Última atualização: 09/11/2017

Prólogo

sorriu ao ver a última folha saindo da impressora e a juntou com as outras. Prendeu o cabelo longo e escuro em um coque bagunçado e enfiou os panfletos na sua bolsa de couro marrom desgastada. Analisou suas roupas – regata branca, short jeans e All Star – e saiu do quarto e desceu as escadas rapidamente, indo até a porta.
— Mãe, vou entregar alguns panfletos. Não me espere para o almoço. — avisou por cima do ombro antes de sair.
Colocou os óculos escuros e começou a caminhada pela vizinhança, aproveitando o verão de Ohio. Havia se mudado alguns meses antes e ainda não se acostumara completamente ao clima da capital, Columbus. Sua mãe decidira voltar à cidade natal após o divórcio. Arrastando-a junto ao perceber que o pai não teria tempo para as filhas, já que estava ocupado demais com sua nova namorada grávida.
A renda da família agora estava pela metade. Com isso, sua mãe se recusava a lhe dar coisas novas, já que havia novas prioridades, que antes eram responsabilidade do pai. Irritada, decidira então oferecer alguns serviços para as pessoas durante o verão, como passeios com cachorros e idas ao mercado, contava com a preguiça deles.
Passou sua primeira tarde livre da escola distribuindo panfletos em casas e nas ruas. Em alguns prédios, deixara alguns com os porteiros, implorando para que entregassem. Já estava em sua última garrafa de água e com apenas metade do estoque de barras de cereal quando se permitiu descansar na cafeteria mais próxima. Sorriu ao ver o celular vibrando com a ligação em cima da mesa.
— Alô? — atendeu ansiosa, torcendo para que fosse algum trabalho.
? Vi seus panfletos hoje. — , o que tinha de mais próximo de uma melhor amiga naquela cidade, murmurou antes de rir. — Meu porteiro tem alguns. Vou entregar as pessoas que conheço, sim?
— Você é uma linda, Cas.
— Obrigada, senhorita . — revirou os olhos. — Ei, o que acha de dormir aqui hoje?
— Falarei com minha mãe, mas não vejo problema.
— Por que vai passear com cachorros e fazer compras para desconhecidos mesmo? — riu, pois sabia que a loira erguia uma sobrancelha.
— Preciso de dinheiro para o show do meu cantor favorito, lembra?
— Ah sim. — suspirou. — Johnny Keller. Como pude esquecer? Sua vida é falar dele.
— Cale a boca, Cas. Sua vida é falar de livros.
— Isso é cultura, . — bufou. — Te vejo mais tarde?
—Claro, loira. Aliás, de onde está ligando? Não tenho esse número. — comentou com indiferença, brincando com o canudo rosa.
— É o celular do meu irmão, Shawn. O meu está sem bateria.
riu.
— Você não tem jeito, .
— Ele está vindo, tenho que desligar. Até mais tarde.
~~~
— Mãe? — chamou entrando na casa.
— Estou na cozinha, querida.
Deixou sua bolsa em cima da mesa e caminhou até lá. Sally parecia concentrada lendo o livro de receitas e decidindo o que preparar para o jantar.
— Vou dormir na casa da hoje, tudo bem? — perguntou pegando uma das maçãs na fruteira e dando uma mordida.
— Tudo bem. Só tome cuidado. — suspirou. — Cozinhar é mais complicado do que imaginei.
sorriu. Sua mãe era mais do tipo prática e rápida. Cozinhar não era seu forte, definitivamente.
— Peça uma pizza. Allison vai adorar.
— Ela passou o dia na casa de sua avó. Certamente comeu mais besteiras do que deveria. — Sally bufou, fazendo a filha rir.
— Vou me arrumar, mãe. — beijou sua bochecha e saiu da cozinha.
Subiu as escadas rapidamente e suspirou ao ver seu quarto, onde ainda havia algumas caixas com coisas para guardar. Guardou o pijama e roupas na mochila, junto com o carregador do celular e alguns filmes. Seguiu para o banheiro, onde tomou um banho rápido, tentando lembrar o que tinha que fazer nos próximos dias. Duas mulheres ligaram pedindo que passeasse com seus cachorros e um senhor de sua rua querendo que fosse ao mercado na próxima semana.
Trocou-se rápido e demorou ao pentear cabelos escuros. Pegou a escova de dente e a jogou no pequeno bolso da mochila enquanto saia do quarto. Ouviu alguém buzinar na frente de sua casa e suspirou.
— Mãe, estou indo. — avisou saindo da casa. Sorriu ao ver o carro dos pais de , com Shawn dirigindo e ela ao lado.
Foi ao carro em passos rápidos e entrou, jogando a mochila no banco ao seu lado.
— Oi, Cas.
— Como está, ?
— Bem, já tenho alguns trabalhos e... — interrompeu-se ao sentir o celular vibrando em sua mão. — Só um segundo. Alô?
— É a ? — o forte sotaque britânico perguntou, fazendo-a estremecer.
— Ela mesma. Quem deseja?— mordeu o lábio.
. . — a voz rouca explicou. — Gostaria que passeasse com meu cachorro.


Capítulo I - Loki

respirou fundo antes de tocar o interfone.
— Pois não?
— Apartamento 18B. Sou . — murmurou meio envergonhada.
— Senhor já autorizou sua entrada. — foi tudo que o porteiro disse antes do portão abrir.
Entrou e o fechou rapidamente. Acenou para o porteiro e caminhou até o hall. Observou a pouca decoração ali enquanto esperava o elevador e percebeu que deveria ter uma condição financeira melhor que a dela. Bufou. Quem não teria, no momento?
Sorriu para a mulher que saia do elevador com o carrinho de bebê e murmurou para que tivesse uma boa tarde. Apertou o botão do andar dele e observou com impaciência enquanto as portas se fechavam. Virou e encarou-se no espelho, prendendo atrás da orelha a mecha que insistia em cair. Saiu rapidamente assim que o elevador parou e encarou os números dourados na porta branca. Respirou fundo e bateu duas vezes, ouvindo latidos como resposta.
— Loki, se continuar escandaloso assim teremos que nos mudar novamente. — a voz grave de reclamou e pouco depois ele abriu a porta.
prendeu a respiração ao vê-lo. Jovem e bonito, totalmente o contrário do que havia imaginado. Usava roupas sociais, camisa branca e calça escura. O cabelo castanho estava jogado para trás, em algum tipo de topete e tinha a barba por fazer. Os olhos castanhos analisaram e um sorriso surgiu em seu rosto, fazendo-a corar levemente.
— Oi. — ela estendeu a mão. — Sou .
. — respondeu, agarrando a mão dela, o que lhe provocou uma sensação diferente. Soltou-a ao perceber o cachorro tentando sair e o segurou pela coleira.
— Loki, né? — perguntou indicando-o com a cabeça.
— Sim. Não se assuste com o tamanho, é apenas um grande babaca. — riu sozinho, colocando o cachorro para dentro. — Entre para que possamos conversar.
assentiu e obedeceu, fechando a porta atrás dela. Era maior do que ela imaginaria e parecia bem decorado, para o apartamento de um cara. Loki aproximou-se para cheirá-la e a deu a volta na garota algumas vezes.
— Quanto você cobra para passear com ele?
— Dez dólares para caminhar uma hora. — deu de ombros. — É um preço fixo.
— Pago o dobro. — propôs. — Loki é um cachorro grande e hiperativo que passa o dia trancado em um apartamento.
sorriu.
— Me parece um bom negócio.
— Ainda tem tempo de desistir, senhorita . — arqueou uma sobrancelha.
— Não, obrigada. Preciso desse dinheiro, senhor .
— Pode começar hoje? — sorriu torto, distraindo-a.
— Vim pronta para isso.
— Vou buscar a guia dele. Dê-me um minuto. — assentiu.
saiu da sala e o Loki o seguiu, abanando o rabo. Segundos depois o ouviu latindo e uma risada do dono.
— Já falei que precisa se comportar, Loki. — repreendeu. — Seremos expulsos se continuar assim.
Voltou à sala carregando a guia e com Loki latindo e pulando a sua volta, feliz em vê-la. Abaixou-se para prender a coleira, porém o cachorro parecia inquieto, atrapalhando-o. Abanou o rabo alegremente e correu em direção à porta. riu ao ser puxado e ofereceu a guia para .
— Boa sorte, . Ele é entusiasmado demais. — aproximou-se da porta. — Peço desculpas antecipadamente por qualquer coisa que ele venha a fazer. Quer que eu a acompanhe até o térreo?
— Estou bem, senhor . Obrigada, de qualquer jeito. — sorriu de canto.
— Pode me chamar de . Senhor faz-me sentir um velho.
assentiu e ele abriu a porta, o que fez Loki correr para fora. Fez um barulho de engasgue ao ter a coleira puxada, mas não desistiu.
— Sinto muito por isso, Loki. — murmurou, acariciando o cachorro enquanto esperavam o elevador.
— Isso é normal nos primeiros cinco minutos, . Loki é um idiota. — sorriu. — Vejo vocês em uma hora?
Assentiu e no minuto seguinte o elevador abriu as portas.
— Até depois, . — sorriu em resposta e entrou no elevador com Loki, fazendo-o sentar antes de apertar o botão do térreo.
~~~

Loki não é um cachorro descontrolado, apenas ansioso e com energia de sobra, constatou após trinta minutos de caminhada. Os primeiros dez minutos foram um caos, com constantes sons de engasgo e puxões na guia. Ela o havia forçado a parar algumas vezes e o acariciado até que parecesse mais calmo para continuarem.
Começou uma meio corrida e Loki a acompanhou alegremente, mantendo-se ao seu lado. Aumentou o ritmo minutos depois e ele a acompanhou com facilidade, a língua pendurada de lado. Diminuiu a velocidade aos poucos, forçando Loki a acompanhá-la e então parou, ligeiramente ofegante e totalmente vermelha, em frente a um pequeno comércio.
— Uma garrafa d’água, por favor. — pediu ao funcionário, sem realmente entrar na loja, já que estava com Loki. — E um copo descartável.
Sorriu para ele e acariciou sua cabeça enquanto esperava a água.
— Está se divertindo, Loki? — ele latiu e lambeu sua mão. — Vou considerar isso como um sim.
Sentiu mãos apertarem sua cintura e gritou assustada, virando-se. O husky latiu alto e foi em direção ao garoto, sendo impedido por no último segundo, que demorou ao acalmá-lo e fazê-lo sentar novamente.
— Qual o seu problema, Drake? — perguntou irritada, sua mão esquerda ainda agarrada a coleira de Loki.
— Seu cachorro? — o loiro perguntou ignorando-a e ergueu a mão na direção dele, que latiu novamente. — Irritadinho, não?
Drake perseguira pela escola nas últimas semanas, tentando conquistá-la com cantadas baratas e idiotice. Muita idiotice.
— Deixe Loki em paz. — reclamou, tentando manter o cachorro no lugar.
— Como o vilão? Me parecem bastante parecidos nesse sentido. — Drake riu. — Não me contou que tinha um cachorro, amor.
— Não sou seu amor. — rebateu. — E que eu saiba, não te contei nada sobre mim.
— Podemos sair e então você me conta tudo, uh? — piscou um de seus olhos azuis.
— Não, obrigada. Estou ocupada por todo o verão. — sorriu cinicamente. — Estou passeando com cachorros para conseguir dinheiro. Loki é um deles.
— Me trocando por cachorros? — ergueu uma sobrancelha e um sorriso divertido surgiu em seus lábios.
— Companhia mais agradável, isso eu garanto. — bufou.
— Aqui está sua água, mocinha. — o funcionário da pequena loja interrompeu.
— Eu pago. — Drake tirou uma nota do bolso e entregou ao funcionário, pegando a garrafa.
— Não pense que vou te compensar por isso.
— Só estou tentando ser uma companhia mais agradável do que cachorros, . — suspirou e estendeu a garrafa a ela.
— Tenho que ir, Drake. Preciso terminar esse passeio com o Loki.
Afastou-se do garoto devagar e soltou o cachorro quando já estava a alguns metros. Abriu a garrafa e tomou metade do conteúdo em segundos, despejou o resto no copo, estendendo para Loki beber. Acariciou-o e brincou por mais alguns minutos e percebeu que já estava na hora de voltarem.
~~~

está demorando. — observou para si mesmo, olhando no relógio. Uma hora e vinte desde que ela tinha saído com Loki. Deixou o notebook de lado e se levantou, tirando o celular do bolso. Discou o número de sua secretária rapidamente.
— Boa tarde, senhor . Já chegando ao escritório? — Jasmine atendeu rapidamente.
— Temo que não, Jasmine. Preciso esperar o retorno de Loki, que está com aquela passeadora que me indicou outro dia. — os lábios formaram uma linha fina. — Acho que vou atrás deles.
— Há uma reunião com o senhor Harris em quarenta minutos.
— Se eu não chegar em vinte minutos, avise que tive um problema familiar e vou me atrasar.
— Sim, senhor .
— Até mais tarde, Jasmine.
Guardou o iPhone preto no bolso e pegou suas chaves, saindo do apartamento em seguida. Trancava a porta quando ouviu a porta das escadas abrindo, Loki latiu feliz ao vê-lo e correu em sua direção, soltou a guia e sentou-se no chão, recuperando o fôlego.
— Céus. — suspirou. — Minhas pernas estão queimando.
sorriu, sem parar de acariciar Loki.
— Por que vieram pela escada? O zelador reclamou de alguma coisa?
balançou a cabeça e usou as duas mãos para se abanar.
— Loki tem muita energia. Acredito que dezoito andares de escada o cansem um pouco. — deu de ombros. — Onde estava indo, ?
— Procurar vocês. Fiquei com medo de ele ter aprontado uma das grandes. — encolheu os ombros. — Vamos entrar, você pode tomar uma água enquanto pego seu dinheiro.
Deu alguns passos em direção a e estendeu a mão para ajudá-la a levantar. Agarrou a mão dele, ignorando a mesma sensação diferente de antes. Agradeceu em um murmuro e manteve os braços cruzados enquanto esperava que ele abrisse a porta. Loki entrou correndo na frente, pulando no sofá e sentando, latindo feliz algumas vezes para o dono.
— Seja menos escandaloso, Loki. — repreendeu cansado, jogando as chaves na mesa. — Vou pegar água para você, senhorita.
sumiu no corredor que levava a cozinha e suspirou. Passear com cachorros era mais cansativo do que aparentava. Caminhou em passos lentos até o sofá e acariciou Loki, seus olhos vagando pelas paredes do apartamento. Em uma delas, fotos de com quem deduziu serem familiares, três mulheres e um homem, sempre. Havia uma com o husky num parque e outra com alguns caras no que parecia ser uma festa do trabalho. Foi tirada de seus pensamentos ao ouvir o choramingo de Loki e o sentir esfregando a cabeça em sua mão, pedindo por carinho.
— Você é meio carente, né?
— Culpado. — assustou-se com a proximidade de e tentou ignorar o quão sexy o forte sotaque lhe pareceu naquele momento. — Fico o dia trabalhando e nos fins de semana estou cansado demais para fazer qualquer coisa com ele. — suspirou. — Aqui está sua água.
Assentiu e pegou o copo, evitando tocar , já que percebeu que lhe causava reações estranhas. Tomou alguns goles observando-o, parecia meio perdido na própria casa. Passou os dedos entre os cabelos e só então se lembrou do dinheiro, tirando a carteira do bolso.
— Vinte dólares, certo? — indagou abrindo-a e tirando uma nota, que rapidamente estendeu a garota, inconsciente e discretamente segurando de forma que necessitaria tocá-lo. mordeu o lábio e a pegou, ignorando o choque de sensações ao tocá-lo. — Ele deu muito trabalho?
— Nos primeiros dez minutos, precisamos parar algumas vezes, pois fiquei com medo de que se machucasse. Corremos por dez minutos e então parei para comprar água.
— Quanto foi? — abriu a carteira novamente.
— Nada, na verdade.— encolheu os ombros. — Um menino da minha escola pagou.
assentiu, porém não conseguiu esconder a decepção que passou por seu rosto.
— Mais alguma coisa?
— Acho que Loki não gostou dele. — admitiu e mordeu o lábio para segurar o sorriso. — Demorei um pouco para acalmá-lo e então voltamos.
— Bom. Melhor do que eu esperava, na verdade. — sorriu. — Alguma chance de você desistir?
— De maneira alguma.
— Te vejo amanhã, então?
— Com toda certeza. — fitou Loki e o acariciou, evitando olhar seu dono.
— Mal posso esperar.


Capítulo II – Oh, no!

— Mãe? — chamou entrando na cozinha, foi até a geladeira e pegou o pote de biscoitos que estava em cima da mesma.
— Sim? — estava sentada na mesa e lendo uma das revistas de culinária que havia comprado naquela semana. Arqueou uma sobrancelha. — Mais dinheiro?
Riu, enfiando a mão no pote e tirando uma nota de vinte.
— Não, só pegando um pouco para sair com a Cas. — deu de ombros. — Por que não é uma adolescente normal e guarda o dinheiro no seu quarto, querida?
— Se estiver aqui, você me vê pegando e impede de gastar tudo com besteiras. — soprou um beijo para ela. — Estou indo, mãe.
— Tome cuidado. — Sally murmurou sem tirar os olhos do que lia.
Assentiu e fez seu caminho para fora da casa, pensando em como as coisas haviam mudado em duas semanas. Havia passeado com Loki todos os dias, o que lhe havia rendido dinheiro suficiente para o ingresso quando reunido com o resto de suas economias. Ele aparentava estar mais calmo, o que deixou o dono muito feliz. conseguia ser mais educado e simpático com ela a cada dia, o que a surpreendia.
sorriu ao entrar em sua cafeteria favorita e já encontrar numa das mesas, concentrada em seu celular.
— Oi, Cas. — cumprimentou sentando-se. A loira sorriu, largando o aparelho em cima da mesa. — Como vão as coisas?
acabou de me chamar para sair.
— Vocês não estão saindo há, tipo, duas semanas? — perguntou confusa.
— Sim, mas será a primeira vez que vamos sozinhos. Sempre estamos com algum grupo de amigos. — brincou com o colar que usava. — E você? Como vai seu trabalho?
— Mais divertido do que eu esperava, na verdade. Alguns cachorros são muito fofos, você adoraria. A parte das compras é meio cansativa, estou quase desistindo. — deu de ombros. — Ei, você já pediu?
— Sim, já deve estar chegando. Você gosta de chá, né? — assentiu. — Eu encontrei Drake esses dias, ele parecia meio triste. Encontrou com ele desde que as aulas acabaram? — riu.
, está insinuando o que acho que está? — indagou ligeiramente irritada, porém suspirou em seguida. — O encontrei sim. Na primeira vez que passeei com Loki. Falei que preferia cachorros à companhia dele. — mordeu o lábio. — Acha que foi por isso? Não queria magoá-lo. Só estava meio estressada.
— Isso chama TPM, amiga. — riu.
— Cala a boca.
? — sorriu ao ouvir a voz masculina atrás de si e levantou.
— Oi, . — ele sorriu e beijou sua bochecha. — O que faz aqui?
— Almoço. — ergueu o copo de café.
— Não te vi essa manhã. — corou levemente. — Mady era a única em casa quando fui buscar Loki.
— Eu tinha algo para resolver no escritório. — deu de ombros. — Não consegui dormir, na verdade. Esse caso está me enlouquecendo.
— Espero que... — interrompeu-se ao ouvir pigarreando e evitou a imensa vontade de revirar os olhos. — Ah, , essa é minha amiga, . — indicou-a. sorriu e acenou.
— Oi, .
, esse é meu cliente, . — virou-se para a amiga e sorriu cinicamente.
— Oi, . — a loira sorriu torto. — Vou buscar nossos pedidos, . Volto num minuto.
Levantou-se e passou pelos dois, incentivando assim que estava atrás de , o que a fez revirar os olhos.
— Eu queria... hm... te agradecer. — murmurou.
arqueou uma sobrancelha.
— Por?
— O que está fazendo por Loki, ele está muito melhor agora. — explicou.
— Bem, eu estou recebendo por isso. — riu baixo.
— Eu não sei, só achei que deveria. — deu de ombros e um silêncio constrangedor se instalou.
permitiu-se observar a garota, que estava mais bonita do que de costume, já que o cabelo estava solto e caindo sobre os ombros. Usava sua jaqueta de couro com uma regata azul escura por baixo, uma saia clara e botas. Bem diferentes da habitual camiseta de banda e short jeans que usava para passear com Loki todos os dias. Ela corou ao perceber que era analisada e mordeu o lábio.
— Você está bonita, . — elogiou com um sorriso torto, fazendo o coração da garota acelerar e um leve rubor atingir suas bochechas.
— Você também. — retribuiu. Ele estava um pouco mais relaxado hoje, com calça jeans escura, camiseta cinza e blazer. — Nunca te vi de jeans.
— É sexta. — explicou com simplicidade. — Aliás, pode buscar Loki um pouco mais tarde amanhã, se preferir. Passarei o dia em casa.
— Tudo bem. Vou assim que acordar.
— Voltei! — anunciou aproximando-se.
— Vou deixar vocês em paz. — ele sorriu. — Preciso voltar ao trabalho. Até amanhã, .
Acenou para e se afastou. esperou que estivesse longe o suficiente para virar-se e fitar a amiga, a irritação presente em seu rosto.
— Ele é lindo, . — a loira comentou.
— E você não é nada discreta. — ergueu uma sobrancelha. — Precisava mesmo fazer tudo aquilo?
— Só quis dar uma forcinha, relaxa. — revirou os olhos castanhos. — O que aconteceu enquanto eu estava fora?
— Só falamos sobre meu trabalho. — mentiu sentando-se e pegando seu copo.
— Suas bochechas coradas dizem o contrário. — provocou com um meio sorriso.
— Talvez tenha me elogiado. — deu de ombros. — Talvez.
— Ai. Meu. Deus. — inclinou-se sobre a mesa. — Me conte em detalhes. Ele é tão gostoso, .
Riu e assentiu.
~~~


