Tentada

Última atualização: 21/07/2019

One.

Observei a chuva que caia lá fora, enquanto esperava Jared chegar do trabalho, eu tinha preparado o prato favorito dele, eu gostava de agrada-lo. Jared era um bom homem e um bom marido estávamos juntos há dez anos, nós sempre tivemos um bom relacionamento, eu o amava muito e sabia que ele também sentia o mesmo apesar de não demonstrar muito. Ouvi o barulho da porta quando ele a abriu, Jared tirou o casaco deixando-o juntamente com a pasta preta no sofá.
- Oi – cumprimentou. Andei até ele me pondo nas pontas dos pés para lhe dar um selinho.
- Oi amor, como foi seu dia? – perguntei, eu gostava de ser atenciosa com ele.
- Foi péssimo – respondeu fazendo carinho nas minhas costas, mas logo me afastou.
- O que houve? – o segui até o quarto.
- Harris decidiu umas coisas de última hora e enlouqueceu todo mundo – explicou sentando-se na cama, subi na mesma colocando-me atrás dele, apertei seus ombros começando uma massagem.
- Você precisa relaxar, Jary– murmurei, beijei seu pescoço devagar.
- Preciso mesmo – concordou. – De um banho e uma boa noite de sono – completou, Jared se levantou sem cerimônia me deixando atônita, vi meu marido pegar a toalha e entrar no banheiro.
Bufei frustrada, balancei a cabeça negativamente e me levantei.
- O jantar já está pronto – gritei antes de sair do quarto. A campainha tocou de repente me dando um pequeno susto, caminhei até a porta e a abri encontrando um rapaz parado com um sorriso gentil nos lábios.
- Oi, boa noite – ele disse.
- Boa noite – sorri e esperei que ele continuasse, ele pigarreou antes de continuar.
- Eu me chamo , me mudei para o apartamento vinte e dois há alguns dias – contou. Mordi o lábio tentando buscar na mente se tinha notado algo diferente nos últimos dias, mas não estava conseguindo.
- Muito prazer – ofereci minha mão direita para um cumprimento. – Sou apertou minha mão com firmeza.
- O prazer é meu – ele ficou me olhando por alguns segundos, me analisando.
- Então, em que posso te ajudar, ? – perguntei incomodada com aquele olhar, cruzei os braços e o encarei.
- Sim – ele piscou algumas vezes. – Será que você teria o número de algum restaurante? – indagou, franzi as sobrancelhas. – É que com essa coisa de mudança ainda não tive tempo de fazer compras – explicou.
- Ah claro, acho que eu tenho sim – assenti.
- Oi, boa noite – a voz de Jared soou atrás de mim. Vi levantar os olhos para o meu marido.
- Ah, Jared esse é nosso novo vizinho – mostrei virando-me de lado. – esse é Jared, meu marido – apresentei-os, vi ambos se cumprimentarem e aproveitei para ir até a cozinha pegar o folheto com o número do restaurante da esquina, quando voltei, os dois conversavam, Jared riu concordando com algo que tinha dito. – Pronto, aqui está – entreguei a ele seus dedos tocaram minha mão. – Esse restaurante fica na esquina, a comida é boa – falei. avaliou o folheto e assentiu voltando a me olhar.
- Certo, obrigado. Pelo menos não vou morrer de fome – brincou, Jared riu ao meu lado. – Obrigado e foi um prazer conhecê-los – acenou e rapidamente se afastou. Fechei a porta.
- Ele parece ser um cara legal – Jared comentou, indo sentar-se à mesa.
- Sim – assenti.
- Então, o que cozinhou hoje? – perguntou mudando de assunto.
- Seu prato favorito – respondi. – Vou pegar e já volto – avisei, mas fui até a cozinha tirei a travessa do forno levando até meu marido. – Prontinho – falei colocando a travessa de macarrão com queijo sobre a mesa, Jared sorriu esfregando uma mão na outra, servi um pouco a ele.
- Está ótimo, eu amo macarrão com queijo – murmurou me fazendo rir. Servi para mim também sentando-me ao seu lado.
Conversamos sobre o que tinha acontecido no escritório enquanto jantávamos, quando terminamos, lavei a louça enquanto Jared vi um pouco de TV, depois me juntei a ele e ficamos ali por alguns minutos e depois fomos nos deitar. Tomei um banho rápido antes de me deitar, estava pensando em ter uma noite agradável com Jary então resolvi vesti minha melhor camisola, uma que eu tinha comprado há poucos dias, hidratei o corpo com um óleo cheiroso e deixei os cabelos soltos, quando voltei ao quarto, meu marido mexia em algo no celular.
- Alguma coisa errada? – perguntei ao ouvi-lo bufar enquanto digitava.
- Harris vai me deixar louco – respondeu. Jar desistiu do aparelho deixando o mesmo sobre o criado mudo, ajeitou na cama, continuei parada ao lado da cama esperando que ele prestasse atenção. – Que cheiro doce é esse? – indagou franzindo o cenho.
- É o meu óleo novo – falei.
- E por que passou isso agora? – insistiu finalmente me olhando, mas foi como se não estivesse vendo nada. – Esse cheiro é irritante sabia? – resmungou embrenhando-se no cobertor e desligando o abajur. Fiquei alguns longos segundos parada observando meu marido embolado na coberta, parte de mim frustrada e a outra magoada por ele não ter tido nem um pouco de sensibilidade e ter pelo menos elogiado a camisola, qual era o problema dele? Aquela droga de óleo tinha custado caro. Sem ter muitas opções, decidi me deitar e tentar dormir já que era a minha única opção.


