Finalizada em: 19/12/2016

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Era uma tarde quente em Bordeaux e, depois de uma pedalada de bicicleta matutina pelas redondezas, a Seleção estava de folga. O time estava a dois dias de estrear na Eurocopa de 2016 e, para relaxarem suas mentes antes de viajarem no dia seguinte para Lyon, onde teriam um último treino no estádio Parc Olympique Lyonnais, os jogadores foram liberados para receberem suas famílias e amigos no resort que serviria como centro de treinamento durante toda a estadia da seleção na França. Parte dos jogadores decidira conhecer a cidade, enquanto outra parte estava aproveitando os extensos campos de golf que o resort oferecia aos hóspedes. , o capitão do time, era um dos poucos que decidira ficar por ali mesmo, aproveitando a piscina do hotel enquanto esperava pela chegada de seus amigos.
Quando percebeu que seus dedos começavam a ficar enrugados devido ao tempo em que estava nadando, decidiu que era hora de procurar por outro passatempo. Ele deu um impulso, se apoiando na borda da piscina, e, já fora da água, caminhou até a espreguiçadeira na qual havia deixado uma toalha. Após se enxugar superficialmente, ele calçou os chinelos e jogou a toalha sobre os ombros. Ao pegar o celular, constatou que, em quinze minutos, começaria o primeiro jogo dos três que seriam disputados naquele segundo dia de Eurocopa. Quando o jogador resolveu dar meia volta para subir até seu quarto e tomar um banho antes de assistir ao jogo, vozes animadas ecoaram pela área coberta da piscina.
- Olha ele aí, o futuro campeão da Europa!
Antes mesmo de virar-se e deparar-se com Vincent e os outros três que o seguiam, já estava com um sorriso estampado no rosto.
- Até que enfim! Se perderam, foi? - ele brincou, se aproximando do amigo para cumprimentá-lo com um abraço.
- O taxista custou a achar o caminho até aqui, esse hotel fica no meio do nada - Nicolas explicou o motivo da demora e sorriu quando chegou sua vez de cumprimentar o jogador. Enquanto recebia alguns tapinhas de nas costas, questionou: - E aí, cara? Nervoso para o início da Euro?
gargalhou debochadamente.
- Eu? Nervoso com um jogo? Até parece que não me conhece.
- A humildade mandou lembranças, - uma voz feminina falou e encarou a loira, que o analisava de cima a baixo com uma careta no rosto. - Isso é jeito de nos receber?
- Oi para você também, Florence. Muito bom te rever - o jogador disse ironicamente, se aproximando da amiga para cumprimentá-la com um beijo no rosto. - Não vá se apaixonar, hein? Sei que você não está acostumada com um corpinho assim, mas você precisa resistir. Sou amigo do seu namorado.
passou a mão pelo próprio peitoral desnudo e recebeu um soquinho no ombro vindo de Nicolas, o que o fez gargalhar.
- Yana, que saudade de implicar com você - disse e puxou a ruiva para um abraço.
- Não tenho um pingo de saudade disso - Yana rebateu, rolando os olhos.
- Sei que você me ama, ruivinha - falou, piscando um olho, e gesticulou para que os amigos o seguissem. - Vem, galera. Vamos subir.
Após deixarem a área da piscina, os cinco caminharam pelo corredor, passando pela academia e pela sala de fisioterapia para chegarem ao saguão principal do hotel.
- , adivinha quem está namorando - Nicolas falou em um tom sugestivo e Yana deu um tapa estalado em seu braço.
O jogador deu uma rápida olhada para trás, subindo os primeiros degraus da escada, e levantou os braços em sinal de comemoração. Ele suspeitava de qual casal Nicolas falava e a reação da ruiva apenas confirmou que era sobre Vincent e Yana.
- Até que enfim resolveram assumir essa paixão louca que vocês sentem um pelo outro - falou, rindo alto, e aproveitou que subia o segundo lance de escada para olhar para os amigos, que ainda subiam o primeiro.
- Já era hora de oficializar mesmo, tantos anos nessa pegação… - Nicolas disse e, mais uma vez, foi agredido por Yana. - Você quer parar? Só estou falando a verdade.
- A culpa é do seu amigo que é um banana e demorou um século para perceber que é de mim que ele gosta de verdade - a ruiva falou, se fingindo de esnobe.
Vincent gargalhou e passou o braço pelo ombro da namorada, puxado-a para beijar a bochecha dela.
- Também não é assim, eu não tinha certeza dos meus sentimentos… - ele tentou se defender, mas sabia que Yana tinha razão, pois, por muito tempo, achou que o que sentia pela amiga era apenas amizade somada a uma forte atração física. Quando notou que ficar com outras garotas já não tinha mais a mesma graça, Vincent, finalmente, percebeu que estava apaixonado.
- Falei alguma mentira, por acaso? Você pegava Deus e o mundo, mas no final sempre voltava para mim. Não era meio óbvio?
- Você também nunca admitiu que gostava dele, né, amiga? - Florence falou e riu quando a outra lançou um olhar cortante em sua direção.
O grupo chegou ao segundo andar e os guiou pelos corredores dos quartos. Cada porta de madeira possuía uma placa com o nome do jogador que estava hospedado ali, bem como o número de sua camisa na seleção. Logo os cinco estavam diante da porta identificada com “10” e “ ”.
- E você, ? - Vincent questionou.
Um silêncio incômodo tomou conta do ambiente e todos puderam sentir a tensão que o seguiu.
- Eu o quê? - o jogador rebateu, fazendo-se de desentendido, enquanto destrancava a porta com seu cartão.
- Sei lá, não soubemos como você ficou depois de toda aquela confusão. Você foi embora de e não conversamos direito.
- Estou bem, nem tenho tido tempo de pensar em outra coisa que não seja futebol, na verdade - disse com sinceridade. O final da temporada havia sido intenso e ele nem havia conseguido descansar direito, já que logo em seguida se juntou à seleção para alguns amistosos preparatórios para a Eurocopa.
O jogador adentrou o quarto, sendo seguido pelos dois casais, e jogou o celular em cima da cama.
- , sobre a … - Florence disse, chamando a atenção de , mas se interrompeu quando notou que os outros três a repreendiam com o olhar. - Qual é, gente? Alguém tem que falar para ele.
- Falar o quê? - questionou, alarmado ao escutar o apelido da mulher que, há três meses, ele tanto se esforçava para não lembrar da existência.
- A veio com a gente para a França e trouxe a Jade - a loira revelou e suspirou longamente ao notar o choque nos olhos de . - Ela não quis vir aqui hoje, mas, como elas vão aos jogos com a gente, vocês vão acabar se encontrando. É melhor que você saiba logo e não seja pego de surpresa.
pegou a toalha que ainda estava sobre seus ombros e, conforme a embolava nos pulsos distraidamente, assentiu com um aceno de cabeça. Apesar de saber que uma hora ou outra a encontraria novamente, já que possuíam amigos em comum, sequer passara por sua cabeça que houvesse alguma possibilidade de aquilo acontecer ali na França e tão pouco tempo depois de ele, oficialmente, ter desistido de .
- Sinto muito se isso for um incômodo para você, já que estamos aqui a convite seu - Florence voltou a falar quando notou o silêncio de . - A e o Lukas se divorciaram, dessa vez é para valer. Ela nem queria vir, mas eu insisti porque achei que uma viagem assim seria bom para ela e Jade se distraírem.
Aquelas palavras foram como um carrinho levado pelas costas. Se se surpreendeu ao saber que estava na França, ele não tinha nem palavras para expressar o que sentiu ao saber que ela havia se divorciado do tal Lukas mesmo depois de parecer tão decidida a reatar o casamento. Ele perdeu a noção do tempo quando ficou encarando Florence sem saber o que dizer.
- Uau, por essa eu não esperava - ele disse, rindo fraco. - Como isso aconteceu?
- A estava se esforçando para continuar com o Lukas, mesmo contra a própria vontade - Florence começou a contar, decidindo que, depois de ter ficado tanto tempo no escuro, merecia saber sobre aquilo. - Só que, um dia, ela foi buscar a Jade na escolinha e, quando elas chegaram em casa, a Jade correu para o segundo andar para falar com o Lukas e acabou pegando ele e a amante transando.
- Você está de brincadeira! - exclamou, incrédulo, e a loira negou com a cabeça.
- A sabia que ainda estava sendo traída, ela não é ingênua a esse ponto - ela continuou e não controlou uma risada sarcástica, pois nunca havia sido a favor daquela reconciliação. - Mas o fato de a Jade ter presenciado essa cena foi a gota d’água.
passou a mão no rosto, digerindo todas aquelas informações. Por mais que tenha ficado magoado com a maneira como tudo aconteceu, o jogador não conseguia evitar sentir-se chateado por saber que passara por tanto constrangimento e, ainda por cima, por um cara que não valia o que comia. Além disso, Jade era só uma criança, era uma crueldade fazê-la passar por aquilo tudo.
- Elas estão bem? - questionou, por fim.
- Estão sim, na medida do possível - Florence respondeu, dando de ombros. - , caso você e tenham a oportunidade de conversar, não toca nesse assunto, por favor. Vou dizer para ela que te contei tudo, mas ela precisa esquecer toda essa história, não ficar relembrando toda hora. Já vai ser difícil porque, infelizmente, ela sempre estará ligada ao Lukas. Afinal, eles têm uma filha juntos.
- Certo. Não vou falar sobre isso, pode deixar - o jogador garantiu e, em seguida, passou os olhos pelos amigos, que o encaravam apreensivos, e sorriu. - Fiquem à vontade, galera. Vou tomar um banho rapidinho.
Dito isso, seguiu em direção ao banheiro. Antes de fechar a porta, entretanto, ele virou-se e fitou a loira novamente.
- Florence, diz para a que não tem problema ela vir junto nas próximas vezes que vocês vierem. Acho que a Jade vai gostar do hotel.
Os casais se surpreenderam, mas não tiveram tempo de dizer qualquer coisa, já que, em seguida, bateu a porta do banheiro.

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Uma derrota por 2x0 não fora, definitivamente, a estreia que a Seleção sonhara para aquela Eurocopa. arrancou a braçadeira de capitão sem delicadeza e, conforme se retirava do campo, cumprimentava alguns jogadores adversários. Não fazia questão de sorrir ou parecer simpático, pois estava muito descontente com o resultado do jogo; era frustrante pensar que toda a preparação da equipe não fora suficiente para vencer a partida, mesmo que o adversário fosse uma seleção forte e que demonstrou merecer o favoritismo ao título.
Ao chegar perto do túnel que levava aos vestiários, notou que seus companheiros de time iam de encontro aos familiares que se encontravam na área reservada da arquibancada e fez o mesmo caminho. Não demorou a achar seus pais e irmãos, que o consolaram e não desistiram até conseguirem arrancar um sorriso dele. O jogador sentia-se até mais leve quando caminhou na direção de seus amigos. Nicolas e Vincent nem pareciam que torciam para o time derrotado, já que, vestidos nas cores da da cabeça aos pés, festejavam com copos de cerveja em suas mãos.
- Cara, você me prometeu que ia me dar a camisa que usasse hoje - Vincent fez questão de lembrar assim que estava próximo o suficiente.
- Você pode esperar? Não me dá nem tempo de dizer oi - falou, rindo, e tirou a camisa em um movimento.
Vincent a arrancou das mãos do amigo e vibrou como se tivesse acabado de ganhar a camisa de seu maior ídolo, fazendo gargalhar.
- A do próximo jogo é minha, não esqueça - Nicolas avisou.
- Vocês são muito chatos, viu? - o jogador falou, bufando.
Quando passou os olhos pelas três mulheres que acompanhavam seus dois melhores amigos, sentiu um frio na barriga e, por muito pouco, não congelou no lugar em que estava. Ao lado de Yana e Florence, estava . A morena estava diferente, com o cabelo mais longo e alguns fios loiros, além da pele um pouco mais bronzeada. Parecia menos abatida do que da última vez que a vira, mas o encarava com o mesmo olhar inseguro.
- Olá, meninas - ele falou, se esforçando para abrir o sorriso mais simpático que conseguiu, e optou por cumprimentá-las apenas de longe, já que estava sem camisa, suado e, provavelmente, com um cheiro não muito agradável. Quando desceu os olhos e se deparou com uma curiosa Jade o encarando, piscou um olho. - Me desculpem pelo jogo, não deve ter sido muito divertido.
- Dá um jeito de jogar melhor no próximo, - Yana falou, fazendo uma careta. - Não vim até aqui para ver vocês perderem desse jeito.
- O jogo até foi bom, mas faltou um golzinho, né? - Nicolas disse e, antes de continuar, deu um empurrão no jogador com o ombro. - Vamos botar essas pernas para funcionar, meu camarada. Quero ser campeão europeu.
- Também espero ser campeão. A gente vai arrumar o time para os próximos jogos, podem ficar tranquilos - falou e, em seguida, soltou um longo suspiro enquanto passava a mão na testa molhada de suor. - Vou nessa, galera. Vejo vocês amanhã?
- Sim, vamos visitar você - Nicolas falou e, após dar um gole em seu copão de cerveja, o ofereceu para o jogador.
- Não posso, cara. Se me sortearem para o antidoping estou fodido - disse, rindo. - Até amanhã, então.
Acenou uma última vez e se esforçou para que seus olhos não caíssem sobre novamente, era melhor evitar constrangimentos. Acabou indo para o vestiário imaginando se ela e Jade iriam até o centro de treinamento no dia seguinte e sentiu-se ansioso diante daquela possibilidade.

