Última atualização: 25/09/2018

Prólogo

Naquela tarde, por culpa de uma impiedosa chuva tivemos uma grande goteira no porão, me levando a descer até ele e tentar resgatar algumas caixas que poderiam molhar que continham objetos valiosos para mim. Caminhei até uma caixa que tinha um dos lados escritos com caneta vermelha “Nós”, sorri com a lembrança e corri para resgatá-la. Após um tempo erguendo caixas e mais caixas e tentando parar a goteira, sentei-me no pé da escada e peguei a caixa, abrindo-a e me deparando com um porta-retrato com uma foto.
Estávamos todos sentados no chão molhados e apoiados no Chafariz Moderno rindo de algo e alguns dos casais já estavam formados abraçando-se para a foto. Virei a foto lendo suas costas que tinha mais uma vez escrito com caneta vermelha “Último dia do Chafariz Moderno, deixará saudades! 22/03/2012”. Guardei o porta-retrato com cuidado e peguei uma foto que estava de baixo de uma partitura, sorri ao constatar que a pessoa na foto era eu. Com o antigo uniforme da Pexton e posando com um sorriso discreto para uma foto na frente de meu espelho.


Capítulo 1

6 de agosto de 2010 - 07:45
Click.
Esperei a foto sair do filme da câmera Polaroid e a colei com fita adesiva no meu espelho. Ajustei a gravata do uniforme azul um pouco mais para cima e vesti o casaco, pronta para sair. Beijei a ponta dos meus dedos e os passei em minha guitarra Stratocaster Fender verde-água.
- Bom dia, querida! - tia Cynthia me cumprimentou, ela lia o jornal e vi quando levantou seus olhos para mim - Ovos mexidos com bacon?
- Claro! - me sentei sem ânimo na mesa engolindo rapidamente o café da manhã e levando um olhar reprovador de tia Cynthia. - Já vou indo. Até mais, tia. - peguei as chaves do carro da minha tia e acenei para ela. Desci as escadas do apartamento indo até a garagem e encontrando o Lincoln MKS EcoBoost a minha espera. Como a escola não era tão longe da minha casa, dirigi normalmente e estacionei numa vaga qualquer. Desci do carro caminhando a passos lentos até a entrada da escola, passei por aquele chafariz infernal que sempre espirrava água em todo mundo que passava por ali e, por incrível que pareça, hoje estava desligado e dei uma risada irônica ao perceber o grande cartaz na entrada da escola. “A Pexton High School dá boas vindas aos novos alunos!”
- Olha por onde anda, retardada! - um garoto passou esbarrando em mim. Revirei os olhos e caminhei até meu armário vendo a primeira aula do dia. Biologia.
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Terminei de comer meu lanche e joguei o copinho de iogurte no lixo enquanto caminhava até meu armário, afim de pegar alguns livros para dar uma revisada. Senti um cutucão e me virei dando de cara com Marcel. Era um garoto da minha classe que adorava zoar com as pessoas, olhei desconfiada para sua cara.
- Sim? - usei meu tom mais irônico enquanto ele sorria abertamente.
- Você poderia, por favor, fazer um favor para mim? - em uma mão ele segurava um folheto verde que não consegui ler e, na outra, uma câmera. Sem esperar que eu respondesse, ele me interrompeu - É só colar isso na frente do seu armário rapidinho e eu tiro uma foto! - ele sorriu abertamente de novo e ficou mexendo suas sobrancelhas.
- E por que não cola no seu? - fechei meu armário com força - Se isso for alguma brincad... - ele me interrompeu novamente.
- Por que vão saber que fui eu! Agora, vai deixar ou não? - ele já preparava a câmera e colava o folheto em meu armário com fita adesiva.
- Só tira isso logo! – falei, vendo Marcel sorrir. Levei um susto ao ouvir o sinal bater e sermos engolidos pela multidão de estudantes. Enquanto Marcel desapareceu, fiquei em frente ao meu armário esperando as pessoas passarem. Quando todos saíram me virei para o armário e li o folheto verde. “A Pexton High School dá chupadas aos novos alunos!”
- Ótimo! - ouvi passos e uma voz grave falando, me virei rapidamente ao ver o diretor Hamilton lendo o folheto de Marcel - Vejo que vocês combinaram de fazer isso!
- O-o quê? Eu não colei isso! Meu colega Marcel pediu pra... - o diretor ergueu a mão fazendo-me calar e engolir em seco.
- É, é, eu sei. Você e os outros cinco... Culpando sempre outras pessoas! - ele deu uma risada sarcástica enquanto escrevia em um papel e o arrancava e me entregava - Detenção às 16 horas! Esperava mais de você senhorita . - ele arrancou o folheto do armário e saiu a passos rápidos. Outros cinco? Fiquei parada lá em um misto de choque e fúria e segui para minha aula de química bufando e pensando em matar alguém.


