Última atualização: 27/01/2019

Capítulo 12

- Brasil? – perguntou animada, se virando na cadeira e acabando por dificultar um pouco o trabalho do homem em pentear os cabelos da menina
- Sim, você gosta de lá, certo? – ela acenou empolgada enquanto deixava ser virada para o espelho novamente.
- O que aconteceu lá?



Maio de 2014
Três semanas. Para muitas pessoas esses quinze dias não tem nada demais. Na maioria das vezes, esses quinze dias passam de maneira tão despercebida, que as pessoas nem reparam que um mês acabou e o próximo já teve início, só se dão conta dessa troca quando seus salários caem em suas contas bancárias.
Não foi exatamente assim para e Sebastian esses quinze dias.
Para eles esse tempo foi longo. Parecia estar passando se arrastando, e já no terceiro dia, Sebastian começou a se perguntar se conseguiria se acostumar a viver com aquele sufoco que lhe apertava o peito e impedia que o oxigênio entrasse com regularidade em seus pulmões e saísse como deveria sair por sua boca com muito mais dificuldade que o normal desde aquela maldita sexta-feira que ele viu sair de sua casa com a mesma expressão que ele via quando se olhava no espelho. Só que a dela era de ressentimento, já a dele, era de desespero.
Desespero porque por mais que ele soubesse que tinha que se focar nos assuntos das reuniões, e que ela muito provavelmente estivesse atolada em trabalho, mesmo assim, ele não conseguia tirar os olhos do celular na esperança de que talvez, só talvez, ela respondesse suas mensagens, ou talvez atendesse seus telefonemos. Sebastian não precisava de muito, ele estava aceitando até ser xingado em português e espanhol junto com o inglês, estava até disposto a incrementar esse vocabulário com alguns xingamentos em romeno se ela quisesse. Ele só tinha que ouvir a voz dela.
Por outro lado, o impasse ali poderia até ser maior e nunca mais querer olhar na cara do ator. Ashley já havia ido embora, olhar para a grande causadora do problema já não era mais um perigo. Fingir que Stan também tinha ido embora para sempre também poderia ser uma opção, seu lado infantil e birrento até que gostava dela. O problema era que o restante de sua personalidade implorava para ter Sebastian por perto, mesmo ela sabendo que aquilo não seria possível já que ele não estava em Nova York. Ela queria ele de volta, ela queria responder suas mensagens, ela queria atender aos telefonemas, ela precisava ouvir a voz dele, mas um sentimento cinquenta por cento racional e a outra metade irracional, tomou conta de seu ser assim que a esclarecedora – ou feita para confundir ainda mais – conversa com teve fim: Vergonha.
simplesmente não sabia como responder Sebastian.
Ela sabia que a atitude dela havia sido exagerada – talvez não com Ashley, embora tudo o que ela não explodiu com a mulher, deixou para explodir com Stan. Tinha completa consciência de que o romeno não devia explicação nenhuma a ela, e talvez, só talvez, isso tenha se dado depois de uma não tão breve conversa com Breno sobre esse assunto.
- Sabe o que mais me irrita? – o ruivo perguntou por volta da segunda semana da situação – Você sempre gritar aos quatro ventos que vocês dois são só amigos, mas quando uma das suas amigas fica com o cara, tu arma um escarcéu desse! Juro que pensava que tu fosse mais mente aberta, Bloom. Nunca imaginei que uma guria liberal e independente como você seguisse essa política idiota de “Não fique com ele porque por mais que sejamos amigas, eu tenho uma queda por el...
- Eu também achava que ela era minha amiga – murmurou, abraçando os próprios joelhos enquanto se encolhia no canto do sofá que ficava desnecessariamente espaçoso sem o tão rotineiro corpo de um certo ator romeno roubando todo o espaço para si. O tom de voz da garota fez o irmão parar de falar e focar nos olhos tristes dela. Ele só queria poder lagar toda a responsabilidade de ter que administrar o escritório e terminar os projetos pelo qual estava sendo responsável e poder pegar o primeiro voo para Nova York. Sua irmãzinha só precisava de um abraço e ouvir que era amada. Independentemente do que Ashley fez ou não – Ela disse que eu não merecia o que tenho... E se for verdade, Bre? – ela perguntou com o cenho profundamente franzido – Quer dizer, eu estou afastando o Sebastian de mim como faço com todo mundo, eu 'to deixando ele desistir de mim, simplesmente porque eu sei que fui infantil em ter deixado ele viajar, sem nem ouvir o que ele tinha para dizer, e agora eu não faço ideia se tenho alguma moral para pedir desculpa!
Ali, naquele momento, Breno percebeu que a coisa era realmente séria quando ele viu grossas e pesadas lágrimas escorrendo pelo rosto da irmã, e ela nem parecia notar.
- Bloom, não fala isso, você sabe que ele ‘ta igual louco ligando pra você. Eu continuo achando que você exagerou com ele, mas ele também deu um vacilo nessa história. Só que vocês nunca vão se acertar se você ficar colocando essas coisas na cabeça e nunca mais falar com ele.
- Você diz as mesmas coisas que a ... Só que com palavras bem menos afiadas – brincou, passando a mão esquerda pelas bochechas para secar as lágrimas.
Breno tinha certeza que o fato dela estar usando aqueles óculos vinte e quatro horas por dia, não tinha relação nenhuma com possíveis dores de cabeça que o baixo grau de problema de vista poderia causar, ela só tinha aquele costume desde de pequena de achar que os óculos podiam esconder os vestígios do choro.
- Eu ouvi uma coisa parecida com isso mais cedo.
Aquela simples frase foi o suficiente para que todo o corpo da ruiva se tencionasse.
Diferente de , a paciência de Breno tinha um prazo consideravelmente grande de validade, e sabendo disso, Stan o estava usando como fonte de informação já que a mais nova estava, aparentemente, testando quantos dias ele suportaria ficar em outro continente sem sair correndo para o aeroporto e ir parar no meio da sala dela só para se certificar que ela estava bem.
- Como ele está? – perguntou quase num sussurro, a voz rouca não ajudando muito na possível compressão do ouvinte.
Breno por sua vez, deixou os ombros caírem e respirou fundo antes de finalmente passar aquela informação para a irmã.
Antes mesmo daquela confusão toda, os dois haviam se tornado bons amigos, e não era estranha a troca de mensagens de vez em quando ou até mesmo ligações, que na maioria das vezes resultava em Sebastian e Biel em alguma conversa animada sobre Star Wars. Breno estava preocupado com a irmã, mas não era exclusividade, já que Stan parecia estar levando a sério a história de ser culpado pela situação por mais que ninguém tenha verbalizado isso com essas palavras, e parecia estar até mais desesperado que a brasileira. Breno se sentia realmente mal por ver aquilo, primeiro por saber que a irmã estava passando pelo mesmo, segundo porque ele quase se sentia responsável por aqueles dois.
- Igual a você... Ou pior – acabou assumindo depois de alguns segundos, assistindo desviar o olhar para qualquer ponto da sala que não fosse a tela do notebook – Isso não vai se resolver assim, maninha. Não é como se eu e o Anthony pudéssemos resolver por vocês... Fala com ele.
Falar com ele.
se sentia extremamente ridícula e idiota por dois simples motivos: falar com Sebastian não deveria ser um desafio tão grande, ela costumava fazer isso o tempo todo sem nem pensar e seus atos, e agora parecia que Stan era a pessoa mais inalcançável do planeta. E esse era o segundo motivo, ela tornou Sebastian inalcançável. Tudo bem que a situação inicial não era culpa dela, e ela ter se sentido traída antes mesmo de saber os motivos idiotas de Ashley não tinha nada a ver com a bola de neve que aquilo se tornou, mas a última vez que ficara tanto tempo sem falar com Sebastian era quando ainda nem o conhecia. Aquilo não podia mais ficar daquele jeito.
Se aproveitando de uma informação que Mackie deixara escapar sobre a data de retorno do romeno enquanto eles tomavam café depois do expediente da jornalista, decidiu que quinze dias era tempo de mais para ficar sem Sebastian.
Em um momento de coragem, ela pegou o celular, e quando ia clicar no contato do homem, ascendeu a tela de seu notebook em uma chamada sendo recebida pelo Skype. Respirando fundo, largou o celular e se sentou no chão, encostando as costas no sofá e deixando o aparelho na mesa de centro ela atendeu.
Por poucos segundos, Sebastian chegou a imaginar que tinha ligado para o contato errado, já que aquele em particular não o atendia há um bom tempo, mas aquela confusão de vermelho que a brasileira havia se tornado logo chamou mais sua atenção, os olhos que há tanto vinham o torturando mostrando que sua imaginação não chegava nem perto da realidade. O brilho dourado que ele tanto adorava havia se extinguido, deixando para trás somente um castanho opaco para trás. Deus, aquilo deveria machucar daquele jeito mesmo?
- Você está horrível – foi a primeira coisa que ele ouviu sair da boca da mulher. Provavelmente ela tinha intenção de falar aquilo num tom de brincadeira, mas a única coisa que o possibilitou de descobrir isso foi um micro sorriso que apareceu no canto de sua boca.
- É, parece que eu não sou o único.
E depois dessa frase, eles enfrentaram um vilão que nunca encararam antes: o silêncio.
Eles nunca passaram por momentos assim, até porque nunca correram esse perigo, os assuntos simplesmente vinham e não tinha esforço nenhum. Aquilo era novo demais, assim como aquele aperto incômodo no fundo da garganta de ambos por eles quererem falar alguma coisa mas não encontrar nada para falar.
Aquilo sequer deveria fazer sentido?
- Você está em NY? – perguntou só por desencargo de consciência já que conhecia aquela decoração atrás do homem tão bem quanto da própria casa. Ao ver o homem assentir, ela mordeu o interior da bochecha, formando levemente o biquinho que fez Sebastian se desconcentrar por alguns poucos segundos antes dela respirar fundo e dar o passo que acreditava ser o certo, por mais que entendesse perfeitamente se o romeno não quisesse, ele já havia feito muito insistindo em não desistir, era a vez dela de lutar por aquela amizade – Você pode vir aqui? – a pergunta saiu mais em um tom de súplica do que ela pretendia, mas pareceu surgir efeito já que Stan inspirou profundamente o ar ao seu redor e seus traços passaram por uma séria mudança de traços.
- Chego ai em meia hora? – Aquilo com toda certeza era para ser uma afirmação, mas a insegurança dele era grande. De um dia para o outro ela resolve voltar a atende-lo, achou que se ver pessoalmente seria mais uma etapa a ser construída.
Ele não esperou ela falar nada, a última coisa que queria era que a mulher mudasse de ideia, e ele não tinha exatamente certeza se suportaria ficar nem que fosse mais uma hora longe dela, então assim que ela assentiu, ele encerrou a chamada, colocou as chaves dentro do bolso e seguiu para a garagem o mais rápido possível.
Desde aquela conversa com , a cabeça de Sebastian não parava de trabalhar em teorias sobre ele e , e incrivelmente – ou não – o resultado que encontrava era sempre o mesmo. Já as questões que surgiram com essa reposta eram um pouco mais complicadas de se encontrar. Stan assumindo ou não, isso já estava claro desde muito antes de mostrar para ele, estava muito mais que óbvio, mas existia uma força interior que o impedia de pensar nisso por mais de dois segundos. Quando aceitamos uma situação ela se torna ainda mais real, certo? E se para ela não fosse assim? E se ela realmente visse ele apenas como um amigo? Ele não deveria ter enfrentado esse tipo de questionamento quando tinha uns dezessete anos?.
Balançando a cabeça levemente para afastar esses pensamentos, Sebastian parou na frente da porta do apartamento da mulher. O porteiro nem olhou duas vezes quando ele passou pela portaria do edifício, muito provavelmente achava que o rapaz só tinha ficado sem aparecer por ali todos aqueles dias por causa de alguma viagem. O que não deixava de ser verdade. O romeno podia ouvir seu coração batendo em sus ouvidos, de repente um medo absurdo de não ser atendido novamente invadiu cada poro do seu corpo. Com uma hesitação que ele julgava como ridícula, levantou a mão até a campainha, e, antes mesmo de encostar o dedo no pequeno botão, a porta se abriu.
Fazia uns bons dois minutos que estava parada encarando a porta. Ela ouviu quando ele chegou, e teve a sensação que seu coração literalmente poderia sair pela boca por ele não abrir a porta. Ele tinha a chave, não tinha? E a campainha? Por que ele não a apertava? Será que ele havia ido embora? Com um medo maior que pensou que poderia sentir em toda sua vida, abriu e porta e deu de cara com o equivalente a uma estátua parada em seu hall de entrada.
Por cerca de três segundos eles não fizeram nada além de se encararem. Chegava a ser assustador como, se não fosse pela variação de cor, parecia que seus olhos refletiam em um espelho. E ao constatarem isso, o ar preso em seus pulmões parecerem escapar como se alguém tivesse furado uma bexiga.
Eles só queriam se abraçar. E foi isso que fizeram.
Pode ser que eles ficaram horas ou apenas segundos colados um ao outro, Sebastian não saberia dizer. Tampouco saberia dizer como eles chegaram ao meio da sala, ou a porta tinha se fechado, ele realmente não se importava com isso. Ela estava ali. Nos braços dele.
Eles estavam ali.
- Me desculpa.
Stan realmente não pretendia desfazer aquele abraço tão cedo, nem tirar o rosto dela de seu pescoço, o que fazia ele se arrepiar já que a respiração dela batia contra sua pele com regularidade. Mas ouvir a voz dela fazendo o mesmo pedido que ele ao mesmo tempo que ele disse o fez recuar um passo, segurando o rosto dela entre suas mãos com o cenho levemente franzido.
- A , o Breno... Até o Anthony – ela falou o nome do último com uma pequena bufada e um sorriso mínimo brincando em seus lábios, não permitindo que o ator fizesse qualquer pergunta – Eles tem razão. Eu não tenho que te cobrar nada. Se a gente ‘tá assim agora é por culpa minha. Você é só meu amigo, não tem que me explicar nada, e eu exagerei. Me desculpa.
Naquele momento Sebastian se lembrou o porquê de nunca se permitir em pensar em idiotices como aquela por mais de dois segundos. É óbvio que eles eram só amigos, por que aquela afirmação deveria causar dor? Sempre fora assim, por que seria diferente agora?
- Ela é sua amiga, você est...
- Na verdade, ela me odiava – o cortou antes que ele falasse mais alguma coisa – Ela fez isso exatamente para nos afastar, e eu cai, eu te afastei, porque ela sabia que eu não ia suportar a ideia de ver você...
Sebastian esperou que ela terminasse de falar, mas a interrupção repentina deu início a um longo e incômodo silêncio.
- O que ela te disse? – perguntou depois de algum tempo, percebendo que se não falasse nada, eles ficariam de pé naquela sala pelo resto da vida útil deles.
- Você já conhece a história – ela murmurou, se jogando de qualquer jeito no sofá, indicando para ele fazer o mesmo. Era óbvio que ele já sabia o que tinha acontecido, ou a pergunta seria diferente.
- Quero ouvir da sua boca – ele falou no mesmo tom, se sentando de frente para ela, segurando as mãos da mulher nas suas.
- Ela disse que eu não merecia o que eu tinha, por isso estava pegando pra ela o que ainda não era meu – sussurrou sem olha-lo – Ela disse que saberia aproveitar melhor.
O instinto falou mais alto que tudo, e antes que Stan pudesse se perguntar se aquilo era adequado ou não naquela situação, ele a puxou para si, passando os braços pelos ombros dela e pousando o queixo no topo da cabeça da ruiva, fazendo um leve carinho nos cabelos dela com uma das mãos. Ignorando o fato de que ele deveria estar além dos limites da raiva por ela ter ignorado ele todos aqueles dias, afundou o rosto contra o peito do homem e envolveu a cintura dele com os braços, e se permitiu ficar ali, no lugar mais seguro do mundo.
- Nós só recebemos o que merecemos, , se você tem, é porque fez por merecer. Nunca pense o contrário.
- Mas eu quase te perdi.
- Não chegou nem perto – ele bufou e depositou um beijo na testa dela antes de se afastar o suficiente para olha-la nos olhos – , eu ‘to aqui, e não saio nem se você pedir por isso.
sorriu junto com o homem ao reconhecer aquelas palavras tão parecidas mas tão diferentes da promessa que ela fizera a ele meses atrás. A dele era bem mais profunda, muito mais concreta. Ela merecia?


Os dias se passaram, e para quem não era muito próximo da dupla, poderia jurar que não tinha nada de errado com eles, mas Anthony era quase um órgão vital naquela relação, então não demorou muito para perceber o incômodo de Sebastian e praticamente o rebocar para algum lugar que tinha zero por cento de chances de aparecer, para interroga-lo antes que as coisas desandassem ainda mais.
- Eu tenho ótimos métodos de tortura, então pode abrir o bico antes que eu seja obrigado a chegar perto dos meus instrumentos – Mackie finalizou sua explicação de porquê ter levado o amigo em um bar no Queens para conversarem, mostrando convenientemente a tela do celular do romeno desbloqueada, aberta no contato da estilista.
- Ela já sabe o que está acontecendo, inclusive me deu uma ideia para colocar tudo nos eixos – Sebastian cantou vitória, puxando o celular para si, se perguntando em que momento o moreno havia o pego.
- Como assim a , que está do outro lado do país sabe, e eu, que estou aqui do seu lado não sabe e nada? – Anthony pergunto revoltado.
- Porque você usa ela como forma de ameaça, e ela é a real ameaça – Stan explicou, franzindo o cenho ao ouvir sua própria explicação, que em sua cabeça fazia tanta lógica, mas verbalmente ficou bem confusa.
No entanto, Mackie pareceu entender bem, e só se ajeitou em sua cadeira, esperando o romeno começar a falar.
Suspirando alto, Sebastian largou a garrafinha de cerveja de lado antes de começar a falar. deu a ideia, Breno iria ajudar, era contar para Anthony e pedir aos céus que ele deixasse a língua bem presa dentro da boca.
- A está... Distante – sua voz saiu mais pesarosa do que ele pretendia, e isso pareceu chamar ainda mais atenção do moreno à sua frente. Para quem levava aquela profissão, Sebastian sabia ser transparente demais para o próprio bem dele – Quando a gente está junto, ela até age normal, mas tem vezes que se eu não quebro o silêncio é bem capaz da gente morrer sufocado naquele ar tenso que se forma ao nosso redor. O mais perto que ela chega de mim dá um braço de distância... O Chris chamava ela de “chaveirinho do Seb” e agora ela não quer ficar perto de mim – ele passou a língua pelos lábios e tomou um gole de cerveja.
- Você tem que ver que não faz nem duas semanas direito que vocês se acertaram – Mackie apontou – Daqui uns dias vocês voltam ao normal.
- Ela acha que a Ashley está certa – o romeno contou, fazendo o amigo franzir o cenho por não entender o que ele estava querendo dizer – Ela acha que não merece me ter por perto. Ela sempre teve esse problema de confiança, é uma coisa dela mesmo... Pode ver, vocês começaram a conversar praticamente na mesma época que nós nos conhecemos, e ainda assim, ela não se abre para você como se abre para a , por exemplo, e mesmo com a , não é igual comigo, e comigo não é igual como com o Breno. Ela tem um grupo pequeno de pessoas ao redor dela, e ela acredita nessas pessoas cegamente, se uma dessas pessoas a machuca de alguma forma, ela não culpa essa pessoa, ela culpa a si mesma. A está achando que a Ashley tinha razão quando disse que ela não merecia o que tem. Então ela viu como eu fiquei por causa de todo aquele silêncio, e agora ela acha que a melhor forma de não me machucar é se mantendo distante.
- Ela te disse tudo isso? – Anthony questionou, meio surpreso com aquelas afirmações.
- Não, mas eu sei – dessa vez a reação de Mackie foi levantar uma sobrancelha e encarar o amigo com a expressão mais cética que conseguiu fazer, vendo o outro revirar os olhos e se aprumar na cadeira – Quando eu falei sobre a pela primeira vez, ela teve uma reação um tanto... Inusitada...
- Isso porque você foi babaca e deixou pra falar sobre ela só na semana da festa – Mackie o interrompeu, sorrindo de lado ao ver o rosto do homem adotar uma leve coloração.
- Não é isso, idiota. Ela veio com um papo... Sobre se afastar de mim... Ela estava visivelmente chateada comigo, eu era completamente culpado, até porque a é uma grande amiga e eu ainda não entendo direito por quê demorei tanto para falar sobre ela, e mesmo assim, a veio me dizendo isso, que se eu tivesse que me afastar de alguém, deveria ser dela, porque ela não queria ocupar o lugar de ninguém na minha vida.
- Isso é um complexo dos pesados – Mackie murmurou, vendo o amigo assentir.
- Eu conversei com o Breno sobre isso... Ele disse que ela sempre foi assim. Ele disse que desde que se lembra, a sempre esteve perto dele, ela nunca fazia muitas amizades e depois de um tempo ela começou a impedir que os outros se aproximassem.
- Talvez ele só esteja usando o velho exagero de irmão super protetor, você sabe que eles são extremamente colados e tal.
- É isso que eu quero dizer! – Stan apontou – Ela tem vinte e seis anos e só tem eu e o Breno por perto!
- Me sinto usado – o moreno brincou rindo, realmente não entendendo onde o romeno pretendia chegar. era linda e muito simpática, conversava com todos e Mackie nunca reparou nada de mais no comportamento dela, a não ser o vício infinito por filmes e séries.
- Mackie, quando foi que ela reclamou sobre algo com você... Uma dor de cabeça que seja? – um sorriso que não chegou aos olhos azuis brotou na face do ator ao perceber a expressão do amigo tomar um pouco de luz sobre o assunto – Entendeu o que estou querendo dizer?
- Ela se fecha para si mesma – falou devagar – Quase como se colocasse os outros à frente dela.
- O convívio diário é normal, mas ela não deixa ninguém saber sobre ela realmente, a não ser que a pessoa pareça se aproximar como quem não quer nada. O Breno disse que quando ela era mais nova até frequentou psicólogos por isso, mas como a deixava desconfortável e não estava afetando a vida dela, eles resolveram deixar pra lá.
- Você usou o irmão da garota para stalkear a vida dela? – Anthony perguntou risonho – Tem tanta moral assim com o cunhadinho? Ele passa as informações assim, sem mais nem menos?
- Ele está preocupado com a irmã – Sebastian resmungou, olhando para qualquer canto enquanto finalizava a cerveja.
O queixo de Anthony provavelmente atingiria o núcleo terrestre se o chão não estivesse ali para impedir, mas nada podia impedir o sorriso quase maldoso que crescia gradativamente em seu rosto ao constatar o que seu cérebro inicialmente não se permitiu processar:
- Você aceitou! – falou uns três quartos mais alto que o normal, espalmando as mãos sobre a mesa sem cerimônia alguma, chamando a atenção do barman por dois segundos antes do velho homem voltar sua atenção aos copos que enxugava.
- Aceitei o que? – Sebastian perguntou mais perdido do que quando fez um pequeno tour por algumas áreas da NASA com os produtores do filme que começaria a gravar em breve.
- Que é apaixonado por ela! Ou pelo menos que está apaixonado por ela, e isso já é um grande começo – contou, se ajeitando na cadeira, vendo o outro o mesmo de maneira desconfortável.
- De onde tirou isso, Anthony? Não bebemos nem uma cerveja ainda...
- Ué! O que aconteceu com a resposta instantânea?
- Para de falar idiotices...
- Sebastian! A é uma mulher linda, te adora, não é nenhum crime ser apaixonado por ela...
- Me adora. Como amigo – Stan o cortou antes que o moreno falasse mais algumas coisa que ele já sabia – Fim do assunto.
O que aconteceu a seguir foi uma coisa meio inusitada. Anthony Mackie ficou encarando Sebastian Stan completamente calado, com uma grande expressão de nada.
Stan quase agradeceu pelo momento de silêncio, se o fato seguinte não o fizesse revirar os olhos e esperar que a crise de riso do amigo passar.
- Vo... Você... Eu nã... – Anthony tentava, inutilmente, falar em meio a risada, e foi necessário algum tempo e um grande gole de cerveja para que o ar voltasse a circular livremente por seu pulmão para que ele conseguisse olhar para o romeno sem ter outro ataque – Eu não acredito que o maior galinha que eu conheço foi colocado na friend zone! – falou, voltando a rir, só para parar e voltar a fazer de novo – EU VENERO A !
- Eu não sou galinha! – Sebastian reclamou.
- Ah, claro que é! Eu ainda não saquei seu segredo de como ter uma a cada dois dias e nem a galera do Instagram não duvidar de nada, mas é galinha sim! – Mackie retrucou. Seu tom era sério mas o sorriso não deslocava nem um centímetro no rosto.
- Você e a exageram tanto que às vezes até eu acredito que pego esse monte de mulher mesmo.
- Ele é modesto! – Mackie falou em um biquinho, levantando a mão para apertar a bochecha do amigo, levando um tapa nesse processo – Já passou pela sua cabecinha que ela também gosta de você? E que você pode ter sido o mais chorão nesses dias que passou, mas que ela também ficou muito deprimida com tudo o que aconteceu? – ele fez uma pequena pausa, até porque aquelas perguntas não eram retóricas e ele esperava por pelo menos uma resposta, mas como o romeno não disse nada, ele encostou os cotovelos na mesa e se inclinou na direção do homem, tomando uma pose mais séria e um tom mas baixo de voz – Você acha mesmo que quem só te vê como amigo ficaria daquele jeito?
- Ela tem uma visão diferente de nós nesse assunto – Stan murmurou, tão na defensiva que fez que Anthony se questionar quem ele realmente estava defendendo ali.
- Seb, ela não é sua mãe, você não é seu pai, não tem nada a…
- A questão não é essa! – Sebastian o interrompeu, mas o moreno não se abalou com isso.
Sebastian podia gritar aos quatro ventos o quanto quisesse, mas quem realmente o conhecia, sabia muito bem que aquela história sobre o pai dele ter abandonado ele e a mãe quando ele ainda era pequeno o afetava mais do que ele assumia.
- É sim, e você sabe que é – o moreno continuou – Mas ninguém é igual a ninguém, e sua própria mãe é prova disso! Ela se casou de novo e…
- Agora ele não se lembra de nenhum de nós dois…
- Na maior parte do tempo – Mackie retrucou – E ele se esforça para ficar lúcido, mas não é como se ele conseguisse controlar isso, e você sabe. Alzheimer não é brincadeira.
- Eu não estou culpando ele – Stan muxoxou, se sentindo culpado por ter soltado aquele tipo de comentário – Eu não estou culpando ninguém… Eu só acho que tenho que voltar a me colocar no meu lugar… Funcionou esse tempo todo, por que não pode funcionar agora?
- Porque você resolveu abrir os olhos – Anthony respondeu à pergunta, que supostamente deveria ser retórica – E um cego não quer voltar para o escuro depois que enxerga a luz.


nem se preocupou em tirar os tênis, ou tirar a bolsa das costas antes de se jogar no sofá e ficar ali, imóvel, agradecendo à todos os seres celestiais que vinham à sua cabeça por finalmente ter recebido suas férias.
Ela tinha muitos planos para aquele período, a maioria deles envolvia aquele delicioso e confortável sofá, Netflix, e se Sebastian aceitasse, os dois morgados dentro daquele apartamento, provando à comunidade científica que os seres humanos têm tanta capacidade de hibernar quanto os ursos. Mas aparentemente, o romeno também tinha planos para aqueles dias, porque exatos cinco minutos depois que a mulher chegou em casa, seu celular vibrou, ainda no bolso de trás da calça jeans, anunciando a chegada de uma nova mensagem.
Sebastian: Preciso que você venha aqui.
leu somente com um dos olhos aberto. O dia na redação nem foi tão puxado, mas parecia que seu corpo sentia que aquele seria o último em um longo período, e isso fazia com que a garota se permitisse sentir todo o cansaço que estava se privando nos últimos meses.
: Pra que?
Digitou com apenas uma mão, tentando ao máximo se mexer o mínimo possível. Ela já podia sentir o sono tão precioso tomando conta de seu corpo, dormir por umas quinze horas era uma ideia que lhe agradava bastante.
Sebastian: Transar.
Aquela pequena palavra fez com que ela se ajeitasse rápido até demais no sofá. Ele não estava falando sério. Estava?
Sebastian: , é sério, vem logo, vamos chegar atrasados.
Ah! Mas vai no seu quarto antes de sair, você vai precisar do que está em cima da cama.
Ele sabia que aquilo atiçaria a curiosidade dela, e por um momento ela esqueceu a pequena confusão que a segunda mensagem do ator lhe causou, e caminhou até o quarto, encontrando sua grande mala de viagem em cima da cama, e em cima da mala, seu passaporte.
: Você sabia que invasão de domicílio é crime?
Sebastian: Não é invasão quando se tem a chave...
riu levemente com aquela mensagem, quase podia ver o sorriso sapeca escapando no canto dos lábios dele. Céus, como ela se mantinha indiferente àquilo era uma resposta que até ela gostaria de saber.
: Eu só queria aproveitar minha recém adquirida férias, é pedir muito? :/
A ruiva mandou com uma foto do trânsito de Nova York visível pela janela do táxi. A pós-graduação dela terminaria em poucos meses e o próximo passo era ir atrás da licença para dirigir. Seu orçamento já não suportava mais essa coisa de pagar táxi quando queria chegar rápido à algum lugar.
Sebastian: Fala pro taxista que se ele chegar aqui em vinte minutos, ele recebe o dobro.
: Pretendo passar as minhas férias com vida.
Ele não respondeu mais nada, então resolveu passar seu tempo no Twitter.
Quando o taxista encostou na frente da casa de Sebastian, a brasileira entendeu ainda menos o que estava acontecendo. O Jaguar preto estava saindo da garagem, e Stan só parou quando a viu do outro lado da rua, pegando a mala que o taxista havia tirado do porta-malas.
- Eu chego e você sai? – perguntou atravessando a rua, seguindo para a traseira do carro, onde o ator a esperava para colocar a mala.
- Nós saímos, estamos atrasados... Como sempre – ele corrigiu, dando um beijo rápido na bochecha da mulher, antes de voltar para o carro, tendo que buzinar uma vez para chamar a atenção da mulher que ficou parada do lado do carro, encarando o automóvel com um grande ponto de interrogação estampado na cara.
- ! – ele a chamou, e só depois disso, ela desprendeu os pés do chão e entrou no carro.
Dez minutos depois, e a garota ainda encarava o homem que tentava fingir que estava completamente concentrado no trânsito, que para os padrões da cidade, estava fluindo muito bem.
- Okay, encarar como se você estivesse criando uma nova cabeça no pescoço não está adiantado, então vamos para o convencional: o que você está aprontando? – perguntou cruzando os braços, se controlando para não agarrar o pescoço do ator e estrangular ele quando ele começou a sorrir.
- Surpresa.
- Hummm... Eu vou te matar... – ela pensou alto, num tom de quem estava pensando sobre assistir Padrinhos Mágicos ou Bob Esponja.
- Não vai não, você não vive mais sem mim – ele disse cheio de si mesmo, fazendo a curva que os levaria ao estacionamento do aeroporto.
Ele esperava uma resposta rápida, como as que estava acostumado a ouvir sempre que soltava um comentário daquele tipo, mas tudo o que recebeu foi o silêncio.
Ele queria a dele de volta. E esperava que aquilo a trouxesse de volta.
- Sebastian, onde vamos? – perguntou impaciente enquanto ele tirava as malas do porta mala e colocava no carrinho do aeroporto.
- As gravações de Perdido em Marte vão começar mês que vem, e como agora é certeza e você está de férias, eu pensei que você gostaria de sair um pouco de NY... – explicou, sem realmente explicar nada, puxando o carrinho, seguindo para o balcão para fazer o check-in.
Talvez a coisa mais inteligente a se fazer, seria ler o destino deles na passagem, mas não era como se Sebastian não soubesse que ela iria tentar algo do gênero, e acabou por tapar os olhos dela com uma das mãos, envolvendo a cabeça dela em um desengonçado abraço de lado, a ouvindo reclamar sobre ele tentar quebrar o pescoço dela.
Ele só a liberou quando estavam próximos à fila de embarque, o que não foi surpresa nenhuma para a jornalista, já que ele estava reclamando desde que se encontraram que estavam atrasados.
- Stan, mas que merda – ela reclamou quando ele finalmente a soltou – Onde vamos?
- Última chamada para o voo 8072, com destino ao Aeroporto Internacional Afonso Pena/ CWB/ Brasil. Passageiros, embarque no portão 8...
já não prestava mais atenção na voz feminina que saia dos megafones espalhados pelo aeroporto, porque ela estava muito ocupada encarando o número colado na parede ao lado da aeromoça. Depois disso, sua atenção foi para Sebastian que estava parado ao lado dela, reprimindo o sorriso sem muito sucesso.
- Você é um idiota! – ela resmungou com a voz embargada, se jogando contra o homem sem nenhum aviso prévio, mas não era como se ele não estivesse esperando por aquilo, então só envolveu a cintura dela o mais forte e carinhoso que pode quando sentiu ela envolver o pescoço dele e enterrar o rosto na curvado pescoço do homem.
Ele estava com saudades de sentir a ponta do nariz dela contra a pele exposta do pescoço dele. Sentiu falta dos dedos dela brincando com seus cabelos da nuca. E nem sabia mais dizer como estava sendo impossível ficar no mesmo espeço que ela e não sentir seus corpos próximos daquele jeito.
- Você vai gostar de sair um pouco de Nova York? – Stan sussurrou, sentindo o corpo dela tremer levemente contra o dele, na risada que saiu abafada.
- Eu não acredito que estamos indo pra Curitiba, desde quando você está planejando isso? – ela perguntou se afastando para vê-lo melhor, e também para se movimentarem, já que a fila estava andando e eles não podiam ficar ali parados.
- Hummm... Meu agente me passou as datas das gravações, e você falou que ia pegar férias – ele contou passando o braço pelos ombros da ruiva, a puxando para perto novamente, não seria uma fila que o privaria daquele contato – Então eu lembrei que o Breno disse que desde que você veio pra cá, nunca mais nem falou sobre ir visita-los. Juntei o útil ao agradável – finalizou dando de ombros, como se tudo aquilo não fosse nada demais.
- Eles sabem?
- Espero que você se lembre do endereço – Sebastian respondeu brincalhão.
A verdade era que Breno sabia que eles estavam indo. Só Breno. Mas seria legal ver a reação da brasileira quando eles chegassem lá e o ruivo mais velho estivesse os esperando.
Já no ar, uns vinte minutos depois do avião abandonar solo americano, se permitiu encostar a cabeça no ombro de Sebastian, sorrindo ao senti-lo recostar o queixo no topo da cabeça dela depois de deixar um beijo ali.
Não importava o que ela dizia para si mesma, Sebastian havia se tornado seu porto seguro há muito tempo, não adiantava mais tentar afasta-lo, de qualquer maneira que fosse, separados, só sairiam os dois machucados.
Os dois só funcionavam bem se estivessem juntos.
Betado por Bruna Kubik


Capítulo 13

- A gente deveria ter dormido – resmungou, apoiando seu corpo contra o de Sebastian enquanto eles esperavam suas malas.
- Se eu soubesse que de qualquer jeito viria parar aqui, teria dormido nos primeiros minutos de Como Se Fosse A Primeira Vez – o ator respondeu no mesmo tom, apoiando o queixo no topo da cabeça da ruiva, se perguntando o quão estranho as pessoas o achariam se ele deitasse naquela rampa para dormir.
- Eu trabalhei ontem o dia inteiro, eu que merecia ter dormido, por que a gente faz essas apostas ridículas? – ela começou num tom de repreensão, mas acabou com um tom baixo e quase choroso. Por que eles não podiam ser pessoas normais que passavam as doze horas do voo de Nova York à Curitiba dormindo e descansando o máximo que era permitido dentro de um avião?
- Temos que parar de apostar coisas idiotas – Stan murmurou, quase cedendo ao sono.
- Tirou as palavras da minha boca.
Depois de finalmente pegar as malas e passar por toda a burocracia de entrar em um país estrangeiro, os dois pararam no meio do aeroporto para contradizer tudo o que disseram com tanta convicção enquanto esperavam as malas: Apostaram que quem perdesse no pedra-papel-tesoura se encarregaria de encontrar um táxi livre e pagaria pela corrida. Óbvio que Stan só estava fazendo isso para ganhar tempo, já que Breno havia mandado uma mensagem avisando que teve um pequeno problema com o despertador mas que já estava procurando uma vaga no estacionamento do aeroporto.
- Não existe melhor de cinco, Stan, o máximo é melhor de três e eu ganhei de dois a um, para de ser ladrão – falou rindo, cruzando os braços e encarando o amigo, que a olhou por cima do ombro por um segundo antes de voltar a encara-la.
- Quer saber? Não vou não, não sei falar português, não sei nem como pede taxi nesse país – fingiu emburrar, sorrindo maroto ao ver a amiga colocar as mãos na cintura travando uma pequena batalha interna sobre o responder ou não. Pelo menos ela voltou a se expressar mais abertamente, o que quase fez Sebastian sair de seu curto personagem e abraça-la, mas uma figura atrás de o fez continuar no mesmo caminho. Aquilo sairia melhor do que ele imaginava.
- E lá existe diferença de como pedir taxi de um país pra outro? – perguntou.
Mas não a .
E sim o .
- Acredite cara, dependendo o lugar que você vai, o estilo nova-iorquino de pedir taxi é quase um crime – o romeno respondeu sorrindo, mais por ver a cara de confusão que fez ao se virar lentamente, mas agarrar o pescoço do ruivo a sua frente com uma velocidade quase sobre-humana, do que qualquer coisa.
Aquela cena o lembrou do primeiro abraço deles, depois do término da divulgação de Soldado Invernal, e a primeira coisa que ele fez foi aparecer na portaria do prédio da redação que ela trabalhava. Uma sensação estranha tomou conta do corpo dele ao pensar que, ao mesmo tempo que aquilo parecia ter acontecido em outra vida, parecia que tinha acontecido no dia anterior. Era a mesma ali, sorridente, radiante. Linda. Ele já tinha assumido para si mesmo que não sabia mais viver sem ela por perto, e com perto ele não estava se referindo apenas a distância física. O problema era que aquilo já havia deixado de ser uma brincadeira há um bom tempo, Stan não saberia dizer exatamente em que momento, mas ele precisava de , de todas as formas possíveis. Só não sabia se era recíproco. Ou se um aeroporto, ao lado do irmão dela, era o melhor lugar do mundo para chegar àquele tipo de conclusão.
- Vocês estão com cara de quem morreu e esqueceram de se jogar na cova – Breno falou mais alto, depois de terminar sua conversa sussurrada com a irmã, que se resumiu em ameaças de morte se ela ficasse mais quase dois anos sem visita-los.
- Culpa do Sebastian.
- Culpa da .
Falaram juntos, recebendo olhares engraçados do ruivo.
- Cara, ela é minha irmã! – Breno resmungou para Stan, fazendo uma cara de choro que não se manteve por muito tempo, logo se misturando com a característica risada de , assim que o romeno adquiriu uma coloração rosada nas bochechas - Bem que você disse, Bloom, é fácil de mais! – o rapaz comentou rindo, se aproximando de Sebastian para abraça-lo com aquele típico abraço masculino de dois tapinhas nas costas – Vamos logo, a mãe já deve estar fazendo café da manhã - ele disse, pegando a mala da irmã e caminhando para a saída do aeroporto.
olhou para Sebastian com o cenho levemente franzido, mas o sorriso não abandonando seu rosto nunca.
- Achei que íamos fazer surpresa - ela falou, envolvendo o antebraço do amigo e olhando para o irmão.
Sebastian puxou levemente o braço para si, de forma que quando a garota soltou a região abaixo de seu cotovelo, ele segurou sua mão e cruzou seus dedos, recebendo um largo sorriso como resposta.
- E vamos – Breno respondeu, fingindo não ter reparado no que havia acabado de acontecer. Sua irmãzinha estava feliz, era o que importava – Nem a Gabi sabe que vocês estão aqui.
- O Biel sabe – Stan interveio, vendo o outro homem concordar com veemência.
- Ele tem futuro em agencias de serviço secreto – comentou sarcásticos, passando um braço pelos ombros da irmã, fazendo o sorriso não caber mais no rosto da jovem jornalista.
Usando a desculpa, que em seu ponto de vista não era desculpa nenhuma, de quem tinha trabalhado a dia anterior inteiro, monopolizou o banco traseiro do Eco Sport do irmão, deixando o amigo responsável pela interação social, enquanto ela dormiu o caminho todo até o edifício onde sua família morava.
- Bloom, acorda – Breno falou dando um peteleco na testa da irmã enquanto Sebastian tirava as malas deles do porta-malas, rindo quando ela murmurou um palavrão em inglês, se encolhendo ainda mais no banco – Eu vou te jogar o resto da água dessa garrafinha – ele pensou em voz alta, sorrindo vitorioso quando ela se sentou emburrada, com os olhos meio abertos meio fechados.
Não tinha nenhuma garrafinha de água nas mãos do rapaz.
- Nossa, Breno, vai tomar no seu cu – ela resmungou com a voz completamente embolada, prendendo a confusão que seu cabelo havia se transformado em um coque frouxo.
- Que boca suja, Lindsey, espero que não esteja mexendo com drogas, a mamãe ficaria decepcionada – ele disse trancando o carro e seguindo para o elevador da garagem.
- Deus, a mãe me ver com essa cara é pedir pra levar sermão sobre seis horas de sono por noite e alimentação saudável! – a ruiva falou de repente desperta de mais encarando seu reflexo do espelho do elevador, dando leves tapinhas nas próprias bochechas.
- Você está desesperada, e eu não sei por que, mas está me desesperando também! Por que você está desesperada? – Sebastian perguntou rapidamente, alternando o olhar entre os dois ruivos. A verdade é que ele estava se sentindo mais nervoso do que achava que se sentiria com aquela situação, e ficar ouvindo os irmãos conversarem em português não estava ajudando em nada.
- Quase um ano de convívio e não ensinou ele nem a distinguir a palavra “mãe” de uma frase? – Breno perguntou, ainda em português, encarando a irmã.
- Até tentei – ela deu de ombros saindo do espaço metálico quando suas portas se abriram no terraço – Mas nós não somos muito bons nisso. O máximo que ele pegou foi Amor e eu Dragoste.
- Dragão? – o rapaz perguntou segurando o riso, vendo a irmã revirar os olhos, mas com um pequeno sorriso querendo lhe escapar pelo canto dos lábios.
- É amor em romeno – a dupla respondeu, ele em inglês, ela em português, mas isso não afetou o resultado, que foi os dois se encarando e rindo.
- Nenhum pouco autoexplicativa essa troca de idioma entre vocês.
Antes que qualquer um dos dois pudessem responder alguma coisa, ja que aquela última frase havia sido dita em inglês, a única porta do pequeno corredor que eles estavam se abriu, revelando uma mulher muito parecida com , só que loira.
- AAAAAAAAAAAAAA... – Adriana colocou as mãos sobre a boca para impedir que o grito continuasse escapando agudo daquele jeito.
- AAAAAAAAAAAAAA! – não era como se a filha partilhasse da mesma preocupação da mãe, então continuou pulando com os braços abertos na frente da mulher, até que a mais velha se acalmou e tirou as mãos da boca para envolver os ombros da filha em um abraço apertado, rindo ao som da gargalhada da filha – Que grito foi esse, mãe? – perguntou rindo, levando um tapinha leve nas costas, o que a fez rir ainda mais.
- O que vocês dois estão fazendo aqui? Como assim, ninguém me avisou nada!? – a mais velha desatou a falar, soltando a filha para abraçar Sebastian, que acabou rindo do jeito afobado da mulher. Pelas chamadas de Skype ela não parecia ser tão afobada daquele jeito. Mas também tinha que somar o fato de eles estarem ali fisicamente, e não apenas pela tela de um computador ou celular. Ele com certeza não a julgaria pelo desespero – Sebastião! Quem bom que você veio!
- Mãe! Você chamou o Bast de Sebastião! Eu amo essa família! – falou alto, rindo e abraçando a mãe por trás, recebendo a língua do ator como resposta.
Ele tinha que fazer alguma gracinha, certo? Tinha certeza que ela nem havia reparado que tinha parado de chama-lo por aquele apelido, e nem tinha percebido que havia soltado aquela palavrinha tão corriqueira em seu vocabulário. Deus, como era bom ver aquele sorriso fácil no rosto dela novamente!
- Eu chamei? O meu Deus! Desculpa, meu querido! – Adriana falou quase desesperada, olhando feio para os filhos que riam abertamente no hall da porta de entrada.
- Ta tudo bem, Adriana, já me acostumei com essa pimenta me chamando assim – Stan falou abraçando a mulher de lado e encarando a amiga com as sobrancelhas arqueadas, como se a desafiasse.
- Pimenta é golpe baixo, já disse – ela apontou com um sorriso maldoso brincando nos lábios. Ela deveria saber que aquele tipo de olhar, com aquele tipo de sorriso poderia causar sérios problemas psicológicos em qualquer ser humano. Por que ela tinha que fazer isso diretamente para ele?
-Que algazarra é essa na minha porta às sete da manhã? – Jonas apareceu falando sério, mas seu semblante entregava que raiva era a última coisa que poderia passar por ali.
- Pai! – se desvencilhou dos braços do irmão e correu para os braços do pai.
- O pai já chega falando em inglês, que já é pra colocar o genrinho no assunto também – Breno falou dando dois tapinhas no ombro esquerdo do ator, colocando as malas pra dentro e fechando a porta do apartamento.
- Se assumiram? – o mais velho perguntou olhando da filha para o rapaz, vendo ambos ficarem completamente desconfortáveis, e Sebastian até corando um pouco, o que o fez respirar fundo – Vão ficar quanto tempo?
- Duas semanas – Breno gritou da cozinha.
- Ah, então temos tempo suficiente para organizar até o casamento – ele disse dando de ombros e seguindo para a cozinha também, fazendo corar também dessa vez.
- Pai!


O primeiro dia da dupla em solo brasileiro se resumiu a chuveiro e cama. Eles nem comeram nada, foram direto para o banheiro tomar um banho, colocar uma roupa mais confortável e seguiram para suas respectivas camas, em seus respectivos quartos, que foram organizados para a estadia deles ali de maneira muito eficiente por Jonas e Breno, enquanto Adriana terminava o café da manhã que acabou por ser rejeitado. ficou em seu antigo quarto, que estava exatamente do jeito que ela deixou antes de ir para Nova York. Já Stan ficou com o antigo quarto de Breno, que passou a ser chamado de quarto de hóspedes assim que o rapaz ganhou um apartamento no andar de baixo daquele mesmo edifício, alguns meses depois do pequeno Gabriel ter nascido.
Eles acordaram cerca de meia hora antes do jantar, com Adriana alegando que eles tinham que comer alguma coisa e precisavam dormir à noite toda para regular o sono. Obviamente eles não reclamaram, a frase “Regular o sono” soava tão bela quanto a Nona Sinfonia naquele momento.
- Adriana, tem algum remédio para dor de cabeça? – Sebastian perguntou assim que ele e se sentaram a mesa na sala de jantar.
- Tem sim, meu querido, espera um pouquinho – a anfitriã disse, prontamente saindo da sala de jantar e logo depois voltando com um pequeno comprimido e servindo um pouco da água da jarra que estava na mesa em um copo, e oferecendo para o rapaz, que prontamente pegou, se virou, e estendeu para .
- Mas eu nem disse nada – ela murmurou com uma expressão de derrota. Aparentemente, seu dom de não demonstrar dor de cabeça não estava funcionando bem.
- Nem precisa, essa cara de quem foi atropelada por três carros seguidos te entrega bastante – ele retrucou, balançando levemente as mãos para que ela pegasse logo o comprimido e o copo.
Os pais da garota assistiram à cena em silêncio, trocando olhares significativos quando perguntou “Pode morrer feliz agora?” e o rapaz soltou um “Posso morrer tranquilo”. Era quase a mesma coisa que acontecia quando ela era mais nova e a única pessoa que a desvendava era irmão mais velho.
- Eles vem jantar com a gente? – a ruiva perguntou para os pais, e antes que um deles pudessem responder, um serzinho de cabelos negros, pele extremamente clara e dono de algumas sardas espalhadas logo abaixo dos intensos olhos verdes, apareceu no hall que dividia a sala de jantar com a sala de estar.
- Tio Sebastian! – Gabriel festejou ao ver o homem ,correndo ao seu encontro, fingindo não ouvir a avó pedindo por cuidado.
- Eu fui trocada, me sinto usada! – a mulher reclamou, tentando inutilmente prender o sorriso ao ouvir a gargalhada do sobrinho sair por trás do ombro de Stan, já que eles estavam abraçados.
- Tia , que saudade! – o menino disse sapeca, se afastando de Sebastian e se virando para abraçar a tia, que retribuiu o abraço.
- Você me trocou, não quero mais saber de você, piá, sai daqui – ela resmungou, apertando mais a criança contra si, o fazendo rir com a contradição.
- Dri, eu deixei o mousse na geladeira, tá? – Gabriela, a mãe de Biel e esposa de Breno, entrou no cômodo acompanhada pelo ruivo, que não se pronunciou, só beijou o rosto da mãe e da irmã e deu um tapinha no ombro do pai e de Sebastian antes de se sentar e já começar a se servir, fingindo tão bem quanto o filho não ouvir a solicitação de modos da mãe.
- Cunhadita! – se levantou para abraçar a mulher.
- Cunhadjonha! – Gabi a abraçou de volta, e as duas riram por ressuscitar aqueles apelidos antigos.
- Venham comer – Adriana as chamou, e logo a mesa estava organizada com o casal mais velho sentado cada um em uma ponta, Breno, Gabi e Biel sentados do lado esquerdo e e Sebastian do direito, embalados em uma conversa animada sobre várias coisas que aconteceram logo depois que foi para Nova York, e coisas que aconteceram no outro hemisfério, essa parte ficando completamente sob a responsabilidade da dupla que acabava se atropelando nas palavras para contar determinadas historias, causando risadas no restante da mesa.
Assim que todos terminaram suas refeições, Gabi apareceu com uma linda tigela de mousse de maracujá, fazendo a alegria da segunda mais nova e Stan, que acabaram entrando em um pequeno e nem tão pacífico debate sobre sorvete VS mousse. A discussão já nada séria perdeu completamente o foco quando um Sebastian extremamente sério e sem mais argumentos para defender o sorvete, sujou a bochecha da amiga com o doce que eles comiam.
Usando o argumento de que ainda estava com dor de cabeça, uma mentira aceita por todos, a ruiva se livrou da louça naquela noite, e como Stan era a única real visita e o acordo era eles jantarem e voltar a dormir, o rapaz foi liberado também.
Quando já estava confortavelmente deitado na cama, pronto para dormir, Sebastian sorriu e suspirou fundo. Todo aquele nervosismo da manhã havia passado, e ele percebeu que não estava completamente encantado por apenas uma . Ele realmente adorava aquele pacote completo.


