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Última atualização: 17/04/2017

Capítulo 01


- Boa tarde, meninos! - Disse .

A sala da casa dos estava um pouco barulhenta naquele dia. Gabriel, o filho mais velho, chamara seus três melhores amigos para passar a tarde jogando vídeo game e conversando, afinal, a única coisa que queriam era aproveitar o que lhe restavam das férias. Então , a filha mais nova, apareceu. A garota tinha quinze anos, apenas dois anos de diferença entre os garotos, mas não era nada que os impedissem de a tratarem como uma criança. E ela detestava isso. Ah, como detestava.
A garota deu um meio sorriso e, na tentativa de evitar alguma pergunta, foi rapidamente em direção à porta. Mas quando já estava com a mão na maçaneta, ouviu a voz do irmão em um tom autoritário. “Autoridade que ele não tinha”, ela pensou.

- Pra onde você vai?

Ela virou-se e, deixando o olhar pousar em , um dos amigos do irmão, disse:

- Vou encontrar com Lua - falou referindo-se à melhor amiga e deu um sorriso. , involuntariamente, abriu um sorriso cúmplice, que, ao que parecia, foi despercebido pelos demais. Os garotos voltaram a conversar como se nada os tivesse interrompido, mas em poucos minutos, disse que precisava ir.

O garoto saiu e, ao invés de ir para casa, pegou o caminho contrário indo até o fim da rua, onde tinha um beco pouco iluminado.

- Achei que eu ia precisar voltar pra te chamar - ele sorriu ouvindo a voz de . A iluminação fazia com que eles só conseguissem se vê de relance. Mas isso não era ruim. Tornava aquilo mais perigoso e divertido.
- Acho que eu não sou tão idiota assim - ele colocou as mãos em sua cintura enquanto ela entrelaçava os braços em seu pescoço, selando seus lábios e deixando o desejo os sucumbir. Desejo. Era só isso que sentiam. Nada de amor ou paixão. Somente o desejo. Nem poderia ser diferente. Se Gabriel sonhasse que o amigo estava com a sua pequena e doce irmãzinha, estava morto. Fora que ele tinha suas certezas de que ela era apaixonada por outro.

Tinha medo de que sua atitude acabasse com a amizade que tinha com Gabriel. Tinha medo de que aquilo tudo pudesse não acabar do jeito que gostariam. Mas era só juntar sua boca na dela, que todos os seus pensamentos desapareciam.

Capítulo 02


Quando saíra de casa o relógio marcava um pouco mais de duas da tarde, quando estava de volta, já passavam das seis. Sabia que naquele momento a mãe ainda deveria estar no trabalho e o irmão estaria no quarto ou teria saído. Com medo de que a primeira opção fosse a verdadeira, entrou com todo o cuidado na casa, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Não queria ter que responder um interrogatório de Gabriel por ter passado tanto tempo fora de casa. Às vezes parecia que ele esquecera que ela não tinha mais sete anos de idade.
Entrou no quarto e se jogou na cama. A lembrança de como aquilo tudo começara aflorou sua mente. Fazia um pouco mais de seis meses desde que tinham se beijado pela primeira vez...

A garota se olhou pela terceira vez no espelho. Procurava algum defeito em seu cabelo, seu vestido... Em tudo. Mas tudo parecia estar exatamente em seu lugar. Não era de seu feitio passar tanto tempo se arrumando, muito menos se admirando em frente ao espelho. Mas, não sabia exatamente o porquê, naquela noite, tudo precisava estar perfeito.
Era noite de Ano Novo. Tinha passado o dia inteiro ajudando a mãe com os preparativos para que fosse exatamente como tinham planejado. Infelizmente, teria que virar o ano sem a companhia de suas melhores amigas, como estava acostumada, mas os amigos de Gabriel viriam. Embora detestasse o modo como a tratavam, era melhor do que ficar na companhia das tias, tendo que responder as mesmas perguntas de sempre.
Olhou novamente o vestido azul e saiu do quarto, trombando com um só de toalha.

- Qual é o problema de vocês em se trocar dentro do banheiro? - Ela revirou os olhos. Já estava acostumada a ver os amigos do irmão sem camisa passeando pela casa, mas sua paciência para aquilo, naquele momento, era nula.
- Calma aí, esquentadinha - ele disse rindo e passou os olhos por ela. - E isso tudo é pro Rafael? Não sabia que ele iria dar o ar da graça esta noite...

bufou e passou pelo garoto, empurrando-o. Odiava quando faziam piadinhas sobre Rafael, garoto pelo qual ela era a fim desde que se entendia por gente. Nunca tinha contado para os garotos, jamais teria coragem de fazer isso. Mas foram só eles a virem ao lado de Rafael que eles sacaram tudo. Afinal, só sendo muito idiota para não notar.
Desceu as escadas até a sala de estar, que felizmente ainda estava vazia, pegou o celular que tinha deixado no sofá e mandou uma mensagem para Luana.

: "Feliz Ano Novo, Lua!"

Não demorou muito até a amiga responder.

Lua: "Feliz Ano Novo, ! Como eu queria ter ido pra sua casa esse ano... Mas como estão as coisas por aí? E os meninos?"

riu com a resposta. Sabia muito bem aonde a amiga queria chegar...

: "Você quer saber dos meninos ou só de Victor? Ele ainda ta se arrumando, mas assim que der, eu mando notícias dele."

Lua: "Hahaha. Muito engraçadinha. Mas agora eu tenho que ir, . Vou tentar te ligar de meia-noite, mas caso eu não consiga... Feliz Ano Novo!"

estava prestes a responder quando ouviu uma voz atrás dela.

