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Última atualização: 20/07/2017

Capítulo 1


San Diego, 20 julho 2013
não conseguia acreditar que estava lá, cada fibra de seu corpo pulava de alegria pelo simples fato de ela finalmente estar lá. A Comic Con de San Diego. Todos têm um sonho, um objetivo de vida, para alguns um carro, para outros uma casa, quem sabe até mesmo um casamento. Para , seu objetivo era ir à San Diego para aquela Comic Con.
A garota desde muito cedo se interessou por esse universo de quadrinhos e super-heróis, com o tempo o cinema entrou para essa lista de paixões e seu sonho era trabalhar nesse ramo, “Mas ser uma heroína também era meu sonho e aqui estamos não é”, é o que sempre dizia, já que no final das contas se formou em Jornalismo e se especificou na área política e agora trabalha em Nova York na equipe de correspondência da Rede Globo.
Mas lá estava ela, e depois de passar praticamente dois dias inteiros dentro daqueles “barracões” hoje era o dia do painel da Marvel, e a sorte da garota era tamanha – na concepção dela – que naquele ano o Estúdio faria algo que nunca havia feito antes, teria um painel – antes do principal – de autógrafos com o cast do filme Capitão América Soldado Invernal. Agora dá pra entender porque cada fibra de seu corpo pulava de alegria, certo?
A fila estava enorme, imensa, gigantesca de verdade, no entanto não se importava porque já havia feito amizade com as vinte pessoas mais próximas e também se distraia com as mensagens que recebia de suas amigas que estavam histéricas no Brasil, praticamente a obrigando a mandar foto de tudo que estava ao seu redor e de todos os atores do filme. Depois de quase uma hora, ela finalmente chegou ao painel. A primeira atriz que a “atendeu” foi Emily VanCamp, o que ela não gostou muito. Não podia ser a Scarlett ou a Cobie? A garota pegara um pouco de birra pela atriz pelos poucos episódios que assistira da série Revenge e nunca conseguiu superar isso. A próxima foi Cobie Smulders, que foi extremamente simpática e até fez algumas piadas sobre a Robin. Ao lado de Smulders estava Anthony Mackie e com aquele não poderia perder a oportunidade de enrolar um pouco na fila.
- Espero que não nos decepcione como Sam Wilson, hein – ela disse, sorrindo, com um tom de cobrança que não passou despercebido pelo moreno que assinava o nome em cima do Falcão do pôster. Mackie levantou o rosto e deu de cara com uma garota de pele clara e algumas sardas espalhadas pelo rosto, cabelo ruivo com algumas ondas nas pontas e olhos de uma cor diferente, parecia meio amarelado, quase como olho de gato e aquilo lhe dava um ar diferenciado. Ele sorriu de volta e lhe entregou o pôster, que já continha três autógrafos.
- Se eu te decepcionar prometo seu dinheiro de volta. – o sorriso se alargou no rosto da garota que acenou positivamente com a cabeça.
- Olha que eu vou cobrar hein. Sam Wilson e Bucky Barnes são personagens muito queridos para grande parte, se não para todos os fãs de Capitão América. – ao ouvir o nome Bucky, Sebastian, que estava ao lado de Anthony, se virou e encarou a garota ruiva, que era muito bonita por sinal, e resolveu entrar na conversa.
- Pensei que o Bucky já tinha sido aprovado – a ruiva o olhou e seus olhos se arregalaram minimamente porém perceptível, deu um passo para o lado para ficar de frente com o homem e lhe entregou o pôster, que ele não deu muita atenção e continuou a olhá-la com um sorrisinho de canto.
- O Bucky é ótimo – respondeu, saindo do choque inicial de estar frente a frente com um de seus atores favoritos – Caso contrário, eu já teria te procurado para pedir a devolução do dinheiro há dois anos. – disse, continuando a brincadeira do moreno que agora conversava com uma garotinha, mas riu ao ouvir a resposta da ruiva.
Stan soltou uma risada, assinou seu nome sobre a foto do Soldado Invernal e deslizou o pôster sobre o balcão até a garota, mas não o soltou.
- Obrigado – ele disse, olhando para ela com um sorriso sincero no rosto, o que só fez a mulher ter mais vontade de guardar ele em um potinho – é muito bom ouvir as pessoas falando que gostaram do desenvolvimento do personagem, então, obrigado. – A única coisa que soube fazer naquele momento foi sorrir de volta. Era a primeira vez que o via pessoalmente e todas as história que ouviu falar sobre o poço de meiguice que aquele ser a sua frente poderia ser se comprovaram e ela não poderia estar mais feliz.
- Você sempre arrasa, Chapeleiro – a forma como disse aquela palavra foi meio engraçada, já que um sotaque que ele não reconheceu se apossou de sua voz ao pronunciá-la. Ela pareceu não se importar, ou talvez não tenha percebido.
- Legal saber que não estou sendo julgado por só um papel – ele brincou, soltando o pôster já que um responsável pela organização estava reclamando que a fila havia parado. foi para o próximo autógrafo, mas nem reparou quem era já que continuava mantendo o contato visual com Sebastian.
- Fazer o que se os papéis que te dão são de extremamente amados? – ela falou sinceramente, mas ele não acreditou, já que ele mesmo não sabia quem era Bucky Barnes até 2010.
- Sério que você sabia do Barnes antes de Capitão América? – uma voz feminina questionou, fazendo tirar os olhos de Stan e dar de cara com Scarlett Johansson. Uau.
- Eu amo quadrinhos, e Marvel é meu amor – a garota respondeu dando de ombros e com uma feição de culpa no rosto.
- Não precisa puxar saco – Scarlett disse, assinando o nome em cima da foto da Viúva Negra – a gente não vai te crucificar se você disser que sempre preferiu o Superman ao Capitão América.
- A não ser eu – Chris Evans, isso mesmo, Chris Evans, entrou na conversa, tirando o pôster das mãos da loira para autografá-lo – Meu ego fere quando ouço alguém dizer que o Capitão não é o herói favorito.
A ruiva só sabia sorrir. Aquele era o momento mais mágico de sua vida sem dúvida alguma.
- Então infelizmente eu vou ter que te decepcionar. Meu herói favorito é o Homem de Ferro.
A expressão de incredulidade no rosto do loiro foi hilária. Scarlett e Sebastian começaram a rir.
- Eu tinha gostado de você, mas agora não quero mais ser seu amigo.
- Droga! Sabia que ser honesta não compensaria em nada para minha convivência social.
Chris soltou uma risada e entregou o pôster para a garota, que agradeceu e seguiu para a fila de entrada no Hall H.
Sebastian continuou fitando a garota se afastar. Todo lugar sempre tem aquela pessoa que se destaca, e aquela ruiva com um sotaque diferenciado não passaria despercebida de jeito nenhum.
- Minhas pernas já estão doendo – reclamou Scarlett – Queria ter podido trazer um banquinho.
- Você já o teria perdido, as minhas pernas estão latejando – Sebastian retrucou, alternando a troca de peso entre um pé e outro.
- Muito cavalheiro de sua parte, fico lisonjeada – ironizou Johansson, fazendo Evans rir.
- É nisso que dá acreditar que ele é aquele cara meiguinho das entrevistas.
Stan revirou os olhos autografando o pôster que estava a sua frente e olhou para a fila, ainda tinham muitas pessoas, mas a área da fila já havia sido fechada, então provavelmente nem aquelas pessoas seriam todas atendidas já que sua agente havia dito que um pouco antes das três horas alguém da organização do evento iria buscar o elenco para eles se prepararem para o painel no Hall H e já eram quase duas e meia.
- Vai ficar muito estranho se eu me sentar no chão? – perguntou Mackie com uma voz chorosa fazendo o rapaz que estava recebendo os autógrafos gargalhar.
- Dai o balcão vai te tampar, inteligência – Cobie respondeu o colega dando uma pedala em sua nuca, o que fez o moreno reclamar e massagear o local.
- Sabe, você não tem a mão exatamente leve – replicou o homem, fazendo as mulheres à sua esquerda darem risada.
- Pessoal está na hora – Tyler, que fazia parte da equipe da organização, apareceu acompanhado de três homens grandes vestidos de terno preto e com escutas no ouvido.
Os seis se despediram do grupo que ainda estava ali, se desculpando por não darem atenção a todos, e seguiram o rapaz da produção que parava o trajeto de tempo em tempo já que os atores paravam para tirar fotos com as pessoas do local.
Após alguns minutos eles chegaram ao backstage para ouvirem as recomendações que eram repetidas em todas as entrevistas por seus agentes e logo foi possível ouvir os gritos empolgados do público que estava no salão.
- E como estão os pés das minhas crianças? – questionou Samuel L. Jackson, se sentando ao lado de Sebastian no pequeno sofá que tinha no local.
- Você vai ter que me levar no colo para esse painel – resmungou Stan, jogando uma das pernas no colo do mais velho que riu e empurrou a perna do mesmo para longe.
- Desculpe, minha coluna é muito preciosa para eu estragá-la carregando um gordo como você.
- Anthony nunca reclamou do meu peso – rebateu com um muchucho, causando uma crise de risos no pessoal da produção que estava presente
- Estou decepcionado, Stan, pensei que era único para você – Chris estava de braços cruzados e com cara de choro – depois de tudo que passamos...
- Eu não recebo o suficiente para ser obrigado a conviver com esse tipo de gente – reclamou Joe tentando demonstrar descontentamento, mas sua voz estava embargada de tanto que segurava a risada. Seu irmão já havia desistido e gargalhava abertamente.
- Está na hora – Tyler cortou a conversa, ignorando o comentário de Smulders sobre “ele só sabe falar isso?” – Irmãos Russo primeiro, Frank Grillo, Emily VanCamp, depois Cobie Smulders, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Samuel L. Jackson, Scarlett Johansson e, por último, Chris Evans – falou o rapaz, ouvindo os apresentadores já chamando os diretores. – filinha aqui gente, pra agilizar.
Os atores foram chamados na exata ordem que o organizador ditou, sentaram-se da esquerda para a direita, sendo que Evans, como foi o último a entrar, se sentou ao lado dos diretores.
Primeiro os entrevistadores fizeram algumas piadas sobre Samuel e Frank não terem participado do painel de autógrafos, o que rendeu alguns comentários de Mackie sobre eles serem esnobes antissociais, o que rendeu boas risadas no salão todo.
As perguntas relacionadas ao filme e a cada personagem iniciaram e Sebastian se afundou na cadeira. Suas pernas e seu pulso estavam doloridos, não saberia dizer quando foi a última vez que escreveu seu próprio nome tantas vezes, talvez quando estava aprendendo a escrever e fez isso para praticar, o que com certeza aconteceu há muito tempo.
Ouviu um dos entrevistadores perguntar algo para Grillo e suspirou. Ele não gostava muito daquela parte de seu trabalho. Adorava atuar mais que tudo, e a interação com os fãs nunca foi seu ponto forte, mas responder as perguntas era pior. Não sabia exatamente o que podia falar (por mais vezes que tivesse ouvido sua agente passar o roteiro do que ele poderia ou não dizer em uma entrevista) e isso o deixava meio nervoso. Ouviu um comentário de Anthony e deu uma risada. Aquele cara não sabia o momento de ficar quieto e Stan agradecia por isso já que os comentários inoportunos sobre as respostas alheias o distraia da pressão de ter centenas de pessoas olhando diretamente para a direção que ele se encontrava.
- Hey! Olá! – O moreno começou a acenar e cumprimentar ao lado de Stan e ele olhou para a direção que o colega sorria, vendo uma garotinha de uns oito anos acenando de volta, e, um pouco mais para o lado, na direção de Samuel avistou a ruiva do painel de autógrafos, que estava com a expressão de uma criança na manhã de Natal.
A garota estava extasiada, aquilo era simplesmente incrível, não tinha palavras para descrever o momento, então ela só ignorou o celular que vibrava a cada cinco segundos no bolso da calça e prestava atenção em cada palavra que cada pessoa que estava atrás daquela enorme mesa falava.
O romeno respondeu rapidamente à pergunta que lhe foi feita, passando a fala para Anthony, que praticamente falou pelos dois. Uns quinze minutos depois o painel do filme acabou, mas ainda teriam mais filmes e mais elenco então ninguém a não ser os atores de Capitão América Soldado Invernal se retiraram do recinto.
Toda a equipe estava hospedada no mesmo hotel já que eles tinham que fazer mais uma campanha de divulgação a noite ainda em San Diego, e todos optaram por passar a noite lá mesmo e, no outro dia, depois do almoço eles iriam embora - para continuar com a divulgação.

Era por volta das sete da noite, Sebastian já estava pronto, mas as mulheres haviam começado a se arrumar uma meia hora atrás o que significava que ele teria um bom tempo livre para descer ao restaurante e comer alguma coisa porque as paredes brancas daquele quarto já tinham ficado sem graça há algum tempo.
As portas do elevador se abriram e ele saiu para o saguão de recepção do hotel que não era muito luxuoso, mas também não era nada simples com o piso revestido de porcelanato e muitos detalhes em gesso espalhados por todo o ambiente, o que fazia as poltronas de madeira com estofados escuro que estavam espalhadas estrategicamente pelo local se destacarem. Atravessando o saguão ficava a porta principal de entrada e saída e à direita a porta de entrada para o restaurante, mas uma cabeleira ruiva andando distraidamente pela recepção chamou a atenção do homem.
- Juro, Brê, se uma delas piscasse pra mim eu viraria lésbica só pra poder casar com elas – a garota falava ao celular em uma língua diferente, que demorou um pouco mas ele reconheceu como português. – Scarlett e Natalie óbvio – comentou, dando risada depois de ouvir a pessoa do outro lado da linha falar alguma coisa.
Stan podia não estar entendendo nada do que ela falava mas “Scarlett” e “Natalie” era impossível de não identificar. Em que contexto as duas poderiam entrar na conversa que aquele ser distraído e literalmente saltitante poderia se encaixar?
Na falta de ter o que fazer ouça conversas alheias – por mais que não entenda absolutamente nada do que a pessoa esteja falando. Foi essa linha de raciocínio que Sebastian seguiu quando abandonou a rota do restaurante e fingiu prestar atenção no celular enquanto se aproximava de onde a ruiva estava, não percebendo que a mesma olhava distraidamente para o chão enquanto falava e não reparava para onde estava indo.
Ele só percebeu que chegou muito perto quando esbarrou de frente com a mulher, o que resultou com o celular dele no chão.
- Ah meu Deus, desculpe! – exclamou desesperada, de abaixando para pegar o celular ao mesmo tempo que o homem, fazendo os dois baterem as cabeças um no outro.
- Ai! – soltaram juntos, finalmente se olhando.
arregalou os olhos quando reconheceu quem estava a sua frente, e desviou o olhar para o celular para disfarçar o choque, pegando o objeto, se levantando e desligando a chamada no próprio aparelho. Levaria um esporro de Breno mais tarde, mas aquilo realmente não importava naquele momento. O rapaz se levantou também e fitou a garota.
- Desculpa – falaram ao mesmo tempo e ambos riram sem graça – Eu estava... – ia emendando Sebastian, mas a garota o cortou.
- Não, não – será possível alguém morrer de afobamento? – Eu é que tenho que aprender a prestar atenção no que acontece ao meu redor, principalmente quando estou com o celular no ouvido.
As bochechas dela já estavam quase da cor dos cabelos e Stan comprimiu os lábios para não rir da situação da distração em pessoa a sua frente.
- Ta tudo bem, é sério – tranquilizou-a pegando o celular da mão que ela estendia para ele – Até porque estamos quites já que eu também bati na sua cabeça.
O tom risonho e o olhar divertido a fez relaxar um pouco. Um pouco, porque era Sebastian Stan ali na sua frente e ela estava com tanta vergonha que se um buraco se abrisse ali por perto ela pularia sem pensar duas vezes, só para fugir daquela situação. Nem pra Breno ser um irmão preocupado e ligar novamente só para saber por que ela havia desligado na cara dela, mas nem pra isso aquele bundudo servia. Como nenhum buraco surgiu para ajudá-la, somente sorriu para o homem.
- Sebastian Stan – estendeu a mão direita para cumprimenta-la.
- – cumprimentou-o de volta, imaginando que ele era somente mais uma daquelas dezenas de pessoas que ela havia cumprimentado naquele dia durante a Comic Con. “Qual é!? Ele é uma pessoa como qualquer outra, não precisa disso tudo, ” era o mantra do momento, mas seu cérebro respondia “não é qualquer pessoa quando se é gostosa assim”, e ela fingia que não ouvia essa parte.
- ? – Sebastian perguntou, soltando a mão dela e a colocando no bolso da calça.
- , embora esteja pensando seriamente em mudar para porque já faz um ano que me fazem essa pergunta - franziu o cenho e comprimiu os lábios, como se estivesse refletindo seriamente sobre aquilo.
- É um nome diferente – deu de ombros.
- Tem origem latim eu acho – ela cruzou os braços, realmente devaneando sobre as origens do próprio nome.
- Você não é daqui não é? – ela negou voltando a olha-lo, fazendo uma nota mental de pesquisar sobre o próprio nome mais tarde. – Portugal ou Brasil?
- O sotaque ainda está tão forte assim? – já fazia algum tempo que ninguém mais falava sobre seu sotaque, então ela ficou realmente surpresa.
- Achei um pouco engraçado o jeito que me chamou de Chapeleiro mais cedo, e agora, antes de nos atropelarmos, ouvi você falando alguma coisa que me soou parecido com português – se explicou sem mencionar a curiosidade inexplicável na conversa da garota, sem perceber que a mesma o encarava surpresa.
- Você deve ter falado com mais de duzentas pessoas diferentes hoje, e se lembra que eu o chamei de Chapeleiro?
- Bom... – ele não tinha pensado nisso, mas como tinha dito para si mesmo de tarde, uma ruiva daquela não passava despercebida – Eu gosto de me lembrar das pessoas que elogiam meu trabalho. – Seria uma ótima desculpa se ele mesmo não sentisse seu rosto esquentar. Abaixou a cabeça e ficou por uns três segundos encarando os sapatos, aquilo era horrível, “não tenho treze anos, pelo amor de Deus!”. Quando sentiu que o calor na face havia passado voltou a olha-la e ela possuía um sorriso de canto brincando nos lábios.
- Só trabalho com fatos – ela deu de ombros e Stan devolveu o sorriso. – Brasil, – falou depois de alguns segundos o olhando – o sotaque é brasileiro.
Tinha que ser. Foi a única coisa que passou pela cabeça dele.
- Ouvi maravilhas sobre o país – comentou Stan, se lembrando dos comentários dos colegas de elenco que já visitaram o lugar.
- É realmente incrível – a garota abriu um sorriso enorme só de lembrar da cidade natal – Embora o estado que eu nasci e cresci seja conhecido como Rússia brasileira...
- Rússia brasileira? – aquela era nova. Já ouviu muita coisa sobre o Brasil, mas nunca nada relacionado ao outro país.
- Sim. – respondeu rindo, se lembrando de algumas histórias realmente interessantes que ocorreram no estado, mas se ateve ao básico – Pode-se dizer que o resto da população nacional nos ache exageradamente antipáticos com outras pessoas e extremamente carinhosos com capivaras.
Capivaras? O que aconteceu com as praias ensolaradas, as mulheres e o futebol? De que lugar do Brasil aquela mulher tinha saído?
- Vocês costumam ter capivaras como animais de estimação? – perguntou com o cenho franzido, causando uma gargalhada na garota.
- Quando você for lá visitar irá descobrir – respondeu com a voz embargada pela risada e piscou para ele.
O nervosismo inicial já não existia mais. Ele foi simpático – diferente de muitas pessoas que ela esbarrou nos últimos dias naquela cidade –, e de fato, era espetacularmente lindo, mas pessoas simpáticas sempre estão um degrauzinho acima na escadaria da vida. A companhia delas é reconfortante e não deixam espaço para nervosismo nenhum. Na verdade, ela estava se soltando um pouco demais e sua única preocupação era que ele a achasse maluca e saísse correndo e gritando “ELA É LOUCA! NÃO CHEGUEM PERTO DELA!”. Não seria a primeira vez.
- Você trabalha para uma agência de turismo ou a propaganda é gratuita? – perguntou sorrindo, afundando mais as mãos nos bolsos.
- Nossa promoção oferece até setenta por cento de desconto se souber barganhar bem com o gerente – disse, imitando a voz das propagandas de pacotes de viagem, fazendo o homem gargalhar dessa vez.
- Você tem futuro – brincou a fazendo sorrir – mas tem que fazer uma melhor escolha de palavras, “barganhar” faz parecer que estamos prestes a vender a alma.
- Mas não é isso que fazemos quando compramos um pacote de viagens com o cartão de crédito? – questionou cruzando os braços, tentando soar séria, mas o sorriso insistia em continuar em seus lábios, fazendo sua expressão ficar engraçada.
- Droga, eu tinha esperança de ir para o paraíso – murmurou abaixando a cabeça, como se estivesse realmente decepcionado. só sabia dar risada.
- Quem sabe na próxima encarnação, eu já desisti de ir pra lá nessa. – Sebastian a fitou mordendo a bochecha. Por que mesmo estavam tendo aquela conversa?
- Mackie gosta de repetir que desistir é para os fracos – lançou um olhar desafiador à garota – Tem certeza que já desistiu?
inclinou a cabeça levemente para a direita e fez um biquinho, parecendo refletir seriamente sobre o assunto, apertando mais os braços contra o peito.
- Quem chegar lá primeiro guarda um lugar para o outro, pode ser? – ofereceu depois de alguns segundos, estendendo a mão direita para fecharem o acordo.
Sebastian soltou a risada pelo nariz e apertou a mão da ruiva.
- Você é meio louca – comentou, voltando a colocar a mão no bolso.
- Obrigada, é um dom natural.
De repente ela arregalou os olhos e Stan sentiu um peso sobre os ombros, fazendo os joelhos vacilarem e tropeçar um passo para frente.
- Hey, garanhão – ouviu Chris dizer às suas costas, logo ficando ao lado do companheiro de cena – Estava te procurando, mas parece que você está meio ocupado agora – o loiro sussurrou a última parte não tão baixo assim, fazendo tanto o rosto de Sebastian quanto de criarem cor.
- Chris – pigarreou o moreno – essa é , ela estava no painel de autógrafos essa tarde. – contou apontado com o queixo a garota, que tentava fingir que não ficou abalada com a chegada do loiro no local, falhando quase que completamente. A sua dignidade não estava deixando os olhos continuarem arregalados e a boca ainda estava fechada, então seu orgulho não estava de todo desestabilizado.
- Ah eu lembro de você! – exclamou Evans – A Ruiva Stark! – desviou o olhar para Sebastian que a encava com um sorrisinho de canto. – ainda estou chateado... – reclamou cabisbaixo.
Deus é prova que estava se controlando como nunca para não tirar o celular do bolso e pedir uma foto. Mas ela sabia que Evans ficaria desconfortável com isso, então se conteve com a imagem mental mesmo.
- Meu Deus, vocês estão todo arrumados – comentou, só agora reparando nas roupas dos homens, que se vestiam incrivelmente iguais, com calça jeans de lavagem escura e camisas sociais azuis que só mudavam a tonalidade. A única diferença marcante eram os sapatos, que em Chris era um coturno cinza grafite e Stan estava com um sapato social preto com alguns detalhes azuis em veludo. Com certeza nem um ano de salário dela pagaria um par daqueles. – Pretendem cometer assassinato coletivo? – no momento que as palavras saíram de sua boca sentiu o rosto esquentar ainda mais.
Os dois soltaram uma risada tanto pelo comentário quanto pela situação da garota.
- Obrigado – soltou Stan.
-... Então, eu já vou indo. - ela falou meio sem graça, desviando o olhar de Chris para Sebastian com um sorriso contido no rosto corado.
- Ah... claro! – Ele falou meio sem graça, já que não sabia como agir naquele momento. A conversa deles estava tão espontânea e divertida, por que o loiro tinha que aparecer bem naquela hora? Mas ele entendia o lado da garota, ela estava agindo até que muito naturalmente e controlada para alguém que supostamente estava conhecendo dois ídolos. - Até mais então, brasileirinha – falou, sorrindo.
Evans sequer disfarçou a virada brusca de pescoço para encarar o moreno com a sobrancelha arqueada. O mesmo fingiu que não era com ele e continuou a olha-la
- Até mais? – perguntou sorrindo.
- Você também está hospedada aqui, não é? – a ruiva pendeu a cabeça um pouco para a esquerda e uma expressão divertida tomou conta de seu rosto.
- Então, até mais, romeno.
E com isso se virou e foi em direção ao elevador.
Alguns segundos após as portas se fecharem, Stan sentiu a mão de Chris em seu ombro. Olhou para ele, que ainda encarava as portas de metal.
- Brasileira ãn? Por acaso ela tem uma amiga?
O romeno olhou sorrindo para o amigo e lhe deu um soco leve no ombro.
- Você só se faz de santo né, Evans, porque nem cara tem – comentou rindo do outro, que passava a mão exageradamente no local do “soco”.
- Eu nunca falei que era santo, Stan. Os outros que tiram conclusões precipitadas sobre meus atos – explicou, virando-se de frente para o Sebastian.
- Você não vale nem um centavo – retrucou, fingindo decepção com as palavras proferidas pelo rapaz à sua frente.
- Não é isso que diz meu contrato da Marvel.
Antes que alguma resposta pudesse ser dada Scarlett, Emily, Cobie e o restante dos homens saíram do elevador conversando alto e logo os dois se juntaram a eles e saíram do hotel, entraram nos carros em duplas, e foram para mais uma cerimônia de divulgação

saiu do quarto e andou até o elevador, rindo das mensagens que recebia no grupo das colegas brasileiras. Ela contou sobre o esbarrão com Stan, a conversa e a aparição de Chris, o que fez as garotas surtarem e crucificarem-na pelo WhatsApp por ela não ter tirado nenhuma foto.
A ruiva entrou no elevador vazio e continuou a responder as mensagens, quando as portas se abriram deu um passo para fora e sentiu o corpo esbarrar com outro e mãos firmes a seguraram pela cintura, levantou a cabeça assustada, já com as desculpas na ponta da língua, dando de cara com Sebastian que tinha um sorriso de canto no rosto.
- Nós temos que parar nos esbarrar assim – comentou, soltando a cintura dela.
- Daqui a pouco estaremos com hematomas – apontou para a própria testa e a dele, onde mais cedo tinha sido o alvo da pancada.
- Você está – colocou levemente o polegar sobre a pequena marca bem avermelhada no topo da testa da mulher, que ficou uma pouco desconcertada pelo toque e se afastou um pouco, saindo completamente do elevador.
- Sério? – questionou, colocando a mão sobre o lugar que ele tinha tocado instantes antes – Você tem uma cabeça dura, hein – brincou.
Ele sorriu sem jeito abaixando a cabeça e colocou as mãos nos bolsos.
O barulho do elevador deixando o térreo os fez olhar para as portas de metal e Sebastian fez uma careta.
- Eventos de divulgação não têm festas estrondosas que acabam super tarde? – perguntou ao perceber a expressão do ator por ter perdido o elevador.
- Estrondosas nunca. Acabam tarde? Sempre – virou-se e fitou a garota – Mas o bife estava horrível e já respondi muitas perguntas sobre o filme hoje. Corro o risco de falar o que não devo e os Russo me mandam para a Sibéria caso eu faça isso.
soltou uma gargalhada e Stan a fitou de cenho franzido, sorrindo também.
- Desculpa – falou quando se controlou – É que Sibéria, Soldado Invernal... – entrelaçou os dedos das próprias mãos – Tá tudo interligado.
O rapaz a encarou e soltou a risada pelo nariz, tentando controlar a boca, mas não resistiu.
- E você, que faz aqui à essa hora? Já é quase uma hora da manhã.
semicerrou os olhos com o sorriso ainda no rosto. Sabe os conselhos das mães de “Não fale com estranhos” “Não dê confiança para desconhecidos”? Els sempre foram para o ralo, e não seria agora que ela iria pedir licença para o homem e voltar para o terceiro andar.
- Estou com fome – deu de ombros – e não quero abusar do serviço de quarto, não quero ter que dividir minha alma em quatro.
Sebastian deu risada, se lembrando da conversa que tiveram mais cedo e teve uma idéia.
- A gente deveria ir dar uma volta. – propôs.
- Deveria? - perguntou, cruzando os braços e arqueando as sobrancelhas.
- Sim – disse simplesmente e passou por ela, indo e direção da saída, parando alguns passos depois para olha-la – Vamos. Tem várias lanchonetes que ficam abertas até às cinco aqui por perto.
A brasileira pensou em todos os prós e contras de sair da segurança do hotel para ir a qualquer lugar com um cara que havia conhecido naquele dia à uma da manhã, mas depois de refletir por um momento chegou à conclusão que não poderia haver riscos já que a avenida do lado de fora do saguão da recepção era muito movimentada e a cidade estava cheia de turistas, então consequentemente cheia de policiais.
- Okay – disse por fim, se aproximando dele e saindo juntos do ar fresco do ar condicionado do hotel para o ar quente e abafado que pairava sobre San Diego naquela época do ano. – Mas eu vou querer ir a uma sorveteria. Estou morrendo de calor.
- Tudo bem, brasileirinha – respondeu Sebastian sorridente.

