Trato Feito

Última atualização: 10/01/2019

Prólogo


– Eles desistiram de me esperar? – perguntou quando chegou no escritório e encontrou apenas seu melhor amigo/empresário na sala de reuniões. Tinha ficado presa no trânsito no centro da cidade e estava mais do que excessivamente atrasada. negou com um aceno. – Então desistiram da reunião?
– Estão presos no trânsito. Aparentemente aconteceu algum acidente e a cidade está parada.
– Eu sei, fiquei um tempão presa no trânsito também. – ela suspirou. – E sobre o que é? Um novo contrato?
– É.
– Vou comprar alguma coisa para comer, estou morrendo de fome. Quer?
– Não, obrigado. E não demore, eles devem chegar daqui a pouco.
– Vou na lanchonete do outro lado da rua, pode ficar tranquilo. – ela sorriu e se virou, saindo da sala.
Precisava comer, porque sabia que essa reunião não acabaria rápido e ela estava morrendo de fome. Comprou um sanduíche e uma Coca-Cola, algo que seu personal e sua nutricionista reprovariam. Flashes foram disparados em seu curto caminho até a lanchonete do outro lado da rua e no retorno ao escritório de seu empresário/melhor amigo, como sempre.

– Eles chegaram. – Gretchen, a recepcionista, avisou-a quando ela voltou ao escritório e fez uma careta.
– Espero que eles não se importem se eu comer durante a reunião. Mas, se eles se importarem, vou comer do mesmo jeito.
– Você não existe, . – a mulher disse, rindo.
– Essa reunião não vai acabar rápido, aposto que vou ficar entediada em cinco minutos. – ela resmungou e seguiu até a sala de reuniões, que ficava seguindo um pequeno corredor.
Ao abrir a sala, deparou-se com e outros dois homens, e ela conhecia um deles.
– Ah, ela chegou. – disse, dando um sorriso.
– Perdão pela demora, nós ficamos presos no trânsito.
– Ah, tudo bem. Eu cheguei agora há pouco também, essa cidade hoje está um verdadeiro inferno. Espero que vocês não se importem se eu comer enquanto conversamos, porque eu estou morrendo de fome, não tive tempo de tomar café da manhã em casa. – ela falou e tomou um lugar ao lado de , ficando de frente para os dois homens.
– Sem problemas. – o outro homem disse. – Meu nome é Hugo, esse é meu amigo .
– Eu o conheço, ele é do meu time. – ela falou sem olhar para os dois, estava preocupada em abrir sua Coca-Cola. – Enfim, para que é tudo isso?
está passando por um momento difícil, o ostracismo está batendo à porta depois daquelas lesões todas, ainda tem, também, a questão de frequentemente as perguntas se tornarem pessoais sobre relacionamento. – foi quem se pronunciou.
– E o que eu tenho a ver com isso? – perguntou depois de mastigar um pedaço do sanduíche que tinha comprado.
– Resolvemos unir o útil ao agradável e fazer um contrato de marketing.
– Continuo sem entender.
– Ele perdeu a mídia, você a tem quase toda para si, e os dois estão solteiros e já se cansaram de ouvir coisas sobre relacionamentos. – Hugo explicou e ela assimilou as informações.
– Então é um contrato de marketing para fingirmos ser um casal? – ela perguntou e os três assentiram. – Vocês só podem estar de sacanagem comigo.
, você sabe que eu nunca faria algo para te prejudicar. – disse, sério.
– Vocês não podiam ter tentado da forma convencional?
– Teríamos feito isso se não os conhecêssemos tão bem. – Hugo disse, olhando para , que tinha permanecido calado o tempo inteiro e estava cada vez mais sem graça. – Nós os apresentaríamos, vocês se cumprimentariam e acabaria aí.
– E o que você acha disso? – ela perguntou a , que não abriu a boca, só ficou mais vermelho do que já estava. – Eu sei que você fala, e nós dois sabemos que eles já decidiram e estão apenas comunicando-nos o que vai acontecer, então expresse sua opinião.
– Eu... – ele disse tão baixo que quase nem se ouviu. – Não sei se vejo problemas nisso. Queria voltar à seleção, queria voltar para o Bayern, eles não querem renovar comigo quando o empréstimo acabar. Em alguns meses eu estarei de férias e desempregado.
– E como vocês querem que a gente faça isso? – se virou para e Hugo.
Sua expressão já não era tão amigável mais.
– Primeiro vocês sigam-se em redes sociais e...
– Eu já o sigo há muito tempo. – interrompeu a fala. – E ele me segue também.
– Então comecem a trocar alguns eventuais comentários em fotos e...
– E vamos ser vistos juntos, alguém tira uma foto, posta na internet, os rumores começam a aumentar, continuamos a comentar nas fotos um do outro e um tempo depois assumimos que estamos namorando. – disse, rolando os olhos, enumerando as fases pelas quais aquele “relacionamento” passaria. – Mas espero que vocês saibam que não adianta nada “atrair a mídia” se ele não jogar mais do que os que estão na seleção. E se não parar de tomar bola nas costas e correr feito um desesperado sem rumo.
– Isso não vai dar certo. – resmungou.
– Muito pelo contrário. – Hugo deu um sorriso, observando terminar de comer seu sanduíche. – Acho que isso vai ajudar. E muito.
– A contar pela quantidade de fotógrafos na porta, já devem estar especulando que estamos juntos. – ela disse, debochada.
– Descemos no estacionamento do prédio e subimos direto. – Hugo disse e ela se virou para .
– Você tem dezoito meses para conseguir o que quer, a contar de quando assumirmos, . – ela disse, séria. – Nem um dia a mais.


Capítulo 1


Desde a tal ideia do contrato, vinte e dois dias atrás, ela e trocaram algumas mensagens, coisas básicas como avisar um ao outro da postagem de fotos ou qualquer coisa que Hugo ou mandassem. Trocavam comentários em algumas fotos, não em todas, porque queriam passar uma imagem convincente de serem apenas amigos, mas nunca tinham sido vistos juntos. Ainda.
Nenhum dos dois gostava de noitadas e baladas, então não teriam problemas em fingir que aquele relacionamento era realmente sério. Ela estaria em turnê dali uns meses, e os dois não se veriam por bastante tempo, bastaria fingir saudades em redes sociais. Ela mora permanentemente em Munique, e ele ainda mora em Gelsenkirchen, mas em breve deve se mudar de lá; não sabe para qual cidade, porque o Bayern não parecia disposto a tê-lo de volta e muito menos o Schalke parecia interessado em comprá-lo. Outras propostas estavam sendo analisadas, então era bem provável que morassem longe. Ambos não poderiam ficar viajando para eventos e nem para serem vistos juntos todo fim de semana.
No fim das contas, aquele relacionamento atrairia marketing e ambos ganhariam dinheiro sem fazer realmente algum esforço. Os termos ajustados eram simples: fingiriam ser namorados e os encontros aconteceriam na medida que seus compromissos profissionais permitissem.
não estava gostando nem um pouco, mas tinha concordado, o contrato – ainda que não fosse escrito, fosse apenas verbal – estava firmado, e ela tinha dado sua palavra de que faria parte daquilo.

– Está na hora de vocês serem vistos juntos. – falou e ignorou, fingindo mexer no celular. – Você me ouviu?
– Marque o que você quiser, não tenho outra escolha mesmo.
está na cidade, amanhã vocês vão ao cinema. Marquem o horário entre vocês. É preciso que esse namoro comece de verdade. – ele falou, sério, e ela suspirou, assentindo.
– Não é como se eu tivesse muitas opções, de qualquer forma. E sei que entrei numa coisa que não vai dar em nada, porque duvido que ele volte para a seleção e para o time por isso.
– Você ainda tem aquele crushzinho nele? – perguntou e ela rolou os olhos.
– Estamos grandinhos demais para usar esse termo, você não acha? – ela perguntou, debochada.
– Você não negou. – ele sorriu abertamente. – Então temos aqui o motivo de você não ter berrado que não participaria disso tudo.
– E você usou essa informação para unir o interesse dele por mídia e o da mídia em me arrumar um namorado.
– Talvez. – deu de ombros e sorriu, abraçando a amiga de lado. – Mas vai que essa é a chance de fazer aquela sua paixãozinha platônica se tornar real.
– Sem chances. Aquilo acabou faz tempo. E tem o fato de ele ser gay.
– Ele é? – perguntou assustado.
– É o que se especula. E eu acredito nisso mesmo.
– Ah, mas muita gente falava do Cristiano Ronaldo, e ele não é.
– Falavam apenas por ele ser bonito e gostar de se cuidar, o que não é mais do que a obrigação.
– E o que te faz achar que é gay?
– O jeito. Não com aquele estereótipo que criam, mas ele nunca teve uma namorada, não curte foto de mulher no Instagram e, sei lá, não parece ser hétero.
– Isso é estereótipo. – riu. – Não acho que ele seja gay.
– Ele é. – ela assentiu. – E vamos parar de falar, você vai embora e eu vou dormir. Aparentemente tenho um encontro amanhã.
– Jeito bem sutil de me mandar embora. – ele riu e deu um beijo na bochecha da amiga.
– Dê um beijo em Allie por mim.
– Pode deixar. – ele sorriu e se pôs de pé. – Bom encontro amanhã.
– Eu vou te demitir.
– Você não duraria um dia sem mim, meine Liebe. – ele disse e ela rolou os olhos. Era a verdade.
seguiu até o elevador e foi embora, deixando sozinha na sala de casa.
Aquela paixão platônica tinha acabado, certo? Ela queria que sim, ainda que soubesse que, lá no fundo, ainda o achava uma gracinha e podia muito bem ser a garota que era louca por ele uns anos atrás.

já tinha decorado o feed de fotos de no Instagram, entrava lá todos os dias para acompanhar a rotina da futura namorada e para conhecer o trabalho dela. Havia diversas fotos de shows, mas também de muita coisa pessoal: família, passeios, amigos, selfies... Descobriu, durante esses dias, que ela sabia tocar piano, guitarra e violão, que tinha cantado com o ídolo, John Mayer, que é louca por comida italiana, que gosta de dançar e é apaixonada por animais.
Ele tinha escutado algumas músicas e visto alguns dos vídeos dos shows, além de clipes que tinham sido gravados. A voz era realmente muito boa, ainda que não fosse o estilo musical favorito dele. , além de muito bonita, era talentosa. Os dois se falavam esporadicamente, trocaram uma ou outra informação necessária, mas ela não parecia em concordância com nada daquilo, e ele não a tirava a razão.
Ela postou uma nova selfie algumas horas antes, não mostrava muita coisa, apenas a parte superior do biquíni azul; tinha um olho fechado e fazia língua. Tinha a expressão cansada, olheiras e parecia prestes a dormir. A legenda dizia “Amanhã eu volto para o estúdio 🌞😜” e milhares de comentários falando sobre o álbum, outros falavam para que ela descansasse e aproveitasse o fim de semana, comentários chamando-a de linda e derivados.
Ele curtiu a foto e pensou se deveria ou não comentar. Repetiu os emojis que ela colocou no comentário e, mal o fez, recebeu diversas respostas e pessoas que começaram a segui-lo. Sugeriram que ele fosse aproveitar o dia com ela, afinal eram namorados, e um mencionou e perguntou os motivos de não ter ido. nem se deu ao trabalho de responder ou ler o que se seguiu, resolveu tomar um banho e ver um filme. Tinha que sair com no dia seguinte e esperava ser um bom ator, porque seria necessário.

-x-


– E aí, o que vamos assistir? – perguntou quando parou o carro na rua lateral a do cinema e os dois desceram, seguindo lado a lado até entrarem no local.
– Não faço a menor ideia. – ela deu de ombros.
– Você já viu Logan?
– Ainda não.
– Pode ser esse? Eu também não vi.
– Por mim tudo bem. Vou comprar a pipoca e você compra os ingressos. – ela disse e ele assentiu. – E 3D não, por favor. Só se for a única opção.
– Tudo bem.
– Pipoca com manteiga?
– Sim. E suco, se tiver. – ele pediu educado e ela assentiu, saindo em direção ao local em que a pipoca era vendida.
– Eu quero dois ingressos para Logan, por favor. – ele pediu ao atendente.
O rapaz tinha uma expressão entediada, mas quando viu quem estava ali, ele deu um sorriso.
! Cara, sou seu fã! Posso tirar uma foto com você? – perguntou todo animado e deu um sorriso.
– Claro. – falou e o rapaz saiu animado da cabine de vendas e se aproximou.
Tirou umas cinco fotos antes de outra pessoa, um cliente, pedir fotos. E depois o outro atendente que estava voltando do horário do intervalo.
– Precisa de ajuda com os ingr... Ah. – ele ouviu a voz de e se virou.
Ela tinha dois baldes de pipoca em um suporte. Havia também dois copos grandes com as bebidas.
– Não, . – ele deu um sorriso para a mulher e se virou para o atendente. – Posso pegar os ingressos?
– Claro. – o atendente disse, ainda sem acreditar em quem estava vendo. – Fique no Bayern, cara. Espero que eles te peguem de volta quando o empréstimo acabar.
– A intenção é essa. – ele sorriu de lado. Pagou os ingressos e os pegou. Nenhum dos dois viu uma foto ser tirada enquanto caminhavam até a entrada da sala em que o filme seria exibido, tampouco viram a outra que foi tirada antes do filme começar. – Você vai comer isso tudo?
– Você não come pipoca? – ela perguntou, assustada.
– Como, mas não isso tudo.
– Ah, então come o que aguentar e eu como o resto. Amo pipoca.
– Eu percebi. – ele disse, rindo.
– Agora cala a boca, vai começar o filme.
As duas horas e vinte minutos de filme passaram depressa, e ele percebeu que gostava mesmo de pipoca, porque comeu a pipoca que ele tinha rejeitado, além da própria.

