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Última atualização: 06/08/2020

Capítulo 15

21/03/2016
Segunda-feira
13:25
P.O.V Hoffmann

Apoiei minha bolsa no joelho para pegar minhas chaves e abrir a porta, quando o fiz, avistei Thomas sentado no sofá, com flores nas mãos.
- Olá. – cumprimentei um pouco confusa e fechei a porta, guardando as chaves na bolsa. – Tem um encontro?
- Você tinha dito que nunca havia recebido flores então... Achei que seria legal. – me entregou o buquê de petúnias roxas e rosas, me deixando um pouco sem graça.
- Você ainda se lembra daquele dia?
- Claro, não era eu que estava bêbado.
- Bom, não importa, eu queria dizer em um romance. As flores não valem se forem de um cara no qual não estou interessada. – brinquei, escondendo meu rosto nas flores e ele colocou as mãos nos bolsos.
- Você é bem engraçadinha, não?
- Prefiro o termo sarcástica... É mais sofisticado.
- Você gosta, não é? Esse seu jeito despreocupado e sarcástico, acha que é legal?
- Me diga você, Thomas, você acha que é legal?
- Você é muito grosseira às vezes.
- Eu sou o que sou. – dei de ombros e ele suspirou.
- Sabia que petúnias são consideradas as flores da sabedoria e transformação? – neguei com a cabeça lentamente e ele continuou: – Oferecem força espiritual, esclarecem a mente, além de estimular coisas que encontram-se adormecidas. Também tem o poder de harmonizar ambientes e relacionamentos, e promove um despertar para o recomeço.
- Você pesquisou tudo isso? – questionei sorrindo e ele concordou com a cabeça.
- Achei a sua cara.
- Obrigada... Pelas flores. – agradeci um pouco confusa e respirei fundo. – Mas não faça algo assim de novo, ok? Temos um combinado.
- Eu sei, apenas queria fazer algo legal. — deu de ombros e eu beijei sua bochecha, agradecendo aos céus por não sentir meu coração palpitar. Eu ainda não estava mostrando sentimentos por Thomas.
- Vou subir. – me despedi, subindo as escadas e entrando em meu quarto.
P.O.V Gianniotti
15:52

- Ainda não estamos a salvo da conversa sobre nossos exes. – Harry sussurrou enquanto estávamos abraçados em sua cama e eu simplesmente ri.
- Não acho que eles possam afetar em alguma coisa.
- Nunca subestime a magia negra dos exes. – beijou minha bochecha e eu o dei um selinho.
- Eu tive apenas um namorado em minha vida, antes de você. O nome dele era Giovanni e ele era três anos mais velho, conheci ele em um parque e ficamos juntos por três longos anos. – resumi o olhando nos olhos e ele pareceu refletir.
- Você era feliz?
- No começo era, mas a relação se desgastou e ele me traiu. – respondi sem fazer muito caso e Harry me apertou com carinho. Decidi ocultar o fato de que Giovanni estava tentando me ligar fazia algum tempo já.
- Babaca. – sussurrou e eu sorri.
- Ele não me importa mais, faz tempo. Tudo o que me importa está aqui. – beijei seus lábios e ele me olhou com intensidade.
- Eu te amo. – manteve sua voz calma, mas senti seu batimento cardíaco acelerar. Pisquei rapidamente e senti um choque por meu corpo inteiro.
- O... O que? – tentei rir de nervoso e Harry repetiu:
- Eu te amo.
- Eu... – tentei raciocinar e ele sorriu.
- Não disse para você dizer também. Disse porquê é o que sinto. – revelou em um tom sincero e eu senti meu coração na garganta.
- Eu também te amo. – senti uma liberdade enorme em dizer aquilo e Harry apenas me beijou lentamente, como se dissesse que acreditava em mim.
- Estamos indo rápido demais? – Harry nos questionou e eu sorri.
- Eu realmente não sinto o tempo quando estou com você. Acho que não vale a pena esperar para dizer isso, eu te amo tanto que meu coração dói, Harry, eu te amo tanto que nem ligo para o pouco tempo que nos conhecemos. – revelei me sentindo extremamente feliz e ele riu, quase se emocionando também.
- Você não poderia me amar mais do que eu amo você, Gianniotti. – respondeu acariciando minha pele e eu não liguei pro fato de estarmos sendo extremamente melosos.
- O que vamos fazer quando eu tiver que voltar? – perguntei entrelaçando minha mão na sua e ele respirou fundo.
- Iremos dar um jeito. – respondeu e eu concordei com a cabeça.
- Vamos ignorar o jeito como Tom está olhando para ? – questionei sorrindo e Harry franziu o cenho.
- Como assim?
- Você não reparou? – adquiri um tom indignado e Harry começou a rir, revelando que estava brincando com a minha cara. – Idiota.
- Deixe que eles se resolvam. Tom pode estar começando a gostar da , mas ela não parece estar no mesmo ritmo. – deu de ombros e eu concordei.
- Tom é um cara legal, e é meu amigo. Não quero ver ele machucado e não quero que o clima fique estranho entre nós. – desabafei minha preocupação e Harry fez pouco caso.
- Não tem como ele estar gostando muito dela, nem mesmo a conhece de verdade. – me tranquilizou e eu bufei.
- Tem razão. Ela disse que apesar da aposta eles não se envolveram.
- Que aposta?
- Nenhuma.
- Que aposta?
- Esquece. – pedi e Harry começou a fazer cosquinhas em minha barriga. – Ei! Para! Harry!
- Que aposta? – mordeu de leve minha bochecha e eu neguei com a cabeça.
- Nenhuma, amor, para! – pedi mais uma vez e ele riu, continuando.
- Você me chamou de que?
- De amor. – repeti me contorcendo e ele parou.
- Só vou deixar passar dessa vez. – avisou e eu respirei fundo, bastante ofegante.
- Eu vou te matar... Quando eu recuperar meu fôlego. – sussurrei e ele pulou da cama, fugindo.
P.O.V Hoffmann
16:11

O corpo de Thomas sob o meu me aquecia, ele realmente fazia o inverno parecer agradável. Eu já conhecia toda a estrutura de seu corpo, cada mínimo detalhe... Ele tinha cicatrizes pequenas e algumas pintinhas, mas nenhuma tatuagem. Meu corpo já o conhecia bem também, mas mesmo assim isso não mudava o fato de que toda vez que nos tocávamos eu sentia uma eletricidade que me dava pequenos choques internos.
- Uma moeda por seus pensamentos. – Thomas sussurrou enquanto olhávamos para o teto e eu ri contra seu pescoço.
- Vai ter que fazer melhor que isso. – respondi arranhando de leve seu peito e ele estremeceu.
- Um oral serve? – tentou novamente abraçando minha cintura e eu arregalei os olhos.
- Eu criei um monstro! Não te reconheço mais.
- Acho que já passamos da fase da vergonha, não faça muito caso. – respondeu e eu franzi o cenho.
- Sempre posso fingir-me de boa moça.
- Não fica bem em você. – disse baixinho e eu mordi seu ombro.
- Ei!
- Está me chamando de má moça?
- Claro que não! Eu diria ousada... Um pouco louca, mas não má. – explicou e eu concordei com a cabeça.
- Assim está melhor. – deitei minha cabeça em seu ombro e ouvi sua respiração por algum tempo.
- Você tinha algum sonho quando era criança?
- Ser cantora. – apontei obviamente enquanto ele acariciava minha pele com o dedão. Senti minhas pernas arrepiarem, mas ignorei.
- Além de ser cantora... Algum?
- Eu sonhava em ser feliz. Falando a verdade, tudo o que eu queria no fundo mesmo era ser valorizada, queria que minha mãe gostasse de mim. – respondi sinceramente e Thomas demorou algum tempo para responder.
- Sua mãe não gostava de você? – perguntou cauteloso e eu sorri sem que ele pudesse ver... Um sorriso triste.
- Nunca soube muito bem qual era o sentimento da minha mãe em relação a mim, ela sempre foi muito bipolar, gritava comigo e me dizia que se arrependia de ter sido mãe, logo depois agia como se nada tivesse acontecido. – expliquei no clima do momento e Thomas me apertou com mais força.
- Você tinha quantos... Você tinha quantos anos?
- Seis anos, talvez sete. Geralmente ela fazia isso quando estava em abstinência, minha mãe tinha sérios problemas com drogas, mas só descobri isso um pouco mais velha.
- Deve ter sido horrível. – disse o que todos diziam e eu ri baixo.
- Eu genuinamente acreditava que era minha culpa, que eu não era uma filha boa. Ainda tenho medo de ficar igual ela. – revelei e Thomas levantou meu rosto para me olhar.
- Você era uma criança. Não tinha obrigação de ser boa em nada e não tinha pedido para nascer... Você é genuinamente maravilhosa, . É uma das pessoas mais talentosas que eu conheço e também é fiel às pessoas que ama, eu vejo como trata meus irmãos, e até meus pais. Não consigo imaginar você se culpando por erros da sua mãe, sendo que acredito que ainda sim você faria tudo por ela. – disse olhando para os meus olhos e eu deixei uma lágrima escapar, logo a limpando de meu rosto e me lembrando do tempo. Usando-o como uma desculpa.
- Estou atrasada! Meu Deus, o bar! – saí dos braços de Thomas, olhando o horário e colocando minha roupa.
- Você está tentando fugir de mim? – Thomas questionou colocando a camiseta e eu apenas abaixei a cabeça.
- Temos um combinado, Thomas. Fizemos uma promessa. – o lembrei e ele jogou a cabeça para trás.
- Está com tanto medo de se apaixonar por mim? – tentou fazer daquilo uma brincadeira e eu o olhei séria.
- Estou com medo de não poder corresponder os seus sentimentos. – respondi e ele também ficou sério.
- Não tenho sentimentos por você além de amizade.
- Não somos amigos.
- Eu pensei que...
- Não somos amigos, Thomas. – repeti mais uma vez e ele levantou depois de totalmente vestido. – Nós apenas transamos e moramos juntos.
- Você quer tanto que não nos envolvamos emocionalmente que tenta ser horrível comigo para que eu me afaste. – presumiu o que eu estava fazendo e eu cheguei perto dele, apontando o dedo para seu rosto.
- Não ouse presumir o que eu estou fazendo ou não, você não me conhece!
- Está brava porque eu te li direitinho. – tomou uma postura ereta e eu bufei.
- Odeio quando as pessoas acham que são psicólogas. Argh, você me irrita!
- Você me irrita mais! Só porque te elogiei acha que eu estou apaixonado? Consigo resistir a você, princesa! – pareceu ficar irritado também e apontou seu indicador para mim.
- É mesmo? Não pareceu quando perdeu a aposta! – revidei cruzando os braços e ele riu com ironia.
- Você entendeu o que eu quis dizer, não vou me apaixonar por você.
- Ótimo, porque esse é o nosso combinado! – abri os braços e percebi que nós dois terminávamos ofegantes. Depois de alguns segundos em silêncio, puxei a camiseta de Thomas com as mãos e aproximei meu rosto do dele colando nossos lábios desesperadamente.
Eu era claramente louca, mas toda aquela discussão trouxe uma tensão sexual enorme que eu não pude ignorar, eu realmente estava atrasada para o trabalho, então me afastei, virando de costas para Thomas.
- Eu não sei se procuro ajuda psicológica para você ou se arranco suas roupas. – Thomas brincou parecendo realmente confuso e eu sacudi a cabeça.
- Você precisa ir embora. – ordenei sem olhá-lo e ouvi uma risada fraca.
- Quem é que não consegue resistir agora? Hein? – perguntou retoricamente e eu o dei um tapa desengonçando de costas. – Ok, ok. Estou saindo.
- Vai logo. – pedi e antes que ele saísse, senti um tapa desferido em minha bunda. Inacreditável, Thomas e eu éramos inacreditáveis.
Gritei com a cabeça enfiada no travesseiro e me arrumei para sair, não queria me atrasar porque infelizmente já havia feito aquilo uma ou duas vezes. Quando saí pela porta, Thomas estava esperando e me assustei.
- Não nascemos colados. – desci a escada rapidamente e ele continuou me seguindo.
- Vou com você para o bar, preciso beber. – revelou e eu ri baixinho.
- Não pense que não vou contar para o seus pais. – apontei o dedo e ele me parou.
- Eles emprestaram o carro, eu vou te levar. – disse e eu franzi o cenho.
- Você tem licença para dirigir?
- Tenho. Obviamente. – respondeu e eu dei de ombros, o acompanhando.
- Tente não nos matar, por favor. – pedi, em partes aliviada porque iria chegar mais cedo. Entramos no carro e colocamos os cintos.
- Acho que precisamos conversar. – disse enquanto dava partida e eu neguei com a cabeça.
- Não. Não precisamos não. – respondi sorrindo forçadamente e ele continuou prestando atenção na rua.
- Vamos continuar dando uma de selvagens?
- Somos o que somos. – justifiquei e nós dois ficamos quietos por um tempo.
- Vai dar essa desculpa até quando? Se quiser, você pode me xingar e eu vou correndo para estacionar o carro e nós transamos aqui mesmo. – respondeu e eu ri cinicamente.
- Não é como se fosse tão preocupante. – será que era? Não. Ele estava exagerando.
- , transar com você é maravilhoso... Mas não irei arriscar minha saúde mental só por um orgasmo. – explicou e eu arqueei as sobrancelhas.
- O que podemos fazer? Podemos parar se você quiser.
- Isso não dará certo e você sabe, mas vamos tentar deixar as coisas mais simples. Que tal, avisos?
- Avisos?
- Sim, avisos. Você me beijou inesperadamente hoje, vamos tentar pedir ou avisar daqui pra frente. – virou em uma curva e eu me senti extremamente insana.
- Ok. Essa é a proposta mais bizarra que já ouvi em minha vida. – revelei e ele bufou como se eu não tivesse entendido.
- E não poder de jeito nenhum nutrir sentimentos enquanto transa com alguém, não é bizarro? – rebateu e eu cruzei os braços.
- Ora! Você quer discutir? – questionei e ele negou com a cabeça.
- Você pode facilitar para mim e aceitar o acordo? – perguntou e eu bufei.
- Ok, ok. Vamos tentar fazer do seu jeito. – dei de ombros e ele parou o carro no estacionamento do bar.
- Ótimo, porque eu quero te beijar. – se virou para mim, avisando. Eu apenas ri e cheguei perto de seu rosto, dando um beijo em sua bochecha e saindo do carro.
- Obrigada pela carona, Thomas! – exclamei de costas para ele, entrando no bar sorridente.
- Você chegou cedo. – Katherine que estava com os outros garotos, disse.
- Se eu tivesse chegado cedo, vocês não estariam me esperando. – me juntei a eles, indo até Simon que enlaçou seu braço em minha cintura, então mordi sua bochecha. Estava acostumada com aquele tipo de intimidade com ele.
- Que nojo! – Simon exclamou brincando e eu fiz biquinho, até que ele me deu um selinho, me fazendo arregalar os olhos. Até Liam e Katherine urraram.
- Uou! De onde veio isso? – Liam questionou batendo nas costas de Simon, e eu apenas apontei para o mesmo desacreditada.
- Cafajeste! – Katherine gritou rindo e eu bati em seu peito.
- Você já começou bebendo? – perguntei e de lado avistei Thomas, já com uma cerveja em mãos, nós observando. O chamei com a mão e ele se aproximou, confuso.
- Oi... – cumprimentou os demais e senti seus olhos no braço de Simon, o mesmo braço que me enlaçava. De alguma forma isso me deixou desconfortável então me desvencilhei dele e mexi no cabelo de Liam... Não queria que Thomas pensasse que eu e Simon éramos mais do que amigos.
- Então, Thomas... Você é daqui? – Katherine perguntou e eu automaticamente franzi o cenho pelo uso do nome inteiro dele. Somente eu o chamava daquele jeito.
- Sim, sou de Kingston-upon-Thames. – respondeu com um sorriso no rosto.
- Já viajou para fora do país? – Katherine parecia entusiasmada ao puxar assunto.
- Já, poucas vezes. Pretendo viajar mais. – revelou e eu olhei para ver se Thomas percebia que Kat estava dando em cima dele. Não me incomodava o flerte, mas era muito problemático se ela tentasse ficar com ele enquanto eu e ele estávamos envolvidos.
- Tem ideias?
- Atlanta, em breve precisarei viajar para Atlanta. – lembrei do porquê daquilo e tomei um passo à frente, impedindo Thomas de falar demais.
- E por que?
- Porque ele sempre quis conhecer Atlanta, então os pais cederam o dinheiro. – respondi por ele e ele me olhou com curiosidade.
- Como sabia disso? Andou pesquisando sobre mim? – Thomas entrou na brincadeira, tomando um gole de sua cerveja. Eu apenas ri querendo bater em seu rosto de feição convencida.
- Eu converso com seus pais, eles parecem gostar mais da minha companhia do que da sua. – alfinetei e o divertimento dele pareceu aumentar.
- Tenho certeza de que eles preferem alguém que não seja tão agressivo. – rebateu sorrindo.
- Não sou agressiva. – afirmei e ouvi uma risadinha baixa de Liam, desferindo um tapa em seu peito.
- Viu! É disso que estou falando. – Thomas apontou e eu mordi minha mão.
- Du bist zu langweilig... – sussurrei e ele franziu o cenho.
- Não nos xingue em alemão só por dizermos a verdade.
- O que foi? Pensei que gostasse de me ouvir falando alemão. – sorri maliciosamente e ele me deu uma beliscada na cintura. – Ei!
- Acho que estamos sobrando. – Simon sussurrou ao fundo, mas não liguei e dei uma beliscada no ombro de Thomas.
- Ou! – revidou novamente com outra beliscada em minha cintura, então dei uma em sua barriga e ele me agarrou por trás mordendo meu pescoço de um jeito desengonçado.
- Thomas! – gritei sentindo um pouco de dor e pisei em seu pé.
- Ouch! – me soltou segurando seu pé e eu comecei a rir junto a ele.
- Você é um estúpido. – falei colocando a mão em meu pescoço e ele segurou seu pé, revidando:
- Você que é muito agressiva.
- Foi você quem mordeu meu pescoço! – apontei mostrando e Katherine tocou em meu ombro.
- Odeio interromper o casal, mas precisamos subir no palco. – avisou e eu revirei os olhos.
- Ele bem que queria ter o privilégio.
- Eu seria morto no primeiro dia de namoro. – Thomas respondeu e eu mostrei a língua, recebendo o mesmo gesto de volta.
Arrumamos nossos instrumentos e ligamos o som, eu iria tocar guitarra e os garotos como sempre, Liam com o baixo, Kat com o teclado e Simon na bateria. Thomas estava já sentado e eu pisquei para ele antes de pegar o microfone.

[Recomendo que coloquem para tocar, Do You Wanna Touch Me, versão Glee.]

A bateria começou sozinha, enquanto eu começava falando com o pessoal do bar.
- Acho que todos conhecem essa, por favor cantem junto! – aumentei meu tom para que todos ouvissem e Thomas deu um sorrisinho. Entrei com a guitarra, assistindo todos baterem palmas de acordo com o ritmo, e Thomas ficar um pouco perdido.

We've been here too long/ Nós estamos aqui há muito tempo.
Tryin' to get along/ Tentando se dar bem.
Pretendin' that you're oh so shy/ Fingindo que você é tão tímido.

Apontei para Thomas no verso e o vi revirar os olhos.
I'm a natural ma'am/ Eu sou uma mulher natural.
Doin' all I can/ Fazendo tudo o que posso.
My temperature is runnin' high/ Minha temperatura está subindo.
Cry at night/ Chore à noite.
No one in sight/ Ninguém à vista.
An' we got so much to share/ E nós temos tanto para compartilhar.
Talking's fine/ Conversar é bom.
If you got the time/ Se você tiver o tempo.
But I ain't got the time to spare/ Mas eu não tenho o tempo para poupar.
Yeah!
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?


Todos gritaram “Yeah”, repetindo quando era preciso, até Thomas que levantou a mão em divertimento.

Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch me there, where/ Você quer me tocar lá? Aonde?
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch me there, where/ Você quer me tocar lá? Aonde?
There, Yeah!/ Lá, sim!


Enquanto tocava a guitarra, batia o pé no chão e balançava os ombros.

Yeah, oh yeah, oh yeah!

Todos cantaram levantando os braços e eu ri.

Every girl an' boy/ Toda garota e garoto.
Needs a little joy/ Precisa de um pouco de felicidade.
All you do is sit an' stare/ Tudo o que você faz é sentar e encarar.
Beggin' on my knees/ Estou te implorando de joelhos.
Baby, won't you please/ Amor, você poderia por favor...
Run your fingers through my hair/ Enrolar seus dedos em meus cabelos?


Tirei as mãos da guitarra por pequenos segundos, bagunçando meu cabelo e fazendo Thomas gargalhar.

My, my, my/ Meu, meu, meu.
Whiskey and rye/ Uísque e centeio.
Don't it make you feel so fine/ Isso não faz você se sentir bem?
Right or wrong/ Certo ou errado.
Don't it turn you on/ Isso não te excita?
Can't you see we're wastin' time, yeah/ Você não consegue ver que estamos perdendo tempo? Yeah!


Franzi o cenho como se realmente perguntasse.

Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch me there, where/ Você quer me tocar lá? Aonde?
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch (Yeah)/ Você quer tocar?
Do you wanna touch me there, where/ Você quer me tocar lá? Aonde?


Depois de algumas repetições, a música terminou e uma salva de palmas foi feita. Eu estava sem fôlego, e vi quando Thomas se levantou para bater palmas, entusiasmado e sorrindo.
Como sempre, nós tocamos mais algumas músicas e tivemos intervalos pequenos, todos esses intervalos Kat ia até Thomas e eles ficavam conversando, até que chegou a hora de ir embora e eles finalmente trocaram número de celulares.
- Já tivemos a conversa sobre proteção? – perguntei brincando quando eu e Thomas já estávamos sozinhos, entrando no carro.
- Pare com isso, não vou transar com a sua amiga.
- E por que não? Você pareceu bastante interessado nela hoje.
- Não vou me envolver com ela, estando com você.
- Não estamos juntos. – afirmei sorrindo e ele ligou o carro.
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- O que você quis dizer? – perguntei olhando para seu rosto.
- Você gosta tanto de quando as pessoas falam diretamente o que querem ou o que sentem... Ainda assim, você nunca expressa diretamente o que sente. – Thomas disse sorrindo e eu franzi o cenho.
- O que quer dizer com isso? – dessa vez questionei sem brincadeira e ele negou com a cabeça.
- Deixe para lá.
- Não vou deixar. – respondi e ele olhou para mim, quando paramos em um sinal vermelho.
- Eu finalmente estou começando a entender você, Hoffmann. – sorriu enigmaticamente e eu senti um calor subir para minhas bochechas, cortando o contato visual.
- Você é um estúpido. – sussurrei, sem muita coragem.
- Você pode usar seus charmes para me deixar desconcertado, mas quando eu toco em um ponto mais sério, você é quem se desconcerta. Você não tem mais poder aqui, eu quem estou no comando agora. – ele tinha razão, estávamos na área dele agora...
- Dê o seu melhor, Thomas, e eu darei o meu. – decidi que não me encolheria e isso o animou também.
- Você acha que conseguiremos cumprir nossas promessas?
- Ich hoffe es sehr, Thomas... – respondi na minha língua nativa e o silêncio pairou por alguns segundos.
- “Ich hoffe es”... – Thomas experimentou falar e eu arregalei os olhos, pela pronúncia boa da frase. – Você já me disse isso antes, no dia em que jogamos aquele jogo.
- Certamente. – concordei, surpresa por ele se lembrar.
- O que quer dizer? – questionou e eu sorri.
- Eu não tenho mais poder aqui, descubra por si só. – respondi dando de ombros e Thomas riu baixinho.
- Você é um pé no saco, Hoffmann.
- Es ist mir eine Freude, Ihnen etwas zu bedeuten, Thomas.
22/03/2016
Terça-feira
12:07
P.O.V Tom Holland

Paixões... Sentimentos perigosos, mas ainda assim, bastante comuns. É um simples efeito colateral da vida, o sentimento correspondido não é algo extremamente comum, mas acontece normalmente repetidas vezes antes de você encontrar a “pessoa certa”. Eu poderia afirmar com total certeza de que não estava me apaixonando por ? Não, e se eu afirmasse seria mentira.
Fiz uma promessa, mas como se cumpre uma promessa dessas? Somos humanos, não controlamos como e quando sentimos. O que eu deveria fazer? Dizer como me sinto e deixar as coisas estranhas? Continuar com o relacionamento e fingir? Eu não queria perder a conexão com , mas estaria sendo um escroto se mentisse daquele jeito.
O problema era que eu não tinha certeza... Meu coração palpitava toda vez que a via sorrir, me sentia feliz toda vez que ela dava risada, não me sentia bem com alguém daquele jeito havia algum tempo. Seria melhor guardar isso para mim por algum tempo, até ter certeza.
Não era só sexo, as conversas que tínhamos... Nós nos conhecemos de verdade e só tínhamos mais pela frente, eu adorava as manias dela mesmo que me irritassem, eu adorava que nós conseguíamos brincar com tudo. E quando ela olhou nos meus olhos e me contou sobre as coisas que havia passado, tudo o que eu quis fazer foi protegê-la da dor e do sofrimento, porque eu sabia que ela não merecia aquilo, mesmo sendo bastante irritante e grossa às vezes. Eu ainda não sabia por que ela estava se fechando para os sentimentos, mas não queria presumir nada, eu sabia o quanto ela odiava quando eu presumia coisas sobre ela.
Havíamos terminado de coreografar a música que ela tinha sorteado, sexta-feira eu iria com ela para o curso e apresentaria. A coreografia tinha ficado bastante legal em minha opinião, fez a maior parte do trabalho, mas também estava bastante orgulhoso de mim mesmo.
e estavam no curso, mas meus irmãos estavam como sempre vagabundando assistindo televisão.
- Quando vocês preguiçosos vão arrumar um emprego? – questionei enquanto sentava no sofá e Harry respondeu primeiro:
- Você sabe que trabalhávamos meio-período.
- Não precisamos trabalhar, você vai ficar rico e nos sustentar pelo resto dos dias. – Sam justificou e eu espremi meus lábios.
- Não conte com isso.
- Estamos planejando futuros projetos. – Harry tomou uma postura séria e eu concordei com a cabeça.
- Só estou enchendo o saco. – fiz pouco caso e eles continuaram prestando atenção na televisão, onde passava Dirty Dancing. – gosta desse filme.
- O que disse? – Sam perguntou e Harry me olhou estranho.
- Nada... Esquece. – respondi um pouco absorto e Harry continuou me olhando.
- Você tá, tipo, gostando da ? – Harry questionou sério e eu neguei com a cabeça, convincentemente.
- Não, somos amigos.
- Você está estranho, está sorrindo pelos cantos e prestando extrema atenção quando faz algo. Você pode nos contar, desde quando guardamos segredos? – Harry deu o sermão e eu suspirei.
- Desde quando você namora a , ela é próxima da .
- Você acabou de confessar. – Sam apontou e eu franzi o cenho.
- Não, não... Olha, eu não sei. – respondi dessa vez sinceramente e Sam e Harry concordaram com a cabeça.
- Eu te entendo. – Sam respirou profundamente em drama e eu arqueei as sobrancelhas.
- Você tá gostando dela?
- Não, mas consigo ver porque você gostaria.
- Como assim? O que quer dizer? – perguntei confuso e Harry deu uma risadinha.
- Ele está dizendo que você gosta do físico dela. – explicou e eu rapidamente neguei.
- Ela é muito mais do que o corpo dela, ela é engraçada e sabe como viver, mesmo que às vezes seja bastante imprudente.
- Você diz como se a conhecesse profundamente. – Sam semicerrou os olhos e eu dei uma risada falsa.
- Eu sou bastante observador.
- Na verdade, você não é, nem um pouco. – Harry respondeu e o telefone tocou, me salvando do assunto. Fui atender agradecendo aos céus.
- Residência dos Holland.
- Olá, estou ligando para falar com Hoffmann.
- Ela não está no momento, quer deixar recado?
- Meu nome é Charles Williams, sou representante do departamento de A&R da gravadora London Records. – por um momento pensei que era algum trote, mas ele sabia o nome de , então paralisei.
- Você... Você tem interesse nela?
- Estamos caçando novos talentos, conheci sua voz pela internet, me interessei e encontrei o bar onde ela trabalha. Assisti várias performances e realmente... Deixarei meu número, peça para que ela retorne por favor. – me informou o número que anotei e se despediu, então arregalei os olhos percebendo o quanto aquilo era incrível.
- Quem era? – Harry se levantou e eu sorri largo.
- Um representante de uma gravadora, ele está interessado em . – quase gritei e Sam também levantou.
- Está falando sério? – gritou também e eu concordei com a cabeça.
- Ela também vai ficar famosa! Os dois vão nos sustentar. – se virou para Harry e disse, me fazendo revirar os olhos.
- Ninguém vai sustentar vocês, a não ser se Paddy fique milionário e tenha pena. – respondi sorrindo e ele mostrou a língua.
- Não seja mal criado. – Harry advertiu e Sam deu um soco em seu braço.
P.O.V Hoffmann
14:51

Extremamente cansada era uma boa definição, o pior era que hoje eu teria que trabalhar e era ótimo pensar no dinheiro extra que eu estava ganhando, mas eu só queria dormir e eu já tinha faltado muitas vezes.
Thomas estava um pouco estranho, mas as coisas estavam ótimas entre nós, estávamos virando amigos e nunca dormíamos na mesma cama, quando fazíamos eu saía de fininho enquanto ele dormia. Algo um pouco imaturo talvez, já que eu particularmente não acreditava que dormir na mesma cama fizesse alguma diferença no que sentíamos um pelo outro, mesmo assim não queria dar esperanças.
Meu celular vibrou me assustando e eu atendi enquanto subia as escadas.
- Hallo? – atendi falando em alemão, eu não reconhecia o número mas o DDD era da Alemanha.
- Tochter! – a voz alta da minha mãe gritou e eu paralisei na escada.
- Katarina... – respondi tentando parecer entusiasmada e continuei o caminho até meu quarto.
- Como você está, minha filha? – questionou e eu demorei para achar sentido na pergunta.
- Eu pensei que você estivesse internada. – respondi sem pensar muito claramente e Katarina suspirou profundamente.
- Fui liberada e estou me sentindo nova. Tudo vai ser diferente dessa vez, gata, eu te prometo. – discursou e eu apertei meus olhos para não chorar.
- É o que você sempre diz. – respondi um pouco direta, tinha aprendido a ser assim com minha mãe... Desde os oito anos de idade.
- Não fale assim com a sua mãe.
- Você me pariu, Katarina, mas não tem o direito de usar essa frase, porque não esteve lá por mim quando precisei e isso é justamente o que uma mãe faz.
- Você só sabe reclamar, . Só pensa no que eu não fiz e não no que eu já sacrifiquei por você e por Charles.
- Não me compare com você! O que você já sacrificou por essa família?
- Você sabe que você e seu irmão ocuparam e tomaram toda minha vida depois do parto.
- Mas é claro que você tem que jogar a culpa nos seus filhos. Essa não cola.
- Eu tentei, já te disse que foi a depressão pós-parto que me fez voltar a ser usuário.
- Katarina! Você sempre foi e sempre será uma usuária de drogas, não pense que vou me culpar por seus deslizes!
- Não, filha, você tem razão. Me desculpe, eu sinto muito, dessa vez tudo será diferente...
- Sim, dessa vez não vou acreditar em você. – expliquei desligando e respirando profundamente. Por que tinha que ser sempre assim?
Me sentei no chão lentamente e senti como se meu peito tivesse se enchido de ar, como se meu corpo tivesse esquecido como se respirava ou como continuava a funcionar, eu parei para puxar o ar e tentei fazê-lo múltiplas vezes enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu me agarrava a cama tentando me lembrar de como voltava ao normal, toda vez que eu puxava o ar não funcionava e estava ficando cada vez mais alto. Eu não sabia o que era, se era um ataque de pânico ou outra coisa parecida, mas naquele momento só pensava se iria conseguir puxar o ar para meus pulmões novamente.
Coloquei a mão aberta entre meus seios com uma mão e bati em meu peito com desespero, sentindo um vazio assustador me devastar aos poucos... Enquanto meu corpo era barulhento porquê tentava recuperar meu fôlego, dentro de mim tudo estava amortecido pela dor.
A porta do meu quarto se abriu bruscamente e o som me assustou me fazendo ficar pior, não me virei, mas quando Thomas se sentou e tocou em mim pude vê-lo com o rosto bastante preocupado... Eu ainda respirava bem mal, então achei melhor não falar nada.
- O que aconteceu?! – perguntou como se eu pudesse respondê-lo e eu virei meu rosto para que ele não pudesse me olhar. – Olhe para mim... ... , olhe para mim. – com sua voz extremamente lenta, virei meu rosto.
- Conte até quatro, inspire e respire... – disse calmamente e eu continuei desesperada enquanto ele me mostrava o que queria que eu fizesse. – Por favor... Assim: Um... Dois... Três... Quatro.
Comecei a tentar fazer aquilo e consegui um pouco, tremendo e respirando lentamente enquanto Thomas respirava comigo. Depois de algum tempo consegui respirar em um ritmo constante e tudo o que fiz foi deixar que as lágrimas caíssem de meu rosto. Abracei Thomas pela cintura e apoiei minha cabeça em seu peito enquanto ele acariciava meus cabelos.
- O que aconteceu? – perguntou novamente e eu fechei os olhos, tremendo bastante.
- Eu realmente não quero falar sobre isso. – balancei a cabeça e Thomas me apertou com carinho.
- Vai ficar tudo bem, eu prometo que vou te ajudar. – disse de um jeito doce e eu me aconcheguei em seus braços.
Ficamos em silêncio por vários e vários minutos, mas senti pouco o tempo passar, Thomas recebeu uma ligação e então eu o mandei ir embora para resolver o que ele precisava resolver. Eu me sentia muito mal, mas teria que agradecer Thomas por ter me ajudado, era o certo a se fazer.
Fui até o quarto de depois de lavar o rosto e encontrei a mesma assistindo um filme em sua cama com Harry, fechei a porta e sentei na cama me aconchegando.
- O que vocês estão assistindo?
- Um Dia. – Harry respondeu e eu olhei para a tela, reconhecendo Anne Hathaway.
- Eu tenho esse livro, ela morre no final. – revelei logo recebendo os olhares indignados dos dois.
- ! – exclamaram ao mesmo tempo e eu me encolhi.
- Desculpa, desculpa.
- Você sempre faz isso, dá spoiler do final, fica colada na gente. Talvez você deveria dar um tempo. – Harry pareceu bastante chateado e eu levantei da cama também triste.
- Harry... – o repreendeu baixinho e eu neguei com a cabeça.
- Não, tudo bem. Me desculpe. – saí do quarto e voltei ao meu. Thomas estava deitado na cama, mas não reclamei, apenas deitei também e acomodei meu corpo ao lado do seu.
- Você realmente não quer falar sobre isso? – ele perguntou e eu o olhei tentando ficar calma.
- Tenho. Preciso me distrair. – olhei para o teto sabendo que não estava no clima para sexo.
- Que tal assistirmos um filme? – por um momento lembrei do que Harry disse, mas logo sorri.
- Que tal... How I Live Now? – ciente de que ele sabia da minha pesquisa sobre ele, sugeri o filme e ele riu de volta.
- Você tem certeza de que não está apaixonada por mim? – questionou e eu revirei os olhos exageradamente.
- Vamos ver, eu quero ver alguma performance sua! – respondi entusiasmada e ele concordou. Achamos o filme online já que não era tão recente e demos o play. O filme passou um pouco e Thomas apareceu na tela, bem diferente e mais novo.
- Meu Deus, como você era fofo! – não consegui segurar e Thomas não agradeceu.
- Eu tinha 16 anos. – revelou um pouco inseguro e eu arregalei os olhos não segurando a risada.
- Ok, ok. Não importa, você era muito fofo. – beijei sua bochecha logo prestando atenção no filme novamente. Ele foi passando e se tornando interessante, até que Isaac, o personagem de Thomas, foi morto.
- Você está chorando? – Thomas perguntou sorrindo e eu neguei com a cabeça indignada.
- Por que você morreu?! Thomas! – bati em seu peito fungando e ele deu uma risada baixa.
- Você percebe que é um personagem, não é? Não sou eu de verdade. – disse enquanto eu limpava meu rosto e eu virei birrenta.
- O Isaac era o personagem mais legal do filme. – admiti e ele agradeceu. Decidi mudar de assunto: – Você conheceu Saoirse Ronan, isso é impressionante.
- Ela é incrível, mas não somos tão próximos. – explicou e eu assenti.
- Você é muito chato pra ser amigo dela. – provoquei e ele tocou minha cintura de um jeito que me fez rir, então continuou para me punir.
- Eu sou chato? É mesmo? – perguntou enquanto eu me contorcia em seus braços e ria.
- Você é, insuportável. – falei dentre as risadas e ele parou passando o braço na minha cintura fazendo com que ficássemos meio abraçados. – Obrigada, Thomas...
- Pelo que? – questionou confuso e eu o olhei tentando me manter calma.
- Por me ajudar hoje e me fazer rir. Você tinha razão, não é mais só sexo, somos amigos. – sorri sinceramente e ele sorriu de volta, me deixando um pouco melhor apesar do dia que tive.
- Posso fazer uma pergunta? – disse sério e eu franzi o cenho.
- Pode. – assenti curiosa.
- Eu aparento ter quantos anos ali? – questionou mostrando que era brincadeira e eu me segurei para não rir.
- 13... Talvez 14. – dei de ombros e ele arqueou as sobrancelhas.
- Você ainda me acha fofo? – perguntou convencido e eu toquei a ponta de seu nariz com meu dedo.
- Você é fofo, Thomas Stanley. – admiti e ele sorriu comprovando o fato.
- Você também consegue ser. Quando deixa essa postura de bad girl. – explicou e eu semicerrei os olhos.
- Eu não tenho postura de “bad girl”. – fiz aspas com os dedos e ele riu.
- Claro que tem!
- Ok, talvez um pouco. Mas que menina não quer ser “bad girl”? Nos faz parecer poderosas e fortes. – revelei sorrindo e ele tirou uma mecha de cabelo que caía sobre meu rosto.
- Você não precisa disso para ser poderosa ou forte, nenhuma garota precisa. Você pode chorar assistindo Titanic e mesmo assim ser tudo isso. – deu de ombros e eu fiz biquinho diante de seu exemplo.
- Nunca gostei de Titanic. – estraguei o momento e Thomas fez uma careta engraçada.
- Eu deveria ter previsto essa.
- Que bom que já me conhece por inteira, Billy.
- Vai começar?
- Não, Isaac, não vou. – brinquei provocando e ele revirou os olhos.
- São papéis, eu sou extremamente profissional.
- Espere até seu papel como Peter Parker sair nas telinhas. Eu vou te encher tanto o saco... – prometi e ele suspirou.
- Você nunca dá um tempo.
- Nós meros mortais não temos tempo, meu caro Stanley. – dei um selinho rápido para melhorar seu humor e ele não mudou a expressão.
- Você tem uma obsessão estranha por apelidos. – observou e logo achou uma forma de me provocar também. – Hoffmann.
- Touché, Billy.
- Por que você não gosta quando eu falo seu sobrenome? – de repente perguntou sério e eu dei de ombros. – Eu pronuncio de forma errada?
- Não é isso, eu simplesmente acho muito arrogante o jeito como você diz. Como se eu fosse má ou algo assim.
- Mas você é um pouco má. – respondeu e eu ri batendo em seu ombro.
- Só com quem merece.
- Eu só gosto quando é má comigo quando estamos na cama. – revelou aéreo e eu franzi o cenho.
- Quem diria, você não parece o tipo de cara que tem fantasias sexuais desse tipo.
- Eu odeio quando você faz isso.
- O que?
- Eu sou mais que a minha fofura, sabia?
- É disso mesmo que estou falando! Quem fala a palavra “fofura” quando estamos conversando sobre fantasias sexuais?
- Eu sou único. – justificou dando de ombros e eu falei um pouco baixo:
- Se não fosse bom de cama, seria um caso perdido.
- Não diga isso! – riu apertando minhas bochechas e eu resmunguei.
- Billy! Isso não favorece meu rosto! – comecei a rir junto e ele soltou meu rosto.
- Você já fumou?
- Tipo o quê?
- Como maconha.
- Já. É bom, mas gosto muito dos meus neurônios para queimá-los. Talvez em ocasiões especiais.
- Eu nunca fumei nada.
- Sério?
- Sério.
- Isso não me surpreende na verdade, qualquer dia se achar maconha quero que me chame.
- Eu adoraria ficar chapado com você. – brincou dizendo de um jeito meloso e eu bufei.
- Provavelmente acabaríamos pelados. – refleti e Thomas deu uma risadinha.
- E o que tem de ruim nisso? – literalmente deu de ombros e eu ri. – Voltando a esse assunto, qual é a sua fantasia sexual? Nunca conversamos sobre isso.
- Dominar... Entre outras coisas, se eu te contar vai perder a graça e não poderei fazer com você. Quais são as suas?
- Encenar personagens, provavelmente é porquê eu sou um ator, e talvez isso seja bastante clichê e sem criatividade, mas particularmente acho a ideia bem sexy. – explicou e eu concordei com a cabeça.
- Já fez isso antes?
- Não.
- Entendo. – tentei não transparecer relevância para o assunto, mas pensei sobre.
- Qual foi o acidente mais grave que já sofreu? – Thomas de repente puxou o tópico e eu olhei para o teto para pensar.
- Eu era muito cuidadosa e tinha medo de vários esportes, me machuquei poucas vezes na vida. O mais grave talvez seja... Quando eu torci meu pescoço.
- Você torceu seu pescoço?
- Sim, eu tinha 8 ou 9 anos... Por aí. – presumi e Thomas fez uma feição como se aquilo fosse importante.
- Como aconteceu?
- Eu dei uma cambalhota em um sofá e meu pescoço deu mal jeito. – expliquei dando de ombros e Thomas pareceu querer gargalhar.
- Você está falando sério?
- Ei! Não haja como se fosse impossível, ok? Ele é um pouco zoado até hoje! – protestei batendo em seu peito e ele mostrou as mãos como se fosse inocente.
- Eu sei uma pergunta interessante! – se entusiasmou repentinamente e eu apenas franzi o cenho para que ele continuasse. – Que música você estava escutando no dia em que nos conhecemos?
- Ah... Você tinha que trazer isso à tona? – perguntei batendo em minha testa.
- Diga logo.
- Umbrella, da Rihanna.
- A música que te assombrará para sempre.
- Não pense que você é tão importante assim.
- Mas eu sou.
- Esquecerei dessa música em quatro meses, não se preocupe.
- Como você esqueceria de um rosto fofo como esse? – me fez olhar para seu rosto e eu fiz uma careta.
- Esses dias não dá nem para elogiar um cara que o ego dele já sobe até o céu.
- O céu não é o limite, Hoffmann. Nunca se esqueça.
- Você é louco.
- Por você.
- Ewww. – ri enquanto caçoava e ele também sorriu.
- Não me peça em casamento ainda.
- Você bem que queria, Billy.
- Acho que o apelido está começando a ficar sonoro para mim.
- Não! O ponto é te irritar!
- Será que tem coisa melhor do que não ser atingido por Hoffmann?
- Tem. – fingi pensar e subi em seu colo, ficando de frente para seu rosto. – Transar com Hoffmann.
- Mais um jogo de provocações? Isso está ficando velho. – não respondi e apenas me aproximei lentamente beijando seu pescoço sem pressa. – Não é melhor se trancarmos a porta?
- Seus pais não estão em casa e Sam saiu, Harry e estão assistindo um filme. – expliquei ainda próxima de seu pescoço e ele buscou meu rosto para me beijar. – Você quer experimentar coisas novas?
- Como o quê? – perguntou interessado e eu mordi meu lábio.
- Prazer, meu nome é Natalia. Qual é o seu? – construí o jogo lembrando de sua fantasia sexual e seu sorriso foi imediato.
- Meu nome é Dante, é realmente um prazer conhecê-la. – se arqueou em surpresa quando coloquei minhas mãos por baixo de sua camiseta e eu ri baixinho.
- Diga-me, Dante, com quantos anos você perdeu sua virgindade? – o ponto da fantasia era não sermos nós mesmos, então esperava que Thomas não respondesse a verdade.
- Eu sou virgem. – sorriu dizendo e eu quase ri acabando com a brincadeira. Beijei seu peito acariciando sua pele e ele colocou as mãos em minha cintura.
- Qual parte do meu corpo você gosta mais? – questionei me afastando um pouco para que ele olhasse.
- Tem tantas roupas no caminho que não consigo ver. – disse ameaçando tirar minha blusa e eu levantei os braços, um convite silencioso para que ele tirasse logo. Ele tirou minha blusa e minha camiseta, mas eu ainda estava de sutiã e calça moletom.
- Não acha que estamos indo rápido demais? – perguntei em brincadeira e ele concordou com a cabeça.
- Você tem razão. Você tem toda a razão.
- O que você faz da vida?
- Sou um artista, canto por bares e vivo a vida intensamente. – pendeu a cabeça pro lado e eu belisquei sua barriga. – Ai.
- Me desculpe, me distrai. – balancei um pouco sorrindo e ele devolveu o sorriso.
- O que você faz da vida, Natalia?
- Ah, eu atuo. – dei de ombros o provocando e ele mordeu meu pescoço de leve.
- Você bem que me parecia familiar.
- Não zombe da minha paixão e eu não zombarei da sua. – respondi afastando sua boca do meu pescoço e ele protestou, mas logo mudou sua feição. – O que foi?
- Meu Deus, eu quase me esqueci! – pareceu estar bravo com si mesmo e eu franzi o cenho.
- O que foi, Thomas? Pelo amor de Deus, diga algo que faça sentido.
- Um representante do departamento de... – pareceu esquecer a palavra e eu continuei prestando atenção. – A... A alguma coisa, ele ligou procurando por você.
- A&R? – perguntei surpresa e ele concordou com a cabeça freneticamente. – Tem certeza de que não era trote? Ele disse o nome da gravadora?
- London Records. – revelou e eu abri a boca em surpresa.
- Machst du Witze? Das ist unglaublich! – na hora da emoção falei em alemão e Thomas apenas sorriu.
- Ele deixou o número dele. – acrescentou e pelo impulso pulei em Thomas para abraçá-lo.
- Cadê? – me separei dele tremendo e pegamos o papel onde ele havia escrito o número. – Eu... Preciso ligar para ele, né?
- Sim. – disse sorrindo e eu peguei meu celular bastante ansiosa, discando o número e suspirando.
P.O.V Gianniotti
16:24

Só hoje haviam sido seis chamadas de Giovanni que eu tinha recusado, ele era insuportável mas minha mãe me proibia de bloqueá-lo e eu como boa idiota não o fazia. Minha mãe o amava e o motivo aparente era que ele era perfeito aos olhos dela, eu não tinha contado sobre a traição para ela, mas mesmo se contasse eu tinha quase certeza de que ela iria defendê-lo.
Se eu o bloqueasse minha mãe surtaria e se eu contasse para ela sobre as coisas que ele fez ela também surtaria, então achava melhor apenas continuar ignorando e seguindo com meu intercâmbio. Harry havia ido tomar banho e só por aquele motivo nos separamos, parecia que vivíamos 24 horas juntos desde que havíamos começado a namorar. Alguém da casa bateu na porta do meu quarto e eu apenas gritei para que entrasse, sem disposição para levantar e abrir a porta eu mesma.
- ! – entrou toda animada em meu quarto e eu esperei uma explicação.
- O que aconteceu?
- Eu tenho uma reunião marcada com um representante da London Records! Eu só sei a hora e o lugar e o dia, mas o que eu vou usar e o que eu vou dizer e ele avisou pros meninos da banda ou eu vou ter que avisar? Estou tão confusa, eu sonhava com isso, mas não pensava que ia acontecer tão cedo. Será que isso está mesmo acontecendo? Será que tudo vai dar certo? Eu sinceramente acho que alguma coisa está errada... – nunca havia visto falar tanto de uma vez e era aparente a felicidade dela, mas o nervosismo transbordava.
- Fique calma! Respire fundo. Tudo vai dar certo, , você é talentosa demais. – tentei a tranquilizar sorrindo e ela franziu o cenho.
- Sou talentosa para um bar, mas para uma gravadora? A London Records? – tentou parar suas mãos na perna mas logo desistiu, se mostrando muito ansiosa.
- Você é boa o suficiente para London Records, você já viu quantas pessoas menos talentosas que você já assinaram contratos com gravadoras enormes? Tudo depende do gosto para música de cada pessoa. Eu aposto que você pode ir longe. – expliquei e ela sorriu com nervosismo. – Sábado vamos no shopping e compraremos algo para você usar, ok?
- Ok... Eu tenho que mandar mensagem para os garotos. – pegou seu celular do bolso e eu concordei enquanto ela se sentava em minha cama.
- Tudo vai dar certo. – encorajei e ela assentiu com a cabeça.