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Já fazia mais de uma hora que estava no centro de treinamento da Seleção e ainda não havia se acostumado a estar no mesmo ambiente que . Apenas ali, sentada em meio ao seu grupo de amigos no saguão do hotel, se deu conta de como sentia falta da personalidade extrovertida do jogador, mesmo que eles não tivessem trocado mais do que poucas palavras. A morena estava espremida entre Florence e Yana em um sofá de apenas dois lugares e tentava reprimir um sorriso intrometido de surgir em seus lábios. Para sua sorte, todos os presentes tinham a atenção voltada para , que se divertia ao contar sobre os dois pratos cheios que um dos companheiros de time comera no almoço.
não estava surpresa por vê-lo recuperado do resultado negativo do dia anterior, já que, depois de um ano de convívio com o jogador, sabia que ele não era de se abalar com uma derrota, por mais amarga que ela fosse. possuía uma capacidade quase impressionante de levantar a cabeça e seguir em frente, trabalhando duro.
Quando Jade surgiu na sua frente, se viu obrigada a parar de observar para prestar atenção na filha.
- Mãe, posso andar naquele carrinho? - Jade questionou, apontando para o carrinho de golfe que, pela enorme janela, era possível ver estacionado do lado de fora do hotel.
- Não, Jade. Lembra que a gente combinou de você ficar quietinha e não sair de perto de mim? - rebateu, dando dois tapinhas nas próprias coxas para que a filha se sentasse ali.
, ao finalizar sua narração, notou que Jade falava com a mãe e olhou para a direção apontada pela garotinha. Mesmo sem escutar o diálogo entre as duas, quando viu um dos carrinhos de golfe utilizados como meio de locomoção no resort, não levou mais do que um segundo para entender qual era a vontade de Jade; afinal, ele também já fora criança um dia. Levantou-se em um pulo do sofá.
- Ei, Jade - ele chamou, fazendo a menina encará-lo com curiosidade ao sentar-se no colo da mãe. - Quer dar uma volta comigo no carrinho?
A primeira reação de Jade foi entortar o pescoço para buscar pela aprovação da mãe, mas fitava com tanta surpresa que não retribuiu ao olhar da filha.
- Quero - disse a menina em um tom de voz acanhado.
- Vamos lá então - falou, estendendo a mão como um convite.
- Não vai te atrapalhar, ? - questionou ao permitir que a filha descesse de seu colo.
O jogador sorriu. Não soube se por achar graça da preocupação de ou por escutá-la chamá-lo pelo nome novamente depois de tanto tempo.
- Relaxa, . Não tem problema - ele falou, pegando a mão de Jade, que caminhara até ele.
- Você vai pegar carona com ele mesmo, Jade? Ele é muito chato - Vincent disse, fazendo uma careta, e se esticou para cutucar a barriga da garotinha.
Jade se esquivou, rindo, e não hesitou em acompanhar em direção à saída do hotel nem por um segundo. O jogador a puxou pela mão até o carrinho e a levantou por baixo das axilas, a ajudando a sentar-se no banco, e, em seguida, deu a volta para sentar-se atrás do volante.
- Segura aqui - falou, indicando o próprio braço, e a menina o agarrou. Ao começar a dirigir, ele questionou, brincalhão: - Para onde vamos, senhorita?
- Não conheço esse lugar - Jade retrucou e riu baixo.
- Ah, não? Você não é daqui? - brincou o jogador, fingindo surpresa, e a menina negou com a cabeça. - De onde você é, então?
- . Você sabe! - ela acusou e não conseguiu disfarçar o riso.
- Sim, eu sei. Estou brincando - ele disse, fazendo uma curva que os levaria na direção dos campos de golfe do resort. - Também nasci em , sabia? Estudei com sua mãe na escola desde os 7 ou 8 anos até a gente se formar.
- Sério? Eu tenho 6 anos - a garota falou, chocada, e exclamou: - Isso faz muito tempo!
soltou uma sonora gargalhada e fitou Jade.
- Ei, você está chamando eu e sua mãe de velhos! - ele disse com indignação.
- Só você, minha mãe não é velha - ela rebateu, fazendo uma careta.
O jogador freou o carrinho bruscamente no meio do caminho e encarou Jade, cruzando os braços, desencadeando um ataque de risos na menina.
- Não acredito que você me chamou de velho - ele falou, emburrado, se controlando para não sorrir diante da cena adorável que era Jade se contorcendo no banco de tanto rir.
Ela era terrivelmente parecida com . Tão parecida que, ao mesmo tempo que era impossível não sentir-se afeiçoado a ela, era até um pouco torturante.
- Então é assim - ele começou, forçando para parecer ofendido -, eu me ofereço para te levar para dar uma volta no meu carrinho de golfe na melhor das intenções e ainda sou chamado de velho.
- Desculpa! - Jade disse, voltando a agarrar o braço do jogador. - Você não é velho, é novinho que nem minha mãe.
- Bem melhor - falou, sorrindo, e bagunçou os fios de cabelo castanhos claro da garota antes de segurar o volante novamente, logo pondo o carro em movimento mais uma vez.
Um outro carrinho de golfe surgiu, fazendo o caminho contrário, e reconheceu e , seus amigos e companheiros de seleção.
- Ué, virou sequestrador de criança agora? - apesar de surpreso com a cena, brincou quando os dois carros se cruzaram e se limitou a mostrar o dedo médio disfarçadamente.
O goleiro sabia que aquela menina só poderia ser a tal filha que escondia. Balançou a cabeça negativamente, voltando a olhar para frente e torcendo para estar consciente do que estava fazendo ao se envolver daquela forma com a menina.
seguiu dirigindo pelo extenso terreno do resort. O hotel já ficara para trás e tudo o que tinha ao alcance de suas vistas eram os campos verdes que pareciam não ter fim. Os cabelos de Jade balançavam com o vento, enquanto ela observava o caminho com curiosidade; aquele local era muito diferente das partes de que ela costumava frequentar. pegou um atalho pela grama e logo avistou mais outros carrinhos de golfe e alguns de seus colegas da Seleção . Quando estacionou o carro, sentiu alguns olhares curiosos fitando aos dois, mas não se importou. nunca se importava com o que os outros estavam pensando sobre ele, afinal.
- A gente quer jogar - ele anunciou, descendo do carro, e ajudou Jade a descer também.
parou para observar a próxima jogada, cruzando os braços, e foi acompanhado por Jade, que estava envergonhada demais em meio a tantos desconhecidos. Após alguns minutos de concentração em que todos o assistiam em silêncio, golpeou a bola com seu taco e a observou se distanciar cada vez mais.
- Essa foi horrível, ! - exclamou apenas para implicar com o amigo, já que era verdadeiro adorador de golfe e sempre estava praticando em seu tempo livre. - Me dá esse taco, deixa eu te mostrar como se faz.
- Você? Me mostrar como se joga golfe? - o outro desdenhou, rindo, mas deixou que arrancasse o taco de sua mão.
fez um sinal com a mão para que Jade se aproximasse.
- Quer jogar? - questionou, indicando o taco.
A menina se aproximou dele e, como se fosse seu maior segredo, ela sussurrou:
- Não sei jogar isso.
Controlando a vontade que tinha de rir, ele se abaixou e sussurrou como resposta:
- Eu também não.
Jade riu com as mãozinhas tapando a boca, enquanto se posicionou para a jogada. Ele respirou fundo, tentando manter o foco apenas em seu taco e na bola, o que era uma tarefa extremamente difícil para ele. Esportes que exigiam tamanha concentração, definitivamente, não eram o seu forte. Afastou o taco e, com um pouco de força, o levou na direção da bola.
Entretanto, a maldita bolinha branca sequer se moveu, pois ele havia acertado o ar.
- Puta que pariu! - exclamou em meio a uma enxurrada de gargalhadas e, em seguida, tapou a própria boca.
Por um segundo, esqueceu que Jade estava presente e ele não podia sair falando palavrões, mas sentiu-se aliviado ao notar que ela estava ocupada demais rindo de sua tentativa falha de jogar golfe e nem parecia ter escutado o que ele dissera. Foi impossível não rir junto, a risada da menina era contagiante. Ainda bem que ele era e se garantia no campo de futebol, porque jogando golfe ele não passava de uma piada.

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suspirou e acabou por atrair a atenção de Florence.
- O que foi, ? - a loira sussurrou de forma que apenas a amiga escutasse.
- Você não achou estranho o todo atencioso com a Jade? - a outra rebateu.
Verbalizar sua preocupação desde que viu a filha sair do hotel de mãos dadas com fez ficar ainda mais confusa; ela sequer sabia por que, exatamente, estava preocupada.
- Quer dizer, ele adora crianças - ela continuou, sem dar tempo de Florence dizer qualquer coisa. - Mas a Jade é minha filha, a filha que eu escondi dele, e, pelo jeito que ele foi embora da minha casa naquele dia, não acredito que qualquer uma de nós duas estejamos entre as pessoas favoritas dele.
- Você não está achando que ele está querendo te atingir de alguma forma, está? , é o ! - Florence falou, incrédula. - Posso estar enganada, mas ele não me parece ser do tipo vingativo. Se ele está sendo legal com a Jade, acredito que seja de bom coração. Você, mais do que ninguém, sabe como ele é atencioso com todo mundo.
não precisou de mais do que poucos segundos para concluir que sua melhor amiga estava certa. crescera em uma família grande na qual fora acostumado a apoiar e ser apoiado, a tratar a todo mundo da melhor maneira possível. Ele era uma das pessoas mais simpáticas que ela conhecia. Sendo um jogador de futebol famoso e cheio de fãs, então, ele era sempre muito atencioso e não media esforços para fazer todos se sentirem bem em sua presença. Ser legal com Jade não era sobre o relacionamento que eles tiveram, ou sobre as verdades que ela escondera; estava, simplesmente, sendo ele mesmo.
Quando abriu a boca para admitir que estava se preocupando à toa, foi interrompida por Vincent.
- Fala, ! Beleza? - o homem falou, levantando-se para apertar a mão do goleiro.
e haviam acabado de adentrar o hotel e, ao reconhecerem Vincent e Nicolas, se aproximaram para cumprimentá-los. Os olhos astutos de percorreram o sofá em que as três mulheres estavam sentadas de ponta a ponta e ele se pegou analisando cada uma delas. Tentou descobrir, pela aparência, qual das três era a tal , pois nunca havia visto sequer uma foto dela. Descartou a primeira logo de cara, já que tinha os cabelos tingidos de vermelho e, apesar de absurdamente bonita, parecia extravagante demais para o gosto de . A do meio era morena e era tão bonita quanto a primeira, mas de uma maneira diferente. Essa parecia mais discreta e até mais adulta do que a outra; parecia ser alguém por quem ficaria de quatro. Não precisou analisar a última para saber que a do meio, certamente, era a , e a confirmação não tardou a chegar.
- Essa é Yana, minha namorada - Vincent disse, apontando para a ruiva, e apontou para a do meio em seguida. - Essa é a , nossa amiga, e a loirinha é a Florence, namorada do Nicolas.
- Muito prazer, meninas - falou e mostrou um sorriso simpático.
, entretanto, apenas sorriu. Ele encarava e sequer se importou em ser discreto; tinha tanta vontade de questioná-la a respeito de e perguntar o que, afinal, ela estava fazendo ali. O amigo havia comentado que, agora, ela estava oficialmente divorciada, e temia que voltasse a se envolver e as coisas ficassem confusas novamente. Eles estavam no meio de uma Eurocopa, não podiam deixar que problemas pessoais atrapalhassem o desempenho do time no campeonato.
Notando o olhar de , sentiu-se exposta. Sabia que o goleiro era um dos melhores amigos de , já que os dois jogavam juntos não apenas na seleção, mas também no clube. Era bastante óbvio que ele não apenas tinha conhecimento de toda a história, mas também tinha seu próprio julgamento. Ela não esperava que ninguém sentisse pena dela, nem mesmo , mas sentia-se péssima por ser julgada daquela forma.
- Vou subir para tomar um banho. Vocês vão ficar aí até mais tarde? - questionou.
- Cara, não sei. A gente está esperando o voltar com a Jade - Nicolas respondeu, dando de ombros. - Mas a gente deve ficar por aqui mais um tempo sim.
- Depois volto para a gente bater um papo, então - disse e piscou um olho antes de se voltar para o colega de time. - Vai ficar aí, ?
- Não, não - o goleiro respondeu, finalmente quebrando o contato visual com . - Vou tomar um banho também. Até mais, pessoal.
Os dois jogadores deram as costas para o grupo e sumiram pela escada, cada um indo rumo ao seu quarto.
- Preciso beber alguma coisa - falou para os amigos e levantou-se.
Caminhou em direção ao restaurante do hotel, decidida a comprar uma garrafa de água. A culpa a fazia se sentir terrivelmente enjoada.

