CAPÍTULOS: [01] [02] [03] [04] [05] [06] [07] [08] [09]






Última atualização: 27/05/2017




Chapter One

"Nice to meet you, where you been? I can show you incredible things." - Taylor Swift


Quando o motorista abriu a pesada porta do Audi prateado para que Rhodes saísse, já em frente à mansão onde a irmã mais velha da garota morava com o marido ela colocou devagar um pé para fora e começou a sair do carro, olhando de forma analítica em volta.
Por fora, o lugar parecia enorme e não duvidava que realmente fosse, porém aquilo, de forma alguma, a deslumbrava.
Ser uma Rhodes significava ser fudidamente rica desde que se entendia por gente, seu pai tinha uma empresa no ramo de administração de pedras preciosas, mundialmente conhecida e respeitada. Nada daquilo fez qualquer diferença quando ele morreu e nunca faria para , que sequer piscaria antes de abrir mão daquilo tudo se fosse para tê-lo de volta.
- Seja bem-vinda, Srta. Rhodes – Seu simpático motorista murmurou – Vou deixar suas malas no quarto em alguns minutos. Acredito que a Sra. esteja organizando o jantar de boas-vindas, mas volta logo. O Sr. está trabalhando, a senhorita pode ficar à vontade. – Informou, apontando a entrada para , que agradeceu com um aceno, dando um passo à frente, mas parando no meio do caminho, olhando por sob o ombro, para o motorista.
- Você disse jantar de boas-vindas? – Questionou, com esperanças de ter ouvido errado. O motorista sorriu.
- Para a senhorita! Srta. Bonnie quer que você conheça seu ciclo de amigos, disse que é para não sentir tanta falta de casa. – Ele contou, falando de Bonnie como se ela fosse uma santa, o que fez rolar os olhos, sem conseguir evitar.
Ela não odiava a irmã, obvio, só passara a vida toda vendo todo mundo agir daquela forma com Bonnie e aquilo a enojava.
Por fim, acenou com a cabeça para o motorista e foi em direção a entrada de uma vez.
Girou a maçaneta e entrou na casa, fechando a porta atrás de si. Só então, notando quão ruim aquele momento era para qualquer um chegar ali.
Bonnie estava no colo de um homem sem camisa no sofá, os quadris ladeando seu corpo enquanto segurava com firmeza em seus cabelos e suspirava de uma forma que , definitivamente, preferia nunca ter que ouvir. O homem tinha o rosto enterrado em seus seios, segurando-a de forma que seus corpos ficassem completamente colados.
ergueu uma sobrancelha, lembrando do que o motorista dissera sobre estar trabalhando. Se ele estava trabalhando, quem era aquele comendo sua esposa no sofá, então?
Fazendo então a única coisa que achava que podia fazer, deu um passo para trás e abriu a porta, batendo-a com força em seguida para chamar a atenção do casal.
Ela precisou conter uma gargalhada quando sua irmã pulou para longe do homem ao qual se agarrava.
- ! – Bonnie exclamou ao vê-la, corada em todos os tons de vermelho e duvidou que a situação pudesse se tornar mais divertida que aquilo para ela. – Eu não achei que você chegaria agora, eu...
- Ah, eu percebi. – retrucou, sem conseguir conter o humor na voz. Ela queria muito rir, tanto que morder o lábio como fazia para se conter já estava se tornando uma atividade dolorosa. – Sr. ? – Ela ergueu uma sobrancelha para o homem ainda sentado no sofá, mesmo sabendo que ele não era o Sr. , vulgo, marido de sua irmã.
- Colerman. – Ele corrigiu, se levantando com a camisa nas mãos e sorrindo de maneira sacana para , que não teve dificuldades em decidir que gostava dele. Dele e de seu abdômen a mostra.
- É um prazer conhecê-lo então, Colerman. – Ela sorriu da mesma forma que ele, que piscou e, após vestir a camisa, aproveitou a deixa para analisá-la dos pés à cabeça.
Coxas grossas, seios fartos devidamente empinados e uma bela bunda. Exatamente do jeito que ele gostava.Satisfeito por ter Bonnie como plateia, o homem ergueu o olhar para o rosto da garota e concordou.
- Com certeza é.
fingiu uma reverência e Colerman passou por Bonnie sem sequer olhá-la, acenando com a cabeça para a mais nova antes de deixar a casa. não pôde deixar de reparar na bunda destacada pelos jeans.
Seja lá quem fosse o tal Colerman, ele, definitivamente, era um pedaço de mal caminho.
- Mamãe disse que seu voo era à noite. – Bonnie sussurrou e virou para encará-la novamente, quase rindo quando viu a irmã encarando os próprios pés, ainda corada.
- Não tinha voo à noite, ela deve ter se esquecido de te avisar. – respondeu por fim – Onde é o meu quarto? – Perguntou, já saindo em direção às escadas.
Bonnie suspirou e foi atrás, incomodada. Sabia que não adiantava se desculpar, sua irmã não dava a mínima para sua vida e seu casamento, mas não achava que deixar as coisas como estavam era uma opção também.
- , espera – Chamou, do pé da escada, e virou para encará-la. Bonnie quis correr e abraçá-la ao ver a amargura, que ela se esforçava tanto para esconder, estampada em seus olhos, mas sabia que aquele era o tipo de conforto que sua irmã jamais aceitaria. Muito menos dela.
- Não me chama assim. –A outra falou e Bonnie suspirou, ousando dar alguns passos em sua direção. não se moveu.
- É só um apelido. – Disse Bonnie baixinho – É lindo e ele gosta tanto...
- Gostava.. – a interrompeu secamente, mesmo que o peito apertasse e ela quisesse mais que tudo sair dali para chorar. Precisavam mesmo falar de seu pai? Bonnie precisava mesmo usar aquele apelido?! – Ele está morto e eu odeio esse apelido, mas, sobre o seu amante, não se preocupa, se eu contar a alguém, você pode dizer que eu estava drogada e não sabia do que falava.
Aquilo fez Bonnie parar, olhando para a própria irmã e fazendo que não com a cabeça.
- Você não está fazendo isso, . – Sussurrou, em negação, e a outra rolou os olhos, embora estivesse aliviada de ter conseguido desviar o assunto de seu pai. Não dava a mínima para os sermões sobre ela estar acabando com a própria vida com as drogas, mas falar do pai era diferente e ela não faria aquilo. Nem com Bonnie, nem com ninguém.
- Mamãe não te disse? Pelo amor de Deus, Bonnie, achou que eu vinha fazer o que aqui?! Matar as saudades? Ela quer que eu me espelhe em você. – Disparou, deixando escapar o desprezo pela possibilidade na voz. – Ela sempre quis, não é?
- Eu achei que fosse só uma suspeita, que ela estivesse exagerando... – Bonnie balançou a cabeça, voltando a tentar se aproximar da irmã, que rolou os olhos outra vez e lhe deu as costas, deixando-a sozinha na escada enquanto adentrava um corredor qualquer no segundo andar. – ! – Bonnie gritou, correndo atrás dela e segurando seu braço para fazer a garota parar e encará-la. – Qual é o seu problema?! Acha que papai gostaria disso?!
- Papai não tem que gostar de nada, ele está morto. – devolveu, soltando o braço do seu.
- Eu não acredito que disse isso. – Bonnie sussurrou, chocada com a frieza da irmã ao falar do pai.
olhou entediada para ela, mesmo que sua vontade fosse chorar.
- Ele está morto, Bonnie. – Disse – Papai está morto e nada que eu ou você possamos dizer ou deixar de dizer vai mudar isso.
Bonnie recuou um passo ao ouvir, sem saber como reagir àquela nova versão de sua irmã, que parecia um pouco morta por dentro, como se parte dela houvesse ido com seu pai. Aquilo assustava Bonnie, elas haviam crescido juntas, ela via quão cheia de vida sua irmã era, como ela sempre fora ela mesma, apesar de tudo.
- ...
- Eu já falei para não me chamar assim. – a interrompeu, irritada e Bonnie bufou.
- Morto ou não, , não foi essa educação que o papai te deu! Como você acha que ele ficaria se soubesse que você está jogando a sua vida fora desse jeito?! Ele sempre fez tudo por você e o que você faz? Usa essas coisas?! – Disparou, aumentando o tom de voz a cada palavra como se esperasse que seu tom obrigasse sua irmã a escutá-la. – O que você está usando, afinal?! Deve estar acabando com a sua capacidade de pensar!
- No momento? Maconha. – devolveu com simplicidade, sem paciência para aquela discussão. Tudo que ela queria era que Bonnie a deixasse em paz. – Você quer? – Perguntou quando a irmã abriu a boca várias vezes para responder, mas nada saiu.
- Se eu quero?! Não dá para acreditar em você! – Bonnie exclamou, exasperada e rolou os olhos.
- Ia te fazer bem. – Deu de ombros – Você anda muito estressadinha.
- Por que você não vai para o seu quarto?! Tenta não ter uma overdose até a hora do jantar, será que consegue?! – A outra devolveu
- Teria feito isso há muito tempo se soubesse onde é o meu quarto. – ergueu uma sobrancelha em desafio e Bonnie precisou contar mentalmente até dez para não arrastá-la pelos cabelos até o cômodo, finalmente entendendo porque sua mãe estava tão desesperada.
Estava praticamente impossível ter uma conversa com aquela garota.
- Última porta a esquerda. – Murmurou sem encarar a irmã – Só vai de uma vez.
Jogando as mãos para o alto num agradecimento teatral, se virou e foi.


prendeu o cabelo num coque alto, mal feito e saiu do quarto. Ela vestia uma camisola apenas um palmo acima do joelho e, apesar da cor escura, um pouco transparente.
Estava decidida a ignorar o jantar que acontecia, supostamente para ela, no andar de baixo, no entanto começava a sentir fome. Provavelmente, era efeito da maconha e agora ela estava num impasse.
Descia e assaltava a geladeira de camisola mesmo ou pulava a janela e procurava o Mc Donald's mais próximo?
Por fim, bufou e caminhou em direção ao banheiro do corredor apenas para não ficar parada ali, no meio do nada, como uma idiota. Ela nem chegou a erguer direito a mão para girar a maçaneta, no entanto, a porta já estava sendo aberta e um homem saía de lá afrouxando a gravata. Os corpos se chocaram e, por sorte, o homem tinha bons reflexos e não foram ao chão por conta do esbarrão.
segurou com as duas mãos no pescoço do desconhecido, prendendo, por reflexo, a respiração quando seus olhares se encontraram. Ela nunca havia visto olhos como aqueles, nem sabia de que cor eram ao certo, mas lhe causava calor. Ou talvez fossem apenas as mãos fortes do homem em seu corpo. Ou os dois.
- Você sabe que é um jantar e não uma festa do pijama, certo? – O rapaz perguntou, arrumando a postura ao se afastar da desconhecida. Ele praticamente sentira os seios dela contra o abdômen e as mãos coçavam para tocá-la de novo, ele queria prendê-la contra a parede e tocar cada parte daquele corpo tão cruelmente à mostra.
- Dispenso o jantar, obrigada. – A garota devolveu simplesmente, mordendo o lábio antes de se permitir analisar o corpo do homem a sua frente, o terno o modelava de forma que qualquer uma teria ânsia para tocá-lo.
- Podemos pular para a sobremesa, então? – Ele não se conteve em perguntar, dando um passo na direção da garota, que não se moveu, sustentando seu olhar, esperando que ele a prendesse de uma vez contra a parede como ela estava quase implorando que ele fizesse.
Antes, no entanto, que ele fizesse isso ou falasse qualquer outra coisa, ouviram passos da escada e desviaram a atenção um do outro de imediato. Era Bonnie.
- ! – Exclamou assim que viu a irmã – Por que ainda está vestida desse jeito?! Tem um monte de gente lá embaixo esperando pra te conhecer!
- Bem, diga a eles para marcarem hora da próxima vez. – retrucou com tédio na voz e Bonnie bufou. podia apostar que ela estava se perguntando por que tudo tinha que ser tão difícil com a irmã. Claro, porque para Bonnie a vida se resumia aquilo mesmo. Eventos sociais e sorrir como se a vida fosse perfeita.
- Eu fiz isso pra você, , será que tem como, por favor, colaborar? – Ela perguntou, mas antes que a outra respondesse Bonnie finalmente reparou no homem parado ali. – ! O que está fazendo aqui em cima?! Já está todo mundo aí.
- Eu estava, justamente, tentando convencer sua irmã a descer. – O homem mentiu e mordeu o lábio para conter uma risada pelo cinismo, finalmente reparando na aliança de ouro do homem.
Então aquele era o Sr. . devia tê-lo visto uma ou duas vezes em feriados, mas não se lembrava bem, embora não soubesse dizer como aquilo fora acontecer. Não lembrar daquele homem.... Parecia até piada.
- ! – Bonnie se voltou novamente para a irmã, arrancando-a de seus devaneios e juntando as mãos em sinal de prece. – Por favor, por favor, por favor, desce com a gente, por favor. – Implorou e a outra rolou os olhos, prestes a abrir a boca para responder, mas foi mais rápido.
- Ok, eu tive uma ideia. – Disse, tirando o paletó. As duas se voltaram, confusas, para ele e entregou o paletó para . – Veste e solta o cabelo. – Instruiu e ergueu uma sobrancelha.
- Pra quê?! – Perguntou, mas apenas fez sinal para que ela andasse logo e Bonnie lhe lançou um olhar pedinte.
A garota bufou e fez o que eles queriam, soltando o cabelo e passando a mão por eles para tentar arrumar.
- Está ótimo. – Disse , se aproximando da garota e arrumando o paletó em seu corpo, para que sua camisola, pelo menos, parecesse comportada, ou algo próximo disso. Não que ele estivesse reclamando. – Só façam o que eu disser, ok?
Bonnie assentiu, realmente tranquilizada que tivesse uma ideia, já que, bem, as coisas costumavam terminar bem quando ele intervinha. , no entanto, ainda mantinha a guarda levantada, mas foi.
Não costumava ceder tão facilmente, muito menos quando não sabia qual era o plano, mas teve a impressão que não adiantaria muito discutir naquele momento.

No andar de baixo, homens e mulheres vestidos elegantemente conversavam animadamente, sentados em volta da mesa de jantar. Bonnie abraçou de lado e a garota se retraiu com o contato, mas antes que pudesse sair de seus braços como planejava, passou um braço em volta das duas e ela ficou presa. Xingou baixo com isso.
- Bem, pessoal, a Bonnie queria fazer uma surpresa para a e não contou sobre o jantar, ela já estava indo dormir agora, mas concordou em vir dar um oi para vocês. – explicou quando as pessoas na mesa voltaram à atenção para os três.
O único que reconheceu foi o Colerman, que estava se agarrando com sua irmã mais cedo. Ele usava um terno comum, mas a forma como a roupa se adequava ao seu físico fazia se perguntar como seria tirá-la dali. Ela apostava que Bonnie sabia.
- Sorria e acene. – sussurrou em seu ouvido quando não pareceu reagir a seu discurso e, ignorando o arrepio que percorrera por seu corpo com aquilo, ela obedeceu.
Sentia-se uma boneca de pano sem propósito entre Bonnie e daquela forma, então se afastou dos dois, cansada de seguir as regras de . Nunca fora boa em seguir as regras dos outros.
Puxou uma cadeira para se sentar ao lado de Colerman, ignorando os olhares dos outros sob ela quando o paletó se abriu com o movimento.
- Seria muita desfeita da minha parte não sentar e comer também, não seria? – Olhou de forma falsamente inocente para Bonnie e atrás delas. Parados ali, como um casal, percebeu com facilidade que não combinavam.
- Acho que eles entenderiam, . – Bonnie retrucou e rolou os olhos.
- Íamos adorar se ela ficasse, mesmo assim. – Um rapaz de olhos verdes e cabelos cacheados, sentado exatamente de frente para ela, comentou malicioso, encarando descaradamente o decote da camisola.
conteve uma risada por isso, observando enquanto e Bonnie sentavam lado a lado.
- Belos trajes, Rhodes. – Colerman comentou, baixo o suficiente para que só ela ouvisse e a garota sorriu discretamente com isso.
- Muito obrigada... ?
- William. – Ele entendeu facilmente a pergunta em seu olhar – WilliamColerman. Vejo que não contou ao sobre o que viu.
- É, você me deve uma. – Ela retrucou, ainda aos sussurros antes de aceitar o copo de suco que lhe serviam e beber um gole.
- Na verdade, eu estava torcendo para que contasse, mas acho que a Bonnie deve. – William retrucou, soando mais amargo do que provavelmente gostaria de demonstrar.
Sem conseguir se conter, a garota virou um pouco para analisar seu perfil, se perguntando o que, exatamente, acontecia entre William e sua irmã, mas antes que pudesse pensar mais a respeito, foi tirada de seus devaneios pela própria Bonnie, que lhe fez participar da conversa central na mesa e lhe apresentou todos. não fez questão de gravar os nomes.


Na manhã seguinte, fora acordada bem cedo por Bonnie, que precisara sair para resolver algo e pediu para a irmã levar um envelope com documentos para na empresa. Segundo ela, o motorista estava à espera de . Ela sequer desfizera as malas ainda, estavam todas espalhadas pelo quarto simplesmente porque não queria aceitar que morava ali agora, não queria morar ali.
Saiu do banheiro suspirando sonolenta e desprendeu a toalha do corpo, jogando-a na cama antes de procurar algo para vestir com toda lentidão do mundo. Não ligava que estivessem esperando por ela, fora acordada cedo contra a própria vontade e aquilo normalmente irritava as pessoas.
Acabou por optar por uma saia preta de cintura alta e uma blusa social branca, de botões, colocou-a por dentro da saia e depois passou algum tempo encarando suas botas e o Scarpins, tentando decidir qual usar. Quando, por fim, decidiu pelos saltos e pegou um casaco e o tal envelope, saiu.
Segundo Bonnie, precisava daqueles documentos antes das dez e, se o trânsito dali fosse como o de NY, ela já devia estar no caminho há muito tempo.
Ao entrar no carro, começou a se perguntar se não devia ter contestado mais, como sempre fazia. Bonnie provavelmente havia se aproveitado de sua lentidão matinal, aquele era sempre o melhor horário para fazer concordar com alguma coisa.
Pensando naquilo, ela se perguntou o que a irmã, que não trabalhava ou estudava, teria para fazer de tão importante que não podia levar os documentos do marido para ele. Será que ia ver William?
mordeu o lábio, pensando que aquilo também seria importante para ela se tivesse um amante gostoso como ele. Ela se lembrou da forma como falara com ela na noite anterior e mordeu o lábio com mais força, por reflexo. Ele, obviamente, também não era fiel. Será que era algum tipo de relacionamento aberto?
riu, pensando que sua mãe ia adorar saber disso.
Não demorou muito para chegarem à empresa de e, depois que o motorista lhe informou o andar, ela saiu do carro com o envelope nas mãos. No elevador, ela viu um monitor pequeno passando algumas propagandas aleatórias, provavelmente bem caras, e, de tempos em tempos, mostrando o logo da empresa. O andar de era o décimo sexto, o último. O logo da empresa deve ter aparecido umas dez vezes enquanto o elevador subia e começou a bater o pé, impaciente. Odiava esperar.
Quando, por fim, chegou ao andar de , saiu do elevador às pressas, mas parou quando olhou de um lado para o outro e não viu ninguém. Havia apenas uma mesa vazia quase de frente para o elevador e uma sala adjacente a ela no inicio de um corredor.
Sem se importar se era ou não a sala de , foi até lá e abriu a porta sem cerimônias, se arrependendo de imediato. Havia um casal lá e ela podia apostar que não estavam fazendo o que fora contratado para fazer.
A garota estava sentada na mesa, com as pernas um pouco abertas e o rapaz, de costas para , espalhava beijos por seu pescoço enquanto uma mão estava dentro de sua blusa, em seu seio, e, a julgar pelos gemidos da outra, ele era muito bom com as mãos. Ou isso ou ela só era escandalosa. rolou os olhos para a cena, finalmente lembrando-se da onde conhecia os dois. Foram apresentados a ela no jantar anterior e, ela tinha quase certeza, a garota estava noiva de outro.
Descobrir dois casos em menos de vinte e quatro horas, aquilo devia ser algum recorde. Qual era o problema daquela gente com fidelidade?! Fechou a porta, sem ligar de ser discreta e bufou, aquilo estava ficando realmente chato. Todo mundo fudia, menos ela.
- ?! – Ouviu a voz de chamar, confusa, e o buscou com o olhar. Ele estava na frente de uma sala no final do corredor, a provável sala dele.
- Não, o Papai Noel. – Ela bufou, indo a seu encontro. – Vem cá, qual é o problema desse lugar? Vocês não sabem fazer nada além de sexo?! – Disparou, entrando na sala sem esperar permissão. entrou atrás e fechou a porta atrás de si, erguendo uma sobrancelha para a garota, que jogou o envelope amarelo de qualquer jeito na sua mesa.
- Posso perguntar do que está falando? – Ele perguntou, afrouxando a gravata enquanto ela analisava a sala dele. se aproveitou do momento para focar o corpo dela, a forma como a bunda ficava empinada naquela saia era quase cruel e suas mãos coçaram para dar lhe umas palmadas.
- Do seu empregado e da provável secretária dele transando em cima da mesa dele. – disse como se fosse óbvio, virando para encará-lo. – Acabei de vê-la com as pernas abertas em cima da mesa dele. Muito profissional. – Ironizou.
não precisou pensar muito para saber de quem ela falava. , secretária de Edward, era sua amiga desde a faculdade e noiva de James Greene. Por algum motivo, o caso não surpreendeu . Greene sempre pareceu certinho demais para alguém como , é claro que ela pediria reforços. Não que ele ligasse, contanto que aquilo não afetasse na relação dos Greene com a empresa, não dava à mínima. Mas a ideia de ter uma garota com as pernas abertas para ele em cima da mesa lhe agradava. E ele já sabia até qual garota queria.
- Em cima da mesa? – Questionou, com falsa confusão e assentiu, como se fosse óbvio. fez que não com a cabeça, mantendo a encenação. – Desculpe, não estou conseguindo visualizar a cena, por que não demonstra?
, que até então havia caído no jogo de e se perguntava o que não estava claro no que dissera, rolou os olhos.
- Por que você não vai se fuder? – Rebateu e riu, o que a fez erguer uma sobrancelha, surpresa com a reação.
- Eu fodo você, se quiser, é só sentar na mesa e abrir as pernas. – Ele disse, se aproximando dela. estava prestes a recuar, mas ele segurou sua cintura antes que ela o fizesse. – O que acha disso? – Ele perguntou provocativo, perto demais para a sanidade da garota, que fechou as mãos em punho e afundou as unhas na palma para conter a vontade de passar os braços em volta de seu pescoço.
Cuidadosamente, ela recuou apenas o suficiente para apoiar uma das mãos na mesa.

- Nessa mesa? – Mordeu o lábio, olhando da mesa para ele e assentiu, desejando morder ele mesmo aqueles lábios cheios. sorriu maliciosa como resposta. – Quem sabe da próxima? – Sugeriu, sem mudar a expressão – Não estou muito a fim de dar para homem casado hoje. – Fechou a cara, prestes a empurrá-lo e sair dali antes que esquecesse que transar com o marido de sua irmã na porra da mesa dele não era lá a melhor ideia do mundo.
- Você tem certeza disso? – retrucou, dando um passo à frente antes que ela saísse de seu alcance, tocando sua cintura e fazendo a garota prender o ar, precisando de toda sua força de vontade para não ceder de uma vez. segurou em sua cintura com mais firmeza, a empurrando lenta e cuidadosamente contra a mesa, como se tentasse não deixa-la notar o que fazia até ser tarde demais. Bonnie caiu sentada ali e tentou respirar normalmente, mas com os olhos de nos seus não conseguiu obter sucesso nenhum na tentativa.
sabia que não devia tocá-la daquela forma, não a irmã de sua esposa, uma coisa era fuder desconhecidas por aí, outra era fazer isso com a irmã de Bonnie, mas cada detalhe em parecia chamá-lo insistentemente. Ele precisava experimentá-la.
- Acho que entendo o Edward. – Comentou, separando suas pernas lentamente com uma mão puxando um de seus joelhos para o lado. – A vista não é nada mal. – Disse, a outra mão segurava a garota pela nuca e não queria soltar, a forma como ela o encarava era excitante e ele queria mantê-la olhando para ele. Queria que ela dissesse que sim, que o queria, olhando para ele.
- Eu realmente não sei qual o problema das pessoas desse lugar com fidelidade, mas eu não sou daqui, . – Ela disse, se esforçando para soar firme, embora aquela altura não estivesse lá dando muito certo. Ele estava perto demais, ele cheirava bem demais e o toque firme de sua mão na pele da garota a fazia quase implorar por mais.
- Claro que não. – Ele ironizou, parecendo saber perfeitamente o que estava causando nela. As pernas de coçavam para rodear sua cintura e ela se segurou firmemente na mesa, ciente que podia ceder e fazer uma besteira a qualquer momento.
Por sorte, ou azar, àquela altura ela já não sabia mais, a porta foi aberta no instante seguinte e pôde empurrar sem maiores dificuldades graças ao susto que ambos tomaram. virou ofegante para ver quem era e quase riu da ironia que era, justamente, a garota que ela pegara com Edward, pegá-la ali.
- . – murmurou, contendo a vontade de xingar a amiga por ter aparecido justo agora. – O que você quer?!
, que claramente continha o riso para a situação, o encarou em sua melhor pose profissional.
- Os acionistas estão te esperando na sala de conferência para a reunião das dez, Sr. .
Quando concordou com a cabeça, pegando o envelope que levara e saindo dali após lançar um olhar irritado para , precisou conter o ímpeto de suspirar, aliviada. Ela podia ser uma vadia louca, mas nunca traíra a confiança de ninguém com quem se importava e não tinha certeza se as coisas continuariam daquele jeito se demorasse um pouco mais para aparecer. Estava começando a achar, inclusive, que morar ali, naquela cidade maluca que respirava sexo e affair, sob o mesmo teto que aquele homem, seria, no mínimo, complicado.
- Eu atrapalhei? – perguntou, risonha e sorriu de forma irônica para ela.
- Na verdade, você meio que me salvou, por que não marcamos de sair e você me conta mais sobre o seu relacionamento a três? – Ironizou e imitou o seu sorriso.
- Pelo menos Edward não é irmão do meu noivo.
- Vai ser um ótimo argumento para quando ele descobrir. – retrucou sem abandonar o sarcasmo.
ergueu uma sobrancelha, como se perguntasse se ia mesmo pensar em contar depois da cena que ela presenciara, mas a mais nova apenas sustentou seu olhar, com teimosia. As duas sabiam que não valia à pena, em nenhum dos dois casos, contar a qualquer um do que viram, mas também eram teimosas o suficiente para não ceder até que a outra o fizesse. Em algum momento, no entanto, as duas acabaram rindo da birra sem propósito que faziam.
- Certo, talvez devêssemos deixar isso entre nós. – Sugeriu por fim e concordou com um sorriso.
- Não seria ruim. – Murmurou e concordou com a cabeça, aproximando-se da porta, olhando de um lado para o outro e depois voltando a encarar .
- Eu estava tentando terminar tudo com o Edward quando você chegou. – Disse, sentindo-se na obrigação de se explicar a fim de não parecer tão vadia quanto provavelmente parecia.
- Estava indo muito bem. – Ironizou e rolou os olhos.
- É difícil resistir, eu.... Eu acho que posso estar gostando de verdade dele. – mordeu o lábio, se sentindo culpada por colocar em palavras os pensamentos que vinha tentando a todo custo evitar. a encarou confusa, sem entender porque ela estava falando aquilo para ela.
- Está desabafando comigo? – Perguntou, desconfiada e confusa. Podia parecer insensível, e provavelmente era, mas ela só não tinha amigos. Ninguém nunca lhe procurava para contar de seus problemas e ela não esperava que uma completa estranha fosse fazê-lo.
- Não faz muito sentido, não é? – a encarou, se perguntando o que tinha na cabeça para simplesmente falar o que dava na telha daquele jeito. Só não conversara com ninguém, nunca, sobre seu caso com Edward. era seu melhor amigo, mas não daria importância, para ele infidelidade era a coisa mais comum do mundo e , definitivamente, não achava que alguém tão certinha quanto Bonnie fosse sequer tentar entendê-la. A irmã, no entanto...
- Não, quer dizer... – mordeu o lábio, se atrapalhando com as palavras. – Como sabe que eu sou confiável? Nem nos conhecemos.
- Devíamos. – retrucou firmemente e ergueu uma sobrancelha, ficando desconfiada novamente. Desde quando as pessoas tentavam fazer amizade com ela?!
- Seu relacionamento já não é complicado demais só com três pessoas?! – Fez graça apenas para que ela não percebesse o real - e ridículo- motivo de seu receio. lhe lançou um sorrisinho irônico em resposta.
- Por que não vem comigo ao jogo do Doncaster Rovers na sexta? Todo mundo vai estar lá e o William vai jogar, vocês são amigos, não é?! Vi vocês conversando baixinho no jantar. – tagarelou e piscou, demorando um pouco para absorver tudo que ela dissera, graças a velocidade de para falar.
- William joga futebol? Como assim todo mundo vai estar lá? Quem é todo mundo? – Questionou, cada vez mais confusa.
- Eu te explico tudo melhor se vier comigo, que tal?! – insistiu , juntando as mãos em sinal de prece. Sua última amiga havia se mudado para Londres e agora mal se falavam. sentia falta da companhia de garotas, ainda mais agora que estava vivendo a aventura mais louca na qual podia se imaginar.
- Claro. – concordou, dando de ombros, mas acabou soltando um gritinho de susto quando se jogou nela para abraçá-la. Com isso, gritou também, se afastando dela.
- O que foi?! – Perguntou, assustada.
- Não gosto de contato físico desnecessário. – disse de cara feia, e rolou os olhos.
- Não parecia que você tinha problemas com isso quando entrei aqui. – retrucou
- É, mas eu tenho. – insistiu, ignorando a sagacidade da outra, que riu do bico que ela fazia sem nem perceber.
- Então, tudo bem. – murmurou, rindo – Vejo você na sexta.
concordou com a cabeça, sem saber se devia fazer o que estava fazendo e deixou a sala de em seguida, era melhor voltar para casa antes que ele saísse da reunião e ela acabasse realmente fazendo uma besteira.


