Te amo, desgraça

Postado em: 30/01/2019
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Capítulo Único

Bebendo vinho, quebrando as taça
Fudendo por toda a casa
Se eu divido o maço, eu te amo, desgraça
Te amo, desgraça


O maço de cigarros aberto no canto da bancada e a taça de cristal espatifada no centro do chão de madeira da sala falava mais sobre o casal do que eles sequer poderiam imaginar. As marcas de unha na cabeceira da cama e o batom vermelho riscado na parede branca também. O vestido rasgado, junto da blusa já sem botões, era quase uma carta aberta ao público. Era o rascunho perfeito do que eles gostavam de ser, carne na carne, pele na pele.
Ela puxou o maço para si e tirou de lá um cigarro que ela sabia que não fumaria inteiro, mas que, depois de uma rodada forte e urgente de sexo, era mais do que bem-vindo, e viu o homem ao seu lado revirar os olhos e soltar um riso baixo, em total descrença.
— O que foi agora, ? — ela questionou enquanto tragava o cigarro aceso nos lábios manchados com o resto do batom vermelho, que ainda resistia, apesar as investidas do noivo.
— Você e essa sua mania de fumar depois do sexo. Apesar de, como atleta, eu achar totalmente errado, você fica extremamente sexy com essa merda entre os dedos. Dá vontade de te puxar para o meu colo para a gente foder de novo. — ele respondeu, arrepiando até o último fio dos longos cabelos que a mulher tinha na cabeça.
— E por que a gente não fode de novo mesmo? — ela rebateu, com a sobrancelha arqueada.
Só havia uma coisa mais sexy para do que nu na sua cama, e essa coisa era nu na sua cama a chamando para foder. Foder no sentido puro e sujo da palavra. No sentido real, dois corpos se chocando, palavras desconexas, agressividade e nem um pingo de paixão. Apenas dois corpos e o desejo sujo de serem um só.
tragou mais uma vez o cigarro e o largou do jeito que estava no móvel, encostado no cinzeiro de cristal – que só Deus sabia como ainda resistia inteiro, se tratando dos dois – antes de puxar os lençóis para longe, sentando no colo do homem, seus corpos em contato, ainda que não estivessem conectados. Ela se movimentou contra o corpo dele e o ouviu suspirar baixo e firme enquanto lhe apertava a cintura fina, deixando uma marca avermelhada no contorno e esbranquiçada no centro, do que eram seus cinco dedos e a palma de sua mão. E era exatamente daquilo que ela gostava, daquela brutalidade, de quando ele perdia o controle nos momentos ideais e de como perdia a pose de controlador quando ela remexia o quadril daquela forma, pressionando seu sexo ao dele. Ela gostava de ouvir os urros que lhe escapavam da garganta, gostava de ver como ele fechava os olhos e mordia os lábios até que os mesmos perdessem a cor e de como apertava o lençol, ainda que ela desejasse que ele apertasse sua pele frágil. Buscou as mãos dele, perdidas no colchão, e as levou até seus seios, que balançavam livres com o movimento, e viu os olhos do mais velho nublarem em desejo enquanto a apertava, de forma a fazer a carne branca avermelhar. Sorriu ladina para ele, lhe piscando um olho, permanecendo com a movimentação dos corpos e vendo-o prender a respiração.