Jared já tinha saído para o escritório bem cedo como sempre, eu já estava quase atrasada para ir trabalhar, tranquei a porta e andei até o elevador agradecendo aos céus por ele estar parado no meu andar, entrei e apertei o botão da garagem. As portas de ferro estavam quase se fechando quando o meu novo vizinho passou por elas, ele usava moletom preto, tênis da mesma cor e trazia em uma das mãos uma garrafa de água.
- Bom dia vizinha – desejou sorridente.
- Bom dia – o cumprimentei.
- Está indo para o trabalho? – perguntou, encostou as costas na parede.
- Sim, já estou quase atrasada na verdade – respondi. Ele riu baixo. – E você está indo trabalhar?
- Não. Estou indo me exercitar um pouco – disse, e quase que no mesmo instante avaliei seu corpo coberto pelo moletom, nada que pudesse me responder algo. – Tenho que manter a forma ou perco meu emprego – continuou, franzi o cenho confusa. – Eu sou modelo – explicou ao notar a confusão em meu rosto.
- Ah sim – assenti rindo. – Então temos um famoso por aqui? – brinquei.
Então foi ele quem riu negando.
- Não. Ainda não – cruzou os braços. Me peguei avaliando-o novamente. – A propósito, com todo o respeito é claro, a senhora está muito bonita – disse, senti minhas bochechas queimarem então abaixei a cabeça.
- Obrigada – murmurei evitando seus olhos.
- Azul lhe cai muito bem – continuou, voltei a olha-lo sorrindo em agradecimento. Eu tinha comprado aquele vestido azul há alguns dias e já era a segunda vez que eu o usava e ainda não tinha recebido nenhum elogio de Jared. Finalmente o elevador parou e as portas se abriram me dando a possibilidade de fugir dali, mas para a minha sorte ou azar, meu novo vizinho caminhou comigo pelo estacionamento, por ironia, o carro dele estava estacionado a duas vagas de distância do meu. – Tenha um ótimo dia, – desejou antes de entrar em seu sedan preto, acenei lhe desejando também um bom dia e entrei no meu podendo finalmente respirar fundo.


O casal diante de mim parecia um tanto indeciso em relação a casa que eu mostrei a eles, a casa era linda e eu não culpava os dois pela indecisão, apesar de ser linda, ela custava caro demais. Eu gostava de trabalhar como corretora de imóveis, não era um trabalho cansativo pelo menos não na maior parte do tempo, a parte trabalhosa era fazer o cliente comprar ou alugar o que na maioria das vezes eu conseguia fechar negócio.
- Então? – perguntei me aproximando outra vez deles com o celular na mão e uma pasta na outra.
- A casa é linda – Cassidy quem respondeu, ela olhava os detalhes da casa.
- Mas? – arqueei as sobrancelhas fazendo a morena rir e morder o lábio em seguida.
- Mas, o preço está alto – confessou.
- Eu entendo – assenti olhando dela para o marido. – Olha por que vocês não pensam com calma e depois nós voltamos a conversar, talvez até possamos negociar, o que acham? – sugeri e vi os olhos da morena brilharem, ela tinha amado a casa e se eu estivesse certa, eles ficariam com ela sim.
- Tudo bem, – Louis concordou. – Nós adoramos esse lugar, é perfeito para as nossas crianças – continuou, sorri apertando a pasta contra meu peito.
- Tudo bem então, nós vamos nos falando – apertei a mão de cada um e então saímos da casa e depois de trancar a mesma, fui para o meu carro quando meu celular começou a tocar e o nome de Lucy apareceu na tela. – Diga – falei, entrei no carro jogando a pasta no banco do passageiro.
- Oi – ela disse animada do outro lado.
- Oi – eu ri dela, Lucy e eu erámos amigas desde a faculdade. – O que aconteceu? – perguntei.
- Nada, estou ligando para perguntar se ainda está de pé a nossa reunião de hoje – respondeu.
Mordi o lábio agradecendo por ela não estar ali na minha frente, eu tinha me esquecido completamente da reunião, nós tínhamos um clube do livro, éramos Lucy, Yasmine, Débora e eu, todas amigas de faculdade, no início eram somente reuniões para discutir sobre o livro que tínhamos escolhido, mas depois passou a ser reuniões entre amigas mesmo e nós falávamos de tudo, as vezes rolava até algumas confissões como quando Yasmine contou a nós três que tinha traído o noivo com o primo dele ou quando Lucy confessou que colocou remédio no suco da sogra para que dormisse e a deixasse ter uma noite selvagem – segundo ela – com Lenon. Hoje a reunião seria na minha casa e eu não tinha preparado nada e agora precisava tirar Jared de casa e passar no supermercado.
- Ah claro que sim. Só preciso dispensar Jared para algum lugar- falei.
- Não se preocupe, hoje é dia de futebol e acho que Lenon e Peter vão para algum bar assistir, vou falar com Lenon – disse, me fazendo respirar aliviada.
- Ok então, até mais tarde – murmurei.
- Sim, não esqueça do vinho – lembrou.
- Sim senhora - rindo dela, concordei e então finalizei a ligação dando partida no meu carro indo e em direção ao supermercado.


