Última atualização: 19/09/2020

Prólogo

Well my sleeves may be green but my lipstick is red

Mamãe me abraçou uma última vez, contendo as lágrimas.

- Nos vemos nas próximas férias, querida.

- Até, mamãe. - Eu disse, retribuindo seu abraço.

Depois de dezessete anos vivendo com a minha mãe e recebendo algumas visitas do meu pai, ambos haviam decidido que eu ia me mudar para a Inglaterra para morar com ele, pois eles acreditavam que o novo diretor de Ilvermorny estava negligenciando a educação dos alunos, o que significava que não só iria mudar de casa e de continente, como também de escola, deixando tudo para trás.

- Vamos? - Meu pai estendeu a mão.

Olhei para trás pela última vez, respirei fundo e peguei a mão dele. Senti imediatamente o ar ser comprimido no meu corpo e tudo ficar preto. Quando parecia que eu não aguentaria mais um segundo, tudo voltou ao normal e estávamos em uma casa bonita, mas simples.

- Chegamos. - Meu pai anunciou, orgulhoso. - Venha, vou lhe mostrar seu quarto.

Subimos uma velha escada que levava a um corredor pequeno com duas portas. Eu ainda estava meio desnorteada por ter viajado para outro país e outro continente em poucos segundos.

- Esse aqui será seu quarto, embora seja temporário, já que logo você irá para a escola. Esse aqui é o meu. E aquela porta do fundo é o banheiro. - Ele falou apontando tudo, parecendo estar em uma mistura de nervosismo e animação. - Espero que seja suficiente.

- Vai servir, obrigada, pai. - Eu agradeci, meio formal, pela pouca intimidade que tinha com ele. Apesar de ele e minha mãe serem casados, por questões do trabalho dele, nós convivíamos apenas em alguns feriados e eu nunca havia estado na casa dele, mas, uma coisa que eu tinha aprendido era me adaptar.

Naquele momento, a campainha tocou, deixando-o tenso.

- Quem pode ser a essa hora? - Ele tentou falar, descontraído, mas parecia assustado.

Eu estava analisando a quarto, quando vi um brilho vermelho e um barulho forte vindo lá de baixo. Voltei correndo para olhar o que estava acontecendo e me arrependi na mesma hora. Meu pai estava estuporado no chão, enquanto seis adultos e um adolescente me encaravam.

- Pai! - Eu corri para ele, mas logo freei perante àqueles estranhos.

- Ora, ora, então é você que meu irmãozinho Alphard esteve escondendo esse tempo todo. - A mulher mais velha se aproximou, puxando uma mecha do meu cabelo para analisar, mas eu desviei. Ao contrário do que eu esperava, isso fez a mulher sorrir. - Certamente, tem o sangue dos Black.

- Quem são vocês? - Eu disse, completamente confusa e apavorada. Eu era inteligente o suficiente para saber que não tinha como duelar, seria uma batalha perdida. E não tinha a menor ideia do que aquelas pessoas queriam.

- Ora, somos sua família. - Um homem com idade próxima a da mulher e do meu pai se pronunciou. - Ah, que rude não nos apresentarmos! Meu nome é Cygnus Black. Essa - ele apontou para a mulher que falava antes. - é Walburga Black. Somos irmãos do seu pai, embora ele não pareça tão contente com isso quanto achávamos.

- Eu sou Regulus Black. Como vai, priminha? - O adolescente de cabelos escuros cacheados me cumprimentou com escárnio. - Essas são Belatriz e Narcisa, suas primas também – ele apontou para uma morena com um ar sádico e uma loira de nariz em pé. - e seus maridos, Rodolpho Lestrange e Lucio Malfoy. - Ele apontou para o homem moreno e o loiro, respectivamente.

- Eu creio que vocês estão enganados. - Eu me mantive firme e séria, embora parte de mim estivesse quase fazendo xixi nas calças. - Eu não conheço vocês e creio que nem nosso sobrenome é o mesmo. Sinto muito, mas é a casa errada.

- Ah, mas isso é apenas um erro de informação. - Cygnus falou. - Não é mesmo, Lynx Picquery? - Me sobressaltei ao ouvir meu nome todo. Nem meus amigos da escola tinham como saber disso. - Ou melhor dizendo, Black.

- Como sabem quem eu sou?

- Sabe, nem o seu nome do meio é por acaso. - A loira falou, me ignorando. - É tradição de família usarmos nomes de constelações. Nossa antiga e nobre família puro sangue sempre viu essa homenagem com bons olhos.

- E, como família, você deve confiar em nós. - Walburga sorriu para mim.

- E por que eu confiaria em pessoas que eu nem sequer conheço? - Eu falei, alarmada. Vamos, pai, eu pensava. Acorda. - Talvez confiança não seja a palavra certa para o caso.- A morena sádica disse, se aproximando do meu pai com a varinha na mão. - Sabe, por anos o seu papaizinho manteve você e sua mamãe escondidas. Não vejo o porquê.

- Por sorte, um contato americano vem me avisando sobre o segredo do seu pai nos últimos meses e descobrimos sobre você. E como uma boa família, ao descobrirmos da sua vinda, viemos recepcioná-la! - Cygnus comentou, em um falso entusiasmo.

- E agora você vai aprender a confiar na sua família. Por bem ou por mal. - Walburga comentou e aquilo me tirou do sério.

- Como vocês ousam pisar na casa de meu pai e nos ameaçar? Para uma família que se diz tão respeitável, não conseguem nem manter as boas maneiras. - Revidei, tentando me impor.

- Orgulhosa. É uma de nós. - Cygnus sorriu.

- Isso é mentira! - Rebati, perdendo o controle. Eu estava apavorada. Aquela gente era maluca e estava atrás de mim.

- Ah, queridinha! Não viemos te matar! - Walburga falou. - Apenas desacordamos Alphard para ele não querer complicar as coisas. Não, nós a queremos bem viva. Você é uma de nós! E vai servir o seu propósito.

- E se eu não quiser? - Rebati.