Capítulo 2


A sorveteria ficava há apenas duas quadras do hotel, mas como nenhum dos dois estava com pressa, demoraram cerca de vinte minutos para chegarem ao local, perdidos em uma conversa sobre tudo e nada ao mesmo tempo.
- Então quer dizer que o elenco todo da Marvel está naquele hotel e eu só esbarro com você? – brincou , se fingindo de indignada.
- Eu acho que você anda me seguindo lá dentro e estamos esbarrando propositalmente, tudo extremamente calculado por você – abriu a porta da sorveteria para ela entrar com um sorriso brincalhão nos lábios, entrando logo depois dela, e ambos seguiram direto pegar as travessinhas para montar os sorvetes.
- Pra quem não gosta de falar muito nas entrevistas, você está falando muita asneira, romeno – retrucou a garota se fazendo de ofendida, colocando uma bola de um sorvete bem amarelo, quase laranja, na travessinha do rapaz que arqueou a sobrancelha para ela – É de maracujá, um fruta típica do Brasil. É meu favorito, se não gostar coloca na minha tigela.
Ela se serviu de três bolas do sorvete de maracujá, cobriu com a calda quente de chocolate e, pra finalizar, adicionou somente a calda de cereja, enquanto ele pegou mais três bolas de blueberry e muitas cerejas e chantilly. Sentaram-se um de frente para o outro nas cadeiras altas, dividindo o pequeno espaço da mesa que ficava bem próxima a uma parede toda de vidro, os possibilitando de ver o movimento da avenida, que por mais que já fosse quase uma e meia da manhã, ainda estava consideravelmente movimentada.
- Vai, experimenta – pediu animada, ela mesmo já colocando uma colherada na boca.
Sebastian pegou uma quantia considerável com a colher e levou aos lábios. No primeiro momento, um sabor bem doce tomou conta de seu paladar, sendo levado rapidamente e um azedinho suave ficando no lugar. Ele sorriu para a garota ansiosa à sua frente, acenando positivamente e repousou a colher na tigela.
- É estranho, mas é bom! – exclamou, encarando a ruiva que sorriu e piscou, como quem diz “eu te avisei”. – Como é o nome mesmo? – perguntou, voltando a atenção para sua travessa.
- Maracujá – respondeu, colocando a mão sobre a boca e engoliu o sorvete com um pouco de dificuldade já que colocou muito na boca e o conteúdo desceu congelando toda sua estrutura, fazendo Stan rir dela, e ela, com muita maturidade, mostrar a língua para ele, ambos caindo na gargalhada. – Com certeza já tomou o suco, mas é minha obrigação para com o Planeta Terra fazer com que o máximo de pessoas possível se apaixone por esse sorvete.
- Nossa é bom demais – comentou, terminando de comer o que sobrou do sabor em sua tigela e olhando significativamente pro sorvete da garota.
- NEM VEM, STAN – falou alto, tirando a travessa da mesa e mantendo perto de si – Você tem um monte de sorvete ai. É pecado roubar sorvete de alguém que tudo o que você sabe sobre é o nome.
- Não por isso – soltou a colher dentro da tigela e estendeu a mão direita sobre a mesa, como se quisesse cumprimenta-la de novo. Desconfiada e ainda de olho no próprio sorvete ela pegou a mão do rapaz. – Sebastian Stan, 31 anos, ator, original da Romênia, mas também passo por americano com facilidade. - A garota começou a rir e puxou a mão levemente, mas ele a segurou e continuou balançando como se eles estivessem de fato se cumprimentando. – Agora é sua vez. Não é difícil.
Ela respirou fundo, tentando não rir. Mais cedo ele havia dito que ela é meio maluca mas ele não passava muito longe.
- , 25 anos, jornalista, brasileira e acho que não passo por nenhuma outra nacionalidade se for tentar enganar alguém.
- Jornalista, hum? - Stan soltou a mão da mulher com um olhar diferente de segundos atrás.
- Não se preocupe, minha área é política, não vou te embriagar de sorvete para extrair informação do filme ou segredos pessoais para alguma coluna de fofoca - brincou ao perceber o desconforto repentino do homem.
O ator deu uma fungada se voltando para seu sorvete, mas repousou o olhar na ruiva novamente, o ar brincalhão no rosto novamente.
- É possível se embriagar de sorvete?
Dessa vez quem soltou a risada pelo nariz foi .
Ela sabia o que o homem estava fazendo. Embora ela pudesse passar a madrugada toda sentada naquela banqueta meio desconfortável conversando sobre idiotices como normalmente fazia, até assustar o cara e ele dizer que iria ao banheiro só pra ela aproveitar para ir embora, mandando uma mensagem pra colega do trabalho com uma ameaça de morte lenta e dolorosa, naquele dia ela não via porque não deixar ir em frente. Até porque os caras que a abordavam geralmente não eram 30% da gostosura que aquele deus romeno era. Mas esses caras, em sua maioria, também não eram simpáticos como o ator, e isso fazia sua vontade de ficar ali naquela sorveteria até raiar o dia aumentar em números consideravelmente maiores.
- Só saberemos se tentar - e com isso colocou mais uma colherada na boca.
Sebastian sorriu e roubou uma colherada do sorvete dela.
- Não acredito! - olhou-o indignada
- O que? - fingiu estar confuso - Agora eu sei mais que seu nome...
- Sabe a esperança de ainda ir pro paraíso? Você acabou de perder essa oportunidade. – retrucou, tirando uma cereja do caminho e roubando um pouco do sorvete dele.
- Qual o seu problema com a cereja? - perguntou curioso, reparando que na tigela dela só tinha a calda mas nenhuma fruta.
- Com cereja nenhum, mas isso não é cereja - respondeu dando de ombros.
- Claro que é cereja, o que mais poderia ser?
- Chuchu.
- O que?
arregalou levemente os olhos e segurou a risada
- Desculpa, achei que você soubesse.
Stan já não a olhava mais, sua expressão de surpresa e tristeza estava voltada para sua travessa que estava cheia de cerejas.
- Me nego a aceitar esse tipo de coisa – se voltou para a garota.
- Você parece já ter acreditado – inclinou a cabeça pra esquerda, segurando o riso pela cara de desolação que o homem fazia.
- Acredito que Leonardo Di Caprio nunca ganhou Oscar de melhor ator e ainda me nego a aceitar – deu de ombros.
- Nossa, verdade! Por Blood Diamond ele super merecia – comentou revoltada.
- E por The Aviator!? A Academia não gosta dele, só pode – reclamou, largando a colher e se inclinando um pouco, encostando os cotovelos na mesa.
- Acho que Inception também merecia algum reconhecimento, aquele filme é demais e a atuação do Leo está... Espetacular – ela também se empolgou no assunto, deixando o sorvete de lado.
- Mas esse ano ele ganha pelo menos o Globo.
- Não tive tempo de assistir Django ainda, não fala muito – contou. Ela estava querendo assistir aquele filme desde o primeiro trailer, mas a correria do trabalho e pós-graduação não estavam colaborando.
- Nossa, você tem que assistir. Se achou ele bom em Blood Diamond, em Django você vai idolatrar cada cena dele.
- Não me deixa ansiosa. Já que não pude assistir na estreia, agora quero assistir com calma. – retrucou e o ator a encarou por alguns segundos com um sorrisinho brincando no canto dos lábios, sorriso esse que logo foi substituído por uma pequena carranca.
- Não adianta me enrolar, , que história é essa de chuchu?
se recostou no pequeno encosto da banqueta e suspirou, dramatizando o máximo possível.
- O chuchu é cortado em cubos e fervido em calda de cereja junto com algumas cerejas... Quando ele pega a cor, é feito alguns furinho para a calda entrar e, se ele mantiver a forma de cubo, são cortadas as pontinhas pra virar uma bolinha – quem visse as expressões deles de longe poderia jurar que estavam falando sobre um grave acidente de trânsito envolvendo algum familiar de um deles. – As bolinhas de chuchu são deixadas em conserva com a calda e se torna isso que você está comendo com tanto gosto.
Stan a encarava com cara de enterro e ela quase ficou com dó, mas se lembrou que estava conversando com um ator e que aquela cara de choro não era nada comparado ao que ele poderia fingir, e com essa linha de raciocínio começou ficar difícil não rir.
- De onde você tirou isso? – a desolação na voz dele era tamanha que parecia real.
- Trabalhei em uma sorveteria por uma época. – deu de ombros.
- Me recuso a acreditar – Sebastian cruzou os braços junto ao peito e se encostou na banqueta – Não é porque na sorveteria que você trabalhava isso é feito que significa que em todas as sorveterias do mundo isso seja feito.
Ele estava realmente revoltado porque já ouviu uma história sobre aquilo e simplesmente sempre odiou chuchu, mas se recusou a aceitar porque simplesmente sempre amou cereja.
- Acontece que eu fui a responsável pela fabricação da calda por um ano e meio e reconheço cerejas falsas há metros de distância – falou convencida. Sebastian continuou a encará-la quase emburrado, mas rindo por dentro, se perguntando quem se orgulha de reconhecer cerejas falsas há metros de distância. – Quer ver...
Ela puxou a tigela de sorvete dele para si e começou a revirar as cerejas, separando duas e devolvendo à tigela.
- Come essa aqui primeiro – apontou para uma das bolinhas vermelhas e logo em seguida para outra – e depois essa, e me diga a diferença. – O rapaz pegou a fruta com a colher e a levou a boca – Mas saboreia! Não mastiga e engole de uma vez – falou em um tom mais alto, fazendo Sebastian se sobressaltar e se engasgar um pouco com a calda.
- Prometo que saboreio se você não tentar me matar de novo – comentou, tomando sorvete para se estabilizar.
- Desculpe – sussurrou sem graça, segurando a risada.
O rapaz pegou a primeira cereja e mastigou. Normal. Uma cereja comum como qualquer outra. Tinha até alguns minúsculos carocinhos no meio, mas ele não se importou, lançando um sorriso vitorioso para a ruiva, que lhe lançou o mesmo sorriso e apontou para a outra com a cabeça, o desafiando. Assim, ele pegou a outra e também colocou na boca.
Se a intenção ali não fosse saborear a fruta, ele engoliria e passaria a vida crente que aquilo era de fato uma cereja, mas uns três segundos depois, o típico sabor aguado tomou o lugar da calda e a diferença era perceptível. Lentamente Stan levantou o olhar para a garota com a decepção estampada no rosto.
- Que tipo de pessoa sem coração engana os outros de uma maneira tão cruel?
baixou a cabeça e soltou um longo suspiro antes de voltar a olha-lo.
- Eu sinto muito. De verdade.
- Sabe a esperança de ir para o paraíso? Você acabou de perder essa oportunidade – repetiu as palavras da ruiva, invertendo as tigelas – Agora estou no meu direto de cidadão americano de usufruir desse sorvete de maracujá.
- Mas você é romeno! – exclamou, puxando a tigela de maracujá para si por uma extremidade enquanto ele puxava por outra.
- Dupla nacionalidade, tenho direitos americanos – esclareceu.
- Não venha usar a lei ao seu favor, não é assim que as coisas funcionam.
- Se eu não usar a lei ao meu favor, o que usarei então? – o riso presente atrapalhava um pouco na concentração de puxar o sorvete sem causar nenhum estrago à pequena mesa.
- Não sei, quem sabe sua ética e moral de cidadão e não usar as leis como pretexto para um assunto tão chulo quanto esse? – perguntou com obviedade, segurando a tigela como se sua vida dependesse daquilo.
Sebastian parou de puxar o sorve, mas continuou segurando e olhou para ela, não conseguindo segurar a gargalhada.
- Você engoliu um dicionário antes de virmos pra cá? – a ruiva o encarou sem entender – Quem usa essas palavras em uma disputa por sabor de sorvete?
A cabeça da garota pendeu pra esquerda, somente naquele momento percebendo a escolha de palavras.
- Você sabe que independentemente das palavras, eu não vou desistir dessa tigela de sorvete né? – seu tom era desafiador
- Isso é egoísmo. Te dou o meu – ofereceu
- Se eu quisesse sorvete de blueberry, eu teria comprado sorvete de blueberry, não acha? – questionou sarcástica.
- Acho que você não deve ter muitos amigos que apreciem esse seu senso de humor – respondeu risonho, recebendo a língua como resposta.
- Okay, eu deixo você ficar com ele – se rendeu, entregando o sorvete de maracujá para o homem – Mas só porque ele está derretendo.
Ele pegou a tigela todo feliz e passou a outra para a garota, que olhava atentamente para o lado de fora.
- Que houve? – perguntou, seguindo o olhar dela e avistando três mulheres do outro lado da rua os encarando com os cenhos franzidos e conversando entre si – Fui reconhecido – murmurou e acenou para as mulheres que sorriram e começaram a atravessar a rua.
voltou o olhar para Stan e percebeu que a coloração do rosto do rapaz estava mais avermelhada.
- Você também tem vergonha.
- Não é bem uma vergonha. Gosto disso, significa que estou fazendo bem meu trabalho. - deu de ombros - É só que é estranho você estar na sorveteria degustando seu delicioso sorvete de maracujá e reparar que tem três pessoas te encarando do outro lado da rua.
- Sorvete esse, roubado, né – argumentou e ele soltou uma risada pelo nariz, reparando que as mulheres já haviam entrado no recinto e caminhavam até a mesa deles.
Todas foram muito educadas e controladas, o que fez comentar isso com Sebastian assim que elas se afastaram, uns quinze minutos depois, as comparando com como seria se aquele acontecimento tivesse se passado no Brasil.
- Você é brasileira e não deu chilique nenhum – comentou desentendido.
- Querido eu sou ruiva natural, não sei sambar, não gosto de feijoada – enumerou nos dedos – entre outros porquês, faço parte de um seleto e atípico grupo de brasileiros.
- Ui, olha a diferentona – brincou, tomando o pouco do sorvete que não havia derretido ainda.
- Meu irmão costuma usar o termo antissocial – deu de ombros, também aproveitando o que era ingerível do sorvete – Mas não se iluda, só Deus sabe o quanto me segurei pra não pular no pescoço do Evans.
- Como assim? E eu? – perguntou risonho e ela sorriu também.
- Você já reparou naquele homem? Você é lindo, mas Chris Evans é Chris Evans – comentou e só então percebeu o que falou, arregalando os olhos e cobrindo a boca com a mão, o rosto esquentando rapidamente – Meu Deus, eu falei isso em voz alta?
Ele até tentou, mas não rir daquilo era praticamente impossível.
Se tivesse cumprido suas intenções iniciais com a garota a sua frente com certeza não estaria se divertindo tanto. Na verdade, não se lembrava qual a última vez que dera tanta risada na companhia de uma mulher sem o auxílio do álcool.
Aparentemente, a atendente do local também pensava como era possível duas pessoas darem tantas risadas à uma e meia da manhã de um dia agitado como aquela sexta tinha sido sem álcool no organismo. Ao menos eles não pareciam ter álcool no organismo.
- Seu filtro não funciona muito bem né?
- Ele veio com muito defeito – se ajeitou na banqueta, tirando o celular do bolso da calça, que já a estava a incomodando, e colocou sobre a mesa – Em momentos como esse me pergunto, eu realmente falei isso? – estava rindo, mas era de nervoso.
- Falou – afirmou, ainda tentando se controlar da risada anterior – mas eu sou mais eu – brincou, apoiando os braços na mesa e cruzando os dedos das mãos uns nos outros.
- Adoro gente com amor próprio, me identifico – empurrou a tigela do sorvete de blueberry, que ela julgava não ter mais jeito, e imitou os movimentos do ator, tentando deixar o nervosismo da fala passada pra lá – Mas falando nisso, posso tirar uma dúvida muito crucial? – questionou séria.
- Claro – respondeu, franzindo o cenho levemente.
- Para poder assinar contrato com a Marvel tem que ser extremamente lindo e ou charmoso?
Stan bufou uma risada, mas Maschell continuou o olhando séria, ou ao menos tentando.
- Eu me encaixo em qual desses dois requisitos? – o sorriso maroto brincando nos lábios.
- Fica ai a questão no ar né… - arqueou um sobrancelha, desafiadora, com um sorriso de canto.
- Bom – se endireitou ainda deixando os braços sobre a mesa – Só hoje eu tomei café da manhã com Chris Hemsworh, encontrei Chris Pratt no elevador e passei o dia com Chris Evans. Então tenho a teoria que a prioridade vai para quem se chama Chris, quando não encontram alguém com esse nome tem que ser contratado pelo talento mesmo... – deu de ombros. O sorriso de se alargou e ela mordeu o lábio inferior com força. – Juro que se você disser que encontrei meu requisito você nunca saberá a sensação de ter uma foto com o queridinho da América.
Dessa vez quem não aguentou segurar o riso foi ela e a atendente só revirou os olhos de seu balcão.
- Então se eu for legal ganho foto com ele?
- Depende de você – pegou a colher e começou a brincar com o que restou do que um dia foi um sorvete de maracujá, percebendo que o celular sobre a mesa vibrou e isso o fez lembrar de uma coisa – Agora que reparei, você não tirou foto de nada hoje.
A moça pendeu a cabeça para a esquerda e franziu o cenho.
- Como assim?
Talvez só naquele momento ele tenha percebido que durante o painel naquela tarde prestou mais atenção na ruiva do que achara, e isso o deixava desconfortável porque aquilo não era de seu gênero, na verdade era mais a cara do Mackie ficar reparando em pessoas aleatórias durante as entrevistas de divulgação.
Sebastian nunca agradeceu tanto por ter uma colher e uma tigela de sorvete derretido por perto para poder distraí-lo enquanto ele achava um jeito de colocar em palavras a explicação de “fiquei te encarando por um bom tempo durante as perguntas”.
- O pessoal na fila, de tarde, estavam a maioria com o celular na mão, e você não. E no painel, a grande maioria estava gravando e você só olhava.
- Acho que não sou eu quem está vigiando alguém aqui, não é mesmo? – perguntou com um sorriso contido, vendo um tom rosado tomar conta das orelhas e das bochechas do rapaz. Como alguém que cora tão facilmente pode ser ator?
- E com Evans também – comentou, pigarreando levemente. Transar é bem mais fácil que conversar.
- Sou fã do Evans há algum tempo – pegou o celular e começou passar de uma mão para outra, sem prestar muita atenção no que fazia.
- Já tem fotos? – perguntou Stan sem entender a explicação da garota
- Não... – soltou com um risinho – Até pensei em pedir, mas ele foi tão simpático, e eu sabia que se pedisse, a postura dele mudaria.
Assim ele entendeu os motivos da brasileira, e até achou legal. Durante as divulgações de Capitão América o Primeiro Vingador, Sebastian acompanhou alguns painéis e entrevistas e presenciou alguns momentos do companheiro de cena que não desejava para ninguém. Mas essas ocasiões eram muito raras.
- Você sabe que não é sempre que as crises de ansiedade dele atacam, né?
- O importante é o momento, Stan - sorriu quase meigamente, suspirando. – E eu sabendo que o vi é o suficiente.
- Profundo.
Ela soltou uma risada pelo nariz e passou a olhar o aparelho que passava em suas mãos naquela brincadeira frenética, enquanto Sebastian continuou a olha-la.
Ela tinha razão, os melhores momentos da vida são aqueles em que esquecemos da tecnologia e nos concentramos no que está acontecendo ali, ao nosso redor. Fotos são ótimas para ajudar a nos lembrarmos de um tempo que já passou, mas as melhores lembranças são aquelas que nos vem à cabeça antes de dormir, que nos fazem sorrir sozinho. Os melhores momentos são aqueles que ficam registrados na memória, não importa quanto tempo passe.
- Há quanto tempo vive aqui? – ele perguntou depois de um tempo depois, tirando aqueles pensamentos da cabeça.
- Um ano. Recebi a proposta de transferência e aproveitei a oportunidade pra começar a pós por aqui.
- San Diego tem saída para jornalismo político? – questionou meio surpreso e ela sorriu da confusão do ator.
- Não, mas Nova York sim, e é lá que eu moro – explicou, largando o celular e se inclinando pra frente, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo sobre a mão fechada em punho.
- Eu moro lá também, mas quase não fico na cidade.
- Isso não é cansativo?
- Às vezes sim, mas na maior parte do tempo eu adoro – o brilho nos olhos dele ao falar sobre sua carreira e profissão era comparável ao brilho nos olhos dela naquela tarde, dentro do hall H – Em qual jornal trabalha?
- É uma emissora brasileira, faço parte da equipe de correspondência. Você já deve ter passado pelo prédio, é um edifício enorme na 32 Avenue.
- Então você dá notícias na TV no horário nobre? - perguntou brincalhão.
- Não... – dessa vez o risinho foi nervoso – Eu e câmeras... – arregalou os olhos e negou veementemente com a cabeça. – A nossa relação não é boa, principalmente quando o caso é internacional – ele soltou uma risada e ela o acompanhou – Fico na redação. Procuro informações e formulo as notícias.
O ator assentiu com os lábios curvados de forma impressionada. Era uma grande responsabilidade.
Mas uma coisa não lhe saia de cabeça.
- Desculpa perguntar, mas por que política?
O sorriso se alargou no rosto da ruiva e ela empertigou-se, pronta pra dar uma grande e provavelmente cansativa explicação, então resumiu, como costumava fazer sempre que alguém fazia essa pergunta, com poucas palavras.
- O segundo ano do ensino médio pode ser muito persuasivo – disse como se aquilo explicasse tudo, o que na maioria das vezes de fato acontecia, mas ele continuou a encarando, como se esperasse que a garota terminasse de contar o motivo da carreira, o que não aconteceu.
- Eu sou ator, você acha mesmo que prestava atenção em alguma coisa no colegial? – perguntou seriamente e só soube rir.
- Platão, Sócrates, Maquiavel, Rousseau... – enumerou alguns dos principais nomes da filosofia política, e ele continuou com a mesma cara de tacho – Esses nomes te indicam algo?
- Indicam que só conheço os dois primeiros – respondeu com um sorriso amarelo. As aulas de filosofia era uma das poucas que ele não odiava, mas não odiar não significa gostar, então até rolava um pequeno orgulho o fato de saber diferenciar Sócrates de Platão.
Esse pequeno devaneio do rapaz demorou mais do que ele imaginava e estava se divertindo com a expressão reflexiva dele.
- No geral, eles falam sobre política – explicou-se segurando a risada, mas a cara de descontentamento dele demorou um pouco para passar.
Se ela disse que foi persuadida e depois citou aqueles nomes, a obviedade reinava no assunto abordado por eles. As vezes Sebastian se perguntava como terminou a faculdade.
- Deve ser horrível entrar em um debate com você.
- Nunca tente – fez uma expressão de intelectual, causando risada em ambos.
O celular dela vibrou novamente em cima da mesa e ele olhou para o aparelho que começou a piscar a tela intensamente a cada vez que uma mensagem chegava.
- O namorado de alguém está desesperado – murmurou, prestando atenção na cara dela ao ler as mensagens.
- Tenho dó de quem namora essas aqui – falou para si mesma, mas ele ouviu e fez uma cara de interrogação. – São algumas colegas brasileiras que sabem que estou em San Diego e estão surtando por eu não estar mandando foto de nenhum dos atores que encontrei hoje – explicou, bloqueando a tela do celular e colocando-o sobre a mesa novamente, voltando a atenção ao homem.
- Parece que elas não compartilham de sua filosofia de que viver o momento é o suficiente.
- Falei isso e quase fui morta via WhatsApp – comentou, fingindo uma expressão de desespero que logo foi substituída por um sorriso maldoso – Eu tive uma ideia, mas preciso do seu consentimento e da sua ajuda.
- Meu consentimento? – ele estava com um pouco de medo da cara que a ruiva fazia.
- Provavelmente vamos causar um infarto coletivo em cerca de umas quarenta pessoas.
- Eu deveria ter medo? – perguntou desconfiado.
- Não.
Ela o encarava ansiosa, e Sebastian sabia que seja lá o que ela quisesse fazer iria parar em um grupo de whatsapp, ou seja, internet. Mas também viu a forma que a garota havia respeitado o espaço do Evans e sabia que com ele não seria diferente.
- Okay – levantou os braços na altura do rosto em forma de rendição, aceitando entrar na brincadeira – O que eu tenho que fazer?
abriu um sorriso largo e quase sapeca, como uma criança que iria aprontar uma grande arte e pegou o celular, desbloqueando e entrando no aplicativo de conversa.
- Sentar naquela mesa ali – apontou para uma mesa que ficava há pouca distância atrás de onde ela se encontrava – Eu vou tirar uma selfie e você vai aparecer na foto fazendo uma careta bem engraçada.
- E você vai fingir que não me viu na foto e mandar para as outras – assentiu em compreensão, realmente gostando da ideia, mas não poderia perder a oportunidade de brincar com ela – Se quisesse uma foto comigo era só pedir, sabe?
A ruiva só revirou os olhos, mais uma enxurrada de reclamações chegando ao mesmo tempo.
- Stan, por favor, senta lá! – implorou, amansando a voz e fazendo um biquinho, as mãos juntas próxima ao queixo, quase angelicalmente pidonha.
Sebastian deu um sorriso sarcástico e se direcionou à cadeira indicada.
- Te pago um sorvete de maracujá depois – falou toda sorridente, mandando uma mensagem para o grupo
Você: Gente, eu to em uma sorveteria, querem foto da atendente do lugar!?
Beatriz : Você é uma vacilona, , não quero mais papo com você.
Ana : Uma foto não mata ninguém e você ai fazendo drama.
Ana : *VOCÊ AINDA VAI PEDIR ALGUMA COISA PRA NÓS SUA RUIM*