— Bom dia, . — cumprimentou assim que ele abriu a porta. Arqueou uma sobrancelha ao vê-lo apenas de regata e bermuda, exibindo algumas tatuagens nos antebraços. — Está cada vez mais relaxado.
Ele riu e deu um passo para o lado, evitando que Loki saísse.
— Bom te ver também, . — deu espaço para que entrasse. — Alguém estava ansioso para te ver hoje.
Entrou e sorriu para Loki, agachando e fazendo carinho nele.
— Como vai, garoto? — riu ao vê-lo latir algumas vezes.
— Eu estava pensando em acompanhá-los hoje. — comentou, antes de fechar a porta. — Mas acabei de receber uma ligação importante e tenho algumas coisas a fazer.
— Fica pra próxima? — sorriu, tentando esconder sua decepção.
— Claro. — correspondeu o sorriso. — Vou pegar a guia, volto já.
Loki latiu e abanou o rabo antes de lambê-la. riu e o acariciou, fazendo-o sentar ao seu lado. Ela havia acostumado rapidamente à presença de e Loki em sua vida, eram de longe seus clientes mais calorosos. Os favoritos, também.
— O que acha de dar a ele um pouco mais de liberdade hoje? — o britânico perguntou voltando com uma guia maior que a de costume.
— Pode ser legal. — sorriu, levantando-se.
Ele abaixou e prendeu a guia em Loki, que abanou o rabo e então latiu, correndo alegre pela casa. riu e estava quase a entregando a quando o husky passou por trás dele, enrolando a guia em suas pernas.
— Loki, o que você... — reclamou, tentando se desenrolar. — Ah, não. — o cachorro caminhou alegremente até e a enrolou também, voltando para o lado do dono e puxando.
soltou um grito e deu um passo a frente, evitando sua queda, porém seu corpo chocou-se com o de , que a cercou com os braços fortes rapidamente, ainda segurando a guia de Loki. Os braços da garota foram parar em sua frente, entre os dois, e pôde sentir os músculos dele tensionados sob a regata branca. Sentiu seu rosto esquentar e o olhou, mordendo o lábio.
— Oi, .
Ele soltou uma risada baixa e sorriu.
— Oi, . — a olhou com uma imensa vontade de se inclinar e beijar seu rosto. — Estamos numa situação um tanto embaraçosa, não?
— E como.
Loki latiu e deu mais uma volta nos dois.
— Pare com isso. — repreendeu, fazendo-o sentar e choramingar. — Com licença, , eu só vou... — passou a guia para a outra mão, com isso, seus braços a cercaram completamente. A garota precisou admitir a si mesma que se sentia segura ali.
concentrou-se em desenrolar a guia, ciente que não tirava os olhos de seu rosto e evitando retribuir o olhar. Encarou Loki com certa irritação e tirou a guia dele.
— O que está fazendo?
— Se nos primeiros cinco segundos com essa guia ele já fez isso dentro de casa, imagine durante o passeio. Vou pegar a outra.
assentiu e tentou não pensar no ocorrido enquanto se afastava. Ao chegar à cozinha ele suspirou e se encostou a bancada, tirando o boné e passou os dedos entre os fios castanhos.
— Ela é só uma garota. — murmurou para si mesmo. — Não deve pensar assim sobre ela. Só uma garota de apenas dezessete anos, . Pare com isso.
Tentou esquecer como era a sensação de ter em seus braços, porém acabou com o sorriso nos lábios. Foi até a área de serviço e deixou a guia lá, pegando a antiga. Voltou à sala e encontrou conversando baixo com Loki.
— Você precisa se comportar melhor, garoto. Perdeu a chance de um ótimo passeio hoje.
— Aqui está. — avisou, atraindo a atenção dela. endireitou-se rapidamente e caminhou até o husky, prendendo a guia na coleira e entregando a . — Tenham um bom passeio.
Propositalmente, fez com que sua mão tocasse na da garota. Precisava e gostava daquele mínimo contato.
— Voltamos em uma hora. — sorriu de canto e então saiu do apartamento.
Loki abanava o rabo e parecia agitado enquanto esperavam o elevador. suspirou assim que as portas abriam e uma senhora estava lá. Cumprimentou-a e deu um sorriso fraco antes de entrar com Loki.
Durante o passeio, os pensamentos de não conseguiam distanciar-se do acontecimento e a memória de “abraçando-a”. Definitivamente, era o homem mais atraente que já encontrara. O sotaque sendo um dos fatores de maior contribuição para isso. O sorriso também. Ficaria o dia todo o observando, se tivesse oportunidade. Passou mais tempo do que deveria pensando em e esqueceu-se das suas obrigações com Loki, que parecia mais agitado que o normal.
— Ah, merda. — suspirou ao perceber que inconscientemente havia voltado ao prédio. — Não corremos hoje. Podemos deixar isso para amanhã? Não temos mais tempo.
Loki choramingou e aumentou a velocidade para chegar ao portão, puxando . O porteiro abriu rapidamente ao vê-los se aproximando e ela sorriu em agradecimento, antes de entrarem. Dali pôde ouvir algumas crianças brincando no que supôs ser a piscina do prédio. Tentou ir ao hall, mas Loki choramingou e a puxou na direção contrária.
— Tudo bem. Você ganha cinco minutos aqui em baixo já que não cumpri o prometido no passeio de hoje. — permitiu-se ser levada até o pequeno gramado ali e cruzou os braços enquanto esperava que Loki explorasse o local.
Ele farejou por algum tempo e então ouviu os gritos das crianças, levantando a cabeça e se atentando aos sons. Abanou o rabo e tentou ir até lá, mas foi impedido por , que apenas arqueou uma sobrancelha. Ele latiu e tentou mais uma vez, fazendo-a dar alguns passos a frente, devido a força investida pelo cachorro. Pareceu feliz com o resultado e continuou, aos poucos arrastando a menina até a área da piscina.
— Loki! — ela repreendeu, com os braços já doloridos. — Pare logo com isso e vamos para casa.
Ele latiu e dessa vez usou toda sua força, tirando-a do lugar e a arrastando até a piscina.
— Ah, não. — resmungou ao compreender o objetivo do cachorro.
~~~


suspirou e fitou o editor de texto novamente. Nada parecia certo. Passou os olhos pelos poucos parágrafos digitados e bufou, a frustração o consumindo. Quase suspirou aliviado ao ouvir o interfone tocando e se levantou, caminhando até ele.
. Apartamento 18B. — atendeu.
— Eu preciso da sua ajuda. — choramingou. Ele ouviu alguns latidos de Loki ao fundo.
— O que aconteceu, ? — perguntou preocupado.
— São más notícias. — suspirou. — Loki pulou na piscina e me levou juntou. O zelador está meio bravo e não me deixa usar o elevador. — fez uma pausa. — Você também recebeu uma multa. Nada de cachorros na piscina.
riu baixo.
— Estou descendo e então resolveremos isso, sim? Só pegarei uma toalha.
— Obrigada.
Devolveu o telefone ao seu lugar e correu até seu quarto. Abriu a porta de seu armário e pegou a primeira toalha que encontrou. Calçou os chinelos rapidamente, pegou as chaves em cima da mesa e saiu do apartamento. Chamou o elevador e passou os dedos pelo cabelo com impaciência, praguejando ao lembrar-se do boné esquecido na mesa, ao lado de seu notebook. Agradeceu mentalmente quando o elevador chegou e logo apertou o botão do térreo, em seguida apertando repetidas vezes o outro para fechar as portas.
Suspirou aliviado assim que chegou ao seu destino e caminhou em passos rápidos até a área da piscina. estava encostada numa parede, com as roupas encharcadas e o cabelo pingando. Na mão direita, a guia de Loki estava firmemente presa, mantendo-o ao seu lado.
— Sinto muito por isso, . — lamentou aproximando-se. — Vou entender se não quiser mais passear com ele.
— A culpa foi minha. — prendeu uma mecha atrás da orelha e mordeu o lábio, baixando o olhar. — Não corremos hoje e decidi lhe dar cinco minutos aqui em baixo.
— Não se preocupe com isso. — entregou a toalha a ela. — Enxugue-se enquanto decido o que fazer com esse cachorro.
Ela enrolou-se na toalha e sorriu fraco. acariciou a cabeça de Loki com um sorriso e pegou a guia da mão de , entrando no prédio e sendo seguido de perto por . Pararam na frente do elevador e ele apertou o botão, chamando-o.
— Você vai de elevador. — informou. — Vou com Loki pela escada. Te encontro lá em cima.
— Obrigada, . — murmurou antes de entrar no elevador.
— Não é nada, .
Pressionou o botão do décimo oitavo andar e fechou os olhos assim que o elevador começou a se mover, encostando-se à parede fria. Suspirou ao que o elevador parou no andar e saiu do elevador. Bufou ao perceber que uma pequena poça estava se formando sob seus pés e torceu para que chegasse logo. Após dez minutos, a porta das escadas abriu e Loki apareceu correndo, apareceu segundos depois, estava ofegante e apoiou as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego.
— Estou fora de forma. — murmurou antes de arfar.
ergueu uma sobrancelha. Eu não acho. O homem endireitou-se e tirou as chaves do bolso, caminhando até a porta e a abrindo em seguida. Loki latiu e correu pela casa.
— No sofá não, Loki, você está molhado. — resmungou. — Termine de se secar, . Vou já pegar seu dinheiro e então te levarei em casa. — ela assentiu e mordeu o lábio. — Ah, merda. O pet shop está fechado hoje. — bufou. — Tenho que dar um banho em Loki quando voltar. Assim que descobrir como fazer isso.
— Nunca deu banho num cachorro? — a garota arqueou a sobrancelha.
— Loki geralmente vai ao pet shop e minhas irmãs eram responsáveis pelo banho da Brit. Então, não. — encolheu os ombros.
riu baixo.
— Quer ajuda?
— Ah, sério? — perguntou levantando uma sobrancelha. — Seria ótimo.


Capítulo III – Irresistible

— Podemos fazer isso no banheiro do meu quarto. — propôs. — É maior.
— Por mim tudo bem. — murmurou enquanto o seguia até lá.
Pendurou a toalha na maçaneta e tirou os sapatos, deixando-os no canto do banheiro com as meias dentro. levou o husky para o box e pegou o shampoo de cachorro que sua empregada, Mady, comprara certa vez. A garota entrou no box também e observou Loki, que estava encolhido no canto enquanto organizava alguma outra coisa.
— Sabe qual a reação dele durante o banho, pelo menos?
— Não pode ser tão ruim, não é? Ele pulou numa piscina!
riu e agachou, estendendo a mão na direção de Loki, que cheirou seus dedos e então esfregou a cabeça em sua mão, fazendo-o se aproximar.
— Eu posso... hm? — começou, mostrando o shampoo. riu baixo e assentiu.
— Claro, .
Despejou o shampoo nas costas do cachorro e começou a espalhar, o ajudou o que fez suas mãos tocarem algumas vezes. Loki choramingou e tentou sair do lugar, porém foi impedido pela garota. Levaram-no para debaixo do chuveiro, enxaguaram e então o husky se sacudiu, jogando água nos dois. desviou o olhar ao que a regata branca de ficou ensopada, corando imediatamente. Concentrou-se em Loki, massageando seu pescoço em uma tentativa de acalmar-se. Seu coração batia rápido e podia senti-lo olhando-a, o que lhe deixou mais nervosa. Continuaram trabalhando em silêncio e perfeita harmonia, tocando-se apenas quando desejava e o fazia.
não podia evitar os pensamentos que invadiam sua mente e a vontade incontrolável de ser beijada por ele naquele momento. Observou que não estava fora de forma, definitivamente. Se não o “conhecesse”, acharia que era o tipo de cara que passa pelo menos duas horas de seu dia se exercitando. Aproveitou que estava distraído com Loki e o analisou pelo que deveria ser a milésima vez naquelas duas semanas. Era impossível não passar ao menos alguns minutos de seu dia observando . Ou desejando fazê-lo. Imaginou como seria beijá-lo, os braços fortes a envolvendo e apertando sua cintura, enquanto suas línguas brincavam em perfeita harmonia.
? — chamou, levando sua imaginação a um nível perigoso. — Você quer tomar um banho?
— O quê? Banho? — O que realmente queria dizer: Com você? Quero!
riu baixo da falta de atenção da garota.
— Já acabamos com Loki. Você pode tomar um banho, se quiser, antes que eu a leve em casa. Imagino que não queira chegar em casa molhada e com cheiro de shampoo de cachorro, quer?
— Você tem razão. — mordeu o lábio.
— Vou pegar uma toalha para você. — murmurou.
Terminou de secar Loki e saiu do banheiro com ele, deixando sozinha. Ela suspirou e tirou a camiseta assim que ele saiu, querendo acabar logo com aquilo. Tirou o short jeans, jogando no canto junto com a camiseta, e pendurou as roupas intimas no box. Assustou-se ao ouvir batidas na porta e xingou-se mentalmente, já que deveria tê-la trancado.
— Sim?
, deixei a toalha pendurada na maçaneta. Você pode usar o roupão que está aí, depois do banho e colocar suas roupas na secadora. Estarei na sala com Loki.
— Tudo bem, obrigada.
Tentou continuar o banho, ignorando o fato de estar meio assustada. Lavou os cabelos e passou longos minutos sob a água quente, tentando relaxar minimamente. Caminhou até a porta do banheiro rapidamente e a abriu, colocando apenas a mão para fora e pegando a toalha. Secou-se rapidamente e agradeceu ao ver que suas roupas intimas estavam quase secas, então vestindo-as e depois o roupão de , que ficou grande, já que havia uma diferença de tamanho considerável entre seu corpo e o dele, amarrando-o firmemente na cintura. Penteou o cabelo com os dedos rapidamente e recolheu suas roupas e os sapatos. Respirou fundo e saiu do banheiro, indo até a sala. parou sua brincadeira com Loki ao percebê-la e sorriu.
— Melhor agora?
— Sim. Muito obrigada. — murmurou timidamente, apertando as roupas contra o corpo ao cruzar os braços.
— Acho que tenho algo que pode lhe deixar mais confortável. — comentou, se aproximando. As bochechas da garota coraram fortemente e riu baixo. — Há algumas roupas da minha prima no outro quarto, algo deve servir em você. O que acha?
— Seria ótimo.
— Venha comigo. — murmurou, indo pelo corredor, sendo seguido de perto por ela. Entrou no quarto de hospedes e abriu a porta de um dos armários, observou as roupas por algum tempo e então sorriu para , que retribuiu timidamente. — Voltarei ao meu quarto, também preciso de um banho. Pegue o que precisar, garanto que Natalie não se importaria. Há um banheiro ali, caso necessite ou ache melhor.
— Obrigada, .
— Posso te pedir uma coisa? — arqueou uma sobrancelha.
arregalou levemente os olhos.
— C-claro.
— Pare de me agradecer. — riu baixo. — Não é nada extraordinário.
Ela riu nervosamente e assentiu.
— Sinto muito.
— Não se preocupe. — pegou suas roupas e sapatos. — Vou colocar isso na secadora pra você.
sorriu agradecida e ele saiu do quarto. Observou as roupas por algum tempo e escolheu um dos vestidos, de alças finas e florido. No banheiro, tirou o roupão de e o vestiu. Demorou-se arrumando o cabelo longo, que decidiu prender em um coque. Voltou a sala e encontrou Loki deitado no sofá, sorriu e sentou-se ao seu lado, acariciando-o.
? — chamou, minutos depois.
— Sim? — parou de acariciar Loki ao ver seu dono entrando na sala apenas de bermuda e secando o cabelo com uma toalha, não pôde deixar de observar seu abdômen definido.
— Você ficou bem com essa roupa. — elogiou.
— Obrigada. Tem certeza que Natalie não se importa?
— O que os olhos não veem o coração não sente. — brincou. — Tenho certeza de que ela não se importa, . De qualquer jeito, suas roupas já estão na secadora, não acho que você vá passar muito tempo com esse vestido.
Assentiu e acariciou Loki atrás da orelha. sorriu e sentou ao seu lado no sofá, pendurando a toalha no pescoço. Ela tentou ignorar o quão sexy ele lhe parecia naquele momento e concentrou-se em Loki.
— Você quer beber alguma coisa? Água? Refrigerante? Suco? Vinho? — o encarou com uma sobrancelha levantada. Ele estava brincando, certo? riu. — Não me olhe assim, , é brincadeira.
— Refrigerante seria legal.
Ele assentiu e se levantou, caminhando até a cozinha. levantou também e foi até a varanda, sendo seguida por Loki. Apoiou-se na grade e observou a cidade, sorriu com a brisa leve em seu rosto. Riu ao sentir as patas de Loki em sua cintura e vê-lo apenas nas patas traseiras e acariciou sua cabeça.
— Loki é mesmo carente. — observou, entrando na varanda. — Ou gosta muito de você. — lhe estendeu um dos copos que segurava. — Seu refrigerante.
— Obrigada. — pegou o copo, evitando tocá-lo, e bebericou.
Ele sorriu de canto e bebeu o conteúdo de seu copo também, fitando-a. corou e prendeu uma mecha escura atrás da orelha.
— Então... — murmurou, tentando iniciar uma conversa. — Por que já trabalha? Você tem dezessete, né? Deveria aproveitar um pouco mais.
Ela riu baixo.
— É só durante o verão. Meu cantor favorito vai fazer um show por aqui e quero muito ir. — deu de ombros.
— Justin Bieber? — perguntou arqueando uma sobrancelha e deixou seu copo, já vazio, em cima da pequena mesa ali.
— Não. — riu. — Johnny Keller.
— Johnny? — gargalhou e a garota corou. Imediatamente, sentiu-se ridícula e infantil. — Eu não acredito. Você gosta de Johnny Keller?
— Algum problema? — arqueou uma sobrancelha.
— Problema nenhum. — sorriu. — Sinto muito por fazê-la pensar isso, é só que... Eu conheço Johnny.
— Você o quê?! — sua voz subiu algumas oitavas, fazendo o sorriso de aumentar. — Está brincando, né?
— Lembra-se daquela vez que ele foi pego dirigindo bêbado? — assentiu. Como poderia esquecer? Sua família e amigos a criticaram por dois meses. — Fui seu advogado. Somos meio que amigos de infância.
— Não brinque com uma coisa dessas, . — censurou.
— Eu não estou brincando. Posso te provar, sim?
Arqueou uma sobrancelha. Ele riu com o desafio e puxou o celular do bolso, mexeu por algum tempo e então mostrou a ela. O nome Johnny K. estava no visor com uma foto do cantor e ativou o viva-voz. Ela mordeu o lábio inferior nervosamente enquanto chamava e deixou seu copo ao lado do de , cruzando os braços em seguida.
— Alô?
— Ei, Johnny.
— Payno? — Johnny riu baixo e arregalou os olhos. Reconheceria aquela voz em qualquer lugar. estava falando com Johnny Keller, seu ídolo. Era inacreditável. — E aí? Como estão as coisas?
— Tudo bem por aqui, e aí?
— Tudo tranquilo.
— Fiquei sabendo que você estará em Columbus em breve.
— Sim, farei alguns shows por aí. — alguns? O coração de acelerou. — Quer ingressos? Posso te arranjar.
sorriu e fitou . Quer? Perguntou apenas movendo os lábios, sem emitir som, fazendo-a corar violentamente.
— Conheço uma pessoa que adoraria ir e, bem, está dando duro para isso. Pode me arranjar dois?
— Falarei com Tifanny, chegarão aí com uma semana de antecedência. Pode me passar o endereço por mensagem depois?
— Claro. — sorriu, percebendo que se controlava. — Ei, quer jantar em casa quando estiver por aqui?
— Seria ótimo. Resolvemos depois? Tenho uma entrevista em vinte minutos.
— Até depois, JK.
— Até, Payno. Foi bom falar com você.
sorriu e desligou, levantando uma sobrancelha para .
— Acredita em mim agora? — mordeu o lábio e assentiu, completamente corada. Sorriu e colocou o celular no bolso novamente. — Te aviso assim que os ingressos chegarem.
— O quê? — arregalou os olhos azuis. — E-eu não... , eu...
— Achou que eu estivesse falando de outra pessoa? — indagou franzindo o cenho.
— Talvez. — admitiu.
— Bem, eu não estava. — sorriu de canto. — Podemos ir ao show e depois conhecer Johnny.
— Sério? Ah, meu Deus! — o abraçou sem pensar, dominada pela felicidade que sentia. — Obrigada, .
Assustou-se ao lembrar que ele estava sem camisa e tentou se afastar, porém foi impedida pelas mãos de em suas costas. As suas foram para frente do corpo, corando mais ao perceber que tocavam o peito nu de . Fitou seus olhos castanhos e percebeu que ele encarava seus lábios, tendo sua atenção sendo atraída para os dele ao que sua língua deslizou por eles rapidamente. Sentiu a respiração quente em seu rosto e só então se deu conta da proximidade dele, prendendo a respiração. Fechou os olhos ao sentir os lábios dele pressionarem os seus delicadamente e permitiu que aprofundasse o beijo. Suas mãos deslizaram até a nuca de , o aproximando mais enquanto suas línguas se acariciavam e ele apertou sua cintura com uma das mãos. Era bom naquilo, de fato. Provavelmente por ser mais velho e ter mais experiência. Arregalou os olhos ao lembrar-se disso e o afastou delicadamente.
— N-nós não podemos fazer isso. — gaguejou.
— O que nos impede, hm? — a mão que apertava sua cintura subiu até seu rosto e acariciou sua bochecha com o polegar lentamente.
— Idade. — murmurou debilmente, sabendo que se não fosse pela mão de , ainda em suas costas, estaria no chão graças às pernas bambas e traidoras.
— É só um número, . — ronronou, segurando-a pela cintura com as duas mãos e esfregando seu nariz no pescoço dela e então subindo até a bochecha, onde beijou rapidamente e perigosamente perto de sua boca. Fechou os olhos para aproveitar as sensações que ele lhe provocava e foi surpreendida por um selinho. Aquele homem não podia ser real. Retribuiu o beijo e o sentiu sorrir.
Passaram mais alguns minutos ali, presos nos braços um do outro, no seu próprio mundo. tinha um sorriso bobo quando os braços de cercaram sua cintura e desceu os beijos para seu pescoço, arrepiando-a.
— Eu não acredito nisso. — riu baixo, a mão direita acariciando a nuca de e o sentindo estremecer sob seu toque. Loki latiu algumas vezes e então choramingou, atraindo a atenção dos dois. — Acho que alguém está com ciúmes.
— De mim ou de você? — a encarou, arqueando uma sobrancelha.
— Não sei. — mordeu o lábio. — O que você acha?
— Me sinto menos mal pensando que é por mim. — respondeu, arrancando um riso dela.
— Você é um idiota, . — acariciou seu rosto e fitou os olhos castanhos. — Quantos anos você tem mesmo?
— Vinte e seis.
— Não é uma diferença meio grande? — perguntou receosa. — Digo, são quase dez anos.
— Sinceramente? — beijou a ponta de seu nariz e então sorriu. — Eu não ligo. Pare de pensar nisso, .

— Sabe, quando você estava com dezoito, eu estava brincando de boneca com minhas amigas. Não é estranho quando paramos pra pensar?
riu.
— Você brincava de boneca aos nove anos?
— É uma suposição, . Eu não lembro nem o que jantei ontem.
— Pizza. — murmurou.
— O quê? — perguntou assustada, lembrando-se que pizza havia sido seu jantar após mais um dos fracassos culinários de sua mãe.
— Eu jantei pizza. — riu da expressão dela. — Estava checando minha memória.
— Eu também, minha mãe é um desastre na cozinha. — revirou os olhos. — Você sabe cozinhar? Tem vinte e seis anos e mora sozinho, deveria.
— Posso me virar, mas a ideia de ter alguém que faça isso por mim me agrada mais. — deu de ombros. — A comida de Mady é muito melhor que a minha.
— Ela vem hoje? — perguntou brincando com o colar em seu pescoço.
— Hoje é sábado, então não. — sorriu torto. — Pessoas comuns não trabalham de fim de semana, sabe? Só advogados com casos urgentes e passeadoras de cachorros que precisam de dinheiro para um show.
— Você, no caso. Não preciso mais de dinheiro para esse show, um cara conseguiu ingresso pra mim. — piscou, provocando-o.
— Sério? — fingiu surpresa. — Deve ser um cara legal.
— Um pouco. Ele beija bem, também. — encarou os lábios dele.
— Posso entrar na competição? — perguntou aproximando seu rosto.
— Fique a vontade.
sorriu pouco antes de beijá-la. Sorriu durante o beijo e apertou a cintura da menina, fazendo-a suspirar e jogar a cabeça para trás, deixando o pescoço exposto. Ele sorriu e beijou ali, esfregando a barba em seguida, o que a fez estremecer. colou seus lábios novamente e iniciou um beijo urgente, afastaram-se e a abraçou.
?
— Hm? — o encarou, sorrindo ao vê-lo sorrir.
— Quer comer alguma coisa? Você chegou cedo, foi passear com Loki, caiu na piscina e ainda me ajudou com o banho dele. Deve estar faminta.
— Meu café da manhã foi aquele copo de refrigerante. — admitiu.
— Vamos preparar alguma coisa para você, então.
Entrelaçou seus dedos aos dela e a guiou a cozinha.
— Quer um sanduíche? Cereal? Suco? — perguntou confuso. — Eu não tenho ideia do que você possa gostar.
— Você já comeu? — perguntou e sorriu de canto ao vê-lo balançar a cabeça. — Posso fazer sanduíches?
— Fique a vontade.
— Eu vou... hm... — coçou a nuca e indicou o tablet que estava na bancada. assentiu e ficou na ponta dos pés, lhe dando um selinho antes de se afastar e começar a procurar o que necessitaria.
tentou focar-se nos documentos que precisava analisar, porém a presença de o desconcentrava. A observou em silêncio por alguns minutos, concentrada enquanto cozinhava. O vestido florido de Natalie ficava na metade de suas coxas, permitindo que admirasse suas pernas. O cabelo escuro agora estava preso em um coque e os pés estavam descalços, sorriu com a cena, ela parecia ambientada ali.
Desistiu do trabalho e deixou tudo na bancada, caminhando até a garota com um pequeno sorriso nos lábios.
, você pode ficar sentado ali e não me atrapalhar? — indagou ao sentir os braços dele cercando sua cintura.
— Estou atrapalhando? — beijou seu ombro nu e então apoiou o queixo em seu ombro, esfregando a barba por fazer ali, pois já sabia que gostava.
— Desconcentrando é a palavra certa. — murmurou, tentando em vão ignorar o que lhe provocava e continuar com os sanduíches.
— Sinto muito. — sussurrou de modo provocador e mordeu levemente seu pescoço. — Não foi minha intenção.
— Sabemos que foi, . — revirou os olhos e ele riu baixo.
— Talvez. — admitiu.
— Os sanduíches estarão prontos em um minuto. — murmurou, virando-se e o encarando.
deu um meio sorriso e iniciou um beijo calmo, mas mordeu seu lábio inferior levemente e arranhou seu abdômen, provocando-o. Ele enterrou os dedos em seu cabelo, bagunçando o coque e aumentou o ritmo dos lábios sobre os seus. Ela sorriu e se afastou, ficando na ponta dos pés e beijando seu maxilar.
— Não faça isso, .
— O quê? — perguntou pouco antes de morder o lóbulo de sua orelha.
— Você está me provocando.
— Estou? — fitou seus olhos castanhos cheios de desejo.
Aumentou o aperto em sua cintura e beijou-a com urgência, depois descendo os beijos para seu pescoço e dando algumas leves mordidas também.
... — chamou — Eu... hm.. Os sanduiches, lembra?
Ele riu baixo e a abraçou apertado, escondendo o rosto em seu pescoço e inalando seu perfume. Depositou alguns beijos ali e então lhe deu um selinho
. — Termine logo isso, . Podemos continuar depois.
Ela selou seus lábios rapidamente mais uma vez e voltou a cozinhar. encostou-se ao balcão e cruzou os braços observando-a. Ela corou ao perceber seu olhar intenso e mordeu o lábio. Terminou os sanduíches rapidamente e o encarou, a vermelhidão em seu rosto aumentando assim que constatou que ainda a olhava.
— Acabei. — anunciou envergonhada.
— Você consegue ficar ainda mais bonita com vergonha. — elogiou com um sorriso de canto.
— Pare com isso.
— O quê? — arregalou levemente os olhos.
— Esse modo como está me olhando.
— Como? — perguntou se aproximando e colocando as mãos em sua cintura, gostava de tê-la com ele.
— Desse jeito que me deixa envergonhada. Você olha por muito tempo e... Eu não sei, é de um jeito diferente.
— Sinto muito, não foi minha intenção.
Afastou-se e pegou os sanduíches, a mão livre pegando a de e a guiando até a mesa. Sentaram e comeram em silêncio, apenas trocando alguns olhares.
— Minhas roupas já secaram? — a garota perguntou após algum tempo que haviam terminado com os sanduíches.
— Vou ver, acredito que sim. — sorriu e se levantou, indo para a área de serviço.
Só então percebeu Loki na cozinha, sorriu e lhe mandou um beijo, fazendo o husky caminhar até ela e apoiar a cabeça em sua coxa. Acariciou-o por alguns minutos, pensando no que acontecera entre e ela. Sorriu ao vê-lo voltar com suas roupas e se levantou, pegando-as.
— Vou me trocar. — avisou antes de sair dali.
Caminhou até o quarto de Natalie e se trancou a porta antes de se trocar. Vestiu seu short e sua camiseta rapidamente e dobrou o vestido, deixando-o em cima da cama. Calçou seu sapato e saiu, voltando à sala e encontrando no sofá. Tinha um copo em uma das mãos e a outra acariciava Loki distraidamente.
? — chamou atraindo sua atenção. — Eu tenho que ir, minha mãe pode estar preocupada.
— Eu te levo. — murmurou se levantando.
— Não precisa, sério.
— Para compensar o que Loki fez hoje, hm?— sorriu. — Só vou pegar minha carteira e colocar uma camiseta.
Ela assentiu e encostou-se a porta, enquanto ele ia até o quarto. Brincou com seu colar pelo que pareceram longos minutos e então ele estava de volta, sorriu e colocou a chave do carro e a carteira no bolso da bermuda. Colocou o boné e dirigiu-se a porta, destrancando-a e saindo com . Ela apertou o botão do elevador e trocaram alguns olhares enquanto esperavam.
— É um carro legal. — ela elogiou ao chegarem à garagem e desativar o alarme do Veloster branco.
— Obrigado. — sorriu de canto e abriu a porta para ela. — Vamos?
assentiu e entrou, observando-o enquanto dava a volta no carro. Sorriu assim que ele entrou também e colocaram os cintos.
— Onde fica sua casa? — perguntou ligando o rádio.
Ela murmurou as coordenadas e mordeu o lábio, observando pela janela. Ele parecia concentrado e pensativo, então decidiu não incomodá-lo com conversa. Não pôde se controlar ao ouvir sua música favorita tocando e começou a cantar baixo, atraindo a atenção de , que aguardou pelo refrão e a acompanhou, fazendo-a corar.
— Você canta bem. — ele elogiou ao final da música.
— Obrigada. — sorriu de canto.
— É aqui? — perguntou ao entrar numa rua.
— Aquela casa branca. — apontou.
Ele assentiu e estacionou em frente a casa, sorrindo para .
— Está em casa. Sinto muito por toda a confusão com Loki.
— Tudo bem. — riu baixo e soltou o cinto. — Não foi tão ruim. — mordeu o lábio e o encarou. — Bem, estou indo. Tchau, .
— Ei, . — tocou seu braço antes que abrisse a porta, fazendo-a virar.
— Sim?
Soltou o cinto rapidamente e inclinou-se, beijando-a. As duas mãos dela foram para a nuca do rapaz e a dele para sua cintura, apertando levemente. Os dedos de brincaram com o cabelo de sua nuca e ele mordeu levemente seu lábio inferior antes de encerrar um beijo com um selinho demorado.
— Até amanhã?


Capítulo IV – Jealous

bocejou e abriu os olhos lentamente, olhando em volta. Estava no sofá, havia passado boa parte de sua noite ali, após se revirar em sua cama pensando em e no que havia dito assim que se beijaram a primeira vez. Nós não podemos fazer isso. A voz dela ecoava em sua cabeça. Os malditos nove anos de diferença estavam entre eles e após pensar a noite inteira, não estava tão confortável com a ideia. Sentiu a cabeça de Loki se esfregando em sua mão meio pendurada e o acariciou atrás da orelha, sorrindo ao ver a animação do cachorro.
Espreguiçou e então se levantou, caminhando até a cozinha com o husky logo atrás dele. Abriu a geladeira e pegou o leite, despejando na primeira caneca que encontrou e bebendo. Adorava leite gelado. Deixou a caneca na pia assim que terminou e foi até a área de serviço, abrindo a porta do pequeno armário e pegando o saco a ração de Loki. Ainda atrás do dono, Loki latiu duas vezes e abanou o rabo, fazendo-o sorrir. Usou a caneca de plástico que estava ali e a encheu duas vezes, colocando na tigela azul do cachorro. Abriu uma das latas de pedaços de carne ao molho e jogou por cima, misturando com uma colher de plástico que deixava ali.
— Aqui está seu café da manhã, garotão. — murmurou antes de deixar a tigela num canto e acariciou a cabeça de Loki antes que ele começasse a comer.
Por algum motivo, a imagem de tentando se afastar e pará-lo voltou a sua mente. Suspirou. A diferença de idade não era tão grande assim. Era? Tentou tirar aquilo da cabeça e lavou a colher, antes de deixá-la em seu lugar. Guardou o saco de ração e saiu dali, deixando Loki em paz para sua refeição. Escolheu um dos pacotes de bolachas no armário e foi à varanda. Sentou-se numa das cadeiras ali e passou algum tempo pensando e comendo distraidamente. Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto ao lembrar-se dos beijos com ali um dia antes, mas já estava decidido a encerrar aquele relacionamento antes que se tornasse algo mais sério. Não era certo, com certeza.
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— Aonde vai, querida? — Sally perguntou ao ver a filha descendo as escadas, estava mais arrumada do que em qualquer outro domingo pela manhã. Usava short jeans e uma regata branca, com sua camisa xadrez vermelha preferida por cima. Usava uma de suas toucas cinza e parecia estar levemente maquiada.
— Tenho um cliente que precisa de mim todos os dias. É um cachorro complicado. — deu de ombros. — Mas estou recebendo bem por isso.
— Não gosto de te ver trabalhando tanto. — suspirou.
— Posso ir com você? — Allison, sua irmã de oito anos, perguntou com um sorriso. Seu cabelo dourado e com leves cachos caia até a metade das costas, as bochechas estavam levemente coradas, provavelmente pela brincadeira com o pinscher miniatura da família, Toddy. Os olhos azuis brilhavam em ansiedade.
fez uma leve careta enquanto pensava. Abaixou levemente e encarou a irmã.
— O que acha de sairmos assim que eu voltar? Podemos dar uma volta com Toddy.
— Por que não posso ir agora?
— Já tenho trabalho suficiente cuidando apenas de Loki, não consigo lidar com uma garotinha e outro cachorro também. — sorriu de canto.
— Promete que saímos assim que você voltar? — indagou erguendo o mindinho direito. riu e o entrelaçou ao seu.
— Prometo.
Beijou a bochecha de Allison e despediu-se da mãe antes de sair da casa. Colocou seus fones e deixou uma das músicas de Johnny tocando enquanto caminhava até o apartamento de . Sorriu para o porteiro, que logo permitiu que entrasse. Caminhou rapidamente até o elevador e sorriu satisfeita ao ver que já se encontrava no térreo, apertou o botão do décimo oitavo andar e se balançou nos calcanhares enquanto esperava. Saiu assim que as portas se abriram e tocou a campainha. Ouviu latidos de Loki e algum tempo depois abriu a porta, sua expressão estava séria e não deu o habitual meio sorriso ao ver .
— Bom dia, . — cumprimentou, dando espaço para que entrasse.
— Bom dia. — sorriu timidamente e entrou, as bochechas levemente coradas. O sorriso aumentou ao ver Loki latindo para ela e abanando o rabo, abaixou-se e o acariciou. — Como vai, Loki? Pronto para o nosso passeio?
— Falando nisso... — começou, coçando a nuca. — Posso ir com vocês?
— Claro. — mordeu o lábio e levantou. — Está tudo bem? Você está quieto.
— Sim. Só um pouco preocupado com coisas do trabalho. — deu de ombros. — Vou pegar a guia dele, só um minuto.
Assentiu e ele se afastou. Ele estava mais frio, definitivamente. A mudança era notável. continuou acariciando a cabeça de Loki, distraidamente. Tentava compreender a mudança no comportamento de . Será que tinha feito algo errado?
Foi arrancada de seus pensamentos assim que ele voltou à sala, a guia preta de Loki em mãos. Prendeu-a na coleira e estendeu a , evitando tocá-la, exatamente o contrário dos outros dias. Esperou que abrisse a porta e saíram, fingiu interesse no elevador enquanto trancava a porta, observando os números do mostrador atentamente. O silêncio até o térreo foi absoluto, o que fez acariciar Loki em uma forma de tentar se acalmar.
— Então... — começou assim que saíram do elevador. — Aonde vamos?
— Eu normalmente ando alguns quarteirões. — deu de ombros. — Quer ir ao parque?
Assentiu.
— Parece bom.
Saíram do prédio e ele a observou, esperando que começasse seu caminho. corou e chamou Loki, puxando levemente a guia e começando a andar. a seguia com alguma distância, procurando uma maneira de começar o assunto e magoá-la o mínimo possível, apenas se aproximando quando ela aumentou o ritmo. Correram até chegar ao parque, sem trocar uma palavra, a confusão dominando a mente de . Pegou a guia da mão de sem falar nada e soltou Loki, permitindo corresse livremente.
— Tem certeza que está tudo bem? — ela perguntou enquanto caminhavam pelo parque.
Ele fez uma careta. Quanto mais rápido melhor, pensou. Como arrancar um curativo, certo?
— Acho melhor falar de uma vez. — parou, tentando descobrir como continuar. — Acho que não devíamos continuar com tudo que aconteceu ontem.
— Se arrependeu? — arqueou uma sobrancelha.
— Não. Mas não estou completamente confortável com essa ideia. Eu não conseguiria ficar em paz, entende? Eu pensei melhor sobre toda essa situação e acredito que devemos parar por aqui.
— Não entendo. — franziu o cenho. — Ontem você me disse que idade não importava, era só um número.
— Eu não consigo mais, . Como já disse, eu passei a noite pensando e não é uma boa ideia.
— Isso não é pedofilia, . — deu um meio sorriso.
— Eu sei. Sou advogado, lembra? — revirou os olhos.
— Ok, senhor advogado. Vou te deixar em paz.
Cruzou os braços e continuaram caminhando, os olhos azuis de fixos em Loki, que trotava um pouco mais a frente.
— Jay-Z! — ela lembrou.
— O que tem ele? — arqueou uma sobrancelha.
— Doze anos mais velho que a Beyoncé.
— Legal. — deu de ombros. — Mas não sou o Jay-Z.
— Brad Pitt. Doze anos.
... — suspirou e pressionou as têmporas com a mão livre. — Eu só...
— Bruce Willis? Nicolas Cage? — deu um meio sorriso, desafiando-o. — Não esqueça Charlie Chaplin, trinta e sete anos entre ele e OonaO’Neill. Vamos lá, , não é tão ruim assim. Há muitos casais piores.
— Sinto muito, . Eu não consigo, entende? Não importa o quanto queremos.
— Então você quer?
Pensou por algum tempo e afirmou com a cabeça algumas vezes.
— Querer não é poder ou dever, . — seu tom indicava que o assunto não estava aberto à discussão e ela preferiu ficar quieta. — Isso não é certo, . E mal nos conhecemos.
— Vamos nos conhecer, então. Sou e... — se aproximou e fitou os olhos castanhos dele. — Gosto de você.
— É sério, .
— Até o príncipe Phillip é alguns anos mais velho que a Aurora. — deu de ombros.
— Do que está falando? — perguntou confuso.
— A Bela Adormecida. — sorriu envergonhada. — Sinto muito, é que vi esse filme com a minha irmã ontem.
— Tem uma irmã? — arqueou uma sobrancelha.
— Sim, ela tem oito anos. — suspirou. — Eu não sei, só... — interrompeu-se ao ver um loiro conhecido aproximando-se de Loki. — Me dê a guia. — exigiu estendendo a mão na direção de .
Ele franziu o cenho mas a entregou sem protestar. correu na direção de Loki, chamando-o diversas vezes e Drake sorriu ao vê-la.
— Ei, . — chamou e acenou, atraindo a atenção de Loki, que mudou sua postura completamente, deixando de ser relaxada e tornando-se ofensiva. Os pelos eriçaram, ergueu a calda e estava na ponta das patas, o focinho franziu ao rosnar baixo, expondo os dentes.
— Fique quieto, Drake. — ela murmurou ofegante se aproximando de Loki. — Loki, garoto, venha cá. — estendeu a mão em sua direção, oferecendo carinho.
— Ah, o vilãozinho, né? — ele zombou e Loki latiu algumas vezes.
— Cala a boca, Drake. — ela repreendeu e logo mudou o tom. — Loki, venha cá.
— Loki. — chamou e assobiou, só então ela percebeu a presença dele ao seu lado. A postura do cachorro mudou mais uma vez, tornando-se submissa. O rabo foi parar entre as pernas e ele abaixou as orelhas. Se virou e olhou o dono. — Não está ouvindo? Venha cá, garoto.
Ele rapidamente atendeu ao chamado, caminhando até de forma quase rastejante. o prendeu na guia e acariciou sua cabeça, tentando acalmá-lo.
— Você é? — Drake perguntou erguendo uma sobrancelha.
— O cara que acabou de te salvar de uma bela mordida? — perguntou sarcasticamente. — .
— Drake Reynolds.
— Então, ... — limpou a garganta. — Esse foi o garoto da minha escola que falei outro dia, lembra? O qual Loki não gostou muito e que pagou minha água.
— Lembro perfeitamente. — suspirou.
— Será que podemos conversar,? — Drake perguntou com um meio sorriso.
A garota encarou e mordeu o lábio. Ele suspirou.
— Vou deixar vocês sozinhos. — pegou a guia de Loki da mão de e se afastou.
— O que foi, Drake? — perguntou cruzando os braços assim que ele estava longe o suficiente.
— Quero pedir desculpas por ser um idiota com você. — sorriu torto, fazendo-a arquear uma sobrancelha. — E, para compensar tudo que fiz, pensei que poderíamos sair qualquer dia desses. Ir ao cinema, boliche... — deu de ombros. — Você escolhe.
— Eu não sei, Drake. — mordeu o lábio, nervosa. — No momento eu estou completamente focada nesse meu... trabalho. Isso está tomando todo o meu tempo livre.
— Bem... — tirou um pedaço de papel do bolso. — Me ligue quando tiver um horário livre, farei o possível para nos encontrarmos.
Assentiu e o beijou no rosto antes de se afastar com um sorriso tímido nos lábios. Encontrou e Loki em baixo de uma árvore. O rapaz parecia pensativo e sua mão acariciava o cachorro que estava deitado e completamente relaxado.
— Oi. — murmurou timidamente, antes de sentar ao seu lado.
— O que ele queria? — se xingou mentalmente ao perceber que a pergunta havia escapado de seus lábios e os espremeu em uma linha fina.
— Pedir desculpas por ser um idiota. — um pequeno sorriso involuntário surgiu no rosto de ao ver a expressão de e abaixou a cabeça, esperando que ele não percebesse.
— Te chamou para sair? — fez uma careta.
— Sim. — murmurou distraidamente arrancando uma folha da grama. — Estou pensando em aceitar.
— Hm... — murmurou desinteressado, fazendo uma careta.
~~~

— Alli, está pronta? — perguntou ao entrar em casa.
— Sim! — respondeu prontamente, o cabelo loiro agora estava preso em um rabo de cavalo alto e Toddy estava preso na guia verde que ela segurava firmemente.
— O que acha de irmos até a casa de ? Preciso falar com ela. — deu um sorriso cansado.
— Sério, ? Por que sempre temos que encontrá-la? — Allison bufou. sorriu. Desde que se mudaram, Allison desenvolveu um ciúme louco por ela. A ausência do pai a deixara mais carente.
— Te compro alguns doces no caminho, hm?
— Vamos logo! — ela falou animadamente e saiu da casa, arrastando Toddy junto.
riu e a seguiu, caminhando ao seu lado durante o trajeto até a casa de . Toddy farejava tudo pelo caminho e as fazia parar várias vezes, causando impaciência em Allison. A mais velha o colocou no colo assim que chegaram a uma pequena loja de doces e deixou que a loira escolhesse o que quisesse, pegando alguns para dividir com enquanto conversavam. Pagou e saíram da loja, prendendo a guia de Toddy no pulso antes de continuarem o caminho até a casa de sua melhor amiga.
— Você sente falta do papai? — Allison perguntou antes de colocar uma das balas de morango na boca.
suspirou, fitando seus pés.
— Sim. — admitiu.
— Sério? — a garotinha arregalou os olhos azuis.
— Sério. Não há nada errado em sentir falta das pessoas que amamos.
— Vovó e a tia May não acham que ele seja uma boa pessoa. — argumentou. — Falaram isso para mamãe outro dia.
mordeu o lábio e abraçou pelos ombros.
— As pessoas têm opiniões diferentes. — explicou. — Elas não sabem como mamãe e papai brigavam todos os dias, nós sabemos. Acho que estamos melhor assim, hm?
— Eu não gostava de vê-los brigando.
— Eu sei. — riu. — Por isso eu deixava que você dormisse comigo todos os dias.
— Você é uma irmã legal, . Eu gosto de você. Mary Ann diz que ela e a irmã brigam muito, fico feliz por você não ser assim.
— Você é irritante às vezes. — deu de ombros. — Mas continuo te amando, pois é minha irmã.
— Você é mais chata que eu. — Allison defendeu-se rindo.
fez uma careta e parou na frente ao prédio de . Tirou o celular do bolso e ligou para a amiga, pedindo que descesse. Ela apareceu minutos depois, o cabelo loiro preso em um rabo de cabelo meio bagunçado, usava shorts jeans e uma regata em um tom de rosa claro.
— Hey, . — cumprimentou se aproximando.
— Como vai, ? — sorriu de canto.
— Bem. E você com o cliente gostoso? , hm?
fez uma careta, uma forma de pedir que não falasse nada perto de Allison.
— Preciso te contar algumas coisas.
— Quer dar uma volta?
Assentiu e começaram a andar, dividindo o saco de doces que carregava. Allison corria com Toddy um pouco mais a frente.
— O que aconteceu, ?
e eu nos beijamos ontem. — contou.
— Vocês o quê?! — quase gritou.
— Fale baixo. — repreendeu. — Mas hoje me disse que não queria nada, acha que sou muito nova.
Não podia negar que se sentia rejeitada e errada, até um pouco triste, apesar das explicações dele.
— Quantos anos ele tem? — A loira ergueu uma sobrancelha.
— Vinte e seis. Não é uma diferença tão grande, é? Existem pessoas com diferenças maiores. — deu de ombros. — Jay-Z e Beyoncé, Brad e Angelina...
— Você pesquisou?
corou violentamente.
— Talvez. — admitiu.
— O que ele disse, exatamente?
— Que ele pensou melhor e não parecia uma boa ideia. Ele não estava confortável.
— Provoque-o. — deu de ombros. — Se conseguir provocá-lo o bastante, ele deve desistir disso, não?
— Eu não sei... — suspirou. — Isso não me parece a solução. Ele também acha que não nos conhecemos o suficiente. Talvez eu só deva deixar pra lá. Não deve estar querendo nada sério no momento e usou essas desculpas.
— Vai mesmo deixar um gostoso daquele escapar? — revirou os olhos.
— Como você e estão? — indagou tentando mudar o foco da conversa.
— Ele é muito fofo, acho que estou gostando mesmo dele. — deu de ombros. — Me conta uma coisa?
— Claro. — deu de ombros, seus olhos fixos em Allison e Toddy a sua frente.
— Como é o beijo do ?
Ela riu. Pensou por algum tempo, procurando uma forma de descrever tudo o que lhe havia proporcionado com aqueles beijos.
— Divino.
— Sério? — animou-se. — Quero mais detalhes. Onde estavam?
— Na varanda, depois que ele ligou para Johnny Keller e me conseguiu ingressos. — pausou ao ver a expressão confusa da amiga. — Explico depois. Eu estava feliz e dei um abraço para agradecer e acabou acontecendo. — corou. — Eu o ajudei com o banho de Loki, então... — limpou a garganta. — Ele estava sem camisa.
— Eu não acredito! Você é tão sortuda. — grunhiu. — De zero a dez?
— Nove e meio. Pouquíssimo para chegar ao dez. — mordeu o lábio.
— Só não estou com muita inveja por que o também não se é de jogar fora.
— E foi tão fofo comigo ontem, Cas. Mas hoje ele estava todo estranho e distante quando cheguei logo percebi que algo... — interrompeu-se ao sentir o celular vibrando no bolso. Franziu o cenho ao ver o nome de e mostrou a , que abriu um sorriso enorme. — Alô?
— Eu preciso de você, . — murmurou, fazendo o coração dela acelerar.


