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Última atualização: 24/10/2017

1: Travessa do Tranco


2021

Para alguns bruxos, a Travessa do Tranco é considerada um lugar horripilante e sombrio, um lugar que eles nunca cogitariam uma breve visita. Mas não para um ex-comensal como Nereu Avery, que já havia estado em uma das grandes guerras do mundo bruxo. Ele considerava a Travessa do Tranco um lugar para relaxar e não ser julgado por seus atos do passado. Não que Avery estivesse com remorso ou algo assim. Diferente de seu pai, Ítono Avery, Nereu quis fazer parte dos comensais. Claro que seu sobrenome fora um bilhete de entrada, mas ele não se arrependia de nada.
Diferente dos anos posteriores à Segunda Guerra Bruxa, a Travessa do Tranco estava movimentada naquela noite. Bruxos e bruxas saiam rapidamente de lojas com suas encomendas escondidas em capaz escuras para que ninguém suspeitasse o que eles estavam levando na ruela escura. Com esse novo ministério, os bruxos que frequentavam a Travessa do Tranco estavam bastante cautelosos, apesar de estarem agindo nas sombras.
Nereu ouviu boatos de que os Aurores estavam investigando sobre a estranha movimentação dos gigantes. Ser prudente naqueles tempos era uma ordem que Avery seguia fielmente.
Quando seus pés se moveram para dentro da maior loja da Travessa, a Borgin & Burkes, seus olhos foram de encontro ao seu tio Ikaros II Avery entregando uma sacola preta para o velho Borgin. Sua curiosidade antes camuflada por seus pensamentos se apoderou de sua mente. Seu tio havia feito uma viagem para Albânia recentemente. Uma viagem que Nereu não sabia quais eram os seus objetivos. Apesar de serem parentes, o ex-comensal compartilhava apenas do conhecimento dos membros da antiga facção do mal: algo estava prestes a acontecer. Mas não sabia exatamente o quê.
– Veja, seu sobrinho Avery acabou de chegar, é uma honra admirável ter dois membros de uma família que aprecio muito na minha humilde loja. – tagarelou o velho Borgin que fora o primeiro que notou Nereu na entrada da loja. O mais novo Avery observou pelas luzes das velas que iluminavam a loja que o velho dono da Borgin & Burkes estava mais cansado e mais curvado a cada ano que se passava.
Nereu ignorou a reverência que o velho fez e foi em direção ao seu tio. Queria saber qual o motivo para ter lhe enviado uma coruja para se encontrar com ele na loja urgentemente.
– Como foi à viagem, tio? – Nereu perguntou baixo, observando o velho Borgin adentrar em algum cômodo mergulhado nas sombras da loja levando a sacola que Ikaros havia lhe entregado.
– Proveitosa. – respondeu Ikaros II Avery com uma voz profunda. Nereu o encarou de cima, era mais alto umas boas polegadas do que seu tio, este que tinha na feição um ar misterioso. Partilhavam os mesmos olhos verdes e as sobrancelhas negras arqueadas, que tinha o poder de intimidar qualquer um. E também compartilhavam do sangue puro e o desejo de livrar o seu mundo dos indignos da magia.
– Têm algumas coisas que você precisa saber Nereu – seu tio falou, cruzando os dedos das mãos. – Sobre os Avery’s.
Nereu colocou os cabelos negros atrás da orelha. Notou que devia cortar os fios que já estavam chegando à altura dos ombros. Acenou com a cabeça para que seu tio continuasse, apesar de que o assunto o pegou de surpresa. Não achava que seu tio teria o chamado urgentemente para falar sobre o sobrenome da família.
– Existe uma profecia antiga. Tão antiga que não está no Ministério da Magia. – Ikaros pausou. – Uma profecia que pode mudar tudo.
– Por que estamos aqui? – perguntou Nereu, sentindo um frio repentino o envolver.
Tantas perguntas se passavam em sua cabeça, porém sua boca parecia não querer perguntar a questão principal. Talvez estivesse com medo.
Seu tio desviou sua atenção para o velho Borgin que retornava acompanhado de um jovem magricela que deveria ter quatorze anos no máximo.
– Quem é esse? – o mais novo Avery perguntou.
O dono da loja passou apressadamente para fechar as portas da Borgin & Burkes. As chamas das velas tremeluziram com a última lufada de ar que entrou. As máscaras penduradas nas paredes pareciam sorrir macabramente para Nereu sob a luz das velas.
– Rosier. Ele é um vidente. Um dos mais brilhantes que eu pude conhecer. – Ikaros respondeu, encarando o garoto.