Capítulo 16

23/03/2016
Quarta-feira

15:11
P.O.V Gianniotti

Cheguei em casa bastante animada, hoje o curso havia sido interessante e voltar pra casa era sempre bom porque eu sabia que veria Harry, quando abri a porta, Thomas e estavam sentados no sofá rindo mas não havia nenhum sinal de Harry, então ignorei e subi as escadas.
Andei o corredor para chegar até meu quarto, mas alguém me puxou pela cintura me assustando e fazendo meu coração quase pular para fora do peito, claramente era Harry.
- Seu filho da...! – quase pronunciei, mas impedi meu palavreado, não achando muita graça enquanto Harry gargalhava.
- Você fica tão engraçadinha quando se assusta. – explicou ainda rindo e eu respirei fundo olhando-o com ódio.
- Eu estava de costas para você.
- Quando vi seu pequeno espasmo sua careta veio a minha cabeça.
- Você é definitivamente estranho.
- Foi só uma brincadeira.
- Eu não gostei da brincadeira. – vi que ele olhava para o meu pescoço e franzi o cenho.
- Desculpa, dava para ver sua veia bombeando sangue. – disse com seu jeito Harry de ser e eu bufei me virando e voltando a fazer o caminho para meu quarto.
- Inacreditável, você é inacreditável. – proferi baixinho enquanto andava e Harry se colocou em minha frente.
- Me desculpa! – pediu logo se ajoelhando e eu o puxei um pouco menos estressada.
- Não quero que faça isso de novo. – respondi como se fosse a condição para que eu o perdoasse e ele assentiu, beijando minha bochecha.
- Eu sinto muito. Como foi seu dia? – mexeu em meu cabelo de um jeito carinhoso e eu pensei por onde começar.
- Ele foi... – antes que eu pudesse dizer “ótimo” meu celular tocou e eu o peguei do bolso para checar. Era uma mensagem: “Estou em Londres e quero conversar, sua mãe me deu o endereço, mas acho melhor que conversemos em um pub”.
- O que aconteceu? – Harry perguntou um pouco confuso e eu quase deixei meu celular cair no chão. Não era possível que ele havia viajado até aqui para me atormentar.
- Nada. – tentei voltar atrás, mas Harry me olhou como se eu tivesse falado que sereias existem. Eu não sabia porque não havia falado de uma vez, era sempre assim que começava um término, com mentiras. Mas eu abria a boca e não saia nada porque eu sabia que aquilo complicaria as coisas.
- Por que não me conta a verdade? – questionou e eu o olhei nos olhos guardando de volta o celular.
- Você confia em mim?
- , esse não é...
- Harry, você confia em mim?
- Confio, sabe que eu confio. – disse com um tom firme e eu segurei seu rosto com as minhas mãos.
- Não é nada sério, nem você e nem eu precisamos nos preocupar com isso. – respondi dando um selinho em seus lábios e ele assentiu com a cabeça.
- O que vamos fazer hoje? – mudou de assunto e eu dei de ombros.
- Que tal cinema? Nós nunca fomos. – sugeri e ele sorriu.
- É uma ótima ideia.
- Vou tomar um banho. – avisei indo para meu quarto e voltei a pegar o celular uma vez que estava sozinha. Pesquisei um pub perto e digitei, marcando para nos encontrarmos sexta-feira.
Talvez eu não devesse me surpreender por ele ter viajado até Londres, principalmente porque sua família era rica e por isso já havia vindo passar as férias aqui muitas vezes, ele não havia vindo por mim e sim pelo ego dele. Ele não odiava a ideia de ficar sem mim e sim a ideia de que eu havia fugido dele... Eu tinha impressão de que nosso relacionamento tinha acabado muito antes dele começar a me trair, mas isso não era desculpa pra Giovanni ter feito o que fez. No começo era como todo relacionamento e ele era ótimo, ele era atencioso, ele era engraçado e paciente, ele me elogiava todo dia e cuidava de mim, depois de dois anos isso mudou drasticamente e ele havia ficado ciumento e possessivo, não apoiava minha ideia de estudar artes e mesmo assim foi procurar um consolo me fazendo virar a chifruda. Agora eu estava com Harry, e mesmo se não estivesse era tarde demais para salvar meu relacionamento com Giovanni.
Andei no quarto de um lado pro outro pensando se realmente era uma boa ideia me encontrar com Giovanni e no final decidi que seria algo rápido e em respeito as nossas famílias, para que tudo ficasse claro e acabássemos com aquilo de uma vez.
P.O.V Hoffmann
15:40

- O que está lendo? – Thomas perguntou enquanto entrava em meu quarto e eu tentei não ficar brava por ele ter interrompido minha leitura.
- Não te interessa. – e falhei ao tentar.
- Um conto de fadas? – questionou olhando pra capa e eu desviei minha atenção do enredo, eu não conseguiria me concentrar com Thomas ali.
- Não é um conto de fadas, é bem mais complexo do que isso.
- Me conte sobre, então. – sentou na cama se aconchegando e eu voltei a olhar pro livro mesmo sem ler. Era literalmente a décima vez que eu lia o livro, o sabia de cor.
- Não posso, a essência do livro só é passada quando se lê.
- Eu não curto muito conto de fadas. – tentou me irritar se referindo a Corte de Espinhos e Rosas e eu sorri cinicamente.
- Thomas, no dia em que ler esse livro e ser digno de se interessar pela história, eu me caso com você. – respondi como se estivesse prestando atenção na leitura e Thomas demorou a responder...
- Isso me parece uma promessa quebrada.
- Nunca irá acontecer de qualquer forma. – ri o olhando e ele ficou um pouco estranho de repente. – Tenho uma surpresa pra você.
- O que? – franziu seu cenho e eu sorri largo sabendo que ele iria gostar.
- Irá descobrir hoje à noite.
- Envolve sexo? – questionou tentando parecer indiferente e eu fechei meu livro, o colocando na escrivaninha.
- Claro que envolve sexo. – pulei em seu colo tentando não ser bruta e enrosquei meus braços em volta de seu pescoço, mas mantendo uma certa distância para poder conversar com ele.
- Você já parou pra pensar que eu posso estar ficando cansado de sexo? – questionou enroscando seus braços em minha cintura e eu ri baixinho.
- Você está?
- Nem um pouco. – riu também, enterrando seu rosto em meus seios de um jeito delicado e eu senti cosquinhas. Ele não precisava abaixar a cabeça porque eu estava mais alta que ele pelo fato de estar em seu colo.
- A gente não pode agora. – tentei tirar seu rosto de meus seios e segurei com as duas mãos as laterais de seu rosto.
- E por que?
- Porque eu não estou afim de ser pega por seus irmãos ou por .
- É só trancar a porta. – propôs de um jeito manhoso e eu neguei com a cabeça.
- Agora não... Mas tem outras formas de nos divertirmos. – sugeri e ele arqueou as sobrancelhas.
- E quais são? – perguntou curioso e eu mordi meu lábio mexendo em seu cabelo.
- Vá trancar a porta e eu te conto. – instrui e ao invés de me tirar de cima de seu colo e ir trancar a porta, me levantou junto e a trancou, voltando a se sentar na cama comigo depois.
- Me diga. – apoiou suas mãos atrás do corpo e eu apenas apreciei a visão por alguns segundos, levei minha mão até sua virilha e acariciei assistindo Thomas fechar os olhos. – Você é inacreditável.
- Espero que de um jeito bom. – subi minha mão apenas um pouco para adentrar a calça e cueca de Thomas, então ele se arrepiou.
- Por que você demora tanto? – perguntou impaciente e eu toquei sua pele de um jeito delicado. – Meu Deus...
- Porque eu gosto de aproveitar. – dei de ombros fazendo movimentos de cima para baixo e ele começou a se endurecer em minha mão, enquanto a pele de Thomas ficava quente.
- Você é ótima nisso. – disse ainda de olhos fechados e com minha mão livre comecei a mexer em seu cabelo, fazendo carinho. Era algo que eu havia aprendido com Hans, mas pelo jeito que Thomas ficava vermelho eu podia confiar.
- Você fica muito sexy desse jeito. – sussurrei ficando um pouco excitada e percebi que nossas respirações estavam um pouco aceleradas, Thomas abriu os olhos e deixou de se apoiar na cama me puxando pra mais perto e me beijando. Suas mãos puxaram meu cabelo de um jeito gostoso e eu arfei.
- Por que não estamos transando mesmo? – perguntou ofegante e eu continuei brincando com seu pau.
- Para que você não faça muito barulho. – pontuei e ele balançou a cabeça a jogando para trás.
- Isso não faz o menor sentido. – disse quase não segurando um gemido e eu me esfreguei discretamente nas pernas de Thomas por conta da excitação.
- É uma questão de honra agora. – expliquei e ele me puxou possessivamente pela cintura.
- Você ama esses joguinhos, por que não pode simplesmente me deixar te foder? – beijou meu pescoço parecendo um pouco fora de seu jeito calmo e eu ri parando um pouco com os movimentos, apenas segurando.
- Olha o palavreado! – avisei brincando e Thomas me beijou novamente brincando com meus lábios.
- Se é o necessário para que você me ouça... – deu de ombros e no momento seguinte seu celular tocou, ele ignorou, mas eu tirei minha mão de sua calça.
- Atenda, pode ser importante. – sai de cima de seu corpo o empurrando levemente para que ele me soltasse e dei um sorriso para que ele agilizasse. Thomas caiu de costas na cama em um gesto dramático e eu apenas esperei levantada.
- Alô... – atendeu em um tom prolongado como se tivesse acabado de acordar e eu apenas prestei atenção. – Jon! Não, não estou ocupado.
- Jon Watts? – apenas movi meus lábios não emitindo som algum e Thomas concordou com a cabeça se sentando, prestando atenção no que o diretor renomado falava do outro lado da linha. Tive uma ideia um pouco louca, mas decidi seguir em frente, me ajoelhei no chão perto de onde Thomas estava sentado na cama e fiquei na altura de sua barriga... Ele me olhou confuso e eu abri sua calça, um pouco nervosa.
- Um momento... – ele pediu no telefone e silenciou, mas ainda assim falou baixo comigo. – O que pensa que está fazendo?
- É um fetiche meu, te compensarei mais tarde. Continue com a ligação. – expliquei e ele pareceu atordoado quando o tirei para fora da calça.
- Você ficou maluca? – questionou e eu coloquei minha boca nele para talvez convencê-lo. – ... Porra. Isso é bom.
- Fale com ele ou eu paro. – brinquei com as mãos colocando o máximo que conseguia na boca e o vi hesitar por instantes. Mas ele cedeu com uma careta e voltou a colocar o celular na orelha.
- Não... Me desculpe, Tessa quebrou um vaso e eu tive que dar um jeito. – inventou e eu sorri apertando com mais vontade. – Não eu... Ah, sim! Estranho? É porque estou entusiasmado.
Só assistir Thomas tendo que se conter enquanto eu fazia um boquete nele já melhorava meu dia, ele estava disposto a fazer coisas diferentes comigo apesar de que não era de seu feitio, eu adorava aquilo na nossa amizade colorida. Eu também adorava que ele estivesse quase revirando os olhos de prazer enquanto falava com Jon Watts, um dos meus diretores favoritos.
- Eu acho uma boa ideia... Sim! Ótima. – pareceu falar sobre meu desempenho no final da frase e eu ri baixinho enquanto ele segurava um palavrão. Comecei a ir mais rápido e ele agarrou o lençol com uma mão. – Puta merda!
Falou alto enquanto gozava e percebi que ele se enrolou na situação, limpei minha boca e levantei assistindo ele cair deitado na cama parecendo que tinha corrido uma maratona. Ele fechou sua calça rapidamente e passou o celular de uma orelha pra outra.
- Aconteceu algo aqui, eu sinto muito. Tenho que ir agora. – e desligou olhando para mim com os olhos arregalados. – Você quer que eu seja despedido?
- Eu sinto muito, mas quem topou foi você. – falei pulando na cama e olhando para seu rosto enquanto ele se tornava uma feição indignada.
- Eu sou um jovem cheio de testosterona, não faça isso e espere que eu pense claramente na hora. – pareceu estar extasiado pelo que tinha feito e eu o dei um selinho, tentando fazer ele me “perdoar”.
- Me desculpe, foi horrível para você? – questionei um pouco irônica e ele fechou os olhos momentaneamente.
- Foi um dos melhores orgasmos que já tive, mas estou me sentindo um tarado. – disse estranho e eu tentei me levantar, mas ele me puxou então deitei em cima dele.
- Você terá sua recompensa. – respondi sorrindo e ele chegou perto do meu ouvido para dizer:
- Não pense que estará no controle, eu vou transar com você em tantas posições diferentes que você vai gritar meu nome e se arrepender por ter me chamado de barulhento.
- Essa noite sou toda sua, deixarei você fazer o que quiser. – sussurrei de volta e seu corpo enrijeceu mas o meu pareceu ficar mole.
- Isso é insano. – disse baixo em um tom sem malícia.
- O que?
- Às vezes me sinto culpado, fazemos isso e meus pais não sabem, fazemos isso de baixo do teto deles. – explicou enquanto eu saia de cima de seu colo e eu fiz um biquinho.
- Eu também me sinto culpada, mas acho que isso não interfere muito na vida de seus pais, é só sexo. Quanto menos eles souberem é melhor, porque não significa nada. – dei de ombros e Thomas voltou a ficar estranho.
- Você tem razão. Eu preciso ir. – por um momento quase perguntei aonde ele iria, mas desisti.
- Ok, me deixe checar o corredor primeiro. – levantei abrindo um pouco da porta e olhando para os lados verificando se ninguém estava por perto. – Pode ir.
- Te vejo mais tarde. – se despediu e eu apenas balancei a cabeça em um gesto de afirmação.
Tinha muitos motivos suspeitos para ele ter ficado estranho daquele jeito, o mais aparente eu não iria presumir porque isso faria de mim convencida, eu não iria pensar naquilo a menos que ele deixasse claro. Thomas deveria achar que eu era uma daquelas meninas de clichê romântico: “não sou aberta ao amor porque meu coração foi quebrado.” Mas é claro que ele foi, que se foda corações quebrados, aquilo não me preocupava, eu era imprudente, mas não o bastante para não me tocar de que se aquilo desse errado não iria afetar apenas nós dois e sim toda a casa, fora o fato de que eu não gostava de Thomas daquele jeito porque se fosse para ser eu já teria começado a pensar nele daquela forma. Ele me fazia rir e era ótimo na cama, mas eu não conseguia me imaginar em um relacionamento de verdade com ele.
Eu nunca gostava das pessoas certas e Thomas era o certo, então como os dois estavam aproveitando o sexo eu deixaria dessa forma até que algo de ruim acontecesse, era mal planejado. mas era a verdade. Thomas havia prometido que diria se estivesse começando a desenvolver sentimentos então eu confiaria em sua palavra.
Daqui a pouco eu teria que sair para ir para o bar como todos os dias e a reunião estava marcada para o sábado então até lá seguiríamos trabalhando normalmente, todos estávamos muito ansiosos e Katherine estava pulando de alegria, “um passo para a fama” ela dizia.
- Preciso falar com você. – foi a primeira coisa que disse ao abrir a porta e eu bufei.
- Ninguém bate mais?
- É importante. – fechou a porta e sentou em minha cama.
- O que aconteceu? – perguntei chegando mais perto e ela pareceu repensar.
- Você lembra do Giovanni?
- O ex traíra? Sim, por que? – franzi o cenho e ela juntou as mãos em um gesto natural.
- Ele vem tentando entrar em contato comigo, faz algum tempo.
- Denuncie ele, isso é perseguição.
- É complicado. Vou me encontrar com ele sexta-feira. – disse um pouco envergonhada.
- E por que vai fazer isso? Ele é um babaca.
- Como eu disse, é complicado.
- Ok, por que veio aqui para me dizer isso?
- Você é minha amiga e eu quero sua opinião.
- Sobre o quê?
- Eu preciso contar isso pro Harry? – questionou como se realmente não soubesse e eu arqueei as sobrancelhas e não escondi minha surpresa.
- Que o seu ex está te perseguindo e que você vai se encontrar com ele? É, acho que um aviso seria bom. – não planejei que saísse muito ironicamente mas mesmo assim não me arrependi.
- Eu só vou fazer isso para que ele pare de me perturbar, não é grande coisa.
- , você realmente acredita no que está dizendo? É claro que é grande coisa, ele foi seu namorado por três anos e se você não quer contar para o seu namorado atual, isso te diz por si próprio que é algo importante.
- Só vou conversar com ele, se ele insistir eu o denuncio. – tentou dar de ombros mas seu rosto se contorceu em uma careta.
- Você veio aqui pra pedir minha opinião ou pra provar pra si mesma de que está fazendo a coisa certa?
- Eu não quero envolver Harry nisso, Giovanni é passado e eu não quero misturar as coisas.
- Harry já está envolvido porque ele é seu namorado. Relacionamentos exigem confiança e se ele descobrir isso sem você ter contado para ele, a falta de confiança vai abalar o namoro de vocês.
- Eu sei... Eu só não quero complicar as coisas.
- Isso pode parecer fácil agora, mas pode se tornar bem mais complicado do que se você simplesmente avisar para ele.
- Será só uma conversa, será que pode me apoiar? – questionou em um tom calmo e eu segurei sua mão.
- É claro que vou te apoiar, eu só quero que saiba que isso pode resultar em algo ruim.
- Vamos torcer para que não.
- Ok... Eu acho que acabei de ter uma ideia! – quase gritei pulando da cama e ficou confusa. – Letra nova, estava com um bloqueio.
- Quer dizer que minha desgraça te inspira? – questionou um pouco risonha tentando fazer piada e eu dei de ombros.
- Me desculpe...?
- Pelo menos essa situação beneficia alguma de nós, né?
- Eu também estava precisando de ideias pra programação da semana que vem. Você prefere Cry Me a River ou What Goes Around... Comes Around?
- Músicas sobre traições? Você também vai subir no palco e homenagear as músicas em nome de e Giovanni? – perguntou ironicamente e eu a olhei com os olhos arregalados.
- Isso é uma ótima ideia! – tentei fingir, concordando completamente e o sorriso de se desfez quando ela caiu na brincadeira.
- Não. ... Eu estava... – quando me viu rindo parou de falar e jogou meu travesseiro em mim.
- Foi uma piada!
- Sem graça alguma.
- Você que deu a ideia.
- Eu fui irônica, achei que fosse conhecesse o termo já que sempre o usa.
- Você está aprendendo, mas ele fica melhor em mim.
- Você é ruim, Hoffmann.
- Você nem imagina o quanto. – arqueei as sobrancelhas sorrindo e sorriu de volta.
- Eu preciso ir, vou sair com Harry. – se levantou e eu assenti.
- Pra onde?
- Cinema.
- Ah, eu fui com a banda semana passada.
- Custa caro?
- Não, nem tanto. Bom filme para vocês.
- Obrigada. – agradeceu e saiu do quarto, me deixando sozinha novamente.
Respirei profundamente me sentindo um pouco sobrecarregada e quando pensei em Thomas me senti mais aliviada, ele me deixava mais calma. Era um amigo muito bom para mim. Meu celular vibrou e com preguiça olhei para tela, era Simon, atendi me levantando da cama e falei primeiro.
- Alô.
- ! – parecia estar em um lugar barulhento, então falou alto para que eu escutasse.
- Eu mesma. – esperei ele chegar ao ponto e suspirei.
- Você pode vir pra cá um pouco mais cedo? Está uma loucura e Phil disse que se começarmos antes ele incluirá o tempo extra no salário.
- O que aconteceu? – perguntei confusa tentando ouvir a voz de Simon melhor.
- Parece que ele fez uma promoção e lotou, as pessoas estão pedindo pela vocalista de ouro. – disse de um jeito engraçado e eu tive certeza de que corei, eles estavam pedindo por mim?
- Ok, estou indo. Segurem as pontas até eu chegar. – coloquei um casaco grande e arrumei meu cabelo um pouco, percebendo que meu celular estava com pouca bateria, o que era uma droga.
- Como vamos segurar as pontas?
- Improvisem, Katherine e Liam tem vozes muito boas. – respondi descendo as escadas.
- Ok... Eu tenho que ir, tente vir o mais rápido possível. – Simon gritou uma última vez e nos despedimos. Trombei com Thomas na porta, mas tentei não prolongar.
- Estou atrasada, saia da frente. – tentei não soar grossa, mas ele franziu o cenho.
- Pensei que só saísse às cinco e meia.
- Aconteceu algo, stalker. – tentei passar e ele riu.
- Quer carona? – questionou e eu voltei os passos, pra onde ele estava.
- Sim!
- Peça educadamente. – exigiu e eu revirei os olhos, impaciente.
- Vamos, Thomas, estou atrasada. – exclamei e ele cruzou os braços.
- Estou esperando.
- Por favor, você pode me dar uma carona? – pedi de um jeito meio mal humorado e ele fingiu analisar.
- Não gostei da indisposição, tente novamente.
- Por favor, meu lindo e maravilhoso Thomas, se não for atrapalhar sua agenda será que você poderia me fornecer uma carona e o deleite da sua companhia? – pedi novamente e ele sorriu.
- Você poderia ter maneirado na falsidade, mas eu serei generoso dessa vez. – respondeu mostrando as chaves do carro e nós seguimos até o bar. Quando chegamos eram quatro e meia e o bar estava realmente lotado.
- O que aconteceu? – Thomas perguntou olhando para mim e eu dei de ombros.
- Você pode ir embora agora.
- Eu te trouxe até aqui, não tente me expulsar. – disse enquanto me seguia, eu ia de encontro aos meninos que desciam do palco para me cumprimentar.
- Usamos algumas músicas do repertório, teremos que improvisar para complementar o tempo. – Liam explicou a situação e eu assenti com a cabeça, pensando nas músicas que havia discutido com sobre.
- Eu tenho as músicas, vocês precisam acompanhar. – respondi e vi que Katherine estava de flerte com Thomas. – Você ouviu o que eu disse?
- Sim, nós conseguimos acompanhar. – fez pouco caso e eu concordei.
- Então vamos logo. – puxei Kat pela mão e não me despedi de Thomas. Eu provavelmente teria que contar para Kat que estava transando com Thomas, ela parecia começar a gostar dele e isso era um pouco ruim.
Improvisamos e seguramos até o tempo em que acabava o turno, incrivelmente eu não estava cansada porque sabia que quando chegasse em casa poderia me divertir com Thomas, mas estava bastante preocupada em como diria aquilo para Katherine, só sabia que diria logo, porquê do que adiantava adiar as coisas? Avistei Katherine se arrumando depois de dizer para Thomas esperar no carro, então a puxei pelo braço e fomos para o lado do palco.
- Preciso falar com você. – falei em um tom normal e ela assentiu.
- Pode falar.
- Você está gostando do Thomas? – questionei um pouco baixo e ela arqueou as sobrancelhas.
- Eu não o conheço direito, mas parece ser um cara legal. Por quê?
- Você pretende ter algo com ele?
- Bom... – pareceu hesitar e eu sorri, esperando.
- Do que está com medo? Pode me contar, Kat. – a tranquilizei e ela pareceu ficar mais leve.
- Ele é lindo e é meu tipo, mas sinceramente parece estar afim de você, . – explicou e eu dei uma risadinha.
- Katherine, coisas desse tipo vem e vão. Se está afim dele, chame ele para sair.
- Acho que você não entendeu... Ele parece estar gostando mesmo de você.
- Eu te garanto que não está. – droga. Como eu poderia garantir aquilo? Agora não poderia contar sobre estar transando com ele.
- Ok... Se você me encoraja, vou chamar ele para sair. – disse animada e eu dei um sorriso forçado.
- Só se vive uma vez. – dei de ombros deixando de lado a sensação horrível de estar mentindo para Katherine.
- Eu preciso ir, Simon vai me dar uma carona. Te vejo amanhã. – me deu um beijo na bochecha e eu retribui. Porra, eu tinha ferrado com tudo.
Andei meio mortificada até a parte de fora do bar e fui até o carro onde abri a porta e entrei me sentindo extremamente estranha, virei lentamente para Thomas e ele franziu o cenho.
- Quem morreu?
- Minha dignidade. – bati a mão na testa e Thomas riu baixinho.
- O que aconteceu?
- Eu ia contar sobre nós para Katherine, mas tudo foi por água a baixo.
- Existe um “nós”? – perguntou risonho e eu bati em seu ombro.
- Não estou para brincadeiras. Ia contar que estamos transando. – me corrigi e ele arqueou as sobrancelhas.
- E por que? Você não pode sair espalhando isso. – pareceu ficar sério e eu olhei para ele com descrença.
- Está falando sério?
- Claro que estou. Você gostaria que eu saísse falando para os meus amigos que estou transando com você?
- Ok, me desculpe. Mas não queria que você se envolvesse com a Kat sem que ela soubesse sobre nós.
- Porra... Quem você acha que eu sou? Acha que eu ficaria com ela enquanto transo com você? – enquanto ele parecia não ver nenhum sentido na situação, também reconsiderei.
- Mas, mesmo assim, achei melhor que ela soubesse, mesmo que você termine as coisas comigo para ter algo com ela, não é algo que se esconde da sua parceira.
- , você não transa sozinha. Poderia ter visto isso comigo antes.
- Isso não importa muito agora, eu não contei e ficou ainda mais complicado.
- O que você fez?
- Ela disse que você está apaixonado por mim e eu garanti para ela que você não estava, então não posso contar que estamos transando porquê pode passar a impressão errada.
- Por que estavam falando sobre meus sentimentos por você?
- Porque eu meio que encorajei ela a te chamar para sair... – abaixei meu tom e ele abriu a boca algumas vezes, mas pareceu repensar, parecia querer xingar bastante alto.
- Ok... Você passou dos limites agora. – olhou para frente e eu percebi de que tinha feito uma grande besteira.
- Me desculpe, eu pensei que você gostasse dela. Eu sinto muito Thomas. – pedi sinceramente e ele abaixou a cabeça decepcionado, isso doeu em mim profundamente, como se tudo o que eu fizesse era estragar as coisas.
- Você sinceramente pensa que se eu gostasse dela eu continuaria transando com você?
- Eu... Eu sinto muito. Fiz sem raciocinar direito.
- Agora eu vou ter que... Simplesmente esqueça, você fez o suficiente. – e então deu partida e não nos falamos o caminho inteiro, até mesmo quando chegamos em casa. Estávamos brigados e eu tinha consciência de que a culpa era completamente minha. Eu tinha conseguido estragar tudo.

25/03/2016
Sexta-feira

14:08
P.O.V Hoffmann

Thomas me ignorava. Mesmo que aquilo me incomodasse eu ainda estava em um ponto de vergonha, onde eu não tinha coragem de chegar nele para conversar cara a cara e pedir desculpas, tinha total consciência de meus atos, mas não sabia como me redimir.
- No que você tá pensando? – Paddy questionou enquanto meus dedos batucavam a mesa. Ele havia faltado, não tinha escola por conta de uma reunião.
- Nos meus trabalhos, e você? – perguntei de volta e ele tomou um lugar na mesa.
- Numa menina... – bufou como se fosse complicado e eu sorri apertando suas bochechas. Ele recuou.
- Já está nessa fase?
- Tenho 13 anos. – respondeu entediado e eu assenti, com aquela idade eu já havia dado meu primeiro beijo.
- Me conte... Como é essa menina?
- Ela é linda, tem cabelos pretos e olhos castanhos, amo quando ela sorri e quando ela fala, porque a voz dela é tão suave que me acalma. – gesticulou com as mãos e eu assenti.
- Você já falou com ela? São amigos?
- Não, ela é de outra sala.
- E por que não puxa conversa com ela?
- Porque não sei como puxar conversa com ela.
- Seja você mesmo, nunca fez amigos antes? – questionei risonha.
- É diferente.
- E por que tem que ser diferente? Pergunte o nome dela, na pior das hipóteses o nome dela será Célia ou Suelen.
- O nome dela é Poliana. – Paddy riu e eu fingi nojo.
- Sério? – brinquei e vi que ele gargalhou.
- O nome dela é Emily. – corrigiu e eu suspirei em falso alívio.
- Tente conhecê-la, se ela for chata, você supera. – dei de ombros o instruindo e ele concordou com a cabeça.
- Obrigada, , você sempre me ajuda. – me deu um beijo no rosto e eu sorri.
- É pra isso que irmãs mais velhas servem, espere só até eu chegar na parte de te irritar. – apertei sua bochecha de novo e ele bateu na minha mão. Ficamos conversando por um tempo até ele subir para fazer a lição de casa, eu subi também e então trombei com Thomas no corredor.
- Thomas... – sussurrei e ele passou sem falar nada, descendo. Bufei e entrei em meu quarto me jogando na cama.
Como eu era capaz de ferrar algo que nem mesmo era real, só sexo? Ele não havia falado com Katherine ainda, porque se tivesse ela teria me contado então eu estava inquieta, queria contar para ela, mas ao mesmo tempo não queria que ela soubesse, não era sério, eu não queria que se tornasse sério. Eu deveria saber que tudo se complicaria eventualmente, mas eu era jovem e todo jovem tem que ter sua experiência da tentativa falha de amizade colorida.
Peguei meu caderno e uma caneta, começando a escrever ideias de música. Afinal se meus problemas traziam boas músicas então não eram de todo mal, não é?
Amanhã era o dia, o dia do encontro com o representante de A&R, eu estava muito nervosa e ansiosa, o que era perfeitamente normal, mas não deixava de ser frustrante.
Naquele pequeno período de dois dias sendo ignorada por Thomas eu havia me sentido extremamente sozinha, porque de alguma forma ele tinha se tornado um amigo bastante íntimo.
Eu sentia falta do seu corpo contra o meu, mas mais que aquilo sentia falta de conversar com ele sobre o curso ou sobre como filmes eram feitos.
Pensar naquilo me levou a outro tópico, como eu seria sortuda se me apaixonasse por Thomas... Mas tinha quase certeza de que aquilo não aconteceria, porque Thomas me fazia rir, mas não me fazia pensar em um futuro. 17 de junho ele viajaria para Atlanta e passaria o restante do tempo do meu intercâmbio lá, para gravar o filme e decolar com a sua carreira.
Ouvi batidas na porta e me levantei, abrindo-a e franzindo o cenho para que Sam dissesse o que queria.
- Vamos assistir um filme. – convidou casualmente e eu me apoiei na porta.
- Qual filme? – questionei refletindo se valia a pena assistir com eles e Sam sorriu.
- Faz tempo que não fazemos coisas juntos, agora você vive trancada no quarto. – tentou me puxar pela mão e eu o parei. Era verdade, eu só conversava com às vezes e o resto do tempo estava com Thomas, recentemente não passava muito tempo com Harry ou Paddy ou Sam ou sequer Nikki e Dom. Se bem que com Tessa eu brincava todo dia.
- Qual o filme?
- A Era de Ultron. – respondeu e eu peguei meu celular na cama e andei com Sam até a sala.
- Não é que eu esteja evitando vocês, eu só estou bastante atarefada. – expliquei enquanto descíamos a escada e ele passou um braço por meus ombros.
- Está tudo bem, é que eu sinto falta de passar tempo com você. – explicou e eu beijei sua bochecha, estava feliz, mas meu sorriso se desfez quando chegamos na sala e eu avistei Thomas sentado com Harry e no sofá, para assistir ao filme.
Eu percebi que era uma armação quando Sam me fez sentar ao lado de Thomas enquanto ele se sentava do meu outro lado, ocupando a ponta do sofá. e Harry permaneciam abraçados na outra ponta e eu quase bufei com a situação, mas encostei minhas costas no sofá e tentei não ligar para o fato de que Thomas estava extremamente perto de mim e mesmo assim ainda tão distante, direcionando o olhar para mim poucas vezes, sem emoção nenhuma a não ser indiferença.
- Ninguém vai fazer pipoca? – questionou ainda enroscada com Harry e eu direcionei meu olhar para eles, levantando rapidamente para fugir daquela situação.
- Eu faço. – me voluntariei e antes de ir até a cozinha parei e me virei para eles. – Não comecem sem mim. – pedi me lembrando do dia em que assisti School Of Rock com Thomas, sem esperar para ver sua reação e indo em direção à cozinha. Fiz a pipoca e peguei uma Coca-Cola para tomarmos, além de alguns docinhos que achei nos armários.
- Vamos assistir logo porque esse filme tem duas horas de duração e eu preciso estar no bar às cinco. – me sentei deixando a comida na mesa e Sam deu o play. Ele colocou o braço em volta de mim então apoiei minha cabeça em seu ombro.
- Ok, agora imagine o quão legal seria ser chutado pela Viúva Negra. – Sam sussurrou para mim e eu ri baixinho.
- O quão doloroso seria, isso sim.
- E que tal ser censurado pelo Capitão América? – tentou de novo e eu arqueei as sobrancelhas sem que ele visse.
- Ela não gosta do Capitão América. – Thomas se intrometeu antes que eu pudesse falar, sem tirar os olhos da tela. Tive que processar aquilo por algum tempo, mas no final decidi não dizer nada, ele estava certo, eu não gostava do Capitão.
- Por que diabos você não gosta dele? – Sam questionou e eu dei de ombros.
- Todos acham que ele é perfeito, e ele até tenta, mas... Acho ele muito chato. – expliquei e pigarreou.
- Teremos uma longa conversa sobre isso mais tarde.
- Você pode tentar. – usei um tom indiferente e depois de algum tempo, minha personagem favorita apareceu.
- Agora imagine ser jogado escada a baixo pelo poder de Wanda Maximoff. – sussurrei para Sam e ele riu com gosto, me fazendo sorrir. O filme passou rápido e já estávamos no meio, sempre trocando comentários sobre o desenvolvimento da história, todos comentávamos sobre, mas ainda assim Thomas não se direcionava a mim diretamente.
- Só estou dizendo que ela é capaz de controlar a mente do Thor, então... Ela é mais poderosa que ele. – tentei explicar meu ponto para Harry e ele virou um pouco a cabeça como se meu argumento não fosse bom o bastante.
- Não exatamente, ela consegue controlar os céus? Ela não é digna. – respondeu e eu bufei.
- Se ela controlar a mente dele, ela vai ter controle sob os céus indiretamente.
- Mas por que você gosta dela? Ela é do mal. – Harry rebateu e eu quase ri com a sua tentativa de ganhar a discussão.
- Você já viu esse filme, ela não é do mal. Ela praticamente carrega esse filme nas costas e ajuda os Vingadores ganharem.
- Os Vingadores venceriam sem ela, quem foi importante para o filme foi o Visão. – Sam interrompeu e eu tirei minha cabeça do seu ombro, olhando-o como se ele fosse um traidor e tirando seu braço de cima de mim.
- Tecnicamente... Foi ela quem impediu o Ultron. – Thomas também deu sua opinião e eu quase gritei em agradecimento.
- Mas ela não teria conseguido sem o Visão. – também entrou na discussão.
- Se não fosse pela Wanda o Visão seria um fantoche do Ultron!
- Se fosse por ela, quando ela tentou impedir a criação do Visão, ele não teria nem “nascido” e eles não conseguiriam vencer o Ultron. – Sam disse, mas passou os braços por meus ombros novamente.
- Ela só tentou impedir porque pensou que ia dar na mesma merda que levou Ultron a existir.
- Ela estava errada. – Harry pontuou.
- No final correu tudo bem.
- Mesmo assim ela não foi a heroína.
- Você sabe que o que eu disse faz sentido, só não quer aceitar. – me virei para Harry e ele bufou, concordando. Assistimos o resto do filme e quando peguei em meu celular, pulei do sofá. Eu estava bastante atrasada.
- Eu preciso de uma carona! – elevei meu tom de voz e se levantou.
- Eu vou com você para o bar.
- Então eu dou a carona. – Harry disse e olhou para mim em pânico, provavelmente por causa do Giovanni.
- Quer saber, será que poderia ir sozinha? Tarde de garotas... Sabe como é. – tentei a livrar daquela e vi Harry ficar um pouco confuso. – Sam pode nos levar.
- Quanto vocês vão pagar? – Sam questionou já se levantando e eu bati em seu ombro.
- Vamos logo. – percebi que a roupa que estava no corpo era boa e apenas pegou um casaco e sua carteira, me agradecendo em um sussurro quando atravessarmos a porta.
- Vai fazer aquilo no bar? – perguntei em descrença e negou com a cabeça.
- Vou pegar um táxi quando chegarmos no bar. – explicou e eu semicerrei os olhos, torcendo para que ela entendesse a frase que desenhei em meus lábios enquanto Sam não olhava:
- O que vai dizer pro Sam?
- Sam. – o chamou e eu franzi o cenho. – Do bar eu preciso ir para outro lugar, vou fazer uma surpresa para Harry e ele não pode saber de nada. Então, lábios fechados.
- Espero que não seja nada sexual. – Sam respondeu e eu fiz uma careta de enjoo, então ele nos levou para o bar.
P.O.V Gianniotti
17:46

Logo ao entrar no bar avistei Giovanni sentado perto do balcão com um copo em mãos, Negroni pelo que pude ver não parecia entretê-lo muito bem. Sempre havia sido sua bebida favorita e eu a odiava, afinal eu odiava gin.
Andei até sua mesa e me sentei, reparando que ele estava bastante diferente. Seus cabelos loiros estavam maiores deixando-o com um ar mais jogado do que o Giovanni mauricinho que todos conheciam, sua pele estava mais clara e ele parecia cansado.
- ! – exclamou com ânimo, mas foi esperto o suficiente para não tentar me abraçar. Coloquei meu casaco na cadeira e me sentei.
- Giovanni. – rebati em um tom entediado e ele franziu o cenho.
- Como vai? Quer algo para beber? Vou pedir um Garibaldi, você sempre amou. – disparou e eu neguei com a cabeça, percebendo que antes eu estava nervosa para encontrá-lo, mas agora quando eu olhava para seu rosto, tudo o que eu sentia era pena.
- O que você quer comigo? Você chamou e eu vim, agora me diga o que quer. – era até estranho conversar em italiano.
- Não podemos beber algo antes? Em respeito aos velhos tempos?
- Me diga o que quer, Giovanni. – repeti tomando uma postura mais firme e antes de responder o mesmo tomou um gole da sua bebida.
- Quero você de volta.
- Você deve estar de brincadeira. – ri com escárnio e ele abaixou o olhar.
- Nós éramos felizes juntos, eu sei que pisei na bola, mas será que você não poderia me perdoar?
- Eu te perdoei, faz um tempo que perdoei. – seu olhar se encheu de esperança e eu balancei a cabeça. – Mas isso não muda o fato de que nosso relacionamento acabou.
- Me dê uma chance, eu te amo, , por favor.
- Eu estou namorando. – revelei sem hesitação e sua postura se tornou mais rígida.
- Bom... Isso não demorou, não é? – seu tom saiu carregado em ironia e eu arqueei as sobrancelhas.
- Você realmente acha que eu deveria ter esperado por você? Ficado na pior por meses por sua escolha de jogar nosso relacionamento no lixo por uma ficada qualquer? – questionei retoricamente e ele finalmente me olhou nos olhos.
- Nós namoramos por três anos, três anos e isso não foi o suficiente para que você se abrisse comigo. – eu sabia a que ele se referia com “abrir”, então tudo aquilo era sobre eu não ter aberto minhas pernas.
- Você é inacreditável! Eu respeito que você não quisesse esperar meu tempo, mas se esse era o problema, por que simplesmente não terminou?
- Porque eu te amava... – pareceu acreditar naquilo e logo corrigiu: – Eu te amo.
- Eu acho que você não entende o que amor significa. Eu te perdoo, Giovanni, mas nosso relacionamento não tem mais salvação.
- Seu namorado sabe que está aqui? – perguntou como se ainda tivesse esperança e eu revirei os olhos, pronta para mentir.
- Isso não é da sua conta, mas sim, ele sabe.
- E não liga?
- Isso não importa, porque quando eu sair por aquela porta, não tenho mais nada a ver com você. Então se era isso o que queria conversar, eu espero que seja muito feliz. – me levantei pegando meu casaco e sua mão agarrou meu antebraço de forma nada delicada.
- Eu acho que é melhor que se sente.
- Me solte. – rosnei enquanto seu aperto ainda era firme e ele apenas continuou sério.
- Não crie uma cena e sente-se, tenho algo a dizer. – instruiu e eu puxei meu braço, voltando a me sentar. – Acho que a minha proposta pode te interessar.
- De voltar com você? Eu passo.
- Sabe o que vai acontecer se você negar? – pareceu estar falando sério e eu me encolhi um pouco.
- Você está me assustando.
- Se você não voltar comigo, a polícia vai receber um depoimento bastante detalhado sobre um caso em aberto. – continuou e meu coração pulou uma batida.
- Você está me chantageando?
- Você não me deu escolha. – deu de ombros e eu o olhei incrédula.
- Eu fiz aquilo por você! – quase gritei e ele sorriu se divertindo.
- Não acho que a polícia ligue muito para isso.
- Você enlouqueceu. É um doente! – respondi ainda em choque e ele apenas continuou sorrindo.
- O que vai ser? Acha que seu namorado irá viajar até a Itália para visitar você na prisão?
- Como eu pude namorar alguém assim?
- Pra te mostrar um ato de boa fé, você pode terminar seu intercâmbio. Mas vai terminar com seu namorado ainda hoje e depois que o intercâmbio terminar vai voltar para a Itália, para mim. – estabeleceu e eu ofeguei, franzindo o cenho.
- Você acha que pode controlar o que eu faço, assim?
- Essa é a vantagem de uma chantagem. O que vai ser?
- Eu não vou te obedecer. – respondi ultrajada.
- Então acho que escolheu a prisão. – se levantou e meu coração parou, não era possível, eu iria ser presa pelo que fiz anos atrás? Me levantei e o segurei pelo braço.
- Eu farei o que você pediu. – meu tom soou baixo, mas ele deu um sorriso mostrando sua compreensão.
- Isso é ótimo! – me deu um selinho e eu me segurei para não fazer uma careta, estava a um ponto de chorar. Quando ele foi embora me decidi, decidi que iria voltar para casa e dar um jeito. Eu não poderia simplesmente voltar com Giovanni.
P.O.V Hoffmann
22:11

Depois de terminar meu turno, acabei exausta. Tudo no que pensei foi em ir para casa com Sam e cair na cama, mas algo me parou e eu acabei puxando Katherine para conversar de novo.
- Quero te perguntar algo. – revelei um pouco nervosa, bastante confusa sobre o que estava fazendo.
- Sinto que vamos sussurrar pelos cantos com bastante frequência agora. – caçoou das ocasiões anteriores e logo depois sorriu, numa tentativa de me tranquilizar. – Pergunte.
- Você falou com Thomas?
- Ainda não, por que?
- Eu posso ter ocultado algo de você, sobre Thomas. – prendi o lábio entre os dentes e Kat pareceu preocupada.
- Você gosta dele? Porque se sim, eu não vou tentar nada, eu nunca faria algo se...
- Não, Kat, não é assim. Não gosto de Thomas desse jeito, mas nós ficamos às vezes. – tentei ser direta a cortando e ela pareceu querer rir. – O quê?
- Quer dizer que fica com ele, mas vocês não sentem nada um pelo o outro? – repassou como se não tivesse ouvido direito e eu concordei com a cabeça.
- Parece ridículo falando assim eu sei, mas não sentimos vontade de namorar.
- É um relacionamento aberto?
- Não é um relacionamento, é sexo. É uma amizade colorida. – o ruim de tudo aquilo era que eu só havia percebido que Thomas era meu amigo no exato momento em que ele havia desistido de ser meu amigo.
- Bom, você é bem grandinha para tomar suas próprias decisões. Porém, não vou chamar Thomas para sair.
- Olha eu sei que é estranho, mas nem eu e nem ele gostaríamos que isso afetasse em outras partes da nossa vida, então se você gosta dele, chame ele para sair. Nós podemos parar. – eu só queria sua amizade de volta, mesmo que sentisse falta do sexo eu conseguiria viver sem.
- Me desculpe, mas eu realmente não pretendo me envolver em algo assim, você é minha amiga e parece gostar do que tem com ele, ele mesmo parece gostar bastante de você.
- Ele não gosta de mim! – protestei contra seu argumento e ela cruzou os braços.
- Você tem certeza?
- Não, mas ele prometeu me dizer. Prometemos que não iríamos envolver sentimentos assim na relação.
- Isso não funciona. Você acabou de se ouvir, ? Você acabou de chamar de “relação”.
- Erro meu, eu não sei explicar o que temos. – reformulei e ela pareceu desistir de discutir.
- Ok, você que sabe. Não me leve a mal, Thomas é bonitinho, mas perdi o interesse. – levantou as mãos e eu desconfiei por um momento mas deixei para lá.
- Estamos bem?
- Nunca estivemos mal, ! Agora... Como é o sexo? – questionou sem vergonha alguma e eu tentei não me abalar por lembrar de que talvez nunca mais tivesse oportunidade de experimentar novamente.
- Estamos meio que brigados.
- Por quê?
- Não importa. O sexo é incrível, sério, você está perdendo não chamando ele para sair. – percebi que parecia um homem falando sobre sexo com os amigos e parei abruptamente, a igualdade que eu tanto apoiava requeria que eu parasse, não é? Se bem que eu não me incomodava se meus parceiros casuais falavam ou não sobre meu desempenho no sexo, a questão era se Thomas se incomodava.
- Ele parece tão inocente. Quantas vezes vocês já fizeram? – perguntou mais uma vez como se fosse normal e eu ri baixinho, minhas amigas da Alemanha raramente perguntavam sobre meus casos ou sobre minha vida sexual. Eu não contava no dedo quantas vezes transávamos, mas se eu contasse pelo dia desde que começamos, sem contar realmente as vezes...
- 11 vezes, talvez mais. – quando saiu pela minha boca pareceu extremamente estranho colocar uma numeração naquilo e não pude evitar franzir o cenho.
- Faz quanto tempo que estão nessa amizade colorida?
- Parece que fazem eras, mas só duas semanas.
- Então é fresco.
- É... E já conseguimos nos desentender.
- Pelo menos vocês aproveitaram. – deu de ombros parecendo tentar se decidir se me confortava ou se não era tão importante e eu concordei com a cabeça lembrando do que Thomas havia dito quando começamos aquilo: “Digamos que iremos tirar o máximo de proveito que conseguirmos”.
- É, pelo menos isso. – fiquei um pouco aérea e ela se despediu. Sam e eu fomos para casa juntos.
- Vocês foram incríveis hoje. – Sam elogiou e eu sorri sinceramente.
- Você já deve estar cansado de dizer isso, já assistiu nossa apresentação tantas vezes.
- Vocês são incríveis todas as vezes, cada apresentação. Acho que vai ser difícil me enjoar de assistir vocês. – pareceu um comentário genuíno então dou um beijo na bochecha de Sam.
Subi decidindo que iria dormir para ter boas horas de sono e acordar renovada para a reunião de amanhã, mas meu corpo parou abruptamente quando vi a porta do quarto de Thomas... Dois dias eram o suficiente de espaço? Eu me sentia pronta para pedir perdão, mesmo que aquilo não melhorasse as coisas. Então com as mãos suando fui até sua porta e refleti mais um pouco, batendo na porta e esperando.
- Não, Harry, eu não vou – sua voz repentinamente enfraqueceu quando percebeu que era eu parada em sua porta e não Harry. – O que foi?
- Será que podemos conversar? – tentei levar minha voz a um tom calmo e frágil para facilitar as coisas, mas Thomas pareceu perceber e franziu o cenho.
- Não tenho o que conversar com você. – sua decisão era firme, mas me confundiu, eu nunca imaginaria que ele conseguiria ser tão frio. Mesmo que eu tivesse praticamente pedido.
- Por favor, eu vou ser rápida. – eu pareci mais sincera naquele momento, mais eu. Então ele checou o corredor antes que me deixasse entrar no quarto.
- O que você quer? – sua voz saiu áspera e eu apertei as mãos, sentindo um leve tremor.
- Quero me desculpar. Tudo isso é novo pra mim também, nunca fiquei com alguém sem compromisso... Pelo menos nunca por opção minha, eu sempre fui alguém que queria romance e os garotos nunca queriam a mesma coisa, é a primeira vez que é minha escolha. – tentei explicar e Thomas pareceu esperar que eu continuasse mas ainda assim estava impaciente.
- Você veio para dizer que eu fui o único que não é digno de compromisso? Que nem consegue pensar em um romance comigo? – pareceu mais confuso do que abalado e eu balancei as mãos para descartar essa possibilidade.
- Você é especial, é por isso que não consigo pensar em um romance com você. Você virou meu amigo e não consigo pensar em nós entrando em um relacionamento para depois estragarmos nossa amizade. – reformulei e ele perdeu um pouco a postura grosseira.
- Foi você quem disse que amizades coloridas não davam certo.
- Sim, mas eu não consigo negar minha atração por você. Parece loucura, eu acho que se nós dois nos empenharmos para parar nós conseguiremos, mas é tão bom que eu quero tentar.
- Temos que ter regras, você não pode sair fofocando para suas amigas. – usou o exemplo do motivo da nossa briga e eu assenti.
- Eu concordo. Me desculpe, eu realmente fiz sem pensar. – esperei sua resposta e Thomas balançou a cabeça levemente, como se estivesse com um pé atrás mas me perdoasse.
- Primeira regra: não nos apaixonar. Mas quais são as medidas contra isso?
- Quando qualquer sentimento mesmo que irrelevante aparecer temos que comunicar o outro, então nos afastamos ou dizemos algum defeito sobre nós mesmos para suavizar. – sugeri e ele concordou.
- Segunda regra: avisos. Você já sabe dessa, não é tão essencial, mas pode evitar brigas.
- Terceira regra: sem cobranças. – coloquei na lista.
- Quarta regra: sem criar expectativas. Temos que ser claros e fora isso não podemos esperar mais nada. – aquela seria difícil de seguir, mas era uma regra então assenti.
- Quinta regra: não precisamos saber sobre a vida sexual do outro fora disso, mas precisamos sempre nos manter seguros e usar camisinha. – me lembrei daquele detalhe e Thomas estendeu a mão para mim, juntei minha mão a sua e balançamos.
- É um acordo. – Thomas concretou.
- É um acordo. – respondi sorrindo e Thomas me puxou pela cintura, suspirando e parecendo aliviado.
- Senti saudades. – levou seus lábios aos meus e deslizou sua boca lentamente pela minha, involuntariamente me fazendo soltar um gemido.
- Foram só dois dias. – tentei não transparecer que também estava desesperada e Thomas deixou passar, me beijando novamente.
Sua mão segurando meu rosto e a outra firme em minha cintura me deu a alta credibilidade de que eu não dormiria cedo naquela noite, nem se eu quisesse. Senti falta das suas carícias e do jeito atencioso que ele mordia meu pescoço, céus, senti falta de suas mãos que brincavam com meus seios, mas principalmente senti falta da sensação leve que era saber que no dia seguinte eu poderia conversar com Thomas sobre a reunião e ele me tranquilizaria.


