Última atualização: 11/10/2017

Capítulo 1

San Diego, 20 julho 2013
não conseguia acreditar que estava lá, cada fibra de seu corpo pulava de alegria pelo simples fato de ela finalmente estar lá. A Comic Con de San Diego. Todos têm um sonho, um objetivo de vida, para alguns um carro, para outros uma casa, quem sabe até mesmo um casamento. Para , seu objetivo era ir à San Diego para aquela Comic Con.
A garota desde muito cedo se interessou por esse universo de quadrinhos e super-heróis, com o tempo o cinema entrou para essa lista de paixões e seu sonho era trabalhar nesse ramo, “Mas ser uma heroína também era meu sonho e aqui estamos não é”, é o que sempre dizia, já que no final das contas se formou em Jornalismo e se especificou na área política e agora trabalha em Nova York na equipe de correspondência da Rede Globo.
Mas lá estava ela, e depois de passar praticamente dois dias inteiros dentro daqueles “barracões” hoje era o dia do painel da Marvel, e a sorte da garota era tamanha – na concepção dela – que naquele ano o Estúdio faria algo que nunca havia feito antes, teria um painel – antes do principal – de autógrafos com o cast do filme Capitão América Soldado Invernal. Agora dá pra entender porque cada fibra de seu corpo pulava de alegria, certo?
A fila estava enorme, imensa, gigantesca de verdade, no entanto não se importava porque já havia feito amizade com as vinte pessoas mais próximas e também se distraia com as mensagens que recebia de suas amigas que estavam histéricas no Brasil, praticamente a obrigando a mandar foto de tudo que estava ao seu redor e de todos os atores do filme. Depois de quase uma hora, ela finalmente chegou ao painel. A primeira atriz que a “atendeu” foi Emily VanCamp, o que ela não gostou muito. Não podia ser a Scarlett ou a Cobie? A garota pegara um pouco de birra pela atriz pelos poucos episódios que assistira da série Revenge e nunca conseguiu superar isso. A próxima foi Cobie Smulders, que foi extremamente simpática e até fez algumas piadas sobre a Robin. Ao lado de Smulders estava Anthony Mackie e com aquele não poderia perder a oportunidade de enrolar um pouco na fila.
- Espero que não nos decepcione como Sam Wilson, hein – ela disse, sorrindo, com um tom de cobrança que não passou despercebido pelo moreno que assinava o nome em cima do Falcão do pôster. Mackie levantou o rosto e deu de cara com uma garota de pele clara e algumas sardas espalhadas pelo rosto, cabelo ruivo com algumas ondas nas pontas e olhos de uma cor diferente, parecia meio amarelado, quase como olho de gato e aquilo lhe dava um ar diferenciado. Ele sorriu de volta e lhe entregou o pôster, que já continha três autógrafos.
- Se eu te decepcionar prometo seu dinheiro de volta. – o sorriso se alargou no rosto da garota que acenou positivamente com a cabeça.
- Olha que eu vou cobrar hein. Sam Wilson e Bucky Barnes são personagens muito queridos para grande parte, se não para todos os fãs de Capitão América. – ao ouvir o nome Bucky, Sebastian, que estava ao lado de Anthony, se virou e encarou a garota ruiva, que era muito bonita por sinal, e resolveu entrar na conversa.
- Pensei que o Bucky já tinha sido aprovado – a ruiva o olhou e seus olhos se arregalaram minimamente porém perceptível, deu um passo para o lado para ficar de frente com o homem e lhe entregou o pôster, que ele não deu muita atenção e continuou a olhá-la com um sorrisinho de canto.
- O Bucky é ótimo – respondeu, saindo do choque inicial de estar frente a frente com um de seus atores favoritos – Caso contrário, eu já teria te procurado para pedir a devolução do dinheiro há dois anos. – disse, continuando a brincadeira do moreno que agora conversava com uma garotinha, mas riu ao ouvir a resposta da ruiva.
Stan soltou uma risada, assinou seu nome sobre a foto do Soldado Invernal e deslizou o pôster sobre o balcão até a garota, mas não o soltou.
- Obrigado – ele disse, olhando para ela com um sorriso sincero no rosto, o que só fez a mulher ter mais vontade de guardar ele em um potinho – é muito bom ouvir as pessoas falando que gostaram do desenvolvimento do personagem, então, obrigado. – A única coisa que soube fazer naquele momento foi sorrir de volta. Era a primeira vez que o via pessoalmente e todas as história que ouviu falar sobre o poço de meiguice que aquele ser a sua frente poderia ser se comprovaram e ela não poderia estar mais feliz.
- Você sempre arrasa, Chapeleiro – a forma como disse aquela palavra foi meio engraçada, já que um sotaque que ele não reconheceu se apossou de sua voz ao pronunciá-la. Ela pareceu não se importar, ou talvez não tenha percebido.
- Legal saber que não estou sendo julgado por só um papel – ele brincou, soltando o pôster já que um responsável pela organização estava reclamando que a fila havia parado. foi para o próximo autógrafo, mas nem reparou quem era já que continuava mantendo o contato visual com Sebastian.
- Fazer o que se os papéis que te dão são de extremamente amados? – ela falou sinceramente, mas ele não acreditou, já que ele mesmo não sabia quem era Bucky Barnes até 2010.
- Sério que você sabia do Barnes antes de Capitão América? – uma voz feminina questionou, fazendo tirar os olhos de Stan e dar de cara com Scarlett Johansson. Uau.
- Eu amo quadrinhos, e Marvel é meu amor – a garota respondeu dando de ombros e com uma feição de culpa no rosto.
- Não precisa puxar saco – Scarlett disse, assinando o nome em cima da foto da Viúva Negra – a gente não vai te crucificar se você disser que sempre preferiu o Superman ao Capitão América.
- A não ser eu – Chris Evans, isso mesmo, Chris Evans, entrou na conversa, tirando o pôster das mãos da loira para autografá-lo – Meu ego fere quando ouço alguém dizer que o Capitão não é o herói favorito.
A ruiva só sabia sorrir. Aquele era o momento mais mágico de sua vida sem dúvida alguma.
- Então infelizmente eu vou ter que te decepcionar. Meu herói favorito é o Homem de Ferro.
A expressão de incredulidade no rosto do loiro foi hilária. Scarlett e Sebastian começaram a rir.
- Eu tinha gostado de você, mas agora não quero mais ser seu amigo.
- Droga! Sabia que ser honesta não compensaria em nada para minha convivência social.
Chris soltou uma risada e entregou o pôster para a garota, que agradeceu e seguiu para a fila de entrada no Hall H.
Sebastian continuou fitando a garota se afastar. Todo lugar sempre tem aquela pessoa que se destaca, e aquela ruiva com um sotaque diferenciado não passaria despercebida de jeito nenhum.
- Minhas pernas já estão doendo – reclamou Scarlett – Queria ter podido trazer um banquinho.
- Você já o teria perdido, as minhas pernas estão latejando – Sebastian retrucou, alternando a troca de peso entre um pé e outro.
- Muito cavalheiro de sua parte, fico lisonjeada – ironizou Johansson, fazendo Evans rir.
- É nisso que dá acreditar que ele é aquele cara meiguinho das entrevistas.
Stan revirou os olhos autografando o pôster que estava a sua frente e olhou para a fila, ainda tinham muitas pessoas, mas a área da fila já havia sido fechada, então provavelmente nem aquelas pessoas seriam todas atendidas já que sua agente havia dito que um pouco antes das três horas alguém da organização do evento iria buscar o elenco para eles se prepararem para o painel no Hall H e já eram quase duas e meia.
- Vai ficar muito estranho se eu me sentar no chão? – perguntou Mackie com uma voz chorosa fazendo o rapaz que estava recebendo os autógrafos gargalhar.
- Dai o balcão vai te tampar, inteligência – Cobie respondeu o colega dando uma pedala em sua nuca, o que fez o moreno reclamar e massagear o local.
- Sabe, você não tem a mão exatamente leve – replicou o homem, fazendo as mulheres à sua esquerda darem risada.
- Pessoal está na hora – Tyler, que fazia parte da equipe da organização, apareceu acompanhado de três homens grandes vestidos de terno preto e com escutas no ouvido.
Os seis se despediram do grupo que ainda estava ali, se desculpando por não darem atenção a todos, e seguiram o rapaz da produção que parava o trajeto de tempo em tempo já que os atores paravam para tirar fotos com as pessoas do local.
Após alguns minutos eles chegaram ao backstage para ouvirem as recomendações que eram repetidas em todas as entrevistas por seus agentes e logo foi possível ouvir os gritos empolgados do público que estava no salão.
- E como estão os pés das minhas crianças? – questionou Samuel L. Jackson, se sentando ao lado de Sebastian no pequeno sofá que tinha no local.
- Você vai ter que me levar no colo para esse painel – resmungou Stan, jogando uma das pernas no colo do mais velho que riu e empurrou a perna do mesmo para longe.
- Desculpe, minha coluna é muito preciosa para eu estragá-la carregando um gordo como você.
- Anthony nunca reclamou do meu peso – rebateu com um muchucho, causando uma crise de risos no pessoal da produção que estava presente
- Estou decepcionado, Stan, pensei que era único para você – Chris estava de braços cruzados e com cara de choro – depois de tudo que passamos...
- Eu não recebo o suficiente para ser obrigado a conviver com esse tipo de gente – reclamou Joe tentando demonstrar descontentamento, mas sua voz estava embargada de tanto que segurava a risada. Seu irmão já havia desistido e gargalhava abertamente.
- Está na hora – Tyler cortou a conversa, ignorando o comentário de Smulders sobre “ele só sabe falar isso?” – Irmãos Russo primeiro, Frank Grillo, Emily VanCamp, depois Cobie Smulders, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson e, por último, Chris Evans – falou o rapaz, ouvindo os apresentadores já chamando os diretores. – filinha aqui gente, pra agilizar.
Os atores foram chamados na exata ordem que o organizador ditou, sentaram-se da esquerda para a direita, sendo que Evans, como foi o último a entrar, se sentou ao lado dos diretores.
Primeiro os entrevistadores fizeram algumas piadas sobre Samuel e Frank não terem participado do painel de autógrafos, o que rendeu alguns comentários de Mackie sobre eles serem esnobes antissociais, o que rendeu boas risadas no salão todo.
As perguntas relacionadas ao filme e a cada personagem iniciaram e Sebastian se afundou na cadeira. Suas pernas e seu pulso estavam doloridos, não saberia dizer quando foi a última vez que escreveu seu próprio nome tantas vezes, talvez quando estava aprendendo a escrever e fez isso para praticar, o que com certeza aconteceu há muito tempo.
Ouviu um dos entrevistadores perguntar algo para Grillo e suspirou. Ele não gostava muito daquela parte de seu trabalho. Adorava atuar mais que tudo, e a interação com os fãs nunca foi seu ponto forte, mas responder as perguntas era pior. Não sabia exatamente o que podia falar (por mais vezes que tivesse ouvido sua agente passar o roteiro do que ele poderia ou não dizer em uma entrevista) e isso o deixava meio nervoso. Ouviu um comentário de Anthony e deu uma risada. Aquele cara não sabia o momento de ficar quieto e Stan agradecia por isso já que os comentários inoportunos sobre as respostas alheias o distraia da pressão de ter centenas de pessoas olhando diretamente para a direção que ele se encontrava.
- Hey! Olá! – O moreno começou a acenar e cumprimentar ao lado de Stan e ele olhou para a direção que o colega sorria, vendo uma garotinha de uns oito anos acenando de volta, e, um pouco mais para o lado, na direção de Samuel avistou a ruiva do painel de autógrafos, que estava com a expressão de uma criança na manhã de Natal.
A garota estava extasiada, aquilo era simplesmente incrível, não tinha palavras para descrever o momento, então ela só ignorou o celular que vibrava a cada cinco segundos no bolso da calça e prestava atenção em cada palavra que cada pessoa que estava atrás daquela enorme mesa falava.
O romeno respondeu rapidamente à pergunta que lhe foi feita, passando a fala para Anthony, que praticamente falou pelos dois. Uns quinze minutos depois o painel do filme acabou, mas ainda teriam mais filmes e mais elenco então ninguém a não ser os atores de Capitão América Soldado Invernal se retiraram do recinto.
Toda a equipe estava hospedada no mesmo hotel já que eles tinham que fazer mais uma campanha de divulgação a noite ainda em San Diego, e todos optaram por passar a noite lá mesmo e, no outro dia, depois do almoço eles iriam embora - para continuar com a divulgação.

Era por volta das sete da noite, Sebastian já estava pronto, mas as mulheres haviam começado a se arrumar uma meia hora atrás o que significava que ele teria um bom tempo livre para descer ao restaurante e comer alguma coisa porque as paredes brancas daquele quarto já tinham ficado sem graça há algum tempo.
As portas do elevador se abriram e ele saiu para o saguão de recepção do hotel que não era muito luxuoso, mas também não era nada simples com o piso revestido de porcelanato e muitos detalhes em gesso espalhados por todo o ambiente, o que fazia as poltronas de madeira com estofados escuro que estavam espalhadas estrategicamente pelo local se destacarem. Atravessando o saguão ficava a porta principal de entrada e saída e à direita a porta de entrada para o restaurante, mas uma cabeleira ruiva andando distraidamente pela recepção chamou a atenção do homem.
- Juro, Brê, se uma delas piscasse pra mim eu viraria lésbica só pra poder casar com elas – a garota falava ao celular em uma língua diferente, que demorou um pouco mas ele reconheceu como português. – Scarlett e Natalie óbvio – comentou, dando risada depois de ouvir a pessoa do outro lado da linha falar alguma coisa.
Stan podia não estar entendendo nada do que ela falava mas “Scarlett” e “Natalie” era impossível de não identificar. Em que contexto as duas poderiam entrar na conversa que aquele ser distraído e literalmente saltitante poderia se encaixar?
Na falta de ter o que fazer ouça conversas alheias – por mais que não entenda absolutamente nada do que a pessoa esteja falando. Foi essa linha de raciocínio que Sebastian seguiu quando abandonou a rota do restaurante e fingiu prestar atenção no celular enquanto se aproximava de onde a ruiva estava, não percebendo que a mesma olhava distraidamente para o chão enquanto falava e não reparava para onde estava indo.
Ele só percebeu que chegou muito perto quando esbarrou de frente com a mulher, o que resultou com o celular dele no chão.
- Ah meu Deus, desculpe! – exclamou desesperada, de abaixando para pegar o celular ao mesmo tempo que o homem, fazendo os dois baterem as cabeças um no outro.
- Ai! – soltaram juntos, finalmente se olhando.
arregalou os olhos quando reconheceu quem estava a sua frente, e desviou o olhar para o celular para disfarçar o choque, pegando o objeto, se levantando e desligando a chamada no próprio aparelho. Levaria um esporro de Breno mais tarde, mas aquilo realmente não importava naquele momento. O rapaz se levantou também e fitou a garota.
- Desculpa – falaram ao mesmo tempo e ambos riram sem graça – Eu estava... – ia emendando Sebastian, mas a garota o cortou.
- Não, não – será possível alguém morrer de afobamento? – Eu é que tenho que aprender a prestar atenção no que acontece ao meu redor, principalmente quando estou com o celular no ouvido.
As bochechas dela já estavam quase da cor dos cabelos e Stan comprimiu os lábios para não rir da situação da distração em pessoa a sua frente.
- Ta tudo bem, é sério – tranquilizou-a pegando o celular da mão que ela estendia para ele – Até porque estamos quites já que eu também bati na sua cabeça.
O tom risonho e o olhar divertido a fez relaxar um pouco. Um pouco, porque era Sebastian Stan ali na sua frente e ela estava com tanta vergonha que se um buraco se abrisse ali por perto ela pularia sem pensar duas vezes, só para fugir daquela situação. Nem pra Breno ser um irmão preocupado e ligar novamente só para saber por que ela havia desligado na cara dela, mas nem pra isso aquele bundudo servia. Como nenhum buraco surgiu para ajudá-la, somente sorriu para o homem.
- Sebastian Stan – estendeu a mão direita para cumprimenta-la.
- – cumprimentou-o de volta, imaginando que ele era somente mais uma daquelas dezenas de pessoas que ela havia cumprimentado naquele dia durante a Comic Con. “Qual é!? Ele é uma pessoa como qualquer outra, não precisa disso tudo, ” era o mantra do momento, mas seu cérebro respondia “não é qualquer pessoa quando se é gostosa assim”, e ela fingia que não ouvia essa parte.
- ? – Sebastian perguntou, soltando a mão dela e a colocando no bolso da calça.
- , embora esteja pensando seriamente em mudar para porque já faz um ano que me fazem essa pergunta - franziu o cenho e comprimiu os lábios, como se estivesse refletindo seriamente sobre aquilo.
- É um nome diferente – deu de ombros.
- Tem origem latim eu acho – ela cruzou os braços, realmente devaneando sobre as origens do próprio nome.
- Você não é daqui não é? – ela negou voltando a olha-lo, fazendo uma nota mental de pesquisar sobre o próprio nome mais tarde. – Portugal ou Brasil?
- O sotaque ainda está tão forte assim? – já fazia algum tempo que ninguém mais falava sobre seu sotaque, então ela ficou realmente surpresa.
- Achei um pouco engraçado o jeito que me chamou de Chapeleiro mais cedo, e agora, antes de nos atropelarmos, ouvi você falando alguma coisa que me soou parecido com português – se explicou sem mencionar a curiosidade inexplicável na conversa da garota, sem perceber que a mesma o encarava surpresa.
- Você deve ter falado com mais de duzentas pessoas diferentes hoje, e se lembra que eu o chamei de Chapeleiro?
- Bom... – ele não tinha pensado nisso, mas como tinha dito para si mesmo de tarde, uma ruiva daquela não passava despercebida – Eu gosto de me lembrar das pessoas que elogiam meu trabalho. – Seria uma ótima desculpa se ele mesmo não sentisse seu rosto esquentar. Abaixou a cabeça e ficou por uns três segundos encarando os sapatos, aquilo era horrível, “não tenho treze anos, pelo amor de Deus!”. Quando sentiu que o calor na face havia passado voltou a olha-la e ela possuía um sorriso de canto brincando nos lábios.
- Só trabalho com fatos – ela deu de ombros e Stan devolveu o sorriso. – Brasil, – falou depois de alguns segundos o olhando – o sotaque é brasileiro.
Tinha que ser. Foi a única coisa que passou pela cabeça dele.
- Ouvi maravilhas sobre o país – comentou Stan, se lembrando dos comentários dos colegas de elenco que já visitaram o lugar.
- É realmente incrível – a garota abriu um sorriso enorme só de lembrar da cidade natal – Embora o estado que eu nasci e cresci seja conhecido como Rússia brasileira...
- Rússia brasileira? – aquela era nova. Já ouviu muita coisa sobre o Brasil, mas nunca nada relacionado ao outro país.
- Sim. – respondeu rindo, se lembrando de algumas histórias realmente interessantes que ocorreram no estado, mas se ateve ao básico – Pode-se dizer que o resto da população nacional nos ache exageradamente antipáticos com outras pessoas e extremamente carinhosos com capivaras.
Capivaras? O que aconteceu com as praias ensolaradas, as mulheres e o futebol? De que lugar do Brasil aquela mulher tinha saído?
- Vocês costumam ter capivaras como animais de estimação? – perguntou com o cenho franzido, causando uma gargalhada na garota.
- Quando você for lá visitar irá descobrir – respondeu com a voz embargada pela risada e piscou para ele.
O nervosismo inicial já não existia mais. Ele foi simpático – diferente de muitas pessoas que ela esbarrou nos últimos dias naquela cidade –, e de fato, era espetacularmente lindo, mas pessoas simpáticas sempre estão um degrauzinho acima na escadaria da vida. A companhia delas é reconfortante e não deixam espaço para nervosismo nenhum. Na verdade, ela estava se soltando um pouco demais e sua única preocupação era que ele a achasse maluca e saísse correndo e gritando “ELA É LOUCA! NÃO CHEGUEM PERTO DELA!”. Não seria a primeira vez.
- Você trabalha para uma agência de turismo ou a propaganda é gratuita? – perguntou sorrindo, afundando mais as mãos nos bolsos.
- Nossa promoção oferece até setenta por cento de desconto se souber barganhar bem com o gerente – disse, imitando a voz das propagandas de pacotes de viagem, fazendo o homem gargalhar dessa vez.
- Você tem futuro – brincou a fazendo sorrir – mas tem que fazer uma melhor escolha de palavras, “barganhar” faz parecer que estamos prestes a vender a alma.
- Mas não é isso que fazemos quando compramos um pacote de viagens com o cartão de crédito? – questionou cruzando os braços, tentando soar séria, mas o sorriso insistia em continuar em seus lábios, fazendo sua expressão ficar engraçada.
- Droga, eu tinha esperança de ir para o paraíso – murmurou abaixando a cabeça, como se estivesse realmente decepcionado. só sabia dar risada.
- Quem sabe na próxima encarnação, eu já desisti de ir pra lá nessa. – Sebastian a fitou mordendo a bochecha. Por que mesmo estavam tendo aquela conversa?
- Mackie gosta de repetir que desistir é para os fracos – lançou um olhar desafiador à garota – Tem certeza que já desistiu?
inclinou a cabeça levemente para a direita e fez um biquinho, parecendo refletir seriamente sobre o assunto, apertando mais os braços contra o peito.
- Quem chegar lá primeiro guarda um lugar para o outro, pode ser? – ofereceu depois de alguns segundos, estendendo a mão direita para fecharem o acordo.
Sebastian soltou a risada pelo nariz e apertou a mão da ruiva.
- Você é meio louca – comentou, voltando a colocar a mão no bolso.
- Obrigada, é um dom natural.
De repente ela arregalou os olhos e Stan sentiu um peso sobre os ombros, fazendo os joelhos vacilarem e tropeçar um passo para frente.
- Hey, garanhão – ouviu Chris dizer às suas costas, logo ficando ao lado do companheiro de cena – Estava te procurando, mas parece que você está meio ocupado agora – o loiro sussurrou a última parte não tão baixo assim, fazendo tanto o rosto de Sebastian quanto de criarem cor.
- Chris – pigarreou o moreno – essa é , ela estava no painel de autógrafos essa tarde. – contou apontado com o queixo a garota, que tentava fingir que não ficou abalada com a chegada do loiro no local, falhando quase que completamente. A sua dignidade não estava deixando os olhos continuarem arregalados e a boca ainda estava fechada, então seu orgulho não estava de todo desestabilizado.
- Ah eu lembro de você! – exclamou Evans – A Ruiva Stark! – desviou o olhar para Sebastian que a encava com um sorrisinho de canto. – ainda estou chateado... – reclamou cabisbaixo.
Deus é prova que estava se controlando como nunca para não tirar o celular do bolso e pedir uma foto. Mas ela sabia que Evans ficaria desconfortável com isso, então se conteve com a imagem mental mesmo.
- Meu Deus, vocês estão todo arrumados – comentou, só agora reparando nas roupas dos homens, que se vestiam incrivelmente iguais, com calça jeans de lavagem escura e camisas sociais azuis que só mudavam a tonalidade. A única diferença marcante eram os sapatos, que em Chris era um coturno cinza grafite e Stan estava com um sapato social preto com alguns detalhes azuis em veludo. Com certeza nem um ano de salário dela pagaria um par daqueles. – Pretendem cometer assassinato coletivo? – no momento que as palavras saíram de sua boca sentiu o rosto esquentar ainda mais.
Os dois soltaram uma risada tanto pelo comentário quanto pela situação da garota.
- Obrigado – soltou Stan.
-... Então, eu já vou indo. - ela falou meio sem graça, desviando o olhar de Chris para Sebastian com um sorriso contido no rosto corado.
- Ah... claro! – Ele falou meio sem graça, já que não sabia como agir naquele momento. A conversa deles estava tão espontânea e divertida, por que o loiro tinha que aparecer bem naquela hora? Mas ele entendia o lado da garota, ela estava agindo até que muito naturalmente e controlada para alguém que supostamente estava conhecendo dois ídolos. - Até mais então, brasileirinha – falou, sorrindo.
Evans sequer disfarçou a virada brusca de pescoço para encarar o moreno com a sobrancelha arqueada. O mesmo fingiu que não era com ele e continuou a olha-la
- Até mais? – perguntou sorrindo.
- Você também está hospedada aqui, não é? – a ruiva pendeu a cabeça um pouco para a esquerda e uma expressão divertida tomou conta de seu rosto.
- Então, até mais, romeno.
E com isso se virou e foi em direção ao elevador.
Alguns segundos após as portas se fecharem, Stan sentiu a mão de Chris em seu ombro. Olhou para ele, que ainda encarava as portas de metal.
- Brasileira ãn? Por acaso ela tem uma amiga?
O romeno olhou sorrindo para o amigo e lhe deu um soco leve no ombro.
- Você só se faz de santo né, Evans, porque nem cara tem – comentou rindo do outro, que passava a mão exageradamente no local do “soco”.
- Eu nunca falei que era santo, Stan. Os outros que tiram conclusões precipitadas sobre meus atos – explicou, virando-se de frente para o Sebastian.
- Você não vale nem um centavo – retrucou, fingindo decepção com as palavras proferidas pelo rapaz à sua frente.
- Não é isso que diz meu contrato da Marvel.
Antes que alguma resposta pudesse ser dada Scarlett, Emily, Cobie e o restante dos homens saíram do elevador conversando alto e logo os dois se juntaram a eles e saíram do hotel, entraram nos carros em duplas, e foram para mais uma cerimônia de divulgação

saiu do quarto e andou até o elevador, rindo das mensagens que recebia no grupo das colegas brasileiras. Ela contou sobre o esbarrão com Stan, a conversa e a aparição de Chris, o que fez as garotas surtarem e crucificarem-na pelo WhatsApp por ela não ter tirado nenhuma foto.
A ruiva entrou no elevador vazio e continuou a responder as mensagens, quando as portas se abriram deu um passo para fora e sentiu o corpo esbarrar com outro e mãos firmes a seguraram pela cintura, levantou a cabeça assustada, já com as desculpas na ponta da língua, dando de cara com Sebastian que tinha um sorriso de canto no rosto.
- Nós temos que parar nos esbarrar assim – comentou, soltando a cintura dela.
- Daqui a pouco estaremos com hematomas – apontou para a própria testa e a dele, onde mais cedo tinha sido o alvo da pancada.
- Você está – colocou levemente o polegar sobre a pequena marca bem avermelhada no topo da testa da mulher, que ficou uma pouco desconcertada pelo toque e se afastou um pouco, saindo completamente do elevador.
- Sério? – questionou, colocando a mão sobre o lugar que ele tinha tocado instantes antes – Você tem uma cabeça dura, hein – brincou.
Ele sorriu sem jeito abaixando a cabeça e colocou as mãos nos bolsos.
O barulho do elevador deixando o térreo os fez olhar para as portas de metal e Sebastian fez uma careta.
- Eventos de divulgação não têm festas estrondosas que acabam super tarde? – perguntou ao perceber a expressão do ator por ter perdido o elevador.
- Estrondosas nunca. Acabam tarde? Sempre – virou-se e fitou a garota – Mas o bife estava horrível e já respondi muitas perguntas sobre o filme hoje. Corro o risco de falar o que não devo e os Russo me mandam para a Sibéria caso eu faça isso.
soltou uma gargalhada e Stan a fitou de cenho franzido, sorrindo também.
- Desculpa – falou quando se controlou – É que Sibéria, Soldado Invernal... – entrelaçou os dedos das próprias mãos – Tá tudo interligado.
O rapaz a encarou e soltou a risada pelo nariz, tentando controlar a boca, mas não resistiu.
- E você, que faz aqui à essa hora? Já é quase uma hora da manhã.
semicerrou os olhos com o sorriso ainda no rosto. Sabe os conselhos das mães de “Não fale com estranhos” “Não dê confiança para desconhecidos”? Els sempre foram para o ralo, e não seria agora que ela iria pedir licença para o homem e voltar para o terceiro andar.
- Estou com fome – deu de ombros – e não quero abusar do serviço de quarto, não quero ter que dividir minha alma em quatro.
Sebastian deu risada, se lembrando da conversa que tiveram mais cedo e teve uma idéia.
- A gente deveria ir dar uma volta. – propôs.
- Deveria? - perguntou, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.
- Sim – disse simplesmente e passou por ela, indo e direção da saída, parando alguns passos depois para olha-la – Vamos. Tem várias lanchonetes que ficam abertas até às cinco aqui por perto.
A brasileira pensou em todos os prós e contras de sair da segurança do hotel para ir a qualquer lugar com um cara que havia conhecido naquele dia à uma da manhã, mas depois de refletir por um momento chegou à conclusão que não poderia haver riscos já que a avenida do lado de fora do saguão da recepção era muito movimentada e a cidade estava cheia de turistas, então consequentemente cheia de policiais.
- Okay – disse por fim, se aproximando dele e saindo juntos do ar fresco do ar condicionado do hotel para o ar quente e abafado que pairava sobre San Diego naquela época do ano. – Mas eu vou querer ir a uma sorveteria. Estou morrendo de calor.
- Tudo bem, brasileirinha – respondeu Sebastian sorridente.


Capítulo 2

CAPÍTULO AQUI DENTRO

Capítulo 2

A sorveteria ficava há apenas duas quadras do hotel, mas como nenhum dos dois estava com pressa, demoraram cerca de vinte minutos para chegarem ao local, perdidos em uma conversa sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
- Então quer dizer que o elenco todo da Marvel está naquele hotel e eu só esbarro com você? – brincou , se fingindo de indignada.
- Eu acho que você anda me seguindo lá dentro e estamos esbarrando propositalmente, tudo extremamente calculado por você – abriu a porta da sorveteria para ela entrar com um sorriso brincalhão nos lábios, entrando logo depois dela, e ambos seguiram direto pegar as travessinhas para montar os sorvetes.
- Pra quem não gosta de falar muito nas entrevistas, você está falando muita asneira, romeno – retrucou a garota se fazendo de ofendida, colocando uma bola de um sorvete bem amarelo, quase laranja, na travessinha do rapaz que arqueou a sobrancelha para ela – É de maracujá, um fruta típica do Brasil. É meu favorito, se não gostar coloca na minha tigela.
Ela se serviu de três bolas do sorvete de maracujá, cobriu com a calda quente de chocolate e, pra finalizar, adicionou somente a calda de cereja, enquanto ele pegou mais três bolas de blueberry e muitas cerejas e chantilly. Sentaram-se um de frente para o outro nas cadeiras altas, dividindo o pequeno espaço da mesa que ficava bem próxima a uma parede toda de vidro, os possibilitando de ver o movimento da avenida, que por mais que já fosse quase uma e meia da manhã, ainda estava consideravelmente movimentada.
- Vai, experimenta – pediu animada, ela mesmo já colocando uma colherada na boca.
Sebastian pegou uma quantia considerável com a colher e levou aos lábios. No primeiro momento, um sabor bem doce tomou conta de seu paladar, sendo levado rapidamente e um azedinho suave ficando no lugar. Ele sorriu para a garota ansiosa à sua frente, acenando positivamente e repousou a colher na tigela.
- É estranho, mas é bom! – exclamou, encarando a ruiva que sorriu e piscou, como quem diz “eu te avisei”. – Como é o nome mesmo? – perguntou, voltando a atenção para sua travessa.
- Maracujá – respondeu, colocando a mão sobre a boca e engoliu o sorvete com um pouco de dificuldade já que colocou muito na boca e o conteúdo desceu congelando toda sua estrutura, fazendo Stan rir dela, e ela, com muita maturidade, mostrar a língua para ele, ambos caindo na gargalhada. – Com certeza já tomou o suco, mas é minha obrigação para com o Planeta Terra fazer com que o máximo de pessoas possível se apaixone por esse sorvete.
- Nossa é bom demais – comentou, terminando de comer o que sobrou do sabor em sua tigela e olhando significativamente pro sorvete da garota.
- NEM VEM, STAN – falou alto, tirando a travessa da mesa e mantendo perto de si – Você tem um monte de sorvete ai. É pecado roubar sorvete de alguém que tudo o que você sabe sobre é o nome.
- Não por isso – soltou a colher dentro da tigela e estendeu a mão direita sobre a mesa, como se quisesse cumprimenta-la de novo. Desconfiada e ainda de olho no próprio sorvete ela pegou a mão do rapaz. – Sebastian Stan, 31 anos, ator, original da Romênia, mas também passo por americano com facilidade. - A garota começou a rir e puxou a mão levemente, mas ele a segurou e continuou balançando como se eles estivessem de fato se cumprimentando. – Agora é sua vez. Não é difícil.
Ela respirou fundo, tentando não rir. Mais cedo ele havia dito que ela é meio maluca mas ele não passava muito longe.
- , 25 anos, jornalista, brasileira e acho que não passo por nenhuma outra nacionalidade se for tentar enganar alguém.
- Jornalista, hum? - Stan soltou a mão da mulher com um olhar diferente de segundos atrás.
- Não se preocupe, minha área é política, não vou te embriagar de sorvete para extrair informação do filme ou segredos pessoais para alguma coluna de fofoca - brincou ao perceber o desconforto repentino do homem.
O ator deu uma fungada se voltando para seu sorvete, mas repousou o olhar na ruiva novamente, o ar brincalhão no rosto novamente.
- É possível se embriagar de sorvete?
Dessa vez quem soltou a risada pelo nariz foi .
Ela sabia o que o homem estava fazendo. Embora ela pudesse passar a madrugada toda sentada naquela banqueta meio desconfortável conversando sobre idiotices como normalmente fazia, até assustar o cara e ele dizer que iria ao banheiro só pra ela aproveitar para ir embora, mandando uma mensagem pra colega do trabalho com uma ameaça de morte lenta e dolorosa, naquele dia ela não via porque não deixar ir em frente. Até porque os caras que a abordavam geralmente não eram 30% da gostosura que aquele deus romeno era. Mas esses caras, em sua maioria, também não eram simpáticos como o ator, e isso fazia sua vontade de ficar ali naquela sorveteria até raiar o dia aumentar em números consideravelmente maiores.
- Só saberemos se tentar - e com isso colocou mais uma colherada na boca.
Sebastian sorriu e roubou uma colherada do sorvete dela.
- Não acredito! - olhou-o indignada
- O que? - fingiu estar confuso - Agora eu sei mais que seu nome...
- Sabe a esperança de ainda ir pro paraíso? Você acabou de perder essa oportunidade. – retrucou, tirando uma cereja do caminho e roubando um pouco do sorvete dele.
- Qual o seu problema com a cereja? - perguntou curioso, reparando que na tigela dela só tinha a calda mas nenhuma fruta.
- Com cereja nenhum, mas isso não é cereja - respondeu dando de ombros.
- Claro que é cereja, o que mais poderia ser?
- Chuchu.
- O que?
arregalou levemente os olhos e segurou a risada
- Desculpa, achei que você soubesse.
Stan já não a olhava mais, sua expressão de surpresa e tristeza estava voltada para sua travessa que estava cheia de cerejas.
- Me nego a aceitar esse tipo de coisa – se voltou para a garota.
- Você parece já ter acreditado – inclinou a cabeça pra esquerda, segurando o riso pela cara de desolação que o homem fazia.
- Acredito que Leonardo Di Caprio nunca ganhou Oscar de melhor ator e ainda me nego a aceitar – deu de ombros.
- Nossa, verdade! Por Blood Diamond ele super merecia – comentou revoltada.
- E por The Aviator!? A Academia não gosta dele, só pode – reclamou, largando a colher e se inclinando um pouco, encostando os cotovelos na mesa.
- Acho que Inception também merecia algum reconhecimento, aquele filme é demais e a atuação do Leo está... Espetacular – ela também se empolgou no assunto, deixando o sorvete de lado.
- Mas esse ano ele ganha pelo menos o Globo.
- Não tive tempo de assistir Django ainda, não fala muito – contou. Ela estava querendo assistir aquele filme desde o primeiro trailer, mas a correria do trabalho e pós-graduação não estavam colaborando.
- Nossa, você tem que assistir. Se achou ele bom em Blood Diamond, em Django você vai idolatrar cada cena dele.
- Não me deixa ansiosa. Já que não pude assistir na estreia, agora quero assistir com calma. – retrucou e o ator a encarou por alguns segundos com um sorrisinho brincando no canto dos lábios, sorriso esse que logo foi substituído por uma pequena carranca.
- Não adianta me enrolar, , que história é essa de chuchu?
se recostou no pequeno encosto da banqueta e suspirou, dramatizando o máximo possível.
- O chuchu é cortado em cubos e fervido em calda de cereja junto com algumas cerejas... Quando ele pega a cor, é feito alguns furinho para a calda entrar e, se ele mantiver a forma de cubo, são cortadas as pontinhas pra virar uma bolinha – quem visse as expressões deles de longe poderia jurar que estavam falando sobre um grave acidente de trânsito envolvendo algum familiar de um deles. – As bolinhas de chuchu são deixadas em conserva com a calda e se torna isso que você está comendo com tanto gosto.
Stan a encarava com cara de enterro e ela quase ficou com dó, mas se lembrou que estava conversando com um ator e que aquela cara de choro não era nada comparado ao que ele poderia fingir, e com essa linha de raciocínio começou ficar difícil não rir.
- De onde você tirou isso? – a desolação na voz dele era tamanha que parecia real.
- Trabalhei em uma sorveteria por uma época. – deu de ombros.
- Me recuso a acreditar – Sebastian cruzou os braços junto ao peito e se encostou na banqueta – Não é porque na sorveteria que você trabalhava isso é feito que significa que em todas as sorveterias do mundo isso seja feito.
Ele estava realmente revoltado porque já ouviu uma história sobre aquilo e simplesmente sempre odiou chuchu, mas se recusou a aceitar porque simplesmente sempre amou cereja.
- Acontece que eu fui a responsável pela fabricação da calda por um ano e meio e reconheço cerejas falsas há metros de distância – falou convencida. Sebastian continuou a encará-la quase emburrado, mas rindo por dentro, se perguntando quem se orgulha de reconhecer cerejas falsas há metros de distância. – Quer ver...
Ela puxou a tigela de sorvete dele para si e começou a revirar as cerejas, separando duas e devolvendo à tigela.
- Come essa aqui primeiro – apontou para uma das bolinhas vermelhas e logo em seguida para outra – e depois essa, e me diga a diferença. – O rapaz pegou a fruta com a colher e a levou a boca – Mas saboreia! Não mastiga e engole de uma vez – falou em um tom mais alto, fazendo Sebastian se sobressaltar e se engasgar um pouco com a calda.
- Prometo que saboreio se você não tentar me matar de novo – comentou, tomando sorvete para se estabilizar.
- Desculpe – sussurrou sem graça, segurando a risada.
O rapaz pegou a primeira cereja e mastigou. Normal. Uma cereja comum como qualquer outra. Tinha até alguns minúsculos carocinhos no meio, mas ele não se importou, lançando um sorriso vitorioso para a ruiva, que lhe lançou o mesmo sorriso e apontou para a outra com a cabeça, o desafiando. Assim, ele pegou a outra e também colocou na boca.
Se a intenção ali não fosse saborear a fruta, ele engoliria e passaria a vida crente que aquilo era de fato uma cereja, mas uns três segundos depois, o típico sabor aguado tomou o lugar da calda e a diferença era perceptível. Lentamente Stan levantou o olhar para a garota com a decepção estampada no rosto.
- Que tipo de pessoa sem coração engana os outros de uma maneira tão cruel?
baixou a cabeça e soltou um longo suspiro antes de voltar a olha-lo.
- Eu sinto muito. De verdade.
- Sabe a esperança de ir para o paraíso? Você acabou de perder essa oportunidade – repetiu as palavras da ruiva, invertendo as tigelas – Agora estou no meu direto de cidadão americano de usufruir desse sorvete de maracujá.
- Mas você é romeno! – exclamou, puxando a tigela de maracujá para si por uma extremidade enquanto ele puxava por outra.
- Dupla nacionalidade, tenho direitos americanos – esclareceu.
- Não venha usar a lei ao seu favor, não é assim que as coisas funcionam.
- Se eu não usar a lei ao meu favor, o que usarei então? – o riso presente atrapalhava um pouco na concentração de puxar o sorvete sem causar nenhum estrago à pequena mesa.
- Não sei, quem sabe sua ética e moral de cidadão e não usar as leis como pretexto para um assunto tão chulo quanto esse? – perguntou com obviedade, segurando a tigela como se sua vida dependesse daquilo.
Sebastian parou de puxar o sorve, mas continuou segurando e olhou para ela, não conseguindo segurar a gargalhada.
- Você engoliu um dicionário antes de virmos pra cá? – a ruiva o encarou sem entender – Quem usa essas palavras em uma disputa por sabor de sorvete?
A cabeça da garota pendeu pra esquerda, somente naquele momento percebendo a escolha de palavras.
- Você sabe que independentemente das palavras, eu não vou desistir dessa tigela de sorvete né? – seu tom era desafiador
- Isso é egoísmo. Te dou o meu – ofereceu
- Se eu quisesse sorvete de blueberry, eu teria comprado sorvete de blueberry, não acha? – questionou sarcástica.
- Acho que você não deve ter muitos amigos que apreciem esse seu senso de humor – respondeu risonho, recebendo a língua como resposta.
- Okay, eu deixo você ficar com ele – se rendeu, entregando o sorvete de maracujá para o homem – Mas só porque ele está derretendo.
Ele pegou a tigela todo feliz e passou a outra para a garota, que olhava atentamente para o lado de fora.
- Que houve? – perguntou, seguindo o olhar dela e avistando três mulheres do outro lado da rua os encarando com os cenhos franzidos e conversando entre si – Fui reconhecido – murmurou e acenou para as mulheres que sorriram e começaram a atravessar a rua.
voltou o olhar para Stan e percebeu que a coloração do rosto do rapaz estava mais avermelhada.
- Você também tem vergonha.
- Não é bem uma vergonha. Gosto disso, significa que estou fazendo bem meu trabalho. - deu de ombros - É só que é estranho você estar na sorveteria degustando seu delicioso sorvete de maracujá e reparar que tem três pessoas te encarando do outro lado da rua.
- Sorvete esse, roubado, né – argumentou e ele soltou uma risada pelo nariz, reparando que as mulheres já haviam entrado no recinto e caminhavam até a mesa deles.
Todas foram muito educadas e controladas, o que fez comentar isso com Sebastian assim que elas se afastaram, uns quinze minutos depois, as comparando com como seria se aquele acontecimento tivesse se passado no Brasil.
- Você é brasileira e não deu chilique nenhum – comentou desentendido.
- Querido eu sou ruiva natural, não sei sambar, não gosto de feijoada – enumerou nos dedos – entre outros porquês, faço parte de um seleto e atípico grupo de brasileiros.
- Ui, olha a diferentona – brincou, tomando o pouco do sorvete que não havia derretido ainda.
- Meu irmão costuma usar o termo antissocial – deu de ombros, também aproveitando o que era ingerível do sorvete – Mas não se iluda, só Deus sabe o quanto me segurei pra não pular no pescoço do Evans.
- Como assim? E eu? – perguntou risonho e ela sorriu também.
- Você já reparou naquele homem? Você é lindo, mas Chris Evans é Chris Evans – comentou e só então percebeu o que falou, arregalando os olhos e cobrindo a boca com a mão, o rosto esquentando rapidamente – Meu Deus, eu falei isso em voz alta?
Ele até tentou, mas não rir daquilo era praticamente impossível.
Se tivesse cumprido suas intenções iniciais com a garota a sua frente com certeza não estaria se divertindo tanto. Na verdade, não se lembrava qual a última vez que dera tanta risada na companhia de uma mulher sem o auxílio do álcool.
Aparentemente, a atendente do local também pensava como era possível duas pessoas darem tantas risadas à uma e meia da manhã de um dia agitado como aquela sexta tinha sido sem álcool no organismo. Ao menos eles não pareciam ter álcool no organismo.
- Seu filtro não funciona muito bem né?
- Ele veio com muito defeito – se ajeitou na banqueta, tirando o celular do bolso da calça, que já a estava a incomodando, e colocou sobre a mesa – Em momentos como esse me pergunto, eu realmente falei isso? – estava rindo, mas era de nervoso.
- Falou – afirmou, ainda tentando se controlar da risada anterior – mas eu sou mais eu – brincou, apoiando os braços na mesa e cruzando os dedos das mãos uns nos outros.
- Adoro gente com amor próprio, me identifico – empurrou a tigela do sorvete de blueberry, que ela julgava não ter mais jeito, e imitou os movimentos do ator, tentando deixar o nervosismo da fala passada pra lá – Mas falando nisso, posso tirar uma dúvida muito crucial? – questionou séria.
- Claro – respondeu, franzindo o cenho levemente.
- Para poder assinar contrato com a Marvel tem que ser extremamente lindo e ou charmoso?
Stan bufou uma risada, mas Maschell continuou o olhando séria, ou ao menos tentando.
- Eu me encaixo em qual desses dois requisitos? – o sorriso maroto brincando nos lábios.
- Fica ai a questão no ar né… - arqueou um sobrancelha, desafiadora, com um sorriso de canto.
- Bom – se endireitou ainda deixando os braços sobre a mesa – Só hoje eu tomei café da manhã com Chris Hemsworh, encontrei Chris Pratt no elevador e passei o dia com Chris Evans. Então tenho a teoria que a prioridade vai para quem se chama Chris, quando não encontram alguém com esse nome tem que ser contratado pelo talento mesmo... – deu de ombros. O sorriso de se alargou e ela mordeu o lábio inferior com força. – Juro que se você disser que encontrei meu requisito você nunca saberá a sensação de ter uma foto com o queridinho da América.
Dessa vez quem não aguentou segurar o riso foi ela e a atendente só revirou os olhos de seu balcão.
- Então se eu for legal ganho foto com ele?
- Depende de você – pegou a colher e começou a brincar com o que restou do que um dia foi um sorvete de maracujá, percebendo que o celular sobre a mesa vibrou e isso o fez lembrar de uma coisa – Agora que reparei, você não tirou foto de nada hoje.
A moça pendeu a cabeça para a esquerda e franziu o cenho.
- Como assim?
Talvez só naquele momento ele tenha percebido que durante o painel naquela tarde prestou mais atenção na ruiva do que achara, e isso o deixava desconfortável porque aquilo não era de seu gênero, na verdade era mais a cara do Mackie ficar reparando em pessoas aleatórias durante as entrevistas de divulgação.
Sebastian nunca agradeceu tanto por ter uma colher e uma tigela de sorvete derretido por perto para poder distraí-lo enquanto ele achava um jeito de colocar em palavras a explicação de “fiquei te encarando por um bom tempo durante as perguntas”.
- O pessoal na fila, de tarde, estavam a maioria com o celular na mão, e você não. E no painel, a grande maioria estava gravando e você só olhava.
- Acho que não sou eu quem está vigiando alguém aqui, não é mesmo? – perguntou com um sorriso contido, vendo um tom rosado tomar conta das orelhas e das bochechas do rapaz. Como alguém que cora tão facilmente pode ser ator?
- E com Evans também – comentou, pigarreando levemente. Transar é bem mais fácil que conversar.
- Sou fã do Evans há algum tempo – pegou o celular e começou passar de uma mão para outra, sem prestar muita atenção no que fazia.
- Já tem fotos? – perguntou Stan sem entender a explicação da garota
- Não... – soltou com um risinho – Até pensei em pedir, mas ele foi tão simpático, e eu sabia que se pedisse, a postura dele mudaria.
Assim ele entendeu os motivos da brasileira, e até achou legal. Durante as divulgações de Capitão América o Primeiro Vingador, Sebastian acompanhou alguns painéis e entrevistas e presenciou alguns momentos do companheiro de cena que não desejava para ninguém. Mas essas ocasiões eram muito raras.
- Você sabe que não é sempre que as crises de ansiedade dele atacam, né?
- O importante é o momento, Stan - sorriu quase meigamente, suspirando. – E eu sabendo que o vi é o suficiente.
- Profundo.
Ela soltou uma risada pelo nariz e passou a olhar o aparelho que passava em suas mãos naquela brincadeira frenética, enquanto Sebastian continuou a olha-la.
Ela tinha razão, os melhores momentos da vida são aqueles em que esquecemos da tecnologia e nos concentramos no que está acontecendo ali, ao nosso redor. Fotos são ótimas para ajudar a nos lembrarmos de um tempo que já passou, mas as melhores lembranças são aquelas que nos vem à cabeça antes de dormir, que nos fazem sorrir sozinho. Os melhores momentos são aqueles que ficam registrados na memória, não importa quanto tempo passe.
- Há quanto tempo vive aqui? – ele perguntou depois de um tempo depois, tirando aqueles pensamentos da cabeça.
- Um ano. Recebi a proposta de transferência e aproveitei a oportunidade pra começar a pós por aqui.
- San Diego tem saída para jornalismo político? – questionou meio surpreso e ela sorriu da confusão do ator.
- Não, mas Nova York sim, e é lá que eu moro – explicou, largando o celular e se inclinando pra frente, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo sobre a mão fechada em punho.
- Eu moro lá também, mas quase não fico na cidade.
- Isso não é cansativo?
- Às vezes sim, mas na maior parte do tempo eu adoro – o brilho nos olhos dele ao falar sobre sua carreira e profissão era comparável ao brilho nos olhos dela naquela tarde, dentro do hall H – Em qual jornal trabalha?
- É uma emissora brasileira, faço parte da equipe de correspondência. Você já deve ter passado pelo prédio, é um edifício enorme na 32 Avenue.
- Então você dá notícias na TV no horário nobre? - perguntou brincalhão.
- Não... – dessa vez o risinho foi nervoso – Eu e câmeras... – arregalou os olhos e negou veementemente com a cabeça. – A nossa relação não é boa, principalmente quando o caso é internacional – ele soltou uma risada e ela o acompanhou – Fico na redação. Procuro informações e formulo as notícias.
O ator assentiu com os lábios curvados de forma impressionada. Era uma grande responsabilidade.
Mas uma coisa não lhe saia de cabeça.
- Desculpa perguntar, mas por que política?
O sorriso se alargou no rosto da ruiva e ela empertigou-se, pronta pra dar uma grande e provavelmente cansativa explicação, então resumiu, como costumava fazer sempre que alguém fazia essa pergunta, com poucas palavras.
- O segundo ano do ensino médio pode ser muito persuasivo – disse como se aquilo explicasse tudo, o que na maioria das vezes de fato acontecia, mas ele continuou a encarando, como se esperasse que a garota terminasse de contar o motivo da carreira, o que não aconteceu.
- Eu sou ator, você acha mesmo que prestava atenção em alguma coisa no colegial? – perguntou seriamente e só soube rir.
- Platão, Sócrates, Maquiavel, Rousseau... – enumerou alguns dos principais nomes da filosofia política, e ele continuou com a mesma cara de tacho – Esses nomes te indicam algo?
- Indicam que só conheço os dois primeiros – respondeu com um sorriso amarelo. As aulas de filosofia era uma das poucas que ele não odiava, mas não odiar não significa gostar, então até rolava um pequeno orgulho o fato de saber diferenciar Sócrates de Platão.
Esse pequeno devaneio do rapaz demorou mais do que ele imaginava e estava se divertindo com a expressão reflexiva dele.
- No geral, eles falam sobre política – explicou-se segurando a risada, mas a cara de descontentamento dele demorou um pouco para passar.
Se ela disse que foi persuadida e depois citou aqueles nomes, a obviedade reinava no assunto abordado por eles. As vezes Sebastian se perguntava como terminou a faculdade.
- Deve ser horrível entrar em um debate com você.
- Nunca tente – fez uma expressão de intelectual, causando risada em ambos.
O celular dela vibrou novamente em cima da mesa e ele olhou para o aparelho que começou a piscar a tela intensamente a cada vez que uma mensagem chegava.
- O namorado de alguém está desesperado – murmurou, prestando atenção na cara dela ao ler as mensagens.
- Tenho dó de quem namora essas aqui – falou para si mesma, mas ele ouviu e fez uma cara de interrogação. – São algumas colegas brasileiras que sabem que estou em San Diego e estão surtando por eu não estar mandando foto de nenhum dos atores que encontrei hoje – explicou, bloqueando a tela do celular e colocando-o sobre a mesa novamente, voltando a atenção ao homem.
- Parece que elas não compartilham de sua filosofia de que viver o momento é o suficiente.
- Falei isso e quase fui morta via WhatsApp – comentou, fingindo uma expressão de desespero que logo foi substituída por um sorriso maldoso – Eu tive uma ideia, mas preciso do seu consentimento e da sua ajuda.
- Meu consentimento? – ele estava com um pouco de medo da cara que a ruiva fazia.
- Provavelmente vamos causar um infarto coletivo em cerca de umas quarenta pessoas.
- Eu deveria ter medo? – perguntou desconfiado.
- Não.
Ela o encarava ansiosa, e Sebastian sabia que seja lá o que ela quisesse fazer iria parar em um grupo de whatsapp, ou seja, internet. Mas também viu a forma que a garota havia respeitado o espaço do Evans e sabia que com ele não seria diferente.
- Okay – levantou os braços na altura do rosto em forma de rendição, aceitando entrar na brincadeira – O que eu tenho que fazer?
abriu um sorriso largo e quase sapeca, como uma criança que iria aprontar uma grande arte e pegou o celular, desbloqueando e entrando no aplicativo de conversa.
- Sentar naquela mesa ali – apontou para uma mesa que ficava há pouca distância atrás de onde ela se encontrava – Eu vou tirar uma selfie e você vai aparecer na foto fazendo uma careta bem engraçada.
- E você vai fingir que não me viu na foto e mandar para as outras – assentiu em compreensão, realmente gostando da ideia, mas não poderia perder a oportunidade de brincar com ela – Se quisesse uma foto comigo era só pedir, sabe?
A ruiva só revirou os olhos, mais uma enxurrada de reclamações chegando ao mesmo tempo.
- Stan, por favor, senta lá! – implorou, amansando a voz e fazendo um biquinho, as mãos juntas próxima ao queixo, quase angelicalmente pidonha.
Sebastian deu um sorriso sarcástico e se direcionou à cadeira indicada.
- Te pago um sorvete de maracujá depois – falou toda sorridente, mandando uma mensagem para o grupo
Você: Gente, eu to em uma sorveteria, querem foto da atendente do lugar!?
Beatriz : Você é uma vacilona, , não quero mais papo com você.
Ana : Uma foto não mata ninguém e você ai fazendo drama.
Ana : *VOCÊ AINDA VAI PEDIR ALGUMA COISA PRA NÓS SUA RUIM*