- Vai demorar ai, brasileirinha? – Stan perguntou, olhando para a mulher que encarava o celular com uma falsa expressão de ofendida.
- Me chamaram de ruim! – dramatizou, colocando a mão no peito.
- O que você vai fazer não é exatamente bonzinho – argumentou e ela mostrou o dedo do meio antes de entrar na câmera no grupo mesmo e posicionar para tirar a foto.
Como não rolou contagem regressiva nem aviso, a foto quase parecia realmente espontânea, com segurando a tigela quase vazia de sorvete derretido e mais ao fundo um Sebastian reclinado para trás com as mãos na beirada da mesa como se estivesse se segurando ali, os olhos arregalados e a boca aberta como se estivesse surpreso por invadir a foto.
- Vai merecer tradução das reações por essa cara – falou rindo, virando o celular para que ele pudesse ver a foto também.
- Achei que isso já estava incluso no pacote inicial – retrucou, voltando a se sentar em frente à ruiva, que pensava em uma espécie de legenda para mandar com a foto.
Você: Sorveteria ta mais vazia que o coração trevoso de vocês...
Esperou um pouco e mandou outra logo em seguida.
Você: EITA!!!
Puxou a cadeira para perto do ator, por mais que ele não entendesse o que estava escrito seria legal ver ele acompanhando o surto alheio, que não demorou para começar.
- Okay, isso vai ser difícil de acompanhar – a garota comentou, rindo do número de mensagens que chegava ao mesmo tempo, todas em caixa alta e com muitos pontos de exclamação ao final da frase.
- Pelo menos parece que ninguém enfartou, né? – brincou o romeno ao ver o tanto de mensagem – o que estão dizendo?
- Bom... Algumas estão afirmando que morreram sim – falou, rindo, e olhou para o homem de sobrancelhas arqueadas ao seu lado. – Já viu meu dom de vendedora, agora verá meu dom de tradutora – empertigou-se e pigarreou – “Meu Deus! Sebastian Stan está ai! , como você não viu Sebastian Stan ai!?” – ela lia como se estivesse interpretando em um teatro barato de ensino fundamental, o que tornava a cena mais interessante, considerando a pessoa que estava ao seu lado – “ sumiu, chamem a ambulância, liguem pra polícia, a doida sequestrou o menino Stan!”
- Menino? – interrompeu, rindo.
- Nós chamamos até o Downey Jr. de menino as vezes, é um costume – explicou, dando de ombros, sem olha-lo, rindo das mensagens. – Olha a Ana: “Gente eu acho que a morreu” – leu, rindo, e sendo acompanhada, rindo ainda mais com a próxima – “Morreu nada, deve tá tentando agarrar o coitado!”.
- Sim, estou sendo abusado e torturado com histórias traumatizantes relacionadas a chuchu - dramatizou olhando as mensagens e se interessou por uma específica – O que tem o Evans?
- A Bruna é louca, vamos pra outr...
- – cantarolou o nome da ruiva, como quem não quer nada. Ela bufou e revirou os olhos. Aquele grupo só servia para fazê-la passar vergonha, mas nunca achou que chegaria a esse ponto.
- “A desgraçada estava escondendo o ouro esse tempo todo! Vocês acham que eles não estão juntos desde aquela hora do Evans?”
- O que vocês pensam de mim? – perguntou, meio constrangido com o comentário.
- Sabemos que você não é santo, meu caro – respondeu, vendo ele desviar o olhar do rosto dela pelo canto de olho.
- O que ela diz no resto da mensagem? – ele cortou o assunto antes que ela pudesse falar qualquer coisa sobre a incrível capacidade do homem de ficar sem graça.
- “, volta aqui, não morre não, você só morre depois de uma foto decente, se não juro que saio daqui e vou pro seu velório em NY só pra me certificar que você morreu de verdade!! – riu e bloqueou a tela do celular, descansando-o na mesa – Isso vai ser interessante quando eu voltar pro hotel.
- Elas são bem... Carinhosas, né? – comentou, procurando palavras para descrever o tipo de relação entre elas.
- Ameaças são a maior demonstração de carinho que alguém pode fazer – Stan soltou uma risada pelo nariz enquanto negava com a cabeça. Talvez isso explicasse porque uma mulher bonita como aquela estava sozinha.
- Tá calor aqui, preciso de algo para me refrescar.
- “Se quisesse uma foto era só pedir” – imitou miseravelmente a voz dele, causando mais uma crise de risada – Isso está me parecendo abuso – reclamou.
- Promessa é dívida, – falou em um tom sério, olhando no fundo dos olhos dela, que comprimia os lábios tentando não rir, mas quando abriu a boca para falar as palavras soaram sérias.
- Sorte sua que eu sou uma pessoa legal – retrucou e pegou as tigelas da mesa e se dirigiu ao balcão onde a atendente revoltada e carrancuda se encontrava.
Durante todo o tempo que ficou perto das “vitrines” a mulher de uniforme a encarava como se esperasse que a ruiva explodisse a qualquer momento. O que não era muito distante da realidade já que ela queria muito fechar o estabelecimento e os dois únicos clientes sorridentes não queriam ir embora, piorando o humor já ruim.
pegou o sorvete com receio do olhar que recebia da mulher uniformizada e voltou praticamente correndo para a mesa onde Sebastian mexia concentrado no celular.
- Acho que não somos muito bem-vindos aqui – comentou, roubando uma colherada do sorvete antes de repousar a taça na frente do homem que prontamente desviou a atenção do celular para a massa de fruta tropical.
- Imagina – desdenhou dando de ombros – Quase três da manhã, só nós aqui... Ela deve nos amar.
- Aposto que o substituto dela está super atrasado e que era pra ela ter saído daqui há horas – disse a ruiva, olhando para a mulher atrás do balcão que fingia ter interesse nas próprias unhas.
- Ou ela odeia muito o trabalho dela, porque tem muita gente como nós, que ficam rindo igual retardados em uma sorveteria de madrugada – o ator também passou a olhar a funcionária, deixando o sorvete de lado.
- Ela não gosta de ver as pessoas felizes? – virou-se contrariada para o romeno, logo voltando o olhar na direção do balcão – Essa não é a política ideal de um funcionário de sorveteria.
- Com certeza terminou a relacionamento há pouco tempo e achou que trabalhar ajudaria a esquecer.
A mulher podia ouvir a conversa entre os dois, que por sinal, nem estavam tentando ser discretos, e já estava começando a odiá-los um pouco mais que o aconselhável, considerando que não os conhecia.
- Ou ela é na verdade um serial killer e tem o corpo de todos os ex no porão de casa, e sempre fica aqui porque o cheiro lá não é bom.
Tanto o alvo da conversa quanto Sebastian encararam .
- Acho que você está assistindo muito filme – Stan falou sério. O jogo do Sherlock só descobria serial killers no universo do Sherlock.
- Acho que ela ouviu, e agora nossos corpos vão se decompor junto com os dos ex – sussurrou, olhando para a mulher, que os fuzilava com os olhos, pensando que se aquele olhar não os fizesse sair daquele lugar, ela seria obrigada a pegar a vassoura os expulsar da maneira tradicional.
Sebastian, percebendo a raiva na expressão da mulher, se encolheu um pouco e voltou-se para a ruiva.
- Não que eu esteja levando essa sua conversa a sério, e por mais que o sorvete esteja uma delícia – pelo canto dos olhos viu a funcionária se levantando lentamente, sem desgrudar o olhar dos dois – Você não acha que deveríamos dar uma volta? Ver as vitrines e tal?
- Vamos – aceitou, guardando o celular no bolso, seguindo o homem para fora do estabelecimento com uma velocidade exagerada e risadas altas após alguns passos.
Eles passaram as horas seguintes contando histórias engraçadas, parecidas com a da atendente, histórias que já viveram e contando coisas que gostariam de fazer se tivessem a oportunidade.
Não viram o tempo passar, os assuntos eram tão bobos e ao mesmo tempo tão profundos, que os faziam esquecer que em algum momento deveriam ter ido dormir, ou que ele eram apenas dois desconhecidos, e que aquela madrugada duraria apenas algumas horas.
- Meu Deus, o dia já está clareando! – percebeu ao reparar no céu que já presenciava o nascer do sol, em um raro momento de silêncio entre os dois.
- Caramba é verdade! – Os dois pararam na calçada e ficaram assistindo o espetáculo da natureza. O amarelo tomando conta aos poucos do azul escuro, transformando-o em azul claro. Alguns minutos depois do sol nascer por completo, Stan olhou ao redor com a testa franzida – Onde estamos?
- Humm... – imitou os movimentos do ator e constatou que não fazia ideia de por quanto tempo eles haviam andado – Na verdade eu não sei – então avistou ao longe um amontoado de pessoas andando na mesma direção, com credenciais iguais à que ela usou para entrar no evento que a levou àquela cidade – mas se seguirmos aquele grupo, voltamos para a Con.
Sebastian olhou na mesma direção que ela um pouco surpreso. O sol acabara de nascer, não deveria ser mais que seis da manhã e aquele monte de gente já estava indo para a Comic Con. Santa disposição.
Durante o caminho, os dois fizeram apostas idiotas que envolviam com o perdedor pedindo para tirar foto com algum desconhecido do grupo de pessoas que eles seguiam, o que causou um pequeno alvoroço quando ele perdeu e teve que tirar foto com duas adolescentes que surtaram e seus pais não entenderam nada.
Depois que avistaram o Centro de Convenções mudaram o rumo da caminhada para o hotel, não demorando muito a chegar.
- Impossível! – falou pela quinta vez, quando ele insistiu em dizer que nunca assistiu nem leu nada de Harry Potter – Pelo menos um trecho de algum deles você já viu.
- Não – repetiu e riu da cara que ela fez, parando de andar quando chegaram no meio do salão da recepção do hotel – Mas eu gosto de Friends.
- Mas os pontos ganhados com isso perdem a força quando você diz que nunca assistiu Harry Potter! – retrucou revoltada, o encarando.
- Eu só não entendo esse fascínio todo pela história de um menino – deu de ombros, guardando as mãos nos bolsos da calça.
Os olhos arregalados e a boca escancarada não faziam jus ao tamanho da ofensa que aquele comentário dele foi.
- Olha, você é um cara legal, bonito, mas infelizmente nossa amizade termina aqui – falou a brasileira, aproximando, colocando a mão no ombro do homem para se apoiar, depositou um beijo na bochecha dele e se afastou.
Ele ficou um pouco perdido no que estava acontecendo, só acordando quando percebeu que ela estava quase chegando perto do elevador.
De todos os jeitos que poderia ter imaginado aquela noite com aquela ruiva, nada nem beirava à noite que realmente passara. Ela era diferente, ela sabia porque ele se aproximou dela e ainda assim se mostrou mais interessada em conversar e conhecê-lo.
Ela se mostrou uma espécie de amiga.
- Hey, brasileirinha – a chamou antes que pudesse controlar as cordas vocais – Não está se esquecendo de nada? – A primeira reação que ela teve foi apalpar os próprios bolsos, à procura do celular. Aquele já era o terceiro naquele ano, e não estava a fim de ter que comprar outro por memória fraca de novo. Mas a risada do homem mostrava que não era aquilo. – Comprar meu pacote de viagem para o Brasil como se você não me passou o contato da agência? – Okay, ele reconhecia que aquilo foi horrível, mas nada passou por sua cabeça naquele momento. Ela só sorriu, voltou para perto dele e estendeu a mão direita que recebeu um celular com prontidão, rapidamente ela digitou o próprio número ali aproveitou para tirar uma foto, fazendo uma careta, para deixar como ícone do contato. Sabia que aquele número logo seria esquecido, e provavelmente logo apagado também, mas não se importava. O que importava era o momento, certo? Devolveu o celular para ele, e ficaram se olhando – Até mais, brasileirinha – falou sorrindo e ela sorriu de volta, pendendo a cabeça para a esquerda. Qual a probabilidade dos dois se verem novamente?
- Até mais, romeno.
virou e voltou para perto do elevador sob o olhar atento do ator. Quando ia apertar o botão, as portas de metal se abriram revelando Chris Evans e Anthony Mackie, o segundo estranhando quando o loiro abriu um sorriso largo para a ruiva que entrava no elevador enquanto eles saiam. Antes das portas se fecharem a ruiva acenou para alguém atrás de Mackie que se virou e encontrou Stan com as mesmas roupas da noite passada.
- NÃO ACREDITO! SEU ROMENO SORTUDO SAFADO, FILHO DE UMA MÃE!
O romeno viu o moreno e o outro vindo entusiasmados, parecendo dois adolescentes, na direção dele, e soltou um suspiro misturado com risada. Aquele dia seria longo.

Capítulo 3


Sebastian acordou com o despertador tocando. 8:00 horas da manhã. Se levantou e foi acordar a garota, eles tinham um compromisso muito importante naquela tarde e ainda deveriam terminar a conversa que iniciaram no dia anterior.
- Oi, minha princesa – falou, se deitando de frente para ela que tinha os olhos fixados em um ponto da parede. – Dormiu bem? – a garota negou e ele acariciou sua bochecha – Por que não foi se deitar comigo? – ela deu de ombros e ele a puxou para perto, fazendo-a repousar a cabeça em seu peitoral – Quer que eu continue?
- Por favor.
Stan a abraçou, suspirando
- Tudo bem.

Outubro de 2013

Faziam três meses que a Comic Con tinha acontecido. Três meses que Sebastian e haviam se conhecido. Três meses que uma amizade muito forte nasceu.
Quando ela passou o número de telefone para ele, a única certeza que tinha era que pelo menos teria o número de um ator lindo e famoso em sua agenda de contatos. Tudo que ela menos esperava era que, dois dias depois, ele a mandaria uma mensagem perguntando se ela realmente teria que dividir a alma em quatro para poder arcar com todas as despesas da viagem. Depois daquele pergunta eles passaram a conversar todos os dias com exceções muito raras, como quando as festas de divulgação tinham um buffet muito bom, ou quando ela era arrastada para a festa de aniversário para algum colega da redação ou tinha que ir atrás de matérias que não eram possíveis de serem concluídas pelo telefone.
A press tour de Capitão América: Soldado Invernal acabou fazia quase um mês, mas Stan quis passar alguns dias na casa da mãe, que não via desde o começo das filmagens do filme, por ter se envolvido com outros trabalhos nesse meio tempo, mas agora estava de volta a Nova York e só passou em seu apartamento para tomar um banho e deixar as malas, indo diretamente para o prédio que recebeu o endereço há algumas semanas, no meio de uma brincadeira em uma vídeo chamada, brincadeira essa que envolvia ele fazendo uma surpresa para ela, mas como era uma surpresa e só passou o endereço porque ele prometeu enviar uma pizza no meio do expediente o sorriso não saia do rosto do rapaz. O ator olhou o relógio no pulso e já marcava dez para as 18:00. No dia anterior ela prometeu que naquela sexta só trabalharia até aquele horário, então ele tinha que se apressar.
Exatos dez minutos depois, Sebastian estava na frente do prédio. Pegou o celular e fez uma vídeo chamada para , que atendeu no segundo toque.
- Oi coiso.
- Oi coisa, que cara de desânimo é essa? – perguntou ao perceber o semblante cansado da garota.
- Seis da tarde de uma sexta feira – explicou – Experimenta passar seis horas seguidas sentada na frente de um computador. – reclamou, pegando sua caderneta de anotações o gravador e mais algumas coisas e jogando de qualquer jeito dentro da bolsa.
- Dramaaa – Stan cantarolou e mostrou a língua.
- Sebastian? – perguntou uma voz feminina e arrumou a câmera em um ângulo que focasse nela e na loira ao seu lado.
- Hey Ash. Tudo bem? – cumprimentou-a, Ashley deu sorriso e acenou, saindo do campo de visão do ator.
- Ué, não vai descer comigo? – A ruiva perguntou, percebendo que a outra não tinha arrumado a mesa e estava seguindo o caminho do corredor de escritórios ao invés do elevador.
- Fui convocada pra falar com o Tobias – falou, fazendo uma careta e também.
- Boa sorte – a loira riu nervosa e seguiu para a porta de divisão para o corredor – Até segunda – se despediu sem ter certeza se a colega a ouviu.
- Tobias? – Stan perguntou, mais para puxar assunto do que por real curiosidade.
- Chefe do meu chefe – agradeceu aos céus pelo elevador estar descendo e logo chegar ao andar dela, agradecendo novamente por ele estar vazio. Voltando a prestar atenção na tela do celular soltou um grito ao ver um táxi amarelo passando atrás do ator – Sebastian!
- O que? – perguntou assustado.
- Você está em Nova York? – gritou empolgada e meio revoltada.
- Ãn... – ele olhou para trás e viu mais dois táxis seguindo o mesmo caminho que o que vira. Ele realmente não lembrou do trânsito e só focou na faixada do prédio onde ela trabalhava. – Surpresa!? – falou, tentando manter o disfarce, mas saiu mais como uma pergunta do que qualquer outra coisa.
- Você não disse que só voltaria semana que vem? Quando você chegou? Não deveria estar em casa descansando? O que tá fazendo na rua já? – ela continuaria com o tiroteio de perguntas se ele não a interrompesse.
- Calma mulher, respira! – pediu, rindo – Eu recebi uma ligação, e como daqui uns dias terei que viajar de novo, pensei em dar uma passada aqui em casa, te deslumbrar com minha presença – O sorriso de já não cabia mais no rosto dela e isso o fez sorrir também – Cheguei há umas duas horas, estou aqui porque preciso pegar uma encomenda.
- Não é pra isso que serve o serviço de entrega?
- Essa é meio diferente, tinha que buscar pessoalmente – quando ele terminou de falar, as portas do elevador se abriram e saiu, se direcionando para a saída do prédio. Mas quando ela viu um homem segurando o celular na altura do rosto, ela travou no meio do saguão.
Sebastian desviou os olhos do celular e olhou para a mulher parada do outro lado das portas de vidro, levantou a mão direita e acenou para a ruiva, que riu incrédula, e saiu correndo logo em seguida.
Assim que alcançou Sebastian, não pensou duas vezes antes de se jogar no colo do homem, que deu uns três passos cambaleantes para trás antes de conseguir se equilibrar, com as pernas da mulher ainda envolvendo sua cintura e os braços firmes ao redor do pescoço, enquanto ele a segurava firme pela cintura.
- Baaaast! – deu um pequeno gritinho, apertando ainda mais o abraço.
- Você vai me enforcar! – o ator fingiu uma voz asfixiada, rindo junto com a ruiva quando ela afrouxou o abraço, se afastando o suficiente somente para poder olha-lo.
- E eu esperando uma pizza! – disse, rindo quando ele respondeu um “sou melhor que pizza” – Não acredito que você tá aqui! É natural eu dizer que estava com saudades? Por que eu ‘tava!
- Por que você acha que estou aqui? – perguntou com obviedade, ouvindo a gargalhada gostosa da garota.
- Porque não aguentava mais me ver só por Skype e precisava sentir meu toque e meu cheiro. – O rapaz revirou os olhos.
- Vamos fingir que é por isso pra você ficar feliz – falou com desdém.
- Começa com as gracinhas, agora você está a menos de trinta centímetros de distância de mim, posso te agredir à vontade – ameaçou, fazendo-o rir e aperta-la mais contra si.
olhou para o carro estacionado ao meio fio, reconhecendo a jaqueta jeans no banco do motorista, já que a janela estava aberta, e franziu o cenho.
- Bast, como você estacionou aqui?
Ele olhou para o carro e em seguida para ela.
- Estava vaga, eu só estacionei – deu de ombros – Por quê?
Ela respirou fundo e deu três tapinhas fracos no ombro esquerdo do amigo, sinalizando que queria descer do colo, o que ele atendeu prontamente.
- Aqui é a entrada da garagem! Há quanto tempo está aqui? Quer levar uma multa?
Stan arregalou os olhos, só então percebendo a placa que indicava a garagem, pegando a mão da garota e os guiando para o carro, entrando rapidamente, saindo dali logo em seguida.
Foram necessários alguns minutos para demostrar que não tinha controle algum sobre sua risada, deixando Stan emburrado, o que a fazia rir ainda mais.
- Ri, pode rir. – resmungou – Saio do conforto da casa da minha mãe, passo em casa só pra deixar as malas e venho direto pra cá, para te ver, e você fica rindo de um pequeno deslize. – enumerou, só para o descontrole maior da ruiva – Juro que se você não parar de rir, eu te jogo desse carro.
- Bast, como você tirou a carteira? – perguntou engasgada.
- Calada, eu sou um ótimo motorista – apontou o dedo para ela sem tirar os olhos da rua.
- Claro, tão bom que estacionou em lugar proibido – satirizou.
- Pelo menos eu tenho carteira, não é? – desafiou, fazendo-a mostrar a língua e ele sorriu vitorioso.
– Eu dirijo muito bem okay, só prefiro usar o metrô – Stan só resmungou um “aham”, e ela revirou os olhos – Bast, eu moro em um apartamento e trabalho em uma redação, se eu dirigir um carro não verei pessoas nunca, isso me fará entrar em colapso, por isso prefiro o metrô. Assim eu vejo gente e mantenho minha sanidade intacta.
- Primeiro: – Stan aproveitou para olhar para a garota, já que o sinal ficou vermelho – você não gosta de pessoas. Deixou isso muito claro nos últimos meses, essa não cola. Segundo: na redação tem pessoas, você vê gente o tempo todo lá. Terceiro: não venha com essa de sanidade mental. Você sabe que não possui isso. – afirmou, só tirando os olhos dela porque o sinal abriu.
- Talvez eu prefira não dirigir porque na estação eu faça amizades – apontou, mas viu na expressão do homem que ele já tinha descartado aquela ideia – Por que não? – perguntou meio revoltada
- Quantos amigos você tem aqui em Nova York? – questionou desinteressado, já sabendo que os nomes que sairiam da boca da mulher.
- Você, a Ashley... – Ela parou para pensar, pendendo a cabeça para o lado, fazendo um biquinho com os lábios, e quando ela ia abrir a boca para falar Sebastian a interrompeu.
- Viu, nada de amizades – apontou.
- Ei ia falar do Sr. Hadash, mas você me atrapalhou – reclamou.
- Quem é Sr. Hadash? – ele perguntou com a testa franzida.
- O senhor da carrocinha de cachorro quen... – Ela arregalou os olhos e o olhou esperançosa – Já que não vai rolar a pizza podemos comer cachorro quente? Por favor, diz que sim! – pediu com as mãos juntas, na frente da boca, infantilmente.
- Se for daquele lugar que você me fala, sim.
Depois que começaram a conversar, não tinha hora para troca de mensagens, telefonemas ou vídeo chamadas, mas o horário que eles mais conversavam era depois que saia do serviço, e pelo menos uma vez por semana ela parava em uma carrocinha de cachorro quente próxima a entrada da estação do metrô para comprar um lanche e conversar um pouco com o vendedor. já fazia isso desde que chegara em Nova York, mas desde que começou a conversar com o romeno, Stan começou a ouvir maravilhas sobre o tal cachorro quente, e prometeu que quando ele voltasse para a cidade, eles iriam lá.
- Okay, mas você vai ter que dar a volta e... – olhou ao redor, na rua, e se virou para Sebastian – Bast, para onde estamos indo?
Só naquele momento ele se tocou que não estava indo para nenhum lugar especifico, na verdade ele nem sabia para onde estava indo. Sabia que ainda estava na 32 Avenue, mas bem para frente da prédio onde trabalhava, talvez, até, para frente da rua que deveria seguir para voltar para casa. Ele só entrou no carro para se afastar da entrada da garagem e esqueceu de traçar uma rota depois.
- Pra falar a verdade, eu não sei – assumiu, pegando o primeiro contorno que avistou – mas já estávamos na metade do caminho, você que vai pagar a gasolina.
- Ahan, ta bom, claro – murmurou, ligando o rádio e deixando na primeira estação de radio, já que estava tocando Daylight e ela estava em um relacionamento sério com aquela música.
Depois de umas quatro músicas e Sebastian contar algumas coisas que ainda não tinha contado sobre as viagens com o elenco da Marvel e os dias na casa da mãe dele, apontou uma simples barraquinha móvel onde um senhor de uns sessenta anos e pele acobreada atendia alguns clientes.
- Presta atenção onde vai estacionar agora, o meu dinheiro da passagem vou gastar no cachorro, não to afim de ter que voltar a pé para casa porque seu carro foi rebocado – brincou em um tom sério, o que fez Sebastian encara-la.
- Virei chofer agora?
Ela sorriu meigamente e apertou a bochecha do rapaz, que deu um tapinha na mão dela.
O rapaz encontrou uma vaga sem muita dificuldade e com muita agilidade estacionou entre dois carros que estavam parados de um jeito que qualquer um xingaria muito antes de pensar em estacionar naquele espaço. ficou o tempo todo em silêncio, e quando Stan desligou o carro, ela o encarou, o sorrisinho vitorioso brincando no canto dos lábios dele o impediam de negar o ego inflado momentâneo.
- Pode assumir – ele provocou – você não tira a carteira por causa da baliza.
- Eu sou ótima na baliza – falou, saindo do carro, sendo seguida pelo homem que ria sem acreditar em nenhuma palavra que saia da boca dela – Não quer acreditar, tudo bem, mas saiba que quando tirei a carteira no Brasil, não reprovei no exame da baliza nenhuma vez.
- Nos outros reprovou quantas? – perguntou, rindo da cara de ofendida que ela fez.
- Vá se foder, Bast. – retrucou mostrando o dedo para ele – Eu dirijo muito bem, só que prefiro andar de metrô – revirou os olhos quando Sebastian resmungou um “obviamente, claro” – É sério. Imagina, eu passo o dia todo na redação, volto pra casa, um apartamento no sétimo andar. Uma hora ou outra eu tenho que ver mais pessoas além da Gertrudes.
- Gertrudes?
- Uma vizinha minha, mas isso não importa.
- Ta, mas eu chamo isso de desculpa – falou convencido, dando um pequeno peteleco na ponta do nariz dela.
- Okay – deu por vencida. Tentar convence-lo dos benefícios do metrô não a levaria a lugar nenhum – Da próxima vez eu estaciono.
- Nem se estivéssemos transando – respondeu prontamente, sentindo o rosto esquentar de imediato ao percebeu o que havia dito. deu um pulinho, de maneira que parou na frente do rapaz, as mãos indo em direção das bochechas dele.
- É tão bonitinho quando você fica vermelhinho assim, dá vontade de apertar suas bochechas – ele deu um tapinha leve nas mãos dela, saindo daquela direção.
- Sai daqui, não quero mais conversa com você, sua hipócrita.
- Eu? Hipócrita? Por quê? – questionou confusa, entrando na pequena fila da barraquinha.
- Quando nos conhecemos você ficou da cor do seu cabelo, não venha falar de mim.
o olhou inconformada, como pode alguém ser tão leigo assim?
- Bast, você está na minha lista de atores favoritos – ele abriu um sorriso de canto e um olhar travesso, mas quando abriu a boca para falar, o cortou – Nem começa a se achar. É normal eu ter ficado nervosa. Sem contar que você é ator, esse trabalho não exige falta de vergonha na cara?
- Você é chata assim em tempo integral, ou guarda tudo pra mim mesmo? – perguntou sério, fazendo o dono da carrocinha olhar estranho para ele, mas sorrir ao ouvir a resposta da garota.
- Nos últimos três meses você conheceu uns setenta por cento da minha vida, tire suas próprias conclusões.
- Será que ainda dá tempo de fugir? – o semblante assustado e o sorriso tentando escapar pelo conto dos lábios não combinavam muito, e o senhor assistia tudo com mais interesse que uma pessoa normal assistiria.
- O mesmo de sempre Srta. ? – perguntou, chamando a atenção dos dois mais novos.
- Sim, mas hoje são dois – respondeu simpática – Sr. Hadash, esse é Sebastian Stan, meu amigo, Bast, esse é o Sr. Hadash, meu avô postiço aqui de Nova York.
- É bom saber que você arrumou algum amigo da sua idade por aqui minha filha, não é bom alguém como você ficar andando por essas ruas sozinha.
- Mas eu tenho a Ashley também – o fez lembrar da amiga loira, rindo quando o senhor fez uma careta.
- Aquela Ashley não serve – desdenhou, entregando um cachorro quente já pronto para que passou para Stan, aguardando o segundo para si. – Ela não tem o coração puro como o de . Você precisa de mais pessoas de coração puro ao seu redor.
- Pra isso eu tenho o senhor – disse carinhosamente – iluminar o meu caminho e me trazer sempre o melhor.
- Se metade dos meus clientes fossem como você, eu não sentira falta da Índia nunca – comentou o senhor, entregando o outro cachorro quente. Sebastian até tentou pagar pelos dois, mas a ruiva não deixou ele tirar mais de dois dólares da carteira. Sr. Hadash assistia a cena com interesse e ria a cada ameaça que um soltava para o outro.
No fim, ganhou a discussão e pagou pelo próprio lanche.
- Sabe Sr. Hadash, o Bast é ator – contou toda orgulhosa – Mas ele tem vergonha de tudo – continuou num tom brincalhão, Sebastian já ficou com receio do que viria a seguir – Imagina quando tiver que fazer uma cena de sexo? Ele perde o papel mas não perde a vergonha.
- Sr. Hadash, foi um prazer conhece-lo, - Sebastian falou apressado, passando o cachorro quente para a mão esquerda para cumprimentar o indiano – mas agora eu tenho que me afastar desse tipo de pessoa.
O velho riu e encarou o amigo de cima a baixo.
- Não ia embora? ‘Ta fazendo o que aqui, me encarando ainda?
- O rapaz tem um futuro brilhante pela frente , você ficaria impressionada – o velho comentou os encarando, fazendo Stan franzir o cenho.
- Ele faz previsões do futuro – explicou – Mas essa já está muito óbvia – brincou, se voltando para o idoso.
- Ainda acha que errei na minha última previsão, menina ? – perguntou, olhando sugestivamente para Stan que ficou mais perdido ainda.
- Acho que ele não é o que o senhor estava querendo dizer – respondeu, olhando diretamente para o amigo que estava entendendo exatamente nada do que ao dois estavam falando – Agora eu preciso ir. Até terça Sr. Hadash.
- Até, minha querida. E repense seus achismos. A felicidade está nas pequenas coisas do dia-a-dia.
Sebastian também se despediu do vendedor, e juntos voltaram caminhando lentamente para o carro enquanto comiam o cachorro quente, que realmente era ótimo.
- Do que vocês estavam falando? – ele perguntou depois de um tempo em silêncio, a curiosidade ganhando sem esforço.
- Há alguns meses ele disse que eu logo encontraria a pessoa que me faria feliz até o meu último dia de vida, três dias depois nos conhecemos – contou desinteressada, focando sua atenção na comida e no movimento da rua.
Stan também não levou aquilo muito a sério, e nem chegou a se interessar na linha de acertos das adivinhações do velho indiano, mas tinha que assumir que aquilo foi profundo e a coincidência foi grande.
- Ele acha mesmo que eu sou azarado que vai ter que te aguentar por uns cinquenta anos? – Perguntou brincalhão, jogando a embalagem do lanche em uma lixeira próxima, já tirando a chave do carro do bolso.
- Não, ele acha que eu vou ter paciência de aguentar alguém no meu pé, me dizendo o que fazer ou não. Onde ir ou não. Que horas ir ou voltar, sendo que nem meu pai nunca me controlou tanto assim – ela respondeu, entrando no carro assim que ele destravou as portas.
- Você tem sérios problemas com relacionamentos – falou meio surpreso, a encarando – Me diga, cara , quem te traumatizou tanto assim?
- Ninguém – deu de ombros – Só tive um namorado, na faculdade, mas nenhum de nós levávamos aquilo a sério. Terminamos – fez aspas no ar – uns quatro meses antes da formatura. Sou madrinha de casamento dele.
- Você o que? – perguntou, rindo alto. Aquela era uma das situações mais estranhas que ele já ouviu na vida.
- Fui eu que os apresentei, nada mais justo que eu ser madrinha – explicou, dando de ombros, como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Com a mesma facilidade que entrou naquela vaga, ele saiu, e depois de xingar a mulher por um bom tempo por ela estar comendo, ainda, o cachorro quente dentro do carro, eles decidiram por ir direto para a casa de Sebastian, já que ela queria ouvir todos os detalhes das viagens de divulgação.


