CAPÍTULOS: [P][01][02]





The Night Stand






Última atualização: 05/07/2017



Teve uma vez, que eu ouvi de uma pessoa, que se a vida te der limões, você faz uma limonada, que Deus sempre escreve certo pelas linhas tortas, que mesmo que doa, é para o seu bem e que tudo vai dar certo, não importa o que possa ter acontecido com você. É errado pensar nisso e querer mandar todo mundo se ferrar porque ninguém entende o quanto você está fodida?
Minha cabeça está a mil, não queria sair daquele banheiro de casa, queria só chorar por pensar na grande e imensa cagada que eu fiz. O teste de gravidez parecia que brilhava mais na minha mão, dizendo: “esqueceu a pílula, não é?”. Maldita social de amigos, maldito garoto perfeito da hora, e maldita bebida que me faz só fazer burrices, maldito bom senso quando preciso dele.
E naquele banheiro a única coisa que eu consegui pensar foi: “O que vou fazer com uma criança se eu nem cuido de mim mesma?”

Capítulo 1 – Um pouco de diversão não faz mal a ninguém, né?


Dois meses antes, aniversário da .

- Quanta roupa de secretária careta, cadê aqueles seus vestidos maravilhosos que tinha antes? Saudades Safada, não gosto dessa psicóloga chata que você se tornou. – praticamente berrava enquanto revirava meu guarda roupa
- Larga daí ou você apanha, não é porque sou uma pessoa séria e comportada que não posso te dar umas porradas por ser chata!
- Bater na amiguinha no aniversário dela é pecaadoo – Ela cantarolou e eu dei risada sentando na cama e olhando ela ficar revirando feito louca meu closet. – Você precisa de um vestido e um sapato bem “periguete” para soltar essa safada que está presa aí. Como diz a minha mãe, precisamos tirar esse demônio trabalhador de você por uma noite.
- Sua mãe é doida, lembra aquela vez que ela ficou no meu pé dizendo que um capeta estava no recinto chamando meu nome, quase chamei a psiquiatria para ela.
- Como diz ela: sangue de Jesus tem poder. Vamos fazer um milagre. Vai pro banho e se depila, e bem depilada, mocinha – me olhou com sua cara séria que não importa o quanto passe, continuava sendo uma cara fofa. – Para com essa cara, se rir de mim eu vou ficar muito puta!
- Está bem, está bem, vou me comportar, juro.

Eu e nos conhecemos nos meados do quarto ano da faculdade. Ela moda, eu psicologia, e não sei como que na cerimônia de volta às aulas, deu “match”. Dizem que algumas amizades não conseguem ser explicadas. É verdade. Algumas amizades acontecem com um simples “me empresta um lápis”, ou um singelo “com licença, posso sentar aqui?”, mas o meu caso e a de foi diferente.
Como todo ano de volta às aulas, os veteranos ajudam os calouros a se adaptar à nova vida na faculdade, e naquele ano, eu e estávamos como dupla para ajudar um grupo deles. Ela era explosiva naquela época, alegre demais, fofa demais, sorridente demais. E foi aí que aconteceu, dizem que os opostos se atraem, tanto no amor, tanto na amizade. E cá estamos nós, dois anos depois, tentando agir como universitárias e não adultas com trabalhos importantes.

- Morreu no banho? – arrumou um salão improvisado no meu quarto, seu cabelo estava impecável num rabo de cavalo alto que destacava seus cabelos loiros com mechas azuis, sua maquiagem era carregada, que a deixava –não sei como - poderosa e pronta para pegar quem quiser naquela festa. – Senta aí, vou fazer sua maquiagem e seu cabelo.
- Como vai ser essa sua festa ? – Perguntei a deixando fazer o que quisesse, seria louca se recusasse, não é?
- Ah, coisa simples. Uns amigos vão estar na boate Bourbon nos esperando lá no camarote, eu tenho as pulseiras pra gente pode ficar tranquila. Aí é só se divertir e curtir a melhor balada da cidade! Isso vai ser tão divertido!
- Isso vai ser loucura, isso sim. Deve ter custado o olho da cara ! Bourbon é cara pra caralho.
- Larga de ser chata que já está tudo resolvido. Não exagerei na sua maquiagem, só coloque um batom vermelho para destacar. Te vejo na festa, gostosa!