tinha vários documentos para assinar pela tarde na empresa, mas depois da reunião das dez cancelou seus compromissos e saiu de lá para treinar, passaria a tarde toda batendo no saco de pancadas até não sobrar restos só para chegar em casa cansado o suficiente para não fazer besteiras pelo menos por aquele dia. Não era seguro tentar comer , ela era irmã de sua esposa. Irmã.
Uma coisa era trair sua esposa com prostitutas vez ou outra, outra, completamente diferente, era ter um caso com a irmã dela, por mais gostosa que fosse. Ah, e como ela era gostosa.
sentia as mãos coçarem por ela só de lembrar.
Esmurrou com toda sua força o saco de pancadas a sua frente por estar deixando os pensamentos rumarem naquela direção. A garota tinha o corpo feito pro pecado e aquele rostinho de menina...
De jeito nenhum aquilo podia ser certo.
Grunhindo de raiva, desferiu mais uma sequência de socos contra o saco, se perguntando por que era tão difícil simplesmente pensar com a cabeça de cima. Não comer , não querer , não devia ser tão complicado. Era a porra da irmã de sua esposa, será que ele não tinha nenhuma integridade?!
- ? – Uma voz conhecida chamou atrás dele e parou o que fazia, virando para ver quem era. Como esperado, encontrou Liam Burton, seu melhor e mais antigo amigo, o encarando surpreso.
- Burton. – Cumprimentou com a respiração descompassada pelo ritmo acelerado do treino.
era assim, não aparecia para treinar sempre, mas quando aparecia dava tudo de si. O problema é que ninguém nunca sabia quando ele ia aparecer.
- Dia difícil? – Liam perguntou após cumprimentar com um toque de mão um dos instrutores da academia. O local pertencia a outro grande amigo dos dois, era uma academia simples, mas gostava de lá. O local lhe trazia boas lembranças. Na adolescência, eram eles três, , Liam e Nick, andando por aí como se realmente acreditassem que podiam dominar o mundo um dia, ter tudo que queriam e rir dos que duvidaram.
- Você nem faz ideia. – murmurou, retirando as luvas e se afastando do saco, caminhando em direção a Liam para pegar a garrafinha de água que deixara no balcão perto dele. – Por que não apareceu no jantar ontem? – Perguntou entre uma golada e outra enquanto o amigo colocava as ataduras nas mãos para começar o próprio treino.
- Eu tinha uma coisa, foi mal. – Liam disse sem encará-lo e riu, não tendo dificuldades para imaginar qual era a tal coisa.
- Quer dizer um encontro? – Perguntou, em tom de zombaria e Liam mostrou lhe o dedo do meio. riu outra vez por isso. – Vai quebrar a cara outra vez, sabe disso, não sabe?! – Provocou enquanto Liam colocava as luvas.
- Você é que vai. – Liam retrucou, indo em direção ao ringue.
gargalhou e foi atrás, recolocando as luvas no caminho.
- Ela é gostosa, pelo menos? – Perguntou, colocando a guarda ao ver Liam fazer o mesmo, prestes a investir contra .
Liam tinha um péssimo histórico de relacionamentos e adorava implicar com ele por isso. Passara a vida toda vendo o amigo se envolver com várias garotas e sair de coração partido, vivia tentando explicar para ele que eram os sentimentos que atrapalhavam, mas Liam não escutava, então rir era o que restava para .
- É a mais linda que eu já vi. – Disse Liam, tentando lhe acertar um gancho de direita, do qual se defendeu com maestria antes de avançar nele com um murro cruzado. Liam recuou bem a tempo.
- Você disse isso da última. – riu e Liam lhe atacou com um soco certeiro por isso. apenas riu mais.
- Outch. – disse, jogando a cabeça para trás para que o cabelo parasse de cair nos olhos. – Você bate como uma garota, Burton.
- Já mandei você se fuder hoje, ? – Liam retrucou, recuando quando fingiu atacar. riu.
- Ops. – Provocou, acertando lhe um murro no estômago em seguida. Liam grunhiu.
- Filho da puta. – Reclamou em forma de gemido. ergueu uma sobrancelha, esperando o amigo se recuperar.
- Você pretende levantar ou está difícil? – Resmungou, fingindo impaciência e Liam olhou irritado para ele antes de colocar a guarda outra vez.
- O que veio fazer aqui hoje, afinal? – Liam perguntou, voltando a avançar em sua direção. deixou o corpo bambear para os lados a fim de fugir dos socos que o amigo tentava desferir nele.
- Você sabe, tive um tempo – enrolou e Liam olhou irônico para ele antes de conseguir acertar um soco em seu braço direito.
- Quer dizer, desmarcou tudo que tinha para hoje. – Deduziu e deu um sorrisinho de lado, sem se surpreender com aquilo.
Era quase um padrão aparecer na academia quando precisava extravasar, nunca avisava, só chegava do nada e treinava com a disciplina de quem era profissional.
- Deu vontade. – Deu de ombros como se não fosse nada demais, desviando de outro soco de Liam e tentando atacá-lo de volta, mas o garoto recuou bem a tempo.
- Por quê? – Liam perguntou, se defendendo de mais socos. rolou os olhos.
- Qual é o seu tesão por fofocas, Burton? – Fingiu impaciência, mesmo que fosse acabar contando. Sempre contava.
Liam riu, se aproveitando do fato dele ter baixado a guarda para disparar socos e mais socos em seu estômago, prendendo contra uma das extremidades do ringue sem que tivesse chance de se defender. lhe atacou com um murro cruzado na cabeça e, quando Liam recuou, devolveu dois dos ganchos que recebeu, recuando quando o amigo tentou socar seu rosto.
- entrou na minha sala quando eu estava quase comendo a garota. – disse por fim enquanto tentava socar Liam, que recuou bem a tempo.
- Não era mais fácil só bater uma? – Quis saber, ofegante.
- Não. – falou e olhou irônico para Liam pela pergunta idiota. O amigo riu, dando de ombros como se dissesse que não tinha como adivinhar. rolou os olhos e se aproveitou da distração para acertar lhe um soco no rosto. – Não seria certo bater uma pensando nela, assim como também não seria comer ela.
- E desde quando você liga para o que é certo? – Liam questionou confuso, rindo ao fugir de outro soco.
- Ei, eu tenho limites, ok?! – rebateu, recuando quando Liam tentou atacá-lo.
- É? Desde quando? – Liam provocou, recebendo uma sequência de socos no estômago por isso. Ele tentou fazer o mesmo que e afastá-lo com um cruzado, mas estava preparado e conseguiu empurrá-lo para o chão, tendo tempo de socar seu rosto apenas uma vez antes de serem interrompidos pela voz familiar de Nick:
- Quem é vivo sempre aparece, hein ?! – Disse se aproximando do ringue. saiu de cima de Liam e recebeu um chute na bunda ao ficar de pé, mostrando o dedo do meio para o amigo após tirar as luvas.
- É, eu soube que estava morrendo de saudades e comecei a ficar preocupado. – Falou após pular para fora do ringue.
- Olha só, ele não é um total insensível! – Nick exclamou com falsa surpresa e Liam riu enquanto pulava para fora do ringue também.
- Ah, qual é, vocês sabem que eu sou louco pelos dois. – ironizou, gargalhando junto com os dois em seguida. Era sempre assim quando os três se juntavam, gargalhavam de qualquer coisa, o tempo todo.
- Eu bem que desconfiava de você. – Nick comentou, balançando a cabeça em desaprovação.
- Ah, é? E cadê a sua namorada, Alcott? Ainda está com aquela gostosa boa no boquete?! – arqueou as sobrancelhas e Nick fechou a cara, mostrando lhe o dedo do meio. gargalhou. – O quê? Terminou? Acho que você está passando muito tempo com o Liam, cara.
- Vai se fuder, . – Nick ordenou mal humorado. riu outra vez.
- Eu não me fodo, Nick, pergunta pra sua ex. – Provocou novamentel
- Ou fica na mão porque a secretária entra na hora errada. – Liam soltou, rindo e Nick ergueu a sobrancelha, desconfiado.
- Quem foi que a não deixou você comer? – Perguntou
Como fizera faculdade com , conheceu Nick e Liam logo que começaram a andar juntos. Sempre se deram bem, já que tinham em comum a mania de irritar e ela chegara até a ter um caso com Nick, mas não durou muito.
- Acredite, você não quer saber. – Murmurou, fazendo Liam e Nick trocarem um olhar, agora ainda mais desconfiados.
- O Edward? Sempre achei que ele tinha certa pinta de...
- Vai se fuder, Nick. – o interrompeu, rolando os olhos. – Se um dia eu quiser experimentar um homem, procuro você, tá? Não precisa ter ciúmes. – acrescentou e foi à vez de Nick rolar os olhos.
- Acho que você é mais o tipo do Liam, , foi mal.
- Eu estava quase comendo a irmã da Bonnie. – confessou por fim, ignorando a provocação. Era melhor contar de uma vez, estava com a sensação de que aquilo não ia acabar nada bem. Não com as mãos coçando para tocar toda vez que a via.
Liam e Nick se entreolharam, surpresos demais para falar qualquer coisa por um instante. Conheciam muito bem e sabiam de todos os defeitos do amigo, sabiam que ele não era fiel a Bonnie e provavelmente nunca havia sido a garota nenhuma, mas ele tinha limites. Como quando falava da namorada de Nick só para provocá-lo. Era só aquilo; provocação. Ele não comeria a namorada de um amigo e os dois sabiam disso, assim como não imaginariam que ele comeria a irmã da esposa.
- Mas não comeu... Não é?! - Liam o encarou, sem saber direito o que devia falar. Olhou para Nick como se pedisse ajuda, mas ele também não sabia o que falar e apenas encarou esperando que ele falasse mais alguma coisa.
- Eu não teria nem pensado se não houvesse entrado na hora. – murmurou por fim, passando nervosamente uma mão pelo rosto. Ele odiava sentir culpa, odiava sentir qualquer coisa, mas sabia muito bem que havia limites e comer estava estritamente fora deles.
- Mas.... Você pensou agora, sabe que não pode fazer isso. – Nick tentou e ergueu o olhar para encará-lo. – Você sabe, não sabe?
- Agora, sem ela aqui com aquela saia curta e apertada? Sei. – falou, bufando de raiva. – Seria muito mais fácil se ela não fosse tão gostosa. – disse, fazendo os amigos rirem.
- Será que você não consegue pensar com a cabeça de cima, ?! – Nick perguntou, com humor embora estivesse tentando dar uma bronca no amigo. riu, embora sem muito humor.
- Estava me perguntando a mesma coisa. – Confessou e os outros dois riram novamente com isso.




Chapter Two

"I’ll trhow away my fate, baby, just to keep you safe’’ - The Cab


entrou em casa afrouxando a gravata e chutando os sapatos, exausto.
A semana vinha se passando de maneira, no mínimo, sufocante. Ele tentava não lidar com ninguém em casa, sair cedo, chegar tarde, mas esbarrara com por vezes o suficiente para odiar a si mesmo por, em todas elas, ter se deixado levar e trocado flertes indecentes com a garota. Vezes o suficiente para suas visitas a academia de Nick estarem se tornando mais frequentes do que nunca.
não suportava a tensão sexual que sentia perto daquela garota, não suportava saber que não podia come-la e, mais ainda, não suportava a certeza iminente que ia falhar naquilo de não come-la.
estava morrendo por uma ducha e talvez tivesse sorte aquela noite e o cansaço lhe faria dormir direito, forçando a maçaneta para entrar em seu quarto e, parando, confuso, quando a porta não cedeu. Mas que diabos...?!
- Bonnie? – Chamou, não obtendo nenhuma resposta de início e forçou de novo a maçaneta, confuso. – Bonnie, está ai?!
De novo, nenhuma resposta e bateu na porta com força, agora, além de confuso, levemente irritado também. Porra, aquele era o quarto dele, desde quando tinha que bater pra entrar no próprio quarto?!
- Bonnie! – Gritou, mas a porta se abriu em seguida, fazendo o homem dar um passo para trás pela surpresa.
- , desculpe. – A mulher murmurou, corada como se estivesse correndo uma maratona. – Eu estava indo tomar banho e tranquei, desculpe...
- Tomar banho? – Perguntou, só então descendo o olhar para o corpo da esposa. Bonnie era linda e sabia bem disso, mas se havia algo que eles dificilmente faziam era sexo. Ele se perguntou por quê. – Quer companhia? – Perguntou com um sorriso, talvez aquela fosse à solução dos seus problemas, afinal. Uma boa transa com a esposa para esquecer de vez aquela fixação sem propósito pela irmã dela.
Bonnie corou automaticamente, simplesmente porque não tinha o costume de insinuar aquelas coisas e raramente a procurava.
- Por que você não desce e prepara algo pra gente comer antes? Espero você aqui. – Sugeriu, tentando convencer a si mesma que o estava dispensando porque William estava esperando embaixo da cama e não porque não o queria, porque não tinha mais nenhum tipo de desejo no próprio marido.
- Certo, certo. – concordou, contendo o ímpeto de rolar os olhos. Não tinha mesmo nada a ver com Bonnie topar transar em qualquer lugar assim, ela sempre fora certinha. – Já subo.
- Vou tomar banho e colocar aquele perfume que você gosta. – Bonnie se obrigou a falar, sorrindo, corada, para ele, que piscou antes de dar as costas.
Ao passar pelo quarto de , no entanto, não se conteve em dar uma olhadela para ver se ela estava lá. Por sorte ou azar, ele não soube decidir, ela não estava.
desceu as escadas e caminhou até a cozinha, abrindo a geladeira e encarando seu conteúdo preguiçosamente antes de criar coragem para selecionar os ingredientes para os sanduíches. Aquilo era o máximo que ele conseguiria fazer.
Bonnie desceu pouco depois, o surpreendendo, já que ele realmente esperava que ela fosse ficar no quarto o esperando e ele ainda fosse ter que forçar um romantismo que não existia antes de comê-la.
Podia parecer grosso, mas era assim que ele era, simplesmente não sabia amar, sequer acreditava naquele amor ilusório que levara Bonnie a aceitar se casar com ele.
As coisas mudaram para o homem desde que perdera a mãe e mais ainda desde que descobrira a verdade sobre a morte dela –quem a matou –. Ele acreditava sim que havia estado apaixonado por Bonnie em algum momento, mas não se lembrava mais como era.
- Como foi o dia na empresa? – Bonnie perguntou, tentando puxar assunto. Podia até ser que não houvesse sentido naquilo, mas ela não queria transar com ele, no fundo sabia que ele nunca provocaria nela o que William provocava, que ele não sentia o que William sentia.
De repente se sentiu culpada por continuar com aquela loucura quando sabia muito bem o que devia fazer. Não era o nome de que devia estar em sua aliança. Se sentia tão confortável com seu marido quanto com um desconhecido.... Como aquilo era possível, afinal?!
- Você sabe, o mesmo de sempre. – deu de ombros, estendendo para ela um copo de suco e lhe empurrando pela mesa entre os dois o sanduíche. Bonnie agradeceu e observou em silêncio enquanto ela bebia um gole. Bonnie era uma mulher bonita, costumava ser legal namorá-la, na época da faculdade, gostava de estar com ela.
- Você é linda, sabia disso? – Ele abraçou a esposa por trás, beijando sua bochecha antes de descer para o pescoço, o roçar dos dedos no braço dela fazendo um leve carinho que a fez fechar os olhos por um instante, sentindo um arrepio gostoso na espinha.
Não era do feitio de dizer aquelas coisas, agir daquele jeito, mas ele era muito bom em conseguir o que queria e, naquele momento, queria transar com sua esposa, de preferência ali mesmo, embora não achasse que ela fosse abrir as pernas para ele na cozinha. Ele segurou em sua coxa, subindo lentamente e levantando simultaneamente a camisola que ela desnecessariamente vestira antes de descer.
- Eu realmente adoro esse perfume. – sussurrou, inspirando em seu pescoço e o mordendo de leve em seguida apenas para arrancar lhe um gemido, sorrindo com satisfação quando conseguiu. Ele virou a mulher de frente para si e a trouxe para mais perto pela cintura, moldando seus lábios.
Bonnie abandonou o sanduíche que ainda segurava debilmente e levou as duas mãos para o pescoço de , deixando uma delas imiscuir em seu cabelo em seguida, tentando arrancar de si mesma alguma reação, qualquer uma, mas não importava quão intensamente o beijasse, era William que estava em sua cabeça.
queria empurrá-la para se sentar na mesa e livrá-la de uma vez de tudo que cobria aquele corpo que estava ansioso para rever, mas, mesmo que não soubesse que Bonnie o faria subir até o quarto, não teria tido tempo de tentar, pois a porta da frente foi aberta em seguida e Bonnie o afastou, ofegante.
Ela se afastou de sem nem olhar para ele, a fim de ver quem havia chegado.
Era , sua irmã.
- Bru... , - disse se atrapalhando e quase pronunciando o apelido que ela odiava. – Onde você esteve o dia todo? – Perguntou, abraçando a si mesma sem querer olhar para trás e procurar .
Não era como se ele não houvesse sido carinhoso, havia sido, mais até do que normalmente, e, ainda assim, ela não sentira nada. Nada do que ele fizera lhe afetou nem um pouquinho que fosse e ela não podia evitar se sentir culpada por isso.
Abria as pernas para o irmão dele com a maior facilidade do mundo e quando se tratava do próprio marido não havia excitação alguma e não sabia o que fazer, exceto se perguntar como diabos aquilo era possível. Tudo que um dia sentira por ele parecia ter sumido.
- Por aí. – deu de ombros, falando como se estivesse cantando, e entendeu rapidamente que ela estava bêbada. A imaginou com aquele vestidinho preto em algum pub imundo da cidade, desacompanhada e se afogando em alguma bebida forte e malcheirosa. Não era seguro para ninguém. – E você, maninha? Por onde esteve o dia todo? – Ela cruzou os braços, com um bico como se tentasse dar bronca em Bonnie, que bufou.
- Você está bêbada. – Constatou, suspirando cansada e conteve o ímpeto de rolar os olhos. Aquilo não era óbvio?! – Por que você tem que fazer essas loucuras, ?! Beber, se drogar... O que diabos você pensa da vida, afinal?! Está tentando se matar?! – Disparou e simulou um bocejo, se jogando no sofá.
- Vou tirar um cochilo, me avisa quando o sermão acabar. – Disse, fazendo a irmã grunhir de raiva com a provocação.
- Talvez ela devesse tomar um banho e dormir, não vai adiantar muita coisa falar com ela agora. – se aproximou de Bonnie para falar sem que escutasse. Não que ela prestasse atenção, mais preocupada em brincar com os próprios dedos como se eles fossem às coisas mais interessantes do mundo. Bonnie suspirou e concordou com a cabeça, se aproximando da irmã cuidadosamente.
- , que tal um banho e depois um descanso? Você deve estar cansada. – Tentou delicadamente, mas tudo que conseguiu ouvir foi o apelido, cerrando as mãos em punhos até afundar as unhas nas palmas.
- Você nunca vai entender, não é?! Eu não quero a sua ajuda, Bonnie, não preciso de você. – Disse friamente antes de se levantar, prestes a seguir até a escada, mas Bonnie a segurou pelo pulso, voltando a perder a paciência.
- Quer parar de agir como uma criança mimada?! Nada disso vai fazer o papai voltar, ! Ele está morto e você deveria, pelo menos, respeitar a memória dele e parar de se destruir assim. – Disse, sem fazer ideia do quanto aquelas palavras afetavam a outra.
Ela também sofria pelo pai, é claro, mas com era diferente. O pai sempre foi tudo que ela tinha e ela não precisava de nenhum lembrete quanto ao fato de não tê-lo mais, ela sabia muito bem daquilo, sabia muito bem que não podia fazer nada para reavê-lo.
- Me solta. – Ordenou de maneira ácida, para a irmã mais velha, tentando ignorar as pontadas que o aperto da irmã em seu pulso espalhava por seu corpo, magoando as feridas que existiam ali.
- , por favor...
- Me solta, Bonnie. – ordenou outra vez, interrompendo-a quando ela tentou falar. – Eu não quero a sua ajuda, não preciso dela. Tudo o que eu quero é que esqueça que eu existo. – Pronunciou, empurrando a mais velha para se soltar.
Bonnie não conseguiria responder nem que a amargura da irmã não a tivesse chocado o suficiente para sua voz sumir, pois no instante seguinte já corria escada à cima, o mais rápido que suas pernas permitiam para não ser vista chorando. Se havia algo que ainda prezava era seu orgulho, não chorava, nunca, e se o fizesse, então teria que ser longe das vistas do mundo.
Bonnie suspirou e se jogou no sofá, fechando os olhos e afundando as mãos no cabelo, totalmente exausta graças aquela discussão.
- É melhor deixar para conversar com ela amanhã, bêbada como está nada vai surtir efeito. – opinou com cuidado e Bonnie ergueu o olhar para ele, sentindo o peito apertar. Queria chorar, o nó que se formava em sua garganta era quase insuportável, lhe arrebatava de forma cruel demais, mas ela sabia que não conseguiria na frente dele.
- , eu...
- Eu vou subir. – a interrompeu, já sabendo o que ela diria. Bonnie o olhou agradecida por um instante e ele acenou com a cabeça, lhe dando as costas logo depois,
Ela não ficava frágil na frente de e ele respeitava isso, assim como ela respeitava quando ele preferia sair de madrugada para encontrar Liam e Nick na academia ao em vez de conversar com ela. Simplesmente não ficavam à vontade um com o outro, apesar de agirem o tempo todo como se isso não fosse nada demais.


acordou algumas horas depois e se levantou bocejando, passou a mão pelo rosto, despertando muito lentamente e se levantou da cama. Bonnie sequer se moveu quando ele abriu a porta para sair do quarto e o homem a fechou cuidadosamente ao deixar o cômodo. Ele parou, bocejando, no corredor, tentando organizar os pensamentos.
Eram raras as noites em que conseguia dormir; nem precisava de um motivo para insônia, simplesmente não dormia. Estava prestes a fazer seu caminho diário até o banheiro e lavar o rosto só para passar a noite acordado, cercado de papéis, como sempre, no entanto, um ruído fez parar e olhar em volta, procurando a origem do som.
O corredor estava perfeitamente em ordem, mas o som de um grunhido vindo de um dos quartos denunciou o problema e lembrou-se automaticamente do estado deplorável que estava mais cedo, entrando no quarto da garota sem pensar duas vezes.
não sabia muito bem o que esperava, mas o que viu definitivamente não estava na lista e não conseguiu fazer nada no primeiro instante e, logo depois, o percebeu ali. Ela tentou esconder a lâmina atrás de si, mas mesmo que ele não a visse, o sangue vermelho vivo clamava por atenção.
- se aproximou dela, sem pensar no que fazia e a garota, que antes estava sentada na ponta da cama, escondendo a lâmina atrás do próprio corpo, pulou para longe dele, se colocando de pé e deixando a lâmina suja de sangue cair no chão. olhou dela para a garota totalmente chocado. – Você ficou louca?! – Ele perguntou por fim, se aproximando dela. recuou.
- Isso não é da sua conta. – Ela retrucou, parecendo se esforçar muito para não deixar a voz tremer. O corpo da garota, sempre ereto e cheio de confiança, agora estava encurvado, como se ela se encolhesse. Não combinava nada com ela e teve o ímpeto de trazê-la para seus braços só para que ela não desmoronasse de vez como parecia prestes a acontecer.
- Por que fez isso? – Ele perguntou, ignorando o que ela dissera e travou o maxilar.
- Sai daqui, . – Ordenou, recuando mais quando ele deu outro passo em sua direção. Ele ignorou e deu outro passo, levando-a a ficar presa entre ele e a parede.
- Por quê?! – Perguntou novamente, olhando em seus olhos.
- Não é da sua conta. – Ela respondeu ríspida.
Estava fazendo um esforço sobre humano para não desabar, mas não importava o que fizesse, a culpa estaria sempre lá, as chamas, os gritos de seus amigos, tudo. Ela era a culpada, afinal, não tinha o direito de esquecer.
- , pelo amor de Deus – segurou seu queixo sem nenhuma delicadeza, forçando a garota a olhar em seus olhos. – Que porra você acha que está fazendo consigo mesma?!
Por um instante, ela não disse nada, apenas o encarando com a mandíbula travada, sua amargura era quase palpável e se perguntou como era possível alguém se deixar destruir daquela forma e fazer parecer que estava tudo bem depois. Se perguntou há quanto tempo ela fazia aquilo.
- Eu já disse que não é da sua conta. – tentou empurrá-lo, passando a esmurrar seu peito descontroladamente quando não conseguiu, as lágrimas quentes descendo por seu rosto sem que ela pudesse controlar. – Sai daqui, sai, sai! – Ela grunhia entre as lágrimas e a segurou pelos pulsos para que parasse, fazendo-a gritar de dor.
Ele a soltou de imediato, culpado e, sem pensar, a trouxe para seus braços em seguida. ficou imóvel, sabia o que ele estava tentando fazer, mas não podia deixar. Não tinha o direito de ser consolada, mas também não tinha mais forças para lutar, os pulsos ardiam e a exaustão dominava cada vez mais seu corpo.
queria dizer alguma coisa, mas não achava que algo fosse surtir efeito, ou que fosse saber o que dizer, não parecia certo que alguém tivesse que se submeter a tanta angústia e sofrimento, mas quão válidas eram as definições de do que era certo ou não? Ele não sabia, portanto nunca julgava, mas ficar parado enquanto a garota se destruía daquela forma parecia errado demais até para ele.
- Você não tem que fazer isso, – Ele começou por fim, cuidadoso. – Deve haver uma forma melhor de lidar...
- Se você soubesse o que eu fiz, acharia que é pouco. – o interrompeu, o fluxo das lágrimas diminuindo sem que ela sequer notasse conforme se concentrava nos batimentos cardíacos de , já que ele a segurava perto de seu peito sem que ela tivesse como fugir. De alguma forma, a respiração, da qual ele sequer tinha consciência, a acalmava.
- Não, eu não acharia. – respondeu calmamente, e, apesar de estar contrariando a garota, deixando claro que não estava iniciando uma discussão. Não que tivesse alguma energia para brigar naquele momento.
Ele não disse mais nada, mesmo achando que deveria, simplesmente porque não sabia o que falar, ele nunca na vida consolara ninguém. Nunca quisera consolar alguém antes.
se afastou e dessa vez permitiu que ela o fizesse, observando em silêncio ela fungar e passar a mão pelo rosto. chorava novamente, o corpo tremia e ela parecia se esforçar ao máximo para conter uma represa de lágrimas, mas uma a uma, elas já molhavam o rosto de menina da garota.
- Por que você só não sai daqui? – Ela perguntou ainda se esforçando para limpar as lágrimas e fazê-las parar de cair simultaneamente. Por que ele não saía?
Por que diabos insistia em estar ali quando nem sabia como ajudar?
não fazia ideia, só não sentia como se tivesse o direito, não podia sair sabendo que ela estaria se destruindo ali, mesmo que houvesse o feito sem pestanejar quando se tratava de Bonnie. Quer dizer, quando sua esposa queria ficar sozinha para chorar, porque não? Mas a irmã dela...
- Tentar se matar não vai resolver nenhum dos seus problemas. – disse simplesmente, optando por não tentar respondê-la. não respondeu e nem ergueu o olhar para encará-lo, passando nervosamente a mão no rosto para limpar as lágrimas que não paravam de cair. rolou os olhos e voltou a se aproximar, afastando suas mãos do rosto para que ela o encarasse, dessa vez com o cuidado necessário para não tocar em seus pulsos machucados. – Para com isso, para de se machucar assim. – Ele pediu baixo.
Não achava que pudesse fazer muito mais que aquilo, ainda que não fosse muito, ainda que outras pessoas pudessem simplesmente ter dito o mesmo a ela antes e, obviamente, não tido sucesso.
- Eu não posso. – respondeu no mesmo tom, encostando a cabeça no peito do homem, cansada demais para se importar com o quão fraca pareceria por aquilo. passou os braços a sua volta e fechou os olhos, aceitando o conforto, ainda que sem retribuir o abraço.
- Quando você chegou, no momento em que ficou no jantar com aquela camisola apenas para provocar sua irmã, você provou justamente o contrário. – murmurou e a garota não conseguiu se conter, acabando por erguer o olhar para encará-lo. – Você pode fazer qualquer coisa, desde que queira.
Ela o encarou por mais um instante, se perguntando se ele estaria certo. Para ela, parecia que não, nunca teria a única coisa que ela realmente queria, que era reaver seu pai. Por fim, ela balançou a cabeça e desviou o olhar novamente. Ele não entenderia, ninguém entenderia.
suspirou e, afagando seus cabelos, a afastou da parede, rebocando-a até a cama. Quando ele a fez se sentar lá, a primeira coisa que fez foi abrir a gaveta do criado mudo, cobrindo os pulsos com pulseiras para esconder os cortes, sob o olhar de , que observava de pé.
- Você vai ficar bem? – Ele perguntou após pegar a lâmina que ela deixara cair no chão quando ele entrou, jogaria aquilo o mais longe possível daquela garota.
- Eu vou sorrir e vai ser como se estivesse. – murmurou, brincando com o elástico da pulseira para não precisar voltar a encará-lo.
balançou a cabeça para suas palavras e foi em sua direção, se agachando de frente para ela e segurando uma de suas mãos na dele.
- Olha para mim. – Ordenou, firme e ela o fez. Quando usava aquele tom o primeiro reflexo de qualquer um era obedecer. Ele passou o polegar debaixo do elástico das pulseiras e pressionou um dos cortes, fazendo o sangue respingar em seu dedo e a garota gemer de dor. – Você sente isso? – Ele perguntou sem mudar o tom de voz e, quando ela apenas assentiu, mordendo o lábio para conter outro resmungo, ele fez de novo. – Responde.
- Sim. – Ela disse baixinho, voltando a chorar. parou de pressionar o polegar.
- Pois bem. – Falou – Da próxima vez que você quiser se punir, se machucar ou seja lá o que for lembre dessa dor, magoe essa ferida, não crie novas. – Soltou o pulso da garota, se pondo de pé novamente e saindo do quarto.




Chapter Three

"Follow me to the dark, let me take you past our satellites’’ - Ellie Goulding


- Você acordou cedo. – Bonnie observou surpresa, ao ver a irmã irromper na cozinha ás seis e quinze, vestida num moletom dos Beatles que cabiam duas dela. Bonnie se surpreendeu com isso também, já habituada as saias e roupas justas.
- Não consigo dormir com o som da chuva. – respondeu simplesmente, indo se sentar á mesa com ela e .
O homem tomava o café lendo o jornal e não ergueu o olhar para encará-la quando a ouviu adentrar o cômodo, embora lesse a mesma frase repetidas vezes desde esse momento.
Bonnie sorriu um pouco para ao ouvi-la; sempre teve pavor de tempestades e ela se lembrava de ir ao quarto da irmã quando eram mais novas e lhe contar historinhas para distraí-la nas tempestades. A chuva que caía em Doncaster aquela manhã era torrencial, ou seja, em conjunto com os trovões e relâmpagos, um pesadelo para .
- E a cabeça? – Ela perguntou, se lembrando da bebedeira da irmã na noite anterior. a encarou como se Bonnie falasse em outro idioma e só um minuto depois piscou, finalmente entendendo o que ela dizia.
- Em cima do pescoço. – Disse, rolando os olhos e Bonnie imitou sem sequer perceber que imitava.
- Você não conseguiria ser gentil nem que tentasse, não é? – Perguntou com certo cansaço e deu de ombros, lambuzando uma torrada com geleia.
- Nunca tentei. – Disse como se não fosse nada demais.
Bonnie achou melhor não responder, bebendo mais café enquanto fingia que não percebia ali e ela se esforçava para fazer o mesmo. As pulseiras faziam os cortes pinicarem e nem que quisesse conseguiria fingir que não estavam ali, pelo menos não por uns dois dias, mas ela vinha fazendo tanto isso que estava começando a se acostumar.
Ela puxou as mangas do moletom de forma que elas cobrissem parte das mãos também, coçando os pulsos discretamente e, como se soubesse o que ela estava fazendo, baixou minimamente o jornal e a encarou. desviou o olhar de imediato, a tensão entre os dois se tornando quase palpável quando ele continuou a olhar.
Bonnie olhou confusa de um para o outro e se levantou abruptamente, dobrando o jornal de qualquer jeito e deixando-o jogado sob a mesa.
- Tenho uma reunião e não posso me atrasar. – Disse, se esforçando para não olhar novamente para , que pressionava os cortes com o polegar como ele fizera anteriormente. sentia um gosto metálico na boca por saber o que ela fazia.
- Anh... Tenha um bom dia. – Bonnie disse, a confusão óbvia na voz enquanto tentava apenas se concentrar na dor que causava a si mesma e esquecer que sabia o quão frágil e patética ela era, que ele sabia o quão excruciante era, para ela, cada segundo respirando.
apenas meneou com a cabeça para Bonnie e deixou a cozinha. Bonnie se levantou, acompanhando com o olhar enquanto ele saía pela porta da frente, logo depois ela virou e encarou a irmã.
- Tem algo que queira me contar? – Perguntou, desconfiada, a , que rolou os olhos.
- Não que eu saiba. – Disse, recebendo outro olhar intensamente desconfiado da irmã. Ela bufou. – Que é? Nunca me viu, não? – Perguntou, e, sem dar tempo para a outra responder, se levantou e deixou a cozinha.