- Se não quiser, - Cygnus olhou para o lado, despreocupado. - digamos que o meu contato mora ao lado da Mansão Picquery. Que coincidência! Não é lá que sua mãe, a mestiçinha Annabeth Picquery, mora?

- E seu papai não parece muito bem, não é? - Belatriz disse, sorrindo como uma maluca.

Aquela família me tinham na mão. Eles sabiam disso. E eu também. Eles haviam vencido.

- Então, , se quer que os dois vivam, é melhor ouvir com muita atenção. - Walburga falou, se acomodando em uma poltrona, enquanto erguia os olhos malignos para mim. - Pronta para ouvir sua missão?


Capítulo 1

Estávamos em uma estação de trem em Londres, onde eu ia pegar o expresso para minha nova escola: Hogwarts. Eu estava extremamente nervosa. Eu não tinha amigos lá, não conhecia ninguém, já era uma velha intrusa, enquanto todos eram entrosados e, além disso, tinha uma missão nas minhas costas.

Depois que a família Black falou comigo, eles acordaram papai e o obliviaram, além de ameaçaram meus pais explicitamente caso eu contasse para qualquer um sobre o que eles haviam falado comigo. Por isso, tive que fingir extrema surpresa quando papai veio falar comigo antes de entrar no trem.

- , é melhor eu te contar uma coisa agora, para não se assustar depois. Eu te inscrevi em Hogwarts com o meu sobrenome, enquanto na sua antiga casa e escola você usava o da sua mãe por conta da influência da sua família por lá. Portanto, não se assuste quando te chamarem de Black. Esse também é seu nome. E não significa nada. - Ele se apressou em dizer, nervoso. - É só por questões burocráticas. E existem na escola duas pessoas com o mesmo sobrenome. - Ele disse, cada vez mais nervoso. - São seus primos, Sirius e Regulus Black. Regulus é um garoto confuso, mas acho que pode confiar em Sirius. Conte para ele que sou seu pai. Ele costumava gostar de mim. Talvez isso o ajude a te acolher.

Depois disso, ele me pediu várias desculpas pelo inconveniente, me abraçou e falou que me amava antes de eu partir.

Já dentro do trem, em uma cabine vazia, eu pensava em tudo o que ele falava. Pois é, eu já sabia que tinha dois primos. Um, eu conhecera pessoalmente duas semanas atrás enquanto ele agradavelmente invadia minha casa e, ainda mais gentil, dissera que ia ficar de olho em mim na escola para garantir que eu estava cumprindo minha missão. O segundo, Sirius Black, fazia parte da minha nada espontânea missão. Merda, eu nem sabia como ia fazer tudo aquilo.

- ... e aí nós pensamos: com a quantidade de água que essas crianças engolem, e se nós enchêssemos uma piscina inteira de pó de arroto? - A porta da cabine abriu. Um garoto de cabelos cheios e escuros com uma postura charmosa falava com o sotaque britânico carregado que agora todos possuíam, se jogando para dentro do vagão, sem nem me notar.

- Essa foi genial! Eu tive que comprar a ideia! - Um outro garoto de óculos se jogou no banco de frente para o amigo, ainda me ignorando. Bufei. Estavam mexendo com a garota errada, no meio do meu pior mau humor.

- Er, acho que já tá cheio.- Um garoto alto e pálido, com cabelos castanhos claros falou, parecendo meio culpado de ter invadido o lugar. Aquilo fez eu me acalmar um pouco. Só um pouco.

- Ora, então temos companhia! - O garoto de óculos falou, sorrindo para mim, como se não tivesse problema nenhum eles invadirem o meu vagão.

- Olá, tudo bem? Estranho não nos conhecermos. Eu lembraria de um rosto assim. - O moreno charmoso falou, sorrindo.

- Cheguei! Desculpa o atraso, eu tentei escolher bem qual sapo de chocolate eu ia querer. Sabe, isso muda tudo, porque a figurinha de cada um é diferente! - Um quarto garoto baixinho e gordinho com cabelos cor de palha disse, entrando na cabine. - Opa. - Ele disse se acuando e sussurrou nervoso para o amigo alto. - É pra gente sair?

Na mesma hora, um baque me atingiu. Eu havia visto uma foto daquele exato grupo semanas atrás.

Por acaso, minha missão começava exatamente em tentar conseguir a confiança daqueles garotos que haviam entrado na minha cabine. E percebi que sabia o nome de cada um.

Na verdade, o garoto piscando para mim era inclusive meu primo.

- Podem ficar. - Eu disse, lutando contra toda minha vontade de berrar até o ser humano mais próximo de mim estar a cinco metros de distância. - Prometo que não incomodo.

O garoto gorducho, que agora eu sabia ser Peter Pettigrew suspirou aliviado e se sentou para comer seus doces. O garoto alto entrou, ainda me observando, e se sentou na minha frente, logo pegando um livro para ler. Eu o reconheci como Remus Lupin.

- Sabia que íamos chegar a um acordo. - O garoto moreno, que agora eu reconhecia como Sirius Black, sorria abertamente para mim.

- Não conheço seu rosto. Eu achei que conhecia todos naquela escola. - O moreno de óculos, James Potter, retrucou.

- Isso, caro amigo, se deve a um caso especial de cegueira em que tudo que você vê se resume a Lily Evans. - Black retrucou, acertando-lhe uma bolinha encantada com um estilingue. Pera, da onde ele tirou um estilingue?

- Mas é verdade, não conheço você. Quem é você? - Pettigrew perguntou, acanhado, com sua voz fininha. Me controlei para ser educada.

- Meu nome é ... Picquery. - Decidi manter o novo sobrenome encoberto. Walburga havia me alertado que Sirius poderia reagir mal se descobrisse minha ligação com a família logo de cara. - E vocês?

- Eu sou Sirius Black. - Meu primo me cumprimentou, piscando.

- Não liga pra ele. Bateu a cabeça quando nasceu. Eu sou James Potter. - O garoto de cabelos arrepiados apertou minha mão, cordial.

- Eu sou Peter Pettigrew. - O garoto de cabelos cor de palha ia imitar os amigos, mas os dedos estavam enlambuzados e ele os recolheu, envergonhado.

