precisa de analisar, as notas estavam altas e particularmente eu estava surpresa, ela cantava muito bem e tinha bastante presença no palco.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.

não prestava muita atenção na plateia como no começo, e sim em tocar a guitarra com os acordes certos, as vezes olhava pra frente e desviava o olhar para guitarra, mas nunca parava de cantar incrivelmente bem.
Wake up to the sun/ Acorde para o sol.
Clouds always come undone/ Nuvens sempre surgem inacabadas.
You give the light I need/ Você me da a luz que eu preciso.
Like water to the seed/ Como água para a semente.
Read it in a tale/ Leia numa história.
One too tall to be real/ Isso é muito distante para ser real.
And prove wrong it seems/ E provando que estou errada, parece que...
A heart can truly gleam/ Um coração pode verdadeiramente brilhar.

fechou os olhos, provavelmente torcendo para não desafinar, o que realmente não fez.
e Katherine continuaram tocando seus instrumentos, mas os outros bateram palmas novamente.
We built our own house, own house/ Nós construímos nossa própria casa.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
And we swore on that day/ E nós juramos naquele dia.
That it will never fall apart/ Que isso nunca quebrará.
(…)
We built our own house, own house/ Nós construímos nossa própria casa.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
And we swore on that day/ E nós juramos naquele dia.
That it will never fall apart/ Que isso nunca quebrará.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.

parou de tocar e colocou as mãos no microfone, sua voz tomou um tom diferente assim como o ritmo.
Take it all, take it away/ Pegue tudo e jogue fora.
We'll still have the undying/ Nós ainda teremos o imortal.
Love that is beating/ O amor que está batendo.
Till our lungs stop breathing/ Até que nossos pulmões parem de respirar.
Take it all, take it away/ Pegue tudo e jogue fora.
We'll still have our riches/ Nós ainda teremos nosso tesouro.
No need for stitches/ Não precisa de suturas.
'Cause love mends the pain/ Porque o amor repara a dor.

Katherine começou a cantar como segunda voz, deixando a música realmente legal.
Take it all, take it away/ Pegue tudo e jogue fora.
(Love mends the pain)/ O amor repara a dor.
Take it all, take it away/ Pegue tudo e jogue fora.
(Love mends the pain)/ O amor repara a dor.
Take it all, take it away/ Pegue tudo e jogue fora.
(Love mends the pain)/ O amor repara a dor.
Take it all!/ Pegue tudo!

alcançou a nota mais alta e sorriu pra mim, dando um pulo pra complementar o feito.
We built our own house, own house/ Nós construímos nossa própria casa.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
And we swore on that day/ E nós juramos naquele dia.
That it will never fall apart/ Que isso nunca quebrará.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.
With the hands over our hearts/ Com as nossas mãos sobre os nossos corações.
We'll never fall apart/ Nós nunca vamos quebrar.

parou de cantar, mas continuou tocando e, depois de alguns segundos, a música acabou e os integrantes da banda se olharam e riram animados, todos bateram palmas pela performance e gritaram para tocarem outra, inclusive nossa mesa.
Depois de mais algumas músicas, e alguns casais dançando na pista pequena que lá tinha, eles encerraram e vieram para nossa mesa.
- Vocês viram aquilo? Fomos incríveis! – chegou toda animada e quase gritando, talvez não muito, porque já tinha gastado bastante de sua voz por um dia.
- Precisamos de um nome, para quando formos famosos, sabe? – Simon perguntou, entrando na onda.
- Sim, era isso que eu estava pensando. – Liam respondeu e Katherine riu.
- Depois decidimos isso. Agora eu tenho que ficar um pouco com eles, mas vocês podem acertar lá o cachê e os horários que ainda vamos tocar aqui? – perguntou e eles assentiram. – Depois sentem aqui, vamos conversar!
Então, a menina se virou para nós e pegou a cadeira, sentando e suspirando.
- O que acharam? – perguntou sorrindo e eu me preparei para mentir, olhando para as minhas unhas.
- Quer que eu fale a verdade? – questionei e concordou freneticamente com a cabeça. – Acho que eu esperava mais, sabe? Vocês foram bem, mas podem melhorar. – menti séria e o olhar de abaixou, Harry riu poucos segundos depois.
- , pode parar de zoar, a menina quase chorou aqui. – Harry me entregou e levantou o olhar, percebendo a brincadeira e dando um tapa no meu braço.
- Idiotas! O que acharam de verdade?
- Foi incrível, . – falei sincera e a mesma sorriu.
- Eu concordo com a , você tem muito talento. – Harry disse e todos olhamos para Sam.
- Eu não consigo descrever o que achei, foi muito legal, te ver lá e ouvir sua voz. – respondeu finalmente e abraçou-o de lado.
- Sam teve um infarto agora. – Harry se virou para mim e disse zoando os dois pelo abraço. Mas ao invés de pensar que era verdade, tudo o que me veio à cabeça foi "se você me abraçasse desse jeito, também teria um infarto".
- Sim... – ri, fingindo entrar na brincadeira e abaixei o rosto para não olhar para Harry, porque senti que se o olhasse e ele percebesse, iria saber o que eu estava pensando e eu agora estava com vergonha, mas não sabia se olhava para me fingir de indiferente ou não olhava para não dar brecha.
- "Sim...", o que foi isso? – perguntou sorrindo e eu olhei com raiva pra ela. Era possível que só pela minha fala ela tivesse percebido? Ou eu que estava muito paranoica com tudo?
- Ué, quando uma pessoa concorda com o que a outra diz, geralmente a gente fala "sim". – falei torcendo pra ela parar de me encher o saco.
- Ei, gente, vamos beber? – Simon chegou na mesa com cervejas e todos sentaram, conversando até o horário dar e todos terem que ir.


Capítulo 6

23/02/2016
Terça-feira

13:16
P.O.V Hoffmann

Era a primeira vez que eu estava sozinha na casa em 15 dias, e a sensação era realmente ruim, a maioria das pessoas esperariam por isso, ficar sozinho em casa sem ninguém para regular suas ações. Mas para mim não tinha prazer nenhum, Dom e Nikki estavam no trabalho, Harry e Sam tinham saído para comprar comida, Paddy na escola e no curso.
O tédio era palpável, eu estava no ciclo vicioso de olhar para os lados e checar meu celular a cada 2 minutos. Nada no celular estava me agradando, e os amigos da Alemanha, nenhum respondia, já tinha mandado umas 24 mensagens para Isadora, minha melhor amiga, mas o último visto dela tinha sido há três horas, o que me fez desistir.
Simon, Katherine e Liam também já tinha chamado, mas literalmente ninguém me respondia. Eu estava no quarto, deitada e suspirando pensando no que poderia fazer, mas nada me vinha a mente... Até que olhei para minha escrivaninha e avistei meu fone.
Era isso! Música!
Levantei da cama e peguei o fone o conectando com o celular, procurando alguma música animada. Assim como no quarto de , o meu também tinha um espelho, então só para fazer palhaçada, me pus a frente dele e coloquei a música.

[Recomendo que coloque agora para tocar Umbrella da Rihanna.]
Antes da letra começar, me analisei no espelho, minhas roupas eram mais leves porque o dia estava quente, meu rosto estava normal, como todos os dias e o meu cabelo estava solto.
A letra começou e eu ri, começando a mexer o corpo tímida, não querendo passar tanta vergonha sozinha.



You have my heart/ Você tem meu coracão.
And we'll never be worlds apart/ E nós nunca estaremos em mundos separados.
Maybe in magazines, but you'll still be my star/ Talvez nas revistas, mas você ainda será minha estrela.

Eu, ao invés de cantar a música, em frente ao espelho, dublei, com o celular representando um microfone, logo saindo da frente do espelho e continuando a dublar só que com os olhos fechados.

Baby 'cause in the dark, we can't see shiny cars/ Amor porque na escuridão não podemos ver carros brilhantes.
And that's when you need me there/ E é quando você precisa de mim lá.
With you I'll always share/ Estarei sempre com você.
Because…/ Porque...


Ali comecei a me soltar mais e dançar animada com a melodia da música.

When the sun shines, we'll shine together/ Quando o sol brilhar, nós brilharemos juntos.
Told you I'll be here forever/ Jurei que estaria aqui para sempre.
Said I'll always be your friend/ Disse que sempre serei sua amiga.
Took an oath I'mma stick it out 'till the end/ Fiz uma promessa vou manter isso até o fim.
Now that it's raining more than ever/ Agora que está chovendo mais do que nunca.
Know that we'll still have each other/ Sei que ainda temos ainda um ao outro.


Mexer os braços e as pernas era o que eu mais fazia, e não queria nem assistir a cena, porque apostava que estava ridícula.

You can stand under my umbrella/ Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva.
You can stand under my umbrella/ Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)
Under my umbrella/ Debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)
Under my umbrella/ Debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)

Abri os olhos e arrumei meu cabelo, subindo na cama ainda ajoelhada.
These fancy things/ Essa coisa de fantasia.
Will never come in between/ Nunca atrapalharão.
You're part of my entity/ Você é uma parte da minha existência.
Here for infinity/ Agora e sempre.
When the war has took it's part/ Quando o mundo nos separou.
When the world has delt it's cards/ Quando o mundo fez isso acontecer.
If the hand is hard, together we'll mend your heart/ Se a missão é dura, juntos consertaremos nossos corações.
Because.../ Porque...


Fiquei em pé na cama e pulei umas duas vezes, só para continuar a dançar de acordo com o ritmo.

When the sun shines, we'll shine together/ Quando o sol brilhar, nós brilharemos juntos.
Told you I'll be here forever/ Jurei que estaria aqui para sempre.
Said I'll always be your friend/ Disse que sempre serei sua amiga.
Took an oath I'mma stick it out 'till the end/ Fiz uma promessa vou manter isso até o fim.
Now that it's raining more than ever/ Agora que está chovendo mais do que nunca.
Know that we'll still have each other/ Sei que ainda temos ainda um ao outro.
You can stand under my umbrella/ Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva.
You can stand under my umbrella/ Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)
Under my umbrella/ Debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)
Under my umbrella/ Debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)
Under my umbrella/ Debaixo do meu guarda-chuva.
Ella ella eh eh eh eh eh/ (Ella ella eh eh eh)


Quando a parte calma ia começar para ir pra minha parte preferida, alguém abriu a porta me assustando e quase me fazendo cair da cama, então, caí sentada nela.
Tirei meus fones, cortando a música e olhei para a porta, onde um homem que eu nunca tinha visto antes estava. Nós dois nos olhamos por literalmente um segundo, mas então eu gritei com medo, ele tinha invadido a casa?
Me coloquei em pé no chão e me afastei, procurando alguma coisa para me defender, enquanto o homem me olhava assustado.
- Quem é você?! – perguntei ainda com medo, mas tentando manter a voz em um tom alto. Como não tinha achado nada para me defender devidamente, peguei o abajur perto da cama e o segurei com as duas mãos.
- Eu que te pergunto! Você é mais uma fã maluca? – perguntou de volta alarmado, e colocou as mãos em frente ao corpo como defesa.
- Fã? Você é maluco! Invade casas e pergunta se os moradores delas são fãs? – só firmei as mãos no abajur e olhei para o celular que estava em cima da cama, o certo agora era chamar a polícia certo?
- Invadir? Eu moro aqui! Você que está invadindo! – aumentou o tom indignado.
- Não venha com joguinhos. – peguei o celular com uma mão e com a outra continuei segurando o abajur, para discar o número da polícia.
- Ei, ei! O que está fazendo? – perguntou, dando dois passos para perto ainda com as mãos em frente ao corpo.
- Não chegue perto de mim. – avisei-o ameaçando com o abajur, e então ele parou onde estava. – Estou chamando a polícia!
- Você é louca? Chamando a polícia pra você? Eu já disse que a casa é minha, tem problemas mentais? – questionou como se realmente acreditasse nisso e eu ri sarcasticamente.
- Você que... – tentei dizer mas o barulho da porta de lá de baixo se fez presente e eu suspirei aliviada, mas ainda sem soltar o abajur. – ALGUÉM?! – gritei o mais alto que pude e o homem colocou as mãos nos ouvidos os tampando.
- O que aconteceu?! – Harry e Sam chegaram no quarto correndo e pararam na porta olhando para mim e para o homem com rostos impassíveis.
Depois de alguns milésimos eles se entreolharam e começaram a rir, me fazendo franzir o cenho.
- O que está acontecendo aqui? – Sam perguntou ainda rindo e eu fiquei ainda mais confusa.
- Eu que pergunto, Sam! Viajei até aqui pra fazer uma surpresa pra minha família, e encontro essa mulher dentro do meu quarto! É amiga sua? – conversou com Sam indignado e meu cérebro literalmente travou, ele era Thomas? Irmão mais velho?
- Eu... Eu não... – Sam tentou falar, mas não conseguiu porque não parava de rir. Então eu coloquei o abajur no lugar com raiva, percebendo que o "homem" não era uma ameaça.
- Harry... – falei seu nome com repreensão e o mesmo olhou para mim e parou de rir aos poucos.
- Tom, ... , Tom. – apontou para nós dois apresentando cada um. Thomas se virou para mim me olhando com interrogação e eu fechei os olhos batendo a mão na testa. É, ele era Thomas.
- Então... Ela é amiga de vocês? – perguntou mais uma vez e eu abri os olhos e apontei pros dois com a mão como se fosse para eles explicarem.
- Mais ou menos... – Sam respondeu mexendo a mão correspondente a expressão.
- Então, é namorada de algum de vocês? – Thomas ficou confuso e eu ri forçado.
- Sim! É isso mesmo. – Sam disse de prontidão e veio até mim colocando o braço por meus ombros.
- Sam, dá pra parar? – revirei os olhos e peguei seu braço, tirando de meus ombros, me virando para Thomas novamente. – Sou a intercambista. – revelei sem estender a mão nem nada, porque achei que seria estranho depois de tudo.
- Que? – Thomas perguntou e riu. – Como assim intercambista?
- Quando uma pessoa de outro país quer ter um estudo melhor, ela... – tentei explicar sarcasticamente, mas Thomas me olhou com seriedade e interrompeu minha explicação.
- Eu sei o que é intercâmbio, quero saber como papai e mamãe fizeram isso sem me avisar? – se voltou para Sam e Harry e eu me encolhi, tendo consciência de que estava sobrando.
- Se ele ficou assim conhecendo uma, imagina quando conhecer . – Harry disse para Sam que no meio da frase já fez sinais para ele parar de falar, só que não foi entendido.
- Tem mais de uma?! – Thomas questionou assustado e Harry fez uma careta.
- Ih, desculpa. – pediu e se encolheu como eu.
- Os nossos pais estavam solitários com tudo o que estava acontecendo e então se candidataram como host family, mas não avisaram pra não se preocupar, entende? – Sam tentou explicar e eu olhei para ele com os olhos arregalados e dei um tapa em seu braço, como ele melhoraria as coisas com esse discurso??
- Sério? Eu... Eles deveriam ter falado comigo. – Thomas disse, abaixando a cabeça e eu realmente senti pena por um momento.
- Tom, estamos realmente felizes que tenha nos feito essa surpresa, quando mamãe e papai chegarem irão pular de alegria, daí conversamos, ok? – Harry disse e Thomas concordou.
- Bom, eu diria que foi um prazer conhecer você, mas seria estranho depois de tudo. Chegar em casa e achar uma mulher desconhecida tendo um momento na sua cama não é exatamente o usual. – Thomas explicou olhando para mim e eu concordei rindo, mas para estragar tudo Sam se virou para mim e arregalou os olhos me fazendo franzir o cenho.
- Tendo um momento?! – praticamente gritou e eu revirei os olhos, dando um tapa em sua nuca.
- Não esse tipo de momento, seu idiota! – expliquei com raiva e o mesmo arqueou as sobrancelhas.
- Que tipo de momento, então? – perguntou e Thomas olhou para mim pronto para falar, mas eu corri até ele e coloquei a mão em sua boca.
- Desculpa pela invasão de espaço, mas se você falar vou ter que te matar. – avisei séria e o mesmo assentiu com a cabeça, então tirei a mão e ele sorriu.
- Ok. – levantou as mãos como se não contestasse e Sam ficou ainda mais curioso.
- Vocês não vão me dar um abraço? – Thomas perguntou para os irmãos e eu saí do caminho para eles se abraçarem.

P.O.V Gianniotti
14:50

Cheguei em casa do curso cansada, hoje para um trabalho tivemos que andar bastante e isso me desgastou.
Quando entrei na casa avistei um homem no sofá e fiquei um pouco confusa.
- Oi... Quem.. – tentei perguntar mas o homem levantou e veio até mim estendendo a mão.
- Sou Tom, o irmão mais velho.
- Ah, oi. – cumprimentei e sorri gentilmente.
- É um prazer. – disse educado e milhões de questões vieram em minha mente, Dom e Nikki nunca falavam muito sobre ele.
- O prazer é todo meu. – respondi, tentando me distrair e fui até , sentando ao seu lado no sofá.
- Nós vamos subir, ok? Dom e Nikki já estão chegando e não queremos atrapalhar a conversa. – disse me puxando pela mão.
- Ele chegou do nada? Por que ninguém nos avisou? – perguntei sussurrando, com medo de ouvirem já que ainda estávamos na escada, até que chegamos no meu quarto e ela fechou a porta.
- Ele veio de surpresa. Cara, você não vai acreditar no que aconteceu. – disse colocando as mãos no rosto e sentando na cama.
- Que foi? – perguntei curiosa, mas não recebi nenhuma resposta, então repeti chacoalhando o corpo de . – Hein? Que foi?
- Hoje eu fiquei sozinha em casa, né?! – começou a dizer mas parou, e usando essa brecha eu sentei do seu lado acompanhando.
- Tá.. – a incentivei a continuar e ela sorriu envergonhada.
- Então como eu estava entediada, coloquei música e ouvi de fone. – parou de novo e eu olhei para ela séria.
- Para de enrolar e fala, ! Desembucha! – pedi e a mesma resmungou.
- Daí eu comecei a dançar e subi na cama. – ao invés de se interromper, eu que interrompi dessa vez, só que rindo e recebendo um olhar raivoso de .
- Desculpa. – pedi ainda rindo um pouco e tentando afastar a imagem de dançando em cima da cama de minha cabeça. – Continua, por favor.
- Não vou mais falar também. – disse cruzando os braços e eu revirei os olhos.
- Fala logo vai. Sou sua única amiga aqui para ouvir das suas vergonhas, então aproveita. – abri os braços e a mesma ignorou continuando.
- Enquanto eu dançava na cama... – explicou fazendo gestos com as mãos e eu concordei com a cabeça, não vendo onde aquilo era interessante para se falar. – Thomas entrou no quarto e eu pensei que ele fosse um ladrão. – completou a última parte com vergonha e eu não me aguentei, dei uma gargalhada alta.
- Tá de brincadeira. – falei mesmo sabendo que era sério. – Melhor dia de intercâmbio! – comemorei alto e me encheu de tapas antes de se lamentar.
- Eu não sabia, eu estava sozinha em casa, o que era pra eu pensar? – perguntou, se deitando na cama e resmungando.
- Seu cérebro não funciona não, ? – a cutuquei e a mesma levantou se sentando novamente e me olhando com ironia.
- Senhora, , falando de mim? Onde já se viu ser mais lerdo que você minha filha? Não vem falar de mim não. – retrucou com raiva e eu arregalei os olhos.
- Nossa, sua grossa. Estava brincando só. – respondi calma.
- Vai brincar com a sua mãe! Estou falando da vergonha que eu passei e você vem aqui zoar da minha cara. – disse suspirando e eu sorri.
- Vem cá, bebê, não fica triste. – a puxei para um abraço e ela não relutou, mas também não correspondeu.
- Vocês são todos idiotas. – constatou, saindo do abraço e eu nem discordei.
- Vocês quem? – perguntei e ela olhou pra mim deitando de novo.
- Você, Harry, Sam. – respondeu contando nos dedos e eu concordei com a cabeça.
- E o menino novo? – questionei assistindo dar de ombros.
- Nem conheço. – explicou e eu assenti, ouvindo o barulho da porta de baixo se abrir.
- Eles chegaram. – falei pra e ela concordou com a cabeça.
- É, eu não sou surda. – respondeu e eu suspirei.
- Vou te pedir pra sair do meu quarto, você tá muito grossa. – avisei levantando e apontando para porta e me puxou de volta pra cama.
- Não. Desculpa. – pediu fazendo beicinho e eu revirei os olhos.
- Você também é bem bipolar. – indiquei e ela sorriu, afirmando inconscientemente o que eu havia dito.
- Aham. – balançou a cabeça fofamente e eu apertei sua bochecha. – O que vamos fazer enquanto eles conversam?
- Não sei você, mas eu vou dormir. – respondi, deitando na cama com o corpo todo mole.
- Não, conversa comigo! – chacoalhou meus braços e eu resmunguei de olhos fechados.
- Eu estou cansada, a gen... – tentei explicar mas me pegou pelos braços e me levantou, fazendo meu corpo ficar sentado. Ela era bem mais fortinha do que a aparência dela mostrava.
- Pena que eu não ligo, abre os olhos, vai, morta. – pediu ainda segurando meus braços para que meu corpo que ainda estava mole não caísse na cama de novo.
- Eu quero dormir... – resmunguei balançando meu corpo minimamente, sem abrir os olhos.
- Se não parar com essa palhaçada, eu falo tudo que já conversamos sobre o Harry pra ele. – disse indiferente e eu abri meus olhos alarmada e arrumei a postura na mesma hora.
- Você não faria isso. – semicerrei os olhos e devolveu o olhar como se me desafiasse a testá-la.
- Se é nisso que você acredita... – me soltou e olhou para as próprias unhas, como se estivesse entediada.
- Você é a pior amiga que já tive sabia?
- Não. Eu sou a amiga que mais sabe jogar, é diferente. – respondeu me olhando e eu suspirei.
- Sobre o que quer conversar? – perguntei de prontidão, cruzando os braços e sorriu mudando totalmente.
- Sobre o motivo de você ainda não ter conversado com Harry.
- Ah, não, não, não. – neguei com a cabeça e mexi as mãos nem acreditando que ela viria com esse assunto de novo. – Já é a sétima vez que você tecla nisso!
- Você fica contando quantas vezes já conversamos sobre isso? É realmente importante pra você, hein?! – apontou e eu revirei os olhos, não importa o que eu dissesse, sempre conseguia contornar do jeito dela.
- Você sabe que...
- Me responde logo, , ou eu que vou lá conversar com ele sobre seus sentimentos. Vocês precisam parar de enrolar! – avisou e eu olhei de relance.
- Eu já expliquei 10 mil vezes que não falo com ele porque ele me vê como host sister! – respondi e riu falsamente.
- E eu já te expliquei 10 mil vezes que ele não te vê desse jeito! Só vai acreditar quando ele te falar, não é? – perguntou cansada e eu assenti com a cabeça envergonhada. – Então, se quer ouvir isso dele, tem que arriscar. – disse pegando minha mão.
- Por que se importa tanto com minha relação com Harry? – questionei, rindo desacreditada.
- Porque vocês dois se gostam! Pra quê deixar isso reprimido se podem fazer algo sobre? – explicou sincera e eu sorri segurando sua mão.
- Se pensa assim por que disse que não se envolveria com ninguém para não atrapalhar seus estudos? O meu caso é assim também. – falei, tentando fugir do assunto, mas me olhou séria.
- O seu caso não é assim, e não me coloque no meio. Sobre isso, eu disse que não me envolveria por diversão, mas se aparecesse alguém que gostasse de mim como Harry gosta de você e fosse recíproco, é claro que eu não iria desperdiçar! – era até chato como nunca desistia e sempre tinha os argumentos.
- Sinto muito poeta Hoffmann, mas eu não vou conversar com ele, e se me respeita, não vai fazer nada sobre isso, okay?
- Como você é teimosa, ! – reclamou, jogando a cabeça pra trás, me fazendo rir.
- Pra isso sou e vou ser até o fim. Eu e Harry não vamos acontecer. – falei séria e sorriu.
- Isso é o que iramos ver.
- Acha que eles já terminaram de conversar? – perguntei, realmente querendo desviar o assunto.
- Podemos ir checar. – respondeu e nós levantamos e abrimos a porta lentamente para não fazer barulho, o que incrivelmente deu certo.
Descemos alguns degraus para ver se não estava acontecendo nada de importante, mas nisso sem querer fomos vistas e tentamos subir novamente, ouvindo nossos nomes serem gritados.
- Ei! , ! – Harry chamou e olhou pra mim com uma careta e pediu silenciosamente para eu descer primeiro, então o fiz.
- Hey. – cumprimentei meio nervosa e logo desceu sorrindo, também nervosa.
- Por que estão assim? – Sam que estava na mesa de jantar com o resto da família perguntou e eu fechei os olhos momentaneamente.
- É que não queríamos interromper nada, se quiserem que a gente suba de novo, é só dizer. – respondeu e Nikki levantou de prontidão negando com a cabeça.
- Olha, essa conversa é em parte de vocês, não queremos que se sintam excluídas. São praticamente da família agora. – segurou nossas mãos e sorriu.
- Nikki... – tentei falar mas ela negou com a cabeça.
- Sim, fazem apenas 15 dias. – respondeu com tédio e eu e rimos fraco. – Mas mesmo assim nós já sentimos um carinho enorme por vocês! Não estão se intrometendo, só estão fazendo a obrigação de vocês e se encaixando. Não precisam se preocupar com isso.
sem se segurar depois de alguns segundos quase pulou em Nikki e a abraçou me fazendo rir com a fofura da cena.
- , vem aqui. – me chamou pro abraço e eu tentei hesitar, mas quando Nikki me puxou eu não consegui e entrei no abraço.
- Eu gosto muito de você, Nikki. – falei baixinho.
- Vocês podem parar? Eu vou chorar. – Sam se pronunciou zoando e nós saímos do abraço, olhando para ele com caretas, até que foi em sua direção e o abraçou, toda afetuosa.
- Eu também gosto muito de você, Sam. – deu um beijo em sua bochecha e Sam nem conseguiu zoar, só sorriu e abraçou de volta.
- Não vai me abraçar, ? – Harry me perguntou de repente, abrindo os braços e arqueando as sobrancelhas me deixando sem saber o que fazer.
- Vai lá. – Nikki tocou no meu braço e me aconselhou a ir, então timidamente eu andei até ele e o abracei colocando o rosto na curvatura de seu pescoço.
- Eu gosto muito de você, . – sussurrou em meu ouvido e eu suspirei, como ouvir isso tão perto dele sem arrepiar?
- Eu também gosto muito de você, Harry. – repeti o que disse com a voz falha e Harry deu um sorriso grande, ainda me apertando.
- E eu? – Dom perguntou no meio de tudo aquilo e eu e olhamos para ele enquanto Nikki ia abraçá-lo. Eu ia pra abraça-lo, mas Harry me segurou e se soltou de Sam indo até lá e passando por mim, me tranquilizando.
- Eu vou lá, fique tranquila com seu futuro namorado. – sussurrou e eu tive certeza de que Harry ouviu, mas ninguém falou nada, provavelmente para não ter um clima estranho.
Depois de abraçar Dom, foi até Tom parando em uma distância normal. Foi uma cena bem engraçada, os dois se olharam e então abriram os braços para se abraçar, mas não chegaram a fazer e então se distanciaram de novo e apertaram as mãos.
- Não vai me soltar? – perguntei, olhando para Harry, enquanto o mesmo olhava de volta, mantendo o contato visual.
- E por que eu faria isso? – devolveu a pergunta e eu me calei, voltando meu rosto a seu pescoço e sorrindo idiota.
Como era possível gostar tanto de um host brother como eu gostava do meu?

24/02/2016
Quarta-feira

18:00
P.O.V Hoffmann

Depois dos abraços ontem, todos tiveram uma longa conversa, e eu e descobrimos que Thomas era famoso. Por isso, não podíamos trazer ninguém desconhecido pra casa enquanto ele estivesse ou até quando ele não estivesse.
Estava fazendo ainda mais sucesso por ter sido escolhido para fazer o Homem-Aranha, o que realmente fez minha mente girar, era meu super-herói preferido e eu não podia nem perguntar sobre, eu realmente queria me aproximar, mas acho que levaria um tempo até perder a vergonha.
- ... – Nikki veio até mim e fez a careta que sempre fazia quando ia me pedir algo, me levando a rir fraco.
- Pode pedir, não precisa se preocupar. – a tranquilizei e ela suspirou aliviada.
- Pode ajudar Paddy com a lição? – perguntou juntando as mãos e eu assenti com a cabeça. – Muito obrigada.
- De nada, Nikki. – respondi rindo e ela saiu da sala indo pra cozinha. Paddy estava no quarto e eu sabia porque havia visto ele subir, então fui até lá e bati na porta, esperando.
- Oi, , que foi? – Paddy abriu a porta e me cumprimentou ainda de uniforme.
- Vim ver como você tá com a sua lição, posso entrar? – perguntei e ele saiu da frente da porta me dando passagem.
- Tá difícil, não sou bom em matemática. – disse rindo e eu sentei em sua cama, perto da mesa onde estava o livro.
- Posso te ajudar? Estou sem nada pra fazer. – lamentei e o mesmo assentiu com a cabeça. – Olha, isso daqui é bem fácil, você só precisa considerar e somar, tá vendo? – expliquei escrevendo os números e tendo total atenção de Paddy.
- Ah, assim? – perguntou fazendo o exercício e eu sorri.
- É, assim mesmo Paddy. – o parabenizei e levantei a mão pra fazer um high five.
- Tem outro exercício, calma. – Paddy disse folheando o livro e eu peguei a cadeira a colocando perto dele, sentando na mesma, pra ajudar.


18:16
Tínhamos acabado a lição e descido, para esperar o jantar, mas nisso eu tive que sentar do lado de Tom no sofá, o que realmente me incomodou. Tentei até sentar no chão dizendo que estava muito apertado lá com todo mundo, mas Paddy me segurou e disse pra eu ficar do lado dele, então não consegui.
- Então, . – tentei chamá-la, me curvando para olhar seu rosto mas ela nem ligou, estava entretida demais conversando com Harry. Suspirei não tendo o que fazer e Tom se encolheu parecendo desconfortável.
- Sam... – chamei e ele virou arqueando as sobrancelhas, como se perguntasse o que eu queria. – Pode trocar de lugar com o Tom? Preciso conversar com você sobre uma coisa séria. – então olhei pra Tom pedindo silenciosamente e ele levantou as mãos sem discutir e trocou com Sam.
- Oi, sobre o que quer conversar? – perguntou sorrindo.
- Então...

P.O.V Tom Holland
19:34

Era realmente chato se sentir um intruso em sua própria casa por causa de uma pessoa só, era como eu me sentia em apenas um dia convivendo com . era extremamente simpática mesmo que com timidez e esbanjava arrogância quando ficava perto de mim, não falava comigo e nem se importava, e isso me deixava extremamente desconcertado, como antes do jantar que pediu para eu sair de perto dela não tão indiretamente.
Eu tinha consciência do que tinha acontecido ontem e sabia que tinha sido muito estranho, mas por que ela não podia tentar agir com gentileza? Eu tinha feito algo rude pra ela?
Esperava que isso mudasse porque sei que em um dia não dá para concretizar coisas do tipo, mas realmente me deixava incomodado. Ela tinha ficado com o meu quarto e entrado na minha família, o mínimo que podia fazer é ser educada, né?
Pensar nisso me levou a me auto julgar, por que eu estava tão desconfortável se fazia só um dia? Iria melhorar, eu tinha que acreditar nisso.

P.O.V Gianniotti
19:35

Jogar videogame era uma coisa que eu realmente gostava, mas jogar com Harry o que já me deixava nervosa um jogo que nunca tinha visto ou jogado antes era realmente frustrante.
- Não! , você tem que segurar assim, olha. – Harry me explicou pela segunda vez mexendo no próprio controle como era o correto, então franzi o cenho e ele chegou perto passando os braços por mim e juntando nossas mãos para mostrar.
- Entendeu? – perguntou enquanto eu olhava para seu rosto aproveitando sua distração. Tentei raciocinar, mas Harry levantou o rosto antes e eu tive que desviar o olhar.
- Eu não quero mais jogar, Harry. – me soltei dele e levantei com o objetivo de ir para meu quarto, mas Harry não deixou e me puxou pela mão.
- Você está aprendendo, calma. – disse dócil e eu assenti, sentando novamente, toda idiota. Gostar de alguém era uma droga, com muitos efeitos colaterais ruins. – Eu vou te guiar, e depois você tenta fazer sozinha, ok?
Então, ele colocou os braços em volta de mim novamente e meu coração acelerou, o que realmente me deixou paranoica, e se ele percebesse?
Ele me guiou e afastou as mãos ainda com os braços em volta pedindo para que eu tentasse sozinha, mas eu ainda sentia minhas mãos formigando pelo toque, então fiz e consegui.
- Viu, conseguiu! – me parabenizou sorrindo e eu me virei para ele animada.
- Era como se você ainda estivesse me guiando. – expliquei e recebi um olhar demorado. – Será que eu teria conseguido sem ajuda?
- Claro que teria conseguido. Eu só persisti pra te ajudar com isso, pra ficar perto de você. – revelou sorrindo sem vergonha nenhuma, fazendo meu coração acelerar de novo, eu poderia surtar por isso? Ou não era nada?
- Como assim? Sempre pode ficar perto de mim. – eu não sabia nem como tinha conseguido formular a frase, mas fiz com a voz fraca do mesmo jeito.
- A gen... – tentou dizer mas Tom desceu na hora fazendo nós dois virarmos para a escada.
- Oi. – cumprimentou de longe, vindo até a gente e sentando no sofá com uma distância normal.
- Tom! O que está fazendo aqui? – Harry perguntou meio estranho e eu me mexi fazendo ele perceber que ainda estava com os braços em volta de mim.
- Oh, estou atrapalhando algo? – percebeu como estávamos e perguntou envergonhado, me fazendo negar freneticamente com a cabeça.
- Claro que não, quer conversar? Ou fazer algo? – questionei, tentando me enturmar com ele e ele sorriu concordando com a cabeça.
- Eu estava pensando em Just Dance. – disse mexendo no cabelo e eu ouvi um riso de Harry.
- Você sabe que eu sou horrível nesse jogo. – resmungou e jogou as costas no sofá.
- Vamos, para se divertir! – pediu para Harry e eu sorri.
- Eu topo. – falei e levantei. – Vou chamar Paddy, Sam e . – anunciei indo até a escada, mas Tom segurou minha mão fazendo uma careta.
- Sei que é chato pedir isso, mas pode não chamar a ? – perguntou e eu franzi o cenho, levando-o a continuar, explicando. – Ela está meio desconfortável com o que aconteceu ontem e eu quero respeitar o espaço dela, é só hoje.
O que ele me pediu realmente foi difícil de realizar, a explicação não tinha me comprado muito. Então, Tom não ia muito com a cara da ? Era isso?
Engraçado, Tom parecia ser o típico inglês simpático que gosta de chá e cachorros, por que não iria com a cara da ?
Fui chamar Paddy e Sam e nós explicamos porque não chamamos quando todos já estavam na sala. Colocamos o jogo no videogame e tudo o que eu pensei era o que aconteceria se descesse e visse todos jogando sem ela, eu estava me sentindo muito culpada agora.
Harry, Tom e Sam dançaram Let's Groove primeiro, me rendendo várias risadas pela performance de Harry, mas a sensação de culpa logo voltou quando eu me lembrei de que a música era uma das preferidas de . Era só um jogo! Não era nada sério, eu precisava parar de me culpar.
Tom ganhou, Sam ficou em segundo e Harry em terceiro, perdendo. Então, quem foi na segunda rodada foi, eu, Paddy e Tom.
- Qual música você quer, ? – Paddy perguntou animado.
- Foi Tom que ganhou, ele que tem que escolher. – respondi e olhei para o homem que negou com a cabeça.
- Pode escolher. – disse simpático e eu fiquei confusa, ele era superlegal comigo, porque tinha excluído ? Talvez fosse pelo motivo que tinha contado, mas eu duvidava muito.
Passei o controle pelas músicas e achei uma que eu gostava, selecionando.
- Starships? – Tom perguntou retoricamente e eu ri.
- Se preparem para perder. – Paddy disse estralando as mãos e eu e os meninos rimos.
Quando a música começou eu ri fraco acompanhando os passos, a verdade era que eu não era ruim em dança, só não era ótima também.
No meio da música, Tom estava ganhando, mas no final eu fiquei com maior pontuação e ganhei, comemorando e pulando.
- Parabéns, . – Paddy me parabenizou e eu sorri.
- Finalmente uma jogadora à minha altura. – Tom brincou e Harry jogou uma almofada nele, recebendo na cara de volta. Harry tentou jogar de novo, mas Tom pegou e jogou em mim.
- Oh, é assim? – perguntei querendo saber se eles queriam continuar com a brincadeira e todos concordaram com a cabeça rindo. Joguei a almofada em Sam e recebi um olhar bravo.
Sam jogou em Harry e Harry jogou em Paddy fazendo todos rirem e pararem.
- Vocês são mais crianças que eu, meu Deus. – Paddy disse sério e nos olhamos sem falar nada por uns 3 segundos, só para gargalhar de novo.

Quando subi pra ir pro quarto, algo me atraiu para a porta de , então parei em frente a ela e fiquei pensando, eu sabia que se eu passasse para dizer "oi" não iria compensar o que fiz, mas não iria machucar, né? Então, abri a porta e quando estava pronta para dizer boa noite, avistei no chão, sentada e chorando desamparada.
- Ei, ei, você está bem? – corri até ela ajoelhando a sua frente e perguntando preocupada. – O que aconteceu?!
- Eu não... Não consigo respirar. – disse colocando as mãos no pescoço e eu fiquei assustada por vê-la assim, era horrível.
- Tente se acalmar, pense em coisas boas. – falei desesperadamente sem saber o que fazer e aos poucos ela começou a respirar profundamente ainda chorando. – O que aconteceu?
- Eu não quero... Eu não quero conversar sobre isso. – disse com a voz triste tentando parar de chorar e eu assenti com a cabeça tentando a reconfortar.
- Tudo bem, estou aqui. – a puxei para um abraço e ela se agarrou a mim, chorando mais ainda, me fazendo fechar os olhos.
Eu tinha deixado a porta aberta, porque não tinha pensado em nada ao ver daquele jeito, então esperava que ninguém passasse, porque parecia não querer explicar nada agora.
Abraçadas mesmo, levantei calmamente enquanto a levava para cama, quando chegamos ela parou de chorar e se pronunciou.
- Pode dormir aqui hoje? – perguntou com a voz embargada e eu sorri, pensando na frase mais clichê possível.
- Eu não vou a lugar nenhum. – a tranquilizei e ela deitou, me dando espaço para deitar também, a cama não era de casal, mas era bem grande.
Antes de deitar, fui fechar a porta e apagar a luz, indo até novamente e segurando sua mão enquanto deitava.
- Você é uma amiga muito boa, . – disse baixinho e eu sorri fazendo carinho em sua mão.
- Você também é, . – respondi e fechei os olhos esperando que o sono chegasse logo.

P.O.V Hoffmann
25/02/2016

Quinta-feira

7:22
Acordei com dificuldade para abrir os olhos, eles estavam ardendo e com inchaço, olhei o relógio e dei um pulo, era pra eu estar no banho já. Saí da cama estabanada e peguei uma muda de roupa acordando sem querer .
Corri pra fora do quarto e fui em direção ao banheiro, Thomas estava na frente da porta mexendo no celular pronto para entrar, mas eu tive que interromper.
- Desculpa, preciso ir primeiro. – parei pra falar, mas logo entrei e fechei a porta, tirando as roupas e as colocando no cesto, entrando apressada no box.
Ontem tinha sido um dia difícil, o curso tinha sido corrido e eu tive notícias ruins sobre minha mãe, ela havia sido internada novamente por causa do vício e já era a quarta vez. Ainda pra piorar, quando fui descer ontem à noite para tomar água, vi os meninos se divertindo e isso de alguma forma me machucou, eles estavam jogando e nem me chamaram.
Não lavei o cabelo, até porque estava apressada, mas depois de lavar o corpo saí do box e coloquei a muda de roupa, saindo do banheiro e dando de cara com Tom, que nem me olhou, só entrou no banheiro esbarrando em mim.
Fui até o quarto e peguei minha bolsa e o celular checando o horário, me despedi de com um beijo na bochecha e desci até o andar de baixo, correndo pra pegar o ônibus.

13:11
Cheguei em casa morta de cansaço, a primeira coisa que fiz quando entrei foi ir até a cozinha beber água, então andei até as escadas para subir pro meu quarto, distraída, mexendo no celular, conversando com Simon.
No corredor, esbarrei com alguém e olhei para seu rosto percebendo que era Thomas, que sorte era essa que eu tinha não é mesmo? Quando abri a boca para pedir desculpas a frase grosseira dele me atingiu em cheio, deixando-me desnorteada.
- Olha por onde anda, garota. – disse olhando com raiva e eu ri sarcasticamente, o que havia acontecido juntado com meu estresse do dia tinha desencadeado algo ruim em mim.
- Não sei se você sabe, mas é preciso de duas pessoas para se esbarrar. – respondi óbvia e ele deu um sorriso irônico.
- Claro, e uma dessas pessoas tem que ser incrivelmente idiota. – rebateu rindo fraco, me fazendo ficar com mais raiva ainda, ele tinha algum problema?
- Ei! Eu não fiz nada para merecer isso, se está chateado com alguma coisa não desconte em mim não, problemático. – falei sem pensar e Thomas me olhou com mais cinismo ainda.
- Você não fez nada, jura? Mora sob meu teto, ficou com meu quarto, entrou na minha família como uma intrusa e nem legal sabe ser. Você é uma mimada. – respondeu apontando o dedo para mim e eu franzi o cenho sentindo meu corpo ferver.
- Eu moro sob seu teto porque pago e porque sua família me aceitou. Você não tem o mínimo de direito de me chamar de mimada, porque nem me conhece! Mas se é assim, até descubro o que você é, celebridade. – apelidei debochando e vi Thomas tremer de raiva. – É o tipo de pessoa que se assusta quando as coisas não são do jeito que você quer, mas veja, nem sempre vão ser do jeito que você quer, então acorde, porque você vive no mundo real! – cheguei perto, aumentando o tom de voz e quanto mais falava mais via Thomas ficar bravo. Talvez eu tivesse exagerado? Sim. Mas não ouviria o desaforo dele quieta.
- Você realmente não tem filtro e nem noção, né, garota? – perguntou cruzando os braços e eu fechei o punho.
- Me chame de garota de novo e eu irei enfiar meu pé no meio da sua cara. – sorri, tentando manter a calma e Thomas riu me fazendo respirar profundamente para não bater nele, Nikki e Dom ficariam tristes com isso e a última coisa que eu queria era decepcionar eles.
- Garo.. – tentou dizer, mas eu interrompi.
- Olha Thomas, sinta-se a vontade para falar merda pra mim e receber as palavras de volta. Só peço que finja uma relação normal na frente dos seus pais, sei que eles não gostariam que nós nos desentendêssemos. – expliquei, tentando deixar minha raiva de lado naquele momento.
- Acho que é a coisa menos idiota que disse até agora. – respondeu sorrindo e eu suspirei contando até 10 mentalmente.
- Eu tenho certeza de que o seu mal caráter não veio da sua criação, então, de onde veio? – perguntei e o sorriso de Thomas se desfez virando uma carranca, então, antes de sequer deixar ele falar, fui para o quarto e fechei a porta, não querendo mais discutir com aquele babaca.
Caí na cama e me aconcheguei, só querendo dormir e ter algum tempo de paz.

18:43
Acordei e chequei o celular que havia várias notificações. Levantei e fui até o espelho me analisando, eu estava mais bonitinha do que de manhã, meus olhos inchados tinham ficado normais, minha boca e minhas bochechas estavam vermelhas, e se não fosse pelo cabelo bagunçado, até me elogiaria.
Escovei meu cabelo, arrumando-o, e peguei meu celular, indo até o banheiro lavar meu rosto. Depois de passar água e secar meu rosto com a toalha, abri a porta e saí, dando de cara com Thomas, que saco, ele estava em todo lugar!
- Pelo amor de Deus, essa casa tem quatro banheiros, por que só vem nesse? – perguntei indignada e ele riu.
- Eu que te pergunto isso! Pelo menos a casa é minha, tenho o direito de ter minha preferência. – devolveu como se eu fosse burra e eu fiquei pensando, como uma pessoa conseguia ser tão idiota?
- Lá vem, você consegue ser mais babaca? – perguntei passando por ele, mas ele segurou minha mão e eu virei bruscamente com raiva, me soltando dele. – Encoste em mim de novo e tudo o que vai sentir é um braço quebrado! – avisei com cuidado e ele levantou as mãos rindo.
- Além de arrogante é agressiva, o que mais temos para descobrir, garota? – perguntou fingindo interesse e eu fechei os olhos momentaneamente rindo de nervoso.
- Temos para descobrir que meu host brother é a pessoa mais escrota que já conheci. – respondi com a voz firme e ele arqueou as sobrancelhas, eu sabia que não era pra tanto até porque eu nem conhecia ele direito, mas eu precisava dizer.
- Você é realmente... – tentou dizer mas parou no mesmo instante e eu franzi o cenho. – É realmente legal, . – mudou completamente, sorrindo gentil e eu ri, ele tinha transtorno de personalidade?
Olhei para seu rosto, percebendo que ele prestava atenção em algo atrás de mim, me levando a virar o rosto para saber do que se tratava, então percebi, Dom estava no final do corredor.
- Obrigada, Tom, eu realmente fico feliz que tenhamos nos aproximado. – respondi e recebi um sorriso que pareceu bem realista, pelo menos um bom ator ele era, né?!
- Vim chamar vocês, o jantar tá pronto. – Dom disse já perto e eu sorri, dessa vez de verdade, eu estava morrendo de fome.
- Sério? Ai, só vou deixar meu celular no quarto. – corri até o quarto deixando em cima da cama e saí rápido, fechando a porta e descendo as escadas.
Quando cheguei na mesa percebi que o único lugar disponível era o na frente de Thomas e me segurei para não resmungar. Sentei no lugar e coloquei a comida pra mim normalmente, tentando ignorar o resto.
- Então, como foi o dia de vocês? – Dom perguntou puxando assunto e Thomas foi o primeiro a responder.
- Foi bom, só teve uma pessoa muito irritante que o atrapalhou. – disse calmo e eu que estava mastigando quase ri com ironia.
- Você saiu, então? – Nikki perguntou e Thomas olhou rapidamente pra mim, logo desviando o olhar.
- Não, essa pessoa me encheu o saco pelas redes sociais. – respondeu e eu dei graças a Deus mentalmente.
- Meu dia foi bem legal, no curso aprendemos técnicas na tela. – disse sorrindo e Sam foi o próximo a falar.
- Meu dia foi entediante.
- Meu dia foi muito bom, consegui fazer a passar de fase em Battlefield. – Harry disse e olhou pra que fez um high five com ele. A amizade era a base do amor, né?
- Meu dia foi extremamente estressante, acordei atrasada pro curso, cheguei em casa e tive que aturar uma menina me enchendo o saco nas redes sociais, como Tom. – apontei e vi ele assentir com a cabeça, transparecendo calma. – Dormi, e quando acordei a menina veio me encher de novo, acreditam?
- Bom, o que você fez pra menina te encher o saco? – Thomas perguntou arqueando as sobrancelhas e eu sorri.
- Eu acho que foi porque ela viu problema onde não tinha, sabe? – respondi cínica.
- Certeza? Às vezes você consegue ser bem... – pisei em seu pé por baixo da mesa e ele reformulou. – Desligada, deve ter feito algo sem perceber.
- Não insinue isso, Tom, é bem simpática com todos. – Nikki disse interrompendo e eu olhei para ele convencida.
- Tem razão, mãe, eu que estou falando besteira. – respondeu balançando a cabeça e rindo. – Tenho certeza de que não fez nada de errado. – me olhou com sarcasmo.
- E eu tenho certeza de que você não fez nada de errado também, viu, Thomas? – respondi devolvendo o sarcasmo e sorrindo.