— Isso é muito errado, sabia? Você está mexendo com o que não devia… — ele falou baixinho, pausado, respirando fundo entre um movimento e outro.
— O que você vai fazer comigo? Eu ando sendo uma garota muito má… — ela rebateu, entrando no jogo sujo que eles tinham.
— Sabe o que eu vou fazer com você, ? Primeiro de tudo, eu vou te jogar na cama, porque quem manda nessa porra sou eu. — ele pressionou o maxilar, antes de inverter o jogo e ver o corpo franzino quicar no colchão de molas. — Agora eu vou te colocar de quatro, porque você sabe que não existe posição melhor do que te foder com essa sua bundinha empinada. E eu a quero bem empinadinha.
Enquanto dizia cada uma das palavras, colocava na sua posição, e ela simplesmente aceitava. Não que tivesse outra condição, e seu sexo melado era prova disso, prova do que aquele homem era capaz de fazer com ela.
— Eu disse para empinar a bunda, . — ele ordenou enquanto desferia um tapa ardido contra a carne avantajada da mulher, que foi incapaz de conter o gemido. — Assim que eu gosto. — ele acariciou o lugar que antes havia batido, assim que ela obedeceu ao que ele mandava. — Agora você vai afastar um pouco as pernas e, enquanto eu te fodo e puxo o seu cabelo, você vai ficar quietinha, entendeu?
— Sim, senhor.
Foi tudo o que foi capaz de responder antes de sentir lhe invadir por inteira, sem nem lhe dar oportunidade de se preparar psicologicamente para tal. Mordeu o lábio inferior com bastante força para evitar que o gemido lhe escapasse e sabia perfeitamente que, no dia seguinte, sua boca estaria com o dobro do tamanho original, mas ela não desrespeitaria uma das regras de , não quando ela sabia muito bem a importância delas.
Não eram daqueles casais que fodiam como loucos, amarrados no teto, ou desferindo tapas e coisas do tipo, mas tinham um consenso de que, quando aquela palavra era usada, ordens vinham como parte da oferta e, com ela, vinham também os castigos. E a última ordem que a jovem desrespeitou lhe custou um orgasmo valiosíssimo, algo que ela não abriria mão naquele instante.
Sentiu seu cabelo ser enrolado entre os dedos grandes que o homem tinha e deixou que ele puxasse sua cabeça para trás, enquanto se apoiava precariamente no travesseiro que estava em cima da cama. O movimento ritmado, o som que seus corpos faziam ao se chocar e o odor que exalavam, algo como sexo puro, eram exatamente os motores que ela precisava para rebolar a anca contra o corpo do homem, antes de apertar os músculos da vagina em torno dele, apenas para sentir a pressão em seu cabelo aumentar, ao mesmo passo em que um novo tapa lhe agredia a bunda, tornando-se quase impossível controlar o gemido que, por muito pouco, não lhe escapou.
O barulho que veio a seguir em nada tinha a ver com os corpos unidos pelo desejo da carne, mas, sim, com o estrado da cama, que, de tanto que fora testado, acabou cedendo, levando os corpos embolados a afundarem no meio da cama. Não que eles se importassem, não seria a primeira cama quebrada, afinal. E também não seria a primeira vez que transavam em meio ao caos que se formava. Quem se importaria com a porra do estrado da cama, quando lhe fodia tão deliciosamente forte, naquele ritmo que ela tanto gostava?

