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Última atualização: 31/05/2017

Prólogo


Eu continuei a correr sem olhar para trás, estava chovendo forte, mas eu não me importava. Eu escutava a voz dele gritando meu nome, mas mesmo assim não parei, estava literalmente amaldiçoando às lágrimas que insistiam em embaçar minha visão. Tinham galhos e outras coisas para todo lado e eu simplesmente estava tropeçando em tudo o que encontrava pela frente, até que eu acabei me desiquilibrando e cai, escutei os passos dele ficando mais próximos, mas eu não tinha mais forças, eu não consegui mais lutar e então, fiquei lá, sentada no chão enquanto chorava como uma criança. Eu não chorava tanto assim desde os dez anos, ele chegou perto de mim e não disse nada, apenas me abraçou, eu sei o quanto isso parecia estranho, mais eu me senti tão bem... O calor dele mascarou o frio que eu estava sentindo por estar ensopada, eu continuei quieta até que um trovão se fez ouvir, me fazendo acordar da minha auto piedade, o empurrei e me levantei:
– Fique longe de mim! – Eu gritei para que ele pudesse ouvir mesmo com o barulho da chuva, ele continuou a se aproximar e eu fui me afastando, até bater as costas em uma árvore. Eu ainda chorava e os soluços estavam dificultando que eu dissesse qualquer coisa mais:
– Por que, ? Por que você me afasta? Por que você afasta todo mundo que se aproxima de você?! – Perguntou quase no mesmo tom que eu havia usado antes. Olhei pra ele e meus olhos brilharam naquele tom de azul gélido e vazio, eu tinha certeza:
– Será que você não entende?! Eu não mereço... – Falei, minha voz estava diminuindo e eu não tinha forças para falar mais alto.
– Não merece o quê? – Perguntou ele, tentando chegar mais perto.
– Não mereço você! Eu sou um monstro! – E era isso o que eu era, um monstro, um monstro frio e cruel, uma assassina.


Capítulo 1


(Pessoal, coloquem pra carregar a o remix da música Monster – Meg e Dia e deem play quando aparecer o trecho)

Eu estava simplesmente jogada na cama de um hotel de beira de estrada enquanto checava meus e-mails até que um, em específico, me chamou a atenção, o assunto era “Oferta Irrecusável”, e qual oferta seria aquela?

“Olá, Srta. ,
Ouvi falar maravilhas de seus serviços e não pude deixar de pensar em você para este, o serviço é o seguinte: em Beacon Hills, há uma alcateia, a alcateia do True Alpha, com certeza já deve ter ouvido falar, afinal de contas, foram eles a primeira alcateia a sobreviver ao Deucalion e seus alfas. Quero que ponha um fim neles, soube que quando se trata de lobisomens, a senhorita não recusa um trabalho. Espero que com este não seja diferente. Quanto ao pagamento, estou aberto a negociações, basta responder a este e-mail se sentir interessada.
Atenciosamente,
The Hunter.”


Precisava mesmo dizer o quanto aquele e-mail foi estranho? Sim, eu sou uma caçadora de lobisomens, mas geralmente meus serviços eram contratados como vingança, por exemplo, algum monstro maldito matou uma criança e os pais me contratavam para dar um fim no desgraçado e coisas assim, mas aquele não me pareceu uma vingança pessoal e, geralmente, os valores dos pagamentos eram estipulados quando eu era contatada, e eu também sempre marcava um encontro com os contratantes para falar sobre o trabalho. Daquela vez, ele não fez nenhuma menção de me ver pessoalmente e o mais engraçado daquilo tudo era que se ele se auto intitulou “The Hunter”, ou seja, “O Caçador”, por que ele mesmo não caçava? Cada uma... Mas não posso negar que era mesmo uma oferta irrecusável, eu definitivamente já havia ouvido falar daquela alcateia. O principal motivo era porque o tal alfa era o único True Alpha em uns anos ali nos E.U.A. Eu pelo menos nunca havia ouvido falar de outro na vida e bom, digamos que o garoto era bom, até onde os boatos correm, ouvi dizer que ele e os amigos sobreviveram a um Nogtsune! Não que eu entendesse muito sobre aquelas coisas japonesas, mas sabia que aquela coisa era bem poderosa. Depois de pensar um pouco, comecei a responder o e-mail, claro que eu aceitaria o trabalho!

...


Uma semana depois, e ali estava eu, dirigindo a caminho de Beacon Hills. Eu estava realmente curiosa em relação a essa cidade. Com as poucas pesquisas que eu havia feito, achei dezenas de casos de assassinato não solucionados e bom, bastava saber quais lobisomens existiam para associar todos os assassinatos a eles. Como eu sempre dizia, eles eram monstros assassinos e sem coração, eles nunca pensavam antes de matar. Para distrair um pouco, resolvi ligar o rádio, estava tocando um remix, até que eu gostei e, prestando atenção na letra, dava até pra pensar que a cantora estava falando de um lobisomem...

Monster
(Monstro)

How should I feel?
(Como eu deveria me sentir?)

Creatures lie here
(Criaturas mentem aqui)

Looking through the windows
(Olhando através das janelas)

Eles sempre estavam lá, nos enganando. Quantas vezes já não havia visto alguém que havia perdido uma pessoa da família para algum lobisomem que antes se fingiu de amigo? Eles mentiam, e vai me dizer que eles não ficavam vigiando suas presas?

Monster
(Monstro)

How should I feel?
(Como eu deveria me sentir?)

Creatures lie here
(Criaturas mentem aqui)

Looking through the windows
(Olhando através das janelas)

Espreitando nas sombras esperando um momento pra atacar... Eles eram monstros e ninguém iria me convencer do contrário, já havia presenciado a crueldade deles e era uma coisa completamente inumana, completamente inumana... Deixei a música tocar até o final e um sorriso frio se formou em meus lábios ao ver a placa “Bem Vindo a Beacon Hills!”. Meu trabalho começaria ali!

...

Depois de conversar com a diretoria e convencê-los a me deixar ficar no colégio e começar às aulas o quanto antes, estava definitivamente exausta. Você, por algum acaso, tem ideia do número de colégios aos quais fui naquele ano? Nem eu sabia, perdi as contas. Bom, eu tinha dezessete anos e era claro que, mesmo sendo caçadora, eu queria me formar no colégio, mas quem disse que era fácil quando você vivia mudando de cidade? Isso era um saco! Eu estava saindo da diretoria quando o vi, o alfa, ele estava com um outro garoto, esse não estava na lista que o meu contratante mandou, não era lobisomem, com certeza. Fiquei o observando e realmente considerei tentar pegá-lo na saída do colégio, mas foi aí que uma garota chamou minha atenção:
– Oi! Você é nova? – Perguntou ela, parando na minha frente. Me esforcei pra dar um sorriso simpático, pra resumir, quando você era uma assassina, seus sentimentos meio que eram segundo plano, ou seja, eu aprendi a ser fria, sempre tornou tudo mais fácil e bem, de tanto ser fria, eu tinha uma dificuldade enorme em ser simpática com quem quer que seja.
– Sou, acabei de fazer a matricula, eu começo amanhã. – Expliquei.
– Olha, vai ter uma festa em uma boate aqui perto, vai ser uma ótima oportunidade de se enturmar! Você vai, né? – Festa? Interessante...
– E todo mundo do colégio vai? – Perguntei. Ela assentiu me entregando um panfleto.
– Com certeza, vai ser a maior do ano até agora, ninguém vai perder e espero que você também não. – Disse ela. Eu sorri, dessa vez de verdade.
– Festa? Eu não perderia essa por nada. – Bingo! Iria ser minha chance de pegar ele desprevenido!

Scott POV
(Coloquem pra carregar OMG do Usher e deem play quando aparecer o primeiro trecho)

– Vocês vão, né? – Já chegou perguntando uma garota da aula de química, ela entregou um panfleto pra mim e outro pro Stiles. Uma festa? – Gente, essa vai ser a maior festa do ano até agora e eu estou mesmo me esforçando pra entregar esses panfletos pra todo mundo na escola. Por favor, vocês não podem perder isso! Vai ser divertido, espero vocês lá! – Disse e saiu, olhei para o Stiles.
– Por que não? – Perguntou ele.
– Não sei não... – Eu já estava pronto pra falar alguma coisa quando o sinal bateu. Por que não, né?

...


Estávamos sentados perto do bar. Liam e Hayden estavam dançando e não fazia ideia de onde a Lydia e a Malia se enfiaram. Sobramos eu e o Stiles. Fazer o quê?
– Stiles acho que você devia pegar leve. – Falei, já era o segundo copo cheio de cerveja que ele tomava.
– Você também tá bebendo. – Apontou ele pro meu copo.
– É, mais eu não fico bêbado, você sim. –Falei, ele parou de olhar pra mim e começou a olhar algo atrás de mim.
– Hey, aquela garota tá olhando pra você. – Disse ele, apontando com a cabeça. Me virei pra trás e vi uma morena. Ela dançava no ritmo da música e não tirava os olhos de mim, estranho... – Vai lá dançar com ela. – Olhei pra ele como se ele tivesse dito que a garota tinha começado a dançar la cucaracha. – Scott, a Kira já foi embora a um mês e nós sabemos que ela não vai voltar nem tão cedo, e dançar não arranca pedaço. – Dei de ombros e me levantei. Quando eu fui me aproximando, ela jogou a cabeça pra trás e começou a dançar de maneira sensual, simplesmente não consegui tirar os olhos...

Oh my
(Oh meu)

Oh my gosh
(Oh meu deus)

I did it again, so I'mma
(Eu fiz de novo, acabou)

Let the beat drop
(Deixe a batida rolar)

Oh my gosh
(Oh meu deus)

Quando ela me olhou de novo, foi com uma intensidade que eu tive certeza de que teria um ataque de asma ali mesmo. Ela riu alto e me chamou com o dedo, fui sem reclamar, quando parei de frente pra ela, ela pegou minhas mãos e colocou em sua cintura, ainda se mexendo no ritmo. Tinha algo nela, um mistério, que estava me deixando curioso.
Quem era aquela garota?

I fell in love with shawty when I seen her on the
(Eu me apaixonei por essa gata quando a vi)

Dance floor
(Pista de dança)

She was dancing sexy, pop, pop, popping, dropping
(Ela dançava sensualmente, requebrando, descendo)

Dropping low
(Descendo até o chão)

– Qual é seu nome? – Nunca fui muito bom de paquera... Foi a única coisa que pensei pra quebrar o gelo. Ela sorriu.
, e você é? – Perguntou, colocando os braços ao redor do meu pescoço.
– Scott.
– Prazer em te conhecer, Scott. – Disse ela com uma voz meio rouca. Estava doido ou ela estava tentando me seduzir?

Check, check, check, check, check, checking you out like
( Observando, observando, observando, te observando tipo)

Ooh (ooh) she got it all
(Ohh! ela tem de tudo!)

Sexy from her head to the toes
(Sensual da cabeça aos pés)
– Você não é daqui, né? Nunca tinha te visto antes... – Ela jogou os cabelos pra trás e riu. Então ficou na ponta dos pés e sussurrou no meu ouvido.
– Você faz perguntas demais, Scott, por que não vamos lá pra fora pra conversar melhor? – Perguntou. Eu assenti e ela se separou de mim, me puxando pela mão em direção a saída. Quando chegamos lá fora, ela me levou pra trás da boate – Aqui ninguém vai incomodar, vamos poder conversar em paz. – Disse, soltando minha mão. Me encostei na parede e ela começou a dançar de novo, ainda dava pra ouvir a música da boate aqui.

Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh
Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh

Oh my gosh!
(Oh meu deus!)

– Respondendo a sua pergunta, Scott, eu não sou daqui, só vim a trabalho. – Disse ainda dançando, trabalho?
– Que trabalho? – Ela riu e parou de dançar, andando em minha direção. Então ela enfiou a mão no bolso da calça jeans e a última coisa da qual me lembrava, era dela soprando acônito no meu rosto.


Capítulo 2


Ele apagou na hora, foi relativamente fácil, aliás, era sempre muito fácil atrair qualquer homem, bastava seduzi-los, incrivelmente fácil. Eu estava decidindo se iria até meu carro e pegava uma arma ou se usava as adagas que estavam nas minhas botas quando ouvi um barulho atrás de mim. Me virei e vi dois dos alvos da minha lista, se não me enganava, Malia Tate e Liam Dunbar. O garoto foi logo tentar ajudar o alfa, enquanto eu me mantinha em alerta com a garota. Ela parecia prestes a atacar, quando eu me abaixei pra pegar as adagas, senti uma dor forte na cabeça e caí no chão, me virei um pouco e vi o garoto que estava conversando com McCall antes. Ele estava com um caco de copo de vidro na mão, maldito! Ele quebrou mesmo esse copo na minha cabeça?!
– Liam, me ajuda. – Disse ele, levantando o alfa com a ajuda do garoto. Eu tentei me levantar, mas tonta do jeito que eu estava, eu cai de joelhos de novo. A garota continuava me olhando com os olhos brilhando, parecendo cogitar se me atacava ou não. Eu estava cogitando tentar jogar minha adaga nela, quando a voz do outro se fez ouvir de novo.
– Malia, vamos. – Ela rosnou pra mim antes de seguir os dois pra longe de mim. Ah, não! Eles não iriam fugir! Eu tinha que pegar o alfa, ele era o que valia mais, droga! Me levantei ainda cambaleando e fui na mesma direção deles, quando cheguei ao estacionamento, só pude ver um jipe azul virando a esquina, droga!
– Você tá legal? – Me perguntou um garoto, olhei pra ele. – Parece que bebeu demais, quer ajuda? – Mostrei o dedo e segui pro meu carro. Não estava com humor para “garotos bonzinhos”, os malditos escaparam!
Da próxima, eles não iriam ter tanta sorte, ah, mas não iriam mesmo!

Scott POV

Acordei me sentindo fraco, abri os olhos e vi que estava no meu quarto, na minha cama. Olhei pro lado e vi o Stiles dormindo na poltrona ao lado da minha cama, com o taco dele na mão.
– Stiles. – Chamei. Na hora ele levantou e assumiu posição de ataque.
– Eu tô... Ah, você acordou. – Disse ele suspirando aliviado e se sentando de novo.
– O que aconteceu? – Perguntei, realmente não lembrava de muita coisa.
– Você sumiu da boate! A Malia e o Liam foram te procurar e aí eles sumiram, eu achei melhor ir atrás deles e quando cheguei, a garota que estava dançando com você estava prestes a atacar os dois. Eu quebrei meu copo na cabeça dela e a gente fugiu, pra dizer o óbvio, ela tentou matar você. – Explicou ele e eu fiquei confuso. tinha tentado me matar? E então me lembrei dela soprando acônito no meu rosto – Ela é uma loba? – Perguntou ele, neguei com a cabeça.
– Eu teria sentido, e além do mais, ela me apagou com acônito, acho que ela é...
– Caçadora. – Completou Stiles e eu assenti – Por que tem uma caçadora atrás de você? Será que tá acontecendo aquela história de novo? – Perguntou ele preocupado.
– Não ouvimos falar de nada, não é? – Ele assentiu – Acho que ela caça sozinha. – Dei de ombros.
– Mas por que ela está atrás de você? – Perguntou de novo.
– Não sei, mas algo me diz que nós vamos descobrir, ela não vai desistir.

...