- Vai demorar ai, brasileirinha? – Stan perguntou, olhando para a mulher que encarava o celular com uma falsa expressão de ofendida.
- Me chamaram de ruim! – dramatizou, colocando a mão no peito.
- O que você vai fazer não é exatamente bonzinho – argumentou e ela mostrou o dedo do meio antes de entrar na câmera no grupo mesmo e posicionar para tirar a foto.
Como não rolou contagem regressiva nem aviso, a foto quase parecia realmente espontânea, com segurando a tigela quase vazia de sorvete derretido e mais ao fundo um Sebastian reclinado para trás com as mãos na beirada da mesa como se estivesse se segurando ali, os olhos arregalados e a boca aberta como se estivesse surpreso por invadir a foto.
- Vai merecer tradução das reações por essa cara – falou rindo, virando o celular para que ele pudesse ver a foto também.
- Achei que isso já estava incluso no pacote inicial – retrucou, voltando a se sentar em frente à ruiva, que pensava em uma espécie de legenda para mandar com a foto.
Você: Sorveteria ta mais vazia que o coração trevoso de vocês...
Esperou um pouco e mandou outra logo em seguida.
Você: EITA!!!
Puxou a cadeira para perto do ator, por mais que ele não entendesse o que estava escrito seria legal ver ele acompanhando o surto alheio, que não demorou para começar.
- Okay, isso vai ser difícil de acompanhar – a garota comentou, rindo do número de mensagens que chegava ao mesmo tempo, todas em caixa alta e com muitos pontos de exclamação ao final da frase.
- Pelo menos parece que ninguém enfartou, né? – brincou o romeno ao ver o tanto de mensagem – o que estão dizendo?
- Bom... Algumas estão afirmando que morreram sim – falou, rindo, e olhou para o homem de sobrancelhas arqueadas ao seu lado. – Já viu meu dom de vendedora, agora verá meu dom de tradutora – empertigou-se e pigarreou – “Meu Deus! Sebastian Stan está ai! , como você não viu Sebastian Stan ai!?” – ela lia como se estivesse interpretando em um teatro barato de ensino fundamental, o que tornava a cena mais interessante, considerando a pessoa que estava ao seu lado – “ sumiu, chamem a ambulância, liguem pra polícia, a doida sequestrou o menino Stan!”
- Menino? – interrompeu, rindo.
- Nós chamamos até o Downey Jr. de menino as vezes, é um costume – explicou, dando de ombros, sem olha-lo, rindo das mensagens. – Olha a Ana: “Gente eu acho que a morreu” – leu, rindo, e sendo acompanhada, rindo ainda mais com a próxima – “Morreu nada, deve tá tentando agarrar o coitado!”.
- Sim, estou sendo abusado e torturado com histórias traumatizantes relacionadas a chuchu - dramatizou olhando as mensagens e se interessou por uma específica – O que tem o Evans?
- A Bruna é louca, vamos pra outr...
- – cantarolou o nome da ruiva, como quem não quer nada. Ela bufou e revirou os olhos. Aquele grupo só servia para fazê-la passar vergonha, mas nunca achou que chegaria a esse ponto.
- “A desgraçada estava escondendo o ouro esse tempo todo! Vocês acham que eles não estão juntos desde aquela hora do Evans?”
- O que vocês pensam de mim? – perguntou, meio constrangido com o comentário.
- Sabemos que você não é santo, meu caro – respondeu, vendo ele desviar o olhar do rosto dela pelo canto de olho.
- O que ela diz no resto da mensagem? – ele cortou o assunto antes que ela pudesse falar qualquer coisa sobre a incrível capacidade do homem de ficar sem graça.
- “, volta aqui, não morre não, você só morre depois de uma foto decente, se não juro que saio daqui e vou pro seu velório em NY só pra me certificar que você morreu de verdade!! – riu e bloqueou a tela do celular, descansando-o na mesa – Isso vai ser interessante quando eu voltar pro hotel.
- Elas são bem... Carinhosas, né? – comentou, procurando palavras para descrever o tipo de relação entre elas.
- Ameaças são a maior demonstração de carinho que alguém pode fazer – Stan soltou uma risada pelo nariz enquanto negava com a cabeça. Talvez isso explicasse porque uma mulher bonita como aquela estava sozinha.
- Tá calor aqui, preciso de algo para me refrescar.
- “Se quisesse uma foto era só pedir” – imitou miseravelmente a voz dele, causando mais uma crise de risada – Isso está me parecendo abuso – reclamou.
- Promessa é dívida, – falou em um tom sério, olhando no fundo dos olhos dela, que comprimia os lábios tentando não rir, mas quando abriu a boca para falar as palavras soaram sérias.
- Sorte sua que eu sou uma pessoa legal – retrucou e pegou as tigelas da mesa e se dirigiu ao balcão onde a atendente revoltada e carrancuda se encontrava.
Durante todo o tempo que ficou perto das “vitrines” a mulher de uniforme a encarava como se esperasse que a ruiva explodisse a qualquer momento. O que não era muito distante da realidade já que ela queria muito fechar o estabelecimento e os dois únicos clientes sorridentes não queriam ir embora, piorando o humor já ruim.
pegou o sorvete com receio do olhar que recebia da mulher uniformizada e voltou praticamente correndo para a mesa onde Sebastian mexia concentrado no celular.
- Acho que não somos muito bem-vindos aqui – comentou, roubando uma colherada do sorvete antes de repousar a taça na frente do homem que prontamente desviou a atenção do celular para a massa de fruta tropical.
- Imagina – desdenhou dando de ombros – Quase três da manhã, só nós aqui... Ela deve nos amar.
- Aposto que o substituto dela está super atrasado e que era pra ela ter saído daqui há horas – disse a ruiva, olhando para a mulher atrás do balcão que fingia ter interesse nas próprias unhas.
- Ou ela odeia muito o trabalho dela, porque tem muita gente como nós, que ficam rindo igual retardados em uma sorveteria de madrugada – o ator também passou a olhar a funcionária, deixando o sorvete de lado.
- Ela não gosta de ver as pessoas felizes? – virou-se contrariada para o romeno, logo voltando o olhar na direção do balcão – Essa não é a política ideal de um funcionário de sorveteria.
- Com certeza terminou a relacionamento há pouco tempo e achou que trabalhar ajudaria a esquecer.
A mulher podia ouvir a conversa entre os dois, que por sinal, nem estavam tentando ser discretos, e já estava começando a odiá-los um pouco mais que o aconselhável, considerando que não os conhecia.
- Ou ela é na verdade um serial killer e tem o corpo de todos os ex no porão de casa, e sempre fica aqui porque o cheiro lá não é bom.
Tanto o alvo da conversa quanto Sebastian encararam .
- Acho que você está assistindo muito filme – Stan falou sério. O jogo do Sherlock só descobria serial killers no universo do Sherlock.
- Acho que ela ouviu, e agora nossos corpos vão se decompor junto com os dos ex – sussurrou, olhando para a mulher, que os fuzilava com os olhos, pensando que se aquele olhar não os fizesse sair daquele lugar, ela seria obrigada a pegar a vassoura os expulsar da maneira tradicional.
Sebastian, percebendo a raiva na expressão da mulher, se encolheu um pouco e voltou-se para a ruiva.
- Não que eu esteja levando essa sua conversa a sério, e por mais que o sorvete esteja uma delícia – pelo canto dos olhos viu a funcionária se levantando lentamente, sem desgrudar o olhar dos dois – Você não acha que deveríamos dar uma volta? Ver as vitrines e tal?
- Vamos – aceitou, guardando o celular no bolso, seguindo o homem para fora do estabelecimento com uma velocidade exagerada e risadas altas após alguns passos.
Eles passaram as horas seguintes contando histórias engraçadas, parecidas com a da atendente, histórias que já viveram e contando coisas que gostariam de fazer se tivessem a oportunidade.
Não viram o tempo passar, os assuntos eram tão bobos e ao mesmo tempo tão profundos, que os faziam esquecer que em algum momento deveriam ter ido dormir, ou que ele eram apenas dois desconhecidos, e que aquela madrugada duraria apenas algumas horas.
- Meu Deus, o dia já está clareando! – percebeu ao reparar no céu que já presenciava o nascer do sol, em um raro momento de silêncio entre os dois.
- Caramba é verdade! – Os dois pararam na calçada e ficaram assistindo o espetáculo da natureza. O amarelo tomando conta aos poucos do azul escuro, transformando-o em azul claro. Alguns minutos depois do sol nascer por completo, Stan olhou ao redor com a testa franzida – Onde estamos?
- Humm... – imitou os movimentos do ator e constatou que não fazia ideia de por quanto tempo eles haviam andado – Na verdade eu não sei – então avistou ao longe um amontoado de pessoas andando na mesma direção, com credenciais iguais à que ela usou para entrar no evento que a levou àquela cidade – mas se seguirmos aquele grupo, voltamos para a Con.
Sebastian olhou na mesma direção que ela um pouco surpreso. O sol acabara de nascer, não deveria ser mais que seis da manhã e aquele monte de gente já estava indo para a Comic Con. Santa disposição.
Durante o caminho, os dois fizeram apostas idiotas que envolviam com o perdedor pedindo para tirar foto com algum desconhecido do grupo de pessoas que eles seguiam, o que causou um pequeno alvoroço quando ele perdeu e teve que tirar foto com duas adolescentes que surtaram e seus pais não entenderam nada.
Depois que avistaram o Centro de Convenções mudaram o rumo da caminhada para o hotel, não demorando muito a chegar.
- Impossível! – falou pela quinta vez, quando ele insistiu em dizer que nunca assistiu nem leu nada de Harry Potter – Pelo menos um trecho de algum deles você já viu.
- Não – repetiu e riu da cara que ela fez, parando de andar quando chegaram no meio do salão da recepção do hotel – Mas eu gosto de Friends.
- Mas os pontos ganhados com isso perdem a força quando você diz que nunca assistiu Harry Potter! – retrucou revoltada, o encarando.
- Eu só não entendo esse fascínio todo pela história de um menino – deu de ombros, guardando as mãos nos bolsos da calça.
Os olhos arregalados e a boca escancarada não faziam jus ao tamanho da ofensa que aquele comentário dele foi.
- Olha, você é um cara legal, bonito, mas infelizmente nossa amizade termina aqui – falou a brasileira, aproximando, colocando a mão no ombro do homem para se apoiar, depositou um beijo na bochecha dele e se afastou.
Ele ficou um pouco perdido no que estava acontecendo, só acordando quando percebeu que ela estava quase chegando perto do elevador.
De todos os jeitos que poderia ter imaginado aquela noite com aquela ruiva, nada nem beirava à noite que realmente passara. Ela era diferente, ela sabia porque ele se aproximou dela e ainda assim se mostrou mais interessada em conversar e conhecê-lo.
Ela se mostrou uma espécie de amiga.
- Hey, brasileirinha – a chamou antes que pudesse controlar as cordas vocais – Não está se esquecendo de nada? – A primeira reação que ela teve foi apalpar os próprios bolsos, à procura do celular. Aquele já era o terceiro naquele ano, e não estava a fim de ter que comprar outro por memória fraca de novo. Mas a risada do homem mostrava que não era aquilo. – Comprar meu pacote de viagem para o Brasil como se você não me passou o contato da agência? – Okay, ele reconhecia que aquilo foi horrível, mas nada passou por sua cabeça naquele momento. Ela só sorriu, voltou para perto dele e estendeu a mão direita que recebeu um celular com prontidão, rapidamente ela digitou o próprio número ali aproveitou para tirar uma foto, fazendo uma careta, para deixar como ícone do contato. Sabia que aquele número logo seria esquecido, e provavelmente logo apagado também, mas não se importava. O que importava era o momento, certo? Devolveu o celular para ele, e ficaram se olhando – Até mais, brasileirinha – falou sorrindo e ela sorriu de volta, pendendo a cabeça para a esquerda. Qual a probabilidade dos dois se verem novamente?
- Até mais, romeno.
virou e voltou para perto do elevador sob o olhar atento do ator. Quando ia apertar o botão, as portas de metal se abriram revelando Chris Evans e Anthony Mackie, o segundo estranhando quando o loiro abriu um sorriso largo para a ruiva que entrava no elevador enquanto eles saiam. Antes das portas se fecharem a ruiva acenou para alguém atrás de Mackie que se virou e encontrou Stan com as mesmas roupas da noite passada.
- NÃO ACREDITO! SEU ROMENO SORTUDO SAFADO, FILHO DE UMA MÃE!
O romeno viu o moreno e o outro vindo entusiasmados, parecendo dois adolescentes, na direção dele, e soltou um suspiro misturado com risada. Aquele dia seria longo.


Capítulo 3

Sebastian acordou com o despertador tocando. 8:00 horas da manhã. Se levantou e foi acordar a garota, eles tinham um compromisso muito importante naquela tarde e ainda deveriam terminar a conversa que iniciaram no dia anterior.
- Oi, minha princesa – falou, se deitando de frente para ela que tinha os olhos fixados em um ponto da parede. – Dormiu bem? – a garota negou e ele acariciou sua bochecha – Por que não foi se deitar comigo? – ela deu de ombros e ele a puxou para perto, fazendo-a repousar a cabeça em seu peitoral – Quer que eu continue?
- Por favor.
Stan a abraçou, suspirando
- Tudo bem.

Outubro de 2013

Faziam três meses que a Comic Con tinha acontecido. Três meses que Sebastian e haviam se conhecido. Três meses que uma amizade muito forte nasceu.
Quando ela passou o número de telefone para ele, a única certeza que tinha era que pelo menos teria o número de um ator lindo e famoso em sua agenda de contatos. Tudo que ela menos esperava era que, dois dias depois, ele a mandaria uma mensagem perguntando se ela realmente teria que dividir a alma em quatro para poder arcar com todas as despesas da viagem. Depois daquele pergunta eles passaram a conversar todos os dias com exceções muito raras, como quando as festas de divulgação tinham um buffet muito bom, ou quando ela era arrastada para a festa de aniversário para algum colega da redação ou tinha que ir atrás de matérias que não eram possíveis de serem concluídas pelo telefone.
A press tour de Capitão América: Soldado Invernal acabou fazia quase um mês, mas Stan quis passar alguns dias na casa da mãe, que não via desde o começo das filmagens do filme, por ter se envolvido com outros trabalhos nesse meio tempo, mas agora estava de volta a Nova York e só passou em seu apartamento para tomar um banho e deixar as malas, indo diretamente para o prédio que recebeu o endereço há algumas semanas, no meio de uma brincadeira em uma vídeo chamada, brincadeira essa que envolvia ele fazendo uma surpresa para ela, mas como era uma surpresa e só passou o endereço porque ele prometeu enviar uma pizza no meio do expediente o sorriso não saia do rosto do rapaz. O ator olhou o relógio no pulso e já marcava dez para as 18:00. No dia anterior ela prometeu que naquela sexta só trabalharia até aquele horário, então ele tinha que se apressar.
Exatos dez minutos depois, Sebastian estava na frente do prédio. Pegou o celular e fez uma vídeo chamada para , que atendeu no segundo toque.
- Oi coiso.
- Oi coisa, que cara de desânimo é essa? – perguntou ao perceber o semblante cansado da garota.
- Seis da tarde de uma sexta feira – explicou – Experimenta passar seis horas seguidas sentada na frente de um computador. – reclamou, pegando sua caderneta de anotações o gravador e mais algumas coisas e jogando de qualquer jeito dentro da bolsa.
- Dramaaa – Stan cantarolou e mostrou a língua.
- Sebastian? – perguntou uma voz feminina e arrumou a câmera em um ângulo que focasse nela e na loira ao seu lado.
- Hey Ash. Tudo bem? – cumprimentou-a, Ashley deu sorriso e acenou, saindo do campo de visão do ator.
- Ué, não vai descer comigo? – A ruiva perguntou, percebendo que a outra não tinha arrumado a mesa e estava seguindo o caminho do corredor de escritórios ao invés do elevador.
- Fui convocada pra falar com o Tobias – falou, fazendo uma careta e também.
- Boa sorte – a loira riu nervosa e seguiu para a porta de divisão para o corredor – Até segunda – se despediu sem ter certeza se a colega a ouviu.
- Tobias? – Stan perguntou, mais para puxar assunto do que por real curiosidade.
- Chefe do meu chefe – agradeceu aos céus pelo elevador estar descendo e logo chegar ao andar dela, agradecendo novamente por ele estar vazio. Voltando a prestar atenção na tela do celular soltou um grito ao ver um táxi amarelo passando atrás do ator – Sebastian!
- O que? – perguntou assustado.
- Você está em Nova York? – gritou empolgada e meio revoltada.
- Ãn... – ele olhou para trás e viu mais dois táxis seguindo o mesmo caminho que o que vira. Ele realmente não lembrou do trânsito e só focou na faixada do prédio onde ela trabalhava. – Surpresa!? – falou, tentando manter o disfarce, mas saiu mais como uma pergunta do que qualquer outra coisa.
- Você não disse que só voltaria semana que vem? Quando você chegou? Não deveria estar em casa descansando? O que tá fazendo na rua já? – ela continuaria com o tiroteio de perguntas se ele não a interrompesse.
- Calma mulher, respira! – pediu, rindo – Eu recebi uma ligação, e como daqui uns dias terei que viajar de novo, pensei em dar uma passada aqui em casa, te deslumbrar com minha presença – O sorriso de já não cabia mais no rosto dela e isso o fez sorrir também – Cheguei há umas duas horas, estou aqui porque preciso pegar uma encomenda.
- Não é pra isso que serve o serviço de entrega?
- Essa é meio diferente, tinha que buscar pessoalmente – quando ele terminou de falar, as portas do elevador se abriram e saiu, se direcionando para a saída do prédio. Mas quando ela viu um homem segurando o celular na altura do rosto, ela travou no meio do saguão.
Sebastian desviou os olhos do celular e olhou para a mulher parada do outro lado das portas de vidro, levantou a mão direita e acenou para a ruiva, que riu incrédula, e saiu correndo logo em seguida.
Assim que alcançou Sebastian, não pensou duas vezes antes de se jogar no colo do homem, que deu uns três passos cambaleantes para trás antes de conseguir se equilibrar, com as pernas da mulher ainda envolvendo sua cintura e os braços firmes ao redor do pescoço, enquanto ele a segurava firme pela cintura.
- Baaaast! – deu um pequeno gritinho, apertando ainda mais o abraço.
- Você vai me enforcar! – o ator fingiu uma voz asfixiada, rindo junto com a ruiva quando ela afrouxou o abraço, se afastando o suficiente somente para poder olha-lo.
- E eu esperando uma pizza! – disse, rindo quando ele respondeu um “sou melhor que pizza” – Não acredito que você tá aqui! É natural eu dizer que estava com saudades? Por que eu ‘tava!
- Por que você acha que estou aqui? – perguntou com obviedade, ouvindo a gargalhada gostosa da garota.
- Porque não aguentava mais me ver só por Skype e precisava sentir meu toque e meu cheiro. – O rapaz revirou os olhos.
- Vamos fingir que é por isso pra você ficar feliz – falou com desdém.
- Começa com as gracinhas, agora você está a menos de trinta centímetros de distância de mim, posso te agredir à vontade – ameaçou, fazendo-o rir e aperta-la mais contra si.
olhou para o carro estacionado ao meio fio, reconhecendo a jaqueta jeans no banco do motorista, já que a janela estava aberta, e franziu o cenho.
- Bast, como você estacionou aqui?
Ele olhou para o carro e em seguida para ela.
- Estava vaga, eu só estacionei – deu de ombros – Por quê?
Ela respirou fundo e deu três tapinhas fracos no ombro esquerdo do amigo, sinalizando que queria descer do colo, o que ele atendeu prontamente.
- Aqui é a entrada da garagem! Há quanto tempo está aqui? Quer levar uma multa?
Stan arregalou os olhos, só então percebendo a placa que indicava a garagem, pegando a mão da garota e os guiando para o carro, entrando rapidamente, saindo dali logo em seguida.
Foram necessários alguns minutos para demostrar que não tinha controle algum sobre sua risada, deixando Stan emburrado, o que a fazia rir ainda mais.
- Ri, pode rir. – resmungou – Saio do conforto da casa da minha mãe, passo em casa só pra deixar as malas e venho direto pra cá, para te ver, e você fica rindo de um pequeno deslize. – enumerou, só para o descontrole maior da ruiva – Juro que se você não parar de rir, eu te jogo desse carro.
- Bast, como você tirou a carteira? – perguntou engasgada.
- Calada, eu sou um ótimo motorista – apontou o dedo para ela sem tirar os olhos da rua.
- Claro, tão bom que estacionou em lugar proibido – satirizou.
- Pelo menos eu tenho carteira, não é? – desafiou, fazendo-a mostrar a língua e ele sorriu vitorioso.
– Eu dirijo muito bem okay, só prefiro usar o metrô – Stan só resmungou um “aham”, e ela revirou os olhos – Bast, eu moro em um apartamento e trabalho em uma redação, se eu dirigir um carro não verei pessoas nunca, isso me fará entrar em colapso, por isso prefiro o metrô. Assim eu vejo gente e mantenho minha sanidade intacta.
- Primeiro: – Stan aproveitou para olhar para a garota, já que o sinal ficou vermelho – você não gosta de pessoas. Deixou isso muito claro nos últimos meses, essa não cola. Segundo: na redação tem pessoas, você vê gente o tempo todo lá. Terceiro: não venha com essa de sanidade mental. Você sabe que não possui isso. – afirmou, só tirando os olhos dela porque o sinal abriu.
- Talvez eu prefira não dirigir porque na estação eu faça amizades – apontou, mas viu na expressão do homem que ele já tinha descartado aquela ideia – Por que não? – perguntou meio revoltada
- Quantos amigos você tem aqui em Nova York? – questionou desinteressado, já sabendo que os nomes que sairiam da boca da mulher.
- Você, a Ashley... – Ela parou para pensar, pendendo a cabeça para o lado, fazendo um biquinho com os lábios, e quando ela ia abrir a boca para falar Sebastian a interrompeu.
- Viu, nada de amizades – apontou.
- Ei ia falar do Sr. Hadash, mas você me atrapalhou – reclamou.
- Quem é Sr. Hadash? – ele perguntou com a testa franzida.
- O senhor da carrocinha de cachorro quen... – Ela arregalou os olhos e o olhou esperançosa – Já que não vai rolar a pizza podemos comer cachorro quente? Por favor, diz que sim! – pediu com as mãos juntas, na frente da boca, infantilmente.
- Se for daquele lugar que você me fala, sim.
Depois que começaram a conversar, não tinha hora para troca de mensagens, telefonemas ou vídeo chamadas, mas o horário que eles mais conversavam era depois que saia do serviço, e pelo menos uma vez por semana ela parava em uma carrocinha de cachorro quente próxima a entrada da estação do metrô para comprar um lanche e conversar um pouco com o vendedor. já fazia isso desde que chegara em Nova York, mas desde que começou a conversar com o romeno, Stan começou a ouvir maravilhas sobre o tal cachorro quente, e prometeu que quando ele voltasse para a cidade, eles iriam lá.
- Okay, mas você vai ter que dar a volta e... – olhou ao redor, na rua, e se virou para Sebastian – Bast, para onde estamos indo?
Só naquele momento ele se tocou que não estava indo para nenhum lugar especifico, na verdade ele nem sabia para onde estava indo. Sabia que ainda estava na 32 Avenue, mas bem para frente da prédio onde trabalhava, talvez, até, para frente da rua que deveria seguir para voltar para casa. Ele só entrou no carro para se afastar da entrada da garagem e esqueceu de traçar uma rota depois.
- Pra falar a verdade, eu não sei – assumiu, pegando o primeiro contorno que avistou – mas já estávamos na metade do caminho, você que vai pagar a gasolina.
- Ahan, ta bom, claro – murmurou, ligando o rádio e deixando na primeira estação de radio, já que estava tocando Daylight e ela estava em um relacionamento sério com aquela música.
Depois de umas quatro músicas e Sebastian contar algumas coisas que ainda não tinha contado sobre as viagens com o elenco da Marvel e os dias na casa da mãe dele, apontou uma simples barraquinha móvel onde um senhor de uns sessenta anos e pele acobreada atendia alguns clientes.
- Presta atenção onde vai estacionar agora, o meu dinheiro da passagem vou gastar no cachorro, não to afim de ter que voltar a pé para casa porque seu carro foi rebocado – brincou em um tom sério, o que fez Sebastian encara-la.
- Virei chofer agora?
Ela sorriu meigamente e apertou a bochecha do rapaz, que deu um tapinha na mão dela.
O rapaz encontrou uma vaga sem muita dificuldade e com muita agilidade estacionou entre dois carros que estavam parados de um jeito que qualquer um xingaria muito antes de pensar em estacionar naquele espaço. ficou o tempo todo em silêncio, e quando Stan desligou o carro, ela o encarou, o sorrisinho vitorioso brincando no canto dos lábios dele o impediam de negar o ego inflado momentâneo.
- Pode assumir – ele provocou – você não tira a carteira por causa da baliza.
- Eu sou ótima na baliza – falou, saindo do carro, sendo seguida pelo homem que ria sem acreditar em nenhuma palavra que saia da boca dela – Não quer acreditar, tudo bem, mas saiba que quando tirei a carteira no Brasil, não reprovei no exame da baliza nenhuma vez.
- Nos outros reprovou quantas? – perguntou, rindo da cara de ofendida que ela fez.
- Vá se foder, Bast. – retrucou mostrando o dedo para ele – Eu dirijo muito bem, só que prefiro andar de metrô – revirou os olhos quando Sebastian resmungou um “obviamente, claro” – É sério. Imagina, eu passo o dia todo na redação, volto pra casa, um apartamento no sétimo andar. Uma hora ou outra eu tenho que ver mais pessoas além da Gertrudes.
- Gertrudes?
- Uma vizinha minha, mas isso não importa.
- Ta, mas eu chamo isso de desculpa – falou convencido, dando um pequeno peteleco na ponta do nariz dela.
- Okay – deu por vencida. Tentar convence-lo dos benefícios do metrô não a levaria a lugar nenhum – Da próxima vez eu estaciono.
- Nem se estivéssemos transando – respondeu prontamente, sentindo o rosto esquentar de imediato ao percebeu o que havia dito. deu um pulinho, de maneira que parou na frente do rapaz, as mãos indo em direção das bochechas dele.
- É tão bonitinho quando você fica vermelhinho assim, dá vontade de apertar suas bochechas – ele deu um tapinha leve nas mãos dela, saindo daquela direção.
- Sai daqui, não quero mais conversa com você, sua hipócrita.
- Eu? Hipócrita? Por quê? – questionou confusa, entrando na pequena fila da barraquinha.
- Quando nos conhecemos você ficou da cor do seu cabelo, não venha falar de mim.
o olhou inconformada, como pode alguém ser tão leigo assim?
- Bast, você está na minha lista de atores favoritos – ele abriu um sorriso de canto e um olhar travesso, mas quando abriu a boca para falar, o cortou – Nem começa a se achar. É normal eu ter ficado nervosa. Sem contar que você é ator, esse trabalho não exige falta de vergonha na cara?
- Você é chata assim em tempo integral, ou guarda tudo pra mim mesmo? – perguntou sério, fazendo o dono da carrocinha olhar estranho para ele, mas sorrir ao ouvir a resposta da garota.
- Nos últimos três meses você conheceu uns setenta por cento da minha vida, tire suas próprias conclusões.
- Será que ainda dá tempo de fugir? – o semblante assustado e o sorriso tentando escapar pelo conto dos lábios não combinavam muito, e o senhor assistia tudo com mais interesse que uma pessoa normal assistiria.
- O mesmo de sempre Srta. ? – perguntou, chamando a atenção dos dois mais novos.
- Sim, mas hoje são dois – respondeu simpática – Sr. Hadash, esse é Sebastian Stan, meu amigo, Bast, esse é o Sr. Hadash, meu avô postiço aqui de Nova York.
- É bom saber que você arrumou algum amigo da sua idade por aqui minha filha, não é bom alguém como você ficar andando por essas ruas sozinha.
- Mas eu tenho a Ashley também – o fez lembrar da amiga loira, rindo quando o senhor fez uma careta.
- Aquela Ashley não serve – desdenhou, entregando um cachorro quente já pronto para que passou para Stan, aguardando o segundo para si. – Ela não tem o coração puro como o de . Você precisa de mais pessoas de coração puro ao seu redor.
- Pra isso eu tenho o senhor – disse carinhosamente – iluminar o meu caminho e me trazer sempre o melhor.
- Se metade dos meus clientes fossem como você, eu não sentira falta da Índia nunca – comentou o senhor, entregando o outro cachorro quente. Sebastian até tentou pagar pelos dois, mas a ruiva não deixou ele tirar mais de dois dólares da carteira. Sr. Hadash assistia a cena com interesse e ria a cada ameaça que um soltava para o outro.
No fim, ganhou a discussão e pagou pelo próprio lanche.
- Sabe Sr. Hadash, o Bast é ator – contou toda orgulhosa – Mas ele tem vergonha de tudo – continuou num tom brincalhão, Sebastian já ficou com receio do que viria a seguir – Imagina quando tiver que fazer uma cena de sexo? Ele perde o papel mas não perde a vergonha.
- Sr. Hadash, foi um prazer conhece-lo, - Sebastian falou apressado, passando o cachorro quente para a mão esquerda para cumprimentar o indiano – mas agora eu tenho que me afastar desse tipo de pessoa.
O velho riu e encarou o amigo de cima a baixo.
- Não ia embora? ‘Ta fazendo o que aqui, me encarando ainda?
- O rapaz tem um futuro brilhante pela frente , você ficaria impressionada – o velho comentou os encarando, fazendo Stan franzir o cenho.
- Ele faz previsões do futuro – explicou – Mas essa já está muito óbvia – brincou, se voltando para o idoso.
- Ainda acha que errei na minha última previsão, menina ? – perguntou, olhando sugestivamente para Stan que ficou mais perdido ainda.
- Acho que ele não é o que o senhor estava querendo dizer – respondeu, olhando diretamente para o amigo que estava entendendo exatamente nada do que ao dois estavam falando – Agora eu preciso ir. Até terça Sr. Hadash.
- Até, minha querida. E repense seus achismos. A felicidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia.
Sebastian também se despediu do vendedor, e juntos voltaram caminhando lentamente para o carro enquanto comiam o cachorro quente, que realmente era ótimo.
- Do que vocês estavam falando? – ele perguntou depois de um tempo em silêncio, a curiosidade ganhando sem esforço.
- Há alguns meses ele disse que eu logo encontraria a pessoa que me faria feliz até o meu último dia de vida, três dias depois nos conhecemos – contou desinteressada, focando sua atenção na comida e no movimento da rua.
Stan também não levou aquilo muito a sério, e nem chegou a se interessar na linha de acertos das adivinhações do velho indiano, mas tinha que assumir que aquilo foi profundo e a coincidência foi grande.
- Ele acha mesmo que eu sou azarado que vai ter que te aguentar por uns cinquenta anos? – Perguntou brincalhão, jogando a embalagem do lanche em uma lixeira próxima, já tirando a chave do carro do bolso.
- Não, ele acha que eu vou ter paciência de aguentar alguém no meu pé, me dizendo o que fazer ou não. Onde ir ou não. Que horas ir ou voltar, sendo que nem meu pai nunca me controlou tanto assim – ela respondeu, entrando no carro assim que ele destravou as portas.
- Você tem sérios problemas com relacionamentos – falou meio surpreso, a encarando – Me diga, cara , quem te traumatizou tanto assim?
- Ninguém – deu de ombros – Só tive um namorado, na faculdade, mas nenhum de nós levávamos aquilo a sério. Terminamos – fez aspas no ar – uns quatro meses antes da formatura. Sou madrinha de casamento dele.
- Você o que? – perguntou, rindo alto. Aquela era uma das situações mais estranhas que ele já ouviu na vida.
- Fui eu que os apresentei, nada mais justo que eu ser madrinha – explicou, dando de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Com a mesma facilidade que entrou naquela vaga, ele saiu, e depois de xingar a mulher por um bom tempo por ela estar comendo, ainda, o cachorro quente dentro do carro, eles decidiram por ir direto para a casa de Sebastian, já que ela queria ouvir todos os detalhes das viagens de divulgação.


- Gostar de trabalhar é uma coisa, ser viciado já é problema.
já estava há uns quarenta minutos deitada no sofá da sala falando com Sebastian pelo telefone. Ela o tentava convencer em ficar mais alguns dias em Nova York, já que não fazia nem duas semanas que ele havia voltado e já estava tentando escapar de novo, como ela dizia.
- Não sou viciado – disse revirando os olhos, cansado de ter que falar a mesma coisa pela terceira vez – Já vou ter que estar lá na semana que vem mesmo.
- O que significa quatro dias de folga ainda. Curta a vida, Sebastian! – exclamou revoltada com a teimosia do homem.
- Mas talvez…
- Vá para a luz, Elizabeth! – Gritou, imitando o Mark Ruffalo, fazendo Stan rir.
- Sou muito jovem para ir para a luz.
- Okay, entendi. Tudo bem – desistiu, se sentando no sofá fazendo uma cara pidonha, mesmo ele não vendo ajudaria na interpretação – Mas como você não comprou as passagens ainda, posso te pedir uma coisa?
- Manda – suspirou já imaginando a cara de cachorro sem dono que ela estava fazendo.
- No sábado vai fazer um ano que estou aqui, e minha mãe fez uma reserva no Minetta Tavern, porque ela acha que eu gostaria de comemorar esse fato.
- Espera, - ele a interrompeu – você não disse que já estava aqui há um ano?
- Eu arredondei… - desdenhou – Nove meses, um ano… Qual a diferença?
- Pergunte isso para uma grávida e seja linchada.
- Bast, por favor! – implorou com voz de choro – Minha única outra solução é a Ashley e ela com certeza não vai trocar uma noite com o noivo dela para jantar comigo.
- Jantar grátis, hum? – perguntou deixando a mulher apreensiva – Posso pensar no assunto.
- É um dos restaurantes mais caros de Nova York, Sebastian, é só aceitar e pronto – resmungou contrariada.
- Você pensou na Ashley primeiro, então como estou sendo usado de estepe, estou no meu direito de fazer drama.
- Então isso é um sim?
- Vou ter que pagar algo? – perguntou enrolando, se tinha uma coisa que ele gostava era de ver revoltada.
- Talvez o cachê para o meu empresário, por ter a honra de dividir uma refeição comigo. – respondeu convencida.
- Ego! Não me sufoque! Eu imploro! – dramatizou com uma voz abafada, fazendo a garota rir.
- A dona vai desembolsar a grana. É só ir e encher a pança.
- Que palavreado culto, Srta. – ele comentou, rindo das expressões usadas pela ruiva – Sábado nove horas eu passo ai, pode ser?
- Sabia que te atropelar tantas vezes dentro do hotel me renderia algo de útil.

O som da campainha fez sair correndo, toda destrambelhada pelo apartamento, enquanto tentava colocar um brinco.
- Achei que tinha sofrido um acidente no meio do caminho – reclamou quando abriu a porta para que o homem entrasse.
- Enrolei pra chegar aqui e você já estar pronta – explicou caminhando até o sofá e se jogando nele, todo esparramado – Nunca fui bom em matemática e essa coisa de calcular tempo.
- Isso é em física – ela esclareceu, se dirigindo ao quarto para pegar o outro brinco e o par de sapatos.
- Isso significa que eu não me importo – retrucou, tirando a carteira e o celular do bolso – Enquanto você calça os sapatos vou no banheiro, okay.
- Anda logo. – gritou ainda do quarto. Calçou os saltos pretos e voltou para a sala, alisando a saia do vestido para não deixá-lo marcado.
Stan tinha acabado de abrir o zíper da calça quando ouviu seu celular tocar, revirando os olhos pelo timing imperfeito.
- Bast! Seu celular! – gritou. Como se ele não pudesse ouvir um toque daquele, tinha que mudar aquilo que a ruiva fez no aparelho urgentemente.
- Atende pra mim, eu já vou – pediu já fechando o zíper novamente.
Quando pegou o celular na mão e viu o nome Chris Evans na tela, sentiu o estômago ir para os pés. Respirou fundo e atendeu, colocando o aparelho no ouvido.
- Boo Bear, você está com minha camisa azul por ai? Não acho ela em nenhum lugar, no último painel eu emprestei ela pra você, não foi? – aquela voz grossa e rouca do outro lado da linha nem deixou a mulher pronunciar nenhuma palavra, falando rápido.
Tudo bem. Era Chris Evans do outro lado da linha. Esclarecendo a brincadeira do fandom, de sim, eles dividiam roupa as vezes. Mas tinha uma coisa muito mais importante para ser focada no momento.
- Boo Bear, o Evans está perguntando se você está com a camisa dele – falou alto, com a voz meio esganiçada, fazendo o homem sair correndo do lugar que estava no corredor e chegar à ela rapidamente, arrancando o celular da mão da mulher que pressionava a outra com força na boca, para não deixar a risada sair tão alta.
- Hey cara! – Sebastian falou com uma voz amigável, apontando o dedo para e lançando um olhar mortal para ela, fazendo a vontade da mulher de rir aumentar ainda mais.
- Ih cara, liguei na hora errada? – Evans perguntou meio sem graça, mas rindo pela forma como a voz feminina chamou o romeno pelo apelido também.
- Nah, é só a ... Lembra dela? – perguntou, se afastando da louca ao seu lado.
- A ruiva de San Diego? Claro que sim – o loiro respondeu malicioso, fazendo Stan revirar os olhos – Mas hein, minha camisa azul, não ficou com você?
- Chris, você deve ter umas setecentas camisas azul – exasperou tentando lembrar quando que viu o colega sem ser de azul.
- Eu sei – suspirou, sabendo que aquilo era verdade – mas aquela fica tão bem em mim.
- Bom, eu a considerei presente de fim de divulgação – Sebastian se virou para olhar a mulher que o encarava com um sorriso enorme no rosto ainda vermelho pela gargalhada anterior.
- Ladrão – acusou o outro, rindo em seguida – Não te empresto mais nada, também. Agora vai lá com a , porque ela é gostosa demais pra ser deixada esperando – essa última parte o loiro falou mais alto e ouviu. Ela se jogou no sofá, rindo, e abafando o grito com uma das almofadas.
- Okay – Stan falou encarando o ser que costumava chamar de amiga, mas mais parecia uma paciente que fugiu de um manicômio – boa sorte em escolher a camisa ai. Até mais.
Foi o tempo dele desligar o celular, para levantar e começar a pular e dar gritinhos ao redor dele.
- Eu já posso morrer! CHRIS EVANS ME CHAMOU DE GOSTOSA!
- Se você não parar de gritar eu mesmo me encarrego de te matar – falou sério – te jogo pela janela.
- Pode jogar, Chris Evans me chamou de gostosa! – parou na frente do homem, ainda pulando, e ele se perguntava como aquilo era possível com um salto daquela altura nos pés.
Sebastian deu de ombros e se abaixou o suficiente pra poder envolver os joelhos dela e a jogar sobre o ombro, caminhando até o sofá, pegando tanto a carteira dele quanto a da mulher e seguindo para porta.
- Bast! Era brincadeira, eu sou jovem demais pra morrer! Não me joga, não! – ela gritava e ria nas costas no homem, fazendo um pequeno escândalo no corredor vazio, fazendo o ator rir junto. – Por favor, Bast, meu vestido vai ficar todo amassado! Me coloca no chão, pelo amor de Deus!
Quando Stan ia apertar o botão para chamar o elevador, as portas de metal do mesmo se abriram, revelando uma elegante senhora de uns oitenta anos, carrancuda, com um pequeno chihuahua dentro de uma espaçosa bolsa.
O rapaz rapidamente colocou o a ruiva no chão, a mesma prendendo as bochechas nos dentes quando viu quem estava saindo do elevador.
- Boa noite, Senhora Gertrudes – cumprimentou educadamente. A senhora só encolheu o rosto em uma careta e saiu do elevador, fazendo questão de não encostar em nenhum dos dois no meio da ação.
- Mas que pouca vergonha. Esse é um edifício familiar, façam essas coisas dentro do apartamento, seus pervertidos – falou seriamente, olhando para o casal de amigos como se eles fossem algum tipo de doença altamente contagiosa em forma humana – E por favor, menina, se controle, comecei ouvir seus gritos do quinto andar! – se virou e, toda pomposa, caminhou pelo corredor até as portas do elevador se fecharem e os olhares dos dois se encontrarem.
começou a rir assim que viu que o amigo estava completamente vermelho e de olhos arregalados.
- O que foi isso!?!? – perguntou, rindo da risada da mulher, mas com o rosto ainda corado.
- Minha fã número um. Minha querida vizinha Senhora Gertrudes.
- Por que ela te ama tanto assim? – perguntou curioso, se encostando na lateral do espaço de metal.
parou de rir e franziu o cenho, e fez o típico biquinho que fazia quando parava para pensar em alguma coisa.
- Na verdade, eu não sei – falou sincera – ela me adora assim desde que cheguei aqui.
- Você é apaixonante mesmo – comentou rindo e ela o acompanhou.
- É só mais um dos meus dons naturais – respondeu, jogando uma mecha de cabelo para trás.
- Fiquei caidinho – brincou, envolvendo os ombros da brasileira e saindo do elevador.
- Opa, essa noite promete – arranhou a nuca do homem, causando arrepios nele.
- Claro, Gertrudes que se cuide – murmurou sem pensar muito, ficando extremamente sem graça quando percebeu que falou aquilo em voz alta.
- Há! – pulou na frente dele apontando o dedo no peito do rapaz – Tá pegando o espírito da coisa! – abriu a porta do carro e entrou.
Sebastian parou por um instante, olhando-a pela janela.
- Aonde fui amarrar meu burrinho... – murmurou para si mesmo antes de dar a volta e assumir o banco do motorista.

