Sobre Runas e Magia - A herdeira das sombras


Última atualização: 08/06/2025

Capítulo 1 - A nova serpente


Elara Windsor era tudo o que se esperava de uma herdeira da elite bruxa tradicional, sangue-puro, criada entre tapeçarias ancestrais, salões de mármore e legados.
Seus cabelos eram de um loiro escuro com mechas em tom de ouro, longos, sedosos e ondulados, sempre perfeitamente penteados, seus olhos verde-escuro carregava faíscas de orgulho e prepotência, Elara tinha postura de alguém que sabia exatamente quem era – uma máscara, pois sabia o peso que seu sobrenome carregava no mundo bruxo.
A linhagem Windsor, orgulhosa e antiga, mantinha tradições rígidas e discretas, mas com o súbito desaparecimento de sua mãe e a mudança repentina para Inglaterra deixou a família no foco do Ministério a Magia, onde mais a única herdeira Windsor poderia estudar se não Hogwarts?!
Sua chegada em Hogwarts no quinto ano foi o tipo de acontecimento que não passava despercebido; transferida de Beauxbatons e com sobrenome que tinha, foi motivo de vários burburinhos pelos corredores da escola, uma pessoa não gostou nadinha de não ser mais o centro das atenções, “já não bastava o petulante do Potter”, pensou Malfoy ao escutar uma menina rechonchuda da lufa-lufa comentar com uma amiga que a novata pertencia a família real britânica.
– Senhorita Windsor? – chamou McGonagall, com a postura impecável e um pergaminho nas mãos,
Elara desceu da carruagem de testrálios, criaturas que ela conseguia ver com nitidez, quando seus olhos encontraram os da professora, algo cintilou. McGonagall hesitou, coo se reconhecesse algo – não a garota, mas o peso da magia ancestral que ficava a sua volta como uma aura. – Você será selecionada antes do banquete, siga–me – disse a professora.
Ao entrar no Grande Salão, os olhos de toda Hogwarts se voltaram para ela.
Silêncio.
Ela ergueu o queixo com elegância e caminhou até a frente da mesa dos professores, Severus Snape a olhava com curiosidade.
– Vamos querida– falou Minerva com o chapéu seletor nas mãos e apontou para o banquinho , ela sentou e o objeto foi colocado em sua cabeça.
“Hmm… interessante”
A voz do chapéu vibrou em sua mente.
“Você tem inteligência o suficiente para a Corvinal, coração nobre o bastante para a Grifinória… Mas o que pulsa em você é ambição, e sangue! Velho sangue. Um dom oculto que.. Ah… parece estar em ebulição”
Sonserina!

E assim foi.
Os aplausos da mesa da sonserina foram moderados, nenhum calor, nenhum sorrisinho amigável. Apenas avaliações e reverências silenciosas. Ela não se importava, estava acostumada com olhares avaliadores, mas um par de olhos acinzentados a encarava com intensidade, e com desconfiança.
Draco Malfoy.
Draco viu quando ela entrou no salão. O silêncio que caiu não era comum havia algo nela, algo que lembrava o que o pai dele chamava de “ancestralidade”
Elara Windsor.
O sobrenome ele conhecia, família pura, influente, mas discreta demais, quase envolta em sombras.
Boatos antigos diziam que os Windsor praticavam formas de magia esquecida – rituais e encantamentos selados após a Primeira Guerra Bruxa.
Draco ergueu o queixo.
Ela caminhava como alguém que sabia que o mundo deveria abrir espaço; e então quanto o chapéu gritou “SONSERINA” e ela se sentou ao lado de Cassia Greengrass, Draco murmurou:
– Ótimo. Mais uma princesa com ego inflado.
Blaise zabini riu.
– Está com medo de perder o título de ‘mais puro da sala’, Malfoy?
Draco ignorou e desviou o olhar, caindo diretamente nos olhos verdes de Elara, que o encarou diretamente – pareciam ler através dele – Draco sentiu um desconforto estranho, algo nela perturbava o equilíbrio no mundo, e por Merlin, ele odiava quando alguém o fazia se sentir pequeno.
Mais tarde, no subterrâneo frio e úmido que abrigava os alunos da sonserina, Elara entrou com a postura intacta, conversou brevemente com Cassia, que parecia ser a única ali disposta a quebrar o gelo. Pansy Parkinson lanço olhares tortos e cochichava com algumas meninas ao fundo
Draco cruzou os braços quando ela passou por ele na sala comunal.
– Tem certeza de que não confundiram sua carta de aceitação com a da Beauxbatons? – disse o loiro a encarando, Pansy deu uma gargalhada bem forçada, que pairou pela sala onde todos conversavam em tom baixo, atraindo os olhares.
Elara o encarou de cima a baixo.
– Tem certeza de que não confundiram sua inteligência com a de um trasgo? – Blaise soltou um assobio com a resposta da menina, Cassia apenas sorriu de leve.
Draco ficou em silêncio, a encarando, seus olhos saltavam faíscas.
E ali, nasceu algo.
Elara já conhecia a Família Malfoy, os Windsor sempre conheciam as famílias influentes que possa virar um aliança um dia, vira Lucio Malfoy uma vez num jantar do alto escalão da elite bruxa, que acontecera em sua casa, Lucio babava por onde seu pai, Sanclar Windsor, passava, rendendo elogios e falando sobre o filho, que o seguia como uma sombra, Sanclair odiou o jeito exibido do Sr. Malfoy e não o convidou para o jantar do ano seguinte, o que deixou Lucio bastante irritado.