Capítulo 2

15:56
Caminhei pelo corredor praticamente me arrastando até a detenção mais injusta da minha vida. Abri a porta da sala sendo observada por cinco pessoas: dois meninos, Jessie e Mary e a professora Violet.
- Senhorita – a professora de meia idade me saudou, ela estava apoiada na mesa com uma prancheta e pareceu riscar algo nela. – Sente-se, por favor – caminhei até a carteira próxima da janela e cumprimentei com um aceno incrédulo as meninas. Jessie era da minha sala e era a Representante de Classe, enquanto Mary era da sala A. Não as conhecia de fato, mas havia uma boa relação com elas e conversava às vezes com ambas. Jessie e eu fazíamos trabalhos juntas às vezes e Mary uma vez havia me explicado uma matéria que não havia compreendido de Física. Elas também? pensei. Após elas retribuírem o cumprimento, me sentei atrás de Jessie e fiquei observando a janela. Saí de meus devaneios quando ouvi a porta ser aberta subitamente – Senhor ? Sente-se, por favor! E está atrasado! – a professora disse irritada apontando para a carteira ao lado de um dos meninos. Balancei a cabeça. Senhor ? Se for o que estou pensando... Afinal, quem dessa escola não conheceria ? Era simplesmente o garoto mais idiota, estúpido e galinha da escola, e claro, isso o tornava um dos populares. Nunca havia entendido o motivo dessa sua mudança de personalidade, pois quando éramos crianças ele não era nem um pouco idiota ou estúpido. Agora, sua fama e suas travessuras eram conhecidas por todos da escola, mas nunca mais havia conversado com ele. era e sempre foi alto, tinha o cabelo loiro e estava usando óculos escuros enquanto o seu uniforme estava completamente fora de ordem. Sua gravata estava solta e seu casaco pendurado sob o ombro esquerdo.
- Desculpe, professora. – ele sorriu tirando os óculos escuros jogando seus cabelos para trás e colocando os óculos na mesa. Vi quando ele analisou minuciosamente a sala e seu olhar parou em mim. Endireitei minha postura e decidi o encarar também só para ver quem quebraria o contato visual primeiro, pois adorava um desafio e me surpreendi ao vê-lo cortar. Sorri. – Estive um pouco ocupado. Sabe como é, o treino de futebol estava pesado hoje... Mas agora sou todo seu! – caminhou até a carteira e se sentou.
- Certo. Todos aqui... – a professora disse indo até a porta e segurando a prancheta contra si – Vocês ficarão até às 17:30 aqui. Tenham uma boa detenção. – desejou saindo apressadamente até a porta. Suspirei e fechei os olhos tombando a cabeça para trás.
- E então? – depois de um tempo de silêncio, o ouvi dizer. Ergui a cabeça e abri meus olhos. estava virado de lado e seus olhos passeavam por nós. Todos o encaravam.
- E então, o quê? – Mary disse. Ela olhou para mim e para Jessie.
- Já que são tímidos, eu posso começar... – disse sarcástico. Ele se levantou foi até a porta pareceu checar algo e foi até a frente da mesa – Sou . – disse como se ninguém o conhecesse. Jessie virou para trás me lançando um olhar ‘esse cara tá falando sério?’. apontou para o primeiro menino sentando na carteira.