- Gostar de trabalhar é uma coisa, ser viciado já é problema.
já estava há uns quarenta minutos deitada no sofá da sala falando com Sebastian pelo telefone. Ela o tentava convencer em ficar mais alguns dias em Nova York, já que não fazia nem duas semanas que ele havia voltado e já estava tentando escapar de novo, como ela dizia.
- Não sou viciado – disse revirando os olhos, cansado de ter que falar a mesma coisa pela terceira vez – Já vou ter que estar lá na semana que vem mesmo.
- O que significa quatro dias de folga ainda. Curta a vida, Sebastian! – exclamou revoltada com a teimosia do homem.
- Mas talvez…
- Vá para a luz, Elizabeth! – Gritou, imitando o Mark Ruffalo, fazendo Stan rir.
- Sou muito jovem para ir para a luz.
- Okay, entendi. Tudo bem – desistiu, se sentando no sofá fazendo uma cara pidonha, mesmo ele não vendo ajudaria na interpretação – Mas como você não comprou as passagens ainda, posso te pedir uma coisa?
- Manda – suspirou já imaginando a cara de cachorro sem dono que ela estava fazendo.
- No sábado vai fazer um ano que estou aqui, e minha mãe fez uma reserva no Minetta Tavern, porque ela acha que eu gostaria de comemorar esse fato.
- Espera, - ele a interrompeu – você não disse que já estava aqui há um ano?
- Eu arredondei… - desdenhou – Nove meses, um ano… Qual a diferença?
- Pergunte isso para uma grávida e seja linchada.
- Bast, por favor! – implorou com voz de choro – Minha única outra solução é a Ashley e ela com certeza não vai trocar uma noite com o noivo dela para jantar comigo.
- Jantar grátis, hum? – perguntou deixando a mulher apreensiva – Posso pensar no assunto.
- É um dos restaurantes mais caros de Nova York, Sebastian, é só aceitar e pronto – resmungou contrariada.
- Você pensou na Ashley primeiro, então como estou sendo usado de estepe, estou no meu direito de fazer drama.
- Então isso é um sim?
- Vou ter que pagar algo? – perguntou enrolando, se tinha uma coisa que ele gostava era de ver revoltada.
- Talvez o cachê para o meu empresário, por ter a honra de dividir uma refeição comigo. – respondeu convencida.
- Ego! Não me sufoque! Eu imploro! – dramatizou com uma voz abafada, fazendo a garota rir.
- A dona vai desembolsar a grana. É só ir e encher a pança.
- Que palavreado culto, Srta. – ele comentou, rindo das expressões usadas pela ruiva – Sábado nove horas eu passo ai, pode ser?
- Sabia que te atropelar tantas vezes dentro do hotel me renderia algo de útil.

O som da campainha fez sair correndo, toda destrambelhada pelo apartamento, enquanto tentava colocar um brinco.
- Achei que tinha sofrido um acidente no meio do caminho – reclamou quando abriu a porta para que o homem entrasse.
- Enrolei pra chegar aqui e você já estar pronta – explicou caminhando até o sofá e se jogando nele, todo esparramado – Nunca fui bom em matemática e essa coisa de calcular tempo.
- Isso é em física – ela esclareceu, se dirigindo ao quarto para pegar o outro brinco e o par de sapatos.
- Isso significa que eu não me importo – retrucou, tirando a carteira e o celular do bolso – Enquanto você calça os sapatos vou no banheiro, okay.
- Anda logo. – gritou ainda do quarto. Calçou os saltos pretos e voltou para a sala, alisando a saia do vestido para não deixá-lo marcado.
Stan tinha acabado de abrir o zíper da calça quando ouviu seu celular tocar, revirando os olhos pelo timing imperfeito.
- Bast! Seu celular! – gritou. Como se ele não pudesse ouvir um toque daquele, tinha que mudar aquilo que a ruiva fez no aparelho urgentemente.
- Atende pra mim, eu já vou – pediu já fechando o zíper novamente.
Quando pegou o celular na mão e viu o nome Chris Evans na tela, sentiu o estômago ir para os pés. Respirou fundo e atendeu, colocando o aparelho no ouvido.
- Boo Bear, você está com minha camisa azul por ai? Não acho ela em nenhum lugar, no último painel eu emprestei ela pra você, não foi? – aquela voz grossa e rouca do outro lado da linha nem deixou a mulher pronunciar nenhuma palavra, falando rápido.
Tudo bem. Era Chris Evans do outro lado da linha. Esclarecendo a brincadeira do fandom, de sim, eles dividiam roupa as vezes. Mas tinha uma coisa muito mais importante para ser focada no momento.
- Boo Bear, o Evans está perguntando se você está com a camisa dele – falou alto, com a voz meio esganiçada, fazendo o homem sair correndo do lugar que estava no corredor e chegar à ela rapidamente, arrancando o celular da mão da mulher que pressionava a outra com força na boca, para não deixar a risada sair tão alta.
- Hey cara! – Sebastian falou com uma voz amigável, apontando o dedo para e lançando um olhar mortal para ela, fazendo a vontade da mulher de rir aumentar ainda mais.
- Ih cara, liguei na hora errada? – Evans perguntou meio sem graça, mas rindo pela forma como a voz feminina chamou o romeno pelo apelido também.
- Nah, é só a ... Lembra dela? – perguntou, se afastando da louca ao seu lado.
- A ruiva de San Diego? Claro que sim – o loiro respondeu malicioso, fazendo Stan revirar os olhos – Mas hein, minha camisa azul, não ficou com você?
- Chris, você deve ter umas setecentas camisas azul – exasperou tentando lembrar quando que viu o colega sem ser de azul.
- Eu sei – suspirou, sabendo que aquilo era verdade – mas aquela fica tão bem em mim.
- Bom, eu a considerei presente de fim de divulgação – Sebastian se virou para olhar a mulher que o encarava com um sorriso enorme no rosto ainda vermelho pela gargalhada anterior.
- Ladrão – acusou o outro, rindo em seguida – Não te empresto mais nada, também. Agora vai lá com a , porque ela é gostosa demais pra ser deixada esperando – essa última parte o loiro falou mais alto e ouviu. Ela se jogou no sofá, rindo, e abafando o grito com uma das almofadas.
- Okay – Stan falou encarando o ser que costumava chamar de amiga, mas mais parecia uma paciente que fugiu de um manicômio – boa sorte em escolher a camisa ai. Até mais.
Foi o tempo dele desligar o celular, para levantar e começar a pular e dar gritinhos ao redor dele.
- Eu já posso morrer! CHRIS EVANS ME CHAMOU DE GOSTOSA!
- Se você não parar de gritar eu mesmo me encarrego de te matar – falou sério – te jogo pela janela.
- Pode jogar, Chris Evans me chamou de gostosa! – parou na frente do homem, ainda pulando, e ele se perguntava como aquilo era possível com um salto daquela altura nos pés.
Sebastian deu de ombros e se abaixou o suficiente pra poder envolver os joelhos dela e a jogar sobre o ombro, caminhando até o sofá, pegando tanto a carteira dele quanto a da mulher e seguindo para porta.
- Bast! Era brincadeira, eu sou jovem demais pra morrer! Não me joga, não! – ela gritava e ria nas costas no homem, fazendo um pequeno escândalo no corredor vazio, fazendo o ator rir junto. – Por favor, Bast, meu vestido vai ficar todo amassado! Me coloca no chão, pelo amor de Deus!
Quando Stan ia apertar o botão para chamar o elevador, as portas de metal do mesmo se abriram, revelando uma elegante senhora de uns oitenta anos, carrancuda, com um pequeno chihuahua dentro de uma espaçosa bolsa.
O rapaz rapidamente colocou o a ruiva no chão, a mesma prendendo as bochechas nos dentes quando viu quem estava saindo do elevador.
- Boa noite, Senhora Gertrudes – cumprimentou educadamente. A senhora só encolheu o rosto em uma careta e saiu do elevador, fazendo questão de não encostar em nenhum dos dois no meio da ação.
- Mas que pouca vergonha. Esse é um edifício familiar, façam essas coisas dentro do apartamento, seus pervertidos – falou seriamente, olhando para o casal de amigos como se eles fossem algum tipo de doença altamente contagiosa em forma humana – E por favor, menina, se controle, comecei ouvir seus gritos do quinto andar! – se virou e, toda pomposa, caminhou pelo corredor até as portas do elevador se fecharem e os olhares dos dois se encontrarem.
começou a rir assim que viu que o amigo estava completamente vermelho e de olhos arregalados.
- O que foi isso!?!? – perguntou, rindo da risada da mulher, mas com o rosto ainda corado.
- Minha fã número um. Minha querida vizinha Senhora Gertrudes.
- Por que ela te ama tanto assim? – perguntou curioso, se encostando na lateral do espaço de metal.
parou de rir e franziu o cenho, e fez o típico biquinho que fazia quando parava para pensar em alguma coisa.
- Na verdade, eu não sei – falou sincera – ela me adora assim desde que cheguei aqui.
- Você é apaixonante mesmo – comentou rindo e ela o acompanhou.
- É só mais um dos meus dons naturais – respondeu, jogando uma mecha de cabelo para trás.
- Fiquei caidinho – brincou, envolvendo os ombros da brasileira e saindo do elevador.
- Opa, essa noite promete – arranhou a nuca do homem, causando arrepios nele.
- Claro, Gertrudes que se cuide – murmurou sem pensar muito, ficando extremamente sem graça quando percebeu que falou aquilo em voz alta.
- Há! – pulou na frente dele apontando o dedo no peito do rapaz – Tá pegando o espírito da coisa! – abriu a porta do carro e entrou.
Sebastian parou por um instante, olhando-a pela janela.
- Aonde fui amarrar meu burrinho... – murmurou para si mesmo antes de dar a volta e assumir o banco do motorista.

- Nunca perguntei, seus pais trabalham com o que? – Sebastian perguntou interessado, olhando a decoração do restaurante e algumas pessoas conhecidas que estavam ali. Realmente não era pouca coisa, fazer reservas naquele lugar não era nem um pouco fácil.
O Minetta Tevern não era nenhum cinco estrelas, na verdade ficava em uma rua afastada, com bares ao redor, até meio escondido. Talvez esse fato e a comida de qualidade que tenha chamado a atenção de várias celebridades e famosos, que adoraram o local. Mas isso logo se tornou público e a clientela se tornou muito seleta, os preços foram aos céus e era necessário alguns meses ou muita influência para conseguir uma mesa ali.
- Minha mãe era arquiteta paisagista e meu pai arquiteto urbano – contou, se sentando à mesa, rindo da expressão surpresa de Stan – Mas agora eles estão aposentados. Só fazem algum rabisco quando o Breno pede ajuda nos projetos principais.
- Você foi a única que não seguiu o trabalho da família – comentou brincalhão – Como saiu uma jornalista do meio de um monte de arquitetos?
- Eu me divirto com as letras, deixo as contas e toda a confusão matemática para eles. Meu pai costuma dizer que sou a ovelha negra da família – sorriu ao se lembrar das brincadeiras que o mais velho sempre fazia pela carreira dela.
- Dois arquitetos – Sebastian puxou assunto quando viu que ela não falaria mais nada e ficaria ali sorrindo, encarando a mesa – Uma dupla e tanto, hein.
Ele gostava de vê-la falar sobre si mesma e sobre a família dela. As poucas vezes que eles abordaram o assunto família em suas diversas conversas, foram o suficiente para ele notar o que ela realmente valorizava.
- Eles se conheceram na faculdade. Meu objetivo de relacionamento sabe. Eles brigam, como qualquer outro casal que esteja junto por mais de vinte anos. Mas em nenhum momento um para de cuidar do outro. Às vezes é até engraçado, um não está falando com o outro e saem perguntando pra mim ou pro Breno se o outro comeu, ou se agasalhou antes de sair, se tomou as vitaminas – ambos riram da cena mental dos dois brigados e se cuidando – O Brê diz que ele e a Gabi já são assim agora, então imagina como será quando eles tiverem a idade dos dois.
- Você ainda não me contou essa história da Gabriela e do Breno – falou Sebastian, se lembrando de uma conversa antiga.
- Nossa é verdade! – um garçom se aproximou com os cardápios e copos de água, rapidamente os pratos e bebidas foram escolhidos e o garçom de afastou – a coisa até parece novela – Ele se recostou de forma mais confortável na cadeira e bebericou um pouco da água, fazendo cara de tédio pela enrolação dela – Eles se conheceram no colégio, o Brê tinha dezesseis e a Gabi quinze. Ela era completamente apaixonada por ele, mas naquela época o Breno era o galinha número um do colégio, ficava com todas, e a coitada da Gabi era mais chifruda que uma manada de alces.
- Você ama sua cunhada – Stan interrompeu-a, rindo junto com ela.
- Eu gosto muito dela, mas ela era trouxa demais no começo – se justificou.
- Okay, quando o cupido flechou ele então?
- Eles começaram a ficar no começo do ano, o Brê ficava com ela e mais umas sete. O que eu não entendo, ele era todo desajeitado naquele tempo. Quem é bonito com dezesseis? – perguntou mais para si mesma, para incrementar a história, mas Stan não entendeu bem e resolveu interromper novamente.
- Eu era – falou convencido enquanto o encarava com cara de paisagem.
- Você finge que é verdade e eu finjo que acredito, pode ser?
- Miss simpatia – murmurou, bebendo mais água e pedindo que ela continuasse.
- Okay, dois meses depois a Gabi apareceu grávida na porta de casa, falando que foi expulsa de casa e que não tinha para onde ir. Meus pais surtaram mais que o Brê, mas não tinha o que ser feito, a não ser o exame de DNA, que foi feito assim que o Gabriel nasceu. Mas nesse meio tempo minha mãe a acolheu lá em casa e a tratava como uma filha. O Brê continuou com a vidinha de galinha até uns oito meses de gestação – parou de falar, parecia que tinha voltado no tempo contando aquela história. Ela só tinha quatorze anos na época mas lembrava tudo o que a cunhada sofreu com seu irmão, e vê-los naquela noite abraçados, sorrindo e chorando, a fez ver que uma coisinha pequena pode mudar tudo – O Breno chegou em casa uma noite e viu a Gabi deitada no sofá, ele estava tentando fugir dela o máximo possível, mas isso é meio difícil quando se mora na mesma casa que a pessoa. Ele não assumia pra si mesmo, mas sempre gostou um pouco dela, e naquela noite ele sentou no chão perto do sofá e começou a conversar com a Gabi como se ela estivesse acordada. Não foi a conversa mais inteligente do mundo, mas ela estava dormindo, então não vou julgar o monólogo. Mas quando ele colocou a mão na barriga dela, o bebê se mexeu. Acho que foi só naquele momento que ele percebeu o que realmente estava acontecendo. Foi só ali que ele percebeu que seria pai, e que a mãe da criança era linda e o amava. Pra que fugir disso?
- A Gabi aceitou essa mudança de comportamento numa boa? – Sebastian perguntou interessado. já havia dito que a história do irmão era quase fictícia, mas aquilo tudo nem passara por sua mente.
No meio da história o garçom tinha voltado com os pratos, e ambos já se deliciavam com seus pedidos.
- No começo ela ficou com um pé atrás, mas quando o Biel nasceu o Breno que dava banho, colocava para dormir, até contava historinha – contou rindo – Virou o verdadeiro pai do ano. Nisso a Gabi deu uma segunda chance pra ele e essa brincadeira já tem onze anos.
- Eles parecem o casal exemplo. Se você não me contasse isso eu passaria a vida achando que eles sempre viveram um conto de fadas – Stan realmente estava impressionado com aquela história. Há alguns dias ele estava na casa de e conversou por um bom tempo com o casal por Skype. Quem via de fora nunca nem sonharia com tudo aquilo.
- Mas agora eles se respeitam acima de tudo. O começo pode não ter sido um conto de fadas, mas agora eles realmente se amam.
- Com exemplos assim e você ainda tem medo de entrar em um relacionamento?
- Não tenho medo de relacionamentos, só acho que devem ser construídos com a pessoa certa – esclareceu bebendo um pouco de vinho – Você, mais que ninguém, sabe que exemplos não nos afetam tanto como é dito por ai.
Sebastian engoliu seco. É óbvio que ele sabia do que ela estava falando, mas isso não tornava o assunto menos complicado, menos dolorido.
Ele pigarreou e levantou a taça, propondo um brinde.
- À nossa crise de Steve Rogers?
abriu um sorriso, descrente da proposta.
- Á nossa crise de Steve Rogers – brindou.
- Hum... – Ele engoliu o vinho e repousou a taça sobre a mesa – Se nada der certo, a gente casa.
Ela estendeu a mão por cima da mesa e ele a apertou.
- Acordo aceito.

Capítulo 4


Era um sábado à tarde. pretendia ter usado aquele dia para fazer a tão necessária faxina em seu apartamento, que vinha sendo adiada desde que Sebastian tinha ido para Ohio. A desculpa enquanto ele ainda estava na cidade era que ele a distraia muito e a faxina não desenvolvia, mas mesmo depois dele ter ido viajar, duas semanas atrás, ainda não tinha movido nem um tapete do lugar, se contentando com uma passada de aspirador duas vezes por semana.
O que ela não esperava era acordar com uma incomoda dor na nuca, que a impossibilitava de se movimentar muito sem sentir uma tontura horrível. Então ela se acomodou no sofá, ligou a Netflix e se contentou em começar mais uma maratona de Arrow.
Quando já estava por volta do sexto episódio e menos de meio balde de pipoca, a campainha tocou, fazendo se levantar resmungando por ninguém saber a utilidade do interfone e a opinião dela sobre a incomodar em um dia como aquele.
- Pensei que você tinha dito que eu não incomodava nunca – Stan falou assim que ela abriu a porta emburrada, desamarrando a cara assim que viu ele e o outro parados na porta dela.
- Isso foi antes de você praticamente se mudar pra cá – resmungou o abraçando, se sentindo minúscula perto dele – Achei que só voltaria no começo do mês – disse com a voz fraca.
Sebastian franziu o cenho ao reparar na palidez que ela se encontrava. Achou que o fato dela jogar o peso contra ele seria o costume de sempre ao abraça-lo, mas percebeu que ela nem tinha reparado que fez isso.
- Não tinha mais nada para fazer por lá – falou, praticamente a carregando de volta para o sofá cheio de cobertas – , o que você tem? – perguntou preocupado.
- ‘To com uma dor chata na nuca, acho que dormi de mal jeito e deu torcicolo – desdenhou recostando-se nos travesseiros.
- E está assim desde que acordou? Sabe que existe umas invenções medicinais muito revolucionárias chamadas “remédios”? – Anthony se manifestou pela primeira vez desde que chegaram.
- Mackie, eu não estou dando conta de chegar na porta, quem dirá ir à farmácia – contradisse, dando um beijo no rosto do moreno que se inclinou sobre ela pra cumprimenta-la – Aliás, bem-vindo a minha humilde residência.
- Sinto-me lisonjeado por estar em sua presença novamente, cara Srt. – disse galanteador, depositando um beijo na costas da mão dela.
Sebastian assistia a cena e revirava os olhos.
- Eu tenho medo de saber sobre o que vocês conversam – falou, se levantando e indo para a cozinha.
- Foi você que me passou o número dele, não tenho culpa de nada – disse alto o suficiente para ele escuta-la da cozinha.
- Isso pra você parar de ficar mexendo no meu celular – a voz dele saia abafada. Anthony e riram.
- Amava as fotos suas que ela me mandava. Vou ter meme pro resto da vida – comentou Mackie, rindo da cara de tédio do romeno no hall da porta da cozinha.
- Ruivinha, você não tem remédio em casa não? – Stan perguntou indo se sentar ao lado de Anthony.
- Só pílula do dia seguinte – ele revirou os olhos e o moreno deu um cutucão na garota, mas não disse nada – Você bem que podia ir comprar pra mim, né? – pediu, encostando a cabeça no ombro do ator e olhando meigamente para Sebastian.
- Estou sem carro – contou, desviando o olhar para a televisão pausada em uma cena de ação.
Anthony começou a rir e os encarava perdida.
- O que houve com seu carro? – ele não disse nada e começou a procurar o controle remoto em meio as cobertas, enquanto Mackie quase começava a chorar.
- Sempre quis assistir essa série, mas nunca peguei pra começar – desconversou, de repente muito interessado na história de vida do Oliver Queen.
- Cara, se você não contar o que rolou, eu conto, e você sabe como eu conto – o moreno disse, secando algumas lágrimas do canto do olho, sem saber se estava rindo da cara que o amigo fazia naquele momento ou se era pela lembrança da ligação que recebera um dia antes de Sebastian sair de Nova York.
Stan suspirou em desistência, recostou-se no sofá, mas não tirou os olhos da tela.
- Eu bebi muito e batiocarroquandofuitirareledagaragem – falou rápido e embolado, fazendo soltar um sonoro “Hein?” e Anthony rir ainda mais.
- Bast, ninguém aqui fala romeno não, repete, fala pra fora – praticamente exigiu, e se arrependimento matasse, Sebastian já estaria só o pó.
Ele respirou fundo novamente, e tentou falar com coerência.
- Eu bebi muito aquela noite que sai daqui e disse que tinha que buscar uma amiga – falou devagar, sem coragem de olhar para a ruiva que já mordia os lábios com força, para pelo menos dar a oportunidade de deixar ele terminar de contar o fato – No outro dia de manhã eu fui tentar sair da garagem e bati o carro. – terminou cabisbaixo.
Várias coisas passaram pela mente de , uma delas foi preocupação, ele poderia ter se machucado feio nessa brincadeira. A segunda foi a exibição dele no começo do mês com a baliza. Mas o que ela mais conseguiu focar foi a carinha de culpado dele.
Francamente, parecia uma criança de sete anos que sabia que tinha aprontado e não queria ficar de castigo.
- Bast, você é a coisa mais preciosa desse mundo – ela disse em meio a risada, que foi impossível segurar – Se você já tivesse ido comprar o remédio para mim, eu levantaria daqui e te abraçaria até você explodir em purpurina.
- Awnt, depois dizem que não querem se pegar – Mackie disse com uma voz fofinha, olhando de um para o outro com um biquinho e piscando rapidamente.
- Eu nunca disse que não quero – ela disse, se ajeitando no sofá – É só ele falar que já ‘tamo ai.
Mackie lançou um olhar repreensivo para ela. Aquilo era golpe baixo!
Mas funcionou.
Quando eles olharam para Sebastian ele estava se levantando do sofá, quase como se tivesse levado um choque.
- Ué Bast, vai onde? – perguntou desentendida, dando um cutucão quando Mackie sussurrou “Já pensou em trabalhar com a gente?”.
- Você não queria que eu fosse na farmácia? – questionou se virando para ela, as orelhas ainda um pouco vermelhas.
Ele não entendeu nada quando deu um tapa no braço do sofá gritando “Ahá!” ao mesmo tempo que Anthony cobriu o rosto com as mãos, gritando um desesperado “Não!”.
- Foi baixo até pra você, , essa não valeu! – reclamou, ficando de frente para a mulher que sorria abertamente.
- Não lembro de ter assinado um termo que diz que eu não poderia fazer isso – deu de ombros, convencida.
- Eu estou com medo de perguntar, mas mesmo assim vou fazer. De que porra vocês estão falando? – Stan perguntou, olhando fixamente para .
- Apostamos dez dólares em quem conseguiria te fazer ficar vermelho primeiro – contou na maior cara de pau.
- Eu não me surpreendo com vocês dois – ele retrucou seguindo para a porta – Vocês podem me dizer que vão casar, que eu não vou me surpreender.
- Seb! Bro code cara, até parece que vou fazer isso contigo – Anthony bateu a mão fechada em punho duas vezes no peito, fazendo e Sebastian rir.
- Vai onde sem dinheiro?
- Eu tenho uma coisa muito legal, ela se chama cartão de crédito – ela até chegou abrir a boca pra falar algo, mas ele a interrompeu – Eu não vou falir por causa de cinco dólares, , relaxa.
- Já que você insiste – deu de ombros e se voltou para Mackie assim que Sebastian saiu – Já eu, posso aumentar minha fortuna com esses dez dólares que ganhei.
- Golpe baixo, , muito baixo – murmurou, pegando a carteira e tirando uma nota de dez – Exijo revanche.
- Quem sabe na próxima, meu caro – falou, puxando a nota da mão dele e colocando no bolso do moletom que estava vestindo – Tem mais pipoca na panela, pega lá pra gente? – pediu, colocando o balde na mão homem.
Uns quinze minutos depois o telefone de começou a tocar, e ela ficou perdida ao ver quem estava ligando.
- Eu vou desistir disso e subir de novo – Sebastian falou emburrado.
- Desistir de que? – perguntou confusa.
- Eu estou parado aqui há quinze minutos com o braço erguido, já passou seis táxis por mim e nenhum parou.
A risada saiu sem permissão, mas qual é? Como não rir de uma situação dessa?
- Quem mandou ser o melhor motorista do mundo? – ela brincou e riu mais ao ouvir ele dizendo que começaria a chorar se ninguém parasse para ele.
- O que está acontecendo? – Anthony perguntou e a ruiva fez um sinal para ele esperar um pouco.
- Bast, é torcicolo, amanhã eu já estarei melhor, volta pra cá – pediu sem tirar o riso da voz.
- Não. Eu preciso de você bem hoje à noite. Não dá pra esperar até amanhã. – ele retrucou meio afobado. Mackie se levantou e foi até a sacada, que tinha vista para a avenida, e a cena que viu lá em baixo o fez tirar o celular do bolso.
Era Sebastian Stan pulando e balançando os braços acima da cabeça, como se tentasse sinalizar um helicóptero.
- Precisa pra quê? – a garota perguntou, questionando o moreno com o olhar o por que ele estava com aquela cara e olhando para a rua.
- Há! – Stan gritou quando um táxi, finalmente parou a frente dele – Farmácia mais próxima, por favor – pediu assim que se sentou no banco de trás do carro - Vamos à uma festa, e se você não for, fica sem alcaçuz por uma semana – ameaçou ouvindo um chocado “Você não faria isso!” do outro lado da linha.
Não demorou muito para ele perceber qual era o doce favorito da mulher. Enquanto ainda estava fazendo a divulgação do filme da Marvel e conversavam todo dia por Skype, era rara a vez que ela não estava com vários tubinhos de goma nas mãos. Quando ele voltou para Nova York e visitou o apartamento dela pela primeira vez, reparou que uma das portas do armário da cozinha era, literalmente, um estoque de alcaçuz.
- Volta logo, então – retrucou, mostrando a língua para Anthony que imitou o jeito que ela falou – Acho que vou precisar de uma massagem também.
- É, e eu preciso de uma noite com a Sharon Stone, mas não temos tudo o que precisamos.
- O ditado é tudo o que queremos, Bast – o corrigiu, fingindo estar decepcionada.
- Eu não me importo. Daqui a pouco estou ai, tchau. – Stan desligou e jogou o celular de qualquer jeito no sofá, voltando a atenção para a série.
- Eu quero fazer outra aposta – Mackie declarou após alguns minutos de silêncio.
- Quer perder mais dinheiro? – alfinetou, recebendo um sorriso vitorioso como reposta.
- Essa eu vou ganhar de olhos fechados.
- Hum – ela se sentou e apoiou a cabeça nas costas do sofá. A dor já tinha passado praticamente, mas a tontura não estava afim de dar trégua – Adoro desafios.
- Dois meses pra você e o Seb assumirem namoro – falou com a mão estendida, só a espera de fechar a aposta.
Mas aquilo a pegou desprevenida. De onde ele tirara aquilo?
- Mackie, eu e o Bast somos amigos – mal sabia ela que aquela seria a primeira de muitas vezes que teria que repetir aquela frase.
- Nunca assistiu Amizade Colorida? – desdenhou, revirando os olhos pela resposta dela.
- Você está delirando – riu, batendo na mão dele para abaixa-la.
- Qual é – insistiu – Vai dizer que nunca pensou em dar uns pegas nele?
- Assim como ele pensou.
- Qual a dificuldade então? – perguntou quase desesperado.
- Não existe dificuldade, a gente só não se enxerga assim – esclareceu, dando de ombros.
- Vai dizer que se enxergam como irmãos! – exclamou revoltado.
- Longe disso – falou, achando engraçada a reação do colega – Mas existe uma Muralha da China entre sexo casual e um relacionamento fixo.
- Então você assume que gostaria que ele fosse seu parceiro sexual? – perguntou com cara de malandro.
- Talvez, por que não? – deu de ombros – Desde que não afete nossa amizade. Por que esse interesse todo em nossa vida sexual? – perguntou o encarando.
- Desde que se conheceram em San Diego, ele sempre cita seu nome nas conversas, não importa o assunto – contou, estudando a expressão dela, que não se alterou nem um milímetro.
- O Brê e a Ashley também já devem estar cansados de me ouvirem falar dele, mas não vejo onde está querendo chegar com isso.
- Tudo bem – cedeu após passar alguns segundo a encarando – Talvez eu esteja me precipitando falando dois meses – se levantou, pegando o balde de pipoca e as xícaras de chá que eles haviam tomado – Mas quero deixar claro que serei padrinho do casório – e foi pra cozinha.
- Casório, Anthony? -perguntou rindo – Quantos anos você tem?
- Setenta e quatro anos – voltou para a sala falando igual a um velhinho sem dentadura.
Algum tempo depois Mackie começou a reclamar, dizendo que não aceitava o fato dela ser melhor amiga de um ator da Marvel e estar assistindo uma série da DC, e depois de muita discussão, ela cedeu em trocar Arrow por Agents Of Shield. Mas quando Sebastian chegou eles ainda estavam debatendo sobre isso.
- Você tem que escolher um, gostar de Marvel e DC é a mesma coisa que dizer que tanto faz se New York Giants ou Philadelphia Eagles ganhar a final do Super Bowl. Ficar em cima do muro não nos faz vencer batalhas, .
- Você sabe que está falando grego, certo?
- Ela só entende de soccer, não perca seu tempo cara – Stan disse, se levantando para levar o copo d'água que dera para tomar o remédio.
- O nome é futebol, Bast, fu-te-bol – soletrou só para ouvir “eu não ligo” do rapaz – Tu anda muito bad boy pro meu gosto, Stan, não foi assim que te criei.
- Eu ainda estou revoltado com os taxistas dessa cidade, me lembrem de nunca mais bater meu carro – pediu, deitando a cabeça no colo da ruiva e jogando as pernas no colo de Anthony – Por que estamos todos nesse sofá sendo que tem mais dois sofás livres nessa sala?
Como se tivessem combinado, um olhou para o outro e os três deram de ombros ao mesmo tempo, voltando a atenção para a televisão.