Capítulo 17

26/03/2016
Sábado

10:45
P.O.V Hoffmann

Estávamos esperando para irmos até o shopping, era hoje o dia em que talvez tudo mudasse para a banda.
Toda a família tinha decidido ir já que era sábado então almoçaríamos lá, até Harrison tinha se juntado a nós, afirmando que Thomas estava muito ocupado e tinha abandonado ele. Mal sabia ele porque o amigo dele estava ocupado.
Eu havia pesquisado sobre o homem que iria nos encontrar hoje às seis em ponto, no mesmo dia em que ele propôs eu tentei achar o máximo de informações possíveis sobre ele. O currículo dele era extremamente impressionante, produtor, empresário e agente, foi ele quem produziu vários dos álbuns da Lily Allen e até alguns do The Rolling Stones.
Eu já tinha contatado uma advogada da minha família caso precisasse para revisar um possível contrato, mas não sabia o que aconteceria, não tinha a mínima ideia de como as coisas iam andar. Então os meninos tinham feito o mesmo, nós tínhamos combinado de fazer a reunião na casa do Simon e ele era o integrante que mais estava surtando, com medo de que nós decolássemos e ele ficasse pra trás, Liam era quem tranquilizava ele e Kat estava bastante confiante. Talvez eu fosse a que ainda estava em choque, processando tudo.
- Eu soube sobre a gravadora, parabéns. – Harrison parabenizou e eu sorri.
- Ainda não sei no que vai dar, então não me parabenize ainda. – respondi percebendo que Harrison se aproximava mais de mim, por conta de que Harry o empurrava pra ele ter mais espaço no sofá.
- Todos temos certeza de que vai dar tudo certo. – disse dando de ombros e eu mexi no meu cabelo, sentindo-o particularmente macio hoje.
- Vocês todos estão enchendo muito minha bola, se alguma coisa der errado eu ponho na conta de vocês. – ele me olhou com diversão e eu arqueei as sobrancelhas.
- Esse pensamento é bem fatalista.
- Claro. A lei de Murphy não é brincadeira.
- Como você conecta uma doutrina sobre o destino com a teoria de um engenheiro aeroespacial?
- Você acha que Murphy não era fatalista? A lei dele aponta que se tem a mínima probabilidade de algo de errado acontecer, acontecerá. Isso leva a acreditar que se algo dá certo, deu certo porque era o único jeito, como se tudo o que fazemos só pudesse acabar de um jeito. – expliquei gesticulando e ele deu uma risada baixa me deixando com um pouco de vergonha.
- É assim que você ganha o coração dos garotos, Hoffmann? Porque agora estou interessado em ouvir você falar sobre as suas teorias baseadas em outras leis. – seu apelo pela brincadeira foi aparente mas sua voz realmente ficou mais sensual e eu pisquei, ele era lindo e parecia estar flertando comigo, o problema era que não tinha jeito daquilo acontecer.
- Vai sonhando. – retruquei e avistei descendo a escada.
- Aleluia! – eu, Sam e Harrison gritamos ao mesmo tempo e ela mostrou a língua para nós enquanto Nikki dava risada.
- Você demorou todo esse tempo pra vestir uma camiseta do Nirvana? Que vergonha. – me levantei tentando mostrar decepção em meu rosto e dessa vez quem riu foram Thomas e Harrison, provavelmente Thomas tinha contado pra ele sobre nossa primeira conversa civilizada.
- Não venha me dar sermão sobre camisetas de banda. – apontou o dedo em minha direção e eu abri os braços indignada.
- Você tem alguma objeção sobre meu gosto musical?
- Ramones, . Você vai virar uma cantora de sucesso, não pode ser vista com uma camiseta do Ramones. – disse e eu abri minha boca em surpresa, colocando as mãos na cintura.
- Não fale mal de Ramones! “I Wanna Be Sedated” foi a primeira música que eu aprendi a tocar. – fiquei um pouco emburrada e num humor incrível balançou o corpo antes de cantar:
- “I don't wanna be buried in a Pet Sematary...” – pausou dramaticamente entre as palavras tentando imitar a música e mexendo as mãos ridiculamente. Eu apenas bufei enquanto Dom olhava pra mim com divertimento, eu sabia o que ele iria fazer então neguei com a cabeça.
- “I don't want to live my life again, I don't wanna be buried in a Pet Sematary...” – cantou junto com e eu tampei os ouvidos, mas mesmo que abafasse o som, ainda podia ver as feições debochadas, até que todos menos Paddy zombaram:
- “I DON’T WANT TO LIVE MY LIFE AGAIN” – finalizaram e eu tirei minhas mãos de cima dos ouvidos assistindo todo mundo rir, inclusive Paddy que só não tinha cantado porque não sabia a letra.
- Vocês são todos idiotas. – esclareci e Paddy veio me abraçar.
- Vamos? – ele apressou e nós fomos divididos em dois carros, um era o de Nikki e Dom e o outro de Harrison. Paddy, Dom, Nikki, Harry e . Eu, Sam, Thomas e Harrison.
- Você consegue dirigir? – questionei zombando de Harrison e vi a careta que Thomas fez.
- Nunca entre no carro dele sem um testamento pronto. – disse enquanto colocava o cinto. Eu e Sam estávamos na parte de trás, Harrison dirigindo com Thomas ao seu lado.
- Não tenho nada pra deixar depois que eu morrer.
- Eu dirijo melhor que você. – retrucou para Thomas ignorando o que eu disse, pareceu sincero e eu apenas olhei para Sam como se não pudéssemos meter a colher na discussão dos maridos.
- Suas multas provam o contrário.
- Que multas? Você está forçando a barra.
- Você quase me faliu pedindo dinheiro emprestado. – Sam já segurava a risada e eu tentava fazê-lo parar.
- Eu nunca levei multa. – depois que Harrison disse Thomas bufou e balançou a cabeça.
- É eu sei, não tinha como eu vencer essa. – então Sam soltou a gargalhada e eu apenas ri junto.
- Alguém já disse pra vocês que são dois palhaços? – tentei dizer depois de me acalmar e percebi que Harrison sorria.
- Se isso te faz rir. – respondeu de um jeito charmoso e eu acabei por ficar quieta, não queria criar problemas pra mim, principalmente se o tipo de problema fosse deixar Thomas com raiva por me envolver com seu melhor amigo.
- Coloca música. – Sam sugeriu depois de algum tempo de silêncio e The Vamps começou a tocar e eu comecei a cantar sozinha.
[Recomendo que coloquem para tocar: Can We Dance do The Vamps.]
I talk a lot of shit when I’m drinking, baby/ Eu falo um monte de besteira quando estou bebendo, querida
I'm known to go a little too fast/ Eu sou conhecido por ir um pouco rápido demais
Don’t mind all my friends, I know they’re all crazy/ Não ligue para os meus amigos, eu sei que eles são todos loucos
But they’re the only friends that I have/ Mas eles são os únicos amigos que eu tenho


Acompanhei o vocalista me sentindo um pouco estranha por ser a única a cantar no carro, pensei que o motivo pra não me acompanharem era que ninguém conhecia a letra, mas Harrison batucou no volante e me acompanhou.
I know I don’t know you/ Eu sei que não te conheço
But I’d like to skip the/ Mas eu gostaria de pular a
Small talk and romance, girl/ Conversa fiada e o romance, garota
That’s all I have to say, so, baby/ Isso é tudo o que tenho a dizer, então, querida
Can we dance?/ Nós podemos dançar?


Me olhou pelo retrovisor com um sorriso de canto e eu não pude evitar sorrir de volta. Thomas entrou na onda da música e cantou a letra com precisão:
Here we go again/ Aqui vamos nós de novo
Another drink I’m caving in/ Outra bebida que eu estou cedendo
And stupid words keep falling from my mouth/ E palavras estúpidas continuam a sair da minha boca


Sam cedeu e cantou a próxima parte:
You know that I mean well/ Você sabe que tenho boas intenções
My hands were meant for somewhere else/ Eu ia colocar minhas mãos em outro lugar


Cantou rápido com o microfone imaginário e eu arregalei os olhos, não me lembrava dessa parte.
Your eyes are doing naughty butterflies/ Seus olhos estão fazendo borboletas safadas

Sam olhou para mim e eu bati em seu braço.
One more drink and I should go/ Mais uma bebida e eu deveria ir
But maybe she might like it though/ Mas talvez ela goste assim

Harrison fingiu estar num dilema confuso e todos concordamos com a cabeça.
I just can't think of what to say/ Eu não consigo pensar no que dizer
Should I go, should I stay/ Devo ir? Devo ficar?
Just can’t let her slip away/ Só não posso deixar ela escapar


Thomas se questionou olhando para os lados e mexendo no cabelo como se estivesse louco.
I talk a lot of shit when I’m drinking, baby/ Eu falo um monte de besteira quando estou bebendo, querida
I'm known to go a little too fast/ Eu sou conhecido por ir um pouco rápido demais

Todos nós cantamos e mexemos as mãos numa tentativa de dança.
Don’t mind all my friends, I know they’re all crazy/ Não ligue para os meus amigos, eu sei que eles são todos loucos
But they’re the only friends that I have/ Mas eles são os únicos amigos que eu tenho
I know I don’t know you/ Eu sei que não te conheço
But I’d like to skip the/ Mas eu gostaria de pular a
Small talk and romance, girl/ Conversa fiada e o romance, garota
That’s all I have to say, so, baby/ Isso é tudo o que tenho a dizer, então, querida
Can we dance?/ Nós podemos dançar?


Coloquei minhas mãos nos ombros de Thomas já que ele estava sentando em minha frente e cantei em seu ouvido, sentindo a vibração do seu corpo enquanto ele cantava também.
I was nearly in/ Eu estava me aproximando
But then came the pushy friend/ Mas então o amigo insistente veio
Killed the vibe and took my perfect end away/ Acabou com o momento e levou meu final perfeito


Sam se jogou em mim lamentando e eu resmunguei.
You know I need you girl/ Você sabe que eu preciso de você garota

Todos os meninos apontaram para mim já que estávamos parados no sinal vermelho e eu revirei os olhos.
My heart’s not made for someone else/ Meu coração não foi feito para outra pessoa
So save me here 'cause I can barely stand/ Então me salve daqui porque eu mal posso ficar de pé


Sam colocou as mãos sobre o peito e fez um drama leve exigindo minha atenção.
One more drink and I should go/ Mais uma bebida e eu deveria ir
But maybe she might like it though/ Mas talvez ela goste assim
I can’t take this anymore/ Eu não consigo mais suportar isso
Should I go, should I stay/ Devo ir? Devo ficar?
It just can lead back to her door/ Isso só me leva de volta para a porta dela
I talk a lot of shit when I’m drinking, baby/ Eu falo um monte de besteira quando estou bebendo, querida
I'm known to go a little too fast/ Eu sou conhecido por ir um pouco rápido demais


Aquele ponto todos estavam mexendo os corpos em sincronia, deslizando para um lado e então para o outro enquanto cantávamos com devoção.
Don’t mind all my friends, I know they’re all crazy/ Não ligue para os meus amigos, eu sei que eles são todos loucos
But they’re the only friends that I have/ Mas eles são os únicos amigos que eu tenho
I know I don’t know you/ Eu sei que não te conheço
But I’d like to skip the/ Mas eu gostaria de pular a
Small talk and romance, girl/ Conversa fiada e o romance, garota
That’s all I have to say, so, baby/ Isso é tudo o que tenho a dizer, então, querida
Can we dance?/ Nós podemos dançar?


Parei de cantar e deixei a próxima parte para os garotos que sabiam de cor e salteado. Todos faziam impressões parecidas e eu só continuei dançando sentada.
I’ve been a bad, bad boy/ Eu fui um menino muito, muito mau
Whispering rude things in her ear/ Sussurrando coisas rudes no ouvido dela


Fingi surpresa e Sam quase perdeu o verso, por rir.
Please, say she’ll break/ Por favor, diga que ela vai ceder
Please, say she’ll change/ Por favor, diga que ela vai mudar
Her mind and bring me back to her place./ De ideia e me trazer de volta pro seu lugar


Thomas tentou alcançar a nota como o vocalista e eu vi suas veias saltarem, soltei um assobio e Sam e Harrison apenas riram.
I talk a lot of shhh when I'm drinking, baby
I'm known to go a little too fast/ Eu sou conhecido por ir um pouco rápido demais


Repeti a frase novamente, como uma voz de fundo:
(A little too fast)/ Um pouco rápido demais
Don’t mind all my friends, I know they’re all crazy/ Não ligue para os meus amigos, eu sei que eles são todos loucos
But they’re the only friends that I have/ Mas eles são os únicos amigos que eu tenho
I know I don’t know you/ Eu sei que não te conheço
But I’d like to skip the/ Mas eu gostaria de pular a
Small talk and romance, girl/ Conversa fiada e o romance, garota
That’s all I have to say, so, baby/ Isso é tudo o que tenho a dizer, então, querida
Can we dance?/ Nós podemos dançar?


Fingi tocar a última nota da guitarra e partimos para outra música. Quem diria que eles cantavam The Vamps no carro?!
- Qual a sua teoria sobre... – Harrison começou a perguntar, mas fez uma pausa, para pensar em algo interessante para arrancar de mim. – O amor? O romântico.
- Não tenho uma teoria sobre o amor. É uma sensação química-reativa do nosso corpo em relação a outro corpo, então basicamente é tudo sobre atração, mas também pode ser atração sem amor, é confuso e não entendemos. Dependendo da situação é provável que morra. – dei de ombros me sentindo desconfortável enquanto Sam me olhava pronto para caçoar de mim.
- O que é provável que morra? – Harrison questionou e eu olhei para a janela, para as ruas depois dela.
- O amor, eu não acredito que ele acabe, ele morre. O amor é a coisa mais poderosa do universo, mas, na maioria dos casos, ele morre, como nós. – voltei meu olhar para Harrison e ele balançou a cabeça em concordância.
- Você é sempre tão intensa?
- Por que? Estou forçando demais? – sorri tentando mostrar sarcasmo, mas Sam negou com a cabeça.
- Ela é sempre assim.
- Como uma erupção de raios gama. – Thomas quebrou seu próprio silêncio e eu mordi minha língua para não responder, às vezes ele era um romântico inegável e às vezes eu me via gostando de sua forma de se expressar.
- Viu isso em algum filme? – perguntei tentando cortar o clima pesado que ficou e Thomas riu, pareceu algo natural, mas eu não sabia se confiava no som de sua risada.
- Claro, tudo para parecer inteligente. – levantou as mãos como se fosse culpado e eu sorri de canto. – E o seu decreto sobre o amor? Um filme?
- Talvez seja um livro, não a subestime. – Harrison olhou de soslaio e eu assenti.
- “O amor é a única coisa que somos capazes de perceber que transcende as dimensões do tempo e do espaço.” – respondi em um tom baixo e Thomas não deixou barato:
- Você esqueceu do resto da frase. “...Talvez devamos confiar nele mesmo que não o entendamos ainda.” – ele sabia que eu não havia esquecido, eu fiquei surpresa por ele saber de cor, mas apenas fiquei quieta. Eu era romântica, acreditava no amor familiar e o achava lindo, acreditava no amor entre casados, namorados. – Você não acredita que possa durar, então não gosta de confiar.
- O amor na vida real é bem diferente do da ficção. – me justifiquei sem querer saber se aquele argumento valia para Thomas e ele ficou quieto.
- Quero fazer um jogo com você, é boa com datas? – Harrison propôs e eu pensei antes de dar minha resposta.
- Talvez, qual é o jogo? – tentei negociar e vi que Sam já sabia qual era o jogo.
- Eu vou colocar qualquer música de um gênero que você conhecer, você tem que dizer o nome do artista, o nome da música e em que ano foi lançada. – explicou as regras e eu sorri, estava confiante.
- Por que não faz com todos? – tentei incluir Thomas e Sam. – Se não acertarmos o ano exato, quem passar mais perto ganha.
- Eu topo. – Sam disse e Thomas concordou.
- Qual o gênero? – perguntou teclando no celular que estava no suporte e nos olhamos.
- Rock é nossa melhor chance.
- É a sua melhor chance. – Thomas rebateu e eu sorri.
- São lágrimas que eu vejo em seus olhos?
- Não vamos escolher um gênero. – Sam acabou com a discussão e Harrison colocou sua playlist no aleatório, prestando atenção na rua. Uma batida eletrônica preencheu o carro e eu franzi o cenho, logo depois uma voz feminina apareceu e eu reconheci Rihanna, mas não rápido o suficiente para passar Sam:
- Who’s That Chick, Rihanna e David Guetta... – tentou pensar no ano e todos nós aguardamos. – 2009?
- É 2010, mas como foi perto e ninguém mais tentou, essa é sua. – Harrison disse sem colocar os olhos no celular e eu fiquei um pouco impressionada, ele sabia o ano de todas as músicas do celular dele?
- Um ponto pra mim. – se gabou e eu esperei que a próxima começasse. Dessa vez a batida era calma, mas eu não a reconhecia, Thomas deduziu quando o vocal começou:
- Be My Baby, Ariana Grande, 2014. – eu arqueei as sobrancelhas e Sam balançou a cabeça como se não fosse nada demais.
- Ele é fã dela. – Harrison deu uma risadinha e respirou fundo. – Acho que você não é muito boa nesse jogo.
- Vamos continuar... – ia continuar a falar, mas uma parte que eu gostava começou e eu interrompi a frase, cantando: – “If you know how to treat me. You know how to touch me. Baby then you'll get the chance, the chance to love me.”
- Ok, o que foi isso? – Sam perguntou rindo e eu dei de ombros, era uma mania minha. Falar algo e acabar cantando. Mais uma música começou e o ritmo com a guitarra e a bateria me fizeram sorrir.
- Bubblegum Bitch, Mariana & The Diamonds, 2012. – respondi com confiança e Thomas abaixou a cabeça.
- Essa música é a sua cara. – sussurrou e eu arregalei os olhos.
- Está me chamando de vadia? – meu tom se tornou indignado em brincadeira.
- Vadia chiclete. – corrigiu e todos exceto eu riram. – Por favor, olha a letra. “Eu te mastigo e eu te cuspo, porque isso é o que o amor jovem é sobre. Então me puxe para mais perto e me beije com força. Eu vou estourar seu coração de chiclete.”
- E não é que parece mesmo com ela?! – Sam pareceu chocado e começou a prestar atenção na letra também. – “Eu sou a senhorita lábios de licor, licor de açúcar rosa.”
Apontou para mim e eu revirei os olhos em rebeldia.
- Será que podemos voltar ao jogo? – questionei, mas foi como falar com uma parede, porque Harrison começou a analisar também.
- “Ó querido diário eu conheci um menino. Ele encheu o meu coração entediado com alegria. Ó querido diário nós nos separamos. Bem-vindo à vida de Electra Heart.” – todos pareciam embalados com a música e eu resmunguei alto.
- Ótimo! Será que podemos trocar de música? – pedi mal humorada e eles se entreolharam.
- Novo apelido? – Thomas perguntou para confirmar e Sam balançou a cabeça afirmando.
- Ei, ei! Espera aí! – antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa todos contaram até três e gritaram ao mesmo tempo:
- VADIA CHICLETE! – eles riram e eu bati minha cabeça no banco.
- Crianças, eu convivo com crianças agora. – falei baixinho e isso não abalou o espírito deles, mas Harrison trocou de música.
- Cold Hearted, Paula Abdul, 1988. – respondi tentando me mostrar indiferente e Thomas se virou para me olhar. – Essa batida é óbvia.
- Próxima. – Sam pediu e Harrison tocou uma vez no celular.
- Best Song Ever, One Direction, 2013. – Thomas respondeu rápido e eu o olhei com diversão. Ele estava competitivo agora.
- Então você gosta do One Direction.
- Sou patriota. – balançou os ombros e eu dei risada.
- Faça-me o favor! T.N.T, AC/DC, 1975. – quando a música começou eu quase ri com a facilidade.
- Eu estou perdendo feio. – Sam passou despercebido e esperamos a próxima música tocar.
- Before He Cheats, Carrie Underwood, 2005. – fui mais rápida que os dois e Thomas arqueou as sobrancelhas.
- Você gosta de country?
- Essa música ganhou um Grammy, todo mundo conhece ela. – me justifiquei e ele voltou a olhar para a frente.
- Wonderwall, Oasis, 1995. – Thomas me passou e eu xinguei baixinho. Seu rosto se virou apenas para virar de mim.
- A Year Without Rain, Selena Gomez, 2010. – Sam ganhou daquela vez e eu bufei.
- Drag Me Down, One Direction, 2015. – Thomas respondeu e eu bati no banco.
- Um Directioner! – apontei e ele bateu em minha mão. Avistamos o shopping e eu me afundei no banco, tínhamos empatado.
- A última, quem acertar vence. Sam, você tá fora. – Harrison decretou e colocou a música.
- Candy Shop, 50 Cent, 2004! – Thomas gritou primeiro, mas errou o ano, então eu também gritei.
- 2003! – tentei corrigir e esperamos o resultado de Harrison.
- Hoffmann ganhou. – deu de ombros como se não pudesse fazer nada e eu fiz uma dancinha de vitória enquanto olhava para Thomas com superioridade. Recebi uma carranca e cheguei perto para dizer:
- Não sabe perder.
- Você que não sabe ganhar. – retrucou e eu apenas balancei o corpo de acordo com a música.
Chegamos no shopping e encontramos o resto da família na entrada, percebi que estava estranha mas evitei perguntar e fiquei perto de Sam e Paddy, Harrison foi falar com ela enquanto Harry estava com os pais. Entramos e ela me puxou, provavelmente para irmos em busca de alguma loja de roupas.
- Então, as roupas. – comentou e eu andei com ela enquanto o resto ficava para trás.
- Estou com fome. – ouvi Paddy dizer, então a família se dividiu. Paddy foi com os pais para a praça de alimentação e o resto dos meninos andou na direção oposta de onde eu e estávamos indo.
- Você quer que eu te ajude? – perguntou hesitante e eu neguei com a cabeça.
- Você não vai me vestir, olhe para a sua camiseta. – apontei com um pouco de brincadeira mais ainda sim pensando seriamente.
- Bem engraçadinha. – entrelaçou seu braço ao meu e andamos até a primeira loja de roupas que achamos de bom gosto.
- Você precisa de lingerie? De que cor o Harry gosta? – questionei maliciosa e seu rosto se fechou.
- Eu não me visto para o Harry. – contornou querendo me fazer pensar que era por causa disso que tinha fechado a cara e eu franzi o cenho.
- Ok. O que aconteceu? – cheguei perto dela falando baixinho e ela bufou.
- Nada.
- O que aconteceu? Você não me disse como o negócio com o Giovanni ocorreu. – olhei de relance e vi que ela tentava prestar atenção nas roupas.
- Ele me ameaçou. – revelou com a voz falha e eu me virei bruscamente.
- Como? Ele te machucou? – perguntei evitando tocar abruptamente nela e ela negou.
- Ele tem um segredo meu, disse que irá contar se eu não terminar com Harry. Me deu a “boa fé” de me deixar terminar o intercâmbio, mas nada de namorados.
- Você tem que falar pro Harry! Ele não pode te controlar desse jeito. – senti a raiva me apossar e não pude controlar minhas palavras, não estava em minha posição dizer o que ela tinha que fazer.
- Eu não quero voltar pra ele, mas isso é sério. O que eu fiz não pode chegar a polícia. – respondeu de um jeito desesperado e eu me assustei um pouco.
- O que... O que você fez? – não queria parecer com medo, eu não tinha medo de , não queria que parecesse que eu estava julgando-a.
- Eu não posso dizer, é grave.
- Eu não irei te julgar, me diga para que possamos dar um jeito. – tentei conforta-la e ela apenas negou.
- Em casa conversamos, agora precisamos fazer o que viemos para fazer. – deslizou para a sessão de calças jeans e eu tentei tirar aquilo da minha cabeça. Compramos um vestido para mim, preto com flores pequenas e brancas já que estávamos na primavera, batia na metade das coxas e era de manga curta, mas deixava minha clavícula exposta, era leve e fininho. Me deixava bastante meiga.
- Você tem certeza de que eu não fiquei gorda? – perguntei pela terceira vez. – Ele é soltinho, mas não estou em tanta forma.
- Ele ficou ótimo, relaxa. – me tranquilizou enquanto eu olhava pra sacola. Eu estava com botas com cadarço e cano alto, eram pretas como a maioria do meu guarda roupa e não tinham saltos.
- Eu vou me trocar. – avisei indo em direção ao banheiro com a sacola em mãos e assentiu, me esperando do lado de fora. Tirei a etiqueta e me troquei, colocando a roupa que estava anteriormente na sacola. Me olhei no espelho e apertei minha barriga, tinha uma leve curva olhando de lado, mas nada que me incomodasse de ser visto.
- Vamos achar o resto do pessoal. – sugeri penteando meu cabelo com as mãos e andamos até a praça de alimentação. Todos estavam lá, comendo em uma mesa.
- Passa as batatinhas. – sentei e estendi a mão para Harry. Ele deu pra mim com relutância. – Você tem que aprender a dividir as coisas.
- Você tem dinheiro, por que não compra as próprias batatinhas? – rebateu e eu arqueei as sobrancelhas enquanto mordia a batatinha.
- Eu que paguei por essas batatinhas. – Thomas apontou se intrometendo e Harry deu de ombros.
- Eu te pedi e você pagou, agora não pode reclamar. – justificou com um sorriso provocador e eu apontei uma batatinha pra ele enquanto semicerrava os olhos.
- Às vezes eu suspeito que você só se faça de lerdo. – soltei sarcasticamente e Paddy riu no fundo.
- Não, ele é lerdo mesmo. – Paddy afirmou e todos rimos, até Harry que foi o ofendido.
- Mas ainda consegue ser um pilantra. – Dom sussurrou para mim e eu balancei a cabeça em afirmação.
- Tiraram o dia pra me insultar? – pareceu irritado, mas todos sabíamos que estava brincando.
- Todo dia é um dia bom pra te insultar. – Harrison entrou no assunto e Harry jogou uma batatinha nele. Harrison acabou desviando e a batatinha foi direto pro chão.
- Ei! Não desperdice batatinhas! – Thomas resmungou e eu não consegui segurar a risada. Harry pelo menos foi lá e pegou a batatinha com um papel, pra jogar no lixo.
- Quero ver quando você ficar famoso, vai passar vergonha em rede nacional. – olhei para ele e ele bateu na minha mão quando fui pegar outra batatinha.
- Não se esqueça de que possivelmente você também vai ficar famosa. Não pode ser grosseira assim com os outros. – avisou sério e antes que eu pudesse responder, Nikki veio ao meu resgate.
- Ela só é grosseira com vocês. Ela é um doce conosco. – apontou para os meninos e sorriu como se isso fosse melhor, eu apenas a abracei de lado.
- Você deveria ficar do meu lado, sou eu que sou seu filho e estive sendo por quase 20 anos. – fingiu estar bravo e eu fiz uma careta para ele.
- Eu sempre quis uma filha. Você acha que quatro meninos foi o planejado? – brincou e eu e gargalhamos.
- Seus filhos são um pouco lerdos. – fingiu contar um segredo e Harry mordeu sua bochecha.
- Não me inclua nisso. – Sam apontou para si mesmo.
- O mesmo pra mim. – Paddy olhou para e ela sorriu.
- Foi a genética do pai deles. – Nikki respondeu para , ignorando Sam e Paddy.
- Ei! Agora eu também estou incluso? – Dom bateu nas próprias pernas.
- Não sei como você consegue conviver com tantos homens. – olhei para Nikki e ela deu de ombros.
- É justamente por isso que compartilhei o fardo com vocês. – se referiu a mim e .
- Mas é um tempo impressionante. – bateu palmas e eu acompanhei enquanto assistia Thomas mostrar o dedo do meio pra mim.
- Mal educado! – fingi choque e ele se encostou na cadeira.
- Mãe, ela está criticando seu jeito de me criar. – apontou com o dedo para mim e Nikki bufou uma risada.
- Toda essa mal criação veio da rua. – se defendeu e eu concordei como se tivesse finalmente entendido.
- Então é isso o que acontece quando se passa muito tempo com o Harrison! – observei fingindo interesse e ele beliscou meu braço.
- Ai! Eu tenho pele sensível! – resmunguei esfregando minha pele enquanto via Thomas abaixar a cabeça e rir discretamente. Belisquei seu braço e ele me olhou com indignação.
- Mas foi o Harrison! – agarrou o braço o massageando e eu voltei para Harrison e o belisquei.
- Unha não vale. – forçou uma voz triste e também agarrou o braço, o que resultou em três idiotas com uma careta de dor, massageando os braços e sentados com pessoas demais numa mesa da praça de alimentação. Quem via de longe deveria pensar que éramos loucos.
- Vocês vão comer algo? Estávamos pensando em ir jogar boliche. – Nikki questionou e eu neguei enquanto fazia o mesmo.
- Querem ver o papai perder? – Paddy sugeriu com animação e Dom o repreendeu.
- Nós nunca fomos no boliche daqui. – respondeu por mim e Nikki sorriu.
- Não deve ser diferente dos países de vocês. Já jogaram lá?
- Eu já. – respondi e também disse que havia o feito.
- São boas? – Sam questionou provocador e eu dei de ombros, era melhor mostrar inexperiência. negou com a cabeça e eu me perguntei se ela fazia o mesmo.
- Tom é bem ruim também. – Dom jogou em cima do filho mais velho e eu não evitei rir.
- Não sou tão ruim. – resmungou cruzando os braços e Harrison também os cruzou.
- Quando está usando canaletas, não é mesmo.
- Bem engraçadinho você. – Thomas fez uma careta de mau humor e eu apertei suas bochechas. Ele me afastou, mas valeu a pena.
- Vamos então? – Harry se levantou e todos fizeram o mesmo.
- Talvez possamos passar no fliperama depois. – Paddy sugeriu e Dom concordou. Quando chegamos no boliche nos dividimos em dois grupos já que o limite eram seis pessoas por pista, mas pelo menos ficamos em pistas um do lado da outra. Dom, Harry, , Thomas ficaram em uma pista. Eu, Nikki, Harrison, Sam e Paddy ficamos em outra.
- Dom e Tom juntos, isso é vantagem. – sussurrei para Paddy e ele assentiu em concordância. Sentamos no sofá e pedimos comida, eu pedi um milkshake e nachos, Harrison e Sam pediram pizza e refrigerante, Nikki e Paddy pediram batatas fritas com cheddar e refrigerante também.
- Vamos ver se você é boa. – Thomas disse da outra pista e eu apenas me sentei no sofá que ficava colocado em outro sofá, um sofá que ficava no território da pista dele.
- Você quer dizer: vamos ver se eu sou melhor que você? – rebati sorrindo de lado.
- Você quer apostar?
- Você não é muito bom em apostas, Thomas. – balancei a cabeça em repreensão.
- Está com medo? – tentou me atrair para a aposta e eu apoiei o rosto nas mãos.
- O que você oferece?
- O que você quiser, mas se eu ganhar peço o mesmo. – determinou os termos e eu estendi a mão entre uma pista e outra, ainda sentada no sofá.
- Vamos ver se é tão ruim quanto afirmam. – selei o acordo e ele ignorou.
- Não importa qual dos grupos ganharem, quem dos dois fazer mais pontuação individual é o vencedor. – Thomas disse e eu concordei. Paddy era o primeiro a ir do nosso grupo e era a primeira do outro grupo.
- Boa sorte. – desejei beijando sua bochecha e Paddy fez uma careta. Ele não era uma criança, tinha 13 anos e se parecia uma quando nos conhecemos era mais uma etiqueta, ele tinha se mostrado mais maduro do que pensávamos. Paddy jogou a bola fazendo uma pose e apenas um pino sobrou em pé.
- Isso! – Nikki comemorou e eu sorri para Sam que já me olhava como se fôssemos ganhar. jogou logo em seguida e fez um strike, olhando para Harry e dando de ombros. não podia jogar outra vez, mas Paddy tinha mais uma jogada, tinha um strike, ou seja, 10 pontos e Paddy tinha nove.
- A pressão está em você agora. – Harrison sussurrou para Paddy e ele puxou o ar bem forte.
- Assopra. – pediu para Nikki estendendo a bola e ela o fez. Paddy correu até a linha e jogou, a bola foi para o lado e não acertou o pino, deixando a pontuação do jeito que estava.
- Foi culpa da mamãe. – Paddy brincou e se sentou pegando uma batatinha.
- Minha vez. – Harrison disse indo contra Dom e eles trocaram olhares engraçados.
Dom jogou primeiro e a bola foi direto para a vala rendendo xingamentos de Harry. Harrison jogou também e conseguiu derrubar oito pinos, eles tentaram novamente na segunda chance e Dom derrubou quatro enquanto Harrison derrubava mais um, Dom com quatro pontos e Harrison com nove.
- é melhor do que eu esperava. – Sam sussurrou chegando perto de mim e de Harrison, vi que o outro time também sussurrava.
Era a vez de Thomas, então me voluntariei para ir. Trocamos um olhar competitivo então corremos ao mesmo tempo, sua bola parecia ir no caminho certo, mas no último momento não derrubou nenhum pino, olhei para minha pista a tempo de ver um strike e senti Paddy pulando em cima de mim para me abraçar. Retribui o abraço e pisquei para Thomas que já voltava a se sentar. Harrison levantou a mão para um high five e eu pulei para bater forte.
- Foi sorte de principiante! – Thomas gritou da outra pista e eu sorri largo mostrando o dedo do meio.
- Eu não sou principiante! – coloquei as mãos em volta da boca para amplificar minha voz e Harrison se sentou do meu lado, ele e Thomas trocaram um olhar enigmático do tipo que apenas os amigos entendiam.
- Não vou perguntar o que foi isso.
- Você não iria receber uma resposta verdadeira de qualquer forma. – Harrison adotou um ar de indiferença e eu bati meu ombro no seu.
- É fofo você pensar que eu ligo pro que se passa na mente depravada de Thomas.
- E se for sobre o que se passa na minha mente? – sugeriu apoiando os cotovelos nas coxas e trocando outro olhar com seu melhor amigo.
- Muda bastante coisa, eu adoraria saber o que se passa na sua mente. – também apoiei os cotovelos nas coxas e seu olhar parou nas minhas pernas por míseros milésimos. Meu plano era não flertar, mas estava impossível, flertar era a coisa que eu mais fazia, era natural e não queria dizer que levaria a algo mais.
- Você é geminiana, não é? – desconfiou e eu tirei meus braços das coxas, arqueando as sobrancelhas.
- Uou, esse foi um jeito rápido de acabar com nossa amizade. Sim, eu sou. – respondi penteando meu cabelo com os dedos e ele riu.
- Os dois lados da mesma moeda. Tom também é geminiano.
- Deve ser por isso que não nos bicamos quando nos conhecemos.
- Você acredita nessas coisas?
- Sou supersticiosa, isso me faz ridícula? Você também acredita um pouco.
- Não faz mal ter fé na medida certa.
- Qual é o seu signo?
- Câncer.
- Você é mais novo que Thomas? – fiquei curiosa, Thomas parecia um bebê às vezes enquanto Harrison já era quase um homem completo.
- Sou, mas só por um mês. – os dois grupos continuavam a jogar e vi que Thomas olhava discretamente para o seu amigo, revirei os olhos em sua direção torcendo para que ele percebesse que nada ia acontecer, mas ele continuou de cara fechada.
- Você parece mais velho que ele.
- Isso foi um insulto?
- Interprete como quiser. – voltei a olhar para Harrison.
- Você acha estranho conviver com Thomas depois daquela aposta? – eu quase sorri de lado, mas fiz minha melhor feição de incompreensão e neguei.
- Nem um pouco, foi uma aposta besta. – tinha de fato sido uma aposta besta, mas tinha trazido bons frutos. Thomas ainda nos olhava e com um pouco de raiva me aproximei ainda mais de Harrison, nossas pernas roçaram e eu me curvei um pouco para frente. Harrison manteve seus olhos na minha clavícula por pouco tempo, foi mais um reflexo.
- O que você procura na vida agora? – questionou trazendo outro assunto.
- Terminar meus estudos e ser bem-sucedida, mas também quero aproveitar meu tempo aqui. – Thomas já havia desviado o olhar e mesmo assim apoiei meus braços nos ombros de Harrison. – E você?
- Também quero ser bem sucedido.
- Um ator, huh? Parece que essa profissão agrada todos cercados dos Holland.
- Isso é um flerte, certo? Mas seria estranho se levasse a outro lugar. Você mora com meu melhor amigo. – meu maior desejo ali era dizer que também fazia outras coisas com seu melhor amigo mas me calei. Harrison era um cara bonito, inteligente e engraçado mas se fosse para escolher entre ele e Thomas, sempre seria Thomas.
- Podemos continuar no flerte que não leva a lugar nenhum. – propus em brincadeira e arrumei minha postura, tirando meus braços de seus ombros.
- Você é divertida. – observou e eu sorri honestamente.
- Você também é divertido. – assenti com a cabeça e olhei mais uma vez para Thomas que conversava com . No final da partida nosso grupo acabou ganhando e eu também ganhei de Thomas em pontuação individual, eram três horas quando saímos do boliche e fomos até o fliperama.
- Você quer fazer o que? – Harrison perguntou para mim e Thomas que estava ao seu lado fez uma careta.
- Sou seu amigo há anos e você me troca por um rostinho bonito em um estalar de dedos.
- Você realmente acha que eu tenho um rostinho bonito? – fingi lisonjeio e apenas Harrison sorriu.
- Me desculpa, eu só queria me enturmar mais com a . – se justificou e passou um braço por cima dos ombros de Thomas, ele quase caiu pro lado, mas conseguiu se recompor.
- Eu quero jogar hóquei de mesa. – decidi em voz alta e Harrison me seguiu com Thomas junto.
- Você tem duas opções de oponente, quem você quer? – Thomas sorriu forçadamente embaixo do braço imóvel de Harrison.
- Thomas... – apontei com o dedo indicador e chamei. Colocamos a ficha e começamos, Thomas mexia uma mão e o outro braço era rígido ao lado do corpo, eu fiz o primeiro ponto, mas Thomas acabou ganhando.
- Glückwunsch. – falei quando acabamos a partida.
- Eu já te disse para não me xingar em alemão.
- Eu parabenizei você. – bufei explicando e ele assentiu.
- Não sabia que você conseguia fazer isso.
- Sou capaz de muitas coisas. – joguei meu cabelo para o lado porque ele estava me irritando. Jogamos basquete, fizemos quase tudo o que queríamos e então nos sentamos, Harrison foi falar com Harry e eu fiquei sozinha com Thomas.
- Meu melhor amigo está fora dos limites. – ele disse baixinho, mas com confiança, sem olhar para o meu rosto, olhando para frente como se tivesse medo que alguém percebesse que estávamos sozinhos e conversando.
- Eu estava te provocando, nada vai acontecer entre nós. – o tranquilizei olhando para seus olhos e ele conseguiu retribuir.
- Então... Você parou de acreditar no amor? – mudou de assunto voltando ao tópico de mais cedo.
- Não. Eu acredito no amor, eu só não acho que é duradouro e você sabe. – expliquei minha teoria lentamente e ele voltou a olhar para os meninos.
- Não acredita no amor dos meus pais?
- Ah, não faça isso comigo! Por que estamos falando sobre amor?
- Porque eu acho sua teoria interessante.
- Eu tenho uma experiência ruim com o amor então sim, não confio muito nele. Porém eu acredito que existem raridades, como seus pais, que nutrem o amor por bastante tempo.
- Qual é a sua experiência?
- Não falar sobre o passado deveria ser uma regra. – sugeri me inclinando para frente e ele deu de ombros.
- Não estou perguntando como seu amigo colorido, estou perguntando como seu amigo.
- Você quer saber a história dos meus pais? – cruzei os braços e quase reconsiderei aquilo tudo, nem eu mesma sabia muito bem porque contaria aquilo para ele.
- Você não gosta de falar sobre os seus pais.
- Estou te propondo agora, então é melhor aceitar.
- Tudo o que eu sei sobre seus pais é que são divorciados.
- Você quer ouvir ou não? – fingi impaciência e ele concordou com a cabeça.
- Eu quero.
- O começo, certo. Meus pais se conheceram em um bar, ela era garçonete e meu pai bebia lá com os amigos dele. – comecei, mas Thomas me interrompeu.
- Você sabe toda a história dos seus pais?
- Eles me envolviam bastante no relacionamento deles. – se é que ainda não faziam.
- E o seu irmão?
- Ele não entendia muito bem então eu o protegia dos problemas, ou tentava. Era nova, mas também era a irmã mais velha. – trocamos um olhar de entendimento entre irmãos mais velhos e eu pude continuar. – A prima dela era amiga do meu pai e ela os apresentou, então minha mãe fez uma aposta, afirmando que conseguiria ficar com o meu pai.
- Vejo da onde conseguiu a ideia de apostas. – percebi a semelhança entre eu e minha mãe então me encolhi bastante. – Desculpe.
- Minha mãe ganhou a aposta e meu pai se apaixonou por ela de algum modo, ela o pediu em namoro e logo depois em casamento. Eu realmente não sei se algum dia a relação deles foi saudável, eles usavam drogas juntos e etc. Eles se mudaram juntos pros Estados Unidos e eu nasci, eles voltaram para a Alemanha e tiveram meu irmão Charles, se separaram, mas não se divorciaram no papel e continuaram morando juntos.
- Isso deve ter sido bizarro. – sussurrou.
- Eu tinha seis anos, só me lembro dos gritos e de quando minha mãe nos trancava para fora do quarto porque queria ficar sozinha. Eu e meu irmão gritávamos e jogávamos DVDs por debaixo da porta, um grande drama.
- Não tente diminuir isso, não importa qual era sua idade. Ninguém merece passar por isso, muito menos você. – aquilo me reconfortou e eu continuei.
- Quando eu fiz oito anos meu pai, eu e meu irmão nos mudamos para a casa da minha avó em Berlim na Alemanha, minha mãe foi internada, mas eu não sabia de nada disso. Meus pais se divorciaram no papel, minha mãe passou de clínica em clínica e quando eu fiz 11 eu fui com a minha família visitar ela lá, era um lugar horrível e minha mãe tinha tentado se matar, pediu e implorou para o meu pai tirar ela de lá, já que tinha sido a própria mãe dela que a tinha internado. – levantei os olhos para evitar as lágrimas e Thomas segurou minha mão.
- Minha mãe saiu da clínica e foi para outra que se sustentava na fé católica, eu voltei para a casa da minha avó e, quando eu fiz 13, minha mãe quis nos levar para morar nos Estados Unidos, nosso pai não queria nos deixar, mas ela disse que ele poderia ir junto e que era o melhor para nós dois.
- Como seu pai iria? Ele não é alemão? – Thomas questionou confuso e eu funguei.
- Essa é a parte engraçada, nesse dia minha mãe revelou que não tinha assinado a papelada do divórcio então eles nunca foram oficialmente divorciados, assim como meu pai ainda era casado com uma americana...
- Ele tinha o direito de ir morar com ela lá. – completou entendendo e eu assenti.
- Então fomos morar nos Estados Unidos, uma família disfuncional. Eu já falava inglês, mas meu irmão não sabia nada da língua, foi difícil no começo e nossos pais só brigavam e brigavam, começaram a me jogar de um lado pro outro. Ficamos nos Estados Unidos por cinco anos e voltamos para a Alemanha porque minha mãe arrumou um namorado e nos despachou, em uma das brigas deles, meu pai me contou algo que me deixa chocada até hoje, enquanto eles moravam nos Estados Unidos antes de eu nascer, ela traiu meu pai e engravidou de um cara qualquer, como ela não tinha dinheiro nenhum na época, meu pai foi quem pagou pelo aborto dela. – Thomas apertou minha mão mais forte e pareceu muito chocado para falar algo. – Mesmo assim meu pai a aceitou de volta para que ela quebrasse o coração dele novamente. Se isso responde sua pergunta, essa é a metade da minha experiência ruim com o amor.
- Eu sinto muito. – sua voz se tornou verdadeira e eu senti em cada palavra a sinceridade que Thomas carregava, eu senti que ele se importava comigo, realmente se importava comigo. Não por pena ou por dó, mas com uma compreensão genuína.
- Eu também sinto, por ser emocionalmente instável. – me levantei levando-o a fazer o mesmo, o abracei de um jeito amigável e coloquei minha cabeça em seu peito. Ele retribuiu o abraço e mesmo ali eu senti seu sorriso.
- Existe tal coisa como uma pessoa emocionalmente estável? – eu dei uma risada então olhei para seus olhos. – Me diga algo, .
- O que?
- Algo que você não deveria, algo ruim sobre você.
- Por que? – realmente me desentendi e logo lembrei da regra, Thomas estava criando algum sentimento? – Até os nove, eu usava cueca porque achava mais confortável.
- Ok... Você sabe que existem calcinhas boxer, não é? – riu do meu rosto e eu cruzei os braços.
- Eu não sabia na época!
- Da próxima vez você precisa falar algo pior. – passou os braços pelos meus ombros e andamos até os outros meninos.
- Vocês parecem um casal. – Harry pontuou e eu e Thomas pulamos em lados opostos nos desgrudando.
- Eca, não! – Thomas exagerou um pouco na reação e eu mostrei o dedo do meio.
- Você não é meu tipo. – se justificou e eu me segurei para não rir com escárnio.
- Ele acabou de sair de um relacionamento com uma loira. – Sam explicou e eu franzi o cenho.
- Você gosta de loiras, então?
- Pra mim depende mais da pessoa, eu não quis dizer um tipo físico. – semicerrei os olhos, mas deixei para lá.
- Quem é a vítima do último relacionamento de Thomas? – perguntei indo para o lado de Sam e ele cruzou os braços, falando baixo como se estivéssemos guardando segredos.
- Ellicia.
- Uou, nome bonito. – caçoei e Sam riu. – Altura?
- A mesma que o Tom.
- Ela era uma pessoa boa?
- Se não fosse, eu não teria namorado. – Thomas finalmente interferiu.
- Nunca se sabe, foi um relacionamento longo?
- Foi.
- Está de coração partido?
- Não, estou bem. – revirou os olhos e eu o deixei em paz.
- Depois você me mostra. – sussurrei para Sam, mas Thomas olhou para nós dois novamente.
- Ok! – Sam afirmou entusiasmado e nós rimos quando Thomas balançou a cabeça.
- Agora que eu sei como você é com segredos, espero que você não abra a boca sobre isso. As únicas pessoas que sabem disso pela minha boca são você e minha melhor amiga. – sorri para disfarçar, chegando perto e falando entre dentes.
- Fique tranquila, eu prometo algo menor que o New York Times. – sussurrou de volta e eu dei uma cotovelada em sua barriga. – Você às vezes não sabe controlar a força.
- Isso foi controlado. – prometi, encerrando o assunto e chequei o horário, eram cinco e meia. – Eu preciso ir pra casa do Simon.
- Nós te levamos. – Nikki respondeu e eu sorri.
- Quer que nós falemos com o representante? – Dom perguntou me abraçando de lado e eu neguei com a cabeça.
- Não há necessidade.
- Espero que você não fique famosa antes do Tom, você sabe como ele é. Movie Star. – Dom falou olhando para mim como se Thomas não estivesse lá e eu vi como ele ficou irritado.
- Esse é seu novo apelido! – decidi e ele se contorceu.
- Não! Eu estava me acostumando com Billy!
- É por isso mesmo que você tem um novo. – lancei uma piscadela e estalei a língua, ele apenas bateu o pé no chão e resmungou.

