The Dark Side In You

Última atualização: 03/05/2020

Capítulo 1

- ! , pare! Você vai matá-lo! - minha mãe chorava enquanto uma névoa escura se libertava de minhas mãos e do meu corpo, fazendo o meu padrasto se contorcer pela dor em nosso chão amadeirado.
- Mamãe, ele estava machucando você! Machucando a nós todos esses anos! Ele merece isso! - eu disse mantendo meus olhos nele, vendo seu corpo ser coberto pela escuridão enquanto ele gritava.
Eu estava fazendo aquilo de propósito, mas eu não conseguia parar. Uma vez que a escuridão preenchia todo o meu corpo, é como se eu não estivesse no controle das minhas ações mais. Ela consome a vida da pessoa, me faz crescer mais forte. Eu não sou um ser ruim, eu não quero fazer mal a ninguém, mas ele... nos machucou por tanto tempo e fazer isso me traz uma sensação tão boa.
- , saia! Saia da minha casa agora! - mamãe gritava enquanto jogava objetos na minha direção.
Eu olhei para ela e não conseguia acreditar nas coisas que dizia para mim.
Ela estava negando a própria filha para proteger um qualquer? Um estranho? Minhas mãos se fecharam e toda a névoa escura voltou para o meu corpo, me dando arrepios como sempre ocorria. E Trent, meu padrasto, permaneceu no chão inconsciente por conta de meus atos.
- Mãe, eu não entendo. Eu sou sua filha, eu sou sua . - Lágrimas enchiam meus olhos e o cansaço me fez ir de encontro ao chão - Como você pode fazer isso comigo?
Ela correu até a porta e a abriu, começando a gritar novamente.
- Vá embora, vá embora agora! Você não é minha filha, você é um demônio, uma aberração! - ela continuou - Você é a razão da morte do seu pai. Eu te odeio!
Eu não conseguia me mexer, não conseguia levantar do chão. Meu corpo parecia ser esfaqueado por suas palavras, fazendo com que meu coração batesse de forma desregular em meu peito, e minhas lágrimas escorressem livremente inundando meu rosto. Eu não conseguia mais impedir, tudo dentro de mim queria se libertar, precisava sair. Antes que eu pudesse evitar, um grito ecoou de dentro de mim.
O apartamento em que morávamos ficou completamente encoberto pela escuridão; as janelas foram se quebrando uma a uma, fazendo com que o vidro cobrisse todo o chão da nossa sala de estar e toda minha energia foi drenada do meu corpo. No momento em que consegui olhar para baixo, ali estava ela.
Minha mãe, sem vida no chão.