– Eu estou com fome. – ela disse como se fosse supernormal sentir fome depois de comer aquilo tudo, e ele a olhou incrédulo.
– Você está brincando comigo?
– E por que estaria? – ela deu de ombros.
– E o que você quer comer?
– Não sei, mas não quero comida.
– Você vai comer mais porcaria? Você comeu quase dois baldes de pipoca agora mesmo.
– Primeiro: você comeu o seu quase inteiro, não se faça de inocente, e segundo: agora mesmo nada, porque eu acabei de comer bem antes da metade do filme. – ela disse emburrada e ele riu.
– Agora já sei algo sobre você: você come feito uma pessoa que ficou presa por dez dias. – ele falou, rindo. – Quer comer alguma coisa de fast food?
– Burger King! – ela comemorou. – Adoro aquelas coroas que eles dão. E acho que vamos conseguir conversar e ficar tempo suficiente para sermos fotografados juntos.
– Então tudo bem. – ele sorriu. – Tem um aqui perto, vamos caminhando mesmo.
– Por favor. – ela assentiu e os dois saíram do cinema, caminhando pela avenida movimentada que os levaria até o Burger King. – E então, o que há para saber sobre , além da parte profissional?
– Sei lá, o que você quer saber? – ele perguntou, rindo.
– Ué, , sobre você, o que faz fora dos campos? – ela perguntou, dando de ombros.
Ainda que tivesse sido uma das maiores fangirls dele, havia muito pouco sobre ele na internet.
– Eu adoro sorvete, mas não posso comer demais porque é muito gorduroso, e queimar gordura hidrogenada é bem difícil. Gosto de cantar, apesar de não saber fazer isso, porque alivia a tensão. Gosto de andar de bicicleta, de nadar e de dirigir sem ter um lugar específico para chegar. Não sou muito de sair para baladas e essas coisas, sou mais caseiro. Gosto de crianças também e de animais.
– Você tem só uma irmã?
– Sim. E ela é tão insuportável que vale por vinte.
– Você tem algum sonho a realizar?
– Ganhar a Copa estando na seleção. – ele sorriu. – Seria maravilhoso.
– E se você não fosse jogador, seria o quê? – perguntou curiosa.
– Eu não sei. Sinceramente. – ele deu um sorriso de lado, enquanto caminhavam. – Nunca parei para pensar nisso, mas acho que eu teria feito algo que pudesse trabalhar com futebol. E eu não sei mais o que falar sobre mim.
– Você é muito tímido, acho isso uma coisa rara, ainda mais no futebol. Conheço alguns jogadores, todos são muito falantes e extrovertidos, e aí tem você, quieto e introvertido.
– Eu sou mais reservado, na verdade. Mas eu gosto de me divertir, de sair, de ir a shows...
– Você tem um sorriso muito bonito. – ela elogiou e ele corou. – Ai, , não fica sem graça, foi só um elogio.
– Não é algo controlável. – ele disse, dando um sorriso sem jeito.
– Posso dizer que é estranho você não ser comprometido? Porque você é muito bonito. – ela perguntou, jogando verde.
Era a hora de descobrir a verdade.
– Eu não sei o motivo. – ele coçou a nuca, sem jeito.
– Vamos mudar de assunto, você está desconfortável. – ela disse, rindo, e ele assentiu. – E, então, tipo musical favorito?
– Rock, mas ouço algumas coisas de pop e rap.
– Rock eu acredito, mas os outros dois eu duvido muito. – ela riu. – E o que gosta de fazer quando está de folga?
– Depende. Saio com meu cachorro, fico com minha mãe, saio com alguns amigos...
– Qual sua comida favorita?
– Qualquer uma que minha mãe fizer. – ele riu. – Sou bem tranquilo para comer, mas adoro Sauerbraten mit Knödel* e Käsespätzle*. Minha mãe faz um Sauerbraten mit Knödel delicioso, um dia te levo lá para comer.
– Você já parou para pensar nisso? – Lana suspirou, enquanto caminhavam. – Vamos enfiar nossas famílias nisso tudo também. Minha mãe vai achar um máximo que eu finalmente tenho um novo namorado, meu pai e meu irmão mais velho talvez não. E sua mãe e sua irmã? Acho que Hugo e não pensaram nisso com o devido cuidado.
– Podemos apenas explicar isso a eles, não?
– Eu não sei você, mas eu não sei se quero falar com meus pais que estou namorando de mentirinha. – ela disse e ele assentiu. – E meu irmão faz picadinho de nós dois, depois mata e Hugo. Não me sinto confortável em estar nessa mentira, mas já que estamos, temos que fazer isso direito.
– Ainda somos apenas amigos, podemos planejar com calma. – ele sorriu, mas ela não sorriu de volta.
– Não, estamos sendo vistos hoje exatamente para deixarmos de ser “apenas amigos”.
– Para a mídia. – ele deu de ombros e sorriu para ela. – Seremos apenas amigos, de qualquer forma, então temos tempo de pensar em como resolveremos algumas coisas. Por enquanto, preciso saber um pouco mais sobre você.
– Ah, eu sou meio doida. – ela deu um sorriso e os dois entraram na lanchonete.
Estava quase deserta, se não fosse um casal sentado numa ponta e dois atendentes que conversavam sem prestar atenção nos novos componentes do ambiente.
– Boa noite. – os anunciou e, enquanto o rapaz a olhava admirado, a garota a olhou com desdém, desviando os olhos rapidamente para , mas sem demorar muito.
. – o rapaz sorriu. – Eu sou seu fã! Você pode, por favor, dar-me um autógrafo e tirar uma foto comigo?
– Claro. – ela sorriu, simpática. – Você tem papel?
– Tenho. – ele, desesperado, pegou um guardanapo e entregou com uma caneta.
– Como você se chama?
– Joshua. – ele falou, quase hipnotizado. Ela escreveu uma dedicatória e autografou o papel. O garoto atravessou o balcão e entregou o celular para , que prontamente tirou a foto, e o rapaz abraçou . – Seu último álbum é meu favorito! É o melhor de todos! Você é maravilhosa!
– Espere para ver o próximo. – deu um sorriso de lado e o garoto o olhou, dando um sorriso sugestivo.
– E o que vocês vão pedir? – a garota perguntou, entediada.
– Eu quero o combo doze. – disse, animada. – E pode colocar a batata grande.
– E você?
– O mesmo, mas ao invés de refrigerante, eu quero suco. – ele pediu e a garota anotou.
– Eu quero uma daquelas coroas, você tem? – pediu a Joshua, que se abaixou rapidamente para pegar.
Ela sorriu em agradecimento e foi sentar-se com num lugar mais afastado depois de pagarem e pegarem seus lanches.
– E você? O que há para saber sobre ? – ele perguntou quando se sentaram.
– Eu vivo meu sonho, porque sempre quis cantar e nunca me imaginei fazendo nada diferente disso. Adoro comer, minha comida favorita é italiana; qualquer coisa da cantina italiana é minha comida favorita. Gosto de malhar e fazer yoga, estou sempre ouvindo músicas e frequentemente escrevendo. Tenho mania de ficar cantarolando, minha fonoaudióloga já me xingou diversas vezes por isso, mas é mais forte que eu. Amo coisas família também, queria ter um cachorro, mas minha agenda e rotina não permitem, porque quero um cachorro grande e não posso levá-lo em turnês, porque não são todos os hotéis que aceitam cachorros, e mesmo os que aceitam, não aceitam cachorros grandes. Quando estou em casa, gosto de ficar com minha família, que é composta por meus pais e meu irmão mais velho. Amo rock, mas gosto muito de reggaeton, pop e R&B; amo dançar. Sei falar cinco idiomas e arroto alto para caramba.
– Muitas informações interessantes. – ele disse, rindo. – Cinco idiomas, é?
– Sim. Alemão, inglês, italiano, espanhol e francês.
– Que poliglota. – ele riu. – E em quantos países já esteve?
– Na maioria deles. Alguns dá para ficar mais do que dois dias e conhecer algumas coisas, outros não. E você?
– Só os países em que joguei, mas estar e conhecer são duas coisas diferentes.
– É. – ela disse, abrindo o sanduíche e dando uma mordida.
– Você conhece há muito tempo? – perguntou e esperou que ela terminasse de mastigar para responder.
– Crescemos juntos, porque nossos pais trabalharam juntos. Sempre estudamos juntos na escola, éramos das mesmas salas, saíamos juntos... Ele é meu melhor amigo e eu sou a melhor amiga dele. Separamo-nos quando eu consegui um contrato, aos dezesseis, para gravar um CD, e ele foi para a faculdade no ano seguinte, enquanto eu dava uma volta ao mundo. Mas sempre nos falávamos e nos víamos quando eu estava na cidade, e ele sempre acompanhou minha carreira, mas só quando saiu da faculdade se tornou meu empresário, há uns três anos.
– E vocês nunca tiveram nada?
– Credo. – ela fez uma careta. – não faz meu tipo.
– E qual o seu tipo?
– Você. – ela deu de ombros e ele ficou vermelho, fazendo se segurar para não dar uma gargalhada e chamar a atenção. – Eu não podia perder essa.
– Você joga baixo. – ele falou num murmuro.
– Mas não menti, em todo caso. Você é esteticamente meu tipo. Resta saber se na personalidade também. Não é no guarda-roupa, porque você se veste muito mal e, aliado a isso, tem esse corte de cabelo com essa barbicha, preciso te levar para fazer compras e dar um jeito nessa sua cara.
– Você está me chamando de brega e feio? – ele se fingiu de ofendido.
– De brega, sim, de feio não. Você está abandonado, na verdade. Parece que está cortando o cabelo sozinho em casa e usando uma faca de pão. E essa barbicha... Deus me livre. – ela falou, fazendo rir da expressão que ela fez.
– Então você é a senhorita perfeitinha que tem os cabelos bem cuidados e o closet mais do que perfeito? – ele debochou e ela assentiu, enquanto mordia um pedaço do sanduíche. Ele deu um sorriso e sacudiu a cabeça negativamente, voltando a comer seu sanduíche, o mesmo que ela estava fazendo. – Deixe-me tirar uma foto sua com essa coroa. Está ótimo.
– Claro que está, sou uma princesa, princesas usam coroas. – ela disse, estendendo o próprio celular para ele. – Tira nos stories.
– Claro que é uma princesa, a Fiona. – ele zoou, rindo, e tirou a foto.
Ela tinha colocado as duas mãos sob o queixo e dava um sorriso, de olhos fechados. Ele escreveu “uma verdadeira princesa da Disney” e postou.
– Se eu sou a Fiona, isso faz de você o Shrek. – ela deu um sorriso vencedor e ele deu de ombros.
– Ainda bem que você concluiu isso, porque a partir de agora posso me comportar como um ogro.
– Você não pode ser ogro tão cedo. – ela falou, séria, e ele reprimiu a vontade de rir alto. – Não vou te aturar peidando e nem arrotando feito um ogro.
– Que isso, Fiona... – ele falou, brincando, e ela lhe jogou uma batata.
– Cala a boca e vamos embora. – ela resmungou e ele riu.

Os dois saíram do restaurante e caminharam pela rua, sem conversar. estava empanzinada, no real e completo significado da palavra. podia jurar que estava prestes a explodir de tanto que tinha comido. Entraram no carro e, quando o rádio foi ligado, uma música dela estava tocando, e ela comemorou como se fosse a primeira vez que tinha uma música tocando na rádio, como se não fosse a coisa mais comum do mundo. Ela pegou o celular e gravou alguns stories toda animada, cantando, enquanto ouvia a música.

– Você ainda comemora quando suas músicas tocam nas rádios? – ele perguntou, bem-humorado.
– Claro! É sempre muito legal ver meu trabalho ser reconhecido. E não te vi cantando, então faça o favor de comprar meus cinco álbuns e aprender todas as músicas. Você não pode ser meu namorado se não souber cantar todas elas.
– Você pode me dar também.
– Claro! Autografados e com uma camisa com minha cara para ir aos shows. E uns convites para o meet. Aceita? – ela perguntou, debochada.
– Aceito. E uma faixa para colocar na cabeça também com seu nome escrito com glitter. – ele falou, rindo, e ela rolou os olhos.
– Quando você volta a Munique?
– Não faço ideia, mas deve demorar um pouco. Estamos perto do final da temporada, não posso ficar viajando tanto.
– Essa semana eu tenho um show em Düsseldorf. Já que fomos vistos hoje, vou te dar ingressos, você vai. Fico em Gelsenkirchen com você no dia seguinte e volto. Precisamos fazer isso acontecer logo.
– Por mim tudo bem. – ele deu de ombros. – Só depende do dia, porque se eu tiver jogo no dia seguinte...
– Não tem, o show é na quinta.
– Por mim tudo bem. – ele repetiu.
– E você vai mesmo me arrastar para comprar roupas?
– Primeiro preciso analisar o que fica no seu closet e o que será enviado para doação.
– Você vai doar minhas roupas? – ele perguntou, incrédulo, e deu uma risada. – Cara, você é DOIDA!
, já vi algumas das suas fotos e você tem umas roupas bem desnecessárias. Então, por favor, não tente me impedir.
– Como é o nome daquele programa que passa no Discovery Home & Health?
– Esquadrão da Moda. – ela respondeu. É, se ele conhecia isso, estava comprovado que ele é mesmo gay. – E sim, isso mesmo. Vamos doar essas peças, porque tem gente que precisa, apesar de eu considerar colocar fogo em algumas, porque são atentados ao bom gosto.
– Há coisas com valores sentimentais.
– Essas ficarão. Escondidas a sete chaves. – ela falou e ele deu uma gargalhada.
Ela sentiu o carro diminuir a velocidade e parar. Estava entregue.
– E quando você pretende fazer isso?
– Bom, não sei. – ela pareceu pensativa. – Já que vou passar um dia na sua casa, posso dar uma olhada e ver qual o tamanho do problema.
– Dê-me o setlist do seu show, aprendo a cantar todas e posso ser divulgado cantando a plenos pulmões as suas músicas sem errar nada.
– Envio quando eu o montar com a banda.
– Dê-me três, vou levar minha irmã e o otário do namorado dela. – ele respondeu, rolando os olhos.
– Anotando que você tem ciúmes da sua irmã. – ela riu, provocando.
– O cara é um babaca. Apresenta um amigo seu para ela, porque os meus não vão namorar minha irmã mais nova.
– Só depois de conhecer minha cunhada para saber o estilo dela e fazer o serviço completo.
– Ela é chata, inoportuna e insuportável.
– Se você falar isso com meu irmão, ele vai perguntar se você também é meu irmão. – ela rolou os olhos. – Irmãos mais velhos são todos insuportáveis, acabo de concluir.
– Ou as mais novas são pentelhas demais. – ele falou, rindo. – E acho que estamos sendo observados pelo fotógrafo que está esperando sua chegada em seu castelo.
– Nós vamos nos beijar? – ela perguntou entredentes e ele ponderou.
– Ele já viu que eu o vi, melhor não. Deixa para o show. – ele falou quase sem mexer a boca e deu uma gargalhada, sendo acompanhada por ele.
– Vou pedir para enviar os ingressos para vocês. – ela disse e o abraçou em despedida.
– Eu já imagino que tenham quinhentas mil fotos nossas em todas as redes sociais.
– O objetivo é esse, afinal de contas. – ela deu de ombros e deu um sorriso. – Obrigada pelo passeio e pela companhia.
– Obrigado por me mostrar que você pode comer mais do que um time de futebol inteiro.
– Cala a boca. – ela disse, rindo. – Vemo-nos quinta-feira.
– Até lá. – ele respondeu e ela abriu a porta do carro, saltando de lá, e ele arrancou quando a porta foi fechada.
– Você está bonita, . – o fotógrafo disse e ela sorriu.
– Obrigada, Phill, mas você não vai me derreter com um elogio. Achei que já tivesse conversado com sua revista sobre respeitar a privacidade dos meus vizinhos, porque para respeitarem a minha, eu desisti de pedir.
– Ouvi boatos, tive que vir conferir. – o homem sorriu. – É meu ganha pão.
– Se eu tiver saído feia nessas fotos, não publique. – ela sorriu simpática e ele sorriu de volta.
– Nunca deixei de publicar suas fotos, você sempre sai linda.
– Obrigada. E mande beijos para suas filhas.
– Elas amaram o seu show aqui. E já estão enchendo-me para levá-las a outro.
– Vou a Düsseldorf na semana que vem, leve-as.
– A mãe delas não estará na cidade semana que vem e eu preciso trabalhar. – ele fez uma careta e sorriu.
– Agora que você já veio me dar boa noite, pode ir para casa. E mande beijos para as duas.
– Boa noite, . E espero que vocês dois deem certo.
– Ele é meu amigo, não tem nada de mais nisso.
– Vocês movimentaram a noite nas redes sociais, foram até trending topics.
– Sexta-feira à noite e as pessoas estão no Twitter e no Instagram... – ela se fingiu de decepcionada e deu um sorriso. – Enfim, boa noite Phill.
– Boa noite, . – ele se despediu e ela entrou no prédio, cumprimentando o porteiro e foi até o elevador.

Pegou o celular e foi conferir as fotos em que tinha sido marcada durante aquele furor que sua saída com tinha causado. Curtiu a de Joshua depois de procurar por um Instagram que o tivesse marcado e deixou um coração no comentário da foto, porque ele realmente tinha feito uma legenda bem fofa.
Depois analisou as fotos em que aparecia ao lado de . Era excelente para o contrato, mas péssimo que não tivesse paz de sair sem ser observada e fotografada de todos os ângulos possíveis. Tinham fotos do cinema, da rua e do Burger King. E em breve teriam as fotos de Phill. queria fugir do esquecimento e só queria um dia em que pudesse sair de casa sem estar rodeada de fotógrafos ou seguranças, um dia livre em que ninguém a conhecesse e ela fosse apenas mais uma pessoa comum.
Foi direto para o quarto, trocou de roupa, escovou os dentes e voltou para sua cama. Estava sem sono, mas não queria ficar na internet, então resolveu ler. Foi até a estante e procurou por algo que pudesse ler, ainda que soubesse que aquilo não ajudaria a ter sono, mas que a atrapalharia a dormir e que ela, provavelmente, viraria a noite lendo.

estava com o celular em mãos e encarava a mensagem de Hugo, quase soltando foguetes pela repercussão da saída. Ele não fazia ideia de como tinha se enfiado naquilo e nem se valeria a pena, podia ser apenas perda de tempo e que nem desse certo, podia dar muito errado. Mas ele quis arriscar quando a ideia surgiu, ele precisava de visibilidade se quisesse voltar para a seleção. Tinha que ir para um bom time e então o Bayern o enxergaria de novo, além da seleção.
parecia ser uma boa pessoa, pelo menos ela era divertida e bonita, mas podia ser perda de tempo para ambos. Ela era atenciosa com os fãs, ele tinha percebido. Gostava de falar e parecia ter o riso fácil, mas só tinham saído uma vez e não podia tirar tantas conclusões assim.
Aquelas lesões quase o impediram de continuar vivendo seu sonho. Ele sabe que não é o melhor do mundo e que a Alemanha possui vários melhores que ele, mas também sabia que era um bom jogador e que tem espaço na seleção, e ele queria lutar por aquilo. Era triste ter que usar a mídia de outra pessoa para conseguir isso, mas tempos de desespero pedem medidas desesperadas.

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– Até que você é boa. – disse quando apareceu no estacionamento.
Visivelmente cansada, o cabelo preso num rabo de cavalo alto, mas já sem maquiagem.
– Olha como você fala com sua namorada, idiota! – a irmã de disse e o deu um tapa no braço. – Se eu fosse você, terminava com ele.
– Se eu fizer isso, ele chora por três dias no banheiro. – ela provocou e ele rolou os olhos, dando nela um abraço.
– Já assumimos. – ele sussurrou no ouvido dela. – E precisamos falar sobre isso.
– Certo. – ela sussurrou de volta e o soltou do abraço, indo em direção a irmã de e do rapaz que estava abraçado a ela. – Oi, eu sou , namorada do seu irmão.
– Eu sou . . – ela sorriu para a mulher e as duas trocaram um abraço antes de continuar as apresentações. – Esse é meu namorado, Höward.
– Muito prazer. – ela estendeu a mão em cumprimento e o rapaz fez o mesmo, a observando demoradamente.
– Ótimo show. – disse e ela sorriu agradecida.
– Obrigada. Espero que vocês tenham gostado mesmo.
é sua fã desde o começo da sua carreira. – disse e passou um dos braços pelos ombros de .
– Sério?
– Sim. De ter pôster na parede, chorar e tudo mais.
– Ai, , cala a boca. – disse sem jeito. – Mas sou mesmo. Gosto muito do seu trabalho, acho-te muito talentosa e maravilhosa. E te vendo de perto, estou perguntando-me como meu irmão conseguiu uma mulher tão linda e que tivesse coragem de namorá-lo.
– Seu irmão só precisa dar um jeito no guarda-roupa, mas eu farei isso amanhã.
– Finalmente! Eu tento fazer isso há anos e ele nunca permitiu!
– Não acredito que vocês vão se juntar contra mim! – disse num tom ofendido e deu um sorrisinho divertido.
– Melhores amigas. – sorriu, virando-se para , que rolava os olhos em reprovação ao novo complô.
– Podemos ir? Ou vamos ficar confabulando contra mim aqui?
– Você vai lá para a casa do também? – perguntou, animada.
A presença da irmã mudava algumas coisas, porque eles teriam que dividir um quarto e, bom, não queria.
– Não. – ela fez uma careta. – Tenho uma reunião pela manhã aqui em Düsseldorf, vou para o hotel e devo ir à tarde para lá.
– Ah, que pena. – disse, decepcionada. – Posso tirar uma foto com você?
– Claro. – sorriu e se soltou do abraço de .
deu o celular para o irmão tirar a foto. O namorado de ainda encarava as pernas de quase descaradamente. A foto foi tirada, e as duas se abraçaram em despedida.
– Vemo-nos amanhã. – disse e assentiu, dando um sorriso, e os dois se abraçaram.
– Ah, vocês não se veem há tempos e não vão dar nem um beijo? – perguntou e riu da cara do irmão. – Eu não vou te zoar, .
– Nos vemos amanhã. – sorriu e deu um selinho em . – E sem mais do que isso, porque tem gente tirando foto e eu prefiro não ser manchete por estar agarrando meu namorado que ainda não assumi para a mídia.
– Minha mãe vai adorar saber que o filho dela finalmente desencalhou! – provocou o irmão.
– Tem certeza que não quer ir comigo? Dirigir por quarenta e cinco minutos aguentando essa nojenta enchendo meu saco e sem apoio moral não vai ser legal. – ele reclamou e negou com um aceno.
– Não posso. – ela fez uma careta. – vai me enforcar se eu faltar a essa reunião.
– Tudo bem. – ele se fingiu de decepcionado. – Vejo-te amanhã de tarde.
– Claro. – ela sorriu e ele lhe deu outro selinho.
Antes que pudesse fazer uma feição de assustada, abraçou e cumprimentou o namorado da cunhada com um aperto de mãos. Seguiu até o ônibus que levaria a equipe para o hotel, e a encarou sem entender.
– Você não ia pra Gelsenkirchen?
– Ia. Mas a irmã dele está junto, e vai ser bem estranho se não dormíssemos no mesmo quarto. Inventei uma reunião pela manhã e só vou para lá quando não tiver ninguém. Já foi horrível ter que beijá-lo.
– Vocês se beijaram? – ele deu um sorriso sugestivo.
– Não beijo de cinema, dois selinhos.
– Então não beijaram. – ele riu e os dois embarcaram no ônibus. – E seu show foi ótimo.
– Obrigada.