Assim que cheguei à escola, fui em direção a uma mesa perto da porta de entrada, onde os outros já estavam.
– Quem era aquela Scott? – Já me perguntou Malia assim que eu cheguei.
– Não sei, só sei que ela se chama . – Falei, me sentando ao lado do Stiles. – , que nome horrível! – Disse ela, olhei estranho.
– Malia não foi com a cara dela. – Explicou Stiles.
– E vocês foram? Ela quase matou o Scott! – Disse ela nervosa.
– Stiles. – Chamou a Lydia olhando alguma coisa atrás de mim e dele –Você não disse que ela era morena e tinha o estilo matadora sexy? –Perguntou ela, Stiles ficou sem graça.
– Matadora sexy? – Perguntou Malia incrédula.
– Ela tá ali! – Disse Lydia, cortando o assunto antes que virasse confusão. Nos viramos e lá estava ela, descendo de uma Strada prata. Ela estava mesmo parecendo uma matadora sexy, estava usando um jeans apertado preto e uma blusa de manga longa de algodão da mesma cor, ela estava usando uma bota preta com um salto tão alto que eu nem sabia como ela estava se equilibrando. Ela baixou os óculos escuros e olhou direto pra mim com o mesmo olhar de ontem, então sorriu e deu uma piscadinha, antes de recolocar os óculos e ir em direção ao colégio.
– Ridícula. – Disse a Malia, antes de pegar a bolsa dela e entrar no colégio. Eu e Stiles nos encaramos, como se já não bastasse uma caçadora nova na cidade, Malia implicou com ela, isso era ótimo! O sinal tocou e a primeira aula era de química, fomos pra sala e quando chegamos lá, tivemos uma pequena surpresa: só tinham três lugares vagos, um ao lado da e os outros dois em uma mesa ao lado da dela. Eu, Stiles e Lydia nos olhamos. Stiles se apressou e se sentou ao lado dela, fiquei nervoso com a reação, não queria que ele se colocasse em perigo, mas tecnicamente caçadores caçam apenas seres sobrenaturais, não é? Sendo humano, Stiles estava seguro, certo? Lydia me puxou pra sentarmos nos outros dois lugares quando a professora chegou. Ela começou a aula, mas eu não prestei atenção nenhum só segundo, fiquei observando Stiles e o tempo todo. Iria dar merda...

POV

– O que você quer aqui? – Foi a primeira coisa que o garoto, que até onde sabia, se chama Stiles, disse ao se sentar ao meu lado. Sorri irônica.
– Acho que deixei isso bem claro ontem a noite. – Falei, colocando meus óculos escuros como se fossem uma tiara nos cabelos e abrindo meu caderno quando a professora começou a aula.
– Por que você tá caçando o Scott? Ele não fez nada de errado. – Falou, também abrindo o caderno.
– Stiles, Stiles, é claro que ele fez! Se tornar lobisomem é o maior erro que ele podia ter cometido na vida. – Falei, ele engoliu em seco.
– Ele não teve culpa! E como você sabe meu nome? – Dei risada discretamente. Não estava a fim de levar bronca no primeiro dia.
– Eu faço minha lição de casa, Stiles, sei muito mais do que você pensa. – Falei colocando minha mão na coxa dele e o provocando. Sempre era fácil calar a boca dos homens assim, afinal, ele estava perguntando o que estava debaixo do nariz dele e eu queria prestar atenção na aula! Ele pegou minha mão e a tirou dali. Ri de novo, interessante, acho que era o primeiro que recusou meu “carinho”.
– Senhor Stilinski e senhorita , posso saber o motivo de tantos risinhos? Se quiserem, eu os dispenso pra irem namorar lá fora. – Disse a professora, apontando pra porta. Stiles ficou totalmente vermelho e eu ri mais ainda, isso iria ser divertido!

Scott POV

Assim que saímos da sala, Stiles me puxou pro canto do corredor.
– Fica longe dessa garota! Ela é maluca! E muito, muito safada! Ficou passando a mão na minha perna a aula inteira! Ela estava mesmo se divertindo com isso! – Disse ele tudo de uma vez, não consegui segurar a risada.
– E você não? – Ele me olhou confuso.
– Eu não o quê?
– Você não se divertiu? – Ele me olhou feio.
– É sério Scott! Essa garota veio aqui pra matar você e parece que ela está levando isso a sério, temos que tomar cuidado com ela. – Falou ele, enquanto íamos pra próxima aula.
– Até mais meninos. – Disse ela, passando por nós com um sorriso irônico no rosto. Me arrepiei, não tinha certeza se foi de medo, mas me arrepiei.
– Ela é maluca, escuta o que eu estou dizendo! – Disse o Stiles, talvez ela seja, mas isso não tornava ela menos bonita... O que eu estava dizendo? Que droga, Scott! A garota queria te matar! Que coisa, por que ela tinha que vir pra cá justo atrás de mim?

POV

Pela primeira vez, a escola foi realmente divertida, me diverti muito provocando os dois pelo resto das aulas, talvez a caça aos lobos fosse divertida daquela vez.
Fiquei até um pouco mais tarde na biblioteca, pro meu azar, aquele colégio estava um pouquinho mais adiantado que meu último, mas apesar de tudo, eu sempre fui uma boa aluna, os livros que eu peguei iriam dar um jeito nisso. Eu estava indo pro meu carro quando a garota, Malia, apareceu na minha frente, tampando minha passagem, fechei a cara.
– Escuta garota, não estou em horário de trabalho agora e, se você me der licença, talvez eu só te mate amanhã. – Falei, com falsa doçura, ela riu.
– Engraçado, eu sempre achei que o horário de trabalho dos caçadores fosse a noite. – Eu estava prestes a largar aqueles livros e rasgar a garganta daquela intrometida quando alguém segurou meu braço. Me virei e dei de cara com o Stilinski. O que era aquilo?! Quando me virei de novo, pra Malia, vi uma garota que eu ainda não tinha visto, mais o garoto de ontem e o alfa. Me virei outra vez pro Stiles e uma garota ruiva tinha aparecido ao lado dele. Puxei meu braço com força e olhei de um para o outro, soltando uma risada irônica em seguida.
– Uau! Uma emboscada? – Bati palmas – Eu esperava mais do “grande alfa de Beacon Hills”, não consegue me enfrentar sozinho? – Perguntei debochada, Malia ameaçou avançar em mim, mas Scott a olhou com os olhos de alfa. Ela bufou, mas ficou quieta.
– Não é uma emboscada, , estamos aqui pra pedir que vá embora. – Disse, fiquei olhando pra ver se tinha alguma piada, mas, oh meu deus, ele estava falando sério! Comecei a gargalhar como uma maluca.
– Você... Oh meu deus você... Você não pensou que seria fácil assim se livrar de mim... Pensou? – Perguntei, me recuperando do ataque de riso, precisei me esforçar um pouco pra ficar séria. – Eu faço isso há mais tempo do que você é lobisomem, Scott, e pra te dizer a verdade, nenhum ser sobrenatural que eu cacei sobreviveu a mim e, por favor, não pense que com vocês será diferente. – Falei, logo em seguida me abaixei rapidamente e pegando minhas adagas, joguei uma na Malia e a outra no garoto. Acertei na perna de ambos.
– Hey! – Exclamou ela, eu estava indo pra cima do alfa quando todos taparam os ouvidos, eu não entendi nada até ouvir um grito, merda! A ruiva era uma banshee! Por que diabos meu contratante não me avisou sobre aquele tipo de coisa? Se eu soubesse que tinha uma banshee, eu teria cobrado mais... Tapei os ouvidos, mas como fui pega desprevenida, escutei o bastante pra fazer meus ouvidos ficarem fazendo aquele barulho insuportável de quando escutamos um barulho alto. Me abaixei tentando fazer parar e quando levantei a cabeça, todos eles tinham ido embora. Mas que droga! Escaparam de novo! Iria entrar em contato com o “The Hunter”, iria precisar cobrar mais por aquilo, eles estavam me dando trabalho! Agora eu entendi por que eles eram tão famosos, com certeza eram duros na queda, porém, é claro, não tanto quanto eu. Se eles eram bons, eu era melhor e, claro, iria provar isso, ah se iria!

Capítulo 3


Scott POV.

– Por que, exatamente, nós fugimos? – Perguntou a Malia quando nós chegamos à minha casa. Ela estava segurando um pano no corte que estava na perna dela, ainda não tinha cicatrizado – A gente podia ter dado um jeito nela!
– Nós não vamos matá-la. – Falei, me sentando no sofá.
– E o que vamos fazer então? – Perguntou o Liam. Tá aí uma coisa que eu não sabia...
– Não matar ela, não entendeu? – Perguntou o Stiles meio óbvio.
– Que seja! Mais ela parece bem disposta a nos matar e, se ela me atacar, eu vou me defender. – Disse a Malia.
– Será que dá pra parar? Gente, eu não estou com um bom pressentimento em relação a essa garota. – Disse a Lydia, roubando a atenção de todos nós.
– O que você tá sentindo? – Perguntou o Stiles, parando de frente pra ela. Ela suspirou.
– Eu não sei, tem alguma coisa... Sei lá, alguma coisa escura, ruim, que ronda essa garota, eu não sei o que é, mas me parece morte... – Disse ela olhando pro nada, todos ficamos tensos.
– É claro que ela tem morte a rondando, ela é uma assassina! – Disse a Malia.
– Não Malia, não é isso, é só... Uma escuridão. Não é algo que ela tenha feito, eu não consigo entender o que é... Só sei que é algo que ela carrega com ela a muito tempo. – Disse.
– Não é tipo um demônio ou sei lá, né? Não estou muito a fim de ser possuído de novo... – Disse o Stiles nervoso.
– Não é isso, é mais tipo... Não sei, tristeza, solidão ou culpa, acho que isso. – Disse ela, balançando a cabeça e olhando pra mim – Ela precisa de ajuda, Scott.
– Mas que tipo de ajuda? Ela quer nos matar, como vamos ajudá-la? – Perguntei.
– Olha, eu sou banshee não vidente, eu não sei o que ou como fazer, isso é só o que eu sinto.
– E o que vamos fazer então? – Perguntou o Liam, suspirei. – Por enquanto nada, evitem o confronto e não andem sozinhos, vamos tentar ficar sempre em grupo e, se ela atacar, fuja. – Eu disse. – E por que precisamos fugir? Ela é humana, Scott, a gente podia dar conta, só acho. – Malia disse.
– E por que essa implicância repentina, Malia? – Perguntou Stiles.
– Ela quer matar a gente!
– Não é só por isso, o que é? – Perguntei.
– Tem algo nela de que eu não gosto, só isso. – Disse, dando de ombros.
– Estamos todos entendidos, certo? Vamos evitar uma luta. – Falei.
– Eu não posso garantir. – Disse Malia, respirei fundo.
– Malia, ela parece mesmo boa no que faz, você não reparou que, mesmo pensando que aquilo era uma emboscada ela não recuou? Ela iria enfrentar todos nós ao mesmo tempo se a Lydia não gritasse. Se você tentar enfrentar ela sozinha, você é quem pode sair machucada. Ela é uma caçadora e infelizmente, todos nós estamos na lista dela, precisamos recuar, pelo menos enquanto eu não tiver um plano, estamos entendidos? – Ela assentiu, sem dizer mais nada, o problema era que eu não tinha um plano e nem tinha ideia se um dia teria um. Aquela situação, sem sombra de dúvidas, estava complicada, e muito!

POV.

Tédio. E nisso se resumia minha semana em Beacon Hills. Eu achei que eles eram duros na queda, que me enfrentariam sem medo, eu não podia estar mais enganada, eles estavam me evitando a todo custo, sempre andando em grupos e quando eu conseguia pegar algum sozinho, ele fugia. Eu não estava entendendo mais nada! Isso deveria ser um jogo de caçadores, eu os caçaria enquanto eles também me caçavam. Eu estava acostumada a trabalhar daquele jeito, nunca achei que justo aquela alcateia, a mais conhecida, fosse ficar fugindo de mim!
Mas parecia que hoje estava com sorte. Fiquei até mais tarde na biblioteca outra vez e aquela garota, a Malia, também. Esperei até ela sair e a segui, pegando a arma que eu tinha escondido com o casaco da cintura da minha calça. Quando já estávamos no estacionamento, longe de qualquer curioso, eu parei e mirei com a arma.
– Hey! Paradinha aí! – Ela parou quando ouviu minha voz e se virou pra mim com os olhos no modo lobisomem e os dentes a mostra – Uau! Quanta agressividade. – Brinquei, rindo da minha própria piada.
– Falou a garota que está apontando a arma pra mim. – Disse ela, revirei os olhos.
– Pode ser do jeito fácil ou do jeito difícil, o fácil é o que você não sente tanta dor e o difícil é aquele no qual você me implora pra ter te matado do fácil. – Falei, destravando a arma.
– Escolho a terceira opção, nenhum dos dois. – Dito isso ela se virou e começou a correr, merda! Ela começou a subir um muro que dava pra um sei lá o que ao lado da escola e eu atirei, acertando a cintura dela, ela soltou um grito e em seguida, já no topo do muro ela se virou pra mim, ainda com os olhos brilhando – Você tem sorte do Scott te querer viva! – Disse e pulou. Eu ia correr atrás dela quando comecei a assimilar o que ela disse. O alfa me queria viva? Por que ele me queria viva? Ah, claro, ele deveria querer me matar, ele mesmo, quanta burrice a dele! Deixar os betas basicamente indefesos, sem poder me atacar, isso era uma sentença de morte pra eles! Não que eu me importasse, claro, mas de qualquer forma, era muito egoísmo da parte dele. Pena pros betas, agora eles definitivamente eram alvos fáceis e bom, não perdoava alvos fáceis.

Scott POV.

Eu estava na clínica com o Deaton e então escutamos alguém bater à porta de entrada. Quando saímos, vimos a Malia com uma mancha de sangue da blusa.
– O que aconteceu? – Perguntei, indo ajudá-la.
– Eu levei um tiro da sua protegida. – Disse, eu a levei pra dentro e ela sentou na maca. O Deaton levantou a blusa dela pra ver se tinha sido muito feio.
– Minha protegida? – Perguntei confuso.
– É, a caçadora na qual você não deixa que a gente encoste! – Respirei fundo.
– Vocês lutaram? – Perguntei, ela bufou irritada.
– Não! E é exatamente por isso que eu levei um tiro! Se eu tivesse lutado com ela e não fugido, eu não estaria assim. – Falou ela, fazendo careta enquanto o Deaton mexia no machucado.
– A bala passou reto, foi só de raspão, já tá curando. – Disse ele, ela assentiu.
– Então ela estava armada? – Perguntei, levantando uma sobrancelha, Malia revirou os olhos.
– É óbvio. – Confirmou ela.
– Então foi melhor mesmo você ter fugido. Se isso aconteceu com você indo embora sem lutarem, imagina o que teria acontecido se você resolvesse enfrentá-la?
– O Scott tem razão, o melhor é recuar por enquanto, Malia. é um nome bem conhecido por seres sobrenaturais, ela é uma caçadora de aluguel muito temida, até onde sei, ela caça desde os treze anos. Wla é boa. – Explicou Deaton.
– E quando é que você vai ter um plano, Scott? – Perguntou ela, cruzando os braços, eu suspirei.
– Se nem o Stiles, que é o cara dos planos, tem um, imagine eu? – Ela ainda não havia desistido. Uma semana e ela continuava nos perseguindo. Eu a via nos seguir no colégio, no caminho de casa. Estava preocupado, não comigo, mas com o que ela poderia fazer com os outros. Estavam todos a evitando, como eu disse pra fazer, mas ela não desistia. Estava começando a ficar com medo. Iria chegar uma hora na qual fugir não seria o bastante e aí, eu não queria nem saber o que poderia acontecer. Precisávamos pensar em algo, e rápido...