Minha cabeça doía ao acordar do mesmo sonho estranho e perturbador. Por que ele sempre me incomoda tanto se eu nem vivo com a minha mãe, e sim com meu tio Nick? E como consegui esses poderes? Até onde sei, eu não trabalho com os Vingadores ou luto contra eles baseado na vilã que eu era nesse sonho.
Minha mãe me abandonou quando eu tinha 9 anos, nunca me deixando entender o porquê. Já que meu tio era o meu único parente vivo e que morava em Nova York, fui enviada para ele, e desde então dividimos esse pequeno e confortável apartamento.
Entretanto, ele é um homem extremamente ocupado, atendendo telefonemas, indo a reuniões e viajando com a companhia frequentemente. Pelo menos até agora nessa semana, não apareceu nenhuma situação que o tirasse de casa às pressas. Assim, devido a essa constante ausência, a casa fica vazia com frequência, apenas com a presença do nosso enorme e laranja gato Sebastian, já que todos os dias sou obrigada a ir para a Midtown School of Science and Technology. A escola para alunos extremamente inteligentes que passam boa parte da vida fazendo dever de casa e assistindo Star Wars.
Me levantei da cama e me vesti com meu casaco azul favorito, meu jeans preto e meus tênis brancos que combinavam com os detalhes do casaco. Coloquei meus cabelos em um rabo de cavalo como uma forma de controlá-los e inconscientemente fiz uma careta ao ver meu reflexo no espelho. Meu Deus, eu preciso usar maquiagem com mais frequência, eu estava parecendo um zumbi.
- Nick, estou indo para aula! - Gritei saindo do quarto, por não saber em que cômodo da casa ele se encontrava.
Percebi que ele já estava na bancada, sentado, tomando sua usual xícara de café e lendo seu jornal. Ele olhou para mim e se levantou da cadeira indo em direção a cozinha.
- Tudo bem, . Só não esqueça de tomar os seus remédios. - Ele disse me entregando a cartela e um copo de água. - E sua mochila, senhorita.
Ele riu e eu peguei a mochila que deixei no chão da sala na tarde anterior. Sou extremamente desorganizada.
- Deus, me lembra novamente o porquê de eu ter que tomar essas pílulas gigantes todos os dias? - Falei parecendo uma criança birrenta.
Ele olhou para mim com a expressão de "Nós vamos mesmo ter essa conversa de novo?" e eu suspirei em derrota.
- Eu sei, eu sei. Problema no coração. Remédios ou morte.
Eu estiquei minha língua, fazendo uma cena completamente desnecessária que o fez gargalhar, e finalmente tomei o remédio.
- Sabe, acho que vou fazer uma ligação pros produtores de Los Angeles. Eles estão realmente perdendo uma atriz incrível.
Ele disse e eu gargalhei brevemente, porque uma coisa permanecia em minha cabeça... ele merecia saber dos pesadelos que me acompanhavam, nunca mencionei o problema a ele, mas os sonhos me assustavam, eram estritamente os mesmos sempre. E entre mim e o Nick nunca houve nenhum segredo. Falávamos um para o outro sobre todas as coisas, sempre foi assim. Eu e ele contra o mundo.
- Tio Nick, posso te falar uma coisa? – Perguntei ficando mais séria.
- Sempre. O que houve? - Nick perguntou demasiadamente preocupado, voltando a se sentar para me ouvir.
- Nada demais, eu acho. É só que ando tendo o mesmo sonho várias e várias vezes. Eu machucando minha mãe e um cara que eu chamo de padrasto... – Falei balançando a cabeça, percebendo o quão estúpido soava - Esquece, é bobeira minha.
- Acho que suas visitas a geladeira durante a madrugada não têm te feito muito bem. - Ele disse rindo um pouco - Anda, não se preocupe com isso. Se preocupe apenas em chegar na escola porque você está atrasada.
Ele provavelmente estava certo, não havia motivo para eu ficar realmente preocupada.
Acenei para ele, fazendo uma cara de brava completamente falsa, e deixei nossa confortável casa.
Minha escola era perto do nosso apartamento, então era possível e extremamente fácil andar até lá, e eu realmente gostava de caminhar pelas ruas de Nova York. Mesmo o trânsito sendo caótico e as pessoas estando sempre com uma pressa interminável, os prédios, os outdoors e as árvores sempre chamaram minha atenção e deram vida às minhas caminhadas matinais.
E também, quanto mais tempo eu passava caminhando, menos tempo eu precisava esperar no colégio para minhas aulas começarem. Odiava aquele lugar. Quando meu tio me convenceu a ir para essa escola de alunos que se destacavam, eu pensei comigo mesma "Ótimo, mais estranhos como eu, vamos fazer alguns amigos!". Bom, não foi exatamente isso que aconteceu. A única pessoa que trocou duas palavras comigo foi uma garota chamada Michelle, mas ela me assusta um pouco então mantenho distância. O resto? Bom, eles fazem piadas por eu estar cansada e dormir em quase todas as aulas sempre e mesmo assim continuar uma das primeiras de toda a classe.
A estrutura do Midtown School apareceu depois da usual caminhada de 15 minutos, mostrando o ultrapassado logo do colégio e a bandeira dos Estados Unidos erguida no alto. Respirei fundo antes de adentrar ao lugar cheio de alunos, e no momento em que pisei na entrada o sinal tocou. Perfeito, já estava na hora.
Comecei a caminhar com rapidez em direção a aula, realmente não me importando caso eu esbarrasse por acidente em alguém pelo caminho, enquanto ouvia no fundo, sem dar a devida atenção, a voz dos alunos que eram responsáveis pelas notícias semanais ecoando pelos corredores.
Sem explicações, as vozes deles e das demais pessoas começaram a desaparecer abruptamente e uma tontura invadiu meu corpo, fazendo minha visão ficar completamente turva e minha cabeça começar a doer fortemente. Muito, muito forte.
- Você é um demônio, uma aberração! - Eu ouvi uma voz dizer.
O que estava acontecendo? Eu não tinha mais noção de nada mais a minha volta, como se de repente eu tivesse sido realocada para um lugar diferente.
- Vai embora! Vai embora agora! - Finalmente reconheci a voz como a mesma dos meus sonhos.
Coloquei minhas mãos na minha cabeça, tentando de alguma forma me livrar da dor e das vozes que me atormentavam, mas ficava cada vez pior. Me encostei em um aparente armário do corredor, tentando suportar o peso do meu corpo para não cair, continuando com a respiração ofegante e pesada, até ouvir o passo de alguém e minha direção.
- ? você está bem? - Procurei ao meu redor para ver se a voz era apenas uma alucinação mais uma vez, mas na verdade era do Peter. Peter Parker, meu parceiro das aulas de química. Tudo bem, ele é real.
Todas as coisas e pessoas ao me redor se tornaram uma fusão de cores embaçadas, fazendo meu estômago revirar diversas vezes e me fazendo perceber que em pouco tempo eu perderia a consciência.
- Peter? Peter, me ajuda! Eu vou... - antes de conseguir concluir minha frase, tudo ficou preto.
***

