The Night Stand

Última atualização: 25/01/2018

Teve uma vez, que eu ouvi de uma pessoa, que se a vida te der limões, você faz uma limonada, que Deus sempre escreve certo pelas linhas tortas, que mesmo que doa, é para o seu bem e que tudo vai dar certo, não importa o que possa ter acontecido com você. É errado pensar nisso e querer mandar todo mundo se ferrar porque ninguém entende o quanto você está fodida?
Minha cabeça está a mil, não queria sair daquele banheiro de casa, queria só chorar por pensar na grande e imensa cagada que eu fiz. O teste de gravidez parecia que brilhava mais na minha mão, dizendo: “esqueceu a pílula, não é?”. Maldita social de amigos, maldito garoto perfeito da hora, e maldita bebida que me faz só fazer burrices, maldito bom senso quando preciso dele.
E naquele banheiro a única coisa que eu consegui pensar foi: “O que vou fazer com uma criança se eu nem cuido de mim mesma?”


Capítulo 1 – Um pouco de diversão não faz mal a ninguém, né?

Dois meses antes, aniversário da .

- Quanta roupa de secretária careta, cadê aqueles seus vestidos maravilhosos que tinha antes? Saudades Safada, não gosto dessa psicóloga chata que você se tornou. – praticamente berrava enquanto revirava meu guarda roupa
- Larga daí ou você apanha, não é porque sou uma pessoa séria e comportada que não posso te dar umas porradas por ser chata!
- Bater na amiguinha no aniversário dela é pecaadoo – Ela cantarolou e eu dei risada sentando na cama e olhando ela ficar revirando feito louca meu closet. – Você precisa de um vestido e um sapato bem “periguete” para soltar essa safada que está presa aí. Como diz a minha mãe, precisamos tirar esse demônio trabalhador de você por uma noite.
- Sua mãe é doida, lembra aquela vez que ela ficou no meu pé dizendo que um capeta estava no recinto chamando meu nome, quase chamei a psiquiatria para ela.
- Como diz ela: sangue de Jesus tem poder. Vamos fazer um milagre. Vai pro banho e se depila, e bem depilada, mocinha – me olhou com sua cara séria que não importa o quanto passe, continuava sendo uma cara fofa. – Para com essa cara, se rir de mim eu vou ficar muito puta!
- Está bem, está bem, vou me comportar, juro.

Eu e nos conhecemos nos meados do quarto ano da faculdade. Ela moda, eu psicologia, e não sei como que na cerimônia de volta às aulas, deu “match”. Dizem que algumas amizades não conseguem ser explicadas. É verdade. Algumas amizades acontecem com um simples “me empresta um lápis”, ou um singelo “com licença, posso sentar aqui?”, mas o meu caso e a de foi diferente.
Como todo ano de volta às aulas, os veteranos ajudam os calouros a se adaptar à nova vida na faculdade, e naquele ano, eu e estávamos como dupla para ajudar um grupo deles. Ela era explosiva naquela época, alegre demais, fofa demais, sorridente demais. E foi aí que aconteceu, dizem que os opostos se atraem, tanto no amor, tanto na amizade. E cá estamos nós, dois anos depois, tentando agir como universitárias e não adultas com trabalhos importantes.

- Morreu no banho? – arrumou um salão improvisado no meu quarto, seu cabelo estava impecável num rabo de cavalo alto que destacava seus cabelos loiros com mechas azuis, sua maquiagem era carregada, que a deixava –não sei como - poderosa e pronta para pegar quem quiser naquela festa. – Senta aí, vou fazer sua maquiagem e seu cabelo.
- Como vai ser essa sua festa ? – Perguntei a deixando fazer o que quisesse, seria louca se recusasse, não é?
- Ah, coisa simples. Uns amigos vão estar na boate Bourbon nos esperando lá no camarote, eu tenho as pulseiras pra gente pode ficar tranquila. Aí é só se divertir e curtir a melhor balada da cidade! Isso vai ser tão divertido!
- Isso vai ser loucura, isso sim. Deve ter custado o olho da cara ! Bourbon é cara pra caralho.
- Larga de ser chata que já está tudo resolvido. Não exagerei na sua maquiagem, só coloque um batom vermelho para destacar. Te vejo na festa, gostosa!

E assim, sem mais e nem menos, Bianchi deixou o recinto, me dando a paz que mereço.
Tudo bem, vou admitir, a vaca da tem bom gosto. Quem diria que eu teria um vestido rodadinho e simples no fundo do armário? Coloquei uma jaqueta de couro por cima e chequei minha bolsa pequena antes de sair e achar um táxi na cidade lotada de New York num típico sábado à noite. Meia hora depois, um táxi parou, sorri animada e fui até ele com aquele sentimento maravilhoso de conquista árdua, mas como tudo é difícil nessa vida, um dos apressadinhos dessa cidade passou na frente, louco para entrar no meu táxi.

- Com licença, moço, esse é o meu táxi, estou há meia hora tentando pegar um e se puder esperar o próximo, eu agradeço. – Dei o meu melhor sorriso de educada pela mamãe.
- Está indo pra onde, senhorita? Podemos dividir, se não se importar – Ele retribuiu sorriso. E porra, que sorriso. O rapaz com certeza era pegavel, moreno, sorriso encantador e uma voz que faria qualquer uma jorrar quando falasse dirty talk.

- Estou indo pro Bourbon, se estiver indo pra lá, podemos dividir.
- Olha que coincidência, entra aí, vamos lá. – O gostosão entrou no carro, e como qualquer mulher em sã consciência, dei uma olhadinha. Com toda certeza eu vou pegar.
- Obrigada. – Pigarreei entrando no táxi enquanto acalmava os hormônios que pegavam fogo por baixo desse vestido.
- Meu nome é , prazer em te conhecer – Ele sorriu de novo e estendeu a mão.
- Sou a , o prazer é meu – Com toda certeza é meu.
- Indo relaxar um pouco? Dizem que esse lugar é ótimo. – Ah, ele está puxando assunto, bom começo cara.
- Uma amiga está fazendo aniversário, ela ama aquele lugar. Você vai gostar de lá também, te garanto.
- Ah, bem que você podia me ajudar lá, não é? Sou novo aqui, alguma coisa me diz que você é daqui.
- É, posso te ajudar sim, vai ser divertido! – Transa garantida, querida, parabéns.