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Encerrando o primeiro tempo, o apito do árbitro soou pelo Nouveau Stade de Bordeaux, estádio onde acontecia a segunda partida da fase de grupos da Seleção . Apesar do domínio quase total do time liderado por , o jogo ainda estava 0x0; encontrar uma brecha na defesa adversária estava sendo uma missão quase impossível. Mesmo assim, a torcida seguia firme e forte, lotando as arquibancadas e confiante de que o primeiro gol sairia no segundo tempo.
Na área VIP, mais uma vez estava e companhia, graças aos ingressos cedidos por . Naquela altura do jogo, Nicolas e Vincent já estavam mais alegres do que de costume, devido à cerveja ingerida, e não paravam de cantar junto com o restante da torcida nem por um segundo. , Florence e Yana, bem como Jade, se divertiam com a animação dos dois.
- Mãe, preciso fazer xixi - Jade falou, balançando o braço de .
- Falei para você não tomar aquele copo gigante de Coca-Cola - a mais velha repreendeu a filha, que apenas fez um bico. Rolando os olhos ao enxergar o ex-marido na expressão de Madalena Arrependida de Jade, ela falou: - Vem, vamos ao banheiro.
As duas se levantaram e, após comunicar aos amigos que levaria a filha ao banheiro, saiu puxando a menina pela mão. Enquanto desviava da multidão que aproveitava o intervalo do jogo para comprar comes e bebes ou, assim como elas, irem ao toalete, a morena se deparou com a família de . Nunca fora apresentada para eles oficialmente, assim como não fora para a sua própria, mas conhecia os pais e irmãos dele de vista desde os tempos de escola. Quando passavam pela fileira em que eles estavam sentados, a mãe de , que voltava com um saco de pipoca na mão, esbarrou nas duas.
- Ei, você é , não é? - a mais velha questionou, pondo a mão no ombro de gentilmente.
- Sim, sou eu - a outra respondeu, forçando um sorriso.
Por dentro, ela estava congelada. Estava surpresa por saber que a mãe de a conhecia pelo nome, o que a fez temer o quanto mais era conhecida por ela.
- Sou a mãe do - a Sra. falou, simpática, e analisou da cabeça aos pés.
Quando foi a visitar, certa vez, e, com um ar apaixonado, contou que estava saindo com uma amiga de Nicolas, ela ficou bastante curiosa para conhecer a mulher que conseguira conquistar o coração de seu filho. Tinha uma vaga lembrança de ver no colégio em que seus filhos estudaram, mas não sabia nada sobre ela. Para sua decepção, o relacionamento dos dois acabara antes de que as duas fossem apresentadas, e ela nunca soube qual fora o motivo do rompimento.
- Mãe, o xixi está quase saindo - Jade falou, impaciente, e, pela primeira vez, foi notada pela Sra. .
- Com licença - falou, sorrindo para a outra, e voltou a puxar a filha em direção à saída da arquibancada, agradecendo por ter se livrado daquela situação constrangedora.
A Sra. observou as duas se distanciarem com o cenho franzido em confusão. nunca dissera que tinha uma filha, muito menos daquele tamanho.

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Os jogadores da saíram para uma volta de bicicleta naquela manhã. Em grupos, eles pedalavam e conversavam animadamente; uma vitória por 3x0 no jogo do dia anterior era tudo o que precisavam para recuperar a confiança. Os gols, apesar de saírem apenas no segundo tempo, foram o suficiente para o time vencer convincentemente. Eles chegariam mais fortes para a terceira e última partida da fase de grupos da Eurocopa, a partida que decidiria se eles conseguiriam se classificar para as oitavas de final ou se teriam que sair de férias mais cedo do que o desejado.
- Para com isso, rapaz. Você vai levar um tombo e vai se quebrar todo.
riu com vontade, mas não parou de se apoiar no carrinho de golfe dirigido por um dos membros da comissão técnica ao mesmo tempo que se segurava na bicicleta com apenas uma das mãos.
- Só estou descansando minhas pernas, relaxa aí. Você sabe quanto eu corri no jogo de ontem? Quase 12 km! - se gabou e esticou as pernas, deixando os pedais se movimentarem sozinhos conforme a bicicleta era levada pelo carrinho.
- E daí? Se cair não vai poder correr por meses - o mais velho provocou, rindo.
O jogador fez uma careta, mas logo avistou e fazendo diversos gestos com as mãos enquanto conversavam em suas bicicletas alguns metros à frente, e voltou a segurar os guidões com as duas mãos.
- Valeu pela carona, chefe - ele disse e piscou um olho.
Pedalando com mais velocidade, correu para alcançar os amigos e, quando estava entre os dois, se equilibrou para dar um tapa na cabeça de cada um ao mesmo tempo.
- Qual é o assunto? - ele questionou, voltando a se endireitar na bicicleta.
- Aquele chute do que o goleiro teve que comer grama para defender - respondeu, rindo ao lembrar-se do mergulho do goleiro para agarrar a bola.
- Aquilo não foi um chute, foi uma bomba - falou com admiração na voz. - Eu vi aquela bola dentro do gol, cara.
- Podíamos ter fechado o jogo em 4x0, né? - falou e os outros concordaram. Em seguida, ele debochou: - Está faltando um gol seu, . Quando vai desencantar?
- Que vacilo, cara. Dei duas assistências ontem, ok? - o capitão se defendeu, olhando torto para o amigo, que riu, pois estava apenas de implicância. Mesmo sem marcar gol, havia sido um dos melhores jogadores em campo.
Quando notou que ficara para trás para conversar com outro jogador, o goleiro viu a oportunidade que estava esperando para conversar a sós com .
- Cara, o que está rolando com a ? - ele questionou e recebeu um olhar surpreso.
- Nada - respondeu com obviedade, dando de ombros.
- Eu vi como você ficou magoado depois que vocês terminaram, mas, mesmo assim, você ainda gosta dela - afirmou. Mesmo que não admitisse, aquilo era bem óbvio.
- E agora ela não está mais com o marido e vocês estão se vendo quase todo dia. Quero dizer, não sei se ela tem segundas intenções, mas você não acha que é meio cedo para vocês estarem tão próximos assim?
- Ela é amiga dos meus amigos, . Não posso, simplesmente, impedir ela de vir aqui no nosso centro de treinamento ou de ir aos jogos - rebateu, soltando um riso nervoso. - A gente tem lidado bem com a situação. Na verdade, bem melhor do que eu imaginava.
- Mas você está se apegando à menina, a filha dela - o goleiro acusou. tentou dizer que o amigo estava exagerando, mas foi impedido. - Vi você comemorando a vitória com ela ontem, dá para ver como vocês estão se afeiçoando um ao outro. Sei lá, cara, é uma situação estranha.
- Você está fazendo tempestade em copo d’água. É claro que estou criando um carinho pela Jade, ela é uma criança adorável, mas isso não é um problema - garantiu.
- O grande problema é isso acabar te fazendo criar esperanças com a e você se ferrar de novo - finalmente disse o motivo pelo qual iniciou aquela conversa toda e a primeira reação do outro foi rolar os olhos. - A gente está no meio do campeonato mais importante das nossas vidas, . Só quero garantir que você não vai deixar que nada tire seu foco.
- Alguma vez você me viu deixar problemas pessoais me atrapalharem dentro de campo, ? - rebateu sem fazer a mínima questão de soar simpático. - Não vai rolar estresse nenhum com a , pode ficar tranquilo. Mas, mesmo se rolar, eu sei muito bem qual é o peso da nossa camisa e da braçadeira de capitão. Se a gente perder, não vai ser porque deixei a desejar.
A expressão irritada no rosto de não deu coragem para insistir no assunto, que acabou morrendo e deixando que um silêncio se instalasse entre os dois. Antes que o silêncio se tornasse constrangedor, surgiu ao lado deles e sugeriu que eles apostassem uma corrida até o hotel. venceu a corrida; quando ele entrava em uma competição, era para vencer.
Já no hotel, não perdeu tempo em subir para seu quarto. Estava louco por um banho. Destravou a porta com seu cartão e adentrou o quarto cantarolando This One's For You, a bendita música do David Guetta que era tema da Euro 2016 e tocava toda hora. Bateu a porta distraidamente e, quando levantou a cabeça, sentiu o coração bater mais forte com o susto que levou ao encontrar a mulher tão conhecida sentada na cama.



Deux

- Mãe? Aconteceu alguma coisa? - o jogador questionou, preocupado. Realmente não esperava ver sua mãe ali, o horário de folga mal tinha começado.
- Não, só quero conversar com você - Sra. falou com tranquilidade e deu dois tapinhas no colchão, convidando o filho a se sentar.
- Sobre o quê? - rebateu, sentindo a curiosidade aflorar dentro de si.
Caminhou até cama e sentou-se sob o olhar atento da mãe, que, em seguida, entrelaçou o braço ao dele e segurou sua mão com ternura.
- veio para a Euro com os meninos - ela soltou, mas não esperava por confirmação; portanto, continuou: - Vocês reataram o namoro?
encarou a mãe por alguns segundos sem piscar, enquanto ela esperava pacientemente pela resposta. De todos os assuntos improváveis que a mãe poderia abordar, , para ele, era o mais improvável deles.
- Não voltamos, mãe. Ela é amiga dos caras, melhor amiga da Florence. Eu os convidei e eles, naturalmente, convidaram ela - explicou, dando de ombros. - Não tem por que ela deixar de acompanhar a seleção do nosso país só porque eu faço parte.
- Claro que não, querido - Sra. concordou e sorriu, apertando a mão do filho. - É que fiquei um pouco confusa. Ontem, lá no estádio, esbarrei nela e nos falamos rapidamente. Ela estava apressada para levar a filha ao banheiro.
Ao escutar as palavras da mãe, o jogador arregalou os olhos minimamente. Por um segundo, se perguntou se sua mãe teria dito algo comprometedor para a mulher; como, por exemplo, sobre ele ter chorado copiosamente em seu colo por horas depois de ir embora da casa de . Entretanto, logo descartou a possibilidade, já que não agira diferente com ele depois do jogo. Em um segundo momento, sua preocupação já era outra.
Ele não havia contado para a mãe sobre a existência de Jade.
- Você não me contou que ela tem uma filha - a mãe disse com calma, como se estivesse lendo os pensamentos de .
- Eu também não sabia - ele falou. Após suspirar longamente, revelou: - Na verdade, foi um dos motivos de a gente ter terminado.
- Espera aí - a mais velha começou, perplexa. - Ela escondeu de você que tinha uma filha?
- Sim - disse, vacilante. Em seguida, bufou. - Não é tão ruim quanto parece, ela teve os motivos dela.
- Ah, então existem motivos plausíveis para esconder do namorado que você tem uma filha? - a Sra. questionou com a voz repleta de ironia.
- Para, mãe. Você está a julgando sem conhecê-la - , prontamente, repreendeu a outra.
Ele não pôde evitar sentir a mesma irritação que sentia quando chegava àquele assunto com . Sabia que era natural que pessoas próximas a ele pegassem as dores dele para si, e que com Vincent e Nicolas só não acontecia o mesmo porque eles também conheciam o outro lado da moeda, mas ele não precisava que ninguém se ofendesse por ele; afinal, fora ele quem conviveu intimamente com por um ano. Apesar de ter mentido e escondido coisas importantes, sabia que era um dos poucos que teve a chance de conhecer verdadeiramente, sem máscaras e em seu estado mais puro. Ele não duvidava que o que acontecera entre os dois fora real e que os sentimentos que um tinha pelo outro ainda estavam ali, esperando pela primeira oportunidade de voltarem a explodir em seus peitos. só não tinha certeza sobre as consequências que isso traria, se seriam boas ou ruins.
- Então me explica o que aconteceu, filho - a Sra. disse, soando compreensiva.
- Ela foi casada com um cara, que é o pai da filha dela, a Jade - o jogador começou, optando por revelar parcialmente a história. Não sentia que tinha o direito de expor daquela forma, mesmo que fosse para a mulher que o botou no mundo. - Quando eu reencontrei a e começamos a ficar, eles tinham se separado porque o tal marido traía ela. Ela se sentiu insegura, não quis contar o que estava acontecendo, mas isso gerou uma série de problemas emocionais para ela e, principalmente, para a Jade. Era como se eu fosse a válvula de escape dela, sabe? - falou e parou por um momento. Sentiu um aperto no peito ao se dar conta do quanto devia ter contribuído para que não surtasse de vez. - Mas ela decidiu reatar com o marido, foi quando eu descobri toda a história e terminamos.
- O marido dela também está aqui? - a mãe de questionou, temerosa.
- Não, eles se divorciaram de vez. Ele continuou traindo ela - o jogador explicou, dando de ombros.
Ambos ficaram em silêncio por um tempo, enquanto a Sra. absorvia tudo que fora dito.
- Filho - ela começou em um tom calmo -, só quero que você seja feliz. Fiquei te observando depois do jogo, o modo como você, quando foi falar com os meninos, só tinha olhos para a . Você ainda gosta dela e está lidando com essa situação com uma maturidade impressionante. Preciso dizer que estou muito orgulhosa - a mais velha falou, sorrindo, e levou a mão até o rosto do filho, que riu anasaladamente.
- Ela não é uma má pessoa, mãe. Deve ter sofrido poucas e boas com o ex-marido, não quero ser o homem que vai jogar os erros dela na cara dela e fazê-la sofrer ainda mais - ele desabafou, sentindo-se até um pouco mais leve ao botar aquilo para fora. - Não sei se o que sentimos um pelo outro vai ser o suficiente para a gente superar esse episódio e tentar de novo, mas também não quero que ela se sinta culpada quando eu estiver por perto. E isso sempre vai acontecer, eventualmente, ainda mais se o Nicolas e a Florence se casarem, já que são nossos melhores amigos.
- Você está certo, querido - a Sra. falou, descendo a mão que estava no rosto de até a coxa dele, onde ela deu alguns tapinhas. - E está se dando bem com a filha dela, uh? Jade, né?
- Sim, a Jade é ótima - falou, sorrindo ao lembrar-se dos momentos divertidos que passou ao lado da menina nos últimos dias. Com embargo na voz, continuou: - Ela é exatamente como imaginei que seria um filho meu e da .
O jogador respirou fundo quando lágrimas borraram sua visão, mas não foi o suficiente para impedir que algumas delas escorressem por suas bochechas. Se já sentia-se mal por desejar ser o pai da filha de , começar a conviver com Jade estava o fazendo descobrir que também desejava ser o pai da garota. Era devastador saber que outro homem era o responsável por aqueles dois papéis e ele nunca seria capaz de substituí-lo.
A Sra. sentiu o coração se comprimir dentro do peito, odiava ver qualquer um de seus filhos naquele estado. Se sentia impotente. Envolveu o corpo do filho em um abraço e deixou que ele deitasse a cabeça em seu ombro. Naquela situação, sentia-se um garotinho, mas não se envergonhava. Aquela era sua mãe, a única pessoa do mundo para quem ele não se importava de demonstrar suas fraquezas.
- Meu filho, se você realmente ama essa moça, lute por esse sentimento - a Sra. disse, acariciando as costas do mais novo. - Mostra para ela que você pode ser o homem que vai fazê-la feliz, que vai tratá-la com respeito, mesmo que ela tenha esse passado conturbado e tenha errado ao esconder tudo isso de você. Torço pela sua felicidade e, se ela está ao lado da , eu te apoio a não desistir dela.
De olhos fechados, deixou que as palavras da mãe adentrassem não apenas seu ouvido, mas também seu coração. Somadas ao conforto do abraço, elas acalmaram seus sentimentos. O faziam se sentir esperançoso sobre passar por cima daquilo tudo e ser feliz ao lado da mulher que amava. Se ela também quisesse o mesmo, é claro.
O jogador se afastou da mãe e passou as mãos pelo rosto, secando as lágrimas.
- Obrigado, mãe - ele disse, já mais calmo, e sorriu sem mostrar os dentes.
- Sempre que precisar… - a outra falou, também sorrindo. Em seguida, fez uma careta. - Agora vá tomar um banho, você está precisando.
Só então se lembrou de que passou a manhã toda pedalando pelo resort e ainda não havia tomado um banho.
- Sou , tenho 25 anos na cara, sou o capitão da Seleção - ele dizia, enquanto se levantava e tirava a camisa de treinamento da seleção -, estou disputando uma Eurocopa, e ainda preciso que minha mãe me mande tomar banho.
- Para você ver que tudo isso não é nada quando se trata da relação de uma mãe com um filho - a outra rebateu com divertimento.
- Eu te amo, mãe. É sério - disse, por fim tirando a calça e a deixando jogada pelo chão de qualquer jeito.
Vestindo apenas a cueca, o jogador se voltou para a mãe e fez um coração com as mãos, fazendo a mulher rir.
- Cadê meu celular? Preciso tirar uma foto disso - ela brincou, remexendo a bolsa.
- Qual foi, mãe! Quer acabar com a pouca dignidade que me resta? - questionou, indignado.
Em seguida, correu para o banheiro, gargalhando, antes que a mãe achasse o celular. Ele não duvidava que ela realmente tirasse a foto e, para completar, mandasse para a família toda. Afinal, ele não era como era por acaso, teve a quem puxar.