Nereu deu uma segunda olhada para o rapaz. Não parecia brilhante como seu tio havia acabado de lhe intitular. Usava vestes velhas e surradas, o cabelo claro apontava para todas as direções, e seus olhos... Nereu parou de analisá-lo, surpreso. Seus olhos eram brancos como leite. Finalmente, ele entendeu o que seu tio havia dito. Os videntes cegos, como o jovem Rosier, eram famosos pelas suas corretas premunições.
O velho Borgin retornou a seu lugar ao lado do garoto, enquanto Ikaros se aproximava e o jovem Avery a um passo atrás de seu tio.
– Segure a mão dele. – Ordenou Ikaros.
– Por quê? – Nereu se sobressaltou. Aquilo estava relacionado com ele?
– Você é o mais próximo. – seu tio falou sem paciência.
– Próximo de que? O que está acontecendo? – ele não gostou do tom de Ikaros.
Seu tio passou a mão pelos poucos fios brancos que cobriam sua cabeça. Sua testa brilhava de suor.
– Entenda – Ikaros suspirou. – É para Um Bem Maior.
Nereu mesmo contrariado, obedeceu a seu tio. Olhou de relance para Ikaros que o encorajou com a cabeça para ir adiante.
Então ele fez. Segurou nas mãos frias do jovem rapaz. Um leve tremor passou por sua mão e seguiu para seu corpo.
O jovem franziu as sobrancelhas antes das palavras correrem pela sua boca.
Uma maldição antiga finalmente se cumprirá, uma águia liderará o exército de cobras. Uma rosa de uma linhagem de espinhos terá mais poder do que qualquer que ande sobre a terra. As duas casas se ajoelharam aos seus pés, porém... – o rapaz deixou a voz morrer.
– O que aconteceu? – Nereu sussurrou para seu tio.
Ikaros o olhou zangado e sinalizou para ele permanecer calado.
O amor poderá ser sua salvação e sua perdição.
O garoto soltou a mão do jovem Avery, e esse se afastou. O velho Borgin pegou no cotovelo do garoto e lhe guiou para algum aposento mais adentro da loja.
– O que aconteceu? – ele perguntou novamente, esfregando a mão que havia apertado a mão do jovem Rosier. As palavras que foram ditas pelo vidente não faziam nenhum sentido para Nereu.
– A profecia é sobre sua sobrinha! – Ikaros falou sem rodeios, com os olhos brilhando de um jeito que Nereu achou um pouco lunático.
? – Nereu perguntou. era a única filha de seu irmão Portius que morava no Brasil. A única vez que havia visto ela, foi um dia depois de seu nascimento.
Seu tio balançou a cabeça sorrindo.
– Você não entende? Preciso dessa garota aqui! Em Londres.
Nereu estava cada vez mais confuso.
– Por quê? O que você quer com ela?
Seu tio circulou a sala, parando na frente da mão da glória.
– Lord Voldemort era um fraco. – ele começou, de costas para Nereu. – Um mestiço. – o nojo da palavra foi audível para o sobrinho.
– Sempre soube que viria um salvador sangue-puro que iria tirar a impureza da nossa sociedade. – ele continuou. – E essa salvadora leva o nosso sobrenome Nereu, isso é fenomenal!
– Como a filha de Portius poderá ser a salvação, quantos anos ela tem? Dez? – Nereu perguntou um pouco incomodado. Já tinha ouvido rumores de que Lord Voldemort retornaria a anos, mas um novo Lord, ou no caso uma Lady das trevas, não. – Não compreendo...
– Claro que não! – Ikaros interrompeu rindo virando-se para ele. – Seu pai era um fraco que não compartilhou a nossa verdadeira história. Nossa família é muito poderosa!
Nereu se ressentiu pelas palavras de seu tio. Era verdade que nunca teve um bom relacionamento com seu falecido pai, que era contra os ideais de Você-Sabe-Quem, apesar de ter sido um comensal da morte. Contudo ele fora seu pai e sempre estava ao lado dos filhos nas piores e melhores horas.
– Nossa família é muito poderosa. A família de sua cunhada também é. – Ikaros estralou a língua. – Só preciso trazer eles para Londres.
– E como vai fazer isso? – Nereu perguntou. Já estava pensando em avisar seu irmão para procurar um lugar para se esconder de seu tio. Portius nunca esteve nesse meio, nunca fora um comensal. Era o único dos três irmãos que tinha se dado bem na vida, tinha uma esposa amorosa e uma filha. Artorius, o irmão mais velho havia morrido na batalha em Hogwarts. Nereu conseguiu escapar, assim como seu tio Ikaros.
Ikaros sorriu largamente, mostrando dentes amarelados. O jovem Avery sentiu ânsia. Nereu não sabia o que se passava na cabeça de seu tio, e o que ele queria com sua sobrinha.
– Eles virão – ele pausou. – Para seu funeral.
Antes que Nereu assimilasse as palavras de seu tio, Ikaros ergueu a varinha rapidamente, não dando tempo para Nereu se proteger do feitiço esverdeado.
– Avada Kedrava.