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– E como foi sua reunião imaginária? – perguntou bem-humorado quando ela entrou em sua casa.
– Fantástica. Dormi até onze e meia da manhã. – ela deu um sorriso arteiro. – Não fazia isso há tempos.
– E o que vamos fazer? – ele perguntou e se jogou no sofá. Um Weimeraner marrom entrou na sala da casa e a encarou, curioso.
– Ai, meu Deus, ele é ainda mais lindo pessoalmente! – ela disse, animada, e se abaixou, num claro convite para que o animal fosse até ela.
– Não deixe meu cachorro sem vergonha. – disse num tom brincalhão e ela chamou o cachorro, que a olhou por um tempo antes de caminhar até onde ela estava ajoelhada.
– Ei, coisa linda, como você se chama? – ela fez um carinho na cabeça do cachorro.
. – ele falou e deu uma gargalhada da cara que ela fez. – Petros.
– Ei, Petros. – ela sorriu e voltou a fazer um carinho no cachorro, que a lambeu a mão em resposta. – Parece que ele gostou de mim.
– Ele gosta de todo mundo, não se sinta tão especial.
– Você perguntou o que vamos fazer... Bom, eu vim te salvar de ser essa tragédia fashion. Marquei um horário no melhor salão da cidade e nós estamos indo.
– Estamos?
– Sim. Vamos começar dando um jeito nesse cabelo mal cortado e nessa coisa que você acha que é um cavanhaque, mas não é. E depois vamos fazer compras.
– Você está falando sério?
– Claro. Eu sugiro que você coloque uma roupa que seja mais fácil de tirar, porque você vai experimentar muitas roupas hoje.
– No meu dia de folga?
– Sim, no seu dia de folga. Anda logo. – ela o apressou e ele resmungou algo que ela não entendeu, mas se colocou de pé e foi até o quarto.
Colocou uma camisa preta, uma calça jeans e calçou um tênis. Ela não podia encrencar com aquilo, poderia?
– Pronto. – ele reapareceu na sala e ela o encarou por um tempo. – Se você achar defeito numa roupa simples, eu desisto.
– Eu nem falei nada. – ela deu um sorrisinho e se pôs de pé. – Precisamos de uma foto.
– Precisamos?
– É. O Hugo me mandou uma mensagem falando disso. – ela rolou os olhos. – Um stories, só para “mostrar para o mundo” que a gente está junto hoje.
– Entendi. – ele fez cara de pensativo.
– No seu. Quero fazer uns stories no carro e espero que você tenha aprendido a cantar minhas músicas de verdade, vou te gravar cantando.
– Tudo bem. – ele resmungou e pegou o próprio celular para tirar uma selfie.
Ela o abraçou pela cintura, ele passou o braço livre pelos ombros dela e ambos sorriram para a foto. Tinha ficado muito bonita. Ele escreveu “dia de folga 💙” e postou nos stories.
– Você sabe que vamos ter que andar de mãos dadas na rua e no shopping, certo? – ela perguntou e ele assentiu. – Então vamos.
– Sim, senhora. – ele fez uma continência e os dois saíram.

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– Você pediu para fecharem a loja? – perguntou, incrédulo, e ela deu de ombros.
– Apesar de sermos os dois famosos, há uma diferença gritante na abordagem de fãs de futebol para os fãs de artistas. Nunca consigo comprar roupas se não fizer assim, infelizmente.
– Deve ser muito estranho ter uma loja apenas para você comprar o que quiser, atenção total de todo mundo. – ele fez uma careta e ela deu de ombros.
– É péssimo. Muita bajulação e puxação de saco, não gosto disso. Sou uma pessoa como qualquer outra. Mas é o único jeito de não causar tumultos e de eu conseguir olhar as coisas com calma para comprar. – ela respondeu, tirando o cinto, e prendeu o cabelo num coque, colocou os óculos de grau que usava e os dois desceram do carro, caminhando lado a lado até a loja, que ficava no segundo piso do shopping.
Conseguiram chegar à loja sem serem notados. Aparentemente, os fãs de futebol e os fãs de música pop não estavam passeando naquele dia. A bajulação de sempre com os astros e eles foram para a parte que interessava: fazer compras. E odiava ter que ficar experimentando roupas e exibindo-as.

, eu estou cansado de experimentar roupa e de desfilar pra você. Tenho a impressão de ter experimentado todas as roupas dessa loja. – ele resmungou de dentro do provador.
Ela estava sentada, esperando por ele.
– Para de falar e sai logo daí. – ela falou e ele resmungou antes de sair usando a milionésima peça de roupa. – Ficou ótimo.
– Você disse isso para tudo que me mandou vestir.
– Claro, porque eu tenho senso de moda, lindinho. – ela debochou e ele rolou os olhos. – E pensa, temos uma parte do seu closet refeito, falta pouco para alcançar o sucesso total.
– Você é chata. – ele resmungou e voltou para o provador.
Pelas suas contas, ainda tinha trinta combinações de roupa diferentes para fazer.

Saíram da loja um bom tempo depois e levavam uma porção de sacolas, colocaram no carro antes de voltarem à outra loja e repetirem o mesmo ritual de compra de roupas. Ele estava ficando sem paciência, odiava aquilo. Experimentou outro tanto de roupas e outras várias sacolas foram carregadas até o carro. Ele nunca havia comprado tantas coisas assim de uma só vez. Quer dizer, ela tinha comprado.

– Podemos ir? – ele perguntou, educado, e ela assentiu.
– Eu estou com fome.
– Vamos arriscar comer aqui?
– Sem chance. Conseguirmos fazer compras em três lojas que não estavam fechadas foi um milagre, não vamos ser mal-agradecidos com as forças divinas. – ela negou. – Podemos comer na sua casa.
– Por mim tudo bem. – ele deu de ombros, enquanto tomava seu lugar e colocava o cinto.
Ela fez o mesmo.
– Eu posso te fazer uma pergunta?
– Tenho o direito de não responder? – ele perguntou e ela assentiu positivamente. – Então pode.
– De quem foi a ideia? – ela perguntou e limpou as mãos nos shorts antes de ligar o carro e dar a partida.
– O Hugo e o já se conheciam, devem ter estudado juntos, não faço ideia. E quando surgiu essa conversa do Bayern não querer renovar comigo, comecei a ficar meio preocupado, porque depois das lesões as coisas ficaram complicadas. E Hugo disse que eu precisava atrair mídia, porque as pessoas têm memória curta e se esquecem muito fácil de jogadores, então se eu quisesse voltar para a seleção e que o Bayern me mantivesse, eu precisava atrair mídia. Envolver você foi uma ideia do Hugo, acho que tinha mencionado alguma coisa sobre como a mídia vinha sendo cruel com você sobre relacionamentos, e eles resolveram unir o útil ao agradável. – ele respondeu e ela assentiu. – Acho que você não gostou muito, né?
– O meu problema não é com você, longe disso, mas com essa ideia absurda de ter que agradar a mídia e arrumar um namorado apenas porque eles querem me ver namorando alguém, ou encontrar uma pessoa para ser “minha inspiração”. Duas das minhas músicas mais românticas foram escritas para os meus pais, mas ninguém acredita quando eu falo isso. Não vejo mal nenhum em te ajudar, ainda que eu não ache que eu vá conseguir que você volte para a seleção e que o Bayern renove com você, mas acho um absurdo que eu seja obrigada a ter um namorado ou alguém só porque sou mulher.
– Cobram-me namorada, porque sou jogador de futebol. – ele respondeu e deu um suspiro sentido. – E, infelizmente, em alguns momentos temos que ceder para conseguir viver nossos sonhos em paz.
– Conheço vários casais que são de contratos, alguns até tem química, outros são um verdadeiro desastre. E conheço um que deu certo e virou amor de verdade, mas não posso contar qual é.
– Espero que o nosso seja convincente.
– E se não der certo?
– Melhor tentar e não conseguir do que não conseguir por não ter tentado.
– Uau, frases prontas da internet. – ela brincou. – Temos bastante tempo para ver se funciona.
– Hugo está conversando com o Stuttgart. É muito provável que eu vá para lá.
– Sério? – ela perguntou e ele assentiu sem tirar os olhos da rua. – Não acho que o Stuttgart seja ruim, mas e as propostas de outros países? Eu li algo sobre um interesse do Liverpool.
– Olha, você está lendo coisas sobre mim? – ele brincou. – Mas isso não é oficial. Pelo menos não chegou nada para a gente.
– Entendi. – ela falou e pegou o celular na bolsa.
– E você vai embora hoje ainda?
– Não sei, acho que sim.
– Fica. O jogo é aqui esse fim de semana, você pode ir ao estádio ver o meu show.
– Olha, eu já te vi jogando diversas vezes, não é bem um show. – ela provocou e ele rolou os olhos, fazendo rir. – Mas é uma boa, vou avisar ao .

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– Eu não ia usar uma camisa do Schalke, sinto muito. – ela falou quando ele se aproximou, na saída do estádio, ao final do jogo.
Usava uma camisa da seleção alemã dele, literalmente dele.
– Eu sei disso. – ele riu.
– Bom jogo.
– Obrigado. – ele sorriu, agradecido.
– Vamos comer alguma coisa? Estou com muita fome.
– Estranho seria se não estivesse. – ele riu e ela rolou os olhos.
– E preciso ir pra Düsseldorf hoje ainda.
– Por quê? – ele perguntou, curioso, e os dois entraram no carro do jogador, ele no banco do motorista e ela no banco do carona.
– Porque minha vida acontece em Munique.
– Amanhã eu estou de folga, fica aí.
– Você está levando a sério demais esse namoro. – ela deu um sorriso debochado, enquanto ele dirigia para fora do estádio.
– Eu tenho dezoito meses, lembra? – ele falou num tom divertido.
– Dezoito meses para conseguir o que quer, não pr... – ela começou a dizer e ouviu seu telefone tocar. Quando o tirou da bolsa, arrependeu-se quase que imediatamente. Era o irmão. – Meine Liebe*! – ela fingiu uma animação inexistente
Meine Liebe um cacete, que história é essa que você estava na Veltins-Arena e que tá namorando o ?
– Eu estava vendo meu namorado jogar. – ela respondeu num tom óbvio e prestou um pouco mais de atenção na conversa, apesar de não saber quem era e nem ouvir quem falava do outro lado da linha.
Você está grávida? – ele perguntou, nervoso, e ela deu uma gargalhada.
– Não!
Então por que está namorando um jogador?
– Porque a gente não escolhe por quem vai se apaixonar, idiota. – ela respondeu e o irmão ficou em silêncio um amontoado de segundos antes de falar, dessa vez num tom mais calmo.
E quando você pretende trazê-lo para conhecer a família?
– Vamos comer agora e voamos para Munique. Avisa a mãe e o pai que vamos almoçar lá amanhã.
Nos vemos amanhã. – ele resmungou antes de desligar.
– Acho que podemos ir direto para sua casa. Vou ligar e pedir ao piloto para irmos a Munique ainda hoje. Chegou a hora de te apresentar para os meus pais.

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Sauerbraten mit Knödel: joelho de porco. A carne é bem macia e a pele por fora é crocante. Normalmente vem acompanhado de chucrute e batata.
Käsespätzle: macarrão caseiro beeeem fininho e servido com bastante molho de queijo e cebola frita por cima.
Meine Liebe: Meu amor