- Não trabalha mais não?! – Nick perguntou ao adentrar sua academia e ver destroçando um saco a socos. rolou os olhos, sem virar para encarar o amigo.
- Só quando eu quero. Sou o dono da maior rede de bancos do continente, sabe... – Comentou, usando aquele tom superior que adorava ter condições para usar. A vaidade e soberba de não eram segredos para ninguém, afinal.
- Continua se vangloriando assim que até eu caiu na sua. – Nick ironizou e rolou os olhos.
- Vai se fuder, Nicholas. – Resmungou, disparando uma sequência de ganchos contra o saco de pancadas. Nick riu.
- Só se for com você, delicia. – Retrucou com a voz propositalmente afeminada e parou o que fazia, virando para encarar o amigo.
- Qual é a porra do seu problema comigo hoje?! – Perguntou e Nick gargalhou, jogando a cabeça para trás.
- Estava esperando que você me chamasse para a briga, mas pelo que vejo até isso sou eu que tenho que fazer. – Respondeu por fim, fazendo sinal para que o seguisse até o ringue.
o seguiu sem pestanejar, estava precisando daquilo.
Sabia que se fosse Liam ele teria que contar exatamente porque estava com raiva ou porque estava ali, mas tudo era mais simples com Nick. Eles podiam só trocar uns socos para descontar as frustrações como sempre faziam. A vida de Nick também não era um mar de rosas e sabia, ele e os irmãos viviam com a avó desde a morte dos pais, num acidente de carro.
Nick era o mais novo dos três irmãos, o mais velho se casara há pouco tempo e morava sozinho com a esposa, enquanto Nick e seu outro irmão trabalhavam fazendo todo bico que podiam para cobrir as despesas de casa, que aumentaram consideravelmente com a doença recém descoberta de sua avó. já havia oferecido ajuda financeira algumas vezes, mas, justamente por Nick ser exatamente como ele, sabia que não adiantava. Os dois eram orgulhosos demais para envolver outras pessoas nos problemas de sua família e, assim como Nick nunca falava de sua avó, nunca mencionaria sua mãe numa conversa com ele, mesmo sendo um de seus melhores amigos desde sempre, apenas existiam limites para os dois e era isso que os tornava tão parecidos. Tanto para quanto para Nick, a melhor forma de descontar as frustrações estava ali; no ringue.
Depois do primeiro soco, que ao final da luta nenhum dos dois se lembraria quem dera, atacou Nick com uma sequência de ganchos em seu estômago e Nick o empurrou, acertando lhe um chute na barriga em seguida.
Mesmo que a dor causada pelo chute chegasse a ser excruciante, o máximo que fez foi trincar os dentes antes de investir novamente contra Nick, conseguindo acertar um murro de direita no rosto dele antes que Nick levantasse a guarda outra vez. ergueu o joelho logo depois, acertando seu estômago e Nick segurou em seus ombros com uma mão para socá-lo, também no estômago. Ele socou uma, duas, três vezes antes que conseguisse revidar com um murro no queixo do garoto.
Naquele momento, Nick não era nada além do reflexo de tudo que deixava com raiva e não era preciso ser um gênio para saber que o mesmo acontecia com ele, era provavelmente por isso que era tão perigoso colocar os dois juntos naquele lugar.
Ambos cuspiam sangue e respiravam ofegantes, mas a sensação de leveza que os invadia a cada novo golpe, dado ou recebido, só os impulsionava a continuar.
Aquilo era a humanidade em seu mais puro estado de ser, era a forma que o homem utilizava para resolver as coisas desde os tempos mais primórdios e, acima de tudo, era o que mantinha e Nick Alcott sãos em seus piores dias.


batia o pé impaciente enquanto esperava o elevador, já quase desistindo e enfrentando as escadas para ir atrás de , mesmo não fazendo ideia de onde ele estava. não costumava se atrasar, principalmente quando tinha alguma reunião importante, e ela estava verdadeiramente preocupada. Quando o elevador se abriu, no entanto, antes que ela corresse para dentro do mesmo viu sair dele com o rosto machucado e paralisou onde estava.
- – Disse, colocando a mão na frente da boca para tentar esconder o susto, que mesmo assim fora evidenciado pelos olhos arregalados. – O que diabos aconteceu com você?! Você tem uma reunião, está atrasado, e o seu rosto...
- O quê?! – encarou a amiga, se divertindo com o susto dela.
Normalmente era mais profissional, não ia até a academia quando sabia que tinha uma reunião, muito menos para voltar com o rosto estourado de machucados como agora. Não que o de Nick estivesse muito melhor e estava pronto para se gabar disso caso alguém perguntasse.
- Você é um filho da puta irresponsável, ! – exclamou furiosa, ao constatar que não precisava se preocupar, batendo com força em seu ombro várias vezes. Não que aquilo significasse algo para aquela altura.
- Ai, ai! Relaxa ! – Ele riu, segurando seus braços e a girando para que pudesse abraçá-la por trás sem soltar seus braços e correr o risco de levar mais tapas. – Vamos para minha sala. – Chamou, guiando-a pelo corredor sem esperar por uma resposta.
rolou os olhos, mas esperou que entrassem na sala para falar.
- Você tem uma reunião. – Lembrou, observando enquanto dava a volta na própria mesa para se sentar na cadeira giratória sofisticada e jogar os pés sobre o vidro da mesa.
- Cancele. – Ele disse como se não fosse nada demais, abrindo as gavetas todas ao mesmo tempo e tirando de uma delas um saquinho de maconha. olhou incrédula enquanto ele enrolava um pouco da substância num baseado, tomando o devido cuidado para não espalhá-la.
- Você só pode estar brincando. – Disse, desacreditada. – Já não basta chegar tarde e cancelar a porra de uma reunião que já começou ?! Agora você vai fumar?! Aqui?! – Disparou, recebendo uma revirada de olhos de . Ele ficava insuportável quando decidia ligar o foda-se, o que normalmente acontecia quando voltava de um combate com Nick.
- O que é que tem? Sou o dono desse lugar, esqueceu?! – Retrucou com simplicidade e bufou.
- Onde está a merda da sua responsabilidade, eu posso saber?! – Perguntou, frustrada com o surto fuck off do amigo. riu.
- Responsabilidade de cu é rola, . – Disse, sua voz soava arrastada e tranquila apesar da expressão ser algo normalmente usado por pessoas com raiva.
- No seu caso, a do seu pai?! – retrucou, fazendo o fechar a cara de imediato.
odiava que falassem daquele homem. Não queria ter qualquer ligação com Samuel, ele não era seu pai e detestava que as pessoas pensassem que fosse, detestava que pensassem que seu sucesso se devia a ele, nunca precisou daquele homem e construiu tudo que tinha sem a ajuda dele, nunca quis nada daquele homem além de sua iminente ruína.
- Meu pai é só um filho da puta qualquer que nem faz ideia que eu existo, . – Disse, o tom sombrio fez perceber sem maiores dificuldades que havia ido longe demais. Conversar com era como andar num campo minado, mas as discussões eram ainda piores.
Suspirando, a garota se aproximou e se sentou na cadeira de frente para a mesa. odiava aquela cadeira, simplesmente porque odiava pessoas em sua sala e fez uma careta quando a amiga se sentou, imaginando o quão longa seria aquela conversa.
- Eu não tenho uma reunião? – Tentou, pensando que enfrentar acionistas furiosos com maconha no sangue seria infinitamente mais fácil que enfrentar a conversa sentimentalista que , sem dúvidas, tentaria trazer. Ela rolou os olhos.
- Você não tem nenhum pouco de curiosidade sobre isso?! – Perguntou baixinho, com certo receio. a encarou como se não entendesse do que ela falava, mesmo entendendo. Só queria fugir daquela conversa. – O seu pai de verdade, . – Ela murmurou, o encarando de forma inquisitiva.
- Não. – Ele disse simplesmente, soando mais frio do que provavelmente merecia. Não que ele se importasse. Era o que ele era, no fim das contas, uma carcaça sem sentimentos, desamor era tudo que ele tinha, até mesmo para as pessoas que só demonstravam querer o seu bem. – Não preciso de ninguém que não me queira por perto, . – Ele se obrigou a acrescentar por fim, soando cansado. Definitivamente, não queria falar do pai, não queria ter que lidar com aquilo, tudo que sabia do cara era que sua mãe abrira as pernas para ele e não tinha vontade de descobrir nada fora isso.
- Talvez ele tenha tido algum motivo pra não aparecer, ...
- Contanto que ele continue sem aparecer, - interrompeu, sério e cansado daquela conversa. – para mim não faz diferença.
bufou, se perguntando qual era a fixação de com a ideia de estar sozinho no mundo, se recusava a tentar melhorar as coisas com Samuel, não tinha a menor vontade de conhecer o pai biológico... Ela, no entanto, não sabia o quão nascer destruíra a vida de , por mais sombria que fosse a afirmação.
- Ninguém vive sozinho, . – Ela disse por fim, sustentando seu olhar.
sentiu raiva daquela conversa estúpida, as coisas seriam infinitamente mais fáceis se não decidisse bancar a psicóloga justo naquele dia. O homem passara a noite em claro e estava exausto, toda a leveza pós briga já se esvaía com aquela conversa sem propósito e, para piorar, não conseguia tirar da cabeça a visão de magoando as próprias feridas, como ele mesmo lhe dissera para fazer. Ele se perguntou quão grande era à dor dela, se ela sentia que podia ser devorada pela mágoa e tristeza, ou que a solidão iminente era tudo que restava para ela. se perguntou se ela sentia o mesmo que ele.
- Avisa para o Edward que eu tive que dar uma saída e mandei que ele cuidasse de tudo aqui. – Disse repentinamente, se levantando com o cigarro na boca em seguida.
- O quê?! – se pôs de pé também. – Você acabou de chegar! Tem documentos para assinar, ! – O seguiu pelo corredor, voltando a se irritar instantaneamente. Aquele surto de "quem manda nessa porra sou eu" ia acabar fudendo com a vida de todo mundo.
- Algum deles de caráter urgente? – perguntou, olhando por sob o ombro só para ter o prazer de vê-la negar. Podia estar tendo um dia infernal, mas sabia de suas responsabilidades e sabia mais ainda que todas elas podiam esperar até amanhã.
- Não – bufou – mas ainda temos um cronograma e prazos, temos que...
- Não temos não. – interrompeu, sorrindo de lado apenas para que entendesse que não era totalmente indiferente a sua preocupação, só não estava com humor para isso agora. – Fica calma, , eu não vou me matar. – Garantiu, beijando o topo de sua cabeça antes de apertar o botão para chamar o elevador.


passara o dia todo no quarto sem nenhum motivo em especial, mas, no fim da tarde, finalmente saiu. Seu plano era descer, pegar um pacote de biscoitos, e então voltar, mas parou no corredor ao ver a irmã passando um batom nude na boca pela fresta da porta do quarto. Ela, provavelmente, ia sair com William.
não sabia nada do que realmente acontecia ali; podia fazer o mesmo com Bonnie e comer Doncaster inteira, podia dar em cima das garotas como fizera com ela própria, no entanto ainda assim, ela não podia evitar se perguntar se ela e realmente se conheciam, se Bonnie conhecia o lado dele que, mesmo mal conhecendo sua irmã mais nova, tentou lhe impedir de se destruir como ela vivia para fazer.
- Olha quem está viva! – Bonnie exclamou quando finalmente entrou no quarto, encarando-a pelo espelho. lhe lançou um sorrisinho de escárnio em resposta.
- Para o seu azar. – Retrucou e Bonnie rolou os olhos, passando o pó compacto no rosto. riu, notando que aquela era a primeira vez que via sua irmã passar maquiagem. – Está se maquiando para transar?! Quer dizer, você e o William não andam por aí como se fossem um casal, não é?! – Inquiriu mesmo Bonnie não tendo dito nada sobre sair com William.
- . – Ela repreendeu com uma carranca e riu de forma travessa.
- Por que você trai o ? – Perguntou, implicando com a mais velha, que bufou.
- Por que quer saber? – Rebateu.
- Porque sim. – disse como se fosse óbvio – Ele é broxa? – Insistiu e Bonnie virou de costas para o espelho para encará-la.
- Como é que é?! – Perguntou assustada e riu.
- Você sabe, na hora "H" ele não...
- Eu sei o que é broxa, ! – Bonnie interrompeu num guincho que misturava vergonha e desespero, fazendo a mais nova rir novamente.
- E por que o espanto? O é mesmo broxa? – Perguntou surpresa
- Sei lá! – Bonnie gritou em resposta, sem se dar conta do que dizia até estreitar os olhos para ela.
- Mas ele é seu marido, vocês não transam, não? – Indagou, num misto de confusão e curiosidade genuína. Bonnie abriu várias vezes à boca para responder, mas nada saiu no primeiro instante e, quando ela respondeu, já era tarde; já sabia a resposta.
- Isso não é da sua conta, ! – Bonnie esbravejou e a garota riu, concordando com a cabeça.
Por algum motivo, lhe agradou saber que e Bonnie não transavam, mesmo sabendo que, no fundo, ela devesse se sentir culpada por ter gostado da notícia.
- Tudo bem então. – Disse, observando enquanto a irmã pegava uma jaqueta e colocava por cima do vestido, pegando a bolsa logo depois a fim de deixar o quarto.
- Já estou indo, volto amanhã cedo. – Informou
- Vai passar a noite fora? – perguntou surpresa e Bonnie estreitou os olhos para ela, lhe proibindo, sem falar nada, de fazer piadinhas. apertou os lábios numa linha rígida, mas não disse nada, contendo a risada enquanto a observava sair.


chegou em casa cerca de meia hora depois de Bonnie sair. Ela sempre tinha boas desculpas quando ia passar a noite fora, não que realmente ligasse, naquele dia em especial muito menos. Ele só queria sua cama, nada mais. Estava chapado como uma porta até pouco tempo, saíra da empresa decidido a esquecer tudo que estava lhe infernizando e cheirara tanto que era surpresa o nariz sequer estar no lugar.
Abriu a porta de casa, encontrando uma sala escura e perfeitamente silenciosa antes de fechar a porta atrás de si, ligando a luz e tirando os sapatos aos chutes para subir as escadas. Uma parte de torcia para que estivesse dormindo, não sabia quão forte era para vê-la logo naquele momento, naquele maldito dia, sabendo que não tinha mais ninguém em casa com eles, no entanto, outra parte queria vê-la. De preferência, naquela camisola que usava da primeira vez que a vira.
Ah, aquela camisola. adoraria rasgá-la só para ter o prazer de colocar a boca onde tivesse vontade logo depois.
Quando finalmente chegou ao andar de cima, a primeira coisa que notou foi à luz do quarto de acesa, iluminando parcialmente o corredor por consequência. Ela estava acordada. mordeu o lábio e, antes que pudesse pensar a respeito, andou na direção do quarto, talvez pudesse só dar uma espiada e ela nem o perceberia ali. Era o mais seguro para todo mundo.
parou em frente à porta entreaberta do cômodo e o olhar de , que estava jogada na cama com um livro lhe fazendo companhia, foi automaticamente atraído para ele.
- . – Disse surpresa, se colocando de pé em seguida.
se afastou da porta por reflexo, mas sabia que era tarde demais e pôs as mãos no bolso, vendo-a sair do quarto em seguida. Uma blusa de frio. Uma maldita blusinha roxa era tudo que ela vestia. se perguntou se ela estava com sutiã.
Ele demorou um pouco para perceber para onde ela olhava; seu olho roxo.
teria aberto um sorriso e feito uma piadinha por isso, se ela não houvesse se aproximado e tocado o ferimento. A mão gelada fez com que um choque térmico percorresse o corpo de , que fez uma careta de dor por reflexo, embora a sensação não fosse exatamente ruim.
- Ai. – Sussurrou e puxou a mão de volta de imediato, num misto de culpa e vergonha.
- Desculpe. – Disse, recuando um passo. Não sabia por que fizera aquilo, mas o hematoma a fizera ter o impulso de tocar, de ter certeza que estava tudo bem com ele. – Eu vou... Vou para o meu quarto. – Disse, se sentindo ridícula.
, que até então a encarava tentando de todo jeito conter a vontade de puxá-la para si e provar sua boca de uma vez, desistiu e a trouxe para si no instante em que ela deu as costas. jogou os braços ao redor de seu pescoço e afundou uma das mãos em seus cabelos. abriu a boca no mesmo instante, deixando que ele aprofundasse o beijo sem conseguir pensar em mais nada além da textura daquela boca, a textura macia dos lábios contra os seus fazendo com que ela quisesse mais e mais, desejando poder sugar tudo de com aquele beijo.
No instante seguinte, no entanto, era ele quem prendia a garota contra a parede mais próxima, mantendo seus corpos colados de forma que sentissem cada parte um do outro. abriu mais a boca, buscando inspirar algo além do perfume inebriante do homem, mas apenas aprofundou mais o beijo, explorando sua boca como se quisesse sugar tudo dela e a garota fincou as unhas em sua nuca como resposta.
Aquilo devia doer, mas a descarga de energia que disparava pelo corpo de o fez querer mais, mordendo seu lábio com força mesmo sem querer parar de beijá-la. soltou um gemido baixo, quase inaudível, contra a boca sua boca e ele pressionou mais o corpo contra o dela por reflexo, espalmando sua bunda para fazer com que ela enlaçasse sua cintura com as pernas.
apertou a cintura do homem com força quando ele desceu os beijos para seu pescoço, ela não fazia ideia do porque de tudo ser tão extraordinariamente bom com ele, mas os toques do homem pareciam levá-la para outra dimensão, onde todo o resto, que pesava tanto normalmente, sequer existia.
Sem conseguir se conter, ela segurou o rosto de entre as mãos e moldou seus lábios outra vez, que retribuiu o beijo de imediato, segurando em seus cabelos e puxando-os levemente quando a sentiu se esfregando nele, o volume entre suas pernas crescendo consideravelmente com aquilo, deixando a garota ditar o ritmo do beijo só para levar as mãos para a barra de seu moletom e puxá-lo para cima, permitindo que ela fizesse o mesmo com a camisa dele em seguida.
Ao contrário do que ele tinha imaginado, ela usava sim sutiã, mas a forma como se encaixavam nos seios só os faziam parecer ainda mais apetitosos, sustentando-os como duas taças e mal podia esperar para provar do que serviam.
Sem cerimônias, ele lambeu o vão entre os seios da garota e ela resfolegou, agarrando em seus cabelos enquanto ele mordia seu decote, passando a mão por trás de seu corpo para abrir o fecho do sutiã. O gemido que soltou quando ele finalmente abocanhou um de seus seios ecoou pelo corredor e voltou para como se fosse música.
Querendo mais daquilo, passou a massagear o outro seio da garota, fazendo pressão contra os mamilos com os dedos e levando a arquear o corpo para ampliar o contato, gemendo exatamente como ele queria ouvir. Aquilo soava bem demais para , erótico demais e ele só conseguia pensar em ter mais daquela garota, sentindo seu membro doer entre as pernas, implorando para estar dentro dela de uma vez, quando o homem sentiu sua umidade sob o tecido da calcinha.
conseguia imaginar perfeitamente deslizar para dentro dela, tão pronta para ele que chegava a ser crueldade que ele ainda não estivesse dentro dela, lhe comendo com força como queria fazer.
Tudo que fez, no entanto, foi enfiar dois dedos dentro dela e movê-los lá lentamente, provocando-a o máximo que podia, mesmo que aquilo fosse tortura até com ele próprio, que não via a hora de ser seu pau ali, lambuzado com toda a excitação da garota. ofegou, segurando-se nos ombros de e jogando a cabeça um pouco para trás, fora de si com aquela tortura deliciosa. Se era bom daquela forma com os dedos, ela mal podia esperar para provar a sensação de tê-lo inteiro dentro dela, duro e firme. O pensamento por si só arrancou novos gemidos de , soando mais insistentes quando enfiou mais um dedo em sua intimidade, chupando seu pescoço simultaneamente e sussurrando provocações em seu ouvido, lhe confidenciando o quão louco para fuder com ela ele estava.
Ela queria senti-lo, queria o seu pau deslizando dentro dela, queria-o inteiro lá e era apenas nisso que conseguia pensar, agarrando a cintura de com as pernas para sentir o volume, arranhando suas costas ao fazê-lo, chamando seu nome num tom desesperado e excitante demais para , que abriu o zíper da calça de uma vez, louco para acabar com aquilo e estar dentro da intimidade encharcada da garota, quente e deliciosa como seus dedos já haviam provado.
- Você quer que eu te foda agora? – Ele perguntou, grudando mais seus corpos para que ela sentisse seu membro, tirando os dedos de dentro de sua calcinha simultaneamente. gemeu coisas desconexas, ofegando ao tentar levar as mãos para seu membro, o puxaria para dentro dela ela própria se fosse preciso. , porém, segurou seus pulsos e prendeu suas mãos acima da cabeça. – Quer muito isso, ? – Ele perguntou, decidindo que só a comeria depois de fazê-la falar.
Só imaginá-la lhe confessando onde queria seu pau, com aquela carinha de boa menina que ela se esforçava tanto para esconder com maquiagem forte, o enlouquecia e pressionou seu corpo contra o dela novamente, tendo certeza que ela sentia sua ereção contra o pano fino da calcinha.
mordeu o lábio e concordou com a cabeça, excitada demais.
Racionalidade era algo muito distante para a garota agora e ela tentou soltar as mãos, mas não permitiu, mordendo um de seus seios em provocação e deixando os dentes rasparem por toda a extensão da região. resfolegou outra vez, sentindo todo o corpo se arrepiar com aquilo.
- Quero ouvir você falar. – sussurrou em seu ouvido, mordiscando seu lóbulo. sentiu o membro do homem, duro e firme, esbarrar em sua entrada por cima da calcinha e rolou os olhos em êxtase, mas aquele contato ainda era muito pouco para o que ela precisava.
- Eu quero você, . – Sussurrou entre dentes, soando muito mais como um grunhido que qualquer coisa. ergueu uma sobrancelha, adorando provocá-la. – O quê? – Ela perguntou
- Você pode fazer melhor que isso, amor. – sussurrou, chupando seu pescoço lentamente em seguida. tentou soltar as mãos outra vez, gemendo em agonia pelo que ele estava fazendo.
- Merda, – A garota gemeu, sentindo o descer os chupões por seu busto, levando-a a jogar a cabeça para trás, gemendo baixinho sem conseguir se concentrar em falar o que ele queria ouvir. Percebendo isso, sorriu malicioso e parou o que fazia, segurando em uma de suas coxas e passeando os dedos por ali bem levemente só para estapeá-la em seguida.
- Quer que eu te coma agora, ? Sabe o que tem que fazer. – sussurrou e segurou em suas mãos, afundando as unhas na pele do homem como se esperasse que aquilo, de alguma forma, fosse puni-lo pela provocaçãozinha baixa.
- Quero que você me foda até eu estar implorando para você parar, . Me fode para eu não conseguir mais andar, como se fosse a última transa da sua vida. – Olhou em seus olhos com pura luxúria e sorriu malicioso, soltando apenas uma de suas mãos para rasgar sua calcinha em duas e livrá-la de uma vez do pano tão inoportuno, penetrando lhe em seguida e voltando a segurar seu pulso antes que ela se agarrasse a ele como tentou fazer.
mordeu o lábio, se esforçando ao máximo para conter a onda de gemidos quando começou a se mover dentro dela, movendo inevitavelmente os quadris contra o pau do homem, deliciosamente rígido para ela, gemendo com o resultado do ato sem conseguir se conter. O próprio se continha ao máximo para não gemer também, sentindo a intimidade tão quentinha e molhada da garota o engolir de forma boa demais para ser saudável.
Ele simplesmente continuou a estocar, lhe pressionando mais contra a parede para ir mais fundo e soltando o ar perto do ouvido da garota, levando-a a gemer mais alto por isso, as mãos novamente lutando contra seu aperto, em vão.
passou novamente a chupar seu pescoço para se conter, ainda segurando os pulsos da garota com firmeza, mesmo que estivesse louco para tocá-la direito. Estar dentro dela por si só era bom demais, a forma como a garota o engolia, não deixando nenhuma parte dele de fora, era simplesmente extasiante. queria sugar todas as energias de e fazer exatamente o que ela pedira, fuder a garota até suas últimas centelhas de energias terem se esvaído completamente.
Ele lhe daria tantos orgasmos quanto era possível, a deixaria repleta de marcas e ela iria implorar por ele outra vez sem o menor pudor. Adorando a própria ideia, mordeu seu seio outra vez e desistiu de continuar a prendê-la, segurando em seus cabelos para beijá-la novamente.
, automaticamente, jogou os braços em seu pescoço, torcendo os dedos nos cabelos do homem em seguida enquanto o sentia puxar em seus cabelos com mais força a fim de usá-la como apoio para aprofundar ainda mais as estocadas, fazendo a garota gemer contra sua boca ao afundar as unhas em suas costas. Aquilo era bom acima de sua capacidade de descrição e ela nem se importava em descrever contanto que tivesse mais, soltando o ar de maneira entrecortada na boca de ao tentar pedir por mais, levando-o a estocar com ainda mais força mesmo sem ela pedir, o corpo da garota se movendo junto com o dele graças às investidas violentas do homem.
Um filete de suor escorria pelas costas de e as mãos de escorregaram por elas, levando-a agarrar sua bunda para empurrá-lo mais para dentro, fincando as unhas ali e gritando com o resultado do ato, toda a sanidade da garota se esvaindo de uma só vez.
já não sabia de onde tirava forças para continuar com aquilo, só não parou e nem queria parar, queria ir até seu limite e então ultrapassá-lo só para ter o prazer de ver se entregar ao melhor orgasmo de sua vida por sua causa. Aquele seria um mérito que ele, com certeza, adoraria ter.
sentia cada parte de seu corpo clamar de forma inacreditável por mais de , sem conseguir raciocinar para perceber que aquilo muito provavelmente não era possível.
Ela não conseguia imaginar uma sensação melhor que aquela, definitivamente não conseguia, mas isso só durou até o orgasmo começar a chegar, espalhando a sensação fumegante por todo o corpo da garota, desde os dedos dos pés até o topo da cabeça e ela só se agarrou mais a , fazendo-o ir mais fundo por consequência e grunhindo com aquilo antes de morder o ombro do homem com força para tentar se conter, os espasmos, pouco a pouco, tomando todo seu corpo.
a pressionou ainda mais contra a parede e, apoiando-se com os braços na mesma, estocou novamente, com agressividade o suficiente para que, no instante seguinte, gemesse em deleite, sentindo o líquido quente do homem preencher seu interior, os dois chegando simultaneamente ao ápice.
precisou de todo seu esforço para, mesmo em meio ao orgasmo, continuar a estocar, o máximo de vezes que podia, os gemidos que recebeu em troca levando-o a resfolegar, tão deliciado quanto e, antes que pudesse pensar a respeito, segurando com firmeza em seus cabelos e grudando suas bocas, o encontro de suas línguas esquentando seu corpo de maneira insana. estocou uma última vez, juntando parte dos cabelos de num bolo em seus dedos, adorando sentir sua respiração ofegante contra sua boca quando finalmente saiu de dentro dela.
estava entregue de maneira assombrosa ao prazer que lhe causara e não restara nada para lidar agora, não restara orgulho, nem mesmo uma centelha mínima de energia e ela simplesmente caiu nos braços de , os órgãos parecendo se revirar em seu corpo, a visão turva, a sensação mais intensa que se podia imaginar lhe tomando por completo. Era como se estivesse morrendo e, agora ela sabia, não havia uma expressão que fizesse jús ao orgasmo como a experiência de quase morte.




Chapter Four

"Now i’m four, five seconds from wildin’’ - Rihanna, com participação de Kanye West e Paul McCartney


rolou lentamente na cama conforme despertava, demorando a abrir os olhos, embora a sensação do lençol fino acariciando a pele nua lhe agradasse. Suspirando preguiçosamente, a garota abriu os olhos, o silêncio do novo quarto já era algo ao qual estava habituada desde Brighton, no entanto, se permitiu, ainda assim, aproveitar aquilo.
Gostava do silêncio e nem tinha um motivo para isso. Podia ficar horas simplesmente ouvindo apenas o som da própria respiração. Só gostava.
Por fim, a garota bocejou preguiçosamente e pegou o celular no criado mudo a fim de descobrir que horas eram; Dez em ponto.
demorou um pouco para notar que havia mensagens piscando na tela, umas três, de , lhe chamando para fazer compras para o jogo da noite. sequer se lembrava do jogo, até então, mas concordou em encontrá-la no shopping e, por fim, se levantou, olhando-se no espelho de corpo todo no canto do quarto e mordendo o lábio, analisando minuciosamente cada parte do próprio corpo que tocara, lembrando das mãos quentes e firmes, da boca traiçoeira, sentindo a intimidade tremer como resposta.
Suspirou, tocando um ponto em seu pescoço com uma marca roxa, só uma das várias que ele deixara por seu corpo. E ela aceitaria mais sem sequer piscar, agora que sabia o quão bom era. Respirou fundo e balançou a cabeça, tentando afastar os pensamentos. Eram dez e meia da manhã e ela já estava molhada, apenas por pensar na noite passada. Como aquilo era possível?! Não era virgem ou inexperiente, mas ... a fazia sentir exatamente assim. Como uma virgem.
Depois de tomar um banho, desceu ás escadas, encontrando Bonnie e na cozinha.
- Bom dia, casal! – Exclamou altiva e Bonnie afastou -que lhe abraçava sussurrando algo para ela- de imediato.
- . – Sorriu, corada. riu.
- Primeira e única. – Disse, se divertindo em ver a irmã agindo como uma adolescente que fora pega aprontando, mesmo que, teoricamente, ela fosse à adolescente que aprontara. Só não havia sido pega, mas era boa demais em aprontar para ser pega.
- Erh... Então, como foi a sua noite? – Bonnie perguntou, desajeitada. – Dormiu bem?
- Como um anjo. – respondeu prontamente, se virando para encher um copo com a jarra de suco disposta na mesa.
deixou o olhar cair para a bunda da garota no mesmo instante em que ela se inclinou para o fazer, numa tara irracional, e imaginou como seria comê-la por trás, apertando e mordendo as nádegas enquanto invadia sua intimidade, perfeitamente molhada e apetitosa.
- Hm. – Pigarreou, se esforçando para afastar os pensamentos enquanto desviava o olhar para Bonnie, que havia se distraído com o celular, mas o encarou também e sorriu sem graça. imitou e nenhum dos dois percebeu nada de errado com o outro. – Como foi com Victoria ontem?! – Ele perguntou por fim, fazendo um esforço quase físico para lembrar o nome da mulher com quem Bonnie se encontrava a fim de discutir sobre os eventos beneficentes da alta sociedade que organizavam. Ao menos, era aquilo que ela dizia a ele.
- Ah... – Bonnie coçou a nuca, desajeitada e prendeu o riso observando-a, sabia muito bem que a tal Victoria não era quem pensava. – Nós estamos quase chegando a um consenso quanto à quermesse anual, você sabe, as atrações e tudo o mais. – Disse por fim e assentiu, como se realmente se importasse com a tal quermesse que, em sua opinião, não era nada além de outra festa de aparências daquela gente.
- Parece bom.
- Sim. – Bonnie concordou sem acreditar no que estava fazendo ao virar para a irmã e lhe encarar com certo desespero. – Você podia ajudar, .
- Contanto que eu possa ficar na barraca do beijo. – deu de ombros como se não fosse nada demais, embora se divertisse com a situação. – E você, ? Como foi a noite? – perguntou, encarando-o com uma sobrancelha erguida quando Bonnie voltou a se concentrar no celular.
cravou os olhos nos seus e sorriu malicioso.
- Uma das melhores. – Disse, aproveitando o fato de Bonnie não estar mais prestando atenção para piscar para ela, que mordeu o lábio, sentindo a calcinha umedecer. E sequer havia tomado o café da manhã.
- Hmm... Victoria acabou de pedir para que eu a encontrasse no píer perto do estádio. – Bonnie murmurou, só então erguendo o olhar do celular. a encarou como se nada tivesse acontecido.
- Tudo bem. – Disse – Divirta-se. – sorriu como o marido doce e apaixonado que não era, enquanto bebia o suco para manter a boca ocupada ou, definitivamente, faria uma piadinha sobre o quanto Bonnie ia se divertir com Victoria.
- Vejo vocês mais tarde. – Disse Bonnie, deixando um beijo seco demais na bochecha de e acenando com a cabeça para a irmã antes de sair. virou para observá-la sair e só percebeu se aproximar quando já era tarde demais, ficando presa entre ele e a pia.
- Você é uma provocadorazinha filha da puta, sabia disso? – Sussurrou, roçando os lábios em seu pescoço ao o fazer. se agarrou a pia para não puxá-lo pelos cabelos.
- É o que dizem. – Respondeu por fim, precisando de certo esforço para falar normalmente. ergueu uma sobrancelha para ela, pressionando o corpo contra o seu.
- Pois eu digo que está precisando de uma lição; para aprender o que acontece com garotas más. – Falou e ela o encarou com um sorrisinho maldoso.
- Vai me ensinar uma lição, ? – Perguntou, mordendo o lábio com todo tipo de obscenidade na cabeça. quis morder ele mesmo sua boca, de preferência até sangrar, só para que ela parasse de provocá-lo com aquilo.
- Ah, eu vou. – Ele garantiu e ela sorriu.
- É? Como? – Perguntou, o encarando com desafio, mas já esperava por isso e, ao em vez de responder, puxou sua nuca e grudou seus lábios de uma vez, sentindo-a trazê-lo para mais perto de imediato, sem saber onde manter as mãos.
Aquela boca era definitivamente a melhor que ela já provara e tinha vontade de sugar cada pequena parte de quando ele a beijava, mas o homem se afastou cedo demais, tentando lembrar a si mesmo que seus planos não incluíam comer a garota na pia da cozinha.
- Você vai ter que esperar para descobrir. – Respondeu por fim, piscando para ela antes de se afastar e deixá-la sozinha na cozinha.

Á noite, chegou junto com ao estádio, que já estava bem cheio. Tiveram dificuldades para encontrar um bom lugar perto do gramado e acabou por jogar charme para um rapaz para conseguir, fazendo rir.
- Eu, honestamente, tenho pena do Greene. – Disse, vendo fazer um bico em resposta.
- Não fala assim, eu amo o James. – Rebateu, e era verdade, o amava. Ou pelo menos era naquilo que tentava acreditar. Ela não era santa, aquilo era um fato, mas Edward era o único com quem ela dormia além do noivo, mas, por mais que nunca fosse admitir para ele, não era só tesão.... Podia ser considerado traição mesmo assim? Um sentimento tão genuíno quanto o pseudo amor?! Espera, amor?! Pensara mesmo naquilo?! Amava Edward?!
- Claro que ama. – ironizou e arregalou os olhos para ela, que a encarou confusa por isso. – O que foi?!
- Nada. – virou, constrangida, para frente. Por que sua mente sempre condicionava a Edward tudo que tinha que ser para James?! Por quê?!
, alheia aos debates internos da outra, apenas deu de ombros. Os times apertavam as mãos para dar início a partida e reconheceu William pela camisa. Ele, que era atacante do Rovers e capitão do time, instruía seus companheiros enquanto o capitão do outro time fazia o mesmo.
precisava admitir, ele ficava uma delícia vestido daquele jeito.
- Eu sei, ele é um pedaço de mau caminho. – Disse ao notar para onde ela olhava.
riu, sem desviar o olhar de William.
- Só um pedaço? – A encarou por fim, divertida, e balançou a cabeça em negação, embora quisesse rir.
- Toda a população feminina de Doncaster veio aqui para ver ele jogar, . Ele, em especial, esse cara é tipo o deus dos sonhos molhados delas. – Disse e gargalhou.
- E ele come alguém ou...?
- Dificilmente aparece com alguma garota, as pessoas dizem que ele é discreto. – falou e riu. Sabia bem o quão discreto ele era.
- Ei, aquele ali é o Edward, não é? – Perguntou, vendo o mesmo homem de cabelos cacheados que conhecera no jantar e vira com no outro dia se aproximar delas. virou a cabeça, surpresa, e riu disso. – Sua cabeça gira a 360º? – Perguntou com humor, mas antes que a outra pudesse responder, Edward se aproximou e sentou entre as duas sem cerimônias.
- , meu amor! – Edward exclamou altivo, abraçando a garota em seguida. Os lábios de formaram uma linha rígida enquanto ela tentava segurar o riso por perceber que Woods sussurrava algo no ouvido de , muito provavelmente alguma putaria a julgar pela forma que ela mordeu o lábio.
- Woods. – Ela o afastou, encarando o homem numa irritação contida e ele apenas sorriu divertido antes de se voltar para .
- Minha nova Rhodes favorita! – Exclamou, abraçando-a rápido demais para que ela pudesse impedir, por mais que odiasse aquilo. Não sabia quem inventara aquela convenção idiota do abraço, mas era ridículo para ela, que, definitivamente, odiava aquela pessoa também.
- Ela não gosta de contato. – informou, rindo da careta da outra.
Edward ergueu uma sobrancelha para .
- Posso mudar isso num piscar de olhos. – Piscou para a garota e rolou os olhos, tentando esconder os ciúmes. riu.
- Eu aviso se achar necessário. – Disse, em provocação a , que fingiu não ligar.
- Por que vocês não vão para um quarto, hein?! – Perguntou e Edward riu enquanto fazia o mesmo, sendo abraçada de lado por ele ao mesmo tempo que .
- Relaxa , - o homem riu – tem Edward para todo mundo.
- Pena que nem todo mundo quer Edward. – retrucou, olhando em volta como se procurasse algo só para ter uma desculpa para não o encarar. Edward riu, se concentrando no jogo ao em vez de responder, embora soubesse muito bem que não precisava que todo mundo o quisesse, só ela. Até , que mal conhecia os dois, percebia aquilo. Edward gostava de verdade daquela garota e não fazia a menor questão de esconder isso.