- Ah... Sou Theo. Theo Mitchell. – Theo pareceu ser pego de surpresa, tinha o cabelo castanho escuro quase para um preto e usava um suéter azul, ele pareceu ponderar se dizia mais alguma coisa – Sou do segundo ano.
- É claro que você é do segundo ano. Sala A? – respondeu como se fosse óbvio e Theo assentiu. Ele apontou para o garoto atrás de Theo – E você? É da minha sala, não é? Hum... Victor?
- Vincent; – o garoto disse, ele mordia a ponta de uma caneta e parou de mordê-la para falar. Sua voz era rouca, tinha o cabelo castanho claro e seu uniforme estava sem a gravata, e pareceu que não falaria mais nada ,mas largou a caneta e encarou – Vinny Patterson. Sou seu colega.
- Você? – ignorou Vincent e apontou para Jessie em minha frente que pareceu incerta.
- Jessie Reed. Sou do primeiro ano, sala B. – Jessie disse. a encarou por alguns segundos e depois olhou para Mary que estava ao lado de Jessie.
- Mary Phillips. Primeiro ano, sala A. – Mary disse e deu um sorriso mínimo. Olhei para o e ele já me encarava.
- . Primeiro ano, sala B. – ergui as sobrancelhas. deu um sorriso de lado me lançando um olhar indecifrável e se sentou na mesa da professora.
- Qual dos idiotas pediu para vocês colarem o panfleto no armário? – perguntou enquanto mexia em alguns papéis na mesa – Infelizmente, fui pego colando os panfletos também. – ele soltou um suspiro e riu.
- Marcel. Ele é um idiota da nossa turma. – Jessie disse e Mary e eu concordamos com ela. Theo bufou.
- Foi um dos amigos dele. Acho que se chama Ashton... – ele olhou para Vincent que concordou – É, foi o Ashton. Só sei que são uns retardados. E estamos aqui por culpa deles agora!
- Bom... – o ouvi dizer – Eles sempre fazem alguma pegadinha na primeira semana de aula. Mas também não é difícil de deduzir. Vocês são presas fáceis... – disse e ergueu a mão contando nos dedos. – Três nerds, um idiota e uma bonitinha... – pulou da mesa da professora e caminhou até Theo ficando cara a cara – E felizmente, são meus amigos... – disse seriamente e vi Theo engolir em seco. riu e bagunçou o cabelo de Theo e se sentou em sua mesa. Vincent riu enquanto eu, Jessie, Mary e Theo parecíamos ter levado um tapa na cara. Levantei da minha carteira com a intenção de falar poucas e boas para , mas Jessie e Mary me seguraram pelo casaco.
- Calma, . Não piore as coisas... – Jessie disse, olhei para Mary que concordou e buscou algo em sua mochila. ergueu as sobrancelhas ao me ver voltar a carteira.