- E eu sou Remus Lupin. - O garoto pálido e alto disse, lançando um rápido olhar gentil por cima dos livros, mas depois voltando a se perder neles. - Você é nova aqui? - Ele perguntou, sem tirar os olhos da leitura.

- Sim, eu vim de Ilvermorny, nos Estados Unidos, onde eu morava com minha mãe, mas eu vim para a casa do meu pai esse ano e me mudei para Hogwarts. Vou cursar o sétimo ano.

- Olha, você tem sotaque! - Pettigrew falou.

- Isso é óbvio, cabeça oca. - Black falou, revirando os olhos pro amigo. - Bom saber que estamos no mesmo ano. Você já chegou conhecendo as melhores companhias que pode ter.

- Já sabe em que casa você quer entrar? - Pettigrew perguntou.

- Bom, eu não conheço as casas de Hogwarts, mas na minha antiga escola eu era da casa Serpente Chifruda. - Comentei, casualmente. - É dita como a casa dos inteligentes.

- Talvez seja como a nossa Corvinal. Quem sabe você vá para lá. - Lupin comentou, agora parecendo atento e curioso com a conversa. Mas, quando olhou para mim, desviou os olhos para sua leitura novamente.

- Seria bom que você fosse da Grifinória. É a melhor casa. Mas sou suspeito de falar. - Potter comentou, rindo. Tinha um sorriso travesso e simpático.

- Olha, só espero que essa sua serpente seja diferente da serpente que representa a casa da nossa escola, a Sonserina. Não queira ir para lá. Aquilo é espaço apenas de bruxos malignos. - Black falou, carrancudo.

- Nem todos são ruins. Mas ultimamente parece que todos são praticamente Comensais da Morte. - Pettigrew estremeceu.

Franzi a testa, confusa.

- O que é isso?

Os amigos se entreolharam, sérios.

- São tempos difíceis por aqui. - Lupin começou a falar. - Bruxos das trevas estão se tornando mais fortes.

- Defendendo supremacia dos sangue puros, atacando trouxas e nascidos trouxas. Essa gente é cruel por conta de ideais estúpidos. - Sirius disse e parecia estar rosnando.

- Existe um bruxo poderoso das trevas que tá liderando tudo isso e seus seguidores são os Comensais da Morte. Praticamente, todos os sonserinos saem daqui já dentro do grupinho de seguidores malucos dele. - James completou.

O clima ficou bem pesado por um tempo. Que incrível. Então, além da minha mudança de continente, casa e escola, além de estar cumprindo uma missão sob ameaça, eu ainda estava em um país cuja guerra podia explodir a qualquer segundo. Cada segundo parecia cada vez mais animador.

- Essas coisas sérias me deixam de mau humor. Vamos falar de algo mais alegre. - Sirius disse, bocejando.

- É, conta pra gente da sua escola, . - James falou, retornando ao tom animado.

Ficamos conversando o resto do caminho, só Remus que saiu por um período para patrulhar os corredores porque ele era monitor chefe. Era meio parecido com os representantes de Ilvermorny. No fim, acabou que conversar com eles ajudou a me distrair das coisas ruins e eu já não fiquei tão emburrada.

Talvez aquela missão não fosse tão ruim. Eles pareciam um grupo engraçado e divertido. Se aproximar deles não parecia ruim e eu não tava dispensando amigos. Eu só tinha medo de causar algum mal a eles. Mas era melhor não ficar martelando isso. Por enquanto, só tinha que fazê-los confiar em mim.

Quando estávamos chegando, eu deixei eles na cabine e fui me trocar no banheiro do expresso. Já era noite quando chegamos à escola. Diferente de Ilvermorny que me lembrava um palácio de veraneio, Hogwarts me fazia sentir como se eu estivesse em um castelo da Idade Média, mas ele tinha sua beleza, especialmente com aquele céu estrelado refletido em um grande lago. Quando desci do expresso perto dos meninos, contemplei a beleza daquele lugar.

- Alunos novos, por aqui! - Eu ouvi uma voz grave dizer. O seu dono era um homem gigantesco que, se eu não soubesse que gigantes tem no mínimo 5 metros, ia achar que ele poderia ser um.

- Aquele é o Hagrid. - James apontou de uma maneira gentil para o homem grande. - Ele é nosso guarda caças.

- É melhor você ir com ele. - Remus pontuou.

- Te vemos lá dentro e espero que você seja da Grifinória! - Sirius disse acenando e assim todos os quatro entraram em uma carruagem que era puxada por nada visível.

Seguindo junto com os alunos do primeiro ano, me dirigi até aquele homem grandão.

- Hm... é, com licença, sr. Hagrid? - Tentei chamar educadamente.

O homem procurou quem o chamava e me encarou com olhos confusos.

- Boa noite, perdeu as carruagens?

- Na verdade, eu sou nova aqui. Transferida de Ilvermorny. - Eu falei apressadamente. - Meu nome é . Um monitor me falou que você poderia me levar.

- Ah, claro, claro! - Ele falou, me dando tapinhas nas costas, que eu acho que eram para ser gentis, mas quase me mandaram para dentro do lago. - Entre em algum barco. Quatro alunos por vez!

Eu me senti completamente desconfortável e levemente humilhada entre aqueles alunos pequenos. Alguns me olhavam com curiosidade, outros com admiração e alguns com zombaria. Para esses, eu levantei levemente minha varinha e olhei séria. Aquilo os fez ficarem quietos.

Quando finalmente desembarcamos, Hagrid nos deixou na porta que se abriu e revelou uma mulher de cabelos negros com a cara bem séria. O tipo de pessoa que eu logo vi que não se brinca.

- Aqui estão, professora McGonagall, os alunos do primeiro ano. Ah, e nossa transferida. - Ele apontou para mim, como se fosse necessário apontar pra única garota de 17 anos no meio das crianças de 11.

- Obrigada, Hagrid, agora eu cuido deles.

A professora nos conduziu escadas acima até pararem na frente de uma grande porta que abafava o barulho de várias pessoas conversando.