Capítulo 7

26/02/2016
Sexta-feira
12:50
P.O.V Gianniotti
Sam e estavam cozinhando o nosso almoço e eu estava bastante curiosa sobre isso, Sam já havia cozinhado e eu sabia que o fazia bem, mas nunca tinha o feito aqui. Fui até a cozinha e peguei uma maçã na fruteira assistindo os dois fazendo as coisas, cortava uma cebola e Sam misturava não sei o quê.
Hoje não havia tido curso, me avisaram de última hora por causa de um problema, então estava em casa.
- Então a dupla master chef vai cumprir mais uma missão hoje? – perguntei zoando.
- Sim, mas... Falando nisso, nem te perguntei, onde aprendeu a cozinhar? – Sam perguntou para interessado, e ela terminou de cortar, despejando a cebola na panela.
- Eu não sei de fato cozinhar. – respondeu dando de ombros, afiando a faca na pia pra cortar a carne crua. – Mas o básico aprendi com meu pai, minha mãe não parava muito em casa e eu ajudava ele a fazer as refeições em casa. – explicou.
- Você tem habilidade pra isso. – Sam disse e agradeceu.
- Ela tem muitas habilidades, canta, toca dois instrumentos, dança, cozinha, fala duas línguas. – apontei surpresa e Sam riu.
- Tenho muitos defeitos também, vocês só ainda não tiveram tempo de vê-los. – respondeu séria e eu assenti com a cabeça.
- Alguns eu já vi sim, você é bem grossa, senhorita . – respondi enquanto ela cortava a carne, concentrada.
- Isso aí é verdade. – Sam concordou e parou e apontou a faca pra ele.
- Você não fale de mim. – avisou e Sam arregalou os olhos.
- Tudo bem, tudo bem, abaixe a arma, por favor. – pediu me fazendo rir e continuou a cortar a carne como se nada tivesse acontecido.
- Ei, vocês vão hoje? – perguntou depois de terminar de cortar, enquanto despejava a carne na panela.
- Aonde? – Sam perguntou confuso e eu e respondemos ao mesmo tempo.
- No bar, idiota. – nos olhamos surpresas e Sam levantou as mãos, como se dissesse "okay". – Ela nos avisou ontem à noite, como não lembra??
- Desculpa, , mas você faz pior, então não acho que possa falar dele. – disse rindo e Sam olhou pra mim.
- Toma, distraída! – apontou pra mim e fez uma dancinha enquanto comemorava.
- Eu vou sair daqui, vocês não merecem minha amizade. – falei indo pra fora da cozinha, ouvindo risos.
Quando cheguei na sala, avistei Harry, que estava deitado no sofá mexendo no celular e digitando algo, o que realmente voltava a atenção para as mãos dele, era uma imagem bem legal de se ver, tinha que admitir.
- Hey... – chamei sua atenção, andando até o sofá e sentando no mesmo, Harry estava deitado mas mesmo assim o sofá era bem grande.
- O-oi, oi. – se alertou e sentou rápido quase derrubando o celular.
- Por que teve essa reação quando eu cheguei? Tá recebendo nudes de alguém? – brinquei com seu susto e ele me olhou sério.
- Mais ou menos. – respondeu e eu abaixei o olhar. Por que eu tinha que ter perguntado? Agora me sentia uma idiota! Estar apaixonada era uma merda. – Eu estou brincando, , não precisa ficar triste.
- Por... Por que eu ficaria triste? – perguntei tentando me fazer de indiferente, mas quase me batendo por ter transparecer tanto nervosismo.
- Porque você gosta de mim. – respondeu, voltando a olhar o celular e meu cérebro deu tela azul, ele havia dito aquilo mesmo? Ri de nervoso com o tamanho de seu ego e ele tirou os olhos do celular e o bloqueou, olhando pra mim.
- Desculpa, eu não ouvi direito. – falei, chegando perto pra confirmar se era isso mesmo que ele havia dito.
- E mais uma vez você caiu na minha brincadeira, tenta relaxar, ! – disse, fazendo descaso e eu suspirei.
- Eu estou cansada das suas brincadeiras, sabia? – cruzei os braços realmente brava e ele levantou e se sentou perto de mim virando pra me olhar.
- Por quê? – questionou, franzindo o cenho e eu fiquei com a cabeça girando, ele tinha ultrapassado o limite de proximidade.
- Você é muito idiota Harry, para. – pedi com a voz baixa e ele mordeu o lábio me fazendo olhar para os lados perguntando mentalmente se aquilo era real.
- O que eu estou fazendo? – sorriu colocando uma mão no sofá do lado de meu corpo e me encurralando.
- O-olha... – tentei dizer mas travei e Harry chegou ainda mais perto.
- O almoço tá pronto. – entrou na sala e eu me assustei com a sua voz, levantando as duas mãos na altura do ombro de Harry e o empurrando pra fora do sofá, fazendo ele cair no chão.
Quando percebi o que tinha feito coloquei a mão em frente a boca, ficando na dúvida de se me desculpava com Harry ou se explicava pra o que tinha acontecido, para ela não pensar em coisas erradas.
Se bem que o que tinha acontecido era mesmo puxado pro errado, então eu não sabia o que fazer, Harry gostava de mim como eu gostava delem então? Ou eu tinha confundido as coisas? Não tinha como confundir uma coisa dessas, ele tinha deixado na cara.
- Meu Deus, meu Deus. Sam! e Harry estavam se pegando! – aumentou o tom para que Sam ouvisse da cozinha e em alguns segundos ele apareceu correndo na sala.
- Como assim?! – perguntou surpreso e olhou para nós que ainda estávamos na mesma posição, eu com a mão em frente a boca e Harry no chão.
- Não, não é o que vocês estão pensando, não é o que vocês estão pensando! – aumentei o tom também, desesperada, e deu o maior sorriso me fazendo levantar de prontidão e pisar no pé de Harry sem querer.
- Ai!
- Desculpa, desculpa. – pedi afobada, logo indo até .
- Vocês estavam se pegando! – Sam disse alto e eu suspirei.
- Não grita, Tom pode ouvir. – sussurrei e Sam sorriu concordando com a cabeça e correndo para as escadas, provavelmente indo contar para Tom.
- Ah não. – resmunguei como uma criança, colocando as mãos no rosto e o tampando.
- Por que não me contou? – perguntou ficando séria e eu procurei as palavras pra dizer.
- Eu te juro, te juro pela minha vida de que nada aconteceu aqui. – tentei explicar mexendo as mãos freneticamente e franziu o cenho.
- Então eu interrompi? Não me diz que eu interrompi. Eu interrompi, ?! – perguntou com os olhos arregalados e eu quase ri de desespero.
- Não, eu estava zoando com ela. – Harry se intrometeu levantando e eu senti meu coração parar por um momento, aquela frase tinha me machucado, mesmo que eu não quisesse que , Sam e Tom pensassem algo do tipo, Harry tinha acabado de confirmar que não gostava de mim.
- Pare de mentir e tome vergonha na cara. – disse e foi até ele, batendo em sua cabeça.
- Au! Por que estão me machucando hoje? – perguntou, massageando a cabeça e se virou pra mim sorrindo e apontando.
- Viu, ele não discordou quando eu disse que ele estava mentindo. Vai, ! Com tudo, garota. – falou animada e se eu não estivesse tensa, até riria.
- , pare de forçar, eu e não vamos acontecer, somos bons irmãos, é isso o que somos. – disse sério e chegou perto pra me abraçar de lado.
Normalmente eu ficaria feliz com o contato, mas agora não consegui sentir nada. Como quando você tem 13 anos e gosta de um garoto, mas sua amiga grita pra ele e ele manda uma resposta como "Deus me livre", daí você tem que dar uma risada e responder algo parecido.
- É isso mesmo. – respondi de acordo com a história e Harry sorriu pra mim.
- Onde está o Tom? – Sam desceu perguntando.
- Deve estar brincando no trampolim gigante. – Harry respondeu e revirou os olhos, ela tinha me contado o que havia acontecido. – Ou saiu. Agora vamos comer? Estou com fome.
- Okay. – levantou as mãos indo pegar a comida com Sam.
- Eu sempre quis brincar naquele trampolim. – falei sozinha enquanto ia até a mesa. – Sei fazer algumas coisas.
- Então por que não vai depois de fazer digestão? – Harry perguntou e eu franzi o cenho, aquela frase tinha ficado bem estranha, por que ele simplesmente não disse "vai depois do almoço"?
- Hum, vou sim. Mas só vou se , você e Sam forem. – respondi, tentando ignorar a frase estranha e sentei no meu lugar na mesa quando chegou com a comida.
- Oh, Strogonoff? – perguntei com água na boca. colocou na mesa e Sam veio com os pratos e os talheres.
- Não, não, é macarrão. – respondeu sarcástica e eu mostrei o dedo do meio.
- Cheguei. – Tom abriu a porta entrando e disse, andando e mexendo no celular. – Quem cozinhou?
- Eu. – Sam e disseram ao mesmo tempo e eu me servi, com fome.
- Sério? Você cozinha? – Tom perguntou pra e ela sorriu nada amigável, eu podia ver.
- Surpreso? – perguntou sem interesse no assunto e Tom riu indo até a cozinha e voltando com o prato, garfo e faca, se servindo como todos.
- Espero não morrer envenenado. – respondeu e eu fiquei até entretida com a mini discussão.
- Envenenado garanto que não vai, só cuidado para não se engasgar. – avisou ainda sorrindo e Tom não respondeu, comendo uma garfada do prato sem falar nada.
- Obrigado por cozinharem. – Tom agradeceu e eu olhei pra que parecia surpresa. Ninguém tinha comido ainda, todos prestando atenção no que estava acontecendo.
- Você acabou de me agradecer? – perguntou apontando pra si mesma e Tom limpou a boca com o guardanapo antes de dizer.
- Olha, eu não sou uma pessoa má, sinto muito por ter sido grosseiro com você ontem, estava num mal dia e você também não foi muito agradável. – explicou e ficou sem palavras por um momento, logo achando um motivo pra discutir. Por que ela tinha que complicar as coisas?
- Eu não fui agradável? Você... – tentou dizer mas eu a cortei, querendo comer.
- Vamos comer, sim? Depois vocês resolvem isso. – pedi pra e ela aquietou, colocando comida no próprio prato.
Quando dei a primeira garfada, fiquei até surpresa, Sam e eram uma boa dupla na cozinha.
- Isso está muito bom! – elogiei e Sam sorriu agradecendo.
- Tudo crédito dele. – apontou pra Sam e ele olhou pra ela.
- Mas você ajudou bastante, ninguém me ajuda a cozinhar nessa casa. – respondeu sincero e Harry se pronunciou.
- Ei! Isso não...
- É verdade sim, e você sabe. – interrompeu o gêmeo e eu ri.

14:02
Eu, Harry, e Sam estávamos brincando no trampolim e no momento eu incentivava a tentar dar um mortal, enquanto a mesma repetia que era péssima em ginástica.
- Vai, , é fácil. – a balancei e ela negou com a cabeça, então eu me afastei e fiz, olhando pra ela. – Viu, é super legal.
- Eu já te disse, sou péssima. A única coisa que consigo fazer é estrela sem as mãos e com as mãos e então acabam meus dotes. – explicou e Sam e Harry abriram a boca para questionar.
- Você consegue dar uma estrela sem as mãos e está com medo de um mortal? – Sam perguntou e revirou os olhos.
- Eu era pequena quando consegui, é diferente, depois de aprender não quis mais nada. – disse e cruzou os braços.
- Se aprendeu isso consegue aprender a dar um mortal. – falei a pressionando e ela virou pra mim resmungando.
- Tá, eu vou tentar. – disse e nós três comemoramos. – Vai, me ensinem.
- É assim, primeiro tenta o rolamento, dá uma cambalhota normal no trampolim. – expliquei e fez. – Agora tenta mais 5 vezes. – pedi e ela obedeceu.
- Tá bom, agora a gente vai pro mergulho, você faz a cambalhota, mas pula antes, assim. – demonstrei e tentou fazer, mas caiu de costas e Harry e Sam riram, desanimando ela.
- Olha, pra dar certo, é só você fazer o agrupamento, assim. – coloquei as mãos no joelho pra ajudar o mergulho e olhou e fez, conseguindo. – Isso! Agora é só tentar sem as mãos.
- ... Eu não estou muito segura não. – disse e se afastou, mas eu peguei sua mão a puxando pra perto de novo.
- Só tenta, não vai se machucar, aqui é super macio. – a incentivei e ela tentou, não conseguindo e resmungando. – Tenta de novo, vai.
Não conseguiu de novo e estava pronta pra desistir, mas eu pressionei novamente. Então tentou mais uma vez e conseguiu, não tão perfeitamente, mas conseguiu, e eu quase gritei, a parabenizando.
- Viu! Conseguiu! – aumentei o tom e ela sorriu largo vindo até mim e fazendo high five. Eu adorava ver sorrir, não de um jeito gay, só gostava porque era muito bonito, como se iluminasse um pouco o lugar.
- Consegui, consegui! – repetiu e pulou, quase escorregando. – Opa.
- Agora podemos fazer estrelas sem as mãos, né? – propus e Sam e Harry olharam assustados.
- A propósito, onde aprendeu a fazer essas coisas? – perguntou e eu sorri.
- Eu fiz ginástica artística dos 4 aos 9. – esclareci e Harry fez uma pose zombando.
- Ah, a gente pode fazer ao mesmo tempo, que tal? – disse e eu concordei, subindo no trampolim assistindo-a negar com a cabeça. – Vamos fazer no chão. – propôs e Harry arregalou os olhos.
- Vocês estão malucas? Podem se machucar. – avisou alarmado e eu ri.
- Relaxa, já faço isso há um tempo. – o tranquilizei, mas mesmo assim ele insistiu. – Eu vou fazer, você vai ver que não vai acontecer nada.
- Você é muito teimosa. – reclamou e olhou pra mim sorrindo.
- Vamos? – se preparou e eu concordei. – 1, 2, 3. – contou e nós fizemos sincronizadamente, animadas por termos conseguido. Sam bateu palmas e Harry colocou a mão no peito, todo dramático.
- Que susto. – disse e deu uma risada alta.
- Foi bonitinho. – Sam falou também e foi até ele e deu um tapa em seu braço.
- Não foi bonitinho, uma estrela sem as mãos é difícil viu. – discutiu e ele não contestou. Me fazendo rir.
- Querem aprender a fazer estrelas sem as mãos? – perguntei para os meninos abrindo os braços e sorriu cúmplice, Harry e Sam se olharam e correram pra dentro da casa, fazendo eu e rirmos.

16:11
Toda a família, menos Tom e Paddy, estavam no bar, para assistir a banda tocar, já que Nikki e Dom não tinham conseguido comparecer na primeira e nem na segunda vez.
A banda já estava no palco, com todos os instrumentos prontos, só ajustava o pedestal pra falar.
- Oh, hey, vamos começar com algo calmo, porque temos uma surpresa pra vocês, okay? – perguntou e ninguém disse nada, então a banda começou a tocar.
[Recomendo que coloquem pra tocar Psychopath da Charlotte Lawrence. Sei que a música não é de 2016, mas precisava colocar.]
Bet you're on the couch getting wasted/ Aposto que você está no sofá ficando chapado.
Wishing I was there getting naked/ Desejando que eu estivesse aí, ficando nua.
Keep it in me, you're trying to save this/ Mantenha em mim, você está tentando salvar isso.
Cause I know you get emotional when you're faded/ Porque eu sei que você fica emotivo quando está acabado.
A voz de era realmente bonita, gostosa de ouvir, aquelas que você se desliga quando escuta, sabe? Além de cantar estava com o baixo, focada na música.
So you're gonna lie to me, fuck you/ Então você vai mentir para mim, foda-se você.
Try to fake cry to me, that's cool/ Tenta fingir chorar para mim, isso é legal.
Said that you're alright with me, guess not/ Disse que está bem comigo, acho que não.
So you can keep on calling and I ain't gonna respond/ Então você pode continuar chamando e eu não vou responder.
'Cause I don't need your love, I don't need your cash/ Porque eu não preciso do seu amor, eu não preciso do seu dinheiro.
I don't want your stupid shit, you can have it back/ Eu não quero sua merda estúpida, você pode pegar de volta.
You keep saying that I'm crazy not to take you back/ Você continua dizendo que eu sou louca por não te aceitar de volta.
But if that makes me crazy, you're a psychopath/ Mas se isso me faz louca, você é um psicopata.
A música era boa, suave e aproveitava a voz de e Katherine que fazia o "coral" da música.
I bet you're missing me, I'm hoping it hurts/ Eu aposto que está sentindo minha falta, espero que machuque.
I'm making fires out of all your t-shirts/ Estou queimando todas as suas camisetas.
And all the, and all the other boys who got me a sweatshirt/ E todos os, e todos os moletons que os outros garotos me deram.
The one you gave to me when we still worked/ Aquele que você me deu quando ainda estávamos juntos.
Todos estavam bem concentrados, até porque não era aquela música animada que dava para pular, mas se mexer um pouco todos faziam. Olhei para Nikki e Dom curiosa e eles sorriam, felizes com a performance.
So you're gonna lie to me, fuck you/ Então você vai mentir para mim, foda-se você.
Try to fake cry to me, that's cool/ Tenta fingir chorar para mim, isso é legal.
Said that you're alright with me, guess not/ Disse que está bem comigo, acho que não.
So you can keep on calling and I ain't gonna respond/ Então você pode continuar chamando e eu não vou responder.
'Cause I don't need your love, I don't need your cash/ Porque eu não preciso do seu amor,
eu não preciso do seu dinheiro.
I don't want your stupid shit, you can have it back/ Eu não quero sua merda estúpida, você pode pegar de volta.
You keep saying that I'm crazy not to take you back/ Você continua dizendo que eu sou louca por não te aceitar de volta.
But if that makes me crazy, you're a psychopath/ Mas se isso me faz louca, você é um psicopata.
sorria enquanto cantava e eu podia ver que era isso o que ela gostava mesmo de fazer.
But if that makes me crazy, you're a psychopath/ Mas se isso me faz louca, você é um psicopata...
Didn't need you then, don't need you now/ Não precisei de você antes, não preciso de você agora.
Bet you're missing me now that you missing out/ Aposto que está sentindo minha falta agora que está perdido.
Didn't need you then, don't need you now/ Não precisei de você antes, não preciso de você agora.
Bet you're missing me, now that you missing out/ Aposto que está sentindo minha falta agora que está perdido.
Fechou os olhos por um momento e os abriu sorrindo em direção a nossa mesa.
'Cause I don't need your love, I don't need your cash/ Porque eu não preciso do seu amor, eu não preciso do seu dinheiro.
I don't want your stupid shit, you can have it back/ Eu não quero sua merda estúpida, você pode pegar de volta.
You keep saying that I'm crazy not to take you back/ Você continua dizendo que eu sou louca por não te aceitar de volta.
But if that makes me crazy, you're a psychopath/ Mas se isso me faz louca, você é um psicopata.
Depois de repetições da frase a música acabou e nem todos aplaudiram, mas a nossa mesa sim, fazendo sorrir e se virar para os integrantes da banda com um sorriso enorme, como se fosse realizar um feito histórico, então deixou o baixo de lado e o colocou num lugar seguro do palco, no fundo.
- Agora, vamos tocar uma música bem conhecida, esperamos que gostem. – disse antes de suspirar e dar uma volta com o olhar por todo o bar.

[Agora, Something's Got A Hold On Me.]
Oooh, sometimes I get a good feeling/ Ooh, às vezes tenho uma boa sensação.
I get a feeling that I never, never, never, never/ Uma sensação que nunca, nunca, nunca, nunca tinha
had before, no no/ sentido antes.
I just got to tell you right now/ Preciso te falar agora.
I believe, I really do believe that/ Eu acredito, realmente acredito que.
soltou a voz, e eu quase abri a boca com o tamanho da surpresa, mas me segurei e arregalei os olhos, ela cantava bem, mas agora tinha provado o verdadeiro potencial. Tinha alcançado notas altas, igual à Christina na música, talvez ela fosse ser a próxima.
Something's got a hold on me/ Algo me segura.
(Oh, it must be love)/ (Oh, deve ser o amor).
Oh, something's got a hold on me right now child/ Oh, tem algo me segurando bem agora.
(Yeah, it must be love)/ (É, deve ser amor).
Let me tell you now/ Deixa eu te falar agora.
I got a feeling, I feel so strange/ Tenho essa sensação, me sinto tão estranha.
Everything about me seems to have changed/ Parece que tudo em mim mudou.
Step by step, I got a brand new walk/ Passo a passo, tenho um andar completamente novo.
I even sound sweeter when I talk/ Pareço até mais doce quando falo.
I said, Oh Oh Oh/ Eu disse, oh, oh, oh
Tirou o microfone do pedestal e cantou com presença mexendo os pés e dançando um pouco no ritmo.
I said babe, Oooh it must be love/ Eu disse, baby, que deve ser amor.
(You know it must be love)/ (Você sabe que deve ser amor).
Os outros integrantes cantaram, como na música original e sorriu.
Let me tell you now/ Deixa eu te falar agora.
Something's got a hold on me/ Algo me segura.
(Oh, it must be love)/ (Oh, deve ser o amor).
Oh, something's got a hold on me right now child/ Oh, tem algo me segurando bem agora.
(Yeah, it must be love)/ (É, deve ser amor).
Let me tell you now/ Deixa eu te falar agora.
I never feel like this before/ Eu nunca tinha me sentido assim antes.
Something's got a hold on me that won't let go/ Algo me segura e não quer me soltar.
I believe I'd die if I only could/ Acho que eu morreria se pudesse.
I sure feel strange, but I sure feel good/ Realmente me sinto muito estranha, mas é muito bom.
Andava pelo palco pequeno e interagia com Liam, Simon e Katherine. Até que saiu do palco e cantou, andando pelas mesas.
I said, Oh Oh Oh/ Eu disse, oh, oh, oh
I said babe, Oooh it must be love/ Eu disse, baby, que deve ser amor.
(You know it must be love)/ (Você sabe que deve ser amor).
Chegou à nossa mesa e segurou minha mão, dançando animada, me fazendo rir.
Let me tell you now/ Deixa eu te falar agora.
My heart feels heavy, my feet feel light/ Meu coração está pesado, meus pés estão leves.
I shake all over, but I feel alright/ Eu toda trêmula, mas me sinto bem.
I never felt like this before/ Eu nunca tinha me sentido assim antes.
Something's got a hold on me that won't let go/ Algo me segura e não quer me soltar.
I never thought it could happen to me/ Nunca pensei que poderia acontecer comigo.
Voltou até o palco em pulinhos e colocou o microfone no pedestal, brincando com ele e arrastando.
My heart was heavy when in misery/ Meu coração estava pesado de tristeza.
I never thought it could be this way/ Nunca pensei que poderia ser assim.
Love's sure gonna put a hurting on me/ O amor com certeza me deixará uma ferida.
Balançou a cabeça, e mexeu com a voz, de acordo com a performance.
I said, Oh Oh Oh/ Eu disse, oh, oh, oh
I said babe, Oooh it must be love/ Eu disse, baby, que deve ser amor.
(You know it must be love)/ (Você sabe que deve ser amor).
E agora vinha a parte que ela tinha que trabalhar a voz, bastante mesmo. Os outros iriam fazer a voz do fundo e já se preparavam.
Yeah he walks like love/ É, ele caminha como o amor.
(Yeah he walks like love)/ (É, ele caminha como o amor).
And he talks like love/ E ele fala como o amor
(And he talks like love)/ (E ele fala como o amor).
Makes me feel alright/ Faz eu me sentir bem.
(Makes me feel alright)/ (Faz eu me sentir bem).
In the middle of the night/ No meio da noite.
(In the middle of the night)/ (No meio da noite).
Na na na na!/ Na na na na!
Finalizou com notas altas e logo depois, literalmente todo mundo aplaudiu, uns assobiando e outros gritando.
- Essa é minha garota! – gritei com as mãos pro alto e logo me arrependi, porque todos olharam pra mim.
parecia tomar fôlego e agora Liam ia cantar uma música e ia ficar no baixo mesmo.
Depois de três músicas, eles deram uma pausa de 6 minutos, enquanto músicas tocavam na caixa de som. veio até a nossa mesa e Liam, Simon e Katherine se encontraram com os amigos e familiares deles.
- O que acharam?! – perguntou animada e sorriu largo. – Eu treinei bastante pra performar a segunda música, então não sejam duros comigo. – pediu sentando na mesa.
- Você é talentosa demais, ! – Nikki disse sincera e Dom concordou com a cabeça.
- Pode ser a nova Christina Aguilera. – Dom se pronunciou e eu ri, porque tinha pensado naquilo também.
- Obrigada. – agradeceu feliz e Dom olhou para o relógio fazendo uma careta.
- Temos que ir buscar o Paddy na escola, mas em casa conversamos mais sobre a banda, ok? – perguntou e concordou com a cabeça. Ficando sozinha com a gente, Harry, eu e Sam.
- Acharam que eu desafinei em Something's Got A Hold On Me? – questionou paranoica e todos negaram com a cabeça ao mesmo tempo.
- Foi ótimo, afinado, descontraído, bem você. – respondi e arqueou as sobrancelhas.
- E isso é bom? – perguntou e eu ri.
- Claro que é! – Sam disse rindo e Harry balançou a cabeça em descrença.
- Vamos voltar? – Simon chamou em nossa mesa e ela mandou um beijo no ar, indo até o palco novamente.
28/02/2016
Domingo
7:44
P.O.V Hoffmann
Tinha acabado de acordar e só queria evitar sair do quarto e trombar com Thomas, ele estava sendo simpático, mas depois de tudo, eu não conseguia vê-lo de um jeito amigável e sim de um jeito falso.
O toque do celular me assustou e eu quase dei um gritinho, olhando para o visor que mostrava o nome de Simon.
- Alô. – tentei dizer mas minha voz saiu rouca, então reformulei. – Hey, oi...
- Te acordei? Sinto muito... – pediu nervoso e eu ri fraco.
- Não, eu já estava acordada há uns cinco minutos. – expliquei e o mesmo suspirou. – Bom, o que quer às oi horas da manhã?
- Eu não queria incomodar, mas tinha que te convidar pra sair comigo, Liam e Katherine. Na outra segunda. – propôs e eu pensei por alguns segundos.
- Pra onde? – perguntei ainda meio sonolenta.
- Compramos ingressos para London Eye. – respondeu tranquilo e eu arregalei os olhos.
- Tá brincando, né? Simon! Você sabe que é o lugar que eu mais quero ir desde que cheguei! – aumentei o tom animada e ouvi uma risada de Simon.
- Sim, por isso compramos. – disse óbvio e eu revirei os olhos, tendo em conta de que ele não veria. – Me diga se não somos ótimos amigos?
- Isso eu só vou confirmar quando for, né, mas obrigada, foi bem legal ter se lembrado. – agradeci feliz e sorri silenciosamente.
- É pra isso que amigos servem. – pronunciou a velha frase e se despediu, me fazendo desligar e pular pra fora da cama, animada.
Mexi no celular, entrando no Instagram e passei o dedo pela tela procurando algo interessante. Eu seguia toda a família, o que levou a uma das sugestões ser uma foto que Harry havia postado com mais cinco pessoas, eu curti e quando fui ler a legenda outra coisa me chamou a atenção, "curtido por tomholland2013".
De alguma forma, fiquei curiosa e cliquei em seu perfil, o analisando, ele tinha mais do que 10.000 seguidores e isso pra mim, já era mais que o suficiente.
A última foto postada era dele na praia sem camisa, eu tentei não olhar muito, até porque só por estar no perfil de uma pessoa que você acha falsa já te faz bem hipócrita, imagina ficar olhando para seu corpo.
Fui passando e achei a melhor foto, que era a de Tessa dentro de uma mala. Esqueci que estava no perfil de Thomas e curti a foto, percebendo alguns segundos depois, jogando meu celular na cama e batendo a mão na testa.
- Não, não, não. Meu Deus, eu sou muito burra! – sussurrei falando sozinha e batendo o pé no chão.
Quer dizer, ele tinha mais de 10.000 seguidores, não notaria uma curtida minha, né? Eu realmente esperava que não. Peguei meu celular e descurti, suspirando em seguida.
O bloqueei e o coloquei na escrivaninha, indo em direção ao guarda roupa para me trocar. Peguei uma calça jeans preta e uma blusa vinho de manga comprida que ficava nos ombros.
Eu não colocaria uma calça de moletom porque estava frio, mas não tanto, fui até o espelho e olhei para meu cabelo pensando se o prender era uma boa ideia, fiz um coque normal e olhei novamente, not today (hoje não) coques frouxos.
O soltei e passei as mãos por ele, achando-o bonito naquela manhã, ele ao invés de estar liso como sempre, estava meio ondulado. Deixei meu celular no quarto e fui até o banheiro, escovar os dentes e o cabelo, então desci, reparando que aparentemente todos estavam dormindo.
Fui até a cozinha e quando entrei, tomei um susto, Thomas e outro homem estavam conversando e rindo até se virarem para me olhar, um arrependimento enorme se formou dentro de mim por ter entrado e eu fechei os olhos momentaneamente virando e saindo da cozinha. Andando rapidamente em direção ao meu quarto novamente.
- Você sabe que eu não mordo, né? – Thomas tinha saído da cozinha com seu amigo e perguntou alto para mim, olhando quando eu virei, bem no começo da escada.
- Claro que sei, quando você abre a boca é só para falar besteira. – respondi cruzando os braços e Tom sorriu.
- Minha boca tem várias utilidades. . – rebateu e eu arqueei as sobrancelhas, que nojo!
- Você é ridículo, já te disseram isso? – questionei e ele andou até mim enquanto o amigo assistia, interessado.
- Já, mas todos foram pessoas que só conseguiam ver o próprio ponto de vista. Você não tem nem um pouco de empatia? Afinal, vi que andou fuçando no meu Instagram. – apontou um dedo pra mim e eu suspirei.
- O que eu te fiz, deixe-me perguntar? – ignorei a última coisa que disse, claro que com 10.000 seguidores ele notaria minha curtida, era uma sorte maravilhosa.
- Além de tudo o que já expliquei, foi mal-educada com meu amigo, nem um oi? – respondeu debochando e eu concordei com a cabeça. – Eu te pedi desculpa pelo mal entendido, você que continuou sendo arrogante.
- Sério? Você vai usar esse argumento?
- Sim, eu vou. – Thomas sorriu e eu passei por ele indo em direção ao seu amigo.
- Prazer, eu sou . – estendi a mão ignorando a discussão anterior e tentando ficar calma.
- Eu sou Harrison. – me cumprimentou e sorriu amigável, parecendo querer rir.
- Quero que saiba que não importa o que ele fale de mim, eu sou uma pessoa normal e eu não terei nada contra você só por causa dele. – expliquei sincera e Harrison concordou com a cabeça, então fui até as escadas novamente e empurrei Thomas, subindo.
P.O.V Tom Holland
Me virei para Harrison e ri.
- Menina estranha. – falei baixo enquanto Harrison vinha até mim com um sorriso no rosto.
- Ela é bastante bonita, quem é? – perguntou mordendo o lábio e eu franzi o cenho, como ele achava bonita? Claro que ela não era feia, mas bonita também não né.
- Eu te contei lembra? As duas intercambistas. – tentei o relembrar e ele abriu a boca concordando.
- Você tem sorte, ela parece gostar bastante de você. – disse sarcástico e deu dois tapinhas em meu ombro.
- Eu tentei pedir desculpas, mas ela continuou com isso. – resmunguei e Harrison arqueou as sobrancelhas.
- Talvez não tenha pedido do jeito certo. – deu de ombros indo até o sofá e eu corri até ele.
- Ei, ei, ei. Não faça isso. – pedi negando com a cabeça e apontando.
- Fazer o quê? – franziu o cenho.
- Tentar colocar a culpa em mim para ter uma boa imagem dela e investir. – respondi rápido e Harrison riu.
- Droga, você me conhece! – reclamou batendo o pé e eu revirei os olhos.
- Ela nem é tão bonita, é bonita, é arrumadinha, ok? – me sentei no sofá, ao seu lado e ele levantou as mãos rindo.
- Mas ela realmente é linda, Tom, temos gostos parecidos, como não vê?... Ah é, vocês têm essa briguinha. – disse óbvio e eu neguei com a cabeça, não baseava minha opinião sobre isso por causa de briguinhas estúpidas, eu não fazia isso.
- Isso não é verdade, eu não acho a beleza dela tão assim, porque é minha opinião. – me justifiquei e Harrison concordou.
- Então, essa , como ela é? – perguntou interessado e eu neguei.
- Ela tem uma coisa com o Harry, fora de questão dar em cima dela.
- Ah, tudo bem. – ele aquietou e eu olhei de canto.
P.O.V Hoffmann
Tinha como um humano ser tão convencido? Realmente tinha e Thomas Holland provava isso.
Ele me irritava de um jeito que nem meu irmão conseguia, fazia meu sangue ferver.
"Minha boca tem várias utilidades", por favor! Seu ego me fazia sufocar e olha que o tamanho da casa era bem grande.
Já estava em meu quarto, pensando em como poderia melhorar nossa convivência, morávamos juntos, teríamos que nos esbarrar sem nos matarmos certo? Talvez um trato de silêncio? Não, ele adorava me encher o saco, isso não daria certo. A única forma era se nos déssemos bem, o que fazíamos voltar à estaca zero.
E se eu oferecesse algo? O que eu poderia oferecer? Argh, sem saída.
Ele me tirava do conforto mesmo sem estar por perto, ele poderia parar de respirar?
Não! Não! Não deseje isso , Dom e Nikki ficariam arrasados! Claro que não é só por isso que eu não desejaria a morte dele, mas né.
- a... – entrou no quarto tropeçando e eu me alertei.
- Bom dia, flor do dia. – cumprimentei enquanto olhava ela vir até a cama e cair na mesma, resmungando.
- Dia não, manhã. Por que eu acordei às oito da manhã? Hein, me diz o porquê! – surtou ainda deitada e eu franzi o cenho.
- E eu vou saber? Se eu tenho que te responder isso, você tem que me responder o porquê de Thomas e seu amiguinho estarem lá em baixo! – respondi e se sentou abrindo os olhos com dificuldade.
- Anh?
- Thomas trouxe um amigo pra cá, e eles estão lá embaixo, o que dificulta a possibilidade de descer. – expliquei frustrada e deu uma risadinha. – Que foi?
- Tom te irrita tanto, sem nem fazer nada, deve ser... – tentou dizer mas eu fiz uma careta e falei por cima.
- Calma, repete? Ele não faz nada?! – perguntei indignada e revirou os olhos me deixando com raiva. – Como você pode dizer que ele não faz nada?!
- Mas ele não faz, ! Tudo isso é um desentendimento. – tentou argumentar e eu suspirei dando um sorriso irônico em seguida.
- Ele poderia ter conversado comigo, ao invés de ser um total idiota e presumir coisas sobre mim. – respondi e ela pensou por alguns segundos.
- Ele te pediu desculpas, não? E você também não foi conversar com ele. Se ele é um idiota, o ponto não seria você tomar a iniciativa para ser diferente dele? – questionou e eu fiquei sem resposta por um tempo.
- Não tente fazer isso, , nem você tomaria iniciativa.
- Mas a diferença é que eu sou uma idiota! – apontou para si mesma e eu joguei a cabeça pra trás, cansada daquilo.
- Sai do meu quarto. – apontei pra porta e ela fez uma careta confusa.
- Você tá brincando, né?
- Sai do meu quarto. – repeti olhando para seu rosto sem vacilar.
- , eu só... – tentou dizer mas eu a interrompi mais uma vez.
- Outra hora conversamos ok? Só... Sai do meu quarto. – levantei de prontidão e saiu desnorteada.
P.O.V Gianniotti
Agora eu também estava com raiva, eu só estava tentando melhorar as coisas! Então não podia nem ouvir uma opinião diferente da dela e já ficava toda mal-humorada? Eu realmente não deveria mexer com a fera antes de conhecê-la.
Sério! Que infantilidade do caramba, talvez Tom estivesse certo sobre o que falava dela.
Não, eu não poderia pensar assim, foi nossa primeira briguinha, eu estou no calor do momento, morávamos juntas, passaríamos por isso várias vezes.
- Hey! – Harry me chamou a atenção ainda no corredor, todo animado, mas logo mudando a entonação. – Quero dizer, hey.
- Oi, Harry. – respondi meio desanimada recebendo um olhar confuso.
- Aconteceu algo? – perguntou chegando perto e eu neguei com a cabeça, a última coisa que eu queria agora era ter por perto o cara que não correspondia meus sentimentos.
- Você pode se afastar, por favor? – pedi enquanto Harry parava onde estava.
- Por... Por que? Eu fiz alguma coisa? – questionou com peso e eu senti uma pontada no peito.
- Não... Não. – balancei a cabeça.
- Então, o que aconteceu? Você pode me contar, sabe disso, não sabe? Somos amigos, eu estou aqui pra você. – tentou se aproximar de novo e meu coração acelerou.
- Não, Harry, por favor, eu vou pro meu quarto, bom dia. – tentei virar mas como se fosse um pesadelo ele segurou meu pulso, não me deixando sair e me deixando com raiva.
- Me conte.
- Harry, eu não quero.
- Me conte, por favor, eu só quero te ajudar.
- OKAY! – exaltei minha voz me soltando dele. – Quer que eu te conte o que está acontecendo? Então, vamos lá! Eu, gosto de você, e isso me machuca muito, porque eu moro com você e tenho que aturar você me chamando de irmã todo santo dia! E o pior de tudo é que você fica aí todo calmo enquanto eu surto por dentro tentando achar um jeito de fazer isso parar! – gritei, terminando e respirando fundo, aquilo tinha sido cansativo. Olhei para Harry e ele estava impassível, até chegar mais perto e colar nossos lábios desesperadamente me deixando muito surpresa e me fazendo interromper o beijo e franzir o cenho para ele.
- O... O que... – tentei dizer, mas Harry sorriu e colou nossos lábios de novo, passando os braços pela minha cintura, porém dessa vez não tentei de forma nenhuma interromper e continuei.
- Eu também gosto de você, . – pausou a fala sorrindo e levantando uma mão para colocar uma parte de meu cabelo pra trás da orelha, todo carinhoso. – Eu realmente gosto de você...
- Então, por que disse em alta e boa voz que não gostava? E que eu era uma irmã pra você? – perguntei mordendo o lábio.
- Não era isso que queria? – rebateu franzindo o cenho e eu fiquei ainda mais confusa. – Você tentou tanto para que os outros não descobrissem o que você sentia que praticamente jogou na minha cara que não gostava de mim.
- Harry, sobre isso, eu... – ele sorriu balançando a cabeça como se não fosse importante, me fazendo parar.
- Estamos aqui agora, não? Você gosta de mim e eu gosto de você. Não precisamos mais nos preocupar com isso, . – me tranquilizou e eu não consegui conter um sorriso.
- Você gosta de mim. – falei toda boba e Harry concordou com a cabeça. – E eu gosto de você...
- Isso... – sussurrou chegando perto e me beijando, céus, como era bom beijar Harry, o beijo dele era tão calmo, algo que você espera só para apreciar.
- Olha, não que eu queira interromper esse momento, não sei como ainda ninguém saiu do quarto e viu a gente, mas... E seus pais? – questionei parando o beijo e vendo Harry jogar a cabeça para trás e resmungar.
- Cuidamos disso depois, okay? Quer ir pro meu quarto? – perguntou sorrindo de lado.
- Que tal irmos pro meu? – propus e Harry concordou com a cabeça.
- Qualquer um está bom pra mim.