O resto da detenção passou lentamente. Theo desenhava em completo silêncio e de vez em quando dava alguns sorrisos de lado para mim e Jessie. Vincent parecia dormir na sua mesa e Mary estava lendo um livro. parecia estar trocando mensagens de textos, pois a única coisa que se ouvia na sala eram os seus dedos teclando no celular. O tempo parecia não passar, mas finalmente 17:30 chegou. Jessie e Mary conversavam baixinho quando a professora Violet voltou até sala e nos liberou para sair da detenção. Agradeci aos céus e me despedi de Theo e um sonolento Vincent os desejando um bom final de semana sendo retribuída por Theo com o mesmo e um tchau seco de Vincent. Caminhei até o estacionamento acompanhada por Jessie e Mary que conversavam sobre suas férias.
- Testes de líder de torcida! Testes no dia 16! – uma menina loira gritou. Ela estava com uniforme de líder de torcida e laço no cabelo e nos entregou um panfleto com informações sobre as datas do teste. No crachá de seu uniforme estava escrito ‘Sasha’.
- Líder de torcida? – Jessie leu o panfleto – Há! – jogou o panfleto no lixo, Mary fez o mesmo. Bufei.
- O é um idiota. – Mary disse trazendo o assunto à tona – Não sei como ele consegue ser tão popular assim.
- Hoje em dia ser idiota é sinônimo de ser popular. – falei. Mary e Jessie riram – Ele era legal.
- Tenho certeza que era. Mas agora ele é um cretino. – nós rimos – Ficou sabendo da festa na casa dos Atwood? – perguntou enquanto entrava no carro de Mary, afinal, pegaria uma carona com ela.
- Não. Deveria me importar? – perguntei me apoiando na janela do carro. Jessie sorriu.
- Soube que Liam Atwood gostava de você... – Mary disse e revirei os olhos – E o vai estar lá também... – me lançou um olhar malicioso.
- Espera! Por que estamos falando sobre isso? Eu nem conheço o Liam direito. E por favor, o ? – Mary deu de ombros.
- Não era você que o achava legal? – Jessie disse.
- O que? Não! Digo, sim! Quando éramos crianças! – as duas riram e eu revirei os olhos.
- Tchau, bonitinha! Até segunda-feira! – acenei e elas partiram.
Peguei o panfleto com as informações sobre os testes de líderes de torcida e caminhei até o carro jogando minha mochila no banco de trás. Percebi meu all-star desamarrado e me agachei para o amarrar. Ouvi alguém me chamar, virei a cabeça para trás vendo de óculos escuros a alguns metros de mim, parado na frente de seu carro. Me lembrei imediatamente de Mary e Jessie falando sobre e senti meu rosto esquentar. E se ele as escutou?
- , como está? – sorriu sarcástico e eu continuei a amarrar meu cadarço fingindo desinteresse – Sabe, faz muito tempo que não conversamos. Acho que talvez uns... – o olhei e ele estava pendendo a cabeça para o lado – Três anos?
- Meu nome é . E faz quatro anos – terminei de amarrar meu tênis e entrei no carro, ao tentar fechar a porta senti sua mão me impedindo de fecha-la. – Quer que eu esmague sua mão?
- Calma. Por que está fugindo de mim? – ele disse tirando os óculos bufei e ele sorriu – Marcel te encrencou, então? – ele riu e apontou para dentro do carro, especificamente para o porta-luvas aberto onde minha palheta azul-marinho se encontrava – Ei, ainda toca guitarra?
- Tchau, – o empurrei quando o vi distraído e fechei a porta, deixando-o para trás no estacionamento da escola.