10 de janeiro de 2016 – Dois meses depois do aniversário.

- Saia da porra do banheiro, , estou ficando preocupada! – gritou esmurrando a porta, joguei o teste pelo buraco não arrumado da porta do banheiro para ver se ela calava a boca, não deu certo. – Não, não acredito! Não creio nisso! E agora, sua doida?!
- Eu não sei, droga! – E lá veio o choro de novo, droga de hormônios!
- Eu vou te ajudar, não vai estar sozinha nessa, ok? Vou marcar o seu médico agora, vamos ser que nem duas mães na mesma casa, mas sem pegação. Saia desse banheiro pra gente conversar, vai, você conhece o pai dessa cria, mulher? Ah meu Deus, essa casa vai ser só fraldas e vômitos, que Deus nos ajude!
- Para de surtar, porra! Uma de nós tem que ser a sensata. – Funguei abrindo a porta e encaro uma surtada no corredor.
- Sempre você foi a sensata e eu a louca, não dá, não. Meu Deus, você vai ficar tão gorda. Ok, desculpa, amiga, tu vai ficar linda! Deita na cama e relaxa que eu vou pegar uma comida bem gostosa para acalmar seus nervos, já volto com reforço!

Com toda certeza do mundo eu estava ferrada, meu estomago estava embrulhado e parecia que eu estava mais gorda agora que sabia. Como vou criar uma criança com a grana que eu tenho? Convenhamos que não é grande coisa, e pedir ajuda aos meus pais é em último caso. Meus pais são conservadores, vai ser uma vergonha ter uma filha grávida de um filho ilegítimo, até imagino eles falando: “Que vergonha para a nossa família, , o que vamos fazer com você?”. Ainda bem que tenho , ela sim não julga e entende as atitudes idiotas que eu faço, e eu a amo demais por isso, sei que por ela poderíamos criar esse bebê sozinhas e por mim tudo bem, mas eu preciso achar o pai dessa criança, ele tem o direito de saber mesmo eu só sabendo o primeiro nome dele e de nem ter o telefone ou o facebook do cara. Portanto, senhor Eu-Não-Tenho-A-Camisinha, se prepare, porque vai virar papai.



Capítulo 2 – A procura do papai.

- Ok, me deixa ver se entendi essa novela. – saiu da cozinha com uma garrafa de vinho após ouvir a história toda. – Você foi pegar um táxi no dia do meu aniversário e encontrou o que os jovens de hoje em dia chamam de homão da porra e aí decidiu que ele seria sua transa de uma noite só, mas esqueceu de falar pra ele sobre a camisinha? Francamente, , estou decepcionada.
- Você é minha melhor amiga, tem que me apoiar e não julgar! Aliás, ele que tinha que se lembrar, eu estava bêbada demais para ter me lembrado de chegar em casa para praticar o coito.
- Primeiro: Sou a sua melhor amiga e não preciso só te apoiar, preciso puxar sua orelha quando faz merda, e francamente, minha amiga, que merda grande que você fez. Segundo: Vocês dois deveriam ter lembrado, eu já te disse milhões de vezes que beber demais numa festa é para pedir para dar vexame. E terceiro: quem hoje em dia fala “praticar o coito”? – Ela riu bebendo um gole daquele vinho maravilhoso.
- Isso não importa, só importa que preciso achar o cara, e você vai me ajudar. – Peguei o notebook da mesa e liguei-o enquanto tentava pegar o vinho da . – Dá um golinho pra amiguinha, vai, estou precisando.
- Sai fora, grávida não bebe álcool, a partir de hoje vai ser só suco verde pra essa criança nascer tão saudável que vai até para Guinness World Records 2018. – disse pegando o celular dela e mandando mensagem para alguém toda cheia de animação
- Me diz que está mandando mensagem pra pizzaria, ou vai cortar isso também? Eu juro pra você que se você quiser que eu coma só legumes, eu te mato.
- Ai, cala a boca, estou chamando o Caleb. Vamos achar o pai desse bebê bem rapidinho.

Caleb se tornou detetive particular lá pelos meados de 2009. Eu estava no primeiro ano de faculdade quando o conheci, e como com a , a amizade foi instantânea e a única coisa que temos em comum é o gosto maravilhoso quando se trata de homens. Ele quase nunca aparecia para visitar, e quando aparecia, era quando precisávamos de ajuda ou quando uma de nós fazia aniversário. O que é estranho, porque ele mora no bairro vizinho.

- Ele disse que só vai fazer as malas e já vem pra cá. Vou fazer o seu jantar, agora come por dois, então é melhor ser um prato bem montanha, né? – disse indo pra cozinha. – , só uma coisa... Como vamos contar para os seus pais?
- Nem sei se quero contar, eles vão me matar!
- Relaxa, o máximo que eles vão fazer é te deserdar! E, garota... Agradeça. Sei que é a sua família, mas eles não te ajudaram em nada, só te julgaram e isso é a coisa mais leve que eles fazem.
- Sobre a minha família, vou cuidar depois, primeiro preciso achar o pai dessa criança. Vamos fazer uma lista no papel amarelo – sorrio animada e começo a procurar o papel amarelo.
- ISSO! Sempre vamos resolver as coisas quando tem um papel amarelo na jogada, tem que pegar a prancheta também! Mas antes de tudo, abre a porta que o Caleb chegou. – gritou da cozinha quando a campainha tocou várias e várias vezes.
- Abre aqui, mulher! Sabe o frio que está aqui fora? – Caleb gritou do lado de fora e abri a porta com a maior calma do mundo para irritá-lo. – Quero ser padrinho. Já estou avisando para não dar a louca de querer um outro marmanjo qualquer, você sabe muito bem que vou ser o padrinho perfeito para essa criança. Mas antes, venha cá, você precisa de um abraço!