Capítulo 2


– Tem alguma coisa que eu preciso muito saber sobre eles? – perguntou, nervoso, quando saíam do apartamento de .
– Minha mãe provavelmente vai te bajular, meu pai vai lhe olhar torto e Davi vai querer atirar em você, mas ele não tem uma arma, e provavelmente eu sou mais forte que os dois, então pode ficar tranquilo, você não vai apanhar. Ambos amam o Bayern e cervejas, talvez isso ajude na conversa. E meu pai ama pescar. Eles não vão fazer nada para te deixar constrangido ou qualquer coisa do tipo, minha mãe pode ser que deixe, porque ela vai te bajular de verdade. Davi vai te olhar torto por um tempo, mas logo eles ficam normais. Eles fizeram isso quando levei meu ex-namorado em casa.
– Você já teve um namorado? – perguntou, surpreso, e assentiu.
– Nós namoramos quando eu era adolescente, bem no começo da minha carreira, e não deu certo.
– E você ainda gosta dele. – concluiu.
– Não mais. – deu de ombros, enquanto caminhavam até o carro que estava na garagem. – Eu gostei muito, foram tempos difíceis, mas já faz muito tempo que aconteceu e que eu não o vejo. Agora não faz diferença nenhuma.
– E alguma coisa aconteceu? – perguntou, tomando seu lugar no banco do carona.
– Sim, ele me traiu.
– Sinto muito.
– Por ele, só se for. – deu de ombros enquanto saía da garagem do prédio. – Na época foi horrível, chorei muito e achei que não sobreviveria, mas sobrevivi e muito bem.
Antes que pudesse falar alguma coisa, o telefone de tocou e ela atendeu pelo painel do carro.
, espero que você tenha uma explicação excelente para que sua melhor amiga não tenha sido a primeira a saber sobre seu namoro com .
– Oi, . – disse, rindo. – E fale oi para o também.
Por que você atendeu essa merda no viva voz? – a amiga perguntou, envergonhada. – Agora ele vai achar que eu sou doida!
– Eu já acho. – se pronunciou, rindo. – Finalmente é bom associar uma voz aos relatos e à imagem em algumas das fotos de .
Relatos? perguntou, curiosa, e o olhou de canto.
Contou pouca coisa sobre , ele não podia nem imaginar que a amiga é realmente doida.
– Ela me contou algumas histórias. – disse num tom divertido. – E espero que não seja um problema que eu seja o namorado dela.
Zero problemas quanto a isso, pode ficar tranquilo, . falou, educada. – O problema é que resolveu não me contar antes de deixar o mundo saber.
– Você está ocupada com os preparativos do casamento, não quis interromper.
Nem me fale nos preparativos desse casamento. falou num resmungo deprimido. – Você é uma péssima madrinha! Preciso da sua ajuda.
– Estou livre essa semana, meine Süsse* (meu docinho), e sou toda sua.
Espero mesmo.
– Acabei de chegar na casa dos meus pais, falamo-nos mais tarde.
Tudo bem. Tchau, casalzinho. desligou bem quando estacionou o carro.
A casa não parecia ser grande – e realmente não é – ainda que possua três andares. Ali, agora, moravam apenas os pais. e Davi foram criados naquela casa e passaram boa parte das vidas ali, o tamanho era ótimo para quatro pessoas, era ótimo para duas também.
Uma casa branca e as madeiras da cerca, dos telhados e das janelas eram escuras, quase pretas. A cerca era simples, reta, sem vãos e contornava a entrada da casa, deixando livre apenas a garagem. Havia grama, além de um pequeno jardim que parecia muito bem cuidado. As janelas frontais do segundo andar possuíam um suporte com flores, reparou. Era uma casa muito bonita e bem cuidada.
O caminho para a garagem e o curto espaço que a separava da entrada da casa são compostos por pequenos blocos de cimento postos lado a lado. A porta escura era um pouco mais larga que as portas convencionais, e os dois pararam sobre um tapete vermelho com um escudo do Bayern de Munique.
tocou a campainha e juntou as mãos com as dele antes que uma figura masculina abrisse a porta. Davi. Ele analisou de cima a baixo e depois de baixo a cima, parando demoradamente nas mãos juntas dos dois. Tinha uma garrafa de cerveja na mão direita, usava uma bermuda, camiseta e um boné virado para trás. E era do tamanho de .
– Você vai nos deixar entrar em casa ou vai ficar atrapalhando a passagem feito um idiota? – falou, soltando a mão de e abraçando o irmão da forma mais apertada que conseguiu.
– Entra logo. – Davi resmungou, abraçando-a de volta, dando um sorriso ao fazê-lo. – Vocês demoraram.
– É meio-dia agora, idiota. – falou, soltando-se do abraço, e virou-se para , que encarava a cena entre os dois irmãos. E parecia estranhamente familiar, porque ele e a irmã se tratavam da mesma forma quando se encontravam. – Davi, esse é . , esse é o Gremlin que meus pais acharam no lixo e pensaram que seria legal trazer para casa e ver no que daria, nós o chamamos de Davi.
– É um prazer finalmente conhecê-lo. – disse, educado, estendendo a mão, e Davi o cumprimentou.
– Agora seja educado e ofereça uma cerveja ao seu cunhado. – disse e Davi rolou os olhos. – Cadê a mãe e o pai?
– Cozinha. – Davi apontou e os três seguiram pelo corredor.
reparou que havia diversas fotos penduradas nas paredes do corredor pelo qual passavam. Fotos de e Davi juntos e separados, em atividades escolares, premiações, festas... os pais, outras pessoas. Havia um arranjo de flores também antes da entrada da cozinha. E quando entraram no cômodo, encontraram duas pessoas: os pais de .
O homem estava encostado ao batente da porta que dava para o quintal aos fundos da casa e era do tamanho de Davi, não parecia tão velho, apesar de ter alguns cabelos brancos espalhados pelos cabelos castanhos, estava de costas para a cozinha, tinha uma das mãos na cintura e observava alguma coisa no quintal.
A mulher era menor, devia ter pouco mais de um metro e sessenta, os cabelos eram loiros e estavam presos em um coque firme. Ela ria de algo que o homem tinha dito, enquanto lavava alguma coisa que não conseguiu ver o que era.
– Cheguei. – se anunciou e os pais se viraram na direção da voz dela.
era quase a cópia do pai, mas os olhos, tanto no formato quanto na cor, eram idênticos aos olhos da mãe. Ela abraçou a mulher de forma carinhosa, recebendo um beijo demorado no rosto, enquanto o pai de observava atenta e demoradamente. Ele também tinha uma cerveja em mãos.
– Finalmente! Achei que tivessem desistido de vir almoçar. – a mulher disse, dando outro beijo no rosto de e olhando-a demoradamente, segurando o rosto da mais nova entre suas mãos para analisar cada milímetro possível. Novamente, sentiu-se familiarizado, pois sua mãe fazia o mesmo todas as vezes que ele ia visitá-la. – Você está dormindo direito?
– Sim.
– Defina o dormir direito, . – a mulher a olhou séria e rolou os olhos antes de ir abraçar o pai, que a envolveu num abraço apertado que a fez soltar uma risadinha manhosa, enquanto se aconchegava ao carinho do pai. – Você vai começar a viajar pelo mundo de novo em breve, precisa dormir direito!
– Eu sei disso, Mama. E eu estou dormindo direito agora, porque finalizamos o álbum. E eu escrevi uma música para vocês. De novo. – falou, dando um sorriso para a mãe, mas sem se soltar do abraço do pai, e a mulher sorriu de volta.
– Fico esperando a minha música. – Davi reclamou em tom ciumento e o olhou de forma divertida.
– Eu já escrevi uma música para você, Davi, esqueceu? Aquela sobre o garoto idiota... – ela provocou e ele lhe mostrou o dedo do meio.
– E quem é esse rapaz bonito? – a mãe de , finalmente, virou-se para e deu um sorriso enorme ao vê-lo.
– Esse é o , mãe, meu namorado. – se soltou do abraço do pai e foi até , puxando-o pela mão até que ele se aproximasse mais da reunião familiar que acontecia ali e da qual ele tinha sido excluído. – , essa é minha mãe, Mia, e esse é meu pai, Thomas.
– É um prazer conhecê-los, senhor e senhora . – estendeu a mão para cumprimentar os dois.
A mãe de o olhava, encantada, o pai estava desconfiado, mas foi absolutamente educado.
– Pegue uma cerveja para ele, Davi. – Mia ordenou. – E não me chame de senhora, me chame de Mia. E ele é Thomas. Não somos tão velhos assim.
– Estávamos esperando vocês. – Thomas disse, sério, mas em tom educado e sem parecer rude. – Vamos colocar a mesa para almoçar.
– Qual o cardápio do dia? – Davi perguntou, curioso.
Sauerbraten mit Knödel e Käsespätzle. – Mia respondeu e deu um sorriso enorme ao ouvir aquilo.
Papa fez o Sauerbraten? – perguntou com um tom quase infantil pela descoberta do prato do dia e o homem assentiu, fazendo com que ela se virasse para antes de falar: – Prepare-se para mudar de opinião e considerar que esse é o melhor Sauerbraten mit Knödel que você vai comer na vida!
– Lavem as mãos. Seu pai e eu vamos levar para a mesa. – Mia disse, ainda olhando admirada para .
– Vão vocês lavarem as mãos. – apontou para os homens. – Vou ajudar minha mãe com isso. Só não matem o , por favor. Eu não tenho dinheiro suficiente para pagar ao Bayern se isso acontecer.
– Cala a boca. – Davi rolou os olhos e os três saíram da cozinha.
Mia agora tinha o olhar fascinado voltado para a filha.
Mama, para de me olhar assim. – resmungou.
– Bonitinho que seu namorado seja aquela sua paixãozinha adolescente.
– É, mas ele não precisa saber desse detalhe, Mama, por favor. – a mais nova resmungou, pegando a travessa com o Käsespätzle e seguindo até a mesa na sala de jantar.
Os pratos já estavam à mesa, faltava apenas levar a comida e o que seria bebido durante o almoço. As outras travessas foram levadas e os três homens se sentaram à mesa, as duas lavaram as próprias mãos antes de regressarem e sentaram-se para almoçar.
– E então, como vocês se conheceram? – Davi perguntou, curioso.
– Hugo e . – deu de ombros, enquanto se servia. – Hugo é o empresário de . Ele e são amigos da faculdade, acharam que seríamos um bom casal e nos apresentaram.
– Você deve estar bem feliz, kleine Schwester.
– Claro que eu estou feliz. Eu não namoraria alguém se não fosse para estar feliz com a pessoa, Arschloch.
– Olha os modos, mausi. – o pai a advertiu.
– Desculpa.
– Eu digo, você está feliz por estar namorando com ele, especificamente. – Davi provocou, dando um sorriso de lado.
– O que ele quis dizer com isso? – perguntou, curioso.
– Lembra que eu te falei mais cedo que quando o Davi fala a gente deve ignorar? Pois é. – respondeu, fuzilando o irmão com o olhar.
– Eu quis dizer que ela está muito feli... AI! Você me chutou? – Davi perguntou, bravo.
– Foi sem querer, kleiner Bruder. – ela disse, fingindo-se de sentida. – Desculpa.
– E há quanto tempo vocês estão namorando? – Mia foi quem quis saber.
Olhava encantada para , e ele estava mesmo ficando um pouco sem graça com toda aquela atenção.
– Acho que não tem nem um mês. – deu de ombros.
– É legal que você esteja namorando seu ídolo da adolescência, filha. – Thomas se pronunciou, fazendo Davi dar uma gargalhada exageradamente alta e soltar um resmungo.
– Ídolo da adolescência? – perguntou, sem entender o que o homem quis dizer com aquilo.
queria cavar um buraco e se enfiar lá.
– Chuta o pai também, . – Davi provocou e ela quis mandá-lo para cinco lugares diferentes, ainda que em outro idioma, mas não o fez em respeito aos pais que estavam à mesa também.
– Ela nunca te contou? – Thomas perguntou, surpreso. – Quando tinha uns dezesseis anos, ela era muito sua fã. Tinha pôsteres, camisas e tudo mais que pudesse e fosse relacionado a você e ao Bayern, mas nunca teve tempo hábil de ir conhecer os jogadores.
– Eu não sabia disso. – disse, reprimindo uma risada ao ver totalmente envergonhada.
– Quando ela começou a namorar, isso diminuiu, mas acho que não totalmente, pelo visto. – Mia falou, dando um sorriso para a filha, e Davi se segurava para não rir mais alto do que já vinha fazendo.
– Obrigada de verdade, gente. Agora ele vai encher o meu saco com isso para sempre! – resmungou, envergonhada. – E é exagero, eu não tinha pôster nenhum seu. Era uma foto que ficava colada ao lado de outras fotos dos jogadores do Bayern e da seleção.
– Com um monte de coraçõezinhos ao redor. E é mentira, porque não era só uma foto, eram várias. – Davi se pronunciou.
– Eu preferia que a mãe mostrasse fotos antigas embaraçosas. Seria menos vergonhoso do que isso. – resmungou e voltou a comer.
teve que se segurar para não rir da expressão desolada dela.
– Bom, eu não a conhecia pessoalmente, mas minha irmã é muito fã de desde o começo da carreira dela. Ainda tem pôsteres pela parede do quarto e tudo mais que é possível ter. Como nós morávamos juntos, posso dizer que eu também tinha pôsteres dela espalhados pelas minhas paredes. – falou, tentando amenizar a situação, e deu um sorriso para .
– Mas eles não eram seus. – David provocou.
– Vocês têm certeza que esse seu filho encontrado no lixo tem vinte e oito anos mesmo? – perguntou, rolando os olhos, e Davi lhe mostrou a língua.
– Mia, devo dizer, o almoço está fantástico. – mudou de assunto antes que os dois irmãos começassem uma discussão e acabassem jogando comida um no outro. – E, Thomas, excelente Sauerbraten mit Knödel. O melhor que já comi. Só não deixe minha mãe ouvir isso.
– Obrigado. – Thomas disse, dando um sorriso agradecido.
O almoço se seguiu, acompanhado de um Apfelstrudel com sorvete e creme. ajudou a mãe a lavar os pratos para colocar a conversa em dia com a mais velha, enquanto , Thomas e Davi conversavam animadamente na sala sobre pescaria, que era algo em comum entre os três. estava preocupada com tudo aquilo, não tinha a intenção de envolver a família naquilo, mas não tinha outra saída, porque eram namorados, e uma hora ou outra, os pais iam querer conhecê-lo. Ela também sabia que os pais não podiam gostar de , porque tudo não passava de uma grande mentira, e dali a dezoito meses aquilo acabaria, e ela não pretendia ficar ouvindo discursos saudosistas de seu namoro com seu ídolo da adolescência.
Os dois passaram o resto da tarde na casa dos pais de , conversando sobre várias coisas, e era quase noite quando finalmente foram embora, já que precisava voltar para Gelsenkirchen, afinal tinha de treinar no dia seguinte pela manhã. Despediram-se sem muita demora e prometeu voltar naquela semana, porque teria uma semana livre antes de gravar alguns vídeos e viajar para os Estados Unidos, onde faria três shows, além de gravar dois videoclipes, três programas de televisão e voltaria para casa, depois de um mês, para férias. Junto com as férias de .
– Minha fã, uh? – provocou, enquanto dirigia de volta ao próprio apartamento.
– Fatos exagerados. – respondeu sem olhá-lo e deu de ombros. – A camisa eu realmente tenho, quanto ao resto é mentira.
– Sei... – ele brincou. – Você vai me levar ao aeroporto?
– Vou. Você comprou a passagem? Eu não falei com o Mark e não sei se ele está lá e se o avião tem condições de voo.
– Comprei. – ele disse, assentindo positivamente.
– Então eu te levo. E vamos ficar um bom tempo sem nos ver, você sabe.
– É, você mencionou. E, sim, entendi bem que não devo postar mil fotos nossas e essas coisas, porque sempre fui muito reservado com a minha vida pessoal e assim continuarei. Alguns stories, quando você mandar, nada exagerado.
– Bom menino. – respondeu, dando um sorriso quando o olhou rapidamente antes de voltar sua atenção para a rua. – Que horas é o seu voo?
– Nove e quarenta.
– Temos tempo.
– Você viaja na outra semana ainda, certo?
– Sim.
– Preciso te levar até a minha casa, minha mãe vai querer te conhecer também, eu tenho certeza. E provavelmente a já deve ter falado muito sobre você e nosso namoro.
– Por mim tudo bem, a gente marca isso. – ela voltou a dar de ombros, colocando o carro em sua vaga habitual na garagem do prédio.
Os dois subiram em silêncio e ela seguiu o corredor até o próprio quarto, ele subiu até a parte aberta e observou a extensão da cidade que se iluminava aos poucos com o cair da noite. Sentia falta de Munique, não apenas do antigo time, mas da cidade em si. Era um lugar ótimo para morar, sua família e seus amigos estavam ali. Munique era um lugar fantástico e ele sempre amou tudo naquele lugar. Tudo.
Era péssimo estar sozinho agora, a maioria dos amigos estava em Munique, a mãe não podia ficar viajando o tempo todo, porque tem a própria vida na cidade, a mesma coisa também servia para sua irmã, com quem ele tinha acostumado a morar durante boa parte da vida. E esse é um dos inúmeros motivos de querer voltar para o Bayern, porque ali ele estaria perto das pessoas que ama, no lugar que ama e no time que ama. Não devia ter que sair de lá sem querer. Era feliz no Bayern, por que não podia continuar lá até se aposentar?
– Gostou da vista? – apareceu depois de um tempo. Usava uma calça jeans e uma camisa preta lisa. Os cabelos estavam molhados e ela os secava com uma toalha.
– É bem bonita.
– E inspiradora. – ela falou e parou ao lado dele. – Gosto de ficar aqui, me faz pensar bastante, e a maioria das músicas desse novo álbum saiu daqui.
– Posso lhe fazer uma pergunta? – ele perguntou sem olhá-la, ainda observava a cidade começar a acender-se para a noite.
– Tenho o direito de não responder? – perguntou e ele assentiu positivamente. – Então, sim.
– Você acha que foi “a escolhida” nessa história por causa dessa história de ser minha fã? – perguntou, mas ainda não a olhava.
– Eu tenho certeza absoluta que sim. Não acho que teria me deixado entrar nisso se fosse me prejudicar de alguma forma, mas tenho certeza que fui uma escolha proposital, não apenas pela mídia, mas porque eu nunca seria capaz de te prejudicar e jogar tudo isso no ventilador, caso eu me sentisse ameaçada ou sei lá o quê. Eu sairia como a vítima, vocês três sairiam como os vilões e eu acabaria com sua vida. Eu jamais faria uma coisa dessas. Nem por todo dinheiro do mundo eu seria capaz de prejudicar alguém, ainda mais se esse alguém for você.
– Obrigado. – agradeceu e se virou, olhando pela primeira vez desde que aquela conversa tinha se iniciado. – Tanto por aceitar entrar nessa história, quanto por não me cobrar nada.
– Se não der em nada, eu espero que pelo menos a amizade sobreviva.
– É, eu também. – disse, dando um sorriso fraco. – Ainda que seja bem estranho para as pessoas que ex-namorados sejam amigos.
– Ninguém precisa saber dos detalhes. – falou, dando um sorriso de lado. – E você deveria arrumar suas coisas, daqui a pouco preciso te deixar no aeroporto.
– Você vai fazer outro show aqui?
– Não. Agora só nos Estados Unidos, fico lá por um mês e volto. se casa, tiro férias, o álbum sai e eu começo a divulgação antes de viajar em definitivo para a turnê.
– Nós vamos namorar à distância, aparentemente. – ele disse num tom divertido.
– É. – ela riu. – Vamos namorar por fotos no Instagram.
– Mas você não vem para casa nenhum dia?
– Depois que os shows na Alemanha acabarem, eu não venho para cá antes do Natal. – falou e suspirou. – Mas vou mandar uns ingressos para você ir a alguns shows quando estiver desocupado. E, provavelmente, você vai comigo em algumas premiações, se estiver disponível.
– Você vai estar aqui em dezembro?
– Acho que sim, por quê?
– Jantar de fim de ano do clube. Seja lá qual for. Todos os clubes têm isso. – ele deu de ombros. – Se você estiver por aqui e quiser ir, seria legal te levar como acompanhante.
– Se eu estiver aqui, vou com o maior prazer. – ela sorriu.
– Vou arrumar minha grande bagagem que se resume a uma mochila. – ele riu.
– Vamos precisar comprar um terno bem bonito para você.
– Vamos?
– Sim. Você vai ao casamento da comigo.
– Quando você quiser. – ele disse e deu um sorriso simpático, saindo de perto de e descendo até o quarto em que tinha ficado.
Ela ainda ficou ali um tempo antes de descer as escadas e encontrar na sala.
– Você já está pronto? – ela perguntou, aproximando-se e ele assentiu. – Falta uma hora para o seu voo sair. Você já fez o check-in pelo celular?
– Fiz. – ele disse e a olhou.
Ela se sentou ao lado dele.
– É muito estranho tudo isso, você não acha?
– Só na frente das pessoas. – falou, dando de ombros. – Quando somos apenas os dois, não precisamos fingir nada. Podemos ser amigos.
– Podemos.
– Principalmente porque você tem um videogame e uma prateleira cheia de jogos. – ele brincou. – Será que dá tempo de uma partida de FIFA antes de ir?
– Duvido que vamos jogar uma só. – ela disse, rindo, e se levantou, indo até a prateleira e pegando o FIFA 2017. Ele já tinha ligado a televisão e ela se preocupou em ligar o videogame, e os dois se sentaram lado a lado. – Já está preparado para o mundo inteiro saber que você é meu pato?
– Coitada de você. – ele riu.
– Eu vou jogar com o Bayern.
– E eu com o Real Madrid.
– Você vai perder. – ela afirmou, enquanto colocava a partida para começar.
– Ninguém ganha de mim, . Eu sou invencível.
– Era. Até passar daquele elevador para cá. – ela piscou. – E eu vou te filmar nos stories e espalhar para o mundo inteiro que você é meu pato.
– Você não tem tanta sorte assim. – ele provocou enquanto jogavam e logo ficaram em completo silêncio.
Silêncio que durou até ele fazer o primeiro gol e dar um grito em comemoração, ficando de pé e erguendo os braços.
– Cristiano Ronaldo! SIIIIIIIIIU! – ele provocou.
– Eu vou virar.
– Claro que vai. – ele riu.
E ela virou.
Dois gols de Robben e ela gritou tanto que parecia que aquilo valia um título de Liga dos Campeões de verdade. Ele ria da reação exagerada e ela fez realmente um vídeo para postar no Instagram zoando o rapaz.
– Anda logo, você vai me fazer perder o voo. – ele disse, enquanto ela estava filmando.
– O que você tem a dizer sobre sua derrota? – provocou.
– Que foi sorte de principiante. – ele deu um sorriso debochado.
– Dá um tchauzinho para cá, gracinha. – ela provocou e ele rolou os olhos. – Meu pato.
– Anda logo, você vai me fazer perder o voo. – repetiu, rindo, e ela riu, publicando o vídeo.
– Vamo logo então. – ela falou e ele se pôs de pé, pegando a mochila no outro sofá e os dois desceram, enquanto ainda o provocava.
– Semana que vem tem troco. – ele resmungou e ela riu.
– Sonha. – disse quando entraram no carro.
Assim que afivelaram os cintos, ela deu partida e eles seguiram para o aeroporto, enquanto o alfinetava pela derrota no jogo e ele ria da empolgação com que ela comemorava. Ela deixou o carro no estacionamento e eles seguiram lado a lado, rindo.
– Acho que os stories não foram uma ideia muito boa. – ele resmungou quando avisou alguns fotógrafos que pareciam estar esperando pelos dois, mas ainda não os tinham visto.
Ela suspirou e passou o braço pela cintura dele e o fez abraçá-la pelos ombros.
– Aja naturalmente. – ela murmurou enquanto caminhavam.
Quando entraram no saguão, as presenças foram notadas pelos fotógrafos e os flashes começaram. O voo, felizmente, sairia em alguns minutos e ele não demoraria ali.
– Ei, casal, deem uma olhada para as fotos. – um dos fotógrafos pediu, mas eles não se viraram.
– Precisamos nos abraçar. – ela falou entredentes e estava virada de frente para ele e de costas para os paparazzi, apenas o envolveu com o outro braço e ele a abraçou, quase da forma como o pai dela havia feito mais cedo. – Nos vemos no fim de semana?
– Se você quiser ir para Gelsenkirchen me ver essa semana, pode ser antes. – ele falou, soltando-a minimamente para olhá-la nos olhos.
Um dos fotógrafos estava próximo, ouviria aquilo.
– Não posso garantir, porque preciso mesmo ajudar a com os preparativos do casamento. – ela fez uma careta e ele sorriu.
A primeira chamada do voo aconteceu e ele deu um sorriso de lado.
– Falamo-nos quando eu chegar em casa. – ele falou e ela assentiu.
– Boa viagem. – ela disse, dando em um selinho e um sorriso em seguida.
– Só isso? – ouviram um dos paparazzi falar.
A segunda chamada do voo. Ele se afastou, rumando ao portão em que seu avião sairia e ela nem mesmo se deu o trabalho de ouvir o que os paparazzi diziam, apenas deu meia volta e seguiu até seu carro. Aquelas fotos não demorariam a circular pela internet, ela sabia.