2: Bem-vindos à Londres


O vento folheava o dicionário de latim que havia deixado aberto perto da janela. A brisa fresca daquela manhã invadia o quarto da jovem bruxa que estava há um momento estudando e agora se encontrava dançando e girando no meio de uma corrente suave de ar e algumas folhas verdes que havia entrado pela janela com o sopro do vento.
Após alguns minutos de algazarra, se jogou em sua cama, rindo. Havia acordado cedo naquela manhã, como todas as manhãs de suas férias para estudar. Não que ela fosse uma nerd, bem, talvez fosse um pouquinho, mas naquela ocasião, os estudos eram para uma recompensa pessoal.
Ela se aprumou na cama, pegando um pergaminho rabiscado que estava em cima de da mesma. Leu Totus Posse, Expulssum e mais dezenas de palavras em latim. Precisava criar um feitiço poderoso. Nem que precisasse abrir mão de algumas horas de sono.
! – sua mãe se fez ouvir da cozinha, chamando-a para o habitual desejum.
A garota jogou o pergaminho para cima, sabendo que não poderia mais trabalhar na criação do seu feitiço que estava escondendo de todos.
O pergaminho repousou mais uma vez na cama e pegou-o novamente e escondeu dentro do livro "1000 e 1 Poções". A garota se levantou, dando uma girada em torno de si na frente do espelho que havia em seu quarto, elevando levemente a barra de seu vestido branco rendado.
Era um típico dia ensolarado no Brasil. Mesmo estando no inverno, o sol não perdia a oportunidade de aparecer e se infiltrar pelas janelas da casa dos Avery’s.
se direcionou para a acolhedora cozinha da Senhora Avery, que naquelas horas estava entre fumaças do café do Senhor Avery e risadas animadas.
A jovem encontrou seu pai já segurando a xícara usual de café em uma mão e na outra segurava uma carta na qual lia atentamente.
Porém não encontrou sua mãe sorrindo, dando-lhe bom dia. Lyra Avery se encontrava séria, com a mão apoiada no ombro de seu marido, como se passasse forças para ele.
se sentiu mal olhando para a cena da cozinha. Não sabia o porquê, apenas parecia que o dia havia começado errado. Como se algo no ar estivesse diferente. Ela cruzou as mãos nas costas, sentindo-as frias repentinamente.
– Bom dia. – ela cumprimentou os pais. Não esperou a respostas deles já que pareciam tão concentrados, então puxou uma cadeira para se sentar à mesa.
Lyra sorriu solenemente para a filha e se aproximou, dando-lhe um beijo no topo da cabeça.
– Bom dia, minha querida – seu pai lhe respondeu cauteloso, se levantando sem olhar nos olhos da garota. – Preciso responder uma carta, com licença.
notou que seu pai estava agindo estranho, enquanto ele se encaminhava para o escritório ao lado da sala. Ele era menos caloroso do que sua mãe é claro, mas com , Portius Avery sempre fora atencioso e compreensivo.
Sua mãe agora estava de costas, voltada para o objeto que cozinhava a comida dos trouxas, chamado fogão. Depois que deixara a Albânia, sua mãe havia morado em uma cidade com vizinhos trouxas em Londres e tinha se maravilhado com aquele objeto. Já havia tentado ensinar a usá-lo, mas a jovem era avoada e nunca marcava o tempo que a comida levava para cozinhar, o que acabava carbonizando tudo.
– O que aconteceu? – perguntou para sua mãe, fitando o prato de mingau de aveia a sua frente. Havia perdido o apetite e nem sabia a razão.
Lyra se virou para ela, esquecendo-se por uns instantes do fogão, puxou uma cadeira e se sentou de frente para . olhou para sua mãe. Poucos fios brancos se faziam presentes no meio do mar negro que era seus cabelos. Tão negros como as asas de um corvo. Iguais ao dela, menos no tamanho. O de Lyra estava cortado pelos ombros, e o de chegava na cintura.
Também havia herdado os olhos escuros da mãe, que agora aparentavam cansaço.
– Seu pai recebeu uma notícia desagradável hoje. – ela informou. – Parece que seu tio Nereu sofreu um acidente em Londres. pegou uma colher e começou a mexer no mingau, deixando-o menos apetitoso do que já era.
Nunca tinha conhecido seu Tio Nereu, apesar de seu pai já ter lhe contado que ele havia vindo um dia depois do nascimento da garota. Sabia que ele era o irmão mais novo de seu pai, e assim como Portius, havia nascido em Londres, porém continuara morando lá. Seu pai não mencionava muito sobre sua família nas conversas, mas sabia que os Avery’s foram Comensais da Morte, fiéis seguidores de Lord Voldemort. Seus avós eram comensais, seus tios, todo o clã Avery, exceto Portius. Seu pai deixara Londres poucos meses de conhecer Lyra Aquila, e com ela, viajaram para o Brasil deixando a herança das trevas para trás.
– Será que ele irá para Londres? – perguntou ingenuamente.
– Provavelmente. – Lyra segurou a mão da filha sobre a mesa. – Se ele precisar iremos com ele, tudo bem? acenou confirmando. Nereu era o único irmão vivo que seu pai tinha. O mais velho dos três Avery’s se chamava Artorius e havia caído na batalha em Hogwarts junto com o exército de Lord Voldemort.
apertou a mão de sua mãe, sentindo um gosto amargo na boca. Algo estava errado.


🌙⭐️🔮

voltou a ver seu pai no início da noite. Ele havia passado o dia todo no escritório que ficava no final do corredor ao lado da sala, onde abrigava vários livros sobre magia, feitiços e o universo mágico.
Ela tinha ido ao estábulo dos cavalos alados para colocar o feno e trocar a água, havia ajudado sua mãe com o banho de Scar, o amasso* de Lyra e tinha tentado localizar um dedo-duro* pois suas reservas de penas estavam acabando e iria precisar de mais para as aulas de poções no CasteloBruxo, mas não encontrara nenhum naquele dia. Tinha feito tudo isso, mas o aperto no peito e a sensação desagradável lhe acompanhou o dia todo.
havia jantado com sua mãe e já estava se preparando para se retirar para o quarto quando seu pai apareceu. Pela expressão de alivio que tomou o rosto de sua mãe, percebeu que não fora a única que estivera preocupada com ele. Apesar do ar de tristeza, Portius tentou dar um sorriso para as duas. O coração de se apertou com o ato.
– Devo ir para Londres. – Portius se pronunciou. Sua voz estava rouca, denunciando a falta de uso, ou talvez ele houvesse chorado, pensou um pouco abismada. – Nereu faleceu.
Lyra se levantou e se aproximou dele, segurando sua mão. não sabia o que fazer. Não conhecia seu tio e apesar de saber que era egoísmo de sua parte, não se sentia triste pela morte de um homem que não conhecia. Estava abatida apenas por causa de seu pai, não gostava de vê-lo sofrer.
também se levantou, aproximando-se de pai, e em um impulso, o abraçou. Não tinha palavras para confortar ele, então preferiu demonstrar. Portius retribuiu o abraço em silêncio.
Sua mãe os acompanhou e envolveu-os em um abraço apertado. Ali, nos braços de seus pais, pensou que aquilo, aquela união de sua família era mágica e inquebrável e sempre estariam unidos, ligados pela mágica mais poderosa do mundo. O amor.