Caleb sempre foi aquele amigo que te entendia nas horas difíceis, e você sempre fica aliviado quando ele chega ou faz uma piada para melhorar o seu humor e até te fazer parar de chorar. Ele sempre foi desejado por muitas, com sua pele morena e aquele sorriso dele, todas iam ao chão por ele, ele sempre era o mais inteligente do nosso trio, formado em direito e com carreira de detetive subindo rapidamente, ele sempre foi o amigo que salva nós duas das encrencas.
Teve uma vez – nunca esquecida, vale ressaltar - que a brigou com uma mulher num bar do centro de Nova York, ela lutou boxe desde pequena, então entendia dos modos certos de bater. Quebrou o nariz da mulher e duas mesas do bar em toda a confusão, fomos presas. Eu, por ajudar a tirar ela de cima da mulher, fui presa por pensarem que eu estava na confusão, e a por agressão e destruição de propriedade alheia. Fomos levadas à delegacia, e depois de 3 horas presas, lembrou de ligar para o Caleb, que foi nosso advogado e salvador contra processos por causa de uma bêbada violenta e amiga que se meteu. Resumo e conclusão da história: Não fomos presas e levadas para usar o uniforme da prisão estilo Orange Is The New Black e levamos como lição que ligar para o Caleb e dizer: “amor da minha vida, me salve”, funciona. Conclusão: tenha um amigo advogado, ele pode salvar sua vida se pagar uma bebida para ele.

- Ok, mas o sexo foi bom? Porque se foi bom, você se lembra do rosto do cara, mas se não foi... Esquece. – Caleb disse, jogado no meu sofá com o notebook no colo depois de ouvir a história toda.
- Não lembro de muita coisa daquela noite, mas sei de uma coisa, meu amigo, cheguei no paraíso mais de uma vez. – Dei um sorriso sacana.
- Entendi, safada. Ok, vamos lá, o nome dele é e como ele é? Olhos e cabelos de preferência, se começar a descrever cada detalhe, eu te dou um tapa.
- E eu vou lembrar de detalhes idiota? – Olhei indignada pra ele. - E me respeita, grávida precisa de respeito nessa casa! Os olhos são e os cabelos , ah! Ele tinha um sorriso... Que uau!
- Acho que ele achou, ... Ah! Nem ferrando! – gargalhou e pulei da poltrona indo rapidamente pro lado do Caleb. – Sortuda do cacete.
- O que é? Meu Deus, gente! – olhei pra tela e gelei cobrindo a boca com a mão para disfarçar a surpresa.
- Achamos o pai do seu bebê. Quero só ver você chegar nele, meu amor.

Era ele, com certeza era ele. Só que para a minha surpresa, ele era um cantor foda pra caralho. é o pai do meu filho, e eu nem me toquei no dia. Meu Deus, eu transei com um famoso e com certeza passei vexame! Não me leve a mal, não sou nenhuma fã fanática. Mas o cara era rico demais, ele vai achar que é golpe da barriga ou até mesmo pensar que sou uma vadia que engravidou por querer. Não. Não dá.

- E então, amiga, o que vai fazer? – sentou no meu lado e segurou na minha mão enquanto meus olhos estavam vidrados na tela
- Não dá, ele é rico demais! Eu vou ser humilhada, , e se ele não acreditar e me mandar pro inferno? E se parar na internet e eu ficar como a vadia que quis dar um golpe da barriga no ? – começo a chorar de nervosa. – Ah, meu Deus, até o nome dele me apavora!
- Está tudo bem, meu amorzinho, vem cá – ela me abraçou de lado e senti o alivio que só aquela garota podia proporcionar – olha, você não fez sozinha, ok? Ele teve participação, então é obrigação dele ajudar.
- Se ele não quiser participar da vida do bebê, a gente cria, nosso trio é o melhor do mundo, não é? Agora, se acalma, precisamos montar uma estratégia. Temos um hotel para invadir. – Caleb me deu um beijo na testa e levantou para começar a montar um quadro branco grande, olhei confusa para ele.
- Como assim invadir, doido? Não é só chegar lá e pedir para ele descer?
- Ai como você é ingênua! Ele é famoso, , acha mesmo que ele vai descer porque uma garota pediu? Estou junto nessa Caleb – foi no lado dele sorrindo animada
- Ok, seus doidos, vocês que sabem. Vamos invadir um hotel, mas o Caleb não pode participar na hora, ele tem que tirar a gente da cadeia!
- Beleza, primeiro passo: Precisamos de disfarces. Eu posso ser o cafetão de vocês e vocês as prostitutas de luxo contratadas por mim – Caleb sorriu animado
- Ou... Podemos pegar um quarto e procurar pelo hotel que nem umas doidas o cara. Ou, sabe o que podemos fazer? Caleb pode se fazer daqueles caras que odeiam o Gostosão e fazer uma briga com as fãs, aí ele sai da janela e a grita “ESTOU GRÁVIDA DE VOCÊ, SEU GOSTOSO!” – revidou.
- Ou... Podemos montar um plano sério que não envolva eu ser prostituta ou fã doida com problemas mentais. O que acham? – Dou um sorriso doce. - Vamos lá, gente, conseguimos fazer melhor que isso! Como é o hotel?
- Então... Eu posso baixar a planta do hotel e achar uma entrada, aí você, , pode pular o muro e procurar ele. – Caleb sorriu e começou a procurar o hotel. – Mas tem um problema, o muro é tipo, uns cinco metros de altura.
- Nem ferrando! Eu vou morrer! Vocês me conhecem, sou desastrada demais para essas coisas. Vamos fazer o seguinte...