Ajeitei as sacolas do jeito que consegui e fechei a porta do carro, andei até o elevador e com muita dificuldade, consegui apertar o botão, eu tinha exagerado na quantidade de coisas que comprei para hoje à noite. As portas se abriram e não demorei a entrar, apertei o botão do meu andar e rezei para ninguém chamar o elevador até eu chegar ao meu andar, as sacolas estavam pesadas, mas é claro que minhas preces não foram ouvidas e antes de chegar ao primeiro andar o elevador parou e as portas se abriram, sorriu ao me ver ali dentro e sem demora entrou.
- Como vai, ? – cumprimentou educado.
- Bem – murmurei tentando não deixar nada cair.
- Deixe que te ajudo – decidiu tirando algumas sacolas de mim sem me dar tempo de pensar ou agir.
- Ai , obrigada – suspirei. – Eu estava quase morrendo aqui – brinquei rindo.
- Então acho que eu te salvei – rebateu rindo também.
- Ah sim – concordei. – Então, já conseguiu fazer suas compras? – perguntei puxando assunto.
- Ainda não – respondeu. – Hoje será mais uma noite em que vou pedir no restaurante – continuou. me ajudou a colocar as sacolas na cozinha mesmo eu dizendo a ele que não precisava, mas ele insistiu. – Muito obrigada pela ajuda – sorri.
- Disponha – piscou para mim.
- Certo, você aceita alguma coisa, um suco, água, café? – perguntei. mordeu o lábio me observando, ele tinha uma mania de fazer aquilo.
- Se você puder me dar um pouco d’agua, eu agradeço – respondeu. Assenti alcancei um copo no armário e enchi com agua gelada da geladeira e o entreguei, aproveitei para ajeitar as compras, coloquei as garrafas de vinho na geladeira. – Você gosta de vinho? – ele voltou a falar depois de alguns poucos minutos em silêncio.
- Um pouco – assenti. – Na verdade, eu só bebo mesmo em algumas ocasiões, algumas amigas virão até aqui e o vinho não pode faltar – expliquei, vendo-o coçar o queixo ao deixar o copo vazio sobre o meu balcão.
- Noite das garotas? – indagou divertido.
- Mais ou menos isso – sorri. – Na verdade, era para ser clube do livro, mas quando se tem mulheres juntas – comentei, me abaixei para guardar algumas coisas na despensa.
- Sei – concordou baixo, me levantei voltando a olhá-lo. – Bom, eu vou indo não quero te atrapalhar – disse, o segui até a porta abrindo a mesma.
- Mais uma vez, muito obrigada pela ajuda – me apoiei no batente.
- Sem problemas, – piscou outra vez, antes de seguir até o seu próprio apartamento, por algum motivo estranho, esperei que ele fechasse a porta dele antes de entrar e fechar a minha, respirei fundo apoiando as mãos na cintura antes de voltar para a cozinha e começar a preparar tudo para a noite e eu realmente não sabia por onde começar, eu já até tinha me desacostumado com essas reuniões em casa, elas ultimamente sempre aconteciam na casa ou de Débora ou de Yasmine, algumas raras vezes na casa de Lucy, mas apesar disso eu iria adorar ter as garotas em casa e poder desabafar um pouco.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Nota de beta: Que começo instigante. Adorei conhecer esse trio, embora o Jared tenha me deixado meio com a pulga atrás da orelha... Quero saber o que vai acontecer nessa noite das garotas. O capítulo está maravilhoso Anna.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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