Quebramos outro colchão
Foda-se, transa no chão
Até que a morte nos separe ou então a prisão


Ela sentiu que o fim estava próximo quando ele lhe puxou pelos cabelos com mais força, fazendo o corpo dela colar no seu, antes de levar a mão à sua garganta e deixando ali uma pressão enlouquecedora. E foi naquele instante, enquanto ele lhe dizia sacanagens como o tanto que ela era apertadinha e se encaixava bem ao pau dele, ou como ela ficava deliciosa rebolando a bunda para que ele lhe fodesse ainda mais fundo, que ela se deixou desmanchar sobre ele, apenas para senti-lo estocar mais forte uma última vez, antes que o líquido morno dele a preenchesse. Ele ainda investiu contra ela mais algumas vezes, bem mais lento do que antes, porque sabia o quão delicioso era prolongar o prazer que ela sentia pós-orgasmo, e ela se permitiu gemer uma única vez, sabendo que, naquele momento, aquilo lhe era permitido. podia adorar dar ordens, mas nada o deixava mais satisfeito que um gemido bem dado, como o que havia acabado de soltar, a prova de que o orgasmo fora fodidamente bom.
Eles ainda permaneceram naquela posição pelo que lhes pareceu uma eternidade, antes de olharem em volta e soltarem juntos uma risada alta, que dissipou completamente a nuvem de prazer que os rodeava.
— Não acredito que perdi mais uma cama… — disse enquanto se esticava para pegar o resto que havia sobrado do cigarro.
— Desse jeito, vou precisar procurar uma empresa de mobiliário para ser minha patrocinadora. O dinheiro que nós já gastamos comprando estrado de cama… — respondeu, deixando que uma risada farta escapasse com aquela constatação.
— A gente precisa aprender a transar no chão, sério… — ela contornou o assunto, com um olhar sugestivo.
— Você não pode estar falando sério, não é? — o noivo lhe olhou, incrédulo.
— O quê? Não tô dizendo para a gente transar agora, hombre. Eu te dou os seus tão adorados minutos de descanso enquanto procuro alguma cama nova na internet… — ela respondeu, risonha, tragando mais uma vez o cigarro e procurando o celular no móvel ao lado da cama.
— Procura alguma com estrado de ferro à prova das nossas fodas… — ele comentou, fazendo-a gargalhar.
— Sim, senhor fodedor com força.
— Até parece que você não gosta...
— Se for para transar, eu faço isso sozinha. De você, eu quero mesmo é uma foda bruta. — ela lhe encarou por sobre os cílios, com o cigarro preso entre os dentes, lhe parecendo tentadoramente sexy.
— Você não existe, . Você só pode ser uma invenção da minha mente pervertida mesmo. — lhe encarou incrédulo e terrivelmente embasbacado.
— Achei que você já tivesse se acostumado, amorcito. — ela lhe piscou um olho, sacana, antes de iniciar a pesquisa no celular.
E nunca, em todos os anos tão bem vividos por , ele imaginou que se perderia tão fácil na curva de uma mulher. Mas aquela era , sua , e ela lhe parecia terrivelmente certa, todos os dias. Seja para amar, ou simplesmente para foder.
Aquela mulher, de lábios carmim, cigarro pendente entre os dentes, dedos longos assim como os cabelos, um corpo escultural e dona da fenda mais úmida que ele já conheceu. Aquela mulher que quebrava taças e que gostava de foder em qualquer lugar. No banco de trás do carro, no banheiro escuro do bar, no chuveiro ou no meio do caos de uma cama quebrada. Aquela mulher era a própria definição de caos. Um inferno particular.
E que se foda, ele passaria o resto dos dias mergulhado naquela fenda úmida se fosse preciso. Porque foder com ela era uma religião, e ele não se importa de passar o resto de seus dias de joelho, se aquilo a fizesse feliz.

Minha preta é rainha
Por isso eu não perco o trono
Minha preta é minha
E eu não perco o sono
Oral na minha mulher é minha oração


Fim



Nota da autora: Oi gente linda, tudo bom?
E não é que eu, que um dia fui conhecida como “rainha das restritas” pelas minhas amigas, devido a ENORME quantidade de cenas/fics com esse teor que eu escrevia, finalmente rompi uma barreira que já estava me enlouquecendo? Fazia MUITO tempo que eu não escrevia uma restrita, tipo muito mesmo (acho que, se não for exagero, desde que eu interrompi a minha long, nunca mais escrevi uma cena restrita), mas eu finalmente criei coragem, e deixei essa história ver a luz do dia… Mas também, com essa música, COMO NÃO ESCREVER UMA RESTRITA DE RESPEITO NÉ?! HAHAHAHAHAHA
Espero que vocês não tenham se ofendido com o conteúdo da história e que tenham gostado de ler, o mesmo tanto que eu gostei de escrever… SERGIO RAMOS ENLOUQUECE TODO MUNDO MESMO! (se você não leu com ele, faça um favor a si mesma, atualize a página e leia, você não vai se arrepender!)
Bom, caso queiram conversar, falar sobre a fic, ou, simplesmente, divulgar algo que vocês escrevam, é só me mandar nas redes sociais aí embaixo. Vou ficar muito honrada com o retorno!
Vejo vocês na próxima!
Um beijo, um queijo e um cheiro,
Ju ❤

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