- Sabe o que deveríamos fazer depois que terminarmos aqui? Assistir um filme – propôs guardando a última panela que havia sida usada na preparação do jantar daquela noite.
Na terceira noite ali a desculpa de serem visitas já não colou mais e sobrou para os dois arrumarem a cozinha. E por mais que os dois estivessem amando a comida caseira tão rara no cardápio deles, acabaram por entrar em um acordo que, além de Don saber que eles estavam comendo daquele jeito os mataria de forma lenta e dolorosa com seções absurdas de Cross Fit, lavar aquele tanto de louça não estava nos planos da chamada “Férias Para Esquecer Como Se Vive E Só Morgar”.
- Não sendo Donnie Darko, por mim okay – ele deu de ombros, distraído com a quantidade de espuma que acumulou na pia. Será que tinha colocado muito detergente?
- Terra para Sebastian – o chamou quando reparou que ele começou a tirar e afundar a mão varias vezes no lago de espuma que a pia havia se tornado – Já foi pra Marte e esqueceu de levar seu corpo? – perguntou, rindo quando ele deu um pequeno pulinho – Hey, o que foi?
estava de frente para ele, com uma mão no ombro do homem e um sorrisinho divertido brincando nos lábios. Perto demais. Mas Stan ainda se sentia incomodado com aquilo, a de antes daquela confusão não esperaria ele falar o que o incomodava a ponto de deixa-lo tão distraído, ela o colocaria contra a parede, o obrigaria a falar. Ele falaria?
Sebastian com certeza não sabia a resposta para aquilo, então pegar um pouco da espuma com os dedos e passar no espaço entre as sobrancelhas ao queixo dela foi uma opção para sair daquele assunto que nem tinha se iniciado ainda.
- Você não fez isso! – ela exclamou com uma cara de surpresa que se perdia em meio o sorriso que se formou em seu rosto, e antes que Sebastian pudesse entender o porquê daquele sorriso, a mão da ruiva, completamente lotada de espuma, já passeava de uma bochecha a outra no rosto do romeno – Estamos quites agora – ela proclamou, se virando minimamente para recuperar o pano de prato que foi abandonado na pia instantes antes.
- Quites? Você me deu um banho aqui! – ele reclamou, pegando um pouco mais de espuma e passando no rosto todo da garota, deixando a gargalhada escapar quando ela soltou um suspiro surpreso.
- Era vingança pelo mousse de maracujá! Mas agora, você declarou guerra – tentou fazer uma cara zangada ao falar isso, mas não conseguiu nem chegar perto, rindo junto com o homem. Ela enfiou as duas mãos na espuma e se lançou, muito desastradamente, na direção de Sebastian, que envolveu os pulsos dela com a intenção de fazer as mãos mudarem a rota, se esquecendo do fato que a espuma também era formada por água, e suas mãos deslizaram pelos braços de com uma facilidade incrível, facilitando o trabalho da ruiva de passar mais espuma em seu rosto, e sem querer, nos cabelos, já que eles acabaram abraçados no meio da cozinha, com envolvendo o pescoço do ator com os braços, na ponta dos pés, e Sebastian a envolvendo pela cintura, a sustentando quase que totalmente - Poop – ela murmurou com um sorriso largo, batendo a ponta do dedo indicador que ainda continha um pouco de espuma na ponta do nariz do homem, rindo abertamente quando ele ficou levemente vesgo para olhar aquela região do próprio rosto.
- Eu não cheguei perto do seu cabelo. Golpe baixo – ele murmurou, fitando o olhar da mulher que parecia estudar cada mínima variação de cor nas íris dele.
- Eu só uso as oportunidades que a vida me dá – ela respondeu no mesmo tom, jogando ainda mais o peso no romeno, por não colocar muita fé em suas próprias pernas com o homem falando tão próximo daquele jeito, sem ninguém por perto.
Ela sabia que era completamente idiota aquela linha de raciocínio, mas ela queria que o primeiro passo partisse dele. Seria mais real, ela acreditaria mais. As chances dele sair pela porta e ficar com outra mulher continuaria sendo extremamente grandes, mas pelo menos não seria ela que fez o trabalho sujo.
Porém quando ela percebeu que ele só ficaria ali, parado, a encarando, se desvencilhou dos braços do amigo sem nunca ousar deixar o sorriso lhe escapar. Estava tudo bem, ele não queria aquilo. Okay, ela havia entendido. Ela só não podia se dar ao luxo de afasta-lo. Não novamente.
- Vamos terminar isso logo, se não daqui a pouco meu pai aparece aqui.
Então Sebastian voltou para seu mar de espuma e continuou a lavar o restante da louça.
Quando eles terminaram, Stan falou para ela ir escolhendo o filme que eles assistiriam enquanto ele ia mandar uma mensagem para a mãe dele, não que ela fosse ler naquele momento, mas pelo menos ela não poderia reclamar que ele não mandou nenhum sinal de vida naquele dia. Quando ele voltou para a sala, encontrou sentada sobre os joelhos no chão em frente à estante, encarando o pequeno espaço de chão que sobrou entre ela e o móvel, onde tinha três capinhas de DVD que ela encarava como se em algum momento algum dos filmes fossem se escolher sozinhos.
- Uni-Duni-Tê pode resolver – ele brincou, se agachando um pouco atrás dela, observando as capas dos filmes, identificando Star Wars O Império Contra-Ataca, O Rei Leão, e o mais novo trabalho de Evans, Expresso Do Amanhã – Eu voto em Rei Leão.
- Eu pensei nisso, mas eu...
- Faz karaokê e seus pais não iam ficar muito felizes em acordar com você cantando Hakuna Matata – o romeno terminou a fala dela, assentindo em concordância, até porque ele também não era muito forte quando o assunto era músicas dos filmes da Disney – Por que a gente sempre acaba assistindo Star Wars?
- Você está descartando Expresso Do Amanhã – a ruiva se virou minimamente para o amigo, sem tirar os olhos dos DVD’S – A gente só assistiu esse uma vez.
- Você vai trocar o Luke Skywalker lutando em uma galáxia distante com um sabre de luz, pelo Evans correndo com um machado dentro de um trem? – ele perguntou meio incrédulo, se sentando no local que estava agachado.
- Colocando desse jeito, parece uma troca patética – concordou rindo, passando Star Wars para o homem enquanto se levantava para guardar os outros dois filmes em seus devidos lugares, anunciando que ia pegar uma manta enquanto ele colocava o filme.
Cerca de meia hora depois que começaram a assistir ao filme, Sebastian estava começando a ficar impaciente com aquele pé da , porque ela simplesmente não parava com ele quieto, então ele deu um leve chute no pé da garota, o que deu resultado por dois segundos já que ela voltou a mexer o pé novamente. Impaciente ele colocou seu pé sobre o dela, o que também não deu resultados já que começou a mexer o joelho, então Sebastian jogou sua perna sobre a perna dela, mas ela simplesmente começou a mexer o outro pé. Suspirando e já estressado, Stan ignorou o filme que já tinha perdido todo e completo sentido pra ele e se virou com tudo para o lado da garota, ficando por cima dela.
- Você tem que parar de mexer esses pés, isso desconcentra - falou olhando diretamente nos olhos de que levou um susto pelo movimento brusco do homem.
- É um chilique – explicou-se e Stan pode sentir o pé direito se mexendo freneticamente por baixo da canela dele, o que ele parou imediatamente forçando seu pé contra o dela, fazendo seus quadris se encaixarem - Eu não consigo controlar, não me julgue.
- Acontece que o seu chilique me dá estresse - respondeu aproximando seus rostos ainda mais. Os dois estavam quase colados um ao outro e a única distância mantida pelos dois era por suas faces.
- Eu não tenho culpa se você é nervosinho - disse com um sorriso contido no rosto.
- Se você não parar esse pé, vou começar a dormir em cima de você.
- Não seria de todo ruim, você até que é gostosinho - Sebastian sentiu seu rosto esquentar e percebeu que o dela também adquiriu uma coloração rosada mas se contentou com um sorriso de lado. - E você está tentando controlar meus movimentos, isso não é bom, cadê a liberdade de expressão? - seu tom era de indignação, mas o sorrisinho de canto insistia em lhe escapar de seus lábios.
- Pelo que me lembro é você quem está tentando encontrar uma namorada pra mim, isso que é manipulação.
- Você está encalhado, Sebastião, isso é ajuda. - seu semblante se tornou sério, mas seus olhos não escondiam o divertimento.
- Eu, encalhado? - Stan tentava segurar a gargalhada mas estava ficando mais difícil a cada instante - Você já se olhou no espelho, ?
- Eu não preciso namorar, é diferente - respondeu se ajeitando melhor em baixo do corpo do homem.
- Por que seria diferente? - ele realmente estava interessado.
- Porque você é famoso - ela respondeu como se aquela fosse a maior obviedade do universo - E precisa de alguém linda e chique, não mais que eu, para ir às premières, às premiações, jantares, casa dos seus pais... e todo o resto que namorados geralmente fazem.
Sebastian olhava para a ruiva, e um sorrisinho bobo não saia de seu rosto.
- Bem, então se tirarmos a parte de "fazer o que namorados geralmente fazem", eu não preciso de uma namorada.
- Não? - os dois estavam tão próximos que era impossível desviar os olhares, é só naquele momento eles perceberam a situação que se encontravam.
- Não, sabe por que? - ela só acenou negativamente ainda olhando no fundo daquela imensidão azul, se esquecendo momentaneamente como verbalizar qualquer palavra - Porque eu tenho você.
Essa última frase foi só um suspiro, o que causou um arrepio na nuca de . Ela sorriu meigamente e fez um carinho em sua bochecha, depositando um beijo na outra.
- A não ser que você queira começar a praticar o 'Fazer o que namorados geralmente fazem' - Sugeriu, abrindo um sorriso completamente sacana pra garota.
, ainda sentindo um incomodo no estômago, sorriu e empurrou Sebastian de volta para o sofá, tentando voltar a atenção ao filme, mas teve seus planos estragados pelo romeno, quando ele instantaneamente se ajeitou no sofá de forma que a garota ficou deitada com as costas apoiada no peitoral dele, e a única coisa que passava na mente da garota naquele momento era: Maldita tensão sexual.
Sebastian, por outro lado, estava pensando seriamente em usar aquela maldita aposta ao favor dele.
O plano era só transar se um dos dois se... Respirando bem fundo, o que não ajudou muito a trazer a sanidade de volta já que ele estava praticamente em um mar de cabelos, se afogando no cheiro da mulher, Stan tentou raciocinar direito. De que adiantaria? Seria como da última vez, que cada um rolou para um lado da cama e depois agiram como se nada tivesse acontecido? Na época aquilo não o incomodou, por que as coisas tiveram que mudar justo agora? Por que ele não conseguia falar isso para ela? Ele mesmo reclamou consigo mesmo que se ele estivesse agindo daquela forma no mês anterior ela já teria notado, mas ele mesmo já teria falado antes dela perguntar o que estava acontecendo.
Será que ele a conhecia tão bem ao ponto de achar que seu achismo sobre a reação dela ao saber o que estava acontecendo ali seria tão negativa?
Nenhuma dessas questões foram respondidas, primeiro porque ele não verbalizou nenhuma delas, segundo porque ambos acabaram caindo no sono alguns minutos depois da conversa, perdendo pela primeira vez o final de um filme de Star Wars.
- Tia, vocês estão vestidos, certo? – ouviu a voz do sobrinho perguntar, e resolveu ignorar a criança, afundando o rosto contra o pescoço de Sebastian, sentindo ele apertar ainda mais os braços ao redor dela – Tia, você não cansa de assistir Star Wars? Até eu já decorei todas as falas – o garoto continuava falando próximo ao ouvido da ruiva – Tio, eu quero jogar videogame, vão pra cama.
- Piá, eu juro que se você não parar de me encher o saco, eu vou enfiar o controle do...
- ... – Stan a repreendeu em um múrmurio, não entendo o que ela estava falando, mas pelo tom não parecia ser uma coisa a se dizer à uma criança de onze anos.
Biel ficou encarando os dois por um momento, se perguntando o que fazer para acorda-los. Sua avó havia pedido para não falar o verdadeiro motivo para fazer a tia levantar, até porque ele sabia muito bem o quanto ela odiava fazer qualquer coisa na cozinha que fosse além de comer, mas ele adorava e estava com saudades de mais daquele precioso empadão para simplesmente perder essa oportunidade.
- Tia, levanta, a vó disse que quer que você faça empadão pro almoço! – ele pediu chacoalhando o ombro da mulher, fazendo a voz manhosa que costumava fazer para conseguir alguma coisa que queria com a mulher.
- Eu não vou cozinhar, Biel, sai – ela retrucou, puxando a manta contra seu rosto. O aquecedor estava ligado, mas junho não é exatamente a época mais quente no Brasil, principalmente na região sul.
Mas o que aconteceu em seguida não era exatamente o jeito que desejava começar seu dia.
No automático, as últimas palavras dela saíram em inglês, o que permitiu Sebastian entender, e imediatamente ele associou a frase às poucas, porém trágicas, em todos os sentidos da palavra, tentativas de fazer qualquer coisa na cozinha. O resultado foi Sebastian se sentando em um solavanco, levando junto, mas como ela estava na beira do sofá e ambos com muito sono, a mulher acabou caindo de bunda no chão e Sebastian olhando assustado para o garotinho que o olhava de volta com os enormes olhos verdes arregalados.
- Não deixa a cozinhar!
Jonas e Adriana, que ouviram o barulho da queda da sala de jantar, estavam parados no hall entre os dois cômodos e não aguentaram segurar a risada ao ouvir o romeno falar aquilo, e Gabriel também começou a rir, mas foi pelo tombo da tia.
- Bom dia pra você também, Stan – falou mal humorada, encarando o homem que a olhou como se ela tivesse três granadas nas mãos, prestes a explodir.
- Você se lembra o que aconteceu da última vez que tentou cozinhar?
pendeu a cabeça para o lado e fez um biquinho, mas logo esse biquinho virou uma careta.
- Era paella defumada – deu de ombros, mas acabou afundando o rosto no sofá para esconder o sorriso. Aquilo tinha ficado além do horrível.
- Eu tive que jogar a panela fora – Sebastian lembrou – E ainda acho que nós comemos um pouquinho do fundo dela.
- Espera – Jonas interveio, oferecendo a mão para ajudar a filha a levantar – Vocês comeram paella queimada?
- Defumada corrigiu, se sentando novamente no sofá – Cara, acho que você quebrou meu lombar – reclamou olhando para Stan.
- Você me fez comer aço e eu não te julguei.
- Você postou foto da frigideira do Instagram, com a legenda “Não conheço muito sobre gastronomia mexicana, mas tenho quase certeza que isso não está certo” – ela lembrou indignada.
- O Mackie nunca vai te deixar em paz.
- Ele acha que paella é comida típica brasileira, ele não pode falar nada.
- Você reduziu a fogo o que restava de comestível em casa, você que tem que aceitar...
- Vocês dois comeram! – ela o interrompeu rindo, até porque se negava a levar a sério qualquer tentativa de fazer qualquer coisa na cozinha que não fosse empadão, brigadeiro ou beber água - E falaram que se tirasse a parte queimada ‘tava até gostoso.
- Isso se chama fome. Até sua comida se torna aceitável quando ela chega.
- Me lembre aquí, por que sou sua amiga? – perguntou risonha.
- Porque você adora começar o dia sendo jogada do sofá – ele repondeu no mesmo tom.
- Isso me lembrou que estou puta com você, com licença – disse se voltando para os pais, ficando de costas para o romeno que logo teve sua atenção tomada por Biel que pedia para eles jogarem FIFA juntos, nem reparando no olhar que os mais velhos lançavam para ela – Eu sou visita, visita não faz nada, lembra? – perguntou para a mãe, juntando as duas mãos próximas ao rosto e piscando rápido.
- Dri, ela tentou matar o Sebastian com a paella por bem menos, vamos mesmo insistir nisso? – Jonas perguntou para esposa, mas seu olhar divertido não abandonou o da filha.
- Você me privou do seu empadão por quase dois anos, pode tratar de tentar me matar depois que me deixar feliz de novo – Adriana resmungou, se levantando e sendo seguida pela filha, que a abraçou por trás, fazendo gracinhas sobre não saber como vivia sem o mau humor daquela velhinha por perto. Isso obviamente lhe rendeu belos tapas e uma corrida até a cozinha para fugir das mãos da arquiteta.
proibiu a entrada de todos na cozinha depois que eles começaram a zoa-la a cada movimento que ela fazia dentro do cômodo, e depois que Breno apareceu ali tudo ficou pior, porque ele, Sebastian e Jonas entraram em uma profunda conversa sobre a probabilidade e capacidade dela colocar fogo em toda a cobertura. Com os fones no ouvido e fingindo não ouvir aquelas provocações, também fingia não se afetar com o aconchego em seu coração que era ver aquela cena: Os três homens de sua vida conversando como se fossem grandes amigos há anos.
Não que ela achasse que rolaria algum tipo de drama ou tensão ali, até porque todos gostaram de Stan desde a primeira vez que ela resolveu enfiar a câmera na cara dele durante uma chamada de Skype, mas pessoalmente as coisas poderiam ser diferentes. Seu pai poderia não ser tão receptível, Breno poderia ter incorporado o irmão ciumento que costumava ser, mas estava tudo saindo perfeito e a vontade dela era de tirar o celular de dentro do bolso e tirar uma foto daquele momento, revela-la, moldurar e coloca-la em seu criado-mudo ao lado da cama.
Uns vinte minutos depois dos dois ’s se cansarem de ficar parados próximo a porta da cozinha só para atazanar a filha/irmã, Stan voltou para o sofá para assistir ao jogo de Breno e Biel quando Adriana pediu para ele ir avisar que era para ela cortar o tal empadão que ela estava fazendo e colocar alguns pedaços dentro de uma tigela com tampa, porque o tempo supostamente estava bom e ela gostaria de fazer um piquenique com a família toda.
Prontamente o romeno se levantou e seguiu para a cozinha, parando gradativamente ao entrar no cômodo e perceber que aquele cheiro delicioso vinha dali, e que, aparentemente, tinha se queimado com a forma que havia acabado de tirar do forno.
- Nossa, isso ‘ta com um cheiro ótimo – falou se aproximando dela por trás, apoiando as duas mãos no quadril e o queixo em um dos ombros, tentando pegar disfarçadamente um pouquinho do conteúdo da forma, levando um tapa no processo – Só um pedacinho, !
- Não, eu coloquei açúcar no lugar do sal, você vai ter uma diarreia e morrer – ela falou, segurando os pulsos dele e se virando para ficar de frente para o homem, os distanciando uns quatro passos da pia, onde estava o empadão.
- Hey, foi o Breno que disse isso, nem sei falar o nome disso, imagina dizer se é doce ou salgado – ele reclamou, sorrindo quando viu o mesmo acontecer no rosto dela.
- Repete comigo: Em-pa-dão – então ele fez, e Stan teve que rir junto com ela ao finalizar, porque aquilo não ficou realmente nada bom – Você tentando falar português é quase tão bom quanto você jogando tênis.
O romeno decidiu deixar o pequeno insulto de lado e focar naquela travessa linda em cima da pia.
- E o que exatamente é isso? – perguntou tentando se aproximar novamente, mas acabou com as duas mãos de em seu peitoral e um olhar do tipo “Eu sei o que você está fazendo e não vai adiantar”.
- Um tipo de torta salgada.
- Um tipo?
- É... Não é bem uma torta, mas é parecido com uma – ela tentou explicar, mas os dois acabaram mais perdidos do que no começo da conversa.
- Okay... – falou balançando a cabeça, desistindo de tentar entender o que ela quis dizer – Sua mãe pediu pra você cortar o... Esse negócio ai, e colocar alguns pedaços para levar no piquenique que ela quer fazer.
- Sabia que ela estava nos deixando muito em paz – a ruiva comentou, saindo de perto do homem para pegar uma vasilha com tampa no armário, e quando percebeu que estavam todas em um lugar muito alto, nem precisou olhar para Sebastian para pedir para ele pegar, já que ele prontamente pegou uma em um tamanho médio, entregando e instigando a garota a continuar a fala – O negócio de querer bancar o guia turístico é de família, não sei como o Breno não te arrastou para o estádio ainda, ele disse que o local que os sócios usam pra jogar nos fins de semana já está pronto há meses... Bom o estádio todo deveria estar pronto há meses, mas eu estou de férias e não quero falar sobre politica e corrupção agora...
- Espera – Sebastian a interrompeu quando percebeu que ela havia se perdido em um monólogo fora do contexto da conversa – Aquele estádio a uns dois quarteirões daqui vai receber jogos da Copa?
- Não sei por que essa cara de surpresa, eu falei que tinham umas obras bem atrasadas aqui...
- Não, não é isso – ele falou rápido, se colocando ao lado da mulher a virando para si – É aqui do lado! Quando começa?
fez um biquinho em meio ao sorriso e passou a mão pelos cabelos de Sebastian, como se tentasse confortar uma criança que não vai poder ganhar o brinquedo que tanto queria no Natal.
Stan não costumava gostar muito de futebol, mas cresceu em meio a dois viciados pelo esporte, e por mais que ela não torcesse para o mesmo time que o pai e o irmão, o gosto pelo esporte sempre esteve ao seu lado, e Stan estava convivendo com ela a quase um ano. É impossível não compartilhar alguns gostos depois de algum tempo tão próximos.
- Você vai pra Marte, lembra? – foi impossível não ter vontade de beijar ele com a expressão que se formou em seu rosto, por isso ela fez. Foi um beijo na bochecha, mas já a deixou satisfeita - Eu falei que de qualquer forma, não daria pra assistir nenhum jogo no estádio. Até porque – ela se virou novamente para a pia a voltou ao seu afazer – Não vai ter jogo da seleção brasileira aqui, vai ser alguma seleção africana que eu não lembro qual, e umas outras ai... Particularmente estou mais focada onde o Brasil vai jogar.
- Nós podíamos passar no Rio! – ele falou empolgado, e se perguntou em que momento seria bom mostrar o calendário para o ator, mas não quis acabar com a alegria esperançosa dele, porque ela também gostaria muito de assistir pelo menos o primeiro jogo – Lembra o que a Erin disse sobre vir ao Brasil e não conhecer o Cristo? Não quero ser julgado como você foi.
soltou uma espécie de risada pelo nariz e se voltou para Stan após terminar o que a mãe pediu, colocando as mãos nos ombros do homem e o olhando no fundo dos olhos.
- O Cristo é uma ótima ideia, podemos aproveitar um pouco da praia também, porque eu sei que você gosta e o Rio de Janeiro é bem mais quente que o Paraná. Mas desiste da Copa, gato, não vai rolar.
Ele suspirou derrotado e baixou a cabeça, mas logo voltou a olhar para a ruiva com um sorriso de canto.
- Gato?
A mulher pendeu minimamente a cabeça para o lado, e fingiu analisar ele de cima a baixo, dando de ombros logo em seguida, voltando sua atenção para a pequena quantidade de louça que sujou na preparação de sua única especialidade da cozinha.
- Ontem me chamou de gostoso, hoje de gato – ele comentou pegando o pano de prato e chacoalhando de leve um copo em mãos logo recebendo a indicação de onde guarda-lo com uma simples apontada de queixo de – Desse jeito vou começar a pensar que está desejando meu corpo nu.
- Não lembro de ter dito que nunca quis – a resposta saiu automaticamente de sua boca, e antes que ela pudesse falar qualquer outra coisa em cima disso, sentiu seu rosto esquentar e decidiu não olhar para o homem que a encarava.
Antes que qualquer um dos dois lembrassem que, supostamente, depois desse tipo de comentário eles voltam a conversar como se nada tivesse acontecido , Jonas entrou no cômodo e os distraiu com o local onde eles iriam passar antes de irem para o parque onde Adriana queria fazer o piquenique.
Cerca de uma hora depois, todos confortavelmente vestidos e com a toalha, o empadão e uma travessa com salada de frutas dentro cesta de piquenique de Adriana, todos entraram nos carros e seguiram para o lugar favorito de em toda a cidade, o Jardim Botânico.
Assim que chegaram lá, desatou a falar sobre a história do local, ano em que foi construído, engenheiros responsáveis pelo levantamento da estrutura, arquitetos envolvidos no projeto, entre outras tantas coisas que nenhum dos ’s assumiam mas adoravam ouvir a garota falando.
Sebastian não sabia dizer exatamente em que momento eles se separaram do resto do pessoal, mas tinha uma vaga lembrança de ser praticamente arrastado por quando os outros estavam distraídos tirando fotos dentro da estufa, ela falou alguma coisa sobre cada um ter um álbum só com fotos naquele lugar e o puxou para o jardim. Ela contou que muitas vezes, quando se sentia sufocada pelas pessoas ao seu redor, ia até ali e ficava sentada olhando as pessoas, as plantas, e aquilo sempre a acalmava e a fazia lembrar pelo quê estava lutando. Então em um acordo silencioso eles fizeram exatamente isso, lado a lado, pararam por um momento e ficaram não só olhando, mas sentindo todo o movimento ao redor deles, as risadas das crianças, o balançar das folhas com o vento, o sol os aquecendo minimamente.
- Como você imagina sua vida daqui cinco anos? – perguntou de repente, fazendo-a olhar com um sorrisinho de canto.
- Não tem uma mais clichê, não? – brincou ela, levando um tapinha leve na testa. deu risada e apoiou a cabeça no ombro dele.
- Só responde, inútil – respondeu rindo e cutucou a cintura da ruiva que se revoltou e se distanciou alguns centímetros, o que fez ele rir ainda mais.
- Eu não sei – sussurrou olha olhando para o monumento a sua frente sentindo o romeno envolver seus ombros e encostou a cabeça no ombro dele novamente - Acho que com você – falou sem pensar.
Sebastian sentiu o estomago cair para os pés.
- Não tem uma mais clichê, não? – repetiu o comentário dela, tentando parecer indiferente, o que aparentemente funcionou, já que só levantou a mão direita e tentou dar um tapa na testa dele sem se virar, acertando-o na ponta do nariz.
O rosto da garota estava quase da cor de seus cabelos, por isso a melhor opção era continuar a encarar a estrutura da estufa.
- Por mais chato que você seja, ainda é uma boa companhia.– a indiferença que conseguiu transmitir ao pronunciar aquilo foi tamanha, que ela mesma queria se premiar com um Oscar – Sei lá... A última vez que me fiz essa pergunta deveria ter uns quinze anos e aos vinte estava onde queria estar – deu de ombros – E minha vida agora também é muito boa, não tenho nada a reclamar. Está perfeita.
- Você tem vinte e seis anos e é uma solteirona convicta em todos os seus meios sociais... Não tem nada errado aí? – brincou encostando a cabeça no topo da dela.
- Basicamente no último ano você é meu único meio social e você vai fazer trinta e dois anos e também está solteiro – retrucou a garota dando uma cotovelada na barriga de Stan que soltou falsos murmúrios de dor – Então desencalha primeiro e depois vem falar de mim.
- Sério? Ainda com isso de tentar arrumar alguém pra mim?! – Suspirou cansado, se afastando minimamente para encarar o perfil da brasileira, que tinha um enorme sorriso brincalhão nos lábios.
- Ainda pretendo ser madrinha dos seus filhos – continuou sorrindo, fingindo que Sebastian não a encarava e tentando entender porque dizia aquelas palavras – Pra isso preciso me certificar que a mãe será linda para eles serem lindos.
- Eu não me importaria se a mãe fosse você – soltou o ator voltando a olhar a estrutura branca de metal.
Quando pensou em responder algo, uma pontada de dor excruciante se fez presente em um ponto de sua nuca, fazendo o ar de seu pulmão e a cor de seu rosto fugir rapidamente. Suas pernas vacilaram e Stan envolveu a cintura da ruiva e a apoiou em si, se esquecendo rapidamente da brincadeira anterior e muito preocupado com a palidez repentina da mulher.
- ? – chamou preocupado. Seus olhos estavam sem foco e um zumbido estranho tomou posse de seus ouvidos, escutando seu nome ser chamado ao longe. Puxou o ar profundamente e piscou, a moleza no corpo insistindo em permanecer, mas ela deu dois tapinhas no peito do homem, em sinal de que ele já poderia solta-la, o que ele fez com muita relutância. Ela balançou a cabeça levemente, depois mais de pressa. A dor sumiu e seu corpo a obedecia novamente. – ?
Ela focou seu olhar nos olhos azuis a sua frente, que exalavam preocupação e pedia explicações.
- Tá tudo bem. Foi só uma tontura – se explicou – Dor de cabeça...
- ... – ele falou em tom de repreensão.
- Não é nada demais... Foi uma dorzinha na nuca.
- Na nuca? , você sabe como podem ser perigosas essas suas dores na nuca? – Sebastian perguntou preocupado, percebendo que a cor voltava a seu rosto aos poucos.
- Foi só uma pontada, Stan, pode ter sido torcicolo.
- Até poderia, se fosse a primeira vez que sente isso. – a cortou um pouco revoltado.
- Inacreditável – murmurou com um sorriso sarcástico – Vai brigar comigo porque eu senti uma pontada na nuca?
- Inacreditável é você não ir ao médico sendo que isso vem acontecendo desde que nos conhecemos – retrucou com firmeza.
- Inacreditável mesmo é vocês dois brigando feito um casal de velhinhos no meio do Jardim Botânico – se intrometeu Breno, que estava de braços cruzados, rindo da cena que se desenrolava entre eles há apenas alguns passos – O Biel começou a reclamar de fome, vamos?
A teimosia em pessoas acenou em concordância, mas no primeiro passos seus pés vacilaram, e o que a salvou do tombo foi os braços de Sebastian prontamente ao seu redor. Ao olhar para Breno, ela encontrou o mesmo olhar de Stan, e sabia que por mais que ele não estivesse falando nada, assim que estivessem sozinhos o discurso seria grande.
- Nós vamos ao hospital – Sebastian afirmou passando levemente o polegar pelos lábios da garota, que inexplicavelmente ressecaram e não tinham a mesma cor que tanto mexia com a cabeça dele como segundos atrás.
- É fome – ela retrucou segurando o pulso do amigo.
Ele queria discutir sobre aquilo, mas o olhar que ela o lançou o fez lembrar da noite da première, quando ele foi um idiota, brigou com ela, e ela foi parar no hospital. Tudo bem, a culpa até poderia não ser toda dele, mas ele se sentia culpado. Ela estava bem e passou mal depois que ele a estressou. Ali, ela já estava pálida, enfraquecida, ele não podia simplesmente ficar forçando aquele assunto e faze-la ficar pior, então decidiu guardar aquilo para um momento que ela não estivesse parecendo uma folha de papel sulfite.
Suspirando fundo, ele só deixou ela se apoiar melhor nele, de forma que eles poderiam andar normalmente, e quando chegaram perto de Breno, o ruivo deu um beijo na testa da irmã e murmurou alguma coisa em português no ouvido dela.
- Tio, tio! Tira uma foto comigo! – Biel se adiantou à frente ao romeno com o celular já aberto no aplicativo da câmera aberto assim que eles voltaram para perto do restante da família.
- Ele é bem mais direto que você – Stan falou para , recebendo um revirar de olhos como resposta.
- Você acha que se eu chegar amanhã no colégio e falar que o Soldado Invernal está na casa do meu vô sem ter nenhuma foto, alguém vai acreditar? – o garoto perguntou cruzando os braços.
- Ele está te usando para ser legal na escola, ainda gosta mais dele? – ela perguntou, dessa vez recebendo o revirar de olhos.
- Todo mundo me usa nesse mundo – ele resmungou, olhando para Breno antes de soltar a amiga, e o ruivo entendeu o recado na hora, já que seu braço envolveu a cintura da irmã assim que o outro a soltou.
- Filha, está tudo bem? – Adriana perguntou passando a mão pelos cabelos da filha, estranhando a palidez da garota.
- Deu uma tontura do nada – ela falou rápido, não deixando brecha nem para o irmão nem para o amigo falarem – Acho que não é só o Biel que precisa comer por aqui – comentou soltando uma risadinha.
- Então vamos logo, também estou com fome – Jonas disse, chamando atenção de Sebastian, Biel e Gabriela que estavam tentando decidir qual a melhor foto para postar no Instagram do garoto.
E assim eles se dividiram nos carros novamente e seguiram para o Passeio Público, dessa vez o monólogo foi liderado por Adriana, que era interrompida de vez em quando por Jonas para incrementar algum detalhe sobre as aventuras de Breno e naquele local quando eles eram mais novos.
Sebastian se deixou crer que a ruiva estava melhor quando ela desafiou o irmão e a cunhada para uma corrida de pedalinho, que na hora foi aceita por Gabi. Breno por outro lado, ficou um pouco receoso de entrar em um pedalinho que não fosse ao lado da irmã, mas resolveu acreditar que se ela voltasse a passar mal, Sebastian se sairia tão bem quanto ele no quesito morrer de preocupação e cuidar.
No fim, foram necessárias quatro corridas para os dois casais aceitarem que não importava quem dava a largada, ou a formação de equipe, os ruivos sempre achariam um jeito de acabarem empatados ou, como quando foram juntos, ganharem.
- Vocês passavam o dia treinando isso, fala a verdade – Stan reclamou quando se sentaram na toalha quadriculada, passando as mãos pelas coxas para demonstrar o quanto estava cansado, sendo acompanhado nas reclamações por Gabriela que havia se deixado morgar contra o marido recebendo massagem nos braços pelo ruivo e nos tornozelos pelo filho.
- Eu estou tentando me decidir se vocês que são muito ruins ou nós que somos muito bons – Breno falou sorridente – Tanto com a Gabi quanto com o Seb eu tive que pedalar sozinho, porque eles perdiam os pedais – contou rindo para os pais.
- Verdade! – concordou gargalhando, se lembrando do momento em que Gabriela levou uma pedalada na canela ao tentar voltar a pedalar no meio do percurso – Nem um dia inteiro com o Don faz eu sentir minhas coxas tão firminhas.
- Deixa ele ouvir isso. Te faz praticar dois circuitos sem pausa – o romeno disse encostando o cabeça no ombro da amiga. Ele estava exausto e com a barra da calça molhada, e o vento não ajudava muito a se manter aquecido.
- Se ele perguntar se a gente fez algum exercício, isso aqui vale, okay? – perguntou levantando a mão o suficiente para o homem completar o high five.
- Se não fosse pela Fox, eu já entrava na onda da Marvel e ficava umas boas semanas sem nem mandar mensagem pra ele sem nenhum peso na consciência.
- Quando ‘ta lá levantando peso fica falando que ama ele pra ser liberado... Deus ta vendo – ela resmungou, pegando o copo descartável com suco de maracujá que o pai lhe passava.
- O que tem a Marvel? – Biel perguntou bebericando o próprio suco.
- Preciso engordar alguns quilos – o ator contou, aceitando um copo também.
- E esse corpo? – Gabi perguntou quase triste, fazendo Adriana e darem risada enquanto Biel e Breno a encaravam e Sebastian sentia as bochechas esquentarem.
- Tive essa conversa com o Don, ele continuará muito bem – a ruiva sussurrou alto, tampando o lado da boca próxima a Stan, como estivesse contando um segredo para a cunhada, rindo quando a mesma soltou um “Ufa!” mais audível que o ‘sussurro’ da outra.
- Okay, vamos comer antes que eu vomite – Breno falou alto, cansado de ver a esposa babar por seu quase-cunhado.
Assim que Adriana distribuiu os pratinhos com os pedaços de empadão, se virou completamente para Sebastian, a fim de assistir cada reação do homem que acreditava que ela era capaz de queimar até água. Não tão descaradamente, todos ali também estavam curiosos.
Ele achava que teria um pouco de receio de colocar uma garfada daquilo na boca considerando as experiências naquele tempo de convivência, mas assim que pegou o prato e aquele cheiro delicioso invadiu seu nariz, Stan não pensou duas vezes antes de colocar uma garfada generosa na boca. E olhar de olhos arregalados para .
Pousando o prato próximo ao seu joelho e segurando ambas as mãos da amiga, Sebastian engoliu o pedaço de empadão em sua boca e falou com calma: - Casa comigo?
gargalhou abertamente e deu um beijo estalado na bochecha do ator.
- Eu já aceitei, lembra? - brincou levantando a mão esquerda que ainda contava com o anel no dedo anelar.
Sebastian riu alto, comentando alguma coisa sobre o Pacto de Steve Rogers ter sido utilizado por um motivo mínimo perto daquele empadão.
E assim eles passaram a tarde, de forma leve, rindo e se divertindo, do mesmo jeito que estavam fazendo desde que chegaram à Curitiba. Mas um assunto não saiu da cabeça de duas pessoas nesse tempo todo, e por mais que eles tivessem tentado ficar quietos, acabou voltando à tona quando já estavam todo na sala de estar da cobertura dos , se organizando para o futebol semanal.
- Seus lábios ainda estão pálidos – Breno soltou depois de alguns segundos desligados da conversa encarando a irmã.
- Eu não ia falar nada, mas eles também racharam – Stan comentou, bufando ao ver a ruiva revirar os olhos – Na hora eu não pensei direito, mas aquele esforço no lago poderia ter feito você parar no hospital.
- Lugar onde deveríamos ter ido assim que saímos do Jardim Botânico – Breno acrescentou, olhando rapidamente para o romeno antes de voltar a encarar a irmã.
- Vocês já pensaram em escrever novela mexicana juntos? – perguntou irônica – Iria ultrapassar os níveis de drama de Maria Do Bairro.
- Para de gracinha, eu disse que íamos conversar quando chegássemos em casa, e agora vamos con...
- Sozinhos – a mais nova interrompeu o irmão – Você não disse que ia se juntar com o Sr. Preocupação-Desnecessária aqui – ela disse apontando para o moreno que estava sentado ao lado do irmão.
- Coloque os apelidinhos que quiser, você sabe muito bem o que aconteceu...
- Eu sei! Você não precisa me lembrar! Eu...
- E você lembra quando era mais nova e... – Breno começou, mas novamente foi interrompido pela mulher.
- Deus! – ela praticamente gritou, se levantando do sofá num pulo, quase puxando os cabelos no processo de os colocar atrás da orelha – Eu sou adulta! Eu sei tomar minhas decisões e sei o que é melhor pra mim!
- Engraçado – o ruivo mais velho começou.
- Não parece – Stan terminou.
- E vocês sabem? – perguntou com um sorriso maldoso nos lábios e os olhos vermelhos por causa das lágrimas que queriam escapar – O Breno nem falou nada, eu que fui embora – ela deu de ombros – Mas você, Sebastian? O que é melhor pra mim? Chegar na sua casa e te ver transando com minha melhor amiga?
A reação foi simultânea: Assim que as palavras terminaram de sair da boca da mulher, uma lágrima escorreu por sua face e Sebastian recuou um passo cambaleante, sentindo uma pressão no estômago muito parecida com um soco.
- ! – Breno a repreendeu. Primeiro, porque ela estava sendo uma idiota; Segundo, porque ela enchia a boca para falar que era só amiga do cara e depois ficava fazendo ceninha?
A garota saiu da sala como um furacão e seguiu para o corredor dos quartos. Sebastian, ainda meio perdido com o rumo que a conversa levou, a seguiu com os olhos, e quando ia fazer isso com os pés foi segurado por Breno, que resmungou alguma coisa como “Deixa ela pensar no que ela fez”.
O restante dos haviam aparecido na sala assim que ouviram o início do alvoroço e o ruivo não conseguiu impedir a mãe de seguir a filha pelo corredor.
- Tá vendo? – Breno falou revoltado olhando para o pai – É por isso que ela é teimosa desse jeito – ele disse apontando para o corredor – Vocês nunca entenderam ela e acham legal ela fazer esse tipo de coisa!
- Breno, para – Gabriela mandou.
- Que merda está acontecendo aqui? – Jonas perguntou encarando os dois rapazes, sem entender exatamente a situação.
- Dor na nuca pai, ela está sentindo isso de novo! – o ruivo explicou nervoso, e Sebastian ao seu lado passou a mão pelo rosto, como se esfregar a pele da face fosse tirar toda a angustia que sentia.
- E desde quando gritar resolve algum problema? – o mais velho questionou estressado, quase se contrariando.
- Desculpe, Jonas – Stan murmurou, respirando fundo – Eu acho que eu... Eu deveria... – ele estava completamente perdido, sabia que falara aquilo com real intenção de machuca-lo, sabia que aquelas palavras haviam a machucado tanto quanto o machucou e que ela precisava pensar sobre aquilo porque aquele lado criança birrenta dela precisava de castigo, mas um nó em sua garganta estava funcionando como imã e o puxava para ela. Aquilo era insano.
- Vocês ainda vão sair? – Gabriela perguntou com uma voz quase sussurrada. Ela se lembrava vagamente do que aconteceu quando a cunhada era mais nova. Ela e Breno ainda não estavam juntos, mas já se conheciam, então não era difícil lembrar do único motivo para o de quinze anos focar em alguma coisa que não fosse beber escondido dos pais.
Breno respirou fundo, se aproximou da esposa e lhe deu um beijo na testa antes de descer aos lábios da mulher, relaxando o corpo instantaneamente. Mesmo depois de tanto tempo, ela ainda agia como um calmante natural para o homem e aquilo nunca perdia a magia.
- Você amarra ela na cama se ela surtar com minha mãe? – ele perguntou com um sorriso minúsculo brincando nos lábios, levando um tapinha no ombro.
- Distrai ele um pouco – ela pediu olhando rapidamente para o romeno que estava conversando com Jonas.
- Ela foi uma idiota – ele resmungou, deixando a esposa pegar o celular que estava em sua mão, não compensava levar mesmo.
- Ela odeia falar sobre isso – Gabi tentou encobertar, mas percebeu que não ia adiantar, então só seguro a mão do marido quando ele começou a se afastar e o puxou para perto novamente – Fala com ela só amanhã, okay? Ela vai ver que fez merda, vai pedir desculpa e eles vão conversar, daí amanhã você entra com o sermão, pode ser?
- Se eu ainda vou ter direito ao sermão, então aceito – ele deu de ombros, dando um selinho rápido na morena e voltando para perto dos homens – Desculpa interromper os planos de reconciliação, mas eu espero a semana toda pelo meu futebol sagrado e já fiz propaganda de um ator da Marvel estar indo comigo, então vamos bajular o certo por hora, okay?
Jonas revirou os olhos e Sebastian olhou para o corredor novamente, esbarrando com o olhar de Gabriela que deu um leve aceno de cabeça na direção aos outros dois homens, e ele respirou fundo novamente, os seguindo.
Assim que as palavras saíram de sua boca, se arrependeu. Aquilo era além do ridículo. Ele só estava preocupado e Breno estava sendo mais insistente que ele, ainda assim achou um jeito de descontar nele. Até ela achava que estava começando a esquecer aquilo. Estava acreditando fielmente que aquilo não era mais um empecilho para eles. Mas depois de falar aquilo sem pensar, percebeu que aquela tensão entre eles quando ficavam sozinhos não era só pela pequena epifania que a conversa com havia causado. Aquilo ainda estava entalado nela. E mais uma vez, se contrariando, ela escondeu algo de Sebastian e fingiu estar tudo normal.
Adriana ficou por volta de meia hora no quarto da garota, mantendo uma espécie de monólogo, uma vez que estava com o olhar perdido em um pôster antigo de Doctor Who, pensando em Sebastian. Quando a loira percebeu que a filha não escutava nada do que ela falava, a mais velha resolveu simplesmente se retirar.
Ela nunca vira a filha daquele jeito por alguém e por mais que isso pudesse soar estranho, Adriana estava feliz pela filha, ela finalmente estava experimentando a sensação de ter alguém no coração.
não tinha muita noção de quanto tempo estava sentada na cama com as costas encostada na cabeceira, mas uma onda maior de arrependimento a invadiu assim que viu sua porta ser empurrada vagarosamente e Sebastian parar de braços cruzados no hall da porta. O cabelo dele estava molhado e ele vestia uma calça de moletom cinza e uma camiseta branca. Há quanto tempo será ele tinha voltado? Breno estava tão bravo com ela a ponto de não querer falar com ela? Ou já era tarde e ele foi direto para casa?
-Desculpa – ela murmurou, descontando seu nervosismo no elástico da meia em seu pé direito, tentando o máximo possível não desviar os olhos do olhar dele.
Sebastian imaginou que se olhasse no calendário naquele momento, perceberia que aquele dia era o Dia do Suspiro, porque ele não se lembrava de fazer tanto isso em um único dia.
- Eu não gosto disso que a gente está se transformando – ele falou sussurrado, entrando no quarto e sentando nos pés da cama, bem na ponta do colchão.
- Eu odeio isso que a gente está se transformando – ela concordou no mesmo tom.
- Eu proponho um acordo – Stan disse – Vamos colocar as cartas na mesa. Vamos falar tudo – ou quase tudo, ele pensou consigo mesmo – Ou a gente se mata ou volta ao normal.
- Espero do fundo do coração que o resultado seja a segunda opção – falou com um sorrisinho triste nos lábios, tomando o todo o fôlego possível quando viu que ele estava mortalmente sério – Senta mais pra cá – ela pediu batendo a mão no meio da cama, esperando ele se acomodar para começar a falar – Eu adoro saber que você se preocupa comigo. Fui uma... Nossa, nem sei um adjetivo em inglês que expresse o quão eu fui idiota ao falar aquilo para você. Me desculpa, de verdade... É que... Meus pais sempre me deram todo o espaço do mundo e eu me acostumei com você e o Breno chamando minha atenção um por vez, então vocês começaram a falar juntos, justamente sobre isso e... – ela soltou uma suspiro pesado e pendeu a cabeça para o lado, fazendo um leve biquinho ao morder o interior da bochecha – Isso não justifica eu ter sido uma retardada, então, me desculpa.
- Você... – ele umedeceu os lábios, estudando cada detalhe do quarto antes de voltar a olhar para a mulher – Eu sabia que isso tinha te afastado, mas eu não fazia ideia que isso ainda te machucava assim.
Ela já estava cansada de suspirar, sempre odiou as mocinhas das novelas por aquele costume, e agora ela percebia que essa era a melhor forma de demonstrar calma quando na verdade tudo o que precisava era gritar e chorar igual a um bebê.
- Sebastian...
- Não – ele a interrompeu negando com a cabeça – Bast, lembra? Eu 'to com saudade de ser chamado assim... , eu 'to com saudade de você e nós estamos há exatos três palmos de distância! – ele tomou fôlego. Primeiro porque acabou soltando tudo de uma vez; Segundo porque ele tinha a sensação que começaria a gritar se continuasse falando sem pausa; E terceiro, tinha a sensação que falaria besteira se isso acontecesse – Você não fala mais comigo, me interrompe quando tento puxar conversa, age como se nada estivesse acontecendo quando tem alguém por perto, e ainda, quando agimos civilizadamente sem companhia, fica uma tensão entre nós, que quase me impede de respirar! , me ajuda, eu não quero te perder, mas você tem que me ajudar a ficar do seu lado!
Stan ficou encarando a ruiva por um bom tempo, esperando alguma resposta, alguma reação, qualquer coisa, mas tudo que fez foi ficar o olhando por um tempo. Então se aproximou dele, acabando com toda a distância entre seus corpos, se sentando entre as pernas dele e encaixando o rosto na curva do pescoço do rapaz, que envolveu seu corpo imediatamente, a apertando contra si, como se quisesse fundir os dois corpos, e ficaram assim em silêncio por mais um bom tempo.
- Eu costumo dizer pra mim mesma que estou acostumada com essa dor na nuca – murmurou quando Sebastian começou a achar que ela tinha pego no sono – Sinto ela desde que consigo me lembrar... Sempre tive ela... Ia no médico e eles já chegaram a dizer que era dor psicológica – contou soltando uma risada em forma de bufada, fazendo o corpo todo de Stan arrepiar – Mas um dia, - continuou depois de um tempo – eu devia ter uns doze ou treze anos, passei mal igual ao dia da première, detalhe, na escola – o romeno apertou ainda mais, se possível, os braços ao redor da garota, sentindo um aperto no coração só de lembrar daquela noite – Meus pais ficaram loucos... Me levaram ao hospital, fiz vinte mil tipos de exames diferentes. Como o Bre era o único com quem eu ainda reclamava e estava sabendo que as dores eram frequentes, acabou levando um esporro absurdo... E eu não podia defende-lo, porque fiquei cerca de um mês internada, fazendo milhares de exames por dia e nunca descobrindo o que eu tinha... Então um dia as crises pararam e meu pai teve que aceitar que o melhor para todo mundo era eu voltar para casa. Supostamente, eu deveria ter ido ao oncologista três dias antes da alta, mas convenci minha mãe que não era necessário... Uma criança doente tem muito poder de persuasão sabe – comentou brincalhona, mas Sebastian encarava sério as mãos deles, sentindo ela mexer no anel quase igual ao dela, digerindo palavra por palavra – Quando eu voltei, eles queriam me levar ao oncologista de todo jeito, mas aquele um mês no hospital foi de mais pra mim... Eles me furavam todo dia, aplicavam remédio de teste, eu passava por psicólogos, até porque se nada sai em exame nenhum, a única explicação para uma menina de treze anos ficar daquele jeito é depressão – resmungou revirando os olhos – O tempo foi passando, e nunca mais nada aconteceu... Voltei a sentir isso lá em NY, fui ao médico e ele disse que é um grave caso de enxaqueca – deu de ombros – Eu não discordo, o remédio ajuda muito, então esse drama todo do Breno em relação a isso é desnecessário... O seu também, mas te dou desconto porque implicar com irmão mais velho nunca perde a graça.
Sebastian ficou calado após ela terminar, ele simplesmente não sabia o que dizer, então resolveu ficar quieto. Ele se lembrou da urgência dela para sair do hospital em Los Angeles, do nervosismo dela em relação aos exames... Muita coisa mudou da época que ela era criança e mesmo assim ela tinha medo de hospital.
- Vamos fazer um acordo? – ele murmurou do nada, fazendo se desencostar dele para encara-lo.
- Outro? – perguntou com um sorrisinho de lado que não chegava aos seus olhos.
- Nós não vamos esconder mais nada um do outro. Vamos contar tudo, sempre – propôs, levantando o dedo mínimo.
- Vamos fazer um acordo para voltar a sermos a e o Sebastian de antes? – ela perguntou apoiando uma mão na coxa do homem para se sentar mais ereta e se equilibrar direito em frente a ele.
- Vamos fazer um acordo para nunca mais ficarmos nessa situação que estamos agora – ele a corrigiu.
- Então... – ela falou envolvendo a mão dele com as suas e a abaixando – Antes de fazermos isso, eu quero pedir desculpa por tudo o que eu disse e fiz desde... Aquele dia.
- Eu também. Se a gente não se perdoar por isso, vai ser um empecilho e tanto em nossas vidas.
abriu um pequeno sorriso e mordeu o lábio inferior.
- Empecilho é? – perguntou brincalhona, achando engraçado o romeno usar aquela palavra.
Ele revirou os olhos e sorriu, a puxando para si novamente em um abraço apertado.
- Fechado? – sussurrou a pergunta no ouvido dela em relação ao acordo.
- Fechado.