2003
- El. Por favor. Você precisa entender que irei voltar logo... – meu pai acariciou meus cabelos enquanto escondia meu rosto em meu travesseiro.
- Eu não quero que você vá! A tia Cynthia não faz panquecas boas como as suas... – minha voz saiu abafada e meu pai soltou uma gargalhada.
- Olhe para mim! – ele me levantou e sentou-me na cama – Quando eu voltar... Nós dois iremos fazer uma montanha de panquecas e iremos comê-las a semana inteira. O que acha?
- Com muita cobertura de chocolate em todas elas? – arregalei meus olhos e meu pai riu tocando o dedo indicador em meu nariz.
- Com muita cobertura de chocolate e milk-shake de morango! – pulei da cama e o abracei – Tenho algo para te dar. Era da sua mãe. É uma pequena lembrança... – me soltei do seu abraço e ele tirou algo do seu bolso e estendeu em minha direção. Uma palheta azul-marinho. – Ela tocava violão...
- Era da minha mãe? – sorri e a peguei. Olhei para meu pai – Volta logo. Me promete?
- Eu sempre volto, não é? – ri e o abracei fortemente, deixando que seu boné militar caísse aos nossos pés.
Daquela vez ele não voltou.


Capítulo 3

8 de agosto de 2010 – 03:33
A garota loira de cabelos compridos até a cintura caminhava até sua casa mal conseguindo se apoiar firmemente nas pernas tendo de tirar seus saltos altos e levá-los em suas mãos. Ela estava sozinha e mal se importava com o que estava ocorrendo a sua volta. Ao sentir que iria vomitar, virou em um beco e regurgitou tudo aquilo que havia consumido na festa. Limpou sua boca ainda se sentindo mal e ouviu um som característico de uma tampa de lixo caindo no chão.
- O-olá? – sua voz saiu atrapalhada e a garota sentiu seus músculos tensos e arrepiou-se ao vê-lo ali parado na sua frente – O-o que você tá fazendo aqui? Eu já disse para você parar de me seguir!
- Eu sei, eu sei. Me desculpe! Mas eu vim até a cidade e queria muito ver você e eu vi você saindo de casa e quis saber se você ia ficar bem e... – ele parou para a analisar ao vê-la fechar os olhos e se apoiar na parede. – Você está bêbada?
- É claro que eu estou bêbada. E eu não me importo com você. Agora sai da minha frente – a menina disse firmemente e tentou ultrapassá-lo, mas acabou tendo o pulso segurado fortemente. – M-me solta, agora! Eu vou gritar!
- Grite, então, meu amor – ele sorriu e a menina virou o rosto evitando encará-lo, ela nunca havia sentindo tanta repulsa por ele. Ele a segurou e a puxou mais para si, ao ser empurrado por ela a prensou na parede a deixando sem defesas. – Eu posso cuidar de você...
- Já te disse para sair da minha frente! – a menina tentou empurrá-lo novamente, mas não houve nenhum efeito. O homem cheirou o seu pescoço e sorriu ao ouvi-la soltar um grito. – Seu nojento! Eu tenho nojo de você! – a menina gritou e deu uma joelhada nas partes íntimas do homem que cambaleou para trás. Tentou achar alguma saída no beco, mas só havia uma saída e o homem estava perto dela, parecia que seu estado só havia piorado pois agora estava enxergando tudo em dobro. Mal percebeu quando o homem caminhou até ela emanando uma fúria nunca vista.
- Nojo? De mim? – o homem a segurou pelo pescoço e tudo a seguir aconteceu rápido demais. Um grito abafado e o som de algo sendo quebrado. Ela estava sozinha.