Algum tempo depois, ao fim do jogo, conversava distraidamente com Edward e sobre os melhores lances e a virada dos Rovers, protagonizada, é claro, por William.
- Teria sido melhor se o nosso goleiro não fosse tão cuzão. – Edward comentou, ajudando as garotas a passar pela multidão no caminho para a escadaria que levava até a saída.
- É sempre bom ter alguém para xingar. – retrucou e concordou.
- Tornou tudo mais emocionante. – Disse, notando em seguida parado em frente ao seu carro no estacionamento. – . – Acenou e simplesmente não pôde se conter em seguir seu olhar.
não usava os ternos que ela estava acostumada a ver e, mesmo assim, ou exatamente por isso, ela não sabia, fez a garota prender a respiração. Simples jeans acompanhados por uma jaqueta de couro por cima da camisa branca e coturnos discretos, exatamente o tipo de roupa que ela podia facilmente imaginá-lo usando em cima de uma moto. Uma Harley.
mordeu o lábio, de repente com uma fantasia, no mínimo, boa demais para não ser verdade dominando sua mente de todos os jeitos possíveis. Transar numa moto devia ser sensacional, definitivamente.
- . – acenou levemente com a cabeça, usando todo seu autocontrole para não desviar o olhar para , mesmo sentindo o olhar dela sob ele.
não sabia por que não desencanava dela de uma vez agora que já tinha fudido à garota, mas não conseguia. Ao contrário, toda vez que olhava para ela queria tê-la com as pernas abertas para ele de novo. Céus, como queria.
- E aí, , cadê a patroa? – Edward perguntou, animado como sempre, e virou para encará-lo. Querendo ou não, a primeira coisa que notou foi à mão de Woods na cintura de . E como aquilo lhe incomodou, argh.
- No banheiro. – Disse por fim, porém no instante seguinte o som da voz de William o desmentiu.
- Reunião, uhu! – Exclamou, se aproximando junto com Bonnie, que riu antes de se afastar dele e ir até .
- Eu me perdi no caminho de volta.... É tudo tão complicado nesses estádios. – Comentou, não se dirigindo a ninguém em especial ao fazê-lo.
- Jura? Achei bem simples. – retrucou, erguendo uma sobrancelha com a expressão óbvia de ironia quando Bonnie olhou para ela com certo desespero pedinte, confirmando as suspeitas de de que estava com William.
, no entanto, não prestava a menor atenção na conversa e aquele era provavelmente o motivo pelo qual ainda não havia descoberto da traição; não dava a mínima para a esposa. Ao em vez disso, respondia alguns e-mails do trabalho pelo celular.
- Ei, cara, ótimo jogo hoje. – Edward parabenizou William e eles trocaram um cumprimento.
- Por que não vamos todos para um bar comemorar? – William sugeriu e ergueu o olhar do celular, prestes a dar uma desculpa qualquer para ir para casa e pular a comemoração, mas, William percebeu isso e insistiu antes que ele o fizesse. – Vamos, , alguém tem que pagar a conta. – Disse e o outro rolou os olhos, mas acabou concordando.
Apesar de William ser o mais velho, assumia esse papel na maior parte do tempo, embora nem ele mesmo entendesse o porquê. Só sentia certa responsabilidade por William, como se ele fosse o mais propício a se ferrar no final das contas. Não que fosse, um dia, admitir aquilo.


Foram todos para um bar perto do estádio e, como era de costume sempre que William aparecia num estabelecimento comercial como aquele depois de um jogo, o lugar foi fechado logo depois de entrarem. Alguns habitantes levavam os jogos um pouco a sério demais e, há alguns anos, um jogador dos Rovers fora assassinado por não passar a bola na hora que devia tê-lo feito. O torcedor maníaco estava preso, mas os jogadores tomavam certos cuidados desde então.
Era um restaurante mexicano e a música lembrava salsa. Havia vários casais dançando enquanto uma mulher de longos e encaracolados cabelos morenos cantava no palco. A conversa na mesa ia bem, até Bonnie perguntar a sobre James.
Edward fechou a cara automaticamente, bebendo mais cerveja para disfarçar enquanto explicava, toda orgulhosa, que ele estava fazendo um plantão num hospital numa área mais pobre de Doncaster. Edward odiava vê-la se derreter toda assim por Greene, o obrigando a lembrar que não, ela não era dele, ia casar com outro cara e o amava, ou seja lá qual fosse a merda do sentimento que ela tinha por James. Quando aquilo acontecia, Edward tinha a sensação de que gostava muito mais dela do que ela dele.
- Rhodes! – Edward se virou para , ignorando quando Bonnie pediu a para contar a história do pedido. Edward odiava aquela história... E todas as outras envolvendo James. – Quer dançar? Ótimo, vem! – Puxou a garota para longe dali sem que ela tivesse tempo de responder.
olhou em volta assustada, depois de volta para Edward, irritada.
- Você enlouqueceu?! Eu não sei dançar isso! – Disparou
- Você tem belos quadris, , alguma coisa tem que saber fazer com eles. – Edward retrucou e ela olhou cética para ele.
- Não isso. – Insistiu, mas Edward ignorou, começando a dançar seguindo o ritmo da música e a obrigando a fazer o mesmo, com uma mão em seu quadril pata fazê-la movimentar de um lado pro outro. soltou um gritinho, rodopiando pelo salão quando Edward a girou e a trouxe de volta para si, colando seus corpos. A garota, que sequer havia conseguido absorver as sequências de movimentos, o encarou assustada e Edward riu, achando graça daquilo.
- Falei que saberia fazer alguma coisa com eles. – Comentou, segurando dos dois lados do corpo da garota para fazê-la voltar a rebolar. Ela lhe lançou um sorrisinho irônico e recuou um passo, tentando manter uma distância segura. Edward a girou novamente e, ao trazê-la para si, inclinou-se sob ela, fazendo com que ela precisasse segurar em seu pescoço para não cair.
, que há muito já se desligara do que quer que Bonnie falava para prestar atenção na dança, tomou aquilo como deixa o suficiente para se levantar e ir até eles.
- Atrapalho? – Perguntou, cruzando os braços ao parar de frente para os dois, que se endireitaram para encará-la.
- O que foi? Cansou de contar histórias do noivinho? – Edward disparou claramente irritado e mordeu o lábio, contendo o ímpeto de recuar e dar as costas.
- Você não está sendo justo, Edward. – retrucou, cansada.
- Eu?! Eu não estou sendo justo, ?! Não dá para acreditar em você! – Woods devolveu, desacreditado e olhou de um para o outro se perguntando se já podia sair dali. Precisava beber e, de preferência, algo forte. – Pode me explicar onde exatamente eu fui injusto?! Em me apaixonar por você?! Em não querer dividir com aquele filhinho de papai de merda do Greene?! – Lançou, sem perceber a mudança de expressão no rosto de . Ele sempre podia vencer uma discussão só falando aquilo, não tinha forma mais eficiente de desestabilizá-la, no entanto, Edward sequer desconfiava o que aquelas palavras faziam com ela, pelo menos não até puxar sua nuca e beijá-lo de uma vez.
Para , aquele era o desfecho óbvio para aquela discussão e ela mesma já estava quase batendo as cabeças dos dois uma na outra para acabar com a palhaçada, ficando satisfeita com a reação de .
Por fim, a garota deixou os dois aos beijos ali e fugiu da pista de dança antes que alguém tentasse lhe fazer dançar contra a sua vontade pela segunda vez aquela noite, passando, no entanto, pela mesa onde William, Bonnie e estavam sem sequer olhar para lá, queria beber, estava o dia todo sem usar nenhum tipo de entorpecente e aquilo estava se tornando sua ruína.
A verdade é que a vida de era uma droga e o tempo todo suas energias estavam voltadas para esquecer tudo que era, não sobrava nada para ser, mas ela não ligava. Pelo menos, desse jeito a dor passava. Bonnie, que acompanhou a irmã com o olhar, suspirou pesadamente ao ver um barman lhe entregar uma bebida.
- Eu vou tomar um ar. – Informou aos dois que ainda estavam na mesa, se levantando em seguida.
William acompanhou com o olhar enquanto ela se afastava e depois se voltou para , que desviou o olhar de Bonnie para o celular assim que ela sumiu de vista. No fim das contas, estava certa e o dia anterior havia atrasado consideravelmente as coisas na empresa, mas é claro que ele não admitiria aquilo para ela.
Quando percebeu que William o encarava, ele ergueu o olhar.
- O que foi? – Quis saber
William o encarou sem falar nada por um instante, ia perguntar se ele se importava, pelo menos um pouco, com Bonnie, mas se conteve.
- Nada. – Disse simplesmente, fazendo erguer uma sobrancelha em desconfiança, guardando o celular sem desviar o olhar de William. costumava saber quando havia algo de errado com William, apesar de tudo, não tinham o pior relacionamento do mundo e, quando eram mais novos, William sempre precisou mais de cuidados do que , mesmo ele sendo o mais novo. Percebendo que não o convencera, William suspirou e desistiu.
- Queria que Samuel tivesse estado lá. – Confessou baixo
- Ele provavelmente só teria dado azar e causado a sua derrota. – retrucou com simplicidade, embora soubesse que não ajudaria muito. Ele só era péssimo para aquele tipo de conversa, ainda que se preocupasse e se importasse verdadeiramente com o irmão.
- Por que você não assumiu o negócio da família, ? – William, que até então encarava seu copo quase vazio de cerveja, ergueu o olhar para ele. trincou os dentes, odiando o rumo da conversa. William não sabia a verdade sobre a morte da mãe e muito menos do desejo de vingança de por Samuel, ninguém sabia. não era do tipo que se lamentava para os outros.
- Por que eu faria isso, William? – Desconversou
- A relação de vocês poderia ter sido melhor se tivesse feito. – O outro respondeu simplesmente, embora parte dele pensasse que talvez sua própria relação com o pai estivesse melhor também. não precisou de muito para perceber isso.
- Não preciso dele. – Disse, embora seu olhar deixasse claro que achava que William também não precisava. – Se eu fosse querer algo de Samuel, William, ia viver decepcionado. Sugiro que não cometa esse erro. – Acrescentou, esperando William assentir para ter certeza que ele havia entendido.
O homem suspirou e concordou com a cabeça, embora parte dele insistisse em não aceitar aquilo. Querer que as coisas fossem normais com o pai, era pedir muito?
- Você acha que... – Ele se interrompeu, desviando o olhar para seu copo novamente quando voltou a encará-lo. não desviou o olhar por isso e William bufou, voltando a encará-lo. – Acha que vamos ser assim quando nos tornarmos pais? – Perguntou por fim
demorou um pouco para pensar numa resposta adequada, sequer se imaginava se tornando pai um dia, piorou o tipo de pai que seria. Pensou em Bonnie, eles estavam casados há quase três anos e sequer falavam sobre filhos, aquilo sempre pareceu normal para , mas o quão normal podia ser para ela? Ele não sabia.
- Não somos mimados como ele provavelmente foi. – Respondeu por fim a William, que apenas o encarou, esperando pelo resto. suspirou. – William, nós não temos que ser como ele. Nada nos obriga a ser, entendeu bem?! Temos tudo para ser melhor que ele e com certeza seremos. – Disse, mesmo que no fundo se referisse só a William. Ele já não tinha mais tanta certeza quanto a si mesmo, era mais a carcaça de um homem querendo vingança do que qualquer coisa. Tudo o que lhe fazia sentir vivo eram entorpecentes, violência e sexo. Não era como se houvesse muito futuro para alguém assim.
- Acredita mesmo nisso? – William perguntou e apenas assentiu, não era mentira.
William era completamente diferente de Samuel e isso era evidente, seus destinos seriam bem diferentes. só não tinha tanta certeza quanto a si mesmo.
Por um instante, William se sentiu culpado por se apaixonar logo pela esposa do irmão, não era uma pessoa ruim e, do jeito dele, se importava com as pessoas. Talvez até mais do que era capaz de demonstrar, no entanto, tão rápido quanto o sentimento veio, passou quando ele viu secando as pernas de pelo canto do olho. Era verdade que a garota era um espetáculo, mas ele não entendia como , tendo Bonnie como esposa, precisava estar o tempo todo envolto em algum caso extra conjugal idiota.
- Vou lá fora. – Disse por fim, se pondo de pé em seguida. apenas concordou com a cabeça, esperando que ele sumisse de vista para voltar a olhar para , que conversava com o barman. tinha certeza que os rostos dos dois não precisavam estar tão próximos para que ele soubesse o que ela queria beber e se sentiu um adolescente idiota por ligar, mas a verdade é que ele era possessivo, o que ele tocava era dele e o que era dele era dele. Sempre fora assim e não seria agora que mudaria, vendo morder aquele maldito lábio enquanto o tal garçonzinho idiota se inclinava para falar qualquer merda em seu ouvido.
bebeu um gole de sua cerveja, decidido a ignorar aquilo, mesmo que a parte mais cavernal dele quisesse arrastar pelos cabelos só para que gemesse e ele pudesse sugar aquela boca carnuda logo depois. Ah, sim, aquilo, definitivamente, não seria nada mal.
- . – Como um demônio conjurado, a garota apareceu bem a sua frente, sentando na cadeira ao seu lado, a voz cantada indicando que aquele não era seu primeiro copo. Ele a encarou com as sobrancelhas arqueadas e ela apenas bebeu um grande gole da bebida vermelha em suas mãos. – Bonnie saiu e te deixou aqui, sozinho e desprotegido? – Ela perguntou zombeteira, tamborilando os dedos no joelho de . Ele olhou de sua mão para seu rosto e a encarou desconfiado, vendo-a sorrir como se soubesse de algo que ela não sabia.
- Por que diabos você acha válido eu procurar a Bonnie para me proteger? – questionou, erguendo uma sobrancelha. – Isso supondo que eu precise se proteção. – Acrescentou antes que ela pudesse responder, sorrindo convencido brevemente. Ela riu.
- A irmã malvada pode querer te pegar. – Ela ergueu o olhar para encará-lo com aquela carinha de boa moça mais falsa que nota de três reais e, definitivamente, muito excitante. sorriu malicioso.
- Não se eu pegá-la primeiro. – Retrucou, inclinando-se a fim de aproximar seus rostos, fazendo mover o corpo para mais perto dele também, os olhos cravados nos seus.
tinha o tipo de olhos que emanava calor e ela se pegou mordendo o lábio com força, desejando que ele a beijasse de uma vez, ansiosa para sentir a língua do homem explorando sua boca.
- O que está esperando? – Perguntou baixo, no entanto, antes que pudesse responder alguém pigarreou atrás dele, fazendo com que se afastasse de imediato.
- . – A voz emanava superioridade e fez um arrepio infantil percorrer a espinha de , que encarou o homem que os havia interrompido com sua melhor pose cara de pau.
- Samuel. – Acenou levemente com a cabeça, se pondo de pé em seguida. Olhar para Samuel de baixo o incomodava, já bastava toda a inferioridade que ele tentava impor a durante toda sua infância. Agora, havia superado as expectativas e fazia questão de mostrar isso a Samuel.
- Não vai me apresentar sua amiga, meu filho?! – Samuel perguntou, olhando brevemente para , que olhava de um para o outro sem saber o que exatamente devia fazer. Fingir que nada havia acontecido ou chorar e pedir desculpas? Ela não fazia ideia.
Havia uma tensão quase papável entre e seu pai, ou seja lá quem fosse aquele homem de terno, e aquilo a impedia de ter certeza do próximo movimento, como se estivesse pisando num campo minado.
- Essa é , irmã da Bonnie. – falou á contragosto, odiando ter que ouvir Samuel se referir a ele como seu filho. Ele não era seu filho. Não tinha pai, não precisava de um. – , esse é Samuel, pai de William. – Encarou a garota com a tensão óbvia em seu olhar.
apenas acenou com a cabeça para Samuel, bebendo o que restava de seu Bloody Mary só para ter uma desculpa para desviar o olhar.
Samuel sustentava bem os cinquenta e oito anos, o cabelo escuro penteado para trás e o corpo em forma lhe conferiam uma aparência indiscutivelmente mais jovem e ele, diferente da garota, que desviou o olhar rapidamente, analisou cada detalhe do corpo dela. Sem dúvidas, feito para o pecado, e estava se aproveitando dele sozinho.
Samuel desviou o olhar para e sorriu de lado.
- Não sabia que a família de Bonnie estava em Doncaster.
- Não está. – devolveu, buscando mentalmente um jeito de acabar de uma vez com aquela conversa. Samuel era provavelmente a única pessoa no mundo que fazia ter vontade de sair correndo. – Só a .
- E você está gostando daqui, ? Percebi que se deu bem com o . – Samuel voltou-se novamente para a garota, que apesar de ter estado quieta até então odiou a ameaça implícita na voz do homem.
- Doncaster é diferente do que estou acostumada, mas estou gostando sim. – disse por fim, ignorando o comentário sobre . Ele não chegara a ver algo comprometedor e, mesmo se houvesse visto, seria sua palavra contra a deles. não sabia se devia, mas acreditava que podia comprar aquela briga. Samuel, no entanto, apenas sorriu, gostando da ousadia da garota.
- Fico feliz em saber disso. – Falou, mas antes que pudesse responder a segurou pelo braço e passou em sua frente, sem paciência para ficar de papo com Samuel.
- Bom, foi bom ver você, Samuel, mas temos que achar Bonnie e ir para casa, já está tarde. – Avisou e, sem esperar por uma resposta, saiu arrastando para fora dali, sem dar a chance da garota falar qualquer coisa também, embora ela estivesse ocupada demais em se perguntar o que diabos fora aquilo para verbalizar qualquer pensamento.




Chapter Five

"Poison on our veins, but we don’t even care’’ - SoMo


Após remontar seu cavalete, prendeu o cabelo num coque, o mais firme que conseguiu, para que ele não se desfizesse, e pôs a tela limpa no lugar. Fazia muito tempo que não pintava, apenas desenhava vez ou outra no mesmo caderno antigo de sempre, mas não com tanta frequência como antes. Encarou a tela limpa e suspirou, pensando no que pintar, fazia tempo que não fazia aquilo, sequer tinha certeza se lembrava de como fazer direito.
Mordendo o lábio, ela deixou o pincel de lado e pegou um lápis, com ponta fina, em seu material de artes. Seria melhor começar por um rascunho.
Traçou as linhas na tela devagar e com toda delicadeza que possuía, conseguindo, lentamente, chegar a algum lugar. Uma cama, um homem deitado de lado, de forma que só suas costas apareciam no desenho e o cabelo cheio cobrindo toda a cabeça, descendo até a nuca e se afunilando ali.
Como o de , ela pensou, se assustando ao perceber o rumo que aquele desenho seguia.
pegou uma borracha e a esfregou nas costas do suposto em sua tela, fazendo-as maiores para que ele parasse de parecer tanto com . Era só um homem deitado na porra de uma cama, um homem sem rosto, sem nome, sem porra de nada. Um desenho, um desenho sem qualquer significado.
Respirando fundo e assentindo para si mesma, ela continuou o que fazia, representando alguns detalhes bobos do quarto, como o gesso entre o teto e as paredes, um pôster dos Beatles e teria feito mais, alguma frase legal talvez, se a porta do quarto não houvesse sido aberta em seguida, lhe assustando.
Bonnie havia sido cuidadosa e empurrado a porta com toda delicadeza do mundo, mas mesmo assim parou abruptamente o que fazia, encostando o lápis no apoio do cavalete.
- O que você quer?! – Perguntou à irmã, que olhou surpresa dela para a tela, mal absorvendo a pergunta.
- Faz tempo que não vejo você pintar. – Bonnie murmurou, sem tentar esconder a surpresa. – Nem sabia que ainda fazia isso.
- Você fala como se não houvesse saído de casa há seis anos e acompanhasse todos os meus passos. – respondeu com simplicidade, cruzando os braços.
Bonnie suspirou, desejava saber como lidar com a amargura da irmã, sentia falta dela e queria muito que as coisas melhorassem entre as duas, queria ajudar a superar tudo pelo que estava passando, mas ela simplesmente não dava abertura nenhuma e Bonnie não sabia mais o que fazer.
- Eu só gostei de ver que ainda faz isso. – Murmurou baixo – você gostava tanto...
- Mamãe dizia que não ia me levar a lugar algum e só mancharia minhas roupas de tinta. – a cortou, falando como se aquilo fosse motivo o suficiente para fazê-la parar. Bonnie suspirou.
- Mamãe sempre precisou expandir um pouco os horizontes. – Disse, se aproximando um pouco para olhar o quadro. torceu que consertar as costas do homem no desenho o houvesse distanciado de . – Você é uma artista, . – Bonnie sorriu para a irmã, aparentemente sem perceber nada. rolou os olhos, sem conseguir conter o ceticismo. Não se achava uma artista, de jeito nenhum, só desenhava coisas aleatórias de vez em quando. As pessoas superestimavam muito toda aquela coisa de desenho.
- É, é, que seja. – Disse impaciente – O que veio fazer aqui, afinal?!
- Eu vim avisar que estou saindo. – Murmurou – Vou resolver os últimos detalhes da quermesse...
- Espera, tem mesmo uma quermesse?! – interrompeu surpresa. Achava que aquilo havia sido só uma desculpa para enrolar no outro dia. – Eu achava que a Victoria era o William. – Disse e Bonnie corou, pensando na bagunça que fazia mentindo daquele jeito.
- Tem uma Victoria, eu só não a encontro tanto quanto o pensa. – Murmurou, colocando o cabelo para trás envergonhada. riu.
- Entendi. – Falou – boa reunião então.
- Obrigada. – Bonnie sorriu, aliviada de terem conseguido manter uma conversa quase decente, apesar das evasivas de . – está no escritório dele, se precisar de algo, ok? – Disse e a outra apenas assentiu, vendo a mais velha deixar o quarto em seguida.

Algum tempo depois, havia pintado apenas o pôster dos Beatles no quarto em sua tela e deixado o resto a lápis, gostando do destaque dado ao pôster. sempre desejou ter nascido na época em que os Beatles ainda eram os Beatles, ter estado no Woodstock. De qualquer forma, ela colocou a tela de lado e decidiu descer para comer.
Por mais que sua preferência sempre fosse o cantil de vodka em suas coisas, não gostava de beber de estômago vazio, aquilo a corroía de maneira quase insana e era, no mínimo, detestável e, girando as pulseiras nos pulsos, mais por força do hábito que qualquer coisa, ela desceu as escadas, dois degraus por vez.
Ao chegar ao andar de baixo, deu de cara com na cozinha, sem camisa e com calças baixas demais, de forma que o inicio da cueca aparecia, moldando perfeitamente à bunda. mordeu o lábio automaticamente, sem desviar o olhar.
- Ah, ... – Suspirou, chamando a atenção do homem, que virou de frente para ela, surpreso. Bonnie não dissera que já estava acordada e ele estava se esforçando para não subir e checar. – A vida seria mais fácil se você não fosse tão gostoso. – Ela comentou com uma careta engraçada e riu, colocando de lado a faca que usava para cortar os ingredientes que usava para preparar o almoço, indo em sua direção.
- Posso dizer o mesmo de você. – Segurou na cintura da garota, sentindo a pele quente contra sua palma sem qualquer dificuldade graças ao tecido fino da blusa que ela usava. riu.
- Talvez a gente devesse fuder agora e resolver o problema. – Disse, se perguntando quanto tempo ia levar para puxá-la para mais perto, talvez usar a mão livre para agarrar seus cabelos e beijá-la de uma vez. Ela, definitivamente, não reclamaria.
sorriu malicioso, gostando da forma como a palavra soara na boca dela. Proibida e excitante.
- Ah, você quer fuder? – Ergueu uma sobrancelha, finalmente a trazendo para mais perto, o encaixe de seus corpos parecendo fazer ansiar para senti-lo dentro dela outra vez, o calor entre suas pernas crescendo inevitavelmente. olhou em seus olhos e a prendeu contra a mesa de uma vez, certo que podia comer aquela garota aonde fosse, quando fosse. – Responde , é isso que você quer? – Roçou o nariz em seu pescoço, segurando simultaneamente em seus joelhos para impulsioná-la a se sentar de uma vez na mesa.
- Você gosta de me ouvir falar putaria, ? – Ela devolveu a provocação, agarrando em seus cabelos para sussurrar perto do ouvido. riu, arrepiando-a por fazer isso contra sua pele.
- Não tem nada mais gostoso que ouvir você falar onde quer o meu pau. – Retrucou, naquele tom provocativo e sussurrado. A voz aveludada de fazia querer mais de seu toque. – Onde quer o meu pau, ? – Agarrou sua cintura com mais força, encaixando ainda mais seus corpos.
A garota não se preocupou em responder, puxando-o pela nuca e moldando seus lábios de uma vez, a sensação de beijá-lo não parecia mudar, só se intensificar. Mais e mais.
segurou em uma de suas pernas com mais força, retribuindo o beijo intenso sem nem pestanejar, subindo a mão que antes estava em sua cintura por suas costas só para afundá-la em seus cabelos, imiscuindo os dedos nos fios enquanto ela passava, finalmente, as pernas ao redor de sua cintura.
queria livrá-la das roupas de uma vez e com certeza o teria feito se o som incessante da campainha não os houvesse interrompido.
queria continuar, queria mais da boca dele, mais dele, no entanto, o susto sequer a deixou pensar, e, num rompante ela já estava empurrando e se pondo de pé, passando a mão pelos cabelos nervosa. encarou o rubor intenso em sua boca e xingou baixo, não acreditando no timing do filho da puta na porta. Seja lá quem fosse.
- Eu vou abrir. – sussurrou por fim, olhando incerta para trás, na direção da porta. trocou o peso do corpo de um pé para o outro.
- Manda embora. – Disse e mordeu o lábio, assentindo.
viu a garota dar as costas e passou as mãos pelos próprios cabelos, xingando outra vez a maldita campainha.


girou a maçaneta redonda, abrindo a porta sem ter certeza do que fazer, ou de quem esperar. Acabou dando de cara com um homem que nunca havia visto antes. Ele devia ter a altura de , porém parecia mais forte.
- Você deve ser a irmã da Bonnie. – O homem adivinhou antes que ela tivesse tempo de perguntar quem ele era Nick Alcott. – Nick ergueu a mão para ela, que só assentiu ainda desconfiada. Um nome não mudava o fato de que ela não fazia ideia de quem ele era. Além do mais, Nick parecia desviar o olhar para o seu corpo com muita facilidade, era desrespeitoso. E ela odiava. Só que não. Ela adorava. Só estava irritada, sorrindo cordialmente. assentiu sem saber se devia.
- . – Falou, trocando o peso do corpo de um pé para o outro, desconfortável. – E você é... ?
- Nick. pela interrupção. – Então, o está aí? – Nick perguntou, baixando a mão sem graça.
- Aham. – Deu espaço para que ele entrasse.
Talvez Nick trabalhasse com . parecia o tipo de maníaco que tratava o fim de semana como qualquer outro dia, afinal.
- Ah, é você. – murmurou decepcionado ao irromper na sala, simultaneamente ao momento em que fechou a porta. Nick lançou um sorrisinho de escárnio enquanto se esparramava no sofá, fazendo desviar o olhar para as pernas descobertas por um instante.
Ela precisava tornar tudo tão difícil?!
- Também estou muito feliz em te ver, . – Nick ironizou, sentando-se no outro sofá. bufou.
- Todo mundo fica feliz em me ver. – Disse como se fosse óbvio. Nick riu.
- Até parece. – Falou – tem comida?
xingou o amigo mentalmente por decidir ser folgado no pior momento possível, mas, se bem conhecia Nick ele estava tentando distrair a cabeça e Joe, o irmão do meio, o proibira de ficar na academia. Isso acontecia ás vezes.
- Estava cozinhando antes de você chegar. – Retrucou
- Falta muito? Estou faminto. – Nick comentou e olhou de um para o outro, surpresa com a intimidade. Ela apostava que, se qualquer outro falasse com como Nick falava, levaria um soco.
- Por que você não vai lá e termina de fazer, então?! – retrucou, se jogando no sofá apenas por implicância. Nick olhou desacreditado para ele.
- É assim que você trata as suas visitas, ?! Sério?! – Perguntou, indignado. rolou os olhos.
- Só as que têm tesão por mim. – Disse simplesmente e não conseguiu conter uma risada pela forma enojada que Nick olhou para ele.
- Acho que a faz mais o meu tipo, obrigado. – Retrucou, piscando de brincadeira para a mais nova, que riu outra vez, sem conseguir se conter. Nick era mais legal do que ela esperava, parecia difícil não gostar, mesmo que seu timing ainda fosse uma droga.
- Até parece. – retrucou, soando mais ríspido do que pretendia.
ergueu uma sobrancelha, gostando do tom subitamente mais sério. A mandíbula travada era realmente sexy. Nick olhou de um para o outro, conseguindo se surpreender com a falta de capacidade de resistir do amigo. Então, ele comera a irmã da esposa?!
- Não precisa ter ciúmes, cara, se ela me quiser ainda posso te comer como segunda opção. – Respondeu, decidindo provocar, afinal provocar era o passatempo favorito de qualquer um.
olhou desacreditado para ele.
- O quê?! – Perguntou, enojado. Nick gargalhou e fez uma careta, se levantando. – É melhor vir ajudar se quiser comer. – Disse já se afastando em direção ao corredor, no entanto parou no meio do caminho e encarou . – Você também.
já havia desistido de tentar entender porque tudo que ele falava parecia ganhar um sentido mais sujo para ela e simplesmente se levantou, seguindo os dois até a cozinha.
Ela e Nick se sentaram à mesa e aproveitou para analisar o perfil do homem enquanto ele conversava com . Seus traços eram tão bem desenhados quanto os do outro, mas de forma mais grosseira, por assim dizer. Se os dois fossem desenhos num papel, diria que foi desenhado por alguém com mãos pequenas e muito cuidadosas, enquanto com Nick acontecera justamente o contrário. De alguma forma, no entanto, a beleza de parecia bastante máscula também, talvez até mais madura que a de Nick.
- Eu falei para ajudarem, não ficarem parados aí. – murmurou quando nenhum dos dois se moveu, deixando que ele cuidasse de tudo sozinho.
- Cara, você é um saco. – Nick resmungou, se pondo de pé. – Vou fazer a sobremesa, está bom assim?
- Contanto que faça algo. – retrucou, de mau humor. Nick imitou com a voz afetada e olhou feio para ele por isso. – Por que você não vai se fuder, Nicholas? – Perguntou e o amigo riu, o que já esperava. Se tinha algo que Nick adorava era irritar , como um irmão mais novo pentelho.
- Só se a for junto. – Provocou, levando a rolar os olhos, apesar de ter olhado de lado para , que ria, mas se sentiu desafiada a falar algo.
- Acho que gosto dessa ideia. – Disse não muito alto, mas o suficiente para que ambos escutassem. bufou.
- É claro que gosta. – Ironizou e Nick conteve a risada, ele mexia a cauda de chocolate no fogão enquanto colocava a mesa, aparentemente com o almoço já pronto.
- Vai ficar aí parada enquanto fazemos todo o trabalho?! – indagou ao dispor um prato de frente para , que sorriu.
- Acho que eu posso viver assim. – disse simplesmente, se esparramando com os pés na cadeira de frente para sua.
- Assim...?
- Sendo servida. – Deu de ombros – mas realmente acho que o Nick deveria tirar a camisa. Sabe, para padronizar. – Provocou, vendo erguer uma sobrancelha e sustentando seu olhar só até ouvir Nick rir, voltando sua atenção para ele.
- É justo. – O homem disse, abaixando o fogo do chocolate antes de puxar a camisa preta para cima, se livrando da peça. mordeu o lábio com a visão do abdômen definido e sorriu maliciosa, sabendo que a observava. Nick, definitivamente, não era de se jogar fora e ela podia imaginar facilmente quão divertido seria brincar com aquele corpo.
- Padrão o suficiente para você? – Nick perguntou a encarando de maneira divertida. riu.
- Com certeza. – Falou e Nick piscou para ela, levando a rolar os olhos.
- Exibido. – Resmungou, derrubando os pés de para se sentar na cadeira de frente para ela. Ela riu, definitivamente adorando ver fora de si com as provocações, piscando para ele quando Nick voltou a desviar o olhar para a panela, mesmo que àquela altura não fizesse muito sentido tentar ser discreta. , obviamente, confiava em Nick e não parecia haver um limite para o que ele podia saber.


Depois de almoçar, os dois ainda estavam sem camisa, não que reclamasse. Jamais.
- Sobremesa? – Nick ofereceu, olhando diretamente para mesmo sabendo que já estava completamente puto com ele pelas piadinhas. Nick sabia muito bem quão possessivo o amigo era, odiava dividir e sempre fora assim, mas Nick também adorava provocar e sempre fora assim.
- Eu adoraria. – disse, vendo o homem se levantar para buscar a sobremesa que colocara no congelador enquanto comiam. cozinhava surpreendentemente bem demais e até chegara a fazer piadinha com aquilo, descobrindo em seguida que , segundo Nick, adorava cozinhar e era o responsável por não os deixar passar fome quando acampavam na adolescência com outros amigos.
Nick entregou um espeto com três morangos cobertos de chocolate para e um para , ficando com outro para si mesmo.
- Que gracinha. – comentou, passeando o dedo pelo chocolate que cobria o morango. observou enquanto ela circundava o morango com o indicador, provavelmente dando atenção demais para algo tão insignificante, mas tudo que ela fazia parecia fazer pensar em coisas infinitamente mais sujas.
- Morde. – Sugeriu Nick, apontando o chocolate antes de fazer o mesmo com o dele próprio. obedeceu.
O chocolate era apenas a cobertura que escondia o morango e o gosto, definitivamente, era sensacional. Ela lambeu os lábios para limpar o chocolate dali, demorando a perceber que ainda a encarava. Quando o fez, ela mordeu levemente o lábio superior e teve vontade de puxar suas mãos para dentro de suas calças e fazer com que ela brincasse com seu pau só para tê-lo na boca em seguida. Nick não precisou de muito para perceber a tensão sexual entre os dois, definitivamente se divertindo com aquilo e mais ainda em se fazer de idiota.
- E então? – Perguntou, fazendo se voltar para ele outra vez. – Aprovado?
Ela sorriu, ainda sentindo o chocolate no canto da boca. Passou a língua no local e concordou, voltando a circundar os morangos com o dedo.
- Sem dúvidas. – Riu e Nick a acompanhou. – Acho que vou ficar te devendo uma sobremesa, porque, céus.... Isso é muito bom. – Lambeu os dedos, quase rindo por ter os dois acompanhando o movimento com os olhos.
- Ah, é, eu vou cobrar isso.... Pode esperar. – Nick retrucou, sem desviar o olhar de sua boca.
riu e ignorou aquilo, mordendo o próprio espeto. Era melhor manter a boca ocupada para não mandar os dois se fuderem, principalmente quando sabia que estavam fazendo para provocá-lo.