-x-


– Eu quero te dar um soco! – disse, séria, e a olhou, assustada.
Tinham terminado de escolher a decoração, cores, flores, pratos e tudo mais para o casamento, depois de uma semana de trabalho intenso na organização do evento.
– O que eu fiz?
– Estava enfiada naquele estúdio trabalhando! Eu não consegui fazer nada desse casamento e você pensou em TUDO em menos de uma semana! – a mulher disse num tom exasperado e gargalhou, esticando-se no sofá.
– Você está surtando porque vai casar, eu não. Eu consigo pensar tudo e combinando com seu vestido, com os das damas, local, a paleta de cores que você escolheu... – riu. – E você pode relaxar, porque está tudo feito e combinado. Agora é apenas esperar pela despedida de solteira, o jantar de ensaio, o SPA, prova de vestidos e do terno do Ian.
– Eu fico muito agradecida que você seja minha madrinha, porque você pensou em tudo bem rápido e me ajudou demais, mas vamos falar do que interessa. Quero saber essa história toda de namoro com o seu crush da adolescência.
, nós estamos um tanto velhas para usar essa palavra. – disse, rolando os olhos. – Não há muito que ser dito e... Bom, preciso te contar uma coisa, mas você tem que prometer que nunca vai contar nada para ninguém.
– VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA? – gritou, assustada, fazendo gargalhar e se sentar no sofá.
– Não. – ela disse, ainda rindo. – Se eu estivesse grávida, em breve o mundo inteiro ficaria sabendo.
– É, isso é.
– Mas é sério. Não vou conseguir mentir para você, e preciso que você guarde segredo eternamente.
– Ai, meu Deus... – se ajeitou no sofá e encarou .
e eu não somos um casal de verdade. É um contrato, porque ele quer voltar para o Bayern e para a seleção e precisa de mídia. E, aparentemente, eu fui a melhor opção. é amigo antigo do empresário dele e eles tiveram essa ideia.
– Como é que é? – parecia mais em choque ainda. – Então é mentira?
– É. – suspirou. – Eles acham que, por eu ter muita mídia, vou levar os holofotes para . A parte boa é que eu entro em turnê em breve, então não vamos passar muito tempo juntos, só vamos postar fotos falando que estamos sentindo falta um do outro e essas coisas. Quer dizer, eu né, porque ele não posta nada da vida dele, e se começar a fazer isso do nada, as pessoas vão desconfiar. Sou apenas um trampolim e um holofote para que ele ressurja, uma coisa bem fênix mesmo.
– Por quanto tempo?
– Um ano e meio a contar de quando assumimos, então faltam dezessete meses.
– Você sabe que dezoito meses e um ano e meio são coisas diferentes, certo?
– Sei, senhora minha advogada. – falou e soltou um suspiro, jogando a cabeça para trás, desviando os olhos de e encarando o teto. – E o problema é que essa proximidade toda não vai dar muito certo. Bom, pode dar algumas boas músicas, mas fora isso não acho que vá dar certo. Infelizmente, eu acho que não era só um crushzinho. E ele é gay, não vamos ter nada nem que eu queira muito.
– Eu vou matar o ! Onde já se viu? Isso não é coisa de se fazer! Ainda mais que ele sabe disso tudo!
– NÃO! – disse num rompante. – não pode nem sonhar que você sabe. Você vai ter que fingir que não sabe, que acha que somos o novo casal do futepop e que nos ama muito.
– Vocês acordaram alguma quantia em dinheiro? Por que esse contrato nunca chegou até mim?
– Não. E não é escrito, foram termos verbais. Não dá para correr o risco de redigir e isso cair na mídia.
– Eu sinto muito, . – abraçou a amiga. – Se eu pudesse, eu mataria o , mas não posso. E quero que você me apresente seu namorado, em todo caso. Sendo ele de verdade ou não.
– Ele é muito educado e fofo, apaixonável, eu diria, mas gay, e isso é fora do meu alcance.
– De onde você tirou que ele é gay? Ele falou?
– Não, mas nem precisa. – deu de ombros. – Está muito na cara.
– Eu não acho que seja, em todo caso, mas se você diz... – fez um carinho no cabelo da amiga. – Sabe, acho que devíamos sair para nos divertir.
– Não posso sair hoje, vou jantar com minha digníssima sogra.
– Vocês enfiaram suas famílias nisso?
– Não tem como ser diferente, . Eles não sabem. – ela suspirou. – E preciso ir, precisa de um terno para o seu casamento, e eu ainda tenho que ir para a casa da mãe dele.
– Espero que ele fique bonito.
– Claro que vai, eu estou refazendo o guarda-roupa dele, tanto que ele está bem menos largado agora.
– Isso é mesmo.
– E ainda tenho que fazer malas para viajar. – ela resmungou. – Mas volto para a última prova dos vestidos e a sua despedida.
– Ainda bem, porque você é quem vai garantir nosso acesso a qualquer lugar nessa cidade. – disse, rindo.
– Pela primeira vez na vida, minha fama vai servir de alguma coisa para você, olha que emocionante. – falou, rindo, e fez rir junto. – Falamo-nos depois.
– Depois você me conta sobre esse jantar.
– Com certeza. – se pôs de pé e as duas se despediram com um abraço.
tinha mandado uma mensagem, encontrariam-se na entrada da loja, e ela apenas dirigiu até lá, ligou para e pediu que mandasse os seguranças, porque ela sabia muito bem como as coisas ficariam. Ele estava esperando à porta, usava uma touca preta, uma blusa preta e uma blusa de frio também preta e calça jeans, claro, preta.
– Achei que você tivesse desistido. – ele deu um sorriso de lado quando a viu.
– Eu estava montando um casamento inteiro e agora vim salvar sua vida. – ela disse num tom divertido. – E vamos entrar nessa loja logo, antes que isso se torne impossível.
– Vou entrar e sair de muitos ternos hoje, né? – ele fez uma careta e ela assentiu.
– E vamos levar alguns, além de umas outras roupas. Inclusive, parabéns pela escolha de hoje, está ótimo. – ela sorriu e abriu a porta da loja, entrando e sendo seguida por ele.
– Eu estou todo de preto, .
– Pois é, preto nunca é um erro. E realça seus olhos. – ela sorriu.
– Boa tarde! – uma vendedora disse, animada, aproximando-se dos dois. – Posso ajudá-los a encontrar alguma coisa?
– Eu espero que sim. – sorriu e soltou um resmungo, derrotado.
Não teria chances de discutir roupas com ela. Nunca.

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– Vai jogar videogame, eu vou me arrumar para ir jantar com sua mãe. – disse quando entraram em seu apartamento. – Treina bastante, porque amanhã eu vou acabar com você.
– Vou te deixar pensar que sim. – ele riu.
– Prepare-se para mais stories, porque você vai tomar um banho no FIFA. – ela piscou. – E falando em banho, você não vai tomar banho?
– Não, primeiro porque eu tomei banho antes de ir te encontrar praquela sessão de tortura interminável; segundo, porque minhas coisas estão na casa da minha mãe. Se você quiser que eu saia usando alguma coisa sua, aí pode ser que eu tome um banho. – ele disse, rindo.
– Então espera aqui, vou me arrumar e já volto.
– Não é como se eu tivesse muita opção, em todo caso.
– Tem, você pode ir andando até lá. – ela sorriu, debochada.
– Eu não gosto de você. – ele falou, fingindo-se de sério, mas acabou rindo.
– O problema é todo seu, meu querido. – ela piscou e ele deu uma gargalhada.
– Isso que eu chamo de autoestima.
– Cala a boca, vamos sair atrasados por sua causa. – ela falou antes de sair da sala, mas o viu rolar os olhos.
tomou um banho demorado, estava cansada, porque e ela tinham realmente trabalhado duro para organizar todos os detalhes do casamento postergados por tanto tempo, já que a noiva estava atolada de serviço e a madrinha estava tão ocupada quanto. Por sorte, conseguiram fazer tudo que precisavam para o casamento, que seria dali a pouco mais de quarenta dias. Sorte, no caso, chama-se “ser mundialmente conhecida e as pessoas amarem te bajular por isso”.
A maior dúvida de naquele momento era o que vestir para ir jantar com a família de . Não queria causar má impressão. Vestiu uma calça jeans skinning preta, de cintura alta, e encarou as blusas do closet. Não queria ir muito desleixada, mas também não podia ir produzida, parecendo que estava prestes a ganhar um Grammy. Se fosse toda de preto, podia ser mal-interpretada, assim como se fosse muito colorida.
Colocou uma blusa cinza de mangas compridas e que batia na metade de suas coxas, um pouco mais grossa pelo frio inexplicável que fazia em Munique naquele dia, uma jaqueta jeans de lavagem clara e uma bota marrom de cano curto e com um salto pequeno de madeira. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo, fez uma maquiagem simples e leve, colocou um colar grande, pegou uma bolsa para colocar a carteira, chaves, outra blusa de frio e o celular, e voltou para a sala.
Ele estava sentado, concentradíssimo no jogo, com a boca aberta enquanto mexia os dedos pelos botões, e nem mesmo percebeu quando ela chegou ao cômodo.
– E aí, vai ficar jogando ao invés de irmos comer? – ela perguntou e ele desviou a atenção do jogo para a mulher.
– Vamos. Minha mãe deve estar esperando-nos. – ele se pôs de pé e desligou a televisão.
– Somos apenas os três?
– Não. vai levar aquele babaca que namora com ela. – ele rolou os olhos.
– Qual é a da implicância com ele?
– Ele é um otário.
– Ciúmes, entendi. – disse, rindo, e os dois saíram do apartamento. Uns andares abaixo, o elevador parou e um dos vizinhos de , que nunca a cumprimentava, entrou e ficou encarando os dois descaradamente, só parou quando desceu na portaria e eles continuaram no elevador até a garagem. – E então, devo saber algo sobre sua mãe?
– Só que ela é ótima. – ele sorriu, afivelando o cinto. – E provavelmente vai contar para você sobre seus pôsteres que a tem.
– É muito difícil ser fã nos dias de hoje. – resmungou enquanto tirava o carro da garagem.
dirigiu, seguindo as orientações de , até que chegaram à casa. Era uma casa muito bonita, diferente da casa dos pais de , era ampla e tinha um espaço grande entre a cerca e a porta de entrada. Ela estacionou à frente da casa e os dois desceram.
A cerca branca e a grama verde fizeram-na lembrar das casas de filmes, era como se aquela casa tivesse saído diretamente de algum filme e ido para Munique. A casa é amarela, mas não um amarelo berrante, um amarelo claro e discreto, o telhado era cinza e as portas e janelas, brancas. Um jardim no canto, muito bem cuidado, e que com toda certeza dava muito trabalho para estar tão bonito naquela época do ano. Parecia a casa da Barbie.
Os dois pararam em frente à porta e ele tocou a campainha, estendendo a mão para e ela entrelaçou os dedos aos dele. A porta não demorou a ser aberta por , que deu um sorriso ao ver os dois. Cumprimentou com um abraço e um beijo no rosto e deu um abraço no irmão.
– Que cheiro gostoso. – falou quando entrou na casa.
– Eu te falei, minha mãe é a melhor. – deu um sorriso, que morreu assim que viu o cunhado aparecer no hall e dar um sorriso para ele.
– Ah, finalmente vocês chegaram. – Höward disse e olhou demoradamente para .
– Alguém ficou jogando FIFA e esqueceu que tínhamos que sair. – provocou . – Talvez agora ele aprenda a jogar e consegue me vencer.
– Você teve sorte, já falei.
– Reconheça, eu sou melhor que você. – ela voltou a provocá-lo.
– Eu ganho dele no FIFA, ele é realmente péssimo. – entrou na brincadeira e rolou os olhos.
– Você ganhou uma única vez, e porque eu deixei.
– Se isso é o que te faz colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo, tudo bem. – disse, rindo. – E vamos comer, eu estou morrendo de fome. E a mãe fez aquele risoto maravilhoso.
– Ela não tinha dito que ia fazer ravióli? – perguntou, confuso, enquanto caminhavam até a cozinha.
reparou nas fotos pelas paredes; e em uniformes de futebol e quimonos, roupas comuns, fotos de escola, além de fotos com os pais, sozinhos e juntos. Os dois pareciam ser bem amigos desde pequenos, ainda que a diferença de idade fosse razoável: seis anos. E talvez isso explicasse o ciúme de pela irmã.
– Chegamos. – disse, entrando na cozinha.
A mãe estava arrumando a mesa e já havia colocado a travessa de raviólis por lá. Ela ergueu os olhos e deu um sorriso ao ver os dois juntos. reparou como se parecia com ela, ainda que fosse muito mais parecido com o pai, os traços da mãe estavam bem presentes nele. A mulher caminhou diretamente até , já que havia visto o filho mais cedo, e a abraçou.
– É um prazer conhecê-la, finalmente. – a mulher sorriu quando soltou-se do abraço. – Meu nome é Helga.
– Muito prazer, eu sou , mas me chame de , por favor.
disse que você gosta de comida italiana, fiz ravióli especialmente para você. – a mulher sorriu.
– Não era risoto? – perguntou, confusa.
– Tapada. – a deu um tapa na testa e a irmã o beliscou.
– Parem com isso, vocês dois. – Helga disse, séria. – O que vai pensar sobre nossa família se vocês ficarem implicando um com o outro assim?
– Vou pensar que todos somos iguais. – deu um sorriso. – Meu irmão e eu somos do mesmo jeito.
– Temos que lavar as mãos antes de comer. – se pronunciou. – Vem, .
– Com licença. – ela pediu e saiu com pelo corredor até o banheiro que ficava algumas portas à frente. – Que cara é essa?
– Eu detesto esse namorado da . – ele resmungou, enquanto lavavam as mãos no banheiro do corredor. – E ele está olhando para sua bunda descaradamente. Não está nem mesmo tentando disfarçar e na frente da minha irmã. Ele é um otário.
– Relaxa. – ela sorriu, secando as mãos e ele fez o mesmo. – Vamos jantar e logo isso acaba.
– Tudo bem. – ele resmungou e os dois voltaram para a cozinha.
O jantar foi tranquilo, a mãe de fez basicamente as mesmas perguntas que os pais de , sobre como tinham se conhecido, desde quando estavam juntos e coisas típicas de pais quando os filhos levam os namorados até suas casas para serem formalmente apresentados.
e Höward também participavam da conversa, e reparou como o homem a olhava. Nojento. , como se tivesse percebido, puxou-a para mais perto e ela se encostou nele. Não era possível que não tivesse notado que o namorado estava agindo daquela forma.
Comeram um pudim de leite condensado de sobremesa, e resolveu ajudar a sogra com a louça. Mandou para a sala com o cunhado e a irmã, e as duas ficaram sozinhas na cozinha. Por um tempo, ficaram em silêncio, lavava os pratos e Helga os enxugava e guardava.
– Você gosta dele mesmo? – Helga perguntou e se virou para olhá-la.
A mulher tinha um olhar ansioso, de uma mãe excessivamente protetora e que queria resguardar o filho de todo mal.
– Gosto, sim. – sorriu de lado.
Não era mentira, em todo caso, afinal.
– Desde que o pai deles morreu, se tornou um menino muito fechado e retraído, o futebol é a única coisa que o faz relaxar e se soltar. E essas lesões todas também o tornaram tão mais fechado e o entristeceram tanto... Logo depois ele teve que se mudar, saiu do clube do coração e perdeu espaço na seleção. Não quero que meu filho sofra mais, por favor, não o magoe. – Helga disse, séria, e assentiu, dando um sorriso leve para a mulher.
– Não tenho essa pretensão. E espero que eu consiga fazê-lo feliz.
– Eu também. E fico muito feliz que, finalmente, ele tenha aberto o coração de novo. E espero que ele nunca mais o feche, vocês formam um casal bonito.
– Obrigada. – agradeceu, dando um sorriso, mas tinha o coração na mão.
Ninguém tinha medido exatamente as consequências daquele contrato. Era uma granada que feriria muita gente quando explodisse.

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meine Süsse – meu docinho
kleine Schwester – irmãzinha
Arschloch – imbecil
kleiner Bruder – irmãozinho


Capítulo 3


– Acorda, vamos desembarcar. – sentiu sacudi-la de leve e soltou um resmungo.

tinha demorado uma eternidade até conseguir dormir no avião e sabia que não poderia continuar seu sono quando chegasse ao hotel em Los Angeles, local da primeira gravação.
Naquela viagem aos Estados Unidos, ainda iria a San Francisco e Las Vegas para gravar os outros dois videoclipes. Faria três shows: um em Denver, um em Miami e um em Dallas, voltaria à Califórnia para gravar The Ellen Show e voaria para Nova York, onde gravaria programas com Jimmy Fallon e James Corden, além de um pocket show, resultado de uma promoção de uma rádio local, e voltaria para a Alemanha. Era cansativo só de pensar.
O desembarque foi tranquilo, tirou fotos com fãs que estavam por lá, além de alguns fotógrafos que costumeiramente fazem plantão em aeroportos e quem chegar é o “sortudo” de ser fotografado, mas foi bastante tranquilo. Seguiram rapidamente até o hotel, deixaram as coisas e tomaram café da manhã antes de irem para o local em que gravariam algumas partes do primeiro videoclipe, que era um dueto com um cantor americano.
Passaram o dia em gravação, parando algumas vezes para acertar detalhes de filmagem e roteiro, uma pausa rápida para o almoço e depois retornaram a todo vapor. Voltariam no dia seguinte, e em todos os demais dias daquela semana, trabalhariam pesado e tentariam terminar tudo dentro daquele prazo.

– Eu dormiria por cinco dias inteiros se eu pudesse. – resmungou enquanto subiam de elevador até o andar em que estavam hospedados.
– Mas não pode. Você tem que estar pronta para sair às oito da manhã. – disse sério e resmungou quando a porta do elevador se abriu, revelando o corredor amplo e vazio.
Não teria oito horas de sono, mas como o dia havia sido realmente produtivo, não demorariam todos os dias daquela semana para gravar todo o videoclipe e revisá-lo, então, provavelmente, conseguiria descansar durante todo o fim de semana, se não surgisse nenhum compromisso de última hora arranjado por .
O celular tinha sido esquecido o dia inteiro, não teve tempo para olhar nenhuma notificação de redes sociais. Não receberia ligações, porque o celular não funcionava ali, mas o Wi-Fi era suficiente para conseguir falar com os pais e amigos. Se é que teria tempo de fazer isso durante aqueles dias.
Despediu-se de com um abraço e caminhou preguiçosamente até seu quarto, indo direto para o chuveiro. O banho quente era uma tentativa de relaxar os músculos e tornar o ato de dormir mais fácil, mas nem mesmo teria tempo hábil para aproveitar seu sono. Ainda que com fome, ela se jogou na cama de roupão e apagou quase que imediatamente.

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– Podemos refazer? Não gostei desse take. – pediu ao diretor enquanto assistiam ao que tinha sido gravado.
– Qual o problema?
– Não enquadrou bem, o ângulo não ficou bom. E, se você prestar atenção, aqui no canto – ela apontou. – dá para ver a outra câmera. Ficou parecendo os meus primeiros vídeos que eu fazia em casa antes de ser famosa.
– É mesmo. – o homem resmungou, observando atentamente o que tinha dito. – Vamos refazer.

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– E então, como anda o namoro? – Hugo perguntou a .
Os dois passaram o dia todo jogando videogame e conversando, como os bons amigos que sempre foram, mas mal tinham tempo para sê-lo daquele jeito nos últimos tempos.
– Ótimo. – respondeu, dando de ombros, e Hugo riu. – Ela viajou tem uns quinze dias, só sei que está viva porque tem postado algumas fotos e eu curto e comento algumas, conforme manda o nosso contrato e a dica dela sobre não comentar tudo para não dar bandeira.
– Ela entende de marketing, no fim das contas. Eu espero que isso dê resultado.
– Eu também espero, porque tivemos que nos apresentar para as famílias um do outro. – falou e Hugo o encarou, surpreso. – Eu imaginei que sua cara seria essa, duvido que vocês tenham pensado nisso quando tiveram essa ideia incrivelmente louca e estúpida.
– Realmente não pensamos, até porque vocês estão bem grandinhos para ficarem se apresentando para a família e essas coisas. Mas logo acaba, vocês têm prazo de validade.
– Só espero que isso renda seleção e minha volta para o Bayern.
– Você está recuperado e jogando bem, então não tem motivos para isso não acontecer. E eu preciso ir, tenho um encontro.
– Eu desejaria sorte, mas você não é o tipo de cara que precisa disso. – falou, fazendo Hugo rir antes de trocarem um abraço e o amigo ir embora, deixando-o na companhia apenas de seu cachorro.
O celular soou em notificação e, quando a tela foi desbloqueada, encontrou uma mensagem de .

