The Walking Dead - Survive

Última atualização: 06/03/2018

Capítulo 1 - Pilot

- Essa não foi uma boa idéia, Rick! – Glenn disse, enquanto caminhava atrás do policial, lhe dando cobertura. Eles estavam vasculhando uma cidade abandonada nas redondezas de Atlanta, procurando por roupas, remédios e suprimentos. Uma cidade onde eles já haviam matado muitos mortos-vivos. Rick era um homem mais velho, 30 anos, os cabelos castanhos, os olhos verdes. Na maioria das vezes, usava seu uniforme de xerife. Tudo estava muito confuso por agora. O mundo tinha enlouquecido de vez. Uma epidemia de um vírus desconhecido tinha atacado as pessoas, elas estavam infectadas apenas por respirar. Mas esse vírus só se manifestava se as pessoas morressem, não importa qual causa fosse, era sempre a mesma coisa, elas morriam, mas depois voltavam como Mortos-Vivos, como zumbis.
- Do que você está falando, Glenn?
- De você colocar essa arma na minha mão. Eu não sou bom de mira e eu não quero ser o motivo de todos do grupo morrerem sem um líder, caso eu erre e acabe acertando você. – O coreano dizia com a voz tremula, sussurrando pra não fazer barulhos e atrair mais mortos-vivos. Glenn tinha 24 anos e, antes de tudo acontecer, ele era de uma comunidade de coreanos que veio para os Estados Unidos. Logo depois de tudo acontecer, ele se perdeu de todos, de tudo. Teve que sobreviver sozinho até achar um grupo para se juntar. Ele empunhava uma SIG-Sauer P226, enquanto Rick segurava uma Colt Python. Caminhavam pela rua, em direção à uma velha casa de madeira ao lado oposto que eles estavam, mas imediatamente pararam ao escutar barulhos vindos de trás deles. Ao olharem, viram três zumbis, corcundas, ensangüentados a quase dois metros deles. Glenn fez menção de atirar, mas Rick o impediu. Tiros iriam atrair mais mortos-vivos. A única coisa que eles podiam fazer era se esconder, esperar que os zumbis se aproximassem para pegá-los de surpresa com uma faca enfiada no cérebro. Correram para um beco ali perto, mas, ao entrarem, tiveram uma surpresa. Duas armas foram apontadas para suas cabeças, por uma garota! Ela tinha os cabelos loiros e os olhos castanhos. Usava uma calça preta, uma jaqueta de couro e um coturno nos pés. Rick e Glenn apontaram suas armas para ela também, que não pareceu se abalar com o gesto deles, pois continuou parada com a mira de suas armas na cabeça deles.
- Quem são vocês? – Ela perguntou.
- Quem é você? – Rick perguntou.
- Eu perguntei primeiro. – Ela disse.
- É, e a gente perguntou depois. – Glenn disse, olhando a arma da garota. Ela continuou imóvel, sem mudar a expressão que tinha em seu rosto. Ela era durona, pensou Rick. O mesmo levantou as mãos em sinal de rendição e abaixou a arma. Glenn, mesmo achando que aquilo era uma idéia estúpida, fez o mesmo.
- Sou Rick Grimes e esse é meu amigo, Glenn Rhee. Somos sobreviventes. Não queremos nenhum tipo de briga com você ou com seu grupo. – Grimes disse. A garota os analisou por alguns segundos e depois de constatar que eles não apresentavam perigo, abaixou as duas armas e colocou uma delas no suporte que estava preso em sua cintura. Eles podiam ver que havia mais uma arma presa na perna dela. Ela é prevenida, pensou Glenn.
- Sou , sobrevivente. Sozinha! – Ela disse. Ao olhar para trás dos dois rapazes, ela avista dois zumbis vindo até eles. Um agarrou Glenn pela camisa, e antes mesmo de Rick pensar em levantar sua arma, a garota tirou a que estava em sua perna e atirou na cabeça do zumbi que segurava Glenn e no zumbi que vinha para cima dos dois. E segundos depois, mais um zumbi aparece e ela repete o mesmo gesto. A arma quase não fez barulho, era um silenciador. Original.
- Ta maluca? – Glenn disse com a voz esganiçada. – Podia ter acertado minha cabeça!
- Fica calmo, coreano! Eu acerto uma maçã há dez metros de distância. Não é possível que eu não fosse conseguir acertar a cabeça desse nojento morto-vivo-não-vivo há 30 centímetros de mim. – Ela disse e logo depois passou por eles, indo para a rua, checando se não tinha mais zumbis por ali. – E de vez em quando, é legal agradecer, não é porque o apocalipse começou que as pessoas não gostem mais de gente educada.
- Foi mal. É que esse dia está sendo muito estressante. – Glenn disse. – Obrigado, duas vezes! – Ele continuou. Ela o encarou, confusa. – Por ter matado o zumbi e por ter me chamado de coreano e não de chinês como todo mundo que recém me conhece faz.
- Eu sei diferenciar os dois. – Ela disse, simpática, e começou a andar.
- O que você faz aqui? – Rick perguntou enquanto ele e Glenn seguiam a garota pela rua.
- Vim procurar remédios, machuquei minha perna e meu braço. Preciso de antibióticos pra não dar infecção. – Ela disse enquanto olhava de um lado para o outro. Avistou um zumbi saindo de uma das casas e sem esforço algum, acertou sua cabeça fazendo-o cair morto, mas dessa vez literalmente, no chão.
- O que aconteceu? – Glenn perguntou apreensivo. Ela o olhou, divertida.
- Não fui mordida, se é isso que quer saber! Atravessei a janela do terceiro andar de um prédio e caí em cima dos cacos de vidro. Minha sorte é que essa jaqueta me protegeu um pouco de ter me cortado inteira.
- Você disse que está sozinha! Há quanto tempo?
- Desde que tudo começou! – Ela respondeu, parando em frente a uma farmácia deploravelmente acabada. Fez sinal de silêncio para eles e entrou seguida dos dois. Cautelosamente foram procurando nos cantos e embaixo das coisas para ver se não tinha alguma coisa escondida por ali. Ao verem que não tinha nenhuma ameaça, eles começaram a procurar por remédios com a validade ainda em dia. – De vez em quando eu encontro com algum grupo ou casal que precisa de ajuda para achar comida ou remédios. Eu ajudo e eles de bom grado me dão algo em troca. Outras vezes, encontro com bandos só de homens de 5 ou 6 pessoas que pela cara deles querem me estuprar – Disse ela com a voz fria, soltando uma risada irônica logo depois, fazendo Rick e Glenn se entreolharem de sobrancelhas erguidas, assustados com a normalidade que ela falava aquilo. – Mas na maioria das vezes todos morrem.
- Como assim, na maioria das vezes todos morrem?
- Bom, eu sou uma garota legal e sei deixar as coisas pra lá, sem rancor ou magoa, eu sempre dava chance para todos eles, eu dizia: Vão embora e siga o caminho de vocês que nada vai acontecer, mas eles nunca me escutaram. E no momento em que algum deles coloca a mão em mim sem minha permissão, o grupo todo se condena. – Falou ela, pegando um frasco na prateleira. Depois olhou para os dois que a encaravam quase que de boca aberta. – Acho que vocês já sabem o que eu quero dizer.
- Mas você é só uma garota. Como você conseguia fazer isso sozinha?
- Meu pai era das forças especiais. Ele trabalhava metade do ano treinando soldados no Irã e metade do ano em casa, me treinando. – Disse ela e depois sorriu, voltando a encarar as prateleiras. – Na verdade nós mais brincávamos de boneca do que treinávamos, mas aprendi o suficiente pra não deixar nenhum idiota roubar meu lanche na escola. A última vez que o vi foi quando essa praga começou. Na noite em que as pessoas da minha cidade surtaram. – disse abaixando a cabeça e respirando fundo.
- Quantos anos você tem?
- 19. – Disse ela, abrindo um frasco e engolindo duas pílulas de uma vez. Depois o tampou e o enfiou no bolso da jaqueta. – Graças a Deus! Remédio pra dor.
- E você não tinha mais nenhum parente?
- Tinha. O Tio Joe foi quem ajudou a mim e meu pai a sair de casa naquele dia, e tinha meu irmão e minha mãe... – Ela disse indo em direção a porta, mas logo parou ao olhar para a rua e ver que ela estava infestada de Zumbis. – Podemos continuar nossa conversa depois? – Ela perguntou, fechando a porta cautelosamente para não fazer barulho. Carregou seu silenciador. – Tem um monte cabeças ocas na rua.
- Como vamos sair daqui? – Glenn perguntou, fechando a bolsa onde ele tinha colocado os medicamentos que pegou. caminhou para o fundo da loja, seguindo até uma porta que tinha ali. Estava trancada. – E agora?
- Calma. Eu resolvo isso. – Disse ela, tirando um canivete de dentro do coturno e o abriu. Colocou a lamina da faca entre a porta e o portal. Forçou para fora até escutar um clique. A porta estava aberta. Ela sorriu vitoriosa, girando a maçaneta. Espiou do lado de fora pra checar se não tinha nenhum cabeça oca por ali. Fez sinal para que os outros dois rapazes a seguissem enquanto ela caminhava na ponta dos pés indo em direção a alguns arbustos há poucos metros dali. Os três se esconderam ali atrás. Ela pegou outra arma e a recarregou também. – Vocês vieram de quê? – Ela sussurrou para os dois rapazes, que olhavam para todos os lados.
- Caminhando. Não queríamos fazer barulhos pra não atrair nenhum zumbi e nosso alojamento fica há alguns quilômetros daqui. – Rick falou. Ela arqueou a sobrancelha pensando: Eles só podem ser malucos pra fazer uma coisa dessas. – E você? Como chegou aqui?
- De carro, ora essa! Não vou gastar minhas energias, sendo que eu tenho um carro.
- Para que lado você estava indo? – Grimes perguntou.
- Para o norte. Mas, na verdade, eu nunca sei exatamente para onde estou indo, então eu sempre vou em linha reta. De vez em quando eu paro em algum lugar e fico por lá algum tempo, só pra recuperar as forças, talvez um ou dois meses, mas eu sempre volto pra estrada. Nunca consegui me encaixar em nenhum grupo de refugiados. Em todos eles havia um babaca dando uma de machão querendo me dar ordens, por isso eu sempre caia fora. Quando eu chegar ao final do país, eu escolho se sigo pro leste ou pro oeste. – Disse ela, divertida.
- Você pode se juntar a nós, se você quiser. – Rick disse e ela o olhou, abismada. Glenn balançou a cabeça, concordando.
- Eu apontei uma arma na cara de vocês!
- E a gente fez o mesmo. Olhe, a gente não é desse tipo de grupo que recruta sobreviventes e faz deles nossos escravos. Onde a gente vive cada um tem suas funções, cada um tem sua opinião e não temos exatamente um líder. Temos o Rick que nos deixa escolher o queremos fazer.
- Suas habilidades podem ser muito úteis pra nós também. Precisamos de mais gente para proteger as pessoas e eu vejo que você pode ser qualificada para isso. Você quem escolhe, pode tentar isso vindo conosco e vendo como tudo é, ou pode ir para o seu carro e continuar sua jornada sem fim. – Rick disse, voltando a olhar para os lados, vendo se não tinha nenhum zumbi por perto, mas depois encarou , que estava pensativa.
Ele está me dando uma escolha. Poucas pessoas nesse tempo me deram escolhas. Talvez eu possa ir lá e ver como tudo é, se eu não gostar, eu caio fora. Já fiz isso muitas vezes, não vai ser problema fazer de novo, pensava ela.
- Lá tem chuveiro? – Ela perguntou e os dois rapazes riram.
- Sim. Tem chuveiro.
- Ah! Graças a Deus, faz meses que eu não tomo banho em um banheiro de verdade, estou fedendo mais que um gambá que matei há dois dias. – Disse ela, se levantando e atirando em alguns dos zumbis que andavam ali. Glenn e Rick arregalaram os olhos com a atitude da menina. – Vamos, meu carro fica por aqui. – Ela disse outra vez. Os dois se levantaram, seguindo-a, atirando contra os mortos-vivos que apareciam em suas frentes, os atacando. Os três davam cobertura para os três. Corriam com rapidez. Ao entrar em um beco, foram cercados pelos dois lados. , pensando rápido, olhou para uma escada que estava presa ao muro de uma casa, avisou para os dois rapazes e começou a subi-la seguida deles. Correram pelo teto da casa até chegar à calha dela, do outro lado. Pararam ao ver que daquele lado não tinha uma escada para eles descerem, mas dali de cima, eles podiam ver um Nissan preto perto da placa de boas vindas da cidade, faltavam apenas alguns metros para chegarem lá. O único problema é que estavam em cima do telhado de uma casa e estavam quase cercados por zumbis.
- Vamos ter que pular. – Rick disse, olhando para baixo, vendo uma caminhonete estacionada bem debaixo deles. Glenn arregalou os olhos e sorriu.
- Demorô! – Ela disse e sem esperar mais nenhum segundo, pulou lá de cima, caindo em pé em cima no teto da caminhonete. Passou para a carroceria, carregou as armas que estavam em suas mãos e começou a atirar contra os zumbis enquanto Rick era o segundo a pular e se juntar a ela. Glenn estava rezando o Pai Nosso inteiro até escutar Rick gritando para ele pular de uma vez. Respirou fundo, pegou impulso e pulou, caindo em pé, mas quase perdeu o equilíbrio e caiu para trás. Foi quando Rick o segurou e o puxou para a carroceria. Desceram os três ali de cima e seguiram correndo atrás de , que estava os levando até seu carro.
- Caramba! Essa vai entrar pra historia. – Glenn disse enquanto entrava no banco de trás do carro da garota. Ao ver que todos estavam ali dentro, colocou a chave na ignição, ligou o carro e pisou no acelerador, passando por cima de todos os zumbis que estavam em sua frente.
- Irrrrrá! – Ela gritou como se estivesse em cima de um cavalo em alguma competição do Texas. Após se afastarem da cidade, Glenn e Rick puderam respirar aliviados. Era hora de voltar para o alojamento.


Capítulo 2 - The Newest Tenant

Estava quase anoitecendo quando o carro de se aproximava de uma pequena cidade chamada Sunrise. Tiveram que fazer um desvio da rota devido a uns trinta zumbis que estavam empacando no meio da rodovia por onde eles iriam passar. Glenn, Rick e teriam que passar a noite ali, pois era ainda mais perigoso ficar perambulando de carro no meio da noite em dias como esse. Eles ficaram menos preocupados em passar a noite no carro ao saberem que os vidros eram temperados e que o aço da lataria do carro era reforçado. Era blindado, pois foi do Tio da garota, que também era militar. Os vidros eram pretos, o que dificultaria para qualquer um ver que tinha alguém ali dentro ainda mais à noite. No tempo em que ela passou no carro com os dois rapazes, ela viu o quanto eles eram legais, pessoas de bem. Imaginava como devia ser as outras pessoas do alojamento de onde eles vieram. Não esperava que fosse pessoas que vomitassem arco-íris e nem que sorrissem todo o tempo, mas se elas conviviam com Rick e Glenn, provavelmente, deveriam ser tão legais como eles. Pensou em seus pais e em seu irmão, imaginando se eles estavam bem, imaginando se eles tinham encontrado pessoas tão legais quanto Rick e Glenn. Passou algum tempo cozinhando isso na cabeça, mas logo depois foi pega pelo sono e adormeceu com a cabeça encostada no vidro.
No dia seguinte, ao amanhecer e a luz do sol começar a brilhar, acordou e juntamente com ela, os dois rapazes acordaram também. Ela ligou o carro e seguiu pela rodovia por onde estavam passando na noite passada. Ela ligou o rádio bem baixinho, botando um CD de rock para tocar. O som de Uprising ecoou pelo carro. Todos ficaram calados para escutar a música que tocava em um volume bem baixo para não atrair “seguidores” na rua.
Algumas horas se passavam já chegando a ser quase dez da manhã, Rick, pela sua janela conseguia ver o local onde eles estavam ficando. A prisão. Bem protegida dos cabeças ocas. Mantinham eles fora e bem longe. Com torre de vigia e cheia de celas para abrigar muitas pessoas que precisassem de ajuda. Glenn chamou a garota e apontou para onde Rick estava olhando. Ao ver, ela riu e assentiu. Acelerou um pouco mais o carro e finalmente ela estava em frente à prisão. Parou em frente ao portão. Rick e Glenn saíram do carro e abriram o portão com a ajuda de uma garota morena que estava ali. Grimes fez sinal para que levasse o carro para dentro. Ela olhou pelo retrovisor vendo cabeças ocas indo em direção ao seu carro. Acelerou adentrando o local, enquanto Glenn e Rick fechavam o portão e o trancavam. A garota desligou o carro, retirou a chave enfiando-a no bolso e saiu batendo a porta atrás de si. Observou o local.
- Uma penitenciaria? Bem pensado. – Disse ela com as mãos nos bolsos de trás de sua calça. A garota morena se aproximou dela e estendeu a mão.
- Oi, eu sou Maggie Greene. – Disse a morena. apertou sua mão.
- ! Prazer!
- Vocês conseguiram trazer algo? – Uma garota loira de olhos verdes apareceu. Parou bruscamente ao ver parada ali. – Você é?
- .
- Encontramos na cidade onde fomos procurar suprimentos. Vocês têm que ver ela em ação. – Rick começou, mas foi interrompido por Glenn.
- É, tipo, ela é igual a uma ninja, parece que não tem medo de nada. Maggie, você acredita que eles me fizeram pular de uma casa de dez metros de altura? Foi tipo WOW e depois a gente saiu correndo pro carro dela e olha o carro dela... – Ele dizia eufórico, fazendo todos ali rirem.
- Respire, Glenn, a garota nem chegou e já está assustando ela. – A loira que acabara de chegar disse. Depois se virou para e sorriu docemente. – Seja bem vinda, eu sou Andrea.
- Nós não conseguimos trazer muita coisa, parece que fizeram uma limpa geral por lá poucas horas antes de chegarmos. – Grimes disse e riu, botando a mão no bolso e pegando a chave do carro. – Do que está rindo?
- Qual foi a única pessoa que vocês encontraram naquela cidade que ainda por cima tinha um carro? – Ela perguntou, parando em frente ao porta malas do carro, ainda sorrindo. Rick lhe lançou um olhar de você está brincando, né? O que a fez rir mais ainda. Abriu o porta-malas e quando todos olharam lá para dentro, viram que estava cheio de coisas, sacolas com comida, com remédios, com roupas etc. Ela saiu da frente e apontou para lá. – Bom, se eu realmente vou ficar aqui por um tempo, isso é claro, se todos concordarem, eu acho que tenho o dever de ajudar em alguma coisa, certo? E isso deve dar por pelo menos uns dois dias, se racionarmos. – Disse ela, brincalhona.
- Você é inteligente, nos disse que estava procurando antibióticos só para pensarmos que você não tinha nada. – Rick disse, sorrindo.
- É claro! Eu nem conhecia vocês, não iria querer ninguém saqueando as minhas coisas que eu demorei dias pra conseguir. – Ela disse em tom óbvio. – Então, onde eu descarrego? É muita coisa. Vou precisar de uma ajudinha!
- A gente ajuda! – Andrea disse.
Ela, e Maggie começaram a pegar as coisas, Glenn resolveu ajudar também. Os quatros pegaram o máximo de coisas que podiam e levaram até a entrada da prisão, onde outra garota loira junto de um menino moreno pegava e levava para dentro da penitenciária. Pelo que Maggie disse, aqueles eram Beth Greene, irmã dela e Carl Grimes, filho de Rick. perguntou onde estava a mulher de Grimes, Maggie disse que ela morreu depois do parto do segundo filho dos dois.
Logo depois de tirarem aquelas coisas do carro de , ela pegou uma sacola de armas que tinha lá dentro e levou até uma mesa que tinha ali em frente a porta de entrada da prisão. Abriu a bolsa e pegou suas únicas armas que tinha ali. Uma Beretta 92FS preta, uma Browning Hi-Power prata e uma Colt M1911A1. Tirou a Glock 17 da perna e dois silenciadores da cintura. Desmontou todas elas jogando as peças em cima da mesa, espalhadas. Não fazia nem meia hora que ela havia chegado ali e já estava se sentindo em casa.
- Não é melhor tomar um banho primeiro e descansar antes de começar a fazer isso? – Uma voz atrás de soou. Ela se virou para trás e viu Andrea vindo em sua direção. Ela se sentou no banco em frente a . – Pelo visto você gosta mesmo de armas. – Ela disse vendo a rapidez com que terminava de montar a Glock 17.
- Meu pai me ensinou tudo o que sei. Acho que ele ficaria orgulhoso de mim se me visse fazendo isso. – Ela disse, recarregando o pente da arma.
- Será que eu posso ajudar você? Eu sempre gostei muito de armas, mas não entendo muito delas. A única coisa que sei é atirar. – Andrea disse, rindo. sorriu.
- Claro, mexer com armas é o melhor jeito de você conhecer minha personalidade explosiva. – Brincou . Andrea começou.
- Rick, você sabe quando Daryl volta? – Uma voz de uma mulher gritou. olhou para a porta da prisão e viu uma mulher de cabelos quase grisalhos, magra que usava uma blusa vermelha, uma calça jeans e uma blusa de frio azul por cima dela.
- Quem é ela? – perguntou para Andrea, que terminava a primeira parte da arma.
- Aquela é Carol Peletier, eu sinceramente não gosto muito dela. Ela é quase a pessoa mais idosa daqui. Só perde pro Hershel.
- E quem é esse?
- Nosso médico, pai de Maggie e Beth. Ele recentemente perdeu uma perna e agora anda de muletas. Mas botou uma perna mecânica. Sei lá. Acho que foi o Rick que fez. Não é muito de sair aqui para fora, é um cara legal e soube bem como criar as filhas nesse mundo de terror.
- E quem é Daryl?
- É um caipira que entrou no grupo logo quando tudo começou. Ele é bom em caças e em matar zumbis. Só é um pouco anti-social e sem educação. Ele sempre caça com uma espécie de arco e flecha. Se ele não fosse tão bom no que faz, eu o chamaria de patético.
- Essa parte é para o outro lado. – disse sobre uma peça que Andrea estava colocando errado. Andrea riu. terminou a Colt M1911A1. – Eu já fiz duas e você ainda está na segunda parte da Beretta. Que vergonha! – brincou, fazendo Andrea gargalhar.
- Me desculpe, não é todo dia que alguém me deixa montar armas! – Ela disse. – Você sobreviveu só com isso?
- É! Por um ano e meio. – Falou terminando de carregar a Colt. – Olha, eu acho que vou tomar banho agora. Estou louca pra ficar limpa de novo.
- Vai lá! Se eu não conseguir terminar isso aqui sozinha, peço pro Rick me ajudar. Fala com a Maggie, ela te mostra onde fica vestiário.
- Tá bom e obrigada por estar sendo legal comigo.
- As pessoas ganham o que merecem. Você é legal comigo, então eu sou legal com você. – Andrea falou e sorriu. Foi até o carro e pegou sua mochila de roupas. Viu Maggie sentada junto com Glenn na escadaria da prisão. Aproximou-se. Os dois, ao vê-la, sorriram para ela.
- Maggie, tem como você me mostrar onde fica o vestiário? Preciso de um banho ou vou morrer de nojo de mim mesma.
- Claro. É por aqui. Vem comigo! – Ela disse, se levantando. As duas adentraram a prisão. ficou observando em como eram as coisas ali dentro. Nunca tinha entrado em uma prisão, sempre se manteve fora de encrencas por causa do pai, que era militar. Observou as celas e percebeu que aquele era o lugar mais arrumado que ela tinha entrado em meses. Não tinha poeira no chão e não tinha coisas jogadas em todos os cantos. Subiram uma escada para o segundo andar e de lá, seguiram um corredor reto, com mais celas. – Esse é o Bloco B. – Maggie disse. Logo depois subiram mais uma escada, para o terceiro andar. – E aqui é o bloco E. Aconselho-te a não ir mais que o vestiário que é bem ali na frente. Ainda tem alguns zumbis escondidos aqui dentro, e não estamos com muito tempo pra caçá-los. A prisão é muito grande. Mas por aqui é tudo tranqüilo. Pode tomar seu banho. Depois você desce que eu te mostro onde fica a cozinha e você pode escolher uma cela pra dormir.
- Obrigada. – disse, sorrindo, e seguiu em frente, enquanto Maggie voltava pelo caminho que tinham vindo. Ao entrar no vestiário, colocou sua mochila em cima de um banco de cimento que estava pregado na parede, abriu-a tirando sua toalha, suas roupas íntimas e as roupas de cima. Pegou seu sabonete e xampu. Fechou a porta do vestiário, tirou o suporte de armas que estava preso em sua calça e o que estava na sua perna, também tirou sua roupa, enfiando-as dentro da mochila que já não tinha mais nada dentro. Mais tarde ela iria lavá-las. Entrou em baixo do chuveiro, já o ligando. A água fria caiu por seu corpo, causando calafrios na garota. Lavou os cabelos e o corpo. Sorriu enquanto se enxaguava. Fazia muito tempo que ela não se sentia tão limpa quanto naquele momento. Esfregou os braços e as pernas, vendo sua cor voltar ao normal depois de tirar toda a sujeira de sua pele. Limpou seu corte já se cicatrizando na perna e no braço esquerdo. Ao terminar, se secou e vestiu sua lingerie preta. Logo depois colocou sua regata branca, uma blusa xadrez vermelho-preto por cima e uma calça preta. Pegou meias limpas na mochila e botou-as, calçando também seu coturno. Secou o cabelo e o penteou. Pegou suas coisas e saiu dali, indo pelo mesmo caminho que tinha vindo. Encontrou com Maggie conversando com Beth e as duas a levaram até uma cela ali mesmo no segundo andar. jogou sua mochila no chão e observou a cela. Era pequena. Tinha um beliche e uma pia. Não era um hotel cinco estrelas, mas era melhor do que dormir no carro como ela vinha fazendo desde que tudo começou. Desceram então até a cozinha, onde estavam Carol, Carl e Rick.
- Hoje está sendo um dia glorioso. – disse, entrando junto com Maggie e Beth na cozinha. Todos olharam para ela. – Matei zumbis e tomei banho! Isso é maravilhoso.
- Que bom que pelo menos algum de nós está feliz. – Carol disse. arqueou a sobrancelha. Olhou em volta, todos estavam com cara de morto.
- O que houve? – Beth perguntou.
- O gás acabou! Precisamos de fogo pra fazer a comida.
- Eu vou buscar madeira. – Rick disse.
- Não! Deixa que eu vou! – se pronunciou. – Tenho que fazer alguma coisa. Me dê algo para carregar a madeira. Depois eu vou a alguma casa e pego um botijão de gás. E sem contar que eu sou menor e é mais fácil pra mim me esconder.
- Tem certeza que consegue?
- Passei bastante tempo sobrevivendo sozinha. Pegar alguns gravetos não vai ser problema. – Ela disse.
- Não são apenas gravetos. – Carol disse, alterando o tom de voz. arqueou a sobrancelha mais uma vez, desejando estar com uma arma agora.
- Foi modo de falar. Mas se você quiser ir em meu lugar, passando por aquele monte de zumbis que tem ali de fora, pode ir. – A garota disse com irritação. Odiava quando alguém era sem educação com ela quando estava fazendo algo de bom grado. Carol se calou. Rick saiu da cozinha e o seguiu. Ele a entregou uma bolsa de alça transversal. Ela seguiu até a cela onde tinha deixado sua mochila e pegou os dois suportes de armas que tinha guardado ali dentro. Colocou o da cintura e o da perna. Depois, ela saiu da prisão e viu Andrea carregando a bolsa de armas, indo até ela.
- Pronto! Armas montadas e carregadas. – Ela disse. pegou a bolsa, a abrindo e pegando os dois silenciadores e a Colt. Colocou-as no suporte, com exceção de um dos silenciadores. – Você está segura aqui dentro, não precisa se armar.
- Vou sair pra pegar madeira. O gás acabou e me voluntariei para pegar lenha. E agora entendo porque você não gosta tanto da Carol.
- Ela foi mandona com você também?
- Ela levantou a voz pra mim e ninguém levanta a voz pra mim. Sorte dela que hoje estou tendo um bom dia e não ameacei arrancar aquela cabeça branca dela.
Andrea gargalhou com o comentário de .
- Preciso que tranque o portão para mim.
- Você vai andar no meio daquele monte de zumbis ali?
- Já estive em situações piores, acredite. – disse. Destravou a arma e seguiu até o portão com Andrea atrás. – Cuida do meu carro enquanto eu estiver fora. Não deixe ninguém arranhá-lo, por favor!
Andrea assentiu. atirou em alguns dos mortos-vivos que estavam próximos do portão, dando tempo para ela sair correndo sem ser alcançada por nenhum deles. Andrea trancou o portão de novo. correu o mais rápido que pode até uma floresta há alguns metros dali. Atirou em alguns zumbis que apareciam na sua frente e alguns ela deixava passar, já que estavam longe dela e não lhe mostravam perigo. Andou algum tempo, marcando as árvores por quais passava com um X para não se perder e saber o caminho de volta. Ela não tinha levado facão ou machado para cortar madeiras, gastaria mais tempo procurando-as pelo chão, procurando por madeiras fortes, secas e cheias.

(...)


Depois de ter andado quase que pela floresta inteira, vendo que as madeiras que tinha coletado já eram o suficiente para uma noite, resolveu voltar pelo caminho que tinha vindo. Mas parou imediatamente ao escutar barulhos vindos de trás dela. Ao se virar e não ver nada, concluiu que devia ter sido apenas a imaginação dela, mas viu um arbusto se mexendo. Soltou a bolsa no chão e recarregou a arma, caminhando cautelosamente em direção àquele arbusto. Viu algo se mexendo atrás de uma árvore enorme. Encostou-se nela, respirou fundo e, criando coragem, pulou para o outro lado apontando a arma para aquilo que estava se mexendo. Deu de cara com dois olhos extremamente azuis de um homem de cabelo castanho. Ele lhe apontava uma Crossbow. Mantinha a cabeça dela na mira. tinha a cabeça dele na mira. Os dois se mantiveram calados, apenas olhando um para o outro.
- Quem é você? – Ela perguntou, mas logo depois a ficha dela caiu. – Ah, já sei, você deve ser Daryl. – Ela disse e ele arqueou a sobrancelha.
- Quem é você e como sabe meu nome? – Ele perguntou e nesse momento sentiu seu corpo inteiro se arrepiar. Uau, que voz rouca! Ela pensou.
- Andrea me contou sobre você. Rick me pediu para buscar madeira. Sou a nova moradora da prisão. – Ela disse. Daryl a observou. Encarou os olhos castanhos da menina. Observou suas roupas, olhou para seu cabelo. Ambos abaixaram as armas e ficaram se encarando por alguns segundos. Daryl se aproximou, fazendo a menina arregalar os olhos. Respirou fundo perto dela.
- Então era daqui que vinha o cheiro. – Ele disse. – Era seu xampu.
- Devo levar como um elogio?
- Leve como quiser. – Ele disse, passando por ela.
- Bem que Andrea disse que você era mal educado.
- Andrea é uma vadia. – Ele respondeu se afastando. Ela respirou fundo. Todo o encanto de ter visto aqueles olhos azuis segundos atrás tinha sumido. Ele era um idiota. E ele estava voltando pelo mesmo caminho que ela iria voltar, ou seja, os dois iriam voltar juntos. Ela pensou em esperar que ele se afastasse mais, mas continuou o caminho. Pegou a bolsa que tinha largado no chão e continuou, ficando a poucos passos atrás dele. Que bundinha, hein, pensou ela. – O que o Rick tem na cabeça pra mandar uma garota atrás de lenha?
- Ele não mandou. Vim porque quis. Não preciso que ninguém me mande fazer algo.
- Ah, então você é independente?
- Sim, eu sou!
- O que houve com seu bando?
- Nunca tive um bando.
Daryl parou e a encarou. Estreitou os olhos como se não acreditasse no que estava ouvindo.
- Nunca?
- Nunca! Eu sempre andei por aí sozinha. Nunca precisei receber ordens pra ficar viva! Sempre soube me cuidar muito bem. – Falou ela, olhando de um lado para o outro, vendo se não tinha nenhum zumbi por ali. Continuou a andar, deixando Daryl para trás. Começou a sentir seus pés doerem por não ter descansado bem essa semana. De repente, Daryl puxa a garota para trás, fazendo-a bater de costas com uma árvore, ao ver que tinha um grupo de zumbis por ali. Os dois ficaram próximos de mais um do outro, face a face. Daryl apontou para os zumbis que estavam atrás da árvore onde eles estavam encostados. sentiu o sangue ferver ao sentir as mãos do rapaz em sua cintura, ela odiava quando a tocavam sem sua permissão, mas não foi repulsa que sentiu quando ele a tocou, foi algo diferente. Porém ela não sabia o que era, então empurrou-o e atirou na cabeça dos mortos-vivos sem hesitar. Deu uma olhada rápida para o rapaz que estava praticamente de boca aberta e logo depois voltou a andar mais rápido, em silêncio. Ele, que estava a alguns passos atrás dela, começou a observar o jeito que ela andava. Essa garota requebra que é uma beleza, pensou ele. Ela parece ser o tipo de garota simples, mas que pega fogo na hora da ação, pensou ele de novo. E que bundinha, hein.
- Vai andar rápido ou prefere ficar olhando pra minha bunda? – Ela perguntou já longe dele. Ele balançou a cabeça, afastando os pensamentos. Ficou em silêncio e caminhou atrás dela, matando alguns zumbis que apareciam pela frente. Dois foram para cima dela, que chutou um no tórax, atirando na cabeça dele logo depois. O outro foi impedido de agarrar seu braço quando Daryl lhe atirou uma flecha no meio da testa. Ela lhe lançou um olhar de agradecimento, ele que apenas acenou com a cabeça como se dissesse de nada. Os dois continuaram, se esquivando e matando zumbis. Chegou a um ponto em que tinham tantos zumbis, que eles tiveram que correr para fugir. teve o pé puxado por algo e caiu com tudo por cima da bolsa cheias de madeira, machucando o tórax. Gemeu de dor. Ao olhar para ver o que a segurava, viu um errante apenas na metade, não tinha pernas, lembrou-se de algo que aconteceu há alguns meses com ela.
“Ela tinha caído por causa de um zumbi que a segurou pela perna, ela estava fugindo de um grupo de 7 homens que queriam a pele dela por ter salvado uma garota que eles usavam para se “divertir” e tinha a escondido. Tudo era ainda muito novo pra ela. tentava se soltar, mas o zumbi não queria largá-la. Atirou na cabeça dele e levantou para correr, mas foi acertada com dois tiros nas costas. Se escondeu atrás de uma árvore e teve que pensar bem no que iria fazer. Ela teria que matá-los.”
Voltando ao agora, ela soltou a perna e chutou a cabeça do errante, fazendo-a explodir. Tombou a cabeça para trás, procurando por Daryl, que lutava com uns três mortos-vivos que iam para cima dele. Olhou para frente, vendo mais zumbis chegando. Essas porras brotam do chão?, pensou ela. Levantou-se e chutou um que estava indo para cima de Daryl, foi para atirar na cabeça de outro, mas a arma travou. Mas que merda! Isso nunca aconteceu comigo! Algo a agarrou por trás, fazendo-a gritar e perder o equilíbrio. Caiu no chão com algo por cima dela. Rolou no chão, tentando se livrar daquilo, mas o errante não a soltava e continuava tentando mordê-la. Ela se desesperou ao não conseguir alcançar a arma que estava em sua perna. segurava aquilo que tentava mordê-la, viu que tinha mais deles vindo pra cima.
Daryl, vendo a dificuldade da garota, arrancou a cabeça do zumbi que não queria soltá-lo. Logo depois puxou o errante que estava em cima da menina e lhe enfiou uma flecha no olho, removeu a flecha e jogou o corpo no chão. Lutou com outro que vinha para cima dela, pisou na cabeça de um que estava prestes a agarrar a perna da menina ainda caída no chão. Puxou a garota pelos braços e os dois saíram correndo seguindo os X que ela tinha feito nas árvores. Ela que conseguiu destravar seu silenciador, carregou-a com seu último pente de balas e guardou o outro que já não tinha mais munições. Eram muitos para os dois. Sacou a Colt e atirou no que via pela frente. Ela e Daryl conseguiram sair da floresta, ele que pegou uma das flechas e enfiava nos zumbis que tentavam atacá-los.
Avistaram a prisão logo a frente, mas em metros de distância.
Maggie, que estava na torre, viu algo bem de longe, pegou um binóculo para checar se estava vendo o que achava que estava vendo. Viu Daryl e sendo perseguidos por dezenas de zumbis, eram muitos. Desceu correndo, gritando por Rick e Glenn. Todos assustados pelos gritos da garota, seguiram ela para ver o que estava acontecendo. Carl e Andrea já tinham visto o que estava acontecendo do pátio da penitenciaria. Maggie chegou seguida de Rick, Glenn, Carol e uma mulher negra que acabara de chegar por ali. Grimes tentava pensar no que fazer para ajudá-los. Enquanto Carl dizia que deviam abrir os portões e segurar os zumbis do lado de fora até que Dixon e conseguissem entrar, mas Rick não podia fazer aquilo, tinham centenas de zumbis na cerca e eles seriam muitos para todos eles.
Enquanto isso, e Daryl se aproximavam da prisão. Ela já estava sem munição nas armas, e os dois estavam cansados para lutar, só podiam correr. E sem nem perceber, o dois estavam de mãos dadas, ele puxava a garota, que estava vacilando na corrida. Ao verem que os dois estavam próximos, Andrea pegou uma arma e atirou contra os zumbis de dentro da prisão. Eles vão conseguir, Rick pensava enquanto ajudava Andrea a matar os mortos-vivos.
- Glenn, Maggie, vão para o portão, estejam atentos para abri-lo quando eles se aproximarem o suficiente. – Ele gritou. A morena e o coreano obedeceram. Chegaram até o portão, eliminando os indivíduos que atrapalhavam a passagem dos dois que estavam no lado de fora.
- Abram! – Daryl gritou. Glenn empurrou o portão enquanto Maggie ainda atirava naqueles que tentavam atacar Daryl e .
Os dois, ao se aproximarem no portão, pularam para dentro, caindo no chão com dois zumbis caindo por cima deles. bateu na cabeça do zumbi usando sua arma e sua força, esmagando a cabeça do cadáver. Maggie atirou no que estava por cima de Daryl enquanto Glenn trancava o portão. Os dois caídos no chão puderam respirar fundo estando mais aliviados por estarem, dessa vez, seguros. Ela tirou a alça da bolsa e a empurrou para os pés de Carol, que chegava perto de Daryl, perguntando como ele estava.
- Aqui estão seus gravetos! – disse e se levantou.
- Vocês estão bem? – Glenn perguntou. Daryl se levantou com a ajuda de Rick. Todos estavam rodeando os dois.
- Se eu não estivesse tão cansada, eu faria de novo. – Brincou se curvando e botando as mãos nos joelhos. – Bom trabalho, pessoal, muito bom trabalho.
- Pensamos que você não ia conseguir.
- Que isso, eu sou a encarnação do Batman. – Falou ela. – Se me dão licença, vou ver porque minha arma travou de uma hora para outra. – Disse e seguiu até seu carro, o abrindo e entrando nele. Dali observou Daryl ir andando até a porta da prisão e entrar. Tinha algo errado com ela. Algo aconteceu quando olhou naqueles olhos azuis. Algo que está mexendo com ela.

Capítulo 3 - Wound chest

- Mandou uma menina sozinha ir atrás de lenha? Você é doido? – Daryl perguntou a Rick enquanto ele ajudava Carol a colocar lenha no fogão.
- Não mandei, ela se voluntariou e ela parece saber se cuidar sozinha. – Disse ele, terminando de empilhar a lenha ao lado do fogão.
- Ela quase foi mordida. Se eu não tivesse matado o zumbi que estava em cima dela, ela estaria morta. Tudo bem que eu não conheço a garota, mas ela tem o quê? Catorze anos?
- Ela tem dezenove! – Glenn entrou dizendo junto com Andrea. Daryl o encarou.
- Dezenove? Ela parece uma adolescente de catorze anos!
- Mas não é, e eu sei que você sabe que ela é boa. Pode nos ajudar a cuidar das coisas aqui. Precisamos de mais gente.
- Eu a acho um pouco explosiva. – Carol se pronunciou.
- Só porque ela não deixou você ser autoritária com ela, não quer dizer que ela seja explosiva. – Andrea disse, se encostando a uma mesa. – Admita, ela é legal e é boa no que faz. Arriscou-se no meio de um monte de zumbis só pra pegar lenha e, cá entre nós, isso é coisa que só Daryl e Rick fazem.
- Ela é corajosa! Vimos isso quando a encontramos na cidade e eu tenho certeza você viu isso na floresta, Daryl! – Rick disse.
- Ela botou a arma na minha cara!
- Com certeza você deve ter apontado seu arco e flecha pra ela também. – Andrea disse e Dixon se virou de olhos cerrados para ela.
- É Crossbow, e, sim, eu apontei pra ela.



(...)


- E aí, achou o problema da arma? – Maggie chegou até o carro de e perguntou. Lá dentro, a menina acabava de montar a arma novamente.
- Andrea colocou uma peça no lugar errado, por isso ela travou. – disse. Maggie, que estava escorada na porta, arregalou os olhos. – Mas não conte para ela, não quero que se sinta culpada por eu quase perder a cabeça.
- Nem deu tempo de agradecer você ter ajudado Rick e Glenn saírem da cidade mais cedo. Obrigada.
- Ah, não precisa agradecer, eles me ajudaram também.
- Sabe, Glenn e eu estamos prestes a nos casar e eu sempre fico aflita quando ele sai daqui, mesmo que seja com o Rick, que é ótimo em matar zumbis. – Maggie falou e a menina, que estava no carro, a encarou de sobrancelha arqueada. Casar? No meio dessa bagunça? Pensou . – Não que você se interesse por isso...
- Não, tudo bem. Um casamento no meio do apocalipse é uma coisa muito romântica de se fazer. – Ela disse, rindo, enquanto carregava seu silenciador com um pente de balas que tinha no porta-luvas do carro.
- Temos que aproveitar o agora. Não sabemos o que vai acontecer com a gente amanhã.
- Então eu acho que devo beijar o Daryl hoje mesmo. – Ela brincou, fazendo Maggie rir.
- Daryl Dixon? Eu não aconselharia você a fazer isso.
- Por que não?
- Ele toma banho uma vez por mês. – A morena falou. a encarou.
- Eu também. – Disse e soltou uma gargalhada alta logo depois junto de Maggie. Saiu do carro e fechou a porta. – Então o sobrenome dele é Dixon? – Perguntou. A morena assentiu. – Uau, é tão sexy quanto ele. – Disse e riu de novo ao ver a careta que Greene fez. As duas seguiram até a porta da prisão.
- Aí estão vocês! – Um homem velho, de barba e cabelo branco apareceu quando elas estavam entrando na prisão. Esse era Hershel, pai de Maggie e Beth. – Olá menina, sou Hershel. Seja bem vinda a prisão. – riu ao escutá-lo dizer aquilo.
- Sou . Prazer!
- Os outros estão esperando vocês duas lá na cozinha. Estão muito felizes por você ter pegado lenha, ou ninguém iria comer hoje. – Hershel disse enquanto caminhavam em direção ao refeitório.
- Sem idolatrar, não precisam fazer isso. – Brincou ela, fazendo o velho rir e perceber que a garota tinha um grande carisma. Ela tinha um espírito jovem e não queria deixar de jeito nenhum tudo aquilo que estava acontecendo mudar as coisas que ela sentia por dentro, por isso sempre tentava ser ela mesma, sempre.
Eles continuaram o caminho em silêncio. imaginava como seriam os próximos dias convivendo com aquelas pessoas, tinha se apegado particularmente mais à Maggie, que se mostrou muito legal com ela. Andrea também era uma pessoa legal, apesar de ter quase morrido por causa de um erro dela, gostou muito de tê-la conhecido. Mas agora sua mente se concentrava apenas em um dos sobreviventes. Daryl Dixon. Aquele sim era por quem ela estava mais interessada. Porém, ela se culpava por ter se apegado tanto a eles em pouco tempo, ela odiava quando isso acontecia, porque o medo de perder essas pessoas ficava mais forte e isso sempre lhe tirava a concentração.
- E aí, o fogão está funcionando? – Ela entrou na cozinha perguntando. Carol voltou seu interesse para a comida.
- Agora está. Graças a você, nós vamos comer hoje. – Andrea falou.
- Ah, Andrea, eu tava pensando: você disse que gosta de armas, mas não entende muito sobre elas, o que acha de ter umas aulinhas comigo? Prometo que deixo você atirar em quantos zumbis que quiser. – disse e Andrea sorriu novamente.
- Claro, ia ser ótimo.
- Então quer dizer que você vai ficar? – Rick perguntou. o encarou, séria.
- Eu quase morri pra pegar a droga da madeira, é obvio que vou ficar aqui. – Disse, com o rosto sério, mas com o tom de voz divertido. Logo depois riu. – Vão ter que me aguentar por um tempinho.
- Vai ser muito bom ter você aqui. – Maggie disse.
- Ai, gente, que amor, eu vou chorar! – falou passando as mãos no rosto, como se limpasse lágrimas falsas. Pegou uma cenoura em cima da mesa e a abraçou. – Eu quero agradecer a todos que votaram em mim, é muito importante estar ganhando esse trofeu de rainha da cenoura. Prometo que todos os vegetais vão ser muito bem cuidados por mim. – Disse ela, escutando todos dali, até mesmo Carol, rirem do que ela estava falando. Daryl ficou apenas observando-a.
- Legal, mas cenoura é um legume, não um vegetal. – Glenn disse e ela arregalou os olhos e olhou para a cenoura.
- Traidora. – Falou e jogou a cenoura de volta na mesa, arrancando mais risos das pessoas. – Desculpem pelo meu jeito sem noção. Gosto de falar besteiras. Bom, eu vou atirar em alguns mortos-vivos-não-vivos. Alguém quer ir comigo?
- Eu vou. – Andrea disse.
- Eu também. – Maggie disse.
- Ok, vamos lá. – Disse e as três saíram da cozinha. Todos se entreolharam.
- Vai ser muito bom ter ela aqui, faz tempo que eu não ria desse jeito. – Rick disse.
- Faz tempo que eu não vejo Maggie sorrindo daquele jeito. nos fez esquecer por alguns segundos que o mundo está se acabando lá fora. – Hershel disse. Daryl se levantou da mesa e saiu da cozinha. Começava a pensar sobre aquela garota. Parou na porta da prisão, vendo ela e as outras duas garotas matando zumbis na cerca. Essa era uma garota diferente de todas as outras que ele tinha conhecido.
As três garotas, que agora estavam matando zumbis, conversavam um pouco sobre a vida delas, contando como eram antes de tudo acontecer. conseguiu desviar o assunto falando sobre garotos. Ela não gostava de falar de sua vida nem antes e nem depois do que aconteceu no mundo.
- Como você conseguiu sobreviver sozinha? – Andrea perguntou, fazendo desviar sua atenção de um zumbi para ela.
- Bom, meu pai tinha me treinado. Ele queria que eu soubesse me defender das pessoas, pois o trabalho dele, de prender e aniquilar terroristas, botava a mim e minha família em perigo. Por isso ele ensinou a mim e meu irmão a sobreviver em florestas, a caçar. Essas coisas. e eu jogávamos muito vídeo game, por isso nós sabíamos muito sobre armas, isso ajudou um pouco. Eu apenas fiz o que tinha que fazer pra sobreviver.
- Você já matou algum humano?
- Sim. – Disse, abaixando a cabeça, mas logo voltando sua atenção para os zumbis da cerca. – Mas só aqueles que estavam loucos ou que tentaram fazer algo contra mim.
- E você não tinha nenhum amigo? Alguém para conversar? Ninguém? – Maggie perguntou.
- Não! Eu não tinha! Algumas vezes, quando eu me juntava a algum grupo, apenas por experiência, eu até conversava com alguém, mas eu nunca criei laços com ninguém em lugar algum. Eu não queria passar pelo o que passei com minha família outra vez.
- Todos nós perdemos pessoas queridas. Não faz muito tempo que perdi minha irmã mais nova. – Andrea falou. – Perdemos muitas pessoas do grupo também, mas a perda era inevitável. Temos que viver com isso.
- Minha irmã e meu pai foram as únicas pessoas que me sobraram. Eles e esse grupo. São minha família. Não sei se aguentaria perder eles também.
- Pelo menos vocês têm família. – disse, se sentando em uma das mesas. – Foi muito difícil sobreviver sozinha a tudo isso.
- Eles ainda podem estar vivos.
- Eu não tenho esperanças. Qualquer dia eu posso cruzar com eles mortos, ou como zumbis e não quero ser decepcionada se esse dia chegar. Prefiro achar que eles morreram a criar falsas expectativas. Eu sou fria assim mesmo, não se importem.
- Tudo bem. Sabemos o que esse novo mundo faz com as pessoas. – Andrea disse, se sentando à mesa ao lado de , sendo seguida por Maggie. – O que você era antes de tudo isso?
- Líder de torcida! E líder do grupo acadêmico estudantil. – Ela disse, sorrindo.
- Eu sempre quis ser líder de torcida. – Maggie falou. – Ter os garotos babando por mim. Eu era uma nerd estranha na escola.
- Eu era a garota brigona que levava suspensão toda semana por brigar com alguém. – A loira disse, gargalhando. – Sinto falta daquela época.
- Todos nós sentimos falta do passado. – disse, abaixando a cabeça.


(...)


Algumas horas depois, já à noite, estava em sua cela. Cutucava a tela de seu telefone. Um I-Phone velho que ela tinha ganhado do pai quando tinha 16 anos. Olhava para as fotos dela e de sua família enquanto sorria. Ver aquelas fotos era o mais perto que ela conseguia estar deles outra vez.
- A gente vai fazer uma fogueira lá fora com a madeira que sobrou. Você não quer vir com a gente, não? – Carl chegou a cela e perguntou. – Isso é um celular?
- É! Eu o tenho há mais de anos. – Falou ela, se sentando na cama. – Quer futricar?
- Claro! Tem jogos?
- Tem uns bem chatinhos, mas dão até pro gasto. – Disse ela, se levantando e indo até ele. Entregou-lhe o celular. – Sabia que você é até bonitinho, Carl? Se não fosse mais novo que eu, eu te pegava. – Ela falou, dando um beijo na bochecha do garoto e saindo dali. Carl botou a mão na bochecha onde ela tinha dado o beijo e sorriu. Ela era uma garota muito atraente para homens de qualquer idade, ainda mais para um garoto de catorze anos que está com os hormônios à flor da pele. Ele saiu correndo da cela, conseguindo alcançar nos últimos degraus da escada.
Ao saírem, viram todos do grupo em volta de uma fogueira no meio do pátio.
- Olha quem resolveu se juntar a nós! Nossa salvadora! – Maggie brincou. riu se aproximando junto com Carl.
- Que isso, gente, só Imbatível já está de bom tamanho. – Disse ela, se sentando entre Andrea e Maggie. Carl se sentou ao lado de Beth, que ficou fascinada com o celular e começou a prestar atenção em algo que Carl jogava. passou os olhos por todos, procurando por uma pessoa e sentiu suas bochechas corarem ao bater seu olhar no olhar de quem ela estava procurando. Daryl Dixon. Ele também a encarava, ele não sabia por que a encarava, não sabia por que ela o chamava tanto a atenção, não sabia por que aqueles olhos castanhos e aquela boca vermelha o atraiam tanto. E aquilo o incomodava, o incomodava bastante, pois nunca havia sentido aquilo por nenhuma garota, era diferente de tesão ou desejo por sexo. Já ela sabia por que o encarava, ele a chamava atenção, aqueles olhos azuis, aqueles músculos, a personalidade de heroi, a voz rouca, aquela boca. Ela se sentia atraída por tudo que Dixon tinha. Apenas por pronunciar aquele nome, ela sentia um frio na barriga. E era bom, era muito bom. – O fogo não vai atrair mais cabeças ocas, não?
- Não. Eles só são atraídos pelo barulho. Se não fizermos muito barulho, ficaremos salvos. – Hershel disse.
- Então, já que você é a mais nova moradora daqui, hoje é sua vez de nos contar uma história. – Rick disse, tirando-a do transe e fazendo-a desviar seus olhos de Dixon para Grimes.
- Ok. Era uma vez três porquinhos... – Ela começou a falar, fazendo todos rirem e fazendo Maggie lhe jogar grama. Daryl arqueou a sobrancelha, ainda intrigado com o bom humor da garota no meio de todo esse caos. – O que é?
- A gente ta falando sério! – Maggie disse, sorrindo.
- Eu também.
- Conta como aconteceu com você. Sobre o começo de tudo isso. – Glenn disse. o encarou.
- Ah, isso!
- É sempre bom falar disso. Libera muito coisa aqui dentro. – Hershel disse, apontando para o peito. Ela sorriu e abaixou a cabeça, cruzando os braços.
- Não é muito interessante a minha historia, não vão querer saber como uma caipira como eu conseguiu sobreviver sem os pais. É patético.
- Na verdade, a gente quer saber, sim. – Daryl se pronunciou. Todos olharam para ele. Inclusive ela. Os dois se encararam por alguns segundos e ela pegou confiança para falar. Respirou fundo, juntando as pernas.
- Eram quase duas da manhã quando eu recebi uma ligação do meu Tio...