😜💙⚽

- Tio , pede para minha mãe me deixar entrar na piscina?
O jogador riu ao escutar as palavras sussurradas por Jade e, automaticamente, seus olhos pousaram em . Do outro lado da piscina, a morena estava batendo papo com Florence, Yana e algumas namoradas ou esposas de jogadores da seleção, enquanto parte dos rapazes jogava um vôlei improvisado na piscina. , que preferiu não participar do jogo e fazer companhia para Nicolas e Vincent - já que ambos não haviam levado roupa de banho -, estava se divertindo ao ver o desespero de Jade para nadar. A mãe da menina não permitira, alegando que a menina só tinha a roupa do corpo.
- Por que eu? - questionou em um tom divertido, apontando para si mesmo.
- Porque você vai nadar comigo, ué - a menina rebateu com obviedade, segurando o braço do jogador.
Em meio a risos, ele falou:
- Vou, é? Ninguém me avisou sobre isso.
Jade mostrou a língua, porém, quando Vincent chamou seu nome, ela largou o braço de e caminhou na direção do outro.
- Fala para sua mãe vir aqui, quero trocar uma palavrinha com ela - o outro falou e, prontamente, a garotinha saiu correndo para dar a volta na piscina.
- Qual é o plano, Vince? - questionou, curioso.
- Espere e verá - o outro respondeu, fazendo o amigo rir.
- É o que estou pensando? - Nicolas questionou e soltou uma gargalhada, deixando ainda mais confuso.
- Espere e verá - Vincent repetiu, simplesmente.
Meio a contragosto, se deixou ser puxada pela filha, e já se preparava para xingar Vincent. Era sempre assim, ela dava as ordens e os amigos faziam de tudo para driblá-la e fazer as vontades de Jade; ficava bastante complicado criar um filho dessa maneira.
- O que foi? - ela questionou.
A expressão fechada de quase fez Vincent desistir do que estava planejando. Quase.
- Deixa a menina nadar, . Qual é o problema disso? - ele perguntou, olhando desafiadoramente para a mulher.
- Já falei mil vezes qual é o problema. Ela está sem biquíni e não vai embora toda molhada - a outra respondeu, rolando os olhos. - Lá no nosso hotel tem uma piscina enorme, amanhã a gente pode ir bem cedinho.
- Mas mãe! - Jade exclamou, fazendo manha, com um bico enorme nos lábios.
- , larga de ser ranzinza - Vincent retrucou, pondo-se de pé. Encarou a amiga de braços cruzados e falou: - Qual é o problema de se molhar? Ela é um docinho de menina, mas, que eu saiba, não é de açúcar.
precisou morder as partes internas das bochechas para não rir e acabar com a pose de durona.
- Vincent, Vincent… Não testa minha paciência.
- Hein, ? Qual é o problema de se molhar? - o outro provocou, dando um passo na direção da mulher.
Involuntariamente, deu um passo para trás e, quando Vincent, de surpresa, a segurou pelos braços, soltou um gritinho.
- Se você me jogar nessa piscina, eu te mato! - ela exclamou, tentando se soltar.
Naquela altura, eles já tinham plateia. Quase todos os presentes se divertiam com a cena. , apesar de querer ajudá-la, ria do desespero estampado no rosto de . Ele não acreditava que o amigo teria coragem de jogar, de fato, a mulher na piscina; mas só até ver com seus próprios olhos Vincent empurrar o corpo de . De roupa e tudo, ela chocou-se contra a água e afundou. e , que faziam parte de um dos times que jogavam vôlei na piscina e estavam por perto, se aproximaram para ajudá-la a emergir.
- Me aguarde, Vincent! - berrou, irritada, tirando os fios de cabelo encharcados do rosto.
Quando notou que a morena se aproximava da borda, foi ajudá-la a sair da piscina. A cena havia sido realmente divertida, mas ele prendia o riso para não deixá-la ainda mais irritada. O jogador esticou as mãos e aceitou a ajuda para se impulsionar para fora da água. Ela sentia as roupas pesadas e grudadas ao corpo; vestia um short listrado e uma camiseta branca sobreposta por uma blusa jeans de manga ¾. Enquanto torcia o cabelo para tirar o excesso de água, levantou os olhos para o rosto de e encontrou os dele a medindo de cima a baixo. Quando olhou para o próprio corpo e notou quão transparente sua camiseta estava, sentiu as bochechas esquentarem e sua primeira reação foi puxar as laterais da blusa jeans para cobrir-se.
riu baixo quando percebeu que não fora muito discreto ao contemplar o sutiã azul bebê de .
- Obrigada - a mulher disse baixo, ainda um pouco constrangida, e a achou tão fofa que quis beijá-la.
- De nada. Vou pegar uma toalha - ele disse, sorrindo, e, em seguida, deixou a área da piscina em busca de um funcionário do hotel.
voltou-se para os amigos e semicerrou os olhos. Vincent e Nicolas agradeceram por não ser possível matar alguém com um olhar, especialmente o primeiro.
- Foi mal pela brincadeira, - Vincent disse, controlando-se para não rir ainda mais. - Vou entrar na piscina também. Tomo conta da Jade, relaxa.
Conformada de que suas ordens seriam desobedecidas até estar em novamente, não se pronunciou mais e assistiu ao amigo tirar a camisa, bem como Jade ficar descalça e, junto a Vincent, pular na piscina vestindo seus short jeans e regata florida.
- Quer subir para tomar um banho, ? Posso pedir para lavarem e secarem sua roupa também - falou, prestativo, ao voltar.
pegou a toalha estendida pelo jogador e a passou superficialmente pelo corpo enquanto ponderava a oferta. Mesmo sendo verão e o clima em Bordeaux estando quente, a roupa poderia demorar um tempão para secar.
- Se não for um incômodo - ela disse, mordendo de leve o lábio inferior.
- Claro que não. Vamos lá - o jogador disse, piscando um olho, e indicou com a cabeça o corredor que levava ao saguão do hotel.
Antes de segui-lo, olhou para a piscina e sorriu ao ver uma Jade alegre e sendo o centro das atenções. Ainda estava irritada com a atitude de Vincent, mas era impossível não sentir-se satisfeita ao se deparar com a felicidade da filha.
Em silêncio, e caminharam lado a lado pelo andar térreo do hotel. Era a primeira que os dois ficavam a sós desde que se reencontraram ali na França e, mesmo que estivessem convivendo em harmonia desde então, ambos sentiram-se um pouco apreensivos. O jogador foi o primeiro a ficar agoniado com o silêncio, nunca aguentava ficar calado por muito tempo.
- Você não ficou tão nervosa assim, ficou? - ele questionou quando os dois subiam as escadas que levavam para os quartos.
- Claro que fiquei - disse, soando aborrecida. - Vincent não tem limites!
gargalhou, se apoiando no corrimão da escada, e a morena esboçou um pequeno sorriso com a cena.
- Deixa a menina curtir as férias, . Só quem está a trabalho aqui sou eu - o jogador falou, dando de ombros.
- Deixa de ser cínico, . Você é outro que não tem limites - a mulher retrucou, rolando os olhos.
- Eu? - o jogador perguntou, indignado, apontando para si mesmo. - Não fiz nada, fiquei quietinho no meu canto e ainda vai sobrar para mim.
- Não fez hoje, né? Você também tem feito todas as vontades da Jade, estou só observando.
semicerrou os olhos, mas o sorriso de canto em seus lábios acabou por fazer sorrir junto, enquanto a guiava na direção de seu quarto pelo longo corredor.
- Só estou sendo legal com ela, mas, se estiver exagerando, pode me dar um toque - ele falou ao parar em frente à porta que tinha seu nome e pegou o cartão no bolso da bermuda. Após destrancar a porta, disse: - Não repara a bagunça.
O quarto realmente estava uma bagunça, com peças de roupa e objetos do jogador espalhados por toda parte. A única coisa arrumada era a cama, já que a camareira passara pela manhã.
- O quarto não seria seu se estivesse arrumado - falou, rindo levemente ao lembrar-se de quão bagunceiro era, e adentrou o quarto logo depois dele.
- Não vou nem desmentir, é verdade mesmo - disse, dando de ombros, e a acompanhou nos risos. - Bom, vai lá tomar banho. Deixa a porta destrancada para eu pegar suas roupas, vou pedir para alguém do hotel vir buscá-las.
- Tudo bem - a morena falou e sorriu sem mostrar os dentes antes de adentrar o banheiro e encostar a porta.
foi até o painel cheio de botões ao lado da cama e apertou o referente ao serviço de quarto. Quando escutou o som do chuveiro ligado, entrou no banheiro e caminhou até a pia, onde deixara as peças de roupas empilhadas. Ele se esforçou ao máximo para não virar o pescoço na direção da zona de perigo, mas era como se uma seta imaginária vermelha e cheia de luzinhas coloridas apontasse para lá.
Ao mesmo tempo que um sorriso divertido se esboçou em seus lábios, , disfarçadamente, olhou de canto para o box, mesmo que soubesse que o vidro fosco impedia de saber o que estava acontecendo do lado de fora, assim como o impedia de ver com clareza o que acontecia do lado de dentro do box. Tudo o que ele conseguia ver era a silhueta do corpo da mulher - uma bela silhueta, diga-se de passagem -, mas foi o suficiente para fazê-lo sentir um frio na barriga.
Mesmo que fizesse meses desde a última vez que a vira nua, a lembrança ainda estava viva em sua mente. Os seios pequenos, as coxas medianas, a barriga que ela sempre reclamava que tinha gordurinhas demais, mas que, para ele, era perfeita… adorava admirar , a achava linda da cabeça aos pés. Agradeceu mentalmente por não ser louco o suficiente para abrir a porta do box e acabar com o único obstáculo que o impedia de ver o corpo que tanto amava. umedeceu os lábios com a própria língua e espantou os pensamentos que rondavam sua mente e, por muito pouco, não se apossaram de seus sentidos.
Voltou para o quarto carregando a pilha de roupas e a deixou sobre um móvel. Aproveitou para dar uma rápida organizada na bagunça que havia feito, jogando algumas coisas dentro de suas malas e outras dentro do armário cedido pelo hotel. Uma batida na porta o interrompeu e ele a abriu, se deparando com uma camareira.
- Boa tarde - disse, simpático. Enquanto pegava a pilha de roupas e as levava até a senhora, questionou: - Teria como lavar e secar essas roupas para mim, por favor?
- Claro, senhor - a mulher respondeu, sorrindo, e pegou as roupas das mãos do outro. - Com licença.
Após bater a porta, o jogador se sobressaltou ao escutar a voz de soar pelo quarto.
- , preciso de alguma coisa para vestir.
Ele se virou na direção do banheiro e a encontrou enrolada em uma toalha. Mais uma vez, seus olhos se perderam pelo corpo de . A pele bronzeada exposta e com alguns pingos de água escorrendo por toda sua extensão era tão convidativa que ele sentiu as pontas dos dedos formigarem.
- Ah, verdade - ele disse, rindo e sem vergonha nenhuma por ter sido tão indiscreto, enquanto balançava a cabeça negativamente com um sorriso de canto. - Só um minuto.
foi até a mala aberta que estava sobre uma poltrona e revirou as roupas até achar uma camisa que ainda não estivesse usada e uma cueca boxer. Riu ao se dar conta de que cueca era aquela.
- Peguei sua cueca favorita - ele falou, indo até .
A gargalhada da mulher foi espontânea quando ela reconheceu o astronauta segurando uma bandeira dos Estados Unidos na estampa da cueca. Sem dizer nada, ela pegou as duas peças de roupa e, em seguida, voltou para dentro do banheiro. Com um sorriso saudoso nos lábios, se jogou na cama. Enquanto encarava o teto do quarto, a cena da primeira vez que o viu vestindo aquela cueca passou como um filme diante de seus olhos.
Era a primeira vez que ele voltava a depois ter ficado com a morena em dezembro e, por terem passado semanas trocando mensagens, ele estava morrendo de ansiedade por aquele reencontro. O desejo de repetir as insaciáveis rodadas de sexo com era tão grande que ele sequer conseguia olhar para as mulheres que viviam o rodeando por ser um jogador de futebol famoso, não importava quão bonitas e gostosas fossem. Sem nem mesmo avisar Nicolas ou Vincent de que estava na cidade, a primeira coisa que fez foi convidar para ir até a casa que ele tinha em . Não demoraram mais do que cinco minutos de conversa para estarem aos beijos, e nem mais outros cinco minutos para estarem tirando a roupa um do outro; entretanto, o clima foi completamente cortado quando pousou os olhos na cueca de e caiu na gargalhada. Mas nada que tenha impedido o clima de, alguns minutos depois, estar de volta.
- Acho que essa cueca só é minha favorita quando é você quem está vestindo - falou em um tom divertido, surgindo no quarto e despertando o jogador de seus pensamentos. - Não tenho bunda e coxas suficientes para preencher.
já se sentia mais confortável ao ver os olhos do jogador secarem seu corpo sem pudor; a fazia se sentir confiante e deliciosamente desejada.
- Besteira, ficou ótima - ele falou, sorrindo. Após a mulher se unir a ele, sentando-se na cama, continuou: - Pretende fazer o que agora?
- Esperar minhas roupas. Não vou assim a lugar nenhum - falou com obviedade na voz e, em seguida, riu ao estalar um tapa na testa de .
- Liga a TV, então. O controle está aí em cima - ele falou, apontando para o criado-mudo ao lado de .
A mulher pegou o controle remoto e ligou a televisão, que passava um filme qualquer. Acabou deixando naquele canal mesmo e, por algum tempo, os dois assistiram ao filme em silêncio. Mas odiava o silêncio.
- Você está bem, ? - ele questionou.
Lembrava-se muito bem de Florence pedindo para ele não tocar naquele assunto ao contar que e Lukas haviam se divorciado de vez, mas ele precisava saber como ela estava reagindo àquilo tudo pela boca de .
- Foi só um banho de piscina, . Eu supero - ela respondeu e riu baixo.
- Você sabe que não é sobre isso que estou falando - murmurou, fazendo o encarar com surpresa.
- Estou bem. Aliviada, melhor dizendo. Foi besteira insistir em algo que já não valia mais a pena há muito tempo - ela disse após avaliar seus próprios sentimentos. - Obrigada por perguntar.
- Pode contar comigo se precisar de alguma coisa - o jogador falou, solícito, e piscou um olho.
- Você não precisa… - começou, mas foi interrompida.
- Mas eu quero - disse com convicção e encerrou com um pequeno sorriso.
- Obrigada - a mulher disse, cedendo, e sorriu de volta.
Ambos voltaram a assistir ao filme; ou melhor, a fingir que assistiam ao filme. Os dois tinham coisas a falar um para o outro. Tanto quanto sentiam vontade de desabafar, de libertarem os sentimentos que tinham entalados dentro de si, mas nenhum sabia por onde começar.
- ... - mais uma vez, foi o jogador quem quebrou o silêncio, fazendo a morena o encarar com curiosidade. Ele ainda não sabia ao certo o que dizer, dezenas de assuntos passavam por sua cabeça, mas acabou optando pelo mais seguro de todos. - Você deixa a Jade ser mascote no próximo jogo? Seria legal entrar com ela no campo, acho que ela vai gostar.
Apesar de grata pela atenção que vinha dando à sua filha, sentiu-se decepcionada. Sabia que, depois de todo o ocorrido, ele não tinha obrigação nenhuma de tratar Jade com tanto cuidado, era muito bacana da parte dele; mas queria receber um pouco de todo aquele carinho de também.
- Claro, tudo bem - ela respondeu, sorrindo fraco.
Após concordar com a cabeça, voltou a fingir que o filme era extremamente interessante. Por dentro, ele sentia uma agonia o corroer. Mal acreditava que estava sozinho com no seu quarto do centro de treinamento da Seleção , com ela vestindo suas roupas, e não tomaria uma iniciativa por pura covardia.