Capítulo 4


Eu precisava fazer alguma coisa. Ontem Malia tomou um tiro, quem garantia que ela iria ser a única? E o pior, quem garantia que da próxima vez iria ser só um tiro? Eu já tinha me decidido. Na saída do colégio dessa vez eu ia sozinho, e não de carona com o Stiles como eu estava indo desde que chegou. Liguei a moto e saí do estacionamento, depois que eu me certifiquei que ela estava me seguindo, eu fui em direção à floresta, indo até uma clareira perto do penhasco, e então eu parei. Não demorou muito e eu ouvi o carro dela estacionando a uns metros de onde eu estava, e logo depois eu ouvi passos cautelosos na minha direção. Quando me virei, ela estava lá, girando as adagas nas mãos. Quando nossos olhos se encontraram, ela sorriu.
– Certo, por que me trouxe aqui? – Perguntou ela.
– Por que você estava me seguindo? – Respondi com outra pergunta.
– A resposta pra essa você já sabe, por que você me trouxe aqui, Scott? – Perguntou ela, andando lentamente na minha direção.
– Eu quero um acordo. – Falei, ela me olhou desconfiada.
– Que acordo? – Perguntou, cruzando os braços.
– Você não vai machucar nenhum deles até ter me matado. – Falei, ela riu.
– E por que isso? Não acha que eu posso te matar agora? Pense bem, eu estou armada, nós estamos no meio da floresta, ninguém pra te ajudar, por que eu não te mataria agora? – Perguntou ela, brincando com uma das adagas.
– Eu sei que não vai fazer isso. – Falei, passando mais segurança do que eu realmente sentia, ela me olhou surpresa, mas logo reassumiu a pose.
– E por que não? – Perguntou, aquela era uma boa pergunta. Eu não sabia por que, só sabia que ela não iria. Eu sentia isso, naquele momento eu comecei a pensar e então, a primeira noite na qual nos enfrentamos me veio à cabeça, e o que a Lydia disse depois também. Ela disse que precisava de ajuda, o problema era pra quê? – Por que você precisa da minha ajuda. – Falei. Ela gargalhou e por um momento fiquei pensando se eu tinha falado besteira, mas então ela me olhou de um jeito que nunca tinha olhado antes. Um olhar vazio, triste, e então eu soube que ela precisava mesmo da minha ajuda.
– Sua ajuda Scott? Você é que precisa de ajuda! Por que acha isso? – Perguntou, respirei fundo e tentei pensar no que dizer.
– Você é vazia, . – Ela parou de brincar com a adaga e me olhou meio perdida.
– Só o meu pai me chamava assim, eu te proíbo de dizer isso novamente. – Disse ela, transformando a surpresa em raiva.
– Por que você se tornou caçadora? – Perguntei, ela me olhou com aquele olhar outra vez, o vazio e triste.
– Por que você acha que eu não vou te matar agora, Scott? O que te faz pensar isso? Eu não tenho nada a perder, apenas a ganhar. – Disse, se esquivando da minha pergunta. Tinha alguma coisa ali, algo por trás da história dela ter se tornado caçadora. Talvez aquele fosse o motivo dela ter se tornado tão fria.
– Você não vai. – Ela me olhou com ódio, mas então se virou e começou a andar em direção ao carro dela.
– Não ache que venceu McCall, eu ainda vou matar você. – Foi só o que ela disse antes de entrar no meio das árvores. Eu não me surpreendi, eu tinha certeza de que ela não me atacaria. Eu não sabia por que, mas era como se fosse uma voz no meu subconsciente me dissesse que ela não era capaz de me machucar. Não riam, eu sabia que aquilo estranho já que ela estava na cidade justamente pra me matar, mas eu sabia, ela não iria fazer aquilo.

POV.

Mas o quê? Eu entrei o carro e soquei o volante com força antes de dar a partida. Por que diabos eu não arranquei a cabeça dele quando ele me chamou pelo apelido? Ou então quando ele disse que eu não faria isso? Ah, eu deveria ter feito só pra mostrar pra ele que ele não sabe NADA a meu respeito, absolutamente nada! Como ele ousava! E por que eu realmente não o ataquei? Eu não sabia explicar, foi como se automaticamente meu corpo voltasse pro carro, quando eu não queria isso. Eu não estava entendendo mais nada! Como assim ele me chamou pelo apelido? Eu não escutava aquilo há sete anos! SETE ANOS entendeu?! Apenas meu pai me chamava assim e ouvir aquilo da boca dele foi como voltar no tempo e escutar meu pai dizer. Eu sentia tanta falta dele... Droga! Acelerei o carro, saindo da floresta de uma vez e fui em direção à casa que eu tinha alugado. Eu não lidava com aquele meu lado emocional há séculos e o alfa nem sabia o quanto eu o odiava por me fazer lidar com aquilo de novo! Sem sentimentos sempre era mais fácil, o único sentimento que realmente me foi útil nos últimos anos foi a raiva, apenas ela, todos os outros me deixavam fraca e vulnerável, e deve ser exatamente o que McCall estava pensando, que trazer minhas emoções de volta iria dar alguma vantagem pra ele. Pois ele se enganou, aquilo me deixou com apenas mais raiva dele! Hahah! Ele achava que eu não era capaz de matá-lo? Ele iria ver só! Ele não me conhecia, estava na hora de mostrar o meu melhor lado a ele, o lado assassina implacável. Eu iria matá-lo, era uma questão pessoal agora, nem que fosse a última coisa que eu iria fazer na vida!!


Capítulo 5


Scott POV.

Depois que ela saiu, eu fiquei lá por mais um tempo, na verdade, muito tempo. O sol já estava se pondo quando eu notei que ainda estava lá, senti meu celular vibrar no bolso e tentei tirá-lo de lá sem muito sucesso, já que eu estava sentado. Quando eu finalmente consegui tirá-lo de lá, já tinham outras três mensagens, todas do Stiles.

Stiles.

“Scott, onde você se enfiou?”
“Scott, tem uma caçadora na cidade, você não pode sumir assim!”
“Scott? SCOTT?! , se você pegou meu amigo, eu te mato!!”
“Scott, sério, você está bem? Onde você está?”

Scott.

“Eu tô bem, só me distrai um pouco... Estou indo pra casa.”

Stiles.

“Te encontro lá”.

...
Quando cheguei em casa, o jipe do Stiles já estava estacionado lá, desci da moto e entrei em casa, ele estava no sofá da sala.
– Onde você se meteu, Scott? – Perguntou ele, levantando.
– Eu estava tentando dar um jeito nas coisas... – Ele arregalou os olhos e se jogou no sofá novamente.
– Você não estava com a caçadora, estava? – Perguntou, sem olhar pra mim.
– Eu estava tentando fazer ela parar de perseguir todo mundo! – Falei, me jogando no sofá ao lado dele.
– Me diz que você não tentou conversar. – Disse ele, suspirei.
– Tentei propor um acordo. – Falei, ele me olhou desconfiado.
– Que acordo?
– Propus que ela só caçasse os outros depois de ter me matado. – Stiles arregalou os olhos outra vez.
– O quê?! E ela aceitou? – Suspirei de novo.
– Não faço ideia!

...


– Merda! – Resmunguei depois de abrir a porta de casa, entrei mancando e me joguei no sofá.
– Scott? Ai meu Deus! – Disse minha mãe, correndo da cozinha até onde eu estava.
– Eu tô bem, mãe. – Falei, arrancando o pedaço de flecha que estava na minha perna.
– O que foi dessa vez? – Perguntou ela, cruzando os braços.
– Dois tiros e uma flechada. – Falei, me mexendo desconfortável no sofá por conta dos tiros que levei do lado esquerdo da cintura.
– Não acha que você tem que dar um basta nisso? – Perguntou ela, se sentando ao meu lado. Escondi o rosto com as mãos.
– Eu pensei que você ia estar no hospital, mãe! – Resmunguei.
– Eu estava, mas daí o Stiles me ligou e disse que você e a garota tinham sumido. – Disse ela, cruzando os braços, suspirei.
– Eu não sei mais omque fazer, eu sei que o acordo foi o certo a fazer, eu sou mais forte que os outros, mas agora que ela concentra as energias em mim, está mais difícil. – Falei, tentando sentar de um modo que minha cintura não doesse.
– Eu sei que você não quer matá-la, filho, mas não acha que está na hora de por um basta nisso? Talvez o Sheriff possa ajudar. – Disse ela, me inclinei pra frente colocando os cotovelos nos joelhos e neguei com a cabeça.
– Ela é perigosa, mãe, geralmente anda armada até os dentes. – Falei, minha mãe suspirou e colocou a mão no meu ombro.
– Você continuar se machucando dessa maneira é o que não pode, filho, não quero nem pensar o que poderia ter acontecido se ela acertasse um desses tiros onde queria. – Disse minha mãe, me endireitei e olhei pra ela.
– Vou pensar em alguma coisa. – Falei.
– Tem certeza que você está bem, Scott? – Perguntou ela desconfiada, assenti com a cabeça.
– Eu vou curar, mãe.
– Certo, vou voltar pro hospital, mas qualquer coisa, me avise, por favor, certo? – Assenti outra vez, ela deu um beijo na minha testa e saiu, e eu fiquei lá pensando, pensando em como me sentar sem que os ferimentos doessem ou como me livrar da ...

POV.

Eu tinha que tirar o chapéu para o Scott, com certeza. Uma semana de “acordo”, uma semana na qual eu tentava matá-lo e não conseguia, irritante? Talvez, mas de qualquer forma, acho que Scott meio que ganhou o meu respeito. Eu sei, eu sei, ele era um monstro e blá, blá, blá, mas ele era mais forte que qualquer outro que eu já tenho visto, e tem uma vontade de viver sem igual. Hoje mesmo, eu atirei nele duas vezes e acertei uma flecha, mas mesmo assim ele se defendeu, continuou forte e por mais estranho que isso parecesse, não tentou me atacar, nem uma vez sequer. Ele me empurrou, tentou fugir de mim, mas em nenhum momento tentou me ferir, o que de verdade era estranho, qual é! Eu estava tentando matá-lo! Como assim ele não queria me ferir? Quer algo ainda mais estranho? Desde que eu cheguei, tem acontecido uns “assassinatos” por aqui, claro que obra de lobisomem, porém, aí vinha a parte estranha, Scott e os outros estavam caçando o culpado, não acha isso esquisito? Ele estava caçando a própria espécie! Eu não sei se aquilo o tornava melhor ou pior aos meus olhos, pense bem, eu sou humana, se eu caçasse outros humanos, eu seria uma assassina da pior espécie, não? Porém, por outro lado, ele estava atrás de um assassino, o que o faz se tornar um “herói”. Eu estava confusa, eu sei, mas de uma coisa eu tinha certeza, ainda não desisti de pegá-lo, era o meu trabalho e em algum momento na vida, Scott deveria ter matado, ele ou qualquer outro naquela alcateia, meu dever era caçar assassinos, fossem eles como fossem, e eu iria até o fim.


Capítulo 6


Scott POV.

Ela sumiu, como assim? Ela não apareceu hoje no colégio, para falar a verdade, eu deveria estar aliviado, mas eu estava preocupado, nada me tirava da cabeça que ela realmente precisava de ajuda, ajuda pra lidar com o emocional. era uma bomba relógio prontinha pra explodir, o problema era que a única afetada seria ela mesma. Eu via nos olhos dela, ela estava sofrendo com alguma coisa e eu sabia que ela nunca diria nada sobre aquilo pra mim. Para ela, eu era apenas um alvo, mas mesmo assim, eu me importava. Estúpido, eu sei, mas me importava.
– Scott? Viajou? – Perguntou Stiles, passando a mão na frente do meu rosto, só então reparei que a aula tinha acabado.
– Já é hora do almoço? – Ele me olhou de um jeito estranho.
– Scott, está na hora da saída, você tá legal? – Perguntou, eu assenti com a cabeça e me levantei. Nós dois saímos da sala e quando estávamos passando na frente da diretoria, eu a vi. Ela estava diferente, não estava usando roupas provocantes nem os habituais saltos altos, estava usando jeans, camiseta e um par de all star velhos, parecia normal, o mais estranho nisso tudo? Eu nunca tinha visto um olhar tão perdido como aquele na minha vida. Os olhos dela encontraram os meus e não estavam naquele provocador de sempre, estavam sem vida, opacos, mais ou menos como naquele dia na floresta.
– Scott? Você ouviu o que eu disse? – Disse Stiles.
– Ela não está bem. – Falei, ele me olhou confuso.
– Quem? – Apontei na direção da com a cabeça – E daí? Os problemas dela não são da nossa conta, Scott.
– Ela parece mal...
– E também parece não se importar com a sua preocupação nem com nada ao seu respeito, ela quer te matar, Scott. – Disse ele, ele tinha razão, eu sei disso, mas eu me preocupava, eu me importava, eu... Eu queria ajudar, eu não podia, eu sabia disso, ela não me deixaria nem tentar, eu sabia disso, mas algo em mim queria ajudá-la, queria cuidar dela. Eu não sabia por que ou como, só... Era algo em mim, e eu não fazia a menor ideia de como lidar com aquilo.

POV.

Eu definitivamente não estava bem, por quê? Minha tia, a única pessoa que havia sobrado da minha família, estava morta. Eu não deveria me importar, claro, afinal, ela me deixou sozinha quando eu precisei, me botou pra fora de casa depois de os meus pais terem morrido, me culpou por isso por todos aqueles anos, mas... Era minha tia, minha única família, eu estava mesmo cogitando largar o trabalho ali e ir pra casa. Cheguei a ir no colégio fechar minha matrícula, mas... Eu não podia fazer aquilo, tudo o que eu estava passando agora era culpa deles! Se um maldito lobisomem não tivesse matado a minha família, eu nunca teria pegado numa arma na vida! Nunca teria precisado fazer o que eu fazia... E foi então que eu o vi, Scott estava passando pelo corredor junto com o Stiles e tinha o olhar fixo em mim, por um momento eu pensei ter visto preocupação naqueles olhos, mas então eu caí em mim, não, ele não podia se preocupar comigo, ele era um daqueles monstros! Um daqueles monstros que matou minha família, os olhos dele brilham igual, ele se transformava na lua cheia ele... Por mais incrível que fosse, eu tive vontade de correr e abraçá-lo, de me deixar ser protegida por ele, de esquecer o mundo... E foi nesse momento que eu percebi, eu não poderia gostar dele, nem como amigo, nem como nada! Ele não deixava de me atacar por que se importava, ele deixava de me atacar porque... Eu não fazia ideia! Eu estava tão confusa! Corri pro meu carro e assim que entrei, eu liguei o rádio tentando sintonizar uns ajustes que eu tinha feito para que ele sintonizasse com o da polícia, foi então que eu ouvi, mais um assassinato, uma garota de dezesseis anos! Malditos! Foi aí que eu voltei a mim, Scott, Liam, Malia ou qualquer outro... Não fazia diferença! Eram todos monstros e eu iria acabar com eles! Com todos eles!