E assim, sem mais e nem menos, Bianchi deixou o recinto, me dando a paz que mereço.
Tudo bem, vou admitir, a vaca da tem bom gosto. Quem diria que eu teria um vestido rodadinho e simples no fundo do armário? Coloquei uma jaqueta de couro por cima e chequei minha bolsa pequena antes de sair e achar um táxi na cidade lotada de New York num típico sábado à noite. Meia hora depois, um táxi parou, sorri animada e fui até ele com aquele sentimento maravilhoso de conquista árdua, mas como tudo é difícil nessa vida, um dos apressadinhos dessa cidade passou na frente, louco para entrar no meu táxi.

- Com licença, moço, esse é o meu táxi, estou há meia hora tentando pegar um e se puder esperar o próximo, eu agradeço. – Dei o meu melhor sorriso de educada pela mamãe.
- Está indo pra onde, senhorita? Podemos dividir, se não se importar – Ele retribuiu sorriso. E porra, que sorriso. O rapaz com certeza era pegavel, moreno, sorriso encantador e uma voz que faria qualquer uma jorrar quando falasse dirty talk.

- Estou indo pro Bourbon, se estiver indo pra lá, podemos dividir.
- Olha que coincidência, entra aí, vamos lá. – O gostosão entrou no carro, e como qualquer mulher em sã consciência, dei uma olhadinha. Com toda certeza eu vou pegar.
- Obrigada. – Pigarreei entrando no táxi enquanto acalmava os hormônios que pegavam fogo por baixo desse vestido.
- Meu nome é , prazer em te conhecer – Ele sorriu de novo e estendeu a mão.
- Sou a , o prazer é meu – Com toda certeza é meu.
- Indo relaxar um pouco? Dizem que esse lugar é ótimo. – Ah, ele está puxando assunto, bom começo cara.
- Uma amiga está fazendo aniversário, ela ama aquele lugar. Você vai gostar de lá também, te garanto.
- Ah, bem que você podia me ajudar lá, não é? Sou novo aqui, alguma coisa me diz que você é daqui.
- É, posso te ajudar sim, vai ser divertido! – Transa garantida, querida, parabéns.

10 de janeiro de 2016 – Dois meses depois do aniversário.

- Saia da porra do banheiro, , estou ficando preocupada! – gritou esmurrando a porta, joguei o teste pelo buraco não arrumado da porta do banheiro para ver se ela calava a boca, não deu certo. – Não, não acredito! Não creio nisso! E agora, sua doida?!
- Eu não sei, droga! – E lá veio o choro de novo, droga de hormônios!
- Eu vou te ajudar, não vai estar sozinha nessa, ok? Vou marcar o seu médico agora, vamos ser que nem duas mães na mesma casa, mas sem pegação. Saia desse banheiro pra gente conversar, vai, você conhece o pai dessa cria, mulher? Ah meu Deus, essa casa vai ser só fraldas e vômitos, que Deus nos ajude!
- Para de surtar, porra! Uma de nós tem que ser a sensata. – Funguei abrindo a porta e encaro uma surtada no corredor.
- Sempre você foi a sensata e eu a louca, não dá, não. Meu Deus, você vai ficar tão gorda. Ok, desculpa, amiga, tu vai ficar linda! Deita na cama e relaxa que eu vou pegar uma comida bem gostosa para acalmar seus nervos, já volto com reforço!

Com toda certeza do mundo eu estava ferrada, meu estomago estava embrulhado e parecia que eu estava mais gorda agora que sabia. Como vou criar uma criança com a grana que eu tenho? Convenhamos que não é grande coisa, e pedir ajuda aos meus pais é em último caso. Meus pais são conservadores, vai ser uma vergonha ter uma filha grávida de um filho ilegítimo, até imagino eles falando: “Que vergonha para a nossa família, , o que vamos fazer com você?”. Ainda bem que tenho , ela sim não julga e entende as atitudes idiotas que eu faço, e eu a amo demais por isso, sei que por ela poderíamos criar esse bebê sozinhas e por mim tudo bem, mas eu preciso achar o pai dessa criança, ele tem o direito de saber mesmo eu só sabendo o primeiro nome dele e de nem ter o telefone ou o facebook do cara. Portanto, senhor Eu-Não-Tenho-A-Camisinha, se prepare, porque vai virar papai.

Capítulo 2 – A procura do papai.