😜💙⚽

Mais uma partida estava para começar. Era a terceira rodada da fase de grupos, o jogo que decidiria se a Seleção seguiria na Euro 2016 ou estaria desclassificada. Para a preocupação do time, a derrota do primeiro jogo estava pesando naquele ponto da competição. Dependendo do resultado da outra partida do grupo E que aconteceria simultaneamente, a ordem de classificação poderia ser totalmente alterada, portanto, eles queriam vencer e depender apenas de si mesmos para garantirem a ida para as oitavas de final.
fez o caminho em direção ao túnel de acesso ao campo, onde os jogadores já se organizavam em filas. Cumprimentou alguns jogadores do time adversário, bem como seus companheiros de equipe, e seguiu para o seu lugar no início da fila da Seleção . Como capitão, ele tinha a braçadeira no braço e a flâmula do país em mãos.
- Ei, princesinha - falou, sorrindo, e fez um rápido carinho no topo da cabeça de sua mascote, antes de oferecê-la a mão livre.
- Oi - Jade respondeu, pegando a mão do jogador.
- Animada para entrar no campo? - ele questionou, apertando a mão da menina com ternura.
- Sim! Vai ser a primeira vez que vou pisar naquela grama verdinha - ela respondeu, animada, fazendo o jogador rir.
- Me promete uma coisa, Jade? - perguntou . Após a menina assentir, o fitando com olhos curiosos, continuou: - Que você vai cantar o hino do nosso país bem alto.
- Tá bom - a garota falou, rindo.
- Combinado, então - disse e piscou um olho.
Voltou a olhar para frente, em seguida, e respirou fundo. Era hora de se concentrar.
Os times adentraram o campo e se posicionaram para a execução dos hinos nacionais. Jade olhava tudo à sua volta, estava maravilhada com a energia que emanava das torcidas de ambos os países. Aquela era apenas a sua terceira vez em um estádio de futebol e, se já havia achado impressionante estar na arquibancada, estar no campo junto aos jogadores era ainda mais extraordinário. Ali, na frente de , ela não sabia, mas aquele momento ficaria guardado em seu coração para sempre. Como prometido, Jade cantou o hino nacional da o mais alto que conseguiu e com todo o orgulho que sentia de seu país, mesmo que ainda não tivesse consciência disso.
Quando viu Jade acenar para ele antes de correr junto às outras crianças para fora do campo, teve certeza de que a menina traria sorte para ele naquele jogo.

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Juntando toda a força que conseguiu, Jade correu e deu um chute na bola. Diferente das tentativas anteriores, a bola foi mais veloz em direção ao gol e não fez questão de impedir que ela alcançasse a rede.
- Gol! - a menina exclamou, empolgada, com os braços levantados.
Correu na direção de , que a esperava de braços abertos, e se jogou em um abraço apertado.
A Seleção havia feito um treino aberto em Bordeaux para comemorar a ida para as oitavas de final com os torcedores que estavam na França para apoiar o time. Depois de finalizado o treino, a comissão técnica acabou por permitir que os jogadores passassem um tempo com seus filhos ali no campo do centro de treinamento. não tinha um filho ou uma filha, mas não pensou duas vezes e foi até a arquibancada chamar Jade para bater bola com ele.
- Parabéns! Não falei que você ia conseguir? - o jogador disse, tirando a menina do chão.
- Deu certo - ela falou, admirada, referindo-se às dicas que a ensinou para que pudesse dar um melhor chute na bola.
- Claro que deu, é só treinar mais um pouquinho que já pode virar a batedora de pênaltis oficial da nossa seleção. Né, ? - falou, fitando o amigo, que se aproximava tirando as luvas de goleiro.
- Com certeza, bateu melhor que ele - debochou, indicando o outro com o queixo. Em seguida, estendeu a mão para a garota. - Foi um prazer levar um gol seu, Jade.
Rindo, a menina apertou a mão do goleiro. Os olhos de pousaram na arquibancada e, mesmo de longe, ele pôde notar que estava impaciente, pois ela e os amigos voariam para Paris dentro de poucas horas. Já que seria o local do próximo jogo, Yana havia sugerido que eles fossem alguns dias antes para Paris e, assim, eles pudessem aproveitar ainda mais a estadia; ela estava louca para conhecer a cidade e fazer compras.
- Vamos lá, você tem que ir embora. Sua mãe vai ficar uma fera se vocês perderem o voo - ele disse, pondo-se a caminhar pela grama.
- Tio - a voz de Jade chamou, fazendo o jogador parar de andar e virar-se para encará-la. - Eu queria te pedir desculpa.
O jogador levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa e se agachou para poder observar Jade de mais perto.
- Por quê? - ele questionou, confuso.
- Porque, naquele dia, eu fiquei com raiva porque você bateu no meu pai e o nariz dele sangrou muito - a menina confessou e, envergonhada, baixou os olhos para os próprios pés. - Mas a mamãe explicou que meu pai falou coisas feias e você ficou nervoso. Eu gosto muito de você, você é legal.
estava tão espantado que não soube o que dizer por alguns segundos. Já havia se perguntado algumas vezes se Jade sabia que ele era o mesmo homem que estivera em sua casa meses antes, também tinha curiosidade de saber o que passara na cabeça da menina ao presenciar toda aquela situação, mas nunca cogitara conversar com a mesma sobre o assunto.
Soltou um longo suspiro e puxou Jade para um abraço. a apertou em seus braços, sentindo um conforto preencher seu peito.
- Também gosto muito de você - ele sussurrou e, após beijar a cabeça dela, a soltou. - Vou ter que te pedir desculpa também, não queria ter batido no seu pai. Não se deve resolver nada com violência - falou, mesmo que, na verdade, achasse que Lukas não merecia apenas um soco, mas sim uma surra completa. Claro que ele jamais diria aquilo para uma criança, ainda mais sendo a filha do cara.
- Minha mãe falou que você era namorado dela - Jade revelou e um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
- Ela falou o quê? - questionou. Seus olhos arregalados denunciavam quão chocado ele estava.
- Não tem problema - a menina disse rapidamente ao notar o espanto do outro -, ela disse que ela e meu pai estavam separados e que ela gosta muito de você.
ainda absorvia a informação de que considerava o relacionamento deles um namoro - não que ele considerasse algo menos do que isso -, mas acabou por ser pego desprevenido mais uma vez.
- Ela gosta? - perguntou, surpreso por ter admitido para a filha que tinha sentimentos por ele.
- Sim, muitão! Eu perguntei se ela gosta de você mais do que de chocolate e ela disse que sim. Você acredita? - Jade falou com admiração expressa em seu tom de voz. Inocentemente, ela questionou: - Você também gosta da mamãe mais do que de chocolate?
quase se engasgou com a própria saliva. Ele não era de se abalar fácil, mas precisava admitir: uma criança de 6 anos estava o deixando verdadeiramente embaraçado.
- Gosto da sua mãe muito mais do que de chocolate - ele confessou e sorriu quando percebeu o rosto de Jade se iluminar de alegria.
- Então você pode ser namorado da mamãe de novo, né? - ela questionou, esperançosa.
Uma gargalhada escapou pela garganta do jogador.
- Não é bem assim, Jade.
- Por que não? Vocês se gostam mais do que gostam de chocolate. O que mais precisa para ficar junto? - a menina falou com obviedade.
Mas Jade não esperava por uma resposta; para ela, não tinha mais o que discutir. Saiu correndo na direção da arquibancada, deixando , por alguns segundos, encarando a grama verde, refletindo sobre as palavras da garota.
Ela estava certa. O que mais eles precisavam para ficarem juntos?
O jogador se pôs de pé e seguiu pelo mesmo caminho que Jade até estar próximo o bastante dos amigos.
- Tchau, pessoal. A gente se vê em Paris - ele falou e piscou um olho.
Antes de pegar a mão da filha e acompanhar os dois casais até a saída do campo de treinamento, sentiu o coração bater mais forte em sinal de ansiedade. Ela tinha certeza de que a piscada de havia sido para ela.