Capítulo 14

A semana se passou como nos velhos tempos e Sebastian podia se considerar em plena felicidade, já que ele e voltaram ao seu normal e ele não podia ser mais grato por isso em toda sua vida.
E no sábado a tarde, os dois estavam deitados no chão da sala, ela com as pernas jogadas sobre as dele, que por sua vez tinha as pernas jogadas em cima do sofá. Biel até chegou a comentar que as pernas que deveriam ficar no chão e que o tio estava sentado do jeito errado, mas nada que uma boa influencia não possa fazer, acabou que o menino também estava em uma posição estranha: Deitado no assento de uma das poltronas, com as pernas para cima, onde supostamente deveria ficar as costas. Acabou que o menino gostou da ideia mais do que Gabriela gostaria de descobrir.
A dupla deixou a televisão ligada em um canal que passava vários clipes de musica da maneira mais eclética possível, onde a variedade ia de heavy metal ao sertanejo, esse último sendo traduzidos de maneira engraçado por , já que ela tentava manter o ritmo e isso não facilitava muito a vida dela. O mais novo ficava ali assistindo e prestando atenção em tudo o que eles falavam, tinha como propósito humilhar os coleguinhas do curso durante um bom tempo, então toda mera palavra era bem vinda.
- Aah! Eu adorava essa! – falou empolgada quando o cantor Luan Santana apareceu na tela da TV, introduzindo o início do clipe da música Cê Topa.
- Luan Santana, tia? – Biel perguntou rindo, recebendo a língua da mais velha como resposta.
A ruiva se empolgou tanto com a ideia de ouvir a música depois de tanto tempo, que nem se preocupou em continuar a tentar traduzir a letra para Sebastian, e só ficou ali, deitada, de olhos fechados, cantarolando a música com um sorriso lhe escapando pelos lábios, nem percebendo que Stan assistia a cena quase hipnotizado.
Gabriel até se ajeitou na poltrona ao reparar naquilo, um sorriso completamente sapeca crescendo gradativamente ao perceber que a ideia que lhe ocorreu provavelmente faria seu pai ficar orgulhoso.
- Tia, como fica essa música em inglês? – ele perguntou o mais inocente possível em português, chamando a atenção dos adultos, que também se sentaram corretamente para olha-lo.
não estranhou a pergunta, até porque o garoto estava focado em tudo o que eles falavam desde que foram para a sala, por isso estavam tentando o máximo possível falar o mínimo de besteiras possível, nenhum deles estava afim de ouvir sermão da mãe do menino, nem da avó. Na verdade ela até gostara de ouvir aquela pergunta, significava que ele estava empenhado, certo?
Fazendo um leve biquinho para pensar um pouco sobre os termos que poderia usar para não traduzir a música ao pé da letra e deixa-la sem sentido, se ajeitou de forma que ficasse completamente de frente para o sobrinho, consecutivamente, ficando completamente para Stan.
- Já pensou, se a gente for...
- Ta fora do ritmo – Sebastian a interrompeu rindo, ouvindo o menino bufar.
- Presta atenção, tio! – ele reclamou, então voltou sua atenção para a tia – fala a letra, não precisa cantar.
A mulher riu do aparente desespero do sobrinho, mas dando de ombros, fez o que ele pediu tão educadamente.
- Já pensou, se a gente for um pouco mais ousados nesse nosso lance? Já pensou, transformar a nossa amizade em um lindo romance? – e só ali, naquele frase, foi perceber a armadilha que o menino a enfiou. Sebastian focou sua atenção redobrada nas palavras da mulher, e ela não sabia dizer se aquilo era bom ou não. Mas ela já tinha começado, depois dessa ficava feio parar – Presta atenção em tudo que a gente faz, já somos mais felizes que muitos casais. Desapega do medo e deixa acontecer. Eu tenho uma proposta para te fazer – estava cruelmente dividida entre agarrar Sebastian ali mesmo ou sair correndo e ir parar no Passeio Público só pela forma que Sebastian a encarava sem piscar. Ela não conseguia desviar o olhar. Ele sabia que aquilo era a letra de uma música, certo? Ela estava imaginando coisas, não era? – Eu, você, dois filhos e um cachorro. Um edredom, um filme com o frio de agosto. Diz ai, cê topa?
Chegava a ser ridícula maneira que aquela música tão simples expressava com tanta exatidão o que Stan queria falar e ele não tinha muita certeza do que aconteceria a seguir se Biel não tivesse levantado da poltrona num pulo, caminhando apressado demais indo pra cozinha. E o primeiro barulho que ouviram depois que se calou, foi o de duas palmas se chocando em um high five, fazendo a dupla sentada no chão olhar para o hall da cozinha, encontrando Breno com o ombro esquerdo apoiado na divisão de um cômodo para outro com os braços cruzados e um sorriso maroto nos lábios.
-Você tem que assumir, o piá tem talento – falou para a irmã, que abriu lentamente um sorriso bem no estilo “A Orfã”, e mostrou a dedo do meio para o irmão.
- Seu filho está ficando tongo igual você, Ed Sheeran – ela resmungou se levantando, indo desligar a televisão, mas o ruivo mais velho a parou.
- Vou aproveitar que o Biel vai passar o dia na festa de aniversário de um amigo e a mãe e o pai saíram, para jogar um pouco. É difícil tirar um tempo para si com um filho de onze anos.
- Nossa, você fala como se o piá fosse impossível e você ficasse o tempo todo atrás dele.
- Inglês! – Sebastian gritou, ainda sentado aos pés do sofá, olhando para os ruivos como se eles fossem alguma espécie de alienígenas.
Breno desistiu de responder qualquer coisa para a irmã quando isso aconteceu, porque, aparentemente, a tensão entre a garota e o romeno realmente tinha ido embora, já que, por mais que tenha ficado meio sem graça por causa da música, quando viu a expressão de perdido na cara do amigo ao ouvi-los conversando em português, ela simplesmente abriu um largo sorriso, e depois de caminhar lentamente até onde ele estava sentado, se jogou no colo do rapaz e apertou as bochechas dele.
- Não adianta vir com esse sorrisinho não, pistruait – ele reclamou envolvendo a cintura dela com um dos braços, mas a tirou de seu colo por causa da presença do ali, não parecia certo deixa-la ali com o ruivo por perto... Pelo menos ele achava que não gostaria de ver sua irmã – se tivesse uma – no colo de um cara no meio da sala de estar dos pais deles.
- Reclama do português, mas me chama disso há um tempão e até hoje não me explicou o que significa – murmurou cruzando os braços, tentando se fazer de emburrada, mas acabou levando um peteleco na ponta do nariz e uma pedala do irmão que se sentou no sofá atrás deles com dois controles de X Box em mãos – Ow, isso já virou bullying!
- Existe uma tecnologia muito revolucionaria chamada Google Tradutor, conhece? – Breno perguntou fingindo não ter ouvido a reclamação da mais nova e entregando um dos controles para Stan.
- Você reparou como ele enrola a língua pra falar isso? Não sei nem como que começa a escrever isso!
- Tem P – Sebastian comentou, como se estivesse interessado em ajudar ela a escrever aquilo.
- Tem... Tem PI, tem Delta, tem a fórmula de baskara completa ai – ela disse se recostando no sofá e apoiando a cabeça no ombro do romeno, mordendo as bochechas por dentro para não rir junto com os dois homens.
- Bre, o Biel já foi? – Gabriela entrou no cômodo, seguindo diretamente para o sofá onde o marido estava, se jogando no espaço e deitando a cabeça no colo do ruivo – Bom dia, pessoal.
- Boa tarde né, linda, até seu filho já saiu e você ‘tava lá dormindo... – fingiu reprovação, tirando o celular o bolso e abrindo o Twitter – Não dormiu de noite, não?
- Na verdade não, essa noite foi bem cansativa – Gabi respondeu em um tom extremamente sugestivo, o que fez Sebastian travar e parar de mexer nas configurações do time dele no jogo, e explodir em gargalhada.
- Sem detalhes, por favor, pretendo manter minha mente limpa de imagens de vocês pelo resto da minha vida.
- Não completamente, né – Breno soltou, fazendo Stan desviar o olhar da televisão e encarar a garota que havia se desencostado dele e encarava o irmão com um olhar assustado. - Obrigado por me lembrar disso, vou ficar dois meses de novo sem dormir! – praticamente gritou enquanto Gabriela parecia desejar que um buraco se abrisse abaixo dela e Breno simplesmente ria – Qual é, Bre! Eu já tinha aprendido a conviver com isso! Agora a cena ta se repetindo aqui na minha mente e eu estou traumatizando tudo de novo!
- Espera – Sebastian se pronunciou – Você já viu seu irmão...
- Não fala! Não termina isso, não fala! – as duas mulheres começaram a implorar.
- ... Transando?
- É, ele falou – Breno falou rindo da cara que a irmã fazia – Vai, , não que eu goste da ideia, mas melhor você do que a mãe.
- Sempre que você fala isso, minha vontade de vomitar em você aumenta – a mais nova muxoxou, fingindo não perceber o olhar meio “Como isso aconteceu?” meio “Me prive dessa história, tenho medo de saber disso” que o romeno lhe lançava.
- Algumas semanas antes do meu pai assinar os papeis do meu apartamento, a minha mãe já começou a reforma do meu quarto para torna-lo quarto de hóspedes – Breno começou a falar, chamando a atenção de Sebastian, fazendo afundar o rosto no peito do rapaz e Gabriela na coxa do marido – Gabi e eu estávamos no meio de um lance e o quarto da estava mais organizado e mais perto, então nós...
- O que vocês acham de karaokê!? – Gabriela se sentou de supetão, cortando a fala do marido.
- Eu acho uma ótima ideia Gabi! – gritou com o rosto ainda escondido no peito do ator – Pega aquele que a gente cantava quando eu morava aqui – terminou de falar, finalmente, olhando para alguém naquela sala. Essa pessoa sendo sua cunhada, já que elas compartilhavam a vergonha daquele dia fatídico de dez anos atrás.
Sem se importar com a opinião dos homens, as duas trabalharam agilmente para trocar o X Box pelo DVD, conectar os microfones e encontrarem o DVD que estava esquecido na estante desde que foi para os Estados Unidos.
- Hey! A gente ia jogar! – o ruivo reclamou do sofá.
- E a gente quer cantar – Gabi retrucou concentrada em plugar os microfones no aparelho, enquanto sua cunhada retornava para perto do romeno.
- Para de me olhar com essa cara, eles estavam na minha cama no meio da tarde, não é como se eu quisesse ter visto isso – sussurrou para Sebastian que a encarava meio embasbacado.
- Por que você nunca me contou isso? – ele perguntou no mesmo tom, tentando, quase miseravelmente, segurar a risada ao falar aquilo com ela.
- Você acha que eu gosto de lembrar disso!? – ela falou irritada, mas acabou sorrindo pela forma como ele parecia tão acanhado perto dos outros, agindo como quando eles se conheceram, mas ali, sentados naquele chão, conversando por sussurros, ele era ele mesmo, ela era ela mesma, e eles eram nada mais que eles.
- Que foi? – Stan perguntou depois de alguns segundos seguidos sendo analisado pela ruiva.
- Nada – falou rápido, desviando o olhar antes voltar a encara-lo com um sorrisinho nos lábios – Vamos mostrar para esses dois como se canta The Heart Never Lies?
- Você vai fazer isso com a gente? – ele perguntou fingindo desespero, mas na verdade ele não esperava que ela escolhesse outra música. Sempre começava com aquela.
- Pula todas essas do McFly, então – Breno mandou, emburrado.
- Mas nem pensar! – a irmã do rapaz protestou, se levantando num salto e puxando Sebastian junto – Nós vamos começar – pegou os microfones das mão da cunhada, passando um para Stan, e pegando o controle para selecionar sua música favorita.
- Vocês nem perguntaram se nós queremos fazer isso... – o ruivo resmungou se encostando no sofá com força desnecessária.
- É pra você aprender a não me fazer passar vergonha na frente de um ator gostoso de Hollywood – Gabi sussurrou no ouvido dele, deixando um beijo estalado em sua bochecha – Sem contar que – acrescentou em voz alta para todos ouvirem – vamos ficar o resto do dia todo só nós quatro aqui, vai dar tempo de cantar esse DVD inteiro, uma partida longa de War e ainda jogar muito videogame antes de voltarmos a ter que agir como adultos.
- Okay... Sério, , ainda nessa bandinha? – o ruivo emburrado perguntou ao ver a música que a irmã estava para selecionar.
- Coração, eu nunca vou desencanar dessa bandinha – ela piscou e selecionou a musica.
- Vocês dois são muito gays! – Breno gritou antes de começar os primeiros acordes de The Heart Never Lies.
- Some people laugh começou com um sorriso enorme no rosto, já sabendo como aquilo terminaria.
- Some people cry - Sebastian continuou, fazendo uma careta ridícula fingindo estar com cara de choro, fazendo a garota gargalhar.
- Some people live deu um pulinho, logo fazendo careta de reprovação para Stan
- Some people die – ele cantou, rindo alto ao ouvir um rápido “Não se joga no chão!”.
- Some people run, right into the fire forçou a voz, ouvindo as risadas altas de Sebastian e Gabriela e a vaia de Breno.
- Some people hide, their every desire – Sebastian arriscou menos que a amiga, ou quando eles faziam isso na segurança de suas casas vazias em Nova York, e manteve o tom baixo e desafinado, mas acabou arrancando mais risos de já que ele sempre tentava imitar a voz e o sotaque do cantor nesse trecho.
- But we are the lovers, If you don’t believe me, - cantaram juntos, se aproximando um pouco e apontaram para os próprios olhos, tentando não rir um da cara do outro - then just look into my eyes, ‘cause the heart never lies.
- Some people fight, some people fall cantou, segurando o microfone com uma mão e com a outra fingindo dar um soco no romeno.
- Others pretend, they don’t care at all – Stan continuou, dando de ombros e se virando para a televisão como se estivesse ignorando a garota ao seu lado, fazendo Breno bater na própria testa, não acreditando no que estava vendo, enquanto Gabriela só sabia rir.
- If you want fight, I stand right beside you cantou com convicção, puxando o braço de Sebastian com uma força um pouco exagerada, o que causou um tropeção nela e um segurando no outro para não cair.
- The day that you fall, I’ll be right behind you, no caso na frente né – ele falou rápido, fazendo todos gargalhar.
- To pick up the pieces, if you don’t believe me, just look into my eyes, ‘cause the heart never lies – e de novo eles fizeram a brincadeirinha dos olhos porque aquela era melhor parte da música para cantar em dueto.
cantou/gritou os dois “ooooh”, dessa vez recebendo vaia até de Sebastian.
- Another year is over, and we still together – Stan cantou, fazendo parar de berrar quando a puxou firme pela cintura, deixando seus corpos quase colados - Is not always easy, but I’m here forever – ele cantou olhando profundamente nos olhos dela, porque desde que aprendeu aquela letra de tanto ouvi-la cantando, aquela frase nunca fez tanto sentido quanto naquele momento – We are the lovers, if you don’t believe me - cantaram juntos – just look into my eyes, ‘cause the heart never lies.
- ‘Cause the heart heart never lies cantou mais baixo, o olhar ainda preso no de Sebastian.
- Because the heart never lies – o romeno finalizou, devolvendo o sorriso que lhe lançava, se afastando um passo para trás para poder bater um high five com a ruiva, rindo junto com ela quando Gabi começou a gritar e bater palmas.
- Quem é Flones perto de vocês dois? – a mulher perguntou rindo, fazendo rir ainda mais.
- Vocês transformaram a música mais melosa do mundo em piada! Vocês são ridículos! – Breno falou exasperado, desviando o olhar da dupla para a tela da TV para ver a pontuação deles e soltou um bufo – E ainda conseguem tirar 9.8 cantando desafinado desse jeito! Vocês roubaram! – continuou reclamando.
- Qual é, o Bast e eu mostramos todos nossos dons nessa performance. Autógrafos somente mais tarde, com licença – disse rindo, entregando o microfone para o irmão e Sebastian deu o dele para Gabriela, e enquanto o casal procurava uma musica para eles, a dupla ocupou o sofá.
- Me lembre de nunca beber e cantar essa musica com você – Sebastian comentou deitando a cabeça no colo de , que imediatamente deixou seus dedos se perderem nos cabelos do rapaz.
- Como se você precisasse de ajuda para passar vergonha bêbado – ela retrucou num tom risonho, revirando os olhos.
- Com licença, que não fui eu que precisei da sua ajuda até pra tomar banho depois de uma noitada – ele apontou, levando um tapa no local onde estava recebendo o cafuné.
- Eu nunca acabei com meu carro de milhões de dólares tentando sair da garagem de casa – ela quem apontou dessa vez, quase tendo o dedo mordido nesse processo.
- Você não tem um carro, por que se não... – Stan deixou a frase no ar e virou o rosto para o casal que ainda não tinha escolhido nenhuma música, aproveitando o carinho que recebia.
- Ah! Eu amo vocês! – o romeno ouviu a garota dizer quando eles finalmente escolheram uma e acabou voltando sua atenção a ela.
Quando Gabriela começou a cantar, a ruiva começou a mexer os lábios com a música sem realmente cantar, os olhos fechados e um sorriso sereno no rosto completavam uma imagem de paz que a letra da música provavelmente passava, embora ele não entendesse por ser em português, mas o ritmo com certeza passava isso independente da letra. Vendo ela ali daquele jeito, foi impossível não sorrir junto, e nem se importou em estar parecendo um idiota, qual a probabilidade de ele olhar para ela assim desde que se conheceram? E se ele percebeu isso só agora? Ou quando ficou muito perto de perder essa paisagem particular? Ele realmente não sabia dizer quando percebeu que precisava daquele sorriso fácil para colocar um sorriso no próprio rosto, mas decidiu pensar sobre isso outro momento quando percebeu que ela o encarava de volta com ao grandes olhos azuis água com um brilho divertido.
- Que foi? – perguntou tirando alguns fios de cabelo que haviam caído no rosto dele, repetindo o gesto umas duas ou três vezes, e só então voltou a fazer o cafuné que ele tanto era viciado.
- Você está feliz – ele soltou sem nem perceber que estava falando.
Ela pendeu minimamente a cabeça para o lado, não para pensar em uma resposta, e sim para analisar quanto por cento daquela felicidade era culpa daquele homem que a olhava tão intensamente, então ela chegou à conclusão que ele era completamente culpado por aquele sentimento.
- Sim... Obrigado por isso – respondeu sorrindo, se inclinando e depositando um beijo na testa dele. Sebastian sorriu de volta, aquele sorriso maravilhoso que faziam seus olhos quase se fecharem e seus dentes aparecerem por completo – Mas não me parece que eu sou a única – comentou, descansando uma das mãos na curva do maxilar dele, deixando as pontas dos dedos passearem pela covinha que formava quando ele sorria.
- É que eu conheço uma ruivinha – ele disse casualmente – E sempre que ela está feliz, eu meio que fico feliz também – deu de ombros, deixando a risada escapar quando ela apertou o local que segurava, virou o rosto do rapaz minimamente e se inclinou, deixando uma mordida na bochecha do romeno – Canibal.
- Adoro te morder, você tem uma carne muito macia – disse sorrindo.
- Virei carne de churrasco agora? – fingiu-se de ofendido, mas a única resposta que teve foi outra mordida, então eles voltaram a prestar atenção no casal, se segurando para não cantar com eles.
Quando a música acabou, a dupla bateu palmas para o casal – embora insistisse que era somente para Gabi pela escolha da música, já que aparentemente Breno tinha a capacidade de estragar até as músicas do Legião Urbana –, e umas três músicas de cada depois, as mulheres resolveram deixar os homens serem felizes e jogarem, mas elas acabaram entrando na brincadeira e no fim os quatro organizaram um campeonatinho que, por mais improvável que pareça já que Gabriela não sabia nem fingir que sabia jogar, as mulheres ganharam.
A tarde se passou desse jeito, com os quatro largados pelo sala parecendo adolescentes que se juntavam para fazer trabalho depois da aula e acabavam fazendo tudo menos o que se juntaram para fazer e passaram o dia todo procrastinando. Pela lista de afazer deles passaram: Forca, mimica, quem sou eu, war, banco imobiliário, verdade ou desafio – obviamente com Breno e não perdendo a oportunidade de deixar um ao outro constrangido – stop, entre algumas outras brincadeiras que nenhum deles se lembravam que fazia tão bem à vida.
Pelas seis da tarde Gabriela decidiu que eles deveriam assistir um filme, e Sebastian não sabia se ria ou se chorava pelo fato de Breno ter Capitão América 2 baixado em um pen drive e todos na sala quererem assistir aquele filme. Eles se organizaram no mesmo sofá, o maior e mais espaçoso que tinha na sala, cada casal em um canto enquanto os baldes de pipoca e alcaçuz ficaram no meio. Filme com um áudio e imagem consideravelmente ótimas para o tempo de estreia do filme – e com consideráveis brincadeiras sobre Breno ser muito abusado de mostrar a pirataria para um dos atores do filme e que ele seria preso por isso –, todos acomodados e confortáveis, Breno liberou o filme que estava com o famoso emblema da Marvel ocupando completamente a tela da TV, e durante as primeiras cenas foi inevitável para Sebastian e não se lembrarem das circunstâncias em que o assistiram pela primeira vez, nem o que aconteceu poucas horas depois.
- Deus! Esse homem nesse uniforme deveria ser declarado uma das sete maravilhas do mundo moderno – Gabi falou em um tom meio sonhador em uma das cenas de diálogo entre Steve Rogers e Nick Fury, apoiando a cabeça no ombro do marido e suspirando fundo, fazendo os dois homens revirar os olhos.
- Deve ter essa petição em um algum perfil do Tumblr por ai, me lembre de procurarmos depois – comentou cutucando a cunhada com o pé enquanto pegava mais um alcaçuz, não vendo a – de novo – revirada de olhos de Sebastian com direito a fusquinha e tudo.
Na primeira cena do Soldado Invernal, quando ele pega o escudo do Capitão América como se não fosse nada de mais, se agarrou a Sebastian exatamente como fez na première, e ele não conseguiu não rir com isso. Mas também não conseguiu não deixar sua cabeça viajar para as horas seguintes, e se lembrar que a poucos dias ela havia sentindo a mesma dor, e que aquilo o assustou de mais. Qual a probabilidade dela tentar quebrar uma cadeira nos ombros dele se ele falasse sobre isso novamente?
Antes que ele pudesse chegar a uma conclusão, uma outra coisa passou pela cabeça dele, um momento em particular quando foi ver como estava, quando soltou um comentário e de repente eles estavam extremamente próximos e falou para eles “se beijarem logo”, foi ai que Stan percebeu uma coisa que ele não tinha parado para refletir ainda: Ele e nunca se beijaram. Selinho já até rolou, mas beijo, beijo mesmo, nunca.
Se é que isso faz algum sentido considerando o histórico deles. Então, ali sentado no sofá da casa dos pais da garota, mexendo nos cabelos dela – mesmo sem perceber isso –, e supostamente assistindo um filme, Stan começou a recapitular aquela noite de meses atrás, e perceber que: Deus! Aquilo foi realmente estranho. Eles não estavam errados quando verbalizaram isso. Em um momento eles estavam conversando e no outro estava em cima dele. Não que isso tenha sido estranho, mas analisando a situação como um todo, eles sem chegaram a se tocar naquela noite, foi mais um ato de desespero, parecia que os dois estavam há anos perdidos no deserto e aquele era o único momento que poderiam beber água, e como sempre, o desespero só os fez desperdiçar.
O mais perto que ele chegou dos lábios da mulher foi seu pescoço, o mais perto que chegou de leva-la – e coloca-lo – próximo ao paraíso foram seus peitos. E ele não queria nem pensar na forma errada que o restante aconteceu. o testou naquela noite, e era óbvio que ele não deixaria aquela chance escapar, mas aquilo pareceu mais transa entre dois adolescentes cheios de hormônios do que qualquer outra coisa. Por que naquele momento ele não quis experimentar o sabor dos lábios dela? Por que ele não desvendou cada milímetro do corpo dela e deixou sua marca por toda a extensão daquilo que ele considerava a mais perfeita escultura? Era seguro pensar nesse tipo de coisa no meio da sala com ela praticamente deitada em cima dele sem saber o quê se passava por sua cabeça uma vez que esse tipo de pensamento poderia muito bem influenciar determinadas partes do corpo dele?
Seguindo essa linha de raciocínio, o cérebro do ator voltou rapidamente para o ponto inicial daquilo: O comentário de . Pareceu uma coisa importante para ela, mas se lembrando ali daquela madrugada com mais clareza, Stan podia jurar que ela estava errada.
- Boneca – ele murmurou meio para si mesmo, mas acabou chamando a atenção de , que desviou o olhar da cena do Soldado Invernal lutando contra a Viúva Negra para encara-lo com um olhar de questionamento.
- O que?
- Em LA, - ele começou a explicar sem focar o olhar nela, aparentemente nem percebendo que estava falando – você disse que eu te chamei de princesa, mas na verdade eu te chamei de boneca.
franziu o cenho, se perguntando como ele foi chegar naquela linha de raciocínio, mas logo deu de ombros, resolvendo não questionar mais do que já fazia a maior parte do tempo.
- Oookay... Isso parece mais uma coisa que o Bucky falaria mas...
De repente o olhar de perdido de Sebastian se intensificou, parecendo até um pouco nervoso, e quando foi para tocar o rosto do amigo e perguntar se ele estava bem, o olhar perdido do rapaz focou na ruiva e perguntou com uma voz rouca e meio baixa:
- Who the hell is Bucky?!
O tapa estalado que ele sentiu no braço em seguida não foi o suficiente para faze-lo parar de gargalhar, e isso meio que chamou a atenção do casal do outro lado do sofá, mas a audiência não impediu de continuar esbofeteando o romeno e nem ele de continuar rindo.
- Você é um idiota. Um retardado. Um sem coração – ela falava a cada tapa, que ele nem tentava se defender, mas só para vê-la ainda mais irritada, Stan segurou os pulsos da garota.
- Tapinhas ardidos, andou treinando sem mim? – brincou, fazendo ela mostrar a língua, o que o fez rir ainda mais.
- Que porra ta acontecendo aqui? – Breno finalmente perguntou, ainda os encarando como se eles tivessem algum problema mental.
- O Bast é um babaca! – “explicou”, se voltando para o irmão como se procurasse apoio emocional – Ele não sabe que palavras machucam!
- Shiiiu! – Gabriela falou, fazendo os três ficarem quietos – Essa é minha parte favorita.
Os três voltaram a prestar atenção na tela da televisão no exato momento em que Steve Rogers aplicava o golpe que fazia a máscara do Soldado Invernal cair, e depois da pergunta do Capitão, o personagem de Sebastian na tela fez a mesma pergunta que ele acabara de fazer para , do mesmo jeitinho.
- Foi isso que ele fez! – praticamente gritou – Ele acabou de falar exatamente isso pra mim, exatamente desse jeito!
A reação dos outros dois foi exatamente a mesma: Gritaram em uníssono “Nossa, Sebastian!”, e tacaram algumas almofadas na direção do ator – a maioria desviando com facilidade , mas uma ou outra pegou bem no rosto, o que fez gargalhar e murmurar um “Toma, trouxa”. Mas logo a ordem foi reestabelecida e a atenção voltou para o filme novamente.
Ao fim da última cena pós crédito, Jonas anunciou ainda da porta de entrada a volta do restante dos , e logo Biel apareceu na sala, se enfiando entre a mãe e a tia, uma vez que os baldes de comida – agora vazios – se encontravam na mesinha de centro.
- Ué, piá! Não era pra você me ligar para eu te buscar? – Breno perguntou, recebendo um olhar atravessado da esposa por ele não ter combinado uma coisa certa com a criança.
- Era, mas ai eu lembrei que a vó e o vô saíram, e sempre que eles saem sozinhos demoram para voltar pra casa, então liguei pra eles e pedi para me buscarem quando estivessem voltando – explicou-se dando de ombros.
- E desde quando o adultão ai toma decisões por si mesmo? – perguntou bagunçando os cabelos negros do menino.
- Desde o momento de que não te interessa – Biel resmungou, e quando percebeu que tinha dito aquilo em voz alta saiu correndo porque a tia gritou alguma coisa que ele não entendeu o que era mas que fez sua mãe gritar com ela, e logo em seguida saiu correndo atrás dele.
- Se vocês dois quebrarem alguma coisa, a coisa vai ficar feia pra lado de vocês! – Adriana gritou do hall da cozinha, e Stan não estava entendendo praticamente nada do que estava acontecendo, mas estava rindo porque parecia tentar segurar a gargalhada enquanto corria atrás do sobrinho que nem tentava parar de rir – Sebastian querido, vamos pedir pizza, vai querer qual sabor? – Adriana perguntou em um tom completamente diferente para Stan, fazendo ele desviar a atenção da dupla correndo para a loira.
- Por mim strogonoff está ótimo – ele deu de ombros, se levantando quando ouviu Jonas chamar ele e Breno na cozinha.
- Se acostumou com o pedido da ou você realmente gosta de pizza de strogonoff? – Breno perguntou, deixando um beijo estalado na bochecha da mãe quando passou por ela.
- Acho que me acostumei e acabei tomando gosto – deu de ombros. Não era como se a ruiva tivesse mal gosto.
- Vocês precisam me ajudar a convencer a Adriana de que esse vinho é melhor do que aquele que tomamos quarta – Jonas disse, já oferecendo uma taça para cada um, e servindo uma para Gabi que apareceu logo depois na cozinha.
Os gritos e risadas de Biel e ainda podiam ser ouvidos, mas ninguém parecia dar real importância a isso, a não ser Sebastian que estava louco para assistir aquela cena um pouco mais. A jornalista vivia reclamando do fato do garoto estar crescendo e ficando chato, mas era mais que palpável o quanto ela amava a companhia dele e que o sentimento era recíproco.
Sem que ele conseguisse processar o fato, Biel entrou correndo na cozinha e se “escondeu” atrás do ator, e logo em seguida a bagunça vermelha apareceu sem controle algum de seu corpo, gritando que aquele cômodo não estava valendo. Óbvio que Stan não entendeu o que ela estava falando, mas entendeu bem o fato da garota ter esbarrado de frente com ele, derramando vinho nos dois, mas principalmente em Sebastian que teve até a calça molhada. - Meu Deus, ! Se controla caramba, você não tem mais dez anos pra correr desse jeito dentro de casa! – Jonas esbravejou, olhando feio para o neto também, mas para esse não disse nada.
- Ta tudo bem, sério, é só vinho – Stan disse, afastando um pouco a camiseta branca da barriga, reparando que muito provavelmente aquela peça nunca mais voltaria a ter a cor que sempre teve.
- Desculpa, Bast! Desculpa mesmo – pedia, passando as mãos sobre as regiões molhadas sem realmente toca-las – Prometo que te compro uma igualzinho... De novo... Falando nisso, aquela que eu rasguei no zoológico, te devolvi? – perguntou meio para si mesma, levando Sebastian a pensar no caso também, aquilo fazia algum tempo já, na verdade ele não sabia a resposta, então não poderia responder com certeza.
- Eu não lembro... Aquela que você me deu de Game Of Thrones é...
- Não, não foi disso, acho que essa foi de natal.
- Aaaah... – ele assentiu, concordando com a garota, o episódio do zoológico foi alguns dias depois – Enfim, – deu de ombros – estava procurando um motivo para ir tomar banho mesmo.
- Me da a roupa depois, acho que se colocar logo de molho salva a camiseta – Adriana comentou.
Então enquanto e Gabriel levavam um bom esporro por ficarem correndo dentro de casa, Sebastian foi para “seu quarto” tomar um bom e merecido banho após um dia tão cheio de nada para fazer como que que ele havia passado, mas não contava com um pequeno probleminha na etapa dois do processo de tomar banho: Se vestir. A mala dele estava vazia.
Sebastian: ?
!?!?
: Pois não?
Vem pra cozinha, louco, a pizza chegou.
Sebastian: ‘To com um problema aqui...
Da pra vir aqui?
nem respondeu, só pediu licença da mesa – que ninguém ouviu, já que todos estavam ocupados ouvindo Biel contar sobre a festa de aniversário do amigo –, e seguiu para o quarto de hóspedes, dando de cara com um Sebastian só de cueca sentado na cama e mexendo no celular.
- Isso é pra me seduzir? Vou te falar, ta funcionando – ela disse sorrindo, rindo quando ele levantou o olhar e piscou para ela – Sério, que foi?
- Eu acho... – ele começou, passando a mão pelos cabelos, sorrindo amarelo quando voltou a olhar para a brasileira – Eu acho que sua mãe levou todas as minhas roupas pra lavanderia.
o encarou por mais alguns instantes, esperando ele dizer que não foi por aquilo que ele a chamou, tentando de todos os jeitos possíveis defender o amigo das acusações mentais que ela mesma estava fazendo, mas nada disso segurou sua língua.
- Você é burro?
Stan fez uma cara de ofendido, apontando para a jornalista.
- Eu fiz sua mala e você está completamente vestida! E bem vestida por sinal! – resmungou ultrajado.
- E com isso esqueceu de arrumar sua própria mala – cruzou os braços, lançando um olhar de quem o desafiava a contradize-la – Eu poderia ter te ajudado...
- Mas assim não seria surpresa – Sebastian a interrompeu, e com isso se desarmou de qualquer ironia ou sarcasmo e se sentou ao lado do romeno.
- Da próxima vez que viermos, pensa nos jogos de futebol e o tanto que isso suja suas roupas – ela disse pousando a cabeça no ombro do rapaz.
- Na próxima vez, eu vou trazer mais roupas – ele profetizou, fazendo a ruiva rir.
- Acho que tem alguma coisa do Breno aqui no guarda roupa – ela comentou se levantando – Deixe-me ver.
Ao ouvir o nome do ruivo, Sebastian se lembrou de um assunto que queria muito ver sair da boca da brasileira.
- Então o Breno costuma deixar muita roupa espalhada por aqui? – até chegou abrir a boca para responder, mas quando percebeu o tom que ele havia feito a pergunta, tudo que Sebastian sentiu foi o impacto de um camiseta de encontro com o rosto dele – Ai!
- Eu jamais vou me recuperar disso e você soltando esse tipo de comentário não vai ajudar em nada.
- O Biel sabe disso!? – perguntou com um sorriso de orelha a orelha enquanto vestia a camiseta cinza com a palavra “Bazinga” escrita em preto – Fala a verdade, você que comprou essa camiseta pra ele, não é?
- Primeiro: Por que infernos eu traumatizaria a infância do meu sobrinho com essa história? Segundo: Sim, fui eu, e estou bem triste que ele deixou ela esquecida aqui – resmungou sem tirar a atenção do guarda roupa, mas não conseguiu encontrar mais nada ali – Manda uma mensagem pro Bre com meu celular e fala pra ele emprestar uma calça pra você. Certeza que amanhã cedo as roupas já chegam, e você volta a ter dignidade.
- Vou ser o próprio rei de Asgard – murmurou digitando no celular da mulher.
- Sai um pouco da Marvel, agora você é um astronauta – falou rindo, voltando a se sentar ao lado do ator, só para tomar o celular da mão dele e então se jogar da maneira mais esparramada possível na cama.
- Vivi para ouvir você dizer isso! Posso morrer em paz agora – Sebastian dramatizou, se sentando de um jeito que pudesse olhar para a ruiva – E de qualquer jeito, é um planeta diferente – deu de ombros.
- Super imaginei o Matt Damon em Asgard agora. Com uma roupa meio no estilo do Loki! – falou animada, gargalhando quando Stan continuou a encarando com cara de paisagem.
- Desliga esse cérebro, isso ficaria horrível.
- Sim... Mas pensa: Ele espera a tripulação voltar para buscar ele, mas eles acabam perdendo a rota e vão parar em Asgard e...
- , que tipo de droga Adriana colocou na sua comida hoje?
Ela até começou a responder, mas Breno abriu a porta o quarto sem o mínimo de cerimônia, assustando a dupla e colocando um sorriso sapeca no rosto do ruivo.
- O que as crianças estavam aprontando? – perguntou jogando uma calça de moletom no romeno.
- Qual é a de jogar roupas na minha cara hoje? – Stan perguntou se levantando para vestir a calça, perdendo a troca de olhar entre os irmãos.
- Bom... Ta na hora de Trato Feito – anunciou se levantando e saindo do quarto para assistir ao programa que sempre assistia com o pai, mas parou na porta e voltou a olhar para o irmão – Eu não sei o que você vai fazer, mas saiba que eu tenho meus métodos para convencer o Bast a me contar tudo, então fica esperto – e então saiu, fingindo não ouvir o “Espera, o que?”.
Assim que Breno fechou a porta e voltou a encarar Sebastian, o ruivo teve vontade de começar a gargalhar, mas estava gostando muito do olhar perdido/assustado do romeno para se entregar a esse desejo. Por isso eles só ficaram se encarando por quase um minuto, quando o resolveu parar de torturar o pobre homem sentado na cama e abandonar a pose séria.
- Respira, Stan, não é hoje que vou jogar seu corpo numa vala – disse sorrindo e indo se sentar ao lado do ator – Sabe, eu ensaiei essa conversa algumas vezes nos últimos meses, e cheguei até a pensar que não a usaria nos últimos dias mas... – respirou fundo e deixou uma risadinha sair no final, porque aparentemente ele estava meio sem jeito por estar fazendo aquilo, já que não tinha por quê fazer aquilo – Eu deveria começar isso com o típico “Se você machucar ela, eu quebro você”, mas francamente! Você cuida mais dela do que de si mesmo! – falou apontando para a roupa do moreno – Então acho que só estou aqui para pedir para você falar logo pra ela.
Sebastian ficou encarando Breno, tentando entender o que ele estava falando, e terminar de falar a ultima parte, já que ali ele ficou bem perdido.
- Cara, eu...
- Sebastian, não vem com essa – Breno o interrompeu – Pra ficar mais óbvio que vocês são completamente apaixonados um pelo outro só com um outdoor com letreiro em neon colado na testa de cada um – ele aproveitou o fato de Stan ficar quieto para continuar, deixando temporariamente de lado o fato do romeno estar corado – A é completamente travada nesse assunto, deve ser só mais um dos inúmeros defeitos de fábrica dela, mas eu tenho fé em você. Todo mundo aqui gosta de você e vê o quanto você faz bem pra ela. O quanto você se importa com ela – Sebastian se levantou lentamente, passando as mãos pelos cabelos, digerindo cada palavra do rapaz – Vocês são demais juntos, não tem como isso dar errado, por que você simplesmente não abre o jogo pra ela?
Ele sempre parava nesse pergunta. Por que não?
Sebastian também não sabia, mas alguma coisa dentro de si dizia que para aquilo não era exatamente daquele jeito, principalmente depois do último mês.
- Não é assim – falou quase para si mesmo, o que resultou em uma resposta semi sussurrada, mas Breno ouviu perfeitamente – Não para ela.
Quando Stan focou o olhar em Breno novamente não esperava ver no rosto do ruivo um sorriso, mas foi exatamente o que viu. Então o se levantou e parou na frente do romeno, colocando a mão no ombro do ator e deixando ali uma espécie de aperto de coragem.
- Então mostre para ela, não vai ser difícil, porque bem... Você a ama, não é?


Capítulo 15

Amor.
É uma palavra forte, com um significado especial, quase mágico.
Uma palavra que há muito perdeu seu real valor para grande parte da população, perdeu sua magia.
Sebastian não podia dizer que cresceu vendo o amor, muitas coisas acontecerem com as figuras que poderiam ter passado esse exemplo para ele.
Não que ele não tenha sido amado, longe disso. Sua mãe sempre fez um trabalho excelente e continuava fazendo, não podia reclamar de seu padrasto, ele foi uma grande figura em seu crescimento e ainda o ajudava da maneira que era possível considerando a situação. Não, o amor que ele não sabia se conhecia era aquela coisa de comédias românticas, ele não teve esse exemplo dentro de casa e não viveu isso em nenhum de seus antigos relacionamentos. Ele não sabia se isso existia.
Mas se não existia, então o que era aquilo que ele estava vivendo?
Ele nunca foi de ficar pedindo por atenção, em suas últimas relações chegou a ser chamado de frio por não procurar tanto por contato físico e até mesmo sentimental, mas então ele e passaram aquela madrugada naquela sorveteria e tudo isso mudou. Ele mandou mensagem para ela, e simplesmente não conseguiu mais parar de fazer isso, e simplesmente ligava se ela demorava muito para responder. Então começaram a conversar todo dia, e ele não se sentia completo se não recebesse nem que fosse um “oi” da ruiva. Depois de alguns meses o contato precisou se tornar mais real e ficar longe de Nova York para as rotineiras viagens de trabalho já não era mais assim tão bom como costumava ser. o acalmava, e se ela não estivesse bem ele também não estaria, mas se ela sorrisse era inevitável não sorrir também.
Então era aquilo? Aquela era a sensação de estar amando?
Se sim, ele já a amava a quanto tempo contando desde quando se conheceram? Se não, aquela conversa com Breno deveria tê-lo deixado daquele jeito, nervoso com a ideia de dividir uma cama de hotel com uma mulher que ele costumava dormir quase toda noite? E por que essa última parte o incomodava tanto agora que esses questionamentos não saiam de sua cabeça?
- Bast, sério, porque se você quiser mais coisa, o que acho desnecessário, não vai caber nossas roupas juntas só nessa bolsa – falou como se já estivesse falando aquilo pela décima vez enquanto tentava arrumar uma única mala para os dois passarem três dias no litoral.
A ideia foi de Jonas, que ficou sabendo que Sebastian era louco por praia e deu a brilhante ideia dos mais jovens descer a serra no meio do mês de maio com temperaturas deliciosas abaixo de quinze graus. Aparentemente para Sebastian isso não era empecilho, ainda mais quando Breno abraçou a ideia com um claro objetivo de fugir do escritório na sexta e sábado, dizendo que na praia era mais quente e que eles deveriam aproveitar que não estava chovendo naqueles dias. e Gabriela só deram de ombros e aceitaram, porque na pior das hipóteses eles não aproveitariam a praia em si, mas ainda não seria uma viajem sem proveito, certo? Então ali estavam eles, no quarto de , tentando organizar tudo que precisariam durante três dias.
Melhor dizendo, estava cuidando da organização enquanto Sebastian estava sentado no enorme puff no meio do quarto da ruiva tendo pensamentos um tanto quanto perturbadores, na visão dele.
- Bast? – o chamou novamente. Perigosamente próxima. Com o rosto a centímetros de distância, curvada sobre o puff e com as mãos apoiadas nos ombros do ator.
Como ela chegou ali sem ele notar?
Bom, aquela pergunta não parecia importar muito considerando os olhos verdes extremamente perto dele. E aquela maldita boca que não deveria ser tão vermelha mesmo sem qualquer vestígio de maquiagem no rosto dela.
Sem perceber o que estava fazendo, Sebastian se levantou vagarosamente mantendo o olhar fixo em , que não questionou sua movimentação e nem desviou o olhar, só ficou ereta e esperou o romeno explicar o que o atormentava.
- Eu vou fazer uma coisa – ele disse a meia voz, alto o suficiente somente para decifrar as palavras, mesmo com a proximidade – Por favor, não me odeie por isso – e logo após umedecer os próprios lábios, Sebastian os uniu com os de , que por um momento pareceu estática de mais para fazer qualquer coisa, até mesmo respirar.
Então ela percebeu que aquela era uma ótima sensação. Uma coisa que ela nunca havia experimentado mas que descobriu ali, naquele momento, gostar demais. Os lábios de Sebastian eram macios e se encaixavam perfeitamente aos seus, as mãos dele segurando sua nuca e a lateral de seu rosto pareciam tornar o mundo um lugar maias seguro. E assim que o torpor passou e ela entreabriu a boca para expirar um pouco de ar, suas línguas se encontraram em uma brincadeira de dança calma e leve, como se aquele encontro fosse algo natural entre os dois, o que causou um peso gostoso em seu estômago e a levou a aprofundar mais o beijo aproximando ainda mais seus corpos e levando uma das mãos a se perder nos curtos fios de cabelo do rapaz enquanto a outra continuava no ombro dele, o apertando cada vez mais que ele parecia querer aumentar o ritmo da dança.
Então uma sequência de três batida na porta e o nome de sendo chamado uma vez após cada sequência os tiraram daquele momento único.
Primeiro eles se negaram retornar para a realidade de uma vez, separando os lábios e encostando-se um na testa do outro, como se o contato fosse ajuda-los a pensar com mais clareza no que havia acabado de acontecer, sem se afastar nem mais um milímetro que isso. Mas a voz de Biel se fez presente na porta novamente, e isso foi o suficiente para trazer de volta ao mundo real, onde ela tinha um sobrinho empolgado talvez até de mais com a ideia dos pais ficarem fora por três dias e ficar sozinho em casa já que os avós teriam que cuidar do escritório na ausência de Breno, fazendo ela se afastar de Sebastian como se ele estivesse emanando correntes elétricas capazes de machuca-la.
- Fala, meu pirralho! – disse com uma voz carinhosa meio afetada assim que abriu a porta, recebendo um olhar engraçado do sobrinho que pareceu resolver não olhar nada por muito tempo dentro do quarto, mas parando alguns instantes no “tio Sebastian”, achando meio estranho ele ficar parado no meio do cômodo com aquele olhar perdido.
- O pai me pediu pra vocês levarem as malas para o carro, ele não quer sair tarde.
- Ele quer é fugir das responsabilidades logo, aquele jaguara preguiçoso – comentou para si mesmo com uma voz vaga, com o pensamento muito longe para se concentrar na pressa do irmão em ir para o litoral, mas quando viu o garoto dar meia volta e seguir pelo corredor, o gritou e pediu para espera-la, e mesmo sem se virar para Stan, pediu para que ele fechasse a mala e a levasse para a garagem. E assim fugiu de Sebastian Stan logo após beija-lo.

- Vocês estão tão quietos – Gabriela comentou olhando pelo retrovisor a dupla sentada no banco traseiro, constatando o óbvio já que desde que entraram no carro não abriram a boca sequer uma vez, e eles já estavam em Caiobá e nenhum som continuava sendo emitido pelos dois.
- Eles não estão te ouvindo, podemos começar a falar sobre a noite passada que eles nem vão perceber que a conversa é sobre sexo – Breno assegurou pra esposa, também os olhando rapidamente pelo espelho.
- Falando nisso...
- Eu to’ ouvindo tudo sim! – Sebastian e falaram juntos em um tom desesperado, fazendo o casal gargalhar em uníssono.
- Qual é o problema de vocês, esqueceram como se comunicar? Isso pode ser um grande problema para qualquer um, mas para vocês pode ser um pouco pior – Breno brincou enquanto manobrava o carro no estacionamento da pousada – Graças a mim não perderam sua última semana no Rio, imagina vocês dois naquele calor infernal sem conversarem nem se pegarem na bagunça de turista que já está aquela cidade por causa da copa? – e saiu do carro, fechando a porta num baque surdo, mas logo a abriu novamente quando reparou que os outros três não pareciam se mexer – Chegamos, querem ficar no estacionamento enquanto eu vou pra praia?
- Sua empolgação até seria contagiante, – falou saindo do carro, parando de frente para a porta, de forma que poderia encarar o irmão do outro lado do veículo – se não estivesse garoando – passou a mão pelo teto do carro e espirrou o máximo de água que conseguiu na cara do irmão.
- Você sabe cortar o barato de alguém – Stan resmungou alto o suficiente para todos ouvirem, e o que Gabi e Breno acharam ser uma simples brincadeira pareceu abalar um pouco quando as bochechas da ruiva adotaram uma tonalidade avermelhada.
O ator e a jornalista não viram a troca de olhar entre o casal.
- Só quando tenho certeza do que estou falando – respondeu dando de ombros, seguindo para a portaria de recepção da pousada, deixando um trio de expressões confusas para trás.
- A sua irmã é o ser mais estranho que eu já conheci nesse mundo – Sebastian falou para Breno, deixando o ruivo ainda mais perdido.
Gabriela, a menos abalada pelos comportamentos estranhos ao seu redor, abriu o porta malas e se responsabilizou de colocar uma mala na mão de cada homem e guia-los na mesma direção que seguiu.
- Por que não avisou que viria? – um loiro bronzeado, na maior pinta de surfista, repetia a pergunta algumas vezes enquanto apertava contra si em um abraço sem escapatória, no meio da recepção. A última coisa que parecia ali era que desejava escapar daquele abraço.
- Eu não sabia que viria, foi meio que decisão de última hora! – se afastou o suficiente somente para explicar, e logo voltou para o abraço, com um sorriso no rosto quase tão largo quanto do “loiro com pinta de surfista”
Sebastian não entendeu nada do que eles estavam conversando, mas ver aquela cena travou seu maxilar. Assim como seu corpo todo.
O lado bom foi que todos pareciam ter travado, então ele não se sentiu tão idiota por isso.
- Caio, não acredito que você ainda tá empacado aqui! – Breno falou, quase gritando, levando todos a encara-lo.
- Tocha! Resolveu vir se misturar com os mortais? – Caio disse sorridente, trocando um ruivo pelo outro – A Pimentinha eu entendo nunca mais ter aparecido, mas você... – ele não terminou a frase, pois estava ocupado em uma espécie de lutinha que causou gargalhadas em e Gabriela, mas que fez Sebastian revirar os olhos.
- Não acredito que vocês vão me forçar a isso – falou rindo, se metendo entre os dois, tentando salvar o irmão que estava preso embaixo do braço do outro cara, mas Caio largou Breno assim que a mais nova aproximou a mão esquerda dele, a segurando de forma que pudesse analisar o objeto prateado no dedo anelar dela.
- Ou você está usando essa aliança na mão errada, ou o cara tem um péssimo gosto para isso.
demorou um pouco mais do que gostaria de assumir para entender do quê Caio estava falando, mas até isso acontecer, Breno e Gabi puderam rir e empurrar Sebastian para perto do novo centro de atenção.
- Não é...
- Cara, depois de tudo, você pelo menos não segue minha irmã no Instagram? – Breno interrompeu a irmã, falando em inglês, fazendo Sebastian sem querer virar o rosto muito rápido para encara-lo, não só pela mudança de idioma como também pela frase solta em uma conversa que até então ele estava tentando pegar o rumo pelas expressões faciais – Calma, Seb, não vá quebrar o pescoço em território brasileiro, isso é a ultima coisa que o país precisa nesse momento – o ruivo o atentou com um sorriso sapeca, e por mais que precisasse de um momento a sós com o romeno assim que juntasse coragem, ela tinha que sair em defesa do amigo, ou ficaria com a consciência pesada.
- Breno – falou em tom de repreensão para o irmão, se colocando ao lado do ator, tentando ao máximo possível não pensar no que havia acontecido mais cedo, nem em todas as sensações que o corpo dela experimentou e repetia a cada segundo que ela voltava a pensar naquilo – Caio, esse é Sebastian, meu... Amigo... – aquela palavra nunca saiu com tanta dificuldade de sua boca, e Sebastian percebeu isso – Bast, esse é o Caio que eu te falei, o grande amigo da família, a gente sempre ficava aqui na pousada do pai dele quando víamos pra praia. Lembra?
É claro que ele lembrava, volta e meia ela falava alguma coisa sobre esse tal Caio, e ele acumulou aprendizado sobre o cara o suficiente para saber que ele havia ensinado ela e o Breno a surfar quando ela tinha doze anos, ou que quando eles ficaram mais velhos costumavam ficar sempre que ela ia á praia com a família, e que ele chegou pedi-la em namoro mas ela não aceitou, pulando a parte que Breno descobriu sobre as escapadas deles e deu uma surra em Caio por “ele estar usando a irmãzinha dele”. achava que Caio havia deixado Breno bater para ganhar créditos quando o ruivo se acalmasse, o que não ajudou muito Caio já que ela não estava interessada em namorar aos dezessete anos, mas pelo menos a amizade entre os três voltou ao normal depois de um tempo. Sebastian colocou seu melhor sorriso no rosto e estendeu a mão para o dono da pousada.
- Sim, claro, é um prazer conhece-lo. Pistrui me falou bastante de você – a simpatia em sua voz parecia tão verdadeira que até ele se surpreendeu, e resolveu fingir que os três olhares desconfiados e um extremamente surpreso não eram para ele.
- Pis... Mas você é o... Você vai... – Caio tentava, novamente, formular uma frase coerente enquanto alternava o olhar entre Sebastian e com a maior cara de tacho da história – Você está no...
- Você é uma péssima pessoa – falou para Stan, interrompendo a fala do homem – E você está logo atrás nesse patamar – disse apontando para o irmão.
- Eu não fiz nada – Breno deu de ombros. Cínico.
- Você que começou com isso, não venha se fazer de desentendido – resmungou se virando para encarar o ruivo.
- Não sou eu que fico com uma aliança de compromisso na mão sem motivo – retrucou de volta.
- Sem motivo? Achei que significava alguma coisa para você, – Sebastian se intrometeu, não se importando com o rosto quente porque ver corar daquele jeito estava sem preço. Nem ele sabia que se vingar por ela ter fugido seria tão libertador para ele.
- Stan, você não vem colocar lenha na fogueira porque no quarto a gente conversa – tentou soar firme, mas quando percebeu como a frase saiu sentiu o rosto esquentar ainda mais, então resolveu enterrar o rosto entre as mãos e esperar que Caio voltasse para qualquer que fosse o lugar que estava antes de vê-la ali, e que os outros fossem logo fazer o check-in e deixassem ela ter poder sobre o próprio corpo novamente. Obviamente isso não aconteceu.
- Fiquei ansioso agora, Pistrui – o romeno sussurrou nem um pouco baixo no ouvido dela, deixando que os outros ouvissem, e a abraçou de lado, sentindo-a ficar ainda mais tensa em seus braços, nunca tirando as mãos da face.
- Eu não faço ideia do que está acontecendo aqui, mas estou amando – Breno declarou com um sorriso tão grande no rosto que Sebastian podia jurar que aquilo estava doendo.
- Tudo bem, deixem minha cunhada em paz – Gabriela intercedeu, puxando para perto de si, causando um biquinho em Sebastian e Breno, mas nenhum dos dois ousou questionar a mulher – Vamos pegar os quartos, e vocês se comportem – apontou para os dois, então voltou o olhar para o loiro e usou sua melhor expressão vazia para falar com ele – Inclusive, to’ bem também Caio, é bom te rever – e se afastou praticamente arrastando junto, deixando os três as encarando, parados no meio do saguão.
- O que está acontecendo com essas mulheres hoje? – Breno murmurou para Sebastian o mais baixo possível.
- Fala – Gabriela exigiu assim que as duas alcançaram o balcão, mas o máximo que conseguiu da mais nova foi uma veemente negativa de cabeça – Você sabe que quando contar para o Bre, ele vai me contar, né? – uma assentida – E mesmo depois de eu ter te tirado do buraco que você estava cavando ali, não vou saber de nada enquanto o Breno não souber de tudo? – dessa vez ela recebeu um olhar que conhecia bem: estava travada e com medo, e estava pedindo desculpa por isso. Gabriela se sentiu mal por ter pressionado – Tudo bem – falou em meio a um suspiro enquanto passava o cartão do marido para pagar pela estadia ali e dava espaço para fazer o mesmo – Mas você sabe que eles estavam só brincando, certo? Não precisa ficar assim – a ruiva assentiu novamente, e Gabriela começou a ficar preocupada, a garota só tinha ficado daquele jeito quando recebeu a proposta de emprego em NY e não sabia como falar para os pais e ao irmão – , você sabe que precisa falar, certo? – outra afirmação – Quer água?
- Não – a ruiva finalmente falou depois de alguns segundos parecendo refletir sobre a necessidade do liquido em seu corpo no momento – Eu só preciso tomar coragem.
Gabriela abriu um pequeno sorriso para a cunhada, querendo abraça-la e dizer que tudo ficaria bem, mesmo não sabendo exatamente porquê ela estava daquele jeito, mas sabia que essa coisa de demonstrar afeto era diferente para do que geralmente era para as outras pessoas e que aquele sorriso seria mais que o suficiente vindo dela.
O rapaz de trás do balcão estendeu duas chaves, então cada uma pegou uma e voltaram para perto dos homens que pareciam entretidos em uma conversa qualquer, que encerrou assim que elas se aproximaram.
- Hey, amor, acalm... – Breno interrompeu seu comentário engraçadinho assim que viu a irmã, e sua expressão passou para preocupação – , você está pálida.
- Breno e seus exageros sobre a – Caio disse desdenhoso para Sebastian que nem ouviu direito o que ele falou.
- O que aconteceu? – perguntou preocupado, se aproximando e passando uma das mãos pelo maxilar dela, de forma que a ponta de seus dedos dessem uma leve pressionada em sua nuca em uma pergunta muda, mas ela negou antes que pudesse pensar a respeito disso, porque graças aos céus nem lembrava que ja teve dores na nuca naquele momento.
- Vamos pro quarto nos trocar? Talvez na piscina fechada a gente ainda consegue se divertir um pouco hoje – falou ainda mantendo olhar com Sebastian, mas alto o suficiente para os outros dois ouvirem e concordarem.
Dessa vez ela não estava fugindo, Sebastian sabia, aquele era seu jeito complicado de dizer “Precisamos conversar”.
Todos se despediram de Caio, dessa vez o máximo que o loiro conseguiu de foi um casto beijo na bochecha, e pelo olhar que trocou com Sebastian logo depois, estava claro que ele não seria o responsável por mais nenhum abraço de urso, um lado de Sebastian ficou extremamente feliz com isso, o outro dizia que se tivesse percebido aquela troca de olhares ele logo estaria frito.
Os quartos ficavam um de frente para o outro e Stan chegou a comentar alguma referência a Friends, mas todos pareciam tão tensos que sua tentativa de animar os ânimos do grupo foi completamente falha.
- A gente prometeu – Sebastian disse assim que fechou a porta atrás de si e jogou a mala em cima da cama.
- Eu sei, era exatamente o que eu faria assim que entrássemos no quarto, mas o que foi aquilo com o Caio? – perguntou um pouco nervosa, porque aquela cena a deixou nervosa.
- Aquele cara estava praticamente te engolindo quando eu cheguei perto de vocês, eu só entrei na brincadeira do Breno pra ver se ele desgrudava um pouco – esclareceu, vendo um enorme sorriso de escárnio surgir no rosto da brasileira enquanto ela cruzava os braços.
- Ah, então agora você usa uma brincadeira nossa para afastar os homens de mim? Isso por acaso é ciúme, Stan? – questionou seguindo para a cama e mexendo na mala.
- E se for? – respondeu a pergunta com outra pergunta, desarmando , levando-a ao ponto que ela queria.
- É isso que eu preciso falar com você – falou em um tom bem mais baixo que anteriormente, se sentando.
Sebastian esperou ela começar a falar, mas quando percebeu que ela ficaria o encarando, resolveu começar. Aquilo já estava o sufocando desde cedo, não aguentaria guardar por mais tempo.
- Por que você saiu?
pendeu a cabeça para o lado, e Stan sentiu necessidade em sorrir com aquele gesto que ela costumava fazer tanto, mas parou com o tempo. Não completamente aparentemente.
Ela umedeceu os lábios e tomou fôlego, como se fosse começar a falar, mas acabou sorrindo, e o sorriso virou uma risada, e com a cabeça ainda um pouco de lado ela olhou para Sebastian com um brilho quase infantil nos olhos verdes que pareciam estar começando a ganhar uma tonalidade azul.
- Eu não quero te perder – respondeu simplesmente, mas por mais que algo no estômago de Sebastian tenha caído em seus pés, aquilo não explicava bem as ações dela.
- Me ajuda a entender? – perguntou calmo se aproximando, segurando as mãos da mulher e a guiando para o centro da cama, fazendo com que eles ficassem sentados frente a frente com o mínimo possível de distância.
Como explicar aquela bagunça que estava sua mente? Como colocar em palavras aqueles pensamentos?
encontrou essa reposta na mão esquerda de Sebastian, naquele anel tão parecido com o dela que passaria por igual sem dificuldade. Passava por igual.
- Bast, porque você continua usando esse anel?
Stan olhou para baixo, para as mãos deles, cruzando os dedos dele com os dela, fazendo com que seus dedos anelares ficassem lado a lado, deixando os anéis um ao lado do outro, então voltou a encara-la, mas ela também estava olhando para baixo, e não percebeu o olhar sobre si.
- Porque esqueci de tirar? – respondeu brincalhão, sorrindo ao ver o sorriso no rosto dela quando ela resmungou “Isso é pra ser uma reflexão filosófica, colabora” – Eu não sei na verdade, coloquei para aquela ceninha e acho que olhar para ele me faz sentir você mais perto quando não estou em Nova York – explicou, esperando que ela voltasse a olha-lo, mas ela parecia focada em suas mãos.
- Você já fez isso? Ficar com alguma coisa só porque ela te lembra alguém?
Ali ele entendeu o que ela estava falando, onde ela queria chegar, e aquilo o fez voltar para aquela manhã. Chegava ser estranho como pensavam de maneira tão parecida.
- Wow – sussurrou, não conseguindo pensar em mais nada para falar, porque sabia que a partir dali, qualquer passo em falso e tudo desabaria, e ele também não queria que nada começasse a dar errado.
- Você entendeu o que eu quis dizer, né? Nós não somos bons nisso. Na verdade acho que só não somos piores nisso do que a , mas ela quer fingir ter coração de pedra e nós não, então pode ser que sejamos piores, eu não saberia dizer. Talvez se a gente...
- , respira – Stan pediu, colocando as mãos nos ombros da mulher e a chacoalhando de leve, trazendo o foco ao olhar perdido da ruiva – Não tem porque se desesperar, calma – disse calmo, transmitindo a sensação para , mas não ajudou completamente.
- Sebastian, você tem contato com alguma das mulheres que frequentou sua casa nos últimos seis meses? – ele chegou abrir a boca para responder, mas ela o interrompeu – Eu não estou valendo – ele fechou a boca – Viu só? E eu...?
- Você nem transa – ele falou antes que ela pudesse concluir o raciocínio.
- Não vamos entrar nesse assunto de novo – resmungou, virando o rosto para poder morder o interior da bochecha a vontade ao se lembrar da última vez que entraram naquele assunto.
- Por que não? Tem algo novo que queira me contar? Sou todo seu – brincou trazendo-a mais para perto, fazendo com que ela ficasse completamente entre suas pernas, não se importando com o calor que sentiu tomar conta de seu rosto porque também estava corada – Não podemos dizer que foi ruim – murmurou, deixando o sorriso se espalhar pelo rosto ao ver mais de perto que as pupilas de estavam completamente dilatadas. Deus, ele adorava aqueles olhos.
- Mas podemos dizer que foi estranho depois que acabou – falou com a voz firme, fingindo até que bem não estar sendo abalada pela proximidade dos dois.
- Já disse que com pratica nos acostumaríamos – falou novamente em um tom baixo, deixando sua voz ficar rouca, fazendo prender a respiração.
- Queria saber em que momento isso aconteceu – a ruiva soltou as palavras com uma voz fraca e quase desnorteada, deixando Sebastian um pouco inebriado também, abandonando o olhar da mulher e direcionando o foco para os lábios corados e convidativos. Ele não tinha certeza do quê ela estava falando, mas estava torcendo para ser qualquer sinal, mesmo que quase invisível, de que ela concordava que um precisava do outro urgentemente.
- O que aconteceu? – questionou mantendo o mesmo tom, ao pé do ouvido da mulher, enquanto deslizava vagarosamente, de forma que quase nem relava direito, uma das mãos pela coxa dela, não conseguindo desviar os olhos dos lábios entreabertos que pareciam ser imãs o puxando para perto de si.
- Você achar que tem controle sobre alguma situação e tentar me seduzir – resmungou tentando se afastar e falhando miseravelmente, porque por mais que seu corpo implorasse por aquilo, sua consciência gritava que tudo o que eles menos precisavam era de mais uma seção de pregação e depois cada um pro seu lado.
- Eu estou tentando te seduzir? – perguntou com uma falsa inocência, fazendo bufar, o que causou uma risada rouca em Sebastian e fez a ruiva se arrepiar inteira – E eu estou indo bem? – continuou, levando a mão que estava na coxa para a cintura da mulher, os deixando ainda mais próximos, e com a outra ele se apoderou da nuca da mulher, a deixando sem ar e sem saída para aquela situação.
“Se está indo bem?”, ela pensou, “Até demais”.
Por um instante pensou seriamente em deixar as coisas acontecerem. Os dois estavam livres de qualquer compromisso, ele era lindo e legal, ela era feliz consigo mesma, os dois já provaram se dar bem em qualquer ambiente – menos poucos momentos após o sexo, mas isso poderia se resolver, certo?
Errado.
O problema deles era que ambos estavam tão acostumados com uma coisa casual, que até quando estavam confortáveis, com uma pessoa que conheciam e confiavam, eles tendiam a continuar agindo com casualidade, e isso não era o que queria, pelo menos não com Sebastian. Ela se sentiu completamente estranha fazendo isso da última vez, e com os últimos acontecimentos, tinha certeza que se sentiria pior, e mesmo sem saber disso, na época inventou aquele pretexto ridículo... Espera. “A aposta!”, pensou, conseguindo se concentrar o suficiente para formar uma frase, antes que seus lábios se encontrassem e todo aquele debate interno não servisse para nada.
- Eu quero fazer uma adição à aposta – falou tão rápido que uma palavra saiu atropelando a outra, mas fez Stan parar. Apenas alguns centímetros de sua boca. Se um deles se movesse mais um centímetro para frente tudo iria para os ares, inclusive as roupas deles, mas aquela frase fez Sebastian parar e voltar a olha-la nos olhos. E aquilo pareceu mexer ainda mais com os hormônios de , porque os olhos azuis do romeno estavam enegrecidos de tão dilatada que sua pupila estava.
- Vamos esquecer dessa aposta pelas próximas duas horas, depois a gente se resolve nisso – decidiu, tentando aproximar completamente seus rostos, mas o segurou pelos ombros, e se afastou, deixando um braço de distância entre eles, tendo certeza que a expressão frustrada de Sebastian estava refletida no próprio rosto – Você tem noção de que ficar me olhando com essa cara, não vai ajudar nenhum de nós, né? – Stan disse passando as mãos com força pelos cabelos, voltando a olhar para a ruiva, somente para constatar que ela estava na mesma posição que ele – Qual é o nosso problema? – perguntou com a boca seca. Ele precisava de água. Ou whisky. Ou um beijo de . Ele não sabia ao certo.
- Eu não quero ter sexo casual com meu melhor amigo, a gente tem que ficar se vendo e isso infringe todas as regras do sexo casual – explicou meio desesperada, e Sebastian acharia aquela cena cômica se não fosse trágica – A gente se beijou uma vez e ficamos mais insanos do que quando transamos, bem que minha mãe dizia que um beijo pode ser muito perigoso!
- Por que a gente não se beijou quando transou? Que tipo de sexo foi aquele? – Sebastian perguntou meio revoltado, porque pensar naquilo o deixava revoltado consigo mesmo.
jogou os braços para o lado ao mesmo tempo que levantava os ombros, com uma expressão engraçada no rosto, como se fizesse aquela mesma pergunta para si mesma diversas vezes.
- Estávamos necessitados? – se perguntou alto – Por que estamos falando sobre isso? Vamos focar na aposta.
- Eu odeio essa aposta – Stan declarou, se jogando de costa no colchão macio.
- A ideia foi sua – deu de ombros, se jogando de costas também, ficando cada um deitado para um lado da cama, Sebastian aos pés, na cabeceira.
- Você me induziu – resmungou cutucando a cintura da mulher com o pé.
- Eu não lembro dessa parte – murmurou afastando o pé do homem.
- O que você quer acrescentar? Não podemos mais encostar um no outro? – retrucou encarando o teto, se perguntando como foi parar naquela situação, e como havia chego na situação anterior.
- Não podemos nos beijar. Só rola beijo no dia que rolar sexo. Só rola sexo no dia que um dos dois se assumir... Apaixonado – decretou, sentindo Sebastian sentar num pulo, de repente ele estava quase em cima dela com uma expressão de desespero que ela julgava ser mais falsa do que nota de três reais.
- Você não pode estar falando sério.
o empurrou pelo peito para que pudesse se sentar também, e tirar Stan de cima dela, com a maior expressão vazia que conseguiu transmitir.
- Vivemos por quase um ano assim e nunca nos afetou – deu de ombros.
- Mas isso foi antes de eu saber a sensação, agora você vai me negar um beijo completamente inocente por causa dessa aposta? E se eu precisar muito? Vou ter que me dar ao trabalho de socializar com uma desconhecida, só por causa de um beijo que você me negou? – dramatizou, e por mais que aquilo fosse brincadeira, sentiu um nó na garganta e um peso no estômago.
- A consciência é sua, se quer enfiar a língua na boca de qualquer uma – disse no tom mais brincalhão possível, mas Sebastian abriu um grande sorriso ao ouvir bem no fundo, o tom de reprovação em meio a expressão de desdém – Se eu precisar de alguma coisa tenho certeza que o Caio pode me ajudar – deu de ombros, mordendo o interior da bochecha para não rir da cara de nojo que o romeno fez.
Antes que o homem pudesse falar alguma coisa sobre o comentário da brasileira, um toque na porta chamou a atenção dos dois.
- Está aberta – disse alto o suficiente para, Breno, com certeza, ouvir.
- Estão apresentáveis? – o ruivo perguntou colocando só a cabeça para dentro do quarto com os olhos apertados.
- Não, estávamos no meio de um sexo super selvagem, e você acabou com o clima – a mais nova respondeu, fingindo não ouvir Sebastian bufar e se levantar.
- Se eu fosse o Caio talvez... – resmungou, fazendo gargalhar enquanto Breno negava com a cabeça.
- Para de drama, bobão – a mulher reclamou, jogando um travesseiro na direção dele, mas o objeto não chegou nem na metade do caminho, fazendo o romeno negar com a cabeça, como se estivesse decepcionado com a falta de força da ruiva.
- Vocês vão continuar namorando ou vamos logo pra piscina? – o mais velho perguntou, fazendo os dois se lembrarem que aqueles eram ao últimos dias deles no Brasil, e que eles não estavam ali para ficarem fazendo drama sobre coisas que eles nem entendiam. Eles estavam ali para se divertir, e era isso que iriam fazer.