Anthony a Sebastian saíram do apartamento de por volta das sete da noite, com o intuito de voltarem para casa de Stan, já que Mackie estava hospedado lá, tomarem banho e voltar para a casa de , para todos irem a festa juntos
Quase duas horas depois de saírem, os dois voltaram, sendo atendidos por uma com uma imensa camiseta cinza e toalha enrolada no cabelo.
- Duas horas, ! – Sebastian reclamou ao ver que o mais perto que ela estava de estar pronta era a maquiagem recém-começada.
- Se eu não tivesse vindo abrir a porta talvez já estaria no iluminador – reclamou, voltando para o quarto – Acho que tem uma chave extra em uma das gavetas da cozinha, pega pra você, não sou paga para ficar abrindo a porta para quem não interfona – gritou do cômodo, ouvindo o rapaz gritar um “Okay”.
Após terminar a pele, tirou a toalha da cabeça e começou a arrumar o cabelo. Ela queria fazer uma coisa diferente, mas as reclamações dos homens a limitaram a deixar o cabelo com ondas. Tirou a camiseta e vestiu o vestido preto que estava separado em cima da cama. Ele era curto e tinha mangas compridas, com detalhes em dourado no decote e na cintura, um pequeno triângulo aberto na região acima do estômago e saia rodada. Optou por um salto também preto, e brincos na mesma tonalidade dos detalhes do vestido.
Quando terminou de se vestir, voltou para frente do espelho para passar o batom vermelho e uma sombra clara, já que os lábios estavam destacados. Gostou do que viu. Por ela, a noite seria séries e pizza, mas já que Sebastian insistira na festa, não tinha porque ficar negando.
Pegou o celular no criado mudo e abriu a câmera, aquele look merecia ir para o Instagram.
Stan e Mackie já tinham desistido de conversar, de assistir tv, mexer no celular, e no caso do moreno, até de se manter acordado.
O romeno já havia nomeado cada funko que a mulher mantinha na sala, já havia imaginado uma triste história a nível Toy Story, onde o funko do Constantine, que ele apelidou de Octavio, e o funko do Arqueiro Verde, o Harry, eram grandes amigos, mas desde que saíram da loja nunca mais puderam se ver, já que cada um ficava de um lado da estante dentro de suas respectivas caixas, ainda lacradas.
Cansado de imaginar dramas da Pixar, ele se levantou e foi até o quarto da garota para ver se ela já estava pronta, se revoltando ao vê-la sentada na cama, mexendo no celular.
- Eu não consigo me decidir se te mato agora, ou se te dou a oportunidade de se explicar.
se levantou e se aproximou do amigo, com uma carinha angelical.
- Eu ‘to gostosa demais pra não registrar esse momento, não acha?
Ele a analisou de cima a baixo. Realmente, muito linda.
- Okay, está perdoada – murmurou, ainda a analisando.
- Bast, espera a gente começar a beber, assim você pode usar a bebida como desculpa para ficar me comendo com os olhos desse jeito.
- Você que disse que se eu quiser você topa... – comentou, sentando na cama assistindo a ruiva encontrar um bom ângulo para a tão desejada foto, dando-o a ideia de tirar uma também.
- Estou sempre aberta a ideias e sugestões, só não se empolga, minha vontade de ir para a cama com você ficou em San Diego – se sentou ao lado dele na cama e começou a editar a foto, enquanto o homem continuava no Instagram.
- Talvez se você usar uma lingerie preta e esse salto, nós possamos levar essa conversa adiante.
- Fetiche por saltos, Bast? – perguntou, mostrando a foto recém postada na rede social para o amigo.
- Ficou linda – elogiou abrindo o perfil dela e curtindo a foto, abrindo o dele logo em seguida – Olha, eu postei uma também.
Ela encarou a foto meio embasbacada. Sebastian estava impecável, como sempre, uma camiseta preta e a surrada jaqueta jeans apareciam. Ao fundo a parede branca com um quadro de Friends era visível ao lado de uma porta. A porta de saída do quarto de . Aquele era o quarto dela.
-Quando, exatamente, você tirou essa foto? - perguntou, já meio revoltada.
- Enquanto você brigava com a câmera frontal - Stan respondeu se levantando, pegando o celular e a carteira dela também, dando como única solução para a mulher segui-lo.
- Isso não é possível! Olha essa foto! Você é um desgraçado, Sebastião - reclamou revoltada, falando alto suficiente para acordar Mackie, que passou a encara-los mais perdido que os personagens de Lost.
- Sebas-o-que? - Sebastian perguntou, rindo do jeito que ela pronunciou o nome dele.
- Nada - a mulher cortou rapidamente, se virando para Anthony que se espreguiçava no sofá – Vamos, Mackie, dormir hoje só depois que pegar pelo menos umas três.
- O que vocês fizeram naquele quarto? - o moreno perguntou meio sonolento.
Os dois o encararam com sorrisos safados, do tipo cúmplice, e seguiram para a porta, deixando um perplexo e curioso Anthony para trás.
Como o carro de Stan estava no concerto, os três entraram no consenso de que a bebida estava liberada desde que ninguém desse pt. Acordo fechado, todos já despertos e recuperados de qualquer trauma que uma foto pode causar, todos entraram no táxi e seguiram para a boate.
O lugar não era nada muito grandioso, mas assumia que tinha sua particularidade. Estava completamente lotado, e assim que chegaram Stan os guiou a um camarote próximo ao bar.
- Eu vou pegar uma bebida - disse antes de chegarem perto do sofá redondo que tinha ali.
Os dois homens ficaram por ali mesmo, assistindo o movimento, puxando assunto sobre uma ou outra mulher que passava por eles, e sobre a música que tocava.
Alguns minutos depois voltou com três copos de uma bebida desconhecida, porém muito boa em mãos.
- , dá uma voltinha pra mim, fazendo favor – Mackie pediu a deixando confusa, mas ela fez mesmo assim e Sebastian encarou o amigo pedindo uma explicação.
- Aquele cara ali no bar está olhando tanto pra ela que eu fiquei com receio de ela voltar pra cá sem algum pedaço.
Stan bateu na própria testa, rindo junto com a ruiva.
O cara nem tinha bebido ainda e já estava falando idiotice.
- Vem, Bast, vamos dançar – falou virando toda a bebida de uma vez, deixando o copo vazio na mão do moreno e puxando o amigo para as escadas.
A pista estava lotada, e tocava uma música que nenhum dos dois reconhecia, mas isso não os impediu de dançar feitos loucos, se achando OS dançarinos.
Umas três músicas depois, Sebastian pediu para irem ao bar, o debaixo mesmo, pegarem uma bebida, encontrando um Mackie levemente alterado conversando com uma morena muito atraente, para quem ele pediu um minuto e foi todo alegre de encontro aos dois.
- ! Você não vai adivinhem com quem eu fiz amizade! – ele gritou empolgado, puxando a mulher até onde estava.
- O que? – perguntou, rindo da bagunça que o moreno estava fazendo com as palavras.
Assim que eles chegaram perto do bar, Stan viu o cara que “comeu com os olhos” bebendo e conversando com a mulher que Anthony já chegou abraçando.
- Seb, , esses são Debby e Davi, eles são gêmeos! Isso não é legal? – o romeno olhou do homem para a mulher, e realmente, viu a semelhança.
Ambos tinham a pele clara e os cabelos intensamente pretos, no caso de Davi, a barba também. Os olhos eram igualmente castanhos, mas a semelhança acabava ai, e o jeito que eles olhavam para as pessoas passava uma sensação ruim pra Sebastian.
- É um prazer conhece-los! – os cumprimentou sorridente, se aproximando do rapaz e olhando para Anthony e Debby – Me diga Davi, como está sendo segurar vela para meu amigo gostoso aqui?
Ele a olhou de cima a baixo, um olhar predatório que deixou a brasileira de pernas meio bambas.
- Quanto você já bebeu? – ele perguntou com uma voz que deveria ser considerada relaxante natural.
- Não o suficiente – sussurrou no ouvido dele, se sentando em um banco ao seu lado, o que fez um sorrisinho surgir em seus lábios.
- Então daqui alguns minutos me faça essa pergunta de novo – ele levantou a mão chamando o barman, que rapidamente os atendeu, lançando vários olhares para as mulheres, que nem sequer o repararam por perto.
- Hey, Mackie – Sebastian chamou o amigo, os afastando o suficiente do bar para que nenhum dos três os ouvissem – Eu não sei se gostei desses seus amigos novos – ele confessou, olhando para a morena que encarava as coxas de com um interesse duvidoso.
Anthony olhou para ele com um sorrisinho sacana.
- Ciúmes da ruivinha, Seb?
Stan revirou os olhos, achando aquela pergunta extremamente idiota.
- A palavra é preocupado. E com você também. Se cuida com os irmãos Crepúsculo ali. – falou, batendo no ombro do amigo, pedindo para ele avisar que iria procurar alguém interessante e ficar de olho no Drácula da noite.
Não demorou para ele encontrar alguém, a mulher era muito bonita e as coisas estavam até se tornando interessantes se não fosse por Anthony aparecer para atrapalha-lo.
- Seb, acho que a ta precisando de você – a voz dele estava bem embolada, e a companhia dele já não era mais a morena de antes.
Sebastian franziu o cenho e olhou na direção do bar, avistando uma conversando distraidamente com Debby enquanto Davi colocava um tipo de pó em sua bebida.
Ele não pensou duas vezes antes de pedir licença para a loira que dançava com ele e sair praticamente atropelando todos que entravam em sua frente à caminho do bar, que nem estava muito longe.
Quando ele chegou lá, não hesitou e dar um soco que pegou em cheio o rosto do estranho, que só não foi de encontro ao chão porque se apoiou no balcão. A irmã dele – que agora Stan duvidava dos laços sanguíneos - levantou assustada e foi ajuda-lo, levando um empurrão sem piedade.
- Da próxima vez eu me certifico de quebrar alguma coisa – ameaçou o ator, pegando uma completamente perdida pelo braço, para leva-la de lá.
Mas eles não chegaram a dar nem quatro passos, já que Davi se levantou e segurou o pulso de .
- Quem você pensa que é pra mandar nela, seu escroto! – olhou desesperada para Sebastian. Ela já tinha se afastado um pouco do rapaz enquanto eles conversam no bar, alguns gestos dele a assustaram um pouco, e se não fosse pelo alto teor de álcool em seu sistema, ela teria saído de lá há algum tempo. Porém a outra mulher manteve uma conversa sedutora, que a segurou ali. Ela não fazia ideia do porquê de Stan ter chegado tão na agressividade, mas agradeceu quando o amigo deu outro soco no moreno, fazendo-o solta-la.
- Vá se drogar e deixe minha amiga em paz, seu filho da...
- Bast! Bast, vamos! – pediu entrando na frente dele, o segurando pelo peito. Claramente a bebida alterou ele, o estresse ajudando. Sebastian nunca se metera em confusão, não seria por causa dela que isso deveria acontecer – Os seguranças já estão chegando, vai ser pior. Vamos.
Os dois homens se encaram por alguns segundos, até que Sebastian se virou, e com uma mão nas costas da ruiva, eles saíram da boate. A sorte deles é que tinham alguns táxis parados do outro lado da rua, assim entraram em um e logo seguiram para a casa do ator.
O caminho foi silencioso. A não ser pelo muxoxo de desculpa de , que foi desconsiderado pelo romeno, uma vez que ele vira o homem colocando algo na bebida dela enquanto ela estava distraída.
- Você precisa se cuidar mais, – foi tudo o que ele disse, deixando que ela recostasse nele até que chegassem na casa.
O procedimento para abrir a porta foi meio complicado, já que Stan também tinha bebido um pouco mais que o aconselhável, mas depois de algumas falhas tentativas, ambos se jogaram no mesmo sofá, e ficaram lá, parados, olhando para a parede.
Parede essa, que logo perdeu a graça para , que passou a olha-lo de um jeito até engraçado.
De primeiro ele fingiu não perceber, mas alguns minutos se passaram e ela não parou de encara-lo.
- O que foi? – Stan perguntou, já cansado de ser encarado tão descaradamente pela amiga.
- Nada – ela murmurou vagamente, sem nem reparar na pergunta dele, sem desviar o olhar nem um milímetro.
Ele esperou, e esperou, e ela continuou encarando-o.
- ? – chamou-a mais alto, dando-lhe um pequeno susto.
- Affs, por que você tem que ser tão gostoso? – perguntou rápido e de repente, pegando-o de surpresa.
- Que? – questionou incrédulo.
- Olha esse maxilar! Porra, Stan, colabora! – pediu manhosa, deixando o rapaz ainda mais perdido. Ele sabia que ela tinha bebido demais, mas será que deu tempo do cara colocar o pó em uma bebida anterior e ele não percebeu?
- Com que? , você bebeu quanto? – Perguntou, se levantando e pegando-a no colo, da escadaria seguindo direto para o próprio quarto enquanto ela gritava divertidos “iiuupii” a cada passo dele. Dar um banho nela ali facilitaria para colocá-la na cama depois.
- Isso não vem ao caso – respondeu com a voz embolada pela bebida, dando um fraco soco no peito dele - Se olha no espelho, eu estava certa em ter uma queda por você.
- Ah, então você tem uma queda por mim? – fingiu estar interessado enquanto tentava coloca-la no chão de pé.
- Tinha, mas não conta pro Bast, - declarou em sussurro, como se aquele fosse o maior segredo da humanidade - ele vai ficar se achando o rei da cocada – pediu ainda sussurrando. Ou tentando sussurrar.
- Okay, eu não conto nada, - respondeu risonho, tentando abrir o zíper do vestido dela já que ele também não estava cem por cento sóbrio e aquela missão exigia muito mais empenho - levanta os braços.
- Mas sério, qual a sensação de acordar e todo dia dar de cara com um rosto desse no espelho? – a voz dela saia abafada pelo tecido na frente do rosto, e como Stan previa uma queda nada confortável se tentasse guia-la para de baixo do chuveiro depois que tirasse o vestido, achou mais confiável já coloca-la dentro do box e só se afastar quando ligasse o chuveiro.
Bêbados e seus planos.
- Uma ótima sensação. – falou, rindo da dificuldade de em abaixar os braços sem precisar se apoiar nele - Você vai ficar muito brava se eu gravar tudo o que você está falando? Preciso guardar esse momento para sempre – então ele também abaixou os braços, consecutivamente tirando a peça de roupa da frente do corpo da mulher, e só naquele momento Sebastian conseguiu tirar conclusões concretas de suas ideias da primeira vez que viu a garota – Porra, – murmurou, passando a língua pelo lábio inferior.
- Para de desejar meu corpo nu, - cobriu seu busto, que estava coberto pelo sutiã preto de renda, mas mesmo bêbada como estava, ela ainda sabia que adorava ver o romeno com o rosto corado - não vai... PORRA, BAST! MAS QUE CARALHO! PRA QUE TÃO GELADA? – ela gritou assim que as primeiras gotas da água congelante tocaram sua pele. Sua primeira reação foi tentar fugir, mas Sebastian a envolveu pela cintura e a colocou debaixo do chuveiro novamente.
- To me divertindo com você bêbada, mas se eu não fizer isso agora, amanhã você me mata estando de ressaca ou não. – contou, tirando os braços da cintura da ruiva. Realmente a água estava muito gelada e coloca-la de volta no lugar custou seus antebraços molhados. Mas assim que a mulher percebeu que ele pretendia se afastar, ela envolveu seus pulsos com a mãos e o puxou contra si, fazendo os dois darem passos cambaleantes para trás, até ela parar contra a parede fria e ele embaixo do jato de água - , você não fez isso!
- É pra você ver como essa água está gelada – falou, rindo da cara de traído que ele fazia. Até que ele a puxou com força fazendo suas pernas se trançarem e os dois caírem de bunda no chão - Aaah! Doeu
- Doeu – Sebastian esticou o braço o suficiente para desligar o registro, só para analisar o estrago com mais precisão - E eu estou todo molhado. Valeu, – reclamou, jogando um pouco da água do chão nela. Mas ela nem se mexeu, já que encarava a cerâmica da parede como se fosse uma das complexas obras de Pablo Picasso.
- Hey! – exclamou surpresa depois de longos minutos - Esse banheiro não é o meu!
Sebastian até tentou não rir, mas aquilo era digno de um dos filmes Se Beber Não Case.
- Não, não é, e agora que você já nos molhou o suficiente, está na hora de ir pra cama – Se levantou com cuidado e estendeu a mão para a mulher, que continuou sentada, encolhida.
- Mas eu ‘to toda molhada – muxoxou desanimada, quase triste pela ideia de não poder ir dormir.
Stan riu e a puxou para cima, pegando qualquer uma das toalhas que estavam penduradas na parede do banheiro, e a envolveu.
- Sim, por isso você vai pegar uma roupa minha – esclareceu, a guiando para fora do banheiro, até a cama, onde ela se sentou, batendo os dentes, e esperou que ele encontrasse uma roupa que ela pudesse usar – Acho que essa serve – ele jogou uma camiseta azul para ela e pegou uma branca para si, pegando duas boxers e duas calças de moletom também, vestindo um par e dando o outro para a mulher que tentava com dificuldade, mas com sucesso, tirar as peças íntimas molhadas por baixo da toalha sem desenrola-la do corpo.
Depois de devidamente vestidos eles se deitaram, sem nem pensar em fazer isso debaixo das cobertas, o que foi constatado segundos depois por uma perspicaz .
- Bast, eu ‘to com frio – ela reclamou, se envolvendo o máximo que as leis da física permitiam.
- Eu também – ele falou, passando as mãos na própria barriga, na intenção de puxar as cobertas, só então percebendo que não tinha nenhuma sobre si – Não seria mais inteligente de nossa parte se a gente se deitasse debaixo das cobertas e não em cima delas?
Com um murmúrio de aprovação, os dois fizeram um malabarismo para tirar as cobertas de baixo do corpo sem precisarem se levantar. O que com muito esforço, deu certo.
- Bast? – chamou alguns minutos depois, ouvindo um “hum?” como resposta – eu ainda estou com frio – reclamou com uma voz de criança, que ela mesma se xingaria por ter usado se estivesse em seu estado natural.
Sem nem abrir os olhos, Sebastian aproximou o corpo do dela, envolvendo a cintura da ruiva em abraço, que foi correspondido assim que ela se virou para ele, encaixando o rosto na curva do pescoço do homem que se arrepiou ao sentir o nariz gelado dela em sua pele.
- Me desculpa, Bast? – sussurrou com uma voz rouca pelo sono forte que sentia.
- Pelo que? – Stan perguntou no mesmo tom.
- Por ter estragado sua noite. Agora era pra você estar com uma mulher gostosa na cama, fazendo coisas bem mais interessantes.
Ele riu dos motivos dela. Ou o sono que apossou seu corpo era muito grande, ou ele realmente não estava se importando com aquilo.
Apostava várias fichas que era a segunda opção.
- Primeiro que você nunca vai estragar minhas noites, – ele disse, aninhando mais ela no abraço – Segundo: você também é gostosa – falou, deslizando a mão até a base das costas dela, mas não passou dai, já que ela deu um beliscão na cintura dele, o fazendo soltar uma risada dolorida – E terceiro, no momento, estou achando o termo “dormir” uma palavra muito interessante.
soltou uma fungada no pescoço dele, que ele julgou ser uma risada.
- Boa noite, Bast – ela murmurou, se apertando mais a ele para ver se o frio passava.
- Boa noite, ruivinha.