😜💙⚽

- Jade, já terminou de comer? - Yana questionou. Lambendo o resquício de sal dos dedos, proveniente das batatas fritas do McDonad’s, a garota confirmou com um aceno de cabeça. - Ótimo. Chegou a hora de nos separar.
Enquanto puxava os dedos da filha e os limpava com um guardanapo, franziu o cenho em confusão.
- Nos separar por quê?
- Os meninos vão para um lado e nós, meninas, para outro. Vamos fazer compras - a ruiva respondeu, levantando-se.
- Por que eles não podem ir junto? - a morena retrucou.
- Não dá ideia, - Nicolas falou, fazendo uma careta, e também se levantou. - Quando acabarem, é só mandar uma mensagem.
- Tchau, amor. Se comporta - Florence disse com uma autoridade exagerada, e beijou os lábios do namorado.
Após repetir o gesto com Vincent, Yana pegou Jade pela mão e saiu caminhando pela praça de alimentação seguida por e Florence. O grupo, depois de uma manhã de turismo por Paris, parou em um shopping para almoçar, e a ruiva jamais aceitaria ir embora do estabelecimento sem fazer umas comprinhas.
A primeira loja que entraram foi uma de roupas de festa; Yana analisava vestidos curtos e nada parecia a agradar, enquanto Florence dava opiniões e apenas olhava os vestidos sem muito interesse, já que não pretendia levar nada dali.
- , olha que lindo. Você devia experimentar esse vestido - Yana falou com um vestido vermelho em mãos. - Ele é justinho, vai realçar esse corpão que você tem.
Um olhar torto foi a reação mais simpática que conseguiu ter. Não que o vestido fosse feio - muito pelo contrário, era um dos vestidos mais bonitos que ela já tinha visto -, mas parecia espalhafatoso demais para ela. Além de bem justo, ele era em um tom de vermelho forte e vivo, uma peça de roupa que jamais pensaria que pudesse ficar bem em si mesma. Apesar disso, estava louca para experimentá-lo.
- Não sei, não… - ela disse, mordendo o lábio inferior.
- Vai ficar lindo em você, amiga - Florence disse, contribuindo para tentar fazer a outra mudar de ideia. Voltou-se para Jade, que observava a discussão das três com interesse. - O que você acha, Jade?
- Experimenta, mãe. Você vai ficar maravilhosa - ela disse, dando alguns pulinhos.
- Não tenho condição de comprar um vestido desse, meninas. Vocês sabem como minha situação financeira está apertada agora que voltei a morar de aluguel - explicou, cabisbaixa. Não queria ter que experimentar o vestido, se apaixonar, e ter que devolvê-lo de volta à arara.
- Será um presente nosso - Florence argumentou.
- Sim, a gente te dá de presente. Agora vá experimentar - Yana disse, jogando o vestido para a outra.
Sem saída, se viu tendo que caminhar em direção ao provador com o vestido vermelho em mãos. Ela torcia para que o vestido ficasse ridículo, pois não se sentia à vontade de ter outras pessoas gastando ou querendo gastar dinheiro com ela. Mas isso não aconteceu, é claro. O vestido ficara tão perfeito que parecia ter sido feito sob encomenda, além de deixá-la cheia de curvas. Ela se pegou imaginando o que acharia ao vê-la vestida daquele jeito.
- , você está maravilhosa! Dá uma voltinha - Yana pediu, fazendo rodar e mostrar toda sua elegância. - Pode tirar o vestido, vamos ao balcão pagar por essa belezinha.
, mesmo a contragosto, acabou deixando que as meninas pagassem pelo vestido e mandassem embrulhar para presente.
- Agora precisamos achar brincos e sapatos para você usar com esse vestido novo - Yana falou, rindo.
- Ei, eu não tenho dinheiro para essas coisas! - exclamou, tratando logo de cortar a animação das amigas.
Yana não deu sequer atenção à amiga, adentrou a primeira loja de sapatos que viu e começou a fazer a festa.

😜💙⚽

rolava de um lado para o outro na cama, não conseguia achar uma posição confortável o bastante para uma tranquila noite de sono. Ele estava agitado, sentia-se ansioso, e não era por ser véspera do jogo das oitavas de final da Euro 2016 e ter passado os últimos dias treinando intensamente com a seleção. Não era um jogador de se sentir nervoso com uma partida de futebol, pois se garantia dentro das quatro linhas, mas os planos que tinha para depois do jogo estavam o atormentando.
Ganhando ou perdendo, convidaria para um jantar. Sequer sabia se levava jeito para romantismos, já que nunca fora um cara de preparar surpresas para mulheres, mas ele já havia, inclusive, pedido a autorização da comissão técnica para não voltar junto com os outros jogadores para o centro de treinamento, só precisava que tudo saísse como o esperado. desejava se acertar com , queria mostrar que estava disposto a não desistir da história que eles começaram a construir juntos, e qual local seria mais perfeito para aquilo do que Paris?
Pegou o celular sobre o criado-mudo, no intuito de ver as horas, e rapidamente fechou os olhos quando a luz forte quase o deixou cego. Os reabriu para constatar que não passava das 23:30h e mal acreditou, pois tinha a sensação de estar rolando na cama horas a fio. Bufou ao constatar que a madrugada seria longa. Então, como passatempo, decidiu abrir seu perfil pessoal do Facebook, coisa que fazia uma vez na vida e outra na morte. Como de costume, se assustou ao ver a quantidade de notificações e solicitações de amizade e se pegou imaginando como os torcedores conseguiam encontrar aquele perfil, já que usava como sobrenome apenas a inicial , justamente para dificultar que o encontrassem. Eles eram ninjas ou o quê? Por alguns minutos, ficou conferindo as notificações, lendo os posts de incentivo que seus amigos e parentes o marcavam, até que, quando percebeu, estava de cara para o perfil de .
Mesmo que não entrasse ali há meses, notou que a foto de era nova, uma selfie com a filha, e se pegou imaginando se os filhos que poderia vir a ter com ela no futuro também teriam o sorriso igual ao dela, assim como Jade. Desejou que sim, que eles tivessem filhos juntos e que todos eles saíssem com aquele sorriso que o deixava encantado. Curioso, o jogador quis saber se tinha outras fotos recentes, mas se decepcionou ao ver que a seção de álbuns continuava vazia. Antes, ele não entendia por que mantinha os álbuns bloqueados; agora ele sabia que, provavelmente, era por ter uma centena de fotos com o ex-marido. Fez uma careta ao concluir isso.
ainda não tinha a mínima ideia do que estava fazendo ao abrir as mensagens, não sabia se ela já estaria dormindo àquela hora e muito menos o que falaria, mas decidiu arriscar.

: Oi.



Trois

A única luz que iluminava o quarto era a que saía da televisão muda, mas sequer prestava atenção no desenho animado que passava. Seus olhos estavam focados na filha, que dormia ao seu lado na cama de casal, enquanto mexia nos cabelos dela carinhosamente. Observar Jade sempre a fazia sentir-se tão bem, ela parecia um anjinho. O anjinho que veio ao mundo para dar um sentido maior para sua vida, mesmo que seu nascimento tivesse trazido também diversas complicações. Ela jamais conseguiria encarar aquela gravidez como um erro, jamais se arrependeria; aquela garotinha era seu bem mais precioso.
Quando sentiu o celular vibrar em cima de sua barriga, o pegou com a mão livre e desbloqueou o celular. A mensagem que viu a surpreendeu. Com certa dificuldade - já que era destra e digitar só com a mão esquerda era um desafio -, ela enviou uma resposta.

: Ué, voltou a usar esse Facebook? 👀

: Estava entediado… 😛

Ao perceber que a conversa se estenderia, ela desenterrou os dedos dos fios de cabelo de Jade e ajeitou-se na cama cuidadosamente, evitando acordar a menina, para que pudesse digitar a próxima mensagem.

: Por que não vai dormir? Pelo que sei, você tem um jogo amanhã.

: Bem que eu queria, mas não consigo dormir. 😢

: Como estão as coisas aí?

: Tudo ótimo. Passamos dois dias dando uma de turistas por Paris.

: E fazendo compras e mais compras, é claro. Yana praticamente renovou o guarda-roupa dela. 😂

riu fraco ao se lembrar da quantidade de sacolas que a amiga fizera Vincent carregar espraguejando.

: Isso é a cara da Yana mesmo. 😂😂😂

: E a Jade?

: Está bem também. No momento dormindo feito uma anjinha. 😊

Seus olhos instantaneamente foram parar na filha e um sorriso surgiu em seus lábios. Ela não podia negar que achava adorável a forma com que estava criando laços com Jade em tão pouco tempo.

: Você deve estar querendo dormir também e eu aqui te perturbando. Desculpa!

: Deixa de besteira, ! Você sabe que nunca durmo cedo assim.

: É verdade… haha

Para a decepção de , os dois acabaram ficando quietos por algum tempo. Podem ter sido apenas segundos, mas, para ela, pareceram minutos. Estava sentindo-se bem conversando com , parecia até mesmo que nada havia mudado entre eles.

: Posso te propor algo louco? 😜

encarou a tela, relendo a mensagem algumas vezes, ao mesmo tempo aliviada por ele não ter deixado o assunto morrer e também intrigada com aquela proposta.

: Depende… o quê?

: Eu queria dar uma volta por Paris, espairecer a mente. Desde que chegamos só saímos do hotel para ir treinar no estádio no final da tarde. Quer me fazer companhia?

Surpresa, a mulher nem notou que arregalou os olhos. Aquele convite era completamente inesperado.

: Você realmente perdeu o juízo! 😱 hahaha. Não posso deixar a Jade aqui sozinha.

: É só pedir para a Florence e o Nicolas ficarem com ela até você voltar.

: Não quero incomodar eles, .

: Vamos lá, ! Eles não vão se importar. Vai ser por uma horinha só.

: Eu mesmo mando uma mensagem para o Nico, se quiser.

suspirou ao perceber que não desistiria. Entretanto, ela também desejava fazer aquele passeio. Não pelo passeio em si, é claro, mas sim pela companhia. Apesar de um pouco apreensiva, decidiu arriscar.

: Não precisa, eu falo com a Florence.

A mulher logo procurou pela janela de conversa com sua melhor amiga e, sem pensar muito, digitou uma mensagem.

: Espero não estar atrapalhando nada aí, mas vocês poderiam ficar aqui com a Jade por um tempinho? me convidou para dar uma volta.

: Nem pergunte sobre isso. 🙈

Já se levantando para trocar de roupa, ela voltou para a janela da conversa com .

: Beleza. Te espero na porta do hotel em que vocês estão.

😜💙⚽

Após trancar a porta do quarto, caminhou pelo longo corredor e apertou o botão que chamava o elevador. Poucos segundos depois, o elevador chegou ao sétimo andar e o jogador levou um susto com a pessoa conhecida que saía de lá de dentro com uma xícara de chá na mão. Pelo visto, não era o único a estar com dificuldade para dormir.
- Aonde você vai? - questionou, encarando o amigo de cima a baixo.
Constatou que, pelas suas roupas, não estava indo apenas até o restaurante do hotel, como ele próprio havia acabado de fazer. Enquanto o goleiro vestia uma bermuda, camisa de mangas curtas e chinelo, estava de calça jeans, tênis e um moletom com capuz. Nem estava frio para aquela roupa toda.
- Dar uma volta - respondeu rápido, sem querer dar muitos detalhes, enquanto segurava a porta do elevador para o mesmo não ir embora.
- Isso tem a ver com a , não tem? - o goleiro perguntou, lançando um olhar desconfiado na direção do outro. - Não acredito que você vai passar a noite com ela na véspera de um jogo importantíssimo!
- Só vou dar uma volta, cara - repetiu, fazendo uma careta.
- , eu espero que você saiba muito bem o que está fazendo. Espero do fundo do meu coração. Você é a porra do capitão do time - disse em tom de crítica.
- Relaxa aí. No dia que eu fizer algo para prejudicar o time, você pode falar o que quiser - falou, olhando friamente para o amigo. - Por enquanto, baixa tua bola.
assistiu adentrar o elevador e ir embora, balançando a cabeça negativamente. Deu um gole em seu chá e desejou que realmente valesse aquilo tudo.
Por fim, seguiu para seu quarto.