: Esse é o link da entrevista pra Ellen, falei de você
Jimmy e James saem essa semana, te mando depois
Ela vai postar no perfil do Instagram e nos marcar, só curtir e comentar um coração, já tá ótimo
Enfim, preciso passar o som pro show
Nos falamos depois

abriu o link enviado e se deitou no sofá, segurando o telefone para assistir ao vídeo: uma entrevista de quinze minutos num talkshow muito famoso dos Estados Unidos e mundialmente conhecido.
E legendada.
Mentalmente ele agradeceu à por isso.

– Hoje nós vamos receber a cantora alemã que arrasta multidões para seus shows em todos os cantos do mundo. Dona de uma voz linda e de um talento incrivelmente absurdo. , pessoal. – Ellen disse e uma música de introdução tocou, aplausos e apareceu.
Estava com um jeans preto de cintura alta, uma camisa larga de flanela xadrez grosso azul-escuro com preto, com as mangas dobradas até os cotovelos e com a parte da frente dentro da calça e um sapato de salto alto, também preto, cabelos soltos e uma maquiagem muito bonita. As duas se sentaram em poltronas separadas após se cumprimentarem com um abraço.
– Fico muito feliz que você tenha vindo ao meu programa.
– Finalmente.
deu um sorriso.
– Você está no país para shows, certo?
– Certo, mas também vim gravar algumas coisas.
– Que tipo de coisas?
– Videoclipes.
– ela sorriu. – E alguns programas de televisão.
– Videoclipes?
– Ellen perguntou, surpresa, e assentiu.
– Sim. Meus fãs podem esperar boas novidades ainda para esse ano. – ela disse, sorrindo.
– E seu novo álbum está para ser lançado, não é?
– Isso. Lançamento mundial em quinze de agosto.
– E você não escolheu nenhuma música para lançar antes?
– Nós resolvemos fazer algo diferente dessa vez, e quando eu voltar para a Alemanha, vamos começar a divulgar o lançamento.
– Eu gosto muito do seu trabalho, você sabe.
– Ellen disse, sorrindo, e sorriu junto ao ouvir aquelas palavras. – E eu te acompanho nas redes sociais, você é bem ativa.
– Eu já fui bem mais ativa e interativa.
– E você está namorando.
– Sim.
deu um sorriso ao responder. Um sorriso iluminado, quase como se estivesse mesmo apaixonada, percebeu.
– E ele é jogador de futebol? Quer dizer, aquilo que vocês chamam de ‘football’, mas que na verdade se chama ‘soccer’.
– Ele é.
concordou, dando uma risadinha. – E realmente se chama ‘football’, joga-se com os pés.
– Você está errada.
– Ellen falou e riu. – Como é o nome dele?
. .
– E como vocês se conheceram? Porque você torce para outro time, não é?
– Ele jogou no meu time por muito tempo, o Bayern, mas não nos conhecemos nessa época. Fomos apresentados por amigos em comum, criamos uma amizade e agora estamos juntos.
respondeu e deu um sorriso.
– Vocês foram vistos algumas vezes pelas ruas e você postou alguns vídeos jogando videogame com ele. – Ellen disse e nesse momento algumas fotos apareceram na tela atrás das duas.
Os stories, fotos de paparazzi e uma que tinha postado nos stories há alguns dias, tirada no apartamento dela, ele estava sorrindo e ela fazia uma careta, entortando os olhos.
– E ele não conseguiu me vencer ainda, coitado.
– E como está sendo esse mês longe?
– Muito bom por tudo que eu estou fazendo, pelos projetos e gravações que estão sendo feitas, mas é péssimo estar longe dele.
– ela franziu o nariz ao falar, fazendo uma careta que considerou fofa, e a plateia soltou um sonoro “awn” ao ouvir. – Mas nos falamos todos os dias e, nas folgas que tive, nós jogamos online e ele ainda não ganhou.
– Você acha que ele está te deixando vencer?
– Não, porque ele é competitivo demais para deixar isso acontecer.
– Então, como eu disse, eu te acompanho nas redes sociais e percebi que você já tinha mencionado seu namorado diversas vezes antes desse romance começar.
– Ellen disse num tom risonho e arregalou os olhos, ficando vermelha.
– Não! Ai, meu Deus. Ai, meu Deus! tampou o rosto com as mãos, fazendo Ellen e a plateia gargalharem com seu gesto. – O dia que apresentei ele aos meus pais, eu passei vergonha, se ele assistir isso, nunca mais vai me dar paz.
– Mas você nem sabe o que é!
– Ellen disse, rindo.
– Eu faço uma boa ideia. resmungou, envergonhada.
No mesmo momento, apareceram alguns prints de tweets dela falando sobre ele. Tweets antigos, além de fotos que ela tinha postado no Twitter com os tais pôsteres que Davi tinha falado, fotos usando as camisas dele, do Bayern e da seleção. E riu bastante ao ver as caras e bocas que fazia ao ver as fotos passando no telão.
– Eu não faço a menor ideia da maioria das coisas que estão escritas, mas a julgar pelos emojis, você já tinha uma quedinha por ele.
– Mais ou menos isso.
resmungou, envergonhada. – Tá bom, chega.
– Mas é bonitinho. – Ellen falou, segurando o riso ao ver a expressão que tinha. Ela estava absolutamente sem jeito. – Ele era seu ídolo, e vocês agora estão namorando! soltou um resmungo em concordância, fazendo Ellen e a plateia rirem mais. – E como você tinha tempo de ir a jogos?
– Essas fotos são de antes de eu ter uma carreira e ser mundialmente conhecida. Eu terminei a escola e iniciei uma turnê, mas eu sempre acompanhei meu time, ainda que por links na internet e televisão. Cresci vendo meu pai e meu irmão serem torcedores fanáticos, aprendi com eles a amar o Bayern. Eu ia bastante aos jogos, ainda vou quando estou em Munique ou em algum país em que o time esteja jogando.
– Você esteve em um jogo recente do , é assim que se pronuncia?
– Ellen perguntou e ela assentiu. – E não usou a camisa do time, mas da seleção.
– Eu torço para o Bayern, não vou vestir outra camisa. Ainda mais uma camisa do Schalke.
disse, franzindo o nariz em careta. – Somos rivais e, bom, isso não vai acontecer. Como ele já esteve na seleção, usei uma blusa que agrada gregos e troianos.
– E por que ele não está mais?
– Ele sofreu lesões muito sérias, ficou muito tempo fora dos campos, passou por cirurgias e recuperações lentas e dolorosas. Vê-lo de volta agora é maravilhoso, porque ele realmente ama o que faz e o faz com toda sua alma e dedicação. Ele vem jogando bem e aposto que logo volta a ter espaço na seleção.
– ela disse num tom sincero.
– Já falamos demais dele, vamos falar sobre você, que é a minha convidada e de quem eu quero saber várias coisas e aposto que seus fãs também. – Ellen disse num tom espontâneo e fez rir da mudança. – Você gravou uma música com Smith recentemente.
– Ele é ótimo! Foi bem legal cantar com ele. Ele tem talento escorrendo pelos poros, chega a ser irritante como ele é absurdamente talentoso e fantástico, como cantor e como pessoa. Ele é simplesmente maravilhoso! Admiro o trabalho do há bastante tempo, nunca o tinha visto e nem o conhecia pessoalmente, mas foi ótimo.
– Eu fiquei sabendo que você é muito fã de John Mayer.
– Absolutamente!
disse, animada. – Tive a oportunidade de cantar com ele no ano passado e posso dizer que foi o melhor dia da minha vida.
– Vocês cantaram juntos num show dele?
– Em uma premiação em Nova York. Nós éramos duas atrações do evento, ele simplesmente apareceu na passagem de som e sugeriu que cantássemos juntos, disse que podia ser algo meu, mas cantamos “Edge of Desire”, uma música dele, que é uma das minhas favoritas, e foi ótimo. E ele me seguiu no Instagram nesse dia, curte minhas fotos, e eu fico igual uma louca quando isso acontece.
confessou, rindo.
– Acho que só precisa ter medo de um homem. – Ellen disse, rindo, fazendo a plateia e gargalharem.
– Talvez. – ela concordou, rindo.
– Você vai cantar para a gente?
– Vou.
– E o que você vai cantar?
– Pensei em cantar uma música do álbum passado, que escrevi para os meus pais. All About You.
– ela deu um sorriso ao falar, e automaticamente abriu um sorriso.

já conhecia e gostava muito do carinho de pela música, que costumava dizer que aquela era a sua música favorita. E tinha se tornado uma das favoritas dele também. achava a letra muito bonita e a voz de era realmente muito boa e perfeita para falar aquelas palavras.
Depois de cantar, as duas fizeram uma espécie de jogo, mas não considerou que aquilo fosse tão relevante, já tinha visto o que precisava e logo encerrou o vídeo.
Por estar sozinho e sem o que fazer, resolveu que importunar um pouco era uma boa ideia. Abriu o aplicativo do Twitter e começou a retweetar coisas antigas que ela tinha postado sobre ele e comentando as fotos dela usando suas camisas, tanto no Twitter quanto no Instagram. Enquanto fazia isso, ria imaginando que ela iria matá-lo assim que tivesse oportunidade, mas se não podia vencê-la no FIFA, deixaria-a irritada.
Ele procurou pelo user dela no Twitter, pesquisando o mesmo acompanhado de "", e acabou dando boas risadas de alguns tweets de fãs e de tweets dela, porque ao mesmo tempo em que dizia que o amava, estava xingando por algum erro nos jogos, tanto do Bayern quanto da seleção. E, claro, a atividade dele no Twitter deixou boa parte dos fãs dela agitados, interagindo, retweetando e favoritando as coisas também. E logo os nomes dos dois estavam no Trending Topics mundial.
fechou o aplicativo, abriu o Instagram e postou uma foto dela em um show da turnê passada nos stories, desejando um bom show e falando que estava sentindo sua falta, deixou o celular de lado e foi tomar banho. Ligou a televisão, ia assistir alguma coisa, qualquer uma, até ter sono suficiente para dormir.

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acordou com o celular tocando, abriu os olhos com dificuldade e o visor mostrava uma ligação via Skype e que eram quase quatro da manhã. . Devia ser importante, então ele atendeu como vídeo-chamada mesmo.

– AI, MEU DEUS! Eu esqueci do fuso! Me perdoa.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou, preocupado, esfregando os olhos e olhando para a tela do celular.
– Não. Só queria conversar com alguém. E acho que você seria uma boa, porque poderia me explicar o que diabos você arrumou naquele Twitter hoje!
– Eu estava entediado, precisava me distrair um pouco.
– Você é um idiota, isso sim. – resmungou.
– E como foi o show?
– Ótimo. Durou uma hora, foi num espaço pequeno, uma promoção de rádio e quarenta pessoas estavam na plateia, foi muito legal.
– E quando você volta?
– Na semana que vem. Vou a Chicago gravar uma campanha e conversar com uns produtores do álbum para mudar umas coisas.
– Mas o álbum não está pronto?
– Sim, mas eu quero uma opinião sobre arranjos e algumas outras coisas. E, talvez, mudar algo antes do lançamento oficial.
– Entendi.
– Desculpa ter te acordado, eu esqueci do fuso e você tem que acordar daqui a pouco para treinar. Vai dormir, eu também vou.
– Não vou rejeitar a proposta. – falou, dando um sorriso que a fez sorrir também. – Achei bem legal sua entrevista na Ellen. Você tem uma boa relação com as câmeras.
– Benefícios das aulas de teatro. falou óbvia, mas riu.
– E gostei muito da música que você cantou, até agora é minha versão favorita.
– Obrigada. Agora vá dormir, não quero você dando desculpas de estar com sono quando perder no FIFA para mim.
– Boa noite, . – se despediu antes de encerrar a ligação e voltar a dormir.

Tinham conversado bastante no mês em que ela tinha passado longe, ainda que tivessem que usar brechas de tempo e enfrentar um fuso horário para isso. Usaram os momentos livres para jogar online, e tinha de admitir, é realmente boa jogando videogame.
Os dois conversaram sobre séries e filmes, além de músicas. E, com todas essas conversas sobre assuntos aleatórios, a única coisa que queria era que, quando tudo chegasse ao final, a amizade entre os dois permanecesse, pois ele tinha percebido que é uma boa pessoa para conviver e para se ter amizade.
Se aquele contrato faria algum efeito para seu retorno ao Bayern e à seleção alemã, ele não fazia ideia, mas o número de seus seguidores em redes sociais e comentários em suas postagens, além de notícias sobre ele, tinham aumento exponencialmente depois de terem, oficialmente, assumido o namoro.

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– Minha filha me perguntou se você consegue um autógrafo da sua namorada para ela. – Lars, o motorista do ônibus do Schalke 04, disse quando viu saindo do treino.
Já era oficial que ele não continuaria no elenco para a próxima temporada, ele estava prestes a entrar de férias e a ficar desempregado.
– Consigo. – respondeu num tom simpático. – Ela chega de viagem na semana que vem, peço para ela e te entrego antes de viajar para Munique.
– Você não vai ficar mesmo?
– O time não tem interesse em me comprar, e o Bayern também não tem interesse na minha volta.
– E para onde você vai?
– Ainda não sei. Tenho uma proposta do Chicago Fire para jogar a MLS, Liverpool e o Stuttgart também têm interesse. Hugo está cuidando disso.
– Você é bom, filho, vai dar a volta por cima.
– Espero que sim, Lars. – falou e deu um sorriso de lado. Os dois trocaram um abraço e seguiu até o próprio carro. Quando estava prestes a ligar o carro para sair, o celular chamou e ele o pegou, percebendo que era uma solicitação de chamada de vídeo feita por . – Olá.
– Você precisa aprender a falar inglês. E a escrever em inglês, porque aquele seu agradecimento tem uns erros muito horrorosos.
– Oi, , tudo bem? – brincou e ela deu uma risada.
– Tudo melhor que seu inglês. E você?
– Tudo bem também.
– O Bayern não quis mesmo renovar?
– Não. Recebi uma proposta do Chicago Fire para jogar a MLS e tem uma, agora oficial, do Liverpool e outra do Stuttgart.
– E alguma delas é boa?
– Segundo o Hugo, a do Chicago é a melhor, mas ir para lá é pedir para nunca mais voltar para a seleção. A do Liverpool é boa, mas eu não teria espaço. A do Stuttgart é boa financeiramente, eu já joguei lá na base, então é um lugar que conheço e é aqui na Alemanha mesmo, vou ficar perto da família e dos amigos.
– Que horas é o seu último jogo?
– Sábado, às três e meia, horário local.
– Espero que seja um bom jogo. Não chego a tempo. Vou chegar só no domingo à noite. Desculpa.
– Não tem problema, . Nem sei se vou jogar.
– Tomara que sim. E que faça um gol, para eles ficarem bem arrependidos de não comprarem você.
– Não acho que um gol vá fazê-los mudar de ideia, mas obrigado. – agradeceu, rindo. – E como estão as coisas?
– Boas. Fiz alguns ajustes em algumas músicas, e agora sim meu álbum está perfeito.
– Ele já estava, . O lançamento ainda é o mesmo?
– Sim. Mesma data. Você está em casa?
– Não, eu estou saindo do treino, preciso começar a arrumar minhas coisas para viajar para Munique e depois para mudar.
– Então nem vou te atrapalhar, só queria saber se era verdade mesmo que o Bayern não quis renovar. Eu estou num SPA aqui e liguei enquanto espero o horário da minha massagem.
– Que vida boa. – brincou.
– Olha, eu estou destruída! Tive um mês intenso, eu mereço.
– Merece.
– E vou passar três dias fazendo detox, não sei para quê! Vou encher a cara de comida de verdade assim que sair daqui.
– Eu te espero com um balde de frango frito e cerveja. Além de um bom FIFA.
– Eu estou pensando em te deixar ganhar uma partida, porque já tá humilhação demais. provocou.
– Sem frango frito e sem cerveja para você. – respondeu de má vontade e ela deu uma gargalhada.
– Minha vez chegou! Nos vemos em Munique para dar um jeito nessa sua cara.
– Começou...
– Se você ousar cortar esse cabelo antes de eu voltar, vou te dar uma surra. E nem é no FIFA que eu estou falando.
– Tchau, . – disse, entediado, e gargalhou do outro lado, mandando beijos, e desligou.

Ele guardou o celular e ligou o carro para sair do centro de treinamentos, rumo à sua casa. Teria a última semana ali antes do final da temporada – que o Bayern venceu sem nenhuma dificuldade e quase vinte pontos à frente do segundo colocado – antes de estar, oficialmente, de férias e desempregado.
O Schalke terminará no meio da tabela, não vai à Liga Europa, tampouco à Liga dos Campeões, terá que se contentar em disputar competições nacionais na próxima temporada. Só restava a torcer para que na próxima temporada ele esteja visível e retorne para o lugar ao qual suas lesões o tiraram.