Capítulo 8

P.O.V Gianniotti
Eu e Harry ainda estávamos nos beijando em meu quarto, e eu nem sei como tínhamos chegado na cama, mas estávamos lá, nos beijando calmamente como se tivéssemos todo o tempo todo mundo. O único problema era que isso me dava entrada para pensar tudo o que estava prestes a acontecer. Então me afastei um pouco colocando o indicador em meu lábio inchado para impedir Harry de me beijar, para que eu pudesse falar.
- Precisamos falar sobre seus pais. – avisei enquanto ele se aproximava mais uma vez, até que ele entendeu e deitou com a barriga para cima, se ajeitando, enquanto eu continuava de lado.
- Certo, falamos com eles no almoço, okay? Não vejo a hora. – sorriu meio sarcástico e eu dei um tapinha em seu braço nervosa.
- Não brinque com isso. Isso é bastante sério.
- E quem disse que eu estou brincando? – dessa vez disse sério e virou de lado olhando em meus olhos.
- Mas... Já? Tipo, hoje? Não... Eu acabei de chegar aqui, seus pais irão me achar uma oferecida! É… E se eles me mandarem embora? E se...
- Se acalme. – segurou minha mão e deu uma risadinha bonitinha. – Você está surtando, por que está surtando?
- Veja a situação em que estamos, Harry! Eu vim aqui para estudar, e não faz nem um mês que estou aqui, o que seus pais irão achar disso? E de mim?! – apontei para mim e ele segurou minha mão de novo, sorrindo e tendo o superpoder de me acalmar um pouco.
- Eles gostam de você, eles gostam muito de você. Não tem que se preocupar com nada, ok? Nunca nenhuma namorada minha foi boa o bastante para minha mãe... – ia terminar, mas eu o interrompi.
- Isso me tranquilizou bastante. – ri nervosa mas ele revirou os olhos com a interrupção e continuou.
- Mas... Acredito que você vai ser a exceção.
- Olha eu não sei... Por que não esperamos mais um pouco?
- Acredite, vai ser pior se eles descobrirem por si próprios. E vamos lá! – tentou me animar usando uma entonação alegre, mas logo retomou a voz calma. – Você é legal, carinhosa, responsável e engraçada. Você é linda em todos os sentidos.
- E como sabe disso? Você não me conhece. – perguntei, mas sorri largo com os elogios.
- Eu simplesmente sei, eu não consigo evitar reparar em você, Gianniotti. – passou a mão em meu rosto e eu senti um frio em minha barriga que me fez sorrir automaticamente.
- Eu espero tanto, mas tanto, que você não seja um babaca. – fechei os olhos sorrindo e Harry riu baixo.
- Ah, eu sou um babaca. – contorceu o rosto em uma careta e dessa vez eu que ri. – Mas um babaca que consegue te fazer sorrir.
- Com certeza. – confirmei feliz e ele passou seus braços por minha cintura diminuindo nossa distância e me beijando.
- ! – bateu em minha porta me assustando e eu sem querer mordi o lábio de Harry fortemente, parando o beijo.
- Ouch. – sussurrou colocando os dedos onde estava sangrando e eu quase me bati por tanta estupidez.
- Me desculpa, me desculpa. – sussurrei de volta ouvindo outro grito de . – Vai pra baixo da cama, vai!
Apontei e ele revirou os olhos logo se abaixando e saindo da minha vista.
- Calma, já abro! Estou colocando a blusa! – gritei para e respirei fundo, criando coragem e indo abrir a porta. – Que foi?
- Eu preciso... Falar com você. – já foi entrando e disse com relutância.
- Pode falar. – nesse momento eu tinha esquecido da nossa mini briga, estava com tanto medo de que pegasse Harry que nada mais entrava em minha cabeça. Ela parou em pé balançando os braços e suspirou.
- Okay, olha. Isso é muito difícil para mim.
- O que? – perguntei confusa e ela pareceu ainda mais frustada.
- Eu vim aqui para... – deu uma pausa como se sentisse dor e eu franzi o cenho. – Pedir... pedir... – estalou os dedos como se tivesse esquecido da palavra e eu ri me distraindo do problema de Harry embaixo da cama.
- Desculpas? – perguntei sorrindo e ela arregalou os olhos.
- É, é isso. – apontou para mim com nervosismo e eu arqueei as sobrancelhas.
- Então pode pedir.
- Mas... Você já sabe o que eu vou falar, pronto. Problema resolvido não?
- Então você admite que estava errada? – perguntei chegando perto e ela franziu o cenho.
- Não, não... – disse prontamente, mas percebeu qual era o objetivo dela e abaixou a cabeça. – Mais ou menos.
- Se você admite, então eu também admito que estava mais ou menos errada, ok? – sorri divertida e respirou fundo.
- Ótimo! – já ia sair, mas antes de abrir a porta se virou para trás parecendo procurar algo, o que me fez literalmente gelar, até que ela se virou novamente e saiu. Harry saiu de debaixo da cama rindo e eu fiz uma feição de interrogação.
- Olhe o que eu achei aqui. – mostrou a mão que segurava com um dos dedos a alça de um dos meus sutiãs preferidos, que era vermelho escuro com coraçõezinhos brancos.
- Ei, me dê isso! – tentei pegar de sua mão, mas ele a colocou lá em cima então eu fiquei nas pontas dos pés, e para me fazer parar me deu um selinho.
- É adorável. – olhou para o sutiã e eu revirei os olhos.
- É confortável. – o corrigi.
- Então, no almoço... – disse e eu mordi o lábio nervosa.
- Vamos contar. – completei sem soar firme mas o que resultou em Harry jogando meu sutiã na cama e me dando vários beijinhos no rosto. – Para!
- Se é o que você quer. – soltou meu rosto e virou o dele, mas eu o peguei de volta e neguei com a cabeça rapidamente.
- Eu estava brincando!
- Não, você se incomoda, poxa.
- Idiota. – falei, enquanto ele se distanciava de mim.
- CRIANÇAS, O ALMOÇO ESTÁ PRONTO! – ouvimos Dom gritar e Harry deu um pulinho.
- Vamos lá, amore mio. – estendeu a mão e eu arregalei os olhos.
- Sério? Quando aprendeu isso?
- Eu estava treinando pra quando você admitisse seu amor por mim. – brincou e eu fiz uma careta para que ele falasse a verdade. – Queria aprender um pouco. Por você.
- Awn, que falso! Aposto que foi porque italiano é lindo.
- É, foi. – riu e eu peguei sua mão sendo levada por ele, até chegarmos no fim da escada, onde eu soltei sua mão. Todos já estavam lá, menos . E Tessa estava em sua caminha comendo ração.
Eu e Harry fomos pegar pratos na cozinha, sentamos na mesa e enquanto eu pegava a comida Harry puxou assunto.
- Então... – tentou dizer, mas desceu interrompendo. Ela foi até a cozinha e eu sem querer peguei Tom olhando para ela, confuso. Cruzei os braços automaticamente curiosa e Harry olhou para mim.
- Me desculpem, minha mãe me ligou. – disse se sentando, parecendo não querer conversa. Então Tom olhou para ela de novo e eu dei uma garfada na minha comida tentando esconder um sorriso.
- Tudo bem. – Nikki sorriu e Harry voltou a falar.
- Então... Eu e precisamos falar com vocês. – que comia, levantou a cabeça interessada.
- Podem falar. – Dom respondeu e Sam e Tom concordaram com a cabeça.
- Eu vou ser direto.
- Fale logo. – sorriu cruzando os braços parecendo querer insinuar algo.
- Eu e ... Meio que nos gostamos. – disse e eu até fiquei surpresa com tanta rapidez. Meu coração acelerou e eu coloquei a mão em minhas coxas, as apertando, até que Harry as segurou por baixo da mesa.
- E vocês acham que não sabíamos disso? – Nikki e Dom disseram ao mesmo tempo e eu arregalei os olhos.
- Que nojo! – Paddy disse enquanto limpava a boca com o guardanapo.
- Mas, como saberiam? – perguntei confusa e Nikki fez uma careta.
- Vocês são óbvios. Sinceramente, adolescentes. – suspirou e todos, menos Paddy, riram.
- Até porque, não é muito discreto se esconder debaixo da cama quando alguém entra no quarto. – abaixou a cabeça e disse, Tom e eu viramos para ela rapidamente, enquanto Harry, Sam, Nikki, Dom e Paddy pareciam não ter escutado.
- Co... Como disse? – perguntei e riu.
- Esquece, eu já esqueci. – deu de ombros e bebeu sua água, arqueando as sobrancelhas para mim. – Mas eu fico feliz por vocês dois, sério.
- Sim, isso é muito bom. – Dom disse e eu me tranquilizei.
- Vocês acham certo? Porque se não for, eu... Eu. Não quero que me achem uma oferecida ou sei lá o que. – falei agitada.
- Está tudo bem, você vai ser boa para ele. Você é a melhor namorada que eu poderia querer para o meu filho. – Nikki disse e Harry se virou para mim como se tivesse avisado. Eu sorri envergonhada e todos deram parabéns para nós dois.
- Eu disse que ia dar tudo certo. – Harry sussurrou e eu sorri concordando. Mas não estava bom demais para ser verdade?
- Mas, , como você...? – perguntei, me virando para ela e ela deu uma risadinha apontando para mim.
- Eu sou muito atenta aos detalhes, acho que isso é algo ruim e bom. Reparo em tudo, até o que eu não deveria. – fez um careta de nojo e nós duas rimos.
- Okay, hoje é seu dia de lavar os pratos. – Sam disse sorrindo para e ela fez um joinha.
- Eu sei. Todo mundo já terminou de comer? – perguntou e levantou recolhendo o seu prato e o de todos.
- Eu posso lavar o meu. – Nikki disse antes de recolher o seu e ela sorriu, pegando-o mesmo assim.
- Absolutamente não. – e mais uma vez naquele dia, eu peguei Tom olhando para .
Sinceramente, o que estava acontecendo na cabeça daquele menino? Era tão ruim ser uma pessoa curiosa, eu não podia chegar em Tom e perguntar, e não tinha outro jeito de descobrir. Então o meu modo era presumir, e montar várias possibilidades.
P.O.V Hoffmann
Eu estava lavando os pratos enquanto pensava... Como uma mulher poderia ser tão louca? Sério, minha mãe era a mulher mais louca que eu já havia conhecido, ela ultrapassava os limites até de personagens de animações ou qualquer filme ou série.
Ela era infiel, egoísta, maluca, e tantos outros xingamentos que eu nem conseguia pensar naquele momento. Foi ela quem me deu à luz, e cuidou de mim por uns anos, eu deveria ser grata, mas como? Como ser grata a pessoa que ela era? Eu a amava, mas ela me dava tanto ódio às vezes. E o problema era que, eu realmente achava que tínhamos coisas em comum.
- Vai com calma aí nos pratos. – Thomas chegou na cozinha e com a distração sem querer coloquei o prato reto em baixo do jato de água fazendo com que ele viesse quase todo para mim.
Segurei o prato com uma mão só e rapidamente fechei a torneira com a outra, o que infelizmente não impediu minha blusa de ficar encharcada.
- Caralho. – sussurrei, mordendo o lábio não acreditando e sentindo o frio em meu corpo enquanto a blusa colava em minha pele.
- Me desculpe. – Thomas queria rir, mas parecia ter pedido sem nenhum sarcasmo ou maldade.
- Vai se... – segurei o resto da frase e coloquei o prato em cima da pilha que eu tinha que secar, fechando a mão em um punho, até me virar para ele com fora a blusa, partes do cabelo e meu pescoço pingando.
- Eu... Realmente sinto muito. – disse dessa vez sem rir e eu até estranhei, ele veio até mim e pegou a toalha e um prato da pilha. – Eu posso secar.
- O que, por que está fazendo isso? – perguntei realmente confusa e ele olhou para mim enquanto secava o prato.
Demorou um pouco para responder e olhou para mim até demais, inclusive para minha camisa que estava molhada. Ela não era branca então não estava transparente, mas ainda sim estava colada. Fechei meus braços em volta de meus seios tentando cobri-los e ele percebeu, voltando `q realidade, quase pedindo até desculpas.
- É... Eu, me descul... Quer dizer... Sabe? – tentou formular algo, mas não conseguiu então eu dei uma risadinha que o fez rir também. Até eu perceber o que estava acontecendo.
- Hum, obrigada. Mas você sabe que isso não muda nada entre a gente, certo? – perguntei séria e ele franziu o cenho. – Tentamos esse negócio de desculpas e tal, não deu, porque não nos damos bem, então é melhor se nós só nos ignorarmos o máximo possível.
- Anh, certo. Sim, sim. – Thomas pareceu desnorteado, mas concordou e eu sorri meio estranhada.
- Eu ainda te odeio. – apontei para ele com não tanta certeza e ele sorriu, mas logo percebendo e revirando os olhos entrando no papel.
- Não mais do que eu te odeio.
- Certo, eu vou embora. – saí praticamente correndo e com sorte não recebi perguntas de ninguém da sala, que não me perceberam encharcada.
Entrei em meu quarto e peguei uma camiseta do armário, correndo para o banheiro para me trocar. Espremi a molhada no box e a segurei, indo levar para a varanda para deixá-la secar. Mas eu trombei com Thomas que subia, provavelmente tinha acabado de secar os pratos.
- Você tem que estar brincando comigo. – sussurrei com a foz fraca e tentei passar sem falar nada, mas quando eu fui passar para um lado ele foi por aquele, e quando fui para outro ele se moveu para o outro, me bloqueando, parecendo totalmente perdido.
Segurei ele com minha mão disponível pelos ombros e passei por um lado, andando rápido.
- Hey, o que é isso? – me perguntou quando eu cheguei na sala e eu quase pulei.
- Calma, vem cá. – puxei ela com uma mão e ela teve que sair do abraço que estava tendo com Harry no sofá.
- Ei, ei, não! – Harry resmungou e eu mostrei a língua, levando comigo.
- Pode me explicar?
- Ai, eu nunca gostei tanto de você, sabia? – fugi da explicação enquanto chegávamos na varanda e estendi minha camisa.
- Olha eu sei que você é bi e tals, e todo mundo gosta do que não pode ter, mas... Infelizmente, eu sou hétero. – zoou comigo e eu ri passando o braço em volta de seu pescoço.
- Não. – falei séria apontando que não era aquilo, mas continuei a brincadeira. – Você nem é tão bonita assim!
- O que disse? Você é uma idiota! – respondeu enquanto eu tirava meu braço e corria para a sala.
- Porque está correndo? – Sam perguntou quando eu cheguei na sala e eu pulei no sofá me escondendo atrás de Harry.
- Ei, sua namorada quer me bater. – o avisei e ele virou para mim me encarando.
- Ela não é minha namorada.
- Do que estão falando? – chegou na sala parecendo ter se esquecido da brincadeira.
- E por quê? – Sam questionou confuso. – Pensei que se gostassem.
- Mas eu não pedi, eu não fiz um pedido.
- Ah, então quer que seja um relacionamento aberto? – eu perguntei arqueando as sobrancelhas e Harry negou com prontidão, fazendo Sam sorrir.
- Não, não. Não foi isso que eu disse... – tentou dizer mais uma vez, mas eu sorri para ele como se não fosse mudar minha opinião, então ele apontou para mim negando com a cabeça. – Não, não, não. Não foi isso...
- Então, ... – chamei seu nome e ela olhou para mim, mas quando eu ia dizer, Harry colocou a mão em minha boca.
- , não.
- Hum... Hum, hum. – tentei dizer " sim." mas a mão de Harry abafou, não me deixando ser compreendida.
- , você não concorda, que é melhor se não tivermos nada sério agora? Se só namorarmos quando nos conhecermos melhor e passemos mais tempo como a gente quer? – perguntou e ela concordou com a cabeça, parecendo até sincera.
- Ah que sem graça. – depois que Harry tirou a mão de minha boca, eu disse, rindo com Sam.
- , então... – veio em minha direção como se quisesse dizer algo sério, mas quando chegou fez cócegas em mim me fazendo rir alto. Eu não deveria ter baixado a guarda.
- Ah não, não. – falei entre risos. – Por favor, por favor.
- Peça desculpas. – ordenou e eu lá morrendo de rir, tentando tirar suas mãos de mim.
- Desculpa, desculpa. – falei desesperadamente e ela parou, me deixando respirar profundamente. – Você sabia que eu acabei de comer, né? Se eu morrer a culpa é sua.
- Dramática. – revirou os olhos e eu sorri.
- É meu charme.
- Mas então... Como isso – Sam apontou para Harry passando para . – aconteceu?
- Foi um surto. – Harry respondeu e franziu o cenho como um bebê.
- Ei!
- Tá, continua. – pedi e ele suspirou.
- Ela se jogou em meus braços depois de brigar com você e se confessou. – disse sério e riu jogando uma almofada nele.
- Eu estava brava e ele veio me encher o saco, então conversamos e eu acabei dizendo. – explicou e eu abri a boca em entendimento.
- Faz mais sentido. – Sam olhou para mim e eu concordei com a cabeça rindo.
- Minha versão é mais legal. – Harry fez biquinho e sentou ao seu lado. o beijando.
- Ew, a essa hora da tarde.
- Eca, por que? – eu e Sam reclamamos ao mesmo tempo só para encher o saco deles e eles se separaram rindo e se beijando de novo pela reclamação.
- É, agora o que nos resta para roubar o foco deles é se nós nos beijarmos. – Sam disse e eu ri, tomando proximidade de seu rosto e corpo, o que fez com que Harry e se descolassem e olhassem surpresos.
- Ainda não vai acontecer. – sussurrei quando nossos narizes quase se colaram e virei para os dois pombinhos levantando e sorrindo para suas feições.
- , espere. Eu tenho que conversar com você. – levantou também e eu esperei para irmos pro meu quarto.
P.O.V Harry Holland
Sam ainda estava meio absorto e eu preferi não falar nada sobre, nem mesmo zoar com sua cara, o que eu queria muito.
Então pensei na única coisa que poderia me distrair, . Eu quase não acreditava que ela gostava de mim e tinha admitido, eu era um romântico? Talvez. Então eu estava ansioso para compartilhar aquele tipo de relação com , planejar aquele tipo de coisa com ela.
- Essa mulher é uma perdição. – Sam disse e eu ri.
- Sei como é. – falei, todo alto, pensando nos lábios e sorriso de .
- Eu te odeio, sabia? – me despertou e eu franzi o cenho.
- O quê?
- Você ficou com a garota! Você se deu bem Harry. E olha que eu sou o mais bonito dos Holland. – suspirou brincando e eu ri.
- Eu sou o primeiro e depois vem o Tom, daí o Paddy. Então abaixa a bola aí. – fiz um gesto com a mão e ele bateu nela.
- O que estão falando sobre mim? – Tom chegou na sala, se jogando no sofá.
- Nada. – Sam respondeu e eu fiquei quieto.
- Vocês são extremamente estranhos.
- Mas sério, Harry, como conseguiu? – Sam perguntou voltando ao assunto e eu só joguei a almofada em sua cara.
- Cale a boca. – pedi.
P.O.V Hoffmann
- O que foi? – perguntei para e ela sorriu, se sentando em minha cama.
- O que rolou entre você e Tom? – minha mente entrelaçou um pouco. Mas fiz questão de franzir o cenho e me fazer de desentendida.
- Como assim?
- Ah, então nada rolou? – pareceu comprar e pensou silenciosamente.
- Você ficou louca?
- Esquece.
- Agora diz.
- Tá. – respondeu animada como se estivesse esperando que eu perguntasse. – Tom ficou olhando para você hoje, pensei que algo tivesse acontecido. Tipo um entendimento.
- Nossa, pensei que fosse algo relevante. – ri e revirou os olhos.
- Você perguntou, não pode reclamar.
- Ok. – levantei as mãos. – Mas nada aconteceu, eu ainda o odeio.
- Mas por...
- Pare bem aí. Você quer brigar de novo? – arqueei as sobrancelhas e fez um zíper imaginário em sua boca.
- Sobre o que podemos...
- Mas e você e Harry? Já rolou? – perguntei, a interrompendo, mexendo as sobrancelhas.
- Eu sou virgem, . – olhou seriamente para mim.
- O que? É sério? – perguntei sem discriminação ou julgamento. Pulando na cama.
- É.
- Você namorou por três anos e nunca fez nada?
- É. Acho que eu só não terminei com ele antes porque fiquei com medo de morrer sozinha. – riu revelando e continuou. – Minha mãe o amava. Cara, como ela amava ele.
- É chato, não é? – contorci o rosto rindo.
- Já passou por isso?
- Já. Meu pai chamava meu namorado para vir em casa sem nem me perguntar, e ainda por cima... – antes de eu terminar apontou para mim sorrindo, como se soubesse o que eu diria.
- Eles ficavam juntos e esqueciam de mim! – dissemos juntas alto e caímos na cama, rindo.
- Ai, ai, que época horrível. – falei com a mão na barriga.
- Sim, bastante. – concordou.
Ficamos lá deitadas conversando, por um longo período de tempo, até que tivemos que fazer nossos trabalhos extracurriculares, então ela foi para seu quarto e eu comecei o meu.

29/02/2016
Segunda-feira
14:25
P.O.V Tom Holland
Fazia poucos minutos que tinha chegado em casa, tinha ido até a academia e estava exausto, eu só queria um banho e minha cama. Harry e Sam estavam na sala mexendo no celular, Paddy na escola, no curso e provavelmente dentro do quarto.
Não fazia nem um dia que Harrison havia dito a besteira de que era linda, ontem até tinha me pegado tentando analisar seu rosto para ver se era verdade, mas não tinha conseguido ver nada de especial. Era claro que eu não tinha muita moral para falar dela daquele jeito, mas ela geralmente era uma babaca comigo, então levava isso como uma abertura.
Ela era bonita? Será mesmo? Eu não era uma pessoa atenta aos detalhes então não saberia falar sobre seus traços, mas de que importava ser bonita e ser chata daquele jeito? Eu nunca tinha ficado com raiva de alguém por tanto tempo, sempre fui uma pessoa tranquila, mas ela era diferente, tinha uma coisa que me irritava, uma coisa que me forçava a não gostar dela, mesmo tendo tentado ontem acertar as coisas, ela havia desconversado como se eu estivesse implorando por aquilo.
Peguei uma calça de moletom e uma blusa de frio, ainda pensando naquilo, e fui até o banheiro para tomar um banho. Quando pisei um pé para fora do quarto avistei indo pro dela que era dois após o meu, por que tínhamos que sempre nos encontrar? Tentei voltar pra dentro do quarto, mas a frase de me parou.
- "Você sabe que eu não mordo, né?" – repetiu o que eu tinha dito para ela e eu ri forçado.
- Não teve graça. – falei sério e ela passou por mim.
- Teve um pouco sim. – disse de costas e eu saí do quarto, revirando os olhos, indo tomar meu banho.
Depois que saí, fui até a sala e encontrei Harry beijando no sofá, Sam não estava na sala. Não foi um beijo com segundas intenções, foi até fofo, até eu encontrar novamente, descendo as escadas e quase passando por cima de mim para ir até eles.
- Vocês vão hoje, certo? – perguntou para eles e eu fiquei curioso, para onde?
- Vamos. – respondeu pelos dois e Harry se virou e olhou em minha direção.
- Você vai junto. – afirmou e eu franzi o cenho.
- Aonde?
- Ele não vai. – respondeu por mim e olhou para ela como se a censurasse. Quando vi a irritação de , senti vontade de ir, só para contrariá-la.
- canta em um bar e sempre vamos para assistir. – Harry explicou e ela me olhou cruzando os braços.
- Ele não quer ir, deixem ele em paz.
- Na verdade, eu adoraria. – respondi sorrindo e me aproximando, vendo se indignar, mas mesmo assim ficar quieta.
- E Sam? – perguntou.
- Ele não quer ir hoje. – respondeu sem muita emoção e olhou para ela como se dissesse algo silenciosamente. só olhou de volta descruzando os braços.
- Vocês podem se desgrudar e controlar seus hormônios para eu me sentar no meio? – perguntou e sorriu se afastando de Harry, abrindo os braços para aconchegar no sofá.
- Como você...? – tentei perguntar e Harry já entendeu o que eu queria dizer.
- Eu já me acostumei. Temos uma relação à três. – respondeu sorrindo e coisas impuras se passaram pela minha cabeça. – Não desse jeito, Tom!
- O que eu fiz?
- Jesus. – ouvi sussurrar e ri. – Agora eu sei porque Sam é assim...
- Eu não fiz nada. – retruquei e Harry me repreendeu.
P.O.V Hoffmann
15:12

Quando Thomas saiu um pouco da sala dizendo que iria subir para seu quarto para pegar o celular, eu quase gritei "aleluia", mesmo sabendo que, para minha infelicidade ele voltaria em minutos. Antes que me esquecesse, me virei para Harry e bati com a mão aberta em seu peito, recebendo um olhar confuso como resposta.
- Au!
- Seu idiota! – sussurrei irritada olhando para ele indignada, então ele abriu os braços franzindo o cenho.
- O que eu fiz? – prolongou a palavra se defendendo dos tapas que eu dava em seus braços.
- Você praticamente convidou Tom para ir ver ela cantar. – respondeu por mim apoiando seu cotovelo no sofá para apoiar seu rosto na mão.
- Obrigada! – agradeci por ela ter entendido e o momento de paz acabou.
- Pelo que? – Thomas chegou e perguntou super intrometido, como se fosse da conta dele.
- Eu não fiz isso. – Harry continuou o assunto ignorando seu irmão e olhando pra mim.
- Fez. – respondi cruzando os braços.
- Ele que entendeu errado! – apontou para Thomas e Thomas apontou para si mesmo, franzindo o cenho.
- Estava falando sobre mim, Hoffmann? – questionou convencido e disse meu sobrenome de um modo que me provocou ainda mais.
- Ótimo, Harry, você fez mais besteira. – me direcionei a ele que se tocou. Como ele era lerdo às vezes!
- Desculpa, desculpa. – segurou minha mão fazendo uma careta e eu tive vontade de rir, mas achei o momento inapropriado, então não o fiz.
- Meu Deus, Harry. – encostei minhas costas no sofá bruscamente e bufei, cansada do garoto, ouvindo uma risada de .
- Era sobre como fui legal com você ontem? – Thomas perguntou tocando naquela tecla de novo e me fazendo revirar os olhos.
- Legal? – perguntei como se não estivesse acreditando e Thomas concordou com a cabeça, atraindo a atenção dos outros dois ali presentes. – Sim, tão legal. Tão legal quanto minha blusa molhada, né?
- Isso foi apenas um detalhe e foi culpa sua. – tentou se defender e eu ri sarcasticamente.
- Mas você gostou, não? Ficou olhando. – questionei e isso pareceu o deixar sem resposta.
- Não, eu não e-estava... Digo... – tentou se reformular enquanto eu o olhava esperando sua resposta, batendo os cílios convencida. - Me desculpe... – disse baixinho e eu quase arregalei os olhos, realmente não esperando por aquela resposta. – Sei que foi bem desrespeitoso... Não irá acontecer novamente.
Complementou e desta vez eu era quem tinha ficado sem fala, quem diria, hein? O cara não era tão ruim assim, depois do pedido pensei por alguns segundos. O certo era agradecer, não é? Claro que meu orgulho estava ferido só por pensar na possibilidade, mas era o certo, e se era o certo...
- Obrigada... – de tão baixo que saiu pareceu mais um sussurro do que um agradecimento, mas eu me orgulhei, porque pelo menos ele tinha ouvido.
- Isso foi estranho. – Harry quebrou o silêncio e suspirou, dando um tapa na nuca dele, me fazendo sorrir.
- Ei! – contestou massageando a nuca, mas tudo que fez, foi fechar os olhos e negar com a cabeça em repreensão.
Meu celular vibrou em meu bolso e eu o peguei rapidamente para ver se Isadora tinha me respondido, ela realmente demorava uma eternidade e tudo o que eu torcia quando pensava que era ela, era para não ser uma mensagem curta e grossa, ela tinha muitas dessas. Ela estava me ligando e por conta da surpresa demorei alguns segundos para atender, ela nunca me ligava.
- Alô. – finalmente atendi e esqueci de falar em alemão, balançando a cabeça e reformulando. – Quer dizer... Alô.
- ! O que está fazendo? – me perguntou animada e eu estranhei.
- O que eu estou fazendo? O que você está fazendo? Você nunca liga. – perguntei de volta em alemão, vendo Tom virar o rosto para mim, e os outros dois nem ficarem surpresos.
- Ah, tenho que fazer uma exceção, né? Você está bem longe. Tipo mil quilômetros daqui. – disse se justificando e eu franzi o cenho.
- Você não é bem uma pessoa de surpresas, nunca faz nada diferente.
- Talvez eu esteja tentando mudar.
- Mudar? Isa, eu te conheço desde os 9 anos. Não vi você mudar uma vez sequer. – sei que aquilo era exagero, mas ela sabia o que eu queria dizer.
- Isso não é verdade! Você lembra quando eu comecei a tomar Coca Cola? – perguntou indignada e eu ri, ela sempre odiou Coca Cola.
- Sim, isso durou duas semanas. – rebati e ela suspirou, provavelmente tentando encontrar outra "mudança" para jogar contra mim.
- E quando eu comecei a usar lentes de contato?
- Preciso te lembrar que isso durou menos que a Coca Cola?
- Mas eu mudei! Eu ainda uso lentes para ocasiões especiais. Eu só prefiro óculos, porque lentes incomodam muito... – foi diminuindo a voz e eu ri.
- Não incomodam tanto não, eu uso até hoje. E às vezes nem me lembro de que estou usando. – respondi e percebi que quase sempre acabávamos em um desacordo.
- Claro que você usa. Você nem mesmo precisa de óculos, Hoffmann! Seu grau era baixo quando o colocou e ele ainda diminuiu ao decorrer dos anos. Você usa um grau em cada lado, é uma grande diferença para o meu. – explicou e eu cansei de discutir, passando o bastão para ela.
- Ok, ok. Você venceu, eu fico muito feliz que esteja tentando sair da rotina. Você sabe que te amo e te apoio em tudo. – falei sincera e ela gargalhou desacreditada.
- Você está mesmo desistindo de uma discussão comigo? Meu Deus! O que esse intercâmbio fez com você? Em plena tarde, às 16:36...
- Ei, eu não sou tão... Espera! 16:36?! – a interrompi e reparei na hora, olhando no relógio do celular. É, se o fuso da Alemanha era uma hora à frente. 15:36. Eu precisava me arrumar. – Isadora, estou atrasada! Preciso ir, beijo, te amo.
- Também te amo. – respondeu antes de que eu desligasse, sabendo que eu não a deixaria em paz se não me respondesse.
- Ei, se forem trocar de roupa pra ir, vão agora porque já são 15:36. – levantei apressada falando em inglês e todos foram para seus quartos.
Eu coloquei um vestido de alças finas branco, com botões em uma linha no meio, não era muito colado e nem muito solto, até que deixava meu corpo bonitinho. Peguei um cardigan e desci para sala, onde todos menos Thomas esperavam por mim, por um momento esperei que ele tivesse desistido da ideia estúpida de ir... Mas ele desceu arrumado e todos saímos de casa.
P.O.V Tom Holland
16:02

Tínhamos chegado ao bar em que tocava, era até uma surpresa o quanto de tamanho aquilo tinha, claro que não só pelo tamanho, mas pelo fato de estar lotado. era realmente boa assim para ser contratada por aquele lugar?
Sentamos algumas mesas atrás das que tinham à frente do palco porque já tinham pessoas sentadas lá, e a pista era consideravelmente grande, então eu apostava que quem gostasse de dançar sairia da mesa para ter um pouco de diversão.
logo seguiu para uma parte do bar em que não conseguíamos ver e disse para nos acomodarmos perto do palco, que incrivelmente, adivinhe? Também era grande.
- Você vai adorar. – se dirigiu a mim animada e Harry que batucava na mesa interviu.
- Como pode pensar desse jeito se sabe que ele odeia a ? – quando disse isso eu fiz questão de me defender. Eu gostava de , e ela e pareciam bem unidas, então se ela pensasse que eu a odiasse talvez se afastasse de mim.
- Eu não odeio ela! Só não nos damos bem. – me justifiquei e sorriu pra mim, com um pouco de descrença.
- Desculpa... Só pensei que pelas nossas conver... – antes de terminar chutei sua canela fortemente, o parando e finalmente o fazendo entender.
- Eles vão começar. – chamou nossa atenção e eu e Harry, que massageava a canela, viramos. Não era só , tinham mais três.
- Oi, gente! – chamou pelo microfone e várias pessoas gritaram e aplaudiram mesmo antes de começar. – Hoje nós vamos tocar uma música que muitos conhecem, só que em uma versão diferente.
[Recomendo que coloquem para tocar, Valerie do Glee, Season 2]
O baixo começou a tocar e alguns segundos depois veio a bateria, num ritmo realmente animado. Então começou, batendo o pé no chão.
Well sometimes I go out by myself/ Bem, às vezes eu saio sozinha por aí.
And I look across the water/ E eu olho através da água.
Depois dessa frase, os outros integrantes nos instrumentos fizeram um coral para .
And I think of all the things, what you're doing/ E eu penso em todas as coisas que está fazendo.
And in my head I paint a picture/ E eu até já imagino a cena.
'Cause since I've come on home/ Porque desde que eu voltei para casa.
Well my body's been a mess/ Meu corpo esteve uma bagunça.
And I miss your ginger hair/ E eu sinto falta do seu cabelo ruivo.
And the way you like to dress/ E a forma como gosta de se vestir.
Os outros três continuaram a fazer o coral e tocar.
Won't you come on over?/ Você não vai aparecer?
Stop making a fool out of me/ Pare de me fazer de boba.
puxou a última parte, tendo uma extensão bonita e forte.
Why won't you come on over Valerie?/ Por que você não aparece, Valerie?
À partir daí ela se soltou ainda mais, mexendo o corpo e dançando alegremente.
(Valerie..)
Enquanto os outros faziam sons no fundo, cantou o nome novamente, confiante.
Why won't you come on over?/ Por que você não aparece?
Dessa vez só os outros integrantes cantaram e tirou o cardigan de seu corpo jogando para nossa mesa. Um ato que eu achei bem imprudente, e se outra pessoa tivesse pegado?
Did you have to go to jail?/ Você teve que ir pra prisão?
Voltou a um tom mais calmo. Mas ainda sorria genuinamente.
Put your house up on for sale, did you get a good lawyer?/ Colocou sua casa a venda, arranjou um bom advogado?
I hope you didn't catch a tan/ Eu espero que você não tenha se bronzeado.
I hope you'll find the right man who'll fix it for you/ Espero que você ache o homem certo que vai te consertar.
Who'll fix it for ya/ Que vai te consertar.
Os outros cantaram em sincronia.
Now you're shoppin' anywhere/ Agora está fazendo compras em qualquer lugar.
Changed the colour of you hair, are you busy?/ Mudou a cor do seu cabelo, você está ocupada?
Are you busy?/ Você está ocupada?
And did you have to pay the fine?/ Você teve que pagar aquela multa?
You were dodging all the time, are you still dizzy?/ Que você estava adiando a tanto tempo, você continua confusa?
Are you still dizzy?/ Você continua confusa?
Dizzy?/ Confusa?
'Cause since I've come on home/ Porque desde que eu voltei para casa.
Well my body's been a mess/ Meu corpo esteve uma bagunça.
Rebolou o quadril e girou o corpo cantando, o que sinceramente me fez a olhar, alemãs tinham a estrutura boa assim ou ia muito a academia?
And I miss your ginger hair/ E eu sinto falta do seu cabelo ruivo.
And the way you like to dress/ E a forma como gosta de se vestir.
Won't you come on over?/ Você não vai aparecer?
Stop making a fool out of me/ Pare de me fazer de boba.
Why won't you come on over Valerie?/ Por que você não aparece, Valerie?
dançou mostrando que sabia o que estava fazendo.
Por mais que eu não simpatizasse com ela, não podia negar que ela tinha talento, muito talento por sinal. Sua voz era extraordinária, e se ela só a usasse para cantar, meu Deus, eu até poderia me ver encantado por ela. Espere... Eu estava mesmo cogitando ficar encantado por Hoffmann? Não. Claro que não.
Se bem que, olhando para ela daquele jeito: feliz, até parecendo não ser uma pessoa mal-humorada ela parecia até... Bonita. Mas, será? Se eu me pegasse analisando mais um pouco... Caramba! Hoffmann era mesmo bonita como diziam. E isso mudava alguma coisa? Sim.
Como eu não pude perceber que ela era bonita, só porque eu não gostava de sua personalidade? E como eu não gostava de sua personalidade se eu nem a conhecia? Tom, seu babaca! Como você pode ser tão idiota?
Depois de algum tempo a performance acabou e eles receberam vários aplausos. Eles tocaram várias outras músicas, o tempo passou rápido e a cada música diferente eu me via odiando menos e menos Hoffmann, mesmo sabendo que quando ela descesse daquele palco a hostilidade entre nós voltaria com tudo. Nos forçando a voltar para nossa rotina.
- Gente, hoje foi tão legal! – veio até nossa mesa superanimada com os integrantes da tal banda, como eu poderia chamar. Olhei meu relógio e já eram 20:05, nós tínhamos que ir pra casa.
- Eu chamei para dançar, mas ela se recusou. – Harry disse com um tom de bronca e revirou os olhos.
- Eu não deixaria Tom aqui sozinho.
- Isso aí é desculpa. Ele estava muito bem aqui, admirando a cantando. – Harry respondeu contrariado e eu pela segunda vez no dia chutei sua canela por baixo da mesa, assistindo sorrir para mim.
Na mesma hora não consegui evitar franzir o cenho, o que fez o sorriso se desfazer. Como eu era idiota! Sinceramente, tudo o que eu queria era gritar e dizer que eu não estava incomodado, só confuso.
- Temos que ir. – falei, tentando amenizar minha vergonha e reparei nas outras três pessoas que estavam ao lado de . Me levantei e estendi a mão. – Ah, me desculpem! Eu sou o Tom, é um prazer conhecer vocês...
- O prazer é nosso. – a única menina ali disse, juntando sua mão na minha, sua voz era doce e seus cabelos castanhos batiam no ombro, caindo em ondulação.
Os outros dois meninos concordaram e levantou, me lembrando de que tínhamos que ir. Harry levantou em seguida e veio para nosso lado, para piorar em um gesto que pensei normal, estendi seu cardigan mostrando que era eu quem segurava ele o tempo todo.
Dessa vez foi ela quem franziu o cenho e eu senti mais vergonha ainda, tentando esquecer e seguir com eles para casa. Quando chegamos, Paddy assistia televisão sentado no sofá e Dom e Nikki estavam na mesa, conversando sobre alguma coisa.
Nós comemos um pouco e depois eu fui dar alguma atenção para Tessa, já que e conversavam com Paddy, enquanto Harry subia para encher o saco de Sam.
- Oi, linda! – chamei sua atenção, que veio até mim com o rabo abanando. – Você estava sozinha aqui?
Continuei fazendo carinho em Tessa que parecia animada e quando me dirigia à ela, fazia a voz que todos fazem para "falar" com cachorros.
- Tessa! – que apareceu no quintal, aonde estávamos, gritou para minha cachorra e Tessa saiu do meu carinho indo até ela que já se preparava agachada, esperando com os braços abertos. – Você é tão fofa! Tão fofa.
- Traidora. – falei baixo em um tom de brincadeira e levantou seu olhar para dar um sorriso pra mim. Dessa vez não perdi a oportunidade e sorri de volta, aproveitando o momento calmo.
- Acho que temos que fazer isso por eles, mais uma vez. – se levantou e disse, me deixando confuso.
- O que?
- Tentar uma amizade... Seus pais, seus irmãos, e até Tessa precisam disso. Que tenhamos uma convivência boa. – explicou calma e eu sorri aliviado.
- Eu acho ótimo que tentemos, porque é difícil fingir que te odeio. – confessei e ela franziu o cenho.
- Você não odeia?
- Sejamos claros aqui, nenhum dos dois se odeia, não nos conhecemos nesse nível. Só não nos gostamos. – dei de ombros falando e ela pareceu concordar.
- Você quer tentar? – perguntou estendendo a mão e eu a peguei.
- Seria um prazer tentar gostar de você, Hoffmann. – brinquei, balançando sua mão e ela riu.
- Temos que trabalhar o jeito que fala meu sobrenome. – apontou para mim com o dedo indicador e eu levantei as mãos, me sentindo bem e muito mais leve agora que não teria mais pelo o que brigar.


Capítulo 9

03/03/2016
Quinta-feira

15:06
P.O.V Gianniotti

Era muito estranho assistir o trato de paz entre e Tom, parecia mais algo forçado do que uma tentativa e aposto que todos viam isso, menos isso. Eu adorava o fato de tentarem por nós, mas já estava na hora de sacudir os dois e colocar algum juízo na cabeça deles.
Eles não tinham que encenar nada, porque se eles fossem fazer isso tinha que ser por eles, tinha que ser por vontade própria. Aliás, era por isso que não estava funcionando, eles não estavam tentando se conhecer e sim se afastar para não correrem o risco de brigarem.
Os únicos na casa eram os adolescentes por causa do horário e eu estava em meu quarto sozinha já que Harry estava tomando banho. Decidi ir até o quarto de e conversar já que era isso o que eu poderia fazer por hora para tentar fazê-la se tocar.
- Italiana entrando. – anunciei minha chegada e que estava deitada mexendo no cabelo, riu.
- Come stai? – "tudo bem?" perguntou franzindo o cenho, aquilo tinha sido bom para uma alemã.
- Por que todo mundo está tentando aprender italiano? Harry não larga do meu pé. – questionei e deu de ombros. – Enfim... Preciso conversar com você, amore mio.
- Puoi parlare. – "pode falar." disse com um pouco de incerteza, eu só não sabia se era por não saber se estava falando certo ou se estava com medo da conversa. – Ok, não tenho mais italiano na manga.
- Eu queria falar com você sobre Tom. – sentei no canto da cama e arqueou as sobrancelhas. – É sobre vocês estarem tentando se dar bem.
- ... Você não vai reclamar, vai? Reclamou quando eu não estava tentando e vai reclamar enquanto estou tentando. O que eu preciso fazer? – já se precipitou e eu ri.
- Não é isso, eu só acho que vocês não estão fazendo isso do modo certo. – tentei ser cuidadosa, mas arregalou os olhos e bateu as mãos na cama.
- Você só pode estar brincando comigo. – riu de um jeito assustador e eu tentei me salvar.
- Não quero brigar, me desculpe. Mas vocês estão se ignorando, deveriam estar tentando se conhecer. – respirou fundo e pensou por alguns segundos.
- E como você sugere que façamos isso? – perguntou nenhum pouco interessada.
- Eu tenho uma ideia. – propus e abriu os braços como se esperasse que eu dissesse. – Ah... Sim, certo. Verdade ou desafio.
- Voltamos ao colegial? – pareceu não aceitar bem e eu revirei os olhos.
- Podemos jogar no nível extremo. – sugeri, sabendo que gostava de coisas do tipo.
- Você ficou maluca. – afirmou sem nem considerar e eu juntei as mãos.
- Por favor, por favor. Por favorzinho. – quando fui me ajoelhar no chão pegou minha mão e revirou os olhos.
- Tá, se todos toparem eu jogo. – disse desanimada e eu pulei para um abraço.
- Obrigada! – agradeci sorrindo e fez uma careta.
- Mas se quiser jogar em nível extremo é melhor fazer isso enquanto Paddy, Nic e Dom não estão aqui. – me lembrou e eu concordei com a cabeça.
- Vou ver se Harry saiu do banho. – avisei e fez um gesto com a mão como se fosse para eu sair de lá rapidamente.
Fui até meu quarto e encontrei tudo como tinha deixado. Então saí e fui até o dele, o encontrando colocando uma camiseta, parei na porta até ele me notar e sorrir.
- Quer uma foto? – perguntou com um tom zombeteiro e eu mostrei o dedo do meio.
- Desculpe, senhor, você não faz meu tipo. – entrei na brincadeira e me aproximei.
- Sério? Isso é uma surpresa. – fez uma feição digna de um ator. – Você beija quem não faz seu tipo?
- E quem disse que... – antes de terminar minha frase, Harry veio em minha direção rapidamente e segurou meu rosto com suas mãos, colando nossas bocas.
É claro que ele já sabia do efeito que tinha sobre mim, por isso esqueci da brincadeira e perdi a discussão.
- O que dizia? – perguntou depois de parar o beijo e eu franzi o cenho. Minha mente não era nem um pouco boa e com Harry a ocupando ficava pior ainda.
- Você é um idiota. – balancei a cabeça e Harry riu.
- Você me diz isso quase todo dia. – jogou a cabeça para o lado de um jeito fofo e eu me prontifiquei em responder.
- Você me lembra disso quase todo dia. – me justifiquei e Harry me deu um selinho, pegando o celular na escrivaninha.
- Quem mandou gostar de um idiota?
- Eu também não sei, talvez eu enjoa de você, com sorte eu consigo. – dei de ombros andando para fora do quarto.
Mas antes de conseguir sair, Harry veio pelas minhas costas e enlaçou seus braços em minha cintura me levantando. Soltei um gritinho e consegui ouvir sua risada, seu rosto estava em meu ombro e suas mãos em minha barriga.
- Me solta! Harry! – gritei, rindo por causa do nervosismo.
- Diga que me adora. – ainda me levantando, disse brincalhão e eu neguei, até ele me levantar mais alto.
- Tá. Tá! Eu te adoro, Harry! – cedi ainda rindo e ele deixou meus pés encostarem no chão.
- Não faça essa cara, eu sei que você gostou. – pegou meu rosto quando me virei com uma mão e eu bati em seus braços.
- Você é um idiota. – o repreendi e ele riu.
- Você disse isso a menos de cinco minutos. – colocou as mãos na cintura e eu revirei os olhos correndo para fora do quarto e entrando no de , trancando a porta.
- Ei, ei, ei, furacão. Que foi? – me perguntou assustada e eu suspirei, reparando que ela lia um livro.
- Só o Harry fazendo brincadeira idiota. – expliquei vagamente e riu.
- Ele te pediu em namoro?
- Não. Por que pensou nisso?
- Ué, você fugiu. – deu de ombros zombeteira e eu peguei o travesseiro mirando em sua cara, mas o pegou no ar.
- Ops, tente novamente mais tarde. – fez uma voz engraçada e eu peguei uma almofada, mas quando joguei colocou o travesseiro na frente.
- Tá, tá. Sai desse quarto comigo pra chamar o pessoal. – peguei sua mão e puxei, ouvindo resmungar.
- Vai sozinha, eu não quero que pensem que foi ideia minha. – me parou enquanto ficava em pé.
- Ei! Não é uma ideia tão ruim. – contestei e sorriu.
- Claro que não, quer que eu repasse pro meu irmão de 16 anos? – pareceu sentir pena de mim e eu bati o pé no chão, desatando a gargalhar.
- Quando terminarmos de jogar você vai perceber que está errada. – falei convencida e revirou os olhos concordando.
- Tá. Agora pode ir sozinha chamá-los e se eles quiserem jogar, você vem me avisar. – soltou sua mão da minha e voltou para sua cama, pegando o livro que estava lendo e me ignorando.
Saí do quarto e desci até a sala encontrando Sam e Harry assistindo um filme na televisão, pareciam entretidos, mas naquele momento eu precisava da ajuda deles para finalmente fazer e Tom começarem a se aproximar.
- Meninos. – chamei e eles nem piscaram. – O que estão vendo?
- , agora não, ok? – Sam respondeu sem olhar pra mim e eu dei uma risada.
- Agora sim. – falei com um tom mais alto e eles nem mesmo viraram, então peguei o controle e desliguei a televisão, finalmente recebendo atenção.
- Ei! Bem na parte do Crucio? – Harry reclamou virando pra mim e Sam fez o mesmo batendo na perna.
- Vocês estavam assistindo Harry Potter? – perguntei me distraindo e eles me olharam de cara feia. – Ok, desculpem, mas vocês precisam me ajudar.
- Qual é a ideia da vez? – Sam perguntou mal humorado e eu mostrei a língua, tentando fazer ele rir.
- Verdade ou desafio.
- Eu topo! – Sam respondeu animado e levantou.
- Sério? – perguntei quase pulando.
- Não. Não vai rolar. – voltou a fechar a cara e se sentou novamente, mostrando que estava zoando com a minha cara.
- Você sabe que não tem escolha, não é? – virei para Harry quando ele tentou falar e o cortei, olhando séria.
- Mas, amor...
- Você vai me ajudar. – apontei o dedo ficando ainda mais séria e depois me direcionei a Sam. – Você também vai.
- Há, me obrigue. – disse sarcástico e eu soltei a resposta que pensei na hora.
- Se jogar vai ser fácil fazer você e ficarem.
- Tá, eu jogo. – levantou de prontidão e disse rapidamente, me fazendo revirar os olhos discretamente.
- Vão lá chamar o Tom que eu vou chamar a . – apontei para escada como uma ordem e Harry colocou as mãos na cintura.
- Onde a gente vai jogar? Aqui? – questionou, apontando para o tapete da sala e mais uma ideia me veio à mente.
- Não, a gente vai jogar no quarto do Tom. – respondi animada e Sam franziu o cenho.
Bom, se o jogo era para e Tom se conhecerem melhor, seria legal começar pelo quarto, era um cômodo onde poderia ter pôsteres, fotos, livros, tudo o que é preciso para conhecer a base da personalidade de uma pessoa.
- Só vão logo convencê-lo. – repeti e os dois subiram comigo, eles indo para o quarto de Tom e eu para o de . Quando entrei sem nem mesmo bater, estava com fones e o celular na mão, dançando alguma coisa bem sem nexo.
- Você gosta de fazer isso, né? – falei um pouco alto para ela me ouvir, comparando essa situação com a de quando ela viu Tom pela primeira vez.
- De me divertir? Sim. – tirou os fones, se virando, sem deixar minha brincadeira a atingir.
- Então, vamos lá jogar, senhora animadinha. – usei o momento para pedir e tossiu.
- Você os convenceu? – perguntou desacreditada e eu sorri de lado.
- Foi só um toque de "ajudo você ficar com a ", e pronto, foi sucesso. – abri os braços e fez uma feição entediada.
- Harry não teve escolha, né?
- Claro que não.
- Voltando ao caso do Sam, o ponto não era a aproximação de mim e do Tom? – questionou mexendo no celular e eu me prontifiquei de responder.
- É. mas não foi... Ah! Eu sei o que você está fazendo, está me enrolando. Vamos logo. – puxei sua mão a guiando e ela resmungou por seu plano ter falhado.
P.O.V Tom Holland
16:03