- Que coisa mais fofa! - Era abaixado atrás do sofá. Ela torcia para que não, mas sabia que de onde ele estava dava pra ver toda a conversa.
- Ai, que susto, garoto! - Ela viu o garoto se levantar e pular o sofá, sentando do lado dela. - Pronto! Agora eu não tenho nem mais privacidade na minha própria casa.
- Pronto! Agora ela se irritou - ele disse imitando ela e ela bufou. - Sabia que você fica linda irritada?

Ela lhe deu uma tapa, mas com um sorriso no rosto. Sabia que ele estava brincando. Quem estava realmente lindo era ele. Aquela camisa verde realçava seus olhos e aquela calça jeans parecia feita sobmedida pra ele...

- Mas... Luana e Victor? - Ele disse depois de um tempo, confirmando o que pensara. Ele tinha visto a conversa.
- Dê um “piu” sobre isso com os meninos e eu quebro a sua cara - ela disse com uma cara que deixou com medo.
- Pode deixar. Minha boca é um túmulo - ele disse levantando os braços para mostrar que era inocente. - Mas desde quando ela gosta dele? Nunca passou pela minha cabeça...
- Faz tanto tempo que nem lembro como era antes disso. Vocês é que são tão lentos e nunca notaram.

Então a campainha tocou e foi atender. As pessoas começaram a chegar e os outros meninos terminaram de se arrumar, fazendo com que e terminassem a conversa.
Ainda eram dez e meia quando a garota deixou sua mãe e seu irmão, que até aquele momento não tinha feito nada para ajudar, recebendo os convidados sozinhos e subiu para o quarto. Estava exausta. Nunca pensara que sorrir e falar “boa noite” fosse tão cansativo. Sem contar que estava cansada de conversar com seus parentes. Já tinha suas falas decoradas. “Como você tá grande!”, “Já arrumou muitos namorados?”, “Tá indo bem na escola?”.

- Hey, maninha! – Depois de um tempo, ela ouviu a voz de Gabriel e se sentou rapidamente, vendo o irmão entrar no quarto sendo seguidos por seus três seguidores fiéis. A garota sorriu. Pareciam aquelas patricinhas que sempre estão juntas desses filmes americanos. Gabriel se jogou na cama ao lado da irmã, Victor se sentou na cadeira da escrivaninha enquanto e Bernardo se sentaram na ponta da cama.

- Olá, quarteto fantástico! A que devo a honra dessa ilustre visita?
- Victor tava querendo saber se suas amigas não vão vir - Bernardo falou rápido para que o amigo não tivesse chance de impedi-lo, mas Victor pegou uma borracha na escrivaninha e atirou contra ele.
- Não, Victor. Lua foi pra casa da tia e a família de Isa foi passar o Ano Novo na casa de Jorge - ela disse com um sorriso amarelo. Jorge era o namorado de Isadora há quase um ano e também era muito amigo de . Mas como a mãe dela e a de Isa eram muito amigas, elas costumavam passar todos os Anos Novos, juntas...
- Mas eu tenho certeza que não foi só por isso que vocês vieram aqui... - ela os olhou, curiosa.
- Estávamos no tédio lá em baixo - Gabriel disse manhoso.
- Então vocês vieram ver se a criança podia tirar vocês do tédio - ela revirou os olhos ao ver os quatro afirmando com a cabeça freneticamente.
- Viemos saber quais são seus planos para o próximo ano - disse Gabriel deitando no colo da irmã e ela respondeu fazendo cafuné nele.
- Meus planos... Acho que não tenho planos. Só quero que seja melhor que este.
- Todo mundo quer isso - Bernardo disse. - Mas em que área da sua vida você quer que melhore? - ficou pensativa. Gostava da sua vida do jeito que era, não tinha nada que...
- Ela quer é que Rafael a convide para sair - se pronunciou pela primeira vez, fazendo os garotos rirem e recebendo um travesseiro na cara.
- Então você devia beijar alguém à meia-noite. Vai que atrai sorte. - Victor disse e involuntariamente olhou para .
- Você ta se oferecendo, Victor? - Gabriel disse em tom brincalhão, mas a sua expressão não parecia concordar com a sua voz. Todos sabiam que Gabriel era o irmão mais ciumento da face da terra. Nenhum menino que demonstrava sentir alguma coisa por sobrevivia pra contar história.
- Desculpa, zinha. Você é linda, mas não faz meu tipo.
- Vou tomar isso como um elogio - ela disse fazendo os garotos rirem. Eles continuaram conversando até que o relógio anunciou que já passavam das onze e meia e a senhora Sara, mãe de Gabriel e , foi chamá-los dizendo que eles não podiam romper o ano dentro do quarto.

☆☆☆

Faltava cerca de cinco minutos para primeiro dia do ano quando foi até a cozinha para beber alguma coisa. foi logo depois e encontrou a garota apoiada na pia com uma cara pensativa. Ele parou e ficou olhando pra ela. A conhecia desde que tinha sete anos e nunca percebera o quão bonita ela era. Devia ser uns dez centímetros mais baixa que ele e tinha os cabelos castanhos tão longos que fazia com que ela se parecesse mais baixinha ainda. Então ele balançou a cabeça tentando se livrar desses pensamentos. Afinal, ela era só a irmã mais nova de seu melhor amigo. Ela era só a garota que ele implicava por ela ter catorze anos e ele dezesseis. Ela era só...