- É realmente uma bela paisagem – Caio falou se aproximando de Sebastian enquanto o ator olhava para a pedreira mais ao longe, onde e Gabriela insistiram que precisavam tirar foto, mas Stan se contentou em dar um breve sorriso para o loiro por não ter muita certeza de que ele estava falando da formação geológica do local ou de , e mesmo depois de dois dias aturando o cara dando em cima de , ele ainda se controlava muito para não fazer nenhuma careta toda vez que o rapaz se aproximava.
O problema era que ele sempre achava um jeito de estar por perto, e sendo amigo de Breno, e Gabriela, facilitava e muito a aceitação do, agora comprovado, surfista, em qualquer lugar que eles estivessem, ao menos que houvesse um problema muito sério na pousada e que nenhum dos funcionários pudessem resolver, sendo assim, Sebastian nunca odiou tanto ficar em um lugar tão organizado.
- É um lugar muito bonito, até que enfim saiu um pouco de sol – Sebastian comentou, se referindo ao primeiro dia todo e à metade do dia anterior que só choveu e um vento frio não os deixou chegar perto de nada que envolvesse água em temperatura ambiente.
- Pelo menos ninguém fica com a pelezinha ardendo – o loiro disse com um sorriso sarcástico nos lábios, e se não fosse Breno voltando de um carrinho próximo com dois cocos nas mãos, Stan provavelmente responderia de forma cortada.
Era assim que eles estavam convivendo: Perto dos , agiam como bons colegas capazes de formarem uma grande amizade, sozinhos, patadas grátis e comentários sarcásticos para todos os lados. Sebastian se sentia meio idiota agindo daquele jeito, mas aquela cara pedia. No momento que ele descobriu que toda aquela cena quando chegaram na pousada era só uma brincadeira de Breno, ele flertava tanto com , que o romeno não sabia dizer desde quando tinha um desejo homicida tão grande dentro de si. Na maioria das vezes dava uma cortada no loiro e tudo seguia normal, mas algumas vezes ela sorria de um jeito que fazia Stan querer sair de perto para não bater naquele cara... Ridículo.
- Já precisou ligar para o Samu? – Breno perguntou para o romeno, entregando um dos cocos para ele.
- Acho que não vai ser necessário, elas já estão voltando – o ator respondeu – Já podemos tirar o dedo de cima da discagem rápida para chamadas de emergência – falou mais alto, de modo que as duas mulheres pudessem ouvir, rindo e jogando um beijo no ar quando mostrou o dedo do meio para ele.
- Hummm, eu estava morrendo de sede mesmo – a ruiva falou empolgada, dando uma curta corridinha até o amigo e pegando o coco dele – Oi ser que não trabalha – cumprimentou Caio, fazendo os outros três rirem.
- Essa é a beleza de ser seu próprio chefe, não é Breno? – respondeu em uma mistura de convencimento com brincadeira.
- Sei lá, piá, pergunta isso pro meu pai – o ruivo murmurou dramático enquanto se sentava, provocando mais risadas.
- Sabe o que deveríamos fazer? Ir para o luau que está sendo organizado mais ao oeste – comentou, devolvendo a fruta para o amigo como pretexto para ele colocar alguma coisa na frente daquele abdômen definido ou ela teria que recorrer a ações que não se orgulharia mais tarde, e se sentou ao lado do irmão.
- Quando ficou sabendo disso? – Breno perguntou.
- No café da manhã, você e a Gabi não saiam do quarto, o Bast estava em coma alcóolico e eu precisava comer – deu de ombros – Encontrei com o Caio no meio do caminho e ele me disse – apontou para o loiro, que devolveu um sorriso amarelo. Gabriela, que estava cerca de um passo atrás do rapaz, bateu na própria testa, fazendo o marido rir.
- Eu não vou a um luau desde a adolescência, acho que vai ser legal – Sebastian se pronunciou.
- Quem está organizando isso? – Breno perguntou para o amigo.
- É um evento promovido pelos moradores da região na baixa temporada, todo mundo se reúne na praia e aproveita o espaço enquanto não temos turistas e tem que começar com o cronograma da alta temporada.
- Parece legal. To’ dentro – Gabi disse, e Breno só deu de ombros, concordando com a esposa.
- Yeah! – comemorou e apontou para Sebastian – Isso vai ser mais legal que as festas dos seus amigos, hoje eu te vicio em caipirinha!
- Se a e o Mackie estivessem aqui, eu morreria hoje – comentou.
Horas mais tarde, Sebastian estava sentado na cama, vestindo uma camisa branca e um short caqui, navegando pelo Instagram enquanto esperava ficar pronta logo. Ela disse que só iria tomar banho, colocar outro biquíni e uma saída de praia, mas pela demora, aparentemente ela estava se produzindo para o tapete vermelho do Oscar.
O ator estava respondendo alguns comentários na foto que ele havia postado naquela tarde, sua mão segurando um coco com o mar ao fundo, com a legenda “Me falaram que isso se chama ‘folga’, estou gostando dessa palavra”, quando ouviu a porta do banheiro ser destrancada e saiu pronta para matar qualquer homem do coração.
Ela vestia um biquíni branco com uma saída de praia de crochê em um tom de azul tão claro que um despercebido diria que era branco, a maquiagem suave, deixando as sardas aparecerem com liberdade deixava sua pele parecer extremamente macia e seus lábios no tom avermelhado natural. O cabelo solto moldava tudo, com as típicas ondas que formavam conforme o comprimento ia se aproximando das pontas.
- Essa expressão significa que está bom ou muito exagerado? – a garota perguntou incerta, passando os braços pela própria barriga, como se estivesse se abraçando, o que fez Sebastian bufar com a insegurança que ela demonstrava.
- Você ta’ linda, pistrui – murmurou, colocando os braços dela ao lado do corpo, a deixando reta, deixando seus olhos passearem por aquele corpo que estava brincando tanto com seu psicológico nos últimos dias com ela andando de um lado para o outro só de biquíni e tendo que dividir a cama com ela a noite, como se ver e não poder tocar – pelo menos do jeito que o corpo dele precisava tocar – não fosse um dos piores tipos de tortura possível.
- Você ainda não me disse o que isso significa – falou baixinho, perdida na expressão concentrada do romeno.
Ele voltou a focar o olhar nos olhos da mulher a sua frente, percebendo que eles estavam num tom quase violeta. Como aquilo era possível? Deixando o sorriso se formar em seu rosto, ele respondeu:
- Quem sabe eu diga ao final da aposta – propôs, colocando uma mão no pescoço dela, porque simplesmente não estava conseguindo aceitar a ideia de não poder dar um beijo nela.
- Isso pode demorar, minha curiosidade não vai aguentar até lá – murmurou, se sentindo inebriada pelo cheiro de Sebastian, se aproximando ao poucos do rosto do romeno. O que ela estava fazendo? – Acho que já estão nos esperando – disse apressada, saindo de perto daquela tentação ambulante antes que qualquer coisa pudesse acontecer – Vamos?
Sebastian assentiu, deixando ela sair primeiro, mas logo passou um braço pela cintura da ruiva assim que eles chegaram na recepção e avistaram os outros três os esperando.
- Vocês vão para algum tipo de desfile? – Caio perguntou, incomodado como todos estavam vestidos.
- Não, mas é difícil deixar o que é lindo sem lindeza – Breno respondeu, fazendo Sebastian gostar ainda mais do irmão mais velho de .
- Não é como se você também não estivesse lindo – a ruiva falou para o loiro, fazendo Sebastian gostar menos dele e ficar com um pouquinho de raiva da – Estou me sentindo no cercada por modelos da Hugo Boss – emendou, estalando um beijo na bochecha do irmão que estava trajando roupas parecidas com a de Stan, só que mais escuras, e voltando para o lado do amigo.
- Não é assim tão glamoroso como as fotos fazem parecer – o ator murmurou, fazendo Caio revirar os olhos, mas ninguém reparou nisso, claro.
Nos três dias na praia, poucas pessoas reconheceram Sebastian. A pousada não estava muito cheia e a praia só começou a ter movimento naquela tarde, quando o sol resolveu sair de vez detrás das nuvens, mas assim que eles chegaram ao “luau” – que a única coisa de luau que existia era a ideia de varias pessoas reunidas em na praia –, várias pessoas o encararam, apontaram e algumas mais cara-de-pau chegaram a pedir foto. Ele não podia reclamar, aquele reconhecimento era legal, mostrava que ele estava fazendo o que mais amava da forma correta, só que ver e Caio em uma espécie de dança mais a frente não estava o ajudando a se concentrar o suficiente para sorrir quando alguém pedia uma foto, então era ai que o agradecimento entrava outra vez, porque, diferente de algumas pessoas nas Con’s que ele estava acostumado a ir, ali as que se aproximaram só pediam uma foto, agradeciam e já iam embora. E isso foi o suficiente para se aproximar por trás de e sussurrar no ouvido da ruiva:
- Essa é música mais estranha que eu já ouvi.
Assim que se recuperou de todos os arrepios que aquilo causou em seu corpo, se virou e encontrou o olhar de Stan, que poderia entrar com facilidade no top três de Olhares Mais Sacanas Do Mundo. Ela esqueceu completamente de Caio.
- Não é não, você ouviu É o Tchan. E ainda gostou – apontou, fazendo-o rir.
- É – deu de ombros, deixando o olhar cair no corpo da mulher, mas só porque era simplesmente impossível vencer aquela tentação – Acho que você tem razão – murmurou depois que voltou a olha-la nos olhos. Naquele momento começou a tocar uma música muito conhecida, e tanto quanto Stan sorriram assim que os primeiros acordes de Wake Me Up começaram – Você se importa? – Sebastian direcionou a pergunta para o loiro que por algum motivo desconhecido ainda estava um passo atrás de .
Com uma carranca que ele só mostrava para Sebastian quando não tinha ninguém por perto, Caio assentiu, anunciando que precisava mesmo buscar uma bebida, e logo depois sumiu do campo de vista do romeno.
- Ele sempre foi babaca assim? – perguntou envolvendo a cintura de , os aproximando, sentindo um peso deixar suas costas.
- Achei que esse título fosse seu – ela comentou em meio a um sorrisinho que insistia em ganhar cada vez mais espaço em seu rosto – É assim que a te chama não é? Sebabaca?
- Vamos focar aqui , colabora – fingiu indignação, deixando as mãos traçarem caminhos livremente pelas costas praticamente exposta da mulher.
- Você ter ciúmes do Caio é quase tão sem noção quanto se eu tivesse ciúmes de você e da Gabi – disse enquanto passava as mãos pelos braços e ombros de Sebastian em uma clara forma de se vingar pelo que ele estava fazendo.
Deus, aquela proximidade toda estava os matando aos poucos.
- , o cara praticamente te come com os olhos! Se eu não fico no caminho entre você e ele é capaz de alguma parte do seu corpo desaparecer de tanto que ele encara! – resmungou – E tem que ser eu, já que o Breno parece ter esquecido aquela superproteção toda que e...
- Ele está se divertindo às suas custas, espero que você tenha enxergado isso – ela o interrompeu, querendo matar o irmão por isso, e bater em Stan por se deixar levar naquela situação.
- Que? – o romeno perguntou completamente perdido, não entendendo o brilho de raiva nos olhos violetas de .
- Bast, ele sabe que você não gosta do Caio, ele só quer que a gente – deu uma leve pigarreada para continuar, porque falar aquilo diretamente já não era mais tão fácil – A gente assuma que... Assuma que...
- Que estamos apaixonados – Stan murmurou. Era para ser uma pergunta, “vou terminar de falar por ela, porque parece estar difícil ai”, mas falar aquelas palavras em voz alta parecia ser tão...
- Isso – falou mais alto, o tirando do transe, e só então ele percebeu que seu rosto estava tão perto do rosto de – Na verdade ele tá me cercando como sempre – ela continuou o assunto como se nada tivesse acontecido – Se você olhar para trás, o verá bebendo e conversando com a Gabi e olhando para nós a cada meio minuto.
Sebastian respirou fundo para recuperar o pouco de sobriedade que a presença de o induzia a ter ultimamente, e se virou minimamente, encontrando Breno a alguns metros, no exato momento em quem o ruivo desviava o olhar dos dois.
- Isso é medonho – ele murmurou.
- Isso é exatamente o que você faz, seu hipócrita – deu-lhe um tapinha no ombro, o puxando para si novamente. Já havia começado outra música, mas ela realmente não se importava nem com isso, nem com fato dos dois dançarem ridiculamente mal.
- Você também – apontou, vendo a ruiva dar de ombros.
- Eu nunca estraguei um flerte seu.
- Então você assume que ta jogando charme para a cópia mal feita do Shane Dorian? – exclamou um pouco puto.
- Eu prefiro o Gabriel Medina – muxoxou, tentando prender o sorriso.
- Não estamos falando do seu surfista favorito – retrucou meio desesperado, não escondendo a expressão emburrada quando a ruiva começou a gargalhar.
- Credo, Bast, desde quando você me leva tão a sério? – perguntou em meio ao riso – O Caio é tipo um primo pra mi... Não jogue ações passadas em mim, isso faz dez anos e tanto eu quanto ele mudamos – falou um pouco mais séria quando viu que o romeno abriu a boca.
- Não parece para ele.
não resistiu e teve que simplesmente morder a bochecha daquele ser emburrado a sua frente, antes de se afastar e puxa-lo pela mão.
- Onde vamos? – perguntou meio perdido com as ações relâmpago da amiga.
- Beber – decretou – Nosso voo é só amanhã de tarde, da pra gente se recuperar.
Então Sebastian se deixou ser levado por sua ruivinha, porque depois daquela noite tudo deveria voltar a ser como era, mas, mais uma vez, tinha razão, tirar um tempo para si clareava as coisas, e ele havia tomado uma decisão que mudaria toda sua vida. Só tinha que esperar, depois dali ele iria para o Texas, e lá precisaria retomar o seu foco para sua paixão inicial. Mas quando voltasse para NY, não poderia mais fugir. Só precisava de coragem.


Capítulo 16

Junho de 2014

--Não sei se me sinto confortável com isso – falou se olhando no espelho de corpo inteiro que tinha ao lado de sua cama, passando uma perna na outra para ver se encontrava alguma diferença no tecido da peça íntima e embora seu corpo dissesse que não havia nada de mais ali, seu cérebro gritava em neon que se ela saísse do quarto vestindo aquilo até o chihuahua da Gertrudes tiraria uma com a cara dela.
- Hell, não tem diferença nenhuma das outras – disse se sentando na cama para pegar a sacola do embrulho que trouxera – A não ser por isso – balançou o pequeno controle, que parecia do alarme de um carro, em seus dedos, rindo do biquinho pensativo da ruiva – Qual é, , não é como se você fosse apertar isso fora do seu quarto.
- Ela não marca muito? – a mais nova perguntou, puxando a barra do vestido claro para frente, deixando o tecido colado no corpo na parte de trás.
- É fio dental, não tem como marcar – a estilista se levantou, se colocando atrás da ruiva, analisando o vestido branco rodado e o colete jeans que ela usava, fingindo não ver o all star vermelho nos pés da amiga – Às vezes parece que você tem quinze anos.
- Não sei por que comprei isso – reclamou fingindo não ouvir o comentário da outra.
- Comprou o quê? – Sebastian perguntou entrando no quarto, parando ao ver ao lado da amiga.
- Sebastian! O que faz aqui? – a ruiva perguntou meio nervosa. Se ele descobrisse que ela estava usando uma calcinha vibratória, paz seria uma coisa inexistente na vida dela, nem se ligando muito ao fato de fazer quase dois meses que não via o romeno pessoalmente.
, por saber o motivo da recepção calorosa, só mordeu o lábio inferior e se aproximou de Stan para cumprimenta-lo, se sentando na cama logo em seguida, fingindo mexer no celular.
- Oi, minha querida, eu também estava com saudades de você. Que bom que consegui voltar e receber essas boas vindas ensurdecedoras – ironizou o ator se aproximando e dando um apertado abraço na amiga, que foi retribuído a altura – Eu falei que talvez voltaria hoje, esqueceu? – perguntou com o sorriso ainda no rosto, mas achando estranha aquela atitude da brasileira.
- Poxa, Hell, como pode, justamente você esquecer que o Sebastian voltaria hoje? – perguntou se fingindo de chocada, rindo ao ver os dois revirarem os olhos.
- Achei que seria só de noite – confessou coçando a nuca.
- Nah – o romeno fingiu desdém – E eu 'to morrendo de fome e cheio de coisa pra te contar, vamos almoçar? – perguntou já seguindo para a porta, deixando uma paralisada no meio do quarto olhando desesperada para que mordia a bochecha, sem muito sucesso em guardar só para si o sorriso divertido que surgiu em sua face com a ideia que teve.
- Verdade, , eu cheguei aqui e não comi nada, vamos?
- Mas, ... – começou a falar, sendo interrompida pelos puxões da estilista para tira-la do quarto.
- Mulher, sem controle, sem problemas, relaxa e vamos – murmurou a guiando para a sala, onde o romeno as esperava com a porta já aberta, parecendo meio ansioso ao olhar de , mas a mesma não se ateve muito a isso. Muito menos .
O que não sabia, era que estava com o pequeno controle dentro do bolso do casaco preto que vestia.
O trio optou por um pequeno restaurante na mesma avenida do edifício da brasileira, já que todos estavam com fome e a comida do local era realmente boa. Sebastian falava a todo momento, contando sobre as semanas na Europa e em Houston para a gravações de seu novo projeto, Perdido em Marte.
Assim como já esperava, não demorou muito para a jornalista se esquecer de seu drama particular e se empolgar com a conversa do ator, a perguntando sobre um outro ator que a estilista disse já ter esbarrado em algum evento ou coisa do tipo.
Todos fizeram seus pedidos e assim que o garçom se retirou, viu que era seu momento de se divertir.
Com movimentos estudados e bem desenvolvidos, a estilista tirou o controle do bolso e repousou ambas as mãos nos joelhos, ela assentia ou comentava uma coisa outra sobre o assunto, esperando o momento certo, que chegou assim que o garçom voltou com a água com limão que a ruiva havia pedido. Se sentindo uma das personagens dos filmes de ação da Scarlett Johansson, ela apertou o botão assim que iria pegar o copo.
Imediatamente puxou o braço para perto do corpo e se ajeitou na cadeira. Olhou para com os olhos arregalados, mas a outra nem se quer a olhava, prestando atenção na conversa com Stan. Ela balançou a cabeça levemente, para afastar aquilo de si. Talvez estivesse com tanto medo de Sebastian desconfiar do que ela estava usando, que estivesse até ficando paranoica.
esperou se acalmar um pouco para apertar o botão novamente, colocando em prática todos os truques de atriz que aprendeu com os anos trabalhando com pessoas desse meio, para não rir da cara de desespero e prazer que a ruiva fez ao se agarrar no assento da própria cadeira.
- ... Não acha, ? – Sebastian se virou para ela, completamente alheio ao que estava acontecendo.
- Humm? – murmurou quase gemendo, já que apertava com força o botão. Deus! Ela estava realmente gostando daquela brincadeira.
- , você está bem? – Stan perguntou preocupado ao ver o rosto da amiga vermelho e algumas partículas de suor aparecendo contra a luz em sua testa.
- ‘To sim, ‘to ótima – falou um pouco rápido demais, cruzando as pernas com força.
Ele a encarou por alguns segundos com o cenho franzido, estranhando ela estar suando em um dia teoricamente fresco como aquele.
Alguns minutos depois o garçom voltou com os pratos, e assim que colocou a primeira garfada na boca, apertou o botão de uma vez.
- Humm! – gemeu sem conseguir se controlar, chamando a atenção dos dois á mesa e do garçom que ainda estava por perto. Ela engoliu em seco e olhou para o garçom – Essa comida está ótima! Dê os parabéns ao chef!
teve que beber um gole d'água para não estragar sua brincadeira particular ali. Talvez o tempo de convívio com Sebastian tenha dado algumas aulas para a brasileira.
Enquanto comiam, a estilista resolveu dar uma folga para a amiga, que parecia tentar se recuperar à base de água, já que até o copo de Stan ela esvaziou. Ele fingiu não reparar nisso, mas ficava lançando olhares questionadores, até um pouco preocupado com o grau dilatação das pupilas de , que praticamente ocultavam as íris douradas dos olhos dela.
Após uns vinte minutos, depois de todos terminarem suas refeições e já estarem em posse das sobremesas, decidiu que já tinha respirado demais, e começou a apertar o botão com pequenas pausas de segundos de diferença, lambendo os próprios lábios ao ver a ruiva morder os dela com força, os peitos subindo e descendo em uma respiração acelerada.
- Eu preciso ir ao banheiro – se levantou meio cambaleante, deixando um atordoado Stan para trás.
O que diabos estava acontecendo com naquele dia?
pediu licença e foi atrás de , entrando no banheiro no exato momento em que ela jogava um pouco de água no rosto.
- Ela funciona bem? – perguntou inocentemente, se colocando ao lado da jornalista, fingindo arrumar os cabelos.
- Você vai direto pro inferno, murmurou emburrada.
- Eu sei, mas essa cara amarrada é por que ela não terminou o serviço, não é? – a ruiva lançou um olhar mortal para ela – Sabe, o Tan esta ali pertinho, tenho certeza que ele não vai se importar em terminar isso para você.
- Isso vai ter volta – a brasileira profetizou ameaçadoramente.
- Sim, vai ser a volta da vitória que eu vou dar depois que você e o Tan se assumirem.
não tentou disfarçar o tom ainda mais avermelhado que seu rosto tomou, mas também não saiu como se nada tivesse acontecido. Num ímpeto de loucura, colocou as mãos por baixo do vestido e puxou a bendita calcinha vibratória, puxou a mão de e colocou a calcinha ali.
- Vai ter volta – repetiu, deixando o banheiro e uma com um grande sorriso no rosto e um item de sexy shop em mãos.
Quando voltou para a área das mesas, capturou o olhar de Sebastian sobre si ao longe. Ele continuava sentado, mas seu semblante era uma máscara vazia e seus braços cruzados sobre o peito mostravam que ele havia cansado de toda aquela esquisitice e pedia uma explicação.
Ela queria se enfiar em um buraco e só sair de lá quando arqueólogos encontrassem sua ossada.
- Eu vou ter que perguntar ou...
- Vamos? – o interrompeu antes que ele terminasse de falar, o fazendo erguer uma sobrancelha.
- E a ?
“Vamos! Antes que ela canse de me deixar fugir!”, a ruiva pensou enquanto pegava uma nota de cinquenta na bolsa e colocava sobre a mesa ao mesmo tempo que Sebastian e o puxava pela mão.
- Ela disse que vai voltar para o hotel – mentiu, praticamente os fazendo correr pra fora do restaurante, dando sinal para um táxi que passava ali por perto e já entrando no carro amarelo.
Sebastian não se lembrava de ter pego um táxi tão rápido em toda sua vida.
- , o que está acontecendo com você? – ele perguntou meio desesperado, porque já estava cogitando a ideia de ter algum mafioso sádico atrás dela, por isso ela tanto olhava para trás.
- Está tudo bem. Eu só preciso de uma calcinha, lavar o rost... Talvez um banho seja uma melhor opção, matar a e de alguns alcaçuz – enumerou, fazendo Sebastian lançar um olhar mortal para o motorista por causa do primeiro tópico – Não necessariamente nessa ordem. Talvez seja mais inteligente primeiro tomar banho e depois vestir uma calcinha... – continuou sua linha de raciocínio em voz alta, levando Stan a agradecer por já terem chegado ao prédio que vivia, pois aquele motorista parecia interessado de mais na falta de calcinha da ruiva.
- Deixa eu ver se entendi – o romeno disse se afastando do taxi e entrando no edifício, se aproximando do elevador – Você está sem calcinha?
Quando ele começou a fazer a pergunta as portas de metal se abriram e revelaram Sr. Gertrudes com sua habitual bolsa canina com o pequeno chihuahua dentro. Claramente ela ouviu a pergunta, sendo assim, fechou a cara mais que o habitual e saiu do elevador resmungando coisas como “Esses jovens não tem respeito nem consigo mesmo.”.
- O MUNDO ESTÁ CONTRA MIM – gritou assim que as portas de metal se fecharam com eles já dentro, então começou uma pequena sessão de batidas de testa no ombro do ator, até que eles chegaram ao sétimo andar e Stan se responsabilizou por abrir a porta do apartamento, colocar lá dentro, fechar a porta e colocar as chaves no porta-chaves.
- A crise existencial bateu exatamente em que momento? – perguntou guiando a mulher até o meio da sala.
- Eu que... – ela parou de falar e ficou olhando para o nada por alguns segundos – Não sei como algumas mulheres conseguem ficar sem calcinha. Sem sutiã é libertador, mas sem calcinha é extremamente desconfortável.
- Que tal você ir vestir uma e depois me contar como ficou sem a que estava? – propôs com as mãos ainda nos ombros da amiga, não conseguindo impedir o sorriso quando ela arregalou os olhos em concordância e assentiu com veemência, murmurando um baixinho “essa é uma ótima ideia, talvez eu recupere um pouco da minha dignidade até voltar aqui”, enquanto seguia para o quarto.
Stan a acompanhou com os olhos até a figura da ruiva sumir pela porta, então seu sorriso se transformou em algo desgostoso, ele se jogou no sofá sem nenhuma cerimônia, enfiando o rosto nas mãos e suspirando fundo.
Sua volta para NY não era para ser daquele jeito. Ele vinha planejando aquilo desde o Brasil, estava tudo programado e certinho, passo a passo como deveria ser. Mas esses planos não envolviam ali, nem aquele comportamento estranho de .
Era para ter sido só os dois, era para ela estar sozinha em casa e assim ele poderia recitar o discurso que já havia decorado de tanto que ficava repetindo mentalmente depois das vídeo-chamadas durante todo o tempo que ficou longe de Nova York, depois eles se beijariam e aquele sufoco iria embora. Mas toda sua coragem foi embora assim que abriu a porta e ouviu a voz de vindo do quarto de , diminuiu ainda mais quando demonstrou uma atitude surpresa muito diferente de todas as outras vezes que ele chegou de viagem, e se enterrou abaixo do poço da Samara depois do desenrolar do almoço.
- Quantos anos você tem, Sebastian? Quatorze? – se questionou, revoltado.
- Mais dezessete – apareceu na sala penteando os cabelos molhados, vestindo meias até os joelhos, um minúsculo short de moletom com um símbolo da S.H.I.E.L.D no lugar da marca, e uma enorme camiseta branca que Sebastian conhecia muito bem de seu próprio guarda roupa – Espero de coração que você não queira sair hoje, porque o trauma foi grande e acho que vou precisar de pelo menos vinte e quatro horas para me recuperar – comentou quando o viu se demorando na camiseta.
- Eu quero saber o que aconteceu? – perguntou voltando o olhar para os olhos dourados dela. Ele adorava quando eles estavam daquela cor – Ou é uma coisa meio Breno e Gabriela e eu...
- Não, não é a esse ponto – disse com uma expressão enojada só de se lembrar daquilo – mas...
Quando ele percebeu que ela não falaria, deu algumas palmadinhas no estofado ao seu lado. A ruiva, do jeito mais dramático possível, deixou a cabeça cair sobre o peito e deu passos pesados até o sofá, sentando onde o ator indicou, jogando as pernas sobre as dele e encaixando o rosto contra a curva do pescoço do homem. Rapidamente ele passou um braço pela cintura da brasileira, deixando a outra mão descaçar sobre o joelho dela, mas logo a puxou para si, em sua eterna mania de brincar com o anel dele.
Stan nunca pensou que usaria aquele termo, mas senti-la contra si daquela forma, o fazia se sentir completo.
- Eu me recuso a te contar esses fatos te olhando nos olhos – resmungou em um tom brincalhão, fazendo-o despertar de sua linha de raciocínio – Não sei nem se é uma boa ideia te contar isso, você não me deixará em paz pelo resto da vida.
Parecia algo tentador. Ele precisava saber agora.
- Prometo nenhum comentário sobre o assunto nas primeiras vinte e quatro horas – propôs.
- Que tal só falar sobre o assunto nas primeiras vinte e quatro horas e depois fingir que nada disso aconteceu?
- Nop – negou tanto verbalmente quanto fisicamente – Já tenho um assunto esquecido que gostaria muito de ficar falando e não posso. É pegar ou lagar. Você não vai se aguentar e vai acabar me contando, mas daí essa condição não vai mais valer e eu vou começar a falar no instante que você terminar.
- Você é uma pessoa terrível! – sussurrou em falso ultraje, fazendo-o gargalhar.
- E é por isso que você me ama, agora fala – brincou, cutucando a barriga dela e levando um tapa por isso.
Nem havia percebido o que tinha dito, mas logo que sua fala morreu e a risada de ficou mais baixa, o peso daquelas palavras caíram sobre seus ombros, não sabendo dizer se porque ela se aconchegou mais contra ele, ou pelo fato dela não ter feito nenhum comentário sobre aquela frase.
Se aquilo era estar apaixonado, Sebastian queria voltar ao normal o mais rápido possível.
- Resumindo... – continuou como se nada de diferente tivesse acontecido – Eu... Estavacomumacalcinhavibratória e a estavacomocontrole – falou o mais rápido possível, prendendo até mesmo a respiração quando percebeu que Stan fez o mesmo. Aparentemente, o mais rápido possível não foi o suficiente.
- Espera – o romeno soltou depois de quase um minuto em silêncio, tentando ficar em uma posição que pudesse olha-la, mas ela o segurou de um jeito que tornaria aquele movimento quase impossível – Você... Hãn?
- Eu não vou repetir – deu de ombros, vitoriosa. Talvez tenha sido o suficiente no fim das contas.
- Eu entendi o que você disse, mas por que a estaria com o controle e por que você estava usando uma calcinha vibratória? – “okay”, ela pensou, “não foi o suficiente” – Sabe que se não me explicar agora não vou deixar brecha pra fazer isso depois, né?
finalmente desenterrou o rosto do pescoço do amigo e o encarou sem desencostar o queixo do ombro dele.
- Você ta todo saidinho né...
- Não era eu que estava usando um item de sexy shop...
- Você disse sem comentários nas primeiras vinte e quatro horas, mantenha sua palavra, romeno – o interrompeu apontando, quase levando uma mordida na ponta do dedo – é uma péssima influência, não deixa ela ficar mais sozinha comigo, porque foi ela que ficou no meu ouvido pra pegar aquela coisa na loja e depois usou contra mim, que ódio dela, se tu tiver algum plano de morte contra ela me conta agora que eu faço umas melhorias e já executo...
- Como você chegou ao ponto de comprar uma coisa dessas? , sabe, eu posso te ajudar com isso sem violar nenhum termo da aposta – propôs divertido, não gostando muito do fato dela ter se distanciado para se sentar de modo que seu coluna ficasse reta.
- Sebastian, foca – pediu, segurando o rosto dele entre ao mãos, soltando assim que se convenceu que ele realmente prestava atenção no que ela falaria – Eu entrei lá com ela, para comprar coisas para ela, mas ai eu vi essa calcinha e comentei que era bonita e ela e a vendedora começaram a falar que eu deveria levar e não paravam de falar, então a começou a falar um monte de coisas ao mesmo tempo, e acabei confessando que quando eu era mais nova tinha alguns fetiches, mas foi um impulso momentâneo e depois eu queria dar para a , mas ela disse que era minha e que eu tinha que aproveitar, mas ai você chegou e não deu tempo de tirar e de repente a louca ‘tava com o controle no restaurante e...
- Espera – Stan sinalizou com “tempo” com as mãos, ficando corado do nada – Aquilo no restaurante então era... Você... Gemendo... De verdade, quer dizer... Por...
- Sim! – choramingou, sem ficar vermelha porque tudo que tinha para corar durante aquele dia foi gasto no restaurante – E quando voltamos a Gertrudes te ouviu falando que eu estava sem calcinha, porque larguei a minha calcinha na bolsa da , e agora eu tenho certeza de que não tem como esse dia ser mais vergonhoso para mim!
Sebastian precisou de algum tempo para processar tudo aquilo, e quando terminou, ainda um pouco corado pelos pensamentos que invadiram sua cabeça com aquela história, soltou uma gargalhada tão alta que em menos de cinco segundos sua barriga já estava dolorida.
esperou pacientemente, mas quando viu que o ator não pararia tão cedo, deu um tapa na barriga dele que fez sua mão doer mais do que provavelmente doeu nele.
-Vinte e quatro horas, Stan – o lembrou novamente.
Pouco a pouco ele se acalmou, juntando toda sua força de vontade para não morder a bochecha da ruiva que o encarava emburrada. Ele venerava por aquilo tudo.
-Pistrui, ainda são três horas, ainda da pra você passar muita vergonha hoje – conseguiu falar antes de cair na risada novamente.
- Por isso que vou ficar trancada aquí até essa onda de azar passar – explicou como se aquilo fosse óbvio – Não da para passar vergonha dentro de casa.
- Ah, da!
- Bast, eu estava com vergonha de você descobrir que eu estava com uma calcinha vibratória e no fim eu mesma acabei te contando. Nada mais me deixa desconfortável perto de ti.
Se é que isso é possível, o sorriso do romeno se alargou ainda mais ao ouvir aquilo. Aquela intimidade deles surgiu de um jeito tão simples e era uma das coisas que ele mais amava entre os dois.
-Nada mais? – perguntou com um olhar travesso, e em sua convicção somente assentiu, sem perceber nada.
Quando percebeu ja era tarde.
Sebastian a atacou em uma sequência de cócegas, repetindo que ninguém se sentia confortável com cócegas, fazendo-a soltar gritos desesperados em meio as gargalhadas involuntárias, logo tentando virar o jogo, transformando o sofá em um campo de batalha de cócegas que duraria por muito tempo não fosse o som da campainha soando pela sala.
Ainda estabanada pela fuga nada gloriosa por entre os braços frouxos de Stan, chegou à porta e a abriu sem olhar pelo olho mágico, dando de cara com uma Gertrudes emburrada, que pareceu fechar ainda mais a cara ao perceber os rotos vermelhos, respiração arfante, cabelos bagunçados e roupas amarrotadas da dupla jovem.
-Sra. Gertrudes! – falou surpresa ao mesmo tempo que Sebastian congelou no sofá – Posso ajuda-la?
A senhora fez uma careta de reprovação maior ainda e semicerrou os olhos.
-Vocês sabem que esse é um prédio familiar? E que eu não mereço, nem tenho idade para ouvir certas coisas?
Se é que isso era possível, Sebastian ficou ainda mais vermelho, ao mesmo tempo que abria um sorriso amarelo.
-Claro... Nós... – pigarreou, se controlando para não se virar para tras e rir da cara que tinha certeza que o amigo estava fazendo – Nós vamos...
- Ter modos – a senhorinha a cortou rudemente – Vocês precisam aprender a ter modos – esbravejou e se virou, atravessando o corredor e entrando em seu próprio apartamento, ainda resmungando.
só fechou a porta depois que todo e qualquer indício de que a velha tinha ido para não voltar foram confirmados. Quando fez isso, virou-se lentamente, para processar aquele novo fato. Quando encontrou os olhos azuis de Sebastian, se obrigou a deixar a gargalhada sair livre de seu interior, rindo ainda mais quando Stan se jogou dramaticamente de cara contra as almofadas no sofá.
-Retiro o que eu disse – soltou depois de alguns segundos, ainda da porta – Eu desisto de existir hoje.



-Você nunca veio pra academia tão animada – Stan comentou enquanto estacionava o carro em uma vaga no estacionamento da academia de seu amigo Don.
- Você sabe há quanto tempo você e o Don vem me enrolando com essa história de me deixar treinar artes marciais com você? – perguntou praticamente quicando no banco do passageiro – Não julga minha alegria.
- Julgo sim, sou um dementador, lembra? – falou casualmente, saindo do carro.
Teve que esperar alguns instantes por , que quando finalmente saiu, alçou seus braços no braço esquerdo do homem, como se ao abraçar aquele membro estivesse o abraçando de corpo todo.
- Sabe – começou –, sempre que você solta uma referência a Harry Potter eu sinto que posso morrer em paz.
- Como se eu tivesse alguma escolha nessa conversão – resmungou, aproveitando que ela soltara seu braço para toma-la pela mão. Adorava andar de mãos dadas com ela.
- Quem é vivo sempre aparece – Don Saladino gritou do meio da sessão de musculação assim que avistou a dupla, dando dois tapinhas no ombro de um funcionário que estava ao seu lado, indicando que ele estaria sob comando daquela atividade, e se encontrou com os amigos a meio caminho.
- Esquentei sofá por tempo demais, já ‘tava na hora de ir trabalhar – Sebastian falou sorridente, largando a mão da ruiva para dar uma abraço no amigo.
- O tempo que você ficou sem fazer nenhum papel foi o mesmo que custou para mim almoçar – brincou fazendo rir e Don olha-la – Eae, ruivinha, empolgada? – perguntou enquanto dava um beijo em sua bochecha, cumprimentando-a.
- Não pergunta isso, se não ela vai começar a pular de novo – Stan se intrometeu, colocando as mãos nos ombros da mulher como se para impedi-la de fazer o movimento acusado.
- Estou tão pronta pra isso que ja posso me ver nas próximas olimpíadas.
Don gargalhou e fez um high five com a ruiva.
-Doa um pouco desse ânimo para o sedentário aquí – pediu rindo e apontando para Sebastian, que só de olhar para os equipamentos ao seu redor já estava fazendo cara de choro e pareceu nem se importar com o comentário.
- A alegria da minha vida é ouvir as reclamações dele aquí, se eu doar um pouco do meu ânimo, ele tem uma overdose de inspiração e acaba minha alegria – explicou, se esquivando do tapa que o romeno pretendia dar em sua nuca.
- Você também quase morre no meio do circuito, sua hipócrita – apontou.
- Mas eu não beijo o chão no final, dramático – revidou, erguendo a sobrancelha quando o ator deu de ombros.
- É a veia artística, você nunca entenderia.
revirou os olhos e Don agradeceu mentalmente por não precisar lidar com aqueles dois naquele dia.
-Seb! Que bom te ver por aquí cara – um moreno alto e forte cumprimentou o romeno assim que os três entraram em uma sala que nunca entrara naquela academia – Ja te vi por aquí – ele comentou se voltando para ela.
- Sim, mas nunca entrei nessa área – respondeu, meio acanhada pelo olhar que o homem lhe lançava.
- Bom, pode me chamar de Hazz – falou estendendo a mão para ela – Trabalho com o Seb a quase dois anos.
- – cumprimentou-o – É um prazer conhece-lo.
- Bom crianças – Don se pronunciou batendo uma única palma – Vou deixa-los para começar isso logo – então se voltou para Sebastian e com um sorriso meio sádico/brincalhão, disse: - Amanhã você é todo meu.
- Não vejo a hora – Stan murmurou, literalmente empurrando o personal para fora da sala.
- Eu já falei pro Mackie sobre você e o Don, okay? Ele ja está sabendo de absolutamente tudo – contou em tom ameaçador, com uma expressão cínica no rosto.
- E ele vai me ajudar a fugir dessa relação abusiva? – o rapaz perguntou em um tom meio desesperado, fazendo gargalhar mesmo sem querer acabar com a brincadeira.
- Ele disse que você traiu porque quis, agora aguente.
Stan fez uma expressão completamente ultrjada, mas então Hazz propôs dar início ao treino e logo o ultraje foi substituído pelo característico desespero de quem finge não gostar do que está fazendo mas na verdade ama, corriqueiro da rotina na academia para o ator.
Ja fazia meses que Stan e treinavam juntos. Para eles, aquele ambiente se tornou tão comum quanto ficarem deitados no sofá assistindo filmes de ficção científica e comédia, mas isso só na academia, nas sessões de cross fit. Artes marciais? Nunca fizeram juntos, embora vivesse insistindo que queria aprender alguns golpes que o próprio Sebastian poderia ensina-la, mas ele, por não ser exatamente um perito nessa área, tinha medo de acabar machucando a mulher e até se machucando no processo.
Talvez tivesse sido menos doloroso para ele se tivesse aceitado os pedidos anteriores da brasileira.
Resumindo: Hazz era um completo idiota e a cada oportunidade que tinha de passar a mão pelo corpo de , a aproveitava com maestria, rindo após os socos e chutes que ela desferia contra ele. Ela estava irritada e com os peitos dos pés doloridos pelos chutes que desferia nas costelas do treinador, mas aquilo parecia estar o instigando ainda mais, e a utilidade em forma humana, também conhecida como Sebastian Stan, estava tão ocupado em seus corriqueiros dramas atléticos, que jurava que aquele olhar determinado de não passava de sua ansia de absorver o máximo possível daquilo tudo. Mas ele precisava de uma pausa, então a força de vontade de poderia esperar um pouco para ser saciada.
Quando o moreno declarou quinze minutos de pausa para os dois recuperarem o fôlego, imediatamente se encaminhou para sua mochila para pegar a garrafa de água, com pensamentos destrutivos em mente caso aquele nojento tentasse relar nela novamente.
Então sentiu uma mão, vinda de trás, repousar em sua cintura e seus instintos foram mais rápidos que sua capacidade cerebral de detectar o toque de Sebastian sobre sua pele. O movimento foi certeiro, em fração de segundos girou seu corpo e agarrou o pulso da pessoa atrás de si, apoiando os polegares na palma e o restante dos dedos como base para lançar a mão para trás.
Os eventos seguintes foram meio confusos:
Um grito entrecortado e Sebastian de joelhos em frente a a fez soltar seu pulso e dar um pulo para trás ao mesmo tempo que cobria a própria boca com as mãos. Hazz e Don – que nem havia percebido ter entrado ali – rapidamente se colocaram, cada um de um lado de Stan e o levantaram, fazendo caretas ao ver o ângulo que a mão direita do amigo se encontrava.
-Que porra aconteceu aquí? – Don questionou assustado.
-, VOCÊ QUEBROU MEU PULSO! – sim, Sebastian gritou. Primeiro porque ele não conseguia não olhar para sua própria mão. Aquele ângulo era pouco saudável e parecia ser muito dolorido; Segundo porque aquilo, de fato, estava doendo muito.
- Bast! Me desculpa... Eu... – balbuciava completamente desesperada, dando dois passos na direção do amigo, mas Don e Hazz afastaram Sebastian dela por motivos óbvios – Era para ter sido nele, não em você...
- Nele? – Saladino e Stan perguntaram em uníssono, já que o romeno passou a olhar para a ruiva quando ela começou a falar.
- Em mim? – o homem perguntou assustado, engolindo em seco com o olhar da ruiva sobre si.
- Você mesmo, seu nojento, chega perto de mim novamente e você vai ver que isso – apontou para a mão de Sebastian – não é nem um terço do que eu vou fazer com você – ameaçou, guardando tanto a sua quanto a garrafa do romeno em suas respectivas mochilas, mas nenhum dos outros homens repararam nisso porque estavam encarando Hazz.
- O que? – falaram novamente juntos, mas cada um em seu próprio tom acusador.
Don só percebeu que a mulher pretendia tirar Sebastian dali, quando ela o pediu para soltar o ombro do ator.
- E onde você pensa que vai? – perguntou preocupado.
- Leva-lo a um hospital, ele não pode ficar aqui e com a mão assim para sempre.
- E você que vai dirigir? – Stan praticamente espelhou a reação do amigo.
- Podíamos ir a pé, mas acho que vou desmaiar se ver sua mão assim por muito mais tempo – comentou enquanto saiam da área de artes marciais.
- Vocês não querem que eu vá? – Don perguntou, brotando novamente ao lado de Sebastian.
Como era possível um homem daquele tamanho ser tão silencioso e aparecer nos lugares tão assim do nada? O cérebro de estava sobrecarregado demais para absorver isso.
- Si...
- Obrigado, Don, mas se eu dei conta de quebrar eu dou conta de consertar – o personal levantou uma sobrancelha, o que respondeu com uma balançada afobada das mãos – Okay, eu não, mas o médico sim. Desculpa o inconveniente e demite aquele nojento. Tchau.
Quando chegaram ao carro, Stan começou a resmungar coisas meio aleatórias como mão quebrada doendo, carro amassado, mulheres loucas em sua vida, não ter mais cabeça pra esse tipo de coisa. Tudo isso para não precisar ficar completamente quieto e sua mente focar naquele dor excruciante, pois tinha certeza absoluta de que se isso acontecesse, ele começaria a chorar como um bebê.
- Bast, me perdoa, me perdoa, me perdoa, me perdoa! Eu juro que só percebi que era você na metade do golpe e não consegui parar! Meu Deus, eu juro que não foi por querer... Quer dizer... Foi, mas não em você, mas...
- Agora você quebra pulsos de caras que mexem com voce?
- Eu deveria era quebrar pescoços!
- Não estou te julgando, na verdade gosto da ideia, mas... Ele mostrou esse movimento uma vez, como você...?
- Eu aprendo rápido, dragoste, na maioria das vezes só me faço de lerda para ver até onde a situação vai – deu de ombros, focada no caminho, evitando congestionamentos e sinaleiros.
Sebastian ficou completamente embasbacado encarando o perfil da brasileira que acabara de pronunciar uma palavra em romeno com tanta perfeição que o fez se questionar de sua audição. Isso desconsiderando o significado daquela palavra. E aquela frase? Stan sabia que não era inteiramente verdade, mas também não podia afirmar que era uma completamente mentira, pois a conhecia bem demais para saber que muitas vezes aquilo se provou realidade.
Aquilo pareceu o distrair mais do que ele esperava, pois em um momento eles estavam vagando pelas ruas nova iorquinas e em outro estacionava em uma vaga emergencial próxima a entrada do hospital.
O atendimento foi rápido e eficaz, e em menos de vinte minutos, estava sentada ao lado de Sebastian em um consultório de um médico muito charmoso, e o pulso direito do romeno já estava seguramente imóvel envolto em uma tala.
- A pessoa que fez isso, com um pouco mais de prática, teria de fato quebrado seu pulso, Sr. Stan – o médico comentou avaliando o raio-x do braço do ator.
A ruiva soltou um suspiro aliviado ao mesmo tempo que o romeno franziu o cenho.
- Espera, não está quebrado? – perguntou confuso.
- Não, você só deslocou o ligamento – explicou – Uma semana com essa tala, e talvez mais umas duas com uma munhequeira resolve seu problema. Só não force sua mão e no início do mês já estará novo em folha. Vou passar um remédio caso doa muito, mas acho que não será tão necessário.
A caminho ao estacionamento, parou de andar. Sebastian, já prevendo o que aconteceria mostrou o dedo do meio para ela, com a mão esquerda, obviamente, sem se virar para vê-la, o que foi o suficiente pra que a gargalhada da ruiva fosse ainda mais escandalosa.
- Ah, vai! Meu sonho de infância era usar uma tala ou um gesso na mão direita para não precisar escrever na escola.
Mais tarde, naquele mesmo dia, eles se depararam com fotos deles saindo do hospital e Sebastian teve que assumir que gargalhando enquanto ele andava mais a frente com uma expressão revoltada e mostrava o dedo para ela era uma visão bem engraçada vista de fora.

abriu a porta de casa e deu de cara com Sebastian sentado no sofá com um copo de suco de maracujá na mão e uma caixa de pizza ao seu lado, enquanto apoiava os pés na mesa de centro e assistia um jogo reprisado da Copa. Brasil e Croácia.
Demorou um pouco para a moça assimilar aquela ideia.
- Me ajuda a lembrar aqui – falou, dando um leve susto no rapaz – Por que mesmo que te dei a chave do meu apartamento?
Ele lançou um sorriso meigo a ela, chegava a beirar o cinismo.
- Porque mi casa es tu casa e tu casa es mi casa – ela mordeu o inferior da bochecha para não rir daquilo – Eu trouxe pizza, vem logo – disse colocando a caixa na mesa, abrindo espaço para se abandonar ali, descansando a cabeça no ombro do amigo e soltando um suspiro alto.
- Cansada? – perguntou passando o braço pelos ombros dela.
- A dona Adriana me cansou – resmungou, se afundando ainda mais contra o homem – As vezes eu acho que ela esquece que o Biel é filho do Breno, e não meu.
- O que aconteceu com o Biel?
- Ele beijou uma menininha lá do prédio e a mãe dela viu, foi lá na porta dos meus pais falar para eles controlarem o pia. Daí ela me ligou para eu tentar conversar com o Biel, porque isso que ele fez não foi certo e que não sei o que, Breno e Gabriela trabalham demais e não tem tempo para esse tipo de conversa e o Gabriel está ficando rebelde... Francamente! Eu estou na outra ponta do continente! – exclamou revoltada, pegando o copo da mão do homem e tomando todo o líquido que ainda estava ali dentro – Sem contar aquele pirralho! Ainda nem tem doze anos direito e já achando que pode sair enfiando a língua na boca das pessoas desse jeito? Nessa idade eu estava brincando de Power Ranges!
- Ah, , deixa as crianças – Sebastian falou rindo – Ta parecendo a Gertrudes falando – continuou, se encolhendo, já sentindo o tapa, que nunca veio. Ela ainda estava se sentindo culpada pela mão, embora agora ela só estivesse envolta em uma munhequeira.
- Ta, Bast, mas ele é muito criança! – desencostou-se do ator, apoiando o cotovelo nas costas do sofá e a cabeça na mão – Acredita que a menina tem treze anos? Esse pia é muito safado mesmo! – comentou como se aquilo fosse um feito muito grande para um indivíduo muito pequeno.
- Pistrui, com quantos anos você deu seu primeiro beijo? – perguntou realmente interessado, deixando um sorriso escapar pelos cantos dos lábios.
- O meu foi meio tarde, porque como você sabe, eu tinha problemas de interações soci...
- ? – a pressionou, fazendo-a baixar os ombros em rendição.
- Quase dezesseis.
- O que! – aquilo nem poderia ser considerada uma pergunta.
- Ta, tanto faz, agora sou muito boa nisso – deu de ombros – E você, Don Juan?
- Com dez.
- O que? – aquilo sim poderia ser considerada uma pergunta feat exclamação descrente – Não, sério, Bast. Eu falei a verdade, você tem que falar também.
- Meu primeiro beijo foi aos dez anos de idade – afirmou, mordendo a bochecha para não rir da cara da ruiva, nem rir junto com ela quando ela começou a rir.
- Oh meu Deus! Ainda cheirava a leite – disse rindo – Tenho dó da criança que participou dessa experiência, deve ter sido horrível!
- Na verdade, ela disse eu era bom – falou orgulhoso de si, a fazendo rir ainda mais – E ela já tinha dezesseis anos e foi ela quem me beijou, então se alguma criança serviu de cobaia para alguma experiência, essa criança foi eu.
se endireitou no sofá e parou de rir, quase assumindo uma pose extremamente séria, não fosse pelo característico brilho no olhar naqueles lindos olhos dourados.
- Como assim dezesseis anos? Isso é abuso! Além do mais, você nem foi uma criança bonita! – talvez o sorriso tenha lhe escapado nessa última parte.
- Hey! – soltou fingindo indignação – Eu sempre tive meu charme, okay? E seis anos nem é tanta coisa assim. Nós temos essa diferença de idade e nunca ninguém disse nada – deu de ombros.
recostou a lateral do corpo nas costas do sofá, como se só tivesse parado para pensar sobre aquilo naquele momento. O que era verdade. A diferença de idade deles era de exatos seis anos, mas isso nunca nem chegou perto de ser um tópico de seus pensamentos porque no que aquilo poderia afetar dois adultos de vida completamente encaminhada?
- Não, mas nem se compara – comentou com desdém – Depois dos vinte a idade fica muito relativa, mas entre os dez e os dezesseis? São anos decisivos tanto para o desenvolvimento físico quanto mental... A diferença é.. A diferença é contras... Bast... O que você...? – foi perdendo a fala conforme Sebastian ia se aproximando aos poucos, desviando por poucos segundos o olhar para os lábios da mulher, logo voltando a focar seus olhos, se perdendo aos poucos nas íris cor de ouro.
- Meu último beijo também teve relação com alguém com uma diferença de seis anos – murmurou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha da ruiva que estava completamente inebriada pela proximidade dos dois – Eu queria relembrar aqui se foi tão bom quanto meu cérebro gosta de ficar reprisando.
já não ouvia mais o que ele dizia. Aquela proximidade toda ocultou todo o resto, só deixando eles ali, e sua necessidade em se agarrar a Sebastian para não cair naquele vazio intenso.
O problema foi que ela se segurou na mão do ator que estava em seu rosto. A mão direita do ator.
Em um momento eles estavam quase se beijando, e no outro Stan estava na ponta do sofá, segurando a mão da munhequeira contra o peito e a expressão contorcida de dor.
- Meu Deus! Bast! Desculpa! Desculpa, meu Deus, me desculpa! – implorou, hesitando entre toca-lo, buscar gelo pra aliviar a dor, fazer os dois enquanto pensava no que estava quase acontecendo, ou fazer um de cada vez. Optou pela última opção – Eu vou... Eu vou buscar um pouco de gelo – falou já se levantando e indo pra cozinha – Espera ai, eu volto já.
Pegou o pano de prato de estava na bancada mesmo, porque ficar procurando a bolsa de gelo gastaria muito tempo. Abriu o pano sobre o balcão ao lado da geladeira, abriu o congelador e lutou com a forma de gelo o suficiente para conseguir cinco cubinhos, os colocou no meio do pano e voltou para a sala, encontrando tudo exatamente como havia deixado, exceto Sebastian.
Ele não estava mais lá.
O coração dela falhou uma batida, mas afastou aquela sensação e seguiu até o banheiro: Nada. Quarto: Nada. Quarto de hóspedes, por mais improvável que poderia ser: Também não.
Então era isso... Mais uma vez em um curto prazo de dois meses eles acabaram o dia do jeito mais estranho possível e a maior parcela de culpa era de . Não que ela estivesse se esforçando para isso, era só mais um de seus charmes naturais.
Aquilo a deixou nervosa. Por que eles tinham que fazer aquela novela mexicana a cada vez que quase acontecia alguma coisa? Deveria ser simples, não deveria dar tanta dor de cabeça.
Dor de cabeça. Aquele estresse sem sentido havia lhe dado dor de cabeça, de um instante para o outro começou a ter a sensação de que duas barras quentes de metal estavam sendo tiradas de sua nuca. Respirando fundo, tentando controlar aquela dor ridiculamente absurda, se levantou da cama com o intuito de ir buscar o remédio que ficava na cozinha, mas assim que chegou ao final do curto corredor, sentiu as pernas bambearem e a visão escurecer completamente.
Sebastian não conseguiu dormir aquela noite.
A dor em sua mão não era nada, inclusive, assim que chegou em casa tomou um anti-inflamatório e rapidamente sua dor se foi. O que o tirou o sono a noite toda fora pensamentos idiotas e sem sentido, os mesmos que o tiraram da casa de no dia anterior. Mas pensamentos tão fortes que o estavam controlando.
Tanto quando transaram quanto se beijaram, as respostas de foram meramente carnais, ou parecem muito ser, então, e se ele estivesse nessa sozinho? E se o máximo que ela podia sentir por ele fosse realmente amizade mas as vezes com uma diversão a mais? Tudo bem que o apelo sexual era forte, mas ele queria mais, certo? Por que aquilo o deixava tão confuso e por que ele não verbalizava aquelas perguntas para ela?
Verbalizar. Esse era seu trabalho e ele vinha se mostrando realmente bom nisso, então por que não?
Olhou o relógio ao lado da cama, certamente já estava acordada se arrumando para ir ao trabalho. Ela era sempre tão pontual, tudo bem se atrasar um dia.
Pegando a primeira calça e camiseta que seus olhos bateram, Stan desceu correndo as escadas de casa, pegou a carteira e as chaves e foi para o carro. Tinha a sensação de que se não agisse em seus ímpetos de coragem, aquilo nunca sairia do lugar.
Porém o destino não parecia estar ao seu favor.
A probabilidade de ser atingido por um alcaçuz se entrasse como se nada tivesse acontecido na noite anterior era muito grande, então resolveu tocar a campainha. Achou estranho depois do terceiro toque não ouvir nenhum movimento dentro do apartamento, pois se ela não estivesse acordada se atrasaria para o trabalho, mas era impossível já ter saído. Desistindo da ideia da campainha, colocou a chave na porta e entrou, se surpreendendo ao encontrar a sala exatamente do jeito que a deixara. Mas a surpresa maior veio quando, na entrada do corredor, Sebastian encontrou caída no chão.
Com o coração na boca, o romeno se aproximou da ruiva. Ela estava gelada, e com um certo alívio percebeu que só estava desmaiada. Sem pensar duas vezes a pegou no colo e saiu o mais depressa possível do apartamento.
Quando as portas do elevador se abriram na recepção do prédio, o porteiro olhou assustado para o rapaz carregando a sempre tão sorridente srta. , agora pálida e desacordada.
- O que aconteceu? – perguntou assustado.
- Não sei, cheguei lá e ela estava desmaiada. Abre a porta pra mim – falou, quase se atropelando nas palavras – Abre a porta do carro também, por favor – pediu, tirando com dificuldade a chave do bolso.
Agradeceu de qualquer jeito para o senhor e logo seguiu caminho para o hospital mais próximo. O caminho todo se julgado por ter saído da casa da garota de maneira tão estupida. Se ele tivesse passado a noite lá ele poderia ajuda-la, ou talvez aquilo nem acontecesse.
Já no hospital, sua agonia não durou por tanto tempo.
Assim que chegaram, dois enfermeiros chegaram com uma maca e levou e poucos minutos depois – o que para ele pareceram décadas – um médicos quase de sua idade apareceu na sala de espera, dizendo que estava acordada e gostaria de vê-lo.
- Eu não vou aguentar mais um susto desse, , só para deixar registrado – disse assim que avistou a ruiva sentada na cama, brincando com o lençol, corada e o brilho de sempre nos olhos... Pretos. Exatamente como ficou depois dos acontecimentos de meses atrás.
- Eu que desmaio e ele quem faz drama – comentou com uma voz rouca que fez cócegas no estômago de Sebastian – Essa é minha vida – brincou com o médico, que sorriu e se aproximou com uma lanterninha, mirando-as em seus olhos.
- Bom – o homem soltou o ar, se voltando para o romeno – O desmaio foi causado por uma queda de pressão – explicou, e voltou a olhar a ruiva – Como você disse que nunca teve nenhum problema de pressão, e agora está completamente normal, eu digo que isso foi causado por algum estresse – encarou Stan, e mesmo ele não entendendo exatamente o porquê daquele olhar, suas bochechas instantaneamente tomaram cor. O médico viu aquilo e deixou uma risada discreta escapar – Como demorou para você se recuperar, ficará em observação por duas horas – quase dava para acreditar que lágrimas rolariam naquele rosto desolado – Mas, você disse que sua enxaqueca está forte, então hoje e amanhã de atestado como brinde pelas horas aqui – então sua expressão se tornou a de uma criança que ganhara um doce após levar uma injeção.
Ela estava bem, só aquilo importava.
- Me desculpa – Sebastian murmurou alguns segundos depois que o médico saiu, se sentando na cama, bem próximo a ela.
- Olha, se você acha que é tão decisivo assim na minha vida, a ponto de vir se desculpar depois de toda vez que eu desmaio, você está completamente correto, porque ontem tu foi um grande babaca.
Demorou alguns segundos para Stan entender aquela enxurrada de palavras, mas não pôde evitar sorrir, não se importando com a ruborização em suas bochechas.
- Posso recompensar?
Ela fingiu fazer uma cara pensativa, vingativa, mas seus olhos mostravam que ela estava feliz por ele estar ali, independente da situação.
- Você tem dois dias para isso.
O sorriso se alargou ao ouvir isso, e sem pensar direito, Sebastian deu um rápido selinho na brasileira.
- Da tempo de recompensar duas vezes.