...
17:50

- É um prazer conhecer você, entre por favor. – Simon convidou o representante para dentro e ele sorriu entrando com uma maleta.
- É um prazer conhecer todos vocês, peço que me perdoem pelo horário, mas o dia foi lotado hoje. – passou apertando a mão de todos e sentamos na mesa, senti meu batimento cardíaco acelerar, mas tentei transparecer tranquilidade. – Meu nome é Charles Williams, trabalho na London Records e estou aqui para oferecer um contrato para vocês.
- Eu não sei muito bem o que dizer... Nossos nomes são... – gaguejei um pouco e ele sorriu.
- Eu sei bastante sobre vocês, Simon, Liam, Katherine e . Não apenas seus nomes, mas tudo de importância do que fizeram antes de estar aqui. – sua voz soou com o máximo de delicadeza que podia soar dizendo algo daquele tipo. – Acredito que você esteja em um intercâmbio com uma duração de seis meses, estou certo, senhorita Hoffmann?
- Sim, isso é um problema? – questionei um pouco receosa.
- Tudo aponta que não, se assinasse com a nossa gravadora teria o visto da mesma forma.
- Mas eu teria que largar o curso? Ou a casa em que moro?
- Você teria compromissos e possivelmente faltaria algumas aulas, mas continuaria na casa em que está hospedada. Esperamos fazer de vocês uma banda famosa, mas não sabemos ao certo quando isso decolaria e turnês poderiam estar fora de questão nesse período.
- Isso é bom... É um pouco difícil de acreditar que isso está acontecendo.
- Vocês têm potencial, com o treinamento certo poderiam ser grandes, ser muito bem sucedidos. – tentou dizer a coisa certa e Kat deu um sorriso largo. – Vocês escrevem músicas?
- escreve. – Liam respondeu por mim e Charles concordou.
- Temos uma equipe de compositores, mas se vocês tiverem ideias sempre podem apresentá-las para o produtor musical ou para o arranjador, eles supervisam e aconselham o que fica melhor para lançar na indústria.
- Quem seria nosso produtor? – Simon questionou e todos esperamos a resposta.
- Possivelmente eu mesmo, o produtor e empresário de vocês. – explicou e logo continuou:
- Oferecemos um contrato de três CDs, não será um processo rápido para compor as músicas, gravá-las e lançá-las ao mundo, nesse tempo também teremos que produzir vocês, a imagem de vocês, e ensinar como a indústria musical funciona e como vocês devem se comportar. Algumas coisas mudarão, não será um trabalho como vocês estão acostumados e vai ser assustador e difícil, terão que se esforçar, mas acredito que com o talento de vocês tudo valerá a pena.
- Nós teremos tempo para revisar o contrato? – Simon foi quem perguntou.
- Claro, espero uma ligação de vocês com o prazo de sexta-feira. Se quiserem que um advogado revise o contrato eu posso indicar um que possa tratar com vocês.
- Temos advogados. – Kat disse um pouco alheia.
- Se não gostarem de algo sempre podem dar sugestões para que a relação entre a gravadora e a banda seja agradável.
- Nós agradecemos pelo seu tempo e pela oportunidade. – agradeci enquanto ele se levantava e ele apertou nossas mãos mais uma vez.
- Foi um prazer conhecer vocês, espero que possamos ter uma parceria em breve. – levamos ele até a porta e no instante em que ele saiu Katherine pulou em cima de mim.
- Vão ficar parados aí? Esse é o momento certo para um abraço de banda. – repreendi os meninos e eles se juntaram a nós.
- Vamos ficar famosos! – Kat gritou, uivando e eu ri.
- Vamos fazer música! – gritei também.
- Nosso nome não pode ser Lost People. – Liam pensou alto e eu balancei a cabeça freneticamente.
- Falando nisso... Você vai ter que ficar. – Simon me avisou e eu franzi o cenho.
- Você prometeu que se uma gravadora nos reconhecesse, você iria ficar. – Katherine explicou parecendo também se lembrar e eu sorri sem ligar para isso.
- Droga! – brinquei rindo e nos abraçamos de novo. – Realmente precisamos pensar em um novo nome.


Capítulo 18

28/03/2016
Segunda-feira

10:03
P.O.V Tom Holland

- Você tem certeza de que quer colocar o giro? – perguntei uma última vez. Estávamos no curso de , para apresentar a coreografia.
- Eu não confio muito em você, mas tenho. – respondeu enquanto andávamos.
- Obrigada pelo voto de confiança. – coloquei as mãos nos bolsos.
- Se você tiver certeza de que não consegue me segurar, nós tiramos o giro. – reconsiderou segurando os livros.
- Eu consigo. Não é como se eu fosse te deixar cair de propósito, mas faz algum tempo que não danço profissionalmente.
- Se me deixar cair eu vou passar bastante vergonha, então por favor, me segure.
- O que acontece se você cair? – perguntei curioso.
- Você fica sem sexo por duas semanas. – negociou e eu sorri de lado.
- Você sabe que não é a única fornecedora de sexo no mundo, não sabe? – questionei tentando provocá-la e ela sorriu de volta.
- Tom Holland caçando sexo casual em um pub qualquer. Esse momento eu quero presenciar. – montou uma manchete e eu fechei a cara.
- Vou fazer de tudo para que não caia. – prometi com um tom de súplica.
- Foi o que eu pensei.
P.O.V Gianniotti
15:00

Eu ainda não via saída possível em minha situação, não tinha contado nada para e muito menos para Harry. Ainda não tinha terminado com Harry também, tudo aquilo estava me corroendo por dentro, mas eu simplesmente não conseguia achar um jeito de resolver e nem achar uma forma de obedecer Giovanni.
Eu me perguntava se era melhor que contasse para , afinal ela vinha me dando suporte em tudo desde que nos conhecemos e eu apreciava a sua amizade. Harry... Eu não sei se suportaria que ele me olhasse diferente, que ele pensasse que eu era uma pessoa má e que não merecia ele, o que certamente era verdade.
Giovanni não tinha me contatado novamente, mas isso não mudava meu nervosismo com a situação toda, insistia para que eu contasse o que havia acontecido, Harry estava percebendo minha estranheza e eu estava particularmente surtando.
- O que você acha que eu devo fazer? – perguntei sentada, chamando Tessa com as mãos, para o meu colo. Ela veio e ficou me olhando como se perguntasse o que eu queria.
- Me diga como saio dessa situação! – acariciei seu pelo e ela me olhou como se eu fosse louca. – Sim, Tessa, boa ideia.
- Tessa é uma boa ouvinte. – Sam apareceu na sala me assustando e Tessa correu para ele.
- Vocês todos gostam de assustar as pessoas. – constatei me levantando e lembrando de que tinha uma vida.
- Harry está triste com você. – Sam ignorou o que eu disse coçando atrás das orelhas de Tessa.
- Ele te disse isso? – me aproximei para ouvir melhor e ele tirou a atenção de Tessa por um minuto.
- Às vezes você esquece que somos gêmeos apenas porque não nos parecemos. Eu o conheço. – só me faltava Sam em cima daquilo também.
- Vou conversar com ele, só estou cansada. – menti coçando a nuca e ele assentiu com a cabeça.
- Também conheço você, , sabe que estou aqui para o que precisar, não sabe?
- Sei, Sam, muito obrigada. – o abracei rapidamente e ele bufou.
- Todos estão estranhos ultimamente, Paddy está gostando de uma garota, Harry está triste com você, você está mal com alguma coisa, Tom está afim da e está prestes a ficar famosa.
- Paddy está gostando de uma garota? – me interessei pelo assunto e ele afirmou.
- Você acredita que a primeira pessoa que ele contou, foi para ? É incrível quanta consideração ele tem pelos irmãos mais velhos. – bateu as mãos na calça jeans e eu achei aquilo engraçado.
- Não pode culpá-lo. Harry namora com a intercambista, Tom e você estão solteiros, que exemplo ele vai buscar em vocês?
- O exemplo de que italianas são fáceis? – questionou zombeteiro e eu bati em seu braço. – Foi piada!
- Você bem que queria uma italiana fácil. – cerrei os lábios e Sam cruzou os braços.
- Estou bem solteiro. – deu de ombros mas seu tom foi inseguro.
- Se essa frase te tranquiliza no meio da noite. – dei de ombros também e assisti o rosto de Sam se contorcer em uma careta.
- Eu preciso de uma namorada... – disse para si mesmo e eu suspirei.
- Você precisa é de noção.
- E você precisa de compaixão para que seu relacionamento com meu irmão não vá por água abaixo. – tocou meu nariz com o indicador como se falasse com uma criança pequena e eu trinquei o maxilar.
- Não meta seu nariz em assuntos que não te pertencem, é falta de educação.
- Eu meto meu nariz aonde eu quiser. – se aproximou o bastante e eu agarrei seu nariz com dois dedos. – Ai! Ai! !
- pode ser a que perde a paciência facilmente, mas a minha também tem limites, você não vai querer testá-la. – adverti soltando seu nariz e jogando sua cabeça para trás.
- Eu entendi, me desculpe. – levantou as mãos e levou uma ao nariz, massageando.
- Eu consegui, mereço um prêmio. – a porta foi aberta por Tom. entrou primeiro enquanto eles conversavam.
- Você não merece uma punição, mas um prêmio? Está sendo demais.
- Eu fui incrível! Não te deixei cair na parte do giro e não errei nenhum passo.
- Eu também não errei nenhum.
- Mas fui eu quem te ajudou, você ganhou um 10 por esse trabalho e grande parte foi por causa de mim. – se gabou fazendo empurrar seu ombro, aí eles repararam que estávamos lá.
- Por que seu nariz está vermelho? – apontou para Sam e minha boca se levantou em um sorriso, esperei ele responder.
- Eu disse algo que alguém não gostou.
- Ele meteu o nariz onde não devia. – corrigi ameaçando agarrar de novo e ele deu um passo para trás.
- Já estava na hora de você bater no Sam. – incentivou dando tapinhas nas minhas costas.
- Às vezes não é legal como você trata tudo com violência. – Sam resmungou sério e deu um passo em sua direção fazendo com que ele pensasse que ela ia bater nele.
- Me desculpe por ter transtornos psicológicos. Como posso me redimir? – pareceu ser honesta e eu não sabia se dava risada ou ficava quieta.
- Eu posso tocar? – Sam estendeu a mão e se curvou, permitindo.
- Você não vai deixar ele tocar seus seios, vai?! – Tom gritou atrás de mim e eu coloquei as mãos na boca, em choque.
- Eu sempre quis saber se era silicone ou não. – disse ainda hesitante. pegou sua mão em um movimento rápido e colocou sobre um seio, ela fechou a própria mão e isso levou Sam a apertar seu seio, mesmo com a mão aberta a mão de Sam não cobria o seio de totalmente.
- É natural, não tenho dinheiro suficiente para colocar silicone. – esclareceu e tirou a mão dele dali.
- Eu ainda não acredito que isso acabou de acontecer. – sussurrei e olhei para Tom que estava petrificado.
- Sua pele é macia. – Sam elogiou e sorriu como se nada de estranho tivesse acontecido.
- Obrigada! Eu tomo bastante água. – explicou e eu percebi que Sam não parecia excitado por tocar nos seios de .
- O que foi? – indagou nos olhando e piscou. – Fiquem tranquilos, ele apertou o seio que é menor.
- Eu moro com loucos. – falei sozinha e esperei Tom falar algo.
- Tem algo seriamente errado com você. – ele jogou em direção de e ela concordou. Ele não pareceu bravo, apenas confuso e surpreso.
- Venha cá, você também quer sentir? – provocou e ele colocou as mãos na cintura, sorrindo com sarcasmo.
- Não preciso. – eu fiz o mesmo que Sam e franzi o cenho.
- Está me recusando? – perguntou em falsa ofensa e ele revirou os olhos.
- Quem poderia recusar Hoffmann? – fez mãos dramáticas e ela foi até ele sorrindo. Passou um braço pelos ombros de Tom com força.
- Obrigada por não me deixar cair. – bagunçou seu cabelo e saiu correndo escada acima quando ele foi mexer no cabelo dela. – Você sabe que eu odeio quando bagunça meu cabelo!
- Então por que fez isso com o meu?! – ouvimos antes deles saírem totalmente de vista e Sam estendeu o braço para fazer o mesmo, mas eu recuei rapidamente.
- Nem pensar! – gritei jogando uma almofada em seu rosto.
P.O.V Hoffmann
15:10

- Hoffmann! – Thomas correu atrás de mim quando eu entrei no quarto e eu peguei meu urso de pelúcia para me proteger. – Por que está usando o Bubbles? Ele pode se machucar!
- Eu sei que você nunca machucaria o Bubbles. – exclamei sem fôlego e ele parou.
- Justo. – disse parecendo desistir e quando eu soltei Bubbles ele me agarrou pela cintura.
- A porta está aberta. – apontei tentando me desvencilhar.
- Se alguém subir iremos ouvir. – aproximou seu rosto do meu.
- Vamos fechar a porta. – virei meu corpo mas Thomas rodou ele de volta.
- Não gosta da adrenalina? – deu um sorriso ladino e eu sorri zombeteira.
- Só está com preguiça de andar até lá. – ele riu me dando abertura para fazer o mesmo. – Eles ouviram você gritar o meu sobrenome, tem que ser mais discreto com isso.
- Somos amigos! Podemos falar o nome um do outro. – pulou na minha cama enquanto eu trancava a porta.
- Mas se não te encontrarem no seu quarto vão lembrar disso e vão saber que está aqui. – andei até ele e deitei também, um pouco cansada.
- Você é muito paranoica. – criticou pegando Bubbles.
- Agora me conte uma novidade. – usei ironia e ele deu de ombros.
- Se nos pegarem você fala que tropeçou, sempre funciona. – eu ri genuinamente e ele me olhou com graça.
- Boa ideia, vejo que tem experiência em não ser pego. – me virei para olhá-lo melhor.
- Estamos indo bem, duas semanas de sexo casual. – forçou a voz e mexeu em Bubbles.
- O que você acha que seus pais fariam se descobrissem?
- Eles ficariam chocados. – afirmou com certeza.
- Você acha que eles me mandariam embora? – perguntei um pouco pra baixo e ele virou seu corpo para olhar em meus olhos. Era engraçado que quando olhávamos para uma pessoa normal, olhávamos para sua boca enquanto ela falava, mas quando você olhava nos olhos, tudo ficava mais intenso.
- Eles te amam, não te mandariam embora só por causa de mim. – brincou e eu sorri, sua mão se ergueu e ele traçou uma linha com o indicador no canto do meu rosto, afastando meu cabelo dali.
- Eu fico melhor assim? – perguntei fazendo pose e ele franziu o cenho.
- Você tem a testa muito grande desse jeito. – apontou e eu me sentei ultrajada, jogando meu travesseiro nele. – Foi brincadeira.
- Minha testa é normal, meu nariz que é grande demais. – constatei tocando em meu rosto e Thomas bufou.
- O que tem de errado com seu nariz?
- Ele é grande. – me virei para que ele olhasse.
- Você é bonita. – afirmou e eu sorri não me contendo.
- Por que não disse linda?
- Porque se eu dissesse isso você pensaria que estou apaixonado.
- É verdade, você não está aqui por apoio emocional! Está aqui para me foder, apenas. – resmunguei o lembrando e ele levantou a cabeça, colocando o braço por baixo.
- Ah, é? E quando quer que eu faça isso? – seu tom foi carregado em malícia e eu subi em seu colo.
- Que tal... Agora? – ele se sentou e eu me encaixei em seu colo, gemendo baixinho por já o sentir mesmo sem estar rígido. Enganchei minhas mãos em sua nuca e suas mãos foram para a minha bunda ao mesmo tempo.
- Por que você sempre gosta de dar uns amassos sentada? – perguntou enquanto eu desabotoava sua camiseta e eu dei de ombros.
- Quando estamos deitados eu me sinto menos no controle. – expliquei e terminei, tirando a camiseta de Thomas pelos ombros.
- Mesmo com você por cima? – jogou a própria camiseta no chão e eu sorri quando ele puxou meu rosto para me beijar e para que eu me deitasse por cima dele.
- Você gosta quando eu fico por cima? – Thomas sequer me respondeu antes de colar nossos lábios novamente, abrindo a boca para que envolvêssemos nossas línguas. Suas mãos estavam em minhas costas para me manter deitada e minhas mãos estavam em seu peitoral.
- Eu prefiro você por cima quando está sem roupas. – disse enquanto nos rolava e agora ele estava deitado em cima de mim. Ele apoiava o próprio peso em um braço para que não me esmagasse.
- Já percebeu que parecemos com a Jackie e o Hyde? – trouxe o assunto aleatoriamente e ele riu, era a primeira vez que eu fazia uma comparação assim para Thomas, eu adorava fazer, mas nunca tinha feito com ele.
- That’s 70s Show? – perguntou enquanto abaixava levemente meu decote e beijava minha clavícula.
- Sim. – eu não sabia se tinha confirmado ou só gemido em aprovação aos beijos.
- Eles não se envolvem romanticamente? – levantou seu rosto e eu neguei com a cabeça.
- Sim, mas no final a relação deles vai pelo ralo. É um lembrete de que se nós ficarmos juntos, não vai dar certo.
- Quem são os outros meninos? – suas mãos puxaram minha camisa pra cima e eu ajudei a tirá-la.
- Harry é o Eric, é a Donna e Sam é uma mistura do Fez e do Kelso. – expliquei e ele assentiu, fazendo círculos com os dedos em cima do meu sutiã.
- Imagine um dia distante onde só tiraríamos a roupa e faríamos sem enrolação. – ele disse colocando a mão por dentro da minha calça. Eu tirei a mão dele de lá. – Eu estraguei?
- Vou te dar o que quer, mas você vai ficar me devendo. – respondi mudando as posições para ficar por cima e desabotoei sua calça arrastando-a para seus pés. Tirei minha própria calça fazendo um processo atrapalhado.
- Um dia temos que experimentar na parede. – Thomas sussurrou e eu espalmei minhas mãos em sua barriga.
- Você teria que me segurar o tempo todo. – tirei sua cueca e seu membro encostou na minha perna, ele gemeu e eu tirei a calcinha. O peguei pela mão e circundei a cabecinha.
- Caramba... – levantei um pouco meu quadril e deslizei ele para dentro de mim o mais rápido que pude. – Cacete!
- Faça silêncio. – sussurrei me segurando também. Subi um pouco e desci novamente ouvindo o som do impacto das nossas peles, Thomas me puxou com as mãos no meu quadril e as subiu para abrir meu sutiã. Ele conseguiu tirá-lo com uma mão.
- Eu tenho raiva de você por conseguir fazer isso. – resmunguei cavalgando mais profundamente e tampando a boca de Thomas com uma mão enquanto mordia meu próprio lábio.
- Parece que raiva funciona bem no nosso relacionamento. – eu o dei abertura para falar quando fechei os olhos e sem querer deslizei minha mão para o travesseiro.
- Mais forte. – pedi e Thomas agarrou minha cintura pra me puxar para baixo. – Estamos sendo muito barulhentos?
- Provavelmente! – gritou e eu agarrei a cabeceira da cama com as duas mãos. Abaixei meu rosto para beijar Thomas e encostamos nossos lábios, abrindo a boca para abafarmos o som dos nossos gemidos.
- Precisamos nos comportar melhor. – dei um selinho encerrando o beijo e tirei as mãos da cabeceira, puxando seu corpo comigo para os dois ficarem sentados. Minhas pernas ficaram dobradas ao lado de seu corpo e ele me abraçou com força, agarrei seus ombros e meus seios se espremeram contra ele.
- Estamos sem camisinha. – pareceu perceber e saiu de dentro de mim, mas eu cravei minhas unhas em seus ombros e trouxe seus olhos aos meus.
- Agora tenho que te pedir um favor, um favor grande. – usei um tom lento mesmo que estivesse ofegante e ele assentiu como se fosse atender qualquer pedido, posicionei minha entrada em Thomas novamente e ele arqueou as sobrancelhas.
- O que está fazendo? Isso... – coloquei meu dedo indicador em frente dos seus lábios e ele parou para me ouvir, eu apenas me esfreguei nele e ele fechou os olhos momentaneamente.
- Você tem que se controlar, não pode gozar dentro de mim. Com auto controle podemos transar sem camisinha. – expliquei e ele abriu os olhos, olhando diretamente para mim.
- Eu posso pegar uma camisinha no meu quarto. – disse querendo evitar a situação e eu agarrei seu cabelo para ser objetiva.
- Ou você me fode ou pode ir embora, estou confiando em você. Se gozar dentro de mim... – ele pareceu hipnotizado e eu arqueei as sobrancelhas para perguntar se ele tinha entendido, soltei meus dedos de seu cabelo e ele estocou em mim novamente.
- Porra... – gemeu.
- Não gosta da adrenalina? – repeti o que ele disse e ele mordeu o próprio lábio. Nos olhamos nos olhos e evitamos fechá-los.
Me aproximei lentamente enquanto ainda cavalgava e meu nariz esbarrou no de Thomas pela proximidade, eu podia ouvir os gemidos baixos mais claramente daquela forma. Encaixamos nossos rostos em um ângulo como se fôssemos nos beijar, mas hesitamos e deslizamos os lábios lentamente como se tivéssemos tempo o bastante para um único beijo, fechamos os olhos e Thomas pressionou sua boca contra a minha com vontade e com desejo inegável. Agarrei sua nuca e ele enlaçou meu corpo inteiro com os braços, não era uma brincadeira ou uma dança com os lábios, era apenas Thomas pressionando os seus contra os meus, com o maior desejo que já senti em meu ser. Nossas bocas se pressionaram e eu deslizei minha língua para a boca de Thomas, quando elas se tocaram tudo correu lentamente, de alguma forma não foi um encaixe perfeito, beijos não se tratavam sobre o encaixe perfeito, mas sim sobre como os dois acompanhavam o ritmo do outro em sincronia e faziam dar certo, respeitando a vontade do outro.
O encaixe perfeito de que todos falavam era simples, era tentar entender e conseguir compreender. É inegável que tem pessoas que não são o seu tipo de gente, mas o fato de a pessoa tentar encaixar já é um ato apreciativo.
Soltei um gemido abafado pelo beijo e Thomas foi mais rápido, nem sempre tínhamos orgasmos simultâneos, mas parecíamos estar chegando lá, separamos nossos rostos e eu agarrei sua mão, entrelaçando meus dedos com os seus.
- Controle... – suspirei para fora um pouco fraca e Thomas saiu de dentro de mim sem gozar. Peguei sua mão e a coloquei entre as minhas pernas enquanto minha mão ia para a sua glande, fazendo um carinho um pouco desesperado, os dedos de Thomas também foram para o meu clitóris.
- Thomas... – falei em um tom um pouco alto, mas não ao ponto de gritar e os dois aumentaram o ritmo ao mesmo tempo.
- Isso! – Thomas exclamou e explodimos ao mesmo tempo, minhas pernas ficaram bambas mesmo estando sentada e meu corpo deu um espasmo enorme enquanto eu arqueava as costas e jogava minha cabeça para trás segurando a mão de Thomas lá, ele moveu os dedos circulando e eu gozei pela segunda vez, me segurando para não gritar. Thomas se jogou para trás para deitar na cama, eu estava em sua frente então sai de cima e me deitei ao seu lado.
- Vou precisar trocar os lençóis. – resmunguei ofegante e com preguiça, meu corpo estava suado e o de Thomas a mesma coisa. Meus olhos vacilaram em aparente sono e eu cutuquei o braço de Thomas que já estava com os olhos fechados.
- Vista suas roupas e vá. – ordenei quase adormecendo e Thomas resmungou algo inaudível. – Você vai dormir pelado na minha cama?
- Ah, por favor. Agora tem problemas comigo sem roupa? – seu tom foi sonolento como o meu e eu juntei forças para levantar um pouco o corpo e entrar debaixo do cobertor.
- Está frio. – relatei bocejando e ele também entrou debaixo do cobertor.
- Podemos dormir só um pouco? – também bocejou e eu assenti com a cabeça sem perceber que Thomas não poderia ver porque estava de olhos fechados.
- Senhor Bubbles viu tudo isso. – minha voz começou a ficar mais baixa e ouvi o som da risada de Thomas, me aconcheguei no travesseiro e senti Thomas de frente para mim, os dois deitados de lado. Pude sentir sua respiração baixa e a calmaria que me atingiu ajudou o sono.
P.O.V Tom Holland
17:52
Acordei com um barulho insuportável e meu corpo pulou pelo susto, levantei um pouco a cabeça e quase dei de cara com , ela ainda dormia, mais calma do que qualquer momento que eu havia visto. Seu cabelo estava esparramado no seu pescoço e quase chegava ao rosto, meus olhos ainda estavam semicerrados e eu os esfreguei para enxergar melhor, quase toquei seu rosto, mas desviei minha mão no último segundo. O barulho continuava e eu o identifiquei, alguém batia na porta de .
- ! Está dormindo? – Harry gritou sendo insistente e eu bati a mão na testa. acordou sobressaltada e me empurrou da cama, eu caí no chão e puxei o lençol junto deixando completamente nua. – O que foi isso? Você está bem?!
- Anh... Sim! Estava dormindo e caí da cama. – se sentou confusa e Harry parou de bater.
- Podemos conversar? Me desculpe por te acordar! – mordeu o lábio em frustração e se levantou.
- Vá para dentro do armário. – sussurrou batendo no meu braço e eu franzi o cenho. Ela me bateu mais uma vez então levantei com o lençol na cintura mas o roubou de mim e eu tive que me esconder em seu armário, pelado.
- Já estou indo! Vou vestir uma camiseta! – ouvi exclamar, mas não pude ver nada.
P.O.V Hoffmann
Ignorei o sutiã jogado no chão e coloquei uma camiseta e a minha calcinha, enrolando o lençol na minha cintura e indo atender a porta.
- Pode falar. – respondi um pouco sem ar pela pressa e segurei a porta com uma mão e o lençol com a outra.
- Você sabe o que está acontecendo com a ? Ela está estranha. – pareceu um pouco abalado e eu respirei fundo. Sai pra fora do quarto para que Thomas não ouvisse a conversa e fechei a porta.
- Não sei o que está acontecendo com ela, mas sinceramente acho que você deveria tentar conversar com ela. Afinal, vocês são namorados.
- Eu tentei, mas ela desviou do assunto. Ela me pediu para confiar nela e eu confio, mas queria a mesma coisa, um voto de confiança. Não acredito que ela esteja fazendo algo errado, mas vejo que ela está inquieta. – explicou frustrado e eu coloquei uma mão em seu ombro, tentando dar algum suporte.
- Você disse isso pra ela?
- Ainda não. Não quero pressionar ela.
- Harry, por que está perdendo tempo falando comigo? – sorri para amenizar o que disse e ele abaixou o rosto.
- Ela é a melhor garota que já conheci, eu não quero perdê-la porque pressionei demais. É até inacreditável que ela queira estar comigo. – explicou e eu levantei seu rosto com uma mão.
- Você não vai perdê-la, e não é inacreditável que ela esteja com você Harry. Você é um dos melhores garotos que eu já conheci e ela está com você por causa disso, eu nunca vi você fingir ser alguém que não é e te conhece, assim como você a conhece. – usei sinceridade em cada palavra. Com um braço só envolvi Harry e tentei o abraçar do melhor jeito que pude.
- Vou conversar com ela, muito obrigado. – saímos do abraço e eu assenti.
- Eu amo você, Harry. Você é uma boa pessoa. – admiti e ele pareceu um pouco surpreso, era a primeira vez que eu falava aquilo para ele. Era a primeira vez que eu falava isso para alguém novo em muito tempo.
- Eu também amo você, Hoffmann. – disse do mesmo jeito que Thomas dizia e eu bati em seu ombro desencadeando uma risada de sua parte, mas em poucos segundos seu rosto se tornou sério. – Essa camiseta é masculina... Tom tem uma igualzinha.
- É do meu melhor amigo, ele me deu quando eu vim pra cá. – encobri percebendo que tinha vestido a camiseta de Thomas por engano e Harry concordou achando um pouco estranho.
- É muito parecida. – repetiu e eu só acenei com a cabeça. – Vou ir conversar com ela.
- Se ela terminar com você, eu bato nela! – apontei enquanto ele se afastava e ele deu risada. Entrei no quarto e fechei a porta novamente a trancando, soltei o lençol na cama e Thomas saiu do armário.
- Estou me sentindo em um filme americano. – brincou pegando sua cueca e a vestindo, logo pegando a calça e procurando a camiseta. – Você viu a minha...
- Essa daqui? – puxei o tecido da camiseta e ele sorriu com bastante diversão.
- Você vestiu minha camisa pra ir falar com o Harry? – provocou vestindo a calça e eu bati a palma da mão na testa.
- Eu só percebi ali e acho que consegui encobrir por pouco. – levantei as mãos quase rindo de desespero.
- Vou precisar dela. – disse avançando para perto de mim e eu arqueei as sobrancelhas, ele puxou minha cintura.
- Já quer tirar minha roupa de novo? Você não dá um tempo! – brinquei e ele beijou meu pescoço puxando a barra da camiseta para cima lentamente.
- Você é quem não me dá um tempo. – assoprou em meu ouvido e eu o empurrei medindo minha força. Tirei a camiseta e joguei em seu rosto.
- Pronto, a camiseta está aí. – coloquei os braços para cima para me “alongar” e Thomas deixou a camiseta cair por estar com os olhos fixos em meus seios.
- Ah, por favor... – implorou ficando de joelhos e eu não pude evitar rir.
- O que está fazendo? – ele começou a chegar perto e ainda ajoelhado colocou as mãos no meu quadril, seu rosto estava na altura da minha barriga. – Não, não é possível que esteja excitado de novo.
- Você já se olhou no espelho? – beijou minha barriga e eu senti cosquinhas, rindo e acariciando seu cabelo.
- Pare de massagear meu ego. – pendi a cabeça para trás e me afastei.
- Ok, eu vou embora. – se levantou fechando as mãos em punhos e socando o ar desajeitadamente.
- Foi bom fazer sexo com você. – agradeci casualmente colocando a minha própria camiseta e Thomas colocou a dele.
- Pare de massagear meu ego. – repetiu sarcástico e eu mostrei a língua.
- Você é ótimo na cama, mas muito irritante fora dela. – peguei uma calça e ele olhou para baixo.
- Fale algo para melhorar minha situação. – disse se referindo a sua ereção e eu mordi o lábio para não rir. Cheguei perto e belisquei seu braço. – Que diabos foi isso?!
- Essa é uma das formas. – esclareci dando um passo para trás e percebi que enquanto ele massageava o braço a ereção diminuiu.
- Você é sexóloga? – perguntou brincando e eu fiz uma careta.
- Vá embora antes que eu te belisque de novo. – empurrei ele para a porta e ele checou antes de sair.
Meu humor tinha se levantado depois do sexo, sempre se levantava. Sexo era essencial para garantir um sorriso no rosto e eu tinha um sorriso no rosto agora. O falso orgasmo era a maior vantagem de uma mulher, mas nunca tive que fingir com Thomas, nunca precisei fingir em nenhum aspecto enquanto estava com Thomas. As coisas eram mais simples quando estávamos juntos e quando nos separávamos tudo se tornava complicado e bagunçado. Era por isso que eu não queria arriscar uma relação de verdade, daquele jeito tudo poderia virar uma confusão. O compromisso, a expectativa.
Thomas era tudo o que uma garota poderia pedir, ele era bonito, em forma, sempre com a capacidade de te fazer sorrir ou rir e sem ser exigente. De algum jeito, mesmo não querendo namorar com ele ficava lisonjeada e orgulhosa de ser amiga dele. Quando ele fizesse sucesso garotas cairiam do céu por uma oportunidade.
Os fãs dele conheceriam ele pelo que ele era porque ele era transparente com o jeito de ser e eu tinha certeza de que não mudaria por causa da fama, eu sentia que conhecia ele justamente porque ele era acessível. De primeira impressão poderia parecer bobinho, mas estava longe disso, se assustava facilmente e era palhaço por natureza, acho que isso era o que eu mais gostava na família dos Holland.
Eles eram autênticos, todos eram artistas e apaixonados pelo que faziam. Tinham virado minha segunda família, até mais próximos do que a família da minha mãe, qual eu não via fazia quase seis anos. Eu sentia que eles se importavam comigo e viam meu potencial, o que me ajudava sempre.
P.O.V Gianniotti
18:30

Assisti Harry se aproximar e meu corpo pareceu enrijecer, eu não gostava de ocultar as coisas dele, mas não queria que ele me achasse um monstro, não queria que ele se envolvesse com Giovanni. Harry não merecia nada daquilo.
- Precisamos conversar. – se sentou no sofá e eu me senti bastante inquieta.
- Sobre o que? – tentei olhar para seu rosto mas algo me disse para desviar.
- Sobre nós. – ele iria terminar comigo?
- Aqui? Sua mãe está cozinhando e todos estão em casa. – mostrei o tanto de privacidade que nós teríamos ali e ele se levantou me chamando com a mão, sem buscar minha mão, apenas me chamando. Ele não me tocou e isso me abalou mais do que eu gostaria. Entramos em seu quarto e eu me sentei.
- O que está acontecendo? Eu não entendo... Estávamos bem e de repente, não estamos mais. – começou dizendo com uma voz que mostrava confusão.
- Não. Claro que estamos bem! – repeti mais para mim mesma.
- Algo está diferente, algo está errado. Me diga para que possamos resolver. – a profundidade que vi em seus olhos quase me deixou sem ar. As palavras fugiram de mim. Como eu poderia dizer algo com a profundidade de desespero que me encarava?
- Harry... – foi a única palavra que me lembrei enquanto o olhava.
- Olha, eu confio em você. Confio em você de olhos fechados. Confio em você com todo meu coração. Não pode me dar o privilégio de um voto de confiança também? Me diga o que está acontecendo. – pediu abaixando a cabeça e eu não pude parar minhas mãos ao ponto que elas tocaram o rosto de Harry.
- Eu... – quando meus olhos encontraram os de Harry novamente e eu vi a pureza que estava escondida ali, desisti de contar o que eu havia feito, ele não merecia estar envolvido em coisas daquele tipo. – Eu confio em você, nada está acontecendo.
- Eu sei que tem algo acontecendo, por favor pare de mentir para mim. – finalmente me tocou e juntou nossas mãos.
- Não tem nada demais acontecendo. – assegurei e aproximei meu rosto para o beijar mas ele desviou de mim.
- Você está infeliz com nosso relacionamento? Seus sentimentos mudaram? – o jeito como sua voz falhou quase quebrou meu coração.
- O que?! Não! – pela primeira vez na conversa, fui sincera.
- Então o que é?
- Não é nada demais. Eu sinto tanto que isso tenha prejudicado nosso relacionamento, você é o que mais me importa no mundo inteiro, não pense diferente em relação a isso. – ele me olhou novamente e dessa vez eu vi esperança. Levantei nossas mãos entrelaçadas e coloquei as duas juntas em meu peito. – Meu coração é seu, duvido que vá deixar de ser tão cedo.
- Mesmo que seja pequeno, gostaria que me dissesse. Somos a comunicação, certo? – olhou para as nossas mãos juntas e eu assenti, tirando nossas mãos do meu peito discretamente porque meu coração tinha acelerado.
- Minha mãe me ligou alguns dias atrás, ela brigou comigo por causa de Giovanni e eu odeio quando ela o traz ao assunto então fiquei tensa porque estávamos brigadas. – menti, inventei a mentira na hora porque foi o mais perto da verdade que consegui.
- Você quer falar sobre isso? – perguntou parecendo bem mais aliviado e eu neguei freneticamente com a cabeça.
- Não, talvez possamos sair hoje. Que tal karaokê? – propus e seu cenho se franziu me fazendo rir.
- Sozinhos?
- É melhor se chamarmos os meninos. – observei enquanto olhávamos fixamente pra porta.
- Mas vamos comer antes. – sugeriu e eu concordei com a cabeça.
- Você pede pra sua mãe ou eu peço? – perguntei já acostumada e ele sorriu.
- Eu peço. – me beijou rapidamente e caímos na cama juntos, rindo um pouco.
Descemos e jantamos, Harry pediu para Dom as chaves do carro e Nikki colocou o limite de horário que era meia-noite, Paddy não se abalou por não poder ir porque estava cansado e Tom chamou Harrison mas ele disse que nos encontraria lá então nós cinco seguimos para o karaokê que os meninos conheciam. Chegando lá nos reunimos com Harrison na entrada e pedimos bebidas, os garotos pediram cerveja, eu pedi refrigerante e pediu chá gelado, o que ela sempre tomava quando era possível. Era um karaokê com salas privadas, diferente da onde todos se misturavam e passavam vergonha com plateia cantando desafinado.
- Você sempre gostou de chá? – de repente ouvi Harry perguntar para . Estávamos todos sentados, distribuídos em dois sofás, Harry tinha um braço em volta dos meus ombros.
- Sim. – respondeu estranhando e Harry assentiu. Estávamos conversando, tinha uma televisão ali onde colocaríamos as músicas.
- Quem vai primeiro? Ou vamos todos juntos? – Harrison questionou e Harry pigarreou.
- E se ao invés de escolhermos a música para cantar, nós escolhermos a música um do outro? – sugeriu e todo mundo se entreolhou. – Vamos jogar pedra, papel e tesoura. O vencedor escolhe a música de todo mundo.
- Por que não... – Tom tentou dizer, mas o interrompeu como se ele fosse insignificante.
- Eu acho uma ótima ideia. – sorriu e Tom beliscou sua cintura. – Que diabos?
- Será que você poderia ter mais educação? – Tom perguntou retoricamente e levantou a mão, dando um tapa na parte traseira da cabeça de Tom.
- Stanley, não me belisque e pense que não terá volta. – cruzou os braços e Tom levantou a mão também, dando o mesmo tapa na cabeça de , que foi fraco mas a desorientou. – Você quer morrer?
- Você e mais quantos? – provocou e quase avançou nele mas Tom se assustou e Harrison segurou o braço dela.
- Por mais que eu quisesse ver você matando o Tom, vamos sair como cúmplices se fizer isso. – avisou e parou. Tom parecia estar sorrindo e Sam olhava para ele como se ele fosse se foder se continuasse.
- Vamos jogar. – incitei e fizemos pedra, papel e tesoura. Eu ganhei e olhei para todos no recinto, eu poderia fazer eles cantarem qualquer coisa.
- Vou separar vocês em duetos. – ordenei e eles esperaram.
- Lembre-se que eu sou sua amiga, somos as intercambistas, precisamos nos ajudar. – levantou as mãos arqueando as sobrancelhas.
- e Harry, Harrison e Tom. – arrumei e Sam mexeu em seu cabelo, sorrindo.
- Isso quer dizer que eu não vou precisar cantar? – perguntou animado e eu tive que cortar seu barato.
- Isso quer dizer que quem menos me agradar faz par com você no final. – cruzei os braços satisfeita com a reação causada, Sam bufando.
- O que eu vou ter que cantar? – Harry perguntou e olhou para mim. Peguei o controle da televisão e procurei a música que gostaria.
- Jordin Sparks? – franziu o cenho fortemente e eu sorri. – Com o seu namorado?
- Vão ter que dançar também. – adicionei e Harry bufou.
- Não sabia que você curtia esse tipo de coisa. – sibilou e eu enruguei o rosto em uma careta.
- Eu confio em você para não se apaixonar pelo Harry.
- Isso foi altamente ofensivo! – Harry resmungou e eu encostei meus lábios em sua bochecha.
- está sem sexo desde que chegou porque não achou ninguém a altura e não acho que você seja o tipo dela. – expliquei e ouvi engasgar com o chá, Harrison fez a mesma coisa com a cerveja e Tom bateu em suas costas para o ajudar.
- Vamos logo. – se levantou e puxou Harry pela mão, eles foram para a frente da televisão, pegaram os microfones e eu tampei minha boca para não rir logo de cara. Já havia visto Harry cantar, mas nunca tínhamos saído juntos para o karaokê.
[Recomendo que coloquem para tocar No Air da Jordin Sparks e do Chris Brown]
Tell me how I'm supposed to breathe with no air/ Diga-me, como eu devo respirar sem ar?

Segundas vozes apareceram e se virou para Harry, eles ficaram de frente um para o outro e ela aproveitou essa deixa para pegar uma mão de Harry, zombando da situação.
Ainda com uma mão entrelaçada na de Harry, levantou a outra com o microfone e começou a cantar sem nem precisar olhar para a letra na televisão:
If I should die before I wake/ Se eu morrer antes de acordar
It's cause you took my breath away/ É porque você tirou meu fôlego
Losing you is like living in a world with no air, oh/ Perder você é como viver em um mundo sem ar, oh


Soltou a mão dele e o rodeou com uma dança dramática, ele parecia um pouco envergonhado, mas começou a parte dele:
I'm here alone, didn't wanna leave/ Eu estou aqui sozinho, não queria partir
My heart won't move, it's incomplete/ Meu coração não se move, está incompleto
Wish there was a way that I can make you understand/ Gostaria que houvesse um jeito de fazer você entender


Continuou parado na mesma posição e encostou suas costas com as costas dele para atuar uma cena como se os dois estivessem separados por uma porta.
But how/ Mas como
Do you expect me, to live alone with just me?/ Você espera que eu viva sozinha?
‘Cause my world revolves around you/ Porque meu mundo gira ao seu redor
It's so hard for me to breathe/ É tão difícil para eu respirar


Acertou a nota e fez uma careta sofrida. Virou Harry para se olharem e os dois continuaram juntos:
Tell me how I'm supposed to breathe with no air/ Diga-me, como eu devo respirar sem ar?
Can't live, can't breathe with no air/ Não se pode viver, não se pode respirar sem ar
That's how I feel whenever you ain't there/ É assim que eu me sinto quando você não está aqui
There's no air, no air/ Não há ar, sem ar
Got me out here in the water so deep/ Eu estava lá naquela água tão funda
Tell me how you gonna be without me?/ Diga-me, como você ficará sem mim?


formou um coração no ar e o separou fingindo que o tinha quebrado.
If you ain't here, I just can't breathe/ Se você não está aqui, eu simplesmente não consigo respirar
There's no air, no air/ Não há ar, sem ar


A voz dela praticamente carregava a dele já que ele não tinha quase nenhum dom musical, mas ele começava a se soltar e eles até dançavam juntos.
No air air, No air air/ Sem ar, sem ar
No air air, No air air/ Sem ar, sem ar
I walked, I ran, I jumped, I flew,/ Eu andei, eu corri, eu pulei, eu voei
Right off the ground to flow to you/ Do chão para flutuar até você
There's no gravity to hold me down, for real/ Não há gravidade para me segurar, de verdade


Harry pulou em um passo de dança e Harrison assobiou, batendo palmas.
But somehow I'm still alive inside/ Mas, de alguma maneira, eu ainda estou viva por dentro
You took my breath but I survived/ Você tirou meu fôlego, mas eu sobrevivi


Bateu em seu próprio peito como se fosse uma sobrevivente.
I don't know how but I don't even care/ Eu não sei como, mas eu nem me importo

Ela conseguiu sustentar o alcance vocal e Harry apenas a olhou de soslaio.
So how do you expect me, to live alone with just me?/ Mas como você espera que eu viva sozinha só comigo?
‘Cause my world revolves around you/ Porque meu mundo gira em torno de você
It's so hard for me to breathe/ É tão difícil para eu respirar


continuou seguindo as notas originais e Harry nem mesmo tentou seguir a parte do Chris Brown.
Tell me how I'm supposed to breathe with no air/ Diga-me, como eu devo respirar sem ar?
Can't live, can't breathe with no air/ Não se pode viver, não se pode respirar sem ar
That's how I feel whenever you ain't there/ É assim que eu me sinto quando você não está aqui
There's no air, no air/ Não há ar, sem ar


Eles se olharam por um momento fingindo paixão e cantando, eu quase gargalhei.
Got me out here in the water so deep/ Eu estava lá naquela água tão funda
Tell me how you gonna be without me?/ Diga-me, como você ficará sem mim?
If you ain't here I just can't breathe/ Se você não está aqui, eu simplesmente não consigo respirar
There's no air, no air/ Não há ar, sem ar


e Harry fizeram gestos negativos com as mãos. Balançando o indicador.
No air air, No air air/ Sem ar, sem ar
No air air, No air air/ Sem ar, sem ar


Alguns versos da música se repetiram e a música chegou a sua última batida. Harry e se observaram e se aproximaram, parecia que iam se beijar, mas eles viraram o rosto no último momento, fazendo caretas para nós.
- Isso foi adorável! – Harrison exclamou e abraçou Harry de lado, como um melhor amigo abraça o outro. Bateu em suas costas e ele pisou em seu pé.
- Por que tudo com você tem que ser movido a porrada? – eu perguntei realmente curiosa e se desvencilhou de Harry para vir até mim, ela aproximou seu rosto do meu e eu não recuei.
- Tenho blackouts de raiva, mas é só com os meninos. – explicou me dando um selinho rápido e Harry se prontificou em se aproximar de mim.
- Você sabia que você ser mulher não muda o fato de que ela é minha namorada, não é? – Harry firmou seu braço sobre mim e eu sorri, puxando pra outro selinho. Foi um leve tocar e fez um barulhinho engraçado pela rapidez.
- Vocês estão tentando nos provocar? – Tom entrou no meio, cruzando os braços. se sentou no sofá e soltou um suspiro pesado.
- Claro, Thomas, estamos conseguindo? – disse de olhos fechados e eu imaginei se era a prática ou a imaginação da que levava ela a ser tão boa em seduzir homens.
- Acho que você tem que renovar seus truques, ser agressiva é diário e já beijou na nossa frente com mais paixão. – quando abriu seus olhos e os fixou em Thomas eu temi por ele. Os olhos dela tomaram um brilho selvagem e ela arrumou seu cabelo com uma mão o jogando para trás, gesto que eu vi ser eficaz em Harrison.
- Cuidado, Thomas, eu mudo muita coisa de cinco em cinco minutos. – a ponta da sua língua tocou seu lábio superior e deslizou por toda a extensão, logo se abstendo com um sorriso de dentes. Tom acabou engolindo em seco.
- Quando vocês vão entender que não podem com a Hoffmann? – perguntei percebendo muito tarde que tinha saído em voz alta e piscou para mim.
- Podemos com ela sim, só não arriscamos por causa dos blackouts de raiva. – Sam sussurrou e cruzou as pernas em uma pose relaxada.
- Se eu bem me lembro, você era afim de mim há pouco tempo atrás. – apontou com o indicador e mordeu a ponta do dedo como se tivesse deixado escapar um segredo.
- Não era bem...
- Ah, por favor! – Harry exclamou cortando o gêmeo e eu bufei uma risada.
- tem a vantagem de ter um corpo bonito e por isso sempre tenta nos provocar. – Tom apontou o óbvio.
- Se eu nasci mulher, acredito que devo usar minhas vantagens nessa sociedade estrutural e machista. – tomou um gole de seu chá e Tom olhou com diversão para ela.
- Você já ficou sem resposta alguma vez na vida? – pareceu frustrado, mas sorriu.
- Quando eu era pequena, talvez. Sempre dei um jeito de desviar quando não sabia muito sobre o assunto. – deu de ombros como se fosse normal.
- Não gosta de estar errada? – Tom provocou e mostrou a língua.
- Claro que não, né? Mas mesmo sendo incrivelmente difícil, se acredito que estou errada vou admitir. – respondeu e ele concordou.
- Estamos nos intrometendo na conversa paralela? – Harrison farpou e eu limpei a garganta.
- Próxima dupla! Para o palco! – gritei dando as ordens. Tom e Harrison cantaram Little Things do One Direction e eu assisti Sam gargalhar pensando que sairia ileso dessa.
- Todos vocês agora. – rodei o dedo e todos se levantaram bastante hesitantes.
- Você sabe isso não vai ficar impune, né? – Sam suspirou pegando o microfone e eu semicerrei os lábios fingindo que ia rir.
- Você não pode fazer nada.
- Eu sei que não posso, mas pode e tenho certeza de que vai dar o troco. – estendeu a mão para apontar para e ela acenou para mim e piscou um olho só.
- Vai valer a pena. – selecionei Katy Perry e bateu a mão na testa, logo pegando o microfone e batendo o pé de acordo com a batida malcriadamente.
[Agora, Hot N Cold da Katy Perry.]