Capítulo V – Us against the world

— Você me chamou até aqui, dizendo que precisava de mim, só por que vai viajar para o casamento de uma prima e Loki precisa de uma babá. — ergueu uma sobrancelha. — Entendi certo?
— Sim. — sorriu envergonhado. — Admito que minha escolha de palavras quando liguei não foi a melhor.
A garota suspirou, assentindo.
— O que preciso saber para cuidar dele?
— Duas canecas de ração e uma lata de pedaços de carne ao molho pela manhã e a noite. Pelo menos vinte minutos descansando depois de comer ou ele vai passar mal. — fez uma pausa, pensando. — No meu quarto, perto da minha cama, está a dele. Tem um dálmata de pelúcia que fica ali e não pode ser tirado do lugar, ou ele fará um inferno. Se começar a chover, ele precisa de alguém com ele, caso contrário, o apartamento ficará destruído. — coçou a nuca.
— Uau. — arregalou os olhos. — Você é tipo o pai dele.
riu, assentindo.
— Ah, não pode comer pão. Faz um mal terrível pra ele.
— Duas canecas de ração e uma lata de manhã e a noite, vinte minutos de descanso, dálmata de pelúcia, chuva e pão. — a morena sorriu torto. — Confere?
— Acho que isso é tudo. — ajeitou a gola de sua camisa escura. — Te mando mensagem ou ligo se lembrar de mais alguma coisa.
— Tudo bem. Quando você volta? — ela acariciou a cabeça de Loki.
— Em uma semana. — tirou algumas notas do bolso. — Aqui está uma parte do seu pagamento por isso e a chave do apartamento.
Pegou o dinheiro e contou, arregalando os olhos ao ver a quantia. pegou a pequena mala preta e preparou-se para sair.
— Trezentos dólares, ?! — indagou surpresa. — Eu não posso aceitar isso.
— Não é nada perto do que vai fazer por mim. — sorriu.
Ela cruzou os braços e assentiu, nervosa. a olhou mais uma vez e se abaixou, acariciando Loki.
— Comeu algo? — perguntou fazendo-o parar.
— Sim, por quê? — se levantou.
— O canto da sua boca está sujo. — ela sorriu e se aproximou, estendendo a mão e limpando com o polegar. Aquela sensação conhecida ao tocar dominou seu corpo e ela sorriu de canto, encarando-o. Os olhos castanhos do rapaz prenderam-se aos seus. Internamente, ele convencia-se a não agarrá-la ali mesmo.
— Obrigado. — murmurou passando a mão pelos cabelos, bagunçando-os lentamente.
Acariciou Loki pela última vez e agarrou a alça da mala preta, virando-se para a porta em seguida. Abriu a porta e olhou a garota por cima do ombro. Seu cabelo escuro estava bagunçado, o que o levava a acreditar que havia corrido até ali e suas bochechas levemente coradas. Os braços estavam cruzados contra o peito e os olhos azuis o observavam atentamente. Mordeu o lábio inferior, chamando sua atenção para eles.
! — chamou antes que fechasse a porta.
— Sim?
Ela caminhou até ele em passos largos e passou os braços por seus ombros, ficando na ponta dos pés e abraçando-o. Ele evitou o sorriso que estava por vir e cercou sua cintura com os braços fortes, inalando o perfume de seus cabelos.
— Tenha uma boa viagem. — murmurou afastando-se um pouco.
— Obrigado, . — beijou-a na bochecha, fitou seus olhos claros por algum tempo e então se afastou completamente, saindo do apartamento.
~~~

fitou a tela de seu iPhone uma última vez, antes de desligá-lo como fora solicitado. A viagem até Londres seria longa, cerca de dez horas preso num avião, preocupando-se com Loki e .
Observou a aeromoça dando as instruções e checou seu cinto antes de fechar os olhos e apoiar a cabeça na poltrona. Imediatamente, várias lembranças de invadiram sua mente. Sorriu.
— Moço? — ouviu uma voz feminina chamando e se virou, procurando sua origem. A menina ruiva sorriu envergonhada. Ela não poderia ter mais que vinte anos e parecia meio assustada.
— Sim?
— Pode conversar comigo? Me distrair durante a decolagem? — corou e mordeu o lábio inferior.
Não pôde evitar o pequeno sorriso que surgiu em seu rosto com o pedido.
— É a primeira vez que voa?
— Segunda. Vim de Londres muitos anos atrás, com meus pais. Morei com minha tia esse tempo e agora estou voltando. — deu de ombros. — Você viaja muito?
— A última vez foi depois que me formei na Universidade de Wolverhampton. Decidi tentar a vida por aqui.
— Está indo bem?
Ele pensou por algum tempo.
— Melhor que a maioria.
— Qual sua profissão? — arqueou uma sobrancelha.
— Advogado.
— Parece divertido. — ela sorriu.
— É meio estressante, às vezes. — deu de ombros.
A aeronave parou ao chegar à pista e os motores foram ligados. Em uma rápida olhada, percebeu várias pessoas de olhos fechados e imaginou que estivessem rezando. Riu baixo com o pensamento e voltou seu olhar para a ruiva.
— Qual é seu nome?
— Camila.
— Muito bonito. — sorriu de canto. — Sou .
— Gosto dele. É o tipo de nome que combina com pessoas confiáveis. — deu de ombros.
O avião acelerou, iniciando a corrida de decolagem, e ele soube que estava na hora. Algum tempo depois, sentiu que saia do chão. A mão de Camila apertava a sua fortemente, mas apenas sorriu em resposta. Gostava de conseguir ajudar alguém em uma situação como aquela.
Quando a aeronave estabilizou, sentiu o aperto em sua mão afrouxar e a encarou com um meio sorriso.
— Sinto muito. — ela murmurou timidamente. — Não lembrava como isso é assustador.
— Não tem problema. Sei bem como é isso.
Durante os minutos seguintes, Camila lhe contou sobre sua vida, parando apenas quando ele tinha alguma pergunta ou comentário. Algo no jeito dela lhe lembrava . Ao ouvir o anuncio de que já era permitido o uso de eletrônicos, encarou o celular preto ainda em sua mão direita.
— Está preocupado com algo? Não para de olhar o celular desde que sentou aqui.
— Mais ou menos. — fez uma careta. — Há essa garota a qual gosto muito, mas não podemos namorar e ela está cuidando do meu cachorro. — riu baixo. — Nunca o deixei com outra pessoa.
— Por que não podem namorar? — ergueu uma sobrancelha.
— Sou alguns anos mais velho que ela, não me parece apropriado. — encolheu os ombros.
— É pedofilia?
— Não.
— Então está tudo certo, . — Camila sorriu. — Sério. Você precisa ficar com quem gosta e acha certo.
— Eu não sei... — suspirou.
— Quantas pessoas que você conhece já namoraram outras mais velhas, hm? — arqueou a sobrancelha.
— Um monte delas, incluindo Beyoncé e Jaz-Z.
Camila riu.
— Exatamente. Vai deixar que algo assim te impeça de ficar com a... — faz uma pausa, instigando-o a completar a frase.
.
— Como ela é?
— Tem longos cabelos escuros, olhos azuis que me enlouquecem, um rosto perfeito... — sorriu. — É tipo de pessoa que consegue ser provocante e ao mesmo tempo ter certa inocência encantadora.
— Já aconteceu. — Camila anunciou rindo.
— O quê?
— Você está apaixonado, .
Pensou por algum tempo e então assentiu.
— Você tem razão.
~~~
— Alô? — atendeu sonolenta.
— Sinto muito por te acordar, . — desculpou-se. — Quatro e meia da manhã aí, certo?
— Algo do tipo. — a garota sentou na cama. — Como foi o voo?
— Divertido, até. Passei algum tempo lendo e depois dormi. — riu baixo. — Eu estou acabado.
— Sua família vai te buscar?
— Não, terei que esperar uma hora e meia antes de pegar o trem até Wolverhampton, e são mais duas horas até lá.
— Já comeu algo? Além da comida de avião.
De algum modo, sabia que havia voltado ao normal e que seria legal novamente.
— Eu estava pensando em um café.
— Não faça isso. — repreendeu em tom baixo, não querendo acordar sua família. — Você não vai conseguir dormir no trem e nem quando chegar em casa, por que todos vão querer falar com você. E quando for dormir, estará pior ainda. Aguente mais um tempo e durma no trem.
— Você tem razão, . Obrigado. — ele sorriu. E ela sabia disso. — Como Loki está?
— Parecia um pouco mais carente assim que você saiu, fiquei algum tempo com ele e melhorou. Vou lá assim que eu acordar.
— Muito obrigado.
— Eu faria mesmo que não estivesse pagando, você sabe.
— Então acho que perdi dinheiro. — ele riu.
— Com certeza, .
— Tenho que desligar agora, preciso arranjar um táxi para chegar a estação de trem. — suspirou.
— Me ligue assim que chegar a Wolverhampton.
— Não quero te acordar de novo.
— Só ligue, .
Ele precisava admitir, adorava o tom autoritário que ela usava.
— Tudo bem. — riu. — Bom resto de noite, .
— Tenha um bom dia, .
Desligou e mordeu o lábio, evitando o sorriso. Observou Allison invadindo o espaço em sua cama e revirou os olhos. Não havia abandonado essa mania desde que moravam em Olympia, capital de Washington, e os pais passavam boa parte das noites brigando.
Saiu do quarto e desceu as escadas, indo até a sala. Sorriu ao encontrar Toddy no sofá, que abriu os olhos e ergueu as orelhas ao ouvi-la chegar. Sentou-se e o puxou para seu colo, acariciando a pelagem preta e curta. Se curvou e pegou o controle da televisão na mesa de centro, a ligou e deixou em um de seus canais de filmes favoritos.
— Olha só, Toddy, 101 Dálmatas. — acariciou-o. — Nosso filme favorito.
~~~

sorriu para a senhora que o encarava e checou sua passagem antes de sentar em seu lugar. Fitou seu celular pelo que deveria ser a milésima vez nos últimos minutos e se controlou para não discar o número de . Tinha certa facilidade com números e, ao encarar o contato de por uns dez minutos, acabou decorando.
Suspirou aliviado ao sentir o movimento do trem e apoiou a cabeça na poltrona. Reviveu sua conversa com mais uma vez e acabou sorrindo. Tudo estava dando certo novamente.
No trajeto até Wolverhampton, acabou dormindo. Acordou com a simpática senhora sentada ao seu lado chamando-o. Rapidamente pegou suas coisas e sorriu ao encontrar seus pais o esperando na plataforma de desembarque. Karen apressou-se em abraçá-lo, o que o fez jogar as malas no chão e abraçá-la com força.
— Você está tão bonito, querido. Crescido e mudado também, muito. — ela sorriu de forma amável e beijo seu rosto. — Eu estava com saudades.
— Eu também, mãe. — a abraçou de lado e cumprimentou o pai com um aperto de mão.
— Como vão as coisas em Columbus? — Geoff perguntou, pegando uma das malas.
— Tudo bem no emprego e em casa. Arranjei alguém para passear com Loki e gastar toda aquela energia dele. — sorriu.
— Espero que assim ele pare de destruir seu apartamento. — Karen riu e ele a acompanhou.
— Podemos ir? — Geoff indagou, levantando uma sobrancelha.
assentiu e sua mão aumentou o aperto em volta do celular em seu bolso. Ansiava por alguns minutos sozinhos para fazer uma ligação. Sorriu com o pensamento.
~~~

— O que está fazendo aqui, ? — Sally perguntou ajeitando a bolsa em seu ombro após descer as escadas e encontrar a filha na sala.
— Estou esperando uma ligação. — deu de ombros.
— O homem que viajou? — a mãe ergueu uma sobrancelha. — Dono do cachorro?
A garota assentiu.
— Onde está indo, mãe?
— Reunião de emergência no trabalho. Deve demorar, cuide da Alli.
— Não posso, eu tenho que ir cuidar do Loki. — argumentou.
— Leve-a com você. — soprou um beijo e saiu da casa.
bufou e revirou os olhos, em seguida voltando sua atenção para a televisão. Já eram quase oito da manhã e ainda não havia ligado. Suspirou e se levantou, deixando Toddy no sofá enquanto caminhava até a cozinha, o celular firmemente preso em sua mão.
— Você é muito idiota, . — resmungou sozinha. — Não é só por que ele ligou e foi gentil com você que significa que tem chance novamente.
Suspirou e, desistindo, soltou o aparelho em cima da mesa, abrindo a geladeira em seguida. Encarou os alimentos ali, como sempre fazia ao ficar entediada. Agachou, procurando por algo gostoso nas prateleiras de baixo e ouviu os suaves passos de Allison ao entrar na cozinha. Ela coçou o olho e prendeu o cabelo loiro atrás da orelha antes de sentar em uma das cadeiras.
— Bom dia, preguiçosa. — ela sorriu de canto, ainda procurando comida.
— Que horas você acordou? — Allison bocejou.
— Quatro da manhã. — deu de ombros. — O cara do cachorro me ligou para avisar que estava em Londres e perguntar do cachorro dele.
— Londres?! Parece legal. — a loira sorriu. — Podemos ir lá algum dia?
— Quando eu for rica, quem sabe. — desistiu e pegou uma das caixinhas de suco de uva. — O que vai querer?
— Pode me fazer panquecas?
— Iguais as do papai? — suspirou ao vê-la assentir. — Eu vou tentar.
Deixou o suco de lado e procurou pelos ingredientes necessários, andando pela cozinha até reunir todos ao lado do fogão. Escolheu a frigideira que lhe pareceu mais adequada e começou o preparo, concentrada demais para notar o celular vibrando em cima da mesa.
— Quem é ? — Allison perguntou, tirando-a de seus pensamentos.
— O quê? — perguntou assustada, ao ser arrancada de seus pensamentos e virou-se.
Ela revirou os olhos azuis e pegou o celular, mostrando a ela.
. Esse que está te ligando.
— Ah! — limpou as mãos rapidamente e pegou o celular. — É o dono do cachorro. — explicou antes de atender. — Alô?
— Oi, . — ele parecia cansado. — Já estou em Wolverhampton.
— Como foi a viagem de trem? — mordeu o lábio.
— Eu dormi o tempo todo, na verdade. — riu. — Obrigado pelo conselho. Há primos meus por aqui, alguns pequenos, e não vão me deixar em paz tão cedo.
— Não foi nada. — riu ao ouvir algumas vozes infantis ao fundo chamando por ele.
— Você é o primo mais velho e legal?
— Algo do tipo. Só um minuto. — Jason, me dê cinco minutos e então brincaremos do que quiser. sorriu. — Eles não dão um minuto de descanso. — Eu sei como é. — encostou-se a bancada.
. — Allison chamou, tentando atrair sua atenção.
— Só um minuto, Alli. — fez um gesto para que aguardasse. — Vou em seu apartamento lá pelas dez horas, , tudo bem?
— Que horas são aí?
— Algo entre sete e meia e oito horas. — deu de ombros.
— Algo entre onze e meia e meio dia aqui, então. — ele riu. — Almoço em família.
— Eu não gosto muito disso. — ela fez uma careta.
! — Allison insistiu. — As panquecas!
Voltou seu olhar para a frigideira e xingou ao ver as panquecas queimando.
— Preciso desligar, . As panquecas estão queimando.
— Botando fogo na casa, ? Arrependido em ter deixado as chaves do meu apartamento com você. — riu.
— Muito engraçado, . — ela revirou os olhos, tirando a frigideira do fogo. — Quer que eu ligue assim que chegar ao apartamento?
— Mande uma mensagem e eu te ligo. Sua mãe não vai gostar de ver uma chamada internacional na sua conta no fim do mês.
— Você tem razão. — riu baixo. — Tchau, .
— Até depois, .
Desligou e enfiou o celular no bolso.
— Achei que nunca fossem desligar. — Allison reclamou. — E você queimou minhas panquecas!
~~~
— Repita as regras pra mim, Alli. — cruzou os braços.
— Não tocar em nada, não quebrar nada e tomar cuidado com o cachorro. — ela murmurou entediada.
— Muito bem. — sorriu e abriu a porta do apartamento, entrando rapidamente em seguida. — Loki?
Ele estava deitado no sofá, ergueu as orelhas e então a cabeça.
— Uau, ele é grande. — Allison murmurou antes de fechar a porta.
— Sim. — riu e se agachou, dando alguns tapas nas coxas. — Vem cá, garoto.
O husky correu até ela, que acariciou-o por vários minutos, o que o fez deitar no chão para aproveitar mais. Allison sentou ao seu lado e acariciava a cabeça do cachorro delicadamente.
— Vou colocar comida pra ele. — a mais velha anunciou se levantando. Deu mais uma olhada no cachorro e caminhou até a área de serviço.
Abriu o armário e pegou a ração, onde havia lhe mostrado no dia anterior. Encheu duas canecas e despejou na tigela de Loki, abrindo uma lata de pedaços de carne ao molho e jogando por cima em seguida. Mexeu tudo com a colher e ouviu Loki se aproximando.
— Bom apetite. — murmurou terminando de lavar as mãos e então saindo dali. — Alli?
— Esse é o ? — a irmã perguntou assim que entrou na sala, apontando para uma das fotos na parede.
— Ele mesmo. — um sorriso bobo surgiu nos lábios da garota enquanto observava a foto.
— É bonito. — a loira murmurou com indiferença, passando os olhos pelas outras fotos.
— Sim. — suspirou. — Temos que esperar vinte minutos antes de sair para passear com Loki. Vou dar uma olhada pelo apartamento e ver se ele destruiu algo.
Enquanto caminhava até o quarto, lembrou-se do pedido de e mandou-lhe uma mensagem. Sorriu assim que o cheiro de a atingiu ao entrar no quarto. Contente em ver que tudo estava em seu lugar, checou o banheiro e então os outros quartos. Quando saia do quarto de Natalie, sentiu o celular vibrando no bolso e então atendeu.
— Oi. — mordeu o lábio.
— Ele está bem? — perguntou preocupado.
— Está comendo. Já chequei o apartamento e tudo parece estar em ordem. Quero esperar alguns minutos e então vamos passear com ele.
— Vamos? — pensou ouvir uma pontada de ciúmes na pergunta, porém descartou a ideia, pensando que fosse algo de sua cabeça.
— Allison e eu. Minha mãe foi para uma reunião de emergência e tive que trazê-la, sinto muito.
— Ah sim. — pareceu aliviado. — Tudo bem. Ei, , minha prima quer que eu a ajude com algumas coisas do casamento, carregar caixas ou algo assim. Posso te ligar depois?
Por um momento, imaginou ajudando a prima. Se não estivesse ocupada imaginando o quão sexy seria ele sem camisa e ajudando a carregar coisas, certamente teria achado meio cômico.
— Aham. — mordeu o lábio. — Está tudo bem?
— Sim. Por quê? — algo lhe dizia que erguia a sobrancelha naquele momento. Uma mania fofa que ele tinha.
— Parece diferente.
— Ah... — riu ao notar que ele parecia meio envergonhado. — Eu não sei. Wolverhampton pode estar fazendo bem pra mim.
Ou talvez seja você, ele completou mentalmente.
— Tudo bem. Vou cuidar da garotinha e o cachorro no cômodo ao lado. — riu.
— Não destrua meu apartamento. — brincou.
— Difícil, mas vou tentar. — provocou.
— Até mais tarde.
— Até.
E desligou. Suspirou e encostou-se a parede. Pare de ser idiota, . Ele não vai te querer de novo magicamente. Já deve ter achado outra pessoa. Ele é gostoso e solteiro. O que o impediria? Certamente você que não. Grunhiu ao ouvir um barulho estranho vindo de sala e correu até lá.
— O que foi isso, Alli?
A garota virou assustada. Os olhos azuis estavam arregalados e parecia mais branca que o normal.
— E-Eu sinto muito, . Não foi por querer, eu juro. Estávamos brincando e ele pulou em mim. Perdi o equilíbrio e acabei batendo nisso aqui. Desculpa.
— O que aconteceu, Alli? Está tudo bem com você? — se aproximou e checou o corpo da irmã. Xingando mentalmente ao ver pedaços do que parecia ser vidro espalhados pelo chão.
— O vaso caiu.
— Meu Deus, Allison! — colocou a mão na cabeça. — O que vamos fazer agora?
— Compre um vaso bem feio e coloque no lugar. — ela sorriu amarelo. — Ele nem vai notar a diferença.
Ela não pode deixar de rir com a solução da irmã.
— Como era esse vaso?
— Feio. — a loira deu de ombros.
— Acha que conseguimos comprar um parecido o bastante?
— Não deve ser difícil.
~~~

— Está tudo bem, ? — Miranda perguntou sentando ao seu lado.
— Você é a segunda pessoa a me perguntar isso hoje. — riu.
— A primeira deve ter sido aquela menina que você estava falando no celular, então? , certo? — sua prima botou uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha, sorrindo para ele.
— Ouviu minha conversa? — fingiu estar bravo.
— Fui te chamar para me ajudar com as coisas. — deu de ombros. — Eu te conheço, . Sabia que algo estava acontecendo assim que pus os olhos em você no dia que chegou.
— Está tão na cara?
— Eu também vi o seu sorriso bobo quando estava falando com ela, isso ajudou um pouco. — Miranda riu. — Qual é o problema? Vocês parecem se dar bem, pelo que ouvi da conversa.
Ele riu baixo.
— Ela é mais nova. Ainda tem toda aquela fase de sair com os amigos e coisas assim, não quero que fique presa a mim. — suspirou. — Mas também não gosto da ideia de não ficar com ela, sabe?
— Tom e eu também tivemos esse problema. Sou alguns anos mais velha que ele, sabia? E olhe só onde estamos agora. Vamos nos casar essa semana. — beijou seu rosto. — Tudo vai dar certo, . Confie em mim.
~~~

, você sabe onde posso encontrar vasos de vidro, eu acho, e feios? — perguntou, esforçando-se para segurar Loki com apenas uma das mãos. Havia cometido o erro de passar pelo parque e acabaram encontrando alguns meninos brincando com uma bola pequena, que chamou muito a atenção do husky.
— Walmart? — arriscou. — Pra que você quer um vaso feio? Minha mãe conhece uma loja que tem uns bonitinhos, posso perguntar pra ela.
— Sabe que estou cuidando de Loki, né?
— O cachorro do Sr. Gostoso? Ok, não é novidade. — bufou.
— Esqueci de contar, ele foi viajar e me pediu para cuidar do cachorro por uma semana. Colocar comida e coisas assim.
— Ainda não entendi por que quer o vaso feio. Ficou de saco cheio e vai jogar um no cachorro? Ou nele quando voltar?
riu.
— Não é nada disso, Cas. Minha mãe teve uma reunião de emergência no trabalho hoje.
— Então um cara que paquera ela mandou um vaso de flores para sua casa, mas é bonito demais e você está com medo de ela se apaixonar pelo cara, então vai comprar um vaso feio pra ela pensar que o cara é brega e não tentar um relacionamento? Gostei disso, .
, pelo amor dos Deuses, me escute. — ela revirou os olhos.
— Ok, calei. Conte por que precisa de um vaso feio.
— Tive que levar Alli comigo para o apartamento do , por que minha mãe foi na tal reunião. Mas houve um acidente e ela acabou quebrando um vaso por lá.
— Sua mãe?
— Não, . Alli! Alli quebrou um vaso no apartamento.
— E era feio?
— Foi o que ela disse. — deu de ombros. — Vou procurar algum igual ou parecido o bastante e torcer para que ele não note.
— Já vai começar o relacionamento com mentiras, ? Tsc, tsc. Tia não aprova.
— Olha só quem fala. — riu. — E aquela vez com o Peter?
— Eu não estava pronta para sair com ele aquela noite.
— E aí disse que sua tia tinha morrido?
— Eu fiquei em pânico e você sabe! Foi a primeira coisa que veio a minha cabeça.
— Tudo bem, . — riu. — Tenho que desligar e ir até o Walmart agora. Até depois.
— Boa sorte com o vaso feio, .
~~~

— Com licença. — chamou o rapaz loiro que organizava uma das prateleiras. — Onde encontro vasos?
— Perto do corredor das plantas. — ele respondeu virando-se. xingou-se mentalmente e não conseguiu evitar uma careta ao ver quem era. — Oi, .
— Eu não sabia que você trabalhava aqui, Drake.
— Comecei ontem. — deu de ombros. — Quer ajuda com os vasos?
— Onde ficam os mais feios? — perguntou corando e mordeu o lábio.
— Se você não gosta de alguém, é só dizer. Não dê um vaso feio pra ela. — Allison riu junto com ele. — Quem é essa loirinha, hm?
— Minha irmã, Allison. — explicou. — Esse é Drake, Alli. É da minha escola.
— Você é bonito. — elogiou, fazendo corar. — Por que não namoram?
— Allison! — repreendeu e ela deu de ombros.
Drake riu.
— Pergunte pra ela, Alli. — piscou. — Vou mostrar os vasos pra vocês.
encarou a irmã irritada e então seguiram o garoto. Passaram por alguns corredores e então ele virou a esquerda no das plantas, um que ela nunca tinha notado.
— Que tipo de vaso vocês querem? — ele perguntou analisando os que tinham ali.
O celular de começou a tocar e ela praguejou ao ver que era . Péssimo momento para atendê-lo.
— Alli te explicará, eu preciso atender essa ligação. — sorriu envergonhada e se afastou.
?
— Oi. Desculpe a demora, eu estava resolvendo algo aqui. — suspirou.
— Me desculpe por ligar de novo. Eu, só... Não sei. Pareceu-me certo.
— Há algo errado, ?
— Não, nada. É só que eu te disse que ligaria depois. — fez uma pausa. — Não é uma boa hora?
— É só que... Estou meio ocupada, mas pode falar.
— Como vão as coisas por aí?
— Tudo ótimo. Loki está alimentado, já passeou e agora está em casa.
— Eu estava falando de você.
— Ah. — pausou e mordeu o lábio. — Bem. E com você? Ajudou sua prima a carregar tudo?
— Ah sim! — bufou. — Pensei que elas caixas não acabariam. É só um casamento. Não entendo por que tanta coisa.
— Ei, , encontramos o que você precisava. — Drake chamou. — Sua irmã disse que é igualzinho.
— Quem é esse? — indagou.
— Ninguém importante. — mentiu. — Hã... Eu falo com você depois, . Lá pelas sete horas vou ver Loki novamente. Ligue-me se puder.
— Tudo bem. — ele pareceu irritado antes de desligar.
~~~

— Oi, . — murmurou assim que ela atendeu. Estava deitado em seu velho quarto já há algumas umas horas fitando o teto, esperando pelo horário que ela pediu para ligar.
— Oi. Está bravo comigo?
— Por que estaria? — Talvez por ter falado com ela daquele jeito e desligar sem se despedir, idiota . — Fiquei com essa impressão. — ela suspirou. — Sinto muito por hoje cedo. Não quis ser idiota com você.
— Eu também não. — ele coçou a cabeça. — Eu estava bravo com outra coisa.
Com Drake te chamando e cheio de intimidades, completou mentalmente.
— Tudo certo para o casamento? — ela perguntou tentando mudar de assunto.
— Sim. Todas as caixas já foram carregadas. — ele riu. — Tudo está parcialmente arrumado para o grande dia.
— Como sua prima é?
— O tipo de mulher em que o cara é sortudo por ter.
— Você gosta dela?
— Miranda foi minha melhor amiga por muito tempo.
— Legal. Mande parabéns para ela pelo casamento e diga que desejo tudo de melhor para eles.
— Recado anotado. — riu baixo. — Como está meu cachorro?
— Está andando em círculos em volta de mim e abanando o rabo. Parece saber que estou falando com você. — pausou. Ao continuar, sua voz estava diferente. — Tenho uma ideia, espere um segundo. Pronto, agora fale com ele.
— Hmm... Oi, Loki? — acabou saindo como uma pergunta, o que fez a garota rir. Ouviu o husky latindo e supôs que ela tivesse colocado no viva-voz. — Nunca pensei que eu seria uma dessas pessoas que fala com o cachorro pelo telefone.
Riram juntos. Finalmente as coisas pareciam estar dando certo.
~~~

Durante o resto da semana, eles se falaram todas as noites, por mais de uma hora. Geralmente, estava sentada no sofá do apartamento e acariciando Loki. O forçava a falar com o cachorro pelo viva-voz todas as noites. Passou mais tempo do que achava pensando em naqueles dias, sempre que estava com Loki ou sozinha. Feliz por estarem se dando bem.
Os familiares de estavam felizes em tê-lo ali, mas um pouco decepcionados, já que ele sempre estava com o celular em mãos e não parecia prestar total atenção nas conversas. Menos no dia do casamento, já que era um dos padrinhos. Conversou e brincou com bastante gente, apesar de seus pensamentos continuarem voltando para a morena de olhos azuis que deixara em Columbus.
Três dias antes da data que voltaria para casa, recebeu uma ligação urgente do trabalho e teve que voltar. Comprou as passagens para o próximo trem e saiu de Wolverhampton as sete da noite. Despediu-se de forma rápida de todos os parentes e pegou um táxi até a estação de trem. Chegou em Londres por volta das nove da noite e passou duas horas de tédio no aeroporto, seguidas por mais dez no avião, já que dessa vez não havia ninguém como Camila para conversar. Não dormiu, também.
Chegou em Columbus de madrugada, mais cansado do que queria, para alguém que teria que trabalhar no outro dia.
Ao chegar em casa, suspirou ao entrar no apartamento. Jogou as malas no chão e soltou um curto assobio baixo, sorrindo ao ver o cachorro correndo em sua direção.
— Como vai, Loki? — perguntou assim que ele pulou no peito de , ficando quase de sua altura. Se equilibrava apenas nas patas traseiras, as dianteiras em seu peito enquanto tentava lamber o rosto do dono. — Sentiu minha falta?
riu e o acariciou por mais algum tempo. Afastou-o suavemente e pegou as malas.
— Estou cansado, garoto. Passei dez horas num avião, só quero descansar um pouco.
Caminhou até o quarto com Loki em seu encalço e jogou as malas num canto. Tirou o casaco e a camiseta e jogou as peças na poltrona no canto. Tirou os sapatos e se jogou na cama. Loki subiu e se acomodou ao seu lado, o que o fez rir baixo.
— Só dessa vez, folgado.
Não avisei , foi um de seus últimos pensamentos antes de ser tomado pelo sono.
~~~

— Bom dia, Loki! — cumprimentou ao entrar no apartamento aquela manhã. O cachorro latiu e correu para ela. Esfregando-se em seu corpo. — Alguém está feliz hoje.
Acariciou-o e seguiu para a cozinha. Largou sua bolsa em cima de um dos balcões e riu ao ver Loki atrás dela e com o dálmata de pelúcia preso em sua boca.
— Isso deveria estar no quarto, Loki. Andou aprontando pelo apartamento durante a noite, né?
Largou o brinquedo aos seus pés e o agarrou de volta quando a garota tentou pegá-lo. Ela riu e tentou puxar o brinquedo, recebendo um rosnado baixo em troca, mas não desistiu. Parado na porta, observava a brincadeira dos dois com um sorriso no rosto. Aproximou-se devagar e não resistiu, abraçando-a por trás.
— Mas que po... — interrompeu-se ao virar e ver .
Suas mãos foram para a cintura dela rapidamente e a puxou, colando seus corpos. Começou beijando seu pescoço e então trilhou um caminho até seus lábios. A sensação dos lábios de contra os seus novamente era indescritível. Tentou controlar-se e manter um beijo calmo, para não assustá-la, querendo demonstrar o quanto havia sentido sua falta e como a queria. As mãos de foram para seus ombros e suas unhas arranhavam sua nuca levemente. acabou o beijo com longos selinhos e ela sorriu de canto ao se afastar.
— Não sou nova demais pra você agora?
— Eu passei uma semana pensando, . — prendeu uma mecha de seu cabelo escuro atrás de sua orelha. — E cheguei a uma conclusão. — beijou seus lábios rapidamente. — Que se foda o que as pessoas vão pensar, eu tenho que ficar com você.


Capítulo VI – How good you make me feel

— O que mais aconteceu enquanto estive fora? — perguntou, distraidamente acariciando as costas de .
— Fomos ao parque também. Um dia com Alli e outro com . — mordeu o lábio enquanto pensava. — Achei que teria que vir dormir aqui um dia, por que parecia que ia chover.
— Ia dormir em minha cama, certo? — sorriu maliciosamente.
! — ela corou.
— Estou brincando, . — sorriu de canto. — Mas tenho uma pergunta.
— Sim? — ela levantou uma sobrancelha.
— Isso tudo foi antes ou depois de você quebrar meu vaso e o substituir? — perguntou com um sorriso divertido.
— C-Como voc... Eu sinto muito, . Foi um acidente. — seus olhos estavam arregalados e a cor de seu rosto havia sumido. — Foi quando Alli veio comigo. Estava brincando com Loki e ele a derrubou.
— Você é um grande desastrado, hein? — perguntou rindo e acariciando o cachorro deitado do seu outro lado. Encarou e beijou sua testa. — Não se preocupe, eu não gostava daquele vaso.
— Como sabe que aquele não é o seu? — perguntou confusa. — Alli me garantiu que era igualzinho.
— O meu tinha uma rachadura. — explicou. — O deixei cair uma vez na esperança que quebrasse. Foi o presente de uma pessoa que gosto muito e usei o vaso para que não ficasse chateada. — sorriu. — Mas era feio. Muito feio.
— Foi o que ela disse. — riu, acariciando seu peito nu.
— Eu realmente gostaria de passar o dia inteiro nesse sofá com você, . — suspirou. — Mas tenho algo no trabalho que precisa ser resolvido com urgência.
— Não... — ela choramingou, agarrando-se ao seu torso quando tentou levantar.
Ele riu baixo e a abraçou com o braço direito.
— Foi por isso que voltei mais cedo da viagem, babe. — ele sorriu e beijou-a rapidamente. — Eu fui já sabendo que teria que voltar caso algo assim acontecesse. suspirou e o encarou, os olhos azuis brilhando.
— Você vai demorar?
— Hmm... — pensou por algum tempo. — Possivelmente.
Riu da careta que ela fez.
— Você precisa se arrumar, né? Entrar no “modo advogado”.
— Modo advogado? — franziu o cenho.
— Todo sério e arrumado. — explicou dando de ombros. — Eu gosto.
— Vou me trocar e podemos ir. — beijou sua bochecha e levantou.
— Podemos? — mordeu o lábio.
— Vou te deixar em casa, . — explicou com simplicidade antes de caminhar para o quarto.
— Não precisa, . Eu posso ir andando, não é tão longe assim.
— Nada disso, senhorita . Espere cinco minutos e podemos ir. — respondeu antes de entrar no quarto.
Suspirou e sentou no sofá novamente, acariciando Loki, que estava entretido com o dálmata de pelúcia. Repassou os momentos com em sua cabeça e mordeu o lábio, evitando um sorriso.
— Quase lá. — ele anunciou voltando a sala. Usava calça social escura, uma camisa azul clara e trazia duas gravatas. — Qual você acha que devo usar?
analisou as gravatas rapidamente. Uma preta e outra azul escura.
— A preta. — sorriu.
assentiu e voltou ao quarto. Deixou a gravata azul na poltrona do canto e foi à sala novamente, a gravata sem o nó, mas já no colarinho.
— Por acaso sabe dar nó de gravata? — perguntou com um sorriso tímido.
— Para sua sorte, sim. — ela riu e se levantou, caminhando até ele. — Fique parado, .
— Vou tentar. — respondeu baixo, os olhos castanhos fixos no rosto delicado da garota.
— Aprenda comigo, . — ela sorriu de canto. — A parte larga, você passa por cima da estreita. — ela murmurou enquanto fazia.
— Certo.
— Então, passe por baixo, assim. — tentou ignorar o olhar dele em seu rosto. — Olhe minhas mãos, .
— Eu estou olhando. — mentiu.
Ela riu baixo.
— Estou falando sério. — por um segundo, seus olhos subiram para o rosto dele, logo voltando para suas mãos. — Volte com a parte larga por cima da estreita e então para trás. — sorriu, satisfeita com seu trabalho. — Só subir e colocar aqui. — finalizou o nó. — Prontinho.
— Sabe não prestei atenção em nada, né? — ele murmurou sorrindo.
— Você está sexy assim. — ficou na ponta dos pés e o beijou. — Então, está perdoado.
— Você acha? — perguntou arqueando uma sobrancelha, as mãos foram para a cintura da garota e a puxou para perto.
— Toda mulher acha. — deu de ombros.
— Está falando sério?
— Muito.
— Vamos. — beijou-a. — Quero acabar logo com isso para conseguir passar mais tempo com você.
— Vá com calma, garanhão. — riu. — Eu tenho compromissos.
— Passear com cachorros, eu suponho. — fez uma careta.
— Sim. Com o meu. — ajeitou uma mecha que caia em seu rosto. — Minha mãe disse que não tem o menor sentido eu ganhar dinheiro passeando com cachorros e não passar com o meu. Então, Toddy e eu temos um encontro marcado todo dia.
— O que acha de passear com ele no parque hoje? — propôs. — Quem sabe eu e Loki não vamos para lá assim que eu terminar?
— Está marcado, então. — sorriu.
Sentiu o celular vibrando no bolso e fez uma careta.
— Preciso atender essa, . — selou seus lábios rapidamente e se afastou.
A garota cruzou os braços, observando ao telefone. Ele parecia levemente preocupado com algo e murmurava rapidamente, passou os dedos entre os cabelos, bagunçando-os levemente.
— Tudo bem, te ligo depois. — sorriu e desligou. — Vamos, ?
~~~