- Laka Oreo é o melhor chocolate do mundo – falou dando pulinhos ao lado de Stan enquanto ele pegava duas barras que estavam no armário, então seguiram para a sala e se jogaram no sofá, ele meio sentado e ela com a cabeça no colo do homem.
Na tarde do dia anterior ela já tinha voltado ao normal, nem parecia que tinha ficado desacordada por quase sete horas. E embora Stan literalmente tenha pego ela novamente no colo para força-la e ir fazer os exames que já fugia desse o início do ano, conseguiu convencer – temporariamente – que aquilo foi realmente uma queda de pressão. Naquela manhã tudo parecia ter voltado aos eixos, inclusive a cor dourada nas íris da ruiva, o que já tornava o dia de Sebastian bem melhor.
- Você me fez viciar em sorvete de maracujá, agora nesse chocolate – Sebastian falou em tom de reclamação, abrindo uma das barras – Você é uma péssima influência, , eu tenho que ganhar três quilos para o filme, não trinta!
- Você reclama de mim mas não me larga, me ama menos, homem – falou roubando a barra da mão dele, mas antes de morder ele a pegou novamente.
- Não é porque você ‘ta doente que pode ficar pegando as coisas assim, mal educada. – reclamou, dando uma mordida e baixando a um nível que a ruiva pudesse morder sem precisar segura-la.
- Eu não 'to doente, foi s... – Stan colocou a mão sobre a boca da mulher que estava cheia de chocolate.
- Não sou obrigado a ficar vendo esse chocolate mastigado ai, se comp... ! – tirou a mão do rosto da mulher e limpou a baba dela na camiseta da ruiva – Você não pode lamber minha mão!
A gargalhada da brasileira preencheu todo o espaço enquanto ele continuava a encara-la incrédulo, embora por dentro sua vontade de beija-la aumentasse ao ouvir aquela risada.
- Bast, não vem dizer que tem nojo da minha baba, nosso tempo de convívio não permite que você diga isso – falou convencida.
- Mas chocolate mastigado ninguém merece – fingiu se fazer de birrento.
- Ui, sou Sebastian Stan, sou um atorzinho de Hollywood, sou nojentinho – imitou a voz dele da pior forma possível, abanando as mãos próximo ao rosto.
- Se continuar tirando sarro eu vou lamber seu rosto – ameaçou, mordendo mais um pedaço do chocolate para não rir.
- E eu fico falando que tenho nojo da , mas quero lamber el... – continuo a imitar o amigo, mas foi interrompida pelo mesmo que começou a gargalhar. – O que foi louco?
- Vo...você reparou no que dis...disse? – perguntou em meio a gargalhada, quase sem ar.
Ela franziu o cenho e o encarou
- Que você quer me lambe... – seus olhos se arregalaram e as mãos foram para a boca – Não acredito que falei isso! – o grito saiu abafado mas foi o suficiente pra fazer o descontrole do homem aumentar e a risada ficar ainda mais alta – Para de rir, se não a Gertrudes vai aparecer aqui de novo! – o desespero da brasileira fez a risada do homem ficar mais alta que humanamente saudável – Eu vou morder sua perna! – o ameaçou, mas ele continuou a rir.
Então ela virou a cabeça e mordeu a coxa dele, à menos de um palmo da virilha.
- Aah! Caralho, ! – a voz dele saiu uma mistura de sufoco com prazer e grito abafado – Você sabe que não pode fazer isso ! – seu tom era quase choroso e mordeu o lábio inferior, reprimindo a risada.
- Desculpe – murmurou com a voz rouca pela risada contida.
Ele suspirou e entregou a barra para a garota.
- Vai... Tira a cabeça daí, levanta – pediu empurrando levemente a cabeça dela de seu colo.
Ela se sentou em posição de índio e deu uma mordida no chocolate, nem esperara o homem se recuperar do golpe baixo, e já cometendo outro sem nem se dar conta desse: alguns dos pedaços de biscoito que tem ao meio do chocolate ficaram no canto de seus lábios e distraidamente ela passou a língua pelos cantos dos lábios, de maneira extremamente lenta e extremamente torturante segundo Stan.
- Que merda, – Sebastian sussurrou antes de agarrar a nuca da garota e colar seus lábios nos dela.
demorou um pouco para entender o que estava acontecendo, mas logo levou as mãos ao pescoço dele e abriu espaço para ele aprofundar o beijo, o sorriso que se formou nos lábios de ambos dificultando um pouco esse processo.
Stan tirou uma das mãos da nuca da mulher e traçou um caminho na lateral de seu corpo, apertando forte quando chegou à cintura, a puxando para seu colo, sem se importar com as pontadas que aqueles movimentos causava em sua mão machucada, se inclinado para deita-la no sofá. Quando seu corpo estava sobre o dela, quebrou o beijo e encostou a testa na dela, a respiração pesada e o aperto na cintura mais forte.
- Bast? – sussurrou observando a expressão do homem que parecia de sofrimento – O que houve?
Ele engoliu em seco e suspirou, abrindo os olhos e encontrando aquelas orbes douradas o encarando preocupadas. A expressão de sofrimento foi substituída por uma brincalhona e... Aliviada? Sim, ele estava aliviado por finalmente poder falar o que estava embolado na garganta a tanto tempo.
- Eu vou ter que te pagar dez dólares.
Não demorou para um sorriso que não cabia no rosto se espalhar pelos lábios da garota. tentou morde-los, mas ouvir aquilo era realmente ótimo.
- Eu falei que você iria perder – soprou as palavras contra os lábios dele que logo foram puxados para outro beijo, mais calmo, mais intenso, com sabor de chocolate.
O aperto na cintura com toda certeza deixaria marcas, mas ela não se importava nem um pouco. Na verdade aquilo era extremamente excitante.
Sebastian puxou o corpo de mais contra si e se ajeitou em cima dela, ouvindo um estalo de algo se quebrando, fazendo a mulher rir.
- Esse sofá é muito pequeno pra nós dois e essas barras de chocolate. – sussurrou no ouvido do romeno.
- Você judiou de mim por tempo demais para duas barras de chocolate acabarem com meu momento – murmurou meio embolado, puxando as coxas da ruiva para que ela envolvesse sua cintura, e com um pouco de dificuldade por conta dos beijos e uma mão sem completo funcionamento, chegou ao quarto e a deitou na cama, se afastando só para tirar a camiseta da mulher, deixando seus seios expostos – In seara asta esti a mea, Pistruiat.
acordou com um pé deslizando por toda a extensão de sua canela esquerda, provocando um pouco de cocegas. Com dificuldade abriu minimamente os olhos e encontrou Stan a observando.
- Você ‘ta me olhando dormir? – perguntou risonha, a voz matutina embargada.
- Eu não 'to te olhando dormir – murmurou revoltado por ter sido pego no flagra, um sorriso maroto escapando pelos cantos dos lábios, porque estava se mostrando realmente impossível não sorrir feito idiota.
- Cuidado pra não se apaixonar – respondeu no mesmo tom ainda sorrindo, deslizando as unhas pelo abdômen do homem, se aproximando mais.
- Com certeza não vou me apaixonar – tirou o cabelo que estava no pescoço dela, deixando a mão ali, fazendo um carinho na bochecha.
- Não... Você já se apaixonou – comentou girando os dois corpos e parando em cima dele, encostando o queixo no dele.
- Você vai falar isso para todo mundo, né? – perguntou sorrindo, envolvendo a cintura dela em um abraço sem tira-la de cima de si.
- Eu estava esperando isso há algum tempo sabe... – Stan semicerrou os olhos, invertendo as posições, ficando por cima da mulher que ria sem medo.
- Não acredito que você ‘ta falando isso – respirou fundo e o encarou.
- Se você não falasse logo, eu falaria – deu de ombros – Sem contar que não queria te dar dez dólares – falou com desdém.
- Você é uma pessoa horrível, ! – os olhos e a boca dele estavam arregalados em descrença – Eu fiquei com ciúmes, raiva de mim, raiva de você, raiva do Breno e da e do Mackie, com medo e com vergonha, para você vim me dizer que não acabou com isso antes para não perder dez dólares?
- Eu queria ganhar a aposta – deu de ombros, como se aquilo justificasse tudo, fazendo Sebastian negar com a cabeça, incrédulo, mas ela começou a beija-lo e sua revolta passou.
- Eu acho que você estava sem coragem – falou em meio ao beijo, abriu os olhos e o encarou com um olhar questionador – Essa coisa de se apaixonar por melhor amiga é mais complicado que as comedias românticas fazem parecer.
afundou os dedos em meio aos já meio crescidos cabelos de Sebastian, pensando que aquilo tudo era bom mais para ser verdade. Eles, ali na cama, daquele jeito, era um pedacinho do paraíso que caiu e foi parar bem no mundinho deles.
- Pistrui, quanto tempo você acha que vai demorar para nossas famílias e amigos cansarem de fazer piadas com nós?
A ruiva fez uma leve careta. O paraíso foi invadido.
Stan gargalhou e deu mais um beijo nela, saindo de cima dela e rolando para o lado, de maneira que ficou deitado de conchinha, rindo juntos ao pensarem nos comentários que ouviriam dali para frente.
Eles estavam ferrados. Mas se sentiam as pessoas mais felizes do mundo por isso.


Capítulo 17

- Pega o requeijão também, fazendo favor – pediu para Sebastian, quando ele abriu a geladeira para pegar a caixa de suco enquanto ela organizava a mesa do café da manhã.
Eles se sentaram juntos a pequena mesa da cozinha do apartamento de . Haviam passado praticamente a semana toda na casa do romeno, mas resolveram, na quinta de tarde, ir para a casa da ruiva, deixar tudo organizado e arrumar a mala dela, já que passariam o fim de semana em St. Louis, onde teria uma Comic Con que Stan participaria de um painel – e gastou, mais uma vez, uma quantia meio absurda para ficar andando de um lado para o outro em um grande salão com várias estandes espalhadas e ver pessoas, que considerando suas amizades, ela poderia ver em um fim de semana normal. Ou não. Bem, não todos.
Na verdade, só o Anthony mesmo.
-Senhoras e senhores, uma salva de palmas para o glorioso pão de queijo com requeijão! – a ruiva murmurou para si mesma, enquanto passava o condimento no pequeno pão de queijo, levantando o rosto quando ouviu Sebastian dar risada.
Ela havia dito aquilo em voz alta?
-Você é muito idiota – murmurou, a segurando levemente pelo queixo, iniciando um beijo profundo, sem nenhuma cerimônia e sentindo se entregar àquele turbilhão gostoso de sensações que se iniciava a cada vez que eles se beijavam – Eu nunca vou enjoar disso – sussurrou contra os lábios da mulher, que depositou mais uma sequência de selinhos ali, antes de tentar se afastar minimamente.
-É, eu percebi isso – comentou, depositando mais um selinho, dessa vez mais demorado, antes de se levantar, já pegando a bolsa que estava no balcão ao lado – E se depender de você, vou me atrasar para o trabalho, de novo – apontou, passando por trás da cadeira que o romeno estava ocupando, sendo segurada pela cintura, sentindo o homem se levantar e abraça-la por trás enquanto ela, inutilmente, tentava chegar à porta – Bast, é sério – disse tentando tirar os dedos dele da cinta firme que se formou em sua cintura.
-Dez minutos – murmurou, com os pensamentos e fala meio enuviados pelos beijos que estava se ocupando em espalhar pelo pescoço da ruiva.
- Se você me soltar agora, de noite eu te deixo me jogar na parede e me chamar de lagartixa – propôs se virando para o ator, ainda envolto nos braços dele, apoiando as mãos nos ombros do homem, fazendo-o parar o que estava fazendo e apreciar aqueles incríveis olhos amarelados.
- Eu ainda vou falar isso, e se você rir, vou te chamar de lagartixa pelo resto da sua vida – tentou falar em um tom sério, mas a gargalhada da brasileira só diminuiu sua capacidade para isso.
- Posso ir então? – perguntou, enroscando os dedos nos cabelos da nuca do rapaz.
Aquilo era golpe baixo. Como ela falava em se afastar por seis horas, enquanto fazia aquele cafuné nele?
-Okay, eu te levo – murmurou, ainda muito concentrado nos lábios da garota, levando um pequeno susto quando ela se afastou de maneira um pouco brusca.
- Me leva? – repetiu a sentença com um sorriso meio nervoso escapando pelos cantos da boca – Eu vou de metrô, sempre vou de metrô, não vejo problema no metrô.
Sebastian franziu o cenho por segundos suficientes para entender o que estava acontecendo.
-, nossas famílias já sabem que estamos juntos, não tem porque ficarmos escondi…
- Não, não é isso… – começou, mas o levantar de sobrancelhas do romeno a fez parar, baixando os ombros em claro sinal de desistência – Ta, pode ser que seja isso, mas pensa comigo, imagina a loucura que vai virar o Instagram!
- ‘Ta com vergonha de mim, dragoste? – teve que morder o lábio para não sorrir e nem se deixar distrair por aquela palavra – Além do mais, – Stan continuou, passando o braço pelos ombros da mulher, os guiando para a porta – você falando desse jeito faz parecer que sou o maior astro da sétima arte dos últimos tempos.
- Olha, da sétima arte não sei, mas do Instagram ja ta entrando ali num ranking legal, no Tumblr ta quase alcançando o Misha Collins...
Sebastian deu um tapinha na nuca dela, porque, francamente, desaforo era pouco.
-Quem precisa de haters com você por perto, não é? – disse trancando o apartamento e seguindo para o elevador.
- Só estou cumprindo meu papel – deu de ombros – Disponha.
- Papel de ridícula, só se for – murmurou, mas não baixo o suficiente para que ela não ouvisse, então acabou recebendo um tapa ardido no ombro.
- Bast, você arrumou a sala, coisa que você prometeu fazer? – perguntou, se lembrando só naquele momento, já dentro do elevador, quase chegando ao térreo, a situação que sua sala havia ficado na noite anterior. O ator fingiu estar distraído com o celular, mas o tom avermelhado que tomou conta de suas bochechas já explicavam tudo – Ah não, Bast! Aquilo ta horrível, parece que passou um vendaval por lá! Quer me levar, okay, mas depois você vai voltar aqui e arrumar aquilo – decretou.
- O que?! Eu não fiz aquilo tudo sozinho, srta. !
- Mas a ideia foi sua, então sua parcela é maior que a minha – explicou, depositando um casto selinho nos lábios do homem, então saiu do elevador como se fosse a rainha da razão, parando alguns passos depois, próxima ao porteiro – Além do mais, nós não pegamos minha mala.
- Não se preocupe, filha, ela já está no porta malas do sr. Stan. Ele me pediu para leva-la hoje mais cedo – o senhor explicou, fazendo lançar-lhe o sorriso mais carinhoso do universo.
- Muito obrigado! Não era necessário, mas mesmo assim, obrigado – o mais velho assentiu, orgulhoso de si mesmo por cumprir seu trabalho de forma tão perfeita, não percebendo a tentativa falha de lançar para Stan um olhar julgatório - Você é muito espetinho, né – disse, segurando o sorriso que estava querendo escapar pelos cantos dos lábios.
- O que? Só estava agilizando um processo, vai que um de nós esquecesse – explicou dando de ombros e entrando no carro.
- Nem se vangloria muito, quando eu sair da redação volto direto pra cá, e se você não vier me ajudar, amanhã só vai ter pedaços de Sebastian Stan para tirar foto com as pessoas.
Quando chegou em casa, Sebastian se jogou no sofá com o celular em mãos. Já que teria que ajudar a arrumar a bagunça que eles fizeram na sala com um jogo meio idiota que envolvia whisky, apostas ridículas e dados de papel feitos de última hora, ele merecia um longo e belo dia fazendo muito nada para compensar, certo?

Mackie: A ruivinha disse que vai junto amanhã porque está morrendo de saudades de mim.
Da pra não amar aquela coisa chatinha?

Stan leu a mensagem e demorou um pouco para entender do que Anthony estava falando. Talvez ele estivesse quase dormindo enquanto olhava o Instagram.

Sebastian: Por favor, menos, bem menos… Além do mais, ela só está indo por causa do Hiddleston. Não se iluda (lol).
Mackie: Voxe cum xiume é a coixinha maizi gay do universo.
Só paro com isso quando vocês aparecerem na minha frente e disserem “Eae delícia, estamos juntos e queremos alguém lindo como você para ser o padrinho do nosso casamento”.


Sebastian se engasgou de tanto rir, e teve que se sentar para recuperar a estabilidade.

Sebastian: Acho que já passou da época em que as pessoas se declaram e ja casam no mesmo dia.
Mackie: Vocês já se conhecem a um ano, não precisa mais do periodo namoro/noivado, podemos pular logo para o casamento. Sebastian: E você que vai organizar a cerimônia e a festa? Não sei se confio nos seus gostos.


Demorou um pouco para a resposta vir, Sebastian já tinha até voltado para o Instagram quando chegou a notificação de uma nova mensagem de Anthony.
Mackie: VOCÊ NÃO BRINCA COM COISA SÉRIA, SEBASTIAN, MEU OTP É COISA SÉRIA E VOCÊ NÃO TEM O DIRETO DE FAZER ESSE TIPO DE COISA COMIGO, SEU ABUSADO, VOCÊS AINDA VÃO FICAR JUNTOS E EU VOU FICAR VELHINHO FALANDO “HAHA, EU DISSE” E VOCÊS NÃO VÃO PODER ME RESPONDER PORQUE ESTARÃO SE BEIJANDO APAIXONADAMENTE!

Stan mandou várias carinhas rindo e saiu da conversa, se continuasse ali acabaria falando o que não devia, até porque ele e haviam ensaiado um teatrinho legal para contar para o amigo e para que eles estavam juntos, Breno havia sido o primeiro a saber e foi um ótimo jeito deles perceberem que se houvesse uma brincadeira, tudo ficaria melhor.

Flash Back - Domingo (Daquela mesma semana)

-Eu poderia ficar aqui o resto do dia – Sebastian muxuxou contra o ouvido de .
Os dois haviam acordado há quase duas horas, mas a cama, o abraço e os beijos distribuídos no lóbulo da mulher estava tão bom, que nenhum dos dois queriam se mover. Vai que o universo percebesse a paz que eles se encontravam e resolvesse agir.
-Hummm… o resto da semana – concordou com uma voz completamente rouca.
- Vamos ficar aqui pra sempre, fingir que só existimos para nós – propôs ainda baixinho, apertando ainda mais os braços ao redor da ruiva.
- Para isso precisamos trazer alguns muitos frigobar, muita pizza, alcaçuz, camisinha uma hora acaba também…
- Você algum dia ja foi romântica? – Stan perguntou rindo, virando-a para si.
- Nunca fui boa com palavras ditas, aceita mensagens? E-mail? Cartas? – na última palavra sua voz já se perdia em meio as gargalhadas devido as cócegas que o homem lhe causava. Ele só parou quando o rosto dela ficou muito vermelho e ela já quase não podia respirar, então capturou os lábios extremamente avermelhados da garota, provavelmente deixando-a ainda mais sem ar. Só separaram os lábios quando ambos estavam necessitados de oxigênio – Acho que com meus detalhes, sua proposta se tornaria um ótimo estilo de vida – murmurou depois de alguns instantes perdida no azul dos olhos do romeno.
- Com certeza – ele assentiu, voltando a beija-la, estranhando quando ela começou a se afastar – Hey, hey, onde pensa que vai?
- Essa coisa de falar de pizza e alcaçuz me deu fome – deu de ombros, mordendo a bochecha do romeno quando ele a encarou com uma expressão de “É sério?” – Mas não da pra ir comer sem antes tomar banho, então você vai comigo ou vou ter que te esperar tomar banho, para só depois poder comer? – perguntou já se levantando.
- Precisa tanto assim de mim de baixo do chuveiro, Pistrui? – brincou, levantando rápido e abraçando a ruiva por trás no caminho para o banheiro.
- Preciso de ajuda para lavar o cabelo – respondeu inocentemente, se virando para encarar Sebastian – Além do mais, te ver assim não perde a graça – apontou para o corpo nu do romeno, dando um gritinho quando ele a pegou no colo e caminhou até o banheiro.
Stan saiu primeiro do banho por motivo de estômagos realmente roncando e um pagamento tão delicioso pelas panquecas que ele nem havia começado ainda, que não tinha como dizer não. Só que quando ele fechou a porta do banheiro, ouviu o celular de tocando, olhou na tela e viu que era uma vídeo chamada de Breno. Ele não pararia até falar com alguém, dava para se vestir, dar uma geral no cabelo, e ainda assim o celular estaria tocando.
-Finalmen… Hey, Seb! Cadê a Bloom? – o ruivo apareceu na tela despejando mil palavras por segundo enquanto Sebastian descia as escadas.
- Ela ‘ta tomando banho – disse, se sentando no sofá – Cara, por que você ‘ta todo social em pleno domingo?
- Escritório – explicou, fazendo o outro franzir o cenho – Em pleno domingo tive que vir para cá porque tinha uma reunião com um alemão que comprou um condomínio e quer todas as casas em determinado padrão. Meu alemão está enferrujado e ele não entende muito bem inglês. Sabe o que me deixa mais puto? Você está com a maior cara de quem acabou de levantar, e eu estou aqui desde as sete!
- Aqui são dez – Sebastian comentou brincando com a uma hora de atraso entre Nova York e Curitiba.
- Engraçadão você – Breno resmungou, fazendo o outro rir.
- Está vivo! – apareceu praticamente do nada, pulando no colo de Stan e sorrindo para o irmão – Te liguei mil vezes sexta.
- Sexta eu estava tentando acompanhar a linha de raciocínio de um fazendeiro louco que está com um projeto de reformar uma boate. Como pode alguém falar tão rápido, tanta coisa, sem passar nenhuma informação? – o casal ficou encarando o ruivo, esperando ele perceber que estava fazendo exatamente o que estava julgando.
- Ligou para reclamar da vida? – perguntou, levando um beliscão de Stan, mostrando a língua para ele.
- A Gabi e a mãe não aguentam mais, o pai diz que já se aposentou e o Biel nem entende do que eu ‘to falando, é sua obrigação me ouvir, xingar o caipira e o alemão e me dar apoio – disse numa mistura de autoridade e beira do choro.
- Vou precisar daquelas panquecas para isso – concluiu a ruiva, se voltando para Sebastian.
- Porção extra de calda – ele concordou, colocando-a no sofá e dando um selinho nela antes de se levantar.
demorou alguns segundos para entender o porquê do irmão estar com a boca e os olhos arregalados.
Ops.
-MAS QUE CARALHO?
- Sr. , tudo bem? – uma voz ao fundo questionou, fazendo pressionar a mão com força sobre a boca para não gargalhar e deixar a secretária de Breno, uma senhora já quase para se aposentar, ainda mais assustada.
- Ta… Ta tudo bem sim, Júlia, pode voltar para sua mesa – tentou se recompor, lançando um sorriso sem jeito, provavelmente na direção que a senhora se encontrava – Feche a porta, por favor – manteve a pose por mais alguns, então espalmou as mãos na mesa, uma de cada lado do notebook, uma expressão que beirava a loucura – Se você acha que tem o direito de fazer uma coisa desse porte e não me deixar informado, você está completamente ERRADA!
- Bre…
- Desde quando vocês vem trabalhando nisso? Chama aquele romeno! Eu ‘to sem comer desde ontem e só vou poder pedir alguma coisa para a Júlia depois que terminar de falar com vocês, então vocês podem muito bem esperar o mesmo tempo que eu…
- Breno…
- Eu não acredito nisso! Vocês acharam que podiam fazer isso sem me contar? Esconder de mim? Pois saiba que eu sou o maior apoiador desse casal e não aceito esse tipo de traição!
- Ele ainda não parou? – Stan perguntou voltando da cozinha com um prato com seis panquecas cobertas de calda de chocolate e duas canecas, uma com café e a outra com achocolatado – Está pronto agora, nem venha fazendo sinal para voltar para a cozinha.
- ENTÃO VOCÊS ACHAM QUE NÃO VÃO ME CONTAR TUDO, NOS MÍNIMOS DETALHES, COM AMBOS OS PONTOS DE VISTA? SENTA AI, STAN!
- Breno, pelo amor de Deus, a Júlia vai aparecer ai de novo, o prédio todo deve estar te ouvindo! – pediu cobrindo o rosto com uma das mãos, como se a vergonha que o irmão estava passando estivesse passando para ela.
- Okay, tudo bem… – ele se recostou em sua poltrona e respirou fundo, então uniu as mãos em punho abaixo do queixo e apoio os cotovelos na mesa. A perfeita imagem da criança que ouviria a mãe contar sua história favorita – Comecem.
Mas aquilo foi de mais para o casal, que começou a gargalhar histericamente.
-Você ‘ta ridículo, cara – Stan finalmente conseguiu falar após beber vários goles de café.
- Ver vocês finalmente juntos é tipo ver o Biel crescendo, é muita emoção, não me julguem. Além do mais, acho que aquele empurrãozinho serviu de alguma coisa.
- Espera – disse, terminando de mastigar o pedaço de panqueca que havia colocado na boca e bebendo um longo gole de achocolatado, e se voltou para Sebastian – Essa não está boa como a de ontem – afirmou apontando para o prato.
- A situação pedia medidas extremas – ele respondeu apontando para o celular apoiado entre os joelhos dela.
- Massa pronta? – chutou, decepcionada. Ele assentiu – A calda também não é a sua, né? – ele negou. Ela baixou os ombros em derrota e se voltou para o irmão – Poxa, Bre!
O ruivo, que assistia aquele desenrolar com uma grande interrogação na cara, abriu os braços em uma exclamação física exagerada.
-Mas que…?
- Não, espera! – ela repetiu, chegando a levantar o braço para ter a vez de falar – Eu tinha me perdido aqui, mas… Como assim, “empurrãozinho”? – perguntou olhando de um para o outro.
- Vocês estavam tão empacados que um guindaste seria mais útil, mas não era você que “Tinha métodos para conseguir descobrir o que iríamos conversar”? – fez aspas no ar e imitou precariamente a voz da irmã, trazendo uma luz às lembranças de . - Você ficou super estranho depois que deixei vocês sozi… Oh meu Deus, o beijo! – concluiu , então se voltou para o irmão – O que vocês conversaram?
- Ele sabe sobre aquele beijo? – Sebastian perguntou, olhando de um irmão ao outro.
- É claro que sei.
- É claro que sabe.
Responderam juntos.
-Okay, resposta eficiente – Stan murmurou.
- Eu ainda quero saber exatamente o que vocês conversaram aquela noite.
- Bom, pergunta para o seu namorado, porque eu vou ver se consigo fugir daqui, ir para casa e contar para todo mundo que sou o melhor cupido do universo – Breno disse com calma, ja se levantando, mas então se abaixou novamente na altura da câmera e olhou diretamente para Sebastian – Te adoro, cara, mas se a partir de agora você vacilar com minha pequena, te quebro a cara, não importa em qual canto do mundo você esteja – então jogou um beijo, e se levantou novamente, dessa vez realmente desligando a chamada.
Mais tarde naquele dia, eles receberam a vídeo chamada mais embaraçosa e divertida de suas vidas. Como família é prioridade, logo após cada fazer pelo menos três piadas com aquela relação, eles ligaram para Georgeta que recebeu a notícia com um simples:
-Finalmente! Ja estava começando a duvidar da capacidade cerebral de vocês dois.
Aquele dia foi longo.

Fim do Flash Back

- ! – Anthony abraçou a ruiva no saguão do aeroporto em St. Louis – É tão bom te ver sem olhos vermelhos e olheiras – comentou, se referindo a última vez que estiveram juntos pessoalmente.
- É, já faz algum tempo que não nos vemos – disse colocando o cabelo atrás da orelha, meio sem graça de ser lembrada daqueles dias que seu cérebro estava aos poucos arquivando no setor “Esquecido” de sua mente – Voltei a ser eu, sem dramas, sem lágrimas – levantou a mão – palavra de escoteira.
- E lá você ja foi escoteira? – o moreno perguntou cruzando os braços, sorrindo mais quando avistou Sebastian se aproximando com grandes óculos escuros no rosto – Seb, Bast, Se-bas-tian! – Mackie o cumprimentou com mesma energia de sempre, ja levando as mãos aos óculos do amigo e os colocando no próprio rosto – Ai está você… Com olhos vermelhos e olheiras…? – reparou quando percebeu o olhar de peixe morto do romeno, então colocou o óculos dele novamente no local de origem – O que aconteceu?
- O bebezão não colocou o sono em dia – respondeu, apertando a bochecha do ator.
- Shiiiiiuu… – Stan fez, abaixando o braço da mulher e virando o rosto para ela quase em câmera lenta - Você só volta a ter o direito da palavra referente a mim, depois que eu dormir por, pelo menos, quatro horas.
- Ó drama, eu te peço, não me sufoque! – falou rindo enquanto desviava da mão do homem que tentou lhe dar uma pedala – Não tem problema, hoje eu tenho o Mackie, daqui a pouco a gente encontra o Chris e a , e eu vou ver o Tom Hiddleston… – desdenhou começando a caminhar para o lado de Anthony, mas Sebastian segurou sua mão e a puxou para perto de novo, apoiando o queixo no topo da cabeça dela.
- Ciumento – Mackie protestou, então um motorista chegou e os levou até o carro, sendo parados somente uma vez no caminho e Stan e Anthony tiraram a foto juntos, então foi muito rápido.
- Gostaria de um café, sr. Stan? – o motorista perguntou ao perceber a situação do romeno.
- Não, obrigado, quando chegarmos ao hotel eu procuro por um desse – agradeceu e entrou no carro. se sentou ao seu lado e Anthony ficou com o banco do carona enquanto o motorista colocava as malas no porta malas.
Foi praticamente instantâneo. Sebastian encostou no banco, Sebastian dormiu. Só que Mackie não acreditou muito nisso, então como uma boa criança, ficou cutucando a perna do amigo, com o braço virado para trás, e olhando pelo retrovisor central se ele fazia alguma coisa.
- Mackie, para, depois ele apronta com você e tu não sabe por que – disse dando um tapa na mão do moreno para faze-lo parar.
- Pelo que eu entendi, você não deixou ele dormir no avião, então, parou ai, sua sem moral – ela mostrou a língua para ele ao mesmo tempo que ele fez esse ato completamente maturo, fazendo o motorista rir discretamente.
- Mas ele capotou agora, olha aqui, – fez o amigo se virar de forma que pudesse olhar diretamente para Stan – está até com a boca aberta.
Os dois riram, então uma rápida troca de olhares foi o suficiente para entenderem que suas capacidades telepatas quando o assunto era zoar Sebastian continuava em perfeita sintonia.
Rapidamente tirou o celular do bolso e colocou na câmera frontal, mirando em um ângulo que só capturasse Sebastian.
- Afs, o Bast as vezes incorpora o Barney e não sai mal nas fotos que eram para ser zoadas! – ela reclamou analisando a foto, dando de ombros e encaminhando para o Instagram.
Naquele momento o carro passou por um buraco que causou um grande solavanco, fazendo o romeno acordar assustado.
- Me desculpem, aquele cara me fechou.
- Tudo bem, sem estresse. Hey! Sono interrompido, Bela? – Anthony falou.
- Hummm... – ele resmungou, desencostando da janela e deitando a cabeça no ombro de – Chegamos? – murmurou.
- Nop – ela respondeu, começando um cafuné que ele recebeu com um suspiro de agradecimento.
- Cara, o que vocês fizeram ontem a noite? Você cansou ele tanto assim ruivinha? – o moreno brincou, lançando um olhar sugestivo para .
Obviamente ele não esperava a resposta que o quase-sonâmbulo deu.
- Se tivesse sido só isso eu estaria ótimo – resmungou – O problema foi arrumar aquela sala até quase meia noite, empurrando aqueles sofás da de três mil toneladas, e só depois ir para casa. Se nós dormimos uma hora essa noite foi muito.
espalmou a mão na testa assim que o homem começou a falar, e negava com a cabeça a cada palavra.
Duas horas no avião repassando a cena ideal para fazer Anthony ter uma reação igual – ou até melhor que – a de Breno, para ele e seu sono estragarem tudo.
- Como assim “Se tivesse sido só isso”? – Mackie perguntou fazendo aspas no ar, encarando que o olhava de volta por entre os vãos dos dedos, deixando os ombros caírem em sinal de rendição, levantando os braços e dando de ombros, como se disse “É isso, pode começar...” – Oh meu Deus! – ele colocou a mão na boca, virado de um jeito desconfortável, ainda com o cinto de segurança, apontando de um para o outro – Isso que dizer que vocês... ? – assentiu. Talvez não tenha sido de todo uma oportunidade perdida – Oh meu Deus! De verdade? – perguntou quase quicando no banco, ficando mais animado ainda quando confirmou novamente com a cabeça.
- Falei demais, né? – a voz rouca de Stan se fez presente, fazendo Anthony desviar o olhar de para ele.
- Sim, mas ‘ta tão bom que eu nem vou te culpar por ter estragado nosso plano perfeito – ela comentou casualmente, sentindo o corpo dele vibrar com a risada.
- Desde que quando? – a empolgação em pessoa perguntou, nem percebendo que o carro havia parado e o motorista havia descido para pegar as malas. Eles haviam chego ao hotel onde passariam o fim de semana.
- Sexta passada – contou – Vai, Bast, estamos somente a alguns passos da sua felicidade, levanta.
- JÁ FAZ UMA SEMANA, E EU SÓ ESTOU SABENDO AGORA? – gritou bem quando abriram as portas para saírem do carro, fazendo Stan até dar uma despertada.
- Só nossas famílias sabem, resolvemos deixar para contar para os amigos pessoalmente – Sebastian comentou, tomando a mão de , caminhando juntos para a entrada do hotel após agradecer ao motorista.
- Então eu sou o primeiro a saber? – perguntou, animado novamente.
- Olhando por esse lado, sim – refletiu.
- Nem a sabe?
- Não e somos nós que vamos falar! – a ruiva apontou seria, deixando Sebastian pegar as chaves dos quartos que já estavam reservados.
- Esse dia ta muito bom! – Mackie falou animado – Pensando bem, nem precisou de muita tinta pra colorir essa amizade, né, ou vocês estão agindo assim para disfarçar e na verdade ficam o tempo todo se beijando e aquelas folias de casal?
- Até que demorou – comentou com Sebastian, se referindo ao comentário da amizade colorida, mas ele estava com tanto sono que o máximo que conseguiu foi bufar uma risada, voltando a apoiar o queixo no topo da cabeça dela, já dentro do elevador.
- Quem chutou o balde? Gritou aos quatro ventos? Ou não foi de caso pensado? Seb, aqueles sofás da são realmente pesados, como você empurrou eles com essa munhequeira na mão? Por que vocês estavam arrastando sofá meia noite? Vocês tem que me responder! Ou querem que e comece a criar teorias? Vocês só começaram a se pegar agora ou já tinham se pegado antes? , você sabia que já tinha colocado o Seb na friendzone há meses? – ele não parava de falar, sequer respirar entre uma frase e outra parecia ser permitido, mas ele não parecia se importar, então quando as portas do elevador se abriram no quinto andar, ele ainda estava falando. E e Chris Evans estavam no corredor, na frente do elevador.
- Hey gente! – Chris os cumprimentou animado e sorridente.
- A e o Seb estão namorando! – Anthony falou super rápido, quase embolando as palavras, mas compreensivo o suficiente para todos entenderem.
Dessa vez Sebastian acompanhou isa) no facepalm.
O moreno saiu de pressa do elevador, mas Chris teve que segurar um lado das portas até que os outros dois criassem a coragem para esse movimento e entrarem no corredor, local onde os encarava de braços cruzados e sobrancelha arqueada.
- Valeu, Mackie – Sebastian murmurou, encarando o moreno por trás dos óculos escuros, devolvendo um sorriso seco quando o mesmo lhe mandou um joinha.
- Oi, ...
- Por. Que. Eu. Estou. Sabendo. Depois. Do. Anthony? – a estilista interrompeu o cumprimento sem jeito de , chegando literalmente no tapa, cada palavra, um estalo no braço, revezando entre o romeno e a brasileira, então de repente puxou os dois para um abraço apertado, deixando todos confusos, mas com sorrisos nos rostos.
- Eu sei, a gente também te ama – a ruiva disse risonha, levando um tapa na nuca dessa vez.
- Não vem bancando a abusada, , ainda quero explicações – falou dando um passo para trás para poder encarar os dois.
- , você está chorando? – percebeu um pouco assustada o fato dos olhos da amiga estarem lacrimejados. Nada de fato saía, mas ela estava visivelmente abalada.
- É claro que sim, vocês sabem o quanto de trabalho me deram? Já tava mais que na hora de ficarem juntos – retrucou no tom de sempre, mas aquela pose durona não estava combinando bem com suas palavras, e Stan não resistiu e teve que passar um braço pelo ombro da amiga e deixar um beijo em sua testa.
Ela não estava abalada, mas sim emocionada.
- Eu pensei que vocês fossem só amigos – Evans disse risonho, abraçando , deixando-a temporiamente sem ar, então a soltou e foi abraçar Sebastian.
- Eu esperava isso da , não de você Chris – romeno comentou, fazendo o loiro rir.
- Eu faço o papel dela até ela voltar ao normal – deu de ombros.
- Eu ‘to ótima, só estaria melhor se soubesse por que fui a última a saber – a estilista comentou analisando o esmalte intacto das unhas.
- Vingança pelo almoço daquele dia! – respondeu num pulo, feliz por encontrar um motivo para chamar de troco, mas até Stan a olhou com cara de tédio.
- Encontramos com o Mackie primeiro – deu de ombros, então trocou um toque com Chris, Anthony, deu um beijo na bochecha de , um selinho em e anunciou para quem quisesse ouvir que iria dormir e só acordaria uma hora antes de ir para o evento, o que seria exatas quatro horas a partir daquele momento, já que os atores da Marvel deveriam estar lá duas horas da tarde.
- Acho que vou jun... – tentou se esgueirar para o lado de Sebastian, mas a segurou pela mão.
- Ah, mas não vai mesmo – decretou – Você vai me contar certinho todos os fatos desde a última vez que nos vimos – disse, com um sorriso quase lhe escapando pelo canto dos lábios.
- Bast! – a ruiva tentou recorrer a ajuda, mas o sorrisinho que Stan lhe lançou não foi exatamente reconfortante.
- Pensa bem, Pistrui – ele começou, envolvendo o rosto dela com as duas mãos – Quando o Breno nos jogou naquela conversa com seus pais semana passada, foi praticamente só eu que falei. Agora o Mackie nos jogou aqui e você não me deixou dormir, sendo assim, eu vou dormir e você deixa eles a par de tudo, hein? – se inclinou e deu um beijo digno de fim de filme de romance na mulher, antes de se virar e entrar no quarto.
O corredor estava no mais profundo silêncio.
Mesmo de costas para os outros três, já sabia dizer exatamente a cara de cada um.
- É, eu tenho o melhor namorado no mundo – falou encarando a porta por onde o romeno acabara de passar.
- Venha, Hell, vamos tomar café da manhã – a puxou para o elevador, a ruiva deixando os olhos fechados para evitar os olhares que sabia estar recebendo – Pode começar pela história de não deixar o Tan dormir, não me importo – disse num tom casual.
O fator Tom Hiddleston na Comic Con daquela tarde, não foi o suficiente para amenizar as vergonhas passadas naquele dia.


Capítulo 18

- E depois? – perguntou ansiosa, tirando o homem de seus devaneios.
Sebastian olhou de volta pelo reflexo do espelho, aqueles olhos dourados, brilhando em expectativa, e abriu um sorriso.
- Nós continuamos sendo as pessoas mais felizes do universo.

Agosto de 2014

- Parabéns pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida – cantou baixinho em português, de forma lenta e arrastada, com os lábios roçando a pele do ouvido de Sebastian, fazendo-o se arrepiar e sorrir enquanto cobria os braços dela, que o envolveram quando ela se deitou nas costas dele.
- Essa música não tinha tantas palavras quando cantavam ela para mim na escola – murmurou de olhos ainda fechados, sentindo o corpo dela sobre o seu e pensando que seria muito bom se virar, envolve-la num abraço e ficarem ali o resto do dia. Mas estava com tanta preguiça que só de pensar em todo aquele movimento, seu sono ficou ainda maior.
- Brasileiro gosta de complicar as coisas – deu de ombros e começou um cafuné em Stan, fazendo o sorriso preguiçoso dele ficar um pouco maior – Vamos acordar?
- Deita aqui comigo, não vai trabalhar hoje não – pediu manhoso, fazendo gargalhar e se sentar, saindo de cima dele.
- Bem que eu queria, essa cama é muito confortável, mas vivemos em uma sociedade capitalis... BAST! – gritou quando sentiu braços fortes envolverem sua cintura e puxa-la de volta para a cama. Mas ele não os deitou, só a colocou em seu colo, de frente para ele, roubando um beijo nada ortodoxo – Ah, o hálito matinal, tem jeito melhor de começar o dia? – disse brincalhona, levando um tapa leve na nuca e ganhando mais um beijo. É, não tinha jeito melhor de começar uma quarta-feira. Quarta-feira – Bast, a gente tem um bilhão de coisas para fazer hoje – murmurou entre o beijo, mas não chamou atenção o suficiente do romeno.
- Ainda é cedo, pra que a pressa Pistruiat ?
“Pronto, agora que eu não saio daqui”, pensou arfante, inconscientemente deixando Sebastian aperta-la ainda mais contra o corpo dele, mas a culpa não era dela, era ele e aquele jeito de falar aquela palavra – em romeno! – que destruía o psicológico dela e a transformava em geleia. Ela não sabia dizer qual era, mas existia uma diferença entre “Pistrui” – que era como ele a chamava grande parte do tempo, sem nunca explicar o porquê – e “Pistruiat” – que era o que ele sempre falava antes de cercar como um leão cerca sua presa e deixa-la completamente fora de órbita. Ambas as palavras exerciam um poder sobre ela pela forma como ele as falava, mas apesar da semelhança, cada uma despertava um lado completamente diferente em .
Mas ela não podia se entregar sem lutar, não era da personalidade dela.
- Bastian, eu tenho que ir – sussurrou com uma voz ridiculamente fraca, puxando os cabelos do romeno e segurando o pulso dele para impedi-lo de alcançar seu objetivo, caso contrário ela só teria força de vontade de sair daquele quarto depois do almoço. Ela ainda não tinha nem tomado café da manhã.
- Não tem não, ainda não recebi meu presente – retrucou no mesmo tom, provocando sensações no corpo da ruiva que a deixavam um pouco menos no controle.
Mas espera. Presentes!
A salvação da mente e do trabalho de .
- Presente. É isso, presentes. Espera – murmurou, dando tapinhas no ombro do ator, indicando para solta-la, o que ele fez com uma expressão meio emburrada, mas que foi substituída por curiosidade quando ela voltou para a cama com uma caixa grande, amarela e azul, e por cima uma bandeja com suco, café, frutas, bolo e tudo que um café da manhã tem direito.
- O que isso, Pistrui? – perguntou sorridente e com um ar brincalhão, porque sabia que se fosse responsável pela produção de toda aquela comida, ele provavelmente teria de reformar a cozinha de casa.
- Calma, não estou tentando te envenenar no seu aniversário. É tudo comprado – Sebastian gargalhou e a puxou para perto novamente, deixando uma mordida na bochecha da mulher – Canibal – reclamou o empurrando de leve, sem realmente o afastar um centímetro – E a caixa é presente dos , porque no meu aniversário, só o Breno me mandou alguma coisa, mas como agora é o seu, até o Biel desembolsou da mesada e te mandou alguma coisa – revirou os olhos, fazendo Stan rir e tirar a bandeja de cima da caixa para pode abri-la. Por cima de tudo tinha um enorme papel com um pequeno texto, escrito em letra pequena, bem no centro.

“Eae vovô, – sério, parei para pensar sobre isso esses dias, alguns anos atrás, você e minha irmã juntos, te mandaria pra cadeia, mas enfim – mandamos os presentes juntos por motivos de: Porque eu sou a lei (não deixa a ler isso e contar pra minha mãe ou pra Gabi.)
O primeiro presente é o meu, com consentimento da Gabi, então é nosso, e é uma coisa muito útil para você que não calcula o quanto de roupa tem que levar em uma viagem.
O segundo é dos meus pais, e como você é chegado em ficar bêbado peço moderação, já basta de fotos suas vergonhosas no celular da .
E o ultimo é do Biel, e eu quero entender por que ele pega dinheiro da mesada para comprar coisa para você, mas no meu aniversário, ele nem lembra a data.
É isso, cara, parabéns.”


Stan riu do bilhete e o entregou para , que pediu para ver a palhaçada do irmão, enquanto ele tirava os pacotes da caixa.
O primeiro, contava como conteúdo nada mais nada menos que a calça e a camiseta de Breno que Sebastian usou na casa dos na noite que eles conversaram. Stan mostrou as peças para que começou a rir instantaneamente.
O segundo era uma caixa pequena, e dentro dela, em meio a palha, uma garrafa do mesmo vinho que Jonas estava viciado no período que o casal ficou em Curitiba.
E ultimo, era um óculos de sol de lentes meio azuladas, que Stan gostou logo de cara.
- Uma criança de doze anos é melhor com presentes do que o Breno – a ruiva comentou risonha dobrando a camiseta com o “Bazinga” escrito.
- Vou colocar essas roupas na minha mochila de emergência – o ator brincou se, ajeitando na cama e pegando uma tigela com salada de frutas.
- Okay, Jake Hardin – comentou no mesmo tom, dando um beijo na bochecha dele e se levantando. Stan até ia reclamar sobre ser cedo para ela sair, mas fechou a boca quando a viu retornando com uma pequena sacola.
- Mais um presente com a etiqueta ? – brincou já estendendo a mão, mas puxou a sacola para si, e com um olhar que beirava ao nervosismo, tirou um envelope dali de dentro, e só então entregou a sacola para o homem – Isso não faz parte? – perguntou, estranhando a mudança na postura da mulher.
- Por algum motivo achei que seria uma boa ideia te entregar isso agora de manhã, mas percebi que talvez seja uma ideia melhor nem te entregar isso – falou rápido, recuando um passo e colocando as mãos para trás, exatamente como uma criança quando quer esconder algo.
Ele levantou a sobrancelha e a encarou por segundos suficientes para entender que ela passava por um debate interno.
- Desde que não seja uma espécie de carta de despedida, acho que você deveria deixar eu ler – comentou se aproximando com a intenção de envolve-la pela cintura, mas ela recuou novamente e ele percebeu que ela estava tensa – Okay – disse voltando a posição inicial, tirando uma caixinha de dentro da sacola – Vejamos com que você gastou dinheiro pensando em mim.
Enquanto ele analisava o relógio que acabara de ganhar, agradecendo e elogiando o bom gosto, percebia olhares rápidos e mal disfarçados de Sebastian na região do quadril, onde, atrás, estava o objeto de estresse dela.
Era só entregar e sair correndo, certo?
Talvez, se ela tivesse doze anos.
- Obrigado, Pistrui – Stan agradeceu, pousando a mão entre a curva do maxilar e pescoço dela, deixando um beijo em sua testa, descendo para os lábios, mas o olhar instigador parando nos olhos dela.
Tudo bem, ela poderia fazer aquilo. Era só respirar.
- Bast? – sua voz saiu num sussurro.
- ? – ele disse na mesma voz, mordendo o lábio inferior para não rir da expressão indecisa da garota.
- Se eu te pedir uma coisa, você faz?
- Desde que não envolva você querendo inserir nada no meu... AI, ! – reclamou quando ela desferiu um soco no ombro dele, mas acabou rindo quando ela arregalou os olhos e colocou as mãos sobre a boca, achando que havia machucado ele novamente.
- Idiota – resmungou cruzando os braços, levando-o a apertar suas bochechas e falar alguma coisa sobre ela irritada ser a coisa mais fofa do mundo.
- Conte-me seu desejo, minha cara senhorita linda – disse por fim, tomando um gole de suco e ainda a fitando.
- Se eu... Te entregar isso agora – ela começou, estendendo o envelope para ele – Você promete abrir só de noite? Antes de dormir?
Sebastian olhou do envelope para os olhos da ruiva algumas vezes, se perguntando por que aquilo a estava deixando tão nervosa, mas um detalhe chamou sua atenção.
- Você vem pra cá depois que sair da redação, né?
arregalou os olhos minimamente, surpresa com pergunta.
- Achei que você quisesse passar um tempo com seus amigos – comentou roubando uma colherada da salada de frutas do homem, olhando para o relógio atrás dele. Já era hora de ir trabalhar.
- Por isso o churrasco, certo? – ele perguntou meio confuso, a deixando confusa, e só então ele entendeu – Não, , não. Você vem sim. Qual vai ser a graça se você não estiver junto?
- Quando você disse “churrasco para amigos” ... – fez aspas, mas parou quando ele revirou os olhos – Isso geralmente é uma maneira implícita de falar que quer um tempo só com os caras. Literalmente só com os caras, já que a não vai poder vir e...
- Quando eu quiser um tempo só com os caras, vou deixar isso bem claro, de maneira bem explicita, okay? – perguntou a puxando para si e a beijando novamente – Ainda vou poder abrir isso de noite? Mesmo com você aqui? – questionou batendo os dedos sobre o envelope no bolso da calça dela.
“Claro, me tranco no banheiro e tudo resolvido”, pensou.
- Já que você insiste por minha presença – deu de ombros, fingindo ter total controle de seus nervos, se afastando – Mas saiba que meu cachê é alto, um evento assim... Não vai sair barato.
- Na verdade só vou ficar pelo serviço de churrasqueira mesmo – imitou o movimento da mulher, seguindo para o closet.
- Vai logo, ou eu chego atrasada e você só chega em New Jersey na hora do almoço, e a Georgeta te mata por isso.
O cronograma do dia seria: até as seis na redação, Sebastian até umas três na casa da mãe, então voltaria para casa e receberia alguns amigos para uma comemoração que envolvesse mais bebida alcoólica e menos formalidade. Não seriam muitas pessoas, na verdade o currículo de amizades de Stan só não era mais ridículo do que o de , então a noite contaria com a presença de Anthony, Don, Chase e com um pouco sorte, Chris apareceria.
Óbvio que se estivesse com tempo, uma enorme festa seria organizada, mas ela estava ocupada de mais em seu ateliê para festas em plena quarta-feira, então Stan estava conformado com os mais próximos ali por perto, mesmo que o mais perto que estaria seria com os presentes enviados: Uma jaqueta com um lembrete escrito “Jogue aquela jeans fora”, e um perfume muito bom.

: E quem está ai?
Sebastian: Chase.
Mackie disse que chega em 30/40 minutos.
Mas se você quiser posso ir te buscar.
: Aquieta esse facho ai e fica com o Chase, faz meses que vocês não se veem.
Além do mais, churrasco não tem graça sem caipirinha. Vou passar no mercado, provavelmente chego junto com o Mackie.
Sebastian: Alcoólatra.
Se cuida, Pistrui.
: Okay, romeno, até daqui a pouco.

bloqueou a tela do celular e pediu para o taxista parar no primeiro mercado que tivesse no caminho. Precisava de limão, se contentaria com vodca se não encontrasse cachaça e uma saladinha também não cairia mau – principalmente porque ela tinha receio de comer quando Don estava por perto, o que fazia Sebastian rir sempre, mas o desconforto continuava.
Enquanto persistia na tarefa de encontrar a boa e velha cachaça para a caipirinha, sentiu o celular vibrar no bolso, já pensando em uma resposta pronta para Stan, quando reparou que era Anthony quem havia mandado a mensagem.

Mackie: Espero que você esteja fazendo aquele néctar fabuloso pra gente ficar doidão hoje.

A ruiva riu, se virou para ficar de costas para as bebidas e tirou uma selfie com uma expressão triste.

: Vai ter que ser com vodca mesmo...

Enviou junto com a foto, rindo ainda mais quando recebeu uma imagem de desolação do amigo.

Mackie: Pensando bem... Quero ficar tão louco que vou chamar isso de Sprite.
: Alcoólatra.
Por isso somos amigos.


Ele respondeu com várias carinhas rindo, então voltou para a tarefa de qual bebida levar para substituir a cachaça, mas um tímido cutucão em seu ombro desviou sua atenção para uma garota de uns vinte anos que aparentava estar um misto de nervosa e envergonhada.
- Com licença, você é , certo? – disse meio baixo, mas como o corredor que elas estavam estava vazio, pode ouvir bem.
- , na verdade – respondeu com o sorriso mais simpático que pode – Desculpa , nós... Nós nos conhecemos? – perguntou meio perdida, assistindo confusa o rosto moreno da garota tomar um tom corado.
- Não... – disse em meio a um sorriso nervoso – É só que, bem... Hoje é aniversário do Sebastian, e vocês estão sempre juntos e eu pensei... Bem...
- Me entregar o presente que quer dar para ele? – terminou a fala da garota, nenhum pouco surpresa por estar vivendo aquela cena.
A única diferença das outras vezes era que, em sua maioria, elas ocorriam na frente do prédio da redação, onde a maioria – se não todos – fãs de Stan sabia que ela trabalhava. A garota assentiu meio acanhada, mas já tirando a mochila das costas e tirando de lá um fofo ursinho de pelúcia cinza, com a área ao redor dos olhos em pelos pretos e o braço esquerdo em um tecido todo desenhado como se fosse feito de metal e a famosa estrela vermelha no ombrinho
– Oh meu Deus, ele é muito fofo! – disse em meio a uma risada e pegando o bichinho – Ele vai amar – comentou olhando para a garota, que mordia o lábio inferior, tentando manter o sorriso sobre controle – Tem algum bilhete? – ela assentiu e entregou um papel bem dobrado para , que guardou tanto o bilhete quanto o ursinho em sua bolsa, e disse que lembraria Stan de agradece-la de alguma forma.
- Só mais uma coisa – a garota pediu meio hesitante – Posso tirar uma foto com você? Todo mundo que encontra o Seb com você junto diz que você é incrível, e eu meio que acho que estou apaixonada por você agora, então...
soltou uma gargalhada e se colocou ao lado da garota, se sentindo extremamente estranha, como cada vez que alguma – ou algum – fã de Sebastian lhe fazia aquele pedido. Ele era o ator, por que deveriam querer tirar foto com ela?
- Obrigado por fazer eu me sentir famosa por trinta segundos – a ruiva brincou, fazendo morena rir – Desculpa, qual seu nome mesmo?
- Claire.
- Okay, Claire, então não se preocupe que o Bast vai receber seu presente e seu bilhete – disse simpática e sorridente.
- Obrigado, de verdade! – Claire respondeu animada.
- Imagina – falou, pegando a primeira garrafa a sua frente, então apontou para o fim do corredor – Bom, agora eu preciso, foi um prazer te conhecer.
- O prazer foi todo meu – Claire disse empolgada. Então deu a volta e só voltou a respirar quando saiu daquele corredor e já estava se aproximando da sessão hortifrúti.
Deus, aquilo não era para ela. Por mais que Stan sempre falasse que não tinha motivos para ela ficar nervosa com aquilo, ela sempre ficava e acabava se embolando toda. Como era possível deixar o nome de alguém tão de fora de uma conversa?
Por isso ela já tinha aceito há muito tempo que e Interação Social eram duas coisas que só davam certo a base de álcool ou paciência alheia.

Mackie: Cadê você mulher?
Sebastian: Cadê você?

- Na porta – falou alto enquanto abria a porta, segundos depois das mensagens chegarem exatamente ao mesmo tempo, fazendo os quatro homens na sala virarem a cabeça e olharem para ela – Vocês devem me amar de mais né – brincou balançando o celular com a mão que não estava ocupada com as sacolas, mostrando as mensagens para o romeno e o amigo, que sorriram e deram de ombros.
Primeiro ela cumprimentou Don, então seguiu para Mackie e então Chase.
- Até que enfim estamos nos vendo pessoalmente! – o loiro disse em meio ao abraço, fazendo rir.
- Espera, vocês ainda não se conheciam? – Anthony perguntou, em um tom que fez todos se voltarem para ele. Típico.
- Pelo menos não pessoalmente – Chase falou enquanto ia de encontro com Sebastian quando ele a puxou pela mão – Já nos falamos por telefone algumas vezes, mas essa é a primeira vez no mesmo espaço – explicou.
- Corre – o moreno disse sério, fazendo o loiro franzir o cenho e Don dar risada – Ainda da tempo de fugir e ficar só com a boa impressão. Corre!
Enquanto Don gargalhava, teve que dar uma nem tão leve mordida no lábio inferior do romeno para ele liberar seus lábios, então ela encarou Mackie com um sorriso debochado.
- Me ame menos.
- É exatamente por te amar que faço isso, por ele.
- Sua forma de expressar amor é sem sentido, meu amor.
- Acho que estou confuso – Saladino se manifestou, fazendo os outros três rirem.
- E eu acho que tem declarações de amor em excesso por aqui, vamos lá pra cozinha, Pistrui – Stan se manifestou, passando o braço pelos ombros da mulher e lançando um olhar feio para o amigo de cena, provocando risadas e uma exagerada revirada de olhos que só foi expressada já no outro cômodo.
- Você é ridículo com ciúmes – disse, colocando as sacolas na bancada da ilha, cruzando os braços, com um olhar de julgamento nos olhos dourados, mas um sorriso travesso escapando no canto da boca.
- Você é ridícula falando que ama o Anthony, e eu não te chamei de ridícula – resmungou, tirando as coisas da sacola, perdendo o sorriso se alastrar pelo rosto da ruiva.
- Chamou agora – apontou risonha, o segurando pelos ombros e o virando para si, ficando na ponta dos pés e depositando um casto selinho nos lábios do homem, o olhar fixo no dele – Qual é, é o Mackie, Bast. Cadê seu senso de humor? – perguntou com os lábios ainda extremamente próximos aos dele.
- “Meu amor” é um pouco exagerado, convenhamos – falou, trazendo-a ainda mais para perto, colando seus corpos e seus lábios mais uma vez.
deu uma pequena congelada naquele momento, tentando organizar seus pensamentos o máximo que era possível com Sebastian assim tão próximo. E só então percebeu que aquilo era impossível. Mudar de assunto era mais fácil.
- A churrasqueira já está no jeito? – perguntou, dando um pequeno passo para trás e se virando, ficando costas para ele e ajeitando as coisas para fazer a caipirinha – Pega aquela caneca de chope, por favor? – pediu quando ele murmurou uma confirmação em relação a sua pergunta. Usou o tempo que ele ficou há alguns metros de distância para respirar fundo e se preparar para aquela noite. Não podia ser tão difícil.
- Aqui – ele sussurrou em seu ouvido, depositando a caneca de chope e o pote de açúcar em sua frente, se pressionando contra seu corpo, as mãos envolvendo sua cintura e os lábios trabalhando em seu lóbulo – Desculpa.
Esperar até a noite não seria fácil se ele continuasse daquele jeito.
- Está tudo bem, eu só estava brincando – ela disse com o máximo de controle possível. Derreter nos braços de outra pessoa não parecia ser algo tão impossível quando Sebastian fazia aquilo.
- Okay – ele disse, novamente daquele jeito que fazia o estomago dela revirar e o cérebro se tornar uma massa cinzenta de amoeba – Quer ajuda aqui?
se virou, ficando de frente para ele e depositou um casto selinho em seus lábios, deixando o olhar se perder naquelas orbes azuis, deixando que aquilo a deixasse mais calma para o que aconteceria naquela noite. Porque era o Sebastian ali, não tinha erro, não havia dúvida. Ela tinha certeza de tudo com ele por perto.
- Vão lá para fora, se certificar que não vão queimar sua casa, – disse em um tom brincalhão – eu vou terminar aqui e já vou lá com vocês.
Sebastian assentiu, dando mais um beijo na ruiva antes de ir fazer o que ela pediu, recebendo os melhores olhares no estilo colegial fundamental dos amigos quando voltou para a sala – o de Anthony ganhando sem nenhum esforço, pelo simples fato de estar vindo dos olhos de Anthony.

- Eu estava na Alemanha bem no dia, liguei pro Seb, mas ele nem conseguia falar direito porque estava ocupado rindo e apanhando da – Chase falou em meio a gargalhada. A questão era se aquela risada histérica estava sendo causada pela bebida ou pelo olhar homicida de enquanto ela segurava uma faca quase do tamanho de seu braço.
- Okay, Pistrui, vamos largar objetos pontiagudos para falar sobre esse assunto – Sebastian disse risonho, rindo ainda mais quando a mulher apontou a faca para ele com a sobrancelha levantada.
- É o seguinte, ninguém aqui fala sobre esse jogo ou fica todo mundo sem comer – ameaçou, provocando ainda mais risadas – Vocês estão brincando com fogo.
- Não, , você que está – Mackie apontou para a churrasqueira, já que era ela quem estava responsável pelo churrasco naquela tarde – Você coloca fogo em água, como não nos matou ainda?
- Minha família sempre ia passar as férias na Argentina, e como o Breno nunca se interessou, era sempre eu que acompanhava meu pai nos passeios e em alguns deles, algumas vezes, tinha muito churrasco, e eu acabei pegando o jeito – explicou, pegando a caipirinha da mão do moreno e virando um grande gole de uma vez.
- Então você sabe temperar a carne, assar no ponto ideal, digno de um churrasco argentino, mas não ascende a churrasqueira – Chase instigou risonho.
- Eu sou criança e crianças não mexem com fogo – respondeu meigamente, tendo o copo tirado de sua mão pelo namorado que disse alguma coisa sobre crianças não beberem também.
- Espera, não é a Argentina a maior rival do Brasil? – Don perguntou, querendo ver sangue rolar. Era a única explicação.
- Uh, eu lembro de ter lido isso em algum lugar! – Mackie entrou na brincadeira rapidamente.
- Ah gente, parem de ser idiotas, até parece que não sabem que a seleção amarelo canário é muito superior a... Ai, ! – Stan reclamou gargalhando quando levou um tapa na nuca.
- Vocês nem entendem nada de futebol, qual a moral que vocês tem comigo aqui?
- Futebol? Nisso eu sou expert – Chris Evans surgiu do além na área de lazer de Sebastian, dando um pequeno susto em todos e levando a brasileira ao desespero.
- Pronto, mais um pra me atazanar – resmungou batendo a mão na testa sem auto piedade alguma.
- Não, Chris, ela ta falando de soccer – Stan explicou, e o rosto do recém chegado se iluminou em uma expressão de escárnio.
- Ah, então vocês estão falando sobre aquele fiasco do Brasil?
Enquanto todos riam, sentiu o rosto esquentar em proporções desumanas.
- Vocês não sabem nem o nome do esporte! – choramingou, tentando não rir da própria desgraça, e falhando quase miseravelmente – Não vou entrar nessa discussão com pessoas leigas como vocês.
- Ela começa a falar palavras diferentes quando está nervosa, a coisa vai ficar feia – Stan murmurou para Chase. Os outros já sabiam daquilo, então só estavam se divertindo mesmo.
- Mas eu me aprofundei nisso um pouco depois daquele jogo, e descobri que sete a um é placar bem absurdo para os padrões do soccer – Evans comentou, jogando um pedaço de carne na boca e parando segundos depois – Cara, isso ‘tá muito bom.
- E você não comerá mais nenhum, volte já para o lugar de onde veio e recomece isso do jeito correto, seu cara de pau! – exclamou revoltada, então baixou os ombros em sinal de desistencia e olhou para Stan com a cara de choro mais fingida -ou não- da história – Eu acabei de falar assim com Chris Evans, olha o que esse assunto faz comigo, podem tratar de parar – choramingou, segurando o máximo possível a risada que a cara que Evans estava fazendo provocava.
Quando ele jogou um beijo, ela deu um tapa no ar, como se estivesse afastando um inseto.
- Não quero mais ser amiga de vocês, seus bocós – resmungou se virando.
- Eu me remexo... – Sebastian começou, a puxando pela mão com um sorriso largo no rosto, fazendo com que ela acabasse sentada em seu colo.
- MUITO! – os outros quatro gritaram antes de todos começarem a rir.
Sebastian não sabia dizer se todas aquelas risadas estavam sendo causadas particularmente pelo álcool, mas de uma coisa ele tinha certeza, não se lembrava de um momento mais feliz em sua vida. Até ali.