Hoje eu estava tão cansado que não tinha ido até a academia, então estava fazendo flexões para enganar um pouco, sempre era ruim quando eu ficava sem fazer e daí voltava bruscamente. Sam e Harry entraram em meu quarto e pelo susto perdi o apoio do braço, quase ganhando uma torção séria.
- Por que vocês não conseguem bater? Juntando tem quatro mãos, é um desperdício, sabia? – me pronunciei quando me recuperei do susto, ainda deitado no chão.
- Isso soou bem errado. – Sam respondeu e eu bufei.
- O que vocês querem? – perguntei me virando e apoiando a mão no chão para dar impulso e me sentar.
- Nós vamos jogar verdade ou desafio, tem uma garrafa por aqui? – Harry disse e saiu vasculhando o quarto.
- O que deu em vocês? Enlouqueceram? – me levantei completamente e olhei para Sam, já que Harry procurava uma garrafa sem prestar atenção em mais nada. – Ali na mesa, Harry, você é cego?
- foi o que deu a ideia para gente. – Sam respondeu colocando as mãos na cintura e Harry voltou para seu lado com minha garrafa verde em mãos.
- E por que ela teve essa ideia? – questionei cruzando os braços e Harry sentou puxando Sam junto com ele, me olhando para ser o próximo. – Me respondam.
- Nós não sabemos, ok? Agora senta, por favor. – Harry pediu batendo no chão bem ao lado de onde estava sentado. Eu neguei e Sam ameaçou se levantar para me puxar, então eu sentei bufando.
- Se não sabem o porquê de querer jogar, por que aceitaram? – franzi o cenho ainda de braços cruzados e quando Sam foi me dar uma justificativa ouvimos batidas na porta. – Pode entrar!
Permiti com a voz alta e entrou puxando , o que eu mais estava tentando evitar naquele momento. Nós tínhamos combinado de tentar ser amigos e eu não tinha mais um sentimento ruim por ela, porém estava sendo estranho, nós dois precisávamos de algum tempo.
- É assim que se faz. – apontei para as duas que tinham batido e Harry mostrou o dedo do meio. Deixando as duas confusas.
- Já estão sentados, ótimo. – passou pela perna de Harry e veio até meu lado, se sentando e instruindo a se sentar ao lado de Harry e fechar a roda.
- Eu não acredito que vocês aceitaram jogar. – resmungou e Harry entregou a garrafa para .
- Eu nem sei o que está acontecendo. – falei um pouco baixo e levantou seu olhar para mim dando um pequeno sorriso. Como eu não tinha visto que ela era bonita antes? Seus traços eram tão, tão lindos.
- Me desculpe por isso. – balançou a cabeça e olhou de lado para nós dois.
- Ok, essa parte pergunta e essa responde. – explicou apontando e colocando a garrafa deitada no chão. – Eu vou girar primeiro.
- Verdade ou desafio? – me perguntou já que a garrafa tinha parado em nós.
- Verdade. – juntei as mãos ainda não muito seguro com o jogo. Não acho que escolheria desafio em nenhuma vez.
- Deixe-me pensar... – olhou para minha janela e esperou alguns segundos, me olhando novamente. – Qual é a sua técnica de sedução infalível?
- Quê? – perguntei rindo e arqueou as sobrancelhas. – Eu não tenho nenhuma técnica.
- Ah, vamos! Deve ter alguma. – Sam insistiu e logo Harry interviu.
- Mas é verdade, ele não tem nenhum jeito com garotas. – riu e eu revirei os olhos mandando um joinha com a mão.
- Nenhuma técnica? – perguntou novamente e eu pensei.
- Garotas gostam das minhas mãos, mas isso não é uma técnica. – respondi tentando me livrar e assentiu, empurrando a garrafa para me fazer girar.
- Verdade ou desafio? – Sam perguntou para e ela apoiou suas mãos para trás, sorrindo.
- Verdade.
- Vou te fazer a mesma pergunta que . – olhou intrigado com a antecipação da resposta e eu olhei de canto.
- Isso não se conta. – tirou suas mãos de apoio e inclinou seu corpo para frente, olhando como se não tivesse nada a perder. – Não quer fazer outra pergunta?
Sam engoliu em seco e eu quase ri, ela estava seduzindo ele naquele momento como uma resposta de que sabia jogar e mesmo assim ninguém sabia qual era a técnica. Talvez fosse seu olhar ou talvez não fosse uma coisa só, era uma pessoa tão intrigante e intensa, talvez poderia ser até considerada como uma bagunça bonita.
- Eu posso ser simplesmente a sedução em pessoa. – desviou seu olhar para mim como se soubesse o que eu estava pensando e eu abaixei meu olhar.
- Então... Qual estilo de música você não suporta? – mudou a pergunta tentando arrumar a postura e sorriu dando de ombros e voltando ao normal.
- Eu gosto de todo tipo de música. – respondeu e girou a garrafa, parecendo nem ter feito aquilo com Sam para começo de conversa.
- Verdade ou desafio? – Harry perguntou pra mim e eu pensei por alguns segundos... Seria tão arriscado pedir desafio? Meu irmão não iria fazer algo tão grande né.
- Desafio... – respondi meio receoso e logo foi engatinhando até ele, sussurrando em seu ouvido.
- Ei, quem disse que pode? – perguntou indignada tentando puxar e ela terminou de falar, fazendo um sorriso aparecer no rosto de Harry.
- Eu te desafio a brincar de sete minutos no céu com . – disse e eu arregalei os olhos franzindo as sobrancelhas. estava tentando nos empurrar? Virei para ela junto de e ela negou com a cabeça como se estivéssemos alucinando.
- Não é pra darem uns amassos, é pra serem obrigados a conversar. – explicou e revirou os olhos puxando o tecido de sua calça com as unhas.
- É permitido colocar uma brincadeira em outra? – perguntou tentando discordar, mas parecia determinada demais.
- É só mudar algumas palavras e te trancar no armário com Tom que não vira mais uma brincadeira. – se justificou, jogando a cabeça para o lado e soltou o corpo.
- Por que quer tanto que nos conheçamos? Sermos amigáveis não basta? – fez uma feição fofinha mas nem se abalou.
- Eu quero que sejam amigos, como todos aqui. E como serão amigos se não se conhecem? – explicou e tentou falar mais uma vez. – Por favor.
- Argh, tá. – levantou e estendeu a mão para me puxar, o que conseguiu sem nem hesitar. – Onde podemos ficar trancados?
- Na sala onde fica o piano. – respondeu como se já tivesse planejado tudo e resmungou.
- A gente vai ter que descer? É longe, vamos para sei lá, um banheiro desse andar. – tentou argumentar, mas Harry a interrompeu.
- Podem ir para o closet da nossa mãe, ela doou algumas coisas recentemente, então tem espaço o suficiente. – pareceu concordar e se virou para mim, que apenas balancei a cabeça como se tanto fizesse.
Fomos até o closet e quando chegamos lá os meninos fecharam e colocaram um alarme para tocar, que pareceu se tocar de ainda estar segurando minha mão a soltou, procurando alguma coisa. Até que se sentou no canto do closet, olhando pra baixo, depois de alguns segundos de silêncio levantou a cabeça e se pronunciou.
- Acho que prefiro dar uns amassos. – disse um pouco séria e eu não consegui evitar de arregalar os olhos. – Ei, ei. É uma piada!
- Ah... Ah ta... – respondi meio sem graça e ela abaixou o olhar novamente, parecendo se desanimar. – Você atua bem.
- Você quer dizer "mente bem", né? Eu só estou acostumada... – disse um pouco baixo e eu sentei ao seu lado sentindo segundas intenções na frase.
- Olha, se quiser conversar, eu posso conversar. E se não quiser, podemos ficar em silêncio. – sugeri e ela levantou seu rosto, sorrindo verdadeiramente pra mim.
- Podemos conversar. – deu de ombros e eu procurei algum assunto aleatório.
- NÃO ESTAMOS OUVINDO CONVERSA NENHUMA. – gritou do lado de fora me assustando e me lembrando de que eles estavam perto.
- SE VOCÊ SAIR DAQUI NÓS CONVERSAMOS! – gritou de volta, me assustando de novo e então me preparei para o grito de .
- E COMO VOCÊ ME GARANTE QUE VOCÊS VÃO CONVERSAR SE EU SAIR?
- A ÚNICA COISA QUE EU TE GARANTO É QUE SE VOCÊ NÃO SAIR, NÃO TEM CONVERSA DE JEITO NENHUM. – deu finalmente o argumento certo e conseguimos ouvir os passos dos garotos saindo do quarto.
- Então... – tentei dizer quase rindo e se virou para mim sem se segurar, rindo bastante.
- Eu sou uma profissional. – disse enquanto tentava parar de rir e eu olhei para ela, pensando na frase que tinha dito.
- O que você acha de Sam? – perguntei no automático e quase coloquei as mãos na boca, que pergunta idiota era aquela?
- Ele é legal, por que? – franziu o cenho de um jeito confuso e eu dei uma risada fraca.
- Não, nada. É só que... Ele parece bem atraído por você. – respondi, já que não tinha mais volta e ela sorriu.
- Ah é isso? Ele é bonito, mas acho que não conseguiria ficar com ele. – deu de ombros e eu tentei pensar no porquê.
- Por causa da amizade? – questionei e pareceu pensar por um momento, tentando entender o que eu queria dizer.
- Não. Eu odeio essa expressão, não acredito nela, "não avanço porque não quero que acabe com a nossa amizade." – fez aspas com os dedos dramatizando e eu tentei encontrar traços de mentira ou brincadeira. – Sinceramente, como uma pessoa pode ser tão ruim de cama a ponto de acabar com uma amizade?
- É... – fiquei com muita vergonha, mas mesmo assim continuei a falar. – Ela pode ter AIDS.
- É, isso é um ponto que não dá pra perdoar. – encostou sua mão em meu braço rindo e eu ri também. Não só pelo jeito que ela me conduzia a entrar no momento, mas também porque rir com ela, significava que eu teria aquela vista por um pouco mais de tempo.
- Fale um estilo musical. – puxei outro assunto quando paramos de rir e pensei direito naquilo, era uma boa jogada não era? Começar pelo pouco que conhecia dela?
Harrison provavelmente faria alguma piada sobre como eu estava dando em cima dela e me chamaria de garanhão, mas eu não ligava porque eu não estava fazendo aquilo, eu estava tentando transformar aquilo que eu achava que era algo ruim em algo bom. Uma sensação boa.
- Hum... Rock. Diga-me, Thomas, tem alguma banda que goste? – olhou para mim com expectativa e foi ali que eu me vi ferrado, uma banda de rock? Eu não era uma pessoa de rock. Claro que meu gosto musical não era totalmente ruim, mas talvez fosse um pouco chato para uma musicista.
- Nirvana... – falei sem muita confiança e ela me olhou sorrindo.
- Veja, essa é a opção segura e previsível. Eles foram bons, mas por que não Led Zeppelin? Ou The Rolling Stones? AC/DC era ótimo e The Who não foi e nem é valorizado. Tudo o que falam sobre é Nirvana, acho eles um pouco superestimados. – balançou as mãos tentando suavizar mas disse tudo com confiança, como se soubesse do assunto.
- Eu até escreveria isso, mas não tenho nada aqui. – tentei brincar soando sério e sorriu de lado, olhando de um jeito diferente.
- Me fale sobre você, Thomas, o seu gosto de música. – se virou interessada e eu contorci o rosto, como dizia meu gosto poderia ser entediante, mas mesmo assim me deixei levar.
- Acho que posso começar por Marvin Gaye. – dei de ombros e balançou a cabeça de forma afirmativa.
- Ain't No Mountain High Enough é uma das minhas músicas favoritas. – disse se deitando no chão e eu só a olhei, pensando.
- Você quer um momento para cantar? LUZES! – brinquei olhando para cima e atraindo sua atenção, o que fez ela se sentar novamente rápido para me bater, gargalhando.
- Você é engraçado, Thomas. – disse fazendo uma careta e eu a imitei. Era leve estar com ela, era uma pessoa fácil de se fazer rir, era uma pessoa acessível para assuntos aleatórios.
- Com um pai comediante é fácil. Mas você também é. – levantei a mão para apontar e ela pareceu não acreditar.
- Ok, só não conta para ninguém que eu disse isso, tá? Eu tenho uma reputação a zelar. – sussurrou e moveu seu lábio inferior para baixo em, como eu disse, uma atuação boa.
- E como fica a minha? – franzi as sobrancelhas e arqueou as dela.
- Tenho certeza de que fica bem, Thomas. Apesar de que eu sou uma pessoa muito legal para estar presa com você. – balançou o corpo minimamente e eu só sorri pelo jeito que ela falou meu nome, algo tão formal e bonito. Ela não gostava de como eu falava o dela, mas eu? Eu adorava o jeito como ela falava o meu.
- Certo, certo. Vamos falar sobre filmes, favorito? – me inclinei e respondeu rápido.
- Não tenho um favorito, gosto de muitos. – me desapontei porque meu assunto pareceu ir pelo ralo, mas acho que percebeu e complementou. – Mas entre eles, Era de Ultron, Escolha Perfeita, High School Musical e Dirty Dancing.
- Diversidade! Vejo que você parece não gostar nada de musicais. – falei sarcástico e ela se deixou levar.
- Eu odeio, qualquer sinal de música deve ser exterminado. – balançou a cabeça e eu pensei em uma resposta boa.
- Sue Sylvester? – perguntei rindo e ela gargalhou mais uma vez.
- Você assistia Glee?! Em que mundo estamos? – fez um gesto como se sua cabeça explodisse e eu ri com gosto, apreciando que tinha funcionado.
- Isso me faz mais experiente no ramo da música?
- Só um pouquinho... – mostrou o indicador e o polegar com uns 5 centímetros de distância.
- Me ensine então, serei seu Padawan. – fechei meus punhos de um jeito desengonçado, eu sabia que poderia estragar tudo com uma referência a Star Wars, mas eu precisava falar aquilo.
- Com 20 anos? Pensei que fosse até os 13. – arqueou as sobrancelhas e eu pulei por dentro.
- Meu cérebro é do tamanho de uma ervilha.
- Não me surpreende.
- Ouch! – rimos juntos e eu pensei... Já tinham se passado os sete minutos, eu tinha certeza de que tinham. Mas o papo estava bom, então até que ela se opusesse ou que a conversa acabasse, eu não iria tentar sair.
- Sinto lhe informar, mas... – colocou a mão no peito como se fosse algo importante e continuou. – Eu sou do lado negro da força.
- Devo te enfrentar então, me negar aos sentimentos sombrios da força. – brinquei falando de um modo formal e riu, balançando as mãos em frente de meu rosto.
- Resista aos meus encantos então, adulto Padawan! – gargalhou comigo e eu me toquei que aquilo era o complexo de "assunto de nerd", mas nem liguei.
- Ok, mas qual é seu nome?
- Skywalker. Filha de Anakin e o seu?
- Thomas Skywalker, somos irmãos, então. – arqueei as sobrancelhas e ela sorriu.
- Foi a pior coisa que fizeram. Argh. – fez uma careta de nojo e balançou o corpo.
- Ainda bem que não nos envolvemos. – arregalei os olhos mas um grito me assustou.
- DÁ PRA PARAREM COM STAR WARS? – ouvimos a voz de e dessa vez também se assustou.
- VOCÊ ESTAVA OUVINDO O TEMPO TODO? – pareceu bastante indignada, então não me intrometi.
- ISSO NÃO IMPORTA!
- CLARO QUE IMPORTA. – se levantou e eu também o fiz, observando o que faria. – JÁ SE PASSARAM SETE MINUTOS, NOS DEIXE SAIR.
- VOCÊ É MUITO CHATA SABIA?
- VAI LOGO, GIANNIOTTI! – cruzou os braços e abriu a "porta" e nós dois saímos, eu fui procurar os meninos e ficou lá para conversar com .
O gesto foi meio louco mas ajudou a impulsionar uma conversa, então até que foi legal da parte de . Talvez eu e poderíamos mesmo ser amigos.
P.O.V Hoffmann
- Você agiu como uma louca hoje, sabia? – questionei e ela sorriu, parecendo se orgulhar.
- Mas funcionou, não? Vocês conversaram. – afirmou e eu revirei os olhos.
- Me diga você, você que ficou ouvindo escondido. – balancei as mãos, um pouco brava.
- Foi difícil fazer silêncio absoluto, ok? Me dê um desconto.
- , . Desse jeito eu vou começar a odiar ele de novo só pra te contrariar. – avisei dando as costas e ela veio até mim correndo.
- Não, não, não. Desculpa, não forço mais. Prometo. – juntou as mãos e eu concordei com a cabeça, bufando. – Vamos continuar. Você deve uns amassos ao Sam.
- Você é que deve! – bati em seu braço rindo e ela respondeu rápido.
- Eu tenho namorado. – se justificou e eu arregalei os olhos.
- Ah, é mesmo? Ele te pediu?! – perguntei e pareceu envergonhada.
- Foi só um jeito de dizer que estou com o Harry.
- Você sabe que não precisa esperar, né? Estamos no século 21. – esclareci óbvia e revirou os olhos.
- Falamos sobre isso em outro momento. – fugiu do assunto e chegamos no quarto do Thomas, aonde os três meninos estavam sentados em um círculo aberto. Sentamos em nossos lugares e o jogo continuou.
- Verdade ou desafio? – me perguntou e eu já sabia o que tinha que responder para acabar com aquilo, então falei sem delongas.
- Desafio.
- Eu te desafi, a beijar o Sam. – propôs sorrindo e eu sorri também, quase rindo pela situação.
Até me colocar de joelhos onde antes estava sentada e me inclinar para buscar com as mãos a camisa de Sam, para puxar seu corpo até mim pra não precisar sair do lugar, então o fiz... Puxei seu rosto ansioso até mim e colei nossos lábios beijando Sam de um jeito técnico, sem língua.
- Tem que ser de língua. – Harry disse pelo fundo, ajudando o irmão e eu ri no meio do beijo, nem mesmo pedindo passagem e aprofundando as coisas, ouvindo gritos de Harry e encorajando.
Soltei sua camisa e me afastei, voltando a sentar no meu lugar, sorrindo para Sam que parecia congelado depois do beijo. Ele virou seu rosto lentamente para Harry que sorria perguntando com o olhar como foi e tudo o que Sam fez foi sorrir e levantar um braço como um campeão de UFC, fazendo todos na roda rirem.
05/03/2016
Sábado
12:21
P.O.V Tom Holland

Eu estava brincando com Tessa no quintal, jogando uma bolinha e sorrindo quando ela voltava para mim animada com a bolinha entre os dentes, abanando o rabo.
- Você é tão linda! – agachei para fazer carinho em seu pelo, quando reparei numa flor que tinha plantado a pouco tempo numa pequena parte do quintal.
Nossa conversa no dia do verdade ou desafio até tinha dado certo, mas nesses dois dias que antecederam, as coisas pareceram piorar um pouco, parecia ser uma pessoa grossa e comunicativa, por isso seu humor variava para conversar, então eu estava entrando em seu jogo e trocando alfinetadas de vez em quando, mas quando ela ficava numa boa eu também conversava normalmente, acho que isso claramente fazia de nós duas pessoas bipolares.
Parecia uma coisa de louco, mas pelo menos por aquele tempo estava dando certo, até já havia parado de pegar em nossos pés e conseguíamos rir de vez em quando com aquilo tudo.
tinha saído para ir na casa de um integrante da banda dela, o qual eu tinha esquecido o nome, pelo menos era o que minha mãe tinha me dito. , Harry, Paddy, Sam e meus pais estavam almoçando e bom, eu estava começando a sentir fome também, então lavei as mãos no banheiro do primeiro andar e fui em direção a cozinha para colocar alguma comida para mim.
- Quando vai viajar para começar a gravar mesmo? – me perguntou interessada, enquanto eu me sentava.
- Bom, 17 de junho eu viajo para Atlanta, por que? – perguntei de volta e deu de ombros, dando uma garfada na macarronada.
- Só para saber quanto tempo ainda tenho. – falou baixo me fazendo franzir o cenho, como quando você ouve o que a pessoa disse, mas mesmo assim pede para ela repetir.
- O quê?
- Nada! – sorriu simpática e eu só ignorei, comendo.
- Eu e Harry queríamos saber se... – Sam olhou para Harry e esperou uma resposta, então nosso pai levantou a cabeça.
- Eu ainda não adquiri o poder de telepatia, podem falar. – brincou e Harry completou:
- Queríamos saber se podemos ir numa festa na casa do Isaac. Sexta-feira à noite. – nossa mãe olhou por alguns segundos e pensou, enquanto cruzava os braços, provavelmente por não ter sido convidada.
- Por favor. – Sam pediu quase juntando as mãos, então nossa mãe finalmente respondeu.
- Vocês têm que estar aqui antes das 1:00 da manhã e só poderão ir se levarem Tom, e . – opôs as condições e Harry se virou para fazendo uma feição engraçada, estendendo a mão como um convite, Sam só sorriu.
- E eu? – Paddy perguntou e Nikki riu sem graça.
- Patrick, na próxima te levamos ok? – Harry respondeu mentindo e Paddy revirou os olhos apoiando o rosto na mão.
- Sexta-feira? Eu não sei não... Harrison vai vir aqui e... – antes que eu terminasse de falar o rosto de nosso pai se iluminou.
- Convide ele também, nada melhor. – propôs animado e eu mordi o lábio, não estava no clima de festas. Mas Harry e Sam me olharam em súplica, então decidi que cobraria mais tarde.
- Vou convidar sim. – balancei a cabeça e continuei a comer, pensando que teria que mandar mensagem para Harrison depois.
- Terminaram de comer? – perguntou, se direcionando a todos ali menos a mim.
- É minha vez de lavar a louça. – Dom se levantou de prontidão e negou com a cabeça.
- Deixa que eu lavo, não é nada.
- , eu não vou permitir que lave quando não é seu dia, ok? É muita simpatia e eu nem sei como você consegue manter depois de um mês. Viramos amigos, não precisa tentar nos agradar. – explicou recolhendo os pratos e suspirou.
- É justamente por isso, eu me aproximei de vocês e sei como vocês trabalham pra caramba e praticamente cuidam de seis filhos. Eu não acho que o que eu e pagamos seja suficiente. – tentou pegar os pratos e nossa mãe sorriu, enquanto eu, Harry e Sam observávamos.
- Vocês pagam muito bem e estou sendo honesta com você, vocês são meninas muito boas, mas estamos sendo justos, . Cada um tem seu dia de lavar as roupas, lavar a louça e fazer qualquer trabalho. – levantou colocando a mão no ombro de e ela sorriu concordando, então nosso pai foi lavar a louça.
Eu terminei de comer alguns minutos depois e fui até a cozinha encontrando meu pai lavando o penúltimo prato, enquanto eu colocava o meu em cima do último.
- Tinha que ser o estraga-prazeres. – disse fazendo uma careta e eu ri, dando um tchauzinho com a mão, saindo da cozinha e indo até meu quarto.
Peguei meu celular e entrei no WhatsApp, clicando na conversa com Harrison e mandando uma mensagem que foi respondida quase imediatamente, logo seguida de um pedido de ligação.
- Oi. – atendi meio entediado e Harrison logo fez questão de me zoar.
- Olá, adulto Padawan. – riu depois de dizer, jogando a conversa que eu contei para ele no meio.
- Se continuar assim não te conto mais nada.
- É isso o que você fala toda vez e sempre vem correndo quando tem o próximo assunto. – disse de um jeito óbvio.
- Tá, tá. Preciso te avisar uma coisa. – falei sério tentando desviar e ele ficou quieto até decidir me responder depois de alguns segundos.
- Ah não! Você não vai passar para o lado sombrio da força, vai? – questionou brincalhão e eu resmunguei, fazendo-o gargalhar.
- Bem engraçado, Harrison, vou desligar. – ameacei e ele parou de rir.
- Avisa logo.
- Sexta-feira, eu e você teremos que ir numa festa com meus irmãos e irmãs.
- Não chame elas de irmãs, é estranho. – eu sabia que ele estava balançando a cabeça do outro lado do celular, então ri. – Mas eu não me oponho a ir nessa tal festa, não saímos faz um bom tempo.
- Eu não acho necessário, mas preciso de favores. – me justifiquei, brincando com o cobertor e sentando na cama.
- Mas então... Você sabe se a tá solteira? – perguntou na maior cara de pau e eu gargalhei.
- Não, Harrison, não sei.
- Ué, é sempre bom tentar. – respondeu e eu fiz uma careta, aproveitando que ele não estava vendo.
- Provavelmente está, deve ser difícil ficar em um relacionamento a distância por seis meses.
- É, deve ser. Você pode conseguir o número dela pra mim? – pediu com uma voz engraçada.
- Você não perde tempo mesmo! Como espera que eu consiga o número dela? – questionei indignado.
- Pode falar que eu pedi. – respondeu relaxado e eu suspirei.
- Tá, eu tento, mas você vai ficar me devendo. – mudei o tom para um mais alto e só recebi um resmungo de volta.
- Eu preciso desligar, depois te chamo. – nos despedimos e eu bufei, me preparando para o dia que seria.
P.O.V Hoffmann
13:42

- Simon! Me dê isso daqui! – tentei tirar meu caderno de suas mãos enquanto Liam e Katherine riam, aquilo era pra ser uma reunião da banda, mas estava mais para uma baderna. – Estou sendo séria, vou te dar um soco!
- O que tem aqui? – perguntou ainda se esquivando e eu finalmente pulei para pegar, caindo em cima dele.
Nossos rostos estavam perto, então usei isso ao meu favor. Me aproximei mais um pouco fingindo que ia beijá-lo e peguei meu caderno de sua mão, me levantando e guardando o caderno em minha bolsa, deixando-a no meio de minhas pernas, já que todos estavam sentados no chão do quarto de Simon.
- O que acabou de acontecer? – Katherine perguntou espremendo seus lábios para não rir, enquanto todos nós olhávamos para Simon, que arrumava seus óculos catatônico.
- Viemos aqui para decidir algumas coisas, nem um nome nós temos e vocês ficam aí, zoando com meu caderno de música. – apontei um pouco frustrada e eles ficaram sérios, Simon começou a tomar rumo outra vez.
- Me desculpe.
- É claro que temos que nos divertir, mas fazemos isso depois de nos organizar, ok? – expliquei e todos concordaram com a cabeça, mas logo Liam interrompeu o silêncio.
- Você escreve?
- Anh?
- Você escreve músicas? Era isso que você queria esconder? – questionou apontando para bolsa e eu dei de ombros.
- Não queria esconder nada, as letras não estão terminadas ainda, até que estejam não quero que ninguém veja. – justifiquei calma e todos concordaram mais uma vez.
- Tá... Querem começar pensando no nome? – Simon perguntou, se mexendo um pouco.
- Que tal... Messy and Mixed? – Liam propôs e eu e Katherine fizemos careta.
- Muito brega. – Katherine respondeu e ele fechou a cara.
- Pelo menos não tem "brilhar" no meio. – alfinetou fazendo mãos de jazz e Katherine revirou os olhos.
- Eu tinha 13 anos! – reclamou tentando bater em Liam e eu franzi o cenho.
- Do que estão falando? – perguntei perdida e Simon deu uma risada.
- Nos conhecemos desde pequenos. – Katherine me explicou e eu fiquei mais perdida ainda.
- Tá, mas como eu não sabia disso?
- Nós combinamos de não dizer, é muito clichê. – Simon complementou e eu ainda não tinha conseguido entender.
- Esconder foi sem necessidade alguma. – dei uma risada ainda meio desacreditada e perdi o foco do nome da banda. – Como se conheceram?
- Estudávamos na mesma escola, sétimo ano. Eu era da banda da escola, Liam do coral e Katherine era do grêmio estudantil. – Simon pareceu se sentir um pouco nauseado em lembrar.
- Você e Liam eu entendo terem virado amigos, mas como Katherine entrou pro trio? – perguntei voltando a franzir o cenho.
- Começamos nos odiando, Katherine tinha sugerido para o grêmio que cortassem a banda e o coral então brigamos por um tempo, até ela cantar no concurso de talentos. Nós fomos lá, bajulamos ela e colocamos ela no coral pra fazer a maioria dos solos. – Liam pareceu entediado em contar eu só afirmei com a cabeça.
- E como você pegou gosto pela música? – Katherine perguntou e eu pensei em como explicar.
- A música sempre foi a melhor coisa pra mim, eu sempre achei mágico como ela é com quem eu posso contar sempre. Eu posso chorar, dançar, rir, fugir e ter mais confiança com ela. – discursei e Liam fez um gesto como se fosse começar a aplaudir, me fazendo rir. – Então, como eu amava, entrei para o coral da minha escola com seis anos e depois de algum tempo até participei de concursos em grupo e individuais. Nem sempre ganhava, mas era superdivertido.
- Você já pensou em fazer uma biografia? Pra quando fizer sucesso, sabe? – Katherine pareceu falar sério e eu ri, recebendo repreensão. – Você tem um vozeirão ! E conosco você pode pensar longe.
- Esqueceu que eu vou embora daqui cinco meses? Vamos fazer isso só para se divertir, pode ser? – pedi sorrindo e logo Simon interviu.
- Eu concordo.
- Eu também. – Liam deu de ombros e Katherine bufou.
- Tudo bem, mas se alguma gravadora nos reconhecer tem que prometer que vai ficar. – apontou para mim e eu mordi o lábio. Não ia acontecer, estava tudo bem prometer.
- Eu prometo. Palavra de escoteira. – brinquei e me lembrei do foco. – Vamos voltar a pensar no nome, ok?
- Que tal JKLS? As iniciais dos nossos nomes?
- Não acho uma boa ideia, e se ficarmos famosos e nossos nomes artísticos forem apelidos ou nossos sobrenomes? – Katherine interviu e todos riram.
- First Vocal?
- Não é só vocal.
- Old Friends? – sugeri brincando e todos reviraram os olhos ao mesmo tempo, me dando um pouco de medo.
- Different Kids?
- Não. Esse foi horrível. – Liam respondeu Simon e ficamos em silêncio, pensando.
- Lost People? – Simon tentou de novo olhando para baixo e nós nos olhamos.
- Pode dar certo, não é como se fôssemos ficar famosos. – Liam provocou Katherine e levou um tapa, me fazendo gargalhar junto a Simon.
P.O.V Gianniotti
15:56

- Não vamos ver Harry Potter de novo. – peguei o controle da mão de Harry que resmungou.
- Mas por que? Tem algo melhor? – protestou e eu virei o repreendendo.
- É sério, estou cansada de assistir isso. Eu posso recitar todos os feitiços pelo menos duas vezes. – reclamei e Harry sorriu de lado.
- Se recitar acho que eu vou me apaixonar. – abraçou minha cintura, já que estávamos meio sentados e meio deitados no sofá.
- Você é tão fácil, Harry Holland. – brinquei puxando a voz e segurando seu queixo. – Além de ser um idiota.
- Eu amo quando você fala sujo. – zombou também e eu não deixei de rir.
- Vamos ver Footloose. – decidi e Harry pendeu a cabeça pra trás.
- Você sabe que eu não gosto. – resmungou e eu sorri.
- Por que acha que eu quero ver? – perguntei e ele levantou a cabeça arqueando as sobrancelhas.
- Por que não fazemos outra coisa? – propôs com um tom malicioso e eu franzi o cenho, até ele chegar perto e começar a beijar meu pescoço.
- Ah é? O que tem em mente? – provoquei e Harry circulou um ponto do meu pescoço com a língua, me fazendo gemer baixinho.
- Que tal irmos para o seu quarto... – sussurrou contra minha pele.
- Seus pais estão em casa. – repreendi e ele riu fraco.
- Podemos colocar em prática seu fetiche. – se referiu ao dia que tínhamos conversado sobre aquilo. Eu tinha dito que gostaria de transar amordaçada.
- Harry... – sussurrei como uma advertência, até que tomei força para o afastar.
- O que foi? Você não quer? – perguntou mexendo em meu cabelo carinhosamente.
- Não é isso é que... Eu sou virgem. – falei baixo e ele sorriu.
- Eu também. – disse calmamente e eu arregalei os olhos levando-o a rir.
- Mas... Por...
- Eu quero perder, mas se você não estiver pronta, eu vou respeitar. – tirou suas mãos da minha cintura e buscou minha mão.
- Isso é ótimo porquê eu estou me guardando até o casamento. – expliquei séria e o rosto de Harry congelou.
- O... O que? – perguntou e eu balancei a cabeça em um gesto afirmativo.
- Me desculpe...
- Não, não. Devemos nos casar, que tal amanhã? – propôs sorrindo e eu ri alto, decidindo revelar a brincadeira.
- Eu estava brincando! Devia ter visto sua cara! Foi hilária. – expliquei ainda rindo e ele fez uma careta.
- Você sabe que eu te respeitaria mesmo assim se fosse o que você quisesse, né? – questionou e eu apenas sorri.
- Claro que sei. É por isso que você é meu futuro namorado. – soltei sem querer e me arrependi momentaneamente, até ver o rosto de Harry se iluminar.
- Isso me faz pensar que fizemos tudo errado. – disse sério e eu franzi o cenho. – Precisamos de um encontro.
- Um encontro? – perguntei risonha e ele continuou sério.
- Sim. Você quer sair comigo, ? – apertou minha mão e eu sorri largo.
- Onde vamos? – espremi os olhos animada e Harry demorou um pouco para responder.
- Surpresa. Segunda-feira à tarde. – deu de ombros e eu abri a boca para protestar, mas ele me beijou antes de alguma coisa sair. Quando se afastou eu suspirei.
- Por que você sempre faz isso? – perguntei batendo em seu peito e ele sorriu convencido.
- Não posso beijar minha futura namorada? – voltou seus braços a minha cintura me puxando pra perto e eu revirei os olhos. – Eu sei o que vai dizer, "você é um idiota".
- Ainda bem que sabe. – respondi rindo e ele mostrou a língua, como uma criança.
- Me fale seu encontro mais memorável. – pediu tentando imaginar e eu neguei com a cabeça, era desnecessário. – Vamos, me fale.
- Não tenho, Harry. – tentei encerrar o assunto sendo que não lembrava de nenhum com Giovanni que valia a pena.
- Eu não vou ficar com inveja. Prometo. – insistiu mais uma vez e eu pensei em algo para dizer.
- Eu nunca tive um daqueles encontros inesquecíveis, ok? Eu já fui comer com meu namorado e até já fui no cinema com uma paquera. Mas nada tão grande, nunca me diverti tanto ao ponto de guardar uma lembrança tão viva. – expliquei pensando em meu namoro de três anos.
Parando para pensar nós nunca tínhamos feito algo legal, eu era apaixonada por ele, realmente era, não foi por falta de amor, mas nosso relacionamento deu certo porque eu gostava da pessoa que ele era e não por causa do modo que ele me fazia sentir. Naquele pequeno momento eu percebi... Eu era a pessoa que saiu perdendo naquele relacionamento, eu não me importei comigo mesma em três longos anos de relacionamento e eu tinha que me importar agora. Eu precisava ter um pouco de amor próprio.
- Isso está prestes a mudar. – disse com convicção e eu sorri, ainda pensando naquilo. – Você vai ter o melhor encontro da sua vida. Eu prometo.
Era disso que eu precisava, um cara legal que me fizesse bem. Um cara que eu gostasse pela personalidade e que se preocupasse comigo, perguntasse as coisas para mim e fizesse coisas legais por saber que eu ficaria feliz.
- Isso é o que vamos ver, Holland. – arqueei as sobrancelhas e ele franziu o cenho como se perguntasse se eu estava mesmo o desafiando.
P.O.V Hoffmann
16:32

- Ei! Eu sei imitar o Prince sim, ok? – Simon protestou e Katherine negou com a cabeça.
- Você é horrível nisso, admita. Pra imitar o Prince tem que ser afinado e pra ser afinado precisa saber cantar. – explicou se virando e pedindo ajuda com os olhos.
- Vocês querem ver? Eu vou fazer pra vocês. – disse já se aquecendo e todos gritamos um "NÃO" em uníssono, o que não o impediu de torturar nossos ouvidos.
- You don't have to be beautiful to turn me on... I just need your body, baby, from dusk till dawn! – "cantou" parecendo confiante de sua imitação e Katherine pediu para ele parar, o que o atiçou ainda mais. – Oh, espera, tem mais. You don't need experience to turn me on! You just leave it all up to me, I'm gonna show you what it's all about!
- Para, Simon, para. – Katherine tentava conter a situação e eu já me virava para Liam que ria negando com a cabeça. Uma ideia engraçada veio à minha cabeça e eu olhei para Liam com malícia antes de começar a cantar.
- You don't have to be rich to be my girl! You don't have to be cool to rule my world! – acompanhei Simon entrando na onda, pegando o tom errado e balançando as mãos, levando Katherine a bufar e Liam rir mais ainda.
- Não comecem! – reclamou apontando como advertência e Liam abriu a boca como uma ameaça. – Liam! Não se atreva!
- Ain't no particular sign I'm more compatible with! I just want your extra time and your... – Liam cantou fechando sua mão e colocando ela abaixo do queixo como se fosse um microfone, espremendo os olhos tentando passar emoção. Ali vinha a melhor parte:
- KISS! – cantamos alto juntos e Katherine pegou o travesseiro tampando os ouvidos.
- Vamos lá, Kat! Eu sei que você quer. – Simon fez uma voz engraçada e eu e Liam só balançamos a cabeça no ritmo da música.
- You got to not talk dirty, baby, if you wanna impress me! – levantei dançando suavemente e estendi as duas mãos para Simon e Liam que agarraram e também levantaram dançando.
- You can't be too flirty, mama, and know how to undress me. – cantamos olhando para Katherine que fazia uma careta de choro.
- Vocês estão estragando Prince! Como isso é possível? – reclamou manhosa e eu ri enquanto os outros dois ainda cantavam. Olhei para Kat com um sorriso e estendi a mão, que ela pegou e levantou soltando o travesseiro e cedendo aos poucos.
- I want to be your fantasy, maybe you could be mine! – cantei com o tom certo apontando e ela arregalou os olhos. Katherine cedeu bem nessa parte e começou a imitar com a gente.
- You don't have to be rich to be my girl! You don't have to be cool, to rule my world... Ain't no particular sign I'm more compatible with! I just want your extra time and your... – cantamos todos juntos animados com a antecipação do refrão, dançando ainda mais quando a palavra chegou... – KISS!
Todos caímos na risada e Katherine cobriu o rosto como se tivesse acabado de cometer um crime, caindo na cama envergonhada enquanto nós três tentávamos parar de rir. Até que Katherine interviu.
- Não era para estarmos ensaiando e decidindo o repertório de músicas? – questionou olhando para nós como se fôssemos hipócritas. – Diversão depois, lembram?
- Desculpe, desculpe. Você tem razão. – respondi ainda sem fôlego e tentei arrumar minha cabeça. – Mas esse até que foi um exercício.
- É, foi. – Simon concordou olhando para Kat tentando ver se ela poderia pegar leve e ela sorriu deixando a postura dura de lado.
- Ok. – disse feliz e todos nós rimos novamente.
- O que acham de Blame It para começar o repertório de amanhã? – sugeri e Liam fez uma careta. Sábado era nosso único dia de folga, cada dia da semana tinha um horário diferente para começar e terminar, mas domingo era o dia em que ficávamos mais tempo tocando.
- Incentivar bebidas alcoólicas em um bar? Claro. Muito criativo. – negou com a cabeça descartando.
- Phil gostaria... – falei não vendo problema e Liam pensou na resposta rapidamente.
- Mas os clientes não, , eles já bebem lá, se cantarmos sobre isso eles vão pensar que é tudo forçado e não por diversão. – explicou e eu levantei as mãos, me rendendo.
- Vamos repassar o horário que mudou ontem. Segunda, das 16:00 até às 20:00. Terça, 17:30 até às 21:00, quarta e quinta o mesmo horário. Sexta, 17:00 até às 22:00. Domingo, 16:30 até às 22:30. – Simon relembrou e todos anotaram em bloquinhos no celular.
- Você avisou o Phil que não vamos poder tocar segunda? – Liam perguntou e ele afirmou óbvio.
- É, mas não é como se fosse uma preocupação, Phil tem outra banda, podemos faltar às vezes. Só não receberemos o lucro daquela noite. – Simon deu de ombros escrevendo algo em seu caderno e todos nós concordamos.
- Tendo ou não que dividir o palco com outra banda, todos sabem que somos quem os clientes preferem. – Katherine disse convencida. – Nós temos muito talento.
- Temos sim, mas não precisamos que suba a cabeça. – Liam provocou dando um peteleco fraco na cabeça de Kat, que riu assustadora partindo pra cima dele.
- Gente, gente! – gritei tentando não rir e Simon os separou. – Isso é muito divertido, mas vamos por favor, voltar para o nosso repertório?
- Ok, ok. – Katherine respirou fundo e começamos a conversar sobre músicas.
- Another One Bites The Dust? – Simon sugeriu e Kat negou com a cabeça.
- Qual é o propósito dessa música se eu estou atrás do teclado e não dá para ver meu corpo maravilhoso rebolando? – disse como se fosse uma lei e todos rimos. Katherine era excêntrica, mas isso fazia dela única e engraçada, era isso o que era legal nela.
- Never Be Like You? – sugeri e Simon se virou.
- De quem?
- Flume e Kai.
- Sem nenhuma possibilidade. Teríamos que modificar muito a música e não temos tempo. – Liam interviu e eu enchi as bochechas de ar, tentando achar alguma música em minha cabeça. Eu sabia de cor milhares delas, mas naquele momento nada me vinha a mente.
- Here, Alessia Cara? – Simon pensou alto e Liam franziu o cenho.
- Você acha que consegue alcançar o tom da Alessia Cara? – se direcionou a mim com um pouco de pressão em seus olhos. – Não me leve a mal, mas você tem uma voz mais encorpada e não leve e doce.
- Eu sou mezzo-soprano, ela é soprano. Não vai ficar idêntico, mas o alcance vocal dela é C3, G5, F#5, é impressionante, mas eu aguento. Eu alcanço C3 facilmente, consigo alcançar G5 e estou treinando bastante para alcançar F#5. – expliquei e Liam e Kat me mandaram uma feição como se estivessem prestes a explicar novamente que não tínhamos tempo, então completei. – Ela não usa toda a extensão vocal na música, obviamente vai ser fácil, vocês não confiam em mim?
- Claro que confiamos, boba. – Katherine sorriu cedendo e Liam concordou com a cabeça. – Eu disse que você tem talento, Christina!
- Por favor não me compare com a Christina. – pedi um pouco pra baixo brincando e mudando a feição para complementar. – Não até eu alcançar D5s, C#5s e Eb5s!
- Eu tenho certeza de que consegue antes de voltar para Alemanha. – Simon tentou me reconfortar e eu sorri meio desacreditada. – É sério! Eu não sei muito sobre isso, mas Liam sabe, diga para ela!
- Você sabe que eu sou verdadeiro... – disse um pouco desconfortável e eu concordei. – É bem difícil alcançar, tenho certeza de que você vai em algum determinado tempo. Se for pra ser, vai ser, fora que... Você já é bastante talentosa !
- É verdade, você já alcança C3, C5, Bb4, D3, G4s, G5 e etc, etc, e o mais incrível, adivinha? – Katherine me incentivou fazendo mãos de jazz e esperando eu responder.
- Você ainda só tem 19 anos. – Liam respondeu por mim e Kat apontou para ele sussurrando "bingo".
- Eu espero muito que quando a idade chegar eu não perca meu alcance. – brinquei encostando meu ombro no de Liam que riu vendo Katherine fazer uma cruz.
- Você só vai melhorar, principalmente se tiver a gente. – ela disse se gabando e eu abri os braços revirando os olhos enquanto ela vinha até mim para me abraçar.
- Temos que ficar com o pé no chão, ok? – sussurrei em seu ouvido e ela pareceu um pouco decepcionada, mas se afastou e concordou com a cabeça, dando um sorriso fraco.
- Segunda música, Kiss? – Simon brincou e Katherine fechou os punhos.
- Se eu pular em Simon, vocês me prometem dessa vez não impedir? – virou seu rosto para nós e eu deixei a decisão nas mãos de Liam, que pensou por alguns segundos, colocando a mão no queixo e a tirando quando decidiu responder.
- É... Acho que ele tem dinheiro o suficiente para as cirurgias. – então Katherine sorriu para Simon com alegria, o que deixou o menino aparentemente com medo.
- Nós te daremos 10 segundos. Quando quiser. – Liam disse com uma voz profissional como se fosse um concurso e ele fosse o apresentador.
- Por que você está sorrindo para mim tão bonito? – Simon perguntou a Katherine ainda com medo aparente e ela sem desfazer o sorriso, disse assustadoramente entre os dentes:
- Porque por respeito à anos como conhecidos, quero que a última coisa que você veja seja legal. – avançou nele que tentava se defender e Liam olhou no relógio, cronometrando o tempo. Quando se passaram dez segundos, Liam suspirou e levantou tirando Katherine de cima de Simon como se fosse usual e eu me desatei a rir.
- Vocês se amam, né? – questionei e Liam me mandou uma feição óbvia.
P.O.V Tom Holland
18:54

- Sério? – Sam e Harry discutiam ao meu lado e eu tentava prestar atenção na televisão, não conseguindo.
- É sério, Sam, eu quero algo especial. – disse com preocupação e eu tentei me desligar da conversa.
- Cheguei. – entrou em casa e eu a vi pela primeira vez naquele dia. Ela estava com roupas de frio, botas e uma touca, fora a bolsa que quase caía por causa da alça escorregando em seu ombro enquanto ela fechava a porta, atrapalhada.
- Oi! Três patetas. – nos cumprimentou animada e eu sorri de um jeito sarcástico.
- Oi, bruxa! – cumprimentei também e ela sorriu parecendo se sentir confortável, era completamente estranho.
- É horrível não poder dizer que bruxa é a sua mãe. – disse em um tom frustrado, chegando perto e eu ri, logo percebendo que Harry e Sam tinham parado de conversar. Me virei e os dois estavam como estátuas.
- Oi, . – Sam disse normal e sorriu para ele levantando a mão como um aceno enquanto Harry também o fez sem nem falar nada.
- Eu vou subir, tomar um banho. – apontou para as escadas parecendo tão desconfiada quanto eu e eu sorri como despedida, assistindo ela subir.
- Será que ela ouviu alguma coisa? – Harry questionou e eu franzi o cenho.
- Alguma coisa? – perguntei confuso e Sam se virou logo explicando.
- Você precisa ajudar a gente.