Capítulo 5


Janeiro de 2014

Você: Bast, to aqui na sua casa.
Você: Tu ainda deve ta dormindo né... Vou comer alguma coisa e ir pro quarto de hóspedes.
Você: Não chame a polícia se ouvir algum barulho pela casa porque VAI SER EU!
Enquanto a ruiva digitava as mensagens com uma mão, com a outra tentava destrancar a porta da casa do amigo sem quebrar a chave dentro do trinco, já que sua habilidade de destrancar uma porta sem olhar para ela era praticamente nula.
Quando finalmente conseguiu, entrou na casa, deixando a mala na sala mesmo e seguindo para a cozinha. Passar quase sete horas em um avião pode causar sérios problemas de fome aguda.
Depois de colocar o leite no micro-ondas e preparar dois sanduiches de queijo, tomate e alface, ela começou a procurar algum remédio antes de começar a comer. Estava com uma incômoda dor na nuca, e sabia que se não tomasse alguma coisa logo, a dor aumentaria. Mas depois de procurar por uns vinte muitos e não encontrar nada, chegou à conclusão de que era melhor comer logo, talvez a dor de cabeça era fome, e se comesse alguma coisa, passaria.
Colocou o leite em uma caneca e cortou os dois sanduíches na diagonal, formando quatro. Quando ia dar a primeira mordida ouviu o barulho da porta da sala sendo aberta e segundos depois Sebastian, todo suado e com roupa de malhação, apareceu no hall da porta da cozinha.
- Você ‘tá horrível – ele brincou ao ver a amiga sentada em uma banqueta próxima à bancada da cozinha, com um ar de cansaço. Se aproximou e depositou um beijo na bochecha dela, ao que ela reclamou por ele estar todo suado, e roubou um dos sanduíches.
- E você ‘tá nojento – retrucou, passando as costas da mão na bochecha, se limpando do fluido corporal do romeno, provocando uma risada nele – e muito feliz pra essa hora do dia. Sabe que ainda é sete da manhã né? O que ‘ta fazendo acordado?
- Comecei a me preparar para um personagem proposto e o Don achou uma boa começar a relembrar algumas coisas do Bucky, tive que voltar a correr além da academia. – explicou, pegando a caneca de para ver o que ela estava tomando, e fazendo uma careta ao reconhecer o leite com chocolate – Como você consegue ter esse corpo tomando essas coisas?
- Me matando de correr e fazer abdominal – respondeu, dando uma grande mordida no sanduíche.
- Por que a gente nunca treinou junto? – Stan perguntou, abrindo a geladeira para pegar uma garrafa de suco de laranja e bebendo na boca da garrafa mesmo, sem se importar em pegar copo, indo se sentar ao lado da mulher.
franziu os lábios, formando um biquinho, pensando sobre o assunto, chegando à conclusão de que os dois nunca haviam conversado sobre o assunto.
- Não sei – deu de ombros – Vamos fazer um dia.
- Semana que vem começo com as artes marciais, o que acha? – propôs, mordendo o lanche e elogiando a mistura dos ingredientes.
- Por mim okay – aceitou, bocejando – Na mesma academia que você faz os exercícios com o Don?
Sebastian semicerrou os olhos. e Don só se viram uma vez, e ainda assim o cara sempre perguntava dela, e Stan até chegou a achar que já nem se lembrava do personal, vê-lá perguntando sobre ele o incomodou um pouco, e ele nem mesmo sabia dizer por que. Quando ele ia abrir a boca para responde-lá, outra voz feminina o interrompeu.
- Seb, por que você não está na cama? – perguntou uma loira, com uma voz manhosa, que dava cada passo em direção ao homem como um felino se aproxima de sua presa.
- Tenho que manter a rotina né – levantou a garrafa de suco como se brindasse algo, fazendo morder a própria bochecha para não rir da cara de pau que o amigo poderia ter quando lhe convinha. – Nat, conheça , , conheça Nattali – Sebastian apresentou, apontando da loira para a ruiva e vice e versa.
- É um prazer – se levantou e deu um beijo rápido em cada bochecha da mulher, aproveitando para deslizar o prato com um pedaço ainda intacto de sanduíche para Stan e ir colocar a caneca na pia – Bast, eu estou com um pouco de dor de cabeça por causa do vôo. Vou subir e dormir um pouco, depois te ajudo com aquele texto, okay.
- Claro, pequena. Toma um banho quentinho e descansa. - Stan falou, mandando um beijo no ar, que fingiu desviar, fazendo Nattali rir.
- Ah! Antes que eu me esqueça! – voltou alguns passos e olhou para a loira – amei sua langerie. Muito perfeita. – piscou para Stan e só então saiu da cozinha.
A modelo se virou para o ator com um expressão confusa.
- Eu não sabia que você tinha uma irmã.
- Eu não tenho irmã – falou, se aproximando e envolvendo a cintura da loira.
- Quem é ela então? – perguntou, envolvendo o pescoço do homem com os braços, os aproximando mais.
- Minha amiga – respondeu, dando um selinho demorado na modelo – Minha melhor amiga.
Nattali fez uma pequena careta antes de disfarçar e abrir um sorriso forçado.
- Ela é fofa.
- Ela é linda. Fofa não – Sebastian falou, revirando os olhos. Fofa era a última palavra do mundo que ele usaria para descrever .
A loira o olhou com os olhos semicerrados, mas resolveu ficar quieta.
Com um sorrisinho malandro, Sebastian envolveu a cintura da modelo e os virou, colocando-a sobre a ilha.
Ela aproveitou para cruzar as pernas ao redor do quadril do romeno e intensificar o beijo. Só para quebra-lo com uma leve mordida nos lábios vermelhos dele.
- Eu tenho que ir - ela falou, o empurrando de leve e descendo do mármore.
- Hey! - o ator reclamou, a encarando com uma expressão frustrada.
- Tenho um ensaio fotográfico hoje, babe. Preciso estar lá em duas horas.
Stan até pensou em insistir para que ela ficasse mais um pouco. Mas percebeu que não queria tanto assim a companhia da loira, ainda mais agora que estava lá em cima e muito provavelmente não tinha encontrado o remédio para dor de cabeça.
- Okay. Não quer comer nada antes de ir? – perguntou, se sentando no banco que estava, para comer o último sanduíche do prato.
A mulher olhou para o pão com uma careta, que logo foi suavizada para um meigo sorriso.
- Acho que vou passar essa - se aproximou dele e depositou um casto selinho em seus lábios - Vou me vestir e já vou - ele se levantou para fazer não sabia exatamente o quê, mas sua educação não permitia que deixasse a mulher andando pela casa sozinha antes de ir embora. Mas ela segurou-o pelo ombro, fazendo com que ele voltasse para o banco - Tudo bem, minha roupa está no seu quarto, depois que me vestir já vou, eu sei o caminho. Pode ficar e comer... Isso - falou apontando para o sanduíche.
Sebastian a olhou. Linda, muito linda. Fazia jus à carreira. E fazia coisas realmente excepcionais na cama, isso ele não podia reclamar. Mas o que o incomodava era a carinha de nojo que ela fazia pra praticamente tudo.
Como manter uma conversa com uma pessoa dessa?
O romeno deu de ombros e mordeu mais um pedaço do lanche.
Um pouco depois que a loira saiu da casa de Stan, ele tomou um banho quente e vestiu um moleton cinza e uma camisa meia estação branca. Lá fora fazia frio, mas a casa mantinha um temperatura agradável graças ao aquecedor ligado vinte e quatro horas por dia, e nada melhor que uma roupa confortável e azucrinar a vida da melhor amiga para completar um dia perfeito.
Antes de ir para o quarto dela, desceu para a cozinha para pegar o remédio e um copo d'água, mas quando chegou ao quarto a encontrou realmente dormindo. Então ele colocou o copo e o remédio no criado-mudo e se jogou na cama, quase em cima da mulher, e começou a fazer cócegas na barriga dela.
- SEU NOJENTO, IDIOTA, LAZARENTO! SÓ NÃO TE XINGO DE OUTRA COISA PORQUE GOSTO MUITO DA GEORGETA! - acordou gritando, disparando chutes e socos para todas as direções, acertando alguns no romeno.
- Ainda veem me dizendo que você é fofa - ele murmurou passando a mão no peitoral, onde ela acertou pelo menos uns três socos.
- Fofo é o teu rabo, Sebastião - retrucou se sentando, segurando a nuca e apoiando a testa nos joelhos - Que merda Bast! Eu estou com a cabeça super pesada e tu vem me acordar assim.
Stan a olhou e viu que ela estava meio pálida. Aquela viagem realmente a fizera mal.
- Desculpa - ele pediu se aproximando e apoiando a cabeça no ombro dela - Achei que você tinha saído de lá daquele jeito pelo mesmo motivo das outras vezes.
Não. Aquela situação não era novidade para nenhum dos dois. Ambos eram solteiros, de ótima aparência e muito simpáticos quando lhe convinham. Essa parte da conveniência valia mais para , já que na maior parte do tempo ela tentava passar despercebida e não chamar atenção para si. Sebastian sempre achou que aquela tática não funcionava muito, já que não tinha como não reparar em uma mulher daquela.
Ele levou uma pedala quando disse isso pra ela.
Já não era a primeira vez que dava de cara com uma das "peguetes" de Sebastian quando ia à casa dele. Nunca se importou muito com elas, afinal Sebastian até poderia ter uma opinião sobre o relacionamento ideal, mas ele não era castrado, então tudo bem desde que nenhuma das mulheres invadissem seu espaço.
Assumia que sentia ciúmes vez ou outra, o que levava o ego de Stan às alturas, mas ela só dizia "Elas vem aqui para transar com você e ficam fazendo mil perguntas sobre sua vida e se achando donas do seu corpo, são tão boas assim na cama para justificar esses atos?". Mas depois de alguns meses, entrou em uma nada secreta, muito menos discreta, missão para "desencalhar" o ator, o que não se tornou uma tarefa tão difícil já que de cada quatro vezes que ia à casa dele, duas ele estava acompanhado, fazendo a brasileira se perguntar como ninguém via um ator famoso com tantas mulheres diferentes. Ou onde ele comprou a Capa da Invisibilidade.
A maioria das mulheres com quem ele saía eram modelos, algumas simpáticas, outras só bonitas mesmo. Essas últimas descartava de cara da lista "Podem se tornar Namorada do Bast". Lista essa que correu o risco de incinerada algumas várias vezes.
- , para com isso, você tem quartos anos? - ele reclamava toda vez que via ela anotar o nome de alguém - Você também está encalhada e eu não estou te fazendo passar vergonha.
Não que ela se importasse com aquilo. Aquele se tornou seu passa tempo favorito, inclusive quando eles foram passar o natal na casa da mãe dele, Georgeta se interessou na lista e passou a ajudar a escolher a “nora perfeita”.
- Já que ela não quer ser minha nora, vou ajuda-lá a encontrar alguém para ser.
Sebastian passou a data toda questionando de que lado a mãe estava.
Mas naquele dia realmente não estava com humor para aquilo.
- Eu realmente estou com dor de cabeça – ela disse, pendendo a cabeça para o lado para aproveitar melhor a massagem que o homem fazia em seus ombros após ter se sentado atrás dela na cama, a deixando praticamente em seu colo – Sem contar que aquela já foi descartada só pela voz. Como você aguentou aquilo falando no seu ouvido a noite toda?
- Digamos que eu estava prestando atenção em outras coisas – Stan falou brincalhão, cruzando as pernas ao redor da cintura da mulher, a prendendo contra si – Como foram as reuniões? – perguntou, deixando que ela parasse a massagem para pegar suas mãos e ficar brincando com o anel que ele costumava usar no dedo mínimo.
- Intermináveis – reclamou, se recostando no peitoral do romeno – Ainda sinto minha bunda quadrada, e acredite, não é uma boa sensação.
- Deu pra conhecer um pouco da cidade?
- Um pouco, mas são muitos lugares maravilhosos. Se eu já não tivesse comentado com minha mãe de ir para Curitiba na minha próxima férias, pensaria seriamente em dar mais uma olhada em Londres.
- Dá pra gente combinar de ir passar uns dias juntos por lá – Stan propôs, pousando o queixo na curva do pescoço dela.
- Eu topo.
Eles ficaram sentados daquele por um bom tempo, até que o celular do ator, que estava jogado de qualquer jeito ao lado do pé de , começou a tocar, mostrando uma foto do homem e sua mãe na tela.
- Atende, ela disse que queria falar com você quando voltasse de Londres – ele disse sem se mexer um centímetro, deixando por conta da ruiva puxar o celular para si com o pé.
- Alô, oi Georgeta, tudo bem? – atendeu a chamada, finalmente tirando o anel do dedo do rapaz e passando a brincar com ele entre seus próprios dedos.
- Oi minha querida! Como foi a viagem? E que voz é essa? – a mais velha perguntou com uma preocupação que só mães têm.
- Eu to bem, não se preocupe – respondeu sorrindo. Ela adorava a pianista, e saber que aquele sentimento era recíproco a tornava imensamente feliz – É só que eu cheguei com um pouco de dor de cabeça e o Bas me acordou, fazendo cócegas! – contou rovoltada, sentindo Stan apertar-lhe a cintura.
- Você me bateu! – reteucou emburrado.
- ‘Ta certa ela – eles ouviram Georgeta falar, fazendo rir e lhe lançar um olhar superior.
- Mãe, de que lado você está? – ele perguntou com a voz mais contrariada que conseguia fazer.
- Minha mãe sempre te defende, nada mais justo que eu ter uma defensora também – a ruiva deu de ombros, rindo quando Sebastian retrucou “me alcança seu celular, vou conversar com a Adriana porque só ela me valoriza de verdade aqui”.
- Quando vocês vêm aqui? A Beth está com saudades já – a mulher perguntou, rindo ao ouvir o “Awnt” do outro lado da linha – Ela está aqui na minha frente, abanando o rabo porque ouviu suas vozes.
- Quem é o au-au mais fofo desse mundo? É a Beth? É? – começou a falar com a típica voz que se faz quando a conversa é direcionada a um cachorro.
- , não – Stan falou, tirando o celular da mão da amiga, fingindo não ouvir as reclamações sobre ele não deixar os outros serem feliz – E você dona Orlovisk, quando vem pra cá? – perguntou para a mãe.
- Seu aniversário é em agosto né? – a mulher respondeu brincalhona.
- Okay, já que é assim, só atravesso aquela ponte daqui duas semanas. Vai ficar de castigo de mim.
- Você não aguentaria – a senhora desdenhou, e Sebastian olhou indignado para , que estava perdida já que não ouviu o que a mais velha disse.
- Eu só tenho mulheres ousadas ao meu redor, minha autoestima fica como com vocês refutando tudo o que eu digo?
- Sentar e chorar sempre é uma opção – respondeu prontamente, levando um peteleco no meio da testa – Não gosto mais de você, romeno bobão – murmurou massageando a testa.
- Xenofóbica – ele retrucou, muito maturamente mostrando a língua para ela.
- Tudo bem, crianças, eu vou desligar, tenho que preparar o almoço hoje.
- Boa sorte – responderam e uníssono.
Assim que se despediram, Stan colocou o celular no bolso do moletom e se levantou.
- Vamos – chamou , que fez uma careta em negação e se jogou de costas na cama.
- Aqui está tão confortável! – ela falou, tentando se enrolar no edredom bagunçado, e fracassando miseravelmente.
- Daqui a pouco você vai fazer parte desse colchão, levanta dai ou eu te tiro – o tom era ameaçador, mas o olhar dele entregava que nada realmente prudente sairia daquele quarto caso ela não levantasse.
- Faça seu melhor – a ruiva o desafiou, o sorriso no canto da boca lutando contra seus lábios para escapar.
E foi isso que ele fez.
Como se ela não pesasse nada, Sebastian deslizou as mãos por de baixo dos joelhos e pescoço dela, a pegando no colo.
- ESPERA! ESPERA! – ela gritou desesperada, e ele parou achando que ela falaria algo relacionado a dor de cabeça, mas ela só pediu para ele voltar alguns passos e pegou o celular que estava ao lado do copo de água, ainda intacto.
- Não vai tomar o remédio? – Stan perguntou olhando do comprimido para ela.
- Nah… já passou praticamente – ela deu de ombros e deu um leve tapinha no peitoral dele – Por favor mordomo, me leve até a sala.
- Você sabe que eu cobro por passo, não é?
Ela tentou se desvencilhar dos braços dele, alegando que não tinha dinheiro pra tudo isso, mas ele a segurou com força e foi para o corredor.
- Sabe, você e bom nisso de carregar as pessoas no colo, depois que casar com a Jeniffer , entre no quarto da lua de mel assim com ela – ela disse, se referindo a “candidata” mais forte da lista.
- Eu não vou me casar com a Jeniffer, – Sebastian respondeu como se já estivesse cansado de falar aquilo.
- Bast, ela é linda, gostosa, simpática. Preenche todos os requisitos de exigência da lista. O que mais você quer? – perguntou cruzando os braços.
- Ela se chama Jeniffer, não posso casar com alguém com o mesmo nome da minha ex – esclareceu com obviedade, colocando-a no sofá e sentando ao seu lado.
- Ja falei que é só pensar que o nome dela era Emma e está tudo resolvido.
- Sim, e meu nome de verdade é Jefferson.
- Melhor que Sebastião.
Ele a encarou com a maior expressão de “Que?”, a fazendo rir.
- Seu nome em português fica assim, e esse nome é de gente velha – arregalou os olhos e se endireitou, olhando fixamente para o homem – O nome de todo mundo da Marvel é de velho! Meu Deus!
- Você sabe que nome não tem tradução, né?
- Sim e não, porque olha, Sebastian, Sebastião, Jeremy, Jeremias, Robert, Roberto, Anthony, Antônio. Deus! Só os Chris’s se salvam!
Stan a encarou com uma expressão séria, se perguntando por que infernos a ruiva tinha aquele tipo de pensamento tão aleatoriamente. Tirou o celular do bolso, deixando-o no sofa e seguiu para a cozinha, antes pedindo para a mulher escolher um filme.
Alguns minutos depois de ter finalmente escolhido o filme, ouviu o celular do ator tocar, e não pensou duas vezes antes de atender, sem se preocupar por não ter reconhecido o nome feminino que apareceu na tela.
- Alô, só um minuto – pediu, tirando os controles do sofá e os colocando na mesa de centro, gritando o nome do amigo logo em seguida.
- Tan? – a voz do outro lado da linha perguntou.
- Ele já está vindo.
- Quem é? – Sebatian perguntou, segurando duas canecas, uma com chá e outra com chocolate quente, mostrando os conteúdos para a ruiva para que ela escolhesse uma.
- Uma tal de – falou entregando o celular para ele assim que pegou a caneca com chocolate quente, ouvindo perfeitamente quando a mulher do outro lado da linha falou “Uma tal? Sério, Stan?”
O romeno colocou o celular no ouvido com uma pequena careta de dor.
- , espera um pouquinho – pediu e se voltou para – Eu vou pegar a pipoca e seus alcaçuz, já volto okay?
Ela só assentiu e tomou um gole do líquido quente, analisando bem ao redor e percebeu que aquilo só ficaria bom de verdade se aquele sofá estivesse com algumas cobertas para protegê-los de um frio inexistente, já que de dentro da casa nem parecia que estava nevando lá fora.
Quando ela voltou, Stan já estava esticado no sofá, olhando para a tela da tv com o cenho franzido.
- Você está tentando queimar meu cérebro? – ele perguntou sério, os olhos fixos no nome do filme.
- Vou te fazer assistir esse filme até você chegar a alguma conclusão - ela respondeu, jogando as cobertas no sofá, se sentando de forma que seus pés ficassem sobre as coxas do homem.
- Eu já cheguei a uma conclusão – Stan falou, se esticando para pegar as canecas e as comidas da mesa de centro e colocar entre eles, no meio do sofá, já que cada um ocupava uma ponta – O roteirista, o diretor e o produtor chaparam junto e resolveram fazer uma coisa completamente sem sentido parecer super inteligente.
- É uma conclusão plausível, mas ainda não é isso – riu, dando play no filme, deixando as primeiras cenas de Donnie Darko rolarem.
- Ninguém entende esse filme, , não pede isso justo pra mim – Sebastian retrucou, nem tentando disfarçar os resmungos sobre a ruiva gostar de coisas muito complicadas e que ele escolheria o próximo filme.
Eles pssaram o dia daquele jeito. Acabava um filme, um dos dois rapidamente escolhiam outro, o balde de pipoca quando ameaçava ficar fazio rapidente era abastecido, e como conseguiu seu estoque particular de alcaçuz na casa do ator, sua fonte de felicidade estava intacta.
Algumas muitas horas depois, já quase de madrugada, o filme selecionado era da escolha de Stan, uma comédia, e, não que não gostasse do gênero, mas Esposa de Mentirinha já tinha esgotado seu limite de piadas, então quando ela encostou no ombro de Sebastian e abriu o WhatsApp para ler uma mensagem que seu irmão tinha mandado, acabou se esquecendo ali naquela rede social, mantendo uma conversa idiota no grupo com as colegas brasileiras, levando um susto quando Stan pegou o celular da mão dela e pressionou o áudio.
- A não pode falar agora porque ela está muito ocupada ferindo meus sentimentos não se importando com o filme que eu escolhi. Peço que vocês xinguem bastante ela em português por mim – ele finalizou o áudio e colocou o aparelho atrás de si, voltando a atenção para o filme, fingindo não ver a cara de tacho que lhe lançava.
- Você é muito sem graça – falou, se virando completamente para ele.
- Você tem que perder esse vício.
- Você sabe que elas quase morrem quando você faz isso – se referiu ao áudio, vendo ele morder a bochecha para prender o sorriso.
A primeira vez que ele fez aquilo foi logo que voltou da divulgação de Soldado Invernal. estava falando sobre como estava ansiosa para o filme, e que estava louca para ver Chris Evans no uniforme de Capitão América novamente, quando ele pegou o celular da mão dela e começou a mandar áudios e mensagens falando que o Bucky era melhor que o Steve. Obviamente as mulheres surtaram, fazendo explicar o que estava acontecendo, quase morrendo quando ela mandou uma foto dos dois juntos. Desde então ele costuma entrar no grupo quase todas as vezes que pegava o celular dela, certa vez até ficando um bom tempo ali, tentando convencer que ele e eram só amigos e que nunca tinham ficado.
- Elas já se acostumaram – desdenhou, deixando que o sorriso escapasse no canto do lábio.
- Ridículo – murmurou, pegando um alcaçuz e voltando a se encostar no ombro dele.
Sebastian riu, passando seu braço ao redor dela, fazendo com que ela ficasse encostada em seu peito, a mão dele descansando suavemente sobre a barriga dela.
- Sobre o que tanto vocês falavam?
- Homens – deu de ombros, rindo quando ele revirou os olhos.
- Por que não me surpreendo? – perguntou, roubando uma mordida do alcaçuz que ela segurava.
- Inclusive, - se levantou do tronco dele, se sentando sobre os próprios pés – pense em um cara gostoso que viajou ao meu lado na ida! – ela falou animada, chamando a atenção do amigo, que a olhou com uma careta sugestiva.
- E? – induziu-a a terminar, mas ela fez uma caretinha que franziu seu nariz e negou com a caneça.
- O cara era lindo por fora e vazio por dentro. Não rolou nada – contou dando de ombros, vendo Sebastian suspirar.
- Você seleciona muito com quem vai transar – ele reclamou – , é só uma noite! Não precisa ter mestrado pra isso.
- Me orgulho de ficar com pessoas interessantes, Bast, até porque ninguém morre por alguns meses sem sexo.
- Meses? – exclamou supreso, vendo o rosto da mulher atingir um tom corado – Há quanto tempo você não fica com ninguém, ?
- Quatro meses – contou vendo o homem esquecer completamente do filme e se virar para ela, a encarando com uma expressão mais utilizadas em situações como o recebimento da notícia do acidente de um familiar.
- Como é possível? Você não deve nem se lembrar mais como se faz! – falou desesperado, e ela só revirou os olhos.
- Ninguém nunca reclamou – deu de ombros.
- , você já está recuperando seu hímen!
- Bast!
Ela passou a mão por trás das costas dele, recuperando seu celular, e se levantou, anunciando que iria dormir.
- Como você não está subindo pelas paredes? – Stan perguntou a seguindo, nem se importando em desligar a televisão antes de seguir para a escada.
- Sexo não é oxigênio, Bast – ela deu de ombros, abrindo a porta do quarto de hóspedes.
- Mas é tão necessário quanto!
Como ele estava ao lado dela, só esticou o braço o suficiente para colocar a mão sobre o membro dele, fazendo Sebastian travar na hora.
- Você não está excitado, e está respirando normal – ela falou ficando de frente para ele, apertando levemente a região, vendo Stan engolir em seco.
- Não sei se posso afirmar isso – sua voz estava rouca, a respiração um pouco entrecortada. deixou o sorriso escapar de seus lábios, satisfeita por ver o resultado que queria, se afastando dele para arrumar a cama para dormir, perdendo a cara que Sebastian fez ao vê-la sair de perto.
- É isso que você faz com os pobres coitados? Saiba que isso é coisa de gente sem coração, – ele resmungou se enfiando na frente dela, encarando seus olhos que pareciam estar mais dourados que segundos atrás.
o olhou sem tentar esconder o sorriso, ele parecia desesperado, e mais que nunca, ela sentiu vontade de ver até onde ele aguentaria.
- Não – ela murmurou se aproximando dele, deixando seus corpos a uma distância onde se um respirasse mais fundo, seus peitos roçariam – Eu costumo fazer alguns joguinhos – falou, soprando perto da orelha dele, depositando um beijo no pescoço, sorrindo ao ver a pele dele se arrepiar com os gestos.
A cabeça de Sebastian já não funcionava muito bem, uma vez que todo seu fluxo sanguíneo estava em outra região de seu corpo. Por isso, ele não achou nada impulsivo quando segurou os braços da brasileira e os girou, jogando-a na cama, beijando toda a extensão do pescoço ao ombro da ruiva.
- E depois dos joguinhos? – sussurrou no ouvido dela.
- Quem disse que os joguinhos acabam tão rápido? – ela falou no mesmo tom, deslizando uma mão por dentro da calça de moletom dele, passando reto pela boxe também, o encarando com uma sobrancelha arqueada – Isso significa que você está respirando normalmente? – falou risonha, vendo ele fechar os olhos com força, apertando a cintura dela de um jeito que deixaria marcas mais tarde.
Quando ele começou a espalhar beijos pelo pescoço dela, percebeu que aquelas roupas estavam sendo muito inconvenientes por ainda estarem em seus corpos. Sem muita dificuldade, ela os levantou, abandonando a massagem que fazia no homem para poder tirar tanto a camiseta dela quanto a dele.
- Depois vem dizer que não estava necessitada – Sebastian brincou, puxando a calça dela junto com a calcinha, sorrindo quando ela sentou em seu colo, deixando seus peitos expostos à sua disposição.
- Se quiser a gente pode parar – ela falou brincando com o elástico da calça dele, soltando uma gargalhada quando ele a segurou pela cintura, a deitando na cama novamente, tirando as peças debaixo com uma pressa desesperada.
- Como se você conseguisse fazer isso agora – murmurou com um sorriso convencido nos lábios, baixando o rosto para dar atenção aos peitos dela, fazendo a mulher morder o lábio inferior com força.
- Você não acreditaria na minha força de vontade – ela disse com a voz fraca, sentindo ele massagear sua região sensível com uma mão, enquanto com a outra e com a boca, ele continuava a dar atenção ao busto.
- Eu pagaria para ver – ele murmurou risonho, se assustando quando sentiu ela empurrá-lo, suavizando a expressão ao vê-la sentar em cima de si com um olhar determinado.
- Quem disse que você que dita as regras por aqui, Bast? - ela perguntou séria, fazendo lentos movimento de vai e vem, sem ser no exato lugar que o ator queria.
- Então você sempre fica por cima? – perguntou apoiando as mãos no colchão para se sentar, ficando encostado na cabeceira da cama.
- Eu gosto da visão – explicou sussurrando no ouvido dele, arranhando todo o peitoral dele, só então sentando onde ele tanto queria.
Algum tempo mais tarde, os dois caíram no colchão, exaustos e completamente suados.
Deitados lado a lado, ambos viraram os os rostos ao mesmo tempo, se olhando de um jeito que eles não sabiam dizer como.
- Isso foi… - Sebastian começou a dizer, meio perdido.
- Extremamente…
- Estranho? – a palavra saiu como uma pergunta porque, por mais que tenha sido muito bom, também tinha sido diferente, em um sentido da palavra que nenhum dos dois conseguiam explicar.
fez uma careta de agradecimento, que fez ele rir.
- Obrigada por usar essa palavra, eu estava com medo de te magoar – ela explicou rindo, vendo Stan revirar os olhos mas acompanhando-a.
- Eu acho que precisamos de um banho – Sebastian propôs, nem precisando ouvir a mulher concordar, já que como se combinado, os dois levantaram juntos e cada um seguiu para um banheiro, ela ficando com o do quarto e ele indo para o do corredor mesmo.
Após o banho, eles entraram em um consenso mudo que não dormiria naquele quarto, então eles foram para o quarto do ator e rapidamente pegaram no sono.
Na manhã seguinte, acordou primeiro, só passando no banheiro para lavar o rosto e seguindo direto pra cozinha. Parecia que tinham aberto um buraco no estômago dela, e ela precisava fechá-lo com comida.
-Te deixei faminta? – Stan perguntou, entrando na cozinha minutos depois dela ter terminado de mecher os ovos e ter colocado uma boa quantia no meio de duas fatias de pão.
- Eu sinceramente não sei como aquelas modelos conseguem sair daqui sem colocar nem água na boca – ela confessou mordendo o pão. Sebastian soltou uma risada pelo nariz, baixando a cabeça – Quer um pouco? Acho que exagerei um pouco.
Sebastian pegou uma caneca e encheu de café, pegando o restante do ovo da frigideira, dispensando o pão.
- Quais os planos de hoje? – ele perguntou se sentando ao lado dela.
- Tenho que revisar alguns textos e mandar um relatório geral das reuniões da filial correspondente de Londres, mas já está quase tudo pronto, é só revisar e enviar – falou, finalizando o sanduiche, bebendo um pouco do café do homem, fazendo um pequena careta porque não gostava muito daquela bebida.
- Cansei só de ouvir – ele disse comendo o ovos, agradecendo aos céus por não ter tentado fazer nada mais complexo, já que ela na cozinha era sinônimo de desastre.
- Ainda quer ajuda com o texto? – ela perguntou, vendo ele assentir, já que sua boca estava cheia.
Cansada de esperar ele terminar de comer, se levantou e foi lavar a pouca louça que sujou na preparação daquele glorioso café da manhã. Ficando de costas para o ator, não vendo quando ele se virou e ficou a observando sem nem tentar disfarçar.
- Sabe, ontem foi meio estranho, mas talvez se a gente repetir, pode ser que a gente fique só com a parte boa – propôs, vendo virar só o rosto, ficando de perfil para ele, com um pequeno sorriso nos lábios.
- Bast, você é uma delícia, mas isso não vai se repetir – ela afirmou, voltando a prestar atenção na louça.
- Por que não? Você acabou de dizer que gostou – ele disse, levando o prato e a caneca para a pia, pegando o pano e secando as que já estavam no escorredor.
- Não sei, mas… - terminou de passar o pequeno rodinho na pia, puxando uma ponta do pano que ele usava para secar as mãos, e ficou encostada na pia mesmo, o pequeno biquinho se formando em seus lábios, tentando pensar nas palavras para explicar a situação – Sei lá! A gente é amigo. Não quero ficar naquela situação Amizade Colorida.
- ‘Ta se referindo ao filme ou a real situação? – perguntou, finalizando a tarefa, parando encostado na pia ao lado da mulher.
- Ao filme. Sei lá, seria estranho – ela disse, cruzando os braços.
- Nossa situação não seria a mesma…
- Bast, eu só transaria com você novamente se eu estivesse extremamente apaixonada por você – ela disse rindo, se desencostando da pia, parando de frente para ele.
- Está querendo dizer que isso é impossível, ? – Stan perguntou, também cruzando os braços, se desencostando do móvel, ficando cara a cara com ela.
- Estou querendo dizer que não vai rolar.
- Você sempre quis meu corpo nu, agora que experimentou não vai conseguir ficar sem – ele falou com um sorrisinho convencido nos lábios.
- Você teria abstinência de sexo se dependensse de mim – ela disse confiante, não deixando se levar por uma verdade como aquela.
- Okay, desafio aceito – ele levantou a mão, oferecendo o dedo mínimo para ela, que o olhou sem entender – A gente só transa se um de nós dois nos apaixonarmos. Mesmo que não seja recíproco, vai ter que transar.
A ruiva explodiu em uma gargalhada gostosa, fazendo Stan morder a bochecha para não rir junto.
- Esse é o desafio mais idiota da história dos desafios idiotas! – falou rindo.
- Se é tão idiota, então por que não aceita? – ele falou, ainda oferecendo o dedo.
Ela parou de rir, respirando fundo para se controlar, e deu de ombros. O que tinha a perder?
- Okay – cruzou o dedinho com o dele, fechando a pink promise – Saiba que isso vai ser mais difícil pra você do que pra mim.
- Eu já te dei banho e resisti seu corpo, o que acha que pode ser mais desafiador que isso? – perguntou soltando o dedo dela, assistindo um sorriso quase mortal crescendo nos lábios da ruiva.
- Assista e aprenda.
Com isso, ela saiu da cozinha, deixando um animado e apreensivo Sebastian para trás.