Horas depois, os passos foram feitos. saiu para comprar as coisas que eram essenciais para o plano e Caleb só saiu sem avisar, aproveitei e passei todo o plano na cabeça enquanto tomava meu banho. O plano consistia em coisas bem simples: entrar no hotel, pedir para fazer uma visita e alugar um quarto bem barato, mas bem barato mesmo! Procurar pelo hotel e quando achar, tentar distrair os seguranças e pedir para falar com ele sem chorar ou bater nele por ter me engravidado. Bem fácil.
Saí do meu banho e coloquei minha roupa pensando em como aquele plano todo poderia dar errado, porque convenhamos, eu só faço merda! Era oito da noite, e os idiotas não tinham voltado e meu nervosismo estava aumentando junto com a ânsia e a paranoia crescente de que eu estava ficando gorda a cada segundo que passava. Mesmo tomando os chás horríveis da , as receitas caseiras do Caleb, nada passava. Seja o que Deus quiser e que me proteja para não parar na cadeia.

- Adivinha quem chegou com uma cara de rica? Eu mesma! – gritou entrando em casa toda arrumada.
- , quanto que tu gastaste, sua doida? Sabe que não temos grana nem pro mercado de segunda-feira?!
- Essa ocasião precisa de roupas novas! Ou acha que vão deixar você entrar no lugar com essas roupas que parecem pijama?
- Não, anta. Eu iria usar as roupas que uso no trabalho, porque não sei você, mas não temos grana para nada novo. – Suspiro, irritada e a ajudo com as sacolas pesadas. – O que tem aqui? Chumbo?
- Não, sua grossa – murmurou emburrada. – É as coisas pro seu enjoo, seus remédios e as comidas saudáveis. Mas deixa, só sabe me xingar.
- Ah... – Agora, sim, me senti culpada. Sou uma ogra mesmo, ela sempre deu um jeito de cuidar de mim e nunca estava bom. – Desculpa, sou idiota pra cacete, né? Vem cá, obrigada. –Dou um abraço nela
- Ótimo. Só desculpo porque me alimenta. – ela se soltou de mim. – Cadê o Caleb? Já temos que ir e nada dele! Ai como eu odeio quando ele faz isso... a gente marcava sempre para sair as duas da tarde e ele chegava as seis.
- Ele já vem, fica quieta. Isso vai me ajudar mesmo nos enjoos? – Perguntei revirando a sacola de remédios com a ânsia batendo na porta de entrada da garganta.
- Pelo o que o cara lindo da farmácia disse, sim. Eu li na internet que os enjoos passam depois do 1º trimestre, enquanto isso, aguente e lembre-se de não vomitar nos amiguinhos que vão cuidar de você.
- Cheguei, amorzinhos! – Caleb gritou entrando no apartamento. - E antes que me insultem, atrasei porque estava olhando o hotel e minhas queridas... é lindo pra caralho!
- Não estamos indo para curtir, estamos indo para encontrar o pai desse bebê. Então aguentem firme a vontade imensa que vocês têm pra festa e vamos fazer a missão direito, entenderam, crianças?
- Sim, mamãe, bora pro carro – riu saindo de casa com uma mala grande
- Engraçadinha, vai se foder.

Eu sei muito bem como isso pode dar errado, mas preciso pensar positivo. Pode ser que ele não seja um cuzão, talvez ele seja um amor de homem que vai gostar de ter um filho e até pode rolar algo mais do que só o bebê entre nós. E é isso que vou colocar na minha cabeça, tudo vai dar certo.

POV

Doidas. Isso que as mulheres são, algumas são tão doidas que necessitavam ser presas por me deixar louco! Pode ser a melhor mulher do mundo, a mais gostosa, a mais inteligente ou até mesmo a mais perfeita, são todas loucas!
Elas exigem relacionamento que não posso dar, exigem atenção a mais que não quero dar, exigem até dinheiro para os produtos de beleza e o silicone mau feito. É ridículo. É ridículo como elas acham que vão ser amadas e que depois de uma noite vou querer colocar uma aliança no dedo delas com as palavras ”eu te amo” que dão até um gosto ruim na boca se forem faladas para uma pessoa que não seja da minha família.
Mas teve uma garota em especial, que não exigiu dinheiro, nem mesmo um amor que eu não daria. . Gostosa e selvagem no sexo, foi só uma noite, um sexo sem compromisso que eu teria com qualquer uma, mas com ela eu ri, eu dancei e me senti bem, se ela não tivesse sumido depois de termos transado, eu teria pedido o número dela. E por causa dessa garota, fiquei noites pensando em como conseguir esquecer aqueles cabelos e aquele gemido maravilhoso dela, fiquei com várias outras e nada, ela estragou tudo pra mim. E preciso achar ela para curar essa bosta, seja o que for e nunca mais ver ela na minha vida.
Se prepara, Garota-Maravilhosa, pois vou te achar.



Capitulo 3 – “Percebi que poderia lidar com aquilo sozinha”

- Que quarto pequeno, que horror! – reclamou entrando no nosso quarto de hotel - Não cabe metade das minhas coisas aqui, olha só! A mala nem passa pela porta.
- Ei, acorda, ! Sai do país das maravilhas e cai na real que esse quarto é o culpado por termos que comer ovo pelo mês inteiro – resmunguei colocando minha bolsa na cama.


O quarto era simples, uma televisão pequena presa na parede que passava canais religiosos, um frigobar com coisas que custava meu rim e o rim do meu filhote, uma cama de casal e um beliche com roupa de cama que parecia comprada no mercado livre da cidade com uma boa negociação. O banheiro era pequeno, uma pia tão pequena que a água da torneira saia pra fora, o box era pequeno e quase colado no vaso sanitário. É claro que a ia fazer maior drama sobre isso, mas como eu e Caleb estávamos acostumados, reviramos nossos olhos, mandamos ela se ferrar e seguimos nossa missão.