encarou o documento em sua mesa pelo que deveria ser a centésima vez naquela manhã. Não conseguia se concentrar em nada, os pensamentos sempre voltando para . Quando percebeu, tinha o celular em mãos e já discava o número dela.
— Oi, .
, eu te odeio.
— Ótima maneira de começar uma conversa, . — a garota ironizou.
— Estou a vinte minutos encarando os documentos e ainda não sei o que devo fazer.
— Tente lê-los, me parece um bom começo. — ela riu.
— Eu não consigo. — revirou os olhos.
— Talvez você deva odiar a sua professora do primário, não eu. — concluiu. — Ela deveria ter te ensinado isso uns vinte anos atrás.
— Muito engraçadinha.
— Faça uma pausa, baby. — aconselhou.
— Baby? — ele arqueou uma sobrancelha.
— Estou ocupada tentando descobrir que tipo de chocolate a senhora Green quer, acabo falando esse tipo de coisa. — justificou.
— Senhora Green?
— Eu passeio com cachorros para pessoas preguiçosas e faço compras para idosos, .
— Então sou um preguiçoso?
— Algo do tipo. — ela respondeu com simplicidade. — O que você acha? Crocante ou ao leite?
— Crocante. — bufou. — Todo mundo prefere o crocante.
— Levarei o ao leite.
— Por que pediu minha opinião então?
— Para contrariá-la, obviamente. — ela riu, fazendo-o revirar os olhos. — Eu tenho que desligar, . Termine logo com esses documentos para nos encontrarmos no parque. — ela provocou.
— Eu vou tentar. — suspirou. — Até mais tarde, .
— Até, .
Guardou o celular no bolso e apoiou os cotovelos na mesa, juntando as mãos enquanto pensava. Observou o ambiente em sua volta e então apertou o botão do telefone na mesa.
— Jasmine, pode vir aqui, por favor? — pediu.
Um minuto depois, a porta se abriu. A secretária usava um vestido azul, que ia até um pouco acima dos joelhos e salto alto, algo que com toda a certeza lhe deixava mais elegante. O cabelo castanho claro estava preso em um coque elaborado. Os olhos castanhos mel se fixaram em e ela ajeitou os óculos.
Logo depois de contratá-la, a ideia de tentar algo com Jasmine passou pela cabeça de uma porção de vezes, porém desistiu ao saber que ela estava noiva de um rapaz há dois anos. Agora, ela era havia se tornado o que ele tinha de mais próximo a uma melhor amiga em Columbus.
— Sim, senhor ?
— Preciso da sua ajuda com algo. — sorriu.
A mulher franziu o cenho.
— Só dizer, senhor .
. — ele corrigiu, colocando um sorriso nos lábios da moça. — Já disse que pode me chamar de .
— Senhor continua me parecendo mais apropriado. — ela deu de ombros, fazendo-o bufar. Riu e se aproximou. — O que foi, ?
— Estou... — fez uma pequena pausa, produzindo um estalo com os lábios. — Interessado em alguém. E quero comprar-lhe um presente. Alguma sugestão?
— Fale mais. — Jasmine sorriu, sentando-se na cadeira em frente à mesa dele.
— Nossa relação é meio complicada. — deu de ombros. — Ela não quis investir no começo e eu insisti. Então pensei melhor e decidi que não era uma boa ideia, mas ela insistiu, passei esses dias em Wolverhampton analisando e voltei atrás, então agora acho que estamos juntos.
— Que tal uma joia? — a mulher sugeriu.
— Acha que ela gostaria?
— Qualquer mulher gostaria, . Vou pesquisar algumas coisas e te mostro. — sorriu de canto.
~~~

— Estou chegando em casa agora, . Te encontro no parque em meia hora? — perguntou ao telefone enquanto abria a porta do apartamento.
— Claro. Toddy e eu já estamos a caminho, mas antes tenho que pegar uma lista de compras que preciso fazer amanhã. — pelo seu tom, ele sabia que a garota revirava os olhos, e soltou um riso baixo.
— Só vou me trocar e já vou, babe.
— Tudo bem, até daqui a pouco.
Desligou e colocou o celular no bolso antes de fechar a porta.
— Oi, Loki. — o acariciou. — O que acha se passearmos hoje, garoto?
Recebeu como resposta um latido e um sorriso surgiu em seu rosto. Colocou sua pasta em cima da mesa e examinou o que o porteiro lhe entregou. O logotipo escuro de Johnny Keller contrastava com a brancura do envelope. Abriu com cuidado e despejou seu conteúdo na mesa. Encontrou um par de credenciais e algumas instruções de Johnny. As deixou ali e caminhou até seu quarto, onde trocou suas roupas por regata preta e bermuda e os sapatos sociais por tênis, colocando o boné preto em seguida.
Foi até a área de serviço e pegou a guia de Loki e alguns petiscos caninos, rindo ao ver o cachorro pulando a sua volta. Com o celular, a carteira e as credenciais no bolso, prendeu Loki na guia e saiu do apartamento.
Durante o caminho, relembrava e considerava todas as opções de presente que Jasmine havia lhe sugerido. Pretendia que fosse uma joia, mas diante de todas as opções que ela havia lhe apresentado – brincos, colares, pulseiras, anéis e mais –, ficara confuso. Nunca imaginaria que comprar um presente fosse tão difícil.
Soltou Loki assim que chegaram ao parque e caminharam por alguns minutos, os olhos de atentos a qualquer sinal da garota. Sorriu ao encontrá-la sentada à sombra de uma árvore, com o pequeno cachorro em seu colo. Usava short jeans e camiseta, como de costume. Hoje, porém, seu cabelo estava solto, formando bonitos cachos nas pontas.
— O que uma senhorita tão bonita faz sozinha numa tarde como essa? — perguntou ao se aproximar, fazendo-a sorrir.
— Estou esperando meu advogado. — ela deu de ombros, entrando na brincadeira.
— Ele é bom?
— Não parece ser. Mas pelo menos é bonito. — respondeu com simplicidade, arrancando um riso do rapaz.
— Eu tinha algo para te mostrar, mas vou desistir depois dessa.
Ela arregalou os olhos, fingindo surpresa e levantou, permitindo que Toddy passeasse livremente. Abraçou pela cintura e sorriu, fitando-o.
— Era brincadeira, senhor . — murmurou.
— Por que tenho a impressão de que é totalmente irônica ao me chamar assim? — ele arqueou uma sobrancelha. — Quer fazer com que me sinta um velho, senhorita ?
— Gosto do seu sobrenome. — explicou, ficando na ponta dos pés em seguida e o beijando. — Aliás, é sexy você ser mais velho.
— Você não tem jeito, . — ele riu.
— O que tem para me mostrar? — ansiosa, a garota mordeu o lábio.
— Quando cheguei hoje me entregaram um envelope. — explicou calmamente, cercando a cintura da garota com o braço esquerdo. A mão direita apertou as credenciais no bolso. — E encontrei isso. — mostrou-as a e riu de sua expressão surpresa. — Um presente de Johnny Keller pra você.
— Meu. Deus. — murmurou pausadamente, arrancando mais um riso de . — Não era brincadeira. Eu vou ao show do Johnny. Nós vamos ao show do Johnny. — o abraçou forte. — É inacreditável. Toddy equilibrou-se nas duas patas traseiras e apoiou as dianteiras na perna de , latindo e chamando a atenção dos dois.
— Acho que temos um ciumento por aqui. — murmurou assim que se afastou rindo e guardou as credenciais no bolso. — Esse é o famoso Toddy?
— Grande, não?
— Demais. — riram juntos. — Quase o confundi com um Dobermann.
— Ele é meu bebê. — a morena abaixou-se e o pegou, acariciando-o em seu colo.
— Loki nunca será meu bebê — deu de ombros. — É grande e desastrado demais para isso.
riu e beijou a cabeça de Toddy antes de colocá-lo no chão novamente, prendendo a guia antes que ele se afastasse.
— Que tal um sorvete? — ela perguntou, sorrindo de canto.
— Parece legal. Gosto de um que fica do outro lado do parque, o que acha?
assentiu e começaram a caminhada. Regularmente, chamava o husky, mantendo-o por perto. Era uma tarde agradável em Columbus. Por ser verão, o parque se encontrava mais cheio que o normal, com adolescentes praticando esportes e até alguns casais fazendo piqueniques, vez ou outra era possível encontrar famílias ali.
— Por que não solta Toddy? — perguntou.
Por algum tempo, pensou em uma resposta, juntando seus lábios em uma linha fina.
— Ele não é tão obediente quanto Loki. Só se comporta bem quando meu pai está por perto. — deu de ombros. — Ele tem algum tipo de lógica própria difícil de ser compreendida, mas ás vezes me obedece.
— Obedece a sua mãe?
— Nem sempre. Quando morávamos em Olympia, escapou de manhã e ela teve que correr atrás dele por alguns quarteirões. Ameaçou doá-lo por duas semanas. — riu.
— Se mudou para Columbus há pouco tempo? — ele perguntou, entrelaçando seus dedos aos dela enquanto caminhavam.
prendeu uma mecha do cabelo atrás da orelha com a outra mão.
— Sim.
— Algum motivo especial?
— Meus pais se divorciaram. Estavam brigando bastante ultimamente, então acabamos descobrindo que ele tinha outra. — suspirou. — Ela agora está grávida.
fez uma careta, pensando no que dizer em seguida.
— Deve ter sido horrível.
— Eu já tinha alguma noção do que estava acontecendo. Alli só descobriu quando começaram as discussões noturnas. Eles se separaram e mamãe decidiu voltar para a família dela. — explicou. — Temos alguns problemas, mas estamos nos virando bem.
— Problemas? — ele arqueou uma sobrancelha, fitando-a.
— Com dinheiro, principalmente. Minha mãe não conseguiu trabalho na área dela, então teve que recomeçar e agora só temos uma pessoa sustentando a casa. É difícil.
Desde que conhecera , não passava tanto tempo pensando nos problemas financeiros da família como antes. De algum modo, tudo começara a dar certo assim que o conheceu.
— Isso me lembra de que te devo a outra metade do pagamento. — ele sorriu, abraçando-a pela cintura.
— Não quero que faça isso por caridade, .
— Não é caridade. — beijou seu rosto. — Foi um acordo, lembra?
— Você nem ficou uma semana fora. O que você já me pagou está de bom tamanho. — argumentou.
— Por favor, . — suspirou. — Qual é o problema em me deixar te pagar?
— Você está fazendo isso depois que contei meus problemas financeiros. Soa como caridade pra mim.
— Só quero pagar pelo seu trabalho. — justificou.
— É sério, . Não precisa. Estou bem de dinheiro.
Ele se colocou na frente da garota, fazendo-a parar e olhou em seus olhos claros, tentando demonstrar que não desistiria facilmente.
, não importa o que você diga, quero te pagar pelo seu trabalho. Nós tínhamos um acordo e ainda não cumpri minha parte. Então, por favor, aceite o dinheiro, sim?
Ela suspirou.
— Podemos resolver isso depois?
assentiu e beijou seus lábios rapidamente. Passou um dos braços pela cintura da garota novamente e guiou-a até o sorveteiro mais próximo.
— O que vai querer? — indagou, a mão acariciando a cintura da garota por baixo da camiseta que usava, arrepiando-a.
— Nada. — limpou a garganta. — Estou sem dinheiro.
— Escolha o que quiser, eu pago. — beijou sua bochecha.
— Eu não quero.
— Por favor, . Escolha alguma coisa. Pode me pagar depois se quiser. — ela não respondeu. — Tudo bem. Vou querer dois de chocolate. — pediu ao sorveteiro.
Pagou pelos sorvetes e pegou os dois. Sentaram-se perto de uma árvore e ofereceu um dos sorvetes a ela, que recusou novamente.
— Já disse que não quero.
— Vai me deixar comer os dois? — arqueou uma sobrancelha. — Não reclame se eu engordar e não for mais sexy.
Ela riu baixo, olhando-o.
— Isso é golpe baixo.
sorriu torto e estendeu o sorvete para ela novamente.
— Vai querer?
Assentiu e o pegou, começando a tomá-lo. sorriu e continuou com seu sorvete, a mão livre acariciando Loki que agora estava deitado ao seu lado. levantou as sobrancelhas ao ouvir o celular dele tocar e o tirou do bolso, atendendo rapidamente.
— Alô? — murmurou ao atender.
Seus lábios formaram uma linha ao ouvir a voz de Jasmine e seu olhar caiu sobre . Logo, a secretária começou a falar sobre algumas joias que havia encontrados e pareciam boas para ser o presente da garota. A morena encarou seu sorvete ao sentir o olhar de nela.
— Eu não posso falar agora, Jazz. Estou no parque.
Algo em seu tom levou a entender que ele escondia algo. Riu sozinha e sua outra mão acariciou o pescoço do pinscher em seu colo. Mordeu o lábio ao ouvir a conversa com a tal de Jazz, até que ele levantou e se afastou, falando baixo e rapidamente. Pela postura de , supôs que ele estivesse preocupado com algo. Por algum motivo, passou por sua cabeça a ideia de ter outra mulher, uma mais velha e mais bonita, e que ela fosse apenas sua diversão.
— Pare com essas ideias, . Ele não faria isso. — murmurou para si mesma, em busca de se acalmar.
O observou enquanto falava ao telefone por vários minutos, ainda tentando se convencer de que ele não seria capaz de fazer algo assim. Irritada com seus pensamentos, se levantou ao vê-lo se aproximar.
— Sinto muito por isso. — murmurou com um sorriso tímido nos lábios.
— Você tem namorada? — a pergunta escapou dos lábios da garota antes que tivesse chance de contê-la.
— Não... — arqueou uma sobrancelha. — Digo, até onde sei, não tenho. Por quê?
— Até onde sabe? Como você não sabe uma coisa dessas, ? — o tom em sua voz demonstrava claramente sua irritação.
— O que tenho de mais próximo disso é você, . — explicou a abraçando por trás. — Quer que eu te chame de namorada? Por mim tudo bem, apesar de preferir um pedido um pouco mais formal.
Posicionou suas mãos por cima das dele e apertou levemente, suspirando em seguida.
... Sinto muito. Eu só... — deu de ombros e corou. — Não sei o que deu em mim.
— Ciúmes, babe? — perguntou apoiando o queixo em seu ombro.
— Um pouco. Não precisa me chamar de namorada, ok? Isso é só um rótulo, de qualquer maneira.
afastou-se minimamente e virou-a, fitando seus olhos azuis e então apertando sua cintura levemente. fechou os olhos ao sentir a respiração quente em seu rosto. Ele era totalmente inebriante.
— Mas eu quero. — sussurrou, roçando os lábios nos dela.
não pode evitar o riso baixo que escapou. lhe queria. Era inacreditável. Em um instinto, colou seus lábios e quase revirou os olhos pelo prazer. era perfeito e beijá-lo podia ser considerado sua atividade favorita no mundo.
~~~

— Vou precisar da sua ajuda hoje. — informou assim que entrou em seu apartamento naquela tarde.
Após três as semanas que haviam se passado, estavam mais próximos. Passavam quase todas as tardes juntos, normalmente no apartamento de .
— Só dizer, . — ficou na ponta dos pés e o cumprimentou com um selinho.
— Como sabe, Johnny chegou ontem e o show é em uma semana. — abraçou-a pela cintura, colando seus corpos. assentiu, brincando com sua gravata. — Ele vem jantar aqui amanhã, Mady deixará o jantar pronto, mas precisamos cuidar da sobremesa.
— Bem, é o seu apartamento e o seu amigo, então acho que você deveria tomar conta de tudo sozinho enquanto eu passo o dia me arrumando. — ela sorriu torto.
— Vamos lembrar que Keller só está vindo aqui por que é o seu ídolo. — piscou. — Posso ligar e desmarcar a qualquer momento. bateu em seu braço.
— O que sabe cozinhar?
— Qualquer coisa desde que tenha a receita na internet. — deu de ombros.
— Sabe o que Johnny gosta?
— Bolo? — arqueou uma sobrancelha.
riu.
— Tive uma ideia, vamos ao mercado.
— Posso me trocar antes? — perguntou rindo.
— Não, você sabe que gosto de você com essas roupas. — sorriu maliciosamente.
Ele riu e pegou as chaves do carro na mesa antes de permitir que a garota o arrastasse para fora do apartamento. No elevador, encostou-se à parede e a puxou para que ficasse no meio de suas pernas enquanto conversavam baixo. A garota corou assim que a porta abriu e um casal de idosos entrou, repreendendo-os com o olhar. O rapaz se endireitou e cercou a cintura de com seu braço direito, beijando sua bochecha em seguida. Sorriu para o outro casal antes de sair na garagem. Caminharam até o Veloster branco e então abriu a porta para , entrando em seguida.
— O que quer ouvir hoje? — ela perguntou ligando o rádio, depois de colocar o cinto de segurança.
— Qualquer coisa que não seja Johnny. — revirou os olhos.
— Estamos treinando para o show, baby. Precisamos conhecer todas as músicas. — sorriu.
— Já conheço. — fez uma careta antes de ligar o carro. — Você me fez ouvir cada uma cerca de um milhão de vezes.
— Hoje podemos ouvir o que você quiser, então. — piscou e mandou um beijo pra ele.
— Quero música clássica. — respondeu sem tirar os olhos da rua.
— Está de brincadeira, né? — levantou uma sobrancelha.
— Não, eu gosto de música clássica.
mordeu o lábio, pensando no que falar.
— Eu não sabia disso. Nunca ouvi música clássica.
— Nem eu. — sorriu torto. — Eu estou brincando. — tirou uma mão do volante e acariciou a coxa dela. — Coloque o que quiser.
— Obrigada, baby. — murmurou, colocando a mão sobre a dele e apertando.
— Aliás, você tem preferência por algum mercado?
— Não gosto muito do Walmart. Drake está trabalhando lá. — deu de ombros.
— Ele continua te perseguindo?
— Mais ou menos. Ele é um cara legal, só que não desiste. — fez uma careta.
~~~

grunhiu ao tentar pegar a embalagem mais uma vez.
— O que custa colocarem prateleiras um pouco mais baixas? — reclamou antes de suspirar mais uma vez e voltar a ficar na ponta dos pés.
? — ela se virou ao ouvir a voz conhecida e sorriu ao encontrar sua melhor amiga, que carregava alguns produtos.
— Oi, . O que está fazendo aqui? — mordeu o lábio. — Hoje não é dia de sair com ?
— Minha mãe pediu para comprar algumas coisas para o jantar. — deu de ombros. — E você? Não foi passar a tarde com o Sr. Gostoso hoje? — sorriu maliciosamente.
mordeu o lábio inferior, segurando o riso, ao vê-lo se aproximar e arquear as sobrancelhas ao ouvir o apelido.
— Fico lisonjeado pelo apelido, . — murmurou, parando ao lado dela e assustando-a.
— Hmm... — murmurou completamente corada, os dedos brincando com uma das embalagens que carregava. — Oi, . Eu não sabia que você estava aqui.
— Tudo bem. — sorriu torto. — Precisa que eu pegue mais alguma coisa, ?
— Chocolate. — ela mordeu o lábio.
— Tudo bem, volto em alguns minutos. — informou antes de se afastar.
— Você poderia ter me avisado que estava aqui com ele! — esbravejou, controlando-se para não estapear a amiga.
— Não deu tempo! — riu.
— Vocês já estão na fase de fazer compras juntos? — franziu o cenho. — Há quanto tempo estão saindo? Um mês?
— Menos que isso. — explicou, parado ao lado da loira novamente.
— Porra! — assustou-se. — Pode, por favor, parar com isso?
riu.
— Só voltei para perguntar que tipo de chocolate. — deu de ombros.
— O que você quiser, baby. Não é para a torta.
— Você gosta de ao leite, certo? — arqueou a sobrancelha.
— Pegue o que quiser.
— Volto já, . — sorriu e se afastou.
— Vocês são fofos juntos. — sorriu. — E ele é lindo, então, bônus pra você.
— Está ocupada amanhã? — mordeu o lábio.
— Nada até agora. Do que precisa?
— Há um jantar na casa do amanhã e preciso da sua ajuda para encontrar algo legal pra vestir. E não sei que horas termina, então posso dormir na sua casa?
— Claro. Papai e mamãe vão sair pra jantar e Shawn tem alguma festa com os amigos. — deu de ombros. — Vou assistir a maratona de Friends até você chegar.
— Então sairei de casa cedo, vou ajudar com a torta e vou para sua casa me arrumar à tarde.
~~~

— Eu não gostei disso, . Não mesmo. — fez uma careta ao ver a escolha de roupas da garota para aquela noite. — Você tem que estar maravilhosa. Isso é só ok.
— Eu trouxe minhas melhores roupas, . Minha mãe até reclamou que tinha muita coisa na mochila. — grunhiu.
mordeu o lábio pensativa, sentando na cama e esforçando-se para pensar em algo que tivesse e ficasse bem em . Levantou-se rapidamente ao lembrar-se de algo e caminhou até o guarda-roupas, abrindo a porta e revirando suas roupas até encontrar o vestido azul que ganhara de aniversário de sua tia e usara poucas vezes.
— Coloque isso e os saltos pretos. — ordenou.
assentiu e caminhou até o banheiro, trocando a saia e a camiseta que usava pelo vestido azul marinho. Voltou ao quarto e colocou os saltos de .
— O que acha?
— Maravilhosa. — a loira sorriu, satisfeita com sua escolha. — Agora sente na cadeira, vou arrumar seu cabelo.
A morena obedeceu, juntando suas mãos e brincando com os dedos pelo nervosismo. Sua perna direita balançava rapidamente enquanto os dedos de agilmente ajeitavam seus cachos negros, prendendo uma parte e permitindo que o resto caísse em cascatas.
está chegando. — ela informou ao ver a hora no celular.
— Ele pode esperar um pouco. — resmungou, virando a cadeira e analisando o rosto de . — Acho que vou destacar seus olhos.
Abriu seu estojo de maquiagens e remexeu por algum tempo, escolhendo algumas coisas.
— Dá para ser algo rápido?
— Quer algo bonito ou algo rápido? — perguntou, colocando as mãos na cintura e encarando a amiga.
— Um pouco dos dois? — sorriu nervosamente. — Sinto muito. Nunca fiquei tão ansiosa.
— Faz sentido. — deu de ombros. — Você vai encontrar seu namorado gostoso e ainda conhecer seu ídolo. Agora fique quieta para eu terminar isso logo.
Nos minutos seguintes, o silêncio dominou o quarto. estava concentrada no que fazia e tentava se acalmar e não atrapalhar. Na noite passada não havia conseguido dormir devido à ansiedade, contava apenas com o cochilo do sofá de naquela tarde. No momento em que terminou, o celular de vibrou em seu colo, era uma mensagem de avisando que já a estava esperando na frente do prédio.
— Leve isso. — murmurou, entregando a ela uma pequena bolsa escura. — O batom que usei está aí dentro, para retocar mais tarde, e as minhas chaves, para o caso de eu estar dormindo quando você chegar. Vai colocar esse casaco e tirá-lo assim que encontrar lá em baixo, ok? Eu vou com você para pegá-lo. — instruiu, ajudando a morena a se levantar e guiando-a para fora do apartamento.
Ela vestiu o casaco que a amiga lhe havia estendido enquanto esperavam o elevador.
Olhou-se no espelho, aprovando o trabalho da loira. Com a maquiagem, seus olhos estavam destacados e o batom vermelho em seus lábios acentuava a beleza deles. Do lado esquerdo, uma parte de seu cabelo estava presa e o resto caía em cachos pelo seu ombro direito. O seu costumeiro colar, que havia sido um presente de seu pai, combinava perfeitamente com o vestido azul marinho, que tinha as alças rendadas. Suspirou assim que o elevador parou no térreo e saiu com .
Tirou o casaco pouco antes de saírem do prédio e o devolveu à loira. Seu coração acelerou ao que seus olhos encontraram . Estava encostado ao Veloster branco, usava calça social e sapatos sociais, mas no lugar do costumeiro paletó, usava jaqueta de couro, ficando mais bonito do que ela imaginava ser possível. Soltou um assobio assim que a viu e sorriu torto.
— O que achou? — perguntou, mordendo o lábio.
— Difícil encontrar palavras para descrever o quanto está bonita, senhorita .


Capítulo VII – Boyfriend

— Está tudo bem, ? — perguntou ao perceber que a garota estava inquieta.
— Só um pouco nervosa. — murmurou, os dedos brincando sem parar com o anel que usava.
Ele riu e se aproximou, abraçando-a por trás. Beijou a pele exposta de seu pescoço e então apoiou o queixo em seu ombro.
— Vai dar tudo certo, querida. — tranquilizou-a. — Se Johnny não te quiser, pode continuar comigo. — provocou.
— Você é muito chato, . — bufou, virando-se. tinha um sorriso nos lábios e beijou-a no rosto ao mesmo tempo em que cercava sua cintura com as mãos.
— Só é estranho saber que minha namorada meio que ama meu amigo de infância. — deu de ombros.
— Digamos que eu aprecio o trabalho dele e o admiro.
— E o ama.
— É amor de fã. Claro que há aquelas que fariam de tudo por ele, mas não sou assim. — explicou e arqueou uma sobrancelha. — Por acaso está com ciúmes?
— Claro que não. — a língua varreu os lábios rapidamente e ele desviou o olhar.
— Está mentindo. — concluiu rapidamente, com um sorriso divertido nos lábios. — Não se preocupe com isso, baby. Você me conquistou, estamos juntos e pronto, não há nada que me faça mudar de ideia.
Ele sorriu. Havia passado muito tempo com Jasmine em busca de um presente perfeito para e, finalmente, chegara o dia de entregá-lo. Alguns dias antes, conversara com Johnny e contara seus planos. Esperava que tudo ocorresse conforme o planejado.
— Nem se Johnny te pedisse em namoro?
— Nem se Johnny me pedisse em namoro. — afirmou. — Eu já disse, , você tem algo que me conquistou.
— Posso saber o que é? — indagou com um sorriso divertido.
— Não. — ela sorriu abertamente e beijou-o, querendo provocá-lo. — Assim perde a graça.
Ele ia falar algo, mas foi interrompido ao ouvir o interfone. Beijou a testa de e se afastou. A garota o observou, imaginando o quão sortuda era por tê-lo. Murmurou algumas palavras no aparelho e o colocou no lugar.
— Johnny está subindo. — avisou, voltando.
mordeu o lábio. Mal podia acreditar que conheceria seu ídolo. E que havia colaborado para que isso acontecesse. O rapaz entrelaçou sua mão a dela e a guiou até a porta, beijou seu pescoço e prendeu uma pequena mecha de seu cabelo atrás da orelha.
— Não se esqueça de respirar, . É considerado algo importante. — murmurou de forma divertida, fazendo-a revirar os olhos.
— Acho que preciso retocar a maquiagem, . — avisou, ambas as mãos segurando o braço dele, o que lembrava uma criança assustada.
— É sério, . Relaxe. Johnny vai adorar você.
— Eu vou passar mal, .
Ele suspirou e ficou de frente para a garota. Colocou as duas mãos em seu rosto e fez que o olhasse. Fitou os olhos azuis de e lhe deu um delicado selinho.
— Estou aqui com você, sim? Tudo vai dar certo.
Beijou-a mais uma vez ao ouvir a campainha tocar e pegou a mão de antes de abrir a porta. Johnny sorriu ao vê-los e a garota prendeu a respiração. O cabelo loiro estava bagunçado, como de costume. Trajava roupas sociais e tinha um sorriso divertido e sedutor nos lábios.
— Como vai, Payno? — perguntou, estendendo a mão para um cumprimento.
— Muito bem. — sorriu enquanto se abraçavam.
Só então, notou que uma mulher o acompanhava. Debby, reconheceu. O tipo de mulher que fazia as outras sentirem-se mal apenas com sua presença e beleza. Seus cabelos, de um ruivo natural perfeito, eram totalmente invejáveis e levemente cacheados. Era alguns centímetros mais alta que e ainda usava saltos. Os olhos verdes brilhavam e seu sorriso era sincero. O corpo era magro, porém curvilíneo. Perfeitamente bonita. Não era surpreendente que fosse a noiva de Johnny.
A atenção de abandonou Debby ao ouvir a voz de , enquanto a apresentava.
— JK, essa é . É uma grande fã.
Corou ao perceber que todos os olhares se direcionavam para ela e sorriu timidamente.
— Olá, . — ao ver o sorriso de Johnny, seu coração descompassou e ela prendeu a respiração, mordendo o lábio em seguida.
— Hmmm... Oi.
Ele se aproximou e a abraçou, paralisando-a. O perfume forte de Johnny a atingiu e só então se deu conta da realidade. Não pode conter as lágrimas de alegria que começaram a rolar por sua bochecha e o abraçou com força. Afastaram-se e logo foi envolvida pelos braços de , que acariciou suas costas e beijou sua testa. Escondeu o rosto em seu peito e permitiu que mais algumas lágrimas caíssem.
— Ela estava muito ansiosa por isso. — explicou ao amigo com um sorriso.
limpou seu rosto com as costas da mão e sorriu envergonhada.
— Sinto muito por isso. É que... é inacreditável.
— Não se preocupe com isso, . É compreensível. — Debby sorriu de forma tranquilizadora.
levantou o rosto da morena com apenas dois dedos e beijou seus lábios rapidamente.
— Por que não lava o rosto, querida? — sorriu. — Aproveite para retocar a maquiagem, como queria fazer. Pode usar o meu banheiro.
Ela assentiu e se afastou, caminhando até o quarto de . Suspirou e pegou sua bolsa abandonada na cama, antes de seguir para o banheiro. Xingou-se mentalmente ao ver os olhos levemente vermelhos e a maquiagem danificada. Respirou fundo e pegou seu celular, checando as mensagens. Respondeu as de , contando que tudo ia parcialmente bem. Refez a maquiagem e encarou-se no espelho. Vamos lá, . Não estrague tudo. Eles são adultos, não aja como uma garota boba.
~~~

— Johnny? — chamou. — Pode fazer aquilo que combinamos?
O cantor assentiu e se levantou, caminhando pelo corredor.
— O que ele está fazendo? — mordeu o lábio, fitando-o.
— Foi buscar o violão. — sorriu, inclinando-se e a beijando. sorriu durante o ato e colocou a mão direita no peito dele, acariciando.
— Você tem um violão? — perguntou afastando-se um pouco.
— Tenho. Sei tocar pouca coisa. — deu de ombros. — Prefiro piano
. — Há mais algum talento seu que não sei? — arqueou uma sobrancelha, levemente irritada.
— Luto boxe e surfo um pouco. — sorriu, beijando a bochecha dela em seguida.
— Você não parece ser do tipo que luta. É calmo demais para isso.
riu, apoiando seu queixo no ombro da menina e esfregando sua barba ali.
— Eu não era um garoto popular na escola. Alguns meninos zombavam de mim e tive que aprender a me defender. — explicou. — Isso me deu alguma confiança.
— Sofreu bullying?
— Algo do tipo.
— Johnny está de volta. — ele sorriu, entrando na sala. — Qual música minha é a sua favorita, ?
— Superhero. — ela sorriu, a mão acariciando a de que estava em sua cintura.
Ele assentiu e começou a dedilhar uma suave melodia, que rapidamente preencheu o ambiente. sorriu ao ver a felicidade presente no rosto de e decidiu que aquele era o momento certo. Apertou a caixa de veludo em seu bolso e respirou fundo.
? — chamou, atraindo sua atenção.
— Sim, baby?
— Tenho algo para você. — tirou o objeto do bolso e colocou na mesa, de frente para ela.
soltou um riso nervoso.
— O que é isso, ? — perguntou, apoiando seu corpo no dele e ainda acariciando a mão dele que permanecia em sua cintura.
— Um presente. — beijou seu pescoço. — Pra você.
— Algum motivo especial? — arqueou uma sobrancelha. — Que eu saiba, não há nada para comemorar hoje.
— Espero que venha a ser um dia para comemorar. — sorriu. — Abra.
Ela sorriu, percebendo que ele parecia nervoso, e fez o que pediu. Um sorriso surgiu em seus lábios ao ver a pulseira dourada com um delicado pingente. Um pequeno riso escapou ao ver que era o contorno de uma pata de cachorro.
— É lindo, . — virou-se e o beijou. — Só não entendi o motivo.
Fitou a mesa, procurando uma maneira de começar e então segurou as mãos dela, finalmente olhando para seus olhos azuis que simplesmente adorava. Por um momento, pensou em inventar uma desculpa, mas chegou à conclusão de que merecia aquilo.
— Quero que seja minha namorada
Ela sorriu abertamente, o coração acelerado, mas logo franziu o cenho, o que o deixou nervoso.
— Não estávamos namorando antes?
Ele riu baixo.
— Considere isso como um pedido oficial. — foi vez de a garota rir. — Aceita?
Ela assentiu, a puxou pela cintura delicadamente e aproximou o rosto do dela. Ele sorriu de canto e fitou seus olhos azuis.
— Então, diga.
Ela revirou os olhos, mas soltou um riso baixo.
— Eu aceito, .
Finalmente, beijou-a. Ambos sorriam durante o beijo e as mãos percorriam as costas da garota enquanto as dela estavam em sua nuca, arranhando levemente. Finalizaram com diversos selinhos e mordeu levemente o lábio inferior dele, antes de se afastar com um sorriso.
~~~