- Nunca perguntei, seus pais trabalham com o que? – Sebastian perguntou interessado, olhando a decoração do restaurante e algumas pessoas conhecidas que estavam ali. Realmente não era pouca coisa, fazer reservas naquele lugar não era nem um pouco fácil.
O Minetta Tevern não era nenhum cinco estrelas, na verdade ficava em uma rua afastada, com bares ao redor, até meio escondido. Talvez esse fato e a comida de qualidade que tenha chamado a atenção de várias celebridades e famosos, que adoraram o local. Mas isso logo se tornou público e a clientela se tornou muito seleta, os preços foram aos céus e era necessário alguns meses ou muita influência para conseguir uma mesa ali.
- Minha mãe era arquiteta paisagista e meu pai arquiteto urbano – contou, se sentando à mesa, rindo da expressão surpresa de Stan – Mas agora eles estão aposentados. Só fazem algum rabisco quando o Breno pede ajuda nos projetos principais.
- Você foi a única que não seguiu o trabalho da família – comentou brincalhão – Como saiu uma jornalista do meio de um monte de arquitetos?
- Eu me divirto com as letras, deixo as contas e toda a confusão matemática para eles. Meu pai costuma dizer que sou a ovelha negra da família – sorriu ao se lembrar das brincadeiras que o mais velho sempre fazia pela carreira dela.
- Dois arquitetos – Sebastian puxou assunto quando viu que ela não falaria mais nada e ficaria ali sorrindo, encarando a mesa – Uma dupla e tanto, hein.
Ele gostava de vê-la falar sobre si mesma e sobre a família dela. As poucas vezes que eles abordaram o assunto família em suas diversas conversas, foram o suficiente para ele notar o que ela realmente valorizava.
- Eles se conheceram na faculdade. Meu objetivo de relacionamento sabe. Eles brigam, como qualquer outro casal que esteja junto por mais de vinte anos. Mas em nenhum momento um para de cuidar do outro. Às vezes é até engraçado, um não está falando com o outro e saem perguntando pra mim ou pro Breno se o outro comeu, ou se agasalhou antes de sair, se tomou as vitaminas – ambos riram da cena mental dos dois brigados e se cuidando – O Brê diz que ele e a Gabi já são assim agora, então imagina como será quando eles tiverem a idade dos dois.
- Você ainda não me contou essa história da Gabriela e do Breno – falou Sebastian, se lembrando de uma conversa antiga.
- Nossa é verdade! – um garçom se aproximou com os cardápios e copos de água, rapidamente os pratos e bebidas foram escolhidos e o garçom de afastou – a coisa até parece novela – Ele se recostou de forma mais confortável na cadeira e bebericou um pouco da água, fazendo cara de tédio pela enrolação dela – Eles se conheceram no colégio, o Brê tinha dezesseis e a Gabi quinze. Ela era completamente apaixonada por ele, mas naquela época o Breno era o galinha número um do colégio, ficava com todas, e a coitada da Gabi era mais chifruda que uma manada de alces.
- Você ama sua cunhada – Stan interrompeu-a, rindo junto com ela.
- Eu gosto muito dela, mas ela era trouxa demais no começo – se justificou.
- Okay, quando o cupido flechou ele então?
- Eles começaram a ficar no começo do ano, o Brê ficava com ela e mais umas sete. O que eu não entendo, ele era todo desajeitado naquele tempo. Quem é bonito com dezesseis? – perguntou mais para si mesma, para incrementar a história, mas Stan não entendeu bem e resolveu interromper novamente.
- Eu era – falou convencido enquanto o encarava com cara de paisagem.
- Você finge que é verdade e eu finjo que acredito, pode ser?
- Miss simpatia – murmurou, bebendo mais água e pedindo que ela continuasse.
- Okay, dois meses depois a Gabi apareceu grávida na porta de casa, falando que foi expulsa de casa e que não tinha para onde ir. Meus pais surtaram mais que o Brê, mas não tinha o que ser feito, a não ser o exame de DNA, que foi feito assim que o Gabriel nasceu. Mas nesse meio tempo minha mãe a acolheu lá em casa e a tratava como uma filha. O Brê continuou com a vidinha de galinha até uns oito meses de gestação – parou de falar, parecia que tinha voltado no tempo contando aquela história. Ela só tinha quatorze anos na época mas lembrava tudo o que a cunhada sofreu com seu irmão, e vê-los naquela noite abraçados, sorrindo e chorando, a fez ver que uma coisinha pequena pode mudar tudo – O Breno chegou em casa uma noite e viu a Gabi deitada no sofá, ele estava tentando fugir dela o máximo possível, mas isso é meio difícil quando se mora na mesma casa que a pessoa. Ele não assumia pra si mesmo, mas sempre gostou um pouco dela, e naquela noite ele sentou no chão perto do sofá e começou a conversar com a Gabi como se ela estivesse acordada. Não foi a conversa mais inteligente do mundo, mas ela estava dormindo, então não vou julgar o monólogo. Mas quando ele colocou a mão na barriga dela, o bebê se mexeu. Acho que foi só naquele momento que ele percebeu o que realmente estava acontecendo. Foi só ali que ele percebeu que seria pai, e que a mãe da criança era linda e o amava. Pra que fugir disso?
- A Gabi aceitou essa mudança de comportamento numa boa? – Sebastian perguntou interessado. já havia dito que a história do irmão era quase fictícia, mas aquilo tudo nem passara por sua mente.
No meio da história o garçom tinha voltado com os pratos, e ambos já se deliciavam com seus pedidos.
- No começo ela ficou com um pé atrás, mas quando o Biel nasceu o Breno que dava banho, colocava para dormir, até contava historinha – contou rindo – Virou o verdadeiro pai do ano. Nisso a Gabi deu uma segunda chance pra ele e essa brincadeira já tem onze anos.
- Eles parecem o casal exemplo. Se você não me contasse isso eu passaria a vida achando que eles sempre viveram um conto de fadas – Stan realmente estava impressionado com aquela história. Há alguns dias ele estava na casa de e conversou por um bom tempo com o casal por Skype. Quem via de fora nunca nem sonharia com tudo aquilo.
- Mas agora eles se respeitam acima de tudo. O começo pode não ter sido um conto de fadas, mas agora eles realmente se amam.
- Com exemplos assim e você ainda tem medo de entrar em um relacionamento?
- Não tenho medo de relacionamentos, só acho que devem ser construídos com a pessoa certa – esclareceu bebendo um pouco de vinho – Você, mais que ninguém, sabe que exemplos não nos afetam tanto como é dito por ai.
Sebastian engoliu seco. É óbvio que ele sabia do que ela estava falando, mas isso não tornava o assunto menos complicado, menos dolorido.
Ele pigarreou e levantou a taça, propondo um brinde.
- À nossa crise de Steve Rogers?
abriu um sorriso, descrente da proposta.
- Á nossa crise de Steve Rogers – brindou.
- Hum... – Ele engoliu o vinho e repousou a taça sobre a mesa – Se nada der certo, a gente casa.
Ela estendeu a mão por cima da mesa e ele a apertou.
- Acordo aceito.


Capítulo 4

Era um sábado à tarde. pretendia ter usado aquele dia para fazer a tão necessária faxina em seu apartamento, que vinha sendo adiada desde que Sebastian tinha ido para Ohio. A desculpa enquanto ele ainda estava na cidade era que ele a distraia muito e a faxina não desenvolvia, mas mesmo depois dele ter ido viajar, duas semanas atrás, ainda não tinha movido nem um tapete do lugar, se contentando com uma passada de aspirador duas vezes por semana.
O que ela não esperava era acordar com uma incomoda dor na nuca, que a impossibilitava de se movimentar muito sem sentir uma tontura horrível. Então ela se acomodou no sofá, ligou a Netflix e se contentou em começar mais uma maratona de Arrow.
Quando já estava por volta do sexto episódio e menos de meio balde de pipoca, a campainha tocou, fazendo se levantar resmungando por ninguém saber a utilidade do interfone e a opinião dela sobre a incomodar em um dia como aquele.
- Pensei que você tinha dito que eu não incomodava nunca – Stan falou assim que ela abriu a porta emburrada, desamarrando a cara assim que viu ele e o outro parados na porta dela.
- Isso foi antes de você praticamente se mudar pra cá – resmungou o abraçando, se sentindo minúscula perto dele – Achei que só voltaria no começo do mês – disse com a voz fraca.
Sebastian franziu o cenho ao reparar na palidez que ela se encontrava. Achou que o fato dela jogar o peso contra ele seria o costume de sempre ao abraça-lo, mas percebeu que ela nem tinha reparado que fez isso.
- Não tinha mais nada para fazer por lá – falou, praticamente a carregando de volta para o sofá cheio de cobertas – , o que você tem? – perguntou preocupado.
- ‘To com uma dor chata na nuca, acho que dormi de mal jeito e deu torcicolo – desdenhou recostando-se nos travesseiros.
- E está assim desde que acordou? Sabe que existe umas invenções medicinais muito revolucionárias chamadas “remédios”? – Anthony se manifestou pela primeira vez desde que chegaram.
- Mackie, eu não estou dando conta de chegar na porta, quem dirá ir à farmácia – contradisse, dando um beijo no rosto do moreno que se inclinou sobre ela pra cumprimenta-la – Aliás, bem-vindo a minha humilde residência.
- Sinto-me lisonjeado por estar em sua presença novamente, cara Srt. – disse galanteador, depositando um beijo na costas da mão dela.
Sebastian assistia a cena e revirava os olhos.
- Eu tenho medo de saber sobre o que vocês conversam – falou, se levantando e indo para a cozinha.
- Foi você que me passou o número dele, não tenho culpa de nada – disse alto o suficiente para ele escuta-la da cozinha.
- Isso pra você parar de ficar mexendo no meu celular – a voz dele saia abafada. Anthony e riram.
- Amava as fotos suas que ela me mandava. Vou ter meme pro resto da vida – comentou Mackie, rindo da cara de tédio do romeno no hall da porta da cozinha.
- Ruivinha, você não tem remédio em casa não? – Stan perguntou indo se sentar ao lado de Anthony.
- Só pílula do dia seguinte – ele revirou os olhos e o moreno deu um cutucão na garota, mas não disse nada – Você bem que podia ir comprar pra mim, né? – pediu, encostando a cabeça no ombro do ator e olhando meigamente para Sebastian.
- Estou sem carro – contou, desviando o olhar para a televisão pausada em uma cena de ação.
Anthony começou a rir e os encarava perdida.
- O que houve com seu carro? – ele não disse nada e começou a procurar o controle remoto em meio as cobertas, enquanto Mackie quase começava a chorar.
- Sempre quis assistir essa série, mas nunca peguei pra começar – desconversou, de repente muito interessado na história de vida do Oliver Queen.
- Cara, se você não contar o que rolou, eu conto, e você sabe como eu conto – o moreno disse, secando algumas lágrimas do canto do olho, sem saber se estava rindo da cara que o amigo fazia naquele momento ou se era pela lembrança da ligação que recebera um dia antes de Sebastian sair de Nova York.
Stan suspirou em desistência, recostou-se no sofá, mas não tirou os olhos da tela.
- Eu bebi muito e batiocarroquandofuitirareledagaragem – falou rápido e embolado, fazendo soltar um sonoro “Hein?” e Anthony rir ainda mais.
- Bast, ninguém aqui fala romeno não, repete, fala pra fora – praticamente exigiu, e se arrependimento matasse, Sebastian já estaria só o pó.
Ele respirou fundo novamente, e tentou falar com coerência.
- Eu bebi muito aquela noite que sai daqui e disse que tinha que buscar uma amiga – falou devagar, sem coragem de olhar para a ruiva que já mordia os lábios com força, para pelo menos dar a oportunidade de deixar ele terminar de contar o fato – No outro dia de manhã eu fui tentar sair da garagem e bati o carro. – terminou cabisbaixo.
Várias coisas passaram pela mente de , uma delas foi preocupação, ele poderia ter se machucado feio nessa brincadeira. A segunda foi a exibição dele no começo do mês com a baliza. Mas o que ela mais conseguiu focar foi a carinha de culpado dele.
Francamente, parecia uma criança de sete anos que sabia que tinha aprontado e não queria ficar de castigo.
- Bast, você é a coisa mais preciosa desse mundo – ela disse em meio a risada, que foi impossível segurar – Se você já tivesse ido comprar o remédio para mim, eu levantaria daqui e te abraçaria até você explodir em purpurina.
- Awnt, depois dizem que não querem se pegar – Mackie disse com uma voz fofinha, olhando de um para o outro com um biquinho e piscando rapidamente.
- Eu nunca disse que não quero – ela disse, se ajeitando no sofá – É só ele falar que já ‘tamo ai.
Mackie lançou um olhar repreensivo para ela. Aquilo era golpe baixo!
Mas funcionou.
Quando eles olharam para Sebastian ele estava se levantando do sofá, quase como se tivesse levado um choque.
- Ué Bast, vai onde? – perguntou desentendida, dando um cutucão quando Mackie sussurrou “Já pensou em trabalhar com a gente?”.
- Você não queria que eu fosse na farmácia? – questionou se virando para ela, as orelhas ainda um pouco vermelhas.
Ele não entendeu nada quando deu um tapa no braço do sofá gritando “Ahá!” ao mesmo tempo que Anthony cobriu o rosto com as mãos, gritando um desesperado “Não!”.
- Foi baixo até pra você, , essa não valeu! – reclamou, ficando de frente para a mulher que sorria abertamente.
- Não lembro de ter assinado um termo que diz que eu não poderia fazer isso – deu de ombros, convencida.
- Eu estou com medo de perguntar, mas mesmo assim vou fazer. De que porra vocês estão falando? – Stan perguntou, olhando fixamente para .
- Apostamos dez dólares em quem conseguiria te fazer ficar vermelho primeiro – contou na maior cara de pau.
- Eu não me surpreendo com vocês dois – ele retrucou seguindo para a porta – Vocês podem me dizer que vão casar, que eu não vou me surpreender.
- Seb! Bro code cara, até parece que vou fazer isso contigo – Anthony bateu a mão fechada em punho duas vezes no peito, fazendo e Sebastian rir.
- Vai onde sem dinheiro?
- Eu tenho uma coisa muito legal, ela se chama cartão de crédito – ela até chegou abrir a boca pra falar algo, mas ele a interrompeu – Eu não vou falir por causa de cinco dólares, , relaxa.
- Já que você insiste – deu de ombros e se voltou para Mackie assim que Sebastian saiu – Já eu, posso aumentar minha fortuna com esses dez dólares que ganhei.
- Golpe baixo, , muito baixo – murmurou, pegando a carteira e tirando uma nota de dez – Exijo revanche.
- Quem sabe na próxima, meu caro – falou, puxando a nota da mão dele e colocando no bolso do moletom que estava vestindo – Tem mais pipoca na panela, pega lá pra gente? – pediu, colocando o balde na mão homem.
Uns quinze minutos depois o telefone de começou a tocar, e ela ficou perdida ao ver quem estava ligando.
- Eu vou desistir disso e subir de novo – Sebastian falou emburrado.
- Desistir de que? – perguntou confusa.
- Eu estou parado aqui há quinze minutos com o braço erguido, já passou seis táxis por mim e nenhum parou.
A risada saiu sem permissão, mas qual é? Como não rir de uma situação dessa?
- Quem mandou ser o melhor motorista do mundo? – ela brincou e riu mais ao ouvir ele dizendo que começaria a chorar se ninguém parasse para ele.
- O que está acontecendo? – Anthony perguntou e a ruiva fez um sinal para ele esperar um pouco.
- Bast, é torcicolo, amanhã eu já estarei melhor, volta pra cá – pediu sem tirar o riso da voz.
- Não. Eu preciso de você bem hoje à noite. Não dá pra esperar até amanhã. – ele retrucou meio afobado. Mackie se levantou e foi até a sacada, que tinha vista para a avenida, e a cena que viu lá em baixo o fez tirar o celular do bolso.
Era Sebastian Stan pulando e balançando os braços acima da cabeça, como se tentasse sinalizar um helicóptero.
- Precisa pra quê? – a garota perguntou, questionando o moreno com o olhar o por que ele estava com aquela cara e olhando para a rua.
- Há! – Stan gritou quando um táxi, finalmente parou a frente dele – Farmácia mais próxima, por favor – pediu assim que se sentou no banco de trás do carro - Vamos à uma festa, e se você não for, fica sem alcaçuz por uma semana – ameaçou ouvindo um chocado “Você não faria isso!” do outro lado da linha.
Não demorou muito para ele perceber qual era o doce favorito da mulher. Enquanto ainda estava fazendo a divulgação do filme da Marvel e conversavam todo dia por Skype, era rara a vez que ela não estava com vários tubinhos de goma nas mãos. Quando ele voltou para Nova York e visitou o apartamento dela pela primeira vez, reparou que uma das portas do armário da cozinha era, literalmente, um estoque de alcaçuz.
- Volta logo, então – retrucou, mostrando a língua para Anthony que imitou o jeito que ela falou – Acho que vou precisar de uma massagem também.
- É, e eu preciso de uma noite com a Sharon Stone, mas não temos tudo o que precisamos.
- O ditado é tudo o que queremos, Bast – o corrigiu, fingindo estar decepcionada.
- Eu não me importo. Daqui a pouco estou ai, tchau. – Stan desligou e jogou o celular de qualquer jeito no sofá, voltando a atenção para a série.
- Eu quero fazer outra aposta – Mackie declarou após alguns minutos de silêncio.
- Quer perder mais dinheiro? – alfinetou, recebendo um sorriso vitorioso como reposta.
- Essa eu vou ganhar de olhos fechados.
- Hum – ela se sentou e apoiou a cabeça nas costas do sofá. A dor já tinha passado praticamente, mas a tontura não estava afim de dar trégua – Adoro desafios.
- Dois meses pra você e o Seb assumirem namoro – falou com a mão estendida, só a espera de fechar a aposta.
Mas aquilo a pegou desprevenida. De onde ele tirara aquilo?
- Mackie, eu e o Bast somos amigos – mal sabia ela que aquela seria a primeira de muitas vezes que teria que repetir aquela frase.
- Nunca assistiu Amizade Colorida? – desdenhou, revirando os olhos pela resposta dela.
- Você está delirando – riu, batendo na mão dele para abaixa-la.
- Qual é – insistiu – Vai dizer que nunca pensou em dar uns pegas nele?
- Assim como ele pensou.
- Qual a dificuldade então? – perguntou quase desesperado.
- Não existe dificuldade, a gente só não se enxerga assim – esclareceu, dando de ombros.
- Vai dizer que se enxergam como irmãos! – exclamou revoltado.
- Longe disso – falou, achando engraçada a reação do colega – Mas existe uma Muralha da China entre sexo casual e um relacionamento fixo.
- Então você assume que gostaria que ele fosse seu parceiro sexual? – perguntou com cara de malandro.
- Talvez, por que não? – deu de ombros – Desde que não afete nossa amizade. Por que esse interesse todo em nossa vida sexual? – perguntou o encarando.
- Desde que se conheceram em San Diego, ele sempre cita seu nome nas conversas, não importa o assunto – contou, estudando a expressão dela, que não se alterou nem um milímetro.
- O Brê e a Ashley também já devem estar cansados de me ouvirem falar dele, mas não vejo onde está querendo chegar com isso.
- Tudo bem – cedeu após passar alguns segundo a encarando – Talvez eu esteja me precipitando falando dois meses – se levantou, pegando o balde de pipoca e as xícaras de chá que eles haviam tomado – Mas quero deixar claro que serei padrinho do casório – e foi pra cozinha.
- Casório, Anthony? -perguntou rindo – Quantos anos você tem?
- Setenta e quatro anos – voltou para a sala falando igual a um velhinho sem dentadura.
Algum tempo depois Mackie começou a reclamar, dizendo que não aceitava o fato dela ser melhor amiga de um ator da Marvel e estar assistindo uma série da DC, e depois de muita discussão, ela cedeu em trocar Arrow por Agents Of Shield. Mas quando Sebastian chegou eles ainda estavam debatendo sobre isso.
- Você tem que escolher um, gostar de Marvel e DC é a mesma coisa que dizer que tanto faz se New York Giants ou Philadelphia Eagles ganhar a final do Super Bowl. Ficar em cima do muro não nos faz vencer batalhas, .
- Você sabe que está falando grego, certo?
- Ela só entende de soccer, não perca seu tempo cara – Stan disse, se levantando para levar o copo d'água que dera para tomar o remédio.
- O nome é futebol, Bast, fu-te-bol – soletrou só para ouvir “eu não ligo” do rapaz – Tu anda muito bad boy pro meu gosto, Stan, não foi assim que te criei.
- Eu ainda estou revoltado com os taxistas dessa cidade, me lembrem de nunca mais bater meu carro – pediu, deitando a cabeça no colo da ruiva e jogando as pernas no colo de Anthony – Por que estamos todos nesse sofá sendo que tem mais dois sofás livres nessa sala?
Como se tivessem combinado, um olhou para o outro e os três deram de ombros ao mesmo tempo, voltando a atenção para a televisão.

Anthony a Sebastian saíram do apartamento de por volta das sete da noite, com o intuito de voltarem para casa de Stan, já que Mackie estava hospedado lá, tomarem banho e voltar para a casa de , para todos irem a festa juntos
Quase duas horas depois de saírem, os dois voltaram, sendo atendidos por uma com uma imensa camiseta cinza e toalha enrolada no cabelo.
- Duas horas, ! – Sebastian reclamou ao ver que o mais perto que ela estava de estar pronta era a maquiagem recém-começada.
- Se eu não tivesse vindo abrir a porta talvez já estaria no iluminador – reclamou, voltando para o quarto – Acho que tem uma chave extra em uma das gavetas da cozinha, pega pra você, não sou paga para ficar abrindo a porta para quem não interfona – gritou do cômodo, ouvindo o rapaz gritar um “Okay”.
Após terminar a pele, tirou a toalha da cabeça e começou a arrumar o cabelo. Ela queria fazer uma coisa diferente, mas as reclamações dos homens a limitaram a deixar o cabelo com ondas. Tirou a camiseta e vestiu o vestido preto que estava separado em cima da cama. Ele era curto e tinha mangas compridas, com detalhes em dourado no decote e na cintura, um pequeno triângulo aberto na região acima do estômago e saia rodada. Optou por um salto também preto, e brincos na mesma tonalidade dos detalhes do vestido.
Quando terminou de se vestir, voltou para frente do espelho para passar o batom vermelho e uma sombra clara, já que os lábios estavam destacados. Gostou do que viu. Por ela, a noite seria séries e pizza, mas já que Sebastian insistira na festa, não tinha porque ficar negando.
Pegou o celular no criado mudo e abriu a câmera, aquele look merecia ir para o Instagram.
Stan e Mackie já tinham desistido de conversar, de assistir tv, mexer no celular, e no caso do moreno, até de se manter acordado.
O romeno já havia nomeado cada funko que a mulher mantinha na sala, já havia imaginado uma triste história a nível Toy Story, onde o funko do Constantine, que ele apelidou de Octavio, e o funko do Arqueiro Verde, o Harry, eram grandes amigos, mas desde que saíram da loja nunca mais puderam se ver, já que cada um ficava de um lado da estante dentro de suas respectivas caixas, ainda lacradas.
Cansado de imaginar dramas da Pixar, ele se levantou e foi até o quarto da garota para ver se ela já estava pronta, se revoltando ao vê-la sentada na cama, mexendo no celular.
- Eu não consigo me decidir se te mato agora, ou se te dou a oportunidade de se explicar.
se levantou e se aproximou do amigo, com uma carinha angelical.
- Eu ‘to gostosa demais pra não registrar esse momento, não acha?
Ele a analisou de cima a baixo. Realmente, muito linda.
- Okay, está perdoada – murmurou, ainda a analisando.
- Bast, espera a gente começar a beber, assim você pode usar a bebida como desculpa para ficar me comendo com os olhos desse jeito.
- Você que disse que se eu quiser você topa... – comentou, sentando na cama assistindo a ruiva encontrar um bom ângulo para a tão desejada foto, dando-o a ideia de tirar uma também.
- Estou sempre aberta a ideias e sugestões, só não se empolga, minha vontade de ir para a cama com você ficou em San Diego – se sentou ao lado dele na cama e começou a editar a foto, enquanto o homem continuava no Instagram.
- Talvez se você usar uma lingerie preta e esse salto, nós possamos levar essa conversa adiante.
- Fetiche por saltos, Bast? – perguntou, mostrando a foto recém postada na rede social para o amigo.
- Ficou linda – elogiou abrindo o perfil dela e curtindo a foto, abrindo o dele logo em seguida – Olha, eu postei uma também.
Ela encarou a foto meio embasbacada. Sebastian estava impecável, como sempre, uma camiseta preta e a surrada jaqueta jeans apareciam. Ao fundo a parede branca com um quadro de Friends era visível ao lado de uma porta. A porta de saída do quarto de . Aquele era o quarto dela.
-Quando, exatamente, você tirou essa foto? - perguntou, já meio revoltada.
- Enquanto você brigava com a câmera frontal - Stan respondeu se levantando, pegando o celular e a carteira dela também, dando como única solução para a mulher segui-lo.
- Isso não é possível! Olha essa foto! Você é um desgraçado, Sebastião - reclamou revoltada, falando alto suficiente para acordar Mackie, que passou a encara-los mais perdido que os personagens de Lost.
- Sebas-o-que? - Sebastian perguntou, rindo do jeito que ela pronunciou o nome dele.
- Nada - a mulher cortou rapidamente, se virando para Anthony que se espreguiçava no sofá – Vamos, Mackie, dormir hoje só depois que pegar pelo menos umas três.
- O que vocês fizeram naquele quarto? - o moreno perguntou meio sonolento.
Os dois o encararam com sorrisos safados, do tipo cúmplice, e seguiram para a porta, deixando um perplexo e curioso Anthony para trás.
Como o carro de Stan estava no concerto, os três entraram no consenso de que a bebida estava liberada desde que ninguém desse pt. Acordo fechado, todos já despertos e recuperados de qualquer trauma que uma foto pode causar, todos entraram no táxi e seguiram para a boate.
O lugar não era nada muito grandioso, mas assumia que tinha sua particularidade. Estava completamente lotado, e assim que chegaram Stan os guiou a um camarote próximo ao bar.
- Eu vou pegar uma bebida - disse antes de chegarem perto do sofá redondo que tinha ali.
Os dois homens ficaram por ali mesmo, assistindo o movimento, puxando assunto sobre uma ou outra mulher que passava por eles, e sobre a música que tocava.
Alguns minutos depois voltou com três copos de uma bebida desconhecida, porém muito boa em mãos.
- , dá uma voltinha pra mim, fazendo favor – Mackie pediu a deixando confusa, mas ela fez mesmo assim e Sebastian encarou o amigo pedindo uma explicação.
- Aquele cara ali no bar está olhando tanto pra ela que eu fiquei com receio de ela voltar pra cá sem algum pedaço.
Stan bateu na própria testa, rindo junto com a ruiva.
O cara nem tinha bebido ainda e já estava falando idiotice.
- Vem, Bast, vamos dançar – falou virando toda a bebida de uma vez, deixando o copo vazio na mão do moreno e puxando o amigo para as escadas.
A pista estava lotada, e tocava uma música que nenhum dos dois reconhecia, mas isso não os impediu de dançar feitos loucos, se achando OS dançarinos.
Umas três músicas depois, Sebastian pediu para irem ao bar, o debaixo mesmo, pegarem uma bebida, encontrando um Mackie levemente alterado conversando com uma morena muito atraente, para quem ele pediu um minuto e foi todo alegre de encontro aos dois.
- ! Você não vai adivinhem com quem eu fiz amizade! – ele gritou empolgado, puxando a mulher até onde estava.
- O que? – perguntou, rindo da bagunça que o moreno estava fazendo com as palavras.
Assim que eles chegaram perto do bar, Stan viu o cara que “comeu com os olhos” bebendo e conversando com a mulher que Anthony já chegou abraçando.
- Seb, , esses são Debby e Davi, eles são gêmeos! Isso não é legal? – o romeno olhou do homem para a mulher, e realmente, viu a semelhança.
Ambos tinham a pele clara e os cabelos intensamente pretos, no caso de Davi, a barba também. Os olhos eram igualmente castanhos, mas a semelhança acabava ai, e o jeito que eles olhavam para as pessoas passava uma sensação ruim pra Sebastian.
- É um prazer conhece-los! – os cumprimentou sorridente, se aproximando do rapaz e olhando para Anthony e Debby – Me diga Davi, como está sendo segurar vela para meu amigo gostoso aqui?
Ele a olhou de cima a baixo, um olhar predatório que deixou a brasileira de pernas meio bambas.
- Quanto você já bebeu? – ele perguntou com uma voz que deveria ser considerada relaxante natural.
- Não o suficiente – sussurrou no ouvido dele, se sentando em um banco ao seu lado, o que fez um sorrisinho surgir em seus lábios.
- Então daqui alguns minutos me faça essa pergunta de novo – ele levantou a mão chamando o barman, que rapidamente os atendeu, lançando vários olhares para as mulheres, que nem sequer o repararam por perto.
- Hey, Mackie – Sebastian chamou o amigo, os afastando o suficiente do bar para que nenhum dos três os ouvissem – Eu não sei se gostei desses seus amigos novos – ele confessou, olhando para a morena que encarava as coxas de com um interesse duvidoso.
Anthony olhou para ele com um sorrisinho sacana.
- Ciúmes da ruivinha, Seb?
Stan revirou os olhos, achando aquela pergunta extremamente idiota.
- A palavra é preocupado. E com você também. Se cuida com os irmãos Crepúsculo ali. – falou, batendo no ombro do amigo, pedindo para ele avisar que iria procurar alguém interessante e ficar de olho no Drácula da noite.
Não demorou para ele encontrar alguém, a mulher era muito bonita e as coisas estavam até se tornando interessantes se não fosse por Anthony aparecer para atrapalha-lo.
- Seb, acho que a ta precisando de você – a voz dele estava bem embolada, e a companhia dele já não era mais a morena de antes.
Sebastian franziu o cenho e olhou na direção do bar, avistando uma conversando distraidamente com Debby enquanto Davi colocava um tipo de pó em sua bebida.
Ele não pensou duas vezes antes de pedir licença para a loira que dançava com ele e sair praticamente atropelando todos que entravam em sua frente à caminho do bar, que nem estava muito longe.
Quando ele chegou lá, não hesitou e dar um soco que pegou em cheio o rosto do estranho, que só não foi de encontro ao chão porque se apoiou no balcão. A irmã dele – que agora Stan duvidava dos laços sanguíneos - levantou assustada e foi ajuda-lo, levando um empurrão sem piedade.
- Da próxima vez eu me certifico de quebrar alguma coisa – ameaçou o ator, pegando uma completamente perdida pelo braço, para leva-la de lá.
Mas eles não chegaram a dar nem quatro passos, já que Davi se levantou e segurou o pulso de .
- Quem você pensa que é pra mandar nela, seu escroto! – olhou desesperada para Sebastian. Ela já tinha se afastado um pouco do rapaz enquanto eles conversam no bar, alguns gestos dele a assustaram um pouco, e se não fosse pelo alto teor de álcool em seu sistema, ela teria saído de lá há algum tempo. Porém a outra mulher manteve uma conversa sedutora, que a segurou ali. Ela não fazia ideia do porquê de Stan ter chegado tão na agressividade, mas agradeceu quando o amigo deu outro soco no moreno, fazendo-o solta-la.
- Vá se drogar e deixe minha amiga em paz, seu filho da...
- Bast! Bast, vamos! – pediu entrando na frente dele, o segurando pelo peito. Claramente a bebida alterou ele, o estresse ajudando. Sebastian nunca se metera em confusão, não seria por causa dela que isso deveria acontecer – Os seguranças já estão chegando, vai ser pior. Vamos.
Os dois homens se encaram por alguns segundos, até que Sebastian se virou, e com uma mão nas costas da ruiva, eles saíram da boate. A sorte deles é que tinham alguns táxis parados do outro lado da rua, assim entraram em um e logo seguiram para a casa do ator.
O caminho foi silencioso. A não ser pelo muxoxo de desculpa de , que foi desconsiderado pelo romeno, uma vez que ele vira o homem colocando algo na bebida dela enquanto ela estava distraída.
- Você precisa se cuidar mais, – foi tudo o que ele disse, deixando que ela recostasse nele até que chegassem na casa.
O procedimento para abrir a porta foi meio complicado, já que Stan também tinha bebido um pouco mais que o aconselhável, mas depois de algumas falhas tentativas, ambos se jogaram no mesmo sofá, e ficaram lá, parados, olhando para a parede.
Parede essa, que logo perdeu a graça para , que passou a olha-lo de um jeito até engraçado.
De primeiro ele fingiu não perceber, mas alguns minutos se passaram e ela não parou de encara-lo.
- O que foi? – Stan perguntou, já cansado de ser encarado tão descaradamente pela amiga.
- Nada – ela murmurou vagamente, sem nem reparar na pergunta dele, sem desviar o olhar nem um milímetro.
Ele esperou, e esperou, e ela continuou encarando-o.
- ? – chamou-a mais alto, dando-lhe um pequeno susto.
- Affs, por que você tem que ser tão gostoso? – perguntou rápido e de repente, pegando-o de surpresa.
- Que? – questionou incrédulo.
- Olha esse maxilar! Porra, Stan, colabora! – pediu manhosa, deixando o rapaz ainda mais perdido. Ele sabia que ela tinha bebido demais, mas será que deu tempo do cara colocar o pó em uma bebida anterior e ele não percebeu?
- Com que? , você bebeu quanto? – Perguntou, se levantando e pegando-a no colo, da escadaria seguindo direto para o próprio quarto enquanto ela gritava divertidos “iiuupii” a cada passo dele. Dar um banho nela ali facilitaria para colocá-la na cama depois.
- Isso não vem ao caso – respondeu com a voz embolada pela bebida, dando um fraco soco no peito dele - Se olha no espelho, eu estava certa em ter uma queda por você.
- Ah, então você tem uma queda por mim? – fingiu estar interessado enquanto tentava coloca-la no chão de pé.
- Tinha, mas não conta pro Bast, - declarou em sussurro, como se aquele fosse o maior segredo da humanidade - ele vai ficar se achando o rei da cocada – pediu ainda sussurrando. Ou tentando sussurrar.
- Okay, eu não conto nada, - respondeu risonho, tentando abrir o zíper do vestido dela já que ele também não estava cem por cento sóbrio e aquela missão exigia muito mais empenho - levanta os braços.
- Mas sério, qual a sensação de acordar e todo dia dar de cara com um rosto desse no espelho? – a voz dela saia abafada pelo tecido na frente do rosto, e como Stan previa uma queda nada confortável se tentasse guia-la para de baixo do chuveiro depois que tirasse o vestido, achou mais confiável já coloca-la dentro do box e só se afastar quando ligasse o chuveiro.
Bêbados e seus planos.
- Uma ótima sensação. – falou, rindo da dificuldade de em abaixar os braços sem precisar se apoiar nele - Você vai ficar muito brava se eu gravar tudo o que você está falando? Preciso guardar esse momento para sempre – então ele também abaixou os braços, consecutivamente tirando a peça de roupa da frente do corpo da mulher, e só naquele momento Sebastian conseguiu tirar conclusões concretas de suas ideias da primeira vez que viu a garota – Porra, – murmurou, passando a língua pelo lábio inferior.
- Para de desejar meu corpo nu, - cobriu seu busto, que estava coberto pelo sutiã preto de renda, mas mesmo bêbada como estava, ela ainda sabia que adorava ver o romeno com o rosto corado - não vai... PORRA, BAST! MAS QUE CARALHO! PRA QUE TÃO GELADA? – ela gritou assim que as primeiras gotas da água congelante tocaram sua pele. Sua primeira reação foi tentar fugir, mas Sebastian a envolveu pela cintura e a colocou debaixo do chuveiro novamente.
- To me divertindo com você bêbada, mas se eu não fizer isso agora, amanhã você me mata estando de ressaca ou não. – contou, tirando os braços da cintura da ruiva. Realmente a água estava muito gelada e coloca-la de volta no lugar custou seus antebraços molhados. Mas assim que a mulher percebeu que ele pretendia se afastar, ela envolveu seus pulsos com a mãos e o puxou contra si, fazendo os dois darem passos cambaleantes para trás, até ela parar contra a parede fria e ele embaixo do jato de água - , você não fez isso!
- É pra você ver como essa água está gelada – falou, rindo da cara de traído que ele fazia. Até que ele a puxou com força fazendo suas pernas se trançarem e os dois caírem de bunda no chão - Aaah! Doeu
- Doeu – Sebastian esticou o braço o suficiente para desligar o registro, só para analisar o estrago com mais precisão - E eu estou todo molhado. Valeu, – reclamou, jogando um pouco da água do chão nela. Mas ela nem se mexeu, já que encarava a cerâmica da parede como se fosse uma das complexas obras de Pablo Picasso.
- Hey! – exclamou surpresa depois de longos minutos - Esse banheiro não é o meu!
Sebastian até tentou não rir, mas aquilo era digno de um dos filmes Se Beber Não Case.
- Não, não é, e agora que você já nos molhou o suficiente, está na hora de ir pra cama – Se levantou com cuidado e estendeu a mão para a mulher, que continuou sentada, encolhida.
- Mas eu ‘to toda molhada – muxoxou desanimada, quase triste pela ideia de não poder ir dormir.
Stan riu e a puxou para cima, pegando qualquer uma das toalhas que estavam penduradas na parede do banheiro, e a envolveu.
- Sim, por isso você vai pegar uma roupa minha – esclareceu, a guiando para fora do banheiro, até a cama, onde ela se sentou, batendo os dentes, e esperou que ele encontrasse uma roupa que ela pudesse usar – Acho que essa serve – ele jogou uma camiseta azul para ela e pegou uma branca para si, pegando duas boxers e duas calças de moletom também, vestindo um par e dando o outro para a mulher que tentava com dificuldade, mas com sucesso, tirar as peças íntimas molhadas por baixo da toalha sem desenrola-la do corpo.
Depois de devidamente vestidos eles se deitaram, sem nem pensar em fazer isso debaixo das cobertas, o que foi constatado segundos depois por uma perspicaz .
- Bast, eu ‘to com frio – ela reclamou, se envolvendo o máximo que as leis da física permitiam.
- Eu também – ele falou, passando as mãos na própria barriga, na intenção de puxar as cobertas, só então percebendo que não tinha nenhuma sobre si – Não seria mais inteligente de nossa parte se a gente se deitasse debaixo das cobertas e não em cima delas?
Com um murmúrio de aprovação, os dois fizeram um malabarismo para tirar as cobertas de baixo do corpo sem precisarem se levantar. O que com muito esforço, deu certo.
- Bast? – chamou alguns minutos depois, ouvindo um “hum?” como resposta – eu ainda estou com frio – reclamou com uma voz de criança, que ela mesma se xingaria por ter usado se estivesse em seu estado natural.
Sem nem abrir os olhos, Sebastian aproximou o corpo do dela, envolvendo a cintura da ruiva em abraço, que foi correspondido assim que ela se virou para ele, encaixando o rosto na curva do pescoço do homem que se arrepiou ao sentir o nariz gelado dela em sua pele.
- Me desculpa, Bast? – sussurrou com uma voz rouca pelo sono forte que sentia.
- Pelo que? – Stan perguntou no mesmo tom.
- Por ter estragado sua noite. Agora era pra você estar com uma mulher gostosa na cama, fazendo coisas bem mais interessantes.
Ele riu dos motivos dela. Ou o sono que apossou seu corpo era muito grande, ou ele realmente não estava se importando com aquilo.
Apostava várias fichas que era a segunda opção.
- Primeiro que você nunca vai estragar minhas noites, – ele disse, aninhando mais ela no abraço – Segundo: você também é gostosa – falou, deslizando a mão até a base das costas dela, mas não passou dai, já que ela deu um beliscão na cintura dele, o fazendo soltar uma risada dolorida – E terceiro, no momento, estou achando o termo “dormir” uma palavra muito interessante.
soltou uma fungada no pescoço dele, que ele julgou ser uma risada.
- Boa noite, Bast – ela murmurou, se apertando mais a ele para ver se o frio passava.
- Boa noite, ruivinha.