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– Foi um bom jogo, pena que você não jogou. – ouviu uma voz feminina quando estava passando pelo túnel de acesso aos vestiários e ergueu a cabeça, dando de cara com .
Ela sorria, ainda que estivesse muito cansada e ansiando por sua própria cama para dormir por horas a fio, tinha conseguido antecipar a volta para estar ali no último jogo dele, usando uma camisa azul (não a do time), mesmo que ele tivesse ficado na reserva e nem mesmo tivesse entrado em campo.
se perguntava como ela tinha conseguido chegar até o corredor que levava aos vestiários, mas no fundo ele sabia a resposta: Ela é . E isso abre todas as portas do mundo. Inclusive as que levam aos vestiários de um time.
– Empatamos com o vice-lanterna, . – falou, fazendo uma careta, e riu.
– Acontece.
– Parabéns pelo campeonato.
– Obrigada. E eu estou esperando meu abraço, a gente não se vê há um mês e você vai ficar parado, encarando-me feito um dois de paus? – ela falou, abrindo os braços, e só então se atentou para as vozes que começavam a ecoar pelo corredor, juntamente com os passos, anunciando que os outros jogadores estavam passando por ali.
Estava há um mês sem ver a namorada e nem perto o suficiente dela ele estava. encerrou a distância entre os dois e a ergueu num abraço que a fez rir.
– Bom te ver. Senti sua falta.
– Digo o mesmo. Você vai pra Munique comigo? – perguntou quando foi colocada no chão e o abraço foi separado.
– Vou para Gelsenkirchen com o time, minhas coisas estão lá. E o Petros. Mas viajo essa semana para Munique.
– Acho que vai ser difícil de te ver, porque os preparativos finais para o casamento da vão me consumir muito tempo. Preciso ir na última prova dos vestidos, despedida de solteira, jantar de ensaio, SPA, casamento... – ela disse num tom cansado que fez rir.
– Ah, preciso lhe pedir uma coisa.
– Fala.
– A filha do Lars, o motorista do nosso ônibus, é muito sua fã. Ela quer um autógrafo seu.
– Então me dá algo que eu possa assinar. – respondeu, sorrindo. – Você sabe o nome dela?
– Não, mas pergunto ao Lars. Você espera aqui.
– Claro que espero, não vou entrar para ver vocês tomarem banho. – falou, rindo, e rolou os olhos. – Vai logo.
– Você é muito chata. – falou, entediado, e riu, enquanto o observava seguir até o vestiário.
– A patroa veio te buscar? – Donis provocou, rindo.
– Só me ver. – respondeu, dando de ombros, e foi pegar o celular na mochila. – Preciso ir para Gelsenkirchen antes de sair de férias oficialmente. E ela tem uma semana e tanto antes do casamento da melhor amiga.
– Ela não tem nenhuma amiga solteira para me apresentar?
– Acho que não, mas posso perguntar. – respondeu sem olhá-lo, digitando a mensagem para Lars e o homem respondeu na mesma hora com o nome da filha. apenas trocou de roupa e saiu do vestiário, afinal não tinha jogado e nem suado estava. continuava esperando e parecia adorar o fato de estar sozinha. – O nome dela é Andie e ela tem doze anos.
– E o que eu vou autografar? – ela se desencostou da parede e olhou , dando-lhe um sorriso.
– Minha camisa? – perguntou em dúvida e ela assentiu.
– Preciso de uma caneta, . – ela deu uma risada quando lhe entregou a camisa e parou, esperando que ela a assinasse. Os companheiros de time começavam a sair do vestiário e logo ele teria que ir embora.
– Puta merda, onde eu vou arrumar uma caneta? E nem pode ser uma caneta comum, tem que ser aquelas... – gesticulou sem saber o nome e riu.
– Tem caneta normal e papel? – perguntou e negou com um aceno. – Algum dos seus companheiros de time, provavelmente, deve ter aquelas canetas de autografar camisa. Ou alguém do staff.
– Verdade. Espera aqui. – falou e lhe deu as costas, andando rápido até onde sabia que encontraria alguém do staff do time.
Conseguiu a tal caneta permanente e voltou o mais rápido que podia, estava fazendo um vídeo no celular e percebeu que era para Andie. Ela autografou a camisa e digitou algumas coisas no celular, fazendo o celular de vibrar em seu bolso.
– Mandei um vídeo para você passar para o Lars e ele passar para a filha. – ela sorriu.
– Você vem para Gelsenkirchen comigo? – perguntou e negou com um aceno.
– Eu estou mais perto de casa, preciso descansar e regular meu sono nesse fuso de novo. E nem fui em casa, desci no aeroporto de Munique e vim.
– Tudo bem, a gente se vê essa semana. – falou e assentiu positivamente.
– Boa viagem. – ela sorriu e lhe deu um abraço, seguido de um selinho e se virou, saindo do campo de visão de .
– Vocês passam um mês longe e mal se encostaram? – ouviu Donis falar enquanto se aproximava.
– Você queria que a gente se agarrasse no meio do corredor, cara? – perguntou, rindo. – Já estamos muito velhos para isso, Donis. O único adolescente aqui é você.

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– Você está maravilhosa. – falou quando viu na entrada do local em que seria o casamento de , um clube muito bonito e refinado. Ele teve de ir sozinho, pois fazia parte do dia da noiva e não poderia acompanhá-lo.
– Obrigada, você também está bastante bonito. Essa sua estilista é ótima, mande os parabéns. – brincou. – Mas a sua gravata está torta. – aproximou-se, ajeitando a gravata, e passou uma das mãos pelos cabelos dele. – Pronto.
– E então, quando vamos começar a beber?
– Ainda não, mas em breve podemos começar. – ela piscou e sorriu.
– Fico no aguardo.
– Nós devíamos ter começado a namorar antes, porque eu vou ter que dançar com meu ex.
– Vai dançar com seu ex? Mas por quê? – perguntou, confuso.
– Ele é irmão do Ian. E é o padrinho. As damas vão dançar com os outros, e eu, infelizmente, tenho que dançar com ele.
– Vai ser rápido. Faz isso pela sua amiga. Mas vocês já ensaiaram, como foi?
– Não foi. Eu não ensaiei com ele. Paguei um coreógrafo para me ensinar.
– A coisa foi feia assim?
– Ele me traiu. Um monte de vezes. E quando terminei com ele, depois de ficar sabendo, ele foi meio filho da puta comigo.
– Como assim?
– Não sei se quero falar sobre isso. Não agora, a poucos minutos do casamento da minha melhor amiga e tendo que conviver com ele tão de perto assim.
– Quando você se sentir à vontade, estarei à disposição para ouvir. – respondeu, dando um sorriso, e sorriu de volta.
– Agora preciso me juntar ao resto do pessoal, nos vemos depois. Sente do lado esquerdo. É o lado da família da noiva. – falou e deu um beijo no rosto de antes de se virar, saindo de perto e voltando para perto de outras quatro mulheres que usavam vestidos iguais aos dela, num azul-claro bonito.
Seguindo a dica, foi se sentar ao lado esquerdo, mais ao fundo do local, afinal não conhecia ninguém ali e considerava que quanto mais perto da saída melhor e mais fácil para chegar até a festa.
O casamento foi bonito, ainda que não gostasse de casamentos, em todo caso. chorou, muita gente chorou. estava muito bonita, e o noivo, Ian, olhava-a absolutamente encantado. Como se os dois não estivessem juntos quase a vida inteira e que ele já conhecesse cada detalhe daquele rosto, maquiado ou não. O que mudava era que estava com um vestido de noiva. Só. Pelo menos era isso que passava pela cabeça de enquanto ele assistia à cerimônia.
Quando, finalmente, a cerimônia terminou, o céu começava a escurecer, as pequenas lanternas que iluminavam o caminho e serviam de guia até o local da festa estavam acesas. Flores em vasos faziam parte da decoração e o local era amplo, aberto e muito bonito. Fotos eram tiradas dos noivos com convidados, com madrinhas e padrinhos, com familiares... E então eles foram dançar.
A dança dos padrinhos e damas foi ao som de uma das músicas de . E ela ostentava uma fisionomia de quem estava aproveitando e gostando muito de fazer aquilo, mas seus olhos gritavam de descontentamento por estar tão perto de quem ela não queria. observava atentamente aquela dança, fora da pista e abraçada a Ian, preparada para se enfiar no meio da dança se fosse necessário para separar aqueles dois.
O ex-namorado de a mantinha bem perto de si enquanto dançavam e falou algo em seu ouvido, fazendo com que desse um sorriso forçado e sua resposta foi suficiente para murchar um pouco o sorriso que ele ostentava. Quando a música acabou, aplausos foram ouvidos e ela logo se soltou, saindo de perto o mais rápido que conseguiu.
A dança dos noivos começou e ela se aproximou de .

– Você sobreviveu. – brincou e ela rolou os olhos, ajeitando sua gravata.
– Felizmente para você. – riu e se virou para a pista de dança, onde e Ian dançavam ao som de Ed Sheeran.
– Eu fiquei curioso... O que ele disse que te fez dar aquele sorriso forçado?
– Ele soltou uma cantada barata e disse que podíamos fazer um remember hoje, mandei ele dar uma conferida nas notícias a meu respeito e descobrir que tenho namorado. E que ele, inclusive, está aqui comigo.
– Acho que ele é quem ainda gosta de você. – falou em tom divertido e deu de ombros, pegando duas taças na bandeja do garçom que passava por ali, entregando uma para ele.
– Ele que enfie o amor n...
– Ok, eu entendi. – falou, rindo. – E então, você vai sentar lá – apontou para a grande mesa montada num nível mais alto que as demais. – e eu aqui?
– Lá só os noivos, pais e irmãos. Infelizmente você não vai se ver livre de mim hoje mais.
– Ah, que pena! Achei que conseguiria te dar um perdido. – brincou e ela virou todo o conteúdo da taça de uma vez. – Vai com calma.
– Eu estou calma. E sou alemã, nasci bebendo cerveja.
– Muito bom. – ele falou depois de tomar um gole da bebida.
– É, mas prefiro cerveja. E hoje eu prefiro muita.
– Vai com calma, porque imagina sair em capa de jornal passando vergonha?
– Vamos sentar lá logo, quero comer antes que meu estômago abra um buraco no meu corpo. – ignorou o que disse e saiu puxando-o pela mão até a mesa em que se sentaria com as damas.
– Nossa, ele é mais bonito ainda pessoalmente. – uma delas comentou. – Com todo respeito, .
– Eu sei. – concordou, rindo, e apontou para , dando um sorriso simpático. – Meninas, esse é o . , – ela falou, dessa vez apontando para cada uma das mulheres sentadas. – essas são Annie, Dallas, Gloria e Kristen.
– Muito prazer em conhecê-las. – falou, educado, e puxou uma cadeira para se sentar, que murmurou um agradecimento, e logo ele se sentou ao seu lado.
A comida começou a ser servida pouco tempo depois, e as cinco mulheres pareciam entretidas demais em comer e comentar coisas que não entendia e nem fazia questão de entender, e às vezes até riam enquanto conversavam sobre o que quer que fosse. Ele tratava de aproveitar cada garfada que dava, porque a comida estava realmente muito boa.
– Vocês dois vão ficar sentados? – a mulher apresentada como Dallas perguntou.
– Eu comi demais, preciso esperar um pouco antes de fazer meu agradecimento e poder dançar. – resmungou num tom de voz cansado e as quatro riram.
– Nós vamos dançar, estamos aguardando vocês. – Annie disse e assentiu, vendo as quatro mulheres saírem da mesa, deixando-a a sós com .
– Suas amigas parecem ser legais.
– São amigas da e do Ian, na verdade, mas elas são legais, sim.
– Você vai falar?
– É coisa rápida, aí poderemos nos jogar nessa festa de verdade.
– Você precisa descansar, .
– Vou viajar na semana que vem. Só tenho uma apresentação a fazer e então estarei de férias por vinte e poucos dias e vou viajar.
– Então esse é o famoso namorado de ? – uma voz masculina foi ouvida e se virou, dando de cara com o ex-namorado de parado ao lado da mesa. – Eu sou . Irmão do noivo, padrinho do casamento e o ex-namorado de .
– São muitos títulos, você devia experimentar colocá-los no currículo. – falou, dando um sorriso debochado, e recebeu um olhar de desprezo. – Em todo caso, eu sou . O atual namorado da .
– É, já ouvi falar de você.
– Fico feliz que tenha, porque eu nunca ouvi falar de você, isso talvez signifique que não haja tanta relevância na sua passagem pela vida da . – deu de ombros e pareceu irritado.
– E o que você quer, ? – perguntou sem paciência.
– Vim saber do seu namorado, se posso pedir a madrinha emprestada para uma dança. E para que ela faça seu agradecimento. – ele disse, olhando para .
– Se você acha que quem tem que permitir algo relacionado a ela sou eu, você está muito errado. Sou o namorado, e não o dono. Pergunte a ela se ela quer dançar, não a mim. – falou antes de tomar um gole da cerveja que estava à sua frente.
deu um sorriso de lado e não gostou muito do comentário.
pediu para eu vir aqui te chamar. – falou sem paciência.
– Ah, eu duvido muito que ela tenha falado para você vir falar comigo. – respondeu num tom debochado. – Mas pode ficar despreocupado, daqui a pouco eu vou até ela.
– E quanto a nossa dança?
– Não gosto de dançar. Não com você. – ela deu um sorriso forçado e se virou para . – Você veio de carro, né? Porque eu vim de táxi.
– Vim sim, linda, você já está pensando em ir embora?
– Não! – falou, rindo. – E, se eu fizer isso, me mata! Você ainda está aqui? – ela se virou para , que não respondeu, apenas saiu de perto bufando. – Argh, que preguiça.
– Acho que quer mesmo falar com você. – falou e apontou na direção em que gesticulava, tentando chamar a atenção de .
– Eu já volto. – disse e se levantou.
, para passar o tempo livre, tirou o celular do bolso e se deparou com uma mensagem de Hugo.

Hugo: viaja para Porto Rico na semana que vem, faça suas malas, você também vai.


Capítulo 4


– Eu não acho que isso seja uma boa ideia. – resmungou, olhando para , enquanto seguiam para a passagem de som da apresentação que faria no The Voice Kids na final do programa.
– E por que não? – perguntou confuso, mas sem desviar os olhos da rua enquanto dirigia.
, é muito recente! Dois meses de namoro e nós vamos viajar para o outro lado do Oceano Atlântico?
– Deixa de ser mente fechada, .
– Isso não vai dar certo.
– Vocês vão viajar e só vão se encostar e essas coisas quando estiverem em público.
– O que, claramente, é a maior parte do tempo. – ela resmungou.
– E ficar na companhia dele é ruim?
– Não. Ele é muito agradável, mas não acho que isso deveria acontecer agora.
– Você tem medo de alguma coisa acontecer nessa viagem?
– Ah, só se for mesmo! – disse e deu uma gargalhada. – É mais fácil nevar no deserto do que algo acontecer entre nós dois.
– Então qual o problema? – perguntou e ela não respondeu. – E ele gostou da ideia, acho que seria legal.
– Detesto que vocês três sejam maioria e eu seja a única com bom senso nisso tudo, mas, infelizmente, sou a única mulher envolvida, não dá para ser diferente mesmo. – resmungou e riu. – Tudo bem.
– Fico feliz que você tenha concordado, senão precisaríamos de uma excelente desculpa para que ele ficasse e você viajasse sozinha por quase um mês.
– Consigo pensar em, pelo menos, dez. – falou, fazendo rolar os olhos. – Não vejo a hora de descansar, esses últimos meses foram intensos demais e ano que vem vai ser ainda pior.
– Vai mesmo.
– E você vai viajar?
– Allie e eu vamos para a Grécia.
– Ela está com saudade do Olimpo? – brincou.
– Nós estamos. – respondeu, rindo.
– Preciso levar meu namorado às compras essa semana para irmos para Porto Rico.
– Preocupe-se com isso amanhã, agora você vai passar som e fazer uma apresentação e tanto mais tarde.
– Você acha que vai ser legal lançar esse single aqui?
– Vai. – deu um sorriso, mostrando empolgação. – Assim que você apresentar, as vendas começam no iTunes. Vou postar o teaser também no seu Instagram.
– Eu não sei se é inteligente lançar isso e eu sair de férias sem promover nada.
, você vai soltar um single, não o álbum.
– Ainda assim. – falou e parou na vaga que tinha sido destinada a ele na emissora.
Assim que saíram do carro e trancou as portas, os dois seguiram caminhando pela curta distância até o estúdio em que ela passaria o som.
– Quer reconsiderar? Podemos conversar com a Ash.
– Quero. Estou com medo de flopar. Prefiro cantar alguma antiga do que correr o risco de desperdiçar uma música nova, ainda mais que gosto muito dessa.
– Vou mandar uma mensagem para ela. Você pensou em tocar qual?
– Wir Sind Hier, para a ocasião é uma boa. – respondeu e assentiu, conferindo as mensagens no telefone.
– Ash disse que a decisão é sua. Vai segurar mesmo?
– Vou. – falou, prendendo o cabelo em um rabo de cavalo, ajeitou os óculos no rosto e o olhou.
– Então pode ajustar os novos detalhes com a banda. – falou.
assentiu, caminhando até a banda, enquanto ele ainda conversava com alguém por mensagens, provavelmente ainda falava com a produtora.
– Oi, pessoal, bom dia. – cumprimentou educada, dando um sorriso ao se aproximar da banda do programa.
– Bom dia. – eles responderam, simpáticos.
– Eu mudei a música que vou cantar.
– Você vai cantar qual? – o baterista perguntou, curioso.
– Wir Sind Hier.
– E como você está pensando em fazer? Os arranjos normais? Temos as partituras e tudo que é necessário? – um dos homens, o que estava de pé encostado no piano, perguntou.
– Pensei no piano, só. Vocês têm sugestões?
– Acho que na parte que você canta “Wir werfen anker aus 'nem rohr”, ia ficar legal se rolasse isso. – o baterista disse e usou duas baquetas, batendo nos pratos e fazendo um barulho trêmulo e suave.
– Você conhece essa música? – perguntou, surpresa.
– Todo mundo conhece suas músicas. – ele respondeu simpático e sorriu sem jeito. – Quer tentar ensaiar?
– Quero, sim, gostei da sugestão. – ela assentiu.
– Seu retorno está em cima do piano. – o baixista apontou. – Vai precisar de backvocal?
– Não, eu gosto dessa sem.
sentou-se ao piano, ajustou seu retorno e deslizou os dedos sobre as teclas sem emitir nenhum som. Respirou fundo antes de começar a cantar.