- O que aconteceu? - Falei com dificuldade enquanto acordava sentindo como se um caminhão tivesse passado pelo meu corpo.
- Você desmaiou, então te trouxe aqui para a enfermaria. Como você está se sentindo? - Peter me perguntou soando preocupado, e eu me sentei na cama extremamente desconfortável em que eu me encontrava.
- Estou me sentindo melhor. Obrigada, de verdade. - Falei sorrindo para ele.
- Isso é meio esquisito. - Ele falou me encarando por algum tempo, passando a mão em seus cabelos castanhos por não saber como agir.
- O que é esquisito?
- Eu podia jurar que seus olhos eram extremamente azuis, mas agora eles estão quase pretos. - Ele disse com uma feição muito confusa - Olha pela câmera do seu celular.
- O quê? - Corri para pegar o aparelho que estava em meu bolso para checar a cor dos meus olhos.
Eles estavam definitivamente mais escuros, mas rapidamente eles voltaram ao normal. Tentei olhar mais de perto para notar alguma mudança, mas pareceu que tudo foi fruto da nossa imaginação.
Antes que o Peter pudesse falar mais alguma coisa, a enfermeira entrou no quarto com uma quantidade grande de papéis em seus braços, me fazendo guardar meu telefone aonde ele estava antes.
- Ok, Senhorita . Eu acho que seu episódio de hoje foi causado por uma queda de pressão. Mas, considero melhor que você vá para casa hoje e peça a seus pais que te levem ao médico.
- Ah não, senhora. Não moro com meus pais, meu guardião legal é meu tio. - Peter olhou em minha direção um pouco surpreso - E ele provavelmente está muito ocupado agora, então é melhor eu apenas continuar aqui e ir para aula.
- Não, querida. Eu não posso permitir isso. - A enfermeira dos curtos cabelos loiros disse, enquanto revirava minha ficha que estava em sua mão - E se for algo sério? Preciso entrar em contato. Pode me dizer o nome dele?
- Hm, claro. - Falei saindo da cama com cuidado e ficando de pé - O nome dele é Nick. Nick Fury.