#Flashback On
dormia tranquila em sua cama. Tudo estava calmo, era madrugada de segunda-feira, o pai tinha acabado de voltar do Irã e, nesse mesmo dia, ela não iria a escola pra passar o dia com a família. Sua mãe tinha ido passar a noite na casa de uma amiga que estava com algumas dificuldades no casamento e estava muito deprimida. O irmão estava em uma festa na casa de um de seus amigos. Ela acordou com seu celular tocando. Apalpou em baixo do travesseiro, procurando por ele e atendeu ainda, sonolenta.
- Alô.
- , querida. Aqui é o Tio Joe.
- Oi, Tio Joe. – Disse, se esforçando para manter os olhos abertos. Olhou para o relógio de LED em seu braço. – Sabe que horas são?
- Preciso falar com seu pai.
- Então por que não ligou pra ele?
- Ele não atende ao telefone, chame-o pra mim, querida. É urgente! – Ele disse suavemente para a garota. era a mais nova de toda sua família, desde seus primos a tios e tias. Ela era a preferida de todos, até de seu irmão mais velho.
- Tudo bem. Fique na linha. Eu vou acordá-lo. – Ela disse, se levantando e ligando o abajur. Estava escutando muitos barulhos vindos do lado de fora da casa, vindos da rua. Sirenes de carros de polícia, de ambulâncias e pessoas falando. Abriu a porta do quarto, ainda com o celular na mão. Caminhou em direção ao quarto dos pais, viu uma luz saindo lá de dentro e viu a porta semi-aberta. – Pai! – Ela chamou, adentrando o local. A televisão estava ligada e a cama desarrumada. Olhou no banheiro, mas não tinha nada ali. Voltou-se para a televisão na qual passava uma reportagem onde a repórter dizia estar o caos em Rocketcity, pessoas corriam de um lado para o outro. Dois carros colidiram bem em frente a câmera, explodindo. E, no mesmo momento em que ocorreu a explosão na televisão, algo explodiu em algum lugar perto do bairro onde morava. A explosão pôde ser vista da janela do quarto de seu pai, fazendo-a dar um pulo para trás assustada com o que tinha visto. – Meu deus! Pai! Cadê você? – Ela chamou mais uma vez. Escutou seu tio falar algo no outro lado da linha telefônica e colocou o celular de volta no ouvido.
- O que aconteceu?
- Algo explodiu perto aqui do bairro, acho que foram dois carros que bateram, estava passando em uma reportagem ao vivo na TV. – Ela dizia, ainda assustada, saindo do quarto dos pais.
- Querida! Chame seu pai, agora!
- Ele não está aqui! A cama dele estava desarrumada e a televisão estava ligada. – Ela disse, descendo as escadas correndo.
- Tudo bem. Fique dentro de casa até eu ou ele chegar. Vou tentar ligar para ele mais uma vez, se ele não me atender, eu ligo para você. Mantenha janelas e portas trancadas. – Disse ele e desligou sem ao menos explicar para ela o que estava acontecendo. Ela então se aproximou da janela da sala e viu pessoas correndo de um lado para o outro na rua, gritando, chorando. Carros em alta velocidade desviavam de pessoas, pessoas desviavam de carros. Eram adultos, jovens e crianças. Escutou algo e se virou de uma vez. Viu uma luz se acendendo e apagando em cima de uma mesinha encostada na parede da sala, perto da porta da cozinha. Era um celular. Andou até lá para atender, mas de repente seu pai veio da cozinha e atendeu primeiro. Ele a olhava apreensivo e seguiu até a cozinha, conversando com alguém do outro lado da linha. Ela foi atrás.
- Sim, eu estou em casa. – Ele disse, se escorando no balcão da cozinha. – Eu sabia que isso ia acontecer...
- Pai, o que está acontecendo? – perguntou, já ficando com medo da situação. Pensava que podia ser algo com seu irmão ou com sua mãe. Ele apenas fez sinal para que ela esperasse.
- Só podemos fugir agora! – Ele disse ao telefone. olhou para a porta da cozinha que dava no quintal, era de vidro puro, viu algo de mexendo em meio às arvores plantadas ali. Estreitou os olhos e caminhou até lá enquanto seu pai ainda conversava no telefone. Puxou a porta, abrindo-a e olhando para fora. – , querida! Saia de perto da porta e fique longe das janelas. – Ele disse, puxando-a para trás, fechando a porta e trancando-a. – Suba e pegue uma roupa mais quente. Temos que sair daqui agora.
- O que está acontecendo?
- Só me obedeça, . Eu prometo que conto tudo a você. – Disse ele, autoritário, mas ao mesmo tempo tentando ser suave para não assustar ainda mais a garota. Ela, que já estava com os olhos molhados, com medo do que estava por vir, assentiu e saiu correndo da cozinha, subindo para seu quarto, indo direto para o closet. Botou uma blusa preta, uma blusa de frio com capuz, uma calça jeans e calçou um coturno. Enfiou o celular no bolso e desceu correndo mais uma vez. Ao pisar no último degrau da escada, um carro parou bruscamente em frente à sua casa do outro lado da rua. Era um Nissan preto, era o carro de seu tio Joe. correu até a porta e a abriu, sendo abraçada pelo homem, que estava com o coração acelerado.
- Oi, querida, onde está John? – Ele pergunta a ela e ela aponta para a cozinha. Ele fecha a porta e a puxa para a cozinha. John, o pai de estava colocando algumas coisas dentro de uma bolsa. Ao ver que Joe havia chegado, ele fecha a bolsa e encara . Ele a chama com a mão e ela vai até ele, o abraçando forte. – A rodovia está um caos. Está muito difícil de dirigir em direção a saída sul da cidade. Parece que eles esqueceram que há três saídas daqui. – Joe dizia. John segurou o rosto de e a olhou nos olhos.
- Me escute bem. Precisamos sair daqui agora.
- Por quê?
- Há uma coisa acontecendo. As pessoas estão enlouquecendo, estão machucando umas as outras. – John disse. – Estão matando umas as outras. Estão todos loucos e a cidade está infestada desses loucos. – Ele disse e quase perdeu o equilíbrio. Ela não acreditava no que estava escutando. Seus olhos se encheram de água novamente. – Precisamos sair daqui agora, mas primeiro preciso buscar sua mãe e seu irmão, que estão escondidos nesse momento.
- Então vamos, ora essa! – Ela disse, se soltando dele, mas John a segurou pelo braço.
- Joe e eu vamos. – John disse. Os olhos da garota se arregalaram. Joe entregou a ela a chave do carro. – Você vai sair daqui, pegar a rota de terra, não vai parar em circunstância alguma, para nada, e ir para a nossa casa de férias em Minessota. – John disse. abriu a boca para discutir, mas ele continuou. – Eu preciso que faça isso, preciso que saia daqui em segurança e chegue lá em segurança. Quando chegar, quero que me ligue e avise se está bem. Está me entendendo, ? Isso é uma ordem! – Ele disse. Ela engoliu em seco, segurando as lágrimas e assentiu com firmeza.
- Sim, senhor.
- Pegue isso. E vá agora! – John lhe entregou a sacola que ele estava mexendo minutos atrás. – Tem armas e munições poderosas aqui dentro. Faça as balas valerem à pena, atire... – Ele parou alguns segundos. – Atire na cabeça, querida. Não hesite em hora nenhuma, . Acredite em mim, eles não vão hesitar de ir para cima de você e te matar.
- Mas eu não posso simplesmente atirar em uma pessoa...
- Na cabeça, ! – John aumentou a voz.
- Na cabeça. Tudo bem. – Disse ela mais firme. Pegou a mala e se virou para Joe, lhe dando um abraço forte. – Cuida do meu velho pra mim, Tio Joe. Se cuide também.
- Eu vou cuidar, querida. Vou cuidar. – Ele disse e ela o soltou. E mesmo contra a sua vontade, que era de ficar ali e ajudar a família, ela se virou e correu para fora da casa, escancarando a porta. Lá fora, estava o caos, as pessoas corriam de um lado para o outro, gritando, sem rumo. Ao chegar ao meio fio, bateu de frente com muitas pessoas que corriam e não faziam nem questão de desviar de outras que estavam ali. Ao ir atravessar a rua, um carro que estava em baixa velocidade bateu em sua perna, fazendo-a cair no chão, batendo as costas, só teve tempo de rolar para o lado, saindo da frente do carro, que acelerou com tudo, quase passando por cima dela. Levantou-se e destravou o carro, estava pronta para entrar quando se deparou com algo que a fez parar. Uma mulher se contorcia e se debatia no chão bem na sua frente enquanto tinha um homem em cima dela. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, até ver o homem levantar a cabeça e se deparar com aquele rosto horrível e a boca cheia de sangue. Ele parecia estar morto, a pele escurecida, e os olhos brancos. Sem pensar duas vezes, abriu a bolsa que seu pai tinha lhe entregado e tirou uma arma lá de dentro. Jogou a bolsa pra dentro do carro. Apontou a arma para o homem e atirou, acertando em cheio a cabeça dele, que caiu no chão imóvel. Ela observou a mulher... Não sabia o que fazer, apenas entrou no carro, ligou e acelerou, indo pela rua, buzinando para que as pessoas saíssem da frente dela. Alguns foram para cima de seu carro e, não conseguindo desviar de todos, passou por cima de alguns. A única coisa que conseguia pensar agora era em sua família. Só queria chegar logo até a casa dela em Minessota e ligar para seu pai, saber como ele estava.
#Flashback Off

- Eu obedeci, fui para a casa em Minessota e liguei para eles, mas as linhas estavam mudas. Então eu esperei, esperei por um mês, mas eles nunca apareceram. – terminou de contar com os olhos molhados ao lembrar-se de tudo daquela noite, olhava fixamente para a fogueira. Todos ficaram calados, de cabeças baixas, não imaginavam que tinha acontecido daquele jeito com ela. Tudo bem que todos haviam perdido entes queridos e sofrido muito, mas nem por isso deixavam de pensar que a garota de apenas 19 anos sofreu muito com a perda da família. Daryl, que era o único ali que ainda a encarava, percebeu o quanto falar daquilo a machucava e entendia o porquê. Há pouco tempo teve que matar o próprio irmão que tinha se tornado um zumbi, e aquilo o machucou e o marcou profundamente. – E é por isso que eu nunca fico em um bando. – Disse ela, fazendo todos a encararem de novo. – Por isso que eu não passo mais que alguns dias junto com algum grupo, eu não suporto receber ordens, sendo que da última vez que eu obedeci a uma, eu nunca mais vi minha família. – terminou de falar, levantando a cabeça e encarando a todos. Maggie passou seu braço pelo dela, mostrando que ela estava ali, como se dissesse que se precisasse de ajuda, Maggie estaria ali com ela. – E foi por isso que eu aceitei vir pra cá, Rick, não foi pelo chuveiro ou pelo abrigo. Foi pelo fato de que eu quero fazer o mesmo que o meu pai faria, eu quero proteger as pessoas desses cadáveres ambulantes. Não gosto de perder pessoas e eu não quero que mais ninguém perca.
- É raro encontrarmos com alguém que pense do jeito que você pensa. – Rick disse. – Na maioria das vezes, as pessoas sempre pensam nelas mesmas em primeiro lugar. Já você... Você é igual a todos nós. Nós que queremos não só a nossa salvação, mas também a salvação de outras pessoas. Somos uma família, , e você está convidada a se juntar a nós. A única coisa que precisa fazer é continuar sendo você mesma.
- Isso é uma coisa que nunca mudou. Eu mesma! Eu não pude deixar nada do que está acontecendo mudar a pessoa que eu sou... Tudo bem que agora estou um pouco mais agressiva que antes, mas por dentro eu sou a mesma caipira que saiu do Kansas.
- E obrigado! – Uma voz disse e todos olharam para aquele que tinha falado. Daryl, que estava fazendo uma estaca usando um graveto e um canivete. o encarou confusa. Não sabia o que ele queria dizer. – Por ter me ajudado na floresta, eu não te agradeci por isso.
- Você me ajudou também, então acho que estamos quites. – Ela disse, soltando um leve sorriso para ele, que ficou olhando-a com um olhar misterioso. O clima estava deixando de ser tenso. – Então, ainda querem escutar a história dos três porquinhos? – Perguntou ela, fazendo todos rirem de novo, mas ela não estava bem. Por dentro, sua ferida estava se abrindo novamente. Na verdade, ela nunca havia se curado, apenas parou de doer, mas agora estava latejando novamente. Sorria para mostrar que estava bem, mas na verdade não estava.

(...)


Mais tarde, um a um, eles foram entrando na prisão para irem dormir. Já estava tarde e no dia seguinte teriam trabalho para fazer. Primeiro foram Beth e Carl. Logo depois Glenn e Maggie. Então Andrea, Carol, Hershel e Rick. Sobrando apenas e Dixon, que se mantinham calados, sem encarar um ao outro. Ela pensava no que dizer e ele pensava no que dizer, mas nenhum dos dois se atreviam a levantar seus olhares e se encararem.
- Então você é do Kansas? – Ele finalmente perguntou e ela levantou seus olhos da fogueira, encarando-o.
- Na verdade eu nasci em Los Angeles, mas minha família se mudou pro Kansas quando eu era pequena.
- Por quê?
- Mais segurança. Um grupo de terroristas atacou a nossa casa em Los Angeles. Então meu pai foi obrigado a se mudar conosco pra nos manter seguros. Resolveu ir pro Kansas, em uma cidade bem pequena que tem por lá. Depois disso, nunca mais teve nenhum desse tipo de ataques.
- Devia ser difícil ser filha de militar.
- Bom, eu sempre tive que me manter na linha. Nunca nem passei perto de uma prisão... Bom, não até agora. Mas e você, de onde é?
- Tennessee, sou um caipira nato.
- E seus pais faziam o quê?
- Minha mãe era enfermeira, mas morreu quando eu ainda era pequeno, meu pai era vagabundo. – Disse ele e ela balançou a cabeça como se acabasse de levar um tapa.
- Bom, todos nós temos um vagabundo na vida, na minha, por exemplo, a vagabunda era eu. – Disse, aliviando o clima, fazendo Daryl sorrir. De algum jeito, aquele sorriso estava a fazendo bem e ela gostava de sentir bem. O Clima começou a ficar mais desconfortável novamente. Ela se levantou e ele olhou para ela. – Eu já vou indo, quer que eu apague a fogueira ou vai ficar por mais tempo?
- Pode ir, vou ficar aqui.
- Tudo bem, boa noite. – Ela disse já se virando para sair, ele apenas acenou com a cabeça como se dissesse o mesmo para ela. caminhou em direção a porta da prisão com as mãos no bolso da frente de sua calça. Daryl encarou a garota caminhando, observando cada movimento que ela fazia, visualizando cada detalhe do corpo dela. É oficial, essa garota mexe comigo. Pensou ele.
, já dentro do local, olhou para trás de si, encarando a porta da prisão e logo depois voltou a olhar para frente, indo em direção a sua cela. Pensava nos olhos azuis de Daryl e do jeito com que ele a encarou o tempo inteiro enquanto estavam em volta da fogueira. Que olhar intenso! O que será que ele estava pensando enquanto me encarava? Será que ele percebeu que eu estava babando por causa dele? E por que diabos eu me sinto como uma adolescente pensando no cara dos sonhos? Tudo bem que não sou velha, mas não estou mais na idade pra ficar imaginando esse tipo de coisa. Pensava ela enquanto entrava em sua cela, tirava o coturno e deitava em sua cama. Por favor, senhor, não me deixe sonhar com esse homem, não deixe que eu esteja apaixonada por ele. Pensava ela mais uma vez. Virou-se de lado, com o rosto para a parede, apoiou as mãos em baixo da cabeça e fechou os olhos adormecendo.


Capítulo 4 - I'm not strong enough for this

Uma semana depois...

Alguns flashes se passavam na cabeça de enquanto ela dormia. Flashes de memórias, coisas que aconteceram ao longo desse um ano e meio. No começo ela não conseguia distinguir uma imagem da outra, mas era como se fosse um pesadelo. Começou a soar, a sentir calafrios, mas mesmo assim não acordou. As mãos começavam a tremer, ela começou a rodar na cama desconfortável, ainda vendo aqueles flashes. Agora conseguia entender o que estava acontecendo, ela estava se lembrando de algo que aconteceu há alguns meses, algo que envolvia ela, pessoas e zumbis. Sua cabeça começou a latejar e ela acordou com um sobressalto. Sua respiração estava pesada, estava toda suada, o cobertor e o travesseiro no chão. Sentou-se, apoiando os cotovelos nas coxas e a cabeça nas mãos. Respirou fundo e esfregou os olhos. Olhou no relógio de LED que havia em seu braço; era exatamente quatro horas da madrugada. Era sempre assim, ela tinha pesadelos e sempre acordava nessa mesma hora, não conseguindo mais dormir sem fazer uma única coisa. Matar alguns zumbis.
Calçou o coturno, vestiu a blusa de frio que usava mais cedo e pegou os dois silenciadores dentro da sacola de armas. Recarregou-as. Pegou mais alguns pentes e enfiou dentro dos bolsos da blusa. Botou o capuz e abriu a cela sendo cuidadosa pra não fazer nenhum barulho. Caminhou pelos corredores devagar para não acordar ninguém. Destrancou a porta da prisão e saiu caminhando pelo pátio. Chegou até a cerca. Dezenas de zumbis entraram em alerta ao vê-la ali, ao sentir o cheiro dela. Soltou um palavrão baixo e começou a atirar contra os mortos-vivos que estavam se amontoando na grade. Disparava sem dó algum, com a certeza de que ninguém iria acordar por causa dela, já que a arma não fazia barulho. E a cada pente que ela gastava de suas duas armas, mais um ia para o lugar. Ela descontava toda sua raiva e dor neles, sempre neles. Quando deram cinco e meia da manhã e o sol estava quase nascendo. Ao ver que seus pentes estavam quase totalmente descarregados nas dezenas de corpos que estavam espalhados no chão do lado de fora da cerca, ela caminhou até a mesa que tinha desmontado suas armas no dia em que chegou ali e se deitou nela de barriga pra cima, encarando o céu, sentindo os dedos doerem de tanto atirar. Checou as armas para ver quantas balas ainda tinham sobrado nelas, apenas duas balas em um dos silenciadores. Cobriu os olhos com o braço e respirou fundo, sentindo o sono vir novamente. Adormeceu ali mesmo.

(...)


- Hey! – Ela acordou com algo mexendo em seu braço. Imediatamente abriu os olhos e apontou a arma já destravada para aquilo que a encostou. Deu de cara com Andrea de olhos arregalados e mãos levantadas. – Wow! Calma, sou eu! – Disse ela. respirou fundo e abaixou a arma, se sentando. Esfregou os olhos com a mão livre. – Você está bem? – A loira perguntou e negou, sem dizer uma palavra. – O que aconteceu aqui? Tem menos zumbis do que tinha ontem.
- E isso é mau?
- Não. Mas há que horas veio para cá?
- Acordei às quatro da manhã e vim logo pra cá.
- E por que escolheu esse horário para matá-los?
- Eu não escolhi isso. – Ela disse, encarando Andrea. – Todas as noites eu tenho pesadelos e sempre acordo as quatro da madrugada. Só consigo dormir de novo se eu matar zumbis. – Abaixou a cabeça. – Eu nunca tenho uma noite inteira de sono.
- Por quê? O que te perturba tanto que te faz ter pesadelos e perder o sono? – Andrea perguntou, se sentando ao lado de , em cima da mesa. A garota suspirou e passou a mão no rosto, pensando se contava ou não para Andrea o que tinha acontecido há alguns meses. Nunca tinha contado pra ninguém e não sabia o que as pessoas diriam ao saber.
- Uma vez eu me encontrei com um casal de namorados. O cara tinha sido mordido por um zumbi e em poucas horas ele seria o que seria. Mas a namorada disse que ele tinha sido mordido há mais de um dia, e achava que ele não estava infectado. Eu os deixei ficarem a noite comigo no lugar onde eu estava morando. Nessa época eu ainda acreditava que o CCD ainda funcionava e iria achar a cura, por isso não me opus a escolha dela. Eu fui dormir, mas quando eu acordei, o cara tinha se transformado, comido a namorada dele e estava tentando comer minha perna. Eu sempre dormia com uma arma perto de mim, eu a peguei e atirei na cabeça do desgraçado. Atirei na garota também, que começava a se mexer. Porém o sangue dela estava em minhas mãos. – disse e Andrea continuou a encarava - A culpa de ela ter morrido foi minha. Eu tinha que ter atirado na cabeça daquele filho da puta no mesmo momento em que eu vi a mordida, ou pelo menos eu deveria ter ficado acordada de noite esperando para ver se ele se transformaria ou não. Ela morreu por eu não ter tido coragem para matar o cara, sendo que eu já sabia que ele estava condenado.
- A culpa não foi sua. Você pensou na garota, pensou no que ela queria.
- Ela estava grávida! – disse e se voltou para Andrea. – Ela morreu com uma criança dentro dela.
- Você não deve se culpar por isso. Não deve.
- Eu não consigo esquecer! É difícil demais. E isso vem me atormentando por meses! – Disse e abaixou a cabeça, tampando os olhos com as mãos. – Eu não devia estar passando por isso.
- Todos nós temos algo no passado que nos deixa mal e nos faz perder o sono...
- Mas não todas as noites! – disse e levantou a cabeça. – Olha, vamos esquecer isso, por favor! Só... só esqueça o que eu falei!
- Se você se sentir melhor com isso, tudo bem! – Andrea disse e sorriu para a garota, que retribuiu o sorriso. – Vem, ta na hora de tomar café da manhã.
As duas se levantaram. guardou a arma no coturno e colocou a outra na cintura. Seguiram até dentro da prisão, mas, antes, olhou para ver o estrago que tinha feito nos zumbis. Andrea estava certa, tinha muito menos agora do que tinha na noite passada.
- Anel bonito. – A loira comentou enquanto seguiam para cozinha. olhou para sua mão direita e viu seu anel de prata no dedo com uma pedra vermelha.
- Presente do meu irmão quando eu tinha 17. Para proteção.
- Contra o quê?
- Maus espíritos. Minha família era meio paranóica com esse negócio de religião.
- A minha também, por isso meu pai me deu uma arma. – A loira disse, fazendo rir.
Ao chegarem à cozinha, elas vêem o quanto cheio está.
- Tinha esse monte de pessoas aqui quando eu cheguei semana passada?
- Não. Com o tempo, Rick vem trazendo elas pra cá. Você fica mais em campo do que na prisão, então não percebe que há mais gente por aqui. Você sai cedo e volta à noite. Elas ainda estão se acostumando com as coisas por aqui.
- E por que elas estão olhando para nós duas?
- Estão olhando pra você! Todos eles se conhecem e conhecem a gente. Você é gente nova. Carne fresca pros garotões ali. – Disse ela, apontando para alguns garotos de uma mesa, que encaravam de cima a baixo. – Você disse que queria ajudar a proteger pessoas, acha que essas são o suficiente pra você?
- Claro.
Sentaram-se em uma mesa junto com Glenn e Maggie. pegou um copo de café e um prato com carne de esquilo dentro. Não se importava em comer aquilo, era melhor do que nada.
No pátio, Rick, ao ver o estado do lado de fora da cerca, aqueles corpos amontoados no chão, voltou para dentro da prisão e seguiu atrás dos outros. Ao entrar no refeitório, viu junto com o Coreano, a morena e a loira. Aproximou-se e sentou ao lado deles.
- Alguém pode me dizer o que diabos aconteceu com os zumbis da cerca? – Ele sussurrou e engoliu em seco.
- Olha, eu não sabia que não era para matá-los, eu...
- Não é isso, , claro que era pra matá-los. Alguém mais ajudou você? – Ele perguntou e ela negou de cabeça baixa. – É perigoso você fazer essas coisas sozinha, aqueles zumbis poderiam ter ultrapassado a cerca e poderiam ter te atacado.
- Rick, eu sei me cuidar...
- Eu sei que sabe, mas agora você faz parte da família, você tem que aprender a nos contar as coisas e nos pedir ajuda.
- Eu fiz isso de madrugada. Não acordei vocês por causa disso, me desculpe. – Ela disse e se levantou para sair. Acabou dando de cara com Daryl, quase batendo de frente com ele. Ela prendeu a respiração ao vê-lo.
- Bom trabalho aquilo que você fez na cerca! – Ele disse, lhe lançando um sorriso de canto. Ela piscou algumas vezes e saiu andando sem dizer mais nada. Passando por uma das mesas, onde estavam os garotos que estavam a encarando mais cedo, um deles assoviou para ela.
- Hey, gracinha... – Ele começou, mas recebeu apenas um dedo do meio enquanto ela saia pela porta. Daryl, que tinha visto aquilo, riu consigo mesmo e voltou a comer a carne de esquilo.
- Você não devia ter falado daquele jeito com ela, Rick. – Andrea disse.
- Mas eu disse que o que ela tinha feito foi certo, só que ela precisava falar com os outros primeiro, antes de fazer algo.
- É, e nisso, pareceu que você disse que ela devia perguntar para os outros se podia ou não fazer aquilo, como se ela tivesse que pedir permissão. – Maggie falou e Rick deu com a mão na testa. – A menina passou essa epidemia toda por conta dela, sem ter que se preocupar com o que os outros iriam dizer, é difícil pra ela. E você devia saber disso depois do que ela falou antes.
- Droga, eu não tinha pensado nisso. Eu só não queria que ela acabasse se machucando se um de nós não estiver por perto.
- Ela sabe se cuidar! – Daryl disse e voltou a comer.
, neste momento, estava indo em direção ao vestiário com sua mochila nas costas. Precisava de um banho urgentemente. Sentia-se suja depois de seu pesadelo. Entrou e jogou a mochila em cima do banco. Tirou a roupa e pegou sua toalha junto com seu sabonete e seu xampu e condicionador. Foi para o box do chuveiro. Colocou a toalha pendurada na parede do box. Ligou o chuveiro e entrou em baixo dele com os olhos fechados.
- Se importa se eu tomar banho agora também? – Uma voz perguntou e logo abriu os olhos. Beth estava na porta do vestiário.
- Não! Tudo bem!
A garota entrou e começou a se despir. voltou para debaixo do chuveiro e se concentrou em lavar o cabelo. Começou a pensar no que Rick havia dito. Entrar para a família. Ela começou a ficar indecisa se queria ficar ali mesmo. Não aguentaria perder mais ninguém, duvidava se ali seria um bom lugar pra ficar. Começou a pensar na angustia que ficou quando não conseguiu falar com seu pai pelo telefone, voltou a sentir aquilo que sentiu quando viu a garota grávida morta em sua frente. A cabeça começou a latejar, abriu os olhos sentindo as vistas doerem. Deu um soco na parede e encostou a cabeça nela, respirando fundo.
- Você está bem? – Beth perguntou há um boxe de distância de . Ela assentiu e voltou para debaixo do chuveiro. – Andrea disse que você vai ajudar ela a aprender mais sobre armas... pode me ajudar também?
- Se seu pai e sua irmã aceitarem, eu não me oponho.
- Sabe, eu também perdi meu irmão e minha mãe há pouco tempo. Sei como dói.
- Pelo menos você tem o Hershel e a Maggie pra cuidarem de você.
- Esse é o problema, eles acham que eu não sei me cuidar, mas eu sei. E isso irrita.
- Volto a repetir, pelo menos você tem os dois. Eu não tenho nada! – Respondeu , encarando a garota, que se encolheu embaixo do chuveiro. – Olha, fale com eles. Se eles deixarem, eu te ajudo com o negócio das armas hoje mesmo. Mas, sem a permissão deles, eu não posso fazer nada por você.
- Isso me deixa com raiva. Eu já tenho 16 anos, não sou mais uma criança.
- Você não tem 18 anos. Ainda é uma criança. – disse e desligou o chuveiro. Tirou o restante de água do cabelo e se enrolou na toalha. – Você tem que entender uma coisa, Beth, para eles você ainda é a caçula. Eles só querem te proteger das coisas lá fora, deveria agradecer por isso. – Dizia ela enquanto vestia sua roupa.
- Vai me ensinar como ser como você?
- Ser como eu?
- É! Os garotos no refeitório estavam todos olhando para você.
- Ah, Beth! Você não vai querer isso, se fosse antes de tudo acontecer, tudo bem, mas agora... Esses caras não querem nada com nada, só querem aproveitar a vida antes do dia que vão morrer. Não vale a pena.
- Será que eu vou morrer sendo BV? – Ela perguntou, fazendo rir. Calçou o sapato e penteou o cabelo.
- Isso eu já não sei, minha amiga. – Disse e saiu, levando suas coisas. Passou em sua cela, deixando suas coisas por lá, pegou seu suporte de armas e colocou, estava sentindo que iria precisar deles. Depois foi direto para seu carro. Precisava recarregar suas armas. Em seu caminho, as pessoas a encaravam e aquilo já estava começando a irritá-la.
Desceu os degraus da porta da prisão e seguiu até seu carro, sentindo os olhos de todos sobre ela. Abriu a porta e entrou no banco da frente. Pegou um all star em baixo do banco do passageiro. Tirou o coturno e calçou o tênis. Logo depois saiu e abriu a porta de trás. Colocou um dos joelhos no banco e a outra perna ficou ereta do lado de fora do carro. Puxou uma corda em baixo do banco, fazendo um tipo de gaveta se abrir. De lá puxou uma sacola. Uma sacola que continha munições. Abriu-a e colocou-a em cima do banco. Mas colocou mal posicionada, fazendo-a cair e espalhar tudo pelo chão do carro. Xingou mentalmente e entrou mais no carro começando a pegar e colocar dentro da sacola novamente.
- Carro legal! – Alguém diz ao lado de fora. Ao olhar, ela vê um garoto loiro de olhos verdes encarando-a enquanto se escorava na porta do carro. Ele tinha o cabelo arrepiado, como se tivesse tomado choque. Quis rir, mas apenas arqueou a sobrancelha e depois voltou a pegar as munições. Não estava a fim de bater papo com ninguém agora.
- Valeu. – Disse ela simplesmente.
- Olha, eu vou ser sincero. – Ele disse e ela o encarou. – Meus amigos idiotas me fizeram vir aqui com o intuito de dar uma cantada em você, mas... – ele elevou a voz ao ver que ela falaria alguma coisa. Ela continuou calada, esperando ele continuar. – Mas eu sei que você não é pro meu bico e provavelmente iria me dar uma tirada que me faria ir lá à lua e voltar, então eu resolvi usar esse papo apenas para conversar como duas pessoas civilizadas! O que acha?
- Acho que você tem razão, não sou mesmo pro seu bico. – Ela disse, séria. O garoto respirou fundo e acenou com a cabeça, já se virando para sair. – Será que dá pra me ajudar aqui? Tem muita munição pra pegar! – Ela disse e ele encarou-a. Ela sorria doce. Ele riu e foi para entrar no carro, ela se moveu para o outro lado, dando espaço para ele entrar. – Desculpe pela tirada, eu sou assim mesmo. Tiro todo mundo.
- Tudo bem, eu sou acostumado a levar fora. Acho que você é a primeira garota que conversa comigo aqui, quer dizer, tirando aquela mulher lá da cozinha! – Disse colocando as munições dentro da sacola. - Aí, você tem munição pra nove milímetros?
- Tenho. Por quê? Você tem uma arma?
- Tenho. Mas está sem munição e eu nem sei como se usa essa coisa. – Disse ele, tirando a arma da cintura.
- Então como a munição acabou? – Ela perguntou, pegando a arma da mão dele, tirando o pente e observando que ele estava cheio. Encarou-o, confusa.
- Mas que droga! Então por que essa porra não atira? – Perguntou ele. abriu a janela do carro e atirou para o chão, não houve disparos. Então deu uma olhada nela, vendo se tinha algo de errado. Observou que ela estava travada, por isso ela não atirava.
- Quando esse ponto aqui estiver azul quer dizer que está travada. O ponto vermelho significa que pode atirar. – Então ela colocou a arma para o lado de fora e atirou contra o chão. Dessa vez houve disparo. – Viu?
- Você é um gênio. – Ele disse, pegando a arma.
- Trava ela! – alertou o garoto. Ele fez isso.
Ao terminarem de pegar as munições, recarregou suas três armas, colocando-as nos suportes. Ela guardou outra vez a sacola de munições e saiu do carro junto do garoto, que agora falava sobre quando ele tinha uma banda na escola. Os dois encostaram-se ao carro e continuaram conversando como se fossem amigos há anos. Para era muito fácil ser social com as pessoas. Desde que fossem as pessoas certas. E por nada, ela olhou para a porta da prisão, onde Daryl estava sentado junto de Rick, conversando com ele. Os dois olhares se bateram e ela, por alguns segundos, parou de escutar o que menino ao seu lado estava dizendo. O olhar de Daryl estava intenso, como se ele quisesse dizer algo para ela apenas com a intensidade do olhar. Ela balançou a cabeça, saindo do transe e se virou para o loiro ao seu lado, que estava dizendo algo.
- Foi muito difícil perder todo mundo que eu conhecia. Só sobrou para mim e minha irmã mais nova. Eu venho tentando cuidar dela nesse tempo, mas é bem difícil.
- Eu sei como é! Mas você vai conseguir.
- Que deus te ouça... Espera! – Ele deu com a mão na testa, assustando a menina. – A gente ta conversando de mais de boa aqui, mas eu ainda não sei seu nome. Isso mostra o quanto horrível eu vou ser pra arranjar uma namorada.
- Sou .
- E eu sou ! Prazer.
- Então, , você nunca penteia o cabelo, não? – Ela perguntou, fazendo o rapaz rir e passar a mão nos cabelos.
- É falta de pente! – Respondeu ele.
- Não seja por isso. – Ela abriu a porta do carro, entrou, pegou uma escova de cabelos no porta-luvas, saiu, fechou a porta e entregou a escova para o garoto. – Sem mais desculpas. Penteie o cabelo. É por isso que as garotas não falam com você, anda com esse cabelo de porco espinho por aí!
- Ah, cara, não abusa. – Ele disse, rindo, usando os vidros do carro como espelho. Partiu o cabelo, penteando um lado para cada lado. Olhou para , que arregalou os olhos e tampou a boca com as duas mãos, segurando uma gargalhada alta. – Como estou?
- Horrível! Bagunça de novo. – Disse ela, enfiando as mãos no cabelo do garoto e os desarrumando.
- Não!... Decida-se, mulher! – Ele disse, segurando as mãos dela. Ela riu e puxou as mãos para si. Sentiu-se desconfortável por ele ter feito aquilo. Ele era um cara legal, mas preferia manter suas regras de não tocarem-na sem sua permissão. Olhou para trás do garoto e viu um grupinho indo na direção dos dois. Um deles era aquele que havia assobiado para ela mais cedo no refeitório da cozinha. olhou para onde ela estava olhando e viu os rapazes. Virou-se para ela. – Eu não sabia que eles iriam vir aqui...
- ! Até que em fim criou coragem para falar com uma mulher! – O garoto que estava no meio do grupo disse. Esse deve ser o idiota líder. Pensou ela. – Sou Craggy, amigo desse idiota aí! – Ele falou, sorrindo debochado
- E agora eu sou o idiota? – perguntou e o outro rapaz o encarou.
- Tentando ganhar moral na frente da garota?
- Ele não precisa tentar! Ele já tem moral comigo. Ao contrário de você, que não tem nada. – disse sem mudar o tom de voz ou a expressão de seu rosto. Daryl, da escada, viu o amontoamento de pessoas em volta de .
- Primeira semana dela aqui e já conquistou seguidores. – Dixon disse alto de mais, fazendo Rick rir.
- Admita, ela é simpática e cativante. – Rick disse e Daryl, sem tirar os olhos da garota, pensou em dizer: Sim, ela é. Também é gostosa e inteligente. A combinação perfeita pra uma garota perfeita. Mas apenas disse:
- Ta apaixonado por ela, Rick?
- Não. Você sabe que o único amor da minha vida foi Lori e ninguém mais. Além do mais, eu não sou fura olho, você já está interessado nela. – Rick disse e Daryl o encarou de olhos arregalados.
- To nada!
- Daryl, desde que a gente sentou aqui, você não tirou os olhos dela. – Grimes disse, gesticulando as mãos, apontando para a garota que começava a se afastar do carro.
- Ta, e daí? Ela é gostosa! Qualquer um olharia.
- Semana passada vocês dois chegaram de mãos dadas.
- Eu tava puxando ela. A garota estava quase parando no meio da corrida. – Disse Dixon, incrédulo.
- E você não sentiu nada ao segurar a mão dela?
- Ah, vai se ferrar! – Disse ele, fazendo Rick rir.
- Gente, que boca suja! – Daryl deu um pulo ao escutar aquela voz. Rick segurou uma risada alta ao ver a cara de susto que ele fez. – Não se assusta com zumbis, mas se assusta com a minha voz, estou me sentindo ofendida.
- Zumbis não chegam de fininho, você chega!
- Ai, essa doeu! – Disse ela, botando a mão no peito, fazendo Daryl desejar ser aquela mão. – Então, tem algo pra eu fazer hoje? - Acho que não, você aniquilou metade dos nossos zumbis. Acho que podemos ficar de folga hoje. – Grimes disse.
- Acho que não. – Glenn chegou dizendo. Todos olharam para ele, que não tinha a cara nenhum pouco feliz. Fez sinal para que eles o seguissem. Rick levantou e o seguiu. No mesmo momento em que ia subir as escadas, Daryl se levantou de uma vez, quase batendo de frente com ela, fazendo-a segurar no corrimão para não cair para trás. Daryl olhou de relance para o loiro que conversava com ela antes. Ele encarava Daryl e de um jeito estranho. Dixon voltou seu olhar para a garota, que abaixava a cabeça e passava por ele, entrando na prisão. Ele a seguiu enquanto seguiam Rick e Glenn. Foram parar na cozinha, onde se encontrava Hershel e Carol. Os dois tinham expressões não muito boas.
- O que houve? – Rick perguntou.
- Temos um problema. – Hershel disse, caminhando até a dispensa. Todos o seguiram. Ao entrarem, viram que estava uma bagunça ali dentro. – Ratos fizeram isso. Estamos sem comida.
- Filhos da puta! A comida que eu demorei semanas pra conseguir. – esbravejou e saiu lá de dentro pisando fundo.
- Não tem nada que podemos salvar?
- Poucas coisas, acho que dá pra um dia, talvez. – Carol disse, cruzando os braços. – Vão ter que sair para pegar mais.
- E você diz isso como se fosse só ir ao mercado e pegar 30 quilos de comida não perecível. – disse, tentando conter a raiva na voz. Carol deu de ombros. – Mas que inferno, eu devia ter deixado essas merdas no porta malas do meu carro.
- Vamos com calma...
- Vamos com calma coisa nenhuma, eu demorei semanas pra conseguir tudo isso, pra chegar aqui e vocês botarem a comida em um lugar infestado de ratos. Sabiam que inseticida não tem data de validade?
- Hey, lá dentro não tinha só coisa que você trouxe não, tinha coisa que a gente batalhou pra conseguir também. – Daryl disse, dando um passo para o lado dela.
- Então pelo menos vocês deviam ter checado pra ver se não tinha outros moradores aqui além dos zumbis. – Ela retrucou, dando um passo na direção dele.
- Olha, o que aconteceu, aconteceu. Já era! A única coisa que podemos fazer é ir procurar por mais. Vamos fazer uma jornada de alguns dias, enquanto isso, os legumes da horta devem servir pra alimentar as pessoas daqui enquanto não voltamos. – Rick disse.
- Vou preparar minhas armas e meu carro. – disse e se virou para sair da cozinha, mas antes se voltou para Carol. – Você deveria limpar melhor o lugar onde você trabalha. – E saiu sem falar mais nada.
- Ai, que menina ignorante! – Daryl disse com raiva, socando o ar. Passou as mãos nos cabelos. – O que a gente faz? Por onde começamos?
- Não faço idéia! Os lugares perto que olhamos, não tem mais nada. Vamos ter que nos arriscar mais agora. Ir para mais longe. – Rick disse.
- Se vocês quiserem, eu vou junto. – Glenn disse. Rick abanou a mão.
- Não. Vou precisar de você aqui pra ajudar o Hershel a cuidar de tudo. Pode chamar a Maggie pra mim? – Rick pediu. Glenn balançou a cabeça, afirmando e saiu da cozinha. – Daryl, eu e vamos.
- Tem certeza que é uma boa idéia levá-la? Ela pareceu meio agressiva pra mim. E dessa vez não tem como discordar. – Carol disse, ainda de braços cruzados, encolhendo os ombros. – Eu não tive culpa disso acontecer...
- Bom, se você quiser falar isso pra ela. – Hershel disse, visivelmente assustado com a idéia de tentar fazer a garota ficar contra a vontade dela. – Eu realmente não quero encarar a filha de um militar que aprendeu tudo o que sabe com ele.
- Eu vou! Não tenho medo daquela pirralha. – Daryl disse e se virou para sair. Se essa pirralha acha que vai chegar aqui e bancar de boazona com todo mundo, ela ta muito enganada. Pensou ele ao sair da cozinha. Passou por Maggie, que chegava junto de Glenn.
- Onde o Daryl ta indo? – Glenn perguntou.
- Indo dizer a que ela não vai com ele e Rick. – Hershel disse e Glenn arregalou os olhos.
- Essa eu quero ver. – Disse e saiu correndo para fora da cozinha.
- Maggie, eu vou precisar que você fique no controle da cerca enquanto eu estiver fora...

(...)


estava recarregando todas suas armas, colocando pentes de munições dentro da sua sacola de armas. Seu sangue estava fervendo, era capaz de atirar na cabeça de qualquer um que a tirasse do sério naquele momento. Isso nunca aconteceu comigo, por que tinha que acontecer logo agora? Pensava ela.
Daryl saiu da prisão e olhou em volta, procurando pela garota. Avistou-a em frente ao Nissan, carregando algumas armas. Desceu as escadas e caminhou em direção à ela. Glenn chegou até a porta e seguiu atrás de Daryl, correndo até alcançá-lo. Dixon nesse momento estava sentindo uma raiva enorme do jeito com que a garota falou com ele e com Carol. Carol era como uma mãe no pensamento dele. Uma mãe que lavava suas roupas e lhe fazia comida.
- Daryl, você não vai querer fazer isso. – Glenn disse.
- Ah, eu vou querer, sim. Ó, garota! – Ele gritou e levantou os olhos das armas. Ao ver que era Daryl e que não estava com uma expressão muito boa no rosto, destravou uma das armas e a colocou em cima do porta malas do carro. Não que ela pretendesse usar, mas não sabia o que estava por vir. Continuou carregando as armas. – Eu estou falando com você! – Ele disse próximo dela. Glenn parou ao lado dos dois.
- Estou escutando e não sou surda, então não entendo porque ainda está gritando. – Disse ela, sem olhá-lo.
- Você não vai com a gente! – Ele disse na lata. Glenn engoliu seco ao vê-la destravar uma arma com força. levantou os olhos até os de Daryl, ele que quase esqueceu o que foi fazer ali só de olhar nos olhos dela.
- Quem disse?
- Eu disse.
- Que bom, mas você não manda em mim. Eu vou assim mesmo.
- Olha, vamos estar ocupados procurando por comida, não vamos ter tempo pra cuidar de uma adolescente mimada que quer dar uma Lara Croft.
- Me chama de adolescente mimada, mas esquece que eu salvei sua vida! – Disse ela, colocando as armas dentro da sacola de armas e a fechando. Ficando apenas com duas armas no suporte.
- Foi só uma vez, isso não quer dizer que eu confie em você pra nos dar cobertura. Nós provavelmente vamos passar dias na estrada, e eu não quero ter que virar babá.
- Problema seu! Será que não entende? Isso não vai mudar o que eu penso. Eu vou e ponto! – Ela disse, dando um passo em direção a ele.
- Não, é você quem não entende! Você não vai com a gente. Você é instável, vai botar a gente numa fria porque não sabe cuidar de si mesma. – Ele disse, dando um passo em direção à ela.
- É! Eu não entendo mesmo, não entendo o que eu fiz pra você desconfiar assim de mim e achar que eu não posso me cuidar sozinha. Você não me conhece! E sabe o que eu posso fazer...
- Primeiro você chegou aqui se achando a rainha dos sobreviventes. Segundo, você desrespeitou a Carol de uma maneira muito grosseira e...
- Ai, que lindo, defendendo a namoradinha! – Debochou ela. A discussão dos dois já estava chamando atenção.
- Larga de ser estúpida, garota, ela não é minha namorada!
- Larga você de ser estúpido, eu estava com a razão, e você sabe disso. Não é nenhum pouco fácil conseguir suprimentos nos dias de hoje. Ela deveria ter sido mais atenta com aquele lugar. Não coloque a culpa em mim por algo que ela fez de errado.
- Você fala como se fosse a líder desse lugar! – Gritou ele. Em volta deles já estava se formando uma rodinha. Rick, Hershel e Carol apareceram junto com Maggie. Beth e Andrea ficaram ao lado de Glenn. Enquanto Carl encarava de longe.
- Não falo porra nenhuma! Você é que acha que manda em alguma merda aqui. – Ela gritou, apontando o dedo no rosto dele. Daryl segurou a mão da garota e apertou.
- Não aponte o dedo pra mim. – Ele disse, trincando os dentes. Ela usou toda sua força e virou o dedo dele, fazendo-o gritar de dor. – Sua... quase quebrou meu dedo.
- Não me toque sem minha permissão! Pode ser a última coisa que vai fazer! – Ela respondeu com raiva.
- Eu não tenho medo de você! Só porque anda por aí com armas acha que pode intimidar alguém? – Ele perguntou, endireitando o corpo e estufando o peito. jogou as armas que estavam no seu corpo no chão. Se aproximou ainda mais de Daryl.
- Eu não preciso de armas pra intimidar ou machucar alguém. Se eu consegui matar o desgraçado que passou dois meses me estuprando e que ainda por cima tinha o dobro do seu tamanho usando apenas as minhas mãos, não vai ser difícil acabar com você também. Se eu consegui acabar com o acampamento inteiro dele, você vai ser fichinha. – Ela disse, mostrando todo o rancor e raiva que tinha em seu coração. Daryl ficou sem palavras, todos ali ficaram. Nem imaginavam que aquilo tinha acontecido com ela. – Continue! Fale o quanto eu sou patética, fale o quanto a garota sozinha no mundo é idiota, o quanto ela é descartável porque passou meses presa enquanto um filho da puta enfiava o pau nela. Pode falar, eu já não me importo mais. Isso apenas mostra que você é tão repulsivo e machista quanto qualquer outro cara idiota com quem eu já cruzei por aí!
Todos se mantinham calados. O único barulho que se escutava era dos zumbis se jogando contra a grade. Beth, que estava próxima de , observou a garota e então entendeu o porquê daquilo que disse a ela mais cedo, sobre ela ter sorte de ter alguém para cuidar dela. Ah, Meu Deus! É isso, queria alguém para cuidar dela, queria que alguém tivesse impedido aquele homem de fazer aquilo com ela, mas ela estava sozinha no mundo. Pensou Beth.
pegou as armas que tinha jogado no chão. Pegou as duas bolsas que ali estavam, abriu o porta-malas e enfiou as sacolas ali. Passou por Daryl, batendo seu braço no dele enquanto ele ainda estava paralisado com o que tinha escutado. Parou frente a frente com Rick, que se mantinha calado.
- Se não queria que eu fosse com vocês, era só ter me pedido pra ficar. Eu não iria me opor, não precisava tê-lo mandado falar. – Falou e se virou, seguindo até o carro. Maggie a interrompeu no meio do caminho, abraçando-a forte. sentiu os olhos arderem, as lágrimas estavam ameaçando cair. Nunca tinha falado aquilo em voz alta. Muito menos para centenas de pessoas. – Abra o portão pra mim, Maggie, por favor. – Ela pediu.
- Por quê? – Greene perguntou e percebeu que ela estava chorando. Respirou fundo.
- Eu vou embora! – Ela respondeu. Maggie a encarou.
- Você não precisa ir embora... – Rick começou a dizer. A garota se virou para ele.
- Sim, eu preciso! Não quero que ninguém se sinta obrigado a ser minha babá! – Disse, cuspindo as palavras. – Maggie, por favor!
Greene assentiu e foi até o portão, fungando. Glenn a acompanhou com a arma na mão, atirando nos mortos-vivos que iriam provavelmente impedir a passagem da garota. se dirigiu até a porta da frente de seu carro. E lá estava . Segurando a porta já aberta para ela. Ele parecia triste, pressionava os lábios. Uma lágrima escorreu dos olhos da menina. Ele viu, levantou a mão lentamente, mostrando o que ia fazer. Passou o polegar pela bochecha dela, secando-a. sorriu e acenou a cabeça, agradecendo a ele. Daryl continuava parado ali, sem reação, querendo fazer algo, mas não tinha ideia do que fazer. Mas que porra! O que eu faço merda? Ela está indo embora, o que eu faço? Pensava ele.
- Se afastem do carro, não quero machucar ninguém. – Disse ela pouco antes de tomar seu lugar no volante do Nissan e ligá-lo. Bateu a porta. Maggie empurrou o portão com a ajuda de Glenn. acelerou e ultrapassou o portão, deixando a prisão para trás. Pelo retrovisor, podia ver as pessoas olhando para seu carro, mas agora já era. Ela respirava fundo enquanto dirigia, tentando não deixar as lágrimas caírem. Era tudo forte de mais para ela. Doloroso de mais. Lembrava-se de tudo o que tinha acontecido. Lembrava-se de cada dia, cada segundo e aquilo estava cortando seu peito por dentro. Suas vistas começaram a ficar embaraçadas e sua mente confusa. Pisou no freio em vez de no acelerador e seu carro parou de uma vez, fazendo-a bater a cabeça no volante, mas aquilo não doía mais do que seu peito nesse momento. Chorou com força.
Da prisão, a maioria das pessoas já tinham ido fazer outras coisas. Mas quem ficou ali, como Daryl, Rick, Glenn, Beth e os outros que eram mais próximos, puderam ver que o carro dela tinha parado. Estavam na esperança de que ela voltasse. estava na esperança de que ela voltasse. Maggie e Glenn. Mas principalmente Daryl. Mas então o carro começou a se mover de novo, se mover para longe. Qualquer esperança que algum deles tinha no interior de si mesmos, murchou. Ela estava indo embora mesmo. deu as costas e saiu dali passando por Daryl.
- Parabéns! – Ele disse com desdém.
- Eu... Eu não... Não sabia que isso tinha acontecido. Eu não deveria ter falado nada daquilo.
- É um pouco tarde pra se arrepender, não acha? – Beth disse e entrou na prisão.
- O que está feito, está feito. Não podemos voltar atrás. Precisam ir buscar suprimentos para nós. – Carol disse e saiu.
- Vamos, Daryl! – Rick falou.
Daryl deu as costas para o portão. Desejando não ter feito nada daquilo. Mas não podia mudar o que tinha feito. Já era.


Capítulo 5 - The Way back Home: part 1

Horas já haviam se passado depois da ida de . Maggie ficou abraçada com Glenn enquanto estavam sentados na escada da prisão. Em pouco tempo ela havia se apegado a garota, pois em meses, foi a única que a fez rir muitas vezes seguidas e esquecer por pelo menos dois segundos que o mundo estava o caos. Beth ainda pensava no que havia dito e resolveu não querer mais aprender a atirar. estava em sua cama, pensando sobre ela, ele em poucos minutos havia se apegado a menina, pois ela o fazia lembrar-se de sua ex-namorada, mas com certeza achava muito mais interessante que ela. Carol, por um lado, se sentia culpada por não ter ficado calada naquela hora na cozinha, ela sabia que estava errada e que a culpa não era dela, mas mesmo assim se sentia mal por saber o que tinha acontecido com a garota. Rick, que agora dirigia a caminhonete com Andrea e Daryl em direção a alguma cidade para buscar suprimentos, pensava no que havia dito sobre sua vida, e se sentia mal por não ter consigo fazer ela ficar, depois daquilo que ela disse, ele se via como um pai para todos os sobreviventes da prisão, se sentia na obrigação de protegê-los, de cuidar deles, mas ele não conseguiu fazer isso com a menina. Andrea passou a viagem toda olhando para a arma que estava com ela, a arma que havia lhe dado. Pensava nas horas em que ela Maggie e riam ao falar sobre homens um tempo depois de terem matado alguns zumbis na cerca. Ela lhe lembrava Amy, sua irmã que tinha sido morta por um zumbi há alguns meses. Já Daryl, ele ficou remoendo tudo o que tinha dito e tudo o que tinha ouvido. Afinal, a culpa dela ter ido embora foi dele, pois foi ele quem a fez falar sobre aquilo. A única coisa que conseguia fazer agora era se culpar pelo o que aconteceu e pensar o quanto ela era forte por ter passado pelo que passou e ainda ser corajosa para querer ajudar as pessoas. O quanto ela era forte por sorrir sincera como ela sorria. Agora ele pensava que se tivesse chance, ele a protegeria e não a deixaria sozinha no mundo como ela está agora.

- Sozinha! De novo! – Ela dizia enquanto dirigia nas ruas de Atlanta. – É! Somos só eu e você de novo, Nissan! – Falou, dando um tapinha no banco do passageiro. Nas ruas havia alguns zumbis, mas não eram muitos e não ofereciam perigo. Estava indo em direção a alguns mercados que tinha na avenida para ver se tinha suprimentos para ela. Lembrou-se novamente do rosto de Daryl e quis se dar um tiro naquele momento por pensar nisso. Acelerou um pouco, vendo o céu já escurecendo, fazia horas que ela estava viajando. Um pouco mais para frente, encontrou uma garagem. Entrou de ré e travou as portas deixando também as janelas fechadas. Ficou ali, olhando para a rua, vendo os zumbis se arrastarem pelas calçadas, tão patéticos e entediantes. Seus olhos estavam ardendo por ter chorado o quanto chorou e a cabeça ainda doía por ter batido-a no volante. Encostou-se no banco e esperou o sono vir, até porque aquilo a única coisa que podia fazer agora era dormir.

“É melhor você se abrir, se não, vou te machucar ainda mais, vadia”. Aquele homem dizia, tentando se enfiar no meio das pernas da menina, que estava com os braços amarrados e a boca tampada por um pano. Ela estava completamente nua, machucada, quase exausta, mas não podia desistir, ela tinha que sair dali. Forçava os braços, puxando-os para baixo, fazendo as amarras roçarem, quase arrancando sua pele. Seus pulsos ardiam e sangravam. Usou mais força e conseguiu soltar os braços, mas quando foi para socar o nariz do homem, alguém o puxa para trás e lhe enfia a faca no peito. Ela conhecia aquele homem. Aquele era Daryl, ele a tinha salvado.
- Merda! – Ela acorda em um sobressalto, sentindo seu rosto todo molhado. O coração acelerado. Ela se lembra daquele sonho, foi no dia em que ela conseguiu escapar do estuprador, mas ninguém a ajudou, então porque diabos ela sonhou com Daryl a ajudando?
Olhou para o relógio no braço que marcava oito e meia da manhã. Estranho. Pensou ela.
Nunca consigo dormir até mais de quatro da madrugada. Por que isso agora? Pensou ela novamente. Balançou a cabeça e encarou a rua a sua frente. Ligou o carro e dirigiu até a rua, vendo alguns zumbis tentando alcançá-la. Continuou o trajeto que começou a seguir ontem, indo em direção aos mercados naquela mesma rua.
Ao chegar onde queria, desceu do carro, matando alguns zumbis. Pegou sua bolsa de armas e uma bolsa para suprimentos e entrou no mercado, fechando a porta semi quebrada. Foi até as prateleiras derrubadas e conseguiu achar salgadinhos. Isso engorda, mas não estou nem aí! Pensou ela, colocando os saquinhos dentro da bolsa.

