The ABC To Falling In Love

Última atualização: 03/08/2018

Capítulo 1

Amor. É superestimado, estúpido, fútil, imprestável, burro e... inevitável. Ou poderia ser evitado, talvez.
Engraçado que eu tinha todo esse planejamento desde meus doze anos de idade; me lembro da primeira vez que descobri esse monte de histórias escritas por adolescentes - como eu - baseadas em seus maiores ídolos, histórias que se passavam em outros países e com infinitas possibilidades. Mas eu já não sou mais uma adolescente, eu não tenho mais vários sonhos e é como se o tempo estivesse correndo contra minha vida toda.
Honestamente? Nunca imaginei que estaria aqui digitando tudo isso às três da manhã, mas eu não posso evitar, tenho que colocar tudo para fora. As caixas perto da porta da frente, o vazio em um dos lados do armário, o silêncio inesperado. Estou com 30 anos; e estou de volta à estaca zero.

12 anos.

Acho que nenhuma adolescente acorda e pensa: nossa, minha vida é perfeita. Não importa o quão maravilhosa sua vida seja, ela não é perfeita; mas eu era ganhadora vitalícia na loteria do azar.
Doze anos. Com doze anos, você está prestes a entrar na adolescência, se a vida está ruim, ela parece muito pior. Mas, ao mesmo tempo, há muita esperança de que as coisas vão mudar. Se você é a nerd deslocada, talvez algum milagre aconteça e você se torne a sensação da escola no ano seguinte. Vou dar um pequeno spoiler e dizer que eu não me tornei a sensação da escola em nenhum momento da minha adolescência.

Estava me arrumando para ir para escola, que não era distante da minha casa, então em poucos minutos caminhando estaria lá, quando escutei um barulho na janela. PLEC. E de novo. PLEC. Caminhei até a janela e vi aquele monte de cabelos castanhos se bagunçando ao vento. sorria enquanto continuava a jogar pequenas pedrinhas em minha janela.
- Que tipo de filme você tem assistido, ? - sorri ao desviar de uma das pedrinhas que continuava a jogar mesmo vendo a janela aberta.
- , achava que esse daqui era seu sonho - ele parou de jogar as pedrinhas e sinalizou para que eu descesse.
Eu tenho certeza que ele sabia, mas com treze anos de idade duvido que se importava. era meu melhor amigo: engraçado, inteligente, criativo, bonito, e o amor da minha vida. Ele sabia o quanto eu amava filmes e livros de romance, então sempre que tinha a oportunidade recriava algumas das minhas cenas - toscas, segundo ele - preferidas. Eu me apaixonava cada vez mais, todos os dias ele fazia algo que me encantava, era... inevitável. Mas, acredite em mim, tudo piora.
- Eu tenho uma ideia genial para o dia de hoje - ele começou a falar e eu já sabia que aquilo resultaria em um péssimo final do dia. - Você sabe o que eu descobri?
Acenei com a cabeça para que ele continuasse. Sabia que algo incrível estava para vir, afinal: era incrível; mas, ao mesmo tempo, enquanto caminhávamos até a escola, me perguntava o que ele estava fazendo ali comigo.
Veja bem, nós estudávamos em uma escola pública na periferia de São Paulo. Eu me encaixava perfeitamente ali: classe média baixa, mãe divorciada, moradora de prédio sem segurança ou porteiro, pai ausente. Mas ? Pais ainda casados, expatriados, certamente não era classe média; os pais de dirigiam até minha casa todos os dias para deixá-lo caminhar até a escola comigo, eu não lembrava nem quando foi a última vez que dividi o elevador com minha mãe logo pela manhã. sempre me dizia que os pais dele optaram por deixá-lo ir para uma escola pública para que ele aprendesse o valor do dinheiro, conhecendo quem ele era eu tinha certeza que ele provavelmente tinha explodido alguma privada na antiga escola e nenhuma outra iria aceitá-lo.
- Então esse estudo faria com que qualquer casal se apaixonasse profundamente - terminou de contar sobre o artigo que tinha lido na noite anterior e esperou que eu reagisse. - , você escutou o que eu disse?
- O que você quer que eu diga? - ri. - Você realmente acha que duas pessoas aleatórias podem se apaixonar se seguirem um manual que você achou na internet?
- A gente pode testar - sugeriu levemente.
Pausei. Na verdade, eu não sei dizer se ficamos em silêncio por segundos, minutos ou horas. Eu realmente não me lembro dos detalhes dessa conversa, tanto que mal lembro como era o artigo que ele descreveu, mas eu me lembro dessa proposta muito bem: nós podemos tentar nos apaixonar.
- , para de graça, temos que entrar na escola - apontei para o portão e continuei andando rápido até que senti meu pulso sendo segurado e parei completamente. - O que é?
- - ele me puxou para mais perto. - Meus pais vão embora do Brasil, sabe o que isso significa? - eu conseguia ver as lágrimas prestes a cair. - Você não quer saber como é sentir que alguém te ama de volta? - mal percebia as minhas lágrimas começando a cair.
Ele sabia.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

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