Ela fez um discurso de boas vindas e falou que ocorreria a seleção que nos dividiria nas quatro casas. Explicou rapidamente o que eram essas casas e seus nomes. Bem parecidas com Ilvermorny mesmo.

- Agora, façam fila e me sigam. - Ela anunciou no final do discurso.

As portas foram abertas, revelando um lindo salão encantado. O teto era com um grande céu estrelado, mas haviam velas penduradas. Quatro mesas compridas se estendiam na vertical e eu vi de longe quatro garotos na mesa vermelha que pareciam os meninos do trem. Na frente, uma mesa onde todos os professores e diretores estavam sentados. Hagrid estava lá também.

Mas então eu percebi. Cadê as estátuas que fazem a seleção?

A professora McGonagall colocou um banco simples de madeira na frente de todos com um chapéu muito velho em cima. E, de repente, o chapéu estava cantando. Era algo bem idiota sobre a criação de Hogwarts, os fundadores e que, para sermos selecionados, só precisávamos experimentar o chapéu que ele anunciaria nossa casa. Tão diferente de Ilvermorny, onde a estátua representante de cada casa se manifestava se queria o aluno na sua casa.

Quando todos terminaram de aplaudir a música do Chapéu Seletor, como ele tinha se autodenominado, a professora McGonagall falou, lendo um longo pergaminho:

- Quando eu chamar seus nomes, vocês porão o chapéu e se sentarão aqui para a seleção.

E nisso, ela começou a chamar todos os alunos em ordem alfabética, mas o meu nome nunca chegava. Então, depois que todos os alunos novos foram selecionados e só sobrava eu, no meio do salão, com todos os olhos me encarando, curiosos, a professora anunciou:

- Black, .

Se antes as pessoas estavam me encarando, agora estava tudo muito mais intenso. Especialmente os olhares das mesas vermelhas e verdes. Eu ignorei a todos e andei até o banco de cabeça erguida. Se quisessem me olhar, que vissem meu melhor ângulo.

Eu me sentei no banco de madeira e o chapéu foi colocado na minha cabeça, cobrindo toda a minha visão. Tudo estava preto e uma voz começou a falar na minha cabeça.

- Interessante. Corajosa, mas não se jogaria em qualquer batalha. É esperta. Inteligente e poderosa. Mente aberta. Mas uma grande vontade se provar. E não podemos esquecer que é mais uma Black. Ah, mas eu vejo que é mais do que isso. Criança, você não sabe o que você tem dentro de si.

O que isso queria dizer? Que saudade quando tudo era simplesmente um simples sinal de uma pedra entalhada. Aquilo tava me irritando.

- Não fique impaciente tão cedo! Pois bem, você tem um grande potencial e muito a descobrir. Eu já sei aonde você deve ser colocada.

Ele fez uma pausa dramática e agora, ao invés de falar apenas na minha cabeça, falou para todo o salão:

- SONSERINA!


Capítulo 2

A mesa explodiu em aplausos e eu fui para lá, meio receosa. Não era aquela casa que os garotos falaram que era ruim? Mas eu não era ruim. Era?


Olhei para a mesa verde e percebi que Regulus estava lá com sua gravata verde e um sorriso enviesado. Eu tava ferrada. Esse garoto agora ia poder me observar 24 horas por dia. Como se eu precisasse de mais algo.

Quando me sentei, o diretor Alvo Dumbledore, um dos bruxos mais famosos e poderosos da história, falou algumas palavras esquisitas e falou para o jantar começar. Definitivamente, não era o que eu esperava do grande vencedor do duelo mais famoso do século, mas, na mesma hora, a mesa se encheu de comidas quentinhas e frescas. Nossa, eu nem percebi que estava morrendo de fome até aquele momento.

- Ei, Black. - Uma garota na minha frente falou. - Black! - Ela repetiu e eu finalmente entendi que era comigo.

- Ah! Eu?

- É, ne? Quem mais? - A garota revirou os olhos. - Então, você é parente do Regulus e do Sirius?

- Bom, acho que sim! - Eu disse, engolindo os bolinhos de carne. - Ouvi falar que eles são meus primos, mas só descobri hoje. Só conheço minha família americana e sempre respondi pelo meu sobrenome americano.

- Que doido chegar em um lugar sem nem conhecer ninguém sendo que algumas dessas pessoas são até da sua família. - Ela disse, jogando o cabelo que estava preso em um elaborado penteado para trás e pegando mais suco de abóbora.

- É. E você, qual seu nome? - Perguntei.

- Sou Snyde. Reydana Snyde. Mas pode me chamar de Rey. - Ela disse, estendendo a mão.

- Pode me chamar de ou , como você preferir. - Eu respondi, sorrindo. Rey não parecia ser ruim nem nada daquilo que os meninos falaram. Pelo contrário, ela parecia legal. E era estilosa.

- Adorei o seu cabelo e suas pulseiras.

- Ah, valeu. - Ela disse automaticamente passando as mãos no cabelo e ajeitando o penteado complicado. - Então, você veio dos Estados Unidos? Em que ano você vai estudar?

- Eu era de Ilvermorny e vou fazer meu último ano aqui em Hogwarts. - Respondi e percebi assombrada que o jantar magnífico foi substituído por sobremesas mais magníficas ainda.

- Então vamos ser colegas de quarto. - Ela disse com um sorriso pequeno, mas sincero. - Se você quiser, eu te ensino a fazer alguns penteados assim.

- Eu amaria! - Respondi animada.

- Ei, Rosier! - Rey chamou e um garoto e uma garota olharam. - Essa é a . A outra Black.

- E aí. - A garota de cabelos loiros e olhos verdes com um rosto enviesado falou, antes de se voltar de novo para a garota do seu lado.

- Tudo bem? - O garoto falou, mais simpático. Tinha traços muito bonitos, mas, diferente da outra, tinha um rosto mais gentil. - Eu sou Evan e aquela é minha irmã, Martha.

- Prazer. - Eu sorri para eles.