Capítulo 5

Janeiro de 2014

Você: Bast, to aqui na sua casa.
Você: Tu ainda deve ta dormindo né... Vou comer alguma coisa e ir pro quarto de hóspedes.
Você: Não chame a polícia se ouvir algum barulho pela casa porque VAI SER EU!
Enquanto a ruiva digitava as mensagens com uma mão, com a outra tentava destrancar a porta da casa do amigo sem quebrar a chave dentro do trinco, já que sua habilidade de destrancar uma porta sem olhar para ela era praticamente nula.
Quando finalmente conseguiu, entrou na casa, deixando a mala na sala mesmo e seguindo para a cozinha. Passar quase sete horas em um avião pode causar sérios problemas de fome aguda.
Depois de colocar o leite no micro-ondas e preparar dois sanduiches de queijo, tomate e alface, ela começou a procurar algum remédio antes de começar a comer. Estava com uma incômoda dor na nuca, e sabia que se não tomasse alguma coisa logo, a dor aumentaria. Mas depois de procurar por uns vinte muitos e não encontrar nada, chegou à conclusão de que era melhor comer logo, talvez a dor de cabeça era fome, e se comesse alguma coisa, passaria.
Colocou o leite em uma caneca e cortou os dois sanduíches na diagonal, formando quatro. Quando ia dar a primeira mordida ouviu o barulho da porta da sala sendo aberta e segundos depois Sebastian, todo suado e com roupa de malhação, apareceu no hall da porta da cozinha.
- Você ‘tá horrível – ele brincou ao ver a amiga sentada em uma banqueta próxima à bancada da cozinha, com um ar de cansaço. Se aproximou e depositou um beijo na bochecha dela, ao que ela reclamou por ele estar todo suado, e roubou um dos sanduíches.
- E você ‘tá nojento – retrucou, passando as costas da mão na bochecha, se limpando do fluido corporal do romeno, provocando uma risada nele – e muito feliz pra essa hora do dia. Sabe que ainda é sete da manhã né? O que ‘ta fazendo acordado?
- Comecei a me preparar para um personagem proposto e o Don achou uma boa começar a relembrar algumas coisas do Bucky, tive que voltar a correr além da academia. – explicou, pegando a caneca de para ver o que ela estava tomando, e fazendo uma careta ao reconhecer o leite com chocolate – Como você consegue ter esse corpo tomando essas coisas?
- Me matando de correr e fazer abdominal – respondeu, dando uma grande mordida no sanduíche.
- Por que a gente nunca treinou junto? – Stan perguntou, abrindo a geladeira para pegar uma garrafa de suco de laranja e bebendo na boca da garrafa mesmo, sem se importar em pegar copo, indo se sentar ao lado da mulher.
franziu os lábios, formando um biquinho, pensando sobre o assunto, chegando à conclusão de que os dois nunca haviam conversado sobre o assunto.
- Não sei – deu de ombros – Vamos fazer um dia.
- Semana que vem começo com as artes marciais, o que acha? – propôs, mordendo o lanche e elogiando a mistura dos ingredientes.
- Por mim okay – aceitou, bocejando – Na mesma academia que você faz os exercícios com o Don?
Sebastian semicerrou os olhos. e Don só se viram uma vez, e ainda assim o cara sempre perguntava dela, e Stan até chegou a achar que já nem se lembrava do personal, vê-lá perguntando sobre ele o incomodou um pouco, e ele nem mesmo sabia dizer por que. Quando ele ia abrir a boca para responde-lá, outra voz feminina o interrompeu.
- Seb, por que você não está na cama? – perguntou uma loira, com uma voz manhosa, que dava cada passo em direção ao homem como um felino se aproxima de sua presa.
- Tenho que manter a rotina né – levantou a garrafa de suco como se brindasse algo, fazendo morder a própria bochecha para não rir da cara de pau que o amigo poderia ter quando lhe convinha. – Nat, conheça , , conheça Nattali – Sebastian apresentou, apontando da loira para a ruiva e vice e versa.
- É um prazer – se levantou e deu um beijo rápido em cada bochecha da mulher, aproveitando para deslizar o prato com um pedaço ainda intacto de sanduíche para Stan e ir colocar a caneca na pia – Bast, eu estou com um pouco de dor de cabeça por causa do vôo. Vou subir e dormir um pouco, depois te ajudo com aquele texto, okay.
- Claro, pequena. Toma um banho quentinho e descansa. - Stan falou, mandando um beijo no ar, que fingiu desviar, fazendo Nattali rir.
- Ah! Antes que eu me esqueça! – voltou alguns passos e olhou para a loira – amei sua langerie. Muito perfeita. – piscou para Stan e só então saiu da cozinha.
A modelo se virou para o ator com um expressão confusa.
- Eu não sabia que você tinha uma irmã.
- Eu não tenho irmã – falou, se aproximando e envolvendo a cintura da loira.
- Quem é ela então? – perguntou, envolvendo o pescoço do homem com os braços, os aproximando mais.
- Minha amiga – respondeu, dando um selinho demorado na modelo – Minha melhor amiga.
Nattali fez uma pequena careta antes de disfarçar e abrir um sorriso forçado.
- Ela é fofa.
- Ela é linda. Fofa não – Sebastian falou, revirando os olhos. Fofa era a última palavra do mundo que ele usaria para descrever .
A loira o olhou com os olhos semicerrados, mas resolveu ficar quieta.
Com um sorrisinho malandro, Sebastian envolveu a cintura da modelo e os virou, colocando-a sobre a ilha.
Ela aproveitou para cruzar as pernas ao redor do quadril do romeno e intensificar o beijo. Só para quebra-lo com uma leve mordida nos lábios vermelhos dele.
- Eu tenho que ir - ela falou, o empurrando de leve e descendo do mármore.
- Hey! - o ator reclamou, a encarando com uma expressão frustrada.
- Tenho um ensaio fotográfico hoje, babe. Preciso estar lá em duas horas.
Stan até pensou em insistir para que ela ficasse mais um pouco. Mas percebeu que não queria tanto assim a companhia da loira, ainda mais agora que estava lá em cima e muito provavelmente não tinha encontrado o remédio para dor de cabeça.
- Okay. Não quer comer nada antes de ir? – perguntou, se sentando no banco que estava, para comer o último sanduíche do prato.
A mulher olhou para o pão com uma careta, que logo foi suavizada para um meigo sorriso.
- Acho que vou passar essa - se aproximou dele e depositou um casto selinho em seus lábios - Vou me vestir e já vou - ele se levantou para fazer não sabia exatamente o quê, mas sua educação não permitia que deixasse a mulher andando pela casa sozinha antes de ir embora. Mas ela segurou-o pelo ombro, fazendo com que ele voltasse para o banco - Tudo bem, minha roupa está no seu quarto, depois que me vestir já vou, eu sei o caminho. Pode ficar e comer... Isso - falou apontando para o sanduíche.
Sebastian a olhou. Linda, muito linda. Fazia jus à carreira. E fazia coisas realmente excepcionais na cama, isso ele não podia reclamar. Mas o que o incomodava era a carinha de nojo que ela fazia pra praticamente tudo.
Como manter uma conversa com uma pessoa dessa?
O romeno deu de ombros e mordeu mais um pedaço do lanche.
Um pouco depois que a loira saiu da casa de Stan, ele tomou um banho quente e vestiu um moleton cinza e uma camisa meia estação branca. Lá fora fazia frio, mas a casa mantinha um temperatura agradável graças ao aquecedor ligado vinte e quatro horas por dia, e nada melhor que uma roupa confortável e azucrinar a vida da melhor amiga para completar um dia perfeito.
Antes de ir para o quarto dela, desceu para a cozinha para pegar o remédio e um copo d'água, mas quando chegou ao quarto a encontrou realmente dormindo. Então ele colocou o copo e o remédio no criado-mudo e se jogou na cama, quase em cima da mulher, e começou a fazer cócegas na barriga dela.
- SEU NOJENTO, IDIOTA, LAZARENTO! SÓ NÃO TE XINGO DE OUTRA COISA PORQUE GOSTO MUITO DA GEORGETA! - acordou gritando, disparando chutes e socos para todas as direções, acertando alguns no romeno.
- Ainda veem me dizendo que você é fofa - ele murmurou passando a mão no peitoral, onde ela acertou pelo menos uns três socos.
- Fofo é o teu rabo, Sebastião - retrucou se sentando, segurando a nuca e apoiando a testa nos joelhos - Que merda Bast! Eu estou com a cabeça super pesada e tu vem me acordar assim.
Stan a olhou e viu que ela estava meio pálida. Aquela viagem realmente a fizera mal.
- Desculpa - ele pediu se aproximando e apoiando a cabeça no ombro dela - Achei que você tinha saído de lá daquele jeito pelo mesmo motivo das outras vezes.
Não. Aquela situação não era novidade para nenhum dos dois. Ambos eram solteiros, de ótima aparência e muito simpáticos quando lhe convinham. Essa parte da conveniência valia mais para , já que na maior parte do tempo ela tentava passar despercebida e não chamar atenção para si. Sebastian sempre achou que aquela tática não funcionava muito, já que não tinha como não reparar em uma mulher daquela.
Ele levou uma pedala quando disse isso pra ela.
Já não era a primeira vez que dava de cara com uma das "peguetes" de Sebastian quando ia à casa dele. Nunca se importou muito com elas, afinal Sebastian até poderia ter uma opinião sobre o relacionamento ideal, mas ele não era castrado, então tudo bem desde que nenhuma das mulheres invadissem seu espaço.
Assumia que sentia ciúmes vez ou outra, o que levava o ego de Stan às alturas, mas ela só dizia "Elas vem aqui para transar com você e ficam fazendo mil perguntas sobre sua vida e se achando donas do seu corpo, são tão boas assim na cama para justificar esses atos?". Mas depois de alguns meses, entrou em uma nada secreta, muito menos discreta, missão para "desencalhar" o ator, o que não se tornou uma tarefa tão difícil já que de cada quatro vezes que ia à casa dele, duas ele estava acompanhado, fazendo a brasileira se perguntar como ninguém via um ator famoso com tantas mulheres diferentes. Ou onde ele comprou a Capa da Invisibilidade.
A maioria das mulheres com quem ele saía eram modelos, algumas simpáticas, outras só bonitas mesmo. Essas últimas descartava de cara da lista "Podem se tornar Namorada do Bast". Lista essa que correu o risco de incinerada algumas várias vezes.
- , para com isso, você tem quartos anos? - ele reclamava toda vez que via ela anotar o nome de alguém - Você também está encalhada e eu não estou te fazendo passar vergonha.
Não que ela se importasse com aquilo. Aquele se tornou seu passa tempo favorito, inclusive quando eles foram passar o natal na casa da mãe dele, Georgeta se interessou na lista e passou a ajudar a escolher a “nora perfeita”.
- Já que ela não quer ser minha nora, vou ajuda-lá a encontrar alguém para ser.
Sebastian passou a data toda questionando de que lado a mãe estava.
Mas naquele dia realmente não estava com humor para aquilo.
- Eu realmente estou com dor de cabeça – ela disse, pendendo a cabeça para o lado para aproveitar melhor a massagem que o homem fazia em seus ombros após ter se sentado atrás dela na cama, a deixando praticamente em seu colo – Sem contar que aquela já foi descartada só pela voz. Como você aguentou aquilo falando no seu ouvido a noite toda?
- Digamos que eu estava prestando atenção em outras coisas – Stan falou brincalhão, cruzando as pernas ao redor da cintura da mulher, a prendendo contra si – Como foram as reuniões? – perguntou, deixando que ela parasse a massagem para pegar suas mãos e ficar brincando com o anel que ele costumava usar no dedo mínimo.
- Intermináveis – reclamou, se recostando no peitoral do romeno – Ainda sinto minha bunda quadrada, e acredite, não é uma boa sensação.
- Deu pra conhecer um pouco da cidade?
- Um pouco, mas são muitos lugares maravilhosos. Se eu já não tivesse comentado com minha mãe de ir para Curitiba na minha próxima férias, pensaria seriamente em dar mais uma olhada em Londres.
- Dá pra gente combinar de ir passar uns dias juntos por lá – Stan propôs, pousando o queixo na curva do pescoço dela.
- Eu topo.
Eles ficaram sentados daquele por um bom tempo, até que o celular do ator, que estava jogado de qualquer jeito ao lado do pé de , começou a tocar, mostrando uma foto do homem e sua mãe na tela.
- Atende, ela disse que queria falar com você quando voltasse de Londres – ele disse sem se mexer um centímetro, deixando por conta da ruiva puxar o celular para si com o pé.
- Alô, oi Georgeta, tudo bem? – atendeu a chamada, finalmente tirando o anel do dedo do rapaz e passando a brincar com ele entre seus próprios dedos.
- Oi minha querida! Como foi a viagem? E que voz é essa? – a mais velha perguntou com uma preocupação que só mães têm.
- Eu to bem, não se preocupe – respondeu sorrindo. Ela adorava a pianista, e saber que aquele sentimento era recíproco a tornava imensamente feliz – É só que eu cheguei com um pouco de dor de cabeça e o Bas me acordou, fazendo cócegas! – contou rovoltada, sentindo Stan apertar-lhe a cintura.
- Você me bateu! – reteucou emburrado.
- ‘Ta certa ela – eles ouviram Georgeta falar, fazendo rir e lhe lançar um olhar superior.
- Mãe, de que lado você está? – ele perguntou com a voz mais contrariada que conseguia fazer.
- Minha mãe sempre te defende, nada mais justo que eu ter uma defensora também – a ruiva deu de ombros, rindo quando Sebastian retrucou “me alcança seu celular, vou conversar com a Adriana porque só ela me valoriza de verdade aqui”.
- Quando vocês vêm aqui? A Beth está com saudades já – a mulher perguntou, rindo ao ouvir o “Awnt” do outro lado da linha – Ela está aqui na minha frente, abanando o rabo porque ouviu suas vozes.
- Quem é o au-au mais fofo desse mundo? É a Beth? É? – começou a falar com a típica voz que se faz quando a conversa é direcionada a um cachorro.
- , não – Stan falou, tirando o celular da mão da amiga, fingindo não ouvir as reclamações sobre ele não deixar os outros serem feliz – E você dona Orlovisk, quando vem pra cá? – perguntou para a mãe.
- Seu aniversário é em agosto né? – a mulher respondeu brincalhona.
- Okay, já que é assim, só atravesso aquela ponte daqui duas semanas. Vai ficar de castigo de mim.
- Você não aguentaria – a senhora desdenhou, e Sebastian olhou indignado para , que estava perdida já que não ouviu o que a mais velha disse.
- Eu só tenho mulheres ousadas ao meu redor, minha autoestima fica como com vocês refutando tudo o que eu digo?
- Sentar e chorar sempre é uma opção – respondeu prontamente, levando um peteleco no meio da testa – Não gosto mais de você, romeno bobão – murmurou massageando a testa.
- Xenofóbica – ele retrucou, muito maturamente mostrando a língua para ela.
- Tudo bem, crianças, eu vou desligar, tenho que preparar o almoço hoje.
- Boa sorte – responderam e uníssono.
Assim que se despediram, Stan colocou o celular no bolso do moletom e se levantou.
- Vamos – chamou , que fez uma careta em negação e se jogou de costas na cama.
- Aqui está tão confortável! – ela falou, tentando se enrolar no edredom bagunçado, e fracassando miseravelmente.
- Daqui a pouco você vai fazer parte desse colchão, levanta dai ou eu te tiro – o tom era ameaçador, mas o olhar dele entregava que nada realmente prudente sairia daquele quarto caso ela não levantasse.
- Faça seu melhor – a ruiva o desafiou, o sorriso no canto da boca lutando contra seus lábios para escapar.
E foi isso que ele fez.
Como se ela não pesasse nada, Sebastian deslizou as mãos por de baixo dos joelhos e pescoço dela, a pegando no colo.
- ESPERA! ESPERA! – ela gritou desesperada, e ele parou achando que ela falaria algo relacionado a dor de cabeça, mas ela só pediu para ele voltar alguns passos e pegou o celular que estava ao lado do copo de água, ainda intacto.
- Não vai tomar o remédio? – Stan perguntou olhando do comprimido para ela.
- Nah… já passou praticamente – ela deu de ombros e deu um leve tapinha no peitoral dele – Por favor mordomo, me leve até a sala.
- Você sabe que eu cobro por passo, não é?
Ela tentou se desvencilhar dos braços dele, alegando que não tinha dinheiro pra tudo isso, mas ele a segurou com força e foi para o corredor.
- Sabe, você e bom nisso de carregar as pessoas no colo, depois que casar com a Jeniffer , entre no quarto da lua de mel assim com ela – ela disse, se referindo a “candidata” mais forte da lista.
- Eu não vou me casar com a Jeniffer, – Sebastian respondeu como se já estivesse cansado de falar aquilo.
- Bast, ela é linda, gostosa, simpática. Preenche todos os requisitos de exigência da lista. O que mais você quer? – perguntou cruzando os braços.
- Ela se chama Jeniffer, não posso casar com alguém com o mesmo nome da minha ex – esclareceu com obviedade, colocando-a no sofá e sentando ao seu lado.
- Ja falei que é só pensar que o nome dela era Emma e está tudo resolvido.
- Sim, e meu nome de verdade é Jefferson.
- Melhor que Sebastião.
Ele a encarou com a maior expressão de “Que?”, a fazendo rir.
- Seu nome em português fica assim, e esse nome é de gente velha – arregalou os olhos e se endireitou, olhando fixamente para o homem – O nome de todo mundo da Marvel é de velho! Meu Deus!
- Você sabe que nome não tem tradução, né?
- Sim e não, porque olha, Sebastian, Sebastião, Jeremy, Jeremias, Robert, Roberto, Anthony, Antônio. Deus! Só os Chris’s se salvam!
Stan a encarou com uma expressão séria, se perguntando por que infernos a ruiva tinha aquele tipo de pensamento tão aleatoriamente. Tirou o celular do bolso, deixando-o no sofa e seguiu para a cozinha, antes pedindo para a mulher escolher um filme.
Alguns minutos depois de ter finalmente escolhido o filme, ouviu o celular do ator tocar, e não pensou duas vezes antes de atender, sem se preocupar por não ter reconhecido o nome feminino que apareceu na tela.
- Alô, só um minuto – pediu, tirando os controles do sofá e os colocando na mesa de centro, gritando o nome do amigo logo em seguida.
- Tan? – a voz do outro lado da linha perguntou.
- Ele já está vindo.
- Quem é? – Sebatian perguntou, segurando duas canecas, uma com chá e outra com chocolate quente, mostrando os conteúdos para a ruiva para que ela escolhesse uma.
- Uma tal de – falou entregando o celular para ele assim que pegou a caneca com chocolate quente, ouvindo perfeitamente quando a mulher do outro lado da linha falou “Uma tal? Sério, Stan?”
O romeno colocou o celular no ouvido com uma pequena careta de dor.
- , espera um pouquinho – pediu e se voltou para – Eu vou pegar a pipoca e seus alcaçuz, já volto okay?
Ela só assentiu e tomou um gole do líquido quente, analisando bem ao redor e percebeu que aquilo só ficaria bom de verdade se aquele sofá estivesse com algumas cobertas para protegê-los de um frio inexistente, já que de dentro da casa nem parecia que estava nevando lá fora.
Quando ela voltou, Stan já estava esticado no sofá, olhando para a tela da tv com o cenho franzido.
- Você está tentando queimar meu cérebro? – ele perguntou sério, os olhos fixos no nome do filme.
- Vou te fazer assistir esse filme até você chegar a alguma conclusão - ela respondeu, jogando as cobertas no sofá, se sentando de forma que seus pés ficassem sobre as coxas do homem.
- Eu já cheguei a uma conclusão – Stan falou, se esticando para pegar as canecas e as comidas da mesa de centro e colocar entre eles, no meio do sofá, já que cada um ocupava uma ponta – O roteirista, o diretor e o produtor chaparam junto e resolveram fazer uma coisa completamente sem sentido parecer super inteligente.
- É uma conclusão plausível, mas ainda não é isso – riu, dando play no filme, deixando as primeiras cenas de Donnie Darko rolarem.
- Ninguém entende esse filme, , não pede isso justo pra mim – Sebastian retrucou, nem tentando disfarçar os resmungos sobre a ruiva gostar de coisas muito complicadas e que ele escolheria o próximo filme.
Eles pssaram o dia daquele jeito. Acabava um filme, um dos dois rapidamente escolhiam outro, o balde de pipoca quando ameaçava ficar fazio rapidente era abastecido, e como conseguiu seu estoque particular de alcaçuz na casa do ator, sua fonte de felicidade estava intacta.
Algumas muitas horas depois, já quase de madrugada, o filme selecionado era da escolha de Stan, uma comédia, e, não que não gostasse do gênero, mas Esposa de Mentirinha já tinha esgotado seu limite de piadas, então quando ela encostou no ombro de Sebastian e abriu o WhatsApp para ler uma mensagem que seu irmão tinha mandado, acabou se esquecendo ali naquela rede social, mantendo uma conversa idiota no grupo com as colegas brasileiras, levando um susto quando Stan pegou o celular da mão dela e pressionou o áudio.
- A não pode falar agora porque ela está muito ocupada ferindo meus sentimentos não se importando com o filme que eu escolhi. Peço que vocês xinguem bastante ela em português por mim – ele finalizou o áudio e colocou o aparelho atrás de si, voltando a atenção para o filme, fingindo não ver a cara de tacho que lhe lançava.
- Você é muito sem graça – falou, se virando completamente para ele.
- Você tem que perder esse vício.
- Você sabe que elas quase morrem quando você faz isso – se referiu ao áudio, vendo ele morder a bochecha para prender o sorriso.
A primeira vez que ele fez aquilo foi logo que voltou da divulgação de Soldado Invernal. estava falando sobre como estava ansiosa para o filme, e que estava louca para ver Chris Evans no uniforme de Capitão América novamente, quando ele pegou o celular da mão dela e começou a mandar áudios e mensagens falando que o Bucky era melhor que o Steve. Obviamente as mulheres surtaram, fazendo explicar o que estava acontecendo, quase morrendo quando ela mandou uma foto dos dois juntos. Desde então ele costuma entrar no grupo quase todas as vezes que pegava o celular dela, certa vez até ficando um bom tempo ali, tentando convencer que ele e eram só amigos e que nunca tinham ficado.
- Elas já se acostumaram – desdenhou, deixando que o sorriso escapasse no canto do lábio.
- Ridículo – murmurou, pegando um alcaçuz e voltando a se encostar no ombro dele.
Sebastian riu, passando seu braço ao redor dela, fazendo com que ela ficasse encostada em seu peito, a mão dele descansando suavemente sobre a barriga dela.
- Sobre o que tanto vocês falavam?
- Homens – deu de ombros, rindo quando ele revirou os olhos.
- Por que não me surpreendo? – perguntou, roubando uma mordida do alcaçuz que ela segurava.
- Inclusive, - se levantou do tronco dele, se sentando sobre os próprios pés – pense em um cara gostoso que viajou ao meu lado na ida! – ela falou animada, chamando a atenção do amigo, que a olhou com uma careta sugestiva.
- E? – induziu-a a terminar, mas ela fez uma caretinha que franziu seu nariz e negou com a caneça.
- O cara era lindo por fora e vazio por dentro. Não rolou nada – contou dando de ombros, vendo Sebastian suspirar.
- Você seleciona muito com quem vai transar – ele reclamou – , é só uma noite! Não precisa ter mestrado pra isso.
- Me orgulho de ficar com pessoas interessantes, Bast, até porque ninguém morre por alguns meses sem sexo.
- Meses? – exclamou supreso, vendo o rosto da mulher atingir um tom corado – Há quanto tempo você não fica com ninguém, ?
- Quatro meses – contou vendo o homem esquecer completamente do filme e se virar para ela, a encarando com uma expressão mais utilizadas em situações como o recebimento da notícia do acidente de um familiar.
- Como é possível? Você não deve nem se lembrar mais como se faz! – falou desesperado, e ela só revirou os olhos.
- Ninguém nunca reclamou – deu de ombros.
- , você já está recuperando seu hímen!
- Bast!
Ela passou a mão por trás das costas dele, recuperando seu celular, e se levantou, anunciando que iria dormir.
- Como você não está subindo pelas paredes? – Stan perguntou a seguindo, nem se importando em desligar a televisão antes de seguir para a escada.
- Sexo não é oxigênio, Bast – ela deu de ombros, abrindo a porta do quarto de hóspedes.
- Mas é tão necessário quanto!
Como ele estava ao lado dela, só esticou o braço o suficiente para colocar a mão sobre o membro dele, fazendo Sebastian travar na hora.
- Você não está excitado, e está respirando normal – ela falou ficando de frente para ele, apertando levemente a região, vendo Stan engolir em seco.
- Não sei se posso afirmar isso – sua voz estava rouca, a respiração um pouco entrecortada. deixou o sorriso escapar de seus lábios, satisfeita por ver o resultado que queria, se afastando dele para arrumar a cama para dormir, perdendo a cara que Sebastian fez ao vê-la sair de perto.
- É isso que você faz com os pobres coitados? Saiba que isso é coisa de gente sem coração, – ele resmungou se enfiando na frente dela, encarando seus olhos que pareciam estar mais dourados que segundos atrás.
o olhou sem tentar esconder o sorriso, ele parecia desesperado, e mais que nunca, ela sentiu vontade de ver até onde ele aguentaria.
- Não – ela murmurou se aproximando dele, deixando seus corpos a uma distância onde se um respirasse mais fundo, seus peitos roçariam – Eu costumo fazer alguns joguinhos – falou, soprando perto da orelha dele, depositando um beijo no pescoço, sorrindo ao ver a pele dele se arrepiar com os gestos.
A cabeça de Sebastian já não funcionava muito bem, uma vez que todo seu fluxo sanguíneo estava em outra região de seu corpo. Por isso, ele não achou nada impulsivo quando segurou os braços da brasileira e os girou, jogando-a na cama, beijando toda a extensão do pescoço ao ombro da ruiva.
- E depois dos joguinhos? – sussurrou no ouvido dela.
- Quem disse que os joguinhos acabam tão rápido? – ela falou no mesmo tom, deslizando uma mão por dentro da calça de moletom dele, passando reto pela boxe também, o encarando com uma sobrancelha arqueada – Isso significa que você está respirando normalmente? – falou risonha, vendo ele fechar os olhos com força, apertando a cintura dela de um jeito que deixaria marcas mais tarde.
Quando ele começou a espalhar beijos pelo pescoço dela, percebeu que aquelas roupas estavam sendo muito inconvenientes por ainda estarem em seus corpos. Sem muita dificuldade, ela os levantou, abandonando a massagem que fazia no homem para poder tirar tanto a camiseta dela quanto a dele.
- Depois vem dizer que não estava necessitada – Sebastian brincou, puxando a calça dela junto com a calcinha, sorrindo quando ela sentou em seu colo, deixando seus peitos expostos à sua disposição.
- Se quiser a gente pode parar – ela falou brincando com o elástico da calça dele, soltando uma gargalhada quando ele a segurou pela cintura, a deitando na cama novamente, tirando as peças debaixo com uma pressa desesperada.
- Como se você conseguisse fazer isso agora – murmurou com um sorriso convencido nos lábios, baixando o rosto para dar atenção aos peitos dela, fazendo a mulher morder o lábio inferior com força.
- Você não acreditaria na minha força de vontade – ela disse com a voz fraca, sentindo ele massagear sua região sensível com uma mão, enquanto com a outra e com a boca, ele continuava a dar atenção ao busto.
- Eu pagaria para ver – ele murmurou risonho, se assustando quando sentiu ela empurrá-lo, suavizando a expressão ao vê-la sentar em cima de si com um olhar determinado.
- Quem disse que você que dita as regras por aqui, Bast? - ela perguntou séria, fazendo lentos movimento de vai e vem, sem ser no exato lugar que o ator queria.
- Então você sempre fica por cima? – perguntou apoiando as mãos no colchão para se sentar, ficando encostado na cabeceira da cama.
- Eu gosto da visão – explicou sussurrando no ouvido dele, arranhando todo o peitoral dele, só então sentando onde ele tanto queria.
Algum tempo mais tarde, os dois caíram no colchão, exaustos e completamente suados.
Deitados lado a lado, ambos viraram os os rostos ao mesmo tempo, se olhando de um jeito que eles não sabiam dizer como.
- Isso foi… - Sebastian começou a dizer, meio perdido.
- Extremamente…
- Estranho? – a palavra saiu como uma pergunta porque, por mais que tenha sido muito bom, também tinha sido diferente, em um sentido da palavra que nenhum dos dois conseguiam explicar.
fez uma careta de agradecimento, que fez ele rir.
- Obrigada por usar essa palavra, eu estava com medo de te magoar – ela explicou rindo, vendo Stan revirar os olhos mas acompanhando-a.
- Eu acho que precisamos de um banho – Sebastian propôs, nem precisando ouvir a mulher concordar, já que como se combinado, os dois levantaram juntos e cada um seguiu para um banheiro, ela ficando com o do quarto e ele indo para o do corredor mesmo.
Após o banho, eles entraram em um consenso mudo que não dormiria naquele quarto, então eles foram para o quarto do ator e rapidamente pegaram no sono.
Na manhã seguinte, acordou primeiro, só passando no banheiro para lavar o rosto e seguindo direto pra cozinha. Parecia que tinham aberto um buraco no estômago dela, e ela precisava fechá-lo com comida.
-Te deixei faminta? – Stan perguntou, entrando na cozinha minutos depois dela ter terminado de mecher os ovos e ter colocado uma boa quantia no meio de duas fatias de pão.
- Eu sinceramente não sei como aquelas modelos conseguem sair daqui sem colocar nem água na boca – ela confessou mordendo o pão. Sebastian soltou uma risada pelo nariz, baixando a cabeça – Quer um pouco? Acho que exagerei um pouco.
Sebastian pegou uma caneca e encheu de café, pegando o restante do ovo da frigideira, dispensando o pão.
- Quais os planos de hoje? – ele perguntou se sentando ao lado dela.
- Tenho que revisar alguns textos e mandar um relatório geral das reuniões da filial correspondente de Londres, mas já está quase tudo pronto, é só revisar e enviar – falou, finalizando o sanduiche, bebendo um pouco do café do homem, fazendo um pequena careta porque não gostava muito daquela bebida.
- Cansei só de ouvir – ele disse comendo o ovos, agradecendo aos céus por não ter tentado fazer nada mais complexo, já que ela na cozinha era sinônimo de desastre.
- Ainda quer ajuda com o texto? – ela perguntou, vendo ele assentir, já que sua boca estava cheia.
Cansada de esperar ele terminar de comer, se levantou e foi lavar a pouca louça que sujou na preparação daquele glorioso café da manhã. Ficando de costas para o ator, não vendo quando ele se virou e ficou a observando sem nem tentar disfarçar.
- Sabe, ontem foi meio estranho, mas talvez se a gente repetir, pode ser que a gente fique só com a parte boa – propôs, vendo virar só o rosto, ficando de perfil para ele, com um pequeno sorriso nos lábios.
- Bast, você é uma delícia, mas isso não vai se repetir – ela afirmou, voltando a prestar atenção na louça.
- Por que não? Você acabou de dizer que gostou – ele disse, levando o prato e a caneca para a pia, pegando o pano e secando as que já estavam no escorredor.
- Não sei, mas… - terminou de passar o pequeno rodinho na pia, puxando uma ponta do pano que ele usava para secar as mãos, e ficou encostada na pia mesmo, o pequeno biquinho se formando em seus lábios, tentando pensar nas palavras para explicar a situação – Sei lá! A gente é amigo. Não quero ficar naquela situação Amizade Colorida.
- ‘Ta se referindo ao filme ou a real situação? – perguntou, finalizando a tarefa, parando encostado na pia ao lado da mulher.
- Ao filme. Sei lá, seria estranho – ela disse, cruzando os braços.
- Nossa situação não seria a mesma…
- Bast, eu só transaria com você novamente se eu estivesse extremamente apaixonada por você – ela disse rindo, se desencostando da pia, parando de frente para ele.
- Está querendo dizer que isso é impossível, ? – Stan perguntou, também cruzando os braços, se desencostando do móvel, ficando cara a cara com ela.
- Estou querendo dizer que não vai rolar.
- Você sempre quis meu corpo nu, agora que experimentou não vai conseguir ficar sem – ele falou com um sorrisinho convencido nos lábios.
- Você teria abstinência de sexo se dependensse de mim – ela disse confiante, não deixando se levar por uma verdade como aquela.
- Okay, desafio aceito – ele levantou a mão, oferecendo o dedo mínimo para ela, que o olhou sem entender – A gente só transa se um de nós dois nos apaixonarmos. Mesmo que não seja recíproco, vai ter que transar.
A ruiva explodiu em uma gargalhada gostosa, fazendo Stan morder a bochecha para não rir junto.
- Esse é o desafio mais idiota da história dos desafios idiotas! – falou rindo.
- Se é tão idiota, então por que não aceita? – ele falou, ainda oferecendo o dedo.
Ela parou de rir, respirando fundo para se controlar, e deu de ombros. O que tinha a perder?
- Okay – cruzou o dedinho com o dele, fechando a pink promise – Saiba que isso vai ser mais difícil pra você do que pra mim.
- Eu já te dei banho e resisti seu corpo, o que acha que pode ser mais desafiador que isso? – perguntou soltando o dedo dela, assistindo um sorriso quase mortal crescendo nos lábios da ruiva.
- Assista e aprenda.
Com isso, ela saiu da cozinha, deixando um animado e apreensivo Sebastian para trás.


Capítulo 6

b>Fevereiro de 2014
- Você se lembra o que aconteceu a última vez que fomos a uma festa? - perguntou sugestiva, se sentando indiazinha no sofá, repousando o notebook sobre os joelhos, olhando para a imagem de Sebastian revirando os olhos na tela.
- É um aniversário, , e eu conheço praticamente todo mundo que vai estar lá, ninguém vai te drogar - falou em tom monótono.
- Okay, conte mais - pediu, desviando os olhos do computador, focando nos rascunhos que havia feito para a reportagem que iria ao ar na noite seguinte.
- Uma amiga minha vai fazer a festa, e eu perguntei se tudo bem te levar, e ela praticamente disse que esse é meu dever, porque ela quer te conhecer. Não levei esporro à toa, você vai sim.
até tentou manter a careta sugestiva que fez ao início da fala do homem, por ele ter dito "uma amiga" e ela saber muito bem que tipo de amiga ele estava falando, mas sua expressão se tornou meio engraçada ao ouvir o resto.
- Quer me conhecer? - repetiu com a sobrancelha arqueada.
- Sim, você vai gostar dela, ela é estilista - ele contou empolgado. A alegria se esvaindo ao ver a expressão da ruiva - O que é?
deu de ombros, abandonando as folhas e se voltando para a imagem do romeno, mordendo o lábio inferior.
- Nada, só achei estranho sua amiga estar louca pra me conhecer, sendo que eu nem sei de quem você está falando - seu tom era monótono, contido, e Sebastian sabia muito bem o que era aquilo.
- Você sabe quem ela é, , já até atendeu um telefonema dela, se não me engano...
Ele parou de falar ao ver que a ruiva já não prestava mais atenção nele, e sim no celular, com o cenho franzido.
- Bast, a gente pode conversar depois? O Breno disse que tem que falar comigo urgentemente.
- Claro. Já vai escolhendo a roupa, tá?
- A festa é semana que vem?
- Sim.
- Então até lá eu te dou uma resposta.
- !
- Tchau, Bast! - ela se despediu, rindo do desespero dele.
Antes que ela pudesse pensar em alguma coisa, Breno já a chamou, ocupando a tela do notebook com uma careta extremamente idiota e infantil, fazendo suspirar e se recostar no sofá.
- Não me diz que você me fez desligar a chamada do Bast pra te ver ficando vesgo - pediu, voltando a pegar as folhas, ouvindo o irmão tentar bufar em meio a risada que soltou.
- Você já foi mais bem humorada – reclamou, se ajeitando na poltrona do escritório de casa, se afastando da tela.
- E você já foi pai – murmurou, desistindo daquelas anotações. Não sabia por que ainda insistia em levar trabalho para adiantar em casa, sendo que sempre acabava levando tudo do mesmo jeito para a redação e fazendo tudo por lá mesmo.
Breno a olhou jogar as folhas para longe e cruzou os braços, preocupado com a expressão que dominava o rosto da mulher.
- Hey, Bloom, o que houve?
sorriu ao ouvir o antigo apelido sair dos lábios do irmão, lembrando-se da época onde tudo era mais simples e sua única preocupação era assistir Winx.
- Nada demais, não se preocupe, Ronald Wesley – tentou desconversar, com um sorriso forçado no rosto.
- Você sabe que não consegue mentir pra mim – Breno falou, se ajeitando melhor na poltrona, se preparando para ouvir o que quer que fosse que tivesse para falar.
Ela hesitou por alguns segundos, pensando se deveria ou não falar sobre aquilo, já que sua decisão já estava praticamente tomada. Mas ver aqueles olhos azul água apreensivos daquele jeito a deixou incerta se deveria continuar em silêncio.
- Eu vou me demitir.
Rápida e firme, ela simplesmente jogou a informação, deixando o irmão absorver com uma pitada de cara de tacho.
- Como assim se demitir? Esse não era seu grande objetivo? O aconteceu? Recebeu uma proposta melhor? – perguntou descrente, vendo a irmã encolher os ombros como fazia quando era pequena e levava uma bronca.
- Na verdade, eu já enviei alguns currículos e a CNN já me ligou, vou fazer a entrevista em duas semanas.
- – o mais velho chamou firme, só com o nome, pedindo que ela explicasse o porquê daquela decisão.
- Lembra do Tobias? – ela começou, vendo ele assentir. Sentiu naquele momento que precisava de uma segunda opinião sobre a situação, e por mais que já tivesse pensado em abordar o assunto com Sebastian, Breno sempre fora o primeiro a saber de tudo na vida dela, tanto as coisas boas, quanto as ruins, então nada mais certo que falar aquilo com ele primeiramente – Ele anda indo muito ao andar da redação.
- Isso significa o que? – o ruivo perguntou com o cenho franzido, não entendendo o que a mais nova estava querendo dizer.
- Ele está me rodeando, e isso é extremamente desconfortável – falou de um vez, assistindo a dúvida se tornar compreensão na face do irmão.
- Mas que filho da pu... ... Esse cara relou em você? – Breno perguntou assim que sua ficha caiu, ficando mais vermelho do que seu cabelo jamais fora um dia, já que seu tom sempre fora mais puxado para o loiro do que o da garota.
- Calma! – pediu, quase atravessando a tela da chamada por Skype, só para poder buscar um copo de água para o pimentão humano - Não chegou a essa proporção. Mas são as coisas que ele diz, a forma que ele fala... Chega a ser nojento o número de vezes que ele joga uma direta nada indireta no meio de cada frase.
- , isso é crime! Por que você não denuncia ele? – perguntou exasperado, vendo a irmã dar de ombros, encostando o cotovelo nas costas do sofá e a mão na testa, esfregando a região com força.
- Foi a primeira coisa que eu fiz, mas acontece que ele já está com mais de cinco boletins de ocorrência contra isso, e o advogado dele oculta tudo, se eu fuçar muito nisso, vou acabar manchando meu nome e nunca mais vou conseguir emprego em nenhuma emissora daqui, acredite, eu não seria a primeira, porque aquele desgraçado é super influente aqui em NY! – explicou revoltada, se sentindo impotente por estar passando por uma situação daquelas.
A única pessoa que estava sabendo sobre as investidas de Tobias, era Ashley, e a resposta da loira para aquilo era “Você está fazendo drama, se um delícia daquele me quisesse, eu já estava na sala dele na hora.”, fazendo se questionar sobre alguns valores morais da amiga.
- O Sebastian está sabendo disso? – o rapaz perguntou, tentando amenizar o assunto para acalmar ambos.
- Ele está todo empolgado com a festa de uma amiguinha dele. Não queria incomodá-lo agora com isso – suspirou, fazendo Breno rir ao vê-la praticamente emburrada falando aquilo.
- Isso é ciúmes, ?
- Vá se fuder, .
Funcionou. Por mais que o mais velho ainda estivesse preocupado com o assunto, eles riram daquela idiotice, abrindo a Breno a brecha que ele precisava.
- Conta pro Sebastian, – pediu, vendo a irmã morder o lábio inferior – ele se importa com você, vai te ajudar. Não passa por isso sozinha Bloom, você não precisa.
respirou fundo, passando a língua pelos lábios. Eles já estavam um pouco machucados depois de tantas mordidas, mas esse era seu jeito de extravasar, nada que um hidratante labial e várias brigas mentais com ela mesma para parar com aquilo não resolvessem.
- Pode ser depois do aniversário dessa amiga dele? – perguntou como se pedisse permissão, e Breno assentiu, querendo abraçar sua irmãzinha e protege-la daquele mundo horrível.
- Mas fala, ou eu largo tudo aqui e apareço na frente daquele prédio metendo o louco, e esse Tobias não vai gostar disso! – disse fazendo uma careta de bravo, fazendo soltar uma gargalhada gostosa.
- Ele deveria temer muito esse momento – brincou, rindo mais ao ver o rapaz assentir.
- E claro que eu dou conta sozinho, mas só por garantia eu chamo o Sebastian e nós dois mandamos aquele idiota de volta para o Texas aos pontapés!
- Obrigada pela imagem mental, vou dormir muito mais reconfortada hoje – a ruiva disse, recolhendo as folhas e as colocando na mesa de centro, se levantando do sofá e indo para o quarto. Ela precisava dormir.
- Você acha que estou brincando né? – perguntou risonho, esperando a garota chegar ao quarto para se despedir – ? Não se precipita, okay? Esse era seu sonho, não abandona tudo por causa de um idiota.
- Okay. Prometo que vou fazer meu melhor – falou levantando o dedinho, levando a mão a boca logo em seguida, por causa do bocejo – Boa noite, Bre.
- Boa noite, . Toma cuidado.
Assim que a chamada se encerrou, se enfiou debaixo das cobertas, revirando um pouco com o celular nas mãos, se perguntando se deveria fazer aquilo naquela noite ou esperar um pouco. Mas ela não gostou da imagem mental que surgiu em sua mente com a segunda opção, então desbloqueou o celular e entrou na primeira conversa.
: Não sei se você saiu... Mas se não estiver fazendo nada, a gente pode conversar?
Ela tinha quase certeza que o ator tinha ido para algum bar com Anthony, já que eles não se viam há alguns meses, e respirou aliviada ao ver a palavrinha “digitando” embaixo do nome dele, segundos depois que enviou a mensagem.
Sebastian: Ta tudo bem lá no Brasil?
leu a mensagem algumas vezes, mas não entendeu o que ele quis dizer com aquilo.
: Está, por quê?
Sebastian: Você disse que o Breno tinha uma coisa urgente pra te contar.
Ela soltou uma risada pelo nariz, se virando de bruços. As vezes a lerdeza de Stan a surpreendia.
: Ele estava tentando falar comigo desde cedo
Falou aquilo para nós encerrarmos logo a chamada...
Sebastian leu aquilo, se permitindo dar um tapa na própria testa. Já não era a primeira vez que o ruivo fazia aquilo, mas ele sempre perguntava depois, isso quando não estava por perto, se estava tudo bem.
Sebastian: Me sinto usado.
Sobre o que quer conversar?
Antes que ele pudesse mandar qualquer mensagem relacionada a festa de , ou qualquer pedido para que a ruiva conhecesse a estilista, recebeu uma mensagem que o deixou um pouco estático.
: Estou pensando em sair da Globo.
Sebastian: Que!?
: Existem várias outras vagas para jornalista no mundo...
O ator se sentou na cama, apoiando as costas na cabeceira, se perguntando se deveria ligar para a amiga. Aquela conversa não estava tomando um rumo bom.
Sebastian: Isso significa voltar para o Brasil?
: Está querendo se livrar de mim, Romeno?
Ele suspirou aliviado. Pelo menos não era o que ele estava pensando, mas para levar tomar uma decisão daquelas, era porque o assunto era realmente sério, já que ela amava trabalhar naquela emissora.
Sebastian: Okay... Mas, o que aconteceu?
: O Tobias aconteceu. Foi isso que aconteceu.
Se existisse uma competição para “Maior Cara de Perdido No Meio Da Multidão”, Sebastian, com toda certeza, ganharia.
Sebastian: O chefe do seu chefe?
: É
Ele fica dando em cima de mim, e parece que ainda não aprendeu o significado da palavra “Não”.
Aquele desgraçado fez o que?
Que tipo de pessoa aquele idiota pensa que era?
Sebastian: Me diz que ele não tocou em você.
Porque juro, se ele fez isso, esse desgraçado vai pra cadeia todo quebrado!
Ele estava nervoso, só de imaginar em uma situação como aquela, seu estômago já embrulhava e tinha vontade de afasta-la de todos que pudessem lhe causar mal.
: Você e o Bre nunca podem ficar juntos no mesmo lugar, vão acabar ajudando um ao outro no procedimento dos homicídios...
Sebastian: , não é hora pra brincadeiras, isso é sério!
: Não chegou a esse ponto.
Ele fica dizendo que sou solteira e que tenho que aproveitar a vida...
Sebastian: Você deveria dar um soco na cara dele.
: Bast, foca.
Eu preciso de uma solução, e não mais problemas.
O que veio na cabeça de Stan no momento que leu aquela mensagem poderia ser a coisa mais ridícula do mundo, mas serviria se topasse.
Sebastian: , lembra do nosso acordo da crise de Steve Rogers?
: Lembro... Mas o que isso tem a ver?
Sebastian: Você ainda está com aquele anel meu que estava na sua mão esses dias?
Aquele dia teve momentos muito mais marcantes que o fato dela ter pego o anel dele, mas o momento não pedia por isso, então ele resolveu focar só no importante.
: Sim
Bast, onde você quer chegar com isso?
Sebastian: Ué, você disse que ele está no seu pé porque você é solteira.
Então a gente se casa.