Todos balançaram o corpo e começou um pouco desanimada:
You change your mind/ Você muda de ideia
Like a girl changes clothes/ Como uma garota muda de roupas
Yeah you, PMS/ Sim, você tem TPM
Like a bitch/ Como uma vadia
I would know/ Eu deveria saber


Sam cantou também afinando a voz:
And you over think/ E você pensa demais
Always speak/ Sempre fala
Cryptically/ Em códigos
I should know/ Eu deveria saber
That you're no good for me/ Que você não é bom pra mim


Todos se juntaram e dançaram passos diferentes.
Cause you're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria

Tom olhou para e cantou como se estivesse dedicando a ela, ela o olhou indignada mas não parou de cantar.
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora


Apontou para o chão e logo para a porta como se dissesse fora.
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste
You're wrong when it's right/ Você está errado quando é certo
It's black and it's white/ É preto e é branco
We fight, we break up/ Nós brigamos, nós terminamos
We kiss, we make up/ Nós nos beijamos e voltamos


Tom se virou novamente para mim e Harrison continuava com a perfomance olhando para Harry com o cenho franzido.
You, You don't really want to stay, no/ Você, você realmente não quer ficar, não
You, but you don't really want to go-o/ Você, mas você realmente não quer ir, oh
You're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste


Sam começou de novo e eu encorajei dançando o máximo que podia, sentada.
We used to be/ Nós costumávamos ser
Just like twins/ Como gêmeos
So in sync/ Tão em sincronia
The same energy/ A mesma energia
Now's a dead battery/ Agora é uma bateria morta
Used to laugh bout nothing/ Costumávamos rir sobre nada
Now you're plain boring/ Agora você está entediante
I should know that/ Eu deveria saber
you're not gonna change/ Que você não vai mudar


Harry colocou as mãos na barriga e ajoelhou lamentando.
Cause you're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria

Sam já chutava e socava o ar como se estivesse bravo e Harrison cantava olhando para ele, tentando não rir. olhava para Tom e quase perdia a letra de tão distraída.
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste
You're wrong when it's right/ Você está errado quando é certo
It's black and it's white/ É preto e é branco
We fight, we break up/ Nós brigamos, nós terminamos
We kiss, we make up/ Nós nos beijamos e voltamos
You, You don't really want to stay, no/ Você, você realmente não quer ficar, não


Tom apontou para a acusando e ela cruzou os braços ainda sustentando o microfone debaixo da boca.
You, but you don't really want to go-o/ Você, mas você realmente não quer ir, oh

Harry também apontava para mim e logo Harrison também estava fazendo isso para Sam já que não sobrava mais ninguém.
You're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste


Todos pararam de cantar ainda fazendo suas performances e Tom, Harry e Harrison cantaram o próximo verso com indignação teatral ainda nos culpando na situação imaginária:
Someone call the doctor/ Alguém chame um médico

Harry usou a mão como celular imaginário quase gritando com o microfone.
Got a case of a love bi-polar/ Temos um caso de amor bipolar

Tom apontou para e ela franziu o cenho.
Stuck on a roller coaster/ Presa em uma montanha russa
Can't get off this ride/ Não consigo sair dessa


e Sam nem cantavam mais porque estavam assustados pelas acusações e os outros olharam para eles e tomaram um tom mais calmo.
You change your mind/ Você muda de ideia
Like a girl changes clothes/ Como uma garota muda de roupas


Começaram a dançar com mais desempenho e era a única que arqueava as sobrancelhas e protegia o corpo com os braços. Todos se viraram para ela como se fosse o próximo alvo e ela jogou a cabeça para trás e gritou “ótimo!” em sarcasmo.
Cause you're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora


Os meninos dançavam em volta dela e ela revirava os olhos com devoção.
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste
You're wrong when it's right/ Você está errado quando é certo
It's black and it's white/ É preto e é branco
We fight, we break up/ Nós brigamos, nós terminamos
We kiss, we make up/ Nós nos beijamos e voltamos


Todos apontamos para Hoffmann e ela apenas assentiu, batendo as mãos nas calças jeans.
You, You don't really want to stay, no/ Você, você realmente não quer ficar, não
You, but you don't really want to go-o/ Você, mas você realmente não quer ir, oh


se juntou e voltou a cantar:
You're hot then you're cold/ Porque você é quente e logo esfria
You're yes then you're no/ Você é sim e depois é não
You're in and you're out/ Você está dentro e está fora
You're up and you're down/ Você está feliz e está triste


A música acabou e os garotos voltaram a se sentar nós sofás.
- Temos que jogar pedra, papel e tesoura de novo. – Harrison sugeriu e eu percebi que no meio do burburinho e Tom trocavam farpas e risadinhas.
- Eu peguei leve, se pensarem bem. – voltei minha atenção ao jogo e me olhou com um cinismo que apenas ela conseguia transmitir. Jogamos de novo e Harrison ganhou.
- Estão preparados para Wannabe?! – se vangloriou e pegou a cerveja de Sam da mão dele quando ele a levantou para bebericar, foi um pouco agressivo e Sam franziu o cenho indignado.
- Ei! Pra que isso? – cruzou os braços enquanto ela tomava um gole grande da cerveja.
- Se vamos fazer isso, eu preciso de álcool. – se justificou colocando a garrafa nas mãos de Sam e todos assentimos com a cabeça. Tom foi o mais solidário e estendeu a própria garrafa para .
- Obrigada. – agradeceu aceitando a oferta.
- Vamos, Spice Girls!