Stan ligou o chuveiro e deixou que a água morna atingisse seu corpo, relaxando seus músculos e fazendo com que seus pensamentos passeassem livres por todo aquele dia.
Passou uma manhã ótima com sua mãe, viu Chase depois de varios meses, seus amigos estavam ali – até teve sua participação com o horário do almoço todo sendo gasto em um longo telefonema. E estava ali.
Alegre, simpática, brincalhona. Linda.
Ele não sabia que precisava daquilo em sua vida até aquela ruivinha aparecer em seu campo de visão, mas, céus! Ele não poderia se sentir mais completo. Já havia aceitado há muito que não podia mais enxergar um futuro que não fizesse parte, mas os últimos meses o mostraram que não era só uma paixão comum que os unia. era a mulher de sua vida, e ele nunca achou que fosse viver aquela sensação de verdade, mas ele... Sentiu alguma coisa se quebrar em sua cabeça e abriu os olhos – nem sabia que os havia fechado – dando de cara com uma feliz com a mão suja de gema de ovo.
- Feliz aniversário!
- Há quanto tempo você vem esperando por isso? – perguntou com o tom de voz mais neutro possível enquanto retirava as cascas de seu cabelo.
- Se eu te contar, você vai me chamar de louca – comentou, passando a mão nos cabelos dele novamente, para limpa-la, soltando uma sussurro surpreso quando sentiu as mãos de Stan envolverem sua cintura e puxa-la para si, fazendo com que os dois ficassem embaixo do chuveiro, molhando a camiseta e o shorts jeans dela – Obrigado, namorado – murmurou com cara de tacho enquanto a água escorria livremente de seus cabelos para seu rosto, fazendo Sebastian rir.
- De nada, namorada – disse baixinho, tomando seus lábios, ainda sorrindo, baixando as mãos até abaixo das bandas da bunda dela e a levantado, levando-a a cruzar as pernas ao redor de sua cintura, então girou o corpo e a encostou na parede – Você está com gosto de álcool e limão – sussurrou contra os lábios da mulher – Você não gosta de me manter com sanidade, não é?
- É bom saber que o sentimento é mutuo – ela ofegou, fazendo-o sorrir e se pressionar ainda mais nela, voltando a beija-la com mais fervor.
Forçando o quadril na direção do dela, a apertando ainda mais contra a parede, Sebastian deslizou as mãos por dentro da camiseta da mulher, subindo e descendo aquele caminho sem pressa, soltando baixos ganidos quando começou a puxar seus cabelos da nuca. Então ele deixou uma leve mordida no lábio inferior dela, passando para o maxilar, pescoço, clavícula, deixando marcas de mordida e chupadas por todo o caminho de ida e volta, e quando voltou à boca, se afastou o suficiente para escorregar as mãos pela lateral do corpo da brasileira e tirar a camiseta.
Ele adorava o fato dela quase nunca usar sutiã.
Beijou o meio de seus seios, sorrindo travesso ao ouvir a arfada pesada de ar que saiu pelos lábios vermelhos da ruiva, voltando a subir o caminho até eles deixando beijos e marcas, e quando alcançou os lábios novamente, era como se não os beijasse a anos.
Não tinha como não adorar aquela sensação.
Apertando o quadril ainda mais contra ela, Sebastian voltou a deslizar uma mão pela coxa dela, enquanto a outra estava ocupada com o seio. Se sentiu completamente em desvantagem com o shorts dela ali no meio do caminho ainda, então deslizou a mão para dentro do cos, suas intenções eram claras, mas a mão de segurando seu pulso o impediu de concluir aquela ação.
Meio confuso, Sebastian encostou suas testas e, respirando com mais dificuldade que havia percebido anteriormente, abriu os olhos e encontrou aquelas orbes amareladas enegrecidas o encarando de volta. Só aquilo era o suficiente para ele ter vontade de vira-la para a parede e fazer coisas que nunca passou por sua cabeça em fazer com qualquer outra pessoa.
- Hoje é seu aniversário, você quem tem que ser paparicado hoje, amor – sussurrou contra os lábios dele, falando tudo de maneira clara e provocativa, exceto a última palavra, que saiu em português, mas não foi o suficiente para tirar completamente a atenção do ator.
- E o que você tem em mente, Pistruiat? – perguntou com uma voz fraca, tentando focar o olhar nos olhos da mulher, mas sua boca parecia muito atrativa também.
Um sorriso travesso tomou conta dos lábios de , e enquanto ela se colocava de joelhos, sem nunca desviar o olhar dos olhos azuis do homem, Stan pensou que, se ele saísse vivo de dentro daquele box, ele precisaria dizer com todas as palavras que amava aquela mulher.
- Bast, nós vamos acabar caindo feio, me coloca no chão – pediu enquanto distribuía tapinhas absurdamente fracos pelos ombros de Stan, pelo fato dele estar caminhando de volta para o quarto com ela no colo. Peitos e bocas coladas, pernas cruzadas na cintura dele e toalhas quase caindo. Essa era imagem do casal, e na verdade, nenhum deles estava querendo mudar aquilo.
Até chegarem na cama, onde estava o ursinho e o bilhete que a garota entregou para naquela tarde no mercado.
- O que é isso? – Sebastian perguntou, soltando uma risada quando reparou bem no ursinho – De onde você tirou isso?
- Ah! Foi uma garota no mercado. Ela me pediu para te entregar – disse arrumando a toalha no corpo e se sentando na cama enquanto o romeno abria e lia o bilhete. Distraída com o bichinho de pelúcia, nem reparou quando ele terminou de ler, tirou o celular do criado-mudo e tirou uma foto dela.
Fez um recorte na foto de forma que a imagem central fosse o ursinho, aparecendo só alguns dedos de , e na legenda colocou um pequeno texto de agradecimento para Claire e a marcou com o user que ela deixou no bilhete, então se ajeitou na cama de forma que ficou sentado atrás da mulher e repousou o queixo na curva entre o pescoço e o ombro dela.
- , e aquele envelope de hoje cedo? – murmurou após alguns segundos assistindo ela redesenhar cada detalhe do braço esquerdo do pequeno urso.
Sentiu o exato momento que os músculos dela se retesaram, então ela respirou fundo e se inclinou o suficiente para abrir a gaveta do criado-mudo da esquerda, pegou o envelope, virou na cama de forma que ficou de frente para o romeno e só então o entregou.
- Só lembrando que, independente da sua reação, esse é seu verdadeiro presente, o relógio foi só... Uma coisa... Física, pode-se dizer – acrescentou quando Stan começou a abrir o envelope.
Ele desviou o olhar do papel e a encarou: Cabeça tombada para a direita, claramente mordendo o interior da bochecha e um brilho... Diferente nos olhos. O cabelo molhado e a toalha enrolada no corpo só servia para deixar aquele quadro ainda mais perfeito. Com o sorriso que se negava a sair de seu rosto, Sebastian se aproximou o suficiente para descansar a mão livre no maxilar dela e encostar seus lábios nos dela, sem realmente a beijar, só trazendo aquela sensação maravilhosa que era ficar daquele jeito, tão próximo a ela. Alguns segundos depois se endireitou novamente e finalmente abriu o envelope.
Ele em si era uma carta, escrita a mão em um papel grosso, com algumas palavras rabiscadas. A letra de do começo ao fim.

“Lembra que eu brinquei de mandar carta? Acho que estava falando sério sem nem saber... Eu sou péssima com isso, desconsidera as linhas sem nexo e não desiste de mim... Está ai um bom jeito de começar: Você não desiste de mim... Nunca... Não importa o quão pé no saco eu esteja sendo. Você sempre esta aqui por mim. E é isso que me faz me apaixonar por você cada segundo a mais, todos os dias, desde aquela mensagem desinteressada, três dias depois de voltar de San Diego. Você chegou como quem não queria nada - e na época realmente não queria-, mas cada coisinha que você faz, tem um peso enorme na minha vida, Bast. Você se tornou meu porto seguro aqui nesse canto do continente, e mal sabia eu na época, mas você viria a ser meu eixo aqui nesse planeta. Você não bagunçou minha vida como costumam dizer que o amor faz, você me centralizou, me trouxe um norte, uma direção, num momento que nem eu sabia que estava deslocada e perdida. Eu disse apaixonada no começo porque, por mais que tenhamos nossos motivos para sabermos o que se passa entre nós depois do fim daquela aposta ridiculamente idiota, nunca de fato falamos as palavras, e como não sou boa para falar, estou te escrevendo: Eu te amo Sebastian. De todas as formas que um ser pode amar outro, eu te amo.

*provavelmente vou tentar me esquivar das palavras dessa carta no exato momento em que te entrega-la, não permita isso, pode rir se quiser, só leva a sério meu lado Ensino Fundamental*”

Uma parte dele realmente riu daquilo, a ideia era toda absurdamente infantil. Mas não era aquilo que mais o encantava nela? Por isso, o máximo que ele conseguiu fazer por um bom tempo, foi reler aquilo tudo, uma, duas, três, até que o torpor finalmente passou e ele conseguiu levantar o olhar para , que o encarava ansiosa, mas assim que percebeu seu olhar sobre si, passou a encarar o ursinho como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo.
Com um sorriso que ele não podia controlar, Sebastian tirou o bichinho de pelúcia das mãos dela e a puxou para si, encaixando as mãos no maxilar dela, deixando os polegares passearem por suas bochechas, esperando que ela voltasse a encara-lo. Parecia meio difícil naquele momento. Então ele aproximou seus rostos, fazendo-os ficar da mesma altura, até seus olhos se encontrarem e ela não ter outra escolha a não ser manter o olhar.
- Meu Deus, eu te amo tanto – ele sussurrou, assistindo aquele brilho tomar proporções maiores, iluminando cada traço daquele rosto que ele poderia enxergar mesmo em meio a multidão. Os lábios avermelhados, as sardas espalhadas abaixo dos olhos de cor mais indecisos que ele já viu, a moldura de cabelos longos e vermelhos, tudo aquilo eram meros detalhes que o faziam se apaixonar cada dia mais por aquela mulher cheia de defeitos, era aquilo que ele mais amava nela, ela era imperfeitamente perfeita para ele. Ele nunca pensou ser possível amar tanto alguém quanto ele amava – Eu te amo, Pistrui.
O nervosismo para aquele momento se mostrou extremamente desnecessário, e podia ter certeza que a Terra havia parado de girar naquele momento. Aquele momento só deles.
O sorriso pode não ter deixado o beijo se aprofundar muito, mas aquele com toda certeza foi o melhor beijo de suas vidas. E quando Stan os escorregou para de baixo do edredom, já sem as toalhas enroladas no corpo, não pensou duas vezes antes de recostar a cabeça no peitoral dele, traçando caminhos abstratos por seu abdômen enquanto ele fazia um delicioso cafuné em sua cabeça. Um aproveitando a presença do outro. Era em momentos assim que eles se sentiam em casa, até porque, não importava onde estavam, desde que estivessem juntos, estariam em casa.
- Se eu te pedir uma coisa, você faz? – Sebastian pergunto baixinho algum tempo depois.
- Desde que não envolva você querendo inserir nada no meu... – ela não conseguiu terminar a frase, já que ele começou a fazer cócegas nela, os girando na cama, ficando por cima dela, deixando se perder um nos olhos do outro – Fala – sussurrou, passando os dedos por toda a extensão do maxilar dele, como se estivesse o redesenhando.
- Não sai nunca da minha vida – pediu, fechando os olhos e se entregando as sensações que o toque dela traziam.
depositou um doce beijinho na ponta do nariz dele, passando os dedos suavemente por suas pálpebras para que ele abrisse os olhos, então, com um tom baixo, mas convicto, afirmou:
- Nem se você pedir.
Aquela era a promessa deles, feita há muito tempo, e aquilo era o suficiente para ambos entenderem que um sempre estaria ali pelo outro, independente de tudo.


Capítulo 19

Setembro de 2014

- Eu sei que você está aí pela Marvel, o que custa me dizer exatamente o por quê? – a ruiva repetiu desesperada, literalmente se descabelando, praticamente derrubando o notebook do colo, o que fez o homem rir ainda mais.
- Não tem nada mais legal no mundo do que te ver desesperada pelos seus vícios – deu de ombros, segurando o celular um pouco mais para cima a fim de, finalmente, puxar o edredom da cama de hotel sobre o corpo e se ajeitar em uma posição confortável – Faz eu me agradecer todo dia por ter parado de fumar.
- Você é uma pessoa horrível, Sebastian, eu quero o divórcio – reclamou emburrada, enfatizando isso ao cruzar os braços e mostrar a língua para o namorado pela câmera quando ele riu novamente. Do outro lado do oceano.
- Nós nem nos casamos ainda e você já quer o divórcio? – perguntou brincalhão, e teve que morder a bochecha para manter a expressão emburrada e não rir com ele.
- Não dá pra ficar com alguém que gosta de ver meu sofrimento, eu não sou protagonista daqueles clipes de hip hop dos anos dois mil, Sebastian. Para de rir! Eu sei que boa parte do filme vai ser rodado ai na Europa, mas você já disse que as filmagens só começam em fevereiro, então custa me falar o que está acontecendo?
- Na verdade, no meu contrato está bem claro que eu…
- SE VOCÊ ESTIVESSE AQUI EU TE ESTRANGULAVA!
- Acho que os vizinhos não te ouviram.
- Bastian! – pediu manhosa.
- Talvez amanhã à noite eu te conte – disse, apoiando uma mão na nuca, deixando o braço dobrado por trás da cabeça. A perfeita pintura da paz e ordem mental, que provavelmente levaria uma bela mordida no maxilar se estivesse em Nova York.
- Você está falando isso todo dia – resmungou.
- Mas amanhã eu vou estar ai, então você vai arra…
- Espera, você chega amanhã? – o interrompeu, um sorriso enorme e um brilho de empolgação tomando conta do rosto da mulher. Já faziam quase três semanas que Stan tinha viajado para a Europa a trabalho e, por bem ou por mal, aquela era a primeira vez que eles ficavam tanto tempo fisicamente afastados desde que se assumiram. não havia dito literalmente aquelas palavras uma vez sequer, mas estava morrendo de saudades de Sebastian – Você disse que só estaria aqui no sábado!
- As reuniões não foram tão longas quanto o previsto – explicou, se ajeitando de novo no lugar. Aquela cama era macia de mais, ele não estava encontrando uma posição confortável. Assim como não encontrou nas três primeiras noites. A ideia de voltar para Nova York o deixou daquele jeito. o deixou daquele jeito – Além do mais – adicionou com um sorriso malandro brincando no canto dos lábios – Mackie, Chris e eu trabalhamos muito bem juntos – deu de ombros.
Ainda digerindo a ideia de ter o romeno por perto novamente, o máximo que foi capaz de fazer com aquela informação, foi mostrar o dedo e esperar ele chegar para dar uns bons tapas por aquela falta de consideração pelo amor dela pelo estúdio com o qual ele tinha contrato.
-Quando eu sair da redação venho pra cá ou vou pra sua casa? – perguntou, se segurando para não começar a quicar no sofá.
- Vai lá pra casa, pode ser que você ainda fique me esperando um pouco, mas eu chego antes da meia-noite – ao final da frase já estava deitado de barriga pra baixo, abraçado com o travesseiro em que apoiava o queixo, deixando o celular apoiado na cabeceira da cama.
- Bem pouquinho mesmo, não me julgue se eu estiver dormindo a esse horário – fingiu desdém, mordendo o lábio inferior quando o romeno abriu aquele sorriso que sempre derreteu seu coração – Vai ter mais alguma viagem daqui pra fevereiro? – perguntou depois de alguns segundos.
- Não sei… Algum destino em mente?
- Estava pensando em Miami, mas já fui pra lá semana passada, o que acha de Ibiza? – fingiu um tom esnobe. Aquele era o único jeito de levar aquela pergunta, porque ela sabia que se falasse algum lugar com um pingo que fosse de seriedade, muito provavelmente eles acabariam em um quarto de hotel, programando a rota mais turística possível, com tudo pago por Sebastian sem argumentos de reembolso.
A passagem para o Brasil foi motivo de discórdia por vários dias.
-Sabe, sábado é a festa da GQ – comentou casualmente, afundando o rosto no travesseiro ao ver a cara que a ruiva fez ao ouvir sobre aquele assunto. De novo.
- A ama esses eventos – respondeu no mesmo tom, louca para convencer o rapaz de que a amiga era uma opção bem melhor para aquele tipo de coisa.
- A tem que estar em Los Angeles no sábado, o ateliê pode não ser o maior do mundo mas ela tem nomes grandes na lista de clientes – cortou a desculpa da jornalista, largando o travesseiro, só para apoiar os cotovelos nele e o queixo sobre as mãos.
- Eu ligo pra el…
- Ela e o Chris estão no quarto da frente, quer que eu vá la bater na porta? – a interrompeu, ignorando o ultrajado “Ela está ai e eu não posso saber o que a Marvel está aprontando?” – Vai, ! Eu estou levando um vestido que a baseou naquele que você usou na Première no começo do ano, ele é lindo e você vai amar e a festa da GQ é o lugar exato para usar ele.
- A fez um vestido pra mim? – perguntou meio estática. Ela já tinha ganhado um vestido da estilista, em seu aniversário, mas não sabia de nenhum motivo especial para estar ganhando aquilo.
O sorriso que tomou conta do rosto de Stan podia ser considerado o símbolo oficial do afeto.
-Ela disse que se você demorar para usar, ela vai esquecer que é presente e vai cobrar – ela quase podia ouvir a voz da mulher dizendo aquilo, e acabou sorrindo com a imagem mental.
- Mas… Por quê?
Ela não precisou especificar a pergunta para ele entender, assim como ela não precisou de mais explicações quando ele simplesmente deu de ombros e disse:
-É a .
nem viu o vestido, mas já sabia que com toda certeza era mais uma das obras da amiga. E se ela perdeu tempo imaginando e desenhando e fazendo um vestido do zero para , a brasileira que não seria louca de fazer desfeita daquele ato. estava feliz em saber que Sebastian e estavam felizes, ficava feliz em aceitar o presente e deixar ainda mais feliz e orgulhosa.
Mesmo com os vários motivos para não querer ir para essa festa.
-Você vai me ajudar a escolher um sapato arrasador e que combine perfeitamente com esse tal vestido - proclamou, recebendo uma continência como resposta – Caso contrário nem saio do quarto.
- Não é uma ideia tão ruim assim, no final das contas – o romeno disse em um tom que fez a ruiva gargalhar alto.
Deus! Ela não via a hora de ter aquele homem ao seu alcance novamente.

Sebastian e passaram a manhã de sábado da maneira mais produtiva possível segundo o estilo de vida deles, ou seja, deitados. Quando se cansaram da cama, resolveram ir para a sala, se aconchegaram no sofá e começaram a assistir As Patricinhas de Beverly Hills, seguido de As Branquelas e depois Todo Mundo Em Pânico.
Stan, na verdade, estava meio ocupado tentando e falhando miseravelmente, na missão de fazer uma trança embutida no cabelo da namorada, sem motivos. Ele simplesmente tinha colocado na cabeça que queria aprender a fazer aquilo e disponibilizou o cabelo e algumas explicações, mas acabou se distraindo com o filme e o romeno acabou sendo abandonado naquela batalha. Aquilo era mais difícil do que os vídeos de tutorial e Chris Pratt faziam parecer.
- Bast, seu celular – o avisou quando o celular dele começou a tocar em algum ponto no meio das almofadas que eles haviam jogado no chão para não ocupar espaço no sofá.
Se levantando desajeitadamente e quase caindo de cara no meio das almofadas no processo, Stan encontrou o celular, o atendendo sem precisar de muito tempo para ouvir o que seu assessor tinha para falar, só resmungando algumas afirmativas, então afastou o celular da orelha e se jogou no sofá novamente, deitando a cabeça no colo da ruiva, que instantaneamente começou a fazer cafuné nele.
- Era sobre a festa de hoje – Sebastian percebeu que ela realmente tentou disfarçar o desconforto, mas a sombra que tomou conta dos olhos, naquele dia azuis, da garota, não a deixavam mentir. Então ele se sentou e a puxou para si, fazendo com que ela praticamente ficasse em seu colo, e descansou a mão no ponto onde o maxilar e o pescoço dela se encontravam, deixando o polegar deslizar livremente pela bochecha dela – Sabe, eu estou criando algumas teorias para você não querer ir nessa festa – ela pendeu a cabeça contra a mão dele, como forma de induzir ele a continuar, o que colocou um sorriso sapeca em seus lábios – Duas delas são mais fortes e possíveis, então eu estou esperando você me contar para eu poder me achar um bom adivinho.
- Primeiro me fala dessas teorias, se você vai ter do que rir de mim, eu quero ter do que rir de você – propôs, sem perceber que aquelas poucas palavras a entregaram completamente.
- Eu não acredito que você não quer ir por causa de ciúmes, ! – ele afirmou com convicção, gargalhando quando ela arregalou os olhos e deu um tapa no pulso dele, como que para se afastar, mas Stan passou a segurar seu rosto com as duas mãos, a impedindo de se afastar um centímetro que fosse – Você é melhor que isso, você sabe – a intenção era falar sério e com profundidade, mas ela mostrou a língua, e ele só soube rir de novo.
- Bast, aquelas mulheres são lindas e modelos, e você – cutucou o peito do homem com o dedo indicador – já deve ter ficado com pelo menos metade das que estarão lá essa noite – explicou em tom de obviedade, querendo dar um soco no maxilar perfeitamente bem desenhado do rapaz quando o sorriso sapeca dele aumentou.
- Sem repetir nenhuma vez – sussurrou. E acabou ganhando um tapa estralado no ombro – Agressiva.
- Cachorro – resmungou no mesmo tom, deixando os braços descansarem sobre os ombros dele e as mãos brincarem com os fios do cabelo na nuca dele. Os olhos fixos nos lábios dele, porque sabia que se focasse naquelas orbes azuis, acabaria rindo da própria desgraça e ela não queria rir, ela queria ficar emburrada por mais que soubesse que aquilo era completamente idiota – Eu me amo muito, mas saber que todas elas já te usaram como boneco de sexo me deixa um pouco pra baixo e me dá vontade de beber. Você é muito rodado, Bast, todo mundo já foi parar na sua cama. Isso não é bonito, tenho certeza que sua mãe não queria isso para você. Eu deveria ter te beijado depois que te xinguei porque agora não consigo parar de falar, eu só queria fazer uma ceninha tipo aquela que você fez na Première, lembra? Mas eu…
Não conseguiu terminar, uma vez que Sebastian tomou seus lábios em um beijo totalmente capaz de tirar fôlego até mesmo de um possível telespectador.
Suas línguas travaram uma disputa deliciosa sobre o controle do beijo. envolveu a cintura do homem com suas pernas e simplesmente atacou os cabelos da nuca dele, deixando Sebastian ainda mais confiante. Então ele escorregou uma das mãos por baixo da camiseta da ruiva e a outra foi para a nuca, embrenhando seus dedos nos fios do cabelo da mulher e a puxando mais para si, intensificando ainda mais o beijo.
Até que ele precisaram de uma coisa meio importante para a sobrevivência humana: Oxigênio.
-Agora eu quero te usar como meu boneco de sexo – murmurou contra os lábios entreabertos do rapaz, forçando as unhas na parte de trás do pescoço dele, fazendo-o soltar um grunhido rouco, arrepiando cada centímetro do corpo da garota – Mas… - deu um suave beijo nos lábios do ator, deixando uma leve mordida no lábio inferior quando percebeu que ele pretendia aprofundar novamente o beijo – Você… - dessa vez um selinho, um leve encostar de lábios, nem muito rápido, nem muito lento – Quer muito... – agora um selinho digno de crianças de três anos – Matar a saudade das suas ex peguetes – deu de ombros, e com isso, se desvencilhou do namorado e se pôs de pé.
- Você não pode ficar na vontade. Se você quer me usar como seu boneco de sexo, eu sou todo seu – se atropelou nas palavras, em um tom brincalhão mas com um enorme fundo de verdade, enquanto também se levantava para seguir . Aquela ideia parecia realmente ótima.
- Você é todo meu – afirmou com obviedade, se virando nos braços de Stan quando ele a envolveu em um abraço por trás. Então ficou na ponta dos pés e olhou fixamente para sua imensidão azul particular que eram os olhos de Sebastian – Assim como eu sou toda sua. Não há debate nisso, certo?
Sebastian sentia alguma coisa dentro de si se expandir em proporções fisicamente incalculáveis a cada vez que a ouvia dizer alguma coisa daquele jeito. Amor, carinho, afeto, paixão. Qualquer uma dessas palavras e até mesmo todas elas juntas, com todos seus significados e pesos, não eram o suficiente para expressar o que ele sentia por aquela mulher.
Saber que o sentimento era recíproco tornava tudo infinitamente mais especial.
As vezes ele tinha a sensação que acordaria em um quarto de hotel, em San Diego, na manhã que antecedia o painel de Capitão América: O Soldado Invernal, e perceberia que aquele um ano e dois meses ao lado daquela figura incrível e irrevogavelmente importante em sua vida, foi apenas um sonho. O melhor e mais detalhado sonho de sua vida.
Outras vezes, ele simplesmente tentava se lembrar de como era sua vida antes de ter aquele ser desastrado, determinado, animado, sem papas na línguas, e tudo o que conseguia saber era que precisava dela em seu futuro. Sebastian chegou à conclusão que uma vida sem não teria a menor graça. Ele não precisava dela para nada, mas sempre queria a presença dela para tudo.
-Você é incrível. Sabe disso? – disse baixinho, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha dela.
- É, eu sei – ela respondeu no mesmo tom, com um sorrisinho sapeca nos lábios e um brilho brincalhão nos olhos – Olha pra mim! É claro que eu sou incrível.
- Ego! Não me sufoque! Por favor!
- Não, sério, olha – falou pousando as mãos sobre o peitoral do rapaz – Eu, , estou indo para uma festa da alta sociedade, mostrar minha beleza em um vestido , porque meu namorado, super badass e gostoso e lindo, hiper maga ultra talentoso, fez uma seção de fotos para uma revista hiper popular – envolveu o pescoço da homem com seus braços - Tem como ser mais incrível que isso? Nós somos o casal mais incrível da história dos casais incríveis, logo após o Beto e a Helena!
Sebastian não se aguentou e teve que morder a bochecha dela.
-Patética – ele murmurou, um sorriso que não lhe cabia no rosto tomando conta de seus lábios, cutucando a lateral do corpo da ruiva, levando um tapa no ombro por isso – Linda e incrível, mas patética.
- Tenho certeza que suas modelos você não chamava de patéticas – comentou mordendo o inferior da bochecha, formando um biquinho nos lábios.
- Ciumenta – resmungou apertando o outro lado do corpo da moça.
- Para com isso, idiota – outro tapa no ombro.
Mais difícil não rir.
-Idiota – ele repetiu a última palavra, e ela, mais maturamente ainda, mostrou a língua.
- Besta.
- Besta.
- Infantil.
Stan, cansado de bancar o papagaio, simplesmente flexionou as pernas o suficiente para pega-la no colo pelas pernas, abraçando os joelhos da mulher, a fazendo soltar um gritinho de espanto e envolver os braços na cintura do rapaz quando as leis da gravidade a atingiram.
-BAST! EU ‘TÔ COM A CARA NA SUA BUNDA! – gritou em meio ao riso e ao desespero.
-Você vive dizendo que minha bunda é linda – disse o mais casualmente possível enquanto gargalhava dos gritos e das pernas que se balançavam desesperadamente.
- Bast! BAST!
Isso, assim que subiram as escadas e chegaram ao quarto, se tornou uma memorável guerra de cócegas, que se transformou em uma guerra de travesseiros, que logo evoluiu para uma coisa mais adulta. Mas o que acabou os atrasando um pouco foi o banho. Eles não tinham controle sobre aquilo, o banho era simplesmente O Banho. Sempre.
Deixando de baixo do chuveiro, Sebastian foi se arrumar – se dando ao luxo de enrolar o máximo possível por saber que teria que ficar esperando por, pelo menos, uma hora . Seu terno era o típico calça e blazer preto e camisa branca acompanhada de uma gravata preta. O ponto alto de seu look era o sapato, presente da GQ pela sessão de fotos, um sapato social preto com partes brancas num estilo anos XX. É, ele estava bem apresentável.
Depois de trocar algumas mensagens com seu assessor, Mackie, Don e Chase, vegetar no Instagram e dar uma fuçada no Tumblr de que por algum motivo estava logado em seu celular, Sebastian finalmente ouviu passos na escada, desviou os olhos do aparelho e quase sofreu um enfarte por isso.
O vestido que havia feito era praticamente do mesmo modelo do vestido que usou na première no início daquele ano. A diferença era que esse não era rendado, e sim feito em um tecido grosso de caimento perfeito, destacando todas as curvas da brasileira de forma elegante. O azul era profundamente escuro e meio fosco, provocando um jogo de cores contra a luz graças as ondulações formadas no busto, já que ali ele era mais rente ao corpo até a região pouco acima do estômago, onde ficava uma faixa vertical na mesma cor do restante do vestido.
O cabelo dela estava preso em um coque alto e propositalmente bagunçado, com algumas mechas soltas, emoldurando seu rosto com perfeição. A maquiagem milimétricamente perfeita destacava ainda mais os olhos azuis daquele dia, e o batom avermelhado completava aquela imagem que, na humilde opinião de Sebastian, era a imagem da perfeição.
-Gato, você não é estabilidade emocional, mas é tudo o que eu preciso – brincou, o analisando de baixo a cima com um sorrisinho sapeca nos lábios.
Stan não ouviu a cantada de pedreiro da namorada. Naquele momento ele estava mais ocupado pensando nas probabilidades de não aparecer em festa nenhuma e fazer uma festa particular ali mesmo, na sala de casa, com .
-Pistruiat… Você está… Perfeita!
mordeu a língua para não gemer ao ouvir aquela maldita palavra sair daqueles malditos lábios. Se ela tivesse aparecido pelada ali, ele não a encararia daquele jeito. Ela apostava todas as fichas nisso.
-Bast, não começa, nós deveríamos ter saído daqui já faz meia hora – falou pegando a bolsa de mão que comprou junto com o sapato, especificamente para aquela noite. Sapato esse que aparecia somente quando ela andava, uma simples, mas sofisticada, sandália quase em seu tom de pele que ficou perfeita com aquele vestido.
- Când ne întoarcem, am să-ţi arăt ce porţi aşa. De atunci – sussurrou no ouvido dela enquanto envolvia sua cintura, sentindo tanto quanto ouvindo o ofego dela.
- Desgraçado – sussurou completamente rouca.
Aquilo era golpe baixo. Ele sabia que ela não tinha controle algum sobre o próprio corpo quando o ouvia falar em romeno. Ainda mais naquele tom, era pornografia pura. E mesmo que ele estivesse falando “Lavei a roupa com sabão de coco”, era naquela língua envolvente e na voz dele. não resistiria àquilo nem se quisesse muito.
Sebastian, por outro lado, só achava estar devolvendo o favor. Até porque ser linda daquele jeito e ficar andando pela sala dele como se o espaço pertencesse a ela, vestida em suas rotineiras camisetas de estampa nerd e aqueles minúsculos short jeans já era difícil de suportar e manter zíperes fechados, quem dirá quando ela estava a personificação da deusa Afrodite. Se ela não ficava fazendo aquilo de propósito, aquela mulher com certeza havia arruinado sua vida da melhor forma possível.
Geralmente, Sebastian ia para esses eventos de taxi, não compensava ir de carro. As probabilidades dele voltar para casa sóbrio eram muito baixas e entre arranhar seu carro ou quase matar ele e mais alguma pessoa, e ir e voltar da festa de taxi e todos – inclusive seu carro – ficarem salvos, ele sempre optava pela última opção. Exceto uma vez, que ele não gostava de lembrar, principalmente perto de e Anthony. Mas com por perto algumas coisas mudavam. Essas festas só passam a ter cara de festa algumas horas depois que o anfitrião vai embora, que é quando a música clássica da pista de dança é substituída por músicas pop’s atuais e os garçons passam a oferecer mais variedade além da champagne e do whiskey. A questão era: Ele não tinha a menor intenção de ficar por ali até isso tudo acontecer.
Por mais que gostasse de alguns, esses eventos não passavam de obrigações com alguns pontos de diversão no fim na noite. Mas ele não estava procurando por isso, ele só estava juntando suas duas maiores paixões, seu trabalho e , por uma noite para celebrar mais um trabalho bem feito, então iria embora e mostraria para o quanto havia adorado aquele vestido.
Um fato óbvio para qualquer ser humano com o mínimo de atividade cerebral perceber, era com ciúmes. Ela achava que até disfarçava bem, mas o sorriso obviamente forçado quando alguns fotógrafos pediram para tirar fotos do casal, enquanto Sebastian continuava sorrindo e envolvendo a cintura dela como se já tivessem feito isso milhares de vezes, deixava tudo claro de mais. Outra característica era que ela tendia a fingir que, mesmo sabendo que Stan e provavelmente todos os fotógrafos estavam percebendo aquele comportamento, estava tudo normal e ela não se importava com quem quer que estivesse dando em cima do seu namorado.
Era quase o início da festa da tudo de novo.
A diferença era que naquela época eles, realmente, eram só amigos, e logo parou de provocar para ver até onde a paciência de iria. As mulheres daquela festa, mesmo as acompanhadas, pareciam dispostas a pelo menos roubar um selinho de cada homem ali presente. Não estava sendo nada fácil, mesmo com Sebastian frequentemente depositando um beijo em sua bochecha e lábios ou fazendo brincadeiras idiotas com as taças, correndo o risco de derramar champagne em suas roupas a cada momento que conseguiam ficar sozinhos.
-, você 'ta emburrada de novo – Stan sussurou em seu ouvido assim que se afastaram de um grupo de cinco pessoas.
- Não estou não – deu de ombros, ouvindo de seus próprios ouvidos a prova de que o romeno estava certo.
- Ah sim, então, você também não estava encarando aquela morena que eu nunca vi na vida, com o olhar mais mortal que eu já vi em seu rosto? – perguntou descontraído, a girando pela cintura, de forma que ficaram de frente um para o outro, praticamente abraçados já que a ruiva descansou as mãos nos ombros do rapaz.
- Isso eu não sei – ela murmurou com os olhos fixos na gola perfeita do paletó do ator enquanto fingia arrumar alguma coisa que supostamente saiu do lugar – Mas eu sei que ela não parava de se assanhar pra você e de tentar puxar assunto aleató…
- Vamos dançar? – propôs assim que afastou os lábios dos dela depois de um rápido selinho.
- Dançar? – perguntou completamente perdida – Bast, está tocando música clássica! Eu não sei dançar música clássica!
- Não tem problema, tem vários casais ali, ninguém vai reparar em você pisando nos meus pés - disse os guiando para o espaço aberto no salão onde vários casais já dançavam.
- Isso que você disse nem faz sentindo!
- Faz sim, você só está nervosa de mais para perceber – falou a puxando pela cintura com uma mão, a deslizando para suas costas e tomando conta de sua mão direita. Então, com a outra mão no ombro do ator, empacou como se tivesse sido plantada naquele chão há anos e suas raízes já estivessem completamente profundas –
- Bast, eu não sei dançar! Vou acabar tropeçando em você e você vai tropeçar em alguém e vamos todos cair igual aqueles dominós do Grande Soldador!
Ele riu. Será mesmo possível que ele não conseguia entender o quanto aquilo não daria certo?
-Acho que você está exagerando, Pistrui – ela arregalou os olhos e negou com veemência, o fazendo rir ainda mais – , eu vou te guiar, prometo não te jogar contra ninguém – aquele sorriso não passou muita confiança, mesmo ela sabendo que ele nunca faria aquilo, mas pedi-la para dançar aquilo era quase a mesma coisa que abandoná-la na China sem uma óculos de legenda – E se você subir nos meus pés?
abriu um sorriso brincalhão dessa vez.
-Olá, Edward Cullen.
- Nem vem, você gosta de Crepúsculo – disse colocando a outra mão dela em seu próprio ombro e envolvendo a cintura dela com mais firmeza – E afirma que o loiro estranho é seu favorito.
- Isso não significa que você precisa incorporar ele – retorquiu com um sorriso sacana, envolvendo o pescoço dele com seus braços.
- Eu tenho quase certeza que não faria isso nem se fosse pago – brincou.
- Não fala muito, lembra daquele fil… Bast! – se agarrou ainda mais no pescoço dele quando ele a puxou para cima de seus pés sem aviso prévio – Meu Deus, isso não vai dar certo! – murmurou tensa, um sorriso nervoso brincando nos lábios.
- É só se agarrar em mim e deixar que eu faço o resto.
- Parece uma ideia tentadora, que tal me propor isso quando eu não estiver pisando em um sapato que provavelmente equivale a uns quatro salários meus?
- Foi presente pela sessão, não se preocupe com isso – falou começando a se movimentar lentamente, literalmente sendo abraçado por , que repousou o queixo em seu ombro e começou a brincar com os fios de sua nuca – Viu? Não é tão ruim – sentiu o corpo todo se arrepiar quando a respiração dela bateu contra sua orelha quando ela sorriu.
- Fazem anos que eu não faço isso.
- É? E com quem você fazia isso, srta. Swan?
- Com meu pai – respondeu risonha, se lembrando dos vários momentos em que dançou exatamente daquela maneira com o pai.
- Eu quase posso ver vocês fazendo isso – Sebastian falou no mesmo tom. Passar aqueles dias na casa dos pais de serviram para aumentar ainda mais a visão de “meta familiar”, que ele nem sabia que tinha até conhecer os – Então você me enganou por todo esse tempo?
- Não, nós dançávamos vanera, é muito mais agitado que clássica. É uma dança típica do Rio Grande do Sul e de algumas áreas do Paraná. Nas festas de fim de ano, meu pai me colocava em cima dos pés dele e nos enfiava no meio daquele mar de gente. Era ótimo.
- A Adriana me mostrou fotos suas com uns vestidos meio coloniais...?
- É disso mesmo.
Os dois riram e Stan cerrou ainda mais os braços ao redor da cintura de , os deixando ainda mais colados para poder dar uma rodopiada, o que fez a ruiva se apertar ainda mais a ele e soltar um gritinho abafado e gargalhar ao seu ouvido.
Aquele era seu som favorito no mundo todo.
- Você era muito bochechuda quando era pequena – falou baixinho, como se estivesse contando um segredo, a fazendo rir novamente e tirar o queixo de seu ombro para fita-lo.
Os olhos dela já não estavam mais tão azuis quanto naquela tarde, eles estavam um misto de azul, verde e castanho que o hipnotizou por alguns segundos. Os lábios, vermelhos como se ela tivesse acabado de retocar o batom, o convidavam para um beijo, como se ele estivesse sendo puxado para aquilo. Ele não podia negar um convite daqueles.
Um beijo lento, envolvente, e quase inadequado para ser compartilhado em público, responsável por deixar as pernas de fracas e agradecer, ou odiar um pouco, o fato de estar sendo segurada completamente por Sebastian no meio daquele salão.
- Esse era o plano? Fazer gracinha até eu te olhar, para me fazer te pedir pra gente voltar para casa?
O romeno desviou novamente o olhar dos olhos dela e deixou cair para os lábios, passando a mão pela maçã do rosto da garota a fim de tirar uns fios de cabelo que acabaram se prendendo no canto de sua boca durante o beijo. Aquela noite, ele não estava a fim de compartilhar os lábios dela com absolutamente nada.
- Na verdade – parou completamente de se movimentar, descendo de seus pés sem se afastar mais nem um centímetro além disso, então voltou a olha-la nos olhos – O plano era, desde que te vi vestida assim, ficar em casa e te fazer implorar para mim tirar esse vestido de você, depois te deixar rouca de tanto gritar meu nome, e só depois que você já não aguentasse mais nada, te deixar dormir.
nunca foi do tipo de mulher que ficava sem respostas, por outro lado, Sebastian nunca falou aquele tipo de coisa no meio de uma festa a olhando daquele jeito.
Não que eles fizessem o tipo Casal Testemunha de Jeová, sempre as mesmas coisas, tudo silencioso e completamente discreto. Longe disso. Mas a “boca suja” daquela dupla, geralmente era , e quando Sebastian começava com aquilo do nada, sem estímulo, sentia que uma morte por combustão espontânea não era uma coisa assim tão distante.
- Gostou do meu plano, Pistruiat? - perguntou como quem pergunta se prefere café puro ou com leite.
tinha certeza que se abrisse a boca pra falar, acabaria se envergonhando. De repente o episódio da calcinha vibratória parecia coisa de criança.
Sebastian, percebendo o estado da ruiva, teve que se concentrar muito para não rir e acabar com o clima.
- Vou considerar esse silêncio como “sim” – sussurrou no ouvido dela, os lábios roçando pelo lóbulo da mulher, a fazendo emaranhar os dedos nos cabelos da nuca dele e os puxar, o fazendo engolir em seco.
- Me leva pra casa, Bast – sussurrou contra o ouvido dele, ainda puxando seus cabelos, dessa vez o fazendo fechar os olhos com força e tomar um fôlego para se concentrar. Ele sabia muito bem o que aquelas palavras significavam.
Aquele era um jogo de mão dupla, certo?
Não deu tempo de pisar do lado de dentro do hall de entrada, Sebastian já a puxou para o lado, a colando contra a parede ao lado da porta. Ela não viu a porta ser fechada, nem seu cabelo ser solto, só conseguia sentir Stan e seus beijos e toques e aquelas malditas palavras em romeno.
Não conseguia se ver enjoando daquilo nem em três vidas.
- Eu quero saber – sussurrou numa voz fraca quando ele segurou os pulsos dela contra a parede acima da cabeça dela.
- Você vai saber... – disse num tom rouco, passando a segurar os pulsos dela com só uma mão, usando a outra para colocar mechas de cabelo que caíram sobre seu rosto atrás da orelha. Ela tentava não parecer ansiosa, mas seus olhos enegrecidos não escondiam aquela realidade. Ela estava louca por ele.
- Fala – pediu tentando mexer os braços. Não deu. Um sorriso pecaminoso tomou conta dos lábios dele, a fazendo soltar um grunhido – Bastian!
- Pois não, Pistruiat?
Outro grunhido.
Ele sabia que estava brincando com fogo, mas o castigo seria bom demais para não arriscar. Sem contar que quem estava no controle naquele momento era ele, então a diversão era garantida de qualquer jeito.
- Você quer saber o que eu disse antes de sairmos daqui? Quando eu te vi assim? – perguntou distribuindo beijos por toda a extensão do maxilar à clavícula dela, deixando algumas mordidas pela pele quente dela, ouvindo um murmúrio de afirmativa – Eu falei... – subiu os beijos da clavícula para o maxilar até abaixo da orelha, sugando o lóbulo, sorrindo ao ouvi-la arfar – Que quando voltássemos... – deslizou a mão do quadril dela até o pescoço, fazendo o mesmo gesto repetidas vezes, tendo que forçar um pouco mais o aperto na mão direita quando ela tentou mexer os braços novamente – Eu iria te mostrar o que você vestida assim faz comigo – afastou os lábios do ouvido dela e voltou a olha-la nos olhos – Desde sempre.
Ele assistiu prazeroso a pupila da mulher dilatar ainda mais e sua respiração pesar.
Forçando o corpo para frente, atacou os lábios de Sebastian com a maior ferocidade possível com seus braços ainda prensados contra a parede acima de sua cabeça. Quando ela se soltasse, ele iria pedir por misericórdia.
Mas por hora, ela sabia que seria alvo de uma longa sessão de tortura.


Capítulo 20

Outubro de 2014

- Alguma coisa relacionada a Dragon Ball, então?
- Tentador, mas já está meio em cima da hora e se eu fosse de algum personagem de Dragon Ball, seria de Androide 18.
- Você tem que complicar, né...
- Você que quer a viadagem das fantasias combinando...
E assim, mais uma vez, o casal caiu em alguns minutos de profundo silêncio e reflexão. Ele deitado de barriga no sofá da sala do apartamento da mulher, e ela, deitada de costas, contra as costas dele.
Eles estavam deitados assim há tanto tempo que até fazia a estranha posição parecer confortável.
Na realidade, era mesmo.
- E se você for de Natasha? – perguntou esperançoso.
- E você iria de que? Clint? Steve? – ela podia sentir o desdém escorrendo pelos próprios lábios.
- Você mesma me mostrou uns desenhinhos que a galera acha que Viúva Negra e Soldado Invernal dariam um bom casal – a lembrou, dando um tapinha na coxa dela do melhor jeito possível considerando a volta que seu braço tinha que dar para isso.
- Ah... Não sei... – disse incerta – Eu já fui de Viúva ano passado, lembra?
- Ah... – suspirou meio decepcionado, mas a imagem mental que lhe veio a cabeça, da namorada trajando aquele macacão do uniforme da heroína, os cabelos posicionados o mais parecido possível com o que Scarlett usou em Homem de Ferro 2, e aquele olhar mortal que ele sempre chamou de “Policial sexy”, o fez colocar um sorriso, no mínimo, pouco cristão no rosto – Ahh!
- Tarado – resmungou risonha, dando um tapa no quadril dele, e isso fez com que ele se mexesse para sair daquela posição, se virando sem tira-la de cima de si, a envolvendo pela cintura, deixando suas pernas se enroscarem do jeito mais confortável possível, e os queixos se encaixarem – Nós éramos só amigos no Halloween do ano passado, você não deveria pensar esse tipo de coisa – nem ela estava se levando a sério, e os dentes prendendo o lábio inferior mostrava isso muito bem.
- O que? Nem sempre eu tinha alguém por perto – Stan deu de ombros, prensando os lábios para não soltar a gargalhada quando os olhos dourados de se arregalaram.
- Bast!
- Eu tenho aquela foto até hoje – fingiu estar pensativo, enquanto analisava cada mínima alteração que suas palavras causavam na feição da garota – Sabe, você quase arruinou meu Halloween do ano passado, tenho certeza de que se eu estivesse em Nova York naquele dia, nós não estaríamos aqui hoje.
No final, ele não conseguiu manter a pose e acabou sorrindo da expressão de .
- Cara, você não presta – declarou após alguns segundos tentando assimilar as informações ali recebidas.
- Nunca disse que prestava – deu de ombros e roubou um selinho da ruiva, que o encarou por mais alguns segundo com um olhar meio perdido, mas depois revirou os olhos e deu de ombros, quase como se quisesse afastar aqueles pensamentos para manter o que restava de sua sanidade intacta.
- De qualquer jeito, já fui de Viúva Negra ano passado e agora eu conheço a Scar. É quase um crime eu tentar, mesmo que minimamente, me igualar àquela deusa – bateu o martelo, tendo que dar uma mordida no maxilar do romeno porque aquele sorrisinho sem vergonha dele a estava irritando.
- Você é completamente gay por ela, pode falar – Sebastian a incitou, cutucando a costela dela.
- Gato, é a Scarlett Johansson, que mulher nesse planeta não é gay por ela? – perguntou com obviedade, dessa vez fazendo Stan a encarar por alguns segundos com o olhar meio perdido.
Eles não tinham apostado nada nem feito um voto de castidade de curto prazo, por que mesmo eles estavam tão focados em não se entregarem?
Ah sim, conversa. Um relacionamento não sobrevive só de sexo.
Mas eles já estavam conversando há tantas horas!
Falar de roupas poderia ser meio perigoso as vezes...
Roupas! Foco!
- Ta... Humm... Só eu dei opções até agora e tenho a sensação que você já tem alguma coisa em mente.
Um sorrisinho empolgado cresceu nos lábios da ruiva, então ela se sentou, ficando exatamente onde Sebastian queria que ela estivesse mas não deveria estar naquele momento, então enquanto ela se inclinava para pegar o celular que estava ao lado do celular do ator na mesa de centro, Stan também se sentou, a deixando em seu colo, só quebrando o contato desnecessário para uma conversa civilizada sobre fantasias de Halloween.
- Na verdade eu tive essa ideia quando você sugeriu As Patricinhas de Beverly Hills, mas resolvi deixar você falar, porque tu ‘ta muito empolgado com a ideia de irmos combinando como casal, quem sou eu para acabar com sua alegria? – começou a falar, enquanto deslizava os dedos furiosamente pela tela do celular para digitar e rolar o carregamento do que ele reconheceu como o aplicativo do Pinterest. Ela adorava aquilo quase tanto quanto adorava o Twitter – Mas sei lá, você não tem muito jeito de Josh. Mas se tem uma coisa que combina com nós dois é – virou o celular para que Sebastian pudesse ver com clareza a foto que ela entrou, deixando o sorriso tomar seu rosto ao ver que o namorado já havia concordado com aquilo – Grease.
Sebastian não achava que tinha qualquer semelhança de personalidade com Danny Zuko, porém ele também não tinha nada de Flynn Rider no ano anterior e mesmo assim essa foi sua fantasia. Mas era inegável pelo menos o básico da aparência física: Olhos azuis, cabelos negros, pele clara. Com um pouco de maquiagem bem trabalhada ele poderia ser o próprio John Travolta jovem do século XXI.
A imagem que procurou com tanto afinco era uma dos personagens juntos em uma das cenas finais do clássico filme. Danny segurando Sandy e o parque de diversões ao fundo, ambos de preto, Sandy naquele traje provocativo e Danny sem sua habitual jaqueta de couro nem a blusa de atleta, só de camiseta.
Era perfeito.
- Você quer que eu acredite que você teve essa ideia nas últimas três horas, e não estava pensando nisso desde o início do mês? – perguntou desconfiado.
- Eu sou uma mulher atarefada, não tenho tempo de ficar pensando nessas coisas – se fingiu de ultrajada, envolvendo o pescoço dele com os braços e o quadril com as pernas, enquanto ele envolveu a cintura dela e jogou as pernas para fora do sofá, se colocando em pé.
- Imagino então no que você deve pensar – murmurou contra os lábios dela, entrando no corredor, o caminho para o quarto já bem decorado.
- Meu amor, sua imaginação não chega nem perto do que a minha é capaz de construir – afirmou, arranhando a parte de trás do pescoço dele, sorrindo quando ele fechou os olhos e suspirou fundo por aquilo – Mas sabe o que você é capaz de fazer? – ele murmurou alguma coisa parecida com “O que?” enquanto a colocava na cama e se deitava por cima dela, começando a trabalhar no pescoço da mulher, mas ela embrenhou as dedos nos cabelos da nuca dele e o levou para cima, a fim de ficarem cara a cara – Você é capaz de transformar cada um dos meus pensamentos em realidade.
Aquilo o tirou um pouco do eixo. O caminho que ele pretendia seguir naquele momento ficava um pouquinho mais para a esquerda. Mas um beijo para demonstrar que ele era completamente e perdidamente apaixonado por aquela mulher não estragaria a noite, certo?



- Até daria, se você se lembrasse que tem amiga ontem, agora está, literalmente, em cima da hora – disse entrando no elevador, sorrindo para outros dois colegas da redação que também estavam indo embora depois de um fatídico dia de trabalho. As eleições de um pais não deveriam causar tanta bagunça em relações políticas com o resto do mundo, aquilo era exaustivo.
- Hell, é Halloween, vocês chegando antes da meia noite ainda é considerado muito cedo – falou emburrada do outro lado da linha.
A estilista queria muito que os amigos fossem em uma festa que ela organizou para promover ainda mais seu trabalho, o problema era que a organização do evento a deixou tão atolada que ela não teve tempo nem de mandar uma mensagem – ou responde-las até – e isso deixou o casal de NY em saias justas.
- Vamos lá, , vou te ensinar a calcular fuso horário – suspirou, rindo quando a amiga soltou um “Vai se Fuder” – Não dá ! Eu estou, literalmente dentro do elevador, saindo do trabalho, até ir para casa, arrumar a mala para o fim de semana, ir para o aeroporto, comprar passagem... Desconsiderando o trânsito, a gente pega o avião ás sete aqui e chega ai, pelo fuso, ás oito, mas até se arrumar, isso se conseguirmos pegar o avião nesse horário que eu falei...
- Se você não calar a boca eu vou desligar e nunca mais falar com você – a outra mulher afirmou num tom sóbrio e frio, o que seria cômico se não soubesse que era uma probabilidade real.
- Desculpa, , mas agora não da. Eu sinto muito, mesmo!
murmurou em concordância, sabendo que se Stan tomasse conhecimento de que ela fez a ruiva se desculpar por uma coisa que ela sequer tinha controle, quem precisaria se desculpar era ela. Ela queria os dois ali, fato, mas como o destino queria que eles passassem aquela data em NY e não LA, então que fosse NY e não LA.
- Tudo bem... Mas semana que vem eu quero vocês aqui por bem ou por mal – proclamou, desejando uma boa festa e encerrando a ligação, deixando com uma leve cara de tacho assistindo as portas do elevador se abrirem no térreo.
- É, eu também te adoro, – murmurou, guardando o celular no bolso, encontrando dois pares de olhos sobre ela.
- Ai, menina, calma, eu entendo seu drama, minha amiga que mora em Paris esses dias fez isso comigo – Hector, um mexicano que ocupou a vaga de Ashley assim que ela foi transferida para Londres, falou no maior tom de deboche possível, fazendo e o outro colega gargalharem – Falando sério, agora – obviamente ele não estava falando sério, ele quase nunca fazia isso. resolveu manter uma certa distância dos colegas de trabalho depois de tudo que aconteceu, mas obviamente tinha colegas e esses colegas tinham Instagram e Soldado Invernal estava sendo considerado o melhor filme do Marvel Studios, então qualquer um que se prezasse dentro daquele prédio sabia pelo menos o básico da vida da brasileira – Muito difícil pra você ter que deixar sua amiga estilista sem sua presença na festa dela, lá em Los Angeles, e ter que passar o Halloween com aquele seu namorado estupidamente gostoso, aqui nessa cidadezinha sem graça e sem eventos.
Mais risadas. Ele era novo nos Estados Unidos, tudo para ele ali parecia ser a coisa mais legal do universo. conhecia aquela sensação.
- Ele iria com ela de qualquer jeito, você sabe disso, certo? – Ryan perguntou.
Mas a atenção da jornalista já havia sido fisgada por um certo par de olhos azuis, do outro lado da avenida.
- Falando no diabo... – Hector dramatizou, olhando na mesma direção que a mulher, se segurando no outro colega, como se só de ver Sebastian de longe o fizesse perder a capacidade de andar sem apoio.
- Cara, você precisa de alguém urgentemente – Ryan resmungou, empurrando Hector o mais longe possível.
- Preciso mesmo, se você não fosse tão hétero já estaria na minha lista.
tentava não rir daquela conversa idiota, como sempre, agradecendo a Deus pela faixa de pedestre na frente do prédio.
- Até segunda, gente – falou acenando já há alguns passos dos colegas, que quase não a ouviram por ainda estarem naquela profunda conversa.
- Novos amigos? – Sebastian perguntou quando ela já estava na frente dele, recebendo um dar de ombros como resposta antes de um selinho e ela dar a volta no Jaguar para entrar no banco do carona – Como foi o dia? – questionou assim que fechou a porta.
- Do jeitinho que eu gosto para reclamar – falou se espreguiçando antes de colocar o cinto.
- Ah, então foi do jeito que você gosta – ele disse risonho. Nunca entenderia como alguém poderia gostar de trabalhar com o que a mulher trabalhava.
Ela entrou em um assunto que ele não entendia a metade do que ela dizia, mas gostava de ouvi-la falar daquele jeito, misturando letras da música que tocava no rádio com alguma coisa que envolvia decisões da ONU. Ela fazia as coisas mais complicadas parecerem tão simples quanto a letra de uma música do Roxette.
- Falou com a hoje? – perguntou quando ele terminou de estacionar o carro na garagem do condomínio onde ela vivia.
- Recebi uma intimação para comparecer na casa dela no próximo fim de semana, isso vale? – perguntou antes de sair do carro.
- Ela ficou bem chateada que não vai dar pra gente ir na festa dela – comentou passando o braço pela cintura do namorado e encostando a cabeça no ombro dele.
- Ela foi me falar dessa festa ontem, depois de ficar quase duas semanas mandando, literalmente, uma mensagem a cada dois dias escrito “Estou viva” – ele disse a envolvendo e em meio abraço assim que entraram no elevador e apertaram o botão para o andar do apartamento dela.
- Ainda bem que pra mim ela nem mandou nada, porque com mensagens assim eu pensaria que ela estava em uma espécie de cativeiro – resmungou, fazendo Stan rir.
- Ela faz isso quando está muito focada em algo, acho que já me acostumei – deu de ombros.
- Comprar passagens hoje para não correr risco de morte. Ela disse o por que da necessidade de nós lá?
- Aparentemente ela quer jogar na cara do Renner que trabalha muito bem como cupido, e St. Louis não foi o suficiente para fazer todas as piadinhas que ela tem em estoque para nós.
- É, sorte que dessa vez o Mackie não vai estar por perto para ajudar... É normal de vez em quando eu ter vontade de matar nossos amigos?
- Depende. É normal eu querer uma ficha técnica daqueles dois que estavam rindo com você?
Se as portas do elevador não tivessem aberto, muito provavelmente ficaria encarando o reflexo do romeno pelo espelho por um bom tempo, com a maior cara de “Sério!?” possível.
- Na verdade, isso é meio doentio – apontou, deixando ele destrancar a porta do apartamento por preguiça de tirar a chave da bolsa. Sem contar que esse movimento a faria ter que parar de encara-lo.
- Só fiquei curioso, você disse que não faria mais amizade no trabalho – retrucou tão inocentemente que se conhecesse um pouco menos aquele ser sentado em uma de suas banquetas da cozinha, acreditaria que ele só disse aquilo por falar.
- E não fiz, mas meu trabalho exige uma coisa de vez em quando, convivência social o nome – comentou enquanto procurava algo comestível na geladeira, se contentando com a salada de frutas considerando a roupa que teria que usar naquela noite – Alias, o Hector é gay e o Ryan é pai de três crianças... Pai solteiro, mas enfim... – deu de ombros, fingindo não perceber a tensão saindo do corpo do namorado ao ouvir aquilo.
Ele murmurou alguma coisa como “Ah...”, tirando o celular do bolso da calça e fingiu estar interessado em alguma coisa na tela, que na verdade era a tela inicial e ele não sabia onde clicar para continuar com o disfarce. Stan sabia que aquilo era ridículo, ria quando vinha de , mas continuava sendo ridículo. Só que parecia que quando vinha dele era mais ridículo ainda.
- Hey... – disse deslizando a mão pelos cabelos dele, parando na nuca, o que fez com que ele levantasse a cabeça até conectar seu olhar com o dela, com o sorriso mais amarelo capaz de produzir, a puxando para si, fazendo-a ficar de pé, entre suas pernas – Nós somos idiotas, fazer o que? Não posso te julgar por uma coisa que eu também faço. Seria muita hipocrisia da minha parte.
Sebastian descansou as mãos nas coxas de , assentindo e concordando com absolutamente tudo que ela disse, e por isso não tinha o mínimo de vergonha de falar pra quem quisesse saber que ela era a cabeça pensante daquele relacionamento.
- Okay, entendi, você é um ser evoluído que assume o ciúmes e não se sente mal por isso depois. Ensine-me, ó sábia! – brincou, imitando uma voz que poderia ser tanto de Benedict Cumberbatch quanto do padeiro do comércio da esquina, a ruiva não sabia dizer, mas isso a fez rir e roubar um selinho dele.
- O segredo é não ter um histórico com o objeto causador do ciúme – respondeu casualmente, piscando para ele e saindo da cozinha, levando a salada de frutas e deixando o namorado com a maior cara de tacho da história.