🌙⭐️🔮

se encontrava no seu quarto, organizando as coisas que poderia precisar na rápida viagem em uma mochila cinza onde levava materiais de poções para o Castelobruxo. Não sabia quantos dias ficariam em Londres, provavelmente uns três.
Poderia convencer a sua mãe a lhe mostrar onde ela havia morado e é claro, queria muito conhecer Hogwarts. Preferia pedir à Lyra, uma vez que seu pai estaria abatido para passear, mas se quisesse acompanhá-las seria bem-vindo.
balançou a cabeça. O que estava pensando? Não poderia pedir uma coisa dessas para sua mãe e muito menos para seu pai. Eles não iriam passear em Londres, iriam para um funeral! A garota sentou na cama. Tinha quinze anos mais ainda estava confusa com relação ao seu comportamento. Não poderia agir como uma criança egoísta e mimada. Mas também não era adulta, era jovem e inexperiente em certas situações.
Parou de se culpar e levantou-se, pegando poucas roupas, um sapato e itens de higiene que precisaria e colocou tudo na mochila. Pegou sua varinha e com a mochila nas costas foi ao encontro de seus pais que já esperavam na sala, com as malas já prontas.
Iriam aparatar em conjunto. As mãos de começaram a suar frio. Nunca havia aparatado, mas já tinha ouvido falar que era desconfortável. segurou a alça da mochila fortemente e com outra segurou o braço de sua mãe.
Seu estômago embrulhou de nervoso. Lyra tocou no braço de seu marido e então , com a respiração reprimida, sentiu rapidamente uma fisgada, primeiro em seu braço e depois todas as partes de seu corpo, parecia não saber para onde ir. A escuridão a tomou e fechou os olhos tão fortemente que pensou que eles encolheriam de tamanha força que havia aplicado. Seus ouvidos zuniram como se vespas houvessem entrado em sua cabeça. E então do mesmo jeito que começou, acabou. Não passara mais de um segundo, mas para , que estava respirando descompensadamente agora, parecia que tinha estado horas imersa debaixo d’água.
Piscando os olhos para afastar as lágrimas que se formaram, tentou enxergar além da escuridão. Provavelmente era madrugada em Londres por causa do fuso-horário, mas ainda dava para ver a silhueta da casa que se encontrava na sua frente. Sentiu sua mãe puxar sua mão e percebeu que seu pai se encaminhava para o portão da casa. Os braços nus de tremeram com a frieza de Londres. Deveria entrar logo naquela casa antes que se transformasse em uma estátua congelada.
A cada passo que os três davam, notou, iluminada apenas por uma luz que havia no poste à esquina, que a casa tinha o dobro do tamanho da sua. Talvez pudesse chamá-la de mansão. A mansão dos Avery’s.
A garota não tinha noção que a família do seu pai era bastante abastecida economicamente. Ela fungou, passando os braços pelo corpo, tentando permanecer viva no meio da friagem da madrugada londrina. Portius bateu na grande porta de madeira três vezes. , que estava atrás de sua mãe, se limitou a não ficar pulando em um pé só para se esquentar.
Com mais batidas vindo de seu pai sem respostas, achou que não teria ninguém em casa. Ou estavam dormindo. Notou que nunca haviam recebido visitas durante a madrugada lá no Brasil.
Antes que a garota lançasse um Alohomora, a porta se abriu, revelando um homem idoso vestindo um pijama que um dia fora verde e agora estava mais surrado do que os panos de chão da casa de .
Então os Avery’s estavam passando por uma época ruim? Seria muito cedo para pensar em arrumar um emprego? A garota ponderou.
– Portius! – O homem exclamou, tirando de seus devaneios financeiros. – Não o esperava tão cedo!
– Desculpe-me por interromper seu sono, tio Ikaros, – o pai da garota começou, apertando a mão do homem. – Eu queria chegar antes do amanhecer.
– Bem, bem, vejo que trouxe a família. Venham, entrem – Ikaros deu passagem para que os visitantes pudessem entrar. – Vocês devem estar congelando parados aí fora.
seguiu sua mãe para dentro da mansão. Ao passar por Ikaros que segurava a porta, percebeu que ele a encarava com um meio sorriso no rosto. A garota desviou o olhar rapidamente se sentido como se estivesse sendo avaliada.
Voltou o olhar para a sala que se iluminou totalmente quando entraram. Era bastante ampla, apesar de não haver muitos moveis. A sala possuía dois corredores, um em direção ao norte e outro no oeste da casa e ainda uma escada que provavelmente levaria para o próximo andar.
bocejou. A aparatação tinha lhe esgotado.
– Podem seguir pelas escadas, há quartos vagos e vocês precisam descansar. A viagem fora demasiada longa. – O homem de pijama falou.
Portius assentiu.
– Obrigado, Tio Ikaros. – ele agradeceu cabisbaixo – Mas eu queria ver ele, se não se importar...
– Oh claro, – respondeu Ikaros e se encaminhou para o corredor oeste – Venha comigo.
Lyra agarrou a mão de seu marido.
– Iremos para o quarto, se não se importa. – ela falou se referindo a e a si.
Portius assentiu, beijando a cabeça de sua esposa, desejou boa noite para e seguiu seu tio.
sabia que ele queria ver o corpo do seu irmão e tentou não pensar muito nisso quando se encaminhava para as escadas, seguindo sua mãe.

*Amasso: é um felino de pêlo pintado, grandes orelhas e rabo igual ao de um leão.
*Dedo-duro: Pequena ave azul, toda sarapintada.