***


não sabia por que se sentia nervosa naquela sexta-feira, já que estava usando aquele anel desde o fim do mês anterior, mas naquele dia ele teria um peso maior, e ela só queria saber de onde Sebastian tirava aquelas ideias tão absurdamente idiotas que sempre tinha na ponta da língua.
Tobias só tinha mexido com ela no almoço, quando recebeu uma patada na frente de outros dois redatores e resolveu não passar mais vergonha naquele dia, mas ela tinha certeza que na hora que entrasse no elevador, ele estaria lá para atazana-la o suficiente até receber um soco, ou pelo menos deixar esse desejo impregnado na mulher pelo resto do milênio.
O que talvez o loiro de pinta inglesa, mas na verdade texano, não esperava era encontrar o ator Sebastian Stan dentro do elevador, indo para o mesmo andar que ele.
Stan, por sua vez, se controlou muito para não dar um soco na cara daquele idiota quatro-olhos, mas se controlou, se contendo a um sorrisinho quando o outro o olhou meio embasbacado.
- Hum... Com licença – Tobias tomou coragem de falar quando o elevador começou a subir – Você é Sebastian Stan, certo? – o romeno virou o rosto para ele assentindo – Tem alguma entrevista aqui hoje? É que eu não estou sabendo de nada e...
- Não, não é isso – Stan o cortou, rindo de leve – na verdade eu tenho que viajar e vim buscar minha noiva pra passar o final de semana comigo – contou sorridente, quase rindo de verdade quando os olhos castanhos do loiro se arregalaram.
- Sua noiva?
Antes que o ator pudesse responder, o elevador apitou, abrindo as portas no sexto andar, destino de ambos, revelando parada, segurando uma pasta cheia de papeis que Sebastian julgava ser documentos, vestindo uma calça jeans skinny, uma camiseta preta com um enorme stromntopper desenhado, e um all star da mesma cor nos pés. O óculos grande cobria uma parte de sua maçã do rosto, e as ondas dos cabelos ruivos emolduravam o rosto que tinha uma aparência cansada, que se animou assim que viu o ator dentro do elevador.
- Bast! – ela falou animada, pulando para dentro da caixa de metal, abraçando o homem com a pasta ainda em mãos.
A coisa do noivado poderia ser uma farsa, mas a saudade era real, já que eles não se viam desde o início do mês.
- Oi princesa, como foi o dia? – perguntou depositando um beijo na testa dela, passando a mão esquerda no cabelo dela, colocando uma mecha atrás da orelha.
Um movimento natural estudado, feito diretamente para Tobias ver bem seu dedo anelar, já que ele ainda estava parado mais ao fundo de Sebastian, e assistia a cena meio embasbacado.
- Meio mortal, mas acho que depois de um banho já volto a ser eu mesma – contou, apertando o botão para o térreo e descansando o queixo no ombro homem, deixando ele pegar a pasta e abraça-la de lado.
- Da pra você dormir no avião, e pedimos pro ateliê entregar seu vestido em casa.
- Isso é só para não me acompanhar às compras, Stan? – perguntou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto nos lábios, que queria se espalhar para o rosto ao ver seu chefe praticamente encolhido no cantinho do elevador, de cabeça baixa, mas perceptivelmente corado.
- Eu nunca disse isso – Sebastian ralhou, aparentemente ultrajado, embora achasse a ideia da entrega linda, já que da última vez que foi a uma loja com a ruiva, ganhou um chá de cadeira como recompensa – Tudo que estou pensando é no seu bem-estar – falou, dando um beijo estralado na curva do pescoço da garota, saindo do elevador assim que as portas se abriram, deixando para trás um Tobias meio atordoado, em um conflito eterno sobre aquele momento, por já ter ouvido o nome Sebastian em muitas conversas pela redação, mas nunca ter associado o nome àquela pessoa, e também pensando que fazia sentido eles deixarem aquele relacionamento meio oculto. Mas aquele anel poderia ser considerado aliança de noivado?
A dupla conseguiu manter as aparências até entrarem no Jaguar preto do ator, então o máximo que conseguiram fazer, foi dar um high five antes de explodirem em gargalhadas.
- Eu não acredito que tenho mais talento para atuar que a Emily VanCamp! – falou , enxugando uma lágrima que escapou no canto do olho.
- Ainda acho que com o beijo ficaria mais convincente – Sebastian murmurou, colocando a chave na ignição, respirando fundo para parar de rir.
- Você que quis apostar, sabe que isso pode acontecer se você disser três palavrinhas e uma nota de dez – ela deu de ombros, voltando a rir quando o amigo desviou a atenção do trânsito para ela, com uma cara de revolta.
- Não lembro dessa história dos dez reais – falou desconfiado.
- Valor simbólico, para deixar a coisa mais com cara de aposta.
- Não sei se me sinto intrigado por ter que pagar pra transar com alguém que já transei de graça, ou por você estar dizendo que é só dez dólares.
Com toda maturidade que uma jornalista de 25 anos bem sucedida pode ter, mostrou a língua pra ele, dizendo que não queria mais se casar o amigo.
Eles seguiram direto para a casa do ator, já que ali era mais perto do aeroporto e a mala da brasileira já estava lá. Já não fazia mais tanto frio, então ela deixou que Sebastian fizesse a mala que levaria para Los Angeles, confiando no romeno para a escolha de peças, mas não se preocupando tanto, já que eles ficariam lá só duas noites, e voltariam no domingo de tarde. E no fim das contas, aparentemente, o rapaz convivia com ela o suficiente para saber quais roupas deveria pegar para o conforto dela.
Depois de verificar todo o conteúdo da mala, e arrumar a do homem enquanto ele tomava banho, se sentou no meio da cama do ator e começou a conversar no WhatsApp. Ela queria mesmo era falar com o irmão, mas sabia que ele ficaria fazendo piada sobre assunto, e Ashley muito provavelmente estaria com o noivo, então se contentou em sanar seus conflitos internos com as colegas brasileiras, que por mais que tirassem um pouco com a cara dela, a incitaram a ter coragem de falar com o romeno.
- Que carinha é essa? – Stan perguntou, saindo do banheiro só uma toalha enrolada no corpo, reprimindo um sorriso quando a mulher o analisou de cima a baixo, sem nem tentar disfarçar.
- Você está brincando com fogo, romeno – ela murmurou, jogando uma calça jeans que estava em cima da cama, e que só naquele momento ela percebeu ser a roupa que ele separou para ir para Los Angeles, e a única peça que não estava ali, era a boxer branca, que ele revelou estar por baixo da toalha quando começou a vestir a calça.
- Do que está falando? – falou desentendido, pegando a camisa para vestir, se sentando na beira da cama logo em seguida, para calçar o coturno.
- Quero que você me fale por que é tão importante que eu vá nesse aniversário.
Sebastian parou de amarrar o cadarço e a encarou, soltando um suspiro antes de se voltar para o calçado. Se levantou colocando sua mala no ombro e estendendo a mão para ajudar a se levantar. Sabia que ela perguntaria aquilo, só não esperava que fosse tão direta.
- Tudo bem, olha, você é importante pra mim, e a sabe disso, e ela também é importante para mim. Por isso, acho justo vocês se conhecerem.
- Sei que estou sendo infantil, mas se ela é assim tão importante para você, por que foi falar dela para mim só semana passada? – perguntou cruzando os braços, o encarando séria, quase emburrada, fazendo Sebastian se perguntar se algum dia conseguiria ficar bravo com aquele ser a sua frente.
Mas a pergunta era válida. Por que ele nunca falara de para ? Oportunidades não faltaram, mesmo ouvia tanto sobre que as vezes a incluía em algum assunto sem nem mesmo conhece-la.
- Acabei adiando o assunto – falou dando de ombros, saindo do quarto com as duas malas, deixando uma embasbacada para trás.
- Sebastian, eu conheço você, e essa sua cara de “quero falar, mas estou sendo idiota de mais para verbalizar” – ralhou ao alcançar ele, no topo da escada, só não os fazendo parar porque sabia que o avião sairia da cidade as sete, e não queria ser a responsável por um Sebastian emburrado por não ter ido na festa da amiguinha que conhecia ela, mas ela não a conhecia.
- Eu quero que vocês sejam amigas, e fiquei com medo de você e seu ciúme não aceitarem o fato da ser uma constante em minha vida – falou rápido, sem olhar para ela, chegando aos pés da escada antes dela que estava de mãos vazias, e ficou alguns segundos parada ali, entre um degrau e outro assimilando aquele fato. Era isso que Stan pensava que ela faria se aparecesse outra pessoa na vida dele?
Quando ela finalmente conseguiu sair da escada e sair da casa, ele já estava fechando o capô do porta-malas. Sua feição entregava que ele se sentia mal por ter dito aquilo daquela forma, mas não tinha mais como voltar atrás, e aquilo já estava em sua mente há algum tempo, precisava ser dito. Mas ali, ele percebeu que poderia ter falado de forma mais gentil. A última coisa que queria era magoar , e não era necessário muito para saber que ela estava mais que magoada ali.
Ele parou ao lado da porta do motorista, vendo se aproximar com uma expressão que fez ele ter vontade de aperta-la em um abraço e não solta-la nunca mais.
- Desculpa – sussurrou, assim que ela ficou de frente para ele, repousando a mão em sua bochecha, afagando levemente os cabelos dela – Eu não deveria ter falado daquele jeito.
olhou bem aquelas orbes azuis, se sentindo culpada e idiota por fazer ele chegar a aquele ponto.
- Bast, eu já fui responsável por você ter se afastado de alguém especial?
Ele sabia que a resposta era não, isso era óbvio para qualquer um. só fazia bem a Sebastian e vice versa. Ela nunca seria capaz de afasta-lo de alguém que fosse importante para ele, até porque ninguém deveria ter esse poder sobre ninguém, o máximo que ela fazia era se afastar quando não gostava da nova conquista dele se essa ocupasse muito o tempo do homem.
E era aquilo que mais o preocupava. Ele e eram amigos de longa data, e a estilista ganhou um lugar especial em seu coração, e ele não gostava da ideia de ver se afastando por isso. Sebastian já não conseguia imaginar um dia de sua vida que aquela ruivinha não estivesse presente, e a ideia de vê-la se afastando, se isolando, por não achar que era importante para ele tanto quanto a estilista, o fez pensar que talvez se ela não soubesse daquela amizade, não teria porque ficar reafirmando o tempo todo que ela era sim, muito importante na vida dele.
- Claro que não, sua bobona – afirmou, a puxando para um abraço, depositando um beijo na testa dela.
- Você sabe que aquela lista é uma brincadeira, né? Se essa é importante, finge que eu...
- – Stan os afastou o suficiente para olhar no fundo daqueles olhos dourados, chegando à conclusão que seria impossível para qualquer ser humano na face da terra guardar rancor por aquela garota – Eu me precipitei, ou enrolei, não sei, mas não se preocupe, você não fez nada de errado. Nunca faz, não é com isso que vai começar.
Todos têm algum complexo. Aquele achismo que nunca se sabe se vai resolver ou acabar. O de era o medo da insignificância. Não, não era aquilo sobre ser possessiva em relação a determinada pessoas, isso obviamente existia, mas o real problema dela era achar que não era tão importante para alguém quanto a pessoa era para ela. Pode soar meio mesquinho, mas era dela, e ela se esforçava para controlar aquilo, sabia que era uma coisa chata, e nessa tentativa acabava se afastando das pessoas, ficando até com o status de fria ou, como Breno costumava falar, antissocial. E só tinham três pessoas, tirando os pais dela é claro, que ela se esforçava muito para não fazer isso quando achava que já não era mais tão importante sua constância, que eram Breno, sua cunhada Gabriela, e Sebastian. Ashley entrava nesse grupo em alguns aspectos, mas na maior parte do tempo ela mesma se mantinha afastada de , limitando a amizade delas à redação.
Por um lado, isso era horrível, por outro, por mais seleto que fosse esse círculo, a mantinha em seu conforto. E ela até poderia ser meio receosa no quesito Deixar Alguém Se Aproximar, mas disfarçava isso bem, e quem deveria quebrar essa barreira já havia quebrado, passado por ela e se instalado. nunca viu a necessidade de muitas pessoas ao seu redor, ela bastava para si mesma, mas valorizava cada segundo ao lado de quem era importante.
- Vamos, ou vamos perder o voo – falou, dando a volta no carro e entrando no veículo.
- Nos conhecemos nas gravações de Soldado Invernal – Sebastian começou quando já tinham saído da garagem, chamando a atenção da ruiva por míseros segundos antes dela voltar a olhar pela janela, mas isso não o impediu – Já comentei que ela é estilista da Scarlett Johansson, né?
- Esse detalhe da Scarlett você esqueceu – a brasileira falou desconfortável, se sentindo idiota por estar entrando na conversa com ele. Ela queria ficar brava, qual a dificuldade dele entender isso?
- Elas são bem amigas. Inclusive, a é amiga de muita gente, você vai gostar das companhias da noite.
- O Evans vai estar lá? – perguntou como quem não quer nada, analisando as unhas pretas, procurando algum defeito inexistente no esmalte, só para não deixar clara sua linha de raciocínio: Johansson é amiga de longa data de Evans, essa é amiga da Scarlett, logo ela deve ser próxima de Chris e muito provavelmente ele estaria na festa.
Sebastian revirou os olhos enquanto trocava a marcha do carro, suspirando alto.
- Não, ele não vai – falou, se lembrando da conversa que tivera tanto com quanto com Evans na semana anterior. Aquele assunto era delicado, mas teria que saber de algumas coisas antes de conhecer a – Chris e namoravam, não é muito legal ter seu ex na sua festa de aniversário.
O lado mulherzinha fofoqueira estava quase empatando com a força do lado mulher determinada em não falar com o homem que disse que ela era muito ciumenta sendo que seu maior passatempo era procurar mulheres para serem a futura esposa dele.
Como assim, namoravam?
- O que aconteceu? Ela é muito ciumenta? – perguntou irônica, desbloqueando o celular, fingindo fazer algo importante quando na verdade começaria uma partida de Candy Crush.
Stan só pensava que nunca escolheu pior momento para tentar ser sincero.
- ! – falou arrastado com um tom pidão.
- O que? Só acho estranho alguém ter namorado com o Evans e deixar esse verbo cair no passado, olha aquele homem.
- Vamos voltar para a parte que você não fala – ele pediu, fazendo a curva que os deixaria no estacionamento do aeroporto.
- Você queria que eu a conhecesse, agora estou interessada. Por que eles terminaram? – perguntou novamente, tirando o cinto e saindo do carro, esperando ele pegar as malas no porta-malas.
- A vida amorosa dela te interessa mais do que saber sobre, sei lá, quantos anos ela vai fazer?
- Achei que você já tivesse aprendido que não se deve perguntar isso quando o assunto é mulher – pegou a mala da mão dele e seguiram para dentro do aeroporto.
- O essencial é você não falar sobre isso na frente dela. Pode ser? – perguntou, estudando a expressão dela. Às vezes, sabia agir como uma perfeita criança, mas aparentemente ela levou a sério o pedido.
Depois disso, a tensão amenizou entre os dois. Não demorou muito para embarcarem, o voo foi tranquilo e sem muitas emoções, possibilitando a seu desejado cochilo, que só foi interrompido quando eles chegaram a Los Angeles.
O condomínio onde eles ficariam naquele final de semana era o típico lugar visto em filmes, com mansões que pareciam ser intermináveis, tanto no tamanho quanto na beleza.
-Tai’ sua oportunidade – Stan falou, interrompendo o assunto sobre Um Maluco no Pedaço, indicando com a cabeça uma casa antes da esquina que eles viraram, fazendo o encarar sem entender nada – Casa do Evans.
O interior dela pediu para não dar brecha para aquele assunto novamente, mas seu rosto não ouviu seu cérebro e deixou que olhos e boca se arregalassem.
- Você alugou uma casa perto da dele? – seu cérebro entrou em um grave conflito sobre aprender a controlar emoções.
- Foi ele que me falou dessa casa – explicou, estacionando o carro em frente a uma casa com muitos detalhes em madeira e vidro.
Há menos de uma quadra de distância de um dos atores favoritos da brasileira.
Ela desceu do carro e encarou a esquina por uns cinco segundos antes de seguir o amigo para dentro da casa. Simples não era a palavra, mas chique também não. Aconchegante, talvez essa se enquadrasse perfeitamente.
- Eu falei sério sobre a entrega – Sebastian disse, pegando uma caixa de cima do sofá.
- Você vai comigo na compra do da première – ela desdenhou com um sorriso meigo nos lábios – vou tomar banho e me arrumar.
- Tenta ficar pronta ainda hoje – pediu, voltando para fora para pegar as malas do carro. Fato esse que só percebeu depois que saiu do banho e não encontrava sua toalha, que estava dobradinha dentro de sua mala.
Ela olhou no armário debaixo da pia, sempre tinha toalhas ali, não importava para onde ele ia, Sebastian sempre mantinha aquele estoque de toalhas no armário do banheiro. Mas aparentemente ele ainda não tinha providenciado isso ainda, já que o armário estava vazio.
- Bast, traz minha toalha aqui, fazendo favor – pediu se olhando do grande espelho, prestando atenção em qualquer possível movimento no quarto, mas não ouvia nada – Bast. Bast? – perguntou, abrindo a porta o suficiente para tirar a cabeça do banheiro, analisando o quarto a procura de Stan, mas tudo o que encontrou foram as duas malas em cima da cama, a do homem aberta e meio revirada, fazendo se perguntar o porquê dele se arrumar se já estava arrumado, ou se ele teria saído. Sua mente elaborando um pequeno plano infalível trabalhando com a segunda opção.
- Bast? - chamou novamente, dessa vez mais alto, meio cantarolado, abrindo um largo sorriso ao não ouvir nada como resposta.
Barra limpa.
Olhou para os lados, e meio correndinho, foi até a cama, abriu a mala, pegou a toalha e começou a se secar. Como acreditava estar sozinha, não se apressou muito no processo de se secar, e procurar a calcinha e o sutiã que separou para usar com o vestido que escolheu para a noite. Vestido esse que ela convenceu Sebastian a ir na loja no meio de uma vídeo-chamada, fazendo o homem passar horas no ateliê passando as medidas da ruiva, mostrando diversos modelos de vestidos, só para no final de tudo ouvir da garota um feliz “Se nada der certo, você tem futuro como vendedor”.
O que ela não imaginava, é que Stan estava parado no hall da porta, meio paralisado com a cena da amiga desenrolando a toalha do corpo e se vestindo sem pressa nenhuma. Naquele momento a cor bege da lingerie nem parecia tão broxante assim.
Quando ela estava abotoando o sutiã, com muita maestria ao ver dele, já que o fecho era o tradicional nas costas, um barulho meio estranho escapou da garganta dele, fazendo olhar assustada para porta, puxando a toalha ao mesmo tempo que se jogava na cama, escondendo o rosto no meio dos travesseiros.
- Há quanto tempo você está ai? – perguntou depois de alguns segundos, desenterrando a cabeça do meio dos almofadados o suficiente só para um olho aparecer no meio da confusão vermelha que ela estava naquele momento.
Não que Sebastian estivesse com sua coloração natural, mas não estava conseguindo se concentrar muito em qualquer outra coisa que não fosse a curva que a toalha fazia sobre o corpo dela.
- O suficiente para agradecer por você fazer parte da minha vida – murmurou, cruzando os braços e se encostando no hall da porta, sorrindo de lado ao vê-la se sentar, cobrindo o busto com a toalha.
- Cadê aquele cara que tinha vergonha de ouvir a palavra sexo?
- Você deixou ele pegar intimidade – falou sorrindo, entrando no quarto e abrindo a caixa do vestido – Sabe, amei te ver assim, mas acho que prefiro a ideia de você estar com roupa quando chegarmos à festa.
- Sebastian! – soltou o nome dele em um quase grito, tacando um dos travesseiros na cara do amigo, se levantando enrolada na toalha, pegando o vestido e sua nécessaire, e indo para o banheiro novamente, parando ao ouvir Stan falando alguma coisa.
- Não tem mais o que esconder de mim ai, , qual a necessidade da toalha?
- Nós nunca mais vamos falar sobre isso. Entendeu? Nunca. Mais – afirmou séria, embora no fundo estivesse querendo rir da própria desgraça.
- Não fui eu que sai andando pelado pelo quarto – Sebastian deu de ombros, pegando as roupas da cama para coloca-las no closet, onde viu uma parte só com toalhas.
- Por que essas coisas não estão no armário do banheiro?! – perguntou olhando para o teto, como se estivesse perguntando isso para uma divindade maior, fazendo o romeno rir ao virar-se para trás ver a amiga quase cavando um buraco no chão para se esconder.
- Pensei que você não quisesse falar sobre isso…
Mas ela não deixou ele terminar a frase, simplesmente se trancando no banheiro e só saindo de lá meia hora depois, completamente maquiada, sem vestígio de sardas no rosto, o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e o vestido branco, que ia colado no corpo até um pouco acima da cintura e depois se abria em uma saia rodada que ia até a metade da coxa. O tecido era firme e com alguns detalhes mínimos que pareciam renda por toda sua extensão, deixando em destaque a real renda preta que contornava a parte de baixo do busto e a barra.
Depois de pegar seu celular, descartando a ideia de levar bolsa, já que no vestido tinha um bolso lateral escondido em meio as dobras que a saia fazia, saiu do quarto, encontrando Sebastian sentado no sofá com uma cara de desânimo, que sumiu assim que ela se postou a sua frente.
- Menos de uma hora! Batemos um recorde aqui? – Perguntou se levantando, colocando as mãos na cintura da ruiva.
- Nossa, ! Como você está linda! Eu pegava! – falou, imitando precariamente a voz do homem, passando as mãos pela gola da jaqueta jeans dele – Elogios também fazem parte.
- Você sabe que eu pegaria sem pensar duas vezes – murmurou, a puxando para si.
- Temos aqui um desistente da aposta? – perguntou com um sorrisinho de lado.
Ele suspirou alto e afastou o corpo da mulher si.
Às vezes ele se perguntava por que tinha ideias tão estupidas como aquela.
- Vamos, ou vamos chegar na hora do parabéns.
- Pelo menos assim a gente não precisa ficar tanto tempo lá – ela murmurou, sem tentar ser discreta, deixando Stan com cara de poucos amigos.
- E você passaria tanto tempo se arrumando para nada. Aliás, quantos pares de salto preto você tem?
Ela olhou para os próprios pés, virando um pouco de lado o calcanhar para apreciar o scarpin preto de bico arredondado, voltando a olhar o amigo com um dar de ombros.
- Você sempre diz que vou para o trabalho igual uma adolescente antissocial vai para o colégio, pelo menos quando eu vou sair tenho que ir fantasiada de gente.
- Se você fosse trabalhar assim todo dia, ai sim eu teria que me preocupar em dar uns socos na cara daquele Tobias.
Assim eles entraram no carro e passaram boa parte do caminho em uma conversa sobre como de todos os colegas de naquela redação, só Ashley se vestia como uma jornalista. Mas assim que Sebastian virou uma esquina e começou procurar estacionamento em meio a vários carros parados no meio fio, a ruiva até tentou não agir diferente, mas acabou se calando antes que ela mesmo percebesse sua troca de humor.
Sebastian fingiu não perceber isso, e quando estacionou o carro, a primeira coisa que fez, foi enviar uma mensagem para , que conseguiu ver meio de lado, deduzindo alguma coisa como “Vai rolar recepção?”. Então assim que eles desceram do carro e chegaram perto da porta de entrada, uma mulher sorridente que apostava todas suas fichas que deveria ser , apareceu na frente deles.
A mulher era realmente linda, tinha traços únicos, um corpo exuberante, e um sorriso contagiante, que só não contagiou por ter passado reto pela ruiva e ir diretamente para os braços de Sebastian. Não que esse ato tenha terminado em um abraço, já que assim que chegou perto suficiente do ator, envolveu seu pescoço com os braços e pressionou os lábios contra os dele.
engoliu em seco e cruzou os braços, instantaneamente se arrependendo de deixar ser levada para o outro lado do país para uma festa idiota onde não conhecia ninguém e ser esquecida tão rapidamente por Sebastian.
- Meu presente será entregue só mais tarde? – a mulher perguntou com um sorriso de canto, alisando a jaqueta jeans que o ator vestia.
- Você já bebeu por todo mundo aqui, não é? - Stan perguntou rindo, assim que a estilista se afastou um passo dele.
- Ainda nem comecei, coração - realmente a voz dela não parecia afetada, muito menos alterada, mas seus olhos possuíam aquilo típico brilho que só várias doses de tequila poderiam dar. Ela se virou para com um sorrisinho sugestivo no rosto, fingindo não ver a cutucada que Stan deu na ruiva para ela descruzar os braços e desamarrar a cara – Eu ouço tanto seu nome que sinto que nos conhecemos desde sempre – falou dando um abraço que foi correspondido frouxamente, e dois beijos no rosto da brasileira.
até gostaria de falar o mesmo, se Sebastian não tivesse falado da existência da mulher só há algumas semanas, e contado sua emocionante história de vida e carreira somente horas atrás.
- É um prazer te conhecer também – se limitou a dizer, com um sorriso forçado, recebendo de volta um sorriso digno de um anúncio de creme dental.
Stan não sabia dizer quem era a mais louca ali: , por estar recebendo aquele olhar mortal de , e sorrindo como se aquilo não fosse nada, ou , por estar lançando aquele olhar para .
- Não vamos ficar parados aqui, né! – ele falou, se enfiando no meio das duas, passando um braço por cima do ombro de cada uma, as guiando em direção ao som da música alta.
- Não acredito que você me abandonou só porque o Cabeludo chegou! – Scarlett brincou assim que avistou o trio se aproximando, cumprimentando o romeno assim que chegou mais perto do homem.
- Você sabe que sou quase tão exclusivo quanto você – Sebastian deu de ombros, rindo ao ver tanto a estilista quanto a atriz revirarem os olhos, mas rindo logo em seguida – Scar, deixa eu te apresentar uma pessoa, – ele se voltou para , que usava toda sua concentração em manter a boca fechada para não babar pela mulher à sua frente, fazendo o ator se perguntar se o coração da amiga suportaria todos os cumprimentos que aquela noite exigiria – essa é a , , Scarlett.
- Ah, então você é a namorada do Stan! – a loira falou animada, depositando dois beijos no rosto da ruiva – Parabéns, romeno, escolheu a dedo, hein! – comentou, analisando a brasileira de cima a baixo, a fazendo corar.
- Na verdade, nós somos só amigos – corrigiu, se sentindo meio errada por contrariar uma deusa como aquela.
- Bléh! – jogou a cabeça para trás, gritando alto o suficiente para chamar atenção de algumas pessoas ao redor, fazendo reconhecer algumas pessoa ali que ela nunca pensou ver fora da tela da televisão – Vocês já não passaram dessa fase? – perguntou quase desesperada.
- ! – Sebastian e Scarlett a repreenderam em uníssono.
- Okay! – ela levantou as mãos na altura do rosto em sinal de rendição, dando a volta por Stan, parando ao lado de – Já que vocês são só amigos, não tem problema eu te apresentar umas carnes novas – falou, cruzando o braço direito no de , que lançou um olhar de socorro para o romeno, que só riu e deu de ombros, como se dissesse que não adiantaria interferir, deixando que a amiga praticamente arrastasse a ruiva para o meio das outras pessoas.
- É impressão minha, ou a ruivinha está meio desconfortável perto da ? – Scarlett perguntou, pegando duas garrafas de cerveja do cooler que tinha ali perto, entregando uma para o colega.
Sebastian abriu a cerveja e bebeu um gole, meio que para disfarçar a busca que fez pelas duas no meio das pessoas, as encontrando conversando com Tom Hiddleston. em seu estado natural somado a boa quantia de álcool que com certeza tinha no corpo, sendo espontânea e expressiva, e com as bochechas coradas, mordendo o lábio inferior, só respondendo quando um dos dois se dirigiam a ela, o que aparentemente estava acontecendo bastante, já que estava o tempo todo encostando nela, mexendo em alguma mecha de seu cabelo, a fazendo rir, enquanto Tom nem tentava disfarçar os olhares quase predatórios sobre a brasileira, fazendo Stan revirar os olhos pela falta de talento do cara de disfarçar longe das câmeras.
- Ela está com ciúmes – revelou, se virando para Johansson, que o encarou com um sorrisinho de deboche.
- Não são só amiguinhos? – perguntou sorrindo, não se importando com o sorriso de escárnio que ele devolveu.
- Acredite ou não, é exatamente por isso. Ela tem medo de ser trocada, ou substituída, e por algum motivo ela não acha que isso possa acontecer com nenhuma das mulheres que durmo.
- Deixa a saber que ela está um degrauzinho abaixo nesse podium.
- Não brinca com isso – ele respondeu rindo, bebendo mais um pouco da bebida.
- Ela parece meio deslumbrada com alguns convidados – a loira comentou, imitando a ação do homem – Tem algum risco de falar o que não deve? – talvez Scarlett fosse a única ali que sabia disfarçar suas reais intenções longe das câmeras.
- Não se preocupe, ela sabe o necessário para não ser jogada na piscina por uma bêbada alucinada – contou, finalizando a cerveja, deixando a garrafa vazia ao lado do cooler e pegando outra.
- Acho preocupante sua visão sobre a – a atriz falou rindo.
- Suas conversas com ela são diferentes das minhas.
O romeno aproveitou o meio tempo que a loira sofreu dizendo que não precisava de ajuda para abrir a cerveja, para olhar novamente para as mulheres e Tom, sorrindo de lado ao ver pegando a taça que Hiddleston oferecia para , vendo as duas rindo de alguma coisa que o britânico havia dito.
- Parece que elas estão se dando bem – Scarlett falou olhando na mesma direção que ele.
- Graças a Deus.
- Daqui a pouco ela converte a garota.
Ele olhou com os olhos arregalados para a loira, se assustando com a ideia de começar a agir como em algumas situações, fingindo não ouvir a parceira de cena rir quando ele saiu aos tropeços quase, indo em direção ao trio, parando bruscamente quando olhou de relance para ele e se virou para , gritando um alto e sonoro “Arrá!”, vendo a estilista olhar revoltada para ele e Tom rir.
- O que está acontecendo aqui? – ele perguntou desconfiado, se aproximando para cumprimentar o inglês.
- Elas apostaram quanto tempo demoraria para você vir atrás da – Tom as entregou, sorrindo para que mordia o lábio inferior sob o olhar do ator.
- Para alguém que é só amigo, você me decepcionou bastante, Tan – falou, olhando diretamente para o romeno, mas a sobrancelha arqueada entregava seu real pensamento.
- Pode insinuar o que quiser, , vai ter que achar um jeito que me trazer uma caipirinha agora – disse com um largo sorriso convencido.
- Aproveita que hoje é meu aniversário e eu estou de bom humor – apontou, saindo de perto deles e indo para algum lugar que a brasileira julgou ser de onde sairia sua bebida.
- Parece que você chegou tarde – Scarlett riu da cara que o homem fazia.
- Quem faz apostas idiotas aqui sou eu – ele falou, deixando a ruiva pegar a garrafa de sua mão.
- Não tenho culpa se você consegue ser pior que o Breno – ela deu de ombros.
- Não chego a esse ponto, exagerada – ele retrucou dando um peteleco leve na testa da garota, que mostrou a língua pra ele, mas logo ficou rígida e meio corada.
- Será que vamos ter que chamar a polícia? Stan, não sabe que é crime bater em mulheres? – Downey apareceu às costas de Scarlett, sorrindo para a ruiva, que olhava para ele como se fosse uma miragem criada por sua mente mirabolante que gostava de lhe pregar peças – Olá querida, nova amiguinha do Hiddles?
Nem em seus melhores e mais loucos sonhos, imaginou que uma dia estaria em uma rodinha de conversas que tinha como membros Scarlett Johansson, Tom Hiddleston e Robert Downey Jr., seu eu interior já tinha aceitado Sebastian em sua vida, então ele não estava sendo incluso nesse surto, embora as vezes, ainda achasse meio louco conversar com sua mãe e falar “Ele não está em NY, foi gravar uma série”. Mas isso não se comparava a situação momentânea que ela se encontrava.
- Eu ter conhecido ele há uns vinte minutos me torna a nova amiga dele? – perguntou categórica, mordendo a bochecha ao ver o mais velho levantar a sobrancelha e dar um risinho amarelo, se sentindo um pouco mal pela resposta ter saído tão cortada, mas no fundo ele pediu – Sou amiga do Bast, é um prazer te conhecer, adoro seu trabalho.
Sebastian teve vontade de encher a bochecha da ruiva de beijos, se perguntando sobre o nível de trouxice de Tobias por ouvir respostas ríspidas daquele jeito e ainda assim insistir.
- Ela me contou que o herói favorito dela é o Homem de Ferro – Tom contou.
- Gosto de você, ruivinha – Downey passou o braço pelo ombro dela, ouvindo Scarlett falar alguma coisa sobre ele ser um homem comprometido e não poder sair abraçando todas as mulheres que gostavam do seu personagem.
- Eu concordo com a Scar, isso não é legal, Rob, até porque ela já tem compromisso com o Tan, não ajuda a pesar a cabeça do garoto – voltou, entregando um copo com uma rodela de limão e uma bebida com um cheiro de álcool muito forte, trazendo a certeza a Sebastian de que ele nunca tinha bebido aquilo.
- Nós somos amigos! – os dois falaram em uníssono, fazendo todos rirem.

- Não sei se isso é muito saudável – Jeremy comentou, cheirando a caipirinha do copo que oferecia para ele.
- Não é para ser saudável, Jer, é pra te deixar feliz! – falou animada, bebendo um grande gole do conteúdo. Já que o loiro não estava querendo, ela queria.
- Quantos disso você já bebeu? – Renner perguntou risonho, mas no fundo estava um pouco preocupado com o nível de álcool no sistema da mulher.
- Uns três – ela deu de ombros.
- Há duas horas, talvez né? – perguntou, olhando para a estilista com uma sobrancelha arqueada – Depois que ela experimentou aquele primeiro, eu contei uns quatro.
- Só não vou me revoltar com você, porque você me apresentou essa perfeição – levantou o copo minimamente, mostrando a caipirinha, voltando para Sebastian – Se a transa brasileira é tão boa quanto a bebida, case-se com ela! O vestido é por minha conta.
- Casar com a bebida ou com a ? – Sebastian perguntou, só porque queria ver a expressão confusa que a amiga fez.
- Foca, Tan!
- , você fará uma pessoa mais feliz se assumir seu caso com o Stan – Jeremy falou rindo para a ruiva, que o olhou fingindo estar revoltada.
- Vocês acham que pegam intimidade rápido assim – resmungou, pegando seu copo da mão de Sebastian e bebendo um gole.
Depois de várias sessões de quase infarto cumprimentando várias pessoas famosas, Sebastian, , Scarlett e pararam em um canto conversando com Jeremy Renner – nada demais, acontece todo dia - , e acabou que as mulheres aparentemente começaram a disputar quem bebia mais caipirinha, fazendo Stan e Renner as acompanhar vez ou outra com alguns goles, já que eles não pretendiam adquirir uma ressaca na manhã seguinte. foi a primeira a sair da “brincadeira”, se acomodando entre os dois homens e embalando uma conversa animada com Jeremy sobre crianças, trocando histórias sobre o sobrinho dela, quando ele era menor, e da pequena Ava, sobre trapalhadas que só crianças podem fazer, ou levam as pessoas a fazer. Mas depois de um tempo de conversa, o celular do ator tocou, fazendo ele se afastar justo quando e iniciaram uma conversa sobre os benefícios de ter Sebastian como amigo, enquanto Scarlett tentava controlar as doses de caipirinha da estilista.
- Mas o Tan é tipo aquele amigo gay que toda mulher deveria ter, sabe? – falou abraçando o romeno de lado, causando uma gargalhada em e Scarlett.
- Eu também acho isso! – a ruiva concordou rindo – Mas ele falha na parte do gay, porque ele pega umas mulheres que até eu tenho vontade de pegar! – Stan riu, mas foi do jeito que a estilista e a loira se olharam ao ouvir aquilo.
- Eu me considero um Joey – ele comentou envolvendo a cintura de e de , para disfarçar os olhares do comentário anterior.
- Mas eu preciso de um Chandler! – reclamou, ouvindo concordar.
- Estou esperando meu Chandler também, acho que ele se perdeu em algum momento e não me acha mais – reclamou a estilista, vendo a loira revirar os olhos e Sebastian negar, olhando para alguém mais à frente.
- Seu Chandler está mais perto que você imagina, e você fica ai se remoendo pelo Ross – ele disse tirando a mão na cintura dela, para pegar a cerveja que Jeremy trouxera para o colega, pegando a última parte da conversa e ficou com uma imensa cara de interrogação.
- De que merda vocês estão falando? – perguntou, olhando diretamente para .
- Friends – todos responderam em uníssono, o que fez todos rirem, já que a bebida tornava aquilo imensamente engraçado.
- Eu preciso de alguma coisa que não tenha álcool – anunciou, entregando o copo que separava para Sebastian.
- Lugar errado para pedir isso, coração – falou – Mas deve ter alguma água na geladeira.
- Eu passei por uma dessa agora pouco, também preciso disso – Jeremy se manifestou – Alguém mais?
- Eu – Johansson se prontificou, se juntando aos dois para procurar alguma coisa que não tivesse gosto de caipirinha.
- Mônica – sussurrou no ouvido de Sebastian, fazendo ele tirar a atenção do trio que se afastava e se voltar para ela.
- Que? – perguntou confuso.
- Se ele é meu Chandler, ela é sua Mônica – a estilista falou com obviedade, fazendo Stan rir.
- Eu sou o Joey mesmo, até que faz sentido – ele deu de ombros, fazendo uma careta ao receber um tapa, que nem foi tão doído assim, no ombro.
- Foca, Tan. Você é meu Joey, mas dela? Só vocês não perceberam ainda que são Mônica e Chandler da nova década.
Ele até ia fazer uma piada com esse comentário, mas reparou que por mais que a amiga estivesse sorrindo, tinha um brilho diferente nos olhos dela.
- Você está okay? – Sebastian perguntou, encaixando a mão na linha do maxilar dela, passando o polegar com leveza pela maçã do rosto da mulher.
- Não se preocupa – murmurou sorrindo, deixando o sorriso se espalhar mais quando ele depositou um beijo na testa dela e a abraçou.
, que assistia a cena de longe, sentiu um pequeno peso apertado no estômago, se sentindo um pouco incomodada com essa sensação, que foi engolida com ajuda do gole da champanhe recém adquirida.
- , o Hems está reclamando que ainda não te desejou parabéns – Scarlett contou assim que chegou perto novamente da mulher.
- Desde que vocês chegaram, eu não falei com quase ninguém mais. Eu já volto! – ela falou com uma animação que só o álcool proporciona para as pessoas.
E assim foi. De tempo em tempo, em meio a conversa, era possível ver em alguma roda de conversa, ou andando de um lado para o outro, as vezes ela voltava para o pequeno grupo só paga pegar a bebida de alguém e logo se afastava. Depois de um tempo, Jeremy comentou que ela havia sumido, mas ninguém deu muito ouvidos, já que muito provavelmente ela teria encontrado outra mina de bebidas e estava por lá. Só que na hora do parabéns, esse comentário de Renner se tornou mais palpável.
- Quem some da própria festa de aniversário? – Scarlett falou revoltada, mais para si mesma do que para alguém, andando de um lado para o outro da sala.
Depois do fiasco do parabéns, os convidados foram se dispersando aos poucos, e naquele momento só restava ali Sebastian e , Jeremy e Scarlett.
- Talvez ela não goste da ideia de envelhecer – murmurou baixinho, ainda assim recebendo três olhares acusadores sobre si, a fazendo se encolher e baixar a cabeça. Okay, não era hora para brincadeiras – Não existe a possibilidade dela ter tido vontade de passar um tempo sozinha e resolver fazer isso no meio da festa?
Os três olharam-se entre si, e tiveram que aceitar aquilo era a cara de .
- Acho que o melhor que temos a fazer é voltarmos para casa e esperar que ela nos mande uma mensagem, ou ligue – Renner sugeriu, ouvindo a concordância de Stan.
- Eu vou ficar aqui – Scarlett falou – Se ela aparecer, eu aviso vocês.
Com isso, os atores e a jornalista seguiram para os carros, e depois de se despedirem adequadamente, cada um para sua casa.
- Bast, notícia ruim chega rápido, não se preocupa, ela está bem – falou sentada na cama, olhando o homem vestir uma roupa para dormir, com um olhar meio distante.
- Só estou preocupado se o nível da burrada vai superar o recorde – ele disse, se juntando a ela na cama, apagando o abajur e se ajeitando no abraço-conchinha para dormir.
- Alguma ideia de onde ela pode ter ido? – perguntou se aninhando mais nos braços do romeno.
Ele não respondeu nada, mas ela sentiu a negação leve que ele fez com a cabeça, então eles caíram em um breve silêncio, que logo foi quebrado pela ruiva.
- Sabe, por mais que a doida tenha fugido da própria festa – ela começou, rindo quando o rapaz deu um aperto em sua cintura como forma de repreensão, a fazendo se virar para ele com um pequeno sorriso nos lábios – Eu gostei dela. Entendo por que ela é tão importante pra você.
O sorriso que ele abriu pode não ter sido enxergue pela falta de iluminação do ambiente, mas ela reconheceria aquele brilho nos olhos dele há qualquer distância.
- Eu já agradeci por você existir na minha vida hoje? – ele perguntou, a puxando mais para perto.
- Sim, e foi de um jeito nada ortodoxo – ela sussurrou, cruzando as pernas com as dele, e envolvendo a cintura do homem.
- Ora, estamos falando sobre isso então? – perguntou risonho, sentindo ela depositar um fraco beliscão em sua costela.
- Dorme, Bast.
E assim ele caiu no sono, com o rosto perdido em meios a bagunça cor de fogo, que tinha um delicioso cheiro de uva-verde.


Capítulo 7

- Não adianta fazer essa cara – repetiu pela quarta vez em menos de trinta minutos, enquanto arrumava a mala para voltar para Nova York. – Você sabe muito bem que não tem condições de eu passar duas semanas aqui.
- Mas a première já é sexta! – Sebastian falou, literalmente se jogando em cima da mala da mulher, a impossibilitando de colocar lá dentro o moletom que tinha o desenho do braço de metal do Soldado Invernal em uma das mangas, um presente do próprio ator.
- Da próxima semana! , ajuda! – se voltou desesperada para a estilista que estava sentada em uma poltrona no canto do quarto, assistindo o desenrolar da pequena batalha tentando não rir muito alto.
- Desculpa, Hell, não me meto em briga de casal – ela disse, jogando as pernas no apoio de braço da poltrona, piscando para Stan e rindo do desespero de .
Na manhã seguinte a festa, apareceu na casa de Sebastian, pelo que entendeu, ela ligou para ele ir busca-la e ele foi, na casa do Evans. até chegou abrir a boca para falar sobre o assunto, mas o olhar de Sebastian a fez recuar, se lembrando do pedido dele no aeroporto. Não que, no final das contas, a própria não tenha contado o que aconteceu, mas pelo menos não era por causa de . Então os três passaram horas do sábado conversando, apresentando à várias histórias, no mínimo cômicas, sobre situações que eles já passaram juntos, e aquele receio da brasileira foi embora assim que os dois começaram a conversar e coloca-la no meio do conversa como se ela sempre tivesse feito parte daquela bolha particular deles.
Assim como o Diabo foge da cruz, parecia querer fugir da própria residência, então ela acabou por passar o final de semana todo com o ator e a jornalista, o que a brasileira adorou, já que aquele “ódio gratuito” havia passado, e ela realmente tinha gostado da amiga do ator, e passaram quase toda a madrugada de sábado para domingo conversando sobre si mesmas, e tentando pensar em um apelido para a estilista, uma vez que essa começou chama-la de Hell desde que chegara ali.
- Ela é mais insistente que o Mackie – se voltou para Sebastian, que resolveu se sentar em cima da mala, para ficar mais confortável.
- Estou mesmo sendo comparada com Anthony Vacilo Mackie Que Não Foi Na Minha Festa? – perguntou contrariada, se sentando ereta no pequeno espaço.
- Você também não ficou por lá – o romeno deu de ombros, se encolhendo com o olhar cortante que recebeu da mulher.
- Alguém está atrevido porque a Hell está aqui. Mas saiba que a vai pra Nova York e você continua aqui em LA. Fica esperto – a estilista apontou ameaçadoramente, e mostrou a língua para o amigo.
- Toma, trouxa – a ruiva disse em português, puxando o braço dele, em uma falha tentativa de tirá-lo de cima da mala.
- O que? – perguntou, encarando a garota com o cenho franzido.
- Ela tem esse costume ridículo de me xingar em português – Sebastian retrucou, aproveitando que ela ainda segurava seu braço, e a puxou para si, fazendo-a cair em seu colo, evolvendo os braços pelo ombro dela, que nem tentou fugir e só se recostou nele.
- Como assim, vocês se conhecem a sete meses, e você não ensinou o Tan a xingar em português? – a estilista perguntou descrente.
- Na verdade a gente nunca parou pra falar disso – falou, virando um pouco o rosto para olhar para Stan.
- Acho que também nunca parei pra te ensinar isso – ele falou, também olhando para ela.
- Se vocês não transam, e nem fazem essa troca de idioma, então o que vocês ficam fazendo tanto tempo juntos?
se voltou para a mulher, já abrindo a boca para falar uma coisa que o romeno tinha certeza do que era, mas que ele ainda não estava preparado para contar para . Então ele simplesmente falou na frente de .
- Maratonas de séries e filmes.
os encarou, sentados daquele jeito, se perguntando onde que errou com o amigo para ele ser tão cego assim.
- Vocês são muito chatos – suspirou, se levantando da poltrona e se jogando na cama, deitando a cabeça nas pernas da brasileira – O que estão esperando para ensinar alguma coisa um para o outro? – Perguntou, jogando a cabeça para trás para poder olha-los.
voltou a olhar para o homem com um sorriso no rosto.
- O que você quer aprender? – ele abriu a boca para responder, mas antes que ele pudesse verbalizar, ela colocou a mão sobre a boca dele – Só não me pede meus preciosos xingamentos, se não vai perder a graça.
- Então que merda que ele vai falar? – perguntou indignada, mas logo teve uma ideia que a fez sorrir – Hell, qual a primeira coisa em inglês que você aprendeu a falar?
- Mãe? – falou meio em dúvida.
- Tá... – suspirou, ela teria que ser mais específica – Amor é uma palavra fácil, ouvi dizer que é uma das primeiras palavras que os “gringos” aprendem a falar quando vão pra lá.
- Realmente – deu de ombros, se voltando para o romeno – Mais fácil que isso, só “Oi”, então repete comigo: Amor – ela falou a última palavra em português, mais devagar, para facilitar a compreensão do homem.
E ele repetiu, mas saiu alguma coisa mais parecida com “eimour” do que qualquer outra coisa.
- Nem foi tão ruim assim – ele reclamou ao ver as duas rindo – Okay, então fala dragoste – ele pediu/desafiou, rindo vitorioso da expressão confusa da brasileira.
- Drag o que?
- Vai, , nem é tão difícil – falou, rindo.
- Se é tão fácil, fale você – desafiou na cara dura, impedindo de deixar o queixo cair ao ouvir a resposta da estilista.
- Pot să vorbesc limba română, el ma învățat totul – ela disse dando de ombros, mordendo a bochecha e se esforçando muito para não rir loucamente da cara da ruiva, fingindo que aquela não era a única frase que sabia falar naquela língua.
Sebastian fazia a mesma coisa, já que ele não podia e nem queria acabar com aquela brincadeira. Não importava quantas pessoas eles faziam cair nessa, sempre ficava melhor.
- Eu não sei o que você disse, mas me soou romeno. O que você disse? – perguntou animada, olhando de um para o outro, esperando a tradução.
- Ela disse que sabe falar romeno muito bem, e que eu a ensinei – Stan falou orgulhoso. A ruiva só não precisava saber que todas palavras do vocabulário romeno de tinham sido gastas em sua única frase ensinada e aprendida.
- Como você aprendeu a falar isso? Parece russo! – ela exclamou chocada, encarando a mulher que só deu de ombros.
- Não é tão difícil depois que pega o jeito – ela falou super blasé, fazendo Stan pensar que se a carreira de estilista não estivesse dando muito lucro, ela poderia se tornar atriz sem nenhum esforço.
Mas como não sabia disso, ela simplesmente ficou deslumbrada, se voltando para o ator com um olhar determinado, o que o fez sorrir porque ele sabia o que ela faria.
- Draguste? – falou meio na dúvida se era aquilo ou não, sem perceber, deixando o sotaque brasileiro se apossar completamente de sua voz, fazendo Sebastian fazer uma careta no meio da risada.
- Você chega lá – disse encorajadoramente - Amour? – tentou novamente, negando com a cabeça ao ver a expressão da ruiva.
- Um dia você chega lá – ela bateu a mão no ombro dele, como se o consolasse.
- Hell, não é por nada não, mas seu voo sai daqui duas horas – anunciou se levantando da cama, indicando para que a outra também se levantasse e pegasse uma mão de Stan. Então as duas puxaram o ator de cima da mala, e finalmente conseguiu terminar de arruma-la.
Horas depois, estavam os três no aeroporto, só esperando a chamada para o voo, que não demorou a acontecer, já que eles chegaram no local em tempo recorde e já correram para fazer o check in, ouvindo as reclamações de sobre eles serem péssimos com horários e que já tinha dó dos filhos deles, pois as crianças nunca chegariam na escola no horário certo.
- Veja o lado positivo – falou, soltando a alça da mala e se aproximando de – Pelo menos vocês já podem ir embora e não tomamos chá de cadeira.
- Bem que dizem que brasileiro deixa tudo para última hora – reclamou cruzados os braços, fazendo a ruiva rir.
- Sabe outra fama brasileira? – ela disse, abrindo os braços e sorrindo – Abraço!
- Eu não estou com humor para abraços depois dessa mini maratona. Na verdade, eu quero, do fundo do coração, que esse abraço brasi…
não deixou ela terminar de reclamar, só envolvendo os braços ao redor da mulher que parou de falar e acabou retribuindo o abraço.
- Eu falei que ela é persuasiva – Sebastian falou, rindo por fora, mas com um pouco de medo do olhar que a estilista lançou para ele.
- Tenta manter ele vivo até o dia catorze, pode ser? Eu realmente quero ir nessa première – pediu, rindo ao ouvir o muxoxo do homem, sobre ele também gostar dela do fundo do coração – Eu sei que no fundo você me ama! – ela falou, soltando , e literalmente, se jogando contra o ator, que só soube sorrir e retribuir o abraço, apertando-a ainda mais.
- Mais fundo que a casa da Samara – ele murmurou, fazendo-a gargalhar e tentar se afastar. Como se ele fosse deixar ela fazer isso enquanto a companhia aérea não anunciasse até a última chamada do voo.
- Vocês brincam muito com as palavras – soltou baixinho, sorrindo ao ver a cena. Eles formavam um casal tão lindo, por que simplesmente não se beijavam e deixava acontecer? Será que ela teria que dar um empurrão tão forte?
Com o som da voz nos alto-falantes anunciando a última chamada do voo, Sebastian afrouxou o abraço e baixou o olhar ao nível dos olhos da ruiva.
- Na próxima semana eu apareço por lá, okay? – Perguntou, colocando uma mecha teimosa do cabelo dela atrás da orelha.
- Temos alguém aqui aceitando ir às compras comigo? – ela perguntou animada, apoiando as mãos na cintura dele, sem desviar o olhar em nenhum momento.
teve que tirar o celular do bolso e tirar uma foto daquilo, só para esfregar na cara dos dois quando eles viessem com aquela história de serem só amigos.
- Eu tenho outra escolha? – ele respondeu à pergunta com outra pergunta, se assustando um pouco quando as duas mulheres responderam em uníssono.
- Não.
Stan olhou de uma para outra, com o cenho franzido, causando risadas nas duas. Então deu um beijo na bochecha dele, pegou a mala e seguiu para a fila do portão de embarque.
Depois que ela sumiu da visão dos dois, não resistiu ao se virar para o amigo segurando o celular como se fosse um microfone e começou a “entrevista-lo”.
- Estamos aqui no aeroporto de Los Angeles com o ator e galã de Hollywood, Sebastian Stan, onde ele acabou de embarcar sua nova, linda e brasileira conquista amorosa, – ela disse, sorrindo para algum ponto acima do ombro de Sebastian, onde, supostamente, estaria a câmera – Nos conte, Stan, qual a sensação de saber que só poderá vê-la daqui duas semanas? – e aponteou o celular na direção dele.
- Eu vou ter uma vantagem de quanto tempo se te chamar de idiota agora e sair correndo? – perguntou, já flexionando os joelhos ao ver a amiga refletir por alguns milésimos.
- Três segundos – falou, mas antes que pudesse começar a contagem, duas mulheres se aproximaram com expressões de extrema felicidade, pedindo para tirar foto com o ídolo, então só se afastou um pouco e esperou o amigo para poderem voltar para casa.

- Quem é vivo, sempre aparece! – falou sorridente ao ver que, finalmente, depois de três dias seguidos, Ashley resolveu voltar a trabalhar, e estava sentada em sua mesa, ao lado da brasileira, em sua usual e perfeita ordem, diferente de que conseguiu bagunçar a sua no momento em que se sentou na cadeira – Aconteceu alguma coisa? – perguntou enquanto tirava o bloco de anotações e o gravador da bolsa, só para então se voltar para a amiga.
- Não – Ashley respondeu com uma voz fininha, olhando de soslaio para , que só deu de ombros e resolveu que se a outra não queria contar nada, então ela não saber de nada.
Após alguns minutos, quando já estava concentrada em três textos diferentes de diferentes fontes de informação para produzir uma matéria, a loira se voltou para ela com uma cara de quem não aguentava mais esperar, e ficou a encarando até levantar a sobrancelha como quem pergunta “Que diabos você quer?”. Resolveu.
- , você não tem nada para me contar? – Ashley perguntou manhosa, deixando a ruiva confusa, o que a fez bufar e olhar sugestivamente para a mão esquerda dela, só então percebeu que ainda estava com o anel de Sebastian, sua “aliança”, o que a fez sorrir e tamborilar levemente os dedos antes de se voltar para a amiga, dessa vez o sorrido era de deboche, que logo se transformou em uma gargalhada divertida.
- Você não acreditou nisso de verdade, acreditou? – a incredulidade escorria em cada palavra, e a loira a encarou quase com espanto.
- Por que vocês inventaram isso? E se cai nas redes sociais? Ou até mesmo nas mãos de alguém daqui de dentro? Trabalhamos em uma redação, , as pessoas escrevem de tudo por aqui!
realmente não entendeu a reação da outra. Geralmente, quando elas sabiam de histórias absurdas assim, elas passavam dias falando sobre aquilo só para rir. Mas uma coisa estava incomodando ainda mais do que o fato da reação.
- Ash, como você ficou sabendo disso? – ela perguntou adotando uma expressão séria, que Sebastian chamava de “Policial Sexy”, o que a fazia rir e acabar com o momento, mas ali não tinha muito do que rir – Tudo aconteceu no elevador, onde as câmeras só registram imagens, sem voz. E o Bast me tratou como sempre trata. Mesmo que alguém, além de quem deveria ter visto, nos viu juntos, não tinha nada além do que muitos daqui estão acostumados a ver.
Ashley precisou de um tempo para organizar seus pensamentos, então abriu o sorriso mais forçado do mundo e segurou a mão do anel, analisando ele.
- Eu vi as fotos do fim de semana, que você postou no Instagram – contou, mexendo no pequeno arco de metal do dedo anelar de , que continuou a encara-la cética – Tem aquela foto que você está entre a Scarlett e o Jeremy e ele está do lado do Renner, dá pra ver o anel tanto no seu dedo quanto no dele... E, bom... Ninguém ficaria muito surpreso se fosse verdade, não é? – finalizou meio sem graça, fazendo se sentir mal por ter pensado em qualquer possibilidade da mulher fazer algum mal com uma informação tão banal quanto aquela notícia falsa.
- Mas então, como foi lá? – perguntou, mais para fugir do assunto que ela mesmo se enfiou do que por real interesse no conto de fadas que era a vida da brasileira. E isso foi o suficiente para abandonar aquela expressão desconfiada/culpada e voltar com o típico sorriso largo que se espalhava nas bochechas sardentas e chegava até seus olhos dourados, o que sempre fazia Ashley soltar um mínimo suspiro de tédio que logo era encoberto por um sorriso perfeito.
Mais tarde, naquele mesmo dia, convenceu Ashley a irem até a carrocinha de cachorro quente do Sr. Hadash, que como sempre, fingiu que a loira não estava ali, e só deu atenção para a ruiva.
- Serão só alguns meses, minha menina – o indiano calmamente repetiu para uma com expressão de choro e felicidade ao mesmo tempo, por saber que o senhor iria passar um tempo com seu filho em sua cidade natal, na Índia.
- Fico tão feliz por saber que o senhor finalmente irá ver seus netos! – falou, abraçando o velho homem.
Quando ela se afastou, ele segurou sua mão esquerda e deixou um pequeno sorriso escapar de seus lábios. Um sorriso diferente dos que ele costumava dar para , quase triste, o que fez ela segurar as duas mãos do senhor e olha-lo com um pequeno sorriso para disfarçar o olhar de preocupação. Sr. Hadash negou com a cabeça, mantendo a mão esquerda dela na dele, levando a outra até o rosto da mais nova, deixando ali um afago com a típica ternura de avôs.
- Você encontrou as pessoas certas minha menina – ele murmurou, mexendo levemente no anel, sinalizando que ele sabia muito bem de quem era aquilo – Espero que se lembre do que eu te disse antes de conhecer aquele rapaz, não deixe ele se afastar – então ele olhou rapidamente para Ashley, que estava há alguns passos deles, e se voltou para novamente – Nem deixe ninguém afasta-los.
Então Sr. Hadash deu um casto beijo na testa de , e ela entendeu que era seu momento de voltar para casa. Ele nunca gostou da ideia da garota andando sozinha palas ruas de Nova York, e costumava dizer que quando a loira estava junto tudo podia se tornar ainda mais perigoso.
Já na estação de metrô, Ashley pegou o resto do cachorro quente de , sem nem pedir, só ouvindo a risada da ruiva, por ela ter insistido que não estava com fome enquanto estavam perto da carrocinha.
- O velho é louco – Ashley murmurou de boca cheia – Mas sabe fazer um lanche bem feito.