Capítulo 2

Peter's Pov

Peter sabia que já tinha ouvido o nome Nick Fury antes. Era extremamente familiar.
Olhou brevemente o relógio como fazia com constância durante o dia e se assustou com o horário. Havia ficado com a por tempo demais na enfermaria enquanto ela estava desacordada e esqueceu o quanto estava atrasado para próxima aula, e era infelizmente com o Sr. Gonzalez. Como Peter xingava constantemente esse professor em sua mente.
Peter achava tão estranho, ele era o parceiro de laboratório da por quase um ano e nunca haviam se falado de verdade. Ela é tão quieta e como está constantemente com sono, ele nunca teve coragem de falar nada para não a atrapalhar. A única pessoa que o menino via conversando com ela era a Michelle e isso é ainda mais estranho para ele. E mesmo tendo trocado poucas frases nesse ano como dupla, Peter se lembrava de ter pensado o quão bonita ela era quando a viu pela primeira vez entrando na sala de aula. Olhos azuis, cabelos castanhos que cobriam suas costas... Ele sentia seu rosto esquentar só ao lembrar.
- Hm, ? - Peter perguntou já pegando sua mochila do chão para ir embora - Eu realmente tenho que ir agora. Mas eu espero que você melhore logo!
- Ugh, Senhor Gonzalez? Você tá ferrado! - olhou para ele e fez uma careta.
- Bingo! - o menino soltou uma risada - Te vejo em alguns dias na nossa aula então?
- Acho que nos vemos, Peter. E mais uma vez, muito obrigada por hoje. - Ela sorriu e foi conferir o telefone. Peter sorriu de volta, mesmo ela não podendo mais vê-lo por estar com os olhos grudados na tela.
Peter saiu da enfermaria e correu rapidamente em direção a aula que estava demasiadamente atrasado para estar. Ele tinha certeza de que o professor gritaria e o usaria como exemplo na frente de toda a classe. E o pior, na frente do Flash. Mesmo não sendo o usual e estereotipado bully por não ser estupidamente bonito ou um jogador de futebol americano, Flash incomodava a todos os frequentadores de Midtown. Os únicos amigos que ele tinha, Peter tinha certeza que Flash os havia comprado com a enorme quantia de dinheiro que seus pais tinham. O menino achava uma pena não poder revelar que era o Amigo da Vizinhança e tinha uma considerável força em seu corpo, porque o que mais queria na maioria das vezes é ver o Flash levando uma surra.
Ser o Homem Aranha, Amigo da Vizinhança. Só de pensar na sua vida dupla um sorriso se estampava no rosto de Peter. Como amava usar sua roupa vermelha e fazer algo realmente importante pra cidade onde vive. Mas Nova Iorque estava muito calma ultimamente e Senhor Stark ignorou cada uma de suas 23 ligações. Peter tentou até contatar Happy, o segurança mais importante da América para ele, mas aparentemente ele o odeia. Ou odeia qualquer contato humano.
Peter correu um pouco mais rápido e facilmente chegou na porta da sala de aula em que deveria estar há 5 minutos atrás. O melhor amigo de Peter, Ned, estava sentado muito atrás nas carteiras e a sala estava silenciosa demais para entrar sem ser visto. Não tinha o que fazer, ele já estava se preparando para as inoportunas frases do Senhor Gonzalez. "Eu amo você, tia May" pensou "Foi muito bom ser seu sobrinho durante esses 16 anos de vida".
Peter tentou abrir a porta lentamente, rezando para que simplesmente tivesse ocorrido um milagre e o professor o deixasse sentar e assistir a aula em paz, mas claramente ele estava errado.
- Senhor Parker, você está ciente de que essa aula começou a 5 minutos atrás? - Senhor Gonzalez abruptamente parou de escrever no quadro e focou sua atenção em Peter.
"Merda" Peter pensou.
- Mil desculpas senhor Gonzalez. Eu estava ajudando uma menina na enfermaria, ela não está se sentindo muito bem e... - disse Peter em um tom de voz baixo para mantê-lo, tentando explicar tudo de uma vez.