- Alô? Terra chamando - a voz de interrompeu seus devaneios.
- Oi - ele disse andando até ficar ao lado dela.
- Tava longe... - ela riu.
- Você também estava quando eu cheguei aqui. Tava pensando no quê?
- Na vida... E na conversa que tivemos lá no quarto... O que Victor disse me intrigou um pouquinho - ela olhou pro nada e voltou com a cara pensativa.
- O quê? Que você não faz o tipo dele? Não era Luana que gostava de Victor? - Ela lhe deu um leve empurrão e eles riram.
- Não é isso. É que Isa ficou com um garoto no primeiro minuto desse ano e menos de um mês depois Jorge a chamou pra sair. Então eu fiquei pensando se não podia acontecer o mesmo comigo...
- DEZ! - Eles ouviram o pessoal gritando da sala. Em segundos eles estariam em 2014.
- É. Talvez ano que vem eu tenha mais sorte... - ela deu um meio sorriso.
- NOVE! OITO! SETE! - Os gritos continuaram e de repente abriu um largo sorriso.
- É. Talvez... - ela o ouviu e se virou pra ele, estranhando aquele sorriso.
- SEIS! CINCO!
- Em que você está pensando?
- QUATRO!
- Em nada - ele continuou olhando pra ela daquele jeito.
- TRÊS!
- ! - Ela quase gritou.
- DOIS!
- Nisso - ele disse e se aproximou dela.
- UM!

E, de repente, sentiu os lábios do garoto chocando-se contra os seus. Ele a pegou de surpresa. De início, ela ficou estática, sem saber o que fazer. Não que nunca tivesse beijado um garoto antes. Mas nunca esperava que , que era como um irmão pra ela, fizesse isso. Mas não demorou muito para que ela o correspondesse. O beijo deve ter durado uns dois minutos até se afastar aos pouquinhos, dar um meio sorriso e dizer, antes de voltar pra sala.

- Feliz Ano Novo, .

Capítulo 03


sentiu uma luz forte no rosto. A ventania fraca daquela manhã balançava a cortina fina do quarto fazendo o sol entrar livremente para interromper o sono da garota. Já tinha amanhecido. Se sentou na cama e percebeu que tinha dormido no meio dos pensamentos do dia anterior. Pegou o celular para ver as horas e instantaneamente ele começou a tocar. Era Isa.
"Alô?" A garota disse com voz de sono.
"Ainda dormindo, ? Já são mais de dez horas. Tá todo mundo aqui esperando por você." Ouvindo a voz da amiga, levantou-se depressa. Nem conseguia acreditar que tinha dormido mais de dezesseis horas. E o pior, esquera totalmente que tinha marcado com os amigos no McCartney's, uma lanchonete que ficava a cerca de dois minutos de sua casa e que era o ponto de encontro dos amigos.
"Dormindo? Eu? Que ideia, Isa!" A garota disse já no banheiro tentando dar um jeito no cabelo ao mesmo tempo em que escovava os dentes.
"Sei... Estamos te esperando, não demora" E ela desligou, fazendo correr para o quarto pra trocar de roupa. Não conseguira muita coisa com o cabelo, então fizera um rabo de cavalo meio torto. Colocou um short e uma regata qualquer, pegou sua bolsa e saiu do quarto.

- Bom dia, filha - escutou a voz da mãe quando estava prestes a sair de casa. Ela virou-se e a encontrou sentada no sofá da sala lendo o jornal. Pela cara de bom humor, deduziu que a mãe deveria estar acordada há horas e o cheiro que vinha da cozinha a fez refletir se não devia esquecer os amigos e tomar café da manhã em casa. A garota sorriu e foi em direção à mãe, dando um beijo em sua testa.
- Bom dia, mãe. Adoraria ficar pra conversar, mas eu marquei com os meninos lá no McCartney's. E eu tô atrasada. - Sara revirou os olhos sorrindo. Sabia muito bem que a filha adorava chegar atrasada nos lugares, principalmente quando o compromisso era de manhã. Então, só deu um sorriso enquanto assistia a garota passar praticamente voando da porta de entrada.

Ela chegou à lanchonete ofegante. Tinha corrido mais do que seu corpo achava que conseguia, mas graça ao vento frio daquela época do ano, não tinha chegado a suar. O McCartney's continuava o mesmo de sempre desde que fora inaugurado há quase dez anos. Seu Pedro era o dono do lugar e também muito amigo dos . Sua fixação pelos Beatles o tinha feito dar aquele nome à lanchonete e a ter construído com cara dos anos sessenta, com postêres da banda em todas as paredes e com as músicas tocando nas caixas de som espalhadas pelo local.

- Atrasada. De novo. - disse Lua quando se aproximou. Todos já estavam acostumados, mas Lua sempre tinha que reclamar. Não era implicância, era simplesmente o jeito da garota. Ela tinha um gênio enorme, perdía a paciencia rapidamente. Nem parecia com a imagem doce e meiga que ela aparentava. Ela tinha o cabelo loiro encaracolado e meio descolorido na raiz, além de ser a mais alta das amigas.

Lua tinha conhecido primeiro Jorge. Ela tinha nove anos e tinha acabado de mudar de colégio. Atleta desde sempre, a garota logo entrou pro time infantil de vôlei. Como todos os treinos era à tarde, ela acabou encontrando com o garoto, que estava no time de basquete. No dia seguinte, ele a apresentou para e para Isa, que se deram bem de cara com ela.

- Foi mal. Acabei perdendo a hora - falou enquanto se sentava ao lado da amiga.
- Me conta uma novidade... - Isa, que estava na sua frente, falou em um tom irônico. Mas era só no tom mesmo, porque no rosto trazia um sorriso. Ela tinha um sorriso de dar inveja em qualquer um. Era um sorriso contagiante que combinava perfeitamente com seu rosto de boneca. Boneca da Branca de Neve, pra ser mais exato. Isadora tinha a pele tão branca que podia ser facilmente confundida com a mesa da lanchonete, que também era branca. E os cabelos negros na altura do ombro completavam a princesa. E apesar de ser a mais velha, era a mais baixinha das garotas.