Na mesma cidade, longe dali. Rick, Daryl e Andrea acabavam de chegar, sendo abordados por dezenas de zumbis. Grimes fez questão de passar por cima deles, acelerando o máximo que podia. Procuravam por alguma loja de comida que ainda tivesse algo que eles pudessem aproveitar.
Ao chegarem a uma rua basicamente deserta e sem zumbis, avistaram uma loja e pararam o carro, desceram e seguiram até ela, atentos a tudo. Entraram e fecharam a porta atrás de si. Era uma loja grande, acharam alguns zumbis lá dentro, mas Daryl usando sua Crossbow cuidou deles sem fazer barulhos para não alertar mais dessas pragas. Começaram a procurar por suprimentos, acharam algumas coisas na validade que valiam a pena levar. Ao saírem da loja, se deparam com centenas de zumbis perto da caminhonete e todos eles sentiram o cheiro dos três, que logo saíram correndo, vendo que não conseguiriam lutar com centenas deles.
- E agora? – Andrea gritou!
- Vamos ter que nos separar! – Rick disse, atirando em alguns zumbis que apareceram na frente. – Nos encontramos na saída leste da cidade. – Disse e virou-se para uma rua. Daryl acenou para Andrea, como se dissesse que ela iria conseguir e logo depois virou em outra. Andrea continuou em frente, atirando para trás, tentando matar o maior número de zumbis que pudesse, mas os tiros só atraiam mais deles. Desejou estar com agora.
Desesperado! Essa palavra era o que descrevia Rick naquele momento, ele estava desesperado, pulava alguns obstáculos que tinha em sua frente, pisava na cabeça de zumbis, lutava com eles, atirava neles, mas parecia que eles sempre brotavam do chão. Já tinha corrido um quarteirão, mas acabou se perdendo e já não sabia onde estava. Além de ter que se livrar dos zumbis, teria que achar a saída daquele lugar e um carro para eles também.
Daryl atirava nos mortos-vivos com sua Crossbow, mas sempre pegava suas flechas de volta, pisava na cabeça deles, os esmagando, descontando sua raiva por ter feito ir embora. Nesse momento, em vez dele estar pensando em sair vivo dali, ele pensava era em como ela deveria estar. Imaginava que se ela estivesse ali, ela já teria pensado em um jeito de sair da cidade.
Andrea corria e atirava ao mesmo tempo, as pernas estavam cansadas, não podia entrar em nenhum lugar, pois ficaria encurralada, tinha que continuar na rua. Suas munições estavam acabando, as outras tinham ficado na bolsa de Rick. Viu uma ruinha perto de onde ela estava e pensou em entrar lá para cortar caminho. Quando foi para subir no meio fio, tropeçou a caiu capotando no chão, perdendo sua arma. Ficou perdida por alguns segundos até um zumbi pular em cima dela, tentando mordê-la. Gritou! Ela o segurou pelo pescoço, tentando jogá-lo longe, mas ele era forte. Conseguiu rodar no chão, batendo a cabeça do errante e a explodindo. Levantou correndo e pegando a arma, que parou a alguns metros dela. Continuou indo em direção a ruinha. Quando virou a esquina, um carro vinha em sua direção, mas parou bruscamente, quase centímetros das pernas da loira. Ela bateu no capô do carro, gritando com a pessoa que dirigia. E quando a porta se abriu e a pessoa saiu de dentro dele, a loira arregalou os olhos.
- ! – Ela exclamou, vendo a menina. A garota estava com seu coturno, uma calça preta, a blusa branca e uma jaqueta por cima.
- O que você esta fazendo aqui? – perguntou, batendo a porta.
- Eu, Rick e Daryl viemos buscar suprimentos. – Andrea disse quase sem fôlego. Apoiou as mãos nos joelhos.
- E cadê eles?
- A gente se separou, não sei onde estão. Só sei que Daryl foi para um lado e Rick para o outro. – Andrea dizia desesperada. arregalou os olhos ao ver dezenas de zumbis virarem a esquina. As duas correram em direção ao Nissan parado a poucos centímetros dali. Entrou no lugar do motorista, enquanto a loira entrava no banco do passageiro. Travou as portas.
acelerou, passando por cima das coisas que estavam asua frente. Seguiu reto, vendo uma aglomeração absurda de Zumbis, trocou de marcha, acelerando ainda mais. Começou a buzinar para chamar a atenção dos mortos-vivos, e conseguiu. Por entre eles, pode ver alguém correndo. Era Rick, que, ao ver o carro começou a acenar. passou com velocidade por cima daqueles que entravam em sua frente. Parou o carro tempo o suficiente para Grimes entrar e logo depois voltou a dirigir. Dando meia volta e voltando pelo mesmo caminho que veio.
- ?
- Tudo bem com você?
- Sim. Temos que achar o Daryl!
- Mesmo? Eu estava pensando em deixar ele morrer aqui. – Disse ela. Entrou na avenida que estava antes. Andréia, pelo seu lado, viu para onde os zumbis da outra rua estavam indo. também viu. Acelerou o carro, passando umas duas de onde os zumbis estavam. Na terceira, ela virou para a direita, indo até a outra avenida ao lado daquela que estava. Viu Daryl em frente a multidão de mortos-vivos, teve vontade de passar com o carro por cima dele, mas algo não deixou. Deu um giro de 180° no carro, fazendo-o parar de frente para a rua que iriam seguir para sair dali. Destravou a arma e saiu do carro atirando nos zumbis que iam para cima do caipira que quase teve um ataque cardíaco ao ver a garota ali. Rick dava cobertura a ela e Andrea dava cobertura a eles. Um dos zumbis atacou a menina, fazendo-a bater de costas com o carro, tentando mordê-la, mas ela enfiou a arma na boca do cadáver e atirou, fazendo-o cair no chão. Ao ver que Dixon estava próximo do carro, ela entrou e esperou que ele entrasse, e quando todos já estavam dentro, ela acelerou, saindo dali.
- O que estavam pensando em se enfiar dentro dessa cidade sem um carro? – perguntou, intrigada.
- Estávamos com um carro. Entramos em uma loja pra pegar suprimentos e, quando saímos, tinha centenas de zumbis que começaram a correr atrás de nós. – Andrea disse e revirou os olhos.
- Deviam ter pensado em botar alguém de vigia, ou pelo menos parar o carro mais perto de onde vocês estavam. Estão me devendo uma! – Ela disse e logo depois passou em cima de um zumbi que estava em sua frente. – Bobeou, morreu, idiota! – Gritou, botando a cabeça para fora do carro.
- E você? O que estava fazendo aqui? – Rick perguntou.
- Suprimentos, ora essa! Querem que eu viva como? – Falou. – Rick, me passa essa bolsa aí, por favor! – Ela disse, mas quem pegou a bolsa não foi Grimes, e sim Daryl, que a entregou cautelosamente, com medo da reação da garota. Ela o encarou pelo retrovisor e pegou a bolsa sem dizer nada. Abriu-a e tirou um saco de doritos lá de dentro. – Alguém quer?
- Não. Valeu! – Andrea disse.
- Então, querem que eu ajude a conseguirem um carro ou conseguem fazer isso sozinhos? – Ela perguntou com a boca cheia de salgadinhos e os três ficaram calados. Daryl olhou por sua janela, Rick pela dele e Andrea abaixou a cabeça. olhou para os três e deu de ombros. – Alô! Ainda estão vivos?
- Por que você não volta com a gente? – Andrea perguntou e dessa vez foi quem se calou. Ela respirou fundo e apertou as mãos no volante. Daryl inclinou a cabeça e a olhou pelo retrovisor. Ela fez o mesmo com ele. Por favor! Diz que você vai voltar com a gente! Ele pensou. – Cuidado! – Andrea gritou e voltou sua atenção para a rua, pisando no freio, segundos antes de quase bater em um tanque do exercíto parado no meio da rua.
- Meu deus! – Ela exclamou ao ver aquilo. E como se uma luz se acendesse em sua cabeça, ela teve uma ideia de um lugar para conseguir aquilo que ela estava procurando, mas primeiro precisava resolver aquela situação. – Eu não vou voltar com vocês exatamente pelo o que disse antes de sair de lá. Eu não quero que ninguém se sinta obrigado a ser minha babá.
- Cara, eu estava de cabeça quente! Eu não queria...
- Não diga isso! – Ela falou, se virando para trás e encarando o rapaz. – Não diga que não quis falar aquilo que disse apenas pelo fato de estar com pena de mim, de ter dó pelo o que aconteceu. Eu já disse que não me importo com o que os outros falam. Eu só não gostei do jeito que você falou comigo, sabia que eu estava certa e foi até mim apenas pra mostrar o quanto você é macho!
- Eu estava de cabeça quente...
- Eu também! Mas foi você quem me chamou de estúpida primeiro.
- Você disse que a Carol era a minha namorada!
- E era o que parecia, já que você estava todo irritadinho pelo o que eu falei pra ela.
- Você tem que entender que a Carol é uma pessoa importante pra mim, ela é da família dos sobreviventes, não gosto quando alguém a insulta, não gosto quando alguém insulta algum dos meus amigos.
- Mas não pensou duas vezes antes de me insultar. – Ela disse, deixando-o calado. – Eu não a insultei, disse pra ela fazer as coisas direito. Em todo o tempo que eu fiquei sozinha, eu nunca cometi nenhum desses erros e, em pouco tempo, todos os suprimentos que eu demorei dias pra conseguir são jogados por água abaixo por ela não saber fazer o trabalho direito. E eu tinha o direito de reclamar porque eu fiz a droga do meu trabalho certo.
Nesse momento, zumbis já começavam a se aproximar do carro a escutar vozes vindas lá de dentro. Começaram a bater com força nos vidros e na lataria do carro, fazendo Andrea e Rick se assustarem.
- É, mas você não tinha o direito de tentar ser independente lá dentro, dizendo que ia com a gente e ponto! Éramos um grupo e em um grupo ninguém é independente, todos dependem das decisões tomadas em grupo...
- Quer saber, vocês não queriam que eu ajudasse a procurar mais suprimentos, eu fui embora. Porém, estamos aqui. Vocês estão vivos por minha causa, então por que você não agradece e cala a boca, Daryl? – A garota gritou, sem paciência. O rapaz se calou. Essa era a verdade. Ele estava vivo por causa dela. se virou para frente, engatou a marcha ré e começou a passar por cima dos mortos-vivos que estavam atrás de seu carro. – Se for para eu vou voltar com vocês, tem que entender que eu sou diferente das pessoas de lá. Eu passei meses cuidando apenas de mim mesma, sem ter que me preocupar com mais ninguém, eu sempre fiz tudo sozinha. – Disse ela, tirando da ré e girando o carro em 180° graus, voltando pelo caminho que ela tinha ido. Levou o carro para a avenida principal da cidade. – E eu não vou mudar minhas atitudes só porque você acha que eu devo mudar. – Disse ela, olhando para Daryl de relance pelo retrovisor. – Eu sou assim, não sou uma adolescente mimada do jeito que você disse, eu apanhei e muito da vida. Não só dela, como de muitas pessoas também, mas pelo o que você deve ter percebido, eu não sou garota pra deixar homem nenhum montar em cima de mim, eu tenho o controle de mim mesma. Se eu tomar uma decisão por mim, estarei pouco me fodendo pro que o resto do grupo vai achar. Se eu achar que está certo, eu vou fazer e não tem ninguém que vá me impedir. Eu sei que você não me conhece, Daryl, mas tem que conhecer primeiro para depois me julgar. Se quiserem que eu volte, tem que ser assim. Caso contrário, vou ajudá-los a conseguir um carro e tchau.
- Por mim você nem devia ter saído de lá.
- Como eu disse, precisamos das suas habilidades pra nos ajudar. Os tempos estão ficando difíceis e sei que você é uma boa pessoa. Concordo com Andrea. – Rick disse.
olhou Daryl pelo retrovisor. Ele apenas balançou a cabeça em afirmação. Ela não precisava de mais nada. Voltou a encarar a rua.
- Eu sei onde podemos conseguir um bom número de suprimentos. – disse.
- Onde?
- Na minha casa! – Disse simplesmente.
- Como assim?
- Meu pai era meio paranóico, a idade já estava deixando ele caduco, pelo menos era o que eu pensava quando meu irmão me contou uma coisa. – Ela começou. – Um pouco depois de nos mudamos para o Kansas, acho que alguns anos depois, ficamos algum tempo em um hotel porque meu pai estava fazendo uma obra na casa onde iríamos morar. Meu irmão disse que meu pai construiu um tipo de sala secreta, uma sala onde ele guardava suprimentos porque acreditava que um dia nós iríamos precisar daquilo, como se o país fosse ser invadido por alienígenas, sei lá. Quando o me contou isso, eu tinha quinze anos, nunca tinha pensado nisso, mas o caso é que o que antes parecia ser uma loucura, agora faz muito sentido. Esse vírus surgiu em algum laboratório porque parece que eles estavam querendo fazer uma vacina para a AIDS, sei lá. E meu pai era do exercíto, com certeza ele deve ter ouvido falar nisso e pensou em fazer um lugar para estocar suprimentos.
- Mas se isso for mesmo verdade, eles devem ter passado por lá e pegado tudo o que tinha.
- Bom, talvez. Mas não custa nada verificar, até porque eu nem sei se eles sobreviveram ao ataque. – Ela disse, sentindo uma dor no peito ao pronunciar aquelas palavras.
- Então vamos! – Rick disse.
- Vou logo avisando, é bem longe daqui, quase dois dias de viagem. Vão conseguir me aguentar até lá? – Ela perguntou diretamente para Daryl, que se manteve calado. Andrea colocou sua mão na mão da menina e sorriu.
- Claro que sim.
- Se segurem, então. – Falou ela, acelerando o carro.

(...)


Algumas horas depois de saírem de Atlanta, ainda era quem comandava o volante, dirigia enquanto o som de Snap Out Of it tocava baixinho no fundo do carro. Rick, Daryl e Andrea já dormiam há algum tempo. cantarolava para si mesmo enquanto batucava no volante com os dedos. Em seu rosto carregava um sorriso, ela adorava cantar enquanto dirigia e, mesmo nos dias difíceis de hoje, ela ainda cantava enquanto viajava com seu carro. Enquanto isso, refletia sobre o que estava fazendo, pensava o que iria sentir ao entrar em sua antiga casa novamente, imaginava como ela estaria e se ainda teria algo dela e de sua família lá dentro. Imaginava se aquilo que seu irmão disse era realmente verdade e se iria ter algum tipo de suprimento escondido por lá. Só espero que isso não tenha sido uma invenção do . Pensava ela. As batidas da música estavam mais animadas e a garota balançava o corpo de um lado para o outro enquanto dirigia e cantava silenciosamente para não acordar ninguém. Olhou pelo retrovisor e viu Daryl dormindo com a cabeça encostada no vidro. Começou a se perguntar o que ele significava para ela e o que sentia por ele. Voltou a encarar a rua e cantarolar junto com a banda. Mas o que ela não sabia era que Daryl estava acordado e via tudo o que a garota fazia, se segurando para não rir. De um jeito estranho, ele estava se sentindo melhor do que quando ela foi embora. Rick começava a acordar e Daryl fechou os olhos, fingindo ainda estar dormindo. Grimes encarou a garota e riu do jeito que ela estava dirigindo.
- Não é melhor trocarmos de lugar? Já faz um bom tempo que está dirigindo. – Ele perguntou e a garota deu um pulo com o susto que levou.
- Não. Estou bem assim.
- Você parece bem animada.
- Estou sempre animada. Ou você nunca percebeu que eu sempre quero algo pra fazer?
- Talvez seja pra esquecer o que aconteceu no mundo.
- É, talvez! I want to grab both your shoulders and shake, baby. Snap out of it (snap out of it) – Cantarolou ela, fazendo Grimes rir mais uma vez.
- Ai, credo! – Daryl levantou a cabeça, falando. o olhou pelo retrovisor e depois voltou a encarar a rua, apertando as mãos no volante.
E no mesmo momento em que ela teve vontade de socar a cara dele, ela teve vontade de beijá-lo ao encarar aqueles olhos azuis. Um sorriso brotou em seus lábios. E ela encarou a estrada ainda sorrindo e voltou a cantarolar com a música. Andrea começou a se remexer e abriu os olhos, piscando algumas vezes.
- Que horas são? – Ela perguntou, se ajeitando no banco e esfregando os olhos.
- Quatro da tarde. Viajamos muito desde Atlanta. – disse.
- E onde já estamos?
- Entramos no Kansas. Estamos chegando a minha cidade e opa... – Disse, parando o carro. Havia carros bloqueando a sua passagem. Ela saiu, seguida dos outros. Olharam para a avenida em sua frentes e avistaram dezenas de carros destruídos no meio da rua. Aquele era um caminho descartado, não iriam conseguir passar por ali com tantos bloqueios.
- Nós... – Andrea começou. – Podemos deixar o carro aqui e irmos a pé até a casa.
- Não! – Rick negou. – Ficaria muito longe e alguém pode roubar a gasolina do carro ou a bateria.
- Ou o carro todo. Não se vê mais Nissan’s lindos e em perfeito estado nas ruas como o meu. Sem contar que eu não deixaria meu carro sozinho e desprotegido. Ele foi o único com quem eu pude contar durante todo esse tempo.
- Você fala como se ele fosse da família, alguma espécie de bichinho de estimação. – Daryl disse e se virou para ele, rindo.
- E ele é da família. É meu bebê.
- Um de nós fica aqui com ele, então. – Andrea disse, jogando as mãos para cima.
- Eu já disse que não vou deixar meu carro sozinho e, se eu não for, vocês não acham a casa.
- E como a gente faz, então? – Daryl perguntou, encostado no carro, olhando de um lado para o outro, verificando se não tinha nenhum zumbi ou nenhum arruaceiro por ali.
- Vamos dar a volta! Essa não é a única entrada pra cidade. Essa foi a que mais se congestionou no dia do ataque, por isso todos esses carros aqui. Vamos entrar pela entrada leste, tem uma estradinha de terra por lá.
- Foi por ela que fugiu aquela noite? – Daryl perguntou e a garota assentiu, abaixando a cabeça logo depois. Abriu a porta do motorista para entrar.
- Tem certeza que não quer que eu dirija? – Rick perguntou e ela assentiu outra vez.
- São só mais alguns quilômetros. Estou bem. – Ela disse. Rick encarou-a, cético. – É sério, Rick, estou bem. – Falou e entrou no carro. Andrea, Daryl e Grimes se entreolharam e entraram novamente no carro. A garota engatou a marcha ré, se afastou dos carros, trocou a marcha e voltou pelo caminho que tinha vindo. Entrou em um desvio há alguns metros dali que levava na direção que ela queria. Respirou fundo ao olhar tudo aquilo que ela tinha visto a alguns meses atrás quando foi embora dali. Encarou as árvores que havia nos lados da estrada, mas em especial lhe chamou a atenção. Era a árvore onde um carro com uma família dentro tinha batido naquela noite. Uma família que ela não ajudou.

#Flashback on.
Droga, droga. Merda! O que está acontecendo? Por que isso está acontecendo? De onde veio isso? Por que tinha que acontecer? pensava enquanto dirigia em alta velocidade por uma rua fora das rotas de saídas da cidade. As avenidas estavam congestionadas e seu pai lhe ordenou que pegasse essa rota. Apenas isso. Que pegasse aquela rota e que não parasse em circunstância alguma, de forma nenhuma.
Atrás dela vinha um carro, também em alta velocidade. Ele lhe ultrapassou e, ao olhar para o lado, seus olhos caem no olhar de uma menininha que devia ter uns sete anos de idade. Os cabelos pretos e olhos de caramelo. Ela acenou para , que acenou de volta. O carro passou a sua frente, segundos depois, do nada, o carro saiu da pista e bate em uma arvore. Explodiu. desviou e voltou para a pista, ainda atordoada com o que viu, mas não parou, olhou várias vezes para trás, desesperada, sem saber se ajudava ou seguia em frente. Então apenas se focou na pista e acelerou ainda mais, chorando. E a única coisa que se passava na mente dela, era os olhos da garotinha.
#Flashback off

engoliu em seco e sentiu os olhos arderem ao se lembrar daquilo. Foi tirando o pé do acelerador e pisando no freio até o carro estar parado totalmente. Ela tirou as mãos do volante e abaixou a cabeça. Todos ali dentro olharam para todos os lados de fora do carro, vendo que estavam longe da cidade e logo depois a encararam sem entender porque ela parou.
- Não posso fazer isso. – Disse simplesmente e saiu do carro. Os outros saíram também.
- O que foi? – Andrea foi a primeira a perguntar.
- Eu não vou conseguir! – Dizia, balançando a cabeça e apoiando as mãos nos joelhos, respirando fundo. – Não dá!
- Hey, você tem que conseguir! Muitas pessoas dependem disso. – Daryl disse, se aproximando dela. Ela começou a negar freneticamente com a cabeça.
- Não! Você não entende! Eu poderia ter salvado ela! – Dizia sem conter as lágrimas. Todos se entreolharam, confusos, sem saber o que ela queria dizer. – Na noite em que eu estava fugindo, um carro com uma menininha dentro bateu naquela árvore – Falou, apontando para há árvore um pouco atrás deles. – Eu poderia tê-la salvado, mas não fiz isso, não fiz porque meu pai ordenou que eu não parasse por nada e isso me deixa com ainda mais raiva de mim. Era só uma garotinha. – Falava, se desesperando. Tampou o rosto com as mãos e respirou fundo, tentando conter o choro.
- Olha, eu sei que é difícil. Mas precisamos fazer isso. A culpa não foi sua, estava seguindo as ordens do seu pai, não teve culpa. – Rick disse e ela o encarou. – Você quer proteger pessoas, quer ajudar pessoas. Isso que estamos fazendo agora vai ajudar todos da prisão, não vai ser um ou dois, vão ser muitos. E não é isso o que você quer? Ver as pessoas mais felizes e melhores nesse mundo desolado?
A garota assentiu.
- Então temos que fazer isso. – Ele disse. Ela respirou fundo, olhando para o céu.
- Dirija você. Não vou conseguir fazer isso e se estiver no volante vou acabar fazendo besteira. – Falou ela, entrando no banco de trás do carro. Daryl a seguiu. Andrea voltou para o banco do passageiro. Rick tomou o volante. – É só seguir em frente. Daqui há alguns quilômetros você vai ver uma estrada de terra a sua esquerda. Entre nela e continue. Vai sair em uma rodovia embaixo de um viaduto, corte caminho por ele. Aí vamos chegar até Rocketcity! – Dizia ela. Encostou a cabeça e cobriu os olhos com o braço. Rick voltou a dirigir, pondo o carro na rua e seguindo pelo caminho que a garota disse para eles seguirem. A paisagem dali era muito bonita, mais bonita de que muitos lugares pelos quais eles passaram. No caminho eles puderam ver muitos escombros nas ruas, árvores caídas, sinais de fogo, sangue seco. Por mais que aquele lugar por onde passavam fosse bonito, não podiam se esquecer do que aconteceu no mundo.


Capítulo 6 - The Way back Home: part 2


Algum tempo depois, Rick encontrou o viaduto que tinha falado. Ela tirou o braço do rosto e olhou pela janela, vendo as ruas devastadas. Seus olhos se encheram de lágrimas ao rever sua pequena cidade. Passavam pela escola estadual onde ela e seu irmão praticamente cresceram estudando. Passaram pelo parquinho onde sua mãe os levava pra brincar com seus melhores amigos. Dione, Stef. O que será que aconteceu com eles? Ela pensava. Pâmella, Adrianny, Carly. Será que conseguiram fugir disso? Pensou outra vez vendo o deserto por onde passavam. Carros capotados, lojas destruídas, corpos por todos os lados. Desolação. Tudo está acabado.
- Vire na próxima esquerda, passe três esquinas e vire para a direita. – Rick obedeceu. Entrou na esquina á sua esquerda e acelerou um pouco mais o carro, entrando na rua em que ela tinha falado. – Conte dez casas e pare o carro! – Ela disse outra vez e foi isso que Rick fez. Enquanto isso, Daryl olhava para a rua, se certificando que não tinha nenhum zumbi ou arruaceiro por ali. Esses lugares são um perigo. Pensou ele.
Finalmente o carro parou em frente á uma casa verde. não esperou o carro parar de uma vez, saiu e seguiu em direção á varanda. Daryl viu a garota e saiu correndo atrás dela que já estava quase abrindo a porta da residência.
- Hey! Tá maluca? E se tiver algum zumbi aí dentro? – Ele perguntou segurando o braço da garota. Ela o olhou com incredulidade e puxou seu braço de volta.
- Se você não viu, estou armada, e se não percebeu, eu não preciso que me proteja! – Falou secamente e abriu a porta de uma vez, caminhando para dentro e apontando para todos os lados da casa. Viu um zumbi na porta da cozinha vindo em direção dela. Ela correu até ele e Daryl arregalou os olhos. O que ela está fazendo? Por que não atira nele? Rick e Andrea chegaram à porta á tempo de ver a menina chutar o errante fazendo-o cair de costas no chão. Ela agarrou a perna no zumbi e o arrastou de volta á cozinha, o jogando para fora da casa pela porta de vidro na cozinha e depois atirou na cabeça dele. Fechou a porta e voltou para a sala onde os outros olhavam para ela de olhos arregalados.
não deu bola. Seguiu até a porta que ficava em baixo da escada e tentou abri-la. Estava trancada. Atirou contra a fechadura e logo depois chutou a porta. Virou-se para os outros e apontou pra dentro.
- Aconselho que usem lanternas. Está escuro lá dentro. Vou olhar no segundo andar.
E assim subiu as escadas com a arma empunhada. Foi primeiramente ao quarto dos pais e abriu a porta. Estava tudo uma bagunça. As coisas estavam praticamente toda reviradas. Olhou no banheiro e logo depois saiu indo em direção ao quarto de seu irmão e ao seu quarto. Estava tudo fora do lugar, os pôsteres de sua parede estavam no chão. O colchão estava fora do lugar. As gavetas da cômoda estavam jogadas no chão, a porta do banheiro estava escancarada. Adentrou-o e se olhou no espelho.

#Flashback ON
- , abre a porta. – , o irmão de , esmurrava a porta do banheiro da menina depois dela se trancar lá dentro por horas. Chegou em casa chorando depois da escola e se enfiou lá dentro.
- Não! Vai embora! – Ela gritou soluçando.
- , o que houve maninha? Alguém fez algo contra você?
- Eu sou horrível . Garoto nenhum me quer! – Soluçou outra vez enquanto se olhava no espelho. Depois de alguns segundos abriu a porta pro irmão que já entrou abraçando-a.
- Você é linda e ai de quem falar o contrário.
#Flashback Off

abaixou os olhos para seu corpo e sentiu o rosto queimar. Respirou fundo e saiu dali não dando espaço para nenhuma lagrima cair de seus olhos. Ela já havia chorado de mais e já é hora de ser forte como seu pai iria querer que ela fosse. Por outro lado, ela era só uma menina e não alguma outra coisa sem sentimentos, porém, era mais fácil não se permitir sentir nada o que sentir e sofrer por isso. Saiu pelo corredor, desceu as escadas reparando os porta-retratos jogados nos degraus, levantou a cabeça para não ter que ver aquilo e ao chegar à porta onde levava até o porão da casa, topo da escada, viu Andrea caindo em um buraco no meio do lugar. Rick e Daryl pularam para longe para que não acontecesse o mesmo com eles.
- Andrea! – se desesperou e correu em direção ao buraco, mas Rick a puxou, tirando-a do caminho.
- Cuidado! O chão pode ceder com você também te fazendo cair em cima dela.
- Eu estou bem. Quebrei a bunda, mas estou bem. – A loira disse ficando em pé e passando as mãos nos quadris. Saiu de cima dos pedaços de madeira, sem nenhum machucado. Olhou de um lado para o outro, tentando enxergar alguma coisa, mas estava muito escuro. Suas vistas não iriam se adaptar aquele breu.
- O que está vendo aí em baixo? – Daryl perguntou.
- Nada. Está escuro de mais, mas tenho certeza que esse é o lugar que procuramos até porque geralmente em baixo das casas tem terra e não uma sala secreta.
- Como será que o chão cedeu assim? Aposto que as vigas que seguravam o piso eram bem fortes. – Daryl falou.
- As vigas de madeira devem ter sido atacadas por cupins já que ninguém aplicou inseticida em nada á um ano. O oxigênio deve ter ajudado á empená-las. – disse pegando a lanterna que Rick segurava e apontando para dentro do buraco. Vendo Andrea. - Eu vou descer.
- E como você vai entrar aqui? – A loira perguntou intrigada olhando para a luz da lanterna que vinha do lado de fora de onde estava.
- Pulando oras! Se afaste.
- Você é maluca? Vai acabar quebrando a perna. Deixa que eu vou. – Daryl disse dando um passo a frente, mas o puxou pelo braço.
- Posso quebrar uma perna, mas sou mais leve e fácil de carregar. Já se afastou Andrea?
- Já, mas tome cuida...
, antes mesmo de a loira terminar de falar o que tinha pra falar, pegou impulso e pulou dentro do buraco escuro.
- Puta que pariu! – Ela gritou ao sentir uma fenda de madeira atravessando a carne de sua perna. Agarrou a coxa com uma das mãos e com a outra se apoiou no chão, fazendo força com o braço, tentando desviar a dor.
- Ai meu deus! – Andrea exclamou indo até a menina e se ajoelhando ao lado dela.
- O que aconteceu?
- Tem um pedaço gigante de madeira enfiado na minha coxa. – A menina gemeu controlando as lagrimas e tentando controlar a dor. Ótimo, deixei de chorar pela minha família para chorar pela porra de uma madeira enfiada na minha coxa. Pensou ela, irônica. Pegou a lanterna e apontou para todos os lados, á sua frente viu uma escada que dava no piso da sala. Tinha um pedaço de ferro prensado ali. Estreitou os olhos e apontou para lá. – Suba aquelas escadas e retire a prensa de ferro. – falou com dificuldade tentando não gemer de dor. Andrea fez o que a garota disse enquanto se deitava no chão, respirando fundo e olhando para cima, para o buraco enorme. E lá em cima, Daryl se aproximou mais e encarou a garota deitada. Os dois olhares se chocaram na mesma hora em que Andrea conseguiu retirar a prensa de ferro e abriu um tipo de porta que dava no solo do porão. Rick desceu e a primeira coisa que viu foi deitada no chão com a mão na perna. Ela apontou a lanterna para os lados e sorriu, vendo prateleiras cheias de comida. Daryl desceu também, ainda com os olhos em que agora estava sentada e tentava retirar o pedaço de madeira preso em sua carne.
- Acho melhor nós tirarmos isso daqui, levar pro carro e dar o fora logo pela manhã. – A menina disse tentando ficar em pé, mas caiu de novo ao sentir a madeira se mexer em sua coxa. – Eu vou só tirar isso aqui e ajudo vocês. – Ela gemeu enquanto puxava a lasca de madeira, lentamente, fazendo-a pressionar os lábios e quase gritar pela dor que estava sentindo. Finalmente a tirou. Agarrou a perna e sufocou um grito. Depois, com os olhos vermelhos e gemendo de dor, se levantou, e mancando subiu as duas escadas indo para fora da casa, abrindo seu carro, pegando fita adesiva, álcool e uma faixa para limpar e cobrir seu ferimento. Sentou-se no banco do passageiro, limpando o machucado e logo depois passou a faixa por sua perna. Encostou a cabeça no encosto e respirou fundo.
Quando se levantou e saiu do carro, deu de cara com Daryl saindo da casa carregando algumas caixas. Imediatamente abriu o porta malas do carro e se virou para sair, quase batendo de frente com ele.
- Você está bem? – Ele perguntou. Ela apenas assentiu e voltou mancando para dentro de casa, sem olhar para trás. Daryl encarou-a enquanto colocava as coisas dentro do carro. O que está acontecendo comigo? Ele se perguntou. Depois balançou a cabeça afastando os pensamentos. Afastou o olhar de dor que tinha em seus olhos quando os encarou á poucos minutos atrás, mas logo depois o comparou com o olhar que tinha nos olhos dela quando falou sobre ter sido estuprada. Percebeu que a dor contida em seus olhos há poucos minutos atrás não se comparava com o que ela sentiu há quase dois dias atrás enquanto gritava com ele.
Algum tempo depois, quando a noite caiu, eles já tinham enfiado no carro tudo o que podiam, colocando coisas até nos bancos de trás do veículo. estava na cozinha, havia encontrado uma foto dela junto de sua família em baixo do colchão dos pais dela. Estava há mais de minutos apenas encarando aquela foto. Estava sentada no banco em frente ao balcão da cozinha. No mesmo lugar em que seu pai estava quando a mandou ir embora sem olhar para trás. Um arrepio correu por sua espinha e ela fechou os olhos sentindo que estava com vontade de chorar, mas já tinha chorado de mais por uma semana. Voltou a olhar para o retrato e passou o dedo indicador pelos rostos da foto.
- Sua casa é bonita! – Daryl disse entrando na cozinha, observando a menina sentada encarando uma foto que estava em suas mãos. desviou seu olhar da foto em suas mãos, para Daryl, mas depois o abaixou novamente.
- Era mais bonita quando estava arrumada e quando não me trazia lembranças tristes, mas obrigado mesmo assim. – Disse a menina usando sarcasmo na voz.
- Eles ainda podem estar vivos.
- Eu não quero levantar esperanças, se estiverem vivos eu provavelmente nunca vou encontrar com eles de novo, por isso é melhor achar que estão mortos, dói menos do que fantasiar um reencontro. – Disse ela e logo depois olhou para Daryl novamente, colocando a foto em cima do balcão. – Meu pai estava neste mesmo lugar quando disse que a cidade estava infestada de zumbis, e o tio Joe estava a cinco passos daqui. – Falou ela apontando para a sua frente. – Eu lembro que eu vi algo se mexendo no quintal da casa e fui para olhar. Abri a porta e fui verificar, mas meu pai me puxou para trás me mandando ficar longe dali. – Disse olhando fixamente para a porta de vidro. Depois balançou a cabeça. – Eu não devia ter obedecido áquela ordem. Eu devia ter dito Não! Eu não vou sair daqui sem vocês! Mas eu simplesmente disse Sim, senhor, eu não disse que o amava, não disse que eu estava com medo, que eu não iria conseguir chegar onde ele queria sozinha, que eu só era uma garota e não um dos seus soldados. – Disse ela começando a desesperar-se. O rapaz que ali estava, tomou um impulso e caminhou até ela, tomando-a em um abraço forte. – Eu só queria que ele tivesse me protegido como sempre prometeu fazer. Eu só queria que ele estivesse aqui, me protegendo agora. – Dixon colocou o rosto da menina em seu peito, impedindo-a de continuar a falar e se desesperar ainda mais. Ela passou os braços pela cintura do rapaz e depois colocou o rosto no pescoço dele. Ele piscou algumas vezes, pensando no que faria já que ele nunca foi tão... próximo assim de uma pessoa, quanto mais de uma garota. Mas de uma coisa ele sabia, ele estava gostando de estar próximo assim dela. E pela primeira vez na vida agradecia mentalmente por não estar cheirando a gambá morto. Passou os dedos pelos fios de cabelo da menina, sentindo-a se acalmar aos poucos e parar de soluçar. Virou um pouco o rosto tentando olhar para o rosto dela, viu seus olhos fechados, as bochechas rosadas e molhadas. Respirou fundo apertando-a um pouco mais. No mesmo momento, Andrea chegou à cozinha e os encontrou abraçados. Parou e os observou. No pouco tempo em que ficou junto de , sabia o quanto a menina precisava de uma figura masculina na vida e tinha percebido o jeito que Daryl olha para a garota. Pigarreou e os dois se soltaram, olhando para ela.
- Só vim dizer que Rick já está dormindo e eu também vou. Como a casa é segura, não precisam ficar de vigia essa noite. Eu vou dormir no sofá mesmo. Rick está aqui na sala também.
- Eu vou dormir também. – disse e deu uma olhada para Daryl. – Obrigado pelo abraço. Eu realmente estava precisando de alguém para me abraçar forte do jeito que você fez! Boa noite, Daryl. – Ela disse. Ele acenou com a cabeça. – Aqui Andrea. – Ela disse entregando a chave do carro para a loira. – Use a chave prata para trancar a porta, ela não pode ser arrombada.
- Mas ela estava aberta quando chegamos aqui.
- É porque meu pai a deixou aberta. Ele mesmo mandou fazê-la, é muito forte e quase impossível de se abrir sem a chave. Ele era militar. – Sorriu fraco e saiu da cozinha mancando ainda sentindo o machucado da coxa doer á cada movimento. Seguiu até as escadas, vendo Rick dormir no meio da sala, deitado em um colchão. Subiu os degraus com um pouco de dificuldade e seguiu até seu antigo quarto.
Ainda na cozinha, Daryl foi para sair, mas Andrea o parou.
- Se a fizer ir embora de novo, eu atiro em você! – Disse ela e se virou indo até o sofá se deitando. Daryl ficou alguns segundos parado, olhou para a foto que a menina tinha deixado em cima do balcão e caminhou até ela pegando-a e a colocando dentro da jaqueta, depois foi até a sala e se deitou em um colchão colocado perto da janela. Cruzou as mãos em baixo da cabeça e ficou refletindo sobre o que tinha feito com a garota. Sobre o abraço dos dois. Sobre o que ela disse. E assim, caiu no sono. Andrea foi até a porta e usou a chave que havia indicado para trancar a porta. Girou-a duas vezes e retirou-a da porta colocando-a no bolso.
No andar de cima, se deitava em sua antiga cama, ficou de barriga para cima encarando o teto branco.

#Flashback On
- ! – O irmão da garota entra no quarto pulando em cima da cama da garota que se assusta com a chegada repentina do garoto. – Eu vou pra uma festa na casa do Peter, quer vir?
- Ah... não. Eu não to muito boa para festas hoje.
- Por quê? Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
- Não houve nada, eu só não me sinto bem. Eu estou sentindo algo estranho, entende?
- Como assim? O que está sentindo? Quer ir ao médico?
- Não seu bobo. Eu só sinto que algo de ruim vai acontecer. – Ela disse encarando o irmão. Ele que se sentou ao lado dela na cama e a abraçou forte.
- Não vai acontecer nada, ok? – Ele disse e ela assentiu. – Qualquer coisa é só me ligar que eu venho correndo.
- Ta bom. Vai lá! – Ela disse e ele lhe deu um beijo na testa. Seguiu até a porta e saiu. No mesmo momento, a garota sentiu uma pontada no peito e levou a mão até o local franzindo o cenho. Levantou da cama correndo até a porta. Parou na escada, vendo o irmão descê-las. – ! – Chamou-o. Ele se virou e a encarou no começo da escada. – Eu te amo. – Ela disse e ele sorriu.
- Eu também te amo irmãzinha. – Disse ele mandando coração para ela. Virou-se e voltou a andar, saindo pela porta.
#Flashback off

Respirou fundo, contendo as lágrimas. Virou-se para o lado e fechou os olhos se lembrando de cada momento com sua família. Ela precisava disso pra poder ir embora e finalmente deixar tudo para trás. Acabou , sua família agora é outra. Pensou. Abriu os olhos e encarou a janela do seu quarto. Levantou-se e caminhou até ela. Desvirou sua poltrona que estava de cabeça para baixo e a empurrou colocando-a em frente da janela. Sentou-se colocando os dois pés em cima da mesma. Ficou encarando o céu limpo, olhando á cidade que era iluminada apenas pela luz da lua. Abraçou os joelhos e escorou a cabeça no encosto da poltrona.
- No matter how many days I die, I will never forget, No matter how many lies I live, I will never regret, there is a fire inside of this heart, in a riot about to explode into flames, where is you God? Where is you God? Where is you God? – Cantarolou em sussurros. Era uma musica da banda favorita de seu irmão. e eram muito apegados, desde pequeno era ele quem cuidava dela já que sua mãe trabalhava fora e seu pai nunca ficava muito tempo em casa por causa do trabalho. Como os dois estudavam na mesma escola, ele á levava e a trazia para casa. Começou a se lembrar de todas as vezes que quase perderam o ônibus escolar, das vezes que se machucou na escola e que ele á carregou para casa, das vezes que ele brigou com os valentões da escolar por fazerem-na chorar. Lembrou-se também das festas em que iam juntos, das vezes que ela afastou as “vadias” da escola de seu irmão pra que ele não sofresse no futuro. De quando viam filmes de comedia em casa ou junto com os amigos, de quando engasgava com pipoca. E a cada lembrança seu coração doía um pouco mais e o sono batia em seu corpo, fazendo-a fechar os olhos lentamente e adormecer ali, naquela poltrona onde adorava sentar e brincar de militar enquanto ela ria escandalosamente com as feições e poses que ele fazia tentando imitar seu pai. Ela sentia mais falta dele do que dos próprios pais por passar mais tempo com ele do que com os outros.

Na prisão, estava ainda acordado, olhando para a lua de sua janela na cela. Imaginava o que poderia ter tido com se ela não tivesse ido embora. Lembrava-se dos olhos castanhos da menina, dos cabelos loiros, do corpo perfeito, do sorriso sincero no meio de toda essa bagunça. Mas lembrou-se também das lagrimas que caiam em seu rosto ao contar o que tinha acontecido com ela no passado e desejava que ela estivesse bem e a salvo. Olhou para o lado vendo sua irmã mais nova dormir tranquilamente no beliche de baixo. Respirou fundo e voltou á olhara para a lua através de sua janela.
- O que estou sentindo? – Sussurrou para si mesmo continuando a se lembrar de cada detalhe de . Depois passou as mãos pelos cabelos e pelo rosto tentando afastar os pensamentos impróprios quando focalizou suas lembranças em dois lugares específicos do corpo da menina. Subiu no beliche de cima e se deitou de bruços enfiando a cara no travesseiro, bufando de frustração e tédio ao mesmo tempo.

No dia seguinte, Rick foi o primeiro á acordar, seguido de Daryl.
- Eu vou dar uma olhada ao redor da casa, acorde Andrea e . Temos que ir embora, já estamos longe da prisão á muito tempo. – Rick disse indo abrir a porta da sala, mas ela estava trancada. Olhou confuso para Daryl que deu de ombros.
- A chave tá no bolso da Andrea. Boa sorte para acordá-la. – Dixon disse se levantando e indo em direção as escadas, subindo de dois em dois degraus. Ao chegar no corredor de cima, caminhou até à ultima porta do corredor onde era o quarto de . Foi em passos lentos, cautelosos. Ao entrar no lugar, olhou para a cama e não a viu por ali. Deslizou um pouco mais o olhar e viu a garota encolhida na poltrona em frente a janela. Encarou-a por um certo tempo, vendo-a dormir tranquilamente e por um momento sentiu algo estranho. Engoliu em seco, incapaz de saber o que sentia. – Tá na hora de acordar. – Falou ele alto fazendo a menina dar um pulo da poltrona, desnorteada. – Temos que ir. – Disse e saiu do quarto. esfregou os olhos e olhou pela janela do quarto. O céu já estava bem claro. Levantou-se e se espreguiçou. Foi até o banheiro e se olhou no espelho, desembaraçando o cabelo com os dedos. Respirou fundo. Está na hora de deixar o passado para trás. Pensou ela. Saiu do banheiro e deu uma ultima olhada em seu quarto. Fechou a porta atrás de si. Passou pelos outros quartos e foi em direção á escada. Descendo degrau por degrau.
Ao chegar lá em baixo. Viu Andrea parada na porta. Olhando para ela, sorrindo. Aproximou-se dela e Andrea a abraçou pelos ombros. As duas saíram caminhando pela porta da frente. Rick estava encostado no Nissan e quando passou pela porta, ele jogou a chave do carro em sua direção. Ela que a pegou no ar assustada.
- Pronta pra voltar? – Ele perguntou e ela parou alguns segundos para pensar. Se ela voltasse, mesmo vivendo do seu jeito, sem receber ordens, ela teria que viver sobre algumas regras e ela não se dava bem com regras. Mas ela queria voltar para lá. Ela sentia que deveria voltar para lá. Daryl que também estava encostado no carro, encarou a menina esperando resposta. Ela olhou para Andrea e sorriu para a loira, recebendo um sorriso de volta. Encarou Rick e começou a descer as escadas da varanda.
- Em quanto tempo você acha que a gente chega lá? – Ela perguntou. Rick deu de ombros.
- Talvez umas seis horas.
- Aposto que chegamos em cinco. – Ela sorriu.
Logos depois todos entraram no carro, mas dessa vez Rick foi no banco do passageiro enquanto Andrea e Daryl iam no banco de trás. Antes de entrar no carro, deu uma ultima olhada em sua casa. Essa é a ultima vez que nos vemos. Vou sentir sua falta. Pensou ela. Entrou no carro e deu partida puxando-o pela avenida e voltando pelo mesmo caminho que tinham vindo.


Capítulo 7


Faziam quase quatro horas que estava sentado nas escadas na prisão, observando os errantes se jogarem contra a grade de proteção. Ainda quero entender como tudo isso aconteceu. Pensou ele. Sua irmã mais nova brincava com as outras crianças que ali moravam. Uma das únicas coisas que ele pensava era na garota que havia saído dali. . A imagem dela estava constantemente em sua mente desde que ele havia a conhecido. E ele não conseguia a esquecer de jeito algum. Oh senhor! Não me deixe ter me apaixonado por essa garota que nem aqui está mais. Pensou novamente agarrando seus cabelos e abaixando a cabeça. Por que ela tinha que entrar na vida assim e sair desse jeito? Por que eu tive que me apegar á ela em apenas poucos minutos? Isso não poderia ter acontecido. Eu não posso ter me apaixonado por essa garota no meio de todas essas coisas. Pensou mais uma vez. Olhou novamente para Jessica que sorria enquanto brincava com a boneca que seus pais havia lhe dado. Ela também tinha sofrido muito com o desaparecimento dos pais e com tudo o que está acontecendo e precisava se manter focado na sua irmãzinha e não em uma menina que chegou em sua vida como um meteoro e saiu que nem um jato provocando uma turbulência em sua cabeça.

e os outros ainda estavam dentro do carro á caminho da prisão. A tarde estava chegando e por isso o sol estava mais quente. As janelas do carro estavam um pouco abertas. Andrea dormia no banco de trás. ainda estava no volante, se recusou a sair dali, pois dizia não estar cansada, mas a verdade era que sua mente estava confusa com algumas coisas. Enquanto prestava atenção na estrada, havia algo em sua mente. De uma hora para outra ela começou a pensar no garoto que conheceu na prisão. . Nos poucos minutos que ela conversou com ele percebeu que já tinha se apegado e isso é uma coisa bem rara de se acontecer, ainda mais com ela que se fecha para qualquer um. E ainda pensava no jeito que ele secou sua lagrima há dois dias. Ela se lembrou dos olhos azuis do menino e do cabelo bagunçado. Sorriu ao se lembrar da conversa que tiveram. Por outro lado, ela também pensava em Daryl. Pensou no jeito que o conheceu e em tudo o que tinham conversado, até no fato dele tê-la insultado. Lembrou-se das palavras duras e da raiva que sentiu naquele instante.
Daryl olhava pela sua janela, com a cabeça encostada no vidro. Sentia-se estranhamente confortável na presença de . E era sempre difícil para ele demonstrar e sentir isso. Sua vida foi bem dura consigo. Tanto antes disso acontecer, quanto agora. Sua mãe morreu quando ele era pequeno. Seu pai morreu quando a epidemia de zumbis começou, e seu irmão morreu há poucos meses, coisa que até ele hoje ele ainda não conseguiu superar. Esse é um dos motivos pelo qual ele não consegue se aproximar tanto das pessoas, quanto menos de garotas como . Daryl não é o tipo de cara que abraça e faz carinho em uma garota. Não é o tipo de cara que faz amor e depois dorme de conchinha com ela. Ele provavelmente surtaria se tentasse fazer isso, pois uma coisa que ele não está acostumado é com carinho e amor já que ele cresceu entre a violência de seu pai que era alcoólatra e do vicio no cigarro que sua mãe tinha. Seu irmão também não era nenhum pouco educado com as pessoas, na maioria das vezes só pensava em si mesmo e sempre batia em Daryl. Sem contar que Merle Dixon nunca estava presente quando Daryl precisava, ele sempre estava se metendo em encrenca ou passando alguns dias no reformatório. Muitas pessoas nem lamentaram a morte dele. Na verdade ninguém lamentou. Para muitas ele não fazia falta. Mas mesmo ele tendo sido uma má influencia para Daryl, ele sentia sua falta. Olhou de relance para a menina que estava dirigindo tranquilamente o carro e se perguntou o que era aquela paz que ele sempre sentia ao olhar para ela. Ele nunca havia sentido isso antes, era uma coisa muito estranha e nova para ele. Isso o deixava confuso e inseguro. Coisas que ele não era acostumado a sentir, igualmente á tudo que sentiu quando viu a menina pela primeira vez.

, por um momento se distraiu com os pensamentos malucos sobre o garoto da prisão e sobre Dixon que quando voltou sua atenção para a estrada, viu alguém atravessando a rua. Sua única reação e opção foi pisar de uma vez no freio fazendo os pneus marcarem o chão fazendo um barulho ensurdecedor. A pessoa que atravessava a rua se assustou indo para trás e caindo de bunda no chão. Rick já saiu do carro com a arma empunhada. O garoto que havia caído no chão estava ferido, sangrando, quase perdendo a consciência. estava de olhos arregalados enquanto ainda segurava no volante. Ela conhecia esse garoto. Saiu correndo do carro e caiu ajoelhada no chão, ao lado do garoto, o abraçando com força. Rick estranhou abaixando a arma. Daryl e Andrea saíram do carro e se entreolharam confusos. Ela gritou por ajuda. Grimes então correu até ela, segurando o garoto e o pegando pelos braços. olhou para os lados, vendo centenas de errantes vindos em suas direções. Com a ajuda de Daryl, Rick conseguiu colocar o garoto no banco de trás junto de Andrea e Dixon enquanto voltava de costas para seu carro enquanto atirava em alguns errantes com seus silenciadores. Entrou no carro depois de Rick e então acelerou passando por cima de alguns zumbis e deixou os outros para trás. Dixon encarou o garoto desacordado entre ele e Andrea e sabia que já tinha visto ele em algum lugar. A loira do outro lado botou a mão no ferimento que o garoto tinha no tórax para estancar o sangramento enquanto trocava de macha constantemente acelerando o carro de vez em quando derrapando ou quase perdendo o controle do veiculo. Mas se tinha uma coisa que a menina sabia fazer, era dirigir.

(...)


estava prestes a se levantar para sair dali e entrar na prisão quando ouviu um grito vindo de Maggie que estava na torre do portão. Ele entendeu muito bem as palavras que ela disse. “Eles voltaram”. Olhou para o portão vendo Glenn e outra pessoa afastando os Zumbis enquanto o portão era aberto e um carro em alta velocidade entrava quase atropelando quem estava na frente. Aquele não era o carro em que Rick e os outros haviam saído. Aquele era o Nissan da menina. estava com eles. Saiu correndo em direção as mesas do pátio, quando Glenn fechou o portão e a primeira pessoa que viu saindo do carro fora . Ela parecia desesperada, pois não olhou para mais ninguém, apenas abriu a porta de trás do carro falando para Andrea sair e entrou lá outra vez. Rick e Daryl a ajudaram tirando o garoto lá de dentro. ficou observando a menina entrar na prisão sem ao menos olhar para ele enquanto os outros dois caras carregavam o garoto para dentro.
Maggie que estava feliz por ter visto a garota de novo estranhou o que estava acontecendo. Nunca tinha visto aquele garoto na vida e ao que parece sabia quem era, pois estava visivelmente desesperada quando entrou na prisão.
E no lado de dentro da prisão, Rick e Daryl colocavam o garoto em cima da maca na enfermaria do lugar. Hershel chegou já pedindo para todos se afastarem enquanto ele examinava o ferimento que o garoto tinha no tórax. estava perto da porta ainda não acreditando no que estava vendo. Ainda não acreditava que aquilo era possível acontecer. Hershel, com a ajuda de Rick, tirou a jaqueta que o garoto usava e logo depois rasgou a blusa cor de pêssego que estava no mesmo. Hershel pegou uma vasilha e uma garrafa pequena que continha álcool, pediu para Rick se afastar enquanto ele trabalha. Daryl continuava ao lado da menina, longe, mas ao lado percebendo que o olhar dela estava realmente preocupado. Isso o fez se perguntar quem era aquele garoto.
- Será que agora pode me dizer o que te deu na cabeça pra parar o carro daquele jeito e trazer esse garoto junto com a gente? – Rick perguntou sussurrando enquanto se aproximava de que não tirava os olhos do garoto na maca. – E se fosse uma emboscada?
- Ele é meu irmão! – Ela disse entre dentes desviando seu olhar do menino para Rick que ficou boquiaberto. – É o , meu irmão.
E assim voltou a olhar para o garoto, esperando que ele reagisse. Sua mente que já estava confusa antes enquanto pensava em e Daryl, ficou ainda mais embaralhada ao ver o seu irmão mais velho deitado em uma maca, em sua frente, respirando. Mesmo que depois que todo o caos começou, nunca, nem sequer uma vez fantasiou um reencontro com nenhum membro de sua família, ela não gostava de se iludir com as coisas, por isso nunca imaginou que uma coisa dessas aconteceria, ainda mais desse jeito.
Hershel com a ajuda de Andrea fez o curativo no menino, no fim, ele constatou que o menino tinha sido apenas baleado e que provavelmente não estava contaminado, mas que era melhor alguém ficar ali o observando e quando o mesmo acordasse, fizesse algumas perguntas sobre como ele conseguiu aquele ferimento. disse que ficaria e pediu para que todos saíssem e fechassem a porta. Caso algo acontecesse, ela mesma cuidaria da situação.
- É melhor que alguém fique aqui com você. – Daryl disse, mas a garota negou.
- Não! Eu não quero! Vou cuidar disso sozinha. Por favor, saiam. – Ela disse com um tom de voz diferente do de antes. Todos entenderam o recado. Depois que todos recuaram, tirou a arma do seu suporte e recarregou-a. Puxou uma cadeira para perto da maca de onde o garoto estava deitado e se recostou. A única coisa que ela poderia fazer agora era esperar.
(...)

Ao lado de fora da prisão. Rick saiu e encontrou com Maggie, Beth, Glenn, Carl e esperando por respostas e por .
- Quem era aquele cara? – Carl foi o primeiro a se pronunciar.
- . Irmão de . Encontramos ele no caminho para cá. Ele foi baleado e está inconsciente.
- Ele foi mordido?
- Parece que não. Só podemos esperar que ele acorde e conte o que aconteceu para ele se ferir daquele jeito.
- E está bem? Ela se machucou? Onde ela está? – começou a fazer perguntas e Daryl que tinha saído junto de Rick estreitou os olhos estranhando a preocupação do garoto com a menina sendo que eles nem se conheciam direito.
- Ela está bem. Está lá dentro com ele...
não esperou que Rick terminasse de falar, passou por eles, entrando na prisão e seguindo até a enfermaria, desesperado para ver a menina. Ele ainda não entendia a preocupação que sentia com a garota, mas precisava vê-la.
Bateu na porta e a abriu, vendo a menina sentada na cadeira, ao lado da maca do rapaz desacordado. Ela que estava de costas para , virou-se um pouco para ver quem é que estava ali. Sorriu ao ver os fios loiros e logo depois os olhos azuis do menino. Ele fez o mesmo ao encarar os olhos castanhos dela. Adentrou o local deixando a porta aberta atrás de si. Os dois ficaram se encarando por alguns segundos.
- É bom ver que está bem. – Ele disse sorrindo fraco para a menina que colocou a arma no suporte na cintura.
- É bom ver que continua sem pentear o cabelo. – Ela falou apontando para o topete do garoto.
- Você foi embora e levou o pente contigo. Queria que eu fizesse o quê? Penteasse com os espinhos de um peixe? – Ironizou o menino fazendo a garota rir. Ela se levantou e caminhou até ele, o abraçando pelo pescoço. Ela sentia uma grande necessidade de fazer isso, apesar de preferir não ter muito contato físico com homens depois do que aconteceu com ela á alguns meses, ela não se sentia em perigo com . No mesmo momento, Daryl passava pelo corredor e pode ver o jeito com que ela abraçou o loiro. Sentiu uma pontada de inveja, mas apenas continuou seu caminho.
Dentro da enfermaria, passou os braços pela cintura da menina, apertando-a contra si. Mas escutou um barulho vindo de trás de si. Agarrou a arma de sua cintura e se virou de uma vez para trás, desejando que seu irmão recém encontrado não tivesse virado um zumbi. Abaixou a arma ao ver o rosto assustado de ao encará-la. Ela soltou a arma e foi em direção ao menino que com dificuldade se sentou na maca abraçando-a.
- Ah meu Deus! Você está viva! – Ele se desabava em lágrimas enquanto apertava a menina nos braços. Ela não estava diferente. Enfiou o rosto na dobra do pescoço do menino e chorou sem pudor algum. – Eu rezei tanto pra que Deus tivesse protegido você . – Ele disse outra vez entre soluços.
vendo que aquele era um momento familiar, sorrindo deu as costas e saiu dali sem fazer muito barulho deixando os dois irmãos á sós.
Por longos minutos, os dois apenas ficaram abraçados, sussurrando frases como “não acredito que você está viva” ou “graças a Deus você está bem”. Depois, fez seu irmão se deitar novamente por causa do seu ferimento no tórax. Mais alguns minutos se passaram enquanto os dois apenas se encaravam sorrindo, felizes um pelo outro. Ela se sentou ao lado dele, contando como ela havia sobrevivido e tentando não entrar muito em detalhes sobre as piores partes, contou como chegou até a prisão, falou sobre Rick, sobre como ela o encontrou, contou o que estava fazendo antes de quase atropelar . Ele perguntou quem era o garoto com quem ela estava abraçada quando ele acordou e ela contou o pouco que sabia sobre .
Depois foi a vez de contar o que tinha acontecido com ele.
- Foi o caos... – Ele sussurrou acariciando a mão da irmã com o polegar e encarando a mesma. – Papai me ligou dizendo que eu devia achar a minha mãe e ir pra saída oeste da cidade, pois nos encontraríamos lá e fugiríamos de tudo aquilo. E eu nem sabia direito que estava acontecendo. Saí da casa do Stevie e peguei um carro indo até a casa da amiga da mamãe. Chegando lá, matei dezenas de mordedores usando um pé de cabra. Peguei minha mãe, a amiga dela e a filha da mulher, botei no carro e saí dirigindo até a entrada oeste. Lá encontrei com o pai e o Tio Joe. Foi quando percebi que você não estava lá. – E assim levantou seus olhos da mão da menina para os olhos dela que já estavam levemente marejados. – Eu fiquei perguntando onde você estava. Ele disse que encontraríamos com você na casa em Minessota, que você nos ligaria dizendo que havia chegado, mas eu não queria ir com eles. Eu queria ter ido atrás de você, mas o pai não deixou dizendo que você sabia se cuidar sozinha e voltou a dizer que te encontraríamos depois. Foi então quando eu perdi o controle. – Ele voltou a olhar para a mão da menina. – Comecei a gritar dizendo que ele era estúpido e que você era apenas uma menina e não um dos soldados dele. Meus gritos trouxeram mordedores e tivemos que fugir dali. Quando encontramos um lugar para ficar, ele resolveu que seria melhor nos adaptarmos. Que fizéssemos um tipo de base para que quando fossemos atrás de você, você teria um lugar seguro para ficar, só que isso demorou tempo de mais e quando fomos atrás de você. Tinha sumido. – E assim os olhos do menino que já estavam marejados, se encheram ainda mais de água, deslizando para fora de seus olhos. – Foi aí que eu fiquei mais desolado. Eu devia ter ficado e te protegido. O papai achou que você se viraria melhor sozinha, mas eu não acreditava nisso e a única coisa que veio á minha cabeça foi o pior.
- Mas agora eu estou aqui. – A menina falou sorrindo sincero em meio a lagrimas. sorriu também e apertou a mão da garota.
- É! Você está aqui. Nós estamos! Em uma prisão ainda por cima. – Ele gargalhou. – Isso é tão irônico, dois filhos de um militar dentro de uma penitenciaria de nível médio.
- E como o papai e a mamãe estão?
- Eles estão bem. Acredita que até hoje a mamãe continua a mesma? – Ele disse sorrindo. – Eles vão ficar desesperados quando virem que eu sumi.
- Não vão não. Aposto que você sumiu por mais tempo.
- É, mas, eu não gosto de deixar eles preocupados. Já sofreram de mais quando não conseguimos encontrar você. – Ele disse enquanto seus olhos se lacrimejavam de novo. se inclinou e colocou a cabeça no peito do menino. Respirou fundo e olhou para ele.
- Eu vou chamar o Hershel e o Rick. Eles querem fazer algumas perguntas pra você, mas não se preocupe que eles são legais. E depois disso você vai descansar, entendeu?
- Ok maninha.
- Até mais tarde. – Deu um beijo na testa do menino e se levantou para sair.
- . – a chamou quando ela estava se aproximando da porta. A menina girou os pés e o encarou sorrindo. – O parece ser um cara legal. – Ela riu e assentiu. Saiu da enfermaria, passou pelo corredor e desceu as escadas em direção ao pátio no exterior da prisão. Ao abrir a porta viu todos reunidos ali. Sentados nas mesas, um pouco longe da porta. Ela seguiu até eles.
- Rick, Hershel. Podem falar com ele agora, mas ele tem que descansar.
- Hey mocinha! O medico sou eu. – Hershel disse a fazendo sorrir. – É bom que você esteja de volta. – Ele disse dando um tapinha no ombro dela. Ele e Rick se direcionaram para dentro da penitenciaria. A menina voltou a encarar todos. Maggie foi a primeira a correr até ela e abraçá-la com força. Seguida de Glenn, Beth e Andrea. ficou receoso, mas abriu os braços vendo que a menina ia em sua direção e a acolheu em um abraço forte. Ao seu lado estava Carol. As duas se entreolharam e riram. a abraçou também.
- Eu sei que você acha que não gosto de você, mas isso não é verdade. – Carol disse e a menina sorriu soltando-a e assentindo. Carl que acabava de sair do banho, saiu da prisão e viu a aglomeração das pessoas na mesa, viu também um carro familiar e arregalou so olhos ao perceber de quem era. Saiu correndo e se enfiou no meio das pessoas vendo . Abraçou-a. Carl podia ser mais novo, mas tinha quase a mesma altura de por ela não ser muito alta e nem muito baixa.
- Eu sabia que ia voltar, seu celular ainda está comigo. – Ele disse fazendo a menina rir.
- O que acha de me ajudar á pegar a comida que está no carro e levar para dentro, little Rick? – Ela perguntou passando um de seus braços pelo dele. Os dois foram em direção ao carro dela. que a pouco estava encarando a menina andar, correu em direção á eles para ajudá-los.
Dentro da prisão, na enfermaria, Rick e Hershel falavam com .
- Eu estava junto com os caras do meu acampamento, e de repente, apareceu um monte deles. De todos os lados. Tivemos que lutar com unhas e dentes para conseguirmos sair dali. Logo depois, outros caras que a gente não conhecia apareceram. – contava a eles o que não tinha contado a . Pelo menos não com tantos detalhes. – E começaram a atirar em todo mundo, acabaram me acertando. Eles não eram do bem, pois sabiam que tinham humanos ali no meio e mesmo assim atiraram de metralhadora. Eu fui acertado com um tiro e meu grupo se separou para fugir.
- Foi aí que você foi pra estrada? – Rick perguntou encostado em um balcão que ficava próximo a porta. O garoto assentiu enquanto Hershel tirava sua pressão.
- Eu nem sei como consegui chegar até a estrada e nem tinha um plano em mente. Só queria fugir e depois pensaria no que eu iria fazer com meu ferimento. – Então ele sorriu. – Mas aí vocês apareceram. A apareceu. Não pode imaginar a felicidade que eu tive em ver que ela estava viva e bem.
- E onde fica seu acampamento? – Hershel perguntou.
- Alguns quilômetros ao lado oeste do Grand Canyon.
- Califórnia? – Rick ficou surpreso. – Estamos bem longe de lá. O que estavam fazendo por essas bandas?
- Meu pai nos mandou explorar mais lugares. Encontrar sobreviventes. O nosso lugar cresceu e queremos abrigar mais pessoas até acharmos uma cura para tudo isso.
- Vocês sabem que o CCD explodiu, não sabe? Que não existe mais ninguém pesquisando algum tipo de cura.
- Sempre tem uma esperança. Se eu consegui reencontrar a minha irmã, por que não pode existir uma cura?