- Aquela conversando com Martha é Layla Greengrass. Elas também são do nosso ano, então elas tão no nosso dormitório. Layla é a monitoria chefe e aquele ali - ela apontou para um garoto de cabelos pretos até o ombro e oleosos - é o Severo Snape, o outro monitor chefe. Do lado dele - ele apontou para um garoto de sobrancelhas grossas - é o Jake Wilkes, também do nosso ano e bem amigo do Rosier.

- Quem você fala mais? - Perguntei, mordendo um pedaço de uma torta de limão. Cara, aquilo tava uma delícia.

- Normalmente, falo mais com o Rosier e às vezes o Wilkes. Layla também é gente boa, mas vive grudada com Martha e a gente não se bate muito. A gente só se ignora. - Rey disse, como se isso fosse super normal. - Você vai adorar nosso salão comunal. Ele é embaixo d'água.

- Que irado! - Eu falei, tentando parecer animada.

Ela me analisou.

- Você não sabe o que é um salão comunal, né?

- Não. - Eu admiti.

Por fim, ela me explicou sobre as aulas, as casas, o quadribol, os salões, os exames (NOMs e NIEMs) e várias outras coisas da escola. Muitas coisas eram parecidas e outras bem diferentes. Como Ilvermorny tinha sido criada por imigrantes bruxos, fazia sentido ter tido tantas inspirações.

Ela estava terminando de me contar sobre a rivalidade da Grifinória e da Sonserina (que era milenar! Briga entre fundadores? Hogwarts tinha. Enquanto isso, em Ilvermorny, os fundadores eram uma família feliz. Bem menos drama), quando o diretor Dumbledore se levantou e começou a discursar.

- Agora que estamos de barriga cheia e mais bem humorados, gostaria de dar algumas palavrinhas.

- Ele é tão engraçado! - Eu sussurrei para Rey. - Não imaginava o maior bruxo do último século assim.

- Ele é um louco. Um velho caduco e chato. Mas é um gênio. - Rey murmurou de volta.

- Primeiro, para avisar aos alunos novos e relembrar os antigos, é proibido andar na floresta da propriedade.

- Qualquer um que vá é louco, não se sabe tudo que existe naquela floresta. - Minha nova amiga falou baixo para ninguém em especial.

- O nosso zelador Argo Filch - o diretor continuou - pediu para lembrar que é proibido fazer magia nos corredores. A lista atualizada de produtos mágicos proibidos estará pendurada perto da sala do sr. Filch. É proibido andar pelos corredores depois do toque de recolher. Mas falemos de coisas boas. Os testes para o time de quadribol começarão daqui há duas semanas, quando seus capitães marcarem. Agora, vamos dormir! Alunos novos, fiquem perto de seus monitores!

Rey fez um gesto com a cabeça me chamando para segui-la e eu levantei da mesa. Admito que segui ela igual a um cachorrinho perdido, mas fingi que estava super bem resolvida.

Enquanto saíamos, eu vi do outro extremo do salão um grupo de quatro alunos vindo em nossa direção e me encarando. Eu imaginei que eles estivessem confusos e irritados. Peter tinha uma expressão intrigada, James tinha as sobrancelhas franzidas, Remus me olhava como uma questão particularmente difícil e confusa de uma prova. Não preciso dizer que Sirius estava furioso. Olhei para cada um e segui minha amiga. Já era muito tarde para explicações.

Seguindo o corredor, eu percebi que muitos ainda tinham olhos fixos em mim.

- Reydana, é impressão minha ou estão realmente me encarando?

- O que você esperava? Você é uma estrangeira novata com o nome Black e bem atraente. - Ela disse completamente direta e indiferente, como se estivesse falando do clima.

- Então eles tão interessados em mim? Eu ri com a ideia.

- Não duvido nem um pouco. Esse bando de bombas de hormônios... Evan tava quase te engolindo com os olhos.

- Acho que eu devia aproveitar a oportunidade. - Eu disse e ela levantou uma sobrancelha, rindo. - Quer dizer, a não ser que já tenha território marcado por você.

Ela deu uma gargalhada completamente sarcástica.

- Acredite, a última coisa que eu quero é me envolver com alguém minha vida toda. Beijos são nojentos e amor é uma fraqueza.

- Então sobra mais pra mim. - Eu disse, olhando para um garoto que me encarava por alguns segundos e abrindo um sorriso lento. Ele ficou vermelho como um pimentão. Eu não me aguentei de rir.- Você viu aquilo? Ah, cara, vou me divertir muito aqui.

Nós caminhamos até o subsolo e chegamos nas masmorras.

- Ei, Snape, qual a senha? - Reydana falou completamente seca.

- Serpensortia. - O garoto de cabelos pretos sebosos respondeu no mesmo tom sem nem olhar pra ela. Nesse momento, uma sala se revelou.

Era muito bonita. A luz mais escura não doía os olhos e a visão do que estava submerso no lago era fascinante. Até as chamas verdes da lareira eram hipnotizantes.

- Vamos, vou te mostrar seu dormitório. Já devem ter colocado a cama extra pra você. - Rey me guiou para um corredor na direita. - Aqui são os dormitórios femininos. E aqui é o nosso. - Ela disse abrindo uma porta.

Quatro camas de dossel com cortinas e cobertas verde e prata se estendiam com o malão de cada uma demarcando as camas. Nós havíamos chegado primeiro e trocamos o malão de Layla com o meu para minha cama ficar do lado da de Rey.

- Elas não vão reclamar. Tão sempre juntas. E se reclamarem, estou o verão todo querendo treinar novos feitiços agora que sou maior de idade. - Rey disse, simplesmente.

Nos ajeitamos para dormir e pouco depois as outras garotas chegaram. Basicamente, ficamos a noite inteira em conversas paralelas, até Layla e Martha deitarem e nos ameaçarem se não calássemos a boca. Rey revirou os olhos e parecia prestes a falar ainda mais, contudo, eu já estava cansada mesmo. E não queria mais problemas do que a simples existência do Regulus o tempo todo perto de mim já iria trazer.