- Eu sei que foi bem legal, você deveria ir com a Gabi, ela foi comigo da primeira vez – falou para sua mãe.
Era uma terça-feira à noite, dia oficial da vídeo-chamada para o Brasil. Não que e Breno não conversassem praticamente o dia todo, mas os pais deles optaram por uma saudável conversa uma vez por semana, onde eles conseguem acumular assuntos durante a semana toda e descarregar tudo na terça, o dia menos ocupado na redação. Por ela, essa conversa seria feita nos fins de semana, mas os mais velhos gostavam de acreditar que a garota mantinha uma vida social, e nos últimos meses eles gostavam de dizer que os fins de semana eram de Stan, então mesmo que o ator estivesse na Europa, eles não ligariam para ela num sábado, já que supostamente, esse dia é Sebastian que fica completamente e totalmente encarregado das chatices da pirralha . Palavras de Breno.
- Não sei... – Adriana falou mordendo o lábio, sua expressão de agonia quase sendo transmitida para sua filha – Eu não tenho mais idade para isso. Você foi quando tinha dezoito anos! Hoje em dia você não iria nem por decreto do Barack Obama!
riu, quase confirmando que aquilo era verdade, mas sua mãe não precisava saber disso.
- Mãe, saltar de paraquedas é a melhor sensação do mundo! Você precisa experimentar!
O barulho da porta sendo destrancada chamou a atenção de , que abriu um largo sorriso ao ver Sebastian. Ela queria se levantar e ir abraça-lo, mas sua mãe não gostaria de ser deixada de lado – experiência é tudo -, então ela deu um “Olá” para ele, que deu a volta por trás do sofá e parou atrás dela, depositando um beijo em sua testa, se voltando para o notebook e sorrindo ao ver a mãe da amiga ali.
- Oi Adriana, tudo bem? – perguntou educadamente, deslizando as mãos até os ombros da ruiva e fazendo ali uma massagem nada confortável, então levou um tapa ardido no antebraço. Com a típica maturidade de duas crianças de cinco anos que os dois tinham juntos, ambos mostraram a língua um para o outro, e no final, Stan depositou mais um beijo na testa dela antes de anunciar que precisava tomar banho, e seguir para o banheiro.
- Eu ainda sonho que esse beijo vai descer pra sua boca – Adriana contou com os olhos distantes, como se realmente sonhasse com aquilo.
se ajeitou no sofá e pegou mais um alcaçuz, lançando um olhar divertido para a mãe. Era oficial, naquelas últimas semanas, muito mais que nos últimos sete meses, todos decidiram que precisavam que Stan e se tornassem um casal.
- Esse, oficialmente, não é o mês da amizade – ela disse, rindo.
- Quem mais cansou de te ver encalhada? – Jonas perguntou, entrando na conversa de repente, se sentando ao lado da esposa e encarando a filha divertido.
- Pai, eu não estou encalhada! – ela resmungou, com uma voz contrariada, mas o sorriso não deixava ela mentir – Eu não tenho uma vida assim tão parada como vocês costumam pensar, mas não vou entrar nesse assunto com vocês – Jonas fez uma pequena careta, como se também não quisesse estar tão a par assim da vida da filha.
- De qualquer forma – ele se ajeitou ao lado da mulher e passou o braço pelos ombros dela, começando a falar em inglês – com quem posso me aliar?
Sebastian, que estava saindo do banheiro, já completamente vestido após um banho rápido para os pais da brasileira não ficarem pensando que ele ia até a casa dela só para aumentar as contas, ouviu a última parte da conversa, e resolveu se juntar a amiga no sofá e saber com que poderia fazer passar vergonha com a ajuda de Jonas.
- Já falei da citou, começando a contar nos dedos, se sentando mais no canto do sofá para não deixar nenhuma brecha para Stan tentar roubar o lugar favorito dela – A Ashley achou que nós iríamos nos casar por causa disso – levanto a mão rápido, mostrando o anel – O Mackie, que estava sumido há dias, me mandou mensagem só para dizer que é pra nos assumirmos só depois que ele voltar do Canadá, porque ele quer presenciar esse momento fisicamente. O Bre, mas ele não é segredo pra ninguém... Ele só quer ter um famoso pra dizer que conhece – deu de ombros e olhou para o romeno.
- Me sinto usado – ele reclamou, recebendo um olhar que dizia “Fazer o que? É a vida”, de .
- Temos um bom exército – o mais velho comentou com a esposa, e quando ia abrir a boca para falar alguma coisa, seu celular tocou. Sebastian, que estava sentado em cima dele, o pegou e entregou para ela, franzindo o cenho ao ver o número.
- É da redação – ela disse, se levantando e indo para a cozinha.
- Vão vir pra cá na Copa? – Adriana perguntou. De novo.
Já fazia quase um mês que ela perguntava sobre isso, e os dois gostariam muito de dizer que iriam, mas o problema é que não fazia ideia de quando seria suas férias, e Sebastian estava fechando um contrato para um filme que começaria a ser gravado praticamente na semana de abertura da Copa. Tudo indicava que eles teriam que esperar até 2018 para cogitar a possibilidade de irem assistir algum jogo no estádio.
- Ainda não foi marcada a reunião na Fox, sem a data deles, não dá pra saber quando vou poder viajar – ele explicou, escorregando para o canto do sofá.
- É aquele filme de marte, né? – Adriana perguntou, se lembrando de alguma coisa relacionada a isso que a filha havia contado para ela.
- A está mais empolgada para esse filme do que eu – comentou, fazendo os mais velhos rirem.
Então eles ouviram resmungando sobre Stan ter roubado o lugar dela, e logo ela apareceu na tela novamente, sentada ao lado de Sebastian com as penas jogadas sobre as dele.
Ele se virou para ela, questionando com o olhar o motivo daquele sorriso mal disfarçado brincando nos lábios dela.
- Quem era?
- Tobias – ela disse como quem diz que comeu pão no café de manhã, colocando o celular na mesa de centro.
Um peso estranho subiu pelo estômago do romeno, empacando em sua garganta. Por que aquele cara estava ligando para ela? O que ele queria? Por que ela atenderia uma ligação dele?
Sem perceber, ele fechou a cara, e a encarou de cenho franzido. Mas não foi necessário ele pronunciar uma palavra sequer para que ela entendesse aquele olhar, sorrindo para ele.
- Podemos ir pra LA na quinta. Sexta eu ‘to livre! – contou, levantando a mão para bater um high five, mas ele ignorou isso e a puxou para um abraço apertado.
Faziam duas semanas que eles não se viam, aquele era um ótimo motivo para abraça-la segura-la contra si quando ela repousou a cabeça no peito dele.
- O que você vai fazer do outro lado do país dessa vez? – Jonas perguntou, só para manter a pose de pai durão, já que Adriana estava fazendo o papel de mãe babona muito bem.
- Não te contei? Vou a uma première de um filme da Marvel – falou toda metida, mantendo o sorriso discreto para não estragar a pose.
Stan colocou a mão no rosto dela, o tampando quase inteiro, fazendo ela rir e se sentar direito no sofá.
- Deixa o Breno saber disso – Adriana apontou, sabendo que o vício da garota tinha se espalhado para o filho também.
- Ele já sabe – a ruiva deu de ombros – Estou fazendo inveja para ele desde que o Bast falou que me levaria.
- Não foi nesse filme que vocês se conheceram? – o pai da garota perguntou meio confuso, olhando de um para o outro.
- Sim, mas aquilo era a Comic Com, é uma divulgação do filme. Agora vai ser a estreia – Sebastian explicou.
- Como o Biel ainda não me encheu os picuá pra pedir dinheiro pra ir no cinema? – o homem perguntou em português para a esposa, recebendo como resposta a risada das duas mulheres da família.
- Pai, ele já ligou até para mim – contou em inglês, explicando em seguida para Sebastian o que o homem havia dito – Até com o Bast ele já falou, inclusive.
- Ele está falando com você bem? – Adriana perguntou orgulhosa.
- O inglês dele está ótimo! Falei pra trazer ele pra cá nas férias escolares, ele vai adorar.
- Sim, ai ele fica lá na sua casa, e tu controla o trânsito de mulheres por lá, porque eu que não vou ficar cuidando de um pré-adolescente e acabar com minha rotina.
- ! – Adriana a repreendeu
- E que rotina? Decorar falas de filmes? – o romeno retrucou, recebendo o dedo do meio como resposta – Tenho dó dos seus filhos.
- Eu gosto de criança, mas o Biel já está entrando em outro patamar, não tenho idade pra isso.
- Ele tem onze anos, .
- Eu sei! Que pesadelo, tadinha da Gabi, saudades de quando ele ainda tinha uns três! – falou rápido.
- Okay – Sebastian falou – Eu oficialmente desisto de você.
- Não desiste, não – Jorge disse – Nós – apontou para si e a esposa – já desistimos. Ela é sua obrigação agora.
- Por que você saiu do país, ? – a própria se perguntou, imitando alguma voz muito aguda – Olha com meu pai me ama, sangue do meu sangue! – dramatizou, e faria mais se Stan não tapasse a boca dela novamente, a puxando para si de forma que o rosto dela ficou escondido no peito dele.
- Não lembro de ter assinado isso – o ator falou para o pai da garota sem solta-la, fingindo não sentir o movimento dela para tentar se soltar.
- E o contrato é grande – Jonas falou sério, tendo esse trabalho dificultado quando a filha, frustrada por não conseguir escapar dos braços do rapaz, começou a estapear a perna dele.
- Eu tenho que começar a ler os termos dessas coisas que eu assino – o romeno comentou, vendo o mais velho assentir.
- Pronto? Já me bullynaram o bastante hoje? – a ruiva perguntou contra o peito do ator, que a soltou e olhou-a sorrindo.
- Por hora - ela mostrou a língua para ele e soltou um bocejo, e Stan não resistiu a apertar a bochecha dela – Tão fofa, nem parece que é tão chatinha.
- Ator Sebastian Stan é encontrado morto em uma lixeira do Central Park, peritos tentam descobrir por meio de algum rastro o possível autor do ato. Fãs estão de luto pelo mundo todo – anunciou, bocejando novamente – O que acha dessa manchete amanhã no Times?
- Acho que você está agressiva.
- E com sono – Adriana interveio – outro dia conversamos mais. Boa noite, minha linda. Boa noite, Sebastian.
- Boa noite. Juízo vocês dois, hein – Jonas aponto, rindo ao ver Stan corar e a filha rir disso também.
- Boa noite – falaram juntos – Amo vocês – acrescentou, então a chamada foi encerrada, ela fechou o notebook e olhou para Sebastian – Vamos dormir?
- Tem alguma coisa pra comer? – perguntou, fazendo uma cara de cachorro sem dono, fazendo soltar uma risada pelo nariz por saber que ele só não tinha atacado a cozinha, por causa dos pais dela.
- Tem pizza na geladeira – informou, se levantando e seguindo para o corredor – Por favor, não me descobre quando for deitar. Só te peço isso.
- Desde quando eu faço isso? – perguntou indignado, indo para a cozinha.
- Desde sempre?
Na tarde seguinte, Sebastian foi buscar no trabalho. Como ela estava adiantando conteúdo já que não iria trabalhar na sexta, acabou saindo alguns minutos mais tarde, tempo que o ator passou conversando com Ashley, que saiu no horário normal.
Quando finalmente desceu, a loira já tinha ido embora, e Sebastian estava conversando com uma mulher desconhecida, próximos ao carro.
- Eu estou muito ansiosa, desculpa – a mulher falou com um sorriso que não cabia em seu rosto, e só então, entendeu o que estava acontecendo.
- Ouvi dizer que ele adora tirar foto – a ruiva falou quando se aproximou o suficiente da dupla.
Sebastian sorriu ao vê-la e depositou um beijo em sua testa, sem se afastar da mulher que franziu o cenho por um instante, mas logo aumentou ainda mais o sorriso.
- Você é a brasileira, certo? – perguntou animada.
O casal de amigos se entreolharam por um instante antes de voltar a atenção para ela.
- Sou... ? – a resposta saiu mais como uma pergunta por simplesmente não ter ideia de como ela sabia daquilo, uma vez que ela e Sebastian praticamente só ficavam em casa, e ele postou uma única foto com ela, sem marcação nem legenda, e as redes sociais dela continuavam com o mesmo número de seguidores de sempre.
Stan, por outro lado, tinha uma noção de como aquilo estava acontecendo, já que ele acompanhava de perto os perfis de fanpage dedicado à ele ou algum de seus personagens.
- Oh! Você é ainda mais linda pessoalmente! Vocês dois são!
- Obrigada! – agradeceu simpática, mas por dentro se perguntando o que estava acontecendo – Hummm... Quer que eu tire a foto para você? – perguntou atenciosa ao reparar como a moça segurava o celular com força.
Ela balbuciou alguma coisa que não entendeu bem e abraçou Stan de lado, que retribuiu o abraço apertado e sorriu para a câmera.
Foto tirada, mais algumas palavras de agradecimento tanto por parte da fã quanto do ídolo, a moça se afastou e os dois finalmente entraram no carro. A última – e única – vez que fãs abordaram Sebastian em companhia de , foi em San Diego, no dia que eles se conheceram, e elas deram atenção zero para ela, mas aquilo foi bem diferente.
- Parecia que ela estava mais nervosa por conhecer você do que eu – O romeno comentou após dar a partida.
A jornalista o encarou por alguns segundos antes de soltar uma risada nervosa.
- Calma, ainda estou tentando aceitar o fato que ela sabe alguma coisa sobre mim.
- Saíram fotos nossas em San Diego, depois eu postei aquela foto com você. Sempre que posso te busco no trabalho. Não é como se ninguém fosse procurar nada sobre você – disse, dando de ombros, e olhou para ela , aproveitando que o sinal tinha fechado – Tudo bem?
Ela respirou fundo e soltou o ar pesadamente, fazendo um biquinho enquanto avaliava a situação. Ela escolheu a profissão de redatora exatamente por não se dar bem com essa coisa de lidar diretamente com pessoas, mas o ator famoso ali não era ela, e sim o homem sentado ao seu lado, olhando-a a cada meio milissegundo para ter certeza que ela se sentia confortável com a situação. Então porque não se sentir?
- Não é como de você fizesse parte de uma banda de rock com fãs loucas que querem matar todas as mulheres que se aproximam dos integrantes – falou, dando de ombros, recebendo um breve olhar de cenho franzido - Eu ainda vou te convencer a ler uma fanfic.
Ele soltou uma risada, aliviado por vê-la fazendo piada com aquilo, relaxando no banco do motorista.
- Então, o que vamos fazer hoje? – perguntou para não deixar a conversa morrer.
- Dar ordem às minhas roupas – prontamente respondeu.
- Você não fez isso segunda? – choramingou virando uma esquina.
- Breno me ligou e eu acabei desistindo, mas de hoje não pode passar.
Stan até começou a ajudar, mas depois da terceira peça de roupa ele percebeu que tinha zero por cento de jeito para dobrar qualquer coisa, e estava mais atrapalhando do que ajudando, então o enxotou de perto do armário e ele acabou sentado na cama, com as costas apoiadas na cabeceira e mexendo no celular da ruiva.
Depois de algum tempo na galeria, uma dúvida surgiu em sua mente. Se ele estava sempre ali, por que ela tinha mais fotos dele caracterizado como personagem do que no estilo dia-a-dia?
- , por que você tem tanta foto minha de uniforme do exército aqui? – Sebastian perguntou, não entendendo o número de fotos dele de farda.
A ruiva parou de mexer nos cabide e se virou vagarosamente para ele, que continuava a passar as fotos e nem viu o sorriso forçado dela.
- Porque você fica maravilhoso de farda? – perguntou meio nervosa. De repente aquela brincadeira com as meninas do grupo tomou uma proporção inesperada.
- Você fica maravilhosa de lingerie e nem por isso tenho mais de duzentas fotos suas assim – falou, parando de olhar as fotos e olhando para ela.
desistiu mais uma vez naquela semana de arrumar o guarda roupa e, suspirando alto, foi se sentar ao lado do homem na cama.
Aquilo seria estranho.
- Então, Bast – começou, tirando o celular das mãos do ator e colocando em cima do criado-mudo. Pelo menos assim, não veria se o grupo resolvesse criar vida bem naquele momento e não jogaria toda a culpa em uma das garotas – Você já reparou como pessoas uniformizadas são atraentes?
Ele franziu o cenho e a olhou sem entender o porquê dela ter mudado a postura daquela forma.
- Você tem sonhos eróticos envolvendo eu vestido de soldado? – perguntou risonho, e percebeu que o temor dela era desnecessário. Nem ela sabia dizer porque ficou tão apreensiva com aquilo. Por um momento achou que ele poderia achar invasivo talvez, mas o fato dele brincar com aquilo a fez suspirar aliviada.
- A coisa não é bem assim – respondeu rindo – mas é quase isso.
Ele parou por um instante. Aquele monte de imagens só podia ter saído de um lugar.
- Okay, o que essas mentes sujas andam pensando? – questionou, rindo da careta que fez. Ela não ficava envergonhada com qualquer coisa, mas ali, por mais que ela estivesse rindo e não estivesse nem um pouco vermelha, ele sabia que ela estava com muita vergonha.
- Você nunca mais vai me ver com os mesmos olhos – profetizou.
- Já transamos e isso não aconteceu – desdenhou, achando aquela cena um tanto dramática para o padrão de .
- Okay, é meio que uma brincadeira, que qualquer mulher se ajoelharia aos seus pés se você falar “On your knees doll” uniformizado com essa farda do exército – falou rápido, a vergonha sendo substituída pelo divertimento ao ver a expressão do homem.
Era uma mistura de tudo e nem ele sabia o que pensar. Ele se levantou e deu uma volta completa no cômodo, voltando para perto da cama, mas ficando de pé na frente da ruiva ao invés de se sentar como antes. Ela só assistia tudo, mordendo o lábio para prender o riso.
- É sobre isso que vocês conversam naquele grupo? – perguntou com uma voz estranha – Por isso você não me deixa ler as mensagens quando vejo algo escrito em inglês, né espertinha – questionou rindo e deu de ombros.
- Eu tenho que manter minha imagem de santa – falou, piscando rapidamente os olhos.
- Quer dizer então que de eu falar isso agora, meu dia fica mais feliz? – perguntou sacana, vendo a amiga abrir um sorriso de canto.
- Não sei – murmurou, mordendo o lábios inferior – Tente e descubra.
Ele passou a língua pelos lábios e sorriu vitorioso. O que tinha a perder?
- On your knees doll – murmurou com a voz rouca.
O efeito foi imediato. No mesmo instante estava ajoelhada a sua frente, as mãos começaram a percorrer lentamente do joelho e foram subindo, quando chegou na virilha ela se aproximou ainda mais, mas subiu a cabeça ao nível do cós da calça dele, arranhou a pele por baixo da camiseta. Chegou mais perto e deu leves beijos da extensão do “caminho da felicidade” ao cós da calça, e quando aproximou as mãos para abrir o botão e o zíper, se levantou e depositou um beijo na bochecha de um Sebastian perdido.
- Realmente – falou, pegando o cabide e voltando para perto do guarda roupa – Essas palavras têm fortes poderes quando saem da sua boca.
Stan, que ainda estava parado, perdido em sensações e pensamentos, se virou revoltado para a direção da brasileira.
- ! – exclamou contrariado, vendo ela rir abertamente – Você não pode fazer isso!
- O que? – perguntou fingindo surpresa, enquanto dobrava uma camiseta que estava perdida entre os vestidos – você não achou que eu ia fazer isso assim né? Sem mais nem menos.
- , você é uma pessoa horrível! – falou revoltado, indo para o banheiro em passos firmes, ouvindo a gargalhada divertida da ruiva.
Depois do banho, Sebastian resolveu que seria uma ótima ideia não se vestir, e saiu andando pelo apartamento todo só com a toalha enrolada na cintura.
No início riu, dizendo que aquilo não adiantaria e que ele acabaria por pegar um resfriado, mas quando ela terminou de arrumar o guarda roupa e foi para cozinha procurar algo para comer, se permitiu ficar parada por algum tempo no hall do corredor observando o amigo. Ela estava tão acostumada com a presença dele, que as vezes se esquecia que além de lindo e simpático ele também era extremamente gostoso.
- Bast, vai se vestir – ela pediu depois de pigarrear, finalmente seguindo para cozinha.
- Depois de quase me comer com os olhos, vem tentando dar uma de certinha? – perguntou divertido, sem desviar o olhar da televisão.
- Coração, eu te olho como se quisesse te comer mais vezes do que você imagina – falou da cozinha, concentrada em colocar os pedaços de pizza do dia anterior no micro-ondas.
- ? O que você está fazendo aqui? – Sebastian gritou do corredor, mas voltou só para olhar a cara de , que estava dando risada.
- Ela afeta – falou dando de ombros, então deu um pulinho e se virou para o armário, pegando alguma coisa ali dentro e colocando em cima da mesa – Comprei um presente pra ela.
- Você o que? – perguntou surpreso. Sabia que a ruiva tinha gostado da estilista, mas não tanto assim. Se aproximou para mexer no embrulho, mas segurou seu pulso e o olhou séria.
- Vai se vestir.
Ele a encarou com uma expressão que poderia ser considerada proibida para menores de dezoito anos e foi se inclinando, se aproximando do rosto dela, cada vez mais próximo, e quando seus narizes estavam roçando, ele mudou a trajetória e depositou um beijo estralado no meio da bochecha dela.
só percebeu que tinha prendido o ar quando o micro-ondas apitou e ela, num pulo, se virou para tirar o prato de lá. Quando se voltou para a mesa novamente, Sebastian já não estava ali, e ela não sabia dizer se aquilo a deixava mais a aliviada ou frustrada.
No dia seguinte, trabalhou só até a hora do almoço e Sebastian foi busca-la para juntos irem até o ateliê que recomendou para comprarem o vestido da brasileira.
estava muito empolgada para o evento. Em uma noite, praticamente todos os sonhos dela se tornariam realidade. Assistiria um filme de um de seus super-heróis favoritos com exclusividade, conheceria um de seus atores favoritos – que por mais que ela tenha tentado com todas as forças pegar rancor pelo que houve com , o máximo que conseguiu foi chegar à ridícula desculpa de saber separar vida pessoal e profissional. Não, ela não estava orgulhosa de si mesma, mesmo Sebastian dizendo que o que aconteceu entre Evans e era uma coisa exclusiva deles, e que ela não deveria se importar com isso, mesmo ele odiando a ideia de que provavelmente ela ficaria babando pelo loiro mesmo que não assumisse aquilo para ele. E também teriam os diretores e produtores do filme, coisa que sempre foi fascinada. E o fato de que Samuel L. Jackson iria estar sob o mesmo teto que ela, só tornava tudo ainda mais mágico.
- Deus, nunca mais vamos sair daqui – Stan reclamou no instante que colocou os pés no lado de dentro do ateliê.
O lugar não era muito grande, mas também não estava nem perto de ser simples, tudo ali esbanjava glamour e imediatamente constatou que todas as economias dela ficariam ali dentro. Mas esse pensamento passou como o Flash costuma passar pelas ruas de Central City, e puxar Sebatian pela mão até uma das araras repletas de vários modelos exuberantes, foi bem mais fácil do que ela achou que poderia ter sido.
- Posso ajuda-los? – uma senhora muito parecida fisicamente com a Professora Minerva apareceu ao lado deles.
- Nós vamos à uma première e...
- Acho que sei do que você precisa! – a senhora a interrompeu, indo para o outro lado da loja, só se virando para verificar que a dupla a seguia e logo se enfiou em um emaranhado de tecidos que tanto Stan quanto julgavam ser peças ainda não finalizadas.
- Prestativa ela, não? – o romeno murmurou para , que deu de ombros e resolveu seguir a mulher.
Tédio já não era uma boa definição da situação de Sebastian. Tudo o que ele queria era ir para casa, deitar e não ver mais nenhum modelo de vestido por um bom tempo.
Já fazia mais de três horas que eles estavam naquele ateliê, já tinha experimentado tantos vestidos que ele já tinha perdido as contas, e quando ele começou suspeitar que já não restavam mais modelos para serem experimentados e descartados por algum detalhe invisível, a senhora apareceu com dois vestidos verdes, fazendo a ruiva perder mais meia hora só os encarando.
- Você sabe que só vai usar isso uma única vez, certo? – o ator perguntou, praticamente deitado no puff que ficava de frente para o provador que estava usando com mais frequência que ele considerava saudável.
- Sim, mas vai ser A noite – ela murmurou sem tirar os olhos dos vestidos que tiveram o poder de congelar seu cérebro e levar seus dons de escolha abaixo de zero.
- É só experimentar, você já fez isso tantas vezes hoje! – ele resmungou meio desesperado, encarando a amiga com uma expressão digna de dó.
- E se eu não gostar de nenhum dos dois? Não vai dar tempo de procurar outra coisa. Bast, para com essa cara! E se nada ficar bom!?
Talvez, só talvez, a brasileira estivesse tendo uma crise de ansiedade.
- , você vai ficar linda até se for só com uma toalha de mesa enrolada no corpo, mas pelo amor de Deus, anda logo, eu estou morrendo de fome!
Talvez foi pelo apelo dele, ou talvez ela também tenha percebido que trocar tantas vezes de roupa dava muita fome, então após um longo suspiro, ela pegou os vestidos e entrou no provador.
O primeiro tinha uma barra com uma pequena calda de sereia, nada muito exagerado, mas o suficiente para deixar aquele rastro de elegância. A parte de cima tinha duas largas alças, costas completamente fechadas em um tecido mais transparente, diferente do busto, que contava com um decote extremamente cavado e uma faixa um pouco acima da cintura que finalizava o decote e dava continuidade à peça. Na lateral da saia tinha uma fenda que começava no meio da coxa direita, mas só aparecia quando dava algum passo largo, o que ela fez várias vezes só para avaliar aquele detalhe.
- Ruivinha? – Stan a chamou, se perguntando pra que tanta demora para vestir uma única peça de roupa, tendo que se segurar para não deixar o queixo cair quando ela finalmente abriu a porta.
saiu do provador com todo o cabelo jogado para um único lado e o típico biquinho de reflexão nos lábios.
A única coisa que Sebastian soube fazer foi se sentar mais ereto e soltar um baixo e longo assobio.
- Se você escolher esse, eu pago como forma de presente de aniversário.
- Bast, meus olhos estão aqui em cima - falou, estalando os dedos para tirar a atenção do romeno dos seios dela - Eu não sei se gostei desse como estava pensando que iria gostar - declarou, segurando o tecido para não tropeçar, e se virou para o espelho novamente.
- Como não gostou? Esse vestido é incrível!
- Tirando a parte que você ainda nem olhou para ele e está tentando enxergar meus órgãos através desse decote, qual sua outra opinião sobre esse vestido? - ela perguntou, se virando para ele.
Stan a olhou nos olhos, com um pequeno sorriso amarelo nos lábio.
Qual é, não dava pra culpa-lo. Aquele vestido dava brecha pra pensar muita coisa.
- Você ficou mais alta com ele. Não vai dar pra eu te chamar de nanica se você for com ele - respondeu brincalhão, mas dessa vez realmente analisando o caimento do vestido no corpo da ruiva.
- Eu vou experimentar o outro, espera um pouco – pediu, voltando para dentro do provador.
O que ela estava no corpo tinha um grande zíper interno que começava da base da cintura e seguia toda a extensão da costela. Para fechar não foi muito complicado, mas para abrir ela acabou enroscando uma mecha de cabelo quando o zíper estava pouco abaixo do seio dela, e aquilo começou a dificultar muito sua vida.
- , está tudo bem ai? - Sebastian perguntou quando ouviu um barulho não muito saudável de alguém caindo vindo de dentro do provador.
- Na verdade, não - ela choramingou encostando a cabeça na parede do espaço com uma das mãos ainda na lateral do corpo - Pode vir aqui por um momento?
Stan ignorou o fato estranho de ela estar brigando com ele segundos atrás por ele estar secando os peitos dela e depois o pedir para entrar no provador, onde ela provavelmente estava somente de lingerie, e foi, só perguntando o que diabos estava acontecendo quando entrou no provador.
- Meu cabelo enroscou no zíper, me ajuda aqui - pediu com cara de choro, fazendo o homem se posicionar atrás dela com um sorriso nos lábios.
- Eu tenho medo de perguntar - começou só pra ouvir a ruiva o interromper dizendo que nem ela sabia como aquilo tinha acontecido - Okay, tira a mão daqui, que eu vou ver o que posso fazer.
Ela apoiou as mãos na parede e arqueou as costas na intenção de tentar afastar um pouco o tecido da pele e facilitar o trabalho do homem, mas isso não estava resolvendo muito já que o cabelo continuava sendo puxado.
- Porra, Bast! Arranca tudo de uma vez! - gemeu inclinando a cabeça para trás, ouvindo o homem rir abafado.
- Já ta saindo tudo, calma ai. E para de gemer assim com essa bunda encostada em mim porque eu ainda sou homem.
- Então anda logo! – choramingou, levando a mão às costas, ganhando um tapinha do rapaz.
- Falta só um pouquinho, calma ai – sussurrou, puxando um pouco mais o cabelo dela
Quando abriu a boca para falar, a porta do provador foi brutalmente aberta, revelando a dona do ateliê com o rosto meio corado e uma expressão raivosa.
- Será possível que terei que colocar uma placa de "proibido transar no provador" para as pessoas pararem de transar aqui?
até ficaria extremamente envergonhada pela situação, não fosse o jeito que a mulher reclamou do que eles supostamente estavam fazendo, e por um Sebastian quase roxo e gaguejante ao seu lado.
- Eu não... Nós não... Nos estávamos só... Não é... - ele tentava piamente falar mais que três palavras, mas percebeu que se não interferisse, a situação ficaria ainda mais constrangedora.
- Eu sei que você já deve ter ouvido isso, mas dessa vez realmente não é o que você está pensando - ela começou, vendo a mulher a encarar exasperada - Juro! O meu cabelo enroscou no zíper, e ele estava me ajudando, só isso.
Antes que a senhora pudesse gritar novamente, Stan se afastou da amiga e apontou para o zíper meio aberto com uma mecha de cabelo ainda ali, já que ele literalmente arrancou os cabelos da ruiva com o susto que levara da senhora.
Após a dona do ateliê ter se certificado que todos os fios de cabelo haviam saído do fecho do zíper, e que a garota ficaria sozinha dentro do provador e o jovem ator seguramente sob a supervisão dela, sentadinho no puff, saiu novamente do provador com a mesma expressão que os piratas provavelmente faziam ao encontrar o baú do tesouro nas praias.
E daquela vez, a reação de Sebastian não foi fazer brincadeiras ou ficar secando a amiga. Ele se endireitou no puff quase que em câmera lenta, analisando cada detalhe e pensando em como aquilo parecia ter sido desenhado especialmente para ela.
Ele era completamente bordado em um tom verde água , a parte de cima com um tecido tom de pele e bordado com delicadas flores desformes e algumas pequenas pedras espalhadas ao meio dos fios de seda do bordado. Abaixo do busto uma faixa horizontal separava o início da saia que era curta e ia até metade das coxas da brasileira, mas isso não tirava o toque especial que a peça tinha, já que por cima dessa saia, se sobrepunha uma no mesmo tom de verde só que transparente, e as mesmas flores desformes bordadas no busto se estendiam por toda extensão da saia longa.
- Então? – perguntou sorridente, mas meio apreensiva.
- Céus, você é linda demais! – a mais velha exclamou, encantada com o caimento da roupa no corpo da jovem – Não vai nem precisar de ajuste!
sorriu agradecida e voltou a olhar para o romeno que ainda a encarava sem dizer nada, não porque não queria, o cérebro dele apenas tinha desligado essa ação já que olhar para ela parecia ser o suficiente.
- Bast? O que acha? – perguntou dando uma voltinha, provocando um estalo na mente do ator, fazendo-o pigarrear e inspirar o ar com força.
- Perfeita – afirmou com a voz meio rouca, recebendo aquele sorriso largo que chegava aos olhos dela que, incrivelmente, naquele dia estavam esverdeados.
E aquilo o tirou daquele transe.
Era ali a sua frente, a mesma de sempre. Aquela moleca que sempre estava usando alguma camiseta com uma estampa nerd e all star surrado nos pés, e com cor de olhos indecisas, mas que sempre acabava voltando para o mesmo tom dourado. Não era novidade nenhuma para ele vê-la arrumada daquela forma, ou naquele caso com um vestido como aquele, já que com roupa ela nunca economizou. Ele não tinha ideia do porquê estar tendo aqueles pensamentos, mas tratou de afasta-los logo, antes que percebesse.
- Então... Vai ser esse mesmo, né? Eu realmente estou precisando comer alguma coisa. Que tal uma passada na Subway? – perguntou se levantando, sentindo e ouvindo as pernas estralarem, ouvindo a risada da brasileira.
- O Don disse que vai colar seus pés na academia na semana que vem – comentou, voltando para o provador para, finalmente, vestir sua roupa, pagar pelo vestido e irem para casa descansar um pouco antes do voo.
- Gosto de pensar que você estava se exercitando sozinha essas duas semanas, e que essas ameaças são frutos da minha imaginação – falou, pegando o cartão dela de dentro da bolsa que ficou esse tempo todo em posse dele – Última chance de deixar seu dia de amanhã mais perfeito e me deixar pagar – disse fechando a bolsa, se preparando para ir ao caixa.
- Já falamos sobre isso – abriu a porta já com suas roupas normais, segurando o vestido escolhido nos braços.
- Tudo bem, meu estômago está falando que a etapa de engordar é por minha conta – propôs, passando o braço pelos ombros dela e indo juntos até onde a dona do ateliê e vendedora que trabalhava ali os esperavam.
- Seu estômago sempre sabe o que dizer – aceitou sorridente.
Após concluir a compra e se despedir da senhora que de maneira muito coincidente realmente se chamava Minerva, por toda a paciência e pedindo desculpa pelo incidente do provador, fazendo Stan corar novamente, a dupla voltou para o carro.
- Então, preparada para amanhã? – Sebastian perguntou quando os dois terminaram de clicar o sinto.
- Se eu estou preparada para a melhor noite da minha vida? – perguntou retoricamente, fazendo o homem rir – Eu nasci para isso.


Capítulo 8

- Esse lugar é lindo demais – falou novamente enquanto observava da mesa do café que ela e estavam, o monte com o letreiro “Hollywood” e toda a extensão da cidade mais abaixo.
- Ainda não acredito que você nunca tinha vindo aqui – retrucou, bebendo mais um gole do líquido fumegante de sua xícara – Vocês não fazem nada interessante. Viver a América e não conhecer esse lugar, é como ir pro Brasil e não conhecer o Cristo.
Sebastian olhou divertido para a ruiva, que disfarçou pegando o celular de cima da mesa e desbloqueando para entrar no aplicativo da câmera.
- , você é uma desonra para aquele país! – acusou quase em desespero ao entender o que estava acontecendo ali.
- A única vez que fui pro Rio, foi só com meu pai, e ele passou o tempo todo em salas de reunião, então o máximo que eu conheço é Copacabana – deu de ombros como se aquilo não fosse nada, mas sua voz tinha uma pitada de culpa e autojulgamento.
- De que buraco do Brasil você tirou isso? – a estilista perguntou olhando para Sebastian, que soltou uma gargalhada, rindo mais ainda ao ver que mostrava a língua para ele.
Os três resolveram tomar café da manhã juntos em uma tentativa de acalmar , que por mais que tentasse afirmar de todas as maneiras possíveis que não estava nem um pouco apreensiva com aquela noite, os dois conseguiam ver de longe o nervosismo dela. Eles entendiam e estavam sendo super compreensivos com a capacidade que a ruiva adquiriu de não calar a boca quando começava um assunto aleatório ou ficar completamente calada olhando algum ponto aleatório quando o ator e a outra mulher começavam a falar de alguma coisa que ela, por mais que quisesse, não estava conseguindo se concentrar.
Obviamente não estava deixando aquilo passar em branco, soltando uma piada ou outra sobre o comportamento da ruiva, sempre tecendo comentários sobre os assuntos que a jornalista sequer finalizava e já iniciava outro.
- Você já conheceu todos que são interessantes no cast da Marvel, as únicas novidades serão o Samuel e a Emily - ela comentou quando Sebastian falou sobre Robert estar falando que iria à première porque precisava aparecer um pouco para os fotógrafos do evento terem pelo menos uma foto bonita.
- Louca por Star Wars – Stan apontou com casualidade para , como se aquele pequeno detalhe já não tivesse sido percebido pela estilista, uma vez que a camiseta que a ruiva usava naquele momento tinha as frases “I love u, I know” estampadas no tecido, e de cada três fotos que Sebastian tinha com ela em seu celular, em duas ela estava com alguma coisa referente à série.
- Mas o Samuel é um amor – abanou a mão no ar com descaso antes de roubar uma colherada da salada de frutas da outra.
- Diferente da Nojenta VanCamp – murmurou tentando focar a câmera no letreiro mais à frente deles, mas Sebastian estava sentado na frente dela, consecutivamente impossibilitando a visão – Bast, você está bloqueando a paisagem – reclamou.
- Eu sou a paisagem – o romeno afirmou com convicção, seguindo a câmera para onde quer que apontasse, rindo como dois idiotas quando se cansaram da brincadeira – E para com isso, você só conversou com a Emily na sessão de autógrafos.
- Corrigindo – apontou sem realmente olhar para o amigo porque estava digitando a legenda da foto para posta-la no Instagram – Eu peguei o autógrafo dela porque ela era a primeira da fila, e eu precisava passar por ela para chegar em você, na Scar e no Ch... – parou abruptamente ao perceber que iria falar o nome mais proibido entre aqueles dois do que Voldemort para o mundo bruxo, pigarreando para continuar – A maior palavra que eu troquei com ela foi “Oi”, e pretendo deixar isso desse jeito.
- Você nem sabe porque não gosta dela – ele rebateu, tirando o celular da mão dela e guardando no próprio bolso.
- Eu sei que não gosto, isso me basta. Devolve meu celular – disse entredentes, avançando nele por cima da mesa, quase derrubando o café de no processo.
- Pelo amor de Deus, não fui rebaixada à babá, podem apagar o fogo – falou alto, chamando atenção de algumas pessoas ao redor, mas não pareceu se importar com isso – Qual a razão do ódio pela loira aguada? – perguntou interessada para .
- Realmente não sei bem, mas não consigo assistir o que ela faz, e quando assisto tenho vontade de enforcar alguém – contou, se endireitando na cadeira.
- É a cara de entojada dela, né? – perguntou.
- Sim! E aquela atuação? Eu não sei nem mentir sem ficar vermelha, e ainda assim sou melhor atriz que ela.
- Obrigada! – jogou os braços para cima, como se agradecesse diretamente ao criador – Eu comentei isso com a Scar, mas ela disse que eu acho defeito em tudo, então nem me deu bola.
- Cobras – Sebastian falou, sendo completamente ignorado pela dupla.
- O pior de tudo é que eu até gosto da Carter, e eles escalaram justo ela! – reclamou, não que realmente tivesse entendido bem o que ela disse, já que os conhecimentos dela sobre os personagens da Marvel se resumiam ao universo cinematográfico. – Você não disse quem é seu personagem favorito – comentou, vendo um sorriso safado brotar no rosto do amigo – Não é Homem de Ferro, e obviamente não é o Capitão, então...?
- Eu gosto do Gavião.
Isso foi o suficiente para o homem não segurar a risada.
- De todas as faces dele – Sebastian falou, rindo.
Tanto quanto o encararam, cada uma por um motivo não muito distante. por ter vontade de torturar o romeno até ele implorar pela morte, por ele ficar falando de uma coisa que já tinha passado e que não tinha mais porquê ele ficar sempre voltando naquele ponto. Já , alternou seu olhar entre os dois, se perguntando por que pareceu se incomodar tanto com aquele comentário já que na festa os dois pareciam até muito bem entrosados. Sem contar que o incidente daquela noite aconteceu com o outro ex, então se tivesse que apostar, suas fichas não iriam para Jeremy.
- Daqui a pouco vai dizer que gosta da Viúva Negra, também – continuou com a mesma cara de safado, então não hesitou em jogar alguns bolinhos no ator.
- Okay. Essa eu não entendi mesmo – falou, ganhando o interesse de novamente.
- Então o Jeremy você entendeu? – perguntou, lançando um sorriso sarcástico para Stan – Alguém aqui esqueceu de tomar o remédio de amor à vida.
- , eu sou lerda, mas não sou trouxa – disse, desistindo da salada de frutas – Qualquer um com um pouquinho de vontade própria enxerga você e o Jeremy.
não respondeu, só pegou a taça da frente da brasileira e passou a comer as frutas, fingindo não ver o sorriso convencido de Sebastian.
- Ah! Eu tinha esquecido! Trouxe um presente pra você – falou quando o silêncio de meio minuto se tornou desconfortável para ela.
olhou meio surpresa para a ruiva. Ela sabia muito bem que tinha ficado com muito ciúmes de sua relação com Sebastian na noite da festa, e, embora na manhã seguinte ela tenha se mostrado uma ótima pessoa, achou que precisaria de mais um tempo para que caísse na “aprovação” da jornalista. Aparentemente, ela já tinha isso, e até o afeto da outra.
se inclinou para pegar o pacote em sua mochila que tinha dado um bom trabalho no aeroporto, tanto no embarque quanto no desembarque, mas segundo ela, a emoção tinha valido a pena, então Stan, que ainda não tinha visto o presente, resolveu não julgar. Mas quando ela foi pegar a mochila, acabou se inclinando muito rápido, e uma tontura acabou tomando posse de seu corpo.
Se não fosse Sebastian segura-la, a probabilidade de uma queda de cara no chão era bem grande. Ele a recostou no encosto da cadeira e passou a mão no rosto dela, que estava frio.
- Hey, o que foi isso? – perguntou preocupado, olhando-a nos olhos que tinham perdido o brilho dourado de segundos atrás e agora estavam em um castanho opaco.
- Hell, você está pálida – falou chamando um garçom e pediu um copo de água. Não demorou para o homem voltar, e só depois que a água encostou nos lábios de , ela recuperou o dom da fala e os movimentos do corpo – Nós deveríamos ir ao hospital – a estilista disse preocupada, pegando a mão da garota e constatando que estava tão gelada quanto Stan disse que o rosto estava.
- Não – murmurou, afastando a mão de Sebastian com o copo de perto dela – Gente, foi só uma tontura, não é pra tanto.
O romeno a encarou com a testa franzida, reparando que a cor dela estava voltando quase ao normal, assim como seus olhos, e aquele susto já havia passado, mas aquilo não o deixou menos preocupado.
- , você quase caiu aqui, e nem tocou na sua comida – murmurou colocando o cabelo dela atrás da orelha, ainda agachado ao lado da cadeira dela, já que ele acabou fazendo isso após impedi-la de dar um beijo no chão – O que você tem?
- Se vocês não jurassem tanto que são só amigos, eu teria um palpite – a estilista falou, os encarando com um sorriso sorrateiro no canto dos lábios.
- ! – a repreenderam em uníssono, vendo a mulher erguer as mãos em rendição. Então se voltou para Sebastian e passou a mão dos cabelos curtos dele até a nuca do rapaz, repousando a mão no pescoço dele, sob o constante olhar do ator – Bast, deve ter sido uma queda de pressão, juro que to bem – disse, fazendo um carinho involuntário no pescoço do homem – Pega a caixa pra mim, fazendo favor?
Ele soltou um suspiro pesado antes de tirar o pacote misterioso de dentro da mochila para entrega-la, depositando um beijo na testa da mais nova antes de voltar para sua cadeira.
- Hell, se não é dele, de quem é? – perguntou brincalhona, só para ver a cara de Sebastian.
- O Mackie iria adorar isso – comentou, se referindo ao presente olhando para Stan, então pegou a caixa com a cara amarrada.
- Acha que tem idade para retrucar comigo – resmungava enquanto abria o embrulho, mas se calou assim que terminou de abrir a caixa, e olhou para que mordia o lábio inferior em expectativa.
- Depois que você experimentou a que eu pedi na festa, não parou mais, e eu fiquei meio sem graça de não ter te dado nada depois que começamos a conversar, e por mais que eu tenha quase certeza que tenho uma parcela de culpa pelo que aconteceu depois... então... Hummm... Feliz aniversário? – explicou meio sem graça, estalando os dedos das próprias mãos enquanto falava.
não pensou duas vezes antes de se levantar e ir dar uma abraço na ruiva, que dessa vez, retribuiu com a mesma intensidade, o que fez as duas rirem já que das primeiras vezes que fizeram isso ou uma ou outra não estava em um espirito muito abraçável.
- Tan, se você não pegar ela logo para você, eu vou pegar para mim – falou, abraçada de lado com a brasileira, olhando para o romeno com um sorrisinho sugestivo.
- Suíça, , Suíça! – Stan falou brincando, se levando para separa-las.
A mulher soltou uma gargalhada e voltou a se sentar, e acabou que o ator também riu quando os dois olharam para uma com cara de paisagem.
- Eu odeio quando vocês fazem isso – reclamou cruzando os braços.
- Um dia talvez, criança, um dia talvez – murmurou, voltando sua atenção para o presente.
O conteúdo do pacote se resumia a uma caixa de madeira recheada de palha, descansando em cima da palha tinha uma garrafa da típica cachaça brasileira, um saquinho feito de palha trançada com uns cinco ou seis limões dentro, e, o mais legal ao ponto de vista de , um copo americano de vidro de modelo simples, mas nele vinha escrito em letras verdes e amarelas, em inglês é claro, a receita da caipirinha brasileira.
- Você merece o céu, Hell – disse feliz, fazendo os outros dois rirem com a confusão que aquele apelido causou para a frase.
Depois de alguns minutos, o telefone de tocou e ela teve que ir resolver alguma coisa relacionado ao figurino de Scarlett para a Première, deixando a dupla a sós no café, deixando um aviso sobre ela ser a madrinha do filho que estava esperando.
- Eu tentei entender sozinha, mas cheguei à conclusão que desisto, então me explica – pediu, tirando a carteira da mochila e chamando o garçom – Por que ela me chama de Hell?
Sebastian também pegou sua carteira, rindo ao lembrar da explicação mais sem lógica da história que deu para aquilo.
- Você é ruiva, isso faz ela lembrar de fogo, e ela gosta de Supernatural, diz que o inferno é muito mais legal que o céu, então ela te chama de Hell.
ficou alguns segundos absorvendo aquilo, e acabou rindo.
- Olha, já tive vários apelidos, mas nada comparado ao fogo do inferno.
- Pelo menos ela te acha legal – ele deu de ombros, se levantando assim que o garçom se afastou com a conta já paga.
- Me ame menos, romeno – brincou, cruzando o braço no de Sebastian para disfarçar como as pernas dela estavam bambas. Não que ele não tenha reparado.

Bia enviou uma Imagem.
“Somos só amigos”, eles dizem.
Imagem
“Vocês veem coisa que não existe”, ela diz.
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Vocês têm que parar com isso, não tem nada entre nós”, ele diz.

estava sentada em uma das banquetas da ilha da cozinha enquanto Sebastian fazia panquecas, – já que ele insistiu que ela deveria comer alguma coisa e ele insistiu em fazer – quando as mensagens chegaram.
Obviamente a fonte era o grupo das colegas brasileiras, sua eterna fonte de informação. Não fosse as benditas imagens, cenas que ela havia vivido a menos de uma hora na cafeteira, ela até acharia as fotos, que obviamente foram tiradas por celular, de muito bom gosto.
- Bast – chamou o homem, nem esperando ele se virar para já estender o celular na direção dele.
No primeiro momento ele não entendeu bem o que estava acontecendo, mas depois de olhar bem para a tela e perceber o que eram as fotos, ele pegou o celular, desligou o fogo e foi se sentar ao lado da mulher sem parar de olhar as fotos.
- Onde elas conseguiram isso? – perguntou sério, sem esperar por uma resposta e já digitando a pergunta.
- Não sei, mas calma – ela pediu, tentando tirar o aparelho das mãos do amigo, mas não obteve resultado.
Ana: Está em praticamente todos os ig’s dedicados a você.
Bia: Juro que só tirei print, nem comentei nada em nenhuma delas.