-x-


– Vem logo, , vai começar! – falou, empolgada, da sala. – Espero que ela lance alguma coisa. Pelo menos é essa a conversa do fandom.
– Seria um tiro no escuro, . Ela vai perder divulgação, soltar uma música nova antes de viajar por vinte dias é desperdiçar boa música, esse álbum novo está realmente fantástico.
– Desde quando você está tão entendido de divulgação de álbuns, hein? – implicou, empurrando o irmão com o ombro.
– Antes de viajar eu queria conversar com você, mas agora vamos apenas ver a apresentação.
– Ih, não gostei do tom. – disse séria e a abraçou pelos ombros.
– Relaxa. Vai começar. – deu um sorriso ao ver o apresentador do programa aparecer.
não sabia qual a música cantaria, mas sabia que gostaria, já que ele tinha mesmo começado a gostar de ouvir a voz dela.
– Boa noite! Hoje nós estamos aqui para as finais do The Voice Kids, já assistimos à apresentação de uma das candidatas e veremos agora uma das nossas atrações da noite. Ela é uma das cantoras pop mais influentes da atualidade, além de recordista de vendas e duas vezes nominada ao Grammy, arrasta multidões em seus shows, já lançou cinco álbuns e está prestes a lançar o sexto, ganhadora de prêmios e sempre quebra recordes de vendas, , cantando seu sucesso: Wir Sind Hier. – o homem disse e a câmera se deslocou até a mulher que estava sentada ao piano.
– Ah, eu adoro essa! – disse e deu um sorriso.
O foco da iluminação era apenas em , que estava concentrada, tocava o piano de olhos fechados e alcançava as teclas corretas sem precisar abri-los, conhecia muito bem sua própria música. A voz, suave, tornava a música ainda mais bonita.
nunca tinha perguntado quais eram as inspirações das músicas, apesar de saber de duas que ela tinha escrito para os pais, mas, de alguma forma, ele sabia que aquela música era especial, não tinha surgido do nada. Tanto pela letra, quanto pela forma que ela sempre a cantava.
Quando terminou a apresentação, foi aplaudida de pé por toda a plateia e pelos jurados do programa. abriu um sorriso que era um misto de alegria, satisfação e vergonha e se levantou do banco.
– Obrigada. agradeceu, ainda sorrindo.
– Eu fico impressionado como você consegue melhorar a cada vez que te ouço cantar ao vivo. – um dos jurados, Sasha, disse e ela sorriu.
– Obrigada. agradeceu novamente, dessa vez um pouco mais sem jeito, e se despediu da plateia, saindo do palco.
Não poderia se demorar, porque as apresentações precisavam continuar e ainda tinham outras atrações.
– Você é um namorado muito babão. – implicou ao ver que o irmão tinha postado um stories da apresentação.
– Estou apenas apoiando minha namorada, cala a boca. – resmungou e a empurrou de leve com o ombro, fazendo a irmã rir.
– Tão bonitinho ver você apaixonadinho. – ela o abraçou, cutucando sua barriga e tentou se afastar, mas não conseguiu.
– Sai aqui! Mãe! – ele chamou pela mãe, em tom mimado, e a irmã riu.
– Vocês dois já estão bem crescidinhos, resolvam-se sozinhos. – a mãe falou alto da cozinha.
– E então, o que você vai fazer nas férias?
– Vou viajar com a para passar uns dias em Porto Rico. – respondeu, dando de ombros.
– Você vai viajar? – perguntou surpresa. – Bom, é o apocalipse mesmo.
– Eu acho que você devia ir com a gente.
– Você quer me levar na sua primeira viagem com sua namorada? – gargalhou.
– E por que não?
– Eu não vou viajar para ficar de vela, . Deixa de ser idiota. – disse, ainda rindo.
– Acho que e Ian vão encontrar com a gente por lá.
– Pior ainda, outro casal!
– Você é muito chata.
– E então, o que você queria falar comigo? – desligou a televisão e mudou de assunto.
– Não quero falar sobre isso hoje.
volta para cá hoje?
– Pelo que me disse, sim. – deu de ombros. – Vou perguntar. Até porque amanhã ela quer comprar algumas coisas para viajarmos.
– Claro, porque você é uma negação. – provocou e rolou os olhos. Antes que pudesse ligar, a própria o fez.
– Alô.
– Oi.
– Você foi ótima.
– FOI ÓTIMA, CUNHA! – falou alto e riu.
– Obrigada. Agradeça a por mim.
– Você volta hoje?
– Eu estou indo para o aeroporto agora, inclusive. E essa ligação é para falar sobre isso, você me busca?
– Claro. Que horas você chega?
– Vou sair daqui quinze minutos, em uma hora eu chego.
– Vou tomar um banho e te busco.
– Nós vamos às compras amanhã, então você dorme lá em casa. falou animada e resmungou. – Não resmunga, porque é Porto Rico!
– Eu sei que é Porto Rico, os meus resmungos são para sua animação em fazer compras.
não quer viajar com a gente? Ela e o namorado?
– Não. – ele suspirou. – Mas nós falaremos disso mais tarde.
– Está tudo bem?
– Só o de sempre.
– Ah. Entendi. Então a gente se vê e se fala daqui a pouco.
– Você me dá muito trabalho, . – ele disse, rindo.
– E eu quero comer.
– E o que você quer?
– Eu queria alguma massa bem gostosa.
– Compramos na volta do aeroporto e você come quente, pode ser?
– Você é um anjo, talvez eu te deixe ganhar no FIFA.
– E talvez eu deixe você ganhar no Counter Strike.
– Retiro o que eu disse. disse, fingindo estar brava, e riu.
– Cala a boca e embarca logo. – falou, ainda rindo, e desligaram. o olhava com uma expressão encantada. – Que foi?
– Que bonitinho, você todo fofinho com sua namorada.
– Ah, , vá procurar um serviço. – disse num tom fingido de mau humor e ela deu um sorriso. – Ela perguntou se você não quer mesmo ir com a gente.
– Vou ficar por aqui, até porque tenho que trabalhar.
– Fica para a próxima. – deu de ombros, ainda que soubesse que não haveria uma próxima vez.
– Assim espero. Agora vá tomar banho e ficar cheiroso para ver minha cunhada.
– Cuida da sua vida. – resmungou e passou pela irmã, que estava sentada no sofá, dando-lhe um tapa leve na testa.
xingou um palavrão e ameaçou ir atrás do irmão para descontar. riu e correu o mais rápido que podia escada acima, enfiando-se no banheiro do quarto para tomar banho.

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Quando finalmente apareceu, fotógrafos estavam esperando, além de alguns fãs, a quem ela atendeu prontamente e com toda atenção como sempre fazia. Ela vinha com uma mochila nas costas, sua única bagagem. Usava uma camisa do Iron Maiden, uma calça jeans simples de lavagem clara, um tênis e os óculos de grau, sem maquiagem e sua feição era cansada.
Os flashes eram impiedosos e tão logo começaram, estava escoltada por dois seguranças, que a ladeavam e afastavam os fotógrafos até que ela conseguisse sair da área de desembarque e chegar a para que os dois pudessem, finalmente, ir embora dali.
deu um beijo no dorso da mão dela, antes de entrelaçarem os dedos e seguirem até o carro, ainda acompanhados pelos seguranças. Ouviram alguns “é só isso?”, mas não se deram ao trabalho de responder. Entraram no carro e alguns flashes foram disparados antes que ele conseguisse arrancar e sair do aeroporto. No carro de trás, os seguranças fizeram a mesma coisa.
, você precisa descansar. – falou, enquanto dirigia até o restaurante italiano que fica perto da casa dela. estava com a expressão cansada, olheiras e prestes a dormir a qualquer segundo.
– Preciso. – resmungou. – Cancela o macarrão e vamos para casa.
– E pode dormir bastante, sem limites de horários.
– Certo. – ela resmungou sonolenta.
– Mas não dorme ainda, subir te carregando não está nos meus planos. – brincou e voltou a resmungar, ligando o rádio.
– E então, qual é a história da ?
– Conversamos sobre isso amanhã. – respondeu sem olhá-la, enquanto dirigia.
– Você gostou da apresentação?
– Gostei. Essa música é muito bonita, é uma das minhas favoritas. – ele a olhou rapidamente e a viu sorrir agradecida. – Sua voz é maravilhosa.
– Obrigada. Eu gosto muito dessa música.
– Ela tem uma história?
– Tem, mas não vamos falar sobre isso agora, depois eu te conto. – disse e bocejou. – Acho que vou dormir metade dessa viagem.
– Você precisa descansar mesmo. – ele disse e virou a rua, entrando na rua em que mora. Sem fotógrafos, um milagre.
estacionou o carro à frente do prédio de e os dois desceram, antes do carro dos seguranças passar por eles e buzinar em despedida. Ele pegou a mochila de , colocou sobre os ombros e os dois entraram no prédio, cumprimentaram o porteiro e esperaram pelo elevador que não demorou tanto a chegar.
seguiu direto para o próprio quarto, estava cansada demais para fazer cerimônia ou tentar desenvolver uma conversa decente, a única coisa que queria era sua cama e mais nada. seguiu para o quarto em que tinha ficado da última vez e foi se preparar para dormir, escovou os dentes, trocou de roupa e se deitou. O dia seguinte prometia ser cheio quando , finalmente, acordasse.

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– Você dormiu por quinze horas e meia, . – falou, rindo, quando desembarcaram em San Juan, após reclamar de ainda estar com sono.
Ainda tinham um trajeto de trinta e sete minutos até a cidade em que ficariam, Dorado.
– Cala a boca e não enche o saco. – resmungou mal-humorada, esfregando os olhos e colocando os óculos de sol em seguida.
e Ian chegariam dali dois dias e ficariam por cinco, depois voltariam para a Alemanha e para suas vidas, enquanto e terminariam de passar as férias naquele paraíso chamado Porto Rico.
Os dois ficariam em um bangalô de casal no resort à beira da praia, com piscina na varanda, dois banheiros, televisão, frigobar... e apenas uma cama. A ideia não parecia muito boa para , mas antes que ela falasse alguma coisa, já tinha sugerido dormir no sofá, então não teriam problemas.
Os trinta e sete minutos de carro, previamente alugado no aeroporto, foram em total silêncio, já que tinha voltado a dormir. O carro foi deixado no estacionamento do resort, e após descarregarem o porta-malas, seguiram juntos para fazer o check-in na recepção. O dia estava abafado, uma chuva fina os acompanhou por todo percurso, mas não tinha aliviado em nada o calor e o ar abafado.
Após o devido registro, os dois seguiram para o bangalô, que nem se deram ao trabalho de saber como era, teriam dias suficientes para fazê-lo com calma, naquele momento queriam apenas descansar da viagem longa que fizeram. se jogou na cama e voltou a dormir, nem considerava ser humanamente possível que ela ainda estivesse com sono, já que tinha dormido as dezesseis horas da viagem.
mal tinha dormido no avião, estava cansado, e por sorte o sofá que ficava no canto do amplo quarto, era grande, ele podia dormir sem problemas de espaço, e torcia para que o sofá também fosse tão confortável quanto parecia, já que seriam vinte dias dormindo ali e não queria uma dor nas costas para atrapalhar suas férias naquele paraíso.
Antes de dormir, tomou um banho frio, ainda que estivesse chovendo, o tempo permanecia abafado e quente, vestiu uma cueca e uma bermuda, secou o cabelo mal e porcamente, ligou o ar-condicionado e se deitou no sofá, dormindo quase imediatamente.

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acordou com o barulho de seu estômago roncando alto, se não fosse isso, poderia muito bem continuar dormindo até o dia seguinte. Ou até mesmo depois disso. O relógio ao lado da cama marcava dezesseis horas e trinta e dois minutos. Sentia-se dolorida pela quantidade de horas passadas dormindo, mas ao mesmo tempo o corpo parecia implorar por outras dezenove horas quase ininterruptas de sono.
Antes que pudesse fechar os olhos novamente para atender a esse desejo, seu estômago voltou a roncar alto e se obrigou a sair da cama, que tinha considerado maravilhosa, tomar um banho e ir procurar algo para comer.
As malas estavam perto do sofá em que estava deitado, dormia um sono pesado e profundo, até roncava. pegou uma das próprias malas, tirou uma muda de roupas e foi para o banheiro e “marcou território”. Não para proibir de usar aquele banheiro, mas na intenção de mostrar que ela teria a preferência em caso de extrema necessidade, e ele que subisse as escadas e usasse o banheiro que ficava no andar de cima, onde, descobriu, ficava um cômodo do tamanho do quarto, mas vazio, uma janela de vidro enorme dava uma vista linda para o mar à frente. E lá também havia um banheiro, do tamanho do banheiro do andar inferior. Ele não sairia perdendo.
A chuva continuava, ainda preguiçosa, e o clima permanecia abafado o suficiente para que fizesse calor. vestiu uma camiseta, shorts, calçou um chinelo e penteou os cabelos, indo contra as recomendações de todos os profissionais sobre não se pentear os fios ainda molhados.

– Vai sair? – ouviu a voz rouca de enquanto caminhava até a porta. Ele estava sentado no sofá, esfregava os olhos, tentando afastar o sono, e depois passou os dedos pelos cabelos.
– Eu estou com fome.
– Eu também. – ele se pôs de pé e se espreguiçou, voltando a passar a mão pelo rosto. – Vou lavar o rosto e procuraremos algo para comer.
– E vestir uma roupa, claro.
– É, isso também. – ele respondeu ainda sonolento e se arrastou até o banheiro.
sentou-se na cama, pegou o celular e conectou-se à rede Wi-Fi do lugar, avisou aos pais e a que tinha chegado há algumas horas e não avisou antes porque tinha dormido, mas que estava tudo bem e que depois ela daria mais notícias. Não abriu nenhum aplicativo ou outras conversas, sabia que era um caminho sem volta e acabaria por horas vendo fotos, mensagens, tweets e posts ao invés de ir comer.
saiu do banheiro com uma feição menos sonolenta, ainda sem camisa, e se debruçou sobre as malas, pegando uma camiseta e a vestiu, colocando chinelos e um boné virado para trás. Os dois saíram calados do bangalô, seguindo pela pequena trilha que os levaria à recepção, pediria informações sobre onde poderiam ir para comer.
– Você avisou sua mãe que já chegou? – perguntou e negou com um aceno. – Cadê seu celular?
– Ficou no quarto. – ele deu de ombros.
– ¡Hola! – a recepcionista sorriu educada ao cumprimentá-los.
O nome do hotel, “Dorado Beach, a Ritz-Carlton Reserve”, estava estampado na blusa que ela usava e na parede atrás dela.
– ¡Hola! também a cumprimentou sorrindo e continuou falando em espanhol. – Há algum restaurante aqui perto?
– Dentro do hotel ou fora?
– Dentro, hoje não estamos com tanto ânimo para passeios. – falou, usando um tom descontraído, e a mulher deu um sorriso.
– Há um restaurante aqui, o Mi Casa, de culinária local. Vocês sairão daqui da recepção pelo caminho que vieram, virarão na primeira à esquerda e seguirão reto por poucos metros. Mas o jantar só começa a ser servido às seis. – ela falou e assentiu.
– Obrigada. – agradeceu e a recepcionista sorriu.
encarava a conversa sem entender e o puxou pela mão até saíram da recepção.
– Vamos comer?
– O jantar só começa a ser servido às seis. Eu não aguento esperar mais de uma hora, eu estou morrendo de fome. Quer sair e procurar algum lugar?
– Quero. Você pegou seu celular? – perguntou e assentiu em confirmação. – Procura no Google pelos restaurantes próximos e vamos comer.
– Até que você é inteligente. Come capim é porque gosta mesmo. – implicou, tirando o celular do bolso do short e foi procurar pelos restaurantes próximos. – Tem um Applebee’s e um chamado Metropol, de culinária local.
– Então vamos para o Applebee’s, teremos muito tempo para experimentar comida local outra hora, no momento eu quero qualquer coisa para acalmar o monstro que está no meu estômago.
– Somos dois. – concordou e os dois saíram a pé do resort.
O trajeto foi feito em dez minutos e os dois descobriram que o restaurante ficava num shopping, ou seja, teriam mais opções de alimentação.
– Você já fez algum show aqui? – perguntou quando se sentaram à mesa na praça de alimentação.
– Não, minha fanbase aqui é pequena, é difícil fazer shows em lugares assim. Tenho fãs aqui, mas não a quantidade suficiente para que os empreendedores queiram que eu venha me apresentar.
– Entendi.
– E então, você vai contar a história com a ? – perguntou, enquanto comia uma das batatas fritas do prato.
– Ah, o de sempre. – suspirou e a olhou. – O namorado dela é um otário. Ele não tem um pingo de respeito por ela e nem pelo relacionamento deles, mas acha que eu falo por implicância, por ser o mais velho. Eu tenho medo que ela esteja em um relacionamento abusivo e não tenha se dado conta, porque é descarada a forma como ele te olha quando estamos no mesmo ambiente, como ele é um babaca e os comentários que faz sobre outras mulheres e sobre ela.
– Você já tentou conversar com ela? Sem usar o tom do irmão mais velho.
– Acho que sempre acabo usando, é natural da preocupação de um irmão mais velho. – suspirou. – Na verdade, não sei nem se é possível não usar esse tom. Ela é minha irmã mais nova, só quero cuidar dela e que ela tenha o melhor.
– Fala isso para ela, mas sem usar o tom de posse que todo irmão mais velho tem, ainda que sem querer. Diz como você tem percebido que ele não é o que diz ser, sobre o comportamento e o que te faz crer que é um relacionamento abusivo. Você acha que ele bate nela?
– Eu espero que não, porque eu o mato se isso acontecer. – falou, sério.
– Conversa com ela quando voltarmos. Aliás, por que ela não quis vir?
– Ela sabe que não gosto do Höward, eu a convidei, mas ela falou que não queria ser vela, ou seja, entendeu que o convite não se estendia ao namorado. Ainda bem, porque falar isso geraria uma briga que eu não estava disposto a ter.
– Você quer que eu fale com ela? Acho que de mulher para mulher a conversa fica menos... tensa.
– Não sei. – ele suspirou e voltou a comer uma das batatas. – O bom tempero é universal.
– Você já conseguiu fazer uma refeição com tanta paz e tranquilidade assim na sua vida? – perguntou, seguindo a deixa da mudança de assunto e ele a olhou. – Não que eu não goste dos meus fãs, não disse isso, mas eu sinto falta de conseguir sair sem ser perseguida por fotógrafos e essas coisas.
– Eles não vão aparecer por aqui?
– Ah, eles vão, pode ter certeza. – falou e lhe direcionou um olhar complacente. – Talvez demorem até semana que vem. Se postarmos fotos, temos que tomar cuidado para não mostrar localização.
– Eles podem pesquisar sua localização, não? Jogar seu nome no Google para saber sobre reservas de hotéis.
– Essa reserva está no nome da Glória. – disse, sorrindo. – Ela me emprestou o nome para que eu pudesse descansar de verdade e em paz. Então, se pesquisarem por mim, não vão encontrar nada. Nós saímos do prédio em outro carro, ou seja, ainda não sabem estamos na Alemanha. Quer dizer, vão começar a suspeitar quando não virem nenhum rastro meu por lá e caso eu poste fotos, mas para todos os efeitos, estou em casa.
– Inteligente. – disse, dando um sorriso, e os dois terminaram de comer enquanto trocavam poucas palavras.
Antes de irem embora, deram uma volta no shopping e tomaram sorvete antes de voltarem para o resort em paz, sem serem parados por fãs pedindo fotos e autógrafos. Aquela era a primeira vez, em quase dez anos, que conseguia andar na rua sem seguranças e totalmente em paz, sem medo das abordagens das pessoas.
Por mais ingrato que pudesse parecer, queria mais momentos como aquele, de um quase anonimato e esquecimento. Mas, quanto mais ela tentava não aparecer, mais sua vida se tornava destaque em todos os jornais e revistas do mundo.
Ao retornarem ao resort, resolveu ficar na cama ouvindo música, enquanto algumas palavras dançavam em sua mente numa possível nova composição, mas esvaíram-se ao ver na piscina da varanda.
– Essa viagem vai dar muito errado. – sussurrou para si antes de desviar os olhos de volta para o teto.


Continua...



Nota da autora: Eu falei que não ia demorar tanto dessa vez e cumpri. Parabéns pra mim que não fiz mais que minha obrigação.
E como eu tenho bastante coisa escrita, vou tentar enviar as atualizações com mais frequência, pelo menos uma por mês.
A nota hoje é curtinha e eu queria deixar apenas dois recados:
1) Fiz um grupo no Facebook, esse aqui e,
2) Como eu tenho zero coisas pra cuidar na minha vida, eu fiz um Instagram pra PP de Trato Feito. É o @catheinze_. A ideia surgiu depois de ver alguns de algumas PPs de fanfics que eu leio e eu resolvi copiar. Vou postando umas fotos e uns spoilers lá (e no grupo. Sério.)
Enfim, era isso. E eu volto em breve com mais atualizações. Palavra de escoteiro.

Qualquer erro nessa fanfic ou reclamações, somente no e-mail.


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