Capítulo 2 - Sangue antigo não se curva


O salão comunal da sonserina era silencioso, exceto pelo estalar discreto do fogo encantado que dançava em tons esverdeados na lareira central. O teto de pedra brilhavam com pequenas esferas de cristais, parecia com o fundo do lago negro que se estendia logo acima. Elara terminava de arrumar seus livros com movimentos calmos, meticulosos, enquanto o burburinho ao seu redor crescia.
Era o segundo dia desde sua chegada, e já começava a perceber as camadas invisíveis de aliança e disputas dentro da própria casa.
– Você sabe que a mesa do canto é de uso exclusivo de nós, veteranos – disse Pansy Parkinson, a voz melosa escondendo a irritação.
Elara ergueu os olhos, devagar e tediosa
– Que sorte a sua que sou nova, então. Não sabia que precisávamos marcar território como animais.
Cassia que chegou próximo de Elara, soltou uma risadinha abafada, Pansy estreitou os olhos mas não respondeu.
Draco observava de longe, encostado em uma das colunas serpenteadas do salão, fingia esta entretido com um exemplar do Profeta Diário, mas os olhos acinzentados não deixavam de notar o que acontecia ao redor, principalmente nela, que desde que chegou, não fez esforço para se enturmar, mas também não demonstrou o desprezo típico de certos sangues-puros. Seu modo de falar era firme, educado, quase frio.
Draco não sabia o que o irritava mais, sua postura serena ou o fato de que ninguém conseguia deixá-la desconfortável – nem mesmo ele.
Durante as aulas de poções com o professor Snape, Elara rapidamente se destacou.
– Perfeito, senhorita Windsor. – murmurou Snape, inspecionando a poção prateada e uniforme que borbulhava em seu caldeirão.
Pansy revirou os olhos, Blaise murmurou algo do tipo “a nova queridinha do mestre”, Elara respondeu apenas com um sorrisinho de ‘dever cumprido’. Draco não comenta, mas pela primeira vez sentiu… incômodo, e uma pontinha de inveja da garota.
No final do dia, com todos já no salão comunal, Pansy estava de pé, os braços cruzados e o rosto contorcido em ciúmes.
– Ela acha que é melhor que todo mundo, não fala com ninguém, finge ser perfeita e ainda virou a favorita o Snape. – disse a garota alta de cabelos curtos, Draco não respondeu. – Você deveria ficar de olho, Draco – disse ela se aproximando – Essa garota… Ela quer aparecer mais do que você, e isso vai te prejudicar.
Ele largou o livro que fingia ler – Pansy, pare. Você está com ciúmes, isso é patético.
A frase saiu como lâminas para ela, Pansy arregalou os olhos. – Ciúmes? Você está defendendo ela?
– Estou pedindo para que você pare de agir como uma criança mimada. Se ela é boa, paciência, lide com isso. – Respondeu o loiro com a voz entediada e voltando para o livro.
Pansy furiosa, apertou as mão em um punho – Se você não vai fazer nada, eu vou.–
Draco revirou os olhos – Faça o que quiser, só não me envolva nisso,– ralhou o garoto para a menina enquanto ela virava as costas e se afastava em passos pesados.
Elara caminhava sozinha pelos corredores em direção a biblioteca, quando ouviu passos acelerados atrás de si.
Expelliarmus! – bradou Pansy, a varinha em punho e os olhos cheios de fúria.
Mas algo inesperado aconteceu.
A magia ricocheteou no ar como se tivesse batido em uma barreira invisível, lançando Pansy alguns passos para trás. Uma aura esverdeada brilhou brevemente ao redor de Elara, que se assustou com o ataque da colega de casa.
– Você está louca? Isso foi patético. – disse Elara, com cara de desprezo.
Pansy se levantou trêmula, olhando ao redor, esperando ver testemunhas. Não havia ninguém.
Elara deu um passo à frente, a luz da tocha projetando sombras afiadas em seu rosto delicado, quase angelical. – Se tentar de novo, Parkinson, não será o seu feitiço que voltará para você, será o meu.
Com um giro leve, desapareceu nos corredores.
Mais tarde naquela noite Draco estava no alto da torre de Astronomia, olhando para o céu,o vento soprava em seu rosto, mas a mente estava em outro lugar.
Logo após a conversa com Pansy, Draco chama Crabbe e Goyle para uma ronda no corredor, queria esbarrar com Potter pelo castelo e dar uma lição no garoto, mas o que ele encontrou não foi o que esperava, parou de súbito e sentiu os amigos esbarrando em suas costas
– Por que parou, Draco? – pergunta Goyle.
– Shhh… – fez Draco com o dedo indicador nos lábios pedindo silêncio aos garotos, ficaram à espreita, sem saber o que estava acontecendo.
– Voltem para o salão comunal, preciso fazer uma coisa antes – disse Draco aos colegas, que sem questionar voltaram aos seus quartos
Ele tinha visto a cena, não toda,mas o suficiente para ver o feitiço de Pansy fracassar de forma ridiculamente humilhante. E o brilho de proteção ao redor de Elara, ele conhecia aquilo, seu pai já havia mencionado a ele, era magia antiga, proteção de linhagem.
Os Windsor não eram só mais uma família importante, eles eram perigosamente enraizados no mundo bruxo.
‘Por Merlin, o que é você Elara Windsor?!’ – pensou ele com um frio subindo pela espinha.