Nick foi embora horas depois, eles haviam passado a tarde jogando vídeo game e conversando trivialidades. Sem deixar de lado, é claro, as provocações. adorara descobrir o quão divertido era provocar , que naquele momento estava jogado no sofá, escutando alto e claro o som do chuveiro no andar de cima.
estava com a televisão ligada, mas se concentrar na luta que passava no canal Combate parecia impossível com aquele som, o ruído do chuveiro parecia ecoar ensurdecedor em sua mente, fazendo imaginar o corpo nu e molhado de com clareza demais. Ele queria subir e invadir o quarto dela de uma vez, mas achava que ela esperava por aquilo. E odiava parecer previsível.
Ele pensou em Bonnie e no quão errado aquilo era com ela. Bonnie era uma boa garota, não merecia aquilo, não merecia nada do que fazia.
O som do chuveiro continuava ecoando.
era um filho da puta como marido e sabia bem disso, já estava entorpecido o suficiente, no entanto, para se importar. Ele tinha certeza que Bonnie sabia com quem estava se casando quando entrou na igreja no grande dia, embora ás vezes se perguntasse como ela aguentava.
Agiam como estranhos, o tempo todo, eram completamente indiferentes quanto a qualquer coisa que acontecia na vida do outro. Tudo que parecia importar naquele casamento era o que parecia e não o que era.
desligou a TV, ouvindo com ainda mais clareza o som do chuveiro. Estava irritado. Queria ser capaz de se sentir culpado por trair Bonnie, mas parecia que o máximo que ele podia sentir eram coisas supérfluas; tesão, adrenalina...
Quanto tempo era capaz de levar num banho, afinal?! apostava que, se soubesse o quanto o estava enlouquecendo, ela passaria a noite com o chuveiro ligado. talvez fosse ainda mais filha da puta do que ele, talvez por isso também se deixasse enlouquecer tão facilmente quando se tratava dela. era sua versão de saias.
Por fim, ele se pôs de pé e subiu ás escadas, decidido á ignorar o quarto de e sequer olhar naquela direção, por puro orgulho. Como se esperasse por aquilo, no entanto, estava despreocupadamente recostada à porta do quarto dele.
ergueu uma sobrancelha e ela sorriu maliciosa por isso, satisfeita por tê-lo surpreendido, o que fez o homem ter o impulso de mascarar a expressão de imediato. riu, mas ele ignorou, analisando a camisola curta demais da garota, branca num tom quase transparente.
- Você usava essas coisas para dormir na casa dos seus pais? – Ele perguntou, passando a língua pelos lábios ao deixar o olhar cair para os seios da garota, querendo passar a língua entre eles e fazê-las resfolegar e se deixar cair em seus braços, excitada.
- Não seja ignorante, essas coisas - deu um passo em sua direção, ficando perto o suficiente para fazer as mãos de pesarem como chumbo, como se fosse um esforço muito grandes mantê-las ao lado do corpo e não colocá-las no corpo da garota. – São bem caras. – Completou, levando a erguer uma sobrancelha. Sabia muito bem que dinheiro nunca fora problema para os Rhodes. – E confortáveis. – A garota acrescentou, empinando o nariz com teimosia, como se soubesse o que ele estava pensando. sorriu, de repente com outros planos em mente.
Ele comeria a garota e faria aquilo com todo o prazer, mas seria do jeito dele. não perdia no próprio jogo, nem fudendo. Ou melhor, principalmente fudendo.
- Sabe que nada disso vai fazer com que a minha vontade de rasgá-la diminua, não é? – Retrucou, dando um passo para mais perto dela, que sorriu outra vez. teve a impressão que ela já estava molhada, como se pudesse sentir a umidade da garota por aquele sorriso.
- Estava contando com isso. – Ela respondeu por fim e a puxou para si de uma vez, encaixando seus corpos e bocas simultaneamente, sentindo se agarrar a ele exatamente como gostava, as mãos puxando seus cabelos com agressividade enquanto ele próprio afundava uma das mãos nos fios dela, usando a outra para segurar com firmeza em sua cintura. Não foi preciso muito mais que aquilo para que estivesse presa contra a parede outra vez, as pernas novamente em volta de sua cintura, no entanto, daquela vez não comeria a garota ali.
Tinha outros planos, definitivamente melhores.
Espalmando a bunda de , a afastou da parede e a levou consigo até o quarto, parando de beijá-la para mordiscar seu pescoço quando o ar lhe faltou, fazendo a garota soltar o ar de maneira entrecortada, afundando as unhas em sua nuca como resposta.
deixou uma das mãos adentrar sua camisola, apertando as nádegas que o enlouqueciam só de olhar e fazendo se agarrar mais a ele, sentindo o corpo inteiro esquentar. Ela já havia provado tantos, inclusive namorados de amigas, mas era... Era diferente de tudo e todos. Ele era simplesmente sensacional e a excitava com uma facilidade descomunal.
a jogou na cama e foi por cima, sendo puxado pela garota, pelos cabelos, a fim de moldar seus lábios outra vez, a língua quente do homem invadindo a boca da garota no mesmo instante.
- Ah, , tem tanta coisa que eu quero fazer com você... – Ele sussurrou, balançando a cabeça enquanto roçava os lábios por seu pescoço, lhe arrancando um gemido baixo.
- Já devia ter começado. – Ela sussurrou por fim e soltou o ar quente contra sua pele, sorrindo malicioso antes de pousar uma mão em sua cintura e deslizar a outra pela camisola da garota.
Era uma peça e tanto, tão traiçoeira quanto a dona e provavelmente igualmente cara, como ela mesma dissera. Com o pensamento, ele sorriu novamente e puxou o tecido com as duas mãos, rasgando a seda em duas e a arrepiando por completo a garota com essa atitude. podia sentir os restos da seda roçando seu corpo e gostou da sensação, embora não fosse admitir, olhando com falsa indignação para ao em vez disso.
- Eu gostava dela.
- Ah, eu também. – devolveu, dando de ombros – Gosto mais ainda agora.
abriu a boca para retrucar, mas a impediu, colocando o indicador na frente de seus lábios.
- Shhh – Sussurrou, puxando um dos pedaços da camisola e passando ao redor de sua cabeça, na frente dos olhos. – Estou te devendo uma punição, Rhodes.
A garota gemeu frustrada por não poder mais vê-lo e segurou seus pulsos juntos após dar um nó atrás de sua cabeça, prendendo, por fim, os pulsos da garota, que mordeu os lábios com força para impedir a si mesma de implorar que ele lhe fudesse de uma vez, sentindo-se cada vez mais molhada. Ela nunca tinha sido amarrada e muito menos vendada, mas estava gostando muito mais do que era de se esperar, cada toque do homem parecia fazer seu corpo pegar fogo e, inevitavelmente, ela arqueou as costas para ampliar o contato de seus corpos quando segurou sua cintura e trouxe o corpo dela ao seu, pondo os seios dela na boca.
Por mais ansioso que estivesse para estar em seu interior molhado outra vez, o homem não pôde resistir à vontade de provar daqueles seios novamente. No fim das contas, não fazia ideia do motivo de estar tão entregue aquela garota, mas não podia negar que estava. Seu gosto, seu cheiro e o som de seu gemido, tudo, simplesmente perdia o controle das próprias ações perto dela.
Ele passou a espalhar mordidas e chupadas pela barriga da garota, descendo cada vez mais e arrancando gemidos e arfadas excitados de , que se sentiu extremamente frustrada por não poder puxar os cabelos do homem como queria ou sequer vê-lo fazer o que fazia, principalmente quando o sentiu morder sua virilha, penetrando dois dedos em seu interior em seguida. Ela tentou, em vão, puxar os braços do nó que os prendia na cabeceira da cama, mas sequer notou. E, mesmo se houvesse notado, não era motivo para se preocupar; sabia fazer um nó bem direitinho.
- Pretendia dormir sem calcinha, Rhodes? – Ele provocou, sorrindo malicioso enquanto a observava se contorcer na cama, soltando o ar fora de si simultaneamente.
Pensar no que estava fazendo com ela era o afrodisíaco mais eficiente que já provara, deliciado por simplesmente vê-la esfregar as coxas contra o lençol da cama e ouvi-la gemer seu nome daquele modo tão desesperado, tão delicioso.
- Nós dois sabemos que eu não ia dormir sem que você me comesse antes. – A garota retrucou por fim, rindo ofegante sem que pudesse se conter quando levou uma palmada na coxa. – E nem você ia.
E aquilo era bem verdade.
tinha a carne fraca e não se importava em nada com o quão errado era aquilo, ao menos, não naquele momento. Tudo o que queria era comer aquela garota até que ela não sentisse mais as próprias pernas e, com aquele pensamento, ele tirou os dedos de dentro dela, virando a garota de quatro e dando outra palmada na bunda empinada em sua direção, sem resistir à vontade.
arfou, soltando um gemidinho quando sentiu pressionar a ereção contra sua bunda, ainda sob as roupas.
- Vai me fazer implorar? – gemeu, sentindo o homem puxar seus cabelos e rir contra seu pescoço em seguida. – Ah, céus, . – Ela soltou, sentindo todos os pêlos do corpo arrepiar.
sorriu, mordendo a pele de seu pescoço em seguida, deixando-se inebriar pelo perfume da garota. Ele desceu os dedos por sua barriga outra vez, até sua intimidade, e a garota arqueou as costas, esfregando, por consequência, a bunda em sua ereção novamente. Não que fosse reclamar, é claro, mesmo precisando morder o lábio para conter o próprio gemido. A tara que o homem tinha pela bunda daquela garota era inegável.
- Ok, , me fode. Por favor, me fode. – A garota implorou por fim, deixando de lado o orgulho pela necessidade de senti-lo dentro dela novamente. – Por favor. – Repetiu quando o sentiu esfregando a ereção contra sua intimidade algumas vezes, certamente para provocá-la, no entanto, acabou deixando escapar um sorriso quando soltou um gemido pela própria atitude.
A voz de menina da garota implorando por ele ainda ecoava em sua mente e influenciava sua ereção quando o homem começou a se livrar das próprias roupas, o fazendo em velocidade recorde apenas para entrar logo nela.
Uma vez dentro dela, não conteve um gemido, que por si só foi capaz de levar a loucura enquanto gemia junto com ele, totalmente entregue ao prazer daquilo.
Desde os primórdios, aquilo era o que fazia o ser humano se sentir bem, o que lhe levava a sensação indescritível do orgasmo, da quase morte, e tudo aquilo parecia só se encaixar na mente de quando estava dentro dela, movendo-se deliciosamente em seu interior molhado demais para a sanidade de ambos.
tinha certeza que nunca provara sexo melhor que o dela e, em qualquer outro momento, se sentiria idiota por sequer pensar daquele jeito, mas naquele instante, dentro dela, deslizando com tanta facilidade na vagina da garota, aquele pensamento não podia parecer mais certo. Estava entregue. Absurdamente entregue ao som que ecoava pelo quarto quanto os dois gemiam simultaneamente, ao modo como ela mordia o lábio para tentar se conter e como ficava sexy com aquele pedaço da camisola tampando-lhe os olhos. aumentou gradativamente o ritmo das estocadas e os gemidos de seguiram o mesmo caminho enquanto ela rebolava contra seu pau apenas para aprofundar as estocadas do homem, ansiosa para senti-lo invadir cada pedaço dela, exatamente como ele fez, penetrando o mais fundo que alcançava dentro dela incansavelmente enquanto a garota arfava, ficando sem ar com os movimentos do homem, que pareciam sincronizados com o funcionamento de cada um dos órgãos vitais de , que tinha certeza que a pulsação acelerada como estava não podia ser saudável, porém, naquele momento nada parecia tão supérfluo.
Ela só conseguia se deixar levar pelo que fazia tão bem, os movimentos de seu membro rígido dentro dela lhe tirando toda a razão, permitindo apenas que ela se entregasse ao ato de pura luxúria dos dois, ao desejo cego que sentia correr em suas veias toda vez que seus olhos se encontravam, que os lábios se tocavam e, mais ainda, ao fogo que lhe percorria o corpo quando ele a tocava com aquelas mãos másculas, ásperas pela vida, mas inevitavelmente enlouquecedoras.
Não havia, afinal de contas, nada naquele homem fora do lugar, nada que o tornasse menos desejável e, tinha certeza, não notaria mesmo se houvesse, não com a forma como ele fudia bem, como lhe fazia gemer e se esfregar a ele como uma cadela no cio.
, é claro, adorava tanto os gemidos quanto a esfregação. Aquela garota o levava de volta a sua mais pura e verdadeira essência, sem fingimentos ou nada sequer próximo disso, ele era um homem ensandecido de desejo por uma mulher e, sabia, lhe comeria enquanto ela permitisse, onde e como ela quisesse.
estocou mais fundo, mais rápido, atendendo a todos os pedidos de mais que saíam entrecortados e desconexos da boca incansável da garota, cada pequeno som que ela soltava parecendo deixá-lo mais perto do ápice, mesmo que aquela fosse à menor de suas preocupações, no fim das contas.
queria comer a garota o máximo que seus corpos permitissem, queria estar dentro dela enquanto ela estivesse molhada, fazê-la gemer enquanto ela tivesse voz para tal.
Segurando na cintura da garota, ele lhe penetrou incansavelmente, ficando satisfeito com os gemidos que recebia em troca, até que os dois estivessem entregues a sensação completamente dominadora do ápice, quando deixou que caísse, exausta, na cama, e fez o mesmo, livrando a garota das amarras nos pulsos e nos olhos em seguida.
- Você fica uma delícia de quatro, devia ter visto. – Provocou, arrancando uma risada fraca da garota como resposta. Ela sentia todo o corpo acordar, como se houvesse acabado de tomar uma ducha gelada após uma maratona e, céus, a sensação era deliciosa.
- Não que sua intenção fosse me deixar ver alguma coisa. – Ela retrucou por fim, soando muito mais insatisfeita do que realmente se sentia, principalmente depois daquele orgasmo, principalmente com o gozo quente de molhando suas pernas.
- Você também fica muito gostosa vendada. – retrucou como se isso explicasse tudo e rolou os olhos, se pondo de pé com um lençol em volta do corpo.
- Boa noite, .
piscou a encarando sem falar nada por um instante. Se deixara esquecer de quem ela era irmã, ainda que só naquele momento, aquela noite, e desejou que ela esquecesse também, pior, desejou que ela ficasse, que dormisse ali ao seu lado.
Porra, pensou, passando a mão pelo rosto, assustado, com o próprio desejo, totalmente fora de contexto. Virou para olhar para a porta, mas já saíra, lhe deixando sozinho para desfrutar da sensação perturbadora de querer dormir com ela, dormir.




Chapter Six

"Its only love if its torture’’ - Taylor Swift


Bonnie já se arrependia de ter chamado William em casa. Devia saber o quão inconstante era, ele podia decidir por trabalhar até mais tarde e então mudar de ideia no instante seguinte e ela seria descoberta. Tinha certeza que o estrondo que ouvira na sala representaria o fim de seu casamento, por isso não conseguiu reagir de outra forma se não parando no meio de seu percurso ao ver que era a irmã no andar baixo, fazendo com que William trombasse com ela por trás, mas a garota sequer notou, focando em estupidamente bêbada lá embaixo.
- Pelo menos não é o . – William sussurrou para Bonnie, embora soubesse que aquele não era o melhor comentário a se fazer. Ou que fosse ajudar em alguma coisa.
Bonnie provavelmente preferia lidar com á lidar com , principalmente nas condições em que a garota se encontrava, rindo embriagada para o cisne de vidro que derrubara no chão da sala.
- Rhodes! – A mais velha gritou, fazendo dar um pulo de susto antes de seguir a voz e olhar em sua direção. Não teve tempo de falar nada, Bonnie foi mais rápida: - Qual é a droga do seu problema?! Todo dia a mesma coisa, mas que inferno!
- Bonnie, calma...
- Não, William, eu não vou me acalmar! – Bonnie interrompeu William com outro grito quando ele tentou falar, empurrando sua mão para longe ao mesmo tempo. – Ela fica fazendo isso e... E... Será que ela não entende?! Vai acabar se matando!
apenas riu, tanto pelo efeito das drogas quando pela surpresa. Sua irmã definitivamente não entendera ainda. Era exatamente aquilo que ela queria, porque só fazia besteiras, não era boa o suficiente para ninguém e estava cansada de tentar.
- E você ri?! Quando vai crescer, ?! Sente falta do papai porque acha que ele era o único que te amava? Bom, não é! Eu amo você! Se por um instante pensou que eu ia deixar você fazer isso com você mesma bem debaixo do meu nariz, então eu sinto muito, mas pode esquecer. Você não vai se matar! Eu não vou deixar! – Bonnie desceu as escadas, indo em sua direção e agarrando lhe pelos ombros.
a encarou assustada, mas não encontrou a voz para lembrar a irmã que não gostava de toque. E duvidava que o houvesse feito mesmo se tivesse em condições simplesmente porque tudo que conseguia assimilar eram as três palavras de sua irmã. E o quão de surpresa aquilo lhe pegara.
Foi então que William pigarreou e se aproximou, incerto, das duas, tocando o ombro de Bonnie, que chegava a tremer de tensão.
- Por que você não põe a sua irmã debaixo do chuveiro? Não vai adiantar de nada tentar conversar com ela agora. – Murmurou baixinho, mas Bonnie fez que não, porque, mesmo sem saber se sua irmã lembraria amanhã, ela precisava falar. Se não o fizesse ia acabar enlouquecendo.
- Não. – Murmurou, sem desviar o olhar da irmã, que passara a magoar os próprios cortes com os dedos como lhe ensinara, sem nem se dar conta que o fazia. A dor já era tão constante que parecia sentir em tempo integral. – Quero que ela entenda. Não vai ser do jeito dela, não aqui. Você vai viver sob as minhas regras agora, . Vai entrar numa faculdade, conseguir um emprego e parar de usar essas coisas. As drogas, a bebida, não quero mais saber disso... De nada disso. – Embora não gritasse mais, não havia qualquer indício de que Bonnie se acalmara o mínimo que fosse e William olhava dela para sem saber como intervir, ou mesmo se devia.
travava o maxilar com força, tentando conter a mistura cada vez mais mortífera que borbulhava dentro dela. Ela sentia como se pudesse vomitar tudo o que tinha dentro dela, no entanto o que havia de mais tóxico não iria embora ainda assim.
- Não contaria com isso se fosse você. – Murmurou por fim, empurrando a mais velha para sair o mais rápido possível dali, certa de que nunca estivera tão enjoada e aquilo, definitivamente, não se devia só ao álcool que corroía seu estômago.
Tinha certeza que tanto William quanto Bonnie notaram sua voz embargada, mas não estava em condições de se importar, de forma que tudo que fez ao entrar no próprio quarto foi correr para o banheiro e vomitar, fazendo exatamente o que imaginou que faria e colocando para fora muito mais do que os entorpecentes que lhe causaram aquela leveza descomunal pouco antes.
Quando acabou, não teve forças sequer para levantar e chegar à própria cama, acabando por adormecer ao lado da privada, como a bêbada moribunda que era.
Como a fracassada que se sentia com os gritos de sua irmã, avisando que não deixaria que ela se matasse, se misturando aos gritos de desespero que ela sempre imaginou saindo das bocas de seus amigos mortos enquanto eram devorados pelas chamas.


acordou em sua cama, vestida num moletom que nunca vira antes, parecendo nunca ter estado nas condições deploráveis que estava ao cair no sono, no banheiro de seu quarto. Piscou, surpresa, mas não demorou a chegar a conclusão que Bonnie devia tê-la vestido.
É claro que sua irmã não perderia a chance de fazê-la sentir pior no instante em que abrisse os olhos. rolou os olhos e afastou as cobertas, se levantando e indo até o banheiro a fim de lavar o rosto e escovar os dentes.
Depois que o fez, começou a tirar o moletom para tomar banho, mas parou com o tecido a meio caminho para fora do corpo, o cheiro que emanava invadindo suas narinas e a fazendo vacilar. Cheirava a . Ao mesmo perfume que emanava dele e quase a fizera perder a razão e dar pra ele em cima de sua mesa quando estivera na empresa do homem. Ao mesmo perfume que sempre a enlouquecia com tanta maestria. Bastou aquilo para que ela voltasse a baixar o moletom, encarando o próprio reflexo aturdida.
Sua irmã lhe vestira numa roupa de ?!
Aquele cheiro inebriante, que parecia penetrar cada um de seus poros e levar para outra dimensão não lhe deixava pensar com clareza. Por que diabos Bonnie fora fazer uma coisa daquelas?! Será que ela sabia?! Que sua irmã abrira as pernas para seu marido?! Que gostara?!
Aquelas não eram as únicas perguntas em sua cabeça, mas quanto mais pensava mais sua cabeça doía e só então se lembrou da ressaca. Bebera muito mais do que recomendado na noite anterior, é claro. Suspirando, a garota saiu do banheiro, desistindo do banho.
Parecia que Bonnie cuidara disso na noite anterior, de qualquer forma.
No instante em que voltou para o quarto, porém, se assustou com a porta sendo aberta e o próprio , que abrira a porta, se assustou também. Não esperava vê-la acordada. Não depois de ter checado pelo menos cinco vezes desde que o sol nascera.
- Desculpe, eu não sabia que estava acordada. – O homem murmurou, recuando um pouco, prestes a fechar a porta, mas não permitiu.
- , espera! – Pediu, aturdida.
Ele tinha uma expressão estranha no rosto, algo que ela não conseguia interpretar e o aroma dele continuava a penetrar tudo dentro dela, agarrando-se a sua pele como se aquele moletom não fosse mais um moletom e sim um tipo de veneno mortífero. Quando virou para encará-la, não parecia ter certeza do que esperar. Não sabia nem porque checara tão constantemente o quarto, como se ela pudesse desaparecer num passe de mágica.
- O quê?
- Onde.... Onde está a Bonnie? – A garota perguntou, desajeitada.
piscou, demorando um pouco para lembrar que não sabia onde Bonnie estava. Havia passado a noite acordado, e, apesar de ser quase um costume para ele, não dava para evitar aquela dor de cabeça que o impedia de raciocinar direito no raiar do dia. Naquele dia em especial, estava tudo ainda mais confuso, por uma série de outras razões.
- Ela passou a noite fora. – Murmurou por fim – Não sei aonde. Eu tentei ligar, mas ela não atende.
ia dizer que ele saberia se perguntasse a William, mas se conteve. Era bem óbvio para ela que o casamento de Bonnie e estava acabado, mas não era da sua conta. Se eles queriam fingir que nada estava acontecendo, ela não podia fazer nada se não assistir.
- Ah... É. Tudo bem. – Gaguejou, sem ter certeza do que devia falar, antes de limpar a garganta nervosamente.
O cheiro no moletom parecia já estar consumindo toda capacidade de raciocinar da garota, que ainda não havia ligado os pontos e associado o em seu quarto, parecendo não ter dormido a noite inteira, ao moletom em seu corpo e a cama macia na qual acordara, muito diferente dos azulejos gelados nos quais adormecera.
- Acho que eu vou tomar um banho então. – Disse, dando ás costas a a fim de dar meia voltar até o banheiro, mas acabou parando no meio do caminho, perguntando antes que pudesse se conter: - Quem foi que me limpou e pôs na cama, ? – Virou, desconfiada, para encarar o homem, mas ele não estava mais lá.
Talvez fosse melhor se não soubesse da verdade, ou pelo menos não ouvisse da boca dele. O próprio não sabia se gostava da verdade e duvidava que ela fosse gostar.
Ele cuidara sim dela, lhe dera banho, vestira em um de seus moletons antigos e a pusera na cama, chegara até a ficar observando enquanto a garota dormia durante um período da madrugada, mas ele não sabia porque. Não achara certo deixá-la nas condições em que estava, mas aquilo era explicação?!
Havia muita coisa que não achava certo e simplesmente fingia não perceber. Ele não tinha certeza se sentia orgulho por não ter fingido dessa vez.

Bonnie só reapareceu lá pelas onze da manhã.
já havia saído muito antes, a fim de comparecer as milhões de reuniões que teria com diferentes clientes naquela sexta feira, no entanto, estava em casa, deitada em sua cama e perfeitamente distraída com um exemplar de A Cabana. Ao espiar pela fresta da porta, Bonnie mordeu o lábio, se perguntando se não era melhor deixar a irmã imersa em sua bolha de normalidade, que era tão rara, mas parecia valer tanto à pena.
Por fim, Bonnie decidiu que não, entrando cuidadosamente no quarto.
- Oi. – Murmurou baixinho quando ergueu o olhar para ela. A mais nova apenas lhe encarou, quieta e Bonnie suspirou. – Trouxe isso pra você. Tem que fazer a sua matricula na faculdade até sexta para começar na segunda, já que é quando o semestre começa. O curso é você quem escolhe, é claro.
olhou surpresa da irmã para a pasta que ela lhe estendia, sem acreditar que aquela história de faculdade era mesmo séria.
- Seria mais fácil só me mandar de volta pra casa. – Murmurou, fechando o livro e aceitando a pasta que sua irmã ainda lhe estendia. Bonnie rolou os olhos.
- Eu não falei da boca pra fora quando disse que não desistiria de você, . Não ligo pro que mamãe queria quando te mandou pra Doncaster, ligo pro que eu quero e o que eu quero é que você fique bem. Que supere o que quer que esteja te transformando em... – Bonnie parou, sem conseguir achar a palavra certa para descrever o que via nos olhos da irmã toda vez que ela chegava em casa bêbada ou drogada. Ou o que via agora mesmo enquanto a encarava.
- Transformando em quê? – perguntou quando ela não terminou, não soando ofendida ou mesmo irritada, apenas curiosa, embora não de um jeito bom.
Ela estava triste, não ia admitir, mas estava. Não era como se sua irmã estivesse mentindo, mas ainda assim, ouvir a constatação de como estava se perdendo cada vez mais não a fazia sentir muito melhor. Bonnie balançou a cabeça, tentando fugir da pergunta.
- Não importa. – Murmurou – Escolha o seu curso e faça a sua matricula até o fim da semana para começar na segunda.
- Bonnie...
- Isso não é uma discussão. – Bonnie interrompeu a irmã, apenas porque sabia que não teria chances contra ela numa discussão. era resistente como o inferno e, exatamente por isso, Bonnie saiu rapidamente do quarto, deixando a irmã sozinha, com sua bolha devidamente estourada graças a ela.

Á noite, obrigara a comparecer a festa de aniversário que preparara para James, levando consigo, é claro, Bonnie e . Edward, obviamente, não estaria lá, para a infelicidade de , que torcia pelo pior. Como sempre. Não que não gostasse de ou de Edward, gostava. Eram, na verdade, seus favoritos até agora, porém ela também adorava uma boa confusão.
- A te mata se souber que está conspirando contra a relação á três dela. – sussurrou em tom de aviso, quando a garota passou por ele para entrar no carro. riu.
- Ela não precisa saber. – Disse como se não fosse nada demais e lhe encarou pelo espelho do carro, já que ela estava no banco de trás e ele no banco do motorista, ambos esperando Bonnie, que ainda estava dentro de casa.
- Só mais um segredo pra você guardar, huh?! – comentou e não teve dificuldades para entender a insinuação e provavelmente teria lhe dado um sorriso presunçoso ou até uma piscadela se a declaração recente de sua irmã não houvesse invadido sua mente, se misturando a provocação de .
"Eu amo você! Se por um instante pensou que eu ia deixar você fazer isso com você mesma bem debaixo do meu nariz, então eu sinto muito, mas pode esquecer. Você não vai se matar! Eu não vou deixar!", ela gritara. sabia que a irmã a amava, e, em algum lugar de seu ser perturbado, sabia que a amava também, mas aquilo não era algo que ela sabia como lidar; o amor, o carinho, a preocupação de alguém.
já tinha feridas demais por culpa e não duvidava da facilidade que teria para se ferir mais se pensasse demais naquilo. Sua mania de beber, se drogar e se destruir magoava sua irmã? Lhe deixava triste? Ótimo, não era problema dela. Ao menos, era naquilo que queria acreditar.
Voltou a encarar , tirando proveito de sua distração com o celular para analisar seu perfil. Ali sentado, de frente para o volante e com muito pouca luz para iluminá-lo, era difícil vê-lo com clareza, porém sabia cada peça de roupa que ele vestia e exatamente como tirá-las, embora àquela altura, justamente por conta da discussão com sua irmã na outra noite, só pensar naquilo já fizesse com que ela se odiasse ainda mais e a culpa voltasse a fazer com que ela quisesse se ferir mais. Como se merecesse ser castigada, o que com certeza era verdade.
Bonnie, por sorte, chegou antes que ou se aventurassem a falar qualquer outra coisa, explicando que o telefone tocara quando estava saindo.
- E quem era? – perguntou enquanto dava a partida, pegando Bonnie de surpresa e, percebendo isso, segurou o riso, fingindo não prestar atenção na conversa.
- O quê? – Bonnie perguntou, o encarando como se ele houvesse falado em outro idioma. raramente prestava alguma atenção no que ela falava e, justo naquele momento, quando ela simplesmente falara a verdade sem filtrar as próprias palavras ele tinha que escutá-la?!
- Perguntei quem era. – repetiu calmamente, os olhos focados na estrada, para a sorte de Bonnie, que já suava de nervoso. – No telefone, Bonnie. – Acrescentou quando a esposa não disse nada.
- Ah! Sim! – Bonnie exclamou, altiva, como se realmente houvesse estado muito confusa antes. rolou os olhos, entrando na rua do prédio que Greene morava e mordeu o lábio, fazendo um esforço monstruoso para não rir enquanto Bonnie entrava em desespero.
Como ia encontrar uma mentira boa o suficiente para encobrir o fato de que, na verdade, passara os últimos dez minutos com William no telefone, o ouvindo falar putaria apenas para excitá-la e fazê-la ir ao encontro de naquele estado?!
- Era o seu irmão. Ele queria falar com você, na verdade, então expliquei que íamos para a festa da e ele disse que passava lá.
não perguntou mais nada e Bonnie torceu silenciosamente para ele ter acreditado no que ela dizia, enquanto tinha certeza que ele mal escutara alguma coisa depois do "era o seu irmão". Infelizmente para ele, confiava demais em William para desconfiar da existência do caso dele com sua esposa, assim como Bonnie confiava demais em e a garota levou automaticamente os dedos aos cortes, apertando-os, ao pensar naquilo.