Capítulo 10

06/03/2016
Domingo
11:12
P.O.V Gianniotti

Acordei com meu alarme estridente e me assustei, eu estava tendo um pesadelo e o barulho alto me fez acordar em um quase pulo. Mas aquilo era coisa de filme então só foi um espasmo sem importância mesmo.
Fiquei com os olhos fechados por algum tempo e decidi tentar os abrir, se eu dormisse de novo, viria me puxando pela orelha e ninguém, repito ninguém, gostaria de acordar com as unhas de na sua orelha, principalmente porque isso vinha com um brinde... reclamando com seu sarcasmo para cá e para lá. Bom, ao menos que você esteja numa situação safada.
Apoiei as mãos na cama tentando levantar, mas na primeira vez não consegui, então tentei de novo e impulsionei, mexendo no meu cabelo e bufando encostando meus pés no chão gelado, quase tendo um choque. Subi meus pés no mesmo instante e logo voltei levantando e correndo pra pegar minha pantufa.
Ela era feia, mas o que valia era não congelar, não é? Fui até o espelho e penteei meu cabelo com as mãos, passando meus dedos em volta dos olhos também, tentando ficar mais lúcida e apresentável. Me troquei e coloquei um tênis, desistindo e amarrando meu cabelo, indo até o banheiro para escovar os dentes e me aliviar.
Saí do banheiro e voltei ao meu quarto pegando meu celular e colocando-o no bolso, indo até o quarto de Harry e encontrando ele jogado de barriga para baixo na cama. Andei até sua cama e me abaixei para fazer carinho em seu cabelo e sussurrar para que eu não tivesse que o empurrar, estava tentando dar uma de fofa.
- Levanta... – recebi como resposta um resmungo, então tentei outra vez. – Harry, por favor.
- Hum... Hum.... – ainda estava super grogue então suspirei e fui de novo.
- Harry... – sussurrei e não tive nenhum retorno, então tentei algo novo. – Eu deixo você me fotografar se levantar...
- Oi... Que? – ainda pareceu nas nuvens, mas tentou abrir os olhos quase levantando repentinamente.
- Você me ouviu? – perguntei sorrindo e ele finalmente abriu os olhos.
- Achei que estava sonhando. – disse de um jeito bobo e eu ri pegando o travesseiro e jogando em seu rosto.
- Deixa de ser...
- Idiota? – previu entediado e eu o empurrei. – Ei, vem cá. – me puxou fazendo-me quase cair no chão com ele, mas consegui deitar de mal jeito na cama.
- Vamos descer? – perguntei enquanto tentava arrumar meu rabo de cavalo e ele sorriu me olhando de um jeito estranho. – O que foi?
- Eu não consigo acreditar que você gosta de mim. – disse com paixão e eu peguei seu rosto com as mãos dando um selinho rápido.
- Está feliz?
- Estou. – fez carinho em minha cintura e eu ri, tentando apreciar o máximo do momento.
- Eu também estou. – mexi em seu cabelo e ele olhou pelo meu ombro.
- O que foi? – perguntei vendo que ele olhava para atrás de mim, me virei e vi Sam encostado na porta com as sobrancelhas arqueadas.
- Vocês são nojentos sabia? Sério, ainda é de manhã. – fez uma careta e eu ri, tentando me desvencilhar.
- Só fala isso porque é um infeliz que não consegue avançar com a . – Harry respondeu não me deixando sair, então dei um tapa em seu braço levantando e puxando meu elástico para tentar refazer meu rabo de cavalo.
- Estávamos conversando, Sam. – intervi entediada e o menino sorriu.
- Deitados e abraçados?
- Sim. Não pode mais? – perguntei firmando o rabo e ele pareceu desistir, levantando a mão e dando a volta para ir embora. – Espere, Sam!
- O que foi? – se virou perguntando e eu corri até ele, passando um braço por seus ombros.
- Fique tranquilo, já, já está na sua. – falei baixinho recebendo uma cara feia. – Ou não.
- Sai daqui, , sério. – alertou mal-humorado e eu franzi o cenho.
- Foi só uma brincadeira... Não é como se gostasse dela, Sam. – tentei amenizar a situação, mas ele saiu de meus braços e me olhou sério.
- Esse é problema, , eu acho que estou começando a gostar dela. – resmungou sério e eu arregalei os olhos esperando que não fosse verdade.
- Co-como? – questionei colocando a mão em seu ombro e ele abriu um sorriso.
- Deveria ter visto sua cara, agora sai. – tirou a minha mão do ombro e continuou a andar.
- VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE BRINCAR COM UMA COISA DESSA! – gritei enquanto ele descia a escada e eu ouvi a resposta imediata.
- MAS VOCÊ TEM, NÉ? CONTINUE SE GUARDANDO ATÉ O CASAMENTO. – gritou ainda de costas e eu arregalei os olhos, me virando e indo até o quarto de Harry com muita raiva.
- Harry Robert Holland. – pronunciei seu nome inteiro respirando fundo e o garoto que já estava sem seu pijama, com roupas normais, se virou calmo.
- Que foi? Por que disse meu...
- Você conta tudo pro Sam?! Como você pode contar nossas conversas pra ele? – perguntei já quase gritando e ele me olhou cauteloso.
- Não é bem assim... Você também conversa com a . – respondeu dando de ombros e eu franzi o cenho tão forte que minha pele quase doeu.
- Nossas conversas? Você já contou pra ele sobre o "quanto avançamos" também?! – fiz aspas com os dedos.
- , ele é meu gêmeo. Então sim, eu compartilho algumas coisas com ele. – tentou se justificar e eu respirei fundo colocando as mãos na cintura.
- Como vai ser quando nós fizermos sexo? Você vai sair correndo pra contar para ele? – questionei furiosa e Harry deu um sorriso de lado.
- Você está planejando na sua cabeça? – tentou chegar perto e eu fiquei sem resposta.
- Que-quer dizer... Não! Eu só... U-usei um exemplo. – tentei me explicar mas cada vez ele chegava mais perto, então precisava pensar. – Harry, nem tudo pode se resolver com distrações...
- Você também vai contar para a se fizermos. – respondeu óbvio e minha mente deu uma parada, era verdade, não?
- Mas... É diferente. – eu estava mesmo tentando contornar?
- Por que você é uma mulher? – perguntou sarcástico e parou vendo que não adiantaria nada. – Por que está tão preocupada com isso?...
- Não gosto de ninguém falando pelas minhas costas. – cruzei os braços e ele veio até mim colocando suas mãos em meu rosto.
- Eu só falo para ele pequenas coisas, eu te juro. Como o quanto você me faz bem, ou o quanto é gostoso ficar com você. – disse sem nenhum traço de mentira e eu quase esqueci o porquê de estar discutindo.
- Mas...
- Se você quiser, podemos fazer uma promessa. Você não conta pra quando fizermos e eu não falo uma palavra para Sam também. – propôs calmo e eu pensei, estendendo a mão com o dedinho pra cima enquanto Harry juntava sua mão a minha prometendo silenciosamente.
- Me desculpe, não sei porque surtei. – sussurrei enquanto separávamos as mãos.
- Está tudo bem. – riu fraco e eu suspirei o abraçando.
- Eu acho que você é a definição de bom namorado. – sussurrei contra seu ombro e ele soltou um ruído surpreso.
- Eu pensei que fosse o maior idiota da terra! – disse e eu resmunguei. – Além de que... Eu aposto que você não teve muitos namorados antes de mim.
- Não somos namorados. – sorri convencida, me distanciando para observar seu rosto.
- Ok, então. – levantou as mãos. – Quando vamos ter a conversa sobre nossos ex's, falando nisso?
- Quando formos namorados. – apontei um pouco óbvia e ele fez uma feição como se tivesse entendido.
- Faz sentido. – deu de ombros e eu ri.
- Você é um pouco lerdo, Harry Robert. – balancei a cabeça sorrindo e ele sorriu de volta, chegando perto e sussurrando:
- Eu só me faço. Sabe, para não ter que conversar com as pessoas ou respondê-las. – colocou a mão ao lado da boca como se contasse um segredo e piscou.
- Eu não preciso nem dizer, não é? – questionei com uma careta, esperando que ele fosse esperto o suficiente para presumir o que eu iria falar.
- Não, , não precisa. – riu fraco colocando as mãos no bolso e eu revirei os olhos.
- Então meu trabalho está feito. – levantei as mãos e saí do quarto, ouvindo seus passos me seguindo. – Não nascemos colados, sabia?
- Eu sei, é só uma bela paisagem daqui de trás. – disse mordendo o lábio quando virei meu rosto para me comunicar. Primeiro a vergonha me atingiu, então me virei de frente para ele, depois veio a raiva, então cruzei meus braços.
- , você foi a meu quarto para me acordar, não? Suponho que era para ficarmos juntos. – chegou perto presumindo e eu descruzei os braços.
- Tá, mas...
- Se você não gostou de meu elogio, eu não faço mais. Porém tenho que admitir que, meu Deus, eu nunca imaginei que namoraria com uma menina com o corpo como o seu. – disse jogando a cabeça para trás rapidamente e eu sorri automaticamente. Harry percebeu e eu fiquei com ainda mais vergonha.
- Não tenho culpa se inglesas são sem sal. – respondi em um ato de coragem e continuei a andar, não suportando a cara de chocado de Harry.
- Kate Beckinsale é britânica. – argumentou me alcançado e eu ri alto.
- Justo. – olhei rapidamente sem parar de andar.
- Se bem que...
- Harry, só fique quieto. – falei sorrindo e descemos as escadas, encontrando e Sam rindo.
- O que estão fazendo? – Harry perguntou já chegando perto e levantou sua cabeça.
- Vendo vídeos de filhotes de cachorro. – respondeu voltando seu olhar para a tela.
- Vocês podiam estar brincando com a Tessa. – falei franzindo o cenho e respondeu rapidamente tediosa:
- Thomas a levou para passear.
- Ah. – concordei sentando no sofá com eles e ligando a televisão. Estava passando Billy Elliot.
- Tom fez o musical, sabia? – Harry disse olhando para televisão e eu arqueei as sobrancelhas.
- Billy Elliot? Quem ele era? – perguntei animada.
- O próprio Billy. – balançou a cabeça enquanto dizia e riu, com a atenção em nossa conversa.
- Thomas dança? Balé?! – questionou rindo e Harry concordou. – Meu Deus, por essa eu não esperava.
- Talvez vocês possam até dançar juntos. – sugeri e ela negou.
- Eu sei tão pouco de balé quanto um peixe. – disse sincera.
- Talvez possam dançar um estilo diferente. – dei de ombros e ela fez uma careta.
- Você está forçando de novo. Não sei se temos harmonia.
- Tom consegue se virar. – Harry interviu e eu me virei para ele dando um selinho rápido como "obrigada".
- E isso é o que chamamos de hengst na Alemanha. – disse baixo e todos olhamos confusos.
- Você me xingou ou...? – Harry perguntou e gargalhou.
- Só sabe como é bom deixar vocês confusos. – disse animada e eu sorri forçado.
- É... A diferença é que você também está brincando comigo. – apontei para mim mesma desfazendo o sorriso e concordou com a cabeça.
- Kluges Mädchen! Das stimmt. Du weißt nicht, wie viel Spaß es macht! – disse rápido toda sorridente e eu bufei, olhando para Harry que estava tão confuso quanto eu.
- Ok, vocês têm que admitir que italiano é bem mais fácil. – levantei as mãos indignada e riu de novo. – E mais bonito.
- Wenn du denkst. Eu acho minha língua bonita. – retrucou voltando ao inglês e eu suspirei.
- Eu odeio isso. – falei bufando e Harry e Sam falaram ao mesmo tempo:
- Você faz isso toda hora! – me olharam acusadoramente e eu me encolhi, assistindo morder o lábio para não rir.
- Eu só não jogo uma almofada em você, porque sei que faço. – alertei e ela começou a rir, concordando com a cabeça. A porta de casa se abriu e Tessa veio correndo até nós, enquanto Tom fechava a porta.
- Tessa! – gritou em animação quando a cadela foi primeiro para ela, pulando em seu colo.
- Não sei porque Tessa gosta tanto de você. – Tom parou em nossa frente e disse, com as mãos na cintura.
- Porque eu sou mais legal do que você. – deu a língua e ele revirou os olhos. sorria para Tessa e fazia carinho em seu pelo.
- Tessa já deu, né? Agora vem cá. – falei querendo interagir com ela e ela me olhou do colo de , logo saindo e vindo até mim, enquanto me olhava de cara feia. – Boa garota!
- Nós conhecemos ela desde filhote e ela prefere as intercambistas de um mês. – Sam resmungou apontando indignado e Harry concordou com a cabeça.
- Como disse, somos mais legais que vocês. – repeti e levantei a mão para fazer um high five com , que logo bateu sua mão com a minha.
- Vocês são idiotas. – Sam respondeu cruzando os braços e Harry franziu o cenho.
- Ei, esse é meu apelido, não dê para elas! – disse com um tom alto e eu gargalhei, empurrando-o com uma mão. Tessa que ainda estava em meu colo, observou tudo.
- Eu vou subir e me trocar, coloquem ração e água pra ela, por favor? – pediu deixando a coleira em seu lugar e nos olhando.
- Eu coloco. – se levantou, pegando os potinhos de ração e água, indo até a cozinha. Voltou e colocou na parede, Tessa saiu de meu colo e foi lá comer e beber.
- Como vai sua nova amizade com o Tom? – perguntei olhando para e ela suspirou se sentando.
- Bem. Eu já amo ele! – disse sarcástica dando um sorriso forçado.
- Sam, vem cá pro meu lado. – chamei com a mão e ele levantou. Me levantei e sussurrei em seu ouvido: – Preciso que me ajude a empurrar alguma brincadeira.
- Ei, ei, ei. Você vai forçar de novo? – se levantou também com o tom indignado.
- Pra quê? – Sam perguntou e eu o puxei para longe, mas veio até nós.
- , por favor. – apontei para o sofá para ela voltar e ela nem se mexeu, cruzando os braços.
- Tudo bem, eu quero fazer isso para nos conhecermos melhor. – me direcionei a Sam e ele franziu o cenho.
- E porque eu tenho que te ajudar? – questionou e eu bufei, pensando.
- Que tal Eu Nunca? – já empurrei para ele e ele pareceu fazer uma careta.
- Por favor, Sam, vai ser divertido. – juntei as mãos e ele suspirou com uma cara de derrota.
- Eu não vou fazer isso. – respondeu levantando as mãos e eu me virei pensando em algum argumento.
- Por que? Olha, por favor. Não vai fazer mal, eu te deixo impor as regras. – falei afobada e ela pareceu parar para analisar a situação.
- Você tem que entender, ... Se é você que sustenta essa amizade, não é real. Precisamos fazer dar certo por conta própria. – explicou séria e eu fiz um biquinho, pedindo silenciosamente novamente.
- Por favor, por favor. – pensou por alguns segundos e logo bateu a mão na coxa.
- Vamos fazer do meu jeito e essa é a última vez. – impôs apontando seu dedo indicador para mim.
- Ok. Obrigada! – quase pulei em cima dela para a abraçar e olhei para Sam, que prestava atenção no que iria dizer.
- Vai ser um Eu Nunca diferente. Sam, pegue a bebida mais forte que tiver aqui em casa e leve para o quarto de , vamos brincar lá. – explicou e Sam foi até a cozinha. Meu Deus eu tinha esquecido que envolvia bebida alcoólica.
- Harry, vem. – pedi estendendo a mão e ele bufou subindo conosco até o quarto.
- O que estão fazendo? – Tom perguntou quando cruzou conosco no corredor e eu peguei seu braço o guiando para meu quarto. – O que tá acontecendo?
- Outra intervenção na nossa "amizade". – respondeu fazendo aspas com as mãos e ele abriu a boca em entendimento.
- Qual é a dessa vez? – Tom perguntou como se estivesse acostumado. Qual é?! Eu tinha tentando uma vez, só uma!
- Espere só o Sam chegar. – disse olhando para as mãos e eu temi pela primeira vez, quais seriam as regras? Sam chegou com uma garrafa redonda de vidro com um líquido escuro e alguns copinhos, tentei ler o rótulo, mas não consegui. – Fecha a porta por favor e dá pra mim.
- Aqui. – Sam estendeu a garrafa para , depois de fechar a porta e vir até nós.
- Uh, Bacardi 151? Não acredito que seus pais tenham isso em casa. – fez uma careta fechando o punho e eu senti um pouco de medo.
- Pois é, eu também fiquei surpreso. – Sam respondeu e eu fiz questão de perguntar.
- Desculpe, eu estou boiando aqui. – levantei a mão como se estivesse em uma aula e se virou, pronta para explicar.
- Isso é rum, o rum com um dos maiores teores alcoólicos do mundo. – virou a garrafa mostrando e eu franzi o cenho.
- Desculpa... O quê?! – perguntei quase gritando, eu não aguentava nem ficar bêbada de cerveja, imagina rum. – Qual... Qual é o teor?
- 75,5%, isso vem com um anel à prova de fogo. – disse olhando para a garrafa e eu ri de nervoso.
- ... Isso é perigoso. – falei com medo e ela sorriu.
- Eu concordo com a . – Tom disse cauteloso e o olhou.
- Eu vou explicar agora. Vamos jogar Eu Nunca e irão ter duas opções, nós podemos beber ou... Tirar uma peça de roupa. Essas são minhas oposições. – disse com um tom diferente e todos nós nos olhamos.
- E se, só sobrar nossas calcinhas, sutiãs ou cuecas? – perguntei e sorriu dando de ombros.
- Terá que beber ou ficar nu. Vou colocar uma quantidade pequena, não se preocupem. – respondeu com um sorriso animado no rosto e eu pensei. – Você não queria jogar? Vamos jogar, .
- Eu topo. – Sam foi o primeiro a dizer, então Harry me olhou como se fosse avançar.
- Eu topo. – disse me incentivando com os olhos e eu mordi o lábio fortemente, parecia que os únicos responsáveis ali eram eu e Tom.
- Eu topo. – Tom disse em seguida e eu reformulei, era só eu mesmo.
- ... – me olhou em provocação e eu bufei.
- Vamos logo com isso. – fechei os olhos dizendo e tentando pensar em coisas positivas. Ainda era de manhã e alguns de nós já iríamos ficar bêbados... Ou nus.
- Sam vai começar. – deixou a garrafa no chão e Sam deixou os copinhos em volta, então todos nós sentamos em um círculo, como na brincadeira anterior.
Paddy, Nic e Dom tinham avisado ontem à noite que iriam sair de manhã e chegar lá pelas duas em casa, o que era uma das únicas coisas tranquilizantes naquele momento.
- Eu nunca... Fiz uma aposta arriscada. – pensou antes de dizer e e Tom olharam para a bebida. Tom tirou os sapatos e pegou o copinho, despejando dois centímetros da bebida.
- Porra. – sussurrou antes de olhar para o copinho em sua mão e o virar em sua boca, fazendo uma careta e tossindo uma vez.
- Eu nunca fui pega colando. – disse abaixando o copo e Sam, Harry e eu tiramos os sapatos enquanto Tom tirava as meias.
- Vai, você. – Harry apontou para fazer algo e ela riu negando com a mão.
- Nunca fui pega colando. – explicou dessa vez com seriedade e Sam que riu.
- Aposto que sim, vai. – disse desacreditado e não se abalou.
- Falo sério. Colei pouquíssimas vezes na escola e nunca, nunca fui pega. – disse mais uma vez com sinceridade e eu intervi.
- Se ela está dizendo eu acredito. Vamos continuar. – pedi percebendo que era a vez de Harry.
- Eu nunca disse que amo alguém sem querer ou sentir. – Harry disse sério e eu quase franzi o cenho pela intensidade daquela pergunta.
- Sem querer por acidente ou sem querer por ser obrigado, como por familiares? – perguntou e todos reforçaram.
- Se sentir obrigado a dizer, mesmo sem ser por familiares. – Harry respondeu e todos entenderam. tirou seus sapatos, Tom bebeu e Sam e eu tiramos as meias.
- Qual é, você tem 18 anos. Aposto que já disse sem nem mesmo perceber. – interviu rindo e Harry a olhou, sem ver graça.
- E você tem 19, aposto que já foi pega colando. – retrucou e tentou parar de rir levantando as mãos, surpresa pela reação. – Nunca fiz isso, no máximo um "eu te adoro" sem gostar da pessoa, mas "eu te amo", nunca.
- Ok, ok. – todos deixaram quieto e era minha vez de perguntar.
- Eu nunca usei óculos sem lentes. – falei já rindo e Tom pegou o copinho com receio, colocando a bebida e tomando, quase engasgando.
- Isso é nojento. – resmungou fazendo uma careta e todos nós rimos.
- Claro que é nojento, é rum. – respondeu justificando e Tom balançou a cabeça em concordância. – É sua vez, vai.
- Ah, eu? Eu nunca tingi meu cabelo de uma cor fantasia. – Tom disse e ele, Sam e Harry não fizeram nada, mas eu tirei meu agasalho e suas meias.
- Não vai beber ? Prefere ficar sem roupa? – perguntou risonha e eu mostrei o dedo do meio.
- Eu nunca tive uma crise de riso em um momento sério. – Sam disse em sua vez e , Harry e nem Tom beberam, mas olharam para mim como se desconfiassem que fosse bem provável que eu já tinha o feito. Fiz uma careta de choro, tirar uma peça de roupa ou beber?
- , vamos... – incentivou e eu continuei a pensar, espremendo os olhos e pegando um copinho, enchendo apenas um centímetro. – Encha um pouco mais.
- Você quer que eu morra? – perguntei indignada e ela suspirou, levantando e indo até o outro lado do quarto para pegar uma garrafa de água.
- Encha mais um centímetro e pode tomar água depois. – balançou a garrafa na mão e eu bufei enchendo um pouco mais. Demorei a ter a coragem de levar até a boca mas o fiz e tomei, buscando a garrafa de água desesperadamente depois disso... aquilo queimava para um caralho.
- Meu... Deus... – falei baixo depois de quase devorar a garrafa de água. Minha boca ainda queimava e se eu não estivesse ocupada tentando fazer parar, mataria ali mesmo.
- Eu nunca recebi flores. – continuou a brincar depois que me acalmei. Sam e Tom tiraram seus moletons e eu hesitei, só estava de camiseta e calça agora e com certeza não tomaria a bebida naquele momento.
- Nunca recebeu flores? – Tom perguntou para e ela negou com a cabeça parecendo falar sério, Tom ficou surpreso, mas ela deu de ombros, olhando para mim.
Respirei fundo e tirei minha camiseta ficando só de sutiã, ouvindo um urro de e sentindo um olhar de Harry. Só naquele momento percebi que a primeira vez que ele me veria assim seria na frente de nossos amigos e não em um momento romântico ou íntimo, me desanimei um pouco, mas lembrei... Não éramos um casal convencional, pra quê agir de tal jeito?
- Eu nunca fiz piercing ou tatuagem. – Harry disse animado e foi a única que tirou o agasalho, atraindo não só o olhar de Sam como usual, mas de Tom também, que a olhou com interesse me deixando curiosa.
- Aonde? Piercing ou tatuagem? – em um ato de ousadia Tom perguntou parecendo outra pessoa e ela pareceu um pouco chocada, sorrindo.
- É segredo. – falou baixo e Tom pareceu se tocar do que tinha perguntado. – Talvez até o final do jogo vocês vejam.
Tom e Sam engoliram seco e eu fiquei ainda mais confusa, era impressão minha ou estava começando a criar uma tensão com Tom? Uma tensão sem ser uma desagradável?
- Ok... Minha vez. – interrompi o silêncio e pensei. – Eu nunca beijei um estranho.
- Tim-tim. – pegou o copinho e derramou pouco da bebida nele, tomando de uma vez e tossindo. – Como eu odeio rum, argh.
- Somos dois. – Tom sussurrou e riu. – Eu nunca fingi que falava outro idioma.
- Tom... – Sam resmungou e todos perceberam que Tom sorriu, ele sabia que Sam já tinha feito isso.
Então Sam tirou a camisa e eu e assobiamos brincando com ele, que fez reverências como se acabasse de apresentar um espetáculo. Reparei em seu corpo, não era um abdômen definido, mas era bonito, magro e com alguns traços realmente atraentes.
- Obrigada pelos aplausos, muito obrigado. – Sam entrou na brincadeira e encenou, abanando seu pescoço com as mãos fazendo todos rirem.
- Minha vez né, vamos lá. Eu nunca comecei a assistir uma série para ter assunto. – Sam disse provocante olhando para Tom, isso era o troco e todos sabíamos, mas o mais interessante daquilo foi que Tom e tiraram as camisas ao mesmo tempo, olhando para o corpo um do outro. Sério, eu estava a um ponto de rir de nervoso.
- Eu nunca mandei nudes. – arqueou as sobrancelhas como se estivesse para ficar interessante e bebeu com sua própria pergunta. – Estou ficando bêbada...
- Ninguém mais? – perguntou e eu bebi pouquíssimo do rum, bastante envergonhada. Sam, Tom e Harry olharam para mim quase chocados.
- Eu nunca beijei alguém do mesmo sexo. – e eu tomamos de novo, então percebi que a bebida não queimava como na primeira vez, estava melhorando.
- ... – Sam disse com uma careta desacreditada.
Não sei o que me ocorreu, acho que a bebida subiu a minha cabeça, mas olhei para Sam com confiança e engatinhei até puxando seu rosto até o meu, beijando seus lábios e sendo correspondida. Nós duas estávamos muito bêbadas e provavelmente nos arrependeríamos mais tarde, porém naquele momento, estava ótimo. O beijo e tudo ao redor estava ótimo. Nos separamos e eu voltei ao meu lugar, percebendo que todos os meninos estavam sem palavras e Sam e meu namorado com um volume bem aparente no meio das calças, apontou para Sam e mordeu a ponta do dedo. É, definitivamente estávamos muito bêbadas.
- Que tal pararmos de brincar? – Tom disse se levantando e pegando a própria camiseta, mas levantou também cambaleando e indo até ele, chegando bastante perto.
- Está com medo de que, Thomas? – levantou a mão e acariciou seu peito, enquanto a respiração de Tom se descompassava. tirou sua mão do peito de Tom afastando seu corpo e descendo sua mão até o botão de sua calça, ameaçando abrir.
- Vocês não querem mais brincar? – perguntou ainda com a mão no botão e Sam e Harry levantaram.
- Acho que passamos do limite. – Sam concordou e ela tirou sua mão do botão dando de ombros e se jogando em sua cama.
- Ok então. Podem sair daqui. – disse como se nada tivesse acontecido e eu ri sem controle, quando ficava bêbada era assim.
- Tom, fique aqui com ela. – Harry o instruiu enquanto Tom já colocava a camiseta massageando a cabeça. – Eu vou levar para o quarto.
- E eu? Não era mais recomendável eu ficar com ? – Sam questionou e eu olhei para sua calça, Sam cobria o volume com as mãos e Harry riu, pegando nossas meias, sapatos e meu agasalho e camiseta. Puxou minha mão e me levantou enquanto eu ainda ria, pedindo para que eu me apoiasse nele para não cair.
- Sam, você acha mesmo que conseguiria resistir te provocando? – apontou para sua calça e eu ri alto mais uma vez, assistindo Sam bufar e pegar suas coisas para sair do quarto. Tom já pegava a camisa de e pedia para ela vestir quando eu saí com Harry.
- Você é muito bonito sabia? – falei enrolado enquanto andávamos e ele riu.
- Você está bêbada. – afirmou e eu resmunguei.
- Estou falando sério Ha.. Harr... Harry! Isso! Harry! – gritei um pouco tonta e ouvi mais uma risada.
- Três copinhos, três copinhos e você fica desse jeito. – negou com a cabeça e chegamos em meu quarto, onde Harry me deitou.
- Não pode me culpar... Não pode! – falei alto já rindo e Harry colocou o indicador em frente a boca, pedindo silêncio.
- Eu vou pegar água pra você, não saia aqui. – pediu colocando o cobertor por cima de meu corpo e saindo do quarto. Harry era tão atencioso, tão carinhoso e cuidadoso... Eu esperava que continuássemos bem...
P.O.V Hoffmann
12:45

- Coloque a blusa, por favor, pode pegar um resfriado. – Thomas dizia com uma postura séria.
- Pra que você acha que servem os aquecedores da casa? – perguntei sarcástica me mexendo na cama, para encontrar uma posição confortável.
- Por favor, Hoffmann. – parei de me mexer e o olhei séria.
- O que combinamos sobre meu sobrenome? – questionei e ele se sentou na ponta da cama.
- Estou tentando ser sério aqui, me desculpe. – disse um pouco grosso e eu me sentei, me aproximando.
- Vou repetir minha pergunta, Thomas... Está com medo de quê? – olhei em seus olhos sem desviar e ele não se abalou como na vez anterior.
- Você está se expondo e provavelmente vai se arrepender disso quando ficar sóbria. – tentou explicar e eu cheguei mais perto.
- Eu sei que não irá se aproveitar de mim, mas você sabe que gosto de provocações. – sussurrei e ele se levantou.
- Se ficar brincando eu saio. Nem tudo pode se resolver com rebeldia e sabe disso. – apontou o dedo para mim e eu me levantei também séria.
- Por que é assim, Thomas? Estou apenas tentando me divertir. – acariciei seu rosto lentamente e meu pulso foi segurado.
- Não vai conseguir isso comigo bêbada, . – se virou para sair mas peguei sua mão, o impedindo.
- Espere... – pedi com um tom mais firme e ele se virou, ainda com a mão colada à minha. – Por favor, fique, não me deixe sozinha.
- Como? – perguntou um pouco confuso e eu abaixei a cabeça, falando mais baixo.
- Não me deixe sozinha... Eu vou parar com as brincadeiras. – afirmei o levando de volta até a cama e me deitando, soltando minha mão da sua.
- Por que você muda tanto de uma hora para outra, hein?... – perguntou com uma feição curiosa fazendo carinho em meu cabelo, sentando onde estava anteriormente.
- É meu charme, Thomas... Quando vai entender? – sorri, correspondendo seu olhar.
- Será que se lembrará disso, mais tarde? – questionou mais pra si mesmo do que pra mim e eu ri fraco.
- Ich hoffe es Thomas. – sussurrei com a intenção de que ele não entendesse e tentei dormir, logo conseguindo.


Capítulo 11

07/03/2016
Segunda-feira

13:05
P.O.V Tom Holland

Medo, medo era a palavra que mais fazia sentido naquele momento para mim, aquela palavra de apenas quatro letras se aplicava a tantas coisas, se aplicava no que eu estava sentindo constantemente, fora a ansiedade e a curiosidade.
E é claro que o motivo tinha de ser uma garota, uma garota alemã de 1,70. Não, não era um crush ou sequer uma paixão e sobre isso eu não tinha nenhuma dúvida, eu nem a conhecia, eu só ansiava para ter um conhecimento maior sobre ela e isso era estranho, claro que era extremamente atraente mas aquilo não tinha a mínima importância naquele momento, eu não era como Sam babando por ela ou como Harry apaixonado por , era um sentimento desconhecido e era isso o que me dava medo.
Eu sabia que ela era encrenca, quem não sabia? Era como uma bomba com um lacinho vermelho em cima e isso se presumia só pelas provocações e defesas aparentes, então por que cutucar? Por que procurar confusão enquanto minha vida estava tão calma e estabilizada? Eu estava tão confuso e a única coisa que queria era que minha mente parasse de se perguntar coisas que ninguém além dela poderia responder, eu só estava dificultando as coisas para mim mesmo.
Ontem eu havia saído de seu quarto quando tinha percebido que ela havia realmente caído no sono... Bem, vamos parar de mentir, talvez cinco minutos depois disso, porque esse tempo usei para analisar seus traços calmos e imaginar como ela era de verdade. Então lá pelas 16:00 ela acordou e não trocou uma palavra comigo desde então, o que me fazia pensar em mais uma coisa... Isso significava que ela se lembrava ou que não? Ela havia em uma única hora abaixado todas suas defesas e me olhado nos olhos me deixando ver que ela realmente não suportaria ficar sozinha ali, e então me pediu para ficar... Como se não se importasse com o fato de que eu fosse o menos próximo dela naquela casa. era incrivelmente interessante de um jeito ruim, eu não poderia ficar sustentando a ideia de me aproximar dela, não poderia mesmo.
não havia chegado, Sam tinha ido levar Paddy para escola, revezávamos cada dia eu, Harry e Sam para levá-lo já que nossos pais trabalhavam. tinha chegado acabada do curso, logo indo para o quarto e se trancado lá. Hoje era o grande dia de Harry e ... O primeiro encontro, meu irmão até havia me pedido ajuda para escolher o lugar então havíamos pesquisado por mais de uma hora um lugar perfeito: romântico, com a comida boa, decoração bonitinha e etc.
- Ei, Thomas. – me assustou, chamando meu nome... Ela estava perto, bem atrás de mim. Eu estava distraído, mexendo no celular.
- Oi... – respondi um pouco confuso e ela sorriu entretida, então essa era a primeira vez que ela falava comigo depois daquele ocorrido.
- Eu vou sair... Pode avisar a ? Deseje sorte pra ela no encontro por mim, ok? Essa menina precisa de sexo. – disse casualmente e eu quase arregalei os olhos, como alguém poderia falar sobre uma coisa dessas tão naturalmente com uma pessoa que nem sequer conversava?
- O-ok, eu aviso. – me encarreguei um pouco chocado e ela deu tapinhas leves em minhas costas, se despedindo. Aquela sim era uma garota peculiar e eu não poderia mais agir como um pateta que não sabe o que dizer perto dela.
P.O.V Hoffmann
14:13

Thomas era uma criatura única sinceramente... Claro que eu me lembrava do dia anterior, eu nem mesmo acreditava que alguém poderia perder memória total com bebida. Mas era melhor que ele acreditasse que eu não me recordava, porque isso tornava menos significante.
Eu odiava vulnerabilidade, o problema era que eu mostrava com frequência, mesmo quando era pequena não gostava de pena voltada para mim, fosse para o que fosse. Todos nós temos fases ruins, a minha foi tudo de uma vez... Mãe internada, bullying na escola e coração partido, claro que é nessas horas que você se fecha, para seus pais ou conhecidos próximos, sem conversar sobre, sem dizer como se sente e etc. Eu odiava tudo aquilo, mas também gostava às vezes, me mostrava que eu conseguia segurar as pontas sozinha, me tornava por mínimos minutos... Forte e independente. Aqueles mínimos minutos em que eu chorava sozinha, em que eu comia com meu pai e dizia que estava tudo bem mesmo com um nó na garganta, não era necessário me mostrar forte para os meus próximos, mas eu não queria ser fraca... E se não tivesse essa urgência, se talvez não guardasse tudo dentro de mim para explodir, poderia ser mais bem resolvida.
Thomas tinha sido compreensivo e paciente com minhas brincadeiras, ficado lá por mim mesmo sem ter uma proximidade significativa. Eu realmente apreciava aquilo, mas não mostraria mais nada para ele, não mostraria vulnerabilidade e nem súplica.
- Terra chamando ... – Simon balançou as mãos em frente a meu rosto enquanto eu olhava pela janela do carro, pensando.
- Oi. – respondi, olhando para Simon que estava animado.
- Estamos quase chegando. – apontou para frente e eu consegui ver a London Eye, ela era linda e gigante, era muito estranho ver pessoalmente.
- Quais ingressos compraram mesmo? – questionei olhando para Kat que dirigia e Liam que estava no banco do passageiro, enquanto eu e Simon vínhamos atrás.
- Fast Track. – Kat me respondeu ainda prestando atenção na rua e eu arqueei as sobrancelhas.
- Não foi caro? – perguntei preocupada e Liam se virou fazendo pouco caso.
- Temos um salário e não pagamos contas, o que você acha? – riu logo depois e eu mordi o lábio.
- Então depois pago vocês, ok? – me tranquilizei e Simon colocou a mão em meu joelho me assustando um pouco, mas logo tirou.
- Como Katherine sempre diz: você é nossa estrela, precisamos investir em você. – disse tentando imitar a voz de Kat e eu ri, o empurrando. Hoje seria um ótimo dia, eu torcia para que fosse.
P.O.V Gianniotti
15:28

Eu estava me arrumando, pouco segura de si. Era tão estranho, um encontro, nosso primeiro encontro... E ainda por cima sairíamos de casa juntos, o que não era usual, eu pensava que isso só acontecia com pessoas casadas, mas não. Harry não viria "passar para me pegar", porque morávamos juntos e isso meio que me assustava, estávamos fazendo realmente tudo errado, isso poderia afetar algo. Me olhei no espelho de frente, lado, costas e não gostei do resultado, bufando e tirando a roupa, jogando-a na cama.
Fui até o armário tirando todas as roupas do cabide possíveis, jogando todas na cama em cima das anteriores e olhando de cima para escolher. Olhei no celular e vi que faltavam 20 minutos para a hora que tínhamos combinado de ir.
Eu queria algo simples, mas também não muito esfarrapado, era difícil escolher uma roupa para uma ocasião que eu nem sabia qual era. Olhei para o vestido cor de vinho e pensei em que ocasião aquilo não serviria... Era bonitinho e simples como eu queria então peguei e coloquei olhando-me no espelho, não era curto e era bastante confortável, mangas compridas já que era inverno, um decote discreto e uma saia rodada. Mesmo que fizesse 12° – o que era bastante estranho no inverno de Londres – eu ainda sim poderia sentir frio nos braços então peguei minha jaqueta de couro e coloquei por cima vendo se dava certo, até que tinha ficado legal, mas eu não estava com frio então a amarrei na cintura, pronta para colocar as coisas no lugar e escolher o sapato. Peguei a bota preta com um salto pequeno e fiquei satisfeita de cara, agradecendo por não ter que ficar colocando e tirando sapato. Me olhei no espelho para ver se não tinha nenhuma falha e soltei meu cabelo que estava preso em um rabo de cavalo, me sentindo um pouco melhor. Eu estava pronta, não passei nenhuma maquiagem porque não era muito uma pessoa de cosméticos.
Peguei meu celular e algum dinheiro que tinha trazido comigo, saindo do quarto e descendo para sala. Harry já me esperava, bem arrumado e com um buquê de flores nas mãos que achei surpreendente, rosas. As flores mais clichês que alguém poderia receber e também minhas favoritas. Sorri um pouco boba e cheguei mais perto quando ele estendeu o buquê, para pegá-lo nas mãos.
- Pode me dizer agora onde vamos? – pedi fazendo uma pausa, maravilhada com as rosas grandes e vermelhas. – Acho que dá tempo de me trocar.
- Não, , é surpresa. – explicou mais uma vez e eu revirei os olhos. – Além de que... Você está absolutamente maravilhosa.
- E por isso tenho valor? – questionei séria tirando meus olhos das flores e ele arqueou as sobrancelhas. – Estou zoando com você.
- Vamos ver quem é a idiota agora. – disse baixo e eu dei um tapinha em seu braço.
- Vou jogar os espinhos em você. – avisei apontando e ele riu.
- Quer deixar no vaso? – perguntou apontando para o vaso cheio de água atrás de mim e eu mergulhei elas ali, voltando para perto de Harry.
- Obrigada. – agradeci sorrindo e ele ofereceu seu braço para entrelaçá-lo no meu, o que fiz. – Isso é tão estranho.
- Eu sei. – me olhou rindo fraco e eu tirei meu braço do seu, entrelaçando apenas nossas mãos.
- Assim está melhor.
- Você é um doce. – disse em um tom meloso, brincando. E eu peguei nossas mãos coladas para bater em sua barriga. – Ouch!
- Idiota. – sussurrei e ele me olhou com intensidade.
- Você nunca vai parar, vai? – questionou sério e eu neguei com a cabeça, sorrindo.
- Meu idiota... – dessa vez pronunciei de um jeito meloso como o dele e ri alto.
- Vamos logo. – suspirou como se estivesse com uma criancinha e eu ri ainda mais enquanto ia com ele até a garagem.
- Seus pais te emprestaram o carro? – perguntei ainda mais curiosa para saber se ele dirigia e ele me lançou um olhar rebelde, negando. – Harry não podemos pegar o carro dos seus pais sem pedir!
- Estou apenas brincando, claro que pedi. Relaxa. – disse já rindo e eu bufei, eu tinha que ter previsto aquilo, Harry só brincava. Revirei os olhos e entrei no carro, um pouquinho emburrada.
- Por que não quer dizer aonde vamos? Sério, Harry, não tem necessidade. – tentei argumentar colocando o cinto e Harry já começou a negar com a cabeça.
- É perto daqui, espere só uns oito minutos. – disse ligando o carro e eu me perguntei se ele dirigia bem, esperava que sim, né, pela minha segurança.
- Eu já disse que não tem necessidade, pra quê ficar escondendo? – repeti e Harry nem se deu o trabalho de responder, então fiquei quieta até chegar.
Ele estacionou e saiu, indo até o outro lado do carro para abrir a porta pra mim, ri e saí do carro esperando Harry trancar e acionar o alarme. Ele buscou minha mão na calçada e nós fomos até o local de mãos dadas, era um rinque de patinação com os letreiros na porta: "Roller Place".
Era absolutamente lindo e por dentro várias pessoas patinavam em uma pista grande, com patins de quatro rodas, a música não era muito alta, mas sim em um ponto que todos ouviam. Tinham pessoas também fora das pistas, comendo, bebendo e conversando. A decoração era simples, não muito chamativa, e eu estaria encantada se não fosse pelo medo de passar vergonha na frente de Harry, eu nunca tinha andado em patins como aqueles, nunca nem visitado pistas, só visto algumas pela tv. Eu teria que me esforçar para não cair.
- Harry, você tem certeza? – perguntei com a voz baixa e seu sorriso se desfez.
- Não gostou? – perguntou de volta e eu me desesperei um pouco.
- Não! Eu adorei! Sério. Só estou preocupada porque você vai comer poeira... – tossi um pouco no final fingindo e Harry me olhou com curiosidade.
- Você não sabe andar, sabe? – questionou como se fosse óbvio e neguei com a cabeça, envergonhada. – Ainda bem que eu sou um bom professor.
- Harry que tal comermos e daí eu assisto você andar? – trouxe a possibilidade e Harry negou com a cabeça.
- Você vai ter o melhor encontro da sua vida. – garantiu e eu sorri inevitavelmente.
- Será? – questionei provocando e Harry fez uma careta óbvia.
- Claro que vai! Tom me ajudou a escolher o lugar e Tom é o expert no amor, teve tipo... Cinco namoradas. – brincou e eu ri baixo. – O que pode dar errado se estamos juntos...?
- Awn. – falei fazendo biquinho mas logo fiquei séria, o respondendo: – Eu posso cair, você pode cair, eu posso quebrar meu braço, ou a perna, ou o quadril e isso resultaria em minha mãe exigindo que eu voltasse para casa, então nos separaríamos e iria acabar tudo. Mas se fosse você que quebrasse algo então seria doloroso só para você, porém acho que será difícil porque você insinuou que sabe andar então... Temos múltiplas possibilidades.
- Nossa, , você sabe mesmo como estragar o clima de algo. – afirmou balançando a cabeça e eu sorri dando de ombros.
- Você já estava começando a falar coisas bregas, que clima eu estraguei? – perguntei e ele me puxou pela mão para pegarmos os patins.
- Quais os números? – a mulher atrás do balcão perguntou e Harry olhou para mim antes de responder.
- 6... Qual é o seu? – me questionou e eu mordi o lábio.
- Eu tinha me esquecido completamente de que aqui a numeração é diferente. Espera, vou pesquisar. – peguei meu celular do bolso e pesquisei, esperando que achasse rápido. – 3.5, tem?
- Aqui. – a mulher disse buscando os dois números e nos entregando os patins.
- Obrigada. – nós dois agradecemos e fomos até a pista, nos sentando para colocar os patins.
- Por que estou fazendo isso mesmo? – me perguntei enquanto amarrava um patins e Harry me olhou.
- Para ser uma boa namorada. – respondeu e eu revirei os olhos, amarrando o outro.
- Você nem mesmo pediu ainda. – justifiquei olhando para ele que já tinha seus patins nos pés e estendia a mão para mim, como ajuda para entrar na pista.
[Recomendo que coloquem para tocar I Found The Girl, The Vamps.]
Já entrando na pista quase escorreguei, mas Harry me segurou pela cintura e eu ri alto, talvez de nervoso.
- Você não pode tentar dar passos assim, tem que deslizar. – Harry explicou mostrando e eu olhei, tentando e quase escorregando de novo.
- Harry, acho que é melhor só comermos e conversarmos... – sugeri com a voz baixa, como se qualquer coisa que eu fizesse pudesse resultar em minha bunda no chão.
- E eu acho que você vai gostar de andar quando aprender. – disse com um tom persuasivo e eu bufei, tentando de novo e segurando sua mão para não cair.
- Vamos... Direita, esquerda. – mostrou fazendo várias vezes e eu o acompanhei, finalmente conseguindo.
- Eu consegui! Olha! – quase gritei e Harry riu.
- Agora eu vou te soltar ok? – avisou e eu virei desesperada.
- Não, Harry, não! – então ele me soltou e eu fechei os olhos, mas consegui continuar a andar com equilíbrio e abri os olhos surpresa, me virando para Harry orgulhosa.
- Agora abra os braços. – instruiu e eu o fiz, me divertindo. Até a curva, onde eu caí pelo desequilíbrio e Harry que estava gargalhando me ajudou a ficar em pé.
- Vamos sentar? – perguntei mal-humorada e Harry balançou o corpo no ritmo da música.
- Pensei que gostasse de The Vamps... Oh, why? tell me why did I fall for those eyes? – cantou tentando me convencer e eu não me permiti rir.
- Eu gosto de The Vamps, me obrigou a gostar, só não gosto desses patins. – expliquei e Harry pareceu ter uma ideia.
- Cante a letra e faça o que eu disse, só que de olhos fechados... – nem o deixei terminar e ri com cinismo.
- Você quer que eu morra? – perguntei com a voz alta e ele ignorou, continuando:
- Eu vou te segurar, só tenta. – pediu e eu respirei profundamente, fechando os olhos e confiando em Harry.
- She got that smile and that body is to die for, one of a kind and that's why it makes me cry! – cantei baixinho deslizando, com uma mão de Harry em minha cintura e a outra em meu braço.
- Cause I found a girl who's in love with a girl. She said, that she tried but she's not into guys... – Harry cantou comigo e eu sorri mesmo com os olhos fechados, eu estava conseguindo andar sem cair, por algum tempo. Abri os olhos e Harry me soltou, não me desesperei, feliz por conseguir sozinha.
- Não é divertido? – Harry perguntou andando ao meu lado e eu fiz a curva cautelosa, conseguindo.
- Isso! – exclamei animada e até consegui mexer meu corpo com a música.
- Quer tentar girar? – perguntou e eu neguei com a cabeça.
- Absolutamente não, estou satisfeita. – peguei em sua mão e tentamos dançar um pouco.
- Isso é muito legal. – abri os braços e fiz a curva, quase dando um giro sem querer e rindo logo em seguida.
- Eu queria tentar uma coisa... – me avisou e eu virei o rosto, Harry me alcançou e ainda deslizando, me deu um beijo. Eu não me preocupei com nada, mesmo que depois tivesse percebido que poderíamos ter caído juntos.
- Cause I found a girl who's in love with a girl she said, that she tried but she's not into guys! – Harry cantou depois do beijo e fez moonwalk nos patins me fazendo rir.
- Você encontrou a garota? – perguntei um pouco ofegante e ele só concordou com a cabeça com um olhar significativo.
- Você me promete que não vai me trocar por uma garota? – questionou fazendo referência a música e eu gargalhei.
- Eu prometo. – busquei sua mão e patinamos um pouco mais de mãos dadas.
- Oh, why? tell me why did I fall for those eyes? She said I was nice but she's not into guys... – cantamos a última parte juntos e saímos da pista, descansando e sentando em uma mesa para pedir comida, eu sentei de um lado e ele de outro, ficando de frente pra mim. Pedimos uma porção de batatas fritas, um suco e um refrigerante.
- Então... Você vem sempre por aqui? – comecei com a primeira piada e Harry fez um gesto com a mão como se não fosse frequente.
- E você? – perguntou sorrindo e eu assenti.
- Patino desde os seis anos. – me gabei um pouco e Harry gargalhou.
- Você tem algum hobby, ? – dessa vez perguntou sério e eu pensei.
- Eu desenho, leio... – respondi fazendo pouco caso e perguntei de volta só por educação, eu sabia quais eram seus hobbies.
- E você, senhor Harry?
- Eu faço teatro e como sabe, gosto de fotografia. Falando nisso... – tirou uma câmera da bolsa que trouxe e eu arqueei as sobrancelhas.
- Nem pensar, Harry. – já fui dizendo e ele sorriu.
- Por favor! Nosso primeiro encontro. – pediu balançando a câmera e eu neguei.
- Eu odeio tirar fotos, já te disse. – repeti e Harry insistiu.
- Ainda bem que sou eu que vou tirar, não é? – questionou e eu suspirei.
- Vai ficar me devendo... Já sei! Vai ficar parado por uma hora no sofá e eu vou te desenhar. – brinquei e ele riu.
- Se isso fizer você aceitar minha proposta. – deu de ombros e nossas fritas chegaram.
- Obrigada. – agradecemos e eu me virei para Harry.
- Okay. – aceitei hesitante e ele quase gritou, me fazendo passar vergonha.
- Você é um caso perdido. – sussurrei e ele sorriu, pegando uma batata.
- Vamos jogar um jogo? – Harry de repente pediu e eu franzi o cenho.
- Anh?
- Um jogo.
- Qual?
- Duas verdades e uma mentira. – disse o nome do jogo e eu fiz uma careta como se não conhecesse. – Você fala três coisas que já aconteceram com você, uma vai ser mentira e duas vão ser verdades. Eu tenho que adivinhar qual é a mentira e então eu falo três coisas e você adivinha.
- Okay, começa. – aceitei jogar e ele pensou para falar.
- A primeira é que eu já quebrei o braço, a segunda é que eu já quebrei três câmeras e a terceira é que eu já tive três namoradas. – me deu as opções e eu franzi o cenho, todas as alternativas eram a cara do Harry.
- A mentira é a segunda. – chutei e Harry negou.
- Eu nunca tive três namoradas, só uma. Você deveria saber já que sabe que eu sou V. – explicou e eu ri por ouvir como ele pronunciava a palavra "virgem".
- Não sou preconceituosa. – dei de ombros e ele disse que era minha vez. – Eu jogava futebol quando era pequena, sou alérgica a camarão e minha cor favorita é vermelho.
- A mentira é que você é alérgica a camarão. – disse como se fosse óbvio e eu resmunguei.
- Acertou. – respondi tediosa e ele pensou para jogar novamente.
- A câmera com que eu mais gosto de fotografar é a Superzoom, minha comida preferida é macarronada e eu já viajei para fora do país.
- A mentira é que a sua câmera preferida é a Superzoom, eu sei que você prefere a DSLR. – respondi com certeza e Harry fez uma feição surpresa, logo sorrindo.
- Parabéns. – disse com a voz baixa e eu percebi que a batata já estava acabando, tomando um gole do meu suco.
- Minha banda favorita é The Neighbourhood, odeio granulado e quando era pequena fiz uma cirurgia para tirar o apêndice.
- Sua banda favorita é Wallows mesmo que goste bastante de The Neighbourhood. – respondeu rápido e eu arregalei os olhos.
- Como consegue? Eu pensei que todos gostassem de granulado. – exclamei surpresa e ele se gabou sorrindo.
- Sou seu futuro namorado, lembra? – disse como se fosse óbvio e eu ri. – Ok, minha vez. O país que eu mais gostaria de visitar é a França, minha matéria favorita é história e eu já desmaiei.
- Você acha a França superestimada. – respondi e Harry apontou para mim como se dissesse "bingo".
- Já gostei de duas pessoas ao mesmo tempo, aprendi a andar de bicicleta com seis anos e o nome do meu primeiro namorado era Giovanni.
- Espero que a mentira seja que você já gostou de duas pessoas ao mesmo tempo. – chutou e eu bufei.
- Cara, não dá pra jogar com você. – resmunguei porque ele acertou de novo e ele riu.
- Okay, última vez. Meu apelido na escola quando eu era pequeno era Pocky, se eu pudesse parar em uma idade para sempre seria nos 21 e eu estou apaixonado por você. – terminou sério e eu que estava olhando para o suco levantei meu olhar para Harry.
- A mentira é a terceira. – falei baixo sem coragem alguma e Harry balançou a cabeça.
- Meu apelido era Potter. – respondeu como se isso resolvesse tudo e eu ri fraco. – Eu estou perdidamente apaixonado por você, Gianniotti...
- Mas, Harry... – tentei pensar em alguma coisa para dizer e ele me interrompeu.
- Quero que seja minha namorada e pode acreditar em mim... Eu odeio rótulos, mas acho que conseguimos lidar com esse. – explicou entrelaçando sua mão com a minha e eu sorri inevitavelmente.
- Que tal um trato? Eu aceito e você não me fotografa? – sugeri brincando e ele sorriu.
- Esse é seu jeito estranho de dizer sim? – questionou e eu balancei nossas mãos.
- Sim. – respondi e ele sorriu largo se levantando para me beijar. – Espera, isso quer dizer que não posso mais te chamar de futuro namorado?
- Infelizmente. – Harry respondeu com uma careta e logo complementou. – Talvez futuro noivo.
- Não force a barra. – alertei e ri antes de o beijar novamente. Fogos de artifício. Eu nunca pensei que poderia sentir aquilo com ninguém, mas com Harry era impossível não sentir.
P.O.V Tom Holland
19:44