- Ok, me deixa ver se entendi essa novela. – saiu da cozinha com uma garrafa de vinho após ouvir a história toda. – Você foi pegar um táxi no dia do meu aniversário e encontrou o que os jovens de hoje em dia chamam de homão da porra e aí decidiu que ele seria sua transa de uma noite só, mas esqueceu de falar pra ele sobre a camisinha? Francamente, , estou decepcionada.
- Você é minha melhor amiga, tem que me apoiar e não julgar! Aliás, ele que tinha que se lembrar, eu estava bêbada demais para ter me lembrado de chegar em casa para praticar o coito.
- Primeiro: Sou a sua melhor amiga e não preciso só te apoiar, preciso puxar sua orelha quando faz merda, e francamente, minha amiga, que merda grande que você fez. Segundo: Vocês dois deveriam ter lembrado, eu já te disse milhões de vezes que beber demais numa festa é para pedir para dar vexame. E terceiro: quem hoje em dia fala “praticar o coito”? – Ela riu bebendo um gole daquele vinho maravilhoso.
- Isso não importa, só importa que preciso achar o cara, e você vai me ajudar. – Peguei o notebook da mesa e liguei-o enquanto tentava pegar o vinho da . – Dá um golinho pra amiguinha, vai, estou precisando.
- Sai fora, grávida não bebe álcool, a partir de hoje vai ser só suco verde pra essa criança nascer tão saudável que vai até para Guinness World Records 2018. – disse pegando o celular dela e mandando mensagem para alguém toda cheia de animação
- Me diz que está mandando mensagem pra pizzaria, ou vai cortar isso também? Eu juro pra você que se você quiser que eu coma só legumes, eu te mato.
- Ai, cala a boca, estou chamando o Caleb. Vamos achar o pai desse bebê bem rapidinho.

Caleb se tornou detetive particular lá pelos meados de 2009. Eu estava no primeiro ano de faculdade quando o conheci, e como com a , a amizade foi instantânea e a única coisa que temos em comum é o gosto maravilhoso quando se trata de homens. Ele quase nunca aparecia para visitar, e quando aparecia, era quando precisávamos de ajuda ou quando uma de nós fazia aniversário. O que é estranho, porque ele mora no bairro vizinho.

- Ele disse que só vai fazer as malas e já vem pra cá. Vou fazer o seu jantar, agora come por dois, então é melhor ser um prato bem montanha, né? – disse indo pra cozinha. – , só uma coisa... Como vamos contar para os seus pais?
- Nem sei se quero contar, eles vão me matar!
- Relaxa, o máximo que eles vão fazer é te deserdar! E, garota... Agradeça. Sei que é a sua família, mas eles não te ajudaram em nada, só te julgaram e isso é a coisa mais leve que eles fazem.
- Sobre a minha família, vou cuidar depois, primeiro preciso achar o pai dessa criança. Vamos fazer uma lista no papel amarelo – sorrio animada e começo a procurar o papel amarelo.
- ISSO! Sempre vamos resolver as coisas quando tem um papel amarelo na jogada, tem que pegar a prancheta também! Mas antes de tudo, abre a porta que o Caleb chegou. – gritou da cozinha quando a campainha tocou várias e várias vezes.
- Abre aqui, mulher! Sabe o frio que está aqui fora? – Caleb gritou do lado de fora e abri a porta com a maior calma do mundo para irritá-lo. – Quero ser padrinho. Já estou avisando para não dar a louca de querer um outro marmanjo qualquer, você sabe muito bem que vou ser o padrinho perfeito para essa criança. Mas antes, venha cá, você precisa de um abraço!

Caleb sempre foi aquele amigo que te entendia nas horas difíceis, e você sempre fica aliviado quando ele chega ou faz uma piada para melhorar o seu humor e até te fazer parar de chorar. Ele sempre foi desejado por muitas, com sua pele morena e aquele sorriso dele, todas iam ao chão por ele, ele sempre era o mais inteligente do nosso trio, formado em direito e com carreira de detetive subindo rapidamente, ele sempre foi o amigo que salva nós duas das encrencas.
Teve uma vez – nunca esquecida, vale ressaltar - que a brigou com uma mulher num bar do centro de Nova York, ela lutou boxe desde pequena, então entendia dos modos certos de bater. Quebrou o nariz da mulher e duas mesas do bar em toda a confusão, fomos presas. Eu, por ajudar a tirar ela de cima da mulher, fui presa por pensarem que eu estava na confusão, e a por agressão e destruição de propriedade alheia. Fomos levadas à delegacia, e depois de 3 horas presas, lembrou de ligar para o Caleb, que foi nosso advogado e salvador contra processos por causa de uma bêbada violenta e amiga que se meteu. Resumo e conclusão da história: Não fomos presas e levadas para usar o uniforme da prisão estilo Orange Is The New Black e levamos como lição que ligar para o Caleb e dizer: “amor da minha vida, me salve”, funciona. Conclusão: tenha um amigo advogado, ele pode salvar sua vida se pagar uma bebida para ele.