Para a felicidade de , recebeu todos com Martini. A garota sempre ia preferir algo menos enjoativo, como uma boa tequila, mas na situação em que estava, qualquer coisa com o mínimo teor alcoólico já lhe satisfazia. Era uma festa formal demais para o gosto dela, mas entendeu a razão disso quando soube que os pais de James, o tal noivo de , estavam lá.
- Eles têm que voltar pra Londres ainda hoje, e, quando forem eu consigo algo mais forte pra gente. – prometeu aos sussurros ao passar por , que olhou agradecida para ela, mas não por muito tempo; logo estava finalizando seu drink e indo atrás de mais um.
a observou se afastar de onde estava, imerso numa conversa sobre negócios com os Greene enquanto Bonnie conversava animadamente com James e , muito provavelmente sobre o casamento. Ás vezes, ela parecia mais empolgada com o evento que a própria , mas isso provavelmente era porque ela estava dando pra Edward também e, na cabeça dela, aquilo era um problema. Não na de , mas aquilo não era assunto dele e ele nem queria que fosse. Preferia sua vida sem se deixar afetar pelos dramas dos outros, exatamente como estava acostumado.
Quando, por fim, os pais de James se despediram de , alegando que precisavam ir atrás do garoto e se despedir antes de correr para o aeroporto a fim de voltar para Londres, se afastou rapidamente da sala de estar, adentrando o corredor em busca da cozinha.
Só estivera no apartamento de James umas duas vezes e não se lembrava muito bem onde ficava cada cômodo, mas acabou encontrando a cozinha sem muita dificuldade, não se surpreendendo tanto quanto deveria ao ver lá, entornando uma garrafa de vodka.
- Divide? – Pediu o homem e hesitou, mas acabou por lhe estender a garrafa, observando enquanto ele a entornava como ela própria acabara de fazer, já alterada demais para se importar com a culpa que a consumia antes de começar a beber. – Essas festas são um saco. – Comentou , lhe passando a garrafa de volta.
- Eu sei, já podemos ir embora? – Questionou e riu, porque queria aquilo tanto quanto ela. – O James é até bonitinho, mas não vale isso. – acrescentou e arqueou as sobrancelhas para ela.
- Bonitinho?
- Sim, mas não se preocupe. O Edward é que seria motivo para você se preocupar, se eu quisesse mesmo dar pra um dos homens da . – A garota fez piada, embora soasse como um comentário banal e nenhum pouco brincalhão.
riu fraco, dando dois passos largos em sua direção, fazendo com que ela ficasse entre ele e a pia.
- Não tenho motivos para me preocupar porque, bem, eu sou melhor que os dois e você nem precisa testar para saber que é verdade. – Murmurou presunçoso. O problema era que toda aquela presunção excitava de um jeito que não podia ser certo e ela precisou cerrar as mãos em punho, afundando as unhas na palma, para conter a vontade de agarrá-lo pelos cabelos.
- Talvez eu precise. – Rebateu, tentando não soar tão nervosa quanto verdadeiramente se sentia. – Talvez eu até queira. – Acrescentou, provocando o homem, que deu de ombros, como se não ligasse, embora trincasse ligeiramente os dentes.
- Quer uma carona até a casa do Edward? A decepção é toda sua.
sorriu, satisfeita em tirá-lo do sério e chegou até mesmo a esquecer que estava tentando não abrir as pernas para ele na cozinha de James, ou em qualquer outro lugar, optando ao em vez disso por dar um passo à frente, fazendo com que seus corpos chegassem a se tocar, ainda que muito levemente.
- Ah, mas eu sei como eu não me decepcionaria. Quer ouvir como, ? – Perguntou aos sussurros, segurando em seus cabelos para manter o rosto do homem próximo ao seu, se deliciando com o roçar da barba por fazer em sua bochecha. O homem não demonstrou reação, embora as mãos coçassem para segurar a cintura fina da garota, que mesmo assim continuou: - se, ao em vez de me levar pro Edward, você me levasse ao orgasmo. – Ergueu as sobrancelhas, como se o desafiasse, com um sorriso malicioso que fez questão de imitar ao balançar lentamente a cabeça num não.
- Só quando você pedir. – Condicionou, vendo a garota morder o lábio antes que o sorriso aumentasse, sentindo a região entre as pernas esquentar.
- Só quando você mandar. – Rebateu, simplesmente porque sabia que não resistiria a um chamado como aquele e, exatamente como esperado, ele a agarrou pelos cabelos e grudou seus lábios de uma vez, sem conseguir pensar numa razão para não fazê-lo ou no motivo de ter sustentado por tanto tempo aquele joguinho se a intenção nunca fora resistir.
segurou em sua nuca, afundando as unhas na região apenas para poder sentir soltar o ar contra sua boca, o estômago embrulhando de excitação quando isso aconteceu e o homem lhe segurou mais perto como resposta, lhe beijando como se não fizessem aquilo há anos, embora, na verdade, fizesse apenas alguns dias desde a última vez que transaram.
não podia evitar, não sabia o que naquela garota o atraía tanto, não entendia a facilidade que ela tinha para fazê-lo pensar apenas com a cabeça de baixo num piscar de olhos, com apenas algumas palavras sussurradas e um sorriso descarado, mas o fato é que ela o tinha com uma facilidade surreal e ele nem ligava. Não naquele momento, com aqueles lábios cheios e quentes, ainda com resquícios de vodka, colados aos seus.
levou uma mão para dentro da camisa social do homem, arranhando seu abdômen e mordeu sua boca como resposta, fazendo com que ela soltasse um gemidinho antes de descer os lábios para o pescoço da garota. Ele teria lhe empurrado para a pia e ido muito mais longe com o que faziam, no entanto um grito de mulher os interrompeu.
- Ah, meu Deus! – Era , chocada demais para conseguir fazer algo além de abrir e fechar a boca várias vezes seguidas.
- Porra, . – xingou baixo ao virar para encará-la, irritado e , que ofegava, sentiu o susto causado pelo grito gradativamente dar lugar a mesma irritação que dominava , embora, graças a algum tipo de força maior, ela não fizesse ideia de onde havia ido parar a própria voz, impedida, portanto, de falar besteira, como com certeza faria se tivesse a chance.
- Porra digo eu, ! Isso é lugar?! – resmungou de volta, o tom baixo não a fazendo soar menos irritada antes de se voltar para . – E você?! O que tem na cabeça?! Podia ser a sua irmã aqui!
apenas arqueou as sobrancelhas para ela, certa de que ela entenderia. Era a última pessoa do mundo que podia discutir qualquer tipo de affair com alguém.
- Esquece! – resmungou, balançando a mão em sua direção, obviamente insatisfeita. riu baixo por isso e olhou feio para ele. – Não significa que isso está certo, ! Caramba, pelo menos o Edward e o James não são irmãos.
- É isso que você diz a si mesma para conseguir dormir a noite, ? – questionou, irônico e o olhou furiosa como resposta, em grande parte porque sabia que não podia discutir.
e podiam até estar fazendo uma besteira muito grande em se agarrar pelos cantos daquele jeito, mas ela, definitivamente, não tinha o direito de falar qualquer coisa.
- Tá, tá, que seja! Não foi por isso que vim aqui! – murmurou por fim, frustrada por, no fim das contas, ter perdido o foco. Odiava perder o foco, apesar de ser incrivelmente boa nisso.
lhe encarou, esperando que ela falasse e desviou o olhar para algo atrás dela, um movimento estranho acompanhado de gritos e risadas que chamou sua atenção.
- Drogaram a Bonnie.




Chapter Seven

"I cheated myself, like i knew i would’’ - Amy Winehouse


- Como é que é?! – perguntou, chocado enquanto estreitava os olhos, certa de que tinha ouvido errado o que havia acabado de dizer. Bonnie, drogada? Quando, em um milhão de anos, alguém imaginaria aquilo?!
- Estou falando sério, ! Vem! – rebateu, impaciente e xingou baixo antes de segui-la até a sala de estar onde estavam antes.
olhou em volta surpresa, se perguntando como a festa chata com Martini de coubera nas malas dos pais de James, pois ela, definitivamente, não estava mais lá. Alguém ligara o som e, embora não conhecesse a música, ela lhe dava vontade de dançar e agora os copos nas mãos das pessoas eram vermelhos e de plástico, provavelmente sem nenhuma gota daquela coisa enjoativa que estava servindo.
- Caramba. – Sussurrou – O que aconteceu aqui?! Não foi dessa festa que eu fugi.
- O James foi levar os pais no aeroporto e o irmão dele está se aproveitando, com os amigos idiotas, é claro. – resmungou em resposta – Odeio eles.
- Certo, mas onde está a Bonnie? – retomou o foco, completamente ciente da mania da amiga de desviar dele.
- Anh... – olhou, confusa, em volta. – Ela estava bem aqui.
- Bom, não está mais. – constatou o óbvio, aceitando o copo vermelho que um rapaz que passava lhe ofereceu. Ele virou, andando de ré para poder piscar para ela, e a garota acenou. rolou os olhos ao notar isso, derrubando seu copo com um esbarrão, por pura implicância, embora paciência também não fosse o seu forte, é claro.
- ! – e reclamaram juntas, a primeira por ter sujado o tapete e a segunda por sua bebida.
- Bonnie, garotas, Bonnie. – lembrou simplesmente e rolou os olhos, sem se preocupar realmente. Ela própria vivia drogada na maior parte do tempo, portanto não conseguia ver a gravidade da situação sendo Bonnie sob efeito das drogas.
- Sou eu, eu, eu! – Alguém gritou de trás deles, jogando-se nas costas de , que levou a mão para trás no susto, encontrando o tronco de Bonnie. – Eu sou a Bonnie! – Ela gritou novamente, arrancando uma careta de por ter feito isso em seu ouvido.
- E eu estou surdo. – Murmurou, fazendo com que a mulher virasse de frente para ele. – O que aconteceu?
- Você ficou surdo. – Bonnie disse como se fosse óbvio, tapando a boca quase imediatamente, como se fosse um pecado muito maior falar aquilo pra alguém do que dar pro irmão do marido. rolou os olhos.
- Não foi o que eu.... Esquece! – Balançou a cabeça, decidindo que o melhor a fazer era tirar Bonnie daquela festa e levá-la para casa o quanto antes. – Que tal irmos pra casa?
- Ew, não! – A garota se afastou, enojada, fazendo com que segurasse o riso por isso e estreitasse os olhos, num misto de surpresa e desconfiança.
- Como?!
- Não é hora de discutir relação, . Só carrega ela até o carro e vamos embora. – interveio antes que a irmã voltasse a falar e jogasse o casamento pelo buraco, embora ela não se importasse de verdade com o casamento. Se desse a mínima não teria aberto as pernas para , para início de conversa.
- Me carrega, me carrega! – Bonnie pulou empolgada, mas quando se aproximou fugiu, rindo, dele. – Você não!
- Mas que diabos... ?
- William! – Bonnie gritou antes que tivesse tempo de concluir o pensamento, jogando-se nos braços do homem assim que ele chegou perto o suficiente deles.
- Ow! – William gritou assustado ao segurá-la para que não caísse.
- De onde você saiu? – e perguntaram juntos, enquanto rolava os olhos.
- Ele chegou pouco antes do James sair, dá pra manter o foco?!
- Olha quem fala. – Devolveu , recebendo um tapa por isso, que o fez rir, ele próprio perdendo o foco por um momento. rolou os olhos, se perguntando se todo mundo havia enlouquecido.
- Ok, devagar aí, Bonnie. – William colocou a garota cuidadosamente no chão, não conseguindo, no entanto, fazê-la soltar de seu pescoço e olhando assustado dela para os outros, sem saber o que fazer. Normalmente, ele queria que descobrisse de uma vez do seu caso com Bonnie, mas até ele, que odiava veementemente se esconder o tempo inteiro, sabia que aquele era o pior momento do mundo para descobrir.
Por sorte, sua reação foi exatamente a esperada, já que ninguém sabia exatamente o que fazer com Bonnie naquele estado.
- Meu Deus, o que fizeram com você? – Perguntou, embora não olhasse para ela enquanto lhe passava de volta para os braços de , que a pegou para si, incomodado.
William precisou conter o riso ao perceber isso, sabendo muito bem que a última coisa que teria era ciúmes de Bonnie, o problema dele era mais com a possibilidade de tocarem no que era dele do que qualquer coisa.
- Acho que um dos amigos do James a drogou. – o respondeu por fim enquanto Bonnie deitava a cabeça no ombro de , sem notar que era nos braços dele que estava e não mais nos de William.
- Você acha?! – ironizou, olhando atravessado para a amiga, como se a culpasse por aquilo. Não culpava, só estava putinho com a situação e todos ali tinham total noção disso, embora ninguém realmente ligasse, exceto Bonnie, se ela tivesse em condições de ligar, simplesmente porque William e quase nunca o levavam a sério e apenas não ligava para nada.
- Bom, talvez vocês devessem levá-la pra casa. – William murmurou baixinho, como se tivesse medo que Bonnie despertasse do transe que a mantinha encarando o teto com toda a atenção do mundo.
Para o seu azar, aquilo foi exatamente o que aconteceu e, no instante seguinte, ela já estava pulando para longe de e puxando a irmã para si.
- Não quero ir pra casa! Vamos dançar, ! – Gritou empolgada e precisou conter o ímpeto de se afastar ao ouvir o apelido, segurando lhe ao seu lado ao em vez disso, tentando impedi-la de cair.
- Você não está conseguindo nem ficar de pé, como vai dançar? – Retrucou, rolando os olhos.
- Besteira. – Bonnie murmurou lhe empurrando e teria seguido até a pista de dança no meio da sala se não a tivesse puxado pelo braço.
- Não, Bonnie, está na hora de ir pra casa. – Decretou ele.
- Mas eu não quero! – A mulher esperneou, soltando um gritinho quando , por fim, perdeu a paciência e a tirou do chão, carregando a garota nos ombros a fim de levá-la pra casa. – AH! Socorro! – Ela gritou, rindo histérica enquanto manobrava entre as pessoas para chegar até a porta.
Sem ação, os outros três se entreolharam antes de, finalmente, ir atrás deles, chegando no estacionamento bem a tempo de ver jogar Bonnie no banco de trás de seu carro.
Ela soltou um gritinho ao notar onde estava.
- Não, ! Isso é trapaça! – Reclamou, batendo no braço do homem quando ele entrou no banco do motorista e, mesmo já cheio daquela noite e de toda a situação, ele acabou rindo.
- Não ligo. – Disse, fazendo a esposa bufar no banco de trás, o que ele ignorou. – Você vem? – Virou para perguntar a , que estava parada do lado de fora com ambos e William.
Ela assentiu, seguindo para o carro.
William olhou para Bonnie, que ainda reclamava por não querer ir embora, então todos começaram a falar ao mesmo tempo e, sem pensar muito, abriu a porta do carro, entrando as presas no banco traseiro onde Bonnie estava. Ele se tornava impulsivo demais sempre que se tratava de Bonnie e daquela vez não foi diferente, queria garantir que a mulher ficaria bem, já que não achava que ou podiam fazê-lo, mesmo se quisessem. Eles mal podiam garantir que eles mesmos ficariam bem.
, então, olhou para trás e arqueou as sobrancelhas.
- Quer uma carona, William? – Perguntou de forma irônica.
- Se não for muito incomodo. – O outro retrucou no mesmo tom e os dois riram em seguida, ao passo que Bonnie bateu palminhas, animada.
- William! – Gritou, abraçando o homem pelo pescoço.
- Ai! Mas qual é o seu problema comigo hoje?! – William perguntou se afastando dela, que lhe mostrou a língua, sem realmente se importar com a recusa de William, que sabia muito bem quão grata ela estaria por isso no dia seguinte.
- O que aconteceu com seu carro? – perguntou, olhando por sob o ombro para encará-lo. William deu de ombros.
- Bateram nele.
- Ah, tá. – riu, irônico, olhando brevemente para para falar. – Ele que bateu no carro de algum pobre coitado por aí. – Disse antes de encarar William por sob o ombro – Por que você não desiste dessa história de dirigir, William? – Perguntou, rindo ao desviar do tapa que William tentou dar nele.
Bonnie riu também, imitando William e batendo em , que não teve tempo de fugir do tapa dela, mas apenas riu disso, para a surpresa de todos.
Quando o homem ficou em silêncio, focando novamente na estrada a sua frente, virou para encará-lo discretamente, sorrindo mesmo com todos seus esforços para se conter. Algo naquele , aquele que aparecia apenas quando ele baixava a guarda, lhe fazia sorrir, mexia com ela de um jeito estranho. Não sabia também porque ele estava sempre com a guarda levantada, o que ele escondia, mas não se importava. Ela própria tinha seus esqueletos no armário e tinha total noção disso, ela sabia que tinha desde que a pegara se cortando e chorando vergonhosamente, mas não fazia parte da personalidade dos dois falar sobre seus problemas, se abrir. Estavam bem com isso, sabiam lidar com isso, e, além de tudo, não dava para negar que molhava a calcinha de com uma facilidade surreal mesmo daquele jeito.


O plano era, obviamente, deixar William em casa primeiro, mas em algum momento Bonnie ficou enjoada demais e até um pouco verde, pronta para colocar pra fora tudo que ingerira na festa, incluindo qualquer que fosse a droga que a deixara tão fora de si, de modo que William convenceu a ir direto pra casa ou Bonnie vomitaria no carro. E gostava demais do carro para deixar que isso acontecesse.
William ajudou Bonnie a sair do carro, mas o ar fresco foi o que bastou para que a mulher se sentisse melhor, esquecendo completamente o enjoo enquanto decidia novamente que queria dançar.
- Pode fazer isso quando entrarmos em casa, mas eu preciso achar a chave... Deus, pra que tanta coisa numa bolsa?! – dizia enquanto revirava a bolsa de Bonnie em busca das chaves.
Nem era necessário que trancassem a casa, pois, mesmo que Bonnie vetasse a ideia de ter um cão de guarda como queria, tinham seguranças o tempo todo, o que nem era um cuidado necessário também, mas gostava do luxo.
- Chaves, celular e documento vão sempre nos compartimentos da frente. – murmurou, se aproximando dele e encontrando rapidamente as chaves.
bufou quando a garota ergueu as chaves para ele, com um sorriso convencido no rosto.
- Como eu ia adivinhar?!
- Não ia, sou eu quem conviveu com ela a vida toda. – deu de ombros, indo destrancar a porta, porém acabou se deixando afetar por suas palavras mesmo assim. Podia não ter passado a vida toda com Bonnie, como , mas a conhecia há muito tempo, estavam supostamente casados e apaixonados e aquele era provavelmente o tipo de coisa que ele devia saber. Mas, é claro, não sabia. Sequer conseguiria lembrar o aniversário dela se seu celular não estivesse programado para isso.
De um jeito ou de outro, não teve muito mais tempo para pensar nisso, pois o gritinho que Bonnie soltou em seguida chamou sua atenção e ele virou bem a tempo de vê-la cair na grama, rindo histérica, com William por cima dela, segurando-o ali quando ele tentou se pôr de pé.
O instinto possessivo dizia a para arrancar Bonnie dali pelos cabelos porque ela era sua, mesmo que a ignorasse na maior parte do tempo e, cada vez menos paciente com aquela noite, foi até lá e puxou William para se levantar, ignorando os protestos de Bonnie, que logo foi posta de pé pela irmã.
- Ai, me solta! – Bonnie reclamou, tentando empurrar . – William!
William rolou os olhos e deu um tapinha no ombro de , se afastando dos três. olhou por sob o ombro, vendo-o pegar o celular no bolso e digitar algo, então voltou a se concentrar em Bonnie, tentando se aproximar e carregá-la para dentro de casa, mas ela não permitiu, se escondendo atrás da irmã, que bufou, quase tão sem paciência quanto .
- Bonnie. – Os dois reclamaram juntos, no mesmo tom resignado, o que seria cômico se não fosse pela situação. Bonnie apenas riu, se encolhendo mais atrás da irmã.
voltou a se aproximar, não tendo muita dificuldade para tirar a mulher do chão, ignorando os gritos histéricos que ela soltou por isso.
- Socorro, eu não quero você! Me põe no chão, me põe no chão!
teve vontade de retrucar que não a queria também, mas precisariam se aguentar, porém, mesmo que fosse o fazer, não teve a chance, pois o vômito de Bonnie jorrou em seguida, acertando-o em cheio e a primeira reação de foi soltar a esposa, que caiu na grama.
William correu para ver se ela estava bem, mas a situação de era mais preocupante e Bonnie se sentou, de repente amedrontada, encarando o marido, que não virou para encará-la, tirando a jaqueta enquanto praguejava baixo e entrando, pisando duro, em casa.
- Puta que pariu, Bonnie. – exclamou baixinho, tentando não rir ao se aproximar da irmã para ajudá-la a se levantar, embora William já o fizesse. Bonnie fez uma careta.
- Desculpe? – Tentou, sorrindo amarelo para a irmã, que rolou os olhos.
- Não tenho nada a ver com isso. – Disse simplesmente, se afastando dali antes que fosse tarde demais e a chance lhe escapulisse. William olhou incrédulo enquanto a garota sumia dentro da casa, se perguntando como diabos fora casar com Bonnie quando a garota perfeita para ele estava bem ali.
- O vai me matar. – Bonnie sussurrou, soando como uma criança pesarosa ao se dar conta que fora longe demais com a brincadeira e trazendo a atenção do homem de volta para si. William apenas riu dela.
- Ele nem vai querer olhar na sua cara, não se preocupe. – Falou, seguindo com a mulher para dentro de casa.


Bonnie bebeu um copo de água e pareceu começar a voltar, gradativamente, a si, porém exausta demais para pensar em todas as tragédias que quase causara naquela noite. William deixou que ela tomasse banho sozinha - no banheiro de visitas, já que estava na suíte do casal-, mas ficou na porta para garantir que ela não morreria enquanto tomava banho.
Quando a mulher demorou tempo demais, a água do chuveiro caindo incessantemente, ele acabou desistindo de esperar e entrando no cômodo, correndo na direção do chuveiro ao ver Bonnie caída lá, desacordada. Achou que ela tivesse se machucado, mas a mulher estava só dormindo e William acabou rindo ao perceber isso, mesmo sem saber por que.
Ele terminou de lavá-la, fazendo o melhor que podia e em seguida lhe carregou para a cama que a mulher dividia com , puxando a coberta para cobri-la.
saiu do banheiro no instante em que William teve o ímpeto de passar os dedos pelo rosto adormecido de Bonnie, lhe trazendo rapidamente de volta a realidade ao olhar, desconfiado, de Bonnie para William.
- Você deu banho nela? – Perguntou e William conteve o ímpeto de rolar os olhos, sem se surpreender que saber aquilo fosse tudo o que importava para . E, para piorar, nem se tratava de ciúmes, apenas do instinto controlador que, ele sabia bem, o irmão sempre tivera.
- Não, foi a . – Mentiu e , obviamente, não percebeu. Ou não se preocupou em perceber. – Vim aqui te procurar, na verdade. Já vou indo.
- Quer a chave do carro? – perguntou, sem pestanejar.
Era naquele tipo de atitude que ele demonstrava não ser uma carcaça tão sem vida como se sentia na maior parte do tempo e William conseguia perceber aquilo, mas negou mesmo assim. Não estava com saco pra dirigir.
- Vou pegar um táxi. – Murmurou e assentiu, então ele saiu do quarto logo em seguida, mandando uma mensagem de texto a uma companhia de táxi da qual era cliente enquanto descia as escadas, encontrando na varanda do lado de fora, com uma garrafa de vodka na mão.
- Sede? – William ironizou e deu de ombros, bebericando a garrafa.
- Como sempre.
William riu, balançando de leve a cabeça antes de se aproximar e sentar ao seu lado na mureta.
- Pode cuidar da Bonnie amanhã? Ela não vai acordar muito bem. – Pediu, embora não tivesse certeza se era seguro pedir. Ela deu de ombros.
- Não tenho podido cuidar nem de mim, mas prometo tentar.
- Não posso pedir mais que isso. – William devolveu, agradecido e sorriu em resposta. Um sorriso pequeno, incerto e frágil demais, quase como se testasse a si mesma, mas ainda assim um sorriso.
- O ficou bem desconfiado hoje. – Ela murmurou, apenas porque William não parecia inclinado a sair dali e o silêncio tornava seus pensamentos muito altos. Ela quase nunca gostava do que pensava. William assentiu para seu comentário.
- Ele saberia há muito tempo se prestasse atenção na Bonnie. – Retrucou como se não fosse nada demais, embora fosse uma afirmação triste. não pôde fazer nada se não concordar.
- Acho que eles nunca deviam ter se casado. – Murmurou baixinho, observando o céu estrelado, embora não pensasse em nada. O álcool estava fazendo seu trabalho e amortecendo seus sentidos, exatamente como ela queria que fizesse.
William olhou por sob o ombro, vendo parado perto da porta com vidro colorido, de forma que não era possível ver , mas, pela lógica, só podia ser ele.
- O está olhando. – Sussurrou, mas segurou o rosto da garota antes que ela pudesse virar para olhar e confirmar o que ele dizia, como faria por reflexo. – Disse pra ele que foi você quem deu banho na Bonnie.
- E foi você? – A garota perguntou, sussurrando assim como ele o fazia, embora não soubesse o porquê.
- Só depois que ela caiu no sono debaixo do chuveiro. Lembra quando disse que ele estava desconfiado? – William perguntou, vendo a garota assentir, incerta. Ele acariciou sua bochecha levemente, com medo que sua tensão óbvia atrapalhasse sua única chance de despistar . – Sei como resolver isso, mas vou precisar de você. Pode me ajudar?
mordeu o lábio, pensando que não, não podia, que, pela primeira vez, ela não queria beijar um cara por saber que outro estava olhando, porém, especialmente por nada daquilo fazer sentido para ela, a garota assentiu, então William puxou seu rosto para si e deixou que seus lábios se tocassem lentamente, a doçura de seus lábios fazendo com que tivesse o ímpeto de segurar em seus cabelos, imiscuindo os dedos nos fios, muito mais delicados que os de , e deixando que o homem intensificasse o beijo, buscando naquilo uma forma de fugir dos sentimentos contraditórios que se instalavam nela por pensar que estava assistindo. Lentamente, William se afastou, mantendo suas testas coladas.
- Vou ficar te devendo essa. – Sussurrou e a garota apenas concordou com a cabeça, recebendo um beijo cálido na testa antes que ele se levantasse e se afastasse.
Os lábios de não formigaram por mais, ela não sentiu como se pudesse sugar tudo de William com o toque de seus lábios, e tudo aquilo era enlouquecedor, porque a fazia perceber que, querendo ou não, a coisa toda com extrapolava os limites do desejo carnal e nada parecia, naquele momento, mais desesperador que aquilo.
Quando William, por fim, sumiu de vista, ela se pôs de pé e seguiu para dentro de casa.
A sala estava vazia e perfeitamente silenciosa, de modo que chegou a pensar que talvez William houvesse mentido, que não vira nada, o que seria reconfortante se ela não soubesse que a única pessoa mentindo ali era ela. Para si mesma.

Na manhã seguinte, Bonnie acordou sentindo o peso do teto sob sua cabeça e o primeiro impulso que teve ao abrir os olhos foi fechá-los. Estava sozinha na cama, mas aquilo não era surpresa, já que sequer se lembrava da última vez que acordara com ainda ao seu lado.
Ao olhar para o lado, na direção do rádio relógio ao lado da cama, Bonnie chegou à conclusão que ele nem devia estar mais em casa aquele horário e se levantou, usando toda sua força de vontade para não desistir e voltar para a cama quando sentiu a cabeça doer.
Enquanto se despia e entrava debaixo do chuveiro, Bonnie repassou rapidamente a noite anterior mentalmente, exausta demais para ficar histérica por quase ter entregado seu caso com William para , embora soubesse que assim que a exaustão passasse os surtos viriam. Suspirando, Bonnie balançou a cabeça para afastar os pensamentos, desligando o chuveiro, se enrolando numa toalha, e saindo do banheiro a fim de achar algo para vestir, se surpreendendo, porém, ao dar de cara com entrando no quarto enquanto falava ao celular, vestido com roupas simples como se nunca houvesse saído de casa. E será que saíra?
Era fim de semana de qualquer forma, embora Bonnie não houvesse lembrado daquilo antes.
- Certo, mande uma cópia do contrato pra mim e até o fim da semana eu te darei uma resposta. – Garantiu para quem quer que falasse com ele pelo aparelho telefônico, rindo um pouco em seguida, uma risada que não parecia nenhum pouco com ele.
Bonnie se perguntou quantas risadas como aquela ele tinha que dar para conseguir cativar clientes importantes.
- Com certeza, manteremos contato. – prometeu para o cliente, provavelmente a cliente, ao passo que sua expressão denunciava um desespero quase palpável para finalizar a ligação. – Até mais.
- É o mais perto de carinho que eu já vi vindo de você. – Bonnie murmurou antes que pudesse se controlar e virou para encará-la, só então percebendo que a mulher já estava acordada e tomada banho, parecendo completamente de volta a si. Ótimo, era a última pessoa do mundo com paciência para lidar com gente bêbada e drogada e provara isso ontem.
- Não devia se preocupar, não é um terço do modo como estava agindo com meu irmão ontem. – Respondeu por fim, tão direto quanto costumava ser e Bonnie teve certeza que, o que quer que tenha feito na noite anterior, fora muito pior do que imaginara. Ficou sem fala por um longo instante e já havia até mesmo desviado o olhar, não esperando nada de diferente daquilo vindo da esposa. Bonnie suspirou.
- Sabe, William é meu amigo. Você não tem que ter ciúmes, ele só está por perto quando eu preciso e sinto falta disso. – Retrucou cuidadosamente por fim e , que já havia se jogado na cama com os olhos no celular, ficou em silêncio por um instante e Bonnie chegou a duvidar que ele lhe escutara, mas passou rápido demais, quando ele ergueu o olhar para ela.
- O que quer dizer? – Perguntou e Bonnie suspirou, indo em sua direção, mesmo sem ter certeza alguma do que estava prestes a fazer, sabia apenas que precisava tentar.
- ... – Chamou, fazendo uma voz muito pouco condizente ao modo como vinham se tratando ao longo dos anos, indo por cima dele na cama e afastando cuidadosamente -como se temesse sua reação- seu celular. – Faz tanto tempo desde que a gente teve um tempo para nós dois, não é? Por que não deixamos tudo isso de lado para aproveitar um pouco a companhia um do outro? – Sugeriu, roçando os lábios nos do homem em seguida, se sentindo tão tensa que tinha medo de começar a tremer nos braços do marido.
segurou em sua cintura por reflexo, obviamente surpreso, no entanto vinha se deixando consumir por tantas emoções diferentes e tão intensamente conflituosas desde a noite anterior, quando vira William beijando , que a ideia de fuder sua esposa como não fazia há muito tempo pareceu certa, pareceu ser exatamente o que ele precisava para parar de pensar na irmã dela.
estava com raiva e passara a noite tentando entender de quem, tentando entender o porquê, mas todas as conclusões a que chegara eram perigosas demais para que ele deixasse se concretizar, mesmo apenas em sua cabeça, de modo que ele se deixou consumir pelo mau humor, adiantando uma coisa ou outra do banco apenas para ter no que pensar, mas o fato é que não estava obtendo muito sucesso. Talvez Bonnie pudesse ajudá-lo com isso.
- É, acho que gosto dessa ideia. – Ele murmurou por fim, em concordância ao que Bonnie dissera antes e ela só balançou a cabeça num sim antes de beijá-lo, surpresa que o gosto de seus lábios parecesse tão novo para ela de repente, mesmo depois de tudo que passaram antes de ela conhecer William, antes de ele se fechar para o mundo e para ela.
segurou nos cabelos da mulher, retribuindo o beijo lento que ela iniciara mesmo sem muita paciência para tentar um romantismo e delicadeza que não tinha. No instante seguinte, ele já invertia as posições, com o corpo por cima de Bonnie enquanto levava uma mão para a fenda que sua toalha formava, explorando seu corpo por dentro do tecido felpudo. Bonnie gemeu contra sua boca quando os dedos de tocaram um de seus seios, com movimentos precisos e perfeitamente excitantes, agarrando-se com mais força em seus cabelos. Em algum lugar no fundo de sua mente, ela sabia que não queria aquilo de verdade, mas se permitiu, ainda assim, mergulhar no momento e curtir a sensação que os lábios e as mãos de estavam lhe causando, anestesiando a si mesma de todos os sentimentos que estavam sempre lhe atormentando quando o assunto era aquele casamento. Se permitindo esquecer até de William.
Naquele momento, só naquele momento, ela fingiria que eram aquilo, aqueles beijos e toques, os gemidos sôfregos que ela deixava escapar e os corpos cada vez mais colados, as mãos dela por dentro da camiseta do marido, apertando lhe as costas, arranhando com violência conforme ele passava a morder seu pescoço, com a ereção crescendo cada vez mais entre as pernas. Algo que tinha que admitir era quão boa a genética da família Rhodes era. era insanamente gostosa, mas Bonnie não ficava assim tão atrás, muito embora o diferencial entre as duas não fosse esse. faria muito mais que Bonnie entre quatro paredes e sabia disso, mas, se amaldiçoando por estar pensando na garota, ele afastou o pensamento, levando uma mão para entre as pernas de Bonnie após livrá-la de uma vez da toalha, no mesmo momento em que ela deu um jeito de livrá-lo da camiseta.
Bonnie sentia o corpo esquentar cada vez mais, distanciando todo o resto, e não pôde evitar um arquejo, deliciada, quando a mão de finalmente chegou a sua intimidade, gemendo em aprovação quando ele penetrou dois dedos nela, sentindo sua umidade entre os dedos enquanto sugava seu pescoço, subindo em seguida e sugando seu lóbulo, as mãos de Bonnie já escorregando por suas costas. adorou sentir a intimidade molhada da mulher, evidenciando sua excitação, e moveu os dedos com maestria, mesmo que aquele fosse o tipo de coisa na qual ele nunca optava por prolongar. Os gemidos de Bonnie valiam à pena, embora não fossem os de .
Outra vez, pensou, frustrado, quando a garota voltou a invadir sua mente, os olhos, a boca, o nariz e tudo que tornava sua aparência de menina tão excitante. E os lábios de William nos dela.
nunca havia estado tão fora de sua zona de conforto e aquilo era extremamente frustrante, mas ele se recusava a se deixar levar por aquilo, e, com determinação renovada, ele segurou os cabelos da esposa num bolo e moldou seus lábios, beijando lhe como se esperasse que aquilo lhe afastasse completamente de todo e qualquer pensamento sobre sua irmã, simultaneamente ao momento em que tirava os dedos de dentro da esposa, arrancando lhe um gemido de reprovação contra sua boca por isso, o que ignorou, levando os próprios dedos a boca de Bonnie para que ela sentisse o próprio gosto. Ela sugou os vestígios de sua excitação com os olhos nos dele e os levou de volta para onde estavam em seguida, fazendo com que Bonnie jogasse a cabeça para trás como resposta, gemendo mais alto, deliciada com aquilo.
Era impossível negar que sabia muito bem o que fazia e, apressada, ela começou a empurrar a bermuda do homem com os pés, sentindo a ereção dele esbarrar em seu corpo e fazê-la ansiar para senti-lo dentro de si, já excitada demais para qualquer racionalidade, ao passo que não perdeu tempo ao terminar de livrar das próprias roupas, escorregando seu membro para dentro da intimidade de Bonnie sem qualquer dificuldade e gemendo junto com a esposa com o resultado.
Sentir a intimidade encharcada de Bonnie engolir seu membro, ouvi-la gemer por mais a cada estocada do homem, todo o conjunto, apenas incentivava a continuar com seus movimentos, cada vez mais dominado pela luxuria. Conhecia boas formas de fugir da realidade, mas aquilo definitivamente era melhor. Nem ligava para a noite perdida acordado, para os e-mails que tivera de responder e encaminhar ou as ligações que retornara na esperança que o tempo passasse mais rápido e o fim de semana evaporasse, aquilo fazia aquilo tudo valer a pena e tinha certeza que, se tivesse que escolher, sexo definitivamente seria a única coisa sem a qual não poderia viver.
Bonnie segurava com firmeza em seus cabelos, tão fora de si quanto o homem com aquilo, puxando-o pela nuca para beijá-lo mesmo que não tivesse aquele atrevimento em qualquer outro momento. Agora, só agora, estava entregue e se permitiria estar, se permitiria deixar de lado a racionalidade e gemer por mais a cada estocada de exatamente como fazia, embora, é claro, ele facilitasse seu trabalho com a maestria de seus movimentos.
Logo voltou a descer os lábios pelo pescoço da esposa até seu busto, fazendo com que ela resfolegasse, já sem ar até mesmo para gemer enquanto a língua de sugava seu mamilo, lhe tirando do sério em conjunto com o membro do homem penetrando lhe repetidas vezes.
Quando finalmente se satisfizeram, entregues ao orgasmo, se moveu lentamente dentro da mulher para sair, arrancando lhe um grunhido que misturava exaustão e prazer, fazendo-o sorrir malicioso antes de morder seu lábio inferior e jogar-se no espaço ao seu lado na cama, sequer chegando a se importar quando Bonnie o abraçou de lado, deitando a cabeça em seu peito, mesmo que, normalmente, aquilo não fosse o tipo de tratamento que preferia, embora também não houvesse lhe abraçado de volta.
Não era carinhoso e não sabia lidar com carinho, mas fingiu não ligar, fechando os olhos e respirando fundo algumas vezes enquanto esperava que a mulher adormecesse para que ele pudesse se levantar.
Por sorte, não demorou muito.
No instante em que se afastou da esposa e adentrou o banheiro do casal, no entanto, se arrependeu, pois sabia que agora que terminara com Bonnie a outra Rhodes voltaria a lhe atormentar como fizera desde o instante em que lhe tocara pela primeira vez e a única certeza que teve após sair do banheiro foi que estava cada vez mais ferrado e, embora quisesse, não podia culpar ninguém além dele mesmo, não por aquilo.