Isa conhecera quando ambas tinham sete anos. As suas mães eram amigas de faculdade e marcaram um dia para se encontrar e levar as garotas para brincarem. era muito moleca e chamou Isadora de quatro-olhos, por causa do óculos da garota, que logo disse que se ela tinha quatro olhos, ela podia enxergar muito mais do que qualquer outra pessoa. Por incrível que pareça, foi justamente por causa dessa resposta que elas viraram tão amigas. Isadora a achou a garota mais engraçada do mundo e nunca tinha visto uma menina tão inteligente.
Sentado ao lado dela, estava o Jorge. Eles namoravam há... Muito tempo. O engraçado é que ele era exatamente o oposto dela. O Jorge era moreno e alto. Muito alto. Devia ser maior que Gabriel. De todos eles, Jorge foi o primeiro a ser amigo de . Eles se conheceram assim que entraram na escola. As mesas da sala do maternal eram para quatro alunos, mas como todas as outras mesas já estavam cheias, os dois sentaram sozinhos em uma. Ele adorou o desenho que ela fez e ela ficou rindo da cara dele quando ele comeu massinha. Fizeram muita arte juntos, e muitos adultos diziam que quando ficassem mais velhos, aquela amizade iria se transformar em amor. Mas quando Jorge conheceu Isa, cinco anos depois, ele ficou encantado pela garota, mas só depois de muito tempo teve coragem (e maturidade!) de chamá-la pra sair.
olhou para os lados e percebeu a ausência de uma pessoa.

- Vocês reclamam de mim, mas pelo que eu percebi, não fui a última a chegar.
- Eu tava no banheiro, linda. - Ela escutou uma voz atrás dela e se virou. Rafael. Era um garoto alto, mas não tanto quanto Jorge, e tinha os cabelos castanhos e a pele bronzeada. Era o sonho de consumo de qualquer garota naquela cidade. E o pior é que ele sabia disso. Foi o último a "ingressar" naquele grupinho. Mas só conseguiu por causa de , que tinha obrigado a todos os amigos a se aproximarem dele para ver se conseguia alguma coisa. Tudo não passou de uma "operação cupido" pra ajudar a ficar com o garoto, mas eles acabaram ficando realmente amigos. E, apesar de muitos pensarem o contrário, não sentia mais nada pelo garoto além disso. Não sabia o que tinha acontecido, só não conseguia sentir mais nada por ele. As meninas diziam que era porque ela nunca tinha sentido nada real por ele. Já Jorge dizia que era por causa de , porque ele era o único naquela mesa que sabia do rolo dos dois, mas sabia que ele estava errado. O que tinha com não passava de um... Não tinha nem nome pra definir. Eles só se divertiam juntos. Não tinha nenhum sentimento envolvido.

- Então... Alguém vai ficar mais velho... - Jorge disse
- Ainda falta muito tempo. - Rafael falou sabendo que o amigo referia-se a ele.
- Rafa, querido - falou. - Daqui a uma semana acabam as férias e o seu aniversário já é dia oito.
- E é pra você já ir decidindo o que vai querer fazer. - Isa disse.
- Não sei ainda... Mas eu acho que vocês deveriam estar mais preocupados com a maior festa do ano. - Rafael abraçou Lua pelos ombros e ela deu um sorriso nervoso.
- Eu sei! Cara, nem acredito que finalmente vou fazer quinze anos!
- E os preparativos para a grande festa? Já ta tudo pronto? - falou entrando na empolgação. Não era muito fã de festa de quinze anos, por isso optou por uma viagem, mas sabia que Lua sonhava com isso desde os seus dez anos.
- Mais ou menos... Toda a decoração já está decidida, mas eu ainda não tenho um príncipe. Fora que apesar de eu já ter decido as meninas e os meninos, não sei quem vai dançar com quem. Exceto vocês dois, é claro - Ela apontou pra Isa e Jorge que se entreolharam sorrindo. - Ah, não! Minha prima não vai poder ir pra festa, então eu só tenho treze meninas. Gente, isso vai ser um desastre!
- Calma, garota! - Isa disse. - Você ainda tem mais de três meses pra decidir isso. Uma menina você encontra fácil, fácil, você tem muitas amigas. E os casais vão ser decididos no ensaio, certo?
- Certo... - Lua se acalmou um pouco, mas logo voltou a falar da festa.

Algum tempo depois, eles ouviram a porta da lanchonete se abrir. O McCartney's era o ponto de encontro de muitos amigos, inclusive o do "quarteto fantástico". O primeiro a entrar foi o Gabriel, que deu um sorriso e uma aceno com a cabeça na direção da irmã. De longe, dava pra saber que ele e era irmãos. Ambos tinham os mesmos cabelos e olhos castanhos e o mesmo sorriso.
Logo após o garoto, Victor adentrou o local e ouviu um suspiro baixo de Lua. Apesar de ela sempre dizer o contrário, era notável que ela não tinha superado sua paixão de infância. O garoto era moreno e seus cabelos pretos estavam sempre arrumados em um topete. Ele vinha conversando com Bernardo, que ria do que o amigo falava. Bernardo, mesmo sendo o mais baixinho dos garotos, era alto e extremamente lindo. Tinha os cabelos loiros e um olho azul que fazia qualquer garota suspirar. Não era à toa que era o mais "pegador" entre eles.
Mas não foi nenhum desses garotos que chamou a atenção de . Foi aquele de olhos mexendo no celular que a fez dar um sorriso. Ele levantou a cabeça e seus olhos se cruzaram com os da garota, fazendo-o abrir um sorriso cúmplice. Ela rapidamente voltou a prestar atenção na conversa dos amigos para que ninguém notasse nada. Mas viu que Jorge estava segurando uma risada, indicando que ele tinha percebido. revirou os olhos. Estava cansada de dizer que não sentia nada por .

- Então, , o que você acha de eu chamar a Carol pra ser a última garota? - Luana falou referindo-se a uma garota do colégio.
- A Carol? - falou fazendo uma careta. Não ia muito com a cara da garota e não entendia como Lua conseguia ser amiga de uma pessoa tão fresquinha. Luana viu a expressão da amiga como sua resposta e voltou a vasculhar a mente a procura de uma menina.

sentiu o celular vibrar na bolsa. . Era o nome escrito na tela, indicando de quem vinha à mensagem. Ela olhou em sua direção e ele estava olhando pra ela com um sorriso no rosto. Sorriso que apareceu no rosto dela assim que ela leu a mensagem.