Capítulo 19

Aviso de gatilho: Este capítulo contém referências e cenas explícitas que podem engatilhar sentimentos/sensações/lembranças ruins. Se você é sensível ou simplesmente não gosta de ler coisas do tipo, é melhor que pule esse capítulo. 12/04/2016
Terça-feira
02:50
P.O.V Hoffmann
Era madrugada mas todos na casa estavam acordados, assistindo a live da première de Capitão América, Guerra Civil.
Thomas estava em Los Angeles para o evento, e todos nós sentíamos falta dele, eu mais por outros motivos mas isso era irrelevante. Era incrível assistir ele dando autógrafos, entrevistas, parecendo um pouco nervoso mas experiente naquela coisa toda, afinal ele era o Homem Aranha! E aquilo era uma surpresa porque a ficha não tinha caído até vermos ele com todo o elenco do filme no tapete vermelho e azul do Dolby Theatre.
Depois do evento ele iria voltar para Inglaterra por outra première do filme que se passaria aqui, mas tudo o que pensei analisando aquilo era quanto cansaço ele deveria sentir voando de um lado para o outro.
- Imagina quando a também ficar famosa, não vamos ter um momento de paz na família. – Paddy sussurrou e eu ri bagunçando seu cabelo.
- Não diga isso com certeza, não sabemos o que vai acontecer. – repreendi com as sobrancelhas arqueadas, era bom saber que todos ali acreditavam no meu potencial mas ainda era incerto.
- Você assinou o contrato, não assinou? – perguntou e eu concordei. – E está escrevendo e produzindo as músicas?
- Sim, mas isso não quer dizer que o mundo irá gostar. – dei de ombros me preparando para o pior e Paddy bufou. Vinha sendo muito divertido compor as músicas com os meninos, passar tardes em estúdios de gravação ainda era surreal.
- Pare com isso, tudo vai dar certo. – Paddy balançou a mão como se já estivesse de saco cheio de mim e eu gargalhei. Segurei seu rosto e beijei suas bochechas várias vezes. – Chata!
- Pirralho. – soltei seu rosto e ele arrumou a própria postura. Eu sentia falta do meu pai e do meu irmão, nos ligávamos quase todos os dias e os dois estavam bastante felizes por mim. Se eu fizesse dinheiro com a música, seria muito bom para ajudar minha família.
- Ele está nervoso. – observou e eu voltei minha atenção pra live.
- Esse evento é enorme. Espero que ele tenha pegado o celular da Elizabeth Olsen, porque eu instrui ele claramente. – falei apontando acusadoramente para a tela e Nikki riu.
- Você daqui a pouco vai ficar famosa, vai conseguir o número dela por si só. – me cutucou e eu bati em sua mão.
- Será que todos podem parar de dizer isso?
- Eu hein, tá com sono? – rebateu e eu revirei os olhos. Eu ficava bastante irritada quando ficava sonolenta.
- Faz umas três semanas que todo mundo repete isso, e se eu não conseguir? – expliquei entrelaçando minhas próprias mãos e Sam veio me reconfortar, me abraçando pelos ombros. Harry também me abraçou pelo outro lado e tentou entrar no meio.
- Venham vocês também! Sanduíche! – Paddy gritou enquanto pulava em cima de mim e eu urrei me sentindo esmagada.
- Não, não, não! – gritei tentando afastar Nikki e Dom mas no segundo seguinte todos estavam em cima de mim. – Eu garanto... A vocês... Meu pai vai processar se eu morrer!
- Nós dizemos que você fugiu. – Harry sugeriu e logo todos saíram de cima de mim. Puxei uma lufada de ar grande.
- Eu nunca fiz nada para vocês. – resmunguei tristonha e ouvi risadas irônicas de e os gêmeos.
- Diga isso para os meus hematomas. – Sam alfinetou e eu revirei os olhos.
- Então isso foi mesmo para me asfixiar. – acusei e ele assobiou olhando para o outro lado.
- Era só pra dar um susto. – Harry fingiu amenizar a situação.
- Então tudo bem. – rebati cinicamente e encostei minha cabeça no ombro de Sam, ele passou o braço por volta do meu corpo em um gesto fraternal e eu me aconcheguei. Assistimos até onde conseguimos da live e todos foram para seus respectivos quartos.
Eu tinha oito mensagens pendentes no celular, o desbloqueei e deslizei por elas lendo as mais recentes. Bia perguntava quando eu voltava e Maya me contava sobre o novo trabalho dela, respondi as duas e bloqueei o celular para colocá-lo na escrivaninha. Eu não via as duas fazia eras, desde que eu havia voltado para a Alemanha todas se separaram e ficaram ocupadas. Mas eram boas amigas, tínhamos tido ótimos momentos juntas.
4 anos atrás...
20/02/2012
- Bi, eu não acho uma boa ideia! – repeti mais uma vez enquanto ela me arrastava pela mão, em meio a multidão das ruas de Los Angeles. Um protesto estava acontecendo e por mais que eu respeitasse a causa, odiava a sensação da multidão me esmagando.
- A Maya disse que ia nos encontrar ali! – gritou para mim apontando para o outro lado da multidão e eu bufei.
- Claro que ela disse! – respondi mal humorada e mesmo com Bi de costas para mim tinha certeza de que havia recebido um olhar de repreensão.
- Ela ia trazer uma amiga! – meus olhos procuraram Maya por toda aquela bagunça mas decidi que era melhor focar em não ser arrastada por ninguém. Depois de mais uma boa caminhada pedindo licença para todos, chegamos na calçada não muito movimentada e procuramos por Maya visualmente.
- Ali! – Bi deu um puxão na minha mão e eu tropecei nos sapatos, quase tendo uma parada cardíaca.
- Será que dá pra você desacelerar? – questionei tentando acompanhar e ela finalmente parou quando chegamos a poucos centímetros de Maya e de sua amiga. Maya tinha o cabelo um pouco maior desde a última vez que havia visto e sua amiga estava parada esperando para interagir, era loira e com traços bastante delicados, olhos azuis bem claros.
- Eu senti tanto sua falta! – Bi me soltou e abraçou Maya com vontade que riu retribuindo.
- Vem cá. – puxei ela também quando Bi a soltou. – Como foi em San Francisco?
- Frio e nublado, mas eu li bastante. Tem alguma novidade? – nos olhou e eu direcionei minha atenção para a amiga dela.
- Eu sou a Mia. – se apresentou percebendo que era o que eu esperava e acenou, ela sorriu e eu senti um pouco de inveja da sua aparência.
- Eu sou a Beatriz mas pode me chamar de Bi, Bia, Bea, o que preferir. – acenou de volta sorrindo amigavelmente.
- Ou pode chamar ela de hippie. – sugeri e levei um tapa no braço.
- Eu sou a . – balancei a mão levemente e seu sorriso mudou.
- Maya me falou muito sobre vocês. – lançou um olhar de soslaio para ela e eu franzi o cenho. – Mas não me disse que vocês eram tão bonitas.
- Eu não te disse porque a Bi é comprometida, eu não quero você dando em cima dela. – repreendeu Mia e eu vi que seu sorriso não era meigo como parecia ao primeiro olhar.
- Não diga isso, elas vão pensar que eu dou em cima de todo mundo. – sussurrou parecendo brincar. Maya arqueou as sobrancelhas e sorriu em sarcasmo.
- Não tem uma garota sequer em San Francisco que não conheça sua fama. – rebateu e Mia deu de ombros orgulhosa.
- Vamos ser boas amigas... – Bi pressentiu me dando um olhar divertido e eu mordi meu lábio inferior.
- Espero que sim.
Atualmente...
O dia em que eu conheci Mia ainda era claro em minha mente, a primeira vez que eu tinha experimentado cocaína, uma experiência bastante desagradável para mim. Mas Mia... A pessoa que me mostrou que o amor tem todas as formas e cores diferentes, que me proporcionou tantos momentos incríveis e tinha sido minha melhor amiga, ela tinha valido a pena.
4 anos atrás...
15/06/2012
- Vocês querem ir assistir Avengers, nos cinemas? – propus para as meninas que acabavam de tirar suas máscaras faciais. Elas se entreolharam e deram um risinho.
- Pra ficar de vela? Não, obrigada. – Maya respondeu pelas duas.
- Ela não gosta de beijar no cinema, acha um desperdício de dinheiro. – Mia interviu e eu fiquei um pouco envergonhada.
- Qual é o ponto de pagar para assistir um filme e não assistir? E é Avengers, vocês sabem como eu esperei por esse filme! – sussurrei me defendendo e Bi gargalhou.
- Vocês vão sentar separadas? – opôs como condição e Mia revirou os olhos.
- Tão dramáticas às vezes! Arrumem um namorado para vocês. – sugeriu.
- Não é como se garotos caíssem de árvores. – Bi retrucou mas seu celular apitou logo em seguida fazendo Mia bater em seu ombro e gritar “AHA”. – Você nem sabe se é um garoto.
- Quem é então? – indaguei cruzando os braços e Bi deu um sorriso envergonhado.
- É o Josh, mas isso não tem nada a ver. – tentou se esconder com os cabelos e todas jogamos travesseiros nela. – Namorar é muito complicado! Nem todo mundo tem a sorte de encontrar uma ou uma Mia, ok?
- Mia não é tão fácil de conviver como parece. – Maya apontou e Mia mostrou a língua.
- Vocês vão ou não? – perguntei olhando pro relógio e elas se levantaram do sofá.
- Precisamos de cinquenta minutos. – Bi tratou como se fosse pouco e eu ri sarcasticamente.
- Vamos fechar com trinta, te dou cinco minutos adicionais se não enrolar. – empurrei as duas para se apressarem e elas bufaram.
- Sempre controladora! – Bi gritou com a cabeça enfiada no armário.
- Você não tem muita moral pra falar. – Mia riu e Bi jogou um sapato nela.
...
- Duas pipocas salgadas grandes, quatro cocas médias e um Fini. – Mia pediu e compramos tudo para ir assistir o filme. Ela buscou minha mão e a entrelaçou com a dela quando entramos na sala de cinema, a sala ainda estava acesa então conseguimos achar nossos lugares facilmente.
- Eu sabia que vocês iam nos deixar de vela. – Bi resmungou e Mia me deu um selinho para provocá-la, eu ri mas percebi que as pessoas que sentavam ao nosso lado cochicharam. Me senti extremamente incomodada com os olhares ofensivos que recebemos.
- Ei... – Mia apertou minha mão com mais força e eu a olhei nos olhos enquanto ela falava. – Não ligue para eles, eles não entendem como é amar alguém verdadeiramente.
- Você acabou de dizer que me ama? – perguntei um pouco boba e Mia me beijou novamente, fazendo com que eu esquecesse de todos ali.
- Eu te amo, te amo com toda pureza que tenho. – sussurrou e eu sorri largo.
- Ok, vocês tem que parar de fazer isso. Eu quero um relacionamento como o de vocês mas como vou ter um relacionamento assim com um homem? – Bi jogou uma pipoca em mim e eu mostrei a língua.
- Você nunca vai saber se não tentar. – Mia respondeu e Maya tossiu falsamente.
- Ela tentou, você não conheceu o Ian? – Maya trouxe para o assunto e Bi bufou.
- Aquele cara era realmente um idiota. – afirmei e Mia franziu o cenho.
- Lembra o que prometemos? Não falamos esse nome. – Bi interferiu e Maya fez um gesto como se trancasse a boca. O filme passou rapidamente, mas quando saímos do cinema e andamos em direção à praça de alimentação algo que eu não gostaria que tivesse acontecido, aconteceu.
- Você é uma delícia. – o garoto que parecia um pouco mais velho que eu sussurrou em meu ouvido enquanto apertava minha bunda, sem minha permissão. Ele estava com mais dois amigos e sem hesitar eu empurrei seu peito com uma mão.
- O que você pensa que está fazendo?! – a confusão me tomou e eu automaticamente levantei minha mão que estava entrelaçada com a mão de Mia.
- Então você é sapata? Vem cá docinho, eu vou te ajudar. – tentou me puxar novamente e eu o empurrei com mais força, inevitavelmente soltando minha mão da de Mia e a usando para empurrar o idiota.
- Você é nojento! – gritei ainda mais alto atraindo atenção do resto do shopping. Maya e Bi também chegaram mais perto para me proteger.
- Vamos... Te garanto que posso te proporcionar momentos melhores. – investiu novamente e Mia entrou na minha frente para me ajudar.
- Nem ser hétero me faria cogitar a possibilidade de encostar em você. – meu tom pareceu fraco e eu percebi que estava prestes a desatar em lágrimas.
- Vocês são abominações. – o amigo dele disse, olhando diretamente para Mia... E eu senti vontade de socar seu rosto apenas pelo olhar de nojo com que ele olhou para minha namorada.
- Quem vocês pensam que são?! – Maya gritou antes que eu pudesse. – Quem deu a porra do direito para vocês saírem falando esse tanto de merda?!
- É melhor a bonitinha calar a boca. – o terceiro disse apontando o dedo no rosto de Maya.
- Ei, sai daqui cara! – Bi o empurrou para o afastar de Maya e eu olhei ao redor. Por que ninguém fazia nada?
- Putinhas precisando de emancipação. – o garoto inicial voltou a abrir a boca e eu impedi minhas lágrimas, eles não valiam a pena.
- Vai pro inferno! Deve ter o pau bastante pequeno para ter que vir com todo esse papo. – Mia amaldiçoou olhando para os três e os segundos seguintes foram extremamente difíceis para mim.
Antes que qualquer uma de nós pudesse se mover ou prever aquilo, o garoto avançou em Mia e seu punho socou o rosto dela brutal e violentamente... Ela caiu em cima de mim me levando a cair também e minha visão ficou embaçada porque as lágrimas finalmente se libertaram dos meus olhos.
- Mia! – gritei me sentando para checar se ela tinha se machucado. Percebi que seu nariz sangrava.
- É isso o que ganham por ser abominações. – um deles disse, cuspindo no chão perto de nós. E foi assim, ninguém ousou parar nenhum deles, ninguém ousou nos defender.
- Meninas... Ela tá sangrando, o que... O que é pra... Eu não sei o que fazer! – gritei desesperadamente e Maya se ajoelhou também.
- Vamos para o hospital. – Bi disse tocando minhas costas e eu solucei tocando a bochecha de Mia cautelosamente.
- Eu estou bem. – Mia tentou me tranquilizar e eu olhei ao redor mais uma vez. Por que aquilo estava acontecendo?
- POR QUE NINGUÉM FAZ ABSOLUTAMENTE NADA? POR QUE ESTÃO TODOS PLANTADOS ENQUANTO UM SER HUMANO ACABOU DE SER AGREDIDO? – gritei me levantando e todos se assustaram.
- ... Vamos para o hospital. – Mia tentou me acalmar e eu percebi que já estava ofegante.
- Por que... Eu só não entendo, por que isso... Isso é... – ela já estava sentada e eu oferecia meu apoio para que levantasse.
- Isso aconteceu porque somos duas garotas amando uma a outra, mas eu acho admirável que não aceite tal coisa... Você nunca, nunca pode aceitar isso. – beijou minha bochecha e eu solucei mais uma vez.
- Eu te amo, Mia. Sei que não tem nada de errado em te amar. – meus lábios tocaram os seus e seus dedos limparam minhas lágrimas.
- Vamos prestar queixa. – Bi encostou sua mão em meu ombro e eu assenti com a cabeça.
- Eu prometo a vocês, que nunca vou aceitar esse tipo de coisa. – sussurrei e Mia me beijou novamente. Aquilo não era errado, não era impuro, aquilo era amor... Como as pessoas enxergavam aquilo como uma abominação? Era a melhor sensação que já havia sentido em toda a minha vida e eu me recusava a acreditar que alguém que odiasse a forma de amar de outras pessoas fosse normal.
4 anos atrás...
16/06/2012
- Pai. – o chamei da mesa e ele virou para me olhar.
- Oi?
- Você pode vir aqui por um instante? – pedi um pouco nervosa e ele franziu o cenho.
- O que foi, filhota? – perguntou e eu chamei Charles com a mão.
- Chuck!
- Não enche o saco. – reclamou e eu andei até ele para tirar seu headphone. Desde o ano passado ele nunca cobria as duas orelhas com o fone, e era minha culpa.
- Estou pedindo para você ir para a mesa. Saia do jogo, Charles.
- Mas é uma rankeada!
- É importante. De um jeito ou de outro você vai sair, estou te dando a oportunidade de se despedir dos seus amigos. – então ele se despediu relutantemente e foi até a mesa.
- O que você quer? – Charles estava em uma fase difícil, até demais.
- Quero contar uma coisa para vocês. – eu tinha um discurso preparado, mas o discurso me pareceu ridículo naquele momento. Eu não conseguia achar palavras para explicar. – Eu estou na-namorando.
- O Bruno? – Chuck questionou e eu neguei freneticamente com a cabeça.
- Por que você sempre acha que eu tenho algo com o Bruno? Ele é como um irmão pra mim, nós saímos juntos desde os seis anos. – Chuck deu de ombros e eu franzi o cenho.
- O Peter então?
- Ele também é meu melhor amigo, pare de presumir essas coisas. – fiz uma careta e ele parou.
- Nos diga quem é então. – meu pai perguntou um pouco impaciente como sempre.
- É... Não é certamente um garoto, é que...
- É um homem? – Chuck exclamou e eu neguei novamente.
- É uma garota. – revelei nervosa e ele assentiu lentamente.
- Então você não gosta de caras? – perguntou novamente e eu afirmei mas logo neguei.
- Não, não. Eu gosto de caras, eu só... Eu também gosto de garotas... Eu sou bissexual. – tentei dizer do melhor modo que pudesse e meu pai e meu irmão ficaram em silêncio por alguns segundos. – Qual é o pensamento de vocês sobre isso?
- Contanto que você esteja feliz, eu estou feliz. – meu pai apertou minha mão de um jeito reconfortante e eu funguei levemente.
- Eu não tenho problemas com isso. – Chuck sussurrou e eu sorri, mas ele logo voltou atrás. – A menos que você interrompa minhas rankeadas, aí vamos ter grandes problemas.
- Eu quero conhecê-la. – meu pai beijou minha bochecha e eu concordei.
- Você precisa conhecê-la.
4 anos atrás...
22/06/2012
- O que eu preciso saber sobre a sua família? – Mia tinha vindo me buscar para o jantar na casa dela. Ela conheceu meu pai na ocasião mas não tive tempo de surtar por aquilo e sim surtar por estar prestes a conhecer a família dela. Ela nunca falava sobre eles.
- Eles se formaram na NYU foi lá que se conheceram, meu pai se formou em Jornalismo e minha mãe se formou em Direito. – pareceu pensar em mais coisas e eu mordi meu lábio fortemente. – Ei, ei, você sabe que eu odeio quando faz isso.
- Seus pais se formaram na NYU, meu pai não foi pra faculdade e minha mãe desistiu em menos de um semestre. Mia, qual vai ser o assunto que vamos ter?
- Seus pais não definem você, não precisamos falar sobre eles e faculdade não é grande coisa. Afinal, você é muito mais interessante.
- Se bem que... Meu pai teve... – Mia colocou o dedo indicador em meus lábios e eu parei de falar.
- Eu quis dizer para mim, você é mais interessante para mim. – concordei e ela tirou seu dedo da minha boca.
- Mais alguma coisa que eu precise saber?
- Bom, minha irmã nasceu com uma deficiência congênita, sem uma mão. Não fazemos um grande caso disso porque não a define. Minha mãe tem bipolaridade, foi diagnosticada há nove anos atrás. – dito isso eu travei e não consegui pensar em algo inteligente para dizer, mas Mia beijou minha bochecha e balançou a cabeça. – Você não precisa dizer nada.
- Sua irmã tem quantos anos? Na verdade falando nela, qual o nome?
- Dez. Sasha. – ligou o carro e dirigimos até o apartamento em que ela morava com a família, eles eram de San Francisco mas tinham se mudado para Los Angeles.
- Você mora longe. – observei sem muito para dizer quando chegamos. Ela se curvou e me deu um selinho.
- Vai dar tudo certo, não fique nervosa.
- Você sabe que dizer para eu não fazer ou sentir algo não funciona comigo.
- E que tal isso? – me deu um beijo mais demorado e eu chacoalhei o corpo depois.
- Isso funciona melhor. – paramos em frente à porta do apartamento e Mia abriu a porta me convidando em voz alta a entrar. Minhas mãos já começavam a suar.
- Mia! – Sasha correu para a irmã e eu assisti o abraço fraternal acontecer, ela era muito parecida com Mia, mas os cabelos e os olhos eram em tons mais escuros.
- Que saudade toda é essa, tampinha? – acariciou seus cabelos sorrindo e Sasha fez uma careta.
- Você passou o dia inteiro fora. Mamãe está um pouco estranha... – sussurrou preocupada e Mia deu um beijo estalado no topo de sua cabeça, elas trocaram um olhar cauteloso.
- Pai, mãe, Sasha... Essa é a . – apresentou enquanto todos me observavam e eu os cumprimentei com um apertar de mãos.
- É um prazer te conhecer! Mia não mencionou que era tão bonita! – sua mãe parecia energética, eufórica.
- Obrigada, Caitlin. Você também é muito bonita. – sorri honestamente e Mia me levou para a mesa. O nome do pai era Jake.
- Como se conheceram? – Caitlin puxou conversa e eu olhei para Mia.
- Maya nos apresentou. – Mia respondeu primeiro analisando a mãe dela.
- Ela é uma ótima influência para você. – Jake finalmente falou e Caitlin colocou a comida na mesa.
- Espero que goste de macarronada e carne. – sorriu e eu assenti.
- Isso deve estar delicioso! Muito obrigada.
- Você tem quantos anos, ?
- Hum, dezesseis.
- Pra qual faculdade pretende ir? – Mia tossiu e Sasha deu risada, fazendo com que Mia a chutasse por debaixo da mesa. Sasha comia normalmente, apoiava o garfo com o braço e cortava a carne com a outra mão.
- Eu ainda não sei, estava pensando em me aplicar para UCLA.
- Quer cursar o que? – Sasha perguntou e Mia olhou para a irmã com o cenho franzido.
- é bastante ligada a música. – respondeu para Sasha e eu vi a careta que apossou o rosto de Jake por alguns segundos.
- Eu quero cursar Administração. – falei baixinho e Mia olhou para mim bastante confusa. Administração sempre tinha sido meu plano A, claro que eu amava música e seria ótimo cursar na faculdade mas provavelmente não daria certo e antes de tudo nós vivemos em um mundo capitalista, onde pessoas precisam de dinheiro.
- Isso é ótimo, potencial para várias carreiras. – Jake incentivou e eu dei um sorriso falso.
- Você quer fazer faculdade de Administração? – minha namorada perguntou parecendo esquecer de que outras pessoas estavam ali, eu concordei. – Você tem tanto talento, por que desperdiçar?
- Eu não tenho talento o suficiente. Não posso pensar em desperdiçar meu dinheiro na faculdade de música e falhar. – tentei explicar e ela negou.
- Mas você precisa tentar, lembra o que estávamos vendo sobre intercâmbios? Na Inglaterra... A Inglaterra tem ótimas escolas de música.
- Por que está assim? Não é como se eu fosse para Juilliard só porque gosto de cantar ocasionalmente.
- Ah, você prefere ficar presa em Los Angeles? – indagou de um jeito defensivo e eu franzi o cenho.
- Você fala como se Los Angeles não fosse Los Angeles, o que é ruim aqui?
- É perigoso.
- Não moro em um bairro perigoso. E não é como se fosse Chicago.
- Pensei que você tivesse vontade de viajar pelo mundo.
- É eu tenho, mas só vou conseguir fazer isso quando eu tiver um trabalho e dinheiro.
- UCLA? Administração? – perguntou mais uma vez e eu respirei fundo.
- Falamos sobre isso depois. – encerrei o assunto e vi que o clima tinha ficado bastante bizarro.
- Você é da onde? – Jake tentou quebrar o clima e eu mexi na comida com o garfo.
- Eu nasci aqui em Nova Iorque, mas cresci alternando entre Frankfurt e Berlim.
- E está de volta faz quanto tempo?
- Três anos.
- Você fala bem, quase não tem sotaque.
- Obrigada.
- Meu amor, onde está o vinho? – Caitlin perguntou para Jake com os olhos vidrados na mesa e Mia franziu o cenho parecendo ficar preocupada.
- Mãe. – chamou e Caitlin continuou com os olhos vidrados, Mia soltou o garfo no prato e trocou um olhar com o pai, os dois bastante sérios. – Mãe, olhe para mim.
- Onde está o vinho? – insistiu e Jake tentou tocar nela mas ela recuou e olhou para os dois. Jake lançou um olhar para Sasha e ela se levantou, já sabendo o que fazer. – Não seja mal educada, volte e coma!
- Mãe, você tomou seu Lítio? – Mia também se levantou para chegar perto de Caitlin e meu corpo congelou. Sasha estava paralisada também, levantada e a distância de dois passos da mesa.
- Saia de perto de mim! Sim, eu tomei meu Lítio. Agora cadê o vinho? Sasha, vá pegar. Precisamos do vinho! – disse tudo rápido demais, aparentemente alterada.
- Sasha, vá pegar o Lítio. – Jake instruiu e quando ela deu um passo para trás, Caitlin se levantou bruscamente e jogou um copo na parede, o copo se quebrou e o vidro fez um barulho de estilhaço, assustando a todos.
- PAREM DE TENTAR ME CONTROLAR! PAREM DE FALAR ENTRE SI! EU TOMEI MEU LÍTIO, VOCÊS NÃO SABEM O QUE ESTÁ ACONTECENDO BEM AQUI! – levou uma das mãos a cabeça e se estapeou me deixando bastante assustada.
- Mãe, por favor. – Mia pediu tocando o ombro dela lentamente mas ela a empurrou e eu finalmente levantei.
- , fique aí. – me ordenou e e eu parei.
- VOCÊS NÃO TEM IDEIA DO QUE EU SINTO QUANDO TOMO AQUELES REMÉDIOS! EU ME SINTO EXAUSTA! EU NÃO QUERO ME SENTIR EXAUSTA, EU CONSIGO CONTROLAR! EU CONSIGO! – gritou em estado maníaco e Jake tentou tocar em seu rosto.
- Por que não nos acalmamos? – acariciou sua pele e ela também o empurrou.
- EU NÃO QUERO ME ACALMAR! EU SEI QUE TEM ALGO DE ERRADO! – Mia tentou se aproximar novamente e Caitlin levantou sua mão para bater nela, o tapa acertou a bochecha de Mia em cheio e ela virou o rosto.
- Caitlin! – Jake gritou e ela olhou para a própria mão. – Eu sei que você acha que pode controlar, mas está colocando todos em risco.
- E O QUE TEM PARA MIM?! QUANDO EU VOU PODER SER FELIZ? – gritou descontrolada e Sasha pulou em mim me abraçando pela cintura, eu a abracei de volta, eu não sabia o que fazer.
- Mãe, por favor... – Sasha murmurou e eu percebi que eu também estava prestes a chorar. Mia tinha parado de segurar a bochecha e não tinha nem indício de que iria ceder, como se estivesse acostumada, exausta mas acostumada.
- Mãe, nós vamos passar por isso juntas. Eu estou aqui com você. – disse atraindo a atenção de Caitlin.
- Você não entende, não sabe como eu me sinto!
- Eu não entendo exatamente como se sente, mas eu te amo e quero te ajudar. – estendeu a mão sem se aproximar tanto e sua mãe considerou silenciosamente. – Você não está sozinha.
- Como vai me ajudar?
- Vamos respirar fundo, tomar o Lítio e você me conta como eu posso te ajudar. – continuou com a mão estendida e Caitlin lentamente a segurou, chegando perto e afundando seu rosto no ombro de Mia, deixando as lágrimas tomarem conta. Sasha afundou seu rosto em minha barriga e eu acariciei seus cabelos, respirando fundo.
- Eu... Eu sinto muito. – Caitlin soluçou e eu peguei Sasha no colo para irmos achar o remédio. Ela buscou e quando achamos o recipiente eu percebi que Caitlin tinha pulado vários comprimidos. Sasha colocou água em um copo e levou os dois para Mia que deu para Caitlin tomar.
- Eu estou aqui. – Mia tranquilizava a mãe e Sasha observava de longe, não sabendo se era para chegar perto ou ficar comigo. Depois de algum tempo Jake colocou Caitlin na cama para que dormisse e deixou a porta aberta, Sasha tinha corrido para os braços do pai e eu cheguei perto de Mia, que observava o sono da mãe.
- Eu sinto muito. – ela murmurou e eu neguei fazendo carinho em seus cabelos.
- Deve ser... Difícil. – olhei em seus olhos e beijei o topo de sua cabeça enquanto ela me abraçava, não como abraçou a mãe e sim para procurar conforto.
- Não é culpa dela, sabe?
- Eu sei. – sussurrei enquanto ela encostava a cabeça no meu peito. – Deve ser difícil para ela também.
- Você tem que saber, se vai ficar comigo... Que isso pode acontecer em jantares de família e eu posso... Bipolaridade tem forte influência genética.
- Eu vou estar aqui por você, não vou te abandonar. – prometi a apertando mais forte e ela começou a chorar. – Eu te amo.
- Eu também te amo. – soluçou e eu respirei fundo.
Atualmente...
Aquele dia não me fez repensar na minha relação com Mia nem por um minuto, ela tinha razão e sua mãe não tinha culpa, Mia só tinha se mostrado mais incrível por entender aquilo.
O dia em que meu pai conheceu a Mia foi bastante estranho e nem tudo deu certo mas o jeito que ele me acolheu e teve a mente aberta sobre o meu amor por aquela garota, minha orientação sexual, aquilo foi tudo o que eu precisava. Meu pai era meu herói, sempre havia sido.
E eu contava tudo para ele eventualmente, drogas, coisas que eu havia feito que eram ilegais, tudo o que a maioria dos pais não sabiam sobre seus filhos meu pai sabia sobre mim.
2 anos atrás...
23/05/2014
- Olha o que eu consegui! – mostrei o baseado em minhas mãos e meu pai observou sério.
- Onde? – semicerrou os olhos parecendo bravo e eu ri.
- Vai, pai. Eu sei que você já teve sua cota nas drogas, não era você que sempre dizia que se eu fumasse era pra te contar? Estou pedindo para você fumar comigo. É meu aniversário. – ele refletiu por um tempo e eu esperei.
- Vamos fumar seu primeiro baseado! – exclamou animado e eu dei de ombros, sorrindo. – É seu aniversário de dezoito anos, filhota!
- Onde está o Charles? – o procurei com os olhos e meu pai apontou para o quarto silenciosamente, ótimo, ele estava jogando. Seria muito chato se ele nos pegasse fumando, ele iria querer fumar e eu não iria deixar, então ele ficaria bravo.
- Fogo? – meu pai questionou e eu peguei o isqueiro do bolso do casaco, o passando para ele. – Sente aqui.
- Como... Como eu faço isso? – ele analisava o baseado então apenas observei.
- Essa seda é boa e está bem bolada, quanto você pagou?
- Um amigo me deu. – dei de ombros não entendendo como aquilo tinha importância e ele acendeu o baseado, tragando a fumaça e sorrindo logo em seguida.
- Você puxa, segura e solta. – fez novamente para que eu entendesse e me passou o baseado. Eu tentei mas tossi muito então não consegui aproveitar.
- Não consigo. – passei novamente e meu pai me incentivou a tentar novamente. Eu puxei e segurei por poucos segundos, soltando e sentindo uma euforia pequena. – Ei... Calma.
- Essa erva é da boa. – afirmou e eu assenti, tragando mais uma vez. Tirei mais um do bolso e meu pai franziu o cenho. – Ele te deu dois?
- Pegue logo. – empurrei e ele pegou. Dentro de alguns minutos eu senti tudo ali mais intensamente, uma sensação ótima... Deveria ser a liberação da dopamina no meu cérebro.
- Ok, eu estou ouvindo meu coração. – sussurrei dando risada e meu pai também riu. – Ele está batendo rápido... Como se estivesse fugindo de alguém...
- Talvez ele esteja. – ficamos sérios por um momento mas logo nos encaramos e gargalhamos novamente. – Espere até a fome bater. Você vai querer até o que não gosta de comer... Falando nisso, pizza é...
- Pizza! – exclamei me levantando mas me senti tonta e voltei a me sentar. – Tem pizza? Pizza é uma grande ideia. Como ninguém nunca pensou nisso? Pizza! Tão superestimada mas... Pizza...
- Não tem pizza aqui, mas podemos pedir. – meu pai esclareceu. – Qual o número da pizzaria?
- Eu... esqueci. – falei um pouco confusa e gargalhei junto a meu pai, mas parei e refleti novamente. – Eu realmente esqueci.
- Isso é... – não conseguiu terminar a frase porque nós começamos a rir novamente mas eu não me preocupei em perguntar.
- Cookies! – gritei me lembrando e levantei para pegar comida na cozinha.
- A larica já bateu? – perguntou assistindo enquanto eu andava e eu abri o armário mas só achei comida para fazer. – O outro armário.
- Ei... O que eu to procurando mesmo? – parei para pensar um momento e logo bati as mãos me recordando. – Comida!
- Como vai sua namorada? – indagou aleatoriamente e eu peguei os biscoitos, voltando para o sofá.
- Nós terminamos faz quase um ano. – respondi tragando uma vez e ele apenas balançou a cabeça.
- Ela fazia bem para você. – apontou e eu suspirei.
- Sim... Às vezes eu sinto falta dela, mas somos amigas. – dei de ombros relaxada e ele deixou quieto.
- Te amo, mais que tudo nesse mundo. – apertou meu ombro do nada e eu ri.
- Eu também te amo pai.
Atualmente...
Mesmo que meu pai fosse meu herói, tinha seus defeitos. E minha mãe realmente conseguia trazer o pior dele, era como se ela o tivesse machucado tanto que quando chegasse perto o devastasse com medo. Que tipo de pessoa fazia aquilo?
[Recomendo que coloquem para tocar Dynasty da Miia, quando a música acabar voltem ao começo e ouçam enquanto continuam a ler.]
13 anos atrás...
20/04/2003
- Mãe! – bati mais uma vez na porta do seu quarto e continuei a chorar. – Mãe, me deixa entrar!
- Filha... Ela não vai abrir. – papai explicou e eu abaixei o rosto.
- Mas ela está aí faz tempo...
- Você não pode continuar batendo, os vizinhos reclamam.. – acariciou minha cabeça e eu funguei.
- Mãe! – gritei mais uma vez sentindo algo molhado no meu rosto e o enxuguei não manga do vestido.
- Fique quieta! Pare de ser irritante! – mamãe gritou de volta e papai me abraçou.
- Sua mãe está fora de si. Não acredite nas coisas que ela fala. – me escondeu em seus braços e eu solucei, muito triste. Mamãe não gostava de mim, talvez eu não fosse uma filha boa.
12 anos atrás...
12/06/2004
- Sua mãe e eu vamos nos divorciar. – papai explicou.
- Mas vocês já não eram divorciados?
- Nós somos separados mas não no papel, você entende filhota?
- Acho que sim. Vocês ainda vão ser meus pais?
- Claro... Eu sempre vou ser seu pai, filhota. – beijou minha testa e eu sorri.
- Te amo.
- Também te amo, mais que tudo nesse mundo.
12 anos atrás...
30/07/2004
Continuei batendo na porta para mamãe abri-lá mas nada aconteceu, senti meus olhos e nariz arderem e deixei que a água saísse, que a água que ocupava meus olhos molhasse meu rosto. Eu gritei e esperneei mas nada parava a dor dentro do meu corpo, por que doía se não tinha nada machucado? Por que doía tanto?
- Pare de chorar! Pare! – mamãe abriu a porta apontando o dedo pra mim e eu funguei, tentando segurar a água.
- Mas... Mas por que você tranca a porta?
- Porque eu estou cansada de você! Se o arrependimento matasse eu estaria morta!
- Por ser minha mãe?
- Algum dia eu vou pular dessa janela. – bateu a porta se trancando novamente e eu fiquei quieta, sentando no chão e escondendo meu rosto nas pernas.
Atualmente...
Naquela época eu tinha desenvolvido um trauma, não lembro muito bem se eram pesadelos mas eu gritava no meio da noite e esperneava na cama. Tudo o que eu me recordava era sobre sentir um vazio enorme, tão enorme que eu tinha que gritar antes que me engolisse, tinha que gritar por ajuda, para saber, para sentir que alguém vinha me salvar. Um sentimento terrível, que me destruía de dentro para fora.
12 anos atrás...
04/08/2004
- Vamos para o psicólogo. – mamãe disse me puxando.
- O que é isso?
- É uma mulher, ela vai te ajudar com seus pesadelos.
- Sério mãe? Ela vai fazer eles sumirem?
- Vai sim, meu amor. – apertou minha mão e entramos no grande prédio.
11 anos atrás...
24/06/2005
- Eu vou embora! – papai gritou. – E vou levar as crianças!
- Então vai! Eu não quero mais olhar para a sua cara! – mamãe gritou de volta. Ela nunca estava em casa e quando tinha chegado de viagem não tinha nem me abraçado, ou abraçado Charles.
- Você vai para Munique e esquece que tem filhos!
- Eu fui a trabalho, seu idiota!
- Você acha que eu compro essa? Não sou besta, Katarina!
- Pare de colocar toda a culpa em mim! – vi que meu irmão chorava então cheguei perto e o abracei, tampando suas orelhas.
- Mas a culpa é toda sua!
- Não é culpa minha que o nosso relacionamento não deu certo! É sua, sempre mal humorado, sempre desse jeito!
- Eu não aguento mais, você pode ficar com o apartamento. – papai pegou as malas e eu apertei Charles com mais força.
- Esse apartamento é da minha mãe, seu babaca! – papai nos puxou pela mão e andamos até a porta. – São meus filhos também, eu tenho direitos!
- Agora você quer os direitos que tem por eles? Corta essa.
- Eu amo eles!
- Mas se ama muito mais. – papai negou com a cabeça e saímos do apartamento.
6 anos atrás...
07/09/2010
- VOCÊ OS TROUXE AQUI PARA CUIDAR DELES! – meu pai gritou e Katarina deu de ombros. – O QUE TERIA ACONTECIDO SE EU NÃO TIVESSE VINDO? HUH? VOCÊ TERIA ABANDONADO ELES SOZINHOS NOS ESTADOS UNIDOS?
- NÃO ME CULPE DESSE JEITO! VOCÊ SE ACHA UM BOM PAI... MAS NÃO É!
- EU CUIDO DELES!
- NÃO CUIDA DIREITO!
- O QUE VOCÊ PODE ME CONTAR SOBRE CRIAR FILHOS? ONDE VOCÊ ESTAVA NOS ÚLTIMOS SEIS ANOS?
- EU ESTAVA INTERNADA!
- FOI UMA ESCOLHA SUA! VOCÊ DECIDIU TER FILHOS, DEVERIA LEMBRAR QUE ISSO EXIGE RESPONSABILIDADE!
- VOCÊ NÃO SABE PELO QUE EU TIVE QUE PASSAR!
- EU TAMBÉM USAVA DROGAS, MAS ABANDONEI PELOS MEUS FILHOS!
- NÃO COMPARE NOSSAS SITUAÇÕES, VOCÊ VIU ONDE MINHA MÃE ME ENFIOU?
- FUI EU QUE TE TIREI DE LÁ, KATARINA!
- PAREM! – gritei finalmente e os dois olharam para mim, Charles que tampava os ouvidos também olhou. – VOCÊS NÃO PERCEBEM QUE ISSO NOS FAZ MAL?
- Seu pai...
- VOCÊS SÓ GRITAM, VOCÊS SÓ BRIGAM COMO CÃO E GATO E NOS JOGAM DE UM LADO PRO OUTRO!
- Sua mãe, ela...
- EU SEI, MAS NÓS NÃO SOMOS MOTIVO O SUFICIENTE PARA VOCÊS DEIXAREM DISSO?
- Ela não cuida de vocês e foi para isso que viemos morar aqui, para ela ser a mãe de vocês.
- Então talvez não valhamos a pena mesmo, porque ela não consegue parar nessa casa por mais de duas horas. – abri os braços mostrando que não tinha mais nada que eu pudesse fazer.
- Isso não está nas suas costas, filha.
- Mas parece que está. Eu estou cansada de ouvir os gritos de vocês.
6 anos atrás...
- Sua mãe é uma vagabunda.
- Será que poderíamos não falar sobre ela?
...
- Seu pai é um pau no cu.
- Mãe, eu não tenho nada a ver com isso.
...
- Sua mãe só está ficando com o cara porque ele tem dinheiro, é uma interesseira.
- Não é da nossa conta.
...
- Seu pai é a pessoa mais infeliz que eu já conheci.
- Se você acha.
...
- Não pensa em ninguém sem ser em si mesma.
- Pois é.
...
- Ele pensa que é uma boa pessoa mas não é.
- Claro, Katarina.
...
- Se faz de coitada. Toda a vida se fez de vítima.
- Aham.
...
- Me culpa por eu não gostar mais dele.
- Tem toda a razão.
...
- Uma mãe terrível.
- Sim.
...
- Um pai desorganizado.
- Totalmente.
5 anos atrás...
31/03/2011
- Você não acha uma puta sacanagem ela estar morando com o cara e já dizer que a casa é dela? É ridículo, ela transa com ele e ganha uma casa. – nosso pai trouxe o assunto de novo e Charles concordou, eles conversaram entre si.
- Vocês podem parar? O que vocês ganham perdendo o tempo de vocês e discutindo sobre ela? Não é como se ela fosse perder a casa só porque vocês falam mal dela. – olhei irritada e Charles fez uma careta.
- Eu hein, tá menstruada?
- Eu odeio quando vocês falam comigo desse jeito, como você saberia? Por acaso tem uma vagina? – eram essas coisas que faziam um saco morar apenas com figuras masculinas.
- É a protetora dos fracos e oprimidos agora? – meu pai caçoou e eu bufei.
- Você está agindo como uma criança.
- Você é uma criança, não tente agir como se fosse adulta.
- E você tente agir como se fosse um adulto. – rebati e me arrependi na hora porque sabia que eu não iria desistir da discussão.
- O namorado é um coitado, o que acha que ela vai fazer com ele?
- Sinceramente pai, enquanto você perde saliva todo santo dia comentando sobre ela, ela está vivendo a vida de princesa com o namorado.
- Princesa?
- É, você não acha suficiente o perrengue que ela te fez passar por anos? Vai continuar sendo infeliz e colocando a culpa em Katarina?
- Você não entende ainda, é uma muito nova.
- Você chama a mãe da criança de vagabunda e ela não tem direito de estar de saco cheio?
- Eu estava querendo desabafar com vocês. – disse curto e grosso e eu suspirei. Nosso pai era bastante sozinho, tinha sido a vida inteira, sem nenhum amigo nem namorada, só a gente.
- Eu só acho... Eu acho que você pode ser feliz ao invés de ficar segurando a Katarina, ela te deixou tantas vezes, por que você não a solta de vez?
- Eu não tenho mais nada a ver com a sua mãe, exceto por vocês. – ficou na defensiva e eu respirei fundo, cansada de repetir a mesma coisa tantas vezes.
- Então tudo bem, pai.
Atualmente...
Foi extremamente difícil crescer com dois pais em guerra, separados mas morando juntos. Eu sentia pena de Charles também, sempre teve o coração mais bondoso da família e Katarina sempre o decepcionava. Tinha sofrido com ataques de raiva quando nos mudamos e foi bastante difícil para todos nós.
5 anos atrás...
01/05/2011
Já estava em cima do horário e eu fazia de tudo para que Charles acordasse, estávamos atrasados para a escola.
- Chuck! Levanta! – gritei em seu ouvido e ele rolou, teimoso.
- Deixa eu faltar hoje... – resmungou com a cabeça amassada no travesseiro e eu o chacoalhei.
- Você faltou semana passada. Vamos, eu já fiz seu lanche.
- Me deixa em paz.
- Chuck, eu estou perdendo a paciência. Levante da cama. – ordenei tirando seu cobertor e ele se sentou, grunhindo com raiva.
- Eu estou cansado! – reclamou esfregando os olhos e eu arqueei as sobrancelhas.
- Você tem que ir pra escola, acha que...
- Me deixa em paz! Eu já acordei, caralho!
- O que você disse? – perguntei desacreditada e ele se levantou, fugindo de mim. – Venha aqui, Charles!
- EU PRECISO ME ARRUMAR, NÃO PRECISO?
- NÃO GRITE COMIGO. – elevei meu tom ao seu e ele pareceu ficar descontrolado em fúria.
- Você é quem está gritando, chata do cacete. – quase fechou a porta do banheiro em minha cara mas eu a segurei.
- Acha certo estar falando palavrões com a sua idade? – questionei enquanto me concentrava em não deixar a porta bater.
- Eu não sou uma criança.
- Na verdade você é.
- Vai se foder. – amaldiçoou e eu arregalei os olhos, empurrando a porta de vez.
- Você não vai me desrespeitar desse jeito. – avisei cautelosamente e num ritmo lento para que ele entendesse perfeitamente.
- O que vai fazer a respeito? Sua puta. – aquilo foi o fim da gota d’água, eu o empurrei e num ato impulsivo ele bateu a porta na minha mão, a esmagando. Eu gritei em dor mas assisti o arrependimento apossar o rosto do meu irmão.
- Porra! – gritei mais uma vez e fiquei assustada porque não consegui mover minha mão. – Porra! Caralho!
- Me desculpa! Eu não sei como isso aconteceu, eu fiquei nervoso! – tentou me tocar e eu me afastei, limpando as lágrimas da minha bochecha com a mão não machucada.
- Se arrume e vá para a escola Chuck. – respondi mal humorada e ele fez o que eu pedi com tristeza no rosto. Eu fiquei com bastante raiva também e senti que poderia bater nele de verdade, mas com a distância isso passou e eu me senti em partes culpada, porque eu poderia ter evitado aquilo.
5 anos atrás...
23/05/2011
- Sua mãe não vem. – meu pai voltou para a sala com o celular em mãos e eu dei de ombros, não sentindo nada e me perguntando se o baque viria depois.
- Pelo menos desse jeito não vou ver vocês brigando no dia do meu aniversário. – tentei dar uma desculpa para camuflar a ausência de Katarina e me sentei na mesa.
- Parece que vai ser só nós três esse ano, como foi nos anos anteriores. – meu pai apertou minha mão e eu dei um sorriso para disfarçar o suspiro.
- Eu vou pegar o bolo. – Charles se prontificou e eu assenti. Acendemos as velas e eu fechei meus olhos para fazer um único pedido, que no próximo ano... Eu não fosse mais tão solitária. Eles cantaram parabéns e eu cheguei perto para assoprar as velas.
- O que pediu? – nosso pai colocou as mãos em minhas costas e eu me aconcheguei em seus braços. Sorri sem graça e tentei não parecer abalada.
- Se eu te contar não vai se realizar.
Atualmente...
Crescer do jeito que nós crescemos... Eu me sentia a todo momento como se não fosse o suficiente em qualquer coisa, me perguntava por que nossa mãe tinha escolhido as drogas e os namorados antes dos próprios filhos. Eu era tão decepcionante para que ela quisesse se matar por ter me parido? Por que ela não me queria? Por que ela não me amava? Por que ela não ficava?
Em um certo período da minha adolescência eu engordei e na escola surgiram boatos sobre mim, boatos muito malvados... Eu acabei me isolando, os pensamentos na minha cabeça se tornaram horríveis e eu senti como se tudo estivesse perdido, eu não sabia quem eu era, como distinguir a realidade dos boatos, eu queria minha mãe ali mas não conseguia contar para ninguém, nem para meu pai. Como você conta para o próprio pai que as pessoas da sua escola dizem que há um vídeo pornô seu circulando pela internet, sendo que você é virgem? Como é possível que por beijar um garoto as pessoas comecem a te chamar de puta ou rodada? Como você aceita que as pessoas sintam nojo de você apenas por você ter engordado?
Era como se meu mundo tivesse virado de cabeça para baixo, com o tempo de comentários malvados serem feitos. Eu não sabia o que fazer, eu não sabia como parar a sensação de ser inútil, de ser desnecessária para todos, até para minha própria mãe que não estava lá quando eu precisava.
[Recomendo que coloquem Messages From Her da Sabrina Claudio, façam o mesmo esquema da outra música que é sucesso.]
5 anos atrás...
28/06/2011
- Eu ouvi que uma nota de cinco te deixa de joelhos. – Mandy me empurrou no corredor e eu fechei minha mão em punhos para controlar minha raiva.
- Eu ouvi que você se força a vomitar, isso é verdade? Porque temos que te avisar que não está funcionando. – Linda também comentou e eu cravei minhas unhas nas palmas da mão.
- Mikey disse que ela chupou ele no banheiro, durante o quinto período. – Lola murmurou fazendo um high five com Mandy e eu tentei passar por elas sem dizer nada, mas Millie me empurrou para trás. – Será que a boca dela é cheia como a barriga?
- Tem uma foto sua correndo pela escola, não se sente incomodada com isso? – Ana indagou fazendo uma careta de pena mas riu em uma fração de segundos depois.
- Não sou eu. – respondi de cabeça baixa e Millie riu.
- Ela está falando a verdade, a garota da foto tem um corpo legal. – eu me encolhi perante elas, sentindo vergonha.
- Eu vi você olhando para o Seth hoje. – Ana cutucou minha cabeça e eu andei para trás, mas Linda me empurrou para frente. Eu estava presa dentro do círculo que elas tinham feito. – Ele tem namorada, sua piranha.
- Eu não daria em cima do Seth nem se ele fosse solteiro. – sussurrei e Millie deu um tapa em meu rosto antes que eu pudesse raciocinar.
- Não fale do meu irmão dessa forma, sua prostituta barata. – puxou meu cabelo e eu ofeguei, agarrando seu braço para impedir que ela o arrancasse.
Ana chegou perto e ajudou Millie me dando uma joelhada na barriga, eu me curvei para frente e as duas me soltaram para que Mandy pudesse me dar um soco. Eu caí no chão e agarrei minha barriga enquanto resmungava em dor, Linda pressionou seu pé contra minha mão e assim quase esmagou minha barriga, eu me senti sem ar e Linda finalmente soltou, chutando a minha cabeça. Elas me observaram por algum tempo mas saíram eventualmente e eu demorei para levantar, já chorava e soluçava mas só queria parar e chegar logo em casa.
Peguei o ônibus e cheguei no prédio, Charles estava no quarto e nosso pai chegava à tarde do trabalho. Eu joguei minha mochila na cama e me olhei no espelho do quarto, meu lábio sangrava um pouco, meu nariz estava cortado, a maçã da minha bochecha com um hematoma pequeno e meu supercílio não estava no melhor estado. Toquei minha bochecha com a ponta dos dedos e praguejei... Subi minha camiseta e percebi que minha barriga também estava roxa, por causa da joelhada e pisada.
Lembrei dos comentários maldosos e continuei analisando minha barriga, eu não era magra, mas por que diabos eu precisava ser magra?... Em um estado hipnótico pressionei o machucado da minha barriga e senti a dor aguda atingir meu corpo mas não parei, porque pensei que merecia aquela dor, porque aquela dor não era nada comparada ao que eu sentia todos os dias quando alguém murmurava coisas nada legais sobre meu corpo no corredor.
As lágrimas vieram de novo e eu funguei, socando o vidro em um impulso não gostando do meu reflexo, o espelho caiu no chão e minha mão se encheu do meu próprio sangue. Solucei ouvindo todas aquelas frases na minha cabeça e me sentei no chão. Eu estava exausta de comer, de acordar, de sentir, de lutar, de fingir... Eu estava absolutamente exausta de respirar.
“Morra.”
Era como se eu me afogasse, mas alguém me puxasse para o ar fresco por alguns segundos só para empurrar de novo.
“Tire o peso de tudo.”
Eu tinha medo do escuro, do escuro absoluto que algumas pessoas diziam ter depois da morte. Ninguém sabia se era mesmo o que acontecia mas isso era o mais assustador sobre a morte, ela é a única coisa definitiva, mas não temos a mínima ideia de como vai acontecer ou o que acontece depois dela. Ter tanta certeza sobre sua dor a ponto de decidir fazer algo tão incerto e definitivo como tentar a morte é o estágio final da depressão.
Narrador Onisciente...
Ela se levantou buscando uma caneta e uma folha para escrever, gostaria de expressar todos seus sentimentos enquanto ainda estavam frescos, enquanto as lágrimas ainda não haviam secado em seu rosto. Ela escreveu três folhas inteiras e terminou sua carta, limpou seu rosto com a manga da camiseta e andou até a cozinha, pegando uma lata de cerveja que avistou na geladeira e inspecionando o armário de remédios do banheiro. Decidiu agarrar a aspirina, ácido acetilsalicílico poderia fazer o trabalho.
Fechou o armário e entrou no próprio quarto, por um momento repensou na situação e lembrou-se de seu pai e irmão, ela sempre dizia em voz alta que os amava mas por isso eles não mereciam uma despedida mais digna?... Era por isso que tinha escrito a carta, ela concluiu.
Sem poder aguentar a culpa quando tirou a cartela de comprimidos da embalagem, ela saiu do quarto e se olhou no espelho para ter certeza de que não parecia triste, entrou no quarto do irmão sem bater e o abraçou.
- O que aconteceu? – Charles ficou confuso e negou com a cabeça.
- Nada. Eu só queria dizer que eu te amo.
- Eu também te amo. – respondeu sorrindo e o apertou mais forte, ele já franzia o cenho.
- Eu tenho muito orgulho de você. – bagunçou seu cabelo e saiu do quarto, deixando Charles para trás. Ela voltou a sentar na cama e fechou a porta para que tivesse sua privacidade.
Encarou os remédios e a bebida, a dor que ela sentia gritava para que ela seguisse em frente mas sua consciência dizia que estava com medo... No final, a consciência dela foi muito baixa e num ato impulsivo e sem esperança pegou todos os comprimidos da cartela e abriu a lata de cerveja, engolindo os dois juntos até que acabassem dez em seu estômago.
Organizou as folhas em cima da cama e se sentou no chão para observar o espelho caído perto de seu armário, ela só queria que acabasse logo e rápido, mas ela chorou bastante antes dos remédios fazerem efeito, ela soluçou e se perguntou por que as coisas que levaram ela ali tinham acontecido. O problema era que ninguém estava ali para responder.
Então ela teve febre e sentiu uma enorme dificuldade para respirar, um zumbido se formou no quarto e ela pressionou os olhos... Seu coração bateu tão forte que o ouvir a deu dor de cabeça e ela agarrou o próprio peito, sentindo-se fraca. Se deitou no chão e desistiu, ela não sabia que a overdose por ácido acetilsalicílico poderia demorar dias então desistiu, assistindo pelo espelho quebrado sua vida se esvair do corpo, a coisa mais triste que já havia visto.
Se sentiu extremamente desapontada consigo mesma uma última vez, era como se ela tivesse que quebrar antes de morrer, mas aquela vez foi a mais forte de todas. Ela piscou lentamente para o espelho e sentiu a asfixia, começando a convulsionar, observando seu corpo se debater como um peixe fora d’água sem poder fazer nada.
...
Albert chegou do trabalho cansado e tirou o casaco do corpo, pronto para ver seus filhos e descansar os olhos na própria cama. A casa estava silenciosa, mas aquilo era normal. Pendurou seu casaco e bateu no quarto de , não recebendo resposta alguma, mas aquilo era normal também, ela vivia com seus fones de ouvido. Então bateu mais uma vez e tentou chamar sua atenção de outro jeito.
- Filha! – gritou ainda recebendo silêncio como resposta e checou se ela estava no banheiro.
Girou a maçaneta do quarto lentamente já que não queria violar a privacidade de sua pequena e quando viu o que tinha no chão seu coração quase parou. Ele correu para perto da filha que convulsionava e seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ele a virava de lado e pegava uma almofada de cima da cama o mais rápido possível para colocar embaixo da cabeça dela. Seus olhos avistaram a embalagem de aspirina e a lata de cerveja jogada no chão mas não conseguiu suportar o pensamento ou a alternativa daquilo ter sido proposital. Ele continuou gritando seu nome sem saber ao certo porquê, tendo a esperança de que se ela percebesse o desespero em sua voz ficaria bem por ele, mas ele sabia que não era assim que funcionava e quase teve um ataque de pânico ao perceber que poderia estar prestes a perder a própria filha, a pessoa que ele mais amava no mundo. Albert nunca se viu tão desesperado com algo, gritou em sofrimento e pediu a Deus para que não levasse sua filha embora.
- CHARLES! – gritou desesperado a mantendo de lado, assistindo ela se debater e espumar, sem poder fazer nada. – CHARLES!
- Pai, o que? – Charles correu até o quarto preocupado e quando viu a irmã convulsionando entrou em absoluto choque.
- LIGUE PARA O 911! – Albert instruiu e Charles encostou na porta para não cair no chão. – LIGUE PARA O 911! AGORA!
- CHARLES!... CHARLES!
Charles pegou o celular do bolso ainda em choque e fungou suas lágrimas para dentro enquanto discava o número da ambulância. Ele revelou o endereço e se sentou enquanto continuava a observar a irmã se debatendo, Albert gritava o nome dela e Charles tremia, os olhos de se reviravam e ela grunhia parecendo inconsciente de tudo ao redor, afogada em sua própria dor.
- POR FAVOR! – o pai dela implorou enquanto olhava para cima e rezou mentalmente.
A ambulância chegou em alguns minutos e ela ainda convulsionava, os paramédicos a levaram e o pai e irmão acompanharam até o hospital, a ficha definitivamente não tinha caído para o irmão. Os médicos já haviam a deitado na cama do hospital e cuidavam dela enquanto o pai e irmão assistiam de longe.
- PARARA CARDÍACA! TRAGAM O CARRINHO DE EMERGÊNCIA! – o médico gritou e o pai dela olhou atentamente para o que acontecia. Eles executavam reanimação cardiorrespiratória e continuava apagada, o barulho do caos do hospital e da máquina que supervisionava os batimentos cardíacos dela pioraram tudo, desesperaram a todos.
- CARREGUE EM 300! – outro médico pegou os desfibriladores. – AFASTEM!
- Pai... – Charles começou a chorar e correu para abraçar o pai. Eles deram a carga e o corpo de criou um espasmo por conta do choque, mas os batimentos não voltaram.
- DE NOVO!... AFASTEM! – encostou os desfibriladores novamente e os batimentos apareceram no monitor. ainda estava desacordada. – Administrem acetato de potássio e bicarbonato de sódio. Inchaço das pernas e dos pés, possível insuficiência renal. Vamos fazer um ultrassom.
- Por que... O que aconteceu? – Charles questionou o pai e ele negou com a cabeça.
- Eu não sei, eu também não sei.
P.O.V Hoffmann
Abri meus olhos relutantemente e senti como se tivesse areia neles, como se não os abrisse em dias.
A primeira coisa que identifiquei foi nossovpai sentado em uma cadeira e demorei alguns segundos para me recordar do que tinha acontecido, Charles estava conversando com ele e os dois não repararam de imediato que eu havia acordado, quando meus olhos analisaram o ambiente eu avistei todas as agulhas enfiadas em meu braço e ouvi o barulho das máquinas percebendo que estava em uma cama hospitalar.
Eu senti dor e grunhi, trazendo atenção para mim mesma. Os dois me olharam e eu lembrei rapidamente do que havia acontecido, lembrei da dor que senti antes de apagar e lembrei da dor que senti muito antes de decidir fazer aquilo, mas ao olhar para a feição machucada do meu pai eu percebi que tinha cometido o maior erro da minha vida inteira, porque eu feri o homem que me amou incondicionalmente, que me criou e me ajudou sempre. Havia o ferido como nunca antes.
Nosso pai abaixou a cabeça e soluçou me induzindo a chorar junto, ele parecia desesperado e eu me culpei por fazê-lo se sentir daquela forma, ao mesmo tempo que agradeci a Deus por ainda estar viva. Os médicos foram chamados e me examinaram, disseram que eu estava bem mas que iam me manter no hospital para observação, porque eu poderia ter sequelas.
- Eu... Sinto... Tanto. – solucei para fora sentindo uma enorme dificuldade para falar e meu pai e irmão me abraçaram de prontidão.
- Eu sinto muito, por não ter te ajudado. – nosso pai lamentou e eu neguei rapidamente, segurando sua mão.
- Não foi sua culpa. – vi que minha carta estava na cadeira e Chuck se encolheu. Doía falar mas eu precisava: – Não foi sua culpa também.
- Você ainda... – nosso pai parou no meio da frase e eu neguei. – Eu te amo mais que tudo nesse mundo, por favor, por favor não faça isso.
- Eu também amo vocês, eu só... Me senti sem saída. – funguei fortemente e uma pontada de dor atingiu minha cabeça.
- Você está disposta a procurar ajuda? – Chuck perguntou e eu o puxei para perto, beijando o topo de sua cabeça. Não tive forças para falar mas concordei balançando a cabeça.
- Eu não queria machucar vocês, mas eu me... – segurei minha respiração por um momento tentando não chorar mas rapidamente decidi que era isso o que eu tinha que fazer, eu só tinha medo de que depois de todo aquele tempo sufocando e escondendo a dor, uma vez que eu começasse a chorar não parasse mais. – Eu senti que era o melhor para todos.
- Tirar sua própria vida? – nosso pai perguntou bastante confuso e eu enxuguei as lágrimas que caíam sem parar.
- É como tentar nadar com algo te puxando para baixo, se você se debater engole mais água e se aceitar morre afogado, eu desisti e aceitei... Naquele momento eu senti como se o peso que me puxasse só pudesse sumir se eu fizesse aquilo.
- Há quanto tempo sente esse peso? – me olhou nos olhos e eu sorri com tristeza.
- Desde que eu percebi que minha própria mãe nunca poderia me amar de verdade. – fechei os olhos cansada.
- Eu te amo. – sussurrou e eu mordi o próprio lábio.
- Eu sinto muito. – respondi com o tom fraco e ele me reconfortou. – Eu e-estou apagada a um dia?
- Uma semana. – Chuck revelou e eu franzi o cenho.
- Ele está brincando, certo? – olhei para o nosso pai e ele ficou quieto.
- Você estava em coma. – explicou e eu parei para pensar.
- Katarina... – olhei para Chuck e ele negou, Katarina não estava ali? – Ela não veio me visitar?
- Ela disse que teve problemas na casa do namorado. – Chuck justificou e eu bufei lacrimejando, sentindo meu corpo inteiro exausto. Katarina não havia vindo me visitar quando eu cheguei a um ponto de morrer.
- Você não tem nada a ver com o fato dela não te amar, Katarina é muito egoísta para dar a mínima para alguém que não é ela ou alguém que não a beneficia de alguma forma. – acariciou meus cabelos e eu concordei.
- Vou conseguir a ajuda que preciso. – prometi.
Atualmente...
Depois que fui liberada do hospital passei por um psiquiatra e me tratei do jeito que precisava, também precisei tratar a insuficiência renal que o ácido acetilsalicílico me causou, mas fiquei bem. Naquela fase onde eu estava frágil e as pessoas se aproveitaram daquilo eu não entendia muito sobre as coisas. Por muito tempo pensei e remói na minha cabeça que eu tinha que emagrecer e mudar minha aparência mas eu estava muito errada.
Com a ajuda da minha família e minhas melhores amigas eu percebi que ninguém precisa mudar para ser aceito numa sociedade com tantos rótulos e estereótipos, afinal o padrão de beleza foi criado e colocado na cabeça de todos, mas e se o padrão fosse alguns quilos a mais? Então pessoas magras seriam as que sofrem bullying... É tanta besteira desconsiderar alguém porque ela é gorda ou magra demais, isso não define uma pessoa, é apenas o que foi nos dito para enxergar. Com uma personalidade ou intenção boa todos merecem amor e respeito.
Todos merecem ajuda para enxergar que não estão sozinhos e que não precisam de jeito algum passar por isso sozinhos, que são lindos apesar do que a balança mostra ou o que as outras pessoas dizem, que são amados por serem quem são e não precisam mudar.
Elas precisam fazer o que faz bem para si mesmas e não o que agrada a sociedade. Tantas pessoas por aí se odiando, odiando o próprio corpo, sem acreditar que são aceitas pelas pessoas que amam, como uma vez eu não acreditei... Se apaixonar por si mesmo é o primeiro passo para a felicidade, e amor próprio não se trata sobre egoísmo.
Pessoas precisam se aceitar e precisam se perdoar, é um processo extremamente difícil mas é essencial. Eu vinha estado nesse processo por algum tempo e ainda tinha que trabalhar em algumas coisas, mas tinha evoluído pelo menos.
Na minha jornada até os dezenove anos havia aprendido que o mundo nem sempre é justo e que contar consigo mesmo é uma das coisas mais importantes para sobreviver nele. Não importa sua raça, orientação sexual ou aparência, você pode amar e pode ser amado.
Uma situação pela qual eu tinha passado alguns meses antes do intercâmbio tinha abalado meu psicológico e eu tinha praticamente voltado à estaca zero, mas estava tentando, sempre tentando melhorar.
[Podem parar a música agora.]
1 ano atrás...
01/02/2015
- Precisamos sair para beber. – Bi aconselhou e eu bufei.
- Alcoólatra. – acusei distraída e levei um soco no braço.
- Eu só queria ajudar ok? Já fazem dois meses , não pode deixar de viver só porque o Hans te deu o pé. – alfinetou e eu fiz uma careta.
- Foi um término mútuo. – corrigi e Mia riu.
- Nosso término foi mútuo, o de vocês foi ele querendo terminar e você concordando mas internamente querendo bater nele.
- O que é irônico já que foi ele quem te ensinou a lutar. – Maya comentou e eu dei de ombros.
- Eu já superei ele.
- Se por superar você quer dizer chorar toda vez que assiste UFC, claro, você fez isso com elegância. – Bi arqueou as sobrancelhas e eu mostrei o dedo do meio.
- Não encham meu saco.
- Vamos ter que te arrastar? – Mia questionou e eu me fiz de indiferente.
- Vocês podem tentar.
- Você vai sair machucada. – Maya avisou e eu assenti.
- Então seria melhor que vocês me deixassem no meu canto, não concordam? – rebati.
- Boa tentativa. – Maya me puxou pela mão e eu levantei contra minha vontade.
- Por que vocês acham que beber resolve tudo? – murmurei e Bi revirou os olhos.
- Deixe de se fazer de santa, vamos festejar! – e então eu cedi, elas me arrumaram e eu não reclamei até porque eu gostava de me arrumar mas estava com bastante preguiça de sair.
Boates em Los Angeles não decepcionavam, eu e as meninas tínhamos uma preferida que íamos toda hora e sempre conseguíamos ter diversão por lá, mas desde que Hans havia terminado comigo eu não tinha pisado na boate novamente, com medo de ver ele com outra pessoa ou algo do tipo.
Entramos na boate e Bi se prontificou a ir buscar bebidas, Maya a seguiu já que ela não conseguiria trazer quatro bebidas de uma vez só e eu me sentei no sofá com Mia, era um milagre que ele estivesse livre.
- Posso me sentar aqui? – um homem perguntou olhando para mim e quando eu abri a boca para dizer que minhas amigas estavam buscando bebidas, Mia me interrompeu.
- Claro que pode! – eu a olhei com raiva já percebendo o que ela queria fazer e ela sorriu ingenuamente. – , eu vou procurar as meninas ok?
- Então eu vou... – me levantei também mas ela me cortou e eu sentei novamente.
- Seu nome é ? – o homem puxou papo e eu olhei para seu rosto, ele tinha barba rala e olhos verdes claros, seu cabelo negro posto em um topete baixo.
- Sim... Qual é o seu? – ele não era nada mal. E eu sabia o que aconteceria se eu não desse uma chance.
- Jacob. Suas amigas estão ao meu favor? – apontou para as três que cochichavam e alternavam seus olhares para nós.
- Parece que sim. – bufei de mãos vazias e ele sorriu, mostrando como poderia ser galanteador.
- E o que você acha disso?
- Acho uma completa traição. – sussurrei e ele fez uma careta.
- Essa doeu. – colocou a mão no peito.
- Eu tomei um pé na bunda e elas acham que eu preciso de uma cura urgentemente. – expliquei e Jacob se aproximou, como se estivesse prestes a me contar um segredo.
- Primeiro... Talvez você precise de uma. – sugeriu baixinho e eu quase sorri.
- E segundo? – perguntei deixando que ele chegasse mais perto.
- Quem foi o idiota que te deu um pé na bunda? – olhou em meus olhos e eu fiquei sem fala por alguns segundos.
- Por que? Vai bater nele?
- Aposto que o coitado já está sofrendo o suficiente com a própria decisão. – eu pensei que ele iria me beijar mas no momento em que nossos narizes se encostaram eu vi Hans na boate e me afastei pela surpresa.
- Ele parece bem para mim... – avisei olhando em direção ao meu ex namorado e Jacob se virou para ver.
- Você está brincando... Ele realmente apareceu aqui e agora? – ele não conseguiu segurar a risada mas eu não consegui rir.
- Foi realmente uma ótima ideia, eu tenho que agradecer minhas amigas depois. – resmunguei ainda observando e Jacob ficou sério ao ver que eu não conseguia brincar. – Ótimo, ele está com a Mandy.
- Quem é? – perguntou interessado e eu abaixei o olhar por um momento.
- Ela fazia bullying comigo, nós tempos de escola. – expliquei e Jacob franziu o cenho.
- E ele sabe?
- Nos conhecemos no colégio, então... Sim. – Jacob levantou meu rosto para que eu o olhasse e eu não recuei.
- Ele não te merece, você não precisa dele. – refleti sobre aquilo e num reflexo olhei para onde Hans estava novamente.
Jacob acompanhou meu olhar e quando Hans devolveu o contato visual Jacob me puxou para um beijo, lento e extremamente sensual. Nos beijamos por alguns segundos e quando nos separamos rimos com vontade. Nunca tinha beijado alguém para fazer ciúmes em outra pessoa.
- Isso foi insano! – bati em seu braço enquanto sua mão ainda estava na lateral do meu rosto.
- Você é linda. – disse sério e eu sorri.
- Você ganha todas com essa frase?
- Você é realmente muito linda. – repetiu sorrindo e eu o beijei novamente.
- Me diga que isso foi um convite para sairmos daqui. – desejou fechando os olhos e eu ri baixinho.
- Eu preciso dizer com as exatas palavras? – me levantei estendendo a mão e Jacob me seguiu.
[Recomendo que coloquem para tocar Baby Come Home do The Neighbourhood, a mesma coisa das músicas anteriores.]
1 ano atrás...
20/03/2015
- Eu não acredito que ele fez isso. – Maya riu desacreditada e eu continuei olhando para o enorme urso de pelúcia que estava em cima da minha cama.
- Você não nos contou o fato de que ele tem grana. – peguei o bilhete pequeno em mãos e franzi o cenho.
- Eu não sei se ele tem.
- Você está vendo o tamanho desse urso? – Bi perguntou retoricamente e eu continuei lendo o poema escrito para mim.
- Eu pensei que ele fosse do tipo que fode bruto e não que manda poemas e ursos de pelúcia. – Mia brincou e eu arqueei as sobrancelhas.
- E como você saberia?
- Eu posso gostar de garotas mas já estive no armário. – Mia mostrou a língua e eu apenas concordei.
- Isso é romântico. – Bi apontou empolgada mas logo mudou sua feição. – Estou ficando enjoada.
- Não me diga que está grávida. – Maya fingiu decepção e Bi pegou o braço do urso para bater nela.
- Ei! Esse urso parece caro! – adverti.
- O poema é bom? – Maya questionou curiosa.
- “Eu quero morar nas suas meias para que eu possa estar com você a cada passo do caminho.” – Mia leu em voz alta e Bi fingiu vomitar.
- Ok, isso é muito brega. – Maya concordou e eu ri.
- Até que é fofo, nunca ganhei presentes românticos desse jeito.
- Eu não sou caixa eletrônico. – Mia se defendeu quando Bi e Maya olharam para ela acusadoramente. – E eu ganhei um relógio da Hello Kitty pra você quando fomos naquele parque de diversões.
- Qual é o ponto de um relógio se ele não mostra a hora? – questionei retoricamente e Maya riu.
- Quando ficamos bêbadas naquele dia você nos perguntou isso umas trezentas vezes.
- Eu não me lembro muito bem das coisas depois que ficamos bêbadas.
- E ninguém te culpa por isso.
- Eu tenho que ligar pro Jacob. – peguei meu celular do bolso e as meninas começaram a caçoar.
Alguns meses atrás...
12/06/2015
- Eu acho que deveríamos morar juntos. – Jacob sugeriu enquanto eu tentava escolher um filme para assistirmos.
- E eu acho que deveríamos ter filhos. – segui a brincadeira e ele riu, eu me aconcheguei no sofá e ele colocou seus braços em volta de mim.
- Estou falando sério, acho que estamos prontos. – Jacob morava sozinho, era um desenvolvedor de software então ganhava bem para pagar aluguel sozinho.
- Tem um pequeno problema. – me recordei sussurrando e Jacob arqueou as sobrancelhas. – Como eu vou pagar aluguel?
- Você realmente está me perguntando isso?
- Eu não quero que você me banque, Jacob. – respondi surpresa por ele presumir aquilo.
- Eu não te bancaria. Você pretende arrumar um trabalho em breve, não?
- Sim, mas eu não sei se meu pai gostaria da ideia. – meu pai não gostava muito de Jacob, eu não sabia se era porque ele era mais velho que eu ou por outro motivo mas simplesmente não gostava.
- Você já tem dezenove anos.
- Nos conhecemos há quatro meses... Morar juntos seria como casar.
- Ou seríamos como colegas de apartamento.
- Que transam e fazem coisas de casal.
- Acho que você entendeu minha proposta. – Jacob sorriu beijando minha bochecha e eu suspirei. – Eu te amo.
- Eu também te amo. – sorri bastante feliz.
- Sabe... Só estou pedindo porque me sinto um pouco solitário aqui. – disse parecendo honesto e eu refleti.
- Eu... Vou pensar, ok? – ele beijou meu pescoço e eu estremeci.
- Ok. Pense com carinho.
Alguns meses atrás...
16/07/2015
- Você é muito exigente! Nada nunca está bom para você! – Jacob gritou e eu franzi o cenho.
- Como pode dizer isso? Eu sempre concordo com você!
- E sempre acha que está certa pelo visto!
- Você está sendo injusto. Eu vim morar aqui a pedido seu, se lembra?
- Agora você vai colocar a culpa em mim? Realmente...
- Eu não estou fazendo nada, pelo amor de Deus!
- Não venha com isso para cima de mim, não sei como eu não percebi antes que era tão manipulativa!
- Mas eu...
- Você é igualzinha a sua mãe! Vive reclamando e reclamando dela mas é igualzinha! – gritou me assustando e eu me encolhi bastante abalada, ele sabia o efeito que falar sobre Katarina tinha sobre mim.
- Jacob...
- É tudo culpa sua. – disse finalmente e pegou o casaco para sair do apartamento.
Alguns meses atrás...
03/09/2015
E mais uma vez Jacob chegava bêbado em casa... Eu não sabia por que ele estava sendo daquele jeito, era como se o cara que eu tinha conhecido não estivesse mais lá.
Ele se sentou no sofá afirmando estar cansado demais e eu me prontifiquei a esquentar comida para ele, ele não parecia tão bêbado mas eu podia sentir o cheiro de whiskey impregnado em suas roupas.
Meu celular apitou na mesa e Jacob o pegou sem nem mesmo avisar, achei um pouco estranho e invasivo.
- Quem é Bruno? – questionou com a voz embriagada e eu coloquei o prato de comida na mesa.
- O meu melhor amigo, eu sempre falo sobre e...
- Ele é da Alemanha? – me cortou sem ligar para o que eu dizia.
- Sim.
- E por que você ainda tem contato com ele?
- Porque ele é meu melhor amigo.
- Homens sempre querem algo a mais, ele já conseguiu algo com você? – continuou segurando meu celular e eu ri desacreditada.
- Ele é meu amigo, nunca fomos atraídos um pelo outro.
- Por que você tem senha no celular?
- Por causa do meu irmão mais novo.
- Você mora comigo agora. Qual é sua senha?
- Eu não vejo porque...
- Eu perguntei qual é a sua senha! – me interrompeu de novo e eu me encolhi.
- Jacob, você está me assustando.
- Não tente fazer isso ser sobre mim, está escondendo alguma coisa? – se aproximou com um brilho estranho nos olhos e eu senti medo.
- Não, claro que não.
- Me diga qual é a sua senha. – disse em um tom de ordem e eu respirei fundo.
- É password. – ele entrou no meu celular e passou pelos meus contatos.
- Leo? Nate? Oliver? – questionou enquanto rolava, uma feição de nojo se apossava de seu rosto.
- Eles são colegas do trabalho, eu nem mesmo falo com eles. – expliquei e ele deu passos para frente, eu me esforcei em evitar andar para trás.
- Você espera que eu acredite nisso? – acariciou meu cabelo com uma mão e eu levantei meus olhos.
- Eu não estou mentindo para você, eu juro.
- Você vai apagar os contatos do seu celular. – instruiu em um tom calmo.
- Eu não posso, eles são... – Jacob me interrompeu mais uma vez, mas não com simples palavras, eu senti quando seu punho acertou meu rosto e fiquei sem fôlego pela pancada.
- EU DISSE PARA VOCÊ APAGAR! – gritou e eu segurei o choro, andando para trás. – Não fuja de mim.
- Jacob, por favor... – implorei encostando na parede e me vendo sem saída.
- Você vai apagar. – chegou perto de mim rapidamente e agarrou meu pescoço com possessão, minha cabeça bateu na parede. Eu arregalei os olhos e ele colocou o celular na minha cara.
- Você está me machucando. – senti uma lágrima descendo pela minha bochecha e Jacob soltou meu pescoço com brutalidade, batendo a minha cabeça na parede propositalmente e me fazendo cair no chão, mas me soltando. Ele jogou o celular no chão com força e a tela trincou me assustando ainda mais.
- Eu te avisei para apagar. – pisou no celular o esmagando e eu não consegui segurar o choro. Ele tentou se aproximar de mim e eu rastejei para o lado, com medo de que ele pisasse em mim como fez com o celular... Como uma vez Linda fez comigo no corredor da escola.
- Por favor... – pedi desesperadamente e Jacob respirou fundo.
- Olha o que você me fez fazer, meu amor. – eu me sentei e ele chegou perto lentamente, acariciando meu rosto enquanto eu tentava desviar.
- Eu quero ir embora. – sussurrei e abri os olhos, vendo que Jacob parecia arrependido.
- Eu sinto muito... Eu estou bêbado, estou cansado e descontei em você. – me olhou em súplica e eu franzi o cenho.
- Você...
- Eu prometo que nunca irá acontecer novamente. – me levantei fugindo de suas carícias e ele se levantou também. – Por favor, eu prometo. Não me deixe sozinho.
- Como pode prometer? Você me... – não consegui falar o resto e ele ficou de joelhos.
- Eu não sei como fiz isso, estou embriagado demais. Eu te amo e nunca faria nada para te machucar, eu apenas perdi a calma. – se levantou lentamente e eu não consegui reagir, era como se eu não conseguisse pensar em nada racional com Jacob, de um jeito ruim. Ele me puxou para um beijo e eu ofeguei enquanto o beijava de volta aos poucos.
- Eu te amo. – sussurrou desabotoando minha camiseta e eu fechei os olhos.
- Eu também te amo.
Alguns meses atrás...
18/09/2015
- Eu vi o jeito como você olhou para ele. – Jacob jogou as chaves na mesa e eu olhei para baixo.
- Sobre o que está falando?
- Eu vi o jeito como ele olhou para você. – levantou meu rosto para que eu o encarasse e eu neguei. – O garçom.
- Eu não olhei para ele de nenhum jeito. – esclareci e ele agarrou meus pulsos violentamente.
- Me diga a verdade, por que você sempre mente? – puxou meus braços e eu me debati.
- Eu não estou mentindo! Me solta!
- Me diga a verdade. – seu aperto foi aumentando a força e eu tentei o empurrar.
- A verdade é que você é um pedaço de merda! – gritei sem paciência e cuspi em seu rosto, fazendo com que Jacob me soltasse bruscamente. Eu cambaleei para trás e ele se aproximou novamente, distribuindo um soco em meu rosto.
- Não ouse falar assim comigo! – ele gritou e eu rastejei para longe, mas ele agarrou meus braços de novo.
- Me solta! Eu não vou deixar você me machucar de novo! – continuei me debatendo em desespero e ele me jogou para trás. Minhas costas bateram na parede violentamente e eu perdi o fôlego.
- Você quer ir embora para foder com o garçom? – acusou chegando perto e eu chorei pela minha vida. Eu conseguia ver o prazer que ele tinha em me machucar e eu conseguia ver que ele queria mais.
- Vai pro inferno! – reunindo minha força o chutei e me apoiei na cadeira para conseguir levantar.
- VOCÊ NÃO VAI FUGIR DE MIM! – puxou meu tornozelo e eu arremessei a cadeira em cima dele. Ele ficou surpreso e eu solucei, correndo para chegar até a porta do apartamento. Ele conseguiu me alcançar e bloqueou o caminho.
- Por que está fazendo isso?! – funguei. Ele me prendeu contra a porta e eu não tive coragem de olhar em seus olhos.
- É culpa sua... Se você não fosse uma vadia que flerta com todo mundo, eu não precisaria te castigar. – ele acreditava no que dizia, mas eu não acreditaria nem por um segundo a mais.
- Me deixe ir!
- Você nunca vai poder fugir de mim, amor. Ainda não entendeu? – meu coração pareceu se quebrar naquele momento e eu abri os olhos, sentindo medo de nunca mais sair dali. Então dei uma joelhada no meio de suas pernas e com o tempo que ganhei abri a porta do apartamento, correndo o máximo que podia. Cheguei ao hall do prédio e o porteiro me olhou com preocupação.
- Você está bem? – o porteiro perguntou.
- Tem... Tem... Eu fui agredida, o... Eu preciso... – não consegui falar e o porteiro franziu o cenho olhando para o meu rosto com uma preocupação ainda maior.
- Me diga o apartamento em que está o agressor. – pegou o telefone e eu tentei respirar.
- 232.
Atualmente...
Eu tinha prestado queixa contra Jacob e ele fora preso, mas com certeza tinha deixado uma marca. Eu tinha dito para minha família que terminamos, mas não tinha mencionado a parte da agressão e contei a mesma história para as minhas amigas. Eu tentei enterrar aquilo enquanto tinha que ter feito absolutamente o contrário.
A maioria das vezes que pensava em meu relacionamento com Thomas, no fundo me perguntava se eu tinha perdido a habilidade de confiar romanticamente em todos os homens. E por mais que estivesse feliz no momento, às vezes tinha pesadelos com aquilo e ouvia a voz de Jacob me dizendo que eu era a culpada.
Eu tinha vindo para fazer o intercâmbio justamente para me distrair de tudo, não imaginei que iria acabar transando com meu host brother. A verdade era que eu parecia tão resiliente e segura de si, quando por dentro estava a um ponto de quebrar novamente. Quando eu estava com os meninos eu esquecia de toda a merda, e quando eu estava sozinha... Ficava com medo de quanto o tempo passa rápido.
Talvez eu ainda acreditasse que deveríamos viver sem arrependimentos, apesar das cicatrizes, mas isso não se aplicava mais a mim.



Capítulo 20

Aviso de gatilho: Este capítulo contém referências e cenas explícitas que podem engatilhar sentimentos/sensações/lembranças ruins. Se você é sensível ou simplesmente não gosta de ler coisas do tipo, é melhor que pule esse capítulo.