Chapter Eight

"I stand a hundred feet, but i fall when i'm around you’’ - Shawm Mendes


Fazia pelo menos uns cinco minutos que caminhava pela avenida pouco movimentada onde se encontrava o prédio da Universidade de Doncaster e ela ainda não conseguia acreditar que fizera a porra de uma matrícula naquele lugar. O que diabos tinha na cabeça pra ouvir sua irmã daquela forma?
Ah, espera, essa era fácil.
Culpa.
Não que ela não sentisse culpa na maior parte do tempo, nos poucos momentos que não sentia, normalmente estava com raiva, ressentida e, quando tinha sorte, com tesão, mas desde a declaração da irmã, no meio de uma briga das duas, a coisa piorara um pouco. E não era nem como se ela não soubesse desde o início que ela lhe amava, é claro que sabia, mas ouvi-la dizer junto com todo o resto tornava meio difícil esquecer ou ignorar, como estava acostumada a fazer.
De qualquer forma, àquela altura já começava a esquecer da culpa. Porra, estava matriculada numa faculdade! Era uma droga de uma caloura! Como diabos fora deixar aquilo acontecer?
Como se não bastasse isso, ela também estava sendo completamente ignorada por todos os táxis pelos quais passava desde que deixara o prédio e começava a se perguntar se aquilo não fazia parte de algum tipo de trote sem noção com os calouros, coisa que ela ainda não acreditava que se tornara. Bufando, se pôs a atravessar a rua, pensando que talvez se andasse mais alguns quarteirões encontrasse um táxi que não fosse assim tão inútil, porém, ao em vez disso, um carro quase passou por cima dela e a garota xingou alto com o susto quando ele freou bruscamente a poucos centímetros dela.
Era um carro preto, luxuoso e bem parecido com o modelo que o motorista de usava, mas só reparou nisso quando um senhor saiu calmamente -pomposo até- do banco de trás.
Era Samuel, pai dos garotos.
- , que prazer em vê-la. – ele murmurou, como se não houvesse quase passado por cima dela com o carro. A garota sorriu irônica, sem conseguir se controlar.
- Samuel.
- Vamos, entre no carro. Te dou uma carona. – chamou o homem rapidamente, já seguindo para dentro do carro. ficou onde estava, nem um pouco confortável com a ideia de entrar num carro com aquele homem que vira apenas uma vez e em circunstâncias um tanto incriminadoras.
- Você nem sabe pra onde eu vou. – a garota retrucou, cruzando os braços e Samuel sorriu, como se toda a evasiva da garota para com ele o divertisse.
- Pra onde você vai, querida? – ele perguntou, como se já soubesse a resposta e travou a mandíbula, desejando ter um lugar para ir que não fosse um bar mal cheiroso ou a casa da irmã. Samuel então assentiu, ainda sorrindo. – Vamos, entre no carro. Você pode acabar se perdendo se tentar voltar sozinha para casa.
A contragosto, obedeceu e seguiu pra dentro do carro, entrando junto com ele no banco de trás e logo em seguida Samuel fez sinal para que o motorista seguisse, abrindo o paletó e suspirando como se o momento lhe proporcionasse algum tipo bizarro de prazer. Aquele homem fazia querer voltar para casa o quanto antes e ela não achava que algo fosse fazê-la querer isso até então.
- O que você está fazendo tão longe de casa, querida? e Bonnie não costumam vir para esse lado da cidade. – Samuel investigou por fim, quebrando o silêncio.
De fato, o campus ficava bem longe da mansão de , da empresa e de praticamente todos os lugares em que ela já havia estado em Doncaster. ainda não decidira o que pensava disso.
- Nada demais. – respondeu por fim, não se sentindo exatamente à vontade para conversar sobre sua mais nova aventura com Samuel, ou sobre qualquer outra coisa, é claro. Aquela carona fora uma péssima ideia.
- Tudo bem então. – ele murmurou, lhe surpreendendo e não pôde evitar um olhar pelo canto do olho em sua direção. Ele não pareceu notar seu olhar, voltando-se para o motorista em seguida: - Maxwell, pare na próxima Starbucks. Eu e a Srta. Rhodes vamos tomar um café. – Falou, fazendo virar desacreditada para encará-lo. Café?! Mas que diabos...?!
Atordoada, a garota pigarreou, fazendo que não com a cabeça quando Samuel virou para encará-la.
- Eu preciso ir para casa, na verdade. Tenho umas coisas para fazer. – disse, em tom de desculpas.
- Mais flertes com o marido da sua irmã? – o outro lançou, deixando a garota muda graças a surpresa. Definitivamente não viu aquilo vindo. – Isso pode esperar. Nesse momento, você vai tomar um café comigo. – Samuel fuzilou, não dando a a chance de fazer muita coisa além de assentir.
Ele simplesmente lhe ameaçara. Por um café.
não tinha a menor ideia do que acontecia ali, mas imaginava que não era bom.

estava num péssimo humor, mas aquilo já durava dias.
Ele saia cedo de casa para não ter que lidar com ninguém e chegava tarde também pelo mesmo motivo. Vez ou outra, encontrava a luz do quarto de ligada, mas era só lembrar da garota beijando William e ignorava a visão com muita facilidade.
sabia que qualquer justificativa que tentasse dar para o próprio comportamento soaria no mínimo ridícula quando parecia bem óbvio para todo mundo que não existia nada entre e William. Ela nunca falava dele e era difícil imaginar que estivesse com ele quando, toda vez que saia, voltava bêbada para casa, mas era aquela garota.... Tudo nela consumia e as coisas ficavam ridiculamente intensas quando se tratava dela. Era ridículo sequer pensar naquilo aliás, mas, para a sorte de , ele não teve muito mais tempo para isso, já que, em seguida, Edward colocava a cabeça para dentro de sua sala, chamando sua atenção.
- Woods. – murmurou, vendo o garoto entrar com uma atitude, no mínimo, suspeita.
- Oi, chefe. – Edward sorriu amarelo e arqueou as sobrancelhas, sem entender da onde vinha aquela atitude esquisita. Não que Edward não fosse esquisito na maior parte do tempo, mas ao menos ele era esquisito com outras pessoas. – Então, hm... Abrimos uma grande conta hoje, huh? – comentou, deixando desconfiado.
- Hm. – murmurou em concordância, esperando pelo resto. O que diabos Edward queria com ele? Se fosse para falar de trabalho, ele não enrolaria, mas ah... Ah, puta merda, não. Não. Não, Edward não podia estar ali para falar de . – Desembucha de uma vez, Edward, mas, se for o que eu estou pensando, o máximo que vai ganhar é um passe para fora da minha sala e o telefone de uma terapeuta. – avisou, impaciente e Edward respirou fundo, parecendo repensar a ideia de desabar com .
Só parecendo mesmo.
- , escuta. Sei que você age como se não tivesse nada a ver com isso, mas não é possível que não sinta nenhum pouco de compaixão por um tolo apaixonado. Sou eu, cara. Eu sou um tolo apaixonado. E ela vai se casar. vai se casar em duas semanas e, não importa o que eu diga, não consigo fazê-la ver o quão errado é isso. Que ela não devia estar casando com ele. Que não é dele que ela gosta de verdade. Não pode ser ele, eu....
- Ah, Edward, já chega. – o interrompeu, contendo um palavrão no último instante. – Não estou num dia bom, some daqui. – ordenou, impaciente e Edward piscou, surpreso.
- Não? Mas eu achei que... Bom, como conseguimos uma conta grande hoje, pensei que... – se interrompeu quando balançou a cabeça, jogando o tronco para trás na cadeira e levando os pés a mesa de vidro a sua frente. Aquilo era ridículo, puta merda.
- Pensou errado. – disse simplesmente – Não sou a pessoa certa para te ajudar a lidar com os seus problemas.
- Mas você é o único que sabe. – Edward insistiu e rolou os olhos, odiando mais do que nunca saber daquele caso maluco dos dois. Quando se sabe um segredo, você está automaticamente envolvido nele e ele não podia estar num humor pior para estar envolvido no segredo dos outros. – , por favor. Eu preciso parar esse casamento. – Edward implorou e fez que não, se sentando direito apenas para empurrar os braços de Edward para fora de sua mesa.
- Me deixe de fora dos seus planos malucos de roubar alianças ou sequestrar noivas, tudo bem? – pediu e Edward bufou.
- Não sou tão estúpido, . – resmungou, parecendo realmente ofendido, mas apenas rolou os olhos para suas palavras.
- Vai embora daqui, Edward. – ordenou novamente e Edward bufou, jogando os braços para o alto e depois para baixo de novo como demonstração de frustração.
- Que mal humor é esse, afinal? Você tem tudo que podia querer, cara. Um casamento feliz, uma carreira ótima, tudo... – Ele balançou a cabeça, sem entender , que não disse nada dessa vez, não conseguindo evitar pensar em como a vida era irônica. A merda da ironia parecia perseguir desde quando descobrira a verdade sobre a morte de sua mãe, até agora, quando inventou de comer a maldita da irmã de sua esposa e simplesmente não conseguia mais tirá-la da cabeça desde então. Aquilo devia ser a definição de ironia embrulhada num castigo infernal. Carma ou algo assim.
- Edward. – chamou, impaciente e Edward ergueu o olhar para ele, esperando pelo resto. – Some.
- , qual é...
- Tá, você quer saber o que é que eu acho?! – o interrompeu, parecendo perder de vez a paciência – Acho que como prostitutas por aí porque não quero lidar com o elo emocional que existe ou já existiu com minha esposa, não importa quão sozinha isso faça com que ela se sinta. Porque eu não quero ser emocional, Edward. Não quero falar de sentimentos, descobrir sentimentos ou entender sentimentos e, no fundo, nem a quer. Porque isso é assustador para algumas pessoas, Edward. A gente não tem controle dessas coisas e perder o controle, para pessoas como eu e ela, isso é... É infernal. Ela tem tudo sob controle agora, casando com alguém que goste mais dela do que ela dele e é isso que ela vai fazer, porque é mais seguro. Porque, se ela escolher você e você mudar de ideia no caminho.... Isso vai acabar com ela. – finalizou por fim, olhando nos olhos de um Edward, no mínimo, chocado com aquela explosão, muito mais intensa e pessoal do que gostaria de admitir e, decidido a não o fazer, apontou a porta para Edward. – Vai.
Dessa vez, Edward não retrucou e simplesmente se levantou, saindo em silêncio da sala e deixando sozinho com os próprios pensamentos perturbadores e, em menos de um minuto, ele decidiu que uma grande conta num dia já estava muito bom. Ele precisava treinar.

Naquela noite, não teve a sorte de conseguir evitar todos ao chegar.
De todas as pessoas, no entanto, ele definitivamente não esperava dar de cara com jogada em sua sala de estar gemendo enquanto segurava uma bolsa de gelo na testa.
- Mas que porra...?! – começou a perguntar, mas se interrompeu quando viu surgir da cozinha segurando uma garrafa de tequila que ele sequer sabia que tinha em casa. sentiu as mãos pesarem e esquentarem no bolso de maneira no mínimo ridícula, quis dar meia volta e deixar para vir para casa mais tarde, quando soubesse que não teria que lidar com ela, mas sabia que aquilo seria ainda mais ridículo e optou por simplesmente tentar não lhe encarar.
- Ok, encontrei algo que vai resolver o seu problema e... – sua voz morreu quando deu de cara com parado perto da porta.
Puta merda. Era mais fácil não pensar nele quando ele não estava por perto. Ou pelo menos ao alcance de sua visão. E, mesmo assim, ainda era muito difícil.
vinha sentindo muita culpa. Culpa era a palavra da vez para ela. Culpa por ter transado com o marido de sua irmã e ser uma péssima irmã no geral, culpa por ainda querer e, céus, como o queria. Só olhar para o homem parado ali, vestindo jeans e jaqueta de couro, lhe fazia pensar em encontrar um canto escondido e tirar as roupas dos dois. Aqueles pensamentos não eram muito bons para a culpa.
- Ou piorar. – sussurrou, por fim, sem se conter e pôs a bolsa de gelo de lado antes de se sentar no chão.
- . – murmurou, surpresa. – Esqueci que você morava aqui. – comentou e o homem rolou os olhos em resposta.
- Muito obrigado. – retrucou, de maneira irônica, satisfeito apenas de não ter que encarar , mesmo ciente que ela estava bem ali, bem ao alcance de seus olhos. Era como ter que controlar uma coceira. – O que está fazendo aqui, na minha casa, ? – quis saber e deu de ombros.
- Eu vim para que a me ajudasse com umas coisas do casamento. Ela vai ser a madrinha. – explicou e estreitou os olhos um tanto surpreso com aquela informação, mas, antes que pudesse falar alguma coisa, o fez:
- Supondo que haja um casamento, é claro. Faz dez minutos que ela deu chilique e disse que ia desistir de tudo porque amava o Edward. – falou e virou para encarar a garota por reflexo, esquecendo-se por um instante que estava evitando aquilo. Se arrependeu no instante em que deixou o olhar cair para seus lábios, se voltando rapidamente para .
- É, estou vendo o quão empolgada você está com o casamento. – provocou e ela lhe mostrou a língua em resposta, fazendo o homem rir antes de se levantar, caminhando para fora, para a cozinha. Encheu um copo de água e, depois de beber, apoiou os cotovelos na mesa de madeira no centro da cozinha, enterrando a cabeça nas mãos e suspirando pesadamente. Precisava de um cigarro. Qualquer coisa que levasse embora a maldita tensão que aquela garota lhe causava.
Respirou fundo e deixou o copo para trás, seguindo até os fundos da casa a fim de realmente fumar um cigarro e dissipar os pensamentos que já começavam a enlouquecê-lo outra vez.
Tudo naquela região da casa cheirava a terra molhada, era intenso e reconfortante ao mesmo tempo. Havia um pequeno hall de piso que levava a floresta, uma imensidão verde que era relaxante só de olhar. Sua obsessão com conseguia estragar até aquilo.
Enquanto tragava, ouviu de maneira distante as vozes das garotas na cozinha e fez o seu melhor para ignorar, buscando em sua mente qualquer coisa para lhe distrair. A conversa estúpida com Edward mais cedo, a prostituta que comeu depois do treino com Nick, tudo se misturando em sua mente como uma massa desagradável de nada, tornando a voz de –a distância de uma frágil porta de alumínio barata – ensurdecedora em sua cabeça como se fosse algum tipo de provocação de seu cérebro para lhe manter ciente de sua presença ali.
tragou com mais insistência, soltando um espiral de fumaça em seguida.
- O que está rolando entre você e o ? Quase dava para cortar a tensão com uma faca. – perguntou a e balançou uma das pernas como se estivesse com algum tipo de tique, tentando evitar olhar na direção da cozinha, conseguindo imaginar claramente inclinada sob a mesa, com a bunda empinada como adorava fazer.
- Não, o problema... O problema não é ele. – ouviu murmurar em seguida, mais baixo do que estava acostumado a ouvir vindo dela. Receosa também. pareceu esperar e suspirou. quase pôde sentir seu olhar em suas costas, mas não olhou para checar, voltando a tragar seu cigarro ao em vez disso. – Eu fui.... Fui resolver uma coisa um pouco longe de casa e... E encontrei o pai dele na rua, quando estava voltando para cá. – explicou e sentiu a tensão que causava o tique em sua perna se espalhar pelo resto do corpo com a menção a Samuel. Ele não ia conseguir ficar parado por muito tempo.
- O Samuel? – perguntou, surpresa.
- Sim. Ele... Ele me assusta, . O cara quase passou com o carro por cima de mim para me oferecer uma carona e ainda me obrigou a tomar um café com ele. – contou
sentiu uma onda de raiva, um ímpeto de quebrar alguma coisa, qualquer coisa, e, não se deu conta do que acontecia quando deixou seu cigarro cair no chão ou quando passou por como se ela fosse apenas um borrão de sua cabeça, mas já segurava pelo braço, prendendo a garota contra a mesa de madeira atrás dela.
- . – a garota sussurrou, os olhos arregalados e a boca entreaberta enquanto o encarava, tão confusa quanto assustada.
Sua voz, em conjunto com o efeito do cigarro em seu cérebro, pareceu parar o homem por um instante, o hálito doce da garota misturando as coisas em sua cabeça, mas suas palavras sobre Samuel ainda se repetiam lá também e faziam algo dentro de se repuxar.
- Fica longe dele, ouviu bem?! Fica longe do Samuel, . – sua voz não saiu como se gritasse, mas alarmada, como de alguém que fala de um medo de algo, de um perigo que nunca lhe abandona.
- ...
- Estou falando sério. Não quero que sequer olhe pra ele, me entendeu?! Aquele homem... – se interrompeu, soltando o braço da garota e dando as costas pra ele, com o peito queimando com o que ele não sabia ser só ódio ou muitas sensações conflituosas lhe sufocando além disso também.
- , você está bem? – , que até então assistia tudo chocada, deu um passo a frente tentando encarar o amigo, mas ele saiu de seu campo de visão.
- Só... Faz o que eu disse. – murmurou para , dando as costas as duas em seguida, apressado como se corresse em busca de ar.

acordou com estrondos muito parecidos com tiros e deu um pulo na cama, assustada. O despertador no criado mudo ao lado da cama marcava 05h30 da manhã, do lado de fora, pela janela, o dia sequer parecia ter começado ainda.
A garota passou a mão no rosto, se perguntando se não estava ficando louca, mas então ouviu o estrondo de novo e pulou no lugar, se levantando, vestindo qualquer coisa por cima do pijama e calçando seus chinelos antes de sair do quarto, descendo as escadas e xingando baixo ao ouvir o estrondo outra vez, muito mais perto agora. Seguiu na direção do som e deu de cara com nos fundos da casa, no mesmo lugar onde estava fumando na noite anterior. Haviam várias latas vazias colocadas em pé em cima dos tocos de árvore e ele mirava nelas, derrubando uma por uma parecendo ser extremamente hábil no que fazia.
estava abaixado, igualando sua altura a de seu alvo, com um dos olhos fechados e a mão firme na pistola. Algo em sua concentração, no quão letal era o quadro, nas latas caindo como penas ao vento, tornava a coisa toda estranhamente sexy e não conseguiu fazer nada além de olhar por um instante, apertando o robe de seda que usava por cima do pijama contra o corpo quando uma corrente de ar passou por ela, tirando seus pensamentos do rumo que seguiam.
Estava cedo demais, o tempo frio não devia ser nenhuma surpresa, mas com certeza era pra , que não estava acostumada a estar de pé àquela hora da manhã. , no entanto, estava perfeitamente concentrado em sua mira, como se nada a sua volta fosse lhe afetar. O frio ou o estalo ensurdecedor dos tiros. Nada.
A garota deu cuidadosamente um passo para frente, bem no momento em que abaixava a pistola, respirando de maneira tensa. Ele já havia notado a garota ali. Não sabia como não viera em sua cabeça que acabaria lhe acordando com os tiros, só se dando conta da possibilidade tarde demais, quando percebeu a presença dela ali.
- Desculpe pelo barulho. – Ele falou primeiro, tentando manter a conversa o mais impessoal possível e não a encarar, com a esperança que assim o fato de ser ela ali se tornasse menos gritante. O fato de ele saber que estavam sozinhos ali.
deu de ombros, indicando que não se importava, mesmo que se importasse. A região de seu braço que ele apertara ao segurá-la, na cozinha, na noite anterior, pareceu arder quando ela abriu a boca para dar uma resposta mal-educada e aquela fora a única reação que seu corpo permitiu expressar.
não pôde evitar virar para encará-la quando não obteve nenhuma resposta. Bem ou mal, aquilo não era do feitio dela.
- O que foi?
estava sentada no muro do hall e a maneira que encolhia o corpo não condizia em nada com a que estava acostumado a ver. Esguia e confiante. A em sua frente parecia só uma menina, talvez até assustada, bem diferente da mulher que ele estava acostumado a ver na garota, com os ombros jogados para trás e a pose firme, segura.
- O que você está fazendo? – a garota perguntou antes que pudesse se conter.
sabia o que ele estava fazendo naquele momento, estava atirando em latas antes mesmo que o dia tivesse a chance de começar direito, mas não era aquilo que ela estava perguntando. Estava tentando entender : O que ele estava fazendo lhe segurando como segurou e falando daquela forma por causa do pai, fumando e lhe atacando e então atirando em latas de madrugada.
não pareceu entender sua pergunta de imediato, já que, para ele, o que ele estava fazendo parecia óbvio e moveu as pernas como se estivesse com algum tipo de tique. percebeu que ela estava nervosa.
- Estou praticando tiro ao alvo. Meu avô, pai da minha mãe, me deixou minha primeira arma quando morreu. Descobri que a forma como você é obrigado a se concentrar só no que está fazendo quando está com uma coisa tão letal nas mãos é relaxante. Expulsa todo o resto da sua cabeça e é como se você finalmente pudesse só.... Sei lá, respirar. – deu de ombros e soltou o ar ao falar. não soube dizer se o gesto era para exemplificar o que dizia ou se falar com ela estava exigindo dele algum tipo de esforço.
- Eu podia usar um pouco disso. – Ela sussurrou, mais para si mesma do que para , que ficou em silêncio por um instante, até decidir que queria que se explodisse todo o resto, voltando-se pra garota em seguida e simplesmente perguntando o que perguntou, como se não estivesse tentando desde o início manter a conversa impessoal. Como se não houvesse tentado e falhado não comer aquela garota.
- Quer que eu te ensine?
mordeu o lábio e ergueu o olhar para , o fazendo com mais força quando seus olhares se encontraram sem se dar conta. Os lábios de formaram uma linha rígida em resposta a reação da garota, tornando impossível que ele não lembrasse do gosto da boca dela ou do arrepio que lhe causava quanto gemia contra a boca dele.
- Vem aqui. – chamou por fim e se levantou devagar, parte dela ainda sem ter certeza se devia, mas, céus, era aquele homem. não sabia o que havia nele, mas a mantinha curiosa e entregue o tempo todo, como uma criança com um brinquedo novo. Exceto que o encanto não parecia passar depois de um tempo. – Toma. – estendeu a pistola pra ela, que olhou da arma para o homem.
- Eu poderia causar um acidente. – murmurou, se referindo ao fato de não ter ideia sequer de como segurar aquilo, mas o sorriso sem humor de pareceu indicar que suas palavras o atingiram de outra maneira.
- Seria só mais um. – disse, tomando a pistola de volta pra si e observou enquanto ele a travava, lhe estendendo em seguida. – Vai, está travada. Precisa se acostumar com o peso.
Cuidadosamente, aceitou a pistola. Não conseguiu decidir o que sentia ao segurar aquilo, ou se gostava do que sentia. Nunca se deu muito bem com o poder e não podia evitar lembrar de seus amigos mortos, com algo tão letal em mãos. Sentiu um aperto no peito com o pensamento e teve o ímpeto de devolver a arma a , mas antes que o fizesse sentiu a mão quente do homem em seu ombro, bastando aquele toque para derrubar suas defesas. prendeu o ar.
- É enlouquecedor se você ficar pensando muito. – disse e teve a impressão que ele sabia tão bem quanto ela o que a garota estava sentindo. Ela olhou por sob o ombro para o homem atrás dela, torcendo que ele tivesse algo mais pra falar. Algo que fizesse a sensação ruim na boca de seu estômago sumir. – Mira nas latas. Não atira, eu só quero ver se você consegue segurar e mirar. – Acrescentou e aceitou a distração no lugar do consolo, fazendo o que ele dizia em seguida e focando na lata do meio, segurando com toda firmeza de seu corpo no revólver. Teve a impressão de que tremia, porém não tinha certeza se era pela arma ou por ainda pensar em seus amigos.
Poder.
Ela os matara, por que estava segurando uma arma e mirando numa lata como se zombasse o que fizera?! Não queria esse poder.
- Pronta para destravar e tentar? – perguntou, paciente e não reagiu por um instante, não se sentindo exatamente pronta, mas céus, como queria expulsar os pensamentos. Só respirar.... Era uma sensação tão absurdamente longínqua que parecia impossível. Antes que pudesse prever, estava assentindo e lhe ajudou a destravar a arma, indicando que podia ir em frente com um aceno de cabeça.
voltou a mirar na lata, sentindo a mão esquentar com suor e o coração palpitar, mas aquilo era tudo. Tudo que via e tudo em sua mente era a lata no toco da arvore. Seus amigos, o fogo, até mesmo e seu cheiro marcante atrás dela pareciam ter sumido. O vazio era mesmo reconfortante e, com esse pensamento, puxou o ar, leve como uma pluma, soltou, e então puxou o gatilho.
Assim que atirou, a garota voltou a ouvir os gritos dos amigos enquanto eram devorados pelas chamas na igreja perto de casa, os pensamentos rumavam sem foco por todos os lados de sua cabeça, misturando Bonnie, os amigos mortos, o pai, e o modo como ele agira na noite anterior, William e o beijo, tudo pareceu voltar e fechou os olhos, os apertando e voltando a puxar o gatilho, de novo e de novo, esperando que o som dos disparos fosse tudo em sua mente, mas não importava quantas vezes puxasse o gatilho, ainda estava tudo lá. Continuava tudo lá.
quis gritar, mas travou o maxilar ao em vez disso e segurou seu braço, baixando lentamente sua mão. Ela afrouxou o aperto no revólver.
- Tudo bem. – sussurrou, calmo como se aquilo fosse completamente normal. Como se ela não estivesse surtando com a droga de uma pistola na mão. – Tudo bem.... Só respira. – sugeriu, sem soltar sua mão e ela obedeceu, sentindo as lágrimas começarem a molhar seu rosto e se odiou por isso. Quis sair dali antes que percebesse, mas não conseguia se mover e talvez seu toque fosse a única coisa lhe mantendo de pé, ela não sabia. – Isso. Só respira. – ele continuou e ela fez o que ele disse, várias vezes antes que voltasse a entregar a arma em suas mãos, como se dissesse que ela estava bem agora. não fez nada além de segurar mesmo assim. – Tudo bem se quiser tentar de novo agora.
não tinha certeza se queria, mas voltou a erguer a arma e segurou por cima de sua mão quando notou que ela tremia. Era quase imperceptível, mas tinha a impressão que sabia exatamente o que a garota estava sentindo. Ele se lembrava de como tremeu e chorou quando tentou aquilo da primeira vez, depois do funeral do avô, que chegou muito mais perto de ser um pai para ela do que Samuel.
Quando puxou o gatilho de novo, ela parecia mais calma e achou que ela estava melhor. Que estava conseguindo expulsar os pensamentos e respirar.
- , me desculpa. – ele murmurou quando ela disparou de novo, por baixo do ruído do disparo, mas estavam muito perto para que aquilo impedisse a garota de ouvir. Se perguntassem, não saberia responder da onde aquilo saíra. Ele não pedia desculpas.
- Por que fez aquilo? – perguntou, parando com os disparos para conseguir ouvir sua resposta. desejou ter um cigarro outra vez. Estava completamente sóbrio e pedindo desculpas. Aquilo era tão novo para ele quanto para ela.
- Queria te proteger e fiz tudo errado. Samuel, ele é... Eu não confio nele, . – falou e, para ele, pareceu muito pouco, mas duvidava que fosse conseguir ir mais longe que aquilo.
- Ele é seu pai. – retrucou, porém não soava como se o repreendesse, estava apenas curiosa. Como se tentasse entender. não tinha certeza se ela conseguiria ou se ele seria capaz de explicar.
- Ele é pai do William. – murmurou em resposta, soando mais ríspido do que planejava. – Nós só temos a mesma mãe. – disse e voltou a abaixar a arma, virando para ficar de frente para ele.
Aquilo os deixou muito próximos para que qualquer um dos dois conseguisse ignorar e levou a mão para a cintura da garota sem se dar conta que o fazia. olhou em seus olhos, tentando decifrar o homem a sua frente, tentando entender porque ele sempre lhe fazia querer voltar, estar em seus braços mesmo sabendo que não devia valer a pena. Não com tudo que estava em jogo.
- Samuel fez algum mal a sua mãe? – perguntou, baixo, e apenas assentiu, fechando os olhos quando a garota tocou seu rosto. Aquele toque não era nada como qualquer outro que já trocaram, tudo naquele momento estava distante de tudo que lembrava de conhecer, porém ele não se permitiu ligar. Não quando o toque da garota parecia tão reconfortante. Ela não estava tentando consolá-lo, era, na verdade, como se a garota houvesse descido até o fundo do poço apenas para lhe fazer companhia, como se experimentasse a dor que carregava e aquilo bastava. Aquilo era tudo e ele nem sabia que era.
encostou a cabeça em seu peito, pensando em seu pai morto. Pensando em como ele fora seu melhor amigo por tanto, tanto tempo. Se perguntou se o que sentia era pelo menos um pouco como o que ela sentia. Se doía quando ele pensava na mãe como quando ela pensava no pai. Não sabia, mas tinha a impressão que sim e aquilo bastou. Ela se permitiu ficar ali, nos braços de , sentindo junto com ele sua dor, compartilhando, sem que ele soubesse, a dela própria e teve certeza que aquele foi o momento mais reconfortante que já tivera desde a morte de seu pai.