- Acho que a última vez que bebi um ponche tão ruim assim, foi na faculdade! – Sebastian reclamou, se contrariando ao ingerir outro longo gole do líquido, fazendo gargalhar.
- Você bêbado é a melhor coisa que acontece na minha vida – declarou, roubando um pouco da bebida do namorado, fazendo uma careta ao constatar que aquilo estava realmente horrível – O que eles colocaram ai? O DJ tem o cachê muito alto e tiveram que economizar na bebida!?
- Ora, Sandy! Não diga asneiras! – Stan entrou no personagem, jogando o copo, ainda com bebida, para trás, sem se importar se pegaria em alguém, dando pulinhos ao redor da mulher, envolvendo os braços em sua cintura quando parou atrás dela – A festa está ótima e você linda demais para se preocupar com a bebida – falou no ouvido dela, distribuindo pequenos beijos pela extensão do pescoço, aproveitando que o penteado alto deixava aquela região exposta.
Ela pretendia fingir não ter ouvido aquilo, usando a música alta como desculpa, mas a risada escapou de seus lábios e ele acabou rindo junto.
A noite estava sendo ótima. Na verdade não eram todas as bebidas da festa que estavam ruins e o fato dos dois estarem levemente alterados, nada capaz de afetar o ego ou a moral deles, se deva exatamente por isso: Entre várias músicas e as próximas, eles precisavam de um tempo, e resolviam isso ingerindo o único tipo de bebida disponível naquele local: alcoólica. Mas isso não era motivo de preocupação naquela noite, nenhum deles pretendiam ficar altos demais, eles queriam se divertir tanto ali quanto quando chegassem em casa e pudessem desfrutar mais um pouco daquelas fantasias que caiam perfeitamente bem em ambos.
Desfrutar mais um pouco no caso, porque Sebastian simplesmente não conseguiu “se manter em suas calças” quando a viu com aquela roupa, com aquela cintura marcada. Com aqueles sapatos. Era pedir demais. E também entrou na dança, porque ele ficou uma mistura perigosa de ridiculamente fofo e mortalmente sexy customizado de jovem rebelde dos anos 50. Era de mais pra ela.
Hormônios adolescentes descontrolados a parte, eles finalmente saíram de casa e resolveram que naquele noite eles entrariam nos personagens e dançariam por exatamente tudo. E estavam levando esse raciocínio extremamente a sério. não se lembrava de ter dançado tanto em sua vida. Diferente de Sebastian, que só estava desacostumado, por não fazer isso há uns dois anos. Mas uma experiência que eles compartilhavam de primeira mão, era a quantia de gargalhadas em uma única dança. Tudo bem que no Halloween passar vergonha é uma coisa diferente dos outros dias, algumas coisas, no dia 31 de outubro, são consideradas normais. Como por exemplo, inventar passos de dança extremamente estranhos e convencer sua namorada a tentar repeti-los.
Os dois juntos era homicídio social certeiro.
E eles não se importavam.
- Okay, okay... Eu preciso de tempo – Stan declarou, deixando os braços escorregarem pela cintura de , a puxando para si e encostando na parede mais próxima.
- Velho – ela o cutucou, risonha, recebendo outro cutucão de volta.
- Acho que a gente acabou de dançar meia discografia desse cara – reclamou entre um ofego e outro, tentando normalizar a respiração. Se aquilo não contasse como exercício físico ele nunca mais dançaria eletrônica com .
- Sedentário – dessa vez ela encostou o queixo no dele, deixando seus rostos a centímetros de distância, o permitindo apreciar aqueles olhos, naquela noite, profundamente verde claro, quase amarelo. Aquilo era incrível.
- Vamos lá pra cima? Deve ter algum sofá disponível... A gente pode...
- Eu não vou transar com você aqui, Bast. Desiste. Já realizamos nossos fetiches em locais públicos, e uma balada onde obviamente já tem gente fazendo isso... Não é meu objetivo hoje – falou brincando com o cabelo dele, finalizando com um beijinho casto e um sorrisinho.
- Eu só ia sugerir pra gente descansar um pouco antes de voltar pra cá, mas já que você falou nisso – disse risonho, roubando um beijo de verdade, só para deixar a mulher completamente sem fôlego antes de puxa-la pela mão e guia-la escadaria acima, onde tinha bebidas melhores e menos pessoas.
- Tá, amor, as bebidas – o lembrou quando eles já estavam a alguns passos do open bar há alguns minutos se beijando.
- Você está segurando minha jaqueta, como pretende que eu saia daqui? – olhou para baixo, onde de fato, as mãos da mulher seguravam firmemente a jaqueta amarrada em sua cintura. E ela ainda havia ralhado por ele insistir em ir com aquela jaqueta.
encarou as próprias mãos ali por alguns segundos, mordendo o lábio inferior, antes de deixar a gargalhada escapar de sua garganta.
- Okay, desculpe – disse, tirando as mãos da cintura do homem, depositando em seu peitoral, o puxando para si em um último selinho antes de empurra-lo para a direção do balcão.
Era uma vez de cada de buscar bebida, e por bem ou por mal, ela que havia buscado o ponche com gosto de dipirona.
- Eu te vi de longe mas ainda ‘to tentando acreditar na minha sorte – uma voz masculina sussurrou no ouvido de , fazendo-a paralisar e se virar rapidamente, dando de cara com um peitoral forte. Um passo para trás depois, seu olhar captou grandes olhos castanhos a olhando de volta.
- Oi?
- Qual é, você era a Viúva no ano passado, não era? – ele perguntou sorridente, dando um passo para frente, levando a dar mais um para trás – Não se lembra de mim?
O homem estava vestindo uma calça caqui, coturnos de caminhada e somente suspensórios, e alguma coisa dizia à jornalista que ele estava vestido de garoto propaganda da Old Spice. Mas não se ateve a isso por mais que dois segundos, porque aquela pele achocolatada, aquele sorriso perfeitamente alinhado e aqueles olhos extremamente castanhos a fizeram lembrar instantaneamente da noite de 31 de outubro do ano anterior, quando Natasha Romanoff e Nick Fury tiveram uma noite escandalosa.
“Cadê o Bast!?”
- Sim, sim lembro-me de você... Como vai? – falou meio sem graça.
- Agora estou muito melhor – sorriu, jogando todo seu charme para a mulher, que coçou levemente a testa pensando em como se livrar daquele cara sem fazer bagunça – Parece que dessa vez nossas fantasias não estão combinando – fez uma cara de decepção, o que respondeu com outro sorriso sem graça.
- É... É que esse ano eu vim combinando com meu namorado, então, né.
- Namorado? E te deixou aqui, sozinha, assim? – Okay, ele estava começando a realmente incomodar, principalmente depois que começou a olhar o decote dela daquele jeito.
- Eu sei cuidar muito bem de mim, então como não nascemos grudados, as vezes nós nos afastamos alguns passos, sabe – falou firme, fincando o pé exatamente onde estava, pensando consigo mesma que se aquele cara se aproximasse mais um passo, ela seria forçada a estragar o nariz dele.
- Curta e grossa – comentou rindo, levantando as mãos na altura do rosto, em sinal de rendição, mas deu mais dois passos na direção da ruiva, a fazendo trincar os dentes – Continua indo direto ao ponto.
- Meu ponto é meu punho na sua cara se você não se afastar agora – disse com um sorriso frio.
Qual é. Cara impertinente.
- Lembro da agressividade também – mais um passo, ficou quase colado em – Foi uma das minhas melhores noites.
- Já eu, nem lembrava da sua existência até agora – ela já não se importava mais em não armar um possível barraco. A palavra namorado não valia mais nada? O cara não entendeu que ela não queria ele ali perto? – Sai de perto de mim ou eu vou fazer escândalo.
Ele não se importou com o aviso, então deu uma joelhada bem nas bolas dele com o máximo de força possível.
- Ugh... Sua vadia! – exclamou com uma voz bem afetada, e se sentiu bem orgulhosa por aquilo, mordendo o interior da bochecha para controlar o sorriso quando algumas mulheres ao redor cutucaram o ombro de seus companheiros ou companheiras e apontaram para o homem se retorcendo de dor. Abençoados fossem os treinos semanais.
Mas a diversão acabou em segundos, quando Sebastian agarrou os suspensórios do homem que ainda estava meio encurvado, o segurando de forma que pudesse olha-lo nos olhos.
- Do que você chamou ela, seu filho da puta? – rosnou, fingindo não ouvir o chamar – Repete, valentão!
- Sebastian, pelo amor de Deus, larga ele! – a mulher pediu, segurando o romeno pelos ombros, tentando afasta-lo do moreno, e falhando miseravelmente.
- Repete!
- Sebastian!
O ator encarou o outro homem por quase mais um minuto antes de empurra-lo com força o suficiente para derruba-lo, então mantiveram a troca de olhares capaz de soltar fagulhas por mais alguns segundos, até que, com o maxilar completamente travado, Stan deu a volta, envolveu a cintura de , pretendendo ir embora.
- O que!? A vadia precisa do guarda-costas agora?
Merda.
Sebastian não precisou do tempo de um suspiro para dar meia volta e acertar o punho em cheio no meio do rosto do moreno.
- Caralho... – sussurrou, puxando o namorado pela mão esquerda, para tira-lo de lá – Vamos sair daqui, agora! – falou bem mais alto, implorando aos céus que Sebastian resolvesse desempacar daquele lugar antes que a segurança resolvesse aparecer por ali – SEBASTIAN! – teve que chamar mais alto para tirar o homem daquele transe de ódio.
Após alguns segundos, Sebastian se permitiu ser levado pela mulher, ainda olhando pelo ombro após alguns passos, só pra ver o outro homem ser segurado por outros dois, gritando alguma coisa que a música alta não permitia ser propagado.
sentia o sangue ferver, os ouvidos zunirem, e do nada aquele maldito incômodo na nuca resolveu aparecer.
Mais do que nunca, ela queria estar bêbada. Pelo menos não se estressaria com isso tudo. Ou ao menos não tanto.
- ...
- Não!
Ela tinha uma leve impressão de que já sabia exatamente o que ele iria falar, e se ele falasse, quem teria ovos quebrados seria ele.
- Mas...
- Não, Sebastian! – parou nervosa, se virando para encara-lo. Eles estavam na calçada, na frente da balada. Ela nem tinha percebido que já tinham saído daquele lugar – Já é a segunda vez que você soca a cara de alguém em um local público, por minha causa! Você nunca se meteu em confusão, e começa com isso! Eu vou sair como culpada, sem contar que isso mancha sua imagem! Você é uma pessoa pública! E se alguém lá filmou? Tirou fotos?
Ele a encarou como se ela fosse uma espécie muito estranha de alienígena que apareceu na frente dele de repente.
- Você ‘ta preocupada com minha imagem? – desviou o olhar rapidamente, só para segurar a porta de um táxi que havia estacionado na frente deles para deixar um grupo de quatro pessoas na balada que eles haviam acabado de sair, esperando que ela entrasse no carro amarelo – Aquele cara te chamou de...
- Eu não me importo com isso! – enfiou a cabeça dentro do carro e dispensou o taxista, deixando Stan confuso – Eu não quero entrar num carro com você agora. A gente vai brigar, e a última coisa que eu quero fazer, é brigar – explicou, batendo a porta do carro e se afastando alguns passos, sem um rumo certo. Só começou a andar e esperar que Stan entendesse que ela pretendia ser acompanhada, o que, graças aos céus, ele entendeu – Precisamos de ar puro para esfriar a cabeça – não que Nova York fosse o melhor lugar do mundo para respirar ar puro, mas o que valia era a intenção.
- Aquele cara te xingou, , o que você queria que eu fizesse? – perguntou claramente irritado.
- Nem ligasse! Olha, isso não é esfriar a cabeça, é cozinhar o estresse. Por que eu me importaria com o que um cara que eu só vi duas vezes na vida, pensa de mim?
- Espera! – ele a segurou pelo braço, fazendo os dois pararem de andar e ficarem cara a cara – Você conhece aquele cara?
“Boca maldita que solta o que não deve na hora que menos precisa!”, se julgou, respirando fundo, revirando os olhos para o mostrar o quanto aquilo era irrelevante, e voltou a andar.
- Eu fiquei com ele no Halloween do ano passado, mas...
- Ah, isso me deixa muito mais feliz. A história acabou de melhor mil por cento! – exclamou, agora realmente nervoso – Não tinha um babaca maior pra passar a noite, não?
- Até tinha, mas você estava na Filadélfia nesse dia – retrucou, virando a esquina bufando e esfregando os braços. Droga, estava frio. Aquela roupa dela era tudo, menos quente.
- Foca, , estamos tendo uma conversa séria aqui – resmungou desamarrando a jaqueta da cintura e entregando para ela, que aceitou com outro revirar de olhos.
- Eu sei disso, okay? Estamos falando sobre sua capacidade idiota de dar socos em homens estúpidos, quando eles se metem comigo.
- Eu não tenho culpa se não gosto de ver esses imbecis se aproveitando de mulheres, e ocasionalmente, essa mulher ser você!
- Ocasionalmente? Sebastian, eu já tinha cuidado daquele mané! Não tinha por quê você dar esse piti! Imagina se tiver uma filha, vai aprisionar ela numa torre e não vai deixar nem o vento soprar no ouvido dela.
- Pra isso ela vai ter o irmão – ele disse sério, como se já tivesse pensando sobre aquilo várias vezes e chegado a um bom acordo consigo mesmo – Eu vou ser um pai legal, de birrenta já basta você.
olhou para o namorado completamente ultrajada, enfiando as mãos nos bolsos da jaqueta preta de couro para não enfia-las nos ombros dele. Ou no rosto.
- Se um dia você me chamar de birrenta na frente dos meus filhos, vou ser mãe solteira.
- Assim eles serão órfãos, e não queremos isso – Stan falou com obviedade, se esquecendo momentaneamente que estava loucamente enraivecido com a garota a sua frente quando ela parou de andar para pensar um pouco sobre o que ele disse.
- Mas um dia eu sairia da cadeia – argumentou, voltando a caminhar ao lado do ator.
- Até lá as crianças já estariam grandes e nunca mais iriam querer te ver, porque você matou o pai legal delas – deu de ombros, a voz entediada, como se aquilo fosse óbvio e ela estivesse se fazendo de lerda.
- Escuta aqui, Sebastian, eu vou ser uma mãe bem melhor do que você vai ser pai – decretou, como se aquilo não fosse mais discutível.
- Quer falar com o Biel e perguntar quem é o tio mais legal? Quer que uma criança te prove que nossos filhos vão me preferir?
O foco da conversa já havia se perdido completamente e eles continuavam discutindo como se aquele fosse o assunto da discórdia desde o início.
- O fato de você querer ligar pra lá, ás, provavelmente, quatro da manhã, só prova meu ponto que você ainda tem muito chão... Wow! – todo seu orgulho próprio e ego foram sugados pelo buraco da calçada que resolveu se colocar bem embaixo de seu salto, a fazendo quase cair, o que certamente aconteceria se Stan não a tivesse segurado – Ah, pronto, vou torcer o tornozelo agora! – reclamou respirando fundo e tirando as sandálias que já vinham machucando seu pé há algumas horas e ela nem havia percebido.
- , não tira os sapatos, você vai ficar doente se andar descalço, olha esse tempo!
Já era novembro, todo e qualquer vestígio de ventos minimamente quentes, principalmente as três e meia da manhã, tinha ficado para trás há alguns meses.
- Esses sapatos não são exatamente confortáveis – ela resmungou, se desencostando dele ao terminar de tirar o calçado, e voltando a andar, de cenho franzido e queixo erguido. A própria criança emburrada.
- Tudo bem, vamos pedir um táxi então – o romeno decidiu, tendo os dois braços segurados contra as costas – Para de birra, !
- Nós não vamos para casa enquanto continuarmos falando um com o outro nesse tom.
Sebastian respirou fundo, se perguntando onde foi amarrar o burrinho dele. Mas o que eles poderiam fazer?
Ela estava com raiva por ele se meter em confusão por causa dela e acabar manchando a imagem com isso, e ele estava com raiva porque um retardado xingou ela – um retardado que já ficou com ela, mas Stan estava tentando esquecer esse detalhe para não piorar seu próprio humor –. Eles estavam com raiva por um querer proteger o outro, era isso?
Aparentemente, sim.
Ainda muito orgulhoso para falar qualquer coisa, e sabendo que ela não aceitaria voltar para casa antes de se resolverem, Sebastian simplesmente, ainda de costas para , se abaixou o suficiente para alcançar a parte de trás dos joelhos de , e assim que chegou ao seu destino, a puxou para cima, transformando-a em sua mochila temporária, pelo simples fato de não querer que ela andasse descalça por aquelas calçadas naquele tempo.
-Okay, desculpa – ela murmurou depois de algum tempo. Ela apoiou o queixo contra a curva do pescoço dele, os braços envolvendo os ombros, as mãos descansando no peitoral do homem enquanto os dedos brincavam nervosamente com as tiras das sandálias - Não tinha porquê eu dar esse pití, e aquele soco foi bem merecido.
- É… Mas você tem razão, ninguém deve arrumar confusão com gente bêbada. E você já tinha se livrado do cara, eu só…
- Tudo bem – soprou contra o ouvido dele, deixando um beijo ali e pedindo para descer, o que ele fez com muita relutância – Sério, só vamos desamarrar logo essas caras porque para ficarmos parecidos com o Lula Molusco falta pouco.
Stan sorriu sem mostrar os dentes e a puxou para um rápido selinho, se perguntando se seria possível que todos os problemas que surgissem em sua vida fossem embora tão rápido quanto aquele desentendimento com .
-A gente podia aderir isso, né? Começamos a discutir, saímos pra andar. Só voltamos pra casa quando resolver tudo – brincou envolvendo os ombros da mulher e voltando a caminhar com o corpo dela colado ao seu.
- Deveríamos dar aulas de terapia de casal, não acha? – entrou na brincadeira, passando o braço pela cintura do rapaz.
- Olá pessoal, hoje vamos falar sobre como devolver o troco para seu namorado que sempre te faz ficar cara a cara com uma ex peguete ou outra… ai ai! – reclamou risonho quando a ruiva enfiou as unhas em sua cintura.
- Não começa, idiota.
- Não, sério, isso é muito louco, eu nunca fui ciumento nos meus relacionamentos anteriores, ai você disse que já ficou com aquele cara e minha vontade de ir checar se eu consegui quebrar o nariz dele ficou muito maior – comentou.
- Você sempre teve ciúmes de mim – acusou, como se o que ele havia dito não fizesse sentido – Eu me livrei do Breno e dei de cara com o Bast, por que Deus? – perguntou olhando para o céu, como se estivesse falando o ser divino de fato.
- Hipócrita – apontou.
- Longe disso, eu sempre disse que tenho ciúmes de quem eu amo, é meu defeito de fábrica – esclareceu como se estivesse debatendo sobre o futuro do Universo.
- Então você me ama desde o início? – perguntou com um sorriso convencido ganhando seu rosto, fazendo a mulher morder o maxilar dele.
pendeu a cabeça para o lado, ainda o olhando, deixando que ele os guiasse, para onde quer que estivessem indo.
-De certa forma, sim – acabou por falar, recebendo o olhar dele novamente sobre si – Vai dizer que com você também não foi assim? – questionou em um tom quase desafiador, o brilho de diversão nos olhos.
Sebastian negou, o sorriso tomando todo o espaço disponível, embora ele tentasse morder os lábios para controla-lo. Não funcionou, então ele deixou um beijo em meio aos fios vermelhos com cheiro de uva verde e a apertou mais contra si.
-Acho que a resposta é óbvia, Pistrui.
Eles caminharam mais alguns minutos em silêncio novamente, dessa vez um silêncio confortável. Mas praticamente quicando ao lado de Stan não era uma coisa exatamente sútil, então o silêncio não os acompanhou por muito tempo.
-La vem bomba – o romeno previu quando a namorada começou a tomar fôlego, mas esse comentário a fez rir, e o fôlego foi embora.
- Okay, de hoje não passa – falou firme, o olhando de relance e mordendo o interior da bochecha para não rir quando percebeu as duas sobrancelhas dele arqueadas – O que significa Pistrui?
Ela assistiu e esperou ele se recuperar da gargalhada, com toda a paciência do mundo, e quando ele resolveu que seria capaz de falar, a encarou novamente.
-Acho que estou meio decepcionado por você não ter descoberto isso por si mesma – confessou, recebendo um cutucão na cintura e um resmungo de “Pelo amor de Deus, fala!” – Okay, mas é bobo e você provavelmente vai se decepcionar.
- Sem drama nem suspense, Bast, eu não nasci pra isso – desdenhou os avisos, envolvendo uma mão dele com suas duas e a levando junto conforme seu corpo subia e descia nos pulinhos que dava a cada passo - Só me diz de uma vez. Você prometeu que diria ao fim da aposta, já se passaram meses e nada!
- Espera, eu não prometi nada não, me lembro bem dessa conversa – apontou com a outra mão, aproveitando para colocar algumas mechas que escaparam do penteado atrás da orelha dela – Mas já que você insiste – deu de ombros – Pistrui é sardas, ou nesse caso, Sarda – ele assistiu os olhos amarelados e os lábios avermelhados se arregalarem em compreensão, então deu de ombros novamente – Eu disse, bobo.
perdeu mais alguns segundos de sua vida encarando o homem ao seu lado, tentando compreender como aquele detalhe tão pequeno em seu rosto o fez chegar àquele apelido, e como ele conseguiu aquela capacidade de tornar uma coisa tão piegas em uma coisa só deles.
Será que era possível se apaixonar ainda mais?
A resposta parecia óbvia.
-Em romeno fica mais… bonito? – comentou incerta da palavra, abraçando o braço do homem e se aconchegando contra ele – Embora tudo nessa língua pareça ser mais interessante… - murmurou a última parte, mas não o suficiente para que Stan não ouvisse, e isso fez o sorriso sacana crescer nos lábios dele novamente.
- Já saciou todas suas curiosidades, Pistruiat? – ele poderia judiar e falar a outra palavra? Sim. Mas estava aproveitando aquela caminhada, não tinha por que acelerar uma coisa que aconteceria de qualquer jeito.
Sem perceber, passou a língua pelos lábios e tomou um longo fôlego.
-Fala – pediu.
- Também é bobo e vai te decepcio…
- Fala – pressionou.
- Não diga que eu não avisei – gemeu em frustração, e murmurou “Fala logo” – Okay, pensa, se Pistrui é sardas, Pistruiat é sardenta – explicou num tom de obviedade.
Dessa vez a boca e olhos arregalados foram acompanhados de um suspiro de uma surpresa quase ultrajada.
-Você me chama de sardenta enquanto a gente transa? – talvez ela tenha dito isso meio alto, mas nenhum deles se importaram pelo fato da rua estar vagamente deserta – Isso é quase um insulto, você fala com tanta agressividade! – Sebastian até tentou, mas o jeito que ela falou, somado com a expressão que dominou seu rosto, foi impossível não rir – Eu não sei o que pensar.
A expressão da mulher assumiu algo próximo ao humanamente possível “Error 404”, e Stan não sabia dizer se ele realmente tinha causado um curto na atividade cerebral da namorada ou se ela só estava fazendo drama, mas ele estava rindo demais para chegar a uma conclusão.
-Vai, não é tão ruim assim – comentou depois que recuperou o dom da fala – Tem gente que gosta de ser xingado e tal.
ainda estava com os olhos fixos em nenhum ponto específico, deixando involuntariamente sua mente viajar para momentos de sua vida que seus pais enfartariam se soubessem que ela havia vivido, contemplando o quanto ela parecia e se sentia diferente quando aquilo era relacionado ao homem ao seu lado.
-O que você fez comigo? – questionou de maneira quase acusatória, desviando os olhos de sua janela particular da imensidão do universo para os olhos azuis de Sebastian, que já a analisava há algum tempo com um pequeno sorriso nos lábios que se mostrava ser bem maior em seu olhar. Mas não era aquele sorriso sacana de minutos atrás. Era um sorriso de alegria incontida, aquele tipo de sorriso que fica estampado no rosto de uma criança durante o Natal todo porque quando ela acordou estava seu pedido dentro da caixa de presente embaixo da árvore. Ele a olhava assim quando achava que ela não estava reparando, então quando ela o olhava ele sorria daquele jeito que ela adorava e fazia ter certeza que seu coração derreteria – Às vezes eu me surpreendo com as coisas que você me faz pensar – assumiu, ganhando mais um sorriso e um afetuoso beijo na testa.
- É? Que tipo de coisa? – perguntou interessado.
- Sei lá, quer dizer, eu nunca fui grudenta nem melosa com ninguém. Tipo, sempre teve a coisa do ciúmes com o Bre e com a Gabi, meus pais então nem se fala, mas nunca fui de ficar pedindo ou dando atenção o máximo possível. Só que com você é diferente, mas diferente de um jeito bom porque, por mais que seja diferente, ainda sou eu – olhou para ele com uma certa confusão no rosto, como se o que ela disse fosse muito complicado para entender – Entende?
- Na verdade eu entendo perfeitamente – Stan assegurou, passando os dedos pelos pingentes da pulseira dela – Eu praticamente virei outra pessoa de um ano pro outro e mesmo assim continuo sendo eu mesmo em todos os aspectos. É confuso e simples ao mesmo tempo.
- Eu sei! Eu não me via com ninguém antes, não me imaginava em um relacionamento nem se fosse paga para isso. Só a ideia já me sufocava, mas as coisas entre nós fluiu de um jeito tão...
- Simples – Sebastian continuou quando percebeu que ela não estava conseguindo encontrar uma palavra para finalizar o mesmo pensamento que ele estava tendo – Às vezes eu acho que você colocou alguma coisa naquele sorvete aquele dia – brincou.
- Mas eu coloquei – falou séria. Até demais – Meu charme e carisma.
Sebastian revirou os olhos e deixou um cutucão na clavícula da mulher, que era o local mais próximo para sua mão jogada sobre os ombros dela bater.
A verdade é que ambos sempre tiveram uma visão muito parecida de relacionamento: Nenhum dos dois acreditavam que foram feitos para isso.
Sebastian costumava dizer que festas de casamento eram ótimas, desde que não fosse a dele.
literalmente tinha uma camiseta escrita “Carreiras solo duram mais”.
E então eles se encontraram e perceberam que as coisas não precisavam ser exatamente daquele jeito.
-Um dia nós vamos contar essas coisas pros nossos filhos e eles vão falar “Vocês eram tão idiotas” – ele imitou uma voz meio afetada, o que fez a garota gargalhar alto, ganhando a atenção de alguns olhares quando dobraram uma esquina para uma rua mais movimentada.
- Céus! Eu tenho certeza que eles não vão falar assim! – comentou em meio a risada.
- Mas não é assim que adolescentes falam? – perguntou fazendo uma careta de confusão, sorrindo mais ao reparar no brilho nos olhos da ruiva.
- Ai… - suspirou com uma tristeza fingida – Eles viram adolescentes depois, né? Vamos fazer assim, eu cuido até os nove, você assume o controle até os dezenove e vamos juntos daí pra frente, porque já vão ser responsáveis por si mesmos e a gente aparece só pra dar aquela zoada igual nossos pais gostam de fazer com a gente – propôs em tom de negociação.
- Mas assim eu vou ficar só com a parte chata de ser pai, não sei se gosto de não ser o responsável pelos primeiros nove anos.
- Te deixo ficar com os primeiros nove meses, só fico com a amamentação, o resto do tempo todo é todo seu.
- Você sabe que estamos falando dos nossos filhos, né? Não de, sei lá, uma ararinha azul que você encontrou e resolveu adotar?
- Sabia que não deveria ter assistido Rio com você – murmurou, fazendo careta quando Sebastian se colocou atrás dela, envolvendo sua cintura e deixando uma mordida em seu pescoço.
- – disse no ouvido dela, dando passos desajeitados pela posição – Você deveria calçar a sandália – ela resmungou qualquer coisa que o fizesse entender que a resposta era não – Você vai pegar um resfriado.
- Então tomo um remédio para resfriado e melhoro – deu de ombros. Ela realmente estava gostando daquela caminhada, mas só de pensar em calçar aquelas sandálias novamente, seus pés começavam a chorar.
- Mas até melhorar fica praticamente insuportável, reclamando de quanto ‘ta espirrando e pelo nariz entupido – resmungou, voltando para o lado da mulher depois de deixar um beijo no lóbulo dela, cruzando seus dedos com os dela quando deram as mãos – Quem sofre sou eu.
- Claro, até porque seu eu que faço drama do tipo “, beu dariz da dão endubido, eu dão consigo resbirar, ... Eu dão do bem...” – ela teve que parar de imitar a suposta voz de Sebastian Doente porque o atual Sebastian Não Doente a puxou para um beijo que a silenciou.
- Eu não falo assim quando estou gripado – reclamou depois que afastaram os lábios.
- Dão, é claro que dão, abor – replicou com um sorriso arteiro nos lábios, então se desvencilhou dos braços do namorado e saiu correndo e rindo.
Não demorou para que ele a alcançasse e, depois de várias risadas, darem início a mais algum assunto aleatório. O que estavam fazendo naquele exato momento há cinco anos? O que estariam fazendo nesse mesmo horário dali cinco anos? Qual a probabilidade de encontrarem uma sorveteria aberta? Será que Gertrudes estava fantasiada de alguma coisa? Ou o dia a dia dela era um constante cosplay de “Vovó do filme Triplex”?
- Hey, olha onde a gente veio parar! – apontou para o outro lado da avenida, a 32 Avenue, para o edifício onde todo dia escrevia tantas matérias sobre relações internacionais – Amanhã é dia de folga, cérebro, nem tenta me trazer pro trabalho.
- Na verdade – Stan disse apontando o queixo para o céu, azul claro. Eles tinham o dom de fazer isso – Hoje já é amanhã.
o encarou por um segundo, apreciando aquele comentário extremamente inteligente.
- O sol já está saindo... Que horas são? – perguntou mais para si mesma, já que não esperou o romeno tirar o celular do bolso da calça, ela mesma enfiou a mão no bolso dele e verificou a tela de descanso.
6:30 da manhã.
Eles andaram e conversaram por quase quatro horas seguidas.
- Bom, deve ser por isso que estou com fome – Stan estalou a língua, resolvendo seu mistério particular, recuperando seu aparelho e o guardando novamente.
- Eu também! – concordou, descansando as mãos na barriga e fazendo cara de cachorro que caiu do caminhão da mudança – Sabe o que a gente deveria fazer?
- Você não cansa de quebrar a cara? – Stan perguntou, já sabendo o que a ruiva estava dizendo. Há quase um mês a mulher passava todo dia pelo caminho onde seu velho amigo indiano montava a carrocinha de cachorro quente, só para, todo dia, descobrir que ele ainda não havia voltado – Ele pode nem voltar, por que não aceita que perdeu o amigo para o país natal dele? – continuou, voltando a pegar a garota no colo do jeito “cavalinho”. Ela não queria calçar o sapato, teria que aceitar ser tratada como uma criança de cinco anos.
Não é como se ela realmente não gostasse daquilo.
- Ele vai voltar – afirmou, apertando as pernas ao redor da cintura dele e os braços ao redor do pescoço – Ele me disse que voltaria.
- Só não disse quando – rebateu, mas seguindo o conhecido caminho de qualquer jeito.
- Ele disse que voltaria, e isso já faz meses. Ele sempre dizia não perderia a licença de venda por nada, e que nunca se sentiu bem na Índia. Se ainda não voltou, só quer dizer que logo ele voltará.
Sebastian decidiu não apontar o fator idade naquela conversa. Sr. Hadash era velho, visivelmente machucado pelo tempo, fazendo o romeno lembrar que a vida podia ser bem dura para muita gente. Provavelmente era um pensamento bobo, mas Stan tinha um pouco de receio de saber a reação de caso alguma coisa acontecesse com o velho indiano.
Mas esses pensamentos se mostraram desnecessários quando eles se aproximaram do local onde geralmente o carrinho de cachorro quente ficava e encontraram um senhor já preparando um lanche para um cliente.
- Eu disse que ele voltaria! – a ruiva falou animada, dando dois tapinhas no ombro do namorado, pedindo para que ele a deixasse descer de suas costas. Assim que seus pés tocaram o chão, praticamente disparou na direção do carrinho, dando um pequeno susto no Sr. Hadash e recebendo um olhar meio feio do cliente que já estava se retirando. Quando o ator se aproximou eles já haviam se soltado do abraço e já estavam envolvidos em uma conversa, que era praticamente um monólogo, já que quase não deixava o mais velho falar, perguntando sobre monumentos, locais, e família – Eu estava ficando desesperada sem meu cachorro quente sagrado de toda semana.
- Meu Deus, , respira, nem eu consegui acompanhar tudo – Sebastian disse rindo, dando uma pedala na namorada, que lhe mostrou a língua, envolvendo os ombros da mulher com o braço esquerdo e estendendo a mão direita para o senhor – Bem vindo de volta, Sr. Hadash. Acho que devo te agradecer por ter voltado, já estava vendo a entrando em um avião e se perdendo em Nova Deli.
- Mas é exagerado mesmo, tinha que ser ator – a ruiva reclamou revirando os olhos.
- Era eu quem ficava falando que “Meu avô postiço me abandonou”? – ela deu um cutucão na cintura do rapaz, que só riu.
- Ora, mas pelo que vejo a senhorita não ficou tão sozinha por aqui, não é? – o senhor comentou, analisando o casal pelo canto do olho e um sorriso de lado enquanto preparava um cachorro-quente e o entregava para a moça.
mordeu o interior da bochecha, formando um biquinho que ela julgava disfarçar o leve rubor que tomou conta de seu rosto.
- Tudo bem, não precisa jogar na cara – murmurou fingindo estar momentaneamente interessada de mais no lanche, mas acabou por morder o lábio inferior e voltar o olhar para o senhor – Prometo nunca mais duvidar das suas previsões.
Sebastian, por um momento, pensou ter visto um brilho diferente nos olhos escuros do velho indiano quando ele sorriu para , quase uma espécie de tristeza, mas logo ele voltou a atenção para a preparação de um novo cachorro-quente, então Stan pensou estar vendo coisas ao ouvir a leve risada do mais velho.
- Pois é minha criança, você é meio teimosa mesmo – comentou entregando o lanche para Sebastian, focando os olhos negros nos azuis do romeno – Mas você é paciente, não é, meu jovem?
Talvez ele estivesse ficando meio afetado pela quantidade de horas sem dormir, mas o ator podia jurar que o velho não estava se referindo somente às teimosias diárias de .
- Paciência é o que nos move, Sr. Hadash. Não é, Bast? – a jornalista disse em um tom irônico, claramente se referindo aos acontecimentos da madrugada, mas os olhos pedintes do Sr. Hadash ainda estavam sobre Stan, e ela estava concentrada de mais na comida para perceber a confusão no rosto do namorado.
- Cuide dela – agora ele parecia realmente pedir – Não se esqueça que nada é culpa dela. Lembre-se disso meu jovem.
- O que...
- Vocês dois parecem exaustos – o mais velho disse em um tom completamente diferente do que estava usando com Sebastian, falando mais alto, e só então o mais novo percebeu que as últimas palavras foram praticamente murmuradas – E também tenho certeza que não é muito esperto andar descalço por essa cidade, minha criança.
A brasileira e o indiano acabaram entrando em um pequeno dilema sobre o pagamento dos lanches, uma vez que Sr. Hadash afirmava que foram cortesia da casa, e após alguns segundos de insistência, percebeu que não conseguia debater com o senhor por muito tempo, então acabou aceitando o “presente” e se despediu do vendedor prometendo voltar ali naquela semana ainda.
Já dentro de um táxi a caminho para a casa do ator, acabou adormecendo com a cabeça apoiada no ombro do namorado. Um sono pesado, e praticamente instantâneo, já que assim que entraram no carro só deu tempo da ruiva terminar de comer e já estava dormindo.
Sebastian, por outro lado, estava bem desperto, e por algum motivo, incomodado com o que o vendedor de cachorro-quente havia dito. Não fazia muito sentido, mas o jeito que o senhor havia falado aquilo... Era quase como se ele estivesse tentando avisar alguma coisa, mas tivesse medo de dizer diretamente.
se mexeu no banco, virando minimamente a cabeça, fazendo seus lábios roçarem de leve no pescoço de Stan, o trazendo de volta a realidade. Ele tinha muita consideração pelo Sr. Hadash, e assumia que a história sobre “o homem da sua vida” apenas alguns dias antes deles se conhecerem era uma coisa a se pensar, mas aquilo tudo podia ser muito bem só coisa da cabeça dele. estava ali, ela sempre estaria. Ela havia prometido aquilo.
A apertando um pouco mais contra si, Sebastian deixou um beijo em meio aos cabelos da garota e descansou a cabeça sobre a dela, inspirando fundo e soltando o ar sem pressa.
A vida dele estava perfeita, nada mudaria aquilo.

Capítulo 21

- Você confia em mim a esse ponto?
- Pistrui, eu confio minha vida a você.
- Acho que esse é um passo muito grande.
- Acho que estamos prontos pra isso.
- Você se lembra do que aconteceu quando tentei fazer paella? Provavelmente vamos colocar fogo no apartamento – tentou o alertar com um riso nervoso lhe escapando do fundo da garganta.
- Dessa vez vai ser lasanha, e estamos seguindo uma receita – Sebastian continuou a tentar convencer a namorada, fingindo uma expressão ultrajada no final – E você está duvidando dos meus dotes culinários, senhorita ? – questionou com as duas mãos no quadril e apertando os lábios, fingindo estar bravo, o que fez rir, porque aquela era a pose que a avó dela costumava fazer quando alguém a contrariava.
- Lasanha é bem mais complicado que panquecas. Desculpa, amor – ficou na ponta dos pés para dar batidinhas no topo da cabeça do homem, levando um tapa levinho no pulso para tira-la dali, o que a fez gargalhar – Eu confio em terreno conhecido, o que acha de fazermos empadão?
- Mas eu quero lasanha, eu ‘to salivando por lasanha! – o romeno fez manha, levando um cutucão no quadril.
- ‘Ta com desejo, Bast? – brincou, saindo da frente do homem para terminar de tirar as coisas que eles haviam acabado de comprar das sacolas.
- ‘To, e o bebê vai nascer com cara de lasanha... E nem vem sugerindo fast food, eu quero fazer parte da produção do meu alimento – ele a interrompeu antes que ela pudesse tomar fôlego para dar voz às palavras que ele disse para não sugerir.
Num suspiro de derrota, ainda sem se virar para o romeno que ao perceber a postura dela começou a abrir um sorriso de vitória, desistiu de tentar salvar sua cozinha de uma possível destruição.
- Okay, eu já comi coisa pior que minha comida – deu de ombros, revirando os olhos e nem tentou conter a risada ao ouvir um animado “Isso!” às suas costas – Mas o molho é por sua conta, e vai me ajudar a lavar a louça depois – apontou se virando.
- Sim, senhora! – aceitou feliz, primeiro porque ele gostava da ideia de cozinharem juntos, segundo por ela já ter passado a responsabilidade do molho para ele, já que ele sabia o que ela era capaz de fazer com um molho de carne moída – Mas a escolha do filme fica comigo – estendeu a mão direita para apertar a dela que já estava estendida, mas ao ouvir as ultimas palavras ela recuou como se ele fosse feito de lava.
- Ai... Liga pra sua mãe e dorme comigo – murmurou, olhando ao redor quando o máximo que Sebastian fez foi aumentar o sorriso de lado e levantar uma sobrancelha – Não vai rolar o Jarvis interrompendo nossa conversa pra falar que o Coulson ‘ta aqui, né? – disse meio decepcionada, recebendo uma nem tão leve mordida na bochecha por ser “A pimenta mais fofa do mundo” segundo Stan. - Não, agora para de me enrolar, Stark. Temos um acordo ou não?
deu um rápido selinho em Sebastian e se afastou, abrindo a geladeira e começando a tirar de lá coisas que havia acabado de guardar.
- Está esperando um convite, Stan?
Sebastian tinha que assumir, eles eram péssimos naquilo. Ele já estava começando a aceitar que teriam que comer macarronada, porque cerca de vinte minutos depois que a forma com uma lasanha surpreendentemente bonita foi ao forno, um cheiro de queimado começou a tomar conta da cozinha, mas era somente um pequeno caso de alimento transbordando do recipiente. Se lasanhas deveriam fazer isso Sebastian não sabia, mas ele e não optaram por deixar aquilo por mais tempo no forno por medo criarem um monstro de lasanha e depois ter que explicar aquilo para os bombeiros.
Em meio a risadas e histórias contadas sobre algo que leram naquela semana em algum jornal ou em alguma rede social, o casal arrumou a mesa e teve a incrível surpresa de ter uma comida deliciosamente comestível, feita por eles mesmo. tirou foto e mandou para praticamente todos seus contatos, orgulhosa pelo trabalho, mas quando Anthony respondeu algo como “Eu verificaria se não tem nenhum aço no meio, Seb!”, ela desistiu dessa ideia.
- Não liga pra ele, nós somos realmente bons nisso – Sebastian falou antes de dar mais uma garfada no pedaço que estava em seu prato.
- Somos quase profissionais! Sabe de uma coisa? Na próxima vez que o Mackie vier aqui, ele vai ter que comer nossa lasanha – a ruiva decretou, bebericando um pouco do vinho de sua taça.
Stan largou seus talheres de qualquer jeito no prato, encarando a mulher a sua frente com um expressão que variava entre “vamos mostrar pra ele quem manda aqui!” e “você só pode estar brincando”.
- Nós? Cozinhar para o Mackie?
- E depois a gente finge estar passando mal por causa da comida, só pra ver ele desesperado! – propôs animada, sorrindo de orelha a orelha quando o brilho no olhar de Sebastian mostrou o quanto ele gostava da ideia – Se a gente não fizer isso, nunca irei me sentir realizada!
- Meu Deus, acho que essa é a pior e a melhor ideia que você já teve! Eu já disse que te amo? – Stan disse realmente se deliciando somente com a ideia de fazer aquilo com o amigo – Vamos ter que espalhar algumas câmeras para não perder nenhum momento.
- Isso é com você, eu vou me preocupar agora a não pensar nisso, porque eu quero muito ver isso acontecer e não quero criar teorias nem expectativas – ela comentou esfregando uma mão da outra e um olhar sonhador, obviamente estragando os próprios planos sobre não ficar ansiosa para aquilo.
Depois do jantar, o casal jogou pedra-papel-ou-tesoura para saber quem ficaria responsável pela bagunça que a obra de deles havia causado no forno, e como ganhou, aproveitou para arrumar a sala para assistirem ao filme assim que terminou de lavar a louça.
Com direito a mesa de centro arrastada e muitos cobertores e travesseiros jogados ao chão, o transformando em um confortável e macio local para morgar, resolveu ir ver se Sebastian já havia terminado ou se aquele silêncio vindo da cozinha era por que o homem havia sido engolido pelo forno, ou talvez desistido de limpa-lo e estava sentado num canto refletindo sobre a vida até que o eletrodoméstico se limpasse sozinho. Por incrível que pareça, quando ela entrou na cozinha, ele estava terminando de passar um pano no forno que estava tão limpo quanto no dia que chegou da loja.
- Por que eu nunca te convoquei pra faxina? – brincou, se encostando no hall e cruzando os braços.
- Provavelmente porque eu fico muito gostoso em roupas casuais e você me atacaria antes de decidir por onde começar a limpeza – Stan deu de ombros, focado em terminar logo de torcer o pano e assim poderia fugir daquele cômodo e só pensar em entrar ali novamente para procurar comida.
- Tenho certeza que não é por isso, mas na próxima sua presença é obrigatória.
Sebastian gargalhou enquanto terminava de dobrar o pano e coloca-lo no canto da pia. No outro dia ele ou colocariam para lavar, naquele momento ele só queria sumir da cozinha.
- Vou falar pra minha mãe que você ‘ta me escravizando - brincou enquanto se virava, o coração errando uma batida quando seu olhar encontrou o rosto de .
- ... Bast? ‘Ta tudo bem? – perguntou preocupada quando o sorriso do namorado foi substituído por uma expressão de preocupação e medo – Bast?
Sebastian não se sentiu se mexer, mas quando deu por si, já estava na frente de , segurando o rosto dela entre as mãos, verificando se os olhos dela continuavam com o mesmo tom dourado ou se sua pele continuava emitindo calor
. - , seu nariz – ele finalmente falou, fazendo a ruiva franzir o cenho e levar uma mão ao nariz, e levar um susto quando viu a ponta de seus dedos sujas de sangue.
- Oh meu Deus! Que isso? – tapou o nariz e fez o curto caminho até a pia quase correndo – Pega o papel toalha pra mim? – pediu enquanto jogava água no rosto.
O cérebro de Sebastian travou nas lembranças da noite da Première, então acelerou para lembranças mais recentes onde ele a encontrou caída no meio do apartamento, e nenhum de seus membros o respondiam. Diferente das outras situações onde a adrenalina tomava conta de seu corpo, ali ele congelou e só sentia algo que mais tarde seu raciocínio concluiu como medo. Ele tinha medo de presenciar aquilo novamente.
- Bast, o papel toalha? – pediu novamente, espirrando água no romeno para ganhar sua atenção, e só então percebeu a merda que tinha feito. Ela mesma, após ter jogado um pouco mais de água no rosto, deu a volta no homem e pegou um pedaço de papel toalha, então segurando o papel firme contra o nariz, se colocou de frente para o homem e tocou o rosto dele – Bast, olha pra mim – falou firme mas gentil. Demorou um pouco, mas os olhos azuis se focaram nos dourados, mas ainda o sentia tenso sob seu toque – Hey, não aconteceu nada, calma – sussurrou, passando o polegar levemente pela maçã do rosto dele, sentindo ele relaxar aos poucos – Tudo bem, quem nunca teve uma pequena hemorragia nasal que atire a primeira pedra – tentou soar brincalhona para ver se ele se acalmava um pouco, mas ele não pareceu muito certo daquilo. Sem uma palavra, Sebastian levou a mão à nuca da mulher e pressionou levemente os dedos ali – Não se preocupe, nem um fisgada – falou calma.
- Tontura? – a questionou, recebendo um aceno negativo como resposta – Se estivesse sentindo qualquer uma dessas coisas, você me contaria?
assentiu, deslizando a mão do rosto dele para o pescoço, o envolvendo e trazendo-o mais para si.
- Eu prometo – sussurrou contra o ouvido do homem, se achando meio idiota e nada sexy por fazer aquilo enquanto segurava um pedaço de papel toalha contra o nariz.
Sebastian deixou um beijo próximo ao lóbulo dela e os afastou, segurando o pulso da garota da mão que segurava o papel contra o rosto e o tirando do caminho. Para a surpresa de ambos, o papel estava praticamente limpo. Aparentemente todo o fluxo foi parado pela água, e se sentiu orgulhosa por ter prestado atenção em programas como De Onde Vem? quando era menor.
- Viu só? Acabou – “não há nada para se desesperar” pensou consigo mesma, mas não ousou verbalizar já que Sebastian nunca apreciara tentativas de humorizar qualquer coisa que pudesse ser relacionada às crises que ela tinha de vez em quando.
- Tem certeza de que não está sentindo nada? – voltou a perguntar por mais que acreditasse nela, ele sabia quando ela não estava bem, mas certeza nunca é de mais.
- Sim, senhor.
- Okay – murmurou estudando cada traço do rosto da mulher com calma, então num movimento rápido passou um braço ao redor do ombros dela e o outro por trás dos joelhos, a pegando no colo e a levando para a sala. Os deitando no mar macio de cobertores e travesseiros, afogando a risada de com um intenso beijo antes de sair de cima dela e ir colocar um filme para assistir.
- O que vai ser? – perguntou apoiando o cotovelo em uns travesseiros e o rosto contra a mão.
- O ciclo sem fiiiim...! – Sebastian respondeu numa espécie canto de ópera, só não sabia de ria ou se chorava, porque, francamente, O Rei Leão foi um filme feito para fazer pessoas chorarem.
- Você é uma espécie de masoquista? – ela questionou séria, mas quando ele começou a fingir pensar numa resposta, ambos acabaram rindo.
- Vai, depois a gente assiste o dois e você incorpora a Zira como sempre, hein? – propôs segurando o controle entre as mãos abaixo do queixo, o biquinho no rosto para completar a imagem pidona.
- Vamos chorar juntos – a jornalista deu de ombros, então teve que usar um dos travesseiros como escudo já que o homem literalmente se jogou na direção dela ao mesmo tempo que apertava o play, então quando eles finalmente se ajeitaram a conhecida e inconfundível música tema de O Rei Leão começou.
Durante o primeiro filme, se Stan já não soubesse aquela história de cor e salteada, ele não saberia dizer sobre o que o enredo se tratava. Sem realmente pensar no que estava fazendo, ainda durante a música do Relatório Animal, Sebastian desviou sua atenção da tela da tv para o rosto de apoiado pouco acima de sua barriga, o que o permitia vê-la quase totalmente sem que ela sequer soubesse que estava sendo observada.
Ele sabia que era exagero ficar pensando naquilo, mas ver o sangue escorrendo do nariz dela o assustou e ele ainda estava preocupado. tinha aquele costume de não se importar com os sinais de seu próprio corpo, ele não gostava de lembrar das vezes que ela chegou a um limite, e por mais estranho que pudesse parecer, as palavras do velho Hadash impregnaram seu cérebro como uma erva daninha. E ele não fazia ideia de por que aquilo o incomodava tanto.
O que ele sabia era que nunca havia se importado tanto com alguém quanto se importava com . A questão ali não era só sexo e parceria, era real afeto, era real carinho, era acordar e saber que pelo menos uma mensagem dela ele receberia durante o dia, era ouvir as idiotices e loucuras e lidar com as teimosias, era saber que tudo aquilo era recíproco, porque ele também sabia que ela o amava. Tanto quanto ele a amava.
Assim como ele amava cada minúscula marca na pele dela, ou a forma como a luz do sol fazia seus cabelos ganharem um tom diferente. Na forma como as olhos dela diziam exatamente como ela se sentia e em como ele adorava saber que ele estava aprendendo cada vez mais a decifrar cada um de seus sinais, ele sabia que ela também se sentia assim.
As vezes toda aquela certeza e convicção o sufocavam um pouco. Será normal alguém ter tanta certeza sobre algo? Será possível alguém amar tanto outra pessoa?
- Eles me lembram um pouco da Summer e do Bucky – o romeno a ouviu dizer, o trazendo de volta para a realidade. Realidade essa, onde o primeiro filme já havia acabado e o segundo já estava quase na metade. Ele já devia estar acostumado em como o tempo parecia funcionar diferente com ela por perto mas quanto mais ele se sentia se afogar naquele sentimento, mais longe de se acostumar ficava. Tudo parecia sempre novo e isso nunca perdia a graça.
- Summer e Bucky? – perguntou se forçando a focar no que ela dizia e fugir de mais uma de suas frequentes epifanias.
- É, sabe, ele todo sério e criado para ser sombrio e cumprir seu objetivo, ela toda livre e tentando trazer luz para a vida dele...
- , me diz que você não anda lendo fanfic com o Bucky Barnes – ele a interrompeu com uma pitada de falso desespero em meio a uma real risada nervosa.
se desencostou do namorado e o encarou com uma mistura entre o brincalhão e o questionador.
- Se você quiser que eu minta, então eu digo que não – disse dando de ombros, pretendendo voltar à posição inicial, mas num jogo confuso de peso, Sebastian a deitou de costas e se colocou em cima dela.
- Você realmente fica lendo essas coisas sendo que me tem todo pra você? – perguntou com uma voz propositalmente rouca, adorando como sempre a velocidade que a pupila dela dilatava.
- Eu gosto do Bucky – ela disse numa voz fraca, mas pigarreou e desviou o olhar dos lábios do homem, focando nas orbes azuis – Sem contar que a história é realmente boa, você não pode me julgar.
- É estranho.
- Não, não é! – afirmou, mas ele continuou a olha-la, e teve que se segurar para não rir quando ela suspirou – Okay, até é, mas a história é realmente boa, então eu não paro enquanto não estiver finalizada.
Ele a fitou por mais alguns instantes antes de sair de cima dela e voltar a se aconchegar lado da mulher.
- Só me diz que não recomendou isso pra , ainda tenho pesadelos com aquilo.
Logo que e resolveram que ser amigas era uma coisa interessante, elas decidiram apresentar alguns passatempos uma pra outra, assim uma lista nada pequena de fanfics foi parar no e-mail da estilista e antes que Sebastian pudesse entender onde a bomba havia explodido prints do “romance” começaram a brotar em sua galeria e Evans começou a ligar perguntando de onde tirara aquilo. Explicar para que ele e Chris não fariam uma releitura de determinada cena foi um dos momentos mais constrangedores da vida de Stan.
- Ops...
Assim que o som saiu da boca da ruiva, Sebastian fechou os olhos e num suspiro aceitou sua desgraça.
- Sabe, um dia eu vou te matar, de um jeito íntimo e doloroso, e quando esse dia chegar, minha gargalhada maligna vai ser ouvida lá na casa dos seus pais – murmurou ainda de olhos fechados.
- Não vai não – contradisse, fazendo-o abrir os olhos e olhar para ela – Sabe por que? – perguntou, o levando a acenar a cabeça de forma que ela continuasse – Porquê você me ama – disse num tom inocente e um sorriso meigo, o brilho de diversão se mantendo nos olhos mesmo após o minuto inteiro que ele passou a encarando – Você pegou mesmo esse costume, não é? – sussurrou, assistindo os olhos dele focarem nos dela após um instante.
- Que costume? – perguntou meio perdido, sem ter ideia do que ela estava falando uma vez que ele não se lembrava de nenhum vício recente para ter pego algum costume.
- Esse de ficar me olhando como se eu fosse desaparecer a qualquer momento – ela esclareceu, o sorriso nunca saindo de seu rosto – Desde o fim da aposta você faz isso, ou talvez já fizesse antes mas de maneira menos escancarada, só que agora, sempre te pego me olhando assim.
Sebastian sentiu o rosto esquentar. Ele tinha certeza de que só fazia aquilo quando ela não estava olhando, e pensando abertamente, aquilo era bem idiota, mas era mais forte que ele.
- É que você é muito linda – sussurrou, assistindo o rosto dela ganhar cor.
- Você é bem bobo fazendo isso, sabia? – ela disse se virando completamente para ele, se sentindo idiota por estar sorrindo da maneira que estava, mas era meio difícil não fazer aquilo com ele a olhando daquele jeito.
- E você é uma boba por ficar com esse sorrisinho quando eu estou tentando ser fofo – desconversou se fazendo de ofendido, cutucando a cintura dela, recebendo um olhar descrente.
- Ah, então agora você me ofende e ainda faz cócegas em mim?
- É, seu castigo por me chamar de bobo – decretou iniciando a sessão de tortura, gargalhando junto com ela, mais do desespero dela para sair daquela situação do que por estar gostando daquilo, porque, quem gosta de cócegas?
Após pedidos desesperados envolvendo a intromissão de vizinhos por reclamação de barulho, convenceu Stan a parar, e os dois acabaram ofegantes em meio às cobertas com sorrisos idiotas e rostos a poucos centímetros de distância enquanto seus corpos estavam completamente entrelaçados.
O romeno podia sentir o coração de bater contra o seu, e a respiração dela se misturar com a sua, e sabia que ela podia sentir aquilo também. Respirando fundo, ele fechou os olhos e encostou sua testa contra a dela, sentindo o exato momento em que aquela região de pele se enrugar pouco antes da voz baixa dela se fazer presente.
- Hey, o que foi?
Stan abriu os olhos e encontrou seu tesouro o encarando de volta, e só então percebeu que ele estava mortalmente sério e por isso ela achou ter algo de errado. Na verdade estava tudo ótimo, ele não podia pedir por mais. Tudo ao lado dela ficava perfeito.
- Eu te amo.
Antes de , Sebastian costumava achar essas palavras vazias quando ditas nesse sentido, costumava achar besteira, mas então essas três palavrinhas foram ditas entre eles e sempre que diziam novamente era como se algo dentro de si se desmontasse e remontasse novamente ainda maior, e ele amava aquela sensação.
O sorriso que voltou a preencher o rosto da brasileira era puro afeto e combinava tão bem com o brilho de carinho nos olhos dourados, que Sebastian tinha certa dúvida de que se uma câmera registrasse aquele momento seria capaz de captar todo aquele sentimento.
- Eu te amo – ela sussurrou de volta, descansando a mão na nuca dele, deixando os dedos se embrenharem nos fios castanhos escuro, e o puxando para si em um beijo lento, calmo e intenso.
Sebastian passou uma mão pelo pescoço dela e a outra deslizou para a cintura, a puxando consigo quando ele se sentou, deixando-a em seu colo. Então sua mão que estava no pescoço subiu para a nuca e se perdeu em meio às mexas ruivas, as puxando com mais força conforme ambos começavam a ficar mais ofegantes.
Diferente da grande maioria das vezes, naquela noite nada foi dito, eles só exploraram um ao outro e sentiram a experiência que cada toque proporcionava. Obviamente não foi a primeira vez, mas naquela noite eles fizeram amor, e por mais que Sebastian adorasse o espírito aventureiro de , fazer aquilo, daquele jeito, estava no topo de seu lista de Melhores Sensações Do Universo.
Horas depois, miseravelmente acordados e trocando carícias, um pequeno e eventualmente ignorado detalhe ocorreu à mulher.
- Nós não usamos camisinha de novo - sussurrou se aconchegando mais ao corpo do romeno que a envolveu em um abraço, deixando só os rostos afastados.
- Assumo que nem lembrei dela - Sebastian respondeu no mesmo tom, um sorriso travesso crescendo nos lábios.
- Quero ver essa agilidade toda quando ao invés de tirar a minha roupa, for para tirar a fralda cheia, de madrugada - brincou passando as unhas levemente pela nuca do homem, causando uma onda de arrepios por todo o corpo dele.
Ele abriu os olhos e a encarou, o sorriso de antes sapeca se transformou em um mais calmo, analisando os olhos cor de ouro da mulher a sua frente.
- Sabe, até que não é uma ideia tão absurda - comentou, o sorriso alargando ao ver a expressão de continuar serena e até mesmo divertida. - Nunca disse que é absurda, mas talvez seja melhor nós mantermos nossa sanidade mental por mais algum tempo - falou fechando os olhos e encaixando o rosto na curva do pescoço de Stan.
- Vamos ter essa conversa de novo daqui a alguns meses – disse num tom brincalhão, ansioso pela resposta dela.
- Eu estava pensando em um prazo maior - murmurou contra a pele exposta dele, um sorriso enorme no rosto. Aquele, definitivamente, não era o tipo de conversa que ela se imaginava tendo com Sebastian num futuro próximo.
- Está com medo de eu ser melhor pai do que você mãe? - Sebastian provocou risonho, levando um leve tapinha na nuca.
-Vamos dormir, Bast, amanhã nós gastamos nossa saliva com esse assunto novamente – murmurou com a voz de sono, fazendo a sensação se espalhar para ele também.
Ele só riu e apertou mais a ruiva em seus braços, caindo no sono logo em seguida.
Sebastian corria atrás de uma garotinha de esvoaçantes cabelos ruivos e intensos olhos azuis enquanto ria. A menina não estava muito distante, e Stan tinha que diminuir ainda mais a velocidade para dar vantagem a ela, já que sua gargalhada a cada vez que virava o pescoço para olhar por cima do ombro e via o homem ainda a seguindo, dificultava sua capacidade de ir mais rápido.
O lugar que eles estavam lembrava um bosque, mas estava mais para um parque, já que a grama era bem cortada e mais para frente deles tinha um grande lago. Perto de onde eles corriam tinha uma grande árvore, onde uma enorme e abarrotada toalha de piquenique estava arruma, e uma linda de jeans, camiseta regata branca e All Star também branco, acenava para eles.
- Venham comer, crianças! – ela chamou, colocando as mãos ao redor da boca, formando uma concha, para as palavras não se dispersarem ao vento.
Ao ver a mulher os chamando, Stan alcançou a menininha, a segurando pela cintura e colocando-o em seus ombros.
- Mamãe, o papai não é criança! – a ruivinha disse rindo assim que eles chegaram perto da toalha estendida na grama.
- É sim! Olha isso, está mais sujo que você – apontou para a camiseta clara que ele usava, fazendo cara de desgosto.
Sebastian, que colocava a menina no chão, tampou os olhos dela só para mostrar a língua para a mulher.
- Papai, eu sei o que vocês estão fazendo. Tire as mãos dos meus olhos – a menor pediu já empurrando o pulso do pai de perto do rosto.
Os três se sentaram e passou a distribuir sanduíches e copos descartáveis com suco de maracujá.
- "Os meus olhos" – Stan imitou a voz da criança, se voltando para ela - Princesa, você só tem cinco anos, o normal de crianças dessa idade é falar errado. Não há problema nisso.
- A mamãe disse que a cada palavra errada que eu falo, ela sente um soco no estômago – a garotinha contou bebericando o suco, olhando inocentemente para o pai – E também disse que não quer que eu cresça boba como você.
A mais velha repousou o lanche e o copo sobre uma das cestas para rir com liberdade da cara de ofendido que o romeno lançou-lhe.
- A única bobona aqui é sua mãe, princesa – Stan murmurou, engatinhando até , sendo seguido pela mais nova da mesma forma - E você já sabe o que fazemos com pessoas bobas por aqui, não é? – a menina só assentiu, e antes que pudesse fazer algo, os dois pularam em cima dela, fazendo cócegas em sua barriga.
Alguns minutos depois pediu trégua, e acabou com a garotinha deitada sobre sua barriga e Sebastian deitado de lado, reclinado sobre as duas. repousou a mão esquerda na bochecha de Stan, fazendo um carinho, e ele colocou a mão sobre a dela, deslizando os dedos sobre os dedos dela, percebendo uma coisa diferente. Ele envolveu a mão dela e afastou de seu rosto, colocando a uma distância onde poderia verificar qual poderia ser a diferença, vendo imediatamente o anel dourado ocupando o dedo anelar dela. Institivamente olhou para a própria mão e avistou um anel idêntico ali.
- Papai, vamos brincar? – menininha perguntou.
Sebastian acordou num sobressalto, se acalmando quando sentiu o pé de deslizando por sua perna.
Ele a olhou, lembrando-se da garotinha do sonho. Os cabelos ruivos e as sardas espalhadas pelo rosto, assim colo ela, os olhos azuis e os lábios eram dele, mas o formato do rosto veio de , sem sombra de dúvidas. Aquela era a mistura mais perfeita que poderia existir dos dois.
- Você pegou mesmo esse costume, né – murmurou com a voz completamente rouca e os olhos minimamente abertos – Sei que sou linda, mas me encarar enquanto durmo é um pouco de mais.
- É que eu tive um sonho no mínimo interessante – contou colocando a mão na cintura dela, a trazendo mais para perto, levantando levemente a cabeça para deixa-la encaixar a cabeça em sua curva do pescoço.
- Humm... Quer compartilhar? – perguntou sonolenta, envolvendo a cintura dele.
- Quem sabe mais tarde – falou. Talvez não fosse muito saudável para a sanidade mental ter aquele tipo de conversa antes de dormir.
- Okay, então vamos voltar a dormir – ela pediu, se aconchegando ainda mais ao corpo do homem.
Ele verificou o relógio de ponteiro onde no lugar de cada número tinha a carinha de algum personagem da DC desenhado e constatou que já eram 07:15 da manhã.
- Você sabe que vai ter que levantar daqui vinte minutos, né? – ele sussurrou contra o cabelo dela, a ouvindo resmungar.
- Shiu. Não fala nada, quem sabe se o despertador não ouvir ele não tenta me acordar.