Capítulo 8 – The advices of Destiny

Depois de ter tido a ajuda de e Carl para levar a comida para a despensa, ver que tudo estava em ordem, e depois de tomar um banho que precisava, saiu da prisão sentindo que seu peito iria explodir de tanta felicidade por ter encontrado . Apesar de que não tinha mais esperanças de que isso fosse acontecer um dia. Encostada em seu carro, de longe viu algumas meninas, de talvez 11 a 12 anos sentadas na sombra de duas horas da prisão com uma cara não muito boa. Uma delas era Jessica, irmã de . Parecia-se muito com ele, mas ao invés dos cabelos lisos, tinha cachinhos. Encarou por mais algum tempo as carinhas tristes e tediosas e logo depois se desencostou e ainda com as mãos nos bolsos, caminhou até elas.
- O que aconteceu com vocês? – perguntou ao grupo de crianças que direcionou seus olhares que antes estavam na cerca, para ela.
- Os meninos não querem deixar a gente brincar com eles. – Uma garota de cabelos pretos e longos disse.
- E o meu irmão não faz nada pra ajudar. – Jessica falou. alternou seu olhar entre as cinco meninas que estavam ali.
- Como vocês se chamam? – perguntou se agachando em frente á elas.
- Eu sou Camila! – A menina de cabelos escuros e longos disse.
- Sou Selina. – Uma menina de cabelos pretos, na altura do pescoço falou.
- Danna. – Uma menina ruiva disse e ao seu lado, havia uma igualzinha á ela. Gêmeas.
- Diana. – A outra menina disse. se virou para Jessica.
- Você é a Jessica não é? – perguntou e a menina assentiu confusa por não saber como ela sabia seu nome. – Conheço seu irmão. Mas o que acham de brincar comigo? – perguntou e as meninas riram.
- Você é velha, não deve ser divertido brincar com você. - Selina falou fazendo uma careta. gargalhou e acabou caindo de bunda no chão por causa disso. Selina parecia ser a mais ingênua de todas as meninas que estavam ali.
- Eu só tenho 19 anos suas meninas más. – Disse rindo. – Mas eu sou muito divertida. Eu era a menina mais popular da minha antiga escola. Eu era a Chefe das líderes de torcida.
- Serio? Que nem nos filmes? – Danna perguntou. assentiu sorrindo.
- E você sabia fazer aqueles movimentos super legais?
- O quê? Os saltos mortais e acrobacias? Claro que sim.
- A gente pode ver? – Jessica perguntou timidamente. Estava claramente dito que nenhuma delas tinha visto uma líder de torcida pessoalmente na vida. O que não era estranho já que elas deviam ainda estar, no mínimo, no sexto ano. se levantou e caminhou para trás. Respirou fundo. Faz tempo que não fazia aquilo. Devia estar enferrujada. Rezou para que não caísse e quebrasse o pescoço, então pegou fôlego, impulso e correu. Pulou e deu dois rodopios no ar até cair de pé, na pose de líderes de torcida que ela fazia depois de dar um salto daqueles. As meninas em sua frente bateram palmas admiradas com o que viram. respirou e riu de si mesma.
- Você está certa Selina. Estou velha. – Disse apoiando as mãos nos joelhos e rindo escandalosamente com as meninas. Lembrou-se do tempo de escola. Das amizades, das brincadeiras, dos seus ex namorados. E do tempo de líder de torcida. Ainda tinha seu uniforme muito bem guardado em sua mochila de roupas, dentro do porta malas do carro. – Meninas, vão para o outro pátio, eu vou levar meu carro pra lá e o que vocês acham de eu ensinar á vocês alguns passos de líder de torcida?
No mesmo momento, as cinco meninas deram um pulo correndo em direção ao pátio do meio, onde ficava um das mesas que ela iria usar. As cinco meninas de sentaram lá.
foi até seu carro, ligou-o e virou seu carro de bunda para a prisão, engatou a marcha ré e o levou para o mais próximo possível de onde as meninas estavam. Parou o carro e abriu o porta malas. As cinco meninas, curiosas, correram para ver o que a garota tinha no carro. arregalou os olhos ao ver que Jessica pegava em uma das armas que estava fora da sacola de armas.
- Hey! Nada disso. Isso aqui é pra adultos.
- O Carl tem uma. – Jessica disse.
- É! Mas o Carl está um pouco mais evoluído. Ele tem treino, vocês não. Então se acalmem que um dia vocês vão aprender a usar isso aqui. – Falou guardando a arma no lugar dela. Pegou um controle pequeno dentro do bolso de sua jaqueta. – Bom, a primeira regra de ser uma boa líder de torcida é saber dançar qualquer tipo de ritmo. Desde a musica lenta, até o eletrônico. Vocês sabem dançar?
As meninas assentiram. então ligou o som do carro, e a primeira musica que tocou era uma de suas preferidas, tinha sido lançada pouco tempo antes do caos começar. A musica estava baixa, para não chamar a atenção de coisas indesejadas. começou a dublar a musica enquanto as meninas se soltavam um pouco. riu com a timidez das meninas. – Hey meninas, líderes de torcida não podem ter vergonha de saber dançar não. Desde que não sejam vulgares de mais, vão fazer bonito. – Ela incentivou puxando Jessica para dançar com ela.
Maggie,estava escutando um barulho estranho, tava mais para uma melodia. Ao sair da prisão, vê junto das meninas dançando no meio do pátio e não pode segurar o riso ao ver o desengonço das cinco crianças. Já ... Ela dança bem. Maggie pensou. viu Maggie e correu até ela puxando seu braço e a levando para onde as meninas estavam. Ela começou a incentivar Greene a dançar, ela que estava tímida no começo, mas se soltou um pouco.
É tão bom quando a está aqui. Ela diverte todo mundo e ainda faz a gente esquecer que o mundo está uma merda. Maggie pensava.
Daryl, saiu e viu a menina que agora dançava em cima da mesa com outra menina. Para ele parecia que ela era a única ali. Reparou nos movimentos que ela fazia com o quadril, do jeito que jogava o cabelo, o jeito que sorria enquanto dançava. Seu corpo começou a esquentar igual á quando ele á abraçou algumas horas atrás. Rick apareceu atrás dele e arregalou os olhos ao ver o que estava acontecendo. Saiu da prisão e foi em direção ao carro da menina. Abriu a porta do motorista e desligou o som fazendo todos olharem para ele.
- O que você está fazendo?
- Eu estava dançado até você desligar o som. – disse como se fosse óbvio.
- Você vai acabar atraindo mais zumbis se continuar fazendo esse barulho todo. – Ele a repreendeu.
- Mas o volume tava no mínimo. Nem dava pra ouvir direito.
- Mesmo assim, não quero correr o perigo de ter mais deles nos cercando. – Ele falou com as mãos na cintura. Todos alternaram seu olhar entre e Rick. A menina desceu da mesa e foi até o porta malas. De lá tirou uma AK-47 e todos, literalmente todos arregalaram os olhos. Ela passou por Rick com a arma na mão e foi em direção á cerca. Se ele não quer zumbis na cerca, é muito mais fácil só matá-los de uma vez. Pensou ela destravando a arma e descarregando as balas nos zumbis amontoados na cerca.
- Mas o que ela... – Rick fez menção de ir em direção á , mas Daryl o impediu.
- Eu não iria lá se fosse você, sabemos muito bem o que aconteceu da ultima vez que tentamos impedi-la de algo. – Ele disse encarando a menina que já voltava com a arma.
- Satisfeito? – Ela perguntou e passou por ele, guardando a arma e fechando o porta malas.
Entrou na prisão e foi direto para sua cela. Sentou-se na cama e olhou para o teto da prisão. Eu tenho que parar de ser impulsiva. Pensou enquanto respirava fundo fazendo o sangue esfriar. era muito sabia, por isso sobreviveu tanto tempo sozinha, mas de vez em quando ela acabava fazendo coisas sem pensar, e isso teve uma conseqüência muito grave uma vez.

Flashback On
8 meses atrás.
engatinhava por entre os arbustos ao redor de uma fazenda velha que tinha no norte do Kansas. Ela havia se voluntariado para tentar achar duas garotas que sumiram do grupo que ela estava junta há alguns dias. Mas só estava fazendo isso para retribuir o favor de ter conseguido alguns antibióticos por causa de um ferimento de bala que conseguiu há poucos dias. Ouviu gritos vindos de dentro do celeiro e se precipitou. Saiu correndo em direção á ele com a arma empunhada na mão. Acabou sendo vista por dois homens que atiraram contra ela, porém não conseguiram acertá-la e acabaram levando um tiro na cabeça vindo dela. Chutou a porta principal já atirando em quem estivesse em sua frente. Viu as duas meninas que tinham desaparecido amarradas quase nuas, com as calças abaixadas. Dois dos homens em quem ela tinha atirado estavam sem a parte de baixo da roupa. Encheu-se de fúria ao perceber o que eles tinham feito. Desamarrou as garotas e as ajudou colocarem as roupas já que estavam traumatizadas de mais. Abriu a porta e avisou as garotas que elas poderiam sair. As três saíram correndo, mas algo segurou e a fez bater com a cabeça na parede do celeiro. Apagou.
Algumas horas depois acordou no mesmo lugar onde as garotas estavam. Ela estava amarrada e em sua frente havia um homem seminu que falava coisas da qual ela conseguia entender, pois sua cabeça rodava e doía. Logo depois ela sentiu algo a penetrando. Gritou de dor. A tortura tinha começado.
Flashback OFF

- Você está bem? – A menina saiu dos pensamentos ao escutar a voz de Maggie. Sentou-se na cama e encarou a Morena que se sentava ao lado dela.
- Eu peguei pesado com o Rick. Fui ignorante. Odeio quando alguém corta o meu barato, e eu estava me divertindo lá.
- Ué! Talvez você possa fazer isso amanhã. – A morena falou e franziu o cenho não entendendo o que ela queria dizer. – Eu não tive tempo de contar para você, mas amanhã é meu casamento com o Glenn. Meu pai vai fazer a cerimônia.
- Que legal cara. – disse e abraçou a garota. – Vish, eu não comprei nada ainda. – Disse fazendo Greene gargalhar alto.
- Não tem problema. Só precisa estar animada amanha como estava hoje. Eu quero que mesmo que o mundo esteja acabando, amanha todos se divirtam.
- Eu vou adorar isso Maggie. Você não sabe o quanto eu amo casamentos. – A menina disse eufórica. – O casamento do meu tio fui eu quem ajudou na decoração e na escolha de musicas para a festa. E eu acho que tenho a musica da marcha nupcial. Vai ser uma coisa linda.
- Eu realmente espero que sim. Eu te convidaria para ser madrinha, mas minha irmã insistiu tanto que eu a coloquei como minha madrinha e Glenn botou a Andrea. Carl e Rick vão ser os padrinhos. Apesar de que isso nem é tão importante assim, eu acho.
- Tudo bem. Contento-me em ser a dama de honra. – Maggie riu com a empolgação da menina. – E seu vestido? Como ele é?
- Bom... eu não tenho um. Estava pensando em me casar assim mesmo, uma coisa simples, nesse tempo não tive oportunidades para sair pra pegar um. – Greene dizia envergonhada. sorriu meigamente.
- Você vai se casar com um vestido e Glenn de terno. – disse e a morena a encarou de cenho franzido. – Uma noite antes de tudo acontecer, eu tinha comprado meu vestido para o Halloween. Eu iria vestida de a mulher de branco. Eu ainda o tenho, se você quiser pode usar. Eu não irei usá-lo mesmo. Enquanto o Glenn, eu posso ir à cidade próxima e ver se acho alguma coisa, mas vocês vão se casar como deve ser.
- Ah , você é meu anjo da guarda – Maggie falou abraçando a menina pelos ombros e a apertando. – Muito obrigado mesmo. Esse dia vai ser muito importante para mim.
- Bom, então me deixa ir. Mas não conte nada pro Glenn, eu quero que ele se surpreenda. E ele vai ver a sorte que tem por ter conseguido uma mulher como você. – Dizia ela se levantando junto de Maggie. A morena assentiu e as duas saíram juntas da cela. Greene foi para um lado e para o outro. Caminhou até a enfermaria vendo conversando com Hershel. Ele sorriu ao ver a irmã entrar.- Oi, atrapalho?
- Não. Não! Entre. – Hershel disse. adentrou o local, deixando a porta aberta atrás de si. – Seu irmão é muito forte . O ferimento que ele teve foi bem feio, mas ele agüentou bem.
- Foi com ele que eu aprendi á ser assim. – Ela sorriu e agarrou a mão de apertando levemente. – Então, eu queria que você tomasse conta dele só por mais um tempinho Hershel, eu vou dar uma saída...
- Aonde você vai? – deu um pulo da maca, fazendo rir.
- Acalme-se tigrão. – Ela disse sorrindo. – Vou buscar uma coisinha na outra cidade e procurar mais gasolina para o meu carro. Tenho que trocar os cabos do motor também. Não precisa se preocupar, voltarei em poucas horas.
- Eu vou com você então. – Ele disse se sentando, mas o empurrou devagar para se deitar novamente.
- Fique quietinho aí criança, você tem que repousar. – Hershel disse e concordou com ele.
- Eu não vou sozinha. Vou ficar bem.
- Promete? – perguntou apertando a mão da menina. Ele tinha medo de perder a menina outra vez. sorriu meiga.
- Prometo. E eu não seria se não cumprisse minhas promessas.

(...)

saiu da prisão e olhou em volta. Estava pensando em quem levaria junto com ela. Carl? Não. Rick não vai gostar disso. Andrea? Não, ela já teve aventuras de mais por um dia. Maggie está prestes a se casar então nem dá certo. Daryl.... Não, nós dois provavelmente iríamos brigar por causa de nada a viagem toda.
- Oh loiro! – Ela chamou ao ver andando em direção ao lado oposto que ela estava junto de mais três garotos. Um deles era Craggy. O menino olhou para ela e sorriu. Junto dos outros três garotos, ele foi em direção á ela. – Preciso que venha comigo.
- Claro, aonde vamos?
- Atlanta, preciso pegar algumas coisas por lá.
- E quer levar esse fracote pra te ajudar? Você vai acabar é morrendo por causa dele. – Craggy disse e rolou os olhos. Ele já estava acostumado com as provocações do outro garoto. Mas não fez a mesma coisa. Dei um giro e chutou o tórax de Craggy fazendo-o cair no chão, batendo as costas. segurou a gargalhada alta e os outros dois meninos ficaram de olhos arregalados. – Você é maluca?
- Você vem com a gente. – Ela disse firmemente. a encarou de cenho franzido. – Ah não ser que você esteja com medo de sair lá fora sabendo que seria morto em poucos minutos por não saber como se defender de zumbis.
- Eu não vou sair com vocês. Vão acabar me matando. – O garoto disse começando a se levantar. A garota caminhou até ele e segurou na gola de sua camisa, olhando diretamente em seus olhos.
- Se eu quisesse matar você, eu teria acertado o chute na sua garganta, assim você teria uma parada respiratória e morreria com muita agonia. Você não deve subestimar aqueles que você acha fracos, um bando inteiro me subestimou e agora estão todos mortos. não será diferente de mim. – E assim o empurrou com força. Voltou de ré até que sorria para ela. – E o único fracote que estou vendo aqui é você, então porque não vai chorar no colinho da sua mamãe ou de qualquer um que consiga agüentar suas crises de hipocrisia e ignorância?
Assim, o garoto se levantou com a ajuda dos amigos e se afastou junto com eles. o observou se afastar e depois olhou para que sorria para ela, com brilho nos olhos. Ele a puxou e deu-lhe um abraço forte, enfiando o rosto no pescoço da menina. Nunca alguém tinha o defendido como ela fez. E não se importava se depois alguém dissesse que era uma vergonha ser defendido por uma garota. Aquilo não importava para ele.
Daryl que estava saindo da prisão para ir falar com Rick que estava na parte de trás do prédio. Enquanto andava, encarava a cena. Balançou a cabeça em negação. Oxigenado idiota. Pensou ele e continuou o caminho.
pediu á Glenn que abrisse o portão para ela. Assim, e a menina entraram no carro e saíram em direção á Atlanta mais uma vez. Glenn tinha percebido que desde que havia chegado ali, ela nunca parava quieta na prisão. Ela sempre estava saindo da prisão para fazer algo, ou para fugir, como foi o caso de dois adias atrás. Tinha percebido também que nos poucos dias que ela estava ali, sua noiva havia se apegado é ela. Talvez por estar carente por ter perdido a maioria dos amigos e da família.
- O que a menina foi fazer com o oxigenado fora da prisão? – Daryl se aproximou Rick perguntando, ele que estava estocando as lenhas que estavam espalhadas pelo pátio inferior, atrás da prisão. Grimes olhou para Daryl com o cenho franzido, não entendendo o que ele estava falando. Dixon rolou so olhos. – saiu de carro com .
- E o que tem isso? Eles devem ter algo importante para fazer. E a não é muito de me contar as coisas ou pedir permissão.
- Sei. – Disse desconfiado, começando a ajudar o ex policial á pegar todos os pedaços de madeira e empilhá-los, encostadas na parede do prédio. – Só acho que ela não devia ficar saindo da prisão sozinha sem um motivo importante.
- Ela não está sozinha. está com ela. E eles devem ter um motivo.
- O garoto é uma ameba, é a mesma coisa dela estar sozinha. E não precisa de um motivo para ser imprudente e fazer as coisas sem pensar. Eu pensei que ela iria atirar em você com a metralhadora hoje.
- Quem fez ela se lembrar do passado sombrio foi você e não o Rick. – Maggie apareceu assustando os dois. – Então seria mais fácil você levar um tiro do que ele.
- E você sabe o que eles foram fazer fora da prisão? – Ele perguntou ignorando o comentário da menina morena. Ela deu de ombros.
- Quando ela voltar, você pergunta pra ela. – E assim saiu dali, indo em direção ao outro pátio da prisão.
- Agora ela me odeia? Acho que esqueceu que eu ajudei a salvar ela e a família.
- Qual é Daryl, você sabe que ela está certa. E por que está tão interessado em saber o que foi fazer com o garoto fora da prisão? Está com ciúmes dela? – Rick perguntou divertido, soltando um riso logo depois. Daryl ficou calado, parou para pensar. Será que é isso mesmo? Pensou ele. Rick ficou sério. – Você está com ciúmes dela. – Grimes afirmou e Daryl o encarou com o cenho franzido.
- Mas é claro que não. Você melhor do que ninguém sabe que eu não sinto esse tipo de coisa. Eu só estou preocupado. Aquele menino é um Mané, vai botar a em perigo.
- Você se importa, isso mostra que você sente algo por ela. E admita, você está com ciúmes, pois se não estivesse, não estaria chamando o de ameba e Mané. – Rick falou sem olhar para Dixon que mais uma vez rolou os olhos.
- Vou ver se a Carol precisa de ajuda. – Falou largando as madeiras e caminhando para longe de Grimes.
- Daryl. – Rick o chamou. O rapaz se virou para ele. – Se você gosta dela, tome atitude. não parece o tipo de garota que espera séculos por alguém. E mesmo no mundo desolado, pretendentes não vão faltar para ela.
- Eu não gosto dela. – Disse entre dentes. Virou-se novamente e caminhou para dentro da prisão enquanto Rick ainda o encarava, Mas é claro que ele gosta. Grimes pensou.

(...)


e estavam no carro, a caminho de Atlanta. No som tocava um cd dos Guns n Roses que tinha guardado. Um presente de uma de suas amigas no nono ano. estava no banco do passageiro com a cabeça encostada no vidro. Sua cabeça estava cheia de perguntas para fazer á , mas não sabia se iria fazê-las. Uma delas seria porque ela o defendeu daquele jeito. Olhou para a garota que dirigia de relance e abaixou a cabeça. percebeu o que ele havia feito e perguntou;
- Você está calado desde que saímos da prisão. Qual o problema?
- Eu estou apenas confuso. – Ele respondeu soltando um sorriso. ficou calada esperando que ele continuasse. – Por que me defendeu daquele jeito?
- Porque eu odeio gente que se acha melhor que os outros. Humilhação e bullying não é minha praia.
- Então não foi pelo meu charme incrível? – Ele perguntou divertido fazendo a menina rir.
- Talvez sim. – Ela respondeu brincalhona trocando de musica no som do carro.
- Como seu carro ainda funciona com tantos aparelhos? Era para a bateria ter acabado há muito tempo junto com a gasolina.
- Eu tenho três baterias no porta malas. Eu geralmente uso um pouco de cada uma para elas não morrerem, sem contar que em algumas oficinas ainda tem baterias. E em algumas bombas de gasolina ainda sobrou algo para recolocar.
- Você entende de carros?
- Sou filha de um militar. Eu entendo de tudo.
- Você é a garota mais inteligente que eu conheço. Quero me casar com você. – Ele disse rindo, fazendo graças. Mas por dentro sabia que tudo o que disse era sério. A menina ao seu lado gargalhou.
- E você diz isso assim? Na lata? Sem nem pagar um jantar primeiro? – Ela pergunta.
- Ué, se você quiser, eu posso cozinhar. Sou ótimo na cozinha.
- E o que você vai fazer? Esquilo acompanhado de molho de zumbi?
- Você está duvidando dos meus dotes de culinária? – Ele perguntou parecendo ofendido. – Fique sabendo que eu já cozinhei para pessoas de alta classe, como o diretor da minha escola.
- Nossa! Essa classe é super alta. – Ela disse.
- Muito obrigado mais uma vez. – Ele disse voltando a ficar sério. tirou a mão da macha e tocou a mão dele.
- Não precisa agradecer. Eu faria de novo se fosse preciso.
- Acho que não vai ser preciso porque depois do chute que você deu em Craggy, ele nunca mais vai querer passar perto de mim outra vez. – Disso sorrindo. – E só para constatar, eu sou vegetariano.
- O que? – A menina ficou surpresa e o encarou por alguns segundos antes de voltar sua atenção para a estrada. – Então quer dizer que você nunca comeu frango na sua vida? – O garoto negou. – Você não sabe o que é viver. Frango é a melhor coisa que já existiu em toda a vida.
- Duvido disso. – Falou sério. Encarando a menina que percebeu o que ele estava fazendo e por algum motivo se sentiu desconfortável por isso. Soltou a mão de e apertou o botão do som, trocando de musica e colocando uma mais animada. Depois disso, os dois ficaram calados. encarando a rua enquanto dirigia e com a cabeça encostada no vidro, olhando a paisagem. sabia que sentia algo por ela, não era como se ela se achasse metida de mais e pensasse que todos estavam apaixonados por ela. Mas ela percebia o jeito com que ele falava com ela e o jeito com que ele falava com outras pessoas. Sem contar os gestos e os sorrisos tímidos. Por mais que gostasse da companhia de e quisesse sentir algo a mais por ele, ela não conseguia, pois alguém já estava preenchendo esse lugar. E essa pessoa tem nome, sobrenome e carrega uma Crossbow por onde vai. Ela ainda estava querendo entender o que exatamente sentia por ele. E ainda queria entender porque naquele sonho que ela teve, era Daryl que a salvava, sendo que na realidade não foi bem assim.

#Flashback ON
- Por favor, pare. – A garota implorava, choramingando enquanto o homem gordo e sujo a penetrava com força, sem dó. Fazendo seu sexo sangrar. Já fazia dois meses que ela estava presa naquele lugar. Dois meses de tortura. Estava quase desnutrida e um pouco desidratada. Fazia quase meio mês que eles não vinham “usá-la”, apenas mandavam alguém para lhe dar água e comida, o que não a sustentava por muito tempo, pois sempre acabava desmaiando em meio as torturas que sofria. Hoje eles resolveram voltar à ativa e não foi nenhum pouco delicado, já chegaram arrancando as vestes intimas e fazendo o que queriam fazer. Já fazia quase dois meses que ela estava deitada na mesma maca, sem se levantar, sem poder caminhar ou fazer qualquer exercício físico. Suas costas doíam e seus músculos estavam travados. Provavelmente isso seria um problema para ela quando fosse fugir, e ela iria fugir. O tempo que passou ali serviu para que a menina observasse todos os horários de todos os homens que viviam por ali e que entravam e saiam pelas portas do celeiro onde estava. A garota remexia os braços incansavelmente, roçando as cordas umas nas outras, desgastando-as. A dor que sentia no ventre só a deixava mais motivada para sair dali. Observou a metralhadora e a pistola caída no chão, junto com as calças do homem gordo. Hoje era o dia. Seus pulsos doíam e começavam a sangrar pela força que ela usava para puxar seus braços. O gordo não havia percebido, estava ocupado de mais se aproveitando da garota. respirou fundo e usou a dor que estava sentindo para lhe dar forças. Assim puxou os braços de uma vez, fazendo as cordas arrebentarem. Deu um impulso no corpo, agarrou a cabeça do gordo e a girou, quebrando-lhe o pescoço. Assim ele saiu dela, caiu no chão, morto. Desamarrou as cordas que prendiam seus pés, ainda gemendo de dor, pois seu ventre ardia, virou-se e pulou da maca, caindo de uma vez. Suas pernas estavam doendo e suas costelas também. Apoiou-se na maca e se levantou com dificuldade. Agarrou suas roupas rasgadas e vestiu-as com dificuldade, tentando ser o mais rápido possível. Sabia que em poucos minutos, outro dos desgraçados chegaria ali para começar a próxima seção. Calçou o coturno que sempre usava. Pegou a sua arma que estava junto com as roupas e as armas do gordo morto. Ela precisava sair dali sem levantar suspeitas e precisava ser agora. Viu a pequena janela do celeiro e foi até ela, abrindo por uma escadinha. Por ela, cautelosamente olhou para fora, vendo se não tinha ninguém observando. Pulou sem fazer muito barulho, mas logo depois foi para trás de algumas latas gigantes ao ver um dos guardas. Cautelosamente, abaixada, ela caminhou em direção á esse homem, agarrou a faca que estava presa em sua cintura, tampou sua boca e enfiou a lamina na coluna do homem. Ele caiu morto.
- Hey! – Alguém gritou atrás dela. sacou a arma e atirou contra aquele que a chamou. Logo após, mais outros apareceram. Enquanto isso, sacou a metralhadora, se escondeu atrás de um dos barris e começou a atirar em direção á eles. Logo após alguém a agarrou por trás, passando o braço pelo pescoço dela, sufocando-a. Porém, ela deu um chute para trás, acertando o joelho dessa pessoa, desse homem. Levou o braço dele até a boca, mordendo com força e puxando com força, arrancando um pedaço de pele e carne do braço daquele que urrou de dor. Ela reconhecia aquela voz. Se virou para trás vendo aquele que tinha começado tudo. Aquele que foi o primeiro a estuprá-la. Largou a metralhadora e caminhou até ele que se arrastava para trás, gritando de dor. Ela sentia nojo dele. Enquanto ele a estuprava, lhe chamava de apelidos imbecis. Anjo, flor... sonho...
- Seu erro foi achar que eu não me soltaria. – Ela disse o chutando no peito, fazendo-o cair de costas no chão. – Eu não sou um sonho. – Disse a menina se aproximando do homem. Abaixou-se, para ficar na altura de seus olhos. O olhar de derramava, ódio, dor e sede de vingança. – Sou o seu pior pesadelo. – E assim o agarrou pelo pescoço, girando-o, matando-o. Não perdeu mais seu tempo. Pegou a metralhadora e dali saiu correndo. Correu pelo resto da noite. Passou dias andando. Passou por varias cidades, ela precisava de remédios, ela não sabia o que fazer até que alguns depois de tudo aquilo, ela encontrou sua salvação. Nas ruas de uma cidade pequena, perto de Atlanta, ela avistou a placa BT-7032 Kansas de seu carro. Correu até ele, vendo que estava como tinha o deixado. Mas não sabia como ele tinha ido parar ali. A porta estava aberta, mas as chaves não estavam lá.
- ? – Uma voz conhecida soou. Ela se virou para trás vendo três pessoas se aproximarem. Eles eram do acampamento de que ela ajudou a salvar as meninas que tinha desaparecido. Ela destravou sua arma que ainda tinha munição e apontou para eles. As três pessoas param de uma vez com as mãos levantadas. – O que está fazendo?
- Cadê a chave do meu carro? – Ela rosnou.
- Para que você quer?
- A porra do carro é meu. Entrega-me a merda da chave antes que eu atire em vocês. – Ela gritou nervosa. Eles tenham a deixado para trás. Ela sabia que nunca devia ter confiado nessas pessoas.
- Você não vai fazer isso. Você não é assim. – O homem falou. estreitou os olhos, mexeu a arma e apertou o gatilho. O tiro acertou na perna do homem que caiu no chão gritando.
- É melhor você não duvidar. – Ela disse em tom sarcástico e foi em direção á eles. Uma das garotas jogou a chave para que pegou no ar. Ela voltou de costas e abriu o porta malas do carro. Suas armas ainda estavam lá, mas sem munição. – Vocês são tão filhos da puta que usaram minhas armas. Se alguma estiver quebrada, reze pra que não nos encontremos de novo. – Disse trancando o porta malas e abrindo a porta de trás do carro. Em baixo do banco, puxou uma corda, fazendo um tipo de gaveta se abrir. Suas munições ainda estavam lá, eles não haviam descoberto. Jogou a metralhadora no banco de trás e abriu a porta da frente, fechando a outra.
- Aonde você vai? Não pode nos deixar aqui.
- Cadê o resto do bando? Ah, já sei, vocês abandonaram também. – disse mais uma vez usando sarcasmo.
- Daqui a pouco vai encher de zumbis aqui, precisa deixar a gente ir com você. – Uma das garotas falou ajudando o homem a se levantar. inclinou sua cabeça para o lado e soltou um sorriso inocente, como se entendesse.
- Se vocês me deixaram para trás, não será problema deixar ele também. – Falou ficando séria e assim entrou em seu carro e começou a dirigir para bem longe daquilo.
#Flashback Off

(...)

, enquanto dirigia há quase duas horas depois que saiu da prisão, viu uma estradinha de terra que havia quase desaparecido por causa da grama, que levava ao meio de uma floresta. estava adormecido ao lado dela. Fazia muito tempo que ele não anda de carro e o balanço dele o fez cair no sono. A menina então mudou o seu caminho, entrou nessa estrada e seguiu reto, passando por uma pequena estrada de terra em meio ás enormes árvores. Ao chegar ao final, viu uma espécie de porteira, parou o carro e viu uma casa de dois andares em meio aquele lugar. Engatou a macha e acelerou entrando naquela propriedade. Parou em frente á casa e no mesmo momento acordou confuso. Esfregou os olhos enquanto checava suas armas.
- Chegamos?
- Não. Estamos a poucas horas da prisão. Eu nunca tinha reparado que tinha uma casa por aqui. Vou dar uma olhada lá dentro. Você vem, ou vai ficar no carro? – Ela perguntou.
- Vou com você. – Ele disse. assentiu e entregou um dos silenciadores para ele. A menina tirou as chaves da ignição e os dois saíram do carro, indo em direção á residência. A porta estava fechada. Fez sinal para que á abrisse e ficou em posição. No momento em que o garoto fez isso, entrou apontando a arma para todos os lugares. Fez sinal para que ele fechasse a porta e a seguisse. Ele o fez; Os dois entraram na cozinha, era enorme. Logo depois voltaram para a sala e entraram na sala de jantar. Outro lugar enorme. As coisas estavam fora do lugar, jogadas no chão, muitas estavam quebradas. Os dois jovens então voltaram à sala de visitas e começaram a subir as escadas. Lá em cima havia dois corredores. Um para a direita e o outra para a esquerda. Cada um foi pelo seu caminho. Olhando dentro dos quartos. Parecia que a casa estava limpa. que estava no que parecia ser o quarto principal, se dirigiu até o closet aberto e começou a fuxicar nas roupas que havia lá dentro.
- . – Ela chamou pegando uma roupa especifica. O menino que ouviu o grito da menina, correu em direção á voz entrando de uma vez no quarto. Ela se virou para ele com um terno em mãos. – Você acha que isso serve no Glenn?


Capítulo 9 – Reckless Moviment

Nota de autora: Botem para carregar, loves: Heaven - Fire Theft

Beth, Carol, Maggie e Andrea estavam nesse momento na cela de Carol junto dela, conversando sobre os últimos preparativos para o casamento. Greene estava muito empolgada. Finalmente algo de bom iria acontecer em sua vida após tudo de ruim que havia acontecido. apareceu em uma boa hora. Agora ela só precisava voltar com o terno para Glenn que sua felicidade estaria completa.
- Sabe, eu acho que esse vai ser o casamento mais bonito da historia. – Carol comentou. – Por vocês estarem se casando em meio á tempos como esse, quer dizer que o amor entre vocês é realmente forte.
- Glenn foi uma benção em minha vida. Eu realmente quero isso para mim.
- Daqui a algum tempo será a sua vez, Beth. – Andrea comentou para a menina que sorriu.
- Como se algum garoto fosse prestar atenção em mim com a aqui. – Ela disse amarga. Beth gostava de , mas de uns tempos para cá estava carente por nunca ter tido um namorado ou um relacionamento fixo. Ela queria que algum garoto olhasse para ela, do mesmo jeito que olhavam para . Não era inveja, era só... vontade de ser notada.
- Do que está falando? Você é tão linda quanto ela.
- Qual é Maggie, os garotos babam quando ela passa. Não só eles como o Daryl também.
- Nisso eu tenho que concordar. – Carol disse de mau gosto. – Eu não tenho nada contra a menina, mas o que é que ela tem que até o Daryl gosta?
- Ela é bonita, tem os cabelos bonitos, tem um corpo bonito e sabe como pegar em uma arma direito. Coisa que nenhuma de nós sabe, até porque não somos filhos de um militar. – Beth debochou encostando sua cabeça na parede.
- Pensei que você gostasse dela Beth. – Andrea disse de sobrancelha arqueada.
- Ela é legal, mas não é porque ela é legal que todos os meninos têm que prestar a atenção exclusivamente nela.
- Eu concordo com você. – Carol disse. – Eu passei esse tempo todo ao lado do Daryl, para chegar agora e essa garota chegar e esse engraçar com ele.
- Conhecem o ditado. Falem bem ou falem mal, mas falem de mim. – apareceu na porta fazendo Beth e Carol pularem. A menina encostou-se à parede. Segurava uma sacola na mão esquerda. – Eu não me “engracei” com Daryl. – Disse ela botando aspas. – E não quero a atenção de todos os garotos para mim, se quiserem falar algo, por favor, falem na minha cara. Ao contrario do que vocês pensam, eu não vou atirar na cara de vocês.
- Não estávamos falando mal de você. – Carol disse. deu de ombros.
- Tanto faz. – Ela disse. No mesmo momento, Glenn apareceu atrás dela e arqueou a sobrancelha.
- Reunião de meninas? Posso voltar depois...
- Eu já ia atrás de você coreano. – disse entregando a sacola para ele. – Se vista direito no seu casamento e não decepcione a sua garota. – Ela disse e depois fez sinal para que Maggie a seguisse. Greene fez isso. Correu atrás da menina que já saia da prisão e ia em direção ao seu carro. Ela a alcançou quando ela abria o porta malas. De lá, pegou uma mochila escondida atrás do step. Abriu-a e de lá tirou um vestido branco que ias até os joelhos. – Você vai ficar linda nele. – Ela disse e Maggie a abraçou forte. Literalmente, havia aparecido em uma ótima hora.
Nesse momento, Daryl passou por trás das duas. virou um pouco o pescoço e ficou encarando enquanto ele ia em direção a porta da prisão.
- Deveria rebolar um pouco menos Daryl. – Ela disse alto fechando a mala do carro. Dixon acabou escutando e se virou para ela de cenho franzido.
- E você deveria para de encarar a minha bunda. – Disse ele e depois pensou: Pareço uma menininha falando assim.
- Desculpe, você tem uma bundinha sexy. – Ela disse. Maggie que estava ao seu lado soltou uma risada nasalada e abaixou a cabeça. sorriu misteriosamente para Daryl e se virou levando Greene com ela para o outro pátio da prisão. Dixon ficou parado por um tempo ainda processando o que a garota havia dito e logo depois se virou, voltando á fazer seu caminho.
- Você gosta dele, não é? – Maggie fez a pergunta de repente. a encarou enquanto andavam e depois olhou para os próprios pés.
- Não... Quer dizer, eu não sei.
- Olha , posso te dar um conselho? – Maggie perguntou parando, segurando o braço da menina fazendo-a parar também. A garota assentiu. – Não entre nessa. Daryl pode ser bom caçador, bom em defender o grupo, às vezes eu até acho que ele seria um bom líder para nós, mas ele não é de demonstrar sentimentos. Ele é bruto e não sabe como tratar uma garota. Eu não quero que você sofra. Acredite em mim, é melhor pensar duas vezes antes de mergulhar nessa.
encarou Maggie por alguns segundos e assentiu sem saber exatamente o que dizer. Percebeu que Maggie se preocupava com ela, mas não queria isso. Não queria que ninguém se preocupasse com ela. Greene deveria estar se preocupando com o casamento e não comigo. pensou.
- Fica calma, eu não vou fazer nada precipitada. Vou pensar nas coisas primeiro.
- Acho bom.
E assim as duas começaram a andar. parou para pensar naquilo, será que Maggie estava certa? não sabia nada sobre Daryl, a não ser as poucas coisas que eles conversaram, o que foram poucas vezes. Será que estava pronta para se entregar á alguém por inteiro?

(...)


Um pouco mais tarde, foi ver seu irmão e eles conversaram por horas. Depois ela o levou até o refeitório para jantar e logo após o apresentou a cela que ele iria dormir. passou a maior parte do tempo pensativo. Será que ela vai voltar comigo? Pensou ele. Mas é claro que vai. É a família dela. Ela vai voltar, certo? Pensou mais uma vez enquanto se deitava na cama com a ajuda de sua irmã.
- , eu levei um tiro. Não estou impossibilitado de deitar sozinho.
- Para de reclamar resmungão. – Ela disse dando um tapa na testa dele que riu escandaloso. – Qual é a graça?
- Estava sentindo falta dos seus tapas na testa. – Disse ainda rindo.
- Você é doente. – A garota riu.
- Você vai voltar comigo, não vai? – ele perguntou de repente fazendo a menina ficar séria.
- Vá dormir, conversamos amanhã. – Disse dando um beijo na testa do irmão. Ele ainda contrariado assentiu. saiu da cela e seguiu pelos corredores. Estava passando em frente a porta quando parou e olhou para fora. Seu irmão tinha voltado. Seus pais estavam vivos. O que ela faria agora? Ficaria na prisão ou iria com seu irmão? Percebeu que ela era a única acordada.
Nota de autora: Dêem play na musica agora.
Caminhou para fora da prisão, dando a volta e indo parar no outro pátio. Se sentou na mesa e ficou olhando para o céu, mais especificamente para a Lua. Desde que tudo começou, ela nunca parou para olhá-la como sempre fazia quando ia acampar com os amigos. Desde aquela noite, a única coisa que ela pensava era em sua família e o que tinha acontecido com ela. Mas pelo menos agora sua mente estava limpa, estavam vivos e seguros, ao que parece, apesar dela achar que eles nunca estariam seguros se o mundo continuasse assim. Será que existe uma cura? Ou será que todos estão condenados a viver assim e quando finalmente a vida chegasse ao fim, virassem monstros canibais sem alma como os errantes que eles mesmos enfrentam todos os dias? Pensando nisso, decidiu que ficaria ali, no frio, olhando ao redor, pensando para tentar entender como tudo isso realmente aconteceu.
Daryl que estava pronto para dormir, sentiu uma grande necessidade de sair dali e ir para fora da prisão, respirar o ar frio. Já fazia tempo desde a ultima vez que ele dormiu em uma barraca no meio da floresta, e apesar de naquela época ser mais perigoso do que agora, ele sentia até um pouco de falta. Dixon parou na porta e viu a menina sentada na mesa, encarando ao redor. Ficou encarando a garota que mexia os lábios parecendo cantar algo. Provavelmente eles eram os únicos que estavam acordados á essa hora. Dixon caminhou até a menina e quando ia se aproximando mais, lembrou-se do jeito que ela estava dançando mais cedo. O jeito que ela jogava os cabelos, que ela rebolava, que descia até o chão e subia sem dificuldade alguma, da roupa apertada, do seu corpo no ritmo da música. Sua pele começou a se esquentar.
, ao sentir alguém se aproximar sorriu sabendo muito bem quem era.
- A lua é linda não é? – Ela disse de repente. Dixon parou de andar. – Pode se aproximar Daryl, eu não mordo.
- Como sabia que era eu? – Ele perguntou arqueando a sobrancelha, ainda parado.
- Seu cheiro. – Ela respondeu. Ele piscou algumas vezes.
- Estou tão fedorento assim?
- Eu não disse que estava fedorento. – Ela disse se virando para ele, depois voltou a olhar para o céu. Daryl se aproximou e se sentou ao lado dela. Os dois ficaram calados por um tempo até que se entreolharam por alguns segundos. Tempo suficiente para que ele tomasse a iniciativa e a puxasse para si, colando seus lábios. Logo depois as mãos do rapaz estavam em sua cintura á puxando para mais perto. Ela, ainda assustada e meio perdida com o que estava acontecendo, apenas passou os braços pelo pescoço dele e se inclinou para frente, colando ainda mais seus corpos. Levou as mãos até os cabelos do rapaz e os puxou levemente. Eu sempre quis fazer isso. Os dois pensaram no mesmo momento.
Daryl separou o beijo ofegante e agradeceu mais uma vez por ter tomado banho á poucas horas. Olhou no fundo dos olhos da menina, desceu da mesa e a desceu junto puxando-a pela mão em direção á prisão.
- O que você está fazendo? – Ela perguntou ainda confusa. Daryl parou se virando para ela, fazendo a menina bater de frente com seu peito.
- Por favor, fique calada, eu não quero que minha consciência se manifeste e eu acabe desistindo do que eu estava querendo fazer desde que te vi naquela floresta. – E assim voltou á andar e a puxar a menina que ficou boquiaberta com o que Dixon disse.
Os dois entraram na prisão e fecharam a porta atrás de si. A partir dali, começaram a andar cautelosamente para não acordarem ninguém. Subiram as escadas para o segundo andar, entraram no bloco D seguindo até o final e subindo mais uma escada que levava até o corredor onde Daryl dormia. Ele preferia o “poleiro”, como ele mesmo dizia, mas á algum tempo passou a dormir ali também. Chegando lá, ele a puxa para dentro da cela, fecha a cela, puxa uma cortina que usa para que ninguém fique espiando dentro de seu “quarto” e logo depois empurra a garota contra a parede voltando á beijá-la com ferocidade. Já levou as mãos para a barra da blusa da menina, retirando-a e jogando-a em algum canto do lugar, seguida do resto de suas roupas e das dela. Ele desceu os beijos para o pescoço da menina, meio desajeitado por não ter uma vasta experiência naquela área. Não que ele nunca tivesse transado na vida, mas já fazia um bom tempo que não fazia isso.
- Meu deus... Daryl... – Ela começou ofegante, mas gemeu ao sentir os dedos de Dixon entre suas pernas por dentro da calcinha. Lembrou-se que havia mais pessoas por ali então não podia elevar o volume de sua voz, teria de tomar cuidado com os gemidos.
Daryl viu o corpo da garota estremecer e logo depois foi descendo os beijos pelo vale dos seios da menina, barriga e logo após... lá. Ele riu e fez o mesmo caminho de volta, parando nos lábios da menina, a empurrando contra a parede mais uma vez, porém agarrando as pernas dela e as envolvendo em sua cintura. Logo depois ele a colocou na cama, subindo em cima dela, com cuidado para não acertar sua cabeça na cama de cima. Enquanto ele descia os beijos pelo tórax da menina, tirou sua calcinha colocando-a ao seu lado na cama. Ele abriu suas pernas abertas e sorri para ela.
- Você está tão molhada. - Ele sussurrou antes de deslizar a língua em suas dobras internas. se contorcia de prazer quando ele lambeu-lhe violentamente. Deu-lhe um último beijo antes de se levantar e estabelecesse ao seu lado esfregando-a. Daryl, então, inesperadamente deslizou um dedo para dentro da menina que deixou escapar um suspiro. Essa seria sua primeira relação depois da época de sofrimento que ela teve. E não poderia estar mais certa que estava pronta para isso e de que era isso que ela queria. Mas Daryl não estava se lembrando de nada.
Ele então se ajoelhou entre suas pernas e a penetrou lentamente antes de se curvar sobre a menina movimentando rapidamente seus quadris. Ela, por mais que seu corpo ordenasse para ela fechar seus olhos apenas para saborear aquele prazer, continuou com eles abertos encarando os olhos de Daryl que estavam na mesma intensidade que ela.
agarrou os braços de Dixon e os apertou em meio aos seus dedos pequenos quando sentiu o primeiro espasmo no seu corpo. Assim ela sorriu fazendo Daryl rir com ela.
Logo depois ele conseguiu girar na cama com cuidado para não cair, para que ela ficasse por cima dele. E enquanto ela se movimentava, Daryl apertava-lhe os seios.
Ele passou os braços pelas costas da menina e a puxou para baixo, beijando seus lábios enquanto movimentava seu quadril, para dentro dela. Ela passou as unhas pelo peito de Dixon, o fazendo ficar ainda mais excitado e aumentar os movimentos com os quadris. Daryl não entendeu como deu conta, mas rodou na cama com a garota em seus braços e voltou a penetrá-la de cima. Rodando os quadris e a penetrando fundo, com violência. Ele havia esperado tempo de mais para fazer aquilo. Enfiou o rosto no pescoço da menina enquanto os dois gemiam baixo. A garota passou suas unhas pelas costas dele não com muita força, mas com uma intensidade que mostrava para ele que ela estava próxima á mais um orgasmo. E ele também.
Aumentou a velocidade até sentir que estava chegando. Saiu de dentro da menina, beijando-a intimamente enquanto se masturbava. Os dois chegavam ao ápice.
sorriu abertamente e puxou Daryl pelos ombros beijando-o delicadamente.
Mas tinha algo errado. Ela olhou nos olhos dele e percebeu isso.
- O que foi? – Ela perguntou. Daryl limpou a garganta se soltando dela e se levantou pegando suas roupas e vestindo. Ela então entendeu o que havia de errado. Sentindo os olhos arderem e as lágrimas ameaçarem a cair. A menina se levantou e começou a vestir suas roupas sem olhar para Daryl.
- Olhe... – Dixon começou a falar enquanto a menina vestia a calça depois de ter botado as roupas intimas, mas ela se virou bruscamente para ele enquanto botava a blusa
- Não diga nada. – Falou mais fria do que nunca. – Eu não devia ter feito isso.
E assim saiu da cela. Carregando seu coturno nas mãos, indo direto para o banheiro do outro andar. Chegando lá dentro, jogou suas roupas no banco ao tirá-las novamente e entrou em um dos boxes. Encostou sua cabeça na parede e começou a chorar. Sentia como se tivesse sido usada por Daryl, como os outros fizeram com ela á alguns meses atrás. Tampou a boca para que o seu choro não fosse ouvido por ninguém, pois estava alto de mais. Fiz a escolha errada. Escolhi a pessoa errada. Pensou ela. E tudo o que queria agora era voltar atrás.