— Foi incrível! — comemorou ao voltar ao apartamento, haviam acompanhado Johnny e Debby até a portaria. — Definitivamente o melhor dia da minha vida.
— Fico feliz que tenha gostado. — a abraçou por trás e beijou seu pescoço.
— Quando vai se encontrar com ele novamente? — perguntou acariciando os braços do namorado.
— Amanhã. — esfregou sua barba no pescoço dela, causando arrepios. — Vamos almoçar juntos.
— Estou convidada? — mordeu o lábio.
— “Intimada a comparecer” me parece mais correto. — ele riu e a virou, colou seus corpos e fitou os olhos azuis da garota. A mão direita acariciou seu rosto demoradamente, fazendo-a fechar os olhos para aproveitar melhor as sensações que aquilo lhe provocava.
Repousou a mão na bochecha da garota e acariciou com o polegar. Aproximou-se lentamente e iniciou um beijo calmo, acariciando a língua de com a sua. A morena ficou na ponta dos pés e jogou os braços por cima de seus ombros, a mão direita brincando com os fios castanhos e arranhando levemente sua nuca. Ela se afastou delicadamente e sorriu.
— Estou feliz em estar aqui.
— Fico feliz que esteja aqui. — sorriu.
Encostou-se a parte de trás do sofá e cruzou os braços. ¬Envergonhada, fitou seus pés e soltou um riso baixo.
— O que foi? — perguntou divertido.
— Fico sem graça quando me olham por muito tempo. Principalmente você. — deu de ombros. — Tenho a impressão de que há algo errado comigo.
— Não se preocupe, não há nada errado com você. — assegurou. — Duvido que exista alguém que ache isso de você, é praticamente impossível. — concluiu. — Mas não podemos esquecer-nos das pessoas loucas, elas talvez achem que você é perfeita. — ela riu, levemente corada. Gostava do fato de fazê-la rir com coisas bobas. Puxou-a pela cintura e deu um selinho rápido. — Considerando tudo isso... Acho que sou louco.
realmente gostava dele, apesar de não entender o motivo de tanta timidez no pedido de namoro, já que eram praticamente namorados. Não via problemas. Já que acreditava ser suficientemente madura para entrar no mundo dele e que era infantil o suficiente para o seu. Ambos aceitavam bem essa ideia.
— Que horas quer ir para casa? Sua mãe deve estar preocupada.
— Não se preocupe. Minha mãe não é tão... coruja. Ela acha que estou na casa de . — corou.
— Não gosto desse tipo de mentira, . — suspirou.
— Você quer que eu vá?
— Com certeza. Não suporto sua presença. — ele ironizou.
— Tudo bem, então. — sorriu falsamente. — Me ligue amanhã. — beijou a bochecha do rapaz e se afastou, também brincando.
— Não sabe interpretar uma ironia? — perguntou, segurando-a pelo braço.
— Eu que pergunto. — revirou os olhos, só então compreendendo que era uma brincadeira e riu em seguida.
Guiou-a até o sofá e ligou a TV. Escolheu um canal de séries e começaram a assistir. Rapidamente ela tirou os sapatos, para que ficasse mais confortável e deixou que uma de suas pernas ficasse sobre as de . A mão direita do rapaz acariciava sua cintura distraidamente causando-lhe arrepios. Escolheu um canal de séries e começaram a assistir. A presença de lhe fazia um bem enorme e gostava de sentir-se assim.
A mente de viajava, tentando descobrir como haviam chegado ali. Era engraçado pensar que uma adolescente que precisava de dinheiro para o ingresso de seu cantor favorito, acabara se tornando sua namorada. Sentia-se cada vez mais dependente de . Ela havia tomado sua mente rapidamente e se apossava de seu coração. Sem muito esforço, na verdade. Sentia-se confortável com aquilo e estava disposto a lutar por aquele relacionamento e enfrentar todas as opiniões contrárias. Ela valia o esforço.
A risada de o trouxe de volta. Era a mais graciosa e agradável de ouvir, assim como sua voz. Ela tinha uma beleza própria em tudo que fazia.
. — chamou, fazendo-a se virar para ele.
Sem pensar duas vezes, beijou-a. Dessa vez com mais intensidade. A garota assustou-se um pouco, mas correspondeu. Passou uma das mãos pelo seu pescoço e seus dedos entrelaçaram-se aos curtos fios de cabelo dele. fazia força com um dos braços, para não cair por cima da garota, já que se inclinava para frente.
Aos poucos, desceu os beijos até o pescoço da morena. Estava com medo que recuasse, mas ela estava gostando e beijou o lóbulo de sua orelha, mordendo levemente em seguida. Ele sorriu, entendendo que poderia avançar um pouco mais.
Era como um jogo de limites, onde deveria testar os da namorada. Deitou-a no sofá e ficou por cima dela, com as pernas a sua volta. Ela não saberia dizer se estava preparada para aquilo. A ideia lhe agradava. Gostava do que ele estava fazendo, mas tinha medo de achá-la inexperiente demais por ainda ser virgem e acabar desistindo dela. Não podia demonstrar seu nervosismo, conseguiria aguentar um pouco mais.
lhe deu um beijo mais intenso e mais significativo. Segurou sua nuca e começou a explorar sua boca com mais vontade. A morena, por gostar daquela sensação, dava liberdade para que o fizesse. Com sua mão livre, segurou a cintura dela e em seguida trilhou um caminho de beijos até seu pescoço. fechou os olhos e ofegou. Ele observou a expressão da namorada e sorriu, ela abriu os olhos e corou ao perceber o que acontecia.
, e-eu... — balbuciou, tentando encontrar as palavras certas.
— Não diga nada, babe. — sussurrou, mas pensou em algo e fitou-a. A ideia não era absurda, considerando que ela tinha apenas dezessete anos. — A menos que... — interrompeu-se ao ver a garota corar. — Você é virgem?
— Sou. — admitiu completamente envergonhada. encarou-a em silêncio, levando-a a atender errado. — Sou muito boba por isso?
— O quê? Não! De modo algum. — sorriu, tentando esconder seu nervosismo. — Nunca fui o primeiro de alguém. Acredito que seja uma grande responsabilidade.
— Bom...
aproximou seus rostos e fitou seus olhos azuis.
— Não quero e nem vou te forçar a fazer algo que não queira. — acariciou seu rosto com a ponta dos dedos. — Vamos parar por aqui e saiba que não terá problema. Posso esperar o quanto precisar.
sorriu e lhe deu um selinho.
— Confio em você.
Encarou-a por mais algum tempo, procurando algum vestígio de dúvida e então iniciou um novo beijo. Distribuiu beijos pelo pescoço dela e abriu o zíper do vestido, beijando seus ombros ao retirá-lo. O nervosismo dominava o corpo de . Tentava acalmar-se e relaxar, porém aquele era um dos momentos mais importantes de sua vida. E com uma das pessoas mais importantes de sua vida. Arrepiou-se com o toque quente da mão de em seu corpo. Tirou as duas alças do vestido e abaixou-o até sua cintura.
— Você é linda. — elogiou, observando seu corpo pequeno e sedutor. As bochechas da garota ruborizaram rapidamente. Por coincidência, ela usava lingerie preta, a preferida de .
Tirou sua camiseta e sentaram-se no sofá. não conseguia parar de olhar o corpo definido de . Teve uma vontade imensa de arranhá-lo, mas se conteve. Faltava pouco para isso. Inclinou-se e o beijou, fazendo-o sorrir e puxá-la novamente pela cintura.
— Vamos continuar isso no meu quarto. — sussurrou entre o beijo e assentiu.
~~~

Babe?
— Sim? — ela perguntou se virando.
— Como você está? — perguntou sentando ao seu lado.
— Cansada. — deu de ombros.
— Quer tomar um banho?
— Seria ótimo.
Beijou-o e levantou, caminhando até o banheiro ainda com o lençol em sua volta. riu baixo e se levantou, tirando os lençóis da cama e trocando por outros. Apesar de o sangue ali ser pouco, não queria que visse e se envergonhasse mais. Havia sido perfeita. Juntou as roupas da garota na poltrona do canto e jogou as suas no cesto de roupas sujas.
Virou-se ao ouvir a porta do banheiro se abrir e encontrou com seu roupão. Andou até ela e abraçou sua cintura, beijando seu rosto em seguida.
— Pode pegar uma camiseta no meu armário, se quiser. — deu-lhe um selinho. — Aposto que ficará linda.
— Tudo bem. Obrigada. — sorriu, levemente corada.
— Preciso de um banho. Volto num minuto. — beijou a testa da garota e então se afastou, indo para o banheiro.
suspirou e fitou o armário de , abriu-o e escolheu uma de suas camisetas. A que lhe pareceu mais velha e confortável. Vestiu-a e procurou sua calcinha no quarto, sorrindo ao perceber que havia reunido suas roupas e deixando-as na cadeira, vestindo-a em seguida. Sentou-se na cama e penteou o cabelo com os dedos. Sorriu ao ver saindo do banheiro, apenas de cueca boxer e com o cabelo molhado.
— Tem certeza que tudo está bem? — perguntou se aproximando.
— Sim. — ela riu. — Pare de perguntar.
Beijou-a lentamente e acariciou seu rosto.
— Vamos dormir. — chamou, ajeitando-se na cama e puxando para junto dele. Deixou um dos braços em sua volta e ela se ajeitou ali, meio que o abraçando.
? — chamou baixo, temendo que ele já tivesse dormido.
— Sim, babe?
— Obrigada por hoje. Tudo foi perfeito.
~~~

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de ao sentir dedos tocando sua face suavemente. tirou os fios que estavam em seu rosto e beijou sua testa.
— Hora de acordar, preguiçosa. — chamou com um sorriso divertido.
— Bom dia, . — murmurou abrindo os olhos.
estava deitado de lado e a observava atentamente, o que a fez corar.
— Dormiu bem?
Assentiu.
— Muito. — sorriu ao sentir a mão dele acariciando sua cintura por dentro da camiseta. — Você?
— Tirando o fato de que certa pessoa dormiu em cima de mim e quase morri sufocado... — brincou. — Bem.
— Idiota. — xingou com um sorriso, corando levemente.
— Eu estava brincando, . — deu-lhe um selinho rápido. — Café da manhã está pronto, vamos lá?
— Não acredito que você fez isso.
— Eu estava entediado e você não acordava, senhorita sono pesado. — deu de ombros. — Terá a maravilhosa oportunidade de conhecer meus dons culinários.
— Devo ter medo? — indagou falsamente receosa.
— Um pouco. — ele riu baixo. — Vamos, babe.
— Estou com preguiça. — respondeu, espreguiçando-se.
— Preguiça de comer? Essa é nova. — riu. — Vamos, , eu estou com fome.
— Eu preciso de cinco minutos no banheiro. — murmurou, levantando-se e caminhando até lá.
assentiu e sorriu, sentando-se e observando-a. corou ao perceber e lembrar da situação de suas roupas e puxou a camiseta, conseguindo esconder apenas metade de suas coxas.
— Você está brincando, né? — ele sorriu de forma divertida. — , não precisa ficar com vergonha. — caminhou até ela e colocou as mãos em sua cintura, puxando-a para si. Sorriu e beijou seu rosto. — Afinal, já te vi nua mesmo.
O rosto de ruborizou rapidamente e ela o abraçou, escondendo o rosto em seu peito.
— Para com isso. — pediu de forma tímida.
— Não precisa se envergonhar, querida. — beijou seu rosto. — Você é linda.
— Pare de mentir.
— Por que eu mentiria sobre isso? — arqueou a sobrancelha. — Acredite em mim, , você é muito mais bonita do que pensa.
O encarou e sorriu.
— Eu não acho, mas obrigada.
Ele sorriu e beijou seu pescoço, inalando o suave perfume natural de . Ela sorriu, acariciando as costas do namorado e sentindo-o estremecer sob seu toque.
— Eu ainda preciso ir ao banheiro, . — murmurou, arrancando um riso baixo do rapaz.
— Estarei te esperando na cozinha, sim? — avisou e beijou seu rosto antes de sair.
suspirou e caminhou até o banheiro. era inacreditável. Definitivamente o melhor presente que poderia esperar da vida. Fez uma careta ao olhar-se no espelho e encontrar seu cabelo bagunçando, xingando ao lembrar que a havia visto daquele jeito. Prendeu o cabelo escuro em um coque e lavou o rosto.
— Ei, , por acaso teria algum short do meu tamanho? — perguntou quase gritando.
— Não tenho ideia, babe. Procure no quarto de Natalie.
Ela revirou os olhos e saiu do banheiro, caminhando até o quarto de Natalie. Encontrou Loki pelo caminho e acariciou suas costas, sem interromper sua caminhada. Abriu o guarda-roupas e pegou o primeiro short que viu, vestindo-o e então indo até a cozinha.
Sorriu ao ver arrumando a mesa e encostou-se a parede, observando-o. Pouco depois, ele percebeu sua presença, virando e sorrindo para ela.
— O que você acha? — perguntou indicando a mesa.
arregalou os olhos ao ver a quantidade de comida.
— Uau. — riu baixo. — Você fez muita coisa.
— Eu não sabia o que você poderia gostar, então fiz um pouco de tudo. — deu de ombros e caminhou até ela, abraçando-a pela cintura. — Eu teria levado café na cama, mas era muita coisa, babe.
Ela sorriu e acariciou seu rosto.
— Tudo bem, . — ficou na ponta dos pés e beijou sua bochecha. — Por onde acha que devo começar, hm?
— Eu tenho um dom natural para estragar waffles. — explicou, encolhendo os ombros. — Então você deveria começar pelas panquecas ou os ovos.
— E para beber?
— Fiz suco de laranja e café, mas acho que na geladeira tem uma caixa de suco de uva.
— Vou ficar com o de laranja. — murmurou e o puxou para a mesa.
logo começou a se servir, envergonhada ao perceber que os olhos de não abandonavam seu rosto. Começou pelas panquecas e então foi para os ovos, sempre bebericando o suco de laranja.
— Você já pode parar de me olhar agora. — murmurou para , levemente corada.
— Sinto muito. Não percebi o que estava fazendo. — acariciou a mão dela que estava sobre a mesa. — O que está achando?
— Você cozinha melhor que minha mãe. — anunciou sorrindo. — Não que isso seja surpreendente, uma vez que até Alli cozinha melhor que ela. Você tem potencial, só precisa de algum aperfeiçoamento.
— Considerarei isso como um elogio. — riram baixo. — O que acha de me ajudar com isso, babe?
— Como se eu fosse boa — revirou os olhos.
— É melhor que eu. — sorriu torto. — O que me diz?
assentiu.
— Podemos tentar, baby.
O polegar de acariciou a mão de mais algumas vezes, enquanto pensava em uma maneira de fazer uma pergunta sem parecer estar se precipitando.
?
— Oi? — ela mordeu o lábio.
— Quando vou conhecer sua família? — arqueou uma sobrancelha.
— Assim que eu conhecer a sua. — forçou um sorriso.
— Estou falando sério, .
— Ainda nem sabem que estou namorando, . — suspirou, procurando argumentos. — Minha mãe talvez desconfie, já que não passo tanto tempo em casa como antes. Mas pode achar que estou trabalhando ou que arranjei novos amigos. — pausou, sorrindo de canto. — Porém, se pararmos pra pensar, não faz nem um dia que estamos namorando.
— Muito engraçadinha. — zombou ele. Suspirou e fitou os olhos azuis dela. — Sinto muito, provavelmente estou me adiantando ou algo assim, mas quero que saibam que quero um compromisso. Eu realmente gosto de você.
— Ainda se preocupa com a questão da idade, baby? Sei que é difícil, mas chega um momento em que temos que simplesmente ignorar o que as pessoas podem pensar. Ligar o “foda-se”, entende? Essa é a nossa vida, , o importante é nos agradar. Você gosta de estar comigo?
— Te pedi em namoro ontem, não pedi? — arqueou uma sobrancelha, arrancando um riso de .
— Vamos com calma, tudo bem? Preciso de algum tempo para conversar com elas e preparar o terreno. Alli não será problema, definitivamente. Minha mãe é um pouco complicada, mas não vejo chance de grandes problemas.
~~~

— Está pronta, ? — perguntou, sentado no sofá acariciando Loki.
— Só mais um pouquinho. — respondeu, entrando na sala. Estava de calça jeans, tênis, sutiã e carregava duas camisetas. — Qual eu coloco?
— Está falando sério? — ele sorriu.
— Sim, . — revirou os olhos. — De qual você gosta mais?
Se levantou e caminhou até ela, puxou seu corpo e beijou seu rosto.
— Nenhuma. Assim está ótimo.
— Eu não posso ir assim, . — riu. — Qual delas?
— A vermelha. — sorriu e beijou-a.
— Nos temos que ir, . O show começa em duas horas.
Ela vestiu a camiseta vermelha e deixou a outra em cima da mesa. Loki latiu e sentou no sofá, atraindo a atenção dos dois.
— Você não pode ir hoje, bebê. — ela o acariciou. — Amanhã podemos sair.
— Pegou as credenciais, babe?
— Estão na minha bolsa, . Em cima da mesa. — beijou a cabeça do cachorro e se virou a tempo de vê-lo pegando sua bolsa.
— Podemos ir?
assentiu e caminhou até a porta, com Loki atrás dela. acariciou sua cabeça e saiu com a garota. No trajeto até o local do show, insistiu em ouvir as músicas de Johnny, e mal conteve sua ansiedade. Ao chegarem, estacionou e seguiu as instruções do amigo e encontrou o lugar em que ficariam. Uma parte VIP, com apenas amigos de Johnny. O sorriso não saia do rosto de .
— Já pode dizer que sou o melhor namorado do mundo. — murmurou em seu ouvido, enquanto a abraçava por trás.
— Seu ego já é grande o bastante sem esse tipo de elogio, . — se virou e o encarou. — Mas é a verdade.
Ele riu e a beijou.
Ficaram ali por algum tempo, até que o show começou. se surpreendeu ao perceber que sabia alguma das músicas e cantava a maioria delas perto de seu ouvido, arrepiando-a.
~~~

? — chamou, deitada sobre ele no sofá.
— Oi? — os olhos castanhos não abandonavam seu tablet enquanto resolvia algo do trabalho.
— Eu estou entediada.
Ele riu e deixou o tablet de lado. Tirou uma mecha do rosto de e o acariciou.
— Quer ver um filme?
— Estou cansada de filmes. — suspirou. — Quero fazer algo diferente.
sorriu com a ideia que se formava em sua mente.
— Já sei o que podemos fazer. — levantou-se.
Sumiu pelo corredor que levava ao seu quarto e voltou minutos depois.
— O que é isso, ? — perguntou ao ver o que carregava, um tabuleiro de xadrez e uma pequena caixa.
— É o que vamos fazer hoje. — deu de ombros. — Mas preciso que confie em mim.
— Tenho até medo de perguntar, mas... — suspirou. — Xadrez?
— Já ouviu falar em strippoker? — ele arqueou uma sobrancelha.
— Existe alguém nesse mundo que nunca ouviu falar de strippoker? — a garota revirou os olhos, arrancando um riso do namorado.
— Nunca se sabe. — encolheu os ombros. — É algo do tipo, porém com xadrez.
pensou por algum tempo, tentando compreender a informação e então assentiu.
— Me explique melhor.
— São seis tipos de peças. Cada uma representa algo que se deve fazer com o outro. Por exemplo, se eu conseguir um peão seu, você precisa tirar uma peça de roupa. — explicou.
— Quais são os outros?
sorriu torto.
— Isso se descobre jogando.
~~~

— Pronta? — perguntou o rapaz ao sentar-se na cama. respirou fundo e assentiu, o coração já estava acelerado e as mãos suavam. — As brancas começam.
A garota mordeu o lábio enquanto pensava e movimentou um dos peões, já que não tinha muita escolha. movimentou um dos seus e, por alguns minutos, ambos permaneceram em silêncio, concentrados no jogo. Ele havia inventado esse jogo quando estava na faculdade, já que nunca havia entendido muito bem os fundamentos do poker, apesar das diversas tentativas de seu pai e outros membros da família.
— Pode começar a tirar a roupa. — sorriu enquanto pegava um dos peões de .
— Logo depois de você. — ela piscou em resposta. Estava tão ansioso para começar o jogo, que não percebeu que havia feito uma armadilha, posicionando um dos outros peões perto daquele que havia deixado para que ele comesse, assim, conseguindo a peça dele.
O rapaz bufou ao perceber a jogada e tirou as meias. A garota riu e tirou as suas também, soprando um beijo para ele.
, já percebeu que temos oito peões e menos que oito peças de roupa? — ergueu uma sobrancelha.
Ele sorriu maliciosamente.
— Claro que percebi, babe. Esse é o objetivo do jogo.
riu.
— Você não presta, . — revirou os olhos azuis. — Você criou, certo?
— Sim, senhorita. — respondeu, concentrado em suas peças.
— Por quê?
— Nunca fui fã de poker. — deu de ombros após movimentar uma das peças. — Menos conversa e mais jogo, .
Nos minutos seguintes, ela utilizou algumas das jogadas que havia aprendido ao frequentar algumas das reuniões do clube de xadrez com sua melhor amiga de Olympia, Heidi, que estava interessada em um dos meninos de lá.
— Droga, você é boa nisso. — resmungou, agora tirando sua camiseta.
suspirou ao vê-lo sem camisa. Estava apenas de calças, já que ela havia conseguido mais alguns de seus peões. Definitivamente, era o homem mais atraente que já havia conhecido. Conseguia ser extremamente sexy e um perfeito cavalheiro, uma combinação difícil de ser encontrada.
— O que é o cavalo? — mordeu o lábio inferior, ansiosa.
Pensou por alguns segundos, checando sua pequena lista mental.
— Beijo no pescoço.
Ela sorriu e se levantou.
— Sente na ponta da cama, .
O rapaz obedeceu e ela apoiou as mãos em suas coxas, apertando levemente. Esfregou o nariz no pescoço dele, inalando seu perfume amadeirado e depositou um beijo tímido, arrepiando-o. Não se conteve e prendeu a pele entre seus dentes, mordendo-o. arfou. Beijou-o mais uma porção de vezes e se afastou totalmente, com um sorriso divertido nos lábios.
— Acho que está bom por agora. — sussurrou de forma provocante.
— Porra, . — resmungou e então voltaram para seus lugares, dando continuidade ao jogo.
mordeu o lábio analisando o tabuleiro, pensando no próximo movimento. A ansiedade e excitação presente ali, o desconcentraram e teve analisar o tabuleiro. Encontrou uma falha nas jogadas de e tentou atraí-la para uma de suas peças. Assim que ela fez o movimento esperado, se aproximando, usou sua torre para conseguir um dos bispos dela. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios e se levantou, ajudando a garota a fazer o mesmo em seguida. Cercou sua cintura nua, já que ela estava apenas de short e a puxou para perto. Levou os lábios até seu ouvido e mordeu o lóbulo.
— Posso te tocar onde quiser. — explicou com a voz rouca.
— Então toque.
Acariciou suas costas e então levou as mãos até os seios da morena, massageando-os. Ela arfou de prazer, excitada. sorriu ao ver o estado em que se encontrava e beijou seu pescoço, fazendo-a jogar a cabeça para trás, e esfregou sua barba por fazer ali em seguida, arrancando um gemido baixo da garota. Se endireitou e beijou-o, invadindo a boca de com sua língua com certa urgência. Gemeu durante o beijo ao sentir uma das mãos dele acariciando sua intimidade.
— Mais, . — pediu.
— O jogo ainda não acabou, babe. — afastou-se e voltou a sentar na cama. — É a sua vez.
— Está brincando, né? — bufou.
— O jogo ainda não acabou, . Vamos lá. — chamou com um meio sorriso.
Revirou os olhos e sentou-se na cama, encarando o tabuleiro. Seu coração ainda estava acelerado e era difícil se concentrar com o olhar de sobre ela. Sorriu ao perceber uma jogada óbvia e moveu o bispo que lhe restava.
— Cheque mate. — anunciou.
arregalou os olhos ao ouvir as palavras e olhou o tabuleiro, xingando-se mentalmente ao ver que ela tinha razão. Estava tão preocupado em conseguir as peças dela, que não havia protegido seu rei.
— Foda-se. — murmurou jogando o tabuleiro para o lado e então agarrando-a.
Deitou na cama e ficou por cima dela, a mão direita apertando a cintura da garota enquanto distribuía beijos e mordidas em seu pescoço. As mãos pequenas acariciavam a nuca de , também impedindo que saísse dali, e ocasionalmente o arranhava. Ele se afastou, observando-a e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, antes de beijá-la com volúpia.
Trilhou um caminho de beijos até os seios dela, rapidamente soltando o fecho do sutiã e retirando-o. Observou-a, fazendo que corasse, e sorriu.
— Você é tão linda, . Eu poderia admirá-la o dia todo. — massageou um seio e beijou o outro. — Tão perfeita.
A morena arfou, em plena excitação. Continuou com as mãos em , instigando-o a continuar. Todas as sensações que atingiam seu corpo naquele momento eram indescritíveis. Gemeu ao sentir os lábios do namorado sobre ela e num ato impensado, puxou-o para um beijo. Mal percebeu quando outro gemido escapou ao sentir o membro de roçando sua intimidade.
— Pelo amor, arranque logo essas calças, . — pediu de forma indelicada e ele riu, fazendo o que pediu.
Apenas de cueca, ficou de joelhos na cama e desabotoou o short de , tirando-o com facilidade. Observou a garota totalmente entregue a ele e não pode evitar o pensamento de que era o cara mais sortudo do mundo. Impaciente, ela se sentou. Por poucos segundos, apenas trocaram olhares antes de fazê-lo deitar. Ambos gemeram ao que ela sentou sobre ele e suas intimidades se chocaram.
— Aguente só mais um pouco, . E então podemos fazer o que tanto deseja. — murmurou em seu ouvido antes de morder o lóbulo levemente.
Beijou seu rosto uma porção de vezes e então foi para o pescoço, mordendo e chupando, o que provavelmente deixaria marcas mais tarde. Arranhou seu tórax, descendo até a região pélvica. gemeu roucamente, fazendo soltar uma risada. Rebolou e observou a expressão de prazer do namorado, mordendo o lábio.
— Vamos logo, .
Ela se abaixou e o beijou.
— Nunca pensei que fosse te ver assim.
Ele gemeu e trocou as posições, deitando na cama e arrancando a última peça de roupa que lhe restava. Tirou a cueca e pegou o preservativo estrategicamente posicionado na mesa de cabeceira, abriu com os dentes e vestiu.
Gemeram juntos com a penetração e a beijou com urgência. As unhas de escorregaram pelas costas do namorado, marcando-o, enquanto aproveitava tamanho prazer.
... — sussurrou ofegante.
— Hm... — uma pequena parte de seu cérebro, a que não fora dominada pelo prazer, tentara encontrar palavras, mas falhara vergonhosamente.
— Geme o meu nome.
Ela assentiu e repetiu seu nome diversas vezes, fazendo-o soltar alguns palavrões. O prazer de era imensurável. Sentiu seu ápice se aproximando e chamou por ao atingi-lo. Ele ofegou e penetrou mais algumas vezes antes de atingir o seu. Beijou-a rapidamente e saiu de dentro dela. Foi até o banheiro e se livrou da camisinha. Lavou as mãos e voltou ao quarto, sorrindo ao encontrar deitada, ainda se recuperando. Deitou ao seu lado e a abraçou.
~~~

— Oi, Cas. — atendeu ao celular, sentando no sofá de . Usava uma das camisetas dele e a mão livre acariciava Loki.
, sua mãe já ligou aqui um milhão de vezes. Tive que dizer que passamos a noite acordadas e você ainda está dormindo. Pode, por favor, ligar pra ela? — reclamou.
— Claro. Sinto muito, eu esqueci.
— Como foi sua noite? Aposto que não dormiu.
! — sentiu seu rosto corando. — Eu te conto tudo depois. Vou pedir para me levar em casa. Ligo quando chegar lá.
— Tudo bem, não esqueça. Quero saber de tudo.
riu.
— Até depois, .
Desligou e suspirou, um sorriso bobo em seu rosto enquanto passava em . Era o melhor namorado que alguém poderia desejar. Ouviu o chuveiro ser desligado e caminhou até o quarto, encontrando apenas de toalha.
— Você pode me levar em casa?
— Só vou me trocar. — sorriu. — Algum problema?
— Minha mãe não para de ligar para . — suspirou. — Ela não merece isso.
— Conte a verdade, babe.
assentiu, cruzando os braços.
— Farei isso hoje. — sorriu fracamente.
terminou de se trocar e saíram do apartamento, descendo até a garagem. Durante o caminho até sua casa, a garota procurava um jeito de contar a mãe toda a verdade. A mão de acariciou a coxa de , tentando acalmá-la.
— Me liga mais tarde e conta como foi?
Ela assentiu e o beijou antes de sair do carro. As mãos brincavam com a alça de sua bolsa ansiosamente. Acenou para antes de entrar na casa e o observou enquanto o carro se afastava.
— Mãe, estou em casa. — avisou, tirando os sapatos e jogando a bolsa num canto.
— Como foi a noite com ? — Sally perguntou sentada no sofá.
— Divertida. — mentiu.
— Você dormiu bastante. — a mulher acariciava distraidamente o cachorro em seu colo.
— Ficamos acordadas a noite toda. — deu de ombros. Sentiu o celular vibrando em seu bolso e viu que era uma ligação de . — Eu vou subir, tudo bem? Preciso atender essa.
Sorriu e se afastou, subindo as escadas.
— Pode me contar tudo, . — exigiu.
Revirou os olhos e começou a relatar resumidamente tudo o que havia acontecido. Sally, que subia a escada carregando a bolsa e os sapatos da filha, congelou ao ouvir as palavras da garota. Abriu a porta e a encarou deitada na cama.
— Do que está falando, ?
A garota engoliu em seco.
— Nos falamos mais tarde, Cas. Tenho que desligar.


Capítulo VIII- Dinner

piscou, procurando uma maneira de explicar toda a situação. Seu coração acelerado batia contra seu peito. Umedeceu os lábios e apertou o celular em sua mão.
— Estou namorando, mãe.
— Isso eu já percebi. — Sally cruzou os braços. — Me refiro ao que estava descrevendo para sua amiga.
— Eu... Mãe, eu... — respirou fundo e, quando percebeu, as lágrimas borravam sua visão, impedindo que enxergasse a expressão de sua mãe.
— Quero conhecê-lo. — informou. — Convide-o para jantar aqui amanhã.
— O quê? — a pergunta escapou dos lábios de antes que percebesse. — Não vai gritar comigo? Dar bronca?
Sally suspirou, sentando-se ao lado da filha.
— Você tem dezessete anos, . É algo... compreensível. Já tive essa idade e sei tudo o que se passa pela sua cabeça. Só preciso que me garanta que vão se cuidar. Você é uma das coisas que mais importa para mim, você sabe, só me arrependo de ter engravidado tão cedo.
secou a lágrima que escorria.
— Não se preocupe com isso.
— Vá descansar. Amanhã eu, você e... — pausou, pensando. — Como é mesmo o nome dele?
. — sorriu.
— Certo. . Nós três teremos uma conversa sobre isso, tudo bem? — sorriu fraco, secando uma lágrima que rolava pela bochecha de , que assentiu. — Tome um banho e descanse, sim? — Sally sorriu outra vez antes de se levantar e sair do quarto.
Certo. O que aconteceu aqui? Ela se perguntou ao ficar sozinha no quarto e riu baixo. Limpou a bochecha com uma das mãos e mordeu o lábio. Agarrou o celular largado na cama e discou o número de , brincando com o colar em seu pescoço enquanto esperava que atendesse.
— Como foi, ? — ele perguntou antes que tivesse chance de falar algo. Ela riu baixo.
— Bem. Estranhamente bem. — riu baixo ao ouvir suspirar aliviado. — Eu pensei que ela fosse surtar. Eu estava falando com e... contando algumas coisas, ela ouviu tudo e veio me perguntar. Contei que estou namorando e ela foi mega compreensiva.
— Sério?
— Sim. Foi muito estranho. — fez uma pausa, ainda brincando com o colar. — Quer jantar aqui amanhã? Minha mãe disse que quer conversar sobre tudo isso. Principalmente sobre... cuidados.
— Cuidados?
— É. Sobre o que andamos fazendo, você sabe.
— O que você estava contando a , ? — ela riu, pois sabia que o namorado erguia uma sobrancelha.
— Xadrez.
! — repreendeu.
— Só a teoria, baby. Não eu entrei em detalhes. — pausou. — Antes de minha mãe chegar, pelo menos.
— O que eu fiz para merecer você? — suspirou.
— Coisas maravilhosas, eu aposto.
— Ei, , será que poderia vir aqui amanhã cedo? Eu gostaria de passar algum tempo com você.
— Sim, claro. — sorriu. — É bom não ter que esconder as coisas da minha nãe.
— Eu sempre soube que seria. — riu. — Eu preciso desligar, há algumas coisas que preciso resolver.
— Tudo bem. — mordeu o lábio. — Até amanhã.
~~~

, eu preciso da sua ajuda aqui! — Sally gritou na manhã seguinte. A garota suspirou e se levantou.
— Estou indo, mãe. — respondeu antes de arrastar-se até o banheiro. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e lavou o rosto antes de descer.
— Seu namorado vem aqui hoje? — Alli perguntou sorrindo assim que a irmã entrou na cozinha.
— Sim. — riu baixo.
— É o Drake?
— Não. É o .
? — fez uma careta, reconhecendo o nome, mas não se lembrando quem era.
— Você vai conhecê-lo hoje, coisinha. Não se preocupe. — puxou levemente uma mecha do cabelo da irmã e se dirigiu a geladeira. — O que vai fazer hoje à noite, mãe?
— Há alguma coisa que ele não goste?
— Acredito que não. — ela deu de ombros, antes de pegar o leite e colocar no balcão.
— Macarrão com queijo? — perguntou com um sorriso forçado.
— Ele gostará de qualquer coisa que você fizer, acredite em mim. — riu.
— Por acaso contou para ele meus desastres culinários?
— Talvez. — admitiu pegando um copo. — Ele também não é um ótimo cozinheiro.
— Ele cozinha? — Sally arqueou uma sobrancelha.
A filha deu de ombros com pouca importância enquanto bebia o leite.
, podemos ir ao parque hoje? — Alli perguntou acariciando Toddy em seu colo.
— Eu adoraria, Alli, mas pediu que eu fosse lá hoje cedo. Disse que é importante.
, , e agora , , . — resmungou, fazendo caretas de desgosto. — Eu gostava mais quando você não tinha amigos ou namorado.
A morena suspirou e se aproximou da irmã. Agachou-se e acariciou o cachorro também. Alli tinha razão, quase não passavam mais tempo juntas e sabia que isso era importante pra ela.
— Hm... O que acha de irmos ao cinema amanhã? Só eu e você. Podemos assistir aquele novo filme da Disney.
— Só eu e você? Jura? — os olhos azuis a analisaram.
— Juro. Nada de ou . Só nós duas comendo porcarias e nos divertindo.
— Podemos tomar sorvete?
— Claro. — riu e beijou a bochecha da irmã. — Eu tenho que ir agora. Te vejo mais tarde.
~~~