Capítulo 22

Dezembro de 2014

- Feliz Na... – Georgeta tentou dizer ao abrir a porta, mas acabou sendo atropelada por uma confusão de vermelho e preto, e tudo que recebeu como resposta foi o olhar de desculpa do filho antes dele abrir a boca para explicar.
- A comeu sushi – disse como se aquilo explicasse tudo, enquanto abraçava a mãe e entrava na casa.
- Oi?
- Ontem a gente resolveu fazer nosso próprio jantar, mas como sabíamos que você faria algo grandioso no almoço de hoje resolvemos por algo não muito grandioso... E que não envolvesse fogão – contou ainda com um braço ao redor dos ombros da pianista, enquanto caminhavam para a sala – Então fizemos sushi, e o estômago dela não gostou muito da ideia... Nem das horas no carro até aqui.
- Por isso vocês demoraram mais que o normal? Já levou ela ao hospital?
- Deus, não, é só enjoo por causa do sushi – resmungou voltando do banheiro, pálida e se perguntando se era possível que mais alguma refeição sua das últimas duas semanas voltasse ou se dá próxima vez que ela corresse para o banheiro seria para vomitar algum órgão pouco importante – Oi, Georgeta, desculpa, Feliz Natal – disse abraçando a mulher, recebendo um abraço apertado de volta, e quando se separaram Marachell se sentou ao lado de Sebastian, apoiando a cabeça no ombro dele e o sentindo passar um braço ao redor dela.
- Enjoo por causa do sushi ou por...? – a loira não terminou de falar, nem precisava, a sobrancelha arqueada já dizia tudo.
Stan teve uma pequena crise de tosse e sentiu o rosto esquentar, diferente de , que só gargalhou e revirou os olhos.
- Eu nunca fui forte para peixes – comentou, gargalhando quando Georgeta deixou os ombros caírem e reclamou algo sobre eles serem muito lerdos.
Depois disso, o trio iniciou uma conversa sobre tudo o que aconteceu desde a última vez que se viram. Sobre o marido de Georgeta, que eles iriam passar na clínica – onde ele preferiu passar a data – depois para vê-lo, notícias mundiais, esporte, arte, música, cinema, roupas, comida, até que um serzinho resolveu dar o ar de sua graça na sala de estar junto com eles.
- Ai meu Deus, cadê a minha Beth? – perguntou, olhando diretamente nos olhos da cachorra, com a típica voz que se usa para falar com cachorros, o que resultou na pequena cadelinha balançando o rabo e correndo para pular no colo da ruiva – A Beth 'tava com saudades da ? É? A também morreu de saudades de você! Sua gostosa!
- Filha, não beija a cachorra – a pianista a repreendeu pelo ato, mas ainda assim sorrindo. Assim como Sebastian, Georgeta adorava a maneira como a garota tratava os animais e as crianças.
- Mas ela 'ta carente de mim! Beth, você quer beijo?
Era assim toda vez que Sebastian e iam a Nova Jersey, a jornalista simplesmente não resistia a pequena Beth, e por mais que depois desse um pouco de trabalho para tirar todo o pelo de sua roupa e tivesse que verificar e se certificar que Sebastian havia de fato tomado o remédio de alergia, ela adorava de mais aquela cachorrinha para resistir ao encanto de não pegá-la no colo e beija-la e abraça-la até o pobre animal tentar escapar de seus braços. O que só aconteceu uma vez.
- Você está tentando roubar minha companheirinha, senhorita? Pode tirar esse cavalinho da chuva, já disse que ela é minha – Georgeta brincou puxando de leve o rabo da cadela para ganhar a atenção do animal, que a olhou por meio segundo antes de se voltar completamente para .
- Esquece, mãe, você perde pra desde o primeiro dia que ela veio aqui – Sebastian comentou risonho, se atendo internamente ao fato de que a primeira vez que esteve naquela casa fora no natal passado, há exato um ano.
Parecia loucura. Um ano. Parecia mais tempo e, ao mesmo tempo, parecia que na tarde anterior ele havia tido a ideia maluca de convidar uma mulher que ele só conhecia pessoalmente a dois meses para passar o natal com a família. Agora ele sonhava em construir uma família com essa mulher.
Pelo canto do olho, ele pode ver que mordia levemente o interior da bochecha, o que fazia com que ela fizesse aquele biquinho que ele tanto amava, e percebeu que aquele sorrisinho dela era porque ela estava pensando exatamente a mesma coisa.
- Arrumem uma pra vocês então – a mais velha sugeriu, alheia ao rumo que os pensamentos de seu filho o levavam.
- Ah, nem me fale, que minha dor aumenta – dramatizou – Eu já pensei tantas vezes nisso, mas quase não paro em casa, e se for pra deixar o bichinho abandonado é melhor nem ter – contou, recebendo um aceno de concordância da sogra – E também tem a alergia do Bast, não vou ficar forçando ele a tomar antialérgico toda vez que fica lá em casa.
- Sempre dá pra gente levar a Beth pra ficar uns dias lá com a gente enquanto eu não estou gravando nada – Stan sugeriu, recebendo um dar de ombros da namorada e um olhar do tipo “Eu ainda mando aqui, sabia?” da mãe.
- Baixem Pou – a loira sugeriu, levantando e tirando a cadela do colo da ruiva – E deixem minha menina longe da bagunça de Nova Iorque.
- Mas minha vida nem é tão bagunçada – muxoxou, fazendo os mãe e filho darem risada. Então ela mudou completamente de postura e olhou para o namorado – Você pegou os presentes?
- Estão no carro – ele respondeu já se levantando, deixando um leve selinho sobre os lábios dela antes de ir para fora.
- “Os”? Quantos presentes eu vou receber? – Georgeta perguntou risonha, se levantando para ir à cozinha e indicando para a nora acompanhá-la.
- Na verdade um, que o Bast e eu compramos juntos – contou, pegando os pratos que Georgeta lhe estendia, e indo até a sala de jantar onde a mesa já estava posta, e só faltavam os pratos e as taças, que estavam nas mãos da mais velha – Mas como nós passamos a noite do dia vinte e quatro sozinhos, resolvemos fazer a troca hoje, dia vinte e cinco, aqui com você. Essas coisas não tem graça com pouca gente e três já é melhor que dois.
- Tenho certeza que passaram sozinhos por opção, ou vai me dizer que não receberam nenhum convite para aquelas festas enormes de sempre?
- Natal é família, qual a graça de passar essa data longe da família? – a garota perguntou olhando para a sogra como se uma cabeça estivesse brotando de seu pescoço, o que fez a mais velha sorrir e abraçar a mais nova. Aquele tipo de abraço que mães dão.
Longe de ser a primeira vez que Sebastian assistia uma cena como aquela, mas ali, no hall da porta da sala de jantar, vendo sua mãe, em um simples e elegante vestido branco com detalhes em vermelho, e sua namorada, linda em seu vestido vermelho que marcava tão bem sua cintura, abraçadas como se aquele afeto sempre pertencesse uma a outra, o fez se julgar intensamente pela escolha do presente de Natal.
- Minhas mulheres já querem comer ou vamos trocar os presentes antes? – ele disse ainda do hall, chamando a atenção das duas que se separaram somente o suficiente para olha-lo – É que o dia de ficar esperando para comer foi ontem, não existe nenhuma regra pra hoje, então... Hey! Perguntar não ofende! – forjou uma reclamação quando as duas começaram a gargalhar e Georgeta anunciou que primeiro seria a refeição.
A tarde seria perfeita não fosse a rebelião do estômago de , que rejeitou tudo que ela tentou comer, mas que surpreendentemente aceitou vinho. Só o vinho.
- Continua nesse ritmo e você fica bêbada – Stan a cutucou enquanto ajudavam a terminar de arrumar a cozinha.
- Você que está dirigindo mesmo – a ruiva deu de ombros, bebericando mais um gole de sua taça para provar seu ponto, mas soltou um grunhido de desaprovação quando o homem tirou a bebida de sua mão e a guiou para fora da cozinha.
- Mas eu quero você sóbria para reagir ao seu presente – ele murmurou contra o ouvido dela, enquanto caminhavam de volta para a sala com ele ainda a abraçando por trás.
- Esse tom que você acabou de usar só me provou que eu já não quero mais te dar seu presente, porque ele vai ser humilhado pelo que você vai me dar – ela reclamou em meio a um sorriso, mas a preocupação era real. Era só comparar os presentes de aniversário, e embora ele insistisse que não, ela sabia que nunca saberia o que comprar para Sebastian.
- Oh drama, por favor, não me sufoque! – o romeno disse fingindo desespero, levando um nem tão leve tapa na mão por isso, o que o fez soltar um falso murmuro de dor – Vou contar pra minha mãe que você me bateu.
- Aí meu Deus, me perdoa, meu bebê! – falou no mesmo tom que usava com Beth, fazendo o rosto de Stan esquentar um pouco ao perceber que a mãe assistia a cena sentada próxima a lareira.
- Para de tratar ele assim, , ou ele nunca vai entender que já 'ta passando da hora de me dar netos – Georgeta comentou casualmente, fazendo o estômago do filho revirar de um jeito gostoso só de lembrar das sensações que teve naquele sonho.
- Isso você tem que reclamar com ela – o homem disse apontando para sua namorada antes de se sentar e puxa-la consigo, o que ajudou um pouco a disfarçar o brilho de desespero nos olhos da ruiva – Por mim essa conversa estaria sendo diferente.
Georgeta demorou um pouco para entender as palavras do filho, mas quando finalmente o fez, encarou a nora com os olhos arregalados.
- Isso é sério? Quer dizer... Vocês já conversaram sobre isso?
- Eu adoro que a senhora pergunta pra ela ao invés de me perguntar, já que eu falei – Sebastian retrucou, fingindo decepção, mas na verdade só estava salvando a pele da mulher ao seu lado, que soltou um suspiro e apertou levemente a coxa dele quando a pianista o respondeu e ela pôde se recompor – Acho que ela 'ta só me iludindo, mãe – ele continuou, olhando de soslaio para , sorrindo ao vê-la sorrir.
- Droga, como você descobriu? – perguntou brincalhona – Na verdade estou planejando sumir da sua vida e te deixar o mais magoado possível.
- Eu acreditaria, se você pudesse viver sem mim – falou num tom superior, passando o braço ao redor dos ombros de , causando risadas nas duas mulheres.
- Por que vocês dois são assim? – a mãe de Sebastian perguntou num real tom de desespero – Estão juntos, se amam, formem uma família!
- Nós vamos – Stan afirmou, pegando as duas de guarda baixa – Mas temos a vida toda pela frente, pra que pressa? – continuou casualmente, fazendo as borboletas no estômago de se agitarem como todas as vezes que ele soltava um comentário daquele tipo como se fosse a coisa mais natural do mundo. O melhor daquilo, era que sim, aquele tipo de conversa era natural entre eles – Mas sabe uma coisa que eu 'to com pressa? Presentes – disse, do ponto de vista de e Georgeta, para mudar de assunto, mas a verdade não era bem essa.
Se levantando com o presente da pianista em mãos, Sebastian a abraçou e deu espaço para que fizesse o mesmo, então voltaram a se sentar e esperaram que a mais velha abrisse o presente.
A verdade era que não sabia o que comprar para a sogra, diferente do natal anterior, ela queria dar algo que significasse algo para o mulher, e não só um presente por respeito. Então ela recorreu a Sebastian, que por mais que tenha feito algumas piadas sobre ela não precisar mais tentar impressionar a sogra, a deu a ideia de comprar algo que complementasse o presente dele, e assim Georgeta acabou com um lindo colar de safira que fazia conjunto com um igualmente perfeito par de brincos.
- Não precisavam ter exagerado – a mulher disse, encantada com o presente.
- Mas é claro que precisávamos, somos nós! – falou com obviedade, aceitando o pacote que a outra mulher lhe passava.
- Não espere nada tão grandioso – Georgeta avisou, mas o gritinho de felicidade da jornalista ao ver o par de sapatos vermelhos constatou que ela realmente havia acertado no presente.
- Oh meu Deus! São lindos! – disse se levantando para dar um abraço apertado na pianista, voltado para seu lugar já com o pacote de Sebastian em mãos, mas nem prestou muita atenção quando ele abriu o presente e encontrou um frasco de seu perfume favorito ali, já que seus sapatos novos eram muito lindos e precisavam ser apreciados. Mas quando percebeu que ele se voltou para ela com uma pequena sacola em mãos, resolveu deixar os sapatos de lado e virar para ele – Primeiro eu – decretou, recebendo uma sobrancelha arqueada como resposta – Para o caso do meu achismo estar correto, pelo menos seu presente já estará em suas mãos e eu não vou precisar ficar com vergonha de te entrega-lo.
- Pistrui, eu amo seus presentes – ele disse sincero, não entendendo aquela conversa.
- Bast, meus presentes para você são desastres comparados aos seus para mim. É vergonhoso... Então toma – e entregou um envelope para ele – Eu não sabia o que comprar, então lembrei que você disse que fazia anos que não ia em um show, então...
Sebastian terminou de abrir o envelope e, ainda se perguntando a quanto tempo ela havia comprado aquilo e como escondeu sem correr o risco de perder um envelope tão pequeno, se viu com dois ingressos para o show da banda Bon Jovi, que se apresentariam em NY em poucos dias.
A questão ali não era os ingressos ou sequer o show em si, mas sim o fato dela ter se lembrado de um comentário aleatório de uma conversa que ele nem mesmo se lembrava, e ter usado aquilo para presenteá-lo. E com esse pensamento em mente ele voltou a olha-la, sorrindo convencido.
- Viu, um bom presente – apontou, usando os ingressos para dar um peteleco na ponta do nariz dela, então se aproximou e deu um leve selinho sobre os lábios avermelhados dela – Obrigado.
Mesmo revirando os olhos, sorriu.
- Okay, agora me mostra por que você está tão ansioso desde ontem – ela disse, pegando a pequena sacola preta que ele estendeu para ela.
Realmente Sebastian estava meio nervoso com o presente, primeiro por se achar meio idiota por estar dando aquilo para ela, se ele tivesse se esforçado um pouco mais teria encontrado uma ideia melhor, mas então Evans e Mackie entraram naquela história e ele perdeu um pouco do controle sobre a situação. Segundo por, nos últimos dias, começar a pensar que sua ideia inicial não era assim tão louca, e que se ele tivesse pensado menos, na verdade aquilo poderia ser prefeito. Mas como ele mesmo havia dito, eles tinham a vida toda pela frente, então não precisaria ter pressa.
Alheia a esse nó na cabeça do namorado, abriu a sacola e sentiu as borboletas de antes voarem todas na direção sul, fazendo seu estômago cair aos seus pés. Dentro da sacola, havia uma pequena caixinha preta aveludada, que ela pegou com tanto cuidado, que quem via de fora pensaria que ela estava desarmando uma bomba, mas ela só estava tentando assimilar o que estava acontecendo.
Georgeta colocou as mãos sobre a boca e arfou audivelmente enquanto abria a caixinha e sentia uma peso que ela nem sabia ter caído sobre si, sair de seus ombros ao visualizar duas alianças pratas idênticas, se não pelo tamanho, descansando em meio a pequena almofada dentro da caixa , e não um único anel com um brilhante enorme.
- Eu não sabia que modelo pegar, e o Chris e o Mackie também não foram de grande ajuda no fim das contas, mas a moça disse que essa combinava com a gente e eu tive que concordar porque ela não é nem muito grande, nem muito pequena, simples e charmosa – ele começou meio sem jeito, sentindo a ansiedade crescer em seu peito a cada segundo que ela encarava as alianças e não o olhava. Ela estava sorrindo? Sim, mas sua mãe já demonstrava a decepção, então talvez só estivesse tentando refazer sua expressão de surpresa para não magoa-lo – No fim a ficou no pé do Chris por querer algo assim, então acho que ela também gostou... – continuou a balbuciar, buscando alguma reação da mulher, qualquer reação.
Mas então ela levantou o rosto e o encarou com um olhar desfocado, quase como se tivesse coisas de mais passando por sua cabeça e seus olhos dourados não fossem capaz de transmitir tudo de uma vez.
- Evans e Anthony? Eles foram com você comprar? – quando ele assentiu, soltou um profundo suspiro de alívio ao ver que o sorriso dela não era algo forçado, e sim do tipo de sorriso que mesmo com muita tentativa é impossível disfarça-lo – Meu Deus, você comprou isso quando estava na Europa? – ele assentiu, e então sentiu a mulher se jogar contra ele em um abraço apertado – Eu te amo – ela sussurrou contra o ouvido dele, e só então voltou a olha-lo, e Sebastian não conseguiu falar nada como resposta, porque tinha a sensação de que as três palavras de volta não seriam o suficiente. Então ele a beijou, e ela retribuiu com a mesma intensidade, embora muito mais comportado do que seria se eles estivessem sozinhos em casa.
- Eu achei que você ia pedir ela em casamento – a mãe de Sebastian soltou meio contrariada, fingindo que a cena à sua frente não estava a afetando. estava literalmente chorando de felicidade, quantas vezes ela viu isso?
- Bom... – Stan soltou em meio a um pigarro quando afastou o rosto de , olhando dela para a mãe e vice versa, então focando na ruiva chorona a sua frente, se perguntando desde quando ela se deixava levar pelas emoções em frente a alguém que não fosse ele ou os – Se eu pedisse, você aceitaria?
A resposta da jornalista foi uma gargalhada alta e profunda, então um leve selinho no namorado e um revirar de olhos.
- Essa foi, com toda certeza, a pergunta mais idiota que você já fez na vida – afirmou, percebendo o rosto do homem corar levemente, mas ela ainda tinha lágrimas nos olhos e estava com um total de zero por cento de moral para implicar com aquilo naquele momento – Mas... Céus, Bast... Faz meses que você vem guardando isso!
E aquilo o fazia se sentir extremamente vitorioso. Conseguir esconder algo de nos últimos tempos era algo que beirava o impossível, e tirando o fato de que praticamente todos ao redor deles sabiam e ninguém deixou nada escapar, aquilo era uma vitória particular. Talvez depois eles mandasse presentes adicionais para seus amigos pelo favor de não fofocarem.
- Sim, e eu tive que deixar no porta luvas do carro para você não achar, já que dentro de casa seria muito arriscado – contou, fazendo as duas mulheres darem risada. Então ele pegou a caixinha das mãos de e tirou a menor aliança dali, estendendo a mão com a palma para cima, um pedido silencioso para que ela lhe desse a mão direita, o que ela fez com um sorriso beirando a idiotice no rosto – Eu queria algo que superasse a pulseira, já que na verdade eu tenho planos para ela, então pensei nesses anéis que a gente usa desde sempre e, por que não? Certo? – contou ainda sem colocar a aliança no dedo de , a levando a loucura, já que ela podia ver alguma coisa escrita por dentro do anel e sua curiosidade a implorava para pegá-lo e descobrir o que era, mas Sebastian queria contar sua história e ela também estava louca para saber sobre isso – Comentei sobre isso com os caras e eles ficaram loucos, achando que eu já estava falando em noivado – nessa parte ele fitou o anel ao invés dos olhos da mulher, quase como se sentisse vergonha de falar o que estava prestes a dizer, mal sabendo que sabia exatamente o que era, e entendia perfeitamente aquilo – Mas nós demoramos para funcionar como estamos funcionando, e longe de mim ter medo de passar o resto da minha vida com você, já que isso é no que mais penso nos últimos meses, só que, eu acho que a gente tem tempo para isso, e eu não quero acelerar nada – se era possível, o sorriso da garota ficou ainda maior, e as lágrimas em seus olhos se intensificaram. Ela odiava ser emotiva, mas não conseguia se importar com isso naquele momento – Então pesquisamos um pouco e descobrimos que tem essa coisa de aliança de namoro e eu imaginei que seria um ótimo jeito da gente tirar esses anéis... Ridículos – ele teve que ir ao dizer isso, porque sempre o questionavam sobre aquele anel e falavam sobre mão errada e como aquilo era feio, só fingia não ouvir isso e continuava feliz com o anel no dedo, porque amava o significado dele, e ele amava saber disso – E começar a usar uma coisa mais real – e só então, ele virou e aproximou a aliança o suficiente para que ela pudesse ler o que estava escrito dentro, em uma letra curvilínea que ela conhecia muito bem, a dele, e uma palavrinha que ela usava mais vezes por dia do que o que considerado correto perante as normas ortográficas: Bast.
Com um sorriso completamente idiota, aceitou que ele levantasse um pouco mais sua mão direita e deslizasse a aliança por seu dedo anelar, e, se ela achava que já tinha se apaixonado mais que o possível por aquele homem, sua teoria foi levada pelo vento quando ela viu que por dentro da aliança dele estava escrito Pistrui.
- Meu Deus, você é completamente ridículo! – ela soltou em meio a uma risada e ao choro, recebendo um sorriso e um selinho como resposta.
- É, eu também te amo.

Mais tarde naquele dia, Sebastian e já de volta a NY, Stan teve que salvar de atropelar o porteiro de seu prédio enquanto ela digitava completamente distraída em seu celular, se exibindo com seus presentes de Natal no grupo com suas colegas brasileiras.
- Wow! – ela soltou ao sentir o puxão de Sebastian em sua cintura – Mas que...?
- Desculpe atrapalhar Srta. , mas chegou um pacote para você – o senhor disse, entregando uma caixa consideravelmente pequena para a ruiva, e logo voltando para seu trabalho após desejar-lhes boa noite.
Em cima da caixa tinha o endereço do remetente, que o casal reconheceu como o de , e mesmo correndo o risco de ser um presente nada ortodoxo e com a sorte deles provavelmente Gertrudes estaria no elevador, eles abriram o pacote ali mesmo, encontrando dentro um porta retrato vintage de ferro com a foto que, Sebastian reconheceu, havia tirada tempos atrás no terminal de LA, da época que Stan e ainda eram somente amigos, e tirou aquela foto para “jogar na cara deles que eles ficariam juntos”.
Na foto, eles estavam de frente um para o outro, as mãos de descansando no quadril de Sebastian e as dele na curva do pescoço dela. Os dois sorriam como se nada fosse importante ali além da presença um do outro, o que meio que era verdade, e o contato visual era tão intenso que até mesmo tanto tempo depois, por uma foto, sentiu o peso gostoso que sentia no estômago toda vez que o ator a olhava daquele jeito.
Atrás do porta retrato tinha um bilhetinho à mão colado com durex, onde estava escrito:
“Duvidem de mim agora, seus babacas!
Feliz Natal, meus amores!!
PS: eu disse que jogaria na cara de vocês

Assim que terminaram de ler, as portas do elevador se abriram e o plano de terminar aquele dia perfeito de maneira ainda mais perfeita foi estragado pelo cheiro de alguma comida que Stan não soube distinguir, que estava por todo o corredor, o que fez colocar a mão sobre a boca e arregalar os olhos enquanto saia correndo com a chave de casa já em mãos.
Era oficial, ela nunca mais comeria sushi.


Capítulo 23

Fevereiro de 2015

- Bast, para!
- Não!
- Pelo amor de Deus, eu não consigo respirar! Bast! – implorou em meio a gargalhada desesperada que as cócegas do namorado a causou.
- Então fala – ele ordenou tentando e falhando miseravelmente em não rir junto.
- Você precisa dormir!
- Fala!
- Okay, okay, eu falo! – ela se rendeu, distribuindo alguns tapas pelo peitoral do namorado para que ele parasse com aquelas cócegas estúpidas – Eu vou sentir mais saudade de você do que sinto falta do Matt Smith interpretando o Doctor Who – falou após um longo suspiro para recuperar o fôlego – Feliz?
- Achei meio forçado, mas por enquanto vou aceitar – Sebastian disse se deixando deitar confortavelmente na cama ao lado da ruiva – Amanhã eu tiro uma coisa mais verdadeira.
- Mais verdadeira que minha saudade do Matt? Acho difícil – brincou, se apoiando no cotovelo e depositando um selinho nos lábios de Stan – Mas você precisa dormir logo ou vai perder o vôo amanhã cedo.
Num movimento rápido, Sebastian envolveu a cintura de e os girou na cama enquanto se sentava, fazendo a ruiva parar em seu colo e suas bocas praticamente coladas.
- Pra quê entrar em um avião se ao seu lado eu já estou no céu? – ele falou extremamente sério, fazendo quase engasgar com o ar.
- Meu Deus, isso foi horrível! – ela falou completamente embasbacada com a capacidade cerebral do homem de produzir idiotices – Isso foi extremamente horrível! – continuou como se tivesse acabado de presenciar um crime horrível e estivesse tentando processar o fato.
- Ah para, eu já fiz piores – Stan brincou cutucando a cintura da mulher, mas ao invés da expressão emburrada pela cócega que ele já estava esperando, Sebastian assistiu de mãos atadas a cor sumir completamente do rosto da ruiva e uma expressão de dor assumir lugar em seus traços. A única coisa que saiu dos lábios entreabertos foi um baixo arquejo antes do corpo dela amolecer e os olhos desfocados se perderem na órbita e a garota perder a consciência, e tudo que Stan pode fazer foi segurar o rosto de entre suas mãos e chamar pelo nome dela como se isso fosse fazê-la acordar – ? ? Pelo amor de Deus, ? – então quando ele pensou não poder ficar mais desesperado, sangue começou a escorrer do nariz e orelhas dela.
Isso o atingiu como uma descarga elétrica, e antes que ele pudesse perceber o que estava fazendo, suas pernas e seus braços entraram em ação, pegando a garota inconsciente no colo, a bolsa dela que estava pendurada ao lado da porta do quarto e já as chaves do carro. Só depois lhe passou pela cabeça que, por sorte, destino, Deus ou o que quer que quisesse chamar, eles não estavam no apartamento de , que ficava bem mais longe de qualquer hospital.
O cérebro de Sebastian não estava funcionando muito bem, e tudo que ele sabia era que em um momento ele estava na cama com a mulher de sua vida, e em outro ele estava sendo cercado por enfermeiros que o pediam para que ele a deixasse sobre a maca enquanto uma enfermeira pedia que ele se acalmasse eu passasse as informações da paciente.
Assim que toda a ficha técnica foi preenchida, Sebastian começou a implorar para ver , ou ao menos saber o estado dela, qualquer coisa, ele só queria saber como ela estava, mas a enfermeira insistia que também não estava sabendo de nada, e que ele deveria aguardar na sala de espera até que o médico responsável pelo caso dela resolvesse que seria um bom momento conversar com ele.
Sebastian nunca se sentiu tão impotente quanto estava se sentindo naquele momento. Após quase meia hora implorando por alguma informação, a enfermeira conseguiu, finalmente, convencê-lo a ir para a sala de espera, onde ele ficou por horas a fio, sem nenhuma novidade, nenhuma informação, e somente um eterno loop do instante em que tudo desabou em sua frente. Ele tentou respirar fundo, fechar os olhos e meditar um pouco, fazer uma breve oração e implorar para que tudo desse certo, no entanto, sempre que suas pálpebras se fechavam, mesmo que para um breve piscar de olhos, a imagem da luz fugindo do semblante de , e sangue escorrendo de seu nariz e orelhas, faziam com que ele se mantivesse o máximo possível de olhos abertos. Ele não queria ver aquilo de novo. Aquele filme de terror nunca deveria ter existido, por que aconteceu? Como ele não percebeu antes de ter acontecido? Essa era a função dele, não? Mesmo que não oficialmente, mas, ele estava ali para cuidar de , por que ele não pôde fazer isso? Por que isso tinha que acontecer na frente dele, mesmo que ele não pudesse fazer nada para impedir?
Por que isso tinha que acontecer?
Quando Stan já estava praticamente imerso em seu torpor e desistido de receber qualquer notícia sobre , ouviu uma voz masculina chamá-lo pelo nome, e, só assim ele percebeu que a sala estava vazia e que todas as pessoas que estiveram ali com ele já haviam se retirado.
Quanto tempo ele ficou ali?
- Sr. Stan? – a voz o chamou novamente, e só então Sebastian enxergou o médico a sua frente, o que o fez se levantar num pulo e passar as mãos com força no rosto para despertar de sua depreciação – Você é o acompanhante da Srta. , certo?
- Sim, sim sou eu – o romeno falou em meio a um pigarro para limpar a garganta e parar de falar roucamente.
- Sou o Doutor Gerard Simon – o rapaz, fisicamente com uma idade próxima a do ator, ofereceu a mão em um cumprimento, que prontamente foi correspondido – Você é casado com a Srta. , Sr. Stan? – o médico perguntou cauteloso. Obviamente ele sabia quem era o homem a sua frente, tinha uma irmã mais nova extremamente obcecada por aquele ator desde Gossip Girl, então, mesmo de maneira não intencional, ele sabia mais do que considerava normal sobre o caso ali presente, e isso não tornava as coisas mais fáceis.
- Ainda não – Sebastian respondeu visivelmente apreensivo, quase pedindo para que o médico deixasse as perguntas para depois e só lhe dissesse que estava bem.
- Ah sim... Sabe como é, hoje em dia muitos casais optam por não compartilhar o nome, é sempre importante saber essas coisas nessas situações.
Sebastian percebeu que mesmo que o homem estivesse mantendo um tom calmo, seu semblante não demonstrava o mesmo, e isso só fazia sua angustia crescer ainda mais e alimentar sua ansiedade.
- E a ? Como ela está? – perguntou em meia voz, assistindo Simon engolir em seco disfarçadamente.
- Ela tem algum familiar na cidade, Sr. Stan?
- Eu sou a família dela aqui, você pode me falar o que falaria para eles.
Simon expirou fundo antes de olhar para o corredor que os guiaria até o elevador, e de lá, até seu escritório, então voltou o olhar para Sebastian.
- O senhor poderia me acompanhar até meu escritório?
- E a ?
- Ela está acordada e estável desde as cinco e meia da manhã – e então verificou o relógio em seu pulso – o que completa agora exata meia hora. Sinto muito não ter vindo antes, eu estava analisando os exames dela.
O cérebro de Sebastian deu um leve nó. Exames? Cinco e meia? Meia hora?
Ele passou a noite toda ali? E por que ele não podia ver se ela já estava acordada?
Mas o mais importante:
- Exames? – Gerard Simon acenou levemente com a cabeça na direção do corredor, e Sebastian só se deixou ir, na esperança de que aquela conversa fosse rápida e ele pudesse ver logo – Posso ver a antes? Sempre que isso acontece eu fico com ela, ela já deve ter perguntado de mim.
O médico o encarou por alguns segundos, como se estivesse decidindo algo, mas acabou por negar com a cabeça.
- Essa conversa não pode esperar, Sr. Stan, sinto muito.
O romeno já não sabia mais o que pensar, e tudo o que ele queria era ver , por que isso não era possível?
Antes que ele pudesse dizer alguma coisa sobre sua necessidade em ver a namorada, seu celular começou a tocar, e ele ignoraria isso se não reconhecesse o toque como sendo de sua agente.
Pedindo licença, ele atendeu a chamada sem realmente se afastar do doutor, não se importando se ele ouviria a conversa ou não. Aparentemente, algumas pessoas que estavam na sala de espera com ele, acabaram por comentar sobre isso no Twitter, com direito a foto, que foi parar em vários de seus diversos fan clubes pelo Instagram. Não se tornou uma algazarra, só várias pessoas teorizando o que estaria acontecendo na vida do ator, o que levou sua agente a se questionar sobre isso também. Numa explicação rápida, Sebastian contou sobre os fatos daquela madrugada e pediu para que ela ligasse para os Russo, avisando que ele não poderia sair de NY naquele dia.
- Mas, Sebastian, hoje começam as gravações...
- Eu não vou viajar enquanto a estiver aqui – ele interrompeu a mulher – Conversa com eles, eles vão entender. Agora eu preciso ir, conversamos depois, tudo bem?
Não que ela tenha gostado disso, mas Sebastian não estava com cabeça para se preocupar com trabalho naquele momento.
Assim que encerrou a chamada, Stan indicou ao doutor que eles poderiam continuar, e com isso, Dr. Simon começou:
- Sr. Stan, você saberia me dizer se isso é um acontecimento frequente na vida da Srta. ?
- Pelo que sei, ela sempre sentiu essas dores na nuca... Mas, de desmaiar e... Escorrer sangue do nariz e ouvidos... Essa é a segunda vez que isso acontece.
- Segunda? Sabe me dizer quando foi a primeira?
Claro que ele sabia. Aquela noite estava em sua lista de Piores Momentos Da Vida.
- Há um ano, mais ou menos.
- E vocês não procuraram saber porquê isso acontece?
A única coisa que Sebastian queria era ver , ficar respondendo perguntas feitas em tom de julgamento não era exatamente algo que ele precisava para se acalmar, mas era o que o possibilitaria de chegar a , então expirando uma boa golfada de ar, ele engoliu o orgulho e aceitou que o melhor era responder tudo o que o médico quisesse saber.
- não se dá bem com hospitais – começou – Na noite que ela passou mal desse jeito o médico indicou que seria interessante fazer alguns exames, mas ela já estava cansada e me convenceu de que seria uma boa ideia voltarmos para casa.
- E depois?
- Fomos procrastinando – assumiu sem graça, entendendo perfeitamente que ele também tinha certa culpa naquilo, deveria ser mais insistente quando começava com suas birras – Alguns meses atrás ela desmaiou... Nada parecido com isso, foi por causa de uma... Situação estressante – engoliu em seco, aceitando a cadeira que Dr. Simon indicou para ele se sentar já dentro do escritório do homem – Mas o médico disse que foi só uma queda de pressão, então não demos muita importância.
Olhando para aquele rapaz de aparência cansada e olhos perdidos, Dr. Simon conseguiu entender sem muito esforço que aquele jovem ator era o tipo de homem apaixonado que fazia de tudo por sua amada, realizava todas suas vontades, mesmo que isso nem sempre fosse o melhor para ela.
- Sr. Stan, o que eu tenho a dizer para o senhor, não é nada fácil, mas eu preciso que você seja forte, porque a situação não para por aqui, e você será o único que poderá ajudar com certa autoridade a Srta. a tomar uma importante decisão.
Sebastian se sentiu despertar ao ouvir o tom que o homem a sua frente usou. Aquilo não podia ser bom, aquela postura, a maneira como ele mexia nos papéis em sua mesa, como se eles fossem granadas prontas a estourar na cara de Sebastian.
- Continue – falou em meia voz, criando mil teorias sobre o quê o doutor falaria, uma pior que a outra.
Mas nenhuma atingiu o real desastre que esteva por vir.
- Sr. Stan, sua namorada tem um tumor no cérebro, em estágio terminal – as granadas que Sebastian pensou estarem prestes a explodir em seu rosto se mostraram grandes bombas atômicas, que junto com a explosão, trouxeram um horrível gosto amargo em sua boca, e uma imensa dor na região do estômago e cabeça, como se tivesse levado uma incrível surra na rua – Pelos exames que fizemos, ela convive com esse tumor desde muito jovem, provavelmente nasceu com ele, uma vez que esse tipo cancerígeno é muito mais comum em crianças – Dr. Simon fez uma breve pausa para que o rapaz pudesse digerir aquelas informações, entregando para ele uma pasta relativamente abarrotada. Sebastian não sabia dizer quantos exames foram feitos em sem a consciência dela, mas aquilo não estava sendo avaliado naquele momento – Vou tentar falar de um jeito que você melhor compreenda, Sr. Stan, realmente não estou aqui para te confundir, porém é importante que você preste muita atenção em tudo o que eu digo, o fator que mais causa morte em pacientes com câncer é a depressão, e o apoio das pessoas ao redor é de extrema importância, principalmente no caso da Srta. – Sebastian não conseguia desgrudar os olhos de uma imagem que deveria ser uma radiografia da cabeça de . Ele não entendia nada daquela imagem, e aquelas cores não faziam o menor sentido para ele, mas acima tinha uma palavra complicada, e ao lado uma espécie de cronograma de cores e a área em azul era bem menor que a parte em laranja e amarelo. Mais uma vez, ele não sabia o que isso significava, mas uma breve ideia do que poderia ser o desesperava ainda mais – Sr. Stan, eu preciso de sua colaboração, pode me dizer o que acabei de te contar?
Sebastian não sentia o ar entrando em seus pulmões, mas podia sentir lágrimas escorrendo por suas bochechas, e isso não facilitava muito sua concentração, mas conseguiu levantar a cabeça e assentir para o médico.
-... Tratamentos... – foi a única coisa que conseguiu dizer, e sentiu outro soco no estômago ao ver a expressão do homem a sua frente.
- Aqui entra outra questão – Dr. Simon soltou em um suspiro – O tumor se alastrou por toda a região cerebral, então ele não pode ser removido, mas pode ser controlado com o tratamento adequado. No entanto – interrompeu antes que Sebastian pudesse terminar de mudar a expressão em seu rosto, o que não foi nada animador – o tratamento para combater o avanço de um tumor no estágio que esse se encontra, traria sequelas – o romeno se sentia extremamente exausto, e parecia que cada palavra que saia da boca do homem a sua frente sugava a pouca energia e alegria que existia em seu ser, como um dementador. E essa comparação só o deixou mais triste ainda, já que imaginou sussurrando isso em seu ouvido com uma expressão entediada estampada no rosto, reclamando sobre alguma coisa que algum político falou em alguma entrevista sobre a qual ela precisava fazer uma matéria.
- Que tipos de sequelas?
Dr. Simon respirou fundo, apoiando os cotovelos sobre a mesa e o olhar fixo no do romeno.
- Sr. Stan, a Srta. está grávida – Sebastian tinha certa consciência de que deveria ficar feliz por ouvir aquilo. Algum lugar em sua mente, ele tinha noção de que aquilo significava um sonho sendo realizado. Aquele era para ser o momento mais feliz de sua vida, mas tudo o que ele realmente conseguia sentir era uma espécie de pressão em seu estômago, como se todos seus órgãos tivessem se transformado em gelatina bem ali, e estivessem querendo sair por sua boca, mesmo que a gravidade não favorecesse muito essa ação – O embrião está com doze semanas e apresenta um formação perfeita e extremamente saudável, mas... – Sebastian começou a fazer que não com a cabeça, porque ele não queria ouvir aquele “mas”, ele só queria saber que seu filho estava bem, que a mulher que amava estava bem, e aquilo faria ele ficar bem também, mas aquele “mas” só era um sinal de que nada estava bem – Veja bem, Sr. Stan, está com vinte e seis anos, certo? – o ator assentiu, tentando se concentrar no que o homem a sua frente estava falando – Esse tipo cancerígeno, como eu já disse, afeta, normalmente, crianças entre os oito e doze anos, e é completamente tratável e com um enorme índice de cura nessa idade. No entanto, temos aqui um caso à parte. A Srta. conviveu com esse tumor a vida toda apresentando pequenos sinais, os remédios do tratamento são fortes, muito fortes, e atingem principalmente um órgão feminino.
A única coisa que Sebastian queria naquele mesmo era acordar daquele pesadelo, mas alguma coisa dizia que isso não aconteceria.
- O útero – sussurrou, uma vez que estava sem forças para falar com clareza.
No entanto, foi o suficiente para que o médico ouvisse e assentisse.
- Obviamente, vocês tem total liberdade para procurar outras opiniões em outros profissionais nessa área, posso te passar uma lista com o endereço e contatos de alguns colegas se assim querer, estamos falando de duas vidas aqui, tudo deve ser avaliado.
O ator tentou tomar fôlego, mas o nó em sua garganta o impossibilitava de respirar com coerência.
De onde saiu tudo aquilo?
Por que tinha que estar acontecendo com ele e ?
- Vo... Você está querendo dizer que... Se iniciarmos o tratamento agora... – as palavras não saiam de sua boca. Sua língua estava pesada e seu maxilar travado. Só a ideia de proferir aquelas palavras tornavam aquilo tudo ainda mais real, e ele tinha medo daquela realidade.
- passará por um processo de aborto espontâneo – Dr. Simon terminou por ele, assistindo o rapaz se perder ainda mais em pensamentos enquanto lágrimas desenfreadas escorriam por seu rosto. Gerard tinha quase certeza de que o ator nem percebia mais estar chorando, e isso o fazia refletir que, se pudesse fugir de uma função em toda sua profissão e carreira, essa com certeza seria informar o real estado do paciente.
Sebastian, por sua vez, não tinha certeza do quê estava pensando, em algum momento naquela conversa seu cérebro se juntou com o restante de seus órgãos gelatinosos em seu estômago, e ele queria vomitar. Mas ele queria ver também. Ele queria abraçar ela e dizer que não importava o que poderia acontecer, ele estaria sempre ali com ela. Por ela.
- Mas depois... A gente pode tentar, certo? Quer dizer... Muita gente se cura do câncer e vive uma vida maravilhosa... A gente pode tentar ter... Filhos depois e... – ele se levantou e começou a andar de um lado para o outro no escritório do médico, se perguntando que infernos estava dizendo. Dr. Simon tinha dito que o bebê estava se formando perfeitamente, saudável. O bebê dele. Ele seria pai. Por que ele estava sugerindo aquilo? Porque ele amava . Não conseguia imaginar sua vida sem ela, e não queria aceitar o fato de que poderia perde-la a qualquer momento – Meu Deus... – sussurrou, sentindo mãos em seus ombros, que o guiou para a cadeira novamente, onde ele recebeu um copo de água.
- Tente se acalmar, Sr. Stan, beba um pouco de água. Leve o tempo que precisar.
- Posso ver a ?
Gerard indicou que ele primeiro tomasse a água.
- Só mais uma coisa – Sebastian não via como isso podia ser bom, mas se era só isso que o afastava da possibilidade de ver , ele aceitaria bem. Com um forte suspiro, o ator repousou o copo sobre a mesa e indicou que o médico tinha toda sua atenção – Eu sou especialista nessa área há muitos anos, e já tratei de casos assim. Não são comuns, mas não são tão raros quanto parece. O tumor está em estágio terminal, mas ele não é agressivo, caso contrário não demoraríamos tanto para descobrir esse fato. Quando ela chegou aqui, o médico do plantão descobriu a gravidez e passou o caso para mim, por ter ideia do que estava acontecendo – Sebastian continuou o encarando, quase como se esperasse por mais notícias ruins. Mas dessa vez não era isso – Talvez, se a assim você e ela desejarem, possamos prosseguir com a gravidez e lidar com o tumor após o parto. Obviamente teríamos que redobrar a atenção na saúde da Srta. a partir da vigésima segunda semana, que seria o início do segundo trimestre, e temos que que tentar prolongar o máximo possível a gravidez para não prejudicar a saúde da criança – a expressão no rosto do rapaz era uma misto de dúvida e susto – Veja bem, Sr. Stan, eu não estou o induzindo a criar falsas expectativas, nem prometendo o impossível. A situação de sua namorada não é promissora, o câncer já se espalhou por todo o espaço que podia se espalhar em sua cabeça. No entanto, assim como o pior pode acontecer daqui duas horas, pode acontecer daqui dez anos.... A situação aqui é realmente... Fora da compreensão humana, pode-se dizer.
Sebastian se deixou processar aquelas palavras por um longo tempo, tentando enxergar o quadro num todo, mas uma coisa grudou mais em seu cérebro que o restante.
- Você... Você quer dizer então que... A está desenganada? É isso?
Gerard Simon tirou os óculos que estavam em seu rosto e descansou a armação na mesa. Em seu olhar um pesar que só poderia significar uma coisa.
E isso destruiu Sebastian por dentro.
- Vou deixá-lo um pouco só para processar tudo – ele disse se levantando e seguindo para a porta – Quando se sentir pronto, estarei aqui fora o aguardando para levá-lo até a Srta. .
Stan ouviu a porta ser fechada atrás de si enquanto ele ainda encarava o local onde o médico estava sentado instantes antes.
Ele queria se levantar, sair daquela sala e dizer que estava pronto para ver , para abraça-la e dize-la que seria todo o suporte que ela precisasse na vida. Para beija-la e ter a certeza de que a teria ao lado por mais muitos anos, enquanto passava a mão da barriga dela, imaginando um lindo bebê já dando seus primeiros passos. No entanto, seus pés não o obedeciam, assim como suas pernas e braços. Ele nunca havia sido torturado em sua vida, mas tinha uma leve impressão de que aquele estágio era o ponto máximo da dor, quando nada mais é sentido e o corpo só fica lá, naquela paralisia angustiante, porque seus nervos já se retesaram tanto, ao ponto de travarem, e nem mesmo as pálpebras continuam a trabalhar.
De toda a informação que receberá naquela sala, Sebastian só conseguia chegar a uma conclusão: seu chão fora arrancado de seus pés, e ele podia se sentir caindo em um breu assustadoramente sem fim.
Então o rosto de veio a sua mente, e ele começou a imaginar como ela reagiria á aquela notícia.
Se ele estava se sentindo sem chão, como ela ficaria? Afinal, era a vida dela.
Com esse pensamento em mente, Sebastian tentou se recompor o máximo possível, não poderia vê-lo daquele jeito, ela já ficaria assustada o suficiente, não precisava ver ele daquela maneira.
Juntando toda a coragem em seu ser, Sebastian se levantou e tomou uma boa golfada de ar.
- Está pronto? – Dr. Simon perguntou assim que ele abriu a porta.
- Por favor.
Com uma assentida firme, Dr. Simon começou a caminhar, sendo seguido pelo ator de perto.
Durante todo o caminho, do consultório até o quarto de , os homens andaram silenciosamente, o que mudou no exato momento que eles pararam em frente a uma porta em particular, do lado esquerdo do corredor.
- O baque será grande, então vamos tentar contar da maneira menos confusa possível. É provável que ela entre em estado de choque, então voltar para a rotina pode ajudar, desde que ela tenha uma companhia vinte e quatro horas por dia, é possível? – Sebastian assentiu sem pensar duas vezes – A atividade cerebral dela está estável e normal na medida do possível, por isso vou libera-la, mas se perceber qualquer coisa de diferente, Sr. Stan, peço que voltem. O principal agora é vocês se acalmarem e recorrer ao que acharem melhor, procurar por alternativas. Em todo caso, estarei aqui se precisarem.
Sebastian só foi capaz de assentir e aceitar o aperto de mão do homem antes de segurar a maçaneta e aspirar o ar com força antes de abrir a porta.
-... A gente ficou com os pés congelando o resto da tarde, e aquele vento frio! Eu achei que meu pé ia cair! – contava para a enfermeira sentada na poltrona de visita enquanto a jornalista estava sentada na cama, ambas gargalhando.
- Você é maluquinha, garota – a mulher uniformizada disse, fazendo, fazendo o sorriso da garota se alargar.
Sebastian assistiu aquilo como se fosse uma cena de seu filme preferido.
As madeixas onduladas ruivas escorregando pelas costas dela como seda. As sardas espalhadas pelas bochechas e nariz. O sorriso moldado pelos lábios avermelhados. Tudo aquilo representava o que ele mais amava no mundo.
Os olhos. Os olhos que eram sua fonte de alegria diária. Foram eles que o trouxeram de volta para a realidade. Eles estavam negros.
- Bast! – soltou aliviada ao ver o namorado no hall da porta – Já estava começando a achar que meu príncipe não viria me resgatar – brincou, revirando os olhos ao ver que ele não expressou nenhuma reação à piada sem graça dela – Já faz três anos que estou nesse hospital, vamos pra casa, você vai perder o vôo... – ela parou de falar quando sentiu o baque do corpo dele a atingindo, envolvendo seu corpo em um forte abraço enquanto ele escondia o rosto em seu pescoço, como se quisesse memorizar a cheiro emitido ali – Hey, eu tô bem, tá tudo bem – quando ela disse isso, ele a apertou ainda mais forte, e ela não sabia o que fazer, então só começou um leve cafuné na nuca do romeno enquanto retribuía o abraço.
- Poderia nos deixar a sós? – Dr. Simon pediu para a enfermeira, que prontamente se despediu de e saiu do quarto.
- Bas...
- Okay – ele murmurou a soltando, passando uma das mãos pela lateral do rosto dela, fazendo leves desenhos imaginários em meio aos cabelos dela com as pontas dos dedos – Eu te amo. Muito.
sorriu meigamente e deixou um leve selinho nos lábios do romeno.
Ela sabia que ele estava mais nervoso que o comum, e não queria dar motivos para deixá-lo ainda mais sobre carregado, mas ela realmente queria ir para casa.
- Podemos ir?
- Na verdade, Srta. , temos que conversamos.
- Achei isso super intimidador, não vou mentir – brincou, olhando do médico para o namorado, com um olhar não tão brincalhão assim – O que houve? Minha sentença está assinada?
sabia que na maior parte do tempo, Sebastian não apreciava muito seu humor negro, mas naquela momento em especial, a bufada que ele soltou mostrou o quanto ele não queria ter ouvido aquelas palavras.
- Srta. , sabe me dizer se seu ciclo menstrual é regulado?
Aquela pergunta a pegou de guarda baixa, a deixando bem perdida.
- Hã... Na verdade ele nunca foi estável, mas pode ser porque quando era pequena sofria de muita cólica, então comecei a tomar remédios para isso muito cedo – explicou – Depois que eu peguei certa idade, as cólicas passaram, mas eu continuei com os remédios e minha menstruação é meio bagunçada, as vezes fica até três meses sem vir – deu de ombros.
Assentindo levemente, Gerard olhou para Sebastian, e ali estava a explicação deles para que ninguém tenha desconfiado de nada até então.
- Se lembra quando foi seu último ciclo?
- Uns... Três ou quatro meses, acho – respondeu, voltando a alternar o olhar entre os dois homens, a compreensão começando a atingir seu raciocínio – Espera... Isso quer dizer que... – olhou sugestivamente para o romeno com um sorriso enorme nos lábios, que começou a morrer assim que ela o viu desviar o olhar com uma expressão perdida no rosto.
- Você está com três meses de gestação, Srta. . Parabéns – Dr. Simon anunciou de maneira categórica.
Até demais.
desviou o olhar de Sebastian para o médico, com uma mistura de emoções dançando dentro de si, mas a mais alarmante era a insegurança.
- O que está acontecendo aqui?
- ...
- Bast... Você não está feliz com a notícia? – perguntou completamente confusa. Ele não vivia dizendo que estava louco para ser pai? Que estava até sonhando com aquilo?
- Não é isso, Pistrui – Sebastian disse no tom mais carinhoso do universo, beijando as mãos dela – O Dr. Simon tem uma coisa pra te contar... Mas eu preciso que você ouça tudo, okay? Preste muita atenção em cada palavra dele. Pode ser?
- Você está me assustando – ela sussurrou perdida, sentindo a angústia crescer ainda mais em seu peito ao perceber os olhos do romeno cheios de lagrimas, e ele claramente se segurando muito para não deixa-las escapar.
- Srta. – Dr. Simon se aproximou do casal – Não existe uma maneira fácil de dizer isso, por isso tentarei ser o mais direto possível – engoliu em seco com o olhar fixo no homem de jaleco, sentindo o aperto forte de Sebastian ao redor de sua mão – Você tem um tumor no cérebro, em estágio terminal.
não sabia muito bem o que ela estava esperando, mas com certeza não era aquilo.
- ... Que? – sussurrou, se sentindo tonta, sentindo tudo ao seu redor girar, e a única coisa que a mantinha ancorada na superfície era o aperto de Sebastian em sua mão.
- Sei que o momento é difícil, e não há muito o que se possa fazer de imediato, por isso já conversei com seu namorado e apresentei possíveis meios de lidar com isso – de repente a voz do homem começou a ficar distante, e os pensamentos de começaram a voar para momentos aleatórios de sua infância, quando ela passava mal do nada, e ninguém nunca conseguia descobrir a razão. Então adolescência e a pausa desses ataques até poucos anos atrás, quando as malditas dores na nuca voltaram e ela nunca procurou saber o motivo. Ela nunca quis saber – ... casa, e voltam quando se sentirem prontos. Pode ser?
Ela tinha uma leve consciência de que aquela pergunta fora direcionada a ela. No entanto, seu corpo não a obedecia, e seu cérebro só conseguia focar em três palavras: tumor no cérebro. Estado terminal. A cabeça dela era formada de câncer.
Em certo momento ela sentiu algo gelado em seu peito, e então uma luz forte vindo de algum lugar. Mas por alguma razão, nada daquilo a tirou daquele torpor, e aquilo era desesperador. Era como se ela tivesse se perdido dentro de si mesma, e a menor tentativa de sair daquele cativeiro, a causasse uma dor insuportável por todo corpo, como se seus ossos estivessem derretendo em lava, e seus narinas expirando a fumaça tóxica que isso causava, fazendo seus pulmões saírem pela boca e saltarem daquilo que ela chamava de corpo.


Continua...



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