Capítulo 6


Fevereiro de 2014
- Você se lembra o que aconteceu a última vez que fomos a uma festa? - perguntou sugestiva, se sentando indiazinha no sofá, repousando o notebook sobre os joelhos, olhando para a imagem de Sebastian revirando os olhos na tela.
- É um aniversário, , e eu conheço praticamente todo mundo que vai estar lá, ninguém vai te drogar - falou em tom monótono.
- Okay, conte mais - pediu, desviando os olhos do computador, focando nos rascunhos que havia feito para a reportagem que iria ao ar na noite seguinte.
- Uma amiga minha vai fazer a festa, e eu perguntei se tudo bem te levar, e ela praticamente disse que esse é meu dever, porque ela quer te conhecer. Não levei esporro à toa, você vai sim.
até tentou manter a careta sugestiva que fez ao início da fala do homem, por ele ter dito "uma amiga" e ela saber muito bem que tipo de amiga ele estava falando, mas sua expressão se tornou meio engraçada ao ouvir o resto.
- Quer me conhecer? - repetiu com a sobrancelha arqueada.
- Sim, você vai gostar dela, ela é estilista - ele contou empolgado. A alegria se esvaindo ao ver a expressão da ruiva - O que é?
deu de ombros, abandonando as folhas e se voltando para a imagem do romeno, mordendo o lábio inferior.
- Nada, só achei estranho sua amiga estar louca pra me conhecer, sendo que eu nem sei de quem você está falando - seu tom era monótono, contido, e Sebastian sabia muito bem o que era aquilo.
- Você sabe quem ela é, , já até atendeu um telefonema dela, se não me engano...
Ele parou de falar ao ver que a ruiva já não prestava mais atenção nele, e sim no celular, com o cenho franzido.
- Bast, a gente pode conversar depois? O Breno disse que tem que falar comigo urgentemente.
- Claro. Já vai escolhendo a roupa, tá?
- A festa é semana que vem?
- Sim.
- Então até lá eu te dou uma resposta.
- !
- Tchau, Bast! - ela se despediu, rindo do desespero dele.
Antes que ela pudesse pensar em alguma coisa, Breno já a chamou, ocupando a tela do notebook com uma careta extremamente idiota e infantil, fazendo suspirar e se recostar no sofá.
- Não me diz que você me fez desligar a chamada do Bast pra te ver ficando vesgo - pediu, voltando a pegar as folhas, ouvindo o irmão tentar bufar em meio a risada que soltou.
- Você já foi mais bem humorada – reclamou, se ajeitando na poltrona do escritório de casa, se afastando da tela.
- E você já foi pai – murmurou, desistindo daquelas anotações. Não sabia por que ainda insistia em levar trabalho para adiantar em casa, sendo que sempre acabava levando tudo do mesmo jeito para a redação e fazendo tudo por lá mesmo.
Breno a olhou jogar as folhas para longe e cruzou os braços, preocupado com a expressão que dominava o rosto da mulher.
- Hey, Bloom, o que houve?
sorriu ao ouvir o antigo apelido sair dos lábios do irmão, lembrando-se da época onde tudo era mais simples e sua única preocupação era assistir Winx.
- Nada demais, não se preocupe, Ronald Wesley – tentou desconversar, com um sorriso forçado no rosto.
- Você sabe que não consegue mentir pra mim – Breno falou, se ajeitando melhor na poltrona, se preparando para ouvir o que quer que fosse que tivesse para falar.
Ela hesitou por alguns segundos, pensando se deveria ou não falar sobre aquilo, já que sua decisão já estava praticamente tomada. Mas ver aqueles olhos azul água apreensivos daquele jeito a deixou incerta se deveria continuar em silêncio.
- Eu vou me demitir.
Rápida e firme, ela simplesmente jogou a informação, deixando o irmão absorver com uma pitada de cara de tacho.
- Como assim se demitir? Esse não era seu grande objetivo? O aconteceu? Recebeu uma proposta melhor? – perguntou descrente, vendo a irmã encolher os ombros como fazia quando era pequena e levava uma bronca.
- Na verdade, eu já enviei alguns currículos e a CNN já me ligou, vou fazer a entrevista em duas semanas.
- – o mais velho chamou firme, só com o nome, pedindo que ela explicasse o porquê daquela decisão.
- Lembra do Tobias? – ela começou, vendo ele assentir. Sentiu naquele momento que precisava de uma segunda opinião sobre a situação, e por mais que já tivesse pensado em abordar o assunto com Sebastian, Breno sempre fora o primeiro a saber de tudo na vida dela, tanto as coisas boas, quanto as ruins, então nada mais certo que falar aquilo com ele primeiramente – Ele anda indo muito ao andar da redação.
- Isso significa o que? – o ruivo perguntou com o cenho franzido, não entendendo o que a mais nova estava querendo dizer.
- Ele está me rodeando, e isso é extremamente desconfortável – falou de um vez, assistindo a dúvida se tornar compreensão na face do irmão.
- Mas que filho da pu... ... Esse cara relou em você? – Breno perguntou assim que sua ficha caiu, ficando mais vermelho do que seu cabelo jamais fora um dia, já que seu tom sempre fora mais puxado para o loiro do que o da garota.
- Calma! – pediu, quase atravessando a tela da chamada por Skype, só para poder buscar um copo de água para o pimentão humano - Não chegou a essa proporção. Mas são as coisas que ele diz, a forma que ele fala... Chega a ser nojento o número de vezes que ele joga uma direta nada indireta no meio de cada frase.
- , isso é crime! Por que você não denuncia ele? – perguntou exasperado, vendo a irmã dar de ombros, encostando o cotovelo nas costas do sofá e a mão na testa, esfregando a região com força.
- Foi a primeira coisa que eu fiz, mas acontece que ele já está com mais de cinco boletins de ocorrência contra isso, e o advogado dele oculta tudo, se eu fuçar muito nisso, vou acabar manchando meu nome e nunca mais vou conseguir emprego em nenhuma emissora daqui, acredite, eu não seria a primeira, porque aquele desgraçado é super influente aqui em NY! – explicou revoltada, se sentindo impotente por estar passando por uma situação daquelas.
A única pessoa que estava sabendo sobre as investidas de Tobias, era Ashley, e a resposta da loira para aquilo era “Você está fazendo drama, se um delícia daquele me quisesse, eu já estava na sala dele na hora.”, fazendo se questionar sobre alguns valores morais da amiga.
- O Sebastian está sabendo disso? – o rapaz perguntou, tentando amenizar o assunto para acalmar ambos.
- Ele está todo empolgado com a festa de uma amiguinha dele. Não queria incomodá-lo agora com isso – suspirou, fazendo Breno rir ao vê-la praticamente emburrada falando aquilo.
- Isso é ciúmes, ?
- Vá se fuder, .
Funcionou. Por mais que o mais velho ainda estivesse preocupado com o assunto, eles riram daquela idiotice, abrindo a Breno a brecha que ele precisava.
- Conta pro Sebastian, – pediu, vendo a irmã morder o lábio inferior – ele se importa com você, vai te ajudar. Não passa por isso sozinha Bloom, você não precisa.
respirou fundo, passando a língua pelos lábios. Eles já estavam um pouco machucados depois de tantas mordidas, mas esse era seu jeito de extravasar, nada que um hidratante labial e várias brigas mentais com ela mesma para parar com aquilo não resolvessem.
- Pode ser depois do aniversário dessa amiga dele? – perguntou como se pedisse permissão, e Breno assentiu, querendo abraçar sua irmãzinha e protege-la daquele mundo horrível.
- Mas fala, ou eu largo tudo aqui e apareço na frente daquele prédio metendo o louco, e esse Tobias não vai gostar disso! – disse fazendo uma careta de bravo, fazendo soltar uma gargalhada gostosa.
- Ele deveria temer muito esse momento – brincou, rindo mais ao ver o rapaz assentir.
- E claro que eu dou conta sozinho, mas só por garantia eu chamo o Sebastian e nós dois mandamos aquele idiota de volta para o Texas aos pontapés!
- Obrigada pela imagem mental, vou dormir muito mais reconfortada hoje – a ruiva disse, recolhendo as folhas e as colocando na mesa de centro, se levantando do sofá e indo para o quarto. Ela precisava dormir.
- Você acha que estou brincando né? – perguntou risonho, esperando a garota chegar ao quarto para se despedir – ? Não se precipita, okay? Esse era seu sonho, não abandona tudo por causa de um idiota.
- Okay. Prometo que vou fazer meu melhor – falou levantando o dedinho, levando a mão a boca logo em seguida, por causa do bocejo – Boa noite, Bre.
- Boa noite, . Toma cuidado.
Assim que a chamada se encerrou, se enfiou debaixo das cobertas, revirando um pouco com o celular nas mãos, se perguntando se deveria fazer aquilo naquela noite ou esperar um pouco. Mas ela não gostou da imagem mental que surgiu em sua mente com a segunda opção, então desbloqueou o celular e entrou na primeira conversa.
: Não sei se você saiu... Mas se não estiver fazendo nada, a gente pode conversar?
Ela tinha quase certeza que o ator tinha ido para algum bar com Anthony, já que eles não se viam há alguns meses, e respirou aliviada ao ver a palavrinha “digitando” embaixo do nome dele, segundos depois que enviou a mensagem.
Sebastian: Ta tudo bem lá no Brasil?
leu a mensagem algumas vezes, mas não entendeu o que ele quis dizer com aquilo.
: Está, por quê?
Sebastian: Você disse que o Breno tinha uma coisa urgente pra te contar.
Ela soltou uma risada pelo nariz, se virando de bruços. As vezes a lerdeza de Stan a surpreendia.
: Ele estava tentando falar comigo desde cedo
Falou aquilo para nós encerrarmos logo a chamada...
Sebastian leu aquilo, se permitindo dar um tapa na própria testa. Já não era a primeira vez que o ruivo fazia aquilo, mas ele sempre perguntava depois, isso quando não estava por perto, se estava tudo bem.
Sebastian: Me sinto usado.
Sobre o que quer conversar?
Antes que ele pudesse mandar qualquer mensagem relacionada a festa de , ou qualquer pedido para que a ruiva conhecesse a estilista, recebeu uma mensagem que o deixou um pouco estático.
: Estou pensando em sair da Globo.
Sebastian: Que!?
: Existem várias outras vagas para jornalista no mundo...
O ator se sentou na cama, apoiando as costas na cabeceira, se perguntando se deveria ligar para a amiga. Aquela conversa não estava tomando um rumo bom.
Sebastian: Isso significa voltar para o Brasil?
: Está querendo se livrar de mim, Romeno?
Ele suspirou aliviado. Pelo menos não era o que ele estava pensando, mas para levar tomar uma decisão daquelas, era porque o assunto era realmente sério, já que ela amava trabalhar naquela emissora.
Sebastian: Okay... Mas, o que aconteceu?
: O Tobias aconteceu. Foi isso que aconteceu.
Se existisse uma competição para “Maior Cara de Perdido No Meio Da Multidão”, Sebastian, com toda certeza, ganharia.
Sebastian: O chefe do seu chefe?
: É
Ele fica dando em cima de mim, e parece que ainda não aprendeu o significado da palavra “Não”.
Aquele desgraçado fez o que?
Que tipo de pessoa aquele idiota pensa que era?
Sebastian: Me diz que ele não tocou em você.
Porque juro, se ele fez isso, esse desgraçado vai pra cadeia todo quebrado!
Ele estava nervoso, só de imaginar em uma situação como aquela, seu estômago já embrulhava e tinha vontade de afasta-la de todos que pudessem lhe causar mal.
: Você e o Bre nunca podem ficar juntos no mesmo lugar, vão acabar ajudando um ao outro no procedimento dos homicídios...
Sebastian: , não é hora pra brincadeiras, isso é sério!
: Não chegou a esse ponto.
Ele fica dizendo que sou solteira e que tenho que aproveitar a vida...
Sebastian: Você deveria dar um soco na cara dele.
: Bast, foca.
Eu preciso de uma solução, e não mais problemas.
O que veio na cabeça de Stan no momento que leu aquela mensagem poderia ser a coisa mais ridícula do mundo, mas serviria se topasse.
Sebastian: , lembra do nosso acordo da crise de Steve Rogers?
: Lembro... Mas o que isso tem a ver?
Sebastian: Você ainda está com aquele anel meu que estava na sua mão esses dias?
Aquele dia teve momentos muito mais marcantes que o fato dela ter pego o anel dele, mas o momento não pedia por isso, então ele resolveu focar só no importante.
: Sim
Bast, onde você quer chegar com isso?
Sebastian: Ué, você disse que ele está no seu pé porque você é solteira.
Então a gente se casa.