Chapter Nine

"Hey, dady, look at me. Thing back and talk to me. Did i grow up acoording to plans?!’’ - Simple Plan


Bonnie vinha passando mais tempo do que nunca com Victoria – a real Victoria – graças a organização da quermesse anual, que aconteceria há dois dias dali. De qualquer forma, aquele dia ela estivera o dia todo no local onde a celebração aconteceria, cuidando dos preparativos com sua sócia. Estava indo bem, até Samuel aparecer lá.
O homem já lhe incomodava sem que ela soubesse o porquê, simplesmente por intimidar . Ninguém intimidava , apenas Samuel e se aquilo não era o suficiente para deixar a garota em alerta, então, bem, ela não sabia o que era. Naquele dia, em especial, ele fora ainda mais longe e insinuara numa conversa com Bonnie a existência de um caso entre e .
Ao chegar em casa, horas mais tarde, Bonnie não havia conseguido tirar da cabeça a conversa com Samuel. Não achava que existisse a mera possibilidade de e estarem envolvidos de qualquer forma, confiava em sua irmã e, podia estar errada, mas achava que existia limites até para o que era capaz. Não conseguia, no entanto, tirar aquilo da cabeça simplesmente porque toda vez que repetia aquelas coisas para si mesma, pensava em William. William era irmão de . William era irmão de seu marido e ficava com Bonnie em segredo. Eles.... Eles traiam a confiança de . Apostava que o homem acreditava tanto na possibilidade um affair entre ela e William tanto quanto ela acreditava na possibilidade de aquilo acontecer entre ele e e aquele era justamente o problema. Ela não acreditava.
Por outro lado, Samuel.... Ela não tinha certeza se devia acreditar em qualquer coisa que ele dizia. Sabia que o homem não era flor que se cheire, sabia que ele tinha um péssimo relacionamento não só com , mas com William também. Aquilo devia dizer o suficiente.
Exceto que não era.
Quando, por fim, Bonnie entrou em casa, estava jogada no sofá, muito concentrada na tela do celular, que ela segurava acima da cabeça, mordendo o lábio com a expressão tensa. Bonnie estreitou os olhos, encarando a cena um tanto quanto confusa.
- . – chamou, mas a irmã não se moveu de onde estava e Bonnie não teve certeza se era implicância ou se ela genuinamente não havia lhe escutado. Ela estava bastante concentrada, afinal. – ! – chamou, mais alto e a irmã pulou no lugar, fazendo Bonnie rir enquanto ela xingava por ter deixado o celular cair.
- Bonnie, mas que droga. – a garota reclamou, sentando-se direito no sofá após pegar o celular.
- O que você está fazendo? – Bonnie perguntou com humor, ignorando a reclamação da outra, que deu de ombros.
- Jogando um joguinho idiota. – resmungou, parecendo relutante em admitir aquilo e Bonnie riu mais, surpresa.
- Está falando sério? – riu, desacreditada e apena lhe mostrou a língua, incomodada, em resposta. Bonnie riu mais por isso. viciada num joguinho de celular era algo que não via a muito tempo. Desde antes da morte de seu pai. O pensamento quase fez com que Bonnie parasse de sorrir, mas, tentando despistar , que com certeza perceberia a mudança em sua expressão, ela se apressou para mudar de assunto: - O está em casa? – quis saber e deu de ombros.
- Não tenho ideia. – Retrucou e Bonnie rolou os olhos, se perguntando como ainda se surpreendia.
- Vou checar no escritório, obrigada. – Ironizou e deu de ombros, desbloqueando o celular assim que a irmã se afastou. Tinha um recorde para bater.
Rolando os olhos, Bonnie seguiu em direção ao escritório do marido, que estava mesmo lá. Era sábado, mas aquilo não parecia fazer diferença para , que estava sempre trabalhando. Bonnie nunca imaginara que ser dono de um banco de ótimo movimento desse tanto trabalho, honestamente.
- Ei. – murmurou, parando na entrada da sala e ergueu o olhar de seus papeis por um instante, voltando, no entanto, a eles rapidamente ao notar que era Bonnie ali. Sentiu uma pontada de culpa por torcer que fosse a irmã da esposa, mas tão rápido quanto veio, se foi. Ele não era bom com essa coisa de culpa.
- Oi. Como, hm... Foi o seu dia? – perguntou, embora seu interesse na resposta jamais fosse ser tão grande quanto seu interesse no que quer que fossem aqueles papeis, já que o homem sequer desviara o olhar deles ao perguntar.
Bonnie mordeu o lábio.
- Tudo bem. Hm... Samuel apareceu por lá. – murmurou cuidadosa e segurou com mais força nos papéis sem se dar conta que o fazia, se deixando levar pela onda de raiva que lhe invadia toda vez que aquele homem era mencionado.
- Hm. – murmurou, tentando agir como se a informação não houvesse lhe afetado como fizera e ao menos esperar pelo resto antes de deixar a raiva lhe dominar como acontecia com tanta facilidade quando se tratava de Samuel.
Bonnie colocou o cabelo pra trás, ponderando se devia continuar. Não era preciso muito para saber como se sentia em relação ao pai. Era uma das poucas coisas que ele não conseguiria esconder nem que tentasse e Bonnie começava a repensar a ideia de falar a sobre a conversa com Samuel. Queria contar só para tirar aquela pulguinha de trás da orelha, mas, bem, não tinha mais certeza que daria certo ou mesmo que valia a pena arriscar.
Com ou sem um caso com sua irmã, Bonnie tinha certeza que ficaria com raiva simplesmente por Samuel estar metendo o nariz onde não era chamado.
Quando a mulher não falou nada, ergueu o olhar para ela, como se perguntasse se acabou. Sabia que não tinha acabado. Bonnie já havia passado da fase de tentar fazer conversar e tentar salvar a relação que os dois deveriam ter. Se ela começou a falar, é porque havia algo que queria que ele soubesse.
- O que ele fez? – quis saber e se Bonnie não o conhecesse bem ousaria acreditar que havia preocupação em sua voz, o que seria um tanto quanto novo para ela. Pelo menos desde um bom tempo. Desde que o por quem ela se apaixonara sumira.
Bonnie mordeu o lábio, incerta e baixou os papéis, focando totalmente na mulher.
- Bonnie.
- Samuel insinuou que você estava tendo um caso com minha irmã. – Bonnie soltou de uma vez, contendo o ímpeto de se encolher de olhos fechados, esperando pela explosão.
Não era ela que devia estar com medo ali. Estava, na visão de qualquer pessoa normal, tirando satisfações com o marido, afinal de contas.
Entre todas as coisas que podia imaginar ouvir, aquela definitivamente não estava incluída. Samuel havia mesmo aparecido num momento inoportuno na outra noite, no dia do jogo de William, mas não havia visto nada que tornasse compreensível que ele simplesmente fosse até Bonnie e falasse o que achava que sabia.
-? – Bonnie chamou, sem saber o que interpretar de seu silêncio. Não acreditava realmente na possibilidade de e sua irmã terem um caso, mas agora que já começara aquela conversa, devia ao menos obter alguma reação de .
A voz de Bonnie pareceu acordar , que até então ainda absorvia suas palavras. Já lhe parecia completamente sem propósito e irritante em níveis preocupantes o fato de Samuel estar procurando sua esposa para conversar como se fossem velhos amigos, especialmente sobre ele, quando já deixara claro centenas de vezes que não tinham e nunca teriam nada a ver com o homem, mas sabia, embora nunca fosse admitir, fora que causara a explosão seguinte.
- Mas que porra, Bonnie! – ele empurrou a mesa para se levantar e Bonnie deu um passo largo para trás, um tanto assustada. fechou as mãos em punho.
Samuel não tinha aquele direito. Ele não tinha o direito de lhe tirar sua mãe, criar o garoto igual a um merda e então fazer aquilo. Se meter com sua esposa e falar sobre , ainda por cima. Parecia que não cansava de infernizar a droga de sua vida.
- , eu não estou te acusando de nada...
- Ah, que bom, que alívio então! – interrompeu Bonnie quando ela finalmente tomou coragem de tentar falar alguma coisa, vendo cada vez mais nervoso. – Que porra, eu já falei para ficar longe daquele homem! Você devia saber! Você, de todas as pessoas, devia saber! – ele não gritava, mas não era preciso que ele realmente aumentasse tanto seu tom de voz para que Bonnie quisesse chorar como queria agora. E ela se odiava por isso.
sequer notou, furioso demais. Ele saiu do escritório derrubando tudo pelo caminho, mas seria uma surpresa se ele tivesse realmente notado aquilo também.
- Não me espere acordada. – Falou, já do lado de fora e bateu a porta atrás de si, fazendo Bonnie estremecer com o estrondo.
Passou como um furacão pela sala, seguindo para o carro e dando a partida de maneira brusca, seguindo pelo caminho que raramente fazia, mas não parecia capaz de esquecer: A casa de Samuel.
estava cansado de Samuel, estava cansado de se sentir um garotinho indefeso de novo sempre que se tratava dele, como se tudo o que fazia e conquistava não significasse nada. Às vezes, sentia como se realmente não significasse. Porque Samuel tirara dele o que tinha demais importante.
não tinha ideia de como não batera o carro ainda, mal via os outros carros na pista e pisava no acelerador de maneira quase violenta, sem conseguir parar de pensar no garotinho que perdera a mãe anos atrás, sem conseguir parar de pensar em Samuel, no tamanho da raiva que sentira quando descobrira que ele era o culpado pelo que acontecera a sua mãe. Samuel parecia não cansar nunca, mas ia faze-lo parar. Ele ia parar de uma vez por todas depois daquela noite.
O carro deixou escapar um ruído alto e preocupante, mas sequer notou, pensando apenas em Samuel se metendo em sua vida e tentando se aproximar de , lhe obrigando a tomar café com ele, então falando com Bonnie sobre eles. queria soca-lo. Só para começar.
O carro rugiu de novo e só notou dessa vez porque, com um solavanco violento, ele parou de vez, fazendo o homem xingar alto e resmungar antes de girar a chave na ignição outra vez, tentando fazer o carro pegar, mas nem depois da quinta tentativa o carro reagiu e abriu a porta, saindo ainda mais furioso dele, chutando a lataria enquanto ia verificar o que diabos havia acontecido, mas, bem, podia saber de muitas coisas, porem mecânica nunca fora uma delas. Ele não tinha ideia do que devia ver quando abriu o capo do carro e bateu o mesmo para fecha-lo em seguida, tirando o celular do bolso e discando o número de Nick.
Ele podia pedir um guincho, mas ia ter muitos detalhes burocráticos com os quais teria que se preocupar e se alguém lhe fizesse alguma pergunta estupida ele tinha certeza que acabaria descontando a raiva de Samuel nessa pessoa.
- . – Nick falou do outro lado ao atender
- Estou na Abbey Walk e meu carro quebrou. Tem como vir aqui? – perguntou, odiando cada segundo daquela noite cada vez mais.
- Tá legal, não saia daí. – Nick falou, desligando em seguida e rolou os olhos por isso. E como diabos ele ia sair dali, pelo amor de Deus?!
voltou para dentro do carro, tentando, em vão, faze-lo pegar, mas aquilo só serviu para irrita-lo mais e socou o painel do carro, jogando a cabeça para trás, se sentindo um tanto sufocado pela fúria que se acumulava dentro dele.
O homem tinha certeza que estava prestes a explodir.

se lembrava da primeira vez que segurara um baseado. Ele tinha dez anos na época, estava com Nick, escondidos no telhado da academia completamente frustrados, cada qual com seus motivos para tal. Fora pouco tempo depois de sua mãe morrer, Samuel viajara por algumas semanas com William e ficara com Nick e sua família nesse período. Na época, não entendera porque Samuel estava viajando com seu irmão um dia depois do funeral de sua mãe, mas hoje, por saber o que realmente acontecera no dia da morte da mulher, sabia que ele estava tentando fugir. Ter certeza que não seria encaixado como suspeita antes de surgir como o viúvo sofrido. Argh. sentia o nojo e a raiva do homem votarem só de pensar naquilo.
De qualquer forma, ele não se lembrava qual era o problema com Nick naquele dia, mas se lembrava bem de estar naquele telhado pela primeira vez. Das mãos tremendo ao segurar o cigarro pela primeira vez, do receio e então da sensação quando a maconha penetrou seu cérebro. De como tudo pareceu menor e sem importância.
Desde aquele dia, os dois viam aquele lugar, o telhado de Nick, como um vácuo no meio da loucura. Aquele lugar e um bom baseado costumava apagar tudo, lhes fazer esquecer qualquer que fosse o problema, mas, naquela noite não parecia estar surtindo o mesmo efeito. Para nenhum dos dois.
Nick estava endividado até o pescoço com o tratamento da vó e achava que ia ter que fechar a academia e conseguir um emprego em tempo integral para arcar com aquelas despesas. Obviamente, a academia não era nenhuma mina de ouro, ele a mantinha porque adorava o lugar e se orgulhava dele, mas sua avó precisava dele e não podia deixá-la na mão. Não quando a vida da mulher dependia daquilo.
Quando ligara, ele estava enfiado no escritório nos fundos da academia, fazendo contas intermináveis, com a esperança de que, se insistisse o suficiente, o resultado delas mudasse e tudo se encaixasse, mas de jeito nenhum o tratamento de sua avó se encaixaria em seu orçamento, ao menos, não se mantivesse as coisas como estavam.
Já o problema de era com Samuel. Bonnie. . Todos.
Ele chegara na academia tão furioso quanto era de se imaginar quando Samuel estava envolvido e Nick soube que seria preciso muito mais que um ringue e uns socos para acalma-lo, então subiram para o telhado.
O ruído do vento era tudo que se fazia ouvir aquela noite lá de cima, mas numa mente fermentada pela maconha aquilo era muito como uma música calmante e se concentrar naquilo era provavelmente a única coisa que impedia de ir atrás de Samuel e passar com o carro por cima dele.
- Por que você nunca me ofereceu dinheiro? – Nick perguntou de repente e deu de ombros, sem se preocupar em virar para encara-lo.
- Sabia que você nunca aceitaria. – falou, como se não fosse nada demais. E não era, para ele. Conhecia Nick o suficiente para saber que ele não aceitaria e entendia o porquê. Os dois não eram diferentes em nada, afinal de contas. – Mas, se você quiser, posso fazer um cheque para você agora mesmo.
Nick rolou os olhos antes de virar para encarar o amigo, que lhe olhava com deboche por já saber que Nick não pretendia aceitar dinheiro nenhum dele.
Quando viu Nick vacilar, no entanto, soube que a situação estava ainda pior pra ele e bufou, se encostando ao concreto para sentar de maneira mais confortável.
- Eu realmente posso, Nicholas.
Nick fez que não com a cabeça e rolou os olhos, embora não estivesse surpreso.
- Talvez você mude de ideia quando estiver fechando as portas.
- Talvez. - Nick concordou, pensando que não ia demorar muito tempo até aquilo acontecer se fosse como dizia mesmo. – E aí você vai cuidar da sua vida quando isso acontecer, certo? Deus sabe que está precisando. – retrucou e riu, embora sem muito humor.
- É uma possibilidade. – falou, fazendo Nick rolar os olhos antes de voltar a virar para lhe encarar.
- , só para começar, você precisa pedir o divórcio. Assim, só para começar. – murmurou, rolando os olhos quando não respondeu ou lhe olhou de volta. – Sabe disso, não sabe?
- Eu preciso passar com meu carro por cima do Samuel. É disso que preciso. – retrucou, nem um pouco inclinado a pensar na possibilidade de se divorciar ou qualquer coisa que envolvesse seu relacionamento com Bonnie. Ele era outra pessoa quando casou com ela e não pretendia fazer o caminho de volta. Ou sequer achava que era possível.
- Samuel é outra história. Talvez seja sim essa a solução para ele, mas não cabe a você decidir. – Nick murmurou com uma tranquilidade incomoda na voz e rolou os olhos em resposta.
- Era mais fácil quando a gente não falava dos nossos problemas. – resmungou e Nick riu, mas foi obrigado a concordar. Era mais fácil para os dois no ringue. Quando podiam só extravasar sem ter que falar de seus problemas para isso. Descontar a raiva e fingir que isso resolvia tudo.
- Acho que precisamos de mais maconha. – Nick murmurou, se levantando e fez uma careta.
- Ou uma vida diferente. – resmungou e Nick parou no meio do caminho, arqueando as sobrancelhas para ele, que rolou os olhos para a expressão acusatória do amigo. – Vai de uma vez, Nicholas. - resmungou e o outro riu, seguindo até as escadas para descer de volta até a academia.
Uma vez sozinho, jogou a cabeça para trás e suspirou, cansado.
Os nós dos dedos do homem ainda doíam, o sangue já seco, no entanto, ainda estava ali para lembrar o homem do ataque de fúria que tivera por conta de Samuel. Odiou pensar naquilo, em como aquele homem lhe tirava do sério e as coisas não melhoraram em nada quando ele lembrou do que ele dissera a Bonnie. Odiava que Samuel falasse sobre ele, que sequer pensasse nele, mas o fato de ele falar sobre o incomodou ainda mais. Tudo relacionado a colocava em alerta e ele e sentia um tanto obcecado, mas, pelos céus, conhecia Bonnie há vários anos, casara com ela e ela nunca soube porque Samuel deixava da maneira como deixava. Numa conversa, - depois de o que, um mês de convivência? – já descobrira a verdade sobre aquilo. podia fugir daquilo o quanto quisesse, mas aquela garota tinha algum tipo de poder sobre ele.
Estava chapado, sentindo os músculos do corpo cansados e os pensamentos amortecidos, mas, de alguma forma, ela estava ali, em sua cabeça, lhe enlouquecendo simplesmente por estar lhe obrigando a pensar num quadro que envolvia tanto a ela quanto a Samuel.
Sem pensar, puxou o celular do bolso, deslizando pelos contatos até parar no nome da garota, encarando a tela do celular enquanto se perguntava o que tinha na cabeça. Céus, não era possível que estivesse realmente pensando em ligar para ela. No meio da noite, chapado.
Se dando conta do que aquilo parecia, bloqueou o celular e o colocou de lado, tentando não fazer nenhuma besteira. Ficou encarando o céu enquanto esperava Nick, decidindo que realmente precisava de mais maconha e arriscou uma olhada na direção do celular. Pensou em como tocara seu rosto no outro dia, em como, de alguma forma, só com aquele toque, só em estar ali com ele, ela lhe confortara. Ela não tentou fazer com que ele se sentisse melhor, compartilhou de sua dor ao em vez disso e, por um momento, os dois foram apenas isso. A dor que sentiam e escondiam, e, Deus, aquilo fora reconfortante como jamais imaginara. Ele só queria sentir aquilo de novo.
- Foda-se. – O homem sussurrou em seguida, ignorando tudo que lhe impedira de completar a ligação da primeira vez e pescando seu celular novamente, dessa vez realmente indo até o fim com aquilo.
O primeiro toque quase fez parar e desligar, mas, antes que ele cancelasse a ligação, ouviu a voz da garota do outro lado.
- Alô? – sabia que ela tinha seu número e, por isso, sabia que ela sabia que era ele, mas não conseguiu reagir de imediato. Não tinha ideia do que devia falar, mesmo tendo chegado até ali e realmente ligado para a garota. – ? – chamou do outro lado e sua voz soara exatamente como quando perguntou se Samuel fizera algum mal a sua mãe.
teve o ímpeto de responder, mas mesmo quando abriu a boca para falar, nada saiu e não falou mais nada por um tempo também. Ele esperou que ela desligasse, mas ela não o fez e os dois só ficaram em silencio por algum tempo, ouvindo a respiração do outro e se perguntou o que era aquilo, o que ele estava fazendo.
Como se pensasse a mesma coisa, o ritmo da respiração da garota mudou do outro lado e soube que ela estava prestes a desligar.
- . – murmurou antes que ela o fizesse e a garota prendeu o ar do outro lado, esperando pelo resto, mas não disse mais nada. Não tinha o que dizer. Sequer sabia porque tinha ligado.
- Você está bem? – perguntou depois de um instante, no mesmo tom que usara para perguntar porque ele fizera o que fizera quando ele pediu desculpas por ter lhe atacado, de novo, por causa de Samuel. Ela estava analisando a situação e suspirou, decidindo que aquilo era ridículo. Não tinha ideia do que estava fazendo.
- Eu não sei. – confessou por fim, optando por dizer a verdade. Não devia estar, bem, ele não devia estar bem, mas aquilo era o melhor que podia fazer, e, em seguida, ouviu passos e soube que Nick estava voltando. – Boa noite, . – falou por fim, finalizando a ligação em seguida e virando para ver Nick se aproximar com os baseados prontos.
- Isso deve dar para a noite. – ele falou ao se sentar ao lado de , que olhou para os baseados e assentiu.
- Eu espero que sim. – murmurou, embora não tivesse certeza se estava falando sobre a mesma coisa que ele.


acordou com o celular tocando, o som parecia estar dentro de sua cabeça e ele apertou os olhos com força, não conseguindo reagir de outra forma por um instante e se perguntou se não podia continuar ali, com os olhos fechados fingindo que o mundo não existia por mais alguns minutos, talvez algumas horas, dias...
O celular continuou a tocar, indicando que não, ele não podia tentar aquilo e bufou, tateando até encontra-lo, evitando abrir os olhos até o último instante, quando ouviu gritar do outro lado.
- , finalmente! Céus, onde você está?! Por acaso esqueceu que tem uma empresa pra dirigir?! – ela disparou e ele gemeu, resmungando qualquer coisa e desligando na cara da mulher, sentando-se em seguida no sofá onde dormia na casa de Nick.
Suspirando preguiçosamente, voltou a pescar o celular ao seu lado, piscando quando notou que horas o relógio na tela marcava. Puta merda, eram quase onze da manhã.
- Caralho. – sussurrou, passando a mão pelo rosto e se pondo de pé de uma vez, encontrando os sapatos e os calçando enquanto andava pela casa, procurando o quarto de Nick para acorda-lo. Puta merda, estava muito atrasado. – Nicholas, porra! – chamou ao entrar no quarto do amigo, ligando a luz e jogando a primeira coisa que encontrou na cama, por cima de Nick. Por sorte, fora apenas uma camiseta suja e Nick não se machucou, embora não tenha reagido de qualquer outra forma também e olhou em volta, pensando em pegar as chaves do carro de Nick logo dali ao em vez de perder tempo tentando acordar o garoto, mas era impossível encontrar qualquer coisa naquele quarto e bufou, puxando o travesseiro de debaixo da cabeça de Nick a fim de bater nele. – Nicholas! – reclamou novamente, o sacudindo na cama e Nick gemeu, finalmente abrindo os olhos.
- Porra, , que merda você quer? – perguntou, passando a mão pelo rosto em meio a um bocejo e rolou os olhos.
- Uma carona, pra começar. –falou – Já são onze horas, Bela Adormecida.
Aquilo serviu para acordar Nick, que olhou surpreso para ele, olhando em volta em seguida a fim de encontrar o próprio celular e confirmar o que dizia. Quando o fez, xingou baixo, empurrando as cobertas para se levantar e bateu impaciente em seu ombro.
- Anda logo.
- Vai se fuder, ninguém mandou você quebrar a porra do seu carro. – Nick retrucou, mal-humorado graças a ressaca, fazendo uma careta em seguida enquanto procurava o que vestir. Demorou um pouco para que ele achasse uma camiseta aceitável, o que não foi surpresa para , já que o quarto estava uma verdadeira zona, mas ele fez o seu melhor para não voltar a reclamar, mesmo já batendo o pé, impaciente. Nick rolou os olhos por isso. – Como vai fazer com seu carro, afinal de contas?
- Não sei Nick, dá para andar logo? – retrucou e Nick riu, já esperando por aquilo e finalmente terminou de vestir as calças, pescando as chaves do carro e fazendo sinal para que o seguisse.
- Vem, vamos. – murmurou e o seguiu para fora do quarto, fazendo uma careta quando o celular tocou de novo, o pescando para atender sem nem precisar olhar no identificador para saber de quem se tratava.
- Eu sei, , já estou a caminho. Tive um problema. – resmungou ao atender, batendo em Nick quando ele parou para pescar uma fruta do balcão da cozinha. Nick lhe xingou, embora obviamente estivesse se divertindo com aquilo tudo e deixou que lhe arrastasse para fora da casa de uma vez.
- , Samuel está aqui. – o interrompeu e parou onde estava, sem falar nada de início. Ouvira errado, certo? Devia estar tão obcecado em odiar Samuel que ouvira errado o que acabara de dizer, só podia ser. O que diabos Samuel estaria fazendo na sua empresa?!
- Como é que é, ?! – perguntou por fim, reagindo da única maneira que conseguiu enquanto Nick destravava o carro e acenava para que ele andasse logo. Sem tirar o celular do ouvido, empurrou a porta da casa de Nick atrás de si e seguiu para dentro do carro estacionado ali em frente. – Anda logo. – resmungou para Nick, que assobiava de maneira irritante enquanto esperava fechar a porta para dar a partida. Com um bom humor no mínimo irritante, Nick lhe mostrou o dedo do meio e lhe empurrou para longe, apontando a estrada a fim de fazê-lo ir de uma vez e Nick riu, fazendo o que ele dizia e dando a partida com o carro. – . – chamou, impaciente, quando a garota ficou em silencio do outro lado por tempo demais.
- Já está a caminho?
- Estou saindo da casa do Nick. – respondeu, rolando os olhos quando resmungou algo como ‘’claro que está’’ ou ‘’tinha que ser ele’’ do outro lado. – , foco. O que Samuel está fazendo aí? – Perguntou, impaciente e suspirou do outro lado.
- Ele disse que precisa falar com você, mas , de verdade, tem problemas maiores agora. – a outra disse, mas não deu atenção. Tudo em sua cabeça era Samuel em sua empresa. Odiava a ideia.
- Estou a caminho. – disse simplesmente ao em vez de prolongar mais a conversa com .
- Tudo bem. – ela disse e desligou em seguida, então guardou o celular de volta no bolso e Nick olhou pelo canto do olho para ele.
- Sabe, se ia acordar tão estressadinho, porque não ficou logo lá em casa? Podia ir para a academia comigo. É lá que você sempre acaba quando está assim, de qualquer forma. – provocou e sorriu de maneira irônica para ele.
Nick morava de frente para a academia e, por mais que já houvesse dormido em seu sofá várias vezes depois de noites como a anterior, ele nunca havia realmente passado o dia matando o tempo na casa do amigo. Pelo menos, não desde que não era mais criança.
- Só dirige, Nicholas. – Ordenou e Nick riu, dando de ombros antes de ligar o som e aumentar o volume, fazendo resmungar e jogar a cabeça para trás por sua atitude. Nick apenas riu por isso, ignorando completamente o amigo e seu péssimo humor.
...

Quando o elevador deixou em seu andar, ele viu já na porta do elevador, lhe esperando.
- ! Temos uma lista enorme de coisas para resolver até o final do dia. Precisamos falar sobre aquela situação com as ações do banco, eu tive que cancelar sua reunião das sete, já que você não apareceu e os acionistas não estão felizes...
- Agora não, . – Pediu e a garota bufou, impaciente, porém não lhe deu tempo de reclamar. – Onde está Samuel?
- Na sua sala, mas , isso não é realmente prioridade agora...
- Conversaremos sobre o que é prioridade mais tarde. – retrucou, seguindo em direção a própria sala sem esperar por uma resposta e bufou, mas não pôde impedir o homem de se afastar.
entrou na própria sala e fechou a porta, vendo Samuel observando a vista da cidade, de pé perto da janela. odiou a visão daquele homem em seu local de trabalho, tentando penetrar em cada pequeno pedaço de sua vida como algum tipo de peste impossível de se livrar.
- Já estava me perguntando quando você ia aparecer. – Samuel murmurou, sem virar para encara-lo e enfiou as mãos nos bolsos, enrijecendo onde estava. Odiava aquela sensação de que era de novo um menininho indefeso que lhe invadia toda vez que estava perto daquele homem e fez um enorme esforço para ignorar, não respondendo Samuel até que ele se virasse de frente para ele e continuasse. – Sabe, eu não enriqueci chegando as onze da manhã no trabalho.
- O que está fazendo aqui, Samuel? – lhe perguntou, impaciente, ao em vez de se deixar levar pela provocação do homem, mesmo que aquilo houvesse mesmo instigado a raiva dentro dele, o que, sabia, era mesmo a intenção de Samuel. Samuel não respondeu de imediato e bateu o pé, impaciente. – Se estiver aqui só para admirar a vista da janela, eu sugiro que alugue um quarto de hotel para isso. Tenho mais o que fazer. – resmungou.
- Eu posso? – Samuel perguntou, indicando a cadeira, ignorando completamente suas palavras, e não se moveu para responder, esperando que ele entendesse o que aquilo queria dizer e andasse logo.
Samuel limpou a garganta, tirando as mãos da cadeira e se endireitando, em pé.
- Sei que pensa que te odeio. – falou e esperou pelo resto, sem disposição para comprar uma briga mesmo que aquilo fosse tudo que mais queria na noite anterior quando saiu de casa para ir atrás do homem. Ao não receber uma resposta, Samuel se aprumou, trocando o peso do corpo de um pé para o outro. – A verdade é que eu voltei por você, . Depois do que aconteceu com sua mãe e eu deixei a Inglaterra, eu... Eu voltei por você. Você é meu filho, não importa o que ela fez.
- Importa pra mim. – respondeu por fim, dando um passo em sua direção, sem acreditar que depois de desencadear sua fúria da pior maneira possível na noite anterior Samuel estava ali para falar de sua mãe. Ele podia falar de tudo, mas não daquilo. Não dela. Não quando ele tirou a vida dela. – Vai embora daqui, Samuel.
- Sabe, você é igual a mim. Todo mundo sabe, qualquer um pode ver... – Samuel murmurou, dando a volta na mesa para se aproximar de , que sentia o coração martelar mais forte a cada passo que o homem dava em sua direção, odiando aquilo. Odiando o poder que Samuel tinha sob ele. – Você tenta se enganar , acha que consegue se distanciar de mim me ultrapassando nos negócios ao em vez de assumir o banco que sempre foi seu por direito, que William nunca teria a capacidade de cuidar, mas você é exatamente como eu. Você quer ser o melhor em tudo, o tempo todo. Você tem orgulho de tudo que tem e não liga se isso te faz parecer esnobe. Porque você pode ser esnobe. Pode fazer tudo que quiser porque você tem a porra do direito. Olha onde você está, porra! – Apontou a sala, exemplificando aonde tinha chegando – O que é seu é seu e ninguém mais pode tocar, certo? – sorriu, como se aquele conceito fosse muito familiar e trincou os dentes, fechando as mãos em punho quando Samuel parou a sua frente. – Você acha que é melhor que eu, ?! Acha?! – o homem riu e respirou fundo, abrindo a boca para manda-lo ir embora outra vez, mas Samuel continuou antes que ele pudesse o fazer. – A cada dia você se torna um pouco mais como eu, . Possessivo, sem escrúpulos.... Por que acha que eu matei ela, ?! Por que acha que eu enfiei aquela bala na cabeça dela?! – sorriu de maneira, no mínimo, sombria – Você entende isso, não entende? Ela era minha e eu fiz o que tinha que fazer... – a voz de Samuel morreu quando o punho de atingiu em cheio seu rosto, num murro fatal. O homem cambaleou para trás, mas não se importou, lhe segurando pelo colarinho para traze-lo de volta para perto.
- Ela era minha mãe, seu filho da puta! – gritou, lhe esmurrando de novo em seguida, na boca do estomago e Samuel gemeu, alto, mas sequer notou, lhe atacando com uma joelhada no mesmo lugar antes de empurrar o homem para longe. – Eu nunca vou ser como você, Samuel! Não importa o que diga, porque eu não sou um assassino de merda. Não temos nada em comum. Nem meu sangue é seu, filho da puta. Você não é meu pai. – Chutou o homem antes de segura-lo outra vez pelo colarinho, lhe colocando de pé apenas para prendê-lo contra a parede e Samuel levou as mãos para seus ombros, tentando lhe empurrar para longe, mas foi em vão, já agarrava seu pescoço, enforcando o homem.
- ... – o homem gemeu, perdendo a voz conforme intensificava o aperto, cego pela raiva. Sua visão estava avermelhada e sua pulsação acelerada, ele estava sufocando Samuel, mas sentia como se ele próprio estivesse sufocando, queria gritar e apertou com mais força o pescoço do homem. Estava tão completamente furioso, frustrado e cansado, há tanto tempo, todos os dias de sua vida e a culpa era toda daquele homem. Ali, bem em sua frente, em seus braços. podia fazer o que quisesse com ele agora.
Ele sequer notou que Samuel já deslizara as mãos de seus ombros, sem forças, e perdia a cor, só soltando o homem quando Edward invadiu a sala, lhe puxando para longe de Samuel.
- , ficou louco?! – gritou, chocado enquanto Samuel caia tossindo no chão da sala.
estava fora de si e ofegava contra os braços de Edward, que tentava impedir que ele voltasse a avançar em Samuel, mas não achava que o faria novamente, lentamente parando de lutar para se soltar. ficou encarando Samuel completamente indefeso no chão, tossindo debilmente e se perguntou o que diabos acontecera com ele. Samuel era o assassino, não ele.
- , preciso falar com você. – ao entrar na sala, estava focada no tablete em suas mãos, de forma que não viu a bagunça que se instalara ali, arregalando os olhos ao ergue-los para . – Ah, meu Deus. , não, não, não... – passou a mão pelos cabelos, olhando de para Samuel, sem acreditar que aquilo estava acontecendo. Não podia ser verdade. Samuel havia armado para ele. – Edward, solta ele. – A garota pediu, mas Edward não obedeceu no primeiro instante, sem ter certeza se devia e suspirou.
- Edward, tudo bem. – falou e, cuidadosamente, Edward o soltou, permitindo que se afastasse dele, mas assim que o homem deu um passo à frente, o fez também, se aproximando dele. a encarou e notou que o dia só estava começando e seria longo, muito longo. – O que foi?
- Ele conseguiu, . Samuel tem cinquenta por cento das ações do banco agora. – falou e, como um estalo, entendeu do que aquilo tudo se tratava, virando-se chocado para encarar Samuel, que já estava de pé, sustentando irredutível o olhar de , que balançou a cabeça, desacreditado, enquanto se afastava de , dando a volta na mesa para se sentar em sua cadeira, de repente sentindo a necessidade de buscar algo em que se apoiar. Céus, não dava para acreditar no quão estupido fora. Caíra como um idiota no joguinho de Samuel. Céus.


Continua...



Nota da autora: Cheguei! Tô achando lindo o retorno que a fic tá dando. Fico super ansiosa para postar mais HAHAHA
Espero que tenham gostado do capítulo! Comentem para eu saber!

Contatos:
Twitter | Grupo do Facebook

Outras Fanfics:
A Joong-ki Tale [Dorama/Shortfic]
Cheap Thrills [Originais/Em Andamento]
Dusk till Dawn [KPOP/Shortfic]
Fabulous [One Direction/Em Andamento]
I [GOT] All The Girls on TV [Originais/Em Andamento]
Love à Tróis [One Drection/Em Andamento]
Fabulous [One Direction/Em Andamento]
Once Upon a Time in Hollywood [Originais/Em Andamento]
01. Mind of Mine [Ficstape/Finalizada]
01. Don't Stop Now [Ficstape/Finalizada]
02.Touch [Ficstape/Finalizada]
02.Love Me Like You [Ficstape/Finalizada]
03. Girls do What they Want [Ficstape/Finalizada]
04.Work [Ficstape/Finalizada]
04.Drive [Ficstape/Finalizada]
04.Same Old Love [Ficstape/Finalizada]
05.Sugar [Ficstape/Finalizada]
05.Girls on TV [Ficstape/Finalizada]
05. Side to side [Ficstape/Finalizada]
06.Good For You [Ficstape/Finalizada]
06.Roman Holiday [Ficstape/Finalizada]
07.Intermission:Flower [Ficstape/Finalizada]
07.Rock Me [Ficstape/Finalizada]
08.Change My Mind [Ficstape/Finalizada]
08.Rear View [Ficstape/Finalizada]
08.OMG [Ficstape/Finalizada]
09.Lightning [Ficstape/Finalizada]
09.Stay,Stay,Stay [Ficstape/Finalizada]
12. Solo Para Ti [Ficstape/Finalizada]
14. Bibia Be Ye Ye [Ficstape/Finalizada]
18. FourFiveSeconds [Ficstape/Finalizada]
Mixtape:I Love Rock N Roll [Mixtape Classic Rock/Finalizada]
Mixtape: Its My Life [Mixtape Classic Rock/Finalizada]





comments powered by Disqus




Qualquer erro nessa atualização são apenas meus, portanto para avisos e reclamações somente no e-mail.
Para saber quando essa linda fic vai atualizar, acompanhe aqui.



TODOS OS DIREITOS RESERVADOS AO SITE FANFIC OBSESSION.