— Tenho uma surpresa para você. — sorriu, beijando a namorada antes de se afastar e entrar no corredor. — Espere aqui um minuto.
— Surpresa?
Suspirou ao ver que não teria uma resposta e decidiu que o melhor a fazer era esperar. Sorriu ao ver o namorado voltando com um enorme buquê de tulipas vermelhas, que cobria seu rosto.
— Eu não estou conseguindo ver sua expressão, então estou imaginando que está surpresa. — comentou de forma divertida.
— Como não estaria? — murmurou emocionada e então sentiu uma lágrima escorrendo por sua bochecha. — Isso é lindo, . E-eu não sei o que dizer. Você me surpreende mais a cada dia, é perfeito.
— Bem... — abaixou o buquê e sorriu. — Sabe que dia é hoje?
— Sábado? — perguntou com indiferença, mas não achava que era a isso que se referia.
Ele riu baixo.
— Dia doze. — informou e deu um meio sorriso.
— Esqueci algo importante? — perguntou hesitante.
— Feliz um mês de namoro.
fez uma careta. Burra. Idiota. Estupida. Como pude esquecer algo assim? Sou a pior namorada do mundo.
— Eu sou a pior namorada do mundo. — anunciou, colocando as mãos na cabeça.
— Não tem problema, babe. Foi uma semana agitada. — ele sorriu de canto. — Eu só não queria que passasse em branco.
— Me perdoa?
Deixou as flores na mesa de centro e caminhou até ela, abraçando-a e beijando seu rosto.
— Hm... Não. Você terá que compensar isso.
apertou os braços de e sorriu, antes de beijar seus lábios.
— O que acha de resolvermos isso depois, amor? — perguntou antes de morder o lábio inferior de levemente.
— Posso terminar os presentes antes?
— Não me diga que tem mais. — choramingou, frustrada consigo mesma.
Ele assentiu e tirou uma pequena flor azul do bolso. Prendeu-a atrás da orelha de e beijou-a.
— Não me esqueças. — murmurou ele.
— O quê?
— Essa flor também é chamada assim. — explicou com um sorriso. — Por causa de uma lenda.
— Sério?
— Sim. Uma delas diz dois jovens apaixonados caminhavam perto de um rio. A moça viu miosótis e ficou encantada. O rapaz mergulhou para apanhar as flores para a amada, mas quando tentou voltar a margem, foi arrastado pela correnteza. Antes de desaparecer, gritou para a namorada “não me esqueça, me ame para sempre”. Dizem que a partir de então, a flor passou a crescer na margem dos rios, para que ninguém mais morresse por sua causa.
— É uma história triste.
assentiu, beijando a ponta de seu nariz em seguida.
— Essa flor tem muitos significados. Recordação, fidelidade e amor eterno. Mas escolhi principalmente por que a cor lembra-me seus olhos.
corou.
— E as tulipas? — a garota ergueu uma sobrancelha, sorrindo.
— Amor verdadeiro, perfeito, irresistível e eterno.
— Uau. — mordeu o lábio. — Você deve me amar bastante.
— É, talvez. — ele encolheu os ombros.
— Como sabe tanto sobre flores?
— Pesquisei. — deu de ombros. — Queria algo especial para te dar.
— Obrigada, . Certamente foi especial. — ficou na ponta dos pés e o beijou.
— Há mais uma coisa. — sorriu torto e assobiou. — Loki, venha cá.
Ele latiu e só então percebeu que o husky estava no quarto. Observou enquanto se aproximava com a guia arrastando atrás dele, amarrada a ela estava uma pequena caixa embrulhada. O cachorro sentou perto de e o olhou, inclinando levemente a cabeça.
— O que é isso, ?
— Seu presente.
— Não acha que já está bom? Está fazendo que me sinta mais culpada por ter esquecido.
— É o último, . Abra, você vai adorar.
Ela assentiu e se afastou, indo até Loki. Acariciou sua cabeça e pegou o presente, soltando o nó que o prendia a guia e analisando a caixa.
— O que é?
— Abra. — murmurou em seu ouvido, abraçando-a por trás.
Assentiu e rasgou o embrulho. Riu ao ver o que era e encostou-se mais a .
— Não acredito que fez isso.
— O quê? Você não disse que queria uma Polaroid? Aí está. — beijou sua bochecha.
— Acho que vou começar a juntar dinheiro para coisas bem mais caras. Toda vez que te digo que quero algo, você consegue antes de mim.
— Coisas mais caras? Como o quê?
— Um carro. — brincou.
— Tem preferência por algum modelo, babe? — beijou seu pescoço
!
— É brincadeira, . — riu. — Mas você sabe que eu faria qualquer coisa para vê-la feliz, certo?
— Obrigada, amor.
— O que acha de vermos algum filme agora, hum?
Assentiu e permitiu que a guiasse até o sofá. Sentou-se e a puxou para seu colo. Ela sorriu e o beijou, deixando a caixa de lado e ajeitando-se no colo de , de modo que ficasse com uma perna de cada lado de seu corpo. Com os dedos, brincou com os curtos fios de sua nuca enquanto aprofundava o beijo. As mãos de foram para suas coxas, apertando-as. sorriu e desceu os beijos por seu pescoço, arranhando seu abdômen levemente.
— Essa é a minha forma de te agradecer. — murmurou antes de morder o lóbulo de sua orelha.
— Acho que vou te dar presentes com mais frequência. — suspirou, jogando a cabeça para trás.
Ela beijou-o pela última vez e saiu de seu colo, pegando a caixa da câmera e sentando ao seu lado. Mordeu os lábios, evitando sorrir e cruzou as pernas, ignorando totalmente .
— Pronto. Isso deve pagar minha dívida.
. — ele resmungou, olhando-a. — Não pode fazer isso comigo. Não pode me deixar assim.
— Olhe só. — sorriu. — Eu estou fazendo.
bufou, pegando o controle da televisão.
— Pelo menos fique perto de mim. — murmurou antes de cercar a cintura da garota com o braço e puxá-la.
— O que vamos assistir? — ela perguntou enquanto abria a caixa, pegando a câmera e lendo rapidamente algumas das instruções.
— Que tal um drama?
— Pode ser. — respondeu ligando a câmera. Sorriu e focalizou , tirando a foto. Seu sorriso aumentou ao vê-la ser impressa e mostrou ao namorado. — O que acha? Eu amei essa.
Ele fez uma careta.
— Eu diria para deletar.
— Tarde demais. — piscou. — Essa vai para o meu quarto.
— Já podemos ver o filme? — arqueou uma sobrancelha. Revirou os olhos ao vê-la tirar outra foto.
— Sim, baby. — sorriu.
se levantou, caminhando até o móvel abaixo da televisão.
— Você tem alguma preferência? — perguntou, analisando sua coleção de filmes. O sorriso de aumentou e quando ia responder, completou. — Que não seja Um Amor para Recordar.
— Por que não? — indagou ofendida.
— Já assistimos um milhão de vezes desde que começamos a namorar. E alguns trilhões de vezes antes disso.
— Você está exagerando. — ela riu baixo. — É um de meus filmes favoritos.
— Eu sei. Por isso assisto toda vez que pede. — sorriu, virando-se levemente para encará-la. Ela retribuiu o sorriso e tirou outra foto dele, rindo ao vê-lo bufar. Jogou a foto na mesa de centro junto com a outra e observou o namorado. Ele estava sentado no chão, com as gavetas abertas enquanto procurava algum filme. percebeu alguns arranhões em suas costas e mordeu o lábio inferior. Ops. — A Vida É Bela ou A Menina que Roubava Livros? — perguntou mostrando os dois.
— Escolha você.
Ele assentiu e colocou um dos filmes no DVD player. Acariciou a cabeça de Loki, deitado ao seu lado e voltou para o sofá.
— Você pode parar de tirar fotos? — perguntou, arqueando uma sobrancelha. Ela riu e observou a que havia acabado de tirar.
— Está especialmente bonito nessa, baby.
— Eu sempre estou especialmente bonito, . — brincou, sentando-se perto dela e abraçando sua cintura. Inclinou-se e a beijou, a mão esquerda acariciando-a por baixo da camiseta.
— Por que sempre faz isso? — ela sussurrou antes de beijá-lo novamente.
— O quê? — ele perguntou se afastando.
— Enfiar a mão por dentro da minha roupa. Isso me desconcentra.
— Eu sei. — sorriu torto. — É divertido te ver assim.
Ela revirou os olhos e se aconchegou a ele. Jogou suas pernas por cima das dele e apoiou a cabeça em seu peito, acariciando-o com a mão livre. Suspirou ao ver que havia escolhido A Menina que Roubava Livros. A mão dele agora acariciava seus cabelos, desconcentrando-a.
— Pipoca? — ela perguntou se levantando, antes que caísse no sono com as caricias do namorado.
Ele riu baixo e assentiu. revirou os olhos ao ver Loki tomar seu lugar e foi para a cozinha. Pegou um dos pacotes de pipoca do pequeno estoque que mantinha, colocando no microondas em seguida e apoiou-se no balcão enquanto esperava. Analisou o presente e um sorriso surgiu em seus lábios. era inacreditável. Caminhou até a sala e apoiou-se na parede, observando-o. Estava concentrado no filme e sua mão acariciava Loki distraidamente. Sorriu e tirou outra foto.
— Nunca fiquei tão arrependido por presentear alguém. — comentou, ao perceber o que ela fazia.
— Não é culpa minha se você é sexy.
— Você pode ficar quieta? Estou tentando ver o filme. — brincou.
Ela arqueou uma sobrancelha e voltou à cozinha. Chegou a tempo de ouvir o microondas apitar e tirou o pacote de lá, abrindo-o e despejando numa tigela grande. Foi à sala e se sentou no lugar mais distante de no sofá, comendo a pipoca distraidamente.
— Ei, quero um pouco também. — se inclinou para pegar um pouco, mas sorriu e tirou de seu alcance, fazendo-o suspirar. — ?
O ignorou e continuou com os olhos fixos na tela, mas sem realmente assistir o filme.
— O que eu fiz agora? — indagou aproximando-se da garota. — ?
Ela sorriu rapidamente, mas o desfez, esperando que não tivesse visto.
— Certo. — pausou o filme. — O que eu fiz agora?
— Descubra. — murmurou antes de levar mais um pouco de pipoca a boca.
— Eu fiz algo?
— Sim.
— O quê?
— Pense.
— Foi sobre o presente?
— Não.
Ele suspirou e beijou seu rosto antes de se levantar. Caminhou até a cozinha, pensando em algo que pudesse ter feito agir daquele jeito. Encontrou a câmera abandonada no balcão e fez uma careta. Merda. Voltou a entrada da sala e apoiou-se a parede. Tirou uma foto da namorada e sorriu antes de se aproximar.
— Ei! — ela reclamou.
Observou a foto e mostrou a .
— Alguém já te contou como fica bonita quando brava? — sorriu torto.
Ela arqueou uma sobrancelha e continuou a comer, ignorando-o.
— Se arrependeu?
— De tê-la tratado daquele jeito? Sim. — suspirou. — Eu estava brincando, não pensei fosse ficar brava. — sentou-se ao seu lado. — Sinto muito, . — virou seu rosto delicadamente e beijou seus lábios.
sorriu durante o beijo, afastando-se.
— Sabe, eu não estava realmente brava. — riu. — Mas apreciei seu pedido de desculpas.
— Carente, talvez? — perguntou e riu ao vê-la revirar os olhos.
— É. Meu namorado não dá conta. — riu ao ver a expressão incrédula dele.
— Eu não dou conta, ? Foi isso que acabou de dizer? — agarrou sua cintura e a puxou para perto, derrubando toda a pipoca e arrancando um grito da garota. — Vou te mostrar o contrário. — murmurou e beijou seu pescoço.
— Eu realmente adoraria que você me mostrasse como pode dar conta, , mas minha mãe vai precisar de alguma ajuda com o jantar e preciso ir embora.
— Certo. — bufou. — Resolveremos isso depois.
~~~

— Alô?
— Estou na frente da sua casa, .
Ela sorriu, andando até a janela. Puxou a cortina levemente e encontrou o carro de parado em frente à casa. Ele estava apoiado no capô, segurando flores em uma das mãos e com o celular na outra.
— Está bonito. — elogiou, vendo-o rir em seguida.
— Onde está?
— No meu quarto. Olhe para cima e me verá. — ele fez o que disse e sorriu ao vê-la. — Vai ficar aí sorrindo, ? Toque a campainha, faça alguma coisa.
— Pode abrir a porta pra mim?
A garota riu.
— Muito medo de encarar a sogra?
— Talvez. Eu estou nervoso.
— Eu também. Vai dar tudo certo, né? — murmurou enquanto abria a porta do quarto e começava a descer as escadas.
— Assim espero. — suspirou.
— Estou chegando à porta.
— Tudo bem. — finalizou e desligou a chamada.
respirou fundo algumas vezes e abriu a porta. tinha um tímido sorriso no rosto enquanto caminhava até ela. Usava jeans e camisa xadrez, o que a fez xingá-lo mentalmente. Como conseguia ser tão bonito? Esticou sua perna impedindo que Toddy saísse e fez uma careta ao olhar bem o rosto do namorado.
— Por que fez isso? — perguntou saindo da casa e fechando a porta atrás de si.
— O quê? — arqueou uma sobrancelha.
— Sua barba.
— Eu queria parecer mais novo. — ele deu de ombros. — Eu também pensei em usar boné, mas fiquei parecendo um garoto irresponsável. Xadrez é sempre melhor. Pareço ser novo e responsável.
— Você conseguiu. — suspirou. — Mas não precisava.
— Estará de volta em algum tempo. — deu de ombros. — Barba é irritante, ás vezes, sabia?
Ela riu baixo e o beijou, fazendo uma leve careta ao se afastar.
— Céus, como isso é estranho.
O rapaz sorriu torto e a abraçou pela cintura com a mão livre.
— Você vai se acostumar.
— Vamos ver. — revirou os olhos azuis.
riu e ela o guiou para dentro da casa.
, ele chegou?
— Sim, mãe. — sorriu para o namorado, apertando sua mão. Levou-o até a cozinha e pararam assim que avistaram Sally.
— Olá, . — ela sorriu, aproximando-se. Limpou as mãos num pano rapidamente e o jogou em cima da mesa antes de estender uma delas para o rapaz, que a cumprimentou com um sorriso.
— Boa noite, senhora . — estendeu as flores para ela. — Para você.
— Muito obrigada, querido. — sorriu, pegando-as. — Como você está? — a mulher indagou sorrindo.
— Nervoso. — murmurou arrancando risos das duas.
— Bem, o jantar está quase pronto. — indicou o fogão.
Seus olhos castanhos viajaram de Sally para que mordia o lábio nervosamente.
— Pelo cheiro, deve estar maravilhoso.
— Eu não tenho tanta certeza disso. — a mãe encolheu os ombros, arrancando risos de . — Mas é bom saber que alguém ainda tem alguma esperança em mim.
— Eu disse que era adorável, mãe. — murmurou apertando a mão dele levemente.
— Por que não o apresenta a sua irmã e mostra a casa enquanto termino aqui? — sugeriu Sally.
assentiu e voltou a sala. Toddy pulou do sofá e correu até eles, ficando apenas nas patas traseiras e apoiando-se nas pernas de .
— Ei, garoto. — ele murmurou, agachando--se e o acariciando. Toddy pulou em suas pernas e farejou suas roupas. — Está sentindo o cheiro de Loki, né?
— Foi tão ruim quanto esperava? — perguntou preocupada, tocando seu ombro. Ele sorriu de canto e se levantou.
— Por enquanto não.
— Eu disse que tudo daria certo. — ela sorriu, colocando os braços nos ombros dele. Ele assentiu e colocou as mãos em sua cintura, aproximando seu rosto lentamente.
— Você deve ser o . — uma voz infantil soou em algum lugar atrás deles e o rapaz se afastou, envergonhado. suspirou ao ver a irmã sentada na escada e entrelaçou seus dedos aos do namorado, precisando daquele contato.
— Essa é minha irmã, Allison. — apresentou.
— Prazer em te conhecer. — sorriu. — Sua irmã fala muito bem de você.
— Você fala engraçado. — a loira soltou uma risadinha.
— Sou da Inglaterra. — explicou rindo.
— O que acha de conhecer o resto da casa agora? — a morena perguntou e sorriu ao vê-lo assentir.
— Posso ficar com vocês?
mordeu o lábio e olhou , que deu de ombros. Assentiu e aproximou-se da escada, a mão ainda entrelaçada a de .
— Vamos lá, coisinha.
Alli sorriu e subiu a escada a sua frente. Fez questão de que seu quarto fosse o primeiro a ser mostrado e depois o de sua mãe, levando-o para o de por último. sorriu ao entrar no cômodo e passou algum tempo analisando uma das paredes, arqueando a sobrancelha ao ver as fotos que ele e haviam tirado mais cedo.
— Era por isso que eu queria a Polaroid. — ela explicou, sentando-se na cama. — Vou encher essa parede de fotos.
— É uma ótima ideia. — ele sorriu, olhando-a.
— Podemos tirar uma foto amanhã, ? — a loira perguntou com um sorriso nos lábios. assentiu e riu da animação exagerada da irmã.
— O que vão fazer amanhã? — perguntou caminhando até a cama e sentando ao seu lado.
— Vamos ao cinema. — Alli anunciou orgulhosa.
— Sim. — sorriu. — Só nós duas.
A mais nova pensou por algum tempo, indo até . Pediu para que se abaixa-se e colocou as mãos próximas ao ouvido da irmã, sussurrando algo. sorriu pela cumplicidade entre as duas e arqueou uma sobrancelha para Allison assim que se afastou.
— Ela disse que você é legal e pode ir ao cinema conosco amanhã, se quiser. — contou sorrindo, feliz ao saber que sua irmã aceitava .
— Seria ótimo. O que vamos assistir?
— O novo filme da Disney, de princesas. — respondeu e riu ao ver a reação do namorado.
— Oh, mal posso esperar.
— O jantar está pronto. — Sally anunciou do andar de baixo.
— Estamos descendo.
sorriu nervoso e permitiu que a namorada o levasse até o andar de baixo. Sentaram-se a mesa e Sally fez questão de servir a todos. sentou ao lado de e sorriu para ele, acariciando sua perna antes de começar a jantar.
— Está ótimo, senhora Sanford. — elogiou após experimentar o macarrão. — Me lembra muito o que minha mãe faz.
— Posso perguntar de onde você é? Seu sotaque não é algo que se encontre todo dia. — Sally indagou com curiosidade no olhar.
— Uma pequena cidade da Inglaterra, Wolverhampton. — sorriu. — Vim morar aqui depois que terminei os estudos.
— Veio para alguma faculdade?
Ele arregalou os olhos levemente e olhou para , que parou de comer e fechou os olhos fortemente, apoiando a cabeça na mão. Uma pequena parte dele estava contente em saber que todo seu esforço para parecer mais novo adiantara. Ele suspirou, decidindo que era melhor contar a verdade logo. Tomou um gole de seu refrigerante e olhou-a.
— Na verdade, senhora , eu já sou formado. Sou advogado.
Ela largou o talher que segurava enquanto tentava absorver a informação. Respirou profundamente, tentando não perder o pouco de calma que lhe restava.
— Allison, querida, pode ir para o seu quarto, por favor?
A loira bufou irritada e saiu da cozinha, chamando o pinscher para acompanhá-la. Sally esperou que fechasse a porta para continuar o assunto.
— Quantos anos você tem?
mordeu o lábio e fitou seu prato, não querendo ver a reação da mãe.
— Vinte e seis. — respondeu aparentemente tranquilo. — Mas, senhora , queria que soubesse que...
— Acho melhor você ir embora, . — interrompeu-o. — Você deveria saber que esse relacionamento não é adequado.


Capítulo IX – They don’t know you like I do


, você pode, por favor, respirar e tentar me contar o que aconteceu? De preferência, com menos choro. — pediu. Há pelo menos dez minutos estava em uma ligação com chorando e ela ainda não conseguira descobrir o que se passava.
A morena respirou fundo e limpou as lágrimas antes de tentar novamente.
veio jantar aqui.
— Certo, essa parte eu já entendi. O que aconteceu? Sua mãe surtou?
— Sim. — ela limpou suas lágrimas. — O expulsou no meio do jantar e mandou que eu viesse para o meu quarto.
— Ok. — suspirou. — Você precisa manter a calma, . Eu sei que isso não é fácil, mas se você quer continuar esse relacionamento precisa convencê-la de que é confiável. Provavelmente o fato de ela saber que ele tirou sua virgindade não ajuda muito.
não evitou o riso baixo que escapou de seus lábios.
— Vou ligar para ele para decidirmos o que fazer. Obrigada, .
— Não foi nada, . Mantenha-me atualizada.
Murmurou uma despedida e desligou. Atrapalhou-se ao procurar o número de , já que suas mãos tremiam. Sua perna balançava rapidamente e ela mordia o lábio enquanto esperava que ele atendesse.
? Como estão as coisas aí? — perguntou antes que ela tivesse a oportunidade de falar algo.
— Tudo que ela fez foi me mandar para o quarto. — ela suspirou e se levantou, caminhando até a parede onde havia colado as fotos. Seus dedos tocaram a que e Loki estavam sentados no sofá e um pequeno sorriso apareceu em seus lábios.
— Isso é tudo culpa minha, . — ele grunhiu. — Eu vou consertar isso. Você e sua mãe vão ficar bem.
— Droga, . Nós vamos resolver isso. Pode usar a droga da palavra certa pelo menos uma vez? A culpa não é só sua. Foi a mim que ela ouviu ontem, eu que fiz mentir, eu menti para ela antes disso, todas as vezes que falava que estava indo trabalhar ou dormir na casa de . — as lágrimas quentes rolavam pela bochecha da garota. — Fiz tudo errado.
— Fique calma, babe. Vamos resolver tudo. — ele fez uma pausa, pensando. — Vamos dar um jeito de convencê-la, sim?
! — a voz de Sally soou das escadas e ela fez uma careta.
— Tenho que desligar. Ela está subindo. — murmurou voltando a cama.
— Só uma coisa, .
— Sim?
— Eu te amo.
Mais uma lágrima rolou pela bochecha da morena e ela mordeu o lábio.
— Eu também te amo, .
Desligou antes que a mãe entrasse no quarto, limpou as lágrimas com as costas da mão e sentou-se na cama. Sally suspirou ao encará-la.
— O que você tem na cabeça, ?
Ela deu de ombros e mais lágrimas rolaram. Sua garganta estava travada e suas mãos estavam entrelaçadas sobre o colo, em uma tentativa de impedi-las de tremer.
— Me responda.
— Você não o conhece. é ótimo.
— Um homem de vinte e seis anos que tirou a virgindade da minha filha? Não sei. — Sally deu de ombros. — As coisas não são como você pensa, . Ele só queria uma coisa. E você deu a ele.
— Então por que ele se importou em vir até aqui? Por que se importaria em comemorar um mês de namoro? Você não o conhece, mãe.
Sally riu com a ingenuidade da filha.
— Não seja boba. Ele precisava manter as aparências.
— Não sabe o quanto ele evitou esse relacionamento e eu insisti, mãe. Ele fez tudo o que podia para ser o melhor para mim. Disse que podia esperar, mas eu sabia que estava pronta para ficar com ele.
— Chega, . — Sally interrompeu. — Você está de castigo. — Aproximou-se da filha, que estava chocada pelas suas palavras e arrancou o celular de suas mãos. — Sem celular, sem trabalho, sem .
— O quê? — a garota indagou incrédula. — Você não pode fazer isso.
— Adivinhe só. Eu estou fazendo. — enfiou o celular no bolso da calça jeans que usava e caminhou até a parede do quarto, arrancando as fotos sem o mínimo de cuidado.
protestou se aproximando, mas Sally já tinha todas as fotos e a encarou friamente. Tentou alcançar as fotos sem sucesso e a mãe caminhou para fora do quarto.
— Ele é meu namorado. Você não pode mudar o que sinto por ele. — murmurou com a voz tomada pelo choro, fazendo Sally parar à porta.
— Não é mais. A partir de agora você só sai de casa comigo. — virou-se — Se aparecer por aqui, não hesitarei em chamar a polícia.
— Mãe... — chamou em um resto de voz.
Sally suspirou.
— Estou fazendo isso pelo seu bem, querida. Sei que devo estar parecendo um monstro, mas não tenho muitas opções.
A garota se jogou na cama e abraçou seu travesseiro, chorando o máximo que conseguia, em uma tentativa de se livrar de toda a frustração e tristeza que a preenchiam naquele momento. Ao ouvir o rangido da porta minutos depois, fechou os olhos e tentou acalmar sua respiração. Suaves passos ecoaram no quarto e sentiu uma pequena mão em suas costas.
? — Allison chamou. A olhou sem falar nada e percebeu a confusão no rosto da irmã. — O que aconteceu?
— Mamãe não gostou do . — explicou resumidamente com a voz rouca. — Disse que não devo mais namorar ele. Estou de castigo.
— Encontrei isso no corredor. — mostrou uma das fotos. A que estava no sofá com Loki, assistindo ao filme. — Está um pouco amassada.
— Obrigada, Alli. — secou uma lágrima e pegou a foto. Seus dedos contornaram o namorado e um mínimo sorriso surgiu em seu rosto.
— Eu gostei dele.
— Sério?
— Sim. — a loira subiu na cama, sentando sobre os joelhos. — Não vamos mais ao cinema amanhã, certo?
— Acho que a mamãe não vai me deixar sair, Alli. Sinto muito.
— Podemos assistir algo na televisão?
assentiu.
— Pode dormir aqui hoje? — perguntou com a voz chorosa.
Allison assentiu, sorrindo.
— Eu sabia que algum dia precisaria de mim também, .
A garota riu baixo.
— Sim, eu deveria ter previsto isso.
~~~

— Vão se arrumar. — Sally ordenou na manhã seguinte. A filha mais velha permaneceu com os olhos na televisão.
— Aonde vamos? — Allison perguntou por ela.
— Mercado e depois comer algo.
— Não podemos ficar? — a loira fez uma careta.
— Não. — suspirou ao sentir os olhos da mãe sobre ela e se levantou.
— Vamos lá, Alli. Será a única oportunidade que teremos para sair de casa hoje.
Subiu e foi até seu quarto. Trocou o pijama por jeans e camiseta e desceu. Cruzou os braços, apoiando-se a parede enquanto esperava a irmã.
— Pare de agir assim. — Sally repreendeu. — Faço isso pelo seu bem.
— Sim, claro. — murmurou desinteressada.
— Não me trate assim.
— Você nem deu uma chance a ele, mãe.
— Como eu poderia, ? Por culpa dele você mentiu para mim. Várias vezes.
— Eu escolhi mentir, mãe. Ele não me obrigou a isso. Queria que eu te contasse a verdade.
— Não espere que eu acredite nisso.
Suspirou, sabendo que não conseguiria melhores resultados. Uma última ideia passou por sua cabeça e decidiu usá-la. Afinal, se não perguntasse não teria chance alguma de obter.
— Posso pelo menos ligar para ele pela última vez?
— Nem pensar.
— Você disse que se ele aparecesse aqui você chamaria a polícia. Se eu não der noticias em algum tempo ele aparecerá, confie em mim. Não seria justo com ele, que não sabe do castigo.
— Caso você se comporte hoje, talvez.
assentiu, encostando-se a parede novamente. Allison desceu as escadas na alegria constante que só uma criança teria e saíram de casa.
Durante o trajeto, teve que se contentar com as músicas das estações de rádio, o que significava raramente ouvir Johnny Keller. Xingou-se mentalmente pela dependência estúpida e inconsciente que tinha do celular.
, vá pegar o seu cereal. — Sally ordenou pouco depois que chegaram e começaram as compras.
A garota suspirou e conteve sua vontade de revirar os olhos. Virou-se e começou a andar pelos corredores, procurando pelos cereais e encontrando com facilidade. Xingou mentalmente ao ficar na ponta dos pés, frustrada por não conseguir puxar a caixa.
— Eu realmente odeio quem projetou essa merda de prateleira. — bufou.
Viu outra mão pegar o que desejava e virou-se, ficando surpresa ao encontrar os olhos azuis de Drake. Ficara tão concentrada em sua mãe e toda a confusão com , que esqueceu que ele trabalhava ali.
— Oi. — murmurou.
— Oi, . — sorriu torto. — Aqui está seu cereal.
Ela pegou a caixa e mordeu o lábio levemente.
— Obrigada.
— Não por isso. — piscou e virou-se, pronto para voltar ao trabalho.
— Drake. — chamou baixo, atraindo a atenção do garoto. Uma ideia terminava de se formar em uma mente e, novamente, decidiu que precisava tentar.
— Sim?
— Pode me fazer um favor? — pediu baixo.
— O quê?
— Pode falar com e contar que estou de castigo?
— Sim, claro. — Ele sorriu. — Mais alguma coisa?
— Diga a ela que estou implorando que vá ao apartamento de e conte isso.
— Há algo errado? Além do castigo.
— Um pequeno problema com meu namorado e minha mãe.
, né? — ela mordeu o lábio, assentindo. — Falarei com ela, não se preocupe.
— Obrigada, Drake, de verdade.
? — Allison chamou entrando no corredor.
— Oi, Alli. — apertou levemente a caixa em sua mão.
— Mamãe pediu para te chamar. — deu de ombros e sorriu ao ver o rapaz. — Oi, Drake.
— Oi, loira. — sorriu torto.
— Sabia que não está mais namorando? Você podia tentar.
— Allison! — a mais velha repreendeu.
— Eu não teria chance, Alli. — ele piscou. — O coração dela pertence a outro.
~~~

Drake suspirou ao observar a rua. Tinha quase certeza de que o prédio de era em algum lugar por ali. Caminhou por mais alguns minutos e encontrou um que se encaixava na lembrança que tinha, de quando havia ido até lá fazer um trabalho muitos anos antes.
— Senhor, eu preciso falar com uma moradora. — informou. O porteiro ergueu uma sobrancelha. — .
Ele bufou e pegou o telefone, resmungando antes de discar algo. Levou-o a orelha e esperou que alguém atendesse.
— Senhorita ? Sinto incomodá-la, mas há um garoto aqui que diz precisar falar com você.
Drake brincou com o piercing em seus lábios pelo nervosismo.
— Loiro, olhos azuis, alto e tem um piercing na boca.
— Drake Reynolds. — informou e o homem repetiu. Suspirou ao ver que ele fazia uma careta. — Diga que tenho algo importante para contar sobre a .
— Ele quer dizer algo sobre a . — revirou os olhos e Drake xingou mentalmente. — Certo, senhoritaFay. Tchau. — desligou. — Ela está descendo, rapaz.
Drake puxou o celular do bolso e checou suas mensagens enquanto esperava pela garota. Suspirou ligeiramente aliviado ao vê-la.
— O que quer, Drake? — perguntou cruzando os braços.
— Encontrei no trabalho hoje. — explicou. — Ela me pediu para avisar que está de castigo.
— O quê?!
— Por causa do namoro com . Foi o que ela disse.
— Merda. — bufou.
— O que aconteceu, ?
— Já o viu, certo? — Drake assentiu. — Então sabe que ele é mais velho.
— Ah. — fez uma careta. — Complicado.
— Sim. — suspirou. — A relação deles é um pouco difícil, mas eles se gostam muito, então dá certo.
— Ela também pediu que avisasse a ele.
— Sim, claro. Eu vou lá ainda hoje.
— Obrigado, .
~~~

— Fiquei surpreso quando o porteiro me disse que estava aqui. — murmurou para a loira ao abrir a porta. — Aconteceu algo?
— Eu tenho um recado da . — explicou.
— Entre, . — ele murmurou dando passagem. Loki, que estava deitado no sofá, levantou a cabeça e observou a garota. — Quer beber algo?
— Não, obrigada. Vou encontrar meu namorado em alguns minutos. — ela sorriu. — Estou aqui por que me pediu para avisar que está de castigo.
— O quê? — indagou surpreso.
— Ela está sem celular e não pode sair de casa.
— Como conseguiu falar com ela?
— Ela foi ao mercado hoje e falou com o Drake. Ele foi até minha casa.
— Merda. — xingou antes de caminhar até o sofá e se sentar. Passou os dedos entre os fios castanhos, bagunçando-os e olhou para a loira. — O que eu faço?
— Eu sugiro que não faça nada, por enquanto. Vou pedir para ir comigo até lá e tentaremos falar com ela. Só então devemos fazer algo.
— Sempre soube que isso não daria certo. Deveria ter parado quando tive a chance.
suspirou.
, o que precisa agora é que você encontre um meio de ajudá-la a resolver a situação, não que se culpe.
— Eu faço meu melhor todos os dias, . Mas não parecer ser o suficiente.