: "Vai fazer alguma coisa hoje?”

Capítulo 04


- Eu não acredito que a gente vai ver O Planeta dos Macacos 2! - disse enquanto tentava subir as escadas da sala do cinema segurando um balde de pipoca sem cair. perdeu as contas de quantas vezes tinha falado que preferia fazer coisas mais interessantes do que comer, mas ele vinha atrás dela segurando dois copos de refrigerante e com uma dor no ombro esquerdo, causada pelo tapa que recebera da garota.
- Mas você adorou o primeiro!
- Eu só disse que era "legalzinho"- ela disse enquanto eles se sentavam na última fileira. - Fora que continuações nunca são tão boas quanto o original.
- E é? - Ele disse se aproximando de enquanto ela concordava freneticamente rindo.

Respirações fracas, corações acelerados, um olhando para a boca do outro, a distância cada vez menor e aí...

- ? Você tá bem? - disse meio ofegante olhando confuso para a garota que estava encolhida no chão no meio das cadeiras. Ela se levantou um pouco ficando de joelhos e apontou pra porta da sala. Isadora e Jorge. - Ótimo! - O garoto disse passando uma das mãos nos cabelos e só sentiu pegar na mão dele e puxá-lo para baixo.
- Tá louco? Se eles te virem, vão querer vir até aqui. - Ela sussurrou.
- E o que você pretende? Ficar abaixada até o filme terminar? - Ele disse do mesmo jeito.
- Claro que não! Vamos esperar as luzes apagarem e a gente volta a se sentar. - Ela falou e ele concordou meio à contra gosto. Já estava acostumado a ficar em certas situações por causa da garota.



☆☆☆


- Você tem certeza que deveria estar aqui? - perguntou no meio do beijo.

O filme já havia começado e eles já estavam sentados em suas devidas cadeiras. Quer dizer, mais ou menos. No momento em que eles se sentaram, voltou de onde eles tinham parado e beijou a garota. Só que as coisas ficaram meio... Intensas. E a garota já estava praticamente no colo dele.

- Por que não deveria? - Ele se afastou um pouco e olhou pra confuso.
- ! Daqui a menos de cinco meses você vai fazer o vestibular! Não deveria estar estudando? - Ela falou preocupada lembrando que sua mãe tinha proibido Gabriel de sair à tarde naquele dia pra estudar.
- zinha, não se preocupa com isso, tá bom? - Ele deu um selinho nela. - Pode deixar que eu tô estudando direitinho e não tem nem a possibilidade de eu não passar. - Ela sorriu convencida e voltou a beijá-lo. Só que era meio mentira. Claro que ele estava estudando todos os dias, mas morria de medo de que não fosse o suficiente e ele acabasse não passando. Pra falar a verdade, ele estaria em casa estudando naquele momento se não fosse sua mãe. O garoto já havia se perguntado várias vezes se a mãe era normal, porque ela era a única que ele conhecia que deu a maior força para que ele saísse com naquela tarde. Ela sabia que o filho estava muito nervoso com o vestibular e também sabia que era a única capaz de acalmá-lo...

Não, não é brincadeira. Dona Márcia, mãe do garoto, sabia perfeitamente da história dos dois desde que eles haviam se beijado da primeira vez. contava tudo pra mãe, que achava aquilo tudo a maior besteira, mas respeitava a decisão dos dois. Mesmo sabendo que um dia ele ainda falaria pra ela o quão apaixonado ele era por .



☆☆☆


- Amor, aquela garota não é idêntica à ? - Isa disse enquanto ela e Jorge saiam da sala do cinema.

No meio do filme, o garoto havia percebido que ela e estavam no fundo do cinema, e, como um bom amigo, tinha feito de tudo para que a namorada não percebesse. Só que ele não podia esquecer que a Isa não era nenhuma idiota. Era óbvio que ela ia perceber. Afinal, quem não notou aqueles dois correndo escada a baixo para saírem da sala assim que o filme acabou?

- Claro que não, amor. A é bem mais alta que aquela garota, fora que ela deve estar em casa nesse exato momento. - Ele suspirou em sinal de alívio quando ela deu de ombros, sinalizando que não se importava.

Odiava mentir para sua namorada. Era toda vez assim. Isa desconfiava e Jorge sempre dizia que não tinha nada a ver, que era só impressão. Ele preferia não saber, mas era tão óbvio que não precisara nem lhe contar para que ele descobrisse o que estava acontecendo. Era só observar que todo mundo era capaz de ver o brilho no olhar dos dois, aqueles sorrisinhos cúmplices, aquelas saídas nada discretas...

- Tá vendo, Jorge! Era a , sim! Olha ela ali! - O garoto se virou para olhar pra onde a namorada apontava. Era mesmo a garota sentada em uma mesa da praça de alimentação. Mas o que Isa não tinha visto era que ela não estava sozinha. Será que eles podiam dar menos bandeira?

Jorge não pôde dizer nada, pois no segundo seguinte Isadora já estava indo em direção à garota. Ele só pôde segui-la, tentando a todo custo chamar a atenção de para que ela percebesse que se não tirasse o de lá rapidamente, eles iam ter que se explicar pra Isa. E Isa não era de se enganar facilmente.

☆☆☆


- Eu não acredito que a gente fez mesmo isso. - disse rindo ofegante.