- Ok, mas o sexo foi bom? Porque se foi bom, você se lembra do rosto do cara, mas se não foi... Esquece. – Caleb disse, jogado no meu sofá com o notebook no colo depois de ouvir a história toda.
- Não lembro de muita coisa daquela noite, mas sei de uma coisa, meu amigo, cheguei no paraíso mais de uma vez. – Dei um sorriso sacana.
- Entendi, safada. Ok, vamos lá, o nome dele é e como ele é? Olhos e cabelos de preferência, se começar a descrever cada detalhe, eu te dou um tapa.
- E eu vou lembrar de detalhes idiota? – Olhei indignada pra ele. - E me respeita, grávida precisa de respeito nessa casa! Os olhos são e os cabelos , ah! Ele tinha um sorriso... Que uau!
- Acho que ele achou, ... Ah! Nem ferrando! – gargalhou e pulei da poltrona indo rapidamente pro lado do Caleb. – Sortuda do cacete.
- O que é? Meu Deus, gente! – olhei pra tela e gelei cobrindo a boca com a mão para disfarçar a surpresa.
- Achamos o pai do seu bebê. Quero só ver você chegar nele, meu amor.

Era ele, com certeza era ele. Só que para a minha surpresa, ele era um cantor foda pra caralho. é o pai do meu filho, e eu nem me toquei no dia. Meu Deus, eu transei com um famoso e com certeza passei vexame! Não me leve a mal, não sou nenhuma fã fanática. Mas o cara era rico demais, ele vai achar que é golpe da barriga ou até mesmo pensar que sou uma vadia que engravidou por querer. Não. Não dá.

- E então, amiga, o que vai fazer? – sentou no meu lado e segurou na minha mão enquanto meus olhos estavam vidrados na tela
- Não dá, ele é rico demais! Eu vou ser humilhada, , e se ele não acreditar e me mandar pro inferno? E se parar na internet e eu ficar como a vadia que quis dar um golpe da barriga no ? – começo a chorar de nervosa. – Ah, meu Deus, até o nome dele me apavora!
- Está tudo bem, meu amorzinho, vem cá – ela me abraçou de lado e senti o alivio que só aquela garota podia proporcionar – olha, você não fez sozinha, ok? Ele teve participação, então é obrigação dele ajudar.
- Se ele não quiser participar da vida do bebê, a gente cria, nosso trio é o melhor do mundo, não é? Agora, se acalma, precisamos montar uma estratégia. Temos um hotel para invadir. – Caleb me deu um beijo na testa e levantou para começar a montar um quadro branco grande, olhei confusa para ele.
- Como assim invadir, doido? Não é só chegar lá e pedir para ele descer?
- Ai como você é ingênua! Ele é famoso, , acha mesmo que ele vai descer porque uma garota pediu? Estou junto nessa Caleb – foi no lado dele sorrindo animada
- Ok, seus doidos, vocês que sabem. Vamos invadir um hotel, mas o Caleb não pode participar na hora, ele tem que tirar a gente da cadeia!
- Beleza, primeiro passo: Precisamos de disfarces. Eu posso ser o cafetão de vocês e vocês as prostitutas de luxo contratadas por mim – Caleb sorriu animado
- Ou... Podemos pegar um quarto e procurar pelo hotel que nem umas doidas o cara. Ou, sabe o que podemos fazer? Caleb pode se fazer daqueles caras que odeiam o Gostosão e fazer uma briga com as fãs, aí ele sai da janela e a grita “ESTOU GRÁVIDA DE VOCÊ, SEU GOSTOSO!” – revidou.
- Ou... Podemos montar um plano sério que não envolva eu ser prostituta ou fã doida com problemas mentais. O que acham? – Dou um sorriso doce. - Vamos lá, gente, conseguimos fazer melhor que isso! Como é o hotel?
- Então... Eu posso baixar a planta do hotel e achar uma entrada, aí você, , pode pular o muro e procurar ele. – Caleb sorriu e começou a procurar o hotel. – Mas tem um problema, o muro é tipo, uns cinco metros de altura.
- Nem ferrando! Eu vou morrer! Vocês me conhecem, sou desastrada demais para essas coisas. Vamos fazer o seguinte...