estava assistindo televisão e eu estava tentando escrever uma mensagem para Harrison, sentado na mesa de jantar. Quando enviei, andei até o sofá me sentando ao lado dela que me olhou de lado.
- Billy Elliot? – questionei sorrindo e ela se virou para mim, animada.
- Pois é, um passarinho me contou que você interpretou ele. – disse zombeteira e eu revirei os olhos.
- Esse passarinho se chama Harry?
- Talvez, o que me pagaria por essa informação? – perguntou um pouco séria sem tirar os olhos da televisão e eu ri.
- Uma dança. – respondi e pareceu prender sua atenção em mim.
- Agora estou interessada. – olhou para um pouco acima da minha calça e eu olhei também, vendo que minha camiseta não estava cobrindo, então a puxei para baixo.
- O que foi? – perguntei mesmo sabendo do que se tratava e ela sorriu resmungando algo que não ouvi.
- Sei como resolver nossos problemas... – sussurrou e eu franzi o cenho, então ela se levantou e entrou em minha frente, sentando em meu colo, com o rosto extremamente perto do meu.
- O que está fazendo, Hoffmann? – perguntei engolindo seco pela estranheza da situação e ela só revirou os olhos.
- Quantas vezes vou ter que te alertar sobre meu nome? – questionou séria e eu arqueei as sobrancelhas. Ela começava a chegar mais perto então virei o rosto.
- E eu também já te alertei sobre suas brincadeiras. Aonde quer chegar com isso? – perguntei enquanto ela usava suas mãos para virar meu rosto para ela.
- Tenho uma forma de resolver nossa relação. – respondeu com confiança e eu franzi o cenho. – Uma aposta. Você não quer ceder as minhas brincadeiras e eu quero que se divirta, então... Quem ceder primeiro perde, se eu me cansar de te provocar desisto e faço o que você exigir, se você ceder as minhas provocações, bom, eu terei minha recompensa.
- E por que uma aposta dessas de repente? – perguntei confuso e logo parti para um ponto menos cauteloso. – Não sei se sabe, mas não sou um cara de aventuras.
- Thomas, não acha que deveria viver um pouco? Faça isso pela experiência, seria bom para você, que é ator. – argumentou e eu olhei curioso.
- O que você ganha com isso? Quer tanto assim ir para cama comigo? – questionei risonho e ficou séria.
- Ganho o que você roubou de mim. Você devolverá meus segredos. – respondeu um pouco enigmática e eu pensei por algum tempo, olhando em seus olhos.
- Vai ter um prazo? Para acabar?
- Está com medo de ceder e transarmos mais de uma vez? – perguntou com um tom suave, sorrindo de lado.
- Está apostado então, pena que tenho certeza de que não vou ceder. – cedi a sua primeira provocação e estendi a mão para para selar o acordo. Esperava que não cedesse tão fácil para a provocação principal.
- Eu posso ser extremamente persuasiva, Thomas. – garantiu olhando em meus olhos e rebolou em cima de mim, me fazendo fechar os olhos momentaneamente e a empurrar com pouca força para levantar.
- Então começou?
- Começou. – sorriu assentindo e eu fiquei ainda mais confuso. Uma hora eu estava uma bagunça por causa dela e na outra, entrando em uma aposta com ela e arriscando sexo, talvez não fosse ela a complicada e sim eu mesmo. Estava apostado infelizmente e eu iria até o fim.
P.O.V Hoffmann
Eu não seria mais a menina com vulnerabilidade nos olhos para Thomas, eu tomaria aquilo de volta de um jeito ou de outro. Claro que a aposta foi uma jogada impulsiva, mas não seria um sacrifício, Thomas não era nada mal, mais bonito do que todos meus namorados. Eu não pretendia levar aquilo longe, eu só cortaria um laço desnecessário, eu não me cansava fácil e também... O que ele poderia exigir que fosse tão difícil de realizar?


Capítulo 12

08/03/2016
Terça-feira

13:32
P.O.V Hoffmann

Eu estava há poucos minutos de casa, tinha perdido o primeiro ônibus e por isso havia atrasado meu cotidiano, hoje tinha sido corrido e muito cansativo. Eu havia acumulado tantos trabalhos para fazer e com meu emprego estava sendo difícil fazer tudo, talvez fosse a hora de pedir demissão... Eu sabia que os meninos ficariam desapontados comigo, mas eu estava em um intercâmbio, vim para Inglaterra justamente para estudar e nisso tudo já havia me metido em tanta confusão. Uma aposta, um emprego, um host brother que deseja um pouco mais do que eu posso oferecer e outro que me deixa curiosa.
Finalmente cheguei em casa, ansiando por minha cama, mas me lembrei de que precisava terminar uma redação para amanhã, ela tinha que ter pelo menos cinco páginas e eu não havia ideia de como terminar aquilo, já que tinha apenas feito um lado da primeira folha. Subi as escadas resmungando e trombei com Thomas no corredor, o que resultou em minha bolsa caindo e meus livros todos esparramados no chão.
Thomas me ajudou a pegar minhas coisas, mas deu uma boa analisada nelas, o que me deu um pouco de raiva, quão intrometido ele podia ser? Então tentei pegar os livros mais rápido, mas quando chegou em meu caderninho de escrita nós pegamos ao mesmo tempo e puxamos, jogando longe. O caderninho foi para trás de Thomas e ele se virou com rapidez pegando e se levantando, o abrindo.
- Ei! – quase gritei, achando forças para protestar sua audácia de mexer em minhas coisas pessoais.
- O que temos aqui... – disse lendo enquanto eu me levantava e ele colocava o caderninho no alto para que eu não alcançasse.
- Você ficou louco?! Me dê, Thomas! – dessa vez realmente gritei e ele riu, analisando o caderninho.
- Você é boa, deveria publicar seu trabalho. – aconselhou e eu franzi o cenho, além de ler minha escrita sem permissão ele se intrometia e opinava sobre o que eu deveria fazer?
- Thomas, você perdeu a cabeça. – ri de nervoso e peguei o caderninho de sua mão agressivamente.
- Não perdi, estou bem. – sorriu cinicamente e eu fiquei com raiva e muito confusa, mas logo entendi.
- Agora eu saquei... – falei baixo e ele arqueou as sobrancelhas. – Você começou com sua tática. Está fazendo isso para que eu desista logo de cara.
- Você é esperta. – sorriu colocando as mãos nos bolsos e eu respirei profundamente.
- Fique sabendo que eu sou persistente e você não vai me fazer desistir. Se você quer me irritar, eu também vou jogar com meus truques. – apontei meu dedo para ele e ele levantou as mãos.
- Você tem certeza de que isso vai nos resolver? E não fazer com que nos desentendemos novamente? – perguntou jogando de novo e eu me inclinei, chegando perto e deixando-o surpreso.
- Só iremos descobrir se formos a diante. – disse olhando em seus olhos e ele se esquivou.
- Ok, se isso é o que quer. – saiu andando para seu quarto e eu bufei, pegando minha bolsa do chão e indo até meu quarto para trabalhar na maldita redação.
P.O.V Tom Holland
14:43

A primeira tática não havia funcionado e eu temia por isso, claro que iria com tudo dessa vez e era nítido de que eu poderia aguentar, mas era bonita e como mesma disse, persuasiva.
Eu havia lido as letras de , mesmo que soubesse que aquilo era totalmente escroto e estava me sentindo bastante culpado naquele momento. O verso que consegui ler era de uma música já terminada, que falava sobre crescimento, liberdade e força. O que disse sobre ela publicar o trabalho tinha sido sincero, mas ela tinha razão, foi muita intromissão.
- Ei, eu preciso falar com você. – Harry veio até mim, que estava sentado no sofá.
- Pode falar. – fiz um gesto para que ele fosse em frente e ele se sentou.
- Pedi em namoro. – disse sorrindo e eu me virei.
- E doeu quando ela disse não? – questionei quase rindo e Harry fez uma careta.
- Na verdade, fiquei muito aliviado, ela parecia não querer um comprometimento no momento. – deu de ombros e eu me lembrei.
- Então, Você perdeu? – perguntei curioso e ele passou as mãos pelo rosto.
- Não Tom, e mesmo se tivesse, nós combinamos de não falar nada para ninguém. – explicou e eu franzi o cenho.
- E de onde veio esse trato? É sua primeira vez, a vergonha tem que ser compartilhada. – falei como se fosse óbvio e ele revirou os olhos.
- Vai ser perfeito, ok? – me contrariou e eu ri fraco.
- Pode acreditar, maninho, não vai. – reforcei um pouco risonho e ele bufou.
- Pensei que você fosse o otimista da família.
- Otimismo é sobre expectativa. A primeira vez é um fato já colocado, Harry, dói pra ela, é estranho pra você... – expliquei de novo e ele parou de discutir. – Falando nisso... Cadê ela?
- Ela teve que resolver alguns problemas no curso, por isso vai chegar mais tarde. – explicou entediado e eu assenti.
- Vão fazer alguma coisa hoje? – perguntei sem muito assunto e ele se virou.
- Acho que não, talvez se ela quiser ir ver cantar... – deu de ombros e eu pensei, seria bom se ela tocasse suas músicas lá, eram boas e originais. Aposto que a maioria dos clientes gostaria das letras.
- Se vocês forem, irei junto. – avisei um pouco aéreo e ele concordou.
- Está rolando algo entre você e ? – questionou um pouco desconfiado e eu franzi o cenho fortemente.
- O que? Não! Claro que não! – respondi rápido e ele riu levantando as mãos.
- Okay, okay. Relaxa, Tom, eu não perguntei se você é um assassino de aluguel ou coisa do tipo. – apontou que eu estava fazendo drama e eu me acalmei, agora eu tinha deixado muito na cara.
- Nunca aconteceria algo entre nós. – disse um pouco mais calmo e ele riu fraco.
- Eu também dizia isso para Sam e também dizia isso para . – revelou como se não tivesse relevância nenhuma e eu arqueei as sobrancelhas.
- Olha aí, falando no Sam, não é pra ele que você tem que perguntar se está rolando alguma coisa entre ele e ?
- Sam está saindo dessa, ele quer brincadeiras e, sabemos que provavelmente só daria isso, mas ela conversou com ele ontem e eles esclareceram as coisas. – explicou e eu fiquei um pouco surpreso, eu nunca estava por dentro de nada, mesmo que as coisas acontecessem no lugar onde eu morava.
- Ah, entendo, então. Voltando para sua pergunta, eu acho que não poderia me envolver desse jeito com alguém, só brincadeiras. – falei bastante sério e ele levantou as mãos.
- Pensei que nós homens achássemos sexo uma coisa vital. – brincou rindo e eu ri fraco também.
- Sexo é ótimo, só não sei se é o suficiente. Brincadeiras você faz com uma noite, não com uma pessoa com quem você mora e vai conviver por seis meses. – me justifiquei e ele concordou.
- Você tem razão. Eu sei que soa brega, mas não sei se conseguiria ter isso com , a possibilidade de ter seu corpo, mas não poder brincar com ela ou segurar sua mão por longas horas. – disse um pouco sério e eu sorri.
- Isso é mesmo brega! Você não tem noção, Harry. – ri baixo e ele revirou os olhos. – Mas realmente fico feliz por você maninho, sério.
- Pelo menos você ri às minhas custas. – sussurrou e eu parei.
- Me desculpe, mas você está feliz e é isso o que importa. – esclareci sério e ele concordou com a cabeça.
- é o máximo, sinceramente. Ela não é o tipo de garota que eu sonhei em conhecer, mas de alguma forma se tornou melhor, o jeito como ela é tímida, mas se solta aleatoriamente ou como ela é a única pessoa que também não entende as coisas às vezes, como eu. Não são coisas especiais, mas eu simplesmente adoro isso nela, adoro como mesmo quando ela está surtando me deixa calmo e adoro a risada dela, como soa, como o rosto dela fica quando ela ri... – discursou sincero olhando para mim e eu balancei a cabeça sorrindo.
- Todos temos a fase de bobo apaixonado, né? Eu particularmente acho que vocês vão durar, espero que você se esforce.
- É claro que vou! é diferente, ela é muito diferente de todas minhas paixões, ela é altruísta, forte, gentil... – disse quase sonhando e eu dei um riso fraco. Eu não sabia nem o que dizer.
- Cara, não acredito que estamos nessa situação. – ri lembrando e Harry franziu o cenho.
- Qual delas? Eu namorando e você não? Eu namorando e Sam não? Ou gostando de mim e não de vocês? – brincou tentando supor e eu dei um tapa em sua nuca.
- Intercambistas na nossa casa, você namorando com uma que deveria ser sua irmã, a outra me atormentando. – expliquei e ele riu mas logo percebeu uma falha.
- Pensei que você e tinham se resolvido. – disse muito duvidoso e eu tossi.
- Não, é claro. Esqueça o que eu disse. – tentei rir forçado e ele simplesmente me olhou de lado.
- Cheguei! – abriu a porta ofegante e Harry se levantou para a receber. Antes mesmo de conseguir fechar a porta Harry a puxou pela cintura e a beijou.
- Eu não sabia que nossa casa estava alugada pra estabelecimento de gravação de pornô! – avisei e eles se separaram, me olhando sem achar graça.
- Isso aí é inveja. – respondeu e eu ri.
- Claro. – usei um tom sarcástico e Harry fechou a porta, puxando pela mão e levando ela até o andar de cima.
P.O.V Gianniotti
15:00

E mais uma vez eu e Harry estávamos nos beijando em minha cama, mãos deslizando acima da cintura, lábios se pressionando, corpos colados, respirações ofegantes...
- Eu... Sinceramente... Amo... Te beijar... – Harry disse pausadamente enquanto dávamos beijos curtos e eu me separei um pouco para rir.
- Eu sei... – sussurrei acariciando seu rosto e ele me puxou mais uma vez para me beijar.
- Você não acha que está na hora? – perguntou partindo para meu pescoço e eu franzi o cenho.
- De que?
- De transarmos... – disse lentamente e eu me assustei um pouco, me afastando.
- Ah... Oh... – tentei, dizer mas não consegui achar palavras certas.
- Se você não quiser... Me desculpe! Eu não queria... Tipo, droga! – praguejou e eu balancei a cabeça.
- Não... Eu quero, só me pegou de surpresa. Tipo, agora? – questionei um pouco sem graça e ele ficou sem resposta.
- Meus pais estão trabalhando então é só trancarmos a porta e não fazermos muito barulho. – sugeriu voltando a beijar meu pescoço e eu agarrei seus ombros. – Não quero que se sinta pressionada...
- Eu não estou me sentindo pressionada. Eu... Eu estou pronta... – revelei com segurança e ele sorriu. Pegando algo em seu bolso e me mostrando a camisinha.
- Você acha estranho? – perguntou e eu pensei por alguns segundos enquanto ele me deitava.
- É claro que é estranho... Mas eu nunca me senti tão segura antes, Harry, eu confio em você. Confio muito. – falei em um tom baixo olhando em seus olhos e recebi um beijo demorado como resposta.
Suas mãos deslizaram para barra da minha blusa e a puxaram para cima, rompendo o beijo e deixando meu tronco exposto, apenas com o sutiã me cobrindo. Então eu fiz a mesma coisa e tirei sua blusa, olhando para seu corpo por míseros segundos e voltando a seu rosto e o beijando, suas mãos que uma vez tiraram minha blusa deslizaram para o botão de minha calça, onde eu tremi, mas me deixei levar. Eu estava com Harry, eu estava segura de mim, mais segura do que estive em anos com Giovanni, era Harry e era agora, virgindade era mesmo uma virtude tão importante assim?
P.O.V Tom Holland
15:12

Meu celular estava explodindo de tantas mensagens e eu estava com uma imensa preguiça de responder todas, então nem toquei no celular e o observei apitar. Ouvi o ranger das escadas e olhei para cima, assistindo descer para a sala esfregando os olhos, estava com uma camiseta de botões com mangas compridas, a barra chegava até o meio de suas coxas que sem exagerar, eram bastante volumosas.
- Thomas! – percebeu que eu a olhava e me chamou, atraindo meu olhar para seu rosto.
- Você é bem confortável com seu corpo, não? – questionei e ela olhou para as pernas nuas, rindo fraco.
- Claro! Você pareceu bastante confortável com ele também. – respondeu dando passos em minha direção e eu suspirei.
- E lá vamos nós... – falei um pouco baixo e ela sorriu.
- Talvez isso possa ser menos difícil do que eu pensei... – disse me provocando e quando parou em minha frente eu agarrei sua cintura com as mãos, colando nossos corpos sutilmente.
- É isso o que quer? – perguntei com o breve choque de e ela balançou a cabeça.
- Isso não durou nem um dia? – questionou sorrindo e eu sorri também, a soltando e negando.
- Você não vai ter. – revelei dando de ombros e ela se aproximou novamente colando nossos corpos e entrelaçando seus braços em meu pescoço, o impacto de seu corpo com o meu, forte... Duro. Foi o despencar de minha defesa ali.
- Você está sendo malvado, Thomas... Talvez se eu te castigar você aprenda... – passou suas unhas levemente em minha bochecha e eu fechei os olhos, respirando profundamente. Eu não era experiente nessas coisas, não tinha uma vida sexual ativa, havia feito sexo apenas quatro vezes e a primeira vez nem conto porque foi horrível.
- Eu não vou ceder. – repeti sem muita firmeza e abri os olhos, olhando para que transmitia apenas curiosidade.
- Será? – questionou como se já soubesse a resposta e sua mão que pairava em meu rosto desceu meu abdômen lentamente até chegar em minhas calças, depositando um leve e marcante carinho. – Você é grande, Thomas, poderia me satisfazer mais do que meus vibradores...
- ... – tentei dizer enquanto ela me acariciava, talvez eu realmente cedesse... Sua revelação sobre brincar sozinha havia me excitado um pouco.
- Se isso te satisfazer eu te deixo até gritar meu sobrenome. – sussurrou em meu ouvido e eu voltei a mim, desviando de seu corpo e me distanciando, colocando as mãos em minhas calças para disfarçar.
- Não vou ceder. – repeti tentando não olhar para e ela sorriu.
- Se você tem tanta certeza... – deu de ombros e eu respirei profundamente. Ela passou por mim e foi até a cozinha pegando um copo de água e subindo.
P.O.V Gianniotti
Então era isso... Sexo era aquilo… Estávamos deitados lado a lado, nem mesmo ofegantes como mostrava nos filmes. Havia sido um pouco desconfortável e bizarro, mas já tinha lido que a primeira vez era estranha e dolorosa, então havia sido basicamente bastante normal.
- Isso foi... – comecei a falar e Harry me olhou sério.
- Muito ruim. – completou, sorrindo em seguida e eu concordei com a cabeça, rindo um pouco.
- Por que será que falam que sexo é tão bom? – perguntei pensando alto e Harry se questionou também.
- Talvez não seja o sexo, nós podemos não ter feito direto. Afinal... Nós dois somos virgens, não sabemos direito o que é certo. – justificou e eu o corrigi.
- Éramos virgens. – pontuei e ele assentiu. – O que vamos fazer em relação a isso?
- Talvez... Procurar na internet? E praticar mais? – sugeriu e eu ri com seu pensamento.
- Você está me convidando para assistir pornô com você? – perguntei brincalhona e ele sorriu.
- É conhecimento! E as preliminares foram ótimas, se continuarmos praticando... Será bastante prazeroso. – explicou e eu pensei, ele até que tinha razão.
- Você é louco, Harry. – ri fraco e ele me puxou para me beijar.
- Qual site você prefere? – perguntou mudando de assunto e eu fiquei séria.
- Pornhub. – respondi e ele gargalhou, pegando o notebook na escrivaninha. – Será que isso vai nos deixar excitados?
- Outro round... – sussurrou e eu bati em seu ombro rindo, eu nunca... Nunca mesmo havia me sentido tão confortável com um namorado.


Capítulo 13

11/03/2016
Sexta-feira
14:56

P.O.V Tom Holland
Era dia de festa, uma festa que eu tinha prometido ir mas que não estava com a mínima vontade de comparecer, a festa dava ainda mais oportunidades para me provocar, o que claramente era uma das únicas coisas que tinha feito nos últimos dias... Tinha conseguido entrar em minha cabeça, tinha conseguido fazer com que eu tivesse sonhos eróticos nada coerentes com a imagem de boa moça que ela sempre mostra para meus pais. Diferentes posições, posições que eu nunca nem imaginei que quisesse experimentar com alguém, nem sempre os sonhos eram à dois e às vezes eram com brincadeiras que insinuava que fazia. Sim, claro que tinha cogitado que isso era errado e desrespeitoso, mas era ela quem estava provocando, era ela quem queria aquilo. Punhetas tinham virado minha única salvação da loucura, talvez eu cedesse, que mal tinha afinal? Eu estava sedento, eu parecia um animal quando acordava de sonhos com ela.
Porém tinham complicações, complicações grandes. não era meu tipo e eu não era o tipo de cara que se sustenta só com sexo, ela sabia e por isso achava interessante brincar comigo, eu deveria devolver, mas não sabia como, ela parecia experiente naquilo e eu um mero amador.
Sua voz manhosa era a base do sonho todo, só ouvir já me fazia levantar e quando acordava tinha que tirar tudo aquilo de mim, era frustração pra todo lado. Seus lábios que ela fazia questão de morder e seus seios que eram enormes, teria até dúvidas sobre uma possível cirurgia se não fosse pelo modo natural como balançavam quando se movimentava muito. Céus! Eu parecia um tarado, ela havia conseguido moldar tudo como planejado... Mas eu não iria ceder agora, fosse o que fosse para impedir, pornô, minhas mãos, qualquer coisa.
- Vai ficar com o controle na mão sem ligar a televisão? – chamou minha atenção se sentando no sofá e eu coloquei os olhos em minhas mãos.
- Você quer ver? Pode pegar... – o passei para ela e ela apenas franziu o cenho.
- Estava aéreo por que?
- Problemas, apenas problemas. Fora que não tenho a mínima vontade de ir nessa festa. – expliquei e ela sorriu enigmática.
- Isso tem alguma relação com Hoffmann? – questionou e eu me virei um pouco surpreso.
- Como...?
- Não se preocupe em tentar esconder, ela me contou sobre a aposta, Tom. – disse trocando de canal e eu arqueei as sobrancelhas.
- Ah, contou? – perguntei ainda um pouco confuso e ela me olhou.
- Claro que sim... Ela me disse que está difícil pro lado dela. – revelou e eu me perdi em pensamentos, era sarcasmo? Era verdade? Ela pensava assim?
- Ah, ok. – respondi tentando encerrar o assunto, mas o prolongou.
- Eu achei loucura da , vocês não se gostavam e agora estão a um ponto de transarem... – disse como se fosse algo surreal e eu me instiguei um pouco.
- Mas e você e Harry? Melhoraram no quesito do sexo? – perguntei sabendo o efeito daquela pergunta. olhou para mim com os olhos arregalados e eu fechei um sorriso que vinha, eu estava me tornando muito parecido com ...
- E porque você não revida? Gosta das provocações? – mudou de assunto e eu quase ri com a situação. Se continuássemos assim iríamos ter uma intriga.
- Vamos parar por aqui, pode ser? – tentei encerrar e entendeu o recado, escolhendo finalmente um canal.
- Me desculpe, só estou bastante duvidosa sobre isso. – disse depois de algum tempo e eu assenti com a cabeça. Eu deveria mesmo revidar, não?
- , você deixou sua... – desceu as escadas chamando por e parou assim que me viu. – Thomas!
- Me dê um tempo, Hoffmann. – pedi um pouco estressado e ela arqueou as sobrancelhas.
- Não precisa ser grosso, apenas disse seu nome. – se defendeu fazendo o papel de boa moça e eu revirei os olhos.
- Estou frustrado, não me venha com brincadeiras. – avisei e ela sorriu levantando as mãos.
- O que você precisa mesmo é de um orgasmo. – revelou e eu levantei minha cabeça para olhar sua feição óbvia.
- Como se você pudesse me proporcionar isso. – ri provocando e revidando pela primeira vez, ela pareceu realmente indignada.
- Vocês podem discutir isso em outro lugar? – questionou com um tom de nojo e se virou e pareceu lembrar de algo importante.
- Eu desci para te dizer que você esqueceu aquela coisa no meu quarto. – chamou sua atenção e franziu o cenho, mas logo se fez compreensiva.
- Ah, eu pego depois. – deu de ombros e negou com a cabeça.
- Meus amigos vêm antes para me buscar para irmos para o bar. Você tem que pegar. – explicou e isso me fez curioso.
- É só guardar na gaveta ou no armário. – indicou enquanto prestava atenção na televisão e bufou.
- Pelo amor de Deus , só vá pegar! – perdeu a paciência e não deu muita relevância.
- Depois eu pego ok?
- , vá pegar sua camisinha fosforescente! Eu não vou guardar na minha gaveta, odeio aquele cheiro. – finalmente revelou o que era e se virou com os olhos arregalados, passando de mim para .
- ! – a advertiu e eu não evitei soltar uma risadinha.
- Foi você que me desafiou, agora vá lá tirar do meu quarto antes que eu a jogue pela janela. – avisou séria e se levantou dando um tapa no braço de , logo subindo as escadas.
- Eu sou mais do que capaz. – olhou para mim dizendo e eu franzi o cenho. – Você que perde...
- Será? – finalmente entendi o que ela estava respondendo e ela revirou os olhos, passando por mim e trombando seu ombro com meu braço.
- Espere só pela festa. – sussurrou desafiadora e eu tentei ignorar o pequeno frio na barriga.
Eu tinha respondido, a sensação havia sido boa... Mas será que valia a revanche?
P.O.V Gianniotti
16:10

- Sério? Uma camisinha que brilha no escuro? – Harry perguntou risonho e eu assenti com a cabeça.
- Estamos ficando melhor nisso, deve ser legal. – apontei e Harry riu pegando o pacote da Prudence.
- Você está ficando safadinha, hein?! – sussurrou me puxando e mordendo meu pescoço com delicadeza.
- As consequências de namorar você. – respondi rindo pelas pequenas cosquinhas.
- Você quer ver se a camisinha funciona? – questionou malicioso e eu gargalhei assentindo.
- Se você gozar nela o que acontece? – perguntei em um tom de brincadeira e ele deu de ombros.
- Vamos descobrir... – me puxou para seu colo e colou seus lábios aos meus.
P.O.V Hoffmann
17:11

As coisas estavam atrasadas, eu e a banda havíamos chegado há pouco tempo, junto de , Harry, Sam, Harrison e Thomas, uma estratégia. Eu sairia de meu turno mais cedo e iríamos do bar até a casa de Isaac, o que era mais perto.
Depois de muita insistência de todos, eu e os meninos havíamos preparado a melodia da letra que eu tinha terminado, então hoje seria o dia em que eu mostraria meu trabalho... O frio em minha barriga era enorme e o bolo em minha garganta me fazia querer chorar e vomitar. Eu havia colocado notas bastante difíceis na música e isso me deixou bastante insegura no momento em que subi no palco, na hora me superestimei mas agora, me senti fraca.
- Não podemos voltar atrás e cantar algo como Earth, Wind & Fire? – perguntei me virando para os meninos e sussurrando, enquanto eles arrumavam os aparelhos.
- Vai dar tudo certo, você consegue. – Katherine disse com determinação e eu suspirei.
- Esse é o problema, não acho que posso... E se eu errar a nota? E se eu esquecer a letra? – questionei e Liam olhou para mim com reconforto, o que me surpreendeu.
- É bastante improvável e se acontecer, qual o problema? Todos aqui te conhecem, , vão te compreender. Estamos todos aqui por você e você só saberá se valeu a pena tentando. – colocou uma mão em meu ombro e eu respirei fundo, tremendo mas assentindo com a cabeça e me virando para ajustar o pedestal do microfone para falar.
P.O.V Tom Holland
17:13

- Oi gente, tudo... Tudo bem com vocês? – perguntou tentando interagir, mas deu uma risada envergonhada logo depois. Ela parecia nervosa e isso era surpreendente, perto de mim ela sempre pareceu tão segura de si. – Hoje temos algo... Especial para vocês.
Respirou fundo fechando os olhos como se tivesse errado um passo e eu evitei franzir o cenho com a confusão.
- Eu escrevi algo para cantar e sinceramente não estou segura, espero que gostem. – explicou tentando se acalmar e eu pisquei, tentando assimilar. Ela iria fazer o que eu sugeri?
[Recomendo que coloquem para tocar: Fall In Line, Christina Aguilera e Demi Lovato.]
O som que tocou não se parecia nada com o estilo que tocavam geralmente naquele bar, o que me fazia pensar na versatilidade de .
Little girls, listen closely/ Garotinhas, escutem bem
'Cause no one told me/ Porque ninguém me disse
But you deserve to know/ Mas vocês merecem saber
That in this world, you are not beholden/ Que neste mundo, vocês não são obrigadas a nada
You do not owe them/ Vocês não devem a eles
Your body and your soul/ O seu corpo e a sua alma


Sua mão parecia tremer enquanto segurava o microfone, mas sua voz estava suave e calma, até baixa. Até que algumas pessoas começaram a assobiar e dar pequenos gritos motivacionais, nossa mesa também, então ela começou a se soltar.
All the youth in the world will not save you from growing older/ Nenhuma juventude do mundo irá te salvar de envelhecer
And all the truth in a girl/ E toda verdade em uma garota
is too precious to be stolen from her/ é preciosa demais para lhe ser roubada


O ápice da música pareceu começar e a voz de começou a ficar mais trabalhada e forte.
It's just the way it is/ É assim que as coisas são
Maybe it's never gonna change/ Talvez isso nunca mude
But I got a mind to show my strength/ Mas eu tenho vontade de mostrar minha força
And I got a right to speak my mind/ E eu tenho o direito de falar o que penso
And I'm gonna pay for this/ E eu pagarei por isso
They're gonna burn me at the stake/ Eles irão me queimar na fogueira
But I got a fire in my veins/ Mas eu tenho fogo em minhas veias
I wasn't made to fall in line/ Não fui feita para entrar na linha


Katherine acompanhou e as duas se olharam sorrindo, todos na banda estavam se esforçando, e a letra estava tão boa que todas as mulheres no recinto se levantaram e incentivaram o canto de . Até .
No, I wasn't made to fall in line, no/ Não, eu não fui feita para entrar na linha, não

Prolongou a nota e até se abaixou, tirando o microfone do pedestal para fazer jus. Katherine começou a cantar sozinha enquanto respirava.
Show some skin, make him want you/ Mostre um pouco de pele, faça-o te querer
'Cause God forbid you/ Porque Deus te livre
Know your own way home/ Conhecer seu caminho para casa
And ask yourself why it matters/ E pergunte a si mesma o que importa
Who it flatters/ A quem isso agrada?
You're more than flesh and bones/ Você é mais do que carne e ossos


As duas apontaram para todas as mulheres presentes, orgulhosas e eu me virei para ver todas levantadas, com o maior empoderamento.
All the youth in the world will not save you from growing older/ Nenhuma juventude do mundo irá te salvar de envelhecer

Katherine cantou sua parte enquanto puxava notas, mexendo o corpo e regulando o tom de voz.
And all the truth in a girl/ E toda verdade em uma garota
is too precious to be stolen from her/ é preciosa demais para lhe ser roubada
It's just the way it is/ É assim que as coisas são
Maybe it's never gonna change/ Talvez isso nunca mude
But I got a mind to show my strength/ Mas eu tenho vontade de mostrar minha força
And I got a right to speak my mind/ E eu tenho o direito de falar o que penso
And I'm gonna pay for this/ E eu pagarei por isso
They're gonna burn me at the stake/ Eles irão me queimar na fogueira


Elas revezavam repetindo a última palavra da frase anterior e isso deixava uma harmonia perfeita.
But I got a fire in my veins/ Mas eu tenho fogo em minhas veias
I wasn't made to fall in line/ Não fui feita para entrar na linha
No, no, I wasn't made to fall in line/ Não, não, eu não fui feita para entrar na linha!
March - 2, 3/ Marche? 2, 3
1, 2, 3
Who told you you're allowed to think?/ Quem te disse que você tem o direito de pensar?


Os meninos começaram a sussurrar enquanto as meninas davam o melhor de si com notas altas. O ápice parecia chegar agora mais uma vez e todo mundo gritava por ele.
1, 2, 3
Right - 2, 3/ Direita? 2, 3
Shut your mouth/ Cale a boca
Stick your ass out for me/ Mexa essa bunda para mim
March - 2, 3/ Marche? 2, 3
1, 2, 3
Who told you you're allowed to think?/ Quem te disse que você tem o direito de pensar?


levantou o microfone e cantou com toda sua força, já recebendo aplausos antes de terminar, enquanto Katherine cantava as letras por cima. Eu havia me arrepiado e aposto que várias outras pessoas ali também.
It's just the way it is/ É assim que as coisas são
Maybe it's never gonna change/ Talvez isso nunca mude
But I got a mind to show my strength/ Mas eu tenho vontade de mostrar minha força
And I got a right to speak my mind/ E eu tenho o direito de falar o que penso
And I'm gonna pay for this/ E eu pagarei por isso
They're gonna burn me at the stake/ Eles irão me queimar na fogueira
But I got a fire in my veins/ Mas eu tenho fogo em minhas veias
I wasn't made to fall in line/ Não fui feita para entrar na linha
I'm never gonna fall in line, oh/ Eu nunca entrarei na linha, oh


respirou profundamente enquanto Katherine a cobria e depois de algumas repetições elas encerraram a música, todos no bar levantaram para aplaudir, inclusive eu e Harrison.
- Uhul! – Sam e Harrison gritaram e eu os olhei rindo.
- Quem comanda esse mundo?! – gritou em um momento de adrenalina, fazendo referência a música da Beyoncé e várias mulheres gritaram de volta.
- AS GAROTAS! – responderam e até se encolheu sorrindo.
- Muito obrigado! – agradeceu do palco chorando um pouco e limpando as lágrimas que insistiam em cair de seus olhos extremamente bonitos e escuros.
- Estamos com você, garota! – alguém gritou na multidão e apontou com o microfone, sorrindo largo. era realmente incrível, eu só precisava olhar de perto para perceber.
P.O.V Hoffmann
Depois algum tempo de atenção, todos fizeram uma pausa e as pessoas do bar continuaram a beber e conversar entre si. Me virei para os meninos e coloquei a mão sobre a boca.
- Isso foi extremamente incrível! Eu não acredito... Gente! – tentei dizer maravilhada e Katherine veio em encontro comigo, pulando para me abraçar.
- Foi lindo. – sussurrou emotiva e eu deixei mais uma lágrima escapar.
- Eu amei... Essa, essa é minha paixão. – falei baixo, arrumando meu cabelo e lacrimejando.
- É o que você nasceu pra fazer. – Simon se dirigiu a mim e eu sorri, tão feliz, um dos momentos mais felizes de que me lembro agora.
- É o que eu sou... Uma artista. – fiz uma pausa e todos sorriram.
P.O.V Gianniotti
20:47

Chegamos na casa do tal amigo dos meninos, ela era enorme e parecia estar agitada. Realmente parecia uma festa de filme, do qual eu pensei que nunca pisaria um pé, polícia? Sinceramente, estou fora. Talvez experimentar algumas coisas, mas imagine ser pego com maconha ou drogas mais pesadas? Vergonha.
parecia feliz, claro que assanhada também, para ganhar aquela aposta. Sam e Harry estavam muito animados, tinham me contado que haviam esperado mais de um mês por essa festa, pelo que soube... Isaac era o cara “maioral” da escola onde eles se formaram, Harrison também estava animado e Tom nem tanto, como se fosse um compromisso que enfrentaria e nunca mais lembraria que foi presente em algum tempo de sua vida. Entramos na casa sem sermos recebidos por ninguém, tinham bebidas em todos os suportes que poderiam ser vistos, música alta e muita, mas muita gente ainda sóbria. Os copos não eram os típicos de filme, vermelhos, eram copos normais de plástico.
- Sam! Como vai, cara? – ouvi uma voz e me virei para onde o som se formava, avistando um cara de cabelos pretos e olhos verdes, bastante alto.
- Isaac! Estou bem e você? Vejo que a festa está indo bem. – percorreu os olhos pela casa e respondeu, recebendo uma risadinha.
- E você, Harry? Como vai? – falou com meu namorado estendendo a mão e eu prestei atenção em seu rosto.
- Vai bem, você não conheceu meu irmão e o amigo dele, né? – devolveu o cumprimento e disse, apontando para Tom que conversava baixinho com Harrison. estava do meu lado, analisando Isaac.
- Prazer, sou o anfitrião. – estendeu a mão novamente e eu quase franzi o cenho, os meninos tinham se esquecido de nós? Cruzei os braços quase sorrindo com o cinismo que guardava, mas antes de Harry se lembrar de fazer as honras Isaac passou a olhar para direção onde eu e estávamos.
- E... Quem são vocês? – perguntou interessado e eu imaginei que era mais um admirador de , mas ela olhou para mim e para ele, me confundindo.
- Ela é minha namorada. – Harry disse, sorrindo com orgulho e interviu.
- Esse não é o nome dela, Harry. – riu olhando para Isaac.
- Eu sou , o osso desses dois. – apontei para Harry e e estendi a mão, ele riu e cumprimentou.
- E você? – se virou para com um sorriso galanteador e eu quase revirei os olhos.
- , seu pior pesadelo. – se apresentou e ele concordou com a cabeça.
- Namorada dele? – apontou para Tom e riu quando Tom tossiu, negando.
- Ele me odeia. – fez biquinho e Tom revirou os olhos.
- Eu não odeio ela, ela é dramática. – esclareceu e não se opôs.
- Ok, bebidas vocês acham facilmente, banheiros lá em cima só peço cuidado porque tem muitos casais que usam como quarto, a piscina fica lá atrás, ninguém tá entrando, mas se quiserem incentivar, podem ir. Podem falar com o cara que tá mexendo nas caixas de som se quiserem alguma música específica. Divirtam-se. – explicou e passou o braço por meus ombros para me guiar até as bebidas.
- Quer alguma coisa? – perguntou colocando cerveja em seu copo e pegando um copo pra mim.
- Não quero ficar bêbada, obrigada. – respondi e riu.
- Você acha que um copo de cerveja te deixa bêbada? – questionou e eu peguei o copo de sua mão, colocando água nele e o levantando como um brinde. O problema foi que quando tomei um gole grande, ouvi:
- Isso daí é vodca . – alertou e eu cuspi, sentindo uma queimação enorme em minha garganta e atraindo alguns olhares do recinto. Okay, vergonha nos primeiros minutos da festa.
- Eu te odeio. – sussurrei limpando minha boca com as costas das mãos e deixando o copo na mesa, riu franzindo o cenho.
- Eu não fiz absolutamente nada. – abriu os braços indignada e eu semicerrei os olhos.
- Eu aposto que foi magia negra. – rebati e arqueou as sobrancelhas.
- Claro, meu grande segredo é que sou parte da Little Mix. – balançou as mãos e eu a olhei.
- Não force piadas, , você é melhor como cantora do que comediante. – reclamei e suspirou.
- Estou falando sério, como ousa duvidar? Irei te transformar em um sapo. – insistiu e eu bufei.
- Essa festa não podia melhorar. – cruzei os braços e parou com a atuação. Me puxando para onde poucas pessoas dançavam.
- Não consigo dançar em público. – expliquei e sorriu.
- Então deveria ter engolido toda a vodca, não é mesmo? – perguntou e eu revirei os olhos.
- É sério, não consigo.
- Foque em alguma coisa a não ser nas pessoas, pode ser raiva. Percebeu que Harry te trouxe por obrigação e te deixou sozinha no meio de um monte de pessoas que nunca viu na vida? – questionou e eu ri baixo, reunindo todo meu sarcasmo para jogar em .
- Obrigada por me lembrar, isso me deixa muito melhor! E isso não me ajuda em dançar e sim em pensar no meu relacionamento que eu pensei que estivesse ótimo… Até agora, né?! – espremi os lábios e deu um tapinha em meu braço.
- Todo relacionamento tem dessas, vocês estão descobrindo o que gostam ainda, não? Se divirta hoje, mostre pra ele que não depende dele, mostre que o relacionamento de vocês é uma via de mão dupla, se ele vai te ignorar e se divertir sozinho, você irá fazer o mesmo e vai fazer melhor. – terminou seu discurso apontando para meu peito e eu realmente pensei naquilo, ela estava certa, ela parecia estar certa. Se ele estava se divertindo sem mim, eu não precisava ficar sozinha em um canto reclamando.
- Então eu preciso da cerveja. – andei até a mesa de bebidas e ouvi um urro de , eu me arrependeria? Muito provavelmente.
P.O.V Tom Holland
21:29

- Por que você está tão sério? A cerveja não fez efeito? – Harrison perguntou logo tomando um gole de sua e eu apertei as mãos em volta da garrafa.
- Com certeza ainda não fez. – respondi um pouco pra baixo e Harrison me olhou com uma feição séria.
- É por causa da ? Está frustrado? Você deveria ceder Tom, o que tem a perder? – questionou com obviedade e eu ri baixo.
- Talvez a aposta? – Harrison se virou e me olhou me repreendendo.
- Como se fosse um sacrifício ter sexo com . Ela te atraiu, não? Eu sei que atraiu, então ceda logo. Não tem jeito de ganhar, se não queria isso não sei porque apostou. – explicou dando de ombros e eu o ouvi sobre aquilo. Não tinha sido proposital, eu realmente não queria nada com ... Mas agora, agora era diferente.
- Eu não tenho tanta certeza...
- Torce para ela ser ruim, assim vai ser só uma vez e acabou. – tentou amenizar a situação e eu bufei. Seria possível que ela fosse ruim? Eu duvidava bastante. Sua segurança, sua liberdade, tudo indicava o contrário.
- Não posso, Harrison, simplesmente, só daria confusão pro meu lado. – tentei levar meu pensamento para outro assunto e meu amigo só assentiu com a cabeça.
- Você acha que eu tenho alguma chance? – perguntou de repente e eu soltei uma risadinha.
- Se eu tenho, por que você não teria? – rebati e Harrison fez uma careta.
- Está se subestimando, gosto não se discute, né?! – deu de ombros e apontou para minha garrafa, pedindo mentalmente para que eu a bebesse.
- Não quero ficar bêbado. – levantei a cerveja e ele riu.
- Essa é só sua segunda, por que isso?
- Eu não confio em mim bêbado. – expliquei e Harrison encerrou o assunto.
- Vamos pelo menos nos divertir? Conhecer pessoas novas? – sugeriu e eu dei de ombros, enquanto Harrison bufava e me guiava até outro cômodo da casa, onde a música estava alta.
Meus olhos correram pela sala enquanto uma música acabava e não demorei muito a encontrar e dançando de frente uma pra outra, animadas e sorridentes. parecia estar um pouco alta, mas só o suficiente para mantê-la alegre, eu não sabia dizer.
[It’s Britney, bitch. A música da vez é Gimme More, recomendado para a leitura.]