😜💙⚽

- Não acredito que você está indo encontrar o a essa hora - Florence sussurrou ao adentrar o quarto seguida pelo namorado.
- Não é nada demais, o só quer dar uma voltinha e pediu que eu fizesse companhia - se defendeu, fazendo uma careta.
- Voltinha, sei… - Nicolas falou, cruzando os braços, fingindo uma desconfiança exagerada. - Olha lá, . Não vá aparecer aqui meio-dia e deixar na nossa mão a bomba de explicar para a Jade o que a mãe dela andou fazendo pelas madrugadas parisienses.
- Deixa de ser bobo, Nicolas - a morena disse, rindo, e deu um tapa estalado no braço do homem. - Estarei de volta em uma hora, eu prometo. Tchau para vocês.
saiu do quarto, mas, antes que fechasse a porta, escutou Florence chamá-la e colocou apenas a cabeça para dentro do aposento.
- , faça o que seu coração mandar.
Após alguns segundos encarando a melhor amiga, assentiu com a cabeça e, finalmente, fechou a porta. O conselho de Florence não teria tanto impacto assim, ela já estava fazendo o que seu coração estava mandando.
Ao pisar do lado de fora do hotel, sentiu o ventinho agradável bater em seu rosto e sorriu sozinha. Ela adorava o clima nem quente e nem frio das noites de verão. Olhou em volta, procurando por , já que o mesmo dissera que já estaria por ali esperando por ela, mas só encontrou desconhecidos andando pela rua. Por um segundo, preocupou-se. E se ele não tivesse conseguido permissão para sair do hotel àquela hora? Ou pior… E se ele tivesse desistido de ir encontrá-la?
Antes de concluir com qual das duas opções ficaria, sentiu o coração bater mais forte quando duas mãos cobriram seus olhos e deu um gritinho. A gargalhada que o seguiu não deixou dúvidas de quem estava ali atrás dela.
- Você quer me matar, seu doido? - ela disse em um volume de voz alto, enquanto tirava as mãos do jogador do rosto e se virava para encontrá-lo ainda rindo.
- Desculpa, não resisti em fazer uma chegada triunfal - ele brincou e se aproximou até grudar os lábios na bochecha da mulher.
sentiu as pernas bambearem, talvez pela quentura dos lábios do jogador, talvez pela demora do beijo; ou, talvez, pelas duas coisas.
- Vem, vamos conhecer Paris - disse e entrelaçou seus dedos aos de .
A morena não estranhou a naturalidade com que pegou sua mão, afinal, algo estava completamente diferente entre eles naquela noite.
- Passei dois dias inteiros badalando por aí, já conheço Paris. E você conhece ainda mais - ela acusou, pois sabia que deveria ter estado ali inúmeras vezes na época em que jogava no futebol francês, no clube da cidade de Lille.
- Mas não é a mesma coisa. Nunca andamos por Paris os dois juntos - se justificou, caminhando calmamente enquanto puxava pela rua movimentada demais para o horário.
- E qual é a diferença? - a mulher perguntou e riu anasaladamente, observando um grupo de pessoas que saía de um restaurante conversando alto.
- Qualquer coisa com você é diferente.
sequer havia pensado antes de proferir tais palavras, mas, ao perceber a sinceridade com que elas soaram, virou o pescoço para fitar . Sentindo as bochechas esquentarem, a morena sorriu timidamente e desviou os olhos dos de , que riu baixo.
Por alguns minutos, eles caminharam pelas ruas parisienses em silêncio, apenas apreciando a cidade e a presença um do outro. Quando chegaram em uma praça, tomou a iniciativa de se sentar em um banco e o acompanhou.
- Eu te convidei para esse passeio por um motivo - o jogador confessou, fazendo a mulher encará-lo, curiosa.
- Que motivo?
- Quero saber se você aceita jantar comigo amanhã depois do jogo - ele soltou de uma só vez, deixando sem palavras por algum tempo.
- Jantar? Onde? Por quê?
- É um encontro, . Por qual outro motivo você acha que um homem chamaria uma mulher para jantar? - ele debochou com divertimento na voz. - E o local é surpresa.
- Mas eu nem trouxe roupa para isso - a mulher disse, um tanto espantada por , com todas as letras, estar convidando-a para um encontro.
- Você não trouxe, mas comprou - acusou e riu quando recebeu mais um olhar surpreso. - Sim, eu pedi para Yana e Florence te levarem para comprar um vestido especialmente para o jantar.
- Não acredito que vocês estavam de complô pelas minhas costas! - exclamou, chocada. Estreitou os olhos ao continuar: - Espera aí. Você estava tão certo assim de que eu ia aceitar, é?
- Certeza eu nunca tive, mas esperança sim - o jogador respondeu, rindo. - Você aceita, né?
- Vou olhar na minha agenda - a morena respondeu, fingindo um tom esnobe.
Um sorriso malicioso brotou no rosto de e ele aproximou o rosto do ouvido de .
- Se quiser, posso te ajudar a tomar uma decisão - ele provocou em um sussurro, fazendo a mulher rir baixo conforme sentia um arrepio correr por todo o corpo.
Calma e delicadamente, puxou a cabeça de e uniu seus lábios aos dela. O beijo, que fora um mero selinho, durou por poucos segundos, mas segundos suficientes para ambos perceberem como sentiam falta do toque um do outro.
- Não ajudei o bastante ainda, né? - questionou com esperteza, roçando os lábios aos de .
No segundo seguinte, as bocas estavam unidas novamente e se entregando a um beijo sedento e repleto de desejo. aprofundou o beijo, puxando pela nunca e fazendo com que os lábios dela se pressionassem ainda mais aos seus. Enquanto se beijavam, ambos se perguntavam inconscientemente como haviam conseguido ficar tanto tempo sem aquilo. Como sempre acontecia quando o beijava, sentia-se totalmente entregue a . A propriedade com que a língua dele acariciava a sua própria a fazia sentir-se completamente inebriada e desejando mais. Muito mais.
Aos poucos, o beijo foi cessando, até que o jogador o rompeu completamente e se afastou com um sorriso encantador no rosto.
- Isso foi só uma amostra - brincou e passou a língua pelos lábios, ainda sentindo a pressão ocasionada pelo beijo.
- Você terá que pedir permissão à minha filha, - disse com uma falsa seriedade.
- Sem problemas, foi ela mesma quem sugeriu - o outro rebateu, dando de ombros.
- É o quê? - a mulher questionou em choque.
- Não exatamente. Ela disse que nós deveríamos voltar a namorar - disse e riu quando notou quão sem graça estava.
- Não acredito - ela falou, rindo. - Essa garotinha está me saindo pior do que a encomenda.
- Ela é sincera, assim que é bom. Disse também que você gosta de mim mais do que de chocolate - o jogador falou com divertimento expresso na voz, fazendo, mais uma vez, as bochechas de esquentarem.
- Estamos quites, então. Ela me disse o mesmo sobre você - ela rebateu, desafiadora, e o outro assentiu com a cabeça.
- É muito mais gostoso comer você do que comer chocolate - disse, despretensioso, e gargalhou ao receber um soquinho na coxa.
- Ela me contou, também, que te pediu desculpas - falou, ignorando a brincadeirinha depravada do outro.
- Totalmente sem necessidade, né? - disse, fazendo uma careta. - A Jade é uma fofa.
- Claro que é! Olha de quem ela é filha - a morena brincou, pondo as mãos na cintura, e riu junto ao jogador. - Ela gosta muito de você.
- Duas me amam, que difícil ser eu - brincou, se escorando no banco e pondo as mãos na nuca, fazendo gargalhar em resposta.
Os dois ficaram por ali mais um tempo, entre brincadeiras, até que decidiram fazer o caminho de volta até o hotel em que e os amigos estavam hospedados. Antes de seguir para o hotel em que a Seleção estava ali em Paris, os dois se beijaram mais uma vez. Um beijo de boa noite que fez ambos caírem no sono com um sorriso apaixonado no rosto.
É bem como dizem mesmo. Paris é a cidade da luz e do amor.

😜💙⚽

Quando um meio-campista do time adversário errou o passe na grande área, a Seleção recuperou a bola e saiu em velocidade para o ataque. Um dos pontos fortes daquele time era, justamente, o contra-ataque, pois era repleto de jogadores jovens e velozes. Eles não costumavam desperdiçar oportunidades como aquela. Quando a bola caiu nos pés do capitão , ele cortou pelo meio e, graças ao seu talento para driblar, não teve dificuldade para passar por dois jogadores do time adversário. Ajeitou a bola e, com o bico da chuteira, a chutou com força. Veloz e certeira, a bola atingiu o canto inferior direito do gol, não dando tempo para o goleiro defendê-la. A torcida da Seleção - que era maioria na arquibancada - explodiu, enchendo o estádio Parc des Princes de gritos de comemoração.
correu na direção da linha lateral e se jogou de joelhos, deslizando pela grama para festejar em frente à sua torcida. Antes que pudesse se levantar, sentiu seus companheiros se jogando sobre si, mas sequer se importou. A adrenalina precisava ser extravasada. Quando conseguiu se desvencilhar dos colegas, correu até o banco dos jogadores reservas e pulou em cima de .
- Que golaço, porra! Eu falei que você ia marcar hoje! - o reserva gritou, abraçando o amigo.
Em seguida, outros jogadores reservas, bem como a comissão técnica, foram também cumprimentar pelo gol. Antes de voltar para sua posição para a saída de bola, jogou um beijo na direção da parte da arquibancada onde ele sabia que estavam sua família e amigos, mesmo que não tivesse enxergado, de fato, nenhum deles.
No meio da torcida, ria de Vincent pulando como um doido com Jade no colo. Aquele já era o terceiro gol da partida e todos eles foram comemorados com o mesmo fervor, embora aquele tivesse sido ainda mais especial por ter sido marcado por . A morena tinha um sorriso imenso no rosto desde que colocou os pés para fora da cama pela manhã. Além da felicidade por tudo estar voltando aos eixos e ansiedade pelo encontro que teriam à noite, estava explodindo de orgulho. Era sempre maravilhoso ver marcando um gol belíssimo como aquele havia sido e comemorando como um garoto. O futebol era mesmo algo incrível.
Depois do gol do capitão, a Seleção marcou mais um gol e a partida terminou com um placar de 4x0. O jogo, de forma alguma, havia sido fácil, mas a equipe soube administrá-lo com eficácia e, depois do apito do árbitro soar pelo estádio, uma bela comemoração ali no campo era mais do que merecida. Os poucos jogadores que tinham filhos aproveitaram para buscar as crianças na arquibancada e levá-las para o campo, então , como já estava virando costume, acabou por chamar Jade. A menina, tendo aquele campo imenso à sua volta, corria como se não houvesse amanhã, fugindo de . Quando o jogador a alcançou e a pegou no colo, a levou até o gol para que eles cobrassem alguns pênaltis.
- Se lembra do que eu te ensinei, né? - questionou, pondo uma bola em frente à garota, que assentiu com a cabeça.
se posicionou no gol e esperou Jade bater o pênalti, deixando a bola passar e acertar a rede. Enquanto a menina pulava, comemorando, parte dos torcedores que estavam por perto também comemoravam junto.
Quando os dois voltaram para a arquibancada, sequer pensou antes de segurar o rosto de pelas bochechas e chocar seus lábios aos dela. Mesmo tendo sido pega de surpresa, a morena correspondeu ao beijo com a mesma paixão. Não se importou com as dezenas de pessoas no estádio que, provavelmente, estavam vendo a cena, ou as milhares que poderiam estar assistindo pela televisão. O beijo de era o único que conseguia a deixar assim, sem se importar com nada e com ninguém. Ela só queria beijá-lo.
- Será que o Nico e a Florence se importam de ficar com a Jade hoje de novo? - sussurrou contra os lábios de ao romper o beijo.
- E por que eles ficariam com minha filha de novo? - a mulher questionou com um sorriso de canto.
- Para você passar a noite comigo depois do nosso jantar - o jogador disse, descendo as mãos para a cintura de .
- Ah, é? Não lembro de você ter perguntado se eu quero passar a noite com você - debochou a outra.
- , você quer passar a noite comigo? - logo questionou. Com um sorriso travesso nos lábios, ele aproximou a boca do ouvido de para sussurrar: - Na minha cama.
A primeira reação de foi gargalhar.
- Por que eu deveria? - ela questionou, fingindo desinteresse.
- Vai valer a pena, te garanto - o outro rebateu e piscou um olho.
- Aceito com uma condição - disse com seriedade, fazendo a encarar com curiosidade. Porém, logo uma expressão divertida surgiu em seu rosto. - Você usar a minha cueca favorita.
- Então também tenho uma condição - falou e, mais uma vez, sussurrou no ouvido da morena: - Você usando nada.
riu sem graça, mordendo o lábio inferior, e selou os lábios aos de uma última vez antes de soltá-lo e deixá-lo cumprimentar as outras pessoas.