Capítulo 3 - Um ano sem sombras


Outubro novamente, as folhas alaranjadas caíram pesadas nos jardins de Hogwarts, espalhando o cheiro úmido de um outono bruxo e silencioso. O tempo escorrera como poção espessa desde a chegada de Elara Windsor ao castelo.
Um ano. Um ciclo inteiro de feitiços, jantares no salão principal, rivalidades afiadas e olhares longos demais.
E Draco Malfoy continuava insuportável.
– Você poderia ao menos tentar acertar a pronúncia, Malfoy – disse Elara, atravessando o corredor após a aula de Runas Antigas, os livros empilhados contra o peito – Thurisaz, não turuzas. Parece um elfo de circo.
Draco a seguiu com passos preguiçosos, um sorriso maroto curvando os lábios.
– Adoro quando finge que sabe mais que eu. Tem esse ar de superioridade frustrada…
– Frustrada está a sua capacidade de elaborar uma frase sem soar como um babaca.
– Ah, assim você me magoa, Windson – Respondeu ele, dramaticamente, colocando a mão sobre o peito.
O sorriso dela foi breve, mas genuíno. Como uma lâmina escondida na bainha.
Por baixo das constantes provocações ,havia algo a mais –algo que ambos não admitiam ,não em palavras, mas estava lá, nas faíscas que surgiam toda vez que os olhares se encontravam por mais de três segundos, toda vez quando se aproximavam demais e Elara nunca recuava, toda vez em que discutiam e o ar ficava espesso, carregado de magia e tensão.
Draco sabia, e odiava. Porque ela não era como as outras, Elara era um mistério que se recusava a ser desvendado.
Correspondência Windsor

Na última noite de setembro, uma carta chegou voando em sua direção enquanto terminava de escrever um dever na sala comunal. Era de seu pai. O brasão dos Windsor em alto relevo no pergaminho escurecido.