Capítulo 7


Ainda faltavam duas noites pra lua cheia, mas mesmo assim estava achando a minha noite bem produtiva, eu estava passando pela frente do colégio, não que eu fosse ganhar algo com isso, mas tinha decidido caçar o lobisomem que tinha matado a garota ontem, eu não era apenas uma assassina de aluguel, preferia me intitular justiceira, eu fazia justiça, apenas isso, mas então eu vi o mais novo da alcateia, Liam se não me engano, descendo de um carro com um amigo no estacionamento, os dois estavam entrando no colégio, não resisti, qual é?! Com ou sem trato com o alfa, aquele era um alvo fácil! Estava sozinho, e bom, eu não achava que o amigo pudesse ajudar, mesmo se quisesse, estacionei e os segui, eles estavam no corredor em direção à biblioteca, tirei minhas adagas, minhas armas favoritas, de dentro das minhas botas e fui andando calmamente até eles, não queria chamar a atenção, porém ele era mais esperto do que eu pensava.
– Espera, estou ouvindo alguma coisa. – Falou, fazendo sinal pra que o amigo parasse.
– Se você está ouvindo alguma coisa, a gente não deveria se apressar? – Perguntou o amigo, vi quando ele assentiu e os dois começaram a andar mais rápido, continuei a segui-los até a porta da biblioteca, quando eles pararam pra abrir, eu cheguei por trás, colocando uma das adagas no pescoço dele enquanto colocava a outra na cintura, de maneira que ele não pudesse se mexer.
– Quietinho. – Falei. – E você, é melhor ir embora, anda! – O garoto começou a dar passos para trás bem devagar, quando vi que ele não ia causar problemas, voltei minha atenção pro Liam, mas infelizmente isso foi um erro, logo senti algo batendo nas minhas costas e gritei, soltando o garoto e caindo no chão – Droga! – Levantei o olhar e percebi que o amigo, que eu achava incapaz de me causar problemas, tinha batido em mim com uma cadeira, droga! Aquilo com certeza ficaria dolorido... Os dois começaram a correr de volta para o estacionamento e eu, bufando de raiva, os segui. – Garoto, você me paga! – Gritei, os dois sumiram do corredor e eu apressei o passo, assim que eu atravessei a porta, veio a minha surpresa, Liam não era de fugir, não mesmo, com certeza teria dando tempo de eles entrarem no carro e darem o fora, mas ele estava bem ali, transformado, me esperando pra lutar, admito que isso me admirou, ainda mais pelo fato de ele ser mais novo que eu, o amigo dele ainda estava com a cadeira na mão.
– Vai pro carro, Mason. – Disse Liam ao garoto ainda sem tirar os olhos de mim, o garoto fez o que ele tinha pedido e eu comecei a brincar com as adagas nas mãos.
– Você já sabe quem vai levar a pior, não é? – Ele rugiu e veio pra cima de mim, eu me esquivei e defendi, não demorou pra que eu percebesse que ele não estava tentando usar as garras, a essa altura eu já estaria com uns arranhões no mínimo, isso também me surpreendeu, mas se ele queria luta corporal, por mim tudo bem, larguei as adagas no chão e fui pra cima dele, tentando acertar algum soco, maldito reflexo de lobisomem! Ele desviou de todos! Quando ele segurou uma das minhas mãos, eu girei e o acertei com o cotovelo, o fazendo perder a concentração por um minuto, então lhe dei uma rasteira e o derrubei, subindo em cima dele e pegando minha adaga, que estava do lado, eu a coloquei no pescoço dele e estava prestes a corta-lo quando ele deixou que os olhos voltassem aos humanos e, pela primeira vez desde que começamos isso, hoje eu vi que, apesar de ter coragem ,ele também estava com medo, esse medo que eu via nos olhos deles antes de morrer sempre me fez sentir vingada, mas não dessa vez, droga! Ele era só um garoto! Eu me levantei e cambaleei pra trás, sem acreditar no que eu estava fazendo, ele me olhou também sem acreditar por um momento, mas logo aproveitou a chance, se levantando e correndo pro carro, eu fui pro meu também, eu entrei e dei partida, então me olhei no retrovisor.
– Mas que merda foi essa? – Me perguntei em voz baixa quando eu realmente percebi o que tinha feito, tinha tido a chance de matar um deles e tê-la deixado escapar, eu acelerei o carro, indo pra rua, qual era o meu problema?! Eu podia tê-lo matado! Por que eu não fiz isso?! Aquele era o meu trabalho! Mas que droga! Eu estava passando ao lado da floresta quando ouvi um barulho vindo da mesma, deveria ser a droga do lobisomem que eu estava procurando, hoje, pelo menos um eu matava!

Scott POV.

– Alguma ideia de por que o Liam nos chamou no colégio às dez da noite? – Perguntou Stiles enquanto dirigia.
– Ele só disse que tinha ido lá pra pegar alguma coisa na biblioteca com o Mason, mas que o carro não quer pegar agora e eles precisam de carona. – Falei.
– Só por isso?
– Não sei, ele parecia meio nervoso na ligação, acho melhor a gente ver o que aconteceu. – Stiles deu de ombros e continuou dirigindo, eu estava na casa dele quando Liam me ligou, ele parecia muito nervoso, me perguntou se a gente podia dar uma carona, mas acho que tem mais alguma coisa, Stiles brecou com o jipe e o cinto de segurança quase me enforcou, olhei pra ele assustado – O que aconteceu?! – Perguntei, ele apontou pra frente, tinha um carro parado no meio da rua, nós nos encaramos e descemos, seja quem fosse poderia estar precisando de ajuda, nós fomos dar uma olhada no carro pela porta do motorista, que estava aberta.
– Esse não é o carro da ? – Perguntei.
– Certeza. – Disse ele, apontando pras armas dela em uma bolsa no banco de trás, eu fui dar a volta no carro pra ver se encontrava algum dano que a fizesse largar ele ali daquele jeito quando a vi, ela estava desmaiada do outro lado do carro, tinha um machucado no pescoço e ele estava sangrando, tipo muito.
– Merda! Stiles! – O chamei.
– Uau! – Exclamou ele quando parou atrás de mim – O que a gente faz? Leva ela pro hospital? – Perguntou, neguei com a cabeça enquanto me levantava com ela no colo.
– Não é muito apropriado nesse momento, e além do mais, acho que consigo dar um jeito na clinica. – Falei, aquilo com certeza era uma mordida, minha mãe poderia nos ajudar, mas preferia manter longe dela. Stiles assentiu e correu para abrir a porta de trás do carro dela, tirando a bolsa de armas do banco, eu a coloquei lá com cuidado – Pega o Liam e o Mason no colégio e me encontra na clínica. – Falei, entrando no carro e dando partida.
– Tem certeza de que vai ficar bem com ela sozinho? – Perguntou Stiles desconfiado.
– Desse jeito ela não é perigo, vai logo! – Ele assentiu e foi pro jipe, eu fui pra clínica, olhei pelo retrovisor e a vi no banco de trás, ela estava pálida e não mexia um musculo, esperava mesmo que eu conseguisse dar um jeito naquilo na clínica...

POV.

Acordei sentindo a cabeça pesada, resmunguei um e abri os olhos, vendo Stiles me olhando com um taco de baseball nas mãos, acabei gritando de susto, ele também gritou, ficamos gritando até que eu sacasse que aquilo era idiotice e calasse a boca.
– O que você... O que eu estou fazendo aqui?! – Perguntei enquanto me sentava, eu estava deitada em uma maca para animais, logo imaginei que eu estava na clínica veterinária da cidade, Stiles continuou me olhando sem dizer nada e eu bufei irritada. – Certo, ou você me diz ou eu quebro cada ossinho do seu corpo, que tal? – Perguntei sorrindo irônica, ele arregalou os olhos e engoliu em seco.
– Eu vou... Eu vou chamar o Scott. – Disse antes de sair quase correndo, tive que rir, ele era engraçado, mas logo fiquei séria outra vez, McCall entrou na sala com os olhos no modo alfa e eu me levantei, se ele atacasse eu com certeza revidaria.
– Pode parabenizar seu beta, ele fez um ótimo trabalho me capturando. – Falei, cruzando os braços e me encostando na maca, se fosse o lobisomem assassino eu com certeza não estaria ali, os olhos dele voltaram aos humanos e ele me olhou confuso.
– Liam? Não foi... Eu e Stiles encontramos você machucada na rua e te trouxemos pra cá, Liam não tem nada a ver com isso.
– Alguém da sua alcateia me atacou! – Ótimo! Ataque a caçadora e negue isso!
– Liam não fez nada e a Malia também não. – O olhei furiosa, se eu tivesse visão a laser, ele já estaria morto.
– Alguém me atacou e, até onde sei, vocês são os únicos lobisomens interessados em me machucar em Beacon Hills e, se eu não souber quem me atacou nos próximos dez segundos, eu vou enfiar uma bala na sua testa! – Falei, o olhando com o máximo de ódio que consegui juntar, ele me olhou sério.
– Só te ajudamos porque não é meu estilo deixar alguém morrer sem fazer nada, tem um novo alfa na cidade e... – Parei de escutar naquele momento, alfa, e então a memória do ataque me atingiu como um golpe na cabeça...

Flashback.

Desci do carro e peguei as adagas, armas naquele momento nem pensar, não sabia aonde ele estava e sem ele na mira, uma arma era completamente inútil agora. Eu estava rondando meu carro quando algo me atacou e era muito mais forte do que eu pensava, enquanto eu tentava me defender, pude ver os olhos, vermelho alfa, eles me encaravam com mais ódio do que Scott sentiria na vida, com certeza não era ele, levei um golpe e cai no chão, batendo forte com a cabeça, minha visão embaçou e a última coisa que me lembrava era de sentir uma dor forte no pescoço...

Flash back off.


– Você está bem? Você está com um machucado no pescoço e estava sangrando bastante... – Disse Scott, me tirando das minhas memórias, o olhei fria.
– Pare de fingir que se importa, isso é ridículo até para você. – Falei e levei a mão ao pescoço percebendo que ali tinha um curativo, comecei a tirá-lo e ele fez menção de vir me ajudar, o olhei com um olhar que eu gosto de pensar ser assustador e ele suspirou ficando onde estava, arranquei o curativo e respirei fundo, me preparando para enfiar o dedo no machucado e descobrir se estava muito fundo, mas o que eu encontrei ali me assustou muito mais do que se o corte tivesse chegado no osso, não tinha nada, nada, olhei o curativo e vi que ali tinha sangue, fiquei confusa, pra onde foi o machucado? Percebi que Scott prendeu a respiração e olhei pra ele.
– Era uma mordida. – Disse ele, levei um tempo pra assimilar, uma mordida?! – Tenho certeza de que foi pra matar, ninguém morde em um lugar como o pescoço pra transformar... – Meus olhos se arregalaram, não... Minha nossa, não! Me desencostei da maca e me olhei nas portas de vidro de um armário de remédio, meu pescoço estava limpo, nem sinal de que já esteve machucado, a luz da lua entrava pela janela atrás de mim, olhei o reflexo dela no vidro e meus olhos brilharam, eram azuis, como os olhos do assassino da minha família, de que cor mais seriam depois de eu ter me tornado uma assassina? Eu não conseguia acreditar que...
– Ele me transformou. – Terminei meu pensamento em voz alta, me virei e vi que Scott me olhava como se eu fosse um fantasma, o empurrei para o lado e sai da sala, do lado de fora Liam e Malia estavam encostados do lado de dentro do balcão, Stiles estava perto da porta pela qual eu saí com o taco de baseball ainda na mão, quando me viu, ele assumiu posição de ataque e os outros dois me olharam com os olhos no modo lobisomem, direcionei a eles meu melhor olhar assassino e, pela cara de susto que eles fizeram, tinha certeza de que meus olhos brilharam, saí e encontrei meu carro estacionado, eles devem tê-lo trazido pra cá, eu normalmente agradecia quando me faziam um favor, mas no momento, não estava com cabeça para isso, agora só conseguia pensar no maldito lobisomem que me transformou, naquela maldita espécie que matou minha família, a mesma espécie a qual eu pertencia agora... Nunca segui nenhuma regra de caçadores, afinal, nunca fiz parte de nenhum grupo ou família, sendo assim eu ditava minhas próprias regras, mas até onde eu sei, quando um caçador era transformado, ele deveria se matar, talvez isso não fosse má ideia pra mim, durante todos aqueles anos eu me mantive forte, eu continuei sozinha, mesmo sem família, amigos, mas agora... Agora eu era o que eu passei anos odiando, será que eu conseguiria mesmo aguentar aquilo? Eu acho que não...

Capítulo 8


E como se ainda desse para piorar, aquela merda me aconteceu! Era muito fácil ser uma caçadora no ensino médio, com certeza fica ainda mais fácil quando um maldito alfa te transformou em uma maldita lobisomem! Sacaram a ironia, né? Pois é, digamos que eu estava remoendo o ódio desde ontem à noite, se o maldito tinha me mordido pra matar, alguém me explica por que eu não morri? Claro, porque o McCall tinha que se meter e "salvar a minha vida", argh! Eu precisava relaxar um pouco, isso, relaxar... Fui para a minha "sala de treinamento" improvisada que eu tinha montado em um dos quartos da casa, pra resumir, eram alguns sacos de areia pendurados, assim eu poderia treinar com as adagas, tranquei a porta e coloquei uma música, alguma que expressasse o que eu sentia, acabei colocando um rock qualquer, na verdade, não fazia diferença, tentei concentrar a minha raiva na luta, bastou eu me distrair um pouco e quando me dei conta os sacos estavam em pedaços, o chão cheio de areia e minhas garras e presas a mostra, mais que droga! Como se "desliga" isso mesmo?

...


Eu estava enlouquecendo! Por quê? Ah, eu te explico, nos últimos dois dias a minha vida estava um inferno, nem apareci no colégio ou mesmo cacei, pra resumir, meus olhos tinham vontade própria, acendendo quando ficavam com vontade, simplesmente não controlava minha força, de dois dias pra cá eu tinha quebrado dois pratos, três copos e o controle do meu DVD e claro, minhas garras também tinham vontade própria, ontem quando acordei, meu travesseiro já tinha se transformado em penas espalhadas pela cama e, quer saber como poderia piorar? Era lua cheia! Estava tudo pior! Eu não conseguia controlar nada! Pra você ter uma ideia, eu estava escutando cada barulhinho num raio de cem metros, eu ia ficar maluca! Vocês devem estar achando isso estranho, nunca tinham visto uma recém transformada tão descontrolada quanto eu era, não é? Nem eu, já peguei novatos antes e nenhum deles pareceu descontrolado assim, mas pra explicar um pouco melhor, eu nunca fui uma pessoa controlada, nunca controlei minha raiva e acho que isso estava refletindo na minha transformação agora e, como eu disse, era lua cheia, céus não queria nem ver como iria ficar à noite, ótimo! Eu realmente precisava de ajuda!

Scott POV

Estranho? Muito. O que era tão estranho? simplesmente desapareceu desde aquela noite, não apareceu no colégio e nem tentou caçar nenhum de nós, os outros estavam achando que ela desistiu, mas francamente, bastava olhar pra ela pra descobrir, não era do tipo que desistia, tive a prova disso quando senti uma coisa gelada e pontuda na minha cintura, eu tinha acabado de sair de casa e estava subindo na moto, com certeza era ela e sua inseparável adaga, levantei as mãos mostrando que eu não pretendia atacar.
– Preciso de ajuda. – Disse ela pausadamente.
– Ajuda com o quê? - Perguntei, ela estava mesmo me pedindo ajuda?
– Com isso. - Disse, me virando pra ela, os olhos dela estavam brilhando, antes que eu dissesse mais alguma coisa, ela me puxou pelo braço de volta pra minha casa, assim que entramos, ela trancou a porta. Olhei pra ela com uma sobrancelha levantada.
– Ajuda? - Perguntei, me segurando pra não rir.
– Olha, eu tô ficando louca, tá legal? Sabe por que não apareci nos últimos dois dias? Porque eu não consigo me controlar! Meus olhos acendem quando bem entendem, eu ouço cada barulho do bairro e, pra você ter uma ideia, eu tô sentindo o cheiro da grama do seu vizinho, e hoje está tudo pior! Eu tô com medo de hoje à noite, eu preciso da sua ajuda. - Disse ela parecendo mesmo assustada com aquilo, aquela situação era até meio cômica, eu nunca tinha visto com medo, ela não era do tipo que se assusta fácil.
– E por que eu deveria te ajudar?
– Porque você também precisa da minha ajuda, nós dois queremos pegar aquele maldito alfa e você não acha que seria mais fácil com a minha ajuda, que sou especialista em caçar lobisomens? - Perguntou, aquilo fazia sentido.
– E por que eu deveria confiar em você? Até dois dias atrás você queria me matar! - Ela bufou, irritada.
– Eu não vou machucar nem você, nem seus amigos enquanto trabalharmos juntos, isso é uma promessa.
– Por que eu deveria acreditar?
– Olha, eu não faço ideia se vou continuar caçando ou se vou me matar quando isso acabar - Se matar? Como assim se matar? - Mas eu sei que não vou conseguir me concentrar em nada enquanto esse maldito não estiver morto, eu juro que não vou machucar ninguém, pode acreditar em mim. - Na verdade, eu tinha acreditado, mas aquilo não queria dizer que ela estava mesmo sendo sincera. Uma coisa era me colocar em perigo, outra era colocar meus amigos. Ela revirou os olhos e me empurrou, o que já estava virando uma hábito, e foi em direção ao meu notebook que estava em cima da mesinha da sala. O ligou e ficou digitando alguma coisa, eu me aproximei, curioso e ela me entregou o computador, estava aberto no e-mail dela, em um em específico, ela tinha cancelado o "serviço" com um tal de "The Hunter".
– Satisfeito? Eu não tenho mais motivo pra matar vocês, eu não vou receber por isso, temos um acordo agora? - Perguntou.
– Certo, temos um acordo. - Ela se levantou e me empurrou de novo, mas que mania! E foi em direção à porta, a destrancando, antes de sair ela olhou pra mim e sorriu.
– Até mais tarde, Scott.