😜💙⚽

O reflexo do espelho mostrava uma mulher que parecia segura de si, que tinha um sorriso espontâneo nos lábios e exalava uma alegria contagiante; e era exatamente assim que se sentia ao analisar seu look de cima a baixo. Naquela noite, em especial, ela se sentia mais bonita do que de costume. Talvez fosse o vestido vermelho que acentuava suas curvas, ou a maquiagem bem elaborada que há tempos ela não fazia. Talvez fosse o fato de ela saber que estava no quarto ao lado também se arrumando para o jantar. Se arrumando para ela. se sentia quase uma adolescente ansiosa pelo encontro com o carinha bonito por quem suspirava, sentia borboletas no estômago e tudo.
Quando escutou três toques na porta, riu sozinha e balançou a cabeça, espantando os pensamentos. Caminhou ansiosamente sobre suas sandálias novas pelo enorme quarto do hotel em que a Seleção estivera hospedada até algumas horas antes e abriu a porta. Pensando que encontraria do outro lado, ela se surpreendeu ao se deparar com um homem que vestia camisa social branca, colete e gravata borboleta. Sua postura formal, com as mãos atrás do corpo, fizera ter a certeza de que se tratava de um garçom.
- Bonsoir, Mademoiselle - o rapaz falou em um sotaque francês carregado e elegante. - Me chamo Jean-Pierre. O Sr. solicitou que eu acompanhe a senhorita.
- Claro, tudo bem. Só um minutinho, por favor - logo tratou de dizer e, em seguida, foi até a cama pegar a bolsa de mão que combinava com as sandálias pretas.
Antes de deixar o quarto acompanhada de Jean-Pierre, foi até o espelho dar uma última checada no visual. Ajeitou os fios de cabelo soltos e levemente ondulados e respirou fundo. Estava pronta para uma noite inesquecível.
Quando adentrou o elevador e sentiu que, em vez de descer, a máquina subia, franziu o cenho em sinal de confusão e fitou a expressão tranquila no rosto do garçom. Sem questionamentos, a morena saiu do elevador e passou pela porta de vidro que Jean-Pierre abriu cavalheiramente para ela, logo descobrindo que estava no terraço do hotel.
- O Sr. estará aqui em um instante. Com licença.
pôde escutar as palavras do garçom e, em seguida, o som da porta se fechando, mas não se importou por não ter proferido uma resposta antes de estar sozinha no ambiente. Estava boquiaberta com a paisagem privilegiada que tinha dali do alto do hotel. O vento fresco batia em seu rosto conforme ela se aproximava do parapeito, bagunçando levemente seus fios de cabelo, como se estivesse dando boas-vindas a ela. Apoiando os cotovelos no parapeito, contemplou a cidade toda iluminada que proporcionava uma vista de tirar o fôlego. Ela conseguia enxergar a Torre Eiffel dali e um sorriso brotou em seu rosto ao notar que as luzes estavam acesas nas cores da bandeira da , homenageando a vitória de mais cedo.
foi puxada de volta à realidade quando o perfume cítrico tão conhecido adentrou suas narinas e dois braços abraçaram sua cintura por trás.
- Paris é tão linda - disse, sorrindo ao sentir repousar o queixo em seu ombro.
- Não mais do que você - o jogador rebateu em um tom galanteador, fazendo a mulher rir baixo.
se libertou do abraço apenas o suficiente para se virar, o que a permitiu percorrer os olhos por todo o corpo de . Ele vestia terno e uma gravata da mesma cor do vestido de , detalhe que a fez sorrir. Quando notou que também a observava de cima a baixo com luxúria estampada no olhar, ela mordeu o lábio inferior levemente e sentiu-se satisfeita.
- Você está muito gostosa, - disse e soltou uma gargalhada ao receber um tapa no braço como resposta. - Linda! Eu quis dizer que você está linda.
- Esse é nosso primeiro encontro oficial, cadê o romantismo? - ela questionou, pondo as mãos na cintura.
- É que você está tão maravilhosa que me deixou meio desnorteado - o jogador respondeu com um sorriso esperto. Em seguida, deu um puxão em , a fazendo gargalhar ao se chocar contra ele. - Prometo que vou tentar ser o cara mais romântico do mundo hoje.
Ela fechou os olhos ao sentir os lábios de tocarem a pele de seu pescoço com delicadeza, contrastando com as mãos dele, que apertavam sua cintura com força. O jogador beijava levemente a região, arrancando alguns suspiros de , e foi subindo até alcançar os lábios pintados com um batom avermelhado, onde depositou um beijo lento e doce.
- Vem, vamos jantar - falou, oferecendo a mão para a mulher.
A vista de Paris que o terraço oferecia havia chamado tanto a atenção de que ela sequer notara uma mesa posta para dois até aquele momento. Enquanto era guiada por na direção da mesa, ela encarou o sorriso presunçoso em seu rosto. O jogador não estava brincando ao dizer que seria romântico naquela noite, eles teriam um jantar à luz de velas tipicamente francês.
- O que vamos comer? - questionou, curiosa, notando que o garçom já estava a postos para servi-los com uma bandeja na mão. A comida, porém, estava escondida por uma tampa.
- É surpresa, mas você vai gostar - respondeu e piscou um olho, puxando uma das cadeiras para que se sentasse. Em seguida, acomodou-se na cadeira do lado oposto da mesa.
Prontamente, o garçom aproximou-se e tirou a tampa que cobria a bandeja, revelando duas tigelas.
- Soupe à l'oignon - ele disse, servindo o casal. - É uma sopa de cebola gratinada, uma das mais tradicionais entradas francesas. Bon appétit.
- Merci - o jogador disse e o garçom fez uma pequena reverência antes de se retirar. - O Jean é muito gente fina, me ajudou a escolher os pratos. Se algo for ruim, a culpa é dele.
A mulher riu levemente e levou uma colherada da sopa à boca.
- Bom, a entrada, pelo menos, está ótima - ela disse, sorrindo.
O jantar foi tranquilo; o casal, enquanto tinha uma conversa leve, se deliciou com o Timbale de Gnoccis à La Parisienne - prato francês que consiste em nhoque ao mornay, molho à base de farinha de trigo, leite e queijo ralado - e um vinho de primeira qualidade. De sobremesa, foram servidas Poires à Belle Hélêne, peras cozidas cobertas por calda de chocolate. Ambos sentiam-se completos desfrutando de boa comida francesa, da belíssima cidade de Paris e, principalmente, da presença um do outro.
Terminando de comer a sobremesa, o casal observava a Torre Eiffel, ainda iluminada nas cores da , em um silêncio extremamente confortável. estava um pouco pensativa, recordava tudo que vivera com desde que o reencontrou na casa de Nicolas. Era engraçado lembrar que, naquela noite, saíra de casa praticamente arrastada por Florence; e mais engraçado ainda era lembrar que, naquela noite, descobrira que era seu grande amor. A vida é realmente imprevisível.
- Depois de tudo, pensei que você nunca mais ia querer olhar na minha cara - falou, quebrando o silêncio, e soltou um longo suspiro.
a fitou com curiosidade, não esperava que ela retornasse àquele assunto que, para ele, já era página virada.
- Também achei isso - ele confessou e riu levemente. - Fiquei chateado por você não ter sido honesta comigo e me senti usado, mas com o tempo percebi que não cabia a mim te julgar e que você teve os seus motivos.
- O medo que eu tinha de estragar o que rolava entre a gente acabou me fazendo estragar tudo - murmurou e fez uma careta. Em seguida, esboçou um sorriso sincero. - Obrigada por me entender e por dar uma segunda chance para a gente.
O jogador retribuiu ao sorriso enquanto dava de ombros.
- A gente merece uma segunda chance, - falou e enfiou uma das mãos por dentro do paletó e, do bolso interno, tirou uma caixinha de veludo. Quando a abriu, o anel de ouro com uma pedra pequena e delicada que foi revelado fez arregalar os olhos, reação que não passou despercebida pelo jogador. - Minha vontade era de te fazer um pedido de casamento hoje, mas sei que você acabou de se divorciar e talvez seja muito cedo para isso, então isso é só um pedido de namoro.
A mulher estava cada vez mais chocada conforme absorvia as palavras de . Abriu a boca algumas vezes, para proferir uma resposta, mas estava difícil de encontrar as palavras corretas.
- - ela começou, piscando os olhos -, você mora em outro país e eu tenho uma filha. A Jade precisa de mim e...
- É sério isso, ? - a interrompeu, soltando um riso nervoso. - Você está tentando arranjar uma desculpa para não namorar comigo?
- Não é desculpa, é a realidade - respondeu e, antes de continuar, respirou fundo. - Só não quero que você crie expectativas que não vou conseguir cumprir, porque tenho uma filha para criar e ela vai estar sempre entre a gente.
- A Jade jamais seria um problema para mim - o outro prontamente falou, e foi o suficiente para baixar a guarda. - Tenho plena consciência de que vamos enfrentar algumas dificuldades, mas nada que estar ao seu lado não faça valer a pena. Eu te amo, . Desde muito antes de me dar conta disso.
Os corações de ambos batiam forte. Entre eles, eram raros os momentos em que os sentimentos eram expostos daquela forma. Mesmo que ambos tivessem a certeza de que o que viveram havia sido verdadeiro, abrir o jogo era sempre reconfortante.
- Eu aceito, - falou e sorriu docemente.
- É claro que aceita - ele rebateu em um tom de voz brincalhão com uma expressão tranquila no rosto, mas, por dentro, sentia-se aliviado.
pegou a mão direita de e, pelo dedo anelar dela, deslizou o anel, que se encaixou perfeitamente, como se aquele fosse o lugar certo para estar. E era exatamente assim que ambos se sentiam, como se, finalmente, tivessem voltado para o local ao qual pertenciam.
O casal deixou o terraço do hotel e seguiu para o quarto de aos beijos. A porta foi batida de qualquer jeito, já que as quatro mãos estavam ocupadas demais matando a saudade que tinham do corpo um do outro. Enquanto o homem conduzia um beijo profundo e agitado - exatamente da forma que ela mais gostava -, suas mãos subiam o vestido de até revelarem as coxas nem finas e nem grossas, as quais apertava sem pudor. Um calor subiu pelo corpo de ao sentir a rigidez do membro do jogador roçar em seu baixo ventre, a fazendo sentir-se ainda mais eufórica com todas aquelas sensações que não sentia há meses, mais precisamente desde a última vez que fizera amor com .
Antes que ela pudesse se dar conta, abriu o zíper do vestido e o puxou para baixo, assistindo o corpo de ser descoberto. A pele exposta era tão convidativa que, após empurrá-la na direção da cama, fazendo com que ela afundasse no colchão, enterrou a cabeça no pescoço de e explorou a região com beijos molhados. A mulher se contorcia, sentindo os lábios de descerem por seu corpo. Ele beijou a região quente e molhada entre as pernas dela, arrancando um gemido contido de , e, em seguida, puxou a calcinha dela em um só movimento com um sorriso travesso nos lábios.

😜💙⚽

sentia um nó na garganta e um aperto no peito. Apesar de ter disputado a Copa do Mundo dois anos antes, aquela era a primeira Euro que ele disputava, defendendo a camisa da seleção de seu país, e ser campeão europeu parecia ser um sonho mais possível do que ser campeão mundial. Entretanto, mais uma vez ele estava enfrentando a decepção de ser eliminado e vendo seu sonho de levantar uma taça ainda mais distante. Não soube por quanto tempo ficou ali parado no meio do campo, assistindo ao time adversário comemorar a classificação para a semifinal e digerindo o resultado do jogo que, no início, parecia mais favorável para a Seleção , mas que acabou por mudar completamente.
O abraço de lado de o despertou e o fez sentir-se menos sozinho ali, na imensidão do Stade Pierre-Mauroy, em Lille, o estádio onde debutou como jogador de futebol profissional, uma das memórias mais felizes de sua vida; agora, ironicamente, também servira de palco para uma de suas maiores decepções. Após consolar e ser consolado por seus companheiros de equipe, seguiu para a arquibancada, onde sabia que encontraria também o apoio de sua família e amigos. Ele sabia exatamente do que precisava para que aquela vontade de chorar cessasse. Bastou seus olhos pousarem no sorriso acolhedor de para que sentisse o nó na garganta afrouxar.
- Não fica assim, você vai ter outras oportunidades de ganhar títulos importantes com a seleção - falou, envolvendo em um abraço.
- Eu sei, mas isso é tão frustrante - o jogador murmurou com sua voz sendo abafada pelo pescoço da mulher.
- Derrotas também fazem parte do sucesso - ela falou ao mesmo tempo que acariciava a nuca de .
Ele suspirou e se afastou para encarar nos olhos.
- Você tem razão. A única coisa que posso fazer é continuar trabalhando, não adianta ficar chorando sobre o leite derramado - disse, sorrindo fraco.
- É isso aí. Agora você tem que descansar e aproveitar as férias para voltar com tudo para a próxima temporada.
- Quero te propor algo - ele falou, sendo encarado com atenção por . - Tenho uma viagem de duas semanas para Marbella agendada e queria que você e Jade fossem comigo.
sorriu, sentindo-se feliz diante da possibilidade de ter a companhia de por mais tempo, e fitou a filha, que estava no colo de Florence sendo consolada.
- A Jade não pode ir, combinei com o Lukas que ela passaria o restante das férias com ele - ela falou, fazendo uma careta.
- Mas você vai, né? - questionou, ansioso pela resposta.
- Já que você faz tanta questão… - a outra rebateu com divertimento.
Envolvendo as bochechas dela com as mãos, uniu seus lábios aos de , dando início a um beijo repleto de carinho e cumplicidade. Apesar da derrota, ele sentia-se extremamente feliz e esperançoso, não apenas em relação às suas conquistas como jogador de futebol, mas também à sua vida pessoal. Havia ido para a França em busca de um título europeu e estava indo embora com a mulher que amava.
Dessa vez, ele tinha certeza de que estava fazendo o certo.





Fim.



Nota da autora: Oi oi, pessoal! A pedidos (e porque estava agoniada com o final de Honesty, além de ter me apaixonado por esses personagens hahaha), resolvi escrever um reencontro pra esse casal. Eles mereciam, né? E não poderia ter um momento melhor do que a Euro. Espero que tenham gostado tanto quanto amei escrever. <3
A boa notícia é que a história não vai parar por aí! Estou planejando uma parte 3 e ela vai aparecer aqui pelo site em algum momento de 2017 (se tudo der certo, no primeiro semestre). Se quiser ficar por dentro das novidades, só entrar no grupo do Facebook. ;)
Beijos e até breve!





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Nota da Beta: Amo esse casal mais que tudo, e amo Babi mais ainda por ter feito uma parte 2 e agora ainda uma parte 3 💚 Mas segue o conselho da Beta aqui, faz uma long que é sucesso! hahaha
Parabéns por mais uma fic maravilhosa, Babi, vou sempre amar tudo que tu escreve e só agradeço por te ter como autora. E quero ver muitos comentários aqui embaixo das suas leitoras lindas porque tu está realmente merecendo. Até a próxima. Xx-A

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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