- Coloquem os biquínis, meninas, hora de ir mostrar esses corpos de frangas para os ricos e me arranjar um homem gostoso que banque essa bunda linda que tenho – Caleb sorriu parado na porta enquanto nos arrumávamos.
- Que graça você, parece aquelas cadelas no cio – rosnou jogando o protetor solar nele - Passa essa bosta que não vou ficar te ouvindo choramingar de noite por estar todo queimado. Vou é te encher de tapa para aprender a passar protetor quando a gente manda.
- Eu fico grávida e ela fica toda cheia de hormônios, dá para entender essa criatura? – Dei risada colocando minha saída de banho
- Vamos logo achar esse cara e poder voltar para a nossa caminha gostosa de casa que é bem melhor. – disse colocando os óculos escuros enquanto saia do quarto.

Enquanto eu e meus amigos desfilávamos pelo corredor do melhor hotel de Nova York, meu coração estava a mil pensando no que diria a ele. Estava assustada pensando que ele iria me rejeitar ao saber e me chamar de vadia e todos os sinônimos disso. Sei que algumas pessoas iriam pensar: “Você é uma psicóloga, acalme essa cabeça, você sabe como fazer!” Mas não é bem assim. Quando cuido dos meus pacientes, eu desligo e penso só neles, eu penso no bem deles, e não o que vou jantar hoje ou que nome vou usar para xingar a por dormir a tarde inteira no nosso sofá. Uma vez um professor disse que todos nós precisamos de um psicólogo, as mais sãs da história. Ele nunca esteve tão correto como nesse momento.

- Um... Dois... Três... – Caleb contava apontando para cada homem que passava por ele – Quanto homem gato, me passa o extintor da parede que está dando um fogo que nem água ajuda.
- Pelo amor de Deus, acalma o corpo que eu avistei o alvo – apontou sorrindo e começando a andar em direção a ele.
- Ei! Pode voltar aqui, senta e sossega. Nada de ser a louca do hotel – chamei a atenção da criatura, fazendo ela sentar na espreguiçadeira perto da piscina.
- Meu Deus, ! Ele é lindo para caralho. – sussurrou olhando o pai da minha criança.

se encontrava no melhor lugar da piscina, com cinco mulheres ao redor dele e bebidas à vontade. Ele sorria malicioso ouvindo uma delas sussurrar no ouvido dele coisas que, com certeza, eu apostaria que eram ideias para mais tarde no quarto dele. Foi aí que o sentimento ruim chegou, sentimento de que eu estava fazendo errado contando a ele sobre a gravidez, a vida dele era muito perfeita para isso. Quem sou eu para estragar a vida dele com um bebê? Vendo ele naquela situação, eu não consegui mesmo imaginar ele trocando fralda ou ensinando o nosso filho a andar de bicicleta com a maior paciência do mundo. Não consegui imaginar ele sorrindo ao pegar o nosso filho no colo ou dizendo o quanto estava orgulhoso por algo que ele fez.
E foi aí que eu levantei, coloquei minha saída de banho e corri para o quarto de hotel pronta para sair dali preparada para ter meu filho sozinha.

- Ei, o que aconteceu, ? - perguntou ao entrar no quarto enquanto eu arrumava as minhas malas para ir para casa.
- Não dá, , você viu como é a vida dele e eu não vou estragar isso. Não vou colocar isso tudo na vida do meu filho e muito menos na minha vida.
- Tarde demais, baby, vai acontecer. – Ela se aproximou e sentou na cama me olhando séria – Você precisa se acostumar, . Sei que vai difícil e eu estou com você em o que você decidir, só que isso você não pode esconder, ok? É pelo bem do meu afilhado.

Olhei séria para os meus amigos, querendo chorar e louca para sair dali. Eles são tudo para mim, por que preciso do na minha vida se tenho eles? E no meio dos meus pensamentos eu consegui imaginar o Caleb e a fazendo meu filho dormir e ajudando ele a andar de bicicleta, ensinando ele a fazer suas tarefas e testemunhando os primeiros passos dele. Foi quando eu percebi que eu poderia lidar com aquilo sozinha, e era o que eu iria fazer.

- Só vamos para casa, ok? Só quero ir para casa – dou um sorriso fraco e concorda começando a arrumar suas coisas
- Tudo bem, baixinha, a gente vai aguentar essa juntos, ok? Lembra: sempre te apoiando – Caleb sorriu – Aí, vocês têm algum quarto sobrando em casa? Digamos que acabei de ser despejado por barulho demais e bom... Vocês precisam de ajuda para não acabar comendo ovo todo dia e tal, sabe? Ah, que se dane, deixa eu morar com vocês, pelo amor de Deus!
- Para de implorar, você deve morar com a gente, idiota – deu risada fechando a mala dela – Agora vamos sumir daqui porque eu comi todos os doces daqui e a conta vai ficar gigantesca.
- Você o quê?!

Só consegui começar a xingar ela antes de ver só o cabelo loiro saindo correndo do quarto. Corremos para fora tentando parecer o mais normal possível até entrar no carro do Caleb e sair daquele hotel sem olhar para trás.


POV

Saí da piscina já perto do anoitecer. As meninas da piscina eram lindas, tenho que admitir, mas como sempre, o dever chama e minha relações públicas chamou para mais uma entrevista monótona.

- Senhor , tenho notícias para o senhor – a recepcionista gostosa sorriu e é claro que para não perder o costume fui até ela.
- Espero que sejam boas ou vou ter que tirar você de preferida, querida – sorri brincalhão chegando perto do balcão.
- A garota que o senhor está procurando estava nesse hotel até hoje. Comeu todos os doces do quarto e então foi embora, foi bem mal-educado! – A garota tagarelava e eu sorri ao ouvir sobre a .
- Aí, você não consegue me passar o telefone e o endereço dela? – Dei meu melhor sorriso.
- Posso conseguir, mas não faço nada de graça, sabe? – Sabia, essas mulheres são todas iguais mesmo.
- Quarto 418, querida, te espero lá em cima com o que pedi e terá sua recompensa – sorrio indo para o elevador com ela no meu alcance, o que não fazemos por uma mulher, não é mesmo?