18/04/2016
Segunda-feira
16:11
P.O.V Gianniotti
- Eu preciso dormir. – resmunguei sonolenta e Harry me chacoalhou. – Para!
- Você não pode dormir agora, tem que fazer seu trabalho do curso. – me lembrou e eu fechei os olhos.
- Mas... – Harry me cortou com um assobio e eu lamentei.
- Você tem que fazer seu trabalho. – assoprou em meu ouvido e eu estapeei seu braço.
- Harry!
- Você veio aqui para cursar artes, não? – indagou e eu bufei, beijando sua bochecha.
- Obrigada por me lembrar desse fato. – ele sorriu como se tudo estivesse resolvido e eu o olhei com decepção. – Acho que temos que terminar, se eu não conseguir focar nesse curso, vou me afundar.
- Ok, então eu te banco! – apertou meu rosto e me deu um selinho, me fazendo rir.
- Por mais atraente que a proposta seja já que você tem seus projetos chiques de produção e gravação... Eu vou fazer meu trabalho. – esclareci preguiçosamente e ele me incentivou.
- Quer que eu saia? Te distraio muito?
- Claro que me distrai seu bobo, você é Harry Holland. – fiz uma reverência e ele beijou o topo da minha cabeça, saindo do quarto.
Tom ainda não tinha chegado de Los Angeles e eu sentia falta dele, por mais que ele fosse o menos próximo de mim tínhamos uma dinâmica boa e gostávamos da amizade um do outro. estava empenhada no curso e na gravação do primeiro álbum da banda. Paddy tinha virado amigo da menina que estava gostando. Harrison também tinha se aproximado bastante de mim e de . E Sam... Trabalhando em projetos com Harry.
Eu ainda estava preocupada mas Giovanni parecia ter sumido da fase da Terra, tendo feito a coisa que fiz era normal que ela estivesse me assombrando. Eu tinha que contar para Harry, tinha que contar para , Sam e até Tom... Possivelmente Harrison já que todos éramos um grupo agora. Mas era tão complicado, não era algo fácil de se explicar, não tinha palavras certas para descreverem.
Fiquei no quarto até terminar meu trabalho e quando acabei peguei meu celular, olhando as notícias online. Muitos sites falavam sobre o novo Homem Aranha, Tom Holland. Era ridiculamente incrível ler os artigos sobre ele. Desci para a sala, tentando encontrar Harry mas ao invés dele achei Sam junto a Harrison, conversando e rindo alto.
- O que vocês estão fazendo? – chamei sua atenção e eles viraram para me observar.
- Falando com o Tom. – Harrison mostrou o celular e eu vi que eles estavam em FaceTime com ele. Tom estava deitado em uma cama de hotel.
- Que horas são aí? – questionei franzindo o cenho e os meninos abriram espaço para eu me sentar.
- Nove e meia da manhã. – respondeu se espreguiçando.
- E o que está fazendo falando com os patetas? Não está ocupado sendo uma estrela? – caçoei e ele riu.
- Incrivelmente não tenho nada marcado hoje. Talvez eu vá passear por Los Angeles.
- Não vai nada, vai passar o dia inteiro na cama. – Harrison corrigiu e eu ri.
- Falando em Los Angeles, não pode beber aí né? É menor de idade.
- Eu não posso comprar, mas posso conseguir. – explicou sorrindo ligeiramente e eu arqueei as sobrancelhas.
- Começando a fama agora e já quer estragar a própria imagem.
- Foi uma piada, não vou fazer besteira. – Sam riu e Tom xingou ele. desceu para sala no mesmo instante e chamamos ela para que conversasse com Tom.
- Movie Star! – gritou sorrindo provocante e Tom bufou.
- Deixa disso, Hoffmann. – reclamou e pareceu sentir prazer em fazê-lo bufar. Só de observar eu já pude perceber que era porque ela estava sentindo falta de poder irritar ele pessoalmente.
- Aí são quase dez horas, por que ainda está deitado? – o julgou com o olhar e Harrison franziu o cenho:
- Você sabe o fuso horário de Los Angeles? – pensou um pouco antes de responder mas não chegou a fazê-lo porque Tom revelou antes.
- Ela já morou aqui. – Sam arqueou as sobrancelhas com a resposta e eu o lancei um olhar em cumplicidade, esses dois de repente sabiam de tudo um sobre o outro.
- Vocês estão tipo namorando escondido ou algo assim? – Sam perguntou em brincadeira e Tom e se olharam fazendo silêncio.
- Espera aí? Isso foi um sim? – fiquei bastante confusa mas olhou para Tom e eles gargalharam.
- Eu deveria ter gravado a reação de vocês! – gritou e eu tossi. – Eles acreditaram que estamos namorando!
- Fiquem tranquilos... Só nos pegamos casualmente. – Tom disse também e Harrison riu com ele.
- Você está de olho nas americanas? – indagou semicerrando os olhos e Tom deu de ombros.
- Elas são... Diferentes. Acho que até agora não vi nenhuma garota californiana que não estivesse usando jeans.
- Não sei como isso tem relevância, mas ok.
- E você, gosta de americanos? – Tom fugiu do assunto sobre as garotas e refletiu.
- Meu último namorado americano foi uma merda... Se bem que ele era italiano. Enfim, eles são bonitos, as garotas americanas também tem seu charme.
- Seu ex é italiano? – questionei curiosa.
- É, se ainda não morreu.
- Nunca me falou sobre isso.
- Você acha que eu sou esse tipo de garota?
- Que tipo de garota?
- “Oi, eu sou a . Você é italiana né? Meu ex também é.” – caçoou e Harrison a apoiou.
- Ela está certa, isso é meio idiota.
- Voltando... Você prefere loiras, não é? Vai ser fácil achar por aí. – sugeriu para Tom.
- Eu não estou procurando americanas para me relacionar agora. – riu tentando fazer com que ela parasse e ela apenas concordou. – E eu não tenho preferência por loiras.
- Anotado. – disse indiferentemente.
- Eu sei que você tem ciúmes mas fique tranquila. Meu coração só pertence a uma pessoa e essa pessoa é o Harrison. – brincou com as palavras e Harrison mandou um beijinho pra tela.
- Eu amo o amor de vocês! – exclamei entusiasmada e revirou os olhos.
- Eu estou sendo traída na minha cara.
- Ei, só nos pegamos casualmente, qual é? – Tom a lembrou caçoando de Sam e de mim. – Não vai querer complicar as coisas com seus sentimentos.
- Mulheres... Certo? – Sam suspirou frustrado e eu dei um tapa em sua cabeça.
- Como se você soubesse algo sobre mulheres.
- Só porque eu estou solteiro não significa que eu sou virgem igual o Harry quando conheceu você.
- Você tem certeza? Porque eu duvido bastante que você já tenha perdido o cabaço. – interferiu suspeitando e Sam mostrou o dedo do meio pra ela.
- Estou com saudades de vocês. – Tom falou do nada e todos viraram para a câmera. – Jesus, eu não pedi ninguém em casamento.
- Também estamos com saudade bobinho. – Harrison respondeu e confirmamos.
Conversamos com Tom por algum tempo e depois de desligar Harrison foi embora porque tinha coisas para fazer, então eu me vi no sofá com e Sam.
- Como vai a gravação do álbum? – Sam perguntou para e ela sorriu de imediato.
- Vai bem, por sorte eu tinha várias composições.
- Espero que você não esqueça de nós quando for fazer turnês ou algo do tipo. – Sam abaixou a cabeça como se realmente temesse aquilo e deu um beijo em sua bochecha.
- Está brincando? Vocês são praticamente a minha família agora! Nikki é uma mãe melhor do que a minha própria. – tentou o tranquilizar.
- E eu?
- Você é meu melhor amigo e eu te amo. – o abraçou com vontade e ele sorriu largo.
- Eu também te amo.
- Ei! E eu aqui? – cruzei os braços e riu ainda abraçada com Sam.
- Você tem o amor da sua vida, o Harry. – abri a boca indignada mas balançou as mãos.
- Mas também te amamos. – me cortou e eu me acalmei.
- É melhor mesmo.
- Cadê o Harry, falando nisso? – levantou a cabeça como se procurasse ao redor.
- Nós nem sempre estamos grudados. – respondi por mim.
- Vocês não passam essa imagem quando ele está engolindo sua cabeça. – Sam reclamou aéreo e eu joguei a almofada nele.
- Primeiro, isso foi nojento. E segundo, namorados se beijam, supere.
- Vocês poderiam dar um tempo quando estão perto do Sam, sabem que ele não lida muito bem com o fato de estar solteiro. – sussurrou e Sam a puxou, fazendo-a cair em seus braços enquanto ele fazia cosquinhas nela.
- Sam! Para! Eu vou te matar! – tentava estapear ele e eu só assisti a cena, até meu celular começar a tocar e fazer com que eles parassem. Quando eu olhei para a tela senti um enjoo enorme acompanhado de um calafrio. “Giovanni”.
- . – chamou meu nome olhando para a tela e eu virei o celular antes que Sam conseguisse ler.
- E-Eu preciso atender. – me levantei subindo para o quarto e quando entrei cliquei no botão para aceitar a ligação.
- Amore mio! – Giovanni cumprimentou e eu percebi que minhas mãos tremiam.
- Não me chame assim, Giovanni. – tentei me manter estável.
- Eu estou bastante decepcionado com você carino, não fez o que eu lhe pedi. – consegui sentir seu cinismo através do celular.
- O que quer dizer?
- Não terminou com Harry. – era como se meu coração batesse tão forte que meu corpo inteiro tremesse acompanhando.
- Como sabe disso?
- Uma das vantagens de ter dinheiro é que consigo fontes facilmente.
- Está me espionando?
- Estou apenas me certificando de que vai cumprir sua parte do acordo. – mesmo que não pudesse vê-lo, sabia que estava sorrindo.
- É difícil terminar com ele, se eu fizer isso posso estragar minha relação com os pais dele e até ser expulsa da casa. – menti e ele riu.
- Você acha que eu ligo? Ainda estou na Inglaterra e estou observando. Você tem 48 horas para terminar com ele, ou eu volto para a Itália e te denuncio. – desligou me deixando sem saída e eu fiquei confusa. Ele achava que estávamos na porra de um filme? 48 horas?
4 anos atrás...
26/05/2012
O parque estava lotado hoje mas ainda assim eu me sentia solitária, principalmente por estar sozinha enquanto assistia as famílias e os vários grupos de amigos passearem pelo parque, todos extremamente felizes.
Por que eu era sozinha? Ainda era um mistério para mim, mas vinha sendo assim desde sempre. Eu tinha amigos passageiros mas sempre nos afastávamos ou eu os afastava, talvez fosse um mecanismo de defesa que tinha desenvolvido ou fosse apenas meu destino... Morrer cercada de gatos? Não parecia uma ideia tão ruim assim.
Eu não confiava muito nas pessoas quando se tratava sobre um certo nível da relação, então eu me distanciava.
- Oi. – um garoto se aproximou e eu levantei o olhar para respondê-lo.
- Oi. – tentei sorrir mas não consegui.
- Posso me sentar aqui? – pediu e eu apontei para o banco, dando espaço. – Qual o seu nome?
- , e o seu? – perguntei de volta por educação e ele ficou entusiasmado.
- Meu nome é Giovanni. Mas me diga, o que uma garota como você está fazendo sozinha?
- Uma garota como eu? – questionei não muito certa sobre a pergunta.
- Uma garota tão bonita. – reformulou e eu franzi o cenho.
- Obrigada... – achei um pouco estranho o tipo de abordagem mas tentei ser normal sobre.
- Não respondeu minha pergunta. – observou risonho e eu me toquei daquele fato.
- Ah! Eu estou pensando. – olhei para frente, tentando não fazer tanto contato visual. Contato visual era um pouco constrangedor.
- No que? – indagou curioso, se aproximando.
- Bom, não seria uma coisa inteligente compartilhar meus pensamentos com alguém que eu acabei de conhecer. – minha curiosidade falou mais alto e eu virei meu rosto para olhá-lo.
- Então você é bonita e inteligente? – fingiu estar surpreso e eu rolei os olhos.
- Por que? Você acha que uma garota bonita não pode ser inteligente? – o ataquei séria e ele negou.
- Não, não, não.
- Eu estou zoando com a sua cara. – gargalhei e vi que o alívio tomou conta de seu rosto.
- Eu quase achei que tinha perdido a minha chance com a garota dos meus sonhos.
- Eu seria a garota dos seus sonhos? – apontei para mim mesma com o dedo e ele assentiu. – Deixa disso. A garota dos seus sonhos é solitária?
- Não quando ela está comigo.
- Não sou a garota dos seus sonhos Giovanni. Sou apenas uma garota em um parque.
- Então eu sou apenas um garoto em um parque. – sorriu como se estivéssemos quites.
- Você flerta muito bem. – caçoei.
- Os olhos verdes ajudam. – piscou repetidamente e eu ri.
- Certamente.
4 anos atrás...
20/06/2012
Giovanni estava tentando me levar para um encontro desde que havíamos nos conhecido mas eu estava um pouco relutante em relação a aquilo, nos encontrávamos sempre no parque e no mesmo banco porque curiosamente ele estava sempre desocupado, depois de semanas de Giovanni insistindo em algo formal eu acabei aceitando. Ele me levou para um restaurante bastante chique.
- Você está linda. – elogiou e eu sorri, me sentando.
- Obrigada, você também não está nada mal.
- Você acabou de me elogiar?
- Nunca estive em um restaurante tão chique. – mudei de assunto discretamente.
- É meu prazer te trazer ao seu primeiro, peça o que quiser.
- Você vai pagar? – brinquei olhando por cima do cardápio.
- Que tipo de cara eu seria se não pagasse no primeiro encontro?
- Talvez um cara do século 21? – sugeri ainda analisando minhas opções, ele balançou a mão tirando a importância do assunto.
- Você paga no próximo.
- E quem disse que terá um próximo?
- Eu realmente espero que tenha. – Giovanni olhou para mim com intensidade e eu retribui o olhar, abrindo um sorriso.
4 anos atrás...
07/08/2012
- Isso é pra você. – Giovanni me entregou o buquê de girassóis e eu sorri.
- São lindos. – sussurrei e olhei para seus olhos. – Obrigada.
- Toda vez que eu vejo girassóis penso em você.
- Por que?
- Eles são alegres, na mesma proporção que você é. – me girou para me abraçar e eu ri.
- Você tinha que ser tão brega?
- Não, mas eu adoro quando você esconde que gosta do meu lado romântico. – provocou beijando meu pescoço.
- Você não me chamou aqui dizendo que tinha algo a comunicar? – questionei tentando focar em outra coisa a não ser sua boca em meu pescoço.
- Sim. – ele se ajoelhou no chão em um joelho só e eu neguei com a cabeça freneticamente.
- Giovanni, nãoooo!
- Gianniotti, você quer namorar comigo? – não tinha nenhum anel pelo menos.
- Sim, eu quero. Agora levanta. – tentei levantá-lo mas ele pegou uma caixinha do bolso.
- Eu só estava esperando você dizer sim. – colocou o anel no meu dedo e eu revirei os olhos.
- Como conseguiu pagar por esse anel?
- Isso importa?
- A não ser que esse dinheiro esteja envolvido com coisas ilegais, acho que não. – analisei o anel na minha mão e Giovanni riu.
- Minha família tem dinheiro. – explicou e eu abri a boca fingindo choque.
- Mentira! E eu aqui pensando que você tinha ganhado na loteria!
- Eu ganhei quando conheci você.
- Ah para! – bati em seu ombro e ele me puxou para perto.
- Você é minha namorada agora. – sorriu feliz.
- E você é meu namorado agora. – entrelacei meus braços em seu pescoço e ele colou seus lábios aos meus.
4 anos atrás...
20/09/2012
- Você não acha que está comendo muito, carino? – Giovanni perguntou cauteloso e eu franzi o cenho.
- Por que acha isso?
- Esse é seu terceiro hambúrguer. – apontou e eu olhei. – Desde que falou com a sua mãe pareceu faminta.
- Não é nada... Eu só senti fome. – olhei para a minha barriga e me arrependi rapidamente de ter comido tanto.
- Você quer ver um filme depois? – propôs e eu me senti meio desanimada para um filme.
- Talvez amanhã. – tentei reajustar e ele concordou.
- Eu tenho que ir agora. Te amo.
- Também te amo. – depois que Giovanni me beijou e foi embora, eu olhei para a comida novamente e para a elevação que tinha em minha barriga. Eu ganhava peso muito fácil, uma coisa que eu odiava.
Peguei um espelho para ver melhor e joguei o hambúrguer no lixo, com sorte não comer muito pelas próximas horas talvez fosse o suficiente para que eu não aumentasse muito.
8 anos atrás...
23/07/2008
Papai estava bastante doente, mas só tínhamos descoberto aquilo a alguns meses atrás. Câncer no pulmão era o que ele tinha, já estava no estágio terminal mas eu não entendia direito o que aquilo significava.
- Filha. – papai me chamou e eu prestei atenção no que ele dizia. – Vem cá.
- Fala. – parei do lado de sua cadeira e reparei que ele parecia bastante cansado.
- Você sabe que eu te amo, não é?
- Eu sei. – sorri convencida e ele riu.
- Lembre-se disso, a qualquer lugar que você for, qualquer coisa que decidir fazer, eu vou estar com você e vou te amar independente de qualquer coisa.
- Você vai me amar para sempre? – perguntei se era isso o que ele queria dizer e ele assentiu.
- Para todo o sempre.
- Então eu também vou te amar para todo o sempre, pai.
7 anos atrás...
Eu ouvi as máquinas desligando e o grito da minha mãe quando tudo aconteceu, mas apesar de tudo pude ter paz porque papai me contou que iria para um lugar melhor, um lugar onde ele não sentiria dor e seus cabelos não cairiam, um lugar onde ele poderia cuidar de mim por me observar de lá de cima.
Eu sentiria falta dele, mas se ele pudesse ir e ainda assim me amar de longe valia a pena porque eu amaria ele do mesmo jeito, sem remorso e sem culpá-lo por ter que partir.
Minha mãe por outro lado parecia furiosa, furiosa com o mundo em volta de si e com as pessoas ao redor dela, eu me permiti chorar porque sabia que era o que o papai aconselharia, mas não chorei como a minha mãe.
Ela praticamente se isolou por alguns dias e pediu para a vizinha ficar comigo, ela esquecia de me dar comida então eu media o quanto comia.
Mas eu eventualmente engordei e minha mãe ficou brava comigo por causa disso, ela gritou que eu ficaria flácida quando crescesse, com celulite e estrias, ela me disse que eu tinha tudo para ser igual as modelos de capas de revistas mas se ficasse enfiando comida em minha boca iria ficar obesa.
Então todo dia depois da escola eu chegava em casa e ligava a televisão, onde todas aquelas mulheres magras e deslumbrantes estavam, onde nos filmes elas conseguiam tudo por ter aquela aparência e as gordinhas eram as que sofriam bullying e não chegavam a lugar nenhum.
Eu comecei a me perguntar se era nisso que ia me tornar, um fracasso, mas não consegui parar de comer e a solução que encontrei foi vomitar, o que pensei que não fazia tão mal como ser gorda.
3 anos atrás...
30/01/2013
- Não, eu não gosto dessa. – troquei a música do carro e achei uma que me agradava no rádio. Gio olhou para mim com diversão e parou o carro na beira da estrada me deixando bastante confusa.
- Vem! – aumentou o som no máximo e saiu do carro, dando a volta e me buscando.
- O que está fazendo? – questionei enquanto ele soltava meu cinto e ele sorriu.
- Vamos dançar. – estendeu a mão e eu pulei do carro com sua ajuda. Gio dublou a música e dançamos até nos sentirmos cansados já que a estrada era pouco movimentada. Eu senti como se pudesse explodir de felicidade quando estava com ele, como se ele fosse a única coisa no mundo que me fazia verdadeiramente feliz.
- Eu te amo, carino. – apertou minha mão e eu sorri.
- Eu também te amo, Gio.
3 anos atrás...
12/03/2013
- Abra. – me incentivou e eu olhei para a caixinha embrulhada.
- Não é a chave de um carro, é? Eu já te disse que não vou aceitar presentes com o preço acima de-
- Só abra, não é um carro. – apressou e eu tirei o embrulho, abrindo a caixinha. Era uma pulseira da Pandora, com um pingente de piano.
- Pandora? É caro, Gio. – comentei observando a pulseira e ele sorriu.
- Imaginei que se eu comprasse um piano de verdade, você não aceitaria.
- Talvez se fosse um Fazioli... – brinquei e Gio sorriu.
- Então da próxima-
- Nem pensar, você não tem senso de humor?
- Pelo menos vai aceitar a pulseira? – perguntou e eu estendi meu pulso para que ele colocasse.
- Feche antes que eu mude de ideia. – fechei os olhos e Gio arrumou a pulseira no meu pulso.
- Você tem que me dar um desconto, eu ia comprar uma Cartier mas lembrei que você brigaria comigo. – se justificou e eu ri.
- Não mostram nos filmes como é chato namorar com rico.
- Você que não gosta.
- Pode sempre achar outra namorada, Gio. – rebati na defensiva.
- O problema é que eu quero você, carino. Com toda a sua teimosia inclusa no pacote. – eu adorava como seus olhos me olhavam como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo.
- Lembre-se que você sempre pode dar os presentes para minha mãe, sabe como ela ama coisas brilhantes e principalmente a atenção do meu namorado. – revirei os olhos e ele colocou suas mãos em minha cintura.
- Eu gosto da sua mãe.
- Claro que gosta. Eu aposto que ela também te preferiria como filho dela.
- Não diga isso. – tocou meu rosto. – Você vale mais do que eu jamais poderia pagar.
- E você continua com as frases... Você pega elas na internet? – ri caçoando.
- Se te faz sorrir vale a pena.
- Acha mesmo que eu acredito que você fala essas coisas pelo meu prazer? Você que gosta de ser cafona.
- Não sou cafona.
- Você é meu cafona.
- Awns, eu posso colocar essa frase em uma moldura?
- Talvez quando eu morrer e não estiver aqui pra te matar.
- No seu túmulo então?
- Nem pense, Giovanni.
- Eu acabei de perceber que vamos ficar juntos até você morrer. – pareceu juntar as peças e eu franzi o cenho.
- Eu não disse nada disso.
- Ah mas você disse.
2 anos atrás...
18/04/2014
Me olhei no espelho mais uma vez tentando enxergar algo melhor mas não vi nada, eu parecia tão inchada, tão gorda e feia. Não deveria ter comido tão descontroladamente, o problema era que eu sentia tanta fome e ela nunca acabava. Eu não suportava mais olhar para meu próprio reflexo.
Enfiei dois dedos na boca e os afundei até onde pude, pressionando um pouco. A ânsia veio e eu me aproximei do vaso sanitário para despejar tudo ali... Senti uma queimação horrível e me arrependi de ter feito o que fiz no momento em que a sensação me bateu. Eu sempre me arrependia.
O que me assustava era que eu não me arrependia o suficiente para parar, não importava o quanto eu visse nos filmes e documentários o quanto aquilo era perigoso, eu tinha que fazer para me manter magra, para me manter desejável.
2 anos atrás...
04/06/2014
- Você emagreceu demais. – minha mãe sussurrou e eu assenti, cansada.
- Quando foi a última vez que comeu? – Gio perguntou preocupado e eu esfreguei os olhos.
- Eu comi uma maçã de manhã.
- De manhã? Você não almoçou? – exclamou como se fosse sério demais.
- Estava sem fome. – dei de ombros mentindo, eu estava faminta. Minha barriga doía de tanta fome.
- Você não pode deixar de comer desse jeito. – Gio levantou e pegou os restos de comida, a esquentando.
- Eu não quero comer. – abaixei o rosto e ele se aproximou.
- Tem algo de errado? – tentou me tocar e eu recuei, era um saco eles fazendo um grande caso daquilo.
- Eu apenas estou sem fome. – Giovanni empurrou o prato para mim.
- Coma, por favor.
- Eu não quero me forçar a comer.
- Coma, .
- Eu já disse que não. – afastei o prato e ele o empurrou novamente.
- Coma.
- EU DISSE QUE NÃO VOU COMER! – joguei o prato no chão e me sentei novamente.
- ! – minha mãe advertiu e eu respirei profundamente.
- O que está acontecendo?
- Nada está acontecendo. – cruzei os braços querendo paz.
- Eu sei que algo está acontecendo, você não come mais em público, passa horas na academia, e eu sei sobre os vômitos . Eu cansei de fingir que tudo está bem por medo de você me afastar como faz com todos seus amigos. – Giovanni olhou em meus olhos e meu coração acelerou.
- Pare com essa baboseira.
- Precisamos ir a um médico, bulimia é algo extremamente sério.
- Eu não tenho bulimia! Da onde tirou isso?!
- Por favor, vamos ver um médico. – pediu em súplica e eu funguei.
- Eu não tenho bulimia.
- Eu acredito em você, mas é bom que...
- EU ACABEI DE DIZER QUE NÃO TEM NADA DE ERRADO, POR QUE NÃO ESTÃO ME ESCUTANDO? – bati na mesa e me desatei a chorar.
- Você precisa de tratamento. – minha mãe apertou minha mão e eu solucei.
- Vocês só ouvem o que querem. – recolhi minha mão e Giovanni apontou para ela.
- , você tem marcas nas mãos. – apontou para as feridas e calos na parte superior. – Quando você se força a vomitar, seus dentes raspam na pele.
- Agora você é Sherlock Holmes. – resmunguei com cinismo.
- Apenas queremos te ajudar.
- Ah é? Eu não quero a ajuda de vocês.
2 anos atrás...
21/06/2014
Enfiei mais um donut na boca e coloquei a mão na caixa percebendo que já havia comido todos. Me levantei e andei até a cozinha para pegar outra caixa, deprimida porque Giovanni vinha estando cismado comigo e parecia mal humorado o tempo todo.
Minha mãe também só fingia se importar porque Gio o fazia, desde que papai havia morrido ela parecia um zumbi e às vezes surtava comigo por nenhum motivo aparente.
Acima de tudo eu estava cansada dos dois implicando comigo, cansada de nunca estar magra o suficiente, cansada de sentir tanta fome, cansada do peso que toda hora me puxava para baixo.
Peguei a caixa de donuts na geladeira mas no caminho do quarto tropecei no chão, dando de cara com um espelho e parando para me analisar. Uma gordinha segurando uma caixa de donuts pronta para enfiar todas aquelas calorias na boca, pronta para comer os problemas e sentimentos por não ter coragem de enfrentá-los.
Gritei com o espelho e arremessei a caixa em sua direção, quebrando todo o vidro. Continuei gritando por um tempo mas aquilo não ajudou, então comecei a chorar, meus olhos foram parar na caixa e a culpa me atingiu... Por que eu nunca conseguia me controlar?
Chutei o vidro e me dirigi ao banheiro, enfiando a mão na boca e pressionando até sentir a ânsia. Enquanto vomitava tudo o que podia fazer era me perguntar o porquê, por que eu nunca conseguia chegar aonde desejava? Por que eu não podia ser que nem as modelos das revistas?
Depois que terminei me sentei no chão e fechei a privada, dando descarga. Levantei e fui até a torneira, fazendo uma concha com a mão e a preenchendo com água para limpar minha boca. Olhei mais uma vez para meu reflexo e percebi que ele nunca me agradava, não importava o quanto eu vomitasse, o quanto eu fizesse exercícios ou ficasse de jejum, eu sempre odiava me olhar no espelho e não via aquilo mudando tão cedo.
Deixei as lágrimas caírem e solucei cheia de ódio, quanto mais eu comia mais me sentia arrependida de ter o feito, porque uma vez que eu começava não conseguia parar com algo moderado.
2 anos atrás...
05/07/2014
- Você está tão estranho comigo. – comentei com Giovanni e ele cruzou os braços.
- Você não pode continuar fazendo isso. – disse pesaroso e eu franzi o cenho. – Eu não vou mais assistir.
- O que quer dizer? – ri fraco sem entender e ele prosseguiu.
- Isso não é saudável, você comendo compulsivamente e então vomitando ou tomando laxantes. Isso é prejudicial para você. – brigou e eu levantei, me sentindo tonta.
- Eu tenho sob controle. – espremi meus olhos com dor de cabeça e Giovanni me seguiu, não me dava mais nenhum espaço.
- Você pensa que tem. – cada vez que eu me movia me sentia mais fraca, então parei de repente.
- Pare de me encher o saco. – ofeguei agarrando a mesa e ele colocou suas mãos em mim para que eu pudesse me apoiar.
- Carino? – tentei me virar mas a força me faltou e foi tudo o que eu senti antes de desmaiar nos braços de Gio.
...
- Precisamos levá-la ao hospital. – ouvi alguém murmurar no escuro e grunhi, tentando alcançar a voz.
- Carino. – a voz me chamou e eu abri os olhos, não conseguindo me mexer.
- O que-
- Você desmaiou. – olhei ao redor e percebi que minha mãe estava no recinto.
- Minha pressão deve ter caído. – tentei me sentar mas não consegui.
- Temos que ir a um médico. Sabemos que isso foi por conta da hipoglicemia. – Giovanni mais uma vez me pressionou e eu revirei os olhos, sentindo dor até por aquilo.
- Você precisa comer, filha. – pegou a caixa de doces em cima da mesa e eu fechei os olhos.
- Eu não quero. – Giovanni levou até minha boca e eu espremi os lábios, mas o açúcar os tocou e eu resmunguei pela fome. – Por favor.
- Também estamos te pedindo, vamos ao médico. – minha mãe se aproximou e eu lambi meus lábios.
- Eu não tenho bulimia.
- Se está tão certa disso, por que não vamos ao hospital para confirmar?
- Porque eu não tenho que provar nada para vocês.
- ...
- Eu não quero ir a um médico. – deixei uma lágrima escapar e minha mãe me abraçou. – Eu não quero porque tenho medo.
- Do que?
- De receber tratamento e mesmo assim não melhorar, de parar de vomitar e me tornar alguém que todos sentem nojo.
- Você é linda do que jeito que é. – minha mãe beijou o topo da minha cabeça e eu solucei.
- É como se eu comesse para preencher um grande vazio que tenho aqui dentro, mas não importa o quanto eu coma ele nunca diminui. Ele me engole e tudo o que posso fazer é enfiar coisas em minha boca para não pensar sobre isso. – expliquei olhando para a parede.
- Queremos te ajudar.
- Mas e se não conseguirem me ajudar?
- Vamos estar aqui por você, por todo o caminho.
1 ano atrás...
25/04/2015
- Meu antidepressivos acabaram. – avisei Giovanni.
- Me dá a receita e eu vou lá comprar. – pediu e eu a busquei na gaveta do quarto, entregando em suas mãos. – Como foi a sessão de hoje?
- Foi boa, estamos trabalhando em modificar os pensamentos e crenças, aprendi um pouco sobre as distorções cognitivas. A minha terapeuta me deu um diário para anotar meus pensamentos do cotidiano e perceber as distorções.
- Eu fico feliz que esteja melhorando. – Gio disse e eu tentei sorrir, mas desisti.
- Eu estou cansada.
- Eu sei que está. Lembre-se que estou aqui para te ajudar. – me abraçou e eu devolvi o aperto.
[Recomendo que coloquem para tocar Everything I Wanted da Billie Eilish, se acabar antes do previsto é só voltarem ao começo.]
1 ano atrás...
10/06/2015
- Eu tenho uma consulta amanhã. – avisei e ele concordou com a cabeça.
- Quer que eu te leve?
- Seria bom. – ele desviou seu olhar de mim e eu franzi o cenho.
- Você está estranho. Está tudo bem?
- Não, sim, claro! – se afastou e o celular apitou, fazendo com que ele o pegasse rapidamente.
- Está com medo de que eu leia alguma mensagem?
- Não, claro que não. Eu só estava esperando uma ligação. – encobriu e eu tentei deixar passar.
- Você tem certeza?
- Tenho. Por que eu mentiria para você?
- Você não passa mais tanto tempo comigo.
- Quero te dar algum espaço no tratamento.
- Giovanni, você tem certeza de que não há nada acontecendo?
- Confie em mim, não há nada.
- Eu confio em você, mas-
- Eu te amo.
- Bom... Eu também te amo.
1 ano atrás...
29/07/2015
O celular de Giovanni não parava de tocar então tive que sair correndo do chuveiro para atender já que poderia ser importante e ele estava dormindo no quarto.
“Francesca.”
Franzi o cenho com receio mas peguei o celular e atendi, respirando fundo.
- Gio! Você finalmente atendeu, eu pensei que já tivesse levado a para a consulta dela... Por que não passou aqui? – a garota saiu falando antes que eu pudesse dizer algo. – Gio?
- Não. Aqui é a , mas me conte sobre quem é você, Francesca. – respondi tentando ficar calma e Francesca desligou imediatamente.
De toalha mesmo abri a porta do quarto e arremessei o celular na barriga de Giovanni, exigindo que ele acordasse.
- Ai! O que está fazendo? – esfregou os olhos se sentando e eu segurei minha toalha contra o corpo com ódio.
- Quem é Francesca? – questionei olhando em seus olhos e ele gaguejou.
- Co-como, ninguém, quem-
- Inacreditável! – exclamei perdendo minha postura e ele se levantou, tropeçando.
- Você está fazendo disso algo maior do que realmente-
- Quem decide isso sou eu. Quem ela é?
- Ela não é ninguém.
- QUEM ELA É? – gritei novamente e ele tentou colocar a mão em meu braço.
- Eu conheci ela no consultório, mas eu ia encerrar tudo. Eu juro.
- Eu estava passando por um tratamento de bulimia nervosa e você estava me traindo com alguém do consultório? – não pude evitar rir com escárnio e me virei, para andar e me afastar.
- Carino, eu juro que-
- NÃO OUSE ME TOCAR, VOCÊ ME DEIXA ENJOADA! – puxei meu braço e ele continuou investindo.
- Não significou nada. – me virei bruscamente para olhá-lo e paramos de andar.
- Teve sexo com ela? – indaguei com o tom frágil e ele me olhou pedindo desculpas silenciosamente. Eu nunca imaginei que poderia odiar aqueles olhos verdes que uma vez me encararam com tanto amor.
- Eu-
- ME RESPONDA! TEVE SEXO COM ELA?
- Sim. Foi um... – antes que ele pudesse terminar a frase idiota minha mão desferiu um tapa em seu rosto enquanto a outra ainda segurava a toalha.
Eles dizem que você não pensa antes de fazer coisas desse tipo, mas não me lembro te terem me avisado sobre a clareza que vem depois de fazê-lo, todas as sensações batendo no seu peito e te esmagando enquanto você luta por uma âncora.
- EU QUERO VOCÊ FORA DAQUI! NUNCA MAIS QUERO OLHAR PARA A SUA CARA! – dei as costas para ele e explodi em lágrimas. Você não pensa nas consequências quando começa a amar alguém, você não imagina que quanto mais do seu coração você entregar mais dele pode ser machucado.
- Não significou nada, não significou-
- VOCÊ ESTAVA ME TRAINDO ENQUANTO EU ESTAVA DOENTE, ACHA MESMO QUE ISSO NÃO SIGNIFICA NADA?
- Você sabe muito bem que sua bulimia não teve nada a ver com meu caso. – peguei o sapato que estava no chão e joguei em sua direção.
- SE TUDO O QUE QUERIA ERA SEXO O MÍNIMO QUE PODERIA TER FEITO ERA TERMINAR!
- Eu te amo.
- Você não sabe o que amor é, se soubesse nunca teria feito isso comigo.
- Por favor, foi um erro.
- VÁ EMBORA GIOVANNI! EU FALO SÉRIO QUANDO DIGO QUE NÃO QUERO MAIS OLHAR PARA A SUA CARA! – solucei perdida e ele pareceu cansado.
- Você sabe que não foi só minha culpa.
- O que quer dizer com isso?
- Foi você quem me afastou quando as coisas ficaram difíceis, não me contou sobre os vômitos ou sobre a fome. Agora estamos em um momento difícil novamente, você quer lutar por nós ou você quer sair andando?
- Você está literalmente me culpando por ter bulimia. – perdi o fôlego e ele também ofegou.
- Eu sinto tanto, eu cometi um erro terrível. Eu te amo e se eu pudesse voltar no tempo eu voltaria.
- Há quanto tempo está transando com ela?
- Isso não vem ao ponto.
- Há quanto tempo está transando com ela? – repeti tentando segurar as lágrimas.
- Um mês. – revelou cauteloso e eu mordi meu lábio o mais forte que pude. – Não consigo nos ver jogando fora o que temos, o nosso amor-
- O amor que você arruinou. – sussurrei sem forças para sair do lugar enquanto ele chegava mais e mais perto. Era como se ele me engolisse.
- Eu te amo. – segurou meu rosto enquanto eu chorava.
- Nós tínhamos mágica. – murmurei para fora enquanto ele beijava minha bochecha e reparei que ele também chorava. – Mas a mágica se foi, Gio.
- Não pode... – o empurrei com medo de ceder e decidi que era melhor sentir aquela raiva.
- NÃO PODE BEIJAR OS PROBLEMAS E FAZER ELES DESAPARECEM!
- Eu não consigo imaginar minha vida sem você. – se ajoelhou abraçando minha cintura e eu tirei seus braços de volta de mim.
- Vá embora e nunca mais volte. – ordenei lentamente e andei até o quarto, o trancando.
- Você não vai lutar por nós? – questionou do outro lado da porta.
- Não vale mais a pena lutar por nós, Giovanni. Eu fiz tanto por você e é assim que me retribuiu. Tanto tempo sendo ciumento quando eu olhava para outros homens e no final foi você quem foi infiel.
- Eu não vou embora, não vou até-
- EU PODERIA TE MATAR NESSE MOMENTO! – grunhi cega de raiva e gritei enquanto esperneava e chutava a porta.
- Diga que não me ama. – exigiu fungando e eu respirei fundo.
- Eu estava tão enganada sobre você, pensei que era alguém que nunca me machucaria.
- Eu não tive a intenção-
- Não importa, eu nunca vou ser capaz de olhar para você novamente e não te imaginar com ela. – mesmo que não soubesse como ela era, a imagem dele me traindo piscava em minha cabeça.
Era impossível que a única pessoa que eu não tinha afastado em minha vida toda, a pessoa que eu mais confiei no mundo inteiro tinha feito aquilo comigo, eu me guardei por tanto tempo com medo de me machucar e quando me entreguei tive meu coração despedaçado daquele jeito.
Atualmente...
As coisas que eu havia sacrificado por ele, que eu tinha jogado fora por ele, todas vinham me assombrar agora. Apenas se eu tivesse ficado longe do garoto do parque.
[Recomendo que coloquem para tocar Tongue da Maribou State, se acabar antes voltem para o começo.]
1 ano atrás...
15/02/2015
- Apenas preciso resolver algo, ok? – me guiou até a parte de trás do bar e eu me encolhi, sentindo um calafrio.
- Não é perigoso aqui? – perguntei não conseguindo enxergar muito bem no escuro e ele se virou para mim.
- Pegue isso. – me entregou um canivete e eu franzi o cenho.
- O que eu deveria fazer com isso? – questionei confusa.
- Se proteger.
- Giovanni, o que viemos fazer aqui?
- Negociar. – revelou e eu senti meu coração acelerar. – Apenas fique em silêncio e eu já volto.
- Giovanni. – tentei chamá-lo mas ele se afastou e eu não tive coragem de seguir. Ele parou no meio do beco e dois caras grandes e tatuados andaram em direção a ele, eles eram brancos e usavam casacos largos.
Observei tudo de longe debatendo na minha cabeça se era melhor ficar ali ou me aproximar e vi o exato momento em que Giovanni puxou um saquinho de cocaína do bolso e mostrou para os brutamontes, eles conversaram por algum tempo até um deles se aproximar discretamente para distribuir um soco forte na barriga de Giovanni, ele se curvou para frente e o outro socou seu rosto mas ele puxou uma arma da cintura e apontou para eles tentando se afastar. Os dois levantaram as mãos mas Giovanni se distraiu por olhar em minha direção e no segundo seguinte a pistola estava no chão.
Coloquei o canivete no bolso e corri para ajudá-lo mas um dos homens pegou Giovanni pelo pescoço e colocou uma faca bastante próxima da pele dele então eu parei a passos de distância.
- Nem tente. – o homem me alertou e eu senti como se pudesse ter um ataque cardíaco a qualquer momento.
- Por favor. – supliquei assustada e Giovanni me olhou com medo. – Por favor, soltem ele.
- Ele mexeu com as pessoas erradas, dever dinheiro não é algo que deixamos em pune. – a faca começava a cortar a pele de Giovanni e pouco sangue escorria.
- Ele deve dinheiro a vocês? Quanto? – perguntei e o cara riu afrouxando um pouco a faca. Com essa brecha Giovanni deu uma cotovelada em sua barriga e roubou a faca, se afastando.
O outro homem pegou sua própria adaga pronto para atacar Giovanni mas em um impulso abri o canivete que estava no meu bolso e entrei na frente, sentindo quando sua pele revestiu a lâmina que estava em minhas mãos. Eu deixei minha mão imóvel mas o canivete já estava empunhado na barriga do cara, ele olhou para mim em choque e eu pisquei querendo que aquela imagem e o sangue que escorria em minha pele sumissem, eu segurei seu ombro quando ele ameaçou cair e puxei a lâmina da barriga dele. Tudo foi tão rápido que eu não consegui raciocinar direito antes de perceber que o homem anterior ameaçava Giovanni, ele se virou para mim e tentou me agarrar mas eu joguei meu braço e enfiei o canivete em seu pescoço, puxando para fora e assistindo o cara cair no chão.
- Carino. – Giovanni tentou chamar minha atenção mas eu apenas soltei o canivete, horrorizada com o sangue e pronta para gritar. Ele tampou minha boca. – Carino, você não pode gritar.
- Eu... – escondi meu rosto em seus braços e deixei minhas mãos no ar, para que não sujassem nada. – Eu não queria-
- Eu sei, fez isso para me proteger. Não fez nada de errado. – acariciou minha cabeça e eu não consegui fechar os olhos, tudo o que eu via eram os corpos.
- Eu sou uma-
- Não ouse dizer isso. – me abraçou mais forte e eu perdi o equilíbrio, tudo o que me deixava em pé naquele momento era Giovanni.
O sangue grudava em minhas mãos e minha cabeça estava a toda ativa fazendo com que as imagens dos rostos em choque passassem pela minha mente.
- Eu não queria... Foi um- eu não-
- Eu sei, carino. Eu sei.
Atualmente...
Eu ainda ouvia nitidamente o som da lâmina perfurando e rasgando a pele, ou o baque dos corpos com o asfalto. Eu ainda sentia o sangue secando em minhas mãos. Ainda via eles deitados lá mortos.
Isso me assombrava desde que havia acontecido e o único tempo em que eu não me recordava daquelas coisas era quando estava com Harry. Mas talvez iria para a prisão por causa do que tinha acontecido um ano atrás. Usei a técnica de respiração para me acalmar mas não funcionou, e me vi desesperada.
Sai do quarto rapidamente e me dirigi ao quarto de , abri a porta bruscamente e a assustei enquanto lutava para conseguir respirar. Cai no chão de joelhos não conseguindo mais sustentar meu próprio peso e franziu o cenho correndo para me ajudar.
- O que aconteceu?! – se aproximou tentando tocar meu rosto e eu chorei desamparada.
- Gio... – solucei abaixando a cabeça e arrumou meu cabelo para me olhar melhor. Ela me abraçou com o máximo de delicadeza possível e eu me acalmei um pouco em seus braços, suas mãos faziam carinho em minhas costas.
- Eu estou aqui agora. – sussurrou sem nenhuma promessa falsa e eu me senti mais segura. – Se quiser desabafar você pode, mas se não quiser é de sua liberdade.
- Ele está me ameaçando. – arrumei espaço entre as lágrimas para dizer e ela assentiu. – Porque eu fiz algo realmente ruim.
- Olhe para mim. – pediu calma e eu levantei meus olhos. – Nada que você tenha feito de ruim vai fazer com que eu perca a consideração que tenho por você. Eu confio em quem você é. E te prometo que quando tiver a chance vou caçar Giovanni até o inferno, para que ele pague.
- Ele me disse que tenho 48 horas para terminar com Harry.
- Você quer me dizer o que fez? – perguntou calma e eu puxei uma lufada de ar.
- Eu matei duas pessoas.
P.O.V Hoffmann
18:30
- Você não teve culpa, mas não consigo imaginar como se sente em relação a isso. – tentei a tranquilizar mas fiquei um pouco confusa.
- E se eles tinham uma família? Não estava em meu poder tirar a vida deles. – fungou lamentando.
- É por isso que tem o coração bom, porque pensa assim . Você fez isso para proteger quem ama, eles escolheram estar naquele tipo de vida e sabiam as consequências. – acariciei sua bochecha.
- Eu vou ser presa.
- Foi legítima defesa. – respondi mesmo sem saber muito sobre o assunto.
- Acho que não vai importar sendo que já faz um ano. Como isso soa para mim?
- Ele não estava envolvido também? Não era ele quem estava traficando? – questionei tentando encontrar uma brecha naquilo tudo e negou.
- Mas fui eu quem enfiou a faca nos dois. – ergui seu queixo para que ela me olhasse e ela tentou prestar atenção.
- Pode intimidar ele com isso da mesma forma que ele está fazendo com você.
- O que quer dizer?
- É sua palavra contra a dele, se ele te denunciasse justo agora também não pegaria bem para ele.
- Ele pode moldar tudo do jeito que quer, pode mandar alguém para me denunciar sem sujar as próprias mãos. Ele tem o canivete, a arma do crime.
- Se ele estava lá foi cúmplice, se ele traficou é mais errado ainda. Ele tem uma ficha criminal?
- Acho que sim, uma vez ele foi preso por uma noite-
- O caso nunca foi resolvido, se eles ficassem entre você e Giovanni sobre quem é o assassino quem acha que eles iriam suspeitar? Ele tem uma ficha criminal, você não, ele é um homem e você é uma mulher. – odiava como subestimavam as mulheres mas vinha a calhar naquele momento.
- Mas e se eu for presa do mesmo jeito? – indagou triste e eu respirei fundo.
- O que eu quero te dizer é... Não pode deixar ele te controlar com isso, não pode dar todo esse poder a ele. Porque se ele tiver todo esse poder vai achar que tem liberdade para fazer com outras pessoas o que fez com você. Ele não é seu dono e você certamente não merece ser infeliz por causa dele, você precisa assumir o controle. – expliquei meu ponto de vista e ela refletiu, pulando em cima de mim para me abraçar.
- Eu te amo, Hoffmann.
- Eu também te amo, Gianniotti. – sorri apesar da situação e percebi que ela foi capaz de fazer o mesmo.
- Você precisa confrontar ele, mas eu quero ir junto.
- Por que?
- Preciso de mais motivos para quebrar a cara do desgraçado? – questionei e ela riu. – Fora que eu quero estar lá se ele ficar bravo.
- Eu vou mandar uma mensagem. – buscou seu celular e arrastou para o contato de Giovanni. – Ele nem sempre foi assim, sabe? Quero dizer-
- Eu entendo perfeitamente, no começo ele era carinhoso e atencioso... Olhava para você como se você fosse a única no mundo. Então ele se tornou ciumento e possessivo, estou certa? – presumi e ela concordou.
- E me traiu. – complementou e eu fiz uma careta.
- Hipocrisia é algo comum entre os homens, você tem sorte de ter encontrado um cara bom. – acariciei seus cabelos e ela suspirou.
- Sim, Harry é o melhor. – era incrível a habilidade dela de conseguir confiar totalmente em Harry mesmo tendo passado pelo que passou. – Ele disse que vai me encontrar no mesmo bar amanhã.
- Precisamos pensar no que você pode dizer a ele. – peguei meu celular para pesquisar mais sobre o assunto e prestou atenção.
19/04/2016
Terça-feira
17:00
P.O.V Gianniotti
- Aonde vai? – Harry perguntou quando peguei a chave e eu me aproximei dando um selinho nele.
- Farmácia. – mexi em seu cabelo e ele me puxou novamente para me abraçar. – Eu já volto.
- Ok. – nos despedimos e eu fui decidida a acabar com aquilo tudo. Quando cheguei Giovanni estava sentado em uma mesa perto da janela, já estava lá tomando uma bebida no balcão discretamente, tinha faltado no trabalho apenas para me apoiar.
- Carino! – me chamou e eu andei confiante até lá. Reparei que a aparência dele estava melhor do que da última vez, tinha cortado o cabelo e parecia mais feliz, certamente mais feliz por me manipular.
- Giovanni. – respondi em um tom seco e me sentei.
- Fiquei surpreso pelo convite.
- Eu queria te informar que não vou ser controlada por você. – tentei manter minha postura ereta mas escondi as mãos no bolso.
- Está brincando? – sorriu como se fosse uma piada mas eu me mantive séria. – Sabe o que vai acontecer se você não fizer o que eu mandar?
- Me denuncie para à polícia se tiver coragem.
- Você ficou louca?
- Você foi cúmplice e sabe disso, você era traficante se ainda não é pelo amor de Deus. Você me perseguiu até a Inglaterra. Como acha que isso vai pegar para você, huh? – olhei em seus olhos com ódio e observei ele perder o controle sobre as coisas.
- Você não pode estar falando sério. Foi você quem matou os dois. – sussurrou chegando perto e eu me atrevi a fazer o mesmo.
- Foi para proteger você. Foi legítima defesa.
- Acha que isso é relevante? Eu tenho dinheiro para o advogado certo, não importa se eu estava traficando ou se eles atacaram primeiro, você vai se desfavorecer na história.
- Então vamos à justiça. – encostei na cadeira novamente e ele arqueou as sobrancelhas.
- Você não sabe com quem está mexendo.
- Ah é? Então me explique. – pisquei os olhos lentamente como se estivesse entediada e reparei que ele perdia a paciência.
- Eu posso estalar os dedos e sua vida inteira vai acabar. Você sabe que se eu não posso te ter não vou te dar o luxo de ser feliz sem mim. Fui eu quem te ajudou, foi em mim em quem você se apoiou e eu sou o único motivo de você estar viva nesse momento.
- Isso é outra ameaça? – cruzei os braços fingindo estar impressionada.
- Parece outra ameaça?
- Claramente.
- Então sim.
- Oh, amore mio, você não é o motivo de eu estar viva, eu sou o motivo. Você me “ajudou” mas quem teve que se reconstruir e lutar fui eu. Eu nunca dependi de você, você é quem sempre dependeu de mim seu psicopata de merda.
- Você realmente acredita nisso?
- Você é patético, carino. Tão infeliz consigo mesmo que tem que perseguir e ameaçar alguém para forçar essa pessoa a estar com você. – dei um tapinha em seu rosto e me levantei, indo em direção a saída mas logo voltando me lembrando de algo.
- Ah, é mais uma coisa. Você quer me denunciar? Então eu te desafio. – tirei o celular do bolso mostrando que gravava a conversa e Giovanni se espantou. – Acho que ameaças não pegam muito bem para a polícia, não é mesmo carino?
P.O.V Hoffmann
17:50
- Não, sério. Você foi incrível!
- Como sabe? Ainda não ouviu o que eu disse. – riu e eu dei de ombros. – E não entenderia, porque falamos em italiano.
- Eu sei que você foi, vi a cara do idiota. Agora me mostre essa gravação. – pedi ansiosa e ela abriu o áudio, clicando no play. Começamos a ouvir mas a campainha tocou e pausou a gravação.
- Eu vou atender. – me fiz disposta e sai da cama, descendo as escadas. Quando cheguei na sala Harry já tinha atendido a porta e no momento em que eu percebi quem era fiquei muito surpresa.
- Você sabe quem é? – Harry questionou e eu me aproximei.
- Saia daqui, agora. – ordenei Giovanni e ele começou a falar em inglês.
- Por que a pressa? Ele não sabe? – provocou deixando Harry confuso e eu quase avancei nele.
- Não sei sobre o que?
- Se você não sair eu vou quebrar seus dentes. – ameacei e ele levantou as mãos, brincando com a minha paciência.
- Isso foi uma ameaça?
- Eu soube que você gosta de coisas do tipo. – rebati enjoada e Harry me olhou com urgência.
- Alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui? – Harry exigiu saber e desceu as escadas.
- Então você mentiu para mim... Ele não sabe. – Giovanni apontou para Harry e eu grunhi.
- Giovanni, por favor. – disse em italiano e Harry pareceu entender.
- Giovanni?? Como em-
- O ex namorado dela.
- Alguém precisa me dizer o que está acontecendo. – Harry tentou mais uma vez.
- Giovanni, saia daqui. – disse em inglês e ele caçoou.
- Por que não contou para ele que estivemos nos encontrando?
- Vocês estavam o que? – Harry franziu o cenho e negou de prontidão.
- Não desse jeito, eu não te contei porque-
- Você mentiu para mim?
- Harry, escute a . – pedi tentando não cair na tentação de bater em Giovanni e Harry pareceu desacreditado.
- Você também sabia?!
- Harry-
- Eu não quero ouvir, não agora. – saiu de casa indo para a rua e dirigiu seu olhar para Giovanni.
- Você é um pedaço de merda! – gritou furiosa e fechou os punhos indo até ele.
Foi tudo muito rápido mas foi incrível, ela deu um soco em seu rosto e quando ele cambaleou para trás ela fechou e trancou a porta. Quando se voltou para mim respirou fundo e pareceu refletir sobre o que tinha acontecido, se sentando no sofá.
- Eu arruinei tudo.