No dia seguinte, acordei bem mais cedo do que eu queria. Tive um sonho confuso em que minha mãe aparecia na escola com aquelas malditas Walburga e Belatriz, enquanto Regulus dizia de fundo “quem mandou você afastá-los?”. Mesmo assim, acho que até alguns pesadelos eram melhores do que acordar cedo para assistir aulas e talvez encontrar um dos personagens do pesadelo tão cedo. Isso se os quatro grifinórios não viessem me pedir satisfação.

A única coisa que me convenceu a levantar é que se o jantar já estava delicioso, o café da manhã, que era minha refeição preferida, teria comidas ainda mais maravilhosas.

Quase valeu a pena acordar cedo quando, já no Salão Principal, eu sentava com Rey e devorava deliciosas panquecas. Ah, eu ia acabar com minha saúde nessa escola.

Quando terminei de comer, eu decidi passar meu batom vermelho antes de ir para a aula. Na mesma hora, vários garotos me encararam.

- Ah, isso é tão divertido. - Eu disse, rindo para Rey.

- Essa cor é muito Grifinória. Por que não usa um roxo ou preto? - Ela respondeu, simplesmente.

- Porque, infelizmente, vermelho é minha cor.

Ela me analisou.

- É verdade. Combina com sua pele clara e seus cabelos e olhos escuros. E se quer mesmo ter efeito, deixa a gravata meio solta e abre os dois primeiros botões. - Ela disse, me ajeitando. - Coloca a blusa pra dentro da saia.

- Certeza? - Eu perguntei, agora meio insegura. Era só uma brincadeira.

- Quem você disse que era extremamente estilosa? Tá duvidando agora?

- Tá bom, Snyde! Você venceu. - Eu peguei as minhas coisas e levantei da mesa. Na mesma hora, olhares para todas as partes do meu corpo me seguiam. - Caramba, garota, você é boa!

- Claro que eu sou. - Ela disse, dando de ombro.

- Senhorita Black? - Ouvi uma voz me chamar.

Era o professor Horácio Slughorn. Era o diretor da Sonserina. Ai, meu Deus. Será que eu já tinha feito algo errado? Quebrei algum código de vestimenta?

- Olá, professor Slughorn. Algum problema? - Falei nervosa.

- Ho-hô! Não mesmo! Vim apenas te entregar seu horário. Baseado nos exames do seu país e das matérias que você assistia, acho que essas vão ser suas aulas. – Ele disse me entregando um papel.

- Ah, muito obrigada, professor!

- Não há de quê! Mal espero para te ver nas aulas de Poções. - Ele me deu dois tapinhas no ombro e saiu.

- É claro que ele tá interessado em você. - Rey falou. - É uma Black intercambista que ninguém conhecia. Ele vai querer saber da sua família toda e talvez te colocar no Clube do Slugue.

- Que isso?

- Algo muito estranho pra ser descrito por palavras. - Ela disse com uma cara de nojo.

- Então, é ruim? - Eu perguntei, nervosa.

- Depende. Tem gente que mal espera pra entrar. Mas acho que artistas como eu não são tão bons pra entrar num grupo como esse apenas para os melhores e mais talentosos.

Ali estava. Um pouco de rancor por não ter sido convidada.

- Qual sua primeira aula? - Ela disse, arrancando o papel da minha mão. - Ah, é Herbologia. Eu também. Bora lá.

Ela me guiou até as estufas e assim meu dia foi preenchido por várias aulas, algumas matérias mais conhecidas que outras. Foi muito legal conhecer os professores e até outros alunos. E, admito, eu estava me saindo muito bem e isso me deixava muito feliz. Nada me deixava melhor do que eu ser boa em algo e ganhar destaque. Não tem nada errado em uma garota alimentar um pouco seu ego, né? Mas eu descobri que tinha concorrentes à altura.

No final da última aula do dia, Transfiguração, eu percebi pelo olhar dos meus quatro acompanhantes do Expresso que eu não ia conseguir fugir daquele interrogatório. Por isso, no final da aula, eu virei para Rey e disse:

- Já aprendi o caminho pro Salão. Vai na frente e guarda lugar pra gente. Tenho só que resolver umas coisas.

Ela olhou para os quatro garotos que nos encaravam e depois pra mim, por fim dando de ombros, saindo da sala.

Eu fingi estar organizando minha mochila e ouvi aqueles passos se aproximando de mim.

- Então, olha quem tá aqui. - Eu ouvi a voz de Sirius, cheia de raiva. Eu continuei arrumando minha mochila, mas quando eu percebi que eles não falariam nada até eu encará-los, eu levantei, jogando o cabelo para trás.

- Até que vocês demoraram. - Eu disse, num sorriso discreto que eles confundiram com sarcasmo.

- Chega de piadas, sua mentirosa. - Sirius disse ainda mais irritado. - Que palhaçada de história é essa que você tá se passando por uma Black?