3: Esqueletos no Porão

Ikaros ergueu o profeta diário na altura dos olhos para examiná-lo melhor. Era o início da manhã e ele se encontrava em seu escritório. Sua companhia era apenas uma xícara de chá.
O jornal bruxo não tinha dado muito destaque para a morte de Nereu, havia apenas uma pequena nota na página sete. O destaque daquela edição acabou sendo o ataque de um grupo de bruxos e de acordo com alguns moradores, eram ex-comensais da morte. Uma foto do Harry Potter estava na primeira página. Um sorriso de deboche se formou nos lábios de Ikaros. O menino que sobreviveu, agora era um auror, Chefe de Execução das Leis da Magia. Dizia na reportagem que estavam investigando os ataques no norte da Noruega e que iriam capturar os responsáveis.
Tudo estava acontecendo como ele havia planejado. Ele tinha pensado e calculado por anos todos os passos que daria. Ao contrário de Rodolfo Lestrange que havia movimentado os gigantes e lobisomens apenas por Delphini Riddle. O rosto de Ikaros se retorceu de nojo. Nunca seguiria uma garota tola, uma mestiça. Tinha seguido os mandos de você-sabe-quem apenas por medo na época. Ikaros não tinha o conhecimento e nem a experiência nas artes das trevas que adquiriu ao longo dos anos.
Mas agora tudo havia mudado.
Ele tinha descoberto no meio de suas pesquisas uma lenda muito antiga. Uma lenda mais poderosa que as relíquias da morte. Uma lenda que poderia mudar o mundo da magia.
Uma lenda sobre Morgana, a Senhora do Lago.
A maior e mais poderosa bruxa que havia colocado os pés na Grã-Bretanha.
Morgana, a mesma bruxa que assassinou um dos maiores bruxos, se não o maior de todos os tempos. Merlin.
E agora poderia trazer ela de volta do mundo dos mortos.
Ela reinaria e comandaria todos os bruxos e feiticeiros do planeta. E claro, ele seria o segundo no comando, seu braço direito. O que na verdade comandaria tudo.
Ikaros tossiu. A friagem da madruga havia lhe pegado desprevenido. Ou talvez sua saúde estivesse frágil, afinal tinha noventa e cinco anos e não continha mais a vitalidade de um rapaz de vinte anos.
A porta de seu escritório se abriu em um movimento brusco.
– Olá papai. – cumprimentou Chuck Avery debochadamente. Era o único herdeiro de Ikaros e era incrivelmente irritante e rebelde. Igual ao próprio Ikaros quando tinha seus trinta anos.
Chuck não tinha muitos traços dos Avery’s, além de sua personalidade. Sua pequena feição fora herdada de sua falecida mãe, Amélia Carrow.
– Qual é o serviço dessa vez? – perguntou o mais jovem Avery se acomodando na cadeira em frente a mesa onde se encontrava Ikaros.
Colocando o jornal de lado, Ikaros fitou o filho. Ele precisava urgentemente se barbear.
– Quero que leve Portius e sua esposa para o Caldeirão Furado, como havíamos combinado.
Chuck pegou uma pena que estava em cima da mesa e começou a brincar com ela.
– Eles vieram então? – perguntou sem tirar os olhos da pena.
– É claro. – Ikaros pausou. – E trouxeram a garota.
Chuck parou de mexer na pena e olhou para seu pai.
– Está feliz, não está? – ele perguntou.
Ikaros sorriu. Um sorriso cheio de segredos.
– Já enviei uma carta para a casa do Chefe dos Aurores, denunciando você e onde estará, como combinamos.
– Harry Potter. – Chuck falou. Seu pai assentiu.
– Como pôde entregar seu próprio filho aos aurores? – ele perguntou sarcasticamente, sorrindo.
– Não se esqueça de que matei meu sobrinho. – o tom da conversa ficou sombrio. – Nada ficará no meio do meu caminho. Além do mais já conversamos sobre isso. Você terá que desaparatar no meio da ação.
Chuck ergueu as mãos no ar.
– Por favor, não repita mais, eu já sei.
Ikaros assentiu.
– É crucial não haver falhas, entendeu?
– Sim senhor! – Chuck exclamou claramente sem paciência. – Posso ir agora?
Ikaros acenou para a porta com a mão.
O filho se encaminhou para a mesma, porém antes de abrir a porta, o velho Avery lhe interceptou.
– Chuck? – Ikaros chamou.
Ele se virou de má vontade.
– Sim?
– Tente não morrer.
Os dois compartilharam um sorriso de escárnio e então Chuck se foi.
O ex-comensal tomou um gole de seu chá e fez uma careta. Estava esfrio. Odiava chá frio.