POV

- Ok, responde aí Caleb: se você não fosse gay, pegava qual das duas atrizes gatas do filme Esposa de Mentirinha? – Sorrio sacana pegando mais um pouco de pipoca jogada no sofá.
- Ah, meu amor, quem você acha? Com certeza a gata da Jennifer Aniston! Queria eu ter aquele corpo com 48 anos na cara, iria passar o rodo em todos os ricos de Los Angeles. Manda a próxima pergunta que agora me animei! – Caleb sorriu animado se ajeitando no tapete da nossa sala.
- Minha vez! , atende a porta que deve ser a sua sopa – mandou enquanto sentava com as batatas no sofá – Ok, prepara, Caleb. Qual desses você pegaria e repetiria a dose até as pernas tremerem de exaustão: David Beckham ou Orlando Gostoso Bloom?
- ? – Murmurei em choque vendo o pai do meu filho parado na porta com um buque de rosas.



Capitulo 4 - Hora da Verdade.

- Jesus, Maria e José – escutei Caleb dizer chocado, ao ver o na porta, foi como acordar de um transe, um transe que só esse cara consegue fazer acontecer.
- Hey, tente ser natural, – Como descobriu onde eu moro? – Sorrio tentando não parecer nervosa.
- Tenho meus contatos – meu Deus, que voz que me faz lembrar de coisas indevidas – Trouxe flores, podemos conversar?
- Claro, entra.


Quando ele entrou, parece que o Caleb e a viraram fumaça, nunca vi duas criaturas correrem tanto, parecia um abate. olhava a sala com um mínimo sorriso no rosto, às vezes olhava para mim, desviava o olhar e olhava para a sala, e isso foi por longos 5 minutos.

- Você saiu àquela noite sem avisar e nem nada, nem deixou seu número – sorriu e a meu subconsciente começou a atacar.
- Foi mal, eu tinha que trabalhar e esqueci de deixar o número – diz que está grávida, otária – Desculpe, eu deveria ter deixado algum contato – grávida, grávida, grávida.
- Tudo bem, foi difícil, mas eu te achei. Como você está?
- Eu estou... – diz vai, diz! Repete comigo: Eu estou – Ah, eu estou... – Grávida, diz que está grávida! – Estou ótima. – Idiota.
- Ok, isso está ficando estranho, não acha?
- É, meio estranho você descobrir meu endereço do nada, concordo totalmente.
- Ah, deixa eu te explicar essa história. – Ele sentou no sofá com o pote de pipoca da nas mãos – Eu estou no hotel Plaza, e bom.... Digamos que com a minha influência eu soube da sua ida ao hotel. Fiquei curioso e peguei seu endereço com a recepcionista simpática e bom, estou aqui.
- Como era o nome da recepcionista?
- Ah, Claire! Ou era Hannah? Isso não importa.
- Você dormiu com ela para pegar o endereço da minha casa, não é? Nossa, bem coisa de famosos mesmo. Acham que podem tudo, que mandam em tudo e que controlam tudo e...
- Espera aí! – Ele me interrompeu – Eu não disse que dormi com ela, e não é do seu interesse se eu dormi com ela ou não. Eu vim aqui para saber o que você foi fazer no meu hotel.
- Não é do seu interesse.
- Certamente é do meu interesse. – Ele se inclinou e me olhou nos olhos – O que você esconde?
- Devo repetir que não é do seu interesse.
- Ok, vamos esquecer isso por enquanto. – Ele se encostou ao sofá – Vou te dizer o que vim fazer aqui e vou embora sem olhar para trás, mas é claro, se quiser que eu fique, eu não vou pensar duas vezes antes de sumir.
- Ótimo, fale e pode ir.
- A cerca de dois meses atrás conheci uma mulher maravilhosa. Estava indo para mais uma balada encher a cara depois de uma briga com meu produtor e pensei: preciso encher a cara e comer pelo menos três gostosas para esquecer esse bosta. E foi o que eu fiz. Me arrumei, fui pegar um táxi e vi uma morena linda esperando um táxi. Aquela morena era o que eu precisava naquela noite, tinha um rosto de anjo e um cabelo que eu não me importaria de puxar aquela noite.
“Ela tinha um olhar de quem não sabia se saía mesmo ou se voltava correndo para casa, e isso era adorável porque aquela carinha confusa me deixava ainda mais louco por ela. Foi quando eu vi um táxi parando para ela e corri para pegar antes que ela conseguisse. Ela deu um sorriso lindo e disse que aquele táxi era dela e então decidimos dividir o táxi. Ela sentou ao meu lado e conversava comigo, diferente de outras que já quando me veem, vão direto ao ponto. E eu adorei isso, adorei conversar com ela e saber da vida dela, adorei saber que ela era uma psicóloga prodígio e até me consultaria com ela se não fosse para cama com ela naquela noite.
Fui com ela para a balada e a perdi de vista por um tempo, mas quando a vi, ela estava dançando na pista que nem uma deusa, não conseguia tirar os olhos dela, mesmo estando com várias à minha disposição, eu só conseguia olhar para ela. E mesmo ela sendo a mulher mais difícil que eu tinha encontrado, consegui ficar com ela e, cara... Não queria mais largar dela, por nada nesse mundo. E decidi que não queria mesmo, que quando ela acordasse no outro dia nos meus braços, eu iria chamá-la para sair de novo e tentaria algo com ela, porque entre tantas outras, ela era a que mais brilhava aos meus olhos, e isso nunca aconteceu, e é por isso que eu vim aqui, . ”

Minha mente estava a mil, eu não conseguia mais pensar em nada sem querer chorar. Tudo que o disse mexeu comigo, não posso dizer que não, mas agora não dependia só da minha vontade, não dependia se eu queria ou não ficar com ele. Agora tinha mais coisas em jogo, tinha meu filho e a criação dele se eu ficasse com o .
Quanto iria durar se eu aceitasse? Quanto iria durar até ele arranjar alguém melhor que brilhasse mais e não estivesse grávida e inchada? Quanto tempo seria até ele decidir que não era aquilo que ele queria? E pensando nisso eu disse:

- Me desculpe, , mas você deve ir embora. – Funguei segurando as lágrimas e olhei para ele vendo sua cara confusa – Tenho que admitir que o que tivemos foi maravilhoso, foi uma noite que mexeu comigo, você foi um cara que mexeu comigo, pode ter certeza disso. Mas eu não posso, eu não posso agora. Tenho outras preocupações e outras coisas para pensar. Me desculpe.
- Tudo bem, eu te entendo – ele sorriu de lado – mas ainda quero sua amizade, ok? Podemos ser amigos até você estiver pronta?
- Eu vou adorar ser a sua amiga.
- Amizade colorida vale? – Ele fez graça me fazendo rir.
- Não, quero a sua amizade mesmo, ok? – Sorri abraçando ele e tentando tirar aquele peso da consciência por estar mentindo da cabeça.
- Não sei o que você está passando, mas eu vou estar aqui, ok? Mesmo se for só como amigo, pode me ligar qualquer horário e eu vou te ouvir e tentar vir correndo para cá caso esteja na cidade, pode acreditar.

Eu juro que quis contar, juro que quis olhar para ele e contar a verdade, mas nada saía. Nem mesmo quando ele me fez rir e nem quando ele foi embora um tempo depois. Eu sou uma péssima pessoa e como minha mãe sempre diz, vou para o inferno por isso.

- Você não contou, né? – jogou uma almofada na minha cabeça ao voltar para sala.
- Ai! Você ficou louca?
- , lembra só? Nada de bater na grávida da casa, só joga comida que ela junta depois, ok? – Caleb disse calmo enquanto me bombardeava de pipoca - Você é retardada, ? O cara se declara, diz que você é toda “pica das galáxias” e você dispensa aquele gostoso?
- Eu sou muito julgada nessa casa, dá para sentarem e me ouvirem?
- Só porque sou curiosa – sentou emburrada - se o motivo for bem merda, eu juro que saio daqui e vou contar para ele a verdade ouviu?
- Sim, senhora. – Respirei fundo e sentei preparada para explicar tudo – Estou com medo, ok? Eu não posso complicar mais que isso, eu não posso criar um filho com gente querendo tirar foto ou ter meu filho como exemplo do mundo. Não quero que ele fique nos holofotes, e sei que se eu ficar com o , ou ele saber sobre isso, é o que vai acontecer. Essa criança não vai ter uma infância normal, não vai poder sair para correr na rua, e nem vai poder entrar em certos lugares sem as pessoas pararem para tirar foto ou se amontoarem para ver ele. E, meu Deus, eu estou com tanto medo de tudo isso se virar contra mim, tanto medo de algum dia a gente brigar e ele querer lutar pela guarda do bebê e ainda conseguir por causa dos vários advogados dele.
- , escuta aqui – Caleb se pronunciou pegando na minha mão – entendo o seu medo, entendo seu receio, mas ele precisa saber. Ele se declarou para você e você entrou em choque, eu te entendo. Mas quando se mente, você vai acumulando uma mentira atrás da outra, e isso não é algo saudável. Acredite, meu amor, se eu fosse o pai desse bebê, eu iria amar ele e cuidar dele. E sei que o vai fazer a mesma coisa, não seja pessimista, ok?
- Amiga, liga para ele e conta. Estamos do seu lado, mas você precisa ser honesta e contar a verdade – disse me entregando o celular.

E foi ali – de novo – que olhando para os meus amigos vi que não tinha que temer nada disso. Não deveria esconder nada, não era um crime, era um filho. Era meu filho. Que merece um pai, como merece esses dois padrinhos maravilhosos que ele vai ter.
Pensando nisso, peguei o celular e respirando fundo liguei para o deixando no viva voz, pronta para dizer a verdade.

- Já sentindo minha falta?
- Eu tenho que te contar uma coisa, e sei que não vai ser fácil. Mas preciso que você escute com atenção e pense bem ok? – Disse trêmula enquanto e Caleb seguravam a minha mão.
- Ok, você está me assustando. Está tudo bem?
- ... – respirei fundo para falar - estou grávida. Você vai ser pai.



Capitulo 5 - “Espero que minha garota esteja bem”

POV


Aquelas malditas letras, aquelas malditas palavras que vão mudar a porra da minha vida inteira. Pai. Essa palavra me dava calafrios só de pensar, me fazia querer vomitar e fazer uma máquina do tempo para nunca ter feito essa merda. Eu não podia fazer aquilo, não podia ter um filho e nem brincar de família feliz. Porra, eu sou famoso! Posso pegar quem eu quiser, posso ter quem eu quiser, por que fui logo atrás daquela garota?
Malditos olhos verdes, maldita boca linda, maldita ! Eu tinha dois anjos nos meus ombros naquele momento, o anjo mal e o anjo bom. Um dizia que eu deveria assumir e cuidar da e do bebê porque sou uma pessoa do bem e gosto dela. Enquanto o outro dizia que eu deveria sair logo de Nova York e me aventurar comendo várias e me esquecer da garota.
Eu andava pela sala da cobertura do Plaza, acabando uma garrafa de uísque e tentando não lembrar daquela risada doce que a tinha. Tentava pensar em várias maneiras de fugir disso, fugir dessa responsabilidade e deixar ela sozinha. Mas toda vez que pensava nisso, eu me sentia um lixo de pessoa. Me sentia repugnante e isso me fazia beber mais que eu deveria. Mas quem liga? Se eu assumir esse filho, vou ficar sem bebida por um longo tempo. Porque ser responsável e ser pai, é isso. É uma vida sem drogas, sexo e com certeza sem alguma mulher saindo todo dia nua do seu banheiro.
E assim, andando pela sala desesperado por uma resposta do que fazer, que decidi que vou ter que assumir. Maldita noite perfeita, maldita garota perfeita da hora, maldita tequila que não me deixou pensar.
Parabéns, , seu idiota. Você vai ser papai.