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pov’s
16 de agosto de 2010 – 14:00
A semana após a detenção passou rápida. Nesta semana teríamos provas todos os dias da semana, e estudar estava sendo difícil. Hoje teríamos prova de Biologia e Geografia. A fila andou e peguei um sanduíche de pasta de amendoim e um suco de laranja. Vi Jessie acenando para mim sentada em uma mesa com o pessoal. Jessie e Mary haviam se aproximado mais de mim nos tornando inseparáveis. Theo e Vincent se juntaram alguns dias depois conosco e agora éramos um grupinho. Theo era inteligente, sabia desenhar muito bem e tocava violão. Vinny era mais quieto e sempre estava na sua, mas descobri que sua ficha médica era lotada de fraturas e ele gostava bastante de filmes. Mary e Jessie eram inteligentes também. Mary sempre estava rindo de minhas piadas e brincadeiras com Jessie. Jessie era a mais certinha do grupo assim por se dizer.
- ! Senta aqui! – Jessie me convidou. Estavam lá Mary que estava lendo um livro e Theo e Vincent que conversavam.
- Oi, gente. – sorri e me sentei ao lado de Jessie que comia um sanduíche também. Conversava com Mary quando Theo deu um pigarro de leve.
- Vocês viram o que aconteceu com a prima do ? – disse, ele estava sério agora e mexia na sua comida com garfo.
- Não. O que aconteceu? – Jessie limpou sua boca com um guardanapo e o fitou. Mary e eu fizemos o mesmo.
- Ela está desaparecida faz mais de uma semana. A última vez que ela foi vista estava numa festa no dia sete. – Theo disse e olhou para onde o grupinho de sempre se sentava no refeitório. Ashton e Marcel estavam atracados com garotas enquanto estava sentado mais para o lado e olhava para algum ponto fixo.
- Desaparecida? – Mary perguntou – Por acaso a festa em que ela estava era a dos Atwood? – disse sussurrando para Theo e nos lançou um olhar de esguelha.
- Não sei dizer. Mas o desaparecimento dela saiu no jornal da cidade – Theo disse tirando um jornal da sua mochila. Vincent o puxou da sua mão – Ei!
- ‘’Ashley Joan de 16 anos está desaparecida desde o dia sete de agosto. Testemunhas alegam ter visto a menina sair de uma festa sozinha. Policiais continuam a busca na área por pistas da jovem.’’ – Vincent leu – O que vocês acham? Está morta? Foi sequestrada? Ai!
- Cara! – Theo deu um tapa no braço de Vincent ao ver a cara de Jessie – Deixa de ser insensível!
- Espera! Ela não estudava aqui, estudava? – Mary perguntou os ignorando.
- Aqui diz que ela estudava em um colégio interno. – Vincent disse dobrando o jornal e o lendo.
- Eu não consigo imaginar como os pais dela devem estar se sentindo – falei balançando a cabeça – Kentucky não é mais a mesma... – o sinal tocou e todos começaram a se levantar. Tomei um último gole do meu suco e me levantei – Podem ir sem mim. Preciso fazer uma coisa...– disse e recebi um olhar inquisidor de Theo.
Joguei a caixinha de suco no lixo e tentei gastar algum tempo até ver seu grupinho começar a se dispersar e somente restar no seu lugar do refeitório. Caminhei até a sua mesa e senti minhas pernas falharem ao vê-lo continuar sentado.
- ? – o chamei com a voz firme, mas por dentro estava morrendo. Ele levantou sua cabeça e percebi olheiras em baixo de seus olhos azuis.
- O que você quer, ? – perguntou seco.
- Soube o que aconteceu com a Ashley... – me sentei à sua frente na mesa – Lembro quando ela ia até a sua casa e nós passávamos o dia inteiro comendo sorvete. Eu sinto muito...
- Não... – ele se levantou ferozmente me encarando e recuei para trás assustada – Se meta na minha vida. E a Ashley... – balançou a cabeça como se tentasse recuperar sua sanidade e caminhou até a saída do refeitório.
- Não me meter? ! Argh! – o chamei mas ele já havia me deixado para trás.
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Bati com meu lápis impaciente ao ler a última questão da prova de Geografia. Não conseguia parar de pensar em e no seu jeito. Verdadeiro. Verdadeiro. Falso. Falso. Marquei as alternativas escrevi meu nome na prova em seguida a entregando ao professor. Virei para trás da minha carteira e mandei um thumbs up para Jessie que sorriu.
- O que achou da prova de Geografia? – Jessie perguntou ao sair da sala do diretor. Ele havia a chamado após a prova acabar e acabei a acompanhando e a esperando fora da sala. Caminhamos até o pátio da escola para esperar pelos outros.