🌙⭐️🔮


Ikaros se encaminhando para a cozinha para perguntar se Varras, o elfo doméstico já teria feito o café da manhã da garota Avery. E ele queria mais chá.
Lembrou-se de como foi difícil convencer a esposa de Portius a ir com ele para o Caldeirão Furado naquela manhã. Disse-lhe que o sobrinho precisava de apoio e mesmo assim ela não queria ficar longe da filha. Mas no final tinha conseguido convencê-la.
Seu sobrinho havia passado toda a madrugada com o corpo de Nereu, que estava na biblioteca. E ele o acompanhou, depois de trocar o pijama e colocar suas usuais vestes negras.
Quem fez isso? Portius havia perguntado com os olhos marejados. Ikaros não sabia que eles eram unidos ou qualquer coisa do tipo, já que Portius nunca manteve contado com os Avery’s da Grã-Bretanha, pelo que sabia.
Há boatos de os Aurores estão caçando ex-comensais, ele respondeu. Não era mentira em todo caso. Havia lido no profeta diário há alguns minutos atrás, mesmo que tivesse conjecturado de madrugada.
Ele ainda estava envolvido com isso? Portius perguntou com raiva, já não escondia as lágrimas que corriam livremente.
O que Ikaros podia responder?
Nereu na verdade não estava envolvido diretamente. Estava como os outros ex-comensais à margem de tudo que estava para acontecer.
Porém, um comensal, sempre comensal.
Eu tinha cortado a comunicação com ele a alguns meses, Ikaros mentiu. Porém, Chuck me avisou que ele estava envolvido com as artes das trevas recentemente.
O mais velho Avery lembrou como Portius debruçou-se sobre o caixão depois que ele lhe respondeu, derrotado.
Perdi mais um irmão por causa dessa coisa! Ele falou inconformado.
Ikaros se manteve calado. O que poderia falar? Estava planejando a morte de Portius pelo mesmo motivo que Nereu havia morrido e compartilhar essa informação não seria oportuno.
Lyra apareceu na biblioteca minutos depois falando que tinha acabado de cair no sono e então abraçou seu marido.
Ikaros balançou a cabeça, tentando esquecer esses diálogos da madrugada e entrou na sala com o intuito de atravessá-la e seguir para a cozinha quando viu a garota parada na sala. Estava perto de uma mesinha, olhando para um anel que estava entre suas mãos.
Um largo sorriso apareceu no rosto do ex-comensal. Era como se o mundo conspirasse a seu favor.
Ele se aproximou sorrateiramente dela, não querendo alarmá-la.
– Anel interessante, não é? – ele perguntou quando estava próximo da garota.
se virou bruscamente, quase derrubando o anel que continha um rubi incrustado.
– S-sim. – ela gaguejou, suas mãos foram para o peito, tentando se acalmar pelo susto.
– Pode ficar para você. – ele falou docemente.
– O que? Não, não, eu... – Ikaros a interrompeu.
– Tudo bem. – ele falou para tranquilizá-la. – É uma herança de família e bem, você é uma Avery.
– Sendo assim... – disse desconfortável. – Onde estão meus pais? Eu não os vi ainda.
– Eles foram para o Caldeirão Furado com o Chuck, meu filho, buscar as coisas de Nereu.
franziu as sobrancelhas.
– O que é Caldeirão Furado?
Antes que Ikaros pudesse responder a pergunta, Chuck desaparatou no meio da sala, sobressaltando os dois.
Seu rosto trazia cortes e em alguns lugares o sangue ainda pingava vermelho vivo.
– Chuck o que aconteceu? – Ikaros exclamou, fingindo estar assustado.
– Os Aurores... – ele respirou com dificuldade. – Uma cilada. Foi uma cilada.
Chuck se sentou em uma das poltronas, gemendo de dor.
– E meus pais onde estão? – perguntou assombrada, se aproximando dele.
– Pegaram eles. Harry Potter estava lá. Portius tentou me defender, mas... – ele balançou a cabeça negativamente.
– Mas o que? – ela gritou.
– Eles não conseguiram. Morreram. Os aurores os mataram.



4: Chá com os Malfoy’


Os joelhos de cederam. Apenas por um minuto, o mundo da garota parou. Ela não conseguia entender o significado daquelas palavras juntas. Nunca havia pensado em usar pais e mortos na mesma frase. Aquilo não estava certo.
– É mentira! – ela gritou. Não podia ser verdade.
Alguém segurou em seus ombros quando as lágrimas começaram a dificultar sua visão. Os primeiros soluços apareceram e se tornaram incontroláveis e continuava a repetir que era mentira.
Ela cobriu os olhos com suas mãos trêmulas. O que seria dela sem a mãe carinhosa e seu amado pai? Ela já sabia a resposta. não seria nada, porque sua família era tudo o que tinha.
Ela não merecia isso. Eles não mereciam isso.