- Você está falando sobre si mesmo, Parker? - disse Flash rindo, completamente sozinho - Você é a garota que não estava se sentindo muito bem?
Flash olhou em volta, mas nem os amigos comprados por ele conseguiram rir do que dizia. Todos permaneciam quietos em seus lugares, fingindo fazer uma anotação. Qualquer movimento errado na aula desse professor se tornava um desastre.
- Flash se eu quisesse ouvir de você um de seus comentários machistas e desagradáveis eu pediria. - Disse sem alterar sua expressão neutra que era sustentada pelo grande bigode em seu rosto.
Sem poder se segurar, Peter Parker não conteve ao dar uma risada, fazendo o professor retornar a atenção para ele.
- Muito bem senhor Parker, vamos ver se você gosta de rir na detenção depois da aula. - Ele disse friamente. - Agora vá se sentar.
Peter pensou em argumentar alguma coisa, mas antes que pudesse piorar sua situação, foi se sentar na cadeira vazia ao lado de Ned no fundo.
- Nossa, Peter. Dessa vez você se deu mal mesmo - disse Ned sussurrando - Uma pena que você não usar sua roupa de Homem Aranha e dar uma lição em um deles. Onde você esteve esse tempo todo?
- Shhh, Ned você tá louco? Alguém poderia te ouvir. - Peter disse, fingindo que estava fazendo anotações para não prestarem atenção na conversa - Eu estava ajudando aquela menina, .
Ned olhou para Peter com uma expressão confusa e de repente começou a fazer falsas anotações em seu papel, notando que o professor os encarava por estarem conversando. No momento que o Senhor Gonzalez virou novamente para escrever no quadro negro, voltaram a conversar.
- ? Quem diabos é ? - perguntou Ned.
- Minha parceira na aula de química avançada. - disse Peter largando o lápis que usava e prestando total atenção no amigo. - Lembra? Ela é bonita... tive uma queda por ela durante um mês?
- Ah! A sua parceira extremamente quieta! E vocês se falam desde...
- Hoje - disse Peter voltando para suas anotações que se tornaram desenhos - Ela desmaiou e eu a levei para enfermaria.
- Ela desmaiou? Por que? Como? - ele perguntou aumentando um pouco o tom de voz.
- Eu não sei, Ned. Eu não sou médico nem nada. A enfermeira disse que poderia ser uma queda de pressão, mas... - o menino parou de falar e ficou por um momento reflexivo.
- Mas?
Ela estava agindo tão estranhamente quando a encontrei no corredor. Como se ela não soubesse o que estava acontecendo ao redor dela e aonde ela estava de fato. - Ele continuou pensativo.
Ned encarou Peter por um momento, fechou seu livro e soltou um suspiro.
- Garotas são estranhas, Peter. E é exatamente por isso que continuamos solteiros. - Ned disse fazendo gestos exagerados com as mãos para enfatizar suas palavras.
- Foi só... estranho demais. E você me conhece e sabe, eu já vi um excesso de coisas estranhas.
- Claro que eu sei, Peter. Eu sou seu man in the chair. - Antes que seu amigo pudesse argumentar discordando ele continuou - Mas você não está exagerando um pouco querendo ver coisa onde não tem? Talvez tenha sido só uma queda de pressão e ela vai ficar bem.
- É. Talvez.
Peter terminou a conversa com o Ned naquele momento e continuou o rabisco que estava fazendo e que se tornou um projeto para um GPS móvel em formato de aranha. Mas como não tinha dinheiro algum para construir e coragem nenhuma para pedir algo a mais para Tony Stark, ele decidiu colocar esse desenho junto com todos os seus outros projetos que ficavam amassados dentro de sua mochila.
Parker tentou prestar atenção no que seu professor dizia e apenas aceitar o conselho de Ned sobre o que viveu hoje com . Mas um nome em particular continuava voltando incessantemente em sua cabeça.