Capítulo X – Fake date


— Senhora , podemos conversar um minutinho? — perguntou assim que ela abriu a porta. Como havia acabado de sair do escritório, ainda usava roupas mais formais. Exatamente como gostava. Torcia para que causasse o mínimo efeito em sua mãe.
— O que está fazendo aqui?
— Sou o namorado da . — explicou. — Ela não dá notícias há alguns dias, fiquei preocupado.
— Você era.
— Até onde é de meu conhecimento, estamos juntos. — ele encolheu os ombros.
— Não a verá.
— Vim falar com a senhora. — explicou.
— Sei tudo o que aconteceu entre vocês. Tem a sorte de eu não ir até a polícia.
— Sabe que é uma experiência que ela passaria cedo ou tarde, certo, Senhora ? Acredito que prefira um homem que se importa, quer fazê-la feliz e não vá abandoná-la a um adolescente com hormônios a flor da pele que só procura sexo. — arqueou a sobrancelha.
— Como se você quisesse algo muito diferente.
— Por que é tão difícil acreditar que estou apaixonado por sua filha? Só por ser mais velho? Você sabe a pessoa maravilhosa que ela é. Estranho seria se eu não me apaixonasse por ela.
— Conheço homens, . Meu ex-marido é mais velho que eu. Agora sei o que ele procurava. Procura até hoje, aliás.
— Creio que a senhora não tenha conhecimento de que e eu passamos algum tempo separados após nosso primeiro envolvimento. — informou e sentiu o pouco de esperança que tinha aumentar ao ver a mulher franzindo o cenho. — Me critiquei muito pelo o que estava fazendo, senhora , mas descobri que não consigo ficar longe dela. Estou me apaixonando cada dia mais.
, que descia as escadas, parou ao ouvir a voz do namorado. Respirou fundo e continuou a descer lentamente, um sorriso se formando em seus lábios ao ouvir as palavras dele, o coração acelerado. Prendeu o cabelo despenteado em um coque rapidamente e terminou de descer as escadas.
— Mãe? — chamou baixo.
Sally suspirou e fitou .
— Vá embora.
— Posso, por favor, falar com ela?
? — chamou ao terminar de descer as escadas e aproximou-se da porta, porém sua mãe ficou entre os dois.
— Não, . Eu gostaria que alguém tivesse feito isso por mim. Evitaria muitas decepções.
— Suas filhas também. — levantou uma sobrancelha. — Se não casasse, elas não teriam nascido e não estaríamos aqui hoje.
Sally bufou irritada, pronta para fechar a porta.
— Mãe, por favor, só preciso de cinco minutos. Eu disse que ele viria. Não tenho três anos de idade, posso me cuidar sozinha e tomar minhas decisões. Pode confiar em mim, mamãe? — as lágrimas já enchiam os olhos de .
Sally suspirou e assentiu minimamente.
— Sim.
— Eu confio nele. Não se preocupe. — uma lágrima escorreu por sua bochecha. — Só alguns minutos, mãe.
— Alguns minutos. — murmurou se afastando.
— Obrigada, mãe.
Jogou seus braços ao redor de assim que ficaram sozinhos e ele beijou seu cabelo, acariciando suas costas ao perceber que ela soluçava.
— Vai dar tudo certo, querida. Não se preocupe.
— Não. Não vai. — escondeu o rosto em seu peito, o que fez sua voz soar abafada. — Ela quer me mandar para Olympia. Para morar com meu pai e a nova namorada, só por isso me deixou falar com você. Acredita que é a última vez que nos veremos.
apertou-a mais forte.
— Não vou deixá-la fazer isso. Não posso suportar a ideia de ficar longe de você, . — inspirou o perfume doce da moça. — É tudo culpa minha. Tudo estaria certo se eu não entrasse na sua vida.
— Vamos dar um jeito nisso, . — afastou-se, analisando o rosto do namorado. — A culpa não é sua.
— Eu sabia, . Sabia que algo daria errado, mas fui fraco, não consegui manter-me longe de você.
— Não é feliz namorando comigo?
— Absurdamente.
— Foque nisso, tudo bem? Esqueça todo o resto. Vamos dar um jeito. — sorriu fraco, acariciando o rosto dele.
Ele assentiu e beijou-a carinhosamente.
— O tempo de vocês acabou. — Sally anunciou voltando. — Entre, .
— Mãe...
, entre.
Ela suspirou, olhando-o. deu um sorriso, em uma tentativa de acalmá-la, e beijou sua testa.
— Vamos dar um jeito. — repetiu.
Sally a puxou antes que pudesse dizer mais alguma coisa e trancou a porta. suspirou pesadamente antes de se afastar, caminhando até seu carro.
~~~

— Boa noite, senhora . — cumprimentou ao que a mulher abriu a porta. — está bem? Faz alguns dias que não nos falamos e fiquei preocupada.
— Imagino que saiba que ela está de castigo. — Sally arqueou uma sobrancelha.
— Sério? — fez uma careta. — Não posso falar com ela rapidinho?
...
— Por favor, senhora , é uma emergência.
Ela suspirou e assentiu.
— Dez minutos.
A loira sorriu e abraçou-a rapidamente antes de subir as escadas. Bateu na porta e esperou alguma resposta da amiga.
— Pode entrar. — ela murmurou sem ânimo.
— Ei, . — chamou entrando.
! — ela se levantou e foi em direção a amiga, abraçando-a apertado. — Como conseguiu entrar?
— Nada que um pouco de charme não resolva. — afastou-se ainda sorrindo. — Como você está? Eu queria ter vindo antes, mas tive alguns problemas em casa e não consegui.
— Só trancada nesse quarto tentando pensar em algo. — a morena suspirou, jogando-se na cama.
— Você não pode ficar assim, . — resmungou sentando ao seu lado na cama.
— Posso sim, olhe só. — Ela grunhiu. — Perdi meu namorado e minha liberdade. Sem falar que estou prestes a me mudar novamente e perder meus amigos.
— Se mudar?!
— Minha mãe disse que quer me mandar para Olympia. Passar algum tempo lá com meu pai. Ela quer que eu esqueça o .
— Tudo vai dar certo. — a loira acariciou suas costas. — Sua mãe não pode te mandar de volta para Olympia.
— Mas ela vai, Cas. — bufou. — Por algum motivo ridículo acha que não devo me envolver com , entende?
— Você não tem ideia?
— Nenhuma. Ela simplesmente o odeia. — suspirou. — Não sei nem como deixou que você viesse hoje. Deve imaginar que eu peça que você dê algum recado.
sorriu fracamente.
— E vai?
— Claro. — limpou uma lágrima que rolava. — Só diga que o amo.
— Alguma chance dela te deixar sair para passarmos algum tempo juntas? Acho que precisamos disso.
— Você pode tentar a sorte se quiser. Já desisti há alguns dias. Como já disse, é um milagre você estar aqui. Ainda mais sabendo o que aprontamos.
— Você aprontou. Só dei cobertura. — deu de ombros. — Aliás, sua mãe me adora.
— Como estão as coisas com o ?
— Vamos sair hoje. Algo me diz que talvez me peça em namoro. — sorriu. — Aliás, até hoje não me contou como foi com .
sorriu, sentando-se na cama.
— Pediu para Johnny tocar minha música favorita, que me lembra ele, aliás. Então me deu a pulseira. — ergueu o braço, exibindo-a. — Mas eu não entendi o motivo. Ele disse que queria que fosse uma data parar se comemorar e perguntou se eu aceitava namorar ele.
é tão fofo. — sorriu. — Eu sei que não deveria falar isso, mas consigo perceber que ele está mal. Posso comparar apenas com aquele dia do mercado e vocês ainda não estavam... hm... nos melhores dias.
— Não consigo imaginá-lo assim.
— Ele está sentindo sua falta.
— O que eu posso fazer,? — sentou-se e olhou a amiga enquanto abraçava seu travesseiro.
— Eu tive uma ideia, na verdade. — mordeu o lábio. — Mas não acho que vá gostar. Há algum menino que você conheça e sua mãe adore?
— Tipo o Drake?
— Quando ela conheceu o Drake? — arqueou uma sobrancelha e suspirou.
— No mercado. Alli o adora, você sabe. Acho que tem uma paixonite por ele. Quando o viu lá fez questão de apresenta-lo para minha mãe.
— E ela gostou dele? — assentiu. — O suficiente para deixar que saia com ele? Assim, num encontro para esquecer o ?
~~~

suspirou ao ouvir a campainha tocar e acariciou a cabeça de Loki antes de se levantar. Havia conseguido que trabalhasse em casa nos últimos dias, então basicamente não saia de lá. Só para alguns passeios com o husky.
— Oi, . — ele sorriu fraco dando espaço para que ela entrasse. — Alguma novidade?
— Consegui falar com a hoje. — contou, se abaixando e acariciando Loki. — Fingi não saber que ela estava de castigo e a mãe dela me deixou subir por alguns minutos.
— E?
— Ela me pediu para falar que te ama. — sorriu e riu baixo, passando as mãos pelos cabelos.
— Isso é bem a cara dela. Algo mais?
— Nós tivemos uma ideia para que consigam se ver em breve. — falou lentamente, fazendo algumas caretas.
— Isso parece ótimo.
Loki se deitou e apoiou a cabeça na perna da loira, que sorriu.
— Eu não tenho tanta certeza de que vá gostar. Só precisamos saber se tudo está bem para você antes de colocarmos em prática. — mordeu o lábio.
arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços.
— Diga, .
me contou que quando encontrou Drake no mercado, a mãe dela pareceu gostar muito dele, assim como a irmã. — pausou ao vê-lo revirar os olhos. — E pensei que talvez pudéssemos pedir para que ele fosse até lá e tentasse... sair com ela.
— O quê?!
, a senhora quer que ela te esqueça. Sair com Drake supostamente seria algo bom, entende? — acariciou as orelhas do cachorro, nervosa. — Porém, obviamente, eles iriam para algum lugar que você estaria e poderiam conversar. Vocês teriam que ser cuidadosos, por que ela pensaria nisso e poderia aparecer por lá para dar uma checada.
— Nem pensar, .
— Você estaria lá, . Seria um encontro de fachada.
Ele suspirou, pensando sobre o assunto.
concordou com isso? — assentiu. — E ele?
— Eu liguei e perguntei se ele faria algo do tipo. Não há problema, só precisamos que você concorde.
— Só se eu puder conversar com ele antes e deixar algumas coisas claras.
~~~

— Boa tarde, senhora . — a loira sorriu ao vê-la abrir a porta. — Podemos conversar?
Sally arqueou uma sobrancelha, mas assentiu.
— Claro.
— Queria perguntar se, por algum feliz acaso, a senhora não deixaria a sair comigo amanhã.
— Para você ajudá-la a encontrar aquele homem pelas minhas costas? Não.
riu nervosamente.
— Na verdade, senhora , eu nunca gostei muito dele. Mas me pediu muito e decidi ajudar. — deu de ombros. — Amigos são para essas coisas.
— Sim, claro.
— Eu queria levá-la para um encontro duplo. Eu estaria lá com meu namorado e ela com um amigo da escola, Drake Reynolds. Você o conhece, certo? — sorriu ao ver a mais velha assentir. — Ele é um cara bem legal e tenho certeza de que seria bom para conhecer alguém novo agora.
— Vocês podem jantar aqui essa noite. — propôs.
— É o máximo que vou conseguir?
— Por enquanto, sim.


Capítulo XI – I wantyoualonewith me


pôs seu boné do Batman e então caminhou até a área de serviço, pegando a guia de Loki antes de voltar a sala. O cachorro, por não passear a alguns dias, logo começou a correr e latir a sua volta, fazendo-o sorrir. o prendeu e então abriu a porta do apartamento, segurando firmemente a guia, o que era difícil, já que tentava fazer isso com apenas uma mão enquanto fechava a porta. Chamou o elevador e brincou por alguns minutos com Loki enquanto aguardavam.
O husky atravessou as portas metálicas assim que se abriram e o rapaz agradeceu mentalmente pelo elevador estar vazio. Apertou o botão do térreo e se encostou a parede fria, pensando sobre o que estava fazendo. Ele estava prestes a encontrar um colega de sua namorada que se passaria pelo seu namorado falso por algum tempo. Algo bem estranho, mas necessário. Dessa vez, quando as portas se abriram, já estava pronto para conter o cachorro. Caminharam até a saída do prédio e ele cumprimentou o porteiro ao passar.
Acreditando que ainda não estava psicologicamente preparado para o que faria a seguir, optou por fazer o caminho mais longo. Pôs seus fones de ouvido e aumentou o volume até o máximo. Mentalmente, relembrava tudo que precisava falar para Drake. Cuidado. Respeito. Paciência. Boxe. Ainda pensando nessas quatro palavras, se surpreendeu ao constatar que havia chegado ao café em que haviam combinado. O loiro já o esperava do lado de fora.
? — perguntou assim que ele se aproximou. O rapaz assentiu, tirando os fones de ouvido e guardando no bolso da bermuda. — Você está atrasado.
Olhou feio para Drake.
— Eu sei. Tive que resolver alguma coisa do trabalho. — mentiu. Ele simplesmente não queria fazer aquilo e havia adiado até o último minuto. Tirou a carteira do bolso e tirou alguns dólares, entregando ao rapaz. — Por que não compra alguma coisa para bebermos?
O garoto o olhou irritado.
— Sério?
riu baixo.
— Quer segurar o cachorro enquanto eu entro? — arqueou uma sobrancelha. Drake suspirou derrotado e virou-se para entrar no café. — Um macchiato. — acrescentou antes que ele entrasse.
Nos minutos que esperou Drake continuou repetindo as palavras em sua cabeça, procurando alguma forma de se ocupar. Pegou a bebida que o adolescente estendeu assim que saiu e guardou o troco no bolso traseiro.
— O que você quer conversar comigo? — o loiro questionou distraidamente antes de dar um gole em sua bebida.
Cuidado. Respeito. Paciência. Boxe. repetiu mentalmente, mas sabia que não poderia dar essa resposta.
— Por um tempo, você vai fingir ser o namorado da , certo? — indagou, bebendo um gole de seu café enquanto esperava a resposta.
— Sim. me pediu e não vejo por que não. — deu de ombros.
Paciência, . Relembrou-se e respirou fundo, antes de assentir.
— Sabia que eu luto boxe? — informou casualmente. Drake arqueou uma sobrancelha, confuso com o rumo da conversa. — Se você não tratar com todo o cuidado e respeito que ela merece, eu vou descobrir. E dar uma demonstração do que sei fazer, Drake. Isso deve ser apenas uma brincadeira para você, Reynolds, mas estamos falando da mulher com quem pretendo passar o resto da minha vida, sim? — o loiro assentiu. — Não estrague tudo.
~~~

— Vamos repassar o plano mais uma vez. — murmurou nervosa. — Drake, — apontou para o loiro. — você tem que ser agradável e fofo com a senhora S. , — virou-se para o namorado. — temos que nos tornar o mais próximo possível de ser as pessoas favoritas dela no mundo. — ele riu baixo. — E me ajude a manter a sanidade. — suspirou. — E eu tenho que arrasar.
Respirou fundo e tocou a campainha. Antes que um minuto se passasse, abriu a porta com um grande sorriso nos lábios. Jogou os braços em volta da amiga em um abraço apertado e riu baixo.
— Nem acredito que você conseguiu, Cas.
A loira revirou os olhos quando se afastaram.
— O que eu disse sobre o charme , ? Ele nunca falha.
— Sim, certo. — riu novamente antes de baixar o tom de voz para um sussurro. — Qual o plano?
— Todos vamos ser adoráveis e você vai fingir estar aberta a novos relacionamentos. — explicou rapidamente antes de entrar.
assentiu e ficou na ponta dos pés para cumprimentar com um beijo na bochecha. Drake sorria de lado e a abraçou com apenas um dos braços.
— Obrigada por isso, Drake. — ela agradeceu baixo.
— Não é nada, .
Se livrou do abraço e olhou para os três amigos.
— Muito obrigada, pessoal. Eu não sei o que seria de mim sem vocês. — sorriu. — Mãe, eles já estão aqui!
Sally saiu da cozinha em poucos segundos, secando as mãos num pano de prato.
— Oi, . — ela sorriu fraco e se aproximou para cumprimentar a garota. a cumprimentou com um abraço contido e sorriu.
A mãe então se afastou e foi cumprimentar os dois rapazes, sorrindo abertamente ao falar com Drake.
— Como você está, querido?
— Estou bem, e a senhora?
segurou-se para não revirar os olhos. O modo como sua mãe tratava Drake a irritava. Ela poderia ao menos tentado dar uma chance a . Sally se afastou do garoto e sorriu para , feliz pelo que havia feito, a loira simplesmente piscou de volta, sorrindo abertamente.
— Estou bem também, querido. — respondeu amavelmente. — Estarei na cozinha. Por que não assistem algo na televisão?
assentiu e fez um gesto para que os amigos a seguissem até a sala. Chegando lá, encontraram Allison deitada no sofá assistindo alguma coisa da Disney. A garota sentou-se rapidamente ao ver Drake entrando por último e passou as mãos pelos fios loiros rebeldes, em uma tentativa de controla-los.
— Oi, Drake. — sorriu.
— E aí, loirinha. — ele piscou e podia jurar ter visto sua irmãzinha corar.
— Tudo bem assistirmos alguma coisa com você enquanto esperamos o jantar? — a morena perguntou, decidindo ignorar o que havia acontecido momentos antes.
— Sim, claro. — Alli foi para o canto do sofá, dando espaço para eles. Em seguida, estendeu o controle para a irmã — Pode mudar de canal se quiser, eu já assisti esse filme antes.
assentiu e pegou o controle, sentando-se ao lado de sua irmã. Drake sentou ao seu lado, para manter as aparências e se sentou em almofadas no chão com o namorado. passou um dos braços a sua volta e ela se aconchegou ali, sorrindo. Drake colocou o braço nos ombros de e não se passaram nem cinco segundos antes que ela tirasse. Ele se ajeitou, sem graça.
— Não force a barra, Drake. Se for rápido demais minha mãe vai notar. — ela murmurou enquanto trocava de canal, procurando alguma coisa que pudessem assistir com Allison. Deixou em um canal de seriados, em que passava algum de comédia e estavam na metade do segundo episódio quando Sally os chamou anunciando que o jantar estava pronto.
Alli foi a primeira a sair da sala, sendo seguida de perto por e . Drake entrelaçou seus dedos aos de e segurou-os firmemente quando a garota tentou se libertar.
— Drake! — reclamou.
Ele suspirou, interrompendo a caminhada.
— Temos que começar de algum lugar, . — explicou. — Lembre-se que você suspostamente está aberta a novos relacionamentos.
A morena assentiu, contrariada. Não gostava daquilo. Só o fazia para que conseguisse maior liberdade e, consequentemente, maiores chances de encontrar . Assim que entraram na cozinha, foi capaz de ver sua mãe e melhor amiga sorrindo ao notar sua intimidade com Drake. Graças ao planejamento exato, mas não discreto, de sua mãe, a garota sentou-se ao lado do loiro. Mais uma vez naquela noite, teve que evitar um revirar de olhos.
A única coisa que evitou que a garota morresse de frustração durante o jantar, foram seus constantes pedidos para qualquer ser superior, de que ele acabasse logo. Todos os seus movimentos e falas foram arquitetados para que parecesse feliz ali. A presença de e de fato a alegravam, porém sua mãe não perdia uma chance de ressaltar qualquer qualidade de Drake, até mesmo sua imitação de alguma personalidade famosa que não fazia questão de lembrar o nome.
— O jantar estava maravilhoso, senhora . — ele elogiou assim que acabou, levantando-se para levar seu prato a pia.
— Não, querido. — ela respondeu se levantando, ao perceber sua intenção. — Eu cuido disso. Por que vocês não assistem a um filme?
trocou um olhar com a morena, querendo saber se ela concordava. Assentiu minimamente e então se levantou.
— Podem ir para a sala. — informou. — Eu vou ajudar minha mãe com os pratos, pegar alguns DVDs no meu quarto e já vou.
A loira concordou e se levantou, de mãos dadas com o namorado. Drake os seguiu, deixando apenas as três ali. suspirou aliviada, feliz por ter algum tempo sozinha e começou a recolher os pratos.
— Por que não fica com seus amigos, querida? — a mãe perguntou, recolhendo os copos. — Alli e eu podemos cuidar disso.
A adolescente balançou a cabeça.
— Eles podem esperar alguns minutos.
Eu preciso de alguns minutos, completou mentalmente. Levou todos os pratos até a pia. Começou a lavá-los, como algum tipo de terapia, e se surpreendeu quando a irmã parou ao seu lado, com um pano em mãos, começando a secar a louça.
— Drake é um bom garoto. — Sally comentou.
— Uhum. — concordou com indiferença.
— Você poderia dar uma chance a ele.
— Você combina mais com o , sabia? — Allison confidenciou em um sussurro, o que fez a mais velha soltar um riso baixo. Não sabia se ela dizia isso por que realmente acreditava ou por ter uma paixonite por Drake. Independe da opção, apreciou seu apoio.
— Não é isso que estou fazendo hoje, mãe? — questionou.
Sally suspirou, colocando o que carregava no balcão. Ficou atrás da filha e pôs as mãos em seus ombros.
— Eu sei que estou forçando a barra, . Mas só quero o melhor para você. — beijou o rosto da filha e se afastou.
~~~

A garota agradeceu mentalmente ao ver os créditos do filme subindo a tela. Não aguentava passar mais nem um minuto naquele sofá ao lado de Drake Reynolds. Sua mãe estava no andar de cima, jogando Monopoly com Allison. Levantou-se, com a desculpa de que estava apenas se espreguiçando e enviou um pedido de socorro silencioso para a amiga.
— Bem... — murmurou se levantando. — Acho que está na hora de irmos.
Os garotos concordaram e todos seguiram seu caminho para fora da casa.
— Mãe, — chamou. — eles estão indo.
— Estou descendo, querida. — a mulher informou e pouco depois ouviu seus passos na escada.
Se despediu dos adolescentes e a aguardou enquanto a filha fazia o mesmo. A garota deu um longo abraço na amiga, sussurrando agradecimentos e então deu um abraço amigável em , agradecendo-o também. Os dois murmuraram mais alguma despedida para Sally e saíram da casa, esperando Drake na varanda. fitou o garoto loiro em sua frente.
— Obrigada pela noite agradável, Drake. — mentiu, ficando na ponta dos pés para abraça-lo e então completou sussurrando. — E por ter feito tudo isso, ser legal com a minha mãe e tudo.
— Sempre que precisar, . — ele sorriu torto ao se afastar e piscou para a garota. — Quando podemos nos ver de novo?
Ela encolheu os ombros e olhou a mãe, pedindo por permissão.
— Logo, querida. Conversaremos sobre isso amanhã.
A garota assentiu e então sorriu para Drake.
— Logo, então.
Ele assentiu e então saiu pela porta, fechando-a atrás de si. suspirou aliviada e estava pronta para subir para seu quarto quando ouviu a porta ser aberta novamente. O loiro sorriu ao ver as duas mulheres olhando-o.
— Eu esqueci uma coisa. — explicou, entrando novamente na casa.
Caminhou até e rapidamente segurou o rosto dela entre suas mãos, antes de se abaixar e pressionar seus lábios sobre os dela por alguns segundos. Chocada, a garota observou enquanto ele se afastava e então piscava.
— Boa noite, senhora S. — despediu-se por cima do ombro e foi embora.
A garota olhou a mãe, que tinha um grande sorriso no rosto e então subiu as escadas sem dizer mais nada. Correu para seu quarto e tomou um banho mais longo que podia se lembrar, depois vestiu seu pijama e se jogou sem sua cama. Nunca na vida sua cabeça havia doído mais do que naquele momento. Cobriu-se e fechou os olhos fortemente, torcendo que para quando acordasse na manhã seguinte tudo aqui não passasse de um sonho, ou pesadelo, muito confuso. Quando pegou no sono, o único pensamento que estava em sua mente era: como vou contar a ?
~~~

Os dias seguintes não foram nada interessantes. passou a maioria deles em casa, assistindo televisão ou jogando alguma coisa com Allison. O único dia em que havia feito algo diferente, foi um almoço de família, na casa de sua avó. Nada divertido. O máximo que contato com outras pessoas que conseguia eram alguns minutos no telefone com ou Drake, com a mãe no mesmo cômodo que ela, fingindo ler uma revista quando na verdade prestava atenção na conversa.
Num dia que não tinha nada para ser melhor que os outros, acordou com Toddy subindo em sua cama e pedindo por carinho. Ela se revirou e piscou repetidas vezes assim que luz do quarto foi acesa.
. — sua mãe chamou, parada à porta. — Tenho que sair para resolver algumas coisas com sua tia. — informou. — Levarei Allison para a casa de Mary Ann. Quer passar o dia com ?
A garota se sentou num segundo.
— O quê?
Sally suspirou.
— Tenho que sair para... — repetiu.
— Não. Não essa parte. Você perguntou se quero passar o dia com ?
A mulher deu de ombros.
— Se quiser ficar em casa tudo bem, mas está um dia lindo lá fora e pensei que gostaria de sair um pouco.
— Meu castigo acabou?
— Vamos chamar isso de condicional, até eu decidir. — ela se aproximou. — Bem, você está... se comportando. Sei que ainda acha que estou sendo uma péssima mãe, mas...
— Você só está tentando me proteger, eu sei. — a garota suspirou. Mas pouco depois sorriu. — Então eu posso passar o dia com ?
Sally entregou o celular da menina.
— Fique com isso por hoje, sim? — sorriu de canto. — Eu estou confiando em você, . Espero que não me desaponte.
A garota assentiu e a mulher saiu do quarto. Agradecia a oportunidade de passar algum tempo livre do olhar vigilante de sua mãe. Acariciou o cachorro em seu colo e então mexeu algum tempo no celular. Encontrou algumas mensagens de e mordeu o lábio, lendo-as repetidas vezes por vários minutos.
, você tem cinco minutos. — a mãe avisou enquanto andava pela casa, arrumando-se.
— Tudo bem.
Levantou-se e foi para o seu guarda-roupa, revirando-o em busca de algo para vestir e se surpreendeu ao encontrar uma camiseta branca de com alguma estampa divertida. Não tinha ideia de como aquilo havia ido parar ali, mas estava feliz. Provavelmente resultado de uma das vezes que havia dormido lá e teve que voltar às pressas. Aproximou de seu rosto e sorriu ao sentir o cheiro do namorado. Rapidamente, tirou o pijama e colocou-a, dando um nó do lado para que ficasse mais curta, já que chegava até metade das suas coxas. Então vestiu seu short jeans favorito e calçou os sapatos. Puxou uma camiseta xadrez do cabide e vestiu-a também, com alguma esperança de esconder a que usava por baixo. Penteou os cabelos, enfiou o celular no bolso e fones de ouvido no bolso e foi até o banheiro para escovar os dentes. Acabou no minuto em que sua mãe chamou novamente e jogou tudo na bancada de qualquer jeito, correndo para fora da casa.
Primeiro, deixaram Allison na casa de Mary Ann para uma tarde de brincadeiras. Então foram até o prédio de . Sally repetiu algumas recomendações e abraçou a filha antes que a deixasse ir.
A garota caminhou até a portaria e conversou com o senhor lá calmamente, que fez uma ligação e então a deixou subir.
— Ei, garota . — Shawn, o irmão mais velho de cumprimentou ao abrir a porta, erguendo a mão para um high five. — Como vai?
— Bem, , e você? — ela riu antes de bater sua pequena mão contra a dele. — Onde está?
— No quarto, acho que está no Skype com alguém. — deu de ombros. — Vai lá.
— Obrigada, . — agradeceu entrando no apartamento.
Fez seu caminho até o quarto de e abriu um pouco a porta, colocando apenas a cabeça para dentro.
— Está vestida? — perguntou de olhos fechados.
— Por favor, . Eu tenho classe. — a loira revirou os olhos. — Não gosto desse tipo de coisa.
— Sei. — a morena riu, entrando no quarto.
— Não sou eu que jogo strip...
! — reclamou, olhando-a feio. — Alguém pode te ouvir.
— Relaxa, . Pra variar, meus pais não estão em casa.
— Mas o Shawn sim. — suspirou, sentando-se na cama.
— O que você está fazendo aqui, de qualquer jeito? — arqueou uma sobrancelha. — Foi liberada do castigo?
— Estou de condicional. Até consegui meu celular de volta por hoje. — deu de ombros.
— O plano está funcionando. — cantarolou feliz. — Eu sabia! Precisamos contar para o .
— Pode me emprestar seu celular? Se eu ligar para ele do meu, tenho certeza que minha mãe vai dar um jeito de descobrir.
— Sim, claro. — murmurou, tirando-o do carregador e entregando a amiga.
Rapidamente, encontrou no número do namorado e iniciou a ligação. Sua perna balançava e mordia o lábio inferior enquanto chamava.
— Oi, . — ele atendeu e o coração de bateu mais forte. Estava com tanta saudades dele que mal conseguiu pronunciar uma frase aceitável em resposta.
— Sou eu. . — sussurrou.
?! Ah, meu Deus. O que... Como... — ela riu baixo da incapacidade de em formular alguma frase coerente.
— Minha mãe me deixou passar o dia com . — explicou. — É algum tipo de condicional maluca que ela inventou.
— Eu posso te ver?
A garota mordeu o lábio.
eu estamos pensando em alguma coisa, vamos nos ver logo, eu prometo.
A loira arqueou uma sobrancelha.
— Estamos?
— Tudo bem. — suspirou. — Sinto a sua falta, .
— Eu também, baby. Tudo vai dar certo. Logo. — prometeu, mais para si mesma.
— Sua mãe falou mais alguma coisa sobre Olympia?
— Não. — respondeu animada. — Acho que o plano está dando certo.
— Ótimo. — sua consciência pesou ao ouvir o alivio na voz dele. — Eu preciso desligar,. Tenho reunião com um cliente. Posso ligar na hora do almoço?
— Estarei esperando. — sorriu de canto.
— Até mais, .
— Até, .
— Certo. — murmurou ao vê-la desligar. — Por que disse que estamos pensando em alguma coisa quando podemos, não sei, simplesmente ir até o apartamento dele, o trabalho ou qualquer coisa?
— Eu beijei o Drake.
Brooke , você o quê?!
— Ele me beijou, na verdade. No final daquele encontro. Minha mãe ficou muito feliz e acredito que seja por isso que posso ligar para você, e ele, todas as noites. E por isso que estou aqui agora. — suspirou. — Cas, eu não posso encontrar o até eu decidir o que fazer. Eu conto para ele? Não me parece uma boa ideia. Mas também não gosto de mentir.
— Uau. — a loira piscou algumas vezes. — Mentiras nunca são a opção certa, .
odeia o Drake, Cas. E ele está fazendo tudo o que pode para me ajudar. Eu não posso recusar a ajuda dele.
— Eu não sei o que vai dizer pro seu namorado, . Mas você vai encontra-lo o mais rápido possível. — determinou. — Eu o vejo quase todos os dias, nós conversamos e é um cara legal. E ele está destruído por que acha que atrapalhou seu relacionamento com a sua mãe. Você vai encontrá-lo, .
Ela assentiu, assustada com a reação da amiga. Por algum tempo, ficou apenas usando seu notebook, enquanto checava as redes sociais em busca de novidades. A amiga grunhiu alto, encolhendo-se com as mãos no abdômen, assustando a morena.
— O que foi,Cas?
— Cólica. — bufou. — Eu não aguento mais.
— Olha só. — sorriu. — Os papéis se inverteram, senhorita não-tenho-cólica-há-meses.
— Eu disse que acontece às vezes. — suspirou.
— Faz um tempo que não tenho cólica. — deu de ombros. — É maravilhoso.
— Você é a rainha da cólica, . Alguma coisa deve estar errada.
— Claro que não, . — ela revirou os olhos. — Para de ser invejosa.
— Acho que o bebê está a caminho. — a loira riu.
— Para com isso, Cas. — mordeu o lábio, apreensiva. Internamente, implorava para que a amiga estivesse errada enquanto tentava lembrar a última vez que havia menstruado.
Ela riu por algum tempo, mas parou ao ver a expressão da amiga.
— Por que está com essa cara, ?
— Acabei de me dar conta que talvez seja possível. Eu não lembro quando foi a última vez que menstruei.
— Sua memória é péssima, vamos combinar. Você não tem nenhum aplicativo?
A morena assentiu, pegando o celular rapidamente e abrindo o menu, procurando pelo aplicativo de ciclo menstrual. O abriu e aguardou impaciente enquanto carregava.
— Merda. — olhou a amiga. — Estou atrasada vários dias.
— Bem... — suspirou. — Acho que agora você tem que encontrar o .
~~~

O celular do rapaz tocou alto, fazendo-o interromper sua frase. Desculpou-se em um tom baixo e tirou o aparelho do bolso, franzindo a sobrancelha ao ver o nome de no visor. Recusou a chamada, retirou o som do aparelho e o devolveu ao bolso.
— Onde eu estava? — perguntou olhando os papéis a sua frente. — Ah, sim. O que eu quero dizer, senhor Brown, é que a empresa...
O celular vibrou em seu bolso e se mexeu desconfortável, começando a se preocupar. Continuou sua fala por cerca de um minuto até que o celular parou de vibrar e ele suspirou aliviado. Seus olhos baixando por meio segundo para que conseguisse ver a hora. Ainda faltavam vários minutos até o fim da reunião.
— O que devo fazer? — o senhor a sua frente perguntou.
espremeu os lábios enquanto pensava. Ouviu batidas na porta e se virou a tempo de ver Jasmine entrando na sala.
— Com licença, senhores, sinto interromper. — ela sorriu fraco. — Senhor , estou com... — a moça fez uma leve careta enquanto se esforçava para lembrar o nome. — na linha. Ela disse que é urgente.
xingou baixo.
— Senhor Brown, pode me dar um minuto?
Não esperou pela resposta, somente se levantou e saiu, caminhando a passos largos até a mesa de Jasmine. Pegou o pequeno telefone preto e o levou a orelha.
— O que aconteceu, ? Você está bem?
— Precisamos nos encontrar o mais rápido possível. É importante.
, o que aconteceu? — ele repetiu a pergunta, preocupado.
— Eu vou falar com a minha mãe e dizer que Drake me convidou para ir ao cinema essa noite. — ignorou-o. — Aquele perto do parque. Por volta das sete. Por favor, esteja lá.
— Estou ficando preocupado, baby.
— Me encontre lá, por favor. — a garota pediu antes de desligar.
suspirou e colocou o telefone no gancho. Passou a mão pelo cabelo e alisou o paletó antes de voltar a sala de reuniões, onde ficou até a hora do almoço, explicando situações e tirando dúvidas de seu cliente. Despediu-se do senhor Brown com um aperto de mão, perguntando-se como havia arranjado foco para terminar a reunião, já que em sua mente passavam-se várias perguntas sobre o comportamento de . Pegou os documentos do caso antes de ir até a mesa de Jasmine.
— Jazz, há mais alguma reunião hoje? — a mulher olhou a agenda preta por alguns segundos e balançou a cabeça. — Estou com um problema pessoal e tenho que ir. Sinta-se livre para ir embora quando quiser. — sorriu fraco. — Antes que brigue comigo, levarei todos os arquivos para casa e farei o necessário. Não vou deixar acumular.
— Certo, . — ela sorriu. — Espero que dê tudo certo.
Ele suspirou.
— Eu também.
Antes de sair quase correndo do escritório, só teve tempo de ir até sua sala e pegar os documentos que precisava. Tateou seus bolsos em busca das chaves e xingou ao pensar que havia esquecido em sua sala, porém segundos depois en2controu-as. Abriu a porta do passageiro e colocou os documentos e sua pasta no banco, antes de fechá-la e dar a volta no carro. Dirigiu até seu apartamento o mais rápido que conseguiu, decidindo deixar os documentos onde estavam. Sua mente estava cheia e por mais que quisesse não conseguiria lidar com eles até que visse .
~~~

batia o pé, impaciente, enquanto ela e Drake esperavam por . Seus braços apertavam fortemente a região do estomago, em uma tentativa de fazer o nervosismo ir embora. Já eram quase sete e meia e isso a preocupava. Não era do perfil de se atrasar. Algo devia ter acontecido. Algo sério.
— Vinte e seis minutos atrasado. — Drake anunciou após olhar seu celular. — Vamos perder o filme.
— O filme não é minha prioridade. — ela rebateu olhando em volta.
Uma parte dela torcia desesperadamente para que aceitasse razoavelmente bem a ideia de que talvez pudesse ser pai. Mas aquela era uma decisão difícil. Mudaria para sempre a vida dos dois. Mordeu o lábio. Drake bufou atrás dela.
— O que foi, Reynolds?! — virou-se para ele erguendo uma sobrancelha.
— Não acredito que estou aqui há vinte minutos esperando por um cara. O que é tão importante assim para que você me tirasse de casa hoje?
— Não te interessa. — sorriu ironicamente. Desde o beijo, não havia passado mais tanto tempo com Drake pessoalmente. Só se falavam pelo telefone alguns minutos por dia. Tê-lo ali na sua frente trazia a tona toda a raiva e desgosto que havia reprimido. — O que você estaria fazendo de tão importante em casa, de qualquer jeito?
— Maratona de série. — ele sorriu debochado, sabendo que a estava irritando.
revirou os olhos e deu as costas para ele.
— Não se preocupe, Drake. Você terá todo o tempo do mundo para assistir suas preciosas séries assim que eu falar com .
— Vamos concordar que seria mais cedo se ele não tivesse se atrasado tanto. — respirou fundo. — Parabéns, .
— Quer saber? — ela deu de ombros, decidindo ali se livrar da raiva que sentia por Drake. Virou-se novamente, encarando-o. — está atrasado sim. Mas em todos os outros sentidos possíveis, ele é mais homem que você. Por isso o escolhi. Ele sabe respeitar, cuidar de mim e me ama. Ele tem alguns defeitos? Sim, ninguém é perfeito. Mas pelo menos ele tem a decência de só me beijar com o meu consentimento, ao contrário de você.
— O que você disse, ? — a voz conhecida e tomada pelo sotaque britânico que a garota tanto amava, soou atrás dela, fazendo seu sangue gelar e sua respiração ser interrompida por alguns segundos. — O que ele fez?