🌙⭐️🔮


Dois dias haviam se passado.
Dois dias em que estava entorpecida.
Dois dias que a garota tinha se tornado uma órfã.
Ela havia permanecido em Londres, na casa de Ikaros, após o funeral de seus pais.
Portius e Lyra agora estavam em uma tumba, onde jaziam os restos mortais de outros Avery’s que tinham morrido, como seu tio Nereu.
pensava neles sempre. Em como poderia ter evitado a mortes dele, em como queria que seu tio não tivesse morrido, para que essa viagem a Londres nunca tivesse ocorrido.
A garota passava a maioria de suas horas deitada no quarto em que ficara deste o primeiro dia, olhando para o teto, tendo lembranças felizes de seus pais.
Dentro de si, uma confusão de arrependimento, tristeza e medo se acumulavam.
E raiva. Principalmente a raiva depois que leu o jornal bruxo local que Ikaros tinha lhe mostrado. A raiva borbulhou em suas veias quando leu o artigo. Os aurores estavam atrás de todos os ex-comensais e acharam uma oportunidade perfeita para pegarem Chuck naquele dia, e consequentemente, seus pais que o acompanhava.
Chuck tinha reagido aos aurores, gerando uma pequena batalha, onde seus pais foram envolvidos e fatalmente mortos.
sentia raiva dos aurores. Um furor que nunca havia sentido em sua vida.
Porém a garota também se sentia mais miserável a cada dia que se passava.
Se existisse uma poção que lhe fizesse nunca mais sentir nenhum tipo de sentimentos, tomaria.
Mas provavelmente ela estava sofrendo porque merecia, ponderava a garota. Devia ter sido uma má filha, presunçosa e mesquinha, devia ter cometido alguma falha e agora estava sendo punida adequadamente.
A tristeza seria sua companhia até o fim de seus dias, e a garota lhe abraçaria de bom grado.
Quando Chuck desaparatou na sala e falou que seus pais haviam morrido, não sentiu nada.
Era como ela fosse um espelho, e as palavras de Chuck fossem pedras que lhe estilhaçaram em pedaços minúsculos.
Era como se o mundo tivesse parado. Como se nada mais importasse para a garota.
Dois dias que estava em Londres, mas para , as horas não passavam.
Ela apenas queria ficar revivendo as lembranças de sua família querida.
Ocasionalmente, recebia a visita de um elfo doméstico em seu quarto, que levava suas refeições que voltavam intactas.
A garota por vezes pensava se ela não devia ter morrido também. Talvez por ser muito egoísta, o destino lhe castigou, fazendo-a ficar sozinha.
Quando chegava a noite, era a pior parte de seu dia.
se lembrava de que havia passado as últimas horas de vida de seus pais, dormindo. Enquanto eles estavam velando seu tio, ela estava descansando da viagem.
Apenas se ela soubesse o que iria acontecer, poderia ter feito algo.
Sempre vinham pensamentos tristes e a garota chorava copiosamente. Fora da casa, a chuva parecia acompanhar as lágrimas de , e os trovões faziam ecos nas agonias da garota.
No terceiro dia, pela manhã, não fora Varras, o elfo, que lhe levou o café da manhã em seu quarto. Fora Ikaros.
já estava acordada e olhava fixamente para o anel em seu dedo. O anel da família que ainda estava com ela. A garota não sabia o porquê ainda estava o usando. Talvez fosse uma última lembrança de seu pai que ela queria que lhe acompanhasse fisicamente.
Os olhos de se encheram de lágrimas mais uma vez.
– Eu sei que está sendo difícil – a voz de Ikaros quebrou o silêncio do quarto. – Mas saiba que estou aqui, se quiser conversar.
permaneceu calada. Não queria mais ninguém em sua vida. Não queria se dar ao luxo de perder mais alguém.
– Sei que provavelmente somos os únicos parentes e acredite, não é nenhum sacrifício ser seu responsável. – ele se afastou da porta, levando o prato para a pequena cômoda perto da cama. – Farei de tudo para que você fique confortável nessa casa.
Então percebeu que não voltaria mais para o Brasil. Não voltaria mais para o calor de dezembro, em que passeava pelos campos nos cavalos alados com seu pai.
Não voltaria para o CasteloBruxo e nem teria aulas com seus colegas. Não voltaria para sua adorável casa onde sua mãe lhe esperava no Natal. Porque não tinha mais ninguém. Só restava o vazio.
Seu lar agora era Londres.
O mesmo lugar onde perdera seus pais há apenas alguns dias.
O mesmo lugar que adoraria visitar antes de tudo acontecer.
O mesmo lugar cinza e morto, que agora era igual a ela.
– Irei para Hogwats para resolver a sua transferência. – o coração de acelerou e a garota se censurou internamente por ainda deixar-se sentir algo com a menção da escola.
– Saiba que estarei aqui... – a voz de Ikaros transmitia dor, fazendo olhar para ele pela primeira vez deste que ele entrara no quarto.
Ele parecia cansado, como se não tivesse dormido o suficiente. Suas vestes negras estavam amarrotadas e os poucos fios brancos de sua cabeça estavam bagunçados. Ela então refletiu que não era a única naquela casa que estava sofrendo.
Ikaros se retirou do quarto, que ficara extremamente frio e silencioso. Como a própria .