Elara,
Ainda estamos sem notícias de sua mãe, há rumores vindo do norte sobre
magias proibidas despertando novamente, mas nada concreto.
Você deve continuar os estudos e manter a discrição
A linhagem Windsor sempre resistiu. Faça jus a isso
–S. Windsor


Elara dobrou a carta com as mãos trêmulas, não sabia o que doía mais, a ausência de resposta ou a maneira impessoal da escrita do pai, como se fosse apenas mais uma instrução.
Desde que sua mãe desaparecera, Elara sentia um vazio, mas também… Raiva. Algo ali não fazia sentido, havia segredos escondidos e ela queria muito descobrir, mesmo que isso signifique desobedecer às ordens de seu pai narcisista e manipulador.
Naquela noite, Draco sentiu-se incomodado, rolava de um lado para o outro em sua cama, não suportando mais estar ali, levantou e desceu até a sala comunal, no fim da escada viu Elara na lareira discutindo com o pai, a voz fria dele atravessava as chamas, as mãos dela tremiam, os olhos estavam vermelhos – era a primeira vez que a via abalada, deixando seus sentimentos transparecer.
‘ você é herdeira de um nome Elara, sentimentalismo não interessa, seja discreta sua função é apenas honrar o sobrenome Windsor, não quero escândalos’ – ele sumiu, as chamas diminuíram, ela ficou ali, imóvel olhando somente a fumaça em fogo baixo crepitante, quando notou Draco, virou-se com um olhar duro
– Veio dizer algo?
Draco hesitou.
– Não – respondeu o garoto.
– Ótimo, continue sendo previsível então. – disse Elara frustrada – Vocês com essa coisa de sagrado 28 acham que são bruxos superiores… não se engane Malfoy – ela diz o sobrenome dele com desdém, como Draco costumava se referir aos Wesleys, e isso o deixou incomodado – Se você pensar em contar o que ouviu para alguém, vai descobrir de verdade o que significar ter um sobrenome como o meu. – e saiu andando esbarrando de propósito contra o ombro de Draco, que não se moveu, ficou ali, ainda absorvendo o choque em que sentiu ao toque de Elara, após alguns segundo também subiu de volta para seu quarto, deitou na cama e só conseguia pensar na ameaça daquela princesinha astuta.
Cassia Greengrass, notou quando a amiga entrou no dormitório, com os olhos vermelhos e exaustos, Elara se jogou na cama de barriga para cima e suspirou alto
– Ei, o que aconteceu com você, senhorita inabalável? – questionou Cassia, a amiga.
– Além do meu pai, me tratando como uma criancinha, me deixando no escuro, Draco Malfoy, que fica me tirando do sério, deu para me espionar agora, ele achou que iria me assustar lá em baixo, na lareira, mas sua respiração é pesada demais, nem para ser discreto ele serve. –Disse Elara num tom de voz bastante indignado e irritado, Cassia riu e sentou-se na cama olhando para garota que tinha os olhos fixos no teto do quarto
– Hmm, o Malfoy tem estado te incomodando muito ultimamente hein, Els. Vocês vivem como cães e gatos, se importunando o dia inteiro, vejo também os olhares que você lança para ele, não julgo, ele realmente é um gato – comentou a morena, Elara sentou rapidamente e olhou para a amiga
– Está louca, Cassia? Eu não fico ‘secando’ o Malfoy, só observo porque… ele pode ser… é… perigoso para mim... ele vem de uma família bastante poderosa... – Elara se embolou nas palavras, corou com a suposição de Cassia negando o interesse no garoto.
– Ai amiga,você também vem de uma família poderosa, isso não justifica – o riso da Cassia contagiou Elara – Você já conhecia a família de Draco então, já o viu antes de vir para Hogwarts? – questionou Cassia curiosa em saber mais sobre Elara, que dificilmente falava sobre si.
– Sim! Ele foi num jantar na minha casa durante o verão, acho que ele não me viu, não reparou em mim, estava focado demais em agradar o Sr. Malfoy – respondeu Elara lembrado do jantar que seu pai deu, Draco parecia tenso, nem olhava para o lado – Eu também não fiquei por muito tempo, papai mandou logo eu me retirar pois eram assuntos de ‘adulto’ – Elara revira os olhos ao lembrar que por muitas vezes seu pai a trata como uma criança.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.


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