Capítulo 9


(Pessoal, coloquem a música Pain do Three Days Grace pra carregar)


POV

Meu objetivo pelo resto do dia foi não ficar ansiosa demais com o que aconteceria a noite, por que não? Porque isso me deixaria nervosa e aí todo mundo já sabe...
Quando anoiteceu, eu dirigi até a casa do Scott outra vez, fiz até exercícios de meditação pra não destruir meu carro no caminho, eu esperava que Scott tivesse a solução pra esses problemas, afinal, ele tinha um beta, não tinha? Foi ele que o ajudou a se controlar, certo? Esperava que sim... Cheguei à casa dele, estacionei na frente e desci do carro colocando meus óculos escuros, não que eu achasse que isso disfarçava muito meus olhos, mas... Eu não queria correr o risco de ninguém vê-los “acesos”. Antes mesmo que eu batesse na porta, ele saiu da casa. – Você veio de carro? – Perguntou ele, revirei os olhos.
– Não, Scott, eu vim de jegue, não tá vendo? - Eu tinha um carro grande, um Fiat Strada, quatro portas, como ele me perguntava aquilo? Ele me olhou sério.
– Vamos na minha moto. – Disse ele indo em direção a mesma.
– O quê? Mas por quê? – Perguntei meio sem entender.
– Não confio em você pra dirigir no momento. – Disse me olhando de um jeito estranho, lógico que a droga dos meus olhos estavam acesos.
– Ah, tanto faz. – Falei indo até onde ele estava, ele montou na moto e eu montei atrás o abraçando pela cintura, não pude evitar de sentir o corpo dele enquanto fazia isso, até que ele era gostoso... Mas ainda era um lobisomem, então estava terminantemente fora da minha lista.
Acabamos no mesmo lugar pra onde eu segui ele no dia do “acordo”, o jipe do Stiles estava estacionado perto do penhasco, Scott estacionou a moto ao lado do carro e nós descemos.
– O que ele está fazendo aqui? – Perguntei.
– Vim ajudar. – Disse ele tirando umas correntes do banco de trás do carro, arregalei os olhos.
– Vocês não estão pensando em... Vocês não vão me acorrentar, não mesmo. – Falei, encostando no carro e colocando os óculos no cabelo, Stiles me olhou com cara de poucos amigos.
– Caçadora, quando você se transformar, vai querer matar pessoas, nós somos pessoas, isso é pra nossa segurança. – Disse.
– Eu já disse não. – Falei.
– Eu disse que você não devia ter aceitado ajudar. – Disse ele ao Scott, eu fiquei indignada por ele falar aquilo comigo ali.
– Escuta aqui garoto...
– Tinha algum motivo pra ele ter aceitado? – Perguntou ele, me interrompendo, eu ia retrucar, mas Scott se meteu.
– Por que não começamos logo? A lua já tá subindo, , vamos mesmo precisar te amarrar. – Bufei irritada, por que mesmo a idiota aqui achou que pedir ajuda a ele seria uma boa ideia?

Scott POV

Já tínhamos acorrentado ela em uma árvore a mais de uma hora e nada, ela não tinha se transformado ainda, eu e Stiles estávamos sentados dentro do carro dele, eu já estava quase dormindo quando ouvi um rosnado, olhei pro lado e vi que era a , os olhos dela estavam no modo lobisomem e as presas e garras a mostra, desci do carro.
– Você acha que ela vai se soltar? – Perguntou Stiles, eu nem tinha percebido que ele tinha descido e vindo até mim, nem deu tempo de eu responder e ela arrebentou as correntes, olhou pra gente e depois correu pra dentro da floresta.
– Entra no carro. – Pedi pro Stiles antes de ir atrás dela, precisava encontrá-la antes que ela fizesse besteira...

POV

Estava meio difícil de controlar minha vontade de arrancar a cabeça do Scott e do Stiles, por isso tentei me enfiar o máximo pra dentro da floresta, antes que eu me descontrolasse de vez e acabasse ferindo alguém.
?! – Escutei Scott gritar, mas continuei tentando me afastar, eu estava com uma vontade imensa de matar alguma coisa, dei de cara com uma àrvore e tentei descontar isso nela, usando minhas garras no tronco – ? – Escutei a voz dele outra vez.
– Quer morrer, Scott?! – Escutei minha própria voz mais grossa que o normal, usei todo meu alto controle pra não matá-lo ali naquela hora.
, você precisa tentar controlar. – Disse ele, nessa hora não me segurei, me virei e tentei acertá-lo com as garras, ele desviou, mas como foi pego de surpresa, acabei o machucando um pouco, ao ver o sangue me assustei, eu tinha feito aquilo com as minhas garras... – Sai daqui antes que eu mate você! – Me escutei dizer outra vez, era tudo surreal, como se fosse outra pessoa controlando meu corpo, eu via tudo, mas não tinha total controle sobre minhas ações, era tão estranho.
– Se acalma! – Disse ele com os olhos no modo alfa, incrivelmente isso me fez me acalmar um pouco – Escuta, escuta o seu coração. – Disse ele, eu estava confusa e totalmente fora de mim, como ele esperava que eu fizesse isso? – Certo, você precisa encontrar alguma coisa, algo que te faça humana, e transformar isso na sua ancora, vai te ajudar a se manter humana, consegue pensar em alguma coisa? – Eu só conseguia pensar na dor... – Você precisa sentir alguma coisa, , ninguém pode ser tão vazio.

(Soltem a música)


Pain, without love
( Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, eu não tenho o suficiente)

Pain, I like it rough
(Dor, áspera, é como eu gosto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que eu prefiro sentir dor a não sentir mais nada)

Ele estava certo, tinha uma coisa, além da raiva, que eu nunca na vida tinha deixado de sentir, dor.

You're sick of feeling numb
(Você está cansada de se sentir magoada)

You're not the only one
(Você não é a única)

I'll take you by the hand
(Eu a tomarei pela mão)

And I'll show you a world that you can understand
(E vou te mostrar um mundo que você pode compreender)

This life is filled with hurt
(Essa vida é preenchida com feridas)

When happiness doesn't work
(Quando a felicidade não funciona)

Trust me and take my hand
(Confie em mim e pegue minha mão)

When the lights go out you will understand
(Quando as luzes se apagaram você irá entender)

Pensei em meus pais e no meu irmão, em todos os momentos bons e depois na última vez que os vi, mortos e ensanguentados, pude me sentir voltando ao controle, mas aí veio a parte ruim de se permitir sentir a dor, ela sempre derrubava você.

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, é como eu gosto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que prefiro sentir dor a não sentir mais nada)

Ainda assim era bom, me permitir lembrar deles depois de tantos anos socando as memórias pro fundo da mente, era de certa forma reconfortante, me deixei cair de joelhos, meus olhos estavam cheios de lágrimas, lembrar deles era tão difícil... Simplesmente porque era difícil se lembrar de algo que você nunca mais vai ter.


Anger and agony
(Raiva e agonia)

Are better than misery
(São melhores que miséria)

Trust me I've got a plan
(Confie em mim eu tenho um plano)

When the lights go off you will understand
(Quando as luzes se apagarem você vai entender)

Scott POV

Ela parecia imersa em pensamentos, acho que nem percebeu que tinha voltado a forma humana outra vez, lágrimas corriam pelo rosto dela sem parar e eu não sabia se devia tentar acalma-la de alguma forma ou ficar quieto.
? – A chamei, ela olhou pra mim com os olhos cheios de lágrimas.
– Você tinha razão. – Ela disse, me ajoelhei na frente dela, a olhando confuso.
– Sobre o quê?
– Eu sou vazia, é melhor sentir, não é? Não importa o quanto ruim seja, certo? – Perguntou, engoli em seco, do que ela estava falando?

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, eu não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, como eu gusto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que prefiro sentir dor a não sentir mais nada)

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, como eu gosto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing
(Por que prefiro sentir dor ao invés de nada)

Rather feel pain
(Prefiro sentir dor)

, do que você...
– Eu só tenho a dor, mas é melhor sentir, não é? – Perguntou ela me olhando nos olhos, ela parecia estar sofrendo tanto... Nunca pensei que eu fosse conhecer esse lado dela, o lado humano, de verdade, não a casca vazia da caçadora que ela mostrava a todos.

I know (I know I know I know I know)
(Eu sei [eu sei, eu sei, eu sei])

That you're wounded
(Que você está ferida)

You know (You know you know you know you know)
(Você sabe [você sabe, você sabe, você sabe])

That I'm here to save you
(Que eu estou aqui para salva-la)

You know (You know you know you know you know)
(Você sabe [você sabe, você sabe, você sabe])

I'm always here for you
(Estarei sempre te esperando)

I know (I know I know I know I know)
(Eu sei [eu sei, eu sei, eu sei])

That you'll thank me later
(Você me agradecerá depois)

– Eu estava errado, você não é vazia, se fosse não estaria sentindo o que está sentindo agora. – Falei, ela olhou pra mim – Você não está mais sozinha, pode contar comigo, sempre, agora estamos do mesmo lado não estamos? – Ela deu um sorriso, pela primeira vez sem ironia ou deboche.
– Saudade é melhor do que nada, não é?

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, can't get enough
(Dor, eu não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, como eu gosto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que prefiro sentir dor a não sentir nada)

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, como eu gusto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que prefiro sentir dor a não sentir nada)

Pain, without love
(Dor, sem o amor)

Pain, I can't get enough
(Dor, não tenho o suficiente)

Pain, I like rough
(Dor, áspera, como eu gusto)

'Cause I'd rather feel pain than nothing at all
(Por que prefiro sentir dor a não sentir nada)

Rather feel pain than nothing at all
(Prefiro sentir dor a não sentir nada)

Rather feel pain
(Prefiro sentir dor)

– Qualquer coisa é melhor que nada, sempre.


Capítulo 10


Depois que conseguiu se recompor, nós voltamos até onde Stiles estava, quando chegamos lá, ele estava nos esperando com o taco de baseball na mão, quase dei risada.
– Tá tudo bem, estou humana e sem nenhum instinto assassino outra vez. – Disse ela levantando as mãos em sinal de rendimento. Stiles olhou pra mim e eu assenti, então ele abaixou o taco.
– Humana pode ser, sem instintos assassinos você nunca esteve. – Disse ele, bufou ao meu lado, será que eles vão parar de se alfinetar um dia?
– Eu não sou obrigada a ficar aqui escutando isso, obrigado pela ajuda Scott, e quanto a você, obrigado pela sinceridade, bom saber que você acha que ainda estamos de lados opostos. – Disse ela, irônica.
– Não tenho motivos pra achar que não estamos. – Disse Stiles, cruzando os braços.
– Me escuta, eu não estou caçando ninguém! Só a droga do alfa que me transformou, você não precisa me amar, só me deixe em paz e quando esse idiota estiver morto, eu dou o fora de Beacon, prometo! – Disse ela e então se virou pra mim. – Obrigada, mesmo. – E depois se virou pra ir embora.
– Stiles! Não precisava disso! – Falei.
– Ah, não, de novo não! Lembra o que aconteceu da ultima vez que você ficou do lado de alguém que não conhecia direito? – Disse ele, provavelmente se referindo ao Theo.
– É diferente!
– E por que é diferente? Não vejo diferença nenhuma. – Disse ele encostando no jipe.
– Ela está sofrendo, se você visse o que eu vi há uns minutos, não diria isso.
– Ela é vazia, Scott, o olhar dela é vazio, tudo o que eu já vi daquela garota foi ódio e uma completa falta de compaixão.
– Ela é diferente dele, estou dizendo, você não precisa confiar nela de cara, mas dê uma chance.
– Da última vez que “demos uma chance”, você sabe o que aconteceu, eu quase perdi meu melhor amigo e você quase perdeu sua alcateia inteira, estou avisando, cuidado com essa garota. – Disse ele e em seguida entrou no jipe, eu não sabia por que, mas confiava nela. Era estranho, completamente sem sentido, mas eu confiava, só ficava me perguntando se Stiles não estava certo, e se eu confiar nela e ela só estiver jogando?

POV

Entrei na trilha pela qual eu e Scott viemos e segui o caminho, com certeza iria demorar um pouco até eu chegar em casa, mas eu precisava mesmo de um tempo, tudo o que aconteceu hoje teve seu lado bom, mas não podia deixar de pensar no lado ruim, eu sempre tentei esquecer de tudo, empurrar sentimentos pro fundo do coração e me concentrar no meu trabalho, mas, sempre que tudo isso vem a tona, todo o resto vem também, não era só a saudade e a dor de não ter mais minha família que me incomoda, também tinha a crise de consciência que eu tinha sempre que me lembrava deles. Que crise seria essa? Eu explico, eu sempre tive uma família tradicional, uma mãe que fazia bolo de chocolate nos domingos, um irmão mais velho protetor, e às vezes chato, um pai que dividia seu tempo entre trabalhar e mimar os filhos... Tenho certeza que nessa família não se encaixava uma assassina de aluguel. Eu sempre tentei pensar que eu estava fazendo o certo vingando minha família, impedindo que acontecesse com outras pessoas o que aconteceu comigo, mas... Acha mesmo que meus pais ficariam orgulhosos de ver a filha com sangue nas mãos? Meu pai com certeza me odiaria se visse o que eu me tornei, e saber disso acaba comigo...
– Hey! ! – Ouvi Scott me chamar de longe, parei e esperei um pouco e logo ele chegou perto de mim de moto – Não quer uma carona? Seu carro está na minha casa mesmo. – Dei um sorriso de lado e montei na moto atrás dele, acho que a partir de hoje as coisas podem ser diferentes, Scott estava mesmo tentando me ajudar, mesmo depois de eu ter tentado matá-lo e, além do mais, ele viu o lado que eu escondia de todos, acho que eu não precisaria mais manter minha fachada de durona perto dele, pelo menos não o tempo todo – Você está bem? Olha, quanto ao Stiles... – Começou ele, mas eu o interrompi.
– Esquece isso, ele tem razão, até uns dias atrás eu estava caçando vocês. – Falei, passamos por um buraco e eu o agarrei mais forte para não cair, deus, eu precisava parar de reparar no físico dele...
– É que ele tem uma certa dificuldade de confiar sabe... – Disse ele, então me lembrei do pedaço da conversa deles que eu escutei quando estava indo embora.
– De quem vocês estavam falando? – Perguntei, ele pareceu surpreso – Sabe, audição de lobisomem. – Falei rindo um pouco.
– O nome dele é Theo, é um cara que apareceu por aqui há um tempo, pra resumir a história, eu confiei nele e isso quase custou todos os meus amigos, principalmente Stiles.
– E por que você está confiando em mim mesmo depois disso?
– Eu não estou confiando em você. – Disse ele, me senti tonta no mesmo momento por achar que ele estivesse – Quero dizer... É diferente.
– Posso saber o que me faz diferente dele? – Perguntei realmente curiosa.
– Não sei, acho que eu vi nos seus olhos algo que nunca tinha visto nos dele. – Disse ele, aquela resposta instigou ainda mais minha curiosidade.
– E o que seria?
– Sentimentos verdadeiros, na verdade, acho que eu fui meio, não, muito idiota em relação ao Theo, eu simplesmente não parei pra pensar no que estava fazendo, apenas fiz o que achei certo e acabei confiando na pessoa errada, ele sempre dizia que se sentia culpado pela morte da irmã dele, mas... Eu nunca vi nos olhos dele o que eu vi nos seus hoje.
– Fraqueza? – Perguntei, ele riu.
– Não, dor, aquela que você só sente se realmente sentir falta de algo que amava muito. – Disse, analisei a resposta, nunca pensei que alguém pudesse dizer tanto sobre o que outra pessoa sente só em olhar nos olhos.
– Fico feliz em saber que você me acha diferente dele.
– Você é, pode acreditar.