- Estava fácil. – respondi pensativa e vi Mary correndo até nós com as bochechas vermelhas – O que o diretor queria com você?
- Eles estão pensando em fazer um evento beneficente e queriam a opinião dos representantes de classe. – Jessie disse – Eles ainda não decidiram. Mas provavelmente vai ser no final de setembro.
- Evento beneficente? A escola está se empenhando esse ano! – falei.
- Ok! Vocês não vão acreditar quem é a nova líder do clube de xadrez da escola! – Mary disse batendo as duas mãos e pulando.
- Quem é? Eu conheço? – perguntei e Jessie riu.
- Sou eu, caralho! – Mary disse pulando em cima de mim.
- ...O diretor decidiu mudar... – ouvi a voz de Theo e o vi caminhando com Vincent até onde estávamos.
- Mary é a nova líder do clube de xadrez! – falei. Theo sorriu e deu um high-five com Mary.
- Estava pensando em entrar. Quais são os requisitos? – Vincent perguntou quando estávamos caminhando até o estacionamento.
- Nenhum. É só se inscrever na biblioteca. Vocês tinham que ver a cara do antigo líder. Era o Nicholas Hazard e ele ficou furioso! – Mary riu.
- Bom saber. Preciso ir. pessoal – Theo disse olhando em seu relógio de pulso – Meu pai precisa de ajuda na loja. Vejo vocês amanhã! – disse acenando e indo até o seu carro.
- Vou indo também. Até amanhã. – Vincent disse um tempo após Theo ir.
- No que o pai do Theo trabalha? – perguntei curiosa quando Vincent foi embora e Mary olhou para Jessie.
- Acho que ele tem uma loja de ferramentas. – Jessie disse e parou me encarando – Você foi falar com o ?
- O quê? Como sabe disso? – perguntei olhando de Jessie para Mary.
- Era óbvio que você ia falar com ele. Mas e então? O que ele te disse? – Jessie perguntou.
- Óbvio? Bom... – olhei para os lados com receio de vê-lo parado nos ouvindo – Ele disse para eu parar de me meter na vida dele... – Mary revirou os olhos.
- Eu concordo com ele. – Jessie disse e Mary e eu a olhamos incrédulas – , para pra pensar. Vocês não têm mais nada em comum. Tudo bem que quando vocês eram crianças eram amigos. Mas agora vocês cresceram e ambos mudaram. Então, por que você continua se importando com ele? – Jessie dizer aquilo realmente mexeu comigo. E ela realmente estava certa. Por que me importar com alguém que não se importa comigo?
- Ela tem um ponto, . – Mary disse se virando para mim.
- Preciso pensar nisso... – disse – Preciso ir... Até amanhã. – acenei e entrei no carro rapidamente dirigindo até minha casa.
- ? – tia Cynthia me chamou quando entrei como um furacão dentro de casa – Não quer comer algo?
- Oi tia. Estou sem fome, valeu – falei e corri até meu quarto. Tirei o uniforme colocando um short jeans e um suéter amarelo que pertencia ao meu pai e ficava enorme em mim.
Me joguei na cama e repensei tudo aquilo que havia acontecido hoje até cair no sono. Acordei com meu celular vibrando avisando a chegada de uma mensagem. Peguei o celular e olhei o horário e eram 18:22, abri a mensagem e a li.
‘‘, é o Theo. Jessie me deu seu número. Estou com um problema que te interessa. Sabe onde é a loja do meu pai?’’
Problema que me interessava? Calcei meu tênis e peguei meu celular o respondendo.
‘‘Estou saindo de casa. Me mande o endereço’’
Caminhei silenciosamente até a sala encontrando tia Cynthia dormindo no sofá com a televisão ligada. Peguei as chaves do carro que estavam no balcão da cozinha e sai sorrateiramente de casa. Enquanto dirigia até a loja Theo me mandou o endereço e segui até encontrar a fachada ‘‘Mitchell Ferramentas’’. Estacionei o carro e desci na frente da loja esperando por Theo.
- ! Psiu! – ouvi me chamar. Olhei para trás e o vi.
- O que aconteceu? – perguntei caminhando até ele.
- Vem comigo – olhou para os lados e disse. Começamos a caminhar até uma parte menos visitada por pessoas e paramos em um beco. Theo olhou impaciente para mim e apontou para algo caído no beco. Caminhei até lá e encontrei um corpo caído de bruços no chão e ensanguentado. Me agachei para vê-lo melhor e Theo fez o mesmo.
- Puta merda... – exclamei horrorizada quando Theo virou o corpo para cima. Estava lá um desacordado e com o rosto cheio de hematomas.





Continua...



Nota da autora: Sem nota.

Nota da beta: Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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