POV

- Olha, , talvez você seja estilo a Bridget Jones, sabe? Ela não precisa de um homem para ser feliz, ela já é doidinha do jeito dela, que nem quando ela engravidou e não sabia se era do Sr. Darcy ou do outro cara gato que fazia o Derek de Grey’s Anatomy, os dois abandonaram ela num período da gravidez e ela ficou ótima. Homens às vezes só atrapalham sabe? – falava andando pela sala – E você tem eu e o Caleb, os amores da sua vida que não vão te abandonar para ficar livre por aí.
- É, talvez eu seja bem a Jones mesmo, sempre adorei ela, mesmo desastrada, ela é tão amorzinho – dei uma fungada engolindo o choro. - Por que vou ficar chorando pelo leite derramado? Acontece, né? Engravidei e já era! Vou ter a ajuda de vocês, talvez eu nem precise trocar fralda, tenho vocês para me ajudar.
- Vish, , fralda não é comigo não. O fedor me dá uma ânsia horrível, sabe?
- Ai como você é fresco, Caleb! É a mesma bosta que você faz, fede do mesmo jeito e o seu é ainda mais fedido – retrucou rindo.
- Por que você insiste em falar sobre as minhas cagadas? Cara, só fedeu uma vez! UMA! Que foi quando você cozinhou aquela sopa horrível e eu tive que comer senão a não comia.
- Chega de falar sobre cagadas, por favor – dou risada ligando o som da casa antes de ir pra cozinha
- O bonitão deu notícias? – Caleb perguntou enquanto via cantar Don’t Dream It’s Over do Crowded House em alto e bom som na sala – Meu Deus, ! Meus ouvidos não são esgotos, não!

Faz uma semana que contei ao sobre a gravidez, e o filho da puta não pode nem mandar uma mensagem dizendo que me odiava por ter ficado prenha. Uma semana assistindo filmes tristes e ouvindo músicas dos anos 80 que as pessoas escutavam dançando agarradinhos nos bailes dos filmes tristes.
A tem razão. A Bridget Jones não precisava de nenhum homem com ela em sua gravidez, ela tinha seu próprio trabalho e tinha amigos com ela. Eu também tenho e sou feliz vendo as loucuras deles, vê-los brigando por coisas bobas alegra meu dia e sei que meu bebê vai amar os tios malucos dele.

- Ei, eu amarrei a e coloquei uma fita na boca dela para acabar com a cantaria ridícula dela, quer ajuda na cozinha? – Viu só? Loucura.
- Sabe que ela vai se vingar de você, né? – Dou risada cortando as batatas – Vai ter que dormir com um olho aberto e o outro fechado. Ela é cruel e sabe se vingar quando quer.
- Eu sei, lembra aquela vez que ela amarrou o coitado do namorado dela só porque ele pegou um pouco de comida do prato dela? O cara ficou o dia todo amarrado, ainda bem que eu cheguei e salvei o coitado.
- Ela chorou tanto quando ele terminou com ela no outro dia. Mas também, né? Eu disse pra ela que amarrar o amorzinho dela por vingança e não prazer é quase um pedido para um término.
- Estamos sem nada para tomar nessa casa, vou desamarrar a coitada e ir comprar alguma coisa com ela e dar um agrado antes que ela me amarre pelado em algum lugar por vingança – dei uma risadinha
- Se cuida, ela pode te amarrar no carro – dei a dica antes de pegar o frango na geladeira ouvindo eles saírem discutindo

Chequei meu celular mais uma vez e sentei no banquinho da cozinha sentindo a famosa dor nas costas por causa da gravidez. Estou prevendo que serei uma grávida cheia de dor. Dor nas costas, nos seios, nos pés e até na minha amiguinha lá embaixo – e acreditem, eu pesquisei se dói – vou ser tão chata na gravidez que as pessoas vão implorar para não ficar comigo. Estou prevendo isso.
A dor começou a piorar, e nada melhor que um remedinho fraco para dar aquela melhorada básica antes do jantar. Mandei uma mensagem para o Caleb pedindo para não demorarem e respirei fundo sentindo uma pontada forte no meio das costas, andei pela casa para ver se melhorava, nada adiantava.
Última tentativa. Uma ducha e tudo vai melhorar! Iludida eu, a dor piorou e uma tontura chata começou. Ah droga, merda. Eu estou perdendo o meu bebê.

POV

Estava tentando escrever uma música no estúdio. Mas a única coisa que eu conseguia pensar era da e a gravidez dela. Será que ela está bem? Será que se eu ligasse para ela, ela me xingaria por ter sumido por uma semana depois dela ter me contado?
Essa garota. Essa maldita garota entrou na minha vida e agora nem que eu queria vou conseguir tirar ela. Ela vai se tornar parte da minha vida por tanto tempo e eu preciso me acostumar com a ideia de um bebê no nosso meio. Pode ser divertido, né? Muitas pessoas bem mais novas que eu, são pais e aparentam serem felizes, postam nas redes sociais que os filhos são a benção do bom Deus lá de cima. E eu acho que posso fazer isso – posso fazer até melhor – e com a posso ser bem melhor.
E então eu liguei, larguei o violão e respirei fundo ligando para a minha garota ansioso para não ser ignorado. E então ela atendeu, mas espera, não é a minha garota.

- Quem está falando? – Pergunto ouvindo uma garota chorar no telefone e me preocupo pensando ser a , é você? O que foi?
- Aqui é a amiga da . Mesmo você sendo um idiota, preciso que venha para o hospital aqui perto de casa, ela precisa de você – Paralisei, alguma coisa tinha acontecido e eu tinha medo de perguntar, criei coragem e respirando fundo perguntei o que tinha acontecido – A não está nada bem, corre para cá, por favor. Ela pode ter perdido o bebê.

Ela pode ter perdido o bebê. Foi só preciso essa frase para correr para lá. No caminho comecei a rezar – mesmo não sendo muito religioso – e repeti como um mantra:


Por favor, que minha garota esteja bem.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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