Nick Fury. Por que soava tão familiar?

Capítulo 3



Após esperar alguns eternos minutos a volta da enfermeira, ela retornou para o quarto onde me encontrava segurando meus arquivos escolares e usando um par de óculos que não usava antes. Ela parecia uma daquelas pessoas que está sempre com pressa; com seu cabelo bagunçado, seus sapatos que eram confortáveis até demais e rugas que cobriam seu rosto. Sem contar seus movimentos acelerados para terminar mais rápido possível tudo que fazia. E só queria ter a chance de agarrá-la pelo braço e dizer "Senhora, por favor se acalme você está me assustando".
Coloquei meu celular novamente no bolso, agradecendo mentalmente por ter baixado um joguinho inútil algumas noites antes e que me distraí enquanto ela não voltava. Prestei total atenção ao que ela parecia querer me dizer.
- Querida, eu não consegui entrar em contato com seu tio. Existe alguma outra pessoa que eu possa avisar? - A enfermeira disse dando uma última olhada em meus arquivos.
- Não, senhora. Somente ele. - Eu lhe disse e me estiquei para pegar minha mochila que se encontrava no chão ao lado da cama - Eu estou bem, de verdade. Isso costumava acontecer o tempo todo.
"Não com as vozes ecoando na minha cabeça" pensei, mas é melhor esconder essa informação antes de ser mandada para um hospital psiquiátrico.
- Você tem certeza, ? Esse não é o procedimento recomendado. - Ela perguntou em um tom preocupado.
- Sim, eu tenho certeza. - Tentei sorrir para parecer mais confiante.
A enfermeira soltou um longo suspiro e tirou seus óculos em desistência.
- Ok, você está livre pra ir. Mas sem trabalho duro hoje, senhorita. E por favor, peça para o seu tio... - Eu apenas concordei com a cabeça depois de ouvir que eu poderia ir embora e rapidamente saí da enfermaria, sem prestar atenção ao resto das recomendações que ela me falava.
Fui em direção aos corredores vazios, sem ter certeza do que fazer ou pra onde ir. Eu não poderia simplesmente entrar em uma aula 30 minutos depois de ela já ter começado. 30 minutos atrasada. Quanto tempo será que fiquei apagada?
Isso não acontecia há anos. Desde que meu tio descobriu minha falha no coração, eu venho tomando remédios que resolviam o problema. Mas agora, com os sonhos constantes e os desmaios voltando à tona, parecia que as pílulas não estão mais fazendo seu trabalho, talvez até estejam me dando alguns efeitos colaterais a mais.
Meu celular começou a vibrar e o toque extremamente irritante, que eu deveria até considerar mudar, ecoou por todo o corredor. Nick. Já era.
- E aí, Nick? Como é que você tá? - perguntei, falhando em soar relaxada e batendo minha cabeça levemente em um dos armários em arrependimento por ter começado assim a conversa.
- Como eu estou? Eu que deveria estar te perguntando isso, . Já que recebi algumas ligações da enfermaria da sua escola. - Ele respondeu de forma irônica, mas notoriamente com preocupação.
- Não precisa se preocupar, eu estou bem. Somente com um pouco de fome na verdade. - Ri sem humor.
Eu precisava agir como se tudo estivesse completamente sob controle. Se ele percebesse que alguma coisa estava levemente errada, ele viria correndo pra cá como sempre fez. Quando eu estava no ensino fundamental, estava sentindo muita dor no estômago graças a um cachorro-quente que comemos na rua no dia anterior, não sabia o que fazer e não conseguia me lembrar o que estava causando aquilo, então pedi na enfermaria que ligassem para ele, tio Nick mandou dois dos homens que trabalhavam com ele para me buscar, que foram entrando em interrompendo todas as aulas procurando por mim, os "homens de preto" foram o assunto do mês, me fazendo me esconder no banheiro durante o almoço por semanas.
- Tudo bem, . Mas você vem direto para casa. - Ele disse brevemente.
- O quê? Mas acabei de falar que estou bem. - Respondi elevando um pouco meu tom - E estou voltando para aula agora. Só me senti um pouco tonta mais cedo, nada demais.
- Eu vou entrar em contato com seu médico agora mesmo. Vá para casa, você vai ficar mais segura lá.
- Mas... - eu tentei uma última vez argumentar.
- Chega, . Eu vejo você em casa. - Tio Nick disse uma última vez e desligou o celular.
Fechei os olhos e tentei respirar profundamente para controlar a raiva que exalava de mim. Não tinha porquê tentar discutir com ele, ele sempre ganhava. E sempre surgiam as mesmas questões. "Ele te dá uma casa, , faz tudo em seu alcance por você, . Custa seguir algumas ordens?".
Mudei a direção do corredor pra onde eu estava indo e comecei a caminhar diretamente para a saída, esperando que Nick já tivesse ligado para a secretaria avisando que eu iria embora mais cedo.
Era bom estar sozinha ali no corredor, lidando com meus pensamentos a mil por hora e não tendo que lidar com a gritaria de vários adolescentes reunidos e com os hormônios à flor da pele. E até que gostava de ficar a sós. Sim, é terrível não ter alguém concreto para dividir o quão ruim é o Ensino Médio, mas eu gostava de ficar só comigo mesma, resolvendo meus próprios problemas. Muitas pessoas juntas, às vezes me deixava sufocada.
De fato, Nick já havia avisado da minha saída e fui embora do colégio facilmente, sentindo a incrível brisa do outono e me permitindo andar pelas ruas de Nova York sem me preocupar com mais nada, apenas prestando atenção nas pessoas e nos prédios ao meu redor.
Mesmo andando sozinha pelas ruas, sentia dentro de mim, algo me alertava que eu estava sendo vigiada.
Tentei olhar ao redor, procurando por qualquer indício do que estava me fazendo ter essa sensação estranha, mas nenhuma alma olhava em minha direção, somente as modelos nos outdoors de publicidade espalhados pela cidade.
Respirei fundo e balancei levemente minha cabeça, ignorando qualquer sentimento estranho e atravessei a movimentada rua em direção a minha casa. "Você está bem. Foi só um dia longo" permaneci pensando.
Quanto mais me aproximava da casa, mais esse estranho sentimento se apossava de mim. Eu não conseguia evitar olhar em volta a cada 2 segundos e obrigar minhas pernas a se apressarem para chegar mais rápido em casa. A familiar porta vermelha apareceu logo depois dos usuais 15 minutos de caminhada, e soltei o ar dos meus pulmões que eu nem sabia que estava prendendo. Achava que estava perdendo a cabeça.
Ao abrir a porta, somente meu gato Sebastian estava ali para me receber. Acariciei gentilmente seus pelos laranjas e o ouvi ronronar, me fazendo sorrir com seu gesto. Joguei minha mochila pesada no chão, fazendo minhas costas agradecerem pela sensação boa do peso indo embora, mas no momento em que ela encostou no chão vi uma abertura em seu bolso da frente e a metade de um papel aparecia.
Me abaixei e tirei o papel dali, desdobrando cuidadosamente, ignorando os miados de Sebastian pedindo pelo seu almoço e a estranha sensação que me acompanhou por todos os dias.