Capítulo 10 – Blank Space


Na manhã seguinte, a primeira coisa que Daryl fez ao acordar foi se lembrar da noite passada. Lembrou-se das curvas da menina e do jeito com que ela se mexia. Mas também se lembrou dela indo embora com os olhos ardendo em lágrimas e mesmo que soubesse passar por situações de vida ou morte, ele não fazia idéia de como encarar os olhos sinceros da menina agora, pois eram os únicos olhos que conseguiam intimidá-lo. Levantou-se e se espreguiçou. Saiu da cela e desceu as escadas, passando pelos corredores da prisão e indo em direção a cozinha. “A casa estava cheia.” Viu crianças correndo entre as mesas, os mais jovens sentados em uma das mesas do canto. Viu e fechou a cara. Avistou Rick e Glenn sentados em uma das mesas junto com o irmão de . E por falar nela, onde ela estava? Olhou para todos os lados enquanto andava e percebeu que a menina realmente não estava ali.
- Daryl, você viu a ? – Rick perguntou enquanto Dixon passava pela mesa. Ele parou de andar e se virou para ele.
- Não. Eu acabei de acordar. Por quê? Aconteceu alguma coisa? – Perguntou tentando se mostrar o menos preocupado possível, mas acabou não dando muito certo, pois Rick percebeu a preocupação na voz do rapaz.
- Não! É porque geralmente ela acorda cedo e vai para a cerca, mas hoje eu ainda não a vi. – Grimes respondeu com uma das sobrancelhas arqueadas. Daryl assentiu e se virou indo em direção á Carol que estava no fundo da cantina, ajudando a servir as pessoas. Ela olhou para ele e percebeu o olhar que ele tinha. Era um olhar diferente de todos so outros.
- Acordou feliz? – Carol perguntou quando ele parou em frente ao balcão. Daryl á encarou. – Eu vi você sorrindo e seu olhar está diferente. Algo aconteceu.
- Só acordei de bom humor. Nada de mais. – Falou enquanto pegava um prato para que a mulher colocasse sopa de legumes. Sopa no café da manhã, isso é ótimo. Pensou ele ironicamente.
- Você já tem um par para o casamento da Maggie hoje?
- Eu nem estava sabendo que ela iria se casar hoje. – Ele respondeu.
- Ora, se você não tem um par, talvez queira me levar. – Ela disse sorrindo. Desde que os dois se conheceram, Carol tem um tipo de queda por Daryl. Ele a ajudou muito á algum tempo atrás. Foi quem mais se preocupou em tentar achar sua filha depois que desapareceu, mas infelizmente ela se tornou um dos mortos-vivos. Já Daryl á via mais como alguém da família, sem contar que ela era bem mais velha que ele e não fazia seu tipo.
- Não sou fã de festas. – Disse se virando e indo em direção á mesa onde se sentou e ficou prestando atenção na conversa dos outros rapazes. Assunto: Casamento de Maggie e Glenn. Ele ficou interessado ao saber que Maggie estava doida para que cantasse na festa. Ele nunca havia escutado a menina cantar. Isso seria interessante.
- Alguém viu onde a se enfiou? – Andrea chegou à mesa perguntando. – Eu estou procurando ela á quase duas horas e não a encontro em lugar algum. Maggie está doida querendo a ajuda dela pra sei lá o que. Estou ficando louca.
- Já olhou na cela dela? – perguntou. – Eu conheço minha irmã e sei que ela é preguiçosa. Adorava dormir até tarde no fim de semana.
- Já. Olhei em tudo, mas não a acho. E o carro ainda está aqui. Se ela saiu, foi sem ele. – Daryl ficou em alerta ao escutar aquilo. saiu da prisão sem o carro e ninguém á vê faz horas. Começou a se perguntar se aquilo era culpa dele, mas continuou no seu lugar. Sem se pronunciar. Começou a se lembrar novamente da noite passada enquanto olhava para o prato. O jeito com que ela arqueava as costas, o jeito como gemia, como rebolava.
- Ta namorando os legumes por quê? – Maggie apareceu falando, fazendo Daryl dar um pulo. Ela deu um beijo em Glenn e sentou-se à mesa onde eles estavam.
- Achou a ? – Ele perguntou. Greene arqueou uma das sobrancelhas ao escutá-lo perguntar sobre a menina.
- Achei. Ela estava fazendo uma limpa pela floresta, disse que levantou às três da manhã porque não conseguia dormir pelos pesadelos que ela tinha e foi matar alguns errantes. Acabou saindo da prisão para fazer isso, pois tinha poucos na cerca. – Ela disse. Daryl voltou a encarar o prato. Pesadelos? Ele se perguntou.
não havia entendido o que a morena tinha falado. não tinha dito nada para ele sobre os pesadelos.
- Que pesadelos? sempre foi pior que velho pra dormir, deitava na cama e só acordava com a mamãe gritando que ela estava atrasada pra escola. Na verdade nós dois somos assim. Mas ela nunca foi de ter pesadelos.
- Ah você sabe, tudo o que ela passou com aquelas caras e tudo o que eles fizeram com ela. É normal ela ter esses pesadelos horríveis. – Andrea começou. – Mas pensei que eles tinham acabado...
- Do que você está falando loira? – a interrompeu intrigado. – Que caras? E o que eles fizeram com ela?
- Ela não contou á você? – Maggie perguntou. negou ainda confuso. Ela olhou para Andrea que estava de boca aberta. Todos na mesa abaixaram a cabeça e ficaram em silencio. os encarou e logo depois arregalou os olhos entendendo do que eles estavam falando. Levantou-se de uma vez da mesa e saiu da cantina indo atrás da irmã. Daryl também ficou intrigado. Não tinha ficado sabendo desses pesadelos que a menina tinha.
- Ela tem esses pesadelos constantemente? – Ele se viu perguntando.
- Como se isso importasse pra você. – Andrea disse saindo da cantina.
- Qual é! Agora todo mundo me odeia?
- Ninguém te odeia Daryl, mas você tem que entender que a é importante para ela e pra mim também. – Maggie falou. – E o que você disse para ela não foi nada legal.
- Vão ficar remoendo isso até quando? Ela está aqui. Viva. E provou ser forte, tem que parar de achar que a garota é uma criancinha indefesa. – Disse nervoso se levantando e saindo dali totalmente irritado. Tinha até se esquecido que a única coisa que fazia ali era se estressar. Saiu da prisão vendo a menina e o irmão discutindo em frente ao carro dela. Ela mexia os braços e as mãos, fazendo gestos enquanto fazia o mesmo. Podia não estar escutando o que eles falavam, mas sabia que era uma discussão feia. Viu a garota encostar-se ao carro e cruzar os braços, olhando para os lados enquanto o irmão ainda falava. Quando de repente, o olhar dela bate no olhar de Daryl. E assim os dois esquecem do que está havendo ao redor enquanto encaravam um ao outro. Assim, eles se sentiam como se tivesse bem próximos um do outro. tremeu sentindo o corpo se arrepiar ao lembrar-se da noite passada. Daryl sentiu o mesmo. Mas então a menina se lembrou do que aconteceu depois e involuntariamente os olhos dela se encheram de água e a sensação gostosa que estava sentindo se tornou uma sensação ruim que subiu pela sua garganta fazendo-a respirar fundo e se jogar nos braços de que a abraçou sem entender o porquê do choro.
- Hey! O que foi? – perguntou apertando a irmã contra si, mesmo sentindo o machucado doer um pouco por fazer aquilo. pensou no que falaria, mas a única coisa que queria era chorar.
- Me desculpe. – Disse ela entre o choro. – Eu devia ter contado, mas foi doloroso de mais, eu não queria relembrar de tudo...
- Shh, está tudo bem. Eu entendo. – Ele disse segurando a menina. – Tudo bem. Pode me contar quando quiser, mas não me esconda nada, entendeu? Nunca mais. Eu sou seu irmão, ficamos separados por um bom tempo, mas agora já chega. Nós estamos juntos de novo e quero que me conte as coisas, entendeu? – Ele disse ainda com a garota encolhida entre os braços. A menina assentiu.
Daryl de longe estava vendo aquilo. Virou-se de costas e deu de cara com Glenn. Ele olhava atentamente entre ele e nos braços do irmão.
- Quer me contar o que aconteceu? – Rhee perguntou.
- Do que você está falando?
- Eu saí da prisão pra falar com a e a vejo conversando tranquilamente com o irmão dela, aí quando ela olha para você dispara a chorar. Tem algo errado aí.
- Não tem nada de errado. Você que está enxergando de mais. – Falou passando por ele. Glenn se virou e foi atrás.
- Eu posso ser inocente de vez em quando e não saber mentir, mas burro é uma coisa que eu nunca fui. – O coreano falou enquanto ainda seguia Daryl. Dixon parou e se virou para Glenn.
- Que pesadelos são esses que ela tem?
- Maggie me disse que são com os dias que ela passou no lugar onde aqueles caras abusavam dela. Mas parece que já fazia muito tempo que ela não tinha esses pesadelos, não entendo porque ela voltou a tê-los. – Glenn falou olhando ao redor e ao voltar seu olhara para Dixon, viu que ele estava olhando para outro lugar. Seguiu o olhar do rapaz e percebeu que ele encarava indo para o outro pátio com o irmão. Voltou á olhar para Daryl. Ele parecia ter culpa no olhar, então Glenn apenas ligou as coisas. – Me diz que você não fez isso. – Daryl olhou para ele de sobrancelha arqueada.
- Isso o quê?
- Foi você que a fez voltar a ter esses pesadelos?
- Eu não. Foi ela quem me deixou tocá-la, eu não forcei nada. – Dixon falou e ao ver que tinha falado de mais, se virou de costas e voltou a andar deixando Glenn de olhos arregalados e boca aberta.
- Tá me zoando?... Não me diga que... – Glenn foi atrás de Daryl enquanto ele ia em direção á cerca onde não havia sequer um errante “vivo”. – Vocês transaram?
- Por que me parece que você está rotulando as minhas ações? – Ele perguntou debochado.
- O que você fez para ela? Deixou-a sozinha na cama? – Não houve resposta. Dixon se manteve calado. – O que você fez cara? Os pesadelos que ela teve devem ter haver com isso, porque não podem ter sido desencadeados sozinhos.
- A gente só terminou e ela saiu da cela. Só isso. Eu não forcei nada, ela quis também porque se não quisesse teria me dado um soco e saído. – Ele respondeu. Percebeu que Glenn ficou calado. Olhou de relance para ele que parecia estar indignado e ao mesmo tempo irritado com o que Daryl havia acabado de dizer, o que provocou em Dixon muita raiva. - Qual é o problema disso? – Daryl se virou para Glenn com uma cara não muito boa. Toda vez que ele tocava no assunto de , todos achavam que ele apenas queria fazer mal a menina, como se quisesse usá-la, ou qualquer outra coisa. Mas isso não era verdade, ele apenas não sabia lidar com as situações ainda.
- O problema Daryl é que essa deve ser a primeira relação sexual que ela teve depois de ser estuprada, seu babaca! Você fez ela se sentir como se tivesse passado pela mesma coisa que passou há dois meses com aqueles caras. Você a fez sentir que ela foi apenas um objeto, que fosse apenas algo para ser usado e depois jogado fora.
- O que queria que eu fizesse? – Dixon aumentou o tom de sua voz e deu graça a deus por não ter ninguém por perto apenas ele e o Coreano.
- Dissesse pra ela ficar, desse carinho pra ela.
- Fala sério. Você sabe muito bem que eu não sou disso...
- E daí? Custava fazer isso uma vez na sua vida? – Glenn aumentou o tom de voz também. Ele sabia o quanto era importante para Maggie e para ele também.
- E dar falsas esperanças pra pirralha?
- E você ainda tem coragem de chamar ela de pirralha? Daryl, vocês transaram. Ela não é uma pirralha... Você não pensa não Dixon? Se você for capaz de gostar de alguém além de si mesmo, eu sugiro que vá pedir desculpas á ela. E leve um buquê de rosas contigo, e um colete a prova de balas também... E reze para a Maggie não saber disso, pois a é como uma irmã para ela, e ela vai querer te matar... – E assim, Rhee se virou e voltou para dentro da prisão, pisando fundo. Daryl ficou parado pensando no que Glenn tinha dito Então fui eu quem a fiz ter os pesadelos. Mandou mal Dixon, mandou muito mal.
estava agora tomando um banho, tinha saído muito cedo dali para matar errantes e agora estava toda suja. Tinha limpado uma boa área perto da prisão o que seria bom para essa noite ela poder colocar musica não muito alta e fazer algumas pessoas felizes. Maggie tinha a abordado no portão, perguntando se não podia cantar na marcha nupcial. E é obvio que ela aceitou. Agora estava pensando que musica ela cantaria. Tinham tantas e o mais importante, o que iria vestir. Seu único vestido ela tinha entregado á Maggie. Talvez conseguisse algo com alguém da prisão ou simplesmente se vestiria como sempre, calça, regata e o seu inseparável coturno. As vezes sentia falta da menina feminina. A garota que só usava vestido, cabelo solto, salto alto. Não, ela não era uma patricinha snob, e com certeza nunca namorou o líder do time de futebol. Mas gostava de se sentir bonita de vez em quando.
Depois do banho, a menina vestiu sua roupa e foi em direção ao refeitório. Não tinha comido nada e estava faminta. Levantou às três da manhã por causa dos pesadelos. E isso a incomodava. Ela estava tão bem sem ter nenhum pesadelo, mas agora está tudo voltando outra vez. Culpa da escolha que ela fez, e agora isso vai segui-la pelo resto da vida, ela tinha certeza.
Passou pela porta do refeitório e seguiu até a porta onde levava até a cozinha. Lá dentro encontrou com Maggie ajudando Carol e Beth á lavar os pratos na água que Rick havia trazido do rio, para não desperdiçar a pouca água que ainda tinha nas reservas da prisão. passou por elas, indo em direção á dispensa.
Saiu de lá com uma lata de sopa enlatada nas mãos.
- Você quer que eu esquente para você? – Carol perguntou com a voz baixa quando passava por ela indo em direção ao fogão. parou e encarou Carol com a sobrancelha arqueada. Mas ontem mesmo ela disse que eu estava me jogando pra cima do caipira e agora quer me ajudar? pensou e logo após riu da própria situação ao imaginar qual seria a reação de Carol se soubesse que ela transou com ele. Pelo menos uma coisa engraçada no meio disso tudo.
- Não, obrigada. Você já está ocupada. É melhor ajudar a Maggie pra ela ter um tempo pra se arrumar. – A menina falou e continuou indo em direção ao fogão de lenhas.
- Então, você já tem um par? – Beth que estava enxugando os copos, cortou o silencio perguntando enquanto botava fogo nas lenhas. Todas olharam para que se virou confusa para elas.
- Par? Para quê?
- Pro meu casamento. – Greene disse.
- Eu não fui informada disso. – respondeu se voltando para o fogão e colando a lata no fogo. – E não acho que tenha alguém desse lugar que seja adequado para mim. Talvez eu vá com .
- Ele é seu irmão. – Carol disso.
- Bingo. – Falou ironicamente se voltando para elas.
- O parece ser legal. – Maggie disse secando os pratos.
- É! Mas não sei se vai ser legal ter ele como meu par. – falou incerta. Não que ela não quisesse, só não sabia como iria reagir quando Daryl visse os dois juntos. O que estou pensando? O caipira não dá a mínima para mim. Você é apenas um objeto lembra otária?Ai como eu sou idiota. Eu nunca devia ter confiado nele. Eu só faço merda. Ela pensou enquanto cruzava os braços e encarava Maggie secando as louças.
- Você está bem? – Carol perguntou. – Mudou de feição rapidamente.
- Tudo bem, só é um pouco de cansaço. Mas e você Carol? Tem um par. – Ela perguntou rapidamente para mudar de assunto. Não queria falar sobre as coisas que estava pensando. A mulher suspirou pesadamente o que fez todas ali arquearem a sobrancelha pra ela.
- Bom, eu chamei o Daryl, mas ele se recusou. Acho que não sou boa o bastante para ele.
- É ele que não é o bastante pra ninguém. – falou. Maggie automaticamente olhou para ela não entendo o que a garota estava dizendo. No dia passado, tinha dito á ela que não sabia esse gostava de Daryl e chegou a flertar com ele. O que será que aconteceu? Ela pensou. – Só mais um caipira burro e insensível no mundo. Não se preocupe Carol, a culpa não é sua. Daryl que é um babaca imbecil.
- E você é minha fã pra falar tão bem assim de mim. – Dixon apareceu na porta da cozinha acompanhado de Rick. Ele estava com uma feição nada boa e Rick estava com cara de confuso. Exatamente como as outras três meninas que estavam ali dentro. e Dixon se encaram por alguns segundos e todos perceberam a tensão entre os dois.
- Se me dão licença, vou arranjar o que fazer. – Ela disse se desencostando do fogão.
- Não vai comer? – Maggie perguntou.
- Perdi a fome. – E assim foi em direção á saída, batendo seu corpo contra o Daryl, tirando-o do caminho. Rick deu espaço para a menina passar antes que ela fizesse o mesmo que fez com Dixon. E todos os olhares passaram para Daryl que estava parado, trincando os dentes em meio á eles.
- Será que dá pra alguém dizer o que foi isso? – Rick perguntou. Dixon se virou e saiu da cozinha também, indo para outro lugar da prisão, mas ele não contava que veria uma discussão no meio do pátio interno onde um cara de mais ou menos trinta anos juntos de mais três moleques gritavam com que estava parada de braços cruzados com cara de tédio.
- Você bateu no meu filho.
- Eu não teria batido se ele não tivesse sido estúpido. Mas acho que é só a convivência, até porque tal pai, tal filho. – Ela disse ainda de braços cruzados.
- Você não acha que é muito petulante não, menina?
- Na verdade eu me acho linda. – Disse ela com um sorriso debochado no rosto, sem se mexer. – Todos acham.
- Da próxima vez que você encostar no meu filho...
- Olha, vamos parar por aqui ok? Não vai adiantar você me ameaçar porque eu não tenho medo. – Ela finalmente aumentou a voz, descruzando os braços e franzindo o cenho. Já estava cansada da voz daquele homem. – E eu irei fazer o que eu quiser com o seu filho caso eu veja que ele está agindo como idiota outra vez. A democracia acabou, não tem mais populares ou excluídos, tem apenas sobreviventes. E se ele quiser sobreviver, é melhor parar de ser um babaca. – E assim se virou para sair. Craggy que estava atrás do pai, ao lado dos amigos, foi em direção a garota. Daryl viu e desceu as escadas mais rápido enquanto estava indo em direção á porta
- Hey. – Dixon disse. Craggy se virou para ele do mesmo jeito que os outros, inclusive fizeram. – Se eu fosse você não faria isso.
- É melhor você ficar fora dessa. O nosso assunto é com a garota. – O pai do menino falou.
- Você ainda não entendeu? Se seu filho encostar nela, ela mata ele. Ou melhor, se ele encostar nela, sou eu quem vou matá-lo. – Dixon disse dando um empurrão no homem. arqueou uma das sobrancelhas. Daryl defendendo-a? Impossível.
- Está me ameaçando? – O homem disse. Daryl abriu a boca para responder, mas se pronunciou antes dele.
- Não. Ele não está! Daryl não vai fazer nada, eu não preciso da proteção dele, sei me cuidar sozinha. – Ela disse encarando os olhos de Dixon que parou alguns segundos para pensar e logo depois falou:
- Estou tentando ajudar você.
- Parece que eu preciso de ajuda? – Ela perguntou aumentando o tom de voz. E lá vão eles de novo.
- Sim, parece! Se eu não tivesse chegado, o garoto teria puxado seus cabelos e fodido com você.
- Aí eu teria socado a cara dele e quebrado seu pescoço antes que ele pudesse dizer ai. – Ela retrucou.
- Foi isso que fez com os caras que te comeram? – O homem perguntou. Todos se viraram para ele. – Escutei bem o que você falou naquele dia. A pobre menina indefesa que foi estuprada. Vai acabar sendo de novo se não mostrar respeito.
A menina ficou estática diante da agressividade das palavras do rapaz. Até mesmo Craggy que estava louco pra se vingar da menina, nunca tinha pensado em falar uma coisa dessas, pois apesar da pose de durão, ele nunca seria tão cruel assim. Lançou um olhar reprovador para o pai, a essa altura, os dois outros meninos que estavam ali já tinha saído e ficado longe da briga, sabendo o que iria rolar. E antes que pudesse abrir a boca para retrucar uma coisa da qual ela não sabia como responder, Daryl a ultrapassou, socando a cara do homem que caiu de bunda com tamanha força. E antes que a sessão de espancamento pudesse começar, Rick apareceu e segurou Dixon pelos braços enquanto Craggy ajudava seu pai a se levantar.
- O que está acontecendo aqui?
- Esse filho da puta me deu um soco.
- Aposto que tem um motivo, Daryl não sai por aí batendo nos outros por qualquer coisa.
- Ele não precisa de motivos para ser idiota. – disse se voltando para a saída, Daryl se soltou de Rick e foi atrás da menina.
- Eu estava defendendo você. – Ele disse agarrando o braço da menina que se virou de uma vez o empurrando para longe.
- Não encoste em mim. E eu não pedi a sua ajuda. – Ela gritou.
- Você poderia ser um pouco mais grata e agradecer.
- E você poderia ser menos burro e entender que eu não quero nada vindo de você. – Ela gritou dando socos no peito de Daryl que ia recuando e tentando desviar os socos da menina que a esse ponto tinha os olhos vermelhos. Dixon segurou os braços dela, em uma tentativa quase falha de segura-la.
- Será que dá pra parar de me bater? – Ele gritou segurando os braços da menina. – Eu quero me dar bem com você, mas não sei como.
parou de tentar espancá-lo ao escutar aquilo. Ela queria muito perdoá-lo, pois mesmo depois do que aconteceu, ela ainda sentia algo muito forte por ele, mas mesmo assim, não dava.
- É! Você certamente não sabe. – Ela disse puxando os braços bruscamente e saindo dali.


Capítulo 11 – Fights and more Fights


A tarde chegou e com ela, Maggie foi tomar seu banho e se aprontar para seu casamento, hoje seria um dia onde eles se esqueceriam do apocalipse, das perdas, das tristezas. De tudo. queria que tudo fosse quase perfeito para Maggie já que as duas se sentem ligadas como irmãs e já que ela estava ligeiramente inspirada e quase totalmente feliz pelo fato de seu irmão estar vivo. Ela ainda não tinha parado para conversar com sobre se ela voltaria com ele ou não. Mas diante dos últimos acontecimentos, a resposta dela seria sim. E as únicas coisas que a impediam de ir embora eram Maggie e . E isso era uma das coisas que ela queria entender, esse apego que ela tem pelo garoto que ela conheceu há pouco tempo, ou o apego dela por Maggie que também á conheceu há pouco tempo. Tudo ainda estava bem confuso em sua cabeça, mas não podia deixar isso transparecer, pelo menos não hoje. Eram quase cinco da tarde e enquanto Beth, Andrea e Carol ajudavam Maggie á se arrumar, ajudava Carl á organizar o lugar onde a cerimônia aconteceria que seria no pátio de trás da prisão. Rick tinha saído junto de Daryl e , eles disseram que iriam procurar uma coisa que estava faltando para o casamento. E isso deixou a menina aflita, o irmão nem tinha terminado de se recuperar e já tinha ido para o campo de batalha mais uma vez. Essa seria mais um dos motivos para ela ir com ele, para cuidar dele. Sem contar que veria toda sua família outra vez.
Após Carl e ela terminarem de colocar os bancos que outros rapazes ajudaram a trazer para fora para que as pessoas se sentassem, a menina foi até seu carro, procurar um cd personalizado que ela tinha á algum tempo para que servisse como trilha sonora da festa. Sabia que mesmo tendo limpado uma boa parte da floresta em volta da prisão, a musica não podia ser muito alta para não atrair mais errantes. Um casamento no meio do fim do mundo. Ela pensou rindo. Isso é que é amor. Hershel devia estar ajudando Glenn a se arrumar também, o coreano é muito desajeitado, iria acabar estragando a roupa.
saiu do carro e vendo que estava tudo quase pronto, entrou na prisão indo em direção á sua cela. Lá abriu sua mala de roupas vendo que não tinha nenhum vestido ou algo relacionado á um vestido, mas tudo bem, qualquer roupa servia. Pegou toalha, uma blusa branca e uma calça com alguns rasgos nas pernas, meias limpas, roupa intima e foi em direção ao banheiro. Ela não poderia se atrasar, pois seria ela quem iria cantar no inicio do casamento, e isso a deixava meio insegura, nunca tinha cantado na frente de tantas pessoas, e não tinha nenhum instrumento para acompanhá-la. Sem contar que a musica que escolheu não estava em nenhum de seus CDs personalizados. Teria que cantar solo.
Entrou no box do banheiro depois de tirar sua roupa e foi tomar seu banho.
estava se encarando no reflexo da caminhonete de Rick. Ele havia acabado de vestir uma roupa que iria usar no casamento da morena. Ela mesma o convidou pessoalmente para ser o par de , mas a menina não sabia disso. Maggie disse á ele que precisava se sentir querida após tudo o que passou e que poderia fazer parte disso, até porque era isso o que ele queria. Passou os dedos pelo topete, ajeitando os fios e sorriu ao se lembrar da primeira conversa que teve com . Quem sabe hoje você conquiste a garota dos seus sonhos? Uma voz falou no interior de sua mente fazendo seu sorriso se aumentar, afinal ela estava certa, ela era garota dos sonhos dele.
Enquanto isso, á pouco mais de meia hora dali, Rick, e Daryl estavam voltando para a prisão com três bolsas cheias de coisas. Isso incluía bebida alcoólica e outras coisinhas a mais que conseguiram. Hoje seria um dia de comemoração e aproveitar apenas um dia sem se preocupar talvez não fosse fazer mal.
Dixon estava meio longe, não estava prestando atenção na conversa que e Rick estavam tendo. Sua mente estava na menina, ele agora se culpava pelos pesadelos da garota e se flagelava por dentro por não tê-la feito ficar na cama com ele, pois por mais que aquilo fosse estranho para ele, era uma coisa que o faria muito bem, até porque ele nunca sentiu tanto calor com apenas o pronunciar do nome dela. Voltou á prestar atenção na conversa dos outros dois rapazes ao escutar falando sobre como a menina era antes de tudo isso começar.
- era radiante. Bem mais do que é agora. Ela sempre foi muito preguiçosa, mas quando pegava pra fazer as coisas, ela sempre conseguia se sair melhor que todos. Era capitã das lideres de torcida, enquanto eu era apenas um punk maluco. Ela era a mais inteligente da turma dela. nunca se meteu em encrenca, pois levava á serio as ordens do papai. Já eu, devo ter sido preso umas duas vezes. Ela era a queridinha de todos, de mim também. E quando pensei que tinha perdido minha irmã foi como se eu tivesse perdido o chão. – Ele dizia enquanto os dois escutavam. Daryl ficou calado, olhando para frente enquanto andava. – Eu realmente espero que ela encontre um cara como ela, mas um cara que a faça feliz, e não chorar. Minha irmãzinha pode parecer forte por fora, mas por dentro é um poço de insegurança e medo. – Dixon abaixou a cabeça, perturbado com o que tinha escutado. Nunca percebeu isso. Quer dizer que ela só se faz de forte? Ele pensou. Rick arqueou a sobrancelha ao notar que enquanto caminhava, Daryl chutou o ar discretamente.
Eles continuaram a caminhada, preferiram ir sem carro para não fazer muito barulho e tinham saído de uma cidade próxima.

(...)


Depois de ter se arrumado, estava escorada em seu carro, observando as coisas em volta, estava esperando voltar, estava preocupada com o irmão. E estava preparada para largar tudo e ir atrás dele caso tivesse um aperto no peito como aconteceu na última vez que o viu antes de tudo acontecer. Estava com os braços cruzados, respirando pesadamente. Eles já deviam ter chegado. Pensou ela. Encarou o sol que estava quase se pondo percebendo que realmente fazia tempo que eles haviam saído.
- Eles já devem estar chegando. – se virou para o lado vendo se aproximando. Ele sorriu e ela também. – Oi.
- Oi. – Ela respondeu olhando-o de cima a baixo. Reparou na roupa que ele usava, blusa preta, jaqueta preta, calça Jeans e tênis. Voltou seus olhos até os do menino. – Tá arrumadinho assim por quê?
- Ah, é que tem uma menina aí que eu to querendo impressionar. – Ele disse misterioso se encostando no carro, ficando ao lado de . Ela semicerrou os olhos e depois voltou á olhar para o portão. – Está muito nervosa?
- ainda não voltou. Claro que estou nervosa.
- Não sobre isso. – A garota o encarou com a sobrancelha arqueada esperando que ele continuasse. – Maggie me contou que você vai cantar hoje no casamento dela.
- Ah, estou um pouco sim. Nunca cantei na frente de tantas pessoas. Maggie me pegou cantando á alguns dias no banheiro e ficou doida com isso. – Voltou á olhar para o portão. – Vou ter que cantar em solo porque não tenho nenhum instrumento, não sei se vai dar muito certo.
- Posso te ajudar com isso. – disse parando em frente da menina, tampando sua visão do portão. Ela franziu o cenho. – Eu trouxe meu antigo violão comigo, talvez eu possa tocar e você cantar.
- Ah meu Deus . – Por um momento, a garota esqueceu o nervosismo e pulou em cima do garoto o abraçando com força. Ele que retribui com prazer. – Você é meu anjo. – E assim deu-lhe um beijo na bochecha fazendo-o ficar vermelho.
- Qual musica é?
- Love Story.
- Jessica é louca pela Taylor. Vai adorar saber que você vai cantá-la na festa. – Ele falou ainda com as mãos na cintura da menina. Os olhares bateram e os dois ficaram paralisados. via algo nos olhos de que mais ninguém podia ver e ela não sabia dizer o que era aquilo, mas achava aquilo engraçado, estranho, mas engraçado. Sorriu e passou a mão pelo topete do menino. Ficava indignada por se sentir tão confortável nos braços de alguém que não fosse Daryl. E ficava assustada por admitir que se sentia confortável nos braços de Daryl depois do que aconteceu. Voltou á prestar atenção nos olhos verdes e brilhantes do menino que agora sorria bobo por estar passando por essa situação.
- ! – Ela escutou alguém gritar seu nome e olhou por cima do ombro de , vendo seu irmão correndo em direção é ela e os outros dois rapazes entrando no local. Daryl a encarou junto de e acabou que fechando o portão com muita força, enquanto Rick o olhava confuso. Ela piscou algumas vezes saindo do transe de segundos atrás e voltou á olhar para que ficou mais vermelho e se afastou dela, soltando-a e sorrindo médio. Ela fez o mesmo. – E aí .
- .
- eu te trouxe uma coisa. – Disse entregando uma sacola para a menina que pegou e olhou para dentro dela. – Não achou que eu ia deixar minha irmãzinha cantar na frente de um monte de gente vestida como uma punk doida, né?
- Onde conseguiu isso?
- Não se preocupe, ninguém irá sentir falta. – Ele disse sorrindo. Nesse momento, Daryl passou e esbarrou seu ombro contra o de que o olhou confuso igualmente aos outros. esticou o pescoço e encarou Dixon entrando na prisão. Olhou para que também olhava para Daryl. Rick passou e o encarou. Os dois estavam pensando na mesma coisa.
- Bom, vá se arrumar, está quase na hora. – disse. acenou para os dois e seguiu correndo em direção á prisão, deixando o irmão e sozinhos. – Você tem um problema. – o olhou de cenho franzido. – Tem outro cara na parada, se quiser conquistar minha irmã, faça logo. E se machucar ela, eu te mato. – E assim saiu deixado o outro rapaz de olhos arregalados e totalmente desnorteado por escutar o que tinha escutado. havia gostado de e havia falado sobre ele. Acabou de perceber que ela não contou á ele que Daryl também gostava dela. Mas se fosse para ele escolher por ela, ele escolheria Daryl, não por gostar mais dele ou algo assim, mas sim porque viu o que ele é capaz de fazer com uma flecha e sabia que ele saberia proteger sua irmã de qualquer coisa ou qualquer um.
entrou na cela onde Maggie estava e viu que ela estava pronta. O vestido tinha servido e estava com uma coroa de floresta na cabeça. Perguntou-se onde ela tinha conseguido aquilo, mas resolveu não tocar no assunto.
- Tudo pronto? – Ela perguntou.
- Sim. Só falta o noivo. – Andrea falou.
- Você vai assim? – Beth perguntou. se virou para ela.
- Não. Vou trocar de roupa...
- Maggie... – As cinco garotas escutaram a voz de Glenn se aproximando. No mesmo momento em que parava em frente á cela, impedindo que o coreano entrasse, Maggie se abaixou atrás das outras garotas.
- Tá fazendo o que aqui? O noivo não pode ver a noiva no vestido antes do casamento. Rala peito. – Ela disse empurrando o rapaz.
- Mas eu tenho que falar com ela.
- Falar o quê?
- O casamento vai começar.
- E o que você está fazendo aqui Glenn? Quem se atrasa é a noiva, não o noivo. Vai pra lá que ela já está indo. Anda. – E assim o empurrou até as escadas onde ele desceu inconformado e foi em direção ao pátio de fora da prisão. A menina voltou correndo até a cela. – Ok. Vai começar. Eu vou me trocar. Andrea diga para o Hershel que a Maggie já está indo. Chame o e diga para ele me esperar no pátio de dentro com a Maggie. Eu já volto. – saiu correndo em direção á sua cela que não ficava longe dali, teve que subir apenas um lance de escadas. Pegou animadamente o vestido dentro da sacola que seu irmão havia lhe entregado e deu um gritinho excitado. Nem se lembrava qual foi à última vez que vestiu um vestido em sua vida. Jogou a roupa em cima do beliche enquanto tirava suas vestes. Logo depois passou o vestido preto pelo tronco o ajeitando no corpo. Olhou para os pés e riu ao ver o coturno. Eu não tenho salto alto e nem sapatilha, vou de coturno mesmo. Pensou risonha. Saiu da cela e calmamente foi descendo as escadas. Ao pisar no ultimo degrau, andou pelo corredor e olhou para baixo, para o pátio e viu Maggie e conversando. sentiu algo e olhou para cima, batendo seu olhar no de e sua boca quase foi ao chão. Seu coração acelerou ao ver a garota se aproximando. Greene olhou para onde o menino estava olhando e sorriu também.
- Você está linda.
- Faltou o sapato certo. – disse rindo e apontando para os pés.
- Não. Você está linda assim. – disse admirado e logo depois balançou a cabeça saindo do transe, sorrindo sem graça. – Vamos?
- Sim. Maggie, quando você ouvir a palavra Romeo, pode sair e seguir o caminho até o Glenn, ok? – disse tocando o braço da menina que estava quase não se agüentando e chorando. Maggie assentiu. A menina e seguiram até a porta da prisão. Ele estava com seu violão passado pelos seus ombros, ela estava tremendo. Quando ele começou a tocar e já estava dando um passo para fora da prisão, agarrou seu braço tremendo. Ele a encarou e sorriu, reconfortando-a. Fez a menina passar o braço pelo seu e assim caminharam para fora, vendo todas as pessoas em pé, esperando pela noiva. estava tocando. Era hora de a menina fazer algo. Quando pararam entre a última fileira de cadeiras, ela começou:

We were both young when I first saw you
Nós éramos jovens quando te vi pela primeira vez
I close my eyes and the flashback starts
Fecho meus olhos e começo a lembrar
I'm standing there, on a balcony in summer air
Eu estava aqui na varanda, ao ar de verão

See the lights, see the party, the ball gowns
Vejo as luzes, vejo a festa, os convidados
See you make your way through the crowd
Te vejo andando em meio à multidão
And say "hello", little did I know
Você disse "olá", logo eu soube

Daryl que estava nas primeiras fileiras ao lado de Carol e , esticou um pouco mais o pescoço e seus olhos se arregalaram ao ver a menina de vestido. Seu coração bateu mais forte. Observou também que ela estava de braço dado com o menino e semicerrou os olhos imediatamente, mas no momento se importava mais em ver a garota cantando. Nunca tinha a ouvido cantar, Maggie realmente surpreendeu a todos botando para apresentar uma música. Jessica que estava no meio das fileiras junto de suas amigas sorriu grandiosamente ao escutar a musica de uma das pessoas que ela mais admirava na vida. E que continua admirando.

That you were Romeo…
Que você era Romeu…


Maggie saiu do pátio inferior da prisão, indo em direção ao seu casamento com o buquê nas mãos.

... you were throwing pebbles
…você estava jogando pedras
And my daddy said "Stay away from Juliet"
E meu pai disse "Fique longe de Julieta"
And I was crying on the staircase
E eu estava chorando na escadaria
Begging you please don't go
Implorando para você não ir

estava orgulhoso da irmã, sabia o quanto ela gostava de cantar e o quanto aquilo fazia bem á ela. Encarou Daryl que encarava a menina quase que possessivamente. Ele não estava gostando nada dela estar cantando junto de . Daryl não queria admitir que sentia ciúmes, mas na verdade ele sentia sim. Sentia por gostar da garota do jeito que nunca gostou de ninguém, mas nunca admitiria isso. Ele não podia fazer isso.
Glenn que já estava ansioso e nervoso, ficou ainda mais ao ver Greene atrás dos dois jovens. olhou para , pedindo ajuda á ele que resolveu acompanhá-la na musica, cantando junto com ela.

And I said
E eu disse
Romeo, take me somewhere we can be alone
Romeu, me leve a algum lugar onde possamos ficar sozinhos
I'll be waiting, all there's left to do is run
Eu estarei esperando, tudo que faremos é correr
You'll be the prince, and I'll be the princess
Você será o príncipe e eu serei a princesa
It's a love story, baby, just say yes
Esta é uma história de amor, querido, apenas diga sim


Eles pararam de cantar e tocar ao chegar ao altar improvisado e olharem para Maggie que já derramava lágrimas. Rick estava ao lado de Andrea, e Carl que estava junto de Beth, abraçaram Maggie e quando chegou á vez de , ela deu um abraço e sussurrou Só diga sim para ela que assentiu. A menina agarrou a mão de e o puxou para o fim das fileiras, se sentando com ele lá atrás. Ela ainda tremia, mas á abraçou, reconfortando-a, mais uma vez. O casamento tinha começado.

(...)


- ... Você aceita Maggie Greene como sua legitima esposa? – Hershel fez a última pergunta á Glenn que, olhando nos olhos de Maggie assentiu.
- Sim.
- Então eu vos declaro Marido e Mulher. Pode beijar a noiva, mas não exagere, criança.
E assim o beijo aconteceu e todos dali aplaudiram de pé. lançou um olhar cúmplice para e se levantou indo em direção ao carro. O garoto á seguiu. Ele abriu a mala do veiculo e ela ligou o som. Está na hora da festa começar. Pensou ela ao dar play na musica. Saiu do carro já dançando enquanto as pessoas seguiam até a mesa improvisada que tinha ali para a comida que Carol havia preparado com a ajuda de outras mulheres do local. Outras pessoas, como os mais jovens, fizeram um grupo perto do Nissan para dançar a balada que tocava não muito alto nos auto falantes do veiculo da menina. Beth que desde o começo estava chateada por nenhum garoto ter ido falar com ela, olhava com um olhar cheio de magoa para que dançava junto das outras pessoas. Todos prestavam atenção nela, todos queriam ela. Viu uma garrafa com um liquido marrom e a agarrou, saindo do meio das pessoas com ela.
Daryl se encostou em um lugar. foi até a irmã que dançava animada ao lado de Jessica, a garotinha que era amiga da irmã de .
Fazia tempo que ele não dançava, por que não fazer isso agora?


Capítulo 12 – More Problems


Após algum tempo, já estava escurecendo por ali, as luzes do lado de fora da prisão foram ligadas como nunca fizeram antes, usando um pouco da energia dos geradores, provavelmente no dia seguinte as grades estariam cheias de errantes, mas eles resolveriam isso depois.
A música que agora tocava era romântica. Ela fez isso especialmente para Maggie e Glenn dançarem. Tudo aquilo que Glenn fazia por ela. Ela gostava de vê-los juntos. Não era uma valsa, mas dava para o gasto. sorriu ao ver que mesmo no fim do mundo ainda tinha muitos casais apaixonados. Até mesmo Andrea e Rick estavam dançando juntos. Isso mostrava á ela que mesmo nos tempos difíceis, era bom ter um momento com musica. estava abraçado com uma garota, os dois dançavam, mas sabia que seria questão de tempo até que os dois ficassem. sempre foi muito bom de papo e ela era muito bonito também. Os cabelos castanhos e os olhos verdes. Estava usando uma roupa bem diferente da que ele usava quando o encontrou. Não estava mais com a farda preta das forças especiais do exercito americano que provavelmente seu pai deu á ele. Usava uma camisa branca com uma calça Jeans e um tênis. Estava vestido com se vestiria em um dia normal. cruzou os braços se sentindo vitoriosa já que tudo estava dando certo. Só faltava uma coisa...
- Tá gostando do show? – Ela tomou um susto ao ouvir alguém falar ao seu lado. Ao se virar, deu de cara com Daryl encarando-a de braços cruzados.
- Gosto de ver pessoas felizes.
- Foi você quem fez a festa e nem é você quem está dançando.
- Pois é! Só estou esperando alguém convidar. Mas fique calmo, não espero que seja você. – E assim saiu. Daryl ficou boquiaberto sem nada pra falar. Odiava quando ela lhe dava respostas que ele não conseguia pensar em uma melhor. Sem contar que ele havia chegado ali apenas para tentar se reconciliar com a garota que logo lhe deu um fora secamente. Ele riu. Essa garota é das minhas. Pensou ele e ficou encarando enquanto ela se misturava entre as pessoas. Ela andava entre os casais, sorrindo maravilhada com o que via. A música continuava. Era uma de suas preferidas. Come back To Bed.
- Por que você não está dançando? – Alguém pergunta atrás dela. Ao olhar para trás, a garota vê indo a sua direção. Sorrindo, ela responde:
- A princesa aqui ainda não achou um cavalheiro para convidá-la á dançar.
- Não seja por isso, princesa. Seu príncipe está aqui apenas esperando que você lhe dê a mão. – Ele disse esticando a mão para ela. sorriu e a segurou. puxou-a para perto. Colocou as mãos na cintura dela enquanto ela colocava as mãos em seus ombros.
Começaram a se movimentar lentamente de um lado para o outro. Sorrindo, juntos.
Daryl, de onde estava, podia vê-los. Perguntava-se por que ele simplesmente não a convidou para dançar. Talvez ficou com medo de parecer ridículo se ela não aceitasse. O que é óbvio que aconteceria. Mas a única coisa que queria agora era estar no lugar de . Oxigenado idiota. Pensou ele.
Rick, de onde estava pode ver a expressão de Daryl e olhou para onde ele estava encarando. Daryl se afastou e foi para dentro da prisão. Rick balançou a cabeça.
- O que foi? – Andrea perguntou.
- Daryl parece estar com ciúmes de .
- Eu a prefiro com .
- Por quê? – Ele perguntou olhando para ela.
- Por que o não é um idiota. E ela precisa de um porto seguro, não de um caipira bipolar, mal humorado que vai ficar dando patata nela dia e noite.
- Ok, Senhorita sou Fã do . Me convenceu. – Rick disse rindo. Mas ele pensava diferente da loira. era legal e pelo olhar ele sabia que era apaixonado pela menina, mas com Daryl ela ficaria mais segura, pois conhecia bem a personalidade do rapaz, Dixon sempre faz de tudo para que todos fiquem bem, com ela não seria diferente. Talvez ele fizesse até mais só pra garantir que ficasse viva. Já não tinha muito o perfil de “herói”, mas talvez a menina fosse mais feliz com ele, por eles serem quase da mesma idade e por ter mais coisas em comum, mas a escolha era dela, somente dela.
estava com a cabeça encostada no peito de . Ele gostava de estar tão próximo á ela desse jeito. Sentia-se completo e sentia que não precisava de mais nada estando com ela. Foi amor a primeira vez.
- Como você está? – Ele perguntou enquanto eles rodavam lentamente.
- Estou bem, por que a pergunta?
- Por nada, eu só me preocupo com você e queria saber se estava tudo bem. – Ele murmurou sentindo o perfume do xampu da menina. Ele ficava indignado por ela cheirar tão bem em tempos onde as pessoas nem costumavam tomar banho pra não gastar água. Isso era uma das coisas que ele gostava nela.
A música mudou. Era mais animada. soltou um gritinho animado fazendo rir alto. Essa era uma das outras coisas que o fez se atrair por ela, a animação exagerada.
- Eu não sabia que tinha essa musica. – Ela disse balançando os braços de . - I see you driving round town With the guy I love and I'm like, Forget you! – Ela cantarolou se balançando de um lado para o outro nos braços do menino que começou a se balançar animadamente com ela, até que ela começou a dublar a musica, saiu dos braços do garoto, mas deu as mãos para ele enquanto cantava e dançava jogando os cabelos para os lados. O garoto começou á dar rodopios com ela, ele estava pronto para fazer o que queria fazer. Deu um giro na garota e a puxou de uma vez contra si. Ela apoiou suas mãos no ombro do menino, assustada pela brutalidade de tal ato, não que ela tivesse se machucado, mas não esperava algo assim vindo do garoto. – ... – Ela começou, mas o garoto selou-lhe os lábios impedindo-a de falar alguma coisa, ele faria primeiro, se arrependeria depois. E o que ele achava impossível aconteceu, ela retribuiu o beijo levando as mãos para a sua nuca, se aproximando mais dele.
Daryl, de onde estava, deixou os braços caírem ao lado do corpo ao ver a cena. Sua respiração instantaneamente se acelerou quando ele sentiu a raiva subindo por suas veias. Engoliu em seco e saiu dali pisando fundo, indo em direção ao outro pátio da prisão, longe daquilo. Em seu caminho, esbarrou em varias pessoas que o lançava um olhar de Você é louco? E ele apenas se perguntava por que teve que fazer aquilo que ele fez. Por que ele simplesmente não a fez dormir com ele? Ou por que ele não seguiu os conselhos do próprio irmão da menina e a conquistou de uma vez? Essas dúvidas apenas deixavam sua cabeça ainda mais confusa.
se afastou de ainda de olhos fechados, ainda surpresa com o que tinha acabado de acontecer. O garoto encostou sua testa á dela e sorriu ainda sentindo o gosto da menina em seus lábios. A garota não podia negar que havia gostado daquilo, mas tinha uma coisa errada. E se Daryl tivesse á visto? Com esse pensamento, ela abriu os olhos e olhou para os lados, procurando pelo rapaz sem sucesso algum. Voltou á olhar para o garoto quando sentiu a mão dele tocando-lhe o rosto.
- Desculpe, eu tive que fazer isso.
- Está se desculpando por ter me beijado?
- Não, estou me desculpando por não ter pedido permissão. – Ele disse acariciando a bochecha da menina com o polegar. Ela sentiu uma grande necessidade de ganhar um abraço, e como uma criança carente, passou os braços pelo pescoço de enquanto ele a abraçava pela cintura. Por ele ser mais alto que ela, ele a levantou um pouco do chão fazendo-a sorrir e logo depois soltou um suspiro.
- Eu vou trocar essa roupa, daqui a pouco eu vou levar a Maggie e o Glenn pra um lugar e não é bom dirigir com vestido.
- Tudo bem. – Ele sussurrou colocando-a no chão. – Vai lá. – Disse o garoto dando um beijo na bochecha. Ela saiu, seguindo o caminho para dentro da prisão, subindo as escadas, passando por um corredor e entrou em sua cela. Se encostou na parede e parou para pensar no que tinha acabado de acontecer. Eu beijei o ... O me beijou... Isso não devia ter acontecido. Depois tocou os lábios com os dedos e sorriu. Ou talvez devesse ter acontecido sim. Pensou. Tirou o vestido vestindo suas calças e sua blusa. Ouviu um barulho de vidro quebrando e franziu o cenho. Terminou de se vestir e pegou as armas botando-as nos suportes. Desceu as escadas escutando o barulho ficar mais alto.
Ao passar pela porta da cozinha, vê uma garrafa voando lá dentro e acertando a parede, se partindo em milhares de pedaços. Caminhou em direção á porta e se assustou ao ver quem estava jogando-as na parede.
- Beth! – exclamou de cenho franzido, ainda tentando assimilar tudo aquilo que estava vendo. E a menina loira se virou para ela. O rosto inchado, as bochechas molhadas e os olhos vermelhos.
- Por que você faz isso? – Beth perguntou. arqueou uma das sobrancelhas não entendendo a pergunta.
- Olha, você tem que especificar. Eu faço tanta coisa...
- Por que você sempre quer a atenção de todos para você? – Beth gritou fazendo a outra garota arregalar os olhos com o que estava presenciando. – Era para eu ser a menina destaque do casamento da Maggie, era para os garotos me acharem bonita e desejarem falar comigo, mas você estragou tudo. – Continuou gritando
- Hey, abaixe o tom da voz e se acalme. Você está bêbada? – Perguntou indo em direção a garota. Mas Beth acabou se sentindo ameaçada e socou o ar, passando perto do rosto de . Se ela não tivesse desviado, a mão da menina loira teria acertado em seu rosto. – Ficou maluca? Por que está me atacando?
- Porque você estragou tudo. Eu era para ser a mais bonita. Era para eu ter dançado com . Era para eu ter cantado na festa. Mas não, a Maggie só te deixou cantar na festa porque ficou com pena de você. – deu um passo para trás com a agressividade das palavras. – Porque ficou com pena da menina que foi estuprada e que passou mais de um ano fugindo, sendo mal amada, usada, que foi abandonada pelos pais por ser um peso morto. – Beth gritava mais e mais alto.
- Beth o que você está fazendo? – Hershel apareceu na porta com um olhar indignado ao ouvir e ver a filha mais nova falando todas aquelas coisas. Encarou o lugar cheios de cacos de vidro pelo chão, ficando aterrorizado com a idéia do que podia estar prestes á acontecer. Sabia muito bem o que acontecia quando alguém tocava no assunto do passado de . encarava a outra menina ceticamente. E antes de Hershel continuar, para dar uma bronca na menina loira, se pronunciou.
- Você fala que eu só quero a atenção de todos, mas eu vi as marcas no seu pulso. Eu posso ter sido abandonada pelos meus pais, posso ter sido estuprada, mas eu não tentei me matar por causa disso, pois eu sabia que eu era mais forte que isso. – falou. Beth abriu a boca para se pronunciar, mas continuou. – Então ao invés de você se fazer de coitadinha e ficar choramingando pelos cantos porque os garotos não prestam atenção em você, você deveria fazer algo útil como, por exemplo, parar de ser um pé no saco para todo mundo e tentar matar algum errante. – gritou com magoa e raiva na voz. Hershel e Beth ficaram calados. – Da próxima vez que for tentar me dar um soco, eu te aconselho que esteja sóbria, que acerte e que me mate, pois eu juro, se isso acontecer de novo, eu vou revidar. E se quiser se matar, dê um tiro na própria cabeça porque vai nos poupar muito trabalho caso tivermos que te matar depois de você virar um cadáver ambulante.
- . – Hershel a repreendeu, mas não ouviu. Saiu da cozinha da prisão e foi em direção ao seu carro no pátio. Encostou-se ao capô e fechou os olhos respirando fundo ainda tentando acreditar no que tinha acabado de ouvir. Mais essa agora. Pensou.
Daryl que estava dentro da prisão, depois de ouvir a gritaria de Beth e , resolveu falar com ela. Seguiu para fora, avistando a menina encostada em seu carro de braços cruzados. Foi em direção á ela, mas Rick a alcançou primeiro, o fazendo parar no mesmo lugar.
- Você está bem? – Rick apareceu ao lado de , se encostando ao seu lado.
- Beth acabou de jogar na minha cara que a culpa pelos garotos daqui não prestarem a atenção nela é minha. Pode isso? – Ela olhou para Grimes indignada. – Só porque ela é uma branquela raquítica e medrosa não quer dizer que a culpa dos garotos não notarem ela é minha.
- A Beth? Ela não falaria uma coisa dessas.
- Pergunta pro Hershel, ele ouviu a conversa. – Retrucou de olhos fechados. Agora entendia que todo mundo acha que ela realmente é uma coitadinha. – No começo ela parecia ser legal, parecia que seriamos amigas, mas pelo que estou vendo, ela não gosta muito de mim. Carol acha que eu me assanho para o Daryl e agora a Beth me odeia. Eu fiz algo errado?
- Não. É só todo esse estresse. Você sabe, nós só queremos que esse pesadelo acabe. – Ele disse simplesmente e so dois ficaram calados. A musica estava baixa e graças a Deus não tinha aparecido nenhum errante na cerca ainda. Seria uma noite tranqüila para todos, menos para que acabou de passar por aquela situação. – O que aconteceu entre você e o Daryl? – engoliu seco ao escutar aquela pergunta.
- Nada. Por que a pergunta?
- Você estava estranha hoje. Na cozinha vocês dois trocaram farpas, passou a tarde evitando ele e agora está fazendo a mesma coisa, se mantendo afastada dele. Eu presumo que algo deve ter acontecido.
- Não aconteceu nada. Só Daryl sendo o Daryl. Irritante e babaca.
- O que ele fez? – Rick perguntou. se manteve em silencio. – , você tem que me dizer para que eu possa fazer algo.
- Não tem nada o que fazer porque não houve nada Rick. – Ela disse olhando dentro dos olhos de Grimes. – Daryl não fez nada, eu só estou em um mal dia. Amanhã vai tudo melhorar.
- Tem certeza?
- Absoluta. – Disse sorrindo, confiante. Rick a acompanhou. Logo após escutaram um grito de Andrea dizendo que Maggie iria jogar o buquê. Depois a loira apareceu puxando pelo braço, levando ela para o meio da aglomeração de garotas que tinha ali. Ela não acreditava nessas coisas, mas se divertia estando entre todas aquelas risadas. Greene subiu em cima de uma cadeira e ficou de costas para todas aquelas meninas.
- 1... 2... 3 e... JÁ! – Gritou e assim jogou o buque para trás. Todas as garotas começaram a pular, querendo pega-lo. deu passos para trás, apenas para sair da aglomeração, quando algo bate no seu peito. Como reflexo ela levantou os braços e viu o buquê em suas mãos. Arregalou os olhos e levantou a cabeça olhando para todos. Algumas garotas a olhavam feio, outras sorriam. Maggie desceu da cadeira sorrindo assim como Andrea também fazia.
- Isso não valeu. Eu nem estava perto. Joga de novo Maggie. – Ela disse estendendo o buquê para a morena que negou com as mãos.
- Não. Você pegou. É a próxima a casar. – Greene disse sorrindo. No mesmo momento, e Daryl que estavam perto olharam para a menina que começou a rir com o que a morena havia falado. – Escolha o seu pretendente.
parou ao escutar aquilo. Meu pretendente. Ela pensou. Involuntariamente olhou discretamente para Daryl, fazendo com que só ele percebesse aquele gesto. O que estou pensando? Ele não é homem para isso. Não é homem para mim. Pensou novamente. Balançou a cabeça afastando os pensamentos e encarou Maggie.
- Chase Crawford, por favor. – Ela disse rindo.
- Não temos o Chase, mas... Temos ele. – Andrea se pronunciou puxando pelos braços enquanto o menino ria sentindo as bochechas arderem. Daryl rolou os olhos impaciente. Andrea era Team . Achava que ele sendo carinhoso e gentil seria melhor para do que Daryl sendo grosso e até agressivo de vez em quando.
- Não. Fofo de mais. – Ela disse fazendo com que o menino gargalhasse alto. adorava o riso de . Era realmente animador. – Mas agora chega de farra pra vocês dois. – A menina apontou para Glenn e Maggie. – Entrem no meu carro, vou levá-los ao lugar onde iram passar a lua de mel. – Disse. Os dois ficaram totalmente confusos com o que a menina disse, mas Glenn viu o olhar confiante de e fez Maggie passar seu braço pelo dele. Os dois sorriam. foi até o carro, fechou a mala e abriu a porta de trás do carro, apontando para dentro enquanto sorria. Os recém casados caminharam em direção ao carro, acenando para os outros e entraram. A menina fechou a porta e entrou no banco da frente. Virou-se para trás. – Prontos para sair um pouco do mundo desolado e viver uma noite de amor como deve ser? – Ela perguntou. Maggie tinha lágrimas nos olhos, mas os dois assentiram. Logo após, a porta do banco carona foi aberta e Dixon entrou batendo-a com a Crossbow no colo. cerrou a mandíbula sentindo o sangue ferver ao vê-lo entrar no seu carro. Glenn ficou em alerta.
- Eu vou com vocês, por segurança. – Daryl disse simplesmente. estava pronta para xingá-lo, mas lembrou-se de que Maggie não sabia de nada e não queria estragar o momento dela com uma briga idiota com Daryl. Então a menina apenas sorriu e assentiu se virando para frente e colocando o cinto enquanto Rick abria o portão para eles.
arrancou, acelerando o carro, percebendo que não tinha mordedores por ali. Por enquanto. Entrou na rodovia e seguiu o caminho que fazia para ir até Atlanta.

(...)


Após algum tempo dentro do carro, estacionou em frente á casa que ela tinha achado com , no meio da floresta. Maggie, Glenn e até Daryl saíram do carro maravilhados com o que estavam vendo. os guiou até a porta e a abriu. Deu uma olhada lá dentro, para ver se nenhum errante tinha entrado ali. E constatou que tudo estava seguro. Voltou á sala onde todos estavam.
- Bom, eu achei esse lugar ontem e achei que seria uma boa idéia trazê-los aqui. Tem vários quartos lá em cima, escolha o de vocês e aproveitem.
- Você é incrível. – Maggie disse abraçando a menina.
- Ah, eu sei. Vou ficar no carro, por precaução. Qualquer coisa, gritem... – Falou, mas logo depois pensou. – Ou melhor, quaisquer coisas peçam por socorro, assim eu vou saber que estão em perigo e não que estão fazendo outras coisas. – Terminou de falar rindo e recebendo um tapa de Maggie que ria junto.
- Obrigado. – Glenn disse puxando Maggie pra um abraço. Os dois foram então em direção a escada.
- Não esqueça que você tem que carregar a Maggie pra dentro do quarto pra ter sorte. – A menina gritou para o casal que estava já no fim da escada pro segundo andar. Logo após, se virou dando de cara com Daryl que continuava de braços cruzados com a besta no ombro. Passou por ele sem encará-lo e foi até seu carro onde entrou e ligou o radio trocando de uma musica romântica que tinha em seu cd pra uma mais agitada. A porta do carona foi aberta e Daryl entrou. Ela o encarou cética, esperando que ele disse o queria e saísse logo dali.
- Por que você está aqui? – Ela perguntou impaciente. – Tem um sofá lá dentro da casa, pode dormir tranquilamente por lá. Eu quero ficar sozinha.
- Tenho certeza que você não quer ficar sozinha. – Ele disse simplesmente voltando seu olhar pra ela que sorriu cínica.
- Tem razão, eu não quero ficar sozinha, quero ficar junto de qualquer pessoa no mundo que não tenha Daryl Dixon na certidão de nascimento.
- Você não parecia tão irritada ontem à noite.
- Você quer dizer depois que você me expulsou da cela após transarmos na noite passada? – Ela perguntou soltando um riso sarcástico. A única coisa que estava a impedindo de enfiar o pé na cara de Dixon era o poder que tinha pra colocar sarcasmo em tudo e se divertir vendo o rosto dele começar a ficar vermelho.
- Quando você estava beijando o oxigenado hoje, parece que não se lembrou que tinha transado comigo na noite passada. – Ah, é por isso que esta aqui. Ela pensou. O Filho da puta acha que é meu dono. Pensou novamente.
- O que eu faço a minha vida não é problema seu Dixon. – Respondeu ela entoando a voz.
- Mas é claro que é! Você transou comigo e depois beijou aquele moleque. – Ele aumentou o tom de voz apontando o dedo para ela. E só Deus sabe o quanto ela odeia que apontem algo pra ela.
- Tá com ciuminho, é? – Ela disse fazendo biquinho debochado. Depois soltou um riso sarcástico e murmurou algo como “demorou de mais pra demonstrar” o que irritou Daryl ainda mais.
- Não, eu não fiquei com ciúme. Só achei que você não fosse uma vadia como todas as outras, mas me enganei.
A menina ficou sem palavras ao escutar aquilo. A respiração acelerou e a vontade de socar a cara de Daryl aumentou.
- Sai do meu carro. – Ela disse entre dentes, depois olhou para frente, tirando ele de seu campo de visão. – Sai daqui agora. – Ela gritou com mais força. Daryl saiu batendo a porta e foi direto para dentro da casa deixando a garota sozinha no carro.
Seguiu até a cozinha e se escorou no balcão respirando fundo. Viu uma garrafa de whisky caída em cima da mesa de jantar. Ela estava fechada, quase pela metade. Encarou-a por mais alguns segundos antes de seguir até ela, abri-la e começá-la a tomar nos goles. Ainda com a Crossbow na mão e a garrafa na outra, ele saiu da casa, passando pelo carro de que o encarou enquanto ele caminhava até o outro lado da estrada e entrava na mata. Respirou fundo e encostou a cabeça no encosto do banco. Isso que dá confiar naqueles que não merecem sua confiança. Pensou ela antes de fechar os olhos e minutos depois cair no sono.
Daryl andava pela floresta sem rumo, sem nem ao menos ser porque estava ali. Só andava. Não sabia se o que sentia era culpa por ter falado aquilo para a menina ou se era só a vontade insuportável de acertar uma flecha na cabeça de . Ou se era os dois juntos. o deixava confuso e mais irritado do que sempre. Mas também o deixava feliz e o fazia querer beijá-la sempre. Coisas que não se misturavam com a vida que ele tinha antes de tudo o que aconteceu. Ao terminar de secar a garrafa, jogou-a contra uma arvore vendo-a se despedaçar em centenas de pedaços. Logo após escutou um barulho e se virou para trás, pegando sua Crossbow e apontando para o mesmo lugar. Foi uma má ter ido pra lá. Viu dezenas de zumbis aparecendo em meio à escuridão. O caminho de volta estava bloqueado, teria que achar outro caminho pra seguir. Correu na direção oposta que tinha vindo, entrando no meio de árvores que tinham passagens estreitas, pisou em falso e acabou rolando por um barranco de no mínimo cinco metros de altura, perdendo a consciência ao bater a cabeça.

(...)


A menina que dormia no carro acordou em um sobressalto ao sentir uma repentina falta de ar. Piscou os olhos algumas vezes tentando focalizar sua visão que estava embaçada. Abriu a porta e saiu do carro olhando para os lados e escutando tudo. Estava quieto. Quieto de mais. Caminhou para dentro da casa e parou ao ver que Daryl parecia não ter voltado. Fez menção em subir as escadas, mas não queria atrapalhar o que Maggie e Glenn faziam, e muito menos escutar. Sabia que Daryl não estaria lá me cima. Saiu da casa fechando a porta e deu um volta em torno dela. Ele realmente não tinha voltado.
Foi até seu carro, abriu a mala pegando alguns sinalizadores de neon verdes e enfiou no bolso da calça. Eram seus últimos e provavelmente demoraria á achar mais. Fechou a mala travando o carro e sabendo que Glenn e Maggie ficariam seguros enquanto estivessem dentro da casa trancada, foi na mesma direção em que Daryl tinha ido. Por mais que ela soubesse que ele sabia se cuidar muito bem, ele poderia ter se metido em problemas e isso a assustava. Ódio era uma das coisas que era difícil para ela sentir. Só em casos extremos ela sentia isso. E com Daryl era mais vontade de dar uns socos na cara dele do que odiá-lo. Pelo menos por enquanto era.
Ela não sabia que horas eram. Não estava com seu relógio, mas pela friagem deveria ser umas duas da manha. Uau, acordei bem na hora de ter pesadelos. Pensou ela. Pelo menos pra alguma coisa você serve Dixon. Pensou ela novamente.
(...)

Após algum tempo desacordado, Dixon abriu os olhos sentindo a cabeça latejar. Seu corpo estava dolorido após a queda e estava uma escuridão total onde ele estava. Sua perna ardia após ter cortado-a com um galho. Não sabia onde sua Crossbow estava. Não conseguia ver o que estava em sua frente ou onde ele estava, só que estava em cima de algo macio e que havia arvores enormes em sua frente. Também não sabia o que faria para sair dali. Sentou-se com dificuldade, a visão estava turva, a bebida era forte. Ficou em silencio escutando os gemidos e grunhidos dos errantes que estavam em cima do barranco. Encolheu-se contra a parede de terra sem fazer barulho. Sua única chance era esperar que amanhecesse pra conseguir sair dali com mais segurança. O céu estava nublado, ou seja, sem chance da lua iluminar o caminho pra ele. Se ele pelo menos tivesse como pedir ajuda. Mas nessas circunstâncias, a única que poderia ajudá-lo era a garota, porém nesse momento ela deveria estar querendo matá-lo.
(...)