Sebastian largou o celular em cima da bancada e esfregou o rosto com força, só parando ao sentir o aperto de em seu joelho, então a olhou meio preocupado.
- Ninguém sabe quem eu sou, as meninas não vão falar nada, não tem por que ficar assim – ela assegurou, fazendo círculos com a unha por cima da bermuda que ele usava, olhando-o diretamente nos olhos. Talvez esse fato tenha feito com que ele não acreditasse nas últimas palavras dela.
- Mas depois de hoje à noite eles vão descobrir – falou, pegando a mão dela, cruzando seus dedos e ficou olhando alguns segundos antes de se voltar para o olhar dela – E não que eu seja um integrante de uma banda onde as fãs querem matar qualquer mulher que se aproxime mas...
- Bast – repousou a outra mão no rosto dele – Eu ‘to aqui, e só vou sair se você me pedir para fazer isso – falou firme.
- Você sabe que isso nunca vai acontecer, né? – perguntou sério, cobrindo a mão dela com a dele.
- Estou contando com isso – sussurrou sorridente, depositando um beijo na linha do maxilar dele, só porque aquela era a parte favorita do corpo do homem, e ele sabia disso – Mas não vamos nos preocupar com isso – ela propôs puxando o celular, bloqueando a tela e deixando ele no outro extremo da ilha – Hoje à noite será uma noite especial, de grandes emoções, e se formos analisar bem, até que as fotos ficaram muito bonitas.
- Quero ver essa autoestima no red carpet mais tarde – disse sorrindo, dando um leve peteleco na ponta do nariz dela antes de se levantar e voltar para o fogão para finalizar a calda das panquecas.
- Quem disse que eu piso naquele tapete? – perguntou receosa, pegando o celular novamente.
- Pretende entrar no evento pela porta dos fundos? – questionou, colocando o prato com as massas e a tigela com a calda em cima da ilha, e um prato na frente da mulher e outro para ele.
- Meu plano é me esconder atrás da no backstage – contou, pegando uma das panquecas e jogando muito chocolate por cima – Deus! Eu adoro essa panqueca!
- Alguém aqui tinha que saber fazer alguma coisa, né – murmurou, comendo um pedaço consideravelmente grande.
- Não começa, todo mundo tem um dia ruim na cozinha.
- No seu caso, são todos os dias?
- Você só me pega nos dias ruins
Sebastian só acreditou que ela havia dito aquilo totalmente na inocência, quando ele começou a rir e ela precisou de quase um minuto o encarando para compreender o motivo da graça.
- Você parece um adolescente as vezes – reclamou – Quantos anos você acha que tem?
Ele sorriu safado e passou o dedo indicador por cima da calda do prato dela, sujando a ponta no nariz da ruiva sem tirar aquele sorriso dos lábios em nenhum momento.
- Doze.
Depois de uma guerra de calda de chocolate sem campeão declarado, Sebastian praticamente obrigou a comer pelo menos mais uma panqueca já que ela dizia não estar conseguindo comer nem a primeira que pegou, mas ele sabia que aquilo era ansiedade, e ficar sem se alimentar não ajudaria em nada.
O dia passou sem mais emoções. O restante da manhã os dois se jogaram no mesmo sofá e ficaram tentando convencer as colegas de que aquelas fotos não eram nada e que se um dia eles se assumissem elas seriam as primeiras a saber – depois de , é claro, eles tinham amor à vida –, claro que isso fez as brasileiras surtarem falando que eles já estavam juntos, inventando mil teorias sobre o assunto, e por fim desistiram disso, pedindo para gravar um pedaço do filme para elas, e Stan dizendo que esconderia o celular da amiga até o dia seguinte. De tarde eles resolveram assistir Capitão América O Primeiro Vingador, simplesmente porque não estava se aguentando para ver Soldado Invernal logo.
Por volta das quatro e meia, foi tomar banho e começou sua típica rotina de demorar horas para fazer quase nada em seu visual, na opinião de Sebastian, que sempre reclamava da demora, mas sempre acabava babando. Naquele dia não foi diferente. deu duas opções de terno para Stan na semana anterior, e quando ele escolheu um ela falou para ele vestir o outro, um elegante terno completamente preto, uma camisa social também preta e uma gravata na mesma cor. Não eram nem seis e meia quando ele terminou de se arrumar, já que ele se deu ao luxo de enrolar um pouco para tirar o excesso da barba por fazer, isso não o impediu de deitar na cama e passar mais uma hora conversando com Anthony coisas aleatórias, inclusive entraram em uma aposta sobre a possibilidade do sapato de ser preto. Quando o romeno pensou na possibilidade de ter que começar a chamar a ruiva, a porta do banheiro, finalmente, foi destrancada e saiu de lá.
Aparentemente, ele havia se esquecido que o fato dela ser linda aumentava muito mais com aquele vestido, e ele a deixava simplesmente perfeita. Pela primeira vez, de todas que eles saíram juntos, ela não escondeu as sardas com maquiagem, e aquilo pareceu deixar seus olhos amarelo-esverdeados ainda mais intensos. O cabelo estava preso em uma trança embutida na diagonal, deixando a trança por cima do ombro e alguns fios moldando o rosto. E um pequeno detalhe, meio importante já que ele havia apostado com o amigo, o sapato dessa vez era um scarpin branco.
- Wow, você está muito lindo! – ela exclamou, se aproximando dele.
O gelo que havia se formado no cérebro dele quando a ruiva entrou no quarto se desmanchou quando ela sorriu e disse aquilo, fazendo ele sorrir também e repousar as mãos na cintura dela.
- Eu queria dizer isso também, mas linda ainda não é a palavra ideal – comentou a puxando para si, percebendo que adorava ainda mais aquele vestido, pelo tecido dele ser fino e extremamente maleável. E com esse pensamento o ator tirou as mãos da mulher e se afastou pigarreando – Não acha que esse vestido é muito fino? Você não vai passar frio?
- Bast, não começa, meu pai está em Curitiba, não traz ele pra cá através de você – brincou, colocando os brincos e uma pulseira com detalhes bem parecidos com o do vestido – Além do mais, qualquer coisa eu pego seu paletó e problema resolvido.
- Okay – murmurou, levantando as mãos na altura do rosto em sinal de rendição.
Quando eles saíram de casa, a limusine da produção já os aguardava. O caminho não foi muito longo, mas foi o suficiente para deixar mais ansiosa do que achou que seria possível uma pessoa ficar na vida toda. Ela nunca mordeu tanto a própria bochecha como naquela noite.
Quando Stan percebeu que ela acabaria por abrir uma cratera no rosto, passou o braço pelos ombros da ruiva e a puxou para si, depositando um beijo em sua testa.
- Eu pedi pro motorista deixar você na entrada do backstage, assim você não precisa encarar os fotógrafos agora. Respira fundo, ninguém vai fazer nada que você não queira – sussurrou no ouvido dela, dando mais um beijo na bochecha dela antes da mulher sentir o carro parar.
Antes de sair, o romeno piscou para ela, e só depois que a limusine voltou a se movimentar que se ateu ao fato de que ele estava mascando chiclete. Ela estava quase tendo um enfarto enquanto ele mascava chiclete e passava por aquele tapete como se ali fosse o corredor da casa dele.
Quando o carro parou novamente, quase se arrependeu de não ter descido com Sebastian. Um segurança abriu a porta para ela e a guiou, mas mesmo assim ela conseguiu ouvir algumas coisas como “É ela” e “Era ela hoje de manhã”. só voltou a respirar normalmente quando avistou e falou para o segurança que poderia ficar sozinha.
- Hey – sussurrou no ouvido da estilista, chegando por trás.
deu um pequeno pulinho, e se voltou para a brasileira com uma expressão enfezada, que foi substituída por uma de surpresa ao colocar os olhos nela.
- Você está muito gostosa! Como o Tan não sofreu um infarto? – perguntou, cumprimentando a ruiva.
- E você? Eu acho que não tenho psicológico para ver tanta gente linda na minha frente – falou meio afobada, fazendo a outra mulher rir.
- Esse é o vestido Do Provador? – perguntou, pegando a renda bordada e mexendo um pouco nela para ficar mais ondulada e espalhada.
- Eu não acredito que ele te contou isso! – falou colocando as duas mãos no rosto, ouvindo a outra bufando em meio a risada contida.
- Ele sabe que se não me contar eu vou descobrir de qualquer jeito – deu de ombros e voltou a atenção para o grupo do elenco que já estava praticamente formado em cima de uma espécie de palco que foi montado para as fotos – Inclusive, estou bem decepcionada, vocês perderam uma ótima oportunidade, transar em provadores é ótimo.
engasgou com a própria saliva, ela só não soube dizer se isso aconteceu pelo comentário de ou por Scarlett Johansson estar se aproximando do restante do elenco.
- Eu não vou sobreviver a essa noite – murmurou para si mesma, se virando com a testa franzida para ao ouvi-la bufar baixinho, achando que era para ela, mas a mulher ainda encarava a loira que estava conversando com Anthony, Sebastian e Samuel.
- ‘Ta tudo bem? – perguntou recebendo outro dar de ombros como resposta, então preferiu mudar de assunto, já que provavelmente ela não falaria o que estava acontecendo – O Bast tá muito lindo, só um evento desses pra fazer ele tirar aquela jaqueta jeans.
- Pelo menos o Stan me ouve, diferente de outros artistas por ai – retrucou.
havia dito aquilo com a intenção de fazer uma piada sobre a necessidade de jogar a maldita jaqueta jeans fora, mas tudo o que ela menos imaginava seria que a estilista implicasse com a recém chegada.
- O quê? – perguntou como se pedisse explicações.
- Sério, que tipo de roupa é essa? Quem usa isso? Vai virar stripper agora?
- Me diz que você está falando da Emily – pediu, olhando para a outra loira sorridente, fazendo uma nota mental de agradecer a quem estava posicionando os artistas ali, já que VanCamp estava no extremo oposto de Sebastian.
- Nah... Ela pelo menos tem um pouco de noção e ouve as estilistas – falou com desdém.
- Eu não acredito que você está falando da Scar – falou surpresa, encarando a mulher ao seu lado – Vocês não são tipo unha e carne?
Antes que pudesse responder, uma gritaria mais intensa começou e Evans apareceu no tapete, e ela perdeu total atenção da ruiva.
- O Tan me contou sobre a primeira conversa de vocês – falou depois de um tempo, fazendo voltar seu olhar para o amigo que a olhava. Assim que os olhares deles se encontraram, Sebastian abriu aquele sorriso que enrugava seu nariz e praticamente fazia seus lábios e olhos sumirem antes dele revelar os dentes no sorriso mais caloroso do universo, o favorito de , ela sempre dizia que aquele era o sorriso mais sincero dele e simplesmente tinha vontade de aperta-lo sempre que ele fazia aquilo olhando para ela, a impossibilitando de não devolver o sorriso. Isso a fez lembrar que há alguns dias ela estava tentando lembrar como o convívio deles chegou àquele ponto, e isso que levou à primeira conversa deles, fazendo rir da capacidade que eles sempre tiveram de falar idiotices – Ele disse que vocês estavam em um assunto muito construtivo sobre paraíso e inferno, e que o Evans invadiu a conversa de um jeito nada sutil – continuou, recebendo um olhar de dúvida de ao falar o nome do ator americano, mas ignorou quando a estilista abriu a boca, e continuou a falar – Disse que dava pra ver de longe como você ficou ansiosa quando ele chegou perto de vocês, e mesmo assim, você conversou normal. Não pediu pra tirar foto, nem autógrafo – falou, voltando a olhar para o loiro, que havia parado um pouco antes do “palco” para dar autógrafos – E depois me falou da sua ideia sobre aproveitar o momento. Ali eu percebi que já gostava de você antes mesmo de te conhecer. E entendi porque o Tan estava tão eufórico com você. Só com isso que ele me contou, eu percebi que você não estava entrando na vida dele pela carreira dele, e sim por quem ele é. E você usou essa ideia com o Chris, mesmo tendo em mente que aquela poderia ser sua única oportunidade, você colocou em primeiro o pessoal dele ao invés do profissional. Não é todo mundo que faz isso.
a encarou meio embasbacada por alguns segundos antes de conseguir verbalizar qualquer coisa.
- Desde quando podemos falar o nome dele sem risco de morte?
Sim, esse foi o máximo que ela conseguiu.
Seu cérebro estava uma bagunça, tanto por descobrir que Sebastian falava sobre ela desde o começo – com vários detalhes por sinal –, quanto por ouvir aquelas palavras de . Ela nem havia percebido como se apegara rápido à mulher, e ouvir aquilo fez com que um quentinho aconchegante se instalasse dentro dela, por saber que aquele sentimento era mútuo.
- Hell, foca! – pediu revirando os olhos, repetindo a ação ao ouvir murmurar “Ta, foquei” – Meu Deus, são parecidos até nisso! Ouve bem, mulher, o que estou querendo dizer aqui é, não importa o que tenha acontecido entre nós dois, ele ainda é um dos seus atores favoritos, e você não vai se negar tietar ele essa noite, primeiro porque duvido que você consiga fazer isso depois que assistirmos o filme, segundo porque estou mandando você se divertir de todos as formas possíveis hoje, e ser fanzoca está nessa lista.
A jornalista se mexeu um pouco desconfortável antes de se virar completamente para , mordendo a parte interna da bochecha.
- Nem um pouquinho de problema mesmo? – perguntou quase infantilmente.
até queria retrucar com ela como provavelmente faria com Stan, mas olhar para aquela cara de criança pedindo brinquedo dentro da loja no dia das crianças a impossibilitou disso, então restou para ela puxar a garota para um abraço apertado.
- Só lembra que eu não quero chifres na cabeça do meu amigo, então, limites – brincou rindo, dando um tapa na nuca da outra quando sentiu um na sua própria nuca.

- Wow, aquela é a famosa ? – Chris perguntou quando se juntou aos colegas do elenco – Só tinha a visão mental da camiseta do Homem de Ferro e jeans, mas olha... – fez uma cara de aprovação, rindo da cara de tacho que Sebastian fez.
- Não sei por que ainda falo com você – Stan retrucou, fingindo querer escapar quando o loiro o envolveu em um abraço de lado, embora realmente não tivesse gostado do que ele havia dito.
- Porque nós somos amigos para sempre, lembra? – Evans falou divertido.
- Não! O Rogers e o Barnes são os melhores amigos, agora sai de perto do meu homem – Anthony reclamou tentando separa-los, fazendo Scarlett e Samuel rirem e Joe pedir para eles manterem a postura pelo menos ali fora – Sem contar que você não vai estragar meu otp, Evans, fica longe da minha .
- Sua ? Estou me sentindo substituído aqui – Sebastian reclamou olhando ultrajado para o moreno – E que história é essa de otp? Ela está te convertendo mesmo?
- Ta brincando? Aprendi altas palavras complexas com ela e descobri que as mulheres adoram homens intelectuais. Vou adotar ela.
- Parece que a já fez isso – o romeno brincou, apontando na direção das duas mulheres, que estavam entrosadas em uma conversa e olhando para Emily de vez em quando, o fazendo revirar os olhos.
- Essa ladra! Eu vi primeiro! Seb, se ela me trocar pela , eu vou ficar muito revoltado – Mackie declarou para o amigo.
- Mas não vai fazer nada, porque tem medo dela – Scarlett disse, rindo.
- Crianças, se comportem – Anthony Russo pediu, apertando o ombro de Evans, então todos resolveram se comportar e esperar pela festa.

Assim que o filme acabou, ao invés de bater palmas como todo mundo, se levantou e agarrou o pescoço de Sebastian, ela não sabia muito o que dizer sobre a atuação dele naquele filme, a única certeza que tinha era que aquilo estava além da excelência, e que aquela cena pós credito fez ela ter muita vontade de chorar, apesar da cena da luta final ter sido uma extração de coração de um jeito que ela ainda não sabia que o universo cinematográfico da Marvel era capaz de tratar.
- Gostou? – o ator perguntou, rindo quando ela se afastou minimamente.
- Eu quero guardar o Bucky num potinho! Meu Deus, Sebastian! Como pode uma pessoa sofrer tanto!? – quase gritou enquanto segurava o rosto do amigo entre as mãos, ouvindo a risada de Evans e Scarlett que estavam do outro lado dele.
- Okay, isso significa “sim” – ele gargalhou, recebendo mais um abraço de urso.
- Meu Bucky! – Gritou no ouvido dele.
Então Evans o abraçou por trás, fazendo um Sanduiche de Sebastian.
- Meu Bucky! – gritou também – Nosso Bucky!
- O Bucky merece o mundo, mas o mundo não merece o Bucky!
- Já ta virando palhaçada, soltem o homem – interveio, tirando os dois de perto do amigo – Vamos, Tan, eu te protejo – falou, piscando para os dois, e quando eles já estavam há uns três passos de distância, Chris e saíram correndo atrás deles, fazendo um corinho de “Sebastian! Sebastian!”.
E assim foi aquela noite, ria de todos os comentários de Evans, quase enfartando quando Samuel se aproximou começou a conversar com ela como se eles se conhecessem há anos.
Até ai tudo bem, tudo estava fluindo com muita perfeição, até que começou a perguntar muita coisa para Evans, ele começou a ter muito contato físico com ela, e aquilo começou irritar Stan.
, Cobie e Anthony engajaram em uma conversa aparentemente paralela a conversa dos dois, e saber que ninguém estava percebendo aquilo o irritava ainda mais.
Em determinado momento, ele se cansou de ver todo aquele entrosamento entre os dois e anunciou que iria buscar mais champanhe, e acabou levando a taça de , já que aparentemente, para aquilo ela estava prestando atenção, esquecendo do fato que a cada meio minutos passava por eles um garçom com uma bandeja cheia de taças de bebida e que ele obviamente estava fazendo aquilo para se afastar dos dois. Por um bom tempo.
- Stan! – exclamou Evans ao ver o moreno finalmente se aproximar com duas taças em mãos – Até que enfim! Eu e a já estávamos fazendo uma aposta sobre qual a cor do cabelo da próxima vítima – declarou o loiro, passando um braço pelos ombros de uma toda sorridente.
- Na verdade essa festa está meio sem graça – respondeu cínico, entregando a taça para a ruiva, que franziu o cenho, estranhando o tom de voz do amigo.
- Seb, tá tudo bem? – perguntou com o riso ainda presente em sua voz.
O romeno a encarou como se tivesse levado um soco. Seb? Ela não o chamava assim. Nunca chamou.
- Ele tá emburrado porque a Emily trouxe o namorado. Não é, Seb? – Evans brincou. Com as sobrancelhas arqueadas, Sebastian alternou o olhar entre os dois, ainda abraçados, com um peso estranho incomodando seu estômago.
era uma das únicas pessoas do mundo que não pegou o costume de chama-lo de Seb, e agora, depois de ficar a festa toda de conversinha com o loiro estava se referindo a ele como todos os outros.
- É o buffet que está ruim? – ela brincou, se referindo às inúmeras conversas referentes aos buffets das festas que ele frequentava.
Ele apertou a taça com mais força e engoliu em seco, sem entender porque estava agindo daquela forma, mas tendo plena consciência da vontade de arrancar os sorrisos dos lábios dos seres vivos à sua frente.
- Está péssimo – retrucou seco, colocando a taça de champanhe intacta de maneira um pouco exagerada na bandeja do pobre e indefeso garçom que teve a infeliz sorte de passar ao seu lado no momento, quase derrubando todas as taças que estavam em sua posse. Tanto o garçom quanto o outro ator e a mulher se sobressaltaram – Me desculpe – murmurou para o homem de gravata borboleta, se virou e se afastou dos outros dois com passos decididos e largos.
Chris e o observaram se afastar por alguns segundos, atônitos, até que se desvencilhou do americano enquanto as costas do melhor amigo ainda estava em seu campo de visão.
- Seb! – depositou a taça na bandeja do garçom que recebeu uma rápida ajuda de Evans para manter as bebidas dentro dos recintos. – Seb! Seb! – falou mais alto, colocando a mão no ombro do homem que só continuou a andar, ignorando-a. – Bast!
“Agora sim”, Stan pensou, se virou e encarou a mulher que estava com as bochechas rosadas, ele só não sabia dizer se era pela corridinha que dera ou pela bebida ingerida desde o início da festa.
- Que é? – perguntou secamente.
- Onde você vai, louco? – perguntou com o sorriso nos lábios, mas um brilho de preocupação no olhar.
- Embora – respondeu, já se virando novamente.
- O que? Por que? – ela não estava entendendo nada e já estava ficando revoltada com aquele mau humor – Sebastian Stan, você não gosta que não olhem para você enquanto você fala, e sabe muito bem que eu também odeio isso, então para de cu doce e OLHA PRA MIM – as palavras saíram firmes como queria, mas no final ela se exaltou já que puxava o braço do rapaz e ele continuava andando como se estivesse desfilando na passarela principal da São Paulo Fashion Week.
Ele se voltou para a garota, agora furiosa, revoltado, com ela, com Evans e consigo mesmo. Ele estava cansado e nem sabia de que.
- Eu só quero ir embora. Não posso?
- Mas a festa tá legal – tentou convence-lo com uma voz manhosa que não lhe pertencia, provavelmente efeito da bebida – Vamos mais tarde.
- Pede pro Chris te levar – até pra ele a forma que o nome do loiro soou foi estranhamente repulsiva. arregalou os olhos, só agora entendendo o que estava acontecendo ali.
- Você está com ciúmes de mim com o Evans!? – questionou incrédula.
O que?
- O que!? Ciúmes? De você? – a cada pergunta Stan dava um passo para trás, tentando fugir dali, daquela situação estranha, o mais rápido possível. – Por que eu teria ciúmes de você? Que ideia ridícula! De onde você tirou isso!?
- Ah então esse humor ai é por causa da tpm? – perguntou sarcástica.
- , me deixa – falou firme, puxando o braço para que ela o soltasse – Chris te leva depois, ele está amando ficar pertinho de você e tenho certeza que não se importará de te levar pra casa – se virou e deu dois passos, só para ser parado novamente pela ruiva perigosamente estressada, que entrou na frente do homem com um olhar assassino.
- Pelo amor de Deus para com o showzinho que tá feio – nervoso. Era tudo o que ela sentia no momento – Nem o Breno fazia isso quando saiamos juntos e olha que ele tem ciúmes de mim até hoje!
Breno. Sebastian engoliu em seco e se segurou para não fazer o que nem ele sabia o que, mas que ficaria feio pro seu lado se fizesse. Ser comparado com o irmão da garota fez sua bile subir ainda mais.
- Talvez ele goste do Evans, que falando nisso, está olhando pra cá, acho que ele já está com saudades – disse Sebastian, apontando na direção do homem com a cabeça e um sorriso sarcástico nos lábios.
não olhou para a direção que o amigo apontou e continuou o fuzilando, com o pensamento de que se olhar matasse, aquele romeno imbecil já estaria morto há muito tempo, perdendo a visão de um Chris, um Anthony, uma e uma Scarlett totalmente ansiosos pelo o que poderia vir a acontecer naquela discussão.
- Dez dólares que se beijam daqui a pouco – apostou Anthony ainda os olhando.
- Tô dentro – aceitou , também não conseguindo tirar os olhos dos dois que daquela distância parecia, pelo jeito de se olharem, que estavam mentalmente arquitetando um plano para esconder um cadáver, embora o olhar de Stan perdesse vergonhosamente para o de que parecia realmente determinada a matar o homem.
- A gente precisa do Seb para o próximo filme, não é melhor alguém interferir? – perguntou Evans com um ar risonho.
- Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher – profetizou Johansson sabiamente.
- Por que isso agora? – indagou nervosa, segurando com força os antebraços do homem.
- Não sei do que você está falando. – retrucou com desdém, sem a olhar e tentando se desvencilhar dela sem a machucar.
- Sebastian, pelo amor de Deus para com… - a mulher arregalou os olhos e suspendeu a respiração, uma dor lancinante atingiu a nuca de . Uma dor horrível onde parecia que um prego estava atravessando a nuca dela, começando de dentro para fora.
Suas pernas instantaneamente bambearam, e se Sebastian estivesse alguns centímetros afastado, o corpo da ruiva iria de encontro ao chão.
- ? ? – Stan deu leves tapinhas no rosto pálido da mulher, que estava imóvel – Vamos, , fala comigo! – pediu desesperado, vendo que um pouco de sangue começara a escorrer pelo nariz dela.
O grupo de atores que assistiam a cena ao longe, começaram a fazer brincadeiras sobre a maneira desesperada que o romeno envolveu a cintura da ruiva. Brincadeiras que pararam assim que Evans percebeu que a mulher parecia desacordada nos braços do colega, e ele correu na direção dos dois.
- O que aconteceu com ela? – Chris perguntou surpreso ao ver o sangue no rosto da mulher.
Sebastian estava em choque. Ele não estava entendendo o que estava acontecendo, em um momento ela estava ali rindo com Evans, e no outro estava desmaiada no colo dele. Ele gostaria de olhar para o loiro e dizer “Eu não sei, mas precisamos de ajuda”, mas o mais perto disso que ele chegou, foi levantar o rosto para encarar o colega de cena, com um olhar vago e perdido.
- Sebastian, ela está respirando, foi só um desmaio, calma – ele ouviu uma voz feminina dizer, mas na realidade não sabia distinguir quem era ali ao seu lado.
- Vem, vamos leva-la a um hospital – Chris tocou no ombro de Stan, e só naquele momento ele acordou, segurando o corpo garota com mais firmeza, seguindo Evans que ia abrindo caminho em meio as pessoas.
A saída foi uma pequena bagunça, afinal de contas aquela era a festa de estreia de um filme da Marvel, os olhos do mundo estavam voltados ali naquele momento, então foi meio estranho quando apareceu ao lado de Chris Evans guiando Sebastian Stan que carregava uma mulher desmaiada nos braços.
se responsabilizou de pedir licença aos fotógrafos e repórteres com o máximo de educação e paciência que o momento exigia, enquanto Chris andava de um jeito estratégico para esconder o rosto de o máximo possível. A bagunça já estava feita, mas se os fotógrafos vissem o sangue escorrendo do nariz da ruiva, ele nem gostava de pensar no tipo de manchete que sairia no dia seguinte.
acenou para um motorista que estava encostado em uma limusine assistindo tudo de longe, pedindo a ele para entrar no carro e os levar ao hospital mais próximo. Ele nem hesitou antes dar a volta no carro e ligar o motor.
- Isso vai ser uma merda amanhã - a mulher murmurou, olhando o movimento dos fotógrafos e repórteres do lado de fora, fotografando a limusine até eles alcançarem uma curva - Vamos ter que pedir para a segurança do hospital barrar eles, se não ela nem vai ser atendida direito – falou, olhando dois carros e uma moto que os seguia.
- Lá a gente cuida disso, já faz tempo que ela desmaiou e não volta - Stan disse com a voz rouca, usando o lenço do paletó para limpar o nariz da garota em seus braços.
- Ela tem problemas de pressão? - perguntou.
- Não, pelo menos não que ela saiba, porque nunca tomou nenhum remédio para isso.
- Pode ser gravidez - Evans colocou a mão no antebraço da ruiva, constatando que ela estava mais fria que o considerado saudável.
- Sim, e como vai se chamar a criança? Chris Evans Júnior? - Sebastian soltou enfezado, fazendo o loiro recuar no banco.
- Senhores, chegamos - o motorista se pronunciou, estacionando o carro na porta de entrada do hospital, não dando espaço nem tempo para os paparazzi tirarem algo muito esclarecedor.
O romeno saiu do carro, a levando para dentro do hospital sem esperar uma resposta do loiro que continuava sentado, atônito.
- Qual é, Evans, vou precisar desenhar mais tarde o que está acontecendo aqui? - questionou, oferecendo a mão para puxar Chris do carro.
- Mas eu nem... Você estava do lado o tempo todo! Você sabe que nós...
- Vamos entrar, os seguranças já estão chegando - a morena estilista o interrompeu com um sorrisinho, que ele não percebeu, brincando no canto dos lábios.
- ! - ele a chamou, mas ela já estava ao lado de Sebastian na recepção. já havia sido levada para dentro, mas era necessário fazer a ficha, e o homem não parecia muito paciente para essas burocracias no momento.
- Eu não lembro - ele suspirou passando a mão pela testa, se referindo ao número do cadastro do plano de saúde da amiga. Eram míseros cinco dígitos que simplesmente sumiram da memória dele naquele momento. E nem o dele ele conseguia lembrar para poder se livrar daquilo de uma vez - Mas ela está no registro, é só verificar o sistema.
A atendente até gostaria de fazer aquilo por ele. Por mais que ele estivesse tentando se manter calmo, o desespero em seus olhos era visível. Mas eram as normas, uma hora ou outra a ficha da paciente teria que ser feita, então o máximo que ela poderia fazer era esperar ele ter uma iluminação e se lembrar do código de cadastro do plano.
- Mackie mandou mensagem, disse que está vindo te trazer a bolsa da - Evans avisou assim que recebeu a mensagem.
Stan suspirou aliviado, se apoiando no balcão.
Por mais que a segurança do hospital estivessem trabalhando firme para que nenhum dos fotógrafos entrassem na recepção, ninguém podia os impedir de registrar o que acontecia através das portas de vidro, e embora não estivesse acontecendo exatamente nada, aqueles flashes estavam irritando um pouco os atores.
- Quando seu amigo chegar ele me entrega o cartão do plano, se vocês quiserem podem ir se sentar na sala de espera - a moça ofereceu e eles aceitaram sem pensar duas vezes.
Não que a situação realmente tivesse um ponto positivo, mas pelo menos a sala de espera estava vazia, e eles puderam relaxar por alguns minutos, ou ao menos tentar.
Algum tempo depois Anthony chegou, e Chris foi ajudá-lo a encontrar todos os documentos de na bolsa, que na verdade não passava de uma carteira onde cabiam mais coisas que os homens consideravam fisicamente possível.
- Sebastian, você precisa se acalmar - pediu, observando que as mãos do homem estavam trêmulas - Ela já deve ter sido medicada, daqui a pouco ela acorda e estará tudo bem.
- Ela estava bem, agora está aqui porque eu fui um idiota e discuti com ela - murmurou mais para si mesmo, com o queixo apoiado nas mãos, olhando para nenhum lugar específico.
- Que bom que você sabe que esse ciúmes do Chris é idiota - murmurou baixinho, passando a mão pelos cabelos dele, como se os penteasse, porque sabia que aquilo o acalmava. Ele levantou o tronco e se virou para olha-la diretamente, chagando a abrir a boca para falar, mas sendo interrompido pela mulher - E não venha me dizer que não estava com ciúmes, porque para um ator do seu porte você disfarça muito mal - dessa vez ele não precisou ser interrompido para não conseguir falar, mesmo que a boca abrisse e fechasse, nada saia dali - Acredite, a conversa deles era somente sobre o filme, como o Sam Wilson e o Anthony Mackie são parecidos em vários pontos, e você. O Evans não seria burro de dar em cima da , Sebastian. Além do mais, estamos falando do Chris, ele não faria isso. Não com você - falou a última parte mais para si mesma, e só então, Sebastian se permitiu pensar em uma coisa que se negou prestar atenção a noite toda.
- O que eu perdi? - perguntou sem olhar para ela, mas ser evasivo não adiantou, então ele falou mais firme - Desde quando o nome Chris está permitido? E até mesmo a presença dele?
até pensou em fazer uma piadinha sobre ele estar muito possessivo aquela noite, mas o olhar preocupado e cansado do homem a fez repensar.
- Desculpa por não ter te contado - soltou as palavras junto com um suspiro - Eu não sei... E todo mundo sabe que... Eu sei que... É que...
- Hey - Stan a interrompeu, a puxando para um abraço - Tá tudo bem – murmurou, trocando de papel com a amiga, agora ele acariciando os cabelos dela - Mas depois vamos conversar sério sobre isso.
respirou fundo, sentindo o cheiro de Sebastian e sentindo como ele estava nervoso com toda aquela situação. Nem mesmo ele poderia resolver tudo ao mesmo tempo.
- Ela vai ficar bem, não é nada. Você vai ver – sussurrou, ouvindo uma breve confirmação.
Quando eles ouviram as vozes de Evans e Mackie no corredor, depositou um beijo no pescoço do homem e se sentou corretamente.
- Mas saiba que só não te bato agora por não estar sabendo disso, porque sei que apanho - o romeno falou, vendo ela levantar o dedo mínimo e já sabia o que seria feito ali.
- Isso não sai de nós dois – falou, olhando diretamente nos olhos dele enquanto ele cruzava o dedo com o dela, selando a pink promise.
- Isso não vai sair – afirmou, soltando o dedo dela quando os outros dois homens entraram na sala.
- Alguma notícia? – o moreno perguntou, indo se sentar ao lado do amigo, que só balançou a cabeça negativamente e se deixou ser envolvido pelo desajeitado abraço de lado que deu nele antes de repousar a cabeça no ombro do amigo.
Quase uma hora e meia mais tarde, uma enfermeira apareceu na sala de espera perguntando sobre o acompanhante da paciente , assistindo as quatro pessoas levantando imediatamente, mas entrarem em um acordo mútuo e silencioso que obviamente Stan a veria primeiro. Ele foi guiado pela mulher de branco até o segundo andar, onde eles entraram em um corredor e na frente de um dos quartos, um médico anotava alguma coisa em uma ficha que repousava em uma prancheta.
Assim que o médico os viu, abaixou os papéis e sorriu o mais simpático possível, levando em consideração o horário do plantão que ele estava trabalhando, apertando a mão do ator e dispensando a enfermeira.
- Dr. August Davis.
- Sebastian Stan – ele murmurou pedindo a Deus que o homem à sua frente não começasse a usar termos médicos que ele nunca entenderia na vida, e simplesmente deixasse ele ver com os próprios olhos que a amiga estava bem, embora a enfermeira tivesse avisado que ela já havia até tomado um soro e só estava ali porque o doutor queria conversar com o acompanhante dela.
- Sr. Stan, o que eu tenho para te dizer não é nada esclarecedor, mas pode ser meio alarmante – o homem começou, percebendo a forma desconfortável que o rapaz engoliu a saliva – Pelos exames gerais que fizemos na Srt. , ela não tem simplesmente nada que possa ter causado esse desmaio – Sebastian o encarou como se uma segunda cabeça tivesse nascido do pescoço do homem de jaleco, se perguntando como ele poderia chamar aquilo de alarmante sendo que sua amiga não tinha nada – Porém, esse desmaio dela não é causado por nada – explicou ao ver a expressão de “o que?” do ator. – Terão que ser feitos outros exames, mais específicos, por que esse tipo de coisa não é gerado por nada, e as ondas cerebrais dela tiveram uma queda perceptível enquanto estava desmaiada.
- Os exames começarão agora? – perguntou apreensivo, querendo vê-la antes de passar mais sabe-se lá quantas horas sentado naquela cadeira.
- Isso depende do senhor – o médico revelou – Ela está um tanto quanto relutante com a ideia, então resolvi falar com o senhor, talvez você esteja tendo uma visão geral da situação. Mas se a resposta for não, ela já pode ir para casa.
- Posso falar com ela antes de falar por ela?
Assim que Sebastian entrou no quarto, virou o rosto na direção dele e sorriu como nada daquilo tivesse acontecido e ela não estivesse com o pequeno curativo de quem estava com uma agulha conectada a veia.
O romeno não soube dizer em quantos segundos chegou até a cama da ruiva, só sabia que quando percebeu, já estava sentado ao lado dela, com os braços ao redor de seu corpo e a cabeça enterrada na curva do pescoço da brasileira.
- Nunca mais faça isso comigo. Estamos entendidos? – sussurrou contra a pele dela, fazendo-a rir ao se arrepiar e apertar ainda mais o abraço ao redor do pescoço dele. Ele deixou uma trilha de beijos que começaram no pescoço e terminou na bochecha dela, e só então, se afastou, segurando levemente o rosto dela com uma das mãos, fazendo um carinho gotoso na maçã do rosto dela, o que a fez fechar os olhos e descansar o peso do rosto todo na mão dele – Eu conversei com o Dr. Davis – murmurou depois de um tempo analisando a expressão de cansaço da mulher.
- Bast, eu quero ir pra casa – falou quase infantilmente, cobrindo a mão dele com a sua, abrindo os olhos e procurando as orbes azuis dele, para intensificar a ideia do pedido.
- Boneca, você desmaiou e começou a sangrar, isso não é nada normal – falou calmamente, se aproximando mais, tirando a mão do rosto dela para começar a passa-la no cabelo, que em algum momento foi solto, sem deixar qualquer vestígio da trança para trás – São só alguns exames, e depois voltamos pra casa. Pode ser?
Quem via de fora, poderia dizer que ele estava falando com uma criança, mas essa era o único jeito de falar com quando ela colocava alguma coisa na cabeça, e se a ideia não era boa, alguém tinha que convence-la fazer o contrário.
Mas ela não era tão maleável assim.
- Nós vamos para casa e fazemos isso quando voltarmos para Nova York – explicou seu plano infalível com um brilho de esperança nos olhos, que estavam estranhamente pretos naquele momento – Vamos, Bast! Você também está cansado! Foram muitas coisas para uma noite só.
Sebastian desviou o olhar por um momento ao ouvir aquelas palavras, se sentindo culpado por estar ali naquele local com a amiga, soltando um suspiro pesado antes de voltar a olha-la.
- Me desculpa – murmurou.
- Tá tudo bem – sussurrou, fazendo carinho no rosto dele, abrindo um sorrisinho de lado – Aparentemente, perdi meu posto de ciumenta daqui.
Ele fez uma careta e mostrou a língua para ela, fazendo os dois rirem. Mas logo Stan pegou a mão dela de seu rosto e começou a brincar de medi-las, deixando o sorriso ir embora, como se realmente estivesse concentrado naquilo.
- Já estamos aqui, , pra que deixar pra depois? – perguntou tentando convence-la.
- Porque eu quero dormir até meu corpo cansar de ficar deitado, e pra isso eu preciso da nossa cama – ela deu de ombros, cruzando os dedos deles e olhando para o amigo com expectativa.
Sebastian não soube dizer se o comichão que sentiu por dentro foi por saber que ela não cederia tão cedo, ou pelas palavras “nossa cama” soar tão natural na frase dela.
Soltando um suspiro alto, ele baixou os ombros e revirou os olhos, fazendo sorrir, porque sabia que tinha ganho aquela batalha.
- Chegando em Nova York, vamos desembarcar e ir direto para o hospital – apontou com firmeza, mas só sorriu e depositou um beijo estralado na bochecha dele.
- Acho melhor fazer ela prometer – eles ouviram um voz extremamente conhecida falar do porta, e quando se viraram, encontraram , Chris e Anthony os encarando – Hell, juro que se você assustar a gente assim de novo, eu te mato antes de qualquer coisa – ameaçou, praticamente se jogando do outro lado de na cama, que obviamente era para uma pessoa só.
- Eu também te adoro, – a ruiva disse, descansando a cabeça no ombro da mulher.
- Com o amigo negão ninguém se importa né... – Anthony falou fingindo estar chorando, fazendo a ruiva rir e abrir os braços.
- Mackiiiee! – disse alto, levando o homem a procurar uma lugar para se enfiar para poder abraça-la.
Sebastian olhou para o lado e viu Evans assistindo aquela cena com um sorriso no rosto e os braços cruzados. De repente o romeno se sentiu um completo idiota por aquelas cenas na festa e na entrada do hospital.
- Cara... – começou, mas Chris negou com a cabeça, fazendo uma cara de quem dizia “Não cara, ta tudo bem”, dando um tapinha que virou um aperto no ombro de Stan, como se o loiro tentasse reconforta-lo com aquele simples gesto.
- Já estamos de alta? – o loiro perguntou, chamando a atenção de , que olhou com expectativa para Stan.
- É, estamos de alta – ele afirmou, deixando o sorriso se espalhar mais pelo rosto ao ver o sorriso dela, que era tudo o que importava para ele.


Capítulo 9

levou muito a sério idéia de dormir até o corpo ficar dolorido de tanto tempo deitada, e quando acordou, seu primeiro instinto foi rolar para o lado para procurar Sebastian, que obviamente já não estava na cama, então ela se obrigou a levantar após seus sentidos detectarem cheiro de comida vindo da cozinha.
Assim que saíram do hospital e entraram no carro, caiu em um sono pesado. Quando chegaram em casa, Stan trocou o vestido dela por uma camiseta dele e a deitou na cama, deitando-se ao seu lado, e quando acordou decidiu deixa-la dormir o máximo possível, embora fosse no quarto a cada vinte minutos verificar coisas básicas como se ela estava respirando ou se não tinha sangue escorrendo do nariz dela.
Ela vestiu um short curto de malha sem se importar em tirar a camiseta dele, e foi até a cozinha, onde Sebastian estava sentado em uma das banquetas da ilha mexendo no celular com o cenho franzido.
- Bom... – ela começou a dizer, mas seus olhos deslizaram para o relógio que ficava ao lado de um dos armários, arregalando os olhos ao ver que já eram quase seis e meia da tarde – Boa tarde? – acabou por perguntar.
- Meu pai costumava dizer que depois das seis, já é boa noite – o romeno disse, se levantando após bloquear a tela do celular, dando um beijo na testa dela antes de ir para o fogão desligar o fogo de duas panelas, de onde julgou estar saindo o cheiro tão delicioso – A passou aqui de tarde, mas como você estava dormindo, ela disse que vem... Daqui a pouco? Ou amanhã antes de irmos.
- Você que fez? – perguntou surpresa olhando a carne de panela e os legumes nas panelas, reparando que tinha uma pequena travessa de salada em cima da pia.
- A salada sim, o resto eu pedi – assumiu sem muita culpa, já que ele mesmo dizia que sabia cozinhar o suficiente para sobreviver, mas não era mau o suficiente para obrigar os outros a experimentarem suas gororobas.
- Quem pede carne cozida e legumes por delivery?
- Quem está determinado a te fazer ter uma alimentação decente – explicou, colocando um prato com um pouco de comida na frente dela, e deixando a salada ao lado.
encarou os pratos a sua frente, levantando lentamente a cabeça para olhar o amigo que estava ao seu lado.
- Isso é extremamente fofo da sua parte, mas não acha que talvez seja um pouco de exagero? – perguntou, gesticulando tanto em uma única frase que até se sentiu meio tonta, fazendo uma nota mental de não se movimentar tanto após dormir pelo tempo que dormira.
- Pode ser um pouco de exagero, mas isso você tem que discutir com nossas mães – falou, se afastando para pegar um prato para ele também, mais como um pretexto para sair de perto da ruiva que imediatamente lhe lançou um olhar muito julgador, as palavras “VOCÊ NÃO FEZ ISSO!!!” brilhando em neon em seu rosto, sem nem precisar verbaliza-las – Foram elas quem ligaram, eu só atendi! – disse, usando o prato como escudo para se defender de um pedaço de tomate voador que estava indo em sua direção.
- Eu aposto meu salário que minha mãe não ligou diretamente para você! – exclamou revoltada, o fuzilando com o olhar, enquanto ele colocava comida para si, fingindo que nada de mais estava acontecendo.
- Você estava dormindo, e nós dois sabemos que é uma péssima idéia não atender ela – explicou.
- Qual a necessidade de contar?!
- Você acha que foi coincidência as duas ligarem no mesmo dia?
De repente uma coisa que ela não tinha parado para pensar a atingiu com força.
- Repercutiu a esse ponto? – sua voz saiu como um murmúrio enquanto ela se encolheu um pouco no banco.
- Hey – Sebastian colocou a mão no queixo dela, fazendo com que ela levantasse o olhar para o dele – Não foi sua culpa.
- Tinha fotógrafos? – perguntou receosa.
- Não como na première. Quando saímos com você foi meio bagunçado, mas o Chris ficou na minha frente, então ninguém te viu – contou, olhando diretamente para o prato à sua frente.
- Por que eu acho que você ainda não me contou tudo? – arqueou as sobrancelhas, se virando completamente para ele.
- Por causa das fotos de ontem de manhã – parou para comer uma batata, com mais casualidade que a ansiedade da garota poderia suportar -, alguns fotógrafos conseguiram tirar algumas fotos mais ou menos do momento em que eu entrei com você no hospital e...
- Se você falar que me reconheceram por causa do meu cabelo, eu vou pintar isso de loiro agora – falou, deixando os ombros caírem.
- Você não seria idiota a esse ponto – Stan retrucou – Além do mais, por enquanto, você é A Garota Que Fez O Capitão Sair Da Festa De Lançamento – disse, rindo de lado ao ver a cara dela.
- Prefiro até quando me chamam de – Sebastian riu, vendo a expressão dela mudar , e de repente ele ficou preocupado com o que poderia vir a seguir – Bast, por que a e o Chris estavam te acompanhando?
Sebastian Stan nunca se sentiu tão orgulhoso de seus instintos em toda sua vida.
- Eles estavam mais perto – deu de ombros, enfiando um pedaço de carne na boca, o que não ajudou muito, porque quando ele engoliu, voltou a falar por mero nervosismo – E ela é nossa amiga, e o Evans é meu amigo e te conheceu ontem e...
- Bast? – o interrompeu com um sorriso divertido nos lábios, embora ele não chegasse aos olhos.
- Não adianta me olhar com essa cara, não sei do que está falando.
- Sebastian, a não fez o que estou pensando, fez? – não foi necessário ele falar nada para descobrir a resposta – Não! Não! , não! – exclamou batendo na própria testa, com vontade de bater na estilista.
Aparentemente seu desejo era uma ordem, já que bem naquele momento eles ouviram a campainha tocar, e antes que um dos dois se levantassem para atender a porta, apareceu no hall da cozinha.
- Entra, fique à vontade – Sebastian ironizou, vendo a amiga revirar os olhos, querendo tacar uma beterraba na cabeça de por ela ficar encarando a estilista com os olhos arregalados daquele jeito.
- Então, Hell, melhorou? – perguntou atenciosa, se sentando na banqueta de frente para a ruiva, do outro lado da ilha.
Mas, obviamente, não estava a fim de falar sobre esse assunto.
- Eu não acredito que você fez isso, ! – falou um pouco exaltada, fazendo a estilista arregalar os olhos e olhar de relance para Sebastian, antes de engolir em seco e perguntar com calma.
- Hell, do que você está falando?
- Você, e o Evans! – agora saiu um pouco desesperada, mas isso não chegou aos pés do início do olhar que ela lançou para o romeno. Início, porque depois se tornou raiva.
- Você prometeu! – Praticamente gritou, batendo as mãos com força no tampo de mármore da ilha.
- Ele não falou nada, e nem precisou, mas o problema aqui não é esse! – interveio antes que o ator sequer abrisse a boca para se defender.
- Acho que já sou bem grandinha, e sei me cuidar sozinha – falou firme.
Quando ia abrir a boca para falar mais alguma coisa, Sebastian escorregou a mão para a coxa dela e deixou ali um leve aperto, chamando sua atenção por alguns segundos.
- ...
- Não! Bast, ele... – ela começou falando para ele, mas voltou a olhar para a mulher para terminar – , ele te... , você não podia nem ouvir o nome dele!
- Estou sentindo meu nome gasto – disse, se levantando.
- Perdoar é uma coisa – continuou – Mas isso?! você ficou péssima e...
- E você não tem nada a ver com isso – ela afirmou, pegando sua bolsa e saindo da cozinha com passos decididos, fingindo não ouvir o chamado de Sebastian, igual ele fingiu que cumpriria mais aquela Pink Promise.
- ! , , ! – apareceu correndo, parando na frente da estilista, entre a mulher e a porta.
- Sai da minha frente, , ou eu te tiro daí – mandou sem olhar para ela.
- Desculpa – sussurrou, precisando pigarrear para ouvir sua própria voz – Me desculpa, de verdade! – por algum motivo que nem sabia dizer qual, ela olhou para a brasileira, e percebeu que os olhos dela estavam cheios de lágrimas - Você tem razão, eu não tenho nada a ver com isso, mas é que... Eu fiquei preocupada. Ele já te machucou uma vez, e se ele fizer isso de novo, eu vou ter que matar um dos meus atores favoritos por ele ter machucado minha amiga de novo!
Um buraco se abriu no peito de ao ouvir a garota à sua frente falar aquilo, ainda mais quando uma lágrima caiu dos olhos amarelentos, e escorreu pelo rosto da ruiva, levando várias outras em sua companhia. E esse buraco só se fechou quando ela percebeu que se sentiu amada com aquelas palavras, e se deixou ser abraçada, pousando o queixo no ombro de , envolvendo a cintura dela com mais força quando sentiu ela estreitar ainda mais os braços ao redor de seu pescoço.
- Você é muito enxerida – resmungou, olhando para Sebastian que estava encostado de braços cruzados no hall da porta que separava a cozinha da sala.
- Eu sei, desculpa – murmurou, se desvencilhando dos braços da estilista, mas permanecendo próxima – Estou tentando melhorar isso.
- Sorte sua que o seu presente foi muito bom, se não você ia ver só.
- Se vocês não me matarem de estresse esse final de semana, desse mal eu não morro – Sebastian declarou de onde estavam, fazendo as duas olharem para ele.
- Se você for, já deixa o meu lugar guardado lá no paraíso – deu ombros, se apoiando levemente em quando sentiu as pernas enfraquecerem.
A mulher não precisou falar nada para Stan perceber, já que o rosto da mais nova empalideceu consideravelmente, e ele fez uma careta, se desencostando da parede e se aproximando das duas, oferecendo a mão para .
- Você nem encostou na comida – ele resmungou, a guiando para a cozinha novamente, mas ela literalmente empacou dois passos depois.
- Bast, eu não estou conseguindo comer – reclamou, olhando para o homem com olhos esperançosos de quem espera ser compreendida – E eu amo saber que você se preocupa, mas aquela comida é meio pesada pra comer a noite.
- Você se entope de pizza toda noite – interveio.
- Prometo comer por hoje e ontem se você deixar eu comer só amanhã – propôs para o ator, fingindo não ter ouvido o que a outra havia dito, recebendo um olhar mortal da mesma.
- E o que você quer fazer agora? – ele perguntou voltando a cruzar os braços e arqueando as sobrancelhas.
- Vamos assistir um filme! – falou animada, olhando do romeno para a amiga.
- Assistir só depois de comer tudinho! – disse autoritária, recebendo um olhar assustado dos dois, tentando mas falhando miseravelmente na missão de não rir – Eu sempre quis falar isso – assumiu.
- Eu concordo com ela – Sebastian falou encarando a ruiva, que deixou os ombros caírem e suspirou fundo.
- Bastian! – praticamente implorou, se escorando no pescoço dele, colando seus corpos e deixando os rostos a centímetros de distância.
- Bastian? – murmurou com um sorriso brincalhão nos lábios.
- Você me chamou de princesa ontem no hospital e eu não disse nada – ela deu de ombros também murmurando, sentindo ele envolver a cintura dela.
- Eu falei isso? – ele mais perguntou para si mesmo do que para ela, mas com aquela distância ela podia sentir até a respiração dele.
- Umhum – assentiu, quase fazendo seus narizes quase roçarem.
- Vocês me cansam – falou alto, chamando a atenção dos dois – Se beijem logo!
A dupla se encarou revirando os olhos, antes de Stan pegar a ruiva no colo sem nenhum aviso prévio, fazendo-a soltar um grito em meio a gargalhada, anunciando que a escolha do filme naquela noite era por conta de , que no fim das contas nem ficou para assistir, já que recebeu alguma mensagem e anunciou que tinha que ir, recebendo um beijo de Sebastian que pediu para ela se cuidar, e deixando um beijo na testa de , que assim que deitou no colo de Sebastian no sofá, pegou no sono.
Mais ou menos na metade do filme o celular do ator começou a tocar, e ele tirou do bolso com muito cuidado para não acordar .
- Oi mãe – falou baixinho, vendo a mulher se mexer minimamente sobre seu peito, encaixando o rosto na curva do pescoço dele, o impossibilitando ainda mais de se mexer já que assim ela ficava completamente em cima dele.
- Como estão as coisas ai? – Georgeta perguntou no mesmo tom que o filho. Devido ao fuso horário, já era bem mais tarde em Nova Jersey.
- Mais calmas. Ela acordou e ficou levantada por... Uma hora mais ou menos, mas agora ‘ta dormindo de novo.
- E você?
- Um pouco preocupado – assumiu, soltando uma lufada de ar, pegando uma das mãos dela que estava descansando no peitoral dele e brincando com seus dedos – ela não comeu nada, dormiu o dia inteiro e agora está dormindo de novo.
- Você disse que ela ficou desacordada por um bom tempo, talvez amanhã ela já volte ao normal - a mulher assegurou, ouvindo o filho suspirar do outro lado da linha.
- Espero... – murmurou soltando a mão dela e passando a fazer carinho na cabeça dela, passando os dedos entre os fios avermelhados como se os penteasse para trás, sentindo ela respirar fundo e mexer a cabeça minimamente, como se aprovasse o gesto do romeno, o fazendo sorrir de lado – Mãe, já está tarde, vou deixar a senhora dormir e amanhã prometo que ligo.
- Tudo bem, meu amor. Tenta relaxar, ela estava nervosa com esse evento, pode ser só uma crise de ansiedade. Dorme bem e dá um beijo nela por mim.
- Okay. Boa noite, mãe, te amo – ele falou antes de ouvir um “Eu também”, e desligar.
Sebastian respirou fundo e deu um beijo na testa de , com a intenção de levantar e leva-la para a cama, já que ele não se considerava um colchão muito confortável. Mas aparentemente, Georgeta não era a única preocupada com Heloísa.
- Oi Sebastian – Adriana o cumprimentou pela chamada de vídeo, a voz carregada de preocupação – Como ela está?
O ator engoliu em seco antes de chegar à conclusão que assumir suas preocupações para sua mãe era uma coisa, mas falar para a mãe dela, que estava há quilômetros de distância, já era um pouco demais. Até porque sua mãe podia estar certa, aquilo podia ser só uma crise de ansiedade.
- Está melhor, só meio cansada ainda – falou num tom meio brincalhão, abaixando um pouco a câmera frontal do celular da brasileira para mostrar a mesma dormindo um sono profundo em seu colo.
- Meu Deus – Adriana sussurrou rindo, claramente aliviada por saber que pelo menos a filha saiu um pouco do quarto – Ela sabe que quase morre de torcicolo quando dorme em sofá, e mesmo assim faz isso – continuou com tom de desaprovação.
- Não faz tempo que ela dormiu, daqui a pouco eu vou levar ela para o quarto – assegurou.
- Obrigada, Sebastian – ela disse com um sorrisinho agradecido lhe escapando dos lábios, vendo ele franzir levemente o cenho por não entender do que ela estava falando – Obrigada por cuidar dela. Eu e o Jonas nos sentimos muito aliviados por saber que você está ao lado dela.
- Eu sempre vou estar ao lado dela, Adriana – ele afirmou – Eu nunca vou sair daqui, mesmo que ela me expulse – falou meio rindo a última frase, fazendo a mulher o acompanhar.
- Ela tem muita sorte de ter alguém como você na vida dela.
- E eu tenho sorte de ter alguém como ela na minha. Então acho que no fim das contas, quem tem que agradecer alguma coisa aqui, sou eu – disse com um sorriso contido nos lábios, mas o brilho no olhar dele não o deixava disfarçar o quão verdadeira aquelas palavras eram.
- Eu vou deixar vocês dormirem – ela disse, olhando por alguns segundos para a bagunça cor de fogo que estava próximo ao queixo do ator, voltando a olha-lo com um pequeno sorriso – Fala pra ela me ligar amanhã – pediu.
- Claro. Boa noite, Adriana.
- Boa noite, Sebastian.
E com isso, ele finalmente pode desligar a televisão, pegar a amiga no colo, e ir para o quarto, desejando que na manhã seguinte acordasse bem e que toda aquela preocupação dele fosse desnecessária.
O destino estava a favor daqueles dois naquele fim de semana, realizando todos seus desejos, incluindo o fato de que acordou completamente disposta no dia seguinte, no horário de gente normal, inclusive chamando Stan para dar uma volta na cidade antes deles irem embora.
No meio do caminho, ela colocou na cabeça que queria ir até a casa de , dizendo que já estava na hora de conhecer o esconderijo da mulher e mil coisas que fez Sebastian se questionar se toda a energia que ela não gastou no dia anterior, estava sendo gasta de forma acumulado por dois dias naquele momento.
Realmente ela cumpriu a promessa de comer bem no dia seguinte, sugerindo um restaurante de comida natural no hora do almoço ao invés de insistir em algum fast food como geralmente fazia, então, depois que comeram, Sebastian dirigiu até o apartamento de sem nem mandar uma mensagem para avisar que estava indo até lá, esperando que ela não estivesse acompanhada ou não os matasse por aparecerem por lá sem nem avisarem, fazendo Stan ter um pouco de receio até mesmo de tocar a campainha quando chegaram na porta dela.
Mas isso não foi necessário. Assim que Sebastian levantou a mão, abriu a porta. Atrás dela estava Jeremy com a pequena Ava no colo.
- Tan? – perguntou meio surpresa por ver o romeno e a brasileira ali por simplesmente nem pensar na hipótese deles aparecerem por ali.
- Que princesinha mais linda! – disse, olhando para Ava, completamente alheia aos pensamentos do “Vamos ser xingados” do amigo, embora ao ver o outro ali, isso tivesse se dissipado – Jeremy, ela é enorme! Posso pegar ela um pouco?
O loiro sorriu um pouco de lado por perceber que a conversa na noite do aniversário de eram mais reais que ele imaginava, ao ponto da ruiva não cumprimentar ninguém e já perguntar direto se podia pegar sua filha.
- Se ela quiser ir com você – falou, sorrindo sem mostrar os dentes.
Para a surpresa geral, quando chamou a menina, com um sorriso maior que seu rosto, a pequena só se inclinou na direção dela e foi para o colo da estranha sem pestanejar.
- Deus, você é pesada! – fingiu uma voz cansada, olhando diretamente para a criança, que obviamente não entendeu o que ela disse mas riu da cara dela – Ah! A safadinha vai rir do sofrimento da tia? – perguntou, fazendo uma careta ainda mais engraçada do ponto de vista de Ava, a fazendo soltar uma gargalhada.
Renner e assistiram a cena meio embasbacados, enquanto Sebastian mantinha um sorriso bobo na cara. abriu caminho para que entrasse com a menina, e assim que ela se sentou no chão da sala, sentando a criança em seu colo, Jeremy cutucou a cintura da estilista e apontou para Stan.
- Você está com aquele olhar – o loiro disse para o colega, que aparentemente despertou de um torpor e o olhou sem entender.
- Que olhar? – perguntou perdido?
- Aquele que só falta escrever na sua testa “Poderia ser a nossa” – explicou, passando a mão de um lado ao outro pela própria testa.
Sebastian soltou uma risada que poderia ser classificada como nervosa e negou com a cabeça.
- Vocês estão ficando loucos – murmurou cruzando os braços, voltando a olhar para a dupla no chão da sala. tinha tirado uma das muitas pulseiras de couro que tinha pingentes de ferro de seu braço, e as duas estavam brincando com aquilo.
A atração física era óbvia, até por isso ele se arrependia cada minuto de sua vida por propor aquela aposta idiota, ainda mais depois que ela começou a provocar consciente, e as vezes inconscientemente, mas, será possível que e Jeremy estavam certos? Será que, mesmo sem perceber, ele começou a imaginar tanto assim a amiga em seu futuro? Ou aquela cena lhe parecia tão extremamente fofa e certa porque ele adorava a forma como ela expressava carinho por crianças e animaizinhos? E o mais importante naquele momento: Ele queria mesmo saber a resposta daquelas perguntas?