- Falando no diabo... – Harrison disse perto de meu ouvido e com essa deixa, olhou em nossa direção me deixando surpreso. estava de costas para nós e sorriu, em um piscar voltando seu olhar para rapidamente.
- Onde está Harry? – perguntei tentando focar nisso e tomei toda minha cerveja em um único gole.
- Não sei, talvez com Isaac. – supôs e eu me virei para novamente, suas mãos agora estavam na cintura de e a italiana retribuía com seus braços em volta do pescoço de .
- Se você quer ficar na sua, cair nas armadilhas dela não é tão eficiente. – ouvi Harrison dizer e balancei a cabeça.
- Você... Você está certo. Me distraía, por favor. – pedi e Harrison fez o oposto, olhando na direção das meninas e despertando minha curiosidade. Quando olhei pela terceira vez elas dançavam com mais naturalidade, atraindo quase todos os olhares da sala.
- Eu estou distraído no momento, me desculpe. – se pronunciou e no mesmo momento recebi outro olhar, um olhar ardente que tentei ignorar. Eu conseguia suportar como o quadril de se movia ou como seu decote balançava animadamente, mas seus olhares... Seus olhares deixavam-me envergonhado e ansioso.
- Você não vai mesmo ceder? – perguntou um pouco fora de si e eu simplesmente não consegui responder, eu não consegui mentir e dizer mais uma vez: “não vou ceder”.
rebolou no ritmo da música e tirou as mãos de , somente para colocá-las em seu corpo, descendo enquanto mantinha os olhos em mim. Senti uma frustração enorme e emiti um grunhido fraco, ninguém reparava que ela olhava para mim porque estavam ocupados demais olhando para ela e , o que era meu único alívio.
- Agora perdi minha chance de ficar bêbado, né?! – perguntei para Harrison e ele afirmou com a cabeça.
- Se ficar bêbado com ela olhando assim pra você, acha que consegue se controlar? – rebateu e eu deixei o assunto quieto, sussurrando que iria para outro lugar.
Acabei parando na piscina onde realmente não havia ninguém, aquilo era ótimo, um lugar calmo para pensar com clareza. Me sentei em uma espreguiçadeira e olhei para minhas mãos logo em seguida olhando para piscina, que refletia a luz que iluminava a mesma, era muito bonito, eu amava como piscinas ficavam na noite.
Eu não tinha um sentimento profundo por , não era paixão e nem afeto, era algo estritamente físico e isso me confundia. Nunca havia sentido tanta atração por alguém, sempre era algo como uma quedinha acompanhada do desejo de compromisso, mas se esforçou e conseguiu fazer com que eu me sentisse do jeito que ela quisesse.
- Pensando em mim? – ouvi a voz de e me virei, assistindo a mulher vir até mim.
- Não importa o que eu diga, você vai moldar. – respondi um pouco cansado e ficou séria, se sentando ao meu lado.
- Também estou cansada Thomas, você é difícil. – disse com sinceridade e eu franzi o cenho. – Claro que já fui rejeitada, quem nunca foi? Mas se fosse uma pessoa mais fácil, teria cedido somente pela minha insistência.
- Por que não paramos, hein?! O que isso vai beneficiar em qualquer um dos dois? – questionei criando forças para olhar em seus olhos.
- Eu não te propus em casamento, é só diversão. – se justificou e eu suspirei. – A grande pergunta é: você quer isso? Você está tentado a isso?
- Droga, , claro que estou. – finalmente admiti e recebi um olhar de surpresa.
- Então, por que não facilita as coisas? – perguntou como se tudo pudesse ficar bem e eu encarei seu rosto.
- Porque eu reconheço uma confusão quando vejo uma. – respondi em um fio de voz e riu.
- Está com medo de mim, Thomas?
- Estou com medo do que você pode fazer.
- Acha que sou tão perigosa?
- Você faz muitas perguntas, Hoffmann. – observei e se aproximou.
- Eu preciso do máximo de respostas que conseguir. – deu de ombros com seu corpo roçando no meu e eu fechei os olhos.
- E que respostas eu consigo? – abri os olhos a tempo de assistir sorrir.
- Você está certo, eu sou uma bagunça, mas eu quero isso e agora que sei que você quer, não vou desistir. O jogo está em minhas mãos, em quem vai apostar? – explicou e eu achei racional. Eu tinha abaixado todas minhas defesas.
- Por que você quis jogar esse jogo? – questionei realmente curioso e olhou para a água, parecia procurar coragem.
- Não queria que você me visse... Como eu realmente sou. – respondeu enigmática e eu olhei mais uma vez para seu rosto atentamente, guardando todos os traços possíveis.
- E por que?
- Você faz muitas perguntas, Holland. – repetiu o que eu disse e sorriu, sem dizer mais nada sobre. – Vou embora e te deixarei em paz, mas somente por hoje.
- O que? – não tive nem mesmo tempo de processar e vi se levantar para voltar pra dentro, me levantei também. – Você não vai desistir?
- Não, não vou. – se virou e respondeu, então tomei coragem e andei até ela, segurando a lateral de seu rosto com as mãos, me aproximando e tomando seus lábios que se abriram em surpresa.
- Então, eu perdi. – constatei quando finalizei o beijo, ainda com os olhos fechados. O beijo foi como explodir em sensações totalmente desconhecidas, meu corpo pareceu queimar e eu nem mesmo consegui dizer mais que três palavras.
- Eu ganhei... – sussurrou fazendo-me arrepiar e colou mais nossos corpos. – Nós dois ganhamos, Thomas...
- Só acontecerá uma vez. – alertei enquanto minhas mãos saíam de seu rosto e iam para sua cintura.
- Só uma... – repetiu concordando e roçou seu nariz no meu, me puxando desesperadamente e me beijando com rapidez.
- Vamos subir. – instruí e peguei sua mão, levando-a até um quarto vazio e voltando com os beijos. Paramos em uma parede, as costas de se pressionavam contra ela, minhas mãos foram parar em seus quadris e suas unhas arranharam minha nuca.
- Thomas... – sussurrou enquanto eu me inclinava para beijar seu pescoço. Grunhi com bastante frustração, esfregava suas pernas lentamente, uma contra a outra.
- Eu estou no controle agora, Hoffmann. – olhei em seus olhos dizendo e ela suspirou, arqueando-se em direção a mim. Busquei suas pernas e pegamos impulso para ela pular em mim, as pernas se fecharam em volta de meu corpo com graciosidade e eu a pressionei contra meu corpo o máximo possível.
- Eu quero ver se tem tanta atitude. – sussurrou puxando meu cabelo e eu mordi seu pescoço sutilmente. Tentei controlar minha força no aperto de sua cintura e soltou um gemido decepcionado.
- Mais forte... – instruiu e minhas mãos automaticamente se apertaram em volta de seu corpo.
A puxei para longe da parede e a deitei na cama, suas pernas se desvencilhando de mim quase sem perceber. Desci minhas mãos até seus seios e puxei sua camiseta para baixo, focando em tirar o sutiã que usava. Quando ele finalmente foi para o chão, encarei o que havia em minha frente... Os seios de eram realmente fartos, maiores do que qualquer seios que eu já havia visto pessoalmente, não eram empinados até porque com aquele peso seria impossível serem, mas eram grandes e bonitos. Levei um de seus mamilos até minha boca em um ato de ousadia e arfou, incentivando-me a continuar.
Minhas mãos abriram suas pernas e beijei seus seios, abaixando e ouvindo um gemido de pressa que acolhi como um assentir de que eu estava indo bem. Beijei sua virilha e desabotoei sua calça jeans, me ajudou a tirá-la e jogou para o ar, abaixei sua calcinha rapidamente com um formigamento nos lábios e me olhou com curiosidade. A tatuagem de que havia falado no dia do “eu nunca” apareceu, uma pequena rosa com algumas pétalas caindo, no lado lateral de sua virilha.
- Não é todo cara que paga um oral na primeira transa. – revelou o que estava se passando em sua cabeça e eu ri fraco, deixando que um sopro pequeno de hálito batesse em sua pele, fazendo gemer.
- Eu não sou como todo cara. – respondi confiante e me desafiou com um bocejo forçado.
- Quem julga sou eu, não? – rebateu enquanto eu esperava para poder me deliciar de seu corpo. Suas palavras se faziam indiferentes, mas seu corpo mostrava que ela estava tão excitada como eu, os mamilos durinhos e sua buceta tão molhada que o líquido estava prestes a escorrer por suas pernas, que quando toquei pareciam ter ficado bambas.
- Eu estou no controle por essa noite . – repeti e ela sorriu como se fosse brincar.
- Você não... – antes da frase ser dita por completo deslizei meu dedo para dentro de . Ela quase gritou em prazer, arqueando-se e se segurando para não dizer meu nome.
- O que dizia? Você não conseguiu terminar. – constatei aprendendo como jogar com ela e ela se empurrou ainda mais para meu dedo que ia e voltava, num ato que nós dois apreciávamos. Seu íntimo era quente, macio e um pouco apertado também, o que denunciava que não transava a mais tempo do que eu imaginava.
- Thomas... – gemeu meu nome em aprovação e minha respiração falhou por um momento, enquanto encarava a imagem deliciosa que estava em minha frente. Deslizei mais um dedo para seu interior e colocou a mão em frente à boca, abafando um grito.
Enquanto os dois dedos iam e voltavam, meu dedão pressionava seu clitóris fazendo tremer, eu queria provar seu gosto mais do que jamais quis provar o gosto de ninguém, havia uma batalha em minha cabeça se perguntando se o gosto era tão bom quanto ouvir seus gemidos e assistir morder a própria mão para não fazer barulho, se era tão bom quanto vê-la arquear seu corpo em direção a mim, como se estivesse ao meu dispor. Tirei meus dedos de lentamente ouvindo um resmungo em protesto e segurei suas coxas para ficarem afastadas, um pedido de paciência. Levei meus dedos à boca e os chupei, pareceu gostar do gesto obsceno, então realmente me deliciei com aquele momento, seu gosto era normal, mas algo fez com que ele se tornasse extraordinário, talvez fosse , talvez o gosto fosse extraordinário porque era o de . Eu não sabia, não estava pensando racionalmente.
Levei minha boca até os lábios maiores de e a beijei ali, logo passando a língua com calma e chupando delicadamente seu clitóris, fazendo um trajeto por sua abertura.
- Isso... Por favor... – tinha fechado os olhos, mas não me permiti fazer o mesmo. Olhei mais uma vez para todos os traços da imagem e então fui fundo e agarrei suas coxas, apoiando minha cabeça para dar o maior prazer para Hoffmann. – Thomas...
Suas mãos puxaram meu cabelo, mas sem força, logo fazendo carinho neles em um incentivo, raspei meus dentes com a maior delicadeza que consegui e aprovou, continuando com o carinho.
- Thomas... Se continuar, receio que... Ah! – não conseguiu terminar a frase porque chupei seu clitóris para meus lábios, amando a sensação da carne sensível de em minha boca.
Eu sabia o resto da frase, eu sabia o que ela queria alertar e agora mais do que tudo queria que acontecesse, queria que ela gozasse em minha língua e tremesse contra minhas mãos. Então depois de alguns estímulos... se desfez contra minha boca, relaxando e sorrindo com um prazer enorme, mal sabia ela que eu também o estava sentindo, mesmo sem ter tido nenhum tipo de estímulo físico.
- Acho que isso está um pouco injusto, não? – a voz de chamou minha intenção quando me levantei para beijá-la e seus dedos me impediram de chegar perto. Olhei para a mulher e percebi o suor escorrendo discretamente por seu pescoço e o vão entre seus seios, a coisa mais sexy que já havia visto. era a coisa mais sexy que já havia visto.
- O que? – perguntei prestando atenção em seu corpo e sorriu.
- Estou completamente exposta e você ainda não tirou nada. – observou mordendo a ponta do dedo e eu percebi, olhando para baixo.
- Não é injusto para mim, você é absolutamente linda. – constatei com sinceridade e seu rosto pareceu um pouco surpreso. Não, não era possível que ela nunca havia escutado aquilo antes. Ela se sentou me puxando pelo colarinho e em um só movimento me deitou na cama com pressa, subindo em cima de mim.
- Agora eu estou no controle. – disse com autoridade e tentei me levantar colocando os cotovelos no colchão, mas as mãos de me empurraram pra baixo com agressividade, o que curiosamente gostei bastante.
A imagem dela sentada em cima de mim, autoritária e sorridente quase me fez gozar, mas fechei os olhos com força me distraindo por míseros segundos... Eu não conseguia. Tudo naquele momento e naquele quarto havia se tornado e apenas , eu queria ela, eu queria seu corpo, seus sorrisos e seus olhares. Seu corpo se inclinou e seus seios roçaram em meu peito, senti seus lábios em meu pescoço, chupando lentamente e provavelmente deixando uma marca, seus lábios se distanciaram de meu pescoço e voltou a se sentar em mim, tirando minha camiseta e desabotoando minha calça, a abaixando junto com minha cueca.
Suas mãos seguraram minha base com possessão e eu soltei um suspiro, recebendo um olhar satisfatório de . Ela não foi nem um pouco delicada e mostrou o que queria indo direto ao ponto, enfiando sua boca em toda minha extensão, chupando, lambendo e dando leves mordidas.
- Porra... – proferi enquanto aproveitava sua boca macia, colidindo com minha pele do jeito que eu tinha sonhado.
- Você é realmente grande Thomas... Mas será que serve? – questionou ainda dentro do jogo e franzi o cenho, olhando diretamente para seu rosto sem desviar com medo de perder o momento. – Eu quero com força, eu quero bruto. Você consegue?
Apenas assenti com a cabeça freneticamente e seus lábios se puxaram em um sorriso pequeno e logo voltaram a dar atenção para meu pau, a boca indo até onde conseguia e as mãos trabalhavam no resto, pra cima, pra baixo e assim continuou, seu olhar fixo em mim mas sua atenção focada naquilo.
- , eu vou gozar... – avisei em um gemido e ela o tirou da boca, parecendo se divertir.
- Eu avisei que iria te castigar. – explicou jogando o cabelo de um ombro para o outro e saiu de cima de mim, procurando algo. Foi até uma gaveta e encontrou uma camisinha, a levantando como prêmio e sorrindo. Então veio até mim novamente, ficando por cima, as pernas distribuídas uma de cada lado do meu corpo e as duas flexionadas para que não encostassem em minha pele ainda.
- Por favor... Eu preciso, eu preciso de você. – criei forças para dizer e tentei levantar as mãos, mas impediu.
- Peça explicitamente. – ordenou e eu tentei arquear meu corpo para encostar nossas peles.
- Eu preciso estocar fundo em você, até que goze de novo comigo. – expliquei com a voz falha e segurou meu pau para colocar a camisinha, o endireitando e sentando nele, preenchendo qualquer parte dele com seu íntimo.
Parecia ser a melhor sensação que já havia sentido, e provavelmente era a melhor sensação física que iria sentir em toda minha vida. Eu preenchi ela, ela me preencheu, e com sua autorização me sentei para que pudesse me movimentar melhor. Uma estocada, dois gemidos que pareceram música, outra estocada, o barulho do impacto de nossos corpos, outra estocada, o olhar que sustentamos e então a última estocada para que atingíssemos o ápice...
- !
- Thomas! – proferimos nossos nomes em gemidos ao mesmo tempo e gozamos juntos, suados e extremamente anestesiados. Harrison estava errado... Nem mesmo que eu torcesse para que fosse ruim aquilo poderia ser perto daquela palavra.
12/03/2016
Sábado
08:09

P.O.V Hoffmann

Apenas oito da manhã e eu já estava desperta, acordada com um sonho particularmente estranho onde peças se juntavam enigmaticamente e me faziam enxergar que eu havia cometido um erro. Na noite anterior depois de Thomas e eu termos nos aventurados em algo que queríamos, trocamos poucas palavras, coloquei minhas roupas e expliquei com firmeza de que aquilo nunca mais aconteceria, saindo do quarto e indo em direção até onde estava. Fiquei com ela o resto da festa, até Harry e Sam nos chamarem para irmos embora e ficar emburrada por ter que dividir o espaço do carro com Harry, a pessoa que deixou ela de lado a noite inteira. Chegamos em casa lá pelas 11 horas e se trancou no quarto com Harry, provavelmente para brigar com ele. Vimos Harry sair de seu quarto e o que me surpreendeu foi que ele não foi chorar para Sam e sim conversar comigo e compartilhar que não era a intenção dele ter feito aquilo. Reforcei diversas vezes de que estava do lado de , mas também o tranquilizei porque todo relacionamento tinha sua primeira briga, era normal e iria se resolver.
O resto de minha noite se resumiu em pensar no sexo espetacular que Thomas havia me proporcionado, o melhor sexo que já provei e por isso não poderia mais acontecer, era uma pena. Mas não arriscaria mais do que já arrisquei desse intercâmbio, não arriscaria minha relação com Nikki e Dom.
Thomas era o tipo de cara que parecia ser tímido, mas quando você se aproximava e deixava ele se mostrar, então tudo era fogo e as chamas eram bastante agradáveis. Meu corpo doía pelo fato de o sexo ter acontecido repetidas vezes, pelo que contei transamos três vezes só naquela festa, diferentes posições e práticas, eu tinha tido os orgasmos da minha vida e Thomas também havia tido os seus. Portanto eu, pelo menos, estava sensível e minhas pernas doíam, igual o tronco e a parte interna das coxas. A dor era mínima comparável com o prazer, o prazer que me lembraria quando me satisfizesse sozinha.
Sentei em minha cama e arrumei o cabelo com as mãos, suspirando por acordar tão cedo. Aposto que meu corpo me trairia de tarde e proclamaria o sono, o que eu já odiava e sabia sobre mim mesma, tinha ido dormir tarde e acordara cedo, só havia um jeito de acabar.
Mandei mensagem no grupo dos meus amigos do bar, para avisar que hoje eu não iria na reunião que fazíamos para ajeitar tudo, pois iria faltar amanhã, descansar e organizar meus trabalhos. Principalmente organizar minha cabeça que estava uma bagunça.
Meu cabelo estava oleoso, então o prendi para que esperasse antes de lavar, fui até o banheiro para lavar o rosto e dei de cara com minha maquiagem borrada, pelo menos não tinha usado muito rímel. Lavei o rosto e escovei os dentes, saindo do banheiro e estralando os braços.
Minha roupa não precisava mudar, estava com uma calça de moletom e uma blusa de manga comprida, as meias tinha colocado agora, não conseguia dormir de meias.
- Bom dia. – Nikki me cumprimentou quando desci as escadas, parecia estar fazendo um controle das contas.
- Bom dia. – respondi beijando sua bochecha e Nikki sorriu. – Dormiu bem?
- Como um bebê... – andei até a cozinha para pegar água e voltei para a sala. – Quer ajuda?
- Não precisa, pela primeira vez não estou preocupada com as contas. – deu de ombros e eu franzi o cenho. – Temos mais do que suficiente para pagá-las.
- Eu estava pensando... – comecei a falar, mas o telefone começou a tocar e Nikki foi atender.
- Alô?... Não, não... Sim, deve ser engano... Tudo bem, tchau. – Nikki desligou e eu franzi o cenho. – Estavam procurando por uma tal de Francine.
- Ah, entendo... – respondi em compreensão e Nikki voltou para mesa.
- Como vai seu pai? – perguntou com curiosidade e eu pensei em o que dizer por alguns segundos, Nikki e Dom haviam se aproximado de meu pai.
- Está bem. – essa era a resposta normal, certo? Era a resposta que todos davam e a resposta que todos queriam ouvir.
- Que bom. – respondeu e eu voltei meus pensamentos mais uma vez para Thomas. O que eu faria, tendo que olhar todo dia para seu bendito rosto? – No que está pensando?
- Ah, eu? Estou pensando no meu trabalho do curso, preciso coreografar uma música. Sortearemos as músicas segunda-feira. – desviei do pensamento de Thomas e disse, apoiando meu rosto na mão. Em partes não era mentira, eu tinha mesmo esse trabalho para fazer.
- Oh, você pode pedir ajuda ao Tom, aposto que ele ficaria feliz em coreografar uma música com você.
- Não quero incomodar. – tentei fugir do assunto e Nikki riu.
- Você acha mesmo que eu e Dom não sabemos sobre as intrigas que aconteceram quando vocês se conheceram? Pensei que tivessem se resolvido.
- Não... Nos resolvemos! É que... Como você sabe disso? – mudei o apoio do braço o mexendo e não achando uma posição boa, me sentindo envergonhada. – Harry?
- me contou procurando conselhos para fazer com que vocês fizessem as pazes, ela me pediu para não intervir e nem contar, então não me meti. Vocês mesmos poderiam ter vindo falar com a gente. – contou um pouco séria e eu dei um sorriso envergonhado.
- E-eu sei, nós só... Nenhum dos dois queria aborrecer vocês. – tentei me justificar e Nikki buscou minha mão.
- Os dois são incrivelmente orgulhosos. Fico feliz que tenham se resolvido. – sorriu com sinceridade e eu assenti.
- Eu também... – soltei um suspiro cansado e Nicola voltou a olhar as contas.
Eu não iria brigar com por falar para Nikki, considerei e reconsiderei, mas não valia a pena, tudo já havia se resolvido. Pelo menos a maior parte da briga sim, agora o que eu faria para apagar a noite passada da cabeça era problema somente meu, porque eu tinha me metido naquilo apesar de não me arrepender de nada, transar com Thomas tinha sido uma experiência muito... muito prazerosa.
- Eu vou subir, Nikki. – avisei levantando e ela resmungou um “tchau”, sem olhar.
Tentei pensar em meu trabalho e em que música iria sortear para coreografar, mas meus pensamentos acabaram indo mais uma vez para Thomas, “Você pode pedir ajuda ao Tom, aposto que ele ficaria feliz em coreografar uma música com você”. Eu não pediria a ajuda dele, com certeza não, dançarmos juntos seria de alguma forma mais íntimo do que tudo o que fizemos ontem, sexo era algo físico e dança claramente também, mas dança exigia mais harmonia, um ritmo que necessitávamos não só que fluísse do nosso corpo, mas também de nossas mentes. Sincronia.
Eu não era segura sobre minha dança, não era ruim, mas também não achava que isso poderia me levar a algum lugar. Eu já escrevia música, tocava e cantava, era mais do que suficiente para mim.
- Bom dia. – Thomas passou pelo corredor dizendo e eu me virei rapidamente, tentando ir para outra direção. – Você está me evitando?
- Ah, o que? Eu? – me virei para sua direção novamente, tendo consciência de que eu já havia sido pega. – Não, não. É só que eu lembrei de que...
- De que nós transamos? – abaixou um pouco o rosto e seus cabelos um pouco bagunçados balançaram. Seu rosto ficou um pouco vermelho, mas sua voz soou firme.
- Não, Thomas, eu não preciso me lembrar disso, porque não me esqueci. – tomei uma posição mais séria e mesmo com o coração batendo rápido e meu estômago se revirando, falei.
- Eu sei que não deveríamos ter feito aquilo e você também sabe, a maior parte da culpa é sua, mas isso não vem ao caso agora e só piorou as coisas, não podemos ficar nos ignorando e não podemos voltar a brigar, moramos juntos gostemos ou não. – explicou e eu tentei não me ofender com o comentário constatando de que a culpa era mim. Eu tinha que admitir que era, mas eu não tinha tempo pra culpa, pra me sentir mal por isso, só deveria focar em não repetir.
- Você tem razão. Nós tínhamos que tentar ser amigos e não se envolver em mais confusão. – respondi respirando fundo e tentando fazer minhas mãos pararem de suar.
- Será que depois da quarta tentativa vamos conseguir? – Thomas perguntou em um tom divertido e eu só sorri. Pequenas imagens vieram a minha cabeça, eu e Thomas rindo quando joguei minha calça jeans no chão daquele quarto na festa, foi a principal imagem.
- Eu vou voltar para meu quarto, mais tarde conversamos.
- Tudo bem. – pela primeira vez na conversa ele pareceu desconfortável afirmando e eu tentei ignorar.
Cheguei no quarto e pensei no que fazer, eu não voltaria a dormir e sabia disso, então peguei meus fones e procurei algo para escutar, enquanto pensava em como organizaria meus trabalhos.
P.O.V Gianniotti
12:17

Meus olhos se abriram relutantemente com uma voz um pouco alta, mesmo com eles estando semicerrados pude ver Sam me pedindo para acordar, então resmunguei e me virei para o outro lado, tentando voltar a dormir. Ouvi um barulho de cortinas se abrindo e resmunguei mais alto quando senti o lugar ficando mais claro.
- Vamos, , ressaca é algo horrível, eu sei, mas você precisa acordar. – me balançou me fazendo sentir raiva e eu grunhi. Senti um puxão em meu cobertor, o que me fez automaticamente arregalar os olhos e segurar o cobertor.
- Sam, pare! Eu estou sem minhas calças. – no momento em que disse isso Sam tirou as mãos com rapidez, parecendo envergonhado.
- Me desculpe, me desculpe. – pediu se afastando um pouco e eu bufei passando as mãos pelos olhos.
- Agora estou acordada, o que você quer? – questionei séria e Sam deu um risinho desconfortável.
- Almoço... – quando eu ouvi a bendita palavra olhei diretamente para Sam, virando minha cabeça lentamente como se o observasse para caçá-lo.
- Você. Me. Acordou. Por. Isso? – perguntei pausadamente para dar uma chance de explicação e ele só afirmou com a cabeça. – Você está morto, Sam!
- Lembre-se de que não pode sair da cama. – quando me viu tentando avançar, pulou para trás e usou sua mão para se proteger. Percebi antes de conseguir tirar o cobertor, então voltei emburrada.
- Saia do meu quarto e se proteja, porque quando eu me trocar... Você vai ter o que merece. – respondi séria e Sam disparou para fora, provavelmente indo para seu quarto. Coloquei uma calça de moletom e amarrei meu cabelo rapidamente, correndo para fora do quarto e indo até o de Sam. A porta estava fechada então bati uma vez com o punho fechado.
- Sam Anthony Holland! Abra essa porta, você me acordou por nada! – continuei batendo, exigindo que Sam abrisse.
- Eu não quero morrer, acabei de fazer 18 anos! – gritou de volta e eu ri cinicamente.
- Vai ter que fazer melhor que isso. – respondi ainda batendo e ele abriu a porta lentamente enquanto dizia:
- Não bata tão forte. – no meio de sua frase eu já estava dando tapas e petelecos em seu corpo.
- Nunca. Mais. Faça. Isso. De. Novo! – finalizei com um tapa em sua nuca e Sam que estava encolhido soltou um grunhido.
- Ok, ok, ok. – disse levantando as mãos, mas logo as abaixando e massageando as partes que bati. – Agora que terminamos. Quando você vai falar com o Harry?
- Sam! – levantei minha mão para bater nele de novo e ele riu, correndo escada abaixo. Grande idiota, sem apreço pela vida.
Saí do quarto em passos preguiçosos e avistei na porta do banheiro, resmungando sozinha.
- Bom dia. – acenei chegando perto e levantou seu rosto.
- O que ele tem de bom? – questionou retoricamente e eu dei um risinho.
- Que bicho te mordeu? – um silêncio se fez, então o resto da frase chegou na ponta da minha língua. – Ah, o bicho Thomas, como você chama.
- Sh... Não quero que ele pense que estou falando sobre ele. – segurou meus ombros cautelosamente e eu ri mais alto. Ela tinha me contado que ele havia dado um fora nela de vez e que a aposta estava encerrada.
- Você realmente está preocupada com isso? – questionei em um tom brincalhão e revirou os olhos.
- Sério, , não vamos conversar sobre isso no corredor. Eu já te contei tudo. – respondeu com um pouco de impaciência e começou a andar em direção a escada. Fui até o banheiro e escovei os dentes, descendo também.
- Bom dia, . – Dominic foi o primeiro a me cumprimentar.
- Bom dia. – respondi em um tom mais baixo do que gostaria, e sentei em meu lugar na mesa. Colocando comida para mim.
- Dormiu bem? – Nikki perguntou e eu concordei com a cabeça, sentindo o olhar de Harry sobre mim.
- Ouvi uma discussão ontem. – Tom murmurou, logo percebendo que todos ouviram e olhou para baixo, totalmente envergonhado.
- Aconteceu alguma coisa? – Nikki deixou a pergunta pairar no ar e eu suspirei, criando algum tipo de ousadia gerada pela raiva.
- Desculpe, Nicola, mas seu filho é um idiota. – relatei mexendo na comida com meu garfo e Harry finalmente se pronunciou.
- Eu já te disse que não era minha intenção te deixar sozinha! Você parecia estar se divertindo com a . – respondeu em sua defesa e eu virei o rosto, olhando-o com incredulidade.
- Não me coloque no meio. – pediu, comendo normalmente e eu me exaltei um pouco.
- Você já está no meio! Foi você quem disse que ele estava me deixando de lado. – a envolvi ainda mais e assisti suas sobrancelhas se arquearem.
- Ah, então a culpa é minha? Quem avisa amigo é. – se justificou cruzando os braços e eu semicerrei os olhos. – Harry pisou na bola com você. Não eu.
- Não se intrometa! – Harry apontou para e ela riu com escárnio.
- Eu sou amiga da , é meu dever alertar sobre atitudes de namorados idiotas. – revidou e Nikki que observava tudo interrompeu quando também argumentei. A mesa estava um amontoado de vozes, Nikki, , Harry e eu.
- Meninos, parem! – Nikki gritou mais uma vez fazendo-nos parar e toda a mesa ficou quieta. – Vocês têm todo o direito de ter sua primeira briga de casal, mas não aqui, estamos comendo e Paddy não precisa ouvir isso. Levem para um lugar privado!
- Me desculpe, Nikki. Eu não sei o que deu em mim. – resmunguei colocando as mãos no rosto, muito envergonhada para falar a verdade.
- Mas eu sei. Harry tem esse incrível efeito nas pessoas. – Nicola respondeu um pouco risonha e Harry bateu o garfo na mesa.
- Obrigada, mãe! – reclamou em um tom sarcástico e Paddy riu baixinho.
- Me desculpe, Paddy, você deve nos achar malucos. – se desculpou também e Paddy negou com a cabeça.
- Vocês são divertidos! – afirmou rindo e o acompanhou.
- Brigar não é divertido, Paddy... – alertou apontando o dedo, mas logo mudou sua postura. – Mas obrigado! Fico lisonjeada.
- Ei! Eu te contei que tirei nove no teste de matemática? – de repente Paddy se direcionou à e ela sorriu genuinamente.
- Sério? Que menino inteligente! – se levantou da cadeira e foi até o garoto, para o abraçar.
- Você me ajudou. Meus pais são muito ruins em matemática, não teria conseguido tanto sem você. – Paddy brincou e riu, apontando para ele como se tivesse feito algo rebelde. Nikki fez uma careta e Dom suspirou, sorrindo.
- Estou orgulhosa de você, Patrick. – o abraçou balançando um pouco e Paddy sorriu largo.
- Obrigado! – se afastou do menino e apertou seu nariz, em um gesto carinhoso.
- Agora não aceito nenhuma nota menor. – Nikki cruzou os braços e Paddy revirou os olhos, fazendo todos rirem.
- Não seja exigente, aposto que só tirava oito nos tempos de escola. – respondeu a desafiando e ela riu passando a mão pelo cabelo dele, fazendo cafuné.
- Sempre teremos orgulho de você, não importa se tirar menos do que nove ou oito. Ok? – questionou e Paddy concordou com a cabeça, dando um breve beijo na bochecha de Nikki.
P.O.V Hoffmann
13:38

Ok, dois trabalhos estavam feitos. Mas eu estava com tanto sono depois de terminá-los, que realmente considerei apenas dormir ali até os meus olhos se abrirem, mas eu não podia, não era bom para minha rotina.
Então decidi ocupar minha mente com outra coisa, sai do quarto e fui até a sala, onde geralmente todos ficavam nos sábados, mas a única pessoa ali era Thomas.
- Onde tá todo mundo? – perguntei um pouco curiosa e Thomas se virou, percebendo a minha presença ali.
- Harry e Sam saíram juntos e minha mãe, meu pai e Paddy foram para o parque de diversões. – explicou parecendo se tocar do que significava e eu arqueei as sobrancelhas.
- E ?
- Trancada no quarto, provavelmente. Você quer assistir algum filme? – sugeriu se sentando no sofá e eu estranhei um pouco.
- Não acho que seja uma boa ideia. – juntei as mãos, tentando me distrair e Thomas suspirou, pegando o controle.
- Falamos sobre isso hoje.
- É, mas não estou te evitando, é só que assistir filmes juntos é outro caso. É coisa de casal! – me justifiquei separando as mãos e Thomas riu.
- É coisa de amigos também! – respondeu com ironia.
- Amigos não transam. – semicerrei os olhos rebatendo sua ironia e ele balançou a cabeça.
- Você é mente fechada se pensa assim.
- Amigos normais não transam, correção. Desculpe-me pelo meu erro. – usei um tom sarcástico e Thomas bufou.
- Você fala como se tivéssemos feito mais de uma vez.
- Porque fizemos três vezes!
- Só está sendo paranoica, acredite em mim, não quero me envolver romanticamente com você, você só me traria problemas. – explicou tentando deixar as coisas claro e eu apenas sorri, sentando no sofá.
- Então concordamos. – peguei o controle de sua mão e Thomas sorriu.
- Nada de filmes românticos. – pontuou como uma regra e eu o olhei com divertimento.
- Como se você não amasse um. – voltei minha atenção para a televisão e tive uma ideia genial. – Que tal YouTube?
- Pensei que fôssemos ver um filme... – olhou confuso para minha feição e eu sorri ainda mais largo.
- Tenho uma ideia mais divertida. Billy Elliot by Tom Holland! – enfatizei com mãos de jazz e Thomas tentou pegar o controle da minha mão.
- Hoffmann, não! – tentou pegar mais uma vez e eu desviei, tentando não rir.
- Você sabe que eu vou ver de qualquer jeito. – tentei parar Thomas com essa frase e mesmo assim ele continuou.
- É, mas eu não preciso ver você rindo de mim. – disse como se fosse óbvio e eu respirei fundo, estava ficando difícil.
- Por favor, Thomas, vamos ver! – coloquei o controle para trás e ele parou por um estante.
- Me dê o controle logo, talvez alguma comédia? – tentou novamente e eu neguei com a cabeça. Então ele tentou pegar de novo e eu apenas o enfiei em meu sutiã.
- Não é nada que eu não tenha conhecido antes. – Thomas revidou parando no lugar e eu arregalei os olhos com a ousadia.
- Você me surpreende cada vez mais!
- Tenho certeza de que sim.
- Você não vai pegar, está blefando. – provoquei e Thomas se aproximou me fazendo prender a respiração. Talvez eu quisesse aquilo, mas eu não podia, então peguei o controle e o entreguei.
Que tal School Of Rock? Eu faço a pipoca. – cedi sugerindo, tentando ser legal e Thomas sorriu afirmando.
Fiz a pipoca com rapidez e voltei enquanto Thomas pausava o filme e voltava para o começo. É claro que ele tinha começado sem mim.
- Odeio gente assim. – falei com um tom baixo colocando a pipoca no meio de nós e ele se virou. – Gente que é impaciente.
- Eu não sou... Ok, mas por que? – se interrompeu no meio e eu achei um pouco engraçado.
- Porque pessoas impacientes apressam as outras. – peguei uma pipoca, jogando-a na boca e ouvi Thomas rir fraco.
Toda pessoa é um pouco impaciente.
- Você nem mesmo conseguiu esperar que eu fizesse pipoca! – respondi indignada e Thomas virou seu corpo, interessado no assunto.
- E como eu iria saber seu tempo? Cada pessoa faz pipoca em um tempo.
- Ok, agora só está sendo ridículo.
- Hoffman...
- Podemos ver o filme? – questionei retoricamente, pegando o controle de sua mão e dando o play.
- Você já tinha visto esse filme antes? – perguntou enquanto ainda estava na abertura e eu arqueei as sobrancelhas.
- Claro que já, você não?
- Bom, eu vi o começo né? – fiquei bastante surpresa por sua revelação.
- Você tá brincando? School Of Rock foi uma das coisas que me fez começar a tocar guitarra! É um clássico de 2003. – expliquei um pouco desacreditada e um sorriso se formou em seu rosto.
- E o que mais fez você começar a tocar guitarra?
- Meu pai, ele tem um ótimo gosto e sempre me indicou músicas e bandas de rock. Ele gostava e eu também comecei a gostar, pedi uma guitarra de presente no meu aniversário de 7 anos e aprendi sozinha. – contei enquanto sentia seu olhar em mim e peguei seu queixo, o virando para a tela da televisão. – Assiste. Acho que vai gostar.
- Como se você soubesse das coisas que eu gosto. – retrucou mesmo prestando atenção no filme e eu ri colocando a mão na boca.
- Ah é! Rock não, né? Eu sei que você curte mais balé, Billy! – depois dessa, Thomas jogou uma pipoca em mim.
- Ei! – contestei, mas não consegui parar de rir tão cedo.
- Essa piada tá ficando sem graça já. – disse como se isso fosse me fazer parar e eu peguei a pipoca que foi parar no meu cabelo, jogando pra dentro da boca.
- Espere só eu descobrir mais coisas sobre você, Billy. – respondi me divertindo e o garoto relaxou os ombros, parecendo também querer entrar na minha brincadeira. - Esse vai ser meu apelido agora? – questionou desanimado e eu sorri.
- Agora que você falou, ah se vai! – dei tapinhas em seu ombro e ele tentou desviar.
- Vamos ver o filme.
- Bom, eu já vi esse filme. Porque eu tenho conhecimento sobre coisas boas, como bandas de rock. – provoquei novamente o lembrando do dia do verdade ou desafio e vi ele sorrir de canto. Percebi que ele não ficava mais vermelho com coisas que eu falava e isso era bom, talvez estivéssemos mesmo nos tornando amigos.
- Uau. Você é boa nisso. – disse baixo e eu franzi o cenho.
- Em que? Sou boa em muitas coisas.
- Em irritar as pessoas. – respondeu sorrindo e eu inclinei o rosto para Thomas.
- Você não me parece irritado. – ele também chegou mais perto.
- Porque agora que te conheço, sei que se eu ficar irritado, você ganha. Então estou calmo como a brisa. – estendeu os braços no sofá mostrando uma postura relaxada e eu ri, me encostando nas almofadas do sofá.
- Que bom que estamos nos entendendo. – sorri sem o conhecimento dele mas soube mesmo assim que ele estava sorrindo também. Não tinha mais guerra, nesse joguinho que jogávamos, todos ganhavam.
O filme passou bastante rápido, piadas e provocações à parte. Thomas havia dado risada a maior parte do tempo, fosse pelo filme ou pelas outras coisas e eu também. Se tinha uma coisa que eu valorizava era alguém que poderia tornar o tempo mais divertido, ou alguém com quem conversar por horas sem ficar estranho. Era o melhor tipo de pessoa para mim, que era uma tagarela.
- Você gostou do filme? – perguntei batendo as mãos para tirar os restos de sal das mãos e Thomas se virou sorrindo.
- Claro que gostei, o filme é incrível!
- Você gostou da trilha sonora? – questionei empolgada e ele fez uma careta.
- Você sabe que eu não sou a melhor pessoa para discutir sobre música... Eu sou o idiota que escolhe Nirvana, a opção segura de banda de rock. Acredita? – zoou e eu bati em seu braço rindo e me levantando.
- Fique aqui, vou pegar meu celular lá em cima. Vamos ter uma aula de cultura musical. – bati as mãos na calça jeans e deixei o balde de pipoca na mesinha. – O pacote completo.
- Ok, agora estou com medo. Quanto isso vai me custar?
- Vai te custar a sua ignorância. – respondi saindo e voltando com o celular e meu fone em mãos. – Por onde quer começar? Rock, Funk, R&B?
- Rock. – respondeu parecendo travar uma batalha interna e eu sorri, tentando encontrar na minha playlist a música que veio em minha cabeça.
- Pela ordem alfabética começamos com AC/DC. Já ouviu alguma música deles? – perguntei conectando o fone no celular.
- Provavelmente sim, mas não me lembro.
- Eles têm muitas músicas como trilha sonora em filmes então, você vai reconhecer algumas. – Achei a música que procurava e estendi um fone para ele colocar. – Vamos começar com algo mais leve, pra não explodir essa cabecinha, ok? É uma clássica também, agosto de 1980, uma das minhas preferidas.
- Você fala como se tivesse vivido aquela época, é adorável. – sorriu para mim e eu ri.
- Bem que eu queria. – respondi dando play na música e colocando a minha parte do fone, batendo o pé de acordo com o ritmo.
[Recomendo que coloquem “You Shook Me All Night Long” do AC/DC para tocar. Quem não gosta de rock e preferir não colocar, tudo bem. Mas deixa a cena mais legal.]

- Eu amo os solos de guitarra do Angus Young. – me vi revelando enquanto apreciava a música e Thomas franziu o cenho, sorrindo. – Ele era o guitarrista solo da banda, agora ouvimos as músicas e depois eu te explico tudo.

She was a fast machine/ Ela era uma máquina veloz
She kept the motor clean/ Ela mantinha o motor limpo
She was the best damn woman that I ever seen/ Ela era a melhor mulher que eu já havia visto
She had sightless eyes/ Ela tinha os olhos invisíveis
Telling me no lies/ Não me contava nenhuma mentira
Knockin' me out with those American thighs/ Me vencia com aquelas coxas americanas


Eu já dançava de acordo com a música como podia e Thomas ria, se divertindo. Comecei a balançar os ombros o levando a fazer o mesmo e ele entrou naquilo, se divertindo.

Taking more than her share/ Pegando mais do que ela dividiu
Had me fighting for air/ Me pegou lutando por ar
She told me to come, but I was already there/ Ela disse para ir mas eu já estava lá
Cause the walls started shaking/ Pois as paredes começaram a tremer
The earth was quaking/ A terra estava tremendo
My mind was aching/ Minha mente estava doendo
And we were makin' it/ E nós estávamos fazendo amor
and you.../ e você...


Dublei a música olhando para Thomas e ele começou a bater o pé de acordo com a batida, então cantei o refrão tremendo e rindo.

Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
Yeah you, shook me all night long/ yeah, Você me sacudiu a noite toda
Walking double time on the seduction line/ Trabalhando a passos rápidos na linha da sedução
She was one of a kind/ Ela era única
She's just mine all mine/ Ela é só minha, toda minha
Wanted no applause/ Ela não procurava aplausos
It's just another cause/ Apenas outra causa
Made a meal out of me, and come back for more/ Fez de mim uma refeição e voltou por mais


Thomas também dançava com os olhos fechados e eu sorri discretamente, o que eu mais amava era apreciar música.

Had to cool me down/ Tive que esfriar
To take another round/ Dar outra volta
Now I'm back in the ring to take another swing/ Agora eu voltei ao ringue para dar outra sacudida
But the walls was shaking/ Pois as paredes estavam tremendo
Earth was quaking/ A terra estava tremendo
My mind was aching/ Minha mente estava doendo
And we were making it/ E nós estávamos fazendo amor
and you.../ e você...
Finalmente imitei uma guitarra no ar e Thomas imitou uma bateria.
Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
Yeah you, shook me all night long/ Yeah, Você me sacudiu a noite toda
Knockin' me out, yeah you/ Me deixando no chão, yeah, você
Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
You really shook me, yeah you/ Você realmente me sacudiu, yeah, você
Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
Yeah, you shook me/ Yeah, você me sacudiu
Well you shook me.../ Bem, você me sacudiu


Balançamos as cabeças com os acordes de guitarra e eu quase deixei uma lágrima escapar, eu me emocionava com solos. Era normal para mim, pessoas se emocionavam com histórias tristes, filmes, livros. E eu, com músicas boas.

You, shook me all night long/ Você me sacudiu a noite toda
Yeah you, Shook me all night long/ Yeah, você me sacudiu a noite toda
You really got me, and you/ Você realmente me pegou, e você
Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
You really got me, and you/ Você realmente me pegou, e você
Shook me all night long/ Me sacudiu a noite toda
Yeah you shook me/ Yeah, você me sacudiu
Yeah you shook me/ Yeah, você me sacudiu
All night long.../ toda a noite


A música acabou e desabamos em rir, enquanto aproveitávamos o momento. Passei o resto da tarde explicando sobre músicas e bandas. Integrantes, datas, origem e até maiores feitos.
Passamos horas e horas conversando e eu realmente pensei que aquela coisa toda de amizade pudesse dar mais do que certo.

P.O.V Gianniotti
16:51

A tarde estava horrível, deprimente e entediante. Tudo o que eu fazia era olhar para a janela e assistir as pequenas gotículas de água deslizarem pelo vidro. Paddy, Nikki e Dom haviam chegado, assim como Harry e Sam, mas eu não me atrevi a sequer sair do quarto, trombar com Harry só traria estresse.
Ouvi batidas na porta de meu quarto e meu coração acelerou, pelo susto. Eu deveria ter ouvido os passos de alguém chegando perto, mas estava tão distraída com a chuva e minha vida, que simplesmente não reparei. Não respondi às batidas e ouvi um bufar.
- , você pode abrir a porta para conversarmos? – ouvi a voz de Harry e afundei a cabeça no travesseiro.
- Estou indisponível no momento, volte mais tarde! – falei um pouco alto para que ele ouvisse e ouvi uma risadinha.
- Você não pode me evitar para sempre.
- Só faz um dia, Harry, pare de ser dramático! – revirei os olhos e ouvi mais um grunhido.
- Abra a porta, por favor. – pediu mais uma vez e eu me levantei, com preguiça, abrindo a porta.
- Me diga o que quer dizer e pare de me encher o saco. – fui direta e vi um pouco de desapontamento na feição de Harry.
- Eu sei que fui um babaca, ok? Eu tenho consciência disso agora, mas prometo que nunca irei fazer de novo. Eu só... Não sou bom ainda com esse negócio de namoro. – disse como se justificasse e eu suspirei realmente fundo, tinha sentido e fundamento, mas eu não poderia perdoar logo de cara.
- Ok, era isso? – perguntei séria pronta para fechar a porta e ele apenas colocou a mão, impedindo.
- Por favor, me perdoe. – pediu e eu neguei com a cabeça. Suas mãos se juntaram. – Por favor, me perdoe.
- Harry... – avisei que seu território era perigoso e ele se aproximou quase me beijando, mas eu me afastei. Então o vi se ajoelhar.
- Por favor, me perdoe. – repetiu e eu neguei com a cabeça novamente. – Eu vou ter que beijar seus pés?
- Você não faria isso. – ri sabendo que ele estava brincando e ele se aproximou me deixando com um pouco de receio. – Ok! Eu te perdoo. Pare!
- Obrigada! – deu um sorriso fofo se aproximando e tentou me beijar, mas eu me esquivei.
- Só... Deite aqui, ok? – me deitei na cama levantando o cobertor para ele, e ele sorriu me abraçando para ficarmos de conchinha.
- Você é incrível. – disse passando o nariz por meu pescoço e eu estremeci.
- Pare de tentar puxar meu saco. – respondi tentando não ter reação às provocações físicas e ele me envolveu ainda mais.
- Nunca... – deu um risinho sarcástico e eu dei um tapa em sua mão.
- Você é um idiota...
- Meu Deus! Como eu senti falta disso! – disse como se fosse uma surpresa e eu ri, achando um pouco fofo.