A menina agora andava no meio da mata, com dois iluminadores na mão, apontando para o chão, iluminando seu caminho. A outra mão carrega seu silenciador. Outra das coisas que ela detesta é andar no meio de florestas escuras a noite. Ainda mais em um breu como esses. Sentia-se em um filme de terror, não que sua vida já não fosse um, mas era uma coisa mais como pânico na Floresta onde aqueles montes de canibais corriam atrás dos protagonistas com um machado ou com qualquer coisa que pudessem lhe arrancas as cabeças. Ela sabia como se defender de humanos e errantes, mas não sabia se defender de um machado afiado.
Andando um pouco mais, percebeu que alguém havia passado por aquele caminho recentemente.
- Daryl? – Ela chamou sussurrando. Não houve resposta. Continuou a caminhar, olhando para os lados e escutando apenas seus passos por cima de algumas folhas secas no caminho. Viu algo brilhante no chão e ao se aproximar, reparou que eram cacos de vidro. Agachou-se e pegou um deles na mão, ainda estava úmido. Alguém havia passado por ali. Alguns passos para frente, ela encontrou uma das flechas dele e então o desespero começou. – Daryl? – Ela gritou ao continuar caminhando, procurando pelo rapaz. Chegou á algumas arvores que tinham uma passagem estreita. Ao conseguir passar por elas, se segurou em um dos galhos ao perceber que estava indo direto para um barranco. Respirou fundo depois de passar o susto. Estava escuro de mais. Jogou os dois iluminadores de neon nesse mesmo lugar, para saber a profundidade daquele buraco. Contou os segundos que eles demoraram para acertar o chão. Cinco segundos. O que era equivalente á 5 metros de altura. Suspirou aliviada por não ter caído ou poderia ter se quebrado inteira. Estreitou os olhos ao perceber que as luzes de neon mostram algo lá em baixo, era algo parecido com... – Crossbow. – Ela sussurrou sentindo o desespero voltar. – Ah meu Deus. Dixon? – Ela gritou, porém não houve resposta mais uma vez. Deu alguns passos para o lado, se distanciando em um espaço de 30 centímetros daquilo que ela tinha vista. Agachou-se, sentando-se no chão, ainda se segurando em alguns galhos. Contou até três e se soltou, deslizando barranco a baixo, com as mãos ao lado do corpo, apoiadas na terra enquanto deslizava para lhe dar um apoio. Seus pés tocaram no chão e ao olhar para o lado, não foi apenas a Crossbow que ela viu. Seu dono estava ali também.
(...)

- Ah meu Deus, Dixon. – Daryl estava quase inconsciente quando escutou a voz de . Será que eu estou tão perto de morrer assim que já to imaginando coisas? Ele se perguntou. A voz dela se aproximava. Sentiu farelos caindo sobre ele, logo após algo posou ao seu lado, fazendo barulho quando bateu em folhas. Abriu os olhos, olhando para o lado, forçando as vistas e ela estava ali. Viu-a se ajoelhar ao seu lado, mas sua visão estava turva de mais pra identificar o que era a expressão que estava em seu rosto. – O que houve com você?
- Despenquei de um penhasco de cinco metros depois de ser perseguido por walkers, cortei a perna na porra de um galho e estou bêbado.
- Os cabeças ocas e os galhos eu entendo. Você ter caído de um penhasco também, até porque só um idiota como você conseguiria fazer isso. Mas como você ficou bêbado? Comeu algum esquilo alcoólatra? – Então ela pensou: A garrafa. Era ele quem tinha quebrado. Daryl teve vontade de rir ao escutar aquilo, mas estava sem forças até para fazer isso. – Vem, eu vou te tirar daqui, não estamos tão longe assim da casa.
- Por que está fazendo isso? – Perguntou enquanto ela tentava inutilmente levantá-lo, até porque ele não queria ser levantado. – Você devia estar querendo me matar agora depois do que eu disse. Por que quer me ajudar? - Porque eu não quero que alguém pense que eu matei você. Gosto de morar na prisão, agora levanta sua bunda branca daí e vamos sair daqui antes que zumbis apareçam e dificultem meu resgate.
- Você adora minha bunda branca, não é? – Falou com a voz embargada e totalmente sarcástica. Falar merda enquanto estou bêbado é minha especialidade. Ele pensou. Ela pareceu não gostar do que o rapaz disse, pois o lançou um olhar matador que o fez tentar parar de rir, mas foi bem difícil, pois o álcool que tinha tomado ainda corria em suas veias. Ela abriu a boca para falar algo, mas fechou ao escutarem um barulho constante vindo de algum lugar ali. se virou de uma vez sacando as duas armas da cintura e destravando-as. – Nossa. Que visão. – Resmungou Daryl encarando a bunda dela. Esticou a mão e tocou seu quadril apertando-o. Ela deu um pulo e se virou de uma vez pra ele. – O que é?
- Qual é o seu problema?
- Eu vou morrer mesmo. Vou aproveitar meus últimos minutos.
- Você não vai morrer. Levanta daí agora Dixon. – Ela ordenou. Atrás dela, apareceram dois errantes. Ele viu e apontou. Ela se virou já atirando com os silenciadores. Dixon olhou para o lado, estreitando os olhos. Um dos errantes estava vindo para seu lado. Apalpou o chão procurando alguma coisa para se defender, mas a Crossbow não estava ali. Ele estava se aproximando quando escutou um tiro e a cabeça do filho da mãe explodiu. – Daryl. Vamos logo.
- Vá embora. Eu sei me cuidar. Não precisa me defender.
- Por que você está agindo assim?
- Porque depois do que eu disse e fiz, você devia me odiar e me deixar morrer. – Gritou descontrolado. Mais um errante aparece e ela o chutou para longe atirando logo depois. Após isso, ela caiu de joelhos em frente ao rapaz e agarrou o seu rosto.
- Se você não se levantar agora, não tem problema. Eu vou continuar aqui, porque é isso que eu faço, eu salvo vidas. Não sou psicóloga pra ficar escutando bêbados reclamando da porra de suas vidas. Então porque não para de achar que sabe o que está se passando em minha cabeça e volta a ser o cara com quem eu transei na noite passada? – Falou firmemente e logo depois se levantou, atirando em mais errantes que apareciam. Ela não sairia dali. Por que ela não sairia daqui? – Por favor, Daryl, eu já perdi gente de mais, não quero perder você também. – Escutou-a falar.
E esse foi o estimulo que ele precisava pra forças os braços e as pernas pra conseguir se levantar. Escorou-se na parede de terra, vendo tudo ao seu redor virar geléia, rodando e o deixando tonto. Um Walker vinha em sua direção. Concentrou sua força em um braço dando-lhe um soco de direita, fazendo-o cair no chão. Pisando em sua cabeça e a esmagando. A menina conseguiu achar a besta do garoto e apareceu ao seu lado, entregando a ele. Daryl acenou a cabeça agradecendo. Os dois começaram a andar enquanto matavam errantes e era incrível como eles podiam se cobrir sem nenhuma dificuldade ou com pressa. Os dois estavam calmos, Daryl precisava estar ainda mais, pois suas vistas estavam turvas e poderia acabar acertando o que não devia, ou seja, podia acabar acertando ela e ele não queria que isso acontecesse. Tiveram que dar uma volta enorme, passando por caminhos estreitos onde precisavam passar entre árvores quase coladas umas nas outras, assim usou seu ultimo iluminador de neon.
Após conseguirem sair da floresta, depois de darem a volta no penhasco de onde Daryl havia caído, eles chegaram até a rodovia e atravessaram ela, entrando na trilha que levava até a casa onde os recém casados estavam, e lá, deixou Dixon deitado no sofá enquanto ia em seu carro pegar a maleta de primeiros socorros. Ao voltar, sentou-se de frente para ele e começou a limpar seus machucados pequenos feitos pela queda. Por sorte ele não havia quebrado nenhum osso.
- Depois disso, eu aconselho que você tome um banho e só depois coloque os curativos, pra não gastarmos gazes à toa. – Ela falou enquanto passava algodão molhado de álcool nos ferimentos do rapaz. Daryl ficou apenas olhando para menina e como o efeito da bebida ainda não tinha passado, ele não sentia vergonha alguma de estar encarando a menina em seu frente.
- Você é bonita. – Ele disse. A garota paralisou sua mão e olhou de cenho franzido para ele que continuava a encará-la. Logo depois soltou uma risada seca e desviou seus olhos dos dele. – Qual a graça?
- A graça é que você precisou ficar bêbado pra agir como um homem de verdade.
- Nós transamos. Se eu não fosse um homem de verdade teria transado com um homem, o que está fora de questão.
- Você entendeu bem o que eu quis dizer Dixon. Está bêbado e não burro.
- Por que você beijou ele?
- Eu não o beijei. Ele me beijou, e isso ainda continua não sendo da sua conta. – Respondeu ela friamente.
- Você nunca vai me perdoar não é?
- Ainda estou pensando. Mas te deixar morrer é uma coisa que eu nunca faria. Então vá tomar o banho que eu falei, sem incomodar Maggie e Glenn, depois coloque a gaze no corte da perna. – Ela disse se levantando, mas logo Daryl agarrou seu braço fazendo-a se virar para ele.
- Fica comigo. – Ele pediu com os olhos sinceros e com a voz rouca. Ela cogitou a idéia, mas se lembrou do que ele havia dito para ela horas antes.
- Você me chamou de vadia. – Disse soltando seu braço. – Se eu ficasse com você depois de ter beijado ele, aí sim eu seria uma.
E assim se virou e seguiu para fora da casa sem olhar para trás. Ultrapassou a porta e ao fechá-la atrás de si, sentindo as lágrimas caindo de seus olhos. Soltou um sorriso ao se lembrar do que tinha escutado. Passou as mãos no rosto, secando-o e seguiu em direção ao seu carro, abrindo a porta e entrando mais uma vez no banco do motorista. Por mais que soubesse que não conseguiria dormir agora, ouviria um pouco de musica e se distrairia um pouco.


Capítulo 13 – Make me Wanna Die.


Na manhã seguinte:
Glenn havia acordado e viu Maggie ainda dormindo ao seu lado. Resolveu fazer uma surpresa para ela. Seria seu primeiro dia como recém casados e ele queria que fosse especial. Alcançou um roupão azul que estava em cima de uma cadeira próxima á cama e se vestiu. Saiu do quarto lentamente para não acordar a menina. Desceu as escadas e foi em direção á cozinha. Lá, viu sentada no balcão bebendo alguma coisa e comendo algo.
- Oi. O que é isso?
- Frutas partidas. Fiquei com fome e cortei algumas. Você quer?
- Na verdade eu vim aqui só pra fazer o café e levar para a Maggie, mas eu acabei de perceber que não tem nada para fazer café. – Ele disse descrente, olhando em volta. riu e tirou um pano de cima de uma bandeja que continha um prato com frutas cortadas, pão integral, morangos e dois copos com suco de maracujá. Glenn arregalou os olhos. – Onde conseguiu tudo isso?
- Acordei inspirada e fui procurar algo pra fazer. Encontrei três arvores de frutas á alguns quilômetros daqui e os morangos eu trouxe da prisão. – Falou sorrindo convencida.
- E onde você achou morangos?
- Longa historia. Não vai querer ouvir. – Ela disse abanando a mão.
- Cadê o Daryl? – Ele perguntou se escorando no balcão.
- Dormindo. Eu acho. – Ela respondeu com tédio, voltando á tomar o suco que estava no copo ao lado do seu prato com frutas.
- E você, como está? – Glenn perguntou. tirou seus olhos do prato e encarou Glenn com a sobrancelha arqueada. Por que ele está me perguntando isso? Pensou ela.
- Estou bem. – Ela respondeu. – Por que a pergunta?
- Por nada. – Ele falou tirando seus olhos dela e olhando para a bandeja em cima do balcão. A menina estreitou os olhos e logo depois entendeu o que estava acontecendo. Glenn era um péssimo mentiroso.
- Ele te contou, não é? – Ela perguntou se referindo á Daryl. Glenn hesitou um minuto e depois assentiu. – E o que ele disse? Ficou tirando onda por ter conseguido transar com a menina idiota?
- Não. Ele na verdade ficou arrependido. Não de ter transado com você, mas sim de ter te deixado você sair da cela dele. Você sabe, Daryl não entende dessas coisas e não sabe como tratar uma garota.
- É! Eu devia ter seguido os conselhos da Maggie. – A menina disse.
- Eu ouvi meu nome? – Greene apareceu na porta da cozinha e entrou. Ela estava usando um roupão rosa enquanto Glenn estava com um azul. abaixou a cabeça e riu antes de se virar para ela apontando para a bandeja.
- Glenn estava planejando levar seu café na cama. Ele fez especialmente para você. – A menina disse sorrindo. Maggie deu um pulinho animado e foi em direção á Rhee que a abraçou pela cintura.
- Que fofo. Como você conseguiu morangos?
- Longa historia. Você não vai querer saber. – Ele disse fazendo as duas rirem. No mesmo momento Daryl apareceu na porta esfregando os olhos, ainda desnorteado e confuso com as coisas que se passavam em sua cabeça. respirou fundo.
- Por que vocês não vão comer lá em cima? Ficar mais duas horinhas por aqui não vai fazer mal algum. – Ela disse sorrindo médio. Os dois retribuíram o sorriso e saíram da cozinha indo em direção a escada e subindo-as com a bandeja nas mãos.
- Como você está Dixon? – Ela perguntou e ele soltou um gemido quase inaudível, que mostrava que ele ainda tinha dores.
- Eu não sei. Não me lembro de quase nada. – Respondeu se sentando em uma das cadeiras da mesa.
- É melhor que continue assim. – Disse sem animo algum.
- E você? Como está?
- Ué! Igual.
- Se eu tiver dito alguma coisa pra você...
- Daryl, desencana. – Ela disse o interrompendo. – Você não é de pedir desculpas.
- Mas eu tenho que pedir. Só pela sua cara, eu sei que devo ter falado muita merda ou feito muita merda. – Deu ênfase a última frase. – Ou os dois.
- É! Foram os dois. – Ela usou seu sarcasmo pela primeira vez no dia. – Mas eu não estaria aqui se não pudesse agüentar as coisas que as pessoas falam ou fazem. E eu vou dar uma revisão no meu carro, daqui a pouco vamos ir embora.
Assim ela saiu sem deixar que ele continuasse a falar. Do jeito que a menina estava, ela acabaria comprando uma briga feia e estava cansada pra isso. Não tinha dormido a noite e agora precisava dirigir o seu carro. Ela ainda estava intrigada e precisava de algo para distraí-la de seus pensamentos sobre Dixon e até mesmo sobre . Era estranho pois ela nunca tinha sentido esse tipo de coisas, ainda mais por dois rapazes ao mesmo tempo. Ela precisava se distrair. Isso sim.

Na prisão:
Beth tinha acabado de acordar e estava evitando encontrar com seu pai pois sabia que ele lhe daria mais uma bronca além da que ele já tinha dado na noite passada. Sua cabeça doía por causa da bebida, mas ela se lembrava bem do que ela tinha feito e dito. Uma parte sua, a maior parte, não se arrependia por ter feito o que fez, mas a parte menor pensava que tudo o que disse podia ter causado algo em . Estava saindo da prisão ao ver passando indo em direção ao pátio ao lado. Seus olhos brilharam. tinha os cabelos loiros mais lindos que ela tinha visto em sua vida e os olhos mais verdes também. Nunca tinha conversado com ele antes, mas já tinha chegado perto. Ontem, na hora que ele estava tocando a musica que estava cantando, ela pode escutá-lo cantar também e a voz do garoto pareceu ainda mais linda para ela. Ela gostava de observá-lo quando passavam perto um do outro. Os traços do rosto dele, o sorriso, o jeito de andar, o corpo. Ela estava encantada com tudo e qualquer coisa a mais que ele tivesse. Mas ela nunca tinha chance alguma de falar com ele, pois ele sempre estava com algum amigo ou com . O que a levava a pensar que os dois tinham algo. Caminhou em direção ao pátio ao lado, vendo ele sentado em um banco, olhando para algumas crianças brincando. Ele estava sozinho. Talvez se eu for falar com ele, eu consiga me aproximar. Ela pensou. Mas não vai adiantar nada se a voltar... Tenho que arriscar. Pensou mais uma vez e se aproximou do garoto.
- Oi. – Ela disse. O garoto se virou para ela e sorriu.
- Oi Beth. – Ele disse. Por um momento ela se assustou. Não sabia que ele sabia o nome dela.
- Ahn, você sabe onde a foi? – Perguntou a primeira coisa que veio em sua cabeça.
- Ué, ela saiu ontem com a Maggie, o Glenn e o Daryl. Foi levá-los á uma casa que nós dois encontramos para eles passarem a lua de mel. Você não os viu saindo?
- Não. Eu não estava muito bem e fiquei na minha cela. Eu precisava falar com ela.
- Bom, eu acho que daqui a pouco eles devem estar voltando.
- Por isso você está sentado aqui? Está esperando ela?
- Não. – Ele riu descrente. – Eu sou meio inútil e to de olho nas crianças ali. – Apontou para os menores que brincavam com seus carrinhos de brinquedo e bonecas.
- Eu posso sentar aqui com você?
- Claro. – Ele disse chegando para o lado, dando espaço para ela se sentar. Os dois ficaram em silêncio, olhando para as crianças que sorriam enquanto se imaginavam dentro de uma historia de princesa ou de ação. Pelo menos eles estavam felizes naquele lugar. Pelo menos eles não precisavam se preocupar com nada, já os adultos tinham que se preocupar em se manterem vivos e em manter aquelas crianças vivas.
- Então, quantos anos você tem? – Ela perguntou tentando puxar assunto.
- Tenho 20. – Ele respondeu e a garota soltou uma risada surpresa e ficou de boca aberta, fazendo o menino rir. – É! Muitos têm essa reação.
- Desculpe, mas eu achei que você tinha uns 17, sei lá. – Ela disse abaixando a cabeça, envergonhada.
- Obrigado pelo elogio. – Ele sorriu para ela.
- E o que você fazia antes de tudo acontecer?
- Eu era estudante. E não posso dizer que minha vida está pior do que era antes. – E mais uma vez, riu descrente. – Eu não era feliz.
- E agora você é? Desculpe mas isso é meio irônico. Não acho que há possibilidade de alguém ser feliz no meio disso tudo.
- É no caos que a gente encontra a felicidade, pois é nele que a gente aprende a valorizar as coisas. – Ele repetiu a mesma frase que havia dito para ele á algum tempo e logo após sorriu. – Eu encontrei a felicidade á algumas semanas. E eu achando que nunca ia encontrar – Disse rindo mais uma vez, mas dessa vez com ternura. causava sensações maravilhosas nele e ele gostava disso.
- Você tem alguém da sua família com você? – Ela perguntou mais uma vez. Não podia deixar o assunto morrer, ela precisava se aproximar dele antes de chegar e tudo voltar a ser como era antes, ela sendo ignorada pelos garotos e tendo toda a atenção.
- Tenho. A Jessica. – Apontou para a menina loira de cabelos cacheados. – É minha irmã. Tem 11 anos. E quando tudo aconteceu, eu agarrei ela e saí correndo. Eu vi meus pais sendo mortos e depois encontrei com um grupo. Aí o Rick encontrou a gente. Minha vida estava parecendo o Thriller do Michael Jackson. Tirando os mordedores dançando. – disse fazendo a menina soltar uma gargalhada alta sem querer e logo depois tampou a boca. sorriu sereno. – Isso. Ria da minha desgraça.
- Desculpe, mas é engraçado imaginar você no meio do thriller.
- Mas e você? O que você fazia antes de tudo começar? – Foi a vez dele perguntar. O “plano” da menina estava dando certo, ele estava começando a se interessar na conversa.
- Nada. Só estudava. A gente morava em uma fazenda então era sempre de casa pra escola e da escola pra casa. A Maggie fazia faculdade, ela não tinha muito tempo pra ficar comigo. A minha mãe morreu quando tudo começou. – E assim ela abaixou a cabeça vendo o perigo de começar a chorar e isso não estava em seus planos.
- Todos nós perdemos pessoas Beth, mas temos que seguir em frente. Até onde conseguirmos.
- Você nunca pensou em desistir?
- Já. Muitas vezes. Mas eu não tenho esse direito.
- Como assim?
- Eu tenho uma irmã, Beth. – Disse ele sério. – Ela precisa de mim e eu tenho que cuidar dela. Do mesmo jeito que você tem a Maggie e o seu pai. Do mesmo jeito que eles cuidam de você, eu cuido dela. Tirar a sua vida, só iria fazê-los sofrerem ainda mais. E é por isso que todas as vezes que eu pensava em dar um tiro na minha própria cabeça, eu sempre pensava na Jessica. Com quem ela iria ficar, e se eu morresse o que aconteceria com ela.
E assim os dois ficaram novamente em silencio. Beth agora entendia o que faria com sua família se tivesse morrido todas as vezes em que tentou se matar. Será que eles estariam vivos se eu tivesse morrido? Pensou ela.
- E você e a ?
- Eu e a ? – Ele arqueou a sobrancelha.
- É! É que vocês passam muito tempo juntos, sei lá, parece que rola alguma coisa. – Disse desviando o olhar. Finalmente ela tinha chegado ao ponto em que queria.
- e eu somos apenas amigos. – Ele respondeu sorrindo, fazendo a menina sorrir. – Mas acredite, se fosse por mim, nós dois tínhamos casado no lugar da Maggie e do Glenn ontem. – E sorriu mais uma vez, Beth desmanchou o sorriso, mas não deixou que o garoto percebesse. – Ela passou por tempos difíceis, precisa se sentir segura e protegida comigo e pra isso precisa de tempo. Não vou forçar nada.
E assim os dois continuaram a conversar sobre assuntos aleatórios. Nada de muito importante. Beth estava gostando da companhia de e assim estava o achando ainda mais interessante do que nunca.

(...)


Quando o carro de se aproximou da prisão, Rick abriu o portão para o carro entrar. A menina saiu do carro ao estacionar e a primeira coisa que viu foi e Beth conversando, sentados em um banco no pátio ao lado. Eles estavam de costas e pareciam animados. Estreitou os olhos, mas preferiu não se importar. Ela já estava com problemas de mais pra começar a sentir ciúmes de que nem dela era. Continuou seu caminho para dentro da prisão, onde precisava falar com seu irmão. Encontrou com ele na cantina, ajudando Carol a fazer alguma coisa. Ele quando a viu, sorriu e foi em direção á ela de braços abertos.
- Fiquei com saudades. – Ela disse. Ele sorriu ainda mais.
- Eu também fiquei.
- Precisamos conversar. – Ela disse. Ele a soltou e a olhou nos olhos. – Termine de ajudar a Carol, depois a gente se fala.
- É muito importante?
- Eu acho que é sim. – Disse ela dando um beijo na bochecha do irmão e se virou saindo. Foi em direção a sua cela. Lá pegou algumas roupas e foi ao vestiário tomar um banho. Amarrou o cabelo em um coque e se enfiou debaixo da ducha.

Rick e Glenn agora conversavam no salão no fundo da prisão.
- Então, como foi a noite?
- Cara, foi maravilhosa. Sério, eu nunca dormi tão bem assim depois que tudo começou. A é meio maluquinha, mas ela tem boas idéias. – Ele falou fazendo Grimes rir.
- É! Eu andei conversando com o irmão dela e ele disse que quer voltar para onde os pais estão e eu acho que provavelmente ela vai junto.
- Nossa! Se ela fizer isso a Maggie vai ficar bem triste.
- Não só a Maggie, Glenn. Todos vão. Inclusive o Daryl! – Rick disse de braços cruzados.
- Daryl? Então ele contou pra você?
- Contou o quê?
- Que...ele gosta dela. – Rhee tentou disfarçar a burrada que ele tinha feito.
- Glenn, depois de todo esse tempo, você continua um péssimo mentiroso. O que o Daryl fez com ela?
- Eles transaram e logo depois ela foi embora da cela, porque o Daryl não a fez ficar. – Ele disse rápido de mais, mas não o suficiente para que Rick não entendesse. E o mesmo arregalou os olhos com o que tinha escutado.
- Ele o quê? Por isso os pesadelos?
- É o que eu acho.
- Ela não me disse nada, eu até perguntei se o Daryl tinha feito algo com ela, mas ela não me disse nada.
- Acho que ela não queria problemas. E pelo amor de Deus. Não conte isso pra Maggie, e principalmente para Andrea e pro porque isso pode gerar um briga bem feia. – Glenn disse aterrorizado com a idéia de Andrea e contra Daryl. Seria sangue pra todo lado. Ele pensou.

(...)


agora acabará de sair do vestiário já com seu banho tomado. Foi em direção á sua cela, quando virou em um dos corredores batendo de frente com que sorriu ao vê-la.
- Oi. – Ele disse animado. A garota arqueou a sobrancelha com a animação do menino.
- Oi. – Disse voltando a andar.
- Eu não tinha visto que vocês tinham chegado, quando vi seu carro vim correndo te procurar. – Ele disse indo atrás dela. não estava com cabeça para falar com sobre a noite passada e ela sabia que era sobre isso que ele queria falar.
- É! Você estava bem ocupado pra perceber que eu tinha chegado.
- Não entendi.
- Eu sei que não. – Ela disse olhando para ele e logo depois entrando em sua cela. Jogou as roupas sujas em cima do beliche. parou na porta da cela e pensou enquanto via a garota se sentar no beliche de baixo. Logo após sorriu e soltou uma risada alta fazendo a menina encará-lo com a sobrancelha arqueada.
- Tava falando da Beth? – Ele perguntou.
- Não sei. Eu estava? – Ela o respondeu cinicamente. A tentativa de não mostrar que estava com ciúmes, falhou. O sorriso do menino aumentou.
- Você está com ciúmes de mim.
- Eu não. Por que estaria? – Ela se defendeu.
- Porque eu sou um gato. – Ele respondeu se sentando ao lado dela na cama. A garota riu e tampou o rosto com a palma da mão, disfarçando a vermelhidão das suas bochechas. – Ah, qual é! Você sabe que no meu coração só tem lugar pra você. – Ele disse abraçando a menina pela cintura que riu e se soltou dele, o empurrando para o lado com força. – Nossa, que menina violenta.
- Você é um idiota. – Ela se levantou. fez o mesmo, mas segurou os braços da menina que por puro reflexo girou e chutou a dobra do joelho do garoto que perdeu o equilíbrio e caiu no chão, não antes de levar a garota com ele, fazendo-a cair sobre seu corpo. Os dois começaram a gargalhar sem pudor. – Seu filho da mãe. – Ela gemeu.
- Você me chama de filho da mãe? - Perguntou ele indignado. – Você caiu em cima de mim, eu amorteci sua queda.
- Ah ta, como se um saco de ossos como você pudesse amortecer a queda de alguém, é a mesma coisa que cair no chão. – Ela disse se levantando e o puxando para cima.
- Desculpe. É que estou feliz hoje. – Ele disse e ela sabia bem do que ele estava falando. E estava na hora de esclarecer as coisas.
- , olhe...
- Eu sei que foi só um beijo, . – Ele a interrompeu. – E não é só pelo beijo que estou feliz. Estou feliz por saber que confia em mim.
- Como sabe que eu confio em você? – Ela perguntou confusa.
- Porque pelo pouco que eu te conheço, naquela situação,você teria me dado um chute no meio das pernas e quebrado todos os meus dentes sem dó nem piedade. – Ele respondeu fazendo a garota rir. É! Isso é verdade. Ela pensou.
- ... – apareceu na porta da cela. – Opa, to atrapalhando?
- Não. – disse. – Eu já estava de saída. Só vim ver como ela estava. – E assim deu um beijo na testa da menina e saiu acenando para que riu quando ele se afastou da cela.
- Ele é apaixonadinho por você. – Ele falou rindo.
- Eu sei. Todo mundo me ama.
- O que queria falar comigo? – Ele perguntou se sentando ao lado dela na cama.
- Eu quero voltar com você, rever o papai e a mamãe e o Tio Joe. – Ela disse sem rodeios. Estava decidida a fazer o que iria fazer. sorriu e abraçou a garota pelos ombros. – Mas, eu quero que você espere mais alguns dias. A Maggie acabou de se casar e eu preciso de um tempo pra me despedir de todos daqui.
- Tudo bem. – Ele disse soltando-a, mas segurou suas mãos. – E como foi a viagem?
- Foi boa. Maggie ficou muito feliz com o que eu fiz.
- E teve pesadelos? – estava preocupado com a irmã por causa desses malditos pesadelos, ele queria ajudá-la, mas precisava saber mais pra ter certeza de como faria isso.
- Não. Eu não dormi muito então acho que não tive tempo de ter pesadelos, e se tive no pouco tempo em que dormi, eu não me lembro. – Disse sendo sincera. Precisava ser sincera.
- Você já os fez parar antes, não se lembra como?
- Não. Foi espontâneo.
- E o que te fez ter esses pesadelos outra vez? – Ele perguntou. A menina respirou fundo pensando no que ia dizer. Se falasse que a causa foi ela ter transado com Daryl e saído de lá como se ele não quisesse que ela ficasse, provavelmente iria sair chutando a cara de Dixon e rolaria uma briga feia.
- Eu não sei.

(...)



- Daryl, posso falar com você? – Eram quase quatro da tarde e Rick tinha acabado de sair da prisão. Encontrou com Daryl conversando com um dos moradores da prisão perto da porta de entrada. No mesmo momento em que Dixon escutou aquela pergunta ele sabia que lá vinha bomba, pois o tom de voz que Rick usou não parecia ser dos mais felizes. Seguiu Rick até perto do portão onde ele passaria a noite na torre. – Tá legal, o que você tem na cabeça?
- Como é? – Daryl pareceu não entender o que Grimes queria dizer.
- O que te deu na cabeça pra você fazer o que fez com ela? – Só então, Daryl entendeu do que Rick estava falando. Colocou as mãos na cintura e bufou pesadamente.
- O Glenn te contou, não foi?
- Não interessa quem me contou, Daryl! – Rick o interrompeu visivelmente irritado. – Eu quero saber por que você fez isso.
- Cara, eu não sei, ok? – Respondeu o rapaz dando de ombros. – Eu não sou acostumado á dar ou sentir carinho e... Amor e qualquer um dessas porcarias de sentimentos. Você sabe disso. – Respondeu gesticulando as mãos já ficando tenso por ter que falar sobre aquilo com Rick que apenas o encarava com as mãos na cintura, tentando entender o que ele estava querendo dizer. – Eu realmente me arrependo por não ter a feito ficar naquele dia, talvez se ela tivesse ficado nós dois... – E parou de falar ao ver que não sabia o que falar. – E os pesadelos, não se preocupe, estou me culpando por isso também.
- Daryl, você não entende...
- Eu entendo sim. Mas eu não posso fazer mais nada. Eu já tentei pedir desculpas, mas eu acabei piorando a situação e caindo de um penhasco como bônus.
- Bom, aqui não tem nenhum penhasco. Acho que pode tentar mais uma vez. – Grimes falou. Daryl olhou para a porta da prisão. As coisas estavam mais calmas agora. Talvez se ele tentasse, ela poderia ao menos cogitar em aceitar suas desculpas. Deixando Rick sozinho, Dixon caminhou em direção á entrada da prisão e a primeira pessoa com quem se encontrou foi com . Daryl perguntou ao irmão da menina se ele sabia onde ela estava. disse que talvez ela estivesse na cantina. E foi para lá que o rapaz foi. Ao passar pela porta, olhou para todos os lados, vendo que havia muitas pessoas por ali. Porém avistou a menina sentada em uma das mesas, conversando com outra garota. Essa mesma se levantou e saiu deixando sozinha. Essa era sua chance. Daryl apertou o passo e se aproximou da menina na mesma hora em que ela ia se levantar.
- Oi. – Ele disse. A menina olhou para ele surpresa e se sentou novamente.
- Oi Daryl.
- Eu... posso falar com você? – Ele perguntou.
- É muito importante?
- Na verdade é sim.
- Tudo bem então. Pode falar.
- Não aqui. Tem muita gente em volta. – Ele disse gesticulando as mãos e apontando para as pessoas na cantina. A menina estreitou os olhos e suspirou pesadamente, com um ar irritado.
- Pois se você quiser falar Daryl, vai ter que ser aqui. – Ela falou de uma forma seca e desinteressada, surpreendendo-o. – Eu não vou ficar fazendo coisas escondidas com você. Cometi esse erro uma vez e não vou apertar na mesma tecla.
- Me desculpe, ok? – Ele falou rápido, interrompendo a menina. Ela entendeu perfeitamente e começou a se interessar pelo o que ele queria dizer.
- Pelo o quê? – Ela perguntou inclinando a cabeça para o lado.
- Por tudo. – Ele respondeu se sentando de frente para ela.
- Por tudo o quê? – Perguntou ela novamente, mas dessa vez com a sobrancelha arqueada, como se estivesse mostrando que não estava entendendo o que ele queria dizer, mas na verdade ela entendia muito bem.
- Você vai me fazer falar mesmo? – Ele bufou.
- Foi você quem quis vir aqui, eu não te obriguei a nada...
- Me desculpe por não ter feito você ficar aquele dia. Desculpe por ter te chamado de vadia e por... – Ele respirou fundo. – E por ter ficado com ciúmes de você com . Eu entendo que você não é minha e que o que eu fiz foi muito errado, e que a culpa dos seus pesadelos terem voltado foi minha. E eu nunca quis que isso acontecesse. – Enquanto ele falava, ela o encarava séria, escutando cada palavra que ele dizia. – É só que você tem que entender que eu não sei lidar com esses sentimentos, é tudo muito diferente pra mim, é estranho. Pensar que eu posso gostar tanto de alguém o quanto eu gosto de você é assustador porque o medo de te perder me apavora. E manter você afastada é menos doloroso se caso algum dia eu te perca. E é sério que você vai me deixar aqui falando e não vai dizer nada? – Perguntou ele aflito. A menina ainda estava processando as palavras do rapaz quando passa ao lado deles e acena sorrindo para ela que retribui.
! Foi ele quem a fez perder o medo de outras pessoas e agora ela simplesmente estava prestes a cair chorando nos braços de Dixon dizendo que o perdoa. Por mais que ela estivesse com vontade de realmente fazer isso, ela não podia fazer por causa de . A garota respirou fundo, olhou para as mãos, olhou para os lados e finalmente encarou Daryl.
- Está bem Daryl, desculpas aceitas. – Disse e assim se levantou para sair. Dixon ainda atordoado se levantou e agarrou o braço da menina fazendo-a se virar para ele.
- Eu praticamente me declarei para você aqui e você só fala isso?
- Quer que eu diga o quê Daryl? Que eu perdôo você porque eu te amo? Ou que eu chore e caia nos seus braços? Qual é! Nenhum de nós dois é mais adolescente pra ficar imaginando esse tipo de coisa. – Ela disse puxando seu braço e o tirando das mãos dele.
- Não. Eu só queria ouvir você dizer que está tudo bem entre nós.
- E está!
- Isso quer dizer que... – Ele começou a se aproximar da garota, mas ela colocou a mão em seu peito o parando. Balançou a cabeça em negação.
- Está tudo bem entre nós, podemos ser amigos, mas eu não quero passar pelo o que eu passei de novo e não confio plenamente em sua palavra. Preciso de tempo. – Assim ela se virou e caminhou em direção á saída. Daryl ficou parado com cara de tolo no meio da cantina. Ele tinha certeza de que ela o deixaria beijá-la de novo. Mas como sempre, o oxigenado idiota atrapalha tudo. Pensou olhando para que conversava com outros garotos. Saiu da cantina sem um rumo exato. Não sabia se precisava fazer alguma coisa por ali ou se precisavam que ele saísse para pegar algo. Porém sua cabeça não estava totalmente no lugar. Se falasse com Rick, provavelmente os dois discutiram sobre a menina. Precisava respirar.
Foi em direção á sua cela, fechou a porta e puxou a cortina. Deitou-se na cama e passou o braço sobre os olhos para tampar a claridade. Essa certamente era a primeira vez que ele se sentia mal desse jeito. “não confio plenamente em sua palavra.” Aquela frase agora iria rondar sua cabeça por um bom tempo.
- Você fica tão bonitinho quando está depressivo! – Uma voz falou. Daryl tirou o braço de cima dos olhos e encarou parada ao lado dele de braços cruzados. Mas como ela tinha entrado? Ele não havia escutado o barulho do ferro enferrujado se movendo. – Mas eu realmente prefiro o Daryl durão.
- Veio aqui pra tirar uma com a minha cara? – Ele perguntou fechando os olhos.
- Na verdade eu vim aqui pra tirar a sua roupa. – Ela respondeu. Daryl abriu os olhos de uma vez olhando para a menina de olhos arregalados. Ela agora tirava os sapatos. - Mas se você quiser, eu tiro a minha também.
- Você está bêbada? – Ele perguntou vendo a menina indo em direção á ele com as mãos no cós da calça.
- Não. Eu estou excitada. – Falou tirando a blusa e se sentando no colo dele já o beijando. Daryl levou as mãos para a cintura da menina, apertando enquanto a garota começava a rebolar em cima de seu membro. Ela quebrou o beijo e levou as mãos para as costas, desabotoando seu sutiã e o jogando no chão quando Daryl os agarrou, apertando-os com mais delicadeza do que da última vez. Ela então desceu do colo dele e puxou sua calça para baixo tirando-a. Sentou-se novamente no colo dele, abrindo sua calça e a puxando para baixo. Antes de puxar a calcinha para o lado e deixar que ele a penetrasse, ela sussurrou. – Me faça sua Daryl. – Assim desceu no colo do rapaz que agarrou a cintura da menina enquanto á ajudava nos movimentos.
- Não acredito que isso está acontecendo. – Ele sussurrou sorrindo.
- É porque não está. – A garota respondeu. Dixon a olhou com cenho franzido e logo depois deu um pulo na cama.
Abriu os olhos. Ele estava sonhando.
Passou as mãos pelos cabelos, transtornado e deu um soco na parede, enfiando a cabeça embaixo do travesseiro logo depois.
- Essa garota vai me matar.


Capítulo 14 – Put You Down (Part 1)


Era tarde quando todos finalmente foram deitar para descansar. Rick fez a última ronda pelo lado de fora da prisão, pelas cercas, verificando se não tinha nenhum buraco ou algo que possibilitasse errantes entrarem ali. Ele foi direto ao vestiário e de lá foi para sua cela. Sempre antes de deitar, Rick se lembrava de sua vida antes de tudo acontecer, sua mulher tinha falecido há poucos meses e Carl foi tudo o que sobrou para ele, por isso ele prometeu fazer o possível e o impossível para protegê-lo.
Os outros já tinham ido dormir á essa hora. Maggie com Glenn. Hershel em sua cela e Beth na cela ao lado. Ela foi dormir com um sorriso nos lábios por ter conseguido finalmente falar com . Sentia-se próxima de virar amiga do garoto.
foi uma das últimas a se deitar, ela que passou o dia todo fugindo de dar de cara com Daryl ou com Beth, pois ela realmente não queria escutar tudo o que escutou novamente. Ela foi ver como estava e só depois foi para sua cela que era a que mais ficava afastada dos outros. E ela escolheu isso exatamente quando chegou ali por causa de seus pesadelos, ela tinha medo de acordar alguém caso gritasse no meio da noite. O que geralmente não acontecia, mas era uma precaução que ela sempre tomava.
Ela passou o dia ajudando Andrea á treinar algumas pessoas com armas de fogo. Andrea podia não ser tão boa em montar uma arma, mas era boa atiradora, então ficou com a parte técnica enquanto a outra ficava com a parte da demonstração. E era melhor assim, pois ela poderia acabar se desconcentrando e acertando algo ou “alguém” que não devesse.
Outra pessoa de quem ela correu durante o dia foi . Ela não queria falar com ele, pois sabia que mesmo ele tendo dito que sabia que aquele beijo foi apenas um beijo, ela sabia que pra ele não foi e ela não queria dar esperanças para o garoto. Apesar de que aqueles olhos verdes não saiam mais da sua cabeça desde o beijo. Mas não era possível que ela gostasse dele e de Daryl na mesma medida. Ela tinha que descobrir de quem gostava mais, mas não seria ficando com os dois de uma vez que ela iria chegar a um resultado.
A garota tirou os sapatos e a blusa de frio jogando-os no canto da cela, ficando apenas com a regata branca e a calça jeans acabada, cheia de rasgos. Deitou-se em sua cama sentindo as costas doerem por ter ficado andando de um lado para o outro o dia todo sem se sentar. Sem contar a noite passada que passou no carro sem dormir. Cobriu os olhos com o braço, respirando fundo, sentindo as costelas se colocarem em seus devidos lugares. Cogitou em pensar sobre os seus sentimentos, mas chegou à conclusão de que dormir seria mais produtivo do que gastar suas poucas horas pensando em coisas que ela poderia pensar de dia. Virou-se para o lado, ficando de frente para a parede e poucos minutos depois caiu no sono.

(...)

abriu os olhos em um sobressalto. Ele estava no beliche de cima, enquanto sua irmã dormia no beliche de baixo. Estava meio desnorteado por ter acordado de uma hora para a outra. Ele detestava quando isso acontecia. Desceu com cuidado do beliche, não fazendo barulho para não acordar a irmã caçula. Calçou a sandália e saiu da cela ainda não sabendo para onde iria. Talvez fosse à cozinha beber um copo de água, ou fosse ao banheiro. Ainda estava dormindo.
Andava pelo corredor quando começou a escutar gemidos fracos. Parou para escutar melhor e saber de onde vinha. Ele poderia até achar que alguém estava fazendo sexo se não soubesse diferenciar gemidos de prazer com gemidos de dor. Continuou caminhando e desceu as escadas no fim do corredor. Sua cela ficava no quarto andar da prisão. Um dos últimos á serem limpos por Rick e os outros. Ao terminar de descer, caminhou pelo corredor, chegando até a única cela ocupada naquele andar já que as outras eram depósitos de algumas coisas que eles pegavam.
Era a cela de .
parou na porta e encarou a garota com o cenho franzido. Ela gemia e se contorcia deitada na cama, suava e chorava desesperadamente ainda com os olhos fechados. O garoto demorou alguns segundos para entender o que estava acontecendo. Ela estava tendo pesadelos. O desespero tomou conta de seu corpo, Andrea que é uma das que conversa muito com ele contou que tinha pesadelos horríveis das quais ela não gostava muito de comentar. Ele correu em direção á menina que agora estava encolhida ainda chorando, pedindo ajuda.
- , acorda! – Ele falou se ajoelhando ao lado dela, mas ao que parece a menina não o ouviu. Ele agarrou os ombros da menina e a chacoalhou. – Acorda ! – Ele falou mais auto. No mesmo momento a menina abriu os olhos, suas pupilas estavam dilatadas e ela girou o pulso acertando em cheio o rosto do garoto que caiu de bunda no chão com a força do soco. Assim ela caiu de joelhos no cimento sem forças. Suas pupilas voltaram ao normal e só aí ela se deu conta do que tinha feito e do que tinha acontecido. Encarou e se arrastou em direção á ele que estava com a mão nos lábios.
- Ah meu Deus. Desculpe-me. – Ela choramingou com os olhos já inchados e vermelhos. puxou-a contra si e a abraçou sentindo a garota desabar em lágrimas. Ela que segurou na blusa do garoto e deixou o choro forte sair. Ele começou a acariciar os cabelos da menina que tremia em seus braços e estava gelada. Seu lábio estava sangrando, pois tinha se cortado no dente, mas a dor maior era ver a menina desolada, chorando em seus braços.
- Está tudo bem. – Ele sussurrou passando os dedos pelos cabelos dela. – Eu estou aqui. – Assim eles ficaram por um bom tempo, no chão e ela no colo dele, se acalmando aos poucos. Essa era a primeira vez que alguém a via tendo pesadelos. E mesmo não gostando de tê-la visto assim, ela agradece por ter sido ele que a acordou e não outra pessoa. O garoto ainda atordoado por ter visto a menina daquele jeito, começou a cantarolar um musica bem baixinho para ela que agora estava de olhos fechados respirando fundo, ainda apertando a blusa do menino.
abriu os olhos, se soltou do menino e se levantou, ajudando-o a se levantar. Ela estava com o rosto vermelho. Sentia-se extremamente envergonhada depois disso.
- Me desculpe... Eu acordei você? – Ela perguntou com o olhar baixo. segurou seu queixo fazendo os dois olhares baterem.
- O que fez seus pesadelos voltarem? – Ele foi direto ao ponto, perguntou sério. Sabia que eles tinham parado, pois Andrea contou á ele. desviou os olhos e ficou calada, não querendo tocar no assunto. – Você precisa falar disso com alguém . Não pode ficar guardando isso pra você. Fiquei angustiado só de te ver assim. Nem imagino a dor que você sente. – Ele disse. Os olhos de começaram a ficar marejados novamente. – Me deixa ajudar você.
- Você não pode me ajudar. Ninguém pode. – Ela sussurrou indo em direção á cama e se sentando. passou as mãos pelo cabelo e foi até ela, se sentando ao seu lado.
- Então me deixa pelo menos tentar. – Ele disse.
o encarou por alguns segundos pensando se iria aceitar e se iria falar sobre o que vinha acontecendo com ela para ele. Mas não tinha certeza, pois nisso continha coisas dela e de Daryl, porém, por outro lado ela precisava falar sobre isso com alguém, ou explodiria. Respirou fundo e abaixou a cabeça.
- Todos os pesadelos que eu tenho são com o tempo em que eu passei presa em um acampamento com uns caras que me estupravam. – Ela começou com a voz fraca. – Eu não sei como fiz para eles pararem da primeira vez, só sei que foi uma semana depois de eu ter chegado aqui. E a três dias eu... – Ela parou de falar ao perceber o que teria que falar.
- Você o que? – Ele a encorajou.
- Daryl e eu fomos pra cama e depois que tudo acabou em me senti... usada por ele. – Ela disse rápido, mas não tão rápido para que não estendesse. O garoto ficou paralisado, com a boca aberta sem ter o que falar. – Ele não fez questão nenhuma que eu ficasse com ele e eu acho que a única coisa que eu queria naquele dia era me sentir amada e não outra coisa. – E de uma hora para outra, a reação de passou de surpresa para raiva. A vontade que ele tinha era de ir pra cima de Daryl dando belos socos na cara dele. – Mas eu não culpo ele. Eu que fui burra.
Os dois ficaram em silencio. Ela queria saber o que se passava na cabeça dele, mas não iria perguntar. apenas pensava nas coisas que ela disse, tentando inutilmente ignorar aquilo que ela falou sobre Daryl. Foi então que uma idéia veio á sua cabeça.
- Talvez seja isso. – Ele disse olhando para ela. levantou seu olhar. – Talvez esse seja o ponto. Você se sentia feliz aqui até acontecer o que aconteceu entre você e Daryl. Depois do que aconteceu, você acabou se lembrando de uma forma grotesca o que tinha acontecido com você. Talvez esse seja o motivo pelo qual seus pesadelos tenham voltado. – Terminou ele colocando a mão no ombro dela que pensou um pouco sobre o que ele havia falado. Fazia sentido. – Talvez você só tenha que se sentir amada. – Ele disse e imediatamente os olhares se bateram. Ele estava certo. Ela só precisava se sentir amada. – E se quiser, eu posso te ajudar nisso.
- Pode? – Ela perguntou inocentemente. Ele sorriu e acenou com a cabeça em sinal de afirmação. Chegou para trás na cama enquanto a menina o observava. Puxou os ombros da garota, fazendo-a se deitar lentamente. Assim, ele que estava com as costas na parede, abraçou o corpo de que até então estavam meio incerta do que iria fazer, mas não interrompeu o garoto. No final, ela estava com o rosto no peito do menino que tinha os braços em volta do corpo ainda trêmulo da garota.
- Eu vou ficar aqui com você, e nenhum pesadelo vai te alcançar. – Ele sussurrou balançando a garota entre os braços. Minutos depois ela caiu no sono profundo.

(...)

- Bom dia flor do dia. – acordou com a voz de Andrea falando. Abriu os olhos e a primeiras coisas que viu foram os sorrisos nos rostos de Maggie e Andrea. Ficou confusa por alguns segundos até perceber o porquê delas estarem sorrindo daquele jeito. Um dos braços de estava apoiando a sua cabeça e o outro estava passado por sua cintura, a puxando contra ele. O rosto do garoto estava enfiando em meio ao seu pescoço e ele respirava tranquilamente. Foi então que ela também sorriu. Tinha dormido bem apesar do fato de ter tido aqueles pesadelos antes de estar com ela, mas depois dos dois terem dormido, ela lembra apenas dele cantarolando algo para ela e logo após ela tinha caído no sono acordando apenas agora, sem ter tido nenhum pesadelo.
- A noite foi boa. – Maggie assoviou e teve vontade de enfiar a cara em um buraco. O menino começou a se mexer, fazendo-a prender a respiração e fazendo as outras duas rirem da situação. abriu os olhos e sorriu ainda sonolento.
- Bom dia. – Ele disse com a voz rouca perto do ouvido da menina que sentiu o corpo inteiro se arrepiar. Logo após ele olhou para a porta da cela, vendo as outras duas mulheres lá. – Podem dizer, somos um casal adolescente lindo. – Ele falou e as duas gargalharam alto ao ver o rosto de ficar roxo de vergonha. deu-lhe um beijo na bochecha antes de se sentar e encarar seriamente a garota. – Teve algum sonho ruim?
- Pra falar a verdade eu apaguei, não sonhei com nada.
- É melhor sonhar com nada do que ter aqueles pesadelos. – Ele disse apertando a mão dela.
- Teve pesadelos outra vez? – Andrea perguntou.
- Tive. Esse foi bem mais pesado do que os outros. Mais intenso. Eu pude sentir a dor e a agonia quase que em 100% – A garota disse se sentando. – tentou me acordar e eu acabei batendo nele sem querer.
- Se vocês tivessem visto o que eu vi, desejariam ser cegas. – Ele disse. – Eu pude sentir a angustia dela apenas olhando.
- E não tem como fazer parar? – Maggie perguntou.
- está fazendo isso. – respondeu meiga, fazendo sorrir envergonhado. Andrea e a morena se entreolharam.
- Isso vai dar casamento. – Greene falou.
- Eu sou a madrinha. – Andrea falou.
Assim, eles passaram alguns minutos conversando, até ter que voltar para a sua cela ver como sua irmã estava. Daryl que estava em uma das outras celas daquele corredor o viu saindo e ao passar perto escutou as palavras ”, ” e “dormindo juntos” saírem da boca das duas garotas que estavam com a menina. E aquilo não parecia nenhum pouco bom para ele.
Após todos terem se levantado e tomado café, foram fazer seus trabalhos que tinham que fazer. Nesse mesmo dia e Andrea sairiam com algumas pessoas para testá-las em campo. Rick perguntou se não era melhor levar o Daryl, mas as duas negaram dizendo que davam conta do recado.
As duas estavam prestes a sair com duas garotas e dois garotos quando chegou correndo dizendo que iria junto. e ele começaram a discutir, pois ela não queria que ele fosse, já que ele não tinha sido treinado pelas duas e não sabia atirar, provavelmente ficaria desprotegido, mas ele a encarou e disse que iria de qualquer jeito e ela não poderia fazer nada para impedir. A garota acabou cedendo e eles entraram na van que Glenn havia encontrado á alguns dias, com ela no volante. Seguiram por um caminho diferente, dessa vez não iriam a caminho de Atlanta e sim de outro lugar.
- Vocês vão ficar com a gente ou vamos nos separar? – Um dos garotos, Jay, perguntou.
- Vamos nos separar em dois grupos. Vamos ficar com vocês, mas são vocês quem vão matar os errantes. Só vamos intervir caso a situação fique crítica. – Andrea disse.
- Quando você diz situação critica...
- Só vamos interferir caso estejam quase sendo mordidos. – disse.
- Vocês não podem fazer isso. – Uma das garotas falou, Sheila. – E se não chegarem a tempo?
- Elas chegam. – disse calmo. – Ou você acha que elas nunca passaram por isso?
- Você está tão calmo. – A outra garota, Eva, disse.
- É porque eu confio nelas.
Assim eles se calaram e o caminho continuou.
Ao se aproximarem da cidade, parou o carro ao ver um ônibus tombado no meio da estrada, impedindo que o carro passasse. Deu ré e entrou com ele em meio á algumas arvores que tinham ali. O treinamento de verdade começaria agora. Estavam em Flensburg, nas redondezas do Tennessee, ainda bem longe desse estado. Andrea e checaram as armas para ver se estavam carregadas. Entregaram uma faca e uma pistola para cada pessoa. como sempre com suas três armas nos seus suportes.
Andrea foi na frente do grupo com uma faca na cintura e uma metralhadora na mão. A outra menina ficou atrás, cobrindo a retaguarda. Após passarem pelo ônibus, perceberam que a cidade era relativamente grande. Havia alguns prédios de no mínimo 10 andares e outros menores com apenas dois. Havia carros e motos capotados pela rua. Corpos também. As vidraças da loja estavam destruídas. Estava tudo silencioso. Por enquanto.
- Andrea, você o Jay e a Eva olham nessa parte. – começou apontando para onde estavam. – , Sheila e Charles vêm comigo. Nós vamos mais para frente. Olhem apenas o primeiro andar das lojas. Não gastem munição e só usem se for preciso. Nenhum de nós deve sair dessa rua sem o conhecimento dos outros. Os tiros podem atrair walkers que estão bem longe daqui e nos causar vários problemas...
- Usem as facas quando estiverem próximos á algum, mas se tiver mais de três próximos á vocês, saiam do caminho e esperem eles se separarem para atacar. Caso tenham muitos e estejam encurralados, atirem na cabeça. Peguem só o que é importante para a sobrevivência. Roupas são descartáveis, optem por comida e água. Apesar de que duvido que tenha algo sobrando nessa cidade. Vamos
Eles então se separam, seguindo para os lugares indicados. Enquanto Andrea com seu grupo entrava nas primeiras lojas em que viram, e os outros alcançavam as esquinas seguintes, sem saírem daquela rua que deveria ser a principal.
Adentraram uma loja de roupas que parecia ser vazia. Enquanto iria checar os fundos, ela mandou que eles olhassem os outros cantos da loja de apenas um andar. Pediu para que fossem silenciosos. Deixando os outros três adolescentes ali, ela empurrou a porta no fundo do lugar, sentindo um cheiro forte sair lá de dentro dando ânsia. Havia duas janelas no fundo dessa sala e a luz do sol iluminava boa parte do lugar onde tinham cinco corpos com marcas na cabeça caídos no chão. Ao que parece era um deposito, pois estava cheio de caixas por ali. Colocou a arma no suporte e começou a abri-las. Na maioria achou apenas roupas, em uma delas achou uma mochila e a colocou nas costas, ajudaria á carregar o que achasse importante levar.

Na prisão:
e Rick conversavam enquanto cortavam lenha para levar para a cozinha. O garoto estava tenso por saber que sua irmã estava lá fora outra vez sem ele, e mesmo que ele soubesse do que ela era capaz, o medo de perdê-la era grande.
- Eu não entendo. – começou após um longo tempo em silencio. – A está muito estranha. Ela não era assim.
- As coisas mudaram . – Rick falou. – Ela passou um ano sozinha.
- Não é disso que eu estava falando. Eu sei que ela mudou nessa parte, mas eu quero dizer que ela mudou desde o dia que eu cheguei aqui. De longe podemos ver que ela está cansada e está com olheira também. Ela não tem dormido muito.
- É por causa dos pesadelos.
- E eu ainda quero entender como eles foram desencadeados outra vez. – falou acertando uma madeira com o machado. Rick sabia por que os pesadelos da menina tinham voltado, mas não poderia falar ou algo mais grave poderia acontecer. – mas eu acho que o está fazendo bem á ela. Mas ele não é o meu preferido.
- Do que está falando?
- Bom, o é um cara legal, mas o que eu quero é a proteção da minha irmã. E eu nunca o vi em campo, então não sei se ele conseguiria mantê-la á salvo. Mas eu sei o que Daryl faz com uma flecha, ele sim poderia protegê-la.
- não precisa disso, . Ela não precisa ser protegida, ela só precisa ser feliz.
- O que você está querendo dizer?
- Nada, só acho que ela precisa de alguém que a faça feliz. E não sei se Daryl seria uma boa opção. Quero dizer, Daryl foi criado em meio a violência, ele não sabe como tratar uma garota ou como tratar seus próprios sentimentos. Ele é um irmão para mim, mas acho que ele não seria bom pra ela. – Rick agora estava concordando com Andrea. precisava de alguém como , não que não quisesse que Daryl fosse feliz, mas talvez Andrea estivesse certa.
- Minha irmã faz milagres Rick, não duvide que ela faça o Daryl ficar totalmente apaixonado por ela. – disse sorrindo.