Capítulo 21

P.O.V Gianniotti
- Precisamos ir atrás dele. – disse pegando o casaco e eu não consegui me levantar do sofá.
- Ele pode estar em qualquer lugar.
- Ah sim, do outro lado da esquina. – usou seu sarcasmo e eu a olhei em repreensão. – Desculpa, eu também to surtando aqui.
- O que eu vou fazer? – perguntei me sentindo extremamente ansiosa e colocou a mão na maçaneta para abrir a porta mas deu meia volta e me puxou pela mão para que fôssemos juntas.
- Vem!
- Eu não quero pressionar ele, se ele precisa de espaço eu não posso contestar isso. – parei antes que saíssemos e ela revirou os olhos.
- Ok, me escute agora. – instruiu mexendo as mãos e eu assenti. – Ele precisa saber que você está disposta a lutar por ele-
- Ele literalmente disse que não queria me ouvir agora.
- Acredite em mim, vai ser pior se você não sair à procura dele. – entregou meu casaco e eu deixei que ela me persuadisse.
- Você vai comigo?
- Sabe que eu não perco um bom drama, pode ser um material ótimo para novas músicas. – sorriu e eu a olhei com seriedade. – Estou brincando para quebrar o gelo, vou com você porque eu fui a primeira shipper desse casal.
- Não faça brincadeiras com o meu relacionamento, não neste momento por favor. – pedi e ela arqueou as sobrancelhas.
- Tomara que isso sirva de lição.
- O que quer dizer?
- Olha, eu entendo porque não contou para o Harry mas a confiança é a base de um relacionamento. Vocês precisam ser honestos um com o outro. – explicou enquanto andávamos pelo bairro.
- Eu não contei para proteger ele.
- Não precisa me dizer isso, você precisa falar para ele. – ela pareceu ficar irritada e eu franzi o cenho. – Me desculpa, meus pais faziam muito isso comigo.
- Você nunca falou sobre seus pais. – sussurrei e ela deu de ombros.
- Acho que preciso de alguns meses de amizade pra sair espalhando sobre meu passado.
- Moramos juntas, um nível além disso não vai ter.
- É, mas a única pessoa para quem eu contei... – pareceu pensar melhor no assunto e cortou a própria fala.
- O que ia dizer?
- Nada.
- Fala!
- Não, eu percebi que não tem sentido.
- Vamos lá, você matou alguém?
- Quase. – murmurou aérea e eu arqueei as sobrancelhas.
- Como?
- Ah, é história para outro dia.
- Um de seus antigos namorados não vai aparecer aqui e te ameaçar né?
- Só se ele sair da prisão por bom comportamento. – virou o rosto para mim e sorriu com humor negro.
- Se-seu ex namorado-
- Sim.
- O que ele fez?
- Como eu disse, história para outro dia.
- Você me assustou. – como resposta ela deu de ombros e continuamos procurando Harry ao redor, mas nada.
- Vamos voltar. – ela me puxou e eu bufei desanimada. – Fique tranquila, uma hora ele vai ter que voltar para casa.
- E se eu estraguei tudo?
- Não pense no pior agora, quando o ver diga a verdade. É tudo o que pode fazer. – me abraçou rapidamente e andamos até em casa. Quando entramos Tom estava sentado no sofá e levantou de prontidão.
- Surpresa! – se assustou e colocou a mão no coração, então andou até ele e deu um tapa em seu braço.
- Você precisa parar de fazer isso, Thomas! Avise quando for vir, da última vez que fez isso eu pensei que era um ladrão! – Tom agarrou sua mão para que ela parasse de bater nele e sorriu.
- Também senti saudades, Hoffmann. – a abraçou enquanto a mesma relutava.
- Chegou de surpresa em um mau momento, como sempre. – o repreendeu e ele franziu o cenho.
- Eu estava me encontrando com meu ex e-
- Você estava o que?! – exclamou me interrompendo e tampou sua boca, me pedindo para continuar.
- Ele estava me ameaçando e Harry descobriu, bem quando eu resolvi as coisas.
- E onde ele está? – ela deixou ele falar e respondeu antes de mim.
- Ele saiu quando o ex apareceu aqui.
- Eu não sei o que dizer. – Tom ficou confuso e eu neguei.
- Não precisa dizer nada.
- Isso mesmo, você só estraga mais. – sussurrou e ele ameaçou beliscar ela, mas ela deu passos para o lado rapidamente retirando o que disse e tropeçou, caindo sentada no chão.
- Ai! – resmungou fazendo uma careta e Tom riu. – Me ajuda!
- Você merece ficar no chão mas... – Tom estendeu sua mão para ela e ela interrompeu sua fala.
- Eu pedi ajuda pra , não pra você. – respondeu grosseiramente mas mesmo assim ele a puxou.
- Como eu senti sua falta. – espremeu os lábios e deu batidinhas na própria roupa, para limpar a poeira por causa do tombo.
- Claro que sentiu, eu sou Fucking Hoffmann.
- Fucking Modesta Hoffmann. – corrigiu e ela sorriu como se zombasse dele.
- Vocês tem certeza de que não querem tentar namorar de verdade? – me intrometi na brincadeira dos dois e eles olharam para mim ao mesmo tempo.
- Isso arruinaria minha relação com todos os membros dessa família. – ela explicou e Tom se virou para ela franzindo o cenho. – Pode ter certeza disso, nós íamos ter um término horrível e sua família ia me odiar por ser tão tóxica pra você.
- Se nós brigássemos minha família ia ficar do seu lado. Você é quem ouve Earth, Wind & Fire com meu pai.
- Mas sua mãe ficaria do seu lado, eu não gosto de ABBA. – discutiram e eu quase sorri pela semelhança da relação deles com um namoro de verdade, mas não dava pra sorrir naquele momento.
- Eu vou subir, se o Harry aparecer você-
- Eu prendo ele numa cadeira e grito pra você descer aqui. – completou e eu neguei.
- Você me chama, era isso o que eu ia dizer.
- Você é bem sem graça. – apontou e eu subi as escadas, respirando fundo.
P.O.V Tom Holland
- Sentiu minha falta? – perguntei depois de algum tempo e ela me abraçou de lado, passou um braço pelo meu tronco e eu passei o meu por seus ombros.
- Eu posso dizer que senti falta de-
- Opa, opa, opa. – interrompi e ela riu, eu adorava fazê-la rir, era uma das coisas que mais melhoravam meu dia.
- Senti sua falta Thomas. – olhou em meus olhos e eu me senti um pouco confuso. – Mas também...
- O que? – questionei e ela se aproximou, sussurrando em meu ouvido:
- Senti falta do sexo... E de como posso fazer você ficar duro em um piscar de olhos. – mordeu o lábio me observando e eu tentei me concentrar.
- Eu mal cheguei e você já está brincando comigo. – fechei os olhos por conta do prazer e ela encostou seus lábios lentamente em meu pescoço, dando mais de um beijo na região.
- Tenho novos joguinhos. – se distanciou um pouco e eu abri os olhos.
- Vamos subir. – puxei sua mão mas ela me parou.
- Ainda não. – sorriu provocadora e eu arqueei as sobrancelhas.
- Sério? Estou quase explodindo.
- Você não teve sexo em Los Angeles? – questionou curiosa e eu neguei. – E por que? Lá você consegue sexo facilmente, poderia até ter feito um ménage.
- Você iria me matar se eu tivesse feito um ménage sem você.
- Tem razão.
- Vamos subir? Por favor?
- Ainda não Thomas, você vai esperar.
- Eu deveria ter feito sexo em Los Angeles. – me toquei e ela concordou com a cabeça. – Você teve sexo?
- Sempre tem um Simon. – deu de ombros e eu fiquei um pouco surpreso.
- Jura? O Simon-
- Estou brincando. Pode não parecer mas eu aguento alguns dias sem sexo, passei meses sem sexo antes de vir para cá.
- É a sua cara me provocar e deixar para depois. – revirei os olhos e ela sorriu, virando de costas para mim e se esbarrando comigo “sem querer”, fazendo com que sua bunda roçasse em mim.
- Que bom que me conhece. – e saiu andando, simplesmente assim.
Foi bom voltar para casa, eu sentia muito a falta da minha família quando viajava sozinho mas quem não tinha saído da minha cabeça enquanto eu estava em Los Angeles era ela, claro que era ela. Estava difícil esconder aquilo, era mais óbvio até para mim de que eu começava a gostar de Hoffmann quando isso era a maior restrição.
Ela podia ser bastante chata às vezes e complicada na maior parte do tempo, mas ela era real e por mais clichê que isso parecesse eu gostava do fato de ela não ser tão simples ou fácil de se lidar.
Talvez eu estivesse ficando louco.
...
Desliguei meu celular entediado e ouvi a batida na minha porta, levantei com preguiça e atendi, dando de cara com que estava num roupão enorme.
- Noite de filmes? – questionei enquanto ela entrava e chequei o corredor.
- Se você quiser ver um filme... – disse enquanto eu ainda estava de costas e quando me virei ela soltou o roupão separando cada lado lentamente deixando sua lingerie amostra. Ela também usava meias cinta liga, a calcinha e o sutiã eram rendados, realçando bastante o corpo dela.
- Uau. – deixei escapar e me aproximei mas ela se sentou na cama de um jeito relaxado, cruzando as pernas lentamente.
- Você gostou?
- Com certeza. – concordei freneticamente e ela sorriu.
- A pegadinha é...
- Mas é claro que tinha que ter uma.
- Você não pode tocar. – tocou sua barriga com os dedos e desceu suavemente, olhando em meus olhos.
- Como eu vou rasgar então?
- Você não vai, isso foi caro. – deixou de brincar por um momento e eu ri. Andei até a cama e tentei beija-lá mas ela se esquivou. – Sente-se.
- Você não vai mesmo me deixar tocar? – perguntei e ela me sentou na cama subindo em cima de mim, quando eu levantei minha mão para ajudá-la ela me empurrou.
- Sem tocar.
- Por que é sempre você quem manda?
- Porque você não sabe dominar ainda. – tentou levantar mas eu puxei sua cintura e ela não conseguiu impedir. – Thomas! Com certeza perde pontos por isso.
- Quero ver se fala a mesma coisa depois que eu terminar com você. – a deitei na cama e mordi o lóbulo de sua orelha, descendo por seu pescoço e parando em seus seios.
- Talvez você esteja aprendendo algo... – sussurrou mas quando eu abaixei minha guarda ela nos virou e ficou por cima de novo. Sua mão se fechou delicadamente em meu pescoço e eu sorri levantando um pouco a cabeça de acordo com o aperto.
- Talvez eu esteja até melhor que você. – inverti a posição novamente mas dessa vez prendi seus dois braços acima da cabeça com uma mão só, minha outra mão pairava em sua cintura. – Acabei de perceber que nunca fizemos com você de quatro.
- Você gosta da posição?
- Eu nunca experimentei na verdade. – dei de ombros e como estávamos deitados ela acariciou minha virilha com o joelho, eu me distrai por um momento e ela mudou as posições de novo.
- Se você me segurar firme eu posso pensar no assunto. – se esfregou contra mim e isso facilitou a ela para que me segurasse. Ela se levantou da cama e abaixou para pegar o robe, mas percebi que era uma corda que ela procurava.
- Isso é realmente necessário? – indaguei e ela me deitou direito na cama, amarrando minhas duas mãos na cabeceira de um jeito que cada braço ficasse de um lado, separados. Puxei os braços para frente mas a corda não soltou. – Aonde aprendeu a fazer nós desse jeito? Não é possível que fosse uma escoteira.
- Sempre gostei de amarrar as coisas. – apertou o nó e eu grunhi, mas isso pareceu entusiasma-lá.
- Mas nunca você mesma, certo? – usei as palavras em uma mensagem indireta.
- Se algum dia você quiser experimentar. – levou para o lado sexual novamente me ignorando e eu senti meu corpo ferver, uma sensação que só ela trazia em mim.
- Você deixaria eu te amarrar? – perguntei olhando em seus olhos e ela aproximou seu corpo do meu.
- Se você fizer direito. – mordeu meu lábio e eu fiquei desnorteado. Ela levantou da cama e isso me proporcionou uma visão melhor de seu corpo com a lingerie. – Vamos jogar...
- O que?
- Um jogo de perguntas, a cada pergunta que responder corretamente eu tiro uma peça de roupa, a cada pergunta que responder incorretamente eu tiro uma peça de roupa sua. – andou pelo quarto e eu respirei fundo. Mesmo ocultando pequenas coisas ela já havia contado bastante sobre si, eu a entendia e sabia que muitas vezes ela gostava da atenção, assim como eu gostava.
- Então vamos jogar.
- Diga uma coisa que eu odeio.
- Você odeia que mintam para você. – respondi de prontidão e ela sorriu.
- Que isso não deixe sua mente. – puxou uma alça do sutiã e eu soltei um suspiro, mas ela desceu as mãos até as meias e as tirou.
- Suas coxas? Pode ter certeza de que elas não vão deixar minha mente. – zombei e ela continuou perambulando.
- Qual a minha comida preferida?
- Você não tem uma, mas gosta bastante de sushi. – ela pareceu ficar feliz por eu ter acertado mas franziu o cenho debatendo o que ia tirar.
- Ok, ok, não tire nada por favor, assim eu só vou... – tentei a impedir já que eu não podia tocar e ela tirou o sutiã o jogando para mim. O sutiã caiu perto do meu rosto e eu pude sentir o cheiro do seu perfume. – Hoffmann...
- Eu mesma. – jogou seu cabelo para trás para que eu tivesse uma visão melhor e o ar quase me faltou.
- Faça logo a pergunta e pule em cima de mim. – pedi e ela riu com minha perda de controle.
- Qual o meu nome inteiro?
- Você nunca me disse isso.
- Qual o meu nome inteiro Thomas?
- Eu não sei. – cedi e ela expressou uma feição vitoriosa, chegou perto de mim e se curvou para tirar minha camiseta mas não pude focar em outra coisa a não ser em seus seios balançando.
- Espera, como você vai... – tentei questionar mas ela rasgou minha camiseta antes, grunhindo depois de ter o feito.
- Isso não é tão fácil como nos filmes, machuquei minha mão. – analisou o machucado e eu percebi que suas mãos estavam bem vermelhas.
- Estou me sentindo exposto. – fui sarcástico e ela fez um biquinho.
- Aposto que está. – cruzou os braços abaixo dos seios e eu mordi meu lábio.
[Recomendo que coloquem Too Close do Alex Clare para tocar, repitam até a cena esfriar.]
- Será que dá para você ser um pouco mais rápida com as provocações? – minha camiseta estava destruída e eu sequer me importava.
- Você me conhece. – deu de ombros e continuou perambulando. De repente ela parou, parecendo achar a pergunta certa. – Qual foi a música que eu cantei no dia em que fizemos as pazes?
- Qual das vezes? Porque nós fizemos as pazes milhares de vezes.
- Na primeira vez. – eu sorri antes de responder, era claro que eu sabia, eu nunca esqueceria do dia em que havia reparado na beleza dela.
- Uma versão diferente de Valerie. – ela assentiu e tirou sua calcinha, pulando em cima de mim. – Finalmente!
- Sem tocar. – me alertou quando eu empurrei meus braços para frente mas a corda os impediu. Sendo totalmente controladora ela levou suas mãos até a minha barriga e me tocou suavemente ali enquanto me observava. – Você é tão gostoso que é difícil te olhar sem querer te agarrar.
- O-o que? – questionei me perguntando se tinha ouvido direito e ela olhou em meus olhos. Ela tinha acabado de admitir que eu possuía controle sobre ela? Mesmo que um pouco?
- Eu amo quando você fica assim. – sorriu e eu franzi o cenho, confuso. Ela me puxou de repente e seus lábios amorteceram os meus em um beijo lento.
Suas unhas arranharam minhas costas e eu me arqueei um pouco. Quando senti a ardência atingir minha pele percebi que beijar ela diminuía a dor, beijar ela fazia tudo de ruim desaparecer.
Seu corpo se descolou de mim mas se manteve próximo e ela distanciou seus lábios apenas para me olhar nos olhos, como se quisesse me dizer algo que não podia.
- Eu não consigo tirar você da minha cabeça. Tudo o que eu quero fazer é transar com você, toda hora. – sussurrei e ela sorriu com malícia.
- Esperava que você dissesse algo do tipo. – passou seus braços pelo meu pescoço e voltou a me beijar. Era um inferno não poder toca-lá, segura-lá.
- Por favor. – murmurei e ela me perguntou com os olhos o que eu queria. – Me desamarre.
Implorei silenciosamente e ela lentamente levou suas mãos aos nós na corda e os desfez sem pressa, quando finalmente pude mover minhas mãos envolvi meus braços em seu tronco e a deitei por baixo de mim. Ela ofegou e seu peito subiu e desceu com antecipação, agarrei sua bunda e a virei de costas para mim, ela soltou um suspiro e deu uma risadinha contra o travesseiro então a ajeitei fazendo com que ela ficasse de quatro.
- Quem diria que você estaria tão submissa a mim? – coloquei minha mão em suas costas e ela trouxe sua mão para trás, tentando alcançar minha calça. – Apressada também?
- Me foda logo antes que eu deixe você de quatro, Thomas. – agarrou meu cinto e me puxou fazendo com que eu batesse contra sua bunda, o que desencadeou um gemido das duas partes.
Tirei minha mão de suas costas e cuidei do meu cinto e tudo o que estava no caminho desesperadamente, quando finalmente fiquei nu e coloquei a camisinha suas mãos puxaram meu membro e eu entrei dentro dela. Parecia que toda vez que transávamos algo mudava, como se ficasse mais intenso e aumentasse meu desejo por ela, como uma droga. Não era como nada que eu já havia sentido antes e isso era o que diferenciava sexo com ela de sexo com qualquer outra pessoa.
Eu gostava dela, aquilo era inegável. Ela tinha um certo poder sobre mim, ela conseguia me fazer enlouquecer com apenas um toque. Ela fazia com que eu me sentisse bem enquanto me alertava de que poderia fazer da minha vida um inferno. E eu acreditava nela.
Porque ela não era apenas quente ou apenas fria, ela era todas as estações juntas e todas as emoções transbordando em apenas um ser. Ela era como a transição entre um dia quente para a chuva e o arco-íris. Ela me fazia entender a relação que o amor e o ódio possuíam. Hoffmann era tudo de intenso e complexo no mundo, mas também era transparente porque quando estava triste eu podia perceber e quando estava feliz era como se o ambiente todo se iluminasse.
Ela gemeu de acordo com o ritmo constante e ouvir aquilo era tão prazeroso que a acompanhei, colocando minhas mãos em sua cintura para conduzir. Ela foi um pouco barulhenta e eu me curvei para tampar sua boca mas era difícil me concentrar em ficar quieto e fazer ela ficar quieta.
- Mais devagar. – pediu e eu fiquei com medo de ter a machucado.
- Eu fiz algo de errado? Me des... – sai de dentro dela e a mesma grunhiu impaciente me puxando de volta.
- Eu quero aproveitar isso. – explicou e eu voltei a fazer o que estava fazendo só que lentamente. O corpo dela parecia molenga então eu a segurei com mais firmeza, sentindo meu corpo presenciar todas aquelas sensações. – Thomas...
- Hoffmann. – sussurrei e o prazer me anestesiou. – Transar com você é como as pessoas descrevem a sensação de estar chapado.
- É melhor. – me puxou para que eu fosse mais fundo e gememos juntos. Quando senti o ápice perto me curvei e beijei sua nuca, então gozamos.
Deitei do seu lado e senti a cama grudar um pouco em mim porque estava suado, o silêncio pairou no quarto depois de recuperarmos nosso fôlego e de repente suspirou alto parecendo querer dizer algo.
- O que foi?
- Estou preocupada. – respirou pesadamente se arrumando na cama e eu me virei.
- Com o que?
- Com o Harry. Está chovendo lá fora e ele deve estar machucado sabe? – explicou lamentando e eu assenti.
- Pode ter certeza de que ele não está debaixo da chuva, ele provavelmente está na casa de algum amigo. – tentei a tranquilizar e ela olhou para mim.
- E se eles não conseguirem se resolver? – sua voz se tornou mais preocupada e eu neguei.
- Eles são e Harry, claro que vão se resolver.
- Eu estaria furiosa no lugar de Harry mas também entendo o ponto de vista da . – refletiu e eu observei como ela se preocupava com a vida dos outros, poderia até parecer bem intrometida.
- Harry só precisa de tempo para assimilar, ele vai dar a oportunidade para ela se explicar.
- Desde quando você é expert em relacionamentos? Eu sei o que acontece se ele pensar demais e não é bom.
- Está mais paranóica que ele. – avisei e ela olhou para o teto.
- Vocês são minha família agora, não vou deixar eles jogarem o relacionamento tão lindo que eu ajudei a construir no lixo por causa da bosta de um homem italiano abusivo do cacete. – exclamou com raiva e eu franzi o cenho.
- Espera, volta um pouco. – ela também franziu o cenho e sorriu para mim.
- O que foi? Não vai me repreender por falar palavrão, certo? Porque-
- Não, não. Você disse que somos sua o que agora? – semicerrei os olhos e ela negou com a cabeça.
- Minha família. – repetiu com uma voz de monstro e eu a esmaguei com um abraço.
- Você é tão fofa! – ela me beliscou e paramos para rir. Foi o exato momento em que enquanto encarava ela na minha frente, rindo e forçando sua voz para parecer engraçada, percebi que estava completamente apaixonado por ela. Eu estava ciente de que gostava dela, mas paixão? Eu só tive certeza naquele momento.
- Como você ainda não encontrou ninguém interessante? – pensei alto e ela prestou atenção em mim.
- O que quer dizer com isso?
- Nunca falamos sobre o seu tipo, você vive pegando no meu pé por eu gostar de loiras mas nunca tocamos no assunto sobre a sua preferência.
- Então admite que gosta de loiras? – apontou o indicador para mim e eu revirei os olhos. – Meu tipo para homens é cabelo cacheado e boa personalidade. Sobre mulheres não tenho muito um tipo mas precisa ser legal.
- O que é boa personalidade pra você?
- Que me faça rir, assista meus filmes comigo, me entenda. – apenas ela se negava a enxergar que eu estava bem aqui.
- Tem muitos caras assim por aí.
- No momento não estou procurando romance, lembra? E não, não há muitos caras assim por aí. Isso dura até eles se acomodarem e mostrarem como realmente são.
- Como eram seus namorados anteriores? – indaguei curioso e ela respirou fundo.
- Mia foi meu primeiro amor, ela é leal, muito engraçada e bastante aventureira. – sorriu explicando, o brilho em seus olhos mostrava que ela sempre seria pelo menos um pouco apaixonada pelo primeiro amor dela.
- Hans era meu amigo mas muito mulherengo, nunca escondeu que não valia nada. Acho que só duramos pelo sexo. – deu de ombros e pelas minhas contas ainda tinha mais um. – Como era Ellicia?
- Ela era divertida mas éramos muito novos quando começamos a namorar.
- Quando começamos a nos relacionar em uma idade nova é complicado para que cresçamos ou para que nos conheçamos direito.
- Certamente. – deixei pra lá ela não ter falado sobre o ex dela, não queria forçar a barra.
- O que gostaria de fazer antes de morrer? – ela me olhou com malícia então eu reformulei: – Sem ser um ménage.
- Fazer uma viagem incrível com os meus amigos, eu sempre sonhei nisso.
- E pra onde iria?
- Cancún, Amsterdã, Las Vegas... Seria bom se todos esses lugares.
- Como foi a sua primeira vez?
- Uou, você quer mesmo ir por esse caminho? – virou o rosto para ver se eu estava falando sério e eu ri assentindo. – Minha primeira vez com uma mulher ou com um homem?
- Qual você quer contar para mim? – questionei deixando ela pensar e ela olhou para o teto.
- Bom... Minha primeira, primeira vez foi com a Mia, foi incrível. Mas minha primeira vez com um homem foi desconfortável porque eu não conhecia ele. – pareceu se lembrar e seu corpo reagiu com um calafrio. – Sabia que porque sou bissexual a maioria das pessoas sempre acha que eu vou precisar escolher um lado eventualmente? Eu gosto dos dois! E isso não é porque sou uma “vadia”.
- Não acho que você tenha que escolher um lado ou que seja indecisa por isso, muito menos que seja uma “vadia” por não ser hétero. Não é um currículo que você preenche, é sua sexualidade.
- Minha sexualidade é na verdade uma das únicas coisas da qual me orgulho em mim mesma.
- Não diga isso. – ri desacreditado e ela suspirou.
- Por que?
- Você transa muito bem. – contestei e ela riu.
- Acho que isso se aplica a sexualidade. E você é um idiota.
- Te fiz sorrir.
- Sabe que eu não sou exigente. – tocou no meu peito e eu senti um arrepio subir pelas minhas costas. Era como se tivéssemos eletricidade juntos, e todo dia isso aumentava. – Ok, eu não consigo parar de pensar em e Harry.
- Não sou distração o suficiente, huh? – agarrei seu pulso com delicadeza e ela sorriu travessa. Me aproximei lentamente e beijei seus lábios explorando as sensações que ela me fazia sentir, eu provavelmente sabia desde a primeira vez que a beijei, sabia que eu seria o clichê do amigo colorido apaixonado.
- Você ainda vai acabar comigo, Hoffmann. – sussurrei finalizando o beijo e encostando nossas testas. Ela entrelaçou seus dedos nos meus e eu senti como se estivesse completo em todos os quesitos possíveis.
- Eu não quero ter que voltar para casa. – lamentou separando seu rosto do meu e isso acendeu uma faísca de esperança em mim. – Você se tornou meu melhor amigo, vou sentir sua falta.
- Minha falta ou do sexo? – brinquei. Ficava feliz que ela me considerasse seu melhor amigo mas também era como um soco no estômago.
- Dos dois. O melhor sexo da minha vida.
- Uau... Não massageie meu ego desse jeito.
- Tem razão.
- Você está falando sério?
- Estou. – respondeu indiferente e eu arqueei as sobrancelhas. – Temos química, ué.
- Não posso discordar. – o silêncio pairou e ela suspirou como sempre fazia quando pensava se deveria dizer algo.
- Eu tenho medo de que as coisas dando certo sejam um indício de que tudo vai se tornar complicado eventualmente. – olhou em meus olhos e eu a abracei.
- Enquanto eu estiver aqui vou te ajudar se as coisas derem errado. E você sabe que eu nunca te machucaria, certo? – ela me olhou surpresa mas eu não voltei atrás.
- Você não pode me proteger.
- Eu posso tentar.
- Eu quero fazer as pessoas se sentirem como eu me sinto quando estou com você.
- O que quer dizer?
- Se eu ficar famosa quero fazer as pessoas se sentirem menos sozinhas.
- Gosto de como pensa.
- Thomas... – me chamou e eu respondi com um resmungo. – Não tenha esperanças ok? Eu não vou gostar de você como você possa querer que eu goste. E eu sinto muito mas-
- Pode ficar tranquila. Eu não vou começar a gostar de você, ainda é estritamente físico. – menti e imediatamente me perguntei porque havia feito aquilo. Se ela descobrisse estaria tudo acabado e eu precisava de mais tempo com ela.
- Eu preciso te pedir uma coisa.
- O que?
- Eu preciso de um acompanhante.
- Não me diga que está se envolvendo mundo da prostituição, como vai ter tempo para sua carreira musical?! – brinquei e ela bateu em mim com o travesseiro, o tirando de debaixo da minha cabeça. Eu tirei o dela também e ela resmungou, então bati em seu travesseiro para me proteger.
- Você vai me fazer cair da cama! – tentou me puxar porque já estava ficando sem espaço e eu a soltei deixando-a cair no chão. Ela soltou um grunhido e eu ri cobrindo a boca. – Quer que todo mundo descubra? Thomas!
- O que você precisa me pedir? – questionei parando de rir e ela levantou bufando.
- Nada, porra. – pegou a lingerie dela e a vestiu, mas não conseguiu fechar o sutiã então eu levantei e vesti minha cueca para ajudar.
- Sai! – se debateu para que eu não fechasse e eu puxei o sutiã fazendo mesmo assim só para irritar.
- Não fique assim. – pedi me segurando para não rir de novo e ela amarrou o robe indo em direção a porta, eu entrei na frente para impedir. – Não pode gritar, se gritar vai espalhar nosso segredinho...
- Você é insuportável. Alguém já te contou?
- Sim. Você já me contou.
- Me deixe sair.
- Me peça o que ia pedir.
- Sai da frente, Movie Star.
- Hoffmann, Hoffmann... – puxei o nome dela como fazia antes e ela fechou os punhos.
- Você é tão chato! Tudo o que eu queria era te pedir uma simples coisa, estávamos conversando normalmente e você me fez cair da cama! Ainda puxou meu sutiã machucando minha pele, você sabe que ela é super sensível e qualquer coisinha já fica vermelha. Não quer me deixar sair e fica me provo... – tagarelou indignada e eu a puxei para um beijo, isso calou sua boca e ela pareceu ceder mas logo nos separou e pisou no meu pé com força.
- Isso não funcionou bem como o planejado... – pulei agarrando meu pé e ela respirou ofegantemente me olhando e mostrando que estava fulminante em raiva. Mas então como uma coisa típica dela, Hoffmann me puxou também e me beijou, eu soltei meu pé e agarrei sua cintura, magicamente não sentindo mais dor pela lesão que ela causou.
- Não, não, não, não. NÃO! – se separou balançando o dedo indicador para reforçar as palavras e eu franzi o cenho. – Não vou transar de novo com você, tire suas mãos de mim.
- Foi você quem me puxou!
- Você me puxou primeiro!
- Pare de gritar!
- Pare de gritar você! – tampou sua boca percebendo que passou dos limites e arregalou os olhos. – Eu preciso sair desse quarto.
- Então me peça logo o que quer pedir.
- Não seja irritante.
- Peça.
- Amanhã vai ter uma festa da gravadora, para que eu e os meninos conheçamos todo mundo. Eu queria que você fosse comigo, mas tem que usar um terno.
- Como se eu nunca tivesse usado um terno antes-
- Posso ir agora?
- Por que quer que eu vá?
- Porque você é famoso e entende mais desse mundo do que eu.
- Ok, eu vou. – sorri aceitando e ela revirou os olhos.
- Esteja pronto às duas.
- Preto ou azul?
- Preto, com toda certeza. – me respondeu e eu saí do caminho, deixando ela ir embora. O caos que a acompanhava fazia de tudo uma bagunça, mas até que era engraçado.
P.O.V Gianniotti
20:43
- Eu sinto muito. – me expressei para Nikki e Dom depois de explicar tudo o que aconteceu. Dom se aproximou e apertou minha mão.
- Nós entendemos, você não queria machucá-lo. E é justamente por isso que sabemos que você ama nosso filho. – me reconfortou e eu encostei a cabeça em seu ombro, deixando que uma lágrima caísse.
- Eu tenho medo de que ele não me perdoe. – solucei e Nikki veio para perto.
- Isso é impossível, todos vemos como ele olha para você. Ele só precisa de tempo.
- Eu vou embora em julho. – lembrei em voz alta e me choquei. – Eu vou embora em julho... Eu estraguei tudo.
- Vocês vão dar um jeito, ele vai te perdoar e vocês vão dar um jeito. – acariciou minhas costas e eu funguei. Ele precisava de tempo e eu não tinha aquilo para dar.
E então como se tivesse sido evocado ouvimos passos próximos antes da porta se abrir e ele passar por ela, estava sem casaco e sem guarda chuva mesmo com o céu caindo lá fora. Todos levantamos e Nikki foi até ele para ajudá-lo, ele estava encharcado mas não parecia ligar e seus olhos estavam vermelhos, evidência de que ele havia chorado.
Seus olhos cruzaram com os meus e ele riu com escárnio, uma risada que eu nunca tinha ouvido de Harry. Era tão maldosa e seca.
- Estão confortando ela? – apontou para mim mesmo que soubesse a resposta e Nikki tentou secar seu cabelo com uma toalha mas ele desviou. – Ela está mesmo chorando?
- Ela também está mal, Harry. Se você apenas ouvir-
- Eu tentei ouvir e ela conseguiu olhar em meus olhos e mentir para mim. Ela não tem o direito de estar chorando e de ter o colo de vocês. – ainda assim não se dirigiu a mim diretamente e eu respirei fundo.
- Eu juro-
- Ah, você jura agora?! – levantou sua voz e olhou para mim com uma dor camuflada em seus olhos. Eu não senti medo dele, eu senti dor, principalmente porque ele estava sentindo dor. – Eu não sei se jurar adianta muito agora.
- Eu não dormi com ele. – era como se Nikki e Dom não estivessem mais na sala. Harry negou com a cabeça e apenas com aquele simples gesto eu fiquei vazia.
- Eu confiei em você de olhos fechados, te dei meu coração... Eu pensei que você me amasse-
- Eu amo! Você é a pessoa que eu mais amo no mundo! – tentei me aproximar e Harry se afastou, ele se afastou como se não suportasse estar perto de mim. – Harry...
- Eu não consigo ouvir você agora. – e subiu as escadas, me deixando ali. Eu senti como se um órgão vital tivesse sido arrancado de mim e só lembrei de Nikki e Dom quando eles se aproximaram para me ajudar.
19/04/2016
Terça-feira
13:55
P.O.V Tom Holland
- Você está pronta? – perguntei gritando na porta dela e demorei a conseguir uma resposta.
- Quase! – me fez esperar mais alguns minutos e eu coloquei as mãos nos bolsos encostando na parede. Analisei mais uma vez o terno e o ajustei no corpo.
- O que acha? – sua voz me chamou a atenção e eu levantei a cabeça para olhar para ela. Me desencostei da parede e quase perdi o fôlego, ela estava deslumbrante.
Usava um vestido vermelho escuro longo com mangas compridas, era como um corpete com mangas e uma saia amarrada por cima, o vestido se arrastava um pouco no chão até cobrindo os sapatos dela de tão longo. O tecido das mangas e da saia eram o mesmo, um tecido fino e vermelho, até um pouco transparente permitindo que eu visse a pele de seu braço, já a saia tinha várias camadas então não era possível enxergar nada.
Seus cabelos estavam soltos e levemente ondulados, e ela usava pouca maquiagem.
Fiquei parado a analisando por vários segundos sem conseguir expressar uma palavra. Ela parecia um anjo vermelho mas dizer aquilo a espantaria.
- Você achou exagerado? Eu não quero chamar muita atenção. – estranhou meu silêncio e eu gaguejei para achar alguma coisa para dizer.
- Mesmo se fosse de jeans ia chamar muita atenção. – dei de ombros deixando minha opinião ser dita naturalmente e ela riu.
- Sim, ia chamar muita atenção pelo meu desleixo.
- Você entendeu o que eu quis dizer.
- Você achou o vestido exagerado? – perguntou novamente parecendo insegura e eu olhei em seus olhos para transmitir sinceridade.
- Você está linda. – soltei um suspiro após analisá-la novamente e ela sorriu. Era como se ela fosse desaparecer se eu desviasse os olhos por menor que o tempo fosse.
- Você também está lindo. – respondeu alisando meu paletó e com a proximidade eu reparei que ela não usava sutiã, era impossível com aquele vestido.
- Se isso te anima, acho que vai ficar feliz em saber que eu não estou usando calcinha. – puxou meu paletó sussurrando em meu ouvido e o sopro suave me aqueceu.
- Você não vem? – perguntou já na ponta da escada e eu balancei minha cabeça tentando manter foco, descemos as escadas e Sam estava lá pronto para sair também.
- Eu deveria ter cancelado meu compromisso. – Sam rodou deslumbrado e ela riu.
- Eu te dei a oportunidade de me levar. – deu de ombros e eu franzi o cenho.
- Você convidou ele antes de mim? – perguntei ultrajado e eles se entreolharam em cumplicidade.
- Sim. Ele tem prioridade porque é meu melhor amigo. – bateu nos ombros de Sam e ele a abraçou pela cintura.
- Pensei que tivesse dito que eu tinha me tornado seu melhor amigo, huh? – cruzei os braços.
- Sim, e não menti. Mas Sam sempre foi meu melhor amigo e você se tornou agora. - explicou e eu arqueei as sobrancelhas.
- Aonde vai? – mudei de assunto chamando a atenção do meu irmão.
- Sophie me chamou para um evento. – fez um som de estalo com a boca e apoiou.
- Eu acho que você deveria dar em cima dela logo. Sophie é tão legal, aposto que não ligaria pra todas as suas falhas.
- Bem engraçadinha, Hoffmann. – disse como eu dizia e eu levantei a mão para que fizéssemos um high five.
- Vamos logo. – puxou minha mão e eu bufei. Ela tinha me dito que os meninos iam vir nos buscar então esperamos na calçada, eles chegaram em uma limousine preta e gargalhou quando Kat abriu o teto solar e ficou em pé no carro nos olhando com arrogância.
- Mentira! Uma limousine? – perguntou espantada e Katherine fez pose.
- Se acostuma com a riqueza. – disse neutra e logo Liam apareceu em seu lado.
- Ela só está fazendo cena, quando viu a limousine pulou em cima de mim e quase estragou meu terno. – desmascarou Kat e rimos.
- Vamos! – nos apressou e entramos na limousine. Simon pegou uma taça de champanhe e a tirou de sua mão recebendo um olhar confuso.
- Você não quer ficar bêbado antes de chegar lá, quer? – indagou com as sobrancelhas levantadas e ele considerou antes de negar. – Foi o que eu pensei.
- Mama Bear. – Katherine abraçou ela e a mesma retribuiu.
- Ela fica sexy quando fica mandona. – Simon disse e eu me senti um pouco desconfortável.
- Então ela sempre está sexy. – Liam interferiu e revirou os olhos.
- Why you so obsessed with me? Boy, I wanna know. – cantou Mariah Carey e ele riu. “Por que você é tão obcecado por mim? Garoto, eu quero saber.”
- Eu preciso ser, todos garotos são. – Liam piscou para e Katherine bateu nele. Era difícil achar uma pessoa que era amiga de Hoffmann e não flertasse com ela.
- Simon com certeza é. – Katherine sussurrou.
- Eu já propus, ela não quer casar e ter filhos comigo. – isso rendeu boas gargalhadas, até minhas.
- Eu não consigo imaginar Hoffmann casada e com filhos. – Liam olhou para cima como se tentasse e a mesma colocou a mão no peito.
- Isso foi um pouco duro.
- Nem você consegue se imaginar nessa situação. – me intrometi na conversa e ela deu de ombros me dando a razão. A conversa foi fluindo no caminho e de repente todos estávamos conversando sobre como a indústria era louca.
- Eu acho que você deveria mostrar suas letras pros produtores. – Kat disse para Liam e ele negou.
- As letras da são mais que suficientes, as coisas que eu escrevo fariam com que as pessoas caçoassem de nós.
- Somos novos na coisa toda, qual a melhor hora para ter deslizes? Apenas apresente seu trabalho, se for ruim mesmo não usamos.
- Eu acho que o máximo de música que compusermos melhor é, vamos crescer no nosso próprio estilo.
- Quanto vocês já gravaram até agora? – questionei interessado.
- Finalizamos a gravação da primeira música do álbum e estamos trabalhando na segunda. – Simon esclareceu. – foi quem escreveu a música mas Liam é quem é o vocal principal.
- Eu adoraria ouvir.
- Vamos tocar ela semana que vem no bar. E você sempre pode ir com a visitar o estúdio de gravação. Temos muita diversão lá. – Katherine convidou e eu assenti, olhando para e perguntando silenciosamente se ela não se incomodava, ela negou com a cabeça me entendendo.
Chegamos com a limousine em um prédio enorme e fomos recebidos com uma recepção atenciosa, a festa era na cobertura então subimos até lá. Os elevadores eram de vidro e assim transparentes, o que possibilitava a nossa visão de lá embaixo enquanto subíamos, dava para ver Londres inteira dali mas mesmo que a vista fosse maravilhosa não pareceu apreciar quando me agarrou assustada e escondeu seu rosto em meu ombro.
- Você tem medo de altura? – perguntei rindo e ela assentiu com a cabeça. – Então como conseguiu encarar a London Eye?
- Era uma cabine maior, era diferente. – me agarrou mais forte e eu passei meu braço por volta dela.
- Vocês parecem muito um casal. – Katherine comentou e não contestou e nem se separou de mim, mas esse pensamento logo se desmanchou quando eu reparei que ela só estava agarrada em mim porque estava com medo e não porque queria estar agarrada em mim publicamente.
- Ela parece um casal com todo mundo. – Liam respondeu Katherine e eu não deixei de concordar em minha cabeça. Finalmente chegamos na cobertura e ela me soltou. Quando entramos no salão avistamos muitas pessoas, todas vestidas formalmente.
- Aí estão eles! Mindless Hearts! – um homem exclamou em nossa direção, o nome era tão descolado que parecia de uma banda já famosa. chegou perto de mim para sussurrar:
- Ele é nosso empresário.
- Charles! – Katherine respondeu o cumprimentando e fizemos o mesmo.
- Você deve ser o Tom! É bom conhecer você, minha filha ama a Marvel. – se direcionou a mim e eu sorri assentindo.
- Espero que ela goste do filme. – me referi a Guerra Civil.
- Tenho certeza de que ela vai. Venham, eu preciso apresentar vocês a Jo Charrington, ela é vice-presidente sênior de A&R. – os levou e me puxou para que eu fosse junto. Eles foram apresentados a vários executivos e produtores mas eu não prestei muita atenção, apenas rindo quando algum contava uma piada ou prestando atenção em Hoffmann quando ela falava com tanta paixão sobre a música.
- Eu acho tão legal conhecer pessoas que fazem a diferença no mundo musical. – comentou animada e eu reparei que estávamos sozinhos, os garotos ainda conversando com alguém. Músicas tocavam uma atrás da outra mas quando uma certa começou me puxou mesmo que não tivesse ninguém no salão dançando.
- O que está fazendo?
- Eu sempre quis dançar música lenta em um salão! – me puxou mais pra perto e entrelaçou nossas mãos me fazendo naturalmente colocar a outra mão em suas costas, ela deslizou sua mão livre para meu ombro e assim nós ficamos na posição certa para uma dança lenta. Eu não ousei olhar em volta com medo de que ela desistisse de dançar comigo eu o fizesse.
[Recomendo que coloquem para tocar Say You Love Me da Jessie Ware]
Say you love me to my face/ Diga que me ama na minha cara
Começamos a nos mover lentamente e ela levantou seu rosto para olhar em meus olhos.
I need it more than your embrace/ Eu preciso disso, mais do que do seu abraço
Just say you want me, that's all it takes/ Só diga que me quer, isso é o bastante
Era extremamente difícil ficar tão perto e não poder beija-lá por não ter o direito, estávamos na frente de muita gente.
Heart's getting torn from your mistakes/ Meu coração está se despedaçando pelos seus erros
A música mudou de ritmo e acompanhamos a mudança dançando pelo salão como um só, com a sincronia mais perfeita que eu já havia sentido na vida.
'Cause I don't wanna fall in love/ Pois eu não quero me apaixonar
If you don't wanna try/ Se você não quiser tentar
But all that I've been thinking of/ Mas tudo no que consigo pensar
Is maybe that you might/ É na possibilidade de você querer
Baby it looks as though we're running out of words to say/ Querido, parece que estamos ficando sem palavras
And love's floating away/ E o amor está flutuando para longe
A música parecia falar conosco, principalmente pela letra que não consegui deixar de prestar atenção. Era parecida com a gente.
Just say you love me, just for today/ Só diga que me ama, apenas por hoje
And don't give me time 'cause that's not the same/ E não me dê tempo, pois não é a mesma coisa
Mexemos nossos pés e corpos como se fosse natural e rodamos pelo perímetro livre, sem ligar para quem assistia. Um passo, dois passos, um padrão.
Want to feel burning flames when you say my name/ Quero sentir as chamas queimando quando diz meu nome
Want to feel passion flow into my bones/ Quero sentir a paixão percorrendo meus ossos
Like blood through my veins/ Como o sangue em minhas veias
A girei lentamente virando ela de costas para mim e trazendo nossos braços de volta para baixo, o braço direito dela conectado com o meu esquerdo e o braço esquerdo dela conectado com o meu direito, entrelaçados.
'Cause I don't wanna fall in love/ Pois eu não quero me apaixonar
If you don't wanna try/ Se você não quiser tentar
But all that I've been thinking of/ Mas tudo no que consigo pensar
Rodei para que ficássemos de frente mais uma vez e não vi dificuldade por estar acostumado a girar.
Is maybe that you might/ É na possibilidade de você querer
Baby it looks as though we're running out of words to say/ Querido, parece que estamos ficando sem palavras
And love's floating away/ E o amor está flutuando para longe
Segurei suas costas com firmeza e ela soltou seu corpo, caindo para trás e voltando para mim.
Won't you stay?/ Por que você não fica?
Won't you stay?/ Por que você não fica?
Slowly slowly you unfold me/ Lentamente, lentamente você me desvenda
Aumentamos a velocidade dos passos de acordo com o ritmo e com os olhos pedi permissão para tentar algo.
But do you know me at all?/ Mas você realmente me conhece?
Someone told me love controls everything/ Alguém me disse que o amor controla tudo
assentiu e eu segurei sua cintura com as duas mãos dando impulso e a levantando no ar. Ela se apoiou com as duas mãos em meus ombros e confiou em mim fazendo com que desse certo, eu a coloquei no chão e ouvimos um urro das pessoas ao redor.
But only if you know/ Mas só se você souber
'Cause I don't wanna fall in love (no no no no no)/ Pois eu não quero me apaixonar (não não não não)
Deslizamos pelo salão e ela sorriu para mim, um sorriso aberto que me alegrou mais que tudo.
If you don't wanna try (just try sometimes)/ Se você não quiser tentar (apenas tente, algumas vezes)
But all that I've been thinking of (I just think)/ Mas tudo no que consigo pensar (eu só penso)
Is maybe that you might (You might)/ É na possibilidade de você querer (você pode querer)
Levantei seu braço e ela girou o corpo, sua saia rodou graciosamente o tecido vermelho parecia envoltar com um ar sobrenatural. Ela voltou para mim com impacto e encostamos nossos narizes levemente.
'Cause I don't wanna fall in love/ Pois eu não quero me apaixonar
If you don't wanna try/ Se você não quiser tentar
But all that I've been thinking of/ Mas tudo no que consigo pensar
Is maybe that you might/ É na possibilidade de você querer
Baby it looks as though we're running out of words to say/ Querido, parece que estamos ficando sem palavras
And love's floating away/ E o amor está flutuando para longe
Ela se separou de mim e girou mais algumas vezes, eu me aproximei e busquei sua mão novamente para que dançássemos os últimos passos. Ela ia para frente e eu para trás, ela ia para trás e eu para frente, era simples.
Won't you stay?/ Por que você não fica?
Won't you stay?/ Por que você não fica?
Acabamos a música e nos olhamos uma última vez antes de que as pessoas batessem palmas fazendo com que nós voltássemos ao mundo real, percebi que ela parecia querer chorar e franzi o cenho.
- Isso é o que faz da música a coisa mais especial. – limpou uma lágrima e sorriu. Naquele momento percebi que tudo o que eu queria era ser o motivo do sorriso dela, mas também não suportava não poder beija-lá em público e precisava fazer algo sobre aquilo.



Continua...


Nota da autora: Dois capítulos de uma vez hein, é assim que vocês gostam né? Vim destruir o coração dos shippers de Tom e Hoffmann, casal passivo agressivo KKKKK. Gianniotti e Harry não estão em um bom lugar, huh? Mandem suas preces para que esse clima tenso acabe, a gente odeia ver nosso casal doce tão amargo! Então é isso meus amores! Beijos!


Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.

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