Capítulo 14

13/03/2016
Domingo
14:52

P.O.V Gianniotti
- Esse filme está incrivelmente chato. – suspirei olhando para Harry. Eu, Tom, e Harry estávamos todos no sofá, tentando passar o tédio.
- O que quer fazer, então? – Harry questionou e seus braços me envolveram com mais força, como um convite para irmos para o quarto.
- Vamos brincar de “Quem sou eu?”, eu amo esse jogo. – sugeri batendo palminhas e franziu o cenho.
- Não conheço. – respondeu simplista e eu tentei encontrar as palavras para explicar.
- Todos nós vamos escrever em um papel um personagem, pessoa ou animal, e então o outro vai colocar o papel na testa, podemos fazer perguntas como “Eu sou uma mulher?”, “Eu sou loira?”, só perguntas que podem ser respondidas com sim ou não. Quem acertar primeiro o que é, ganha. Só pode dar um palpite. – expliquei e considerou.
- Ok, vamos jogar. – deu de ombros se virando e eu direcionei meu olhar para Thomas.
- Se todos vão jogar, eu jogo. – concordou e pegamos post-its para jogar.
- Eu vou fazer o de Thomas! – exclamou animada e Tom passou um olhar de medo.
- Eu faço o da . – Harry disse e eu fiquei com fazer o dele.
- Nada de idiota. – Tom se dirigiu a e ela sorriu, chegando perto dele.
- Você me conhece, Thomas! – respondeu fazendo os dois rirem. Eles estavam bastante próximos, como se fossem íntimos. Todos escreveram nos post-its e colaram na testa da outra pessoa, analisei os personagens e pessoas e ri, com a criatividade.
- Eu começo. Eu sou mulher? – perguntei em disparada e todos responderam ao mesmo tempo.
- Sim! – olhou para a testa de Tom com orgulho e ele estremeceu, brincando.
- Eu sou um animal? – Harry perguntou e todos responderam que não.
- Eu sou alguém alto? – perguntou sendo mais criativa e pensamos.
- Hum, não sei. – Harry respondeu e fez uma careta.
- Então... Sou mulher? – tentou de novo e concordamos.
- Sou homem? – Tom perguntou e balançou a cabeça, afirmando.
- Sou famosa? – perguntei e todos concordaram.
- Sou um personagem? – Harry teve sua vez e eu afirmei.
- Tenho mais do que 30 anos? – questionou e nós negamos com a cabeça.
- Sou inteligente?
- Muito. – respondeu e Tom se gabou, fazendo-nos rir.
- Sou velha? – e então a vez voltou para mim e fomos na ordem novamente.
- Sim, mas não aparenta.
- Eu sou... Bastante conhecido?
- É.
- Sou alguém que eu, , gosto?
- Você ama. – Tom respondeu e ela pareceu ficar pensativa.
- Sou reconhecido pela minha inteligência?
- É.
- Sou atriz?
- Sim.
- Sou de um filme?
- É.
- Sou um personagem?
- Sim.
- E eu? Sou um personagem?
- É.
- Eu sou loira?
- Você é sim. – respondeu parecendo surpresa por minha pergunta e eu ri.
- O filme que eu faço parte é de ação? – Harry questionou e eu concordei.
- Tenho poderes? – chutou parecendo insegura e Harry afirmou.
- Eu sou perigoso?
- Gênio do crime. – Harry respondeu Tom e o chutou.
- Ei!
- Eu fiz Friends? – perguntei sem ainda dar meu palpite e Tom concordou em derrota. – Sou a Jennifer Aniston!
- Acertou. – disse e pediu para que continuassem o jogo.
- O filme de que faço parte é velho? Tipo, antes dos 2000? – Harry continuou e afirmou.
- Eu sou morena? – perguntou e Tom confirmou, então bateu a mão no chão e deu seu palpite. – Sou a Wanda Maximoff!
- Acertou. – Harry disse meio desanimado e riu.
- Isso foi bem sem graça. Ela é a minha personagem favorita, muito óbvio. – tirou o post-it de sua testa e os garotos também o fizeram, vendo quem eram. Tom era o Professor Moriarty, e Harry era James Bond.
- Eu nunca teria acertado. – Tom admitiu em derrota e se curvou em uma reverência de brincadeira.
- Eu estava pensando nele. – Harry resmungou frustrado e eu beijei o topo de sua cabeça, o abraçando.
- Vamos de novo. – pediu e jogamos mais uma vez. Fizemos algumas rodadas e então cansamos, decidindo fazer outra coisa: Just Dance.
Formamos duplas, eu e Harry e Tom e . Sam estava fora, na casa de um amigo da escola e o resto da família também tinha ido no shopping, a casa estava vazia fora os quatro adolescentes idiotas que não saíram no domingo.
- Thomas! Mexe o quadril assim. – instruiu rindo e Tom a olhou de um jeito bastante demorado, enquanto eu e Harry observávamos a coisa ficar estranha. – Talvez eu devesse te dar algumas aulas de dança.
- Aham, tenho certeza de que meus anos no balé não serviram para nada. – respondeu irônico e bateu em seu braço.
- Foi só uma piada, Billy, relaxe. – balançou as mãos, correndo quando Tom tentou apertar sua cintura, mas ele a alcançou e a levantou, como Harry já havia feito em mim uma vez.
- Pare de me chamar de Billy. – avisou com um tom sério e apenas riu, negando com a cabeça. – Você é impossível!
- Eu sei, é meu charme. – repetiu uma de suas frases típicas e Tom riu a colocando no chão e empurrando seu ombro de leve.
- Vamos dançar? – Tom perguntou como se já esperasse há horas e concordou colocando a música e começando.
Tom estava com um casaco e eu me perguntei porque ele não havia tirado antes de começar a dançar, mas quando vi qual música era, comecei a rir antes mesmo de Tom a performar, sendo acompanhada por . A música que eles tinham escolhido era “You’re The One That I Want” e mesmo que e Tom parecessem estar se divertindo, diferente de que gargalhava, Tom parecia se concentrar nos passos. Tom dublou a música e como no filme, tirou o casaco e o rodou várias vezes, jogando-o no chão.
Então eles começaram a dançar juntos e aquilo me impressionou, mas não pelo fato de eles terem feito bem e sim pelo fato de que eles sorriam um para outro e pareciam saber como exatamente conduzir um ao outro, os toques não eram estranhados por eles mesmos e a proximidade também não, eu realmente me senti em Grease com Sandy e Danny apaixonados. Será que e Tom estavam apaixonados? Não, provavelmente não. Era só uma dança que eles interpretavam bem, afinal, era uma artista envolvida com música e Tom era um ator, fazia sentido.
Pouco tempo depois eu e Harry estávamos assobiando e batendo palmas, cantando a música com eles.
- You’re The One That I Want! – cantou e todos nós fomos o coral de fundo, enquanto ela e Tom dançavam mais rápido, rindo. Tom rodou ela e eles arrastaram os pés pelo chão, mas nunca sem quebrar o contato visual.
- Isso foi bom, admitam. – Tom disse quando acabou e Harry bateu palmas, brincando com ele.
- Eu tiro meu chapéu pra você. – também brinquei e pulou e deu um beijo na bochecha de Tom, parecendo fazer com que ele resetasse. Eu apenas dei um risinho e me levantei com Harry, para dançarmos.
Passamos a tarde inteira zoando e dançando, até tocou uma música no violão e eu e Harry subimos para o quarto, deixando os dois sozinhos.
- Você viu os pombinhos hoje? – perguntei curiosa para saber a opinião dele e ele concordou com a cabeça, me dando um beijo. – O que você pensa sobre isso?
- Ah... Eu penso que... – desceu para meu pescoço dando beijos alternados e eu senti um aperto gostoso em minha cintura. – Temos coisas muito mais importantes para tratar agora.
- Você tem toda razão. – sorri com divertimento e segurei seus ombros, beijando-o com vontade. Esqueci totalmente sobre e Tom.

P.O.V Hoffmann
18:32

- Ok, mas você realmente prefere The Beatles à Nirvana? – perguntei mais uma vez para Thomas e ele concordou cansado. – Você tem razão, é melhor mesmo.
- Você é muito estranha. – respondeu dando uma risadinha e eu sorri como se aquilo tivesse sido um elogio.
- Já me chamaram de coisa pior. – rebati simplista e Thomas sorriu, aceitando meu argumento. – Eu vou subir, ler um pouquinho.
Me levantei do sofá e aquilo pareceu ser um erro no momento em que meu pulso foi puxado atrapalhadamente com um baixo pedido para que eu esperasse. Thomas que nem mesmo se levantou para me puxar apenas sentiu o impacto de meu corpo caindo por cima de seu, o que pareceu um choque e ao mesmo tempo algo incrivelmente bom. Meu pulso ainda era segurado por ele, a outra mão de Thomas estava parada em minhas costas e minha outra mão estava em seu peito, impedindo que chegássemos mais perto. Eu imaginava que aquilo só acontecia em livros e em filmes, mas me via grata e frustrada por ter acontecido na vida real.
- O que?... – perguntei tentando me afastar mas as mãos de Thomas não me deixaram sair.
- Eu... Eu, me desculpe. – pareceu perdido e afrouxou o aperto que suas mãos traziam para meu corpo, foi como se ele fosse a única coisa que me mantinha em pé e sem suas mãos ou aperto, eu caísse para além do chão. Quando percebi que queria aquilo, o que pude fazer foi pular para o lado no sofá e respirar profundamente para tentar fazer passar.
- E-eu preciso de ajuda em um trabalho. – esfreguei minhas mãos pelo rosto como se saísse de um transe e Thomas franziu o cenho, cruzando os braços. Por que diabos eu havia falado aquilo?
- Que trabalho? – perguntou curioso e eu vi que aquilo era a nossa distração, para que não nos agarrássemos ali mesmo.
- De dança, eu vou sortear uma música amanhã e tenho duas semanas para criar uma coreografia. – respondi entrando na estratégia de distração e Thomas balançou a cabeça, sorrindo.
- Não era você que estava zombando da minha dança hoje mesmo? – perguntou mexendo nos cabelos e eu dei um sorriso encerrando a conversa e levantando novamente, não iria discutir aquilo naquele momento.
A mão de Thomas encostou em meu pulso pela segunda vez e eu suspirei por seu erro em seguida, ele percebeu na hora que tinha sido burro da parte dele e eu me virei para olhar sua feição. A porta de casa se abriu no mesmo instante que meu corpo se virou e eu cumprimentei Paddy, Nikki e Dom com uma calmaria que tive que puxar de um lugar que eu nem sabia que existia. Ouvi Thomas subir as escadas atrás de mim e me virei esperando.
- O que você... – tentei perguntar, mas o impacto e a surpresa que me preencheram quando Thomas levou suas mãos a minha nuca e seus lábios aos meus foi tamanha, que a única coisa que consegui fazer foi retribuir o beijo.
Não recuei, não desaprovei, não parei o beijo e nem fui inteligente. A sensação de Thomas me cegava e isso me deixava com raiva, a raiva se transformava em energia e a única coisa que eu queria era gastar aquela energia com ele, eu não percebia na hora que era errado, porque tudo o que invadia e preenchia minha mente era Thomas, não tinha espaço para mais nada, nem inteligência, nem culpa e nem um pouco de sensatez. Só prazer.
Beijar Thomas era bom demais, e eu não sabia se era simplesmente porque ele beijava bem ou porque nossos corpos pareciam ser feitos um para o outro, eu só aproveitava. Minhas mãos desceram para sua bunda e a apertaram lentamente, ao mesmo tempo que ele puxava meu lábio com os dentes, fazendo meu coração bater muito rápido.
Diferentemente de mim, Thomas levou suas mãos para acima de minha bunda e as firmou ali, puxando meu corpo contra o seu para que ele pudesse andar comigo até seu quarto. Ele tirou apenas uma das mãos de minhas costas para abrir a porta e minhas mãos deslizaram até seu pescoço encaixando mais nossos rostos, quando a porta se abriu giramos nossos corpos e fomos até a cama, caindo juntos com os lábios ainda colados.
- Nós não podemos. – Thomas separou seus lábios dos meus e eu concordei com a cabeça, sorrindo.
- Foi você quem me puxou. Por mim tudo bem. – dei de ombros tentando me fazer de indiferente e Thomas pareceu pensar.
- Você retribuiu.
- É, mas... – antes que eu conseguisse pensar em algo Thomas colou nossos lábios desesperadamente.
- Você fica muito atraente quando me contradiz.
- Vou lembrar disso no futuro. Viu, é você que não consegue tirar suas patas de cima de mim.
- Ah, jura? – deu um sorriso meigo e tentou se afastar, mas não resisti e o puxei de volta para mim. – A gente vai fazer isso de novo mesmo?
- Você quer parar? – perguntei ofegante e senti meu corpo latejar, ele nunca tinha ficado tão quente. Eu me sentia febril de um jeito totalmente bom.
- Eu não consigo parar. – nossas respirações se sincronizaram e apenas aquele mínimo acontecimento já foi sexy para caralho.
- Isso fica em segredo. Talvez seja a última vez? – questionei agarrando a gola de sua camiseta e sua boca desceu por meu pescoço. Meu corpo inteiro se arrepiou.
- Nós dois sabemos que não será a última vez. – Thomas respondeu se afastando pouquíssimo da minha pele e eu suspirei.
- É minha culpa, se não tivéssemos experimentado não saberíamos que é tão bom e então não repetiríamos. – expliquei minha teoria rapidamente e Thomas apenas balançou a cabeça, descendo em direção a minha clavícula e beijando a pele exposta me fazendo arquejar.
- Você realmente sente culpa por isso? – Thomas perguntou em um tom cínico como se me conhecesse, parando por um momento e me fazendo resmungar em protesto.
- Não... – revelei baixinho e suas mãos que estavam em minhas costas desceram para minha bunda, apertando firmemente a região. – Nem um pouco.
- Eu devo ser muito bom então. – se gabou voltando sua atenção aos beijos e eu ri, para o provocar.
- Você não é meu tipo, eu gosto de forte e bruto, lembra-se? – respondi em desafio e Thomas olhou para meus olhos com intensidade.
- Ah é? – quando eu abri minha boca para responder “sim”, suas mãos foram para minha camisa e puxaram dos dois lados contrários, rasgando o tecido da mesma e me levando a dar um gritinho de surpresa. – Shh, todos estão em casa.
- Você é realmente muito bom... – quando os beijos de Thomas voltaram e suas mãos foram parar em minhas costas nuas, eu apenas fechei os olhos tentando sentir o máximo da sensação e enrosquei meus dedos em seu cabelo desejando que aquilo não acabasse.
- Era tudo o que eu precisava ouvir. – sussurrou levando uma de suas mãos para dentro de minha calça e eu mordi o lábio, percebendo que estava muito excitada. – Eu te deixo assim?
- Você me deixa assim. – concordei agarrando seu pulso para que ele fosse mais fundo e abri os olhos a tempo de ver Thomas sentir prazer em me provocar.
- O que aconteceu com a nossa tentativa de amizade?
- Nós ainda podemos... – antes que eu terminasse minha frase, um dedo seu me adentrou e eu arquejei em surpresa.
- Podemos?...
- Nós podemos continuar transando, toda semana... – respondi reformulando minha frase e gemendo a cada vez que Thomas estimulava e fazia algo novo. – Todo dia! Ah, Thomas...
- Você gosta? – eu estava quase me desfazendo e Thomas pareceu perceber, então quando eu menos esperava, ele tirou suas mãos de mim e me impediu de gozar, dando um sorriso travesso. – Você não gosta de castigos?
- Thomas! – resmunguei com raiva e abri minha calça para terminar o que ele havia começado, mas suas mãos me pararam.
- Agora eu vou te fazer gozar tantas vezes, que você não vai conseguir sequer andar de tanto tremer. – disse olhando para meus olhos e eu quase gozei, só seu olhar e as palavras me fizeram estremecer.

P.O.V Gianniotti
19:41

Eu não via nem e nem Tom desde que havia subido com Harry, deviam estar trancados em seus respectivos quartos. Eu estava com fome e Nikki estava cozinhando, enquanto esperava, checava minhas redes sociais.
- Oi, meu amor, o que você está vendo? – apareceu na sala andando lentamente, de banho tomado e muito estranha.
- Você está feliz... O que aconteceu? – perguntei a fitando e ela fez biquinho.
- Não posso mais ficar feliz?
- Eu só perguntei. – levantei as mãos rindo e ela pulou no sofá.
- Estou leve. – disse fechando os olhos e eu franzi o cenho.
- Você fumou? – perguntei em um tom sério e ela gargalhou.
- Claro que não, . – respondeu como se isso fosse impossível e eu parei de insistir. Tom desceu as escadas de banho tomado também e não disse absolutamente nada, parecia que toda a intimidade que ele e tinham mostrado de dia, havia sumido.
- Boa noite. – cumprimentei estranhando seu silêncio e ele apenas acenou com a cabeça.
- Vocês dois estão extremamente estranhos e eu estou curiosa agora. – falei um pouco baixo e eles se olharam com cumplicidade.
- Ok, o que aconteceu foi que eu tive notícias do meu pai e ele está namorando. Eu estou muito feliz por ele. – pareceu verdadeira enquanto dizia, mas pareceu muito suspeito, então olhei para Tom esperando a sua explicação.
- Estou com dor de garganta, falar muito dói. – respondeu fazendo uma careta e eu assenti com a cabeça.
- É melhor que vocês não estejam mentindo pra mim. – respondi realmente desconfiada e bufou.
- Dê uma relaxada, Gianniotti.
- Com vocês eu nunca fico totalmente relaxada. – voltei meus olhos para o celular e riu.
- Aparentemente Harry não está fazendo um bom trabalho.
- Em que? – questionei confusa e ouvi uma risadinha de Tom.
- Em te satisfazer. – respondeu e eu revirei os olhos, batendo em seu braço.
- Ei!
- Não fale coisas desse tipo enquanto a Nikki está tão perto. – adverti e ela sorriu mais uma vez.
- Então longe dela, eu posso?
- Não, sua idiota. Não quero você falando da minha vida sexual. – fingiu surpresa e abriu a boca, me fazendo franzir o cenho.
- Meu Deus... Você tem uma vida sexual? Eu vou contar para Nikki. – respondeu se levantando e eu puxei a sua mão fazendo com que ela voltasse para onde estava. Tom riu olhando para ela e ela retribuiu o olhar.
- Vocês são dois palhaços. – suspirei desistindo e eles que tinham parado de rir, começaram de novo. – Quer saber? Vocês se merecem.
- Obrigada, marcamos nosso casamento para maio. – respondeu e eu me levantei do sofá, indo em direção a mesa.
- Antes que pergunte, eu não quero ser a madrinha. – respondi focando em meu celular.
- Eu não ia te chamar, ia chamar a Katherine. Ela gamou em Thomas, mas acho que supera por mim. – disse e eu olhei em sua direção, Tom arregalou os olhos com a revelação de .
- Ela o que? – perguntou parecendo perdido e eu ri me virando.
- Ela achou você gato. – explicou e eu só ouvi um grunhido de Tom.
- Me passa o número dela?
- Para de ser idiota. – negou rindo e eu sorri, eles pareciam mesmo um casal.
- O que? Ela é gata. – Tom respondeu parecendo querer rir e eu ouvi um estalo, presumindo que tinha batido nele. – Au!
- Não fale das minhas amigas desse jeito. – advertiu e eu olhei para os dois, sem aguentar a curiosidade. Tom sorria para enquanto ela se fingia de emburrada.
- Você sabe que só tenho olhos para você amor, estava brincando.
- Meu Deus, como isso faz tudo melhor! Era a única coisa que eu queria ouvir de você, Tom! – foi sarcástica enrolando o cabelo no dedo e eu ri baixo.
Nikki chegou com a comida e todos sentamos esperando Dom e os outros garotos para começar a comer, quando eles desceram comemos e eu fui lavar a louça.
- Oi. – Harry chegou abraçando minha cintura e encaixando sua cabeça em meu pescoço e meu coração acelerou pelo susto que levei.
- Não chegue assim em mim. Da próxima vez quebro um prato em sua cabeça. – respondi tentando brincar e Harry riu.
- Eu já disse que amo quando você é agressiva? – questionou e eu franzi o cenho.
- Não, e isso é muito estranho. Podemos estar lidando com um relacionamento abusivo aqui. – respondi terminando de lavar os pratos e comecei a passar o pano. Harry pegou outro pano e me ajudou.
- Sério?
- Você pode fazer tudo para mim? – pedi com preguiça e ele riu, negando com a cabeça.
- É verdade. Acho que estamos em um relacionamento abusivo. – Harry concordou e eu mostrei a língua.
- Não concorde comigo!
- Você é estranha, Gianniotti.
- Nós dois somos estranhos, Harry Holland. – toquei seu nariz com um pouco de água e recebi um beijo na bochecha.
- E isso é o que nos faz normais.
- E isso é o que nos faz normais. – repeti o que ele disse assentindo e sorrimos um para o outro.

P.O.V Hoffmann
21:18

Ir para o quarto e dormir era o que eu precisava, e era isso o que estava indo fazer até ser puxada por braços em direção a porta de um e me ver no quarto de Thomas novamente. Empurrei seus braços para que me soltassem e ele me olhou como se precisasse que conversássemos.
- O que você quer? – perguntei querendo evitar acabar na mesma situação de hoje à tarde e ele me olhou, parecendo tentar a mesma coisa.
- Precisamos parar. – respondeu e eu suspirei revirando os olhos.
- É, não brinca, Thomas! Eu sei. – falei com ironia e Thomas cruzou os braços.
- Por que não conseguimos parar?
- Porque estamos na idade em que os hormônios ainda estão à flor da pele.
- Parecemos animais.
- Isso é besteira, nós conseguimos nos controlar. Eu consigo me controlar. – afirmei tentando parecer convencida e Thomas sorriu chegando perto e me prendendo na porta.
- Eu não acredito nisso.
- Se quer que paremos, por que continua jogando os joguinhos? – perguntei franzindo o cenho e Thomas chegou ainda mais perto.
- Porque eu descobri o porquê de não conseguirmos parar.
- Ah é? Me explique, então. Não quero ouvir nenhuma baboseira de paixão e eu já sei que sou gostosa. – cruzei os braços impedindo seu corpo de pressionar o meu e quase gritei. É claro que eu queria aquilo.
- Nós continuamos dizendo e dizendo que não queremos que isso continue porque temos muito a perder, mas na verdade queremos justamente por isso, porque sabemos que vale a pena e sabemos que mesmo que isso dê errado... Nós vamos ter tirado proveito disso. E também sei que só te puxei aqui com a desculpa de conversar para te ver a sós. – explicou e eu respirei fundo parecendo ter tirado todo o peso de minhas costas. Thomas me entedia, Thomas era um garoto inteligente e entendia a situação.
- Então, vamos continuar? – perguntei engolindo em seco e ele inclinou a cabeça, sorrindo.
- Digamos que iremos tirar o máximo de proveito que conseguirmos.
- Você consegue ser extremamente bom com as palavras. – respondi o beijando com pressa e ele mordeu meu lábio se separando de mim por pouco tempo.
- Tire sua blusa. – disse como uma ordem e eu sorri.
- Vê o que digo? Extremamente bom com as palavras. – apontei e tirei minha blusa, voltando a beijar Thomas. – Tenho aula amanhã, precisamos ser rápidos.
- Seremos rápidos então. – me carregou e jogou na cama e eu arqueei em novas expectativas.

17/03/2016
Quinta-feira
13:47

P.O.V Hoffmann

Banhos... Banhos quentes são maravilhosos. Te fazem relaxar e te confortam, mas por que banhos quentes te fazem pensar sobre a vida tão profundamente? Eu me sentia tão culpada às vezes por estar transando com Thomas que pensava em acabar com tudo... Mas toda vez que estava com ele, minha mente esquecia daquele detalhe, e meu corpo só queria ele.
Hoje era Saint Patrick's Day, um feriado em que as pessoas inglesas saem na rua vestindo branco e verde, e caminham bloqueando tudo, muitas vezes bastante bêbados pelo que eu li. Eu não faria a caminhada, mas agradecia por ser feriado.
Saí do box me secando e me troquei, saindo do banheiro e do vapor quente, sentindo um pouco de frio. Esbarrei com Thomas no caminho de meu quarto e de repente meu corpo ficou quente por ver como ele estava, parecia ter acabado de chegar da academia.
- Bom dia. – cumprimentei passando a toalha pelos cabelos e Thomas parou.
- Bom dia. Planos para hoje? – questionou e eu decidi brincar um pouco.
- Não vou sair em um encontro com você. – Thomas riu desacreditado e me olhou com divertimento.
- Nem Saint Patrick's Day te daria tanta sorte a ponto de me fazer chamar você para um encontro. – respondeu confiante e eu abri minha boca em um “o”.
- Ouch. – ri apertando a toalha nas mãos e Thomas me acompanhou.
- Mas agora falando sério, tem algum plano? – perguntou novamente e eu mordi o lábio.
- Hoje o bar vai estar cheio, então sim. Tenho que cantar para um monte de bêbados na folga deles. – respondi e Thomas concordou com a cabeça.
- Coitadinha.
- Vou ganhar bastante por hoje.
- Vai usar verde e branco? – questionou e eu ri apontando para mim mesma.
- Eu fico horrível de verde.
- Coisa de garota. – Thomas disse e eu revirei os olhos.
- Não posso fazer nada se a cor não me favorece. – dei de ombros e Thomas balançou a cabeça.
- Vai cantar até que horas?
- Até às 21, tenho uma hora extra. – expliquei e Thomas cruzou os braços.
- Você entra às 16, certo?
- Certo. – concordei um pouco surpresa por ele se lembrar de meus horários e ele pareceu hesitar.
- Quer andar na caminhada antes de ir trabalhar? – convidou e eu franzi o nariz.
- Passo.
- E por que? – arqueou as sobrancelhas e eu dei de ombros.
- Não sou muito chegada a pessoas se esmagando na rua.
- Precisa entrar no espírito britânico! – encorajou e eu neguei com a cabeça.
- Estou na Inglaterra, dentro de uma família britânica, trabalhando em um estabelecimento inglês e ainda por cima transando com um britânico. Acho que já me enturmei até demais. – vi o rubor subir pelas bochechas de Thomas e quase sorri.
- Vamos na caminhada, fico te devendo uma. – pediu juntando as mãos e eu neguei com a cabeça.
- Thomas, preciso fazer meu trabalho da coreografia. – tentei encobrir e ele sorriu.
- Aquele que me pediu ajuda?
- Eu... Eu te pedi? Te pedi ajuda? – perguntei confusa e tentei me lembrar... Certo! Domingo.
- Pediu e eu aceitei te ajudar. Vamos na caminhada e então teremos mais inspiração, qual música você sorteou? – perguntou e eu ri com sua tentativa.
- Company, do Justin Bieber. – revelei e ele fez uma feição como se desse pro gasto.
- Podemos trabalhar com isso. – disse e eu cruzei os braços rindo.
- Não vou na caminhada com você, Thomas. Eu só te chamei ao meu resgate aquele dia porque estávamos quase transando no sofá, acho que até vai ser melhor se eu fizer a coreografia sozinha, você só vai me distrair e eu já não sou boa nisso. – expliquei e Thomas arqueou as sobrancelhas.
- Você dança bem.
- Não sou boa em criar coreografias, esqueço os passos na hora. Eu gosto mais de dançar na espontaneidade. – respondi e ele apontou.
- Viu, mais um motivo para aceitar minha ajuda.
- Não preciso que mate meus dragões, príncipe.
- Eu sempre soube que você é a princesa que mata seus próprios dragões. – Thomas disse em um tom sério e eu me perdi em algum ponto de seu rosto, seus olhos ou... Ou foi sua voz? Mas então o encanto se quebrou quando vi Harry na ponta da escada, andando em direção ao próprio quarto sem nem mesmo cumprimentar.
- Eu nem sei onde vou criar essa coreografia. – voltei ao assunto ainda pensando na frase de Thomas e ele sorriu.
- Eu tenho o lugar perfeito. Você só precisa aceitar minha ajuda. – fiz suspense por alguns segundos e então finalmente respondi:
- Eu aceito sua ajuda, mas é um trabalho sério. Não vou acabar na sua cama a menos que já tenhamos treinado muito e feito algum progresso. – apontei o dedo acusadoramente e Thomas levantou as mãos rindo.
- Como se eu a obrigasse. – comentou ironicamente e eu apontei ultrajada.
- Mas você é quem me ataca! – respondi e Thomas negou com a cabeça.
- Não ataco coisa nenhuma, eu só tomo a iniciativa! – rebateu quase rindo e eu sorri.
- Se é nisso que quer acreditar. – dei de ombros e ele revirou os olhos. – Tenho coisas a fazer.
- Por favor, vá na caminhada comigo. – pediu novamente segurando meu pulso e eu senti um arrepio, ele subiu pelas minhas costas e eu lutei para não me contorcer.
- Thomas... Não estou muito a fim. Vamos só ao bar e você me avalia cantando. – pedi de volta e ele deu de ombros, concordando.
- Eu tentei te enturmar na Inglaterra. – soltou meu pulso e eu ri.
- Muito obrigada. Só não babe na mesa quando assistir minha performance, eu adoro as pessoas que limpam o bar depois que ele fecha. – brinquei e ele mostrou o dedo do meio. – Grosseiro.
- Convencida. – mandei um beijinho por cima do ombro e andei em direção ao meu quarto.
Eu havia conseguido arrumar minha rotina, mas estava perdendo muito tempo com Thomas e isso me preocupava. Ele me divertia, é claro, mas só haviam jeitos de aquilo acabar mal, porque eventualmente nós nos enjoaríamos e então teríamos que voltar a tentar ser amigos. Mesmo se nos apaixonássemos, as coisas acabariam mal.
Eu não acredito que uma pessoa é capaz de se apaixonar pela mesma pessoa todo dia. Pra mim, você se apaixona e é isso, você fica com essa pessoa e o relacionamento se desgasta, e então você sai em procura de outra. Claro que eu acreditava no amor e na paixão, todos passam por isso, eu só não acreditava de que poderia ser muito duradouro.
Não me levem a mal, não sou uma pessoa amargurada e que quer morrer sozinha, mas eu já vi muitos dos casos para crer que é a realidade. Todos meus namorados, eu verdadeiramente acreditei que iriam durar para sempre, de que iríamos nos mudar para fora do país, eu iria decolar minha carreira como cantora e teríamos filhos que amaríamos com todo nosso coração.
Bom, Hans não queria filhos, Mia não queria se aventurar e Jacob não apoiava minha decisão de ser cantora. Talvez eu encontrasse alguém perfeito que quisesse todas as coisas que eu queria, mas provavelmente mesmo assim acabaria.
Eu talvez fosse muito pessimista com relacionamentos, e talvez por esse mesmo motivo não aproveitasse enquanto eles aconteciam. Eu pensava demais, me preocupava demais...

P.O.V Gianniotti
14:10

- Estou cansada, temos mesmo que ir nessa caminhada? – perguntei para Harry e ele concordou com a cabeça. – Mas nem mesmo a vai!
- não é minha namorada. – respondeu e eu mostrei a língua.
- Se você me obrigar a ir, nem eu vou continuar sendo. – tentei ser engraçadinha e Harry se fez de indiferente.
- Não estou te obrigando. – deu de ombros e eu dei um beijo em sua bochecha.
- Já que você vai, eu vou. – falei revirando os olhos e ele sorriu.
- Como você é generosa. – disse sarcástico e eu sorri também.
- Eu sei que sou. Thomas vai? – perguntei e estranhei no mesmo momento por chamá-lo assim.
- Thomas? – me olhou com o cenho franzido e eu ri concordando.
- A mania da pega. – dei de ombros e Harry deixou de lado.
- Acho que ele vai.
- Não foi ele quem teve a ideia?
- Sim, mas como a não vai ele ficou meio desanimado.
- O que está acontecendo entre os dois? Será que ele tá gostando da Hoffmann? – questionei com bastante suspeita e Harry deu de ombros.
- Pode ser, a é bem bonita. – respondeu e eu bati em seu braço. – Ei! O quê?
- Por que não namora a , então? – perguntei, mas algo interrompeu sua fala.
- Não estou disponível. – desceu as escadas e se intrometeu, mas eu olhei para Harry.
- Claro que a é bonita, mas eu quis você desde o momento em que entrou por aquela porta, . – explicou e eu fiquei mais calma.
- Meloso.
- Maluca. – retrucou e eu sorri, dando um selinho rápido nele.
- Nojento. – completou e eu arqueei as sobrancelhas.
- Você que está observando, creepy. – abri os braços e ela andou até a mesa.
- Estou apenas esperando Thomas, ele vai me ajudar com um projeto. – se sentou na cadeira e Harry me olhou.
- Aí está sua resposta, ele não vai mais.
- Ele talvez vá. – respondeu. Thomas desceu as escadas e perguntamos.
- Eu vou, podemos sair às 15. – propôs e eu fiz um gesto como se tanto fizesse. Então e Thomas sumiram juntos.
- Eles são muito estranhos.
- Deixe eles. – Harry disse e eu fiz uma careta.
- Não estou a fim. – brinquei e Harry mordeu meu pescoço de um jeito desengonçado me fazendo gritar. – Ei!
- Deixe eles. – repetiu e eu levantei as mãos.
- Ok, ok.

P.O.V Hoffmann
14:17

- Para onde exatamente estamos indo? – perguntei enquanto Thomas me guiava pela casa e ele disse sem se virar:
- Pro lugar onde eu treinava balé.
- Uou, sério? – perguntei sorrindo e ouvi um suspiro.
- Eu sei que só me zoa porque me ama.
- Aham, segure esse pensamento. – brinquei e ele parou de repente, me fazendo trombar com as suas costas. – Ouch. Sua mãe não te ensinou a não fazer isso?
- Por que ela ensinaria isso?
- Por, sei lá, talvez, boas maneiras? – perguntei sarcasticamente e ele me fez entrar na sala espaçosa e cheia de espelhos.
- Eu tenho boas maneiras, você que é desligada.
- Você literalmente parou de um segundo para o outro enquanto conversávamos. – Thomas sorriu e eu abri a boca. – Ah! Foi de propósito, não foi?
- Claro que não! – respondeu e foi até as barras, tocando-as.
- Nostálgico? – questionei zoando mais um pouco e ele se olhou no espelho.
- As coisas eram mais fáceis naquele tempo. – respondeu sério e eu suspirei.
- Da onde veio isso?
- Eu meio que esqueci que você não tem coração. – Thomas voltou para a brincadeira e eu ri.
- Isso foi insensível. – coloquei a mão sobre o peito e ele voltou seus olhos para aquele ponto.
- Só vejo carne. Você tem seios gigantes. – disse como se fossem realmente enormes e eu ri com a espontaneidade.
- Thomas!
- Estou falando sério! Seus seios são enormes, ainda mais quando você está sem roupa. – disse e eu franzi o cenho.
- Isso não faz sentido.
- Não é pra fazer. – deu de ombros ainda olhando e eu continuei sorrindo.
- Não tenho culpa se inglesas tem seios pequenos. – respondi e ele riu também.
- Isso não é sobre elas.
- Claro, eu sei que sou única, Thomas, não preciso que me lembre. – me gabei e ele concordou com a cabeça.
- Convencida.
- Você que apontou que tenho seios gigantes!
- Podemos parar de falar sobre isso? Está me deixando desconcentrado.
- Foi você que começou.
- E eu estou terminando. Está com seu celular aí? – questionou e eu o tirei do bolso, o entregando. Ele pegou uma caixinha de som e entregou o celular de volta para mim. – Ele tem senha.
- Claro que ele tem senha, eu não sou burra. – o desbloqueei e conectei com a caixinha, colocando a música que deveríamos ensaiar, sem dar o play.
- Já tem algum passo em mente? – questionou e eu neguei.
- Nenhum.
- Tem um exercício que acho que funcionaria. – respondeu sorrindo e eu franzi o cenho.
- O que?
- Coloque a música. – pediu e eu dei o play.
- E agora? – perguntei e ele me puxou para ficar de costas para ele. Estávamos de frente pro espelho.
- Feche os olhos. – pediu e eu os fechei, dando uma risadinha. Logo depois senti suas mãos em minha cintura e me arrepiei.
- O que você está fazendo? – questionei ainda estremecendo e ele chegou perto de meu ouvido.
- Pense agora no que se encaixaria na música. – instruiu e eu neguei com a cabeça.
- Tudo em que consigo pensar é em suas mãos no meu corpo. – falei baixinho e Thomas deu uma risadinha.
- É parte do exercício. Não pense em mim, pense na música, sinta a música.
- Você poderia tirar as mãos de mim.
- Não posso. Agora, sinta a música. – respirei profundamente e tentei apenas ouvir as batidas da música. Os passos vieram na minha mente e eu abri os olhos lentamente.
- Quero fazer da coreografia algo elaborado. Tente acompanhar. – falei e ele riu.
- Você conseguiu? – perguntou ainda com as mãos em mim e eu me afastei.
- Consegui. Agora pare de tentar flertar comigo. – avisei brincando e ele revirou os olhos.
- Era parte do exercício! – tentou se justificar e eu dei de ombros.
- Aceito qualquer sugestão de passo também.
- Volte a música, vamos ouvir.
- Você tem duas semanas? – perguntou quando a ouvimos inteira e eu concordei com a cabeça. – Acho que é o suficiente.
- Você teria um tempo pra ir comigo no curso e apresentar a coreografia? – pedi e ele deu de ombros.
- Acho que sim.
- Então vamos ao trabalho. – respondi e voltei a música novamente.

...
14:43

- Eu acho que já deu por hoje. Conseguimos pelo menos metade da coreografia. – respondi olhando para o horário e Thomas que estava ofegante, concordou.
- Mas você tem certeza que quer colocar a parte do giro? Eu quase te deixei cair. – apontou rindo e eu fiz uma careta.
- Se me deixar cair, eu nunca mais falo com você. – ameacei e ele riu, fazendo beicinho.
- Você não conseguiria.
- Você não vai ir na caminhada? – mudei de assunto e ele se levantou, parecendo se lembrar.
- Que horas são?
- 14:43. – respondi rindo com seu atraso e ele veio até mim, dando um beijo em minha bochecha e correndo para fora.

...
21:45

Meu caderno era apenas um enfeite para o qual eu olhava, não estava conseguindo escrever nada, nem sequer uma frase pequena. Parecia que algo estava pronto em minha cabeça, mas não conseguia sair para fora.
- Boa noite. – Thomas entrou no meu quarto e eu franzi o cenho, sem entender.
- Desde quando você entra no meu quarto sem sequer bater? – questionei bastante indignada e ele pulou na cama me fazendo resmungar.
- Desde quando transamos.
- Sim, mas fazemos isso no seu quarto. E não vamos transar agora.
- Não podemos conversar?
- Sobre o que quer conversar? – perguntei ainda olhando para o meu caderno.
- Não sei... – Thomas disse olhando para o teto e eu ri, dando um chute em sua perna.
- Se não tem conversa, então saía.
- Deixa eu ficar aqui, estou tão confortável. – afofou a cama e eu bufei.
- Ok, mas se dormir eu te jogo da cama.
- Não vou dormir.
- Está de banho tomado?
- Sim, senhora.
- Então tudo bem. – olhei desconfiada e ele riu.
- O que está fazendo?
- Não te interessa.
- E por que? – perguntou e logo depois pegou o caderno da minha mão e levantou no alto.
- Solte! São minhas letras. – aumentei o tom de voz e ele me devolveu, envergonhado.
- Me desculpe. Pensei que era uma carta de amor que você ia passar por debaixo da minha porta. – olhou convencido e eu rolei meus olhos.
- Substitua amor por ódio, e aí conversamos.
- Você sabe o que dizem... – respondeu provavelmente lembrando do ditado popular e eu ri.
- Não seja tão pretensioso.
- Não seja tão ignorante. – Thomas revidou e eu olhei em surpresa para ele.
- Está ousado.
- Estou me aproximando.
- Você está se acomodando, não se acomode. – avisei séria e ele fez biquinho.
- Não podemos ser amigos?
- Amizade colorida nunca dá certo. Você é um ator, nunca viu os filmes?
- Não é bem assim que fun...
- Justin Timberlake, Natalie Portman, Chris Evans, Lily Collins, Jake Gyllenhaal... – listei os nomes de atores e Thomas colocou a mão em minha boca para me fazer parar.
- Tá, eu entendi que você gosta de filmes sobre esse tema.
- Obrigada. – disse quando consegui tirar sua mão de minha boca, e continuei: – Gosto de filmes de romance.
- Você? – Thomas perguntou desacreditado e eu mostrei a língua em um gesto de infantilidade.
- Pare de agir como se soubesse dos meus gostos.
- Me desculpe, eu só não conhecia esse lado seu.
- Você não conhece nenhum lado meu. – respondi olhando de cima e Thomas se sentou, me olhando sério.
- Deixe-me tentar te conhecer.
- E por que tem esse interesse? – questionei mantendo o contato visual e ele deu de ombros.
- Simplesmente tenho.
- Vamos fazer uma promessa, então. Vamos nos conhecer melhor, mas temos que jurar que não vamos nos apaixonar um pelo outro. – falei séria e Thomas riu, mas enfatizei com um olhar.
- Não podemos jurar isso, sentimentos humanos não funcionam desse jeito.
- Vemos os sinais, avisamos um ao outro. Paramos de transar, fazemos de tudo para que isso não aconteça. Combinado? – propus com a mão estendida e Thomas cerrou os olhos.
- E o que teria de mal se deixássemos as coisas rolarem?
- Você está decolando com a sua carreira e eu estou começando a minha. Não precisamos de distrações, fora que eu acho improvável que nos apaixonemos ao mesmo tempo, então um de nós sairia machucado. – expliquei meu ponto de vista e ele bufou, cedendo e juntando sua mão com a sua.
- Vai responder qualquer coisa que eu perguntar?
- Claro que não, tenho meu espaço pessoal. – respondi e ele sorriu.
- E que comecem os jogos então.
- Você é muito estranho, já te disseram isso?
- Nunca. Você é uma caixinha de surpresas, Hoffmann. – puxou seu sotaque britânico e eu sorri com a fofura.
- Und du bist sehr süß, Thomas Holland. – respondi inclinando um pouco a cabeça e ele corou um pouco.
- Eu gosto quando você fala em alemão, mesmo que na maioria das vezes fique me perguntando se você me xingou ou algo do tipo. – disse e eu dei um sorriso genuíno.
- Eu sei que você ama minha voz, Thomas.
- Também gosto quando me chama de Thomas. – revelou e eu senti uma vontade enorme de beijar seus lábios.
- Pare de me cortejar, você é horrível nisso. – tentei cortar o momento e ele simplesmente riu baixinho, apontando.
- Se sou horrível nisso, por que você está corando? – tentou tocar minhas bochechas e eu bati em suas mãos.
- Para! – ri enquanto afastava suas mãos de meu rosto.
- E você com medo de eu me apaixonar por você. – brincou e eu fiz cara feia.
- Você é um cara sem vergonha.
- E você era um pimentão a alguns segundos atrás. – disse animadinho e eu voltei com minha postura fechada.
- Se você não fechar sua boca, a próxima coisa a sair dela vão ser seus dentes. – avisei séria e o sorriso dele se desfez, me deixando satisfeita.
- Que dia é seu aniversário?
- 23 de maio.
- Comida favorita?
- Não tenho uma, não sei como uma pessoa consegue escolher uma comida favorita.
- Alguém já partiu seu coração?
- Claro que já, eu tenho 19 anos. – respondi com um tom óbvio e ele sorriu.
- Tem trauma?
- Eu sinceramente acho que a dor é o preço que se paga por viver, viver mesmo e não só sobreviver. Posso ter cicatrizes, mas não vou me resguardar por causa delas, vou seguir em frente apesar delas, e vou aproveitar minha vida mesmo com todo o sofrimento que vier junto. – expliquei me sentindo confortável ao desabafar com Thomas. Pelos segundos seguintes, Thomas me olhou, e foi um dos olhares mais profundos que já recebi.
- Pra alguém da sua idade, você é madura. – pontuou e eu ri.
- Fala como se tivesse a idade de um idoso. Não fale de mim assim, eu sou mais velha que você. – bati em seu ombro e ele semicerrou os olhos.
- Como sabe a minha idade? – questionou e eu mordi o lábio, não sentindo mais tanta confiança.
- Eu posso ter pesquisado sobre você... Mas foi só para achar coisas embaraçosas! – expliquei quando recebi um olhar malicioso e ele riu baixinho.
- Não, , se estava se perguntando, eu não tenho um vídeo meu na internet fazendo coisas indecentes. – respondeu convencido e eu puxei seu colarinho.
- Como se eu não tivesse você aos meus pés para coisas indecentes, aqui mesmo. – falei perto de seu rosto e ele sorriu de lado.
- E quem disse que você tem? Eu tenho bastante auto controle. – cruzou os braços. Em um movimento um tanto ágil, consegui deitar seu corpo e montar o meu por cima, segurando seu tronco com minhas mãos pressionando a sua barriga, para que não levantasse.
- Então quer dizer que não consigo que faça coisas indecentes? – questionei e ele sorriu com a brincadeira, ainda consciente negou com a cabeça.
- Vai precisar de muito mais para que eu perca meu autocontrole. – fingiu pensar e eu sorri, beliscando sua barriga. – Ei!
- É mesmo? – ele concordou com um acenar de cabeça. Então tirei minha blusa e fiquei sem nada do tronco para cima, já que estava sem sutiã porque me incomodava à noite.
- Okay, isso é um pouco baixo. – tentou desviar o olhar e eu não me importei, abaixando o meu tronco e roçando os biquinhos dos meus seios contra a camiseta de Thomas. Então senti algo se endurecer por baixo de mim e sorri.
- Está bem?
- Eu... Eu, apenas... Não, não é como...
- Está distraído com algo, Thomas? – questionei sorrindo e ele fechou os olhos momentaneamente.
- Eu não consigo pensar em nada com você montada em cima de mim. – confessou frustrado e eu sorri, levando minhas mãos para dentro de sua camisa.
- Isso não faz de mim especial, você estaria assim com qualquer garota. – sussurrei em seu ouvido e mordi o lóbulo da sua orelha.
- Esse é o problema, eu não fico com qualquer garota. Você simplesmente me enlouquece. – colocou as mãos em minha cintura e eu as tirei, prendendo-as acima de sua cabeça.
- Isso é um pouco clichê. – meus seios já não encostavam mais em sua camiseta.
- Você não é nada clichê. É a mulher mais sexy que já conheci na vida. – pareceu ser sincero e eu me senti completamente lisonjeada, por isso cortei a conversa. Se Thomas continuasse daquele jeito, eu provavelmente esqueceria da minha promessa.
- Ok, a conversa acabou. – sai de cima dele e vesti minha blusa novamente.
- Hum... O que? – se sentou na cama, balançando a cabeça e eu sorri de lado.
- Vai pro seu quarto, antes que eu te chute. – respondi séria, mas logo rindo e ele suspirou.
- Você é louca? Não posso ir assim. – apontou para suas calças e eu revirei os olhos, estalando os dedos para que ele fosse rápido.
- Não sei por que homens fazem tanto caso sobre isso, não é como se fosse um outdoor. Se não ficarem olhando pra calça de vocês, ninguém repara. – tentei suavizar a situação e ele riu com cinismo.
- Incomoda, incomoda muito. Você não entende.
- Vai logo. – o apressei, rindo internamente e ele fez uma careta.
- Isso vai ter volta. – apontou, levantando e eu tremi as mãos.
- Estou com muito medo...



Continua...


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