...


Quando eu disse ontem que as coisas podiam ser diferentes, eu não achava que seriam tão diferentes assim, veja só, aqui estou eu, em uma mesa com os garotos do time de lacrosse, todos eles são lindos, mas mesmo assim, eu não sinto vontade de provoca-los, sempre achei a maior graça em seduzir os homens e depois deixar eles na vontade, sempre foi divertido ver a cara de idiota que eles faziam achando que tinham uma chance, mas... Agora é diferente, eles estão todos empolgados com a minha presença na mesa, admito que me vestir de maneira provocante já se tornou um hábito meu, nem percebo mais quando faço isso, mas me parece que eles percebem, mas mesmo assim não consigo prestar atenção em uma palavra do que eles me dizem. Eu estava passando os olhos pelo pátio quando vi Scott e o resto da alcateia dele em uma mesa, estavam todos conversando e eu senti falta de uma coisa que nunca achei que fosse sentir na vida, senti falta de ter amigos de verdade. Sempre achei isso a maior besteira, tipo, eu era perfeitamente capaz de ficar sozinha, não precisava de ninguém pra viver, mas mesmo assim senti uma vontade imensa de me juntar a eles, saber do que falavam, me envolver na conversa, em outras palavras, ser uma adolescente quase normal pelo menos uma vez na minha vida, enquanto eu estava olhando pra eles, Scott olhou pra mim, assim que nossos olhares se cruzaram, ele sorriu, e eu sem perceber acabei sorrindo de volta, então senti uma coisa estranha, uma espécie de frio na barriga que eu nunca tinha sentido antes, então é isso que eles chamam de “borboletas no estômago”? Meu Deus, o que tem de errado comigo? Antes que eu pensasse mais besteira, peguei minhas coisas e fui pro estacionamento, eu ainda tinha uma aula, mas não estava com cabeça pra matemática agora, eu estava chegando perto do meu carro quando ouvi o Scott me chamar de longe, eu queria ir embora, mas ignorá-lo não me pareceu uma opção depois de ele ter me ajudado ontem, então parei de andar e encostei na parede, mas então senti vontade de ir embora outra vez quando vi que ele estava com o Stiles, não me leve a mal, mas ele não ia com a minha cara e não fazia a menor questão de esconder isso, não estava com cabeça pra brigas agora.
, aconteceu alguma coisa? Ainda temos uma aula e... – Começou ele quando chegou mais perto de mim.
– Eu estou com dor de cabeça, mas tô legal, só quero ir pra casa. – Expliquei.
– Certo, eu... É que eu... – Começou ele.
– Ele quer seu número de celular. – Disse Stiles por ele.
– É que se vamos trabalhar juntos... Você sabe, o pai do Stiles é o xerife e se ele receber alguma chamada que tenha a ver com o alfa, eu preciso avisar você. – Disse ele por fim, dei um sorriso.
– Relaxa, eu mexi no rádio do meu carro pra sintonizar com o da polícia. – Ele e Stiles se entreolharam surpresos, comecei a rir. – Que foi? Meus alvos geralmente cometem crimes, saber das chamadas da polícia ajuda, mas de qualquer jeito, eu não estarei no meu carro 24 horas por dia, então você pode acabar precisando me avisar pelo celular. – Falei, pegando uma caneta e um pedaço de papel na minha bolsa, escrevi o número e entreguei pra ele. – Preciso ir agora, se precisar, pode ligar. – Falei e me virei pra ir embora.
– Hey, por que você não matou o Liam aquela noite? – Perguntou Stiles, me virei pra ele e dei um sorriso de lado.
– Eu só mato assassinos. – Expliquei.
– Nenhum de nós é assassino, então por que nos caçou antes? – Perguntou Scott.
– Olha, eu geralmente não tenho que pesquisar a respeito dos meus alvos, eu nunca cobrei barato, então se uma pessoa está disposta a pagar tanto pela morte de alguém tem algum motivo, e aliás, sempre acabo sabendo o motivo pelo próprio contratante, só que dessa vez foi diferente, quem me contratou não me informou nada e eu não achei importante saber, mas dessa vez eu estava caçando as pessoas erradas, mas de qualquer forma, vocês irritaram muito alguém, então acho bom tomar cuidado. – Falei, me virando novamente pra ir embora. – Eu posso não ser a única que ele colocou atrás de vocês! – Falei enquanto ia em direção ao meu carro e colocava os óculos escuros, isso era uma verdade, se ele queria tanto eles mortos, com certeza eu não era a única aqui, só esperava não acabar virando um dos alvos do novo caçador...


Capítulo 11


Já fazia um mês. Fazia um mês desde minha primeira lua cheia, ou seja, hoje era a segunda. No último mês as coisas foram até que boas. Eu comecei a trabalhar com o Scott e os outros, e posso dizer seguramente que eles não me odeiam mais, talvez ainda fiquem meio desconfiados às vezes, mas tudo bem, quem não ficaria depois de tudo o que fiz? Bom, um em especial não gosta muito da minha presença na alcateia, pensaram que eu estava falando do Stiles, não é? Felizmente não é a ele que me refiro, pra dizer a verdade, eu e ele até que temos nos dado bem. Nesse último mês, eu os ajudei na "caça ao alfa" como tinha prometido, e nesse meio tempo, eu e ele acabamos trabalhando bastante juntos, afinal, nós sempre pensávamos nos planos e analisávamos as pistas, eu sempre fiz isso sozinha e pelo que eu entendi, ele era "o cara dos planos" na alcateia, fazer isso juntos fez que ele visse que eu não sou tão ruim assim e eu fico feliz em dizer que não temos mais brigado. Bom, a quem eu me referia quando disse que tinha um que não gostava da minha presença era o Liam, ele não me odiava por assim dizer, mas ficava desconfortável perto de mim, acho que ele ficou com medo ou no mínimo um tanto quanto assustado com o que aconteceu na noite em que fui mordida, por pouco eu não o matei... Que bom que não fiz isso. Também tem o Scott e tudo o que ele tem feito por mim, ele tentou me ensinar a técnica que ele usava pra se controlar na lua cheia, algo sobre tentar manter o ritmo cardíaco normal, o menos acelerado possível, eu estava confiante sobre essa noite, mas tudo isso de transformação me assusta... Não a transformação em si, afinal eu já tinha me transformado umas duas vezes que estava atrás do alfa, mas a lua cheia, eu sei que lobisomens se descontrolam completamente na lua cheia, não quero ferir ninguém. Não tive tempo de ficar pensando em mais besteiras por que a campainha tocou chamando minha atenção, olhei pela janela da sala e já tinha anoitecido, eu nem tinha percebido a hora passar, fui até a porta e a abri encontrando Scott do outro lado, ele tinha se oferecido pra me ajudar esta noite e é claro que não recusei, não sei se vou mesmo conseguir me controlar.
– Oi. – Disse ele sorrindo.
– Oi. – Respondi dando passagem pra que ele entrasse e assim ele fez, estava com uma mochila e pelo barulho que ela fez quando ele andou, eu já percebi que eram correntes.
– Tem certeza de quer que seja aqui? Ainda é sua segunda lua cheia, não seria estranho se você se descontrolasse, na verdade, isso seria bem normal... – Disse ele.
– Está tudo bem, meu plano é me controlar, mas tem uma árvore enorme no meu quintal do fundo, você pode me acorrentar lá e bom, a vida que eu levava antes me rendeu mais dinheiro do que preciso, se eu quebrar alguma coisa na casa, eu mando consertar. – Expliquei. Ele assentiu e eu o levei até o quintal que tinha dito. – Aquela é a árvore, você acha que ela aguenta? – Perguntei.
– É, ela é mesmo enorme, acho que aguenta sim, é... É melhor começarmos, daqui a pouco a lua vai aparecer e... – Disse ele sem graça fazendo um gesto com a cabeça para a mochila.
– Tudo bem, afinal não queremos que eu saia por aí e machuque alguém. – Falei rindo, ele deu um sorriso de lado e nós fomos até a árvore, ele prendeu duas espécies de pulseiras de couro nos meus pulsos de maneira cuidadosa, tentando não me machucar, quase ri dele, aquilo era realmente fofo, quando meus pulsos estavam bem presos, ele prendeu as correntes nas pulseiras e então na árvore, puxando com força pra ter certeza de que estava firme.
– Acho que vai aguentar. – Disse ele, assenti com a cabeça e me sentei me encostando na árvore, ele se sentou ao meu lado. – Como está se sentido? – Perguntou.
– Estou bem, na verdade, eu sinto a lua, se é que você me entende, mas está tudo sob controle.
– Certo. – Ficamos quietos por um tempo, eu fiquei apenas pensando em como minha vida tinha virado de cabeça pra baixo em apenas dois meses, de caçadora a caça, irônico não? Olhei pro céu bem na hora em que uma nuvem se moveu, mostrando a lua, pude sentir meus olhos se acenderem na hora e então comecei a sentir meus batimentos acelerarem, fechei os olhos e respirei fundo, contando até dez e tentando manter os batimentos mais calmos, como Scott havia ensinado, só que não estava funcionando, minha respiração começou a ficar ofegante e eu senti minhas presas dando sinal de vida assim como minhas garras, fechei as mãos com força enquanto tentava me controlar, droga! Eu ia perder o controle...
? – Ouvi Scott me chamar.
– Sai daqui. – Consegui dizer enquanto tentava manter o controle sobre o meu corpo, pena que controle nunca foi o meu forte, inconsciente eu comecei a puxar as correntes, tentando livrar meus braços.
? – Chamou ele, ignorei – ! olha pra mim! – Pediu com mais firma, dessa vez eu olhei pra ele, ele estava agachado na minha frente – Eu não vou a lugar nenhum. – Disse, eu senti uma vontade imensa e inexplicável de partir pra cima dele.
– Eu vou machucar você, vai embora. – Falei respirando fundo, se controla !
– Não vai, tente manter o controle, escute seu coração.
– Eu não consigo! – Falei, tentando controlar minha respiração.v – Você consegue , respira. – Fechei os olhos e fiz o que ele pediu, mas mesmo assim senti que ia perder o controle, então comecei a pensar na minha família, como tinha feito da outra vez e, sem perceber, fui pega por uma memória...

Flash Back On.

Eu estava terminando de comer as panquecas que mamãe tinha feito de café da manhã pra mim quando meu irmão, Josh, entrou na cozinha.
– Pronta maninha? Mãe, vou levar a hoje. – Disse ele pegando um copo e enchendo de suco.
– Tá bom, querido, mas posso saber o que teria feito você acordar de manhã disposto a levar sua irmã ao passeio? – Perguntou mamãe curiosa, abri um sorriso ao ver uma pequena oportunidade de irritar o Josh.
– Ele quer ver a Amanda. – Falei, Josh se engasgou e eu comecei a rir.
– Amanda? Quem é Amanda, filho? – Perguntou.
– É a irmã mais velha da Melanie. – Falei, me referindo a uma das minhas amiguinhas. – Ele gosta dela.
– Gosta é? – Perguntou mamãe de novo, Josh largou o copo em cima da pia e veio até mim, começando a me fazer cócegas, eu comecei a rir e a me contorcer na cadeira.
– Mas é linguaruda essa minha irmã! Mãe nós já vamos indo antes que ela termine de revelar meus segredos! – Disse ele, parando de me torturar e me pegando no colo.
– Tomem cuidado, e depois quero saber a respeito dessa Amanda, viu? – Disse ela quando Josh se aproximou, lhe dando um beijo no rosto.
– Tá ok, mãe. – Disse ele, eu pulei no colo da minha mãe, quase a derrubando no chão e lhe dei um abraço bem apertado, eu gostava mais de ir pra escola com ela, mas também gostava de ir com o Josh, ele me deixava ir de cavalinho nas costas dele.
– Cuidado com a minha menina, hein? – Disse ela me beijando na bochecha – Te amo, princesa da mãe.
– Também te amo, mamãe. – Falei apertando os braços no pescoço dela.
– Quanto?
– Um montão assim. – Falei fazendo um montão com os dois braços, ela riu.
– Vamos ? – Perguntou Josh.
– Cavalinho! – Pedi, ele começou a rir.
– Você já não está grandinha pra isso? – Perguntou.
– Claro que não! Eu ainda sou criança. – Falei cruzando os braços emburrada, ele e mamãe faltaram ter um infarto de rir de mim.
– Ontem, quando a mãe te chamou de bebê, você ficou brava. – Disse ele.
– Eu não sou bebê! Só não sou muito grande. – Expliquei.
– Tá legal, pula aí. – Disse se virando de costas pra mim e eu pulei do colo da mamãe para as costas dele.
– Cuidado, a mamãe ama vocês dois! – Disse mamãe.
– Também te amamos! – Respondemos eu e Josh juntos, quando estávamos saindo de casa eu vi o papai, pedi ao Josh que me colocasse no chão e corri pra lhe dar um abraço.
– Já vai princesa? – Perguntou, levantando comigo no colo, eu assenti.
– É papai, lá no zoológico vai ter um leão bem grande, daí eu vou tirar uma foto dele pra mostrar pra você e pra mamãe e pro Josh. – Falei empolgada e ele riu, ele, a mamãe e o Josh tem essa mania de rir de tudo o que eu falo, por que é tão engraçado?
– Pra tirar foto você vai precisar disso aqui, não é? – Perguntou ele me mostrando uma câmera que ele tirava fotos quando a gente passeava, abri o maior sorriso.
– Bonito pai! Nos meus passeios você não me dava câmera. – Disse Josh, papai riu de novo.
– Você não era cuidadoso igual a . – Disse ele, dei um beijo em sua bochecha e entreguei a câmera pra que o Josh guardasse na minha mochila.
– Vou cuidar dela direitinho, papai. – Falei.
– Eu sei filha, divirta–se hoje, tá? – Disse ele me ajudando a montar nas costas do Josh de novo.
– Te amo papai! – Falei quando eu e Josh estávamos saindo de casa.
– Papai ama vocês! – Ele disse e então nós saímos.
– Você tinha que falar da Amanda pra mãe? – Perguntou Josh quando já estávamos no meio do caminho.
– Por que não era pra falar? – Perguntei.
– Eu queria saber se a Amanda também gosta de mim primeiro. – Disse, minha vez de rir dele.
– Ela gosta, bobo. – Falei.
– E como você sabe? – Perguntou ele.
– A Mel me disse que ela vive perguntando se você me levou pra escola. – Falei.
– Sério?
– Uhum.
– Sabe o que você vai ganhar por ter me contado isso? – Falou ele, já me empolguei.
– O que, Josh?!
– Chicletes! – Meus olhos brilharam, mamãe nunca me deixava comer doces de manhã, nós fomos a uma doceria e ele comprou alguns chicletes, eu enfiei todos no bolso – Vai ser nosso segredo hein? – Perguntou ele.
– Uhum, obrigado Josh! – Falei, apertando ele com os braços em volta do pescoço, um pouquinho depois chegamos na escola e Josh me colocou no chão, procurei um pouco com os olhos e logo vi Mel e a irmã dela num canto, perto da minha professora e os outros alunos, eu puxei o Josh pela mão até lá.
– Oi Mel! – Falei, dando um abraço na minha amiguinha – Oi Amanda!
– Oi princesa. – Respondeu ela e então eu tive uma ideia.
– Mel, vamos lá ficar com a professora? – Mel assentiu e puxou a Amanda pela mão pra que ficasse da altura dela e lhe deu um beijo na bochecha, eu fiz o mesmo com o Josh, mas ao invés do beijo eu dei um abraço, ele passou os braços em volta de mim e me levantou do chão – Te amo tá? – Falei, ele me colocou no chão.
– Também te amo princesa. – Eu dei um beijo nele e puxei Mel pra perto da professora comigo, eu queria deixar ele e a Amanda sozinhos, eu gostava dela, seria legal se eles fossem namorados.

Flash Back Off.