Capítulo 03

Suspirei, colocando a mão na cintura.
— Eu vou ser bem honesta com vocês. — Os quatro pares de olhos me encaravam, carrancudos. — Eu descobri ontem sobre isso do meu nome também. — Mentira. — Sempre usei o sobrenome da minha mãe, que foi o que disse pra vocês...
— Com licença. — A professora McGonagall chamou, sem paciência. — Existem dezenas de espaços nesse castelo para conversinhas, mas essa sala precisa ser trancada.
— Ah, certo, professora. — Lupin disse, nervoso.
— Já estamos saindo. — Potter acrescentou.
— Foi mal, professora! — Eu disse, acenando um tchauzinho.
Já havíamos saído da sala, quando Black agarrou meu braço.
— Que porr...
— Nem pense em sair. Você não vai a lugar nenhum. — Ele disse, me interrompendo.
— E quem disse que eu ia?! — Protestei, tentando soltar meu braço, mas ele continuou preso.
— Sirius, larga ela. — Remus colocou.
— É, cara, pode machucar. — Pettigrew falou, assustado como se fosse ele na situação.
— Me solta. — Eu murmurei. Caceta, que garoto forte. — Eu quero falar com vocês.
Black me encarou profundamente, com ódio nos olhos, mas depois olhou os amigos e se acalmou um pouco. Por fim, ele me soltou. Aquilo ia deixar marca, certeza.
— É melhor continuar falando, Antes que eu mude de ideia.
Suspirei. Esse garoto tinha muitos problemas. Mas eu tinha que conquistar a confiança dele e dos amigos, então, continuei.
— No dia do embarque, meu pai me chamou em um canto e me disse que eu estava inscrita com o sobrenome dele. Um sobrenome que eu nem conhecia. E ainda me disse que eu tinha dois primos na escola. Regulus, que ele disse ser complicado. E você.
— Então, você já sabia na cabine, mas não falou nada. — James constatou.
— Eu tinha acabado de descobrir. E meu pai falou que você não era muito fã da família. – Eu falei, olhando para Sirius. — Eu sou nova, de outro continente, chegando em um lugar onde todos já se conhecem e ainda descubro que tenho outra família não muito amigável. Vocês foram minha primeira chance de amizade, não queria perdê-la por um sobrenome que eu nem sinto que é meu.
Peter, Remus e James me olhavam de forma mais simpática. Mas Sirius ainda me encarava feio.
— Então, seu pai me conhece e conhece meu — Ele disse, sarcástico, o sotaque britânico gritante. — E disse que somos primos. Quem é seu pai?
— Alphard. — Eu falei, simplesmente, mas vi o choque em seu olhar.
— O quê?! Tio Alphard... tem ?
— Eu diria só filha, a não ser que eu também tenha irmãos e não saiba. — Eu disse, confusa. — Não seria a maior surpresa da semana.
— Então, ele te escondeu da família esse tempo todo. Esperto... — Sirius disse, com raiva.
— E Regulus? Como reagiu? — Remus perguntou, curioso.
— Ele não veio falar comigo, só me olha feio de longe. Parece meio maluco.
— Ele com certeza é. — James revirou os olhos.
— Olha, não importa suas desculpas. Você mentiu. — Sirius disse, a raiva voltando aos olhos. — E ainda foi pra Sonserina, então coisa boa em você não tem.
— Pera lá. — Eu disse, irritada.— Você tá me julgando sem me conhecer só pela minha casa. E um monte de gente de lá foi simpática comigo.
— Claro que foram simpáticos com você, você é da casa deles. — James falou.
— Eles só tratam bem os seus iguais. — Sirius confirmou.
— Ué, e você não tá assumindo coisas ruins sobre mim só por ser da Sonserina? Não tá sendo rude? Mas os seus você trata com respeito. Acho que isso não é exclusivo da minha casa, é?
. — Lupin exclamou.
— Cala a boca, Remus. Tá do lado de quem? — Sirius disse, emburrado. O amigo só abriu um sorrisinho e revirou os olhos.
— Olha, eu sei que eu menti, mas eu já expliquei o porquê e disse tudo o que podia. Falei a verdade.
— E por que a gente deveria acreditar se você já mentiu antes? — Pettigrew falou. Ai, achei que ele seria o mais bobinho, mas aquela doeu.
— Eu não sei. — Admiti. — Mas já respondi vocês. Cabe a vocês acreditarem ou não.
Naquele momento, meu braço ardeu onde Sirius havia apertado e eu instintivamente o segurei com a outra mão. O movimento não passou despercebido pelo garoto.
— Eu... me desculpa. Preciso... preciso pensar. — Black disse e seguiu o corredor em direção às escadas.
— Você não parece má gente, . Espero que não seja. — Potter falou, sorrindo, antes de correr atrás do amigo.
— Desculpa o jeito que falamos com você. Er... tchau! — Pettigrew saiu, como um rato apavorado, atrás dos outros.
— É melhor dar uma olhada nesse braço. — Lupin, o último que tinha ficado, constatou.
— Não é nada demais, já passa.
— Por experiência própria, machucados que deixamos de lado são muito piores depois de cuidar.
— Ainda acho desnecessário, mas obrigada pela preocupação. É parte do trabalho de monitor ou você é assim? — Eu o provoquei, sorrindo.
— Acho que tá mais pra parte de um pedido de desculpas. — Ele deu de ombros. — Não se chateie com o Sirius. Ele foi um babaca. Mas não é assim sempre. Família é algo delicado pra ele. E sei que ele se arrepende te ter te machucado.
— Você é um bom amigo ao falar isso, mas quem precisa se tocar disso é ele. Bom, acho melhor você encontrar seu grupinho. Tenho a impressão que vocês estão sempre grudados.
— É, bom, os marotos gostam de andar juntos. Tchau, . — Ele se despediu gentil antes de seguir o mesmo caminho dos seus amigos.
Marotos? Que nome ridículo, eu pensei, rindo. Mas, por algum motivo, eu senti que combinava com eles.
Com todos longe, respirei fundo. Cara, aquilo tinha sido muito mais intenso do que eu pensei. Meu braço ainda ardia e meu coração batia acelerado no meu peito. Eu sentia minha missão escorregar para longe do meu alcance. Eu tinha que fazê-los gostarem de mim. Mas, droga, como eu ia fazer aquilo com eles cheios de desconfiança?
Eu sentia saudades da minha antiga escola. O jeito que todos eram unidos. Claro, tínhamos nossas competições e rixas, mas nada nesse nível. Sentia falta de estar em um lugar que eu conhecia. No conforto de casa. Sentia falta da minha mãe.
E eu sentia falta de não ver a vida de meus pais ameaçada.
Respirei fundo e decidir ir para o Salão Principal jantar. Meu estômago roncava, mesmo ainda um pouco embrulhado de nervosismo, e nada melhor para afastar as preocupações do que comer.