Após saírem da sala do cinema, eles correram até o fundo da praça de alimentação. Tinha algumas mesas, mas só eles ocupavam aquele espaço, já que era um pouco mais distante das lanchonetes do que as demais mesas. Ninguém ficava por lá, só alguns casais que queriam privacidade ou, no caso deles, pessoas que não queriam ser encontradas.
Eles se sentaram em uma das mesas, um de frente pro outro. Ambos vermelhos por conta da corrida e da risada. Era por causa de momentos como esse que eles nunca cogitaram a possibilidade de contar para os amigos. A adrenalina que percorria seus corpos era uma das melhores sensações pelo qual já haviam passado na vida. Era como se eles tivessem o mundo inteiro em suas mãos e tivessem a certeza de que ninguém iria tomá-lo.
Mas ninguém consegue esconder um segredo por toda a vida. E conseguiu enxergar seu segredo sendo revelado. Vindo em sua direção, estava exatamente o motivo pelo qual tinham saído correndo assim que o "The End" apareceu na tela do cinema. Isa e Jorge. A garota deu um sorriso alegre quando foi percebida pela amiga enquanto o namorado fazia uma cara de alguém que pedia desculpas. Aquela adrenalina toda se transformou em desespero e não parecia diferente depois de ter se virado para ver pra onde a garota estava olhando.
Era isso. Não tinham pra onde correr.

- ! – Isa falou se sentando ao lado da garota. – Não sabia que você vinha pro shopping hoje. Por que não me avisou? Podíamos ter vindo juntas.
- Oh, Isa! – disse tentando não demonstrar o desespero. – Eu sabia que você ia vir com o Jorge e ninguém merece ficar de vela, não acha?

Isadora deu uma risadinha como se concordasse e parece que foi naquele momento que ela percebeu a presença de mais uma pessoa naquela mesa...

- ? – A cara de confusa da garota fez querer contar toda a verdade pra ela, mas infelizmente (ou felizmente, quem sabe?), foi mais rápido.
- Isa, tudo bom? Sério, eu preciso sair mais com vocês. Chamei os meninos pra vir no cinema hoje, mas eles nem quiseram. Mas como eu queria muito assistir um filme, acabei vindo sozinho mesmo. Ainda bem que esbarrei com a .

suspirou aliviada quando viu que a amiga realmente acreditou naquela história, falando que uma companhia feminina o faria bem, já que ele só andava com os meninos. Enquanto eles entravam em uma discussão sobre as amizades do garoto, Jorge, que tinha sentado ao lado de , e começaram a conversar de uma maneira que só eles podiam entender.

“Foi por pouco” – Jorge.
“Eu sei” – .
“Você devia contar pra ela. Ela é sua amiga!” – Jorge.
“Eu não posso!” –

- Sabiam que eu odeio quando vocês dois fazem isso?
- Isso o quê, Isa? – Jorge falou.
- Isso de ficar tentando conversar telepaticamente. As caras que vocês fazem me dão medo.

Eles riram e a conversa se voltou para a amizade dos dois até se levantar.

- Gente, tá ficando tarde e eu preciso ir pra casa. Os livros me chamam. Afinal, eu só consigo passar no vestibular se eu estudar, certo?

Eles assentiram e voltaram a conversar sobre um assunto qualquer. Mas depois de uns cinco minutos, não estava mais prestando atenção. Afinal, que uma simples mensagem não pode fazer a uma garota?

: “Adoro seus amigos, mas eles não tinham um pior momento pra aparecer, não? Tudo bem se eu passar na sua casa de noite?”

Capítulo 05


- Boa noite, maninho! – disse quando chegou em casa e encontrou o irmão sentado no chão da sala no meio de milhares de livros e cadernos.

Ela se sentou em cima da bagunça e pegou um dos livros. Eram tantos números e fórmulas que ela nem soube se o livro estava realmente em português. Não conseguia entender como o irmão gostava de física... Jogou o livro de volta ao lugar que estava antes e suspirou aliviada por ainda estar no primeiro ano.

- Nem pense que você vai se livrar disso. – Ele falou como se lesse os pensamentos da irmã – Daqui a dois anos é a sua vez.
- Enquanto esses dois anos não passam, eu me divirto vendo você se matando de estudar. – Eles riram.
- Ok, eu acho que mereço um descanso. – Gabriel jogou os livros de qualquer jeito na mesinha de centro e se deitou no chão da sala. riu, mas se juntou ao garoto, deitando ao lado dele. – Como foi seu dia hoje?
- Foi bem – principalmente por causa do seu melhor amigo, ela pensou. – E o seu?
- Cansativo. Estou sentado nessa sala desde que voltei do McCartney’s. Bernardo e Victor estavam aqui agora a pouco, estudando também. Só quem parece não estar nem aí pro vestibular é o . Ele simplesmente desapareceu a tarde inteira.
- Vai ver ele estava na casa dele – falou com cara de quem nem ligava, mas o seu peito lhe corroia por dentro. Não suportava o fato de que passava tanto tempo mentindo para o irmão, menos ainda quando ele começava a falar do e dos repentinos sumiços dele. Ela sabia muito bem que ele não estava sumido...
- Não estava. Ligamos pra lá e a mãe dele atendeu, dizendo que ele tinha saído. Victor acha que ele arranjou uma namorada e não quer nos contar.

A simples menção da palavra namorada fez a garota sentir um certo enjoo. Um dos motivos pelo qual ela preferia esconder isso era que não queria ser chamada de “a namorada de ”. Não entenda mal, ela gostava muito de ficar com o menino. Mas nunca tivera um namorado antes e não sabia se queria que fosse o seu primeiro. Claro que ele amadurecera muito desde que tinham ficado pela primeira vez, mas para , ele ia ser sempre um dos amigos infantis do irmão que se achavam os caras mais experientes do mundo. Ela só tentava se esquecer disso tudo quando estavam sozinhos.

- Talvez ele até esteja certo – Gabriel continuou a falar. – não fica com ninguém há séculos e você sabe que isso não é uma coisa muito normal. Mas o que eu não consigo entender é: por que ele não fala nada para a gente?