Não confie no que te dizem. Você vai descobrir por você mesma, faça o que for preciso.
Te encontrarei em breve.


Meu coração se manteve acelerado enquanto eu relia o papel várias e várias vezes. Como colocaram esse bilhete dentro da minha bolsa? Foi por isso que eu sentia que alguém estava me seguindo? No que exatamente não é para confiar e como essa pessoa vai me encontrar em breve?
- , cadê... Ah aí está você. - Nick disse entrando em casa e sorriu no momento em que me viu de pé na sala de estar.
Eu pulei com sua repentina presença e escondi o papel em minhas mãos no bolso de trás da calça, sem saber muito o porquê.
- Aqui estou eu - disse nervosamente - Como foi o trabalho?
- Reuniões e mais reuniões, nada muito divertido. - Ele disse tirando e pendurando seu grande casaco preto - Boas notícias, encontrei seu médico antes de voltar para casa e ele me deu um frasco novo da sua medicação. É uma fórmula nova. Aparentemente a antiga não cumprirá o trabalho de antes.
Coloquei a mão inconscientemente no meu bolso de trás onde estava o papel e mais uma vez a sensação retornou. Minta. Senti dentro de mim.
Por que eu não iria confiar no que ele diz? É a única pessoa na minha vida. Eu fui com ele no médico quando iniciamos o tratamento. Eu sei que é real. É real. Mas parecia que algo, alguém dentro de mim queria ouvir aquele bilhete e me fazia sentir que essa era uma das coisas que eu não deveria confiar.
- ? - ouvi sua voz me chamando.
- Sim? - respondi finalmente fugindo de meus pensamentos.
Ele apontou para a pequena caixa de medicamento que ele estava segurando há um tempo aparentemente e arqueou a sobrancelha.
- Sua medicação. - Ele disse me entregando os comprimidos - Está mesmo tudo bem?
Eu peguei a caixa de suas mãos e a encarei por um tempo. "É para o seu problema no coração" tentei refutar o sentimento dentro de mim "É pelo seu bem".
- Eu vou tomar lá em cima, tudo bem? Eu aproveito e escovo meus dentes já que comi uma maçã hoje e com certeza prendeu algo no meu dente. - Escovar os dentes? É sério, ?
- Você me disse que estava com fome pelo telefone.
- A maçã não foi o suficiente. Sabe como eu sou, né? - dei uma risada tentando disfarçar - Eu já volto.
Andei rapidamente até o banheiro, tentando não deixá-lo ver meu rosto quase entregando as expressões de desconforto que eu sentia. Fechei a porta atrás de mim e suspirei ao ver meu reflexo no espelho. Não tinha motivos para não confiar nele, eu devia estar confundindo as coisas por estar nervosa demais. Ele cuidava de mim, sempre foi desse jeito. Mas por que algo dentro de mim algo grita para eu dar atenção ao bilhete que recebi?
Retirei o papel do meu bolso e simultaneamente uma pílula da caixa que tio Nick me entregou. Os encarei por alguns segundos, intercalando meu olhar. Prendi minha respiração, e sem pensar duas vezes joguei os dois dentro do vaso sanitário e apertei a descarga.



Continua...



Nota da autora: Sem nota.



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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