Mas, logo na entrada, eu já encontrei alguém capaz de arruinar o meu humor.
— Ora, ora, se não é minha priminha estrangeira. — Regulus disse sorrindo e eu revirei os olhos.
— Olha, se não tá claro, eu estou morrendo de fome, não tenho tempo para uma reunião de família. — Eu bufei, começando a me afastar. Eu sempre quis primos, mas, pensando bem, antes eu estava muito melhor sem eles.
— Olha aqui você, sua vadia. – Ele disse, agarrando meu braço machucado. Não pude evitar gemer de dor. Ele se aproximou e começou a sussurrar. — É melhor você lembrar a sua posição aqui. Então respeite quem pode mudar sua vida em apenas um segundo. Sou eu quem pode dizer que você tá se esforçando na sua missão e deixar seu papaizinho salvo. Ou... — Ele segurou meu braço ainda mais forte, me fazendo gritar de dor. — Sou eu que posso dizer que você tá falhando e aí sua mamãezinha sofre em nossas mãos.
Antes que eu pudesse reagir de raiva, ele já tinha sumido na massa de alunos. Ninguém o viu me ameaçando. E mesmo que visse, o que poderiam fazer?
Entrei no salão, dividida entre o ódio e a dor. Reydana me encarou e ergueu uma sobrancelha enquanto eu sentava.
— Parece ter sido uma conversa bem agradável. — Ela disse, botando mais ensopado no prato.
— Esses garotos me estressam. — Bufei.
Aos poucos, fui me acalmando com a comida e fiquei mais feliz vendo que tinha torta de limão no jantar. Eu e Rey conversamos um pouco sobre o primeiro dia para distrair, até que ela olhou minha cara com aquela expressão de quem consegue ler a alma dos outros.
— O que tá te preocupando?
Fiquei assustada, mas tentei tirar o assunto de foco.
— Eu? Nada. Qual a aula de amanhã?
— Você tá sim. Parece... frustrada. Como se algo tivesse dado errado.
— É que... sinto saudades de casa.
— Verdade. Mas não é isso que tá na sua cabeça.
— Reydana, você já pensou em ser vidente? — Minha amiga continuava me encarando e eu percebi que ela não me daria trégua. — Tá bom, é que... algo que eu queria muito que acontecesse não aconteceu.
— E tem a ver com o grupinho irritante da Grifinória? — Não contive o susto e arregalei os olhos. — Foi o que pensei. O que você quer com eles?
— Eu... — Droga, ela ia perceber que eu estava mentindo. Eu tinha que falar a verdade. Só que omitida. — Eu queria muito me aproximar deles.
— Hm. — Ela disse, provavelmente percebendo a sinceridade. — E por quê?
— Assunto meu. — Eu repliquei. Gostava de Rey, mas ainda éramos recém conhecidas. Uma garota precisa da sua privacidade, sabe?
— Então tá. — Rendaya disse, mas os olhos apertados. Duvidando de mim.
Ela ia ficar curiosa e ia acabar investigando. E descobrindo tudo.
Não. Eu precisava dar um motivo convincente pra que ela se contentasse. Mas qual seria um motivo justo e suficiente para uma adolescente fazer isso?
Lembrei dos olhares gentis do garoto que ficou para trás para checar se eu estava bem e minha respiração acelerou de leve, constrangida. Ali estava um bom motivo para uma garota adolescente fazer qualquer coisa: um garoto.
— Promete que não vai contar pra ninguém?
— Prometo.
Ela me olhou e, embora tentasse fingir sua indiferença de sempre, eu conseguia perceber que ela estava ávida para descobrir tudo.
— Ok. — Eu suspirei e deixei meu nervosismo aflorar. Aquilo tinha que soar real. — Bom, eu sei que eles são da Grifinória, mas... — Mordi o lábio, segurando uma risadinha. — Eles também são Reydana soltou uma risada.
— Claro que tinha que ser sobre esse seu joguinho de conquistas. E o truque do batom vermelho não funcionou com eles?
— Infelizmente, não. — Suspirei. — Acho que vou ter que conseguir ser amiga deles primeiro. Só que eles me odeiam só por eu ser da Sonserina. Coisa daqueles caras da morte, não lembro.
— Comensais da Morte. — Rey disse, fechando a cara. — Entendo a suspeita deles. Realmente, muitos alunos da Sonserina estão se aliando ao Lorde das Trevas. Até meu irmão e a namorada entraram. E o grupinho do Regulus e do Snape tem adoração por isso. Mas eu não quero. — Ela disse enfática, levantando o queixo. — E nem vários outros alunos. E já ouvi de vários alunos de outras casas que se aliam. Então, não é a casa que define. A questão é que a maioria dos puros sangues estão aqui na Sonserina e defendem essa supremacia.
— Isso é tão louco! É praticamente impossível não ter uma mistura mesmo que pequena no sangue.
— Pois é, mas quem disse que eles são muito racionais? — Rey disse, limpando a boca e se levantando. — Vamos voltar.
Depois de um dia completamente longo e exaustivo, quando chegamos no quarto, eu só pensava em tomar um banho e depois dormir. Dormir por muito tempo. Será que eu podia dormir até a semana seguinte e dizer que alguém me deu uma poção para dormir? Não seria muito culpa minha, certo?
Quando entramos no dormitório, no entanto, a primeira coisa que eu notei foi um pedaço de pergaminho na minha cama. Cutuquei ele com a varinha e, ao perceber que nada pegou fogo, eu o abri.
“Seus cabelos são escuros
Seus lábios são carmim
Se eu te pedir para me encontrar
No sábado, depois do toque de recolher, na Torre de Astronomia,
Você dirá que sim?
Responda nesse papel e o deixe embaixo do livro amarelo da terceira mesa. Não tente me ver, pois não conseguirá.”
Eu me acabei de rir. Eu estava recebendo a proposta de um encontro? Que baboseira de poema brega!
— Que isso? — Rey perguntou e eu, ainda rindo, só consegui lhe passar o papel. Logo, ela estava gargalhando comigo. — Pois é, então confirmamos que o batom vermelho fez sucesso!



Continua...



Nota da autora: Olá para você que chegou até aqui! Muito obrigada por estar acompanhando essa história! Ela está sendo uma das que estou mais animada para escrever e já planejei muita coisa pra você hahahaha
Espero que goste da nossa querida PP e acompanhe a história dela com todas as suas missões (e quem sabe paixões???) por aqui!
Pra ficar ligada das atualizações dessa e das minhas outras fics, siga meu instagram de autora: @elena.n.stuff
Obrigada de novo por ter lido essa história, espero te ver aqui na próxima atualização, e não esquece de comentar!





comments powered by Disqus