Quando dei por mim, eu já estava chorando e soluçando, aquela tinha sido a última vez que eu vi minha família bem, a última vez que eu me senti normal e amada na vida, meu corpo tremia tanto que quem visse pensaria que eu passei o dia nas geleiras, por que eu tinha que ter me lembrado disso? Se isso acontecer em todas as luas cheias, não sei quantas eu vou aguentar...

Scott POV.

Ela já tinha voltado à forma humana, mas como da outra vez, estava tendo uma crise de choro, eu queria perguntar o que a fazia ficar assim, mas percebi que não era a hora, então comecei a desamarrar os pulsos dela, terminei de soltar um e percebi que ela não estava mais soluçando como a um minuto atrás, estava parada, olhando fixamente pra frente enquanto as lágrimas escorriam, parecia perdida em pensamentos.
? – Chamei assim que acabei de soltar o outro pulso, mas ela não se mexeu – ? – Chamei de novo, dessa vez ela olhou pra mim – Eu vou te pegar no colo, ok? Apoia os braços no meu pescoço. – Ela assentiu e passou os braços pelo meu pescoço, então eu passei os braços por baixo dela e a levantei do chão, ela apoiou a cabeça no meu ombro e continuou quieta, eu entrei na casa e subi as escadas até o segundo andar, chegando lá fiquei um pouco perdido sem saber que porta era o quarto dela.v – Primeira da esquerda. – Sussurrou ela, eu abri a porta e a empurrei com o pé entrando no quarto, era um quarto simples, simples até demais, apenas a cama com uma cômoda ao lado, um guarda roupa e uma mesa com um notebook e alguns livros em cima, nada de retratos de família nem nada parecido, a coloquei deitada na cama, eu já ia embora quando ela segurou minha mão.
– Fica. – Pediu ela, ela estava com um olhar tão triste que eu não consegui negar, ela me puxou pela mão e eu me deitei de frente pra ela – Acho que você quer saber por que eu fiquei assim, não é? – Assenti, eu estava mesmo curioso – Certo, aconteceu quando eu tinha dez anos, eu cheguei em casa da escola em uma noite após uma excursão, tinha sido muito divertido e eu estava louca para contar tudo pra minha família, eu entrei em casa e vi um rastro de sangue no chão, fiquei com medo, mas o segui dando de cara com meu pai e meu irmão mortos na cozinha, levei um susto e dei o maior grito, foi quando ouvi a voz da minha mãe no andar de cima, eu subi correndo, minha mãe estava no quarto dela com a perna machucada, ela estava encarando fixamente o escuro perto da janela, foi então que eu vi, olhos brilhantes, azuis e cruéis, naquela hora foi como se eu soubesse que ele queria ferir minha mãe e eu não podia ficar parada e deixar aquilo acontecer, então eu corri em direção a ele e tentei ataca-lo, mas antes que eu fizesse alguma coisa, ele me acertou com as garras de uma mão na barriga – ela pegou minha mão e colocou embaixo da blusa dela. Do lado esquerdo da cintura, pude sentir uma cicatriz com a forma de garras – Eu cai, me sentindo fraca no mesmo instante, e foi então que eu assisti ele matar minha mãe e como se isso não fosse o suficiente, antes de sair pela janela, ele me olhou e sorriu, eu nunca consegui tirar aquela cena da cabeça Scott, eu comecei a odiar lobisomens desde aquele dia e, acima de tudo, odiei a mim mesma por não ter conseguido ajudar, e é por isso que eu me tornei o que sou hoje, me tornei caçadora, porque eu não queria que mais nenhuma garotinha perdesse a família para um monstro, entende agora? – Perguntou ela, com os olhos cheios de lágrimas, comecei a acariciar a cintura dela, na onde minha mão ainda estava, em forma de carinho.
– Não foi culpa sua e você sabe disso.
– É disso que eu tento me convencer todos os dias nos últimos oito anos, é por isso que eu me tornei uma assassina, eu só queria livrar o mundo daquela criatura, assim que eu descobri que ele era de fato lobisomem meu ódio passou de só pra ele pra todos os outros, pra mim todos eram monstros, eu peço desculpas por tudo o que fiz ao chegar aqui, eu tinha uma visão errada de tudo, mas graças a você, agora eu sei que não existem apenas os monstros, também existem lobisomens bons, como você. – Ela acariciou o meu rosto de leve – Obrigado Scott. – Disse, se aproximando e colando a testa na minha antes de me beijar, eu a puxei mais pra perto pela cintura, ela levou uma das mãos até o meu cabelo, bagunçando, o beijo estava tão bom que eu não queria parar, mas infelizmente ficamos sem ar, ela terminou o beijo com um selinho e então se deitou com a cabeça apoiada no meu peito, eu passei os braços pela cintura dela a abraçando – Obrigado por ficar. – Sussurrou ela, eu dei um beijo no topo da cabeça dela a apertando mais nos braços.
– Não precisa me agradecer. – Falei, e ela realmente não precisava, eu achei aquilo tudo inesperado, mas de alguma forma não me pareceu errado, ao contrário, me pareceu muito, muito certo.


Capítulo 12


POV.

Eu acordei sentindo alguém me abraçando, na hora me assustei, eu nunca dormia com ninguém. Eu geralmente ia embora antes de amanhecer... Olhei para ver quem era e vi que era o Scott. Na hora, as lembranças da noite anterior voltaram como um tapa, tinha sido ao mesmo tempo uma das piores e uma das melhores noites da minha vida. Ao mesmo tempo em que eu tinha me lembrado da maldita noite em que minha família morreu e sentido tudo aquilo de novo, eu tinha descoberto que tinha alguém que se importava pelo menos um pouquinho comigo, ele. Sabem o que mais me deixou surpresa? Ele ainda estava ali, eu pensei que ele iria embora depois que eu dormisse, mas ele ainda estava ali! Me levantei com cuidado, eu não queria acordá-lo, ele parecia um anjo dormindo... Como se também não fosse um acordado. Scott era o cara mais doce e bondoso que eu já conheci na minha vida, eu nunca tinha visto alguém com essa mesma capacidade de perdoar que ele tinha, tipo, meu deus! Eu já tinha atirado nele! Eu já tinha tentado matá-lo bem mais de uma vez! Tinha tentado matar os amigos dele! E mesmo assim ele estava ali, ele não só tinha me ajudado ontem à noite, mas tinha ficado comigo, eu não sei se seria capaz de fazer o mesmo... Passei de leve a mãos nos cabelos dele, eu estava me apaixonando por ele e não sabia se isso era bom, ruim ou péssimo. Minha cabeça estava uma desordem total, eu ainda sentia ódio do maldito alfa, queria acima de tudo matá-lo, mas... Se eu fizesse isso, o que eu faria depois? Depois disso, meu trabalho ali em Beacon Hills teria terminado, então o que eu faria? Iria embora de novo? Eu sabia que se eu fizesse isso estaria matando de uma vez meu coração, por mais que eu não quisesse admitir, o Scott despertou alguma coisa em mim, eu não fazia ideia do que era, mas... Ontem, quando eu beijei ele, eu tinha sentido alguma coisa, não o vazio que eu sempre sentia toda vez que ficava com alguém, mas algo de verdade, foi como se meu coração estivesse congelado e uma pequena chama se acendesse nele, começando a descongela-lo, essa era a coisa mais ridícula que alguém como eu poderia pensar. Eu sabia, mas era assim que eu me sentia e isso confundiu ainda mais tudo. Misture essa sensação nova a todo o ódio, rancor e culpa que eu já sentia antes e tenha uma bomba nuclear prestes a explodir. Eu precisava dar um jeito de “desconfundir” tudo, só assim eu ia conseguir pensar com clareza e tomar a decisão correta sobre o que eu iria fazer dali pra frente. Eu precisava de algo que me relaxasse, limpasse a mente, não precisei pensar duas vezes e já sabia o que fazer, me levantei e fui me trocar, eu precisava sair dali.

Scott POV.

Acordei meio confuso, olhei ao redor e percebi que não estava no meu quarto, levei um tempinho pra assimilar que eu estava no quarto da , então me lembrei de ontem à noite, o beijo, foi a primeira coisa que veio na minha cabeça, e também a história dela... Deve ser horrível viver com aquilo na cabeça, era tudo tão... Eu não sabia se suportaria. Olhei pro lado e só então me toquei que ela não estava deitada comigo, me levantei e comecei a procurá-la. Primeiro desci as escadas e olhei à cozinha, a sala e o quintal, nada. Depois subi outra vez e olhei no banheiro, nada também, onde ela se meteu? Sai do banheiro e desci de novo, dessa vez eu vi um papel na mesinha da sala.

“Scott, eu precisei sair, estava com a cabeça muito cheia. Obrigada por ontem, nos vemos depois.
.”

Terminei de ler o bilhete e o coloquei na onde tinha encontrado, onde será que ela tinha ido? Se ela ainda estivesse com pelo menos um pouco do descontrole emocional que estava ontem, não foi bom que ela tenha saído... Resolvi tirar aquilo da cabeça e fui ao quintal dela, peguei as correntes que ainda estavam presas na árvore e as coloquei na mochila, depois peguei minha moto e fui embora, eu estava preocupado com o paradeiro da , mas seria estranho que eu fizesse uma busca por ela na cidade, não é? Achei melhor deixar pra lá e comecei o caminho de volta pra minha casa, foi quando, ao passar perto da floresta de Beacon Hills, eu ouvi um tiro, na hora desviei o caminho e entrei nela, quando tive certeza de que o barulho vinha dali eu desci da moto e a desliguei, a deixando junto com a minha mochila perto da entrada. Ouvi alguém resmungando, era ela, apressei o passo para encontrá-la, ela estava chamando atenção demais fazendo tanto barulho e bom, estávamos caçando um alfa e por mais que fosse estranho, de certa forma, ela faz parte da minha alcatéia e, desde à noite passada, eu passei a me preocupar mais com ela. Talvez fosse o fato de ela ter mostrado o lado frágil ou o fato de ela ter me beijado... Sei lá, escutei outro tiro e fui naquela direção, quando cheguei ao local, estava lá, atirando em um alvo.
– Você sabe que não precisa mais dela, não é? - Perguntei me referindo à arma. Ela não se mexeu, acho que já tinha notado minha presença.
– Sim, mais isso me acalma e me faz sentir um pouco mais eu, sabe. Há dois meses eu ainda precisava dela pra me defender, me faz sentir mais caçadora e menos monstro. – Disse ela dando de ombros. Eu suspirei e andei até ela, tirando a arma de sua mão e a jogando no chão ao nosso lado e depois a abracei, ela apoiou o rosto no meu peito e nós ficamos assim um pouco, quando fiz menção de me afastar ela me segurou. – Por favor, não se afaste, é bom receber um abraço de verdade depois de tantos anos... – Disse e eu me senti realmente mal por ela. perdeu toda a família muito cedo e teve que crescer sozinha, já eu nunca estive sozinho, eu sempre tive minha mãe e o Stiles, e não consigo nem imaginar como ela sobreviveu sem nenhum carinho ou afeto por tanto tempo... Quando ela se afastou, tinham lágrimas no rosto, mas ela as limpou rapidamente e sorriu pra mim. – Quer tentar? – Perguntou, apontando pra arma com a cabeça. A olhei meio desconfiado, ela riu.
– Vamos! É sério, ajuda na concentração e é bom pra relaxar. – Disse, pegando a arma e entregando pra mim. Eu a peguei e mirei atirando em seguida. Dizer que meu tiro passou longe do alvo seria uma grande mentira, ele passou a metros do mesmo, começou a rir. – Eu vou te ajudar. – Disse se posicionando atrás de mim, com o queixo no meu ombro e segurando na arma com as mãos sobre as minhas. – Primeiro, nunca feche um dos olhos na hora de mirar, isso sempre atrapalha, você deve olhar diretamente pro alvo e tentar posicionar a arma no ponto certo, Scott, se concentra! – Disse me dando uma bronca quando eu me distrai, mas será que ela não entendia que eu não conseguiria me concentrar em absolutamente nada enquanto ela continuasse pressionando o corpo contra o meu daquele jeito? – Certo, agora respire bem fundo e aperte o gatilho quando soltar o ar. – Ela disse, demonstrando a respiração que por acaso, estava batendo no meu pescoço, senti cada pelo do meu corpo arrepiar. – Pronto? – Eu assenti e fiz como ela havia dito, acertando o alvo bem no meio. Ela saiu de trás de mim batendo palmas. – Viu? Não é difícil. – Disse sorrindo, ela devia sorrir mais vezes, ficava bonita assim. – O que foi? – Perguntou ela ao notar que eu a encarava, eu não respondi, apenas cheguei mais perto e a beijei. Foi meio que por impulso, eu não resisti, desde ontem, por algum motivo, eu queria sentir o beijo dela de novo e por que não agora? Me arrepiei quando ela colocou a mão a minha nuca e puxou meus cabelos, andamos um pouco até que ela encostasse em uma árvore, ela tomou impulso e colocou as pernas em volta da minha cintura, eu a segurei pelas coxas para que não caísse, tudo isso sem interromper o beijo nenhuma vez. As nossas línguas se entendiam de um jeito que eu nem sabia que era possível entre duas pessoas tão diferentes como nós dois, quanto mais nos beijávamos, mais dela eu queria, a sensação era incrível. Quando ficamos sem fôlego eu me separei dela, juntando nossas testas. – Se toda vez que praticarmos tiro ao alvo terminar assim, precisamos fazer isso mais vezes. – Disse ela sorrindo, sorri também afinal, eu concordava plenamente com aquilo...

Capítulo 13


POV.