Aquela informação era nova. A garota não ficara com nenhum menino além de desde o ano novo, mas também não tinham prometido “exclusividade” um ao outro. Então, do jeito que era, tinha uma grande possibilidade de ele ter ficado com alguém durante esse tempo. Saber que ele não tinha feito isso era novidade.

- Nem me pergunte, o amigo é seu. Você que deveria saber – ela respondeu quando notou que o irmão a olhava como se realmente quisesse uma resposta.

Eles suspiraram e olharam para o teto. Ambos perdidos em pensamentos. Riram quando seus olhos passaram pela enorme mancha roxa que fora deixada lá pelos dois quando eram crianças. Nem queira saber como aquilo foi parar ali... parou pra pensar no quão próximos eram anos atrás, quando tudo era mais fácil e as suas únicas preocupações eram quantas brincadeiras conseguiam fazer no menor espaço de tempo.
O que tinha acontecido? Quando foi que tinham se afastado tanto? Ela se virou e encontrou o garoto a olhando. Pareciam está pensando na mesma coisa.

- A gente deveria fazer alguma coisa. Juntos, sabe? Faz tanto tempo desde que...
- Eu sei – ela interrompeu o irmão.
- Cineminha aqui em casa? – Ele sugeriu se lembrando de quando chamavam todos os amigos para assistirem uma maratona de filmes na casa deles.
- Eu chamo o meu bonde e você chama o seu? – Eles riram e Gabriel fez que sim com a cabeça.
- Mas será que não dava pra eu chamar mais uma pessoa? – Ela o olhou desconfiada e quando viu seu rosto, soube de tudo. Não era porque estavam separados que ela tinha deixado de conhecer muito bem o irmão. Ele queria chamar uma garota.
- Claro que dá! Mas só se você me passar à ficha completa da minha futura cunhada. – Ele revirou os olhos e começou a falar sobre a menina.

Daniela Morais, dezessete anos. Queria cursar química, era fã de carteirinha de Star Wars ( sabia que a garota tinha conquistado o irmão exatamente no momento que tinha dito isso. Gabriel era louco por Star Wars!). Se conheceram no cursinho de redação e ela era mais baixinha que a Isa.

- Impossível! Ninguém é mais baixinho que a Isa.
- Bom, se ela não for mais, devem ser do mesmo tamanho. - Ele falou e soube naquele exato momento. Gabriel estava apaixonado por aquela garota. Dava pra ver em seu rosto, no jeito que ele falava dela... – Mas deixa de falar de mim. Como anda o Rafael?

Ela riu alto. O irmão sabia muito bem que ela não era mais a fim do Rafael, mas ainda insistia em perguntar. Ela não sabia, mas o garoto torcia para que a irmã ainda gostasse dele. Afinal ele fora o único que nunca demonstrou que queria algo a mais com ela... Era um pensamento egoísta, ele sabia. Mas só de pensar em qualquer garoto tocando em sua irmãzinha, o sangue já lhe subia a cabeça.
A garota ouviu o celular apitar e soube no exato momento quem era. Mas não era possível. Tinha marcado com de onze horas, quando sabia que seu irmão já estaria no quarto. Ainda eram... onze e vinte?!? Passara tanto tempo conversando com Gabriel que mal vira o tempo passar.
Viu que o garoto lhe olhava de maneira curiosa, como se esperasse que ela pegasse o celular para responder a mensagem. Mas ela sabia que se fizesse isso, o irmão perguntaria quem era. Não que precisasse, já que do ângulo que ele estava poderia ver com nitidez o conteúdo da mensagem. E nem adiantava tentar esconder porque faria o garoto desconfiar de que ela estava escondendo-lhe alguma coisa. E ela não precisava de mais pessoas desconfiadas.
Então, se levantou dizendo que precisava ir ao banheiro e saiu correndo levando a bolsa junto.

: “Esqueceu de mim?”

: “O que você acharia se eu te falasse que o Gabriel ainda não foi dormir?”

: “Ainda? Mas ele sempre vai dormir cedo...”
: “Eu sei, mas ele está muito bem acordado”

: “Prefere que eu volte amanhã?”
: “Preferir, eu não prefiro. Mas se é o único jeito...”

: “Kkkkk até amanhã então, princesa”

Ela revirou os olhos rindo. Já tinha mandado o garoto parar de chamá-la daquele jeito há muito tempo. Mas desde a primeira conversa que tiveram sobre “não somos namorados”, ele ficou com aquela mania.
Voltou pra sala sem conseguir segurar aquele sorriso no canto dos lábios, que não fora despercebido pelo irmão, mas ele preferira não dizer nada, afinal, sua irmã também merecia ter os segredos dela. Afinal, ele não sabia que esse segredo era seu melhor amigo...

Capítulo 06


: “Estão todos intimados a vir aqui em casa no sábado pra assistir uma maratona de filmes às 15h.”

Jorge: “Bem como nos velhos tempos, hein? Pode contar comigo ;)”
Lua: “Tô dentro. Mas... só vai ser nós cinco?”
: “Não se preocupe, Luazinha, o Victor vai estar lá também. Gabriel vai chamar o quarteto fantástico.”

Lua: “Nem vou me dar ao trabalho de responder, .”
Rafael: “Logo no sábado? Desculpa, galera, vou ter que passar essa.”
: “Por quê??”

Lua: “Por quê???”
Rafael: “Tenho um compromisso importantíssimo no dia.”
Isa: “Vai nos trocar por quem dessa vez, Rafa?”
Rafael: “Por que você acha isso, Isa?”
Isa: “Porque todo mundo sabe que você só deixa de sair com a gente quando vai sair com alguma garota.”
Rafael: “Que mentira!”
Jorge: “Rafael, você não consegue enganar a gente. Desembucha, quem é a vítima dessa vez?”
Rafael: “Ah, vocês não conhecem. Ela é do meu inglês.”
Isa: “Não disse?”
Lua: “Kkkkkkk”
: “Então, fora o Rafael, todo mundo vêm, né?”