De volta à pequena cidade:
Eles até agora tinham olhado apenas três lojas, enquanto Andrea e os outros dois adolescentes fizeram o mesmo.
Agora, o grupo de havia entrado em uma loja de comida com dois andares. Ela foi ao segundo enquanto os outros ficaram no primeiro. Ela sempre achava o segundo andar mais perigoso em qualquer lugar, pois se não havia errantes no primeiro, quer dizer que eles saíram para a rua, mas eles não sobem escadas e nem descem por elas. Por isso eles deviam ficar lá em cima só esperando que alguma presa aparecesse por lá. E ela estava extremamente certa. Enquanto no andar de baixo não tinha nenhum errante, no mesmo momento em que ela pisou no andar de cima, seis zumbis vieram em direção á ela que matou os seis sem dificuldade nenhuma com o silenciador que estava em sua mão. Ela estava em uma sala de estar. Aquelas pessoas devem ter ido se esconder ali e alguma delas devia estar infectada. Estava tudo destruído e tinha sangue em boa parte do lugar. Entrou em uma porta e se encontrou em um quarto de bebê. A porta que estava entreaberta tinha uma cômoda atrás dela. Algumas roupas de bebê estavam jogadas no chão. O berço estava intacto e tinha fotos em cima de prateleiras pregadas nas paredes. Logo após escutou tiros vindos do lado de fora da loja e passos pesados dentro da loja, tinha alguém subindo a escada correndo. Voltou para sala e apareceu ofegante no topo da escada.
- Charles e Sheila saíram da loja. – Ele disse e a garota franziu o cenho, irritada. Odiava quando ela dava uma ordem e alguém desobedecia, pois com a experiência que ela tinha, sempre que alguém desobedecia algo que ela falasse, essa pessoa acabava em perigo e ela quase morria para salva-los. A garota então desceu as escadas já pegando um pente e recarregando sua arma, sua vida estava cheia de problemas, não precisava de mais duas pessoas mortas pra completar e piorar.
a seguiu e os dois saíram da loja e pararam de andar ao ver um corpo no chão que não estava ali quando chegaram. Olharam para o lado e viram dúzia de walkers virando a esquina. O garoto apontou para a loja onde os outros dois adolescentes tinham entrado. agarrou o braço dele e os dois foram correndo e entraram. A menina viu Sheila e Charles revistando as coisas. Sabia que foram eles quem atiraram. Andrea não faria isso.
- Qual dos dois atirou? – Ela perguntou. Os dois se entreolharam e Charles levantou a mão. respirou fundo. – O que eu falei sobre usar armas? Deveria ter matado aquele mordedor com a faca, pois era apenas um. Agora tem uma dúzia deles na rua.
- Dezenas. – pronunciou apenas uma palavra enquanto olhava pela janela de vidro quebrado do mercadinho onde estavam. – Agora são mais que uma dúzia, são dezenas.
- Se sairmos vivos daqui, você – apontou para Charles – ta ferrado. Vamos.
Assim eles saíram, correu até um carro queimado e subiu no capo dele, tinha que dar um jeito de falar com Andrea. Os errantes estavam longe, teriam tempo de fugir.
Dali de cima pode ver a loira, Jay e Eva saindo de uma das lojas próximas aos errantes. Andrea pareceu ficar desesperada. fez sinal para que eles recuassem e assim eles fizeram. puxou a menina pelo braço, tirando ela de cima do carro e a botando no chão.
- Vamos para a próxima rua, iremos dar a volta por detrás dos prédios pra chegarmos no carro. – Ela disse.
- Devíamos passar por eles. – Charles disse.
- E eu devia atirar na sua cabeça, mas não vou fazer isso. – disse irritada passando a frente deles, correndo em direção á ruinha ao lado da loja onde eles estavam. Ao passar pelo prédio, puderem ver mais cabeças ocas vindo daquela direção. Na rua de trás estava à mesma coisa. Parecia Atlanta na primeira vez em que ela passou por lá. Tinha que pensar rápido ou estariam encurralados. – O prédio. – Ela sussurrou. Pegou a outra arma no suporte e começou a voltar, atirando nos errantes. Os outros três adolescentes seguiram-na confusos. – Entrem e vão para o segundo andar. pegue uma dessas prateleiras de madeira que estão presas na parede. Charles ajude ele.
- Por que? Devíamos matar eles e não fugir.
- Se atirarmos com suas armas, o barulho vai atrair mais deles até ficarmos sem munição e encurralados. Agora obedece a minha ordem ou eu juro que te uso como isca para eles. – Ela gritou voltando a atirar naqueles que se aproximavam.
correu em direção á prateleira que ela falou e começou a puxá-la da parede. Usou a faca pra conseguir furar a parede e arrancá-la de lá já que Charles se recusava a obedecer às ordens da menina. Ele e Sheila subiram para o segundo andar e lá deram, de cara com mais errantes. A garota usou a faca para matar os mais próximos, já Charles atirou contra alguns.
- Charles. Pare de fazer isso. Nós vamos morrer por sua causa. – Ela disse.
- Eu não vou ficar recebendo ordens de uma garota. – Ele falou debochando. Na mesma hora apareceu com a prateleira e estava atrás dele. Ela foi em direção á Charles e apontou à arma em direção á cabeça dele fazendo-o prender a respiração.
- Me entrega a arma e a sua faca. – Ela disse calmamente enquanto e Sheila apenas os encaravam. Ele sorriu debochado.
- Se não o quê? Vai atirar em mim? Você não tem coragem pra fazer isso sabendo que Rick iria te expulsar da prisão.
- É verdade. – Ela deu de ombros. Logo depois girou o pulso desocupado acertando em cheio e nariz do garoto e lhe chutou na barriga, se afastando quando ele caiu de joelhos no chão e vomitou o que tinha comido, pois o pé da garota tinha acertado em cheio o estômago dele. Sheila virou o rosto e se afastou para que ela não vomitasse também. – , vá pro terraço, coloque a tabua apoiada daqui até o outro prédio. Precisamos atravessá-lo pra conseguir chegar até as lojas menores e assim chegar até o carro onde Andrea e os outros estão. – disse se abaixando, pegando a arma e a faca do garoto ainda caído no chão. – E você, se abrir a boca enquanto estiver ao meu lado, eu te deixo pra trás e digo a Rick que você foi um perigo para o resto do grupo. Levanta daí e vamos logo.
Assim, eles foram para o terraço onde já tinha posicionado a prateleira de um metro e vinte num espaço de um metro entre o prédio onde estavam e o outro ao lado dele. foi a primeira a caminhar sobre a madeira estável e descer do outro lado, segurando-a para que os outros pudessem passar. Ela estava realmente calma enquanto os outros tentavam parecer calmos, mas a verdade é que nenhum deles estava. Dali de cima pôde ver as dezenas de errantes que passavam na rua. Desceram do prédio indo até o quarto andar, entraram em uma sala e de lá pularam para o prédio vizinho que tinha apenas dois andares. Assim foi até chegarem no ultimo prédio e pularem na rua.
- Ahh. – Sheila gritou quando pousou no chão, virando o pé. , que tinha sido a primeira a pular encorajando os outros, olhou para trás, vendo os errantes que iam à direção que eles tinham fugido virarem para eles. Foi aí que o desespero começou. Eles estavam longe do lugar onde tinham deixado o carro. Eles estavam começando a ficar encurralados. Charles foi atacado, usou a faca e matou o errante que estava pronto para mordê-lo.
- Corram. – Ela disse. Charles saiu correndo. Sheila se levantou e mancando começou a fazer o mesmo, mas não agüentou muito tempo, caindo de joelhos no chão. agarrou o braço dela, ajudando-a a se levantar. estava atrás delas, atirando contra os que estavam mais próximos. Ouviram um grito, Charles estava sendo atacado por dois errantes. foi obrigada a soltar a menina e deixá-la ao lado de enquanto corria em direção ao garoto caído no chão, se arrastando enquanto dois mordedores tentavam alcançá-lo. Ela conseguiu acertar um deles na cabeça e o outro tiro acertou no peito de outro errante.
Andrea pode escutar os tiros e os gritos vindos de trás do ônibus tombado no meio da estrada.
- Vocês dois, fiquem escondidos. Eu vou ver o que está acontecendo, e não usem suas armas, usem as facas. – Ela disse e assim saiu em direção a cidade. E lá dentro, eles se afastavam da onda de errantes. Charles estava com a arma na mão.
- Parem de atirar e vão para o carro. – gritou. – Agora!
Empurrou Charles que começou a correr. estava com Sheila nos braços e correu para o mesmo lugar que o outro rapaz. fez menção em ir também, mas no mesmo momento botou a mão no bolso e parou de andar ao perceber que não estava com a chave do carro. Teria que voltar.
Guardou a arma pegando a faca e começou a correr em direção aos errantes.
Os outros se encontraram com Andrea que estava prestes a passar pelo ônibus tombado no meio da rua.
- O que aconteceu? – Ela perguntou.
- Esse idiota saiu atirando no meio da rua. – disse colocando a garota no chão e dando um tapa na cabeça do outro garoto. – Tivemos que dar uma volta enorme. Ela machucou o pé.
- E onde está a ?
- Ela ta... – começou se virando para trás, mas viu que a menina não estava em lugar nenhum. Seus olhos se arregalaram. – Eu vou voltar. Leve os dois pro carro. Eu tenho que achá-la.
- É melhor eu ir... – Andrea começou.
- Não. Você tem que cuidar pra que eles não sejam mortos, é mais experiente. E outra, eu tenho que provar pra que posso me cuidar sozinho e que posso cuidar dela também. – Ele disse já indo em direção á onda.
- Leve isso. – Ela entregou a metralhadora para ele. – Traga a garota. – Assim, Charles pegou Sheila nos braços e seguiu Andrea até o carro onde ela quebrou o vidro de trás para abrir a porta e poder entrar. – Fiquem abaixados e façam silencio.
- Por que nós simplesmente não vamos embora de uma vez? – Charles perguntou.
- Porque nós não podemos abandoná-los. – Sheila disse. – Ela acabou de salvar nossas vidas, pare de agir como um machista idiota e aceite que ela é boa no que faz.

(...)

conseguiu voltar até a última loja em que estava. Subiu as escadas para o outro andar. Sabia exatamente onde devia ter perdido a chave. Quando chutou o tórax de Charles, a chave devia ter caído. E era exatamente isso o que tinha acontecido. Ao entrar na sala, viu a chave no chão, perto de um armário de madeira. Agarrou-a e voltou a fazer seu caminho, mas algo a fez parar. Olhou para o lado, vendo uma pilha de roupas no canto da sala. Seguiu até lá em passos curtos. Agachou-se, remexendo na pilha. Encontrou uma boneca de trinta centímetros com os cabelos loiros cacheados.
Lembrou-se de Jessica e decidiu levá-la para a prisão. Tirou a mochila das costas e colocou a boneca lá dentro. Ao se virar, deu de cara com um Walker que se jogou em cima dela. soltou um grito de susto, agarrando a faca e cravando no crânio dele antes que a alcançasse. – Errantes não sobem escadas. – Ela sussurrou e correu até a porta, olhando para escada, vendo alguns deles e arrastando para subir e lá em baixo, no pé da escada tinham muitos amontoados. Checou suas armas. Não tinha pentes reservas, menos de 10 balas, uma faca na mão esquerda e só. O que eu vou fazer? Perguntou-se. Tinha pouco tempo até ficar encurralada. Podia pular a janela, mas teria o risco de ficar sem saída. Não podia fazer o mesmo procedimento da prateleira entre os dois prédios, pois não tinha força e nem ferramentas para arrancar uma da parede, sem contar que a única prateleira dali estava em cima da cabeça de um monte de errantes que não iriam esperar ela tira-la da parede. .
Voltou para dentro da sala e seguiu até o sofá após ter uma idéia. Tirou o encosto do sofá de dois lugares que era removível e o carregou em direção á escada. Jogou o encosto do móvel em cima daqueles que estavam nos pés da escada, fazendo muitos deles caírem e dar espaço para ela correr. Sem hesitação desceu os degraus correndo, passando por cima das almofadas. Estava se aproximando da porta quando algo agarra seu pé fazendo-a cair com tudo no chão, e fazendo a faca que estava em sua mão voar para fora da loja. Ótimo. Ela pensou. Girou o corpo, conseguiu chutar a cabeça daquele que a segurava, mas no mesmo momento um deles foi para cima dela, viu sua morte, pois não daria tempo de pegar a arma. Mas antes do errante conseguir alcançá-la, um tiro lhe acerta a cabeça e na seqüência, vários tiros são disparados para dentro da loja, acertando os walkers. percebe o quanto o atirador está próximo quando sente as cápsulas caírem sobre seu corpo e o barulho ficando mais alto.
A garota inclina sua cabeça para trás e dá de cara com segurando à metralhadora. Ele agarra o braço da menina, a puxando para cima e a tirando de lá. ainda está embasbacada com o que viu, mas agarra a faca no chão e os dois saem correndo sem olhar para trás, em direção ao ônibus.
Ao passarem por ele, viram o carro. Sheila abriu a porta traseira da van e entra em pulo, enquanto rodeia o carro, entrando no lado do motorista, ligando o motor e já pisando no acelerador. Ela suspirou aliviada e encostou a cabeça, relaxando os músculos ao se afastarem da cidade e virarem em uma curva. Olhou pelo retrovisor do carro para que estava nos últimos bancos, olhando para fora pela janela.
- De quem foi à idéia de você ir lá sozinho, ? – Ela perguntou. Automaticamente ele e Andrea olharam para a menina que olhava para a rua.
- Foi minha. – Ele disse.
- Ele não deixou que eu fosse. – Andrea disse.
- Mas é claro que não, você é mais experiente que eu. Caso eu e não voltássemos, você poderia cuidar dos quatro. Eu não. – Ele disse. – E eu tinha que fazer alguma coisa além de correr e me esconder.
- Você arriscou sua vida. Obrigado. – Ela disse soltando um sorriso médio. Ele a acompanhou. – Vocês conseguiram muita coisa?
- Pegamos alguns enlatados e deixei cada um pegar uma peça de roupas que eles queriam. E vocês? Conseguiram algo?
- Problemas. – A garota falou com desdém. – Peguei poucos enlatados, não deu tempo de fazer muita coisa já que tive que arriscar minha vida pra salvar um idiota, de novo.
- Eu não pedi sua ajuda. – O garoto lá atrás disse.
- Então você admite que é um idiota? – perguntou fazendo a menina rir.
- Como está o seu pé Sheila?
- Está dormente, mas obrigada mesmo assim. Você me salvou. Eu devia ter feito algo que preste.
- Não se preocupe. Terão outras vezes. – disse e assim o assunto se encerrou e o silencio reinou até que eles chegassem á prisão onde desceram e a primeira coisa que fez foi dar o “relatório” á Rick. Disse que dá próxima vez, ela iria escolher quem iria com eles. Estava descartando os idiotas, garotas frescas e garotos prepotentes. Esses eram sempre quem os colocava em apuros.
Depois seguiu até a cozinha deixando os enlatados em cima do balcão, sem falar com Carol ou com nenhuma das outras pessoas que estava lá.
Voltou ao lado de fora da prisão indo em direção ao seu carro e recarregando suas armas.
- Oi. – se aproximou dela.
- Oi. Algum problema? – Perguntou após se virar para ele e ver a expressão séria de seu rosto.
- Eu vou direto ao assunto. Não quero que você passe por aquilo outra vez. – Ele disse. A menina arqueou a sobrancelha, não entendendo o que ele queria dizer. – Os pesadelos.
- Desculpe, mas é involuntário. – Ela ironizou e voltou a mexer nas armas que estavam no porta malas. Ao perceber que continuava ali, ela se virou para ele, esperando que ele dissesse mais alguma coisa.
- Durma comigo hoje. – Ele disse e por um instante a menina pensou em rir, pois achou que era brincadeira, mas ao ver que não era, o encarou séria.
- Quer dormir comigo depois do que eu te contei?
- Eu não me importo se você transou com o Daryl, . Todo mundo comete um erro na vida. – Ela riu ao o ouvir dizer que Dixon era um erro. E o pior era que ele estava certo. – O que eu não quero é que você passe por aquilo que passou outra vez e eu acho que esse é o ponto. Você precisa se sentir segura, e eu vou estar com você para isso.
- E se não der certo?
- Se não der certo a gente faz alguma outra coisa, o fato é que eu venderia minha própria alma pro demônio se ele fosse solucionar o seu problema. – A garota se assustou com o que o garoto disse e olhou para ele indignada, de olhos arregalados e boca aberta. – Eu não quero te ver daquele jeito de novo. – Ele sussurrou se aproximando dela, fazendo-a fechar os olhos e respirar fundo. Era sempre estranha aquela aproximação. Assentiu e o encarou sorrindo.
- Tudo bem, mas só essa noite, se não funcionar, voltamos a nossas vidas separadas, ok?
- Ok. – Assim ele se virou sorrindo e seguiu em frente, em direção a prisão. A menina balançou a cabeça descrente e voltou a fazer o que fazia. Menino maluco. Ela pensou.


Capítulo 15 – Put You Down (Part 2)


A noite tinha chegado, tinha passado o resto do dia ajudando Rick e á concertarem falhas nas cercas e á empilhar madeiras. Estava mantendo a cabeça ocupada para não ter que ficar pensando em nada e nem ninguém.
Agora, com o banho tomado, ela estava deitada no beliche da cela de , ele chegaria ali em poucos minutos, pois tinham combinado de dormirem juntos.
Era estranho falar disso. Pensar em dormir junto com um rapaz, mas sem o sexo. Não que ela quisesse transar com o menino... na verdade ela queria, mas não podia e não sabia se tinha coragem, apesar de que nunca faria com ela o que Daryl fez.
O garoto estava na cantina, estava saindo de lá quando deu de ombros com Daryl que o olhou com um olhar matador.
- Olha por onde anda, pivete.
- É você quem deveria olhar, caipira. – Ele respondeu e se virou para sair.
- Mas se acha muito macho pra me responder mesmo. – Dixon falou. Andrea que também estava na cantina se aproximou para prestar atenção na briga.
- Daryl, eu não sou idiota, eu sei que você me odeia porque a prefere ficar comigo do que com você, mas vamos parar com a chatice e os olhares que dizem “vou te matar a qualquer hora” porque eu não tenho medo. Então vamos fazer um trato, fique longe dela e você não terá problemas.
- Ah, e o que uma magricela como você faria? – Dixon disse dando um passo em direção ao garoto com o peito estufado e com os músculos rígidos. Ele odiava o jeito que tratava a garota e tentava se aproximar dela. E era mais forte que ele, ele não podia controlar os ciúmes que sentia quando via junto de , ou quando ela falava dele. Detestava o garoto, mais do que podia detestar qualquer pessoa na sua vida.
Algumas das pessoas que estavam ali, prestavam atenção quietas.
- Eu não sei! – respondeu parado no mesmo lugar. Não se sentia intimidado por Daryl, e já fazia muito tempo que não sentia medo de nada. o ensinou a enfrentar as coisas e se fosse preciso, enfrentaria Daryl pela menina. – Mas se você machucar ela de novo, não importa se será fisicamente ou sentimentalmente, ou se você fazê-la chorar mais uma vez, eu mato você.
Andrea arqueou a sobrancelha. Como assim o Daryl a fez chorar? Do que está falando? Ela pensou.
- Você? Matar-me? Não me faça rir, até poucos dias trás você corria de medo dos seus amiguinhos imbecis e agora quer que eu acredite que você vai conseguir fazer algo contra mim? É você quem tem que ficar longe dela, ela precisa de proteção e não de proteger um fracote como você. – Dixon disse entre dentes.
- Isso Dixon, ria muito. – falou sarcástico, com um sorriso cínico no rosto. – Exatamente como você deve ter feito ao ver que ela chorou por sua causa, até porque coração é a única coisa que você não tem. E ao contrario do que você pensa, ela não precisa se proteção, e eu respeito isso. Ela sabe cuidar muito bem dela mesma, e a única coisa que ela quer, é alguém que a faça se sentir segura. Coisa que você não fez. E é exatamente por isso que sou eu com quem ela vai ficar no final.
Assim, se virou e saiu da cantina, deixando Daryl quase fora de si, com vontade de chutar a cara do menino loiro. Andrea se aproximou dele e parou ao seu lado, vendo sumir no corredor.
- O que você fez para ela chorar? – Ela perguntou. Dixon a olhou.
- Pergunte á ela. – E assim saiu dali também, indo para outro lugar da prisão.
E ela perguntaria sim, mas amanhã, pois a menina já devia estar dormindo.

No andar de cima...
- Hey, pensei que estava dormindo. – Ele disse ao chegar à cela e ver a menina deitada de barriga para cima, encarando o outro beliche. Ela olhou para ele e soltou um sorriso médio.
- Preferi esperar por você. – Ela disse com a voz fraca.
- Está com medo dos pesadelos? – Ele perguntou. A menina pensou um pouco e depois assentiu. Já estava na hora de parar de esconder o que estava sentindo apenas para ninguém achar que ela era fraca. Mas essa era a verdade. Ela era fraca e precisava de alguém para ajudá-la. – Não precisa ficar com medo. Não irei deixar nenhum pesadelo chegar em você. Serei seu escudo. – Ele disse sorrindo. – Você se importa se eu tirar a blusa para dormir? Detesto dormir com ela, me dá coceiras a noite e não consigo parar quieto na cama.
- Tudo bem. – Assim, adentrou a cela fechando-a, tirou a blusa jogando-a em cima de uma mochila no canto do lugar e foi em direção á beliche onde estava. Ela chegou para o lado, encostando as costas na parede enquanto ele deitava de frente para ela. Os dois ficaram se encarando por breves momentos, até que se pronunciou. – Eu fico imaginando como você seria como um namorado. – Soltou ela. parou para pensar naquilo que ela acabou de dizer. Poderia ter sido uma indireta, ou não. Quando o assunto era a menina, ele se enrolava todo.
- Bom, se eu tivesse uma namorada, eu seria carinhoso com ela. – Ele começou. – Eu faria tudo aquilo que a fizesse feliz, sendo possível ou não. Eu a faria rir mais do que a faria chorar, e se ela chorasse, eu limparia suas lágrimas com as pontas dos dedos, delicadamente para não machucá-la, pois ela seria tão importante pra mim que eu não me perdoaria caso isso acontecesse. – sorriu enquanto o escutava. – E quando fossemos dormir, eu passaria meus dedos pelos cabelos dela – tocou os cabelos de , acariciando-os, fazendo-a fechar os olhos e sorri mais. – E cantaria até que ela dormisse, para que se sentisse protegida, segura.
Ele respirou fundo, vendo a menina de olhos fechados sorrindo. Foi amor a primeira vista, e ele sabia disso, pois era a primeira vez que sentia daquele jeito, feliz, eufórico, irradiando sensações de pura alegria e bons sentimentos. O garoto nunca tinha se apaixonado antes, mesmo com suas namoradas, foram tentativas falhas. Mas agora era diferente. Ele sabia disso, ele sentia isso.
se moveu até , pousando sua cabeça no peito do menino que sorriu com aquilo, abraçou-a e continuou a acariciar seus cabelos. Ele adorava o cheiro que eles tinham, mesmo ela correndo tanto e suando muito, conseguia em apenas um banho parecer que saiu de dentro de uma piscina do perfume mais gostoso que existe. Não era como algumas garotas que pareciam que se esquecia de como se toma um banho.
- Canta pra mim, . – A menina sussurrou pedindo.
- Claro. – Ele disse beijando os cabelos da menina. - A first love is like learning to fly, We’re just burning to try, And even if we fall but I hear you say. – Ele começou enquanto a menina fechava os olhos e se aconchegava no peito do garoto. Essa deveria ser a primeira vez que ela se sente realmente bem depois de que tudo começou. - Oh, curse love, no, don’t even try, When he cheated and lied, He didn’t care at all. – Enquanto cantava, começou a pensar no que sentia por ele e as diferenças do que sentia por Daryl. á fazia rir sempre que podia. Daryl á fez chorar e se relembrar de uma forma grotesca o seu passado. era carinhoso. Daryl era bruto. a entendia. Daryl achava que só porque ela é uma garota é mais fraca que um homem e que não consegue dar conta do recado. a abraça e a acaricia. Daryl… É apenas ele mesmo. Mesmo que ela não faça nada ele é frio. E fala algumas coisas como que indiretas, não tendo coragem de falar de verdade. E não assume que gosta dela por causa do ego gigantesco que carrega. - If he’s too cold, To love you, Just stay with me...– A coração da garota ficou mais acelerado ao escutar a frase da musica que cantava “Se ele estiver muito frio para amar você, Apenas fique comigo...” Talvez essa fosse o que ela precisasse para provar que realmente gostava dela do jeito que ela pensava. E era como se ele estivesse lendo a mente dela.
A cantoria continuou e acabou adormecendo nos braços do garoto.
Já ele, ao perceber que ela tinha dormido, fechou os olhos também, sentindo o calor dela, sentindo a pele macia da menina em contato com a dele. Essa iria ser, provavelmente, a melhor noite de sono que ele teria desde que a epidemia começou. Sem preocupações, sem medo, sem qualquer outro sentimento que não fosse à felicidade pela garota que ele se apaixonou de verdade estar em seus braços agora.
No dia seguinte. acordou primeiro que o garoto e o observou enquanto dormia. O que ela sentia por ele não chegava perto do que sentia por Daryl, mas era o suficiente para ela se sentir feliz. Percebeu que não teve nenhum pesadelo á noite. estava certo. Ela só precisava se sentir segura e amada, e ela se sentia assim quanto á ele.
- Sou tão lindo assim que precisa ficar me observando enquanto durmo? – Ele perguntou ainda de olhos fechados, abrindo um sorriso.
- Não tenho culpa se tenho sonhos eróticos com você. – Ela disse sorrindo, fazendo com que ele soltasse uma gargalhada alta. Passou os braços em volta da menina, puxando-a para perto, fazendo-a deitar a cabeça em seu peito. Ela estava sentindo uma paz que fazia tempo que não sentia. – Eu decidi uma coisa. – Ela disse, finalmente criando coragem para dizer o que queria dizer.
- O que você decidiu? - perguntou acariciando os cabelos da menina.
- Eu vou voltar com o meu irmão. – Ela disse. parou as caricias por um momento ao perder as forças ao escutar a menina dizer aquilo. percebeu isso. Se remexeu na cama, escorou-se em um dos braços e encarou o menino que estava com uma expressão desolada. – Você quer vir com a gente? – Ela perguntou passando as pontas dos dedos pelo rosto do menino. – Você quer vir comigo?
Ele sorriu. Puxou para baixo, deitando sua cabeça em seu peito mais uma vez. Voltou a passar os dedos pelos cabelos dela.
- É claro que sim. – Ele respondeu sorridente. Ficaram por mais algum tempo em silencio. Passaram-se segundos, minutos. Nenhum dos dois tinha movido um músculo para sair da cama. Nenhum dos dois queria.
- Eu preciso ver se o Rick quer alguma coisa. – se pronunciou. – E tenho que falar com o também.
- Fica só mais um pouquinho. – Ele sussurrou manhoso com o rosto enfiado entre os cabelos da menina. Ela sentiu seu corpo se arrepiar e de repente a vontade de beijar o menino entrou em seu peito fazendo-a respirar fundo e se controlar.
- Vamos nos ver o dia todo. – Ela disse. – Não precisa ficar assim.
- Tudo bem. Pode ir. – Ele sussurrou soltando-a delicadamente. Fazendo-a sorrir e depositar um beijo na testa dele.
Assim ela se levantou, pegando seu coturno e saindo da cela. Enquanto descia as escadas os calçava. Deu de cara com Beth no começo das escadas, estava pronta para ignorar quando a menina soltou:
- Você sabe onde o está? – parou de andar e se virou para a garota após passar por ela. – É que ele não apareceu para o café da manhã...
- É porque ele está exausto lá na cela dele. – Disse ela sorrindo fazendo Beth criar uma expressão confusa no rosto. – Bem, pelo menos ele estava até eu sair de lá á pouco tempo atrás. Vai lá.
Assim se virou e saiu andando, deixando Beth de boca aberta. Ela não gostava de jogar coisas na cara dos outros, mas Beth tinha deixado com tanta raiva que não estava nem aí para o que falava.
Ao terminar o corredor e descer as escadas até o pátio principal, encontrou com Andrea.
- Onde você estava? Fui até sua cela e não te encontrei. – Ela falou.
- Estava com . – disse ao se aproximar. Andrea estreitou os olhos e riu. – Não é isso que você está pensando. Ele está me ajudando. Eu não tive pesadelos mais uma vez.
- Bom, pelo menos eu já tenho meu lugar de madrinha. Rick quer falar com você. Ele, seu irmão, Glenn e Daryl vão sair e ele quer falar com você antes. Estão lá fora procurando por você.
- Estou indo lá. Depois eu falo com você.
Assim ela saiu da prisão, vendo junto de Glenn encostados em um carro em frente ao portão.
- O que querem comigo? – Ela chegou perguntando.
- Onde você se meteu? – perguntou. – Eu te procurei por todo canto.
- Não procurou direito. Porque eu estava lá dentro dormindo. – Ela falou sarcástica.
- Mentira, eu não te achei na sua cela.
- É porque eu não dormi na minha cela. – Ela disse em tom óbvio fazendo os dois arquearem a sobrancelha, confusos.
- Ué, mas você não estava com o Daryl. – Glenn falou fazendo rolar os olhos impaciente, e levando um soco de . – Ai.
- Eu estava com . – Ela disse e antes que pudesse dizer algo, ela continuou. – Eu não tive pesadelos. está me ajudando com isso.
A expressão de se tornou feliz e um sorriso saiu de sua boca e de seus olhos. Ele abraçou a garota e sussurrou “Case com ele” fazendo-a rir.
- Até que em fim você apareceu. – Rick apareceu atrás dela junto de Daryl. – Bom, agora que está aqui, eu queria pedir que você ficasse no comando de tudo. Nós quatro vamos sair para uma viagem mais longa á procura de algumas coisas que estamos precisando aqui. Devemos voltar em dois dias ou mais.
- Desde que não percam meu irmão de vista está ótimo. Ele é ótimo pra sumir. – Ela disse levando um tapa no braço do irmão que riu. – Fique tranqüilo, as coisas vão estar iguais quando você voltar.
- Assim eu espero.
- Precisam de alguma coisa? Armas? Meu carro?
- Não. Vamos com a van, nossas armas são suficientes. – Rick respondeu. Tem certeza que consegue dar conta de tudo sozinha?
- Claro, se alguém sair da linha, prometo dar apenas uma surra e não usar armas de fogo. – Ela debochou. – Mas é claro que tenho certeza, Grimes.
- Abra o portão então.
- Sim senhor. – Falou dando mais um abraço em seu irmão, sussurrando um cuidado. Assim ela foi até a grade, passando por Daryl que entrava no carro sem dizer uma palavra. Abriu o portão afastando os zumbis que queriam entrar, dando-lhes tiros na cabeça. Assim o carro saiu e sumiu na rodovia perto dali. Depois de trancar o portão e olhar em volta, vendo que estava tudo em ordem foi em direção a porta da prisão e entrou na cozinha vendo Maggie, Andrea e Carol ali dentro. – Eu quero tudo em ordem porque quem manda nessa porra agora sou eu. – Falou fazendo todas olharem para ela de sobrancelhas arqueadas. – Rick saiu e me deixou no comando. – Falou rindo e se aproximando. – Qual é o assunto de vocês?
- Você! – Maggie apontou.
- Eu?
- É! Você e . – Andrea continuou. – Por que você não admite que gosta dele e ficam juntos?
- Porque eu não acho que estou preparada para esse tipo de relacionamento. – Falou se escorando no balcão.
- , o que o Daryl fez pra você? – A loira perguntou e sentiu o sangue escorrer de seu rosto, com a pergunta dela. Carol, automaticamente encarou a menina.
- Como assim?
- deu um encontrão com Dixon ontem de noite na cantina e no meio da briga deles, ele disse que o Daryl te fez chorar. E quando eu perguntei á ele o que era, Daryl disse para eu perguntar pra você. Então, é isso o que estou fazendo.
- e Daryl brigaram? Por minha causa? – Ela ficou boquiaberta. Nunca tinha imaginado brigando com Daryl. – Olha, não é nada, ok?
- Mas é claro que é! – Andrea aumentou o tom de voz enquanto as outras duas ficavam apenas observando. Beth entrou na cozinha e olhou para a discussão enquanto se aproximava. – Ele tem algo haver com os seus pesadelos, não tem? E não tente mentir.
- Daryl e eu transamos. – Ela falou de uma vez. Beth parou de andar com os olhos arregalados enquanto todas faziam o mesmo, ficando de boca aberta com o que tinham escutado. – Satisfeita?
- E depois diz que não se joga pra cima dele. – Carol retrucou recendo um olhar mortal da menina.
- Pra sua informação, foi em ele quem me beijou. E vocês não têm nada juntos, então não tem o direito de falar nada.
- Por isso você está dormindo com o ? – se virou para trás e viu Beth indo em sua direção, rolou os olhos e voltou á olhara para frente, balançando a cabeça em descrença. Mais uma. Ela pensou. – Você só está usando ele para não ter mais pesadelos, como um objeto...
- Primeiro, a conversa é entre adultos, o que quer dizer que magrelas menores de idade não são permitidas aqui. – Falou ela se virando para a garota que parou ao lado de Maggie que fez uma cara não muito boa. – Segundo, foi o próprio que deu a idéia de dormirmos juntos então se você quer brigar com alguém por causa de ciúmes, vá brigar com ele. – Continuou vendo as bochechas de Beth ficar rosadas. – E terceiro, você não tem a porra de direito nenhum de me julgar, não depois das merdas que você falou pra mim ontem, e eu ainda não estou totalmente no meu mais bom humor, por isso é melhor ficar de boca fechada antes que eu faça algo que a Maggie não vai gostar.
- Do que você está falando? – Maggie interrompeu, olhando para a irmã. – O que você falou para ela, Beth?
- Não foi nada...
- Como foi mesmo que você disse? “A Maggie só te deixou cantar na festa porque ficou com pena de você. Porque ficou com pena da menina que foi estuprada e que passou mais de um ano fugindo, sendo mal amada, usada, que foi abandonada pelos pais por ser um peso morto.” – Repetiu ironicamente as mesmas palavras que Beth havia dito, fazendo-a abaixar a cabeça e encarar os pés, enquanto as outras três mulheres olhavam para ela boquiabertas. – Bom, eu estou indo nessa, qualquer coisa que precisarem, me chamem.
E assim se virou indo em direção á porta e saindo de lá com um sorriso. Ela estava se sentindo maliciosamente bem. Nunca gostou de brigar com os outros, nem de humilhar alguém, mas Beth já tinha a irritado de mais, estava na hora daquela garota sair dos contos de fada e entrar na vida real.
- Beth, como você pode?
- Eu estava irritada, ok? – Ela gritou se afastando da irmã. – Ela sempre tem tudo o que eu quero. Ela é o que os garotos querem. Ela tem o , ela é bonita, é corajosa.
- Espera... ? Você gosta do ? – Maggie perguntou e a menina assentiu com os olhos já marejados. Ela nunca foi boa em controlar os sentimentos nesse tipo de situação. – Ah Beth.
- Será que eu tenho chance com ele? – A garota perguntou e as outras ficaram caladas. Até Andrea de pronunciar:
- é completamente apaixonado por . Não acho que tenha chance. Só acho que você tem que parar de se fazer de coitada o tempo todo e fazer com que os garotos olhem para você, pois ninguém vai te ajudar com isso. – Andrea disse e saiu dali também.
- Eu sei como você se sente, Beth. – Carol falou. – E uma hora você aprende a controlar.
- O quê? A vontade de querer matá-la? – A loira disse com ódio.
- Está maluca? Nunca mais diga uma coisa dessas Beth Greene. – Maggie a repreendeu.
- Viu? Até minha própria irmã defende ela.
- Não é questão de defender, Beth. A questão é que se você tentar alguma coisa contra ela, você sabe muito bem o que ela vai fazer com você. E a Andrea está certa, já está na hora de você parar de ser uma menininha.

(...)

- Você é suicida? – viu parado no meio do corredor, abaixado enquanto amarrava seu tênis e caminhou até ele já falando. O garoto levantou a cabeça encarando a menina, confuso. – O que você tem na cabeça pra ir confrontar o Daryl?
- Eu não o confrontei. – Ele respondeu se levantando ainda com o cenho franzido.
- Não? Então o que foi a briga que você teve ontem com ele? – Ela perguntou ácida. Ele engoliu em seco. – Sabia que a Andrea veio me perguntar por que você tinha dito que o Daryl me fez chorar?
- Eu não sabia que ela tinha escutado.
- Pois agora você sabe. Não pode caçar brigas com pessoas do tamanho do Daryl ainda mais no meio da cantina onde provavelmente todos vão escutar o que você está falando.
- Primeiro que eu não tenho medo de “pessoas do tamanho do Daryl”, até porque somos quase do mesmo tamanho, e segundo eu realmente não tenho medo dele, e em terceiro, me desculpe, mas na hora eu não me agüentei.
- O que você disse pra ele? – Ela perguntou menos irritada.
- Falei pra ele ficar longe de você, e que se ele te machucasse mais uma vez, eu mataria ele. – Falou com a voz baixa, quase em um sussurro. estreitou so olhos não acreditando no que estava ouvindo. Daryl deve ter rido pra cacete da cara do nessas horas, até porque não conseguiria matar o Daryl, ou conseguiria? Ela pensou antes de sorrir serena.
- Você é literalmente o cara mais inocente e com mais tendências suicidas que eu conheço. – Ela disse soltando uma risada baixa. – Confrontou o Daryl por minha causa.
- E faria de novo. – Ele respondeu se aproximando dela.
- ... Por favor.
- Desculpe. – Ele disse. – Bom, eu tenho que te mostrar uma coisa. Vem comigo. – Disse apontando para a entrada do porão, ela o seguiu. Assim, eles desceram a escada e lá embaixo, encontrou algumas crianças sentadas no chão, com instrumentos musicais como Ukulele, o violão de e algumas penas no chão. Ela estreitou so olhos ao ver aquilo e se perguntava o que estava aprontando dessa vez. – No tempo em que eu passei sendo babá das crianças, o que no caso é desde que eu cheguei aqui na prisão, percebi que muitas delas têm talentos escondidos. Por exemplo, as meninas ali – apontou para algumas meninas de no máximo onze anos sentadas no chão. – São ótimas cantoras. E os garotos ali – apontou para os meninos em volta das panelas. – São ótimos bateristas. Jessica sabe tocar Ukulele e é ótima no backing vocal.
- Aonde você quer chegar com isso? – Ela perguntou de braços cruzados e sobrancelha arqueada.
- Eles precisavam de algo para se distrair então eu decidi que podíamos ensaiar uma música para tocar pra você. – Ele disse sorrindo inocentemente.
- Pra mim?
- É! Você precisa de musica. Música happy, precisa arejar as idéias, atravessar novas fronteiras da sua mente, deixar todo o sofrimento de lado e se ligar apenas na musica.
- Você séria um ótimo psicólogo. – Ironizou a menina. – Bom, mandem ver.
Assim, pegou o violão e passou a faixa pelos ombros, contou até três antes de uma melodia desajeitada começar pelo Ukulele até todos os “instrumentos entrarem em um coro”. riu alto ao entender que musica era aquela.

So this is what you meant
When you said that you were spent
And now it’s time to build from the
Bottom of the pit,
Right to the top
Don’t hold back
Packing my bags and giving the
Academy a rain check

Ele cantarolou a musica estalando os dedos de acordo com o ritmo da melodia. Meu Deus, ele fica tão sexy cantando. pensou. Uma sensação maravilhosa invadiu seu corpo, ela amava aquela musica, ela lhe deixava feliz, animada. Após isso, o violão entrou em ação e tudo ficou mais bonito. Essa música dizia muito sobre ela. Ela nunca iria mudar, mesmo tendo acontecido tudo o que aconteceu com ela.

It’s time to begin, isn’t it?
I get a little bit bigger but then I’ll admit
I’m just the same that as I was
Now don’t you understand?
That I’m never changing who I am

It’s time to begin, isn’t it?
I get a little bit bigger but then I’ll admit
I’m just the same that as I was
Now don’t you understand?
That I’m never changing who I am

lhe passava uma confiança que a deixava feliz e ao mesmo tempo inquieta por dentro. Ela o conhecia á poucos dias e já se sentia muito bem com ele. E isso a deixava assustada. Ficou observando enquanto ele andava em volta das crianças que sorriam enquanto tocavam e cantavam. Ela estava gostando daquela atmosfera. E estava gostando da dança desajeitada que fazia também.
Decidiu parar de pensar e apenas curtir a musica sentindo uma alegria imensa invadir seu corpo fazendo-a cantar junto da musica, de e das crianças que pareciam literalmente se divertir com o que faziam. Bateu palmas para acompanhar a cantoria, sabendo que não faria tanto barulho do lado de fora.
Ao fim da cantoria, foi o momento de risadas. Tinha ficado horrível, todos desafinados, mas tinha sido divertido. aplaudiu com um sorriso no rosto, mesmo que não tivesse ficado perfeito, ela havia gostado.
- E então? – perguntou colocando o violão no chão e indo em direção á ela.
- Olha... Foi lindo.
- Foi terrível. – Um dos garotos disse fazendo todos que estava ali rirem.
Logo após escutaram o barulho de tiro e gritos. olhou automaticamente para a escada do porão enquanto todos ficavam assustados com o barulho. Ela retirou uma das armas dos suportes e entregou á .
- Fique aqui. – Ela disse e subiu as escadas de dois em dois degraus, vendo Andrea passando pelo corredor. – O que está acontecendo?
- Um dos adolescentes idiotas pegou uma arma e ameaçou atirar em alguém caso não fale com o Rick.
- Mas o Rick não está aqui. – falou. As duas se entreolharam e seguiram para fora da prisão. era quem estava no comando ali. O papo grosso seria com ela. Destravou sua arma e seguiu na direção da multidão que estava abaixada no chão. No meio deles tinham dois rapazes armados que ainda não tinham sentido a presença dela. – Andrea, rodeie e vá para trás deles eu cuido desse aqui, e você cuida do outro. – Ela disse e a loira assentiu, seguindo para outro lado. – O que demônios vocês tem na cabeça? – Ela perguntou fazendo a atenção dos dois meninos se virarem para ela.
- Queremos falar com o Rick.
- Rick não está, ele me deixou no comando. Falem comigo. – Ela falou se aproximando. Assim eles levantaram as armas em direção á ela que parou.
- Então vai ser mais fácil do que pensei. Queremos mudar algumas coisas por aqui. Começando com nossas roupas...
- Ei, eu só sou substituta, não tenho autoridade pra mudar nada aqui, agora parem de querer agir como os anjos da lei ou sei lá que porra vocês acham que são e soltem essas armas antes que alguém se machuque, e acredite, vocês não vão querer fazer isso. – Ela disse impaciente.
- Se você não fizer o que a gente ta mandando, ela – Apontou para um garoto que uma mulher que estava sendo trazida por um terceiro homem. Era Andrea, e atrás dele, haviam mais dois. Ótima hora para o Rick sair e levar todos os homens armados junto. Ela pensou, sabendo que agora teria que pensar extremamente rápido. – Vai morrer.
- Andrea, tudo bem? – perguntou.
- Estou ótima. – Disse soltando um riso irônico.
- A gente ta cansado de nunca ter o que quer. Eu não troco de roupas á quase um mês... – O mesmo que antes falava, continuou.
- Blábláblá. – debochou. – Vocês não vão ter coragem de matá-la. Principalmente sabendo que aqui tem mais pessoas do que vocês têm de balas. Vocês não têm sangue frio o suficiente para cometer homicídio. – Ela disse com a voz dura. Maggie apareceu um pouco longe dela, e ficou olhando junto com Carol e Beth. apareceu atrás delas com a arma na mão, sem saber o que fazer. – Já eu tenho. – Ela disse levantando a arma destravada em direção á eles que apontaram as armas para ela mais uma vez. Só tem um jeito de sair dessa sem que os inocentes se machuquem de mais. Ela pensou mais uma vez. – Vou dar uma chance para vocês de abaixarem as armas. Eu não vou hesitar em atirar na cabeça de cada um.
- Se você fizer isso, atiramos neles. – Três deles apontaram as armas para os civis que estavam abaixados. Graças a Deus as crianças estão com . Pensou outra vez.
- Vocês realmente acham que vão se sair bem dessa? – Andrea perguntou. – Tem mais pessoas aqui do que vocês podem se livrar, sem contar que Rick vai caçar vocês por terem machucado essas pessoas.
- Estaremos longe daqui.
- Abaixem as armas seus tolos. – apareceu ao lado de que ficou com uma vontade imensa de chutar a cara dele, mas não desviou os olhos dos “inimigos”. – Ela vai matar vocês.
- Você vai ficar do lado dela, ? – O líder perguntou.
- Já chega. – gritou. – Vocês não vão matar ninguém mesmo que atirem. As armas que vocês estão usando são as armas de treinamento, seus imbecis, são balas de borracha. Isso não mata!
- Vamos ver. – Um deles disse destravando a arma, no mesmo momento acertou sua mão com um tiro e deu uma rasteira em , fazendo-o cair de costas no chão. O líder atirou contra ela, o tiro acertou em sua perna e ela apertou o gatilho fazendo a bala acertar no ombro do garoto. Andrea conseguiu se soltar e desarmar aquele que a segurava. Os civis ajudaram a segurar aqueles que tinham caído, até que viu um deles correndo para longe dali, apontou e atirou, acertando-o no lado de trás do joelho esquerdo, fazendo-o cair. Furiosa, ela caminhou até ele e segurou seu pé, o arrastando de volta até onde estavam. Eles fizeram uma roda e os civis queriam ir para cima deles.
- Saiam daqui. – Ela gritou fazendo com que todos se afastassem. – Qual é o problema de vocês? – Ela gritou para os garotos no chão, se contorcendo de dores pelos tiros. – Pensam que só por que o Rick não está aqui, poderiam achar que são os deuses das armas e sair atirando em todo mundo como se tivessem jogando GTA?
- Só queríamos nossos direitos iguais. – Um deles disse e automaticamente apontou a arma para seu rosto.
- Cale a boca. Eu não estava mentindo quando disse que tenho sangue frio o suficiente para matar. – Disse ela fazendo-o abaixar a cabeça. – Todos aqui têm sim os direitos iguais, mas o problema não só de vocês como de provavelmente da maioria de todos aqui é que não conseguem ver o lado dos outros e são egoístas e invejosos de mais para perceber que tudo o que o outro ganha, você também ganha.
- Não é verdade. Os adultos ganham roupas novas, enquanto nós usamos roupas usadas. – O líder daqueles, falou.
- A verdade é que ninguém nessa porra é seu empregado, imbecil. – Gritou ela outra vez. – Os adultos ganham roupas novas porque adultos são adultos e roupas de adolescentes não servem neles. E ninguém aqui tem o direito de cobrar merda nenhuma de ninguém, já que vocês não fazem por onde. A verdade é que vocês não se preocupam se Rick, ou Daryl, ou qualquer outra pessoa que sai daqui para buscar suprimentos, para que vocês sobrevivam, vão voltar vivos. Vocês só se preocupam se eles vão trazer as coisas que vocês precisam. A verdade é que os homens que deveriam aprender a se defender para ajudar na segurança, deixam as mulheres fazerem tudo e continuam sendo adolescentes merdas em um mundo de merda. E sim, estou falando de vocês cinco. – Apontou para os garotos. Virou o rosto e encontrou com o de . – E você! – Ela foi em direção á ele.
- Eu? – Ele perguntou confuso. se aproximou o suficiente e lhe deu um soco no rosto, fazendo-o cambalear e botar a mão no nariz. – Ai, por que me bateu?
- O que eu mandei você fazer seu idiota? – Ela perguntou com o sangue fervendo. – Eu mandei você sair de perto das crianças por acaso?
- Me desculpe se eu fiquei preocupado com você.
- Eu não preciso que se preocupe comigo, eu sei me defender. Eu preciso que você obedeça quando eu dê uma ordem. – Ela gritou.
- Você poderia ter se machucado.
- E se eles tivessem te machucado, eu teria arrancado a cabeça deles com um tiro de doze. – gritou pela última vez lhe dando um soco no peito. Logo após de respirar fundo por alguns segundos, se virou para os atiradores no chão. – Vocês vão ficar no porão até o Rick chegar e agradeçam por não terem machucado ninguém, ou nesse mesmo momento eu estaria jogando vocês para os mordedores com os tendões das pernas cortados e com os braços quebrados para que não pudessem se arrastar e nem correr. – Disse entre dentes, com a voz ácida. – , tire as crianças do porão. Vocês três. – Apontou para três homens. – Levem-nos até lá junto de Andrea e não deixe que eles saiam, ou a coisa vai ficar bem feia pro lado deles.
Assim passou entre as pessoas e foi em direção á entrada na prisão. O seu dia tinha começado bem.

(...)

Durante a viagem até a primeira cidade que iriam visitar, passou o tempo inteiro olhando pela janela, pensando na irmã, pensando na reação dos pais ao saber que ela estava viva. E agora voltariam juntos. Não poderia estar mais feliz.
- No que tanto pensa? – Rick que estava ao seu lado, no volante, perguntou.
- Na . Os pesadelos dela pararam. – Automaticamente Daryl, que estava sentado atrás de o encarou, seguido de Glenn e Rick.
- Isso é ótimo. – Grimes falou.
- É! Mas agora que vai voltar comigo, vou arrastar o conosco. – Ele disse rindo. Rick arqueou a sobrancelha, Daryl fez o mesmo.
- Por quê?
- Porque foi o quem a fez para com os pesadelos. Já tem duas ou três noites que ela não tem nenhum pesadelo. E ela me disse que foi ele quem a ajudou. – Daryl, que estava com uma de suas flechas na mão, a quebrou após escutar as últimas palavras de . Fazendo Glenn o encarar e Rick o olhar pelo espelho retrovisor interno.
- Como sabe que foi ele quem a fez parar de ter os pesadelos? – Dixon perguntou olhando pela janela, tentando disfarçar a raiva que estava seguindo em suas veias, mas sua mandíbula cerrada e punhos fechados evidenciavam sua irritação.
- Ela me contou. Os dois estão oficialmente juntos. – disse. – Sinto muito Daryl.
- Sente muito? – Dixon o olhou confuso. – Como assim?
- Eu sei que você gosta dela. – Daryl ficou sem expressão. – Mas eu tenho que buscar o melhor para minha irmã.
- Se você acha que o magricela imbecil é o melhor para ela, não posso fazer nada. – Ele disse e depois se calou. Rick continuou á encarar a rua e Glenn fez o mesmo, olhando por sua janela enquanto seguiam o caminho.

(...)

Na prisão...
- Por quanto tempo você vai continuar com esse mau humor? – perguntou subindo na torre de vigilância em que estava para observar o movimento dos errantes. Ela estava com os binóculos nas mãos, em frente aos olhos e não os tirou dali para falar com o garoto.
- Pelo tempo que eu quiser. – Ela respondeu. Já fazia no mínimo duas horas depois do ocorrido e ela ainda estava fervendo de raiva. Odiava garotos como aqueles e a sua vontade de matá-los não tinha diminuído. segurou os binóculos o tirando das mãos da menina que bufou irritada. – O que veio fazer aqui?
- Ver por quanto tempo você vai continuar irritada.
- O verdadeiro motivo. – Ela disse rolando os olhos.
- Hershel quer falar com você. Ele disse que achou seu comportamento com os garotos muito agressivo. – O rapaz falou e a garota soltou uma risada sarcástica. – Qual é a graça?
- A graça é que todo mundo está arranjando algum motivo para caçar brigas comigo essa semana. – Ela respondeu. – Fique aqui, qualquer anormalidade fora da prisão, me chame. Eu já volto.
E assim desceu do forte e caminhou entre algumas pessoas que olhavam feio para ela, mas ela estava estressada de mais para dar bola para isso. Entrou na prisão e encontrou com Andrea que a levou até onde Hershel estava, que nesse caso era a cantina.
- Isso aqui está virando sala de reuniões? – Ela perguntou ao entrar acompanhada da outra mulher. A coisa não ia se sair bem.
- Por que você não guarda suas armas por um tempo? – Hershel disse enquanto ela se aproximava. A garota franziu o cenho. Do que ele está falando?
- O quê? Por quê?
- Olha , sabemos que você não suporta pessoas como aqueles garotos. – Maggie começou.
- Mas você não pode sair atirando em todo mundo. – Carol continuou. olhou para Andrea que aparecia tão confusa quanto ela, depois olhou para os outros.
- Vocês estão me zoando? É alguma brincadeira? Porque vou logo avisando, não estou achando graça nenhuma. – A garota falou.
- A atitude que você teve hoje não foi de um líder. – Hershel disse. – Um líder conversa e convence as pessoas, exatamente como Rick faz.
- Primeiro, eu não sou um líder, só estou substituindo o Rick enquanto ele não volta porque ele me pediu. Segundo, eu não sou o Rick e pessoas como aqueles garotos não são convencidos com palavras. E terceiro, se eu não tivesse feito o que fiz, eles teriam machucado muitas pessoas.
- Você poderia ter dado o que eles queriam...
- Eu não tenho autoridade para mudar nada do que o Rick fez. – Ela disse.
- Se a não tivesse feito o que fez, aqueles garotos poderiam ter atirado na minha cabeça, e poderia ter causado um ferimento grave. – Andrea falou.
- Isso não justifica o que você fez. – Hershel bateu a mão na mesa. – Então eu sugiro que você guarde suas armas para a segurança de todos nós.
- Você acha que estou louca? – Ela perguntou estreitando so olhos com indignação. Virou-se para Andrea. – Aqueles infelizes tentam dar uma de Doom Guy e a louca aqui sou eu.
- O que é Doom Guy? – Carol perguntou.
- Quer dizer que eles queriam sair atirando em tudo o que se mexesse, inteligência. – A menina disse irritada. – Eu não vou guardar minhas armas só porque vocês acham que a errada fui eu. Eu nunca me desgrudei das armas, nem mesmo para dormir.
- , eu sei que você passou por tempos difíceis no passado. – Maggie começou fazendo a garota franzir o cenho. – Mas aqui você está segura, e ninguém vai fazer nada de mal com você, não precisa se preocupar e andar com armas para todos os lugares.
- O quê? – quase gritou de indignação, não acreditando no que estava escutando da boca de Maggie. – Não tem nada haver com eu ter sido estuprada, Maggie. Eu não sou sua irmãzinha dramática e não aperto na mesma tecla sempre. – Falou ela com raiva na voz, fazendo Beth olhar para ela. – Se vocês não perceberam, aqueles garotos queriam fazer uma rebelião, e se eu não estivesse com armas, eles teriam conseguido. E ninguém nunca está seguro, nem mesmo se eu estivesse dentro de um centro militar, rodeado de soldados, eu não estaria segura. Ninguém nunca está. E eu não fiz nada de errado pra vocês começarem á achar que eu estou ficando louca.
- Você disse que quebraria os braços deles, e cortaria os tendões de suas pernas para que eles não pudessem fugir quando você os jogasse para o walkers. – Hershel gritou.
- E eu estava falando sério. – Ela gritou retrucando, com a voz mais alta. – Pois eu sei o que garotos como aqueles podem fazer com alguém. E eu não vou deixar eles fazerem com pessoas daqui o que fizeram um dia comigo. E nem adianta falar que estou fazendo drama, porque não estou. Eu não vou guardar minhas armas, e se quiser tira-las de mim, aconselho que não tentem.
Houve silencio.
- Façam a porra que vocês quiserem. Se vocês acham que o que eu fiz foi errado, ótimo. Eu não farei mais nada para ajudar e vamos ver o que vai acontecer.
Virou-se e saiu sem deixar que eles continuassem. Chegou até o porão e encontrou com um dos homens que tinha pedido para prender os garotos por lá. Pediu a ele que os libertassem, mas também pediu para avisar a cada um deles que se eles tentassem algo assim novamente, ela não hesitaria em atirar para matá-los.
Assim foi em direção ás escadas, subindo-as e indo até sua cela onde se deitou no beliche e respirou fundo. Esse não estava sendo um dos seus melhores dias.

(...)