Horas depois, os passos foram feitos. saiu para comprar as coisas que eram essenciais para o plano e Caleb só saiu sem avisar, aproveitei e passei todo o plano na cabeça enquanto tomava meu banho. O plano consistia em coisas bem simples: entrar no hotel, pedir para fazer uma visita e alugar um quarto bem barato, mas bem barato mesmo! Procurar pelo hotel e quando achar, tentar distrair os seguranças e pedir para falar com ele sem chorar ou bater nele por ter me engravidado. Bem fácil.
Saí do meu banho e coloquei minha roupa pensando em como aquele plano todo poderia dar errado, porque convenhamos, eu só faço merda! Era oito da noite, e os idiotas não tinham voltado e meu nervosismo estava aumentando junto com a ânsia e a paranoia crescente de que eu estava ficando gorda a cada segundo que passava. Mesmo tomando os chás horríveis da , as receitas caseiras do Caleb, nada passava. Seja o que Deus quiser e que me proteja para não parar na cadeia.

- Adivinha quem chegou com uma cara de rica? Eu mesma! – gritou entrando em casa toda arrumada.
- , quanto que tu gastaste, sua doida? Sabe que não temos grana nem pro mercado de segunda-feira?!
- Essa ocasião precisa de roupas novas! Ou acha que vão deixar você entrar no lugar com essas roupas que parecem pijama?
- Não, anta. Eu iria usar as roupas que uso no trabalho, porque não sei você, mas não temos grana para nada novo. – Suspiro, irritada e a ajudo com as sacolas pesadas. – O que tem aqui? Chumbo?
- Não, sua grossa – murmurou emburrada. – É as coisas pro seu enjoo, seus remédios e as comidas saudáveis. Mas deixa, só sabe me xingar.
- Ah... – Agora, sim, me senti culpada. Sou uma ogra mesmo, ela sempre deu um jeito de cuidar de mim e nunca estava bom. – Desculpa, sou idiota pra cacete, né? Vem cá, obrigada. –Dou um abraço nela
- Ótimo. Só desculpo porque me alimenta. – ela se soltou de mim. – Cadê o Caleb? Já temos que ir e nada dele! Ai como eu odeio quando ele faz isso... a gente marcava sempre para sair as duas da tarde e ele chegava as seis.
- Ele já vem, fica quieta. Isso vai me ajudar mesmo nos enjoos? – Perguntei revirando a sacola de remédios com a ânsia batendo na porta de entrada da garganta.
- Pelo o que o cara lindo da farmácia disse, sim. Eu li na internet que os enjoos passam depois do 1º trimestre, enquanto isso, aguente e lembre-se de não vomitar nos amiguinhos que vão cuidar de você.
- Cheguei, amorzinhos! – Caleb gritou entrando no apartamento. - E antes que me insultem, atrasei porque estava olhando o hotel e minhas queridas... é lindo pra caralho!
- Não estamos indo para curtir, estamos indo para encontrar o pai desse bebê. Então aguentem firme a vontade imensa que vocês têm pra festa e vamos fazer a missão direito, entenderam, crianças?
- Sim, mamãe, bora pro carro – riu saindo de casa com uma mala grande
- Engraçadinha, vai se foder.

Eu sei muito bem como isso pode dar errado, mas preciso pensar positivo. Pode ser que ele não seja um cuzão, talvez ele seja um amor de homem que vai gostar de ter um filho e até pode rolar algo mais do que só o bebê entre nós. E é isso que vou colocar na minha cabeça, tudo vai dar certo.

POV

Doidas. Isso que as mulheres são, algumas são tão doidas que necessitavam ser presas por me deixar louco! Pode ser a melhor mulher do mundo, a mais gostosa, a mais inteligente ou até mesmo a mais perfeita, são todas loucas!
Elas exigem relacionamento que não posso dar, exigem atenção a mais que não quero dar, exigem até dinheiro para os produtos de beleza e o silicone mau feito. É ridículo. É ridículo como elas acham que vão ser amadas e que depois de uma noite vou querer colocar uma aliança no dedo delas com as palavras ”eu te amo” que dão até um gosto ruim na boca se forem faladas para uma pessoa que não seja da minha família.
Mas teve uma garota em especial, que não exigiu dinheiro, nem mesmo um amor que eu não daria. . Gostosa e selvagem no sexo, foi só uma noite, um sexo sem compromisso que eu teria com qualquer uma, mas com ela eu ri, eu dancei e me senti bem, se ela não tivesse sumido depois de termos transado, eu teria pedido o número dela. E por causa dessa garota, fiquei noites pensando em como conseguir esquecer aqueles cabelos e aquele gemido maravilhoso dela, fiquei com várias outras e nada, ela estragou tudo pra mim. E preciso achar ela para curar essa bosta, seja o que for e nunca mais ver ela na minha vida.
Se prepara, Garota-Maravilhosa, pois vou te achar.

Continua...



Nota da autora: (05/07/2017) Sem nota.




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