***


não sabia por que se sentia nervosa naquela sexta-feira, já que estava usando aquele anel desde o fim do mês anterior, mas naquele dia ele teria um peso maior, e ela só queria saber de onde Sebastian tirava aquelas ideias tão absurdamente idiotas que sempre tinha na ponta da língua.
Tobias só tinha mexido com ela no almoço, quando recebeu uma patada na frente de outros dois redatores e resolveu não passar mais vergonha naquele dia, mas ela tinha certeza que na hora que entrasse no elevador, ele estaria lá para atazana-la o suficiente até receber um soco, ou pelo menos deixar esse desejo impregnado na mulher pelo resto do milênio.
O que talvez o loiro de pinta inglesa, mas na verdade texano, não esperava era encontrar o ator Sebastian Stan dentro do elevador, indo para o mesmo andar que ele.
Stan, por sua vez, se controlou muito para não dar um soco na cara daquele idiota quatro-olhos, mas se controlou, se contendo a um sorrisinho quando o outro o olhou meio embasbacado.
- Hum... Com licença – Tobias tomou coragem de falar quando o elevador começou a subir – Você é Sebastian Stan, certo? – o romeno virou o rosto para ele assentindo – Tem alguma entrevista aqui hoje? É que eu não estou sabendo de nada e...
- Não, não é isso – Stan o cortou, rindo de leve – na verdade eu tenho que viajar e vim buscar minha noiva pra passar o final de semana comigo – contou sorridente, quase rindo de verdade quando os olhos castanhos do loiro se arregalaram.
- Sua noiva?
Antes que o ator pudesse responder, o elevador apitou, abrindo as portas no sexto andar, destino de ambos, revelando parada, segurando uma pasta cheia de papeis que Sebastian julgava ser documentos, vestindo uma calça jeans skinny, uma camiseta preta com um enorme stromntopper desenhado, e um all star da mesma cor nos pés. O óculos grande cobria uma parte de sua maçã do rosto, e as ondas dos cabelos ruivos emolduravam o rosto que tinha uma aparência cansada, que se animou assim que viu o ator dentro do elevador.
- Bast! – ela falou animada, pulando para dentro da caixa de metal, abraçando o homem com a pasta ainda em mãos.
A coisa do noivado poderia ser uma farsa, mas a saudade era real, já que eles não se viam desde o início do mês.
- Oi princesa, como foi o dia? – perguntou depositando um beijo na testa dela, passando a mão esquerda no cabelo dela, colocando uma mecha atrás da orelha.
Um movimento natural estudado, feito diretamente para Tobias ver bem seu dedo anelar, já que ele ainda estava parado mais ao fundo de Sebastian, e assistia a cena meio embasbacado.
- Meio mortal, mas acho que depois de um banho já volto a ser eu mesma – contou, apertando o botão para o térreo e descansando o queixo no ombro homem, deixando ele pegar a pasta e abraça-la de lado.
- Da pra você dormir no avião, e pedimos pro ateliê entregar seu vestido em casa.
- Isso é só para não me acompanhar às compras, Stan? – perguntou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso de canto nos lábios, que queria se espalhar para o rosto ao ver seu chefe praticamente encolhido no cantinho do elevador, de cabeça baixa, mas perceptivelmente corado.
- Eu nunca disse isso – Sebastian ralhou, aparentemente ultrajado, embora achasse a ideia da entrega linda, já que da última vez que foi a uma loja com a ruiva, ganhou um chá de cadeira como recompensa – Tudo que estou pensando é no seu bem-estar – falou, dando um beijo estralado na curva do pescoço da garota, saindo do elevador assim que as portas se abriram, deixando para trás um Tobias meio atordoado, em um conflito eterno sobre aquele momento, por já ter ouvido o nome Sebastian em muitas conversas pela redação, mas nunca ter associado o nome àquela pessoa, e também pensando que fazia sentido eles deixarem aquele relacionamento meio oculto. Mas aquele anel poderia ser considerado aliança de noivado?
A dupla conseguiu manter as aparências até entrarem no Jaguar preto do ator, então o máximo que conseguiram fazer, foi dar um high five antes de explodirem em gargalhadas.
- Eu não acredito que tenho mais talento para atuar que a Emily VanCamp! – falou , enxugando uma lágrima que escapou no canto do olho.
- Ainda acho que com o beijo ficaria mais convincente – Sebastian murmurou, colocando a chave na ignição, respirando fundo para parar de rir.
- Você que quis apostar, sabe que isso pode acontecer se você disser três palavrinhas e uma nota de dez – ela deu de ombros, voltando a rir quando o amigo desviou a atenção do trânsito para ela, com uma cara de revolta.
- Não lembro dessa história dos dez reais – falou desconfiado.
- Valor simbólico, para deixar a coisa mais com cara de aposta.
- Não sei se me sinto intrigado por ter que pagar pra transar com alguém que já transei de graça, ou por você estar dizendo que é só dez dólares.
Com toda maturidade que uma jornalista de 25 anos bem sucedida pode ter, mostrou a língua pra ele, dizendo que não queria mais se casar o amigo.
Eles seguiram direto para a casa do ator, já que ali era mais perto do aeroporto e a mala da brasileira já estava lá. Já não fazia mais tanto frio, então ela deixou que Sebastian fizesse a mala que levaria para Los Angeles, confiando no romeno para a escolha de peças, mas não se preocupando tanto, já que eles ficariam lá só duas noites, e voltariam no domingo de tarde. E no fim das contas, aparentemente, o rapaz convivia com ela o suficiente para saber quais roupas deveria pegar para o conforto dela.
Depois de verificar todo o conteúdo da mala, e arrumar a do homem enquanto ele tomava banho, se sentou no meio da cama do ator e começou a conversar no WhatsApp. Ela queria mesmo era falar com o irmão, mas sabia que ele ficaria fazendo piada sobre assunto, e Ashley muito provavelmente estaria com o noivo, então se contentou em sanar seus conflitos internos com as colegas brasileiras, que por mais que tirassem um pouco com a cara dela, a incitaram a ter coragem de falar com o romeno.
- Que carinha é essa? – Stan perguntou, saindo do banheiro só uma toalha enrolada no corpo, reprimindo um sorriso quando a mulher o analisou de cima a baixo, sem nem tentar disfarçar.
- Você está brincando com fogo, romeno – ela murmurou, jogando uma calça jeans que estava em cima da cama, e que só naquele momento ela percebeu ser a roupa que ele separou para ir para Los Angeles, e a única peça que não estava ali, era a boxer branca, que ele revelou estar por baixo da toalha quando começou a vestir a calça.
- Do que está falando? – falou desentendido, pegando a camisa para vestir, se sentando na beira da cama logo em seguida, para calçar o coturno.
- Quero que você me fale por que é tão importante que eu vá nesse aniversário.
Sebastian parou de amarrar o cadarço e a encarou, soltando um suspiro antes de se voltar para o calçado. Se levantou colocando sua mala no ombro e estendendo a mão para ajudar a se levantar. Sabia que ela perguntaria aquilo, só não esperava que fosse tão direta.
- Tudo bem, olha, você é importante pra mim, e a sabe disso, e ela também é importante para mim. Por isso, acho justo vocês se conhecerem.
- Sei que estou sendo infantil, mas se ela é assim tão importante para você, por que foi falar dela para mim só semana passada? – perguntou cruzando os braços, o encarando séria, quase emburrada, fazendo Sebastian se perguntar se algum dia conseguiria ficar bravo com aquele ser a sua frente.
Mas a pergunta era válida. Por que ele nunca falara de para ? Oportunidades não faltaram, mesmo ouvia tanto sobre que as vezes a incluía em algum assunto sem nem mesmo conhece-la.
- Acabei adiando o assunto – falou dando de ombros, saindo do quarto com as duas malas, deixando uma embasbacada para trás.
- Sebastian, eu conheço você, e essa sua cara de “quero falar, mas estou sendo idiota de mais para verbalizar” – ralhou ao alcançar ele, no topo da escada, só não os fazendo parar porque sabia que o avião sairia da cidade as sete, e não queria ser a responsável por um Sebastian emburrado por não ter ido na festa da amiguinha que conhecia ela, mas ela não a conhecia.
- Eu quero que vocês sejam amigas, e fiquei com medo de você e seu ciúme não aceitarem o fato da ser uma constante em minha vida – falou rápido, sem olhar para ela, chegando aos pés da escada antes dela que estava de mãos vazias, e ficou alguns segundos parada ali, entre um degrau e outro assimilando aquele fato. Era isso que Stan pensava que ela faria se aparecesse outra pessoa na vida dele?
Quando ela finalmente conseguiu sair da escada e sair da casa, ele já estava fechando o capô do porta-malas. Sua feição entregava que ele se sentia mal por ter dito aquilo daquela forma, mas não tinha mais como voltar atrás, e aquilo já estava em sua mente há algum tempo, precisava ser dito. Mas ali, ele percebeu que poderia ter falado de forma mais gentil. A última coisa que queria era magoar , e não era necessário muito para saber que ela estava mais que magoada ali.
Ele parou ao lado da porta do motorista, vendo se aproximar com uma expressão que fez ele ter vontade de aperta-la em um abraço e não solta-la nunca mais.
- Desculpa – sussurrou, assim que ela ficou de frente para ele, repousando a mão em sua bochecha, afagando levemente os cabelos dela – Eu não deveria ter falado daquele jeito.
olhou bem aquelas orbes azuis, se sentindo culpada e idiota por fazer ele chegar a aquele ponto.
- Bast, eu já fui responsável por você ter se afastado de alguém especial?
Ele sabia que a resposta era não, isso era óbvio para qualquer um. só fazia bem a Sebastian e vice versa. Ela nunca seria capaz de afasta-lo de alguém que fosse importante para ele, até porque ninguém deveria ter esse poder sobre ninguém, o máximo que ela fazia era se afastar quando não gostava da nova conquista dele se essa ocupasse muito o tempo do homem.
E era aquilo que mais o preocupava. Ele e eram amigos de longa data, e a estilista ganhou um lugar especial em seu coração, e ele não gostava da ideia de ver se afastando por isso. Sebastian já não conseguia imaginar um dia de sua vida que aquela ruivinha não estivesse presente, e a ideia de vê-la se afastando, se isolando, por não achar que era importante para ele tanto quanto a estilista, o fez pensar que talvez se ela não soubesse daquela amizade, não teria porque ficar reafirmando o tempo todo que ela era sim, muito importante na vida dele.
- Claro que não, sua bobona – afirmou, a puxando para um abraço, depositando um beijo na testa dela.
- Você sabe que aquela lista é uma brincadeira, né? Se essa é importante, finge que eu...
- – Stan os afastou o suficiente para olhar no fundo daqueles olhos dourados, chegando à conclusão que seria impossível para qualquer ser humano na face da terra guardar rancor por aquela garota – Eu me precipitei, ou enrolei, não sei, mas não se preocupe, você não fez nada de errado. Nunca faz, não é com isso que vai começar.
Todos têm algum complexo. Aquele achismo que nunca se sabe se vai resolver ou acabar. O de era o medo da insignificância. Não, não era aquilo sobre ser possessiva em relação a determinada pessoas, isso obviamente existia, mas o real problema dela era achar que não era tão importante para alguém quanto a pessoa era para ela. Pode soar meio mesquinho, mas era dela, e ela se esforçava para controlar aquilo, sabia que era uma coisa chata, e nessa tentativa acabava se afastando das pessoas, ficando até com o status de fria ou, como Breno costumava falar, antissocial. E só tinham três pessoas, tirando os pais dela é claro, que ela se esforçava muito para não fazer isso quando achava que já não era mais tão importante sua constância, que eram Breno, sua cunhada Gabriela, e Sebastian. Ashley entrava nesse grupo em alguns aspectos, mas na maior parte do tempo ela mesma se mantinha afastada de , limitando a amizade delas à redação.
Por um lado, isso era horrível, por outro, por mais seleto que fosse esse círculo, a mantinha em seu conforto. E ela até poderia ser meio receosa no quesito Deixar Alguém Se Aproximar, mas disfarçava isso bem, e quem deveria quebrar essa barreira já havia quebrado, passado por ela e se instalado. nunca viu a necessidade de muitas pessoas ao seu redor, ela bastava para si mesma, mas valorizava cada segundo ao lado de quem era importante.
- Vamos, ou vamos perder o voo – falou, dando a volta no carro e entrando no veículo.
- Nos conhecemos nas gravações de Soldado Invernal – Sebastian começou quando já tinham saído da garagem, chamando a atenção da ruiva por míseros segundos antes dela voltar a olhar pela janela, mas isso não o impediu – Já comentei que ela é estilista da Scarlett Johansson, né?
- Esse detalhe da Scarlett você esqueceu – a brasileira falou desconfortável, se sentindo idiota por estar entrando na conversa com ele. Ela queria ficar brava, qual a dificuldade dele entender isso?
- Elas são bem amigas. Inclusive, a é amiga de muita gente, você vai gostar das companhias da noite.
- O Evans vai estar lá? – perguntou como quem não quer nada, analisando as unhas pretas, procurando algum defeito inexistente no esmalte, só para não deixar clara sua linha de raciocínio: Johansson é amiga de longa data de Evans, essa é amiga da Scarlett, logo ela deve ser próxima de Chris e muito provavelmente ele estaria na festa.
Sebastian revirou os olhos enquanto trocava a marcha do carro, suspirando alto.
- Não, ele não vai – falou, se lembrando da conversa que tivera tanto com quanto com Evans na semana anterior. Aquele assunto era delicado, mas teria que saber de algumas coisas antes de conhecer a – Chris e namoravam, não é muito legal ter seu ex na sua festa de aniversário.
O lado mulherzinha fofoqueira estava quase empatando com a força do lado mulher determinada em não falar com o homem que disse que ela era muito ciumenta sendo que seu maior passatempo era procurar mulheres para serem a futura esposa dele.
Como assim, namoravam?
- O que aconteceu? Ela é muito ciumenta? – perguntou irônica, desbloqueando o celular, fingindo fazer algo importante quando na verdade começaria uma partida de Candy Crush.
Stan só pensava que nunca escolheu pior momento para tentar ser sincero.
- ! – falou arrastado com um tom pidão.
- O que? Só acho estranho alguém ter namorado com o Evans e deixar esse verbo cair no passado, olha aquele homem.
- Vamos voltar para a parte que você não fala – ele pediu, fazendo a curva que os deixaria no estacionamento do aeroporto.
- Você queria que eu a conhecesse, agora estou interessada. Por que eles terminaram? – perguntou novamente, tirando o cinto e saindo do carro, esperando ele pegar as malas no porta-malas.
- A vida amorosa dela te interessa mais do que saber sobre, sei lá, quantos anos ela vai fazer?
- Achei que você já tivesse aprendido que não se deve perguntar isso quando o assunto é mulher – pegou a mala da mão dele e seguiram para dentro do aeroporto.
- O essencial é você não falar sobre isso na frente dela. Pode ser? – perguntou, estudando a expressão dela. Às vezes, sabia agir como uma perfeita criança, mas aparentemente ela levou a sério o pedido.
Depois disso, a tensão amenizou entre os dois. Não demorou muito para embarcarem, o voo foi tranquilo e sem muitas emoções, possibilitando a seu desejado cochilo, que só foi interrompido quando eles chegaram a Los Angeles.
O condomínio onde eles ficariam naquele final de semana era o típico lugar visto em filmes, com mansões que pareciam ser intermináveis, tanto no tamanho quanto na beleza.
-Tai’ sua oportunidade – Stan falou, interrompendo o assunto sobre Um Maluco no Pedaço, indicando com a cabeça uma casa antes da esquina que eles viraram, fazendo o encarar sem entender nada – Casa do Evans.
O interior dela pediu para não dar brecha para aquele assunto novamente, mas seu rosto não ouviu seu cérebro e deixou que olhos e boca se arregalassem.
- Você alugou uma casa perto da dele? – seu cérebro entrou em um grave conflito sobre aprender a controlar emoções.
- Foi ele que me falou dessa casa – explicou, estacionando o carro em frente a uma casa com muitos detalhes em madeira e vidro.
Há menos de uma quadra de distância de um dos atores favoritos da brasileira.
Ela desceu do carro e encarou a esquina por uns cinco segundos antes de seguir o amigo para dentro da casa. Simples não era a palavra, mas chique também não. Aconchegante, talvez essa se enquadrasse perfeitamente.
- Eu falei sério sobre a entrega – Sebastian disse, pegando uma caixa de cima do sofá.
- Você vai comigo na compra do da première – ela desdenhou com um sorriso meigo nos lábios – vou tomar banho e me arrumar.
- Tenta ficar pronta ainda hoje – pediu, voltando para fora para pegar as malas do carro. Fato esse que só percebeu depois que saiu do banho e não encontrava sua toalha, que estava dobradinha dentro de sua mala.
Ela olhou no armário debaixo da pia, sempre tinha toalhas ali, não importava para onde ele ia, Sebastian sempre mantinha aquele estoque de toalhas no armário do banheiro. Mas aparentemente ele ainda não tinha providenciado isso ainda, já que o armário estava vazio.
- Bast, traz minha toalha aqui, fazendo favor – pediu se olhando do grande espelho, prestando atenção em qualquer possível movimento no quarto, mas não ouvia nada – Bast. Bast? – perguntou, abrindo a porta o suficiente para tirar a cabeça do banheiro, analisando o quarto a procura de Stan, mas tudo o que encontrou foram as duas malas em cima da cama, a do homem aberta e meio revirada, fazendo se perguntar o porquê dele se arrumar se já estava arrumado, ou se ele teria saído. Sua mente elaborando um pequeno plano infalível trabalhando com a segunda opção.
- Bast? - chamou novamente, dessa vez mais alto, meio cantarolado, abrindo um largo sorriso ao não ouvir nada como resposta.
Barra limpa.
Olhou para os lados, e meio correndinho, foi até a cama, abriu a mala, pegou a toalha e começou a se secar. Como acreditava estar sozinha, não se apressou muito no processo de se secar, e procurar a calcinha e o sutiã que separou para usar com o vestido que escolheu para a noite. Vestido esse que ela convenceu Sebastian a ir na loja no meio de uma vídeo-chamada, fazendo o homem passar horas no ateliê passando as medidas da ruiva, mostrando diversos modelos de vestidos, só para no final de tudo ouvir da garota um feliz “Se nada der certo, você tem futuro como vendedor”.
O que ela não imaginava, é que Stan estava parado no hall da porta, meio paralisado com a cena da amiga desenrolando a toalha do corpo e se vestindo sem pressa nenhuma. Naquele momento a cor bege da lingerie nem parecia tão broxante assim.
Quando ela estava abotoando o sutiã, com muita maestria ao ver dele, já que o fecho era o tradicional nas costas, um barulho meio estranho escapou da garganta dele, fazendo olhar assustada para porta, puxando a toalha ao mesmo tempo que se jogava na cama, escondendo o rosto no meio dos travesseiros.
- Há quanto tempo você está ai? – perguntou depois de alguns segundos, desenterrando a cabeça do meio dos almofadados o suficiente só para um olho aparecer no meio da confusão vermelha que ela estava naquele momento.
Não que Sebastian estivesse com sua coloração natural, mas não estava conseguindo se concentrar muito em qualquer outra coisa que não fosse a curva que a toalha fazia sobre o corpo dela.
- O suficiente para agradecer por você fazer parte da minha vida – murmurou, cruzando os braços e se encostando no hall da porta, sorrindo de lado ao vê-la se sentar, cobrindo o busto com a toalha.
- Cadê aquele cara que tinha vergonha de ouvir a palavra sexo?
- Você deixou ele pegar intimidade – falou sorrindo, entrando no quarto e abrindo a caixa do vestido – Sabe, amei te ver assim, mas acho que prefiro a ideia de você estar com roupa quando chegarmos à festa.
- Sebastian! – soltou o nome dele em um quase grito, tacando um dos travesseiros na cara do amigo, se levantando enrolada na toalha, pegando o vestido e sua nécessaire, e indo para o banheiro novamente, parando ao ouvir Stan falando alguma coisa.
- Não tem mais o que esconder de mim ai, , qual a necessidade da toalha?
- Nós nunca mais vamos falar sobre isso. Entendeu? Nunca. Mais – afirmou séria, embora no fundo estivesse querendo rir da própria desgraça.
- Não fui eu que sai andando pelado pelo quarto – Sebastian deu de ombros, pegando as roupas da cama para coloca-las no closet, onde viu uma parte só com toalhas.
- Por que essas coisas não estão no armário do banheiro?! – perguntou olhando para o teto, como se estivesse perguntando isso para uma divindade maior, fazendo o romeno rir ao virar-se para trás ver a amiga quase cavando um buraco no chão para se esconder.
- Pensei que você não quisesse falar sobre isso…
Mas ela não deixou ele terminar a frase, simplesmente se trancando no banheiro e só saindo de lá meia hora depois, completamente maquiada, sem vestígio de sardas no rosto, o cabelo preso em um rabo de cavalo alto e o vestido branco, que ia colado no corpo até um pouco acima da cintura e depois se abria em uma saia rodada que ia até a metade da coxa. O tecido era firme e com alguns detalhes mínimos que pareciam renda por toda sua extensão, deixando em destaque a real renda preta que contornava a parte de baixo do busto e a barra.
Depois de pegar seu celular, descartando a ideia de levar bolsa, já que no vestido tinha um bolso lateral escondido em meio as dobras que a saia fazia, saiu do quarto, encontrando Sebastian sentado no sofá com uma cara de desânimo, que sumiu assim que ela se postou a sua frente.
- Menos de uma hora! Batemos um recorde aqui? – Perguntou se levantando, colocando as mãos na cintura da ruiva.
- Nossa, ! Como você está linda! Eu pegava! – falou, imitando precariamente a voz do homem, passando as mãos pela gola da jaqueta jeans dele – Elogios também fazem parte.
- Você sabe que eu pegaria sem pensar duas vezes – murmurou, a puxando para si.
- Temos aqui um desistente da aposta? – perguntou com um sorrisinho de lado.
Ele suspirou alto e afastou o corpo da mulher si.
Às vezes ele se perguntava por que tinha ideias tão estupidas como aquela.
- Vamos, ou vamos chegar na hora do parabéns.
- Pelo menos assim a gente não precisa ficar tanto tempo lá – ela murmurou, sem tentar ser discreta, deixando Stan com cara de poucos amigos.
- E você passaria tanto tempo se arrumando para nada. Aliás, quantos pares de salto preto você tem?
Ela olhou para os próprios pés, virando um pouco de lado o calcanhar para apreciar o scarpin preto de bico arredondado, voltando a olhar o amigo com um dar de ombros.
- Você sempre diz que vou para o trabalho igual uma adolescente antissocial vai para o colégio, pelo menos quando eu vou sair tenho que ir fantasiada de gente.
- Se você fosse trabalhar assim todo dia, ai sim eu teria que me preocupar em dar uns socos na cara daquele Tobias.
Assim eles entraram no carro e passaram boa parte do caminho em uma conversa sobre como de todos os colegas de naquela redação, só Ashley se vestia como uma jornalista. Mas assim que Sebastian virou uma esquina e começou procurar estacionamento em meio a vários carros parados no meio fio, a ruiva até tentou não agir diferente, mas acabou se calando antes que ela mesmo percebesse sua troca de humor.
Sebastian fingiu não perceber isso, e quando estacionou o carro, a primeira coisa que fez, foi enviar uma mensagem para , que conseguiu ver meio de lado, deduzindo alguma coisa como “Vai rolar recepção?”. Então assim que eles desceram do carro e chegaram perto da porta de entrada, uma mulher sorridente que apostava todas suas fichas que deveria ser , apareceu na frente deles.
A mulher era realmente linda, tinha traços únicos, um corpo exuberante, e um sorriso contagiante, que só não contagiou por ter passado reto pela ruiva e ir diretamente para os braços de Sebastian. Não que esse ato tenha terminado em um abraço, já que assim que chegou perto suficiente do ator, envolveu seu pescoço com os braços e pressionou os lábios contra os dele.
engoliu em seco e cruzou os braços, instantaneamente se arrependendo de deixar ser levada para o outro lado do país para uma festa idiota onde não conhecia ninguém e ser esquecida tão rapidamente por Sebastian.
- Meu presente será entregue só mais tarde? – a mulher perguntou com um sorriso de canto, alisando a jaqueta jeans que o ator vestia.
- Você já bebeu por todo mundo aqui, não é? - Stan perguntou rindo, assim que a estilista se afastou um passo dele.
- Ainda nem comecei, coração - realmente a voz dela não parecia afetada, muito menos alterada, mas seus olhos possuíam aquilo típico brilho que só várias doses de tequila poderiam dar. Ela se virou para com um sorrisinho sugestivo no rosto, fingindo não ver a cutucada que Stan deu na ruiva para ela descruzar os braços e desamarrar a cara – Eu ouço tanto seu nome que sinto que nos conhecemos desde sempre – falou dando um abraço que foi correspondido frouxamente, e dois beijos no rosto da brasileira.
até gostaria de falar o mesmo, se Sebastian não tivesse falado da existência da mulher só há algumas semanas, e contado sua emocionante história de vida e carreira somente horas atrás.
- É um prazer te conhecer também – se limitou a dizer, com um sorriso forçado, recebendo de volta um sorriso digno de um anúncio de creme dental.
Stan não sabia dizer quem era a mais louca ali: , por estar recebendo aquele olhar mortal de , e sorrindo como se aquilo não fosse nada, ou , por estar lançando aquele olhar para .
- Não vamos ficar parados aqui, né! – ele falou, se enfiando no meio das duas, passando um braço por cima do ombro de cada uma, as guiando em direção ao som da música alta.
- Não acredito que você me abandonou só porque o Cabeludo chegou! – Scarlett brincou assim que avistou o trio se aproximando, cumprimentando o romeno assim que chegou mais perto do homem.
- Você sabe que sou quase tão exclusivo quanto você – Sebastian deu de ombros, rindo ao ver tanto a estilista quanto a atriz revirarem os olhos, mas rindo logo em seguida – Scar, deixa eu te apresentar uma pessoa, – ele se voltou para , que usava toda sua concentração em manter a boca fechada para não babar pela mulher à sua frente, fazendo o ator se perguntar se o coração da amiga suportaria todos os cumprimentos que aquela noite exigiria – essa é a , , Scarlett.
- Ah, então você é a namorada do Stan! – a loira falou animada, depositando dois beijos no rosto da ruiva – Parabéns, romeno, escolheu a dedo, hein! – comentou, analisando a brasileira de cima a baixo, a fazendo corar.
- Na verdade, nós somos só amigos – corrigiu, se sentindo meio errada por contrariar uma deusa como aquela.
- Bléh! – jogou a cabeça para trás, gritando alto o suficiente para chamar atenção de algumas pessoas ao redor, fazendo reconhecer algumas pessoa ali que ela nunca pensou ver fora da tela da televisão – Vocês já não passaram dessa fase? – perguntou quase desesperada.
- ! – Sebastian e Scarlett a repreenderam em uníssono.
- Okay! – ela levantou as mãos na altura do rosto em sinal de rendição, dando a volta por Stan, parando ao lado de – Já que vocês são só amigos, não tem problema eu te apresentar umas carnes novas – falou, cruzando o braço direito no de , que lançou um olhar de socorro para o romeno, que só riu e deu de ombros, como se dissesse que não adiantaria interferir, deixando que a amiga praticamente arrastasse a ruiva para o meio das outras pessoas.
- É impressão minha, ou a ruivinha está meio desconfortável perto da ? – Scarlett perguntou, pegando duas garrafas de cerveja do cooler que tinha ali perto, entregando uma para o colega.
Sebastian abriu a cerveja e bebeu um gole, meio que para disfarçar a busca que fez pelas duas no meio das pessoas, as encontrando conversando com Tom Hiddleston. em seu estado natural somado a boa quantia de álcool que com certeza tinha no corpo, sendo espontânea e expressiva, e com as bochechas coradas, mordendo o lábio inferior, só respondendo quando um dos dois se dirigiam a ela, o que aparentemente estava acontecendo bastante, já que estava o tempo todo encostando nela, mexendo em alguma mecha de seu cabelo, a fazendo rir, enquanto Tom nem tentava disfarçar os olhares quase predatórios sobre a brasileira, fazendo Stan revirar os olhos pela falta de talento do cara de disfarçar longe das câmeras.
- Ela está com ciúmes – revelou, se virando para Johansson, que o encarou com um sorrisinho de deboche.
- Não são só amiguinhos? – perguntou sorrindo, não se importando com o sorriso de escárnio que ele devolveu.
- Acredite ou não, é exatamente por isso. Ela tem medo de ser trocada, ou substituída, e por algum motivo ela não acha que isso possa acontecer com nenhuma das mulheres que durmo.
- Deixa a saber que ela está um degrauzinho abaixo nesse podium.
- Não brinca com isso – ele respondeu rindo, bebendo mais um pouco da bebida.
- Ela parece meio deslumbrada com alguns convidados – a loira comentou, imitando a ação do homem – Tem algum risco de falar o que não deve? – talvez Scarlett fosse a única ali que sabia disfarçar suas reais intenções longe das câmeras.
- Não se preocupe, ela sabe o necessário para não ser jogada na piscina por uma bêbada alucinada – contou, finalizando a cerveja, deixando a garrafa vazia ao lado do cooler e pegando outra.
- Acho preocupante sua visão sobre a – a atriz falou rindo.
- Suas conversas com ela são diferentes das minhas.
O romeno aproveitou o meio tempo que a loira sofreu dizendo que não precisava de ajuda para abrir a cerveja, para olhar novamente para as mulheres e Tom, sorrindo de lado ao ver pegando a taça que Hiddleston oferecia para , vendo as duas rindo de alguma coisa que o britânico havia dito.
- Parece que elas estão se dando bem – Scarlett falou olhando na mesma direção que ele.
- Graças a Deus.
- Daqui a pouco ela converte a garota.
Ele olhou com os olhos arregalados para a loira, se assustando com a ideia de começar a agir como em algumas situações, fingindo não ouvir a parceira de cena rir quando ele saiu aos tropeços quase, indo em direção ao trio, parando bruscamente quando olhou de relance para ele e se virou para , gritando um alto e sonoro “Arrá!”, vendo a estilista olhar revoltada para ele e Tom rir.
- O que está acontecendo aqui? – ele perguntou desconfiado, se aproximando para cumprimentar o inglês.
- Elas apostaram quanto tempo demoraria para você vir atrás da – Tom as entregou, sorrindo para que mordia o lábio inferior sob o olhar do ator.
- Para alguém que é só amigo, você me decepcionou bastante, Tan – falou, olhando diretamente para o romeno, mas a sobrancelha arqueada entregava seu real pensamento.
- Pode insinuar o que quiser, , vai ter que achar um jeito que me trazer uma caipirinha agora – disse com um largo sorriso convencido.
- Aproveita que hoje é meu aniversário e eu estou de bom humor – apontou, saindo de perto deles e indo para algum lugar que a brasileira julgou ser de onde sairia sua bebida.
- Parece que você chegou tarde – Scarlett riu da cara que o homem fazia.
- Quem faz apostas idiotas aqui sou eu – ele falou, deixando a ruiva pegar a garrafa de sua mão.
- Não tenho culpa se você consegue ser pior que o Breno – ela deu de ombros.
- Não chego a esse ponto, exagerada – ele retrucou dando um peteleco leve na testa da garota, que mostrou a língua pra ele, mas logo ficou rígida e meio corada.
- Será que vamos ter que chamar a polícia? Stan, não sabe que é crime bater em mulheres? – Downey apareceu às costas de Scarlett, sorrindo para a ruiva, que olhava para ele como se fosse uma miragem criada por sua mente mirabolante que gostava de lhe pregar peças – Olá querida, nova amiguinha do Hiddles?
Nem em seus melhores e mais loucos sonhos, imaginou que uma dia estaria em uma rodinha de conversas que tinha como membros Scarlett Johansson, Tom Hiddleston e Robert Downey Jr., seu eu interior já tinha aceitado Sebastian em sua vida, então ele não estava sendo incluso nesse surto, embora as vezes, ainda achasse meio louco conversar com sua mãe e falar “Ele não está em NY, foi gravar uma série”. Mas isso não se comparava a situação momentânea que ela se encontrava.
- Eu ter conhecido ele há uns vinte minutos me torna a nova amiga dele? – perguntou categórica, mordendo a bochecha ao ver o mais velho levantar a sobrancelha e dar um risinho amarelo, se sentindo um pouco mal pela resposta ter saído tão cortada, mas no fundo ele pediu – Sou amiga do Bast, é um prazer te conhecer, adoro seu trabalho.
Sebastian teve vontade de encher a bochecha da ruiva de beijos, se perguntando sobre o nível de trouxice de Tobias por ouvir respostas ríspidas daquele jeito e ainda assim insistir.
- Ela me contou que o herói favorito dela é o Homem de Ferro – Tom contou.
- Gosto de você, ruivinha – Downey passou o braço pelo ombro dela, ouvindo Scarlett falar alguma coisa sobre ele ser um homem comprometido e não poder sair abraçando todas as mulheres que gostavam do seu personagem.
- Eu concordo com a Scar, isso não é legal, Rob, até porque ela já tem compromisso com o Tan, não ajuda a pesar a cabeça do garoto – voltou, entregando um copo com uma rodela de limão e uma bebida com um cheiro de álcool muito forte, trazendo a certeza a Sebastian de que ele nunca tinha bebido aquilo.
- Nós somos amigos! – os dois falaram em uníssono, fazendo todos rirem.

- Não sei se isso é muito saudável – Jeremy comentou, cheirando a caipirinha do copo que oferecia para ele.
- Não é para ser saudável, Jer, é pra te deixar feliz! – falou animada, bebendo um grande gole do conteúdo. Já que o loiro não estava querendo, ela queria.
- Quantos disso você já bebeu? – Renner perguntou risonho, mas no fundo estava um pouco preocupado com o nível de álcool no sistema da mulher.
- Uns três – ela deu de ombros.
- Há duas horas, talvez né? – perguntou, olhando para a estilista com uma sobrancelha arqueada – Depois que ela experimentou aquele primeiro, eu contei uns quatro.
- Só não vou me revoltar com você, porque você me apresentou essa perfeição – levantou o copo minimamente, mostrando a caipirinha, voltando para Sebastian – Se a transa brasileira é tão boa quanto a bebida, case-se com ela! O vestido é por minha conta.
- Casar com a bebida ou com a ? – Sebastian perguntou, só porque queria ver a expressão confusa que a amiga fez.
- Foca, Tan!
- , você fará uma pessoa mais feliz se assumir seu caso com o Stan – Jeremy falou rindo para a ruiva, que o olhou fingindo estar revoltada.
- Vocês acham que pegam intimidade rápido assim – resmungou, pegando seu copo da mão de Sebastian e bebendo um gole.
Depois de várias sessões de quase infarto cumprimentando várias pessoas famosas, Sebastian, , Scarlett e pararam em um canto conversando com Jeremy Renner – nada demais, acontece todo dia - , e acabou que as mulheres aparentemente começaram a disputar quem bebia mais caipirinha, fazendo Stan e Renner as acompanhar vez ou outra com alguns goles, já que eles não pretendiam adquirir uma ressaca na manhã seguinte. foi a primeira a sair da “brincadeira”, se acomodando entre os dois homens e embalando uma conversa animada com Jeremy sobre crianças, trocando histórias sobre o sobrinho dela, quando ele era menor, e da pequena Ava, sobre trapalhadas que só crianças podem fazer, ou levam as pessoas a fazer. Mas depois de um tempo de conversa, o celular do ator tocou, fazendo ele se afastar justo quando e iniciaram uma conversa sobre os benefícios de ter Sebastian como amigo, enquanto Scarlett tentava controlar as doses de caipirinha da estilista.
- Mas o Tan é tipo aquele amigo gay que toda mulher deveria ter, sabe? – falou abraçando o romeno de lado, causando uma gargalhada em e Scarlett.
- Eu também acho isso! – a ruiva concordou rindo – Mas ele falha na parte do gay, porque ele pega umas mulheres que até eu tenho vontade de pegar! – Stan riu, mas foi do jeito que a estilista e a loira se olharam ao ouvir aquilo.
- Eu me considero um Joey – ele comentou envolvendo a cintura de e de , para disfarçar os olhares do comentário anterior.
- Mas eu preciso de um Chandler! – reclamou, ouvindo concordar.
- Estou esperando meu Chandler também, acho que ele se perdeu em algum momento e não me acha mais – reclamou a estilista, vendo a loira revirar os olhos e Sebastian negar, olhando para alguém mais à frente.
- Seu Chandler está mais perto que você imagina, e você fica ai se remoendo pelo Ross – ele disse tirando a mão na cintura dela, para pegar a cerveja que Jeremy trouxera para o colega, pegando a última parte da conversa e ficou com uma imensa cara de interrogação.
- De que merda vocês estão falando? – perguntou, olhando diretamente para .
- Friends – todos responderam em uníssono, o que fez todos rirem, já que a bebida tornava aquilo imensamente engraçado.
- Eu preciso de alguma coisa que não tenha álcool – anunciou, entregando o copo que separava para Sebastian.
- Lugar errado para pedir isso, coração – falou – Mas deve ter alguma água na geladeira.
- Eu passei por uma dessa agora pouco, também preciso disso – Jeremy se manifestou – Alguém mais?
- Eu – Johansson se prontificou, se juntando aos dois para procurar alguma coisa que não tivesse gosto de caipirinha.
- Mônica – sussurrou no ouvido de Sebastian, fazendo ele tirar a atenção do trio que se afastava e se voltar para ela.
- Que? – perguntou confuso.
- Se ele é meu Chandler, ela é sua Mônica – a estilista falou com obviedade, fazendo Stan rir.
- Eu sou o Joey mesmo, até que faz sentido – ele deu de ombros, fazendo uma careta ao receber um tapa, que nem foi tão doído assim, no ombro.
- Foca, Tan. Você é meu Joey, mas dela? Só vocês não perceberam ainda que são Mônica e Chandler da nova década.
Ele até ia fazer uma piada com esse comentário, mas reparou que por mais que a amiga estivesse sorrindo, tinha um brilho diferente nos olhos dela.
- Você está okay? – Sebastian perguntou, encaixando a mão na linha do maxilar dela, passando o polegar com leveza pela maçã do rosto da mulher.
- Não se preocupa – murmurou sorrindo, deixando o sorriso se espalhar mais quando ele depositou um beijo na testa dela e a abraçou.
, que assistia a cena de longe, sentiu um pequeno peso apertado no estômago, se sentindo um pouco incomodada com essa sensação, que foi engolida com ajuda do gole da champanhe recém adquirida.
- , o Hems está reclamando que ainda não te desejou parabéns – Scarlett contou assim que chegou perto novamente da mulher.
- Desde que vocês chegaram, eu não falei com quase ninguém mais. Eu já volto! – ela falou com uma animação que só o álcool proporciona para as pessoas.
E assim foi. De tempo em tempo, em meio a conversa, era possível ver em alguma roda de conversa, ou andando de um lado para o outro, as vezes ela voltava para o pequeno grupo só paga pegar a bebida de alguém e logo se afastava. Depois de um tempo, Jeremy comentou que ela havia sumido, mas ninguém deu muito ouvidos, já que muito provavelmente ela teria encontrado outra mina de bebidas e estava por lá. Só que na hora do parabéns, esse comentário de Renner se tornou mais palpável.
- Quem some da própria festa de aniversário? – Scarlett falou revoltada, mais para si mesma do que para alguém, andando de um lado para o outro da sala.
Depois do fiasco do parabéns, os convidados foram se dispersando aos poucos, e naquele momento só restava ali Sebastian e , Jeremy e Scarlett.
- Talvez ela não goste da ideia de envelhecer – murmurou baixinho, ainda assim recebendo três olhares acusadores sobre si, a fazendo se encolher e baixar a cabeça. Okay, não era hora para brincadeiras – Não existe a possibilidade dela ter tido vontade de passar um tempo sozinha e resolver fazer isso no meio da festa?
Os três olharam-se entre si, e tiveram que aceitar aquilo era a cara de .
- Acho que o melhor que temos a fazer é voltarmos para casa e esperar que ela nos mande uma mensagem, ou ligue – Renner sugeriu, ouvindo a concordância de Stan.
- Eu vou ficar aqui – Scarlett falou – Se ela aparecer, eu aviso vocês.
Com isso, os atores e a jornalista seguiram para os carros, e depois de se despedirem adequadamente, cada um para sua casa.
- Bast, notícia ruim chega rápido, não se preocupa, ela está bem – falou sentada na cama, olhando o homem vestir uma roupa para dormir, com um olhar meio distante.
- Só estou preocupado se o nível da burrada vai superar o recorde – ele disse, se juntando a ela na cama, apagando o abajur e se ajeitando no abraço-conchinha para dormir.
- Alguma ideia de onde ela pode ter ido? – perguntou se aninhando mais nos braços do romeno.
Ele não respondeu nada, mas ela sentiu a negação leve que ele fez com a cabeça, então eles caíram em um breve silêncio, que logo foi quebrado pela ruiva.
- Sabe, por mais que a doida tenha fugido da própria festa – ela começou, rindo quando o rapaz deu um aperto em sua cintura como forma de repreensão, a fazendo se virar para ele com um pequeno sorriso nos lábios – Eu gostei dela. Entendo por que ela é tão importante pra você.
O sorriso que ele abriu pode não ter sido enxergue pela falta de iluminação do ambiente, mas ela reconheceria aquele brilho nos olhos dele há qualquer distância.
- Eu já agradeci por você existir na minha vida hoje? – ele perguntou, a puxando mais para perto.
- Sim, e foi de um jeito nada ortodoxo – ela sussurrou, cruzando as pernas com as dele, e envolvendo a cintura do homem.
- Ora, estamos falando sobre isso então? – perguntou risonho, sentindo ela depositar um fraco beliscão em sua costela.
- Dorme, Bast.
E assim ele caiu no sono, com o rosto perdido em meios a bagunça cor de fogo, que tinha um delicioso cheiro de uva-verde.

Continua...



Nota da autora: Comecei com as notíneas, agora me aguentem...
Gente, primeiro de tudo, eu gostaria de agradecer a quem está acompanhando SY, e a quem chegou agora (SEJA BEM VINDA!!!)
Eu sempre gostei de escrever, tipo, vejo uma folha de papel jogada no asfalto e já faço uma novela inteira só com isso, então pensei (aka a Bruna quase me deu uma paulada na cabeça) "Se eu postar, o pior que pode acontecer é ninguém ler, certo?", E VOCÊS ESTÃO LENDO, E EU QUERO GUARDAR CADA UMA DE VOCÊS EM UM POTINHO POR ISSO!!!!!
Sério, vocês não tem noção do calorzinho que da no coração ao ler esses comentários S2 !!!
MAS... Eu vim aqui para dar um aviso importante: Sebastian Stan é gostoso pra C*****o!!!
Mentira, não é isso que eu vim falar (mas ele ainda é gostoso). Estou aqui para avisar que a é uma personagem da Bruna que vocês vão conhecer em breve (aquela carinha por fazer vocês ficarem ansiosas para mais uma maravilha da Bru), mas que por enquanto ela vai aparecer um bocado por aqui, e irá nos representar bastante.
ENTÃO, vamos aproveitar um pouco da em SY, e pensar bastante "Por que não sou ela!?!?!"
É isso! Beijocas no ar, pra quem quiser pegar, e até a próxima att!

Nota da beta: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA nem acredito que a tá finalmente existindo na fic de alguém (o breve é um breve pro ano que vem, pelo amor de deus, não me deem mais trabalho). Olha essa Fernanda já entregando meus planos! hahahahhaa... BTW, parabéns por representar tão bem o espírito desse ser que até eu, que criei, quero ser, PORQUE ELA É ALL THE GOALS!




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