🌙⭐️🔮


Naquele mesmo dia, durante a tarde, finalmente decidiu sair de seu quarto. Ela pensou durante muito tempo que não faria nenhuma diferença estar presa na cama sem fazer absolutamente nada. Sua mãe provavelmente não aprovaria tal comportamento.
Desceu as escadas vagarosamente, encontrando a sala vazia. Não sabia se Ikaros já havia chegado de Hogwarts, mas achava que não. Achou melhor assim, pois sem Chuck ao redor, não o tinha visto mais depois do fatídico dia, poderia explorar a casa livremente.
A sala era amplamente preenchida com um tapete bastante trabalhado em fios prata e turquesa. Havia bandeirinhas e a letra “A” era destaque no tecido.
Também se encontrava um grande sofá, que poderia acomodar aproximadamente quatro pessoas, de um azul metálico e duas poltronas da mesma cor.
A garota tentou se lembrar da primeira vez que tinha entrado naquela casa, mas infelizmente estava muito cansada da aparatação para notar os detalhes da sala.
Castiçais estavam espalhados por toda sala e supôs que em todos os cômodos tivessem velas.
Um quadro na parede chamou sua atenção. Um homem de cabelos grisalhos vestido de preto e com uma expressão severa aparecia na foto. Em letras prateadas na moldura se encontrava Ítono Avery.
escutou um balde sendo derrubado no chão vindo do corredor oeste e presumiu que fosse Varras, o elfo doméstico. A ideia de ter um elfo doméstico não lhe era muito agradável, mas já que a casa era de Ikaros...
– Varras. – ela chamou alto.
esperou o elfo aparecer, voltando seu olhar para o quadro.
– Minha senhora precisa dos serviços de Varras? – falou o elfo com a voz arrastada.
A garota olhou para ele. Sua expressão era um misto de zangada e cansaço. O nariz era grande e pontudo e os olhos escuros tinham bolsas arroxeadas embaixo.
Algo dentro de se agitou e ela sentiu pena do pobre elfo vestindo algo que parecia um saco de batatas.
– Sim. Eu queria saber quem é esse homem. – apontou para o quadro.
Varras piscou seus grandes olhos para a foto.
– Oh, esse é o senhor Ítono Avery, senhorita, o primeiro senhor de Varras, pai dos senhores Artorius, Portius e Nereu Avery. – o elfo explicou.
Então esse era seu avô, pensou. A garota tentou imaginar o que ele faria se soubesse que todos seus três filhos já tinham morrido.
cruzou os braços, como se esse ato lhe amparasse para continuar de pé.
– Obrigada, Varras. – ela agradeceu secamente.
– Varras está a sua disposição, senhorita Avery. – ele reverenciou novamente e começou a se afastar.
Mas antes que saísse da sala, batidas na porta foram ouvidas, fazendo o elfo parar em seu lugar. Porém fora mais rápida.
– Está tudo bem, Varras, pode ir, eu atendo. – ela falou com um sorriso sincero para o elfo, se esquecendo por um momento de sua dor.
– Como quiser, minha senhora. – o elfo voltou para o corredor.
se aproximou da porta, mas hesitou antes de abri-la. Ela olhou para suas vestes que tinha trocado quando resolveu sair do quarto. Era um vestido preto, com rendas nas mangas. se perguntou se aquela roupa era adequada para receber visitas, porém, mais batidas na porta lhe apressaram a abri-la, deixando a questão de lado.
Encontrou do outro lado da entrada um homem de longos cabelos prateados, acompanhado de um garoto pálido igualmente loiro. O homem tinha uma expressão fechada em seu rosto, já o garoto demonstrava apenas tédio, porém tinha uma beleza diferente de tudo o que a garota tinha visto. Uma beleza estrangeira.
– Hum, olá? – cumprimentou incerta.
– Olá, Ikaros está? – o homem perguntou com uma voz suave.
– Ele não se encontra neste momento. – a garota tentou imaginar o que aquele homem vestindo roupas escuras queria com Ikaros.
– Você se importaria se o esperássemos sentados confortavelmente e com algumas xícaras de chá? – o homem perguntou. A garota percebeu um toque de ironia na voz do homem, que a fez corar.
– Não, entrem. – acenou com os braços para a sala drasticamente, fazendo-a corar mais ainda, atrapalhada.
– Obrigado. – o homem agradeceu, dando sua capa para segurar. A garota olhou ao redor por um lugar procurando onde poderia deixá-la e não achou.
Corou mais ainda.
– E como o senhor se chama mesmo? – tentou ser simpática, porém o homem lançou um longo olhar de desprezo que fez seu sorriso morrer.
– Lucius Malfoy. – ele respondeu pomposo. – E esse é meu neto, Scorpius Malfoy. – o homem apontou para o garoto bonito que o seguia cabisbaixo.
– Você deve ser a filha do Avery que faleceu naquele trágico acidente com os aurores, estou certo? – Lucius perguntou, atraindo finalmente a atenção do garoto que fitou , esperando por uma resposta.
– Sim. – foi tudo o que a garota conseguiu responder.
– Naturalmente irá frequentar Hogwarts. – a garota acenou com a cabeça com a afirmação de Lucius.
O homem de cabelos longos se acomodou na poltrona, e o garoto sentou no grande sofá.
– Com certeza irá para a sonserina, como os seus toda a família Avery. – ele continuou. – A melhor casa de Hogwarts, se quer saber. Apesar de nos últimos tempos estar abrigando a escória.
– Como assim? – perguntou curiosa, sentando na outra poltrona de frente a Lucius Malfoy, com a capa do bruxo em seu colo.
Ele fez uma careta para , ao perceber que ela estava amarrotando o tecido.
– Os conceitos de Salazar Slytherin, o fundador da sonserina, eram mais refinados, por assim dizer, dos outros fundadores. Para ele, apenas bruxos de sangue puro poderiam estudar em Hogwarts. – a expressão pomposa de Lucius voltou.
percebeu que era muito injusto o que Slytherin queria, mas não falou nada.
Pelo tom de apreciação na voz do Malfoy, ele obviamente concordava com esse julgamento.
Por um momento, o medo que ela havia deixado de lado, voltou em sua mente. E se não se encaixasse em Hogwarts? Se todos os bruxos pensassem como Lucius Malfoy?
Se lembrou do CasteloBruxo, e das diversidades que haviam lá. Os brasileiros eram famosos por suas recepções acaloradas e faziam qualquer um se sentir confortável.
não se sentia assim em Londres.
– Apesar de... – a voz de Lucius a tirou de suas recordações.
Porém ele não completou a frase. A garota olhou para ele sem entender.
– De quê? – ela perguntou curiosa.
– O filho do assassino de seu pai é da sonserina. – ele respondeu como se essas palavras fossem amargas para falar.
não conseguiu acompanhar o raciocínio.
– O quê? – ela perguntou debilmente.
– Vô. – Scorpius falou pela primeira vez deste que haviam entrado na casa. Seu tom demonstrava claramente que não queria que Lucius continuasse. O outro Malfoy apenas olhou para o neto com desgosto.
– Apenas fique alerta em Hogwarts, – ele falou implicitamente. – E os façam pagar por tudo o que você perdeu.
A garota desviou o olhar para o tapete no chão. Devia seguir os conselhos de Lucius? Teria coragem para isso?
– Alias, onde está o chá? – Lucius perguntou sorrindo para , deixando a garota desconfortável.
A tarde seria bastante longa.



Continua...



Nota da autora: (24/10/2017) Hey, desculpem a demora para att! Minhas aulas começaram e eu estou escrevendo outras fics (A Rainha do Inverno/GoT hihi) e tentando conciliar tudo. E tenho que confessar que escrever esse capítulo foi bem difícil :(. Prometoooooo que o próximo não vai demorar tanto okay? Beijinhos e thank youu <3
Vocês podem me encontrar nos tt @rafamourals e @fallfics. Beijinhos e até a próxima!


Nota da beta: Estou de queixo caído com essa fanfic! I NEED ATT . Rafa, minha linda, quero aquela fic de GOT que você disse hein? Um beijão nesse coração, e atualiza logo. Cada dia me surpreende mais essa mulher! ❤
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