- Ainda está com raiva de mim? – perguntou entrando na cela da menina. Ela tinha passado o dia todo ali, saiu apenas para tomar banho. Já estava de noite e todos já tinham ido dormir.
- Estou com a mente casada de mais para estar com raiva de você. – Ela disse com o braço cobrindo os olhos. – Estou me sentindo realmente frágil agora. – Sussurrou.
- Me desculpe, mas eu fiquei tão desesperado ao saber que aqueles garotos poderiam te machucar.
- Eu mandei você ficar com as crianças porque eu não queria que você se machucasse. – Ela disse se sentando na cama e tirando o coturno. – Da próxima vez, escute o que eu digo e fique longe. Eu posso me cuidar sozinha.
- Eu sei que pode. Mas não tem. – Ele disse fazendo a menina o encarar. – Não percebeu que tudo o que fiz até agora foi tentar cuidar de você?
- Se colocou em risco duas vezes por causa disso. – Ela retrucou.
- E eu faria de novo. – Ele disse sério e agarrando a mão da menina. – Faria quantas vezes eu pudesse. E você pode me bater o quanto quiser, pode me odiar, mas eu sempre vou fazer o que eu puder para ajudar você, para você ficar bem, ficar a salvo.
A garota o encarou com os olhos semicerrados. Sentiu o corpo se arrepiar ao olhar para o brilho dos olhos verdes do garoto. Por que ela tinha que ter se apaixonado por Daryl? Por que não se apaixonou por ? Sua vida seria mais fácil se fosse assim.
se aproximou um pouco mais e roçou seus lábios no da menina que fechou os olhos suspirando. Aquele toque, o corpo tão próximo, por mais que o que ela sentisse por ele não fosse o suficiente para ultrapassar o que sentia por Daryl, ela ainda assim desejava . Mas o medo que ela sentia em passar por tudo o que passou outra vez, não deixava com que ela se deixasse levar pelo toque dele. Porem ela sentia algo diferente quanto ao garoto. Sentia-se mais segura. Segurou nos ombros do menino enquanto ele lhe dava selinhos demorados e lentos.
segurou na cintura da menina e deitou-a lentamente na cama, ficando por cima dela.
- Eu quero tentar uma coisa, mas só irei fazer se me der sua permissão. – Ele sussurrou passando a ponta do nariz no tecido descoberto de seu pescoço.
- Vai doer? – Ela perguntou e ele sorriu meigo, negando logo após. Levantou o rosto e encarou a menina ainda sorrindo.
- Eu nunca faria nada pra machucar você. Pode confiar em mim.
- Então sim. – Ela respondeu ainda incerta. Mas resolveu dar uma chance á ele. Precisava se arriscar uma vez ou outra. deu um sorriso meigo, carregado de malicia fazendo com que a menina se arrepiasse por inteiro, desviou o olhar dos olhos da menina e encarou o corpo dela. O sorriso sumiu, dando lugar á um olhar sedutor enquanto ele mordia o lábio inferior pensando por onde iria começar. Tocou o rosto da menina, acariciando-a, fazendo com que ela fechasse os olhos mais uma vez. Inclinou-se sobre ela. Deu-lhe um beijo na testa, depois na bochecha, boca, lóbulo e finalmente pescoço. Depositou vários beijos ali antes de começar a lamber e dar chupões leves que faziam com que a garota soltasse suspiros. Desceu um pouco mais os beijos para o colo da menina. Devagar, levantou a blusa da garota, descobrindo seu tórax e passando algum tempo beijando aquele lugar. Ele não iria descobri-la totalmente. queria que ela se sentisse bem com aquilo, não que se sentisse como se estivesse sendo obrigada á tirar a roupa. Ela iria se despir só se quisesse. Ele queria mostrá-la que não era porque ele estava por cima que estava no comando. Queria mostrar para a menina que era ela que mandava ali.
- Você quer que eu tire seu short? – ele sussurrou distribuindo beijos pelas coxas da garota. Dava leves mordidas também, até voltar ao tórax da menina que assentiu com o corpo tremendo. – Você tem certeza? Só farei isso se você quiser. É você quem manda aqui. – Ele sussurrou mais uma vez ao subir os beijos, parando á centímetros da boca da menina que abriu os olhos assentindo mais uma vez, mas dessa vez era com mais firmeza, ela agora tinha certeza que podia confiar em .
Ele voltou á descer pelo corpo da menina, desabotoou os botões do short da menina que o ajudou á tira-lo levantando os quadris. Logo após se deitou entre as pernas da garota, massageando-a por cima da roupa intima.
- Alguém pode nos ver. – Ela sussurrou de olhos fechados.
- Está tudo bem, estão todos dormindo á essa hora, é só não fazermos nenhum barulho. – Ele sussurrou e logo após lhe deu um beijo mais intimamente antes de chegar à calcinha da menina para o lado e começar o verdadeiro trabalho. A garota ao sentir a língua de acariciando-a, apertou o lençol e baixo de si, controlando-se para não soltar nenhum gemido, mas não se agüentou por muito tempo e acabou soltando um suspiro seguido de um gemido quase inaudível. Nesse momento, que estava de olhos fechados, aproveitando o que estava fazendo, abriu-os e encarou a menina de cenho franzido, olhos fechados e lábios pressionados. Deslizou sua mão até a dela e segurou-a. abriu os olhos e o encarou. Os olhos de mostravam o quanto ele estava saboreando o que estava fazendo, enquanto os de mostravam o quanto ela estava tomada pelo prazer. Entre as expressões de prazer, ela sorriu, o que motivou á aumentar seus movimentos com a língua e estimulá-la ainda mais enquanto encarava seu olhos. Ela então começou a se mexer na boca do garoto que voltou á fechar os olhos e com a mão livre, segurou uma das coxas da menina, aumentando a força que usava e a velocidade da língua. O aperto em sua mão aumentou e ele sentia o sexo da garota pulsando, ela estava chegando ao ápice. O garoto se concentrou em um ponto especifico da menina, o que a fez soltar um gemido rouco e finalmente se derramar enquanto os espasmos se espalhavam pelo seu corpo.
Ele se levantou e foi para cima da garota. Apoiou seus braços ao lado do corpo dela e ficou observando seu rosto. abriu os olhos ao sentir a respiração de perto da sua e sorriu ficando vermelha. O garoto sorriu também.
- Eu disse que não ia te machucar.
- Eu posso retribuir... – Ela começou, mas ele a calou com um selinho.
- Não quero que retribua. – Ele sussurrou. – Quero que durma.
Puxou o lençol para cima dela e se deitou ao seu lado, a puxando para seu peito.
não questionou, apenas obedeceu.


Capítulo 16 – Madness

Dois dias se passaram e as coisas na prisão estavam calmas. Sem rebeliões, sem brigas entre as pessoas, sem zumbis amontoados na cerca. Tudo bem tranquilo.
Eram quase quatro da tarde, estava literalmente decidida a ir embora dali, por isso pegou todas as suas coisas e enfiou dentro de seu carro. Falou com para que ele pegasse suas coisas e de Jessica para colocar em seu carro também, assim que chegasse, eles sairiam. Era isso o que deveria fazer.
Algum tempo depois que ela estava esperando, o carro de Rick foi avistado, e atrás dele vinha outra caminhonete. Ela estranhou, mas mesmo assim pediu para que Carl a ajudasse a abrir o portão.
- Dois carros por quê? – Ela perguntou assim que eles estacionaram perto do Nissan. saiu da caminhonete e foi até a irmã.
- nos disse que vocês vão embora. – Rick falou.
- Embora? – Carl arregalou os olhos. – Você não falou nada disso pra gente.
- Eles estavam ocupados de mais enchendo o saco dela pra escutá-la, Carl. – chegou parando ao lado da menina que assentiu concordando.
- Do que estão falando? – Grimes Jr perguntou enquanto via Glenn tirando algumas coisas da traseira do carro. Só então ela percebeu que Daryl não estava junto com eles e começou a se perguntar onde ele tinha se metido. explicou o que tinha acontecido um tempo depois deles terem saído dali, o que deixou e Rick de bocas abertas. – Foi arriscado o que você fez. Muitas pessoas podiam ter se machucado.
- Mas não morrido. Eu conheço as armas, não deixaria armas com balas de verdade livres pra esses delinqüentes do maternal. – Ela falou. – Onde está Daryl?
- Ele ficou olhando umas coisas aqui perto, em poucos minutos ele deve chegar, não se preocupe. – falou e ela franziu o cenho.
- Não estou preocupada. – Ela falou. Vai ser melhor assim. Despeço-me deles e não preciso me despedir de Daryl. Ela pensou. Assim pediu para que Carl chamasse os outros enquanto Jessica se despedia de suas amigas.
ainda estava insegura do que ia fazer, mas precisava fazer.
Logo após que todos aqueles com ela conversava e que conhecia mais, se juntaram perto do seu carro, ela se desencostou e olhou para todos.
- Não vou fazer rodeios. Vocês são boas pessoas e me ajudaram quando eu precisei, ajudaram o meu irmão quando ele precisou e eu sou grata por isso. Mas hoje nós vamos embora, pois esse não é nosso lugar.
Aqueles que estavam ali mantiveram o silencio ao escutarem a menina falar.
- Há quanto tempo você estava pensando em fazer isso? – Maggie foi a primeira a perguntar.
- Desde que chegou aqui. – Ela deu de ombros. – Eu só não tinha me decidido ainda.
- E você fala isso com toda essa frieza?
- Foram vocês que quiseram isso. – falou. – Com essa historia de que eu estou enlouquecendo e que estou querendo atirar em todo mundo.
- Não dissemos isso. – Carol falou. A menina se virou para ela com desdenho, fazendo-a ficar calada.
- Olha. Não estou querendo dizer que eu não queira ficar aqui e nem que estou totalmente irritada com o fato de vocês terem achado que depois de todo esse tempo que estou aqui, eu ia simplesmente enlouquecer e matar aqueles rapazes. Eu tive vontade sim, mas tenho problemas para controlar minha raiva. Quando fiquei sozinha, eu era nova e ainda estava com a mente em formação. Eu precisava de algo para me servir como base e proteção, e acabei escolhendo a raiva. Foi uma má escolha, mas estou feliz com isso. – Disse ela.
- Depois de vermos como está à situação por lá, podemos voltar e buscar vocês. – falou. – Quando eu estava por lá, o abrigo estava bem cheio.
- Agradeço sua preocupação , mas por enquanto estamos bem por aqui. E sim, quem saiba nos reencontremos de novo. – Rick se pronunciou.
- Eu tenho certeza que vamos. – A menina disse.
Todos ficaram em silencio até que Carl deu um passo à frente, colocou uma das mãos nas costas e levou a outra na cabeça, batendo continência, fazendo e sorrirem. Os outros o seguiu, fazendo a mesma coisa. Até mesmo e Jessica os acompanharam, até que os irmãos retribuíram o gesto.
- Foi um prazer servir com vocês, soldados. – disse.
- Falou igual ao papai agora. – disse fazendo a menina rir alto e lhe dar um tapa leve no ombro. – Vamos doidinha. Papai e mamãe vão enfartar quando verem você.
Assim foram em direção aos carros. , e Jessica entraram no dela enquanto entrava na caminhonete que havia trazido. Rick abriu o portão para eles enquanto Maggie se aproximava da janela do Nissan.
- Não vai esperar o Daryl? – Ela perguntou. hesitou antes de responder, até que balançou a cabeça em negação. prestou atenção na conversa. – Tem certeza?
- Ele não sentirá minha falta, e eu muito menos a dele. – respondeu voltando seu olhar para o portão por onde passava. Acelerou o carro trocando de marcha e saiu também. Olhou pelo retrovisor, vendo a prisão ficar ainda mais longe. Era hora de ir para casa.

(...)

Daryl depois de dar uma volta pelas redondezas da prisão, apenas para gastar tempo e não ter que necessariamente voltar e dar de cara com junto de , resolveu que devia voltar e tirar toda a historia a limpo. Já estava na hora dele esclarecer com a menina tudo o que eles sentiam um pelo outro. Ao se aproximar do abrigo, começou a achar que tinha algo de estranho acontecendo. Primeiro porque Rick, Glenn, Maggie, Carol e Hershel estavam reunidos em frente a prisão, todos em pé, parecendo preocupados e que estavam conversando sobre algo que não lhes agradava. Segundo porque não estava no meio deles, nem ela e nem . Terceiro, pois não estava vendo o carro da menina ali. Tinha algo errado.
Com a ajuda de um dos homens que olhavam o portão, ele o empurrou e entrou indo em direção ás pessoas amontoadas na escada. Maggie o viu e o encarou até ele se aproximar o bastante para poder perguntar:
- O que está acontecendo?
Assim, Rick se virou para ele com as mãos na cintura e a expressão inquieta.
- foi embora... – Daryl parou de escutar o que Rick dizia após escutar a primeira frase. Ela foi embora, sem se despedir dele. Pela primeira vez em muito tempo o chão fugiu de seus pés e ele não se sentiu nada bem.
- Para onde eles foram? – Ele perguntou.
- Para a casa deles. De volta aos pais dela. – Carol disse, na chance de tentar fazer com que Daryl se sentisse melhor ou que aliviasse a expressão que ele tinha no rosto, mas não adiantou de nada.
- Para que lado eles foram? E a quanto tempo eles saíram? – Essa pergunta deixou Rick confuso, mas mesmo assim ele escolheu responde-la.
- Saíram faz uns cinco minutos e foram em direção ao oeste para a rodovia principal. Devem estar passando pela estrada que corta a floresta e a linha do trem nesse momento.
Sem mais delongas, Dixon correu em direção ao galpão que ficava na parte de traz da prisão, escancarando a porta e entrando. Lá havia algumas caixas e coisa velhas. Peças de carros e baterias ainda não usadas de carro para que pudessem usá-las a qualquer hora. Ele seguiu em direção á um pano que cobria algo e logo então o puxou, descobrindo uma moto, uma Triumph Bonneville 1976 . Com a Crossbow ainda nas costas ele empurrou a moto até o lado de fora e logo após a ligou. Fazia muito tempo que ele não subia nela. Gritou para que abrissem o portão e assim foi feito. Ele saiu, seguindo para o oeste, atrás da menina, acelerando com tudo para conseguir alcançá-la. Não deviam estar muito longe dali. Ela não fugiria tão facilmente dele.

(...)

A musica tocava baixo em seu radio. Ela gostava do jeito que Jared cantava. A voz dele era bonita e a maioria das musicas do 30 Seconds To Mars eram profundas e tinham um grande significado para ela. A trilha sonora de sua vida foi feita com as musicas dessa banda, exatamente como a vida de seu irmão. O que será que aconteceu com os membros da banda? Ela pensava. Será que estão vivos em algum lugar?
- No que você tanto pensa? – O garoto perguntou ao lado dela. A garota balançou a cabeça em negação e antes de falar, ouviu um barulho vindo de trás do carro, compatível com o motor de uma moto. Ao olhar pelo retrovisor, viu Daryl se aproximando em cima de uma e em alta velocidade. Franziu o cenho e abriu o vidro de sua porta, quando ele passou ao lado dela.
- Encoste. – Ele gritou.
- O quê?
- Encoste a porcaria do carro. – Gritou ele novamente. A garota piscou algumas vezes, mas levou o carro para uma estradinha de terra ao lado da rodovia e adentrou um pouco até parar o carro com Daryl atrás e dando ré e entrando no mesmo caminho, confuso do porque a irmã tinha parado o veiculo. saiu do carro no mesmo momento em que Daryl desceu da moto indo em direção á ela em passos fundos. – Quem você pensa que é? – Ele gritou parando em frente á ela que arregalou os olhos com a agressividade dele.
- O quê? Do que você está falando? – Ela perguntou confusa se movendo para sair de perto dele, quando ele a empurrou contra a porta do carro, fazendo-a bater as costas e a segurou, imprensada nele. saiu do carro e também, assustados e indignados com o que estavam vendo.
- Quem você pensa que é pra entrar na minha vida e sair assim? Quem você pensa que é pra chegar daquele jeito, me fazer sentir tudo aquilo e agora simplesmente dar as costas e ir embora com seu Ken dos contos de fadas? – Ele gritou mais uma vez, deixando a menina sem reação ou palavras para respondê-lo.
- Daryl... – começou, mas Dixon se virou para ele com um olhar homicida.
- Não se meta na conversa, , eu não estou com tempo e nem paciência. – Ele disse e logo depois olhou para . – E você nem pense em abrir a porra da sua boca também, a conversa é entre eu e ela.
- Que conversa? Que eu saiba você só está gritando com ela. – se pronunciou fazendo o sangue de Dixon ferver mais ainda.
- Eu não te dei um soco na cara antes, mas nada me impede de fazer isso agora. – Daryl falou.
- O que você quer, Dixon? – perguntou o empurrando para longe. O rapaz se virou para ela lhe lançando um olhar fuzilante que a fez tremer da cabeça aos pés.
- Quero que me diga por que brincou daquele jeito comigo. Quero que me olhe nos olhos e diga que não sente nada por mim... que não se sente bem comigo, que não se sente segura. Que não me ama, que não sentirá a minha falta. – Ele gritou se aproximando cada vez mais. A menina assustada com a intensidade das palavras e do olhar de Daryl, foi indo para trás até bater as costas na porta do carro onde engoliu em seco se sentindo perdida e presa nos olhos azuis do rapaz que não parava de encará-la. “Que não me ama, que não sente minha falta” essas palavras ecoaram mais uma vez na mente dela, fazendo seu peito pulsar com força.
Nesse momento, a atenção de foi levada para outro lugar quando escutou barulhos de motores de carros. Virou-se para trás a tempo de ver carros passando na direção opostas da qual eles estavam indo antes de Daryl os atrapalhar. virou seu rosto para o lado, desviando seus olhos dos do rapaz e franziu o cenho ao ver que os veículos passavam em alta velocidade, com brutalidade e violência na pequena rua. Ao se virar para Dixon, ele também olhava para a rua.
- Tem algo errado. – Ela disse e o empurrou para longe abrindo a porta de traz de seu carro. Não poderia deixar se abalar pelo a “declaração” que o rapaz fez para ela. Olhou para Jessica que estava encolhida agarrada em sua boneca parecendo assustada. – Jessica, entre no carro de . Ele vai levar você e seu irmão para o acampamento do meu pai.
- O quê? – e falaram ao mesmo tempo em que Jess saía de dentro do carro, obedecendo à garota.
- Tem algo errado acontecendo. Só tem um lugar na direção que aqueles carros estavam indo e é a prisão. – Ela disse e se virou para . – Você vai levá-los para o acampamento do pai.
- Não. Nós vamos voltar com você... – começou.
- Não. – Ela disse mais alto. – Façam o que estou dizendo. vai levar vocês para o acampamento e lá vocês e Jessica vão ficar seguros. Eu não tenho tempo para ficar de olho em vocês.
- Não precisamos que faça isso. – respondeu. – E eu sou seu irmão mais velho, você não pode mandar em mim.
- Chega, . – Ela gritou enquanto abria o porta malas do carro pegando uma bolsa de armas lá dentro. – Faça o que eu falei. Diga-me apenas onde fica o acampamento do papai e eu encontro vocês lá.
- E se você não encontrar? – perguntou com a voz fraca.
- Eu vou encontrar. – Ela falou encarando o garoto. O loiro se aproximou passando os braços pela cintura da menina e a puxou contra si, abraçando-a com força. – Fique viva, por favor. – Ele sussurrou em seu ouvido e logo após lhe deu um beijo na testa antes de se afastar. Daryl estreitou os olhos. Apesar de odiar o garoto por ele gostar da mesma garota que ele, não podia deixar de admirar o extinto de que queria proteger . pegou um mapa dentro do carro e marcou para ela onde ficava o lugar para onde eles estavam indo.
- Cuide dela. – Disse se virando para Daryl.
- Não preciso que cuidem de mim. – Ela disse entrando no carro e dando ré, logo após, Daryl fez o mesmo depois de acenar com a cabeça para , afirmando que cuidaria dela.

(...)

- Que droga é essa? – Glenn gritava enquanto atirava contra os errantes que atravessavam a cerca destruída. Ao seu lado estava Maggie que se fazia a mesma pergunta. Rick fazia o mesmo, enquanto Carol os acertava com facadas. Logo depois tiros vinham contra eles, haviam pessoas no meio daqueles zumbis. Era uma invasão.
Daryl e chegaram. Ela desceu do carro abismada com o que estava vendo. Viu as pessoas correndo de um lado para o outro. Os gritos. Nunca tinha presenciado uma invasão em sua vida. Olhou para Daryl que desceu da moto deixando-a parada perto do portão. A menina devia pensar rápido, viu algumas pessoas chegando e atirando contra seu carro. Daryl se abaixou atrás do Nissan junto dela. Só tinha uma coisa que poderiam fazer. Retalhar. Pegou uma metralhadora na porta de trás e a carregou, entregando um rifle para Dixon.
- Precisamos chegar lá dentro, mas também precisamos atrasar esses imbecis.
- Leve o carro para dentro e lá pensamos no que fazer. – Disse ele entrando pela porta de trás enquanto ela começava a dirigir em direção ao centro do pátio. Lá, ela saiu do carro e abaixada correu para dentro da prisão, vendo um errante correr atrás de Selina. Destravou sua arma, atirando contra ele e vendo a menina cair assustada no chão com o barulho. No mesmo momento, sentiu uma pontada forte no peito. Levou a mão até lá, franzindo o cenho. Foi a mesma pontada que sentiu quando viu pela ultima vez antes de tudo começar. Sem mais hesitar, agarrou Selina levando ela para fora com ela. Parou ao ver que o que estava acontecendo ainda não acreditando. Precisava pensar no que fazer.
Se algum dia, algo acontecer, quero que coloquem todos dentro desses ônibus e saiam daqui. Lembrou-se do que Rick havia lhe dito a muito tempo atrás. Mas é claro, os ônibus.
Sacou a outra arma e destravou-a.
- Selina, fique atrás de mim. Eu vou te levar até o ônibus.
- Eu quero a minha mãe. – A garotinha chorava.
- Você vai vê-la. Só me obedeça e fique atrás de mim enquanto eu estiver atirando e na minha frente quando eu estiver correndo. Vai ficar tudo bem.
E assim ela começou a atirar enquanto Selina ficava agarrada em sua cintura. Ajudou Glenn que estava sendo atacado por três zumbis e Carl que estava com mais cinco em sua cola. Dois caras apareceram com metralhadoras. agarrou a mão de Selina, fazendo-a correr. Alguns dos zumbis que apareciam pela frente, ela matava.
Rick a viu e agradeceu por ela estar ali. Ele subiu na torre ao lado dos portões e começou a atirar lá de cima. Colocou um escudo da policia que tinha achado na prisão, em sua frente para se proteger. Maggie tinha sido acertada por um tiro, mas continuava atirando naqueles que revidavam. Carol matava alguns zumbis e sua frente, quando Daryl apareceu ao seu lado com a Crossbow no ombro e com uma metralhadora nas mãos, atirando naqueles que via pela frente enquanto atrás deles, pessoas dali corriam desesperadamente tentando sair do fogo cruzado para chegar até ao ônibus que tinha ali atrás. conseguiu colocar Selina e as duas gêmeas lá dentro. Ainda faltava Camila.
Olhou para uma das portas da prisão e viu a loira saindo de lá, se abaixando para não ser acertado. Ela se escondeu ao ver um homem se aproximar dele com uma metralhadora nas mãos. Tentou destravar sua arma, mas estava se balas. Colocou-as de volta no suporte e cautelosamente foi se aproximando no homem que gritava para Andrea botar as mãos na parede.
A menina, sorrateiramente se aproximou e chutou na dobra do joelho do homem o fazendo cair no chão. Andrea agarrou sua arma e lhe deu uma coronhada na testa. O homem desmaiou.
- Vá para o ônibus, não deixe que nenhum zumbi chegue aos sobreviventes e muito menos que algum desses filhos da puta machuque os inocentes. Eu vou pegar minhas armas no carro e ajudar os outros ali na frente.
E assim saiu correndo abaixada, indo em direção ao seu carro que estava em meio ao fogo cruzado. E ela estava desarmada. Passou por Daryl e Carol que olharam indignados para a menina que corria para a linha de fogo sem alguma proteção, ou armas. Ela conseguiu alcançar um dos invasores que se distraiu por alguns segundos e logo o acertou com um chute nas costas, fazendo-o cair no chão. Ela o deixou ser alcançado por um dos errantes. Continuou a jornada até que parou de correr ao ver o primeiro corpo no chão. Era Hershel... Hershel estava morto e Maggie estava desesperada atirando contra os zumbis utilizando as proteções.
Mais zumbis entravam e mais atiradores também.
Rick olhou em volta, não tinha como sair vivos dali. Desceu da torre e acenou para todos do grupo, um sinal de retirada, e assim eles foram indo para trás enquanto atiravam, recuando.
chegou até seu carro e abriu o porta malas tirando de lá sua metralhadora, mas bem na hora que foi recarregá-la. Um homem apareceu em sua frente, batendo com a arma em sua cabeça, fazendo-o cair no chão. Sua visão começou a ficar estranha, as coisas começaram a rodar. Ela se virou de bruços tentando fazer sua cabeça parar de rodar. Foi então que sua respiração parou ao ver a cena. Camila que estava correndo em direção ao ônibus, saindo pela porta que estava m frente aos atiradores desconhecidos, foi acertada no peito por uma bala e caiu de costas no chão. gritou.
Viu sangue caindo ao seu lado, girou o corpo e o homem caiu morto ao seu lado.
Um dos mordedores foi para cima dela que estava lenta por ter visto aquela cena. Não conseguiu reagir quando ele caiu por cima dela, só viu uma sombra passando e logo após tudo havia ficado escuro.
Dias difíceis estão por vir.
...


Capítulo 17 – Fight for the Good Girl


- Abram. – Ele batia com força nos portões enquanto os outros estavam atrás dele, atirando e matando dezenas de zumbis que apareceram do nada ao escutarem os barulhos dos motores dos carros. De repente, a imensa parede de aço começou a ser movida e lá dentro podem ser vistos soldados armados com fuzis, e a sua frente ao que parecia ser um general, comandando a tropa. O homem era mais velho, já tinha cabelos brancos e uma barba rala. Ele abaixou sua arma ao ver o garoto enquanto so soldados saiam e matavam os errantes. – Pai.
- ! – O homem abraçou o rapaz que estava com machucados pelo corpo e totalmente sujo. – Eu sabia que você voltaria, meu filho.
- estava viva papai. – Assim que ele escutou essas palavras, o general, abriu a boca em um O perfeito e deixou os olhos se encherem de lágrimas.
- Onde ela está?
- Por isso estamos aqui. – Daryl disse fazendo com que o homem lhe olhasse. – Precisamos de carros melhores para ir procurá-la.

(...)

Após ouvirem toda a explicação e toda a historia dos sobreviventes, Joe que é tio de e , John e Rachel estavam pasmos com tudo. Principalmente com a parte da filha mais nova ter sobrevivido a tudo sozinha e agora estar mais uma vez perdida. Eles conversaram por horas com Rick, Daryl e Glenn enquanto os outros se alojavam e tomavam banhos após dias sem fazer isso.
também contou como a encontrou e agora conversavam para encontrar um jeito de achá-la.
- Eu vou. – Daryl foi o primeiro a se pronunciar ao terminar de escutar o plano para achar a menina. – Além do mais, tem outra das nossas desaparecida e tenho quase toda a certeza de que as duas estão juntas.
- Eu também irei. – falou.
- Não acho uma boa idéia. – Rick falou. – Daryl é mais experiente, . Ele sabe seguir passos, e sabe que vai ser bem perigoso o que vai fazer. Acho melhor você ficar aqui e deixar que Glenn vá com ele. Os dois serão mais rápidos sozinhos.
- É a minha irmã.
- Eu sei, e eu estou querendo achá-la tanto quanto você quer, mas isso não vai acontecer se você levar mais tiros. – Dixon retrucou. – E eu prefiro ir sozinho, sou mais rápido e silencioso e agora que Hershel está morto, Maggie precisa de Glenn.
- Deixe-os . – John finalmente falou após algum tempo de silencio. – Do que precisam?
- Armas e um carro. – Dixon respondeu.
Algo nele estava deixando Joe intrigado.
- O que você era da minha sobrinha, senhor Dixon? – Daryl o encarou pensando na pergunta e conseqüentemente na resposta. Mas logo se tocou que não sabia o que responder.
- Ela ainda não me disse. Quando eu achá-la, direi a você.

(...)

Sangue e mais sangue. Era tudo isso o que a garota de 19 anos via nesse momento. Não sabia se era sonho ou alucinação, mas sabia que precisava sair logo dali. Olhou para os lados seguindo rastros no chão. Passando por uma porta, escutou eu nome ser chamado e parou bruscamente. Segurou a maçaneta, respirou fundo e a abriu. A luz apagou.
- Senhorita?
abriu os seus olhos dando de cara com duas pessoas. Um homem e uma mulher. Ele de jaleco e ela com uma farda, o cabelo amarrado em um coque, ela era policial.. Suas vistas doíam e suas pupilas ainda estavam se adaptando a luz clara do sol que vinha pela janela e iluminava o quarto branco. Piscou algumas vezes e finalmente percebeu onde estava ao ver uma sonda enfiada em seu braço. Era um quarto de hospital. Após alguns segundos, reparando que poderia estar em território hostil, se desesperou.
- Onde eu estou? – A menina perguntou arrancando a agulha do braço e se levantando de uma vez, se afastando das duas pessoas.
- Fique calma. Meu nome é Down... – A mulher disse levantando as mãos em sinal de calma. – Nós salvamos você. Estava quase desmaiando na rua.
- Eu não estava em uma rua. – A menina retrucou dando um passo para trás. – Onde estão minhas roupas? Cadê minhas armas? – Ela rosnou ao ver que estava com um pijama de hospital.
- A única coisa que precisa saber é que está salva. – O homem falou. respirou fundo. Eles pareciam calmos de mais e aquilo não era uma boa coisa para ela.
- Tinha alguém comigo?
- Sim, uma garota. Ela está bem.
- Onde ela está?
- Você precisa se acalmar, mocinha. – O rapaz que parecia ser o medico, se aproximou de , erguendo a mão para tocar seu ombro. Ela com seus reflexos, agarrou a mão do homem e girou seu pulso, o puxando para sua frente, lhe dando uma chave se braço no mesmo momento em que a mulher sacou a arma apontando para ela.
- Não encoste em mim. – gritou.
- Solte-o ou eu terei que atirar.
- Me leve até a garota e aí pensarei no seu caso. – Ela respondeu apertando com mais força o braço em volta da garganta do homem que começava a ficar sem ar. – Ou ele irá morrer asfixiado em segundos.
- Tudo bem. – Down desistiu se rendendo e colocando a arma de volta em seu suporte. – Me siga.
A garota soltou o homem no chão e seguiu a mulher em direção á algum lugar que ela não sabia. Era realmente um hospital. Mas como ela havia chegado ali? O que havia acontecido? Quem estava com ela? Essas perguntas seriam respondidas no momento em que entrou em um dos quartos e encontrou uma garota loira se levantando da cama.
- Beth?

(...)

- Basicamente é isso. – A menina Greene terminava de contar o que havia acontecido com ela nos três dias que estavam ali. Havia se passado três dias após a invasão na prisão. Beth disse que Down e as salvaram da invasão, mas que ela não acreditava nisso. Ela também disse que nos dias que ficou ali, teve que aprender como funcionava as coisas por ali e sabia que todos que ali moravam trabalhavam por abrigo e comida. Ela ainda não havia decidido se aquele lugar era bom ou ruim.
- Temos que sair daqui. – sussurrou encolhida na poltrona ao lado da cama da Greene menor.
- Boa sorte para passar pelos policiais armados e os zumbis lá em baixo. – Beth sorriu descrente. rolou os olhos.
- Sou filha de um militar. Não vai ser uma prostituta arregaçada e os cãezinhos dela que vão me prender em um lugar assim. – Ela disse. – Eu acharei um jeito para sair, enquanto isso, precisamos ficar juntas.
- Talvez eles não queiram fazer mal a ninguém. – Beth deu de ombros. – Aqui tem médicos e policias. Eles cuidam da segurança e da saúde dessas pessoas...
- Eu aposto com você que noventa por cento de todos os que usam farda neste lugar nunca se quer passaram por treinamento policial em suas vidas. E quando a comida acabar, o que é que eles vão fazer? – A mais velha questionou.
- Acha que eles podem querer usar as pessoas daqui como alimento? – Beth perguntou parecendo horrorizada.
- Quando pessoas passam por situações extremas, elas fazem coisas extremas. Canibalismo não é algo que está na lista de coisas que as pessoas não fazem quando estão desesperadas por comida ou por sofrimento alheio.
Neste momento, a porta do quarto foi aberta deixando em alerta. Um homem de farda entrou.
- Está na hora da inspeção. – Ele disse fazendo as duas se entreolharem de cenhos franzidos.
- Que inspeção é essa? – sussurrou enquanto seguiam o guarda.
- Eu não sei. Estou aqui há apenas três dias. – Greene respondeu.
Assim elas seguiram o policial até chegarem a uma sala. Não havia nenhum móvel ali, apenas garotas e alguns policiais. Garotas nuas e policiais armados. franziu o cenho encarando as meninas com as roupas aos seus pés, de cabeça baixa que tentavam esconder suas partes. escutou a porta ser fechada atrás dela, não estava gostando do rumo daquela historia.
- Tirem a roupa. – O policial que as guiou até ali disse. Beth olhou para ele e logo após para , desesperada.
- Para quê? – A loira perguntou.
- Inspeção.
- Inspeção? Acho que isso é só um pretexto para ver garotas nuas. – retrucou.
- Talvez. Agora tirem a roupa. – Ele repetiu. – Rápido.
- Ou o quê? – perguntou segurando o braço de Beth, impedindo que ela começasse a tirar sua roupa. O policial avançou para cima dela com violência, fazendo-a empurrar Beth e se esquivar das mãos do homem, chutando o seu joelho e o jogando no chão, mas parou ao ver que os outros policiais que ali estavam apontavam armas para ela. Logo então, Down entrou no lugar com uma expressão nada boa.
- O que é isso?
- Ela se recusa á tirar a roupa para a inspeção.
- Só precisamos saber se você não tem nenhum ferimento. – A policial disse. a encarou.
- Vocês tiraram a minha roupa, acho que deu para ver que eu não estou machucada. – Ela rosnou. Down suspirou e acenou para que os homens abaixassem as armas, assim eles fizeram. agarrou o braço de Beth, a puxou em direção a porta, batendo seu ombro com a da policial e saindo da sala. – A situação está pior do que pensei. Temos que sair daqui logo.
- E como faremos isso? – Beth sussurrou.
- Me pergunte amanhã.

(...)

Daryl agora dirigia o carro, voltando em direção a prisão, ele começaria por ali.
A única coisa que pensava era porque não tinha ficado de olho na garota. Ele sentia que algo assim acabaria acontecendo uma hora ou outra. Nesse momento, tudo o que ele estava lutando antes para não sentir, estava quase tomando conta dele. O medo dela não estar viva ou o medo dela estar extremamente machucada era o que voava em seus pensamentos. Só agora podia perceber realmente a intensidade do que sentia pela menina e isso o deixa tanto quanto furioso por não saber como controlar, tanto quanto amedrontado por temer que a garota não estivesse mais viva.
Parou o carro ao se aproximar da antiga moradia. Ainda saia fumaça e os corpos ainda estavam no chão. O carro de ainda estava ali. Caminhou até ele e percebeu que estava trancado. Talvez isso fosse bom. Pegou uma pedra próxima e começou a bater contra o vidro do carro para quebrá-lo, o que não seria nada fácil, pois era blindado. Algum tempo depois, finalmente conseguiu abrir a porta e assim entrou, conseguindo abrir também o porta-malas. As armas ainda estavam lá. Ele achou estranho. Porque ninguém tinha levado o carro? Era praticamente a coisa mais valiosa que tinha ali.
Começou então uma busca pelo local. Não havia sobreviventes e nem sinal da menina. Era hora de continuar. Passou tudo o que tinha em seu carro para o da garota, ela nunca o perdoaria se deixasse o “bebê” dela ali.
Seguindo caminho. Pegou uma das rodovias e seguiu reto. Estava escurecendo. Precisava parar em algum lugar e descansar, pois o dia seguinte seria longo.

(...)


- Não coloque de mais. – Beth dizia. O dia seguinte tinha chegado. A noite tinha sido tranqüila. não teve pesadelos, mas dormiu poucas horas pois sempre ficava acordado em pequenos intervalos, atenta a qualquer barulho. Colocou uma cadeira escorada na porta e disse para Beth que fizesse o mesmo. Sua cabeça já estava a mil, procurando um jeito de sair dali, esquematizando uma fuga perfeita. Primeira etapa: Observar o lugar e descobrir todas as saídas possíveis. Segunda etapa, saber da rotina da chefa do lugar e dos cachorrinhos dela. Terceira Etapa: Pegar suas armas e começar um tumulto para que pudesse fugir levando a menina loira. As duas agora estavam na cantina. estava faminta, por isso, enchia sua bandeja de comida.
- Por quê?
- Eles cobram tudo o que comemos.
- Mas eles não pagam nada a ninguém, como querem cobrar alguma coisa?
- Cobram com serviços. – Beth falou enquanto chegavam ao fim da fila. Lá, um dos policiais pegou a bandeja de para pesar.
- Hmm, bandeja farta. Isso vai custar duas semanas lavando roupas e talvez uns serviços particulares para mim. – Dizia ele olhando a garota de cima a baixo. soltou uma gargalhada alta, fazendo com que todos olhassem para ela e o policial ficasse sem entender. Logo então ela pegou a bandeja e se afastou junto a menina. Sentaram-se longe dos outros, no canto do lugar.
- E agora? Sabe como sairemos daqui? – Greene perguntou sussurrando. Olhando em volta e percebendo que ninguém estava perto.
- Está quase tudo formado. Mas não vou contar nada a você porque não quero que algo saia errado. A única coisa que deve fazer é se manter fora de encrencas porque se tudo der certo, estaremos fora daqui em uma semana.
- Uma semana é muito tempo.
- Como se você conseguisse nos tirar daqui em menos tempo. – debochou comendo um pedaço de carne. Logo então, as duas loiras observaram um tumulto perto da porta. Dois “hospedes discutiam e trocavam ofensas. Logo estavam trocando empurrões e ameaçavam brigar de verdade. observou que os policias do lugar não mexiam um dedo para separar a briga e pareciam não se importar de alguém se machucar. odiava brigas. E nesse momento ela precisava pensar, mas os gritos dos dois homens não deixavam que ela se concentrasse. Pediu licença a Beth e se levantou, pegando uma bandeja em cima de uma mesa e seguindo em direção aos dois homens.
- Hey, será que poderiam, por favor, parar com essa gritaria? – Pediu ela fazendo com que os dois homens a encarassem. – Tem pessoas querendo comer em paz aqui.
- Não se meta, garota! – Rosnou um deles e lhe deram um empurrão. Foi o que precisava acontecer para incentivar que acertasse a bandeja na cabeça de um deles, e acertasse o rosto daquele que havia a empurrado, fazendo-o dar um giro e cair no chão.
- Será que podem calar a boca agora? – Perguntou ela com tédio na voz. Agora os policias resolveram prestar atenção e observaram voltar até sua mesa e se sentar, comendo calmamente. Os dois policiais perto da porta se entreolharam e passam radio para Down, avisando o que tinha acontecido. Ela os instruiu a levar a menina até ela, pois deveria saber o que essa garota era capaz de fazer. Os dois então se aproximaram das duas meninas loiras e pediram para que os acompanhasse. Receosa, ela o fez. Mas antes falou para Beth esperá-la no quarto.
Após chegarem à sala de Down. Ela ordenou que os policiais a deixassem sozinha com e assim eles o fizeram. se esparramou na poltrona, não se sentindo nada intimidada com a mulher.
- Então, qual o seu nome e sua idade?
- , 19 anos. – Respondeu a menina calmamente, parecendo surpreender a mulher quando revelou sua idade.
- Então senhorita , onde você trabalhava antes da infestação começar?
- Eu era estudante. Nunca trabalhei.
- Tem certeza? É jovem, mas poderia ter feito algum tipo de curso ou treinamento para ser policial especial.
- Como assim? – perguntou não entendo onde a mulher queria chegar.
- Meus policiais me informaram que você enfrentou dois homens que tinham o dobro da sua altura, usando apenas uma bandeja. E ontem você enfrentou um de meus policiais mesmo ele estando armado. Creio que você adquiriu suas habilidades em algum lugar. – Ah.
- Eu sobrevivi sozinha desde que a epidemia começou. Eu tinha que aprender a me defender de algum jeito. – Disse a menina, não mentindo totalmente, mas omitindo algo.
- Tem certeza disso?
- E por que eu mentiria?
- Você parece ser muito valiosa, . E talvez eu tenha uma proposta para você. – Dizia Down. – Você poderia nos ajudar a manter este local seguro...
- Estou aqui porque estão me mantendo em cárcere privado. Eu não quero proteger ninguém que está aqui dentro. Quero apenas voltar para junto de meus amigos com Beth, por isso eu dispenso sua oferta de trabalho. – Disse ela se levantando e dando de costas para sair.
- Os meus homens obedecem as minhas ordens, mas não os controlo o tempo todo. – parou de andar ao escutar o que a mulher havia dito. Parecia uma ameaça. – Porém, eu posso preservar você e sua amiga se aceitar minha proposta. – A respiração da garota se acelerou e assim ela relembrou os momentos que passou enquanto esteve presa no acampamento daqueles homens. Logo, com frieza, a menina se virou para trás.
- Eu aconselho a você que não me ameace e deixe seus homens longe de mim. O que vocês viram, não é nem metade do que eu sei fazer. – Assim, sabendo que dali para frente correria o risco de tentarem matá-la durante a noite aumentasse, ela saiu da sala indo reto no corredor. Devia pensar rápido, ou estaria totalmente perdida.

(...)


¬Após andar de um lado pro outro pelos corredores, observando o lugar onde estava, estudando todas as possibilidades de fuga por aquele andar, resolveu descer para o andar de baixo e olhar por lá. Fugir dali seria muito difícil, ainda mais se não pegasse suas armas. Havia policiais por todos os lados e todos estavam armados. Talvez na noite fosse mais fácil, ou não. Abriu a porta da escada de emergência, já que o elevador não funcionava, ao descer alguns degraus, avistou alguém sentando nas escadas, encolhido. Ao se aproximar mais, percebeu que era uma mulher.
- O que aconteceu com você? – Ela se aproximou mais, vendo a mulher dar um pulo e esconder o rosto.
- Nada que seja da sua conta. Saia daqui. – A mulher falou fazendo com que rolasse os olhos. A voz da garota estava com um tom que ela conhecia bem. Ela havia chorado.
- Ora, vamos. Essa pose de durona e essa voz não combinam muito.
- E eu já disse que não é da sua conta. – A garota se levantou de uma vez, se virando para que logo arregalou os olhos e entendeu porque a mulher estava chorando, ao reparar na vermelhidão em um dos lados de seu rosto. – O que você está olhando?
- Quem fez isso com você? – A menina perguntou com a voz séria.
- Não importa.
- Foi um dos policias. Não é?
- Se você falar sobre isso pra alguém... – Ela ameaçou indo em direção da garota.
- Não comece com ameaças, não sei se você sabe, mas não tenho medo disso. – a interrompeu. – Só fico indignada por você ter deixado.
- Ele é mais forte do que eu...
- E você tem boca para gritar e pés para chutar as bolas dele.
- Queria ver se fosse você no meu lugar. – A mulher cuspiu as palavras e começou a descer as escadas.
- Eu já passei por isso. – disse e a mulher parou de andar. – Muitas e muitas vezes, durantes meses. Até que finalmente criei vergonha na cara e me lembrei de tudo o que meu pai havia me ensinado. E se você não sabe também, ele era das forças especiais do exercito americano. – A garota se virou para a menina, parecendo interessada no que ela dizia, começou a observá-la, para saber se tudo o que ela dizia era verdade. – E eu não desejo o que passei para meu pior inimigo.
- Me conte mais.
- O que aconteceu comigo não importa muito e tenho certeza que é bem parecido com o que houve com você. Talvez apenas o começo tenha sido diferente, mas o final parece ser igual, esse policial é agressivo, e abusa de você, te violenta. Comigo, a historia já começou na violência.
- E por que está me contando isso? – A mulher perguntou desconfiada.
- Porque no final, eu matei todos que encostaram a mão em mim, sem a minha permissão. E posso te salvar desse cara, se você quiser.
A mulher ficou encarando a menina, talvez cogitando a idéia. Estava se perguntando se aquilo poderia ser verdade. Se ela não tinha conseguido reagir ao que o policial fazia para ela, como uma garota tão aparentemente inocente poderia ter feito o que falou? Mas a esse ponto, tudo o que ela queria era se livrar do policial, mas alem do medo de falhar e se machucar gravemente, Down não gostaria nada de saber que o braço direito dela havia sido morto.
- Mesmo que você pudesse se livrar dele, coisa que eu acho bem impossível, Down acabaria com você.
- Essa aí é outra que está na minha lista. – bufou. – Ok, se não acredita em mim. Teste-me. Fale-me o que quer que eu faça para te provar que posso acabar com qualquer um, quando eu quiser.
- O que você quer em troca? Por que quer me ajudar?
- Primeiro, eu odeio esse lugar, eu não consigo ficar em um lugar só por muito tempo, ainda mais no meio de tanta merda. Você não imagina a minha vontade de matar cada um que me olha torto. Segundo, eu tenho um irmão, um pai e uma mãe que devem achar mais uma vez que estou morta já que a filha da puta da Down me tirou de onde eu estava. Terceiro, tem uma garota comigo que viu o pai morrer e que tem uma irmã que é minha amiga e que deve estar desesperada atrás dela. Quarto, tem um garoto por quem estou apaixonada e se eu não o vê-lo nos próximos dias, eu vou enlouquecer e aí sim vou matar qualquer um que olhar torto pra mim. Quinto e ultimo, qualquer um que faça com uma garota o que fizeram um dia comigo, merece morrer da força mais lenta e dolorosa possível, mas como tem a chance de alguém aparecer na hora e atrapalhar tudo, eu acabo com a vida dela rapidamente pra garantir que ele não machuque mais ninguém.
- Quantos anos você tem? – A mulher perguntou indignada com tudo o que ouviu da menina.
- Farei 20 anos amanhã.

(...)

A noite chegou e resolveu dormir no quarto de Beth, estava com um mau pressentimento e precisava saber que a menina ficaria bem. Por isso, quando todos estavam indo dormir, entrou no quarto de Beth e fechou a porta, sentando-se na poltrona ao lado da cama da menina. Deu-lhe boa noite e cobriu-se com a coberta.
Mais tarde, acordou com alguém segurando sua boca e prendendo seus braços. Era um dos policiais de Down. Ao olhar para o lado, viu outro em cima de Beth, segurando seus braços com uma mão e com a outra tentava abrir as pernas da garota enquanto ela tinha um pedaço de pano enfiado na boca para que não gritasse. voltou a olhar para o seu agressor.
- Down lhe avisou. – Disse ele soltando um sorriso sádico que enfureceu a menina. Conseguindo movimentar as pernas, acertou o joelho do homem com o pé, escutando-o gemer quando o estalo do osso quebrando soou pelo quarto. Juntando os dois pés, ela o acertou no tórax, fazendo-o voar até a parede. Agarrou um vaso de flores murchas que perto de si estava e acertou no homem em cima de Beth, fazendo-o cair desacordado em cima da garota. Voltou ao homem que estava caído no chão e por precaução, girou seu pescoço o quebrando. Escutando passos no corredor, se escondeu atrás da porta, fazendo sinal de silencio para Beth.
E no mesmo momento em que a porta foi aberta, a chutou com força, fazendo a porta bater no rosto de um policial. A menina correu para de fora do quarto e repetiu o mesmo processo de segundos atrás, girando o pescoço do homem e o quebrando. O arrastou para dentro do quarto e fechou a porta. Ajudou Beth a se levantar, jogando o homem no chão.
- Meu deus! – Greene murmurou.
- Mudança de planos. Vamos fugir agora. – Disse vasculhando os corpos, pegando as armas e as munições dos policiais.
- Como?
- Vamos usar a escada. Lá em baixo precisamos achar um carro, e logo depois precisaremos de um mapa. Eu vou levar você para casa, Beth.

(...)

Saíram do quarto cautelosamente percebendo que não havia ninguém nos corredores. pediu para que a menina andasse na ponta dos pés e que não fizesse barulho. A levou até as escadas e pediu para que ela ficasse quieta que logo voltaria. Quando a loira perguntou o que faria, ela respondeu que precisava finalizar algo primeiro. Subiu alguns degraus e caminhou pelos corredores, fazendo o possível para fugir de outros olhos. Ao chegar ao escritório de Down, a menina olhou pela porta e percebeu que a mulher estava deitada na mesa, em cima de papeis. Olhou mais uma vez pelos corredores, checando se não havia ninguém por ali. Girou a maçaneta da porta e entrou fechando-a novamente. Aproximou-se da mesa e parou alguns segundos observando a mulher ali. Olhou pelo lugar, procurando alguma “arma” mais silenciosa do que aquela que ela usava. Achou um objeto interessante escorado na parede. Caminhou até o extintor de incêndio e agarrou, soltando um sorriso maldoso. Em raras ocasiões, era cruel com aqueles que também eram cruéis com ela. Desviou os olhos do aparelho em suas mãos e observou a mulher se remexer na cadeira. Com alguns passos silenciosos, parou atrás dela, esperando que a mulher acordasse.
Down levantou-se em um sobressalto, enquanto continuava parada lá, atrás dela. Ela odiava filmes de terror, mas não podia negar que estava gostando de estar no lugar do assassino. Como ela havia dito para Beth, “quando pessoas passam por situações extremas, elas fazem coisas extremas”. Não que ela fosse virar canibal ou algo assim, preferia virar vegetariana a comer a carne de um humano, mas no julgamento dela, algumas pessoas como Down mereciam sofrer.
A policial em frente à menina estava sentindo algo e se virou para trás sentindo que havia alguém atrás dela, nesse momento, lhe acertou com o extintor de incêndio na cabeça fazendo a mulher cair desmaiada, com sangue escorrendo pela cabeça.
- Eu avisei á você. – Sussurrou ela antes tirar a arma da mulher do suporte. Ao observar uma gaveta meio aberta, puxou-a e achou seu silenciador junto ao suporte da cintura. Sentiu ódio intenso ao ver aquilo, mas controlou-se e pegou suas coisas de volta, checando seu silenciador, vendo que ainda haviam algumas balas. Saiu da sala e atravessou o corredor, chegando à escada e descendo. Encontrando Beth encolhida nas escadas. Ao vê-la, a menina loira levantou-se de uma vez e a seguiu silenciosamente pelos degraus até chegar a porta que as levaria para a liberdade. Porém sabia que não seria tão fácil assim. Mandou Beth se encostar-se à parede e assim deu duas batidas na porta. Alguns segundos depois, a porta foi destrancada e aberta, um policial entrou e a menina o acertou com a arma na nuca, fazendo-o cair desacordado.
- Por que você não atirou? – Perguntou a menina loira.
- Já matei pessoas de mais hoje e não sou assassina.
- Se você já matou um, pode matar outro...
- E vai ser você se não calar a boca e me deixar pensar. – Rosnou . Assim a menina se calou vendo observando o lado de fora do lugar. olhou para o homem desacordado no chão e observou a metralhadora que estava junto dele. Sorriu. Ele não iria precisar dela. Deu um passo para fora do lugar, mirando para todos os lados. Avistou um carro mais para frente e decidiu que deveria usar ele. Chamou por Beth e pediu para que ela a acompanhasse. Assim, lentamente elas caminharam semi abaixadas até o carro. Quando se aproximaram dele, Beth soltou um grito ao ser atingida por uma bala. Rapidamente, se abaixou apontando a arma para cima do muro que estava em volta do hospital, onde um policial estava com uma sniper apontada para as duas, antes que a menina pudesse reagir, ele a acertou com um tiro na perna. Já a menina, apertou o gatilho e o fuzilou, fazendo-o cair lá de cima. Agarrou o braço de Beth que estava caída ao lado do carro com a mão no braço e a levantou, puxando-a para longe. Não daria tempo de pegar um carro agora, deveriam conseguir um mais para frente.
- Vamos Beth.
- Eu não vou conseguir. – Choramingou a menina fazendo revirar os olhos.
- Mas é claro que vai. Você foi atingida no braço, não na cabeça. E eu prometi te tirar daqui e eu sempre cumpro minhas promessas.
- Você me odeia. – Ela disse fazendo uma careta de dor.
- Eu não odeio você, só não estou acostumada á ser confrontada por loiras azedas. – Falou com sarcasmo. Os ferimentos das duas estavam soltando muito sangue, ela precisava fazer algo. Ajudou a menina loira a pular a grade do portão e passar para o outro lado. Olhou para os lados enquanto corria, viu um carro empoeirado perto de uma da esquina onde estavam. – Ali. Vamos entrar naquele carro ali.
- Não temos a chave!
- Esse não é o único jeito de se ligar um carro. – Disse a garota enquanto quebrava o vidro do carro e abria a porta. De longe ela pode ver alguns policias aparecendo e subindo pelo portão, e se apressou para pegar alguns fios e fazer ligação direta. Ela começaram a atirar fazendo Beth que tinha entrado no banco de trás gritar assustada. Assim que ela conseguiu ligar o carro e botá-lo para funcionar, pisou no acelerador, tendo o corpo jogado com violência no banco e dirigiu para longe dali entrando em uma das ruas que levava até uma das rodovias principais de Atlanta. Durante o trajeto em que estava por 140 por hora, atropelou zumbis e passou por cima de tudo que estivesse em seu caminho.
- Você deveria ir um pouco mais devagar. – Advertiu Beth enquanto alcançavam a rodovia e ela colocava o cinto de segurança.
- O quanto mais longe estivermos daquele lugar, mais seguras estaremos.... Merda! – Gritou quando dois faróis se acenderam em frente ao seu rosto, deixando-a cega por alguns segundos e girar o volante para um dos lados, desviando daquilo em sua frente, porem batendo em uma arvore na beira da estrada. Beth bateu com a cabeça no banco de enquanto bateu com a cabeça no volante por não estar com o cinto de segurança. Por um momento sua visão estava turva, seus sentidos retardados. O carro que ia em direção a ela parou e logo alguém desceu. Ela não conseguia enxergar nada, tentou alcançar as armas, mas o corpo estava dolorido de mais para isso.
- Deus! – Aquela pessoa disse. reconhecia aquela voz. A porta logo foi aberta e dois braços se passaram em volta dela. Ela reconhecia aqueles braços.
- Daryl! – Sussurrou soltando um sorriso dolorido e agarrou o pescoço do rapaz. Ele a apertou contra sim, ambos sentindo alivio de estarem nos braços um dos outro. Mas provavelmente o alivio que ela sentia ao estar novamente com o rapaz foi maior. Agora sim, ela sentia que estava mais segura do que nunca. Porém aquele momento foi interrompido quando lembrou-se que não estava sozinha no carro. – Beth... Ela está no banco de trás... – Disse ela se afastando contra a própria vontade e se escorando no carro com as pernas bambas. Dixon abriu a porta de trás e de lá retirou a menina desacordada, carregando-a até o outro carro e a colocando no banco de trás. Enquanto isso, sentia que perdia as forças nas pernas e caiu no chão com mais dores. Daryl se apressou para acudi-la, a pegando pelos braços e a erguendo.
- Hey! Fique acordada.
- Temos que sair daqui, eles estão vindo. – Ela disse pisando no chão e caminhando com dificuldade até a porta de passageiro do Nissan.
- Eles quem?
- Eu explico no caminho. – Sussurrou entrando e batendo a porta.

(...)


- Eles machucaram você? – Daryl perguntou. havia lhe contado tudo sobre o lugar onde passou os últimos dias, contou sobre como dizem que ela foi parar lá, como ela conseguiu fugir, das pessoas que ela matou, absolutamente tudo e Dixon se mostrou preocupado com ela.
- Não! Ninguém lá foi homem o suficiente para conseguir isso. – A menina riu fria. – Mas e os outros, como eles estão?
- Bem. Todos desesperados para achar você e Beth, eram as únicas que nós ainda tínhamos esperanças de estarem vivas, e bom, graças a você, vocês duas estão.
- Não! Graças a você, nós duas estamos vivas. – Disse ela. – Eu ainda não tinha saído da área de perigo, foi você que nos tirou de lá. Obrigado. – Dixon acenou com a cabeça e continuou com o olhar a estrada. – Mas espera, o que você quis dizer com “vocês eram as únicas que nós ainda tínhamos esperanças de estarem vivas?” O que aconteceu que eu não sei.
- Perdemos muitas pessoas. – Dixon começou a falar depois de alguns segundos em silencio. – Andrea, Hershel, outros moradores...
- Meu Deus! – A menina exclamou horrorizada. Já não bastava o que tinha acontecido, receber uma noticia dessas era um choque para ela. – Você sabe se está bem? – Ela continuou.
- Sim, ele levou o resto de nós para o acampamento de seu pai, é para lá que estou indo, estão todos aflitos com seu desaparecimento e de Beth. Todos estão fisicamente e emocionalmente abalados com tudo isso.
- Senhor! – Exclamou ela outra vez. – E alguém sabe por que atacaram a prisão?
- Ninguém faz a menor idéia. – Disse ele e logo após desviou os olhos para a menina por alguns segundos. – Você não está nada bem, durma um pouco, eu te acordo quando chegarmos.
- Obrigado novamente, Daryl. – Sussurrou ela esticando a mão e tocando o rosto do rapaz que diminuiu a velocidade do carro e olhou para ela. Piscando algumas vezes, aproveitando o toque, sentindo o formigamento gostoso no lugar do toque. Era isso o que lhe dizia que sentia mais falta da menina do que já sentiu outra vez. – Eu prometo que vou retribuir a qualquer hora.
Assim ela soltou um sorriso e se aconchegou no banco, respirando fundo, fechando os olhos e alguns minutos depois, conseguiu dormir. Estava segura, com Daryl ela se sentia segura, se sentia bem. Talvez fosse disso que ele estava falando antes de tudo acontecer, talvez ele já tivesse visto que ela se sentia assim, necessitada de proteção vinda dele, porém ela ainda não tinha percebido, pois o orgulho parecia ser maior que a razão de seu coração.




Continua...



Nota da autora: Sem nota.


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