Eu estava nervosa, tremendamente nervosa, eu não via o Scott há quase uma semana e não fazia ideia de como reagir. A última vez que o vi foi no dia em que ele me encontrou praticando tiro ao alvo na floresta. A gente se beijou, ele me levou pra casa e se despediu de mim dizendo que a mãe deveria estar preocupada com ele e desde então, não nos vimos. Claro que eu ficar tão preocupada seria uma idiotice se a gente não tivesse se beijado mais de uma vez e dormido juntos, e o pior era que nós só dormimos mesmo, não me leve a mal, mas... eu não sabia explicar, eu só estava nervosa, claro, como era que eu deveria agir agora? Na frente da alcateia dele? Eles já ficavam meio desconfiados apenas com minha presença ali, mas e agora que eu estava junto com o Scott? E eu estava junto com o Scott, certo? Ou será que ele não levou os beijos a sério? Ah, meu deus... Tentei me concentrar na rua, ou então eu bateria o carro antes de chegar no colégio! Assim que eu cheguei, estacionei o carro e instintivamente procurei Scott com os olhos. Ele estava conversando com o Stiles perto do jipe dele. Eu devia interromper? Devia agir como antes? Eu estava parecendo uma adolescente idiota e inexperiente, mas bom, eu podia ter experiência em atirar, lutar e outras coisas, mas sentimentos? Amizade? Namoros? Isso era completamente novo para mim, tanto que eu estava nervosa como só estive quando segurei uma arma pela primeira vez, e não foi pouco. Eu não sabia como reagir, então resolvi passar direto, mas antes que eu descesse do carro, os dois foram em direção ao colégio e entraram. Suspirei aliviada, me sentindo uma covarde em seguida. Quer dizer que eu enfrentava lobisomens arriscando a minha vida sem nem piscar e ficava tão nervosa assim só por encontrar um cara depois de beijá-lo? Eu já tinha matado caras depois de beijá-los! O que tinha de errado comigo?! Lembram que eu disse que estava me apaixonando pelo Scott e não sabia se isso era bom, ruim ou péssimo? Estou começando a achar que...
– Oi, ! – Disse ele, me tirando dos meus pensamentos. Estava sozinho, pelo menos isso.
– Oi... – Falei sem saber como reagir.
– Você sumiu, o que aconteceu? – Perguntou, eu olhei ao redor e percebi que estava todo mundo indo pra sala, talvez eu pudesse... O que tinha de errado comigo, essa não era eu, eu não costumava fugir das coisas.
– Eu precisava colocar a cabeça em ordem, então tirei uns dias para mim. – Falei. Ele assentiu e ficamos em silêncio por um segundo, o que foi meio constrangedor.
– Certo, acho que devíamos ir para a aula, não é? – Perguntei.
– Você vai achar ruim se eu propor uma coisa? – Perguntou ele de volta, o olhei confusa.
– O quê?
– E se a gente não fosse pra aula? – Perguntou. Eu comecei a rir.
– Isso é o tipo de coisa que eu deviria propor. Eu sou a garota má que não segue as regras. – Falei, ele riu comigo. – Mas acho que seria uma boa, não quero mesmo assistir a aula. – Terminei sorrindo, ele sorriu também e pegou minha mão, o que me deixou meio surpresa, mas fiquei quieta e o segui. Nós fomos pra uma parte mais vazia do colégio e nos sentamos no corredor, eu não sabia o que falar e parecia que ele também não, mas alguém precisava quebrar esse silêncio, não era?
– Scott, eu...
– Eu preciso te dizer uma coisa. – Disse ele me interrompendo, ele se virou pra mim e continuou. – Preciso ser sincero com você, isso tudo é estranho, tipo muito estranho, eu não consigo tirar você da cabeça desde semana passada, e isso é estranho, porque há, sei lá, um mês atrás você estava tentando me matar e então naquela noite, a gente se beijou e eu não consigo parar de pensar naquele beijo e... Ah merda, viu? Eu tô falando sem parar. – Disse ele rindo e se virando pra frente, encostando a cabeça na parede, eu ri.
– Você também não sai da minha cabeça e se quer saber, eu estava nervosa desde que entrei no carro e comecei o caminho pra vir pro colégio, porque eu sabia que ia encontrar você e não sabia como reagir quando isso acontecesse. – Falei. Ele se virou pra mim de novo e eu me virei pra ele, encostando a cabeça de lado na parede. – Isso é ainda mais estranho pra mim, não estou acostumada a sentir isso tudo que eu tô sentindo agora, aliás, eu não estou acostumada a sentir qualquer coisa além de ódio, é assustador. – Confessei. Ele me olhou por um tempo quieto.
– E o que você está sentindo? – Perguntou.
– Uma vontade louca de beijar você de novo. – Falei, ele chegou mais perto de mim.
– E por que não beija? – Disse, a boca dele estava a centímetros da minha.
– Porque eu não sei o que vai acontecer depois. – Falei fechando os olhos.
– Por que você não descobre? – Perguntou, dessa vez eu o beijei, e como da outra vez, eu senti uma tremenda carga elétrica passando pelo meu corpo. Eu nunca tinha me sentido dessa maneira, era só que... eu não queria parar de beijá-lo nunca! Eu terminei o beijo e me afastei dele, encostando de novo na parede e fechando os olhos.
– E agora? – Perguntei, ouvi ele rir.
– A gente deixa acontecer. – Disse ele pegando minha mão e entrelaçando os dedos nos meus. Eu puxei a mão instintivamente – O que foi? – Perguntou.
– Eu só... não estou acostumada com isso, geralmente eu mato os caras depois de beijar eles, ou então simplesmente vou embora. – Confessei, vi que ele arregalou os olhos e comecei a rir – Foi mal, acho que isso soou estranho. – Falei, ele deu um sorriso de lado.
– A vida é estranha. – Disse.
– Eu sei. – Falei, ele entrelaçou a mão dele na minha de novo e dessa vez, eu não fiz nada, apenas olhei nossas mãos juntas e fiquei quieta. Eu tinha direito a isso, não tinha? Aproveitar os momentos? Pena que tudo que é bom dura pouco, alguns minutos depois, o sinal tocou.
– Hora do intervalo. – Ele disse e se levantou, me puxando com ele. Quando chegamos ao refeitório, vi a Lydia, a Malia e o Stiles sentados em uma mesa no canto. Percebi que Scott estava me puxando pra lá e parei de andar, ele parou comigo. – O que foi? – Perguntou.
– Acho que é melhor eu fazer como sempre e passar o intervalo em outra mesa. – Falei, olhei para o lado e vi os meninos do time de lacrosse, com quem eu geralmente sentava desde que cheguei aqui. Ficar com eles não tinha mais a menor graça, mas... Eu já devia agradecer pelo pessoal ter aceitado que eu trabalhasse com eles depois de tudo o que eu fiz, esperar que eles aceitassem que eu agisse como amiguinha deles e pior, que eu me envolvesse com o Scott, seria pedir demais.
, você não precisa ser durona o tempo todo, todo mundo precisa de amigos. – Disse ele.
– Sim, e geralmente as pessoas não tentam matar os amigos. – Falei.
– Relaxa, o pessoal já superou isso. – Disse ele, comecei a rir.
– Diz isso pra Malia. – Falei apontando na direção dela com a cabeça. Ela estava me olhando de uma maneira intimidadora.
– Vamos lá, ela não morde. – Disse.
– Você tá brincando comigo, né? É claro que ela morde! Ela é uma coiote! – Falei, ele riu.
– E você uma lobisomem, anda, vamos logo. – Disse e me puxou antes que eu protestasse de novo. Nós chegamos perto da mesa e Stiles e Lydia, que estavam conversando e não notaram nossa aproximação, olharam pra gente, quero dizer, eles olharam diretamente pra nossas mãos, o que me deixou meio sem graça.
– Oi, pessoal. – Disse Scott se sentando e me puxando pra sentar do lado dele.
– Bom dia, gente. – Falei tentando ser simpática, o que pela cara deles, não deu tão certo. Eu não era boa em ser simpática.
– Olha ela tentando bancar a boazinha. – Disse Malia dando um sorriso falso e mordendo o sanduiche dela de uma maneira que me fez imaginar meu pescoço no lugar dele.
– O que tá rolando? – Perguntou Stiles olhando pra mim e pro Scott de maneira investigativa.
– Nada, a gente tá junto. – Disse como se fosse normal. Na hora, Malia parou de mastigar, Lydia nos olhou meio assustada e Stiles ficou nos encarando como se não tivesse acreditado.
– Podemos conversar um minuto? – Perguntou Stiles ao Scott, os dois se levantaram e foram pro canto do refeitório, me deixando sozinha com as meninas.
– Se você tentar machucar ele de novo, está morta. – Disse Malia e voltou a comer. Eu nunca aceitava uma ameaça sem mandar outra pior de volta, mas eu também nunca quis me tornar amiga de alguém.
– Não quero machucar ele, nem nenhum de vocês, fica tranquila. – Falei.
– Eu não vou tentar dizer ao Scott o que fazer, mas eu não pensei que você fosse do tipo que gostava de caras bonzinhos. – Disse Lydia enquanto mexia no copo de suco dela com um canudo.
– Eu estou tentando ser diferente.
– E acha que ele é o caminho? Nada em você vai mudar só porque saiu com ele, espero que saiba disso. – Disse ela dando de ombros, e ela não sabia o quanto estava errada. Ela não fazia ideia de como as coisas aqui dentro estavam uma bagunça só porque eu o tinha beijado algumas vezes. Olhei pro lado e vi que o Stiles e o Scott estavam discutindo no outro canto do refeitório, agucei um pouco mais minha audição pra tentar ouvi-los.
– Certo, acho que você ficou maluco! Eu já não tinha gostado da ideia dela trabalhar com a gente e mesmo assim eu aceitei, mas agora essa? Ficar com ela? Você ficou maluco? Só porque se transformou isso não quer dizer que ela tenha deixado de ser uma assassina, Scott. Ela só mudou o alvo, ela não querer matar você ou a gente não faz ela diferente do que ela é. Ela vai continuar fazendo isso, é só o que ela sabe fazer! – Ouvi Stiles dizendo. De certa forma, ele não estava errado, eu não tinha deixado de ser uma assassina só por ter me transformado, eu tinha trocado o alvo, eu não queria mais matar nenhum deles, mas em compensação, eu queria arrancar o fígado do desgraçado que me mordeu, mas o que ele não sabia era que eu não julgava o que eu fazia errado, porque eu achava que estava matando assassinos, e não sendo uma. Eu pensava que estava defendendo as pessoas, agora eu tinha noção que podia ter matado inocentes no meio do caminho, mas mesmo assim, eu podia ter salvo algumas vidas no meio disso tudo, não podia? Eu não era tão ruim assim, não é?
– Stiles, não é bem assim! Você nãos sabe o que ela passou! O que a fez ser do jeito que é! E ela mudou sim! Ela não está caçando inocentes, ela está caçando o alfa assassino! O mesmo que nós estamos caçando! – Scott me defendeu, escutei Stiles rir.
– E o que ela quer fazer com ele? Matar, não é? E você ainda me diz que ela não é mais uma assassina. – Disse ele.
– Stiles, será que dá pra você ser o que sempre foi e me apoiar? Você é meu melhor amigo! Não quero brigar com você. – Disse Scott.
– Então não briga! Me escuta uma vez na vida Scott, essa garota não é pra você, não importa o que ela é agora, mas pense, você é você, Scott, tem certeza que vai aguentar ficar com uma assassina? Quanto sangue você acha que essa garota tem nas mãos? Quantas pessoas ela matou? Dezenas? Centenas? Pensa nisso. – Disse Stiles, e outra vez ele não estava errado. Talvez eu não fosse mesmo garota pro Scott, o que eu estava pensando? Ele era tão... Bom. Eu não podia obrigar ele a ter que conviver com todas as mortes que eu carregava, e não ia fazer isso, peguei minhas coisas e me levantei.
– Onde você vai? – Perguntou Lydia.
– Fala pro Scott que eu passei mal e fui pra casa. – Falei e em seguida corri o mais rápido que eu pude pra fora do colégio. Eu não queria que ele me seguisse, Stiles estava certo, eu era uma assassina, assassinos como eu não mereciam amigos, ou um namorado, ou qualquer coisa boa. Eu era ruim, bom e mal não combinavam, nunca combinaram.


Scott Narrando.

– Já chega, Stiles! E as pessoas que ela matou? Quanto sangue tinham nas mãos? E quantas pessoas ela impediu que eles matassem? Ela eliminava assassinos, Stiles, eu sei da história toda, eu sei do que aconteceu antes, sei como ela se tornou o que era e eu estou dizendo, ela está perdida, só precisa de alguém pra mostrar o caminho certo! – Falei tentando encerrar o assunto, eu não sabia o que eu estava sentindo e muito menos o que estava acontecendo, mas de uma coisa eu sabia, eu queria estar perto da , queria beijar ela outras vezes, eu... Queria que ela não estivesse mais sozinha, queria que ela tivesse alguém pra cuidar dela outra vez.
– E o que aconteceu? O que é tão ruim a ponto de transformar alguém em uma assassina cruel e sem compaixão? – Perguntou ele.
– Um lobisomem assassino matou toda a família dela quando ela tinha dez anos, Stiles! Dez anos! E quer saber o pior? Ele matou a mãe dela na frente dela! Entendeu agora? Entendeu por que ela caçava lobisomens? Ela queria vingar a família, evitar que outras famílias fossem mortas!
– Mas e os inocentes? Nem todos os lobisomens são assassinos! Você é a prova viva disso! – Disse ele apontando pra mim.
– Se alguém encomendou a morte deles, coisa boa eles não eram.
– Alguém encomendou a sua morte, por acaso você não é “coisa boa”? – Perguntou ele.
– Tudo bem, isso é verdade, mas ela não tinha como saber que nem todos eram culpados, como ela ia diferenciar assassinos de inocentes? E além do mais, eu já disse, ela está sozinha há muito tempo, desde os dez anos. Desaprendeu o que é ser uma boa pessoa, mas eu posso ajudá-la com isso, nós podemos, basta tentar esquecer o que aconteceu e olhar pro futuro, tenta conhecer ela direito, você vai ver que ela é só uma garota machucada que não conseguiu se desvincular do passado, da uma chance. – Pedi, ele ficou calado por um minuto e então suspirou, eu sorri, sabia que ele tinha decidido dar uma chance pra ela.
– Tudo bem, mas se eu descobrir que ela é só uma assassina cruel, como eu acho que ela é, vou fazer questão de botar ela pra correr a tiros. – Disse ele cruzando os braços, comecei a rir.
– Acho que é mais a sua cara usar um taco de beisebol do que uma arma. – Falei ainda rindo, ele começou a rir comigo.
– É, se eu usasse uma arma possivelmente eu erraria todos os tiros. – Disse, eu ri mais ainda, ele mal sabia segurar uma arma, quem dirá atirar então, nós voltamos pra mesa e tinha sumido.
– Cadê a ? – Perguntei, Malia deu de ombros.
– Disse pra te avisar que estava passando mal e que foi pra casa. – Disse Lydia. Peguei minha mochila e sai atrás dela, quando cheguei ao estacionamento, vi que o carro dela tinha sumido. Peguei minha moto e fui pra casa dela, quando cheguei lá bati na porta, ela não atendeu, o carro dela estava parado na entrada da garagem, então com certeza ela estava em casa, bati de novo.
! Eu sei que você tá aí, me ignorar não vai dar certo! – Gritei, demorou mais um pouco e ela abriu a porta. – Por que você foi embora? – Perguntei.
– Eu ouvi você e o Stiles conversando, ele está certo, Scott, eu sou uma assassina e isso nunca vai mudar, eu sou uma caçadora, qual é! Eu sou ! Isso nunca vai mudar, não importa se agora eu sou uma lobisomem também, ele está certo, eu ainda sou uma assassina, eu mudei meu alvo, mas ainda quero matar alguém. – Disse ela dando de ombros.
, você é mais do que isso, eu sei que é, você só tem coisa demais aí dentro, mas você precisa viver, você precisa ser normal.
– Eu não sou normal e nunca vou ser. – Disse ela fria.
– Você pode ser diferente. – Eu falei, ela sorriu irônica.
– E como você tem tanta certeza? Como tem tanta certeza que eu não vou sacar uma arma e matar você agora? Eu sou uma caçadora Scott, aconteça o que acontecer isso nunca vai mudar. – Disse cruzando os braços.
– Lembra aquele dia que a gente estava na floresta e eu disse que você não ia atirar em mim? Que não ia me matar? Naquele dia eu acertei, não acertei? Eu não sabia porque tinha tanta certeza que você não ia me matar naquele momento, mas, do mesmo jeito que eu tive certeza naquele dia, hoje eu também tenho certeza de que você não vai me matar, nem hoje e nem nunca, mas dessa vez eu sei o motivo. – Falei, ela me olhou desconfiada.
– E qual é o motivo? – Perguntou.
– Esse. – Falei e a beijei, ela pareceu surpresa com a atitude, mas então me correspondeu, tudo o que a precisava era de alguém pra tirar ela do mundo cheio de culpa, tristeza e ódio que ela vivia, e eu iria fazer isso, não importava o que me dissessem ou pensassem, eu faria isso, ah se faria.


Continua...



Nota da autora: Gupo da autora
Meus amores! Já estava com saudades de escrever uma nota da autora hahah! Bom, mas vamos ao motivo de vocês terem ficado tanto tempo sem ATT: meu celular foi roubado amores, e infelizmente todos os arquivos com capítulos estavam nele, e eu fiz a burrada de não salvar em nenhum outro lugar, resultado disso? Perdi tudo, eu escrevi a maioria dos capítulos pelo Word no celular justamente por não ter tempo de sentar no computador e escrever, e, consequentemente, quando fiquei sem celular fiquei sem ter como escrever também, finalmente comprei outro celular e agora tudo vai voltar ao normal, mas mesmo assim peço desculpas por essa demora toda! Espero que ainda estejam comigo e que leiam a história até o fim! Bom my flowers, é só isso, até a próxima!

OBS:"Bem vinda leitora! Bom, só queria te dar um recadinho, a fiction se passa no universo de Teen Wolf depois do fim da quinta temporada, porém eu não vou seguir a linha da série na sexta temporada, até porque, eu comecei a escrever agora e não sei muito bem o que vai acontecer, pode até ser que eu pegue uma coisa ou outra e incorpore aqui, mas em geral a fiction terá apenas as minhas idéias, espero que goste mesmo assim, boa leitura!"




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