Capítulo XII – Bettertogether


A morena se virou a tempo de ver o namorado dar um passo em direção a Drake. Impulsivamente pôs as mãos no peito dele, se colocando entre os dois. estava muito irritado e ela não tinha ideia de como se comportaria num momento daqueles.
— Você é um desgraçado, Reynolds! — acusou apontando o dedo.
! — censurou, tentando afastá-lo do loiro sem muito sucesso.
— Eu te avisei que não iria tolerar nenhuma gracinha. — ele bufou.
— Não é o que você está pensando, . — o outro se defendeu. — Foi só para que a mãe dela acreditasse.
, saia do meu caminho. — pediu firme. O olhar desgostoso a fez hesitar. Esse era o tipo de situação que queria evitar. Aquele era um assunto para ser tratado com cuidado e muita calma, exatamente o oposto do que havia acontecido.
— Ou o quê? Vai me machucar? — ela ergueu uma sobrancelha, desafiando-o.
suspirou.
— Você sabe que eu nunca faria isso.
— Eu vou explicar tudo, . Eu só preciso que você se acalme. — suplicou. — Pode fazer isso por mim?
Um sorriso fraco surgiu nos lábios da morena ao vê-lo assentir. se afastou, parando perto da parede mais distante possível de Drake. Ela olhou o loiro e suspirou.
— Espere aqui, sim?
Virou-se assim que ele concordou e caminhou até o namorado. fitava seus pés e a garota suspirou ao se aproximar.
— Ele te beijou mesmo? — indagou, ainda sem olhá-la.
— Sim. — ela mordeu o lábio. — Drake me pegou de surpresa, . Eu nunca aceitaria uma coisa dessas. Tudo tem limites.
O rapaz assentiu.
— Como foi?
— O quê?
Ele finalmente ergueu os olhos, demorando-se ao observar o rosto da namorada antes de responder. As sobrancelhas estavam próximas, demonstrando sua confusão, e os olhos azuis pareciam ainda mais destacados naquele dia. Maquiagem, ele notou. Não era raro que ela usasse, mas gostava de vê-la ao natural. Como quando acordava. A lembrança de uma das manhãs que haviam passado juntos quase o fez sorrir.
— O beijo. Como aconteceu? — perguntou sem emoção.
pareceu ainda mais confusa ao ouvir o pedido.
— Estávamos nos despedindo. Eu o abracei e agradeci discretamente. Minha mãe estava lá também. — explicou. — Então, ele saiu e eu estava pronta para subir quando Drake voltou e disse que havia esquecido algo. Então, se aproximou e me beijou. Foi só um selinho.
ficou quieto por alguns segundos, analisando mentalmente a história apresentada.
— Você gostou?
Ela riu.
— Claro que não, . Você sabe muito bem como me sinto em relação à Drake.
— Acho que não mais. — ele deu de ombros. — Pretendia me contar?
Assentiu.
— Mas não hoje. Não queria que descobrisse assim. — ela cruzou os braços, sentindo-se intimidada. — Há algo mais importante que precisa da sua atenção. O motivo de eu ter ligado daquele jeito.
— Sim?
— Eu... estou atrasada. — ela anunciou receosa. era ótimo, mas temia sua reação. Uma parte traiçoeira se perguntava sem parar se sua mãe estava certa.
— Atrasada? — arqueou uma sobrancelha. — Do que está falando? — o encarou por algum tempo, antes de fitar seus pés e ele percebeu do que se tratava. — Oh... — falou surpreso.
Mil pensamentos passavam por sua cabeça naquele momento e precisou de alguns segundos para conseguir formular uma frase. A morena sabia que ele precisava de tempo para digerir a ideia, porém a cada segundo que se passava, seu medo aumentava.
? — chamou, tirando-o do transe. Ele a olhou por mais alguns segundos, preocupado, antes de se pronunciar.
— Você acha que possa estar...? — Droga, , você não consegue nem pronunciar a palavra, repreendeu-se mentalmente. A garota assentiu, brincando nervosamente com as suas mãos. — Não é possível, . Nos cuidamos, lembra? E mesmo nas poucas vezes que não, eu garantia que você se cuidasse pela manhã.
— Tem certeza? — seus olhos brilhavam pelas lágrimas que estavam por vir.
— Sim, claro. — ele pausou, repassando mentalmente todas as vezes que ela havia dormido em sua casa. — Você não?
— Eu não sei, . — uma lágrima escorreu e sua voz tremeu, fazendo sentir-se mal. Ele havia falhado em protegê-la. Como poderia exigir isso de Drake se ele mesmo não conseguia fazer? — É tudo tão confuso. Eu achava que sim, mas quando parei para pensar, não tive tanta certeza. — limpou os rastros molhados em suas bochechas. xingou baixo, suspirando em seguida. Abraçou-a e beijou sua cabeça.
— Você nunca atrasou antes?
— Algumas vezes, mas não tinha motivos para me preocupar. — os braços dela cercaram e ele a abraçou mais forte.
— Contou para alguém?
— Minha mãe não sabe de nada. — assegurou, ainda chorando. — Só sabe. Na verdade, ela que me fez pensar nessa possibilidade.
— Tudo bem. Não surte ainda. — ela se afastou e segurou delicadamente seu rosto com as duas mãos. Os polegares secaram as novas lágrimas e ele sorriu fraco, tentando passar alguma confiança. Mas, considerando o quão bem o conhecia, sabia que não funcionaria. — Amanhã cedo vou comprar um teste de gravidez e entregar para . Ela vai te entregar o mais rápido possível, você faz, conta o resultado pra ela, que depois me avisa.
? — chamou baixo.
— Sim, babe?
— Eu estou com medo.
— Eu sei, . Vamos resolver isso juntos, tudo bem? — beijou sua testa. — Eu prometo.
Drake franziu o cenho ao observar os dois. O que seria tão importante assim? O casal trocou mais algumas palavras e beijou os lábios de rapidamente antes que ele se afastasse, então voltou sozinha.
— O que você quer assistir? — questionou sem jeito, as mãos nos bolsos da calça.
— Tanto faz. — ela deu de ombros e então suspirou.
— Sei que não quer passar tempo comigo, mas para sua mãe acreditar, temos que enrolar por algum tempo. — assentiu. — O que acha de comer algo? Vi uma lanchonete aqui perto.
— Parece bom. — ela concordou, as mãos brincando nervosamente com a alça de sua bolsa.
Começaram a caminhada, sem trocar qualquer palavra. Ao chegarem, Drake abriu a porta de vidro para , que agradeceu baixo. Foram direto para a fila e fingiu ler as opções acima dos caixas. Provavelmente era coisa de sua cabeça, mas a ideia de qualquer fritura a enjoava. Escolheu um suco e um lanche de frango, enquanto Drake quis algum outro cheio de bacon e acompanhado de batatas fritas gigantes. Ele insistiu em pagar e levar a bandeja até a mesa. Assim que sentaram, puxou seu lanche para perto, sem muito ânimo. Abriu a pequena caixa e pegou o sanduíche com cuidado.
— Sinto muito por estragar as coisas com o . — o loiro murmurou, chamando sua atenção. — Sei que com tudo que já fiz antes é difícil de acreditar, mas eu só queria ajudar.
A garota assentiu e tomou um gole do suco.
— Pode-se dizer que já resolvemos isso. — deu de ombros. — Não é dessa vez que vai apanhar dele. Apesar de merecer.
Drake riu com o comentário maldoso.
— Obrigado, .
Ela balançou a cabeça afirmativamente e começou a comer o lanche. Quando estava na metade, ele já havia acabado o seu e comia as batatas.
— Comer tão rápido faz mal. — ela observou.
O rapaz sorriu amarelo.
— Eu sei. Tenho que melhorar isso. — ele deu de ombros. — , eu não queria me intrometer, mas o que é tão importante assim que precisavam se ver hoje?
— É complicado, Drake. — ela suspirou e o olhou. — Não quero falar sobre isso.
— Tudo bem. — deu de ombros. — O que você fez hoje?
— Minha mãe deixou que eu passasse o dia com . Você?
— Joguei vídeo game e assisti séries. Nada especial — comentou com indiferença. — Acha que tudo isso está dando certo? Que sua mãe pode te tirar do castigo?
— Ela disse que estou de condicional ou algo do tipo. — riu ao notar o canto da boca do rapaz sujo de molho. — Sua boca está suja. — ele fez uma careta e tentou lamber, sem muito sucesso, então passou o polegar do lado errado, fazendo-a rir novamente. — Deixa que eu te ajudo. — a morena pegou um dos guardanapos e estendeu na direção do colega, limpando o molho com cuidado.
— Romântico, hm? — Drake ergueu uma sobrancelha ao mesmo tempo em que sorria torto.
— Cale a boca. — ela revirou os olhos e jogou no guardanapo na mesa.
— Não estamos num encontro? Pode ser falso, mas não deixa de ser um encontro.
— Falso sendo a palavra mais importante dessa frase. — ela ressaltou, sorrindo de lado.
Por alguns minutos, a conversa com Drake e as brincadeiras, a fizeram esquecer . Ela suspirou e fitou suas mãos.
— O que está errado, ? — ele perguntou, esticando a mão em sua direção, mas hesitou no último segundo e recolheu-a.
— Eu só estou cansada. — mentiu. — Podemos ir embora? Eu digo para minha mãe que não conseguimos ver o filme.
— Sim, claro. — ele deu de ombros. — Não vai terminar de comer?
Ela balançou a cabeça. De repente, apenas olhar para o hambúrguer fazia seu estomago revirar.
— Eu só preciso ir para casa deitar um pouco.
Drake assentiu e se levantaram. Jogaram as embalagens e o resto do hambúrguer de no lixo e o loiro abriu a porta para que ela saísse. agradeceu com um meio sorriso e ajeitou seu casaco, querendo que fosse possível afundar nele. O celular vibrou em seu bolso com a chegada de uma nova mensagem e ela o pegou rapidamente. Era uma mensagem de perguntando o que havia acontecido no encontro. Ela respondeu resumidamente, dizendo que havia sido compreensivo e que compraria um teste de gravidez assim que possível.
— Teste de gravidez? Você está grávida? — Drake perguntou incrédulo antes de dar uma risada. Só então ela percebeu que ele lia suas mensagens por cima de seu ombro.— Desculpa, . Por isso eu não vou levar a culpa.
— Minha mãe sabe que dormi com o , idiota. — a morena revirou os olhos antes de apagar as mensagens e por o celular no bolso. — Deus me livre ter um filho seu. E eu não tenho certeza ainda, é só uma possibilidade. — informou, relembrando a si mesma, querendo mais do que tudo acreditar naquilo.
— Nessa idade, Deus te livre de ter qualquer filho, . — concluiu. — Aliás, por que não fez um teste antes de falar com ele? Você pode ter desesperado o cara por nada. Tem noção de que ele não vai dormir essa noite, né?
Ela mordeu o lábio ao perceber que Drake tinha razão. Ao descobrir como estava atrasada, havia entrado em pânico e se não fosse por , estaria perdida. E a culpa pelo beijo de Drake havia contribuído para a tomada de sua decisão ao ligar para .
— Eu só quero ir pra casa.
O loiro assentiu. No resto do caminho, não trocaram nenhuma palavra. se despediu assim que chegaram em frente a sua casa e ao entrar tirou os sapatos, e jogou o casaco e a bolsa que usava no chão antes de seguir até a sala. Sua mãe e Allison assistiam um dos programas favoritos da garotinha.
— Já voltou,? — a mulher perguntou.
Ela deu de ombros.
— Nem assistimos o filme. Fomos numa lanchonete e conversamos por algum tempo.
— Aconteceu alguma coisa, querida? — Sally indagou preocupada.
— Só estou cansada. — sorriu fraco.
Sentou-se ao lado da irmã e pôs os pés no sofá, abraçando suas pernas.
~~~

xingou baixo ao entrar na farmácia, olhando as várias prateleiras a sua frente. Decidiu começar por uma do canto e demoradamente fez seu caminho por quase todo o estabelecimento, até que encontrou o que precisava. As opções de marcas e embalagens coloridas o surpreendeu. Alguma delas era melhor? Com maiores chances de resultado certo? Aleatoriamente, pegou um dos testes e começou a ler a embalagem, erguendo uma sobrancelha e fazendo uma careta. Mentalmente, agradeceu por ser homem.
Passou mais alguns minutos lendo embalagens e então escolheu a primeira que havia lido, sem qualquer critério verdadeiro. Caminhou até o caixa e bateu os dedos contra a perna, impaciente, enquanto aguardava sua vez. Jogou o teste de gravidez no balcão e puxou a carteira do bolso rapidamente, tirando o cartão e deslizou-o até o atendente, evitando contato visual ao fingir interesse em outro produto que estava ali em cima. Pegou o produto já dentro da sacola branca e murmurou um agradecimento antes de ir embora. Ao chegar no carro, jogou a sacola no banco traseiro e pegou o celular, iniciando uma chamada para e apoiando o aparelho preto na perna enquanto prendia o cinto de segurança.
— Alô? — a garota atendeu distraída.
, sou eu, . — murmurou dando partida no carro e saindo de sua vaga.
— Oi, . — respondeu levemente animada. — Como você está?
— Bem. — ele suspirou. — Eu encontrei a e disse que iria comprar um teste de gravidez para que você entregasse a ela. — ele riu baixo, nervoso. — Acho que eu deveria ter falado com você antes.
A garota riu.
— Tudo bem, eu entrego. Posso ir lá mais tarde.
— Você está em casa? — indagou.
— Ah. — ela ficou em silêncio por algum tempo. — Eu estou em uma sorveteria com o .
— Aquela perto do seu apartamento?
— Isso.
— Vou passar aí, tudo bem?
— Claro!
— Até daqui a pouco, .
— Até, .
Ele encerrou a chamada e largou o celular no banco do carona. Bateu os dedos contra o volante enquanto esperava que o semáforo abrisse e suspirou. Precisava dormir. Após a notícia de e com todos os documentos que ele havia levado para casa, havia passado a noite em claro, trabalhando e pensando sobre o futuro. As vezes, se afogar no trabalho era a única solução que ele encontrava e o ajudava a pensar melhor. Se a namorada estivesse mesmo grávida, ele já tinha alguns planos, para se ela decidisse ter o bebê. Em pouco tempo, saberia se seus planos seriam postos em prática ou não.
Suspirou novamente com o pensamento e decidiu ligar o rádio. A voz de Johnny Keller preencheu o carro e ele xingou baixo, lembrando-se de . O carro de trás buzinou, tirando-o de seu transe e só então ele percebeu que a luz já estava verde. Acelerou o carro e começou a cantar a música de Johnny. Por uma infeliz coincidência do destino, era a música do pedido de namoro.
Minutos depois, chegou à sorveteria em que estava. Pegou seu celular e a sacola branca e saiu do carro. Ao entrar no estabelecimento, demorou algum tempo para encontrar a loira numa mesa no fundo. Caminhou até lá e parou ao seu lado, sorrindo sem jeito para o namorado dela.
! — disse, levantando-se.
— Hey, Cas. — sorriu fraco. — Aqui está. — entregou a sacola a ela. — Por favor, me liguem assim que souberem o resultado.
— Pode deixar. — ela garantiu e então se virou para o namorado. — , esse é , o namorado da .
O ruivo se levantou, cumprimentando o mais velho com um aperto de mão.
, esse é , meu namorado. — ela sorriu abertamente.
— Legal te conhecer, . — sorriu. — Eu tenho que ir agora, , várias coisas do trabalho para resolver. — a garota assentiu e ele se afastou. — Por favor, me liguem.
— Vamos ligar, , não se preocupe. — ela acalmou. Esperou até que ele saísse e então se sentou novamente.
— O que é isso? — perguntou indicando a sacola.
mordeu o lábio, envergonhada.
— Um teste de gravidez.
está grávida? — ele perguntou urgentemente num sussurro.
— É uma possibilidade. — a loira encolheu os ombros. — Eu não acho que sejam tão irresponsáveis assim, principalmente , mas se eles não têm certeza, quem sou eu pra opinar?
— Então a é irresponsável? — o rapaz perguntou rindo.
— Não é isso. — se defendeu, rindo também. — A memória dela é horrível, sério. Ela esqueceu quando completaram um mês de namoro.
balançou a cabeça, rindo baixo.
— Aposto que você vai me lembrar com antecedência.
— Com certeza, Edward. Se você esquecer, nunca mais falo com você.
— Por que acha que vou esquecer, ? — ele ergueu uma sobrancelha, entrando na brincadeira.
— Você é desatento. — ela deu de ombros. — Mas gosto de você mesmo assim, não se preocupe.
~~~

saiu de seu quarto ao ouvir campainha tocar e desceu as escadas rapidamente, a tempo de ver sua mãe abrindo a porta. sorria abertamente para a mais velha e a cumprimentou com um abraço.
— Oi, senhora S. — disse. — Se importa se eu passar a tarde aqui? Sai com e quando voltei descobri que meus pais me trancaram para fora de casa de novo. — encolheu os ombros.
A mulher riu, assentindo e deu passagem para a garota. Se virou para chamar a filha, porém se surpreendeu ao vê-la parada na escada.
— Sabia que ela vinha, ?
A morena assentiu e ergueu o celular.
— Ela mandou uma mensagem. — deu de ombros. — Esqueci de avisar, desculpe.
A mãe assentiu e a loira entrou, em seguida subiu a escada e as duas adolescentes foram até o quarto. fechou a porta assim que entraram e se apoiou nela.
— Você trouxe?
— Por que mais eu viria aqui? — a loira revirou os olhos, abrindo sua bolsa e tirando a sacola branca. — Espero que tenha bebido bastante água hoje. — respondeu, jogando o teste para a morena.
assentiu e tirou a caixa da sacola, começando a ler as instruções rapidamente.
— Eu já volto, Cas. — avisou, indo para o banheiro.
A loira brincou com as mãos nervosamente, enquanto esperava. Em seguida, pegou seu celular e checo as mensagens. Havia algumas de e uma de , perguntando se já estava com . Ela respondeu e depois se levantou, começando a andar pelo quarto, observando as decorações de . Estava prestes a descer para buscar um copo de água quando a morena colocou a cabeça para fora.
, quanto tempo demora isso?
A loira deu de ombros.
— Você que leu as instruções, por que está me perguntando? — bufou e caminhou até o banheiro.
O pequeno objeto branco, rudemente parecido com uma caneta, estava em cima da bancada. As duas se aproximaram e o fitaram por algum tempo.
— Lá dizia três minutos.
— E você não pensou em olhar um relógio? — a loira revirou os olhos.
— Minha cabeça está cheia, Cas. Mal sei o que estou fazendo.
— Tudo bem, , a minha também estaria. — ela sorriu torto e pôs o mão no braço da amiga. — Vai dar tudo certo, você vai ver.
? — Sally chamou entrando no quarto, assustando-as.
— Merda. — a morena xingou, olhando para fora. — O que vamos fazer?
— Aja naturalmente. — ordenou.
As duas se viraram, ficando lado a lado com os ombros colados e sorriram.
— Oi, mãe. — cumprimentou.
— O que estão fazendo? — a mulher perguntou indo até elas. — O que estão escondendo?
— Nada, senhora S. — fingiu estar ofendida. — Por que acha que estamos escondendo algo?
... — a mulher se aproximou e separou as duas. A loira instintivamente pegou o teste, escondendo-o atrás das costas. — , o que você tem aí? Vi que pegou algo na bancada.
As duas adolescentes trocaram um olhar nervoso, ambas tentando desenvolver uma boa desculpa. abriu a boca, pronta para contar a verdade, porém a amiga não permitiu.
— É um teste de gravidez, senhora S. — ela murmurou e arregalou os olhos. — Naquele dia, depois que saímos do jantar aqui, e eu fomos para a minha casa, já que meus pais nunca estão lá. — encolheu os ombros. — E, bem, na pressa nós esquecemos a proteção. Não quis fazer o teste em casa com medo de alguém descobrir, então disse que eu podia vir aqui.
, querida... — a mulher murmurou preocupada. E então abraçou a menina. — Vocês devem tomar mais cuidado. Você poderia...
— Ter contraído alguma doença, eu sei. — a loira suspirou. — Mas sabe, senhora S, eu não pensei na hora.
— Qual foi o resultado, querida? — Sally indagou ao se afastar.
olhou o objeto e arqueou a sobrancelha, logo trocou um olhar preocupado com a morena.
— Acho que é positivo.
— O quê?! — quase gritou. — Não pode ser, Cas.
— Onde está a embalagem, ? — a mãe perguntou. pegou a caixa de papelão perto da pia e entregou a ela, que analisou por algum tempo e então sua expressão suavizou. — Está fora da validade, querida. Teremos que comprar outro.
, seu idiota. — xingou baixo.
— O quê? — Sally perguntou, olhando-a.
— Foi o que comprou. — disfarçou. — Ele é um idiota.
— Realmente. — riu. — Pra comprar um teste de gravidez sem olhar a validade tem que ser um idiota mesmo.
— Vou à farmácia. — Sally informou e se aproximou da filha. — Fique com ela, sim? Estarei de volta em alguns minutos.
A garota assentiu e observou a mãe sair do quarto.
— Não acredito nisso. — sussurrou para a amiga.
— Imagine só se ela descobrisse que na verdade está te ajudando.
! — a morena repreendeu. — Nem mais uma palavra sobre isso.
Voltaram para o quarto e sentaram na cama. notou o nervosismo estampado no rosto da melhor amiga e a apoiou a cabeça em seu ombro.
— O teste está vencido, . Não é positivo, você vai ver.
— E se for? Como vou explicar para minha mãe?
— Você sabe que há uma opção, né? Não precisa ter o bebê.
mordeu o lábio. Saber que havia outra opção era uma coisa, escolhe-la era bem diferente.
— Acho que eu não conseguiria fazer isso, .
— Foi só um lembrete, . Te apoiarei não importa o que decidir.
Lágrimas escorreram pelo rosto de e ela abraçou forte a amiga.
, assim eu vou chorar. — a loira reclamou antes de dar uma risada.
? — Allison chamou entrando no quarto. — Onde está a mamãe?
A morena limpou as lágrimas e então olhou a irmã.
— Ela foi à farmácia comprar uma coisa.
— Você está doente? — a menina questionou confusa.
— Não. — ela riu. — Só estou triste.
— Pelo ? De novo? — o comentário fez as duas adolescentes rirem.
— Sua irmã chora bastante, não é, Alli? — perguntou.
— O tempo todo. — bufou. — O Toddy quer entrar aqui toda vez que ela está chorando. Ele é um alarme de choro.
A loira mais velha riu com o comentário.
— Não posso nem chorar em paz. — a morena riu.
— Posso ficar aqui com vocês? — Allison perguntou, então mordeu o lábio.
assentiu, convidando-a para sentar ao seu lado. Por longos minutos, as duas loiras sustentaram uma conversa sobre algo que não ligava. Uma parte sua, prestava a mínima atenção, para garantir que teria as reações apropriadas nos momentos certos, mas no geral, estava apenas preocupada com . E o bebê. havia lembrado a outra opção. Mas, na verdade, nunca havia sido uma opção em sua cabeça. Era apenas algo que acontecia com algumas pessoas, que tinham seus motivos. Ela sempre se imaginava como uma mulher que engravidaria na hora certa, então todo o resto não importava.
! — Sally chamou ao entrar na casa.
— Eu vou lá, . — a morena avisou antes de sair do quarto. Desceu as escadas e encontrou a mãe na cozinha. A mulher a entregou duas caixas e ela arqueou a sobrancelha.
— Por que comprou dois?
— Para termos certeza. — a mãe encolheu os ombros. — Não vou subir para que ela não fique constrangida. — ela suspirou. — Fico tão triste com essa situação, . Me lembra a minha adolescência e tudo que aconteceu. — pôs a mão no rosto da filha e a acariciou, fazendo-a sorrir. — Não me entenda mal, querida, eu te amo. Mas nossa vida poderia ter sido tão diferente se eu tivesse esperado até o momento certo.
A morena sentiu um nó em sua garganta e sabia que poderia começar a chorar a qualquer momento. Sentiu-se mal com toda a situação. Não gostava de mentir para sua mãe, mas sua inflexibilidade a havia levado a tomar aquelas decisões.
— Eu já volto, mãe. — avisou baixo.
Virou-se e voltou para o quarto. conversava animadamente com Allison e ao ver o estado da amiga, se surpreendeu, ela estava a beira do choro.
— Alli, pode nos dar licença um minuto?
A garotinha concordou e saiu do quarto. se levantou e caminhou até a morena a abraçando.
— O que aconteceu, querida?
— Eu não sei por quanto tempo posso continuar com isso, Cas. — a garota soluçou. — Eu não gosto de mentir. Queria acabar com isso de uma vez e que ela me entendesse.
— Um problema de cada vez, . Primeiro vamos descobrir se existe mesmo um bebê para nos preocuparmos, ok? Agora vá para o banheiro e faça o teste.
Pela segunda vez no dia, se viu sentada na cama esperando sua melhor amiga fazer um teste de gravidez. Quando já estava ficando preocupada com a demora, saiu.
— Negativo. — murmurou aliviada, secando uma lágrima.
— Quando chegar a hora, vocês terão um lindo bebê . — a loira comentou, fazendo-as rir. — Seu atraso deve ser só estresse, com toda a complicação em seu namoro.
~~~

estava em seu escritório, assinando documentos e checando o celular a cada dois minutos. O aparelho mal começou a vibrar sobre a mesa de madeira e ele já atendeu.
?
. — a garota corrigiu.
— Oi, babe. — ele suspirou aliviado. — Como foi?
— Negativo. — murmurou. — Eu poderia ter resolvido tudo isso sozinha. Sinto muito te preocupar.
— Eu admito que fiquei preocupado, . E pensei em diversas maneiras de lidar com a situação. Estava quase pesquisando preços de berços. — eles riram. — Mas fico feliz que você tenha compartilhado comigo, querida. Você mesma diz que temos que passar por tudo juntos. Vamos dar um jeito em toda essa situação, .
— Quando, ? Eu estou cansada de viver assim. Quero que sejamos um casal normal, eu sinto sua falta.
A garota suspirou. Não havia outro jeito, teria que conversar com a sua mãe. Já havia perdido a conta de quantas vezes tentou. Talvez, se ela tivesse mediado a conversa do jantar, tudo seria diferente. Sabia que com ao seu lado conseguiriam explicar tudo apropriadamente.
, eu sei que é difícil...
— Somos melhores juntos! — ela animou-se.
— Do que está falando?
— Prepare seus melhores argumentos, . Vamos conversar com minha mãe e resolver isso amanhã. Esteja aqui as sete.
~~~

passou a noite sem conseguir dormir. Sonhos confusos envolvendo sua mãe, e até mesmo sobre voltar para Olympia, apareciam todas as vezes que fechava seus olhos. Quando acordou pela quinta vez, coberta de suor, desistiu de dormir. Se levantou e foi até o banheiro. Encarou por longos minutos sua figura desesperada no espelho antes de arrancar seu pijama e ir para o chuveiro. Boa parte do seu longo banho gelado, gastou pensando no que poderia acontecer naquela noite. Para começar, iria até lá. Certamente, apenas aquilo seria suficiente para irritar sua mãe. Então, deveria encontrar um jeito de fazê-la ouvir o que tinham a dizer. No antigo diário escondido em seu criado mudo, havia feito uma lista com coisas que precisava dizer para sua mãe, mas não parecia bom o bastante. Somente a ideia de ter que voltar para Olympia e morar com seu pai e a nova namorada, Lilian, que aliás estava grávida, fez seu estomago revirar. Nunca torceu tanto para que sua mãe não estivesse falando sério.
Girou o registro, encerrando o fluxo de água e puxou sua toalha rosa claro. Enxugou-se com calma e voltou ao quarto. Ao abrir seu armário, puxou a primeira calça legging que encontrou e uma camisa de flanela vermelha. Vestiu-se e penteou o cabelo, permitindo que ficasse solto. sorriu ao ouvir um choramingo vindo da porta e caminhou até lá. Abriu-a e o cachorro rapidamente ficou sobre as patas traseiras, apoiando as dianteiras em sua perna. A morena se abaixou e pegou o cachorro, levando-o até a cama. Sentou-se e pegou o celular, desbloqueando-o e vendo as notificações. Havia um e-mail de seu pai, com alguma novidade sobre a gravidez de Lilian, e mensagens de . Passou a maior parte da manhã em seu quarto com Toddy. Quando Alli passou para checar se já estava acordada, desceram juntas para tomar café e foram para a sala, onde passaram a tarde assistindo televisão.
— Você já checou o relógio três vezes. — Allison observou, sem tirar os olhos do filme.
— Eu estou esperando alguém. — justificou.
?
. — admitiu mordeu o lábio em seguida.
— Mamãe sabe que ele vem? — perguntou com surpresa.
— Não. — respondeu baixo. — Queremos conversar com ela.
— Boa sorte. — a loira comentou, encerrando o assunto.
suspirou e afundou no sofá, quase entrando em desespero. Esperou mais alguns minutos e se assustou ao sentir o celular vibrando em sua mão. Haviam combinado que mandaria uma mensagem quando chegasse. Seu coração acelerou e interrompeu sua caminhada.
— Mãe? — chamou nervosa.
— Sim, querida?
Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo.
— Pode descer um minuto? Eu quero falar com você. — pediu.
— Já estou indo, querida.
Se levantou rapidamente e fez o caminho até a porta. A abriu e sorriu fraco para , antes de cumprimentá-lo com um selinho rápido.
— Eu estava com saudades. — ele murmurou, segurando-a pela cintura e impedindo que se afastasse.
— Eu também, baby. — acariciou o braço dele. — Vai dar tudo certo.
O rapaz assentiu e ela o fez entrar. Terminava de trancar a porta quando sua mãe apareceu na escada.
— Chegou alguém, ?
— Sim. — respondeu, posicionando a frente do namorado. — É sobre isso que quero conversar.
Assim que terminou de descer as escadas, a expressão da mulher mudou completamente. evitou fazer uma careta e respirou fundo.
— O que ele está fazendo aqui? — perguntou rispidamente.
— Queremos conversar com você, mãe. — a garota explicou.
A mãe demonstrou sua confusão.
— Eu pensei que... E Drake?
— Não estamos namorando. Eu ainda amo , isso não vai mudar.
O rapaz suspirou e pôs a mão na cintura da namorada, tentando manter a calma.
— Senhora , — começou — nenhum de nós está disposto a desistir desse relacionamento. Só queremos conversar.
— Você tem dois minutos para sair daqui. — determinou. — Ou chamarei a polícia.
— Mãe! — repreendeu, dando um passo a frente, olhando-a em um pedido silencioso. — Eu sei que está tentando me proteger, mas nos escute, por favor, só precisamos de dez minutos.
A mais velha suspirou.
— E depois disso ele irá embora?
mordeu o lábio e trocou um olhar nervoso com , que apertou sua cintura, em uma forma de assegurar que tudo ficaria bem.
— Sim.
A mulher assentiu e entrelaçou sua mão a do namorado, guiando-o até a sala de jantar. Sentaram-se e engoliu em seco, apertando a mão da moça entre as suas.
— O que você tem a dizer? — Sally perguntou sentando-se a mesa.
suspirou.
— Quero falar tudo que eu deveria ter dito no jantar, mas estava assustada demais para conseguir. — trocou um rápido olhar com e então voltou a olhar sua mãe — Você sabe que conheci o por conta do meu trabalho, certo? — a mais velha assentiu. — Ele não queria nada comigo, mãe. Eu insisti. Havia alguma coisa nele que me fazia ter vontade de conhecê-lo melhor.
— Isso é verdade, ? — indagou, olhando-o pela primeira vez.
O rapaz assentiu.
— Eu não achava certo. — ele comentou.
— E você acha agora? — perguntou em tom de desafio, erguendo a sobrancelha.
Ele abaixou a cabeça, pensando. Brincou com os dedos da morena e então a olhou, sorrindo fraco.
— Sim. Quando estamos juntos, tudo faz sentido. É isso que importa, senhora . Nós passamos algum tempo separados e todos aqueles dias, por mais que eu tentasse pensar em outra coisa, e Deus sabe o quanto eu tentei, só conseguia pensar em o tempo todo. — deu de ombros. — Mas não de um jeito sexual. Eu estava longe e me perguntava se ela estava bem ou o que estaria fazendo. Só queria cuidar dela, garantir que estava bem.
nunca fez nada que eu não estivesse de acordo, mãe. Nunca.
Sally bateu as unhas contra a mesa, analisando toda a situação.
— Eu tenho uma pergunta para você, . E quero que seja sincera. — a garota arqueou uma sobrancelha. — O que mais te faz gostar do é o fato de ele ser mais velho?
A garota riu.
— Claro que não, mãe. é muito mais do que isso. Ele é gentil de um modo que eu nunca vi igual. E atencioso também. Ele é o tipo de cara que lembra do primeiro mês de namoro e me dá presentes inesperados, prepara meu café da manhã quando durmo até tarde e eu me sinto bem apenas por estar ao seu lado, mesmo se ele tiver que passar o dia decidindo coisas do trabalho e mal troquemos duas palavras. Sua presença me faz bem. Acho que isso não se encontra todo dia.
A mulher assentiu, digerindo todas aquelas informações. Passou alguns que segundos, que para se pareciam mais como horas, analisando os dois e então se pronunciou.
— Tudo bem, . Você já pode ir embora agora. — a mulher se levantou. — Vocês têm alguns minutos para se despedir.
— Mãe!
— Eu já ouvi o suficiente, . — disse séria antes de sair do cômodo.
suspirou.
— O que você acha?
— Continuaremos tentando, baby. — ela sorriu, antes de beijá-lo. — Não pense que vou desistir de você tão fácil.
riu, antes de abraçá-la. Por um pequeno momento, ele estava feliz novamente. E só existiam os dois no mundo.
~~~

se assustou ao ouvir as batidas na porta e se assustou ao ver sua mãe parada ali. Já faziam dois dias desde a conversa. Dois dias em que elas mal conversavam e se sentia culpada quando a mãe a olhava. Novamente, a havia traído.
— Posso entrar, querida? — o tom leve na voz da mãe a surpreendeu.
Ela assentiu, sentando-se na cama. A mulher mais velha se aproximou a passos curtos e sentou ao seu lado. Por alguns minutos, ficaram em silêncio. A mãe, procurava um jeito de começar a conversa e a filha, reunia coragem para perguntar o veredicto. Ela havia conseguido abrir a boca e procurava as palavras certas, quando a mãe se pronunciou.
— Eu pensei bastante sobre aquela conversa, . — ela olhou a filha. — No começo, me senti um tanto traída e boba. Mas depois, percebi que eu só estava tentando me enganar.
A garota arqueou a sobrancelha.
— Como assim?
— No fundo, eu sabia que você não estava feliz com Drake. Você sempre parecia desconfortável perto dele. E eu ignorei isso, quando deveria te proteger, por que achava que estava te protegendo. — sorriu fraco. — Faz algum sentido?
assentiu.
— Eu errei ao escolher seu pai. — admitiu. — E eu fiquei tão louca e superprotetora achando que você fosse repetir meu erro, que demorei algum tempo para perceber que ele e não são a mesma pessoa. E principalmente, que você e eu não somos a mesma pessoa. — prendeu uma mecha do cabelo da filha atrás de sua orelha. — Naquele dia, ao ver vocês falando daquele jeito, tudo fez sentido, você e têm o que eu queria ter tido com seu pai. Você tem toda a razão. Já está crescida e pode tomar suas próprias decisões, pode voltar atrás se quiser, mas, ao contrário de mim, você vai ter alguém pronta para te apoiar no que for preciso, certo? Você pode confiar em mim para isso, querida.
Uma lágrima rolou pela bochecha de e ela abraçou a mãe, sem acreditar no que acontecia. Ela era compreendida. E finalmente poderia ficar com . Sua mãe apoiaria. E tudo estava certo, após tanto tempo de frustração.
— Obrigada, mamãe. — murmurou contra os cachos escuros da mulher.
Elas se separaram e Sally acariciou sua bochecha.
— Teremos algumas regras, mas podemos discutir isso depois. — sorriu. — Agora, você precisa ver alguém, certo?
A garota assentiu e limpou as lágrimas antes de rir baixo. Em pouco tempo, andava pelo quarto em busca de algo para vestir e, não muito depois, já estava fora de casa, fazendo seu caminho para o apartamento de . Cumprimentou o porteiro, que permitiu que entrasse já que havia autorizado sua entrada sempre que necessário e foi até o elevador. A cada segundo, sua ansiedade aumentava, como se fosse a primeira vez que fosse ver o namorado. Naquele dia, o elevador parecia especialmente mais devagar e movimentado, já que encontrou outras três pessoas ali. Como nem tudo podia ser perfeito, cada uma desceu, ao seu próprio ritmo em um andar diferente. E ela, por um milésimo de segundo, considerou subir pelas escadas, o que a fez lembrar de uma das primeiras vezes que havia trabalhado para e sorriu com a lembrança. Loki havia pulado na piscina e a levado junto. desceu com uma toalha e ela pôde subir de elevador, mas ele subiu pelas escadas com o cachorro e mal havia aguentado. Só depois, lembrou que foi naquele dia em que se beijaram pela primeira vez.
O elevador finalmente parou no décimo oitavo andar e ela caminhou até a porta branca com os números dourados. Mordeu o lábio e bateu duas vezes. Ouviu os latidos de Loki e pouco depois a porta foi aberta. estava surpreso ao vê-la ali.
? — perguntou, incapaz de formar qualquer frase coerente.
Ela riu e assentiu, aproximando-se e beijando-o nos lábios. Ao contrário do que se esperava, foi um beijo calmo e cheio de sentimentos, não apenas desejos. Se afastou minimamente e sorriu, a testa apoiada na dele enquanto recuperava o fôlego.
— Nós conseguimos, .




Continua...



Nota da autora: Olá! Gostaria de dizer que fico imensamente feliz com cada comentário que leio aqui, mesmo que eu não tenha respondido todos (sou nova nessa vida de FFOBS, então acho que mereço um desconto, não? hahaha)
Bom, a fanfic, como sabem, já está finalizada e com a beta, mas os capítulos são BEM grandes, então não posso culpá-la.
Gostaria que me contassem tudo que acharam da história até aqui :3
Beijinhos!<3



Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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