Capítulo 10

Abril de 2014
- If this is love, than love is easy. It’s the easiest thing to do. If this is love, than love complete me... – Sebastian ouviu a voz de assim que abriu a porta do apartamento dela. Era por volta de sete da noite de uma sexta-feira. Aniversário dela. E ele esperava encontra-la largada no sofá, assistindo alguma das mil séries inacabadas, que ela sempre dizia que ia terminar, mas sempre encucava de assistir algum episódio aleatório que ela já havia assistido mais vezes que o considerado normal – Simple equation, no complication… - ele entrou na cozinha e viu que ela cantava animadamente enquanto lavava a louça com o fone nos ouvidos, nem percebendo a aproximação do homem. Ele se sentou em uma das quatro cadeiras ao redor da mesa e ficou assistindo ela fazer aquele show particular que ela sempre fazia quando colocava os fones nos ouvidos e achava que estava sozinha.
Stan gostava da voz dela, não era nada surpreendente, inclusive como cantora ela era ótima jornalista, mas era aquela coisa só dela, as expressões que ela fazia enquanto tentava acompanhar a voz de dois vocalistas ao mesmo tempo em que queria fazer o som dos instrumentos chegava a ser fofa, ele simplesmente adorava quando a pegava em momentos como aquele, seu celular tinha mais vídeos daquilo do que o dela, e olha que isso era muita coisa. Ou quando ela cantava em português ou espanhol e tentava quase inutilmente ensinar a sonoridade de palavras simples para ele, mas chocolate era mais fácil do que contagiante, então ele se manteve no básico e deixava-a atormentar a vida dos vizinhos quando decidia fazer faxina.
- Some people laugh, some people cry, some people live, some people die… - quando ela começou a cantar The Heart Never Lies, Sebastian se levantou e bem devagar se colocou atrás dela. Ele conhecia aquela música, era a favorita dela daquela banda, e um dos passatempos favoritos deles era fazer duetos com aquela canção. Como nenhum dos dois tinha a melhor voz do planeta, tudo sempre acabava em gargalhadas, mas ele assumia que a letra era muito linda, então não desperdiçava a oportunidade de cantar com ela sempre que possível.
- Some people run right into the fire, some people hide, their every desire – ele murmurou no ouvido dela, a fazendo dar um pulinho e se virar para ele enquanto arrancava os fones.
- Você não pode fazer isso com uma cardíaca! – exclamou com as mãos cheias de sabão sobre o coração.
- O dia que você for cardíaca eu paro – Sebastian riu, dando um beijo na bochecha dela, pegando o pano de prato e enxugando a louça já limpa.
- Talvez eu seja e nós não saibamos, tem casos na família – ela deu de ombros, voltando a colocar um dos fones no ouvido.
- Saberíamos se você fosse fazer os exames pedidos há um mês que você está ignorando completamente – ele falou no mesmo tom que ela, ouvindo um suspiro cansado como resposta, o fazendo a encarar com as sobrancelhas arqueadas.
- Eu só desmaiei, aquele médico que é exagerado, pelo amor de Deus! Eu ‘to bem, eu ‘to viva, e...
- Exames não matam ninguém, e você é um poço de teimosia, okay, já sabemos isso tudo – ele a interrompeu revirando os olhos, jogando o pano na mesa e se voltando pra ela – Mas hoje eu não vim aqui pra isso.
- Humm… - ela murmurou, colocando o último copo no escorredor.
- Vem? – o romeno estendeu a mão para ela, que mesmo meio emburrada pelo assunto dos exames novamente, aceitou, e foi guiada até a sala, onde tinha uma pequena caixinha no cantinho da mesa de centro.
- Que isso? – perguntou curiosa, correndo para pegar a caixinha, mas Stan a segurou pela cintura e passou na frente dela, pegando a caixinha e escondendo atrás de si.
- Uma surpresa. Preciso que feche os olhos – disse se colocando a centímetros dela com um sorriso sapeca brincando nos lábios, a fazendo semicerrar os olhos com o mesmo sorriso no rosto enquanto dava um curto passo para trás – Vamos , feche os olhos – repetiu dessa vez deixando a risada sair, pegando uma das mãos dela para cobrir os curiosos olhos que naquele dia estavam quase azuis, deixando que ela mesma os cobrisse para ele ficar com as duas mãos livres para levantar a mão direita dela, abrir a caixinha e pegar o que estava ali dentro – Não vale espiar – murmurou, então em poucos segundos, ele se afastou e avisou que ela já poderia olhar.
Assim que abriu os olhos, a primeira coisa que fez foi olhar para seu pulso direto, que foi onde ela sentiu-o colocar alguma coisa que agora ela identificava como uma meiga pulseira de prata com cinco pingentes, os dois mais próximos ao fecho era uma estrela de prata e uma pequena cartola, os outros dois mais centrais eram o emblema da Comic Con de San Diego e uma casquinha de sorvete com uma bola, e o do meio era a junção do sobrenome dos dois escritos em uma letra curvilínea e delicada. Ela não sabia o que dizer, e aparentemente seu cérebro também havia travado já que a única coisa que ela conseguia pensar era o quanto ela adorava aquele cara que estava em sua frente. E sabendo disso, não é muito difícil descobrir que sua reação foi pular no colo dele, envolvendo seu pescoço com os braços e a cintura com as pernas.
Sebastian riu contra o ouvido dela, fazendo todos os pelos do corpo dela se arrepiarem e seu sorriso aumentar ainda mais.
Sem solta-la, ele se sentou no sofá, fazendo com que ela ficasse sentada em seu colo, de frente para ele, mas nenhum dos dois parou para pensar que aquela posição poderia ser um pouco reveladora para ambas as partes, porque eles estavam muito presos naquela bolha particular para pensar nisso, e Sebastian só tinha olhos para o imenso sorriso no rosto de sua ruivinha.
-Bast, é linda! – finalmente falou, tirando os olhos da pulseira e olhando para aquelas orbes azuis que eram sua fonte de paz particular.
- É – ele concordou, também a olhando nos olhos, sem saber se estava falando da mesma coisa que ela, então pigarreou e voltou a atenção para o pulso da mulher, brincando com os pingentes – Já sabe o que quer dizer cada um?
- Soldado Invernal, San Diego, Chapeleiro Maluco, espero que esse sorvete seja de maracujá – ela disse mexendo e cada um dos pingentes junto com ele, deixando seus dedos se enroscarem vez ou outra no processo – Esse aqui, eu acho que você levou a sério nosso noivado falso para o Tobias, mas como adora me chamar de quando está bravo comigo, ficou com dó de me transformar só em senhora Stan, e fez essa emboleira de nomes – chutou rindo, sendo acompanhada pelo homem.
- Você chama isso de ship – ele deu de ombros, cruzando os dedos deles e a puxando para si, fazendo com que ela encostasse a cabeça no peitoral dele.
- Sim, igual Stucky – murmurou rindo, risada que se transformou em uma gargalhada quando ela se afastou para ver a cara que ele fazia sempre que ela falava aquela palavrinha.
- Não, esse representa que sempre estaremos juntos, não importa o que aconteça. Por isso os nomes juntos assim, isso significa que quando você não estiver forte o suficiente, eu vou estar sempre aqui, pra te manter em pé.
A risada foi morrendo aos poucos e se transformou em um sorriso contido, daqueles que não é necessário ver o rosto inteiro de uma pessoa para saber que ela está feliz, era aquele sorriso sincero, o mesmo sorriso que se espelhava no rosto dele, o fazendo ficar ainda mais lindo e adorável do ponto de vista de , que não resistiu em escorregar umas das mãos lentamente pelos cabelos dele e deslizar até a nuca e brincar com os fios mais curtos dali.
- Obrigado – ela sussurrou, soprando a palavra de tão próxima que estava do rosto dele.
Sebastian estudou sem pressa nenhuma cada milímetro da expressão dela. Ele já conhecia aqueles traços de cor, ameaçava dizer que mesmo não sendo nada bom com desenhos poderia fazer um retrato dela sem nenhuma dificuldade. Ele adorava as covinhas que se formavam próximo aos lábios dela quando ela estava sorrindo, e a forma como os olhos dela quase se fechavam quando isso acontecia, aquelas sardas clarinhas espalhadas por todo o rosto que pareciam deixar seus olhos ainda mais destacados, não importava a cor que eles estivessem, os lábios sempre avermelhados que o fazia se perguntar se as indústrias de cosmético tentavam chegar naquele tom quando produziam um batom. Mas ele nunca se cansaria de olhar para aqueles olhos. Stan não sabia dizer ao certo em que momento aquilo virou seu vício, mas o dia dele nunca ficava completo se não tivesse aqueles olhos sobre si nem que fosse por pelo menos um minuto. Quando tinha que viajar, se pegava pensando ao acordar de que cor eles estariam naquele dia, e só se sentia mais calmo quando podia conversar com ela. Ele nunca se sentiu tão dependente de alguém como estava dependente de .
- Feliz aniversário – disse no mesmo tom que ela, virando minimamente o rosto para dar um beijo na bochecha dela, deixando ela voltar a se recostar nele, recebendo um casto beijo no pescoço, sentindo todo o corpo se arrepiar.
Eles ficaram daquele jeito por um tempo, ele sentindo a respiração dela, ela ouvindo os batimentos cardíacos dele, os dois olhando para a pulseira no pulso dela que estava levemente levantado por conta das mãos entrelaçadas.
- E seu presente no ano passado foi um box com os filmes de Harry Potter – riu ao se lembrar da idéia genial de mandar o presente para ele enquanto a divulgação de Soldado Invernal ainda estava no início, na época não fazia nem um mês direito que eles se conheciam, mas ela disse que era a obrigação dela como representante do Conselho Bruxo no Mundo Trouxa, apresentar a ele aquela obra prima. Bom, pelo menos era isso que estava escrito no bilhete junto a caixa da coleção.
- Eu te superei – brincou exibido, cutucando a cintura da mulher e recebendo um tapa desajeitado no ombro.
- É uma competição? Você sabe que sou boa nisso – ela disse em tom desafiador, apertando as pernas ao redor da cintura dele, os aproximando ainda mais, fazendo ele segurar a cintura dela com força e afasta-la enquanto engolia em seco.
- Precisamos discutir novamente os termos dessa aposta.
- Foi idéia sua, agora aguenta – deu de ombros, rindo ao o ouvir murmurar algo como “Não estou aguentando no sentido certo da palavra”, saindo do colo dele e se sentando ao seu lado no sofá, procurando pelo controle da tv – Essa cartolinha me deu vontade de ver o Chapeleiro de novo – comentou abrindo a Netflix.
- O Chapeleiro? – perguntou imitando o modo que ela falou, forçando o sotaque de um jeito que parecia mais que ele estava tendo uma convulsão, recebendo um olhar mortal da mulher – O que? Não sou eu que falo assim – deu de ombros, rindo abertamente da tentativa frustrada dela de encara-lo com um olhar quarenta e três sem ter que segurar a risada.
desistiu de qualquer tentativa de assassinar seu amigo para ir atender a campainha, se perguntando para que servia o porteiro e o interfone se naquele prédio aquilo era ignorado com muito empenho.
Seus pensamentos de revolta se esvaíram assim que ela abriu a porta e encontrou Georgeta parada do lado de fora com um imenso sorriso no rosto e um bolo médio coberto por pasta americana branca e alguns detalhes em verde com uma bonequinha da princesa Merida mirando em alguma direção aleatória com seu arco e flecha em cima.
- Feliz aniversário! – a recém chegada disse assim que a porta se abriu, abrindo o braço que não segurava nada, mas não esperava que fosse lhe dar um abraço com o bolo entre elas.
Bom, fez.
Mas o bolo sobreviveu, e Merida não foi atingida.
- Filho! Pega aqui! – Georgeta chamou pelo filho em busca de ajuda, e assim que ele pegou o bolo, o abraço foi retribuído com direito a dancinha estranha que sempre acontece quando duas pessoas empolgadas se abraçam.
- Eu não acredito que você está aqui! – a ruiva disse soltando a mulher e dando pulinhos enquanto batia palminhas abafadas, parecendo uma foquinha.
- Sebastian estava parecendo uma criança falando sobre seu aniversário a semana toda, então eu pensei que seria legal eu aparecer por aqui. Não é mesma coisa que seus pais, mas...
- Eu estou feliz como se fosse – falou feliz, abraçando a loira novamente e os guiando até a cozinha para colocar o bolo sobre a mesa – Por que não veio junto com o Bast?
- O bolo foi meio que de ultima hora – Georgeta explicou, puxando uma cadeira para se sentar, agradecendo pelo copo de suco de maracujá que a mais nova lhe ofereceu – Eu estava vindo com o Sebastian, então ele parou no sinal e eu vi esse bolo maravilhoso na vitrine na confeitaria e não consegui não pensar em você. Pedi pro Sebastian me passar o endereço, comprei o bolo e vim de táxi, porque eu quis adicionar esses detalhes verdes.
- Eu amei! – disse animada com o bolo, aquela bonequinha de pasta americana com formato de princesa guerreira era a coisa mais linda que ela viu em cima de um bolo sua vida toda – Realmente não precisava se incomodar, mas eu amei.
- Ele parecia maior da vitrine, será que vai dar? A come por dois – Stan murmurou olhando do bolo para amiga, franzindo o cenho ao reparar na careta que ela fazia – Que?
- Escolha errada de palavras, Bast! Escolha errada de palavras! Já conversamos sobre isso! – deu um tapa na própria testa, tentada a fazer aquilo na testa do amigo só pelo olhar de Georgeta.
- Por um momento eu ainda tive esperança – a mais velha suspirou, largando o copo em cima da mesa e se recostando na cadeira, encarando o filho – Você já está ficando velhinho, crianças dão trabalho, sabia?
- Eu sei – ele assentiu – Convivo com a todos os dias, lembra?
O premio de desconversar um assunto desconcertante com toda certeza nunca seria de Sebastian Stan.
- Não sei por que ainda me iludo com vocês – a mãe do romeno reclamou ao ver a ruiva mostrar a língua para ele e ele jogar um beijo no ar como resposta.
- As pessoas gostam de acumular esperança em cima de coisas que nunca darão resultado – deu de ombros, pegando mais dois copos, três pratinhos e uma espátula para cortarem o bolo. Stan, que estava digitando alguma coisa no celular, saiu da cozinha por alguns segundos, voltando com o notebook dela em mãos, na tela, toda a familia de estava sorrindo para ela, sentados de um jeito que todos apareciam bem, cantando a tradicional música de aniversário em inglês, sendo acompanhados por Sebastian e Georgeta – Eu não acredito nisso! – ela falou emocionada, dando um abraço nele assim que o notebook foi posicionado na mesa de forma que não atrapalhasse o corte do bolo ou caso alguém quisesse colocar o prato ali – Você chaga a ser ridículo as vezes – ela riu, dando um leve tapa no ombro do ator, fazendo ele rir e abraça-la de lado.
- Eu só dei a pulseira e trouxe minha mãe, isso foi idéia do Breno, eu só ajudei – ele deu de ombros.
- Outro ridículo – ela disse rindo, olhando para o irmão que sorria orgulhoso para ela – Obrigado Weasley.
- Feliz aniversário Bloom.
- Parabéns minha linda! – Adriana falou com a voz embargada – queria te dar um abraço, por que fui deixar você ir morar tão longe?
- Porque esse é meu aniversário de vinte e seis, e não de seis anos, e agora, infelizmente, a sociedade não aceita que eu fique sentada no seu sofá assistindo Bom Dia e Cia e tomando toddy – retrucou fazendo um biquinho, como se não gostasse das próprias palavras, ainda abraçada de lado com Sebastian, desejando internamente que aquele corpo pertencesse a uma das pessoas do outro lado da tela, ao mesmo tempo em que se sentia culpada por pensar nisso.
- Eu voto por não se importar com que a sociedade pensa – a mãe dela moxuxou.
- Nossa Breno, as vezes parece que sua irmã tem três anos, ela não cresceu não? – Breno falou com uma voz nasalada, revirando os olhos e gesticulando em excesso, parando para apontar para sua mãe e se voltar sério para Stan – Olha de onde ela saiu, o que você espera? - ao mesmo tempo que o ruivo recebia um tapa da mãe e um cutucão da esposa, era xingado por , reclamando de injustiça e pedindo por socorro para o pai ou o filho, mas ao dois estavam muito ocupados rindo, assim como o ator e sua mãe – Biel, você tem que apoiar o pai! – reclamou injuriado.
- Eu tenho que ficar do lado de quem sempre me apoia – o garoto respondeu rápido, provocando risadas e um olhar duvidoso do pai.
- Estamos falando mesmo da sua mãe? – perguntou sério, só para levar outro tapa na nuca, dessa vez de Gabi.
- Mas eu estava apoiando a vovó mesmo – o menino de ombros, fugindo do alcance da mão da mãe, se refugiando atrás do pai.
- , esses dois vão me enlouquecer! – Gabi reclamou com uma cara de choro forçada para a cunhada.
- Orgulhoso estou padawan jovem meu – imitou o velho mestre verde dando joinha para o sobrinho, como se enlouquecer a mãe fosse um feito merecedor de orgulho.
- Quando forem os seus, vou fazer a mesma coisa – a mãe do garoto retrucou. - Mas todo mundo quer me ver com filho mesmo, senhor amado... – se fez de contrariada, enchendo um copo de suco para si.
- O Breno foi muito rápido, você está demorando de mais – Jonas se pronunciou, fazendo revirar os olhos – Não adianta fazer essa cara, você sabe que é verdade. Não acha Sebastian?
O romeno, que tinha roubado um gole do copo de , teve que engolir o líquido com um pouco mais de dificuldade que o habitual.
- Eu acho que não estou psicologicamente preparado para entrar nesse assunto de novo – ele murmurou para si mesmo, e nem a brasileira que estava ao seu lado entendeu o que ele disse.
- Vou levar isso como um sim? – Jonas brincou.
- Eu já estou para entrar na fila dos desistentes – Georgeta falou.
- Precisamos de todos os soldados, fique firme! – Breno disse quase desesperado.
- E tudo isso começou porque a mamãe estava sendo dramática – se recostou na cadeira cruzando os braços.
- Tia , você vir pra cá na copa? Me leva pro Rio para ir ver um jogo do Brasil? – Biel perguntou, cansado de ouvir uma conversa que ele não podia interferir, recebendo sem saber, o olhar mais agradecido que receberia de Sebastian e em toda sua vida.
- Ainda acho preconceito não ter jogo da seleção ai – ela reclamou – Mas de qualquer forma, se eu for não vai dar tempo de pegar nem um jogo.
- O tio Sebastian disse que vocês viriam – o garoto falou em português, a tristeza implícita em cada palavra, como se já não bastasse o olhar do Gato de Botas.
- Se eu me lembro bem, ele disse que nós tentaríamos – ela apontou, mas logo se voltou para Stan e voltou a encarar o sobrinho – E desde quando temos essa de tio Sebastian?
Os dois se olharam cumplices, e a vontade de foi guardar os dois juntos em um potinho para todo o sempre.
- Ele disse que eu podia – Biel deu de ombros – No dia que ele me chamou pra ir passar as férias ai.
Stan assistiu se virar para ele e arquear as sobrancelhas em câmera lenta.
- Ah, então ele já falou com você sobre isso? – o romeno não podia dizer com certeza, mas parecia ter um leve desejo homicida nas palavras da ruiva, o fazendo abrir o sorriso mais culpado da história da humanidade. Ele não tinha culpa se não conseguia dizer não para aquele menino tanto quanto não conseguia dizer não para ela. voltou a olhar para o garoto com um sorriso comprimido nos lábios – Tudo bem, mas saiba que isso só vai ficar legal, se ele for o tio Sebastião.
Sebastian revirou os olhos, suspirando ao ver Breno abrir a boca para falar, por ter certeza do que o ruivo falaria.
- Eu sugeri isso, mas ele disse que Sebastian é tio e que Sebastião é avô.
Pronto, isso foi o suficiente para eles passassem algumas boas horas implicando com o ator, depois essa implicância passou para , que começou a ser chamada de figurante de The Walking Dead por não querer ir a uma festa – ou ter feito uma, mas não é como se muitas pessoas fossem – no próprio aniversário, em uma bendita sexta-feira.
- Não acho que uma festa com quatro pessoas seja muito animada – ela retrucou, colocando um pedaço de bolo na boca. No fim não foi necessário os três pratos, já que ela, Stan e Georgeta estavam dividindo o mesmo prato, e os dois mais novos usavam até o mesmo garfo, alegando que não estavam com ânimo para lavar louça depois.
- Eu, você e a Ashley? E quem mais? – Sebastian perguntou.
- Mackie, mas na verdade eu estava pensando na .
- E ela ia sair de LA porque vocês e a Ash... Brigaram?
- Como assim você não está sabendo de todos os detalhes da vida da Bloom, achei que vocês passassem horas tricotando sobre a vida alheia – Breno falou. - Parecem duas idosas na maior parte do tempo – Georgeta disse antes que um dos dois pudesse falar qualquer coisa.
- Em minha defesa, algumas pessoas realmente pedem para ser foco das nossas conversas – esclareceu, ouvindo um murmuro de Stan como confirmação – E eu e a Ashley não brigamos, mas não é como se estivéssemos nos falando também... – sua voz mingou ao fim da frase, todos perceberam o desconforto em sua voz, mas decidiram que se ela não terminou de falar, era porque não queria falar sobre aquilo, então logo engataram um novo assunto e a ruiva pareceu esquecer a menção da loira.
Alguns minutos depois de Gabi obrigar Biel a ir dormir, Adriana decidiu que já estava tarde e que os três precisavam descansar, então os se despediram e encerraram a chamada. Logo depois Georgeta se levantou.
- Acho melhor irmos também, filho.
- Não! – a garota prolongou a palavra, num choramingo – Vocês não vão posar aqui?
Os romenos trocaram um breve olhar.
- O quarto de hóspedes é grande – Sebastian falou como se aquilo ajudasse a convencer a mãe, que continuou o encarando, mas agora com uma das sobrancelhas arqueadas.
- Aquele cujo você nunca usou?
Okay. Aquilo foi golpe baixo. Se não fosse a brasileira começar a rir, Sebastian tinha certeza que suas orelhas cairiam de tão quentes que ficaram. Seu rosto também não ficou muito longe disso também.
- Minha cama é extremamente confortável – disse, ainda rindo, mais da cara do amigo do que da situação em si. Já não era segredo para ninguém que Georgeta não acreditava tão fielmente naquela coisa de “só amigos”, mas eles sabiam que era só isso, certo? acreditava que se eles sabiam disso, não havia necessidade de ficar justificando isso para mais ninguém, mesmo que esses “alguéns” pudessem ser seus pais e a mãe de Sebastian – Mas a do quarto de hóspedes também é não se preocupe.
- Tudo bem, mas amanhã preciso voltar para Nova Jersey bem cedo – ela apontou para o filho, que só confirmou com a cabeça e deixou um sorriso que ela classificou como de agradecimento escapar por entre os lábios.
Ele não queria nenhum pouco deixar sozinha aquela noite. Ela até podia ficar repetindo que aniversário era só mais um dia como qualquer outro, até mesmo sem importância, mas ele não precisaria conhecê-la tão bem para ver que aquele brilho que apareceu em seus olhos desde que a mãe dele chegou ali e que ainda não tinham se apagado, era de completa e extrema felicidade por saber que teria sim pessoas que a amavam ali ao seu lado naquele dia que, assumindo ou não, é de muita importância para todo mundo.
Com a declaração de Georgeta sobre estar em Nova Jersey “bem cedinho”, a ruiva logo tratou de arrumar o quarto para a mais velha dormir, e assim, depois de se trocarem, os dois foram para a cama.
- Tentando aperfeiçoar seu dom de dormir sentado? – ela perguntou risonha ao perceber que o homem se sentou na cama e hesitou para se deitar.
- É estranho dormir aqui com você, sabendo que minha mãe está no quarto ao lado – ele explicou, puxando o edredom para si, se virando para ela como fazia todas as noites que um passava na casa da outro. Esse costume começou pouco depois do feriado do Natal, que eles haviam passado justamente na casa da pianista, naquela época, que parecia ser a muito tempo atrás, mas que na realidade só haviam passado quatro meses, era natural um desejar boa noite ao outro e seguirem direções diferente na hora de dormir, agora, era automático dividirem o mesmo espaço.
- Claro, só temos que nos preocupar em não fazer muito barulho – ela murmurou brincalhona, envolvendo a cintura do ator e encaixando o rosto na curva do pescoço dele, deixando se levar pelo som da risada/bufada que ele deu, caindo no sono.
Sebastian acordou com o toque de mãos ágeis em uma região do corpo dele que o fez despertar mais rápido do que se dez baldes de água fria fossem jogados em sua cara.
Meio arfante, o ator tirou o edredom de cima de si, e encontrou segurando seu membro já rígido com uma das mãos, fazendo lentos movimentos, enquanto com a outra, deixava marcas nenhum pouco leves em seu quadril e coxa. Os olhos extremamente dourados mantinham um olhar fixo no rosto do homem, e um sorriso classificado como +18 brincava livremente pelos lábios avermelhados.
Quando ele soltou uma lufada pesada de ar da boca, parou de arranha-lo e subiu a mão até seus lábios.
- Não podemos fazer barulho, lembra? – ela sussurrou, se aproximando o suficiente para puxar o lábio inferior dele entre seus dentes, e aproximar o rosto do ouvido do homem – Bom dia, dragoste – sussurrou novamente, deixando uma trilha de beijos desde o maxilar do romeno até sua virilha.
- ... – ele ouviu a própria voz sair abafada assim que ela tocou os lábios no lugar certo, levando o corpo todo dele a concentrar sua energia ali – ...
Ele entendeu que não conseguiria se concentrar o suficiente para se comunicar, então talvez se agisse direto, a ruiva passasse a entender o limite que ela já havia atingido.
Com um movimento rápido, o ator embrenhou os dedos nos cabelos ruivos da nunca e a puxou para cima, direto de encontro para seus lábios, que foram atacados quase com a mesma ferocidade que ele atacou. Quase. Stan tinha quase certeza que ninguém jamais ficara tão ansioso para um simples encostar de lábios. Assim que seus corpos se encontraram nivelados, Sebastian apertou a cintura da mulher com uma força quase desnecessária e inverteu a posição, ficando por cima, mas o som de prazer que escapou por entre os lábios dela mostravam que ela realmente não se importava com aquilo.
Eles separaram os lábios por fração de segundos, somente para saciar a necessidade de oxigênio nos pulmões, e logo depois o romeno voltou a junta-los. Parecia-lhe estranhamente natural aquele contato, e uma pequena parte de seu cérebro que não estava completamente inebriado pelo momento, começou a procurar registros de situações como aquela, ou até mesmo... Menos carnais. Mas ele não estava dando prioridade para isso, porque, enquanto uma de suas mãos continuavam a segurar os cabelos da mulher contra si, a outra deslizava sem restrições pelo corpo dela, parando no ponto entre suas pernas, adorando a sensação dos dentes dela prendendo seu lábio inferior.
- Bast... – ela sussurrou sôfrega, e ele começou a imaginar que as vozes estavam saindo abafadas daquele jeito porque tinha uma espécie de pressão sobre eles, deixando sua visão turva e os ouvidos com um zumbido baixo – Sebastian... – mas aquilo não o incomodava, ouvir a voz dela, próxima daquele jeito, estava servindo de combustível – Sebastian... Sebastian!
Aquele último chamado o fez dar um pequeno solavanco na cama.
Então ele acordou.
- Olha, posso até arriscar dizer que já me acostumei a acordar com seu pau duro na minha bunda, mas eu realmente me incomodo em ser molestada na minha própria cama – até tentou falar aquilo em tom de brincadeira, mas sua voz vacilou um pouco, e estava claro que aquilo não era pelo fato de “ser molestada”, já que a mão de Sebastian não tinha invadido sua calça de moletom, só estava repousada na parte de dentro das coxas dela. Estava mais para: Porra, se não vai fazer nada, tira a mão dai. A velocidade que o romeno se sentou foi incrível, considerando que ele havia acabado de acordar – Entendo essa coisa de homens ter mais sonhos eróticos do que as mulheres, mas eu meio que estou do seu lado, né, controla um pouco esses hormônios quando for se lembrar das suas modelos – ele a encarou por um instante, os lábios completamente sugados para dentro, o rosto completamente vermelho, se perguntando por que seu corpo teve que trai-la em uma situação tão rotineira quanto aquela. E só então a compreensão caiu sobre .
Era óbvio que ele teria esse tipo de pensamento ficando tanto tempo tão próximo dela. Será que ela achava que ele era de ferro!? não era nem um pouco o tipo de mulher que passava despercebida pelos lugares, e impedir esse tipo de pensamento se tornou obrigatoriamente impossível para Sebastian desde o incidente do chuveiro. Ele só sabia se controlar melhor.
Aparentemente passar uma noite com ela como em seus sonhos, não o ajudou muito nesse autocontrole.
- Eu vou... – ele limpou a garganta e se levantou – Tomar um banho – murmurou e correu para o banheiro, deixando uma extremamente perplexa e completamente perdida na cama.
- Por que ele tinha que ser meu amigo? – ela se perguntou em voz alta, choramingando, e se deixou cair de cara no meio do edredom, refletindo seriamente se uma aposta idiota valia aquele sofrimento que alguns dias eram de não poder ceder e agarrar aquele homem do jeitinho que queria.
Mas seu ego nunca deixaria isso acontecer.
“Sexo não é oxigênio, e ele vai ceder antes de mim”
Esse era o mantra da brasileira em dias como aquele. E assim, ela se levantava e seguia a vida como se nada tivesse acontecido.
Saber que as manhãs dele eram agitadas por causa dela quase a relaxou um pouco. Aquela aposta não duraria muito, sem contar que ela sempre podia recorrer ao estilo de vida do ator e saciar seus desejos. Ele fazia aquilo o tempo todo...
A garota amarrou o cabelo em um coque frouxo e seguiu para a cozinha, lavando o rosto na pia da cozinha mesmo e o secando com a imensa camiseta com vários Power Rangers de todas as cores e forças inventadas estampadas que ela roubou de Breno há alguns anos, e começou a preparação para o café da manhã. Ainda não eram nem sete da manha, mas Georgeta disse que queria ir embora cedo, e ela compreendia perfeitamente, Jorge não deveria ficar muito tempo sozinho com a enfermeira, e a enfermeira estava lá para cuidar de Jorge, e não de Beth, a pobre cachorrinha ficava louca quando a pianista ficava fora por muito tempo.
- Bom dia, querida! – a romena entrou na cozinha, já bem vestida e maquiada.
- Bom dia! Dormiu bem? – perguntou, colocando uma xícara de café na frente da mais velha e de servindo de um copo de suco de maracujá.
- De alguma forma, Sebastian tinha razão, a cama é muito confortável – a mais velha brincou, fazendo a outra rir.
Elas conversaram um pouco, até o celular de começar a tocar e ela ser obrigada a atender já que era do trabalho. Sebastian não demorou muito a aparecer, ficando por um momento, extremamente desconfortável sentado ao lado da mãe, observando a amiga que fazia uma pequena cara de choro, mas falava séria ao telefone, mas assim que ela voltou a se sentar a mesa com eles, o ator percebeu que não existia esse tipo de preocupação entre eles, não seria natural se existisse.
- O que houve? – ele perguntou assim que ela recuperou o pão que por algum motivo eles estavam dividindo em um pequeno guerra.
- Copa daqui uns dias, estádios atrasados, FIFA aqui do lado... Se eu vou ter que trabalhar fora do horário, já estou com dó do pessoal que está lá do lado da bagunça – ela reclamou, se recostando na cadeira soltando uma grande lufada de ar. Odiava trabalhar no sábado.
- Tobias vai estar lá? – nem por Georgeta aquele tom de repulsa passou despercebido.
- Ele anda meio sumido – explicou com uma voz distante, o que fez Sebastian arquear as sobrancelhas. A ruiva soltou um imenso suspiro e se afundou ainda mais na cadeira. Sua missão naquele dia era arrancar uma nota do presidente da FIFA em relação à situação do andamento dos preparativos de um dos maiores eventos esportivos do mundo que poderia alterar a econômica de diversos países, não era como se isso fosse surgir magicamente em sua frente, então enquanto ela conversava podia pensar em como conseguir isso sem tanta dor de cabeça – Eu acho que a Ashley e o Tobias estão tendo um caso.
Sebastian não tinha certeza se ela queria dar a noticia da forma menos impactante possível, mas se a resposta fosse sim, ele poderia entender porque a carreira dela era baseada na escrita e não na fala.
- Wow... – foi tudo o que ele conseguiu dizer.
- Como você chegou a essa conclusão, ? – Georgeta perguntou com uma entoação de preocupação na voz.
- Eu não tenho certeza, mas ela está estranha. Esses dias eu comentei com ela que ele tinha voltado a pegar no meu pé, e ela sumiu e quando voltou tinha umas marcas estranhas no pescoço, e não, não eram chupões – a ruiva disse antes de Stan abrir a boca, pois só pelo olhar dele já entendeu o que ele ia dizer – Estavam mais para... Dedos... Quase como se... Ele quisesse dar uma de Christian Grey.
- Perseguidor já sabemos que ele é – Sebastian murmurou revoltado – Mas isso ainda não faz muito sentido.
- Ela fica dias sem aparecer na redações e quando aparece nem fica na mesa dela, vai direto pra sala dele. No começo eu pensei que fosse alguma coisa relacionada com a vaga em Londres, e que ela era a funcionária mais apta para ir para lá, mas depois eu me toquei que ela falta mais que todo mundo daquela redação junto… O óbvio seria ela ser demitida por justa causa, não acham?
- Mas não é ela que está noiva? – Georgeta perguntou confusa.
só confirmou com um aceno e voltou a se calar.
-É por isso que vocês se afastaram? – Stan questionou.
- Não! Claro que não! Quem sou eu pra julgar alguém? Ela que está estranha desde que isso começou. Quer dizer, ela nunca foi muito de falar abertamente sobre a vida amorosa dela, mas agora ela desconversa até se eu pergunto como foi o final de semana. Na realidade eu estou preocupada com ela. Se essas coisas que eu estou pensando forem verdades…
- – a mais velha a interrompeu, cobrindo as mãos dela com as suas e lhe lançando um sorriso confortador – Talvez isso tudo seja coisa da sua cabeça, não fica se martirizando por uma incerteza.
A ruiva a olhou por um momento e entendeu que ela queria dizer que aquilo era uma coisa séria, sim, mas que se aplicava somente a Ashley. Cabia somente à ela a decisão de falar sobre aquilo, mas isso não significava que ela dava pouca importância a amizade de . Ashley não era assim.
- Tudo bem. Vou me trocar, você me da uma carona? – perguntou olhando para Sebastian, que revirou os olhos, achando aquela pergunta extremamente desnecessária.
Enquanto se trocava, Stan organizou a cozinha, e em menos de quinze minutos os três estavam de saída.
Eles foram conversando amenidades, envolvendo Beth e a necessidade que tinha de passar alguns dias com a cachorrinha, já que aquilo foi o mais próximo que ela já chegou na vida de ter um animal de estimação, mas vez ou outra, Stan percebia o olhar dela vago, e ele sabia que aquilo era preocupação. Aquela história da Ashley estava realmente ocupando espaço nos pensamentos da mulher, que só percebeu que havia chegado ao seu destino, quando o ator parou o carro na frente da portaria do edifício na 32 Avenue.
-Tchau Georgeta, da um beijo naqueles dois por mim – a ruiva falou se inclinando entre os bancos da frente para depositar um beijo no rosto da mais velha.
Antes que ela tivesse terminado de falar com a pianista, Sebastian já estava inclinando o queixo na direção de , que o segurou e deu um beijo estalado na bochecha dele, mas ele captou o olhar dela pelo retrovisor e acabou pedindo um minuto para a mãe e descendo do carro junto com a jornalista.
-Hey – Stan segurou seu pulso antes que ela desse mais um passo, e a puxou para perto de si, os deixando com apenas alguns centímetros de distância – Não fica assim, no fundo você sabe que se a Ash estivesse com um problema desse nível, uma hora ou outra ela falaria com você, então talvez, você só tenha que ter paciência – deixou os ombros caírem, e em meio a um longo suspiro assentiu – Vai, essa não é a sua cara – ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha e deixou sua mão descansando ali, a deslizando pelo maxilar da brasileira até chegar no queixo, onde ele a fez levantar o rosto o suficiente para que ele não ficasse tão inclinado – Cadê o meu sorriso? – isso foi o suficiente para que abrisse o sorriso que ele tanto adorava. Obviamente ele veio com uma careta que tentava, inutilmente, disfarçar que ele havia atingido o objetivo dele, o que o fez rir antes de depositar um beijo na testa dela e se voltar para a porta do carro – Nos vemos a noite.
- Tudo bem, se cuida.
Sebastian bateu continência e entrou no carro, acenou para Georgeta mais uma vez, e foi trabalhar.
No fim do dia, as coisas não foram tão estressantes quanto achava que seria. Depois de algumas poucas horas e uma breve aliança com um redator do Times, o Presidente da FIFA acabou por liberar uma nota oficial, valida para todos os jornais do globinho azul chamado Terra, mas como sempre, quem libera primeiro ganha mais credibilidade, então ninguém saiu perdendo.
Ashley apareceu na redação depois do almoço, diretamente do andar de cima, mas fingiu não perceber isso e puxou assunto normalmente, na hora de ir embora, as duas desceram juntas, e acabaram esbarrando em uma figura muito conhecida escorada no balcão da recepção.
Bom, pelo menos era muito conhecida por .
-!?
A estilista só abriu um sorriso e deu de ombros, como aparecer por ali fosse a coisa mais rotineira do mundo.
Ela só tinha esquecido da espontaneidade que podia ter quando o assunto era abraços extremamente apertados.
- Okay Hell, eu entendi, você me adora, mas eu to moída, então… - ela falou tentando engolir o mínimo possível de fios vermelhos.
- Desculpa – se afastou ainda sorrindo – O que te trás à Nova York?
- Vim fazer negócio com um distribuidor de tecido, não estou conseguindo trabalhar do jeito que eu quero com a última remessa, e também porque ontem foi aniversário de uma certa brasileira e mandar presente por FedEx não faz muito meu estilo.
- Meu Deus , você mandou mensagem! Não precisava se preocupar com isso…
- Se começar a falar que não precisava eu dou o vestido pra primeira que aparecer na minha frente – a interrompeu, apontando seriamente.
Ashley pigarreou e se agarrou ao braço de , lançando um grande e branco sorriso para .
-Ah, , essa é a Ashley, Ash, essa é…
- , estilista da Scarlett Johansson – a loira também a interrompeu, se aproximando de e a cumprimentando com um beijinho no rosto – É um prazer te conhecer!
- Hummm… é – murmurou, dando um pequeno passinho para trás, a fim de manter alguma distância da loira.
- Vai ficar lá em casa? – perguntou, percebendo o desconforto no rosto da estilista.
- Com você e o Tan aqui, você acha mesmo que vou pagar hotel? – perguntou retoricamente.
- Bom, eu tenho que ir – Ashley comentou enquanto respondia alguma mensagem – Tchau , tchau zinha, até segunda – e com mais beijinhos distribuídos, a loira saiu do prédio, pegando o primeiro taxi que passou ali na frente, o que aconteceu realmente rápido.
- Essa é a tal Ashley? – perguntou, seguindo para fora, sendo acompanhada por .
- Qual o problema?
- Nenhum, mas você sentiu? – perguntou séria, e a encarou sem entender quando ela colocou as mãos próximas ao busto, como se tivesse uma criança em seu colo – A falsidade no ar, consigo até ninar ela.
- Ridícula – a ruiva retrucou rindo, mas no fundo se perguntando por que tanto Sr. Hadash quanto odiaram Ash à primeira vista.
Dentro do carro que alugou para ficar por dois dias na cidade, já que ela realmente tinha muitas coisas para fazer ali, surtou com o vestido que ganhara, enquanto ia guiando a outra até seu apartamento e iam conversando sobre mais coisas que o considerado normal ao mesmo tempo.
Já em casa, as duas resolveram pedir comida mexicana, e se largaram na frente da televisão assistindo Master Chef, sempre soltando um comentário ou outro sobre como os participantes preparavam os pratos, parecendo saber mais que os próprios jurados. só observava e ria, porque sabia que fazia exatamente a mesma coisa com programas como The X Factor e The Voice.
Depois de algum tempo, sem perceber, começou a brincar com os pungentes da pulseira, olhando-os fixamente enquanto mantinha um sorrisinho bobo nos lábios ao se lembrar de todas as vezes que Sebastian ficou no pé dela pelo jeito que ela falava “Chapeleiro”.
- Ele realmente se superou com essa pulseira, não foi? – perguntou de repente, fazendo dar um pequeno pulinho no sofá por não ter percebido que ela havia se aproximado.
A ruiva estendeu o pulso e o descansou no joelho da amiga, que o virou levemente para esquerda e para direita para ver todos os pingentes.
- O emblema é da Con de San Diego, que foi onde nos conhecemos. A estrela e a cartola representam os meus personagens favoritos dele, alias ele adora quando eu falo Chapeleiro, diz que é engraçado. O Sorvete é a sorveteria onde passamos a madrugada conversando só idiotices - falou fazendo as duas rirem - e esse são nossos sobrenomes juntos, para demonstrar que estaremos sempre juntos - finalizou com um sorriso nos lábios.
- Eu ja sei o significado de cada um desses pingentes Hell, ele me contou para me ajudar a formular esse - contou apontando para o pingente do meio.
- Essa letra é sua, né? – ela praticamente afirmou, por saber que aquela letra não era um molde qualquer, mas conhecia bem o suficientes letra de Sebastian para saber que aquilo, com toda certeza, não era obra dele.
- Eu falei que mais significado se ele mesmo escrevesse, mas ele disse que é preciso entender o que está escrito para entender o significado – ela resmungou.
- Eu só sei que estou apaixonada por essa pulseira! - disse animada. A estilista deu um sorriso de canto.
- E por quem te deu ela?
só revirou os olhos.
- O Bast é meu amigo - repetiu em um tom monótono.
- É, eu e o Evans também - retrucou com as sobrancelhas arqueadas.
A ruiva até tentou disfarçar, mas a careta escapou assim que ouviu as palavras da amiga. sabia a opinião dela sobre aquele assunto, então tentou não falar nada.
- Se a questão é sexo, eu e o Bast transamos e nossa relação continua a mesma - disse com desdém, se assustando quando a outra se levantou em um pulo, com os olhos e boca arregalados.
- COMO ASSIM VOCÊ E O TAN TRANSARAM? - ela gritou, vendo suspirar e bater a mão na testa, como quem tinha acabado de falar de mais - NÃO ADIANTA FAZER ESSA CARA ! QUEM VOCÊ E O STAN PENSAM QUE SÃO PARA ME ESCONDER UMA COISA DESSAS?
- , para de gritar, que dai, talvez, eu te conte - a brasileira pediu, suspirando novamente ao ver a expressão da mulher.
- Se você não me contar eu ligo pra ele vir aqui agora. A escolha é sua - a ameaçou, ja tirando o celular do bolso.
- A gente entrou em um acordo de que não iriamos contar isso pra ninguém - murmurou com a mão na testa, ja prevendo o tipo de conversa que sairia assim que a estilista e o ator ficassem no mesmo ambiente.
- Coração, Tan quebra nossas pink promises o tempo todo, estou até um pouco orgulhosa por você ter soltado essa comigo - contou sorridente, voltando a guardar o celular no bolso e encarando a ruiva com expectativa - Desembucha.
Então, completamente desconfortável, resumiu àquela noite para , que pediu por tantos detalhes e pressionou tanto para consegui-los que acabou sabendo até coisas que não desejava saber, mas aparentemente ela não se importava com isso, e só fez parar completamente de falar quando chegou na parte de aposta.
- VOCÊS TÊM QUANTOS ANOS?
- Para de gritar! Se a Gertrudes aparecer aqui, você que vai lidar com ela! – reclamou. Não era isso que todo mundo esperava? Que ela e o Stan ficassem juntos? Então por que tanto escândalo por causa de uma noite que eles passaram juntos?
- Vocês tem medo de mais de uma senhorinha, eu vou a fazer parecer o Ursinho Pooh se você e o Sebastian não pararem com essa idiotice de aposta!
- , é só uma aposta, calma...
- Conhecendo vocês dois, teimosos como são, nunca vão assumir nada, vão falar “É só atração física, ele vai ceder primeiro” e vão ficar o resto da vida nessa idiotice!
- Você está falando muito “Idiotice” ultimamente.
- Cala a boca – retrucou, revoltada com aquela descoberta.
Aposta? Deus... Era muita lerdice para dois únicos seres humanos.
- Eu só te contei isso, porque no fundo eu tinha certeza que o Bast já tinha te falado isso faz tempo, mas se eu soubesse que você ia ficar assim...
Não foi como se tivesse tido oportunidade para terminar de falar. Ela não reparou em como estava tarde, e esqueceu que quando Sebastian falava “Nos vemos a noite” ele nunca furava, e ali estava ele, trancando a porta após ter entrado, deixando a chave pendurada no chaveiro, parando gradativamente ao ver o olhar das duas mulheres sobre ele.
- Agora nós vamos ter uma conversinha, seu romeno safado – falou com um sorriso de escárnio brincando nos lábios.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.





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