Jorge: “Claro”
Isa: “Posso aproveitar e dormir aí, ?”
Lua: “Eu também!!”
Rafael: “Nem precisa pedir, né? Ainda não sei como vocês duas não se mudaram pra casa da de tanto que dormem lá...”
Lua: “Cala a boca, Rafael!”
Isa: “Cala a boca, Rafael!”
: “Claro que podem, meninas. Então, vejo vocês no sábado :*”


☆☆☆


- Não quero saber de bagunça nessa casa quando eu chegar, ouviram?
- Sim, mamãe.

Dona Sara não parava de dar instruções aos filhos desde que acordara. Ela iria passar o fim de semana na casa dos pais, pois sua mãe não estava muito bem e ela sabia muito bem que seu pai, por mais que dissesse o contrário, não era capaz de cuidar dela sozinho. Preferia não deixar os filhos sozinhos, mas sua mãe era cabeça dura demais para ir para a casa da filha, além de que sabia que Gabriel e não eram mais crianças e podiam muito bem ficar sozinhos em casa por dois dias.

- Mamãe, não se preocupe, está bem? – tentou confortá-la – Fome não vamos passar e você sabe muito bem que eu detesto ver a casa bagunçada. Fora que a casa da vovó nem é tão longe. Se alguma coisa acontecer, você chega aqui em vinte minutos.
- É, você tem razão... bom, eu vou indo então. Amo vocês. – Ela disse dando um beijo na testa de cada um.
- Também te amamos – eles falaram juntos e observaram a mãe entrar no carro e dar partida.

Enfim, estavam sozinhos.

- Nem comece! Você ouviu a mamãe, sem bagunça. E além do mais, o pessoal já está vindo pra cá depois do almoço. Tivemos muita sorte de ela ter deixado eles virem e não vamos apelar. – disse num tom autoritário quando viu que o irmão a olhava como uma criança que acabara de ter uma ideia para mais uma brincadeira.

Ele suspirou derrotado e entrou em casa, sendo seguido pela irmã.

☆☆☆

Exatamente às quinze horas, Jorge e Isadora chegaram e não demorou muito para que o resto dos amigos chegassem também. Inclusive a garota pela qual estava muito ansiosa para conhecer.

- Então, você é a famosa . Prazer em conhecer, eu sou a Dani.

A garota estendeu a mão e de cara, gostou dela. Ela era realmente mais baixinha que a Isa, mas tinha a pele moreninha e os cabelos pretos longos, que eram lisos, mas com alguns cachinhos nas pontas. Sua camisa preta da banda Nickelback realçava os olhos castanhos claros e ela tinha um sotaque muito fofo que parecia do interior.

- Olha, de famosa eu não tenho nada e pode me chamar só de .
- Tá, , agora me explica uma coisa – Victor, que estava sentado no chão, falou chamando a atenção da garota. – O que é isso no seu pé?

Ela olhou pra baixo e viu a fitinha que tinha amarrado na perna naquele mesmo dia de manhã.

- A minha tia foi pra Salvador um dia desses e voltou ontem cheia dessas fitinhas.
- Mas não seria mais normal amarrar no braço?
- E desde quando a é normal? – Gabriel disse recebendo um tapa no ombro da irmã.
- Chega de falar de mim, ok? A gente não ia assistir um filme?
- E qual vai ser? – três pessoas falaram ao mesmo tempo.
- Tem um monte de DVDs na estante, vocês escolhem e eu vou fazer pipoca. – Ela se levantou do sofá indo em direção à cozinha e então viu se levantar também.
- Eu te ajudo.

☆☆☆


O filme estava quase na metade, mas ninguém parecia realmente interessado em assistir.
Em um sofá estava mexendo no celular e fingindo não ligar pelo fato de que estava de vela, já que Gabriel e Daniela conversavam baixinho ao seu lado. No outro sofá estavam Jorge e Isa tentando fazer conversar com eles, mesmo com ela dizendo que eles podiam namorar em paz. E no chão sobraram Victor, Luana - que tinham começado uma conversa sobre o filme, mas que agora já falavam sobre os filmes que estavam passando no cinema e quais deles queriam assistir – e Bernardo, que estava deitado e tentava não dormir.

- Ok, já chega – Bernardo falou se sentando e fazendo todos prestarem atenção nele. – Cansei de ficar de vela.
- Do que você ta falando, Bê? – Isadora disse fazendo a mesma cara de confusa que todos na sala faziam.
- Ora, desse amontoado de casais nessa sala. Da próxima vez, me avisem que eu fico em casa.
- Que casais?
- Bom, não preciso nem falar de você e do Jorge, afinal vocês dois namoram. – Ele começou a falar contando nos dedos. - Todo mundo sabe o motivo pelo qual o Gabriel chamou a Dani. – A garota ficou totalmente vermelha, mas deu um sorrisinho como se já soubesse. – Esses dois aqui tão na maior enrrolação e eu tô quase chamando a Luana pra sair pelo Victor. – Eles arregalaram os olhos e olhou pra Lua como se dissesse “eu sabia”. – E esses dois – Bernardo apontou para e . – Estão só esperando uma oportunidade para irem se pegar lá na cozinha.

, que até aquele momento estava mexendo no celular, parou e olhou para o amigo. Depois se virou para , que estava olhando para ele pedindo socorro.

- É o que, Bernardo? – Gabriel disse fechando a cara e tentando entender o que estava acontecendo.
- Ah, vai dizer que vocês não sabiam que o tá ficando com a ?

Continua...



Nota da autora: (17/04/2017) Sem nota.




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